Brasil

Bolsonaro veta uso obrigatório de máscaras em comércio, templos e repartições públicas

Jair Bolsonaro está infetado com o coronavírus, avança a Fox News...

Presidente alegou que uso de máscaras em locais fechados pode ser classificado como "violação de domicílio" e vetou trecho do projeto de lei que obrigava o poder público a fornecer máscaras para a população mais pobre.

O presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos a lei que torna o uso de máscaras obrigatório no Brasil. A partir de hoje (3), o uso de máscaras é mandatório em espaços públicos, transportes públicos, táxis, aeronaves e embarcações fretadas.

No entanto, Bolsonaro vetou a obrigatoriedade de uso em repartições públicas, estabelecimentos comerciais, como lojas e shoppings, plantas industriais, templos religiosos e outros locais fechados.

O presidente também vetou o trecho do projeto de lei que obrigava o poder público a fornecer máscaras para a população mais pobre.

O projeto de lei procura diminuir a propagação do novo coronavírus, que já infectou mais de 1,5 milhão de pessoas e fez mais de 60 mil vítimas fatais no país.

A legislação prevê multas para quem descumprir a diretiva e obriga empresas a disponibilizarem máscaras aos funcionários envolvidos no atendimento ao público.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020070315786811-bolsonaro-veta-uso-obrigatorio-de-mascaras-em-comercio-templos-e-reparticoes-publicas/

Estudo concluiu que o Brasil terá 8 milhões de infetados, seis vezes mais do que o número oficial

António Lacerda / EPA

 

O Brasil terá pelo menos oito milhões de infetados pelo novo coronavírus, quase seis vezes mais do que o número oficial, segundo um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde, que examinou 89.397 brasileiros em 133 cidades.

 

estudo, cujos resultados foram divulgados na quinta-feira numa conferência de imprensa do Ministério da Saúde, mostra o alto índice de subnotificação de casos da doença no Brasil, cujos dados oficiais colocam o país como o segundo no mundo com mais vítimas mortais (61.884), e com mais infetados, 1.496.858.

De modo geral, a diferença entre o número de pessoas infetadas é seis vezes maior do que o número de casos notificados. Trata-se de algo esperado, quando a maior parcela dos casos é leve ou assintomática, o que deve ser ainda confrontado com outros estudos disponíveis visto que outras estimativas apontaram um número maior para essa chamada subnotificação”, indicou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco.

De acordo com o estudo realizado por investigadores da Universidade Federal de Pelotas, em Rio Grande do Sul, 3,8% das pessoas examinadas entre 21 e 24 de junho tinham anticorpos para a Covid-19 nas suas amostras de sangue, ou seja, estavam infetadas ou já tinham estado em contacto com o vírus que transmite a doença.

Projetando essa percentagem, os cientistas calculam que se 3,8% dos 211 milhões de brasileiros têm anticorpos para o vírus, pelo menos oito milhões já teriam sido infetados em algum momento nos últimos quatro meses.

O estudo foi realizado em três etapas (segunda quinzena de maio, primeira quinzena de junho e segunda quinzena de junho) e mostrou que o número de pessoas infetadas aumentou 23% entre a segunda e a terceira etapas, bem abaixo do aumento de 53% registado entre a primeira e a segunda.

É um excelente resultado, porque medimos um aumento de 53% entre a primeira e a segunda fase, que é um salto gigantesco, e esse crescimento já diminuiu. Idealmente, deveria ser menor, mas já se trata de uma vitória”, afirmou o reitor da Universidade Federal de Pelotoas, Pedro Hallal, em conferência de imprensa.

Enquanto que na primeira etapa a percentagem de pessoas com anticorpos foi de 1,9% dos analisados (com os quais o Brasil teria quatro milhões de casos), esse valor duplicou para 3,8% na terceira fase (oito milhões).

Na primeira etapa do estudo, o número de pessoas com anticorpos detetados era sete  vezes superior ao número de casos confirmados oficialmente na ocasião. Na segunda, essa proporção diminuiu para seis e, na última etapa, caiu para cinco.

Contágio cresce entre os mais pobres

Além do alto grau de subnotificação da doença no país, o estudo também mostrou que o contágio está a crescer mais entre os pobres, negros e indígenas, que apresentam taxas de contágio três vezes superiores às de brancos e ricos.

“A tendência é que o número de pessoas com anticorpos aumente conforme diminui o nível socioeconómico. Entre os 20% mais ricos, a percentagem de infetados era de 1,8% e entre os 20% mais pobres, era de 4,1%”, indicou o estudo.

Outro ponto de destaque é que as maiores proporções de infetados são encontradas em negros e pardos (termo usado no Brasil para identificar o tom de pele fruto de uma miscigenação), (5,6%) e índios (5,4%), enquanto que a taxa entre brancos é de 1,1%.

“Também foi possível observar que o recente relaxamento das medidas de distanciamento social em vários municípios fez com que a curva de contágio não entrasse em fase descendente, ao contrário do que ocorreu nas cidades que apenas levantaram a quarentena após uma queda consistente no número de novas infeções”, disse Hallal.

O reitor afirmou ainda que chamou a atenção da equipa o facto de que as “cidades que seguiram as recomendações e só relaxaram o isolamento quando a curva já estava a descer, como Manaus (na Amazónia), é possível ver que a curva não voltou a subir. As cidades que decidiram relaxar com a curva em ascensão, cometeram um erro. E várias cidades estão a cometer esse erro”, acrescentou.

O estudo também mostrou que a percentagem de infetados assintomáticos não é tãoalta quanto se imaginava, uma vez que apenas 9% das pessoas que contraíram a Covid-19 disseram não terem tido sintomas.

A investigação foi patrocinada pelo Ministério da Saúde, que pagou a contratação dos vários profissionais que trabalharam no estudo e forneceu os testes sorológicos rápidos usados ao longo do trabalho, que foi o maior feito até agora no país sobre a pandemia.

Anunciada a abertura do comércio “morra quem morrer”

O prefeito de um município no nordeste brasileiro, que tem ocupada 100% da capacidade dos seus hospitais para atendimento de pacientes com covid-19, anunciou que abrirá na próxima quinta-feira o comércio “morra quem morrer”.

As declarações do autarca aparecem num vídeo difundido esta quinta-feira pelas redes sociais de habitantes de Itabuna estado da Bahia, e que ascendeu às tendências da rede social Twitter devido à polémica em torno das palavras usadas pelo prefeito.

“Então, na dúvida, com os nossos a morrer por causa de um cama de hospital em Itabuna, eu vou transferir essa abertura (de comércio). (…) Mandei já fazer um decreto para que no dia 09 (de julho) abra, morra quem morrer”, afirmou o prefeito Fernando Gomes, durante uma entrevista na quarta-feira.

A cidade permanece em confinamento social desde março e planeava iniciar a reabertura das atividades comerciais esta quinta-feira. Mas decidiu adiar a data devido à falta de Unidades de Terapia Intensiva para pacientes diagnosticados com covid-19.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/estudo-concluiu-brasil-tera-8-milhoes-infetados-333114

Brasil supera 60 mil mortes por COVID-19

Rio de Janeiro, 1º jul (Xinhua) -- O Brasil superou a marca de 60 mil óbitos causados pela pandemia do novo coronavírus após contabilizar 1.038 mortes nas últimas 24 horas e chegar a 60.632, segundo o balanço oficial divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde.

Sobre o número de casos confirmados da doença, o boletim informou que foram registrados nas últimas 24 horas 46.712 novos pacientes, elevando o total de casos positivos da COVID-19 para 1.448.753.

O governo informou também que 826.866 pessoas já se curaram do vírus, enquanto 561.255 estão em acompanhamento e 3.931 óbitos estão sendo investigados.

Estado mais populoso e rico do país, São Paulo é o mais afetado pela COVID-19, com 289.935 casos e 15.030 mortes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 115.278 infectados e 10.198 óbitos, e Ceará, com 113.017 registros da doença e 6.180 mortos. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-07/02/c_139183088.htm

Brasil:   O FBI e a Lava Jato

– A proximidade entre a PF e procuradores do Brasil com o FBI incluía "total conhecimento" das investigações sobre a Odebrecht
– Agente que atuou em investigações da Lava-Jato no Brasil tornou-se chefe da Unidade de Corrupção Internacional do FBI
– Polícia americana tem foco crescente em combater corrupção na América do Sul e abriu escritório para isso em Miami
– Deltan e PF preferiram tratar de extradição diretamente com americanos:   "entendemos que não vale o risco de passar pelo executivo", escreveu o procurador

por Natalia Viana, Rafael Neves [*]

 Nos seus pouco mais de 20 anos no FBI, a agente especial Leslie R. Backschies esteve diversas vezes no Brasil. Backschies, cujo nome do meio é Rodrigues, com a grafia portuguesa, é fluente na língua nacional e vem ao país desde pelo menos 2012, ano em que há um primeiro registro de uma visita sua à Polícia Militar de São Paulo. É, também, a única foto que se encontra na internet dessa notável agente do FBI – embora esteja longe da câmera e de óculos escuros. O objetivo daquela visita era firmar parcerias para capacitação de policiais para responder a ameaças terroristas antes da Copa de 2014.

 

Ao longo de sua carreira, Leslie trabalhou na divisão de Segurança Nacional do FBI, atuando nas áreas de contraterrorismo e resposta a armas de destruição em massa – ela foi co-autora de um guia sobre armas biológicas para o site Jane's Defense.

Trabalhando para a

Divisão de Operações internacionais do FBI, em 2012 Leslie mudou-se para a América do Sul, passando a viver em local não revelado, de onde supervisionava os escritórios do FBI nas capitais do México, Colômbia, Venezuela, El Salvador e Chile, além dos agentes do FBI lotados na embaixada em Brasília. No mesmo posto, comandou operações da polícia federal americana em Barbados, República Dominicana, Argentina, Panamá e no Canadá.

 

Mas nos últimos anos, a carreira de Leslie deu uma guinada. De especialista em armamentos e terrorismo, ela passou a se dedicar a investigar casos de corrupção e lavagem de dinheiro na América Latina – com destaque para o Brasil.

Em 2014, Leslie foi designada pelo FBI para ajudar nas investigações da Lava Jato. A informação consta de reportagem do site Conjur sobre evento promovido pelo escritório de advocacia CKR Law em São Paulo, em fevereiro de 2018, que contou com presença dela. A atuação de Leslie foi considerada "um trabalho tremendo" e "crítico para o FBI" pelos seus supervisores, segundo seu ex-chefe afirmou em um evento sobre o combate à corrupção em Nova York no ano passado acompanhado por uma colaboradora da Pública.

Leslie se tornou especialista na legislação FCPA, Foreign Corrupt Practices Act, uma lei americana que permite que o Departamento de Justiça (DOJ) investigue e puna nos Estados Unidos atos de corrupção praticados por empresas estrangeiras mesmo que não tenham acontecido em solo americano. Foi com base nessa lei que o governo americano investigou e puniu com multas bilionárias empresas brasileiras alvos da Lava Jato, dentre elas a Petrobras e a Odebrecht, que se comprometeram a desembolsar mais de US$ 4 mil milhões em multas para os EUA, Brasil e Suíça.

Hoje morando de novo nos Estados Unidos, Leslie comanda a Unidade de Corrupção Internacional do FBI, cuja grande novidade no ano passado foi um escritório aberto em março em Miami apenas para investigar casos de corrupção na América do Sul, o Miami International Corruption Squad.

A unidade conta com seis agentes especiais, um supervisor e um contador forense que atuam na cidade conhecida por receber exilados cubanos, venezuelanos e, mais recentemente, uma enxurrada de ricos brasileiros. "Você não pode apenas ter um agente ou dois em um escritório em campo trabalhando com isso…. Não dá para trabalhar com isso apenas duas ou três horas por semana. Assim não vai funcionar. Você precisa de recursos dedicados em período integral", afirmou Leslie à à Agência de Notícias Associated Press .

O esquadrão para América do Sul é o quarto esquadrão do FBI especializado em corrupção internacional. Todos foram abertos nos últimos cinco anos – ao mesmo tempo que a maior investigação de corrupção da história brasileira varria o continente.

A reportagem pediu uma entrevista a Leslie Backschies, mas não obteve resposta até a publicação.

Cinco anos depois, Leslie parece bastante satisfeita com os resultados. "Nós vimos muita atividade na América do Sul — Odebrecht, Petrobras. A América do Sul é um lugar onde… Nós vimos corrupção. Temos tido muito trabalho ali", disse ela à Agência de Notícias Associated Press no começo de 2019.

"Não dá pra ser melhor do que isso", ela afirmou no evento da CKR Law em São Paulo. "Nossa relação com o Brasil é o modelo de colaboração para países lutando contra crimes financeiros".

"Isso é apenas o começo. Temos o enquadramento correto, a vontade e os fundos para continuar trabalhando juntos",

"Agentes do FBI já apoiaram" 10 medidas contra a corrupção

Em outubro de 2015, Leslie fez parte da comitiva de 18 agentes americanos que foram a Curitiba se reunir com procuradores e advogados de delatores sem passar pelo Ministério da Justiça , órgão que deveria, segundo a lei, intermediar todas as matérias de assistência jurídica com os EUA, segundo revelaram Agência Pública e The Intercept Brasil.

A proximidade com a equipe da Lava Jato era tanta que Leslie foi um dos agentes do FBI que posaram com um cartaz apoiando o projeto de lei das 10 Medidas Contra a Corrupção, bandeira da Força-Tarefa e em especial do seu chefe, Deltan Dallagnol, que foi derrotada no Congresso Nacional.

 Em um chat com Deltan em 18 de maio de 2016 constante do arquivo entregue ao site The Intercept Brasil, a procuradora Thaméa Danelon, ex-coordenadora da Força-Tarefa em São Paulo, brincou antes uma viagem para os EUA: "Vou tentar tirar uma foto c a Jennifer Lopes e o cartaz das 10 Medidas", brinca ela. "Os agentes do FBI já apoiaram. Mas não pode publicar a foto ok? Eles não deixaram", explica Thaméa, enviando a foto a seguir.

A imagem foi posteriormente apagada e não consta do arquivo entregue ao Intercept. Se divulgada, ela poderia causar uma saia justa ao MPF por se tratar de autoridades estrangeiras atuando em uma campanha legislativa nacional.

Thaméa diz que na foto todos são agentes, com exceção de uma tradutora brasileira. Mostrando familiaridade com a agente americana, Deltan Dallagnol se entusiasma e diz que a imagem lembra o filme Missão Impossível, estrelado por Tom Cruise. "Legal a foto! A Leslie está em todas rs".

 

A foto havia sido tirada em São Paulo um dia antes, em 17 de maio de 2016, quando Thaméa participou, junto com Leslie, de uma palestra para 90 membros do MPF paulista . Estavam lá também os agentes Jeff Pfeiffer e Patrick Kramer, além de George "Ren" McEchern, então diretor do Esquadrão de Corrupção Internacional do FBI em Washington – e chefe de Leslie.

Promovida pela Secretaria de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Procuradoria da República em São Paulo, a palestra teve como objetivo ensinar o funcionamento da FCPA. "Foi uma excelente oportunidade para aprendermos sobre um eficiente sistema de combate à corrupção", ressaltou Thaméa no evento.

A fala de Leslie Backschies não foi reproduzida online. A reportagem pediu as fotos do evento à procuradoria, mas a assessoria de imprensa respondeu que "infelizmente tivemos um problema no nosso backup e perdemos alguns registros de anos anteriores, inclusive esse evento". Questionada via Lei de Acesso, o MPF fez uma dupla negativa: "E mesmo que tivéssemos estas imagens, elas precisariam de autorização de uso das pessoas fotografadas (palestrantes e espectadores), documento que não foi requisitado no evento".

Meses depois, foi a vez de Thaméa ir a Washington para dar um curso ao FBI sobre a Lava Jato, conforme revela um diálogo com Deltan Dallagnol em 11 de Outubro de 2016 a partir das 16:47:23. "O FBI pediu pra eu falar sobre a Lavajato no curso em Washington, tudo bem? Vc me mandaria um material em Inglês? Eles tb. querem q eu fale sobre as 10 Measures!!!! show heim? até eles já sabem da campanha!!!"

Deltan responde: "Animal. Não é tudo bem. É tudo excelente!!!!!"

As mensagens foram reproduzidas com a grafia encontrada nos arquivos originais recebidos pelo The Intercept Brasil, incluindo erros de português e abreviaturas.

Segundo um documento constante dos arquivos da Vaza Jato, em 2015 havia nove policiais americanos lotados na embaixada de Brasília e no Consulado de São Paulo, incluindo do FBI, da Polícia de Imigração e Alfândega e do Departamento de Segurança Interna.

Com base nos diálogos e em apuração complementar, a Agência Pública conseguiu localizar, além de Leslie Backschies, 12 nomes de agentes do FBI que atuaram nos casos da Lava Jato em solo brasileiro. 

Pela lei, nenhum agente americano pode fazer diligências ou investigações em solo brasileiro sem ter autorização expressa do Ministério da Justiça, pois as polícias não têm jurisdição fora dos seus países de origem. O FBI e a embaixada dos Estados Unidos se negam a detalhar publicamente o que fazem seus agentes no Brasil. Mas um documento da própria embaixada, obtido pela Pública, revela como funciona esse trabalho. Trata-se de um anúncio em 19 de outubro de 2019 em busca de um "investigador de segurança" para trabalhar na equipe do adido legal e passar 70% do tempo fazendo investigações. "Essas investigações são frequentemente altamente controversas, podem ter implicações sociais e políticas significativas", diz o texto do anúncio, escrito em inglês. O anúncio avisa que o policial terá de viajar de carro, barco, trem ou avião por até 30 dias "para áreas remotas de fronteira e para todas as regiões do Brasil".

Questionada pela Pública sobre a atuação de agentes do FBI em território brasileiro e sobre a parceria com os membros da Lava Jato, a embaixada americana respondeu através de uma nota: "O FBI colabora com as autoridades brasileiras, que conduzem todas as investigações no Brasil, inclusive todas as investigações que envolvem o Brasil e os EUA. As autoridades federais e estaduais brasileiras trabalham rotineiramente em parceria com as agências policiais dos EUA em uma ampla gama de questões. Os Estados Unidos e o Brasil mantêm uma excelente cooperação policial na FCPA, mas também no combate ao crime transnacional e em muitas outros ámbitos de interesse mútuo. Procuramos oportunidades de aprender com todas as nossas investigações. Um intercâmbio de boas práticas faz parte da boa cooperação que desfrutamos com nossos colegas brasileiros".

Há dezenas de menções ao FBI e seus agentes nos diálogos constantes da Vaza-Jato analisados pela Agência Pública e Intercept Brasil. Fica claro que o relacionamento mais constante é entre membros da PF brasileira e agentes do FBI.

"A questão não é de conveniência. É de legalidade, Delta"

À frente da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) da Procuradoria-Geral da República, o procurador Vladimir Aras alertou diversas vezes para problemas legais envolvendo a colaboração direta com agentes do FBI.

Uma conversa bastante tensa, em 11 de fevereiro de 2016, revela até que ponto a PF mantinha proximidade com o FBI e desconfiava do governo de Dilma Rousseff. A ponto de o próprio chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, admitir ao secretário de Cooperação Internacional da PGR que a PF preferia tratar direto com os americanos a seguir as vias formais.

Às 11:27:04, Deltan pede que Aras olhe um email enviado para os Estados Unidos. Aras se surpreende com o teor: tratava-se de um pedido de extradição de um suspeito da Lava Jato. Não fica claro quem é a pessoa a quem se referem. O pedido, informal, havia sido enviado ao Escritório de Assuntos Internacionais (OIA, na sigla em inglês) diretamente por Dallagnol, sem passar pela Secretaria Cooperação Internacional da PGR nem pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça, autoridade central responsável, de acordo com um tratado bilateral . O diálogo dá a entender que um mandado de prisão ainda estava por ser decretado pelo então juiz Sergio Moro.

"Passa o nome e os dados que vamos atrás. Fizemos isso com o advogado de Cerveró", responde Aras. "Nosso parceiro preferencial para monitorar pessoas tem sido o DHS, mas podemos trabalhar com o FBI também. Quanto antes tivermos os dados, melhor", explica Aras, referindo-se ao Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês). Aras prossegue explicando que o pedido de extradição teria que passar pelo DEEST, o Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, além do Ministério de Relações Exteriores, "um parceiro importante".

"Não é bom tentar evitar o caminho da autoridade central, já que, como vc sabe, isso ainda é requisito de validade e pode pôr em risco medidas de cooperação no futuro e a "política externa" da PGR neste campo", explica Vladimir.

"O que podemos fazer agora é ajustar com o FBI e com o DHS para localizar o alvo e esperar a ordem de prisão, que passará pelo DEEST. Podemos mandar simultaneamente aos americanos", ele prossegue.

Em resposta, Deltan é direto. "Obrigado Vlad por todas as ponderações. Conversamos aqui e entendemos que não vale o risco de passar pelo executivo, nesse caso concreto. Registra pros seus anais caso um dia vá brigar pela função de autoridade central rs", escreveu, deixando no ar a sugestão para que Aras se ocupasse do assunto se um dia comandasse o MPF ou o Ministério da Justiça. "E registra que a própria PF foi a primeira a dizer que não confia e preferia não fazer rs".

Vladimir insiste: "Já tivemos casos difíceis, que foram conduzidos com êxito".

"Obrigado, Vlad, mas entendemos com a PF que neste caso não é conveniente passar algo pelo executivo".

Vladimir responde que "A questão não é de conveniência. É de legalidade, Delta. O tratado tem força de lei federal ordinária e atribui ao MJ a intermediação".

Procurada pela reportagem, a Força-Tarefa da Lava Jato reiterou, através de nota, que "além dos pedidos formais por meio dos canais oficiais, é altamente recomendável que as autoridades mantenham contatos diretos. A cooperação inclui, antes da transmissão de um pedido de cooperação, manter contatos, fazer reuniões, virtuais ou presenciais, discutir estratégias, com o objetivo de intercâmbio de conhecimento sobre as informações a serem pedidas e recebidas". Leia a resposta completa no final desta reportagem.

 

Para a professora de direito penal e econômico na Fundação Getulio Vargas, Heloísa Estellita, o episódio é "lamentável". "Não temos notícia de como o procurador procedeu e se procedeu a alguma medida. Mas não deixa de ser lamentável que, mesmo corretamente orientado por colega especialista em cooperação internacional e zeloso pela legalidade, o procurador tenha manifestado que, em tese, preferiria outro caminho", avalia. "Como o procurador especialista alerta, a hipótese de circundar a autoridade competente poderia não só causar problemas institucionais no Brasil, como gerar descrédito para as instituições brasileiras perante autoridades estrangeiras".

Odebrecht: "O FBI já tem conhecimento total das investigações"

Naquele mesmo ano, alguns meses depois, a relação com a polícia americana voltaria a ser tema de debate entre os procuradores, desta vez pelo Chat Acordo ODE, onde discutiam o contrato de leniência com a construtora Odebrecht.

O tema da conversa, iniciada às 15:29:40 do dia 31 de agosto de 2016, era o sistema de informática My Web Day, que, assim como o Drousys, era usado pelo Setor de Operações Estruturadas, um departamento da Odebrecht que geria os pagamentos de propinas a políticos de vários países. Os membros da Lava Jato pediram informalmente ajuda ao FBI para quebrar as senhas de ambos os sistemas. O pedido foi feito em agosto de 2016, quase um ano antes da Lava Jato receber oficialmente os arquivos do Mywebday e Drousys a partir da assinatura do acordo de leniência com a Odebrecht, o que ocorreu em agosto de 2017, segundo reportagem de O Globo.

Naquele dia o procurador Paulo Roberto Galvão explicou que pediu auxílio do FBI para "quebrar" ou "indicar um hacker" para acessar o sistema My Web Day. Em resposta, o promotor Sérgio Bruno, que coordenava a Lava Jato em Brasília, afirma que o então Procurador Geral da República Rodrigo Janot chegou a ter uma reunião na embaixada americana para pedir ajuda com os sistemas criptografados da Odebrecht.

"O canal com o FBI é com certeza muito mais direto do que o canal da embaixada. O FBI tb já tem conhecimento total das investigações, enquanto a embaixada não teria", informa Paulo Roberto. "De minha parte acho útil manter os dois canais".

Depois, ele explica: "A nossa foi sim com o adido, porém o que fica em SP. O mesmo que acompanha o caso LJ".

 

As trocas entre FBI e a Lava Jato em relação ao sistema My Web Day continuaram nos meses seguintes, mas parecem ter sido infrutíferas. Em outubro de 2016, Paulo Roberto Galvão compartilhou no chat "Acordo Ode" uma resposta em inglês de David Williams, adido do FBI na embaixada americana, sobre as possibilidades indicadas pelos experts em criptologia do FBI.

A comunicação demonstra que o assunto já fora tratado, pessoalmente, com o procurador Carlos Bruno Ferreira, da Secretaria de Cooperação Internacional da PGR. "Se não me engano o assunto de baixo é o mesmo que o Carlos Bruno explicou para mim recentemente na despedida do Adido Frank Dick na embaixada do Reino Unido (certo Carlos?)", escreve, em português fluente, prometendo consultar os "cyber experts" do FBI. O problema é que o MywebDay usava uma poderosa criptografia que só podia ser descriptografada usando 3 componentes. E a Odebrecht dizia que tinha perdido dois deles, tendo apenas a senha. A criptografia usava o programa Truecrypt.

"Eu acho que em resumo o que eles estão falando é que sem os arquivos-chave, é impossível no cenário da Odebrecht destravar o volume do TrueCrypt apenas com uma senha", escreveu como resposta David Williams. "Eles podem fazer uma análise forense nas imagens que têm os dados do TrueCrypt, e fazer uma tentativa para localizar os outros arquivos-chave. Se essa análise é algo que você gostaria de receber assistência, avise-nos e podemos ver se é algo que o FBI pode tentar".

"Caros, na Suíça aparentemente o pessoal da Odebrecht disse q teria condições de abrir o sistema. Vamos entender melhor isso", encerra Paulo.

No final de 2016, a Odebrecht, junto com sua subsidiária Braskem – à época uma joint-venture com a Petrobras – fez um acordo com o DOJ pelo qual ambas concordaram em pagar uma indenização de no mínimo US$ 3,2 mil milhões aos EUA, Suíça e Brasil – total depois reduzido para US$ 2,6 mil milhões – por práticas de corrupção ocorridas fora dos EUA.

Procurada pela reportagem, a Lava Jato afirmou, através de nota, que "os dados do sistema Drousys, entregues ao MPF no bojo do acordo de leniência firmado pelo Grupo Odebrecht, já foram objeto de perícia submetida à avaliação do Poder Judiciário brasileiro e auxiliaram no fornecimento de provas a diversas investigações e acusações criminais". A resposta completa está no final da reportagem.

Porém, apenas em agosto de 2017 cinco discos rígidos com cópia de dados do software MyWebday foram entregues oficialmente aos procuradores da Lava Jato como parte do acordo, segundo reportagem de O Globo. Os arquivos para descriptografá-los continuavam desaparecidos – e mais uma vez a Lava Jato precisou da ajuda dos americanos.

Discutindo a reportagem do Globo, o procurador Roberson Pozzobon, colega de Dallagnol em Curitiba que chegou a negociar a abertura de uma empresa de palestras em sociedade com ele , reclamou: "Da forma como ele colocou, parece que não nos empenhamos (e ainda estamos nos empenhando) para buscar acessar essas informações (quando os dispositivos foram enviados até o FBI para ver se seria possível acessar sem as senhas)", escreveu ele no chat "Filhos do Januario 2 – SAIR" em 6 de fevereiro de 2018.

A colaboração com o FBI nas investigações em relação à Odebrecht levou a um dos maiores acordos assinados até então pelo DOJ com uma empresa internacional, no valor de US$ 2,6 mil milhões de multa.

Como a Odebrecht não é uma empresa de capital aberto e portanto não tem suas ações vendidas na bolsa nos Estados Unidos – como era o caso da Braskem – o acordo descreve algumas situações que estariam sob a jurisdição americana.

Por exemplo, a Odebrecht teria usado contas em bancos de Nova York para transferir dinheiro para contas Offshore em Belize e nas Ilhas Virgens Britânicas que, afinal, seria "em parte" usada para o pagamento de propina em países latino-americanos. O DOJ vai além. "A Odebrecht, os seus empregados e agentes, tomaram diversos passos enquanto nos Estados Unidos para aprofundar o esquema. Por exemplo, em 2014 e 2015, enquanto estavam em Miami, na Flórida, dois funcionários da Odebrecht tiveram condutas relativas a certos projetos dentro do esquema, incluindo reuniões com outros co-conspiradores para planejar ações a serem tomadas em conexão com a Divisão de Operações Estruturadas, a movimentação de produtos de crimes, e outras condutas criminosas".

Após ser alvo da Lava-Jato e de ter assinado acordo nos EUA, a Odebrecht passou a ser investigada em diversos países onde mantinha contratos na América Latina. Em junho de 2019, a empresa pediu recuperação judicial.

Segundo o jornal Miami Herald, foi justamente a crença de que o dinheiro lavado pelos membros do regime chavista – incluindo a propina da Odebrecht – acabou no mercado imobiliário do sul da Flórida que levou à criação no ano passado de um Esquadrão de Corrupção Internacional em Miami. O esquadrão é subjugado à Unidade de Investigação liderado por Leslie Backschies, a agente que fala português fluentemente e apoiou as 10 medidas contra a corrupção de Deltan e companhia, segundo as mensagens da Vaza Jato.

"Nós vimos presidentes derrubados no Brasil. Esses são os resultados de casos como esses"

A expressão usada por Leslie Rodrigues Backschies para descrever o impacto político das investigações do FBI sobre corrupção estrangeira é que são "politicamente sensíveis".

"Esses casos são muito sensíveis politicamente, não somente nos Estados Unidos mas no exterior", explicou a agente especial em entrevista à Associated Press . "Quando você está olhando para oficiais estrangeiros em outros governos — quer dizer, veja, na Malásia, o presidente não foi reeleito. Nós vimos presidentes derrubados no Brasil. Esses são os resultados de casos como esses. Se você está olhando para membros do alto escalão de governos, há muitas sensibilidades."

 

É por conta de tamanhas "sensibilidades" que, diferentemente de outros casos criminais, todos os casos de FCPA são dirigidos pela unidade especializada do Departamento de Justiça em Washington – mesmo que se tenham iniciado em um distrito distante da capital. O DOJ é chefiado pelo Procurador-Geral dos Estados Unidos, uma espécie de Ministro da Justiça, nomeado diretamente pelo presidente.

Segundo a reportagem da Associated Press, os supervisores do FBI se encontram com advogados do Departamento de Justiça a cada 15 dias para avaliar potenciais investigações e possíveis consequências políticas e econ.

Corrupção internacional vira prioridade

A mudança na carreira de Leslie acompanhou uma mudança de foco do Departamento de Justiça e do FBI na última década. A partir de uma percepção de que a lavagem de dinheiro ajudava o financiamento do terrorismo, os agentes americanos passaram a se dedicar cada vez mais a casos de corrupção transnacional e lavagem de dinheiro usando a legislação FCPA, que tem jurisdição ampliada para o mundo todo. Hoje, a maioria dos casos de FCPA não tem nada a ver com terrorismo.

A mudança trouxe dividendos para o DOJ e possibilitou uma renovada parceria com polícias e Ministérios Públicos de todo o continente americano. E se solidificou. Em 2017, pela primeira vez a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos – já sob o governo de Donald Trump – incluiu o "combate à corrupção estrangeira" como prioridade para a segurança interna dos cidadãos americanos.

Antes dele, a estratégia definida por Barack Obama em 2015 já mencionava a corrupção internacional como ponto de atenção – mas ela não tinha uma lista de "ações prioritárias".

 Em março de 2015, o FBI abriu três esquadrões dedicados à corrupção internacional em Nova York, Los Angeles e Washington, triplicando o número de agentes dedicados a investigar violações da FCPA e "crimes de cleptocracia" – foram de 10 agentes para 30 . Até o final de 2017 os recursos para o FBI investigar corrupção transnacional aumentaram em 300%, segundo o seu ex-chefe "Ren" McEachern .

O anúncio oficial explicava o foco na investigação de "cleptocracias", "oficiais estrangeiros que roubam dos tesouros dos seus governos às custas dos seus cidadãos" e afirmava ainda que os agentes do FBI iriam contar com "operações secretas, informantes e fontes", além de "parceria com nossas contrapartes internacionais – facilitada pela nossa rede de adidos legais situados estrategicamente ao redor do mundo".

A explicação de Leslie para o foco do FBI na corrupção internacional – e por que investigar empresas que cometeram corrupção fora dos Estados Unidos ajuda a melhorar a segurança dos cidadãos americanos – é rocambolesca. "Queremos que se cumpra a lei. Se a lei não é cumprida, você terá certas sociedades nas quais eles [os cidadãos] sentem que os governos deles são tão corruptos, que irão buscar outros elementos que são considerados fundamentais, que eles vêem como limpos ou algo contra o regime corrupto, e isso se torna uma ameaça para a segurança nacional [dos Estados Unidos]".

"Uma coisa quando eu falo com empresas, eu digo 'Quando você paga um suborno, você sabe onde o dinheiro está indo? Sua propina está indo para financiar terrorismo?'", completa, sem explicar como isso ocorre.

Em julho de 2019, Leslie Backschies participou de mais um evento para discutir corrupção internacional, dessa vez em Washington, DC, e desvendou mais uma atuação "sensível" da polícia americana no exterior. Segundo o site Market Insight a agente especial afirmou que o FBI tem a estratégia de valer-se de membros de governos de outros países para buscar investigar casos de FCPA.

Ela afirmou que, quando há uma mudança de regime, uma nova administração às vezes pede ajuda para investigar a corrupção no governo anterior. E quando um novo governo chega a um país, pode haver servidores restantes do governo anterior que querem relatar a corrupção.

A atuação do FBI em casos fora do seu território tem gerado diversas críticas entre juristas, que apontam que os Estados Unidos se comporta como "polícia do mundo".

"Eu tenho alguns clientes que quase nem tocaram nos Estados Unidos, e eles perguntam: até onde isso vai se estender? E, você sabe, até certo ponto, qual o interesse dos EUA?" questiona o advogado Adam Kauffman, um ex-procurador do distrito de Nova York que trabalhou com Sergio Moro na investigação sobre o caso Banestado, quando ele era juiz federal.

Ele deu uma entrevista à Agência Pública em Nova York em junho de 2019, antes do vazamento dos diálogos da Força-Tarefa. "Em muitos casos, quando o governo [americano] processa esses casos de corrupção, as pessoas admitem a culpa porque estão com medo, e conseguem um acordo bom, então o governo garante jurisdição sobre coisas que são muito tênues. Mas ninguém questiona isso, então se torna mais e mais comum e a jurisdição vai para mais e mais longe".

"Porque jurisdição", reflete Adam, "é como gravidez. Ou você tem ou você não tem. Você não pode ter um pouquinho de jurisdição e você não pode estar um pouquinho grávida. Onde está o limite?".

Respostas da Lava Jato

Procurada pela Pública, a força-tarefa da Lava Jato respondeu por email. Leia a íntegra das respostas a seguir:

Um dos diálogos vazados ao The Intercept Brasil atesta que em 31 de agosto de 2016 o FBI tinha "total conhecimento" das investigações feitas pela Lava Jato sobre a empresa Odebrecht. Como funcionava essa atuação do FBI em parceria com os investigadores da Lava Jato? Como se dava essa transmissão de informações?
Não se trata de atuação em parceria, mas de cooperação entre autoridades responsáveis pela persecução criminal em seus países, conforme determinam diversos tratados internacionais de que o Brasil é signatário. O intercâmbio de informações entre países segue igualmente normas internacionais e também leis brasileiras. Além dos pedidos formais por meio dos canais oficiais, é altamente recomendável que as autoridades mantenham contatos diretos. A cooperação inclui, antes da transmissão de um pedido de cooperação, manter contatos, fazer reuniões, virtuais ou presenciais, discutir estratégias, com o objetivo de intercâmbio de conhecimento sobre as informações a serem pedidas e recebidas.

A parceria com o FBI, que incluiu a busca de quebrar a criptografia do sistema Drousys, foi criticada por alguns advogados como um possível risco à soberania nacional por poder ser usada contra uma empresa brasileira por um governo estrangeiro. Qual é a posição da Lava Jato sobre isso?
Não recebemos da jornalista dados sobre a "busca de quebrar a criptografia do sistema Drousys", nem sobre "foi criticada por alguns advogados como um possível risco à soberania nacional por poder ser usada contra uma empresa brasileira por um governo estrangeiro". De todo modo, os dados do sistema Drousys, entregues ao MPF no bojo do acordo de leniência firmado pelo Grupo Odebrecht, já foram objeto de perícia submetida à avaliação do Poder Judiciário brasileiro e auxiliaram no fornecimento de provas a diversas investigações e acusações criminais.

Os diálogos demonstram ainda que em pelo menos uma ocasião o chefe da Lava Jato manteve contatos diretor com o DOJ em temas de extradição e cooperação internacional – uma atribuição do DRCI /MJ – e expressou a decisão de evitar passar pelo Executivo, no caso o Ministério da Justiça, durante o governo de Dilma Rousseff. Por que a Lava Jato preferia evitar a Autoridade Central e se comunicar diretamente com o Departamento de Justiça Americano? Esse tipo de postura não poderia prejudicar a imagem internacional das instituições brasileiras perante autoridades estrangeiras?
Conforme respondido no item "1", além dos pedidos formais por meio dos canais oficiais, é altamente recomendável que as autoridades mantenham contatos diretos. A cooperação inclui, antes da transmissão de um pedido de cooperação, manter contatos, fazer reuniões, virtuais ou presenciais, discutir estratégias, com o objetivo de intercâmbio de conhecimento sobre as informações a serem pedidas e recebidas.

A Lava Jato continua trocando informações e colaborando com o FBI em solo brasileiro? Existem ainda empresas brasileiras que são investigadas pelo FBI com base na legislação FCPA?
A força-tarefa da Lava Jato no Paraná não comenta sobre eventuais investigações em curso.

01/Julho/2020
LEIA TAMBÉM

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Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/brasil/fbi_lavajato_01jul20.html

Incêndios na Amazónia brasileira batem recorde de 13 anos em junho

01/07/2020
 

O Brasil registou 2.248 focos de incêndio na Amazónia em junho deste ano, a maior taxa registada para aquele mês desde 2007, informaram hoje fontes oficiais.

Dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão governamental que faz a monitorização da destruição da Amazónia no Brasil, indicaram uma subida de 19,57% nos focos de incêndios apenas em junho.

Entre maio e junho, nos dois primeiros meses da estação seca na maior floresta tropical do planeta, as imagens de satélite detetaram um total de 3.077 incêndios, 12,5% a mais do que nos mesmos meses do ano passado, segundo o INPE.

As organizações ambientais que atuam no país têm denunciado o aumento de incêndios florestais durante a estação seca na amazónia brasileira, que geralmente dura até setembro, após altas taxas de desflorestação atingirem a região no ano passado.

Numa nota publicada hoje em seu ‘site’, a Greenpeace frisou que mesmo com a deslocação de agentes do Exército brasileiro para a região, as queimadas na Amazónia registaram o maior número de focos de calor em junho, desde 2007.

A organização não-governamental mencionou que depois de muitas críticas o Governo liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro autorizou o emprego das Forças Armadas na Amazónia, mas esta resposta tem sido ineficiente para solucionar o problema das queimadas.

“Enquanto isso, órgão ambientais [do Brasil] que atuam de forma estratégica, com experiência e apoiados na ciência, vêm sofrendo redução drástica de autonomia, pessoal e orçamento, impactando fortemente suas operações de fiscalização, fundamentais para o combate da desflorestação”, frisou a Greenpeace.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/07/01/incendios-na-amazonia-brasileira-batem-recorde-de-13-anos-em-junho/

Como uma favela lotada de um milhão de pessoas barrou o coronavírus

 

Desde o início do surto de COVID-19, examinando a propagação, a taxa de infecções, a resposta internacional e como essas coisas variaram de nação para nação, temos uma fonte de muitos desacertos.

A novidade levou a todos os tipos de abordagens e suposições, mas talvez nada possa ser considerado mais surpreendente do que a contenção do vírus infame em uma das favelas mais movimentadas da Ásia – em Dhravai, Mumbai, onde um milhão de pessoas vivem em um bairro labiríntico de barracos bem fechados e casas de um cômodo onde o distanciamento social é impossível.

A maior cidade da Índia, Mumbai, é o epicentro do COVID-19 na Índia e registrou até agora 500.000 casos.

Mas, enquanto a cidade como um todo via seus leitos hospitalares com ocupação máxima, Dharavi, cenário do filme vencedor do Oscar “Quem quer ser um Milionário”, registrou apenas 2.000 casos e 79 mortes no total, com apenas 274 casos em junho.

Como eles fizeram isso?

Foi iniciada uma resposta proativa, com 2.450 profissionais de saúde designados para Dharavi que começaram a ir de porta em porta todas as manhãs às nove da manhã para testar as pessoas.

Depois que a primeira pessoa deu positivo na favela – um trabalhador de vestuário de 56 anos que morreu no mesmo dia – as forças-tarefa locais e civis identificaram as cinco áreas de maior risco da favela e começaram a caçar a doença, usando rastreamento de contato para encontrar pessoas em risco de serem infectadas.

No total, 47.500 pessoas foram testadas na salva de abertura. “Isso nos deu uma vantagem”, disse Anil Pachanekar, médico particular e chefe de uma associação local de médicos, ao LA Times. “Se [esses casos] tivessem escapado, teria causado estragos.”

Creditados por garantir as baixas taxas de infecção, esses profissionais de saúde de Mumbai enfrentaram calor e umidade severos, caminhando pelas ruas lotadas usando roupas de proteção para o corpo em plástico que não permitiam intervalos para o banheiro.

Juntamente com a doença, a força-tarefa encontrou a paranóia e conceitos errôneos sobre ela. “Quando percorremos Dharavi, também começamos a educar as pessoas sobre o assunto”, disse ele. “Dissemos a eles que não é crime ter um resultado positivo para o coronavírus”.

O medo é um assassino

Aliviar o medo do COVID-19 nas pessoas, principalmente no que se refere ao medo de visitar uma clínica ou consultório médico para exames, acabou sendo uma maneira muito eficaz de tratar a doença.

Em 20 de abril, dezenove dias após a exposição, os testes de porta em porta foram interrompidos e 350 clínicas particulares foram autorizadas a reabrir. Até então, os esforços de educação haviam valido a pena, e filas de pessoas que procuravam fazer o teste estavam se formando fora dos centros de testes.

Enquanto isso, as autoridades da cidade começaram a converter prédios como salões de casamento, escolas e centros comunitários em abrigos de quarentena com provisões de alimentos e assistência médica. As pessoas que deram positivo foram colocadas em quarentena em suas casas, enquanto os “guerreiros COVID” voluntários garantiam que as pessoas em quarentena pudessem obter os suprimentos médicos ou mantimentos de que precisavam.

Com menos de 20 mortes registradas na favela em junho, parece que o pior já passou para os moradores de Dharavi – mas o que está sendo chamado de “método Dharavi” é um modelo para o futuro.

Isso demonstra que nenhuma situação é terrível demais para a determinação e engenhosidade humana, e que mesmo as pessoas que vivem na miséria têm algo a ensinar ao mundo.

Com informações de Good news network

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/como-uma-favela-lotada-de-um-milhao-de-pessoas-barrou-o-coronavirus/

Mortes por "gripezinha" aumentam 191% no Centro-Oeste em junho e superam a média nacional

 

247 - Enquanto Jair Bolsonaro subestima os efeitos da pandemia do coronavírus, o número de mortes pela doença aumentou 191% entre 8 e 28 de junho no Centro-Oeste. O País como um todo teve alta de 54% no mesmo período. Foi o que apontou um levantamento do consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de saúde e divulgado no portal G1. Em 8 de junho, o Centro-Oeste tinha de 3% das confirmações de coronavírus no País. No dia 28 do mês passado o índice aumentou para 7%. A região abriga 7,8% da população brasileira, pouco mais de 16 milhões de habitantes.

Nesta semana o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decretou estado de calamidade pública por causa do coronavírus. Depois ele defendeu a reabertura econômica alegando que "restrições" já não servem para nada.

No Mato Grosso, a Justiça Federal determinou que prefeitos de 21 cidades adotassem o sistema "lockdown" (fechamento total).

Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (DEM) publicou um decreto determinando o fechamento de atividades não essenciais por 14 dias, a serem intercalados com igual período de funcionamento. As normas entraram em vigor na última terça (30).

Mesmo com números preocupantes da Covid-19, Bolsonaro subestimou a doença. No último dia 22, por exemplo, ele afirmou que "talvez tenha havido um pouco de exagero" na maneira como a pandemia foi tratada. Também chagou a classificar a doença como uma "gripezinha".

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que atualmente ocupa o posto de alta comissária da ONU para os direitos humanos, criticou a posição do governo brasileiro sobre a pandemia. "Preocupa-me que declarações que negam a realidade do contágio viral", disse.

Lula sobre o envolvimento do FBI na Lava Jato: “Eu não quero vingança. Quero Justiça"

 

247 -O ex-presidente Lula usou suas redes sociais na manhã desta quinta-feira (2) para se manifestar sobre o envolvimento do Departamento de Justiça dos EUA com a Lava jato, que foi revelado por uma reportagem da Agência Pública e do Intercept Brasil. “Eu não quero vingança. Quero Justiça”, afirmou Lula, que disse esperar que “em algum momento a Justiça leia os autos do meu processo para esclarecer a farsa que promoveram para me tirar do processo eleitoral de 2018”.

A matéria mostra como o FBI tinha conhecimento detalhado da operação da Lava Jato que destruiu a maior empresa de engenharia brasileira, a Odebrecht. Os diálogos obtidos revelam como Deltan Dallagnol escondeu da PGR a ação conjunta da força tarefa brasileira com o FBI, numa ação clandestina e ilegal.

“A gente vem denunciando há anos o envolvimento do Departamento de Justiça dos EUA na Lava Jato. Apontamos fatos concretos, que eles chamavam de teoria da conspiração. Agora isso está vindo à tona”, afirmou o ex-presidente Lula, acrescentando que “Dallagnol montou uma quadrilha com a Força Tarefa da Lava Jato e isso está ficando claro. Espero que em algum momento a Justiça leia os autos do meu processo para esclarecer a farsa que promoveram para me tirar do processo eleitoral de 2018”.

“Eu não quero vingança. Quero Justiça. Por isso nós entramos com um pedido de anulação do processo do Moro na Suprema Corte”, concluiu Lula.

Confira os tweets:

https://twitter.com/LulaOficial/status/1278662186999713793?ref_src=twsrc%5Etfw

 

https://twitter.com/LulaOficial/status/1278664911342776321?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Bolsonaro quer definir novo ministro da Educação nesta sexta-feira

 

247- Jair Bolsonaro afirmou a interlocutores do Palácio do Planalto que pretende escolher o novo ministro da Educação até a próxima sexta-feira (3), após Carlos Alberto Decotelli ter sua posse cancelada por causa de fraudes no currículo. Um dos nomes em debate para comandar o MEC é Hugo Napoleão, que esteve à frente da pasta de 1987 a 1989, no governo José Sarney. O ex-ministro aproximou-se de Bolsonaro quando os dois eram deputados e estaria sendo considerado por aliados um amigo dele.

Na última segunda-feira (29) foi reveladoque Decotelli não estudou por dois anos na Universidade de Wüppertal, na Alemanha, como divulgado pelo MEC.

No dia 26, o reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, Franco Bartolacci, negou pelo Twitter que Decotelli da Silva tenha doutorado na instituição.

 

Vaza Jato revela os 13 agentes do FBI que atuaram com Dallagnol contra as empresas brasileiras

 

Natalia Viana e Rafael Neves,Agência Pública/The Intercept Brasil - São de dois tipos os agentes do FBI que atuaram na Lava Jato em solo brasileiro. Alguns são figuras públicas, dão entrevistas e aparecem cada vez mais frequentemente em eventos elogiando o trabalho da força-tarefa e dando conselhos a corporações sobre como seguir a lei americana.

Outros tiveram atuação temporária e são conhecidos por apelidos ou nomes tão comuns que é muito difícil encontrar algo sobre eles em fontes abertas na internet. Essa é uma prática comum nos escritórios do FBI no exterior, para evitar a exposição de agentes que realizam operações secretas ou controversas em território estrangeiro. Hoje, a agência mantém escritórios em embaixadas de 63 países e sub-escritórios em 27. Em 2011, o FBI empregava 289 agentes e pessoal de apoio nesses escritórios no exterior.

Embora as duas maiores investigações de casos de corrupção originados na Lava Jato pelo Departamento de Justiça (DOJ) americano já tenham terminado, com os acordos bilionários da Odebrecht e Petrobras, o FBI ainda tem muito a fazer para investigar corrupção no Brasil, nas palavras do atual chefe do FBI no país, David Brassanini, em palestra no 7º Congresso Internacional de Compliance, em maio de 2019, em São Paulo. A cooperação foi descrita como “fluida, sem problemas e transparente”, pois seus agentes já tinham familiaridade com a cultura e a sociedade brasileiras. “A habilidade de desenvolver e entender as peculiaridades locais é grande. Não só a questão da língua, mas em entender realmente como o Brasil funciona, entender as nuances”, afirmou. Brassanini relatou também, no mesmo evento, que agentes do FBI vêm a São Paulo “toda semana para tratar de diferentes casos que envolvem FCPA e lavagem de dinheiro”.

Com base em documentos da Vaza Jato entregues ao The Intercept Brasil e apuração em fontes abertas, a Agência Pública localizou 12 nomes de agentes do FBI que investigaram os casos da Lava Jato lado a lado com a PF e a Força-Tarefa, além da agente Leslie Backschies, que hoje comanda o esquadrão de corrupção internacional do FBI. E descobriu que essas investigações viraram símbolo de parceria bem sucedida e levaram à promoção diversos agentes americanos. Segundo um ex-promotor do Departamento de Justiça americano contou à Pública, a presença de agentes do FBI no Brasil foi fundamental para o governo americano concluir suas investigações sobre corrupção de empresas brasileiras.

Com base na lei americana Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), o Departamento de Justiça investigou e puniu com multas bilionárias empresas brasileiras alvos da Lava Jato, entre elas a Petrobras e a Odebrecht.

Embora haja policiais lotados legalmente na embaixada em Brasília e no consulado em São Paulo, é proibido a qualquer polícia estrangeira realizar investigações em solo brasileiro sem autorização expressa do governo brasileiro, já que polícias estrangeiras não têm jurisdição no território de outros países.

 

A colaboração do FBI com a Lava Jato teve início em 2014 e foi fortalecida em 2015 e 2016, quando o foco da operação eram Odebrecht e Petrobras. Em 2016, a Odebrecht aceitou pagar a maior multa global de corrupção até então: US$ 2,6 bilhões a Brasil, Suíça e EUA. A parcela devida às autoridades americanas, no valor total de US$ 93 milhões, foi paga à vista. Hoje, a empresa está em processo de recuperação judicial.

Em 2018, a Petrobras aceitou pagar a maior multa cobrada de uma empresa pelo Departamento de Justiça americano: US$ 1,78 bilhão.

“O que ocorre no Brasil está mudando o modo como olhamos os negócios e a corrupção no mundo inteiro”, afirmou um dos maiores defensores da cooperação com os Estados Unidos, George “Ren” McEachern, em entrevista à Folha de S. Paulo em fevereiro de 2018, sob o título “Curitiba mandou a mensagem de que o Brasil está ficando limpo”.

 

“Ren” McEachern chefiou a Unidade de Corrupção Internacional do FBI até dezembro de 2017 e supervisionou o grosso das investigações da Lava Jato em nome do Departamento de Justiça americano. Segundo os documentos vazados ao The Intercept Brasil e analisados em parceria com a Agência Pública, ele esteve na primeira delegação de investigadores americanos que esteve em Curitiba em outubro de 2015, sem autorização do Ministério da Justiça, conforme revelamos nesta reportagem.

Ren nunca escondeu sua participação nos casos ligados à Lava Jato. “Você precisa compartilhar informações [com outros países]. Porque agora todos os negócios são globais. Uma empresa que paga propina no Brasil paga também em outros países”, disse à Folha em fevereiro de 2018. Pouco antes, Ren deixara o FBI para passar ao setor privado. Na empresa de consultoria Exiger, ele viaja o mundo para ensinar métodos de “compliance” a leis anticorrupção para empresas evitarem investigações como as que ele liderava no FBI.

Em 2015, “Ren” foi o grande responsável pela ampliação do foco do FBI em corrupção internacional, com a abertura de três esquadrões dedicados a isso, em Nova York, Washington e Los Angeles. No seu perfil no site da Exiger, é descrito como aquele que “desenvolveu e implementou uma nova estratégia global proativa no FBI para investigar crimes financeiros complexos e temas de corrupção. Essa nova estratégia foi coordenada proximamente com o DOJ e a SEC [a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA]. Além disso, representou um aumento de quase 300% em novos recursos anticorrupção para o FBI”. O plano misturava investigações proativas por parte de polícias dedicadas a decifrar a corrupção internacional com tecnologia e análises de ponta sobre temas financeiros.

“Por volta de 2014, 2015, o FBI estava buscando maneiras de ser mais proativo nas investigações sobre corrupção internacional”, disse ele em uma conferência em Nova York sobre “o mundo após a Lava Jato”, em novembro de 2019. “Então começamos a olhar para países que poderiam convidar agentes do FBI até o país para analisar investigações de corrupção que tivessem um nexo com os Estados Unidos, em jurisdições como FCPA e lavagem de dinheiro”.

Foi assim que o FBI se engajou na Lava Jato.

“O timing foi simplesmente perfeito”, disse ele. “Nós estávamos ajudando em casos que tinham uma conexão com os EUA, mas eles [os procuradores da Lava Jato] eram realmente muito avançados e estavam usando técnicas muito sofisticadas e inteligentes”.

Uma das maiores lições que Ren diz ter adotado após a parceria com a Lava Jato foi a criação de equipes com agentes especializados que trabalham “proativamente” em casos de corrupção internacional. O caso da Petrobras, segundo ele, marcou um nível sem precedentes de “compartilhamento de inteligência, compartilhamento de evidência certificada”. “Aquilo foi uma grande mudança”, diz.

Fora do FBI, a agenda de “Ren” está cheia de eventos sobre “compliance” contra corrupção – muitos deles financiados por empresas que vendem ou compram tais serviços. Desde 2015, ele esteve em simpósios em Hong Kong, Polônia, China, Noruega, Holanda, Espanha, Inglaterra e Brasil. Entre os patrocinadores destes eventos estão a consultoria PriceWaterhouse Coopers, a associação de importadores e exportadores de armas Fair Trade Group, o conglomerado de mídia Warner Brothers, as médico-farmacêuticas Pfizer e Johnson&Johnson e a fabricante de armas militares Raytheon.

No Brasil, o ex-agente especial foi palestrante no 4o Annual International Compliance Congress and Regulator Summit, financiado pela agência de notícias Thomson Reuters em São Paulo em maio de 2016. Aproveitou a vinda ao país para dar uma palestra a 90 membros do Ministério Público Federal de São Paulo. Na ocasião, enalteceu a cooperação internacional e explicou que, no Brasil, o FBI “oferece suporte técnico a investigações, em relação a criptografia, telefonia móvel e dados em nuvem, com um analista cibernético sediado em Brasília”.

O escritório do FBI fica na embaixada americana, na capital brasileira.

Procurado pela Pública, Ren afirmou que decidiu não falar mais publicamente sobre sua carreira no FBI e seu trabalho no Brasil.

Agentes quase anônimos

Quando veio na primeira delegação para negociar com os delatores das Lava Jato, em outubro de 2015, Ren estava acompanhado pela tradutora Tania Cannon e por outros agentes do FBI. Um deles, Jeff Pfeiffer, veio de Washington, onde é lotado desde 2002 e trabalha em casos de corrupção, segundo seu perfil no LinkedIn.

Formado em contabilidade e administração, o agente foi designado dois anos depois, em 2017, como assistente do procurador Robert Mueller na investigação sobre interferência russa nas eleições americanas. Pfeiffer investigou o chefe da campanha de Donald Trump, Paul Manafort, acusado de esconder contas bancárias no exterior, fraude bancária e conspiração para lavar mais de 30 milhões de dólares, além de tentar obstruir a Justiça, segundo o policial afirmou perante um tribunal em 2019.

Outro agente que esteve na comitiva de 2015 foi apresentado oficialmente à Lava Jato como Carlos Fernandes, um nome tão comum que é impossível encontrar referências a ele.

O FBI ainda enviou para Curitiba dois membros do escritório em Brasília, o adido legal Steve Moore e o adido-adjunto David F. Williams.

Williams aparece algumas vezes em comunicação direta com procuradores da Lava Lato nos diálogos vazados ao The Intercept Brasil. Foi ele quem atendeu ao pedido feito, em setembro de 2016, pelos procuradores Paulo Roberto Galvão de Carvalho e Carlos Bruno Ferreira da Silva, para verificar se o FBI conseguiria quebrar o sistema MyWebDay através do qual os funcionários da Odebrecht administravam as propinas pagas em diversos países, conforme revelamos na reportagem “o FBI e a Lava Jato”.

Olimpíadas de 2016 e Copa do Mundo em 2014

Já Steve Moore foi o chefe do escritório do FBI no Brasil entre agosto de 2014 e agosto de 2017, comandando a equipe de agentes lotados em São Paulo e Brasília. De acordo com sua página do LinkedIn, aposentou-se em 2018, após 22 anos trabalhando no FBI, onde obteve “extensa experiência internacional em fraudes internacionais complexas, corrupção, FCPA, antitruste, AML, investigações internas sensíveis, e investigações cibernéticas”. No seu perfil profissional ele declara ter “experiência significativa” em planejamento de segurança para megaeventos.

Essa experiência foi adquirida no Brasil. Steve chegou ao país no final da Copa do Mundo e coordenou o FBI durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, desenvolvendo uma relação próxima com alguns agentes da polícia federal. Certa feita, questionado pelo jornal USA Today sobre como o FBI treinava uma polícia que “há muito tempo é maculada com corrupção e laços com organizações criminosas em todo o país”, ele respondeu que trabalhava com brasileiros “cuidadosamente selecionados e treinados pelos EUA há muitos anos”, reduzindo o risco de informações sensíveis caírem em mãos erradas. “A chave para isso é que nós trabalhamos proximamente com a Polícia Federal brasileira e compartilhamos informações com as suas unidades especializadas”, afirmou ao jornal.

Tudo indica que foi Moore quem escreveu o memorando que iniciou a Operação Hashtag, deflagrada pela PF apenas 15 dias antes da Olimpíada. A Operação Hashtag acabou com a prisão de oito suspeitos de planejar um atentado que jamais chegou a ser planejado, conforme mostrou uma reportagem da Agência Pública. As prisões demonstraram força do governo de Michel Temer (MDB) logo após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Um dos suspeitos morreu linchado no presídio, acusado de terrorista.

Na época, o FBI deu a dica à PF, mas não detalhou como obteve as informações – se foram investigações realizadas dentro ou fora do território nacional.

O memorando de 6 de maio de 2016 vazado ao Blog do jornalista Fausto Macedo não traz o nome de Steve Moore, mas descreve a autoria: “adido legal do FBI”. O documento traz nomes e detalhes sobre os suspeitos que seriam depois investigados pela PF e gerariam a única condenação até hoje pelo crime de terrorismo no Brasil.

Também presente na comitiva sigilosa do FBI a Curitiba, em Outubro de 2015, “Chris” Martinez voltava ao Brasil depois de um período de ausência, já que ela também atuou na Copa do Mundo. Christina Martinez – seu nome completo – ocupou o cargo temporário de Especialista em Treinamento e Relações Cívicas, em Brasília, no período anterior à Copa do Mundo de 2014.

Christina foi a responsável pelo programa de treinamento do FBI, ministrado com outras agências americanas, a 837 policiais das 12 cidades-sede. Os cursos iam de investigação digital a relacionamento com a mídia e como lidar com protestos, segundo revelou a Agência Pública em 2014. Antes disso, entre outubro de 2010 e março de 2013, ela foi assistente de operações do Adido Legal na embaixada em Brasília, função que ocupava quando visitou, em março de 2012, centros de treinamento da Polícia Militar de São Paulo, ao lado de Leslie Rodrigues Backshies, hoje chefe da Unidade de Corrupção Internacional do FBI.

Christina Martinez também tem uma página no LinkedIn, onde lista sua experiência em realizar treinamentos em nome do FBI há mais de 17 anos – além do Brasil, teve cargos temporários na Cidade do México e em Buenos Aires. Antes de vir ao Brasil pela primeira vez, Chris havia sido técnica do FBI em vigilância eletrônica em local não especificado durante mais de 8 anos.

Outro integrante da comitiva que foi à sede da Força-Tarefa da Lava Jato em Curitiba em outubro de 2015 foi Mark Schweers. Mark retornou no ano seguinte, em julho de 2016, em uma nova comitiva do DOJ ao Brasil para conduzir interrogatórios em Curitiba e no Rio de Janeiro. Na sede da Procuradoria da República, no centro do Rio, essa comitiva interrogou os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa durante nove horas cada. Em Curitiba, inquiriram o doleiro Alberto Yousseff ao longo de seis horas.

Mark Schweers não tem página no LinkedIn. A única referência a um agente do FBI com o mesmo nome encontrada pela reportagem refere-se a um agente especializado em investigar gangues em Oklahoma nos anos 90.

Além dele, participaram dos interrogatórios no Rio de Janeiro em julho de 2016 uma agente cujo nome está registrado como Becky Nguyen. Trata-se de nome comum, de origem vietnamita. Há pelo menos três pessoas com o mesmo nome nas redes sociais – nenhuma é a agente do FBI.

Duas intérpretes, Tania Cannon e Elaine Nayob, também participaram das comitivas que vieram ao Brasil em 2015 e 2016. Tânia esteve nas duas. Na sua página do LinkedIn, ela se descreve como tradutora e intérprete do Departamento de Justiça americano.

Os documentos entregues ao The Intercept Brasil mencionam ainda dois agentes especiais do FBI que atuaram proximamente com investigadores brasileiros a partir do consulado em São Paulo em 2016: June Drake e Patrick T. Kramer.

Há pouca informação sobre a agente June. Segundo os diálogos vazados, o adido-adjunto do FBI David Williams buscou mais informações com June para discutir a possibilidade do FBI ajudar a quebrar a criptografia do sistema MyWebDay, que reunia contabilidade de propinas da Odebrecht. “Através de explicações adicionais fornecidos pelo Patrick e June (do FBI em São Paulo) eu acho que entendemos bem a situação e já passei a pergunta para alguns peritos de ciber no FBI. Carlos, se você gostaria de fazer uma reunião em Brasilia comigo (ou nosso Adido Steve Moore, dependendo da data da reunião) nos podemos encontrar rapidinho para conversar mais”, escreveu o adido legal, por email, ao procurador Carlos Bruno Ferreira da Silva, em setembro daquele ano.

Já a trajetória de Patrick T. Kramer revela um super agente que desde muito jovem atuou em missões de inteligência e investigações complexas. A se considerar o seu perfil público no LinkedIn, sua vida daria um filme.

Durante os anos universitários, Patrick se graduou em espanhol e estudou português do Brasil na Universidade de San Diego, na Califórnia. No final da década de 80, começou sua carreira como marinheiro da II Força Expedicionária, tendo atuado na Operação Tempestade no Deserto, na Arábia Saudita, durante a Guerra do Golfo nos anos de 1990 e 1991, como oficial de comunicação. Nos anos seguintes, fez parte da 300ª brigada de Inteligência Militar e do Special Forces Group (Airborne) em Camp Williams, Utah, capitaneando uma equipe de análise linguística em espanhol para apoiar investigações anti-narcóticos.

Em 2002, já no FBI, investigou cartéis de drogas mexicanos próximos à fronteira do Texas. Depois, debruçou-se sobre membros de gangues em Porto Rico. A partir de 2008, passou a investigar crimes financeiros como fraudes e lavagem de dinheiro, e em 2010 assumiu durante dois meses uma posição temporária na capital da Geórgia, ex-integrante da União Soviética. Pouco antes, estudara russo na Universidade de San Diego.

Promovido, Patrick passou a ser supervisor do FBI em Washington, onde coordenou investigações sobre fraudes em seguros de saúde, tornando-se especialista no tema.

Em 2016, o agente foi enviado para uma posição temporária durante 6 meses como adido-adjunto no consulado de São Paulo, “facilitando e coordenando” temas para a Unidade de Corrupção Internacional do FBI chefiados por Ren McEachern. Neste cargo, ele “conduziu extensiva coordenação e relacionamento com a Polícia Federal brasileira, Minstério Público Federal, a Unidade de Corrupção e o Departamento de Justiça americano temas de preocupação mútua no aprofundamento dos interesses do Brasil/EUA”, segundo sua descrição no LinkedIn. Era responsável pelo “gerenciamento, coordenação, implementação e execução de estratégias operacionais e investigativas sob responsabilidade do adido legal de Brasília”.

Sua passagem foi tão bem sucedida que em junho do ano passado ele retornou ao país, mas desta vez como adido legal-adjunto na embaixada em Brasília, cargo que ocupa até o momento. Patrick passou os primeiros meses fazendo contatos com agentes de segurança. Foi convidado a falar, por exemplo, no dia 29 de agosto de 2018 na inauguração da nova sede da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), no Lago Sul, em Brasília.

No dia 19 de outubro do mesmo ano, participou do II Seminário Nacional dos Agentes de Segurança do Poder Judiciário Federal, em Maceió.

E no dia 28 de outubro visitou, ao lado do assessor Jurídico do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América, Rodrigo Dias, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça, órgão responsável por assinar os acordos de cooperação jurídica com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O objetivo do encontro foi apresentar uma nova lei americana, recentemente promulgada, Cloud Act, que prevê acordos bilaterais com países para a troca de informações coletadas no ambiente virtual.

Lula: o mercado quer manter Bolsonaro e está adorando a política de destruição do Estado brasileiro

 

247 –O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais uma vez sepultou as ilusões daqueles que acreditam em frentes amplas com as mesmas forças que pretendem apenas civilizar Jair Bolsonaro, mas sem retirá-lo do poder. "Não se enganem: o mercado quer manter o Bolsonaro. Só querem que ele seja mais ameno e pegue um pouco mais leve com a Globo. Mas eles estão adorando a política de destruição do Estado", afirmou o ex-presidente, em diálogo com Leonardo Boff.

Lula fez sua declaração no mesmo dia em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos principais articuladores do golpe de 2016, defendeu a permanência de Jair Bolsonaro na presidência.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, disse que não votou em Jair Bolsonaro. “Pela primeira vez na vida, anulei o voto”, afirmou em entrevista à CNN. O tucano, porém, novamente se posicionou contra o impeachment, logo depois de falar sobre uma frente: "O objetivo político não deve ser derrubar quem foi eleito. Temos que ter paciência histórica".

Na entrevista, ele disse também que a democracia é “um regime de inclusão” e que “Bolsonaro quer frequentemente excluir, mas não tem uma proposta para construir a nação”.

“Eu sei que há críticas de direita e de esquerda ao meu comportamento. Eu sei que é difícil haver posições de equilíbrio em um mundo polarizado”, destacou. “Mas polarização cansa também, chega um momento que precisa de um pouco mais de juízo”, continuou. “É preciso dar de novo confiança aos brasileiros para o Brasil”. Segundo ele, a solução para isso seria “juntar todo mundo para encontrar o caminho”.

“Esse governo está isolado, é insolente”, ressaltou o ex-presidente, que também criticou as diversas saídas dos ministérios, principalmente dos ministros da Saúde “em plena pandemia”. Sobre a saída do terceiro ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, FHC afirmou que isso “compromete muito” a situação do País. Na Educação, “tem que ter uma pessoa sensata”, reforçou.

FHC também fez críticas ao ex-presidente Lula. "Essa ideia de ir para o poder matou também ao meu ver a possibilidade real do PT de chegar ao poder porque ninguém chega sozinho. Agora mesmo o Lula saiu da prisão e em vez de ter aprendido um pouco mais com a vida ele quer voltar ao passado. Ele acha que repetir o que aconteceu com ele mesmo, quer dizer, ele se marca por ser contra. Não é o momento. O momento agora é ser a favor da população e de um caminho para o Brasil", declarou.

Lula comenta revelação de que Lava Jato trabalhou para os EUA: o objetivo era a Petrobrás

 

247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre a reportagem da agência Pública e do Intercept, publicada nesta quarta-feira, 1, sobre a cooperação ilegal de agentes do FBI com a operação Lava Jato.

Pelo Twitter, Lula destacou que o interesse dos Estados Unidos sempre foi a Petrobras. "Era o Pré-Sal. E as empresas brasileiras que estavam ganhando licitações das empresas dos EUA no Oriente Médio. Um dia essa história vai ser contada em toda sua verdade", afirmou o ex-presidente.

A reportagem revela a proximidade do FBI com a Polícia Federal durante a Lava-Jato. O procurador Deltan Dallagnole a Polícia Federal preferiram tratar de extradição diretamente com americanos, burlando a legislação brasileira. “Entendemos que não vale o risco de passar pelo executivo", diz Deltan em mensagens vazadas ao Intercept.

 

Brasil ultrapassa a marca de 60 mil mortes por COVID-19, informa Ministério da Saúde

A Organização não Governamental (ONG) Rio de Paz faz protesto com o propósito de chamar atenção para o elevado número de mortes provocadas pelo novo coronavírus e para a má gestão no enfrentamento da crise gerada pela COVID-19.
© Folhapress / André Melo Andrade/Immagini

De acordo com o balanço do Ministério da Saúde divulgado nesta quarta-feira (1º), o Brasil ultrapassou a marca de 60 mil mortes pela COVID-19.

De acordo com a pasta, 1.016 mortes foram registradas nas últimas 24 horas, chegando a um total de 60.610 óbitos por COVID-19 no país.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o governo informou que 46.712 casos de coronavírus foram registrados desde ontem. Foi o terceiro maior índice de novos casos em 24 horas durante o período da pandemia.

https://twitter.com/minsaude/status/1278434440021229575?ref_src=twsrc%5Etfw

De acordo com a Universidade Johns Hopkins, que monitora os casos de coronavírus no mundo, o Brasil só fica atrás dos EUA em número absoluto de mortos.

Estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que mais de 500 mil pessoas morreram de COVID-19 em todo o mundo. ​

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020070115781096-brasil-ultrapassa-a-marca-de-60-mil-mortes-por-covid-19-informa-ministerio-da-saude/

FHC diz que não votou em Bolsonaro, mas é contra "derrubar quem foi eleito"

(Comentário:

É pena que este ex-presidente e ex membro da 'radical' Teoria da Dependência não tenha tido identica posição aquando do golpe que depôs a presidenta Dilma Roussef)

 

247 -O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, disse que não votou em Jair Bolsonaro. “Pela primeira vez na vida, anulei o voto”, afirmou em entrevista à CNN. O tucano, porém, novamente se posicionou contra o impeachment, logo depois de falar sobre uma frente: "O objetivo político não deve ser derrubar quem foi eleito. Temos que ter paciência histórica".

Na entrevista, ele disse também que a democracia é “um regime de inclusão” e que “Bolsonaro quer frequentemente excluir, mas não tem uma proposta para construir a nação”.

“Eu sei que há críticas de direita e de esquerda ao meu comportamento. Eu sei que é difícil haver posições de equilíbrio em um mundo polarizado”, destacou. “Mas polarização cansa também, chega um momento que precisa de um pouco mais de juízo”, continuou. “É preciso dar de novo confiança aos brasileiros para o Brasil”. Segundo ele, a solução para isso seria “juntar todo mundo para encontrar o caminho”.

 

“Esse governo está isolado, é insolente”, ressaltou o ex-presidente, que também criticou as diversas saídas dos ministérios, principalmente dos ministros da Saúde “em plena pandemia”. Sobre a saída do terceiro ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, FHC afirmou que isso “compromete muito” a situação do País. Na Educação, “tem que ter uma pessoa sensata”, reforçou.

FHC também fez críticas ao ex-presidente Lula. "Essa ideia de ir para o poder matou também ao meu ver a possibilidade real do PT de chegar ao poder porque ninguém chega sozinho. Agora mesmo o Lula saiu da prisão e em vez de ter aprendido um pouco mais com a vida ele quer voltar ao passado. Ele acha que repetir o que aconteceu com ele mesmo, quer dizer, ele se marca por ser contra. Não é o momento. O momento agora é ser a favor da população e de um caminho para o Brasil", declarou.

Bolsonaro subestimou a COVID-19 e Brasil paga a conta, avalia chefe da Cruz Vermelha

Presidente Jair Bolsonaro carrega uma criança em suas costas em ato a favor do seu governo em Brasília
© AP Photo / Andre Borges

O presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Francesco Rocca, declarou que o presidente Jair Bolsonaro subestimou a pandemia do novo coronavírus, e agora a população paga o preço, com mais de 1,4 milhão de casos e quase 60 mil óbitos até o momento.

"[Bolsonaro] subestimou as consequências da COVID, e seu país está vivendo as consequências", disse o italiano em um briefing virtual organizado pela associação de correspondentes da ONU em Genebra, na Suíça.

De acordo com o chefe da Cruz Vermelha, o Brasil não foi o único país a debater se os interesses econômicos superam a saúde e a vida das pessoas, mas a retórica em Brasília "tem sido mais divergente".

"E agora os resultados estão diante dos olhos do mundo inteiro", acrescentou Rocca.

Bolsonaro quebrou regularmente as medidas de distanciamento social em vigor no país, dando apertos de mão e abraços em atos a seu favor, realizando caminhadas para encontrar populares e comer cachorros-quentes, e frequentando clubes de tiro.

O presidente, que famosamente comparou o vírus a uma "gripezinha", criticou as medidas adotadas pelas autoridades estaduais e municipais para combater a COVID-19, argumentando que o fechamento de negócios e as medidas para ficar em casa estão destruindo desnecessariamente a economia.

 

Presidente dos EUA, Donald Trump, na sala do gabinete da Casa Branca em Washington, EUA, 15 de junho de 2020

© REUTERS / Leah Millis
Presidente dos EUA, Donald Trump, na sala do gabinete da Casa Branca em Washington, EUA, 15 de junho de 2020
"Se a comunidade científica está dizendo que é importante evitar apertar as mãos e usar máscaras, acho que os líderes devem seguir e ouvir", apontou Rocca, destacando que os líderes "não apenas no Brasil e nos EUA [...] foram irresponsáveis", ressaltando que "até o vírus foi politizado, e isso é ridículo".

"Os políticos devem aprender a falar com uma só voz. Os políticos devem começar a aprender a seguir os conselhos vindos da comunidade científica", sentenciou o chefe da Cruz Vermelha.

Com mais de 511 mil mortes e mais de 10,5 milhões de infecções conhecidas em todo o mundo, a pandemia do novo coronavírus "está longe de acabar" e "o pior está por vir", alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os EUA são o país mais atingido, respondendo por um quarto dos casos e mortes globais, seguidos pelo Brasil, que conta quase 60 mil mortes em mais de 1,4 milhão de casos. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, a situação nas Américas pode se agravar até outubro nas Américas, chegando a 400 mil, caso a aceleração do vírus prossiga na atual velocidade.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020070115780871-bolsonaro-subestimou-a-covid-19-e-brasil-paga-a-conta-avalia-chefe-da-cruz-vermelha/

Brasil registra 1.280 mortes por coronavírus em 24 horas e chega perto de 60 mil

 

247 -O Brasil registrou 1.280 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, informou o Ministério da Saúde. O País contabiliza 59.594 óbitos pela Covid-19 desde o início da pandemia.

Além disso, o Brasil ainda registrou mais 33.846 novos casos da doença, chegando ao total de 1.402.041 infectados, dentre os quais 790 mil já se recuperaram. Com a subnotificação pela falta de testes no País, esses números, na realidade, podem ser ainda maiores. Os dados são os oficiais, divulgados pelo Ministério da Saúde do governo federal.

Países, Estados e municípios que relaxam cedo demais as medidas de restrição impostas para conter o novo coronavírus podem ser inundados com novos casos de Covid-19, alertou a diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, Carissa Etienne, nesta terça-feira, em uma entrevista coletiva por videoconferência.

A ocupação dos leitos destinados para pacientes adultos infectados pelo vírus na rede pública do Distrito Federal chegou a 100% na madrugada desta terça-feira (30). Segundo relatório elaborado pelo sistema de regulação de vagas em UTIs da Secretaria de Saúde, ao menos 15 pacientes aguardavam por uma vaga.

Já no Rio de Janeiro, enquanto o estado passa da marca das 10 mil mortes por coronavírus, o governador Wilson Witzel corta vagas de profissionais da área da saúde.

Confira os números:

Casos Covid

 

Números Covid por estado

O sólido edifício da democracia

 

Pedro Marin

 

Abri com espanto a Folha de São Paulo do último domingo. Manchetes em defesa da democracia para lá e para cá e a campanha “use amarelo pela democracia” (em referência à campanha pelas Diretas) por um instante me fizeram imaginar que um golpe tivesse triunfado na noite anterior sem que eu notasse. Até a máxima “um jornal a serviço do Brasil” aparecia diferente; “Folha de S. Paulo, um jornal a serviço da democracia”. No editorial, o título “Democracia, nunca menos” anunciava que “é sólido o edifício da jovem democracia brasileira”, já que “vultosa maioria, de 75%, hoje considera essa a melhor forma de governo”.

Tomo o tempo do leitor para fazer algumas observações imprescindíveis nestes tempos. Começo pelo editorial: é simplesmente mentiroso afirmar que “é sólido o edifício da jovem democracia brasileira”. Se assim afirma o jornal, sou obrigado a responder que, num paradoxo, a solidez do edifício se assenta em uma estrutura corroída e arcaica. Retomo os argumentos da semana passada (que nesta revista são argumentos toda semana, todo segundo): a sólida democracia deixa para trás, há décadas, centenas de milhares de pessoas inconstitucionalmente presas. Deixa para trás, também inconstitucionalmente, os direitos sociais de milhões – são quase 13 milhões de desempregados baixo uma Constituição que assegura o direito ao emprego a todos os seus cidadãos. Não perderei tempo falando de benesses como lazer, segurança e saúde, porque o corroído-sólido edifício aparentemente é, ainda mais, torto. Torto porque o ferro se conformou em um amassa-e-empurra na década de 80, pelo qual passávamos a um regime formalmente democrático sem deixar para trás a ditadura. Não houve punição; houve anistia – geral, ampla, irrestrita. Tão ampla que, como disse também na semana passada,possibilitou que um general tutelasse artigos da nova Constituição – o mesmo general, mais tarde, ameaçaria presidentes com informações recolhidas pelo serviço de inteligência e reunidas no infame “ORVIL”, contrário de “livro” que trazia um apanhado de informações sobre o passado de políticos durante a ditadura. Se um ousado imaginou que, depois de 21 anos de regime militar, um processo constituinte reformaria o Exército, teve de conciliar-se com o fato de que foi o Exército que acabou por reformar a constituinte. 

Mas caberia perguntar, já que demonstrativo da solidez democrática, o que exatamente a “vultosa maioria de 75%” entende por “democracia”. Mais grave: o que a Folha entende disso? No editorial, o jornal reconhece que apoiou, “num primeiro momento”, o “novo regime” de 1964, e que errou por fazê-lo. Diz que “viu-se rapidamente engalfinhado pelo novo sistema de poder, perdendo a capacidade de reagir antes mesmo de percebê-lo.” Como é vulgar, a História; termo me falta para os jornais. Erraram em 1964, admitem-no em 2020, esquecem-se de 2016 quando percebem-se “engalfinhados pelo novo sistema de poder”. Lucraram nos papéis – de ações – pelas manchetes no papel-jornal que estampavam naquele ano, alinhados a senhores como Michel Temer e Eduardo Cunha. Hoje imprimem o receio frente a um pesadelo, esquecendo-se das brutalidades que prestigiaram durante o dia, e que agora, à noite, vêm assombrá-los.

Dizia em um artigo em outubro do ano passado que, para os cretinos, “uma República que hoje faz fuzis policiais a extensão da chibata contra a pele escravizada de ontem é no máximo uma República ‘com falhas’. As mortes no campo são ‘violações’. A superlotação do sistema prisional é ‘um problema’. Quando se regride nos direitos trabalhistas conquistados com sangue, ou quando a corrupção movida por grandes empresas e políticos se revela endêmica, são questões de ‘retrocessos’ e ‘desvios’. Ainda que todas essas questões sejam seculares, nossos liberais-progressistas veem nelas apenas erros, vírgulas, detalhes, crases.” Impressão minha, agora impressa no editorial. Mesmo que de fato fosse “vultoso” o apoio do povo brasileiro à democracia – e que ignorássemos o que isso significa para ele, se crê ser democrática sua vida hoje -, restaria perguntar o que este povo pode fazer. Em 1964, é certo, também era majoritário o apoio à democracia e às reformas de João Goulart. Não houve insurreição frente ao golpe militar. Haveria hoje? Apoiaria-a a mesma Folha que, em 2013, “vestia amarelo” em editorial pedindo que a polícia “retomasse a Paulista” contra os manifestantes de junho? Não é este o mesmo grupo midiático que combate e despreza todo movimento popular que dá ao povo organização?

Ser oposição de fato: moderação,virtú efortuna

Uma frase do jurista, filósofo e professor Silvio Almeida ecoou grave na bancada de jornalistas do Roda Viva da semana passada. O professor dissera que ser antirracista é incompatível com a defesa de políticas de austeridade. Estendo a afirmação para a questão da democracia. Maquiavel escreveu sobre o caos e seu domínio; afortuna e avirtú. Marx nos deu ferramentas precisas para, ao menos, conhecer parte daqueles ventos que fazem um redemoinho. Mas podemos voltar ao mesmo Maquiavel quando dissera que “em toda cidade existem estes dois humores diversos […]: o povo deseja não ser comandado nem oprimido pelos grandes, e os grandes desejam comandar e oprimir o povo.”

Assim como todas as barbaridades estúpidas que mencionei não são acidentes no caminho da História do Brasil, mas antes seu alicerce – sólido alicerce, nos diz o jornal! – Bolsonaro e seu projeto também não é um desvio. O presidente, ainda que do alto de sua estupidez, percebeu que para umafortuna de gravíssima crise econômica, disputas geopolíticas e acirramento da luta de classes, virtuosa seria uma direita radical, raivosa, ameaçadora. O realista foi Bolsonaro e aqueles que embarcaram em sua campanha, que perceberam que o Brasil não seria um barco tranquilo navegando no remanso se o mar global é revolto, com tsunamis econômicos. Que perceberam que o contexto da luta econômica determinava, para a classe dominante, uma postura agressiva na política, e que uma defesa dos direitos econômicos dos grandes determinavam dependiam de tal postura política. A Folha, desejando tal agressividade na luta econômica, desejando que os grandes comandem e oprimam o povo, imagina possível fazê-lo com uma postura moderada na política. Não pode; a César o que dele é.

Não haverá moderação, porque não vivemos em tempo ameno. É inútil esperar por ela enquanto se apoia e vota a privatização da água e do saneamento básico em meio a uma pandemia, enquanto se comemora as reformas de Guedes. É sintoma de demência – melhor dizendo, calhordice – se pretender defensor da Constituição enquanto se apoia leis que, por 20 anos, revogam seu 6º artigo. E se o morro descer e não for Carnaval? Voltaremos aos tempos de editoriais pedindo repressão, ou os poderosos concederão, com enorme sacrifício, seu direito considerado inato – de tão absoluto, sequer escrito – à opressão contra o povo?

Um sombrio dia de justiça

Nesta ventania toda, ironicamente, maiorvirtú coube àqueles que dela não precisavam. Dizia afinal, também o florentino, que as armas eram de tantavirtú que eram capazes de tornar homens privados em príncipes. Os militares, os únicos que poderiam lidar com o caos como quem lida com uma corrente de vento qualquer, baixando as abas dos chapéus, decidiram dar um passo à frente com os coturnos. Viram tudo, aproveitaram o cavalão passando, trotando, e montaram. Se o corcel fosse impedido mais a frente – e tudo indicava que iria – poderiam seguir a pé; já teriam avançado. E se fosse se cansando da carga que levava, bastava uma esporadas para que o bicho seguisse.

Enquanto isso, o centro se desfazia. O PSDB, que se imaginou vitorioso depois de insuflar o antipetismo e participar de um golpe, de repente viu-se reduzido às cinzas com a explosiva ascensão do bolsonarismo. Também de Nicolau: “porque o povo, desejando viver sob as leis, e os poderosos querendo exercê-las, não é possível que se entendam.” O centro já não mais existe – lição para a esquerda que, se moderando em meio à guerra, mais ajudará os radicais e moderados de direita do que a si mesma. O centro de uma ruptura é um buraco; de uma casa que pega fogo ou se foge ou o combate – nela ficar e tentar convencer as chamas a deixarem de queimar não as farão cessar.

Em 1967, pouco depois da morte de Che, Rodolfo Walsh escreveu o conto “Un oscuro dia de justicia”, publicado em 1973. O conto se passa em um internato para rapazes irlandeses. Lá, o bedel Gielty organiza, todas as noites, lutas de boxe a punho nu e clandestinas entre os garotos, que chama de “Exercícios”. Mas elas têm um aspecto incomum: o funcionário toda noite coloca um garoto fraco, tímido, despreparado – Collins – para se enfrentar com um outro, ágil, forte, impávido – o Gato, que antes havia sido, ele mesmo, o fraco e tímido perseguido. Sua teoria: “mesmo sendo os menores do Colégio devem aprender a lutar e a abrir caminho na vida, porque Deus manda – e aqui apalpou um dos livros, que era grande e tinha capa preta – que as mais fortes de suas criaturas sobrevivam e as mais fracas pereçam, como diz este outro livro […] não quero que nenhum de vocês, que agora me olham tão indefesos, ignorantes e tolos, pereça antes da sua hora; e portanto que nenhum de vocês seja um fantoche arrastado pra lá e pra cá pelos tempos ou pela vontade dos homens como uma lagarta levada pela enxurrada.”

Cansado de apanhar, o pequeno Collins envia uma carta para seu tio, Malcolm, que lhe responde: “Chego no domingo, vou esmurrar o bedel Gielty até a  morte”. E vem. Gielty e Malcolm se enfrentam numa luta árdua no jardim do Colégio, na qual este marreta o bedel de socos e é saudado por todos os meninos. Mas, “recuperado, Gielty sacudiu o saudante Malcolm com um murro no fígado, e enquanto Malcolm se dobrava depois de uma careta de surpresa e de dor, o povo aprendeu, e enquanto Gielty o arrastava na ponta de seus punhos como nos chifres de um touro, o povo aprendeu que estava sozinho, e quando os socos que soavam na tarde abriram uma chaga incurável na memória, o povo aprendeu que estava só e que devia lutar por si mesmo, e depois que as figuras sumiram nos limites do jardim, o povo aprendeu que estava só e que devia lutar por si mesmo e que das próprias entranhas tiraria os meios, o silêncio, a astúcia e a força, enquanto um último golpe lançava o querido tio Malcolm do outro lado da cerca onde permaneceu insensível e um herói no meio do caminho”.

Portanto, “servir ao Brasil”, “servir à democracia”. Impossível sem que se sirva ao povo. O apoio a medidas econômicas contra ele demonstra que somente pretendem trocar o bedel por um outro qualquer, talvez mais acanhado, talvez mais violento – racionalmente violento. E o povo aprenderá, então, que estava sozinho.

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Ministro da Educação pede demissão após cinco dias no cargo

Novo ministro da Educação, Carlos Decotelli
©Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Carlos Decotelli não é mais ministro da Educação. A passagem relâmpago pelo ministério do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acaba nesta terça-feira (30) após ser descoberto que Decotelli apresentou informações falsas em seu currículo.

De acordo com o jornal O Globo, Decotelli pediu demissão e foi acatado pelo presidente da República. Ainda de acordo com a publicação, Decotelli perdeu apoio dos militares que fazem parte do Poder Executivo.

Na publicação no Twitter em que anunciou o ministro da Educação que substituiu Abraham Weintraub, Bolsonaro informou as qualificações de Decotelli. Os dados sobre a formação do então novo ministro, contudo, são falsos.

https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1276221599897845760?ref_src=twsrc%5Etfw

O reitor da Universidade Nacional de Rosário afirmou que Decotelli cursou disciplinas na instituição, mas não é doutor porque sua tese foi reprovada. A Universidade de Wüppertal nega que Decotelli tenha feito pós-doutorado. Reportagem do UOL também indicou que o mestrado do novo ministro da Educação tem indícios de plágio. 

Em entrevista à CNN Brasil na segunda-feira (29), Decotelli disse que não concluiu sua tese de doutorado por dificuldades financeiras e que ela foi considerada "muito profunda" pela banca, que pediu alterações. A afirmação foi realizada após encontro com Bolsonaro no Palácio do Planalto.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020063015776753-ministro-da-educacao-pede-demissao-diz-jornal/

Brasil registra 1.344.143 casos de COVID-19 e 57.622 mortes

 

Rio de Janeiro, 28 jun (Xinhua) -- O número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil subiu para 1.344.143, enquanto os óbitos causados pela doença chegaram a 57.622, segundo o balanço oficial divulgado neste domingo pelo Ministério da Saúde.

De acordo com os dados, nas últimas 24 horas foram registrados 30.476 novos casos positivos do vírus e 522 mortes.

O boletim informou ainda que 733.848 pessoas já estão recuperadas da doença.

O estado de São Paulo, o mais populoso e rico do Brasil, segue como o mais afetado pela COVID-19, com 14.338 óbitos e 271.737 casos confirmados, seguido pelo Rio de Janeiro, com 9.819 mortes e 111.298 infectados.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-06/29/c_139174621.htm

Partidos de esquerda mordem a isca do isolamento do PT

Perfil do Colunista 247

Bepe Damasco

No momento, PSB, PDT e Rede e até o PCdoB dão seguidas indicações de que caminham para formar alianças eleitorais com o centro e com a direita liberal. Faria bem à transparência do jogo democrático se assumissem publicamente a nova tática

Mais do que nunca, em tempos tão trevosos, é importante reafirmar algumas premissas: estou entre os que defendem a frente mais ampla possível para proteger os direitos civis e a democracia do projeto autoritário de Bolsonaro.

Também vejo como essencial a formação de uma frente popular e de esquerda, para lutar pelo Fora Bolsonaro, frear o estrago social causado pelo ultraneoliberalismo tardio, inserir na disputa pelo poder o nosso projeto popular e democrático e alicerçar a reconstrução soberana do país.

Isto posto, um dado da realidade, antes tratado com melindre, agora emerge com uma nitidez cada vez maior: a atuação conjunta dos partidos de esquerda para resistir a Bolsonaro e na constituição de frentes de resistência vem sendo contaminada de forma crescente pela movimentação das peças do tabuleiro eleitoral de 2022.

E tudo gravita em torno do Partido dos Trabalhadores. Primeiro é preciso constatar que está em curso uma política de invisibilização do PT protagonizada pela Globo e congêneres e que conta com forte adesão da elite do país.

A ideia é tão simples quanto antidemocrática: apontar o bolsonarismo e o petismo como dois extremos de uma polarização indesejável para o Brasil. Somente doses cavalares de desonestidade podem levar alguém a não reconhecer a trajetória petista de compromisso democrático e, pior, comparar o partido ao esgoto civilizatório representado por Bolsonaro.

Pois nem no enfrentamento dessa ação deformadora da realidade nem na luta para a restituição dos direitos políticos de Lula o PT tem contado com a solidariedade dos demais partidos do campo progressista e de esquerda. Existem exceções, evidentemente, mas o que se vê é uma postura complacente, movida pelo desejo de substituir o PT como alternativa viável de poder.

 

Grave equívoco: a censura explícita ao PT significa esconder da sociedade projetos, programas e visões de mundo caras a toda a esquerda, independentemente de partido. Manietar a maior liderança popular do país, mantendo-o proscrito da vida política institucional do país, é, antes de tudo, um atentado ao estado democrático de direito.

Se é verdade que o hegemonismo petista já trouxe prejuízos à unidade das forças de esquerda ao longo da história, e até em passado recente, tampouco contribui para o avanço da resistência ao governo neofascista a espécie de acerto de contas com o PT que os partidos de oposição resolveram fazer.

Quando os cálculos eleitorais estão no posto de comando, gestos em prol da unidade resultam infrutíferos. Cito dois exemplos:

 

1) O PT, em 2019, cedeu, no Congresso Nacional, as lideranças da oposição e da minoria para parlamentares de partidos aliados, abrindo mão de sua prerrogativa como maior bancada não só da oposição, mas da própria Câmara dos Deputados. Mas a desconfiança não acabou.

2) O PT se empenhou no Rio de Janeiro para a unificação da esquerda em torno da candidatura do deputado federal Marcelo Freixo, do PSOL. Nada feito, a birra antipetista levou à pulverização de candidaturas de oposição ao prefeito Crivella.

O PT nos governos de Lula e Dilma cometeu muitos erros.Todavia, a cassação sem crime da presidenta Dilma e a infame perseguição a Lula devem-se aos acertos das políticas petistas que mudaram para melhor a vida do povo. O ódio devotado pela burguesia brasileira ao partido é um reflexo disso.

Outra coisa: não pode ser vista com naturalidade a interdição feita pela Globo, uma concessão pública, e não uma propriedade dos Marinho, ao partido que ganhou quatro eleições presidenciais consecutivas, tem grande capilaridade nacional, uma forte e ativa militância, mais de 2 milhões de filiados, a maior bancada na Câmara dos Deputados, cinco governadores e uma penca de deputados estaduais, prefeitos e vereadores.

No momento, PSB, PDT e Rede e até o PCdoB dão seguidas indicações de que caminham para formar alianças eleitorais com o centro e com a direita liberal. Têm todo o direito, claro, de escolher seus caminhos. Faria bem à transparência do jogo democrático, porém, se assumissem publicamente a nova tática.

A mentira como política de governo

Marco Mondaini

Historiador e Professor da Universidade Federal de Pernambuco. Coordena e apresenta o programa Trilhas da Democracia

Inexiste razão para se espantar com o fato de mais uma autoridade do governo Bolsonaro ter sido pega em flagrante falsificando o seu currículo na Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – a principal base de currículos do mundo acadêmico-científico brasileiro.

Afinal de contas, por que haveríamos de ficar impressionados com o não cumprimento – pelos integrantes de um governo que fez das fake news a sua razão de ser – daquilo que se encontra escrito no item 5.a. do Termo de Adesão e Compromisso do Sistema de Currículos da Plataforma Lattes? (“5. Conduta e Obrigações do Usuário. Como condição para utilizar o serviço, o usuário concorda em: a) fornecer informações verdadeiras e exatas”). Esperemos, no entanto, que a indignação de estudantes, professores e pesquisadores que procuram manter atualizados os seus currículos com informações “verdadeiras e exatas" impulsione o sentimento de revolta em relação à inexistência de punição para tais autoridades governamentais do bolsonarismo, a exemplo do mais novo Ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva. Pós-doutor sem ter obtido o título de doutor, doutor sem ter defendido tese de doutoramento, mestre com dissertação de mestrado recheada de trechos plagiados, o ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que avalizou uma licitação de 3 bilhões de reais cheia de irregularidades, deveria ser enquadrado nos Artigos 297-299 do Código Penal Brasileiro, conforme informação presente quando do envio das atualizações curriculares na Plataforma Lattes.

Para aqueles/as que não frequentam a Plataforma Lattes, é preciso que seja dito que, ao atualizar o seu currículo de maneira mentirosa e inexata, o sucessor de Abraham Weintraub à frente do MEC incorreu nos seguintes delitos passíveis de pena:

Art. 297- Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

Art. 298- Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:

 

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Art. 299- Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.”

 

Não custa nada repetir que o mais novo caso de falsificação curricular bolsonarista não consiste em obra do acaso. Muito pelo contrário, trata-se da tônica do atual governo e das forças sociais e políticas fascistas que o apoiam desde o início apontando suas armas contra o conhecimento científico produzido dentro das universidades públicas. De qualquer forma, com mais esse episódio de um “doutor que não tem tese de doutoramento” lançado ao Ministério da Educação, segue-se à risca o planejamento do presidente Jair Bolsonaro de destruição total do sistema nacional de educação, fazendo uso da mentira como política deliberada de governo.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/a-mentira-como-politica-de-governo

Brasil tem 57,6 mil mortes e 1,34 milhão de casos da Covid-19

 

247 -O número de infectados com a Covid-19 no Brasil subiu para 1.345.470 com 57.659 mortes provocadas pela doença, aponta o boletim divulgado às 8h da manhã desta segunda-feira (29) por um consórcio inédito formado entre veículos de imprensa. As secretarias estaduais de Saúde são responsáveis pela entrega dos dados. A informação é do jornal O Globo.

O Brasil registrou 555 novos óbitos em 24 horas no boletim divulgado às 20h de domingo (28), com 1.345.254 casos confirmados no total e 57.658 mortes. O recorde, desde o início da pandemia, é de 1.470 mortes em 24 horas, acrescenta a reportagem.

Após Jair Bolsonaro restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19, os veículos de imprensa Globo, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, UOL e G1 decidiram trabalhar juntos para buscar informações omitidas pelo governo federal.

 

Bolsonaro faz agrado a militares aumentando salários

 

247 -Em completa contradição com o quadro de dificuldades econômicas do país e de crescimento da pobreza, o governo Bolsonaro vai aumentar os rendimentos de um grupo restrito de oficiais superiores das Forças Armadas.

Milhões de trabalhadores perdem empregos ou são atingidos por suspensão e corte de salários. A ajuda emergencial não chega a todos os que precisam, mas Bolsonaro vai beneficiar militares com um aumento de até R$ 1.600 em salários que já são muito altos.

O benefício que será aumentado, chamado de “adicional de habilitação”, criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, é concedido a quem fez cursos ao longo da carreira. O valor era o mesmo desde 2001. No ano passado, Bolsonaro autorizou o reajuste para até 73% sobre o soldo, em quatro etapas. Na primeira delas, o privilégio para quem fez “curso de altos estudos”, por exemplo, subirá a partir de julho de 30% para até 42% sobre o valor do soldo. O aumento vale para militares da ativa e da reserva, informa reportagem do Estadão.

Com isso, um general de quatro estrelas, topo hierárquico das três Forças, passará a somar R$ 5.600 por mês ao soldo de R$ 13.400. Até então, o adicional era de cerca de R$ 4.000 mensais. Eles ainda acumulam outros adicionais que elevam o salário para, pelo menos, R$ 29.700 – a remuneração pode subir, a depender da formação, permanência em serviço, atividades e local de trabalho.

Atualmente, recebem o adicional basicamente oficiais e, no caso do Exército, alguns praças. Militares de baixa patente da Aeronáutica e da Marinha também pressionam para receber. Questionado pelo Estadão, o Ministério da Defesa não informou quantos militares recebem o benefício e qual será o impacto total na folha de pagamento da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Desde que assumiu, em janeiro de 2019, Bolsonaro já fez outros agrados aos militares. Empregou 2.900 no seu governo e promoveu uma reforma previdenciária mais amena.

Hoje, os maiores salários brutos entre os 381 mil militares em geral são do general Luiz Eduardo Ramos (ministro-chefe da Secretaria de Governo) e de Bento Albuquerque. Em março, pagamento mais recente publicado pelo governo, eles receberam, respectivamente, R$ 51.026,06 e R$ 50.756,51, conforme o Portal da Transparência. Os valores, contudo, caíram para R$ 24.861,18 e R$ 28.140,46, pela regra do abate-teto. O redutor é aplicado porque servidores não podem acumular vencimentos além de R$ 39,2 mil, valor do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Oficiais das Forças Armadas comandam dez ministérios. Há cerca de 3 mil militares em diferentes postos do governo Bolsonaro.

Mortes causadas pela COVID-19 no Brasil ultrapassam 57 mil e infectados já passam de 1,3 milhão

 

Mais 909 mortes em 24 horas no Brasil — é o segundo país no mundo...

Rio de Janeiro, 27 jun (Xinhua) -- O número de mortes pela doença do novo coronavírus (COVID-19) no Brasil subiu para 57.070, enquanto os casos positivos da doença contabilizam 1.313.667, segundo o boletim oficial do Ministério da Saúde divulgado neste sábado.

De acordo com os dados do governo, nas últimas 24 horas foram registrados 1.109 óbitos causadas pelo vírus, voltando a alcançar a marca de mil mortes mantida durante toda a semana, com exceção da sexta-feira, quando registrou oficialmente 990 óbitos.

Por sua vez, o total de casos positivos subiu para 1.313.667 após a inclusão de 38.693 novos pacientes nas últimas 24 horas. Do total, 715.905 pessoas conseguiram recuperar-se da doença, segundo o governo.

Epicentro da pandemia no Brasil, o estado de São Paulo, o mais populoso do país, segue liderando as estatísticas da COVID-19, com 14.263 óbitos e 265.581 casos confirmados, seguido pelo Rio de Janeiro, com 9.789 mortes e 108.803 contágios confirmados.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-06/28/c_139172439.htm

Privatização: passa boi, passa boiada, mas não passa água

O território brasileiro abriga, sozinho, 20% da água de todo mundo. Ainda assim, neste país, pátria de 211 milhões de pessoas, aproximadamente 35 milhões não têm acesso à água tratada, e 100 milhões vivem sem acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. Dados como estes, que demonstram que metade do Brasil do século 21 vive ainda no 19, foram usados como desculpa nesta semana para a aprovação do marco legal do saneamento básico no Senado, por 65 votos contra 13. 

O projeto, que agora segue para sanção presidencial, facilita a privatização do serviço de água e esgoto, e extingue o atual modelo de contrato entre companhias estaduais e municípios, os chamados contratos de programa. Assim, para que determinado município feche um contrato para a prestação do serviço, obrigatoriamente terá de fazer licitações em que competirão empresas públicas e privadas – atualmente é possível fazê-las, mas não é obrigatório. “O que nos preocupa muito é que de fato essa concepção do projeto corre o risco de desestruturar as companhias estaduais de saneamento, com o setor privado se interessando mais pelas cidades grandes, pelas cidades ricas, e vamos ficar com o Estado sem a possibilidade de aplicar de maneira mais ampla o subsídio cruzado, que permite que cidades maiores, cidades mais ricas, apoiem o serviço das cidades menores”, diz Marcos Montenegro, coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS). Ele cita o exemplo do Tocantins: “Lá há um caso muito significativo, porque o Estado vendeu o controle acionário da companhia estadual e uma empresa privada assumiu todos os municípios, mas devolveu os menores ao Estado, para que ele resolvesse o problema dos municípios que são menos rentáveis.”

Outro ponto levantado para a aprovação do projeto foi a pandemia do coronavírus, que para alguns senadores demonstra os perigos da falta de saneamento e a urgência de expansão do atendimento à população. “Essa utilização da pandemia é um escracho, um deboche. Todos os exemplos internacionais dão conta de que a privatização dificultou o acesso à água e ao tratamento esgoto, porque houve elevação de tarifas”, responde o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). Ele relembra o caso de sua cidade natal, Nova Friburgo, onde a distribuição da água e esgotamento sanitário foi concedida à empresa privada norte-americana no final da década de 90. “Com o aumento de preço da conta de água, essa empresa deixa de realizar os investimentos, porque as pessoas não pagavam a conta, que foi lá pra cima, e a empresa dizia que tinha um ‘desequilíbrio econômico-financeiro’ porque não se arrecadou aquilo que se pretendia”, diz. “Por um ano ficamos como? Conta cara e investimentos não realizados.”

Água e saneamento no mundo: público ou privado?

Uma pesquisa de 2017, intitulada “Mapa das Remunicipalizações”, realizada por onze organizações, dá conta de 267 casos de “remunicipalização” ou “reestatização” de sistemas de água e esgoto no mundo num intervalo de 17 anos. O aumento das tarifas, promessas não cumpridas e falta de transparência depois das privatizações são alguns dos efeitos que a pesquisadora Satoko Kishimotoapontou como razões para a decisão de reestatizar. A tendência foi observada em cidades como Berlim, Paris, Budapeste, Buenos Aires e La Paz. 

De acordo com Kishimoto, um outro problema é que a reversão das privatizações costuma acarretar custos para o Estado. “Quando as autoridades locais entram em conflito com uma companhia, vemos batalhas judiciais sem fim. Em geral, as empresas podem mobilizar muito mais recursos, enquanto o poder público tem recursos limitados, e muitas vezes depende de dinheiro proveniente de impostos para enfrentar o processo”, diz. Ela cita ainda o caso de Berlim, onde metade do sistema hídrico foi privatizado em 1999. Depois de um referendo em 2011, a privatização foi revertida, em 2013 – mas com um custo de 1,3 bilhão de euros ao Estado. “É um caso muito interessante, porque a iniciativa popular conseguiu motivar a desprivatização. Mas isso gerou uma grande dívida para o Estado, que vai ser paga pela população ao longo de 30 anos.”

Esse custo é também lembrado por Marcos Montenegro, do ONDAS: “Essas medidas têm um custo social na sua implementação, e um custo social à posteriori, no seu desmonte, para uma política que seja mais democrática. Infelizmente esse quadro é o quadro que decorre no saneamento da prevalência da política neoliberal no País. Em vários países do mundo essa política já foi criticada, em especial nessa situação de pandemia – mesmo governos que tinham o credo neoliberal como sua cartilha estão revendo essa posição para o enfrentamento da pandemia.” Ele destaca que, no caso de privatizações, muitas das companhias que acabam por ganhar as licitações não são companhias de água e saneamento, mas fundos de pensão e de investimentos. “Não estão preocupadas em aumentar a cobertura.”

Um caso interessante é o do Chile. No país, de 1875 até o começo da década de 1980, o saneamento e distribuição de água permaneceu majoritariamente nas mãos do Estado, que garantiu níveis crescentes de distribuição e saneamento. A partir dos anos 80, é adotado um sistema misto, em que mais empresas estatais são criadas e continuam provendo os serviços, mas a participação privada acionária é permitida. O desenvolvimento da infraestrutura em todo o período aumentou a cobertura de água e esgoto, ainda que, a partir de 1980, às custas de grandes aumentos tarifários. No final da década de 90, quando 95% do fornecimento de água e sistema de esgoto era público, a cobertura era de 99,3% e 91,6% respectivamente. É a partir daí que um processo de privatização mais amplo é realizado, com vistas a aumentar o nível de tratamento de água – ponto em que a lucratividade era maior e os investimentos eram menores -, sem se preocupar com fornecimento e esgotamento, que já tinha uma infra-estrutura básica. 

Em um longo trabalho sobre o tema, os pesquisadores María Angélica Alegría Calvo e Eugenio Celedón Cariola avaliaram que as privatizações no Chile ocorrem em uma realidade bastante diferente da do Brasil. “As empresas puderam conectar de uma só vez todos os usuários [à água], o que tem uma altíssima rentabilidade, e é diferente de quando as empresas nascem do zero e têm de fazer todos os investimentos.” Em seu trabalho, notam também que “as informações demonstram que aqueles investimentos que são menos rentáveis foram sendo deixados de lado, como investimentos de substituição” depois das privatizações.

No país também prevalece uma grande variação nas tarifas de acordo com a região – mas as tarifas mais altas não significam apoio às regiões mais pobres. No geral, de acordo com a Superintendência de Serviços Sanitários do país (SISS), nas regiões mais populosas os serviços são mais baratos, enquanto as menos populosas – que costumam ser as mais distantes e mais empobrecidas – as tarifas são mais caras. Há também nessas regiões graves problemas de abastecimento.Um estudo publicado neste ano pela Fundação Amulén chamado “Seca no Chile: a brecha mais profunda”, demonstra que as regiões em que prevalece a falta de água potável são as regiões mais pobres do país. Em janeiro desse ano,quando Ministério de Obras Públicas do país decretou 88 comunas como zonas de escassez hídrica, o Senado chileno analisou um projeto que visava declarar a água como bem de uso público. 24 senadores votaram a favor, e 12 contra (todos da coalizão do presidente Sebastián Piñera,Chile Vamos), mas a matéria não foi aprovada porque necessitava de ⅔ dos votos.

68% do mercado da água chileno está nas mãos de quatro empresas privadas; outros 25% estão em mãos de oito empresas concessionadas (que têm o direito à exploração das concessões, mas não controlam os ativos diretamente); 5% do mercado está com a única empresa estatal ainda existente (no município de Maipú) e outros 2% do mercado estão em mãos de pequenas empresas. Isso demonstra que a privatização não necessariamente significa a maior concorrência – ele pode significar, pelo contrário, a monopolização e a formação de cartéis.

Estado e investimento

De acordo com o senador Tasso Jereissati, relator do marco legal do saneamento no Senado, para que o acesso ao saneamento e à água fosse universalizado no país seriam necessários investimentos entre 500 bilhões e 700 bilhões de reais. Com a abertura para o capital privado, a expectativa do marco legal é que esses investimentos sejam feitos pela iniciativa privada, com o fim de universalizar o acesso a água e esgoto até 2033. Ainda de acordo com o marco, caso as empresas não consigam fazê-lo até esse ano, terão a possibilidade de estender o prazo por mais sete anos. Tomando a maior previsão de investimentos – 700 bilhões – e o menor prazo – 13 anos – seria necessário um investimento de cerca de 58 bilhões/ano.

Para Marcos Montenegro, da ONDAS, a universalização dependerá da disponibilidade de recursos estatais para o financiamento, ainda que seja feita por empresas privadas. “O principal, que precisamos ter claro, é que o déficit atual tem uma cara: e essa é a da população mais pobre, que vive nas periferias da cidade, em pequenas cidades isoladas e no campo. Esse tipo de déficit as empresas privadas não têm vocação a atender, porque é uma população que tem dificuldade para pagar o custo do serviço. Precisaria garantir recursos do Estado para que isso pudesse acontecer”, diz. “Em muitos lugares nós temos problemas mais complexos do que simplesmente instalar a rede de água e esgoto. Em locais como a Baixada Fluminense, por exemplo, onde há problemas de alagamentos e inundações frequentes, nós temos situações onde o não-equacionamento da drenagem não vai permitir que o esgoto sanitário funcione adequadamente. Então é uma questão mais complexa, que o tratamento do saneamento como negócio não vai resolver”.

Para o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), essa é uma das razões pela qual a universalização pode ser tocada pelo Estado. “Por que não fazer um grande programa nacional público de investimento e de liberação de recursos por parte dos bancos públicos brasileiros? Não existe nenhuma vedação para que as empresas privadas ou as estatais de outros países que venham a assumir o setor de água e de saneamento no Brasil façam empréstimos com os bancos públicos brasileiros. Se essas empresas ou estatais de outros países podem, por que esses empréstimos para ampliação, com metas de universalização, não podem ser feitos para as estatais brasileiras? Podem, mas aí tem que ter vontade política e um projeto de desenvolvimento voltado para isso.” 

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Atos contra Bolsonaro são realizados em Brasília e cidades europeias (FOTOS, VÍDEO)

Em Brasília, um ativista caminha em frente a cruzes que simbolizam os mortos pela COVID-19. O protesto contra o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, aconteceu em 28 de junho de 2020, em frente ao Congresso Nacional.
© REUTERS / Adriano Machado

Neste domingo (28), manifestantes fizeram um ato simbólico contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, em Brasília, em frente ao Congresso Nacional. Protestos semelhantes foram realizados em cidades europeias.

Os manifestantes mantiveram distanciamento social e colocaram cruzes em frente ao prédio do Congresso para lembrar os mais de 57 mil mortos na pandemia do novo coronavírus no Brasil.

Em Brasília, um ativista crava um cruz no chão simbolizando os mortos pela COVID-19 em protesto contra o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 28 de junho de 2020, em frente ao Congresso Nacional.

© REUTERS / Adriano Machado
Em Brasília, um ativista crava um cruz no chão simbolizando os mortos pela COVID-19 em protesto contra o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 28 de junho de 2020, em frente ao Congresso Nacional.

A manifestação faz parte de um movimento internacional nomeado de "Stop Bolsonaro" (Pare Bolsonaro), que realizou atos em diversas cidades do mundo em protesto contra o presidente brasileiro.

https://twitter.com/BrunooLuccaa/status/1277234736767938563?ref_src=twsrc%5Etfw

​O movimento liderado por partidos de oposição ao governo Bolsonaro também ocorreu virtualmente através de hashtags. Protestos foram registrados em países como Áustria, Alemanha e Reino Unido.

 

​Atos semelhantes têm acontecido aos domingos ao longo das últimas semanas nas capitais brasileiras. Os mais recentes têm ecoado protestos contra o racismo, deflagrados no mundo inteiro após o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos.

Os protestos também denunciam o aumento de mortes por intervenção de agentes do Estado em estados brasileiros como São Paulo e Rio de Janeiro.

Em Brasília, uma ativista se agacha com flores nas mãos em meio a cruzes que simbolizam os mortos pela COVID-19 durante protesto contra o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 28 de junho de 2020, em frente ao Congresso Nacional.

© REUTERS / Adriano Machado
Em Brasília, uma ativista se agacha com flores nas mãos em meio a cruzes que simbolizam os mortos pela COVID-19 durante protesto contra o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 28 de junho de 2020, em frente ao Congresso Nacional.

Manifestantes defendem Bolsonaro em ato paralelo

Manifestações favoráveis ao presidente brasileiro também têm sido realizadas nas capitais brasileiras, assim como neste domingo (28), em Brasília. Os manifestantes pró-Bolsonaro levaram faixas e cartazes pedindo intervenção militar.

Em Brasília, manifestantes favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro participam de protesto com faixas pedindo intervenção militar, em 28 de junho de 2020.

© REUTERS / Adriano Machado
Em Brasília, manifestantes favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro participam de protesto com faixas pedindo intervenção militar, em 28 de junho de 2020.

O Brasil é hoje o segundo país do mundo com mais mortes e casos confirmados do novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Brasil acumula 1.313.667 casos e 57.070 mortes causadas pela COVID-19.

Ato em Portugal

Portugal também aderiu ao movimento. A manifestação em Lisboa se realizou na famosa praça do Rossio, ponto emblemático da cidade, e contou com o apoio de deputados portugueses de partidos de centro-esquerda. Os manifestantes ocuparam o espaço respeitando as distâncias de segurança e usando máscaras.

"Existe hoje a necessidade de se dizer mundo afora o que se passa no Brasil. É um desgoverno com o Brasil. Não gritamos fora Bolsonaro apenas pelas mortes, mas porque é um governo nomeadamente fascista, racista, minimiza os efeitos da COVID-19 e também dá toda a guarida ao neoliberalismo. É um governo genocida", diz à Sputnik Brasil o economista Raphael Reis, membro do núcleo do Partido dos Trabalhadores (PT) em Lisboa, uma das entidades organizadoras do evento.

 
 
© Sputnik / Caroline Ribeiro
Manifestação em Lisboa, Portugal, contra o governo de Jair Bolsonaro.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020062815768177-atos-contra-bolsonaro-sao-realizados-em-brasilia-e-cidades-europeias-fotos-video/

Brasil | Ministro da Educação confirma que não tem doutorado, mas nega plágio em mestrado

 

 

247 -O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, negou por meio de nota que teria cometido plágio em sua dissertação de mestrado. Ele disse que vai revisar o trabalho.

“O ministro destaca que, caso tenha cometido quaisquer omissões, estas se deveram a falhas técnicas ou metodológicas. Informa também que, ainda assim, por respeito ao direito intelectual dos autores e pesquisadores citados, revisará seu trabalho e que, caso sejam identificadas omissões, procurará viabilizar junto à FGV uma solução para promover as devidas correções.”

O novo ministro está sendo acusado de plágio em sua dissertação de mestrado (“Banrisul: do PROES ao IPO com governança corporativa”) defendida em 2008 na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em uma postagem no Twitter, o professor do Insper, Thomas Conti, apontou trechos do trabalho de Decotelli similares ao de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Banrisul.

"Tinha tanta coisa parecida entre esse relatório da CVM e a dissertação que eu desisti de achar as partes iguais na mão e joguei em um software de detecção de plágio. Mais de 10% da dissertação de mestrado é cópia idêntica ao relatório da CVM. 4.200 palavras", aponta Conti.

"Como são muitos trechos idênticos, busquei se ele poderia ter trabalhado na elaboração do relatório que consta na CVM. Mas aparentemente não. Segundo CV do Decotelli, ele foi professor no Banrisul de 2004 a 2005. O registro na CVM é de 13/02/2008 e não há menção a ele", disse.

https://twitter.com/ThomasVConti/status/1276718086410944512?ref_src=twsrc%5Etfw

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou nesta sábado, 27, que irá investigar os fatos referentes à denúncia de plágio na dissertação. Ele pode ter seu título cassado.

A denúncia ocorre após, na sexta-feira, 26, o reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, Franco Bartolacci, ter negado o doutorado do novo ministro pela instituição. O MEC rebateu e afirmou que Decotelli concluiu os créditos necessários para a obtenção do título de doutor em Administração pela universidade, sem comprovar que tenha defendido tese.

Na nota deste sábado, entretanto, o MEC confirma que o novo ministro não tem o título. “Ao final do curso, apresentou uma tese de doutorado que, após avaliação preliminar pela banca designada, não teve sua defesa autorizada. Seria necessário, então, alterar a tese e submetê-la novamente à banca. Contudo, fruto de compromissos no Brasil e, principalmente, do esgotamento dos recursos financeiros pessoais, o ministro viu-se compelido a tomar a difícil decisão de regressar ao país sem o título de Doutor em Administração”.

 

Já que não conseguiu o título de doutor, Decotelli não poderia ter conseguido o pós-doutorado na Alemanha, conforme foi dito por Jair Bolsonaro ao anunciá-lo. O MEC afirma que o ministro desenvolveu uma pesquisa que a universidade alemã decidiu apoiar, mas não obteve títulos por isso.

“A universidade alemã aceitou apoiar o projeto, considerando a relevância do tema, a conclusão e a aprovação em todos os créditos obtidos no curso de Doutorado em Administração na Universidade de Rosário e seus 30 anos de atuação como conceituado professor no Brasil”, afirma o ministério.

O ministro alterou seu currículo acadêmico, “de forma a dirimir quaisquer dúvidas”, segundo o MEC.

Viva Gilberto Gil

O gigante ao mesmo tempo tão imenso e tão gentil Gilberto Gil.

 

 

Tem uns discos que eu até evito um pouco ouvir toda hora porque são daqueles que ao mesmo tempo inspiram e intimidam, sabe? Você não sabe bem se dá vontade de tentar fazer igual ou de desistir logo porque não tem como.

O pior de todos é o Expresso 2222. Sério, vai ouvir aquele arranjo de O Canto da Ema e me fala se alguém fez coisa melhor de lá pra cá. Não tem. E esse disco tá pra fazer cinquenta anos. Aliás, só naquele mesmo ano mágico de 1972 tem mais uns quatro ou cinco discos, no mínimo, que são desses: numa tacada só te fazem músico e músico frustrado.

 

Porque fazendo música no Brasil você certamente está nos ombros de gigantes, mas ô dificuldade pra sair da sombra deles! Deve ser bem mais fácil ser compositor popular sei lá, na Lituânia. Mas deve ser menos divertido também. Afinal, até onde eu sei lá eles não têm um gigante ao mesmo tempo tão imenso e tão gentil quanto Gilberto Gil.

Àquela pergunta clássica, Chico ou Caetano, fui por muito tempo daqueles que respondiam Gil. Hoje respondo os três, e Tom Zé, e Jards, e Gal, e Milton, todos juntos, bem e vivos, sorte a nossa. Sorte a nossa ainda ter por aqui essa geração que às vezes a gente acha que “ah mas é muito romantizada e a gente precisa superar e não sei o que” mas aí você bota um Refazenda pra tocar e meu amigo, convenhamos, cá entre nós, tem motivo.

Viva a canção brasileira, essa imensa bruxaria, essa benção e maldição pra quem decide trilhar seus caminhos, e viva um de seus alquimistas maiores: Gilberto Gil!


por João Sampaio, Músico das bandas Amanticidas e Semiorquestra e fanático por futebol 365 dias por ano  |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/viva-gilberto-gil/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=viva-gilberto-gil

Ter fé na força de um povo que resiste como a água de um rio que corre

Impossível não pensar em prestar homenagem a Gilberto Gil pela passagem de seus 78 anos, nesta sexta-feira (26). Recebeu mensagens de felicitações de numerosos artistas em um vídeo que viralizou na internet.

 

 

E durante a noite, Gil celebrou com uma live de pouco mais de 1h30 cantando na maior parte músicas de forró. O aniversário foi dele, mas o presente foi de seus milhares de fãs.

Gilberto Gil

A música escolhida para homenageá-lo foi “Andar com Fé”, bem apropriada para o momento vivenciado no país em meio a uma crise sanitária sem precedentes aliada a uma crise política que não se sabe ainda onde vai dar. Por isso: “Andá com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”.

Gil é um dos maiores nomes da música popular brasileira, foi o principal ministro da Cultura que o país teve, de 2003 a 2008. Por todo o seu trabalho, só é possível dizer muito obrigado Gilberto Gil pelo simples fato de existir e ser o que é. A vida seria mais difícil sem sua obra.

“Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra coral
Oh! Oh!
Num pedaço de pão

A fé tá na maré
Ta na lâmina de um punhal
Oh! Oh!
Na luz, na escuridão”

 

Andar com Fé (1982), de Gilberto Gil

 

 

 

Carlinhos Brown

Outro baiano grande personagem da cultura brasileira é Antônio Carlos Santos de Feitas, conhecido como Carlinhos Brown. O cantor e compositor se destaca como produtor, arranjador e agitador cultural.

Líder da timbalada, partiu para carreira solo e por vezes se junta com Marisa Monte e Arnaldo Antunes na formação dos tribalistas. O seu reconhecido talento levou uma repórter da TVE, da Bahia, a apresentar Chico Buarque como o “sogro de Carlinhos Brown”, numa semelhança ao que disse Sérgio Buarque de Holanda décadas passadas, que ele tinha virado o “pai do Chico Buarque”.

Na estrada há muitos anos, Brown tem composições de sucesso gravadas por ele ou por grandes intérpretes. Em “Segue o Seco” a sua veia poético-musical fala da vida que pode secar se não for regada o tempo todo.

“A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca…

Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino seca”

 

Segue o Seco (1994), de Carlinhos Brown

 

 

 

Mayra Andrade

Mayra Andrade nasceu em Havana, Cuba, mas se destaca como uma cantora e compositora caboverdiana por ter passado quase toda a sua vida no arquipélago africano que fala a língua portuguesa. Embora ela cante, quase sempre, em dialeto caboverdiano.

Participou de trabalhos com Cesária Évora, Chico Buarque, Caetano Veloso, Charles Aznavour, Mariza e Pedro Moutinho, entre outros grandes nomes da música. Atualmente vive em Lisboa, Portugal.

Cantada em dialeto, a canção Manga questiona o que cada um faz da sua vida e a influência do social na vida de todas as pessoas.

“Por que havemos de ser menos
Se podemos ser mais?
Tu podes comigo
Como eu posso contigo”

 

Manga (2018), de Mayra Andrade

 

 

 

Daniela Mercury

Mais uma presença baiana de destaque na música popular brasileira é Daniela Mercury. Cantora, compositora e bailarina assumidamente LGBT, Danieal transformou-se numa importante voz pela igualdade de direitos para essa parcela da população tão maltratada pelo preconceito e pela violência.

Com muitos anos de estrada, emplacou inúmeros sucessos e não há quem não conheça ao menos algumas suas músicas. “Música de Rua” é um desses grandes sucessos porque canta a alegria de uma “arte que arde” pela revolução.

“Essa alegria é minha fala
Que declara a revolução
Revolução
Dessa arte que arde
De um povo que invade
Essas ruas de clave e sol
E de multidão”

 

Música de Rua (1994), de Daniela Mercury e Pierre Onasis

 

 

 

Jorge Drexler

O cantor e compositor uruguaio, Jorge Drexler despontou para o mundo ao ser o primeiro artista em língua espanhola a ganhar, em 2005, o Oscar de Melhor Canção Original, com a bela “Al Otro Lado del Río”.

Em suas canções percebe-se influência da música popular brasileira, essencialmente bossa nova, mesclada com rock, gêneros de seu país e outros ritmos.

Sua canção “Tudo se Transforma” trata da presença do trabalho em tudo o que se faz, transformando a vida.

“O vinho que eu paguei
Com aquele euro italiano
Que estava em um vagão
Antes de estar na minha mão
E antes disso em Turim
E antes de Turim, em Prato
Onde fizeram meu sapato
Sobre o qual cairia o vinho”

 

Tudo se Transforma (2004) de Jorge Drexler

 

 

 

Nelson Sargento

Para encerrar em grande estilo (sem nenhuma pretensão) nada como chamar Nelson Mattos, com o nome artístico de Nelson Sargento, que em 25 de julho completa 96 anos, mais de 70 anos dedicados ao samba.

Além de compositor e cantor, Sargento é um importante pesquisador da música popular brasileira, artista plástico e escritor. Presidente de honra da sua escola do coração, a Mangueira, onde iniciou sua trajetória musical na ala dos compositores da escola de samba mais famosa do Brasil.

Melhor ouvir o “Samba do Operário” para compreender a força da música do sambista vivo mais idoso do país.

“Se o operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário”

 

Samba do Operário (1955), de Nelson Sargento, Antônio Português e Cartola

 

Texto em português do Brasil


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ter-fe-na-forca-de-um-povo-que-resiste-como-a-agua-de-um-rio-que-corre/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ter-fe-na-forca-de-um-povo-que-resiste-como-a-agua-de-um-rio-que-corre

Convocadas manifestações contra Bolsonaro em todo o mundo

27/06/2020
 

Movimentos sociais e políticos convocaram para domingo manifestações em pelo menos 50 cidades de 23 países que têm como principal alvo o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, visando contestar a resposta à pandemia de covid-19 e o “fascismo” no Brasil

Organizado por brasileiros que vivem no exterior, assim como por diversos movimentos populares e entidades políticas, o denominado “Ato Mundial Stop Bolsonaro” contará com manifestações presenciais e virtuais em cidades europeias como Munique, Berlim e Frankfurt (Alemanha), Barcelona e Madrid (Espanha), Paris (França), Roma (Itália), Zurique e Genebra (Suíça) ou Dublin (Irlanda).

Já em Portugal, o ato “em solidariedade do povo brasileiro face aos crimes de Bolsonaro e do seu Governo” está marcado para Lisboa, Porto e Coimbra, segundo a página do evento na rede social Facebook.

O “combate ao fascismo, ao neoliberalismo, ao racismo, machismo, à ‘LGBTfobia’, ao genocídio indígena e à destruição do meio ambiente”, são algumas das causas que movem este ato internacional.

No Brasil, são 13 as cidades que já confirmaram a adesão ao protesto, entre elas, o Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Porto Alegre ou Campinas.

Canadá, Estados Unidos da América, Chile, Costa Rica ou México são outros dos países que acolherão o “Ato Mundial Stop Bolsonaro”.

Entre os movimentos que organizaram a manifestação estão o Coletivo Estrela da Democracia, a Frente Internacional de Brasileiros contra o Golpe (Fibra), e o grupo Mulheres Unidas Contra o Bolsonaro.

“Desde que ganharam as eleições, explodiu a desflorestação, o assassinato de indígenas, negros, mulheres, gays e líderes populares, o ataque sistemático à cultura, à educação, o aumento da precarização do trabalho, a estagnação da economia. (…) Ao mesmo tempo, aumentou a truculência dos apoiantes do Presidente, que tem ao seu lado milícias, militares e polícias violentos e gananciosos, saudosos da ditadura e as pessoas mais ignorantes, desumanas e mesquinhas desse país”, indicou a organização.

Os organizadores citam ainda o elevado número de casos de covid-19 no país, a subnotificação da doença, a situação precária de alguns hospitais, a falta de apoio a profissionais de saúde, assim como a falta de um decreto de confinamento obrigatório para conter a disseminação do vírus no Brasil.

“A receita da ideologia bolsonarista agudizou a crise política brasileira. Se não forem contidos a tempo, o país viverá em caos e miséria por décadas e tornará a vida de todos nós um pesadelo. Agora basta! (…) Estamos do lado certo da história e não descansaremos enquanto não derrubarmos o atual Governo, e conseguirmos de volta todos os nossos direitos sociais, humanos, ambientais, trabalhistas e económicos”, acrescentaram os movimentos organizadores do ato.

Também a Central Única dos Trabalhadores (CUT), principal organização sindical brasileira, uniu-se aos protestos e apelou a uma mobilização mundial contra Jair Bolsonaro e o seu executivo.

“Nesse domingo, o mundo inteiro fará manifestações contra o fascismo no Brasil e contra o Presidente psicopata Jair Bolsonaro. É o dia mundial do #StopBolsonaro. (…) Conto com a manifestação de todos para que possamos derrubar esse Governo fascista do Brasil e garantir a democracia do nosso país”, afirmou o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, num vídeo partilhado nas redes sociais.

O Brasil, segundo país do mundo com mais mortos e infetados, totalizou na quinta-feira 54.971 mortos e 1.228.114 pessoas diagnosticadas com a covid-19 desde o início da pandemia, registada oficialmente no país em 26 de fevereiro.

A pandemia de covid-19 já provocou quase 487 mil mortos e infetou mais de 9,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/27/convocadas-manifestacoes-contra-bolsonaro-em-todo-o-mundo/

Apoio a democracia bate recorde e chega a 75% no Brasil, aponta Datafolha

 

 

247 - Pesquisa do Instituo Datafolha, divulgada na noite deste sábado, 27, mostra que o apoio à democracia como regime de governo bateu recorde no Brasil, em meio aos ataques de Jair Bolsonaro e ameaças de ditadura.

Segundo a pesquisa, divulgada pela Folha de S. Paulo, o apoio a democracia chega a 75% da população, o maior índice da série histórica do Datafolha, iniciada em 1989. 10% afirmaram que a ditadura é aceitável em algumas ocasiões. Em dezembro, 62% apoiavam a democracia e 12% apoiavam a ditadura.

Foram ouvidas 2.016 pessoas nos dias 23 e 24, por telefone. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

 

Isto não aconteceu

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Foi uma brincadeira entre loucos, foi uma festa num qualquer hospício, podia ter sido na Venezuela, Cuba, China, mas não foi.
Isto atingiu um nível tão degradante que não é possível que tivesse existido.
Só nos faltava que os cronistas, pivots da TV, fazedores de opinião viessem noticiar que estes verdadeiros artistas vinham atuar na Festa do Avante.
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Jornalismozinho paz e amor

 

 

O ministério da Saúde anunciou a parceria com a Universidade de Oxford para a produção de 100 milhões de vacinas contra a covid-19. Trata-se de uma “promessa de campanha”. A imprensa brasileira tratou como uma “verdade” e estampou em suas primeiras páginas com comovente indulgência.

O jornalismo brasileiro é pior que Bolsonaro. Como é que um veículo de imprensa tem a coragem de acreditar em um anúncio desses? Como dar crédito a um governo mentiroso compulsivo, que ataca todos os veículos que o criticam, que faz apologia do ódio, das armas, do golpe, do fechamento de Congresso?

A manchete do jornal Folha de S. Paulo beira o escárnio: “governo anuncia parceria com Oxford para desenvolver 100 milhões de vacinas”. O texto da matéria, assinado pelo jornalista Thiago Resende, é tão propagandista como o título. QUem está pagando por isso?

Trata-se de pura publicidade, pura "conciliação", pura "nova fase de domesticação da besta".

Detalhe: a notícia está estampada nos três grandes jornais, Folha, Globo e Estadão, com destaque glorioso, positivado e redentor.

Como levar a sério o nosso jornalismo?

 

Uma promessa de parceria divulgada por um ministério sem ministro, por um governo atolado até o pescoço por denúncias de corrupção, negligência e omissão, ser estampada nas mídias como uma verdade? Como uma notícia?

É muito atrevimento.

Entramos na fase "jornalismozinho paz e amor".

 

É de retorcer os neurônios que nos restam.

Articulador do golpe contra Dilma, FHC pede "tolerância" com Bolsonaro

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247 -Dirigente do PSDB e articulador do golpe de Estado contra Dilma, Fernando Henrique Cardoso disse em entrevista à Rádio Jornal, na sexta-feira, 26, que é preciso ter mais tolerância com Jair Bolsonaro, colocando-se novamente contra um processo de impeachment dele, que já cometeu diversos crimes de responsabilidades.

“Nós nos acostumamos a tirar do poder [com] impeachment. Como agora. Eu não sei nem se tem razão. Se inventa a razão, se cria a razão. Eu acho que tem que ter um… Se o presidente errar muito, aí não há o que fazer (…) Nós criamos uma democracia que é relativamente jovem e já tiramos dois presidentes. É muita coisa. Eu acho que tem que ter um pouco mais de tolerância”, disse.

Ele foi, entretanto, um dos principais organizadores e defensores do impeachment de Dilma Rousseff, que foi afastada em um processo fajuto sem ter cometido nenhum crime. O impeachment de 2016 foi um golpe que colocou a coalizão MDB-PSDB no poder e abriu o caminho, através da campanha contra o PT, para a chegada de Bolsonaro no poder.

 

Todavia, ele procurou justificar o golpe contra a ex-presidente. “A presidente Dilma, eu fui muito reticente até que não havia mais jeito. E quando não há mais jeito? Quando o governo para de governar, quando a rua começa a gritar e quando o governo incorre em alguma coisa da Constituição e da lei. Tem que ter esses fatores juntos, mas não é bom”.

Enquanto defende a permanência de Bolsonaro, que está destruindo o País e desrespeitando diversos artigos da Constituição - além de estar ameaçando de impor uma ditadura - o golpista defende que, no caso da Dilma, “não havia mais jeito”, porque a rua começou a “gritar”. Ele esquece de mencionar o fato de que Bolsonaro é alvo de críticas em todos os lugares por onde passa; que até em eventos de entretenimento, como o carnaval, bailes funk do Rio e shows de música, o “Fora Bolsonaro” é predominante.

Brasil supera os 55 mil mortos por covid-19

 

Nas últimas 24 horas, o Brasil registou 990 mortos. O país totaliza agora 55.961 vítimas mortais desde o início da pandemia no país.

 

O Brasil contabilizou 990 mortos devido à covid-19 nas últimas 24 horas e totaliza agora 55.961 vítimas mortais desde o início da pandemia no país, registada oficialmente em 26 de fevereiro, informou o executivo neste sábado.

Segundo o Ministério da Saúde, 497 dos 990 óbitos ocorreram nos últimos três dias, mas foram incluídos nos dados de hoje, estando ainda a ser investigada uma eventual relação de 3.844 vítimas mortais com a covid-19.

Quanto ao número de infetados, o país sul-americano contabilizou mais 46.860 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, num total de 1.274.974 pessoas diagnosticadas com a doença. De acordo com a tutela, a letalidade da doença no Brasil, segundo país do mundo com mais mortos e infetados, desceu hoje para os 4,4%.

O Brasil tem uma incidência de 26,6 mortes e 606,7 casos da doença por cada 100 mil habitantes, numa nação com uma população estimada de 210 milhões de pessoas. Segundo dados do Governo brasileiro, 697.526 pacientes infetados já recuperam da doença, sendo que 521.487 doentes continuam sob acompanhamento.

Geograficamente, o foco da pandemia no país é o estado de São Paulo, que concentra oficialmente 258.508 contágios e 13.966 vítimas mortais pela doença causada pelo novo coronavírus. Pelo terceiro dia consecutivo, São Paulo atingiu um número recorde de casos diários confirmados, com a notificação 9.921 infetados nas últimas 24 horas.

Contudo, o governo estadual indicou que o número de novos casos está dentro das projeções esperadas para este mês.

Na lista das restantes unidades federativas mais afetadas pela pandemia está o Rio de Janeiro, que tem 108.497 pessoas diagnosticadas e 9.587 óbitos, sendo seguido pelo Ceará, que contabiliza 104.422 infetados e 5.920 mortos pelo vírus.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/brasil-supera-55-mil-mortos-covid-19-332145

Presidente argentino diz que Moro serviu a interesses dos Estados Unidos

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247 - O presidente da Argentina, Alberto Fernández, em live com o ex-presidente Lula nesta sexta-feira (26), pôs o dedo na ferida e criticou a Justiça brasileira pela influência que sofre do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Depois da crítica, Sergio Moro, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-chefe da Operação Lava Jato, passou o recibo nas redes sociais e defendeu o governo americano.

“A culpa é do Departamento de Justiça dos EUA, da CIA ou do FBI quando alguns líderes latino-americanos são surpreendidos em casos de suborno. Alguém sério realmente acredita nisso?”

 

Lula: saída para a América Latina após a pandemia é mais democracia e estado forte

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Leia a íntegra do discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Universidade de Buenos Aires, no debate “Pensar a América Latina depois da pandemia do Covid-19” –

“É um privilégio compartilhar este momento com pessoas que fizeram e continuam fazendo tanto para mudar o mundo especialmente a nossa América Latina. Às vezes penso que viemos ao mundo com esta missão: de transformá-lo num lugar melhor para se viver. Um lugar mais humano, mais fraterno, mais solidário, menos desigual. Para muitos de nós, que viemos das camadas populares, que conhecemos o sofrimento e a privação, mais do que uma missão, transformar o mundo é antes de tudo uma questão de necessidade.

Eu não sei como será o mundo depois dessa pandemia, creio que ninguém sabe. Tenho apenas uma certeza: países em que o governo pensou primeiramente na população, como é o caso da Argentina, sairão desta crise em situação melhor do que os que não pensaram. Quando comparo os números da pandemia entre nossos países, penso primeiramente no sofrimento das famílias de mais de 55 mil pessoas que já morreram no Brasil. Nem as guerras em que o Brasil lutou nem qualquer outra doença causou tanta devastação num período tão curto.

Quando vejo quantas vidas foram salvas na Argentina, me dói muito ver meu próprio país desgovernado, com ministros incapazes de agir para proteger nosso povo e um presidente da República que chega a fazer piada com a tragédia. Lamento muito pelo Brasil e cumprimento o presidente Alberto Fernández pela alta responsabilidade com que vem enfrentando a pandemia, por ter mobilizado o país para este combate no momento certo, por resistir às incompreensões e pressões com a coragem que caracteriza um verdadeiro líder.

O mundo sempre precisou de líderes e de sonhos. Não faz tanto tempo assim, aqui na América Latina nós começamos resgatar o antigo sonho de Simon Bolívar, a Pátria Grande como ele dizia nos tempos heroicos da libertação e da independência dos nossos países. Bolívar já antecipava algo que se tornou muito claro ao longo do século passado. Primeiramente quando nossas riquezas naturais foram apropriadas pelo estrangeiro, que interferiam diretamente na nossa soberania, apoiando governos que serviam a seus interesses, ocupando nossos territórios com suas tropas ou apoiando golpes e ditaduras com o mesmo objetivo, sempre que as forças do povo e da soberania levantavam a cabeça.

Foi assim no Brasil, na Argentina, no Chile, na Bolívia, no Paraguai, no Peru, no Uruguai.

Foi nesse período que nós, na América Latina, começamos a conversar entre nós, olhando para nossas semelhanças, para a complementariedade de nossas economias, começamos a nos enxergar como vizinhos e parceiros. Começamos a conhecer nossa força e a sonhar o nosso próprio sonho de unidade.

 

Começamos pelos primeiros passos, fortalecendo o Mercosul e o comércio regional. Alguns números confirmam este movimento: em apenas dez anos, a partir de 2003, o fluxo de comércio do Brasil com o Mercosul passou de 10 bilhões de dólares para 50 bilhões. Na mesma proporção cresceu nosso comércio com os países da América do Sul, de 15 bilhões de dólares para 73 bilhões. E de 20 bilhões de dólares para 94 bilhões com o conjunto de países da América Latina e Caribe.

Estes números correspondem exatamente ao avanço das relações políticas entre nossos países.

Porque logo em seguida ao fortalecimento do Mercosul nós partimos para a criação da Unasul e, em seguida, da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe, a Celac. Pela primeira vez criamos organismos internacionais em nossa região sem pedir licença aos Estados Unidos. Porque sabíamos o que queríamos e principalmente o que não queríamos. Rejeitamos soberanamente a ideia da Alca, que manteria nossas economias e principalmente a produção industrial subordinadas aos interesses norte-americanos. E porque queríamos decidir soberanamente os meios de convivência pacífica entre nossos países, criamos o Conselho de Defesa da Unasul.

 

Foi o sonho de Bolívar que animou companheiros saudosos como Nestor Kirchner, Hugo Chávez, ao quais presto minha homenagem neste momento. A eles nos juntamos e também Evo Morales, Rafael Correia, Fernando Lugo, Tabaré Vasquez, Pepe Mujica, Ricardo Lagos, Michele Bachelet e tantos outros nesta construção.

Olhando para trás, para o quanto avançamos e contrariamos interesses, é impossível atribuir a mera coincidência que tantos governos progressistas e populares tenham sido alvo de revezes políticos e golpes de estado nos anos recentes em nossa região.

E foram golpes de novo tipo, que nos surpreenderam pela utilização de instituições da democracia contra a democracia, pela utilização da mídia para desinformar e mentir, com apoio escancarado do poder financeiro global e de seus representantes em nossos próprios países.

Então eu chego à conclusão de que, mesmo que tenhamos feito quase que uma revolução silenciosa no Brasil para mudar a vida do povo, não conseguimos impedir que as instituições da democracia fossem utilizadas contra a democracia e o povo, mais uma vez em nossa história.

E que isso só foi possível com a participação direta, muito forte, das famílias que dominam a mídia, de corporações econômicas, do sistema financeiro e de interesses geopolíticos contrariados pelo que vínhamos fazendo em tantos países da América Latina para transformar a vida de nossas populações.

Eu mantenho e fortaleço a esperança quando vejo, por exemplo, como o povo argentino respondeu nas urnas ao fracasso retumbante que foi a volta do neoliberalismo.

Quando vejo o povo do Chile exigindo com muita força uma profunda reforma política, social e econômica, quando vejo que apesar das mentiras e dos golpes sucessivos, os partidos dos companheiros Rafael Correia e Evo Morales despontam como favoritos na preferência popular, e por isso mesmo insistem em golpeá-los por meio de farsas judiciais e institucionais.

Todos os seres humanos estão sujeitos a contrair o vírus, mas é entre os mais pobres que ele produz sua mortal devastação.

Há uma espécie de compreensão geral de que o momento é de gastar sem limites porque a vida não tem preço e a economia existe, afinal, em função das pessoas, não apenas dos números. E é o estado, em última análise, que pode proporcionar os recursos e organizar a sociedade para atravessar este momento tão difícil na história recente da humanidade.

O dogma do estado mínimo é apenas isso, um dogma, algo que não encontra explicação nem se justifica na vida real. O mito do deus mercado é apenas um mito, pois uma vez mais ele se revela incapaz de oferecer respostas para os problemas do mundo em que vivemos.

Exatamente como ocorreu na crise do Lehman Brothers em 2008 e em todas as crises sistêmicas do capitalismo das últimas décadas, é o estado que assume a conta.

Tive o privilégio de conversar sobre esse tema com o Papa Francisco e percebi que ele se dedica com alma a mobilizar os jovens economistas para encontrar saídas humanas diante deste que é o maior problema da humanidade. Sabemos que não é tarefa apenas para os economistas e as pessoas de boa vontade. Tem de envolver a (universidade) os intelectuais, os artistas, partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais e igrejas.

Tive muito tempo recentemente para ler, estudar e refletir sobre essas questões. Foi a maneira que encontrei para tornar úteis os 580 dias em que estive preso, e aproveito mais uma vez para agradecer a solidariedade presidente Alberto Fernandez e do prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, e tantos outros que se levantaram contra a ilegalidade daquela prisão.

A experiência me faz lembrar do que ocorreu em 2009, no auge da crise do sistema financeiro global.

Eu me recordo das reuniões do G-20 em Londres e Pitsburgh, quando os presidentes e primeiros-ministros assinamos um compromisso formal com a geração de empregos, com o socorro aos que perderam a casa e o emprego, com investimentos para a recuperação da economia. E tudo o que vimos foi o socorro ao sistema financeiro, trilhões de dólares que poderiam alimentar gerações de seres humanos e que foram utilizados para salvar os grandes bancos de uma crise que eles mesmo haviam criado com sua ganância sem limites.

A crise atual é ainda mais profunda, sem dúvida, e queira deus que desta vez os governantes do mundo aprendam algo antes que seja tarde demais. Aprendam que o estado não pode mais ser colocado exclusivamente a serviço dos interesses do capital. Aprendam que a economia tem de estar a serviço dos seres humanos e não o contrário.

Essas transformações que esperamos, e pelas quais muitos de nós lutamos toda uma vida, só podem ser realizadas, acredito, por meio da ação política.

Esta palavra e este instrumento de mediação civilizada de interesses que tem sido sistematicamente desprezada, desqualificada e criminalizada em tantos países, mas especialmente em nossa América Latina, tem de ser recuperada em sua essência. Ou voltamos a exercer a política em seu sentido histórico mais elevado, ou regressaremos à barbárie.

E esta é, a meu ver, a terceira lição que podemos aprender com a pandemia que se abateu sobre nós. Por mais profundas que sejam as crises, por mais escuro que esteja, depende de nós acender a luz nas trevas. A política, em última análise, é o instrumento pelo qual podemos transformar os sonhos em realidade.

E creio que nunca foi tão necessário sonhar e seguir lutando para construir um mundo melhor do que este em que vivemos.

Eu acho que o que vai salvar a América Latina depois da pandemia é uma palavra chamada democracia. Uma democracia de Estado forte pra cuidar do povo. Porque o que essa crise demonstrou foi que o mercado não vai salvar a vida de ninguém.”

Haddad: novo marco do saneamento levará à privatização das empresas estaduais de água e esgoto

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247 –O presidenciável Fernando Haddad, do PT, avalia, em artigo publicado neste sábado na Folha de S. Paulo, que o novo marco regulatório do saneamento provocará, fatalmente, a privatização das empresas estaduais de água e esgoto. Segundo ele, a lei praticamente “obriga” a privatizar, especialmente as empresas estaduais de saneamento, a maioria das quais criadas durante a ditadura militar.

"Conhecemos a cantilena: as empresas públicas são ineficientes; a empresa privada, ainda que busque o lucro, graças a sua competência, diminuirá custos a ponto de baixar a tarifa média, universalizar o serviço e remunerar adequadamente os acionistas", diz ele.

"A menos que os ganhos de produtividade com a privatização sejam verdadeiramente colossais, a variável de ajuste para expandir os serviços será a tarifa, pressionada pela necessidade de ampliação dos investimentos, de um lado, e de eventual aumento do subsídio cruzado, de outro. Minha aposta, hoje, é a de que, tudo dando certo, podemos até ter algum incremento do atendimento, mas à custa de um choque tarifário que será suportado prioritariamente pelas classes médias", aponta o ex-prefeito.

 

Brasil supera 1,2 milhão de infectados pela COVID-19 e está muito perto da marca de 55 mil mortos

Rio de Janeiro, 25 jun (Xinhua) -- O Brasil registrou 1.141 mortes nas últimas 24 horas, elevando para 54.971 o total de óbitos causados pela COVID-19 no país, enquanto os contágios da doença desde o início da epidemia no país contabilizaram 1.228.114 pessoas, segundo o balanço oficial divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde.

Hoje é o terceiro dia consecutivo que o país teve um aumento superior a 1.100 mortes, foram 1.374 na terça-feira e 1.185 ontem.

De acordo com os dados atualizados do governo, nas últimas 24 horas, foram registrados 39.483 casos positivos. Nos últimos três dias, o Brasil contabilizou uma alta de 121.644 casos (39.436 novos diagnósticos na terça e 42.725 na quarta-feira). O recorde diário ocorreu em 19 de junho, quando registrou 54.771 novos contágios.

O estado de São Paulo (sudeste), onde foi confirmado o primeiro caso oficial da América Latina em 26 de fevereiro, registra 248.587 casos, com 13.579 óbitos, seguido pelo Rio de Janeiro (sudeste), com 105.897 infectados e 9.450 mortes.

O estado de Ceará (nordeste) é o terceiro em mortes, com 5.875 confirmações e com casos positivos em todos os seus 184 municípios, sendo seguido pelo Pará (norte), com 4.728 óbitos.

Por sua vez, o estado do Amazonas (norte), que registra um total de 2.731 óbitos e que sofreu um colapso sanitário e funerário em março e abril, começou a fechar as operações de um hospital de campanha devido à redução da demanda de pacientes, após relatar uma curva descendente na capital Manaus. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-06/26/c_139168505.htm

Presidente do Santander defende que funcionário em home office abdique de parte do salário

 
 

247 -O presidente do Santander, Sergio Rial, defende que a melhor maneira de implantar um modelo de home office para seus funcionários é a “abdicação voluntária” de benefícios e parte de seus salários. Com informações da Folha de S. Paulo.

Em entrevista promovida pelo banco, Rial disse que “se tudo isso te poupa tempo, você deixa de gastar com combustível, tua vida fica mais fácil até sob o ponto de vista econômico, por que não dividir algumas coisas dessas com a empresa? Por que não pode ser um voluntário com a abdicação de algum benefício, de algum salário? Desde que seja voluntário”.

Segundo ele seria preciso uma “construção em conjunto”, por meio do “diálogo” entre a direção e funcionários.

 

“O Santander esclarece que, embora o sistema de home office a ser adotado pela organização esteja em definição, a hipótese de reduções na remuneração dos funcionários está absolutamente fora de questão neste contexto", ressaltou a assessoria de imprensa da empresa.

 

"A mentira quem disse foi você", rebate Glauber Braga a Ciro Gomes sobre privatização da água

 

 

247 - O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) publicou um vídeo nas redes sociais rebatendo às declarações de Ciro Gomes em uma live com Eduardo Moreira sobre o PL do Saneamento, que prevê a privatização da água. Glauber ainda desafiou o ex-ministro e irmão de Ciro, Cid Gomes, a um debate sobre o tema.

"Resposta a Ciro Gomes. O projeto 4.162/19 é instrumento para privatizar a água, sim. Não se pode justificar o injustificável", afirma o parlamentar. "A mentira quem disse foi você. Com todo o respeito, mas com toda a firmeza. Há uma escalada no conjunto do texto que de maneira sistêmica leva ao processo de privatização da água nos municípios e estados brasileiros", reforça.

“Sei que você é um político mais do que experiente e tem uma vida dedicada a tarefas de natureza pública. Isso é no mínimo inocência, o que não tem nada a ver contigo. A ampliação da presença do setor privado ou de estatais inclusive de outros países aumenta no território nacional a participação desses setores no país”, disse Glauber sobre a a menção de Ciro, que disse que esse tema da água é de menor importância.

Brasil | Os invisíveis na pandemia

Único caminho das esquerdas rumo ao reencontro com suas bases sociais é aquele que leva aos mais pobres.

 

 

A epidemia de Covid-19 escancarou a desigualdade social extrema no Brasil, mas não a expos em toda sua crueldade e para todos os olhares. Os que, como eu, arriscam-se na trilha da Covid e atravessam o que parecia ser o limite territorial de pobreza nas periferias, descobrem contingentes de vulneráveis invisíveis, mesmo aos mais experimentados e sensíveis às tragédias sociais. Eles surgem como fantasmas do limbo, famílias inteiras, quando recebem ecos de que em algum ponto mãos se estendem em sua direção.

Atuo profissionalmente e como militante política na Cidade Tiradentes e moro na zona Leste paulistana há décadas, mas desconhecia o pior da realidade de seus cerca de 300 mil moradores. A epidemia de Covid me arrastou para distâncias e becos até então fora do meu mapa.

Logo no início da epidemia, em março, organizei uma rede de solidariedade na região, com apoio de professores, jovens dos coletivos de cultura locais e um grupo de amigos arregimentados nas redes digitais. A ideia da rede, como tantas que se formaram país adentro, é arrecadar e distribuir alimentos, máscaras, produtos de higiene para ajudar as famílias mais vulneráveis a se protegerem da Covid e atravessarem a crise com menos insegurança alimentar e alguma dignidade.

Nossa prioridade, entre prioridades, foram as favelas, onde as condições vis potencializam o contágio e as mortes pelo novo coronavirus. Não por acaso, Manaus, capital do Amazonas, foi a cidade mais afetada pela Covid no Brasil: 53,4% das moradias da cidade, de mais de 2,1 milhões de habitantes, estão em favelas, a maior proporção entre todas as capitais do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

(No Brasil, que chora hoje mais de 50 mil mortes por covid, as moradias em favelas explodiram entre 2010 e 2019, de acordo com o órgão: de 3,2 milhões de habitações em 6,3 mil núcleos, passaram a 5,1 milhões em 13,2 mil ocupações. É possível que vivam hoje em favelas aproximadamente 25 milhões de brasileiros, em torno 12% da população.)

Mas o que tenho descoberto em Cidade Tiradentes está além dos números e das imagens que frequentemente o brasileiro tem das favelas, romantizadas no cancioneiro popular e nas novelas do horário nobre, ou simplesmente criminalizadas no noticiário policial ou, ainda, vistas com indiferença mesmo diante dos frequentes assassinatos de jovens e crianças pretas em tiroteios jamais investigados e punidos.

O que tenho visto difere muito, em outros aspectos ainda, do cenário das grandes ocupações, como Paraisólopis e Heliópolis, em São Paulo, ou o Complexo da Maré e a Rocinha, no Rio de Janeiro. Essas favelas têm algum nível de organização social e visibilidade na mídia, certa forma de resistência, ainda que tênue, diante da magnitude da tragédia de morar e viver numa espécie de cidade clandestina, ainda mais durante uma pandemia.

Em Cidade Tiradentes, onde mesmo as habitações regulares são em geral precárias, típicas das periferias, as favelas se expandiram muito nos últimos anos. Se não há dados para quantificar tal expansão, sabemos que a área construída regularmente no distrito explodiu em 25 anos (até 2019): aumentou 1617%, para uma média, no mesmo período, de 60% em toda a cidade de São Paulo (1). O número de moradias regulares, no mesmo período (1994 a 2019), cresceu 18 vezes, mas a oferta de serviços públicos nem de longe acompanhou a explosão demográfica oficial, muito menos a real: o número de escolas aumentou sete vezes e o de hospitais seguiu padrão semelhante[1].

Nesse caótico cenário, e com inestimável ajuda do presidente da República, com sua não-política para a epidemia e seu estímulo criminoso a sua propagação, a covid, que se alastra de forma silenciosa, é só um problema a mais. Felizmente, pelo menos, Cidade Tiradentes não está entre os dez bairros mais afetados neste momento, de acordo com as últimas estatísticas divulgadas pela prefeitura (21 de junho). Eram 118 os mortos pela doença até 26 de maio no distrito.

Voltando ao nosso foco: nossa rede de solidariedade começou pela ocupação Vila Yolanda II e foi se estendendo. Hoje, atua em quatro favelas, com total de cerca de cinco mil “moradias” e mais de sete mil habitantes: Jardim Maravilha, Jardim Vila Verde e Souza Ramos, além de Vila Yolanda II. São núcleos menores, comparativamente, e estabelecidos mais recentemente, onde não existe nenhuma forma de organização social ou cultural nem a mínima visibilidade, é como se esses brasileiros não existissem nem para o Estado nem para a sociedade.

Nesse contexto, ainda temos de priorizar o atendimento: detectamos as famílias que não estão recebendo auxílio emergencial do governo federal, idosos e mães solo. As informações têm sido utilizadas inclusive para encaminhamento de casos de extrema vulnerabilidade aos serviços públicos. Além de oferecer cestas, identificamos pessoas que já tiveram contato com infectados ou com algum sintoma de covid e, em caso positivo, as encaminhamos à unidade de saúde mais próxima.

O esforço tem sido enorme, mas minúsculo diante de carências tão profundas e, especialmente, da ausência do Estado. Quando pensamos que um padrão de atenção foi minimamente estabelecido, somos atropelados pelo até então invisível entre invisíveis ou por toda sorte de acontecimentos trágicos.

Semanas atrás, uma das quatro favelas, com 150 barracos feitos de tapumes, no chão de terra batida, sem água encanada nem esgoto, sofreu um incêndio que deixou 200 famílias desabrigadas e sem assistência nenhuma da prefeitura. Mal conseguimos doações de tábuas e começávamos a reerguer os casebres, uma chuva forte fez transbordar o córrego imundo ao longo do qual eles se distribuem, inundando o que sobrara do incêndio.

Já no núcleo Vila Verde, “descobrimos” cerca de 150 famílias bolivianas, chefiadas por trabalhadores da área de confecções atualmente desempregados. A maioria dos imigrantes está em situação irregular no país, sem documentos, e por isso não consegue acesso ao auxílio emergencial. Além de oferecer a eles cestas básicas, acionamos o consulado da Bolívia e os estamos assessorando na obtenção de documentos.

No dia 16 de junho, já no pico da epidemia, uma reintegração de posse solicitada pela prefeitura e duas famílias proprietárias de parte daquela área, desalojou 900 famílias no bairro Roseira II, entre Cidade Tiradentes e Guaianases. Parte das delas havia sido ludibriada por criminosos que teriam lhes “vendido” os terrenos. Governo do Estado e prefeitura se fizeram representar por meio da polícia militar e das máquinas que demoliram os casebres. Ao longo desses três meses de atuação da rede de solidariedade, aliás, não deparamos com um só assistente social ou agente de saúde em nenhuma das quatro favelas, nem durante essa ação.

Para completar, ainda precisamos lidar com a criminalidade, o tráfico, a violência, inclusive e principalmente a policial, que desde o começo deste ano já ceifou por ali a vida de três jovens, sem que os crimes fossem esclarecidos.

Diante de tanto horror, e de nossa própria precariedade, alguém pode nos tomar por idealistas, lutadores de causas perdidas. Mas a realidade é outra. A rede de solidariedade tem feito enorme diferença naquelas comunidades, e não apenas pelo auxílio material, importante, mesmo que insuficiente, que tem provido. A solidariedade tem, principalmente, feito despertar entre os moradores potenciais lideranças e um novo ânimo para a luta e a auto-organização, em especial entre as mulheres. Nesse sentido, a fala da dona de casa Vanusa Fonseca Sousa, de 45 anos, moradora da favela Sousa Ramos, é emblemática: “Estou vivendo um momento de transformação. Sabe a lagarta se transformando em borboleta? Um momento meu, de resgate da mulher de luta que eu sou”.

Por isso e por tudo o que estamos vivenciando a leste do leste de São Paulo, reafirmo: o único caminho das esquerdas rumo ao reencontro com suas bases sociais é aquele que leva aos mais pobres. E este é, enfim, o nosso objetivo, um objetivo carregado de sentido político: estimular e fortalecer o espírito de comunidade para a conquista coletiva de democracia de fato, justiça, dignidade e autonomia.

 

 
 

[1]  Reportagem de Artur Rodrigues, ”Pelos lados e para o alto, SP cresce 60% em área construída em 25 anos”, baseada nos dados do IPTU da cidade de São Paulo (Folha de S.Paulo, 3 de setembro de 2019).


por Simone Rego, Professora de Ensino Fundamental na rede pública de São Paulo. Mora e trabalha nas extremidades da Zona Leste paulistana  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Nova lei do saneamento: o lucro acima de tudo

A aprovação, pelo Congresso Nacional, do Projeto de Lei 4.162, que cria o chamado marco legal do saneamento básico, representa um enorme retrocesso. Ao contrário do que propagam seus defensores, não trará ganhos para a população e tem como objetivo essencial proporcionar ainda mais lucro ao setor privado.

 

 

A proposta aprovada, que deverá ser sancionada pelo presidente da República, revoga avanços criados para permitir ao poder público solucionar a enorme defasagem existem nesses serviços públicos essenciais para a população.

A tramitação do projeto se deu sob uma verdadeira campanha de desinformação, que apontava como única alternativa para superar as carências existentes a entrega do serviço para a iniciativa privada. Ao mesmo tempo, um ataque virulento às empresas públicas, ignorando a enorme experiência por elas acumulada que possibilitou uma oferta de água e saneamento nas grandes cidades, mas também em pequenos municípios, onde o serviço nunca havia chegado.

Diante do muito que ainda há por ser feito num país continental e com quase seis mil cidades, tentou-se desqualificar as empresas públicas. Pelo texto aprovado, o Estado cede lugar ao setor privado, que ganha amplos poderes para fazer das enormes demandas por saneamento uma poderosa fonte de lucro.

Segundo o Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), “a proposta pode criar um monopólio do setor privado nesses serviços essenciais, o que não contribuirá com a tão propalada universalização do acesso”. O Observatório lembra que a carência maior se encontra nos pequenos municípios, nas áreas rurais e nas periferias das grandes cidades, onde a população não possui condições de pagar pelo serviço, o que não despertará interesse das empresas privadas que buscam lucros. Áreas onde residem populações com baixa capacidade de pagamento dos serviços, portanto, incompatível com a necessidade de lucro almejado pelas empresas privadas e por seus acionistas.

Ter acesso a água e a esgoto é direito básico e as carências no Brasil são de grande monta. Em um país que abriga a maior floresta tropical do mundo e um gigantesco potencial hídrico, esse déficit é inaceitável. Mas, com o enfraquecimento do papel do Estado no setor em favor do lucro privado, esse direito fica ainda mais distante. Não se pode falar em progresso social e de desenvolvimento econômico sem considerar essa condicionante.

O tema é objeto de um debate que tem sido travado há muito tendo como centro a necessidade de universalização do acesso aos serviços de saneamento e à oferta de água tratada. Ao contrário do que foi apregoado, há alternativas além da que coloca a iniciativa privada como única capaz de atender à demanda.

Aliás, Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), em vigor há menos de 10 anos, não impede a participação da iniciativa privada, mas prevê um papel determinante do poder público, que agora é tolhido pela nova proposta. Mas também se faz necessário, como destaca o ONDAS, “a garantia de recursos perenes de financiamento, seja por meio de empréstimos (CEF e BNDES) ou de Recursos do Orçamento Geral da União (OGU) – sempre com profundo controle dos investimentos por parte da sociedade, a criação de um fundo para universalização do acesso, como já ocorre em outros setores, como o de energia, e um programa de revitalização e fortalecimento para as empresas públicas e autarquias”.

Vale ainda destacar que o projeto aprovado coloca o Brasil na contramão do que tem ocorrido em muitos países, onde sistemas de saneamento que havia sido privatizados estão sendo reestatizados. Um estudo do Instituto Transnacional da Holanda (TNI) mostra que entre 2000 e 2017 a mudança ocorreu em 1600 municípios de 58 países.

A retomada do serviço pelo poder público, na maioria dos casos, ocorreu em “resposta às falsas promessas dos operadores privados; à colocação do interesse do lucro por sobre o interesse das comunidades; ao não cumprimento dos contratos, das metas de investimentos e expansão e universalização, principalmente das áreas periféricas e mais carentes; aos aumentos abusivos de tarifas”, como indica matéria publicada pelo PV.

A aprovação desse marco regulatório privatista se torna ainda mais danoso porque que se concretiza no âmbito de um governo ultraliberal, cuja plataforma e “missão” é liquidar com o patrimônio público. A regulamentação e a execução dessa Lei se efetivarão sob a égide dos interesses dos monopólios, do lucro máximo. Sob o império dessa lógica, as periferias das metrópoles, das cidades médias, regiões mais populosas e carentes serão simplesmente excluídas da oferta do serviço.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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É preciso seguir na luta contra a privatização da água

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Por Paulo Moreira Leite, doJornalistas pela Democracia -Numa conjuntura em que o país tem sido inundado por inúmeras decisões irresponsáveis, destinadas a agravar a exploração da população e facilitar a entrega de riquezas nacionais, é obrigatório reconhecer prioridades e oferecer alternativas para evitar males de grande impacto e difícil correção.

Não há dúvida de que a denúncia do projeto que autoriza a privatização da água, um bem natureza que acompanha a humanidade desde sua aparição na face da Terra, sendo anterior ao próprio regime capitalista e à criação da propriedade privada, na Europa do século XVII, constitui um desses casos.

O projeto foi aprovado por 65 votos a 13 pelo Senado, placar que apenas confirma um fato dramático da vida brasileira no atual momento histórico -- o controle quase absoluto do Congresso por interesses contrários às necessidades da maioria dos brasileiros e brasileiras, agravado por decisões virtuais dos tempos de pandemia e, acima de tudo, pela comunhão absoluta entre a mídia corporativa e os grandes interesses econômicos privados.

Num país onde metade da população não tem acesso ao saneamento, e 35 milhões não tem direito a água tratada, o ponto essencial do projeto é encarecer toda possibilidade de melhoria. Tornará obrigatória a realização de licitações para o ingresso de empresas privadas na atividade, medida que implica em criar uma nova coluna de custos para os investimentos -- a remuneração do investidor privado, insaciável por natureza.

Como se sabe, essa situação pressiona os preços de todo tipo e torna mais difícil a concessão de benefícios indispensáveis à população de baixa renda. Acima de tudo trazer uma outra lógica à atividade, onde a condição de mercadoria fará da água um bem que pode ser negociado por seu potencial de lucro e não por sua função social. Tanto pode atender as necessidades das famílias de todas as classes sociais como alimentar lucros da indústria de refrigerantes -- não é puro acaso que o empresário Tasso Jereissati, autor do projeto, é engarrafador da Coca Cola -- e outras utilidades, inclusive exportação.

A mudança na natureza social do H20 explica por que, no mundo inteiro, a privatização das empresas de água constitui um dos fracassos previsíveis do neoliberalismo e tem sido revertida nos países onde a população tem força política para tanto. São 267 casos em duas décadas.

Este número dá uma ideia do fracasso social da iniciativa -- mas ainda é pequeno em relação ao desastre já feito. País com uma renda per capta sete vezes superior a dos brasileiros, os Estados Unidos são um país pioneiro em matéria de privatização de serviços públicos e oferecem um quadro desolador quando o assunto é água. Cerca de 1,7 milhão de norte-americanos não têm água encanada nem chuveiro em casa. Duzentos mil moram em residência sem esgoto e 14 milhões não conseguem pagar suas contas, que subiram 40% na última década. (Dados em Luis Nassif, 25/06/2020).

Por fim, o ponto fundamental. A simples constatação de que o Brasil possui as maiores reservas de água doce do planeta ajuda a compreender que ela deve ser preservada acima de tudo como um bem de toda a população, de hoje e das futuras gerações. A natureza nos deu esse dever moral.

Alguma dúvida?

Falta de comando federal começa a destruir o SUS, ocupado agora por militares e ‘amigos’

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Rede Brasil Atual - Em um relatório sobre a governança do governo de Jair Bolsonaro sobre a pandemia, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falta de diretrizes, de coordenação e de transparência. Os auditores identificaram a indefinição de estratégias pelos comitês de crise e de coordenação de operações, que pode acarretar decisões e medidas individualizadas e descoordenadas, “levando à inefetividade das ações de combate à crise de covid-19 e desperdício de recursos humanos, materiais e financeiros, com efeitos inclusive nas diversas esferas da federação”.

A ausência de profissionais de saúde nos comitês de crise e de coordenação de operações também foi constatada e destacada no documento divulgado nesta quarta-feira (24). Tanto que o relator, ministro Vital do Rêgo, recomendou a inclusão de representantes do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que representa secretários estaduais de saúde.

O objetivo é que a visão técnica de cada um incremente a efetividade das medidas dos comitês. Além do mais, segundo ele, os dirigentes estaduais são importantes elos que integram e facilitam a ação coordenada de diversos entes nas três esferas de governo na execução de políticas públicas de saúde.

As dificuldades que o governo Bolsonaro tem imposto para acesso à informação não pouparam os auditores, que penaram para obter informações oficiais sobre as ações de combate à pandemia e os resultados obtidos. Tiveram de recorrer aos portais de informações relativas à pandemia, restritos. E mesmo assim, o acesso só foi concedido 21 dias após a solicitação.

Projeto de desmonte

Esses problemas apontados pelos auditores, que têm contribuído diretamente para o descontrole da infecção no país, que já soma mais de 1,2 milhão de infectados e 55 mil mortos, sinalizam não só o despreparo e a incompetência do governo de Jair Bolsonaro. Mas um projeto de desmonte do SUS que está sendo levado a cabo pelos militares.

Em entrevista ao jornal El País desta quinta-feira (25), o ex-secretário de Saúde de Curitiba e professor da FGV, Adriano Massuda, afirmou que a ocupação de cargos técnicos por militares e por indicações políticas sem qualificação têm ocorrido como nunca desde a criação do SUS, ao passo que o Brasil tem profissionais extremamente competentes na área da saúde coletiva.

E esse processo, segundo ele, já impõe modificações na estrutura da secretaria executiva do Ministério, responsável pelo planejamento orçamentário e pelo repasse de recursos para Estados e municípios, via Fundo Nacional de Saúde – o que explica a baixíssima capacidade de execução orçamentária na pandemia. Menos de um terço do recurso extraordinário aprovado foi executado após três meses do seu início.

Essa militarização, segundo ele, pode agravar outros problemas de saúde, já que inúmeros programas são subordinados à coordenação técnica do ministério. “Como é que vai ficar a coordenação nacional do câncer? Como é que vai ficar a política nacional do HIV, do sangue e hemoderivados, e as vacinas que dependem da ação do Ministério da Saúde? É algo muito arriscado e a sociedade tem que ficar bastante atenta. O problema não é só a covid-19”, disse.

O processo em curso, conforme o ex-secretário, não foi implementado “nem pelo pior ministro da Saúde”. E, segundo afirmou, diversas áreas técnicas da pasta da Saúde já passaram por diferentes governos, de diferentes bandeiras políticas, sem ter sido modificadas. Pelo que tudo indica, trata-se de possível “processo de desmonte da engrenagem que fez o sistema de saúde funcionar nos últimos 30 anos”.

Associação de Funcionários do Banco Mundial quer suspender nomeação de Weintraub

24/06/2020
 

Antigo ministro da Educação de Bolsonaro é contestado pela associação, que esta quarta-feira enviou um pedido de investigação ao Comitê de Ética do Banco.

A Associação de Funcionários do Banco Mundial enviou uma carta nesta quarta-feira, 24, ao Comitê de Ética da instituição pedindo uma investigação sobre o ex-ministro da educação do Brasil, Abraham Weintraub. O grupo que representa os funcionários do organismo internacional quer que a nomeação do brasileiro para assumir uma diretoria executiva do banco fique suspensa até a conclusão desta investigação. O motivo do pedido são falas preconceituosas do ministro sobre a China e minorias, além do posicionamento a respeito da prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal.

“O Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição. Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do Conselho de expor o racismo onde quer que o vejamos. Confiamos que o Comitê de Ética compartilhe dessa visão e faremos tudo ao alcance para aplicá-lá”, afirma a associação de funcionários. O e-mail com o pedido de investigação foi direcionado ao Comitê de Ética do banco e encaminhado a todos os funcionários da instituição nesta quarta-feira.

Leia mais emISTOÉ

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/24/associacao-de-funcionarios-do-banco-mundial-quer-suspender-nomeacao-de-weintraub/

Dilma: privatização da água é crime contra a soberania e o povo brasileiro

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247 - A ex-presidente Dilma Rousseff criticou nesta quinta-feira, 25, a aprovação pelo Senado do PL 4162/2019, conhecido como Marco Legal do Saneamento Básico.

Dilma lembrou que a lei aprovada no Senado autoriza a privatização do fornecimento de água e do tratamento de esgoto. "A ideia já fracassou em vários países. Paris e Berlim, que haviam privatizado estes serviços, voltaram a estatizá-los, por causa da ineficiência e da exclusão dos mais pobres", disse a ex-presidente pelo Twitter.

A nova lei permite abrir caminho para o domínio de empresas privadas no setor. A obrigação de realizar licitações e as metas de desempenho para contratos tenderão a prejudicar as empresas públicas. Dilma lembrou que o tratamento de esgoto e a água limpa jamais chegarão a todos se forem concebidos para dar lucro a empresas privadas. "Nenhuma empresa privada oferecerá tratamento de esgoto e água potável a quem não puder pagar suas tarifas, que por isto serão muito elevadas", afirmou.

Na sequência de tweets, Dilma lembrou que o PT foi o único partido que votou em bloco contra a aprovação da matéria. "O PSDB liderou a aprovação da nova lei. Só a bancada do PT votou contra por unanimidade. O saneamento é essencial para oferecer vida segura e saudável à população. Significa fortalecer a saúde pública, que a crise do covid19 mostrou que só pelo Estado pode ser garantida a todos", afirmou.

"Ficam no Brasil as 2 maiores reservas de água do planeta, os aquíferos Guarani e Alter do Chão. A água é e será sempre a maior riqueza estratégica do mundo. Esta riqueza será entregue a empresas privadas, inclusive estrangeiras. Um crime contra a soberania e o povo brasileiro. Ação criminosa e perversa, pois a água está sendo essencial no enfrentamento do covid19, e será fundamental contra qualquer vírus que no futuro nos ameace. A água não pode ter dono. É bem público que a todos pertence e por todos deve ser usufruída", afirmou Dilma Rousseff.

Inscreva-se na TV 247 e saiba mais sobre a aprovação do marco do saneamento:

 

Neto de Brizola diz que Cid Gomes destrói o legado de seu avô ao apoiar privatização da água

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Julinho Bittencourt, Revista Fórum -O vereador Leonel Brizola Neto (PSOL-RJ), neto do ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, reagiu ao voto do senador Cid Gomes (PDT-CE), dado nesta quarta-feira (24), a favor do PL da Privatização das Águas. Brizola Neto afirmou, em mensagem exclusiva enviada à Fórum:

“Na semana em que lembramos os 16 anos sem Leonel Brizola, senador do PDT Cid Gomes passa com a retroescavadeira em cima do legado de meu avô.”

Cid Gomes votou a favor

Cid Gomes foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter na noite desta quarta-feira (24), ao receber uma enxurrada de críticas por ter votado a favor do Projeto de Lei da privatização das águas.

 

O Senado Federal aprovou nesta quarta (24) o PL do novo marco legal do saneamento básico (4162/19). O texto, criticado por movimentos sociais e organizações que defendem as águas como bem público, teve 65 votos a favor e 13 contra. Sem destaques, ele seguirá para sanção presidencial.

Leia a íntegra na Fórum.

Se Portugal não tomar posição face ao que se passa no Brasil é cúmplice de “genocídio”

24/06/2020
 
 
 
 

Sérgio Tréfaut diz que Portugal deve ficar do lado certo da história. Petição “Pela democracia e contra o genocídio no Brasil” já conta com 1200 assinaturas.

O cineasta lusobrasileiro Sérgio Tréfaut defende que Portugal deve tomar uma posição face ao que se passa no Brasil, o segundo país do mundo com mais mortes e casos de Covid-19, será cúmplice de "um genocídio".

"O que se passa no Brasil é um genocídio e o mundo não se está a pronunciar", lamenta Sérgio Tréfaut. Incluindo Portugal, com "paninhos quentes de não-ingerência e receio de neocolonialismo".

"Nesse caso Portugal está do lado de quem assassina", condena o cineasta que estava a viver no Brasil, assumindo que "fugiu" do país.

"Estar do lado certo da história é importante. Jair Bolsonaro mal sair do Governo será julgado. Será julgado no Brasil como genocida e vai passar muitos anos na prisão", considera.

Foi lançada este mês a petição "Pela democracia e contra o genocídio no Brasil" para pedir a intervenção de Portugal, que junta a Casa do Brasil, o Coletivo Andorinha, a Rede sem Fronteiras e a plataforma Brasil em luto.

A petição conta já com mais de 1200 assinaturas, incluindo nomes como José Gil, Francisco Louçã, Inês Pedrosa, Maria de Medeiros, Pilar del Rio e Fernando Rosas.

O cineasta disse ter contactado o gabinete do primeiro-ministro português, enviado uma carta-aberta ao Presidente da República e depois ter tido uma conversa telefónica com Marcelo Rebelo de Sousa, e pedido audiências aos partidos políticos.

Leia em TSF

 

“Nem o pior ministro da Saúde fez o que Exército está fazendo, desmontando a engrenagem do SUS”, diz analista

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247- Ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Adriano Massuda criticou a ocupação de militares na pasta. De acordo com o professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador-visitante na Escola de Saúde Pública de Harvard (EUA), o "volume de ocupação de cargos técnicos por militares e por indicações políticas sem qualificação necessária na estrutura do Ministério da Saúde tem ocorrido como nunca antes desde que o SUS foi criado". "Nem o pior ministro da Saúde fez o que está acontecendo agora", disse em entrevista ao jornal El País.

"Há áreas técnicas do Ministério da Saúde, fundamentais a manutenção de programas de saúde, que já passaram por diferentes governos, de diferentes bandeiras políticas, e nunca foram modificadas, devido ao saber acumulado. Pode haver um processo de desmonte da engrenagem que fez o sistema de saúde funcionar nos últimos 30 anos que é muito perigoso", continuou.

"O Exército pode estar puxando pro seu colo a responsabilidade de desmontar o sistema de saúde brasileiro. Esse sistema que é essencial para garantir a segurança sanitária do nosso país", acrescentou.

Segundo o analista, o Brasil não está "em situação pior justamente porque nós temos o SUS [Sistema Único de Saúde] e porque o Brasil tem uma tradição em programas de saúde pública". "Agora o ministério atrapalha a resposta à pandemia", disse.

O pesquisador criticou as trocas de ministros na pasta da Saúde. "Como governar um sistema de saúde com tanta troca? Isso expõe fragilidades que precisarão ser enfrentadas se quisermos ter melhor capacidade de defesa a desafios como a pandemia da covid-19 nos apresenta".

O agora ex-ministro Luiz Henrique Mandetta deixou o cargo após divergências com Jair Bolsonaro, que subestimava (e continua) os efeitos da pandemia. Diferentemente do seu antigo chefe, Mandetta defendia um isolamento radical para enfrentar a Covid.19.

Depois quem assumiu o ministério foi Nelson Teich. Também saiu do governo após discordâncias com Bolsonaro, que defendia o uso da cloroquina no tratamento de pacientes diagnosticados com coronavírus, mesmo sem o remédio ter comprovação científica.

Com mais de 1,193 milhão de casos da Covid-19, Brasil tem 53,9 mil mortes provocadas pela doença

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247 - O número de infectados com a Covid-19 no Brasil atingiu 1.193.609 infectados e 53.895 mortes, aponta o boletim das 8h da manhã desta quinta-feira (25) do consórcio inédito formado entre veículos de imprensa. As secretarias estaduais de Saúde são responsáveis pela entrega dos dados. A informação é do jornal O Globo.

O Brasil registrou cerca de 1.364 novos óbitos em 24 horas no boletim divulgado às 8h da última terça-feira (23). O recorde, desde o início da pandemia, é de 1.470 mortes em 24 horas no dia 04 de junho, acrescenta a reportagem.

Após Jair Bolsonaro restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19, os veículos de imprensa Globo, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, UOL e G1 decidiram trabalhar juntos para buscar informações omitidas pelo governo federal.

 

Brasil | Centrão já ameaça abandonar Bolsonaro

 
 

Para o Centrão, “se havia a intenção de acolher Queiroz para que ele não virasse homem-bomba, que isso fosse feito de forma mais eficiente”. Agora, “a bomba explodiu no colo de Bolsonaro” e “criou dificuldades para os recém-aliados” apoiarem o governo. Será que o Centrão já ameaça desembarcar do laranjal?

 
Altamiro Borges*, São Paulo | Correio do Brasil | opinião
 
Não são apenas os generais que sentiram o baque com a prisão de Fabrício Queiroz, o operador da famiglia Bolsonaro. Mônica Bergamo destaca na Folha: “Defender Bolsonaro ficou mais difícil após advogado abrigar Queiroz, avaliam líderes do Centrão”. Ou seja: os profissionais do fisiologismo também estão incomodados!
 
Segundo a notinha, “os líderes do Centrão ficaram assustados com o que consideram irresponsabilidade de se abrigar Fabrício Queiroz na casa de Frederick Wassef, advogado da família de Jair Bolsonaro”. O nível de imbecilidade de Bolsonaro, dos seus filhotes e dos seus milicianos assusta os políticos da direita tradicional.

Para o Centrão, “se havia a intenção de acolher Queiroz para que ele não virasse homem-bomba, que isso fosse feito de forma mais eficiente”. Agora, “a bomba explodiu no colo de Bolsonaro” e “criou dificuldades para os recém-aliados” apoiarem o governo. Será que o Centrão já ameaça desembarcar do laranjal?

 
Fatura cresceu com prisão de Queiroz

No mesmo rumo, e confirmando o balcão de negócios que virou o laranjal de Bolsonaro, o jornal Valor registra que a “fatura do Centrão cresce com prisão” de Fabrício Queiroz. Ou seja, a velha política do toma-lá-dá-cá custa caro. Só mesmo os bolsominions mais abestados ainda acreditam na bravata da “nova política”.

Segundo a matéria, “após a prisão do amigo e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o presidente deve intensificar a entrega de cargos a partidos do Centrão, de olho na ‘governabilidade’ e como parte da estratégia de defesa que se desenha no núcleo do governo” para barrar o pedido de impeachment.

Além disso, o maior temor do “capetão” é que Flávio Bolsonaro, o filhote 01, “possa se desgastar a tal ponto com mais um episódio do caso Queiroz e que venha a sofrer processo de cassação no Senado, o que tornaria a aliança com o bloco informal de partidos de centro-direita ainda mais urgente”.

Nesse cenário, a pressão do Centrão por mais postos também cresce, “como aconteceu com o movimento de partidos para salvar por duas vezes o ex-presidente Temer de ser afastado. As negociações políticas podem envolver indicações até no Ministério da Educação”. O balcão de negócios ficará mais agitado no laranjal!

Mais de 300 cargos no balcão de negócios

E ele já estava intenso antes mesmo da prisão de Fabrício Queiroz e da queda de Abraham Weintraub. No início de junho, o diário conservador carioca O Globo já havia informado que as negociatas tinham se intensificado no Palácio do Planalto. “Governo já entregou mais de 300 cargos a indicações políticas”, relatava o jornal.

Segundo a matéria, um dos articuladores da aproximação do “capetão” com os velhacos do Centrão tem sido o deputado Arthur Lira (PP-AL), denunciado novamente à Justiça por corrupção passiva. O Globo enfatiza que “a entrega ao Centrão de cargos em postos-chave do Executivo expôs Jair Bolsonaro a um duplo desgaste”:

“Além da fragilidade no discurso pela composição com o grupo político atacado no passado pelo presidente e seus aliados mais próximos, o Planalto agora tem de se submeter a avaliar indicações de políticos envolvidos na Lava-Jato e no mensalão”. A vida é cruel!

Recorde de emendas parlamentares

Além da entrega de cargos para se safar do impeachment e para salvar seus filhotes e amiguinhos de outras punições, Jair Bolsonaro também tem abusado no uso das emendas parlamentes. Segundo matéria publicada em junho no Estadão, o governo já havia batido recorde na liberação de emendas “para agradar o Centrão”.

Somente em abril, R$ 6,2 bilhões foram empenhados (quando a gestão se compromete com a despesa). É o maior valor empenhado para um único mês desde 2016, ano em que o monitoramento passou a ser possível. O montante efetivamente pago também foi o maior para um único mês nos últimos anos – de R$ 4 bilhões.

Na avaliação do economista Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas, esse recorde na liberação de emendas decorre dos gastos emergências no combate à pandemia do coronavírus e também da aproximação do Palácio do Planalto com os políticos das legendas que compõem o chamado Centrão.

Em abril, os pagamentos mais robustos foram, individualmente, para parlamentares deste campo. Até então, eles não haviam conseguido liberações. “Apesar de não ter sido o único fator que explique a maior liberação, o novo canal de diálogo do governo com o Centrão teve influência nesses pagamentos, na visão de Castello Branco”.

*Altamiro Borges, é jornalista.

Justiça obriga Bolsonaro a usar máscara em eventos públicos no Distrito Federal

Rio de Janeiro, 23 jun (Xinhua) -- A Justiça brasileira decretou nesta terça-feira que o presidente do país, Jair Bolsonaro, obedeça com as normas e seja obrigado a usar uma máscara nos eventos públicos que participar no Distrito Federal, sob pena de uma multa de 2 mil reais (US$ 400) diários em caso de descumprimento.

O juiz federal Renato Borelli, do Distrito Federal, aceitou uma ação civil pública apresentada por um advogado de Brasília, que pediu para que Bolsonaro cumprisse às normas decretadas para toda a população da capital brasileira na luta contra a pandemia da COVID-19 e usasse máscara em locais públicos.

Segundo o juiz, o governo brasileiro também deverá exigir o uso de máscara de proteção a todos os seus funcionários e colaboradores enquanto estiverem em serviço e estabeleceu uma multa de 20 mil reais (US$ 4.000) diários em caso de descumprimento.

"A conduta do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, que se recusa a usar uma máscara no rosto em atos e locais públicos no Distrito Federal, mostra uma clara intenção de descumprir as regras impostas pelo Governo do Distrito Federal, que nada tem feito para fiscalizar o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI)", disse o juiz na sua sentença.

O Governo do Distrito Federal estabeleceu em 30 de abril passado o uso obrigatório de máscaras nas áreas públicas da capital brasileira.

Não obstante, Bolsonaro, crítico severo das medidas de isolamento social decretadas pela maioria dos governos regionais, tem aparecido em várias ocasiões sem máscara, no meio do povo e inclusive em lojas.

O Brasil é atualmente o segundo país do mundo em número de mortes e contágios causados pela pandemia do novo coronavírus. Segundo o boletim oficial divulgado nesta terça-feira, a doença já causou 52.645 óbitos e contaminou a 1.145.906 pessoas. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-06/24/c_139163416.htm

Brasil supera 52 mil mortes por COVID-19 com 1.374 óbitos em um dia

Rio de Janeiro, 23 jun (Xinhua) -- Brasil contabilizou 1.374 mortes pela COVID-19 nas últimas 24 horas, elevando o total de óbitos causados pelo novo coronavírus a 52.645, enquanto a cifra de infectados desde o início da pandemia no país soma 1.145.906, de acordo com o balanço oficial divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Saúde.

Segundo país do mundo em número de contágios e mortes, atrás apenas dos Estados Unidos, o Brasil registrou 39.436 novos casos positivos nas últimas 24 horas.

Epicentro da epidemia no Brasil, o estado de São Paulo (sudeste), bateu seu recorde de óbitos em um dia, ao registrar 434, totalizando 13.068 mortos, com 229.475 casos positivos.

Em seguida, vem o estado do Rio de Janeiro (sudeste), com 9.153 óbitos e 100.869 pacientes infectados. O terceiro estado em numero de mortos é o Ceará (nordeste), com 5.717 e 97.528 casos confirmados. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-06/24/c_139163389.htm

"A favela não está em home office"

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DW Brasil - Os efeitos econômicos da pandemia da covid-19 ampliaram a fome e a insegurança alimentar em favelas brasileiras. Sem emprego, e em alguns casos sem conseguir receber o auxílio emergencial, muitos moradores dessas comunidades precisaram recorrer a doações para conseguir alimentos e convivem com a insegurança em relação a como sobreviverão nos próximos meses.

Um levantamento feito pela Rede de Pesquisa Solidária, que ouviu 79 líderes de comunidades vulneráveis das cinco regiões do país, aponta que 67% deles identificaram fome e privação de alimentação em suas comunidades, e 40% afirmaram que a doação de alimentos não é suficiente e tem problemas de coordenação. A Rede de Pesquisa Solidária reúne acadêmicos de diversas instituições de pesquisa engajados em analisar os efeitos socioeconômicos da pandemia, e as entrevistas foram feitas entre 25 de maio e 5 de junho.

"O que mais tem é gente passando fome e necessidade, geralmente mães solo que trabalhavam por diárias ou pessoas que atuam na reciclagem e tiveram suas rendas cortadas", afirma à DW Brasil José Antonio Campos Jardim, morador do Sul Pinheirinho, em Curitiba, e presidente da Central Única das Favelas (Cufa) do Paraná.

 

Continue lendo na DW BRasil.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/a-favela-nao-esta-em-home-office

Taxa de contágio volta a crescer e Brasil registra 42,7 mil novos casos de covid-19

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Brasil de Fato - O Brasil segue superando outras nações em registros diários da covid-19 e entre terça (23) e quarta-feira (24) confirmou 42.725 novos infectados pela doença. O resultado só fica abaixo dos mais de 54 mil pacientes que foram registrados no país nas 24 horas entre quinta (18) e sexta-feira (19) da semana passada.

Segundo dados do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde, o total de infectados desde o início da pandemia é de 1.188.631. Ainda de acordo com os dados do Conass, o número de mortos pela covid no país é de 53.830. Foram 1.185 óbitos confirmados de terça (23) para quarta-feira (24). A taxa de letalidade atual é de 4,5%.

Nenhum estado brasileiro registrou diminuição de casos e mortes, o crescimento é observado em todas as unidades da federação. Entre os que mais têm casos e mortes, São Paulo aparece em primeiro lugar (238.822 casos e 13.352 mortes). Na sequência está o Rio de Janeiro (103.493 casos e 9.295 mortes), que tem também a maior taxa de letalidade do país: 9%. O Ceará é o terceiro da lista (99.578 casos e 5.815 mortes).

Taxa de contágio volta a crescer

A taxa de contágio no Brasil havia vinha registrando desaceleração por três semanas seguidas, mas voltou a crescer. Isso quer dizer que o número de pessoas para as quais cada infectado passa a doença está maior, o que pode ser resultado direto do relaxamento nas medidas de isolamento social.

Segundo o Imperial College de Londres, o índice no Brasil é de 1,06. Esse cenário coloca o país na lista de nações em que a pandemia segue fora de controle. Atualmente, cada 100 contaminados transmitem para outras 106 pessoas. Relação que aumenta a cada grupo de infectados.

 

A instituição avalia ainda que o número de casos em solo brasileiro pode ser três vezes maior que o registrado oficialmente. Há estimativa de que esse montante seja superior a 3 milhões de pessoas.

Morte avança na América Latina

Nesta terça-feira (23), a América Latina ultrapassou a marca de 100 mil mortes pela covid-19. Mais da metade dos óbitos ocorreram no Brasil. A região tem 2,16 milhões de infectados e o Brasil concentra a maior parte dos casos.

 

O diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que a região ainda não chegou ao pico da pandemia. "Eu caracterizaria a situação na América Latina como ainda em evolução (...) Deve resultar, provavelmente, em número sustentado de casos e morte contínua nas próximas semanas.”

O vírus explora a má governança.

Ryan ressaltou ainda que a evolução da pandemia está diretamente relacionada à intervenção do governo, cooperação da comunidade e capacidade de atuação dos sistemas de saúde.

"O vírus explora uma vigilância fraca. O vírus explora os sistemas de saúde fracos. O vírus explora a má governança. O vírus explora falta de educação, falta de empoderamento das comunidades.”

MST elabora Plano Emergencial, agora é hora de ir às ruas

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No início de junho, o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST) lançou um Plano Emergencial de Reforma Agrária Popular com diversos pontos para os trabalhadores da cidade e do campo para enfrentar a crise econômica e sanitária em consequência da pandemia de coronavírus e agravada pelo governo Bolsonaro.

O Plano Emergencial é dividido em quatro eixos: “Terra e Trabalho; Produção de alimentos saudáveis; Proteger a natureza, a água e a biodiversidade; e Condições de vida digna no campo para todo povo”.

O próprio MST realizou um levantamento que 729 empresas/famílias devedoras da União que devem mais de R$ 200 bilhões, somando 6 milhões de hectares de terras nas mãos desses latifundiários. A proposta é de que esses milhões de hectares sejam utilizados para a reforma agrária.

São várias propostas, mas somente essa já teria um grande impacto e enfrentaria grandes dificuldades da direita e dos latifundiários. Este artigo não tem como objetivo debater a proposta apresentada pelos companheiros do MST, mas com a proposta pronta qual seria o método para colocá-lo em prática.

Essa proposta do MST de saída política e econômica para a crise instalada no país vai bater de frente com o setor mais atrasado da economia brasileira, os latifundiários. Os latifundiários ajudaram o golpe em 2016, a perseguição ao PT e a prisão de Lula. E dominam o Congresso Nacional através da bancada ruralista.

A principal divergência da esquerda é como enfrentar o governo Bolsonaro, ainda mais no período de pandemia. Já havia uma decisão da esquerda de não enfrentar com o governo Bolsonaro porque não havia condições e aderir a política da resistência. Essa política só levou a sucessivas derrotas e agora a política de não sair as ruas está sendo apresentada como um empecilho para enfrentar Bolsonaro.

 

Para colocar o plano emergencial em prática é preciso ir às ruas

É evidente que dentro das instituições não há condições de enfrentar Bolsonaro. O Congresso Nacional está dominado pelos bolsonaristas e pela direita chamada de “centrão” que apesar de divergências pontuais com Bolsonaro, concorda em toda a sua política de ataques aos trabalhadores, pois está aprovando praticamente tudo.

Dentro desse congresso e através de conchavos políticos, o Plano Emergencial proposto não vai sair do papel. Dentro do judiciário, STF e outras instituições também não estão favoráveis aos trabalhadores da cidade e do campo.

A única saída para a esquerda, em especial para o MST, é sair as ruas. O MST já está realizando algumas ações solidárias entra a população pobre e trabalhadora, mas é preciso dar mais um passo a frente na luta contra a direita e o governo Bolsonaro.

 

Poucos trabalhadores conseguiram ficar em quarentena e mesmo assim governadores já decidiram que não haverá mais quarentena. Fato que vai agravar ainda mais a situação dos trabalhadores.

Está na hora de se aproveitar da crise dentro dos golpistas e ir as ruas para derrubar Bolsonaro e todos os golpistas. Nas últimas semanas foi demonstrado que existe uma tendência de mobilização nas ruas da população e para garantir que as reivindicações do MST sejam atendidas é preciso mobilizar os trabalhadores para enfrentar Bolsonaro.

Pandemia e Bolsonaro arrasam trabalhadores: 19 milhões afastados, 18 milhões com jornada menor e 10 milhões sem renda

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Rede Brasil Atual - No mês passado, 19 milhões dos 84,4 milhões de trabalhadores no país estavam afastados do serviço, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira (24) pelo IBGE. Desse total, eram 9,7 milhões sem remuneração, ou 11,5% da população ocupada. E perto de 28%, ou 18,3 milhões de pessoas, tiveram jornada abaixo da habitual.

Os dados fazem parte das Pnad Covid19, criada a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, que acompanha o mercado de trabalho. Segundo o IBGE, havia ainda 2,4 milhões de pessoas acima da jornada normal. Mas o total de horas efetivamente trabalhadas na semana, no geral, ficou bem abaixo da média habitual, passando de 39,6 para 27,4, em maio.

Isso se refletiu no rendimento efetivamente recebido no mês passado. A média foi de R$ 1.899, queda de 18,2% em relação ao valor normalmente recebido (R$ 2.320). As quedas eram maiores no Nordeste e no Sudeste, onde a renda de maio correspondeu a 80,3% e 80,7%, respectivamente, do normal.

“Nós já sabíamos que havia uma parcela da população afastada do trabalho e agora a gente sabe que mais da metade dela está sem rendimento”, observou o diretor adjunto de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo. “São pessoas que estão sendo consideradas na força (de trabalho), mas estão com salários suspensos. Isso não é favorável e tem efeitos na massa de rendimentos gerada, que está estimada abaixo de R$ 200 bilhões.”

Auxílio emergencial

De acordo com a pesquisa, quase 40% dos domicílios (38,7%) receberam algum auxílio do governo em consequência da pandemia de coronavírus. O valor médio do benefício, segundo o IBGE, foi de R$ 847. Nas regiões Norte e Nordeste, esse auxílio atingiu mais metade dos domicílios.

 

Leia também: ‘Auxílio emergencial precisa ser estendido, e no mesmo valor’, afirma diretor do Dieese

A estimativa era de que o país tinha, em maio, 160,9 milhões de pessoas com 14 anos ou mais, que é considerada pelo instituto a população em idade de trabalhador. Mas 75,4 milhões estavam fora da força de trabalho, formada por 94,5 milhões. Destes, eram 84,4 milhões de ocupados e 10,1 milhões de desempregados.

Os números mostram certa diferença em relação à Pnad Contínua, que divulga dados trimestrais. As mulheres representavam 43,5% da força de trabalho, 42,8% dos ocupados e 49,5% dos desempregados, com taxa de desemprego maior que a dos homens (12,2% e 9,6%, respectivamente).

 

A região Nordeste era a que tinha o maior percentual de pessoas afastadas do trabalho devido ao isolamento social, segundo o IBGE. Eram 26,6% do total, para uma média nacional. No Sul, a taxa foi de 10,4%. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, 27,3% estavam afastadas, participação que subiu para 33,3% no Nordeste.

Trabalhadores sem carteira

Entre as categorias de trabalhadores, o afastamento devido à pandemia atingiu 33,6% dos empregados domésticos sem carteira assinada. Em seguida, vieram os empregados setor público (29,8%) e do setor privado (22,9%), ambos também sem carteira.

“Claramente os trabalhadores domésticos sem carteira foram os mais afetados pela pandemia”, observou Cimar. “Parcela expressiva deles tem renda média abaixo de um salário mínimo. Já os com carteira foram menos afetados porque têm mais estabilidade”, acrescentou o diretor.

Entre os 65,4 milhões de pessoas não afastadas, 8,7 milhões estavam no chamado trabalho remoto ou home office. O número corresponde a 13,3% dos ocupados não afastados. Entre as mulheres, o percentual sobe para 17,9%, ante 10,3% dos homens. E vai a 38,3% no caso daqueles com nível superior completo ou com pós-graduação. Cai para 0,6% entre trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.

O IBGE calculou ainda em 36,4 milhões o total de pessoas “pressionando o mercado de trabalho”. É a soma de desempregados com aquelas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram serviço. Dessas, 26,8 milhões não procuraram devido à pandemia ou por falta de oportunidade na região.

Sintomas e internação

A pesquisa do IBGE quis ainda saber dos entrevistados se eles haviam sentido algum sintoma que pode, ou não, estar associado à covid-19. Assim, 24 milhões (11,4% da população) relataram sintomas de gripe. E 3,8 milhões (1,8%) apontaram perda de capacidade de sentir cheiro ou sabor. Perto de 1 milhão (0,5%) acusaram tosse, febre e dificuldade de respirar.

Das pessoas que haviam apresentado algum sintoma e procuraram atendimento em hospitais, 113 mil precisaram ser internadas, na maioria homens (59,4%) e de cor preta ou parda (56,3%), classificação usada pelo IBGE. Mais de 40% tinham idade superior a 60 anos. Dos internados, 31 mil precisaram ser sedados, intubados e colocados em respiração artificial.

Basta de violência contra pobres e negros

As imagens que circularam nas redes sociais e na mídia do jovem negro Gabriel, de 19 anos, sendo estrangulado duas vezes por um policial militar em Carapicuíba, Região Metropolitana de São Paulo, na tarde de domingo, merecem, além de repúdio, reflexões.

 

 

A primeira cena, com o jovem asfixiado pela força de um policial, é praticamente uma repetição do que aconteceu nos Estados Unidos com George Floyd, que desatou uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial, disseminando a mensagem “Vidas negras importam”.

O fato chama a atenção pela covardia de uma violência desnecessária, infame, com característica de tortura, contra um cidadão imobilizado e em poder do Estado, no caso a Polícia Militar. O que aconteceu com o jovem Gabriel é rotina nas periferias do país, conforme mostram em profusão reportagens e imagens como a que flagrou a barbárie de Carapicuíba.

O povo dessas comunidades e bairros pessimamente servidos de infraestrutura luta para viver em paz com suas famílias. Muitos são assaltados quando são obrigados a circular em horários noturnos, quando ficam mais expostos à violência, indo ou retornando do trabalho ou da escola. Da mesma forma, país e mães que deixam os filhos para trabalhar ou estudar são tomados pela incerteza do que pode acontecer com a falta segurança.

Viver em paz e segurança é aspiração de toda cidade, em especial onde as estatísticas de assalto, homicídio e delitos de toda ordem são elevadas. Acontece que essas populações têm justificado medo e, mesmo pavor, das forças policiais, dado a frequência com que agentes do Estado que deveriam protegê-las cometem atos de violência.

Há muito tempo no país movimentos populares, associações antirracistas, sindicatos, grupos de direitos humanos, acadêmicos, partidos, parlamentares e religiosos denunciam as causas das estatísticas da violência. O país vive uma realidade em que o Estado perdeu o monopólio da força, conforme estabelece a Constituição, com a proliferação do crime organizado.

O Estado deve retomar o monopólio da força, com um aparato policial dotado de meio e recursos para a profissionalização, para o aperfeiçoamento dos serviços de inteligência e para equipamentos condizentes com a necessidade de acabar com o crime organizado. O que se espera é que governadores, prefeitos e o Congresso Nacional tomem providências contra essa calamidade.

Infelizmente, não se pode contar com o governo federal nessa tarefa. Isso porque o presidente Bolsonaro e seu clã são incentivadores desses descalabros com sua retórica de violência e ligações com grupos criminosos, as conhecidas milícias. A ligação com esses grupos significa, na prática, aval à criminalidade como regra contra o povo das periferias.

Bolsonaro editou oito decretos e seis portarias que ampliam e facilitam o porte e a posse de armas. E elevaram a potência e a liberação de novos calibres, o que favorece as milícias e incrementa a violência.

É urgente, uma exigência premente, que se tome as medidas necessárias contra a violência fardada cometida contra os pobres, atingido, em especial, os negros. Nesse momento em que o país começa a se unir em defesa da democracia, é preciso exigir leis e medias no sentido de que o aparato policial tenha normas rígidas, com corregedorias que atuem com isenções e eficácia para que crimes como esse praticado contra o jovem Gabriel sejam exemplarmente punidos.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Brasil | Extrema direita, economia parada e conexão com os pobres

Antes da quarentena, a economia já estava parada. Com a pandemia, o inoperante governo de extrema direita usa benefícios para se agarrar aos mais pobres.

 

 

Antes de começar a quarentena decorrente da pandemia do coronavírus, a economia brasileira já se encontrava quase parada. O resultado disso podia ser observado junto aos diversos sinais de empobrecimento da população, quando a metade dos brasileiros encontrava-se obrigada a ter que sobreviver com R$ 14 diários, conforme informações do IBGE.

Após cinco anos de penúria imposta pelo retorno do receituário neoliberal, desde 2015, o país registrava quase ¼ dos seus domicílios sobrevivendo sem ter acesso à renda do trabalho. O declínio capitalista empurrou multidões a depender de doações e transferência de renda pública e pessoal. E fez com que, no ano de 2019, quase 1/3 dos brasileiros dependesse de algum tipo de benefício do orçamento público para viver.

A chegada da pandemia do novo coronavírus e agravou a paralisação de parte significativa da economia nacional. E não houve ação governamental imediata de medidas de suporte aos micro e pequenos negócios. Assim, as ocupações ficaram congeladas e logo passaram a desaparecer. Numa economia com cerca de 2/3 da força de trabalho ocupada em empreendimentos de até cinco trabalhadores, sendo que quatro a cada cinco são estão na informalidade, o impacto da crise logo se abateu sobre a parcela da população mais vulnerável.

O conjunto de 17,2 milhões de micro e pequenos negócios existentes no país, com 57% compostos por Micro Empreendedor Individual (MEI), por 38% de microempresas e por 5% de pequenas empresas, envolve 62 milhões de ocupados no Brasil. Até o mês de maio de 2020, 40% do total dos micro e pequenos negócios foram os mais afetados negativamente, sendo 8,6% fechados em definitivo, o que levou consigo 9,3% do total das ocupados, segundo informações do Sebrae.

Sem política

Nesta gravíssima situação nacional, o atual governo de extrema direita buscou integrar-se mais diretamente com a pobreza e sua dinâmica de reprodução. Por força da atuação do Congresso nacional, cerca de 56 milhões de brasileiros passaram a ser sustentados por algum benefício novo implementado pela inclusão de 1,2 milhão de famílias – além da multiplicação por três vezes a renda de 95% das 14,2 milhões de domicílios pertencentes ao programa Bolsa família. Bem como a incorporação de 44,8 milhões de pessoas no Auxílio Emergência e de 10 milhões no Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e de Renda.

Nestes últimos 40 anos de estagnação da economia nacional, capaz de acumular duas décadas perdidas (1980 e 2010), os governos do ciclo político da Nova República buscaram atuar junto ao brutal e crescente excedente de mão de obra às necessidades da economia. Diante do desemprego aberto no início da década de 1980 gerado pela recessão econômica durante a crise da dívida externa do último governo militar (general. Figueiredo, 1979-1985), o presidente lançou o slogan “tudo pelo social” no mandato presidencial marcado pela hiperinflação e descrédito no enfrentamento das mazelas nacionais.

Collor de Mello, primeiro presidente eleito após 21 anos de ditadura civil-militar, que teve o governo encurtado pelo impeachment (1990-1992), voltou-se ao tema da inclusão dos “descamisados” e classe média através da promessa de modernização do padrão de consumo com o ingresso na globalização. Mas isso somente se tornou possível com algum o sucesso na estabilização monetária alcançada pelo governo Itamar (1992-1994), com o Plano Real.

Base da pirâmide

Tanto assim que Fernando Cardoso (1995-2002) foi eleito e reeleito no primeiro turno em 1994 e 1998 a partir da ampliação e modernização do padrão de consumo possibilitado pela contenção do imposto inflacionário e pela importação generalizada de produtos a partir da valorização cambial. O déficit comercial gerado pela barbeiragem da combinação de moeda supervalorizada diante do dólar com altíssima taxa de juros reais para atrair capital especulativo produziu a crise financeira em 1998, tornando o seu segundo governo traumático e decepcionante.

Nos governos do PT (2002-2016), o sucesso da inclusão social e o novo impulso na modernização do padrão de consumo foram tão acentuados que geraram a expectativa da construção de uma nova classe média. O êxito obtido pela elevação do nível ocupacional, acompanhado da recuperação do salário mínimo, da ampliação dos benefícios dos programas sociais e da generalização do crédito, fortaleceu o mercado interno, ainda que na desindustrialização houvesse dependência crescente da importação de manufaturados.

Na crise fiscal enfrentada pelo decrescimento econômico desde 2015, o desembarque dos pobres do orçamento tornou-se uma realidade. Nos governos pós-golpe de 2016, por exemplo, a Emenda Constitucional 95 congelou recursos públicos não financeiros. E comprometeu áreas como saúde e educação, enquanto a aprovação da deforma da previdência social retira um trilhão de reais de aposentados e pensionistas.

Isso acontece em meio à pandemia da covid-19 que se dá em meio à gigantesca inclusão de empobrecidos em benefícios de renda patrocinados pelo orçamento público. Diferentemente dos governos de F. Cardoso e do PT, não há atualmente a elevação na massa de renda do trabalho e, portanto, sem a modernização do padrão de consumo das massas empobrecidas. Mesmo assim, o governo da extrema direita chega à base da pirâmide social brasileira.


por Marcio Pochmann, Professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Fonte: Rede Brasil Atual)  |  Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Ato virtual democrático reúne representantes de ampla oposição a Bolsonaro

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247 -Um ato virtual está marcado para esta sexta-feira (26), que poderá representar a mais ampla, unida e forte manifestação dos movimentos pela democracia de oposição a Jair Bolsonaro. Espera-se a presença dos ex-presidentes FHC (PSDB), José Sarney (MDB) e Michel Temer (MDB), de lideranças da esquerda e do centro, de ex-candidatos à presidência, além de representantes da sociedade civil.

O ato é organizado pelo movimento Direitos Já, coordenado pelo sociólogo Fernando Guimarães, ex-PSDB, informa o Painelda Folha de S.Paulo.

Guimarães elogia o caráter amplo da reunião. Para ele, o evento é comparável a um grande palanque, como o da campanha Diretas Já, pelas eleições diretas a presidente da República, em 1984.

Espera-se a presença do presidente do STF, Dias Toffoli, assim como o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, e o arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer.

O convite destaca que estarão presentes 100 das mais importantes lideranças e personalidades da política e da sociedade.

Entre essas personalidades, estão Luciano Huck, Guilherme Boulos (PSOL), o governador Flávio Dino (PCdoB-MA), Bruno Araújo (PSDB) e os ex-candidatos Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede, já confirmados. Os movimentos Basta!, Estamos Juntos e Somos 70% também vão fazer parte.

O ex-presidente Lula foi convidado, mas diz que não participará. Sergio Moro não foi chamado.

Governo Bolsonaro é denunciado na ONU por ‘genocídio nas prisões’ via covid-19. Casos cresceram 800%

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Rede Brasil Atual - O governo de Jair Bolsonaro foi denunciado à Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), por “aprofundar” sua “política colonial e genocida” nos presídios brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus. A denúncia, apresentada nesta terça-feira (23), é assinada por 213 entidades que apontam para a contaminação pela covid-19 em prisões como “início da prática de desaparecimentos forçados”. As informações são do jornalista Jamil Chade, em coluna no UOL.

As entidades acusam o governo de negligência diante da escalada de casos da doença dentro do sistema prisional. De acordo com o documento, houve um aumento de 800% nas taxas de contaminação desde maio, chegando a mais de 2.200 mil casos até a segunda semana de junho.

Mesmo assim, a gestão Bolsonaro tem empregado “medidas de incomunicabilidade sistemática”. Faltando com “uma política séria e responsável de desencarceramento em massa”. E “expondo quase 1 milhão de pessoas ao iminente dano irreparável à integridade física e à vida”.

Covid-19 nas prisões

O primeiro caso da doença foi registrado em 8 de abril. Em 20 dias, o número de custodiados infectados pela covid-19 já havia passado de 100 casos. Até esta segunda (22), o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) registrava em plataforma 3.482 casos confirmados, 875 suspeitos e 1.846 recuperados.

Outras 56 pessoas morreram vítimas de covid-19 nas prisões. Esse cenário “aprofunda a angustiante sensação de espera pela morte entre presos e seus familiares, prática de tortura e tratamento degradante, desumano e cruel”, afirma a queixa formal. As entidades ainda alertam para problemas no registro de óbitos, rebeliões e uso de estruturas temporárias precárias para o abrigo das pessoas presas. E lembram que a situação nos presídios era degradante desde antes da pandemia, com a superlotação de celas, a desnutrição e a alta incidência de doenças evitáveis como a tuberculose.

Estado brasileiro sabe do risco

A denúncia adverte para uma “catástrofe de proporções preocupantes” e cobra dos organismos internacionais que questionem o Estado brasileiro “sobre a ausência de medidas emergenciais para controlar o crescimento exponencial do número de mortes no cárcere”.

 

O pedido de posicionamento público pode agravar a crise de legitimidade do governo Bolsonaro perante ao mundo, observa Jamil Chade.

Entre as entidades que assinam a denúncia estão o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, Justiça Global, o Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria do Estado de São Paulo, a Conectas Direitos Humanos e o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim). Também integra a elaboração do documento o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.

Em abril, o comitê da organismo denunciou à Rádio Brasil Atual que o governo Bolsonaro atuava para “obstruir os trabalhos do grupo durante a pandemia”. Isso mesmo diante das mortes nas prisões. Um mês antes, o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) entrou com liminarna Justiça, requisitando medidas alternativas à privação de liberdade devido a “situação precária e desumana dos presídios”.

 

Linha Moro

A proposta visava a concessão de prisão domiciliar monitorada para idosos, mulheres lactantes, pessoas com vulnerabilidades imunossupressoras e respiratórias, de grupos de risco como HIV positivo e especial atenção para aqueles que praticaram crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa. Elogiada por organismos internacionais, a medida não foi seguida pela justiça brasileira.

Reportagem da RBA mostra que os tribunais preferiram a linha do agora ex-ministro Sergio Moro, de proibição das visitas. O CNJ diz que 32,5 mil detentos foram beneficiados com a medida. O que representa somente 5% de toda a população carcerária.

As entidades lembram que “cabe ao Estado brasileiro garantir vidas. E a ele é proibido decretar generalizada e sistematicamente sentenças de morte cruéis de quase um milhão de pessoas, marcadas pela invisibilidade da dor dos seus familiares e pelo descumprimento de seu direito à verdade e memória”.

Até o momento, 0,1% da população carcerária foi testada. O Depen informa que apenas 11 mil testes para a covid-19 foram feitos entre o contingente de mais de 800 mil custodiados. O terceiro maior do mundo. Ainda assim, o documento ressalta que as taxas de mortalidade nos presídios já são maiores do que fora dos muros. “A letalidade do covid-19 é cinco vezes a daquela que aflige a sociedade.”

Stop Bolsonaro

O núcleo de Lisboa do Partido dos Trabalhadores (PT) promove no próximo domingo, 28 Junho, pelas 18h00, no Rossio, o acto «Stop Bolsonaro mundial», em solidariedade com o povo brasileiro.

Créditos / poder360.com.br

Trata-se de uma iniciativa integrada nos protestos internacionais contra Bolsonaro, que se deverá realizar em cerca de 50 cidades a nível mundial, a favor da democracia e dos direitos e liberdades democráticas do povo brasileiro.

Já no passado dia 14 o Rossio foi palco da acção de solidariedade «Fora Bolsonaro», promovida também pelo Núcleo do PT em Lisboa, com a participação de dezenas de brasileiros residentes em Portugal e de portugueses, incluindo Sandra Pereira, deputada do PCP no Parlamento Europeu.

Uma iniciativa em que se reclamou o afastamento do actual presidente brasileiro e se denunciou os gravíssimos problemas sociais e sanitários que o Brasil enfrenta em virtude da política governamental perante o surto epidémico.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/stop-bolsonaro

Se não fosse o SUS...

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O Sistema Único de Saúde brasileiro responde por 75% dos atendimentos da população. Existe, entretanto, uma profunda contradição a respeito da gestão dos recursos: 9,4% do PIB nacional é destinado à saúde, de acordo com dados do Banco Mundial, mas, no entanto, 54% do gasto em saúde acontece no setor privado, que atende apenas 25% da população (por que será?).

Em um momento tão grave quanto o da pandemia da Covid-19, o que seria do Brasil sem ele?

Já que estou falando de saúde, deixem eu me apresentar: sou psicólogo na rede de saúde pública no município de São Paulo e preciso fazer um relato sobre a importância dos Caps.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, hoje existem cerca de 2500 Centros de Atenção Psicossocial no território nacional dentre as três modalidades (infanto-juvenil, adulto e álcool e outras drogas).

A presença dos Caps diminuem em até 14% o risco de suicídio, de acordo com o ministério da Saúde. Tenho inúmeros colegas psicólogos que saíram dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial para atuarem somente em consultório particular que sentem falta da agitação e do permanente desafio de atuação nesses locais.

O trabalho na clínica ampliada do psicólogo e demais profissionais da saúde mental, sejam os terapeutas ocupacionais, os assistentes sociais, educadores físicos, enfermeiros, psiquiatras, médicos clínicos, agentes comunitários de saúde, redutores de danos, farmacêuticos, oficineiros, etc, tem acolhido a angústia e o sofrimento da população nessa que é a maior crise sanitária de nossa história, se colocando na linha de frente dos serviços mais essenciais.

Cabe o clichê que nem todo herói usa capa e estrela filme da Marvel, mas usa máscara, álcool gel e os itens de equipamento de proteção especial que forem necessários. O SUS é o Brasil, com certeza.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/se-nao-fosse-o-sus

Globo comemora vitória sobre Bolsonaro e diz que seu golpe "passa do delírio à farsa"

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247 –O jornal O Globo, da família Marinho, fugiu de seu padrão habitual nesta terça-feira e publicou um editorial de página inteira para celebrar o estouro do caso Queiroz e, com isso, o fim dos "delírios golpistas" de Jair Bolsonaro. Segundo o jornal, o bolsonarismo agora entra em nova fase, com um presidente claramente enfraquecido.

"Os delírios golpistas do bolsonarismo que surgiram com ares de tragédia se aproximam da farsa. O fraseado do ex-capitão, modulado nos 28 anos de baixo clero na Câmara, em favor de torturadores do ciclo de chumbo da ditadura militar, as ameaças ao Supremo, as palavras de ordem de pequenos grupos por um novo regime de exceção verde-oliva gritadas em manifestações bolsonaristas, mantendo o ex-capitão no Planalto, prenunciavam um impossível retorno ao início dos anos 1960, sem Guerra Fria e sem comunistas escondidos em todos os lugares, mas prontos para conseguir o que não foi possível no levante fracassado de 35, a Intentona", diz o texto.

Tudo mudou, no entanto, com a prisão de Fabrício Queiroz, tesoureiro do clã Bolsonaro no caso das rachadinhas – esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para pagamento de despesas pessoais da família. "Junto com a descoberta de Queiroz sob proteção do advogado presidencial devem ganhar nitidez ligações no mínimo arriscadas do clã Bolsonaro com o submundo das milícias cariocas. O próprio Queiroz explorava transporte de vans em Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, QG de uma quadrilha de bandidos fardados — da ativa ou da reserva. É preciso muita intimidade com os homens fortes do pedaço para entrar nesses negócios", aponta o editorial.

 

"O bolsonarismo entra agora em nova fase, pelo menos em um primeiro momento menos voluntariosa. Diante do que já se sabe e do que está por vir, é natural que todos se perguntem — incluindo militares que emprestam a honorabilidade da instituição ao governo — qual mesmo o objetivo do golpe de que tanto se fala. Ou pelo menos se falou. Se não há comunistas, e o país demonstra ter instituições que garantem a governabilidade, resta a suposição muito plausível de que tudo é mesmo para proteger família e amigos, num puro estilo caudilhesco. Esta é a farsa."

Polícia filmado a sufocar jovem no Brasil gera indignação

Uma nova agressão policial está a gerar indignação no Brasil após a circulação de um vídeo em que um agente é visto a pressionar o seu joelho no pescoço de um jovem negro em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo

Nas imagens, gravadas no domingo pelos moradores desse município, surge Gabriel Nunes Nonato de Sousa, de 19 anos, a cair no chão desmaiado, depois de ser imobilizado por um polícia militar que apertou o pescoço do jovem com o seu braço durante vários segundos.

Já deitado no asfalto, um dos agentes policiais ajoelhou-se e pressionou o pescoço de Gabriel novamente, mas desta vez com o joelho, numa cena semelhante à gravada por telefones de transeuntes que capturaram os quase nove minutos de agonia de George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos da América.

Leia mais em Jornal de Notícias.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/23/policia-filmado-a-sufocar-jovem-no-brasil-gera-indignacao/

Brasil registra 654 mortes e 21,7 mil novos casos de Covid-19

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247 - O Brasil registrou nesta segunda-feira, 22, mais 654 novas mortes provocadas pelo novo coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde. O país chega com isso a 51.271 mortes, o segundo maior número, atrás apenas dos Estados Unidos.

Já o número de casos ganhou uma adição de 21.432 novos diagnósticos, alcançando 1.106.470 doentes desde o início da pandemia. Segundo a pasta, 483.550 pessoas seguem em acompanhamento, enquanto 571.649 se recuperaram da covid-19.

 

Profissionais da saúde no Brasil mobilizam-se em defesa do serviço público

As mobilizações presenciais e virtuais ocorreram este domingo em pelo menos 18 estados brasileiros, também para prestar homenagem aos médicos e enfermeiros falecidos no combate à Covid-19.

No Recife, «trabalhadores da saúde em defesa do SUS e da vida» afirmam: «Um país contra o vírus, um governo contra o povo»Créditos / Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

Várias entidades ligadas ao sector que promoveram as iniciativas de ontem, como a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, e a Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia, subscreveram uma carta-manifesto em que fazem a defesa do serviço público de saúde e do seu adequado financiamento, porque «o SUS [Sistema Único de Saúde] salva vidas».

Também repudiam as declarações do presidente da República, Jair Bolosonaro, «hostis aos profissionais de saúde, incentivando agressões a trabalhadores de saúde no seu ambiente de trabalho».

 

E sublinham que o Brasil, além de ser o segundo país do mundo em número de contágios e mortes por coronavírus, regista «o maior número de mortes de médicos (ao todo 139 profissionais) e de enfermeiros (ao todo 190 profissionais) por Covid-19», segundo dados reunidos pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) até dia 17 de Junho.

Aristóteles Cardona Júnior, médico de família no sertão pernambucano e membro da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, disse ao Brasil de Fato que as entidades promotoras avaliaram de forma positiva «a repercussão das manifestações», que abrangeram capitais, cidades do interior, cidades médias e pequenas por todo o Brasil, de Roraima e Ceará, no Norte, até ao Rio Grande do Sul.

Contra a «intervenção militar» na saúde, por melhores condições de trabalho

Os actos denunciaram também a invasão de hospitais públicos por apoiantes de Jair Bolsonaro. «Tem um hospital de campanha perto de você, tem um hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não», afirmou recentemente o presidente nas redes sociais.

Cardona Júnior classifica a posição de Bolsonaro como «irresponsável». «Não é só um desrespeito, é a irresponsabilidade de servir como disseminação da doença, como possível foco de transmissão», disse, acrescentando que a atitude não é de agora, «começou ao afirmar que era só uma gripezinha e que morreriam 800 pessoas no país. Agora, estamos aí, chegando a mais de 50 mil mortos e não sabemos até onde tudo isso vai», lamentou.

As organizações promotoras alertam ainda para «a intervenção militar em curso no Ministério da Saúde», «que vem comprometendo sobremaneira o trabalho técnico frente à pandemia». E sublinham que, dos 12 membros das Forças Armadas nomeados para a pasta, nenhum tem formação em medicina.

Com estas manifestações, os profissionais da saúde exigiram também melhores condições de trabalho – marcadas actualmente pela escassez de equipamentos de protecção individual – e uma organização de «processos de trabalho que possibilitem menores impactos da exposição à doença ou ao stresse causado pela pandemia».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/profissionais-da-saude-no-brasil-mobilizam-se-em-defesa-do-servico-publico

Em plena pandemia, polícia do Rio bate recorde de mortes em 22 anos

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247- O Rio de Janeiro vive em um início de ano de recordes nos números da violência policial, a maior nos últimos 22 anos. O estado registrou 741 vítimas nos cinco primeiros meses de 2020, o que representa cinco pessoas mortas diariamente no Rio por policiais. Os dados foram registrados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ). De acordo com índices analisados pelo portal G1, 78% das vítimas são pretas ou pardas.

A especialista em segurança pública e socióloga Sílvia Ramos destacou a violência policial em 2018, quando houve a intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro.

"O que nós verificamos é que, em 2018, o ano de intervenção militar, consolidou-se uma política de segurança baseada em operações de conflito. Quando chega a intervenção, chega uma ‘coisa militar’ declarada. Muito parecido com as operações de guerra e deixa de lado a inteligência", afirmou.

 

"Em 2019, com a chegada do Witzel, temos a combinação do governo com um discurso agressivo e ofensivo com as favelas. Isso culminou com uma polícia que perdeu o rumo com as operações de inteligência. São resultados muitos dramáticos. É um discurso de 'liberalização' da execução", acrescentou.

Com mais 50 mil mortos pelo coronavírus, Bolsonaro posta comentário do amigo Alexandre Garcia sobre "gripezinha" e cloroquina

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247 - Jair Bolsonaro compartilhou um comentário do jornalista Alexandre Garcia na manhã desta segunda (22), dizendo que milhares de vidas poderiam ter sido salvas se não houvesse a politização do uso da cloroquina “só porque o Presidente da República foi o primeiro a aconselhar o uso da hidroxicloroquina”.

“Eu ouço todos os dias depoimentos de pacientes que teve uma ‘gripezinha’ graças a hidroxicloroquina […] Fica todo mundo achando que a OMS é o padrão”, afirmou o jornalista, ex-Globo, enquanto o Brasil ultrapassa a marca de 50 mil mortos pelo coronavírus.

Bolsonaro chegou a classificar a Covid-19 como uma "gripezinha", em março, e também perguntou "e daí?" quando o Brasil atingiu cinco mil mortos pela doença, em abril.

 

No comentário, o jornalista, defensor de Bolsonaro, elogiou o voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello contra o prosseguimento do inquérito das fake news.

“O único soldado de passo certo no batalhão. Foi 10 a 1. Ele perdeu”, disse Garcia, com críticas ao inquérito ser conduzido pelo STF.

 

Fascismo em recuo: Queiroz nos destroços da República

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Por Tarso Genro

Tarso Genro é um advogado, jornalista, professor universitário,

ensaísta, poeta e político brasileiro filiado ao Partido dos Trabalhadores.

 

Alguns fatos do cotidiano da política são capazes de marcar o fim de um ciclo ou o início de um novo período, dentro de um mesmo ciclo de lutas e dominações. Estes fatos podem destacar-se, tanto pelo poder destrutivo das relações articuladas para que o presente tivesse um certo significado, como pela sua capacidade de ensejar novos embates -entre forças em confronto- redesenhando os dias subsequentes e colocando-os numa nova perspectiva histórica: o tiro contra Lacerda no caso de Getúlio Vargas, a fala de Roberto Jefferson sobre o “mensalão”, a caminhoneta Elba localizada a serviço privado de Collor, a prisão de Queiroz, se inscrevem nesta perspectiva. Depois destes fatos a política deixa de ser a “mesma” e passa ser “outra”: corrói, reconstitui, reabre expectativas e altera a postura dos sujeitos em colisão.

No seu poderoso “Filho do Século” (Ed. Intrínseca Ltda, 2019, 374 e segs.), o autor A. Scurati relata que em 23 de abril de 1921 -nas colunas do “Corriere della Sera”- o Senador e diretor do jornal Luigi Albertini” escreveu que era preciso “tapar o nariz diante da malcheirosa aliança entre liberais e fascistas”. Esta aliança já estava aceita por Benito Mussolini, que preparava o “salto do fascismo”, do terreno instável e violento das ruas (…) “para o Plenário parlamentar”. Dois dias antes, Albertini afirmara ser contra essa aliança, que era rejeitada pelos liberais abrigados no “Lá Stampa” de Turim, que viam nela um suicídio do liberalismo democrático.

A rede liberal-conservadora que acordou com o fascismo miliciano no Brasil foi composta de maneira informal. Ela não tinha como propósito colocar um protofascista no poder, pois -para ela- Bolsonaro seria apenas a excrescência de uma aventura autoritária. Dela se serviriam para iludir as classes médias que um programa mínimo necrófilo -como matar bandidos e metralhar a esquerda- resolveria os problemas da nação. As classes dominantes, na verdade, só se serviram de Bolsonaro depois de uma complexa operação de desmoralização da política liberal-democrática, pela qual devastaram também as suas lideranças cativas: elas se mostravam incapazes de conduzir um projeto reformista ultraliberal para “depenar” o Estado Social em crise, o que permitiu Bolsonaro tornar-se o cotidiano taquipsíquico das classes dominantes. Já sem lideranças capazes de liderar.

O grupo de lideranças que defende a subordinação irrestrita do país ao capital financeiro e ao jogo rentista, tinha como objetivo cravar um resultado eleitoral que definisse um Governo comprometido com eliminar as políticas sociais “gastadoras”. Seu objetivo seria acabar com a proteção social e previdenciária humanista, que combatia a miséria absoluta e colocava os pobres na mesa democrática, bem como fortalecia o papel do Estado nas áreas da saúde e da educação. O jogo burguês-rentista, portanto, não enfrentava uma revolução, mas antes buscava ressecar a democracia social, reinaugurada depois de Vargas, já numa ordem internacional adversa ao legado das políticas da social democracia no pós-guerra.

Na Itália assediada pelo fascismo rondava -é verdade- o “perigo” da revolução socialista. Este projeto enchia de temor grande parte da sociedade, diferentemente da emergência fascista no Brasil, cujo destino ainda está em disputa. No Brasil, a possibilidade do ascenso da ideia totalitária remeteu diretamente contra a democracia política e a social democracia moderada, distantes -em qualquer hipótese- de uma iminência socialista. Como se livrar de Bolsonaro, que joga o país na desordem, sem base social que sustente um fascismo miliciano, é o dilema em curso do poderoso sistema de alianças que jogou o país na indeterminação e na loucura.

Na história da adesão do fascismo ao bloco de Governo do Primeiro Ministro Giolitti, que abriu os caminhos do poder para Mussolini nos anos 20, há o registro histórico de uma dupla interpretação: a de Mussolini, preparando-se para assumir o poder, certo que Giolitti não poderia “governar infinitamente” por ser “velho e ultrapassado”; e a dos eleitores “moderados”, que ficaram ao mesmo tempo “tranquilizados e horrorizados com a violência dos fascistas”. No cotidiano daquela parte da história italiana estavam em disputa quais as forças políticas que iriam responder à insegurança das pessoas do povo e iriam curar as suas feridas de Guerra.

 

Naquele momento, o antiparlamentarismo fascista foi contido pelas suas direções, que já entendiam ser possível corroer o sistema liberal “por dentro”, participando deste só como movimento tático. O fracassado plano de Giolitti era conter as ilegalidades fascistas, considerando-as um fenômeno passageiro, e submetendo-as aos marcos constitucionais. O plano de Mussolini, todavia, era instaurar a “desordem absoluta para mostrar que só ele poderia “restabelecer a ordem”. O plano fracassado das classes dominantes brasileiras -uma rápida visita ao fascismo para fazer as reformas- está sendo derrotado não só pelo medievalismo anticientífico do Presidente perante a Pandemia, mas também pela forma miliciana e familiar pela qual ele exerce a magistratura presidencial.

Mussolini venceu Giolitti e assumiu o poder. Com Bolsonaro, no Brasil, processou-se a cooptação de FHC e do centrão, pelo partido da mídia tradicional, para emplacarem na sociedade o falso dilema entre os “dois extremos”. Este dilema -o bilhete de entrada dos “liberais” para uma aliança com o fascismo- não surgiu então como resposta a ameaças de uma revolução socialista, mas como um acordo para implementar as “reformas” ultraliberais. Para isso, o moderado professor em ascenso eleitoral deveria ser bloqueado pelo capitão acusados de terrorismo. Não foi, portanto, um embate clássico entre “esquerda” e “direita”, mas uma contenda eleitoral falsificada e intensa, entre dois extremismos, onde somente um deles era real.

O preço elevado, agora explode expondo as vísceras do pacto de poder. Elas mostram o cotidiano político do país como dias deteriorados pelo milicianismo cercado. Queiroz está preso num cárcere que guarda também os destinos da democracia judicializada: “as grandes ações não cotidianas que são contadas nos livros de história -diz Agnes Heller- partem da vida cotidiana e a ela retornam. Toda a grande façanha histórica torna-se particular e histórica, precisamente graças ao seu posterior efeito na cotidianidade. ”

 

Neste momento Cotidiano e História estão retidos numa cela prisional, no Rio, onde Queiroz pensa em sua vida inteira de dependências, fidelidades, poderes aparentes e reais, crimes e generosidades mafiosas, expandidas pela política. A crise da democracia brasileira tornou-se tragédia quando as classes dominantes do país apostaram no seu aprofundamento pela via do fascismo, para realizar as reformas ultraliberais. O futuro imediato da democracia arruinada, agora, está encarcerado na mente da sua criatura mais exemplar que, quando rumina sobre a sua trajetória, também decide sobre o destino dos amigos fiéis que lhe abandonarão nos cárceres da República em destroços.

Quem são os 50 mil mortos?

Os mortos têm rostos. O vírus não é democrático. Negros, pobres e periféricos têm mais chances de morrer.

 

 

Já são 50 mil pessoas mortas por covid-19 no Brasil. Na Guerra do Paraguai, morreram cerca de 50 mil brasileiros. Mas a pandemia ainda não acabou.

Cinquenta mil famílias incompletas. Cinquenta mil projetos interrompidos. É como se tirassem a população do município pernambucano de Brejo da Madre de Deus toda do mapa. Um buraco demográfico cavado na história.

Os mortos têm rostos. Têm, sobretudo, cor, endereço, CEP bem definido na pirâmide social. O vírus não é democrático. E nos atravessa a partir de uma estrutura também não democrática. Negros, pobres e periféricos têm mais chances de morrer.

Entre os óbitos por covid-19 com registro de raça/cor, 61% são de negros. Um estudo mostra que 66% das vítimas fatais da pandemia na Grande São Paulo ganhavam menos de 3 salários mínimos.

Saneamento, água encanada e possibilidade de cumprir o isolamento social são armas contra o coronavírus – e contra mais um monte de coisa – que muitos não conseguem empunhar. Nunca tiveram a chance.

A Guerra do Paraguai durou mais de cinco anos. A batalha contra o coronavírus entra no quarto mês. Ainda não acabou. E não tem um general que a lidere. Não tem sequer um comandante que lamente os mortos. É um luto coletivo – e em solidão.


por Joana Rozowykwiat, Jornalista e escritora   |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/quem-sao-os-50-mil-mortos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=quem-sao-os-50-mil-mortos

Governo Bolsonaro acumula diversas medidas para reduzir transparência

Planalto tentou mudar duas vezes a Lei de Acesso à Informação, além de buscar ocultar dados sobre a pandemia do coronavírus

O governo do presidente Jair Bolsonaro acumula desde janeiro de 2019 ao menos 13 medidas para dificultar ou sonegar informações do país, segundo levantamento feito pela Folha.

No período, o governo federal tentou mudar duas vezes a LAI (Lei de Acesso à Informação), esconder pesquisas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre drogas e tirar os dados da violência policial do anuário sobre direitos humanos.

Leia mais em Folha de S.Paulo.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2020/06/22/governo-bolsonaro-acumula-diversas-medidas-para-reduzir-transparencia/

Portugal-Brasil | Carta aberta ao Presidente da República




Marcelo Rebelo de Sousa pode ser acusado de tudo, menos de ser mal informado. Por isso, o seu silêncio à data de hoje sobre a situação no Brasil é preocupante.

Sérgio Tréfaut* | Público | opinião

Dizem os políticos que Portugal e o Brasil são países irmãos. Marcelo Rebelo de Sousa aprecia esta figura retórica. Mas chegou o momento em que é necessário decidir de que país Portugal é irmão. Do Brasil que está a matar? Ou do Brasil que está a morrer? O que se passa no Brasil hoje é mais grave do que um crime de Estado.

Desde o final de março, das janelas da minha casa no Rio de Janeiro, ouvi todos os dias gritar: “Bolsonaro genocida!” Porquê gritam assim os vizinhos à janela? Porque vários genocídios invadiram suas vidas.

O primeiro é um genocídio de populações indígenas, denunciado no Tribunal de Haia em 2019, e denunciado também por Sebastião Salgado. A indiferença de Bolsonaro ao extermínio dos índios tornou-se óbvia no vídeo da reunião de 22 de abril, divulgado a pedido de Sérgio Moro.

Nessa reunião de ministros, vemos o ministro do Meio Ambiente definir a atual epidemia como uma oportunidade para fazer passar as leis (ilegais) de desmatamento da Amazônia, o que significa quase o fim dos índios. Sabemos que 90% das populações indígenas morreram no século XVI de doenças como a varíola, levadas por europeus. O governo brasileiro pretende agora que os índios que restam morram de covid. O ministro do Ambiente representa bem os valores do governo Bolsonaro.

A segunda forma de genocídio praticada no Brasil de hoje é a mais mortífera. Trata-se do negacionismo face à pandemia.


 
Desde março, Bolsonaro insultou as televisões por divulgarem as mortes na Itália: o Brasil nunca viveria aquilo. Hoje Bolsonaro esconde o número de mortos. Este negacionismo é o espelho da sua política. “O Brasil não pode parar”, afirmava Bolsonaro, apoiado pelos grandes industriais.

Os dois ministros da Saúde que tentaram defender o confinamento foram despedidos ou forçados a sair. Aliás, o negacionismo mais criminoso é o do Ministério da Saúde. Como se tratava de uma “gripezinha”, houve uma ausência total de plano para enfrentar a pandemia. Falta de testes, falta de material de proteção, falta de camas, falta de ventiladores, falta de tudo. Em números absolutos, Portugal fez mais testes à covid-19 do que o Brasil, com 210 milhões de habitantes.

Curiosamente, durante a epidemia de dengue de 2008 (174 mortos), o Governo de Brasília, com o apoio das Forças Armadas, montou três hospitais de campanha no Rio de Janeiro e salvou vidas. Face ao coronavírus, o Governo Federal negou a importância do perigo. Não ponderou um instante sobre a necessidade de cordões sanitários para proteger aldeias indígenas, ou para proteger áreas urbanas sobrepovoadas, onde o confinamento seria impossível por falta de condições. Tudo foi lançado para os governadores, não por uma visão descentralizadora, mas em forma de ataque. Assim Brasília culpou os estados pela crise sanitária e pela crise económica.

Bolsonaro e os seus filhos defenderam uma política eugenista, de cariz hitleriana: “É velho? É doente? Tem mesmo que morrer.” “É a lei da vida.” Frases como esta foram repetidas até a exaustão. São dez mil mortos? "E daí?”

Pela falta de cuidados, o Brasil tornou-se o país com maior número de enfermeiros mortos por covid. Agora será o país com maior número de mortes do mundo. Não fazer face à pandemia, optar por 100 mil mortos em vez de 10 mil em nome da economia, o que é senão um crime de Estado?

O clã Bolsonaro lançou milícias anti-confinamento, com manifestações ilegais nas ruas. Assim, vários militantes anti-confinamento morreram de covid. Mas agora, com mais de mil mortes diárias, as manifestações já não são necessárias. Governos e prefeituras cederam a Bolsonaro, abrindo praias e comércio.

O que pensariam os portugueses se, durante o confinamento, Marcelo Rebelo de Sousa lutasse contra as normas do Ministério da Saúde, reunindo multidões em passeatas anti-confinamento? Em Portugal, imagino que o Presidente seria impedido, ou preso. Não é o caso no Brasil. Bolsonaro está acima da lei. E o genocídio no Brasil não se limita à covid.

Existe um genocídio diário levado a cabo pela polícia nas favelas. Os Estados Unidos mobilizaram-se agora com o assassinato de George Floyd. “Black lives matter” conquistou o mundo.

Se o assassinato de George Floyd tivesse ocorrido no Brasil, a polícia teria dado um tiro na cabeça da adolescente de 17 anos que estava a filmar, como faz todos os dias. Ninguém saberia. Esta é a banalização da impunidade policial validada por Bolsonaro. No ano de 2019, só no Rio de Janeiro, a polícia foi responsável por 1814 assassinatos, ou seja, cinco mortos por dia.

A polícia entra nas favelas e mata sem receio da lei. Nenhum polícia precisa de prestar contas dessas mortes. Bolsonaro assina por baixo: “Bandido bom é bandido morto.” Sem julgamento. Sem provas. Raras vezes um caso ganha destaque. Por exemplo, quando, no dia 18 de maio, João Pedro, 14 anos, brincava com amigos em casa e foi morto pela polícia. Dias antes tinham sido encontrados 12 corpos com marcas de tortura policial. Nenhum polícia foi detido. Nas favelas denuncia-se o genocídio negro. Mas ninguém ouve.

À banalização do crime acresce a liberação por Bolsonaro da venda de armas a civis, armas que eram de uso exclusivo dos militares. A imprensa diz que Bolsonaro aposta numa guerra civil. Aqui chegamos ao extermínio da própria democracia.

O que Portugal tem a ver com isto? Tudo.

No dia 1 de janeiro de 2019, há pouco mais de um ano, Marcelo Rebelo de Sousa era a estrela internacional da tomada de posse de Bolsonaro. Angela Merkel, Theresa May, Emmanuel Macron não foram à cerimónia, apesar de convidados. Os dirigentes da direita europeia tomavam uma posição distante face a um novo Presidente do Brasil, com um conhecido desprezo pela democracia.

Os únicos chefes de Estado europeus eram Marcelo e Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro, cujas declarações sobre ciganos parecem extraídas de compêndios nazis. O ministro dos Negócios Estrangeiros português também não esteve presente, mas, sendo quem é, bem poderia ter estado. Quanto a Marcelo, pode ser acusado de tudo o que quiserem, mas não pode ser acusado de ser mal informado. Por isso, o seu silêncio à data de hoje é preocupante.

Marcelo terá visionado a criminosa reunião de ministros de 22 de abril, chefiada por Bolsonaro, vulgo covil dos infames. Pode ser que outros presidentes do mundo não compreendam o que foi dito nessa reunião. Marcelo compreende.

Marcelo também sabe que Bolsonaro fez ameaças de morte aos membros do Supremo Tribunal Federal.

Marcelo sabe que Bolsonaro falou em manifestações que pediam uma ditadura militar e o encerramento do Congresso.

Sabe que em nenhum país democrático um cidadão poderia sequer se candidatar às eleições presidenciais tendo feito a apologia da tortura e lamentando os poucos mortos de um regime ditatorial.

Marcelo recebe informações sobre a impunidade da polícia no Brasil. Cinco George Floyd por dia.

Marcelo sabe que Bolsonaro luta pelo descrédito da democracia. E que contra ele existem mais de 30 pedidos de impeachment.

Quem cala, consente.

O que poderia fazer o Presidente da República? Poderia muito. Poderia liderar um movimento de pressão internacional. Poderia e deveria convocar o embaixador do Brasil e pedir explicações – nem que seja considerando a comunidade portuguesa no Brasil. A diplomacia não é apenas um entreposto para vender vinhos e azeite.

Além do Presidente, através do seu governo e dos seus deputados, Portugal pode apresentar moções condenatórias no Parlamento Europeu, no Conselho da Europa, na ONU.

Isto seria próprio de um país irmão.

*Cineasta a residir no Rio de Janeiro

*Publicado em 9 de junho no Público

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/portugal-brasil-carta-aberta-ao.html

Com 641 novos óbitos, Brasil supera oficialmente 50 mil mortes por Covid-19 no domingo

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BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil superou oficialmente a marca das 50 mil mortes por Covid-19 ao registrar neste domingo 641 novos óbitos pela doença decorrente do vírus nas últimas 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde.

Ao todo, são 50.617 mortes pela doença decorrente da infecção pelo novo coronavírus.

No domingo, o país chegou a 1.085.038 casos confirmados, registrando 17.459 novas infecções.

Os dados apontam para uma taxa de letalidade de 4,7%.

A contagem de casos e mortes por Covid-19 no Brasil tende a desacelerar nos finais de semana e segundas, quando há um atraso nas notificações, e ganhar ritmo ao longo da semana, conforme os testes são processados.

A marca das 50 mil mortes ocorre pouco mais de 3 meses depois do primeiro registro oficial de morte por Covid-19, anunciada por autoridades de saúde do país no dia 17 de março.

 

De lá para cá, prefeituras e governos estaduais adotaram medidas de isolamento social para frear a disseminação do vírus, mas já começaram uma flexibilização mesmo sem desaceleração da doença.

O presidente Jair Bolsonaro é um dos principais entusiastas do relaxamento de medidas de isolamento social com o argumento de que as dificuldades do que chama de “segunda onda” —desemprego e recessão— podem ser maiores do que as decorrentes do próprio vírus.

SILÊNCIO

No domingo pela manhã, Bolsonaro deixou Brasília e compareceu ao funeral de um soldado que morreu na véspera durante o lançamento de paraquedistas em uma base aérea no Rio de Janeiro, prestando condolências ao militar morto. Ele não falou com a imprensa e, como de hábito, não fez qualquer referência às mortes por Covid-19.

 

O Brasil é o segundo país do mundo com o maior número de casos e óbitos pelo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que possuem cerca de 2,2 milhões de infecções notificadas e quase 120 mil mortes, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

De longe, São Paulo é o Estado com maior número de casos e mortes, respectivamente, 219.185 infecções e 12.588 óbitos. Depois está o Rio de Janeiro, que atingiu 96.133 casos e 8.875 mortes. O Estado é acompanhado de perto pelo Ceará, que tem 92.866 casos e 5.523 óbitos.

Os dados do ministério foram atualizados neste domingo às 18h45. Segundo a pasta, o Brasil possui ainda 549.386 pacientes recuperados da Covid-19 e 485.035 em acompanhamento.

Tragédia brasileira: país caminha para os piores indicadores no planeta no combate à pandemia

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Brasil de Fato -O Brasil é recordista mundial em mortes de profissionais de enfermagem por covid-19. De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), foram registrados mais de 200 óbitos até o dia 19 de junho. Em média registrada em março, são duas pessoas mortas por dia. No caso dos médicos, não é diferente: cerca de 140 óbitos, segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP).

É diante dessa realidade que são realizadas neste domingo (21) manifestações presenciais e virtuais em cerca de 20 estados brasileiros em solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, organizadas por entidades ligadas ao setor, como Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia.

Segundo Aristóteles Cardona Júnior, médico de família no sertão pernambucano e integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, outro fator mobilizador das manifestações foi a marca de 1 milhão de casos confirmados e 50 mil mortos por covid-19 no Brasil, sem contar os números desconhecidos em decorrência da subnotificação.

“É um marco triste nesse momento que a gente vive. A gente sabe que não são todas as mortes por covid-19 que são evitáveis, mas muitas poderiam ter sido evitadas se a gente tivesse uma atuação central e organizada de combate. Não é o que a gente vê por parte do governo federal”, afirma Cardona Júnior.

Para o médico, as entidades têm avaliado a repercussão das manifestações de forma positiva. “Primeiro, porque além das manifestações nas capitais, a gente também conseguiu que houvesse a mobilização em muitas cidades do interior, cidades médias, pequenas, em nosso país.” Segundo uma estimativa feita pela rede, os protestos vão desde Itapipoca, Canindé (CE) e Sobral (CE) até Porto Alegre (RS), passando por Caruaru (PE), e Pacaraima (RR), e Ilhabela (SP).

Os atos, que contrastam com a invasão de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro a hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), também chamam a atenção para as declarações do capitão reformado “incentivando agressões a trabalhadores de saúde em seu ambiente de trabalho”.

 

"Tem um hospital de campanha perto de você, tem um hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não", afirmou o presidente em suas redes sociais recentemente.

Cardona Júnior avalia a posição do presidente Bolsonaro como “irresponsável”. “Não é só um desrespeito, é irresponsabilidade de servir como disseminação da doença, como possível foco de transmissão. Não começou agora, começou ao afirmar que só era uma gripezinha e que morreriam 800 pessoas no País. Agora, estamos aí, chegando a mais de 50 mil mortos e não sabemos até onde tudo isso vai”, defende o médico.

Soma-se a isso, as organizações alertam, a presença expressiva de militares do Ministério da Saúde, “que vem comprometendo sobremaneira o trabalho técnico frente à pandemia”, segundo as entidades. Dos 12 membros das Forças Armadas nomeados para a pasta pelo ministro Eduardo Pazuello, nenhum tem formação em medicina, destacam as entidades.

 

Na avaliação de Cardona Júnior, falta uma condução técnica e necessária para “o momento mais crítico da história do nosso sistema de saúde”. De acordo com o integrante da rede, mesmo na época em que o deputado federal Luiz Henrique Mandetta estava a frente da pasta, havia uma “condução com muitos pontos positivos, mesmo havendo discordâncias políticas”.

“Mas agora a gente não tem quem conduza. Basicamente a gente tem um ministério ocupado por militares, a maior parte deles talvez todos sem experiência nenhuma em saúde, a tirar pelo interino, o Pazuello, e que estão ali para cumprir o papel de liberar a cloroquina para uso por médicos e médicas do país, quando o mundo todo está mostrando que não tem efeito, que não ajuda nos casos de infecção por covid-19”, afirma Cardona Júnior.

Entre os outros objetivos das manifestações, os organizadores reclamam da falta das condições dignas de trabalho, caracterizadas pela escassez de Equipamentos de Proteção individual (EPI) e de organização de processos de trabalho que possibilitem menores impactos da exposição à doença ou ao estresse causado pela pandemia.

As entidades lançaram um manual com orientações gerais para os manifestantes que foram às ruas neste domingo, como usar máscara o tempo todo, óculos de proteção ou protetores faciais, álcool em gel e manter a distância mínima de dois metros em relação aos outros manifestantes.

Antifascistas marcham em Brasília pelo "Fora Bolsonaro" e em defesa da democracia (vídeo)

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247 - Manifestação na manhã deste domingo (21) reuniu em Brasília líderes de torcidas do Vasco e do Corinthians e movimentos sociais, que lutam pelo imediato impeachment de Jair Bolsonaro.

O movimento antifascista também rechaça as manifestações de grupos ligados a Jair Bolsonaro que defendem o AI-5 e o fim das instituições democráticas.

Uma manifstação bolsonarista, em menor número, também ocorreu em Brasília nesta manhã.

Manifestates pró e contra Jairquase entraram em conflito na Espalanada dos Ministérios. Quando os dois atos começaram a dispersar, houve um princípio de confusão, mas a Polícia Militar conseguiu afastar o grupo, como informou o portal Metrópoles.

 

Veja imagens e vídeos do ato:

 

 

https://twitter.com/J_LIVRES/status/1274708182569549824?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1274708182569549824&ref_url=https%3A%2F%2Ftwitter.com%2FJ_LIVRES%2Fstatus%2F1274708182569549824

https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1274721686441648128?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1274721686441648128&ref_url=https%3A%2F%2Ftwitter.com%2FDeputadoFederal%2Fstatus%2F1274721686441648128

https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1274721300427214850?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1274721300427214850&ref_url=https%3A%2F%2Ftwitter.com%2FDeputadoFederal%2Fstatus%2F1274721300427214850

 

 
 

 

 

 

 

 

 

Brasil supera 1 milhão de casos de COVID-19

Rio de Janeiro,19 jun (Xinhua)- O Brasil passou a marca de um milhão de pacientes infectados pelo novo coronavírus, ao contabilizar 1.032.913 casos positivos, enquanto o número de óbitos chegou a 48.954, segundo o boletim oficial do Ministério da Saúde divulgado nesta sexta-feira.

Nas últimas 24 horas, o número de contágios registrou uma alta recorde de 54.771, três dias depois de chegar a 34.918. Na véspera, os casos positivos somavam 978.142.

Em nota, o Ministério da Saúde explicou que o grande número de casos confirmados nas últimas 24 horas "se deu, em parte, devido a uma instabilidade na rotina de exportação dos dados relatados no dia anterior, principalmente, pelos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo".

De acordo com o balanço do governo, de ontem para hoje, foram confirmadas 1.206 mortes, elevando o total de óbitos da pandemia no país para 48.954.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, há 476.759 pacientes em acompanhamento e 507.200 recuperados. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-06/20/c_139154090.htm

Queiroz na cadeia… e

Charge do Gilmar | Abrir… para ver mais

 

 

…E quem matou Marielle?

 

 

“Queiroz já está na cadeia mas isso é apenas o começo. As consequências jurídicas e políticas serão devastadoras”

As coisas no devido lugar: Queiroz na cadeia e Bolsonaro encurralado


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/queiroz-na-cadeia-e/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=queiroz-na-cadeia-e

Depois de doações, Olavo de Carvalho volta a defender Bolsonaro e diz que a Constituição Federal é "um documento de merda"

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247 - O escritor Olavo de Carvalho voltou a defender o bolsonarismo depois de um momento de tensão pela falta de apoio financeiro. Olavo disse que Bolsonaro é honesto e que o Queiroz foi seu “chofer” - e que se um chofer comete um crime, isso não compromete o patrão.

Em entrevista à BBC Brasil, o astrólogo falou sobre o coronavírus: “eu diria que o problema é menos o vírus do que a atuação dos próprios governos, pouco importando que sejam de direita ou de esquerda. Estão fazendo exatamente a mesma coisa. Hoje em dia, a elite governante e a elite capitalista têm meios de ação que chegam à esfera do divino. Eles têm o poder divino sobre as pessoas, isso nunca existiu na história humana.

Quer dizer, você não tem mais privacidade, a vida individual não significa mais nada, quem tem dinheiro e poder pode fazer o que quiser. Isso nunca aconteceu antes na história humana, a quantidade de poder que os ricos e os políticos têm hoje, e também os seus planejadores, os seus engenheiros sociais, é uma coisa que os tiranos da antiguidade jamais conseguiriam imaginar: Júlio César ou Átila, o huno, ou mesmo mais recentemente até o próprio Mao Tsé-Tung não conseguiriam imaginar isso aí.

Veja, por exemplo, você por um decreto mantém todas as pessoas dentro de casa, imagina se Mao Tsé-Tung sonhou algum dia com uma coisa dessas, Mao Tsé-Tung ou Stálin, ou Hitler. Se dissessem isso pra eles, iam achar maravilhoso, mas eles não poderiam conceber que isso um dia seria possível, isso quer dizer que a atuação desempenhada pelos governantes e poderosos para controlar o tal vírus é um problema imensamente maior do que o vírus.”

Olavo ainda falou sobre o governo Bolsonaro: “o primeiro erro foi o seguinte: ele acreditou que sendo presidente ele ia poder governar o país com a colaboração de todo mundo, achou que o Brasil estava cheio de patriotas, que independentemente de seus partidos, todos iam colaborar para o levantamento do Brasil. Falso. Diagnóstico 100% falso, porque tipos como esse Doria, o pessoal do PT, o Lula etc. eles pensam neles mesmos em primeiro lugar e no país em milésimo lugar.

Lula é um sujeito que roubou trilhões do Brasil e ainda tem a cara de pau de sair dando receita e dando lição de moral, como é possível acontecer isso? E nós botamos esse sujeito na Presidência duas vezes. (nota da redação: em 2018, o ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Em maio de 2020, o ex-presidente voltou a ser condenado, também em segunda instância, a 17 anos, um mês e 10 dias de prisão no caso do sítio de Atibaia)

Então, o Bolsonaro avaliou muito mal, ele achou que todo mundo era bonzinho, eu disse o contrário: "Bolsonaro, você assumindo a Presidência, a primeira coisa que você tem que fazer é amarrar a mão desses seus inimigos, porque eles são pérfidos, eles não são patriotas, eles não querem o melhoramento do Brasil, eles só querem o bem deles, pouco importa se é direita ou esquerda, aí vai desde o Doria até o Lula, é tudo a mesma porcaria".

Weintraub deixa o Brasil ainda ministro e é exonerado em Miami

Ministro da Educação, Abraham Weintraub, é saudado por apoiadores ao deixar sede da Polícia Federal, em Brasília (DF), 4 de junho de 2020
© Folhapress / Pedro Ladeira

O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, deixou o Brasil e está em Miami, nos Estados Unidos.

Segundo publicou o jornal Folha de São Paulo, a informação foi confirmada pela assessoria de imprensa de Ministério da Educação. O ex-ministro teria viajado ainda na sexta-feira (19).

Apesar do anúncio da demissão ter sido feito no dia anterior, na quinta-feira (18), a saída de Weintraub ainda não tinha sido publicada no Diário Oficial da União (DOU) no momento da chegada aos EUA. Após a chegada do ex-ministro a Miami e com as notícias da viagem sendo veiculadas pela imprensa, a exoneração de Weintraub foi publicada no final da manhã deste sábado (20) em edição extra do DOU.

Tecnicamente ainda ministro no momento da viagem, há suspeitas de que Weintraub teria utilizado passaporte diplomático do Ministério da Educação para entrar nos EUA. A informação não foi confirmada oficialmente.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Educação Abraham Weintraub

© AP Photo / Eraldo Peres
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Educação Abraham Weintraub

O irmão do ex-ministro, Arthur Weintraub, também confirmou que a ida de Abraham aos EUA.

https://twitter.com/ArthurWeint/status/1274312889881505794?ref_src=twsrc%5Etfw

​No mesmo dia da viagem, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) entrou com pedido de apreensão do passaporte de Weintraub no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar sua saída do Brasil. Isso porque o ex-ministro é investigado em um inquérito do STF devido a publicações e comentários supostamente racistas em relação à China.

Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, durante audiência no Senado

© AP Photo / Eraldo Peres
Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, durante audiência no Senado

Na sexta-feira (19), Abraham Weintraub avisou em sua conta no Twitter que deixaria o Brasil "o mais rápido possível".

https://twitter.com/AbrahamWeint/status/1273948380859949057?ref_src=twsrc%5Etfw

​Weintraub deixou o governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro após atrito com o STF em razão de o ex-ministro ter sido flagrado defendendo a prisão dos ministros do Supremo em um vídeo de reunião ministerial realizada no dia 22 de abril deste ano. Ainda não há nomes para substitutos na pasta.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020062015734618-weintraub-deixa-o-brasil-ainda-ministro-e-e-exonerado-em-miami/

Governo Bolsonaro tem 66% das verbas para ações contra a Covid-19 paradas

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247 -O Ministério da Saúde segue com dificuldade de desembolsar recursos para o combate à Covid-19. De um total de R$ 39 bilhões reservados para ações na epidemia, 66% seguem parados, sem previsão de quando poderão ser desembolsados. A informaçção é da jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna no jornal Folha de S,Paulo.

Do total, R$ 11,4 bi deveriam ser destinados para ações diretas do ministério, como aquisição de respiradores, máscaras e outros itens essenciais. Mas 75% dos recursos estão no cofre e sequer se transformaram em pedidos de compra.

A jornalista acrescenta que o dinheiro já empenhado em contratos e pago chega a apenas R$ 1,3 bilhão, ou cerca de 11% do total. A situação melhora na parte reservada para transferência a estados. Ainda assim, 59% dos R$ 10 bilhões destinados às unidades da federação seguem parados.

 

POLÍCIA BRASILEIRA É A MAIS DESUMANA, A QUE MAIS MATA

 
 
Polícia brasileira é a força pública mais violenta do mundo: mata 5 vezes mais que a dos EUA - (Le Monde, França)
 
Carta Maior apresenta diáriamente o Cliping Internacional por Carlos Eduardo Silveira, esporadicamente aqui apresentado  em Página Global – revista sobre o Brasil no mundo. Notícias internacionais sobre o Brasil; Notícias do Mundo; e Artigo. 

 

 
 
 
1 - NOTÍCIAS INTERNACIONAIS SOBRE O BRASIL ESTADO POLICIAL. Em São Paulo, PM é preso acusado de assassinar adolescente negro. O policial militar Adriano Fernandes de Campos foi preso em São Paulo acusado de assassinar Guilherme Guedes, um adolescente negro de 15 anos. Guilherme Guedes foi encontrado morto na região da Zona Sul de São Paulo. Junto ao corpo, atingido por dois tiros, havia uma tarjeta com patente e "nome de guerra" de um policial militar. A morte do adolescente deflagrou uma série de protestos na periferia paulistana. Na segunda-feira (15), sete ônibus foram depredados ou queimados na região e no dia seguinte uma passeata percorreu o bairro. (Sputnik News, Rússia) | bit.ly/2zHS42i ESTADO POLICIAL 2. Matança de um adolescente provoca protestos de vidas negras no Brasil. Quando Rafaela Matos viu helicópteros da polícia em sua favela e ouviu tiros, ela caiu de joelhos e pediu a Deus para proteger seu filho, João Pedro. Então ela ligou para o garoto para garantir que ele estava bem. "Fique calmo", respondeu João Pedro, explicando que estava na casa de sua tia e que estava tudo bem, disse Rafaela à Associated Press. Minutos depois que ele enviou a mensagem, a polícia invadiu e atirou no garoto de 14 anos no estômago com um rifle de alto calibre a curta distância. João Pedro Matos Pinto foi uma das mais de 600 pessoas mortas pela polícia no estado do Rio de Janeiro nos primeiros meses deste ano. Isso é quase o dobro do número de pessoas mortas pela polícia no mesmo período em todo o país, que tem 20 vezes a população do Rio. Como João Pedro, a maioria dos mortos no Rio era negra ou birracial e morava nos bairros mais pobres da cidade, ou favelas. (The New York Times, EUA) | nyti.ms/2BfV4U2 ESTADO POLICIAL 3. Aviolência policial no Brasil. “São os Estados Unidos à décima potência”. Cerca de 6.000 pessoas foram mortas pela polícia brasileira em 2019, a maioria jovens negros e pobres. Ao contrário de George Floyd, morto durante sua prisão em Minneapolis, nos Estados Unidos, a trágica morte de João Pedro não moveu o planeta. É porque não foi filmado? Ou porque, aqui, é monstruosamente banal? A polícia brasileira é a força pública mais violenta do mundo, com quase 6.000 pessoas mortas em 2019 (cinco vezes mais do que nos Estados Unidos, que tem uma população muito maior). Em 75% dos casos, são homens negros, geralmente jovens e de bairros desfavorecidos. (Le Monde, França) | bit.ly/3fyfTsL AROEIRA. Associação internacional de cartunistas denuncia intimidações a Aroeira, Laerte e outros brasileiros. A associação internacional Cartooning for Peace, que defende a liberdade de expressão de cartunistas do mundo inteiro, denunciou nesta quarta-feira (17) as “intimidações" que atingem cinco profissionais brasileiros: Renato Aroeira, Laerte, Montanaro, Alberto Benett e Claudio Mor. A entidade também se uniu a uma petição de apoio a Aroeira, contra quem o ministro da Justiça do Brasil, André Luiz Mendonça, ameaçou instaurar inquérito depois da publicação de uma charge do cartunista. (RFI França) | bit.ly/2Clq9Gr BOLSONARO vs STF. Bolsonaro diz que é hora de acabar com os 'abusos' da Suprema Corte. O presidente de direita do Brasil, Jair Bolsonaro, lançou na quarta-feira um novo ataque ao Supremo Tribunal do país que autorizou investigações em algumas de suas atividades, acusando o tribunal de "cometer abusos" e dizendo que era hora de colocar "tudo em seu devido lugar". O tribunal autorizou investigações sobre as alegações de que Bolsonaro fez nomeações da polícia federal por motivos pessoais. Também está investigando os comícios antidemocráticos, uma investigação que resultou na prisão dos líderes mais militantes e na invasão de residências e escritórios de supostos organizadores. O tribunal está buscando os financiadores do movimento, e também levantando selos em contas bancárias e emitindo intimações para registros de comunicação de legisladores federais perto de Bolsonaro. (The New York Times, EUA; Últimas Notícias, Venezuela) | nyti.ms/2YcDhpJ | bit.ly/3hHcF8c MILITARES. Bolsonaro testa a lealdade dos militares, consentindo reféns de seu regime. Incapazes de controlar Bolsonaro, os generais lutaram para encontrar seu lugar no poder. No entanto, eles nunca estiveram tão presentes desde a ditadura. (L’Express, França) | bit.ly/3dfbKbq BOLSONARO. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro garantiu que não permanecerá em silêncio antes do que considera "perseguição de suas ideias" depois que a Justiça ordenou uma série de medidas contra seguidores, parentes e aliados do líder de extrema direita acusados de promover atos não democráticos. Na segunda-feira, a Polícia Federal prendeu seis militantes de um grupo radical acusado de liderar manifestações nas quais são defendidas ideias antidemocráticas como o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal e uma "intervenção militar" que permite ao líder de extrema-direita governar sem vínculos. Na terça-feira, 21 propriedades pertencentes a pessoas próximas a Bolsonaro foram acusadas de financiar grupos radicais que promovem atos antidemocráticos. Da mesma forma, a Suprema Corte autorizou o levantamento do sigilo bancário de onze parlamentares leais ao presidente acusado de financiar e promover tais manifestações. (Últimas Notícias, Venezuela) | bit.ly/37Ev4hn CHINA. Cargill preocupada com 'insultos' do governo brasileiro ao principal parceiro comercial da China. Insultos de funcionários do governo brasileiro voltados para a China, principal parceiro comercial do país, são prejudiciais aos interesses comerciais do Brasil e "nem muito inteligentes", disse quarta-feira o diretor executivo das operações locais da Cargill. Seu filho Eduardo Bolsonaro, legislador, em março acusou a China de espalhar o novo coronavírus para outros países, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, sugeriu em abril que a doença ajudaria a China a "dominar o mundo" em um post no Twitter que zombava do sotaque chinês. A Cargill é a maior exportadora de soja do Brasil. (The New York Times, EUA) | nyti.ms/37DvDIc ECONOMIA. Vírus agrava prolongada crise econômica do Brasil. Paralisia política prejudica a resposta a uma pandemia que atingiu duramente o país. (Financial Times, Inglaterra) | on.ft.com/2N6oerv COVID-19. Mais 1.269 mortos e 32.188 infetados no Brasil. O Brasil registou 1.269 mortos e 32.188 infetados pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, estando ainda a ser investigada uma eventual relação de 4.033 óbitos com a doença, informou hoje o executivo. O país sul-americano totaliza agora 46.510 óbitos e 955.377 casos confirmados desde o início da pandemia, registada oficialmente no Brasil no final de fevereiro. A pandemia de coronavírus continua a se espalhar fortemente no Brasil, onde o governo diz que a situação está sob controle e o desconfinamento continua gradualmente na maioria dos estados. (Diário de Notícias, Portugal; La Presse, Canadá; La Stampa, Itália; La Jornada, México)) | bit.ly/3ddTWxp | bit.ly/3egHtuf | bit.ly/2UYi68O | bit.ly/2UVMPTX

2 - NOTÍCIAS DO MUNDO AMÉRICA LATINA. A questão tributária na América Latina. Vozes crescentes para fazer os ricos pagar mais enquanto o Covid-19 drena as finanças públicas. (Financial Times, Inglaterra) | on.ft.com/3ddKrye PERU. Desnutrição no Peru: a doença que complica o oitavo país com a maioria dos casos de covid-19 no mundo Aproximadamente 75% dos pacientes hospitalizados no país vizinho têm desnutrição, situação que prejudicaria ainda mais as pessoas que contraem o coronavírus. (El Mercurio, Chile) | bit.ly/2NaBkEc ARGENTINA. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, entrou em isolamento voluntário em meio a crescentes preocupações com o aumento de infecções por coronavírus, incluindo vários casos entre a elite política do país. A decisão de colocar o presidente em quarentena - cuja popularidade está em alta em sua resposta sem sentido à pandemia - foi tomada devido ao "aumento significativo na circulação do vírus", disse o médico presidencial Federico Saavedra em comunicado nesta quarta-feira. Até agora, o forte bloqueio da Argentina por coronavírus, tinha sido um sucesso de destaque na contenção da pandemia que está se espalhando por seus vizinhos sul-americanos, Brasil e Chile. Mas isso pode começar a mudar depois que os casos relatados na Argentina mais que quadruplicaram no último mês após o relaxamento gradual do bloqueio iniciado em 10 de maio. (The Guardian, Inglaterra) | bit.ly/37HVVcs BOLÍVIA. Foi lançada uma campanha para exigir a libertação dos asilados na embaixada mexicana. Há sete ex-funcionários do governo Evo Morales trancados na sede diplomática. Os juízes Eugenio Raúl Zaffaroni participaram da apresentação; o cientista político Atilio Borón; o advogado da família de Sebastián Moro, Lyllan Luque; e a filha do refugiado Hugo Moldiz, Patricia Moldiz. (Página 12, Argentina) | bit.ly/2N6wgk7 CHILE. O Congresso do Chile endurece as penas por violar a quarentena até cino anos. As autoridades do país enfrentam dificuldades para conseguir com que os cidadãos respeitem as medidas preventivas pela pandemia. (El País, Espanha) | bit.ly/2NbUsl7 DESIGUALDADE. Uma comissão internacional de economistas postula a cobrança de mais impostos de setores concentrados e o combate aos paraísos fiscais. As consequências econômicas da pandemia são uma boa oportunidade para estabelecer um sistema tributário progressivo em nível internacional. Economista francês, especialista em distribuição de renda, Thomas Piketty; Jayati Gosh, especialista em finanças internacionais; o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz e o ex-ministro das Finanças da Colômbia, José Antonio Ocampo, apresentaram um relatório preparado pela Comissão Independente para a Reforma do Imposto Internacional sobre Empresas (Icrict), onde propõem medidas para mitigar a crise econômica global. (Página 12, Argentina) | bit.ly/2NbbRKM CORONAVÍRUS. Relatório global: cluster de Covid-19 em Pequim pode ter começado um mês antes. A capital chinesa relata 21 novos casos; Nova Zelândia registra nova infecção em viajante retornado; Índia tem maior salto diário em infecções. O Brasilestá se aproximando de um milhão de infecções, à medida que o número de casos positivos de Covid-19 aumenta. (The Guardian, Inglaterra) | bit.ly/2YbgRFm TRUMP. John Bolton diz que Trump deu favores a 'ditadores que ele gostava' e o acusa de buscar a ajuda da China para sua reeleição. O livro do ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton diz que a Câmara deveria ter analisado atos potencialmente impocáveis além da Ucrânia. Em seu novo livro, John R. Bolton, ex-consultor de segurança nacional, descreve casos em que o presidente tentou interromper investigações criminais. Ele também diz que os partidários do presidente Trump zombavam dele pelas costas. (The New York Times, EUA) | nyti.ms/37KdFUj EUA. O movimento "Boogaloo", a nova ameaça de extrema direita. Pouco organizados, esses ativistas que defendem a guerra civil e racial reúnem ativistas antigovernamentais e pró-armas, neonazistas e supremacistas brancos. (Tribune de Genève, Suíça) | bit.ly/30RJlG0 CHINA. Autoridades chinesas fecham Pequim diante da expansão do Covid-19. Os moradores da capital só podem deixar a cidade por força maior. Limitações de capacidade retornam ao transporte e movimentos são proibidas em bairros próximos ao surto. (El Periódico, Espanha) | bit.ly/2YLAovb ITÁLIA. Ataques racistas na Itália em ascensão, alimentados pela retórica xenofóbica de grupos de extrema direita. ( La Vanguardia, Espanha) | bit.ly/3daU1Sr 3 - ARTIGOS/ENTREVISTAS Oliver Milman – EUA (The Guardian, Inglaterra) | “Como os erros de Trump minaram a recuperação dos EUA da pandemia.” | bit.ly/2Y9WSaa Unberto Eco – Futebol (Página 12, Argentina) | “Ódio aos fanáticos de futebol” | bit.ly/2NbbKPm Angela Davis, entrevista – EUA (El Diário, Espanha) | “Estou aprendendo muito com pessoas 50 anos mais jovens que eu” | bit.ly/3edqwRB Bello – Brasil (The Economist, Inglaterra) | “Jair Bolsonaro ameaça a democracia brasileira? E o exército o apoiaria se ele tentasse algo precipitado?” | econ.st/2YcYP5R Julien Vercueil – Leste Europeu (Le Monde Diplomatique, França) | “Terapia de choque ou gradualismo? Polônia e Eslováquia, duas vias diante do mercado.” | bit.ly/3dcBx4i

 

 
Carlos Eduardo Silveira | Carta Maior | Imagem: Ian Cheibub/Reuters

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/policia-brasileira-e-mais-desumana-que.html

Como no período pré-golpe de 1964, Brasil está sem ministros da Saúde e Educação

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247 -O governo Bolsonaro não tem ministros efetivos da Saúde e da Educação, algo que não acontecia há 58 anos no Brasil. De acordo com reportagem do UOL, a última vez que os ministérios estiveram desfalcados assim, ao mesmo tempo, foi em setembro de 1962, período que antecedeu o golpe militar de 1964.

Na época o Brasil vivia uma crise profunda desde a renúncia do presidente Jânio Quadros, um ano antes, e experimentava o regime parlamentarista em que o escolhido pela pasta não era o então presidente João Goulart, mas um primeiro-ministro.

"O presidente e o vice eram eleitos separadamente, e em 1961 houve uma eleição cruzada: Jânio e João Goulart tinham dois projetos completamente antagônicos, então [a ala conservadora] não queria que o Goulart assumisse, porque ele era tido como esquerdista, comunista", explica o historiador Cássio Silva Moreira.

 

Atualmente, as pastas são consideradas vitais para os brasileiros, segundo Datafolha. De acordo com a pesquisa, os principais problemas do Brasil, na visão da população, são as áreas da educação e da saúde, sendo que esta última foi considerada o principal problema do Brasil por 18% dos entrevistados.

Em meio à uma pandemia que avança em ritmo acelerado na direção de colocar o país como epicentro da doença no mundo, o ministério da Saúde está nas mãos do interino Eduardo Pazuello, e o da Educação não tem ministro desde a demissão de Abraham Weintraub.

Brasil | Chegou a hora do plano de retirada dos militares

 
 
"Se os militares se acomodarem, na inércia de ficar e conferir o que acontece, correm o risco de ver a imagem das Forças Armadas tombar ao lado de cadáveres de milicianos", escreve o jornalista Moisés Mendes

 


Prenderam Sara Winter e agora pegaram Fabrício Queiroz. São frentes diferentes, mas o roteiro é um só. Se a sequência tiver alguma coerência, os próximos serão os garotos. Que não serão presos, mas podem ter as portas pedaladas numa madrugada fria, antes da primavera.

 


Teremos cenas terríveis diante dos generais. Os militares, sempre tão cuidadosos, são parte de um governo assustado, que tem como projeto, reavaliado todos os dias, apenas a sobrevivência nas próximas 24 horas.

 


Como o cerco avança, presume-se que os militares tenham uma estratégia para a retirada. Militares, mesmo não estando em guerra, são obsessivos com planos, até para trocar o pneu do jipe. É a hora da racionalidade levada ao extremo.

 


Não se trata de traçar e executar uma tática, mas uma estratégia mesmo, algo mais complexo do que a simples saída do governo. É preciso sair bem.

 


Os militares terão de se afastar não como quem fracassou, mas como quem descobre e admite que estava na trincheira errada com as pessoas erradas.

 


 
Os generais que acompanham Bolsonaro adquiriram gosto pela gestão de conflitos no Haiti e no Rio. Os dois lugares reativaram vocações intervencionistas e a sensação de que eles têm condições de gerir situações fora dos quarteis e mandar em civis.

 


A herança atávica para o poder e as experiências recentes como administradores os empurraram para o plano de Bolsonaro. Na falta de um grande projeto para o país, que talvez nem exista, arranjaram ocupação.

 


Mesmo que muitos digam que é contrário, que os militares apenas pegaram carona em Bolsonaro para ter a chance de voltar ao poder, é Bolsonaro quem tem votos. Nunca foi assim, desde a derrubada de Dom Pedro II.

 


Pela primeira vez o comando da situação não é da elite, mas de um tenente que não deu certo como militar e acabou sendo eleito (como excrescência). Nem o marechal Teixeira Lott conseguiu.

 


Os generais do entorno não estão submetidos a oficiais de exceção, com o apoio de civis. Foram transformados em subalternos de uma figura medíocre como militar, desorientada como político e sem escrúpulos como ser humano.

 


É enganoso achar, como chegaram a sugerir, que os generais têm o controle da situação. Sergio Moro saltou fora. Luiz Henrique Mandetta forçou a própria saída.

 


Os dois desistiram para sobreviver. E os militares vão ficando, como parte de um governo acossado, mas sem capacidade de mostrar protagonismo.

 


Os generais tentaram se apoderar da primazia pela condução de projetos de retomada da economia, com o Pró-Brasil, e foram chamados de ignorantes por Paulo Guedes. Na frente de todos os ministros, naquela famosa reunião do dia 22 de abril.

 


Encolheram-se sob as ordens do mercado financeiro e dos empresários que bancam Guedes. Correram para o lado de Bolsonaro. Largaram notinhas com ameaças. Avisaram que os adversários, incluindo o Supremo, não deveriam esticar a corda.

 


Mas parece que já não impõem respeito. Gilmar Mendes disse que eles não podem se comportar como “milícias do presidente da República”. E o que mais tem, no entorno de Bolsonaro, como marca do governo, é a identificação caricata com as milícias.

 


Ninguém mais leva a sério o debate sobre ao artigo 142 da Constituição. As Forças Armadas não são um poder moderador. Por que seriam? Que sabedoria teria sido acumulada pelos militares a ponto de lhes assegurar o direito de dizer o que é certo?

 


Não o direito de determinar vontades pela força, como sempre fizeram, mas de agir com a virtude da ‘moderação’ imposta. Não dá. Esse é um debate vencido. O país não precisa de moderadores armados.

 


Os militares são usados por Bolsonaro como pilastras de um projeto que já fracassou até como controvérsia. O chefe deles só se sustenta por achar que ainda pode blefar tendo os generais como proteção.

 


Mas não há mais o que fazer. Fechou-se o cerco. Não é improvável que, com mais de 2,5 mil militares como empregados de Bolsonaro, daqui a pouco algum desvio de conduta flagre servidores fardados.

 


É hora de cair fora ou consolidar o plano para manter o terreno tomado, o que pode ser até um golpe em Bolsonaro.

 


Se os militares se acomodarem, na inércia de ficar e conferir o que acontece, correm o risco de ver a imagem das Forças Armadas tombar ao lado de cadáveres de milicianos.

 


Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia

 

 
Moisés Mendes | em Brasil 247 | Imagem: Marcos Correa / PR

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

 

 
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Brasil atinge um milhão de infetados (mas pode haver muitos mais)

 

Nas últimas 24 horas, o Brasil contabilizou 1.206 óbitos e 54.771 novos casos, recorde de pessoas diagnosticadas num único dia no país sul-americano.

 

O último recorde de infetados tinha sido registado na terça-feira, quando o país somou 34.918 novos casos de infeção.

Dessa forma, o Brasil junta-se aos Estados Unidos (mais de 2.293 milhões) como os únicos países que ultrapassaram o milhão de pessoas diagnosticadas.

Contudo, os números totais da covid-19 no Brasil podem estar subnotificados, visto que o país continua a ser uma das nações que menos testa a sua população em todo o mundo.

O Brasil efetuou 11.032 exames por cada um milhão de habitantes, segundo o portal Worldometer, que compila quase em tempo real informações da Organização Mundial da Saúde, dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, de fontes oficiais dos países, de publicações científicas e de órgãos de informação.

De acordo com o Ministério da Saúde, 507.200 pacientes infetados pelo novo coronavírus já recuperaram e 476.759 doentes continuam sob acompanhamento.

O executivo brasileiro informou ainda que letalidade da covid-19 no Brasil, segundo país do mundo com mais mortes e também com mais casos confirmados, desceu este sábado para os 4,7%.

O país sul-americano tem uma incidência de 23,3 mortes e 491,5 casos da doença por cada 100 mil habitantes, numa nação com uma população estimada de 210 milhões de pessoas.

São Paulo, epicentro da doença no país, concentra atualmente 211.658 pessoas diagnosticadas e 12.232 mortes.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 456 mil mortos e infetou mais de 8,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/brasil-recorde-um-milhao-infetados-331046

Brasil | Trabalhadores de saúde protestam nesse domingo; país tem maior taxa de mortes entre profissionais de saúde no mundo

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Neste domingo (21) às 10h, profissionais de saúde de todo o país realizarão uma série de atos simbólicos sobre a atual crise sanitária vivida frente à pandemia da covid-19.

Além do Brasil ser o segundo em número de casos e de mortes no mundo, é o país com maior número de mortes de médicas e médicos (ao todo 139) e de enfermeiras e enfermeiros (ao todo 190) pela doença, segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP) e o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN).

Mesmo com as dificuldades de acesso aos dados e prováveis subnotificações, o Brasil é o país do mundo com maior mortalidade de trabalhadoras e trabalhadores da saúde devido à pandemia.

"Os profissionais de saúde tem que estar bem, tem que estar vivos para conseguir dar uma resposta no enfrentamento ao coronavírus", afirmou Rodrigo Diniz, médico de Saúde da Família no Recife e militante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares.

O ato questiona também a morte de milhares de pessoas por covid-19, por entender que esses óbitos seriam evitáveis. A convocatória dos protestos considera que o Governo Federal não contribui para evitar os casos e, mais do que isso, tem uma posição genocida.

Os ultimos dados indicam a morte de 48.427 pessoas em razão da covid-19 no período de 4 meses.

 

"Esse ato é organizado por pessoas da área de saúde, mas se tem outras pessoas que queiram se somar nessa luta em defesa aos trabalhadores e trabalhadoras e em defesa do SUS, podem compartilhar as nossas fotos nas redes sociais, se conhecerem algum profissional de saúde pode convidar para participar, fazer vídeos apoiando a nossa causa, nos apoiando nas redes”, afirmou o médico, que completa “mesmo em casa, em isolamento domiciliar, tem como fazer parte da movimentação".

Diante disso, manifestações ou atos simbólicos de homenagem e respeito aos pacientes e profissionais de saúde que morreram na pandemia estão programados em Brasília (DF), Fortaleza (CE), Recife (PE), Caruaru (PE), São Paulo (SP) Ilhabela (SP), Campinas(SP), Cuiabá (MT), Petrolina (PE), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Aracaju (SE).

Em algumas cidades, as mobilizações serão focadas nas redes sociais de forma simultânea aos atos simbólicos presenciais, como em Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), João Pessoa (PB), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Campo Grande (MS), Belém (PA), Londrina (PR), Pacaraima (RR), Canindé (CE) e Curitiba (PR).

 

O ato está sendo organizado pela Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMP), a Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD), a Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), a Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI), a Federação Nacional dos Nutricionistas (FNN), a União Nacional dos Auditores do SUS (UNASUS) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Seguridade Social (CNTSS).

Em um manifesto, as organizações declararam as motivações para o ato. Leia na íntegra:

“Além da homenagem a essas milhares de vítimas também nos manifestamos:

1 – Em solidariedade às famílias, amigos e colegas de profissionais de saúde que morreram por COVID-19;

2- Para alertar que a maior parte das mortes por COVID-19 em nosso país são evitáveis, caso o Governo Federal não tivesse uma posição genocida frente à pandemia;

3- Contra a intervenção militar do Ministério da Saúde, que vem comprometendo sobremaneira o trabalho técnico frente à pandemia;

4 – Contra as declarações do presidente da República, hostis aos profissionais de saúde, incentivando agressões a trabalhadores de saúde em seu ambiente de trabalho;

5 – Contra o silêncio e cumplicidade das entidades médicas, especialmente o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (FENAM), frente às posições do Governo Federal. Além disto, nem mesmo nos sítios eletrônicos dessas entidades conseguimos saber quantos e quais os colegas médicos perderam a vida;

6- Por segurança no ambiente de trabalho dos profissionais de saúde. Demandamos mais Equipamentos de Proteção individual (EPI), e a reorganização de processos de trabalho, por gestores na saúde pública e empresas de saúde, que possibilitem menores impactos da exposição à doença ou ao stress produzido pela pandemia;

7- Pelo apoio a Campanha Leitos Únicos - Vidas Únicas, que garanta para toda a população fila única de acesso às UTI a partir do SUS, tanto nos serviços públicos como na saúde suplementar;

7- Pelo apoio a Campanha Leitos Únicos - Vidas Únicas, que garanta para toda a população fila única de acesso às UTI a partir do SUS, tanto nos serviços públicos como na saúde suplementar;

8- Pelo aporte adequado de financiamento do Sistema Único de Saúde. Pela supressão da Emenda Constitucional 95 (EC- 95), que congela gastos em saúde pública por 20 anos. O SUS salva vidas !!!

9-Vidas Negras Importam – total solidariedade à população negra de nosso país, maioria do povo brasileiro, minoria nos espaços de representação institucional e que vem sofrendo especialmente junto às áreas de maior vulnerabilidade social os impactos da pandemia em curso;

10- Contra a Portaria MEC nº 544, de 17 de junho de 2020, que estabelece a possibilidade da realização de estágios curriculares dos cursos da área de saúde em caráter on line e de forma remota. Além do descaso com as medidas de saúde pública, o Governo Federal vem reforçando seu descaso também com a educação de qualidade e com a formação dos profissionais da área da saúde com mais um ataque;

11- Contra a perseguição de quadros técnicos do Ministério da Saúde, frente às denúncias que vem sendo vigiados nas redes sociais e na vida privada após a intervenção militar em curso do Ministério da Saúde, remontando práticas dos tempos de arbítrio que o país viveu em períodos ditatoriais.”

Com um milhão de infectados, Bolsonaro não assina auxílios aprovados no Congresso e trava pagamento a vulneráveis

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Brasil de Fato- Estacionados na mesa de Jair Bolsonaro (sem partido) estão três projetos de lei para pagamentos emergenciais, aprovados a toque de caixa pelo Congresso Nacional para conter os estragos causados pela covid-19. Nesta sexta-feira (19), o país chegou a 1 milhão de casos confirmados da doença.

Os textos tiveram grande apelo público e foram aprovados de forma unânime pelo parlamento, neste mês. A canetada presidencial que falta para executar os pagamentos, no entanto, custa a sair.

A gente não está entendendo o porquê dessa demora.

Os mais atrasados são o PL 1075/20, que trata de ações emergenciais destinadas a trabalhadoras e trabalhadores da cultura, e o PL 1888/20, para dar auxílio a asilos, oficialmente chamados de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Ambos foram recebidos pelo Executivo em 9 de junho e têm prazo final para sanção no dia 29 do mesmo mês.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), autora do projeto destinado à cultura, afirma que a demora tem se transformado em fome. "A gente não está entendendo o porquê dessa demora. Nós temos gente da cultura passando fome. Nós estamos fazendo o que a gente chama de vaquinha para poder chegar [auxílio], fazendo live, pedindo doações. Isso é humilhante para quem produz", reclama.

Ela cita que os problemas alheios à administração, como a prisão de Fabrício Queiroz, amigo do presidente e ex-funcionário do filho dele, e a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, nesta semana, têm feito com que o presidente esqueça de olhar pelo povo.

"Todas as vezes que o presidente fica acuado, ele solta alguma coisa para desviar a atenção e para de fazer aquilo que deveria fazer. É isso que o presidente tem feito: uma política de marketing que, para ele, é quase perfeita. Só que desta vez é muita dureza, para o presidente, ir fazer defesa de um amigo", comenta Benedita.

 

Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a deputada relatora do projeto de auxílio cultural, diz esperar que o governo cumpra a promessa de sancionar a ajuda. "Eu estou aguardando, conversando com os líderes do governo todo dia, na Câmara, principalmente, e eles estão me confirmando que o acordo da sanção está mantido como anunciado no microfone da tribuna da Câmara. Espero que, de fato, eles cumpram. Se não cumprirem, a gente vai ter que derrubar o veto, porque foi uma votação unânime na Casa".

Não faz sentido, depois que o problema passar e as vidas forem perdidas, o governo liberar o recurso.

Para a autora do projeto que visa auxiliar asilos, Leandre (PV-PR), é "temerário" que o governo espere mais tempo para sancionar o projeto, visto que os idosos estão entre os mais vulneráveis ao coronavírus. O projeto prevê a destinação de até R$ 160 milhões às instituições, com dinheiro que sairá do Fundo Nacional do Idoso – ou seja, não afetará outras áreas no combate à pandemia.

"Não faz sentido, depois que o problema passar e as vidas forem perdidas, o governo liberar o recurso. A gente imaginava que ele [Bolsonaro] ia fazer com mais celeridade", decepciona-se a deputada.

 

PL 1142/20

Bolsonaro também trava o projeto de lei 1142/20, que dispõe medidas de apoio a prevenção contra a covid para comunidades indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais. O texto foi entregue pelo Congresso em 17 de junho e tem prazo final para sanção em 7 de julho.

A inércia preocupa a relatora do projeto, deputada Joenia Wapichana (Rede-RR). "A gente tá vendo que, agora, o vírus está chegando nos interiores, e são nessas localidades que estão inseridos os povos indígenas, quilombolas, que são os que têm menos estrutura de atendimento. Já têm uma falta de estrutura relacionada à saúde e, com essa pandemia, isso agrava ainda mais. É preciso agilidade neste momento. Agilidade com responsabilidade. É preciso salvar vidas", cobra.

A deputada, a única indígena no Congresso, ressalta que os povos indígenas e quilombolas têm especifidades que os colocam ainda mais frágeis frente ao vírus. "Nós vamos caminhando para quatro meses [de pandemia] e que a gente precisa responder ao apelo das famílias, dos povos indígenas, que estão vulneráveis. É inadmissível que sejam excluídos. É a parte do governo fazer com que as coisas andem, aconteçam. Espero que ele assine o mais rápido possível e bote isso para funcionar".

Brasileiras preparam ato mundial “Stop Bolsonaro” no dia 28 de junho

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247 - O nível da rejeição de Jair Bolsonaro não para de aumentar. Pelo menos 20 países terão protestos contra ele no dia 28 de junho em um evento chamado "Stop Bolsonaro Mundial". A iniciativa partiu de duas amigas brasileiras que moram na Europa: Erica Caminha (de Munique, na Alemanha) e Marcia Nunes (Amsterdam, Holanda). Em três semanas, elas conseguiram a adesão de grupos de brasileiros e organizações civis em ao menos 52 diferentes cidades do mundo comprometidas em participar da mobilização, que estão se contactando através das redes sociais. A informação foi publicada pela Revista Forum.

Erica Caminha afirmou que a ideia nasceu em fevereiro. "Estamos pensando em ideias inovadoras a respeito de mobilização virtual, para não deixar ninguém de fora, porque temos muita gente querendo participar, e queremos que todo mundo possa estar de uma forma segura, mesmo entre os que puderem participar de forma presencial, usando máscaras e respeitando as medidas de proteção", acrescentou.

O evento possui conta de Twitter, de Instagram e de Facebook, com o endereço @stopbolsonaro. Outra maneira de seguir as informações sobre o ato nas redes sociais é através da hashtag #StopBolsonaroMundial.

 

Leia a íntegra naRevista Forum

Quase 50 mil mortes e o Brasil desgovernado

Com quase 50 mil mortos pela Covid-19, o Brasil está totalmente desgovernado. Dois ministros da Saúde foram defenestrados em plena pandemia e a pasta está hoje sob ocupação militar.

 

 

Em matéria publicada nesta quarta-feira (17), o jornal Valor dá mais uma prova da incompetência de Bolsonaro: “Na Saúde, governo gasta só 28% do total autorizado pra despesas emergenciais”, destaca o título.

Dos R$ 12,5 bilhões autorizados no orçamento da Saúde neste ano, apenas 28,3% foram gastos até agora, segundo dados da Instituição Fiscal Independente (IFI). “É preocupante, porque sabemos que Estados e municípios precisam de celeridade no ataque frontal à pandemia”, alerta o diretor-executivo da IFI, Felipe Salto.

Para ele, “a baixa execução mostra a falta de coordenação do governo, o peso da burocracia e a falta de zelo para garantir que os recursos cheguem à ponta”. O diretor do IFI poderia acrescentar ainda a ausência de sensibilidade social do “capetão” e a inépcia de um governo composto por terraplanistas e imbecis. Enquanto Bolsonaro, Paulos Guedes e os abutres financeiros se preocupam unicamente com o tal “déficit fiscal”, os brasileiros morrem por Covid-19! Uma tragédia histórica!

 

A incompetência retratada na mídia mundial

A total incompetência do laranjal da extrema-direita nativa já é consenso na imprensa internacional. Nesta quarta-feira, vários veículos estrangeiros voltaram a tratar do tema, conforme levantamento do jornalista Olímpio Cruz. No Washington Post, reportagem de capa assinada por Terrence McCoy destacou que “inação do governo brasileiro coloca o país em um caminho desconhecido”.

O artigo registra que Bolsonaro ignorou avisos e que agora, enquanto outros países se preocupam com uma segunda onda do coronavírus, o Brasil não consegue superar nem a primeira. O relato de Terrence McCoy é um petardo contra o “capetão”, servindo para desgastar ainda mais a imagem do país no exterior:

 

O que está acontecendo aqui parece ser globalmente único. Apesar dos números crescentes, as autoridades não implementaram medidas amplamente bem-sucedidas em outras partes do mundo. Não houve bloqueio nacional. Nenhuma campanha nacional de testes. Nenhum plano acordado. A expansão dos cuidados de saúde foi insuficiente. Em vez disso, as cidades mais atingidas estão abrindo as portas para shoppings e igrejas, mesmo quando o país costuma publicar mais de 30.000 novos casos por dia – cinco vezes mais do que a Itália relatou no auge de seu surto”.

 

 
 
 

Já a semanal britânica The Guardian Weekly aponta que a abordagem “pouco ortodoxa” de Jair Bolsonaro diante da pandemia permitiu que o Brasil ultrapassasse o Reino Unido e se tornasse a segunda nação mais mortal do planeta.

E o jornal argentino Página-12 publica artigo do jornalista Eric Nepomuceno alertando que o surto da Covid-19 no Brasil ganha proporções assustadoras. “A pandemia cobra 13 infecções por minuto e o governo não reage”, destaca o título da reportagem. “O vírus está devastando vidas diante da inércia radical do governo brasileiro e da atitude fraca de governadores e prefeitos, cada vez mais pressionados por comerciantes e empresários”.


por Altamiro Borges, Jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé  |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Fonte: Hora do Povo


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/covid-19-quase-50-mil-mortes-e-o-brasil-desgovernado/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=covid-19-quase-50-mil-mortes-e-o-brasil-desgovernado

Entenda o caso Queiroz

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247 - Alvo principal da operação do Ministério Público do Rio desta quinta-feira, Fabrício Queiroz tenta explicar desde o fim de 2018 uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão, no intervalo de um ano, em suas contas, ponto inicial da investigação do Ministério Público (RJ) que apura a prática de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde Queiroz trabalhou como assessor do então deputado Flávio Bolsonaro como chefe de segurança. Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo e deve vir para o Rio, onde é investigado.

Reportagem do jornal O Globo relembraque, No fim de 2018, o Coaf apontou “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão, em 2016 e 2017, nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. Assessores do ex-deputado estadual transferiram recursos a Queiroz em datas próximas ao pagamento de servidores da Alerj.

Questionado sobre a movimentação atípica em sua conta, Fabrício de Queiroz afirmou que suas transações financeiras eram fruto da compra e venda de veículos usados. Porém, além da movimentação de R$ 1,2 milhão, o ex-assessor da Alerj também entrou no radar do Coaf por outros R$ 5,8 milhões movimentados nos últimos três anos.

 

Entre as provas apresentadas para sustentar os pedidos de busca da operação contra Flávio e ex-assessores, os promotores do MP-RJ identificaram 483 depósitos de pelo menos 13 ex-assessores na conta bancária de Queiroz, por transferência, cheque ou dinheiro em espécie, num total de R$ 2 milhões.

A reportagem ainda destaca que, ao deferir os pedidos do MP para realizar as buscas contra Flávio e ex-assessores, o juiz da 27ª Vara Criminal da Comarca do Rio afirmou que “há indícios de que houve a formação de uma organização com alto grau de permanência e estabilidade, composta por dezenas de assessores da Alerj, nomeados por Flávio Bolsonaro, para a prática de crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro”.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/entenda-o-caso-queiroz

Um terço de enfermeiros mortos por covid-19 no mundo são brasileiros

Morrem mais de 200 enfermeiros e casos de covid-19 chegam a quase 20 mil. Maioria dos mortos e afastados é de mulheres. Falta de EPIs, treinamento e exposição de grupos de risco agrava o quadro na Enfermagem.

 

 

O Brasil atingiu as 208 mortes de profissionais de enfermagem, nestes 87 dias, desde o primeiro óbito relatado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em 20 de março. Três em cada dez óbitos são de profissionais brasileiros, segundo levantamentos do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho Internacional de Enfermagem (ICN). 65% são mulheres relativamente jovens, com prevalência da faixa etária de 40 a 60, muitas delas com comorbidades, que não deveriam estar em contato com casos suspeitos de covid-19.

Profissionais de enfermagem são os mais expostos ao risco de contrair covid-19, mas seguem sem EPI e treinamento adequados

Segundo o ICN, mais de 230.000 profissionais de saúde contraíram a doença e mais de 600 enfermeiros já morreram pelo vírus. A análise da ICN mostra que, em média, 7% de todos os casos da Covid-19 em todo o mundo estão entre os profissionais de saúde, o que significa que os enfermeiros e outras equipes correm grandes riscos pessoais, assim como os pacientes de que cuidam.

O Brasil hoje é o primeiro país do mundo em mortes de profissionais de enfermagem, superando os Estados Unidos, Espanha e Itália juntas.

“A enfermagem está parecendo um dos trabalhos mais perigosos do mundo no momento. Precisamos obter esses dados para cada país e descobrir exatamente o que está acontecendo, o que explica as variações que são evidentes, mesmo com uma rápida olhada nos números. Somente então seremos capazes de aprender a melhor maneira de manter nossas enfermeiras seguras e impedir qualquer repetição dessas terríveis estatísticas no futuro”, diz o CEO da ICN, Howard Catton.

“A morte destas profissionais indica descaso do poder público com as condições de trabalho e de assistência à Saúde. Recebemos e fiscalizamos mais de 5 mil denúncias, a maior parte delas referentes à escassez e inadequação dos equipamentos de proteção individuais (EPIs)”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri. A falta de treinamento adequado também acaba sendo um agravante.

“Também é crucial o afastamento dos profissionais integrantes de grupos de risco da linha de frente do combate à pandemia. Somos seres humanos, sujeitos aos mesmos fatores de risco da população em geral, e não máquinas”, pontua Neri, lembrando que o Cofen precisou recorrer à Justiça em busca do direito de afastamento e à testagem.

“Os dados são alarmantes e continuam crescendo, pois o Brasil ainda segue em curva de contágio ascendente. Negar a ciência e os fatos não impedirá que as mortes continuem crescendo, só alimenta a insegurança da população e dificulta a adesão a medidas básicas de higiene e distanciamento, fundamentais para contar a pandemia”, afirma.

Desde o início da pandemia, os Conselhos de Enfermagem receberam 7.742 denúncias de falta de EPI e sobrecarga de trabalho associada ao subdimensionamento profissional. Já foram apuradas 5880. “Poderíamos esperar que a situação dos EPIs, por exemplo, já tivesse sido resolvida, agora que os poderes públicos tiveram tempos de fazer ajustes. Mas nos últimos 15 dias, recebemos 582 denúncias”, afirma Walkírio Almeida, coordenador do comitê gestor de crise.

Em todo o país, já foram reportados 19.649 casos suspeitos ou confirmados de profissionais de enfermagem contaminados pela covid-19. Destes casos, 85% eram de mulheres.

Os estados com o maior número de ocorrências são: São Paulo, com 3.911, Rio de Janeiro, com 3.810; e Bahia, 2.185. No número de mortes, a liderança também é de São Paulo, com 41 óbitos, seguido pelo Rio, com 36, e por Pernambuco, 27.

Os conselhos regionais encaminharam 4.533 denúncias a diversos órgãos, como Ministério Público, Vigilância Sanitária, secretarias estaduais e municipais de saúde, entre outros. “Esses encaminhamentos, requerendo adoção de providências junto às instituições, para que instituam planos de contingência ao enfrentamento da covid-19, com quantitativo adequado de pessoal e treinamentos específicos para os profissionais de enfermagem, bem como provimento de EPIs em quantidade e qualidade suficientes à demanda, visam garantir estrutura e segurança para os atendimentos”, diz Almeida.


por Cezar Xavier   |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/um-terco-de-enfermeiros-mortos-por-covid-19-no-mundo-sao-brasileiros/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=um-terco-de-enfermeiros-mortos-por-covid-19-no-mundo-sao-brasileiros

Brasil chega perto de um milhão de casos de Covid-19

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247 -O Brasil está cada vez mais perto de atingir a marca de 1 milhão de pessoas contaminadas pelo coronavírus. Nesta quarta-feira (17) o País registrou 1.209 mortes e 31.475 novas infecções de coronavírus nas últimas 24 horas. Com isso, o total de óbitos é de 46.665 e o de contaminações, de 960.309, segundo dados do levantamento realizado pelo consórcio formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL junto às secretarias estaduais de Saúde.

Desde o dia 12, o Brasil é o segundo país no mundo com mais mortes por Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, que contam 117,5 mil óbitos, de acordo com os números da Universidade Johns Hopkins atualizados até 20h desta quarta-feira. Em termos de infecção, o Brasil também está em segundo lugar no ranking mundial, informa o Estadão.

O estado de São Paulo voltou a registrar recorde de mortes por coronavírus em 24 horas, mais de 389, elevando o total para 11.521 vítimas fatais.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a pandemia do novo coronavírus no Brasil ainda é severa, mas apresenta sinais de estabilização. A organização multilateral insiste na necessidade de manter todas as precauções para evitar um novo crescimento da Covid-19.

Os três espelhos

por Mauro Luis Iasi [*]
 
 
"A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais –
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais."
Edgar Allan Poe

 

 

 

 

 

Bandeira do 'Pravy Sektor' ucraniano em manifestação bolsonarista. Não se deve culpar o espelho pelas inversões que ele nos mostra. Como disse Marx, a religião e o Estado são uma consciência invertida porque são a consciência de um mundo invertido.


 

Por três vezes o espelho nos mostrou, mas seguimos fazendo a mesma pergunta que poetas e escritores ilustres já fizeram: quem é esse estranho que me olha desde o espelho? Não se deve culpar o espelho pelas inversões que ele nos mostra. Nos espelhos, assim como na religião e na ideologia, o reflexo só pode ser construído a partir daquilo que no real se apresenta. Como já disse Marx, a religião e o Estado são uma consciência invertida porque são a consciência de um mundo invertido.

Em 2016 o espelho mostrou, diante de um pais estarrecido, o Congresso cassando o mandato da presidente eleita em 2014 nos marcos da normalidade democrática – isto é, em uma eleição marcada pelo financiamento privado de campanha (naquele ano, ainda financiamento empresarial), com distribuição desigual de recursos e impedimentos ao acesso ao tempo de televisão, construído sobre promessas e mentiras, com o descarado uso da máquina governamental e a distribuição de cargos, favores e recursos. Vimos no espelho os deputados envoltos na bandeira nacional pronunciarem irracionalidades e preconceitos, elogiar torturadores e carrascos – tudo embrulhado grotescamente em saudações à família, à moral e aos bons costumes.

Ali estava o poder judiciário, na figura do presidente do STF (lá colocado por aqueles que seriam derrubados), garantindo que se cometeria o casuísmo e a ilegalidade na forma correta do rito legal. Ali estavam os poderosos meios de comunicação construindo narrativas sob a ditadura editorial que apenas faz aquilo que seus proprietários ordenam, filtrando a voz das ruas raivosas para que digam aquilo que a pauta determinava calmamente.

Aquilo que aparecia na imagem grotesca foi, entretanto, pacientemente construído. Foram anos de pactos e conciliações, acordos e recuos: recuos para conciliar e conciliações para recuar ainda mais. Agora as vítimas oravam no altar do Estado democrático de direito que lhes respondia, como toda divindade que sai dos seres humanos e depois volta de forma estranhada e hostil, exigindo o sacrifício de seus criadores para salvar a incorpórea criatura.

Em 2018 o espelho mais uma vez nos mostrou um país fraturado, violento, preconceituoso, irracional. Hordas marchavam pelas ruas com as camisas que um dia foram de seleções de artistas, que construíram sonhos e poemas com os pés, mas agora serviam à barbárie e ao passado sangrento. Ali, também, estavam os juízes, tramando ilegalidades, negando habeas corpus em nome da liberdade e rasgando a Constituição enquanto a citavam – tudo à maneira de um fluir de doutos discursos infindáveis, fundamentados em juristas famosos que citaram juristas famosos, na melhor tradição da dogmática jurídica: conjurando a metafísica de uma justiça inexistente, como sacerdotes egípcios que na sagrada pirâmide kelseniana, oficiam a morte como fosse o portal da vida eterna.

Ali, também, as televisões exerciam seu ofício. Matérias especiais, reportagens, debates de perguntas e respostas vazias, assim como a cadeira de que já dizia o que pensava de debates. Confundindo a nobre profissão de jornalistas com a da mera leitura de teleprompter, de especialistas em análise política cuja única especialidade é parasitar bastidores, como pulgas no carpete do poder em busca de migalhas de mentiras com que esperam construir o pão da verdade que apresentarão.

Foi ali que vi as pulgas do carpete do poder central, vivendo no centro do Império nos EUA, perderem a compostura festejando aos gritos a vitória do fascismo diante dos sorrisos débeis dos âncoras de um navio encalhado na praia seca esperando a maré voltar.

O deus democrático e de direito ungiria de legitimidade o vencedor, oriundo dos esgotos de um passado grotesco e alimentado pelo ressentimento de um presente incapaz de apresentar um futuro. O jogo de espelhos produziria mentiras pelas mãos digitais de milhares de robôs tecendo os fios de pulsos construindo realidade paralelas. Mas quem é o espelho para dizer de realidades construídas que se impõem ao real, sufocando-o e substituindo-o pela mentira? Alice, raivosa, sentencia que não pode ser real uma lebre tomando chá à mesa do chapeleiro – justo ela, uma menina que cai pelo buraco atrás de coelhos escravos de relógios, atravessa espelhos e divide o narguilé com lagartas.

Agora, também, vemos juízes desconcertados escondidos sob suas capas escuras como as suas almas vendidas, temerosos da vingança dos fantasmas que ajudaram a conjurar. Apresentadores apresentando suas desculpas, analistas analisando aquilo que suas análises ocultaram. Âncoras atordoados procurando no teleprompter o que dizer, mas um funcionário terceirizado digitou, como vingança, um poema de Edgar Alan Poe.

De nada adianta renegar o espelho, como o bêbado que tenta em vão assentar o cabelo e lavar a noite insone que carrega nas lágrimas de seus olhos injetados. O país segue olhando assustado para o espelho e seu reflexo distorcido, não reconhece as cicatrizes e as rugas que colecionou e culpa a imagem.

Enquanto isso, aqui do lado de fora do espelho, segue a macabra construção. Feitores fazem estalar seus chicotes sobre os ombros de milhares de escravos sem direitos e aposentadoria, que arrastam os enormes blocos de pedra em suas bicicletas enquanto seus deuses de barro, aqueles nos quais haviam exilado sua força coletiva, se transformam em poeira impotente. As paredes continuam se erguendo cimentadas por corpos de mulheres assassinadas, de índios queimados, crianças violadas e mortas por balas perdidas, meninos e meninas que o amor e o sexo indefinido assombram e precisaram ser purificadas e espancadas pela sagrada ira vingativa do Senhor, de multidões de pessoas invisíveis e cinzas que perambulam pelas ruas, dormem sob as pontes e se aglomeram na praça no escuro de uma noite sem fim.

Agora o espelho nos mostra pela terceira vez o país. Ao fundo, a enorme construção maligna toma suas formas quase finais. As paredes que cobrem os alicerces de ossos são naturalmente negras: forradas com a pele de ancestrais guerreiros, matéria prima barata do genocídio diário e milenar. Suas torres, como minaretes, desafiam o céu de um cinza chumbo e agourento.

No chão se vê pentagramas e rabiscos, mapas e planos, um planisfério desenhado com giz de cera e uma ampulheta quebrada. Imagens de santos aos pedaços, animais mortos e dependurados ao lado de esqueletos humanos e árvores calcinadas. Pela janela ao fundo vemos incêndios e numerosos exércitos que marcham. Os estandartes que decoram as paredes trazem símbolos que lembram uma conhecida marca roubada da tradição hinduísta, além de frases em runas, sânscrito e hebraico. A bíblia sagrada descansa sobre a mesa ao lado de um saco de moedas com um punhal de prata enterrado em sua capa de couro de ovelha.

No centro da imagem, Belzebu, cercado por asseclas insanos, ri.

12/Junho/2020
[*] Professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas. Na TV Boitempo , apresenta o Café Bolchevique, um encontro mensal para discutir conceitos-chave da tradição marxista a partir de reflexões sobre a conjuntura.

O original encontra-se em pcb.org.br/portal2/25689/os-tres-espelhos/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/brasil/iasi_12jun20.html

Guedes quer quatro privatizações para 2020. Correios e Eletrobras estão na lista

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247 -O ministro da Economia, Paulo Guedes, mudou seus planos e decidiu que irá trabalhar para fazer quatro grandes privatizações este ano. A decisão foi tomada na última reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), na semana passada. A informação é do jornal O Globo.

O PPI agora é comandado por Guedes. A intenção deleé privatizar a Eletrobras, os Correios, o Porto de Santos e a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), além de abrir o capital (por meio de uma oferta pública de ações) da Caixa Seguridade.

Parte dessas privatizações, como da Eletrobras, porém, precisa passar pelo Congresso Nacional, e há dúvidas sobre o apoio dos parlamentares à venda das estatais.

 

Brasil tem quase 930 mil casos da Covid-19 e 45,5 mil mortes

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247 -O levantamento mais recente feio pelo consórcio de veículos de imprensa, com dados das secretarias estaduais de Saúde, registra 929.149 casos confirmados da Covid-19 e 45.467 mortes provocadas pela doença no Brasil. A informação é do portal G1.

O balanço anterior, divulgado na terça-feira (16), às 20h, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento, registrou 928.834 infectados e 45.456 vítimas fatais da Covid-19 no país.

O número de mortes contabilizadas nas últimas 24 horas é de 1.338 e 2º maior registrado desde o início da pandemia no Brasil. O recorde atual é de 1.470 mortes.

 

Os dados foram obtidos através de uma parceria entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL.

Com recorde de infecções em 24h, Brasil ultrapassa as 45 mil mortes pela COVID-19

Idosas são examinadas por equipes de saúde em São João do Meriti, no Rio de Janeiro
© REUTERS / Ricardo Moraes

O Brasil estabeleceu nesta terça-feira (16) um recorde para novos casos confirmados do novo coronavírus em um único dia, com a carga de casos crescendo em 34.918 pacientes em 24 horas, totalizando 923.189 infecções, o maior total no mundo fora dos EUA.

O Brasil também registrou 1.282 mortes pela COVID-19 desde sua atualização anterior de segunda-feira (15), informou o Ministério da Saúde, elevando as mortes confirmadas no país para 45.241.

O recorde de novos casos diários confirmados ocorre quando a pandemia continua a acelerar na América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne, declarou em uma videoconferência que o Brasil representa uma grande preocupação. O maior país da América Latina responde por cerca de um quarto dos cerca de 4 milhões de casos de coronavírus nas Américas e quase 25% das mortes, revelou ela.

"Não estamos vendo a transmissão desacelerando no Brasil", acrescentou Etienne.

A OPAS recomenda que o Brasil e outros países da região continuem fortalecendo o distanciamento social e instou que a reabertura da economia seja feita lenta e cuidadosamente.

No entanto, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro há muito tempo se opõe às medidas de distanciamento social, e muitos estados do país estão reabrindo seus negócios, apesar do fato de o surto ainda ser grave em todo o território nacional.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020061615717722-com-recorde-de-infeccoes-em-24h-brasil-ultrapassa-as-45-mil-mortes-pela-covid-19/

Palavras e golpes

Há alguns dias o ministro Luiz Fux, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), respondeu a um pedido do PDT sobre os limites da atuação das Forças Armadas informando que a autoridade das Forças Armadas “não se sobrepõe à separação e à harmonia entre os Poderes”, e que “nenhuma autoridade está acima das demais ou fora do alcance da Constituição”. O ministro anota que “considerar as Forças Armadas como um ‘poder moderador’ significaria considerar o Poder Executivo um superpoder, acima dos demais”, e que a missão institucional dos fardados “não acomoda o exercício de poder moderador entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”.

Se o leitor se sentir cansado depois deste breve e bizantino parágrafo, não é por acaso. As laudas de Fux são orações sobre o conjunto de palavras que chamamos “Constituição”. Os atos, no entanto, não são delimitados por palavras – por excelência, os primeiros sobrepõem os segundos e, aliás, só podem haver palavras (definições) sobre atos praticados. No princípio não era o verbo, era a ação. Se assim não fosse, não poderiam de fato existir crimes, e a rebuscada Carta Magna impediria que mais de 200 mil pessoas estivessem enjauladas sem terem sido julgadas, enquanto todo cidadão brasileiro desfruta da educação, saúde, lazer e segurança; outros direitos assegurados no léxico das letras mortas. 

Não se trata das Forças Armadas “estarem acima de algum outro poder” ou “fora do alcance das instituições”. O problema é precisamente que as instituições e os poderes se assentam sobre a estrutura militar, que pode decidir por demoli-los, bastando para tanto seu movimento unilateral, frente ao qual as palavras só permanecem escritas se o acompanhando. De qualquer forma, é sintoma de putrefação da República que um membro do STF tenha de se prestar ao papel de escrever documentos oficiais cujo teor poderia ser resumido na afirmação “golpes são ilegais”. O são, de fato – por isso a lei, contra eles, pouco pode fazer.

Sigamos com as palavras. Às de Fux sucederam as de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão e Fernando Azevedo, que em nota repetiram trechos constitucionais e informaram que “as FFAA do Brasil não cumprem ordem absurdas, como por exemplo a tomada de Poder. Também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos […] na liminar de hoje, o Sr. Min. Luiz Fux, do STF, bem reconhece o papel e a história das FFAA sempre ao lado da Democracia e da Liberdade”.

Claro está que as palavras não delimitam os atos, mas os definem. É evidente no entanto que quais ordens serão consideradas absurdas, o que são tentativas de tomada de Poder, ou o que é “Democracia” e “Liberdade” dependerá, também, da definição daquele que as interpreta. Quem o será? Pelas premissas constitucionais, essa tarefa cabe ao STF. Pela nota do presidente, de seu vice e do ministro da Defesa, no entanto, a premissa é precisamente das Forças Armadas.

Para ser gentil com as fardas e lançar mão de um eufemismo, é uma invencionice ridícula afirmar que as Forças Armadas sempre estiveram ao lado da democracia e da liberdade. A história das Forças Armadas no Brasil é marcada pelas conspirações, pelas ilegalidades e pelo golpismo. Para citar nossa história recente, basta recordar que a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, foi seguida de uma movimentação militar – de ministros militares, primeiro, alguns dos quais da reserva, não das “instituições militares”, já que hoje tal distinção parece ser tão importante. Não queriam que o vice-presidente João Goulart tomasse posse, pois viam nisso um perigo – interpretado e definido por eles – a despeito do que dizia a Constituição – cuja interpretação, em tese, a eles não cabia. Arranjou-se tudo com o Congresso Nacional, que se opunha ao impedimento da posse de Jango, mas que mudou a Constituição, aprovando o parlamentarismo. Menos de três anos mais tarde, o mesmo Jango seria derrubado por um golpe, “ao arrepio da lei”, que foi consagrado por um Congresso que, no dia 2 de abril daquele ano, declarou vaga a Presidência da República, apesar de João Goulart ainda se encontrar em território nacional naquele momento. O regime que a isso seguiu violou por 21 anos a “Democracia” e a “Liberdade” no País, impossibilitando eleições, cassando direitos políticos e perseguindo opositores.

Na concepção do Exército, no entanto, o que ocorreu não foi um golpe. Foi uma “revolução” ou, no máximo, um “movimento”. “Movimento” é também como Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal,chama o golpe de 1964. De acordo com a autoridade máxima do tribunal, “esquerda e direita tiveram a conveniência de se retirar e de não assumir os erros dos dois lados e dizer que tudo isso era problema de militar”. Mais do que reconhecer que a definição prática da legalidade cabe à ação daquele que empunha a espada, devemos reconhecer que a Deusa Themis, por aqui, mais do que vendada, anda um tanto cegueta. E, ao que parece, a espada metafórica que carrega se orienta pela espada real que a sustenta.

“Ilações”, diria o general-vice-presidente Hamilton Mourão. “A turma da fantasia precisa parar com essas coisas que ficaram no passado. Isso [golpe] não existe, precisa dar um basta”, é o quedisse aoG1.Perguntado se o trecho sobre “julgamentos políticos” na nota que assinara se referia a um julgamento que pudesse cassar sua chapa no TSE, negou, e disse ter convicção de que o tribunal agirá com “equilíbrio”. Equilíbrio. Nem revolução, nem golpe: movimento. Equilíbrio. É o que espera o homem que três anos atrás se dizia ciente, junto de seus colegas do Alto Comando, de que “se os Poderes não conseguirem dar uma solução, chegará a hora em que nós teremos que impor uma solução”. Coisas que ficaram no passado; tomo emprestadas as palavras do vice-presidente: é preciso dar um basta.

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