BRICS

EUA tentam dividir os BRICS convidando Brasil, Rússia e Índia para o G7, diz especialista

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (à esquerda), e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (à direita), deixam uma coletiva de imprensa na Casa Branca em 19 de março de 2019.
© AP Photo / Manuel Balce Ceneta

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro anunciou que o Brasil foi convidado pelos EUA para fazer parte do G7. Para discutir o assunto, a Sputnik Brasil ouviu o professor de Relações Internacionais, Leonardo Trevisan, que afirma que o convite pode ser uma tentativa de minar os BRICS no pós-pandemia da COVID-19.

Na segunda-feira (1º), Bolsonaro afirmou após conversa com o presidente norte-americano, Donald Trump, que o Brasil foi convidado para integrar a versão expandida do G7, um convite estendido também à Rússia, Coreia do Sul, Austrália e Índia.

Para Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM-SP, especialista em História das Relações Internacionais e em Geoeconomia Internacional, a possível entrada do Brasil no grupo é "sem dúvida" relevante para o país.

"A integração do Brasil ao G7 expandido, como está sendo chamado é relevante, tem importância e, de fato, a participação brasileira dá visibilidade para a participação internacional do Brasil", diz o especialista em entrevista à Sputnik Brasil.

Apesar disso, o professor afirma que ainda é necessário aguardar a confirmação do convite, uma vez que até agora há apenas uma publicação em redes sociais do presidente brasileiro sobre o assunto.

"Isso já aconteceu antes, e as coisas não se confirmaram completamente", aponta, ressaltando, porém, que o convite à Rússia já foi formalizado, o que pode ser um bom sinal", afirma.
https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1267617675083161602?ref_src=twsrc%5Etfw

Brasil em evidência pode ser inconveniente

O especialista avalia que o convite ao Brasil em um momento de crise política, econômica e sanitária, é delicado. Para ele, o país ficará em evidência internacionalmente, e as posições diplomáticas brasileiras serão lembradas.

"A posição do Brasil principalmente no que diz respeito a problemas climáticos, a problemas de meio ambiente, à preservação ambiental, são posições que não deixaram o Brasil em uma situação confortável no mundo", diz.

As posições brasileiras em relação à pandemia da COVID-19, segundo Trevisan, também podem trazer constrangimentos ao Brasil em um momento em que o país esteja em evidência no âmbito internacional.

"A visão que o Brasil tem, a posição que o Brasil teve em relação à pandemia, o tratamento, um certo distanciamento daquilo que eram as posições mais fortes, mais precisas da Organização Mundial da Saúde [OMS] também deixaram o Brasil em uma posição não necessariamente confortável. A mídia internacional vai cobrar essa posição", ressalta.
Chanceler Ernesto Araújo durante o encontro do BRICS no Rio de Janeiro
© AP Photo / Leo Correa
Chanceler Ernesto Araújo durante o encontro do BRICS no Rio de Janeiro

Essa "cobrança", lembra Trevisan, parte não apenas de mídias progressistas, mas também como o Financial Times e a The Economist, que são críticas ao atual governo brasileiro.

"[A visão desses jornais] em relação às posições do governo brasileiro, em relação a certas expressões do presidente Bolsonaro, não são as mais convenientes. Tudo isso será lembrado em um momento em que o Brasil alcance uma projeção para estar sentado nessa mesa [do G7]. Talvez, de algum modo, fosse melhor que nós tivéssemos uma posição mais próxima a um certo multilateralismo, que abandonássemos um pouco uma crítica tão forte a posições multilaterais para voltarmos a essa projeção internacional", aponta.

Tentativa de divisão dos BRICS?

Os convites a Brasil, Rússia e Índia chama a atenção por incluir três membros dos BRICS. Trevisan ressalta que a ausência de convite à África do Sul e principalmente à China, teria como função a divisão dos BRICS.

"Os BRICS serem chamados apenas em 3/5 deles - vamos imaginar que se confirma o convite ao Brasil, Rússia e Índia - deixando de lado a China e a África do Sul, funcionaria como uma espécie de divisão dos BRICS. Isso não é uma posição muito favorável. A posição do Brasil em relação à China, por exemplo, é uma posição bastante, vamos dizer dessa forma, significativa. Hoje a mídia brasileira aponta que a China alcançou praticamente 40% das exportações do país. É o nosso grande freguês", afirma.

Trevisan acredita que posições internacionais brasileiras em relação à China são inconvenientes e até perigosas, dado o contexto de proximidade econômica entre os países.

"Essa proximidade econômica tem mantido a crise cambial longe do Brasil. Essa posição com a exportação brasileira, como os dados da OMC [Organização Mundial do Comércio] sinalizaram, deixaram o Brasil como o único país ainda que tem uma posição superavitária, mínima, mas superavitária exatamente por conta dessas exportações à China", explica.
Os presidentes Jair Bolsonaro, Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), durante encontro do BRICS 2019, no Palácio Itamaraty em Brasília (DF)
© Folhapress / Fátima Meira/Futura Press
Os presidentes Jair Bolsonaro, Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), durante encontro do BRICS 2019, no Palácio Itamaraty em Brasília (DF)

Nessa toada, Trevisan aponta que uma aproximação mais intensa com os Estados Unidos em detrimento da China, será prejudicial para economia brasileira.

"Se o Brasil tomar uma posição nessa disputa China-Estados Unidos, uma posição muito francamente pró-americana, inclusive com aproximações diplomáticas deste poder, não será conveniente para o futuro econômico do país. Isso é indiscutível", avalia.

Por isso, a visão do especialista é de que a ida do Brasil ao G7 traria prejuízos à relação do país com a China.

"Seria conveniente que o Brasil, exatamente pelos vínculos econômicos que tem, preservasse um bom entendimento com a China. Sentar-se em uma mesa que exclui a China não será bem compreendido por Pequim", diz o professor.

O novo mundo pós-pandemia

A crise econômica causada pela pandemia da COVID-19 aponta para a formulação de novos laços e relações comerciais entre os países no momento seguinte. Para Trevisan, essa crise aumenta o impacto de reuniões como as do G7 e do G20.

"Há uma nova relação comercial que vai se estabelecer nesse processo pós-pandemia. Há uma outra relação de protecionismo entre os países que precisará ser vencida, rediscutida. Essa mesa dessa reunião terá esse poder já no imediato pós-pandemia de abrir essa discussão", aponta.
Jair Bolsonaro e o presidente da China, Xi Jinping, posam para foto durante encontro do G20, em Osaka.
© Sputnik / Mikhail Klimentiev
Jair Bolsonaro e o presidente da China, Xi Jinping, posam para foto durante encontro do G20, em Osaka.

E é justamente pelas necessidades que se impõem de reorganizar as relações internacionais após a COVID-19 que a presença da China se torna fundamental, diz o professor.

"O Brasil não poderia estar de fora, é evidente que seria uma situação muito ruim. Mas é pior ainda nós excluirmos o segundo PIB dessa reação. Não podemos esquecer que a atuação de Putin, a atuação da Rússia, de Vladimir Putin, lembrará a todos os presentes nesta reunião que há uma aliança já construída, e bem construída, entre Pequim e Moscou. Isso terá o seu preço e isso terá a presença lembrada nesta mesa. Não é conveniente de forma alguma que nós rediscutamos o futuro excluindo a segunda potência", conclui.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/noticias/2020060215653939-eua-tentam-dividir-os-brics-convidando-brasil-russia-e-india-para-o-g7-diz-especialista/

BRICS deveria suspender todas sanções econômicas exceto as da ONU, diz legislador russo

Foto retirada durante o II Festival Internacional de Escolas de Teatro dos países do BRICS, celebrado no mais novo parque moscovita Zaryade, na Rússia.
© Sputnik / Vladimir Pesnya

O presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado russo, Konstantin Kosachev, apelou à abolição de todas as sanções no mundo, exceto as impostas pela ONU, devido à propagação do coronavírus e à situação no mercado petrolífero.

Segundo Kosachev, o acordo para anulação das medidas restritivas poderia ser iniciado pelos Estados-membros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), apoiado pelos países do G20 e certificado pelo Conselho de Segurança da ONU.

"Chegou a hora de um acordo global sobre o cancelamento simultâneo e total de quaisquer sanções econômicas, além das introduzidas pelo Conselho de Segurança da ONU", escreveu no Facebook.

O líder parlamentar acredita que a queda na demanda de recursos energéticos e as flutuações monetárias, bem como as ameaças à segurança humana, provocam riscos duradouros de que a humanidade entre em uma recessão global prolongada.

Líderes dos países-membros do BRICS no encontro oficial do bloco em Brasília, Brasil, 14 de novembro de 2019

© AP Photo / Pavel Golovkin / Pool
Líderes dos países-membros do BRICS no encontro oficial do bloco em Brasília, Brasil, 14 de novembro de 2019

O legislador russo também comentou que, se nenhuma ação for tomada, haverá uma crise econômica "que não poupará nenhum país", lembrando que "já há pedidos" para rever a política de sanções de Washington contra o Irã e a política de sanções da UE contra a Rússia, mas que isso ainda é insuficiente.

Kosachev destacou que a zeragem das sanções pode ser uma resposta mais rápida e eficaz aos desafios relacionados com a pandemia e questões afins.

"Mas o principal é que agora tudo isso pode ser feito sem olhar para o passado, sem olhar para a política e sem que aqueles que se deixaram levar pelas sanções percam a face", comentou.

O político russo lembrou que, segundo os especialistas, hoje apenas 30% da economia mundial estão na zona "verde", enquanto 70% estão sob sanções ou na zona de imprevisibilidade, sob ameaça delas. A adoção de decisões de anular as sanções libertará esse potencial, concluiu o senador.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2020031815341129-brics-frente-a-crise-global-deveria-iniciar-suspensao-de-sancoes-economicas-exceto-das-onu/

Observatório Econômico: Multilateralismo recebe impulso na cúpula do BRICS

Beijing, 16 nov (Xinhua) -- A recente cúpula dos líderes das cinco maiores economias emergentes do mundo injetou um ímpeto no multilateralismo em um momento de desenvolvimentos cruciais ocorridos na economia mundial e panorama internacional, de acordo com analistas.

Na 11ª cúpula do BRICS realizada em Brasília nesta semana, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu que os países do BRICS assumam suas responsabilidades na defesa e prática do multilateralismo.

A essência do multilateralismo é que os assuntos internacionais devem ser abordados através de consultas amplas em vez de serem decididos só por um país ou alguns países, disse Xi.

Nenhum país nasce para ser dominante, e nenhum modelo é destinado a ser superior, disse Xi, acrescentando que a época de globalização não deve ser a luta de algumas pessoas contra outras, mas deve levar benefícios para todos.

Ao pedir que os países do BRICS protejam a paz e o desenvolvimento para todos, sustentem a igualdade e justiça e promovam resultados de ganha-ganha, Xi indicou os objetivos e princípios de defesa do multilateralismo, disseram os especialistas de relações exteriores entrevistados pela Xinhua.

Wang Lei, diretor do Centro de Pesquisa de Cooperação do BRICS, subordinado à Universidade Normal de Beijing, disse que as declarações de Xi servem como um lembrete para os países do BRICS se manterem fiéis aos fins originais do bloco para promover a solidariedade e a cooperação entre os mercados emergentes e os países em desenvolvimento com base no multilateralismo e representar seus interesses.

Os comentários de Xi também ajudarão a construir consensos e fornecer orientação ao BRICS para desempenhar um maior papel nas Nações Unidas, G20, Organização Mundial do Comércio e outras estruturas internacionais, disse Wang.

Em uma declaração emitida após a cúpula, os líderes dos cinco países do BRICS -- Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -- prometeram se manter comprometidos ao multilateralismo e reafirmaram seu compromisso para ajudar a superar os desafios significantes que o multilateralismo enfrenta atualmente.

Zhu Jiejin, professor associado da Universidade Fudan, disse que as vozes para defender o multilateralismo na cúpula chegaram em um tempo correto quando o mundo está enfrentando crescente protecionismo e unilateralismo, e alguns problemas e incertezas estão ameaçando seus atuais mecanismos multilaterais no comércio, segurança e combate à mudança climática.

O forte desejo dos países do BRICS para a cooperação demonstrou a vitalidade do multilateralismo, de acordo com Zhou Zhiwei, pesquisador sênior da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Durante a cúpula, Xi também propôs a alavancagem da cooperação "BRICS Plus" como uma plataforma para fortalecer o diálogo com outros países e civilizações para conquistar mais amigos e parceiros do bloco.

A Cooperação "BRICS Plus", criada na cúpula de Xiamen em 2017, convidou os líderes dos países em desenvolvimento de fora do BRICS para juntar-se ao diálogo.

A proposta de Xi enviou uma mensagem clara para o mundo em desenvolvimento que os países do BRICS querem aprofundar a cooperação com outros países em desenvolvimento, disse Wang.

No futuro, mais esforços serão feitos para aprofundar a cooperação prática, por exemplo, através do estabelecimento de mais agências sob a estrutura para promover e institucionalizar as práticas de multilateralismo, disse Zhu.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/16/c_138560403.htm

Xi pede que os laços China-Rússia mantenham dinâmica sólida de desenvolvimento em um alto nível

Brasília, 13 nov (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, reuniu-se com o presidente russo Vladimir Putin na quarta-feira, pedindo a manutenção de uma dinâmica positiva e sólida do desenvolvimento das relações China-Rússia em um alto nível.

Xi falou da importância de 2019 como um ano em que as relações China-Rússia, que foram desenvolvidas com base nos avanços passados, seguiram se fortalecendo. Os dois lados celebraram o 70º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas com uma série de atividades e o ano de cooperação e intercâmbio local entre os dois países está chegando a um fim bem-sucedido, disse ele.

"Em particular, anunciamos em conjunto o desenvolvimento da parceria de coordenação estratégica abrangente China-Rússia para uma nova era, promovendo as relações bilaterais a um novo patamar histórico", afirmou Xi.

Xi enfatizou que os dois lados devem continuar a fazer esforços conjuntos, levar em consideração o desenvolvimento e as mudanças na situação internacional, fazer inovações em resposta às necessidades de desenvolvimento de cada país e da cooperação bilateral, manter uma dinâmica positiva e sólida do desenvolvimento das relações China-Rússia em um alto nível, além de conquistar constantemente novos êxitos para trazer mais benefícios aos dois povos, à região e ao mundo.

Observando as mudanças complexas e profundas no atual contexto internacional com crescente instabilidade e incerteza, Xi pediu que os dois países estabeleçam uma coordenação estratégica mais estreita para defender as normas básicas que governam as relações internacionais, opor-se ao unilateralismo, intimidação e interferência nos assuntos de outros países e salvaguardar as respectivas soberania e segurança, criando conjuntamente um ambiente internacional justo e igual.

Falando da recém-concluída segunda Exposição Internacional de Importação da China, Xi disse que o volume de transações dos expositores russos cresceu 74% em comparação com o ano passado.

Ele ressaltou a necessidade de expandir continuamente o comércio bidirecional e expressou a esperança de ver mais grandes projetos estratégicos dos dois países no setor de energia, com a rota leste do projeto de gasoduto China-Rússia entrando em operação em breve.

Xi também expressou o desejo de resultados frutíferos do ano China-Rússia de inovação científica e tecnológica de 2020 a 2021 e pediu novos progressos contínuos no alinhamento da Iniciativa do Cinturão e Rota e da União Econômica da Eurásia.

Apontando que a cúpula dos BRICS neste ano está sendo realizada em um momento crítico em que o cenário internacional está evoluindo e a governança global está em transformação, Xi disse que a China e a Rússia devem trabalhar juntas para promover solidariedade e cooperação entre todas as partes e enviar um sinal positivo de que os países do BRICS aderem ao multilateralismo e defendem o sistema de comércio multilateral.

Xi também prometeu apoio total à Rússia para sediar a cúpula do BRICS e a cúpula da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) no próximo ano.

Putin disse que as relações Rússia-China são sólidas e estáveis, não afetadas por nenhum fator externo e desfrutam de uma boa dinâmica de desenvolvimento e amplas perspectivas.

As relações Rússia-China são baseadas em profunda amizade e confiança mútua, estreita coordenação política, cooperação econômica mutuamente benéfica e estreita coordenação no cenário internacional, disse Putin, considerando tais relações como uma verdadeira parceria de coordenação estratégica abrangente.

Putin disse que a Rússia e a China compartilham importantes consensos e interesses comuns na manutenção da segurança e estabilidade estratégicas globais. Os dois lados devem continuar a manter uma estreita comunicação estratégica e se apoiar firmemente na salvaguarda dos direitos e interesses de soberania, segurança e desenvolvimento, disse ele.

A Rússia tem a confiança para aprimorar ainda mais a escala e o nível do comércio bilateral, acelerar o alinhamento da União Econômica da Eurásia com a Iniciativa do Cinturão e Rota, aprofundar a cooperação com a China na indústria, agricultura, aeroespacial, energia e finanças e aumentar a exportação de gás natural para a China, disse Putin.

Os dois lados devem continuar a fortalecer intercâmbios culturais e interpessoais, bem como em nível de governo local, acrescentou.

Assumindo a presidência rotativa do BRICS no próximo ano, a Rússia trabalhará em estreita colaboração com a China para aumentar a influência do mecanismo de cooperação do BRICS, disse Putin, acrescentando que a Rússia também está disposta para fortalecer a cooperação com a China no âmbito da OCS, especialmente em segurança e combate ao terrorismo.

Os dois chefes de Estado também tiveram profundas trocas de opiniões sobre os principais assuntos internacionais e regionais de preocupação comum.

Xi chegou à capital brasileira na terça-feira para a 11ª cúpula do BRICS. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/14/c_138554970.htm

Putin diz que países do BRICS devem revitalizar laços econômicos

O presidente russo, Vladimir Putin, discursa durante cúpula Rússia-África, em Sochi.
© Sputnik / Michael Metzel

O Brasil sedia nos 13 e 14 de novembro, em Brasília, a 11ª Cúpula de Chefes de Estado do BRICS , grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta quarta-feira (13) que os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) devem dar um novo vigor ao seu relacionamento econômico.

"Os países do grupo BRICS devem revitalizar suas associações econômicas", disse o chefe de Estado russo durante sua participação no fórum empresarial da cúpula dos BRICS, realizado em Brasília.

Vladimir Putin observou que a Rússia é um fornecedor confiável de energia e está pronta para expandir a cooperação com os países do BRICS nessa direção.

"A Rússia fornece suprimentos de energia de maneira confiável aos mercados mundiais, contribui significativamente para a manutenção da segurança energética global, sem a qual o crescimento econômico e o desenvolvimento social não podem ser garantidos", disse ele.

"Estamos prontos para expandir a cooperação com os países do BRICS no uso de combustíveis ecologicamente corretos", acrescentou Putin no encerramento do evento.

Após se reunir com os líderes da Índia e China nesta quarta-feira, Vladimir Putin irá se reunir com o presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, 14 de novembro. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019111314772938-putin-diz-que-paises-do-brics-devem-revitalizar-lacos-economicos/

Especial: Cúpula do BRICS no Brasil atesta relevância atual do bloco

Por Janaína Camara da Silveira

Brasília, 11 nov (Xinhua) -- Para especialistas brasileiros sobre o BRICS, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco mostra sua importância e resiliência em um momento em que o mundo discute questões que giram ora em torno do multilateralismo, ora em torno do protecionismo.

Nesta semana, nos dias 13 e 14 de novembro, a capital brasileira, Brasília, será sede da 11ª Cúpula dos BRICS, ocasião em que os presidentes de todos os países do bloco estarão presentes.

Para o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro e da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde coordena o Núcleo de Estudos dos Países BRICS, Evandro Menezes de Carvalho, e para o professor adjunto de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, e autor do livro BRICS e o Futuro da Ordem Global, Oliver Stuenkel, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) é uma instituição que atesta o trabalho prático e conjunto dos países membros.

"O grupo BRICS tomou uma dimensão institucional de relações entre países do Sul Global. Não só oferece uma plataforma para institucionalizar tais relações, como estabelece laços entre governos onde não havia interlocução", afirma Stuenkel.

Para o professor, os BRICS permitiram que não apenas presidentes ou chanceleres, mas também ministros da economia, educação e outros, pudessem dialogar regularmente sobre desafios internos e sobre como fortalecer laços.

"O grande avanço certamente é o NBD, mas o fato de o grupo se manter coeso mesmo com mudanças de governo, como na Índia e no Brasil, mostra quão forte ele é. Se transformou em consenso no Brasil."

Para Carvalho, a continuidade do BRICS e o seu ingresso na segunda década de existência indicam a relevância do mecanismo para os cinco países, mesmo diante de obstáculos, sejam estes internos ou derivados da atual conjuntura internacional de crise econômica e diplomática.

"O ceticismo que os países ocidentais tinham em relação ao BRICS dá lugar a uma dúvida, com certa contrariedade, de que o BRICS veio, de fato, para ficar. A criação do NDB e seus desdobramentos com a criação dos Centros Regionais da África e para as Américas evidenciam que a plataforma informal do BRICS foi capaz de criar uma organização internacional e, no caso, um banco. Então estes dois fatos, a continuidade e o NDB, mostram que o BRICS pode ser um vetor importante de transformação da ordem internacional de modo a admitir maior participação de países não-ocidentais, esclarece Carvalho.

Em relação à Cúpula deste ano, o comércio intra-BRICS deve ser destaque, como acredita Carvalho, que lembra que o setor tem peso significativo.

"É preciso estimular que os outros países ampliem as relações comerciais entre eles. Além disso, o intercâmbio entre pessoas segue a mesma tendência e precisa ter um estímulo para que haja maior interação entre os países do BRICS. Por fim, no campo da mídia ainda há muito por fazer. A cooperação neste setor é fundamental para que novas visões de mundo possam emergir a partir das notícias sobre as sociedades dos países BRICS", indica Carvalho.

Relação sino-brasileira

"A relação sino-brasileira hoje vive o seu melhor momento. A relação bilateral comercial é excelente, e a participação chinesa no leilão do Pré-sal é um ótimo sinal, mostrando que a China tem um compromisso de longo prazo com o Brasil", avalia Stuenkel.

O especialista se referiu à presença de duas empresas chinesas em leilão realizado na semana passada para campos de exploração de petróleo em área brasileira. Ambas participaram de grupo conjunto com a estatal Petrobras.

"O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem inclusive deixado claro que não pretende excluir a Huawei do processo de leilão para o 5G no Brasil, previsto para o ano que vem", completa o especialista.

Carvalho também avalia como positivo o momento atual, mencionando a recente visita do presidente brasileiro a Beijing, em outubro deste ano.

"A visita de Bolsonaro à China teve o aspecto positivo de manter abertas as pontes de comércio com a China e de investimentos chineses no Brasil", disse o professor.

Segundo Carvalho, é importante destacar que os governadores dos estados da federação estão buscando incrementar o diálogo com a China por razões econômicas, para atração de investimentos a projetos de infraestrutura de que necessitam. Além disso, acredita, a diplomacia civil representada pelos empresários e empresárias, professores, professoras e estudantes tem tido um papel fundamental na defesa do aprofundamento da relação bilateral.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/12/c_138549082.htm

Mídias do BRICS devem ter maior papel na configuração da opinião pública global

 

Copresidentes do Fórum de Mídia do BRICS na cerimônia de abertura da 3ª edição da Exibição Fotográfica da Mídia do BRICS em São Paulo, Brasil, em 30 de outubro de 2019. (Xinhua/Xin Yuewei)

São Paulo, 1º nov (Xinhua) -- No 4º Fórum de Mídia do BRICS, que começou em São Paulo na quinta-feira, cerca de 100 representantes de meios de comunicação do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul pediram a remodelação de uma opinião pública global dominada pelos meios de comunicação ocidentais.

Desde o lançamento do mecanismo de mídias do BRICS em 2015, a cooperação nos meios de comunicação entre os membros continuou se aprofundando através de fóruns de alto nível, intercâmbios e coberturas jornalísticas conjuntas.

Entretanto, quando a cooperação do BRICS entra em sua segunda década, os meios de comunicação do BRICS precisam trabalhar juntos para enfrentar os desafios atuais no espaço global de nova mídia.

A executiva para comercialização e comunicação da Independent Media, da África do Sul, Lutfia Vayej, disse no fórum que é necessário contar mais histórias relacionadas com o BRICS.

"Devemos compartilhar mais informação sobre o crescimento econômico, devemos descrever os resultados bem-sucedidos e os ganhos da cooperação do BRICS. Em outras palavras, devemos transmitir o espírito e voz do BRICS", disse ela.

Foto tomada em 30 de outubro de 2019 mostra a reunião de presidium do 4º Fórum de Mídia do BRICS em São Paulo, Brasil. (Xinhua/Xin Yuewei)

Ao intensificar as informações sobre políticas de investimento e demandas de mercado, os meios de comunicação podem emitir informação mais abrangente e eficiente aos potenciais investidores.

O mundo atual está enfrentando ameaças muito proeminentes, como o unilateralismo e o protecionismo. Em relação a esses desafios, as mídias do BRICS precisam falar com uma só voz clara para apoiar o multilateralismo a fim de impulsionar uma economia mundial aberta.

A imprensa ocidental dominou durante muito tempo a opinião pública internacional. Ela pode distorcer ou prejudicar facilmente a imagem de certo país em desenvolvimento, e interpretar as políticas e modelos de desenvolvimento do país com parcialidade.

Os meios de comunicação do BRICS podem ter um papel chave oferecendo informação imparcial ao público e fazendo que suas próprias vozes se escutem sobre questões importantes de relevância global.

Visitante olha para as fotos na 3ª edição da Exibição Fotográfica da Mídia do BRICS em São Paulo, Brasil, em 30 de outubro de 2019. (Xinhua/Xin Yuewei)

Finalmente, além dos desafios externos, os meios de comunicação do BRICS também precisam fazer em relação à evolução a partir de dentro. O desenvolvimento de novas tecnologias tem um impacto enorme nos meios tradicionais, e a indústria de mídia global está enfrentando mudanças enormes.

Para aplicar melhor novas tecnologias como inteligência artificial, big data, internet das coisas e realidade virtual à produção e distribuição de notícias se requer reunir a sabedoria dos grupos de imprensa do BRICS.

Os meios de comunicação do BRICS devem aproveitar a oportunidade brindada pela nova onda de desenvolvimento de meios de comunicação e reverter sua posição desvantajosa na configuração da opinião global.

Há mais de uma década os países do BRICS são uma força proeminente na melhoria da governança global e fazem uma contribuição enorme ao crescimento econômico global.

A cooperação do BRICS entrou agora em uma nova era, e os meios de imprensa nos países BRICS devem colaborar ainda mais estreitamente para ajudar a tornar em realidade a visão do bloco de uma segunda "década dourada".

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/02/c_138523291.htm

4º Fórum de Mídia do BRICS adota plano de ação

São Paulo, 31 out (Xinhua) -- Representantes de meios de comunicação dos países do BRICS discutiram o desenvolvimento de novas tecnologias de mídia e adotaram um plano de ação para promover a cooperação no quarto Fórum de Mídia do BRICS nesta quinta-feira.

O fórum, que foi realizado em São Paulo nos dias 30 e 31 de outubro, reuniu quase 100 representantes de 55 renomadas organizações de mídia dos países membros do grupo -- Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Com o tema de "Aprofundar a Cooperação da Mídia na Construção da Comunidade do BRICS com um Futuro Compartilhado", o fórum, organizado pela Agência de Notícias Xinhua da China em conjunto com o Grupo CMA do Brasil, tem o objetivo de aprofundar intercâmbios e cooperação pragmática entre os países do bloco.

Chen Peijie, cônsul-geral da China em São Paulo, disse em seu discurso na cerimônia de abertura que os avanços de cooperação do BRICS e a influência internacional do grupo não podem ser separados dos esforços da mídia.

Com a cooperação do BRICS entrando em sua segunda "década dourada", a cooperação de mídia será crucial, destacou ela.

He Ping, editor-chefe da Agência de Notícias Xinhua, apontou em seu discurso no evento que o mundo está passando por mudanças profundas não vistas em um século, e que os países do BRICS precisam mais do que nunca assumir responsabilidades mundiais.

Como cronistas da história, os veículos de mídia do BRICS estão assumindo a importante tarefa de promover a cooperação e enfrentar uma oportunidade rara para trabalhar de mãos dadas para o progresso, ressaltou.

Ele propôs quatro iniciativas para fortalecer a cooperação de mídia do bloco.

Ele sugeriu que os meios de comunicação divulguem o desenvolvimento do BRICS e ativamente repercutam os avanços econômicos, culturais, sociais e ambientais conseguidos pelos países do grupo.

He pediu que os veículos contem histórias de intercâmbios entre pessoas.

O editor-chefe da Xinhua também propôs a construção de uma mídia digital que acompanhe os passos dos tempos e conjuntamente promova o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias.

Além disso, ele pediu a ampliação das áreas de intercâmbios e assistência mútua. He ressaltou que as mídias do BRICS precisam expandir a cooperação em cobertura de notícias, treinamento profissional, treinamento de recursos humanos, serviços de informação financeira e intercâmbios dos think tanks.

José Sánchez, co-presidente do fórum e presidente do provedor de informação financeira Grupo CMA, exaltou em seu discurso que os meios de comunicação dos países do BRICS devem elevar conjuntamente suas vozes para promover um mais justo panorama de opinião pública internacional.

Chefes e representantes da agência de notícias russa Sputnik, do The Hindu Group da Índia e da Independent Media da África do Sul também discursaram no fórum.

Na sessão de encerramento, um plano de ação para o Fórum de Mídia do BRICS 2019-2020 foi adotado.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-11/01/c_138521356.htm

BRICS desempenha papel fundamental no mundo, apesar de disparidade econômica

Bandeiras dos países-membros do Brics.
© Foto / Rogério Melo/PR

Agência de classificação de risco argumentou nesta semana que o acrônimo BRICS não faz mais sentido, uma vez que o ritmo de crescimento econômico dos países é muito diferente. Mas a relevância dos BRICS vai muito além da questão econômica.

A agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P) publicou uma nota, na qual defende que não faz mais sentido agrupar os países do BRICS em um grupo unificado, uma vez que as disparidades entre os ritmos de crescimento econômico são muito grandes.

No entanto, o acrônimo BRICS representa uma realidade geopolítica que vai além da questão econômica, segundo análise. O grupo expressa a necessidade de reforma das instituições de governança global, inalteradas desde o fim da Segunda Guerra Mundial e que já não respondem às demandas do mundo moderno.

Líderes da China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul se reuniram às margens da Cúpula do G20, na cidade de Osaka, no Japão, em 28 de junho de 2019
© AFP 2019 / Mikhail Klimentyev
Líderes da China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul se reuniram às margens da Cúpula do G20, na cidade de Osaka, no Japão, em 28 de junho de 2019

O impacto dos BRICS na reforma da governança global é nítido e, por enquanto, inabalado. Dúvidas acerca do posicionamento de Bolsonaro em relação ao grupo foram parcialmente dissipadas após a sua visita à China, na semana passada, e pelos preparativos para a próxima reunião do grupo, a ser celebrada entre os dias 13 e 14 de novembro, em Brasília.

Diferenças econômicas

A constatação feita pela agência S&P de que as economias dos BRICS crescem em ritmos diferentes é verdadeira, mas não revela um fenômeno novo. Como revela a própria nota, as disparidades estimadas para o período de 2011-2020 não são muito diferentes das observadas entre 2001-2010.

De acordo com os dados, de fato, o crescimento da participação das economias dos BRICS no PIB global cresceu, mas somente em função da performance das economias da China e Índia.

A participação das economias do Brasil, Rússia e África do Sul na produção global diminuiu desde 2000, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Inovações geopolíticas

O criador do acrônimo BRIC, Jim O’Neill, responde às críticas feitas ao seu histórico artigo, publicado em 2001, dizendo que seu objetivo era questionar a adequação das instituições contemporâneas – Banco Mundial, FMI, G7 – à realidade econômica global.

Desde a criação do agrupamento, em 2009, os BRICS tiveram peso significativo na modificação dessas instituições. O G7, por exemplo, foi amplamente substituído pelo G20 quando o assunto é a cooperação macroeconômica internacional. Após a crise de 2008, o principal foro de debate acerca das medidas globais de combate à crise foi o G20, justamente pela presença dos BRICS no grupo.

Ministros dos países dos BRICS se reuniram no Rio de Janeiro, em julho de 2019, em reunião preparatória da 11ª Cúpula dos BRICS, prevista para ser celebrada em novembro, em Brasília
© AFP 2019 / Mauro Pimentel
Ministros dos países dos BRICS se reuniram no Rio de Janeiro, em julho de 2019, em reunião preparatória da 11ª Cúpula dos BRICS, prevista para ser celebrada em novembro, em Brasília

Quando não foram capazes de reformar instituições anacrônicas, os BRICS optaram por criar novas. Esse é o caso do Novo Banco de Desenvolvimento, mais conhecido como 'Banco dos BRICS'.

Após anos de negociações com os EUA e os países europeus, a reforma do FMI não foi aprovada pelo Congresso norte-americano. Frente à relutância do Ocidente de adequar o sistema de votação do FMI à realidade contemporânea, o grupo criou o seu próprio banco de desenvolvimento, que conta atualmente com US$ 10,2 bilhões (cerca de RS$ 40 bilhões) em carteira de empréstimos.

Poder multidimensional

Apesar da incontestável importância do poder econômico, ele não é o único determinante da influência de um país no cenário internacional.

A Rússia segue entre as primeiras potências militares do mundo, enquanto a Índia é uma potência científica e demográfica.

A influência regional do Brasil e da África do Sul também parece variar pouco em função de seu desempenho econômico.

Jovens voluntários nas cúpulas dos BRICS e da Organização para a Cooperação de Xanghai
Host BRICS/SCO
Jovens voluntários nas cúpulas dos BRICS e da Organização para a Cooperação de Xanghai

Portanto, pode ser que O’Neill não tenha previsto o ciclone econômico que assolou alguns países do BRICS, mas a relevância geopolítica e a coesão do grupo parecem, até agora, estar navegando em águas serenas.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019102914704186-analise-brics-desempenha-papel-fundamental-no-mundo-apesar-de-disparidade-economica-/

Países BRICS estão prontos para ajudar a resolver crise na Venezuela

Todos os cinco presidentes do BRICS se encontram às vésperas da cúpula do G20, Osaka, Japão
© Sputnik / Mikhail Klimentev

Os países do BRICS estão prontos para promover a solução da crise na Venezuela, esse tema foi discutido na reunião dos líderes dessa associação em Osaka, disse o vice-ministro das Finanças da Rússia, Sergei Storchak.

"A Venezuela foi discutida no BRICS. A questão é que a organização BRICS vai, na medida do possível, contribuir para a regularização deste processo", disse Storchak aos repórteres.

O vice-ministro direcionou a questão da ajuda dos países do BRICS para os diplomatas. "Se as partes em disputa puderem ser levadas à mesa de negociações, será um grande avanço", acrescentou Storchak.

Pagamento da dívida

Falando da questão do pagamento da dívida de Caracas perante Moscou, Storchak observou que "a Venezuela fez um pagamento urgente no final de março. "Se houver outro, vamos ver", acrescentou ele.

Storchak explicou anteriormente que o serviço da dívida pública venezuelana à Rússia envolve pagamentos duas vezes por ano. O pagamento anterior foi feito em abril. Atualmente, a Venezuela está pagando apenas juros sobre a dívida, e mais tarde deve começar o período de reembolso do empréstimo em si, juntamente com os juros.

No início de junho, o ministro venezuelano da Economia e Finanças, Simon Serpa, disse à Sputnik que Caracas pretende pagar integralmente a dívida a Moscou, e que o próximo pagamento está programado para 30 de setembro.

Crise na Venezuela

A Venezuela está enfrentando uma crise política, que foi agravada no dia 23 de janeiro com a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino do país. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que assumiu o segundo mandato em 10 de janeiro após as eleições, considerou a declaração de Guaidó uma tentativa de golpe de Estado e culpou os EUA por orquestrá-la.

A Rússia, China, Cuba, Bolívia, Irã, Turquia e outros países apoiam o governo de Maduro. Moscou descreveu o "status presidencial" de Guaidó como inexistente. Do outro lado, a União Europeia, EUA e grande parte dos países latino-americanos, incluindo o Brasil, apoiam Guaidó.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019062914138514-paises-brics-prontos-ajudar-resolver-crise-venezuela/

Brics terão sistema próprio de pagamento

Um novo sistema unificado de pagamento, chamado Brics Pay, está sendo criado pelas cinco economias emergentes do grupo – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Segundo comunicou nesta sexta-feira (1º/3) o jornal russo Izvestia, citando o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês), os membros do Brics querem criar uma carteira online para integrar os sistemas de pagamento de cada país.

Para que o projeto seja concretizado, o fundo russo está trabalhando junto com seus parceiros chineses e indianos, que possuem as tecnologias necessárias para lançar o sistema.

Em termos técnicos, o serviço se assemelhará aos Apple Pay e Samsung Pay, e isso permitirá que os consumidores paguem com um aplicativo de smartphone, independentemente da moeda da conta do cliente. Além disso, será desenvolvida uma plataforma na nuvem para interligar os sistemas de pagamento nacionais dos países do Brics.

A versão piloto desse método de pagamento será testada em abril na África do Sul, que aderiu ao bloco em dezembro de 2010.

Com a criação desse sistema financeiro, essas cinco economias emergentes poderão reduzir significativamente a dependência de organizações transnacionais de pagamento, o que é importante em meio a tensões geopolíticas, disse o vice-presidente do RDIF.

O presidente da Câmara de Comércio da Rússia considera a integração dos sistemas de pagamento nacionais uma prioridade máxima para o bloco, dada à volatilidade do mercado financeiro e da taxa de câmbio do dólar.

Os bancos centrais dos países do Brics, bem como a Organização para Cooperação de Xangai (OCX) e a União Econômica Eurasiática (UEE,) liderada pela Rússia, têm trabalhado no desenvolvimento desse sistema conjunto, apesar de o Banco Central da Rússia ainda não ter discutido especificamente a criação dessa carteira online.

Todos os países participantes do grupo possuem seus próprios sistemas de pagamento nacionais. A China tem o UnionPay, a Índia desenvolveu o RuPay e o Brasil usa o Elo, enquanto que a Rússia possui o Mir, criado em 2015 após a introdução das sanções ocidentais contra o país.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/brics-pay-brics-tera-sistema-proprio-de-pagamento/

Qual é o futuro do BRICS na era Bolsonaro?

A staff worker walks past the national flags of Brazil, Russia, China, South Africa and India before a group photo during the BRICS Summit at the Xiamen International Conference and Exhibition Center in Xiamen, southeastern China's Fujian Province, China September 4, 2017
© REUTERS / Wu Hong/Pool

No mesmo ano que o Brasil assume a presidência rotativa do BRICS, a chegada do novo governo e a indicação de um maior alinhamento com EUA e Europa levanta uma incógnita sobre o futuro do país no bloco. A Sputnik Brasil conversou com especialistas sobre as perspectivas do Brasil no âmbito dos BRICS.

Oficialmente, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, ainda não deu claros indicativos sobre o que pensa a respeito dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas, por meio de Temer durante a cúpula do G20, o presidente eleito teria informado aos demais parceiros do bloco que terá "enorme prazer" de recebê-los em 2019, quando o Brasil sedia a 10ª cúpula do grupo.


O especialista em BRICS e professor de Relações Internacionais do Colégio Militar de Porto Alegre, Diego Pautasso, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que os indícios do novo governo de reorientar a política externa podem afetar as relações do Brasil dentro do bloco, mas destacou que o Itamaraty tende a manter certa continuidade. 

"É preciso considerar em dois níveis. No primeiro nível, existe no Itamaraty uma certa relação entre políticas de Estado e políticas de governo. Ou seja, por mais que haja mudança no executivo, o Itamaraty é um corpo que de funcionários estatais que tende a manter uma certa continuidade, embora seja natural que todo governo imprima suas características e suas prioridades", declarou. 

Por outro lado, de acordo com ele, "num segundo nível é preciso compreender como o governo Bolsonaro, o chanceler escolhido e alguns outros assessores e próximos do Bolsonaro, como o seu próprio filho, vão influenciar a tomada de decisão e as escolhas no âmbito internacional". 

"Se nós tomarmos como indicativo as falas do presidente, as falas do ministro das Relações Exteriores, e do Eduardo Bolsonaro, a tendência é de um realinhamento frente aos EUA, um distanciamento do BRICS e do eixo sul-sul, deixando de ser prioritário na política brasileira, e também sem grande importância no âmbito da África e da América do Sul. É o que me parece", opinou o especialista.

Pautasso acredita que tal mudança de posicionamento pode afetar as relações bilaterais do Brasil dentro do bloco, em particular a China, que é hoje o maior parceiro comercial do Brasil.


"Na política de uma forma geral, e nas relações internacionais de um modo específico, você não joga xadrez sozinho. Cada movimento é seguido de uma resposta dos outros atores. E o Brasil, embora seja um ator relevante, esses outros atores são tão ou mais relevantes, como a Rússia e a China. Portanto as posições erráticas do Brasil na política exterior podem ser respondidas com retaliação, com respostas que podem ser mais duras ou mais amenas dependendo da reciprocidade ao ato praticado", concluiu. 

Já o diretor-presidente da empresa de consultoria econômica Troia Intelligence, Ricardo Gennari, disse à Sputnik Brasil que as indicações de mudança na política externa do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro podem abrir novas perspectivas favoráveis de parceiros, citando Israel como exemplo.   

"A gente tem que incluir [entre os novos parceiros do Brasil] Israel. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, já confirmou a vinda ao Brasil, onde vai ficar 5 dias, e claro que vai abrir algumas situações mais favoráveis. Um dos maiores parceiros nossos continuam sendo os EUA, é um parceiro super importante, porém acho que na geopolítica, do meu ponto de vista, a gente vai ter algumas alterações", argumentou.


Segundo ele, o Brasil não diminuirá a sua participação no BRICS, mas terá uma atuação mais contida no grupo, se restringindo ao trabalho diplomático, mas sem realizar grandes investimnentos. 

"Primeiro, porque nós estamos com R$ 150 bilhões de déficit. Então o próprio ministro Paulo Guedes já vem falando que provavelmente a gente usará as reservas de dólar que nós temos para amenizar o problema econômico do Brasil", observou. 

Ricardo Gennari, por outro lado, não deixou de destacar que o grupo BRICS é uma plataforma muito importante no âmbito dos negócios, inovação e investimentos. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2018121912942415-bolsonaro-brics-eua-israel/

Se Bolsonaro afastar o Brasil do BRICS, prejudicará o país, alerta presidente sul-africano

Bandeiras dos países-membros do Brics.
© Foto : Rogério Melo/PR

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, fez um alerta ao presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), Jair Bolsonaro, caso ele pretenda afastar Brasília dos BRICS, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e a própria África do Sul.

Atual presidente no mandato rotativo dos BRICS, Ramaphosa defendeu mais uma vez o multilateralismo, que pode se contrapor a uma postura mais isolacionista de Bolsonaro, tomando por base suas declarações durante a campanha eleitoral.

"Se [Bolsonaro] atuar contra o que defendem os países dos BRICS, isso será em detrimento do Brasil e dos brasileiros", declarou o presidente sul-americano.

"Ele entrará para uma família BRICS que está quase irrevogavelmente comprometida com o multilateralismo, ele entrará para uma família BRICS que procura fazer as coisas de uma maneira que fortaleça o benefício mútuo. Se começar a empurrar em uma direção diferente, acabará prejudicando o interesse do Brasil", acrescentou.

Ramaphosa comentou que a África do Sul "estava mais próxima" do PT, cujas gestões encorajaram as atividades conjuntas dos BRICS, e ressaltou que as primeiras indicações de um futuro governo Bolsonaro são "diferentes" em relação ao que pensa Johanesburgo.


Em tom conciliatório, o presidente sul-africano preferiu pensar que Bolsonaro não irá perder "oportunidades" que venham a ser boas para o Brasil, e que sejam oferecidas por meio dos BRICS.

Ramaphosa também falou sobre as declarações polêmicas de Bolsonaro, principalmente as de cunho racista contra a comunidade afrodescendente do Brasil. Para ele, o contraditório é o melhor caminho para o esclarecimento e solução de discórdias do gênero.

"Tratar, falar e colaborar é um grande antídoto para estes tipos de extravagantes enfoques porque te permite ver o outro lado da história e acredito que é isso o que faremos", completou.

A equipe de Bolsonaro ainda não se posicionou claramente sobre o que pensa sobre os BRICS especificamente, mas especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil acreditam que o país deverá se focar primordialmente em suas relações bilaterais, principalmente com China, Estados Unidos e União Europeia.

Em 2019, Bolsonaro irá receber líderes dos BRICS no Brasil, país que sediará o tradicional encontro do grupo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2018110212583622-ramaphosa-brics-bolsonaro/

Chanceleres do BRICS fazem reunião às margens da Assembleia Geral da ONU

Bandeira da ONU
© Sputnik / Serguei Guneev

Os ministros das Relações Exteriores do Brics realizaram uma reunião às margens da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (27). As pautas foram: questões de segurança econômicas e políticas globais.

A informação é do Ministério das Relações Exteriores da Índia.


De acordo com o comunicado indiano, o chanceler Sushma Swaraj foi informado dos planos do Brasil para seu mandato como presidente do bloco, em 2019. O texto destaca que a Índia "apoia totalmente" o futuro mandato brasileiro. 

A sessão da 73° Assembleia Geral da ONU começou em 18 de setembro em Nova York, sob a presidência da ministra das Relações Exteriores do Equador, María Espinosa Garces. O fórum reúne todos os 193 países membros da ONU para discutir e trabalhar juntos em uma ampla gama de questões internacionais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2018092712313724-Chanceleres-brics-reuniao-margens-assembleia-geral-onu/

JOHANNESBURG: CIMEIRA BRICS PLUS

                  Resultado de imagem para brics johannesburg

Não é o facto da média corporativa ocidental fazer um quase black-out sobre a cimeira dos BRICS em Johannesburg, que acabou agora, que nos deve impedir de tomar conhecimento das decisões aí tomadas, das declarações feitas, do que será a grande cartada de uma integração dos países do «Sul global» para responder à hegemonia decadente e ameaçadora de Washington.

Por exemplo: quem, no «Ocidente», sabe que a Turquia, a Jamaica e a Argentina foram convidadas de honra na referida cimeira?[1][2][3][4] Previamente à cimeira, o mundo tomou conhecimento da decisão do Banco Central da Rússia[5] de vender, em Abril passado, basicamente todas as suas reservas em «treasuries» dos EUA, tendo a Rússia um discurso muito claro justificando o referido passo.      

  

               image

A desdolarização da economia mundial, significando com isso que a divisa dos EUA deixa de ser «a moeda de reserva» internacional, tem consequências muito amplas ao nível da perda de controlo por uma potência do grosso do comércio e operações financeiras mundiais. 

Não menos significativa é a consciência clara de que os EUA deixaram de ser um parceiro fiável, como se pode constatar com a desastrosa retirada dos EUA do acordo multi-países que teria permitido levantar as sanções do «Ocidente» ao Irão. Esta retirada foi claramente um triunfo do lóbi sionista nos EUA, o lóbi com mais forte  influência na política internacional dos EUA.  

O Irão tem muito a ver com o acrescento «Plus» na designação dos BRICS. Sendo um país estratégico para a nova rota da seda, tem vindo a aproximar-se do eixo Pequim-Moscovo, sendo certo que irá - em breve - aderir formalmente à OSC Organização de Cooperação de Xangai. Igualmente, o Irão tem sido decisivo na resolução da tragédia da Síria, participando com a Rússia na Conferência de Astana, destinada a dar um futuro político a esse país, após uma guerra civil de sete anos.

As pessoas têm tendência a só atenderem às questões que são ventiladas na grande média: mas esta está, desgraçadamente, ao serviço das grandes corporações e do poder imperial. De maneira que o público dos países ditos «desenvolvidos» e «democráticos», perdeu acesso verdadeiro à informação, não tem portanto instrumentos reais para avaliar o mundo de hoje com realismo e formar um conceito próprio sobre a maneira como os dirigentes têm conduzido as políticas na arena internacional. 

É essa, precisamente, a razão de ser da fraca cobertura e do silêncio dos comentaristas de serviço, no caso da cimeira dos BRICS em Johannesburg[6] e das decisões estratégicas que seus protagonistas têm adoptado, neste e noutros fórums que a precederam. 

References

  1. ^ quase black-out (www.youtube.com)
  2. ^ BRICS em Johannesburg (www.sabcnews.com)
  3. ^ tomar conhecimento (www.informationclearinghouse.info)
  4. ^ convidadas de honra na referida cimeira? (www.informationclearinghouse.info)
  5. ^ decisão do Banco Central da Rússia (russia-insider.com)
  6. ^ cimeira dos BRICS em Johannesburg (www.informationclearinghouse.info)

Leia original aqui

Brasil quer alargar BRICS à CPLP com destaque para Angola e Moçambique nas relações com África

O Brasil está aberto a discutir com a CPLP possibilidades de cooperação estruturada em várias frentes de actuação, com destaque para Angola e Moçambique, no exercício da presidência do BRICS em 2019, segundo Nedilson Jorge, embaixador do Brasil na África do Sul.
"O diálogo entre o BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem o potencial de propiciar programas de cooperação estruturada em várias frentes de actuação. Como se sabe, ao longo dos anos, o BRICS desenvolveu o pilar de cooperação sectorial em mais de 30 áreas", disse em entrevista à Lusa.
De acordo com o diplomata brasileiro, Angola e Moçambique "são países de grande relevância" para as relações do Brasil com o continente africano. "Ambos se têm empenhado no diálogo com os países do BRICS, especialmente por meio do mecanismo de 'outreach'. Esta iniciativa foi lançada pela África do Sul e, este ano, pela segunda vez, dará grande ênfase à participação dos países africanos", referiu.
Na opinião do embaixador Nedilson Jorge, a participação de Angola e Moçambique no diálogo alargado deste ano do BRICS a África, em particular aos Estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), bloco regional sob a presidência da África do Sul, contribuirá para o aprofundamento das relações com o grupo.
O diplomata recorda que, na sua primeira década de existência, o BRICS construiu novas pontes de diálogo com países em desenvolvimento, frisando que os países africanos estão no centro dessas iniciativas.
"O diálogo de 'outreach' foi lançado na 5ª Cimeira de Durban, em 2013, com a participação de chefes de Estado de diversos países africanos. Nesta Cimeira (Joanesburgo), os países da SADC deverão participar no exercício de diálogo alargado, que engloba temas da agenda internacional e inúmeras possibilidades de cooperação", precisou.
Por manter fortes laços históricos com Angola e Moçambique, o embaixador Nedilson Jorge acrescenta que o Brasil sempre tem entre as suas prioridades a aproximação e a colaboração com os países africanos lusófonos.
Neste sentido, afirma, a 10.ª Cimeira BRICS, em Joanesburgo, "constituirá uma oportunidade na qual poderemos dialogar com ambos os países sobre questões centrais dessa colaboração". "Desde a sua criação, o BRICS apresenta uma vocação para o diálogo com o mundo em desenvolvimento, no qual sempre está presente a busca pelo desenvolvimento sustentável e inclusivo", sublinhou.
O embaixador do Brasil na África do Sul, desde 2016, acredita que o BRICS "tem o objectivo inato" de fazer avançar a reforma das instituições de governança global, de modo a torná-las mais representativas e legítimas. "Esse é um objectivo que beneficia o mundo em desenvolvimento, ao abrir-lhes os espaços de participação que lhe são devidos", disse à Lusa o embaixador Nedilson Jorge.
O Brasil assumirá a presidência anual do grupo BRICS no próximo ano.
Lusa | em Jornal de Negócios

BRICS alerta para os riscos do unilateralismo

Na X Cimeira do BRICS, os presidentes sul-africano e chinês defenderam o multilateralismo e alertaram para os efeitos negativos do proteccionismo na economia mundial.

A X Cimeira do BRICS, que hoje termina, tem uma mensagem clara em defesa do multilateralismo e da cooperação entre os povosCréditos / thenational.ae

Esta quinta-feira, segundo dia da cimeira que hoje termina em Joanesburgo, na África do Sul, os chefes de Estado ou de governo do BRICS, organismo que representa as principais economias emergentes do mundo, debateram temas como a cooperação e as ameaças ao comércio mundial, bem como questões relacionadas com o actual cenário político e de segurança internacional.

A sessão de ontem – precedida, na quarta-feira, pela realização do Fórum de Negócios do BRICS – foi presidida pelo chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, e contou com a participação e as intervenções dos presidentes do Brasil, da Rússia e da China, e do primeiro-ministro da Índia, que abordaram a fundo questões relativas à cooperação entre os seus países, sob o lema «BRICS em África: colaborando para o crescimento inclusivo e a prosperidade partilhada na Quarta Revolução Industrial».

Nas suas intervenções, Ramaphosa e o presidente chinês, Xi Jinping, vincaram a defesa do multilateralismo e do comércio livre. Sem se referir aos EUA, o presidente da China enquadrou o unilateralismo e o proteccionismo nos factores que «estão a afectar o ambiente de desenvolvimento externo dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento».

Xi Jinping defendeu a consolidação do quadro de cooperação do BRICS, assente na cooperação económica, política e de segurança, bem como no comércio entre os povos. Tal como Cyril Ramaphosa, o chefe de Estado chinês exortou os países do BRICS a trabalhar de forma conjunta em prol de um novo tipo de relações internacionais, marcadas pelo respeito mútuo, a igualdade e a justiça.

«Devemos continuar comprometidos com o multilateralismo e os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas», disse, defendendo que, na salvaguarda da paz e da segurança mundiais, os membros do BRICS devem «pedir a todas as partes que cumpram as normas fundamentais que regem as relações internacionais e solucionem as disputas pela via do diálogo».

«Permitir que mais povos e países beneficiem dos avanços»

Logo na quarta-feira, perante os mais de mil delegados presentes no Fórum de Negócios da X Cimeira do BRICS, Ramaphosa mostrou-se preocupado com o «aumento de medidas unilaterais que são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio» e, especialmente, com o seu impacto «nos países em vias de desenvolvimento».

Esta intervenção inicial ficou marcada pelas críticas ao unilateralismo – sem referências directas a Donald Trump –, a defesa do multilateralismo e a lembrança das conquistas do BRICS na sua década de cooperação.

A necessidade de um rumo estratégico para as oportunidades que a Quarta Revolução Industrial proporciona e a importância da cooperação do BRICS com África foram outros tópicos de destaque na intervenção do chefe de Estado sul-africano.

Também Xi Jinping deixou clara, logo no primeiro dia da Cimeira, a rejeição das medidas unilaterais e do proteccionismo económico, afirmando que os BRICS devem promover uma economia mundial aberta.

Sublinhando o contributo dado pelo bloco que integra o seu país, a Índia, a Rússia, a África do Sul e o Brasil, nos seus primeiros dez anos, para a recuperação e o crescimento económico mundiais, o presidente chinês afirmou: «Deve-se rejeitar uma guerra comercial, pois não haveria vencedores.»

«A hegemonia económica é ainda mais inaceitável, na medida em que minaria os interesses colectivos da comunidade internacional; aqueles que seguirem esse caminho acabarão apenas por se prejudicar a si mesmos», frisou.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Cooperação com África em destaque na 10ª cimeira dos BRICS

Decorre a partir desta quarta-feira, em Joanesburgo, a 10ª cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Encontro conta com a presença de chefes de Estado africanos, incluindo de Angola e Moçambique.
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, quer aproveitar a 10ª cimeira BRICS, que arranca esta quarta-feira (25.07), em Joanesburgo, para melhorar a imagem do seu país, depois de anos de crises políticas com muitos casos de corrupção na era do seu antecessor Jacob Zuma.
Mas esta cimeira também contará com a presença de governantes de dois PALOP. Falando à imprensa, em Joanesburgo, na apresentação do programa oficial da cimeira, Lindiwe Sisulu, ministra das Relações Internacionais e Cooperação sul-africana, sublinhou que a visita dos dois líderes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) insere-se no âmbito da cimeira de líderes que pretende reforçar as relações entre os BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e África.
"A adesão aos BRICS tem sido benéfica para o nosso país e gostaríamos de garantir que o resto de África possa também usufruir dos BRICS, particularmente agora que o continente começa a dar os primeiros passos na criação de zonas de comércio livre, em que a maioria dos países já assinou o acordo, que é um passo importante para África", disse a chefe da diplomacia sul-africana.
"Criámos um programa especial para que os Estados africanos possam participar e uma ocasião adicional especialmente para os países membros da SADC, em particular. A África do Sul preside atualmente à SADC e, na nossa opinião, a grande maioria das questões que discutimos entre nós, na região, poderiam beneficiar do acesso direto aos BRICS", adiantou a ministra Lindwe Sisulu.
Segundo a governante, além de João Lourenço (Angola) e Filipe Nyusi (Moçambique), participam ainda nesta cimeira BRICS, mais seis chefes de Estado do continente africano, nomeadamente da Namíbia, Gabão, Senegal, Uganda, Togo e do Ruanda.
O encontro entre os líderes dos BRICS e os seus homólogos africanos está agendado para o dia 27, último dia da cimeira, indica o programa oficial.
Dez anos de cooperação
A ministra afirmou que a 10.ª Cimeira BRICS será um "marco" na história dos BRICS, porque representa uma década de cooperação. A reunião culminará com a adoção da "Declaração de Joanesburgo" que inclui as metas acordadas pelos cinco países membros do BRICS até ao final do ano. A presidência rotativa da África do Sul decorrerá até 31 de dezembro de 2018.
A 10.ª Cimeira BRICS, que reúne um grupo de potências emergentes terá como tema a "Colaboração para o Crescimento Inclusivo e Prosperidade Partilhada na 4.ª Revolução Industrial" e decorrerá no Centro de Convenções de Sandton, no norte de Joanesburgo, sede da bolsa de valores e da maioria das multinacionais globais com operações em África.
"Nos últimos anos, a África do Sul perdeu muita credibilidade ao nível da política externa", afirma Philani Mthembu, diretor do instituto sul-africano para o diálogo global. "A economia também se ressentiu, e muito. Esta cimeira é uma oportunidade para o novo Presidente marcar pontos, explicando as linhas mestras da sua política externa", acrescenta.
Segundo Mthembu, "a África do Sul vai querer aproveitar para reforçar a cooperação com países como a China, a Índia e a Rússia, sem - no entanto - menosprezar os seus tradicionais bons contactos com os Estados Unidos e a Europa. A África do Sul reconhece que as relações internacionais podem ser um veículo muito importante para a resolução de problemas locais".
"Por isso", diz o especialista, "o Presidente sul-africano vai-se esforçar por incrementar o desenvolvimento económico através do apoio ao comércio e ao investimento externos também com os BRICS".
Infraestruturas, energia e empoderamento
Em que áreas é que os BRICS poderão e deverão investir? As propostas sul-africanas preveem a construção de um centro de pesquisas medicinais, em África, que deverá desenvolver vacinas e medicamentos contra doenças como a malária, o HIV ou a tuberculose.
Outra área prioritária será a das energias limpas. Um ponto igualmente importante é o reconhecimento do papel das mulheres, cujo contributo para o desenvolvimento não poderá ser esquecido, devendo - sim - ser apoiado, afirma Jakkie Cilliers, analista do Instituto sul-africano para questões de segurança.
"A vontade de cooperar nestas e noutras áreas continua grande. A China é sem dúvida o motor. E todos os BRICS tentam tirar partido deste relacionamento especial com a China no quadro dos BRICS, especialmente a África do Sul, que apenas contribui para 3 por cento da força económica dos BRICS, mas continua a ser vista como a maior potência económica do continente africano”, explica Jakkie Cilliers. A próxima cimeira BRICS terá lugar no próximo ano, no Brasil.
Martina Schwikowski, António Cascais, Agência Lusa | em Deutsche Welle

Ver o original em 'Página Global':   http://paginaglobal.blogspot.com/2018/07/cooperacao-com-africa-em-destaque-na-10.html

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        •05/06/2020
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