Coimbra

Cordão solidário pelo Hospital dos Covões

Cerca de 2000 pessoas protestaram contra o «desmantelamento» de uma estrutura de urgência importante para a região.

Cordão solidário no Hospital dos Covões, no qual participaram cerca de 2000 pessoas, 9 de Junho de 2020CréditosPaulo Novais / Lusa

A acção intitulada «Cordão Solidário pelo Hospital dos Covões» teve lugar esta sexta-feira e reuniu quase duas mil pessoas em torno deste hospital.

Ao longo de 300 metros, distribuídos pelas duas bermas da via principal, junto ao também designado Hospital Geral, a concentração prolongou-se pela manhã, com a participação de médicos, enfermeiros e demais profissionais do hospital, incluindo trabalhadores do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), bem como sindicalistas, autarcas e dirigentes locais de diferentes forças políticas.

Actualmente reformado, Rui Pato, que na década passada presidiu ao então Centro Hospitalar de Coimbra (CHC), que incluía o Hospital Geral, também marcou presença na manifestação.

Rui Pato, que também é músico, tendo acompanhado à viola o cantor José Afonso na gravação dos primeiros discos e na realização de espetáculos, em meados do século XX, recordou ter trabalhado «nesta casa praticamente 40 anos» e frisou que «não podia ficar alheio» à luta da cidade e da região Centro pela valorização do Hospital dos Covões e contra o seu desmantelamento.

Em causa está o facto de a administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra ter comunicado aos responsáveis da urgência do Hospital Geral dos Covões que, a partir de 1 de Julho, este serviço iria passar a ser um Serviço de Urgência Básico (SUB).

Para vários sindicatos (ver caixa) que representam os trabalhadores desta unidade hospitalar, a implementação deste SUB, apenas confirma o que há anos vêm afirmando, «quanto ao desmantelamento, à desqualificação e diminuição da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na consideração do que é a sobrelotada capacidade de resposta da Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra».

Esta decisão agora transmitida, com o aparente acordo da ARS Centro, terá como consequência «a drástica diminuição da capacidade assistencial no SNS com o desmantelamento de uma estrutura a todos os títulos válida, sem que se tenha demonstrado que é dispensável», afirmam as estruturas sindicais em comunicado.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/cordao-solidario-pelo-hospital-dos-covoes

Organismos e «repúblicas» denunciam lay-off na AAC

GEFAC, TEUC, CITAC e as repúblicas Prá-Kys-Tão e Rás-Teparta, enquanto entidades afectas à academia, demarcam-se de eventuais «estratagemas perversos e dissimulados de flexibilização dos direitos laborais».

A centenária Associação Académica de Coimbra (AAC) admitiu, em Março, recorrer ao regime de lay-off para suspensão dos vínculos de 25 funcionários, durante, pelo menos, um mês. Posteriormente, em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra (RUC), o presidente da Direcção-Geral, Daniel Azenha, remeteu essa hipótese para Maio.

De acordo com as declarações publicadas ao longo destes dias, a aplicação desta medida justificar-se-á pela «desnecessidade de pessoal», por razões de «segurança sanitária» e instabilidade financeira da associação. 

Em comunicado enviado à AAC, são várias as críticas a esta sugestão avançadas pelo Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC), o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), o Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), a Real República Prá-Kys-Tão e a Real República do Rás-Teparta.

Estas organizações lembram que, tendo em conta o carácter específico da AAC, «é difícil perceber que consequências geradas pela Covid-19 afectaram o trabalho associativo da instituição, permitindo-lhe a aplicação do regime de lay-off, sobretudo porque se aplica a empresas com perda de facturação ou com paragem total/parcial por perda de encomendas ou com falha nas cadeias de abastecimento». 

Mesmo com a interrupção prevista das actividades da associação, no passado dia 1 de Abril, a Universidade de Coimbra anunciou que ia financiar a AAC com um apoio directo de 240 mil euros. «Se este é um apoio para fazer frente às consequências do vírus na actividade da associação, sublinhamos a necessidade de priorizar o pagamento de salários na utilização desta verba», reivindicam.

As estruturas sublinham que aplicar um plano de contingência para salvaguardar a segurança sanitária dos trabalhadores da AAC, mas «negligenciar a segurança laboral e financeira dos mesmos, é um exemplo claro de uma das ameaças mais sérias: o aproveitamento do contexto actual para atropelar os direitos e a segurança dos trabalhadores». 

«De uma instituição que se orgulha de estar na frente das acções do movimento estudantil e que nelas contou, sempre, com o apoio e solidariedade da comunidade exige-se que enfrente as exigências do contexto actual, honrando o seu legado de resistência e de luta pela liberdade e pela democracia», alegam as duas «reais repúblicas», o GEFAC, TEUC e CITAC.

A 27 de Março, o grupo parlamentar do PCP questionou o Governo sobre «medidas a tomar para assegurar o cumprimento integral dos direitos dos trabalhadores» da AAC.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/organismos-e-republicas-denunciam-lay-na-aac

Dez anos sem comboios

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Cumprem-se hoje dez anos desde que foram suspensas as ligações ferroviárias na Linha da Lousã. Foi a 3 de Janeiro de 2010 que circulou a última automotora entre Serpins e Coimbra. O encerramento provisório da linha destinar-se-ia à implementação de um ambicioso projecto, que envolvia a reabilitação do traçado, a sua electrificação e a introdução de novo material circulante, convertendo-se o velho ramal suburbano numa moderna linha de metro ligeiro: o Metro Mondego. Este sistema de transporte previa a ligação do ramal ao centro da cidade e à estação de Coimbra-B, onde seria construído um novo interface de transportes. O sistema seria ainda complementado pela construção de uma segunda linha urbana, ligando a baixa da cidade aos Hospitais da Universidade.

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Volvidos dez anos, é evidente a descomunal fraude a que sucessivos governos do PS e do PSD, com a indispensável cumplicidade de políticos locais, sujeitaram as populações dos concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, em especial os muitos milhares que diariamente usavam o serviço ferroviário. Algo que era evidente logo no início, quando se lançou um projecto de milhões de euros claramente desajustado da realidade e das necessidades. Repare-se que ninguém, a não ser os políticos, reclamou uma linha de metro. O que se pretendia, isso sim, era a melhoria do traçado da linha, a sua electrificação e novas automotoras, de forma a melhorar a qualidade do serviço.

Ao contrário de outros ramais do interior do país, onde a falta de passageiros ditou o fim do serviço, na Linha da Lousã nunca houve falta de utentes. Para vencer as serranias do vale do rio Ceira e dos primeiros contrafortes da serra da Lousã, o comboio sempre se revelou um transporte mais seguro, rápido e fiável do que o autocarro. Foi por isso necessário inventar um pretexto mais rebuscado para fechar a linha, e ele surgiu com a proposta mirabolante do Metro Mondego, um projecto que durou o tempo suficiente para que fossem retirados os carris da quase totalidade da linha. Em seguida, a crise financeira foi o pretexto para a paragem das obras e a reavaliação do projecto. Depois de milhões de euros gastos em estudos, descobriu-se subitamente que o sistema de mobilidade projectado era financeiramente incomportável.

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Dez anos depois, sem comboio nem metro, pretende-se agora aproveitar o antigo canal ferroviário para criar um serviço de autocarros eléctricos a que chamaram Metrobus. Depois de ter levado à destruição da única ligação ferroviária ao interior do distrito, o conluio entre decisores políticos nacionais e locais prepara-se para desferir o último golpe contra a Linha da Lousã: o encerramento do troço remanescente, o que liga a estação central da cidade a Coimbra-B, onde param os comboios de longo curso e internacionais. Uma decisão sem qualquer fundamento lógico: quando noutros lados se vai pensando até em reabrir linhas encerradas, que sentido tem eliminar em Coimbra, e em contra-ciclo com o que se faz no resto da Europa, um movimentado percurso ferroviário?

Quando a redescoberta do potencial da ferrovia está na ordem do dia, quando se vai tornando consensual que, a todos os níveis – comodidade, segurança, sustentabilidade ambiental – o comboio eléctrico é a melhor solução de mobilidade terrestre, quando o próprio ministro do sector defende as vantagens do comboio chegar ao centro das cidades, como é possível defender o encerramento da estação central de Coimbra, impedindo os comboios suburbanos e regionais de terminarem aqui a sua marcha e obrigando os passageiros a fazer o resto do percurso de autocarro? Alguém proporia solução semelhante entre a estação lisboeta do Oriente e Santa Apolónia? A ligação do Metro do Porto entre Campanhã e o centro da cidade não coexiste perfeitamente com o serviço ferroviário entre Campanhã e S. Bento?

Na ligação entre as duas estações de Coimbra, não há qualquer razão para que os autocarros não circulem pela Avenida Fernão de Magalhães, uma das mais largas artérias da cidade, como aliás está previsto suceder em todo o restante percurso urbano do Metrobus. Isto se este serviço alguma vez vier a ser efectivamente implementado, pois a avaliar pelo que sucedeu até agora, existem todas as razões para duvidar.

Finalmente, note-se que mesmo sem Metrobus, já há muito existem autocarros eléctricos em Coimbra. A cidade foi pioneira na introdução, há mais de 70 anos, do único sistema de troleicarros que subsiste em funcionamento em Portugal. Recentemente, entraram em funcionamento autocarros eléctricos semelhantes aos que o Metrobus planeia introduzir: sem necessidade de catenária, funcionam com baterias que são carregadas durante a noite, como qualquer automóvel eléctrico.

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Se a batalha pela Linha da Lousã parece hoje perdida, nada justifica que se persista num erro para justificar outro erro. Os padrões de mobilidade e a forma como se equacionam as necessidades actuais e futuras são hoje diferentes de há 20 anos atrás. É necessário rever o sistema de mobilidade do Mondego, ouvindo os utentes e as populações locais, priorizando as necessidades das pessoas e não as ambições dos políticos. Acima de tudo, falando verdade. É perfeitamente possível e desejável compatibilizar a linha ferroviária existente com os restantes meios de transporte urbano, numa lógica de complementaridade que só pode ser benéfica para os utilizadores. Assim saibam os responsáveis estar à altura das suas responsabilidades…

Coimbra – A homenagem a Antunes Varela

Quando, em outubro de 2000, o presidente da Relação de Coimbra mandou recolocar o busto de Antunes Varela no Tribunal, desolado por ser um amigo e antigo colega de turma do liceu da Guarda, não deixei de gritar a minha indignação, nos jornais locais e num diário, contra o branqueamento da ditadura que o gesto representou.

Então, já o ancião Antunes Varela se tornara inócuo pela idade, sem que a vergonha e os remorsos lhe abreviassem os dias, mas foi o ministro da ditadura que se homenageou.
Agora, em 18 deste mês de dezembro senti revolta acrescida pelas palavras e, sobretudo, pela presença da ministra da Justiça, a elogiar o legado do professor que foi governante quando o cargo, ao contrário de hoje, lhe conferia ascendente, de facto, sobre os juízes.
 
Se um professor competente, como se alegou, merecia a homenagem, Salazar merece a estátua do tamanho da indignidade e dos crimes, e será breve a reabilitação.

O cúmulo foi atingido pelo presidente do S.T.J., a 4.ª figura do Estado, com palavras de devota saudade à «mente brilhante e multifacetada», que viu na homenagem um «claro testemunho da reconciliação e encontro de um país com a sua História». E continuou o panegírico ao ministro que manteve os Tribunais Plenários, enquanto mandava construir palácios da Justiça, numa época em que os processos só eram instruídos se o ministro o permitisse, com remoques aos ministros da democracia por, ao contrário dele, terem os edifícios em más condições.
   
Antunes Varela foi ministro da Justiça de agosto de 1954 a setembro de 1967, enquanto os juízes dos Tribunais Plenários deixavam agredir os presos na sala de audiências, sob aparente distração, e condenavam cidadãos por delitos de opinião a pesadas penas e medidas de segurança.

Não se terá lembrado o excelso presidente do STJ do assassinato de Humberto Delgado e do silêncio crapuloso de quem lhe merece tamanhos encómios? Terá esquecido o que foi o terror do governo de que fez parte? Sabe de alguma preocupação do ministro com as prisões arbitrárias, as medidas de segurança, as torturas nas prisões e o encobrimento dos crimes de altos dignatários? Antunes Varela pode ter sido mestre do Direito Civil, mas foi um almocreve dos Direitos Humanos e cúmplice da repressão salazarista.

A homenagem foi microcirurgia reacionária e insulto aos democratas; não foi um gesto sem conteúdo político, foi a tentativa de branqueamento da ditadura; não é uma atitude anódina, é uma ofensa a todos aqueles que um Governo, que Antunes Varela integrou, prendeu, torturou, deportou ou assassinou. Uma homenagem a um ministro de Salazar é uma condenação dos que derrubaram a ditadura e uma censura aos que se bateram pelo regime democrático.

A insidiosa afronta, injustiça gratuita e intolerável ofensa do Presidente do STJ deixam a revolta cujas palavras calo, para não ser constituído arguido, mas temo a sua noção de Direitos Humanos, indiferença perante um regime de terror e admiração por um algoz.

Na deslocação a Coimbra, a ministra da Justiça esteve mal e o presidente do STJ pior. Cuspiram nas campas dos que morreram pela liberdade, exaltaram um cúmplice da ditadura.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/12/coimbra-homenagem-antunes-varela.html

A religião, a carne de vaca e o Reitor da Universidade de Coimbra

(Carlos Esperança, 18/09/2019)

Imagem de António Neto Brandão, in Facebook

Preservar o ambiente e tornar sustentável o Planeta é assunto demasiado sério, que não se compadece com ironias fáceis ou adiamentos em período de emergência, mas há um mínimo de bom senso aparentemente alheio ao Reitor da Universidade de Coimbra.

 

Todos sabemos que o modo de vida das sociedades atuais não é sustentável e que a sua perpetuação só abreviará o prazo de validade do Planeta para a vida humana. É urgente um novo paradigma que me leva a refletir sobre o aquecimento global e as tragédias que nos aguardam, mas há diferenças entre a ponderação exigida e o exibicionismo fácil.

Desconhecia a competência do Magnífico Reitor nas ementas das cantinas e a função de nutricionista-mor para proibir um alimento não proscrito pelas autoridades sanitárias.

A abolição inopinada da carne de vaca parece-me uma prepotência própria de um crente cujo proselitismo não aceita o contraditório. O atual reitor da UC, uma instituição laica, já surpreendeu na tomada de posse ‘antecedida de Missa Solene na Capela de S. Miguel, pelas 9 horas’, em 18 de fevereiro deste Ano da Graça.

Foi uma atitude pioneira de indignidade, de que pode não ter sido o responsável, mas a sua posse integrou uma missa para abrilhantar a cerimónia, missa cujo anúncio inédito mereceu a indignação de vários docentes. Foi a primeira vez que um reitor tomou posse com missa anunciada.

Se em 1 de março foi o primeiro reitor a manifestar publicamente a preocupação com a salvação da alma, em 17 de setembro, meio ano depois, é pioneiro a salvar o Planeta. Espero que não pense que o pão ázimo, que alimenta a alma, transubstanciado em corpo e sangue, após os sinais cabalísticos, seja a fonte de proteínas para substituir a carne de vaca.

Para já, parece-me abuso de funções, à semelhança da Missa Solene, impor aos outros o direito individual que lhe assiste.

Como na missinha, volto agora a repudiar a prepotência do Magnífico Reitor, por não lhe reconhecer autoridade para a decisão que tomou.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A religião, a carne de vaca e o Reitor da U. C.

 
Preservar o ambiente e tornar sustentável o Planeta é assunto demasiado sério, que não se compadece com ironias fáceis ou adiamentos em período de emergência, mas há um mínimo de bom senso aparentemente alheio ao Reitor da Universidade de Coimbra.

Todos sabemos que o modo de vida das sociedades atuais não é sustentável e que a sua perpetuação só abreviará o prazo de validade do Planeta para a vida humana. É urgente um novo paradigma que me leva a refletir sobre o aquecimento global e as tragédias que nos aguardam, mas há diferenças entre a ponderação exigida e o exibicionismo fácil.

Desconhecia a competência do Magnífico Reitor nas ementas das cantinas e a função de nutricionista-mor para proibir um alimento não proscrito pelas autoridades sanitárias.
A abolição inopinada da carne de vaca parece-me uma prepotência própria de um crente cujo proselitismo não aceita o contraditório. O atual reitor da UC, uma instituição laica, já surpreendeu na tomada de posse ‘antecedida de Missa Solene na Capela de S. Miguel, pelas 9 horas’, em 18 de fevereiro deste Ano da Graça.

Foi uma atitude pioneira de indignidade, de que pode não ter sido o responsável, mas a sua posse integrou uma missa para abrilhantar a cerimónia, missa cujo anúncio inédito mereceu a indignação de vários docentes. Foi a primeira vez que um reitor tomou posse com missa anunciada.

Se em 18 de maio foi o primeiro reitor a manifestar publicamente a preocupação com a salvação da alma, em 17 de setembro, sete meses depois, é pioneiro a salvar o Planeta. Espero que não pense que o pão ázimo, que alimenta a alma, transubstanciado em corpo e sangue, após os sinais cabalísticos, seja a fonte de proteínas para substituir a carne de vaca.

Para já, parece-me abuso de funções, à semelhança da Missa Solene, impor aos outros o direito individual que lhe assiste.

Como na missinha, volto agora a repudiar a prepotência do Magnífico Reitor, por não lhe reconhecer autoridade para a decisão que tomou.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/09/a-religiao-carne-de-vaca-e-o-reitor-da.html

Câmara de Coimbra abre portas ao espólio de Louzã Henriques

O executivo conimbricense aprovou por unanimidade um voto de pesar pelo falecimento de Manuel Louzã Henriques, figura grada da cidade e da região, e dispõe-se a acolher o espólio do médico e etnólogo.

Aspecto do lançamento do livro «Manuel Louzã Henriques - Algures com meu(s) irmão(s)», de Manuela Cruzeiro e Teresa Carreiro (2013).CréditosCarlos Micaêlo / Blogue Guitarra de Coimbra (V)

A Câmara de Coimbra vai retomar negociações com a família de Louzã Henriques para acolher e divulgar o espólio que o médico e etnólogo reuniu ao logo da vida, anunciou esta semana o presidente do executivo conimbricense, segundo a Agência Lusa.

A informação foi prestada pelo presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado (PS), ao apresentar, no início da reunião quinzenal do executivo, a proposta de um voto de pesar, aprovado por todas as bancadas, pela morte de Manuel Louzã Henriques – médico psiquiatra, resistente antifascista e antigo preso político, músico, etnólogo, figura grada da cena cultural coimbrã.

Os primeiros contactos entre Louzã Henriques e a Câmara Municipal foram interrompidos devido à morte do psiquiatra no dia 29 de Julho passado, com 85 anos, pelo que «infelizmente, não se concluiu esse processo», disse Machado, naquela que foi a primeira reunião após o sucedido, acrescentando, no entanto, que «vamos de modo adequado desenvolvê-lo».

 

O autarca, que é também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, salientou que Louzã Henriques, militante do PCP desde 1958, oriundo da Serra da Lousã, «foi um cidadão de Coimbra e da região, abnegado, batalhador e antifascista», com uma obra pública, designadamente nas áreas cívica e cultural, «merecedora do reconhecimento da Câmara Municipal de Coimbra».

Também os vereadores Francisco Queirós (PCP) e Madalena Abreu (PSD) intervieram para reforçar a homenagem a Louzã Henriques e a importância das suas colecções, sobretudo de natureza etnológica, incluindo centenas de instrumentos musicais, e no domínio da arqueologia industrial, com um acervo que abrange máquinas de costura, máquinas de escrever e aparelhos de som de várias épocas, como grafonolas e rádios antigos, entre outros objectos.

O autarca comunista, que apoiou a continuação do diálogo com os herdeiros do médico «para exposição pública do vasto espólio cultural» do médico, defendeu ainda que fosse «auscultada a vontade dos familiares» de Louzã Henriques tendo em vista «o reconhecimento público desde cidadão na toponímia da cidade».

Manuel Louzã Henriques mantinha fortes ligações à Lousã, de onde era natural seu pai, Diamantino Henriques, em cuja casa e quintal a Câmara local instalou o Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques, acolhendo colecções únicas em Portugal, designadamente de arados, cangas e carros de bois, propriedade do patrono e família.

O «leão da Liberdade»

Manuel Louzã Henriques nasceu a 6 de Setembro de 1933 no Coentral, concelho de Castanheira de Pêra. A partir de meados da década de 1940 viveu e estudou na cidade de Coimbra, onde concluiu o curso de Medicina (1959) e a especialidade de Psiquiatria (1961).

Membro da República Palácio da Loucura quando frequentava a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), envolveu-se desde jovem na luta política antifascista, o que lhe valeu várias prisões, a tortura e o conhecimento das prisões políticas do Aljube, de Caxias e de Peniche.

Depois do 25 de Abril, o médico psiquiatra a quem a ditadura proibira o exercício da medicina em hospitais públicos e obrigara à clandestinidade política desenvolveu uma intensa participação na vida pública democrática em muitas campanhas e iniciativas ligadas ao progresso político e cultural do país.

Personalidade notável da cultura coimbrã, esse «leão da Liberdade» – como recentemente lhe chamou o médico e amigo Jorge Seabra [ver caixa] – foi, nas palavras de Fernando Martinho, escritas para um livro em sua homenagem, publicado por ocasião do su 80.º aniversário, um «ilustre psiquiatra apaixonado pela Antropologia e Etnografia, formador de gerações de psiquiatras, senhor de uma cultura que se diria enciclopédica, melómano e músico, piloto-aviador, jogador de râguebi, generoso e solidário, militante clandestino do seu PCP de sempre. A ninguém, como a Louzã veste tão bem a consigna que Marx também fez sua: “nada do que é humano me é estranho”».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/cultura/camara-de-coimbra-abre-portas-ao-espolio-de-louza-henriques

Coimbra: trabalhadores hospitalares contra más e perigosas condições de trabalho

Cerca de 200 trabalhadores do turno da manhã reuniram em plenário e dirigiram-se à administração hospitalar de Coimbra. Alertam para as más e perigosas condições de trabalho. Antes que seja tarde demais.

Na sexta-feira passada os trabalhadores do turno da manhã do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) em Coimbra reuniram em plenário para discutir as penosas e por vezes perigosas condições em que realizam o seu trabalho.

Foram cerca de 200 os trabalhadores dos serviços de Alimentação, Bares e Lavandarias e Resíduos do Hospital da Universitário de Coimbra que se juntaram às 8h15 no parque de estacionamento que dá acesso ao serviço de alimentação do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), segundo um comunicado recebido do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro (Sindicato de Hotelaria do Centro/CGTP-IN).

Na participada reunião foi aprovada uma moção expondo as deficientes condições de trabalho, que «colocam em risco a qualidade do serviço prestado aos utentes» e «a higiene e segurança no trabalho» daqueles que diariamente tudo fazem «para evitar a rotura na prestação dos serviço». 

Na moção refere-se, nomeadamente, problemas sérios de falta de pessoal, deterioradas condições de espaço físico e de equipamentos e utensílios de trabalho, bem como uma política de remunerações em que os salários ficam congelados a partir de 618 euros, quando na função pública e demais trabalhadores equiparados, como os bombeiros, o salário mínimo foi estabelecido em 635 euros.

Os trabalhadores acusam a SUCH de não cumprir, do ponto de vista de números de empregados, o protocolo estabelecido com o centro hospitalar de Coimbra, nem proceder à «substituição de trabalhadores em situação de férias e baixas médicas», obrigando a que se trabalhe «em condições pouco dignas de acumulação de serviços» e de «aumento de ritmos de trabalho», em prejuízo da «qualidade de prestação de serviço» aos hospitais e aos utentes. Além disso, alertam, «as relações de trabalho entre as chefias e trabalhadores vão-se deteriorando», visto ser incompatível proceder a uma boa «gestão de recursos humanos» em «total ausência de condições de trabalho».

Delegação reuniu com a administração

Findo o plenário, os trabalhadores prosseguiram a acção de luta dirigindo-se às instalações do Conselho de Administração (CA) do CHUC, onde exigiram ser recebidos para entregar em mão a moção aprovada. Com esta «deslocação simbólica» – como se pode ler no texto do documento – os trabalhadores pretenderam «manifestar, ordeiramente mas de forma muito sentida», o seu «desagrado, protesto e indignação» pelas condições em que trabalham.

Ao telefone com o AbrilAbril, António Baião, presidente do Sindicato de Hotelaria do Centro, declarou que, na presença dos trabalhadores, uma delegação de dirigentes e delegados sindicais foi recebida pelo presidente do CA, Dr. Fernando Regateiro, a quem foram expostas as diversas situações anómalas vividas nos serviços.

Os assuntos expostos suscitaram preocupação ao presidente do CA, o qual se comprometeu «em diligenciar junto do Conselho de Administração do SUCH, na qualidade de cliente, mas também de associado/accionista» daquela empresa, para que «sejam ultrapassados os problemas laborais».

Quanto às necessidades de intervenção nas instalações e sobre os equipamentos e utensílios degradados ou obsoletos, o presidente do CA assumiu ir tomar «medidas urgentes» mas que, admitiu aos representantes dos trabalhadores, não serão mais do que «cuidados paliativos» face à intervenção de fundo que reconhece como necessária mas para a qual não dispõe dos recursos financeiros correspondentes.

 

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/coimbra-trabalhadores-hospitalares-contra-mas-e-perigosas-condicoes-de-trabalho

Contra a desmemória

Abaixo-assinado de 71 professores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra relacionado com um infeliz episódio ocorrido durante as festividades de Queima das Fritas. Sendo um dos signatários, entendo que não devo juntar aqui a minha opinião mais pessoal, que darei noutros lugares. Todavia, uma vez que este post servirá também para memória futura, junto três notas objetivas: 1) o episódio em si constou de uma paródia do Holocausto, servindo-se ademais da simbologia de um comboio, que deveria ser integrada no habitual cortejo da festividade; 2) os 71 professores signatários foram aqueles que foi possível reunir em menos de 48 horas durante uma semana que é de interrupção das aulas, outros transmitiram entretanto o seu apoio a este documento; 3) alguns professores entenderam não assinar, o que estava, naturalmente, no seu direito; uma pequena minoria procurou demover colegas de o fazer, o que não pode deixar de ficar registado. [Relembro: este comentário é estritamente pessoal e não vincula os signatários do documento que a seguir se transcreve.]

 


MEMÓRIA E RESPONSABILIDADE
Abaixo-assinado

A utilização da palavra “Alcoholocausto”, no cortejo da Queima das Fitas de 2019, pelo carro dos alunos fitados de História não veio a concretizar-se, após acordo com a direção da Faculdade de Letras. Aparentemente, no entanto, os/as responsáveis mantiveram-se convictos/as da justeza da sua opção inicial, uma vez que afixaram no carro alusões a uma “censura” e à existência de uma “polícia académica”, apresentando-se alguns/mas participantes com uma mordaça. Também o panfleto distribuído a lembrar o dia 27 de Janeiro como dia da memória do Holocausto faz alusão a um extermínio “com o intuito de desembaraçar a sociedade alemã e a Europa de inúmeras comunidades sociais”, formulação que ou revela profunda ignorância ou denuncia uma total indisponibilidade para referir com rigor os factos históricos.

Apesar da não afixação no carro do nome inicialmente escolhido, este caso não pode passar sob silêncio e, muito menos, pode ser encarado como um simples episódio sem relevância. Importa, assim, clarificar o seguinte:

  1. Holocausto” é uma palavra que remete, sem subterfúgios, para o maior crime contra a humanidade alguma vez cometido, o extermínio genocida de mais de seis milhões de judeus, ciganos e outros grupos pelo regime nacional-socialista. Este genocídio fez-se em nome de uma ideologia racista e foi planificado e organizado de forma minuciosa e eficiente por uma máquina implacável posta em movimento por toda a Europa sob o domínio nazi. Não pode nunca perder-se de vista que, por detrás da generalidade do conceito, estão homens, mulheres e crianças inocentes, vidas que, criminosamente, não puderam ser vividas. É a enormidade do crime e a lembrança concreta dessas vidas não vividas que nos impõe aquilo a que Primo Levi, sobrevivente de Auschwitz, chamou o dever da memória. Este dever é imprescritível, isto é, não caduca, por maior que vá sendo a distância temporal. No caso vertente, a incorporação do símbolo de um comboio no grafismo utilizado pelos fitados de História não deixa a mínima dúvida sobre a intencionalidade da alusão contida no nome do carro – os vagões de gado que atravessaram toda a Europa transportando, em condições infra-humanas, as vítimas destinadas ao extermínio são um dos símbolos mais poderosos do genocídio. Estamos, pois, perante uma violação grosseira do dever de memória e perante uma ofensa gravíssima à memória das vítimas.
  2. Contrariamente ao que alegam os/as organizadores/as do carro, há limites para a liberdade de expressão, assim, como há limites para o uso da sátira e do humor. Limites que estão consignados na lei, mas que, antes de serem de ordem jurídica, radicam num conceito elementar de responsabilidade ética individual. O mais óbvio desses limites atinge-se quando estão a ser feridos direitos que pertencem legitimamente a outros. Nem tudo pode ser objeto de sátira: para além dos critérios óbvios do bom gosto, a sátira constitui um modo de discurso que carece sempre de uma legitimação ética. É lícito e desejável transformar uma pessoa ou uma instituição em objeto de riso quando se trata de defender valores substanciais através da denúncia de atos censuráveis praticados por essas pessoas ou instituições. Não é lícito fazê-lo quando a forma da crítica passa inteiramente ao lado do que se pretendia criticar e viola gratuitamente a dignidade humana. Neste caso, a dignidade humana de vítimas para sempre silenciadas. Quem assim procede torna-se, implicitamente, cúmplice dos crimes cometidos e não poderá, em nenhuma circunstância, furtar-se a esta responsabilidade. E muito menos poderá, quando confrontado com a indignidade da sua posição, arrogar-se a posição de vítima de um qualquer ato de “censura”.
  3. A situação criada é ainda agravada pelo facto de, presentemente, circularem com insistência em todo o mundo teses negacionistas, rejeitando a própria existência histórica do Holocausto. É particularmente grave que sejam estudantes universitários de História a colaborar numa lógica de banalização que os aproxima, objetivamente, do negacionismo.

Os/as abaixo-assinados/as, docentes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, sentem-se profundamente envergonhados e amargurados pela imagem que, com a sua ignominiosa escolha inicial, o grupo de promotores do carro “Alcoholocausto” projetou de si próprio, nos órgãos de comunicação e em outras redes em que defendeu o seu projeto, enquanto grupo de finalistas do curso de História, implicando, ao mesmo tempo, a Faculdade e a Universidade a que pertence. Mas, mais do que isso, entendem ser seu imperativo de consciência, em nome do princípio fundamental de humanidade imposto pela memória das vítimas, trazer a público uma firme posição de inteiro repúdio e total rejeição.

Coimbra, 7 de Maio de 2019
Adriana Bebiano, Ana Cristina Araújo, Ana Paula Arnaut, Anabela Fernandes, António Campar, António Manuel Rebelo, António Sousa Ribeiro, Carlos Ascenso André, Carlos Reis, Carmen Soares, Catarina Caldeira Martins, Clara Keating, Claudete Oliveira Moreira, Claudia Ascher, Conceição Carapinha, Cornelia Plag, Cristina Robalo Cordeiro, Diogo Ferrer, Domingos Jesus da Cruz, Fátima Velez de Castro, Fernando Matos de Oliveira, Frederico Lourenço, Graça Capinha, Inês Amaral, Isabel Paiva, Isabel Pereira, Isabel Santos, Jacinta Matos, Jens Liebich, Joana Antunes, João Domingues, João Figueiredo, João Gouveia Monteiro, João Maria André, João Muralha, João Nuno Corrêa-Cardoso, John Havelda, José Luís Brandão, Judite Carecho, Katharina Baab, Luca Antonio Dimuccio, Lúcio Cunha, M. Conceição Lopes, Manuel Portela, Margarida Miranda, Maria Beatriz Marques, Maria de Fátima Gil, Maria do Céu Fialho, Maria Isabel Caldeira, Maria João Silveirinha, Maria João Simões, Maria José Canelo, Maria Luísa Portocarrero, Marta Anacleto, Norberto Santos, Paula Barata Dias, Paula Santana, Paulo Nossa, Paulo Silva Pereira, Pires Laranjeira, Raquel Vilaça, Rita Marnoto, Rogério Paulo Madeira, Rosário Ferreira, Rosário Neto Mariano, Rui Bebiano, Rui Ferreira, Rui Manuel Afonso Mateus, Rui Pereira, Rute Soares, Sara Sousa

Ver original em 'A Terceira Noite' na seguinte ligação:

http://www.aterceiranoite.org/2019/05/08/contra-a-desmemoria/

SOBRE COMPORTAMENTOS ESTUDANTIS, EM PORTUGAL, EM FRANÇA OU ALGURES – por JÚLIO MARQUES MOTA

 

Num almoço comemorativo de 25 de Abril sou informado de que na Queima das Fitas para 2019 os estudantes da Faculdade de Letras  da Universidade de Coimbra levarão  um carro alegórico  chamado Alcoholocausto,  supostamente uma crítica ao estado do ensino superior .

 

Sobre este tema dizem-nos dois professores da Faculdade de Letras:

  1. A posição de Catarina Martins:  “Creio que não vale tudo e que este é um limite que não se pode ultrapassar. Mobilizamo-nos?”, escreveu a professora, levando a que outros professores também criticassem e manifestassem vontade de evitar que o nome do carro no cortejo de 5 de maio fosse esse.

  2. A posição de Adriana Bebiano:  “É uma brincadeira de mau gosto e uma falta de respeito pelo Holocausto. Espero que a comissão do carro de História esteja aberta à reflexão e que repense a sua responsabilidade”, entende a investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

 

A posição dos estudantes da Faculdade de Letras:

 

“Em comunicado, os estudantes de História que estão a desenvolver o carro entendem tratar-se de uma sátira ao que tem sido o cortejo, não mostrando disponibilidade para mudar o nome. “Não temos como objetivo enaltecer aquilo que foi o Holocausto, muito menos denegrir, difamar, caluniar ou desmentir o sucedido. Apenas criámos o termo “Alcoholocausto” para resumir o que nós, estudantes conscientes de História, consideramos que o Ensino Superior em Coimbra, atualmente, é. Um caos”, apontam.”

 

Vale a pena reproduzir aqui o comentário de uma estudante da República Checa relativamente a este  caso:

 

“Zuzana Milíková

 

Can you explain me, as a Czech person who studied in Coimbra and fell in love with Portuguese culture, not to be internationally offended by the very poor and illiterate use of the word holocaust which touches and upsets me deeply for many obvious historic reasons? What nonEGOistic resons might students of history have to think they are even close having the right to use it in such twisted and hurtful way? Hurtful! You students can have many reasons to be upset with your university and I might even support your cause, but to take painful history of me and many other nations and use it for your own attention…that is a big mistake. Please I beg you, don’t do this to us, you know, the other people who you don’t even know you are hurting, but who are part of the history you are mocking with a picture of a train and holocaust word play”

 

A brincar com coisas demasiado sérias, eis o que fazem os nossos estudantes de Coimbra e isto  para um dia em que se esperam muitas  grandes bebedeiras em Coimbra. Tal como a estudante checa, lamentamos profundamente.

 

Num outro quadrante, França, e ainda relativamente a posições assumidas por estudantes, que vemos nós? Vemos  dirigentes da UNEF, União dos Estudantes de França a ironizaram com o facto de Notre-Dame ter ardido .

 

Tudo isto seria outrora impensável, seria  impensável e inadmissível que alguém ironize com uma catástrofe planetária e histórica, como o Holocausto, o que constitui uma vergonha para a Humanidade, ou com o incêndio  de Notre-Dame, o que constitui com uma perda irrecuperável para o mundo,  muito menos ainda que essa ironia e esse desrespeito  venha  de Universidades.

 

Sobre o tema do comportamento das elites estudantis em França, diz-nos um analista da situação francesa:

 

“A Universidade Republicana é também uma catedral de inteligência e conhecimento, tão preciosa quanto o mais belo dos esplendores góticos. A UNEF tenta atear-lhe fogo para dançar sobre as suas ruínas, e entregar os espíritos privados deste paraíso às garras do comunitarismo e do totalitarismo. Está na hora de a parar.”

 

Está na hora de parar muita coisa quanto ao ensino e diremos mesmo no que se refere ao texto acima, que está na hora de se pensar de novo, afinal, qual a verdadeira missão  cultural, técnica, de cidadania, da Universidade.

 

Os dois exemplos assinalados não serão eles exemplo dessa mesma necessidade?

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/05/02/sobre-comportamentos-estudantis-em-portugal-em-franca-ou-algures-por-julio-marques-mota/

UMA MAGNÍFICA OPORTUNIDADE


Minha crónica no Público de hoje:
Que a Universidade de Coimbra não está bem érevelado, por exemplo, pela sua queda do top500do prestigiado rankingde Xangai. Segundo o blicode 15/8/2018 essa lista, encabeçada pela Universidade de Harvard, inclui nos primeiros 500 lugares apenas quatro universidades portuguesas: Lisboa, Porto, Aveiro e Minho. Coimbra, que estava no top500 desde 2013, ficou de fora. Se se atentaraos critérios, todos eles objectivos, que contam para a lista (docentes e investigadores com prémios prestigiados e muito citados, total de artigos científicos produzidos e publicados na Nature e na Science e contidos em índices internacionais) percebe-se que há um problema com a investigação. Para o confirmar basta olhar para um outro indicador: dos 14 investigadores nacionais que estão notop 1% das suas disciplinas, nenhum está em Coimbra.
Mas há outros problemas, designadamente a ligação àcidade, que contrasta com o que se passa nas cidades acima referidas. Coimbra tem vindo, desde há largos anos, a perder relevância e visibilidade nacionais, tendo as últimas gestões camarárias sido incapazes de, coligadas com a Universidade, promover as necessárias mudanças. De nada vale àurbe ter um bom hospital universitário, se os acessos são estrangulados e o estacionamento écaótico. De nada vale ter um Parque de Inovação se está vazio. Ao contrário de outras cidades de província, Coimbra não tem sequer uma gare ferroviária e outra rodoviária dignas, nem um tribunal e uma penitenciária em condições. A Baixa está uma ruína e a Alta está grafitada. A cultura, que noutros sítios élevada a sério,àbeira do Mondego éconsiderada um espectáculo de magia. O metro Mondego” e o aeroporto internacional de Coimbra” não passam de miragens, truques criados por políticos prestidigitadores.
A Universidade tem agora, que vai ser eleito um novo Reitor, uma oportunidade de se renovar. Está nas suas mãos escolher o futuro, que terá de passar, como nos sítios mais desenvolvidos, por uma maior aposta na investigação e na inovação. Por outro lado, a cidade e o país teriam a lucrar com uma intervenção mais afoita da Universidade nos modernos desafios da polis. Se em Coimbra há competências na Medicina, nas Ciências e Engenharias, no Direito, nas Letras e nas Artes, porque não são elas mais aproveitadas pela comunidade?
o pertenço ao Conselho Geral que vai eleger o próximo Reitor e estou certo que esse Conselho fará a necessária ponderação do que mais interessa àinstituição eàsociedade. Analisei, porém, com atenção os programas dos quatro candidatos que se propuseram, com generosidade e coragem, aceitar um repto que não éfácil. Quase a terminar a minha vida académica, e porque sinto ser meu dever de consciência, não me isento de emitir opinião. Concorreram uma astrofísica brasileira, simpática, mas a anos-luz do que aqui se passa e não passa (o seu lema ébom — “Coimbra, a Universidade do futuro” — mas ela não sabe como); um farmacêutico, queéem larga medida responsável, como vice-reitor da investigação nos últimos oito anos, pelo descalabro que o ranking de Xangai e outros indicadores revelam (o seu moto éolímpico -Citius, Altius, Fortius —apesar de ele não ter atingido, na ciência, os mínimos olímpicos); um historiador da religião, muito sábio a respeito do passado, mas pouco sabedor do futuro de que a Universidade carece (em Honrar o passado, enfrentar o presente, projectar o futuro”, fica menos de um terço para o futuro); e um engenheiro informático, queé, claramente, o que oferece mais ideias e soluções quer para a reorganização da investigação e inovação, quer para o fortalecimento dos contributos societais da alma mater (Mudar para ganhar o futuro” é a sua frase motora).
A Universidade de Coimbra tem história, mas precisa de futuro. Dou exemplos de como transformar essa história em futuro: a marca Património Mundial da Humanidade” devia servir de alavanca de cultura em vez de caixa registadora do turismo. O Museu da Ciência, com um espólio valiosíssimo, devia unir a Universidade e a Câmara. As bibliotecas riquíssimas, a começar na Joanina, deviam formar, no seu conjunto, uma segunda Biblioteca Nacional, com um programa de digitalização que espalhasse a língua portuguesa no ciberespaço.Para tudo isso e muito mais, a escolha que se avizinha é uma magnífica oportunidade.

Ver original em 'De Rerum Natura' na seguinte ligação::

http://dererummundi.blogspot.com/2019/02/uma-magnifica-oportunidade.html

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