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Líder do CDS critica “política de gosto” contra touradas

Paulo Novais / Lusa

 

Francisco Rodrigues dos Santos denunciou o tratamento discriminatório do Governo por aplicar taxa de IVA máxima e impor uma lotação de apenas 25% nos espetáculos tauromáquicos.

 

Este sábado, o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, disse, em Santarém, ser inadmissível a “política de gosto” e a “visão preconceituosa” da ministra da Cultura, Graça Fonseca, para com a tauromaquia, pedindo uma política cultural que respeite os aficionados.

O responsável político encontrou-se, a seu pedido, na praça de touros de Santarém, com a Associação Nacional de Grupos de Forcados, ouvindo queixas sobre o tratamento “discriminatório” ao setor, não só pelo IVA de 23% que lhe é aplicado, como pela limitação a uma lotação de 25%, que Diogo Durão, presidente da ANGF, assegurou inviabilizar a realização de eventos.

Para o presidente centrista, a tauromaquia “faz parte da cultura portuguesa”, tem “raízes profundas na sociedade” e, “nos termos da lei, é considerada uma arte performativa que encerra em si um sistema de valores, de crenças e de tradições, que resultam da liberdade do povo português e da sua caracterização cultural”.

O líder do CDS-PP considerou “inadmissível” a “perseguição fiscal”, a “política de gosto” e “uma visão preconceituosa deste setor”, apenas porque “a ministra da cultura não gosta da tauromaquia”.

Como exemplos apontou o “IVA discriminatório face aos outros espetáculos culturais”, de 23% em vez de 6%, o facto de estes eventos só passarem a ser permitidos a partir de 1 de julho, e não no “início da terceira fase de desconfinamento”, como os restantes, e a lotação das plateias a um nível que torna estes eventos inviáveis.

“A ministra da Cultura não tem o direito de impor o seu gosto aos portugueses”, declarou, referindo as várias profissões ligadas ao setor que se encontram inativas desde outubro, com risco de arrastar para a “pobreza” milhares de famílias e prejudicar financeiramente os concelhos onde se realizam eventos taurinos.

Para o presidente do CDS, a utilização da praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, para um espetáculo que contou com a presença das “mais altas figuras do Estado” e pessoas “amontoadas” nas plateias “sem respeitar as normas de segurança”, num espaço vocacionado à tauromaquia sem que esta tenha igual direito, é um dos exemplos da falta de “coerência” do Governo.

Francisco Rodrigues dos Santos afirmou que o Governo está a falhar no controlo da situação epidemiológica do país precisamente porque “não consegue ter um discurso coerente” e por estar, “permanentemente, a emitir sinais contraditórios aos portugueses”.

Na mesma ocasião, o líder do CDS justificou a retirada das moções setoriais do Conselho Nacional que se realiza domingo por “mútuo consentimento” e “corresponde, até, ao apelo de algumas alas que são críticas dentro do partido”.

O dirigente centrista afirmou que a retirada da discussão das moções setoriais da ordem de trabalhos “resultou do acordo entre as duas listas que apresentaram candidatos ao conselho nacional”, lideradas por Filipa Correia Pinto e João Almeida, num encontro promovido pela Mesa do Conselho Nacional para abreviar a duração da reunião devido à covid-19. Segundo Francisco Santos, a discussão das moções acontecerá “no próximo encontro magno dos militantes”.

O líder centrista afirmou que a situação epidemiológica do país está na origem da decisão de abreviar o Conselho Nacional, “cingi-lo a matérias urgentes e consideradas essenciais”.

Além da aprovação das contas de 2019, para que possam ser entregues ao Constitucional, na reunião será discutida a aprovação de coligações nas eleições na Região Autónoma dos Açores e uma revisão dos regulamentos eleitorais, com vista a “operacionalizar a convocatória de eleições em períodos que são excecionais devido à covid-19”, disse.

O objetivo, afirmou, é “evitar períodos prolongados de contacto”, apesar de o encontro decorrer num espaço com 1.000 metros quadrados, “que comportará apenas entre 100 e 150 conselheiros nacionais e terá mais regras sanitárias de segurança na saúde pública do que as reuniões que são realizadas na sede do Infarmed e no próprio parlamento”.

// Lusa

 

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CDS diz que Portugal está “na liga dos últimos” no combate à covid-19

(Comentário:
Ao que chegaram...para competirem com a extrema direita qualquer populismo serve)
 

 

O presidente do CDS-PP considerou que Portugal está “a disputar a liga dos últimos no combate à covid-19” e acusou o Governo de transmitir “sinais contraditórios”, pedindo-lhe coerência na mensagem e nas regras de saúde.

 

Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que “têm de existir medidas mais restritivas, sobretudo em Lisboa e Vale do Tejo, para impedir que se acentue uma situação epidemiológica de descontrolo”, mas remeteu para o Governo as soluções em concreto a adotar.

O presidente do CDS-PP deu como um exemplo de “sinaiscontraditórios e duplos critérios” por parte do Governo a decisão de “limitar, e bem, a concentração de pessoas e, ao mesmo tempo, autorizar manifestações de largas centenas onde as regras de segurança não são cumpridas”. Questionado, em seguida, se entende que se deveria limitar o direito de manifestação e como é que isso poderia ser feito, tratando-se de um direito constitucionalmente garantido, Francisco Rodrigues dos Santos respondeu: “Essa é uma resposta que o Governo naturalmente terá de dar”.

“Eu não estou a dizer que se deve limitar o direito de manifestação. Eu estou a dizer que, ao mesmo tempo que se limita a concentração de pessoas até às dez, não se pode autorizar manifestações onde essas mesmas regras não são aplicadas e onde se verifica que os comportamentos de saúde pública não se encontram plasmados“, reiterou, sem adiantar quais as normas que no seu entender deveriam vigorar.

Francisco Rodrigues dos Santos, que falava após uma reunião com o Presidente da República, que está a ouvir os partidos políticos, centrou a sua mensagem na situação sanitária do país, acusando o Governo de transmitir “sinais contraditórios e duplos critérios que as pessoas não compreendem” que provocaram uma “confusão e baralhação”.

O presidente do CDS-PP apontou como outros exemplos de incoerência “autorizar espetáculosnoCampoPequeno, quando na mesma praça não são permitidas corridas de touros”, e declarar que “não existe mais dinheiro para apoiar as famílias e as empresas e, ao mesmo tempo, aparecerem sempre novas verbas para injetar no Novo Banco”.

“E o Governo não se pode congratular com a receção da fase final da Liga dos Campeões e dizer que isto é um prémio para os profissionais de saúde, quando está a disputar a liga dos últimos ao nível do controlo das infeções por covid-19”, considerou, referindo-se à cerimónia realizada na semana passada no Palácio de Belém, em Lisboa, em que discursaram, entre outros, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.

Criticando o “aparatomediático, atécarnavalesco” dessa cerimónia, acrescentou: “Estamos a disputar a liga dos últimos no combate à covid-19 e foi chumbada no parlamento uma proposta que visava um suplemento, um prémio aos profissionais de saúde que estiveram envolvidos no combate à covid-19, uma proposta do CDS-PP”.

O presidente do CDS pediu ao Governo coerência na mensagem e nas regras de saúde pública, e “que se compreenda que existe uma punição” se forem desrespeitadas.

De acordo com o relatório de da Direção-Geral da Saúde (DGS), desde domingo registaram-se mais quatro mortes com covid-19 e mais 259 infetados, a maioria na Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde tem surgido a maioria dos novos casos.

Em Portugal, os primeiros casos desta doença provocada por um novo coronavírus foram confirmados no dia 2 de março e já morreram 1.534 pessoas num total de 39.392 pessoas contabilizadas como infetadas.

// Lusa

 

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CDS-PP exige ao Governo criação de lista pública de credores do Estado

(Comentário:

O CDS/chega preocupa-se sobretudo em acelerar a drenagem de dinheiros do Estado para os grandes grupos privados. Obviamente que não são as pequenas empresas que lhe interessam.

Mas é bom que haja listas públicas, transparentes e completas, de todas as relações financeiras entre Estado e privados.

Importa todavia, que também sejam públicas as listas das dívidas dos privados ao Estado e à Banca que é financiada com dinheiros públicos.

Transparência sim e total.)

O novo líder do CDS/PP, Francisco Rodrigues dos Santos

O presidente do CDS-PP exigiu esta segunda-feira a criação de uma “lista pública” de pessoas e entidades a quem o Estado deve, para que o Estado seja rápido a pagar e haja dinheiro a circular na economia.

 

Em declarações aos jornalistas à saída de uma reunião com a Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) e empresários do setor, no Porto, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que o Estado deve ser “rápido a pagar o que deve aos portugueses” e que, dessa maneira, possa colocar dinheiro a circular na economia”.

Para o líder do CDS-PP, o Estado tem de ser “pessoa de bem” e “tem que ser diligente nos seus pagamentos e não pode ser um ótimo cobrador e implacável e um mau pagador”.

O Estado tem se ser “zeloso e cumpridor”, acrescenta Francisco Rodrigues dos Santos, referindo que a “lista pública” teria de ser “transparente e ser tão exigente quanto a lista os devedores ao fisco”.

Depois de se reunir com o presidente da ABZHP, Manuel da Fonseca, e com vários empresários de bares e discotecas da cidade do Porto, o presidente do CDS-PP lamentou que o Governo esteja desconsiderar os “verdadeiros ventiladores da recuperaçãoeconómica” em Portugal, frisando que é agora que eles precisam que o Governo não seja “rico” apenas em palavras e pobre em ações.

“Merecem mais consideração e atenção por parte do Governo e que lhes apresente uma agenda e uma planificação de retoma das suas atividades, porque são empresas que correm o risco de entrar em insolvência e com essas mesmas insolvências gerar desemprego em grande escala, uma vez que detém muitos postos de trabalho em Portugal”, declarou.

O CDS é o partido do contribuinte e vai defendê-lo. Isto passa por um conjunto de medidas, como por exemplo o alargamento do lay-off até ao final do ano, uma vez que este é um setor que continua parado e necessita de estender esses mesmos apoios, a duplicação das linhas de crédito, sendo que uma percentagem significativa deve ser garantida pelo Estado a fundo perdido, a eliminação dos pagamentos por conta, uma vez que os rendimentos de 2020 não têm qualquer paralelismo com os do ano anterior, o alargamento das moratórias ficais até ao final do ano e a criação de um mecanismo de contas entre o Estado e os contribuintes que permita a estes empresários descontar as dívidas do Estado em pagamentos de impostos e contribuições”, propôs.

A 13 de maio passado, a Associação de Bares da Zona Histórica do Porto acusava o Governo de ter “desprezado” o setor durante a pandemia e pedia isenções de pagamentos à Segurança Social e Finanças este em 2020 e da Taxa Social Única.

Os governantes desprezaram esta atividade. Nunca esteve na agenda e basta ver as conferências de imprensa, basta ver a própria Direção-Geral da Saúde em tudo, nunca estiveram na agenda os bares e as discotecas, como se desconhecessem esta atividade”, declarou na altura presidente da ABZHP, António Fonseca.

Portugal contabiliza pelo menos 1.410 mortos associados à Covid-19 em 32.500 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Portugal entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, que sexta-feira foi prolongado até 14 de junho, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório apenas para pessoas doentes e em vigilância ativa e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

// Lusa

 

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Testar «Bolsonaro» com a telescola?

a1. Como lembra a Maria João Pires, a extrema-direita nacionalista pôs há uns dias a circular a informação, falsa, de que Rui Tavares teria dado uma aula de História no «Estudo em Casa». Ontem, o eurodeputado Nuno Melo fez eco dessa informação, acusando o historiador de «destilar ideologia» e de transformar «os alunos em cobaias do socialismo».

2. O que na verdade aconteceu foi a utilização pedagógica, no contexto da referida aula, de um episódio da série «Memória Fotográfica», de Rui Tavares, dedicado à «Exposição do Mundo Português» (1940), que vale a pena ver na íntegra para tentar encontrar a tal «política travestida de educação», a que se refere Nuno Melo, ou a «análise deturpada» dos motivos que estiveram na origem da Exposição, denunciada pelo CDS-PP.

3. Como refere Pedro Marques Lopes, «que Nuno Melo diga umas boçalidades ninguém se espanta». Mas o facto de o CDS andar «a reboque das manifestações de ignorância do homem» é que «já é outro assunto». De facto, a direção do partido nem pestanejou e decidiu questionar o ministro da Educação sobre a «escolha» de Tavares para a telescola. Na Pergunta que lhe enviou (clicar na imagem aqui ao lado), o CDS insiste na ideia de que o referido «módulo de História e Geografia de Portugal (...) foi parcialmente dado pelo historiador e político Rui Tavares», perguntando a Brandão Rodrigues se «considera aceitável a escolha de um político (...) para ministrar aulas» no «Estudo em Casa» e se não acha que, «nomeadamente as aulas de história, devem ser dadas de forma politicamente isenta».

4. Os deputados do CDS-PP não desenvolvem, claro. E por isso ficamos com imensa pena de não assistir ao que seria um «módulo politicamente isento» sobre o tema «Da Expansão Marítima do século XV à manutenção do Império Colonial no século XX». O que sabemos, face à posição tomada, é que o CDS-PP não faria como se faz em democracia e trataria de impedir o acesso à docência de licenciados em História que não estivessem «aptos» para leccionar aulas «politicamente isentas» (o que obrigaria o CDS, por sua vez, a ter de definir, prévia e ideologicamente, essa dita «isenção», tão equívoca como qualquer outra que o pretenda ser).

5. Sobre tratar-se de um «político» a leccionar, História ou outra coisa qualquer (desiluda-se quem acha que a dita «isenção» depende da disciplina), o Zé Neves ajuda a refrescar a memória: «Passos Coelho, cujas qualificações académicas são tantas como as que autorizaram um porco a andar de bicicleta, é Professor Catedrático convidado no ISCSP, sendo que Paulo Portas afina pelo mesmo diapasão mas pondo a sua concertina a render na banda da Universidade Nova, onde se milita pela reabertura da "economia" enquanto se nutrem umas sinergias e se surfam as ondas que um qualquer submarino vai alavancando ali para as praias de Carcavelos». Casos que «a direita órfã da troika reputou uma e outra vez de tão naturais como a nossa sede», sendo que o «escândalo nacional de grande proporção» é mesmo «a telescola ter usado um excerto de um programa de História conduzido por um tipo doutorado numa das mais importantes instituições universitárias europeias, a EHESS, Paris, e que foi Investigador Visitante no Instituto Universitário Europeu de Florença e Professor Visitante na Brown. E que é historiador».

6. A gente bem tenta, mas é impossível que esta posição do CDS-PP não nos traga à memória a «escola sem partido» de Bolsonaro. Aliás, não é a primeira vez que esta direita ultramontana em que o CDS-PP se tornou (e pela qual o PSD de Passos também afinou), deixa escorregar o chinelo para as bandas do Chega. No caso do PSD, a ideia parecia ser, com Ventura, a de testar Trump em Loures. No caso do CDS-PP, fica a dúvida sobre se se trata de testar Bolsonaro na Educação, para tentar estancar a hemorragia de votos pelo flanco mais à direita.

Adenda: As coisas mudam, de facto. Quando Passos Coelho ensaiou «André Ventura» nas autárquicas em Loures, o CDS-PP de Assunção Cristas - e bem - distanciou-se das declarações xenófobas do candidato, rompendo com a coligação com o PSD. Ontem, quando o CDS de Francisco Rodrigues dos Santos ensaiou o episódio da telescola, David Justino tratou - e bem - de distanciar o PSD, assinalando que se trata de um «alarido desonesto, manipulador e próprio de uma direita trauliteira sem escrúpulos».

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Chicão vai à tropa

 
 
Fotomontagem: Insónias em Carvão

 

Todos sabemos da responsabilidade directa do CDS no fim do serviço militar obrigatório. Todos nos lembramos das cartas abertas dos militares ao então ministro da Defesa, Aguiar Branco, nos anos da troika, «gritando» contra a situação «insustentável», de «paralisia de serviços», de perda de direitos em resultado da cega «suborçamentação» a que estavam então sujeitos. O CDS foi sempre muito amigo das forças armadas, excepto quanto as condenou a um funcionamento de penúria. Da mesma forma que sempre foi muito amigo dos pensionistas, excepto quando lhes cortou as pensões. Ou ainda dos agricultores, ou da «classe média», ou, enfim, de todos aqueles que foram alvo da hipocrisia histórica de um partido que fez sempre o contrário daquilo que dizia defender.

Por estes dias de crise sanitária, o neófito «Chicão» resolveu demonstrar vontade de fazer exactamente o contrário daquilo que a maioria dos portugueses deve e está a fazer: ficar em casa. Resolveu ele tornar pública a sua vontade de se voluntariar para «ajudar as forças armadas», na «qualidade» de - note-se! - «antigo aluno do Colégio Militar». Foi o que de mais próximo ele arranjou de «antigo combatente na Guiné em 69». Só que como isto se trata de algo totalmente pretensioso e oportunista, foi previamente anunciado com espavento em praça pública, nas redes sociais, e não com o recato que qualquer pessoa realmente bem-intencionada faria em tal situação. Pois esta atitude politiqueira e de puro marketing pessoal e político é isso mesmo e não passa disso: um triste e repugnante acto politiqueiro tomado num contexto de grave crise social.

Mas há, porém, algumas questões sérias que é imperioso colocar. É preciso saber - mesmo! - se esta iniciativa vai ter acolhimento junto das forças armadas deste país e nesta altura concreta. É preciso saber - mesmo! - de que forma, com que finalidade, sob que pretexto, para que função, tal coisa possa ter - se o tiver - acolhimento. É preciso saber - mesmo! - quem, que patente, que militar, que responsável vai caucionar - se é que o vai - uma clara e inequívoca manobra de agenda política e partidária. É preciso saber - mesmo! - quem é que vai permitir a politização directa ou indirecta das forças armadas. É preciso saber - mesmo! - e por último, a concretizar-se tamanha obtusidade, que tempo anda a perder o Exército, nesta altura de crise, com entradas aparatosas em cena de palhaçadas como esta.

Ver original em 'Manifesto 74' na seguinte ligação:

http://manifesto74.blogspot.com/2020/03/chicao-vai-tropa.html

Voluntários à força

O presidente do CDS alistou-se como voluntário para ajudar as Forças Armadas no combate à pandemia.
Não quero, de modo algum, ser ofensivo para a pessoa em causa, mas isto merece uma reflexão e farei essa reflexão sem adoçar o que penso desse gesto que, de repente, pode parecer tão bondoso e altruísta. E a reflexão é esta: o baixo valor que damos às instituições está bem espelhado nesta decisão. E, aqui, essa desvalorização parte de dentro das próprias instituições. O meu ponto é que acredito que um partido político com representação parlamentar e com uma rede de contactos em todo o país, capaz de recolher informação técnica de especialistas e (eventualmente) de a analisar, capaz de contactar com pessoas e entidades de todo o país para ter uma leitura fina do estado da sociedade, da economia, das famílias, do estado dos serviços de resposta, capaz de pensar sobre essa informação e tentar perceber o que seria desejável fazer, capaz de ajudar o governo e as autoridades através do apoio ou através da crítica e da sugestão de alternativas, acredito que um partido político agindo assim pode ser um elemento importante na resposta das instituições democráticas a esta situação tremenda que vivemos coletivamente.
Se o presidente do CDS assume uma responsabilidade específica como presidente do CDS nesta circunstância, deve entender que essa responsabilidade é pesada e não basta exercê-la nos intervalos de outra função. Em princípio, quando alguém assume uma função de tal responsabilidade, é porque crê que o fará melhor do que outros – e, nesse caso, não pode desviar-se da sua função em momentos cruciais. Acredito que haja mais pessoas capacitadas para serem voluntários nas Forças Armadas do que pessoas capacitadas para serem presidentes de um partido histórico da democracia portuguesa, como é o CDS. E, portanto, das duas uma: ou o presidente do CDS entende que não constitui um valor acrescentado como presidente do CDS… ou não devia desviar-se do seu posto.
Nada disto é contra ou a favor da pessoa, do indivíduo concretamente em questão: o que digo é sobre o exercício da função, daquela responsabilidade assumida neste ou naquele momento por esta ou aquela pessoa. O presidente do CDS terá declarado que “não vira as costas ao país em momentos difíceis”, justificando assim a sua opção. Ser presidente do CDS, a tempo inteiro e não a tempo parcial, não seria, certamente, virar as costas ao país. A explicação, confesso, parece-me inexplicável. Ser presidente de um partido político responsável deve ser algo a dar muitíssimas horas de trabalho por dia neste momento (em qualquer momento). A verdade é que andamos há muito tempo a perceber mal onde devemos, como comunidade, investir simbolicamente. A forma como falamos de muitos assuntos desvela a disfunção. Dou um exemplo, virado para outro lado do espectro político. Quando se cortaram salários ou pensões, a esquerda da esquerda falava frequentemente disso com o epíteto “roubo”. Era o roubo dos salários, era o roubo das pensões. Parece uma escolha de palavras fortes, capazes de sublinhar a gravidade da decisão. Mas, a meu ver, é incompreensível: porque é que entendemos que é mais pesado dizer “é um roubo” do que dizer “é uma injustiça”? Creio que a acusação de injustiça haveria de ser mais pesada, mais solene, mais grave do que a acusação de roubo. Mas, sistematicamente, acha-se mais grave uma acusação de roubo do que uma acusação de injustiça. Desvaloriza-se aquilo que mais devia contar como um “pecado” social… Para quem quer que tenha qualquer responsabilidade pública, este momento é de especial delicadeza: fácil será falhar, fácil será fazer menos do que a realidade exige, por muito que se faça. Fácil será enganarmo-nos. Difícil será termos êxito e contermos o vento com as nossas poucas mãos. Mas não podemos vestir agora outra pele, procurar agora um refúgio onde pareça mais direto o efeito do que fazemos. Porque manter as instituições a funcionar pode parecer pouco, mas é indispensável para contribuirmos para um país que se organiza e resiste. Esta pandemia não põe apenas à prova os nossos sistemas de saúde, põe à prova uma civilização, os laços sociais, a capacidade de sermos comunidade. É isso que está em causa e nisso devem pensar todos os que foram apanhados no exercício de alguma responsabilidade pública. Creio que não devemos encarar as nossas responsabilidades como um suplemento de alguma outra atividade, mesmo a mais nobremente justificada. Acredito na boa e sincera motivação pessoal do presidente do CDS. Não concordo com esta sua opção.
Porfírio Silva, 21 de Março de 2020
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Ver original em "Machina Speculatrix" (aqui)

Coronavírus: CDS questiona Governo sobre viagens de finalistas

 

Numa pergunta enviada ao ministro da Educação, o deputado do CDS-PP João Pinho de Almeida sugere se, dado o atual panorama internacional relacionado com o surto do Covid-19 e o surgimento dos primeiros casos em Portugal, praticamente todos relacionados com viagens ao estrangeiro, não considera a tutela ser mais avisado determinar a suspensão temporária das viagens de finalistas.

Entre os vários documentos preparados pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) face ao surto do Coronavírus (Covid-19), constam:

– [Informação de 26/02/2020] Covid – 19 (Coronavirus) Visitas de Estudo ao Estrangeiro, que refere: «Face às notícias sobre a propagação do vírus Covid- 19 (coronavirus) e apesar de não haver ainda por parte das autoridades de saúde restrições de deslocação para fora do país, a DGEstE aconselha a ponderação sobre a oportunidade e conveniência de se realizarem visitas de estudo e outras deslocações ao estrangeiro, em particular a países ou a zonas com maior incidência de casos de infeção e;

– [Informação de 05/03/2020] Orientações às Escolas para a elaboração do Plano de Contingência, na qual consta o ponto «PROCEDIMENTOS PREVENTIVOS – Regresso de deslocações ao estrangeiro: Não tendo sido decretada pela DGS, até ao presente momento, qualquer restrição a deslocações ao estrangeiro, recomenda-se a devida ponderação relativamente à conveniência dessas deslocações, principalmente para países ou zonas em que a propagação do vírus se mostra mais ativa, identificados pelas Autoridades de Saúde.».

Em face destas orientações, o Grupo Parlamentar do CDS-PP teve conhecimento de que as escolas estão apenas a recomendar a suspensão de viagens em território nacional, além de outras medidas mais específicas ao nível da comunidade escolar, mas que os diretores não querem assumir a proibição de viagens ao estrangeiro, já marcadas e que determinam perda de verbas, caso não haja uma ordem superior.

Ora, dado o panorama internacional e o aparecimento dos primeiros casos em Portugal, praticamente todos relacionados com viagens ao estrangeiro, e face à aproximação da época em que são realizadas as viagens de finalistas, na sua larga maioria para outros países, entende o CDS-PP que a DGEstE deveria ser mais assertiva quanto a estas viagens, determinando mesmo a sua suspensão temporária.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/politica/coronavirus-cds-questiona-governo-sobre-viagens-de-finalistas/

A incompreensão do líder do CDS face ao corona vírus

 

Domingos Lopes

Segundo a Wikipedia a compreensão é uma das habilidades do domínio cognitivo que solicitam a interpretação de um contexto, isto é, a capacidade para se alcançar um dado significado.

Ora esta habilidade em geral está ao alcance de qualquer mortal tendo em vista que o objeto da compreensão em apreço são os comportamentos de risco face ao Covid-19.

Porém, Francisco Rodrigues dos Santos admitiu ter algumas dificuldades em seguir os conselhos da Senhora Ministra da Saúde”…“Confesso que, se calhar, como muitos portugueses, estamos com alguma dificuldade em perceber que comportamentos [de risco] são. Tem havido um défice de comunicação, atabalhoada e altamente deficiente que impede que grande maioria dos portugueses percebam quais são os comportamentos avisados e responsáveis e previdentes que devem adoptar nesta fase…”in Público online de 04/04/2020.

Voltando ao núcleo da incompreensão do líder do CDS ele não o enunciou e não o fazendo talvez aí comece a sua própria dificuldade. Ele apenas arenga a tal dificuldade sem a especificar. Será que ele percebeu a mensagem transmitida e tendo percebido não é capaz de agir em conformidade ou não compreendeu devido ao “desenho” estar mal feito?

Devia Marta Temido ter-se socorrido de uma quadro negro e de um giz branco para que o Sr. Dr. Francisco compreendesse e não pensasse que os portugueses não perceberam?

Quando se é capaz de enunciar a dificuldade/incompreensão estar-se-á mais próximo de alcançar a compreensão.

Ora se o líder do CDS não enuncia a dificuldade há deveras um problema…só que já não tem a ver com Marta Temido, mas provavelmente com ele.

Um líder de um partido que nas eleições legislativas queria alcançar o cargo de Primeiro-Ministro tem o dever de conhecer quais são os riscos que existem de poder ser atingido pelo coronavírus, mesmo que a Senhora Ministra não tivesse explicado bem.

Como chegou o líder do CDS à compreensão que António Costa teve de explicar aos portugueses o que Marta Temido não soube ou não foi capaz? Ou é mais um palpite para agradar e ganhar outro estatuto junto do PSD?

Será ainda de admitir que afinal ele acha que Marta Temido não tem grande simpatia pelas Parcerias Público/Privadas e quis sacar um coelho da cartola armando-se em chicão esperto?

Estará ele com falta de compreensão por não ter sido Marcelo, verde de raiva, por não ser ele a chegar primeiro ao quarto de pressão negativa onde está o infetado?

Será que as explicações de Marcelo sobre o Covid-19 são mais percetíveis, dada a formação médica do PR?

Na opinião de Francisco Santos deve o Presidente da República de cima dos seus poderes de rainha inglesa  ir a correr visitar e dar beijos e beijinhos cheiinhos de afetos aos suspeitos e aos infetados pelo coronavírus, é isso o que o preocupa? Dito de outro modo – acha o Dr. Francisco que há falta de coordenação entre Marcelo e Costa para saber quem deve ter o microfone em primeiro lugar?

Há, no entanto, algo que de imediato se compreende – a arte do CDS agora com Chicão de fazer da política uma politiquice e inventar o que Marta Temido explicou a todos os portugueses sem qualquer desenho.

Esperava-se do jovem novo líder do CDS que não fizesse o que se aprimorou a fazer a Senhora Doutora Assunção Cristas, face aos resultados alcançados, tanto mais que foi  graças a esses resultados, que ele se encarrapitou no posto que tem, ou ainda ninguém lhe explicou?

https://www.publico.pt/2020/03/06/politica/opiniao/incompreensao-lider-cds-caso-coronavirus-1906597

 

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/03/06/a-incompreensao-do-lider-do-cds-face-ao-corona-virus/

Montijo. Posição do CDS mudou em 35 dias (e o presidente centrista explica porquê)

 

O presidente do CDS explicou que o partido mudou de posição quanto à localização do novo aeroporto depois de uma conversa que teve com António Pires de Lima, antigo ministro da Economia do Governo PSD/CDS.

 

Tal como conta o jornal Observador, na moção apresentada por Francisco Rodrigues dos Santos e aprovada pelos centristas no congresso de janeiro que o consagrou novo líder, o CDS defende que o novo aeroporto deve ser construído em Alverca.

Volvidos 35 dias, o líder do CDS disse, na Feira do Queijo da Serra de Celorico da Beira, que o CDS “tudo fará” para que o projeto do Aeroporto do Montijo não seja chumbado, mostrando publicamente que a posição do partido mudou.

Questionado pelo Observador sobre esta alteração, o presidente do CDS explicou esta segunda-feira que mudança de posição ocorreu depois de uma conversa com António Pires de Lima, que o convenceu com “elementos técnicos” que o Montijo representa não só uma solução mais rápida como também mais barata.

“Desde o Congresso, tive a oportunidade de conversar com António Pires de Lima – que, como é sabido, não me apoiou, mas que respeito – que nos forneceu elementos técnicos que desconhecíamos e que justificam a preferência pelo Montijo”, disse ao jornal.

E continuou: “Alverca apresentaria uma exequibilidade operacional muito menor face ao Montijo, dada a dificuldade de exploração da capacidade do espaço aéreo na região Global de Lisboa juntamente com a Portela (corredores aéreos)”. No entanto, “dado que a Portela se encontra esgotada e atenta a urgência da construção, Alverca demoraria significativamente mais tempo a ficar disponível quando comparado com o Montijo (disponibilidade da solução menor face ao Montijo) e ficaria mais cara”.

Francisco Rodrigues dos Santos sugere ainda que fez esta alteração para honrar compromissos da anterior direção, liderada por Assunção Cristas, que abandonou funções depois dos resultados obtidos nas eleições legislativas de outubro.

“Esta Direção sempre afirmou que respeita toda a história do partido e está disponível para construir os consensos em nome do interesse nacional, como sucedeu neste caso”.

A moção em causa, recorde-se, foi aprovada 671 votos, 46% do total dos militantes, e deve servir como guia para o programa do líder do partido.

ZAP //

 

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/montijo-presidente-do-cds-mudou-opiniao-35-dias-explica-311571

CDS-PP dá mão ao Governo para lei à medida do Montijo

O líder dos centristas afirmou, este domingo, que o seu partido «tudo fará» para que esta obra avance, o que contradiz a intervenção feita, quatro dias antes, no Parlamento, por João Gonçalves Pereira.

CréditosPAULO NOVAIS / Agência LUSA

O deputado do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, defendeu na passada quarta-feira, em sede de debate parlamentar convocado pel’«Os Verdes», com carácter de urgência, que se o Governo viesse a alterar a lei para conseguir contornar os pareceres negativos dos municípios, tal colidiria com o «respeito e autonomia do poder local».

O parlamentar criticou ainda a postura do Executivo, tendo afirmado tratar-se de «posição de um autêntico quero posso e mando», agravada pelo facto de se tratar de um diploma aprovado por um governo do PS.

Embora admitindo que o CDS-PP sempre foi favorável à solução Montijo – tendo negociado o contrato em 2012, quando estava no governo com o PSD –, João Gonçalves Pereira reclamou que, para o seu partido, é claro que os municípios devem pronunciar-se sobre limites de tráfego aéreo nos seus concelhos – referindo inclusivamente que os centristas iriam apresentar, na Câmara de Lisboa, uma proposta para limitar os movimentos aéreos na capital.

Entre um vasto rol de acusações, o deputado chegou mesmo a dizer que «uma alteração da lei a domini vai desproteger não só os municípios da margem sul, como os municípios de Lisboa, Loures, Porto, Matosinhos e também de Faro».

Não obstante esta intervenção do deputado centrista, o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, veio afirmar, este domingo, que o partido «é coerente e tudo fará para que o projecto do Montijo não seja chumbado», referindo que serão utilizados «todos os instrumentos jurídicos e políticos para viabilizar uma obra que privilegia o interesse nacional».

O líder dos centristas afirmou que «não contam com o CDS-PP para esgrimir argumentos com base em interesses político-partidários» e que a solução do aeroporto do Montijo é determinante, porque «o sector do turismo é fundamental».

Neste sentido, afirmou ainda que o CDS-PP tudo fará «para viabilizar esta infra-estrutura», porque, defende, as grandes obras públicas «devem ser objecto de consenso entre os três partidos do arco da governabilidade», que devem eliminar as «barreiras para que se proceda de imediato à construção do aeroporto no Montijo».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cds-pp-da-mao-ao-governo-para-lei-medida-do-montijo

Pedro Mota Soares apoia Francisco Kreye para a sucessão de Frederico Pinho de Almeida

Pedro Mota Soares apoia a candidatura de Francisco Kreye à Presidência da Comissão Política da Concelhia de Cascais do CDS-PP.

As eleições estão marcadas para o dia 29 de Fevereiro e Francisco Kreye continua a somar apoios para a sua candidatura à sucessão de Frederico Pinho de Almeida.

O jovem de 30 anos, natural de Cascais, atual Secretário-Geral da Juventude Popular, integra a Comissão Política Nacional do CDS-PP é já considerado uma das novas revelações no panorama político concelhio e nacional.

Com uma nova dinâmica e com uma equipa de notáveis do CDS, Francisco Kreye, conta com o apoio do atual Presidente da Assembleia Municipal de Cascais, Pedro Mota Soares, e da deputada Municipal Cecília Carmo.

Na página oficial da candidatura pode ler-se a mensagem de Pedro Mota Soares:

“Temos um grande desafio pela frente. Continuar a trabalhar por Cascais, pelas pessoas, pela qualidade de vida, coesão e justiça social da nossa terra.

O CDS tem uma enorme responsabilidade perante este desafio.

É preciso uma grande equipa, uma enorme vontade e uma vasta capacidade para o conseguir.

É para mim uma honra ser mandatário do Francisco Kreye de toda esta lista aos órgãos do CDS Cascais.”

Francisco Kreye promete mudanças e apresenta-se com uma “equipa multidisciplinar, com provas dadas nas mais variadas áreas da sociedade civil e conhecedora das ruas e pessoas do Concelho”.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/politica/pedro-mota-soares-apoia-francisco-kreye-para-a-sucessao-de-frederico-pinho-de-almeida/

Francisco Kreye anuncia candidatura à Presidência do CDS-PP Cascais

Francisco Kreye, jovem autarca na Assembleia de Freguesia de Cascais-Estoril, anunciou, ontem nas redes sociais, a sua candidatura à presidência da Comissão Política da Concelhia de Cascais do CDS-PP.

O jovem de 30 anos, natural de Cascais, é licenciado em Administração e Gestão Desportiva e tem uma Pós-Graduação em Gestão e Políticas Públicas.

No vídeo apresentado na página de candidatura, designada “Servir Cascais”, Francisco Kreye diz apresentar-se com uma “equipa multidisciplinar, com provas dadas nas mais variadas áreas da sociedade civil e conhecedora das ruas e pessoas do Concelho”.

O candidato aponta “a defesa da Cultura, a preservação do Ambiente e a defesa da Educação como força motriz da mobilidade social” como principais bandeiras no mandato.

Recorde-se que Francisco Kreye é o atual Secretário-Geral da Juventude popular e, recentemente, integrou a nova Comissão Política Nacional do CDS-PP, liderada por Francisco Rodrigues dos Santos.

Franciso Kreye é, assim, o primeiro candidato assumido à sucessão de Frederico Pinho de Almeida, atual Vereador na Câmara Municipal de Cascais.

As eleições terão lugar no sábado, dia 29 de Fevereiro, das 15h às 20h.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/politica/francisco-kreye-anuncia-candidatura-a-presidencia-do-cds-pp-cascais/

ABSTINÊNCIA SEXUAL

HÉLDER MATEUS DA COSTA
Há muito tempo que os críticos e comentadores se lamentam da esterilidade inventiva da política. Mas chegou uma boa nova. Deu -se o ressurgimento de um partido da direita assumindo -se “sexy”- o que é uma aposta perigosa e audaciosa – e avançaram com uma ideia pouco definida sobre “abstinência sexual” . Que se trata de uma falsa novidade.
Em 2004, George W. Bush, o saudoso presidente dos USA, decidiu participar na luta internacional contra a sida. E ofereceu 5 mil milhões de dólares (4 mil e 200 milhões de Euros, 8 milhões e 200 mil contos), em programas de prevenção baseados na abstinência sexual!
Não sabemos se isso deu resultado, mas pensa-se que os seus conselheiros sugeriram contacto com o João Paulo II que aconselhou escolher Portugal como país piloto para essa experiência. Porquê? porque além de célebres qualidades genéticas dos indígenas (Obrigado VPV), têm uma manifestação anual de 500.000 para Fátima, garantia de êxito Universal quando essa multidão desfilar com camisolas e bandeirolas ” Sexo, nunca mais!”.
Proposta aceite, em Wall Street 2 empresas criaram imediatamente o creme “Redusex”, para reduzir o tal órgão e facilitar a abstinência, e o produto foi lançado com uma canção do Michael “Tudo o que é pequenino é engraçadinho”.
Quanto a Portugal, sabe -se que nessa altura o governo era dirigido pelo revolucionário Durão Barroso em estágio antes de ir tratar da saúde da Europa para aterrar no merecido colo do patrão Goldman Sachs.
Trata -se de uma sugestão para esse novo partido “sexy”.
De nada.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/13/helder-mateus-da-costa-abstinencia-sexual/

Abstinência sexual

Há muito tempo que os críticos e comentadores se lamentam da esterilidade inventiva da política. Mas chegou uma boa nova. Deu-se o ressurgimento de um partido da direita assumindo-se “sexy” – o que é uma aposta perigosa e audaciosa – e avançaram com uma ideia pouco definida sobre “abstinência sexual”.

 

 

Que se trata de uma falsa novidade.

Em 2004, George W. Bush, o saudoso presidente dos USA, decidiu participar na luta internacional contra a sida. E ofereceu 5 mil milhões de dólares (4 mil e 200 milhões de Euros, 8 milhões e 200 mil contos), em programas de prevenção baseados na abstinência sexual!

Não sabemos se isso deu resultado, mas pensa-se que os seus conselheiros sugeriram contacto com o João Paulo II que aconselhou escolher Portugal como país piloto para essa experiência. Porquê? porque além de célebres qualidades genéticas dos indígenas (Obrigado VPV), têm uma manifestação anual de 500.000 para Fátima, garantia de êxito Universal quando essa multidão desfilar com camisolas e bandeirolas “Sexo, nunca mais!”.

Proposta aceite, em Wall Street 2 empresas criaram imediatamente o creme “Redusex”, para reduzir o tal órgão e facilitar a abstinência, e o produto foi lançado com uma canção do Michael “Tudo o que é pequenino é engraçadinho”.

Quanto a Portugal, sabe-se que nessa altura o governo era dirigido pelo revolucionário Durão Barroso em estágio antes de ir tratar da saúde da Europa para aterrar no merecido colo do patrão Goldman Sachs.

Trata-se de uma sugestão para esse novo partido “sexy”.

De nada.


 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/abstinencia-sexual/

Portugal fascista | Abel Matos Santos demitiu-se da comissão executiva do CDS

 
 
Demissão foi entregue por carta ao líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, que já a aceitou.
 
Abel Matos Santos demitiu-se da comissão executiva do CDS. A notícia está a ser avançada pela RTP, que afirma que a demissão foi entregue por carta ao líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos. Ao Notícias ao Minuto, o novo presidente do CDS confirma o pedido de demissão de Matos Santos, a qual já aceitou.  
 
A demissão do centrista acontece depois de terem vindo a público afirmações polémicas proferidas no Facebook entre 2012 e 2015.
 
Numa dessas afirmações, Abel Matos Santos apelidara de “agiota dos judeus” o cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides Sousa Mendes, que ajudou a salvar milhares de judeus durante a II Guerra Mundial. Noutras, elogiara Salazar e a PIDE. 
 
Apesar de a recém eleita direção ter desvalorizado a polémica numa primeira fase, as críticas persistiram, inclusivamente dentro do partido. Pires de Lima, recorde-se, chegou mesmo a desafiar o novo líder do CDS a retirar a confiança política a Matos Santos.
 
Na resposta, a comissão executiva defendeu, numa nota enviada aos jornalistas na sexta-feira , que o CDS  é “um partido humanista, personalista, profundamente tributário dos princípios democráticos, da obediência ao primado da dignidade da pessoa humana, da tolerância, e do respeito pelos povos”, e que “não há espaço para o racismo, para a xenofobia, para o anti-semitismo, para a intolerância ou para qualquer saudosismo de regimes que não assentem na liberdade”. Abel Matos Santos “é também um reflexo desse espírito” e as declarações que vieram agora a público têm apenas o objetivo de "prejudicar" o partido, lia-se na nota. 
 
“Sobre as suas afirmações antigas [de Abel Matos Santos], algumas com mais de 10 anos, agora repristinadas apenas com o firme propósito de prejudicar todo o CDS, a forma pública como se distanciou do rótulo ignóbil que lhe quiseram colar é já clarificadora: a direcção do CDS regista a mensagem cristalina que dirigiu hoje pessoalmente à Comunidade Israelita de Lisboa, na qual reafirma o seu empenho em honrar a história do povo judeu e a memória dolorosa do Holocausto”, defendeu o partido liderado por Francisco Rodrigues dos Santos. 
 
Abel Matos Santos, recorde-se, é o rosto da Tendência Esperança em Movimento [TEM], movimento que fez oposição interna a Assunção Cristas. Concorreu à liderança do CDS, mas acabou por desistir da 'corrida' para apoiar aquele que viria a ser eleito presidente do partido. Viria depois a ser um dos escolhidos para integrar a comissão executiva do CDS, numa tentativa de agregar na direção as várias sensibilidades internas. 
 
Melissa Lopes | Notícias ao Minuto
 
Leia em Página Global
 
- CDS. Um dos novos dirigentes elogiou a PIDE e Salazar. E acusou Aristides Sousa Mendes de ser "agiota de judeus"

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/portugal-fascista-abel-matos-santos.html

Um nome impróprio

(António Guerreiro, in Público, 31/01/2020)

António Guerreiro
 

Desde que o CDS tem um novo Presidente cujo apelido passou a ser publicamente usado (ou ele nasceu na esfera pública e nunca teve outra existência anterior?), tornou-se possível lermos um título como este: “Não há mulheres na direcção de Chicão” (revista Sábado, 26/01/20). Quem proclamou a vontade de tornar o CDS “um partido sexy”, recebeu imediatamente em troca a insinuação de que no território a que ele preside com mandato de super-macho, outorgado num nome — Chicão — cheio de evocações adjectivas e sugestões onomatopaicas, as mulheres não entram. Antes da desejada viragem sexy, já se instalou um vago ambiente pornográfico e misógino.

Um comentário a esta frase merece ser posto em contraponto ao que escrevi no texto ao lado. A “vítima” de uma nomeação vagamente injuriosa no espaço público mediático parece não compreender nada do funcionamento do discurso e converte em nome comum um nome próprio — ele, que passou a carregar no nome próprio o que de comum os outros encontraram na sua pessoa. Que curiosa simetria! Joacine está de facto do lado oposto: é alguém que foi publicamente despojada do seu nome próprio e passou a designar uma série de nomes comuns, muitos deles insultuosos. O nome comum que Francisco Rodrigues dos Santos lhe atribui é apenas mais um de uma série deles. “Joacine”, o nome, já não designa uma pessoa, designa uma entidade construída colectivamente, de maneira maciça e em série. E hoje, basta dizer “joacine” e já estamos a praticar um acto.

A minha análise não incide sobre aquilo que Francisco Rodrigues dos Santos disse ou fez, mas sobre a sua condição de “objecto” de um discurso, sem procurar saber de que modo e em que medida contribuiu para ele. O nome “Chicão” não tem nada de neutro, está muito perto da injúria ou, pelo menos, da interpelação violenta. É um nome que constrói, por si só, um sujeito político, tal como a palavra “geringonça” era um juízo depreciativo do governo que nasceu de apoios parlamentares inéditos. E é muito interessante saber se tal apelido e o sujeito político que ele constrói trarão benefícios ou malefícios a quem é assim nomeado; e se o novo Presidente do CDS vai conformar-se sem resistências ao nome, como se ele não fosse uma ferida, mas um motivo de orgulho, ou, pelo contrário, se vai esvaziar o nome de qualquer legitimidade.

Mas, por enquanto, o que interessa perceber é que há um discurso jornalístico que nomeia com gáudio um líder partidário com um nome que não é como os nomes próprios que não têm nada de descritivo. “Chicão” tem um significado que toca no imaginário. Ele vale por uma diferença negativa em relação ao nome civil da pessoa que é assim nomeada, na medida em que chamar “Chicão” a alguém, publicamente e não num contexto familiar ou de camaradagem, é vagamente da ordem do insulto ou, pelo menos, da ironia.  Só quem não presta atenção ao peso e eficiência dos significantes é que não percebe isto. Tal como na filosofia e na ciência são muito importantes as decisões terminológicas, no jornalismo e na política é muito importante a nomeação (veja-se o que significou a apelido “Bochechas” para a construção da figura pública de Mário Soares). E é curioso perceber que um título como aquele da revista Sábado é para ser lido como uma denúncia do machismo retrógrado do Presidente do CDS, mas tem também outro significado muito menos evidente e nada objectivo: o poder terrível de nomear e de praticar a acção injuriosa dos nomes. Ora, o que temos visto, por parte do jornalismo, nos útimos dias, é o uso imoderado deste poder. Não se trata sequer de eleger um inimigo político, alguém que se quer aniquilar politicamente, trata-se antes de exercer com gáudio e sem distância crítica um determinado poder. Escrever ou dizer “Chicão”, quando se está a fazer jornalismo, não é uma mera e neutra nomeação: é entrar no processo de constituição de um sujeito através da linguagem. Este discurso tem uma performatividade, realiza um acto, produz efeitos: na terminologia da Linguística, chama-se “acto perlocutório”. Experimentemos repetir “Chicão” muitas vezes, para experimentarmos o que uma vez escreveu Karl Kraus: “Quanto mais se olha de perto uma palavra, mais ela parece olhar-nos de longe”.

Não faço ideia qual a relação que o dirigente partidário Francisco Rodrigues dos Santos tem com o chamado “Chicão”, não sei se ele é cúmplice da difusão pública do seu apelido, que não chega a ser injurioso, mas tem um elemento descritivo de sentido negativo. Eu posso até achar que ele merece um nome que tenha uma carga negativa ainda mais forte, mas o que eu acho e o que os jornalistas “acham” não serve o rigor que o discurso jornalístico requer. Escrevo isto não por ter qualquer simpatia pelas ideias políticas e pela atitude pública do novo dirigente do CDS, mas porque ele deve ser contestado na sede política própria e não através de uma construção feita pelo nome, que de resto talvez acabe por lhe trazer benefícios.


Livro de recitações

“No CDS não existem Joacines”
Francisco Rodrigues dos Santos, in PÚBLICO, 28/01/2020

Um comentário a esta frase merece ser posto em contraponto ao que escrevi no texto ao lado. A “vítima” de uma nomeação vagamente injuriosa no espaço público mediático parece não compreender nada do funcionamento do discurso e converte em nome comum um nome próprio — ele, que passou a carregar no nome próprio o que de comum os outros encontraram na sua pessoa. Que curiosa simetria! Joacine está de facto do lado oposto: é alguém que foi publicamente despojada do seu nome próprio e passou a designar uma série de nomes comuns, muitos deles insultuosos. O nome comum que Francisco Rodrigues dos Santos lhe atribui é apenas mais um de uma série deles. “Joacine”, o nome, já não designa uma pessoa, designa uma entidade construída colectivamente, de maneira maciça e em série. E hoje, basta dizer “joacine” e já estamos a praticar um acto.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Portugal fascista | CDS do Chicão com saudades de Salazar e da PIDE

 
 
CDS. Um dos novos dirigentes elogiou a PIDE e Salazar. E acusou Aristides Sousa Mendes de ser "agiota de judeus"
 
Elogios a Salazar e à PIDE ou críticas a Aristides Sousa Mendes. Abel Matos Santos, que integra a nova direção do CDS, diz que publicações tiveram “o seu contexto”.
 
As publicações, de 2012 a 2015, mostram elogios ao ditador português ou à PIDE e críticas ferozes ao cônsul que salvou muitos judeus do holocausto. Em declarações ao Expresso, Abel Matos Santos diz que essas publicações tiveram “o seu contexto”. Já a Direção do CDS diz desconhecer as declarações, mas lembra que pensamento de dirigente já era “conhecido” do partido.
 
Os comentários encontram-se em publicações, mais antigas ou mais recentes, feitas – e ainda disponíveis – no Facebook de Abel Matos Santos, dirigente nacional do CDS que passou a fazer, com a eleição de Francisco Rodrigues dos Santos, parte da Comissão Executiva do CDS. Questionado pelo Expresso, que divulgou a notícia, Matos Santos diz que as afirmações tiveram, “como tudo nas nossas vidas, o seu momento e o seu contexto”.
 
As polémicas declarações, publicadas na página que usa para expressar posições públicas, multiplicam-se pelo menos desde outubro de 2012, data em que partilhou uma notícia do “Público” titulada “Embaixador de Israel diz que Portugal tem uma «nódoa» que os judeus não esquecem” para fazer o seguinte comentário sobre Aristides Sousa Mendes, o diplomata que concedeu contra a vontade de Salazar milhares de vistos a refugiados: “Porque será que defendem Sousa Mendes, que foi um agiota dos judeus?”.
Depois de, num primeiro momento, ter confirmado a veracidade das declarações, Abel Matos Santos enviou um e-mail ao Expresso em que defendia que “expurgar frases desses textos e descontextualizá-las não é um exercício sério”, deixando de fora o presidente do partido: “É totalmente alheio ao que escrevi”.
 
As posições são de um dirigente nacional do partido que foi até agora porta-voz da Tendência Esperança em Movimento, da ala mais conservadora do CDS, tendo feito parte, por inerência, da Comissão Política anterior. Durante o congresso deste fim de semana, Abel Matos Santos declarou o seu apoio a Francisco Rodrigues dos Santos, desistindo assim da sua candidatura a favor do atual presidente e passando a integrar a nova Comissão Executiva do partido.
 
Ao Expresso, o vice Filipe Lobo d’Ávila reage garantindo que a direção “desconhece” estas posições mas que o pensamento de Matos Santos, tendo exercido cargos locais e feito parte da Comissão Política anterior, é “conhecido” do partido. “Esta direção é plural e inclui várias opiniões diferentes, mas a moção vencedora é clara. O que faz sentido para esta direção é falar do futuro”, sublinha.
 
“A integração de dirigentes profundamente conservadores”
 
Apesar da nova direção desvalorizar as declarações de Abel Matos Santos, o mal estar já está instalado no partido centrista. Na crónica “Congresso do CDS”, publicada no início da semana no Jornal de Negócios, Adolfo Mesquita Nunes nunca referiu nomes mas revelava o seu desconforto na análise ao fim-de-semana em Aveiro.
 
“Não sabemos, por exemplo, se a integração de dirigentes profundamente conservadores (um deles acha que a minha orientação sexual pode ser curada, por exemplo; só não me ofereço como cobaia para o provar errado porque tenho coisas melhores para fazer) é mero arranjo de listas ou se, ao invés, importa para o discurso da direção esse conservadorismo de quem considera Aristides Sousa Mendes um agiota de judeus“.
 
Também na crónica publicada no Observador, Pedro Gomes Sanches se mostra preocupado com a deriva do CDS, “democrata na medida em que é populista, mas é iliberal na medida em que é intolerante”. E para o mostrar, transcreve as publicações de Abel Matos Santos que, tal como o próprio já assumiu, tiveram “o seu momento e o seu contexto”.
 
Observador | Imagem: João Porfirio
 
*Título PG

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/portugal-fascista-cds-do-chicao-com.html

Dirigente do CDS elogiou Salazar e a PIDE

Abel Matos Santos também chamou “agiota de judeus” a Aristides Sousa Mendes, em publicações no seu facebook, entre 2012 e 2016. No último Congresso do CDS foi eleito para a Comissão Executiva do partido, depois de desistir da sua candidatura e apoiar a de Francisco Rodrigues dos Santos.

Abel Matos Santos, da atual Comissão Executiva do CDS, louvou Salazar no seu facebook, insultou o 25 de Abril, elogiou a PIDE e ultrajou Aristides Sousa Mendes – na imagem com o líder do CDS Francisco Rodrigues dos Santos, foto de Paulo Novais/Lusa, 25 de janeiro de 2020A notícia é do Expressodesta quarta-feira e refere que Abel Matos Santos escreveu na sua página no facebook, entre 2012 e 2016, comentários contra o consul Aristides Sousa Mendes, que salvou muitos judeus da perseguição nazi. Escreveu também posts de louvor a Salazar, insultos ao 25 de abril e até elogios à PIDE, a polícia política da ditadura salazarista.

Sobre Salazar, o Expresso refere que Matos Santos escreveu em julho de 2015, a propósito de uma notícia da TSF: “Viva Salazar! E ele vive mesmo! Façam o que fizerem, mudem o nome da ponte que ele fez, apaguem nomes de ruas, mintam sobre ele, façam o que fizerem nunca conseguirão apagar a sua memória e o seu vasto legado! Foi sem dúvida alguma um dos maiores e melhores portugueses de sempre!”.

Respondendo a comentários ao seu post, o dirigente do CDS foi ao extremo de afirmar que a PIDE era “uma das melhores polícias do mundo”, só provocaria problemas “aos comunistas e àqueles que atentavam contra a segurança do Estado”, e concordou com a atuação da PIDE escreve “e muito bem”. Questiona até as brutais torturas da polícia política salazarista.

Segundo o Expresso, Abel Matos Santos, faz um post a 25 de Abril de 2016 - “dia de lavagem cerebral” - e escreve: “Mas o que comemoram eles? Háaa, já sei, é a Liberdade… A liberdade de abortar, de mudar de sexo de manhã e à tarde, de usar crianças de modo egoísta para satisfação de ideologias e projectos pessoais… (...) É isto tudo que hoje se comemora em Portugal! Um país outrora pluricontinental e pluriracial, hoje pluriendividado!”.

Questionado pelo Expresso, Matos Santos diz que as publicações tiveram“como tudo nas nossas vidas, o seu momento e o seu contexto” e a direção diz que não conhece, mas que o seu pensamento já era “conhecido” do partido.

Abel Matos Santos pertence à Tendência Esperança em Movimento do CDS, fez parte por inerência da anterior Comissão Política do Partido e no Congresso do CDS do passado fim de semana desistiu da sua candidatura e apoiou a do atual líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, passando a fazer parte da Comissão Executiva do partido.

Comentando a notícia no seu facebook, o dirigente bloquista Fabian Figueiredo escreve: “Não é do partido do dr. Ventura, mas pensa e comporta-se como se fosse.”

 

CDS. Um dos novos dirigentes elogiou a PIDE e Salazar. E acusou Aristides Sousa Mendes de ser "agiota de judeus".

Elogios a Salazar e à PIDE ou críticas a Aristides Sousa Mendes. Abel Matos Santos, que integra a nova direção do CDS, diz que publicações tiveram “o seu contexto”.
 
As publicações, de 2012 a 2015, mostram elogios ao ditador português ou à PIDE e críticas ferozes ao cônsul que salvou muitos judeus do holocausto. Em declarações ao Expresso, Abel Matos Santos diz que essas publicações tiveram “o seu contexto”. Já a Direção do CDS diz desconhecer as declarações, mas lembra que pensamento de dirigente já era “conhecido” do partido.

Os comentários encontram-se em publicações, mais antigas ou mais recentes, feitas – e ainda disponíveis – no Facebook de Abel Matos Santos, dirigente nacional do CDS que passou a fazer, com a eleição de Francisco Rodrigues dos Santos, parte da Comissão Executiva do CDS. Questionado pelo Expresso, que divulgou a notícia, Matos Santos diz que as afirmações tiveram, “como tudo nas nossas vidas, o seu momento e o seu contexto”.

As polémicas declarações, publicadas na página que usa para expressar posições públicas, multiplicam-se pelo menos desde outubro de 2012, data em que partilhou uma notícia do “Público” titulada “Embaixador de Israel diz que Portugal tem uma «nódoa» que os judeus não esquecem” para fazer o seguinte comentário sobre Aristides Sousa Mendes, o diplomata que concedeu contra a vontade de Salazar milhares de vistos a refugiados: “Porque será que defendem Sousa Mendes, que foi um agiota dos judeus?”.

Depois de, num primeiro momento, ter confirmado a veracidade das declarações, Abel Matos Santos enviou um e-mail ao Expresso em que defendia que “expurgar frases desses textos e descontextualizá-las não é um exercício sério”, deixando de fora o presidente do partido: “É totalmente alheio ao que escrevi”.

Ver original em "Observador" aqui

 

Jovem autarca na equipa de "Chicão" promete "levar Cascais e os seus interesses para o centro da politica nacional do CDS"

Por Redação
28 janeiro 2020
Francisco Kreye, membro do CDS-PP Cascais e autarca na Assembleia de Freguesia de Cascais-Estoril desde 2013, que faz parte da equipa do novo líder centrista, Francisco Rodrigues dos Santos, vulgo "Chicão", eleito no fim-de-semana, no Congresso, em Aveiro, promete “levar Cascais e os seus interesses para o centro da política nacional” do partido centrista. Aos 30 anos, Francisco Kreye é Secretário-Geral da Juventude Popular, tornando-se um dos vários jovens que fazem agora parte dos órgãos nacionais, mais concretamente na Comissão Política Nacional do CDS-PP. Licenciado em Administração e Gestão Desportiva, pela Universidade Autónoma de Lisboa, o cascalense tem, também, uma pós-graduação em Gestão e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. "Este congresso representou uma vontade expressa dos portugueses e das bases do partido em mudar. Não podemos esperar resultados diferentes com as mesmas pessoas de sempre. O Congresso deliberou e elegeu uma nova direção que muito me orgulho de integrar. Pretendemos ser a casa de toda a direita em Portugal”, afirma Francisco Kreye.  “Procurarei levar Cascais e os seus interesses para o centro da política nacional do CDS", promete.
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_4678.html

Chicão: a retórica “sexy” do “carro vassoura da mudança”

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 27/01/2020)

Daniel Oliveira
 

A melhor forma de saber quem é Francisco Rodrigues dos Santos é ouvir o que dizia antes de ser candidato à liderança do CDS. E não é preciso recuar muito.

Apesar de ser evidente que já era essa a sua ambição, ainda há um ano garantia que não estava no seu horizonte próximo o que aconteceu este domingo. Dizia que não tinha pressa. Entrevistei-o para o meu podcast há cerca de um ano. Tenho de dizer que ia com boas referências e fiquei surpreendido. Encontrei um gerador automático de citações, que pode impressionar pessoas com poucas leituras mas não revelou um conservador sólido. O problema não é ser demasiado jovem. Paulo Portas também o era. É ser demasiado jovem e estar muitíssimo longe de ser Paulo Portas.

Francisco Rodrigues dos Santos é aquele tipo de políticos que é muito eficaz a falar para dentro da sua própria bolha. Sempre que vocifera contra a direita “apaixonada pela esquerda” anima a cultura tribal e gregária da militância, dando uma ilusão de força que dificilmente funciona para fora. Nem mesmo neste tempo em que cavar trincheiras parece ser a única forma que sobra de fazer política. A enorme vaia a António Pires de Lima, comum em partidos que se enfiam na sua autossuficiência, é o retrato daquilo de que se alimenta o jovem e impreparado Chicão. Cultura que ele alimenta, mesmo que por uns tempos vá fazer a rábula da união de um partido que se adapta sempre aos seus líderes.

Mas a grande acusação que Francisco Rodrigues dos Santos tem a fazer ao seu próprio campo político é a de se ter transformado no “carro vassoura da mudança”. Para lá da retórica e do permanente apelo ao sectarismo identitário, o que fará Chicão para que isso deixe de acontecer? Baseio-me na entrevista que lhe fiz e que, recordo, tem apenas um ano.
Na economia, apesar de ensaiar uma música contra o neoliberalismo, defende o que o CDS sempre defendeu. Com exceção da defesa do Salário Mínimo Nacional, no que diverge de uma posição pontual da Juventude Popular que nunca foi acompanhada pelo partido, é defensor de leis laborais mais flexíveis, da entrada do ensino privado na rede pública que garante o ensino gratuito e até vê com bons olhos uma taxa plana de IRS que baixe radicalmente os impostos para os mais ricos, o que nunca poderia deixar de ter um efeito no Estado Social. Nesta matéria, nada o distingue das posições políticas dos seus adversário internos e do resto da direita. É até mais liberal do que Assunção Cristas e não menos do que Adolfo Mesquita Nunes.

Quando se chega à Europa, Francisco Rodrigues dos Santos volta ao mesmo artifício. A sua retórica é crítica do federalismo, sempre carregada de cores fortes e muitos adjetivos barrocos. Mas quando se vai ao concreto, define-se como uma terceira via entre o federalismo de Lucas Pires e o euroceticismo de Manuel Monteiro. Bem espremido, a posição exata do CDS de há muito tempo.

Chegado à ética política, é forte a falar do clientelismo. Mas, quando confrontado com o cadastro do seu partido, defende-o. Nem o caso da nomeação de Celeste Cardona para a Caixa Geral de Depósitos, totalmente deslocada para o seu currículo, foi capaz de criticar. Os grandes é que pecaram e os militantes do CDS colocados em lugares do Estado distinguiram-se pelo mérito. Nada de novo, portanto. Clientelismo mau é o dos outros.

Mas o mais importante é mesmo aquilo a que chamamos costumes. Até porque Francisco Rodrigues dos Santos recusa que o que separa a esquerda e a direita se resuma à “balança que mede o peso do Estado na economia, a mais ou menos impostos ou meramente numa folha de excel”. Quando olhamos para o embrulho ficamos assustados. As expressões que usa são fortes. A começar na utilização do termo “ideologia de género”, popularizado pelos sectores ultraconservadores e de extrema-direita e que, na entrevista que lhe fiz, percebi que ele julgava ser uma autodefinição da própria esquerda.

Não se entusiasmem, no entanto, os ultraconservadores. Mais uma vez, Chicão compra o verbo, não o ato. É contra o aborto mas não tem qualquer intenção de mudar a lei que o despenalizou. Porque é um conservador e as coisas estão bem como estão. É contra a instituição legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo mas não pretende alterar uma vírgula na lei vigente. E até defende a descriminalização do consumo de droga, a que o CDS se opôs.

Tirando esta exceção, Francisco Rodrigues dos Santos é muito firme na condenação do que se fez mas totalmente demissionário na possibilidade de o desfazer. Sobretudo nas questões de costumes, que aparentemente o diferenciariam das correntes mais liberais do partido (na economia são totalmente confluentes). Discorda de Adolfo Mesquita Nunes em muitas coisas mas, aparentemente, isso não terá qualquer consequência prática, porque não vale a pena tocar no que já mudou. Está resolvido, disse. O que quer dizer que a expressão “carro vassoura da mudança” lhe assenta como uma luva. Mais a ele do que a outros: pelo menos os liberais do CDS concordam com aquilo que não querem mudar e querem mudar aquilo de que discordam.

“Não seremos políticos que aparentam uma grande firmeza nas suas palavras e revelam uma imensa fraqueza quando têm de enfrentar as consequências dessas mesmas palavras”, disse o novo líder do CDS no seu discurso de Aveiro. Foi isso mesmo que encontrei na entrevista que lhe fiz. Da crítica à moleza dos seus opositores internos, tudo se lhe aplica. Sobra a retórica que os congressistas terão achado “sexy”. E até o discurso conservador meteu na gaveta quando sentiu que isso lhe poderia retirar votos no congresso.

E porque é assim o novo líder do CDS? Porque Chicão é daqueles políticos que prefere apanhar o ar que se respira em cada tempo em vez de ser ele a definir esse tempo. E o ar do tempo, na direita, faz-se de uma retórica cada vez mais forçadamente radicalizada para travar uma extrema-direita que assim se vê legitimada. Mas o novo líder do CDS, apesar dos tons contrastantes do seu discurso, não tem um rumo estratégico para o CDS. Apenas aproveitou uma profunda crise do partido, repetiu as frases da moda no seu campo político e nem sabe ao certo como ser consequente com elas. O discurso conservador de Chicão é como o discurso revolucionário do PCP: não vale nada para além da estética. Como se percebeu no seu discurso inaugural, o vazio de novidades programáticas para o país é preenchido por chavões e decibéis que simulem uma mudança gritada.

O extremismo retórico de Chicão tem, no entanto, consequências. A facilidade com que abre a porta à proximidade a fenómenos como Bolsonaro, tratando-o como “desbocado” mas “desempoeirado” (ouvir mesma entrevista), e a dificuldade que tem de se distanciar de figuras como Salvini, denuncia até onde pode ir o seu oportunismo político. O objetivo é óbvio: vir a combater o crescimento político do Chega. Chicão partilha com Ventura algum radicalismo discursivo, com diferenças que não desprezo. Mas, acima de tudo, partilha uma enorme facilidade em radicalizar o discurso muito para além das suas convicções profundas, como fica evidente quando se tenta espremer qualquer consequência das suas posições. Só que tem, sobre o seu novo concorrente, uma enorme dificuldade: carrega um partido com contradições e uma história que o impedem de ser consequente. É verdade que o CDS é plástico. Tende a moldar-se às novas lideranças e isso explica a forma como é ciclicamente abandonado por camadas de pessoal político. Mas, ainda assim, há uma tradição que dá ao CDS um peso que não lhe permitirá ser um Chega soft.

Mal sai do discurso sem contraditório para animar uma sala de indefetíveis, Chicão é uma imitação frágil do que já existe, cheia de adversativas confusas e posições de princípio inconsequentes, que não servirão para travar nada. Quanto muito, servem para segurar o pouquíssimo que resta ao CDS e que esteve neste congresso, totalmente alheado do resto do país. Serve para o CDS se acantonar numa identidade que nunca foi a sua. De resto, sobra a personalidade de um líder sem currículo, sem consistência e sem palco no Parlamento. E com uma direção que junta o refugo não utilizado por Portas, o regresso dos mortos vivos de Monteiro e as viúvas de Ribeiro e Castro. Tudo em versão estagiária.

A sua eleição revela um CDS impressionável com jogos pirotécnicos, abandonado por aqueles que lhe davam massa crítica e desesperadamente à procura de um buraco onde se sinta confortavelmente pequeno. Um buraco que, ainda por cima, já está ocupado.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Francisco Rodrigues dos Santos não se quer eternizar “na cadeira de presidente do CDS”

Paulo Novais / Lusa

 

“À medida que as pessoas se vão eternizando nos lugares, começam a confundir o interesse público com o interesse particular”. Por isso, Francisco Rodrigues dos Santos não se quer eternizar no CDS-PP.

 

Em entrevista à TVI, um dia depois de ser eleito, Francisco Rodrigues dos Santos garante que saberá sair “quando entender que estão esgotadas condições para continuar uma rota de crescimento”.

“Eu não me pretendo eternizar na cadeira de presidente do CDS porque, quando isso acontece, os partidos normalmente tendem a mingar e a falarem num circuito fechado e a serem geridos num sistema de rotatividade onde são sempre as mesmas pessoas a suceder a lugares diferentes”, disse.

Por acreditar que, à medida que as pessoas se vão eternizando nos lugares, começam a confundir o interesse público com o interesse particular”, o líder centrista defende a necessidade de “os políticos encontrarem soluções de consenso para o combate à corrupção”.

À semelhança do que acontece com os presidentes da junta e de câmara, Francisco Rodrigues dos Santos abraça a ideia de “todos os titulares de cargos públicos eletivos puderem “apresentar e sofrer uma limitação de mandatos“. “Antes do 25 de abril tínhamos presos políticos, hoje em dia temos políticos presos e creio que essa é uma inversão do paradigma que descredibiliza a nossa democracia.”

Neste sentido, o mais recente líder do CDS-PP defende uma reforma eleitoral que implemente um “sistema misto” – um sistema em que os partidos apresentariam uma lista e seria dada a hipótese aos eleitores de escolher os deputados que indicariam para os representar. “Creio que assim teríamos uma democracia mais realizada. Há que credibilizar a política perante este colapso ético e moral que existe.”

Em relação à esquerda, o sucessor de Assunção Cristas disse que “é precisamente por não colocar todos no mesmo saco” que acha “um bocadinho incoerente e paradoxal que, com programas que eram tão distintos uns dos outros, ter havido uma tentativa de homogeneização após as eleições” de 2015, quando a geringonça nasceu.

Questionado sobre possíveis acordos com o Chega, o líder do CDS considerou que, “à direita do Partido Socialista, devem ser criadas plataformas de diálogo que permitam uma solução que possa harmonizar as propostas de todos os partidos”.

O líder foi ainda confrontado com o facto de o número de mulheres na sua direção ser inferior ao dos homens e explicou que o critério foi o mérito e os perfis adequados para cada cargo.

“Ficaria preocupado se me dissessem que as listas dos CDS não tinham gente competente de qualidade, com perfil, com currículo. Não acho que a nossa sociedade tenha de ser metida por régua e esquadro onde se tenha de obedecer a uma percentagem fixa de homens e mulheres”, argumentou.

Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito líder do CDS-PP no passado domingo. A moção de estratégia “Voltar a Acreditar” foi a mais votada no 28.º congresso do CDS, em Aveiro.

Francisco pode não ter mãos para um “CDS vulnerável”

Num artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios, Adolfo Mesquita Nunes, que era apoiante de João Almeida, levantou várias questões ao recém-eleito presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, e em particular sobre a equipa escolhida para a direção do partido. “Sempre que o debate ideológico se instala, ganha quem faz o papel de idealista.”

“Não sabemos, por exemplo, se a integração de dirigentes profundamente conservadores (um deles acha que a minha orientação sexual pode ser curada, por exemplo; só não me ofereço como cobaia para o provar errado porque tenho coisas melhores para fazer) é mero arranjo de listas ou se, ao invés, importa para o discurso da direção esse conservadorismo de quem considera Aristides Sousa Mendes um agiota de judeus”, começa por escrever.

“Não sabemos se quem foi contra um partido catch-all se vai sentir bem numa direção que vai do mais profundo conservadorismo ao liberalismo: uma direção catch-all, no fundo”, atira Mesquita Nunes.

Para o ex-vice-presidente há várias dúvidas que se levantam: ainda não se sabe se a narrativa dos valores durante a campanha lhe serviu apenas para chegar ao congresso ou se, ao invés, será “a narrativa do seu mandato”; se vai em busca do eleitorado urbano, jovem, de classe média, “que marcou o nosso crescimento em 2009 e 2011” ou se vai “buscar um outro eleitorado, distinto, alterando o perfil eleitoral” do partido; se o Chega é visto como um “perigo” ou “tentação”; se o vigor, a determinação, e as palavras fortes que pôs no seu discurso ao longo dos quatro anos em que preparou são apenas estilo, forma, ou “sinais derradeiros de uma convicção inabalável no CDS contra o relativismo moral”.

No entanto, Mesquita Nunes tem uma certeza: o CDS “é muito vulnerável a questões de identidade política”. “Se alguém aparece a dizer que o partido está a transformar-se, a perder a sua identidade, logo o partido se preocupa, logo o debate se espalha, desfocando o partido. Foi sempre assim, há muitos congressos a demonstrá-lo, e só Paulo Portas conseguiu enterrar esse debate com sucesso e resultados”.

“Nada diz que Francisco Rodrigues dos Santos não consiga fazer o mesmo, apesar de, ou com a legitimidade de ter chegado a presidente provocando o debate identitário à exaustão. Se souber não ceder às pressões das tendências que acolheu, se souber descobrir em si outra vocação que não a de representante de valores, isso não será impossível, sendo certo que a tendência para o debate identitário pode intensificar-se à conta da concorrência dos partidos emergentes (uma expressão feliz de Francisco Rodrigues dos Santos)”, conclui.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/francisco-nao-se-quer-eternizar-cds-305239

Portugal | O CDS A FUGIR DA LEVADA

 
 
Pedro Ivo Carvalho| Jornal de Notícias | opinião
 
É da levada íngreme em direção à irrelevância que foge o CDS. É da absoluta necessidade de voltar à esfera do poder que depende o êxito dessa fuga. E é a urgência em consegui-lo que vai determinar o grau de empenho e o estilo do novo líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos.
 
Ele que, em poucos meses, poucos acreditaram ser capaz de chegar, ver e vencer. Ele que, ancorado numa estratégia pragmática, de afrontamento aos barões, fazendo uso da irreverência da idade e de um discurso menos tolerante com o status, sonha com um CDS como farol da Direita. Um CDS declaradamente conservador, mais musculado. Que faça caminho do extremo para o meio e não o inverso. "Seremos um partido que se tornará sexy", enfatizou o presidente que já não quer ser tratado por "Chicão".
 
Mas a Direita de hoje, esta Direita onde agora o novel presidente quer estacionar o partido, não é a mesma que guindou o CDS ao Governo de Passos Coelho. Que gerou ministros e secretários de Estado. A Direita onde o CDS versão 2020 quer florescer, a "nova Direita", como a designa Francisco, é também a Direita do Chega, dos populismos, do ascendente da mensagem acéfala das redes sociais no discurso político, da intransigência. Uma Direita com trincheiras, de facas na liga, sem travões que não os muito poucos que cria para si própria.
 
 
Ora, um CDS mais extremado do que aquele que vimos na vigência de Assunção Cristas terá necessariamente de disputar esse eleitorado. Porque a tal levada íngreme em direção à irrelevância de que foge um partido com cinco deputados pode transformar-se muito rapidamente num precipício sem retorno. Salvar-se ou morrer, eis o dilema do CDS. Veremos que efeitos terão no discernimento político de Francisco Rodrigues dos Santos os instintos de sobrevivência desta "nova Direita".
 
* Diretor-adjunto

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/portugal-o-cds-fugir-da-levada.html

CDS: CHEGA PARA AQUI

Parece que o CDS vai ter um problema muito complexo no Parlamento, onde o deputado mais próximo das ideias do Chicão, em vez de serem os deputados do CDS a estarem próximo dos seus valores, é o deputado do Chega que mais se identifica com ele. Resta saber se a partir de agora vamos saber o que o Chicão pensa através da líder parlamentar ou o melhor é ver no deputado da extrema-direita o verdadeiro representante do líder do CDS.
 
 
No mundo da bola a moda é imitar quem ganha, se o SLB aposta em jovens o Pinto da Costa faz o mesmo, se o treinador do SLB é inexperiente o SCP contrata um estagiário. Se o discurso extremista do Chega deu resultado os militantes do CDS escolheram o candidato que mais se identifica com esse discurso.
 
Não deixa de ser irónico ver o CDS suicidar-se quando o grande erro de Crista foi precisamente a adoção de um discurso extremista que a levou á derrota.
É provável que Assunção Cristas fosse a melhor dos líderes partidários que se apresentaram nas últimas eleições, mas lamentavelmente a líder do CDS prescindiu da inteligência e adotou um discurso ao estilo dos “velhos” retornados do Rossio. O resultado foi um desastre e agora os seus pares parecem querer apostar numa linha ainda mais dura.
 
PS: Este país aceita tanquilamente que o mesmo PGR de Angola (um general) nada faça para julgar o vice-presidente de Angola e que agora venha sugerir que no caso da perseguição à família dos Santos quer julgar portugueses em Luanda. Ninguém manda este senhor general que usa óculos de ouro à bradamerda?
 

Ver original em 'O Jumento' (aqui)

Do desespero nasceu o "Chicão"

Xicão sporting CDS
Entronizado como líder de um partido profundamente fragilizado, Francisco Rodrigues dos Santos, conservador, ainda mais do que é costume, conta já com um alargado estado da graça fomentado por uma comunicação social que vibra com novidades à direita, sobretudo com a direita que profere frases como "o país foi tomado pela quadrilha das esquerdas unidas".
Francisco Rodrigues dos Santos, ou "Chicão" como também é conhecido, é jovem, um rosto relativamente desconhecido, que promete uma nova direita, neoliberal nas questões económicas e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aborto, ou quaisquer questões de género, apologista dos valores da Igreja, talvez em maiores doses do que é costume até para o CDS.
As próximas semanas e até meses poderão ser animadores para "Chicão" com uma comunicação social ávida por novidades à direita, o desespero amiúde apenas resulta em mais mediocridade.

Ver o original em 'Triunfo da Razão' na seguinte ligação:

http://triunfo-da-razao.blogspot.com/2020/01/do-desespero-nasceu-o-chicao.html

Francisco não agrada a gregos e a troianos. Passos pede aliança, Chega faz aviso

 

 

Francisco Rodrigues dos Santos vem romper com o “portismo” que dominou o CDS-PP nos últimos vinte anos. Uns congratulam-se, outros duvidam.

 

Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito presidente do CDS-PP este fim de semana. A moção “Voltar a Acreditar” foi a mais votada na madrugada domingo no 28.º congresso do partido, em Aveiro.

A principais bandeiras de “Chicão” – luta contra a corrupção, choque fiscal, o SNS sem “preconceitos ideológicos”, coesão territorial, reforma do sistema de justiça – não são muito diferentes das de Assunção Cristas. Ainda assim, o novo líder garante que chegou um novo tempo ao CDS e não tem vergonha de dizer que vem liderar um partido de direita.

“Não seremos mordomo nem muleta de ninguém, não nos iremos diluir em nenhum partido. Sejamos claros: à direita lidera o CDS, não lidera nenhum outro partido. Não aceitamos lições de ninguém”, sustentou o mais recente líder.

No rescaldo do fim de semana quente centrista, Pedro Passos Coelho abriu “uma exceção” para pedir, publicamente, união aos dois partidos. Assim, o ex-primeiro-ministro e antigo líder do PSD dirigiu um “voto público” ao PSD e ao CDS de “afirmação” e “união” para que ambos os partidos possam fazer “ações reformistas importantes” que o país precisa.

“Isso está perfeitamente ao nosso alcance e o país precisa disso, e nós precisamos disso. É o voto que aqui quero deixar. Que o exemplo da Barca possa ser inspirador para os nossos partidos, e em particular para o meu, que é o PSD”, afirmou.

O ex-governante, que falava durante a tomada de posse dos novos órgãos da concelhia de Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, terminou um discurso de quase 40 minutos, formulando um voto público aos dois partidos, em particular, ao seu.

“Que possa encontrar o seu caminho, certamente de afirmação e de união, porque as pessoas têm de se saber unir. Se andarem em desavenças é mais difícil chegar a algum lado. Não estou a dizer que é impossível, mas é mais difícil”, referiu.

Passos Coelho lembrou que os dois partidos fecharam “ciclos políticos” e que novos se abriram. “No PSD houve eleições há pouco tempo e haverá um congresso daqui a 15 dias para coroar essa eleição. O CDS fez hoje o seu congresso. Podemos dizer que aqueles que estiveram, no Governo, juntos no passado com essas responsabilidades fecharam um ciclo, em definitivo, e abriram outro. Ainda para mais com pessoas e dirigentes que não tiveram nada a ver nem com esse Governo, nem com outros passados, destes partido”, especificou.

Passos Coelho apelou para que “as pessoas se unam, a pensar no serviço que podem prestar aos outros”. “Se puserem um bocadinho de lado as questões que foram acumulando, às tantas se elas não forem muitos importantes e, muitas vezes não são muitos importantes, as pessoas tendem a esquecê-las e tendem a unir-se em torno de coisas mais positivas.”

Na intervenção, que contou com a presença dos deputados Eduardo Teixeira e Emília Cerqueira, do ex-deputado Carlos Abreu Amorim, dos presidentes da Câmara de Ponte da Barca, da concelhia e distrital do partido, Passos apelou ao “respeito e elevação”.

“Temos de saber acomodar as nossas divergências e saber comportar-nos à altura daqueles que estão a ouvir, que não estão nada interessados em saber das nossas zangas. Isso não interessa para nada. As nossas zangas são connosco. Não temos de maçar as pessoas com elas, a não ser que sejam coisas importantes. Se são importantes vamos lá a debater. Uma vez que estão arrumadas, estão arrumadas. Andamos para a frente. Não podemos andar sempre a bater na mesma tecla, senão não saímos do sítio”.

Convidado pelo PSD de Ponte da Barca para a tomada de posse da comissão política concelhia, Passos Coelho afirmou que a “união” daqueles dois partidos é “indispensável” perante a ausência, no presente, de “qualquer ação reformista importante” que possa “prevenir problemas maiores no futuro”.

“Não se vislumbra nenhum programa económico em que alguma reforma se esteja a fazer na dimensão da produtividade e competitividade da economia”, referiu, apontando o envelhecimento, a sustentabilidade dos apoios sociais e a saúde, “que está a rebentar pelas costuras”, como os principais problemas do país, a par do “descrédito da ação governativa”.

“Era indispensável que se começasse a intensificar esta forma de abordar os problemas. Quem está hoje no Governo prima pela ausência de um quadro reformista para um futuro melhor”, reforçou.

No final da intervenção e questionado pelos jornalistas, Passos Coelho escusou-se a prestar mais declarações. “Isto hoje foi uma exceção“, disse.

Diálogo do PSD com CDS será fácil

O dirigente do PSD Paulo Mota Pinto disse  que o seu partido irá dialogar “com facilidade” com a nova direção do CDS, presidida por Francisco Rodrigues dos Santos. “Vimos que o CDS se assumiu aqui como um partido de direita, distinto dos partidos emergentes, mas é um partido com o qual o PSD dialogará com facilidade”, declarou.

Depois do discurso de consagração de Francisco Rodrigues dos Santos como sucessor de Assunção Cristas, o presidente do congresso do dos sociais-democratas insistiu que o CDS é “um parceiro natural de diálogo” do PSD e lembrou a história comum dos dois partidos, quando desempenharam funções no Governo.

Paulo Mota Pinto admitiu que o CDS “distingue-se dos partidos emergentes” e é “um partido importante para o espetro político português”, adiantando que o PSD faz votos para que consiga superar o momento difícil que atravessa.

“O CDS está a atravessar um momento difícil. Alias, isso é claro no mote que preside ao congresso – A ideia de mudança – querem mudar justamente por causa do momento difícil e o PSD faz votos que o CDS consiga superar esse momento difícil”, afirmou.

Chega avisa que só “o futuro dirá” quem vai liderar direita

O vice-presidente do Chega, Diogo Pacheco Amorim, foi um dos convidados do congresso nacional do CDS, onde alertou que só “o futuro dirá” qual dos dois partidos vai liderar a direita em Portugal.

Pacheco Amorim, adjunto do CDS há 20 anos no parlamento, foi um dos convidados dos partidos na sessão de encerramento do congresso e considerou ser “mais continuidade do que renovação” relativamente a Assunção Cristas, e não uma ameaça por ter um perfil mais conservador.

E se Rodrigues dos Santos afirmou, no discurso da vitória, que não aceita lições de ninguém, o representante do Chega concorda, porque o seu partido “não quer dar lições a ninguém”.

As divergências surgem quanto à classificação do Chega de partido emergente, que “é uma forma de expressão”. “Julgo que já somos mais do que um partido emergente, e já temos um lugar claro no espetro político português”, disse, claramente no espaço da direita.

Uma frase que serviu para uma crítica indireta ao CDS, por que o Chega é de direita, “sempre disse que o era”, ao contrário do CDS, alegou, que “nem sempre disse que era de direita, normalmente assume-se de centro-direita”.

Numa lógica competitiva, Pacheco Amorim considerou que o Chega está em melhores condições de liderar a direita em Portugal, porque é um partido antissistema e o CDS um partido do sistema, que é “muito influenciado pela esquerda e extrema-esquerda”.

Se o novo líder do CDS disse que o seu partido quer liderar a direita, Pacheco do Amorim admite que os dois têm um “inimigo comum” – “a esquerda e a extrema-esquerda”, mas quem vai liderar não se sabe.

No que resta à liderança da direita, o futuro dirá”, afirmou.

PS lamenta “abandono do centro político”

O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, sustentou que o CDS-PP “abandonou o centro político do país”, afirmando que do discurso do novo líder, Rodrigues dos Santos, só extraiu “generalidades e slogans”.

“Lamento porque verificamos que a direita abandonou o centro político do país, temos uma direita mais à direita”, afirmou, em declarações aos jornalistas, desejando “as maiores felicidades” ao novo líder do CDS-PP eleito no 28.º Congresso, em Aveiro.

Quanto ao conteúdo do discurso de encerramento de Francisco Rodrigues dos Santos, o secretário-geral adjunto socialista disse que irá aguardar “porque para além das generalidades pouco mais se conseguiu extrair”. “Houve um conjunto grande de generalidades e slogans, do ponto de vista concreto não vimos nada”, respondeu.

Por outro lado, considerou, o CDS-PP reconheceu “que o discurso radical de crítica e contestação ao primeiro-ministro e ao Partido Socialista teve resultados catastróficos para o CDS”. “Aguardamos agora por uma alternativa e por alternativas políticas”, disse, sublinhando que o PS “dialoga com todos aqueles que queiram apresentar propostas para o país”.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/francisco-nao-agrada-gregos-troianos-304964

Portugal | Francisco Rodrigues dos Santos vai ser eleito o novo presidente do CDS

 
 
A eleição é formalizada hoje de manhã, quando forem a votos as listas da futura direção nacional
 
A moção de estratégia de Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular e conhecido por 'Chicão', foi a mais votada no 28.º congresso do CDS, em Aveiro. Intitulada 'Voltar a acreditar', reclamava uma mudança no partido e obteve 671 votos (46,4%).
 
Atrás ficou a moção do deputado João Almeida, com 562 e a de Filipe Lobo d`Ávila, com 209 votos. Quer João Almeida quer Lobo d`Ávila adiantaram que vão apresentar listas apenas ao Conselho Nacional, cumprimentando Rodrigues dos Santos pela vitória da sua moção de estratégia para os próximos dois anos. A quarta moção que foi a votos, de José Ângelo da Costa Pinto, teve três votos (0,02%). Registaram-se três votos brancos e nulos e no total, votaram 1.449 delegados.
 
Com este resultado, e depois de João Almeida e Lobo d´Ávila terem reconhecido a vitória do líder da JP, pode considerar-se futuro líder do CDS-PP.
 
A eleição é formalizada na manhã deste domingo, quando forem a votos as listas da futura direção nacional. Entre as 09h30 e as 12h30 decorrerá a eleição para os órgãos de direção, seguindo-se a apresentação de moções setoriais e o encerramento, às 13h30, com o discurso do futuro líder do CDS.
 
Se ao início da tarde as candidaturas adversárias de Rodrigues dos Santos relativizavam o significado dos aplausos ao candidato da Juventude Popular, ao final da noite já admitiam que estava "renhido" e mais tarde que ganharia. Ao todo, retirando as interrupções de uma hora para almoço e jantar, o primeiro dia prolongou-se por 14 horas e terminou na madrugada de domingo.
 
 
 
O primeiro dia
 
A jornada começou cerca das 11h00, com uma breve homenagem a Diogo Freitas do Amaral, fundador do partido que morreu em outubro passado, com os delegados a cumprirem um minuto de silêncio também por outros dirigentes já falecidos. 
 
A manhã do primeiro dia foi ainda marcada pela despedida de Assunção Cristas, que assumiu ter falhado nos objetivos: "Cumpri o caminho traçado e a estratégia proposta, mas cumpre-me hoje reconhecer uma evidência: falhei o resultado", afirmou. Nas primeiras intervenções dos principais candidatos à liderança, foi Francisco Rodrigues dos Santos a levantar a sala com um discurso inflamado em defesa de um "partido popular interclassista" e com valores de direita.
 
O descontentamento com o resultado eleitoral obtido pelo CDS-PP nas legislativas de outubro passado - 4,25 % e cinco deputados eleitos, menos 13 do que os eleitos em 2015 - foi visível ao longo da tarde, com muitos delegados a advertir para o "descrédito" do CDS junto dos eleitores e a reclamar uma mudança de direção do partido. Entre as dezenas de intervenções das chamadas "bases" do partido, alguns delegados advertiram que o CDS não perdeu só votos como militantes e exigiram mudança.
 
João Almeida, apontado pelo adversário Abel Matos Santos - que desistiu em favor de Rodrigues dos Santos - como o candidato da "continuidade" e do "mais do mesmo" procurou desfazer essa ideia, invocando a sua experiência como secretário de Estado e parlamentar, e apresentou-se como aquele que "pode unir" o partido.
 
Momentos de tensão
 
Ao final da tarde, o 28.º Congresso viveu momentos de tensão quando o antigo ministro da Economia Pires de Lima se dirigiu, no púlpito, a Francisco Rodrigues dos Santos para lhe pedir respeito pelos adversários, advertindo que se lhe deve "dar tempo" para "apurar a sua cultura democrática". Pires de Lima foi vaiado por grande parte da sala e, a seguir, o ex-dirigente Adolfo Mesquita Nunes fez uma intervenção em sua defesa, criticando quem apupou um ministro que "tirou o país da bancarrota".
 
Lobo d'Ávila considerou ser "o único que consegue fazer pontes com aqueles que são os outros dois candidatos", Francisco Rodrigues dos Santos e João Almeida, e o único "capaz de contribuir para a união deste partido".
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Global Imagens
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

Nova liderança do CDS-PP comprometida com velhas políticas

O congresso dos centristas que terminou hoje em Aveiro elegeu uma nova direcção, que se mantém ligada ao património de um partido que contribuiu para a implementação, no País, de políticas de retrocesso social.

CréditosNuno Fox / Agência Lusa

Francisco Rodrigues dos Santos é o novo líder do CDS-PP, que sai de um congresso bastante mediatizado nos grandes meios de comunicação social, que promoveram ao minuto a sua realização este fim-de-semana.

Pese embora tenha apresentado uma narrativa no sentido de propor elementos de mudança, o novo líder centrista mantém na sua estratégia os objectivos de sempre do seu partido, como o combate às «esquerdas» que passam pela negação de políticas de restituição ou conquista de direitos – elementos comuns às propostas dos outros candidatos.

A líder cessante do CDS-PP, Assunção Cristas, será substituída esta segunda-feira do cargo de deputada na Assembleia da República, por João Gonçalves Pereira, dirigente centrista que foi um dos protagonistas de uma polémica, em que promoveu o ódio sobre questões de identidade de género, quando caricaturou como «anti-família» um diploma legal do Governo, que regulamentava o uso das casas de banho e dos balneários por adolescentes que estivessem «a passar pelo processo de transição de género», previsto e permitido por lei a partir de 16 anos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/nova-lideranca-do-cds-pp-comprometida-com-velhas-politicas

CDS – Uma OPA bem-sucedida

O CDS que Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa fundaram já não existia, mas é a revolta dos herdeiros contra os fundadores que ora se confirma com a vitória da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Juventude Popular (JP), nada de centrismos, sobre o que resta do partido.

O Chega deixou de estar sozinho no espaço que se alarga na Europa e que em Portugal começou a dar os primeiros passos nas últimas eleições legislativas. O VOX espanhol passou a ter dois partidos homólogos portugueses, o Chega e o CDS, este a precisar de mudar de nome.

Francisco Rodrigues dos Santos é um jovem inteligente, ambicioso e reacionário, um brilhante exemplo dos líderes que têm aberto caminho ao retrocesso civilizacional, no regresso os anos Trinta do século passado e ao advento dos totalitarismos de direita.

Quando Pires de Lima falou em democracia e tolerância, foi vaiado. Os congressistas pareciam toiros enfurecidos nas ruas de Pamplona ou talibãs a verem Meca invadida por porcos. A partir daí deixou de haver dúvidas sobre os sentimentos do Congresso.

A meio caminho entre o Chega e a Iniciativa Liberal, 46% dos 1449 sócios presentes no 28.º Congresso do CDS, votaram favoravelmente a OPA de Francisco Rodrigues dos Santos e só não estavam ainda preparados para se fazerem explodir e arrastarem consigo Pires de Lima, perigoso comunista. O Movimento Zero do PP saiu vencedor no CDS.

O PP que aí vem, que integrará Manuel Monteiro, pode não ser a comissão liquidatária do CDS, mas o início de um ruído feroz de ultraconservadores no campo dos costumes, homofóbicos, nacionalistas e xenófobos, e fanáticos neoliberais em termos económicos.

Os ventos vão de feição.  A escolha do pior foi o que pareceu melhor.

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/01/cds-uma-opa-bem-sucedida.html

CDS/PP | Cinco candidatos e fé no Congresso. Quem sucederá a Cristas?

 
 
Decisão é tomada no Congresso do partido marcado para este fim de semana em Aveiro. O Notícias ao Minuto entrevistou quatro dos cinco candidatos ao lugar deixado livre por Assunção Cristas. Resta saber qual será o novo líder do CDS.
 
O CDS prepara-se para eleger o seu próximo líder. O 28.º Congresso Nacional do partido é este fim de semana - 25 e 26 de janeiro -, em Aveiro. São cinco os candidatos que estão na corrida à sucessão de Assunção Cristas: Abel Matos Santos, João Almeida, Filipe Lobo d'Ávila, Francisco Rodrigues dos Santos e Carlos Meira.
 
Após os maus resultados nas eleições Legislativas de 6 de outubro, a líder centrista decidiu deixar o cargo. E o CDS 'fruto' dos apenas 4,2% obtidos nas urnas tem, atualmente, apenas cinco deputados. 
 
Esse é também o número de candidatos à liderança. O Notícias ao Minuto entrevistou quatro dos cinco no decorrer desta semana. Apenas Carlos Meira não se mostrou disponível para responder às nossas questões. 
 
 
Abel Matos Santos foi peremptório a assumir que se for líder do CDS "não apoiará a recandidatura de Marcelo". O porta-voz da corrente interna do partido Tendência Esperança em Movimento (TEM), quer tornar o CDS "a grande casa da direita" e "a partir daí reconquistar o centro". 
 
O combate à pobreza, a desertificação do Interior, do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à eutanásia ou ao ensino da ideologia de género, são algumas das “principais linhas de ação” defendidas na moção 'Portugal TEM Esperança', referiu ao Notícias ao Minuto.
 
Por sua vez, João Almeida quer recuperar um "conjunto de questões que sempre fizeram a primeira linha da agenda do CDS" e que "nunca deviam ter deixado de fazer", entendendo também que tem de haver espaço para "causas mais contemporâneas", como o ambiente ou as alterações climáticas.
 
Em conversa com o Notícias ao Minuto, garantiu que tem como objetivo "recuperar a representatividade do CDS" e disse saber "muito bem" o que é preciso para o partido neste ciclo que atravessa. Apresenta-se sem medo e "bastante confiante" de que irá vencer.
 
Já Francisco Rodrigues dos Santos lança-se à conquista do partido, defendendo que - "depois do pior resultado eleitoral da sua história" -, cabe ao CDS "recuperar a credibilidade e coerência" perdidas nos últimos anos.
 
"Se não se assumir descomplexadamente como um partido de Direita, assente no personalismo e no humanismo, tributário da democracia cristã, o CDS não terá uma marca distintiva no espaço político, e não passará de um partido de meias tintas", disse em entrevista ao Notícias ao Minuto, afirmando ter "orgulho em ser conservador". 
 
Por fim, Filipe Lobo D'Ávila garantiu levar a candidatura até ao fim, dizendo que há condições para reerguer o partido. Sabe bem que, para isso, é preciso reconquistar a confiança dos portugueses. Sem apontar exclusivamente o dedo à mulher a quem quer suceder - "porque não andou sozinha" -, o antigo secretário de Estado critica a opção tomada pelo partido de "querer agradar a toda a gente".
 
Além disso, "houve muito Lisboa e pouco país", sinalizou em conversa com o Notícias ao Minuto, aludindo ao resultado autárquico na capital que conduziu o CDS à "ambição máxima" de querer liderar o centro-direita em Portugal. 
 
Catarina Correia Rocha | Notícias ao Minuto | Imagem: © Global Imagens
 
Leia aqui na íntegra as entrevistas: 
 
Leia também em Notícias ao Minuto: 
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/cdspp-cinco-candidatos-e-fe-no.html

E lá se foi o CDS!

Leiam bem o que se escreve na moção que venceu o congresso do CDS, ouçam o que disse António Pires de Lima na sua intervenção e atentem no que significa para o partido que foi de Freitas do Amaral e de Amaro da Costa a vitória do berreiro demagógico e sectário, a rondar a linguagem da extrema-direita.
Adeus, CDS!
 

Ver original em "duas ou três coisas" (aqui)

Assessor do Chega expulso da sede do CDS depois de se infiltrar no debate dos candidatos

Manuel De Almeida / Lusa

 

O assessor do Chega, Manuel Matias, diz que foi convidado por um candidato seu “amigo há anos”, mas o suposto amigo desmente.

 

Na quinta-feira à noite, o presidente da distrital de Lisboa, João Gonçalves Pereira, viu-se obrigado a interromper o debate entre os candidatos à liderança do CDS para fazer um aviso. Ora, o debate era reservado a militantes e simpatizantes do CDS, por isso, pediu a quem não fosse do partido para abandonar a sala, uma vez que tinha informações de que havia uma pessoa nesta posição.

Segundo o Expresso, tratava-se de Manuel Matias, assessor político do Chega e cabeça de lista por Braga pela coligação Chega/PPV (Portugal pro Vida), nas legislativas de outubro. João Gonçalves Pereira pediu então que Manuel Matias abandonasse a sala. O assessor já tinha assistido a parte do debate.

“Entendo que o CDS desperte interesse de muita gente e de outros partidos de direita, mas tem de haver algum respeito institucional pelas iniciativas internas do partido”, disse ao Expresso o dirigente centrista. Apesar de Matias ter obedecido ao seu pedido, o semanário sabe que o assessor do partido de André Ventura reclamou, à porta da sede do largo do Caldas, com o facto de não poder assistir ao debate.

Ao matutino, Manuel Matias garante ter sido convidado por um candidato – cujo nome não revela – dado que ambos são “amigos há vários anos” e que a relação é do conhecimento público. Esse mesmo candidato centrista ter-lhe-á dito que o debate deveria ser aberto a todos.

O assessor do Chega acrescenta ainda que esteve presente – como já aconteceu no passado – na sede do Caldas na qualidade de pai de um rapaz que milita na JP-Lisboa e de uma rapariga que é simpatizante. “Não quero causar mais problemas, já há confusão que chegue no CDS, segundo percebi. Foi uma situação infeliz.”

Apesar de não revelar o nome do candidato, o Expresso avança que, segundo quem estava à porta da sedes terá dito que o convite partiu de Abel Matos Santos, mas o candidato desmente. “Não o convidei. Liguei-lhe hoje de manhã porque me senti envergonhado com o que se passou. Ele não estava lá disfarçado nem escondido e foi achincalhado.”

ZAP //

 
 
 

Portugal | Portas, Cristas e...

 
 
Ana Alexandra Gonçalves* | opinião
 
O 28º Congresso do CDS será seguramente animado.
 
Depois de Portas sobrou Cristas, incapaz de se livrar do peso de decisões tomadas enquanto ministra de Passos Coelho e mais incapaz ainda de fazer frente a uma extrema-direita mais do que anunciada e que roubará votos aos partidos de direita e talvez não só.
Portas seguiu o caminho do populismo tão familiar a essa extrema-direita e Cristas procurou outro caminho, o que só por si é particularmente louvável, mas que não terá dado o melhor contributo para o futuro do partido. Em tempos de confusão e de legitimação do que até há pouco tempo não se devia dizer, Cristas que procurou desviar-se do populismo de Portas, e portadora de um passado oneroso, não conseguiu fazer vingar a sua liderança.
 
Com o partido fortemente abalado pelos resultados das legislativas, surgem candidatos sem expressão, uns mais convencionais outros nascidos de uma corrente interna, designada por Esperança em Movimento, ultra-conservadora que creio terá algum crescimento.
 
A ver vamos se João Almeida, apoiante e porta-voz de Cristas, será o vencedor. Nuno Melo e Telmo Correia, embora não se apresentem como candidatos, apresentam um moção própria.
 
Seja como for, o futuro do CDS não parece promissor. Talvez por agora João Almeida possa vencer, mas a tendência ultra-conservadora alicerçadas numa certa visão religiosa está à espreita e pronta para entrar em cena. Ainda vamos ter saudades dos tempos em que o CDS era liderado por Assunção Cristas.
 
*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

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Portas, Cristas e...

 
O 28º Congresso do CDS será seguramente animado.
Depois de Portas sobrou Cristas, incapaz de se livrar do peso de decisões tomadas enquanto ministra de Passos Coelho e mais incapaz ainda de fazer frente a uma extrema-direita mais do que anunciada e que roubará votos aos partidos de direita e talvez não só.
Portas seguiu o caminho do populismo tão familiar a essa extrema-direita e Cristas procurou outro caminho, o que só por si é particularmente louvável, mas que não terá dado o melhor contributo para o futuro do partido. Em tempos de confusão e de legitimação do que até há pouco tempo não se devia dizer, Cristas que procurou desviar-se do populismo de Portas, e portadora de um passado oneroso, não conseguiu fazer vingar a sua liderança.
Com o partido fortemente abalado pelos resultados das legislativas, surgem candidatos sem expressão, uns mais convencionais outros nascidos de uma corrente interna, designada por Esperança em Movimento, ultra-conservadora que creio terá algum crescimento.
A ver vamos se João Almeida, apoiante e porta-voz de Cristas, será o vencedor. Nuno Melo e Telmo Correia, embora não se apresentem como candidatos, apresentam um moção própria.
Seja como for, o futuro do CDS não parece promissor. Talvez por agora João Almeida possa vencer, mas a tendência ultra-conservadora alicerçadas numa certa visão religiosa está à espreita e pronta para entrar em cena. Ainda vamos ter saudades dos tempos em que o CDS era liderado por Assunção Cristas.

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“Romper” com os últimos 25 anos do CDS. Abel Matos Santos defende revogação da lei do aborto

Abel Matos Santos, candidato à liderança do CDS-PP, quer “romper com o caminho dos últimos 25 anos” do partido.

 

Abel Matos Santos, porta-voz da Tendência Esperança em Movimento (TEM), pretende que o CDS se afirme “claramente de direita” e quer conquistar o centro. Na moção que apresenta no congresso – e que garante levar a votos – o candidato à liderança sustenta que o partido deve defender a vida e a família como valores “fundamentais” e defende a revogação da legislação do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Segundo o próprio, o próximo congresso do partido, em janeiro, terá de fazer uma “opção clara entre a continuidade e o futuro” e “romper com o caminho dos últimos 25 anos”, tornando o partido mais “transparente” e passando a “valorizar as bases”.

De acordo com o Público, Abel Matos Santos levará a votos a moção de estratégia global de que é primeiro subscritor, afastando qualquer desistência a favor de outro candidato, nomeadamente de Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular (JP).

“Se há tempos equacionava entendimentos, hoje não penso o mesmo. Hoje só penso em afirmar a minha candidatura”, assegurou ao diário.

Na sua moção – intitulada Portugal tem esperança -, Matos Santos defende que o CDS deve ter o “combate à pobreza”, “aos impostos excessivos”, “à corrupção”, “ao aborto, eutanásia e à ideologia de género” como algumas das suas “principais linhas de ação”.

Matos Santos considera que o aborto precisa de ser combatido não tanto com “legislação punitiva dos seus agentes”, mas com a oferta de “alternativas que defendam vidas em causa”.

Desta forma, é proposta a revogação da interrupção voluntária da gravidez “fundada em mera vontade da gestante, exigindo-se sempre a existência de uma justa causa para o efeito” e a “revogação” da legislação que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, assim como a “adoção fora da biparentalidade”.

Já o Estado deve ser “forte, regulador e protetor do bem comum”. Abel Matos Santos coloca a educação, a agenda contra a corrupção, a reforma do sistema político e o mar, o ordenamento do território, entre outros como temas estruturantes. Em relação ao acordo ortográfico é defendida a “desvinculação” de Portugal face ao tratado do Acordo de 1990.

Abel Matos Santos é um dos cinco candidatos à liderança do CDS, além de João Almeida, Filipe Lobo d’Ávila, Francisco Rodrigues dos Santos e de Carlos Meira.

ZAP //

 

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https://zap.aeiou.pt/romper-com-ultimos-25-anos-cds-299438

Bloco considera mensagem de Natal de Costa “dececionante”. CDS fala de promessas e propaganda

O dirigente do BE Luís Fazenda considerou esta quarta-feira que a mensagem de Natal do primeiro-ministro foi “de algum modo dececionante”, num momento em que “urge uma negociação” à esquerda do Orçamento do Estado para 2020.

 

“Não é a resposta que se esperava no dia de hoje, nas vésperas da negociação e de uma votação na generalidade do Orçamento do Estado. Como tal, essa atitude, esta mensagem é de algum modo dececionante“, afirmou o ex-deputado do Bloco de Esquerda (BE).

O primeiro-ministro, António Costa, dedicou a sua mensagem de Natal ao compromisso do Governo de reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), prometendo atacar a sua “crónica suborçamentação” e eliminar faseadamente as taxas moderadoras.

Em declarações aos jornalistas, na sede do BE, em Lisboa, Luís Fazenda qualificou essa mensagem de “monotemática e limitada” e disse que “não deixa expetativas algumas sobre aquilo que é a urgência imediata de encontrar um Orçamento do Estado que possa abrir caminho à continuidade de algumas políticas progressivas no país”. “Nós tememos que possa haver descontinuidades e ruturas”, acrescentou.

Luís Fazenda assinalou que António Costa “reconheceu a suborçamentação crónica do setor da saúde, alertada por muitos e por muitas há muitos anos”, o que apontou como um sinal que “é importante, mas não chega”.

“Faz-se necessário, para além de reconhecer a suborçamentação do setor da saúde, que haja realmente uma negociação com os partidos à sua esquerda, do Governo, que até agora tem agido como se fosse um participante sozinho neste processo orçamental. Elaborou, expõe, escolhe qual a temática que deve trazer a público, mas, no entanto, não tem negociado o que quer que seja de substancial com os partidos à sua esquerda”, insistiu.

O dirigente do BE reiterou o alerta que tem sido feito pelo seu partido ao PS de que os portugueses não lhe deram maioria absoluta nas últimas eleições legislativas, o que exige um comportamento em consonância por parte do Governo. No seu entender, “essa mensagem de Natal não passou”.

O primeiro-ministro, António Costa, gravou a sua mensagem de Natal na recém-inaugurada Unidade de Saúde Familiar (USF) do Areeiro, em Lisboa, para transmitir “esperança e compromisso” e expressou “a determinação do Governo em reforçar a capacidade de resposta de proximidade do SNS, para que este seja, cada vez mais, um motivo de orgulho nacional”.

Na sua declaração sobre esta mensagem, em nome do BE, Luís Fazenda começou por manifestar solidariedade para com as famílias que têm sofrido “com os fenómenos climáticos, com as cheias, com a passagem das depressões, com assinalável violência”. Depois, comentou a opção de António Costa de se “centrar nas políticas de saúde”, considerando que “peca por pouco substancial“.

“Esperávamos sinais em várias áreas em que o país é chamado a ter respostas da parte do Governo. Isso não aconteceu, infelizmente”, lamentou.

Quanto ao reforço orçamental do setor da saúde, Luís Fazenda aconselhou prudência face ao valor que é “prometido para o próximo ano”, afirmando que “tudo depende da execução orçamental” e que é preciso esperar para ver.

“E mesmo nesse setor urge uma negociação com os partidos à sua esquerda, porque há imensas medidas que devem ser tomadas. Desde logo, garantir de imediata que não há taxas moderadoras nos centros de saúde, garantir um caminho para a exclusividade dos profissionais, dos médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e uma série de outras medidas”, acrescentou.

CDS pede que “propaganda” na Saúde seja realidade

A líder parlamentar do CDS lamentou esta quarta-feira que o primeiro-ministro não tenha reconhecido o que correu mal na saúde na última legislatura e pede que os anúncios da mensagem de Natal sejam mais do que “promessas” e “propaganda”.

“Infelizmente, não vimos da parte do senhor primeiro-ministro [António Costa] um reconhecimento da sua própria responsabilidade e do seu Governo nesse muito que correu mal [na saúde em Portugal], porque de facto nos últimos anos temos assistido a uma degradação quer dos serviços públicos de saúde, quer dos hospitais. Quer do ponto de vista da gestão, quer do ponto de vista do orçamento”, afirmou Cecília Meireles, na sede do CDS em Guimarães, no distrito de Braga.

PSD / Flickr

A líder parlamentar do CDS/PP, Cecília Meireles

Em relação aos anúncios, a líder parlamentar do CDS constatou que “são bem-vindos”, mas lembra que o CDS e os portugueses esperam que se tornem realidade.

“Esperamos que eles sejam mais do que promessas e propaganda do Governo, [esperamos] que se concretizem para que finalmente os portugueses possam ter um sistema de saúde. Mas pode e deve incluir também serviços do setor social e serviços privados, e deve incluir aquilo que seja o melhor para os doentes”, acrescentou a deputada.

Cecília Meireles considera que a prioridade têm de ser os portugueses e que numa época como o Natal é importante que tanto o Governo, como os partidos, se “saibam unir para finalmente” essas “promessas” e essa “propaganda” se tornem realidade.

“Aquilo que o CDS espera é que das palavras do senhor primeiro-ministro se vejam não apenas promessas, mas depois que elas sejam tornadas realidade e que depois algumas propostas que nós temos vindo a apresentar”, designadamente quando o hospital não oferece uma consulta no tempo máximo garantido que o doente possa escolher recorrer ao serviço social, público ou privado, sejam uma “realidade”, reiterou.

Questionada na conferência de imprensa pelos jornalistas sobre o que faltou no discurso de António Costa na mensagem de Natal aos portugueses, a líder parlamentar disse que faltou “sobretudo uma palavra” aqueles que trabalham, que se esforçam, que com o dinheiro do seus impostos sustentam o Estado e que têm o direito de esperar que esse Estado “funcione bem e que lhes preste bons serviços”.

“É o mínimo que podem esperar. Acho que faltou essa palavra à iniciativa privada, ao trabalho, ao esforço e ao mérito. Em todo o caso, estando na quadra natalícia, a saúde é de facto uma prioridade e acho que deve ser uma prioridade para todos os partidos”.

Sobre os problemas do passado dos últimos quatro anos de governação de António Costa, Cecília Meireles declarou que a “degradação do Serviço Nacional de Saúde tem sido visível” e justifica a acusação com os “tempos de espera”, que “são cada vez maiores”, com o facto dos doentes “desesperarem por consultas” e com a “degradação orçamental”, que se “agravou nos últimos quatro anos”.

Um exemplo de promessa no setor da saúde que Cecília Meireles exemplificou como estando “sempre a ser adiada e não cumprida” foi a obra para a Ala Pediátrica no Hospital de São João, no Porto.

ZAP // Lusa

 
 
 

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“Voltar a acreditar”. Francisco Rodrigues dos Santos quer um CDS “descomplexadamente de direita”

José Coelho / Lusa

 

Francisco Rodrigues dos Santos, que se apresentou na terça-feira à liderança do CDS-PP, defendeu ser necessário um “vigor renovado”, para que os portugueses voltem a “acreditar no partido”.

 

Eleito presidente da JP em 2015, conhecido na jota e no partido por “Chicão”, é autor, “em nome próprio”, de uma moção de estratégia global ao próximo congresso que esteve a divulgar, nas últimas semanas, junto de estruturas e dos militantes e já tem um “hashtag” usado pelos seguidores no Facebook – #seguiremfrente.

“Estou absolutamente seguro de que ao nosso partido não basta apenas afinar o tiro e calibrar o discurso. O CDS tem de mostrar uma nova energia, um vigor renovado, uma lufada de ar fresco e afirmar-se de novo na cena partidária. Portugal pede hoje que o CDS seja a primavera que a direita tem de atravessar para se reinventar”, disse.

Francisco Rodrigues dos Santos, que discursou no Porto para mais de uma centena de apoiantes, deixou clara a sua convicção de que, perante o “momento que o partido atravessa”, é necessário “bom senso”.

 
 

“Comigo não contarão para ajustes de contas, para fraturas artificiais ou para pessoalizar os erros do passado que, ainda assim, devem ser assumidos. Temos de viver em paz com a nossa história e saber honrá-la”, sustentou.

Presidente da Juventude Popular (JP) desde 2015 e o quinto candidato a entrar na corrida à liderança do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que “não basta ganhar o próximo congresso”, mas “provar” que os portugueses “podem voltar a acreditar” no partido.

“Um partido que não será do passado nem passivo e que se assumirá descomplexadamente de direita sem pedir autorização à esquerda para defender as suas ideias (…). E que não se acobarde nem se esconda quando é chamado a travar a batalha cultural”, afirmou.

Sob o lema “Voltar a Acreditar” e perante vários militantes do partido, entre eles o presidente da distrital do CDS-PP do Porto, Fernando Barbosa, o candidato à sucessão de Assunção Cristas enumerou alguns dos pontos daquele que é o seu “projeto para Portugal”.

Entre as medidas apresentadas, Francisco Rodrigues dos Santos afirmou que, se for eleito presidente do CDS, compromete-se a apresentar um novo projeto de revisão constitucional, uma alteração ao atual sistema fiscal, um pacote de políticas de apoio às famílias e um novo contrato social.

Enumerando a educação, a saúde e a justiça, o candidato assegurou “compreender os desafios nacionais, europeus e mundiais” e comprometeu-se ainda a construir um “documento que garanta uma ação concertada na área do ambiente e eleve o nível de compromisso global”.

“Acredito genuinamente no meu partido, razão pela qual não me escondo, nem abandono o barco. Sou jovem, é verdade, uma qualidade que não só é apreciada pelos eleitores, como o tempo se encarregará de resolver”, concluiu.

Francisco Rodrigues dos Santos, presidente da Juventude Popular, é o quinto candidato a entrar na corrida à liderança do CDS-PP, que é escolhido no 28.º congresso nacional do partido, em 25 e 26 de janeiro de 2020, depois de Abel Matos Santos, porta-voz da Tendência Esperança em Movimento; Filipe Lobo d’Ávila, ex-deputado, e João Almeida, porta-voz do partido; e Carlos Meira, empresário e ex-líder da concelhia de Viana do Castelo.

Profissionalmente, formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e é atualmente advogado e consultor. Em termos políticos, Rodrigues dos Santos, um admirador de Winston Churchill, filiou-se na JP em 2007 e no CDS em 2011, exercendo o cargo de deputado municipal em Lisboa, desde 2017. Candidato a deputado pelo Porto nas legislativas de outubro, falhou a eleição.

Em janeiro de 2018, a revista Forbes colocou este advogado, hoje com 31 anos, natural de Coimbra, que estudou no Colégio Militar, na lista dos 30 jovens mais influentes da Europa.

Pedro Mota Soares, nome apontado, diz que “não é candidato a nada”. Adolfo Mesquita Nunes, depois de ter sido desafiado por António Pires de Lima a avançar para a sucessão de Assunção Cristas, anunciou que não será candidato à liderança do CDS. Telmo Correia era outro dos nomes que alguns não descartava, devido à “experiência governativa” e por ser, a par de João Almeida, um dos cinco deputados eleitos este domingo. Porém, o deputado já anunciou que não se vai candidatar.

O CDS obteve 4,25% nas eleições legislativas deste domingo, passando a sua representação parlamentar de 18 para cinco deputados. Os resultados levaram a líder centrista, Assunção Cristas, a deixar a liderança do partido. Logo no domingo, Filipe Lobo d’Ávila afirmou-se “em estado de choque” com os resultados do partido.

ZAP // Lusa

 
 

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CDS. Abel Matos Santos apresenta moção e quer “grande casa da direita”

Abel Matos Santos, da Tendência Esperança em Movimento (TEM), fez hoje a primeira apresentação, no Facebook, da sua moção ao congresso do CDS, que quer tornar na “grande casa da direita”.

 

O dirigente centrista, crítico da direção de Assunção Cristas, falou durante um minuto e sete segundos cerca das 19:00, numa emissão que teve entre 21 e 51 pessoas a assistir para apresentar a moção “Portugal tem esperança”, ao 28.º congresso nacional, em 25 e 26 de janeiro de 2020.

Nos próximos dias, promete voltar ao Facebook para apresentar as ideias da sua moção e falar “dos caminhos” que o partido tem “pela frente”, no congresso.

 

 

 
 
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Assista aqui à repetição do video da apresentação da minha candidatura à Presidência do CDS-PP.Na próxima quinta-feira às 19h, aqui estarei de novo.Portugal TEM Esperança, o CDS conta consigo e nós também!

Publicado por Abel Matos Santos em Segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

No congresso de Aveiro, afirmou, o partido vai ter que “decidir coisas muito importantes” sobre o “futuro coletivo enquanto instituição” e a “principal, e aquela que é mesmo, mesmo, mesmo fundamental” para a sua existência, “é uma opção entre a continuidade ou o futuro”, afirmou.

Nós queremos que o partido se regenere, queremos que o partido cresça e seja a grande casa da direita em Portugal”, declarou Matos Santos, que falou num cenário em tons de branco, entre dois quadros, com imagens em vídeo de paisagens.

Abel Matos Santos foi o primeiro a anunciar que é candidato à presidência do CDS, logo na noite das eleições de 6 de outubro, uma hora depois de Assunção Cristas ter anunciado a saída da liderança devido aos resultados em que o partido passou de 18 a cinco deputados, com 4,2%.

Os outros quatro candidatos à liderança são João Almeida, deputado e porta-voz dos centristas, Filipe Lobo d’Ávila, do grupo Juntos pelo Futuro, e Carlos Meira, ex-lider da concelhia de Viana do Castelo.

Francisco Rodrigues dos Santos, líder da JP, deverá anunciar a sua candidatura na terça-feira, no Porto.

ZAP // Lusa

 
 
 

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O recrutamento de tropas no CDS começou, mas ninguém quer ir ao congresso

Paulo Novais / Lusa

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas

O momento negro que se vive no CDS parece não ter fim. Os sintomas de desmotivação são gerais e há dificuldades em encontrar quem queira estar no congresso que irá eleger o sucessor de Assunção Cristas, marcado para dias 25 e 26 de janeiro, em Aveiro.

 

Segundo a edição deste sábado do Expresso, está a ser um verdadeiro desafio convencer os militantes a deslocarem-se e a assumirem os gastos de passar um fim de semana em Aveiro, tal é a descrença no futuro do partido.

Fonte de uma das candidaturas, que tem participado na preparação do congresso, disse ao semanário que “há dificuldades claras em arranjar delegados“. “As pessoas dizem que tem custos, é preciso pagar duas ou três refeições em restaurantes e um hotel.”

Este sábado vão ser eleitos os cerca de mil delegados que irão a Aveiro escolher o próximo presidente do CDS, mas o quadro não é animador.

 
 

João Almeida, um dos candidatos à liderança, está a trabalhar no terreno, em busca de tropas. Segundo o próprio, é preciso ir buscar “todos os que estão mobilizados para o partido”. O CDS “está num momento difícil, quem disser que está a reagir estrondosamente”, mente, sugere João Almeida.

O problema arrasta-se desde o mau resultado do partido nas eleições legislativas de outubro e só se intensificou com o silêncio da maior parte dos candidatos à liderança. De acordo com o Expresso, algumas concelhias não contam com uma única lista de delegados ao congresso, mas existe também a situação contrária: concelhias em que se formaram duas ou mais listas concorrentes, como acontece em Aveiro.

A corrida está em aberto e há candidatos convictos de que o congresso será decisivo. Fonte próxima da Comissão Organizadora do Congresso adiantou ao Expresso que o órgão apresentará uma recomendação para que o voto nas moções seja secreto.

Candidatos são já quatro: João Almeida veio juntar-se ao grupo composto por Filipe Lobo d’Ávila, líder do grupo crítico de Cristas Juntos pelo Futuro; Abel Matos Santos, porta-voz da tendência interna (igualmente crítica da direção) Tendência Esperança em Movimento; e Carlos Meira, ex-presidente da concelhia de Viana do Castelo.

Em suspenso está uma possível candidatura de Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, que continua a trabalhar em silêncio. Além disso, não se sabe, para já, o que poderá acontecer à moção elaborada pela ala de Nuno Melo: se daqui sai uma candidatura ou um apoio a outra.

ZAP //

 
 
 

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FERROVIA. Juventude Popular de Cascais acusa governo de “desnorte” e pede que pense nas pessoas

Por Redação
28 novembro 2019
A Juventude Popular de Cascais acusa o governo socialista de “desnorte” na requalificação da linha ferroviária de Cascais que, segundo foi anunciado esta quarta-feira, irá sofrer um atraso de, pelo menos, dois anos, e pede ao titular da pasta dos transportes e infraestruturas que “deixe de colocar a ideologia em primeiro lugar” e concentre-se “no essencial, que são as pessoas”. Esta estrutura centrista relembra que “os comboios da linha de Cascais são o principal meio de transporte do concelho para todos os Cascalenses que todos os dias se deslocam para o trabalho ou para as escolas e universidades, seja no concelho de Oeiras ou de Lisboa, e que chegam recorrentemente atrasados pelas falhas desta linha”.
“No dia 27 de Outubro de 2016 a Juventude Popular de Cascais lançou o comunicado “O Governo esqueceu-se da Linha de Cascais” que repudiava as declarações do, à data, Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, por este ter dito, no início do ano referido, que queria colocar a requalificação da linha de Cascais no Fundo Europeu para o Planeamento Estratégico e que este projeto estaria concluído em 2021, alegando, posteriormente, serem necessários fundos públicos que o Estado não possuía, renegando a requalificação deste troço para um futuro incerto”, recorda a Juventude Popular de Cascais do CDS/PP. “A modernização da linha ferroviária de Cascais era um dos projetos prioritários incluído no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas 2014-2020 aprovado em 2014 pelo anterior Governo PSD/CDS, uma vez que todo o material relacionado com a linha já há muito que se encontrava ultrapassado e podia pôr em causa a segurança dos cerca de 25 milhões de passageiros/ano”, lembra, ainda, a Juventude Popular de Cascais, segundo a qual “pior do que este esquecimento completo e inadmissível da linha de Cascais, e o que demonstra o completo desnorte deste Governo Socialista, é o facto de este não ser o único caso. A realidade é que estão atrasadas outras 18 intervenções prioritárias do plano de ferrovia 2020, que foi apresentado em 2016”.
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_785.html

Ribeiro e Castro acusa Portas de travar entrada de Manuel Monteiro no CDS

 

José Ribeiro e Castro acusou Paulo Portas de ser responsável pelo adiamento da decisão de readmitir Manuel Monteiro no CDS. O antigo líder centrista diz que a situação é “inadmissível”.

 

O antigo líder do CDS acusa Paulo Portas de ordenar o entrave do processo de refiliação de Manuel Monteiro no partido. “Porque não cumprem as normas?”, questionou José Ribeiro e Castro, citado pelo Diário de Notícias. De acordo com as normas que o ex-líder do partido menciona, a direção deve efetivar a refiliação de Manuel Monteiro e atribuir-lhe um número e cartão de militante.

Em sentido contrário, o CDS tinha comunicado que esta decisão ficaria encarregue para a próxima liderança, após a saída de Assunção Cristas. “É muito lamentável que não se cumpram as normas do partido, que até datam da altura da liderança de Paulo Portas”, destaca Ribeiro e Castro.

A seu ver, não é “legítimo, nem sério que se inventem novas razões ou normas especiais” para evitar o regresso de alguém ao partido. O antigo líder centrista diz mesmo que esta medida é lesiva para o direito democrático.

 
 

Ribeiro e Castro entende que a “embirração é crónica” com Manuel Monteiro, apesar de este ter liderado o partido entre 2003 e 2008. O político optou por se afastar do partido após um mau resultado nas eleições autárquicas de 2007. Manuel Monteiro viria mais tarde a apoiar a candidatura de Maria José Nogueira Pinto à liderança do CDS, com quem Paulo Portas concorria e viria a derrotar.

A refiliação de Manuel Monteiro já tinha sido anunciada e aprovada em setembro, mas a direção de Assunção Cristas adiou a discussão do tema para 2020. “Essa é uma decisão que ficará na pasta de transição”, disse, na altura, o secretário-geral do partido, Pedro Mota Soares.

Em reação à decisão da liderança do partido, Manuel Monteiro confessou ter ficado surpreendido. “Eu não estou magoado, estou surpreendido. Penso que neste momento aquilo que o CDS deveria pretender era reunir todos os que estão, os que estiveram e os que nunca estiveram mas podem estar”, escreveu numa carta enviada ao secretário-geral.

Abel Matos Santos, porta-voz da Tendência Esperança em Movimento e candidato à liderança do CDS, foi um dos que se chegou a insurgir contra a decisão de adiar a admissão de Manuel Monteiro.

“Esta atitude, ilegal e contrária aos mais elementares princípios morais e éticos, por parte do secretário-geral e, pelos vistos, apoiada pela ainda presidente do CDS, é altamente censurável e revela bem o nível rasteiro a que levaram o CDS“, escreveu numa nota divulgada no Facebook.

ZAP //

 
 
 

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CDS – Escaramuças no táxi

O nome de Manuel Monteiro terá sido esquecido da memória dos portugueses quando o ímpeto reacionário o levou a fundar um partido extremista, depois de falhar a tentativa de levar o CDS, de que fora presidente, para posições ainda mais à direita.

Sucedeu também, há pouco, ao menino guerreiro, Santana Lopes, pelas mesmas razões, para entrar na irrelevância política de que nunca devia ter saído. Pode ser que volte. O PSD e o CDS, ao contrário de Roma, pagam a traidores, desde que venham pela direita.

Manuel Monteiro suicidou-se politicamente, tal como Santana Lopes, e procurou a sua ressurreição ainda com a Dr.ª Assunção Cristas, antes desta entrar em defunção política nas últimas eleições legislativas.

O CDS aceitou o arrependimento do réprobo, havendo mais alegria no Caldas por um arrependido que volta do que por qualquer crente que nunca saiu.

O pior é o ambiente que se respira no exterior do táxi que conduz os cinco deputados à AR. Há quem se demita pelo regresso de quem queria entrar e ter direito, como antigo líder, a tratamento de exceção, como se não tivesse saído, e eventualmente integrar a direção a ser eleita no próximo congresso, em janeiro.

Sem representação própria no Conselho de Estado, onde ficou Lobo Xavier, por convite do PR, o CDS tem dificuldade em posicionar-se. Para ser o VOX português já tem o Chega, para ser neoliberal, puro e duro, deixou chegar a Iniciativa Liberal (IL), e para regressar à matriz conservadora e democrata-cristã, já não tem ninguém. Rui Rio, na sua ação de limpeza, despediu Adriano Moreira.

O CDS é um partido sem deputados, sem ideologia, ética ou passado, e sem vergonha, a única característica que o pode ainda manter à tona.

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https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/11/cds-escaramucas-no-taxi.html

Reiniciar tudo de novo

Não é preciso fazer grande exercício de imaginação para contornar a dificuldade de não conhecer ninguém nessa situação: de entre os funcionários agora despedidos pelo CDS como consequência prática dos resultados de 6 de outubro haverá um jovem particularmente atarantado com o que lhe caiu em cima. Chamemos-lhe, por exemplo, Dinis ou Sara, que valem para os tempos atuais o que era no meu tempo o João ou a Maria.

 

Aluno não muito brilhante terá conseguido um mestrado, ou mesmo uma licenciatura, numa das universidades privadas porque a família, endinheirada, assim o terá decidido por uma questão de princípio.

 

De canudo na mão e analisado o mercado do trabalho, não muito assertivo para com as medianas habilitações, ter-lhe-á surgido a oportunidade de um contrato no partido sedeado no Largo do Caldas, o que vinha mesmo a calhar por ser o da preferência familiar.

 

O entusiasmo cresceu com o bom desempenho das tarefas pedidas e receber as atenções daqueles políticos, que costumava ver na televisão. Por isso nenhuma preocupação lhe assistiu quando, na altura das campanhas, não se olhavam para as horas trabalhadas. Até porque essa história dos horários de trabalho era mais coisa de sindicatos, que tanta repugnância lhe causavam.

 

Quando a líder conseguiu um grande resultado nas autárquicas a euforia foi inevitável. O patrão era o partido que, muito em breve, teria à frente a futura primeira-ministra. O salário por certo aumentaria e até seria provável a requisição para uma qualquer função, senão de assessoria ou consultoria, pelo menos de funcionário de um dos ministérios. A transição para a função pública constituiria o desígnio mais ansiado, porque daria a segurança para, enfim, casar e constituir a própria tribo.

 

Verão adentro as coisas começaram a virar para o torto. As noites mal dormidas cavaram olheiras à medida que as sondagens tornavam previsível o desastre.

 

Quando aconteceu já nem sequer reação suscitou. Apenas a confirmação da tristeza, que se ia resvalando para a depressão.

 

Nessa noite, ao regressar a casa, já adivinhava o que lhe confirmariam na semana seguinte: tornara-se dispensável devido ao corte abrupto nas receitas. Ao sair pela última vez do sítio onde passara os anos mais recentes nem o consolo do cheque no bolso lhe serviu de paliativo. Compreendeu que voltava a ter tudo por reiniciar...
 

O CDS e Assunção Cristas

No pungente ocaso do CDS, com sedes a fechar, funcionários a sofrerem cortes salariais ou despedidos e os 5 deputados, saídos do táxi, obrigados a darem passagem ao do Chega, há dívidas superiores às luvas dos submarinos.

Nas eleições autárquicas, a Dr.ª Cristas elegeu três vereadores, em Lisboa, contra dois do PSD, e tomou a nuvem por Juno, sem ver que nessas eleições, de 2013 para 2017, incluindo Lisboa, perdeu mandatos, votos e percentagem de eleitores. Não percebeu que os votos de Lisboa, que a beneficiaram, eram votos do PSD contra os seus próprios ativos tóxicos, Passos Coelho, Maria Luís e Cavaco.

Julgou-se destinada a grandes voos, líder da oposição, alternativa ao PM. Exultou ao ver passar o CDS de 5 para 6 câmaras, aumento de 20%, em concelhos de parca população, num partido que já tivera a presidência dos municípios de Lisboa, Viseu e Aveiro, entre outros de grande dimensão.

Não percebeu que o grupo parlamentar do CDS foi a cedência ruinosa de Passos Coelho a Paulo Portas, para tentar conservar o poder, tendo uma dimensão incompatível com a implantação no país.

A vitória nas últimas eleições autárquicas de Lisboa e a exaltação de Assunção Cristas é a história da rã que queria ser boi. Ela não crsceu, inchou… até às últimas legislativas e, de tanto inchar, rebentou. Ela e o partido.

Quando se perfilam mais candidatos para conduzir o táxi do que os ocupantes, é a época de saldos de um partido em desagregação e risco de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelo Chega.

Seria péssimo para o País, mas quem quis reintegrar Manuel Monteiro, preparou o caminho de regresso às aulas e a dissolução do partido.

Hoje o CDS é um partido sem cabeça e, perdidos os dedos, põe os anéis à venda.

Até os quadros da sede, no Largo do Caldas, se ariscam, a preço de saldo, a parar nas mãos de exóticos colecionadores.

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Portugal | CRISE PARA OS QUE TRAMARAM OS PORTUGUESES COM A “CRISE”

 
 
CDS-PP despede funcionários e pode encerrar sedes locais
 
Dificuldades financeiras, com dívidas na ordem dos dois milhões de euros, levam o CDS-PP a tomar medidas de "austeridade" com o despedimento de funcionários na sede nacional e cortes no apoio ao grupo parlamentar.
 
"Reduzir a despesa corrente e controlar as contas do partido". Segundo noticia o "Jornal Económico" esta sexta-feira, citando fonte do partido, "as dívidas podem chegar 'perto dos dois milhões de euros' este ano, pelo que a direção está a ponderar avançar com o encerramento de sedes alugadas e o despedimento de funcionários".
 
Lê-se ainda que assessores, secretárias do partido e um motorista com dezenas de anos de trabalho estão entre as rescisões já acertadas na sede nacional dos centristas, em Lisboa. Neste "ajuste dos custos à nova realidade", os funcionários que ficam, tanto na sede como no grupo parlamentar, "sofrerão cortes salariais".
 
As medidas de "austeridade" estendem-se também às sedes distritais e concelhias: "aquelas que são arrendadas e que não são usadas frequentemente (...) serão as primeiras a serem encerradas".
 
"O resultado eleitoral que tivemos obriga a uma redução de gastos e o CDS-PP não se pode endividar mais", afirmou João Gonçalves Pereira, líder da distrital de Lisboa. Fernando Barbosa, da distrital do Porto, acrescentou que as sedes em Matosinhos e Valongo fecharam recentemente.
 
Recorde-se que o CDS-PP registou 4,22% de votos nas Legislativas de 6 de outubro, o que representa cinco deputados na Assembleia da República (antes tinha 18).
 
A redução da subvenção estatal e das comparticipações financeiras alia-se ao saldo negativo de 456.969,63 euros das contas do partido no ano passado. O "Jornal Económico" refere ainda 1.070.433,84 euros de passivo e perto de 500 mil euros de financiamento junto de entidades financeiras.
 
Jornal de Notícias
 
*Título Página Global

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/10/portugal-crise-para-os-que-tramaram-os.html

BOM, DEPOIS DO QUE ACONTECEU ELA NÃO TINHA MESMO CONDIÇÕES DE FICAR...

...mas servirá decerto de consolo a Assunção Cristas o facto de não ser a primeira dirigente do CDS a reduzir a representação parlamentar do seu partido à condição de caber toda dentro de um táxi. O mesmo aconteceu sob a distinta direcção do venerando professor Adriano Moreira e hoje já ninguém se lembra disso. Ela própria não se lembrara disso quando o convidou para ser homenageado no último congresso do CDS, realizado em Março de 2018. Na ocasião disseram-se coisas tão bonitas quanto «Adriano Moreira "abençoa" liderança de Cristas» ou «Adriano Moreira feliz com "renascimento do partido" põe congresso de pé». Afinal, a esta distância, com outra frieza, e na posse dos resultados, percebe-se que não houve renascimento nem a benção serviu para nada. O velhote um daqueles pés-frios políticos, de uma invulgar capacidade intelectual, mas que só trazem o azar com eles. E em Democracia e na política, é isso que conta: a capacidade de atrair votos.

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/10/bom-depois-do-que-aconteceu-nao-tinha.html

Pedro Mota Soares é novo secretário-geral da Apritel

A associação que representa empresas de telecomunicações, como a MEO, a NOS e a Vodafone, escolheu para a sua direcção o ex-ministro do CDS-PP.

Pedro Mota Soares, dirigente do CDS-PPCréditosMIGUEL A. LOPES / Agência LUSA

Pedro Mota Soares, ex-ministro e ex-deputado do CDS-PP, foi escolhido para o cargo depois de ter integrado a Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas na Assembleia da República, na qual são discutidas as políticas para o sector das telecomunicações.

A pedido do ECO, o gabinete de imprensa do PCP declarou que considera esta escolha como «mais um exemplo da promiscuidade entre os principais responsáveis pela política de direita e os grupos económicos», tratando-se de uma opção relacionada com o «papel que, ao longo de anos, quer o CDS-PP, quer o PSD e o PS assumiram na privatização e liberalização de sectores estratégicos, favorecendo o grande capital (sobretudo estrangeiro) e prejudicando o País».

O BE também já tinha vindo criticar a questão num artigo publicado na sua página oficial, classificando-o como «o mais recente exemplo das portas giratórias entre a política e os negócios».

João Paulo Correia, do PS, que também fez parte da mesma Comissão parlamentar, em declarações ao ECO, afirmou entender que Pedro Mota Soares «tem liberdade para escolher a sua vida profissional, desde que não colida com as incompatibilidades previstas na lei».

Recorde-se que esta nomeação surge num contexto em que diversas empresas do sector têm posto em causa o trabalho desenvolvido pela autoridade reguladora das comunicações postais e electrónicas (ANACOM). Ainda esta terça-feira, a Altice Portugal anunciou que pretende avançar para tribunal contra o calendário definido pela entidade reguladora para a libertação de uma faixa do espectro que vai ser usada para o 5G.

Pedro Mota Soares, enquanto deputado do CDS-PP, votou favoravelmente um parecer que ditou o chumbo, em 2017, de nomes que tinham sido sugeridos para a ANACOM por terem estado ligados anteriormente a empresas de telecomunicações, apontando dúvidas quanto a incompatibilidades.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/pedro-mota-soares-e-novo-secretario-geral-da-apritel

Eterna saudade, CDS

(Por Jovem Conservador de Direita, in Público, 04/10/2019)

O CDS é um partido dividido. Por um lado tem a sua Juventude Popular, cuja principal preocupação é proteger as crianças da ideologia do género e monitorizar a utilização de casas de banho nas escolas. Do outro lado da barricada está a facção liberal do CDS. E é liberal porque, como não tem princípios, o CDS pode ser tudo.


 

Tudo indica que estas eleições representam o fim do CDS como o conhecemos. Depois de tudo o que este partido deu à democracia chegou a hora do adeus. É provável que fique atrás do PAN e que eleja muito poucos deputados.

A própria direcção do CDS já reconheceu o seu fim e tratou de fazer um vídeo de despedida, que eu já comentei. Neste vídeo, alguns candidatos do CDS dirigem-se aos eleitores por tu. É um sacrifício louvável e que exigiu um treino intenso destas pessoas. Consta que tiveram de reanimar várias vezes o Dr. Telmo Correia que entrava em convulsões e tentava engolir a própria língua sempre que pronunciava a palavra “tu.” No final, tiveram de contratar o Dr. Ricardo Carriço para lhe dobrar a voz neste vídeo

.O CDS é, neste momento, um partido dividido. Por um lado tem a sua Juventude Popular, cuja principal preocupação é proteger as crianças da ideologia do género e monitorizar a utilização de casas de banho nas escolas. A sua principal bandeira política é garantir que jovens, que ousem identificar-se com um género diferente daquele que lhes foi atribuído à nascença, continuam a ser vítimas do bullying essencial para que continuem a sentir-se mal como são e decidam identificar-se com o género que Deus lhes atribuiu. Mesmo que, numa fase inicial, seja a fingir. O bullying não é mau se for construtivo e é uma excelente ferramenta que permite a crianças normais ajudarem crianças fora do normal, agredindo-as até estas decidirem ser normais. O Dr. Chicão é o líder desta facção de justiceiros do urinol.

Do outro lado da barricada está a facção liberal do CDS, que continua a ser o único partido liberal no nosso panorama político. E é liberal porque, como não tem princípios, o CDS pode ser tudo. Esta facção não se preocupa tanto com as casas de banho mas, sim, com o Estado socialista totalitário, que ousa cobrar impostos para financiar serviços que não sejam os juros da dívida.

Defendem que o Estado deve cobrar menos impostos e o pouco que cobrar deve ser dado às pessoas sob a forma de vouchers, para que possam ir comprar serviços ao privado, seja saúde e educação. As pessoas podem ter piores serviços públicos mas, pelo menos, têm mais liberdade de escolha. E isso é que é importante.

Ninguém morre à espera de uma operação se decidir nem sequer fazer essa operação porque não tem dinheiro para ir ao privado. Morre na mesma, mas, pelo menos, morre sem essa indefinição de saber se vai ser operado ou não. Isso é liberdade de escolha.

O mesmo se passa na educação. O Estado deve poder financiar a liberdade de escolha das pessoas e financiar-lhes colégios para que elas não se vejam forçadas a colocar os filhos na escola pública. A escola pública deve servir apenas para as crianças cujos pais não se preocupam o suficiente com a sua educação.

Apesar de estar nesta encruzilhada, o CDS apresentou uma das melhores propostas para o ensino superior nestas eleições, quando sugeriu que alunos sem média para entrar na universidade possam pagar para entrar. É uma forma excelente de promover a meritocracia no ensino superior público.

Se um jovem não conseguir entrar numa universidade pública entra a meritocracia dos seus pais em jogo e garante que eles conseguem entrar. Um pai de sucesso não tem culpa de ter um filho burro que não consegue entrar na universidade. Pode emprestar-lhes um pouco do seu mérito através de dinheiro e dar-lhe uma ajuda. Um sistema unicamente baseado no mérito individual deixa de fora muitos alunos de qualidade que têm como único defeito não terem inteligência ou competência académica.

É injusto que tenham de ser sempre as universidades privadas a absorverem estes jovens com dificuldades, dando-lhes mau nome e fama de universidades de último recurso para burros que nem ursos, a quem os papás têm de pagar os cursos ou, como se costuma dizer, membros da Juventude Popular. O modelo de negócio das privadas é vender cursos a futuros quadros do CDS, mas não tem de ser. A partir do momento em que os “ursos” da Juventude Popular podem pagar para entrar nas públicas, as privadas vão ter de se esforçar para atrair outro tipo de jovens que não sejam da juventude popular. Pode estragar um pouco o ambiente, mas pelo menos aumenta a diversidade.

A esquerda gosta muito de defender a diversidade, mas é importante abrir as portas das universidades públicas a maus alunos. Podem não ter grandes capacidades académicas, mas vão dar um excelente contributo para a praxe. Como estudam menos e os pais têm dinheiro para pagar as suas reprovações animam a vida académica. A praxe dá uma lição de vida valiosa aos jovens: a de que têm de obedecer à autoridade, se quiserem ter sucesso no mercado de trabalho.

Uma lição bem mais valiosa do que qualquer conteúdo científico. Precisamos que haja jovens que tenham disponibilidade para faltar às aulas e ir para a praxe porque, se eles não existirem, quem é que vai ensinar aos estudantes universitários de que não podem ser rebeldes?

É claro que esta proposta também pode causar injustiças. É injusto que um estudante que paga uma propina maior ter exactamente as mesmas condições que aqueles que pagam menos. No fundo, são estudantes premium. Devem ter direito a lugares sentados nos anfiteatros, pipocas e petiscos quando estão nas aulas, duas ajudas durante os exames e poder saltar os anúncios durante as aulas e exames. Eu sei que não existem anúncios nas aulas, mas uma forma de financiar o ensino superior pode ser fazer com que os professores façam anúncios a marcas durante as aulas. É claro que nas aulas dos estudantes premium não têm anúncios. Já pagam que chegue.

Os alunos básicos têm muito a ganhar com os alunos premium. Já sofrem tanto por estarem numa universidade pública, pelo menos, com os alunos premium têm colegas com quem vale a pena fazer networking para variar. Colocar alunos premium em universidades é bom para a meritocracia dos alunos normais porque permite-lhes darem-se a conhecer a quem realmente pode valorizar o seu mérito.

Muitos alunos normais queixam-se que têm de emigrar quando acabam os cursos ou que não têm oportunidades. Mas isso é porque as pessoas que lhes poderiam abrir oportunidades no nosso país estão em privadas. Acabam por conviver apenas com colegas que, tal como eles, só entraram na universidade porque estudaram. Estudar é importante, mas vale muito pouco. Qualquer um pode estudar, mas nem todos podem ser CEO das empresas dos pais. Se deixarmos estes alunos que têm o factor x de sucesso irem para as públicas através de matrículas premium, os alunos normais podem ter a sorte de estes os aceitarem como amigos. Só têm de se vestir bem e não os envergonhar com a sua falta de sucesso.


 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A CRISTAS TEM UM LOMBO MUITO CARO

 
 
 
Há limites para a estupidez, como os há igualmente para a falta de honestidade e no debate da líder do CDS com o rapazola dos canitos a Assunção Cristas ou foi estúpida ou revelou uma falta de honestidade intelectual que para os seus padrões religiosos dá lugar à obrigação da confeção como condição para aceder à comunhão e consequente perdão de todos os seus pecados.
 
O argumento de que sem ajudas o lombo de porco em vez de 5€ passaria a custar 15€ é falso e vindo de alguém que teve a pasta da agricultura durante quatro anos permite concluir que a senhora ou é estúpida ao ponto de ainda não ter percebido a política agrícola comum ou é profundamente desonesta e usa o seu estatuto de ex-ministra para falar de cátedra e dessa forma enganar as pessoas.
 
No centro da PAC estava um regime de preços que subia artificialmente os preços agrícolas para assegurar rendimentos altos aos agricultores. Definiam-se os preços e para os manter complementava-se com um regime de intervenção (particularmente forte nos setores das carnes) e com um regime de trocas que consistia em ajudas elevadíssimas às exportações (para tornar os produtos competitivos num mercado com preços muito baixos) e direitos de importação elevadíssimos. Complementarmente e nalguns setores existiam ajudas.
 
Noutros países em cujos mercados os produtos apresentam preços próximos dos do mercado mundial a sustentação dos rendimentos é conseguido com ajudas diretas ao rendimento dos produtores. Era o caso, por exemplo, do modelo adotado no Reino Unido antes de ter aderido à então CEE.
 
Portanto os sistemas de proteção na UE sempre resultaram em preços mais elevados do que os do mercado mundial. Basta ver os preços das carnes de vitela de alta qualidade importadas ao abrigo de contingentes com direitos nulos, para se perceber que com os 15€ de que a líder do CDS fala os portugueses em vez de lombo de porco poderiam comprar lombo de vitela importado da Argentina, do Brasil, do Uruguai, do Botswana ou de outras origem que beneficiam deste contingente vulgarmente designado por carne Hilton.
 
Na verdade os preços da carne de porco praticados no mercado interno europeu seriam aproximadamente metade do preço do mercado mundial. Hoje a relação já não é desta grandeza pois depois de sucessivos roundsde negociações no Âmbito da OMC a Europa tem vindo a desmantelar o seu sistema de proteção na agricultura e, em consequência disso, os preços tendem a baixar.
 
Já agora vale a pena esclarecer a ex-ministra incompetente que o lombo que no passado era um produto caro, hoje é alvo de sucessivas promoções pois com o desenvolvimento da industrialização da carne de suíno há cada vez mais excedentes desta peça de carne.
 
É de lamentar tanta estupidez ou desonestidade na líder do CDS, uma ex-ministra não pode falar como uma taberneira esclarecida.
 

Ver original em 'O Jumento' (aqui)

«Grande batalha do CDS» é atacar o direito à greve

Sublinhando a sua já conhecida posição contra o direito à greve consagrado na Constituição, Assunção Cristas dá-lhe uma nova roupagem e chama-lhe uma «necessária revisão da lei dos serviços mínimos».

CréditosPEDRO GRANADEIRO / Agência LUSA

A líder do CDS, Assunção Cristas, defendeu hoje em Matosinhos que a «lei dos serviços mínimos» deve ser actualizada para evitar que «um grupo pequenino pare um País», referindo-se à greve dos camionistas, que na sexta-feira foi desconvocada.

Na verdade, não são os serviços mínimos que os centristas querem ver revistos, mas sim a chamada «lei da greve». A medida, que corresponde à sua já conhecida posição, consta no programa eleitoral e vem acompanhada da intenção de penalizar os sindicatos em caso de incumprimento dos serviços mínimos.

Os centristas afirmam que é necessária «uma actualização de uma lei que está claramente fora do nosso tempo, fora do que é Portugal no século XXI». Para o CDS, o século XXI seria um tempo em que não seria mais necessário reforçar os mecanismos e as leis que protegem a capacidade de organização e reivindicação dos trabalhadores.

Dizendo que esta é «a grande batalha do CDS», Cristas tenta fazer esquecer as medidas promovidas pelo anterior governo em que estava coligado com o PSD – que agravaram as condições de vida das populações, e deixa claro, com este tipo de propostas, que pretende favorecer os lucros das empresas e pôr em causa os direitos dos trabalhadores.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/grande-batalha-do-cds-e-atacar-o-direito-greve

Portugal | A senhora dona Cristas não presta!

 
 
Amnistia aos criminosos dos capitais!
 
É o que se diz dos mentirosos, “que não prestam”. Assunção Cristas não é exceção. A razão da afirmação está em baixo, retirada de Ladrões de Bicicletas (mais vale roubar bicicletas que os bolsos dos portugueses). 
 
A senhora dona Cristas mentiu, pretendia ocultar a verdade. E a verdade foi que o governo de Passos Coelho, de Paulo Portas e também dela, com Paulo Núncio à mistura, protegeu, amnistiando, os criminosos que fizeram sair capitais fraudulentamente do país. E quem foram esses privilegiados? Ora, os ladrões e vigaristas do costume!
 
Eis a prova de que a “menina” Cristas não presta. É uma mentirosa, como tantos(as) outros(as) daquela estirpe. 
 
Já agora, apesar de não ser do seu tempo a dirigir o CDS/PP, a senhora dona Cristas tem mais alguma mentira nova sobre os famosos submarinos, o tal quase um milhão de euros (salvo erro) em que existiu um "doador" Capelo Rego e outros? Se tem, venha ela (a mentira nova).
 
Redação PG | CT

 

 
Paulo Núncio desmente Assunção Cristas
 
Assunção Cristas, no debate eleitoral de ontem com Catarina Martins, negou ser verdade que o secretário dos Assuntos Fiscais do Governo PSD/CDS ao tempo da troica, o dirigente do CDS Paulo Núncio, tivesse concedido uma amnistia a quem tinha feito sair capitais fraudulentamente do país. Mas por incrível que possa parecer, acabou por ser desmentida pelo próprio Núncio que, por sua vez, já tinha sido desmentido por si próprio. Ler aqui. Aquando da aprovação dessa amnistia em 2012, Paulo Núncio desmultiplicou-se em telefonemas para as redacções dos meios de comunicação social a desmentir que se tratasse de uma amnistia. Mas esquecera-se que, ele próprio, já assim a classificara numa newsletter do seu escritório de advogados -  um dos mais conceituados do país - dirigida aos seus clientes e potenciais clientes. Ele há coisas que são realmente difíceis de aceitar. Às vezes, mesmo pelos próprios.
 
João Ramos de Almeida | Ladrões de Bicicletas
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

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Paulo Núncio desmente Assunção Cristas

Assunção Cristas, no debate eleitoral de ontem com Catarina Martins, negou ser verdade que o secretário dos Assuntos Fiscais do Governo PSD/CDS ao tempo da troica, o dirigente do CDS Paulo Núncio, tivesse concedido uma amnistia a quem tinha feito sair capitais fraudulentamente do país. Mas por incrível que possa parecer, acabou por ser desmentida pelo próprio Núncio que, por sua vez, já tinha sido desmentido por si próprio. Ler aqui. Aquando da aprovação dessa amnistia em 2012, Paulo Núncio desmultiplicou-se em telefonemas para as redacções dos meios de comunicação social a desmentir que se tratasse de uma amnistia. Mas esquecera-se que, ele próprio, já assim a classificara numa newsletter do seu escritório de advogados -  um dos mais conceituados do país - dirigida aos seus clientes e potenciais clientes. Ele há coisas que são realmenmte difíceis de aceitar. Às vezes, mesmo pelos próprios.
 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

«Elevador social» do CDS: os de cima sobem e os de baixo descem

Recuperando a expressão usada por Paulo Portas, Assunção Cristas falou de pôr o «elevador social» a funcionar, na apresentação do programa eleitoral. Mas, dos impostos à saúde, o que propõe não bate certo com a prática deste partido.

CréditosHugo Delgado / LUSA

Com a rentrée marcada para amanhã na Madeira, o CDS-PP dará o pontapé de saída na campanha com vista às legislativas de Outubro, sem deixar de marcar posição no processo eleitoral da região autónoma. As sondagens divulgadas para as eleições regionais, que apontam para um PSD aquém da maioria absoluta, abrem ao CDS-PP expectativas quanto à possibilidade de poder vir a servir de muleta numa eventual solução governativa.

Na rentrée de amanhã, com a participação de candidatos e dos principais dirigentes do partido, a intervenção da líder deverá retomar as críticas à governação do PS e abordar as linhas das propostas programáticas apresentadas esta quinta-feira, nomeadamente os impostos, a família, a saúde e a lei da greve.

Impostos

A descida de impostos é assumida por Assunção Cristas como a «prioridade» do CDS-PP para a próxima legislatura. «O CDS defende uma descida robusta e substancial da carga fiscal», lê-se no documento ontem divulgado. Sob o lema «Só baixos impostos põem o elevador social a funcionar», a proposta é baixar em 15% a taxa efectiva média de IRS dos portugueses até 2023. 

A ex-ministra anuncia ideias no sentido de «aumentar as garantias» de defesa dos contribuintes, designadamente em torno de penhoras fiscais para fazer face a «acções desproporcionais e abusivas» levadas a cabo pela Autoridade Tributária.

Num salto em frente para fazer esquecer as medidas fiscais promovidas pelo anterior governo em que estava coligado com o PSD – que agravaram as condições de vida das populações e dos trabalhadores, estas propostas parecem querer ressuscitar a velha ideia de que o CDS-PP é o «o partido dos contribuintes».

Nesse sentido, o CDS-PP não refere o aumento de tributação sobre os rendimentos do trabalho que o seu governo impôs a esses mesmos contribuintes. Recorde-se a sobretaxa extraordinária do IRS, a redução dos escalões em sede e a diminuição das deduções à colecta no IRS, ou o aumento do IVA, em particular sobre a restauração. Tudo isto feito a par da delapidação dos serviços públicos e cortes nos apoios sociais, ao mesmo tempo que se favoreciam grupos económicos e financeiros.

Família

Alargar a duração da licença parental até um ano, com uma partilha «mais paritária da licença entre pai e mãe», e extensível aos avós, é uma das propostas. Como na área da saúde, o CDS-PP propõe recorrer ao sector social e privado para garantir uma rede de creches e ATL para que as famílias não tenham de «estar à espera de uma vaga no público». 

Parecem querer escrever uma história em matéria de políticas de incentivo à natalidade e de apoio à família numa folha em branco, procurando apagar um passado em que, enquanto governo ou no quadro parlamentar, executaram uma política de retirada de direitos às famílias.

Foi o governo do PSD com o CDS-PP que eliminou os 4.º e 5.º escalões do abono de família e que reduziu os montantes pagos; alterou a legislação laboral no sentido de retirar direitos aos trabalhadores; congelou e cortou os salários dos pais destas crianças; congelou e cortou nas reformas dos avós; retirou o passe escolar a milhares de crianças e encerrou centenas de escolas por todo o País. 

Já nesta legislatura, os votos CDS-PP contribuíram para chumbar propostas de alargamento das licenças de maternidade e paternidade (designadamente apresentadas pelo PCP e pelo PEV) afirmando que se tratavam de propostas «irresponsáveis».

Saúde 

Partindo do pressuposto de que um «serviço público não tem de ser prestado pelo sector estatal», o CDS-PP propõe que o utente possa ir a uma consulta de especialidade num hospital privado ou do sector social quando o hospital público não dá resposta. O alargamento da ADSE (subsistema dos funcionários públicos) a todos é uma proposta já conhecida do CDS-PP e que também consta do programa. 

Ignorando o subfinanciamento crónico a que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi votado, em particular nos anos da troika e do governo em que o CDS-PP esteve coligado com o PSD, que se traduz, entre outros prejuízos, nas longas listas de utentes para consultas de especialidade, Assunção Cristas fixa tempos máximos de espera como critério para encaminhar os utentes para os hospitais privados.

Tal como ficou claro em intervenções na Assembleia da República e na proposta de Lei de Bases da Saúde que apresentaram, os centristas defendem um sistema a duas velocidades. O primeiro alicerçado nos seguros privados de saúde e nos subsistemas, com intervenção do sector privado, e um serviço público, com garantias mínimas, ao contrário do que a Constituição consagra. Uma linha privatizadora dos serviços públicos que o CDS-PP pretende estender, por exemplo, ao sector dos transportes.

Lei de Greve

O CDS-PP propõe rever a chamada «lei da greve», tendo em conta as «consequências devastadoras» de uma greve que «paralise» o País e os «danos reputacionais» para as empresas exportadoras. A medida, que corresponde à sua já conhecida posição, consta no programa eleitoral e vem acompanhada da intenção de penalizar os sindicatos em caso de incumprimento dos serviços mínimos.

Aproveitando o pretexto dado pela greve dos motoristas deste mês, os centristas afirmam que a lei é «na sua matriz do século passado, de um país mais fechado, mais dependente do mercado interno, menos exportador, menos exposto à globalização», deixando claro que pretende favorecer os lucros das empresas e pôr em causa os direitos dos trabalhadores.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/elevador-social-do-cds-os-de-cima-sobem-e-os-de-baixo-descem

Assunção Cristas e a entrevista de ontem à Rádio Observador

Foram tantos e tais os elogios à entrevista da Dr.ª Cristas que resolvi lê-la, agora que a líder do CDS deixou para Nuno Melo o monopólio da desfaçatez e da insolência com que chamava mentiroso ao PM e encontrou em Paulo Rangel o substituto do PSD.

É natural que não tenha pelas declarações da referida política a sedução dos intérpretes que a enaltecem e fazem a apologia de tudo o que vem da direita, por maiores que sejam os dislates e mais utópicas as promessas.

É legítimo manter a ambição de ser primeira-ministra, ainda que a dimensão eleitoral do seu partido o condene a ser a eterna muleta do PSD, tal como se compreende que queira reduzir impostos, aboli-los até, e entregar tudo à iniciativa privada. O que não pode é ser o que reiteradamente chamava na AR ao PM sem que o jornalista a confronte.

Para evitar transcrever a propaganda, desminto apenas duas afirmações que aprendeu no curso apressado de marketing político, onde as mentiras repetidas acabam por parecer verdades.

Querer libertar os portugueses da maior carga fiscal de sempre, que atribui ao Governo do PS viabilizado pelo BE, PCP e PEV, parte de uma falsidade onde esquece a baixa de impostos no IVA da restauração e no IRS, por exemplo, confundindo carga de impostos com receita fiscal, esta devida ao aumento do emprego e à melhoria da economia e das remunerações.

Não se pode exigir mais a quem afirma, certamente sem corar de vergonha, que “Cada eleição é uma eleição: tive 21% nas autárquicas e 6% nas europeias”.

Que a Dr.ª Assunção confunda Lisboa com o País e atribua às eleições autárquicas a sua irrepetível quota na capital (21%) com menos de 4% que o CDS teve no país, revela a confusão que faz entre uma cidade e o País e a desonestidade com que refere números. Nas eleições europeias o CDS não baixou, até aumentou a percentagem de votos das autárquicas para 6%, permitindo ao truculento eurodeputado Nuno Melo a solidão dourada do único mandato do CDS em Bruxelas.

A Dr.ª Cristas não quis responder à pergunta sobre se voltará a candidatar-se à liderança do CDS, com um resultado baixo em outubro. Sabe que o prazo de validade se esgotou.

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/08/assuncao-cristas-e-entrevista-de-ontem.html

Portugal | "Tempo de Cristas acabou no dia em que cedeu à agenda dos tarados do CDS"

 
 
Líder do CDS disse que despacho sobre identidade de género "gera uma onda de ruído". Isabel Moreira responde: "Quanto a ruído, a líder que albergou fanáticos deve ter dado conta de quem o provocou".
 
Isabel Moreira considera que o tempo de Assunção Cristas acabou. Num texto publicado na sua página no Facebook, a deputada 'atacou' as declarações da líder do CDS sobre a aplicação nas escolas do despacho de identidade de género.
 
"Cristas lá apareceu e veio dizer que o CDS rejeita o despacho (identidade de género) em absoluto e que a esquerda lida mal com a diversidade de opiniões. Mais acrescenta que o despacho veio criar ruído", começa por afirmar Isabel Moreira. 
 
Considera a deputada socialista que "Cristas tinha de aparecer. Imagino que esteja contrariada."
 
"Mas há limites. É jurista, há de ter lido o despacho, vergou-se ao bolor do CDS e atreve-se a dizer que a esquerda não lida bem com outras opiniões. Sabe? Nós não lidamos bem com a mentira", atirou. 
 
 
"Quanto a ruído, a líder que albergou fanáticos deve ter dado conta de quem o provocou. Será mesmo que Cristas pensa que isto lhe dá votos? O tempo de Cristas acabou. Acabou no dia em que cedeu à agenda dos tarados do CDS. Acabou", concluiu no mesmo texto na rede social.
 
De lembrar que Assunção Cristas disse, esta segunda-feira, que o despacho é “errado, equívoco e que gera uma onda de ruído em todo o país”.
 
A líder do CDS descreveu-o ainda como sendo “desajustado”, além de que “não resolve nenhum problema”. “Antes pelo contrário”, considerou, “só gera confusões”.
 
“Nós rejeitamos em absoluto esse despacho”, asseverou, acusando o Ministério da Educação de ter “errado” com a aceitação do documento.
 
Notícias ao Minuto | Imagem: Global Imagens
 
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/portugal-tempo-de-cristas-acabou-no-dia.html

O CDS e a (des)educação

(Marisa Matias, in Diário de Notícias, 03/08/2019)

 

Não é preciso ler livros como Pedagogia do OprimidoPedagogia da Autonomia ou Educação: Prática da Liberdade, do enorme Paulo Freire, para perceber o papel fundamental da educação. As sociedades diferem, os contextos também, mas é inevitável não pôr em causa, em nenhuma sociedade ou contexto, a educação. Lembrei-me muito destes ensinamentos de Paulo Freire a propósito da inenarrável proposta apresentada pelo CDS na última semana.

Entrar a “preços de mercado” em universidades públicas para quem não tiver notas suficientemente altas é a proposta.Não se trata de notícia falsa, mas parece. Ou isso ou falta de vergonha na cara. Equiparar a escola pública e a universidade pública à lógica do privado é uma ideia totalmente fora do quadro constitucional e um ataque direto a uma democracia que se queira inclusiva, e é seguramente uma aberração sob qualquer ponto de vista.

O CDS, que sempre defendeu que devia ser a meritocracia a vingar em todos os setores da sociedade, parece sofrer de amnésia seletiva. O que esta proposta demonstra é que o CDS entrou no “vale tudo”, antes fosse efeito da silly season.

Sabemos que a verdadeira intenção do CDS é ir contaminando todo o setor público até que dele pouco reste. Tem-no tentado fazer na saúde, na segurança social e, claro está, na educação. Mas a diferença na educação é que, até agora, as propostas passavam por esvaziar a escola pública por via do subfinanciamento ou pela desconsideração dos profissionais da educação, ao mesmo tempo que propunham desviar os dinheiros públicos para o setor privado. Esta proposta agora apresentada vai uns passos mais à frente. Mantém-se a sempre inalterável intenção de subverter a escola pública à lógica dos privados, mas a incoerência com o que o próprio partido vem defendido é de tal ordem que roça o insulto.

Uma das dimensões das desigualdades sociais em qualquer sociedade é que existem fatores de opressão que prevalecem nas vidas quotidianas. Os que têm mais recursos acabam por ter vantagem sobre as classes populares. Quem viveu a realidade da pobreza ou de poucos recursos sabe bem o que isso é, da mesma forma como sabe que a escola pública ou a saúde pública a funcionarem no seu sentido pleno são dos melhores antídotos a essa opressão. A escola pública no seu verdadeiro sentido promove princípios como a autonomia e a liberdade. É na escola pública que podem encontrar-se as ferramentas necessárias para o desenvolvimento da consciência social. É na escola pública que reside um dos maiores garantes para a igualdade. Deturpar estes princípios pela via da introdução de corredores abertos para quem tem mais recursos, pela simples razão de ter mais recursos, é a anulação da própria democracia. O CDS provou, mais uma vez, com esta proposta que anda longe de encontrar-se. Insistir na divisão de um país é um caminho perigoso e não serve a ninguém.

Eurodeputada do BE


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Mais três notas sobre Cristas e o acesso ao ensino superior

«Não faz qualquer sentido que uma família portuguesa, cujo filho não se classificou para entrada no curso ou na escola da sua preferência, dado o "numerus clausus", não possa escolher aceder a essa vaga, pagando o seu custo real, tal como pode escolher uma universidade privada ou uma universidade estrangeira» (Assunção Cristas) 1. Ao contrário do que o CDS-PP e Cristas sugerem - para justificar que os alunos portugueses sem média de acesso devem poder ingressar, mediante pagamento, no ensino superior público - os alunos estrangeiros não se limitam a «pagar para entrar», estando igualmente sujeitos a numerus clausus, como já se procurou demonstrar aqui. Mais: não só nem todos os candidatos estrangeiros ingressam no ensino superior público português, como são muito poucos os que efetivamente pagam a sua frequência a preços de mercado. De facto, se considerarmos que os alunos de países membros da UE estão sujeitos às mesmas regras que se aplicam aos estudantes nacionais, e se admitirmos que os alunos da CPLP beneficiam, em muitos casos, de acordos bilaterais entre Estados, o universo de «estrangeiros pagantes» é muito mais reduzido (apenas 153, dos cerca de 180 candidatos, no ano de 2018), do que Cristas e o seu partido nos querem fazer crer . 2. Vale a pena assinalar devidamente, em segundo lugar, um aspeto com especial significado ideológico, nesta proposta. Ao contrário do que tem defendido noutros domínios (nomeadamente na educação, na saúde e na ação e segurança social), o CDS-PP não propõe, neste caso, a existência de um «sistema» único, constituído pelo público e pelo privado e que cabe ao Estado financiar (como chegou a sugerir Passos Coelho, em 2011). O que Cristas defende, para o ensino superior, é que o Estado permita a inscrição de alunos sem média suficiente no subsistema público (e não, como seria expectável, o financiamento da sua inscrição em universidades privadas). Ou seja, mesmo não sabendo o que leva Cristas a este desalinhamento ideológico (talvez o descrédito em que mergulhou, com algumas exceções, o ensino superior privado em Portugal), o certo é que não é só a conversa da «meritocracia» que vai pelo cano. É também a congruência e consistência programática de um partido que proclama que o Estado deve financiar, nos diferentes domínios (através de PPP ou de vouchers), o setor privado. 3. Por último, a ideia de que o pagamento do «custo real» da formação deve ser suficiente para possibilitar a entrada, no ensino superior público, a um aluno que não obteve média de ingresso, é bem reveladora do «espírito de classe» que subjaz à proposta do CDS-PP. Isto é, Cristas e o seu partido estão nitidamente a pensar apenas em famílias cujos níveis de rendimentos permitem, para lá do pagamento da formação a preços de mercado, assegurar todas as despesas inerentes à frequência do ensino superior (alimentação, alojamento, livros, etc.). Podem portanto chamar-lhe muita coisa, mas esta não é, por várias razões, uma proposta preocupada com a democratização do acesso ao ensino superior.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Acesso à Universidade

A proposta fala por si e dispensaria mais comentários. Na verdade, o que ela desvenda é toda uma concepção de vida, de sociedade e de país em que o dinheiro - sempre ele - é a grande força motora.E, tudo vistio, a mim só me apetece acrescentar que, tendo passado décadas a ouvir a direita proclamar o seu apego ao mérito individual, agora apanho com esta e tenho de concluir que afinal essa velha milonga era pura demagogia.
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

CDS-PP propõe uma «espécie de delação premiada»

A pretexto do necessário combate à corrupção e alta criminalidade, o CDS-PP propõe uma medida contrastante com a natureza e princípios do direito penal no País.

CréditosManuel Fernando Araújo / Agência Lusa

Apesar dos seus dirigentes assegurarem que não, o partido de Assunção Cristas veio anunciar uma medida para o combate à corrupção, que se traduz numa verdadeira «delação premiada».

Está em causa, na proposta, a ideia de que quem cometa um crime possa ter uma compensação na forma de uma «censura penal atenuada» pela «colaboração» com a justiça, se denunciar outros alegados criminosos.

Assim, o CDS-PP vem recuperar para debate uma questão amplamente discutida – e existente noutros países – que tem sido afastada da lei penal portuguesa por contrariar princípios da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente, a de que a justiça não pode ser feita com qualquer tipo de coacção.

A não ser assim, poderiam subverter-se princípios como a busca da verdade material e a imparcialidade, para passar a ganhar centralidade no processo penal apenas a condenação, isto é, de que é preciso condenar. E podendo ficar assim em causa a seriedade e idoneidade das investigações criminais e subsquentes julgamentos.

O CDS-PP decidiu que todas as semanas apresentará algumas das suas propostas que virão a integrar o seu programa eleitoral.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cds-pp-propoe-uma-especie-de-delacao-premiada

Quando a política pensa com o penteado

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 19/07/2019)

Como faltam as ideias, vota-se no penteado…

 

Em 1995, a popular jornalista sueca Stina Dabrowski, que já entrevistou Nelson Mandela, Yasser Arafat, Hillary Clinton ou Madonna, fez uma entrevista de meia hora com Margaret Thatcher. No fim, a entrevistadora fez uma proposta à já então ex-primeira-ministra. Queria que ela desse um saltinho no estúdio. Sim, isso mesmo, um saltinho no estúdio. “Um saltinho? Nunca sonharia em fazer tal coisa. Porque o haveria de fazer? Eu dei grandes saltos para o futuro, não dou saltinhos em estúdios.” Mas Stina não desistiu. Queria que a senhora mostrasse o seu lado humano. Thatcher foi clara: “Isso apenas mostra que queremos ser vistos como pessoas normais e ser populares e eu não preciso disso. Não quero perder o respeito das pessoas que me respeitam há tantos anos fazendo uma coisa dessas”.

Insuspeito de gostar de Thatcher gostava deste seu lado: a secura distante que aqui só nos foi dada por Álvaro Cunhal. Os políticos até podem fazer algumas coisas descontraídas. As pessoas dançam e cantam em público, dizem piadas, não estão sempre a discursar. Não têm de ser uns cepos sem emoções. Podem mostrar outras partes de si, desde que se sintam confortáveis com isso. Mas não devem permitir que as coisas cheguem ao ponto em que se transformam em tontinhos. Parece-me evidente que Assunção Cristas está a ultrapassar essas fronteiras. Ao publicar quatro fotos com quatro penteados no Instagram, pedindo aos seus seguidores que escolham o que preferem, transforma-se numa figura de entretenimento. E ao fazê-lo diminui-se como política.

Ao publicar quatro fotos com quatro penteados no Instagram, pedindo aos seus seguidores que escolham o que preferem, Cristas transforma-se numa figura de entretenimento. As pessoas querem que quem está no poder seja como seu vizinho, amigo, primo. Mas esta proximidade é evidentemente falsa
Não tenho dúvidas de que as pessoas querem que quem está no poder seja como o seu vizinho, o seu amigo, o seu primo. E os políticos, que precisam de votos, e a comunicação social, que precisa de audiência, cedem. Até eu, sem ser político, posso já ter cedido. Mas isto está a destruir a democracia. Porque a dessacraliza, retirando-lhe autoridade sem por isso a aproximar das pessoas. Porque esta proximidade é evidentemente falsa. Cristas pergunta às pessoas que penteado deve usar, não faz grande questão em envolvê-las em orçamentos participativos. A proximidade dos cidadãos ao poder faz-se através de uma sociedade civil ativa e de um Estado aberto e com instrumentos de participação. Não se faz em conversa de cabeleireiro. Isto só esvazia a política de conteúdo. Fica a feira.

Mas há a segunda parte deste episódio: nunca os estrategas da comunicação sujeitariam Nuno Melo a uma coisa destas. Nunca fariam das escolhas sobre o seu penteado um tema de relação com os seus eleitores. Da mesma forma que nunca se pergunta a um homem como compatibiliza o papel de pai e de político.

Parece que as mulheres, para estarem na política, têm de carregar para elas o lado privado que as velhas sociedades lhes reservavam. Não era isto, se bem me lembro, que Cristas prometia à política portuguesa. Os políticos que deixam que sejam os marketeers a mandar acabam por perder o respeito de quem realmente os respeitava.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Quem defende o CDS?

Fonte: Autoridade Tributária
Mais uma vez o CDS propõe a descida das taxas do IRC. Essa ideia faz parte do seu programa político de base: exige a descida dos impostos e - paradoxalmente - a melhoria dos serviços públicos. É claro que uma das duas ideias não corresponde verdadeiramente ao que pretendem. E - obviamente - é a segunda. O CDS defende que seja o sector privado a providenciar aquilo que é função constitucional do Estado, desde que sejam os cidadãos a pagar para esse sector privado. E percebe-se quem é que o CDS quer defender. Actualmente (em 2017), mais de metade da receita do IRC é paga por empresas com um volume de negócios anual superior a 25 milhões de euros. Possivelmente porque existe uma forte evasão nos escalões mais baixos. Mas por isso os escalões mais elevados serão aqueles que beneficiarão, sobretudo, de uma descida das taxas de IRC e da proposta do CDS. Mas mais uma vez, o CDS esquece - omite  - que o essencial da tributação dos rendimentos das empresas não está nas taxas. Mas na definição da matéria colectável.
Caso se observe o que se passou desde 1994, a partir dos dados da Autoridade Tributária, é possível observar diversas coisas: 1) a receita de IRC mal tem evoluído ao contrário dos lucros tributáveis. E quando se refere lucros tributáveis essa categoria já é o resultado de uma depuração, através de um conjunto de regras legais, dos rendimentos gerados; 2) mesmo assim, os lucros tributáveis não são ainda aqueles sobre os quais incidem as taxas de IRC. Existe uma diferença entre os lucros tributáveis e a matéria colectável.Entre 1994 e 2000, foram cerca de 12,1 mil milhões de euros de lucros tributáveis que não foram tributados; entre 2000 e 2008 mais 71,2 mil milhões, entre 2011 e 2015 mais 28,4 mil milhões e de 2015 a 2017 mais 13,3 mil milhões. Ao todo, desde 1994, foram cerca de 138 mil milhões de euros não tributados.
3) Caso se compare o peso da cobrança de IRC sobre a matéria colectável, verifica-se que ao longo deste período, o seu peso tem vindo a descer e está estabilizada.Para quê então reduzir agora ainda mais? Afinal, não é o CDS a favor da estabilidade fiscal? Bem sei que que estas taxas não correspondem à taxa efectiva suportada pelas empresas. A taxa efectiva entra em conta com benefícios fiscais, tributações autónomas, derramas estaduais, etc. Mas ainda assim, o que se verifica é uma ligeira descida desde 2013 para cá.
Então para quê tanto alarde? Achará o CDS que as grandes empresas não devem contribuir para o Estado de todos? Ou será que o CDS defende que o Estado exista apenas para alguns - os mais pobres - e que os outros vivam noutro mundo? Será esse realmente o seu programa?

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Propostas do CDS-PP de redução de impostos não «enganam»

Não há «borracha» ou proposta de redução de impostos que apague o que o CDS-PP já fez, enquanto governou o País, em matéria de agravamento fiscal sobre os rendimentos do trabalho.

CréditosPEDRO GRANADEIRO / Agência LUSA

A líder do partido veio esta quinta-feira avançar com algumas propostas em matéria de tributação, as quais virão a constar do seu programa eleitoral. Não obstante, as propostas em cima da mesa colidem frontalmente com a experiência governativa do seu partido.

Em síntese, os centristas propõem que venha a ser utilizado 60% do excedente orçamental para reduzir, faseadamente, a taxa do IRS em 15%, numa redução da taxa efectiva média de todos os agregados. Também em matéria de IRC, o CDS-PP vem propor uma redução imediata da taxa de 21% para 17% já no próximo ano, com o objectivo de a reduzir para os 12,5%, à semelhança do que existe na Irlanda, em nome da «competitividade da economia».

As ideias agora apresentadas pelos centristas confrontam o que fizeram no governo anterior, pelo qual aumentaram brutalmente os impostos sobre o trabalho, ao mesmo tempo que baixaram o IRC sobre as grandes empresas (dando continuidade à redução feita pelo governo PSD/CDS-PP de Santana Lopes e Paulo Portas que, à altura, reduziram a sua tributação de 30% para 25%).

Foi também com a mão de CDS-PP que se criou a sobretaxa sobre o IRS (eliminada na actual legislatura) e que se diminuíram o número de escalões do IRS agravando a situação dos contribuintes com rendimentos mais baixos e intermédios.

Este partido é ainda responsável pelo aumento da taxação sobre os escalões mais baixos do IRS, assim como pela diminuição de pessoas isentas de IRS o que sucedeu com a diminuição do mínimo de existência.

Também em matéria de IVA o CDS-PP contribuiu com o aumento do IVA, nomeadamente da restauração e dos bens energéticos, como o gás e a electricidade.

Recorde-se que ainda no início da semana, Adolfo Mesquita Nunes, vice-presidente do CDS-PP veio apresentar como proposta inovadora a criação de «conta corrente com o fisco» por forma a facilitar o diálogo entre contribuintes e Autoridade Tributária.

No entanto, os centristas não explicaram porque é que votaram contra uma proposta idêntica do PCP aquando da discussão do Orçamento do Estado para 2019 (proposta esta que já tinha sido apresentada anteriormente pelos comunistas) e que visava a criação de uma conta corrente entre as micro e pequenas empresas e o Estado.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/propostas-do-cds-pp-de-reducao-de-impostos-nao-enganam

A Dr.ª Cristas, as eleições europeias e o futuro

Andou a D.ª Cristas, anos a fio, em insolente frenesim, sem tino, sem ideias e sem rumo, esperando ser alternativa ao atual PM, enquanto os sindicatos de origem duvidosa e escribas de virtudes desconhecidas lhe incutiam ânimo para voos cujas asas bastavam para a leveza da votação eleitoral, mas incapazes de suportar o peso da sua ambição.

Viu partir Nuno Melo, solitário eurodeputado, a caminho de Bruxelas e ficou sozinha na raiva que a devora, sem remorsos dos insultos que lançou na AR, esquecida das vezes que chamou mentiroso ao primeiro-ministro, das tonitruantes proclamações sobre o falhanço do Estado, a pretexto de qualquer acidente, inundação ou avaria de autocarro.

Faltaram-lhe incêndios, que este ano não chegaram a tempo das europeias, a urbanidade e moderação do seu colega Adolfo Mesquita Nunes e a inteligência para compreender que os partidos, num país sem tradições democráticas, se assemelham mais a clubes de futebol do que a incubadoras de ideias e instrumentos de reformas e de justiça social.

Não bastam os cartazes e a exposição permanente na comunicação social para seduzir o eleitorado, quando o PR tem o exclusivo do tempo que o país é capaz de absorver e o treino da sedução com que procura alterar a correlação de forças partidárias fingindo um poder que a Constituição lhe nega.

Desorientada, triste e frustrada com a ingratidão popular, passou da gritaria à mansidão, dos insultos ao Governo à urbanidade, da convocação de ministros à AR à chamada de votantes ao CDS, das proclamações eufóricas à depressão, indecisa sobre o crescimento que pretende, a partir de 18 deputados que Paulo Portas alcançou com a engenharia que ludibriou Passos Coelho, ou de 9 que a extrapolação da última votação lhe assegura.

Não lhe tendo valido a sugestão de voto do cardeal Manuel III, por falta de credibilidade do purpurado ou míngua de sintonia com o Divino, a Dr.ª Cristas vira-se agora para a herança do ora catedrático Passos Coelho, que tem por Rui o mesmo apreço de Maomé pelo toucinho.

A Dr.ª Cristas viu na presença do ex-PM na apresentação do seu livro um sinal “divino” para se posicionar como a “herdeira reformista” de Passos Coelho.

Se os deuses e os barões do PSD não enlouquecerem em conjunto, a Dr.ª Cristas perde a confiança em si vai aprender a conduzir um táxi para levar o seu grupo parlamentar à AR.

 

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https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/07/a-dr-cristas-as-eleicoes-europeias-e-o.html

O Estado é a mãe do CDS

Não há excepção nas ideias do CDS. O Estado deve servir para angariar fundos - dos tais contribuintes que tanto dizem proteger  - para os canalizar para as empresas. Foi isso que se passou com as diversas propostas no sector da Saúde - primeiro, era que o Estado contratasse o sector privado quando não conseguisse atender as pessoas; depois propôs o alargamento da ADSE aos trabalhadores do sector privado, sabendo-se que a ADSE é o principal financiador do sector privado da Saúde. Agora é a ideia de que a formação profissional - entenda-se: a realizada pelo Estado, através dos centros do IEFP e protocolados  - deve estar sujeita a um rankingpara que vá ao encontro das necessidades de formação das empresas.
o objetivo é contornar o atual contexto do mercado de trabalho, onde “a indústria exportadora quer mão de obra qualificada mas não a consegue encontrar”porque a formação profissional não está adequada às suas necessidades. Assim sendo, os centristas querem que a formação profissional deixe de estar orientada para as qualificações académicas, como atualmente está, e passe a estar orientada para a “capacitação das pessoas”em função das necessidades reais do mercado da economia — saindo do seu atual estado de “abstração”.
Até parece bem. Sobre a formação do IEFP haveria muito para dizer. Mas por que é essa formação desejada pelo CDS não é feita pelas empresas? A melhor formação deveria ser feita no contexto do trabalho. As empresas contratavam aprendizes e formavam-nos já de acordo com o que pretendiam. Não foi sempre assim? Actualmente, o Código do Trabalho obriga as empresas a formar pelo menos 10% da sua mão-de-obra. Só que essa percentagem já foi mais elevada e tem vindo a reduzir-se porque as empresas não a fazem. E assim, a lei adapta-se - não ao que é necessário - mas aquilo que as empresas vão impondo na prática. Mesmo assim, a maioria das empresas não a faz. E de tal forma assim é que a própria lei estabelece que, quando essa formação não se realize até dois anos posteriores ao ano em que se deveria ter realizado, essas horas constituem um crédito de horas para o trabalhador realizar a formação por sua iniciativa... Recentemente, o próprio CDS chumbou - no quadro da discussão do recente pacote laboral contra a precariedade - uma proposta do PCP que eliminava esse limite de três anos. A proposta foi chumbada com o voto do PS e da direita. Mas agora, o CDS mostra-se muito preocupado com a formação dos trabalhadores. Ou melhor: com os custos da formação dos trabalhadores. Quer que seja o Estado a assumir esse custo e a fazer tudo aquilo que as empresas não querem fazer. "Façam-se rankings dos centros de formação e financie-se esses centros consoante o grau de empregabilidade..." Só que o risco é que, mesmo assim, por muitos rankings que sejam feitos, essa formação não substitua a formação em contexto de trabalho. E a proposta arrisca-se a ser um mero panegírico de direita que nada resolve, embora possa ter o beneplácito das empresas que sabem que assim poupam uns dinheiros. Para já.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

O enorme recuo de Cristas em cinco passos

 

(In Expresso Diário, 05/05/2019)

(A Dra. Assunção só dá tiros de pólvora seca!. Tanto amor pelos professores era de desconfiar. Era só para chatear o Costa, e tirá-lo do sério, como ela costuma fazer nos debates na Assembleia da República. Quando se viu a acordar ao lado da barba do Mário Nogueira, como lhe mandou, em seta envenenada o ex-ministro das cervejas, Pires de Lima, a Cristas deu um salto na cama e teve um ataque de erisipela! Vade Retro, Satanás, exclamou!

E é assim que vai dar o dito por não dito, já não vai votar pelo descongelamento das carreiras dos professores na totalidade, o Rio vai seguir-lhe as pisadas, o Governo vai-se manter até ao fim e António Costa ri-se às gargalhadas com a inépcia da direita.

Comentário da Estátua, 05/05/2019)


A líder do CDS assumiu um compromisso e acabou em ele em apenas 48 horas – depois de muitas críticas externas e internas e de um aviso de Pires de Lima.

Continuar a ler aqui: O enorme recuo de Cristas em cinco passos

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Portugal | CDS recua na votação da lei dos professores

Anúncio foi feito, este domingo, pela líder do CDS

O CDS-PP volta atrás com a decisão de votar ao lado dos partidos de Esquerda, anunciando, este domingo, que irá fazer uma avocação parlamentar, o que permite ao partido alterar o seu sentido de voto relativamente ao diploma que determina a reposição integral do tempo de serviço dos professores.
Numa nota de imprensa enviada aos órgãos de comunicação social, Assunção Cristas deixa claro que “ou o Parlamento aceita as nossas condições ou não aprovaremos qualquer pagamento”.

Acusando, uma vez mais o primeiro-ministro de mentir, tal como já havia feito nas declarações públicas e na carta enviada aos militantes do partido, a líder do CDS sublinha que a mentira em causa é a de que o “CDS juntou os seus votos à Esquerda para aprovar um pagamento de muitos milhões de euros por anos para os professores, pondo em causa as contas públicas”.

A proposta apresentada pelos centristas, defende Cristas, "era e é claríssima" e determina que "esse pagamento só pode ser feito se estiverem reunidos" determinados requisitos.


E para deixar clara a sua mensagem, a antiga ministra da Agricultura do governo PSD/CDS enumera quais são as condições exigidas pelo seu partido para aprovação das alterações anunciadas:"existência de crescimento económico e garantia de sustentabilidade financeira, negociação do estatuto da carreira dos professores, incluindo a avaliação dos professores, negociação do regime de aposentações dos professores".

Nesta senda, Assunção Cristas recorda que estes "requisitos existem na proposta do CDS desde o início, foram anunciados há mais de um ano e não prescindimos deles" até porque, sublinha, o "crescimento económico é a nossa prioridade e a sustentabilidade financeira o nosso limite".

Relativamente à confusão que se gerou, e que colocou o CDS ao lado do Bloco de Esquerda e PCP, Cristas explica que "os artigos são votados um a um, alínea a alínea, por isso estas exigências não constam da versão final saída da votação na especialidade. A proposta final ainda não está votada. Cabe agora aos partidos ver se estão satisfeitos com a versão final da proposta e, em plenário, votar".

E assegura: "A proposta do CDS é só uma desde o início, e pressupõe o respeito integral de cada uma das condições que constam da nossa proposta, que dela constam desde o começo".

Com esta comunicação feita hoje, a aprovação da alteração ao decreto referente ao descongelamento e pagamento do tempo de carreira dos professores, fica comprometida, ficando a faltar ainda a posição oficial do PSD.
Patrícia Martins Carvalho | Notícias ao Minuto | Foto: Global Imagens
Leia o comunicado na íntegra:
CDS irá fazer uma Avocação Parlamentar
Clareza e verdade

Uma mentira fabricada apenas e só para criar uma crise política pode ser repetida muitas vezes, mas não é suficiente para a transformar em verdade.

E que mentira é essa, mais uma, do Primeiro-Ministro? A de que o CDS juntou os seus votos à esquerda para aprovar um pagamento de muitos milhões de euros por ano para os professores, pondo em causa as contas públicas.

É mentira porque a proposta do CDS era, e é, claríssima.

Esse pagamento só pode ser feito se estiverem reunidos os seguintes requisitos: existência de crescimento económico e garantia de sustentabilidade financeira, negociação do estatuto da carreira dos professores, incluindo a avaliação dos professores, negociação do regime de aposentações dos professores.

Esses requisitos existem na proposta do CDS desde o início, foram anunciados há mais de um ano e não prescindimos deles. Desde o primeiro dia que achámos que esta era a oportunidade certa para negociar o que há muito precisa de ser resolvido, e por isso mesmo colocámos esses requisitos na proposta e deles falamos desde o começo deste processo. Por outro lado, o crescimento económico é a nossa prioridade, e a sustentabilidade financeira o nosso limite.

A surpresa de ninguém se referir a estas exigências do CDS certamente tem a ver com o facto de terem sido chumbadas por todos os partidos da esquerda, inclusivamente pelo PS. Sim, eles constavam da nossa proposta, e sim, eles foram chumbados pelo PS. Se o PS os tivesse votado, se os tivesse viabilizado, não haveria crise política.

Os artigos são votados um a um, alínea a alínea, por isso estas exigências não constam da versão final saída da votação na especialidade. A proposta final ainda não está votada. Cabe agora aos partidos ver se estão satisfeitos com a versão final da proposta e, em plenário, votar.

Como o CDS tem referido, e eu tenho repetido vezes sem conta, a proposta do CDS é só uma desde o início, e pressupõe o respeito integral de cada uma das condições que constam da nossa proposta, que dela constam desde o começo.

Por isso para nós a decisão é muito simples: ou o Parlamento aceita as nossas condições ou não aprovaremos qualquer pagamento. Essa é a posição de princípio do CDS desde sempre.

Ou o Parlamento aceita os requisitos da nossa proposta, e eles se tornam lei, ou o CDS não dará o seu voto a qualquer compromisso.

Um Governo do CDS nunca faria negociações incondicionais. Para nós a primazia do interesse geral é uma condição essencial.

Ainda é possível colocar essa opção? É, como aliás é prática parlamentar, com a avocação da norma em causa para decisão em plenário. E é isso que o CDS fará.

A linguagem e o procedimento parlamentares são complexos. Foi sabendo dessa complexidade, e confiando nela, que o Primeiro-Ministro ensaiou a sua mentira. É meu dever explicar, o que de resto pode ser confirmado pela documentação parlamentar. Basta ler a nossa proposta: está lá tudo.

Assunção Cristas

5 de maio de 2019

O prodigioso flic-flac deste domingo (enquanto o outro não se confirma!)

Há um pequeno filme hilariante, disponível na rede tweeter, que exprime bem o flic-flac de Assunção Cristas neste domingo. Infelizmente não o consigo aqui partilhar, mas conta-se assim: numa corrida de estafetas com miúdas de quatro-cinco anos de idade, algures na Ásia, as três primeiras a darem a volta à pista passam o testemunho, mas enquanto as duas das pontas seguem na direção esperada, a do meio segue em sentido contrário, a alta velocidade, e para desespero dos juízes da corrida, que correm na sua peugada para a incentivarem a infletir o rumo.

 

Não é esta a imagem de Assunção Cristas neste domingo? Além do comportamento infantil, que a leva a esconder as mentiras, repetindo vezes sem conta que o mentiroso é o primeiro-ministro, ou a dizer-se ausente do Parlamento no momento em que o seu partido subscrevia com os outros três a bomba de 800 milhões de euros de encargos adicionais para o Estado, ela ainda melhor imita a miúda da t-shirt vermelha ao correr com todas as forças no sentido contrário ao que era suposto prosseguir. Mais: para onde ontem mostrava veemente disposição em prosseguir.

 

Já sabíamos muita coisa sobre a ainda líder do CDS - sobre quem Pires de Lima parece estar a encomendar a extrema-unção! - mas faltava-nos comprovar que, além de assinar decretos de cruz, quando saía da praia, também é exímia em querer sacudir a água do capote, atribuindo a outrem as responsabilidades que, apenas, cabem a si mesma!

A direita demagógica e populista

O CDS, depois do partido dos agricultores e dos contribuintes, pretendia agora apresentar-se também como o partido dos professores. A todos ofereceu uma mão cheia de nada!

CréditosMiguel Pereira da Silva / Agência Lusa

As declarações de Assunção Cristas e Rui Rio, mostram como o PSD e o CDS andam há muito tempo a procurar passar pelos intervalos da chuva, no que se refere à questão da contagem total do tempo de serviço dos professores e das outras carreiras especiais da Administração Pública.

Na verdade, nunca tiveram esse objectivo, até porque aquilo que os move não é, nem nunca foi, a valorização remuneratória dos trabalhadores, sejam do público ou do privado, como comprovam as suas políticas, nomeadamente o brutal corte nos rendimentos e nos direitos dos trabalhadores e dos reformados que o anterior governo do PSD/CDS promoveu.

A direita andou ao longo de todo este tempo, através de promessas vãs, de projectos de lei ocos, de meias palavras e refugiando-se, como fez agora o CDS, na complexidade do processo parlamentar, a gerir o seu manobrismo no sentido de se poderem apresentar às eleições como os partidos «amigos» dos professores.

No entanto, desta vez, não resistiram à chantagem do PS. Depois de entradas de leão têm saídas de sendeiro, evidenciando mesmo alguma desorientação na gestão da sua acção demagógica e populista.    

Ou será que o diabo voltou à casa de partida?

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/direita-demagogica-e-populista

Favorecimento no caso Pavilhão Atlântico e como isto anda tudo a correr mal à direita

Ana Alexandra Gonçalves* | opinião
Assunção Cristas, figura particularmente cara à comunicação social, pelo menos a julgar pelo tempo de antena que as televisões lhe dispensam, acaba por sair mal na fotografia veiculada por uma reportagem da TVI sobre o processo de venda do antigo Pavilhão Atlântico ao consórcio do genro de Cavaco Silva. Desta-se a suspeita de favorecimento daquela que era na altura ministra do Ambiente e Ordenamento do Território.
E tanto mais é assim que uma parte do CDS - constituída por quem não se revê na actual liderança - pede mesmo a constituição de uma comissão parlamentar para investigar o envolvimento de Cristas num negócio que cheira mal independente da forma com que se olhe para ele.
Ora, estas suspeitas de favorecimento vêm dar mais um contributo para o enfraquecimento da direita. Sem estratégia e agora a chafurdar em escândalos, envolvendo não só actuais lideranças, como o chefe de eles todos - o inefável Cavaco Silva -, resta a Cristas e a outros fingirem-se de mortos e esperar que tudo passe.
No entanto, o tempo joga contra Cristas e apaniguados, as eleições estão quase aí e nem todo o tempo do mundo nas televisões chegará, sobretudo quando estas, esporadicamente, dão uma no cravo e outra na ferradura. Estamos muito em cima do período eleitoral para se fazer uma limpeza com eficácia.
*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/favorecimento-no-caso-pavilhao.html

Portugal | Cristas e o seu umbigo

O CDS não anunciou uma moção de censura para defender o cheque-ensino, o corte das reformas ou o despedimento de funcionários públicos, como estava previsto no seu programa
Joana Mortágua* | jornal i | opinião
A curiosidade é que o CDS é o partido político que mais vezes apresentou moções de censura no parlamento desde 1974. Das 29 que foram aceites, só uma levou à queda de um governo. Foi por isso tautológica a defesa de Assunção Cristas na apresentação da sua segunda censura a este governo quando disse que as moções de censura valem pelo sinal político, além da suas consequências práticas.
Cristas sabe-o bem. Enfrentou seis moções de censura quando era ministra do governo Passos/Portas, uma do Bloco, uma do PEV, uma do PS e duas do PCP. Nenhuma delas reunia os votos necessários para derrubar o governo. Eram moções de censura políticas, qualidade que Cristas agora reclama para a sua.
Se havia poucas dúvidas sobre o que seria a moção de censura, agora não resta nenhuma. Mas assegura o CDS que gostaria de ir já a eleições. Porque o país não aguenta esperar até outubro? Não, porque o CDS tem medo de esperar até outubro. Porque há demasiados partidos de direita à espreita e é preciso alguém começar a pôr--se em bicos de pés. É o espelho da direita que temos.
O problema das moções de censura políticas é que para serem mais do que um oportunismo pré-eleitoral, ou golpezinhos de propaganda, precisam de algum motivo para existir. Alguma coisa que as torne compreensíveis no seu objetivo: censurar o governo. Veja-se como exemplo a moção de censura apresentada ao governo de Cristas pelo Bloco de Esquerda.
Foi em outubro de 2012, já depois do “colossal aumento de impostos”, do confronto aberto com o Tribunal Constitucional e da vergonhosa proposta de redução da TSU patronal e de aumento da tributação sobre quem trabalha que levou à maior manifestação de rua pós-25 de Abril. Estávamos a três anos de eleições e já se previa a destruição social que havia de ensombrar o país.
É verdade que salvar o país da destruição nacional não é o único motivo para apresentar uma moção de censura. Uma diferença ideológica profunda em relação a uma governação, a defesa coerente de um programa político, tudo isso podem ser razões compreensíveis para uma moção de censura política.
Mas não foi a isso que assistimos. O CDS não apresentou uma moção de censura em nome dos colégios privados cujo privilégio quis salvar, nem dos despejos que promoveu como política imobiliária do futuro. O CDS não anunciou uma moção de censura para defender o cheque-ensino, o corte das reformas ou o despedimento de funcionários públicos, como estava previsto no seu programa.
Justifica-a com a onda de contestação e mobilização social, com as expetativas dos profissionais da administração pública, com a falta de investimento de serviços públicos. O CDS censura o governo por não corresponder às expetativas do país. Mas sempre que foi chamado a votar propostas que correspondem a essas exigências, o CDS chumbou-as.
Na defesa da contratação coletiva, na diminuição do número de alunos por turma, na contagem integral do tempo de serviço dos professores, no combate ao falso trabalho temporário, na reposição do valor das horas extraordinárias e do trabalho extra, em todas essas propostas o CDS votou contra, como votou contra a criação do SNS, que agora diz querer defender, apesar de não se lhe conhecer outro amor que não seja aos privados. É uma longa lista de exemplos do CDS a censurar-se a si próprio.
A única cara de Assunção Cristas é a vergonha dos idosos despejados, o drama das famílias que não conseguem pagar a renda e dos jovens que são expulsos para as periferias. A única cara de Mota Soares é a perseguição aos precários, o corte no apoio aos de-sempregados, os 800 trabalhadores da Segurança Social na prateleira para despedir. A moção de censura do CDS foi um exercício de hipocrisia. E dos fraquinhos.
Se o CDS quer disputar o lugar de porta-estandarte da direita, isso é entre Assunção Cristas e Rui Rio. Mas assumam que não tem nada a ver com o estado do país. É que as moções de censura, mesmo as políticas, precisam de ser eco do país ou acabam amassadas no parlamento.
*Deputada do Bloco de Esquerda

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/portugal-cristas-e-o-seu-umbigo.html

Cristas, uma invenção de Costa

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 20/02/2019)

Daniel

Daniel Oliveira

Já muitos partidos apresentaram moções de censura condenadas ao fracasso. Já alguns o fizeram num momento em que a insatisfação popular não era evidente – não confundir um surto de greves táticas, num ano eleitoral em que são sempre mais eficazes, com insatisfação generalizada. Não me recordo se alguma vez foi feito num momento em que, se fosse aprovada, a moção de censura teria um efeito nulo, já que as eleições são este ano. Esta moção de censura não é apenas um nado-morto, é uma inutilidade assumida.

A inutilidade é tão evidente que ninguém assumiu que o alvo de Assunção Cristas era realmente António Costa. Para a geringonça, este até é um bom momento para se mostrar falsamente unida. O objetivo é criar um momento mediático em que, mais uma vez, Cristas se apresente como líder da oposição. Sabendo que Rio não está no Parlamento e que ainda não tem um grupo parlamentar seu, a presidente do CDS está a lutar contra um ausente. Não é difícil vencer um combate em que o opositor não pode entrar no ringue.

O objetivo da moção de censura é criar um momento mediático em que, mais uma vez, Cristas se apresente como líder da oposição. Quem criou esta fantasia? Foi António Costa, que se irrita com Cristas porque quer ter um partido com menos de 10% das intenções de voto como líder da oposição

Assunção Cristas afirmou, numa entrevista ao Expresso, que dizer que ela é a líder da oposição “é factual”. Olhando para as sondagens, não sei onde está demonstrado desse facto. Rui Rio continua, até ver, a liderar o partido com mais intenções de voto da oposição, o CDS não descolou e Cristas continua a liderar um partido com tantas possibilidades de chefiar um Governo como o PCP e o Bloco. Não passa tudo de uma fantasia. Quem criou esta fantasia? Não foi o CDS, apesar de tentar alimentar-se dela. Nem sequer foi a comunicação social, que se limita a difundir os delírios de Cristas. Foi António Costa. Costa irrita-se com Cristas no Parlamento porque lhe interessa ter um partido com menos de 10% das intenções de voto como líder da oposição. Dar força ao CDS é tirar força ao PSD e encostar a oposição à direita. Tudo o que Costa precisa para ter votos ao centro.

Não é grave que Cristas aproveite a borla que Costa lhe dá e se ponha em cima de um caixote para parecer enorme. Faz parte das regras do jogo. Desde que isso tenha, para quem deve olhar com atenção para a política, a importância relativa que realmente tem. Em suma, a moção de censura do CDS é o que é: um momento de campanha do CDS com a mesma importância real que tem o CDS.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

SINAIS DE FOGO – O AVENTAL DA TIA ASSUNÇÃO – por Soares Novais

 

Depois de alguns dias nas bermas das estradas,Assunção  colocou o avental e distribuiu comida “a pessoas carenciadas de Lisboa.”  O avental era da Refood – uma organização que recolhe comida em restaurantes e supermercados que depois redistribui.

Assuncão ocupou-se da tarefa com desenvoltura. Com a mesma desenvoltura que, dias antes, exibiu nas bermas das estradas onde esteve a denunciar os buracos das ditas. A senhora, por baixo do seu nariz empinado de “tia”, é como o “tio” Marcelo. Isto é, é pau para toda a colher. Tanto exibe um ar de sexta-feira santa à saída de um velório de algum notável na Basílica da Estrela; como é toda sorrisos e salamaleques com “as pessoas carenciadas”.

Aliás, a voluntária Assunção, espertinha como é, fez questão de salientar que “visita instituições de apoio social o ano inteiro” e “que a visita em período de Natal serviu para elogiar o trabalho feito pelos 300 voluntários da Refood.”  (Não se fosse pensar que tal  apenas aconteceu por ser a época que é ou por as câmaras das televisões ali estarem a registar tão beatífico momento.)

Nada disso, cruzes canhoto. Assunção preocupa-se com os mais frágeis de nós. Todos os dias do ano. Tal qual Cecília Supico Pinto, do Movimento Nacional Feminino, “a Salazar de saias, popularmente conhecida por Cilinha”, se preocupava com os “rapazes” que combatiam na então África portuguesa…

Acresce: a “tia” sabe muito bem que a Refood foi criada em 2013. Ou seja, quando o seu governo PSD/CDS-PP sacrificava tudo e todos para agradar à  troika e impunha leis para lixar o mexilhão.Como a famosa “Lei Cristas”,que tem servido para despejar inquilinos pobres; ou oassassinodesinvestimento no Serviço Nacional de Saúde, na ferrovia e na rede viária. Mas isso agora não lhe interessa nada. Osburacos nas estradas são mesmo à medida do seu descarado dedinho…

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2018/12/30/sinais-de-fogo-o-avental-da-tia-assuncao-por-soares-novais/

A melhor anedota do ano

(Por Estátua de Sal, 26/11/2018)

cristas_governo

2018 é o ano de todos os fenómenos na política portuguesa. Impera uma espécie fábula bizarra onde a realidade nada tem a ver com o discurso, uma certa ladainha entoada à direita do espectro político que poderemos genericamente designar por “sim, mas o Governo é mau”.

O desemprego cai como nunca caiu, mas o Governo é mau porque não apoia as empresas. As contas públicas estão certas, mas o Governo é mau porque as contas estão demasiado certas. O país cresce acima da média da União Europeia, mas o Governo é mau porque há países que crescem mais que nós. O salário mínimo tem subido, e vai continuar a subir em 2019, mas o Governo é mau porque o salário mínimo noutros países europeus é bem mais alto. O IRS tem baixado de forma consistente para as famílias da classe média que pagam impostos, mas o Governo é mau porque não desceu o IRC para as empresas. Passaram a ser financiados os manuais escolares para os alunos do ensino público até ao 12º ano, mas o Governo é mau porque não financia os alunos do ensino privado. Foi anunciada a abertura de concursos para a construção de mais cinco novos hospitais, mas o Governo é mau porque há outros hospitais a precisar de obras.

Esta é a lengalenga no que toca à discussão da situação económica. Mas, o mais engraçado, é a argumentação de algumas eminentes vozes da direita que tem um pouco mais de vergonha na cara e por isso não alinham na crítica fácil aos bons números da economia que tem vindo a ser revelados. Dizem eles:

– Bem, os números, HOJE são bons e positivos, mas o Governo é mau, porque podem vir a ser maus AMANHÃ se vier uma crise… bla… bla… bla!

Esta argumentação é ridícula mas reiterada. Que interessa aos cidadãos que daqui a cinco ou dez anos o país esteja numa grande crise se as suas condições de vida, HOJE, não permitirem que lá cheguem com dignidade? Enfim, adiante.

Depois, há também uma outra lengalenga de serviço. É a ladaínha “o Estado falhou, demita-se o Ministro”. 

Vieram os fogos, fugiram as armas, veio a tempestade, há mortos todos os dias, roubos, assassinatos, assaltos a bancos, carteiristas à solta, atropelamentos, e agora caiu a estrada: a culpa é do Governo. o  Estado falhou, demita-se o Ministro. 

Na proliferação deste discurso o CDS tem-se destacado de todas as restantes forças políticas. A Dra. Cristas, quando arenga, concluí sempre lapidarmente que o Governo é mau, o Estado falhou, demita-se o Ministro. 

Assim sendo, estaremos nós, portugueses, condenados a fenecer na apagada e vil tristezade que falava Camões, sem rumo e sem esperança de futuro, tão mal governados que estamos a ser por essa diabólica Geringonça?

Nada disso, caros concidadãos. Ficámos hoje a saber que, num gesto largo e moscovita – agora invoco Pessoa porque só os poetas nos podem salvar… -, a Dra. Cristas se dispõe a governar-nos a todos, estando mesmo convicta de que “o CDS é a única alternativa governativa” (ver aqui). Extraordinário!

Se tudo isto não fosse um assunto sério, que tem a ver com a vida de todos nós, eu classificaria esta tirada como a melhor anedota do ano.

Eu já nem vou invocar os valores das sondagens onde o CDS – na última conhecida, há uma semana -, não tem mais que 7,7% das intenções de voto, enquanto o PS – o tal do mau Governo -, se aproxima da maioria absoluta.

Ó Dra. Cristas, é certo que o sonho comanda a vida – mais um poeta chamado a capítulo. Mas quando o sonho é desmesurado deixa de ser sonho e passa a ser alucinação e desplante, e há mesmo muito boa gente que é internada por alucinar em demasia.

Sondagens à parte, acredite ó Dona Cristas, veja se se enxerga. A maioria dos portugueses não vai votar em alguém que fez parte de um Governo que pôs o país a ferro e fogo, os pobres à míngua, as famílias às sopas, os jovens em fuga, enquanto que uma minoria vendia o país em saldos e decretava que o nosso destino como Nação era empobrecer.

Sim, ó Dona Cristas, por muito que entoe as suas ladaínhas da desgraça, por muito que faça os seus exorcismos às esquerdas encostadas, o seu discurso não tem aderência à realidade, não tem futuro, pelo que já ninguém a leva a sério. Por muito que lhe custe, o futuro a curto prazo do país vai passar pelas esquerdas. Mais encostadas ou menos encostadas, elas saberão construir uma nova solução governativa.

Eu, se fosse a si, batia com a porta, ia-me embora, e dedicava-me a outras artes. Reveja-se no exemplo do Dr. Portas, seu paizinho  espiritual. É que, o homem até pode ter recebido vantagem indevida no negócio dos submarinos mas, até por isso -, não é burro de todo e já se foi embora  há muito tempo.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A «natalidade» e a «família» como pretexto

Já em reentré, e com a discussão do OE de 2019 no horizonte, o CDS-PP propôs um pacote de «políticas integradas de natalidade e de valorização da família». Sim, o mesmo CDS-PP que, nos anos do «ajustamento», se empenhou no «empobrecimento competitivo», responsável por um aumento sem precedentes do desemprego (que atingiu os 16,4% nos jovens com 25 e 44 anos); pelo recrudescer da emigração para níveis próximos dos anos sessenta (600 mil saídas entre 2011 e 2015); e, a par da perda de rendimentos das famílias, pelo corte de Mota Soares na proteção social (com, por exemplo, menos 67 mil crianças e jovens a serem apoiados pelo RSI). Sem estranheza, a natalidade - que agora preocupa os centristas e que registou valores acima dos 100 mil nados-vivos nos primeiros dez anos do século XXI - caiu para valores inéditos, não indo além dos 85 mil nascimentos em 2015.
O que significa esta guinada programática de um partido que até há pouco tempo se estava nas tintas para as condições de vida dos jovens casais e para a natalidade? Terá o CDS-PP percebido o dano demográfico que causou ao país e decidido arrepiar caminho? É apenas mais um episódio de transfiguração política de um partido que tem por hábito fazer uma coisa no Governo e propor o seu contrário quando está na oposição? Ou a «natalidade» e a «família» são só os pretextos para retomar a velha agenda de regressividade fiscal e privatização do Estado Social? Quando se olha para as medidas apresentadas as dúvidas dissipam-se. Além de propostas redundantes (no âmbito das licenças parentais ou da comissão na AR para as questões da natalidade), é retomado o iníquo quociente familiar (que beneficia tanto mais as famílias com filhos quanto mais elevado for o seu rendimento), cujo princípio passaria a desmultiplicar-se em várias deduções fiscais (IMI, tarifas de água, luz e gás, taxas moderadoras, acesso à habitação, etc.). Soma-se a isto o incentivo ao teletrabalho e os tradicionais apoios às empresas (convenientemente revestidos com a película da «responsabilidade social»). E, claro, o reforço dos apoios ao «Estado paralelo», com a criação de gabinetes técnicos de apoio familiar, na «rede protocolar social», e o alargamento da isenção de IVA a todas as creches e ATL privados (a lembrar o tempo em que as prestações do RSI atribuídas às pessoas se convertiam em apoios às organizações para distribuir sopa). Cereja em cima do bolo: a proposta de não aplicação do fator de sustentabilidade quando o requerente tenha mais de dois filhos e aplicação a 50% ao requerente que tenha dois filhos (numa absurda punição a quem não teve ou só teve um filho e recalcando a lógica regressiva do quociente familiar). Por último, como se não bastasse instrumentalizar a família e a natalidade para alimentar mercados e fomentar a desigualdade social e fiscal, a proposta do CDS-PP prima também pelas ausências: nem uma palavra sobre salários, precariedade ou sobre imigração, uma vertente indispensável para quem realmente queira recuperar a sustentabilidade demográfica do país.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

A Escola de Quadros do CDS

A formação política dos quadros do CDS, a avaliar pelas notícias da comunicação social que, nos últimos tempos, o tem favorecido, não se limita à formação universitária e aos cursos intensivos nas madraças da juventude partidária.

“O futuro da Europa” vai ser o próximo tema, destinado à formação política dos jovens militantes e decorre em Peniche, desde a próxima quinta-feira até domingo, tendo como convidado especial Marques Mendes e vários ‘independentes’. O encerramento do curso ficará a cargo da Dr.ª Cristas.
 
É essencial que o CDS reflita sobre a Europa, pois o seu ceticismo já o levou à expulsão do Partido Popular Europeu (PPE), onde regressou com o apoio de Durão Barroso para poder integrar o Governo, ainda antes de o PPE integrar partidos racistas, xenófobos e misóginos.
Peniche, pelo arrepio que causa o presídio onde foram torturados e longamente presos destacados antifascistas portugueses é um bom local de reflexão para o partido que não sentiu necessidade de existir durante a ditadura fascista.

O Forte de Peniche, local sinistro da ditadura, há de interpelar os jovens militantes, que aspiram a uma carreira política, sobre a Europa que querem, a que sonharam Adenauer, Churchill, De Gasperi, Paul-Henri Spaak, Schuman, Jean Monnet e outros, ou a que desejam Le Pen, Órban e Salvini. Identificam-se com o que pensavam os fundadores do CDS ou com o que pensam os conselheiros nacionais que declararam apoio a Órban?

Se os últimos são o modelo que os inspira, a próxima pós-graduação será no Tarrafal, cuja reabertura se deve ao seu ex-presidente cuja longevidade lhe conferiu o estatuto de senador.
 
É irónico ver jovens do CDS a caminho de Peniche, não para prestarem homenagem às vítimas do fascismo, mas para aprenderem a moldar a Europa que querem. Da próxima vez não prescindem de Sousa Lara, o impenitente censor de Saramago, a quem Cavaco agraciou com o mais elevado grau da Ordem do Infante D. Henrique.

É uma referência das sacristias e do Largo do Caldas.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2018/10/a-escola-de-quadros-do-cds.html

Da agonia da CP ao descaramento do CDS

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 03/10/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

(Ó Daniel, és incorrigível. Então agora espantas-te com o descaramento da Cristas?! Ela não tem cura. É desenvergonhada e pronto. Não vês que já andou a tomar banho em público pelada, como ela revelou, que é uma exímia pisadora de uvas, e não sei que mais predicados terá ainda escondidos para nos revelar? Daquelas bandas, decência e vergonha é coisa que não devemos esperar, mas sim apenas uns números de circo para entreter o pagode. Mas, a tratar os eleitores como se fossem mentecaptos, vai ter um lindo enterro. Deixa-a poisar… ? 

Comentário da Estátua, 04/10/2018)


A greve da CP, esta semana, voltou a pôr o colapso dos transportes ferroviários na agenda mediática. E este é o bom momento para regressar a um tema que marcou o verão e que, como é costume nestas coisas, foi descontinuado depois de uns números mediáticos. Que o PCP faça da questão da CP uma bandeira, como fez na visita da segunda-feira às oficinas do Entroncamento (para defender que a EMEF volte a ser integrada na empresa), parece-me normal. Que o CDS o tenha feito no verão, parece-me mais estranho. Não por um ser de direita e outro de esquerda, mas pelas responsabilidades que um não tem e outro tem no estado a que chegámos.

Num dos seus vários trabalhos sobre o estado da ferrovia, o “Público” FEZ SABER saber, no final de julho, que os horários da CP iriam ser reformulados, com a redução da oferta de comboios em praticamente todas as linhas. A razão era simples: falta de material circulante, agravada pela falta de pessoal nas oficinas. Cada vez menos comboios, cada vez mais velhos, cada vez mais degradados. Não foi uma coisa que tivesse sucedido de um dia para o outro, como a polémica do verão pareceu fazer crer. A atual administração, que tomou posse há um ano, é que parece não ter dado por isso e limitou-se a ir substituindo comboios por autocarros e às vezes nem isso. E as supressões começam já a afetar os serviços suburbanos.

A situação é esta: um terço das carruagens para o longo curso têm estado paradas nas oficinas e dentro de pouco tempo um quarto das automotoras a diesel também não circularão. Não é exagero falar de colapso, porque o colapso de uma empresa é isto mesmo. O resto são quase pormenores: ar condicionado que se avaria, casas de banho que não funcionam, tudo o que não tenha a ver com a segurança a degradar-se. Sim, colapso.

Há muito que se sabe que a CP precisa de comprar 35 automotoras. Já o dizia um estudo da anterior administração. Infelizmente, tirando o aviso para outros fazerem o que ela não tinha feito e o sopro para os jornais sobre o estado em que a empresa está agora, de pouco mais se pode orgulhar. Mas já lá irei. Por agora, a CP paga cinco milhões por ano à RENFE (a CP de Espanha) por 20 automotoras velhas, a precisar de oficina regular e que chegaram em 2010 para serem usadas durante cinco anos mas já por lá andam há oito. Era suposto que a REFER (atual IP) terminasse, em 2015, a eletrificação das linhas – e só então se compraria material elétrico. Ela nunca aconteceu. Solução: vamos alugar ainda mais automotoras à RENFE.

Como é evidente, um ano de mandato não chega para explicar esta decadência. Não foi no último ano que as oficinas ficaram subitamente sem pessoal, que as automotoras não foram compradas e que o aluguer se prolongou muito para lá de 2015. Não foi no último ano que a CP passou de 89 locomotivas para 31, transitando grande parte para a CP Carga, privatizada. Não foi no último ano que a CP atingiu o investimento mínimo de oito milhões (em 2017 até esteve nos 16 milhões). Não foi no último ano que houve uma redução de 9% dos trabalhadores, foi entre 2011 e 2017. Não foi no último ano que se aprovou um concurso para aquisição de 774 unidades para depois o anular, foi em 2010 (VER AQUI)

A atual administração não soube responder ao colapso da CP e os brilharetes de Centeno não permitiram fazer o que tinha de ser feito e para o qual o aumento de investimento do ano passado é quase irrelevante. Pelo contrário, o Governo tem sido uma força de bloqueio ao investimento necessário. E tudo o que vai sendo anunciado denuncia uma completa ausência de estratégia de longo, médio ou até curto prazo para a ferrovia. O desinvestimento na ferrovia tem décadas de novorriquismo, provincianismo e falta de visão. De Cavaco Silva a António Costa, ninguém fica bem na fotografia de um crime continuado contra a mobilidade, o território e o ambiente. Mas convenhamos que é um pouco demais ver o CDS a fazer de porta-voz dos protestos.

De 2013 a 2017, o presidente da CP, nomeado por Passos Coelho, foi Manuel Queiró, ex-deputado, ex-governante e quadro dirigente do CDS. E é da sua administração o maior desinvestimento, a maior quebra de passageiros e o maior endividamento que a CP conheceu. Não se trata aqui de saber quem foi o pior, trata-se de recordar o óbvio: que o colapso não foi coisa súbita.

Resta saber se resultou de falta de estratégia ou do oposto. É que em 2020 teremos a liberalização do transporte ferroviário de passageiros. Longe de mim levantar qualquer dúvida sobre o empenho dos vários partidos, e do CDS em particular, na defesa dos serviços públicos. Aí estão os CTT para provar que só isso os move.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

O CDS não é amigo das famílias, mas sim de uma minoria de famílias

Assunção Cristas foi ministra ativa num governo que muito mal fez às famílias. Os ministros do CDS estiveram na linha da frente de muitas das decisões, que obrigaram os jovens a partirem para outras latitudes em busca de sobrevivência, eximindo-se, os que ficaram, em constituírem novos núcleos familiares. Com o desgoverno das direitas a taxa de natalidade desceu a valores até então desconhecidos. 
Esperar-se-ia, pois, que as políticas em prol das famílias e da natalidade justificassem que Assunção Cristas enfiasse a cabeça na areia para não ver, ou assobiasse ruidosamente para não ouvir as propostas concertadas e executadas pela atual maioria governamental nos quase três anos de substantivas mudanças em tais matérias. Seria julgar Cristas capaz de um mínimo de vergonha, que não tem. Porque, na semana passada, voltou a fazer um enorme alarido com propostas que João Galamba tratou de desmascarar num discurso incisivo na Assembleia e num artigo hoje publicado no site do «Expresso».
O deputado socialista denunciou que praticamente todas as propostas do CDS iriam beneficiar só as famílias com muitos filhos e mais elevados rendimentos. Ou seja:“O CDS não é amigo das famílias, mas sim de uma minoria de famílias.”
Em contraponto as medidas do Governo e da atual maioria aumentaram diretamente os rendimentos das famílias com filhos, que o CDS prometia apoiar, mas de facto, eram convidadas a acreditarem num logro.
O fim do quociente familiar - que o CDS tanto contestou - representou uma redução adicional de 400 milhões de euros no IRS pago pelas famílias com filhos. O abono de família, que aumentou para as crianças até 36 meses de idade e foi alargado ao excluído 4º escalão de rendimento, garantiu aumentos até 1400 euros anuais às famílias beneficiadas.
E que dizer da gratuitidade dos manuais na escola pública, que irá ser alargada até todos os alunos do ensino obrigatório? Ou a cobertura cada vez mais ampla do pré-escolar a todas as crianças a partir dos três anos de idade? Ou a reposição do Rendimento Social de Inserção às famílias que dele dependem para sobreviverem e que o desgoverno de Passos, Portas & Cristas eliminara?
Adotando o que dizia o personagem de Ricardo Araújo Pereira, quando ainda dizia algo de jeito, as direitas falam, falam, mas só destruíram e semearam desesperos. Pelo contrário as esquerdas vão construindo e recuperando a capacidade de ganhar esperança num futuro bem melhor.

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/10/o-cds-nao-e-amigo-das-familias-mas-sim.html

Centristas insistem em menos Estado e mais negócios

A líder do CDS-PP apresentou este sábado, em Ermesinde, as propostas do seu partido para o próximo Orçamento do Estado, com especial ênfase nas matérias fiscais.

CréditosManuel Fernando Araújo / Agência Lusa

Depois do brutal aumento de impostos para quem trabalha e trabalhou aplicado pelo governo do PSD e do CDS-PP, do qual foi ministra, Cristas vem agora defender uma redução de taxas, ainda que mantendo o número de escalões, e a reintrodução do quociente familiar que, no passado, contribuiu para aumentar o imposto pago pelos contribuintes.

Ao mesmo tempo, Assunção Cristas garantiu ainda que continuará «a batalhar pela baixa do IRC, que provou no passado recente ter efeitos virtuosos», mas que está na origem dos baixos impostos pagos pelas grandes empresas, como comprova, entre outros, o caso da EDP, que deveria ter pago 448,7 milhões de euros e apenas desembolsou 10,3 milhões de euros.

Já quanto à proposta de redução do valor dos passes sociais, a líder centrista contrapôs com a redução da sobretaxa do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP), considerando apenas este elemento como factor para a subida do gasóleo e da gasolina, não se referindo a quaisquer práticas desenvolvidas pelas empresas do sector.

No rol de propostas apresentadas ontem no Parque Urbano de Ermesinde, Assunção Cristas abordou a questão da natalidade e prometeu avançar com «propostas em matéria de conciliação trabalho/família» e a exigência de uma «cobertura total de creches, contratualizando nomeadamente com o sector privado» reforçando a defesa do alargamento dos horários destas instituições, em jeito de resposta à desregulamentação dos horários de trabalho dos pais.

Na Justiça, cuja privatização tem a marca dos centristas, Cristas disse que o partido está «a trabalhar em questões estruturais, mesmo se implicarem uma revisão constitucional».

A «rentrée» do CDS-PP contou ainda com a intervenção do eurodeputado Nuno Melo, a quem coube criticar o primeiro-ministro António Costa, mas também o BE e o PCP.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

A Dr.ª Cristas e os transportes

(Carlos Esperança, 06/09/2018)

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A Dr.ª Cristas, que nunca viajou em 3.ª classe, e que dos transportes conhece sobretudo o avião, o automóvel e, na propaganda política, a bicicleta, descobriu mais dois meios de transporte, o metro e o comboio.

A simpática balzaquiana não prima pela coerência. Se concorre a vereadora de Lisboa, promete 20 estações de metropolitano, podia ter prometido 30, e ignora o país. Se as eleições são as legislativas, vai com quem sabe onde é a gare, entra no comboio, com a comunicação social atrás, e dá lições ao Governo. Não imagina quem destruiu a CP ou arredou Portugal da alta velocidade ferroviária, mas os transportes são a última vocação da indigesta política. Não aceita que sejam estatais e, tal como a ANA, a Galp, os CTT, a banca e os seguros, a TAP, os portos e a saúde, deviam ser entregues a privados.

Sob a capa maternal esconde-se uma indigesta política, um verdadeiro frasco de veneno, que acusa o governo de falta de investimentos na ferrovia, ao entrar no comboio, depois de ter considerado um desperdício de dinheiros públicos o anúncio de investimentos nos transportes.

Esta mulher é perigosa. Se concorrer a autarca de Sintra, o segundo maior concelho do País, vai exigir metropolitano para as freguesias, e se optar pelo 3.º, Vila Nova de Gaia, há de querer automotoras para Grijó e Sandim e barcos a ligar as praias do Candelo às de São Félix da Marinha.

Mas, se o país ensandecesse e esta mulher fosse poder, o País seria entregue à iniciativa privada e a instituições pias.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

CDS em teletrabalho

"Este país não é para velhos", dos irmãos Cohen
Não há nada mais flexível do que fazer coincidir - no tempo e no espaço - a vida em família e o emprego. Exagero? Foi essa crua flexibilidade que encontrei em 1987, quando estive em Felgueiras (no norte do país), pelo jornal Diário de Lisboa, com o repórter José António Cerejo, em busca do trabalho infantil, que oficialmente o Governo Cavaco Silva dizia não existir (ver as reportagens aqui e aqui). Aí, partes da produção de calçado eram autonomizadas da fábrica, executadas em casa dos operários, por toda a família. Todos cosiam sapatos, noite adentro ("o dia não tem horas e a noite não tem cancelas", dizia-se), pagos à peça por angariadores (que ficavam com uma percentagem), sem descontos para a Segurança Social, para no dia seguinte alguém da fábrica os vir buscar em sacos, para que fossem introduzidos na fase seguinte. Todos comiam e trabalhavam juntos, até dormiam no posto de trabalho que era a sua casa. Só que as crianças não iam à escola nem os operários domésticos descansavam devidamente. Já nem se fala de pagamento adequado. Vem isto a propósito de uma iniciativa legal do mais "moderno" dirigente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, vice-presidente de Assunção Cristas, que quer mexer de novo na legislação laboral. Mas isso não prejudica o investimento? Não, porque quando é o CDS a mexer é aperfeiçoamento, mas quando são "as esquerda encostadas" já é instabilidade... Agora, o CDS quer "flexibilizar" o teletrabalho. Mas para quê? Diz Mesquita Nunes ao Público:
“Há uma enorme rigidez no regime do trabalho a partir de casa”, defende Mesquita Nunes, sublinhando que ela é “tão grande que nem sequer permite que um trabalhador possa combinar, num dia ou numa semana, trabalho na empresa e trabalho em casa”. Actualmente, em Portugal, “o teletrabalho só pode ser a tempo inteiro”, pelo que a pessoa “ou trabalha a partir de casa durante todo o horário ou no local de trabalho durante o tempo todo”.
Parece razoável. Mas a ideia peca de várias formas. Primeiro, numa relação laboral não é o trabalhador quem define os termos da prestação do trabalho. A relação é demasiado desigual para isso. Por alguma razão o Código do Trabalho tentou proteger ao máximo eventuais flexibilidades patronais. Segundo, se a intenção do CDS é apenas essa, nem seria preciso mudar a lei. Bastava fazer um contrato colectivo de trabalho nas actividades a que se destina. Mas esse é outro problema para o CDS...  Terceiro, a quem se dirige esta medida? Partindo dos dados do INE relativos ao 2º trimestre de 2018, dirigir-se-á aos 1,3 milhões que trabalham ao serão? Aos 530 mil que trabalham de noite? Aos 2 milhões que trabalham ao sábado? Aos 1,1 milhões que trabalham ao domingo? Aos 939 mil que trabalham mais do que 40 horas semanais? Não parece. Para esses, que cada vez são mais, conciliar a a vida familiar com o trabalho será cada vez mais difícil. Mas essa não é a preocupação. A julgar pelas palavras de Mesquita Nunes, a nova medida destinar-se-ia apenas ao pessoal que já está em regime de teletrabalho. Mas são quantos? Não se sabe oficialmente. São tão poucos que os dados do INE nem especificam esse tipo de contrato. Segundo a informação do Fundo de Compensação do Trabalho, que regista a caracterização dos novos contratos, assinados desde a retoma do emprego em 2013, o teletrabalho representa quase 0% - repito, 0% - dos contratos assinados desde 2013 e vigentes até ao início de 2017. Ao todo, tinham sido 40 contratos a tempo parcial (!) e uma centena e meiaa tempo completo! Mas por incrível que pareça são esses os contratos com remunerações médias mais elevadas face à média dos contratos. Portanto, para quê então tanto entusiamo por uma medida que se aplica, para já, a tão poucas pessoas? É uma prioridade do momento?
Que situações concretas tem em mente Mesquita Nunes? A que tipo de empregos se aplica? Ao trabalho de escritórios de advogados? Ao das firmas de consultoria? Aos novos investigadores académicos que irão ter brevemente um contrato de trabalho? A jornalistas desejosos de sair da redacção? O CDS fez um estudo de impacto desta medida? É esta uma das medidas estruturaisdo CDS? Faz parte de uma nova visão para o país? Ou pretende arranjar pequeníssimos casos para continuar a aparecer, com a preguiçosa cobertura dos jornais de referência (como foi o caso do Público), sempre suscitando a famigerada flexibilidade laboral,que já nem o patronato a defende como tal? Talvez o CDS queira ir mais longe e alargar o regime de trabalho a funções até agora tidas como clássicas. Numa newsletter de um escritório de advogados, já se fala que as funções de telemarketing(vulgo call-centers) poderá ser feita em regime de teletrabalho. Outras funções poderiam ser passadas para fora das empresas e para o universo da esfera pessoal dos trabalhadores. Na internet, encontram-se muitos elogios de grandes companhias ao teletrabalho como forma de "promoverem a mudança cultural e a diversidade no ambiente de trabalho" (caso da Repsol). Sobretudo, quando se acentuam as tendências de esvaziamento dos centros das cidades. As ideias são velhas. Têm décadas e não são essas que irão resolver o nosso problema estratégico. Mas vende-se a ideia na mesma porque faz parte do choque. Primeiro, grita-se que vem aí a robotização. E depois eleva-se o teletrabalho a novo normal. Trabalho em casa, isolados, a olhar para as paredes e para o gato, diante de um monitor com uma câmara. Tudo sem revoltas, nem greves. Entre isso e coser sapatos em 1987, pelo menos nessa altura ainda havia fábricas... Talvez Mesquita Nunes esteja a prever bem. Quem sabe? Mas está seguramente no lado errado do que deve ser uma sociedade.   

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

CDS-PP diz que subir pensões de 300 euros é «faz-de-conta»

O líder parlamentar do CDS-PP disse que os últimos orçamentos, que incluíram aumentos de pensões, o alargamento do abono de família ou a redução do IRS para que menos ganha, foram «de faz-de-conta».

Nuno Magalhães é líder parlamentar desde 2011, escolhido ainda durante a direcção de Paulo PortasCréditosMário Cruz / Agência LUSA

«Todos os orçamentos que foram aprovados por esta maioria, por este Governo, na verdade, foram orçamentos de faz-de-conta», afirmou Nuno Magalhães, em entrevista à agência Lusa.

O líder parlamentar do CDS-PP desvalorizou, assim, um conjunto de medidas que foram integradas nos últimos orçamentos, como o aumento extraordinário das pensões nos últimos dois anos, que permitiu aumentos reais para os pensionistas que ganham 300, 400 ou 500 euros mensais. Estas pensões estiveram congeladas durante o anterior governo do PSD e do CDS-PP e não tinham aumentos reais desde 2006.

A reversão parcial do «enorme aumento de impostos» de 2013, como caracterizado na altura pelo ministro das Finanaças, Vítor Gaspar, é outra das medidas desvalorizadas pelo destacado deputado que, inclusivamente, já substitui Assunção Cristas em debates quinzenais com o primeiro-ministro. Da mesma forma podiam ser elencados o alargamento e valorização do abono de família, a gratuitidade dos manuais escolares ou o descongelamento das progressões nas carreiras da Administração Pública.

A pouco mais de um mês da apresentação do Orçamento do Estado para 2019 pelo Governo, que terá que entrar no Parlamento até 15 de Outubro, Nuno Magalhães espera que este seja «uma espécie de manta de retalhos».

Durante a discussão do documento devem surgir temas centrais como novos avanços na redução do IRS sobre quem menos ganha e também no IVA da energia, isto para além de um novo aumento extraordinário para os pensionistas – medidas defendidas pelo PCP e que, pelo menos no que diz respeito ao IVA da energia e às pensões, já foram acompanhadas pelo BE.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Ai Cristas…

(António Neto Brandão, 29/08/2018)

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(Cada um encosta-se àquilo que pode, a Cristas, por exemplo, adora andar encostada ao “pote”, como se vê na imagem. Como anda afastada do “pote”, vai para quatro anos, não se cala a dizer mal dos “encostos” da esquerda… ?

Comentário da Estátua, 30/08/2018)


A despropósito de tudo e de nada a Cristas fala das esquerdas encostadas.

Não sei bem o que essa mulher casquilha e taful pretende com essa monocórdica ladaínha. (A profundidade de pensamento não é adorno com que se possa enfeitar.)

Mas se com isso se quer referir ao facto de os partidos de esquerda terem tido a lucidez de ponderar que, juntando-se lado a lado,ombreando, por ventura com alguns safanões pelo meio e até mantendo recíprocas emulações, com o objectivo conseguido de levar á prática uma política de recuperação de salários, de rendimentos e direitos então a expressão idiomática utilizada faz todo o sentido.

Claro que de tal bisca não se esperaria tal hermenêutica. Pejorativo é o seu paupérrimo encalço e por isso se devia ignorar. 

Mas acho que ás vezes a Esquerda perde pela sua proverbial contenção encolhendo ou distendendo olímpicamente os ombros, como vem ao caso. 

Assim, penso que se lhe poderia responder, arreando a jiga, que é melhor ter “as esquerdas encostadas” do que ver as direitas em decúbito, o CDS mais em decúbito dorsal e o PSD em decúbito mais ventral, – honny soit qui maly pense… -a rastejar nas sarjetas da sua inócua maledicência.

Dominus vobiscum…

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A Cristas diz que António Costa julga que está num país das maravilhas

(Dieter Dellinger, 27/08/2018)

Toys

CARTOON IN BLOG 77 COLINAS

(A Sãozinha e o Melo tiraram o verão para satisfazer uma paixão de infância que já tinham esquecido: brincar aos comboios. A Cristas tem-se divertido imenso e em cada estação onde pára, sai uma crítica ao Governo e às “esquerdas encostadas”, como ela adora dizer. 

O mais ridículo é ela falar de “encostos” à esquerda, quando o CDS nunca contou para nada na política em Portugal, a não ser quando se “encostou” ao PSD.

Comentário da Estátua, 27/08/2018)


Ela mostra o seu profundo desconhecimento da economia e situação mundial comparada com a zona euro e com Portugal.

Portugal tem uma taxa de desemprego da ordem dos 6,9% e a Zona Euro está nos 9,2%. O PIB português cresce um pouco mais que a zona euro, sendo, contudo, bastante mais baixo que o dos países mais ricos, mas não com uma diferença gigantesca.

Portugal tem uma dívida externa real muito mais baixa do que dizem as estatísticas devido à entrega de dívida pelo BCE ao BP e às reservas para amortizações, sendo da ordem dos 92% reais. Mário Centeno conseguiu gerir as finanças europeias no contexto europeu a ponto de ser eleito para a presidência do Eurogrupo, o que é algo que nem a Cristas nem a Catarina Martins entendem.

A Zona Euro é, sem dúvida, o país das maravilhas do Mundo inteiro, pois com 4,5% da população mundial detém 15,6% do Pib também mundial.

O Pib português é de aproximadamente 75% da Zona Euro, o que supera em muito o PIB per capita da maioria das nações do Mundo.

Portugal não é o primeiro país do Mundo e seria estúpido pretender que fosse quando não possui recursos naturais como carvão e ferro que deram origem à revolução industrial e tem um clima instável que não permite rendimentos regulares aos agricultores.

Mesmo com essas dificuldades, o que mais se discute é o pequeno atraso de comboios que não são todos novos quando há 6 milhões de automóveis e outros tantos contadores domésticos, segundo as estatísticas da EDP e que significam habitações independentes em prédios ou moradias. Além disso, todos os verões discute-se a falta de algum pessoal aqui ou acolá porque todos os trabalhadores têm o seu direito a um mês de férias acrescido de um segundo ordenado.

Estes número dizem pouco para quem desconhece os dramas que acontecem no Mundo. O nosso vizinho continente africano tem 54 nações e cerca de 15% da população mundial e apenas 1% do PIB de todo o Mundo.

Mais de metade da população africana desejaria emigrar para a Zona Euro e a maior parte dos seus países estão na miséria total como estão muitos da América Latina, a começar pela Venezuela, e da Ásia.

A zona euro é muito mais rica que outros países da União como a Polónia, Roménia, Bulgária, etc.

O desastre humanitário em vastas zonas do Mundo não tem comparação com nada no passado e já desembarcam africanos em Cádiz e qualquer dia chegam às costas algarvias.

O Mundo está a caminho de um imenso desastre humano devido ao excesso de população e falta de recursos. Portugal não tem esse excesso e a sua natalidade é baixa com uma elevada esperança de vida.

Portugal tem uma elevada percentagem de população envelhecida que não ficará por cá até aos 150 anos de idade. De acordo com as fórmulas matemáticas das “filas de espera”, a população infantil de hoje terá de sustentar uma população reformada equilibrada, ou seja, muito inferior à população ativa, mesmo que se viva para além dos 90 anos de idade.

Enfim dizer mal sem literacia matemática ou estatística é fácil e demasiado estúpido. Inteligente é conhecer os dados e isso está arredado dos neurónios da Cristas.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A conversão ferroviária de Cristas e Companhia

A causa da conversão de Cristas e Companhia do CDS à ferrovia, aos comboios e linhas de caminho-de-ferro  tem uma causa e um nome pagãos: PLANO DE INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURAS – FERROVIA 2020.

O profeta que converteu Cristas, e que convocou a sempre disponível comunicação social ao cheiro do milagre do dinheiro, tem o curioso nome de PETI 3+!

O PETI 3+ prevê um conjunto de investimentos:

devidamente identificadas por um conjunto alargado de stakeholders (investidores privados) para os negócios de construção e exploração do Corredor Atlântico, do fomento do transporte de mercadorias e em particular das exportações e da articulação entre os portos nacionais e as principais fronteiras terrestres com Espanha.”

Quem julga que o que leva Assunção Cristas a viajar de comboio com os seus pagens, à frente do enxame da comunicação social, é são as genuínas e bondosas preocupações com a falta de ar condicionado nas carruagens, de atrasos nos horários, de supressão de composições, de desalinhamento nos carris não necessita de comprar asinhas, vai para o céu directamente com a graciosidade de um puro e ingénuo anjinho!

Com papas e bolos se enganam tolos! Mas parece haver quem acredite na banha de cobra!

É que, para estes investimentos do tal santo PETI3+,  está previsto um:

pacote financeiro composto por fundos comunitários do programa Connecting Europe facility (CEF) quer na componente geral (30 a 50% de comparticipação) quer na componente coesão (85% de comparticipação) e do programa Portugal 2020 (85% de comparticipação) a que se poderá acrescentar o Plano Juncker e o contributo da Infraestruturas de Portugal.”

Após décadas de desprezo, de desinvestimento, de destruição (Sorefame), as notícias dos comboios que começaram a descarrilar, a atrasar, a encalorar no verão e a enregelar no inverno (lá chegaremos), da ferrovia que desapareceu, não surgem por acaso, nem, ainda menos, por séria preocupação dos políticos e dos jornalistas com o bem estar das populações, com a melhoria da sua mobilidade, com os doentes que necessitam de ir à consulta de comboio ou os estudantes que nele embarcariam para as escolas. É o dinheiro, o dinheiro para investidores, que converte Cristas à ferrovia. Que a faz andar afogueada pela linha do Oeste e ramais a distribuir panfletos com mais câmaras de televisão atrás do que tainhas em águas turvas.

Águas turvas. O súbito interesse de políticos e jornalistas pelos comboios é o cumprimento de uma missão de promoção dos tais stakeholders para se colocarem nas melhores posições à volta da fonte de onde brotarão os fundos comunitários, sempre a correr do comum para o privado.

A ferrovia vai dar dinheiro! É por isso que os políticos e os jornalistas andam num virote a tratar de abrir caminho aos seus stakeholders!

Os grandes partidos, que administram os grandes interesses, promovem a distribuição dos “fundos” de forma discreta. O segredo é a alma do negócio. As pequenas formações, como o CDS, têm duas soluções para comerem alguma coisa: ou estabelecem alianças e parcerias, e aceitam a discrição, as sombras e os silêncios do mundo dos negócios, era o estilo Paulo Portas de come e cala-te, que deu submarinos, por exemplo; ou saem para a feira e fazem um arraial, um Portugal em Festa, com promessas de desconto nas bifanas e nos cobertores – é o estilo de arriar a giga de Cristas. Este estilo de andar de sirene ligada, de malhar no ferro enquanto está quente, já correu mal a Cristas com o aproveitamento dos incêndios de Pedrógão e agora já a levou a cometer a imprudência de confessar o que não devia ser dito: que o verdadeiro objectivo da sua conversão ferroviária é privatizar as linhas rentáveis em nome dos grandes interesses e deixar para o contribuinte as linhas de baixa rentabilidade, e os prejuízos.

Quanto a bem servir o povo, desinteressadamente, através de comboios limpos, rápidos, frescos, estamos conversados. Assunção Cristas e os seus acompanhantes andam apenas a promover os negócios dos grupos do costume. Pura propaganda a investimentos, a concessões e privatizações.  Lobbying para os stakeholders! (o inglês disfarça a trapaça)

É para fazer a propaganda a estes grandes negócios que os grandes grupos dos tais stakeholders (bancos e fundos de investimento) não se importam de ter prejuízo nos grupos de comunicação social e é por isso – para fornecer audiências às súbitas preocupações de Assunção Cristas com as comodidades dos passageiros de comboio – que pagam um milhão por uma promotora de públicos (votantes) como a esfusiante e capitosa Cristina Ferreira!

Ver artigo original em "O TORNADO"

CDS abre o jogo: CP é para privatizar

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Foto: Diário de Notícias

É caso para dizer que “já nem disfarçam”. O CDS assume a intenção de privatizar a CP pela vozdo eurodeputado Nuno Melo. “As concessões, como acontece noutras áreas da economia, vêm muitas vezes em benefício do Estado, desde logo quando o Estado não tem dinheiro para fazer os investimentos que são necessários” afirmou o eurodeputado, não comentando o facto de estas concessões estarem muitas vezes associadas a degradações do serviço.

As concessões implicam sempre a afetação de recursos públicos a operadores privados, que funcionam logicamente numa lógica de maximização do lucro. Algo que é ainda mais crítico em operadores intrinsecamente monopolistas. Aliás, as concessões que a direita fez dos transportes públicos urbanos eram altamente lesivas do interesse público. É curioso que Nuno Melo não se pronuncie sobre alguns dos exemplos de monopólios naturais privatizados.

O caso mais recente é o da Câmara Municipal de Mafra, presidida por um autarca do PSD, que recentemente aprovou a remunicipalização da distribuição da água, terminando a concessão a privados. O investimento necessário iria ser financiado por um brutal aumento de preços. Nuno Melo nunca explica de que forma se garantiria a salvaguarda do interesse público no complexo equilíbrio entre a prestação do serviço público e a procura do lucro pelo prestador privado.

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Ver original aqui

O CDS e os arruaceiros de serviço

(Carlos Esperança, 26/08/2018)

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Enquanto a comunicação social neoliberal, com laivos fascizantes, hesita entre o CDS e o promissor Aliança, à espera de nova chefia no PSD, cabe à Dr.ª Cristas e ao inefável Nuno Melo, ainda pesaroso do passamento do cónego Melo, que tão tarde se finou, a liderança dos ataques ao PS e ao BE.

Não se julgue que poupam o PCP, apenas usam a arma mais eficaz, esquecem-no como o fazem os seus órgãos de comunicação. É a melhor forma de o combaterem.

Recentemente, a Dr.ª Cristas reclamou indemnizações para os ‘espoliados do Ultramar, infelizmente perdido’, aceitando que o atual governo, quando demasiado substanciais, as dividisse por vários orçamentos. Pensou certamente em quem vivia do trabalho e não nas empresas que o pai herdou. É surpreendente o seu esquecimento nos governos que integrou, a omissão dos que lutaram pela libertação das colónias e dos que morreram ao serviço da ditadura, na guerra que nunca condenou, a protegerem as empresas do avô.

Voltemos à conduta da excelsa Senhora e do truculento Nuno Melo, ambos ousados no ódio que destilam, alheados da urbanidade, com insulto fácil e antena aberta para todos os despautérios.

Denunciam o desgaste da ferrovia, que Ferreira do Amaral matou com o betão e Durão Barroso com a miopia que privou Portugal da alta velocidade, quando havia apoios da UE, e do aeroporto, agora urgente e dependente da ANA, levianamente privatizada. Quanto aos comboios, podiam informar-se junto de Manuel Queiró, seu correligionário, ex-presidente da CP que, com a sua experiência, os pouparia às asneiras que debitam.

Limpam lixo nas praias, para as câmaras televisivas, e não o evitam no CDS. São hábeis no ruído mediático e inanes nas ideias e projetos para o País. Nuno Melo fala da alegada dívida dos estaleiros de Viana do Castelo para com Paulo Portas, que os privatizou, e cala-se com os submarinos.

A deriva reacionária do CDS levou o seu fundador, Freitas do Amaral, a abandoná-lo e o PPE a expulsá-lo. Só voltou ao convívio da internacional conservadora e demo-cristã graças a Durão Barroso, para formar o Governo que comprometeu o País na invasão do Iraque e empolgou, com a participação no crime, a direita que o apoiava.

Hoje é o PPE que se aproxima do CDS de Nuno Melo e da Dr.ª Cristas.

Triste sinal dos tempos!

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

CP. O estado das estações na linha de Cascais | Fotogaleria

 (Por mera coincidência, o jornal i, de que o presidente da Câmara de Cascais é um regular colaborador, descobriu agora que a Linha do Estoril está mal.

É verdade que está. Mas a sua sucessiva degradação data de há 30 anos e agravou-se substancialmente com a total ausência de investimento do anterior governo que, em colaboração com o presidente da CP (Manuel Queiró,  destacado quadro partidário do CDS) conduziu a ferrovia a uma situação de quase rutura. Os trabalhadores da EMEF e da CP, desde há anos, têm realizado bastantes lutas em defesa da ferrovia, nomeadamente a do Estoril

Recentemente foram adotadas algumas medidas e estão programados os investimentos necessários à recuperação da Linha.

É precisamente neste fase que o presidente da Câmara de Cascais, em articulação com o CDS, lança uma intensa campanha para a privatização da Linha.

Compreende-se, 'naturalmente', que só agora o jornal i tenha descoberto as maleitas do comboio de Cascais.

Comentário à seguinte notícia:)

 Graphic 29 08 2018 16 24 14


O bom tempo continua a estimular as idas à praia e é nesta altura que a linha ferroviária de Cascais - que faz ligação às praias -, tem mais passageiros do que o habitual, fora das horas de ponta. No entanto, as condições da ferrovia estão em condições deploráveis e são um péssimo cartão de visita de Lisboa e da Linha do Estoril. 


O i viajou do Cais do Sodré a Cascais e verificou que o estado das estações da linha costeira estão cada vez piores:

o excesso de sujidade já é algo natural para os milhares de pessoas que por lá passam, há rabiscos e grafites na maioria das paredes das estações, assim como nos próprios comboios, e continua a existir bilheteiras físicas fechadas ao fim de semana. Junto às bilheteiras automáticas das estações terminais os passageiros têm de contar com espera de cerca de 30 minutos para adquirir o título de transporte.

O vandalismo também alterou a realidade de uma viagem onde se podia deslumbrar as praias da costa: os vidros dos comboios estão tapados por grafites, há estações que parecem já não efetuar serviço de passageiros, zonas onde o cheiro intenso a urina é constante e máquinas de validação do bilhete destruídas. Casas de banho fechadas e falta de cancelas na várias estações são outros dos problemas da linha de Cascais. Um caos que envergonha todos.

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Ver o original aqui

A CP na “cristas” da onda

O partido de Cristas quer debater a ferrovia e surfar na crista da onda do descontentamento contra a CP, esquecendo que o seu correligionário Manuel Queiró foi presidente desta empresa pública.
AbrilAbril | editorial

A conferência de líderes deverá reunir na próxima semana com o objectivo de discutir um requerimento do CDS-PP que pretende antecipar a reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República.

O partido de Cristas quer debater a situação da ferrovia e surfar na crista da onda do descontentamento contra o funcionamento da CP, uma empresa pública que anda nas bocas do mundo pelos piores motivos: o mau serviço serviço prestado que, perigosamente, tende a tornar-se uma imagem de marca. Por outro lado, o CDS-PP procura também tirar partido das dificuldades de vária ordem que assolam o PSD.

Voltando à CP, nomeadamente aos cortes nos horários dos comboios e ao encerramento de estações e bilheteiras, importa sublinhar que, só nos últimos 30 anos, e estamos a falar de 30 mas podíamos falar dos últimos 40, a responsabilidade da gestão desta empresa pública esteve entregue, em 80% daquele período a gestores do PSD, PS e CDS-PP e, desses, 60% são da responsabilidade dos partidos da direita.

É público que a despesa operacional da CP está em queda desde 2009, em resultado sobretudo das medidas impostas pelo segundo governo de José Sócrates e pelo governo do PSD e do CDS-PP que se lhe seguiu.

Aliás, as comissões de trabalhadores das várias empresas do sector ainda recentemente denunciaram, num documento enviado à Assembleia da Republica, o crónico desinvestimento na ferrovia e a consequente degradação da capacidade de manutenção e reparação e da própria infra-estrutura.

No caso do material circulante, dão como exemplo o facto de as composições da Linha de Cascais terem 60 anos sem que estejam a ser feitas as necessárias diligências para a sua substituição.

Pena que esta súbita preocupação com a ferrovia que atormenta o CDS-PP não se tenha dado no início da década quando Assunção Cristas e Adolfo Mesquita Nunes estavam no governo e o seu correligionário, Manuel Queiró, era presidente da CP.

Porventura, teriam contribuído para evitar o descarrilamento da empresa, coisa que não fizeram!

Foto: Assunção Cristas Foto: Tiago Petinga / Agência Lusa
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/a-cp-na-cristas-da-onda.html

O CDS, a Europa e os “outros povos”

«O CDS decidiu antecipar-se e anunciar, a quase um ano de distância, a sua candidatura ao Parlamento Europeu. E o que escolheram aqueles que se dizem democratas-cristãos como tema preferencial? Os migrantes: “O espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos mas exigimos respeito pelas nossas leis, valores, costumes. A segurança dos cidadãos é uma prioridade”, lê-se no flyer do CDS (PÚBLICO, 19.7.2018). A propósito desses “outros povos”, o repetente cabeça de lista, Nuno Melo, que, por um lado, gosta de falar do “humanismo” com que a Europa tem o dever de acolher “aqueles que procuram o nosso espaço comum porque fogem a essas guerras, porque fogem à fome, porque querem salvaguardar a sua vida e a vida dos seus familiares”, é o mesmo que, sempre que de refugiados se fala, vai direitinho ao discurso do medo. Melo repete há anos que “as migrações têm implicações na segurança”, que a questão “não pode ser vista numa perspetiva romântica” porque há muitos migrantes que, “sob pretexto” da procura de asilo, “se querem infiltrar na dita Europa fortaleza para cometer atentados” (Observador, 4.9.2015). É que, lembra ele, “a Europa está em guerra” - o CDS, pelo menos, está! - e “a mim preocupa-me bastante que neste momento haja mais de 50 mil pessoas que circulam livremente pela Europa, sem sabermos quem são, de onde vêm e ao que vêm”. Em Penafiel, há dois anos, Melo dizia que “o problema só se resolve na origem” e “não [acreditava] que isto se possa resolver sem uma intervenção militar da qual a Europa e os Estados Unidos façam parte” (Verdadeiro olhar, 3.4.2016).
É curioso que, de tão banal esta linguagem, já nem se dê importância a estes delírios belicistas! Para quem gosta de sublinhar que Portugal é uma exceção no quadro europeu de consolidação de uma extrema-direita xenófoba e neofascista, as tiradas de Nuno Melo sobre os refugiados deviam ensinar-nos a perceber onde estão os Salvinis e as Le Pens portuguesas - personagens que, lembremo-nos, preocupadas com a “segurança da Europa” e a “preservação do modo de vida europeu”, sempre rejeitaram ser racistas. O CDS (e o PSD) faz parte do Partido Popular Europeu (PPE) juntamente com a CDU alemã, por exemplo, mas também com os partidos de Viktor Orbán e de Berlusconi (o primeiro a trazer a extrema-direita para o governo italiano há 24 anos). Dominando a presidência da UE (Tusk), da Comissão (Juncker) e do Parlamento (Tajani) europeus, bem como a maioria dos governos da UE, o PPE preparou há meses um rascunho do seu programa eleitoral para 2019 no qual sobressaem algumas das teses tradicionais da extrema-direita: “o sucesso da Europa dependerá da nossa capacidade para (...) preservar o modo de vida europeu”, o que passa por “proteger as nossas fronteiras para travar as migrações ilegais” pelo que “precisamos de equipar as nossas fronteiras com a última tecnologia (…) e pelo menos dez mil novos guardas” para “assegurar o nosso direito sistemático a mandar equipas militares ou construir muros onde for necessário” (“EPP Group Priorities, draft programme”, 2018).
Estes muros e estes guardas fronteiriços são os mesmos de Trump ou Orbán. Desengane-se quem acha que tudo isto não passa de uma estratégia eleitoral para impedir que mais eleitores se passem de armas e bagagens para o campo da extrema-direita assumida – como se imitar Salvini fosse a melhor forma de evitar que se vote Salvini. Há quase 30 anos que as elites ocidentais, uma vez libertas do bipolarismo da guerra fria, apostaram nessa nova visão colonial do mundo que o “choque de civilizações” destilou, e, a partir dela, forçaram um reordenamento político dos Balcãs, da Ásia Central pós-soviética, do Norte de África e do Médio Oriente, que propiciou as al Qaedas e os Estados Islâmicos. De amálgama em amálgama, o mesmo terrorismo (dito) islâmico que foi (ou é) aliado militar do Ocidente em tantos cenários de guerra passou a ser tido como representação de um só e único “Islão”; dezenas de milhões de muçulmanos que há gerações (e, em muitos casos, há séculos) são europeus, viram-se percecionados como potenciais terroristas; e, por último, milhões de migrantes, de todas as origens, passaram a ser parte da categoria de “outros povos” com os quais, afinal, “a Europa está em guerra”, e entre os quais se escondem “terroristas” que querem ameaçar “o modo de vida europeu”.
Na Europa do desemprego juvenil, da precarização do trabalho e da exploração dos imigrantes, é de “invasores” e “guerra” que o CDS quer falar. Está percebido.»
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Leia original aqui

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