Colômbia

Fim-de-semana de violência contra dirigentes sociais na Colômbia

No espaço de 24 horas, várias organizações denunciaram o assassinato de 4 dirigentes sociais em departamentos colombianos, que se juntam aos 140 reportados este ano no relatório mais recente do Indepaz.

Dirigentes sociais, defensores dos direitos humanos, líderes indígenas, sindicalistas, dirigentes de organizações agrícolas e defensores da participação voluntária na substituição de cultivos para uso ilícito continuam a ser assassinados na ColômbiaCréditos / elcampesino.co

Salvador Jaime Durán, dirigente agrícola, foi morto com cinco disparos na vereda de Filoguamo (município de Teorama), na região do Catatumbo (departamento de Norte de Santander).

De acordo com a Associação Camponesa do Catatumbo (Ascamcat), o assassinato ocorreu este sábado e terá sido uma execução extrajudicial perpetrada por agentes do Exército colombiano. Em comunicado, o organismo afirma que «pessoas de uniforme foram vistas a fugir do local dos factos», tendo-se juntado depois a uma patrulha militar do Exército.

Por seu lado, o assassinato de Yeffer Yoanny Vanegas foi perpetrado ontem na jurisdicção de Cachicamo, na região do Guayabero, localizada entre os departamentos de Meta e Guaviare. Vanegas era um dirigente agrícola que exigia a implementação do plano de substituição de cultivos para uso ilícito, tal como como ficou consagrado nos acordos de paz firmados entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), em Novembro de 2016.

Num comunicado, a Associação de Camponeses e Trabalhadores da Região do Rio Guayabero (Ascatragua) revela que Vanegas tinha participado em mobilizações pacíficas desde 20 de Maio último para se opor à erradicação forçada dos cultivos – mobilizações que o goverdador do departamento de Meta acusou de serem organizadas por grupos guerrilheiros.

Ovidio Baena, de 68 anos, era dirigente sindical no sector petrolífero (membro da Unión Sindical Obrera) e militante da Colombia Humana. Terá sido assassinado em Macayepo, no município de El Carmen de Bolívar (departamento de Bolívar), e o seu corpo foi encontrado na quinta onde vivia.

Gustavo Petro, senador dessa força política, denunciou o assassinato na sua conta de Twitter e acusou as forças militares de se recusarem a reconhecer que «a região de Montes de María [localizada nas Caraíbas colombianas] está a ser tomada pelo paramilitarismo».

Neste domingo, foi também denunciado o assassinato de Javier Uragama, jovem governador indígena de Agua Clara (município de Bajo Baudó, departamento de Chocó). A Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) referiu que Uragama, de 22 anos, estava desaparecido havia dois dias e que foi encontrado morto ontem, com marcas de tortura.

O organismo pediu às autoridades que investiguem este novo homicídio e que garantam a defesa e a protecção dos defensores dos direitos humanos nesta região do país, onde tem vindo a ser apontada a presença de grupos paramilitares.

De acordo com a mais recente actualização dos dados divulgados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), feita a 23 de Junho, foram assassinados na Colômbia 140 dirigentes sociais desde o início do ano.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/fim-de-semana-de-violencia-contra-dirigentes-sociais-na-colombia

EUA devem devolver à Colômbia seu prisioneiro político Simón Trinidad

por WT Whitney, Jr. [*]

 Violência e oligarquia assassinas estiveram no centro da vida política colombiana ao longo de todo o século XX. Milhões de colombianos foram marginalizados, empobrecidos e / ou deslocados de pequenas propriedades. A violência e os fracassos da democracia liberal fizeram de Simón Trinidad um revolucionário. Poucos nos Estados Unidos e na Europa sabem dele. Os aliados da Colômbia em ambos os lados ignoram o regime terrorista colombiano.

Simón Trinidad importa; chegou a hora dele. Este líder das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) enfrentou acusações criminais bizarras e sem fundamento num tribunal dos EUA. Ele está preso em condições cruéis numa prisão federal em Florence , Colorado. Morrerá ali, a menos que seja libertado. Simón Trinidad completará 70 anos em 30 de Julho.

Uma campanha internacional está a exigir que o governo dos EUA devolva Simón Trinidad à Colômbia. A seguir, um apelo em nome dessa campanha. Aqui estão alguns factos:

 

  • O seu nome de nascimento é Ricardo Palmera. Sua família era formada por advogados, políticos e proprietários de terras e residia em Valledupar, departamento de Cesar, Colômbia. Ali, Palmera trabalhou como banqueiro, ensinou economia numa universidade regional e administrou as propriedades agrícolas da sua família. Afiliado ao Partido Liberal, ele era favorável à reforma agrária. Então Palmera ingressou na União Patriótica, de esquerda, constituída em 1985.
  • Essa coligação eleitoral foi imediatamente sufocada pela violência e por assassinatos. Os camaradas próximos de Palmera estavam a ser mortos. Outros partiram para o exílio. Em 11 de Outubro de 1987, assassinos mataram o candidato presidencial da União Patriótica Jaime Pardo Leal, alguém que Palmera admirava muito. Ao descobrir que também estava prestes a ser morto, Palmera deixou Valledupar e aderiu às FARC. Ele adoptou o nome de Simón Trinidad.
  • Nesta insurgência, Trinidad era responsável pela propaganda e educação política. Ele actuou como negociador da paz. Em Dezembro de 2003, Trinidad estava no Equador a preparar-se para se reunir com o responsável das Nações Unidas, James Lemoyne, a fim de discutir os planos das FARC de libertar reféns. Em 2 de Janeiro de 2004, foi preso naquele país – com a ajuda da CIA – e dois dias depois foi entregue à Colômbia. Ficou sob custódia até 31 de Dezembro de 2004, quando o governo colombiano o extraditou para os Estados Unidos.
  • Simón Trinidad enfrentou quatro julgamentos de júri entre Outubro de 2006 e Abril de 2008. O primeiro julgamento terminou num impasse do júri, o segundo condenou-o e o terceiro e quarto julgamentos terminaram com júris num beco sem saída por acusações falsas de tráfico de drogas. A sua condenação foi por ter conspirado com outros membros das FARC – terroristas aos olhos do governo dos EUA – para capturar e manter reféns três contratados da guerra às drogas dos EUA.
  • O primeiro juiz de Trinidad foi substituído depois de ter entrevistado ilegalmente jurados para obter informações potencialmente úteis aos promotores no seu segundo julgamento.
  • O novo juiz sentenciou Simón Trinidad a 60 anos de prisão, 20 anos para cada um dos três contratados norte-americanos mantidos reféns pelas FARC. Trinidad tinha então 57 anos.
  • Ele está a cumprir sua sentença numa prisão federal "supermax" dos EUA. Trinidad permaneceu em confinamento solitário desde que chegou aos Estados Unidos até 2018. Actualmente ele pode comer a refeição do meio-dia num refeitório. Está proibido de receber cartas, emails ou jornais. As chamadas telefónicas são limitadas. Os visitantes são raros e muito poucos, além dos advogados americanos.

As negociações de paz entre as FARC e o governo colombiano ocorreram em Havana de 2012 a 2016. A delegação das FARC procurou a presença de Simón Trinidad lá como porta-voz e negociador. O governo da Colômbia nunca solicitou às autoridades de Washington que o libertassem para esse fim. Não há indicação de que o último teria feito isso.

O acordo de paz final previa uma "Jurisdição Especial para a Paz". Lá, ex-combatentes de ambos os lados do conflito têm a oportunidade, se quiserem, de falar a verdade sobre os crimes que podem ter cometido e o tribunal decidir por perdão ou punição. Simón Trinidad escolheu participar. Para fazer isso, ele precisa estar na Colômbia.

A defesa

Como alguém que buscava justiça para os oprimidos e era fiel aos seus princípios, Trinidad agora pede justiça para si próprio. Alguns activistas da solidariedade podem justificar seu apoio a ele com base em apenas um ou dois aspectos de sua vida política. Na verdade, há uma lista completa de boas razões para exigir que o governo dos EUA devolva Simón Trinidad à Colômbia.

     1. O governo dos EUA deve permitir que Simón Trinidad compareça perante a Jurisdição Especial para a Paz. Desse modo, mostraria respeito pelo Acordo de Paz entre as FARC e o governo colombiano.

     2. O governo dos EUA violou os direitos legais e humanos básicos de Trinidad. Trinidad foi extraditado como traficante de drogas, o que ele nunca foi. Foi acusado de rebelião, o que é um crime político. Os tratados de extradição e a lei internacional de direitos humanos proíbem a extradição por crimes políticos. O governo dos EUA submeteu Trinidad a processos judiciais irregulares. Seu juiz aplicou uma sentença excessivamente selvagem a um crime que não cometeu. Suas condições de prisão são desumanas.

     3. A intervenção dos EUA na Colômbia provocou os maus-tratos sofridos por Simón Trinidad nas mãos dos EUA. Seu resgate teria implicações anti-imperialistas. O governo dos EUA há muito presta assistência militar à Colômbia, principalmente por meio de seu Plano Colômbia, em vigor após 2000. Se bem que visasse ostensivamente os traficantes de drogas, o Plano Colômbia era apontado às FARC. Como negociador de paz das FARC altamente visível nas negociações com o governo colombiano em Caguán (1999-2001), Simón Trinidad tornou-se um prisioneiro troféu. O Plano Colômbia preparou o terreno, tendo ajudado a torpedear as negociações de paz.

     Aparentemente a captura e extradição de Trinidad, revelava a natureza impositiva (top-down) das relações imperialistas com as nações clientes. Talvez para agradar o seu patrão, o governo da Colômbia quase imediatamente sinalizou sua intenção de extraditar Trinidad para os Estados Unidos, antes mesmo de ter sido anunciada uma acusação criminal. E a oposição política da Colômbia afirma sistematicamente que a soberania nacional é diminuída toda as vezes que prisioneiros como Simón Trinidad são encaminhados aos Estados Unidos para processo e punição.

     4. Activistas solidários de muitos países há muito admiram os trabalhadores e os marginalizados da Colômbia que se levantam contra uma classe dominante dedicada à pilhagem e à opressão. Eles assim o fizeram ao juntarem-se a movimentos de resistência indígenas e afro-colombianos, sindicatos, partidos políticos de esquerda, a FARC e outras insurgências. Simón Trinidad estava nessa luta. Também com base nisso, ele merece apoio na sua campanha para retornar à Colômbia.

     5. Simón Trinidad foi e é um revolucionário. A tarefa dos progressistas em toda a parte é combater a opressão e a injustiça. Mas agora muitos deles estão aprendendo a verdade sobre o capitalismo. Eles vêem mudanças climáticas no horizonte, mas o colapso pandémico e económico já está aqui. Muitos dos que agora abraçam a opção revolucionária têm boas razões para estar ao lado de Simón Trinidad.

Como membro das FARC, Simón Trinidad viu a violência contra a União Patriótica transformar-se num massacre. Muitas das vítimas de assassinato, estimadas 5000, eram antigos membros das FARC que participavam em actividades políticas eleitorais. A violência assassina e a guerra entre ricos e pobres ainda estão no centro da política colombiana. Após a assinatura do Acordo de Paz, assassinos mataram mais de 200 ex-combatentes das FARC e centenas de líderes políticos e comunitários, sobretudo nas áreas rurais. O governo dos EUA, aliado aos partidários da violência na Colômbia, é cúmplice.

Essa violência ajudou a colocar Simón Trinidad no caminho revolucionário. Uma boa maneira de demonstrar repulsa à promoção estado-unidense da violência na Colômbia é aderir à luta pelo imediato retorno de Simón Trinidad à Colômbia.

25/Junho/2020
Para mais informações sobre a campanha pelo retorno de Simón Trinidad à Colômbia, acesse https://www.libertadsimontrinidad.com/ . Para perguntas ou ofertas de apoio contacte simontrinidadlibre[arroba]gmail.com.

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/colombia/simon_trinidad_25jun20.html

Colômbia: Que cesse a farsa da guerra contra o narcotráfico

por Iván Márquez [*]

A maior fábrica de mentiras do mundo é a Casa Branca dos Estados Unidos. O "cartel de los soles" é só um nome chamativo para enganar incautos. Não existe. Qual é a sua estrutura? Quem são os integrantes do famoso cartel? Isso é uma invenção envenenada saída da poderosa fábrica de fakes new e de desinformação manipulada por Washington. A vinculação dos negociadores de paz das FARC-EP, Iván Márquez e Jesús Santrich a uma organização nebulosa, utilizada para justificar a injusta agressão dos Estados Unidos à Venezuela, deve ser classificada como infame. Rememora a injustiça contra Simón Trinidad. Que cartel de los soles nem que c***! Deixem que a verdade pura e limpa abra suas asas e voe livre, para que o mundo possa ver a implosão de uma mentira lançada ao vento.

A guerra contra as drogas é um fracasso e uma fraude. Jesse Ventura, ex-governador de Minnesota, denunciou há anos que a DEA e a CIA financiam a desestabilização de governos democráticos e soberanos com dinheiros do narcotráfico. E fazem-no porque consideram improvável, por ser imoral, a aprovação pelo Congresso de recursos destinados a uma causa tão horrível quanto inapresentável. Essas agências sabem também que jamais obteriam a aprovação do povo dos Estados Unidos para propósitos tão sujos. Isso explica porque na grande nação do norte não existe uma perseguição coerente à máfia da distribuição de cocaína, que é o que finamente se revela com os exorbitantes lucros do negócio.

A postura do governo de Washington contra o narcotráfico é totalmente hipócrita. É cega ou finge sê-lo quando as condutas delituosas contribuem para reforçar sua ambição de predomínio.

Por esta altura, quem não sabe que Iván Duque foi eleito presidente da Colômbia com dinheiro da máfia colectados pelo narcotraficante conhecido como o "Ñeñe Hernández", dinheiros mal ganhos que se utilizaram para a fraude eleitoral e a compra de votos. A esse senhor Duque deveria se aplicada a revogação do mandato e, também, o que ele próprio pediu como candidato presidencial: que não só sigam para o cárcere os tesoureiros das campanhas como também os próprios candidatos.

Mas as pegadas do ex-presidente Uribe nas suas antigas andanças pelos caminhos do narcotráfico são muito mais profundas, porque sendo Director da Aeronáutica Civil autorizou a Pablo Escobar a utilização de pistas clandestinas, licença que lhe permitiu despachar aviões repletos de cocaína em direcção aos Estados Unidas. Em dinheiro vivo, foi Uribe quem tornou Escobar famoso ao abrir-lhe o corredor aéreo para o norte, o que finalmente o catapultou como o mais poderoso capo mafioso da época. Com razão Pablo Escobar, agradecido, referia-se ao jovem funcionário como "esse bendito rapaz". Dizem que Uribe sempre foi descarado. E talvez por isso permitiu, sendo presidente, a utilização do aeroporto internacional de El Dorado de Bogotá para despachar, por essa grande porta, enormes carregamentos de cocaína e que, por essa mesma via, retornassem alguns lucros. Bem, e até o embaixador de Duque no Uruguai, o senhor Sanclemente, tinha um laboratório de processamento de cocaína nas adjacências de Bogotá.

E estes hipócritas ofendem-se quando alguém, ao ver a realidade, conclui que a Colômbia é um narcoestado. Perseguem com sanha o degrau mais fraco da cadeia, que são os camponeses pobres, mas nunca os banqueiros e empresários lavadores de activos. Perguntem à actual vice-presidente, Marta Lucía Ramírez, que enquanto pagava sigilosamente a fiança do seu irmão Bernardo, preso nos Estados Unidos por tráfico de heroína, e tendo relações turvas com o mafioso conhecido como o "Memo Fantasma", quer comer vivos os camponeses, as pobres "mulas", e condená-los por séculos e séculos...

O povo estado-unidense deveria ajudar o seu governo a remover a vergonhosa venda "que não o deixa ver".

Está claro: A Casa Branca utiliza presidentes fracos, com rabos-de-palha. Oferece-lhes imunidade desde que se convertam nas suas marionetes. E as melhores marionetas que tiveram na América do Sul foram, sem dúvida, Álvaro Uribe e Iván Duque da Colômbia. Por isso, para eles não há perseguição nem castigo judicial.

Os mentirosos, como os burros, juntam-se para se coçarem.

EncerSimon Trinidad.ro estas linhas rememorando a injusta montagem judicial de Álvaro Uribe e seu Promotor Geral de bolso, senhor Camilo Osorio, mediante a qual foi extraditado para os Estados Unidos o impecável líder guerrilheiro Simón Trinidad, sob a acusação mentirosa de narcotráfico. A opinião pública recorda que Simón derrotou nos palcos judiciais desse país a mentira dos dois abjectos personagens. Tiveram que inventar outra acusação, alheia ao motivo da sua extradição, para podê-lo condenar: o de ser integrante do Estado-Maior Central das FARC. E foi assim que o condenaram a 60 anos de prisão, dos quais já purgou mais de 15. Actualmente está preso num dos cárceres mais desumanos dos Estados Unidos, o de Florence, Colorado. Informo ao mundo nessa prisão encontra-se agrilhoado um homem inocente chamado Simón Trinidad, para o qual peço solidariedade e justiça, e através dela a sua libertação. Simón nunca foi integrante do Estado-Maior Central das FARC, ainda que de facto tenha ostentado o elevadíssimo cargo de negociador de paz de uma força insurgente. Mentiu o secretário de Estado, John Kerry, quando nos assegurou em Havana que com a assinatura do Acordo de Paz considerariam a libertação de Simón Trinidad.

22/Junho/2020
[*] Comandante das FARC-EP

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/colombia/narcotrafico_22jun20.html

167 líderes indígenas assassinados durante a presidência de Iván Duque

Entre 2016 e 8 de Junho de 2020, foram assassinados na Colômbia 269 dirigentes indígenas, revelou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) num relatório agora apresentado.

O departamento do Cauca continua a ser um dos mais violentos da Colômbia, registando-se ali inúmeros ataques a dirigentes sociais, defensores dos direitos humanos e membros dos povos origináriosCréditos / Semana

No documento, o organismo reporta-se ao período que vai desde 2016, o ano da assinatura dos acordos de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), e a actualidade (até dia 8 deste mês), verificando que o número de assassinatos de dirigentes indígenas aumenta de ano para ano.

Assim, segundo os dados recolhidos pelo Indepaz, registaram-se «31 assassinatos em 2016, 45 em 2017, 62 em 2018, 84 em 2019 e 47 em 2020». O organismo revela ainda que 262 líderes indígenas foram mortos depois dos acordos de paz (24 de Novembro de 2016) e 167 durante a governação do actual presidente colombiano, Iván Duque.

Dos 47 assassinados este ano (até 8 de Junho), 14 foram-no durante o período da quarentena (que entrou em vigor a 25 de Março), precisa ainda o relatório.

De acordo com o Indepaz, o departamento onde se registaram mais casos de assassinatos de líderes indígenas desde 2016 foi o Cauca (94). «O que se passa no Cauca responde à lógica de um departamento onde historicamente houve conflitos territoriais, com sectores privados legais e ilegais, como o da exploração mineira», explica a organização.

Como factores de peso que contribuem para o assassinato de dirigentes indígenas, o Indepaz refere as empresas açucareiras, a exploração de madeira, a pecuária, a concentração de terras, os projectos petrolíferos, as hidro-eléctricas, além da presença de grupos armados que disputam o controlo das rotas do narcotráfico.

O relatório sublinha as acções dos povos indígenas em defesa da sua autonomia e da permanência nos seus territórios, como condição essencial para garantir a sua sobrevivência, bem como o facto de terem «rejeitado todas as expressões do conflito armado» e «assumido um posicionamento de resistência pacífica».

200 ex-combatentes das FARC-EP assassinados

Mario Téllez Restrepo, agricultor e ex-guerrilheiro das FARC-EP, foi morto a tiro por desconhecidos na segunda-feira passada, quando trabalhava nas suas terras, na localidade de Tibú (departamento de Norte de Santander), informa a TeleSur.

O partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) denunciou o assassinato, tendo revelado que se trata do 200.º ex-combatente a ser morto deste a assinatura dos acordos de paz.

Na semana passada, uma delegação do FARC pediu apoio às Nações Unidas, tendo em conta o cenário de violações de direitos humanos no país andino.

Numa reunião virtual com a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, os representantes do FARC pediram «assistência técnica» para evitar o genocídio dos ex-guerrilheiros que tentam reintegrar-se na vida política, económica e social do país.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/167-lideres-indigenas-assassinados-durante-presidencia-de-ivan-duque

Grupo Puebla rejeita chegada de militares dos EUA à Colômbia

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247 -O Grupo Puebla rejeitou nesta segunda-feira (1), por meio de comunicado, a chegada nos próximos dias de tropas americanas à Colômbia, após a assinatura de um acordo entre a os EUA e o país sul-americano.

Para o Grupo de Puebla, o acordo que aprova a chegada de uma brigada do Exército dos EUA nos primeiros dias de junho ao território colombiano é ilegal.

Este acordo, além de ilegal traz a tensão para a região sul-americana, sobretudo pela situação conflituosa entre a Colômbia e a Venezuela.

 

Igualmente, o Grupo Puebla considera que esse envio de tropas poderia eventualmente se tornar um ponto de partida para a ofensiva militar que o presidente Trump anunciou contra a Venezuela.

O Grupo Puebla foi fundado em julho de 2019 na Cidade do México e é composto por 41 membros de 13 países, incluindo vários ex-presidentes de países sul-americano, informa a Telesul.

Pelo menos nove dirigentes sociais assassinados na Colômbia em dez dias

Nos últimos dez dias, o Indepaz registou nove assassinatos de dirigentes comunitários, agrícolas e indígenas. Por seu lado, o partido FARC exigiu medidas de protecção para os ex-combatentes.

Desde o início do ano, o Indepaz registou 112 assassinatos de dirigentes sociais, políticos, agrícolas, indígenas, defensores do ambiente na ColômbiaCréditos / vengalecuento.com

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), desde o início do ano foram assassinados na Colômbia mais de 110 dirigentes sociais.

Na terça-feira, Edwin Emiro Acosta foi abordado por três «alegados paramilitares», que se dirigiram à sua casa, no município de Tiquisio (departamento de Bolívar), e ali o mataram a tiro.

A Comisión de Interlocución Sur de Bolívar, Centro y Sur del Cesar, de que Acosta era membro, denunciou o assassinato do dirigente mineiro e social, que «evidencia a vulnerabilidade e os altos riscos que correm as comunidades do Sul de Bolívar», indica a TeleSur.

No dia anterior, foi assassinado, no departamento de Huila, Saúl Rojas, dirigente comunitário e presidente da Junta de Acção Comunal do Bairro de San Juanito, no município de Algeciras. De acordo com testemunhas, Rojas, de 69 anos, encontrava-se numa propriedade sua quando um grupo de desconhecidos disparou contra ele, antes de se pôr em fuga.

No dia 23, Manuel Guillermo Marriaga Martínez foi morto por desconhecidos, com seis disparos à queima-roupa, em San José de Uré, no município de Montelíbano (departamento de Córdoba). De acordo com a informação divulgada pela imprensa, Marriaga Martínez, de 50 anos, era militante do partido Alianza Social Independiente de Colombia (ASI), pelo qual se candidatara ao concelho de San José de Uré.

FARC solicita medidas de protecção para mais de dez mil ex-combatentes

Numa reunião virtual celebrada esta terça-feira com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), uma representação da Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) explicou que os ex-guerrilheiros que avançam no processo de reintegração são vítimas da «política de extermínio» levada a cabo pelo governo colombiano, indica a Prensa Latina.

Por esse motivo, porque «há uma situação grave e urgente», o FARC solicitou medidas cautelares de protecção para os mais de dez mil ex-combatentes.

Numa entrevista ao diário El Espectador, Diego Martínez, advogado e membro da Comissão Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos, sublinhou a falta de garantias à integridade física e à vida dos signatários do acordo de paz em várias regiões do país sul-americano, como Huila e Cauca.

Também se referiu à perseguição e à estigmatização dos ex-guerrilheiros que integraram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP).

De acordo com o FARC, até à data 198 ex-guerrilheiros foram assassinados – pelo menos 25 este ano –, sendo um dos factores determinantes para esta realidade a impunidade que rodeia os assassinatos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/pelo-menos-nove-dirigentes-sociais-assassinados-na-colombia-em-dez-dias

Mais de 100 dirigentes sociais assassinados na Colômbia

Com o assassinato de Freddy Angarita Martínez, em Cúcuta, e de Jorge Enrique Oramas, em Cáli, o Indepaz regista 101 dirigentes sociais mortos na Colômbia este ano, 26 desde que foi decretada a quarentena.

Protesto na Colômbia contra o assassinato de dirigentes sociais (imagem de arquivo)Créditos / fayerwayer.com

O assasinato do sociólogo e defensor do ambiente Jorge Enrique Oramas, de 70 anos, apareceu bem divulgado na imprensa. Morto a tiro, este sábado, numa quinta de Cáli (departamento de Valle del Cauca), é o centésimo «dirigente social» a ser assassinado no país andino-amazónico este ano, segundo o registo que tem estado a ser feito pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz).

«Cem» vale efemérides. De tal modo que, este fim-de-semana, o assassinato de dirigentes sociais assumiu destaque, inclusive, em agências ocidentais que costumam centrar-se na «ditadura de Maduro» e têm menos o hábito de virar o foco para a miséria e a violência extremas no país vizinho, presidido por Iván Duque, grande aliado dos Estados Unidos na América do Sul, também no que às tentativas de desestabilização da Venezuela diz respeito.

O assassinato de Enrique Oramas, professor, defensor da agricultura biológica e conhecido por se opor a projectos de exploração mineira no Parque Nacional Farallones de Cali, foi confirmado ontem pelo Indepaz e denunciado pelo presidente do município, Terry Hurtado, que pediu às autoridades que procedam a «uma investigação ágil».

Também no sábado, foi morto a tiro, na cidade de Cúcuta (departamento de Norte de Santander), o dirigente comunitário Freddy Angarita Martínez. De acordo com o periódico La Opinión de Cúcuta, dois indivíduos dirigiram-se a sua casa e efectuaram oito disparos. A mesma fonte revela que, dias antes, Angarita Martínez tinha sido ameaçado de morte.

Na lista que o Indepaz vai actualizando, respeitante a 2020, Martínez surge como o dirigente social assassinado número 101. Na véspera, foi morto o guarda indígena Javier García Guaguarabe, informa o portal tn8.tv. Tinha 20 anos e foi assassinado no município de Argelia (Valle del Cauca).

O Indepaz alertou que, desde que a quarentena foi decretada pelo governo, a 25 de Março, para conter a propagação do vírus SARS-coV-2, já foram assassinados na Colômbia 26 dirigentes sociais. O organismo pediu às autoridades que garantam aos dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos a possibilidade de exercerem as suas actividades em segurança, em todo o país.

Sirley Muñoz, coordenadora do Sistema de Informação da organização Somos Defensores, afirmou que o aumento do número de crimes contra defensores dos direitos humanos está relacionado com o incremento das ameaças de morte registadas em 2019, revela o tn8.tv.

Os departamentos com maior incidência de casos de assassinatos são, segundo o Indepaz, o Cauca, Antioquia e Putumayo.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-de-100-dirigentes-sociais-assassinados-na-colombia

O Silenciamento

Onde estão os defensores dos direitos do Homem e as suas organizações ? Os defensores da imprensa libre e pluralista ? Nem uma curta noticia…

Líder social assassinado na Colombia

 84 líderes sociais colombianos assassinados em 2020

O Instituto para o Estudo do Desenvolvimento e Paz (Indepaz) informou que 84 líderes sociais foram assassinados até agora este ano.Desses, 26 desde a chegada do coronavírus na Colômbia, em 6 de março.
Da mesma forma, eles relataram que, do número total de assassinatos, 16 foram cometidos desde que a quarentena foi decretada e 26 foram cometidos no departamento de Cauca.

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/05/o-silenciamento/

Continua a matança de dirigentes sociais na Colômbia

Nos últimos dias foram assassinados mais 3 dirigentes sociais, nos departamentos de Antioquia e do Cauca. Este último destaca-se como o mais violento, com quase 30 mortes registadas desde o início do ano.

Os dirigentes sociais continuam a ser ameaçados e assassinados na ColômbiaCréditosGustau Nacarino / theobjective.com

Uenseslao Guerrero de La Cruz, de 57 anos, ex-presidente da Junta de Acção Comunal e dirigente comunitário da vereda Curacas, foi morto a tiro por dois homens que seguiam de motorizada e se puseram em fuga de imediato, no município de Mercaderes (Sul do departamento do Cauca).

O facto foi divulgado no dia 1 de Maio pelo autarca de Mercaderes, Fernando Díaz Salamanca, que fez um apelo às autoridades locais e nacionais para que unam esforços na «protecção a dirigentes sociais e dos direitos humanos». Acrescentou que, em menos de dois dias, foram assassinadas cinco pessoas no município.

Referia-se ao facto de, no dia 29 de Abril, o actual presidente da Junta de Acção Comunal, Álvaro Narváez Daza, ter sido morto a tiro por desconhecidos na vereda El Vado. Com ele, foram mortos a sua mulher, um dos seus filhos e a sua neta, de 15 anos. Um outro filho de Narváez Daza ficou ferido e está hospitalizado, informa a TeleSur.

Dois dias antes, a 27 de Abril, foi assassinado no município de Abejorral (departamento de Antioquia) Jairo de Jesús Jiménez, professor, director da Institución Educativa Zoila Duque Baena e defensor das comunidades rurais no município.

Em Fevereiro deste ano, o sindicato de professores de Antioquia alertou para o número crescente de ameaças a docentes no departamento, bem como de assassinatos, revela a Contagio Radio, acrescentando que Jairo de Jesús Jiménez acreditava no papel da Educação e fez questão de trabalhar em zonas rurais, com as camadas mais vulneráveis do município.

Na lista que o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) vai actualizando, estes últimos casos ainda não estão registados – são referidos, sim, na conta de Twitter do organismo.

Pelo menos 87 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos foram assassinados no país sul-americano em 2020. Os departamentos com maior incidência de casos são o Cauca, Antioquia e Putumayo.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/continua-matanca-de-dirigentes-sociais-na-colombia

Defesa colombiana demite militares em meio a escândalo de espionagem

Soldados colombianos acampados perto do local de um ataque das FARC contra tropas do exército, em Cauca (arquivo)
© REUTERS / Jaime Saldarriaga

O Ministério da Defesa da Colômbia anunciou a demissão de 11 oficiais e a renúncia de um general relacionados a uma investigação sobre um possível esquema de espionagem realizado por membros do exército, informa a Reuters.

A Defesa colombiana não revelou as identidades dos oficiais demitidos nem do general, destacou a agência.

A Procuradoria-Geral abriu um inquérito em janeiro passado após a mídia local noticiar alegações de possíveis espionagens contra jornalistas, políticos, magistrados e outros militares. E, segundo o ministro Carlos Holmes Trujillo, citado pela Reuters, a decisão de liberar esses soldados de suas funções foi tomada com base nessas alegações e nas respectivas investigações. 

 

Nesta sexta-feira (1), a revista colombiana Semana divulgou uma reportagem com novos detalhes sobre esse escândalo no Exército Nacional da Colômbia. De acordo com a publicação, entre fevereiro e dezembro de 2019, militares do país teriam executado um amplo programa de espionagem, utilizando ferramentas informáticas para coletar informações sigilosas de mais de 130 pessoas, incluindo funcionários do governo do presidente Iván Duque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020050115525999-defesa-colombiana-demite-militares-em-meio-a-escandalo-de-espionagem/

Colômbia assassina sindicalista e ex-membro das FARC na mesma semana

 

 

DCO -A Central Única dos Trabalhadores da Colômbia notificou o falecimento de Alexis Vergara, cortador de cana que foi assassinado no início desta semana no departamento de Cauca.

Vergara era delegado sindical e tinha apenas 24 anos, sendo filho do presidente da Central Geral dos Trabalhadores.

A CUT denunciou que essa é uma ameaça direta contra o trabalho sindical e afirmou que o governo do presidente fascista Iván Duque não faz nada para proteger a vida dos trabalhadores.

Desde o começo do ano, 14 líderes sociais e defensores dos direitos humanos foram assassinados nesse Estado colombiano.

Por outro lado, no departamento de Sucre, Edwin de Jesús Carrascal Barrios, ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi executado a sangue frio na noite de ontem [quarta-feira] (10), no município de Colosó.

Ele chegou a ser enviado de ambulância para o hospital mas não resistiu aos disparos, supostamente cometidos por dois homens de motocicleta que bateram na porta de sua casa e depois conseguiram fugir da polícia.

Centenas de ex-membros das FARC, que após o acordo de paz de 2017 com o governo colombiano se tornou o partido Força Alternativa Revolucionária do Comum, têm sido assassinados nos últimos anos. Isso, junto com o assassinato quase diário de ativistas sociais, configura a Colômbia em um gigantesco campo de extermínio de opositores do regime de extrema-direita fantoche do imperialismo que vigora há décadas.

Bolívia | ANATOMIA DE UM GOLPE DA CIA

Anez, nomeada presidente pelos militares golpistas, traidores da Bolívia ao serviço da CIA/EUA
 
Hugo Turner | Global Research, 24 de fevereiro de 2020
 
Em novembro passado, ocorreu um golpe terrível derrubando o governo socialista da Bolívia e o primeiro presidente indígena do país, Evo Morales . Foi um exemplo didático de um golpe da CIA que lembra os dias sombrios da Operação Condor, quando os EUA instalaram ditaduras militares em toda a região para garantir que pudessem ser saqueados por empresas americanas. A Bolívia agora é governada pela presidente Jeanine Anez, uma cristã evangélica racista que acredita que os índios são "satânicos" e devem ser impedidos de entrar nas cidades. Seu marido está ligado aos esquadrões da morte colombianos.
 
Quando o povo da Bolívia se levantou para resistir ao golpe, eles foram massacrados pela polícia e pelos militares. 36 foram mortos e 832 foram feridos. Houve centenas de prisões arbitrárias, 57 estações de rádio foram fechadas, jornalistas estrangeiros foram expulsos. Quem se atreve a reclamar sobre o golpe é acusado de sedição e terrorismo. 
 
Traidores fascistas assassinos que derrubaram seu próprio governo para que os Estados Unidos pudessem saquear seus recursos têm a coragem de acusar o vencedor da eleição Evo Morales de sedição, terrorismo e apoio ao terrorismo.
 
É uma estratégia da lei pioneira no Brasil, onde o ex-presidente Lula foi preso e encarcerado por falsas acusações para impedi-lo de concorrer com o fascista Bolsonaro depois que sua sucessora Dilma Rousseff foi derrubada devido a uma investigação falsa de corrupção.
 
Enquanto isso, Luis Fernando Comacho, ex-líder do paramilitar fascista UJC, que cometeu um incêndio criminoso, aterrorizou manifestantes e conspirou com a CIA por dez anos, tem total impunidade em aterrorizar o povo da Bolívia ao mesmo tempo em que está concorrendo à presidência. O novo regime de golpe não perdeu tempo na tentativa de reverter tudo o que Evo realizou. As indústrias nacionais estão sendo divididas entre os partidários do golpe corruptos, para que possam saquear a falência e privatizar tudo.
 
Médicos cubanos que estavam no país para prestar assistência médica aos pobres foram expulsos no momento em que precisavam para tratar as vítimas feridas do golpe.
 
Quem contará todas as crianças que morrerão por falta de assistência médica na nova Bolívia fascista? Os subsídios para mulheres grávidas e crianças pequenas foram eliminados. Em outras palavras, a grande maioria das pessoas será empurrada de volta à pobreza e à miséria, enquanto os golpistas se tornam fantasticamente ricos saqueando o país e revivendo o fluxo de cocaína boliviana.
 
 
 
O golpe boliviano foi um triunfo para o capitalismo e o imperialismo e uma tragédia que se desenrolava não apenas para o povo da Bolívia, mas para toda a América Latina. A Venezuela perdeu outro aliado e o imperialismo ganhou outra fortaleza para travar uma guerra contra a América Latina. Assim como o golpe no Brasil contra Jao Goulart, em 1964, ajudou a lançar uma série de golpes em toda a região, uma vez que as forças armadas e a inteligência brasileiras desempenharam um papel fundamental em conjunto com a CIA na realização desses golpes. O papel dos principais conselheiros do golpe, treinadores de guerra suja e lacaios imperiais, mudaria do Brasil, para o Chile, para a Argentina e para a Colômbia, com o banho de sangue crescendo exponencialmente.
 
Colômbia, Brasil e Argentina e até falhou o conspirador venezuelano Juan Guaidó, que deu grande apoio ao golpe contra Morales. Agora, a Bolívia pode desempenhar um papel em conspirações na Venezuela, Nicarágua, México ou Argentina. Seus policias e militares podem ser enviados para aconselhar o Chile e o Equador sobre como massacrar e intimidar manifestantes. A era do Condor 2.0 apenas começou e não há como dizer que horrores estão por vir.
 
É claro que a história da Bolívia exigiria uma série de livros para fazer justiça. Ainda não consigo resistir a mencionar alguns eventos importantes. Tinha um governo socialista nos anos 50 que os EUA usavam um laboratório de imperialismo suave. Che Guevara morreu heroicamente na Bolívia e acreditava que a localização dos países o tornaria um local estratégico essencial para a libertação da América Latina. Depois que os Estados Unidos descobriram sua presença, a CIA e as forças especiais treinaram uma unidade boliviana de elite para caçá-lo. O infame açougueiro de Lyon Klaus Barbie, que a CIA ajudou a "escapar" para a América Latina, eo infame cubano CIA Felix Rodriguez (futura figura-chave do Irã / Contra) estiveram envolvidos na morte de Che Guevara. Klaus Barbie também foi uma figura-chave no apoio ao golpe de Hugo Banzer.
 
Banzer tornou-se famoso por sua guerra contra a teologia da libertação. Seu plano de Banzer inspirou países como El Salvador a travar uma guerra semelhante que levou à morte do arcebispo Romero e muitos outros clérigos. Klaus Barbie e o culto da Lua desempenhariam um papel fundamental no infame golpe de cocaína de 1980, que por sua vez alimentaria a ascensão do Cartel de Medellin na Colômbia, inundando os EUA com cocaína, grande parte contrabandeada pelos contras nicaraguaios. O golpe contra Morales apresentava semelhanças com o golpe da cocaína de 1980, com grupos paramilitares fascistas desencadeados para aterrorizar a esquerda. Em 1980, “As noivas da morte” treinadas e doutrinadas por Barbie e outros fascistas internacionais, incluindo terroristas da GLADIO da Itália, realizaram um expurgo sangrento da esquerda da Bolívia caçando políticos e líderes sindicais. Hoje é o UJC de Comacho orientado por uma nova geração da diáspora fascista, filhos e netos de nazistas e croatas Ustashi, que se estabeleceram lá décadas atrás. A tentativa de Morales de tirar a polícia da lucrativa operação de combate às drogas foi um dos elementos que os motivou a ingressar no golpe. Assim como a guerra no Afeganistão e no Plano Colômbia levou a um aumento maciço nas exportações de drogas, podemos esperar um resultado semelhante da Bolívia, juntamente com o banho de sangue que os EUA realizarão fingindo combater o fluxo de drogas de seu novo aliado.
 
Foi em resistência a essa guerra falsa contra as drogas usadas como desculpa para aterrorizar os camponeses bolivianos e colombianos que Evo Morales ganhou destaque. Antes mesmo de ganhar poder, ele sobreviveu a várias tentativas de assassinato nos EUA. Como a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, torturada durante a Operação Condor Evo, foi torturada como parte dessa guerra suja amplamente desconhecida na Bolívia. A Bolívia estava sofrendo uma guerra suja apoiada pelos EUA e, como o resto da América Latina, por um neoliberalismo descontrolado que até privatizou o suprimento de água e tentou proibir o uso de água da chuva. O regime do golpe já reprivatizou o abastecimento de água. A Bolívia era um dos países mais pobres da América Latina e a maioria indígena era de segunda classe.
 
 
O líder de um vasto movimento de base indígena, Evo Morales, foi eleito em 2005 e transformou seu país. Ele expulsou o DEA e, em vez de privatizar tudo, começou a nacionalizar certos recursos essenciais, usando-os para financiar programas sociais que tirariam 3 milhões de pessoas da pobreza. A Bolívia foi transformada em um estado socialista plurinacional. Pela primeira vez, a maioria indígena foi autorizada a ocupar o centro do palco.
 
Muitas das sementes do atual golpe foram plantadas em 2009. Klaus Barbie não era de forma alguma o único criminoso de guerra fascista a se mudar para a Bolívia. Muitos nazistas alemães, cruz da flecha húngara e croata Ustashi se estabeleceram lá. Como Barbie, alguns foram contratados como consultores de segurança pelos militares e pela polícia bolivianos. Esses Emigres fascistas estavam concentrados em Santa Cruz, que se tornou o local de um violento movimento separatista que levou o país à beira da orelha civil em 2009 e foram fortemente financiados pela CIA na tentativa de balcanizar a Bolívia. O milionário, filho de um magnata do gás, Luis Fernando Comacho, que é bandido fascista, aterrorizou os políticos do MAS, incluindo a tortura pública de uma prefeita durante o recente golpe, foi um dos principais líderes desse movimento. Um de seus mentores era o rico Branko Marinkovic, que acreditava ser um descendente do Ustashi croata, que ele nega, apesar de ter ajudado abertamente a financiar o renascimento da Croácia fascista na década de 90, além de desempenhar um papel fundamental nas frentes das ONGs da CIA. Marinkovic está no exílio no Brasil porque foi envolvido em uma trama de 2009 para assassinar Evo Morales usando fascistas croatas e húngaros, bem como um fascista boliviano / húngaro / croata Eduardo Rozsa-Flores que lutou pela Croácia nos anos 90. Também vinculado a essa trama estava Hugo Acha Melgar, da ONG Human Rights Foundation, apoiada pela CIA, envolvida no golpe boliviano de 2019.
 
Voltando ao golpe de 2019, encontramos um exemplo de golpe de Estado da CIA. O primeiro elemento importante é ganhar o controle dos militares. Na América Latina, isso geralmente é feito através da Escola das Américas, que foi renomeada como WHINSEC. Seis conspiradores do golpe, todos os graduados da Escola das Américas foram pegos em fita, plotando o golpe. A Escola das Américas é famosa por treinar vários golpistas e doutriná-los em uma doutrina implacável de contra-insurgência que vê qualquer elemento progressista da sociedade como um inimigo perigoso que deve ser capturado torturado até a morte e depois desapareceu. Centenas de milhares de pessoas morreram de maneira horrível na América Latina como resultado das lições aprendidas na Escola das Américas. O membro mais importante das Forças Armadas bolivianas recrutadas pela CIA foi o general William Kaliman Romero, que era especialmente vulnerável desde que sua família morava nos EUA. Ele passou anos mantendo os EUA informados sobre tudo o que Morales estava fazendo e mantendo Morales desinformado sobre tudo o que acontecia na Bolívia. Ele convenceu Morales a ingressar na SURNET, um programa de compartilhamento de inteligência que parece sinónimo de Operação Condor. Mais importante ainda, ele ocultou a conspiração do golpe, permitiu que forças especiais dos EUA entrassem furtivamente no país e forçou Morales a renunciar a atuar sob as ordens do encarregado de negócios dos EUA (CIA?) Bruce Williamson. Kaliman teria recebido um milhão de dólares por essa traição. Ele passou anos mantendo os EUA informados sobre tudo o que Morales estava aprontando e mantendo Morales desinformado sobre tudo o que acontecia na Bolívia. Ele convenceu Morales a ingressar na SURNET, um programa de compartilhamento de inteligência que parece sinónimo de Operação Condor. Mais importante ainda, ele ocultou a conspiração do golpe, permitiu que forças especiais dos EUA entrassem furtivamente no país e forçou Morales a renunciar a atuar sob as ordens do encarregado de negócios dos EUA (CIA?) Bruce Williamson. Kaliman teria recebido um milhão de dólares por essa traição. Ele passou anos mantendo os EUA informados sobre tudo o que Morales estava fazendo e mantendo Morales desinformado sobre tudo o que acontecia na Bolívia. Ele convenceu Morales a ingressar na SURNET, um programa de compartilhamento de inteligência que parece sinónimo de Operação Condor. Mais importante ainda, ele ocultou a conspiração do golpe, permitiu que forças especiais dos EUA entrassem furtivamente no país e forçou Morales a renunciar a atuar sob as ordens do encarregado de negócios dos EUA (CIA?) Bruce Williamson. Kaliman teria recebido um milhão de dólares por essa traição. e depois forçou Morales a renunciar a atuar sob as ordens do encarregado de negócios dos EUA (CIA?) Bruce Williamson. Kaliman teria recebido um milhão de dólares por essa traição. e depois forçou Morales a renunciar a atuar sob as ordens do encarregado de negócios dos EUA (CIA?) Bruce Williamson. Kaliman teria recebido um milhão de dólares por essa traição.
 
O segundo elemento-chave em um golpe é ganhar o controle da polícia. Durante os dias da Operação Condor, o Escritório de Segurança Pública (OPS), que fazia parte da USAID, foi usado pela CIA para treinar policiais para combater a “subversão” em vez do crime tradicional, treinando-os em tortura e criando divisões de inteligência policial para elaborar listas de mortes de líderes sindicais e outros "subversivos", como mães em busca de filhos que haviam desaparecido pela polícia ou por esquadrões da morte militares. Embora o OPS tenha sido supostamente encerrado, ele foi renomeado para operar sob diferentes coberturas. O DEA era frequentemente usado no mesmo papel e o DEA supervisionava a tortura de Evo Morales quando ele era um líder trabalhista. Os EUA continuam a treinar policiais em todo o mundo em tortura e assassinato do Iraque para a Ucrânia. Para o golpe de 2019, a CIA conseguiu recrutar o chefe de polícia da Bolívia, Vladimir Yuri Calderon, enquanto era adido de polícia na Embaixada da Bolívia em Washington DC. Isso foi feito através de um grupo sombrio de que ele era presidente, chamado APALA, uma organização de anexos policiais da América Latina, descoberta pelo historiador Jeb Sprague. De volta à Bolívia, Calderon teria sido dirigido pelo provável agente da CIA, major Mathew Kenny Thompson. Thompson foi o adido militar dos EUA que desempenhou um papel fundamental na organização do golpe e também se encontrou com Eli Bernbaum e Fernando Comacho para planear a desestabilização da Bolívia antes e depois das eleições. Adido militar é frequentemente uma cobertura para a CIA recrutar militares ou policiais. Um dos exemplos mais infames foi o adido militar de Vernon Walters durante o golpe de 1964 no Brasil, que seguiria uma longa e notória carreira em golpes e guerras sujas. A Polícia Boliviana desempenhou um papel fundamental no golpe, revoltando-se e recusando-se a proteger os apoiantes do MAS, enquanto a UJC e outros grupos paramilitares fascistas lançavam ataques violentos e incendiaram casas de políticos do MAS e até da família Evo Morales. Depois que Morales foi derrubado, a polícia entrou em ação matando manifestantes pacíficos que se opunham ao golpe. Eles voltaram ao seu papel da era Condor na guerra suja contra o povo boliviano. A Polícia Boliviana desempenhou um papel fundamental no golpe primeiro, revoltando-se e recusando-se a fornecer proteção aos apoiantes do MAS, já que a UJC e outros grupos paramilitares fascistas lançaram ataques violentos e incendiaram casas de políticos do MAS e até da família Evo Morales. Depois que Morales foi derrubado, a polícia entrou em ação matando manifestantes pacíficos que se opunham ao golpe. Eles voltaram ao seu papel da era Condor na guerra suja contra o povo boliviano. A Polícia Boliviana desempenhou um papel fundamental no golpe primeiro, revoltando-se e recusando-se a fornecer proteção aos apoiantes do MAS, já que a UJC e outros grupos paramilitares fascistas lançaram ataques violentos e incendiaram casas de políticos do MAS e até da família Evo Morales. Depois que Morales foi derrubado, a polícia entrou em ação matando manifestantes pacíficos que se opunham ao golpe. Eles voltaram ao seu papel da era Condor na guerra suja contra o povo boliviano.
 
Grupos paramilitares fascistas são a ferramenta favorita da CIA em golpes e guerras sujas. Eles desempenharam um papel fundamental no golpe de cocaína da Bolívia em 1980, onde massacraram centenas e realizaram desfiles à luz de tochas, exibindo discursos nazistas sobre as ondas aéreas da Bolívia. No golpe de 1973 do Chile contra Allende, o homem da CIA Michael Townley trabalhou com os paramilitares da Libertad y Patria Fascist para realizar grande parte do trabalho sujo. Paramilitares fascistas também foram usados ​​mais recentemente na Ucrânia, onde o Setor Direito foi usado para forçar partidários do governo e até o Presidente Yanukovych a fugir de Kiev, permitindo-lhes tomar o poder. Para o golpe de 2019 na Bolívia, Luis Fernando Comacho desempenhou esse papel fundamental.
 
Comacho, no entanto, não era um bandido comum, ele era um milionário dirigido pelo homem da CIA Rolf Olson e estava em contato próximo com os governos do Brasil, Colômbia e com o falecido presidente da Venezuela, Juan Guaidó, sem poder, mas bem financiado. Comacho passou dez anos travando uma guerra suja contra a Bolívia pela CIA e subitamente subiu da obscuridade para o centro das atenções internacionais. Se ele ganhar a presidência, pode-se contar com a mídia que encobre o fato de que seus seguidores da UJC fazem a saudação nazista, são abertamente racistas e praticam atos terroristas contra o governo e o povo da Bolívia nos últimos dez anos.
 
O terceiro elemento chave em um golpe da CIA é o controle da "sociedade civil" por meio de uma vasta gama de ONGs financiadas pela USAID, pelo NED e por empresas. Desde o nascimento da CIA, eles usaram várias fundações (como as fundações Ford ou Rockefeller) para atuar como frentes para canalizar dinheiro para jornalistas, políticos, grupos trabalhistas, académicos, organizações de direitos humanos, instituições de caridade e artistas de ONGs para moldar a sociedade. maneiras favoráveis ​​às empresas americanas e, quando necessário, travar uma guerra psicológica e derrubar governos. Esse aspecto do trabalho da CIA tornou-se famoso em todo o mundo através das recentes “Revoluções de Cores” que se espalharam pela primeira Europa Oriental e depois pelo Oriente Médio durante a primavera árabe. Na Bolívia, o NED financiava Carlos Mesa, oponente de Evo Morales, além de vários grupos “ativistas” que costumavam pôr em dúvida a legitimidade da eleição. A OEA, criada como forma de forçar a vontade dos EUA à América Latina, desempenhou um papel fundamental na dúvida sobre os resultados das eleições e na legitimação do golpe. A OEA esteve profundamente envolvida no golpe de Guatemala de 1954, nas tentativas de isolar Cuba a partir de 1959 e, mais recentemente, nas tentativas de derrubar os governos da Venezuela e Nicarágua. A USAID criada como uma frente da CIA foi usada para financiar mais de 40 ONGs na Bolívia para recrutar “ativistas” para o golpe. Um deles era a Fundação dos Direitos Humanos (HRF), cujo membro Hugo Acha Melgar estava vinculado à trama de assassinato de 2009. Outro membro importante da HRF é um agente da CIA e um conspirador venezuelano, Thor Halvorsen Hellum. É financiado em parte pelo bilionário Peter Thiel.
 
O conspirador do golpe, o presidente fracassado e o perdedor da eleição de Carlos Mesa em 2019 foram premiados com um assento no grupo de reflexão financiado pela USAID, Diálogo Interamericano. A HRF concedeu a Jhanisse V. Daza um prémio de companheiro de liberdade e ela foi enviada para a escola de Harvard Kennedy para ser treinada pelos infames conselheiros de revolução em cores CANVAS; ela até foi fotografada com sua chefe Srdja Popovic. Daza dirige a ONG Rios de Pie, alegando apoiar os direitos ambientais e indígenas, e ajudou a obter apoio internacional para o golpe, culpando Evo Morales pelos incêndios na Amazónia e iniciando a campanha no Twitter #SOSBolivia. A campanha de PR de rebelião de extinção financiada pelas empresas se juntou ao apoio ao golpe sob cobertura ambiental. Era uma estratégia de manipular questões ambientais para desacreditar os governos de esquerda que eles estavam testando na Nicarágua e o golpe foi "lavado de verde" da mesma maneira que "direitos humanos" foi a cobertura para golpes passados. A Ironia era, obviamente, que Evo Morales, como o primeiro presidente indígena, havia respeitado a política oficial da Mãe Terra, vendo o regime do golpe, sem dúvida, como "satânico".
 
O quarto elemento-chave de qualquer golpe da CIA (ou guerra imperialista) é o controle da mídia. Foi há mais de 100 anos, durante a Primeira Guerra Mundial, que toda a mídia americana foi reorganizada para travar uma guerra de propaganda para motivar o público americano. Os primeiros ídolos do jornalismo como Walter Lippmann tiveram um papel fundamental. A Primeira Guerra Mundial foi seguida pela revolução russa, o que significava que a propaganda de terror vermelho deveria ser desencadeada. Por cem anos, os governos socialistas foram constantemente demonizados pela mídia. O aparato de propaganda americano foi aperfeiçoado durante a Segunda Guerra Mundial e os especialistas em guerra psicológica da OSS eram os mesmos barões da mídia americana, como Henry Luce ou CD Jackson, que dirigiam a mídia. Com a criação da CIA, os EUA conseguiram expandir o controle da mídia em todo o mundo, possuindo centenas de agências de notícias estrangeiras e pagando centenas de jornalistas para plantar peças de propaganda em jornais. A mídia e a inteligência estão tão interligadas que alguns vêem a mídia apenas como uma extensão das agências de inteligência.
 
 
No caso da Bolívia, o trabalho da mídia era demonizar Evo Morales, calar seus oponentes, questionar sua legitimidade e depois negar que algum golpe tivesse ocorrido. A Bolívia e os EUA receberam uma cobertura muito semelhante, com a mídia boliviana negando estritamente qualquer golpe. O que os EUA não controlaram fechou a proibição da RT e da Telesur, bem como 57 estações de rádio independentes prendendo e matando um número desconhecido de jornalistas e expulsando qualquer jornalista estrangeiro que cobrisse os massacres depois disso. A imprensa retratou os massacres como tiroteios entre policiais e narcoterroristas necessários à segurança. Nos EUA, o golpe que não foi golpe já foi esquecido nos próximos meses. As pessoas podem ser massacradas e desaparecerem e a eleição pode ser marcada com uma cobertura mínima da mídia. Assim como o povo do Iémene pode passar fome e ser bombardeado ano após ano com um blackout quase completo na imprensa. A insanidade e a hipocrisia da mídia alcançam um novo círculo completo. Na Síria, terroristas armados foram retratados como manifestantes pacíficos sendo massacrados, enquanto na Bolívia manifestantes pacíficos sendo massacrados são retratados como terroristas armados.
 
O pesadelo da Bolívia está apenas começando, embora muitos continuem a luta para libertar o país do império. Nos dias seguintes ao golpe, o povo da Bolívia saiu às ruas para oferecer uma resistência heróica, mas eles foram massacrados e seus líderes foram ameaçados a recuar. O partido MAS de Evo Morales ainda espera que seja capaz de recuperar o poder democraticamente. No entanto, está sendo submetido à lei quando Evo Morales do exílio enviou sua representante legal Patricia Hermosa e seu advogado Wilfredo Chávez para registar sua candidatura à presidência nas eleições de 3 de maio de 2020 em que foram presos e ela foi condenada a 6 meses de prisão. Oficialmente na Bolívia, Morales é procurado por "sedição, terrorismo e apoio ao terrorismo", embora ele esteja tentando concorrer ao Senado.
 
O governo entrou com uma ação anticorrupção contra o candidato presidencial do MAS, Luis Acre, na esperança de prendê-lo para impedir uma vitória do MAS. A USAID foi convocada para ajudar a preparar a eleição de 3 de maio. A Bolívia provavelmente seguirá os passos do Haiti e Honduras com uma série de eleições fraudulentas supervisionadas pelos EUA. A presidente Jeanine Anez já aprovou um projeto de lei que dá à polícia e aos militares total impunidade para matar civis para manter o controle. A guerra interminável contra os povos indígenas que começou com a chegada de Cristóvão Colombo continua depois de mais de 500 anos. Nas Américas, da Bolívia ao Brasil, Honduras, México, Canadá e EUA, a luta continua.
 
Fontes, em inglês: 
Atrás das portas traseiras
Behind Back Doors descobriu os nomes dos agentes da CIA envolvidos no golpe da Bolívia
Behind Back Doors também expôs o papel da Inteligência Argentina no Golpe da Bolívia
Os melhores plotadores de golpe foram os graduados da Escola das Américas
Massacres na Bolívia
A máquina de fraudes em ação na Bolívia
Mais sobre o golpe na Bolívia
Perfil do golpista fascista Luis Fernando Comacho e seus aliados
Os agentes mais importantes da CIA na Bolívia
EUA ajudando a organizar novas eleições
ONGs verdes lançam bases para golpe
 
A fonte original deste artigo é Global Research
 
Copyright © Hugo Turner , Global Research, 2020

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/bolivia-anatomia-de-um-golpe-da-cia.html

Onde estão os defensores dos direitos do Homem

Onde está Santos Silva , UE , Amnistia Internacional , Human Rights Watch , Jorge Soros…RTP, TVI , SIC…? pois não se ouve uma palavra sobre os assassinatos na Colombia 
https://prensarural.org/spip/spip.php?article25008

La Universidad Javeriana elaboró una base de datos sobre las empresas colombianas y extranjeras que han sido mencionadas en las sentencias de Justicia y Paz como presuntas colaboradoras de los grupos paramilitares. La relación entre estas empresas y paramilitares permitió la muerte de opositoras al modelo económico y político neoliberal. Una crisis humanitaria que en menos de 12 días de 2020 ya cobró la vida de 14 líderes y lideresas sociales.
Sectores de la economía nacional como el de la explotación de hidrocarburos, los monocultivos de caña de azúcar y palma de cera, la ganadería extensiva junto a la producción de contenidos en medios de comunicación tradicionales, colaboraron con grupos paramilitares y son responsables de su promoción y consolidación en toda Colombia desde hace más de dos décadas.
Para las empresas los líderes y lideresas no permiten desarrollar sus negocios, por ello necesitaron que los paramilitares utilizaran la violencia en favor de los intereses económicos de empresas como Chiquita Brands y Postobón.
La Ley de Justicia y Paz ó Ley 975 de 2005, que permitió la desmovilización problemática de grupos paramilitares en el gobierno de Alvaro Uribe (2002-2010)-, fue un escenario para que paramilitares como Salvatore Mancuso, el Iguano, Monoleche y muchos más confesaran cómo funcionaban estas estructuras criminales. Varias empresas colombianas e internacionales apoyaron con dinero y logística a las Autodefensas Unidas de Colombia -AUC-, según estos comandantes.
RCN Televisión, la Federación Nacional de Ganaderos, Ecopetrol, Chiquita Brands, Postobón, Cementos Argos, son algunas de las varias empresas señaladas durante las confesiones de los paramilitares.
Extractivismo
Por ejemplo, Ecopetrol es señalada por Salvatore Mancuso de pagar un porcentaje del monto de los contratos adjudicados «oscilaba entre el 2 % y el 5 %, dependiendo del valor y la naturaleza del mismo, obras civiles, prestación de servicios o suministro de bienes».
El pago del porcentaje, que confesó Mancuso, podía cancelarse de contado o en cuotas mensuales. En ocasiones, estos desembolsos se hacían en especie, representados en artículos de primera necesidad. Igualmente, Ecopetrol realizó entrega de dinero voluntario a las Autodefensas Unidas de Colombia -AUC- a cambio de seguridad.
Ecopetrol promovió varios homicidios en la mal llamada limpieza social en la zona en donde estaban instaladas las sedes petroleras, «decían que combatían a extorsionistas y guerrilleros, y los pagos a los paramilitares eran hechos directamente por los directivos y administradores de cada una de las empresas. Se consideraba a Ecopetrol como un integrante orgánico de la estructura del Bloque Catatumbo pues tenía capacidad para determinar delitos», sentenció Mancuso.
Monocultivo de caña
Postobón, que pertenece al grupo empresarial de Carlos Ardila Lulle, según Javier Antonio Quintero Coronel, responsable del Frente Héctor Julio Peinado Becerra en el departamento Cesar, le daba mensualmente 15 cajas de bebidas al Frente paramilitar para luego negociarlas en un depósito. Le ordenaban a un carro que repartía las bebidas que las dejara en determinado lugar, y la persona del depósito le daba al Frente $150.000 pesos mensuales. «Eso lo ordenó el gerente de Postobón que estaba el año 1999 o 2000», reafirmó Armando Madriaga Picón.
Jorge Iván Laverde Zapata, conocido como El Iguano, señaló que Postobón en Norte de Santander ayudaba por intermedio de sus directores o administradores, a cambio de seguridad. Los mayores aportes los recibió el Frente Fronteras. Postobón fue una de las empresas más representativas en contribuir con las finanzas del Bloque Catatumbo, una región golpeada significativamente por el paramilitarismo.
Ganadería extensiva
De igual manera, en este departamento del nororiente colombiano, la Federación Nacional de Ganaderos – Fedegan- integró activamente la estructura del Bloque Catatumbo, hasta el punto de «ostentar poder de mando y control», declaró Mancuso. Se le sindicó de utilizar su rol económico para materializar el cumplimiento de los objetivos criminales aliados a la ganadería extensiva.
En Córdoba, el Fondo Ganadero es señalado pues el ganadero Rodrigo García Caicedo sirvió como intermediario para contactar a otros empresarios industriales como Hernán Echavarría, para concretar formas de cooperación con los paramilitares y expandir su alcance criminal en el departamento del Valle del Cauca.
Multinacionales
La empresa Chiquita Brands, de Estados Unidos, según Jesús Ignacio Roldán Pérez, conocido como Monoleche, aseguró que el 5 de noviembre de 2001, en el puerto de Chiquita Brands, en el departamento Magdalena, ingresaron 14 contenedores con 3.400 fusiles AK 47 y 7 millones de cartuchos para fusil con destino a los grupos paramilitares, traídos en el buque Otterloo.
«Los contenedores, descargaron en la bodega de Chiquita Brands y la empresa envió una grúa sofisticada para su movilización. Los 14 contenedores, que fueron declarados ante la Dian como un cargamento de pelotas de caucho, fueron trasladados luego a las fincas La Rinconada y La Maporita» explicó Roldán, comandante del Bloque Bananero de las AUC.
En Antioquia Las multinacionales bananeras Chiquita Brands y su filial BANADEX, junto a las Comercializadoras Sunisa S.A, Conserva S.A, Uniban, Tropical S.A, Proban, Banafrut, Bagatela S.A y Agrícola Rioverde, financiaron de forma periódica a los grupos paramilitares: «pagaron 3 centavos de dólar por caja de banano exportado desde 1997 a 2007», confesó José Gregorio Mangones Lugo, alias Carlos Tijeras.
Según la Sala judicial que recibió el testimonio de Mangones, la canalización de los recursos -que se dio mediante la CONVIVIR Papagayo-, incidió en las formas de victimización del Bloque Bananero, pues hubo incentivos materiales para asesinar a trabajadores sindicalizados y militantes de partidos políticos de izquierda.
Coca-Cola, que no es mencionada por el estudio de la Universidad Javeriana, fue llevada a juicio en Estados Unidos gracias a las denuncias del sindicato colombiano Sinaltrainal. Esto, porque la empresa norteamericana contrató paramilitares de las AUC para asesinar a 9 sindicalistas en sus plantas embotelladoras entre los años 1990 y 2002.
Uno de los líderes sindicales asesinados fue Isidro Segundo Gil, dirigente del sindicato Sinaltrainal, quien negociaba un pliego de peticiones con la planta de Coca-Cola en Carepa -Antioquia-. La mañana del 5 de diciembre de 1996 un grupo de paramilitares de las AUC llegó hasta el sindicato de la embotelladora y lo asesinó.

Sin embargo, en 2003, la Corte norteamericana desestimó a The Coca-Cola Company como responsable porque el asesinato tuvo lugar fuera de Estados Unidos y por tanto demasiado lejos (física y causalmente) del Cuartel General de la compañía en Atlanta. El Tribunal permitió que el caso siguiera adelante contra dos embotelladoras de Coca-Cola.
Medios de comunicación
En cuanto a RCN Televisión -también del grupo empresarial Ardila Lulle-, el comandante nacional de las AUC, Salvatore Mancuso afirmó que RCN y otros medios de comunicación como Caracol tuvieron «complacencia con el accionar de las autodefensas» por haber transmitido entrevistas en las que se mostraba a Carlos Castaño como «el líder de la lucha contra la subversión».
A pesar de que algunas empresas han sido encontradas culpables de apoyar a los grupos paramilitares, tanto en Justicia y Paz como en la Justicia Especial para la Paz -JEP-, creada en el gobierno de Juan Manuel Santos (2010-2018), se excluyen a estas empresas y personajes como Ardila Lulle para ser condenados.
La verdad es una de las reparaciones más importantes para las víctimas del conflicto social, político y armado que sufre Colombia desde hace décadas. Conocer los responsables de las masacres, asesinatos, desapariciones, desplazamientos, amenazas, entre otros, es un reclamo fundamental para superar la guerra y sus causas.
Entonces, aunque la justicia ordinaria colombiana es la responsable de condenar a personajes de la vida política y empresarial de nuestro país vinculados a crímenes como el asesinato de líderes y lideresas sociales, jurisdicciones especiales como Justicia y Paz y la JEP han demostrado la importancia de su quehacer.
Reparar a las víctimas y garantizar la paz en condiciones de vida digna son responsabilidades del Estado. Negar que grandes empresas como Ecopetrol y Chiquita Brands, así como empresarios como Carlos Ardila Lulle tienen vinculos con el paramilitarismo es como negar la sistematicidad de los asesinatos a líderes y lideresas sociales en Colombia.
 

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/3a96hmt

Colômbia: 20 dirigentes sociais assassinados em duas semanas

A morte do indígena Quitumbo Ascue, esta terça-feira, no Cauca eleva para 20 o número de assassinatos de dirigentes sociais e ex-combatentes colombianos em 2020, segundo divulgou o organismo Indepaz.

O departamento do Cauca continua a ser um dos mais violentos da Colômbia, registando-se ali inúmeros ataques a dirigentes sociais, defensores dos direitos humanos e membros dos povos origináriosCréditos / Semana

Um grupo de homens armados matou, ontem, o camponês e dirigente indígena Jaiber Alexander Quitumbo Ascue, de 30 anos de idade, que residia na província do Norte no departamento do Cauca (Sudoeste da Colômbia).

O senador Feliciano Valencia divulgou a morte do jovem indígena numa mensagem que publicou na sua conta de Twitter: «Assassinado com arma de fogo na sua parcela na Vereda Vichiquí, resguardo de Toribío, Cauca; desconhecem-se motivos e responáveis», escreveu o congressista colombiano.

Lista de dirigentes sociais assassinados em 2020 na Colômbia Créditos

Num comunicado, o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC) explicou que os factos ocorreram quando o dirigente se encontrava na sua zona de trabalho agrícola, a 50 metros de casa, local onde teriam acorrido homens armados, que dispararam vários tiros contra ele.

«Preocupa o nível de assassinatos em territórios indígenas no Norte do Cauca», alerta o CRIC. «Em comparação com os registados em Janeiro de 2019, há um aumento de sete casos, o que é sem dúvida um nível alarmante para as comunidades», afirma o organismo.

«Exigimos ao Estado colombiano que tome medidas adequadas, eficazes e concertadas de protecção e respeito territorial. Reiteramos o apelo à comunidade nacional e internacional para que estejam atentos e denunciem esta situação territorial», acrescentou o CRIC.

De acordo com uma lista divulgada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), desde o início do ano foram assassinados na Colômbia 19 dirigentes sociais e um signatário dos acordos de paz.

Provedoria de Justiça: 555 assassinatos em quatro anos

Carlos Negret, Provedor de Justiça da Colômbia, afirmou ontem que, nos últimos quatro anos foram assassinados no país andino 555 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos.

De acordo com a contagem efectuada pelo organismo estatal, em 2019, até 31 de Outubro, registaram-se 118 casos de assassinato. Outros 15 casos estão em processo de verificação, ocorridos nos dois últimos meses do ano.

Negret destacou que os 555 homicídios registados entre 2016 e 2019 na Colômbia «deixam uma profunda ferida nos direitos humanos e na democracia» do país, informa a Prensa Latina.

Os dados recolhidos do Indepaz, relativos ao período entre 1 de Janeiro de 2016 e 20 de Julho de 2019, apontam para números mais elevados, tendo então o instituto informado que foram assassinados na Colômbia 738 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos – 627 dos quais desde a assinatura do acordo de paz firmado entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP).

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/colombia-20-dirigentes-sociais-assassinados-em-duas-semanas

O estado colombiano recruta meninas e meninas para a guerra

por ELN [*]

O Estado colombiano continua submetido à Doutrina de Segurança Nacional do imperialismo, em que o ponto central é golpear a população para cortar o sustento às guerrilhas. Assim se explica a política de terra arrasada em amplas regiões do país e o extermínio dos dirigentes sociais e suas organizações, em operações combinadas de tropas regulares, agentes de inteligência e tropas irregulares do paramilitarismo.

Na nova Doutrina Damasco, que o terceiro governo de Uribe apresenta como a Política de Defesa e Segurança, sustenta-se toda a estrutura estatal anti-subversiva, levando-a ao controle micro-territorial com as Zona Estratégica de Intervenção Integral; adaptam-se as Forças Armadas para colocá-las ao serviço da NATO e potencia-se a arma da inteligência.

A política de recrutamento de menores de idade

Agora massificam-se as escolas de inteligência, para preparar os informantes das Forças Armadas e da Polícia e para infiltrar seus espiões nas fileiras das guerrilhas, assim como nas organizações sociais e políticas de oposição ao regime.

É política oficial do Estado colombiano o recrutamento de meninas e meninos, para pô-los a trabalhar como agentes de inteligências ou espiões das Forças Armadas e da Polícia.

Desde há muitos anos o Estado abriu seus Batalhões e Postos de polícia para campanhas de aproximação com a população, pondo ênfase no trabalho para ganhar o interesse dos menores de idade: oferecendo suas instalações para a realização de pinhatas , festas com palhaços e conjuntos musicais, emprestando suas piscinas, campos desportivos, carros blindados e diversão como meios para a diversão e o entretenimento de meninas e meninos.

Aos menores de idade disfarçam-nos com os uniformes militares e até os maquilham com imitações das utilizadas pelas tropas de assalto. Induzem-nos à guerra com jogos como soldadinhos, polícias ou carabineirozinhos por um dia. Levantam-se os perfis psicológicos de cada menor, seleccionando aqueles que sofrem problemas de desajustamento familiar e investigam-se suas famílias, para avançar com um plano de recrutamento, mediante escolas de inteligência com menores de idade. Assim lhes vão colocando pequenas tarefas de espionagem, que para os menores significam jogos muito divertidos e vão-nos recompensando com prémios de acordo com os seus resultados. A seguiram levam-nos a nova escolas, assinalam-lhes missões mais complexas e muitos são submetidos ao serviço sexual dos seus chefes.

Este trabalho de recrutamento dos menores de idade, para a inteligência militar e da polícia, intensifica-se nas regiões de presença guerrilheira, nos bairros populares, organizações sociais e nas escolas e colégios com trajectória de luta.

O ELN liberta meninas e meninos espiões

A Frente de Guerra Oriental (FGO), através de trabalhos de inteligência conseguiu descobrir dentro da população três menores de idade que foram treinados por militares colombianos para infiltrarem-se no ELN. Foram detidos nossas unidades guerrilheiras.

Hoje, a FGO liberta os referidos menores de idade:
–  Angélica Marina Sandoval Leal , de 14 anos de idade, natural de Aguazul, Casanare, recrutada pelo Exército desde os 10 anos.
–  Dana Yulieth Mogollón Lugo , de 15 anos de idade, de Yopal, Casanare, recrutada pela policia desde os 10 anos.
–  Luis Enrique Rincón Trujillo , de 15 anos de idade, natural de Aguazul, Casanare, recrutado pela policia desde os 10 anos.

A dupla moral do Estado colombiano e dos seus governantes

Frequentemente o aparelho judicial do Estado emite ordens de captura e condenações contra os comandantes guerrilheiros devido ao suposto recrutamento de menores, que é tipificado como um crime de guerra. Contudo, nunca foi iniciado um só procedimento judicial contra a cúpula militar e os chefes de governo, os quais, de forma encoberta e sistemática, mantêm a política do recrutamento de menores para a inteligência militar e da polícia.

Convidamos todos os organismos internacionais defensores dos Direitos Humanos e do Direito Internacional Humanitário a verificarem esta política estatal colombiana e a condenarem estes crimes de Estado, exigindo que se cancele o recrutamento de menores de idade.

Reiteramos que o ELN não realiza recrutamentos como faz o Estado e que o ingresso nas nossas fileiras é um acto voluntário e consciente, mediado por um processo de selecção.

Hoje, como um gesto humanitário, o ELN está devolvendo estes três menores de idade ao seio das suas famílias, mediante os bons ofícios da delegação humanitária.

Nem rendição nem entrega, sempre junto ao povo.

Colômbia para os trabalhadores!

Nem um passo atrás, libertação ou morte!

Comando Político Militar Estratégico,
Frente de Guerra Oriental, Comandante en Jefe Manuel Vásquez Castaño
Ejército de Liberación Nacional, Montanhas, selvas, savanas e cidades do Oriente colombiano
23 de Dezembro de 2019

O original encontra-se em eln-voces.net/el-estado-colombiano-recluta-ninas-y-ninos-para-la-guerra/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/colombia/eln_30dez19.html

A Colombia dos assassinatos de Estado apoiada por Trump

A criminalidad afecta en gran medida a los líderes sociales en Colombia. La cifra de dirigentes asesinados durante 2019 asciende a 151.

1)Este 27 de diciembre, en horas de la mañana, la líder social Milena Quiroz fue víctima de un atentado cuando desconocidos dispararon en varias ocasiones en contra del esquema de protección en el que se transportaba. Quiroz, junto con su escolta lograron salir ilesos del hecho.
La defensora de derechos humanos se trasladaba desde El Arenal, sur de Bolívar, hacia Aguachica, César, cuando se presentaron los acontecimientos, en donde, de acuerdo con las primeras versiones, las personas que atacaron el esquema de seguridad se encontraban en la vía, esperando el vehículo para disparar. 
2)Los atacantes arribaron também la vivienda de Fabio Montero y dispararon sus armas de fuego, con las que impactaron a su madre y a su abuelo, quienes fallecieron producto de los impactos.
3)El dirigente social, Reinaldo Carrillo Vera, fue asesinado la madrugada de este miércoles en su residencia, en el municipio de Pitalito, departamento de Huila (al sur de Colombia), por individuos aún no identificados que lo hirieron varias veces con un arma de fuego.
 
 
Un comunicado difundido por el Departamento de Policía Huila detalló que los responsables de la muerte de Carrillo, de 38 años, llegaron hasta la casa de la víctima, aparentemente movilizados en una motocicleta, y actualmente son buscados por la autoridades.
4)La familia del líder social colombiano Fabio Montero Enríquez fue atacada este viernes por un grupo de hombres armados en el municipio de Leiva, en el departamento de Nariño (suroeste de Colombia).
Los atacantes arribaron a la vivienda de Montero cerca de las 19H00 hora local, tras lo que dispararon sus armas de fuego e impactaron a su madre Ermencia Enríquez Adrada y a su abuelo Sofronio Adrada, quienes fallecieron producto de los impactos.
Para el momento de los sucesos, Montero se hallaba a un kilómetro de distancia arribando a su hogar. 
Fabio Montero Enríquez es un líder social y defensor de Derechos Humanos integrante de la Comisión de Derechos Humanos de la Coordinación Social y Política Marcha Patriótica e integrante de la Asociación de Trabajadores Campesinos de Nariño (Astracan).
 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/29/a-colombia-dos-assassinatos-de-estado-apoiada-por-trump/

Violência, uma constante na realidade colombiana

 
 
Masiel Fernández Bolaños* Bogotá (Prensa Latina) - em Pátria Latina
 
Todo mês, semana e, praticamente todos os dias deste ano, a violência era uma constante na realidade colombiana. Ameaças, ataques, sequestros e assassinatos foram repetidos, com frequentes vítimas entre membros de comunidades indígenas, líderes sociais e ex-guerrilheiros.
 
Tudo isso acontece três anos após a assinatura do Acordo de Paz entre o Estado e as ex-Forças Armadas Revolucionárias do Exército Popular da Colômbia (FARC-EP) e 16 meses após a chegada à Casa Nariño (sede da Presidência) da República. Presidente Iván Duque.
 
Vozes diferentes concordam que centenas de líderes sociais, indígenas e ex-guerrilheiros foram assassinados desde a assinatura do Acordo, enquanto aumentam os pedidos de sua implementação abrangente, a fim de alcançar uma paz com justiça social, estável e duradoura.
 
No caso das comunidades indígenas e afrodescendentes, eles também insistem na necessidade de uma presença integral do Estado em seus territórios, opondo-se à existência de grupos armados, legais ou ilegais, e pedindo que suas formas sejam respeitadas. defesa própria.
 
 
EL CAUCA, UM DOS DEPARTAMENTOS MAIS VIOLENTOS
 
Ao falar sobre a situação persistente de violência no departamento de Cauca, várias vozes apontam para elementos como ilegalidade e abandono do estado.
 
A violência que existe em nossos territórios data de muito tempo e é por várias razões, disse à Prensa Latina a líder social Clemencia Carabalí, membro da Associação de Mulheres Afro-descendentes do norte de Cauca.
 
Ele ressaltou que a área tem uma localização estratégica, porque desse corredor no norte de Cauca você tem acesso ao interior do país, mas também à costa do Pacífico, à costa de Cauca e ao sul, o que permite o tráfego de todos os tipos de elementos, Legal e ilegal.
 
Da mesma forma, ele disse, a biodiversidade que hospeda, bem como a riqueza da mineração, ouro e petróleo e carvão, faz com que os olhos de muitos investidores nacionais e estrangeiros olhem para esta região.
 
Por outro lado, disse ele, a questão do abandono do Estado é cúmplice precisamente em todas essas situações, porque as pessoas não têm capacidade ou apoio técnico e jurídico e econômico para operar em harmonia com o meio ambiente.
 
As pessoas, embora morem em um território muito rico, não têm condições de explorá-lo racionalmente e dentro da estrutura de seu próprio desenvolvimento, como dizem as leis para comunidades negras e indígenas, explicou Carabalí.
 
Na sua opinião, outro problema é a falta de cumprimento da palavra comprometida com o Acordo de Paz, porque ‘isso se tornou um terreno fértil para a deterioração dos direitos das pessoas em nossa região’.
 
O líder social também enfatizou que a questão da mineração ilegal causa muitos danos no território, não apenas prejudica a natureza, mas principalmente a vida de homens e mulheres, porque polui o ar, o meio ambiente.
 
Na opinião de Rossi Jair Muñoz, defensor do Povo Regional de Cauca, o tráfico de drogas, a mineração ilegal e as lavouras ilícitas estão entre os problemas que afetam a ordem pública naquela região do sudoeste colombiano.
 
Fatos que estão afetando a ordem pública foram apresentados. O povo de Cauca é um povo de paz. Esta é uma questão que o Ombudsman Nacional, Carlos Negret, tornou visível para o nosso departamento. Queremos ser um território de paz, disse Muñoz à Prensa Latina.
 
Para ele, a presença da institucionalidade é necessária. Olhar para a institucionalidade é olhar novamente para o campo, nossos camponeses, nossos povos indígenas; promover colheitas lícitas na região; atingir a sociedade por estradas, postos de saúde, escolas, disse ele.
 
Esse é um componente que faz parte do que o Provedor de Justiça solicitou para que nossas comunidades possam viver em paz e ter paz nesta região, disse ele.
 
Nessas condições, ele enfatizou, estamos alertando sobre a importância de atender a alertas precoces, que é um sistema de prevenção e proteção dos direitos humanos.
 
Pedimos que as observações e recomendações que fazemos em nossos primeiros alertas pela instituição sejam levadas em consideração, disse ele.
 
O Escritório do Ombudsman descreveu a situação como uma catástrofe humanitária devido a confrontos entre grupos armados fora da lei para apreender rotas de tráfico de drogas e mineração ilegal.
 
Nesse contexto, o Conselho Regional Indígena de Cauca (CRIC) informou que o estado de emergência territorial ainda está em vigor, diante de ações violentas contra membros das comunidades originais.
 
O CRIC instou todas as estruturas da organização e comunidade nativas em geral a permanecerem vigilantes e vigilantes.
 
Ele também alertou as organizações nacionais e internacionais de direitos humanos sobre os eventos apresentados na área, que não se limitam a ameaças por escrito, mas a situações de perseguição e morte.
 
O Conselho enfatizou que ‘as ameaças de morte que continuamos a receber por nosso trabalho autônomo de controle territorial não respondem a nenhum projeto político revolucionário, mas à pequena ambição do narcotráfico’.
 
Juntamente com isso, a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) declarou uma emergência humanitária devido à morte de nativos desde a assinatura do Acordo de Paz.
Sobre o envio de soldados ordenados pelo governo diante da violência em Cauca, ele disse que ‘já sabemos que a militarização não é a solução’.
 
A VIOLÊNCIA POLÍTICA
 
Os atos de violência e as demandas por garantias políticas precederam as eleições regionais e locais de 27 de outubro.
 
A Missão de Observação Eleitoral (MOE) declarou que 108 candidatos foram vítimas de violência de 27 de julho a 21 de outubro.
 
Ameaças, seqüestros, ataques e assassinatos foram algumas das manifestações de tais eventos.
 
Ao longo do calendário eleitoral, a Missão monitorou permanentemente a violência sofrida por candidatos, candidatos, altos funcionários de todas as ordens territoriais, líderes políticos, líderes sociais e membros dos Comitês de Ação da Comunidade, detalhados em um relatório sobre o assunto.
 
Juntamente com isso, vários partidos denunciaram os ataques contra seus candidatos e exigiram garantias do governo para realizar a campanha eleitoral.
 
A questão é tão complexa que, segundo pesquisas, a insegurança é uma das questões que mais preocupa os colombianos.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/violencia-uma-constante-na-realidade.html

Protestos contra as políticas de Duque mantêm-se na Colômbia

O salário mínimo, as condições do Ensino Superior, a repressão destacaram-se nas concentrações desta terça-feira, no âmbito das mobilizações que, desde 21 de Novembro, têm lugar na Colômbia.

Milhares de colombianos voltaram a manifestar-se em vários pontos do país contra as políticas de Iván DuqueCréditos / RT

Esta terça-feira, milhares de colombianos voltaram a encher as ruas e praças do país em protesto contra as políticas do governo de Iván Duque. Em Bogotá, A Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), uma das organizações que integram a Comissão Nacional da Greve, promoveu concentrações para exigir o aumento do salário mínimo – que actualmente ronda os 240 dólares – para cerca de 290 dólares, refere a RT.

Ainda na capital colombiana, realizou-se pelo menos uma outra concentração por iniciativa da Comissão Nacional de Greve, em prol dos direitos humanos e para reafirmar a defesa dos 13 pontos que a Comissão apresentou a Duque, em que se incluem: a retirada do projecto de lei de reforma tributária; travar a reforma de pensões e a reforma laboral; a dissolução do ESMAD – Esquadrão Móvel Antidistúrbios e «limpeza» da Polícia Nacional; o cumprimento dos acordos de paz firmados com as FARC-EP, bem como dos estabelecidos com sindicatos, organizações indígenas e camponeses.

Exigência de verbas e outra política para o Ensino superior

Algumas das manifestações e concentrações que ontem tiveram lugar no país andino-amazónico centraram as suas reivindicações no âmbito da Educação e do Ensino Superior, como aconteceu em Bogotá, junto à Universidade Nacional da Colômbia, e em Barranquilla, junto à Universidade Autónoma das Caraíbas.

Neste último caso, a mobilização foi promovida pela CUT, que escolheu a Uniautónoma como exemplo do Ensino Superior colombiano, pelo abandono e pela má administração que sofre, e «que reflectem as políticas sociais erradas implementadas pelo presidente Duque», segundo declarou o presidente da central sindical, Javier Bermúdez.

Também em declarações à TeleSur, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Autónoma das Caraíbas, Nathalie Álvarez, afirmou que «as universidades na Colômbia estão a sofrer de falta de financiamento» e que «nem as públicas nem as privadas estão a ter a atenção que merecem da parte do Estado».

Algumas das mobilizações de ontem, celebradas no Dia Internacional dos Direitos Humanos, voltaram a ser reprimidas com grande violência pelo ESMAD, nomeadamente em Bogotá.

«O Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad) continua a usar as armas com que assassinou Dilan Cruz (estudante de 18 anos, morto recentemente) com um disparo na cabeça. Agora na Universidade Nacional, estão a atirar contra os estudantes com estas esferas metálicas», escreveu na sua conta de Twitter o el analista político Juan Camilo Caicedo.

A Colômbia para: Indígenas lideram a greve geral e desafiam governo

Ao lado de trabalhadores e universitários, os indígenas foram os protagonistas nesta quarta-feira (4) do terceiro dia de greve geral na Colômbia. As grandes paralisações nacionais protestam contra medidas econômicas e sociais do governo do presidente Iván Duque, no poder há 16 meses. Conforme pesquisa divulgada no mesmo dia, 70% dos colombianos reprovam a gestão do atual mandatário, e 74% concordam com os protestos.

 

 

As 134 concentrações e as 184 marchas convocadas em todo o país causaram grandes congestionamentos nas áreas urbanas e também bloqueios em estradas. Na maioria dos casos, as manifestações ocorreram de maneira pacífica. Em Medellín, no entanto, foram registrados confrontos. Em Bogotá e Cali, também, além de “panelaços” ao fim dos protestos.

A primeira da sequência de greves gerais no país ocorreu em 21 de novembro. Desde então, uma pessoa morreu em Bogotá e outras três mortes são investigadas na região de Valle del Cauca, departamento onde fica Cali. Na capital Bogotá, o comércio e as empresas funcionaram normalmente, e o número de manifestantes nas ruas ficou longe da multidão vista nas duas primeiras edições da greve.

No dia 21 de novembro, estima-se que ao menos 250 mil pessoas participaram dos protestos, convocados sob o lema “Contra o pacotaço de Duke, a OCDE, o FMI e o Banco Mundial. Pela vida e pela paz”. Nesta quarta-feira, segundo a ministra do Interior, Nancy Patricia Gutiérrez, 40 mil manifestantes teriam ido às ruas. Os organizadores afirmam que o número de participantes foi maior.

Povos indígenas da Colômbia reclamam de falta de assistência do governo federal, do clima de intimidação e da ameaça imposta por grupos armados. No protesto desta quarta, indígenas de departamentos como Cauca, Risaralda e Nariño participaram de uma marcha da Universidade Nacional até a Plaza de Bolívar, coração político da capital, segurando cartazes com dizeres como: “A Colômbia acordou” e “Resista”.

“O governo está atropelando os povos indígenas. O governo tem que nos ouvir”, disse Víctor Fernando Gañán, que viajou ao menos 380 quilômetros de sua reserva até Bogotá. “Não temos mais medo. Por isso, estamos aqui, marchando.” Líderes indígenas se dizem vítimas de um genocídio. Desde a assinatura do tratado de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016, 198 indígenas foram assassinados no país.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-colombia-para-indigenas-lideram-a-greve-geral-e-desafiam-governo/

Manifestantes tomam ruas de Bogotá em meio a nova greve na Colômbia (VÍDEO)

Manifestante exibe cartaz contra o presidente da Colômbia, Iván Duque, durante protesto em Bogotá, capital do país, em 25 de novembro de 2019
© REUTERS / CARLOS JASSO

Um grande número de manifestantes foi às ruas de Bogotá nesta quarta-feira para protestar contra recentes medidas de austeridade anunciadas pelo governo colombiano.

A mobilização popular no país sul-americano teve início no mês passado, quando milhares de pessoas se rebelaram contra um pacote de reformas neoliberais do presidente Iván Duque, incluindo mudanças trabalhistas e previdenciárias.

Hoje, centrais sindicais colombianas realizam a terceira greve geral no país desde o início dos protestos, que acontecem em um contexto de revolta social em boa parte da América do Sul. Entre algumas das principais reivindicações do povo colombiano estão, além da revisão do pacote, a criação de mais empregos, salários melhores e mais investimento em educação pública. 

No final de novembro, Duque tentou aliviar as tensões convocando opositores para um "diálogo nacional", mas as propostas apresentadas e a maneira como essas conversas vêm sendo realizadas, de maneira setorizada, não foram capazes de conter a indignação popular até o momento, que cresceu ainda mais por conta da violência policial contra os manifestantes.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019120414851263-manifestantes-tomam-ruas-de-bogota-em-meio-a-nova-greve-geral-na-colombia-video/

Colômbia, mulheres na luta

Há mortos entre os manifestantes e a Greve Geral mantém-se.
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A emancipação não está no estabelecimento de quotas… emancipação é libertação e a liberdade não se legisla, conquista-se!
Todo o resto é blá-blá-blá desmobilizador: as “quotas”, “Lei da Paridade” a tão proclamada “Cidadania” ou “Igualdade de Género”, são remendos na liberdade condicionada pelo capitalismo que nunca libertará porque oprimir é a sua condição.
A COMUNICAÇÃO “SOCIAL” CONTINUA A ESCONDER O VULCÃO SOCIAL QUE PROJETA MORTES, FERIDOS E MILHARES DE DETIDOS.
A MEDIA É UMA ARMA LETAL!
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Colômbia, a foto que retive.

Observei, uma a uma, as fisionomias destes jovens, não estão exaltados, a guerra ainda não começou, mas em cada rosto há uma calma determinação, a palavra de ordem remete-nos para pessoas instruídas, os rostos para povo sem horizontes.
 
São os novos proletários desempregados ou com a força de trabalha a saldo. São a única saída do atoleiro em que nos encontramos.
 
A manifestação vai começar dentro em pouco: ÂNIMO!

Via: as palavras são armas http://bit.ly/34sFOgc

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/11/28/colombia-a-foto-que-retive/

Colômbia: manifestantes marcam novo ato após morte de estudante

Manifestação em apoio ao estudante Dilan Cruz, morto pela repressão na Colômbia.
© REUTERS / Luisa Gonzalez

Sindicatos e grupos de estudantes colombianos realizarão outro protesto na quarta-feira (27) em homenagem a um manifestante que morreu após ser ferido por um disparo de gás lacrimogêneo.

Após a pressão popular das manifestações, o presidente Iván Duque anunciou mudanças em sua impopular proposta de reforma tributária, informa a agência de notícias Reuters.

Esta terça-feira (26) marca o sexto dia consecutivo de protestos após uma marcha de 250 mil pessoas na semana passada. Os atos em grande parte pacíficos atraíram milhares de manifestantes que rejeitam as reformas econômicas, a violência policial e a corrupção.

O Comitê Nacional de Greve afirmou que exige uma "negociação permanente" com Duque. A organização exige que a proposta de cortar os impostos sobre as empresas seja rejeitada. Após reunião com o Comitê Nacional de Greve, Duque anunciou que a contribuição dos aposentados que recebem um salário mínimo com o sistema de saúde será diminuída, entre outras medidas. 

O presidente colombiano disse ser contra o pacote econômico, que inclui um corte no salário mínimo da população jovem, que causou descontentamento e galvanizou os manifestantes. 

Na segunda-feira, morreu o esudante Dilan Cruz, de 18 anos. Ele foi hospitalizado após ser atingido por uma granada de gás lacrimogênio na cabeça. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019112614823756-colombia-manifestantes-marcam-novo-ato-apos-morte-de-estudante/

Colômbia inicia processo de 'diálogo nacional' após protestos em massa

Manifestantes protestam contra políticas do presidente Iván Duque na Colômbia
© REUTERS / Luisa Gonzales

O presidente da Colômbia, Iván Duque, iniciou um diálogo nacional com o objetivo de determinar a política social do Estado em resposta a três dias de protesto em todo o país. O diálogo deve incluir propostas para enfrentar questões como corrupção e a desigualdade.

O presidente colombiano usou o Twitter no domingo (24) para anunciar o início do processo.

 

​O Diálogo Nacional que se inicia hoje é o espaço propício para gerar mais confiança entre nós, entre os cidadãos e suas instituições e construir um roteiro que acelere nosso trabalho para fechar a lacuna social.

 

Segundo o presidente, esse diálogo deve resultar na formação de políticas de longo prazo e no aumento da eficácia dos programas do governo nacional e regional. Duque acrescentou que o diálogo será realizado até 15 de março de 2020 e que todos os colombianos podem enviar suas propostas.

Protestos maciços levam onda de indignação à Colômbia

Nos últimos dias, a agitação em massa tomou conta das grandes cidades da Colômbia. Os manifestantes exigem melhor combate ao crime e melhorias da situação econômica no país.

Na quinta-feira (21), mais de 200 mil pessoas participaram de um dia nacional de protestos e greves. Os protestos continuaram e desde então, ao menos três pessoas morreram e dezenas de civis e policiais foram feridos.

Em resposta, o presidente Duque decretou toque de recolher na capital colombiana a partir da noite de sábado (23) e no dia seguinte anunciou a proposta de diálogo nacional.

O processo desencadeado por Duque promete levar para a mesa de negociação os prefeitos e governadores que foram eleitos nas eleições de outubro no país. Em meio à tensão regional, o presidente também pretende evitar que os protestos continuem crescendo, como no Chile, Equador e Bolívia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019112514817032-colombia-inicia-processo-de-dialogo-nacional-apos-protestos-em-massa/

Greve Nacional na Colômbia

ColombiaA CGTP-IN expressa a sua solidariedade aos trabalhadores e ao povo colombiano e faz votos de sucesso à Greve Nacional que hoje se realiza neste país. A CGTP-IN salienta o valor deste acto de luta e resistência à campanha terrorista do governo colombiano e dos grupos paramilitares contra organizações sindicais, sociais e políticas, assente na criminalização, ameaças, provocações, ataques, perseguições, prisões e assassinatos dos seus activistas e dirigentes.

Uma greve contra o pacote neoliberal de medidas anunciado pelo governo e defendidas pelo FMI, OCDE e Banco Mundial, em particular contra a reforma laboral, a qual, entre outras coisas, procura: acentuar a precariedade, reduzir para 75% o salário dos jovens trabalhadores e eliminar o salário mínimo; eliminar o direito às reformas; baixar os impostos ao grande capital e aumentar os impostos dos trabalhadores; privatizar serviços básicos de saúde.

As organizações sindicais e populares promotoras exigem o aumento e melhoria do salário mínimo, o cumprimento dos acordos feitos com as organizações de trabalhadores e de estudantes e com sectores sociais ligados à agricultura e aos indígenas. As organizações exigem implementação dos Acordos de Paz e o fim à política cúmplice com o paramilitarismo e de perseguição de quem resiste e luta por uma Colômbia de Paz e progresso, defendendo o direito ao protesto e o fim da criminalização e perseguição aos activistas e dirigentes sindicais e sociais.

A CGTP-IN expressa aos trabalhadores e ao povo colombiano a sua solidariedade e saúda a CUT e as demais organizações sociais e populares que convocaram e contribuíram para o sucesso desta greve.

INT/CGTP-IN
21.11.2019

Ver original aqui

Milhões manifestam-se nas ruas contra o presidente da Colômbia

No âmbito da greve geral e das manifestações que estão a ocorrer na Colômbia desde o dia 21 de Novembro registam-se agora dezenas de prisões. A Colômbia junta-se ao Chile e à Bolívia nos protestos sociais contra o neoliberalismo e o fascismo.

 

 

Segundo dados e informações prestados aos órgãos de comunicação social por Diogenes Orjuela da Central Unitária de Trabalhadores foram mobilizados mais de 1000 municípios da Colômbia e em algumas cidades reuniram-se dois milhões de pessoas.

Enquanto o povo se manifesta por melhorias sociais e económicas o Esquadrão de Polícia Móvel da Polícia Nacional afasta os manifestantes com gás lacrimogéneo, violência e prisões na cidade de Bogotá, entre outras.

(Foto: Juan Barreto / AFP)

Bucaramanguita 💓 #Paro21Noviembre pic.twitter.com/XNdrD1SVky

— Tangerina (@LuisaCerez) November 21, 2019

 

 

O presidente da Colômbia, Duque Márquez, está no poder apenas desde Agosto de 2018 mas já está a ser fortemente contestado pelas forças vivas da sociedade, onde se incluem estudantes, sindicalistas e indígenas, a reivindicar mais saúde e educação, o fim da corrupção nas universidades e o fim da violação dos direitos humanos contra líderes da comunidade indígena.

 


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/milhoes-manifestam-se-nas-ruas-contra-o-presidente-da-colombia/

Greve geral na Colômbia contra as políticas de Duque

A rejeição das políticas neoliberais do governo, o respeito pelos acordos de paz, o fim dos assassinatos de dirigentes sociais e da criminalização do protesto são alguns elementos que marcam a jornada de luta.

A situação socioeconómica na Colômbia é marcada pelo elevado índice de pobreza (cerca d 30% da população) e pela grande desigualdadeCréditos / El Espectador

A greve geral convocada para esta quinta-feira na Colômbia, por mais de 50 organizações sociais, estudantis, de mulheres, indígenas e sindicatos, foi ganhando corpo e maior apoio à medida que elementos ligados ao governo procuraram estigmatizar o protesto social e criminalizar aqueles que se mobilizam, tal como referem a Agência de Informação Laboral e o Observatório Político da Missão Eleitoral (MOE).

O elevado índice de pobreza, uma taxa de desemprego superior a 10% (que, segundo o MOE, sobe para 17% entre os jovens) e 44% dos trabalhadores a auferirem salários inferiores ao salário mínimo legal (240 dólares, segundo dados da Central Única dos Trabalhadores – CUT) geraram uma situação de grande descontentamento, agravado pela apresentação, no Congresso, de uma proposta laboral que contempla a redução do salário para os jovens até aos 24 anos, sendo que estes só deveriam auferir 75% do salário total – «para criar emprego».

O próprio Duque veio a público desmentir que a proposta contasse com o seu apoio ou fosse para avançar, mas, segundo os organizadores da paralisação nacional, o «desmentido» não é para ser levado a sério e foi apenas para desmobilizar, dada a greve que aí vinha.

Iván Duque também desmentiu que, da parte do seu Executivo, houvesse uma reforma das pensões em curso (para acabar com o direito dos trabalhadores à reforma), mas isso também não convenceu quem se mobiliza.

A oposição à política de privatização das empresas eléctricas regionais e de todas as empresas onde a participação do Estado seja inferior a 50%; a denúncia da corrupção; o «não» ao aumento das tarifas que o Executivo quer implementar; e o protesto contra uma reforma tributária que pretende baixar os impostos para as grandes empresas e multinacionais, e impor tributações mais elevadas à classe média e aos trabalhadores são também motivos subjacentes à greve geral de hoje.

Na área da Educação, os estudantes exigem que o governo de Duque cumpra o acordo alcançado com as universidades, em Dezembro do ano passado, no que respeita ao reforço de verbas, denunciando que, 11 meses depois, ainda não se viu dinheiro algum e que a Polícia continua a carregar sobre os estudantes.

Também a Federação Colombiana dos Trabalhadores da Educação – FECODE exige o cumprimento dos acordos firmados entre governo, trabalhadores e estudantes, além de garantias para que os docentes possam ensinar – já que dezenas de professores estão sob ameaça de «grupos ilegais», refere a TeleSur.

As organizações convocantes exigem, ainda, o fim dos assassinatos de dirigentes sociais, o cumprimento do estabelecido nos acordos alcançados com camponeses e indígenas, bem como do Acordo de Paz firmado em 2016 entre o Estado e as FARC-EP.

Tentativas de intimidação

Com o pretexto de impedir «qualquer acção violenta» na jornada de greve geral, as autoridades colombianas invadiram e revistaram múltiplas casas nos últimos dias, incluindo a sede do Partido Comunista Colombiano e da União Patriótica no município de Palmira (departamento de Valle del Cauca). A maioria dos casos ocorreu nas cidades de Bogotá, Cali e Medellín, e, segundo, a Prensa Latina, envolveram organizações sociais e sindicatos ligados à greve geral desta quinta-feira.

A CUT repudiou aquilo que considera a «militarização», bem como as declarações que foram sendo feitas pelo governo no sentido de poder decretar um «recolher obrigatório» em todas as cidades do país, no âmbito da paralisação.

Tanto a CUT como outros organismos denunciaram esta «campanha de medo e intimidação», que constitui um «claro atentado contra a greve geral» por parte do governo de Duque.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/greve-geral-na-colombia-contra-politicas-de-duque

'Tenho que inventar coisas para EUA manterem Venezuela na cabeça', diz embaixador colombiano

© AFP 2019 / Jim Watson

Áudio que revelou as estratégias da Colômbia para interferir na Venezuela causa turbulência em Bogotá. O autor das declarações, o embaixador da Colômbia em Washington Francisco Santos, se defende: "Não sou de dizer mentiras".

O embaixador da Colômbia em Washington foi chamado de volta para sua capital, a fim de prestar esclarecimentos sobre áudio de 24 minutos, publicado pelo jornal colombiano Publimetro. No áudio o embaixador da Colômbia em Washington, Francisco Santos, conversa com a recém-nomeada ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Claudia Blum, sobre a Venezuela.

O embaixador diz que "Trump não vai entrar na Venezuela" e que, se Nicolás Maduro não se retirar do poder "a nossa vida vai ficar impossível".

"Tenho que inventar coisas para que eles [os EUA] mantenham a Venezuela na cabeça", disse, resumindo: "Essa é a tarefa que eu tenho em relação à Venezuela".

Para manter o assunto Venezuela no topo da agenda dos americanos, o embaixador revelou que iria organizar uma viagem de congressistas dos EUA à Colômbia, para que eles "vejam as fronteiras, vejam drogas".

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar, que conecta a Venezuela com a Colômbia
© Sputnik / Mikhail Alaeddin
Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar, que conecta a Venezuela com a Colômbia

"Vamos fazer isso para que Washington não perca de vista a importância da Venezuela", explicou, reclamando do déficit de atenção dos norte-americanos: "Aqui não se tem memória. Ficam incomodados com algo por dez minutos, depois passam para outro tema".

Apoio a Juan Guaidó

O embaixador relata à sua nova chefe que "a história do Guaidó está parada" e expressou esperança de "que isso volte a se mover".

"É importantíssimo construir uma coisa estratégica com a Venezuela a partir do nosso trabalho, com as embaixadas que o governo [sic] de Guaidó já está montando. Lá tem gente que eu conheço, eu trabalho muito em conjunto e te ajudo em tudo que você precisar", revelou o embaixador colombiano.

A Colômbia reconhece a autoridade do parlamentar venezuelano, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente da Venezuela em janeiro de 2019.

Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, que muitas nações reconheceram como o governante provisório legítimo do país, conversa com apoiadores perto da embaixada da Bolívia em Caracas, Venezuela, 16 de novembro de 2019
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, que muitas nações reconheceram como o governante provisório legítimo do país, conversa com apoiadores perto da embaixada da Bolívia em Caracas, Venezuela, 16 de novembro de 2019

'O Departamento de Estado está destruído'

O embaixador se queixa reiteradamente da falta de coordenação, imprevisibilidade e desmonte de alguns dos principais órgãos norte-americanos de condução da política externa. Segundo ele, o Departamento de Estado dos EUA, órgão equivalente ao Itamaraty brasileiro, estaria "destruído" sob Donald Trump.

"O Departamento de Estado, que era importantíssimo, está destruído, não existe", disse, acrescentando que a única figura de peso na instituição é o secretário Mike Pompeo.

Santos nota a imprevisibilidade da política norte-americana, usando como exemplo a ocasião na qual foi discutida a possibilidade de invocar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) para justificar uma intervenção militar na Venezuela.

"Na questão do TIAR, o Departamento de Estado queria, a Casa Branca não. Eu não sei em que momento a política da Casa Branca foi modificada. Mas aqui [nos EUA], de qualquer forma, eles não conseguem entrar em acordo", lamentou.

Estratégias de intervenção na Venezuela

A futura ministra colombiana considerou algumas maneiras de interferir na política venezuelana, com o objetivo de desestabilizar o governo:

"Pachito [apelido carinhoso do embaixador Francisco Santos], me ajude a pensar. A solução não é um golpe militar, porque os militares não vão tirar ele [Maduro] do poder. Os Estados Unidos tirarem e, no final, a gente não saber no que vai dar, também não é uma opção", disse a futura chanceler colombiana.

Nesse momento, o embaixador responde dizendo que "A CIA não está se metendo. A CIA está pffff....", disse, sugerindo que a agência de inteligência norte-americana tem pouco interesse pela questão venezuelana.

"A única opção que vejo é fazer ações encobertas lá dentro [da Venezuela], para fazer ruído e apoiar a oposição que está muito isolada", disse o embaixador.

"Muito isolada, desgastada!", concorda a ministra, que lembra com pesar do "fiasco total" da operação que tentou enviar caminhões com "ajuda humanitária" da Colômbia para a Venezuela, em fevereiro do ano passado. Na ocasião, Nicolás Maduro denunciou o comboio como uma estratégia dos EUA para "justificar uma intervenção estrangeira".

Pessoas acompanham ajuda humanitária dos EUA destinada à Venezuela, em Cucuta, Colômbia, 23 de fevereiro de 2019
© AP Photo / Fernando Vergara
Pessoas acompanham ajuda humanitária dos EUA destinada à Venezuela, em Cucuta, Colômbia, 23 de fevereiro de 2019

"Então, é preciso pensar em uma estratégia, não sei qual será. Conversei com [...] e eles me disseram: 'Claudia, a única coisa é diálogo, mas um diálogo em que todos se encaixem'", disse Blum.

"Vou mentir para a chanceler?"

O embaixador foi chamado de volta para Bogotá pelo presidente da Colômbia, Iván Duque, para prestar esclarecimentos. Em entrevista à W Radio, o embaixador lembrou que a conversa se deu em âmbito "privado".

"O que me preocupa é que o áudio está perfeitamente audível, isso quer dizer que foi gravado do meu telefone", assegurou.

Santos também conta que ele e a nova chanceler estavam em um local reservado no hotel Mandarin de Washington: "Estávamos sozinhos".

Embaixador da Colômbia em Washington conversa com repórteres (foto de arquivo)
© AFP 2019 / Jim Watson
Embaixador da Colômbia em Washington conversa com repórteres (foto de arquivo)

O embaixador justificou as suas declarações, notando o objetivo da conversava com a sua chefe, nesse caso a chanceler da Colômbia, era descrever o estado das relações entre os EUA e a Colômbia:

"Vou mentir para a chanceler? Eu não sou uma pessoa de dizer mentiras, é uma pena, mas eu tenho que dizer-lhe a verdade", declarou.

Quando questionado sobre a possibilidade de renunciar ao posto, Santos afirmou que não o faria, lembrando que a decisão cabe ao presidente da Colômbia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019112114800594-tenho-que-inventar-coisas-para-EUA-manter-a-venezuela-na-cabeca-diz-embaixador-colombiano/

A luta de classes ferve na América Latina

 
 
O imperialismo norte-americano acentuou uma acção global contra regimes que tinham garantido importantes conquistas na América do Sul, mas os povos de vários países levantaram-se e não desistem de mudanças.
 
António Abreu | AbrilAbril | opinião
 
Em poucas semanas, o imperialismo norte-americano acentuou uma acção global contra regimes que tinham garantido, com os seus povos, importantes conquistas na América do Sul. Essa acção, presente há muito neste continente, foi também uma reacção a progressos e afirmações políticas das forças de esquerda neste período. Mas os povos de vários países, com regimes de direita e ligados a oligarcas, a grupos de indústria extractiva, com bandoleiros contratados para o crime político, levantaram-se e não desistem de mudanças que melhorem as suas condições de vida, a democracia e a participação efectiva nela dos cidadãos, que resistem aos desastres ambientais que multinacionais promovem.
 
Na Bolívia, as imagens que nos chegam são de grande violência de grupos de direita contra as pessoas que protestam contra o golpe e querem o regresso de Morales e das liberdades. A 6 de Novembro a presidente da câmara de Vinto foi assaltada, cortaram-lhe o cabelo, agrediram-na e simularam o seu estrangulamento, derramaram sobre ela tinta1. E tudo isto, invocando Deus e Jesus Cristo!… Estas milícias estão ligados a movimentos pentecostais reaccionários armados.
 
A 11 de Novembro, já depois de Evo Morales ter renunciado, queimaram as casas do presidente e de seus familiares, bem como as de dirigentes dos partidos que os apoiam e de ministros.
 
Evo acabou por sair do país e pedir asilo ao México. Fê-lo em declaração que a nossa imprensa, rádios e TV ignoraram no seu significado. É que, depois de ser pressionado pelo chefe da polícia e das forças armadas para resignar, Evo fê-lo para evitar um banho de sangue contra os populares e que o atingiria necessariamente a ele e família.
 
É preciso chamar a isto golpe de estado, denunciar os seus autores e quem está por detrás deles (latifundiários, banqueiros, grandes meios de comunicação social, capital estrangeiro norte-americano e europeu).
 
 
Os governos de Evo Morales governaram para o povo, o qual em 67% é constituído por povos originários do território. Apesar de que a grande burguesia, os milionários, os proprietários do latifúndio, da banca, dos grandes media e o grupo terrorista liderado por Luís Fernando Camacho, não quererem convívio nem melhoria das condições de vida destes 67%. Até estão acantonados numa região luxuosa e super-moderna, Santa Cruz de la Sierra.
 
A eles não terá agradado que nos governos de Evo Morales de 2006 a 2019:
 
• tenha sido recuperada a soberania, perdida depois da revolução de 1952;
• tenha, por isso, sido recuperado o direito indígena a reescrever a sua história;
• se tenham nacionalizado os hidrocarbonetos para os respetivos rendimentos chegarem ao povo;
• a economia cresceu em media 4,9%;
• a pobreza e a pobreza extrema tenham descido significativamente;
• as pensões tenham sido aumentadas;
• foi decretada a soberania alimentar;
• foi reduzido o analfabetismo de 13,3 para 2,4%;
• a mulher teve um acréscimo grande de acesso à vida profissional e política;
• a Constituição passou a considerar o estado boliviano como multinacional, multiétnico e multicultural.
 
É claro que os «brancos» de Santa Cruz de la Sierra queriam ser os exclusivos beneficiários destes recursos… Por isso fizeram o golpe de estado de que são figuras de proa o candidato derrotado contra Evo, Carlos Mesa, e o chefe de um bando terrorista, já referido, Camacho, que tem uma ficha policial nutrida que o liga inclusivamente aos Panama Papers. Mas na Bolívia, e noutros países latino-americanos, os quadros intermédios e superiores das polícias e forças armadas, sofreram décadas de formação militar e ideológica nas escolas militares dos EUA, Panamá e Brasil, para servir os grandes proprietários e esmagar as revoltas e resistências, sendo por isso compreensível que Camacho não esteja na cadeia e estejam lá, sim, dirigentes sindicais e outros apoiantes do Movimiento Al Socialismo (MAS).
 
Já antes, em 22 de Outubro, face à iminência de tentativas de golpe, em La Paz, a Central Obrera Boliviana (COB) e a Coordenadora Nacional pelo Cambio (Conalcam) resolveram, numa reunião extraordinária na Casa Grande del Pueblo, declarar estado de emergência e de mobilização pacífica nacional em defesa da democracia.
 
Antes da espera pela contagem final dos votos na primeira volta, sabendo que era provável que o seu candidato não conseguisse ir à segunda volta, sectores da oposição começaram a falar de uma suposta burla na contagem dos votos e alguns países da União Europeia (UE) e os EUA credibilizaram tal afirmação, passando depois todos a achar necessário que se realizasse a segunda volta. Da mesma forma interveio a Organização dos Estados Americanos (OEA) – organismo protegido por Washington – aceitando novas eleições, propostas por Evo antes mas nessa altura rejeitadas.
 
Segundo dados do organismo de estado eleitoral na Bolívia, Morales tinha na quarta-feira, 23 de Fevereiro (a contagem é muito lenta), 46,49 % dos sufrágios, enquanto que o seu opositor, Carlos Mesa, tinha 37,01 %.
 
A violência passou a atingir activistas do MAS, de Evo. Há reacções. A polícia cai sobre os manifestantes com violência.
 
Assumiu a presidência interina da República a deputada ultra-direitista Jeanine Añez, não tendo sido designada para o efeito uma outra deputada que a antecedia na linha de sucessão e que não se demitira nem tinha visto essa questão apreciada pelo Congresso.
Añez disse que Evo seria preso se regressasse à Bolívia!!!
 
Os dirigentes das organizações filiadas na COB e na Conalcam denunciaram acções violentas, racistas e antidemocráticas com que grupos de extrema direita procuram agitar o país, denunciando que grandes empresas estão a recrutar mercenários entre os seus trabalhadores para integrarem milícias de combate.
 
O bom desempenho dos governos de Evo Morales traduziram-se na reapropriação do gás natural e petróleo para defesa dos interesses nacionais e não será por acaso que este golpe também tem a pegada do Lítio, elemento essencial para o fabrico de baterias eléctricas, capazes de potenciar a mudança da energia baseada no carbono. Estes dois elementos mais a exploração da água doce são seguramente objecto de contratos de concessão a oferecer aos EUA e seus aliados.
 
Na Argentina a eleição em Outubro de Alberto Fernandéz para a presidência, por uma larga margem de votos (48 para 40%) reflecte a reacção popular a uma degradação de vida crescente. Com uma inflação de quase 38% acumulada desde o início do ano e o peso a perder cerca de 70% do seu valor, o anterior presidente Macri desenvolveu um plano de austeridade, associado ao empréstimo de mais de 5,7 mil milhões de dólares que beneficiou apenas grupos de especuladores financeiros, grandes empresas dos sectores de serviços e agropecuários.
 
Macri, actual presidente, conservador bem de direita, grande empresário, oriundo da construção civil, que venceu a última eleição, em 2015, contra o candidato da corrente de esquerda, a que se tem chamado kirchenerista (corrente peronista de esquerda que fez eleger como presidentes, sucessivamente, o marido e mulher deste casal, Nestor e Cristina Kirchner, que completaram mandatos de 12 anos entre 2003 e 2015), já tinha sido derrotado antes desta eleição, pelos trabalhadores e um amplo leque social, em sucessivas manifestações de envergadura não só em Buenos Aires.
 
No Uruguai, em Outubro, não houve eleição à primeira volta, e haverá uma segunda volta, uma vez que o candidato apoiado pelo governo, da Frente Ampla de Esquerda, Daniel Martinez, não conseguiu ser eleito à primeira volta, obtendo 40,52%, tendo o segundo candidato, Luis Lacalle Pou, da direita, ficado com 29,77%.
 
No Chile, desde há meses sucederam-se enormes manifestações e passaram a chegar-nos notícias da grave escalada da repressão, contra a ampla e legítima mobilização dos trabalhadores e povo chileno, contra as medidas anti-sociais e política antinacional do governo de Sebastián Piñera. Internacionalmente os dedos voltaram a apontar e condenar firmemente a instrumentalização de actos de violência e as sinistras medidas de excepção e militarização da vida política – num país que conserva bem viva a memória da brutal ditadura fascista de Pinochet. A solidariedade internacional também chegou, como aconteceu entre nós com o PCP.
 
O governo falou de guerra e o povo respondeu enchendo em vagas e ruas do país. Mais de um milhão em Santiago e todo o Chile levantaram-se contra o modelo económico imposto por Piñera e o agravamento das desigualdades dele decorrentes. O verdadeiro «modelo chileno» que deve ser aplicado, não ignorando que os donos dos grupos económicos vitais para a vida dos chilenos são apoiantes de Piñera e da antiga ditadura militar, tem que ter em conta a necessidade de cumprir com a necessidade de vencer a crise económica e elevar o poder de compra da população, evitando os boicotes na distribuição e a manipulação dos preços.
 
O modelo de um país durante a ditadura, hoje é questionado por milhões que pedem mudanças de fundo.
 
Também em Outubro, o Haiti comemorou, no dia 17, a passagem de 213 anos sobre o assassinato de Jean-Jacques Dessalines2, depois de quase dois meses de manifestações massivas de grande parte da população, que exigem o desenvolvimento da vida em Porto Príncipe, no meio de uma forte repressão por parte de militares.
 
Os protestos iniciaram-se a partir do recrudescimento da crise energética que gerou falta de abastecimento de combustível, e o consequente encarecer dos preços a nível nacional, num país em que 70% da população vive em pobreza extrema.
 
Em Outubro já eram neste ano cerca de 80 de acordo com relatos dos organismos de direitos humanos, com destaque para o assassinato do jornalista haitiano Nehemie Joseph em 10 de Outubro em circunstancias muito obscuras. Foram encerradas várias emissoras independentes no meio de denuncias de pressões por parte do governo e dos sectores empresariais ligados ao sector energético.
 
Foi neste estado de descontentamento, que em 16 de Outubro entrou em vigor a nova Missão das Nações Unidas, a chamada BINUH, que vem substituir a sua antecessora, la MINUSTAH, numa continuação da política de ingerência que continua a pôr em causa a autodeterminação dos povos, numa intervenção em que não conta com a participação numa intervenção dos actores sociais e políticos do país.
 
No Brasil o regime golpista de Bolsonaro tem sido fustigado por vagas de fundo contra as suas políticas neoliberais e a saída de Lula da cadeia é um golpe sério no projecto golpista.
 
Este projecto vem de há muito. Passou pelo arregimentar do poder judicial contra os anteriores governos, pelo incrível impeachment de Dilma Rousseff e pela prisão sem provas de Lula que, ficando sem efeito, não deixou já de pretender impedir uma sua futura candidatura.
 
O povo brasileiro tem pela frente o encargo de conseguir reunir a mais ampla frente possível capaz de levar de vencida a extrema-direita.
 
Notas:
2.Escravo que dirigiu o sangrento processo de independência do país (1 de Janeiro de 1804), em relação à França de Napoleão e foi o seu primeiro presidente. Preso antes pelos franceses, a quem infligiu sucessivas derrotas até à batalha final de Verteres (1802), tratou os colonizadores com requintes de malvadez que atingiram os militares franceses, tal como estes tinham tratado os escravos.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/a-luta-de-classes-ferve-na-america.html

De massacre em massacre, golpistas bolivianos deixam claro ao que vêm

A forte repressão sobre os manifestantes que, em El Alto, exigiam a renúncia de Jeanine Áñez segue-se à «carta branca» dada ao Exército, à militarização das ruas, às ameaças crescentes aos eleitos pelo MAS.

A perseguição golpista atinge manifestantes nas ruas que exigem democracia e a renúncia da «autoproclamada» Jeanine ÁñezCréditos / Página 12

A repressão policial e militar alentada pelos golpistas bolivianos esteve na origem de um novo massacre, esta terça-feira, em Senkata, na cidade de El Alto (Área Metropolitana de La Paz). O saldo preliminar da Defensoría del Pueblo [Provedoria de Justiça] apontava para três mortos e mais de três de dezenas de feridos.

Esta quarta-feira, o jornalista Fernando Ortega Zabala afirmou no Twitter ter visto ontem, na capela do Bairro 25 de Julho, em Senkata, cinco mortos. «Agora há seis. Não sei quantos há na morgue. Vi 11 mortos. Diz-se que há pessoas que não aparecem», alertou.

Este massacre ocorre depois do que teve lugar este fim-de-semana, também levado a cabo por polícias e militares, em Sacaba, nos arredores de Cochabamba, sobre manifestantes que também exigiam democracia e a renúncia da «autoproclamada» presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez. Ali, foram mortas mais de uma dezena de pessoas.

Ontem, 12 tanquetes do Exército, apoiadas por helicópteros militares, entraram nas instalações de distribuição de carburantes de Senkata, que se encontravam cercadas há cerca de uma semana por habitantes da localidade e camponeses de todas as províncias do departamento de La Paz, em protesto contra o governo golpista boliviano, liderado pela «autoproclamada», indica a Prensa Latina, precisando que dali saíram 45 camiões cisterna com gasolina.

«Os militares chegaram e dispararam. Não vieram em paz», disse uma das manifestantes, citada pela fonte. O médico Aiver Huaranca contou que as forças policiais e militares nem sequer respeitaram o seu uniforme, uma vez que, quando prestava os primeiros socorros a um dos feridos, os agentes dispararam contra ele.

As manifestações e os cortes de estrada em protesto contra o golpe de Estado contra o governo de Evo Morales prosseguiram na zona de El Alto mesmo depois da operação de repressão. Da mesma forma, registaram-se mobilizações para condenar o golpe de Estado e exigir a renúncia de Jeanine Áñez em La Paz, Potosí, Cochabamba e noutros pontos do país.

Criação do inimigo interno e criminalização do MAS

Numa peça publicada ontem no diário Página 12, o jornalista argentino Marco Teruggi alerta para a «construção do inimigo interno» por parte de Arturo Murillo, ministro do governo fake da Bolívia.

Com tal discurso, o governo golpista visa «vitimizar-se e legitimar a acção repressiva» da Polícia e das Forças Armadas, que viram reforçada a verba que lhes é destinada com um pacote extra de 4,8 milhões de dólares e cujos membros ficaram isentos de responsabilidade penal nas operações que levam a cabo – por via do decreto 4078, cuja revogação foi solicitada pela Provedoria de Justiça e pelo Movimento para o Socialismo (MAS), ao considerar que se trata de uma «carta branca» para matar bolivianos.

Com a construção de um «inimigo interno», lembra o jornalista argentino, Murillo pretende também negar as responsabilidades dos golpistas nos assassinatos do golpe (não fomos nós, foram eles) e criar a suspeita de que governo golpista boliviano poderia ser alvo de ataques armados que teriam como autores intelectuais os membros do MAS, ou seja, aqueles que apoiam Evo Morales.

Entretanto, os golpistas, que afirmam que são governo de forma transitória, que pretendem «pacificar o país» através de novas eleições e da nomeação de novas autoridades eleitorais, enfrentam o problema da maioria parlamentar do MAS no Senado e na Assembleia.

Neste contexto, Murillo já anunciou a criação de um «órgão especial no Ministério Público» que tem como fito perseguir eleitos do MAS, por, alegadamente, promoverem «a subversão e a sublevação». Ou seja, antes de se quererem legitimar pela via eleitoral os golpistas parecem querer garantir os caminhos necessários à perseguição, para arredar os incómodos da frente.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/de-massacre-em-massacre-golpistas-bolivianos-deixam-claro-ao-que-vem

Colômbia fecha fronteiras devido a protestos contra o governo

Fronteira entre Equador e Colômbia (arquivo)
© AP Photo / Dolores Ochoa

A Colômbia se prepara para intensos protestos em meio a políticas sociais insatisfatórias e a uma recente revelação de que forças de segurança teriam matado acidentalmente oito crianças em uma operação no sul do país.

Como parte da estratégia para enfrentar as manifestações antigovernamentais, programadas para a próxima quinta-feira, a administração do presidente Iván Duque decidiu fechar todas as fronteiras terrestres e fluviais com territórios vizinhos, medida que ficará em vigor até o início da manhã de sexta-feira. 

​Colômbia fechará suas fronteiras durante as marchas do próximo 21 de novembro.

"A partir da meia-noite de hoje e até as 5h da manhã da próxima sexta-feira, 22 de novembro, todas as passagens fronteiriças terrestres e fluviais do país serão fechadas", informou o serviço de migração do Ministério de Relações Exteriores por meio de nota oficial. "A medida, que será aplicada em 12 postos de controle de migração, é feita para garantir total normalidade no desenvolvimento das marchas que serão realizadas em diferentes regiões do país na quinta-feira, 21 de novembro."

Manifestantes devem tomar as ruas de Bogotá, Cartagena, Cali, Medellín, Bucaramanga e outras cidades, em uma greve geral organizada por sindicatos e grupos da sociedade civil contrários a um pacote de reformas neoliberais defendidas pelo governo. Mas há também quem participará da manifestação para protestar contra a corrupção, o acordo de paz firmado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a violência contra indígenas e líderes sociais e a falta de recursos para a educação. 

​Uma motivação extra envolvida nos protestos ficará por conta de uma recente notícia de que oito menores teriam sido assassinados por tropas do governo durante uma operação do Exército contra dissidentes das FARC em Caquetá, no final de agosto, caso que levou à renúncia do então ministro da Defesa, Guillermo Botero, acusado de ocultar o ocorrido. 

A mobilização no país ocorre em meio a uma onda de manifestações que vêm se espalhando pela América Latina, por diferentes motivos. Ironicamente, na vizinha Venezuela, o presidente Nicolás Maduro chegou a acusar a liderança colombiana de estar por trás de ações para desestabilizar seu governo e promover uma mudança de poder em Caracas, o que acabou não ocorrendo. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019111914795209-colombia-fecha-fronteiras-devido-a-protestos-contra-o-governo/

Lítio

 
Agora só uma curiosidade: a Bolívia ou o Chile, cada um desses países tem o dobro das reservas chinesas de lítio, que, por sinal, são o dobro das reservas da Argentina ou da Austrália que, por sinal, são mais de 10 a 15 vezes as reservas portuguesas.
Não, não tem nada a ver...
Para conhecer os planos do governo de Evo Morales sobre o lítio, e como pretendia construir toda a cadeia de criação de valor - não apenas de exportação da matéria bruta extraída como em Portugal - pode ler-se aqui. Até lembra o famoso caso Matteisobre a tentativa no rescaldo da II guerra mundial de quebra do monopólio do petróleo norte-americano, através da criação de uma refinação própria, a cargo de uma entidade pública italiana, reestruturando a AGIP criada no regime fascista (ENI). Imagina-se o desfecho: um suspeito desastre de avião em que o gestor público morre e com ele esse projecto. Recomenda-se um velhinho filme de Francesco Rosi, com o actor Gian Maria Volontà, cujo trailer de 10 minutos se deixa aqui, para quem gosta de ouvir italiano.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Viva Evo

Do outro lado do Atlântico, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do México disse logo o essencial (via El Pais Brasil):
“Na Bolívia há uma operação militar em curso, nós a rejeitamos. É semelhante aos eventos trágicos que sangraram nossa América Latina no século passado. O México manterá sua posição de respeito à democracia e às instituições. Golpe não.”
Deste lado do Atlântico, comunistas e bloquistas, cada um nos seus termos, disseram o essencial sobre o golpe, esperando-se uma tomada de posição decente, de condenação, por parte do PS e do Governo português. Entretanto, e mais importante, o indispensável Evo Morales afirmou:
“Regresso para junto do meu povo, que nunca me abandonou. A luta continua”. Muito se conquistou nos últimos 13 anos, do nível constitucional ao dos resultados socioeconómicos, como aqui se detalha. Viva Evo.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Quem é Luis Camacho, líder golpista da Bolívia

“O advogado direitista boliviano é testa de uma oposição que não esconde o que fará quando governar. Camacho citou publicamente Pablo Escobar como sinônimo do que deveria ser feito na Bolívia – sugeriu que escrevesse traidores no estilo dos narco-traficantes”.

 

 

por Gustavo Veiga

O golpe contra Evo Morales e seu governo na Bolívia é contra a democracia e a institucionalidade. Não foi um golpe suave. Não foi resolvido no Congresso como ocorreu no Paraguai e no Brasil, quando o bispo Fernando Lugo e Dilma Rousseff foram depostos.

Na Bolívia, foi decidido no quartel, de onde saiu a determinação para o presidente Evo Morales deixar o governo.

Luis Fernando Camacho é um legítimo representante das oligarquias bolivianas

 

A direita no passado impôs ditaduras militares em todo o continente e usou as forças armadas para tomar o poder, também se mobilizou nas ruas para alcançar seus propósitos de desestabilização.

O argumento que a direita sempre agitou é variado: corrupção, fraude, chavismo ou defesa de uma sociedade ocidental e cristã numa cruzada de fé, remanescente da conquista espanhola, pela cruz e pela espada. Usou o fantasma do comunismo como na pior época da Guerra Fria. Isso ocultou seu verdadeiro objetivo: manter a condição da classe que representa, pela qual se sente legitimada por estar sempre no governo, muito próximo a ele ou por condicioná-lo. Seu objetivo é conhecido: acabar com os processos populares, proteger o que chama de “democracia” e que seu controle remoto seja exercido pelos Estados Unidos e pelas organizações supranacionais que controlam.

“O golpe de estado foi consumado”, disse o vice-presidente Álvaro García Linera.

A vigília em La Paz e El Alto, o conglomerado urbano mais importante do estado plurinacional, havia sido violenta, tensa e um campo fértil para o conflito.

Em grande parte, os militantes do MAS (Movimento Ao Socialismo), partido do governo do presidente Evo Morales, jogaram quase todas as suas fichas lá, entre 3.600 e 4.000 metros acima do nível do mar.

Agora não terão facilidade com o presidente fora do governo, com uma polícia nacional rebelde e os militares que viram atendido seu propósito de saída do presidente, como Williams Kaliman, comandante das Forças Armadas, exigiu.

A alegação do líder cruzado Luis Fernando Camacho de entregar uma carta a Evo pedindo que se demitisse, representou o núcleo duro de conspiradores pelo golpe, de seu departamento (estado)no Oriente (Santa Cruz), que forçou a situação ao máximo. Ele apareceu na Sede do Governo e, na ausência de Evo, colocou seus escritos e uma Bíblia sobre a bandeira boliviana, e ajoelhou-se, como um cruzado em Jerusalém. Lançado em La Paz, repetindo o direitista venezuelano Juan Guaidó, o advogado direitista boliviano é testa de uma oposição que não esconde o que fará quando governar. Camacho citou publicamente Pablo Escobar como sinônimo do que deveria ser feito na Bolívia – sugeriu que escrevesse traidores no estilo dos narco-traficantes – e procurou Carlos Mesa, o principal candidato da oposição a presidente, num cenário de combustível que está sendo montado em Bolívia. Agora ele é o primeiro ator.

Camacho (a centro) pôs um escrito sobre uma bíblia e a bandeira boliviana, de joelhos, na Casa do Governo

O crucenho é filho de José Luis Camacho Parada, que liderou a Frente Cívica na década de 1980. Em 1981, organizou uma greve departamental (estadual) contra o Projeto San Buena Ventura, ao norte de La Paz. Como seu pai, que tentava impor condições a um departamento que não era o seu – a Bolívia tem nove departamrntos – Luis Fernando deu o primeiro ultimato de 48 horas ao legítimo presidente para deixar a Casa del Pueblo, a nova sede do governo na capital. Também faz parte de Los Caballeros del Oriente, uma organização de Santa Cruz, bastião da direita mais radicalizada.

É engraçado, mas o clã Camacho, completado por José Luis Camacho Miserendino, meio-irmão mais velho de Luis Fernando, reclama das condições que La Paz supostamente impõe ao seu departamento. Mas desde 2010, a taxa de crescimento do PIB de Santa Cruz tem sido maior do que da Bolívia. Em 2018, sua economia cresceu a uma taxa de 5,80%,um terço a mais que o país inteiro (4,22%). Eles reclamam que sua região não recebe o que produz, mas 26% das exportações globais, 60% das exportações não tradicionais e 70% das agroexportações, além de 70% dos alimentos da Bolívia, saem de lá – é o que diz o jornal da oposição, não uma mídia oficial e relacionada a Evo.

Camacho mantém laços políticos com o golpista fugitivo Branko Marinkovic, que se refugiou no Brasil em 2010 depois de ser acusado de sedição e separatismo em Santa Cruz, por organizar financiar um grupo armado pela independência de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. Foi comandado por outro croata-boliviano: Eduardo Rózsa Flores. Como o clã, ele tem várias contas offshore relatadas nos Documentos do Panamá (Panamá Papers). Após as eleições de 20 de outubro deste ano, ele havia escrito em sua conta no Twitter: “A eleição foi fraudulenta, que o mundo sabe, não apenas o segundo turno é suficiente, deve ser repetido sem que o candidato ilegítimo e ilegal também retire seu voto. parlamentares fraudulentos “.

Esses setores querem aumentar seus privilégios na Bolívia. O golpe de Estado contra Evo Morales é uma volta ao pior do passado, naqueles tempos da doutrina de segurança nacional.


por Gustavo Veiga |  Texto em português do Brasil, com tradução de José Carlos Ruy

Exclusivo Editorial PV (Fonte: Pagina12) / Tornado

 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/quem-e-luis-camacho-lider-golpista-da-bolivia/

As Eleições Departamentais e Municipais na Colômbia

Uma apreciação resumida aos sufrágios ocorrido no dia 27 de Outubro naquele país sul-americano e possíveis implicações futuras.

 

 

Foram eleitas pelos colombianos as autoridades territoriais, destacando-se, entre outros cargos locais e regionais, os 32 Governadores dos Departamentos e 1001 Presidentes de Câmara (Alcalde), por um universo de 36 milhões e meio de potenciais eleitores, dos quais cerca de 60 % exerceram o seu direito de voto. Os agora eleitos irão governar durante o quadriénio de 2020-23, tomando posse no próximo dia 1 de Janeiro.

Com o acto de domingo passado cumpriu-se um ciclo eleitoral, constituído pelas Legislativas, em Março de 2018, e Presidenciais, em Maio e Junho de 2018, após a assinatura do Acordo de Paz (AP) entre o Governo e as entretanto extintas FARC-EP.

O período antes das eleições ficou manchado por vários episódios de violência. Vários candidatos de todos os partidos ou coligações no poder ou na oposição foram ameaçados, atacados ou mesmo mortos. A estes actos adicionam-se os que vêm tendo como alvos os líderes sociais e os ex-guerrilheiros das FARC-EP. Apesar de alguns incidentes, o decurso do acto eleitoral foi considerado como um dos mais pacíficos, deste tipo de eleições, nos últimos anos.

Em termos gerais, venceram as coligações locais, algumas fortemente ligadas aos clãs regionais, em detrimento dos partidos nacionais.

Um principais cargos que foi a votos foi o da Alcaldía Mayor de Bogotá, pois é considerado o segundo cargo mais importante do país, antecedido em importância apenas pela Presidência da República.

Venceu Claudia López, candidata de centro-esquerda, apoiada pela Aliança Verde e pelo Polo Democrático. É a primeira vez que uma mulher é eleita pelo voto popular para desempenhar tal cargo. É também de assinalar, como a própria faz questão de sublinhar, que é homossexual, ecologista, apoiante do AP e frontal adversária do Presidente Iván Duque. O principal mote da sua campanha foi a tolerância zero à corrupção.

De referir, ainda, que o partido político FARC, nascido das desmobilizadas guerrilhas das FARC-EP, participou pela primeira vez em eleições deste tipo, tendo concorrido com mais de 300 candidatos sob a sua bandeira ou em coligação a diversos cargos locais e regionais. Com o apoio da Colombia Humana (esquerda), um seu ex-combatente foi eleito como Alcalde de Turbaco, uma localidade do departamento de Bolívar.

Um dos grandes derrotados da jornada eleitoral foi o Centro Democrático (CD), de direita, construído à volta do ex-Presidente e agora Senador Álvaro Uribe, e ao qual o actual Presidente Iván Duque pertence. A derrota é ainda mais embaraçosa visto terem perdido a corrida ao lugar de Governador do departamento de Antioquia e da Alcaldía da sua capital, Medellín, bastiões do Uribismo.

A derrota do CD terá, certamente, consequências directas na governação. Grande parte dos agora eleitos são a favor do AP e contra as políticas do actual Governo, que tem feito, no mínimo, o que pode para perturbar a sua implementação. Para mais, o Presidente Iván Duque encontra-se com baixos níveis de aprovação e o seu mentor, Álvaro Uribe, está a braços com um caso judicial que não augura-lhe nada de bom.

Estas eleições também poderão ter implicações nas próximas Presidenciais, a disputar em 2022 e às quais o actual incumbente não pode concorrer, visto os partidos apoiarem-se nas máquinas locais e regionais para fazerem campanha. Outro aspecto a apontar, é que quem agora foi eleito poderá usar o cargo como plataforma para promover as suas aspirações a Presidente. De entre estes, ganha particular destaque Claudia López, ela que foi candidata à Vice-Presidência em 2018, donde deve-se acompanhar com atenção o seu desempenho como Alcaldesa Mayor de Bogotá.

Resta saber como irão reagir os poderes tradicionais a estes desfechos, principalmente onde eles foram-lhes adversos. Serão capazes de aceitar os resultados eleitorais ou, pelo contrário, optarão por desrespeitá-los, através do recurso a práticas enraízas, tais como a corrupção, a intimidação e a violência? Pelo bem de todos os colombianos, esperemos que sejam finalmente capazes de admitir que uma sociedade verdadeiramente democrática, livre, justa e, sobretudo, pacífica, só pode construir-se sobre o estrito respeito da vontade popular expressa nas urnas.


 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/as-eleicoes-departamentais-e-municipais-na-colombia/

As FARC e a droga

Alguma coisa
não bate certo

«(...) o facto de haver mais cocaína na Europa hoje, por exemplo, tem uma relação directa com o aumento da produção de cocaína na Colômbia, sobretudodepois do acordos de paz com as FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]»,
-Alexis Goodsdeel, director do
Obseratório Europeu da Droga,
em entrevista no «Público» de hoje

Lembrar-se-ão os leitores que, durante anos e anos, as FARC foram acusadas de traficar droga. Ora, se assim fosse, os acordos de paz haveriam de significar uma menor produção de cocaína na Colômbia e consequente menor exportação para a Europa. Se, como diz este especialista,a produção de cocaínaaumentou depois dos acordos de paz, então alguém, que não as FARC, está em cheio no negócio.
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Reveladas imagens de Guaidó na Colômbia com narcotraficantes e paramilitares

 
 
Opositor venezuelano Juan Guaidó tirou fotos com lideranças narcoparamilitares colombianas enquanto teria recebido dos mesmos ajuda para cruzar a fronteira de seu país com a Colômbia em fevereiro.
 
As fotos se tornaram públicas mediante a denúncia de Wilfredo Cañizares, ativista e líder da Fundação Progresso no Norte de Santander (FPNS), organização não governamental colombiana de direitos humanos. Segundo Cañizares, a misteriosa passagem de Guaidó da Venezuela para a Colômbia foi feita com a ajuda de criminosos colombianos.
 
Na ocasião, Juan Guaidó foi para o país vizinho para participar de um evento popular chamado Venezuela Aid Live, cujo o propósito era levar ajuda humanitária para a Venezuela a partir do território colombiano em fevereito deste ano. Guaidó havia sido proibido pela Justiça da Venezuela de atravessar a fronteira.
 
Nas fotos publicadas no Twitter de Wilfredo, é possível ver Guaidó com Albeiro lobo Quintero, conhecido como Brother, e John Jairo Durán, conhecido como El Menor, ambos líderes da organização criminosa Los Rastrojos. As fotos foram tiradas em 22 de fevereiro, um dia antes de Guaidó comparecer ao evento que ocorreu em Cúcuta, Colômbia.
 
Dissemos desde o primeiro dia que a entrada de Juan Guaidó em 23 de fevereiro na Colômbia foi coordenada com os Los Rastrojos. Aqui estão Brother armado e o segundo no comando do grupo paramilitar, El Menor.
 
Organização criminosa
 
De acordo com Alberto Ravell, porta-voz de Juan Guaidó, o deputado e opositor venezuelano não sabia quem eram as pessoas que lhe ajudaram na travessia da fronteira.
Los Rastrojos é uma organização criminosa que lucra com o narcotráfico e o comércio ilegal de ouro na Colômbiainformou o portal Semana.
 
Sputnik | Foto: Juan Guaidó, com Brother (à esq.) e Menor (à dir), líderes dos 'Los Rastrojos' / Twitter

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/reveladas-imagens-de-guaido-na-colombia.html

Conflito híbrido: qual seria o plano do Pentágono para a fronteira entre Colômbia e Venezuela?

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar, que conecta a Venezuela com a Colômbia
© Sputnik / Mikhail Alaeddin

Na atual situação venezuelana, o presidente Nicolás Maduro ordenou que as Forças Armadas do país "elevassem o nível para alerta laranja" perante um possível ataque da Colômbia ao território nacional.

Jeff Cooper, criador do código de cores com o qual geralmente associamos níveis de ameaça, escreveu em seu livro "Princípios de Autodefesa" que muito mais importante do que as armas ou a experiência em manuseá-las é constituir uma verdadeira mentalidade de combate.

Embora os protocolos que correspondem a este nível sejam confidenciais ou restritos, é possível prever as ações de pré-guerra de um Estado e abrir o debate sobre como propor uma defesa integral da nação, opina o colunista da Sputnik Mundo José Negrón Valera.

'Zona Autônoma Temporária'

Sob o grande guarda-chuva da estratégia não convencional, o tenente-coronel dos Marines dos EUA, Frank Hoffman, impulsionou a noção de "guerra híbrida" para definir guerras que podem ser conduzidas e combatidas tanto por Estados, como por "uma variedade de atores não estatais, incorporando uma variedade de diferentes modos de guerra, incluindo capacidades convencionais, tácticas e formações irregulares, atos terroristas incluindo coerção, violência indiscriminada e desordem criminal".

"Estas atividades multimodais podem ser conduzidas por unidades separadas ou mesmo pela mesma [unidade], mas são operacionalmente e taticamente dirigidas dentro do mesmo campo de batalha para alcançar efeitos sinérgicos em todos os níveis da guerra", salienta Hoffman.

Para o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, general Valery Gerasimov, as guerras no século XXI não seriam mais declaradas, nem se desenvolveriam em um "padrão habitual", sendo mais importantes os métodos e táticas não militares do que as armas em si.

Hoffman declarou que o objetivo de um conflito híbrido seria avançar "na desintegração social interna e na quebra da vontade política do adversário", tratando-se de uma estratégia sociopolítica e não de uma estratégia militar.

O escritor e historiador Hakim Bey, em seu livro "Zona Autônoma Temporária" (TAZ), poderia esclarecer o que aconteceria nos próximos meses nos mais de 2 mil km de fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Essa área temporariamente autônoma define um espaço onde os limites do poder estabelecido pelo Estado foram ofuscados.

Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia
© REUTERS / Carlos Eduardo Ramirez
Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia

Quando o Estado ou a lógica social se quebra, por não responder às expectativas dos indivíduos, estes se refazem em várias formas e mecanismos de interação onde surgem novas éticas e os territórios já não seguem as coordenadas impostas pelas constituições nacionais, mas pelas expectativas de compreensão da nova circunstância. Para quem conhece a realidade da fronteira venezuelano-colombiana, essas considerações se tornam familiares, escreve o jornalista.

Do alerta laranja ao vermelho

A linha de fronteira não é determinada pelos Estados, mas pelas necessidades das comunidades locais. Colombianos atravessam a fronteira para serem tratados em hospitais gratuitos na Venezuela e muitos venezuelanos atravessam a fronteira para trabalhar temporariamente ou fazer compras na Colômbia – dessa forma, criam-se novas identidades fronteiriças.

Uma escalada no nível de violência na fronteira pode degenerar na emergência de um novo tipo de território de fato, que não será venezuelano nem colombiano, mas terá a guerra como sua única identidade.

A guerra proposta por Washington busca transformar este território em uma zona desregulamentada e, portanto, administrar a linha de fronteira, desaparecendo a capacidade do Estado venezuelano de atuar neste espaço.

Mas o deslocamento de fato da linha territorial tenta levar o ataque contra a guerrilha para a Venezuela – um falso positivo que poderia forçar as Forças Armadas venezuelanas a passar do alerta laranja para o vermelho.

Colômbia e Venezuela
© Foto / Google Maps
Colômbia e Venezuela

Na hipótese avançada pelo Pentágono, pode não estar prevista uma intervenção militar direta na Venezuela, mas uma deterioração das condições de vida na fronteira. Washington demonstraria assim que não só é capaz de minar a economia da Venezuela, como também a sua integridade territorial, ressalta o autor do artigo.

Guerra não tradicional

Mary Kaldor, uma especialista em novas guerras, considerou que hoje "a vitória não é mais baseada na capacidade de infligir destruição em massa, mas na capacidade de lutar contra o apoio popular dos oponentes".

Portanto, se a Venezuela está imersa em uma guerra onde todo o espectro social é atacado para enfraquecer a moral e o apoio ao governo nacional, qualquer crítica ou apontamento que vise atacar os múltiplos flancos deve ser visto como insumo para a luta contra o verdadeiro inimigo que é, em última instância, o imperialismo dos EUA.

O colunista conclui explicando que assumir e agir sobre a crítica popular necessária é desenvolver uma verdadeira mentalidade de combate, possivelmente a única que garante a legitimidade governamental e a coesão social: se a estratégia aplicada contra a Venezuela não é tradicional, por que o deveria ser seu esquema de análise e defesa?

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019090814493453-conflito-hibrido-qual-e-o-plano-do-pentagono-para-a-fronteira-entre-colombia-e-venezuela/

Guerra entre Colômbia e Venezuela está prestes a começar?

Guarda Nacional da Venezuela na fronteira com a Colômbia
© REUTERS / Carlos Eduardo Ramirez

A última notícia sobre o aumento das tensões entre Caracas e Bogotá foi o alerta laranja decretado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em resposta à "ameaça de agressão" por parte da Colômbia.

A pesquisadora colombiana-venezuelana María Fernanda Barreto explicou à Sputnik Mundo se de fato pode haver um conflito militar de grande escala entre Caracas e Bogotá, ou se a guerra já começou há anos e ninguém ainda a anunciou.

O líder colombiano Iván Duque foi acusado por Maduro na terça-feira (3) de querer criar uma "série de falsos positivos" para desencadear a guerra. O presidente venezuelano declarou, por sua vez, que o país vai realizar exercícios militares de 10 a 28 de setembro em toda a fronteira com a Colômbia.

A declaração do presidente da Venezuela seguiu a denúncia apresentada pelo ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez, de que no país vizinho existiriam três centros de treinamento militar para realizar ações de desestabilização em Caracas, sob a proteção do governo de Duque e de sua força política.

Guerra teria já começado

Na opinião da analista, é preciso primeiro analisar o papel que foi atribuído à Colômbia pelos Estados Unidos.

"[A Colômbia] se tornou a principal base dos EUA na região latino-americana do ponto de vista militar, econômico e político", afirma a pesquisadora, adicionando que o "país colombiano começou a ser usado como canal para atacar a Venezuela".

"Eles usaram táticas de guerra de aproximação indireta através da Colômbia e executaram uma série de ações na Venezuela, como sabotagem econômica, invasão paramilitar, uma série de operações para desestabilizar a Revolução Bolivariana", destaca.

Para Barreto, uma dessas grandes operações ocorreu em 23 de fevereiro, quando os Estados Unidos tentaram uma entrada pela força na Venezuela através da fronteira colombiano-venezuelana, apresentando o evento como uma tentativa de ajuda humanitária. O governo colombiano abriu suas pontes internacionais para que grupos treinados agissem a fim de escalar a violência e chegar a um ponto de ruptura e entrada em território venezuelano.

Ajuda humanitária dos EUA enviada à Venezuela e armazenada na Colômbia.
© AP Photo / Fernando Vergara
Ajuda humanitária dos EUA enviada à Venezuela e armazenada na Colômbia.

Esta ação foi televisionada pelas grandes agências de notícias como uma montagem cinematográfica que acabou por não conseguir atingir seu objetivo.

Conflito sem solução

"A Colômbia é um país em guerra […] há um conflito interno social e armado que não foi resolvido nos últimos 60 anos, teve momentos de diálogo, de acordo, mas o conflito não teve solução", destaca a analista.

A pesquisadora acredita que o conflito serviu para "justificar sua indústria militar e seus negócios relacionados à guerra, mas o Estado colombiano nunca assumiu a responsabilidade pela guerra que criou e sustentou".

"O conflito subjacente é o conflito de classes, e a primeira vítima do Estado colombiano é o povo colombiano, e esse povo em parte é, e deve aprender a ser, o melhor aliado do povo venezuelano", diz a pesquisadora.

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar
© Sputnik / Mikhail Alaeddin
Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar

"Além do governo, tanto a burguesia venezuelana como a colombiana estão unidas no mesmo projeto histórico a favor dos Estados Unidos na região. Falando do Estado colombiano, do governo e dos poderes factuais, essa guerra entre esse Estado e o venezuelano está acontecendo de forma irregular", reforça Maria Barreto.

Manobras de grande escala

Após a declaração de "alerta laranja" diante da "ameaça colombiana", Maduro anunciou nesta sexta-feira (5) a implantação de um sistema de mísseis de defesa antiaérea na fronteira com a Colômbia.

As manobras militares ocorrerão em comemoração do 14º aniversário da criação do Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (CEOFANB) para "sintonizar todo o sistema de armas" e garantir que a Venezuela "preserva sua segurança, paz e tranquilidade", complementou Maduro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019090514479713-guerra-entre-colombia-e-venezuela-esta-prestes-a-comecar/

Colômbia: A paz não existe sem justiça social

por PCPE [*]

No dia de hoje, 29 de Agosto, através de um comunicado, diversos comandantes das FARC-EP que na altura assinaram o Acordo de Paz de Havana com o Estado colombiano, anunciaram sua intenção de continuar a luta pela paz, pelo único caminho que a oligarquia lhe deixou: o regresso à luta armada das FARC-EP. Entre o grupo de guerrilheiros que retomam as armas estão o que foi chefe da equipe negociadora e número dois da guerrilha, Iván Marquez; e Jesús Santrich, que conseguiu escapar de uma montagem do Estado colombiano e da DEA estado-unidense com o objectivo de extraditá-lo para os Estados Unidos.

A partir da prática coerente do internacionalismo proletário, tal como em 2012 reconhecemos o esforço da insurgência para conseguir uma saída negociada que superasse o enfrentamento armado, hoje respeitamos a decisão daqueles que dão por terminado o acordo de paz e decidem, com soberania, retomar o caminho da insurreição armada e popular. No mesmo sentido, respeitamos a posição daqueles que insistem no caminho da legalidade e que cumpriram o acordo de paz apesar de que a outra parte, o governo colombiano, o infringiu permanentemente.

O Estado colombiano, uma vez desarmada a guerrilha, através de um plebiscito desonesto, desnaturalizou o acordado entre as partes em conflito, mudando substancialmente o assinado, e incumprindo os aspectos fundamentais do mesmo. Nada resta do ponto agrário, da substituição voluntária de cultivos, das circunscrições eleitorais para as vítimas do conflito armado. A jurisdição especial para a paz que, como mecanismo de justiça transicional devia abranger todos os actores do conflito, hoje é uma caricatura do pactuado. Centenas de prisioneiros das FARC-EP continuam encarcerados, Simón Trinidad continua numa masmorra gringa. Dos milionários fundos para o pós-conflito, ninguém sabe o que aconteceu. Enquanto o assassinato sistemático de líderes sociais e ex-guerrilheiros não cessa, mais de 500 e 150 respectivamente, no tempo que decorreu desde a assinatura do acordo. A montagem da DEA contra Santrich e a operação militar contra Iván Márquez e outros comandantes, somam a este panorama desolador inquietação e incerteza.

A oligarquia colombiana traiu novamente os anseios de paz do povo colombiano. Demonstrou-se que o seu único interesse era desarmar a guerrilha sem tocar numa só mola que questionasse seu poder e permitisse uma máxima abertura democrática e um mínimo de soberania.

A Colômbia hoje é o porta-aviões guardião do imperialismo norte-americano e europeu na região. Enquanto na Espanha encerram-se minas de carvão, a Europa enche-se de carvão colombiano fruto da destruição de amplos territórios e do saque e aniquilação de comunidades inteiras. A agro-indústria despoja os camponeses das suas terras, deixando o país sem a mais mínima soberania alimentar, a mineração das grandes multinacionais, o fracking, a desflorestação e a pecuária extensiva destroem o território e são a origem de um genocídio contra comunidades camponesas, indígenas e de afro-descendentes. A Colômbia, como principal produtor de cocaína sob o controle da DEA, aumentou exponencialmente a superfície do cultivo da folha de coca na ausência das FARC-EP dos territórios, o que demonstra que a Colômbia é um narco-estado. Oitenta e cinco por cento da população sobrevive com menos de 400 euros mensais, as grandes urbes amontoam milhões de pessoas em intermináveis cinturões de miséria. Hoje a Colômbia é uma grande fazenda da qual o imperialismo espolia seus recursos naturais, obtém a droga que necessita e é uma grande base militar para controlar a região.

O regime colombiano é um dos actores principais da agressão contra a República Bolivariana da Venezuela, introduz paramilitares que exercem o banditismo (sicariato) político na república irmão, ao mesmo tempo que se configura como a base a partir da qual se ameaça com uma agressão militar.

Nesta conjuntura, o PCPE e a JCPE enviam uma fraternal saudação solidária e internacionalista às FARC-EP e ao conjunto do povo colombiano e a suas diversas expressões sociais e políticas que lutam por uma nova Colômbia soberana e independente.

Madrid, 29 de Agosto de 2019

[*] Partido Comunista dos Povos de Espanha.

Ver também:

 

O original encontra-se em farc-ep.info/... e em www.pcpe.es

 

Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/colombia/comunicado_pcpe_02set19.html

Manifesto, objectivos, unidade do povo, aliança com o ELN, paz com justiça social, Assembleia Constituinte

– Enquanto houver vontade de luta haverá esperança de vencer
– Uma nova etapa de luta para o despertar das consciências

por FARC-EP

Aqui no [rio] Inírida que acaricia com a ternura das suas águas frescas a selva amazónica e no [rio] Orinoco, sitiados pela fragrância do Vaupés, que é ananás maduro, anunciamos ao mundo que começou a Segunda Marquetalia sob o amparo do direito universal que assiste a todos os povos do mundo de se levantar em armas contra a opressão. É a continuação da luta guerrilheira em resposta à traição do Estado ao Acordo de Paz de Havana. É a marcha da Colômbia humilde, ignorada e desprezada rumo à justiça que cintilam as colinas do futuro. Será a da paz certa, não traída, a desdobrar suas asas de anseios populares sobre a perfídia do estabelecimento.

A rebelião não é uma bandeira derrotada nem vencida; por isso continuamos com o legado de Manuel e de Bolívar, a trabalhar a partir de baixo e com os de baixos pela mudança política e social.

Procuraremos coordenar esforços com a guerrilha do ELN e com aqueles companheiros e companheiras que não dobraram suas bandeiras que tremulam pátria para todos.

Esta insurgência não se levanta das cinzas como a ave fénix para continuar a operar nas profundidades da selva remota. Não. Voará através do cristal dessas lonjuras brumosas para abraçar com a força do amor os sonhos de vida digna e bom governo que suspiram as gentes do comum.

O objectivo não é o soldado nem o polícia, o oficial nem o sub-oficial respeitosos dos interesses populares; será a oligarquia, essa oligarquia excludente e corrupta, mafiosa e violenta que acredita que pode continuar a trancar a porta do futuro de um país.

Uma Nova Modalidade Operativa experimentará o Estado. Só responderemos à ofensiva. Não vamos continuar a matar-nos entre irmãos de classe para que uma oligarquia descarada continue a manipular nosso destino e a enriquecer-se, cada vez mais, à custa da pobreza pública e dos dividendos da guerra.

Durante o trecho final do processo de paz desenvolvido em Havana, e no breve espaço de um ano do pós acordo, pudemos constatar que há militares e polícias que anseiam a paz para a Colômbia, tanto como a gente do comum. Eles – que são povo em uniforme – foram tocados pelos benefícios do Acordo e quiseram agora dedicar mais tempo a suas famílias, a estudar uma carreira, a preparar-se para a defesa da soberania e consagrar suas armas ao serviço do povo. Sabemos que quiseram ter o poder suficiente para arrancar os galões aos altos comandos corruptos da instituição... Não querem continuar a ser utilizados por políticos dementes como gatilho dos falsos positivos, do assassinato de líderes sociais e de ex-combatentes. Não querem continuar a ser cúmplices do paramilitarismo, do deslocamento forçado, do desumano despojo de terras e das políticas económicas que vitimizaram milhões de colombianos. Indigna-os que só eles tenham que se sentar agora no banco dos réus enquanto a cúpula política que emitiu as ordens contempla indiferente o espectáculo atrás do resguardo da impunidade. Após o Acordo de Paz de Havana, a grande maioria distancia-se da ideia absurda de serem cipaios de Washington numa guerra injusta contra a Venezuela.

Compatriotas e cidadãos do mundo, nossos lemas são: paz aos colombianos, paz aos países vizinhos, paz aos quartéis que não apontem suas miras e seus canhões contra as comunidades. Unidade, unidade, unidade... Mobilização da inconformidade contra os maus governantes e pela construção de uma nova ordem social justa.

Anunciamos nosso afastamento total das retenções com fins económicos. Priorizaremos o diálogo com empresários, ganadeiros, comerciantes e a gente abastada do país, para buscar por essa via sua contribuição ao progresso das comunidades rurais e urbanas. A única tributação válida será – sempre em função do financiamento da rebelião – a que se aplique às economias ilegais e às multinacionais que saqueiam nossas riquezas.

Entraremos duramente, com os senhores, na luta contra a corrupção, a impunidade, contra os ladrões do Estado que como sanguessugas estão a chupar o sangue e até a alma do povo.

Continuaremos a ser a mesma guerrilha protectores do meio ambiente, da selva, dos rios, da fauna, que os colombianos conhecem, e não deixaremos de alentar o esforço mundial da razão para deter a mudança climática. Contem com nossa oposição férrea ao fracking que contamina nossas águas subterrâneas.

Queremos trabalhar com todos os estratos do pensamento humanista a construção da pátria do futuro.

Nós os colombianos temos a carta de navegação do Libertador para marchar rummo a "...um governo eminentemente popular, eminentemente justo, eminentemente moral, que encadeie a opressão, a anarquia e a culpa. Um governo que faça reinar a inocência, a humanidade e a paz". Com isso estaremos comprometidos de coração e sem descanso – como disse Marulanda – numa luta constante pelas mudanças, motivados na grande causa da paz com justiça social e soberania, por um Novo Governo Alternativo que salve o país da crise geral.

Sim, nosso objectivo estratégico é a paz da Colômbia com justiça social, democracia, soberania e decoro. Essa é a nossa bandeira, a bandeira do direito à paz que garante a vida. É a vida o direito supremo. Nenhum dos direitos fundamentais é aplicável se não há vida. Por isso queremos para todos paz com alimento, emprego, água, tecto, saúde, educação, caminhos, comércio, conectividade, recreação e a mais ampla democracia. Só assim daremos sentido à vida. Unidos seremos a tocha da esperança, a potência social transformadora que pode tornar realidade o sentimento mais profundo que se aninha no coração humano.

A paz traída

A história da Colômbia está salpicada pelas traições aos acordos e às esperanças de paz.

Em 1782, depois de firmar um Acordo com a coroa espanhola que prometia o fim da opressão, o guerrilheiro comuneiro, José Antonio Galán, acabou por ser traído, preso e esquartejado vivo. As partes do seu corpo desmembrado foram exibidas nas entradas de alguns povoados como escarmento e recurso brutal para dissuadir a rebeldia.

A seguir à batalha de Boyacá – aurora da independência da Nossa América – a traição estendeu-se como névoa revolta, agitada por uma ambição desenfreada de riquezas e poder. E foi Santander o cabecilha da traição. Ele tentou por todos os meios, em concertação com o governo de Washington, assassinar o libertador Simón Bolívar e destruir seu legado; a condecoração com a Cruz de Boyacá aos assassinos do marechal António José de Sucre, o qual havia derrotado com seus soldados internacionalistas a opressão colonial na pampa de Ayacucho. Santander é o herói da oligarquia colombiana e é o seu paradigma; não é o herói do povo.

Essa oligarquia santanderista truncou a vida de Jorge Eliécer Gaitán, o caudilho armado pelo povo e que era para este sua esperança de redenção. Sua intransigência não perdoou Guadalupe Salcedo, chefe das guerrilhas liberais da Planície (Llano), o qual terminou crivado de balas na pacificação dos anos 50. O mesmo fez a Jacobo Prías Alape, porta-voz da guerrilha comunista nas conversações de paz com o Governo da Frente Nacional. Em 1960 foi assassinado pelas costas na povoação de Gaitania.

O Movimento político Unión Patriótica, surgido do primeiro diálogo de paz Governo-FARC, foi exterminado a tiros. Mais de 5 mil militantes e dirigentes da UP foram abatidos. Toda uma geração de revolucionários e revolucionários foi massacrada.

Depois de firmar o acordo de paz com a guerrilha do M-19 nos anos 80, o Estado foi matando, um a um, seus principais comandantes, os companheiros Iván Marino Ospina, Álvaro Fayad e Carlos Pizarro Leongómez.

E já no ano de 2011, um presidente da República ordenou com premeditação e aleivosia assassinar o comandante das FARC-EP Alfonso Cano com que desde há meses avançava contactos exploratórios para abrir conversações de paz. Esta traição ocorreu, a segui a um bombardeamento da Força Aérea, com a agravante de que o comandante insurgente se encontrava capturado e totalmente indefeso.

Desde a assinatura do Acordo de Paz em Havana, e do desarmamento ingénuo da guerrilha em troca de nada, a matança não cessa. Em dois anos, mais de 500 líderes do movimento social foram assassinados e já somam 500 os guerrilheiros mortos em meio à indiferença e à indolência de um Estado.

Quando firmámos o Acordo de Havana fizemo-lo com a convicção de que era possível mudar a vida dos humildes e dos destituídos. Mas o Estado não cumpriu nem com a mais importante das suas obrigações, que é garantir a vida dos seus cidadãos e, particularmente, a de evitar o assassinato por razões políticas. Tudo isto: a armadilha, a traição e a perfídia, a modificação unilateral do texto do Acordo, o incumprimento dos compromissos por parte do Estado, as montagens judiciais e a insegurança jurídica, obrigaram-nos a regressar à montanha. Nunca fomos vencidos nem derrotados ideologicamente. Por isso a luta continua. A história registrará nas suas páginas que fomos obrigados a retomar as armas. Somos a continuação daquela gesta que se iniciou em Marquetalia em 1964.

O ex-presidente Santos jurou, com voz empostada de Nobel da Paz, que não mudaria nem uma única vírgula do pactuado, que cumpriria o firmado de boa fé e que não ia deixar de cumprir (poner conejo). Mas nem sequer se atreveu a titular terras aos camponeses que nelas viveram durante décadas, sendo algo tão simples como a água. Tanto o fundo de terras, como a substituição voluntária de cultivos de uso ilícito acompanhada de projectos alternativos e a melhoria das condições de vida no campo ficaram, por agora, perdidas no labirinto do esquecimento. Santos nada fez para impedir o afundamento no Congresso da Reforma Política, sabendo, como todos os colombianos, que nenhuma guerrilha se desarma se não existirem plenas garantias de participação política para todos. E para rematar sabotaram as Circunscrições Eleitorais Especiais de Paz concebidas para que as vítimas das regiões mais afectadas pelo conflito tivessem voz no Congresso da República.

Estes são assuntos centrais da paz. Agora seu sucessor na Presidência da República, Iván Duque, assegura sem pestanejar que o que o que não assinou não o obriga, desconhecendo assim que o acordo foi firmado com o Estado, não com um governo.

Quem são Duque e o Centro Democrático para desconhecer uma obrigação de Estado elevada a norma constitucional, que hoje é Documento Oficial do Conselho de Segurança das Nações Unidas e Acordo Especial do Art. 3 dos Convénios de Genebra? O Estado que não respeita seus compromissos não merece o respeito da Comunidade Internacional, nem do seu próprio povo.

Estivemos próximos de por um fim através do diálogo ao mais longo conflito do hemisfério, mas fracassámos porque o estabelecimento não quis respeitar os princípios que regem as negociações, o pacta sunt servanda e a boa fé. Conseguido o que queriam, que era a entrega das armas, conscientemente fizeram em pedacinhos do Acordo de Paz, despedaçando – como dizem os uribistas – "esse maldito papel".

Voltando o olhar para trás, o primeiro passo da traição foi a convocação de um plebiscito improcedente, porque sendo a paz um direito contramaioritário, não se consulta. Aparentemente, mais do que blindar a paz, o que Santos queria era derrotar Uribe, expondo assim o mais importante êxito da Colômbia nas últimas décadas à mercê da mentira, da politicagem e da manipulação mediática do uribismo.

O Acto Legislativo 002 de 2017 que obriga as instituições do Estado a cumprir o acordo de paz, foi debilitado de maneira incoerente até pela própria Corte Constitucional que o aprovou. Se alguns conteúdos do Acordo não estavam em consonância com a norma constitucional, o caminho era modificá-la para que não colidisse com o disposto no Acordo Final, respeitando sempre os convénios internacionais sobre Direitos Humanos e o Direito Internacional Humanitário.

As modificações desta Corte prejudicaram o Acordo sobre vítimas e justiça para a paz, acabaram a autonomia da JEP como jurisdição de fecho, modificaram o regime de condicionalidade só para armadilhar os guerrilheiros, excluíram terceiros envolvidos no conflito amparando-os com a impunidade e ampliaram o foro especial para presidentes da República a todos os aforados constitucionais. A Corte também modificou a Lei de Amnistia passando por alto disposições claras do Estatuto de Roma em relação ao recrutamento de menores.

Essa Corte, que havia sentenciado que o Acordo não podia ser modificado nos próximos três governos, terminou soltando as rédeas a legisladores de direita que em mordidas rápidas do "fast track" destroçaram-no com o pretexto da sua implementação normativa.

Perguntamos: em que lugar do planeta um acordo de paz firmado solenemente por uma guerrilha e um Estado, aplaudido pelo mundo, foi destruído unilateralmente dessa maneira tão infame por pessoas que nunca foram plenipotenciárias das partes? O Procurador-Geral, congressistas de direita da facção política de Uribe e Duque, e a embaixada dos Estados Unidos, comandaram a indesculpável derrota da paz.

A oração de Jorge Eliécer Gaitán, que recordamos na instalação dos diálogos de paz em Oslo, recobra hoje, perante esta realidade, a mais esmagadora vigência. "Bem aventurados os que entendem que as palavras de concórdia e de paz não devem servir para ocultar sentimentos de rancor e extermínio. Mal aventurados os que no governo ocultam por trás da bondade das palavras a impiedade para os homens do povo, porque eles serão assinalados com o dedo da ignomínia nas páginas da história!".

Para os filhos de Santander continua a ser "primeiro a lei – neste caso o direito penal do inimigo – assim que vá para o diabo a República". Essa visão fundamentalista foi o que matou a paz.

Como construir a paz sobre estas ruínas taciturnas? Por algo há que começar. E tem que ser com a instalação no Palácio de Nariño de um Novo Governo colocado ali por uma grande coligação de forças da vida, de justiça social e democracia, que convoque a um novo diálogo de paz. Um novo diálogo que corrija e encadeie a perfídia e a má fé, que envolva as forças guerrilheiras e todos os actores armados para que possamos fundar uma paz definitiva, estável e duradoura, selada com o compromisso colectivo do Nunca Mais. Um novo Acordo de Paz sem mais assassinatos de líderes sociais e de ex-combatentes guerrilheiros, no qual as armas sejam verdadeiramente retiradas da política e colocadas longe do seu uso, não entregues.

Não mais santaderismo

Se não nos libertarmos da maldição do santaderismo, nós os colombianos nunca teremos paz, nem pátria digna. Com esse lastro será impossível levantar o voo. Foi Santander um falso herói nacional e "o arquétipo da simulação: não tinha cara e sim máscara".

"Não foi o paradigma da Colômbia e sim da sua destruição". O santaderismo é "o triunfo do pícaro sobre o homem honrado". Um "sórdido rábula que afiava sua garras nos dorsos dos tratados de direito", isso foi Francisco de Paula Santander. Roubou o empréstimo de 1824. Era invencível no campo da pequenez, ou seja, em eleições, compadrios, clientelismos, libelos, suspeições, intrigas, em organizar maiorias no Congresso..., controlava o poder judicial e o legislativo; manipulava a imprensa de Bogotá. Planeou com os Estados Unidos dividir e desmoralizar o exército libertador, sabotar o Congresso Anfictiónico do Panamá; desmembrar a Colômbia; impor seu racismo, assassinar Bolívar e Sucre, e abolir a obra política e legislativa bolivariana. E promoveu a invasão do Peru para a Grã Colômbia. Com razão dizia o Libertador: "Quanto a Santander, este homem perverso já nada lhe resta por fazer, toca todas as mola da intriga, da maldade, e a maldade é para ferir-me e formar seu partido... A existência desse monstro de iniquidade e perfídia é uma emboscada perpétua ao governo, a mim mesmo e à Colômbia".

Uma nova forma de fazer política

Vista a partir do dever ser e da inocência, a política é uma elevada manifestação de altruísmo, que impulsiona – longe de todo interesse material individualista – a servir os cidadãos e a pátria, não pelo ouro nem pela fama nem pelo predomínio e sim por amor e sentimentos puros de humanidade, pela dignificação da vida e pela grandeza da pátria.

Mas a política na Colômbia – salvo honrosas excepções – deixou de ser uma prática louvável para converter-se na arte de roubar e de enganar acompanhada por uma eloquência sonora e demagógica. A maioria dos políticos e seus bispos incrustados nos poderes executivo, legislativo e judicial não pensam em servir e sim em enriquecer-se. Inventam todos os dias leis e mais leis para beneficiar à grande empresa, ao capital e a eles próprios, enquanto mantêm o povo longe, muito longe, do seu coração. Magistrados venais interpretam a lei que é a lei do funil: "o amplo para eles e o estreito para um". A grande maioria dos nossos males vem de leis absurdas. O controle da Fazenda Pública, a assinatura de contratos, as multas sumarentas, é a única coisa a que chega a sua ambição. E para consegui-lo compram tudo: cargos, municipalidades, governações, presidências da república, e também consciências famélicas e sem luzes para que votem por eles. O Estado foi sequestrado pelos foragidos e pela máfia da corrupção e da impunidade. Resgatá-lo e libertá-lo está nas mãos da mobilização das consciências, da nação em massa, do povo unido. Essa é a força que pode.

A palavra cabe ao soberano

Sim. Devemos levantar esta república das ruínas. E isso só o pode fazer o povo, que é o verdadeiro soberano. Por cima dele, o céu, apenas. O movimento social e político colombiano tem a palavra. Na introdução do Acordo Final de Havana há um compromisso que ficou suspenso no firmamento rígido dos incumprimentos e que é necessário reviver; trata-se da convocatória a todos os partidos, movimentos políticos e sociais, e a todas as forças vivas do país para concertar um grande ACORDO POLÍTICO NACIONAL destinado a definir as reformas e ajustes institucionais necessários para atender aos reptos que exija a paz, pondo em marcha um novo marco de convivência política e social. O regime imperante, de políticas neoliberais, de corrupção e guerra do actual poder de classe, colocou-nos frente a dois caminhos: ou se abre uma recomposição como resultado de um diálogo político e da institucionalização das mudanças resultantes de um Processo Constituinte Aberto, ou essas mudanças, tarde ou cedo, serão conquistadas mediante a explosão da inconformidade de todo um povo em rebelião.

Continuemos a tentar a saída mais concertada; abramos todos os caminhos de aproximação; analisemos e recolhamos as múltiplas propostas e plataformas elaboradas a partir do campo popular e da intelectualidade crítica do país e bordemos com elas uma só bandeira, para marchar como processo constituinte aberto rumo à superação da exclusão, da miséria e das imensas desigualdades; rumo à democratização em profundidade do Estado, da vida social, restabelecendo a soberania e buscando incidir nos processos de mudança na Nossa América e garantir o bem-estar e bom viver do nosso povo. Trata-se também de potenciar nossas aspirações levá-las a um novo nível no qual, então sim, uma Assembleia Constituinte suficientemente representativa e com plenas garantias de actuação, dê um impulso definitivo às transformações estruturais que requer a Colômbia.

Os jovens, as mulheres, os camponeses, os negros e os índios, os transportadores, os grémios, os partidos políticos, as centrais operárias, os desempregados, os cristãos e integrantes de outros credos religiosos, os ambientalistas, os desportistas, o movimento comunal, o arco íris LGTBI, os que sonham com a paz, todos e todas, devemos somar forças para conquistar o objectivo de um novo país, de uma nova ordem social, com uma economia ao serviço da nação, que regida por princípios de humanidade estimule a produção interna e o emprego. Que assuma a educação gratuita e de qualidade em todos os níveis, como a primeira necessidade da República. Uma política internacional que retome a ideia de Bolívar, de conformar neste hemisfério uma Grande Nação de Repúblicas irmãs que garanta nossa independência e liberdade. Uma nova ordem que ao proclamar a soberania pátria proscreva a extradição de nacionais, o livre arbítrio das multinacionais e a presença de bases militares estrangeiras no território.

A potência transformadora

A unidade do movimento social e político do país com suas bandeiras de vida digna arvoradas ao vento é a potência transformadora, a potência da mudança social em cuja construção devemos empenhar-nos.

A força do povo está na UNIDADE, no mutirão (minga) nacional pela dignidade da Colômbia e da sua gente. A potência transformadora forma-se com a unidade e a força de todas as consciências que confluem de todos os pontos cardeais onde palpita o anseio de pátria nova. Não devemos nos deixar encurralar pelos guerreiristas e tiranos.

Sejamos um só punho ao alto, por um novo governo, um governo de transição. Não mais do mesmo. Tomemos o timão da Colômbia e dirijamo-la sem perda de tempo rumo às costas da dignidade humana. Somos mais. Apliquemos a força da união e da razão para levar ao Palácio de Nariño um governo amoroso com seu concidadãos, respeitoso dos seus vizinhos, inimigo da guerra, soberano e solidário com os povos, com novas instituições integradas com gente virtuosa, honrada, de méritos e sentimentos humanos. Um governo que faça a felicidade do povo.

A luta continua.
Com Bolívar, com Manuel, com o povo ao poder!
FARC, Exército do Povo

29/Agosto/2019

Este manifesto encontra-se em http://resistir.info/ .

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/colombia/manifesto_29ago19.html

Caracas responsabiliza governo colombiano por rearmamento de ex-membros das FARC

Armamentos utilizados por membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (arquivo)
© REUTERS / Jose Miguel Gomez

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, acusou hoje o presidente colombiano, Iván Duque, de atuar contra os acordos de paz firmados há três anos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

O parecer venezuelano se dá após o anúncio da retomada da luta armada por parte de ex-membros do alto escalão da guerrilha, que travou uma sangrenta luta com as forças do governo colombiano por mais de cinco décadas, desde sua fundação, em 1964, até 2017. 

​A Venezuela rejeita a desfaçatez de Iván Duque, ao transferir para países terceiros e pessoas terceiras sua responsabilidade exclusiva no desmantelamento planejado dos processos de paz e no descumprimento dos compromissos assumidos.

Na última quinta-feira, o ex-número dois das FARC, Iván Márquez, anunciou através de um vídeo a decisão de abandonar o histórico acordo de paz com o governo colombiano e retornar à luta armada. Na gravação, o principal negociador do grupo nos diálogos com as autoridades nos últimos anos sugere que ele e os demais ex-comandantes do movimento teriam sido forçados a escolher esse caminho. 

De acordo com a chancelaria venezuelana, o culpado por essa situação seria o atual chefe de Estado colombiano. Ainda assim, Caracas afirma que está mantendo contatos com outros países envolvidos para levar as partes em conflito de volta à mesa de negociações.

"A Venezuela segue com preocupação a reativação iminente do conflito armado entre o governo colombiano e um grupo das FARC, e informa que está em consulta com o restante dos países acompanhantes e garantidores para que as partes voltem aos contatos", disse Jorge Arreaza nesta sexta-feira.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019083014455196-caracas-responsabiliza-governo-colombiano-por-rearmamento-de-ex-membros-das-farc/

Ex-número 2 das FARC anuncia retorno à luta armada na Colômbia

Iván Márquez, ex-comandante das FARC, anuncia o retorno à luta armada.
© REUTERS /

O ex-número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Iván Márquez, anunciou nesta quinta-feira (29) que irá abandonar o histórico acordo com o governo colombiano e irá retornar às armas.

A decisão foi anunciada em vídeo em que Márquez é acompanhado de outros guerrilheiros.

"Anunciamos ao mundo que a segunda Marquetalia começou", disse o líder das FARC vestido com uniforme verde militar em  vídeo postado no YouTube, referindo-se a um enclave rural considerado o berço do grupo na década de 1960.

O presidente conservador da Colômbia, Iván Duque, respondeu dizendo que enviaria uma unidade especial do Exército para caçar Márquez e que o guerrilheiro tem o apoio do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. 

A Jurisdição Especial para a Paz (JEP), um tribunal encarregado de julgar crimes cometidos durante o meio século de conflito armado na Colômbia, anunciou mais tarde que mandados de prisão contra Márquez e outros — que foram suspensos como parte do processo de paz — agora voltaram a valer.

Márquez acusou o governo de trair o difícil acordo sob o qual a maioria dos 7 mil combatentes das FARC deixaram a luta armada para formar um partido político

"É um anúncio muito preocupante", disse o comissário de paz do governo colombiano Miguel Ceballos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019083014449028-ex-numero-2-das-farc-anuncia-retorno-a-luta-armada-na-colombia/

Presidente da Colômbia oferece ajuda para combater incêndios na Amazônia

Iván Duque, presidente da Colômbia durante sua visita à OEA
© AP Photo / Jose Luis Magana

O presidente da Colômbia, Iván Duque, ofereceu o apoio do seu governo para trabalhar em conjunto com outros países para mitigar os incêndios que consomem hectares de florestas na Amazônia.

"A tragédia ambiental na Amazônia não tem fronteiras e deve chamar a atenção de todos. Do Governo Nacional, oferecemos aos nossos países irmãos o nosso apoio para trabalhar juntos para uma finalidade urgente: proteger os pulmões do mundo", disse Duque através da sua conta do Twitter.

​Embora os incêndios florestais sejam comuns na Amazônia durante a estação seca, boa parte dos que estão acontecendo neste momento ocorrem devido ao desmatamento produzido na área afetada.

Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), com base em dados do INPE, revelaram que o Brasil vive a maior onda de queimadas dos últimos cinco anos. Desde o início do ano até o dia 18 de agosto, foram registrados 71.497 focos de incêndio, número 82% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), um dos sistemas mais usados para monitorar o desmatamento da Amazônia, relatou que nos últimos 12 meses houve um aumento de 15% da área desmatada em relação ao período anterior.

Os dados foram divulgados na semana passada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que é responsável pelo SAD, e avaliou o desmatamento no período entre agosto de 2018 e julho de 2019.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019082214420291-presidente-da-colombia-oferece-ajuda-para-combater-incendios-na-amazonia/

A Colômbia sob a pressão de "criminosos de paz" (2)

Simon Trinidad, sequestrado no Equador e extraditado para uma masmorra nos EUA
Maurice Lemoine [*]
 
 
...em nome dos comandantes militares do antigo Estado-Maior Central das FARC, comandantes das frentes e das colunas, afetados pela traição do Acordo de Paz de Havana perpetrada pelo Estado, reiteramos, de uma forma autocrítica, que foi um grave erro ter entregado armas a um Estado trapaceiro, confiantes na boa fé do parceiro.   Que ingenuidade não nos termos lembrado das sábias palavras de nosso comandante-em-chefe Manuel Marulanda Vélez, que nos advertiu que as armas eram a única garantia de cumprimento desses acordos. - Jesús Santrich, ex-comandante das FARC
 
 
Santrich tomou conhecimento desses rumores. E descobre que, apesar das ordens da JEP, continua preso. Ele anunciou sempre a cor. Em nenhum caso sofrerá o destino do seu camarada Ricardo Palmera Pineda (conhecido como "Simón Trinidad"), preso em 2 de janeiro de 2003, no Equador, entregue por Uribe, um ano depois, aos Estados Unidos, e enterrado vivo durante 60 anos numa prisão de alta segurança, no meio do deserto, no Colorado. Absolvido pelos tribunais norte-americanos depois dos três primeiros julgamentos (dois por narcotráfico e um por tomada de reféns), Simón Trinidad foi finalmente condenado por pertencer ao Secretariado (o Estado-Maior) das FARC – de que não era membro! –, responsável pela "tomada de reféns" de três mercenários norte-americanos em missão de espionagem e capturados pela guerrilha, depois de esta ter abatido o seu avião, em fevereiro de 2003. Num mundo normal, estes homens são classificados como "prisioneiros de guerra"... 
Mergulhado neste precedente e como ele mais tarde confirmará ao senador de esquerda Iván Cepeda, Santrich tenta suicidar-se, abrindo as veias. Quando, na tarde do dia 17, acontece o simulacro da sua libertação, as dezenas de câmaras que o aguardam no portão da prisão filmam um homem meio comatoso e, sobretudo, após a chegada da polícia, de surpresa, a sua detenção imediata. O Procurador, em seguida, afirma ter novas provas contra ele. Elementos que ele nunca comunicou à JEP e provenientes da "testemunha protegida" Marlon Marín e da "cooperação internacional" dos Estados Unidos. Esta tentativa de "julgamento-expresso" fracassará. Em 29 de maio, de uma vez por todas, o Supremo Tribunal ordenou a imediata libertação de Santrich e interrompeu qualquer tentativa de extraditá-lo. Pode, a partir daí, considerar-se que "tudo está bem no melhor dos mundos". A primeira decisão que permitiu tal abordagem foi a do Conselho de Estado. Este considerou que Santrich manteve a sua investidura como deputado, na medida em que, se ele não tinha tomado posse e ocupado o seu lugar ao assumir o cargo na nova Assembleia, em 20 de julho de 2018, foi por uma razão de força maior – tinha sido preso! O Supremo Tribunal de Justiça confirmou que Santrich era deputado e acrescentou que, portanto, a sua acusação por "narcotráfico" só poderia ser julgada por si. Pelo que, em 10 de junho, Santrich pôde finalmente prestar juramento no cargo de vice-presidente da Assembleia e, em 11 de junho, sentar-se pela primeira vez como membro do Parlamento. 
 
No entanto, o cozinhado nauseabundo que o precedeu provocou, em profundidade, uma tripla movimentação, com consequências ainda imprevisíveis: uma divisão no seio da FARC; uma crise institucional no coração do poder; um inquietante enfraquecimento  das esperanças de paz. Desafiando a palavra do Estado quando os assinou, os Acordos de Paz foram constantemente modificados unilateralmente, através dos mais altos tribunais (Tribunal Constitucional, Supremo Tribunal de Justiça) e da maioria de direita do Congresso. Em detrimento da reintegração social e económica dos insurgentes e das reformas necessárias para superar a injustiça estrutural que provocou o conflito. Juntando-se à campanha de terror realizada através do assassinato seletivo e diário de dirigentes sociais, a ofensiva dos Estados Unidos (via DEA) e da dupla"Duque-Uribe" (através de Néstor Humberto Martínez) contra Santrich, tornou claro que as fações mais arcaicas da direita colombiana (e "yanquee") apostavam na política do quanto pior melhor. Causalidade, finalidade, consequências... Desde a prisão do seu "camarada" Santrich, em abril de 2018, o emblemático Iván Márquez (de seu nome verdadeiro Luciano Marín Arango), primeiro dos negociadores das FARC em Havana, denuncia "uma montagem" e anuncia que, na ausência de garantias suficientes, ele próprio não tomará posse do seu assento senatorial, em julho: o Ministério Público e a DEA, segundo ele, e com métodos semelhantes, pretendem acusá-lo pelo mesmo tipo de delitos. Márquez insta os ex-guerrilheiros agrupados nos vinte e quatro Espaços Territoriais de Treino e Reincorporação (ETCR) a "exigir a libertação imediata de Santrich" e a "defender a implementação dos acordos". Por outro lado, o ex-comandante-em-chefe dos rebeldes e atual líder do novo partido FARC, Rodrigo Londoño Echeverri (mais conhecido por seu nome de guerra de Timoleón Jiménez ou Tymoshenko), apela à calma e pede ponderação. Uma primeira e clara divisão aparece quando Márquez deixa Bogotá e se junta à ex-base de guerrilheiros do ETCR de Miravalle (Caquetá), antes de passar à clandestinidade. Lá, encontrou Hernán Darío Velásquez Saldarriaga (também conhecido como "El Paisa") e Henry Castellanos Garzón R("omaña") e outros ex-comandantes de primeira linha em rutura. Sem pertencer de nenhum modo à minoria de ex-insurgentes que se recusaram a depor as armas, seja por razões políticas ou para se entregar a atividades mafiosas, eles manifestam-se regularmente em mensagens, como a de 25 de dezembro de 2018 – "Nós realmente agíamos como  cegos quando não queríamos ver os inúmeros antecedentes de traição desta oligarquia, depois da assinatura de episódios de paz" – ou a que, no final de janeiro de 2019, denuncia a agressão dos Estados Unidos, com a cumplicidade de Duque, contra a Venezuela bolivariana. Em setembro do ano passado, numa carta ao Ministério Público, "Romaña" confirmou o seu compromisso de cumprir os acordos, exigiu fundos prometidos aos ex-guerrilheiros para o financiamento de projetos produtivos e pediu"segurança jurídica" em apoio à sua intenção de "não voltar à ilegalidade". Ao mesmo tempo, um outro "histórico",Fabián Ramírez, ratificou, através de um comunicado à Comissão de Paz do Congresso, que se mantinha no quadro do "pacto firmado com o governo de Santos", explicando as razões do seu desaparecimento na natureza:   "Por este motivo [a perda de confiança devido à montagem contra Santrich] e pela nossa segurança pessoal, optámos por não ser uma vítima adicional da manobra suja orquestrada através do guião dado a Marlon Marín para que manchasse o nome de alguns dos nossos camaradas com acusações totalmente falsas". [11] O Partido balança. Ele também reafirma a sua vontade de continuar o processo de paz, mas, temendo a sua influência  na base, pede aos seus  dirigentes discordantes  que respeitem as suas obrigações e, em particular, permaneçam no ETCR. Sem conseguir unanimidade nas suas fileiras. Enquanto alguns, na direção, são muito críticos dos "dissidentes", outros compreendem e aprovam os seus motivos. O debate agudiza-se ainda mais quando, no final de abril de 2019, o governo oferece uma recompensa de US $ 1 milhão por qualquer informação que permita a prisão de El Paisa. Convocado três vezes pela JEC, não compareceu. Esta revoga a "liberdade condicional" de que beneficiava e, em 15 de maio, confirma o mandado de prisão contra ele. A medida chega num momento em que, apesar de uma ordem de libertação, Santrich é mantido na prisão. É demais para Iván Márquez. Numa carta incendiária destinada aos milhares de ex-rebeldes, ele "dá um murro na mesa":  "Colegas do ETCR: em nome dos comandantes militares do antigo Estado-Maior Central das FARC, comandantes das frentes e das colunas, afetados pela traição do Acordo de Paz de Havana perpetrada pelo Estado, reiteramos, de uma forma autocrítica, que foi um grave erro ter entregado armas a um Estado trapaceiro, confiantes na boa fé do parceiro. Que ingenuidade não nos termos lembrado das sábias palavras de nosso comandante-em-chefe Manuel Marulanda Vélez, que nos advertiu que as armas eram a única garantia de cumprimento desses acordos". [12] Desta vez, podemos falar de uma verdadeira fratura. Quando Santrich, saindo em cadeira de rodas da Prisão de La Picota, foi, espetacularmente, detido novamente, "Tymoshenko", o número "um" do partido, fez o serviço mínimo, em termos de solidariedade com um dos seus:   se Santrich é extraditado ou não, "estamos com a paz, aconteça o que acontecer". Ele reage infinitamente mais à carta de Márquez, que ele acusa de "procurar o aplauso de um punhado de cabeças quentes":   "Infelizmente, Iván não percebeu a dimensão do cargo que a nossa longa luta o levou a ocupar. Partiu, sem dar qualquer explicação, e recusou-se a ocupar o seu lugar no Senado, deixando a nossa representação parlamentar sem direção, num momento que exigiria ainda mais a sua presença". Chega a culpá-lo do papel do sobrinho Marlon Marín, na tenebrosa série intitulada "Narcos". No seio da FARC, muitos continuam sem voz. Ouvem-se os primeiros murmúrios. Disparam críticas mais ou menos filtradas:   para o deputado do partido, Benedicto González, a opinião de "Tymoshenko" é "respeitável", mas "não podemos fazer crer que é partilhada pelo Conselho Nacional dos Comuns [a maior autoridade do partido das ex-FARC que agora se designa Força Alternativa Revolucionária do Comum – NT], nem pelas bases". No seio das quais uma perda de confiança na direção se torna percetível, ameaçando, desta vez realmente, a coesão de ex-guerrilheiros a cada dia mais insatisfeitos com as condições execráveis em que se desenrola a sua suposta reintegração. Na trincheira oposta, o Estado, como tal, sai enfraquecido desta sequência, abalado pela guerra aberta entre as suas várias instituições. Do lado do governo, o tempo já não é para triunfalismos. Os acontecimentos não se viraram a seu favor. Mesmo as elites económicas estão divididas entre "arcaicos" e "modernos", repetindo (ou continuando) as discordâncias entre os ex-presidentes Uribe e Santos, depois deste ter sido eleito para a presidência, em 2010. Ao rejeitar as "objeções" do atual chefe de Estado, a Câmara dos Deputados e o Senado infligiram-lhe, claramente, uma humilhação. Já não dispõe de uma maioria automática para governar. Os partidários de Santos, ex-aliados (Cambio Radical), os Verdes e o centro-esquerda juntaram forças para impedir, na medida do possível, o atropelo final dos Acordos de Paz. A sequência de acontecimentos provocou tanta discussão que não foi possível a Duque declarar o estado de comoção interna (por enquanto). A renúncia do seu grande aliado Néstor Humberto Martínez também lhe pôs uma pedra no sapato. Não escapou a ninguém que o Procurador Geral aproveitou a oportunidade para sair pela "porta grande" – a da "convicção desrespeitada" – quando se aproximava dele, a alta velocidade, uma análise do seu papel no escândalo "Odebrecht" – do nome do gigante da construção civil brasileiro, que salpica todo o continente [13] . Advogado da empresa de serviços financeiros Corficolombiana, sócia da Odebrecht na Colômbia, Martínez sabia das irregularidades no grupo de construção, na ordem de US$6,5 milhões, e não as denunciou. Um caso que é ainda mais complicado, porque três testemunhas capitais morreram em condições mais do que suspeitas nestes últimos meses. E que outro grande caso de corrupção também está a abalar as altas esferas do exército. Finalmente, o outro grande "sócio", Donald Trump, é tão imprevisível e versátil com Duque como com qualquer outra pessoa. Aos abraços e cenouras (para atingir a Venezuela), sucedem-se os golpes quando, queixando-se do aumento de 50% das culturas de coca e da produção decorrente de cocaína, o inquilino da Casa Branca declara secamente "Duque é um bom rapaz, mas não fez nada por nós". Já vimos amigos mais calorosos. Em relação ao futuro, é preciso ser muito esperto para o prever. O último golpe de teatro (antes do próximo): quando teve de comparecer perante o Supremo Tribunal de Justiça, em 9 de julho, para ser ouvido sob a acusação de"narcotráfico", Jesús Santrich desapareceu, no dia 30 de junho. Multiplicam-se os comentários duros e a especulação arriscada. As mesmas palavras, os mesmos raciocínios de antes. Esquecendo uma verdade fundamental: o presente explica-se sempre pelo  passado. Vamos mencionar aqui algumas hipóteses, tomando o cuidado de excluir a palavra"certeza" ("palavra que um homem que viveu um pouco risca do seu dicionário", segundo Voltaire, precisamente no seu Dicionário, no artigo "Certo"). Assim que, a 11 de junho, Santrich finalmente tomou o seu lugar na Câmara dos Representantes, o presidente Duque, depois de regressar da Argentina, onde conspirava com o seu colega Mauricio Macri, para descobrir como acabar com Maduro, acabara de pedir ao Ministério Público "que impedisse esta tomada de posse", apesar de o Conselho de Estado a ter claramente aprovado. O que o chefe de Estado teve de aceitar, não sem comentar acidamente:   "Não podemos deixar de chamar as coisas pelo seu nome. Aliás, Jesús Santrich é um mafioso e todo o país sabe que ele negociou a expedição de um carregamento de cocaína". De Washington chovem as críticas contra o Supremo Tribunal da Colômbia, por ter libertado o ex-guerrilheiro."Consideramos esta decisão lamentável e que é essencial e urgente um recurso", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortegas (antes de aquecer o ambiente com a discussão da aliança entre os dois países, na tentativa de introduzir ajuda humanitária e soldados na Venezuela para "fazer frente" a Maduro). Quando, finalmente, o novo deputado, impassível atrás dos seus óculos escuros, os ombros cobertos com seu eternokeffiyeh palestiniano, toma o seu lugar na Assembleia, dá-se uma bronca. Representantes do Centro Democrático exibem cartazes "Fora com Santrich !". Mesmo os chamados "Verdes" exibem faixas:   "Defendemos a paz, não Santrich". Não é preciso um meteorologista para saber em que direção sopra o vento. Em tal contexto, com tais pressões de todos os lados, que hipóteses tem Santrich para escapar das nuvens negras que se acumulam sobre a sua cabeça? Um julgamento e um veredicto muito incertos do Supremo Tribunal de Justiça? Ao iniciar os seus procedimentos contra ele, descobriu que não era "necessário, proporcional ou razoável" encarcerá-lo durante esta etapa, porque a sua possível privação de liberdade poderia ser decidida após tê-lo ouvido no enquadramento da informação judicial("indagatória") de 9 de Julho.  Com o risco, em caso de prisão seguida de condenação, de vê-lo extraditado, uma vez que a JEP tinha sido afastada! Não havia a certeza se o rebelde queria jogar à roleta russa... Quando deixou La Picota, tinha declarado claramente o seu alinhamento com alguns dos seus camaradas:   "[Iván] Márquez assumiu uma posição autocrítica, mas reiterou o seu desejo de paz; envio-lhe uma mensagem de amor e fraternidade. (...) O que fazem Márquez e El Paisa é insistir na necessidade de respeitar o acordo, e é também o que vou fazer". [14] Já que estamos a falar de Márquez, notemos de passagem que, em 14 de junho, o Conselho de Estado decretou a sua perda de lugar no Senado, por não o ter tomado dentro do tempo requerido e "sem apresentar qualquer prova"do que ele considera "uma ausência de garantias". A enumeração dos possíveis esconderijos de Santrich varia até o infinito: alguns veem-no em casa do diabo mais velho, protegido pelo ELN; outros, na Venezuela, com (ou sem) o seu camarada Márquez, ajudado pelo seu"cúmplice" Maduro; outros ainda, com um dos grupos armados remanescentes das FARC; ou à procura de asilo político num país garante dos acordos de paz (Noruega e Cuba). Seusis José Hernández, seu filho, mostra-se muito preocupado: "Duvido que o desaparecimento do meu pai tenha a ver com um ato de rebeldia ou qualquer coisa que vá contra a paz", diz ele, não descartanto que o ex-guerrilheiro tenha sido sequestrado e se tenha juntado à longa lista dos "desaparecidos". [15] Onde quer que esteja, a situação não é boa para ninguém. Exceto, talvez, para os adversários da paz e da JEC, a começar por Duque, que dizem fanfarronadas, comem do bom e do melhor e gozam a vida. Assim que a notícia foi  dada, o movimento cidadão "Defendamos a Paz", temendo as consequências previsíveis, pediu a Santrich que informasse as autoridades sobre o seu paradeiro e comparecesse perante o CSJ, em 9 de julho, como estava previsto. Nesse dia, em que apenas os seus advogados compareceram e Santrich não reapareceu, o Supremo Tribunal de Justiça emitiu um mandado de prisão e ordenou a sua captura. Ei-lo agora mascarado com o estatuto de "fora da lei".Sem surpresa, o centro, a direita e a extrema direita reagiram de forma mecânica e com ódio, como robôs. Da esquerda moderada de Gustavo Petro – candidato do Pólo Democrático Alternativo (PDA), na última eleição presidencial (41,8% dos votos) – até ao altamente comprometido senador Iván Cepeda, veio uma reprovação unânime. Alguns claramente vituperaram, maldisseram, culparam e condenaram o rebelde. "O que aconteceu é triste", disse Cepeda, que tinha acompanhado Santrich quando foi libertado da prisão e que estava preocupado pelos danos causados ao processo de construção da paz. Numa declaração pública, o Conselho Político Nacional da FARC esclareceu que a conduta de Santrich "é de sua única responsabilidade" e que, "tal como fez com outras decisões pessoais, não [consultou] o partido nem a sua direção". Olhando para o movimento como um todo, a declaração concluiu expressando a sua confiança em que "a comunidade internacional e a justiça saberão fazer a diferença entre as determinações de indivíduos ou grupos que rejeitam o que foi assinado nos Acordos de Havana, e a grande maioria de nosso partido FARC, que se mantém leal e firme no seu projeto de paz com justiça social". Por estas linhas, compreendeu-se facilmente a lógica dos líderes de um partido já impopular na opinião publica, diretamente afetado pela reprovação geral que, por ricochete, recai sobre eles. Os líderes estão também preocupados com o sinal negativo que esse regresso à clandestinidade envia a milhares de guerrilheiros de base que, tanto respeitam Iván Marquez ou "El Paisa", como apreciam e admiram Santrich. No entanto, a dureza do tom em relação a este último chocou muitos "camaradas". Em particular, o tom do senador das FARC, Carlos Antonio Lozada, ex-negociador em Havana, particularmente virulento nas suas observações: "Não há nenhuma justificação para que Santrich se tenha ido embora assim!". [16] Curioso, mesmo assim... Porque é esse mesmo Lozada que, no dia 10 de julho, informará no Twitter e através de vários média que vai apresentar uma queixa, em nome do partido, e trará "provas, ou pelo menos pistas" de que"está em marcha um plano para assassinar os [altos] dirigentes das FARC". No dia anterior, dois novos ex-guerrilheiros foram executados no distrito de Cauca, elevando para 137 o número de "camaradas" assassinados. Poucos dias antes (6 de julho), numa carta enviada ao presidente Duque, três civis que nunca pegaram numa arma (mas da oposição e muito envolvidos na implementação dos Acordos de Paz!), os senadores Iván Cepeda, Roy Barreras e Antonio Sanguino, denunciaram ser vítimas de escutas ilegais da Direção Nacional de Inteligência (DNI), destinadas a neutralizá-los através de "montagens judiciais". Como Santrich? De qualquer forma, este é um bom e velho retorno às "chuzadas", escutas e investigações clandestinas sobre ativistas, sindicalistas, políticos, partidos tradicionais, jornalistas e membros do Supremo Tribunal efetuadas pelo Departamento Administrativo de Segurança (DAS), dependendo diretamente de uma presidência da República ocupada por Álvaro Uribe, entre 2002 e 2010. O mesmo DAS – mas quem se lembra? – que passava as informações aos paramilitares, para assassinarem oponentes políticos. [17] Nestas condições, vamos esperar para saber mais para nos pronunciarmos definitivamente sobre o "caso Santrich".Afinal de contas, a sua decisão de escapar pode  ter boas razões. O futuro o dirá. Infinitamente mais preocupantes são, para a Colômbia, as ameaças que pairam sobre os oponentes e o processo de paz.
 
Notas 
[11] El Tiempo, Bogotá, 10 de setembro de 2018.
[12] De seu verdadeiro nome Pedro Antonio Marin, Manuel Marulanda, aliás " Tirofijo " (tiro certeiro), foi fundador e dirigente das FARC, de 1964, ano do seu nascimento, até à sua morte, em 26 de março de 2008, de morte natural. Tinha abraçado a guerrilha em 1948, nas milícias de autodefesa camponesas,  durante o período chamado " la Violencia ".
[13] Advogado da sociedade de serviços financeiros Corficolombiana, ele próprio associado à Odebrecht, na Colômbia, Martinez estava ao corrente das  irregularidades do grupo de construção, ascendendo a 6,5 milhões de dólares, e não as denunciou.
[14] www.elheraldo.co/politica/los-tres-escenarios-para-santrich-tras-su-fuga-647828
[15] Digital BLU Radio, 2 de julho de 2019.
[16] Semana, Bogotá, 7 de julho de 2019.
[17] Hernando Calvo Ospina, " Quand l'Etat colombien espionne ses opposants  [Quando o Estado colombiano espia os seus opositores]",  Le Monde diplomatique, avril 2010. [*] Jornalista.  O original encontra-se em www.medelu.org/La-Colombie-sous-la-coupe-des-criminels-de-paix
e a tradução em pelosocialismo.blogs.sapo.pt/a-colombia-sob-a-pressao-de-criminosos-73011 
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/a-colombia-sob-pressao-de-criminosos-de.html

Colômbia sob a pressão de "criminosos de paz" (2)

A primeira parte deste artigo encontra-se aqui

por Maurice Lemoine [*]
 
 
...em nome dos comandantes militares do antigo Estado-Maior Central das FARC, comandantes das frentes e das colunas, afetados pela traição do Acordo de Paz de Havana perpetrada pelo Estado, reiteramos, de uma forma autocrítica, que foi um grave erro ter entregado armas a um Estado trapaceiro, confiantes na boa fé do parceiro. Que ingenuidade não nos termos lembrado das sábias palavras de nosso comandante-em-chefe Manuel Marulanda Vélez, que nos advertiu que as armas eram a única garantia de cumprimento desses acordos.
Jesús Santrich, ex-comandante das FARC

Simon Trinidad. Santrich tomou conhecimento desses rumores. E descobre que, apesar das ordens da JEP, continua preso. Ele anunciou sempre a cor. Em nenhum caso sofrerá o destino do seu camarada Ricardo Palmera Pineda (conhecido como "Simón Trinidad"), preso em 2 de janeiro de 2003, no Equador, entregue por Uribe, um ano depois, aos Estados Unidos, e enterrado vivo durante 60 anos numa prisão de alta segurança, no meio do deserto, no Colorado. Absolvido pelos tribunais norte-americanos depois dos três primeiros julgamentos (dois por narcotráfico e um por tomada de reféns), Simón Trinidad foi finalmente condenado por pertencer ao Secretariado (o Estado-Maior) das FARC – de que não era membro! –, responsável pela "tomada de reféns" de três mercenários norte-americanos em missão de espionagem e capturados pela guerrilha, depois de esta ter abatido o seu avião, em fevereiro de 2003. Num mundo normal, estes homens são classificados como "prisioneiros de guerra"...

Mergulhado neste precedente e como ele mais tarde confirmará ao senador de esquerda Iván Cepeda, Santrich tenta suicidar-se, abrindo as veias. Quando, na tarde do dia 17, acontece o simulacro da sua libertação, as dezenas de câmaras que o aguardam no portão da prisão filmam um homem meio comatoso e, sobretudo, após a chegada da polícia, de surpresa, a sua detenção imediata.

O Procurador, em seguida, afirma ter novas provas contra ele. Elementos que ele nunca comunicou à JEP e provenientes da "testemunha protegida" Marlon Marín e da "cooperação internacional" dos Estados Unidos. Esta tentativa de "julgamento-expresso" fracassará. Em 29 de maio, de uma vez por todas, o Supremo Tribunal ordenou a imediata libertação de Santrich e interrompeu qualquer tentativa de extraditá-lo.

Pode, a partir daí, considerar-se que "tudo está bem no melhor dos mundos". A primeira decisão que permitiu tal abordagem foi a do Conselho de Estado. Este considerou que Santrich manteve a sua investidura como deputado, na medida em que, se ele não tinha tomado posse e ocupado o seu lugar ao assumir o cargo na nova Assembleia, em 20 de julho de 2018, foi por uma razão de força maior – tinha sido preso! O Supremo Tribunal de Justiça confirmou que Santrich era deputado e acrescentou que, portanto, a sua acusação por "narcotráfico" só poderia ser julgada por si. Pelo que, em 10 de junho, Santrich pôde finalmente prestar juramento no cargo de vice-presidente da Assembleia e, em 11 de junho, sentar-se pela primeira vez como membro do Parlamento.

No entanto, o cozinhado nauseabundo que o precedeu provocou, em profundidade, uma tripla movimentação, com consequências ainda imprevisíveis: uma divisão no seio da FARC; uma crise institucional no coração do poder; um inquietante enfraquecimento  das esperanças de paz.

Desafiando a palavra do Estado quando os assinou, os Acordos de Paz foram constantemente modificados unilateralmente, através dos mais altos tribunais (Tribunal Constitucional, Supremo Tribunal de Justiça) e da maioria de direita do Congresso. Em detrimento da reintegração social e económica dos insurgentes e das reformas necessárias para superar a injustiça estrutural que provocou o conflito. Juntando-se à campanha de terror realizada através do assassinato seletivo e diário de dirigentes sociais, a ofensiva dos Estados Unidos (via DEA) e da dupla "Duque-Uribe" (através de Néstor Humberto Martínez) contra Santrich, tornou claro que as fações mais arcaicas da direita colombiana (e "yanquee") apostavam na política do quanto pior melhor.

Causalidade, finalidade, consequências... Desde a prisão do seu "camarada" Santrich, em abril de 2018, o emblemático Iván Márquez (de seu nome verdadeiro Luciano Marín Arango), primeiro dos negociadores das FARC em Havana, denuncia "uma montagem" e anuncia que, na ausência de garantias suficientes, ele próprio não tomará posse do seu assento senatorial, em julho: o Ministério Público e a DEA, segundo ele, e com métodos semelhantes, pretendem acusá-lo pelo mesmo tipo de delitos. Márquez insta os ex-guerrilheiros agrupados nos vinte e quatro Espaços Territoriais de Treino e Reincorporação (ETCR) a "exigir a libertação imediata de Santrich" e a "defender a implementação dos acordos". Por outro lado, o ex-comandante-em-chefe dos rebeldes e atual líder do novo partido FARC, Rodrigo Londoño Echeverri (mais conhecido por seu nome de guerra de Timoleón Jiménez ou Tymoshenko), apela à calma e pede ponderação.

Uma primeira e clara divisão aparece quando Márquez deixa Bogotá e se junta à ex-base de guerrilheiros do ETCR de Miravalle (Caquetá), antes de passar à clandestinidade. Lá, encontrou Hernán Darío Velásquez Saldarriaga (também conhecido como "El Paisa") e Henry Castellanos Garzón R("omaña") e outros ex-comandantes de primeira linha em rutura. Sem pertencer de nenhum modo à minoria de ex-insurgentes que se recusaram a depor as armas, seja por razões políticas ou para se entregar a atividades mafiosas, eles manifestam-se regularmente em mensagens, como a de 25 de dezembro de 2018 – "Nós realmente agíamos como  cegos quando não queríamos ver os inúmeros antecedentes de traição desta oligarquia, depois da assinatura de episódios de paz" – ou a que, no final de janeiro de 2019, denuncia a agressão dos Estados Unidos, com a cumplicidade de Duque, contra a Venezuela bolivariana.

Em setembro do ano passado, numa carta ao Ministério Público, "Romaña" confirmou o seu compromisso de cumprir os acordos, exigiu fundos prometidos aos ex-guerrilheiros para o financiamento de projetos produtivos e pediu "segurança jurídica" em apoio à sua intenção de "não voltar à ilegalidade". Ao mesmo tempo, um outro "histórico", Fabián Ramírez, ratificou, através de um comunicado à Comissão de Paz do Congresso, que se mantinha no quadro do "pacto firmado com o governo de Santos", explicando as razões do seu desaparecimento na natureza: "Por este motivo [a perda de confiança devido à montagem contra Santrich] e pela nossa segurança pessoal, optámos por não ser uma vítima adicional da manobra suja orquestrada através do guião dado a Marlon Marín para que manchasse o nome de alguns dos nossos camaradas com acusações totalmente falsas".[11]

O Partido balança. Ele também reafirma a sua vontade de continuar o processo de paz, mas, temendo a sua influência  na base, pede aos seus  dirigentes discordantes  que respeitem as suas obrigações e, em particular, permaneçam no ETCR. Sem conseguir unanimidade nas suas fileiras. Enquanto alguns, na direção, são muito críticos dos "dissidentes", outros compreendem e aprovam os seus motivos.

O debate agudiza-se ainda mais quando, no final de abril de 2019, o governo oferece uma recompensa de US $ 1 milhão por qualquer informação que permita a prisão de El Paisa. Convocado três vezes pela JEC, não compareceu. Esta revoga a "liberdade condicional" de que beneficiava e, em 15 de maio, confirma o mandado de prisão contra ele. A medida chega num momento em que, apesar de uma ordem de libertação, Santrich é mantido na prisão. É demais para Iván Márquez. Numa carta incendiária destinada aos milhares de ex-rebeldes, ele "dá um murro na mesa": "Colegas do ETCR: em nome dos comandantes militares do antigo Estado-Maior Central das FARC, comandantes das frentes e das colunas, afetados pela traição do Acordo de Paz de Havana perpetrada pelo Estado, reiteramos, de uma forma autocrítica, que foi um grave erro ter entregado armas a um Estado trapaceiro, confiantes na boa fé do parceiro. Que ingenuidade não nos termos lembrado das sábias palavras de nosso comandante-em-chefe Manuel Marulanda Vélez, que nos advertiu que as armas eram a única garantia de cumprimento desses acordos".[12]

Desta vez, podemos falar de uma verdadeira fratura. Quando Santrich, saindo em cadeira de rodas da Prisão de La Picota, foi, espetacularmente, detido novamente, "Tymoshenko", o número "um" do partido, fez o serviço mínimo, em termos de solidariedade com um dos seus: se Santrich é extraditado ou não, "estamos com a paz, aconteça o que acontecer". Ele reage infinitamente mais à carta de Márquez, que ele acusa de "procurar o aplauso de um punhado de cabeças quentes": "Infelizmente, Iván não percebeu a dimensão do cargo que a nossa longa luta o levou a ocupar. Partiu, sem dar qualquer explicação, e recusou-se a ocupar o seu lugar no Senado, deixando a nossa representação parlamentar sem direção, num momento que exigiria ainda mais a sua presença". Chega a culpá-lo do papel do sobrinho Marlon Marín, na tenebrosa série intitulada "Narcos".

No seio da FARC, muitos continuam sem voz. Ouvem-se os primeiros murmúrios. Disparam críticas mais ou menos filtradas: para o deputado do partido, Benedicto González, a opinião de "Tymoshenko" é "respeitável", mas "não podemos fazer crer que é partilhada pelo Conselho Nacional dos Comuns [a maior autoridade do partido das ex-FARC que agora se designa Força Alternativa Revolucionária do Comum – NT], nem pelas bases". No seio das quais uma perda de confiança na direção se torna percetível, ameaçando, desta vez realmente, a coesão de ex-guerrilheiros a cada dia mais insatisfeitos com as condições execráveis em que se desenrola a sua suposta reintegração.

Na trincheira oposta, o Estado, como tal, sai enfraquecido desta sequência, abalado pela guerra aberta entre as suas várias instituições. Do lado do governo, o tempo já não é para triunfalismos. Os acontecimentos não se viraram a seu favor. Mesmo as elites económicas estão divididas entre "arcaicos" e "modernos", repetindo (ou continuando) as discordâncias entre os ex-presidentes Uribe e Santos, depois deste ter sido eleito para a presidência, em 2010. Ao rejeitar as "objeções" do atual chefe de Estado, a Câmara dos Deputados e o Senado infligiram-lhe, claramente, uma humilhação. Já não dispõe de uma maioria automática para governar. Os partidários de Santos, ex-aliados (Cambio Radical), os Verdes e o centro-esquerda juntaram forças para impedir, na medida do possível, o atropelo final dos Acordos de Paz.

A sequência de acontecimentos provocou tanta discussão que não foi possível a Duque declarar o estado de comoção interna (por enquanto). A renúncia do seu grande aliado Néstor Humberto Martínez também lhe pôs uma pedra no sapato. Não escapou a ninguém que o Procurador Geral aproveitou a oportunidade para sair pela "porta grande" – a da "convicção desrespeitada" – quando se aproximava dele, a alta velocidade, uma análise do seu papel no escândalo "Odebrecht" – do nome do gigante da construção civil brasileiro, que salpica todo o continente [13] . Advogado da empresa de serviços financeiros Corficolombiana, sócia da Odebrecht na Colômbia, Martínez sabia das irregularidades no grupo de construção, na ordem de US$6,5 milhões, e não as denunciou. Um caso que é ainda mais complicado, porque três testemunhas capitais morreram em condições mais do que suspeitas nestes últimos meses. E que outro grande caso de corrupção também está a abalar as altas esferas do exército.

Finalmente, o outro grande "sócio", Donald Trump, é tão imprevisível e versátil com Duque como com qualquer outra pessoa. Aos abraços e cenouras (para atingir a Venezuela), sucedem-se os golpes quando, queixando-se do aumento de 50% das culturas de coca e da produção decorrente de cocaína, o inquilino da Casa Branca declara secamente "Duque é um bom rapaz, mas não fez nada por nós". Já vimos amigos mais calorosos.

Em relação ao futuro, é preciso ser muito esperto para o prever. O último golpe de teatro (antes do próximo): quando teve de comparecer perante o Supremo Tribunal de Justiça, em 9 de julho, para ser ouvido sob a acusação de "narcotráfico", Jesús Santrich desapareceu, no dia 30 de junho. Multiplicam-se os comentários duros e a especulação arriscada. As mesmas palavras, os mesmos raciocínios de antes. Esquecendo uma verdade fundamental: o presente explica-se sempre pelo  passado. Vamos mencionar aqui algumas hipóteses, tomando o cuidado de excluir a palavra "certeza" ("palavra que um homem que viveu um pouco risca do seu dicionário", segundo Voltaire, precisamente no seu Dicionário, no artigo "Certo").

Assim que, a 11 de junho, Santrich finalmente tomou o seu lugar na Câmara dos Representantes, o presidente Duque, depois de regressar da Argentina, onde conspirava com o seu colega Mauricio Macri, para descobrir como acabar com Maduro, acabara de pedir ao Ministério Público "que impedisse esta tomada de posse", apesar de o Conselho de Estado a ter claramente aprovado. O que o chefe de Estado teve de aceitar, não sem comentar acidamente: "Não podemos deixar de chamar as coisas pelo seu nome. Aliás, Jesús Santrich é um mafioso e todo o país sabe que ele negociou a expedição de um carregamento de cocaína".

De Washington chovem as críticas contra o Supremo Tribunal da Colômbia, por ter libertado o ex-guerrilheiro. "Consideramos esta decisão lamentável e que é essencial e urgente um recurso", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortegas (antes de aquecer o ambiente com a discussão da aliança entre os dois países, na tentativa de introduzir ajuda humanitária e soldados na Venezuela para "fazer frente" a Maduro).

Quando, finalmente, o novo deputado, impassível atrás dos seus óculos escuros, os ombros cobertos com seu eterno keffiyeh palestiniano, toma o seu lugar na Assembleia, dá-se uma bronca. Representantes do Centro Democrático exibem cartazes "Fora com Santrich !". Mesmo os chamados "Verdes" exibem faixas: "Defendemos a paz, não Santrich".

Não é preciso um meteorologista para saber em que direção sopra o vento. Em tal contexto, com tais pressões de todos os lados, que hipóteses tem Santrich para escapar das nuvens negras que se acumulam sobre a sua cabeça? Um julgamento e um veredicto muito incertos do Supremo Tribunal de Justiça? Ao iniciar os seus procedimentos contra ele, descobriu que não era "necessário, proporcional ou razoável" encarcerá-lo durante esta etapa, porque a sua possível privação de liberdade poderia ser decidida após tê-lo ouvido no enquadramento da informação judicial ("indagatória") de 9 de Julho.  Com o risco, em caso de prisão seguida de condenação, de vê-lo extraditado, uma vez que a JEP tinha sido afastada! Não havia a certeza se o rebelde queria jogar à roleta russa...

Quando deixou La Picota, tinha declarado claramente o seu alinhamento com alguns dos seus camaradas: "[Iván] Márquez assumiu uma posição autocrítica, mas reiterou o seu desejo de paz; envio-lhe uma mensagem de amor e fraternidade. (...) O que fazem Márquez e El Paisa é insistir na necessidade de respeitar o acordo, e é também o que vou fazer". [14]

Já que estamos a falar de Márquez, notemos de passagem que, em 14 de junho, o Conselho de Estado decretou a sua perda de lugar no Senado, por não o ter tomado dentro do tempo requerido e "sem apresentar qualquer prova" do que ele considera "uma ausência de garantias".

A enumeração dos possíveis esconderijos de Santrich varia até o infinito: alguns veem-no em casa do diabo mais velho, protegido pelo ELN; outros, na Venezuela, com (ou sem) o seu camarada Márquez, ajudado pelo seu "cúmplice" Maduro; outros ainda, com um dos grupos armados remanescentes das FARC; ou à procura de asilo político num país garante dos acordos de paz (Noruega e Cuba). Seusis José Hernández, seu filho, mostra-se muito preocupado: "Duvido que o desaparecimento do meu pai tenha a ver com um ato de rebeldia ou qualquer coisa que vá contra a paz", diz ele, não descartanto que o ex-guerrilheiro tenha sido sequestrado e se tenha juntado à longa lista dos "desaparecidos". [15]

Onde quer que esteja, a situação não é boa para ninguém. Exceto, talvez, para os adversários da paz e da JEC, a começar por Duque, que dizem fanfarronadas, comem do bom e do melhor e gozam a vida. Assim que a notícia foi  dada, o movimento cidadão "Defendamos a Paz", temendo as consequências previsíveis, pediu a Santrich que informasse as autoridades sobre o seu paradeiro e comparecesse perante o CSJ, em 9 de julho, como estava previsto.

Nesse dia, em que apenas os seus advogados compareceram e Santrich não reapareceu, o Supremo Tribunal de Justiça emitiu um mandado de prisão e ordenou a sua captura. Ei-lo agora mascarado com o estatuto de "fora da lei". Sem surpresa, o centro, a direita e a extrema direita reagiram de forma mecânica e com ódio, como robôs. Da esquerda moderada de Gustavo Petro – candidato do Pólo Democrático Alternativo (PDA), na última eleição presidencial (41,8% dos votos) – até ao altamente comprometido senador Iván Cepeda, veio uma reprovação unânime. Alguns claramente vituperaram, maldisseram, culparam e condenaram o rebelde. "O que aconteceu é triste", disse Cepeda, que tinha acompanhado Santrich quando foi libertado da prisão e que estava preocupado pelos danos causados ao processo de construção da paz.

Numa declaração pública, o Conselho Político Nacional da FARC esclareceu que a conduta de Santrich "é de sua única responsabilidade" e que, "tal como fez com outras decisões pessoais, não [consultou] o partido nem a sua direção". Olhando para o movimento como um todo, a declaração concluiu expressando a sua confiança em que "a comunidade internacional e a justiça saberão fazer a diferença entre as determinações de indivíduos ou grupos que rejeitam o que foi assinado nos Acordos de Havana, e a grande maioria de nosso partido FARC, que se mantém leal e firme no seu projeto de paz com justiça social".

Por estas linhas, compreendeu-se facilmente a lógica dos líderes de um partido já impopular na opinião publica, diretamente afetado pela reprovação geral que, por ricochete, recai sobre eles. Os líderes estão também preocupados com o sinal negativo que esse regresso à clandestinidade envia a milhares de guerrilheiros de base que, tanto respeitam Iván Marquez ou "El Paisa", como apreciam e admiram Santrich. No entanto, a dureza do tom em relação a este último chocou muitos "camaradas". Em particular, o tom do senador das FARC, Carlos Antonio Lozada, ex-negociador em Havana, particularmente virulento nas suas observações: "Não há nenhuma justificação para que Santrich se tenha ido embora assim!".[16]

Curioso, mesmo assim... Porque é esse mesmo Lozada que, no dia 10 de julho, informará no Twitter e através de vários média que vai apresentar uma queixa, em nome do partido, e trará "provas, ou pelo menos pistas" de que "está em marcha um plano para assassinar os [altos] dirigentes das FARC". No dia anterior, dois novos ex-guerrilheiros foram executados no distrito de Cauca, elevando para 137 o número de "camaradas" assassinados.

Poucos dias antes (6 de julho), numa carta enviada ao presidente Duque, três civis que nunca pegaram numa arma (mas da oposição e muito envolvidos na implementação dos Acordos de Paz!), os senadores Iván Cepeda, Roy Barreras e Antonio Sanguino, denunciaram ser vítimas de escutas ilegais da Direção Nacional de Inteligência (DNI), destinadas a neutralizá-los através de "montagens judiciais". Como Santrich? De qualquer forma, este é um bom e velho retorno às "chuzadas", escutas e investigações clandestinas sobre ativistas, sindicalistas, políticos, partidos tradicionais, jornalistas e membros do Supremo Tribunal efetuadas pelo Departamento Administrativo de Segurança (DAS), dependendo diretamente de uma presidência da República ocupada por Álvaro Uribe, entre 2002 e 2010. O mesmo DAS – mas quem se lembra? – que passava as informações aos paramilitares, para assassinarem oponentes políticos. [17]

Nestas condições, vamos esperar para saber mais para nos pronunciarmos definitivamente sobre o "caso Santrich". Afinal de contas, a sua decisão de escapar pode  ter boas razões. O futuro o dirá. Infinitamente mais preocupantes são, para a Colômbia, as ameaças que pairam sobre os oponentes e o processo de paz.

Notas
[11] El Tiempo, Bogotá, 10 de setembro de 2018.
[12] De seu verdadeiro nome Pedro Antonio Marin, Manuel Marulanda, aliás " Tirofijo " (tiro certeiro), foi fundador e dirigente das FARC, de 1964, ano do seu nascimento, até à sua morte, em 26 de março de 2008, de morte natural. Tinha abraçado a guerrilha em 1948, nas milícias de autodefesa camponesas,  durante o período chamado " la Violencia ".
[13] Advogado da sociedade de serviços financeiros Corficolombiana, ele próprio associado à Odebrecht, na Colômbia, Martinez estava ao corrente das  irregularidades do grupo de construção, ascendendo a 6,5 milhões de dólares, e não as denunciou.
[14] www.elheraldo.co/politica/los-tres-escenarios-para-santrich-tras-su-fuga-647828
[15] Digital BLU Radio, 2 de julho de 2019.
[16] Semana, Bogotá, 7 de julho de 2019.
[17] Hernando Calvo Ospina, " Quand l'Etat colombien espionne ses opposants  [Quando o Estado colombiano espia os seus opositores]",  Le Monde diplomatique, avril 2010.

[*] Jornalista.

O original encontra-se em www.medelu.org/La-Colombie-sous-la-coupe-des-criminels-de-paix
e a tradução em pelosocialismo.blogs.sapo.pt/a-colombia-sob-a-pressao-de-criminosos-73011

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/colombia/lemoine_parte_2.html

Colômbia sob a pressão de "criminosos de paz" (1)

por Maurice Lemoine [*]
 
 
… os dois homens [Macron e Duque], infelizmente, não tiveram tempo de evocar os 7 milhões de deslocados internos colombianos, nem os 462 dirigentes sociais, comunitários, indígenas, camponeses e defensores dos direitos humanos assassinados no país, de janeiro de 2016 a fevereiro de 2019 (incluindo 172 em 2018), a crer no Provedor de Justiça (Ombudsman) Carlos Negret, nem os 133 ex-guerrilheiros executados (assim como 34 membros das suas famílias), depois de haverem deposto as armas, confiantes na palavra do Estado.

Jesus Santrich. Em visita oficial à França, o presidente colombiano, Iván Duque, foi recebido, em 19 de junho, no Palácio do Eliseu. Na ocasião, o presidente Emmanuel Macron recordou o empenhamento de Paris no pleno êxito dos acordos de paz, assinados em 24 de novembro de 2016, entre o poder e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), "acordos financeiramente apoiados numa base bilateral, com a intermediação da União Europeia", realçou ele. No que lhe diz respeito, Duque evocou sobretudo "a sua preocupação com as consequências na Colômbia da crise migratória venezuelana". Em linha com o seu interlocutor – Paris e Bogotá reconheceram o "imaginário presidente" venezuelano, Juan Guaido, e invocaram o Tribunal Penal Internacional (TPI) para julgar o legítimo chefe de Estado, Nicolás Maduro, que, obstinadamente, se recusa a deixar-se derrubar – Macron anunciou que a França irá duplicar este ano sua contribuição para o Alto Comissariado da ONU para os refugiados (ACNUR) e para o Comité Internacional da Cruz vermelha (CICV), colocando sobre a mesa 1 milhão de euros para ajudar os migrantes e deslocados venezuelanos.

Com uma agenda manifestamente muito carregada, os dois homens, infelizmente, não tiveram tempo de evocar os 7 milhões de deslocados internos colombianos [1] , nem os 462 dirigentes sociais, comunitários, indígenas, camponeses e defensores dos direitos humanos assassinados no país, de janeiro de 2016 a fevereiro de 2019 (incluindo 172 em 2018), a crer no Provedor de Justiça (Ombudsman) Carlos Negret, nem os 133 ex-guerrilheiros executados (assim como 34 membros da sua família), depois de haverem deposto as armas, confiantes na palavra do Estado [2] .

Para não deixar o campo aberto a uma possível e leve sensação de desconforto, o ministro da Transição Ecológica, François Henri Goullet de Rugy ("macronista" de fresca data, tendência "o verde está no fruto"[3] ), assinou um acordo bilateral de cooperação para a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais com o seu homólogo Ricardo Lozano, que fazia parte da delegação colombiana. Também aí, por uma questão de equilíbrio e de não ingerência nos assuntos internos de um Estado soberano, foi assumido não mencionar a autorização dada por Bogotá para a exploração não convencional, por fraturação hidráulica (" fracking "), do petróleo e do gás de xisto presentes no subsolo colombiano; as primeiras experiências vão arrancar continuamente em 33.915 quilómetros quadrados, nos departamentos de Santander, César, Bolívar e Antioquia [4] . Caro ao presidente francês – como este recordou por ocasião da assinatura de um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) – a implementação do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas encontrar-se-á, sem dúvida, muito facilitado...

Paradoxalmente, foi dos Estados Unidos que, para o presidente de extrema-direita Iván Duque, vieram as contrariedades. Com efeito, em 18 de maio, numa manchete de uma " primeira página " muito notada, o New York Times afirmou: "As novas ordens do exército colombiano para matar preocupam"[5] . Baseada em documentos oficiais e testemunhos anónimos de oficiais de alta patente, a investigação revelou as instruções do comandante-em-chefe das forças armadas nomeado por Duque, em dezembro de 2018, o general Nicacio Martínez, exigindo das suas tropas que duplicassem o número de "capturas" e de "eliminação de criminosos". A injunção recorda a sinistra prática dos "falsos positivos" que, para "fazer número", levaram à execução de civis apresentados como guerrilheiros mortos em combate – 2.248 vítimas, entre 1988 e 2014 (oficialmente), dos quais, mais de 90% durante os dois mandatos do mentor de Duque, Álvaro Uribe (2002-2010).

Sob o fogo da justiça, em relação a 283 destas execuções extrajudiciais, nos departamentos de Cesar e da Guajira, entre outubro de 2004 e janeiro de 2006, a 10.ª Brigada Blindada tinha então como Vice-comandante e Chefe do Estado Maior... Nicacio Martínez (nomeado depois por Duque às mais altas funções, bis repetita ).

Percebendo uma possível reprovação internacional, o Exército suspendeu essa diretiva dois dias após a revelação do New York Times (NYT). Todavia, o "incidente" não terminou aí. Depois de o ministro da Defesa, Guillermo Botero, ter denunciado o artigo como estando "cheio de incoerências", foi desencadeada uma feroz caça às bruxas dentro das unidades militares para encontrar, ameaçar e punir os responsáveis por aquelas revelações. Os dois colaboradores do NYT, o jornalista Nicholas Casey e o fotógrafo Federico Ríos, foram objeto de violentas rajadas de declarações agressivas – incluindo as do senador e ex-presidente Uribe, ou da senadora María Fernanda Cabal (esposa de José Felix Lafaurie, presidente da Fedegan, a poderosa federação de latifundiários, os principais beneficiários das terras arrancadas aos camponeses por paramilitares) – e insultados, acusados e, até, ameaçados de morte nas redes sociais, pelo que tiveram de deixar o país por razões de segurança.

Tendo feito de Duque um de seus principais comparsas na Organização dos Estados Americanos (OEA) para desestabilizar a Venezuela, Donald Trump, em 6 de maio de 2019, nomeou embaixador em Bogotá, Philip Goldberg, diplomata expulso da Bolívia em 2008, pelo seu papel numa violenta tentativa de derrubar o presidente Evo Morales. Isto é simbólico. Para não dizer um programa. No entanto, por vezes acontece que os Estados Unidos restringem com uma mão o que estimulam com a outra. Sobretudo em período eleitoral! Os oponentes a um segundo mandato de Trump lançam-se assim contra os aspetos mais absurdos de sua política – matéria que não falta, no caso da América Latina em geral e da Colômbia em particular.

É assim que, em 29 de maio, preocupados com a viragem dos acontecimentos, com o apoio da Casa Branca, setenta e três membros democratas do Congresso norte-americano apresentaram uma carta aberta muito crítica ao secretário de Estado, Mike Pompeo, pedindo-lhe para pressionar Duque, com o objetivo de deixar de pôr em causa os Acordos de Paz. De onde, reforçando essa acusação, um outro editorial do New York Times – "Colombia's peace is too precious to abandon" ("A paz na Colômbia é preciosa demais para ser abandonada") –, os média e o pessoal político (neste caso democrata), sob a cobertura de informação independente, seguem muitas vezes de mãos dadas.

Por que se havia de duvidar... É também o NYT, embora muito pouco alinhado com Caracas, que atirou uma pedra ao charco, confirmando, com atraso, o que um punhado de jornalistas independentes clamava no deserto: no espetáculo que pretendia fazer entrar "ajuda humanitária" na Venezuela, desde Cúcuta (Colômbia), em 23 de fevereiro, foram partidários do "fantoche" Guaido – e não as forças de segurança "de Maduro" – que incendiaram um camião da caravana de "benfeitores da humanidade um sítio da"; Web , libertário-conservador, o PanAm Post , revelou-lhe a corrupção dos "representantes" de Guaido, que, no lado colombiano da fronteira, desviaram dezenas de milhares de "dólares humanitários", teoricamente destinados a essa generosa operação; por sua vez, a CNN em espanhol confirmou a tentativa de assassinato do presidente Nicolás Maduro, com a ajuda de dois drones carregados de explosivos, em 4 de agosto de 2018, entrevistando na Colômbia, onde vive em completa tranquilidade, um dos participantes neste magnicídio falhado (por pouco). Tantas ações escabrosas e pesados fracassos imputáveis à política de Trump e dos seus falcões, Mike Pompeo, John Bolton (assessor de segurança nacional) e Eliott Abrams ("enviado especial" à Venezuela), que, como os seus comparsas venezuelanos, saem ridicularizados. Daí algumas revelações, mas a ofensiva contra Caracas continua noutros campos.

Porém, notar-se-á incidentalmente – desculpe-se este aparte! - que essas fugas dos média livres raramente excedem um razoável limite. Como testemunha um edificante episódio, relatado (28 de junho de 2019) por Daniel Espinosa, no semanário peruano Hildebrandt en sus trece. Em 15 de junho, o NYT publica um artigo revelador sobre a escalada de "ataques cibernéticos" realizados pelos Estados Unidos contra... a rede elétrica russa (o que, entre parênteses, reforça as suspeitas causadas pela gigantesca falha de energia que, recentemente, paralisou a Venezuela). Como é seu hábito e num instante, Trump atira-se por Tweet ao New York Times: a difusão desta informação constitui "um virtual ato de traição". Em relação ao que, com grande candura, o departamento de comunicação do "órgão de comunicação (muito) independente" responde e revela: "Nós submetemos este artigo ao governo, antes da sua publicação. Como o mencionamos na nota, os oficiais de segurança nacional de Trump disseram-nos que não havia problema"...

Nas circunstâncias, e o que quer que se pense destas relações, adversas ou incestuosas, consoante o momento, o atual conluio "antiTrump" tem apenas aspetos negativos. Porém, há todos os motivos para nos preocuparmos com uma aliança ainda mais mortífera: a da extrema direita colombiana e do Partido Republicano Americano.

Em fevereiro de 2019, Duque apresentou a sua nova política de defesa e segurança: esta interdita, a partir de agora, as tréguas bilaterais no quadro do conflito armado interno, que continua a opôr o Estado ao Exército de Libertação Nacional (ELN), histórica guerrilha ainda em atividade. Uma medida perigosamente contraproducente para o relançamento de uma possível "negociação", atualmente congelada, especialmente quando se observa que, desde a sua chegada ao poder, Duque está a fazer tudo para rasgar os compromissos assumidos em nome do Estado pelo seu antecessor, Juan Manuel Santos, quando ele concretizou o fim do conflito com as FARC. Um terrível precedente. E, acima de tudo, representa o assassinato de um Prémio Nobel!

O quinto ponto do Acordo de Paz, assinado em 24 de novembro de 2016, no teatro Colón de Bogotá, previa um "sistema de justiça, verdade, reparação e não repetição", incluindo uma jurisdição especial para a paz, que o Congresso colombiano aprovou, em 27 de novembro de 2017.

"Ni trizas ni rizas!" ("nem rompimentos nem regozijos"). Fortalecido pela consulta popular, durante a qual, em 2 de outubro de 2016, após uma intensa campanha orquestrada pelo ex-presidente Uribe, 50,2% dos eleitores se pronunciaram contra o texto original dos Acordos, Duque, antes mesmo de sua eleição, e seguindo à letra as imprecações do seu mentor, nunca escondeu a sua intenção de retornar à espinha dorsal do dispositivo: a Justiça Especial para a Paz (JEP). Implementada, ela faria suar mais do que um membro do "establishment". Originalmente, deveriam comparecer perante ela trinta e oito magistrados, 13.000 ex-guerrilheiros (que respeitam este compromisso e estão prontos a assumir as suas responsabilidades), polícias e militares, assim como atores comprometidos da sociedade dita "civil" – empresários ligados ao financiamento do paramilitarismo e agentes (não membros da força pública) do Estado. Com, como possível castigo, sentenças de restrição da liberdade (mas sem prisão) de cinco a oito anos – ou, mesmo, de vinte anos de prisão efetiva para quem, autor dos mais graves abusos, tentasse subtrair-se à revelação da verdade.

Crimes de guerra, crimes contra a humanidade... Eles bem puderam dar-se ares de segurança, Álvaro Uribe e os seus não quiseram ir longe. Já em setembro de 2017, o muito "uribista" Procurador Geral da República, Néstor Humberto Martínez, se recusou a cooperar com a procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, e a entregar-lhe os relatórios e documentos por ela solicitados. Ela mostrou-se muito irritada (mas sem grandes consequências). Os mesmos lutam, desde então, como o diabo numa pia de água-benta, para bloquear o outro canal de acesso às atrocidades sob o terrorismo de Estado, aberto pela JEP.

Com efeito, desejando beneficiar das adaptações das suas penas em troca da verdade devida às vítimas, mais de 300 paramilitares pedem para comparecer perante a jurisdição, para revelar o seu papel e o dos setores políticos que financiaram e promoveram o seu movimento. Pelas mesmas razões, 1.914 militares, incluindo cinco generais e vinte coronéis, alguns dos quais fortemente condenados (por "falsos positivos" ou ligações ao paramilitarismo), apresentaram-se à JEP para beneficiar dos seus mecanismos, resultando da sua confissão e das suas revelações penas muito inferiores às da justiça ordinária (sabendo-se que eles não podiam ter acesso à JEP, antes de terem passado pelo menos cinco anos na prisão).

Um grande passo para repor a verdade, mas um pesadelo para os seus superiores e os seus patrocinadores, os "assassinos de colarinho branco". Razão pela qual o presidente Duque declarou a sua intenção de reformar alguns artigos da lei-chave.

A tentativa de desmantelamento da instituição criada para julgar e mostrar ao país a realidade de um conflito sangrento, com mais de cinquenta anos, não é de hoje. Já em 13 de julho de 2018, após uma longa passagem pelo Congresso, o Tribunal Constitucional eliminou a possibilidade da JEC convocar civis –, ficando apenas autorizada uma comparência "voluntária" destes. Depois de uma sentença (570 páginas) obrigar um não-combatente a comparecer perante este tribunal, tal passaria a ser "contrário à Constituição", porque afasta o juiz natural do processo civil, que é a justiça ordinária. Esta, além disso, na pessoa do Procurador Geral, Néstor Humberto Martínez, não deixou de expressar a sua hostilidade ao que considera como uma instância ilegítima. O confronto de poderes irá até ao questionamento, em setembro de 2018, da diretora dos Assuntos jurídicos da JEP, Martha Lucía Zamora, e de dois advogados e consultores, July Milena Henríquez e Luis Ernesto Caicedo Ramirez, acusados de "aconselhar e proteger" antigos combatentes das FARC. A alta funcionária será empurrada para a demissão.

Finalmente remetida pelo Tribunal Constitucional ao Congresso, em dezembro de 2018, para que seja assinada pelos presidentes da Câmara e do Senado, encarregados de a remeter, de seguida, ao Chefe de Estado, a lei estatutária da JEP não terminou assim o seu percurso de combate. Enquanto Duque diz que levará "todo o tempo necessário" para a ratificar, o seu assessor para a paz, Miguel Antonio Ceballos, precisa que o governo pretende "fazer objeção à lei" por "inconveniência" (literalmente: "inconveniente"). A única possibilidade que resta quando o Tribunal Constitucional julga uma lei conforme com a Constituição, a " objeção por inconveniência " permite ao Chefe de Estado modificá-la, parcial ou totalmente, devendo o Congresso decidir de seguida se aceita ou recusa a " objeção ". Por outras palavras, Duque tenta usar a sua maioria parlamentar para desrespeitar os Acordos e a decisão do Tribunal Constitucional, instância suprema que lhe coloca areia na engrenagem.

É, então, em 10 de marco de 2019, num discurso televisionado que Duque anunciou, efetivamente, a sua intenção de alterar seis dos cento e cinquenta e nove artigos que regulam a JEP, dos quais um, altamente sensível, se refere à extradição dos ex-guerrilheiros. Um tema tanto mais delicado quanto, no quadro de um caso particularmente " arrevesado " e altamente significativo, os Estados Unidos reclamam especificamente a extradição de um dos mais prestigiados ex-comandantes das FARC, Seuxis Paucias Hernández Solarte, mais conhecido sob o nome de guerra que usava no comando do Bloco do Caribe: " Jesús Santrich ". Intelectual, sofrendo de cegueira, ele dirigia aí, essencialmente, as ações de agitação e de propaganda, mais do que as operações estritamente militares da oposição armada.

Em Havana, de outubro de 2012 a agosto de 2016, Santrich foi um dos mais duros negociadores das FARC frente aos emissários de Juan Manuel Santos. Excelente orador, brilhante analista, ele deve ocupar uma das dez cadeiras do Congresso (cinco membros, cinco senadores) reservadas, durante duas legislaturas, aos dirigentes da Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) –, novo nome da guerrilha transformada em partido político, conforme acordado no final das conversações. No entanto, em 9 de abril de 2018, foi preso com base numa circular vermelha da Interpol, emitida pelo Tribunal Federal do distrito sul de Nova York, acusado de " conspiração ", pelo envio de dez toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

A prova (que não prova grande coisa): uma foto alegadamente tirada em 8 de fevereiro de 2018, enquanto Santrich estava supostamente a " negociar " a expedição para o Norte do carregamento de cerca de US $ 15 milhões, com um agente " infiltrado " da Administração de Repressão da Droga (DEA, os " stups " [estupefacientes – NT] dos EUA) e alguns cúmplices – incluindo um certo Marlon Marín, sobrinho de Iván Márquez (o principal negociador das FARC em Havana).

Curiosa maneira de conspirar discretamente com perigosos narcotraficantes: o sulfuroso encontro teve lugar na casa de Santrich, vigiado e protegido em permanência pela polícia, por causa da personalidade sensível do seu habitante! Num vídeo produzido ulteriormente, veem-se os mesmos " verdadeiros-falsos narcotraficantes " a discutir e a entregar um documento ao ex-guerrilheiro. Detalhe que mata: nós mencionamos que Santrich é cego. Alguém poderia oferecer-lhe a Bíblia, fazendo-o acreditar que é o Alcorão. Nenhum som permite ouvir as palavras " cocaína ", " branco ", " droga ", " narcótico ", " cheiro ", " carga " ou algum outro calão aproximado.

Contudo, o conteúdo da acusação não deixa de ser muito sério. Santrich protesta a sua boa fé. Tendo-se apresentado como o sobrinho de Iván Márquez, Marlon Marín inspirava-lhe confiança. Ele e os outros, incluindo o provocador da DEA, falavam nesse dia sobre fundos para " um projeto produtivo, especificamente de fazenda agrícola, nas zonas onde os acordos da reforma rural deveriam ser implementados " destinados, entre outras coisas, à reintegração dos antigos combatentes. " Isso far-se-ia com funcionários do Ministério do Pós-conflito, inclusive com o doutor [Rafael] Pardo[6] ".

A acusação permanece, avançada pela toupeira dos stups  americanos e Marlon Marín (imediatamente extraditado para os Estados Unidos, onde vive como " testemunha protegida " sem ter, em qualquer momento, testemunhado perante a justiça colombiana): misturado com a Venezuela (forçosamente!) e o cartel de Sinaloa, no México, Santrich não é nada além de um vulgar narcotraficante.

Seja qual for o lado por que se lhe pegue e com toda a necessária prudência, esta história " fede " a provocação. E, depois, a evidente vontade do Centro Democrático (partido de Uribe e Duque), da Procuradoria de Néstor Humberto Martínez e das turbulentas organizações de Washington de descartar um temível opositor, torpedear moralmente as FARC e quebrar o impulso dos partidários da paz.

Mesmo do ponto de vista legal, o processo usado para prender Santrich é proibido na Colômbia. No mundo da espionagem, existem dois tipos de operações: a do agente clandestino (" undecover agent "), que se infiltra numa organização para aí recolher informações; e a do agente provocador, que engana a sua presa (" entrapmen t") e incita-a a cometer um delito. Amplamente utilizada nos (e pelos) Estados Unidos, esta última técnica foi proibida na Colômbia pelo artigo 243 do Código de Processo Penal e por, pelo menos, duas sentenças do Tribunal Constitucional (C-176, de 1994 e C-156, de 2016) [7] .

Esta grosseira violação da lei não impede Juan Manuel Santos, então presidente, de justificar a prisão como " necessária para tornar credível um Acordo de Paz que os colombianos acreditam ter sido excessivamente generoso com os rebeldes " e de esclarecer: " A minha mão não tremerá para autorizar a extradição ".

" Antes morrer do que apodrecer numa cadeia nos Estados Unidos ", reagiu Santrich. Ele inicia uma greve de fome, em abril-maio de 2018, que durará 43 dias.

A partir daí tem início uma batalha legal para saber quem deve decidir do seu destino. Se o delito, o crime ou a " conspiração " destinada a cometê-los ocorreram até à entrada em vigor dos acordos de paz (1 de dezembro de 2016), a JEP é competente e, conforme especifica a lei, qualquer extradição está excluída. Se ocorreram posteriormente, a justiça ordinária toma conta do alegado delinquente, com todas as suas possíveis consequências (incluindo uma viagem gratuita e sem fim às infernais prisões americanas). Sabendo-se que as duvidosas provas apresentadas (foto e vídeo) não permitem determinar a data exata da " conspiração ". Mesmo se, neste ponto, Santrich nunca tivesse mantido qualquer ambiguidade: a reunião suspeita ocorreu " depois " da data charneira –, o verdadeiro problema reside no facto de se tratar de uma manipulação destinada a difamá-lo, para o esmagar.

Em 20 de junho de 2018, a JEP considera-se competente para julgar o caso. Há linchamentos no ar: negro de raiva, Néstor Humberto Martínez acusa a jurisdição " concorrente " de " ameaçar a ordem constitucional ". Tenaz como a varíola, recusa duas vezes o pedido de  habeas corpus  apresentado pela Santrich. A tomada de posse oficial de Duque, a 7 de agosto, aumenta a energia. À JEP, que lhe pediu o dossiê de extradição do ex-guerrilheiro, ele enviou, em setembro, presumíveis provas diferentes daquelas que a justiça norte-americana alegadamente dispõe (sem nunca as ter comunicado aos colombianos). O que leva uma comissão rogatória da JEP a reclamá-las a quem de direito, através do Ministério da Justiça (colombiana) e do Departamento de Estado (americano). Sem resultado. No início de fevereiro de 2019, o embaixador dos EUA, Kevin Whitaker, contentou-se em afirmar: " Até agora, não recebemos nada do governo [colombiano] sobre este assunto ".

O muito mau folhetim torna-se ridículo (ou obsceno, conforme): quando está a terminar o prazo de quarenta dias concedido pela JEP ao Ministério da Justiça para lhe remeter as provas que os Estados Unidos dispõem contra Santrich, a ministra Gloria María Borrero anuncia descobrir " com surpresa " que a solicitação oficial, uma " carta ordinária " enviada a Washington  através  do serviço postal público 4-72, se perdeu... no Panamá [8] .

Ao mesmo tempo, e na esperança de deslegitimar a tão incómoda JEP, os duvidosos métodos da DEA fazem das suas. Em março, no bar do luxuoso hotel JW Mariott, situado na " zona rosa ", bairro financeiro e de entretenimento do norte de Bogotá, a polícia prende em flagrante delito um juiz da JEP, Carlos Julio Bermeo. Acabava de receber uma primeira parcela de 40.000 dólares dos 500.000 que lhe prometeram para " adulterar " o dossiê de Santrich, para evitar a sua extradição. Corrompido em potência e perfeito " pombo ", Bermeo nunca duvidou que estava a lidar com um agente provocador da... Procuradoria colombiana [9] .

Quando os fundamentos do " show " são descobertos, o procurador que os musicou justifica os métodos utilizados e afirma que se deve considerar como " normal " que o procurador-geral Néstor Humberto Martínez tenha autorizado a utilização dos 500.000 dólares, assinando uma resolução a permitir retirá-los dos " fundos especiais " da Procuradoria.

As provas solicitadas aos Estados Unidos nunca chegarão. E como o seu homólogo Trump, Duque vai sempre " mais além ". Claramente preocupada, a Missão de verificação da ONU na Colômbia exige que seja respeitado " integralmente, o Acordo de paz assinado com as FARC ". Em 8 de abril, apesar da presença omnipresente no hemiciclo de um furioso Néstor Humberto Martínez e das pressões do novo embaixador norte-americano, Kevin Whitaker, a Câmara dos Deputados rejeita as " objeções " do Chefe de Estado, com uma clara maioria de 110 vozes contra 44. A sua derrota acentua-se quando o Senado vota no mesmo sentido, no início de maio.

De costas voltadas, o Centro Democrático e os seus aliados contestam falsamente o resultado da última votação – faltaria "uma voz" – e pedem ao Tribunal Constitucional para resolver. Este último apenas destaca o óbvio, em 29 de maio: um quórum de 93 senadores foi convocado para votar e 47 rejeitaram as "objeções" – estas foram rejeitadas. O braço de ferro inclina-se, cada vez mais, contra o governo.

Em 15 de maio, a Jurisdição Especial para a Paz anunciou que recusava o pedido de extradição de Santrich: "As provas apresentadas pela Procuradoria dos EUA não permitem afirmar [que este] fez tráfico de droga depois da entrada em vigor do Acordo de paz". Por outro lado, considerou a sentença, "os membros da DEA [que desenvolveram a provocação] não foram legalmente autorizados pela Procuradoria colombiana, que teria podido (e devido) fazê-lo, através dos mecanismos existentes em matéria de cooperação judiciária". Por outras palavras: os "serviços" ianques acreditam que podem atuar na Colômbia como num país conquistado.

O Tribunal Constitucional está agora a caminhar no mesmo sentido. Depois de treze longos meses de encarceramento, decide ele, Santrich deve ser libertado! Acusando a JEP de "desafiar a ordem jurídica" e "ameaçar a democracia", o procurador-geral Néstor Humberto Martínez anuncia espetacularmente a sua demissão e apela aos cidadãos " para se mobilizarem com determinação no restabelecimento da legalidade e da defesa da paz ". A ministra da Justiça, Gloria María Borrero segue-o. Na sua missão alinhar com os descontentes, Washington anula o visto a um membro (John Jairo Cárdenas), que denunciou publicamente a ingerência do embaixador Kevin Whitaker, e anunciou sanções contra três juízes – dois do Tribunal Constitucional (Antonio José Lizarazo, Diana Fajardo) e um do Supremo Tribunal de Justiça (Eyder Patiño).

Decidida em 13 de maio, a libertação da Santrich arrasta-se inexplicavelmente, obrigando a defesa a apresentar um novo  habeas corpus . Ainda foi preciso esperar até ao dia 17 para que o ex-guerrilheiro deixasse a prisão de alta segurança de La Picota, em péssimo estado, numa cadeira de rodas. E, golpe de teatro, é recapturado dez minutos depois, por ordem do Procurador. Tudo isto sem explicações. Dependendo das suas opiniões, este golpe de teatro entusiasma, petrifica ou escandaliza os colombianos. Mas só mais tarde se poderá reconstituir a cadeia de acontecimentos.

A ordem para libertar o ex-guerrilheiro entregue pela JEP às autoridades do Instituto Nacional Penitenciário e Prisional (INPEC) chegou a 17 de maio, às 9h. Nada acontece, nenhuma autoridade aparece. Em todo o lado farfalham as conversas, o " diz que disse ". Desde o dia 13, o ex-presidente Uribe dispara em todas as direções. De acordo com o que espalha aos quatro ventos, Santrich vai ser transferido para a base do Comando aéreo de transporte militar (CATAM), próxima do aeroporto internacional el Dorado, de Bogotá, entregue à DEA e enviado  manu militari para os Estados Unidos. Hipótese confirmada quando, vindo das altas esferas, surgiu um pequeno ruído: Duque vai decretar o Estado de comoção interna e, efetivamente, entregar o detido [10] .

(continua)
Notas
[1] Segundo a Agência das Nações Unidas para os refugiados, 7,4 milhões, em março de 2017, www.unhcr.org/fr/...
[2] Ao ritmo de (no mínimo) duas ou três vítimas por semana ; estes números aumentaram consideravelmente depois desta contagem.
[3] www.lepoint.fr/...
[4] Uma das principais consequências da fraturação hidráulica é a poluição das águas e dos solos. Alguns pesquisadores acreditam que ela poderia estar relacionada com terremotos, deslizamentos de terras e outras atividades sísmicas. Outros evocam sequelas sanitárias, por vezes importantes para as populações locais.
[5] www.nytimes.com/...
[6] Ministro da Defesa durante o mandato do presidente César Gaviria (1990-1994), Pardo tornou-se um alto conselheiro para o pós-conflito, os Direitos do Homem e a Segurança, em novembro de 2015.
[7] Semana, Bogotá, 3 de junho de 2019.
[8] Em 2006, alegando "problemas financeiros", a Administração postal nacional (Adpostal) foi liquidada pelo governo colombiano. Em sua substituição, criou o 4-72, a atual rede pública.
[9] O advogado Bermeo apresentou-se às eleições regionais, em 2015, no Departamento de Cauca, apoiado pelo partido  Opção cidadã , do ex-senador Luis Alberto Gil, condenado em 2011 (saiu da prisão em 2013) pelas suas ligações ao paramilitarismo. Também envolvido na provocação ligada ao "dossiê Santrich", Gil foi preso ao mesmo tempo que Bermeo, que estava a acompanhar.
[10] Na Colômbia, sem dissolver o Congresso nem suspender (teoricamente) as liberdades fundamentais, o "Estado de comoção interna" (Estado de sítio) permite ao governo legislar por decreto e suspender a aplicação de certas leis.

Ver também:

 

[*] Jornalista.

O original encontra-se em www.medelu.org/La-Colombie-sous-la-coupe-des-criminels-de-paix
e a tradução em pelosocialismo.blogs.sapo.pt/colombia-sob-a-pressao-de-criminosos-72498

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/colombia/lemoine_parte_1.html

Assassinados dois guardas indígenas no Norte do Cauca

A Provedoria de Justiça colombiana confirmou este sábado a morte dos 2 indígenas. O desrespeito pelos direitos dos povos originários na Colômbia esteve em destaque esta semana na sede do CPPC, em Lisboa.

O departamento do Cauca continua a ser um dos mais violentos da Colômbia, registando-se ali inúmeros ataques a dirigentes sociais, defensores dos direitos humanos e membros dos povos origináriosCréditos / Semana

O provedor de Justiça da Colômbia, Carlos Negret, confirmou o homicídio de dois indígenas, na sequência de um ataque de um grupo armado ilegal no município de Caloto, no departamento do Cauca, considerado um dos mais violentos do país. Outros cinco indígenas foram atingidos a tiro.

De acordo com a Asociación de Cabildos Indígenas del Norte del Cauca (Acin), o ataque ocorreu na via principal de Caloto depois de um grupo de guardas indígenas ter sido alertado pela população do município para a colocação de engenhos explosivos.

Os indígenas assassinados são Eugenio Tenorio Yosado, de 46 anos, e Kevin Ademir Mestizo, de 23, revelou a Acin num relatório clínico, noticia a TeleSur.

A onda de assassinatos em comunidades indígenas da Colômbia levou a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) a declarar o estado de «emergência humanitária, social e económica em todas as localidades indígenas» do país andino-amazónico.

A organização denuncia que, desde a assinatura do acordo de paz, em 2016, entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), 158 indígenas foram assassinados no país.

«Minca em defesa da vida» em Lisboa

A sede do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), em Lisboa, acolheu, no passado dia 7, a iniciativa «Minca em defesa da Vida», promovida pela associação Colombianos pela Paz, com o apoio do Fórum Indígena de Lisboa e do CPPC, segundo revela este organismo na sua página de Facebook.

No encontro, que contou com a participação e a intervenção de Abel Coicué, dirigente da comunidade Nasa e exilado político, «foi denunciado o consecutivo desrespeito, por parte do governo colombiano, pelos direitos reconhecidos constitucionalmente à população indígena» naquele país, «com ataques que passam pela violência contra as populações, pela perseguição judicial e mesmo por inúmeros e frequentes assassinatos de líderes sociais», lê-se na nota publicada pelo CPPC.

Tanto no testemunho de Coicué como no documentário exibido na ocasião – Sangre y Terra, de Ariel Arango Prada (2016) – esteve patente a repressão contra a população indígena e, em simultâneo, a sua resistência e luta pelo direito de «usufruírem das suas terras e procurarem um desenvolvimento sustentável que respeite a "Mãe Terra", recusando nestes territórios a presença do grande agronegócio», com as suas «práticas destrutivas».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/assassinados-dois-guardas-indigenas-no-norte-do-cauca

Três dirigentes assassinados em quatro dias no departamento colombiano do Cauca

Considerado um dos departamentos mais violentos da Colômbia, o Cauca continua a ser notícia por esse facto, tendo sido registados, nos primeiros dias de Agosto, os assassinatos de três dirigentes sociais.

Dois indígenas e um dirigente agrícola foram assassinados no departamento do Cauca (Colômbia) nos primeiros dias de AgostoCréditos / Acin

Enrique Guejia Meza, médico e autoridade indígena do conselho Tacueyó, foi morto a tiro na madrugada deste domingo, na vereda La Luz do município de Toribío, informou a Asociación de Cabildos Indígenas del Norte del Cauca (Acin).

«Dirigia-se para sua casa, na vereda La Playa, com um familiar, […] de motorizada, e homens armados dispararam contra ele, provocando-lhe a morte», explicou a associação, que pediu «alerta máxima a todas as autoridades» e reiterou «o apelo à comunidade nacional e internacional para reforçar o apoio ao povo Nasa neste momento» e exigir ao «Estado colombiano que assuma as suas responsabilidades», indica a Prensa Latina.

A Acin lembrou ainda que este assassinato foi executado por sicários, tal como ocorreu na passada quinta-feira, dia 1, com Gersain Yatacue, guarda indígena Kiwe Thegnas e coordenador da vereda San Julián, também no município de Toribío. De acordo com El Espectador, Yatacue foi morto a tiro por desconhecidos quando ia para casa.

No sábado, 3 de Agosto, foi assassinado José Eduardo Tumbó, defensor dos direitos humanos, dirigente agrícola e sindicalista. Tumbó, de 34 anos, membro da Junta de Acção Comunal da vereda El Vergel e da Asociación Campesina de Caloto, foi atingido por vários disparos quando passava no município de Corinto.

O Conselho Regional Indígena do Cauca denunciou o aumento dos assassinatos, das ameaças, das acusações e perseguições contra quem constrói a paz na Colômbia, refere a Prensa Latina. «Comunicamos à comunidade nacional e internacional as contínuas e sistemáticas ameaças àqueles que apostam na paz, que têm vindo a ser alvo das autoridades, e à guarda indígena no Norte do Cauca, do mesmo modo que às comunidades de agricultores, que trabalham em prol da sociedade», sublinhou.

Provedoria de Justiça: mais de 1350 dirigentes sociais ameaçados de morte

Recentemente, o Provedor de Justiça da Colômbia, Carlos Negret, afirmou que há mais de 1350 dirigentes sociais, defensores do ambiente, lutadores pela paz ameaçados de morte na Colômbia, tendo acrescentado que, nos últimos quatro meses, foram mortos quase 300 dirigentes sociais no país andino.

De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), entre 1 de Janeiro de 2016 e 20 de Julho de 2019, foram assassinados na Colômbia 738 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos – 627 desde a assinatura do acordo de paz firmado entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP).

O departamento com mais casos de assassinatos continua a ser o do Cauca, seguido dos de Nariño, Valle del Cauca, Antioquia e Norte de Santander. Em meados de Julho, o partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) alertava para a existência de um «plano de extermínio» dos ex-combatentes das FARC-EP, tendo afirmado que mais 140 foram assassinados.

A situação não conheceu melhorias com Iván Duque, actual presidente colombiano, e, no passado dia 26 de Julho, milhares de colombianos vieram para as ruas de diversas cidades do país para dizer «basta» aos assassinatos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/tres-dirigentes-assassinados-em-quatro-dias-no-departamento-colombiano-do-cauca

FARC alerta para «plano de extermínio» de ex-guerrilheiros na Colômbia

A Força Alternativa Revolucionária do Comum revelou esta quarta-feira que, desde o Acordo de Paz, foram assassinados 140 ex-combatentes e que o número pode aumentar, tendo em conta as ameaças recebidas.

Ex-combatentes farianos e dirigentes sociais continuam a ser ameaçados e assassinados na ColômbiaCréditosGustau Nacarino / theobjective.com

Carlos Alberto Lozada, senador e um dos líderes do partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC), deslocou-se esta quarta-feira à sede da Procuradoria-Geral da Colômbia, em Bogotá, onde denunciou a existência de um «plano de extermínio» que tem como alvo ex-combatentes das FARC-EP e dirigentes do partido FARC.

Lozada afirmou que o paramilitarismo não só não foi desmantelado pelo governo colombiano, como, pelo contrário, a sua presença aumentou. Criticou, além disso, a montagem de uma cenário, por parte do Estado, em que há «muitos carros blindados e esquemas», mas sem que tal se traduza em qualquer eficácia, indica a TeleSur.

À saída da instituição, Lozada disse aos jornalistas que as autoridades colombianas não estão em condições de garantir a vida dos ex-guerrilheiros farianos, de quem assinou o acordo de paz e faz parte desse processo, tendo ainda lamentado que os militantes do FARC não tenham todas as garantias para poder exercer a sua actividade política, mais ainda num ano de eleições – as municipais e regionais realizam-se a 27 de Outubro.

O dirigente do FARC disse também que entregou à Procuradoria uma «série de mensagens» que «andaram a circular» e que provam a existência de um plano para assassinar os ex-combatentes e dirigentes farianos, esperando que, com esse material, a instituição dê início a um processo de investigação.

«Nesses textos, há nomes muito concretos de dirigentes e, num contexto em que foram assassinados mais de 140 militantes do partido – dois deles na terça-feira –, consideramos que podemos estar a entrar numa nova etapa desta série de assassinatos», sublinhou.

Dois ex-combatentes farianos assassinados no Cauca

A ida do senador do FARC à Procuradoria-Geral da Colômbia ocorreu no dia seguinte aos assassinatos de mais dois ex-guerrilheiros, ambos no departamento do Cauca.

De acordo com o FARC, Luis Carlos Yunda foi morto a tiro, esta terça-feira, numa zona rural do município de Corinto. Horas antes, Weimar Galíndez Daza foi morto no município de El Tambo.

Eram ambos ex-combatentes das FARC-EP desmobilizados e participavam no processo de reintegração na vida civil. Os casos, que estão a ser investigados, puseram o FARC em «estado de alerta máximo», revela o portal Entorno Inteligente.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/farc-alerta-para-plano-de-exterminio-de-ex-guerrilheiros-na-colombia

Ex-guerrilheiro das FARC-EP assassinado por militares colombianos

O assassinato, perpetrado no departamento do Norte de Santander, foi denunciado por dirigentes do partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) e pela Associação Camponesa do Catatumbo.

Várias organizações denunciam a elevada militarização do território colombianosCréditos / Marcha Patriótica Valle del Cauca

Em comunicado, a Associação Camponesa do Catatumbo (Ascamcat) revela que os habitantes de Carrizal, no município de Convención, na segunda-feira à tarde, por volta das 17h, ouviram vários disparos e deram pela falta de Dimar Torres, ex-combatente das FARC-EP em processo de reintegração na vida civil e membro da Junta de Acção Comunal de Campo Alegre, na região do Catatumbo (departamento do Norte de Santander).

Apesar de o caso se encontrar sob investigação, tudo aponta para que o crime tenha sido cometido por uma patrulha do Exército colombiano, pois, quando os residentes de Carrizal foram à procura de Torres, depararam com «militares que se preparavam para enterrar o seu corpo numa vala comum».

De acordo com o diário local El Colombiano, circulam nas redes sociais vários vídeos relacionados com o crime, um dos quais mostra o corpo sem vida do ex-combatente das FARC-EP, que terá sido atingido com um tiro na cabeça, ao lado da sua motorizada.

A mesma fonte refere que o Exército anunciou o envio, para a região, de uma comissão interdisciplinar para investigar o caso, que também está a ser investigado no local pelo Ministério Público.

A Ascamcat questionou a «elevada militarização da região do Catatumbo» e lembrou as ameaças recentes a diversos camponeses da região por parte de militares. Por seu lado, dirigentes do partido FARC condenaram o assassinato, que qualificaram como um facto «extremamente grave», e exigiram garantias de segurança para os antigos guerrilheiros.

Quase 130 ex-combatentes farianos assassinados

Em declarações à imprensa referidas pela Prensa Latina, o senador Carlos Antonio Lozada, do FARC, confirmou que o crime foi perpetrado por uma patrulha do Exército. Exigiu ainda ao governo de Iván Duque que «garanta a vida dos militantes das FARC e ponha fim à campanha de estigmatização contra nós, que atiça os ódios e a impunidade».

O senador fariano lembrou que há poucos dias foi assassinado, no departamento de La Guajira, um bebé de sete meses, quando desconhecidos dispararam contra os seus pais, também ex-membros da guerrilha e que ficaram gravemente feridos.

O caso, que provocou grande consternação, foi condenado pelo director da Agência para a Reincorporação e Normalização da Colômbia, Andrés Stapper, que revelou que, desde a assinatura dos acordos de paz, em Novembro de 2016, foram assassinados mais de 128 ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo.

Violência crescente contra dirigentes sociais

Um relatório publicado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), conjuntamente com a Marcha Patriótica e a Cimeira Agrária, declara que, entre 1 de Janeiro de 2016 – ano da assinatura dos acordos de paz entre o governo e as FARC-EP – e 10 de Janeiro de 2019, foram assassinados na Colômbia 566 dirigentes sociais.

O documento precisa que, em 2016, foram assassinados 116 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos; em 2017, o número subiu para 191, e, no ano passado, para 252. Em meados de Abril, o Indepaz revelou que, em 2019, foram assassinados 50 dirigentes sociais – facto que classificou como um «massacre a conta-gotas».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/ex-guerrilheiro-das-farc-ep-assassinado-por-militares-colombianos

Mais um dirigente social assassinado em Tumaco, na Colômbia

Maritza Ramírez morreu esta quinta-feira, na sequência de um ataque sofrido dez dias antes em Tumaco, onde presidia a uma Junta de Acção Comunal. A região continua a ser dos «condenados da terra».

O narcotráfico e as disputas entre grupos armados criminosos fazem de Nariño um dos departamentos mais violentos da ColômbiaCréditos / Contagio Radio

De acordo com a informação divulgada pela Confederação Nacional de Acção Comunal, a vítima passou os últimos dez dias entre a vida e a morte, depois de ter sido brutalmente atacada em Aguas Claras, numa zona rural do município de Tumaco (departamento de Nariño), junto à fronteira com o Equador.

Maritza Ramírez Chaverra tinha 42 anos e era a presidente da Junta de Acção Comunal de Aguas Claras, onde desenvolvia projectos de substituição de cultivos de uso ilícito na região, refere a Prensa Latina.

O assassinato de Ramírez Chaverra vem juntar-se a uma lista que, desde 2016, tem vindo sempre a crescer. De acordo com um relatório publicado recentemente pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), conjuntamente com a Marcha Patriótica e a Cimeira Agrária, entre 1 de Janeiro de 2016 – ano da assinatura dos acordos de paz com a FARC-EP – e 10 de Janeiro de 2019 foram assassinados na Colômbia 566 dirigentes sociais.

O relatório do Indepaz precisa que, em 2016, foram assassinados 116 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos; em 2017, o número subiu para 191, e, no ano passado, para 252. Os departamentos do Cauca, Antioquia, Nariño e Valle del Cauca são os que registam um maior número de casos.

Tumaco é, de acordo com o Indepaz, o município colombiano com mais hectares plantados de coca – 20 mil –, sendo que as estimativas apontam 170 mil hectares de plantações em todo o território colombiano (o principal produtor de cocaína do mundo).

Ainda segundo o relatório do Indepaz, Tumaco (e o departamento de Nariño em geral) é uma das regiões mais violentas do país andino, o que em parte se deve à presença de grupos armados e à elevada prevalência do narcotráfico.

Aqueles que lutam pela implementação dos Acordos de Havana, nomeadamente no que respeita à questão central do conflito colombiano – a terra e os seus recursos – e ao programa acordado sobre a substituição de cultivos de uso ilícito, são frequentemente um alvo.

Na quarta-feira passada, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA, na sigla em inglês) alertou precisamente para a situação no município de Tumaco, onde mais de 700 pessoas, afrodescendentes e indígenas, correm o risco de serem deslocadas das suas comunidades, em virtude dos combates entre grupos armados de criminosos, informa o El Espectador.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-um-dirigente-social-assassinado-em-tumaco-na-colombia

Na primeira semana do ano 7 líderes sociais foram assassinados na Colômbia

O procurador-geral, Fernando Carrillo, classificou como «inadmissível» esta «escalada de crimes» contra líderes sociais no país. Com a desmobilização das FARC-EP, o «conflito interno» agudizou-se.

Familiares de dirigentes sociais e de defesores de direitos humanos assassinados exigem justiça e esclarecimento dos casosCréditos / semana.com

Apesar de todos alertas e recomendações, por parte de organismos nacionais e internacionais, a primeira semana de 2019 ficou marcada pelo assassinato de mais sete dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos na Colômbia.

O periódico El Espectador dava conta de seis assassinatos na passada segunda-feira: Jesús Adier Perafán (assassinado no departamento de Vale do Cauca); Gilberto Valencia (no Cauca); Wilmer Antonio Miranda (Cauca); José Solano (Antioquia); Wilson Pérez Ascanio (Norte de Santander); Maritza Quiroz (Magdalena).

Ontem, o procurador-geral colombiano, Fernando Carrillo, referiu-se a sete, tendo considerado um «fracasso os esquemas de protecção pessoal» do governo de Iván Duque.

A Procuradoria manifestou-se também preocupada pela disparidade dos números de assassinatos veiculados nas estatísticas. Se a Polícia Nacional afirma que os crimes perpetrados contra dirigentes sociais em 2018 foram 78, já o Sistema de Alertas Precoces da Provedoria [Defensor del Pueblo] afirma que foram 164 e o movimento Marcha Patriótica registou 252, revela a Prensa Latina.

Também ontem, a Comissão de Paz do Congresso da República manifestou uma grave preocupação pela «violência acentuada contra os líderes sociais» nos departamentos do Cauca, Chocó, Vale do Cauca, Caquetá, Norte de Santander, Antioquia, Córdoba, Cesar, Meta, Nariño, Sucre e Putumayo.

Numa nota emitida a este propósito intitulada «Os inomináveis: agentes do terror de Estado», o Exército de Libertação Nacional (ELN) sublinha que, ao contrário do que se esperava com a desmobilização das FARC-EP, o conflito interno se agudizou na Colômbia, sendo a disputa pelo acesso à terra e a defesa dos bens comuns os principais factores que contribuem para o aumento do genocídio, das deslocações [forçadas], das ameaças e das execuções extrajudiciais».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/na-primeira-semana-do-ano-7-lideres-sociais-foram-assassinados-na-colombia

Assassinado dirigente camponês colombiano na região do Catatumbo

De acordo com um representante da Associação Camponesa do Catatumbo, pelo menos 15 agricultores desta região do Nordeste da Colômbia foram assassinados durante o ano de 2018.

Os dirigentes sociais continuam a ser ameaçados e assassinados na ColômbiaCréditosGustau Nacarino / theobjective.com

José Antonio Navas, de 55 anos, foi assassinado ontem na vereda Miramonte, município de Tibú (departamento do Norte de Santander), por homens armados, que o atingiram com diversos disparos, revelou esta sexta-feira a Associação Camponesa do Catatumbo (Ascamcat).

Dirigente da Junta de Acção Comunal da Vereda El Líbano, na região do Catatumbo, Navas estava inscrito no Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS), defendia os acordos de paz e apoiava a criação de zonas de reserva camponesa, informou a Ascamcat na sua conta de Twitter.

Jhony Abril, membro desta associação, disse à imprensa que, este ano, pelo menos 15 dirigentes agrícolas na região do Catatumbo foram assassinados, acrescentando que outros dois escaparam ilesos a atentados e que dez receberam ameaças de morte.

Lembrou ainda o assassinato recente de outro dirigente da Ascamcat, Luis Tarazona, que no dia 8 de Novembro foi morto a tiro na zona rural do município de Tibú (departamento do Norte de Santander, junto à fronteira com a Venezuela).

Tarazona foi surpreendido por dois homens armados que seguiam de motorizada. A Organização das Nações Unidas condenou o assassinato, indica a TeleSur.

Consternação e denúncia

Diversas organizações vieram a público lamentar e denunciar o assassinato de José Antonio Navas. Um denominador comum às mensagens é a crítica ao Estado colombiano e ao presidente do país, Iván Duque, que é acusado pela Agencia Prensa Rural de nada fazer para travar «a matança» na Colômbia ou a quem a Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) exige, pela voz de diversos dirigentes, que tome medidas.

Recentemente, a Marcha Patriótica, a Cimeira Agrária, Étnica e Popular e o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) apresentaram uma actualização dos dados que divulgaram em Maio deste ano, no relatório «Todos os Nomes – Todos os Rostos», sobre a situação dos dirigentes sociais, defensores dos direitos humanos e ex-combatentes das FARC-EP e seus familiares.

De acordo com o relatório, em 2016 – ano da assinatura dos acordos de paz – foram assassinados na Colômbia 116 «líderes sociais e defensores dos direitos humanos» e, em 2017, 191. Entre 1 de Janeiro e 17 de Novembro de 2018, foram assassinados 226, informa o relatório. Ou seja, em quase três anos foram assassinados 533 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos na Colômbia.

De acordo com a TeleSur, até hoje, 30 de Novembro, contando com o caso de José Navas, esse número sobe para 539.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/assassinado-dirigente-campones-colombiano-na-regiao-do-catatumbo

Colômbia ataca a Venezuela e anuncia saída da Unasul

Iván Duque informou que o seu país está de saída da Unasul. Para a jornalista Stella Calloni, a ofensiva contra a integração regional era «previsível» e responde a uma agenda traçada por Washington.

Sede da Unasul, em Quito (Equador)Créditos / corape.org.ec

O presidente da Colômbia, Iván Duque, anunciou esta segunda-feira a saída oficial do seu país da União das Nações Sul-americanas (Unasul), tendo afirmado que o ministro colombiano dos Negócios Estrangeiros, Carlos Holmes, enviou uma carta oficial ao organismo regional em que denuncia o seu tratado constitutivo e na qual comunica que a saída da Colômbia se efectivará no espaço de seis meses.

Ao explicar a decisão de retirar a Colômbia da Unasul, o presidente colombiano, acusou o organismo de ter sido criado para «fraturar o sistema interamericano» e de «servir como trunfo para os propósitos de uma ditadura», aludindo à República Bolivariana da Venezuela, segundo refere a RT.

Em linha com Miami, Washington e Bruxelas, Duque, candidato da extrema-direita que recentemente sucedeu a Santos como presidente da Colômbia, acusou ainda a Unasul de ter estado calada face à «forma brutal como o governo de Nicolás Maduro trata os cidadãos», não garantindo «as liberdades» dos venezuelanos.

Recorde-se que Maduro alertou em diversas ocasiões para a cooperação de Bogotá com Washington na ofensiva contra a Venezuela. Recentemente, acusou o governo colombiano de estar envolvido no atentado contra a sua pessoa, perpetrado em Caracas a 4 de Agosto último.

Há algumas semanas, Carlos Holmes tinha dito que estava num «processo de consultas» com países como a Argentina, o Peru e o Chile, que supostamente teriam intenções de «seguir o mesmo rumo», de acordo com a RT.

Esses três países integram o grupo de seis – os outros são o Brasil, o Paraguai e a Colômbia – que, em Abril deste ano, anunciaram a suspensão temporária nos trabalhos da Unasul, alegando problemas estruturais e internos no organismo, mas a manobra foi entendida como uma ofensiva lançada pela direita contra o bloco e a integração regional.

A Unasul foi criada em 2008 como um espaço de concertação com o propósito de construir uma unidade e uma cidadania sul-americanas, bem como o de reforçar a presença do bloco regional no cenário internacional.

Entrevistada pela TeleSur, a jornalista argentina Stella Calloni sublinhou a importância da Unasul como espaço de integração e resistência na região, mas considerou previsível a ofensiva em curso, considerando que responde a uma agenda traçada por Washington.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

O Novo Presidente da Colômbia: Dois Desafios

Iván Duque toma posse como Presidente da Colômbia e como Vice-Presidente Marta Lucía Ramírez, esta terça-feira, 7 de Agosto. De entre os vários desafios que enfrentará nos próximos quatro anos, dois poderão ser absolutamente definidores do seu desempenho no cargo: a sua relação com o ex-Presidente Álvaro Uribe e os processos de paz com as FARC-EP e com o ELN.

Um dos principais reptos para Duque é a sua ligação ao ex-Presidente e agora Senador Álvaro Uribe. Os juízos até agora sobre o novo inquilino da Casa de Nariño têm como foco a sua relação com Uribe. Este é a figura tutelar do Centro Democrático (direita), ao ponto dos que gravitam à sua volta serem apelidados de Uribistas. Foi ele o maior responsável pela ascensão política e vitória de Iván Duque. Antes de ter sido apontado como candidato pelo próprio Uribe, Duque era virtualmente desconhecido da maioria da população colombiana.

Para afirmar-se como um Presidente de pleno direito, mostrando que é ele que efectivamente governa e que não é uma marioneta, Duque terá que sair da sombra de Uribe. Será Duque capaz de parricídio político? A sua juventude e principalmente a falta de experiência executiva quase que o empurram para os braços do seu mentor, pelo menos no início do seu mandato. Esperemos que com o desempenhar do cargo vá ganhando prática e confiança para ir libertando-se da figura paternal. Se não conseguir, ficará para a História como um mero títere, como, aliás, temem e o acusam os seus opositores. Mas se levarmos em conta a sua biografia, Duque sempre seguiu uma figura paternal, inicialmente o próprio o pai, depois Juan Manuel Santos e agora Uribe. Ora, esta característica não augura nada de bom.

A constituição do novo Governo e da equipa de assessores presidenciais, por outro lado, pode enviar sinais que o novel Presidente pretende ter alguma margem de manobra. A maioria do elenco governativo por si nomeado é composto por elementos com um perfil mais tecnocrata do que político. Estiveram ligados ao mundo empresarial, sendo orientados para a obtenção de resultados. Mas também são jovens e sem experiência executiva. Os restantes são Uribistas próximos do seu mentor político. Teremos, pelo menos, um Uribismo mais suave. Só o tempo poderá dizer qual a cercania ou o afastamento à linha ideológica original. De notar, ainda, que o futuro gabinete ministerial é exactamente equitativo em termos de género, uma promessa cumprida por Duque.

Uma situação que pode ter impacto no relacionamento entre Iván Duque e Álvaro Uribe é este último estar envolvido numa complexa pugna judicial. Ora, o que lança uma dúvida enorme sobre o papel que poderá realmente desempenhar o ex-Presidente. Irá ser um embaraço ou um apoio? Neste momento, é incerto o futuro de Uribe. Para já, Duque conseguiu manter um equilíbrio difícil entre o seu futuro papel e o apoio ao seu mentor político. Se Uribe acabar por demitir-se do Senado — como chegou a requerer, tendo posteriormente solicitado que esse pedido fosse suspenso — ou for mesmo preso, o novo Presidente pode ser fortemente pressionado pelos Uribistas dentro do seu próprio Governo para ajudar o ex-Presidente. Ou então pode optar por cortar em definitivo com Uribe, seguindo a via de Santos, o que parece-nos mais improvável. Muito do futuro da relação de ambos poderá estar interligado pelo desfecho, ainda imprevisível, deste caso judicial.

Um dos pontos mais controversos sobre o programa do Uribista é a sua posição acerca do Acordo de Paz (AP) com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP). O que tem declarado é que deseja corrigi-lo, mas não rasgá-lo. As principais modificações que pretende efectuar terão principalmente impacto na cúpula dirigente. Deseja considerar o narcotráfico como um crime, deixando de ser considerada uma actividade conexa ao funcionamento da guerrilha. Logo, eliminando a amnistia para este tipo de acção. Defende que os ex-guerrilheiros devam cumprir penas efectivas de prisão se cometeram crimes de lesa humanidade, tornando incompatível sentarem-se no Congresso. Para os ex-guerrilheiros de base prometeu apoiar os programas que visam reintegrá-los social e economicamente. É também contra a reforma do campo tal como está acordada. É possível que o maior impacto seja na implementação global do AP. Isto poderá traduzir-se pela demora na aprovação de leis no Congresso, protelando medidas de execução do que foi acordado em Havana, não financiando adequadamente os mecanismos previstos, entre outros. As consequências de tudo isto serão o provável aumento das dissidências delinquentes. Estas últimas poderão ver-se reforçadas pelo incumprimento do acordado, como temiam, alimentadas pelos ex-combatentes descontentes com o rumo do processo de paz, e legitimadas politicamente como opositoras a um Estado que não honra o firmado. O sinal que enviará ao Clã do Golfo (autodenominado Autodefensas Gaitanistas de Colombia, AGC) e ao Exército de Libertação Nacional (ELN) será que a melhor opção que têm é manterem-se armados.

Quanto à negociação com o ELN, a guerrilha restante activa no país, o novo Presidente quer manter as conversações, mas sob certas condições. Duque coloca como termos para o diálogo o acantonamento dos guerrilheiros e o cessar-fogo unilateral. Por seu lado, o ELN tem afirmado a sua vontade em continuar a negociar com o novo Governo. Relembramos que os Elenos recentemente respeitaram vários períodos de cessar-fogo, no dobrar do ano (bilateral e vigiado pelas Nações Unidas) e três outros unilaterais pelos momentos eleitorais.

Perante o empenho diminuto que o novo Presidente poderá mostrar na implementação do AP, caberá à comunidade internacional continuar a apoiar e incentivar os esforços de paz do Governo colombiano, quer com as FARC-EP, quer com o ELN. Aqui, as Nações Unidas terão um papel importante a desempenhar. A primeira missão, MNUC, que procedeu à vigilância do cessar-fogo bilateral definitivo e ao desarmamento e desmobilização da guerrilha fariana foi um êxito. A missão que seguiu-se-lhe, a MVNUC, continua o seu trabalho de acompanhamento da reintegração social dos ex-combatentes e a verificar se estes têm as indispensáveis medidas de segurança.

Iván Duque tem, em princípio, maioria no Congresso, embora a união entre dois partidos mais ao centro (o Partido da U e a Mudança Radical) possam fazer perigar essa situação em algumas votações. Mas na Primeira Comissão do Senado, onde os temas relacionados com a reforma constitucional e a paz são discutidos, não tem a indispensável maioria absoluta garantida. Assim, para fazer alterações significativas ao AP, por exemplo, terá que negociar com os congressistas.

A sociedade civil, a oposição no Congresso, a comunidade internacional e a própria FARC — o partido político legal que resultou da dissolução das FARC-EP — irão opor-se a mudanças significativas, que possam ferir de morte o acordado. O Centro Democrático terá uma palavra a dizer pois poderá ser do seu interesse ou não extremar posições, mas, com toda a certeza não quererá contribuir para o regresso do conflito armado com ex-guerrilheiros marxistas.

Além destes, o novo Presidente ainda terá que enfrentar outros desafios tão ou ainda mais espinhosos. Entre eles, destacam-se a desigualdade social, a corrupção e a inadequação dos serviços sociais, que são os que mais preocupam os colombianos. Os que aqui abordámos serão, com um grande grau de certeza, aqueles pelos quais Iván Duque será recordado. Caberá a ele trabalhar para que a memória que deixe seja a melhor, tendo sobretudo em vista o bem-estar dos seus concidadãos.

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Colômbia está sob ameaça de guerra e Duque nem assumiu ainda

A poucos dias da posse do ultraconservador Iván Duque como presidente da Colômbia se respira uma atmosfera de ansiedade e instabilidade social, após o assassinato de 330 líderes sociais, a ameaça permanente a jornalistas e o temor de que o novo mandatário se aventure em duas guerras: uma interna e outra contra o seu vizinho, a Venezuela.

Enquanto isso, a intimação da Corte Suprema de Justiça para que o ex-presidente Álvaro Uribe declare em um processo por possível delito de suborno e fraude processual – mas não nos casos de genocídio e narcotráfico, assim como no caso de sua decisão posterior de renunciar à sua cadeira no Senado por “se sentir moralmente impedido” para exercer sua defesa ao mesmo tempo em que desempenha suas tarefas legislativas, a qual foi adiada para o dia 3 de agosto – se soma ao tsunami político que o país vive.

O ex-candidato presidencial de centro-esquerda, Gustavo Petro, assegurou que Uribe renunciou ao cargo como método para evadir a investigação, agregando a isso uma afirmação sobre o testemunho do filho do mordomo da fazenda Guacharacas, Juan Monsalve, que o acusa de assassinato e manipulação de testemunhos.

Vários analistas também consideram o anúncio da renúncia como uma mera estratégia de Uribe para evitar a investigação da Corte Suprema de Justiça, e tentar defender sua impunidade, diante da cadeia delitiva na que seria envolvido pela investigação do caso dos falsos testemunhos.

A estratégia referida tem a ver com a competência da Corte para investigar só os que tem foro especial, por pertencer ao Congresso, o que afastaria seu caso dessa jurisdição, ao não possuir mais o foro, sendo derivado a um tribunal menor. Não obstante, a Corte pode decidir manter a competência neste caso.

A direita colombiana está preocupada, porque Uribe teria a tarefa de liderar a bancada do partido do novo presidente, e servir como fator de coesão da nova coalizão governista, para enfrentar as anunciadas reformas tributária e judicial.

O assassinato de dirigentes sociais e as ameaças aos jornalistas, “são provas claras de que as forças obscuras do país querem destroçar a pouca paz alcançada com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, agora um partido político legalizado), e voltar a soar as cornetas da guerra. O governo já não pode atribuir as novas mortes à guerrilha, pois as Farc se desmobilizaram e estão em um processo de justiça especial, que será duro e espinhoso”, comenta o analista político Fabio Martínez, em entrevista para o diário El Tiempo.

Então, quem está por trás do assassinato dos líderes sociais? Quem está ameaçando os jornalistas? Este cenário é a sala de espera na qual o novo presidente aguarda para receber o poder das mãos do ominoso Juan Manuel Santos, responsável pelo fato de a pacificação não ter se consolidado e pela total impunidade nos casos de matança de líderes sociais.

As declarações do próximo ministro de Defesa, Guillermo Botero, no sentido de reprimir as manifestações sociais, são um indício evidente de que o novo governo será contra a mobilização legítima e pacífica da sociedade, quando os otimistas esperavam a possibilidade de um pacto social entre o governo, os empresários, os militares e as comunidades, com o objetivo de prevenir a matança sistemática que ameaça o país.

O escritor e analista político Gustavo Álvarez Gardeazábal, ao criticar as declarações que o presidente Duque deu em Washington – quando afirmou que lideraria um bloque latino-americano contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, numa nota que com título de pergunta: “Vamos à guerra?”, advertiu que, assim, a Colômbia passa a ter um presidente que não está de acordo com o pensamento da nação, e que não pode começar a fazer declarações que contrariem o princípio do respeito soberano.

Ademais, disse que se a guerra com o país vizinho chegasse a acontecer, a Colômbia perderia, “pois a Venezuela está melhor armada que nós”.

A jornalista María Jimena Duzán, em sua última coluna antes de ser ameaçada de morte, recordava as declarações do general da reserva Leonardo Barrero (“preparem-se, porque voltaremos à guerra”) e se perguntava qual será o alvo principal desta nova guerra anunciada: os líderes sociais que estão caindo como moscas, os oito milhões de cidadãos que votaram por Petro, os dez milhões de pessoas que votaram por Duque e que ainda acreditam no “pássaro da paz voando pelos ares”, como dizia a sua campanha?

Os colombianos esperam que a guerra entre os próprios colombianos não retorne ao cotidiano do país, ou que se inicie uma nova contra um país irmão. Mas o clima de angústia já se vive, e Iván Duque ainda não assumiu, enquanto aquele que se apresenta como seu protetor, Álvaro Uribe, tenta se safar de um juízo no Tribunal Supremo.

Por Camilo Rengifo Marín, Economista e acadêmico colombiano, investigador do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)  |  Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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Prossegue a matança de dirigentes sociais e agricultores na Colômbia

Margarita Estupiñan e Ana María Cortés foram mortas na terça e na quarta-feira, respectivamente. De acordo com o Indepaz, 118 dirigentes sociais foram assassinados este ano na Colômbia.

Líderes sociais, defensores dos direitos humanos e dirigentes de organizações de agricultores, defensoras da reforma agrária e da participação voluntária na substituição de cultivos de uso ilícito, continuam a ser assassinados na ColômbiaCréditos / elcampesino.co

Margarita Estupiñan, com trabalho social reconhecido na sua comunidade, presidia à Junta de Acção Comunal do bairro El Recreo, no município de Tumaco. De acordo com a TeleSur, recebeu várias ameaças ao longo do tempo.

Na terça-feira à noite, foi abordada por um grupo de desconhecidos quando se encontrava à entrada de sua casa e atingida mortalmente com vários disparos.

Por seu lado, Ana María Cortés foi assassinada ontem ao final da tarde, em Cáceres (departamento de Antioquia), município onde exerceu as funções de coordenadora da campanha do candidato presidencial Gustavo Petro.

Os assassinatos de Estupiñan e Cortés seguem-se ao do dirigente social Luis Barrios Machado, presidente da Associação de Juntas de Acção Comunal do município de Palmar de Valera (departamento do Atlântico), ocorrido na segunda-feira.

No mesmo dia, Felicinda Santamaría foi assassinada no município de Quibdó (departamento de Chocó). Era presidente da Junta de Acção Comunal do Bairro Virgen Del Carmen, em Quibdó, e ex-presidente do Conselho de Paz, Reconciliação e Convivência.

Com o assassinato de Margarita Estupiñan e Ana María Cortés, sobe para sete o número de dirigentes sociais mortos no país sul-americano nos últimos oito dias, segundo referia o El Espectador na sua edição de ontem.

Tendo em conta «esta onda», diversas organizações agendaram para a próxima sexta-feira, às 18h, mobilizações com velas, em todo o país, com o lema «Estão-nos a matar», acrescenta o periódico.

De acordo com Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), em 2018 foram assassinados na Colômbia 118 dirigentes sociais.

Massacre em Argelia

No passado dia 2, foram encontrados os corpos sem vida de sete pessoas na vereda Desiderio Zapata, em Argelia (departamento do Cauca), apresentando sinais de tortura. Alguns meios de comunicação procuraram imputar a elementos do Exército de Libertação Nacional (ELN) a responsabilidade dos factos.

No dia 4, a Delegação de Diálogos do ELN emitiu um comunicado em que denuncia a «falsidade» dessas notícias, lamenta a continuidade da «guerra suja» e lembra que a região, durante longos anos sob influência das FARC-EP, é hoje pasto de «numerosos grupos de criminosos, grupos de paramilitares da extrema-direita, das Forças Armadas e Polícia».

Em Argelia, como em Tumaco, os homens humildes continuam a ser «os condenados da terra», na medida em que não se avança na implementação dos Acordos de Havana, nomeadamente no que respeita à questão central do conflito colombiano – a terra e os seus recursos –, e o Estado não respeita o programa acordado sobre a substituição de cultivos de uso ilícito.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

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