Banca

Direita chega ao jogo das comissões no MB Way. PSD e Chega juntam-se ao PS

 

O PSD quer alargar serviços dentro das contas de baixo custo e incluir transferências via a aplicação da SIBS. O Chega quer eliminar custos nessas transações.

 

Depois da esquerda, é a vez da direita marcar terreno nos limites a comissões nas transferências por plataformas como o MB Way. Neste sentido, o PSD quer alargar as contas low cost para incluir aí essas transações, enquanto que o Chega vai mais longe, com a intenção de impedir a cobrança de comissões.

Ao Jornal de Negócios, o social-democrata Duarte Pacheco admitiu que o partido irá propor em breve a inclusão de transações como as do MB Way na conta de serviços mínimos bancários, que têm um custo máximo anual de 4,38 euros.

O PSD assume esta proposta que “visa incluir várias transações sem qualquer custo na conta de serviços básicos” e admite esta sugestão depois de a esquerda (PS, BE, PCP e PAN) ter proposto diplomas visando a eliminação de custos nas transferências por MB Way. O partido de Rui Rio não vai tão longe, querendo apenas a limitação dos encargos.

Segundo o Expresso, o Chega também se juntou à discussão, com a entrega de um projeto de resolução no qual quer ver clarificada a lei que enquadra as comissões, que só podem ser cobradas àquilo que designa como “serviço efetivamente prestado“.

“Ao proceder à clarificação da lei supracitada, [que o diploma] determine a não cobrança de qualquer taxa ou comissão na totalidade dos serviços prestados pela aplicação MB Way, ou quaisquer outras semelhantes, incluindo e em especial, as transferências bancárias”, indica o partido.

O chega diz ainda que o Banco de Portugal deve definir “valores mínimos e máximos a cobrar pela prestação de determinados serviços, definindo um limite para as subidas das comissões, em especial nos produtos bancários imprescindíveis para os consumidores”.

No dia 27 de fevereiro serão discutidas, no Parlamento, as propostas do Bloco de Esquerda. Segundo o semanário, o MB Way não é o único tema, e há acordo, por exemplo, para que a declaração de dívida pedida aos bancos seja gratuita.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/psd-chega-limitar-comissoes-mbway-309818

Carlos Costa vai ao Parlamento por causa do Luanda Leaks

 

Foi aprovado, esta quarta-feira, por unanimidade, na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, o requerimento para uma audição do governador do Banco de Portugal (BdP) no Parlamento no âmbito do Luanda Leaks.

Esta audição decorre de um requerimento feito pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, que considera “imperativo que o Banco de Portugal esclareça o acompanhamento que estará a fazer às atividades financeiras relacionadas com Isabel dos Santos em Portugal”. Tal passa pelo “apuramento de todas as responsabilidades nas falhas no sistema de prevenção do branqueamento de capitais do EuroBic”.

No dia 22 de janeiro, Isabel dos Santosabandonou a estrutura acionista do EuroBic, uma medida para “salvaguardar a confiança na instituição”, referia o banco, após a divulgação de documentos de uma investigação jornalística designada Luanda Leaks.

Além disso, o BE quer saber qual é o acompanhamento que o BdP está a fazer quanto “à avaliação da idoneidade dos acionistas e órgãos de administração do EuroBic no período que antecedeu a divulgação pública do caso”, bem como relativamente à “avaliação da operação de venda da participação de Isabel dos Santos no EuroBic, quanto à idoneidade de todos os envolvidos e aos potenciais riscos da operação em matéria de branqueamento de capitais e/ou de obstrução da justiça”.

“A investigação jornalística confirmou denúncias reiteradas da forma como Isabel dos Santos acumulou uma fortuna a partir do financiamento público e da exploração de empresas estatais angolanas, proporcionados pelo poder político do seu pai, José Eduardo dos Santos”, refere o BE, em comunicado.

Segundo o jornal ECO, o requerimento para chamar Carlos Costa ao Parlamento tem caráter de urgência, o que significa que o Parlamento deverá solicitar a audição ao governador do BdP com celeridade.

A audição surge pouco mais de uma semana depois de o banco galego Abanca ter anunciado a compra de 95% do EuroBic, com a aquisição das posições que eram controladas por Isabel dos Santos.

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou mais de 715 mil ficheiros que detalham esquemas financeiros da empresária e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

De acordo com a investigação do consórcio, do qual fazem parte o Expresso e a SIC, Isabel dos Santos terá montado um esquema de ocultação que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai e que tinha como única acionista declarada Paula Oliveira.

A investigação revela ainda que, em menos de 24 horas, a conta da Sonangol no EuroBic Lisboa, banco de que Isabel dos Santos era a principal acionista, foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à demissão da empresária da petrolífera angolana.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/carlos-costa-vai-ao-parlamento-causa-do-luanda-leaks-309474

Portugal dos banqueiros | Maioria das multas aplicadas a banqueiros fica por pagar

Dez gestores igualam coimas da CMVM a bancos em 15 anos, intimados a pagar um valor total de 16,8 milhões de euros.
 
Apenas dez antigos gestores bancários acumularam multas de 16,8 milhões de euros. Aquele montante iguala todas as coimas decididas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a todos os bancos infratores no espaço de 15 anos (2004 a 2019). No caso dos "banqueiros", a maior parte das sanções da CMVM e do Banco de Portugal (BdP) fica por pagar. Por vezes, os tribunais dão mesmo como provada a sua inocência.
 
A culpa corre o risco de morrer solteira, até porque os arguidos têm sempre a possibilidade de recorrer para os tribunais, arrastando processos que muitas vezes prescrevem. No entanto, o frenesim sancionatório é um indicador de uma rede mais fina no combate às infrações daqueles que têm sobre os seus ombros a responsabilidade de gerir o dinheiro de terceiros.
 
"Se há mais atividade do BdP? Há, como consequência da crise financeira que atingiu a Banca na Europa. Quer o BdP quer o Banco Central Europeu têm sido muito mais ativos na supervisão e têm alterado as regras prudenciais", considera o advogado João Caiado Guerreiro.
 
Carlos Pinto de Abreu, advogado de Filipe Pinhal, ex-administrador do BCP que chegou a presidir ao banco entre 2007 e 2008, apresenta uma visão diferente partindo do sucedido ao seu cliente: "O sr. Filipe Pinhal foi absolvido pelo Tribunal da Relação. Não tinha cometido qualquer ilícito. O BdP atua como acusador e decisor, mas o tribunal discordou. Foi anulada também a decisão de inibição de exercício de funções".
 
O tema é sensível para o contribuinte. De 2008 a 2018, os encargos do Estado com os bancos ascenderam a mais de 18 mil milhões de euros. As ajudas à Banca começaram em 2008 com a crise financeira e a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), cuja fatura já supera os cinco milhões de euros. José Oliveira e Costa, o seu criador, foi condenado a 15 anos de prisão e foi multado quer pela CMVM quer pelo BdP, somando 1,425 milhões de euros. Foi penhorada parte da sua pensão de 2295 euros, mas quase nada foi pago ao BdP até à data e ainda menos à CMVM.
 
BES ainda no tribunal
 
Muitos destes casos ainda não tiveram um desfecho definitivo. Por exemplo, decorreram na segunda-feira, no Tribunal da Concorrência, em Santarém, as alegações finais do julgamento do recurso de algumas das coimas aplicadas pelo BdP a Ricardo Salgado, presidente do BES, e Amílcar Morais Pires, administrador financeiro. Motivo da acusação? Ausência de medidas de prevenção de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo em unidades do BES no estrangeiro.
 
Ricardo Salgado será, neste momento, o recordista das coimas. Para já, o acumulado do BdP com a CMVM já vai em 5,8 milhões, mas esta última entidade prepara uma acusação cuja coima máxima chega aos 5 milhões, o que faria duplicar o seu atual recorde.
 
O caso mais badalado nos últimos tempos é, sem dúvida, o de Tomás Correia. Os alegados ilícitos que terá cometido enquanto presidente do Banco Montepio recuam ao período 2008-2015. Em duas multas já decididas pelo BdP, soma 1,4 milhões de euros. Mas o supervisor fez publicar na imprensa uma terceira acusação, relacionada agora com ocultação de perdas e riscos nas contas do banco. As irregularidades detetadas podem valer uma coima até 7,5 milhões.
 
Outros gestores conseguem limpar totalmente o seu nome das acusações da CMVM e do BdP. Esse foi o caso de Alípio Dias, ex-administrador do BCP. Depois de várias absolvições, duas das coimas de que foi alvo acabaram por prescrever.
 
 
PORMENORES
 
Quem são os dez banqueiros?
 
Oliveira e Costa (BPN), Jardim Gonçalves (BCP), Filipe Pinhal (BCP), Paulo Teixeira Pinto (BCP) e João Rendeiro (BPP) foram multados quer pelo BdP quer pela CMVM. Ricardo Salgado (BES), José Manuel Espírito Santo (BES), Ricciardi (BESI), Morais Pires (BES) e Tomás Correia (Montepio) foram sancionados só pelo BdP, pelo menos até à data. Oito deles surgem na galeria de fotos. Somadas as coimas anunciadas pelos reguladores, obtém-se o valor de 16,8 milhões, tanto quanto a CMVM multou todos os bancos em 15 anos.
 
Para onde vai o dinheiro das coimas?
 
A receita obtida com as coimas aplicadas a bancos e gestores bancários reverte, por defeito, para o Estado, salvo situações específicas em que a lei prevê como destino o Fundo de Garantia de Depósitos e Sistema de Indemnização aos Investidores.
 
Processos-crime que envolvem gestores
 
Quando o banqueiro quer contestar uma multa aplicada pelo BdP ou pela CMVM, recorre primeiro para o Tribunal da Concorrência. A partir daí, pode seguir-se uma maratona de tribunais. Pelo meio, o Ministério Público pode encetar um processo-crime. Por exemplo, Jardim Gonçalves, devido à acusação de manipulação de mercado, teve uma pena de dois anos de prisão, suspensa após ter pago 600 mil euros à Raríssimas e à Ajuda de Berço. Filipe Pinhal pagou 300 mil euros à Acreditar num processo-crime muito semelhante.
 
CARTEL
 
Maior sanção de sempre a um setor
 
A Autoridade da Concorrência (AdC) condenou 14 bancos ao pagamento de coimas no valor global de 225 milhões de euros por prática concertada de troca de informação comercial sensível, entre 2002 e 2013. Cada banco facultava aos demais informação sensível sobre as suas ofertas comerciais, indicando, por exemplo, os spreads a aplicar num futuro próximo no crédito habitação ou os valores do crédito concedido no mês anterior, dados que, de outro modo, não seriam acessíveis aos concorrentes. O anúncio da sanção aplicada por cartelização na Banca foi feito em setembro do ano passado e todos os bancos envolvidos já recorreram (desde a CGD ao BCP, passando pelo BPI e Santander, entre outros). Nunca a AdC tinha aplicado uma coima tão alta a um só setor de atividade.
 
Pedro Araújo | Jornal de Notícias | Imagem: José Sena Goulão/Lusa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/portugal-dos-banqueiros-maioria-das.html

Debate instrutório do caso Banif/TVI

Um escândalo que custou uns milhares ao erário publico e que tudo tem sido feito para que não haja consequências

Debate instrutório do caso Banif/TVI arranca a 26 de fevereiro

Está marcado para o próximo dia 26 de fevereiro o início do debate instrutório do caso Banif no processo colocado contra a estação de Queluz pelo Ministério Público que acusa TVI de ter precipitado o fecho do banco. Em causa está o último acto da fase de instrução em que, após alegações das parte, juiz decidirá sobre a existência de indícios suficientes para submeter, ou não, a TVI a julgamento.
Na base deste processo está uma queixa do Banif (em liquidação), na sequência da notícia sobre o alegado “fecho” do banco, emitida pelo canal TVI24, no dia 13 de dezembro de 2015, com o banco a considerar que a notícia esteve na “origem de uma enorme perda de liquidez ao longo dos dias” imediatamente a seguir à transmissão e, posteriormente, “da resolução do banco dos danos por ele provocados”. “De acordo com a acusação do Ministério Público, a TVI, previu e quis revelar e divulgar/tornar público tal notícia num meio de comunicação, não obstante saber que o seu teor poderia ser falso e que a mesma seria ofensiva da imagem e competência económica do Banif”, salienta o comunicado da Comissão Liquidatária do banco. O Santander agradeceu . O contribuinte pagou

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/02/18/89632/

Novo Banco deverá pedir perto de mil milhões de euros ao Fundo de Resolução

 

O Novo Banco prepara-se para pedir uma nova injeção ao Fundo de Resolução a rondar os mil milhões de euros. Com este montante, o banco atinge o teto definido na venda ao fundo Lone Star.

 

O Novo Banco deverá pedir uma nova injeção de capital ao Fundo de Resolução. O montante pedido pelo banco ronda os mil milhões de euros, avança o Jornal de Negócios. Este valor poderá ainda sofrer alterações até à divulgação das contas anuais da instituição liderada por António Ramalho.

Os resultados de 2019 devem assemelhar-se aos conseguidos há dois anos, em que o banco apresentou um resultado negativo de 1,412 milhões de euros. A nova injeção de capital será calculada de acordo com este valor.

O pedido de injeção de capital deverá ser feito no início de março e concretizado entre o final de abril e o início de maio. Esta injeção aproximará o Novo Banco do teto máximo definido no acordo de venda do banco ao fundo norte-americano Lone Star. O limite era 3,89 mil milhões de euros que o Fundo de Resolução podia injetar.

 
 

Até agora, segundo o Jornal de Negócios, foram utilizados perto de 2 mil milhões de euros, restando perto de mil milhões para atingir o teto definido.

“Uma eventual chamada de capital do Novo Banco ao Fundo de Resolução só poderá ocorrer depois de serem conhecidos os resultados anuais do banco de 2019 e o valor das eventuais imparidades dos ativos, previstas no quadro do mecanismo de capital contingente”, explicou Mário Centeno, em resposta à possibilidade de o dinheiro restante ser injetado de uma só vez.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/novo-banco-mil-milhoes-fundo-resolucao-309181

PS quer limites nas comissões do MB Way. O resto da Esquerda quer acabar com elas

 

O Partido Socialista deu entrada com um projeto-lei que pretende impor limites nas comissões do MB Way. No entanto, a proposta não as impede, como foi proposto por BE, PCP e PAN.

 

O objetivo desta proposta do PS é “limitar a cobrança de comissões pelos prestadores de serviços de pagamento nas operações de levantamento de fundos, realização de pagamentos de serviços ou de transferências, ou através de plataformas eletrónicas de natureza financeira operadas por terceiros”.

Há quem apele à proibição das comissões nas transferências realizadas através da aplicação, nomeadamente o Bloco, o PCP e o PAN. Isto porque o MB Way nasceu como uma aplicação para telemóvel gratuita que permitia aos clientes fazer transferência e pagamentos de uma forma mais prática.

Contudo, de acordo com o jornal Público, o PS reconhece que o seu sucesso “suscitou que a banca as encarasse como novas fontes de comissionamento“.

 
 

Desde então, bancos como a Caixa Geral de Depósitos, o BCP, o Santander e o BPI criaramaplicações próprias onde isentam as transferências de alguns clientes — cobrando um valor elevado aos que usem a aplicação MB Way.

O PS pretende isenção de pagamento num dos seguintes limites: 100 euros por operação; 500 euros enviados em operações na plataforma durante um mês; ou 50 transferências realizadas num mês. Relativamente ao valor da comissão a pagar, os socialistas defendem que o limite máximo deve ser estabelecido por decreto-lei.

Além disso, de acordo com a proposta, os bancos também não poderão descriminar as comissões cobradas em operações semelhantes nas suas próprias aplicações.

O Bloco de Esquerda já admitiu que vai aceitar que o projeto-lei do PS seja discutido no próximo dia 27. “Nós lançámos esse desafio. Foi um tema que o Bloco de Esquerda colocou na agenda e que deseja que tenha consequências”, disse fonte do partido ao Público.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ps-quer-limitar-comissoes-do-mb-way-309190

BdP sem poder para sancionar Revolut ou N26 por incumprimento de normas

 

O Banco de Portugal não tem poder para sancionar instituições estrangeiras que operam em Portugal pela livre prestação de serviços, pelo que reclamações e eventuais sanções pelo não cumprimento de normas de conduta cabem às autoridades dos países de origem.

 

Com a integração europeia dos mercados bancários de retalho, que a União Europeia tem promovido nos últimos anos com nova legislação, bancos ou outras instituições financeiras autorizadas num país da UE podem prestar serviços bancários de retalho em outro Estado-membro através do estabelecimento de uma sucursal ou através do regime de livre prestação de serviços.

Segundo o portal do Banco de Portugal, são centenas as instituições registadas em Portugal como instituições de crédito da UE em regime de livre prestação de serviços e entidades de moeda eletrónica com sede na UE em regime de livre prestação de serviços, caso dos bancos digitais N26 (baseado na Alemanha) ou Openbank (baseado em Espanha, pertencente ao grupo Santander), da Revolut (tem duas empresas registadas no Banco de Portugal, uma baseada no Reino Unido e outra na Lituânia) ou do CaixaBank Payments & Consumer (filial do Grupo Caixabank, Espanha).

No caso das instituições financeiras sediadas em Portugal e das estrangeiras que operam através de uma sucursal, o Banco de Portugal tem competências de supervisão comportamental.

Já no caso das instituições estrangeiras que prestam serviços financeiros em Portugal através do regime de livre prestação de serviços, o BdP não tem competências para fiscalizar o cumprimento das suas condutas (supervisão comportamental).

Isto faz com que, por exemplo, as reclamações de clientes que visem estas instituições não sejam analisadas pelo Banco de Portugal, mas remetidas para as autoridades competentes do país de origem dessas instituições.

Em resposta à Lusa, o regulador e supervisor bancário português explicou que, nesses casos, “compete à autoridade competente do Estado-membro de origem exercer essa supervisão”, o que implica, por exemplo, analisar as reclamações de clientes e eventualmente fazer o sancionamento de condutas erradas dessas instituições financeiras.

Assim, o regulador e supervisor bancário português envia para as autoridades correspondentes as queixas que lhe chegam e é a estas que cabe atuar.

“O Banco de Portugal comunica às autoridades competentes do Estado-membro de origem indícios de infração às normas aplicáveis à respetiva atuação em Portugal sempre que das mesmas tem conhecimento através, designadamente, de denúncias ou de reclamações de clientes bancários”, refere entidade liderada por Carlos Costa à Lusa.

Contudo, diz o banco central, “as instituições que atuam em Portugal ao abrigo de livre prestação de serviços devem conformar a sua atuação com as normas de conduta aplicáveis em território nacional”.

A Lusa questionou ainda o BdP sobre se as entidades financeiras que atuam em Portugal ao abrigo de livre prestação de serviços têm de cumprir os limites máximos das taxas de crédito ao consumo ou podem cobrar livremente (furando esses tetos máximos), tendo respondido fonte oficial que estas “devem conformar a sua atuação com as normas de conduta aplicáveis em território nacional”, uma vez que a “aplicação de taxas máximas corresponde a uma norma legal que todas as instituições devem cumprir“.

Porém, caso não cumpram esses limites máximos, novamente não cabe ao Banco de Portugal a avaliação de eventual infração e o sancionamento.

“Em caso de violação destas normas, o Banco de Portugal faz a devida comunicação à autoridade de supervisão competente do país de origem”, explicou o supervisor e regulador bancário.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/bdp-sem-sancionar-revolut-n26-309032

Tomás Correia quer que pensão de 14 mil euros seja aumentada

 

Tomás Correia, ex-presidente do Montepio, recebe 14.300 euros de pensão mensal, mas recorreu a tribunal para aumentar o valor.

 

O banqueiro Tomás Correia, que saiu da mutualista Montepio em dezembro, foi para tribunal contra a Caixa Geral de Aposentações, pretendendo que a sua pensão seja recalculada.

O Correio da Manhã avança este domingo que o responsável recebe uma pensão de 14.300 euros por mês, mas Tomás Correia considera que deveria receber mais por ter integrado a administração da Caixa Geral de Depósitos. Correia esteve na CGD entre 1996 e 2003, ano em que se aposentou e em que lhe foi fixada uma pensão de 14.300 euros.

A reforma do banqueiro chegou a ser reduzida a 11 mil euros durante o período da troika, mas Tomás Correia contestou a redução do valor e voltou a receber os 14.300 euros mensais que lhe foram atribuídos na altura da aposentação.

Agora, o ex-líder do Montepio argumenta que, em 2016, o cargo que havia ocupado sofreu uma alteração de designação e de salário – vogal passou a vogal-executivo e o salário de 17.500 euros passou para 23.285 euros. Por esse motivo, defende, a sua pensão deve ser recalculada.

Além disso, Tomás Correia argumenta ainda que os juros que recebeu depois de o valor original da pensão ter sido reposto foram mal calculados.

Tomás Correia defende que deve agora receber uma reforma de 23 mil euros por mês.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/tomas-correia-pensao-aumentada-308922

Os lucros da CGD segundo Paulo Macedo, e a realidade

Eugénio Rosa    14.Feb.20   

Recentemente os media fizeram grandes “caixas” com os lucros da CGD em 2019 que teriam atingido, segundo a administração de Paulo Macedo, 775,9 milhões €. Limitaram-se a divulgar o que administração disse “esquecendo-se” de inquirir/investigar como esses lucros foram obtidos. Criaram a ideia de que recuperação da CGD era uma realidade. Os dados mostram outra coisa, incluindo que os lucros foram conseguidos fundamentalmente à custa dos depositantes.


 

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Novo Banco agrava comissões nas contas e transferências

 

O Novo Banco vai agravar comissões nas contas, transferências bancárias e custos do crédito da casa, entre outros. O banco liderado por António Ramalho explica que são “ajustes pouco relevantes”.

 

O Novo Banco vai aumentar os custos das contas bancárias, das transferências e do crédito da casa. Ao contrário de outros grandes bancos nacionais, que estão a travar os aumentos nas comissões, o banco liderado por por António Ramalho vai em sentido contrário e impõe aumentos aos clientes.

Segundo explica o jornal ECO, a maioria dos agravamentos nas comissões entra em vigor a partir de 30 de abril. Custos das contas, realização de transferências, requisição de cheques e compra e venda de notas estrangeiras vão ver os seus preços subirem.

“Relativamente às contas de depósitos à ordem, desde 2017 que o Banco não efetuava alterações ao preço das contas”, salientou o banco, desvalorizando os aumentosprevistos. Em relação às transferências bancárias, o Novo Banco considera que são “ajustes pouco relevantes” para os clientes.

Um dos casos mais gritantes é o das contas à ordem dos clientes com um valor entre os 5 mil e os 35 mil euros, que veem os encargos de manutenção de conta quase triplicarem. O valor da comissão passa de 6,24 euros para 15,6 euros.

Por sua vez, a comissão dos clientes com menos de 5 mil euros na conta vão passar a pagar 67,6 euros por ano, em vez dos anteriores 62,4 euros. Clientes com mais de 35 mil euros mantêm-se isentos.

Nas contas NB 18.31, para clientes entre os 18 e os 31 anos, a comissão anual sobe 20%, passando de 31,2 euros para 37,544 euros. Este aumento verifica-se caso os clientes não reúnam condições para beneficiar de bonificação.

Os encargos com as contas NB100%, NB Seleção, NB100% Parceiro+, Serviço Assurfinance, Conta Benfica, NB100% 55+, Serviço BIC100%, NB18.31 Academia, NB100% 18.31, Serviço BIC Jovem Profissional, Conta Vencimento Empresa e Empresa I também aumentam com a nova atualização.

Além disso, todas as transferências bancárias não urgentes até 5 mil euros, que sejam feitas ao balcão, passam a custar 6,24 euros ao cliente, independentemente do valor. Até então, as transferências até 500 euros eram apenas cobrados 5,2 euros.

Segundo o ECO, também as transferências online ou mobile ficam 10% mais caras, passando a ter um custo de 1,144 euros. A requisição de cheques, por sua vez, sofre aumentos de encargos entre 4,34% e 23,33%.

Os custos dos créditos da casa também não escapam à regra e vão subir de preço. A partir de 31 de março, há aumentos entre os 13,33% e os 18,75%.

O Novo Banco considera mais uma vez que estes são “meros ajustes de mercado em comissões com muito pouco relevância, não aplicáveis às atuais carteiras de crédito destes produtos, mas antes para resposta a pedidos específicos e pontuais de clientes”.

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/novo-banco-agrava-comissoes-contas-308407

Banco de Portugal aplica novas coimas a Tomás Correia e ao Montepio

 

O Banco de Portugal (BdP) lançou uma coima no valor de 400 mil euros ao Banco Montepio, e coimas de 150 mil euros para Tomás Correia e para outro ex-administrador, José Almeida Serra.

 

Segundo noticiou o Observador, as coimas surgem no âmbito do processo que investigou as irregularidades detetadas na Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), em 2015, no qual se concluiu que o banco tinha fragilidades na prevenção de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, quando liderado por Tomás Correia.

Entre as infrações detetadas, 12 foram imputadas a Tomás Correia, 12 a José Almeida Serra e 16 à CEMG.

De acordo com o Observador, o BdP estará a negociar com a instituição outro processo, relacionado com uma obrigação da CEMG, que não envolve os administradores. Caso o Banco de Portugal não aceite uma coima adicional de 200 mil euros, que está a ser analisada, o processo passa para uma acusação formal.

O BdP condenou, em 2019, o Montepio e oito antigos administradores, incluindo Tomás Correia, a pagar coimas de 4,9 milhões de euros, cuja nota de ilicitude o Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão anulou.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/banco-portugal-novas-coimas-tomas-correia-montepio-308323

Os lucros da CGD em 2019

– Eles reduzem-se de 775,9 milhões € a apenas a 175,9 milhões €
– Isto se verifica ao deduzir-se a reversão de imparidades e provisões criadas a mais em anos anteriores, bem como o valor da venda de ativos internacionais e de mais-valias
– O crédito e a quota de mercado da CGD continuam a diminuir

por Eugénio Rosa [*]

Recentemente os media fizeram grandes "caixas" com os lucros da CGD em 2019 que teriam atingido, segundo a administração de Paulo Macedo, 775,9 milhões €. No entanto, e como é habitual, limitaram-se a divulgar o que administração disse "esquecendo-se", mais uma vez, de inquirir/investigar como esses lucros foram obtidos a fim de poderem informar com verdade a opinião pública sobre a situação da CGD. E isto porque criaram a ideia de que recuperação da CGD era uma realidade. No entanto, a realidade pode não ser essa porque lucros não são sempre sinal de recuperação efetiva e consistente pois podem ser obtidos através de medidas conjunturais que fragilizam a CGD e ocultam a sua verdadeira situação cujas consequências só sentirão mais tarde, eventualmente depois da saída de Paulo Macedo.

A CGD já viveu momentos semelhantes, embora as causas fossem diferentes, cujos efeitos só vieram à luz do dia vários anos mais tarde, com consequências graves para os contribuintes que tiveram de a recapitalizar com 3.900 milhões € pagos com os seus impostos. Mas esta é uma questão séria que só deve ser tratada e respondida com base numa análise objetiva da informação já divulgada pela administração de Paulo Macedo referente a 2019, pois é a única disponível. É o que vamos fazer neste estudo procurando mostrar a realidade para além das aparências para alerta, informação e reflexão dos portugueses.

77,4% DOS LUCROS DA CGD EM 2019 NÃO TIVERAM COMO ORIGEM O NEGÓCIO BANCÁRIO POR EXCELÊNCIA MAS FUNDAMENTALMENTE REVERSÃO DE IMPARIDADES E PROVISÕES CONSTITUIDAS A MAIS EM ANOS ANTERIORES E VENDA DE ATIVOS QUE A CGD POSSUIA NO PAÍS E NO ESTRANGEIRO, SITUAÇÃO ESSA QUE NÃO É REPETÍVEL

O quadro 1, construído com dados constantes da própria informação divulgada pela administração de Paulo Macedo, mostra de uma forma clara como a esmagadora maioria dos lucros (cerca de 77,4%) apresentados pela CGD em 2019 – 775,9 milhões € – foram obtidos.

 

Portanto, 600,2 milhões € (77,4%) dos 775,9 milhões € dos lucros que a administração de Paulo Macedo apresentou em 2019, tiveram como origem a venda de ativos que a CGD possuía em Portugal e no estrangeiro, mas fundamentalmente a reversão de imparidades e provisões constituídas em excesso em anos anteriores, muitas delas só certamente possíveis devido à enorme recapitalização da CGD feita pelo Estado em 2016 com dinheiro dos contribuintes. Pode-se dizer, que a CGD está apenas a entregar ao Estado aquilo que recebeu a mais em 2019, e não na sua totalidade. É preciso fazer uma análise objetiva para não se criarem ilusões.

Este mesmo procedimento já tinha sido utilizado pela administração de Paulo Macedo em 2018, mas com menor dimensão. Dos 495,7 milhões € de lucros apresentados em 2018 pela administração de Paulo Macedo, 207,8 milhões €, ou seja, 41,9% tiveram a mesma origem, tendo a parcela de reversão de imparidades e provisões atingido 131,26 milhões €

O CRÉDITO BANCÁRIO CONCEDIDO EM PORTUGAL PELA CGD CONTINUA A DIMINUIR

Uma outra caraterística da gestão da administração de Paulo Macedo na CGD é a continua diminuição do crédito concedido à economia e às famílias portugueses como revelam os dados do quadro 2 construído com a informação divulgada pela própria CGD.

 

Entre 2018 e 2019, registou uma redução do crédito concedido pela CGD de 4.328 milhões €, sendo 3.749 milhões € a empresas, a particulares (fundamentalmente famílias) e ao setor público. Se consideramos os três anos (2016/2019) da administração de Paulo Macedo na CGD, a redução de crédito concedido pela CGD em Portugal já atinge 15.066 milhões € (-23,8%), sendo 4.606 milhões € a empresas (-25,1%), 3.577 milhões € a particulares (-12,8%). Mesmo o crédito à habitação em que a CGD teve sempre um grande papel sofreu uma redução de 3.412 milhões €. Melhor que quaisquer palavras estes números, disponibilizados pela própria administração da CGD, mostram de uma forma clara o que tem sido a gestão de Paulo Macedo na CGD

A CGD CONTINUA A PERDER QUOTA DE MERCADO EM PORTUGAL

A diminuição continuada do crédito concedido às empresas e às famílias em Portugal tem determinado que a CGD esteja a perder quota de mercado no país como o quadro 3 mostra, que foi também construído com dados divulgados pela própria administração de Paulo Macedo

 

Em três anos de administração de Paulo Macedo (2016/2019), a CGD perdeu 18,8% da quota de mercado de crédito, sendo 27,5% na quota de empresas e 14,3% de particulares. Este é um aspeto que a administração de Paulo Macedo tenta ocultar pois em relação a outros indicadores apresenta valores do período 2016/2019 mas relativamente a este não os divulga para todo o período apesar de ser um indicador importante de avaliação da capacidade da administração. A administração de Paulo Macedo está a revelar falta de capacidade para conceder crédito novo que, pelo menos, compense aquele que é amortizado, liquidado, vendido ou abatido .

Mesmo em relação aos depósitos, a posição da CGD é pior do que a que tinha quando a administração de Paulo Macedo entrou para ela, apesar de se ter verificado uma ligeira recuperação em 2019, como mostra o quadro 4 (dados divulgados pela administração).

 

Entre 2016 e 2019, a quota da CGD nos depósitos totais feitos na banca diminuiu de 27,7% para 25,2%, ou seja, em -9,7%, apesar da reduzida recuperação registada em 2019 (+0,2 p.p.).

Outra análise que interessa realizar para avaliar a capacidade de gestão da administração de Paulo Macedo é utilizando o Rácio de transformação que dá o valor em euros de crédito que a administração da CGD consegue conceder por cada 100€ de depósitos que recebe. Entre 2016 e 2019, de acordo com o seu Balanço Consolidado (ver Anexo), o crédito líquido da CGD diminuiu de 59.413 milhões € para 47.974 milhões € (- 11.439 milhões €) e os depósitos passaram de 66.692 milhões € para 65.792 milhões € (-900M€). Calculando o Rácio de transformação que se obtém dividindo o total de crédito pelo total de depósitos obtém-se, para 2016, 89,1% e para 2019 e apenas 72,9%. Isto significa que, em 2016, por cada 100€ que recebia a CGD emprestava (crédito) 89,1€ enquanto, em 2019, por cada 100€ de depósitos que recebe só consegue emprestar 72,9%. A falta de capacidade que parece revelar a atual administração para aumentar o crédito concedido à economia e às famílias é preocupante e devia merecer a reflexão do acionista Estado e daqueles que se interessam pela defesa do banco público. E tudo isto torna-se mais incompreensível quando o seu Rácio de liquidez (LCR) aumentou, entre 2016 e 2019, de 176% para 332%, um valor muito superior ao exigido pelo Banco de Portugal (100%). Não é por falta de liquidez que a CGD não concede crédito, até porque os seus Rácios de capital são confortáveis como afirma a própria administração. E sem aumentar o negócio bancário não há recuperação efetiva da CGD, a não ser que queira reduzir a CGD a uma "caixinha ".

OS RESULTADOS DA ATIVIDADE "CORE" DA CGD OBTIDOS À CUSTA DOS DEPOSITANTES

A atividade "core" de uma instituição bancária como é a CGD, a qual devia ser a principal fonte de receitas, é da intermediação, ou seja, receber depósitos pelos quais devia pagar juros e conceder crédito pela qual recebe juros. O que tem sucedido na CGD é que os resultados da atividade "core" têm-se afundado como mostra o quadro 4 com dados divulgados pela CGD.

 

Uma das conclusões importantes que se tira dos dados do quadro é que apesar da Margem financeira da CGD, que devia ser a sua principal fonte de receitas, ter aumentado apenas 93,3 milhões € entre 2016 e 2019, esse aumento não teve como origem o aumento do credito concedido (neste período os juros das operações ativas até diminuíram em 642 milhões €) mas foi conseguido fundamentalmente à custa dos depositantes, cujos juros recebidos sofreram uma redução de 735,3 milhões € (-51,4%). O mesmo sucedeu em relação às comissões cobradas pela CGD, cujas receitas aumentaram, entre 2016 e 2019, de 568 milhões € para 630,4 milhões €. Como o crédito concedido pela CGD diminuiu, foram também os depositantes que tiveram de suportar os aumentos. Segundo dados do documento divulgado pela administração de Paulo Macedo referente a 2019, neste ano as " comissões de crédito e extrapatrimoniais " diminuíram em 10 milhões €, enquanto as de " cartões, meios de pagamentos e outros" , que incidem fundamentalmente sobre os depositantes, aumentaram em 16 milhões €. Foi desta forma que administração de Paulo Macedo aumentou o "Produto bancário core" em 145 milhões€ (2016/19)

LUCROS CONSEGUIDOS TAMBÉM À CUSTA DA REDUÇÃO DOS CUSTOS COM A ESTRUTURA (custos operacionais) DA CGD QUE A FRAGILIZA FACE À CONCORRENCIA DA BANCA MAIORITÁRIAMENTE CONTROLADA POR ESTRANGEIROS

Outro aspeto preocupante da gestão de Paulo Macedo é a redução significativa da estrutura da CGD que estava implantada por todo o país e que, convenientemente aproveitada e potenciada, era um instrumento importante de apoio ao crescimento económico e ao desenvolvimento do país. Essa preocupação deixou de estar presente nos objetivos e também na Missão da atual administração com os dados do quadro 5 revelam. E não se pense que é com digitalização do banco que se conseguirá depois compensar esta grave lacuna como alguns pensam ou dizem.

 

Entre 2016 e 2019, os custos operacionais (custos de estrutura) da CGD diminuíram em 208,3 milhões €, o que foi conseguido fundamentalmente à custa da redução do número de agências (fecharam no país 103 agências) e também por meio da redução de um número elevado de trabalhadores (em três anos a administração de Paulo Macedo dispensou 1407 trabalhadores). Como consequência, entre 2016 e 2019, o " Cost-to-income " (percentagem que os custos operacionais representam do VAB da banca) diminuiu de 82% para apenas 51%, e a percentagem que os Custos com Pessoal representam em relação também ao Produto Global da Atividade reduziu-se de 46% para 31%, muito abaixo da média nacional. É desta forma também que administração de Paulo Macedo obtém lucros mas fragilizando a estrutura de funcionamento da CGD perante a concorrência da banca controlada por capital estrangeiro que já domina o setor bancário nacional

OUTROS ASPETOS DAS CONTAS DA CGD QUE MERECEM REFLEXÃO E ESCLARECIMENTOS

Há questões no documento divulgado pelo conselho de administração da CGD conjuntamente com o Press Realese de 2019 que necessitam de ser explicadas pois são preocupantes.

A 1ª questão prende-se com o elevado crédito abatido ao Ativo em 2019 por se considerar totalmente perdido (write-offs). No fim de 2016, poucos meses antes do Estado recapitalizar a CGD com 3.891 milhões € sendo 2.500 milhões € em dinheiro e o resto em espécie (ações da Parcaixa e Cocos), a CGD abateu ao Ativo 1933 milhões € (write-offs) por serem considerados totalmente perdidos. Na mesma altura constitui "Imparidades e provisões " no montante de 3016,9 milhões €, que agora estão a se revelar excessivas, e cuja reversão tem sido utilizada para empolar artificialmente os lucros da CGD como mostramos neste estudo. Apesar do elevado montante de crédito abatido ao Ativo em 2016 (1933 milhões €) e de se pensar que o restante credito podia ser recuperado, no entanto a administração de Paulo Macedo continuou a abater ao Ativo elevados montantes de credito que considerou totalmente perdidos. De acordo com os documentos anexos à apresentação de contas, em 2019 o abate de créditos por se considerarem totalmente perdidos correspondeu a 600 milhões € da diminuição dos NPL a que se adiciona mais 700 milhões € no período 2016/2018. A pergunta que naturalmente se coloca é esta e que interessava que a administração da CGD esclarecesse era a seguinte : Qual é a razão da administração de Paulo Macedo ter abatido ao Ativo 1.300 milhões € de crédito por considerar totalmente depois de 1933 milhões € de "write-offs" em 2016?

A 2ª questão que também merecia esclarecimento por parte da administração de Paulo Macedo é a politica de investimento maciço em títulos, que é uma atividade especulativa (pode-se ganhar mas pode-se perder muito), contrária ao ADN da CGD, que é um banco comercial já que, entre 2018 e 2019, a carteira de títulos da CGD, que já era enorme, aumentou de 16.383 milhões € para 20.543 milhões €, representando já 23,9% do Ativo liquido total da CGD, certamente o mais elevado valor em toda a banca em Portugal. E isto quando se sabe que tal aplicação incorpora na CGD três riscos elevados (risco de mercado, de taxa de câmbio e de taxa de juro).

A 3ª questão prende-se com a primeira e é uma pergunta que era importante que administração de Paulo Macedo esclarecesse e que é a seguinte: Os elevados montantes de " write-offs " feitos por esta administração (1.300M€ da redução dos NPL) e a venda maciça de carteiras (2600M€, e , como se sabe quem compra é quem lucra, entre 15% e 25% é o seu objetivo) e, consequentemente, quem vende perde (atualmente a compra de carteiras de credito é um grande negócio para os grandes grupos financeiros internacionais) não terá como razão principal reduzir o Ativo ponderado pelo risco (RWAs) para assim fazer crescer artificialmente os rácios de capital? A que se junta o investimento maciço em divida pública que, de acordo com normas bancárias, pelo menos na teoria, é um ativo sem risco. Havia muitas mais questões a esclarecer.

ANEXO

 

O Balanço dá um retrato da situação económica e financeira de uma empresa, incluindo banco, num determinado momento (por ex., no fim de cada ano). O Balanço consolidado (porque inclui empresas do grupo) da CGD do período 2016/2019, ou seja, durante a administração de Paulo Macedo mostra os resultados mais importantes da sua gestão.

E as conclusões principais que se tiram são nomeadamente as seguintes:

(1) A redução continuada do Ativo liquido da CGD que, entre 2016 e 2019, diminuiu de 94.411 milhões € para 85.776 milhões €, o que diminui a importância e peso da CGD no contexto do setor bancário em Portugal e reduz a sua capacidade para promover o crescimento económico e o desenvolvimento do país;
(2) A queda continuada do credito (em três anos diminuiu em 11.439 milhões €), pois o novo credito não foi suficiente para compensar o credito amortizado, liquidado, vendido e abatido ao Ativo, apesar da elevada liquidez que tem a CGD pois o seu rácio de liquidez (LCR) no fim de 2019 atingia 332%, ou seja, 3,3 vezes superior ao exigido pelo Banco de Portugal;
(3) Um Rácio de transformação muito baixo – 72,9% em 2019 – o que significa que, por cada 100€ de depósitos recebidos, a CGD emprestou apenas 72,9€ (indicador de ineficiência, já que não rentabiliza adequadamente os recursos que dispõe), o que também determina que a CGD pague juros de miséria aos seus clientes por falta de rentabilidade dos recursos que dispõe;
(4) Um investimento maciço em títulos que é uma aplicação de risco elevado, que representam já 23,9% de todo o Ativo liquido da CGD, que não se enquadra na missão e os objetivos ( a sua missão é apoiar as empresas e as famílias e não em atividades que podem ser designadas como especulativas) e que incorpora potenciais riscos elevados para a CGD;
(5) Uma redução da taxa de NPL (créditos improdutivos) de 15,8% para 4,7% o que é positivo mas conseguido em grande parte, como mostramos, à custa de créditos abatidos ao Ativo por se considerarem totalmente perdidos e de venda maciças de carteiras de crédito, naturalmente perdendo dinheiro, pois os fundos que as compram querem ter lucros, e não são baixos;
(6) Aumento dos rácios de capital , o que é positivo, apesar de serem em parte conseguido através da redução dos RWAs (a taxa de densidade de RWAs era apenas 53% em 2019) obtida por meio da venda de carteiras de credito, de abate de créditos ao Ativo e de aplicações maciças em títulos, aumento este dos rácios de capital que depois não é aproveitado para aumentar o crédito concedido.

09/Fevereiro/2020
[*] edr2@netcabo.pt

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/e_rosa/cgd_lucros_09fev20.html

Ex-gestores da equipa de Tomás Correia arriscam multas de 12,5 milhões de euros

 

Barros Luís e João Neves, antigos gestores da equipa de Tomás Correia no Montepio Geral, estão também sujeitos a coimas de 12,5 milhões de euros do Banco de Portugal.

 

Na semana passada, Tomás Correia, ex-presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, foi acusado de falsificação de contas pelo Banco de Portugal, num processo que lhe pode vale uma multa de 7,5 milhões de euros. O ex-banqueiro especulou com dívida pública e violou limites de investimento.

Todavia, Tomás Correia não é o único visado no processo e há outros dois ex-gestores que arriscam coimas de 12,5 milhões de euros e inibição de funções na banca.

O Montepio violou os limites de investimento em títulos de dívida pública durante o auge da crise financeira, altura em que era governado por Tomás Correia. Embora o limite de obrigações fosse de 1,5 mil milhões de euros, o banco contava com 3 mil milhões.

 
 

Além disso, o Montepio investiu cerca de 200 milhões de euros em títulos de dívida da PT Internacional e 75 milhões de euros em produtos derivados da mesma empresa, mais uma vez violando os limites de exposição e não informando o Banco de Portugal.

Na acusação são salientados atos de gestão “a título doloso” na divulgação de informação sobre a solidez do banco.

Barros Luís e João Neves são os outros dois gestores que compunham a equipa de Tomás Correia e que também são visados na acusação do Banco de Portugal. Os ex-responsáveis pelo risco e pela parte financeira e de contabilidade do banco, respetivamente, arriscam uma multa que pode chegar aos 12,5 milhões de euros, avança o ECO.

Os três ex-banqueiros podem ainda ser inibidos de funções em bancos por um período que, no máximo, pode ir até aos dez anos.

Barros Luís é acusado de “incumprimento do dever de manter um sistema de controlo interno adequado” e “incumprimento do dever de implementar e assegurar um sistema de controlo interna adequado de acompanhamento de riscos”.

“Desenvolverei todas as medidas ao meu alcance para apurar responsabilidades por quebras do dever de segredo e por difamações. Não tive nada a ver com temas da direção financeira e muito menos com questões de natureza contabilística, onde nunca tive também qualquer responsabilidade ao contrário do que já vi noticiado”, disse o ex-gestor ao ECO.

João Neves é acusado também de “incumprimento do dever consistência de políticas contabilísticas na contabilização de resultados por operações financeiras”.

Este, por sua vez, recusou-se “comentar quaisquer situações que se encontram protegidas por dever de segredo”. Contudo, salientou que o Banco de Portugal poderá contar com todo o seu empenho.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ex-gestores-tomas-correia-multas-307895

A verdade por detrás dos lucros da CGD

Os lucros da CGD de 775,9 Milhões de € em 2019 reduzem apenas a 175,9 Milhões € se deduzirmos a reversão de imparidades e provisões criadas a mais em anos anteriores, e o valor da venda de ativos internacionais e de mais-valias. O crédito e a quota de mercado da CGD continuam a diminuir

 

 

Neste estudo analiso, utilizando dados divulgados pela própria administração da CGD, a situação real da CGD, a gestão da administração de Paulo Macedo mostrando que a realidade é diferente das aparências.

Efetivamente uma parte significativa dos elevados lucros apresentados pela CGD em 2019 não têm como base a recuperação do negócio bancários; pelo contrário o credito concedido pela CGD tem diminuído e esta tem perdido quota de mercado, mas sim fundamentalmente através da reversão de imparidades e provisões feitas em excesso em anos anteriores (em 2016, constituíram-se 3.017 milhões € de imparidades que obrigou o Estado a recapitalizar a CGD em 3.900 milhões €, sendo 2.500 milhões € dinheiro dos contribuintes); outra parte tem sido conseguida à custa dos depositantes (juros próximos de zero  pagos pelos depósitos e multiplicação de comissões) e por meio também da redução da estrutura da CGD (fecho de 103 agências e redução de 1407 trabalhadores) que a torna mais frágil perante a concorrência estrangeira que domina o setor bancário em Portugal.

Mesmo a elevada liquidez da CGD (LCR = 332%) e os confortáveis Rácios de capital não estão a ser aproveitados pela administração para aumentar o crédito às empresas e às famílias (a administração de Paulo Macedo tem revelado uma grande falta de capacidade nesta área fundamental para a recuperação efetiva da CGD).

Espero que este estudo seja um alerta e contribua para a informação e reflexão dos portugueses interessados na defesa do banco público fundamental para o crescimento económico e desenvolvimento independente do país.

 

 
 
 
 

 

Estudo

Os lucros da CGD de 775,9 Milhões de € em 2019 reduzem apenas a 175,9 Milhões € se deduzirmos a reversão de imparidades e provisões criadas a mais em anos anteriores, e o valor da venda de ativos internacionais e de mais-valias. O crédito e a quota de mercado da CGD continuam a diminuir

 

Recentemente os media fizeram grandes “caixas” com os lucros da CGD em 2019 que teriam atingido, segundo a administração de Paulo Macedo, 775,9 milhões €. No entanto, e como é habitual, limitaram-se a divulgar o que administração disse “esquecendo-se”, mais uma vez, de inquirir/investigar como esses lucros foram obtidos com o objetivo de poderem informar com verdade a opinião pública sobre a situação da CGD. E isto porque criaram a ideia de que recuperação da CGD era uma realidade. No entanto, a realidade pode não ser essa porque lucros não são sempre sinal de recuperação efetiva e consistente pois podem ser obtidos através de medidas conjunturais que fragilizam a CGD e ocultam a sua verdadeira situação cujas consequências só sentirão mais tarde, eventualmente depois da saída de Paulo Macedo. A CGD já viveu momentos semelhantes, embora as causas fossem diferentes, cujos efeitos só vieram à luz do dia vários anos mais tarde, com consequências graves para os contribuintes que tiveram de a recapitalizar com 3.900 milhões € pagos com os seus impostos. Mas esta é uma questão séria que só deve ser tratada e respondida com base numa análise objetiva da informação já divulgada pela administração de Paulo Macedo referente a 2019, pois é a única disponível. É o que vamos fazer neste estudo procurando mostrar a realidade para além das aparências para alerta, informação e reflexão dos portugueses.

 

77,4% dos lucros da CGD em 2019 não tiveram como origem o negócio bancário por excelência mas fundamentalmente reversão de imparidades e provisões constituídas a mais em anos anteriores e venda de ativos que a CGD possuía no país e no estrangeiro, situação essa que não é repetível

O quadro 1, construído com dados constantes da própria informação divulgada pela administração de Paulo Macedo, mostra de uma forma clara como a esmagadora maioria dos lucros (cerca de 77,4%) apresentados pela CGD em 2019 – 775,9 milhões € – foram obtidos.

 

Quadro 1 – As principais origens dos “lucros“ da CGD em 2019

 

Portanto, 600,2 milhões € (77,4%) dos 775,9 milhões € dos lucros que a administração de Paulo Macedo apresentou em 2019, tiveram como origem a venda de ativos que a CGD possuía em Portugal e no estrangeiro, mas fundamentalmente a reversão de imparidades e provisões constituídas em excesso em anos anteriores, muitas delas só certamente possíveis devido à enorme recapitalização da CGD feito pelo Estado em 2016 com dinheiro dos contribuintes. Pode-se dizer, que a CGD está apenas a entregar ao Estado aquilo que recebeu a mais em 2019, e não na sua totalidade. É preciso fazer uma análise objetiva para se criarem ilusões.

Este mesmo procedimento já tinha sido utilizado pela administração de Paulo Macedo em 2018, mas com menor dimensão.  Dos 495,7 milhões € de lucros apresentados em 2018 pela administração de Paulo Macedo, 207,8 milhões €, ou seja, 41,9% tiveram a mesma origem, sendo a parcela de reversão de imparidades e provisões atingido 131,26 milhões €

 

O crédito bancário concedido em Portugal pela CGD continua a diminuir

Uma outra caraterística da gestão da administração de Paulo Macedo na CGD é a continua diminuição do crédito concedido à economia e às famílias portugueses como revelam os dados do quadro 2 construído com a informação divulgada pela própria CGD.

 

Quadro 2 – Variação do crédito concedido pela CGD em Portugal desde a entrada da administração de Paulo Macedo

 

Entre 2018 e 2019, registou uma redução do crédito concedido pela CGD de 4.328 milhões €, sendo 3.749 milhões € a empresas, a particulares (fundamentalmente famílias) e ao setor público. Se consideramos os 3 anos (2016/2019) da administração de Paulo Macedo na CGD, a redução de crédito concedido pela CGD em Portugal já atinge 15.066 milhões € (-23,8%), sendo 4.606 milhões € a empresas (-25,1%), 3.577 milhões €  a particulares (-12,8%). Mesmo o crédito à habitação em que a CGD teve sempre um grande papel sofreu uma redução de 3.412 milhões €. Melhor que quaisquer palavras estes números, disponibilizados pela própria administração da CGD, mostram de uma forma clara o que tem sido a gestão de Paulo Macedo na CGD

 

A CGD continua a perder quota de mercado em Portugal

A diminuição continuada do crédito concedido às empresas e às famílias em Portugal tem determinado que a CGD esteja a perder quota de mercado no país como o quadro 3 mostra, que foi também construído com dados divulgados pela própria administração de Paulo Macedo.

 

Quadro 3 – Variação da quota da CGD no total de crédito concedido em Portugal – 2016/2019

 

Em 3 anos de administração de Paulo Macedo (2016/2019), a CGD perdeu 18,8% da quota de mercado de crédito, sendo 27,5% na quota de empresas e 14,3% de particulares. Este é um aspeto que a administração de Paulo Macedo tenta ocultar pois em relação a outros indicadores apresenta valores do período 2016/2019 mas relativamente a este não os divulga para todo o período apesar de ser um indicador importante de avaliação da capacidade da administração. A administração de Paulo Macedo está a revelar falta de capacidade para conceder crédito novo que, pelo menos, compense aquele que é amortizado, liquidado, vendido ou abatido.

Mesmo em relação aos depósitos, a posição da CGD é pior do que a que tinha quando a administração de Paulo Macedo entrou para ela, apesar de se ter verificado uma ligeira recuperação em 2019, como mostra o quadro 4 (dados divulgados pela administração).

 

Quadro 4 – Variação da quota da CGD no total de depósitos feitos na banca – 2016/2019

 

Entre 2016 e 2019, a quota da CGD nos depósitos totais feitos na banca diminuiu de 27,7% para 25,2%, ou seja, em -9,7%, apesar da reduzida recuperação registada em 2019 (+0,2 p.p.).

Outra análise que interessa realizar para avaliar a capacidade de gestão da administração de Paulo Macedo é a utilizando o Rácio de transformação que dá o valor em euros de crédito que a administração da CGD consegue conceder por cada 100€ de depósitos que recebe. Entre 2016 e 2019, de acordo com o seu Balanço Consolidado (ver Anexo), o crédito líquido da CGD diminuiu de 59.413 milhões € para 47.974 milhões € (- 11.439 milhões €) e os depósitos passaram de 66.692 milhões € para 65.792 milhões € (-900M€). Calculando o Rácio de transformação que se obtém dividindo o total de crédito pelo total de depósitos obtém-se, para 2016, 89,1% e para 2019 e apenas 72,9%. Isto significa que, em 2016, por cada 100€ que recebia a CGD emprestava (crédito) 89,1€ enquanto, em 2019, por cada 100€ de depósitos que recebe só consegue emprestar 72,9%. A falta de capacidade que parece revelar a atual administração para aumentar o crédito concedido à economia e às famílias é preocupante, e devia merecer a reflexão do acionista Estado e daqueles que se interessam pela defesa do banco público. E tudo isto torna-se mais incompreensível quando o seu Rácio de liquidez (LCR) aumentou, entre 2016 e 2019, de 176% para 332%, um valor muito superior ao exigido pelo Banco de Portugal (100%). Não é por falta de liquidez que a CGD não concede crédito, até porque os seus Rácios de capital são confortáveis como afirma a própria administração. E sem aumentar o negócio bancário não há recuperação efetiva da CGD, a não ser que queira reduzir a CGD a uma “caixinha”.

 

Os resultados da atividade “core” da CGD obtidos à custa dos depositantes

A atividade “core” de uma instituição bancária como é a CGD, a qual devia ser a principal fonte de receitas, é da intermediação, ou seja, receber depósitos pelos quais devia pagar juros e conceder crédito pela qual recebe juros. O que tem sucedido na CGD é que os resultados da atividade “core” têm-se afundado como mostra o quadro 4 com dados divulgados pela CGD.

 

Quadro 4 – A variação do Produto bancário “core” da CGD entre 2016 e 2019

 

Uma das conclusões importantes que se tira dos dados do quadro é que apesar da Margem financeira da CGD, que devia ser a sua principal fonte de receitas, ter aumentado apenas 93,3 milhões € entre 2016 e 2019, esse aumento não teve como origem o aumento do credito concedido (neste período os juros das operações ativas até diminuíram em 642 milhões €)mas foi conseguido fundamentalmente à custa dos depositantes, cujos juros recebidos sofreram uma redução de 735,3 milhões € (-51,4%). O mesmo sucedeu em relação às comissões cobradas pela CGD, cujas receitas aumentaram, entre 2016 e 2019, de 568 milhões € para 630,4 milhões €. Como o crédito concedido pela CGD diminuiu, foram também os depositantes que tiveram de suportar os aumentos. Segundo dados do documento divulgado pela administração de Paulo Macedo referente a 2019, neste ano as “comissões de crédito e extrapatrimoniais” diminuíram em 10 milhões €, enquanto as de “cartões, meios de pagamentos e outros”, que incidem fundamentalmente sobre os depositantes, aumentaram em 16 milhões €. Foi desta forma que administração de Paulo Macedo aumentou o “Produto bancário core” em 145 milhões€ (2016/19).

 

Lucros conseguidos também à custa da redução dos custos com a estrutura (custos operacionais) da CGD que fragiliza a CGD face à concorrência da banca maioritariamente controlada por estrangeiros

Outro aspeto preocupante da gestão de Paulo Macedo é a redução significativa da estrutura da CGD que estava implantada por todo o país e que, convenientemente aproveitada e potenciada, era um instrumento importante de apoio ao crescimento económico e ao desenvolvimento do país. Essa preocupação deixou de estar presente nos objetivos e também na Missão da atual administração com os dados do quadro 5 revelam. E não se pense que é com digitalização do banco que se conseguirá depois compensar esta grave lacuna como alguns pensam ou dizem.

 

Quadro 5 – A redução significativa da estrutura base de funcionamento da CGD em 2016/2019

 

Entre 2016 e 2019, os custos operacionais (custos de estrutura) da CGD diminuíram em 208,3 milhões €, o que foi conseguido fundamentalmente à custa da redução do número de agências (fecharam no país 103 agências) e também por meio da redução de um número elevado de trabalhadores (em 3 anos a administração de Paulo Macedo dispensou 1407 trabalhadores). Como consequência, entre 2016 e 2019, o “Cost-to-income(percentagem que os custos operacionais representam do VAB da banca)diminuiu de 82% para apenas 51%, e a percentagem que os Custos com Pessoal representam em relação também ao Produto Global da Atividade reduziu-se de 46% para 31%, muito abaixo da média nacional. É desta forma também que administração de Paulo Macedo obtém lucros mas fragilizando a estrutura de funcionamento da CGD perante a concorrência da banca controlada por capital estrangeiro que já domina o setor bancário nacional.

 

Outros aspetos das contas da CGD que merecem reflexão e esclarecimentos

Há questões no documento divulgado pelo conselho de administração da CGD conjuntamente com a Press Realese de 2019 que necessitam de ser explicadas pois são preocupantes.

A 1ª questão prende-se com elevado o crédito abatido ao Ativo em 2019 por se considerar totalmente perdido (write-offs). No fim de 2016, poucos meses antes do Estado recapitalizar a CGD com 3.891 milhões € sendo 2.500 milhões € em dinheiro e o resto em espécie (ações da Parcaixa e Cocos), a CGD abateu ao Ativo 1933 milhões € (write-offs) por serem considerados totalmente perdidos. Na mesma altura constitui “Imparidades e provisões “ no montante de 3016,9 milhões €, que agora estão a se revelar excessivas, e cuja reversão tem sido utilizada para empolar artificialmente os lucros da CGD como mostramos neste estudo. Apesar do elevado montante de crédito abatido ao Ativo em 2016 (1933 milhões €) e de se pensar que o restante credito podia ser recuperado, no entanto a administração de Paulo Macedo continuou a abater ao Ativo elevados montantes de credito que considerou totalmente perdidos. De acordo com os documentos anexos a apresentação de contas, em 2019 o abate de créditos por se considerarem totalmente perdidos correspondeu a 600 milhões € da diminuição dos NPL a que se adiciona mais 700 milhões € no período 2016/2018. A pergunta que naturalmente se coloca é esta e que interessava que a administração da CGD esclarecesse era a seguinte: Qual é a razão da administração de Paulo Macedo ter abatido ao Ativo 1.300 milhões € de crédito por considerar totalmente depois de 1933 milhões € de “write-offs” em 2016?

A 2ª questão que também merecia esclarecimento por parte da administração de Paulo Macedo é a politica de investimento maciço em títulos, que é uma atividade especulativa (pode-se ganhar mas pode-se perder muito), contrária ao ADN da CGD, que é um banco comercial já que, entre 2018 e 2019, a carteira de títulos da CGD, que já era enorme, aumentou de 16.383 milhões € para 20.543 milhões €, representando já 23,9% do Ativo liquido total da CGD, certamente o mais elevado valor em toda a banca em Portugal.  E isto quando se sabe que tal aplicação incorpora na CGD três riscos elevados (risco de mercado, de taxa de câmbio e de taxa de juro).

A 3ª questão prende-se com a primeira e é uma pergunta que era importante que administração de Paulo Macedo esclarecesse e que é a seguinte: Os elevados montantes de “write-offs” feitos por esta administração (1.300M€ da redução dos NPL) e a venda maciça de carteiras (2600M€, e , como se sabe quem compra é quem lucra, entre 15% e 25% é o seu objetivo) e, consequentemente, quem vende perde (atualmente a compra de carteiras de credito é um grande negócio para os grandes grupos financeiros internacionais)não terá como razão principal reduzir o Ativo ponderado pelo risco (RWAs) para assim fazer crescer artificialmente os rácios de capital? A que se junta o investimento maciço em divida pública que, de acordo com normas bancárias, pelo menos na teoria, é um ativo sem rico. Havia muitas mais questões a esclarecer.

 

 

Anexo

Balanço consolidado 2016-2019 – Administração Paulo Macedo

 

O Balanço dá um retrato da situação económica e financeira de uma empresa, incluindo banco, num determinado momento (por ex., no fim de cada ano). O Balanço consolidado (porque inclui empresas do grupo) da CGD do período 2016/2019, ou seja, durante a administração de Paulo Macedo mostra os resultados mais importantes da sua gestão.

E as conclusões principais que se tiram são nomeadamente as seguintes:

(1) A redução continuada do Ativo liquido da CGD que, entre 2016 e 2019, diminuiu de 94.411 milhões € para 85.776 milhões €, o que diminui a importância e peso da CGD no contexto do setor bancário em Portugal e reduz a sua capacidade para promover o crescimento económico e o desenvolvimento do país;

(2) A queda continuada do credito (em 3 anos diminuiu em 11.439 milhões €), pois o novo credito não foi suficiente para compensar o credito amortizado, liquidado, vendido e abatido ao Ativo, apesar da elevada liquidez que tem a CGD pois o seu rácio de liquidez (LCR) no fim de 2019 atingia 332%, ou seja, 3,3 vezes superior ao exigido pelo Banco de Portugal;

(3) Um Rácio de transformação muito baixo – 72,9% em 2019 – o que significa que, por cada 100€ de depósitos recebidos, a CGD emprestou apenas 72,9€ (indicador de ineficiência, já que não rentabiliza adequadamente os recursos que dispõe), o que também determina  que a CGD pague juros de miséria aos seus clientes por falta de rentabilidade dos recursos que dispõe;

(4) Um investimento maciço em títulos que é uma aplicação de risco elevado, que representam já 23,9% de todo o Ativo liquido da CGD,  que não se enquadra na missão e os objetivos ( a sua missão é apoiar as empresas e as famílias e não em atividades que podem ser designadas como especulativas) e que incorpora potenciais riscos elevados para a CGD;

(5) Uma redução da taxa de NPL (créditos improdutivos) de 15,8% para 4,7% o que é positivo mas conseguido em grande parte, como mostramos, à custa de créditos abatidos ao Ativo por se considerarem totalmente perdidos e de venda maciças de carteiras de crédito, naturalmente perdendo dinheiro, pois os fundos que as compram querem ter lucros, e não são baixos;

(6) Aumento dos rácios de capital, o que é positivo, apesar de serem em parte conseguido através da redução dos RWAs (a taxa de densidade de RWAs era apenas 53% em 2019) obtida por meio da venda de carteiras de credito, de abate de créditos ao Ativo e de aplicações maciças em títulos, aumento este dos rácios de capital que depois não é aproveitado para aumentar o crédito concedido.



 

 
 
 

 


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-verdade-por-detras-dos-lucros-da-cgd/

Novo Banco já vendeu dívida de 11,3 milhões de Duarte Lima

O Novo Banco já vendeu a dívida avaliada em mais de 11,3 milhões de euros de Duarte Lima, advogado e antigo líder parlamentar do PSD.

 

Segundo o jornal Público, que avança a notícia esta terça-feira, a alienação foi feita a duas entidades: à LX Investment Partners II (instituição financeira com sede no Luxemburgo) e à Ares Lusitani (sociedade de titularização de créditos de direito português).

Foi a 22 de desmembro de 2018 que se deu a primeira venda, tendo a Lx Investment Partners dado conhecimento ao Tribunal do Comércio de Lisboa que tomava o lugar do Novo Banco no processo. Já a segunda, à Ares Lusitani, foi realizada a 13 de setembro de 2019. Esta empresa também informou o tribunal que assumia a posição do Novo Banco.

O matutino frisa que, após a consulta dos autos do processo, não ficou claro qual o valor exato da dívida de 11, 3 milhões que cada uma das entidades comprou nem o valor que pagaram para passarem a titular a dívida.

O Novo Banco deixa assim de integrar a lista de reclamação de créditos. Esta mesma informação foi confirmada pelo Público junto do escritório Monteiro Gomes Advogados que representa a instituição bancária.

Duarte Lima está preso desde abril de 2019, para cumprir três anos e meio de uma pena de seis que lhe faltam pela condenação no caso Homeland, de burla ao BPN.

ZAP //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/novo-banco-vendeu-divida-113-milhoes-duarte-lima-307848

Aumentam comissões bancárias no crédito habitação

Com a maior procura neste tipo de crédito, foram já cinco os bancos que optaram pela subida dos preços praticados nos serviços decorrentes do financiamento para a compra de casa.

Créditos / CC BY-SA 3.0

Com o aumento destas comissões, banca está a procurar obter mais receitas. É o que resulta de uma comparação feita aos preçários de vários bancos, noticiada pelo JN a partir de uma análise da ComparaJá.pt, na qual se verifica que cinco instituições bancárias agravaram os preços cobrados em todos os serviços com o crédito à habitação.

A Caixa de Crédito Agrícola (CA) aumentou em 30 euros a comissão de análise de dossiê, em 25 euros a abertura da pasta e em dez euros a da avaliação. Também a comissão relativa à gestão da prestação do crédito à habitação, cobrada mensalmente, aumentou 0,25 euros.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) decidiu passar a cobrar 2,75 euros por mês para processar a prestação do crédito à habitação e o BPI aumentou cinco euros quer a comissão de dossiê no crédito à habitação, quer a preparação de minutas de escritura.

Já o Bankinter subiu 25 euros cada uma das vistorias para o acesso ao crédito e, no Banco Best, custam agora mais dez euros as declarações de dívida ou de encargo com prestações.

Também subiram outras comissões

Esta subida de comissões no crédito habitação surge na sequência de diversos serviços de pagamento como o MB Way ou o Revolut passarem também a ser objecto de taxas cobradas pelos bancos. A DECO, que já recebeu mais de 33 mil reclamações sobre esta questão, já veio pedir a intervenção dos partidos políticos para pôr fim a estas comissões.

Frederico Rodrigues, da Defesa do Consumidor, em declarações à Antena 1, esclarece que os valores cobrados são desproporcionais, porque a maioria dos pagamentos realizados são até dez euros, tendo assim comissões que ultrapassam os 10%.

Também têm sido aumentadas outras taxas, como as relativas ao crédito pessoal e automóvel. No BPI, a comissão de abertura do crédito imediato subiu de 1,75% para 2,3% para contratos acima de 37 meses. Na CA, a comissão do processamento da prestação o crédito automóvel subiu 0,25 euros.

As instituições bancárias têm utilizado o argumento de que, perante um cenário de baixas taxas de juro praticadas, têm de ser encontradas soluções variadas para a sua sustentabilidade.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/aumentam-comissoes-bancarias-no-credito-habitacao

CGD aumentou lucros em 57%. “Contas permitem devolver dinheiro aos contribuintes”

(Comentário:

Com a CGD de boa saúde financeira e a dar dinheiro ao Estado certamente vai acentuar-se a campanha contra a Caixa e as tentativas para a sua privatização.)

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um lucro de 776 milhões de euros em 2019, um aumento de 57% face aos 496 milhões de euros registados em 2018.

 

De acordo com um comunicado divulgado pelo banco público a 31 de janeiro, a CGD teve um resultado corrente 632 milhões de euros, sem a venda dos bancos de Espanha e da África do Sul. Em termos de rentabilidade, o banco atingiu um rácio ROE ‘return on equity’ (rentabilidade de capitais) de 8,1%, destacou o presidente do banco, Paulo Macedo.

Para a CGD, são os maiores lucros desde 2007, ano em que o banco apresentou um resultado líquido positivo de 856,3 milhões de euros.

“Conseguimos ter contas que permitem continuar a devolver dinheiro aos contribuintes portugueses e a gerar valor e, por outro lado, também conseguimos ter contas que vão ao encontro dos compromissos que o Estado português assumiu”, salientou Paulo Macedo em conferência de imprensa na sede do banco, em Lisboa.

 
 

O presidente executivo do banco público destacou ainda os resultados internacionais, que “têm tido uma performance consistente, em geografias difíceis, com um desafio muito grande em termos de crescimento da economia, de risco, de melhoria de práticas”.

O gestor falou ainda do “crescimento do resultado core [principal], mesmo com a margem financeira a decrescer, como é normal e todos sabem”. “O resultado core sobe, e o que nós temos é uma margem financeira que desce, um valor de comissões que sobe, um produto bancário, no seu todo, que é, nestas duas componentes, menor, mas que é compensado com a redução de custos que a Caixa fez”, destacou Paulo Macedo.

O presidente do banco disse que o corte de custos é “um trabalho extremamente exigente” e “indispensável”. “Nunca os contribuintes portugueses nos desculpariam se nós só estivéssemos a fazer outras coisas que não fossem procurar uma melhor eficiência e, obviamente, um contributo maior para os nossos serviços não serem tão onerosos”.

Paulo Macedo salientou ainda “uma melhor eficiência que está espelhada, porque com menos recursos” o banco público está a “gerar mais negócio” e “com um melhor serviço”.

300 milhões para o Estado

A Caixa Geral de Depósitos estima entregar este ano ao Estado cerca de 300 milhões de euros em dividendos relativos às contas de 2019, acima dos 200 milhões relativos a 2018.

Na mesma conferência de imprensa, Paulo Macedo disse que, caso a percentagem de dividendos a atribuir ao acionista único da CGD, o Estado, seja idêntica à de 2018, “será um valor de cerca de 300 milhões [de euros]”.

Na proposta de lei do Orçamento do Estado para 2020, o Governo tinha previsto um total de 705 milhões de euros de dividendos a receber da CGD e do Banco de Portugal em 2020 (relativos aos resultados de 2019), dos quais 237 milhões dizem respeito à Caixa.

“Com estes 300 milhões, a somar com os outros 200 [entregues em 2019, relativos a 2018], devolvemos ao Estado 500 milhões de euros dos 2.500 milhões que foram postos, em dinheiro, na Caixa”, disse hoje Paulo Macedo aos jornalistas.

O gestor salientou que atualmente “a única diferença é que antes os dividendos só poderiam ser pagos se o BCE [Banco Central Europeu] autorizasse, e agora os dividendos podem ser pagos desde que apenas valide”.

“É bastante diferente em termos de atitude perante os dividendos”, destacou o presidente da CGD, que referiu também que o remanescente do processo de entrega do valor depende “do acionista [Estado]”, “da análise” que o banco fizer e ainda das “contribuições para as reservas legais” que têm de ser pagas.

Paulo Macedo manifestou também o desejo de “devolver os outros 500 milhões de dívida subordinada do AT1 [emissão de ‘additional tier 1’, um tipo de capital] que a Caixa teve de contrair a uma taxa de 10,75%”.

“Não porque possamos antecipar isto, mas porque podemos dizer que hoje temos uma maior certeza dessa devolução de capitalização, que como sabem não têm nada a ver com os contribuintes, mas não deixou de ser parte da capitalização”, referiu.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/caixa-aumentou-lucros-57-306484

A economia mundial entraria em colapso se a City de Londres deixasse de fazer lavagem de dinheiro

por Chris Summers

City de Londres. A Grã-Bretanha deixou a União Europeia em 31 janeiro, mas não há sinais de que os bancos deixem a City de Londres, uma das principais reivindicações dos Remainers [NT] antes do referendo do Brexit. Mas serão as engrenagens da City mantidas a girar apenas com a lavagem de dinheiro?

Nicholas Wilson , que denunciou escândalos financeiros e deu a conhecer os milhões de libras de cobranças injustas a clientes, tendo em consequência sido demitido do escritório de advocacia britânico Weightmans, afirma que a City de Londres depende do "dinheiro sujo" e diz que a economia mundial entraria em colapso se ela parasse de lavá-lo .

O Reino Unido tentou bloquear uma proposta da UE para apertar o controlo à lavagem de dinheiro

Nicholas Wilson, um ex-gerente de litígios, afirmou: "A UE queria reforçar o controlo à lavagem de dinheiro, o Reino Unido foi o único país que votou contra". "O capitalismo depende do dinheiro sujo, movimentado para realizar investimentos em todo o mundo".

Um relatório do ano passado do Centro de Pesquisa Bancária da Cass Business School pintou um quadro róseo da City no pós-Brexit. A coautora do relatório, professora Barbara Casu Lukac, escreveu: "Londres continuará sendo um elemento importante no sector global dos serviços financeiros e no mercado de capitais após o Brexit. No entanto, algumas de suas operações, capacidades e margens serão afetadas pela incerteza política da regulação a longo prazo, subjacente ao processo Brexit".

Isto contrasta fortemente com as declarações alarmistas sobre o futuro da City feitas pelo então Chanceler George Osborne, como parte de seu "Projeto Medo", antes do referendo do Brexit em 2016.

Após o referendo, David Cameron renunciou e foi substituído por outro Remainer, Theresa May. Quando seus esforços para aprovar um acordo no Brexit falharam, ela foi substituída por Boris Johnson , desde o início um entusiástico defensor da saída de UE. Em junho de 2019, durante a campanha para a liderança do Partido Conservador, Boris Johnson gabou-se de quanto havia feito pela City de Londres.

Johnson renegociou um novo acordo com a UE, mas o futuro da City fará parte das negociações sobre comércio, a realizarem-se ainda este ano. Os bancos poderão continuar a prestar serviços durante o período de transição, a começar em 1 de fevereiro, mas devem perder os seus "direitos de passaporte", que lhes permitiam oferecer serviços aos clientes nos 27 estados da UE. Uma solução possível é que os bancos do Reino Unido precisem criar uma subsidiária num estado membro da UE e então, nesse país, solicitar uma "licença de passaporte".

O Chefe da Financial Conduct Authority foi promovido, mas será que ele estava a 'dormir ao volante'?

No mês passado, o governo anunciou a nomeação de Andrew Bailey, atual chefe do Departamento Financeiro, da Financial Conduct Authority – o regulador que supervisiona os serviços financeiros e os mercados de capitais no Reino Unido – para o cargo de Governador do Banco da Inglaterra, que assumirá em março.

Mr. Bailey disse: "O Banco tem um trabalho muito importante e, como Governador, continuarei o trabalho que Mark Carney fez para garantir que o interesse público esteja no centro de tudo o que faz. É importante para mim que o Banco continue trabalhando para o público, mantendo a estabilidade monetária e financeira, garantindo que as instituições financeiras sejam seguras e sólidas."

Mas Nicholas Wilson, declarou que apenas nos últimos 12 meses Bailey fracassou em vários escândalos de destaque, como o colapso da empresa London Capital and Finance , a implosão da Woodford Investment Management e o bloqueio do imobiliário da M&G Property Portfolio por questões de liquidez. Acrescentando: "Mr. Bayley falhou seguramente ao longo de todos estes anos ao lidar com a fraude do HSBC , que relatei pela primeira vez à FCA em 2012".

Wilson foi demitido depois de ter demonstrado que o HFC Bank, uma subsidiária do HSBC, impunha ilegalmente uma sobretaxa de 16% aos clientes caso não cumprissem pontualmente o pagamento dos créditos contratados e empréstimos subprime.

Em 2017, venceu a sua batalha contra o HSBC, que foi forçado a pagar mais de 4 milhões de libras a milhares de clientes. Em 2019, outras 18 500 vítimas foram identificadas. Até agora, o HSBC concordou em pagar 30 milhões de libras e Wilson acredita que o total chegará a 200 milhões de libras.

Em março de 2019, Adrian Hill , ex-CEO do HFC Bank, afogou-se na sua casa de luxo em Oxfordshire. Num inquérito sobre sua morte, foi dito que sofria de stress, por estar convencido de que seria enviado para a prisão em resultado da investigação da FCA sobre o HFC.

Nicholas Wilson salientou que o chanceler do Tesouro do governo sombra, John McDonnell, afirmou no Parlamento em 8 de janeiro, que o histórico de Bailey na FCA deveria ter sido levado em consideração antes de ser nomeado. McDonnell disse que Bailey esteve "a dormir ao volante durante seu mandato na FCA".

O chanceler, Sajid Javid, insistiu que Bailey era "um excelente candidato, o mais relevante candidato para ser o próximo governador do Banco da Inglaterra".

Reino Unido, o país mais corrupto do mundo

Em 2016, o jornalista italiano Roberto Saviano , que passou a maior parte de sua carreira investigando a máfia, disse que a Grã-Bretanha era o país mais corrupto do mundo.

Numa intervenção no Hay-on-Wye Book Festival, Saviano disse ao público:

"Se eu perguntasse qual é o lugar mais corrupto do mundo, você poderia dizer-me que é o Afeganistão, talvez a Grécia, a Nigéria, o sul da Itália e eu vou dizer-lhe: é o Reino Unido. Não é a burocracia, não é a polícia, não é a política, mas o que é corrupto é o capital financeiro: 90% dos proprietários de capital em Londres têm sua sede no exterior".

Em resposta, Nicholas Wilson, disse: "Concordo com isso. Ele está falando sobre a City de Londres, que é a capital mundial da lavagem de dinheiro. Nada pode ser feito para limpar a City. Se algum político tentasse desmantelá-la, a economia mundial entraria em colapso. O dinheiro das drogas foi a única coisa que manteve em funcionamento os bancos durante a crise financeira de 2008".

Em 2016, o Home Affairs Select Committee declarou que 100 mil milhões de libras de dinheiro ilícito eram lavados no mercado imobiliário de Londres todos os anos.

Wilson disse ainda que o banco com a pior reputação era o HSBC , que estava envolvido em 18 dos 25 principais escândalos de corrupção listados pelo órgão de fiscalização Transparency International no ano passado. Rona Fairhead, ex-diretora do HSBC, que também foi presidente do BBC Trust e é atualmente membro da Câmara dos Lordes, foi ministra no governo de Theresa May, até maio do ano passado.

Como afirmou Wilson, as instituições políticas e financeiras estão estreitamente entrelaçadas. Existem vários exemplos de ex-parlamentares e ministros que foram trabalhar para bancos e ex-banqueiros a entrarem na política ou em cargos influentes.

A City of London Corporation recusou-se a comentar e a Financial Conduct Authority, que também foi abordada, não fez comentários.

[NT] Remainers: pessoas que no referendo de 2016 votaram pela permanência do Reino Unido na União Europeia.

O original encontra-se em sputniknews.com/...

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/financas/summers_colapso_jan20.html

CGD mandou embora 575 trabalhadores em 2019

Na apresentação das contas do ano passado verifica-se que o grupo CGD tinha menos 575 trabalhadores no final de Dezembro. A sangria, de acordo com a recapitalização imposta por Bruxelas, vai continuar.

CréditosJoão Relvas / Agência Lusa

Segundo as contas anuais divulgadas esta sexta-feira, o grupo CGD tinha no final de Dezembro, na actividade em Portugal, 7100 funcionários, o que compara com os 7675 que tinha em final de 2018. Ou seja, menos 575 empregados em termos líquidos (cerca de 670 saídas face a cerca de 100 contratações).

Esta redução de funcionários está em linha com as afirmações que o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, fez ao longo do ano passado sobre as saídas de pessoal previstas no total de 2019, realizadas através de pré-reformas, não renovação de contratos a termo e as chamadas «rescisões por mútuo acordo».

O plano de reduzir trabalhadores e fazer desaparecer a insígnia do banco público numa boa parte do território nacional, segue de acordo com as imposições de Bruxelas aquando da autorização para a sua recapitalização.

Até Setembro do ano passado existiam 510 agências da CGD. Para chegar aos objectivos definidos pela Comissão Europeia ainda terão de fechar entre 20 a 40 balcões, uma vez que o plano de reestruturação prevê que a CGD tenha entre 470 e 490 agências, em 2020, deixando assim de representar a maior rede de balcões (em 2016 eram 717). 

Desde 2016, conforme informação avançada ontem pelo administrador financeiro da CGD, José de Brito, o grupo bancário já reduziu em 20% o número de trabalhadores. Em 2020, a expectativa é que, em termos líquidos, saiam 470 trabalhadores.

O banco público divulgou ainda lucros de 776 milhões de euros, em 2019, o que constitui um aumento de 57% face aos 496 milhões de euros registados em 2018. O «escandaloso aumento no valor das comissões», criticado pelos utentes, sobretudo por afectar os de menores recursos, foi um importante contributo para aumentar os lucros da CGD. 

Entretanto, Paulo Macedo regozija-se com o facto de o plano ter vindo a ser cumprido, frisando que «o previsto para este ano é que se volte a cumprir». 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cgd-mandou-embora-575-trabalhadores-em-2019

Lucro da CGD dispara para 776 milhões em 2019

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um lucro de 776 milhões de euros em 2019, um aumento de 57% face aos 496 milhões de euros registados em 2018.

 

A Caixa Geral de Depósitos registou um lucro líquido de 776 milhões de euros em 2019, o que corresponde a um aumento de 56,5% face ao ano anterior, suportado na melhoria dos resultados em Portugal, na atividade internacional e na venda de subsidiárias no exterior.

Segundo o Jornal de Negócios, as vendas dos bancos na África do Sul, por 215 milhões, e em Espanha, por 384 milhões, contribuíram para esta grande evolução. Ainda assim, sem o impacto destas duas vendas, o resultado líquido da CGD teria sido de 632 milhões de euros, o que corresponderia a uma subida de 27% face aos lucros de 2018.

“O resultado extraordinário de 144 milhões de euros está relacionado com o processo de venda das subsidiárias internacionais, sendo, maioritariamente, decorrente da reversão de imparidades constituídas em 2017”, indica o relatório de resultados do banco público.

 
 

A margem financeira consolidada caiu em mais de 4%, para os 1.132 milhões de euros, graças às taxas de juro em níveis historicamente baixos e aos “elevados reembolsos antecipados de crédito por parte de entidades públicas”.

A compensar a quebra da margem financeira esteve a evolução positiva das comissões, dos resultados em operações financeiras e a redução dos custos. Segundo o diário económico, as comissões aumentaram 4,5% e totalizaram 501,9 milhões de euros; os custos totais, incluindo os gastos com pessoal e os gastos gerais administrativos, totalizaram 965 milhões de euros, uma redução de 2%; e os resultados em operações financeiras atingiram os 82,5 milhões de euros, um aumento de 173% face a 2018.

Feitas as contas, o produto global da atividade da Caixa cresceu mais de 7% e ultrapassou os 1.884 milhões de euros.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/lucro-da-cgd-dispara-306180

Teixeira dos Santos diz que a sua reputação não fica manchada (mas não voltaria a aceitar o convite para liderar o EuroBic)

 

Em entrevista à RTP, o presidente do EuroBic, Teixeira dos Santos, considerou que a sua reputação não foi manchada por trabalhar num banco que tem como acionista Isabel dos Santos, na sequência dos Luanda Leaks.

 

“A engenheira Isabel dos Santos foi elogiada, muito venerada [no passado], e por isso eu creio que estar num banco em que ela é acionista não tem necessariamente de manchar a reputação de quem aqui tem procurado fazer um bom trabalho”, defendeu Teixeira dos Santos, em entrevista à RTP.

O EuroBic, liderado pelo também antigo ministro das Finanças, tem como acionista Isabel dos Santos (com 42,5%) e já anunciou que cortou todas as relações comerciais com a empresária e que a sua participação no banco será vendida na sequência da divulgação do ‘Luanda Leaks’. No entanto, Fernando Teixeira dos Santos admitiu que “certamente que não” voltaria a aceitar o convite para liderar o EuroBic, caso pudesse voltar atrás.

Teixeira dos Santos, igualmente professor universitário, afirmou que a presença de Isabel dos Santos na Sonangol não poderia colocar dúvidas ao EuroBic, mas, sim, “à própria Sonangol”, e garantiu que as operações de transferência de fundos de uma conta do banco para uma empresa no Dubai, alegadamente ligada a Isabel dos Santos, foram legais.

 
 

“As ordens que foram dadas são inteiramente legítimas, foram ordens dadas por pessoas legitimadas pela Sonangol para movimentar a conta, entre elas a engenheira Isabel dos Santos, mas várias pessoas estão identificadas”, declarou.

O presidente do EuroBic garantiu também que as ordens recebidas pelo banco para fazer as transferências “foram dadas antes de vir a público a notícia da exoneração da engenheira Isabel dos Santos” de presidente da Sonangol, em 15 de novembro de 2017.

A Sonangol nunca interpelou o banco, nunca nos questionou, nunca pôs em causa os movimentos que constam desse extrato que têm a ver com as referidas transferências”.

“Operações não têm de ser reportadas ao BdP”

O ex governante disse ainda que as operações “não têm de ser reportadas ao Banco de Portugal”, mas admitiu que, na sequência do Luanda Leaks, a reação do banco foi “pedir, de imediato, uma auditoria” para esclarecer se a Matter Solutions, empresa sediada no Dubai que recebeu as transferências do EuroBic, estava relacionada com Isabel dos Santos.

Esse é um elemento novo, inteiramente desconhecido que tinha algum tipo de ligação com Isabel dos Santos. Aliás, na altura foi-nos expressamente dito, quando as operações foram devidamente analisadas pelos nossos serviços de ‘compliance’ [conformidade], que a Matter não tinha qualquer ligação à engenheira Isabel dos Santos”, salientou.

O presidente do EuroBic acrescentou que já “há manifestações de interesse” e “contactos” do mercado para adquirir os 42,5% do banco atualmente detidos por empresas de Isabel dos Santos. “Estamos todos empenhados em que rapidamente tenhamos uma solução para que se concretize efetivamente e formalmente aquilo que já é, de facto, o afastamento da engenheira Isabel dos Santos do banco”, adiantou.

Questionado se “dorme bem quando se deita“, Teixeira dos Santos respondeu afirmativamente. “Sem dúvida que isto causa um dano, não é bom para o negócio, mas não põe em causa, de forma alguma, o banco”, defendeu, rejeitando ainda qualquer conflito de interesses pelo facto de o EuroBic ser o sucessor do BPN, que nacionalizou enquanto ministro das Finanças.

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou no dia de 19 de janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de Luanda Leaks, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

A investigação revela que, em menos de 24 horas, a conta da Sonangol no EuroBic Lisboa foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à demissão da empresária da petrolífera angolana, depois de transferências para o Dubai.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/teixeira-santos-reputacao-nao-fica-manchada-306005

Santander Totta atinge lucros históricos (mas perde trabalhadores e balcões)

Mário Cruz / Lusa

 

O Santander Totta perdeu 249 trabalhadores e 30 balcões em 2019 quando comparando com 2018, de acordo com os números conhecidos hoje juntamente com a divulgação de resultados anuais, um lucro de 527,3 milhões de euros.

 

De acordo com os dados hoje divulgados, o banco liderado por Pedro Castro e Almeida contava com 6.188 trabalhadores no final de 2019, uma redução de 249 face aos 6.437 registados no mesmo período de 2018.

A instituição explica que o crescimento do produto bancário em 7% no ano de 2019 refletiu “a evolução positiva ao nível das comissões, da atividade de seguros e de resultados em operações financeiras”.

Em termos de balcões, o Santander Totta fechou 2019 com 505, menos 30 do que os 535 com que tinha terminado o ano de 2018.

 
 

Face aos números do terceiro trimestre de 2019, o Santander perdeu desde setembro de 2019 até ao final do ano 83 trabalhadores e 34 agências. Em setembro de 2019, o Santander contava com 6.271 trabalhadores e 539 agências.

Os cinco maiores bancos a operar em Portugal registaram um agregado de menos 807 trabalhadores e 193 agências entre o final de setembro de 2018 e o mesmo período de 2019, de acordo com dados das instituições.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/santander-totta-atinge-lucros-historicos-perde-trabalhadores-balcoes-305926

Os milhões que não se discutem

O que estamos a pagar coberto pela fantasia do fundo de Resolução.
Mais um caso.
O Novo Banco requereu a declaração de insolvência da Totalpart, uma sociedade que gere unidades do Grupo Moniz da Maia, para recuperar quase 375 milhões de euros.

 

Segundo escreve o Jornal de Notícias na sua edição desta quarta-feira, 29 de janeiro, esse montante é relativo a empréstimos concedidos pelo BES em 2009 e 2011 (que aceitou ações de valor quase nulo como garantias do empresário Moniz da Maia) e que não foram pagos.

 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/30/os-milhoes-que-nao-se-discutem/

Portugal | Governo levará à AR eventual injeção extraordinária no Novo Banco

 
 
O ministro das Finanças, Mário Centeno, reiterou hoje que o Governo "não está a negociar nenhuma injeção extraordinária" no Novo Banco, mas disse que caso existam operações desse tipo, "terão que vir" a debate na Assembleia da República.
 
"Se e quando elas existirem, elas terão que vir a esta Assembleia da República. É esse um compromisso que aqui fica", disse Mário Centeno sobre eventuais injeções de capital extraordinárias no Novo Banco, durante o debate na especialidade sobre a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).
 
Tal como tinha dito em Bruxelas no dia 20 de janeiro, Mário Centeno assegurou que "o Governo não está a negociar nenhuma injeção extraordinária daquelas que têm vindo a lume na imprensa".
 
"Não há nenhuma negociação, não há nenhuma proposta, estamos muito longe disso acontecer", disse, na altura.
 
Em resposta à deputada Mariana Mortágua (BE) e ao deputado Duarte Alves (PCP), Centeno afirmou que "o quadro de venda do Novo Banco em 2017 foi claro e difícil".
 
"Foi sujeito a enorme escrutínio nesta Assembleia. Eu digo claro porque as condições de funcionamento do mecanismo contingente de capital são claras, são auditadas, e, portanto, foram reforçados esses procedimentos de auditoria sobre as injeções, e devem preocupar a todos e ter-nos todos atentos", prosseguiu.
 
 
Mário Centeno relembrou que é o Fundo de Resolução bancário "que assume a responsabilidade sobre o financiamento das injeções de capital no Novo Banco, e as responsabilidades do Fundo de Resolução recaem sobre um conjunto limitado de contribuintes, que são aqueles do sistema bancário nacional".
 
"Esta conta, a conta das responsabilidades orçamentais sobre o sistema financeiro, não influencia a trajetória orçamental que estabelecemos para o país. Ela existe, tem que ser reconhecida por todos e tem que chamar todos à responsabilidade, mas não influi naquilo que são os objetivos orçamentais que temos estabelecidos", assegurou o também presidente do Eurogrupo.
 
Duarte Alves tinha questionado o governante se estava disposto a aprovar a proposta do PCP para que "não seja entregue nem mais um euro ao Novo Banco sem que isso signifique o início de um processo da recuperação do controlo público".
 
Anteriormente, Mariana Mortágua (BE) tinha afirmado que não há razão "para confiar qual vai ser o valor para este ano" em termos de injeção no Fundo de Resolução e impacto no Novo Banco, referindo que em 2020 "prevê um impacto [do Novo Banco] de 600 milhões, mas dá uma autorização de empréstimo para o Fundo de Resolução de 850", e quando se vai ver "as despesas do Fundo de Resolução nos mapas, estão lá 1.161 milhões".
 
Mais tarde, em resposta ao deputado do PAN André Silva, Mário Centeno afirmou que "a despesa autorizada no Novo Banco no Orçamento de Estado é muito clara", e que "cobre a possibilidade de uma injeção de capital contingente no Novo Banco, cobre o pagamento de juros que o Novo Banco deve ao Estado pelos empréstimos anteriores, e cobre a contribuição para o fundo de resolução europeu, que é receita do Fundo de Resolução e despesa do Fundo de Resolução".
 
"Esse nível de despesa máximo que está autorizado no orçamento do Fundo de Resolução não cobre, nem de perto nem de longe, as verbas que têm sido faladas" para uma eventual injeção extraordinária, prosseguiu o governante, garantindo que "aquele limiar de despesa não vai ser ultrapassado".
 
Mário Centeno disse que o valor tem de estar orçamentado "mesmo que a despesa do Fundo de Resolução venha a ser financiada diretamente por empréstimos do sistema bancário nacional".
 
"Mesmo que essa despesa seja financiada por esse empréstimo, e não com empréstimo do Estado, essa questão [a injeção extraordinária] tem que vir à Assembleia da República porque não está enquadrada no Orçamento do Estado", garantiu o ministro.
 
No âmbito da venda de 75% do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, em 2017, o Estado fez um acordo que prevê a recapitalização do banco pelo Fundo de Resolução (entidade da esfera do Estado) para cobrir falhas no capital geradas pelos ativos tóxicos com que o Novo Banco ficou do BES (crédito malparado ou imóveis).
 
No total, segundo esse acordo, o Fundo de Resolução bancário pode injetar 3,89 mil milhões de euros no Novo Banco até 2026, sendo que referentes a 2017 e 2018, o Novo Banco já recebeu 1.941 milhões de euros, sendo que o valor a injetar relativo a este ano terá ainda de ser apurado após fechadas as contas do banco de 2019.
 
Há duas semanas, o jornal Público noticiou que o executivo estava a estudar, com o Lone Star, uma forma de acelerar o processo, injetando de uma só vez em 2020 - e de forma única - cerca de 1,4 mil milhões de euros, algo que Mário Centeno negou.
 
Para injetar dinheiro no Novo Banco, o Fundo de Resolução (que é financiado pelos bancos que operam em Portugal, apesar de consolidar nas contas públicas) tem recorrido a empréstimos do Tesouro, uma vez que não tem dinheiro suficiente, no máximo de 850 milhões de euros por ano.
 
Na proposta do OE2020, apesar de o Governo prever a recapitalização de 600 milhões de euros no Novo Banco, mantém o valor de 850 milhões de euros de empréstimos de médio e longo prazo ao Fundo de Resolução.
 
Notícias ao Minuto | Lusa

Leia em Notícias ao Minuto: 
 
 

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/portugal-governo-levara-ar-eventual.html

Ministério das Finanças já admite “documento de trabalho” sobre injeção no Novo Banco

Stephanie Lecocq / EPA

 

Depois de negar ter recebido uma proposta do Banco de Portugal (BdP) com a hipótese de uma injeção final de 1,4 mil milhões no Novo Banco, o Ministério das Finanças, liderado por Mário Centeno, já não nega que tem em cima da mesa um “documento de trabalho” em que este cenário é estudado.

 

O jornal Público, que avança a notícia esta quarta-feira, questionou o Ministério das Finanças sobre o assunto, querendo saber se a tutela confirmava a existência de um relatório de trabalho enviado pelo Fundo de Resolução a prever uma injeção de 1,4 mil milhões de euros, e preferencialmente de uma só vez.

O Ministério respondeu que “não comenta documentos de trabalho“, reiterando que o Orçamento do Estado só tem 850 milhões de euros autorizados para este efeito.

A resposta surge depois de o ministro das Finanças ter dito, na passada sexta-feira, que o “o Governo não tem nenhuma proposta para análise relativa à ‘estratégia de limpeza dos créditos problemáticos do banco’”. Nesse mesmo dia, o jornal Público noticiava que o Governo poderia vir a injetar até 1,4 mil milhões de euros no Novo Banco, evitando novos auxílios ao banco controlado em 75% pelo Lone Star.

 
 

A confirmar-se esta verba de 1,4 mil milhões de euros, observa o diário, somada aos 1,94 mil milhões que o Estado já injetou no Novo Banco deste a venda ao Lone Star, totalizaria em 3,3 mil milhões de euros essa ajuda estatal. Ou seja, ficando a 600 milhões do limite máximo previsto na almofada, de 3,9 mil milhões de euros, negociada com o Governo.

ZAP //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ministerio-admite-documento-injecao-novo-banco-303882

Com queda do uso de dinheiro vivo, bancos centrais estudam emitir criptomoedas

Bitcoin, criptomoeda
© Sputnik / Vladimir Astapkovich

Com a queda do uso de dinheiro vivo e o aumento da utilização de meios eletrônicos de pagamento, bancos centrais de vários países criaram um grupo de estudos para analisar se começam a emitir criptomoedas.

O assunto está sendo analisado pelo Banco Central Europeu e os Bancos Centrais do Japão, Canadá, Inglaterra, Suécia e Suíça. Por meio de comunicado divulgado nesta terça-feira (21), as instituições disseram que vão analisar o potencial das moedas digitais em suas próprias jurisdições, segundo publicado pela agência AP. 

O grupo avaliará assuntos técnicos e compartilhará informações sobre novas tecnologias. 

O Banco da Suécia, por exemplo, vem estudando a questão há alguns anos, à medida que o uso de dinheiro vem caindo no país, e inclusive criou um projeto piloto de criptomeda.

As moedas digitais que existem atualmente, dentre elas a Bitcoin, não poderiam ser utilizadas para pagamentos no dia a dia pois suas cotações variam muito. 

Algumas grandes empresas mundiais chegaram a apoiar o projeto Libra, criado pelo Facebook, que pretende criar uma criptomoeda estável vinculada às moedas digitais existentes. 

No entanto, devido à resistência de autoridades regulatórias, parceiros como Visa, Mastercard, PayPal e eBay deixaram a iniciativa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2020012115032552-com-queda-do-uso-de-dinheiro-vivo-bancos-centrais-estudam-emitir-criptomoedas/

PCP limita financiamento ao Novo Banco

Os comunistas propõem que não sejam entregues quaisquer verbas do erário público para a recapitalização do Novo Banco, sem que tal signifique o início do processo de reversão da privatização.

Créditos

Através de uma proposta de alteração ao Orçamento de Estado (OE) para 2020, entregue esta segunda-feira, o PCP visa limitar a despesa a realizar pelo Estado com o Fundo de Resolução exclusivamente «ao financiamento de instituições de crédito de capital público ou em processo de recuperação do controlo público».

Ao mesmo tempo, os comunistas avançam que a «utilização de quaisquer verbas públicas para a recapitalização de instituições de crédito de capital privado, através do Fundo de Resolução, obriga o Governo a iniciar o processo necessário ao controlo público da instituição de crédito em causa».

A proposta, segundo os proponentes, «visa promover uma auditoria à gestão de activos, em particular no que diz respeito à falta de conhecimento sobre as dívidas ou activos que estão a ser vendidos, quais os seus compradores e eventuais conflitos de interesse», considerando que, ao longo dos últimos anos, os portugueses foram «chamados a entregar milhares de milhões de euros para tapar o buraco resultante da ruinosa gestão privada da banca e até de práticas de corrupção, como foi particularmente visível na sequência do escândalo do BES/GES/Novo Banco».

O BE também manifestou a intenção de apresentar propostas sobre o financiamento do Novo Banco, mas ainda não concretizou.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/pcp-limita-financiamento-ao-novo-banco

A glória de Centeno

 
Olha, afinal há dinheiro! E paga-se sem se perceber afinal que jogadas estão a ser feitas no Novo Banco, com o diheiro público. Centeno ficará sempre associado a este ruinoso contrato, pago pela não atualização dos vencimentos dos fiuncionários públicos e das pensões, pelo fraco investimento público, pela falta de pessoal e de investimento na Saúde, na Educação, etc, etc. Foram já gastos quase 6 mil milhões de euros e tendo se previsto uma almofadafinanceiora de 4 mil milhões de euros, da qual já só faltam 1,4 mil milhões! E glória das glórias, a nova injecção de capital - como se diz no artigo - está já a ser vendida como uma...  grande poupança de 600 milhões de euros!
 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

'Economia global entraria em colapso’ se City de Londres parasse de lavar dinheiro, diz delator

Bancos no distrito financeiro de Londres, a chamada London City
© Sputnik / Alex MacNaughton

Para o delator de fraudes financeiras Nicholas Wilson, o centro financeiro de Londres é a "capital mundial da lavagem de dinheiro" e se ele parasse suas atividades "a economia global entraria em colapso".

"Nada pode ser feito para limpar a City de Londres. Se algum político tentasse desmantelar o esquema da City de Londres a economia global entraria em colapso", disse.

Segundo o delator, durante a crise financeira de 2008, "dinheiro do tráfico de drogas foi a única coisa que manteve os bancos funcionando".

Wilson conta que o Reino Unido foi contra o projeto de lei proposto na União Europeia para regular as transações financeiras:

"A União Europeia queria endurecer as regras sobre lavagem de dinheiro e o Reino Unido foi o único país que votou contra", contou.

Wilson foi demitido após denunciar uma fraude milionária no Banco HFC, subsidiário do HSBC, que impunha ilegalmente uma taxa de 16% em consumidores com dificuldades para pagar seus créditos e hipotecas.

Sede do HSBC em Londres
© AFP 2019 / BEN STANSALL
Sede do HSBC em Londres

Em 2017, Wilson ganhou a batalha judicial contra o banco HSBC, que foi obrigado a pagar cerca de R$ 21 milhões aos clientes prejudicados.

Em 2019, mais 18 mil vítimas da fraude foram identificadas, forçando o HSBC a pagar mais R$ 162 milhões em compensações. Segundo as estimativas de Wilson, o banco deve arcar com cerca de R$ 1 bilhão em pagamentos decorrentes da fraude.

Reino Unido seria 'país mais corrupto do mundo'

O jornalista italiano, Roberto Saviano, que passou boa parte de sua carreira investigando a máfia, acredita que o Reino Unido é o país “mais corrupto do mundo”.

"Se eu perguntasse para você qual é o país mais corrupto do planeta, você iria me responder que é o Afeganistão, talvez a Grécia, Nigéria, o sul da Itália, mas eu te digo que é o Reino Unido. Não é a burocracia, não é a polícia, não é a política: o que é corrupto é o capital financeiro", afirmou Saviano.

O jornalista disse que 90 por cento dos donos de capital em Londres têm contas offshore, sugerindo que teriam interesse em esconder a origem dos recursos que mantêm.

Nicholas Wilson disse concordar com a afirmação de Saviano, dizendo que a City de Londres é a "capital mundial de lavagem de dinheiro".

Em 2016, o Comitê do Interior do Reino Unido alegou que cerca de R$ 544 bilhões são lavados a cada ano no mercado imobiliário londrino.

Navios cruzando o rio Tâmisa em Londres
© AP Photo / Andrew Whitton
Navios cruzando o rio Tâmisa em Londres

Para Wilson, o banco com a pior reputação é o HSBC, que estaria implicado em 18 dos 25 escândalos de corrupção listados pela organização Transparência Internacional em junho de 2019.

Para o delator, a classe política e financeira britânica são bastante interligadas. Inclusive muitos membros alternariam cargos políticos com altos postos em instituições financeiras.

Procurada pela redação da Sputnik Internacional, a Corporação da City de Londres não quis comentar as declarações de Wilson.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020011615014634-economia-global-entraria-em-colapso-se-city-de-londres-parasse-de-lavar-dinheiro-diz-delator/

Portugal | Lembre-se do cartel da Banca

 
 
Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião
 
Uma boa parte das propostas que já apresentei no Parlamento foram sobre a Banca. Algumas visavam impor regras mais apertadas ao seu funcionamento: limites à venda de produtos financeiros, interdição de certas operações dentro do mesmo grupo, eliminação de comissões bancárias absurdas, etc.
 
Outras pretendiam mais transparência: novas exigências de publicação de informações sobre acionistas, relações com offshores ou políticas de crédito. Apesar de várias tentativas, muitas destas propostas foram sendo rejeitadas por combinações de votos entre PSD, PS e CDS. Na base da rejeição estavam (e estão) normalmente três tipos de argumentos avançados pelos bancos: i) mais transparência prejudica as condições de concorrência; ii) limites à atividade prejudicam a rentabilidade; iii) o caminho não é limitar as atividades financeiras mas reforçar os mecanismos de supervisão e controlo interno.
 
Escândalo a escândalo, a realidade tem vindo a desmontar todas estas ficções.
 
 
Como se não nos bastassem os casos do BPN, do Banif, do BES, do BCP, do Montepio e da Caixa, aparece-nos agora o "cartel da Banca", que juntou o BPN, o Banif, o BES, o BCP, o Montepio, a Caixa e mais oito bancos numa rede de troca de informações sensíveis. Segundo a Autoridade da Concorrência (AdC), os principais bancos trocaram entre si informações reservadas sobre as quantidades e condições de crédito que concediam, articulando ainda estratégias comerciais ou, por exemplo, para limitar a aplicação de leis sobre comissões bancárias.
 
Ou seja, durante mais de uma década, a Banca - sempre tão preocupada com as suas condições de concorrência - trocou entre si dados reservados, alinhou estratégias e concertou posições, em prejuízo de todos os clientes. Sendo verdade que foram condenados pela AdC a multas que somam 225 milhões de euros, também é público que o processo só teve início por denúncia de um participante. Mais uma vez, ao que se sabe, o Banco de Portugal foi incapaz de identificar estas práticas - transversais e reiteradas - atempadamente. A perda para os clientes, é claro, não foi ressarcida.
 
Existem todas as razões para reforçar as medidas destinadas a limitar as práticas abusivas da Banca (privada mas também, e especialmente, pública) e aumentar a transparência. Quando o momento chegar ouviremos os bancos, assim como alguns partidos, a argumentar com a concorrência, a rentabilidade e o controlo interno. Não acredite, lembre-se do cartel da Banca.
 
*Deputada do BE

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/portugal-lembre-se-do-cartel-da-banca.html

Portugal | A concorrência entre bancos é possível? – cartel na banca

 
 
Pedro Tadeu | TSF | opinião
 
Durante a nossa vida ensinaram-nos que um dos benefícios do capitalismo e do mercado livre é ele impulsionar a concorrência entre empresas e essa concorrência ser uma ferramenta de benefício dos consumidores.
 
Supostamente, a concorrência entre empresas leva cada uma delas a tentar servir melhor os clientes, seja em preço, seja em qualidade.
 
Também supostamente, quando não há concorrência, quando uma ou duas empresas monopolizam um determinado mercado, os preços dos produtos ou serviços que essas empresas vendem são inflacionados e a sua qualidade desce.
 
Isso acontece porque os donos dessas empresas em situação de monopólio ou de duopólio não sofrem qualquer pressão para diminuir a sua ambição por lucros cada vez maiores.
 
É para moderar essas situações que os Estados montam sistemas de fiscalização e de regulação.
 
Aquilo que a TSF revelou ao noticiar uma investigação da Autoridade da Concorrência é que 14 bancos em Portugal trocavam, por e-mail ou por telefone, através de departamentos de marketing, informações sobre as comissões que cada um desses bancos cobrava aos clientes do crédito à habitação.
 
 
Como todos os bancos sabiam, em tempo real, o que os outros bancos andavam a fazer, os preços dessas comissões acabavam por não ser estabelecidos em função da concorrência entre estes 14 bancos, o que em princípio beneficiaria os clientes.
 
Pelo contrário, o que aconteceu foi que os preços dessas comissões eram, pelo menos de forma tácita, estabelecidos por acordo entre os bancos, e daí falar-se num "cartel da banca" que, neste caso, terá acabado por funcionar, na relação com os clientes, como se fosse um grupo monopolista do mercado.
 
 
Uma parte dos bancos, como também a TSF noticiou, defende-se desta acusação dizendo que a informação que trocavam entre si era pública e estava facilmente acessível. Isto também é verdade.
 
Lembro-me, quando era, nos anos 90 do século passado, repórter no jornal da tarde "A Capital", de me terem encomendado um trabalho comparativo entre as taxas de juro praticadas pela banca no crédito à habitação da época. Para obter essa informação - que em princípio era pública mas que todos os bancos recusaram dar-me pela via oficial - não tive outro remédio senão ir a uma dúzia de agências bancárias fingir-me cliente.
 
Hoje já não é assim: de facto, em alguns casos, até podemos fazer simulações na internet sobre os empréstimos que pretendemos.
 
Temos, portanto, uma perversidade do sistema: em princípio é bom para o consumidor que toda a informação dos bancos sobre créditos esteja facilmente disponível, mas a verdade é que ela também serve para as administrações dos bancos terem uma prática que, no final, acaba por ser igual ao da cartelização deliberada.
 
E isto é simples de explicar: quando, antigamente, um banco baixava ou subia o preço de um crédito ou de uma comissão, os outros bancos só se apercebiam disso alguns dias depois e demoravam semanas a reagir.
 
Isto dava tempo para vários consumidores acederem à nova oportunidade e essa mudança no mercado levava alguns dos outros bancos a colocar uma oferta semelhante ou mais barata para não perderem clientes.
 
Agora as administrações dos bancos podem saber dessas mudanças de preços em menos de um minuto e podem reagir um segundo depois - isto é tão depressa que os consumidores não têm tempo para beneficiar das melhores ofertas, ninguém faz contratos novos e, por isso, os preços, na prática, acabam por ser definidos em conjunto por todos os bancos e não pela concorrência entre bancos.
 
O que quero dizer com isto é que a cartelização, no capitalismo dos nossos tempos, é praticamente inevitável, mesmo se não houver intenção criminosa, e vai muito para além da banca.
 
Todos nos apercebemos disso, por exemplo, nos preços dos combustíveis para automóveis, da energia elétrica ou nos contratos de telecomunicações - em muitas destas companhias as variações de preços são, na grande maioria das vezes, definidas por comportamentos globais da economia e não pela competição entre empresas que tentam conquistar clientes - no fundo todas reagem em uníssono e em conjunto ao comportamento dos consumidores.
 
Para haver concorrência a sério teria de haver segredo de negócio mas, na verdade, boa parte desse segredo relativamente às políticas de preços que cada empresa aplica, nos dias de hoje, não é possível manter.
 
A modernidade impulsionada pela informação massiva que circula no mundo à velocidade da luz está, portanto, seja por ação criminosa, seja involuntariamente, a falsear o mercado livre e a provocar uma coordenação com cariz monopolista entre as grandes empresas que, mesmo competindo, acabam por ser empurradas para um comportamento cartelizado que as afasta, cada vez mais, dos interesses dos consumidores.
 
Ao aperceber-me disto começo a achar que, simplesmente, a concorrência entre bancos, na sua relação com os pequenos clientes (com os grandes negócios a história é outra), é, na prática, impossível. O mesmo se passa com outros serviços massificados. A regulação e os polícias da concorrência não vão ser capazes de resolver isto.
 
Como não vejo solução para este problema parece, portanto, que nós, consumidores, estamos simplesmente tramados com o capitalismo do século XXI.
 
Leia em TSF:

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/portugal-concorrencia-entre-bancos-e.html

Dívida privada insustentável

Le montant impressionnant de la dette des entreprises revient sur le tapis. Finies, les lamentations sur la dette publique, il y a mieux à se mettre sous la dent ! La Banque mondiale fait état à son sujet de la « vague d’accumulation de dette la plus importante, la plus rapide et la plus large à ce jour », dans la foulée de la crise financière.Leurs émissions ont en effet atteint 2.500milliards l’année passée, un record. Et la Federal Reserve of New York, le bras armé de la Fed, a renouvelé sa préoccupation en raison des conséquences qui pourraient en résulter si les conditions économiques se détérioraient.

Plusieurs facteurs sont à l’origine de cet endettement faramineux, à commencer par le repoussoir que représentent pour les investisseurs les 17.000 milliards d’obligations souveraines qui sont assorties d’un taux négatif, selon les dernières estimations. Les obligations d’entreprises ont d’autres d’attraits et d’autres risques. Le bas coût du crédit dont les banques centrales sont à l’origine dans leur désir de stimuler la croissance économique a fait le reste. Jusque-là, rien de bien nouveau.
Mais la situation de la BCE devient à force particulièrement inconfortable. Sa politique de taux négatif était déjà mise en cause pour peser sur les marges des banques et les revenus des petits rentiers allemands. Elle l’est désormais en raison de son association avec la poursuite du programme d’achats obligataires et d’injections de liquidités, un véritable pousse au crime comme on le constate.
Elle est soumise à des impératifs contradictoires, écartelée entre la relance de l’économie et le maintien de la stabilité financière. La revue stratégique qui s’impose est bien prévue dès cette année, mais que pourra-t-il en résulter qui permettrait de sortir de cette fâcheuse situation ? Il serait question de modifier la cible d’objectif de l’inflation, en la baissant pour qu’elle colle mieux avec la réalité, mais les effets de ce qui s’apparente à un habillage sont loin d’être garantis, une fois entériné son faible niveau.
Une redoutable interrogation reste sans réponse. La conjonction du niveau actuel de croissance réduite, du bas taux des marchés et de la faible inflation sont-ils soutenables à terme ? La BCE, qui a dans un premier temps sauvé l’euro, a-t-elle les moyens de s’attaquer à un autre risque, celui d’une déflation à la japonaise qui est crainte ? 
F.L blog Decodages

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/01/13/divida-privada-insustentavel/

Cartel dos bancos no crédito à habitação aumentou com a crise (e há suspeitas de que se mantém)

A Autoridade da Concorrência (AdC) que condenou 14 Bancos a uma multa recorde de 225 milhões de euros no âmbito do chamado “cartel da banca”, suspeita que as entidades financeiras envolvidas podem estar a continuar a concertação de posições no âmbito de créditos à habitação, ao consumo e às empresas, mantendo as práticas ilegais por que foram condenadas.

 

Estes dados constam da decisão final da AdC, após uma investigação de sete anos ao chamado “cartel da banca”. A análise resultou num documento de 936 páginas que, após análise da TSF, conclui que não há evidências de que as práticas ilegais tenham terminado nos 14 bancos condenados.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD), BBVA, o BIC (pelas acções do antigo BPN), o BPI, o BCP, o BES, o BANIF, o Barclays, a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo (CCCAM), o Montepio, o Santander (por factos também praticados pelo Banco Popular), o Deutsche Bank e a UCI são os bancos condenados, depois de terem trocado de forma ilegal informação sensível, durante o período entre 2002 e 2013.

A prática de concertação, nomeadamente de spreads (o preço a que os Bancos emprestam o dinheiro e que é fixado por cada instituição de forma livre) nos créditos à habitação, ao consumo e às empresas, terá sido especialmente evidente no seguimento da crise de 2008.

Nessa altura, o Banco Central Europeu (BCE) optou por baixar as taxas de juro para promover a recuperação económica. A par disso, os spreads subiram de forma significativa nos Bancos implicados, o que levou ao aumento dos juros de quem pedia empréstimos.

Na análise da AdC, houve uma “intensificação do intercâmbio de informações a partir, precisamente, do Verão de 2008 quando a Euribor começou a descer de forma acentuada, baixando a taxa de juro do crédito à habitação”, conforme cita a TSF. Essa troca de informações “claramente reservadas” quanto a intenções futuras de baixa de spreads é um caso “mais grave”, entende a entidade.

E não há nada que demonstre, em todos os documentos analisados ao longo dos últimos sete anos, que as práticas proibidas de concertação tenham cessado nos Bancos condenados, vinca a decisão da AdC que data de 9 de Setembro de 2019, como reforça a TSF.

Os Bancos condenados estão a contestar a condenação da AdC, com recursos para o Tribunal da Concorrência. O Barclays e o Montepio que colaboraram na investigação, pediram dispensa ou redução da multa que lhes compete.

Durante a investigação, várias das entidades bancárias implicadas rejeitaram a ideia de troca proibida de dados, alegando que “a informação, alegadamente trocada, deve ser considerada histórica e pública“, como alegou a CGD. O Banco público também referiu que “não é possível estabelecer a autoria material dos documentos” analisados pela AdC.

O BPI argumenta que não sabe qual é a origem de alguns dos documentos, enquanto o Deutsche Bank destaca que não tinha “consciência de que estava a partilhar informação sensível”.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/cartel-bancos-credito-habitacao-crise-302062

Ex-administrador do BES afirma que financiamento ao Grupo Alves Ribeiro não teve risco

( Comentário:
Claro! A solidez das negociatas da banca com os grande grupos económicos é conhecida. E se algo correr mal cá estão os contribuintes para salvar os sagrados bancos privados)

Mário Cruz / Lusa

Amílcar Morais Pires, ex-administrador do BES

O ex-administrador do BES Amílcar Pires disse esta terça-feira, ao Tribunal da Concorrência, que não existiu risco no financiamento ao Grupo Alves Ribeiro, numa operação que esteve na origem de coimas do supervisor a Ricardo Salgado e José Castella.

 

Amílcar Morais Pires depôs esta terça-feira como testemunha no julgamento do recurso interposto no Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS), em Santarém, pelo ex-presidente e pelo antigo administrador do BES à decisão do Banco de Portugal (BdP), de julho de 2019.

Ricardo Salgado foi condenado ao pagamento de uma coima de 75 mil e José Castellla a 50 mil euros, por violação das normas que obrigavam a desconsiderar do cômputo de fundos próprios, em base consolidada, as ações adquiridas pelas holdings do Grupo Alves Ribeiro (GAR), do setor da construção, aquando do aumento de capital da Espírito Santo Finantial Group (ESFG), em 2012.

A contraordenação visou ainda a violação de determinações do BdP que obrigavam à revelação da identidade dos clientes que se encontravam identificados por códigos nos reportes efetuados pela ESFG e a prestação de falsas informações.

Morais Pires confirmou ter estado presente na reunião realizada em outubro de 2008, convocada por Ricardo Salgado, com dois elementos da família Pereira de Sousa, do GAR, que fizeram uma “aproximação” ao Banco Espírito Santo (BES) para pedir um financiamento destinado a “resolver um problema financeiro e de tesouraria”.

Para o antigo administrador, era “normal” haver uma “aproximação” de acionistas ao grupo Espírito Santo, dado o seu “prestígio”, destacando o interesse deste em possuir uma estrutura acionista estável.

Morais Pires confirmou a sua assinatura em dois contratos de financiamento, um no valor de 30 milhões de euros, concedido por um ano e sem garantias ao Banco Invest (do GAR), e outro de 20 milhões de euros, a três anos, com garantia, à holding que detinha o banco, a ARIF (Alves Ribeiro Investimentos Financeiros).

Quanto aos contratos com as quatro holdings que detinham a ARIF, de concessão de 50 milhões de euros (12,5 milhões a cada uma), alegadamente para aquisição de ações da ESFG, como contrapartida ao financamento ao GAR, Amílcar Pires afirmou que a melhor pessoa para esclarecer as circunstâncias em que ocorreram será António Souto, o administrador que detinha o pelouro das empresas e que esteve igualmente presente na reunião de outubro de 2008.

Na primeira sessão do julgamento, no passado dia 26 de novembro, Ricardo Salgado disse que não havia qualquer interesse ou necessidade de esconder as ações adquiridas pelo Grupo Alves Ribeiro aquando do aumento de capital da Espírito Santo Finantial Group.

O ex-presidente do BES pediu a junção de um documento no qual listou as nove operações de aumento de capital da ESFG, desde a sua fundação, no Luxemburgo, em 1984, assegurando que no final de 2013 o capital e reservas totalizavam 1,5 mil milhões de euros após a dedução de 700 milhões de euros da provisão imposta pelo BdP para fazer face ao risco reputacional do papel comercial.

Ricardo Salgado afirmou que “não havia necessidade de ocultar nada”, porque o rácio de solvência cumpriu sempre os limites nacionais e europeus.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/administrador-bes-financiamento-grupo-alves-ribeiro-risco-301123

Banco e Seguradora não revelam sinais de recuperação

Tomás Correia saiu do Montepio mas deixou uma pesada herança de destruição que demorará muito tempo a recuperar e uma cultura de arbítrio e de ostentação que infelizmente persiste e que só uma administração de unidade ampla poderá eliminar e gerar uma nova confiança nos Associados.

 

 

Nesta Informação aos Associados do Montepio analiso a situação atual da Associação Mutualista, do Banco Montepio, e da Lusitânia SA (não vida) empresas do grupo Montepio que, como consequência da gestão ruinosa da administração de Tomás Correia, enfrentam atualmente situações de extrema dificuldade. E que Tomás Correia, embora obrigado a sair do Montepio, deixa uma pesada herança de destruição e delapidação das poupanças dos associados que levará muitos anos a recuperar. E isso só será possível com uma nova administração de unidade alargada, que inspire confiança aos associados,  e não com uma administração de continuidade como se pretende.

Apesar de Tomas Correia já não estar no Montepio a cultura de desrespeito pelos associados e de abuso na utilização dos dinheiros do grupo Montepio continua a imperar de que são exemplos comprovativos a marcação de uma assembleia geral de associados para o dia 30 de Dezembro de 2019, com o objetivo de dificultar a participação dos associados, e a realização de uma Festa do Natal do grupo Montepio cujo custo foi de 235€ por pessoa.

Mesmo que não seja associado do Montepio peço a sua ajuda para que esta informação chegue ao maior número de associados da Associação Mutualista.

 

Finalmente, este é o ultimo estudo de 2019. Durante este ano publiquei 57 estudos, mais do que as semanas do ano. Embora isso me tenha exigido um grande esforço, e o sacrifício de quase todos os fins de semanas, considero que esse esforço valeu a pena se este trabalho foi útil a todos aqueles que leram os meus estudos e os divulgaram. Como sempre afirmei não existe, da minha parte, qualquer pretensão de substituir o pensamento único dominante nos media por outro, mas apenas o propósito de fornecer ao leitor uma outra forma de analisar os problemas económicos e sociais, na ótica da defesa de quem trabalha, para que ele, confrontando-a com a do pensamento neoliberal dominante nos media, forme a sua própria opinião, que é o mais importante.

Aproveito para desejar a todos Festas Felizes, e um Novo Ano 2020 melhor que o que agora termina

 

 

 

 

 
 
 
 

Estudo

Tomás Correia saiu do Montepio mas deixou uma pesada herança de destruição que demorará muito tempo a recuperar e uma cultura de arbítrio e de ostentação que infelizmente persiste e que só uma administração de unidade ampla poderá eliminar e gerar uma nova confiança nos Associados.

Informação 7/2019 aos Associados do Montepio

 

 

O Banco Montepio continua a não revelar sinais de recuperação e na numerosa Administração não há quem possa impulsionar a rede

O Banco Montepio, é o principal ativo da Associação Mutualista, onde estão investidos mais de 1.800 milhões € de poupanças dos associados, e portanto o principal garante dessas poupanças. E continua a não dar sinais de recuperação, como mostram as contas de Set/2019.

 

Quadro 2 – Demonstrações de resultados consolidados da CEMG – Banco Montepio – 2015 / Set. 2029
(Administração de Tomás Correia, José Morgado, e Carlos Tavares)

 
Fonte: Em relação a 2017, em algumas linhas 2 ou 2, o 1º é o das contas apresentadas por Félix Morgado, os outros são alterações feitas por Carlos Tavares
(*) Exclui trabalhadores cedidos à AMMG – Fonte: Contas anuais de 2015, 2016, 2017, 2018 e Set. 2019 – Caixa Económica Montepio Geral / Banco Montepio

 

Comecemos por analisar a evolução da Margem financeira, que resulta fundamente da atividade “core” de qualquer banco de retalho que é a concessão de crédito. E a conclusão que se tira, é que a Margem Financeira obtida nos primeiros 9 meses de 2019 (180 milhões €) foi inferior à obtida nos primeiros 9 meses de 2018 (189 milhões €), o que revela naturalmente a incapacidade do banco, da sua administração e da rede comercial para aumentar a carteira de crédito, o que é muito grave. A confirmar esta incapacidade está a estagnação das Comissões líquidas (87 milhões € em 2018 e 2019).Infelizmente uma parte importante são ainda as cobradas aos depositantes.

Outro aspeto importante são os Resultados das Operações Financeiras (ROF´s): 47 milhões € nos primeiros 9 meses de 2019 quando se tinha obtido apenas 6 milhões € em igual período de 2018. Se analisarmos este valor – 47 milhões € – conjuntamente com os resultados líquidos obtidos até Set.2019 que foram de apenas 17,7 milhões €, quando em igual período de 2018 tinham sido 22,4 milhões €, é fácil de concluir que o Resultado liquido de 17,7 milhões € em 2019 só foram possíveis com as mais-valias obtidas com a venda de títulos da divida portuguesa. Se não tivesse acontecido isso, o Banco Montepio teria certamente registado prejuízos no 3º Trim.2019. No entanto isto tem o inconveniente de mais-valias não serem necessariamente repetíveis e não fazem parte da atividade “core” do Banco Montepio.

De positivo revelado pelos dados do quadro 2, interessa referir a diminuição do “Cost-to-income que, entre 2018 e 2019, diminui de 68% para 58,8% e o elevado rácio de liquidez (LCR): 183,3%.

Um elevado rácio liquidez – 183,3% – portanto um valor muito superior ao exigido pelo Banco de Portugal (exige apenas 100%) tem ao mesmo tempo um lado positivo mas também um lado negativo. O lado positivo é de dar segurança e revelar confiança dos clientes; o lado negativo é liquidez que não é aproveitada devido à fraca concessão crédito. Para além disso, aquela elevada liquidez não gera receitas, e os depósitos geram custos, mesmo que sejam reduzidos.

Os rácios de Capital – CET 1 e Tier 1 registaram uma melhoria embora diminuta. O Rácio de Capital total aumentou 1,8 pontos percentuais. O certo é que apesar destas alterações, os valores dos rácios de capital continuam muito próximos dos mínimos exigidos pelo supervisor e qualquer alteração verificada nos pressupostos traduzir-se-á em necessidades de aumentar o Capital do Banco Montepio. E a Associação Mutualista já não possui capacidade para o fazer. Esta situação é muito provável que aconteça por isso é importante começar a pensar nela.

Analisemos agora o Balanço do Banco Montepio para completar a análise que foi realizada.

 

Quadro 3 – Balanço consolidado da CEMG / Banco Montepio – 2016/Set. 2019

 
Fonte: Contas anuais de 2015,2016, 2017, 2018 e Set. 2019 – Caixa Económica Montepio Geral, Banco Montepio

 

Um aspeto preocupante revelado pelos dados do quadro 3, são as enormes aplicações em títulos: 3.256 milhões €, ou seja, 17,4% do Ativo líquido. Tal facto, para além de não fazer parte da atividade normal de um banco de retalho, tem ainda o inconveniente de incorporar no Banco Montepio o risco de taxa de juro, portanto qualquer alteração nesta poderá ter um impacto dramático na estabilidade da Caixa Económica, embora tenha a vantagem de diminuir os RWA, contribuindo assim para o aumento indireto dos rácios de capital sem ter de aumentar o capital.

O aspeto mais preocupante revelado pelo Balanço é a continuação da queda do crédito bruto e do crédito ilíquido. Em apenas 9 meses, verificou-se uma redução de 500 milhões € no crédito bruto, e de 577 milhões € no crédito líquido, a adicionar à perda de 1.000 milhões € registada durante o ano de 2018. Uma análise mais fina revela que o Banco Montepio nem consegue compensar o crédito que é liquidado mais o crédito que é amortizado.

Se retirarmos aos 500 milhões €, a carteira vendida (268M€) e os writte-offs (108M€ ), ainda sobram 124 milhões €. Esta incapacidade já revelada pela atual administração para inverter a queda continuado do crédito é extremamente preocupante pois o Banco Montepio não tem possibilidades de sobreviver sem aumentar o negócio bancário.

É inaceitável que na constituição da atual administração, que é excessivamente numerosa para um banco com a dimensão que tem o do Montepio, poucos membros tenham experiência de banca de retalho, e mesmo aqueles que têm é reduzida ou longínqua, e nenhum tenha de rede comercial o que está ter consequências graves na recuperação do banco. É evidente que a sua constituição não foram tidos em conta os interesses do Montepio nem dos associados. Mais uma herança deixada por Tomás Correia que a futura administração da Associação Mutualista terá de resolver.

É importante ainda referir que no período 2011/Set.2019, o total de crédito abatido ao ATIVO (writte-offs) por se terem considerados totalmente perdidos atingiu 1.812,5 milhões €, o que obrigou a Associação Mutualista a fazer sucessivas recapitalizações da Caixa com as poupanças dos associados. Não se teve de recorrer à ajuda do Estado como aconteceu com os outros bancos gabava-se TC, mas teve-se de utilizar as poupanças dos associados, delapidando-as, o que dá bem uma ideia da dimensão destruição de valor feita pela administração de Tomás Correia.

A nível de recursos de clientes (depósitos), os dados do quadro revelam que o valor de Set.2019 (12.574 milhões €) é praticamente igual ao valor de Dez.2018 (12.675 milhões €), no entanto se adicionarmos aos depósitos as “Responsabilidades representadas por títulos”, que são outra meio de financiamento da banca pelos clientes, então já se verifica uma redução de 151 milhões € entre Dez.2018 e Set.2019.

O Rácio de transformação, que dá a quantidade de euros de crédito que o banco concede por cada 100 euros de depósitos, revela também uma evolução preocupante. Em 2017, último ano da administração de Félix Morgado, por cada 100€ de depósitos a Caixa Económica concedia 103,7€ de crédito, em Set.2019 o Banco Montepio por cada 100€ de depósitos concedia apenas 91,8€ de crédito. Estes dados confirmam a incapacidade da atual administração para inverter a queda continuada do crédito concedido pelo Banco Montepio, sem o qual não pode sobreviver.

Outra situação que deve merecer uma séria reflexão pela sua gravidade é a redução significativa nos Capitais Próprios do Banco Montepio que pode obrigar brevemente a mais uma recapitalização. Como revelam os dados do seu Balanço, entre 2017 e Set.2019, com a atual administração, os Capitais Próprios do Banco Montepio passaram de 1.763 milhões € para apenas 1.523 milhões €, ou seja, sofreram uma redução de 240 milhões €. Tal evolução é explicada pelo enorme aumento verificado nas “Outras reservas e resultados transitados” que, no mesmo período, passaram de -731 milhões € para -959 milhões €, onde são registados os prejuízos, imparidades, diferenças de câmbio, reforço do fundo de pensões, etc.  que vão diretamente à conta de Capital não afetando a conta de resultados (alguns destes valores irão afetar os resultados de anos futuros). A descapitalização da Caixa Económica continuou embora de uma forma menos visível.

 

A Lusitânia SA (não vida) acumulou enormes prejuízos e obrigou a recapitalizações

A falta de rentabilidade do Banco Montepio, que determina a impossibilidade de transferir excedentes para a Associação Mutualista, e esta de obter quaisquer rendimentos pelos mais de 1.800 milhões € que aplicou na Caixa Económica/Banco Montepio está a por em perigo a sustentabilidade da Associação Mutualista. Mas não é só o Banco Montepio, que devido à sua falta de rentabilidade, está a pôr em perigo a Associação Mutualista. O mesmo acontece com a Lusitânia SA (não vida), cujos enormes prejuízos acumulados estão a obrigar a sucessivas recapitalizações (quadro 4).

 

Quadro 4 – Capital Social, Instrumentos de Capital, Resultados Líquidos e Capitais Próprios da Lusitânia SA (não vida) – Em milhares de euros

 

 

Até 2018, a Lusitânia SA acumulou 112,69 milhões € de prejuízos e obrigou o grupo Montepio a recapitalizar esta empresa com 141,16 milhões € (instrumentos de capital) para que ela pudesse cumprir os rácios de solvência. Foi  a consequência da má gestão de Fernando Nogueira, amigo de TC, que felizmente foi afastado pela ASF por falta de idoneidade. Até Outubro de 2019, a Lusitânia SA apresentou prejuízos de 4,5 milhões €, apesar disso foi obrigada a absorver a N Seguros (EXPRESSO ONLINE – 16/12/2019) que acumulou também prejuízos (até Out.2019 já tinha 2,5 milhões €), o que contribuirá para um maior desequilíbrio da Lusitânia SA, e para novas recapitalizações.

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/banco-e-seguradora-nao-revelam-sinais-de-recuperacao/

“Não há dinheiro para isto, mas há dinheiro para os bancos”

(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso, 28/12/2019)

Pedro Santos Guerreiro

O “isto” é tudo e mais alguma coisa — a frase diz-se por tudo e por nada e é fácil qualificá-la como populista. Pois é. Mas ela é também outra coisa: é verdadeira.

 

Os apoios do Estado à banca são sempre excecionais. São todos os anos excecionais. São há 12 anos excecionais. Mas o que é “excecional” há 12 anos já é regra. O próprio Orçamento do Estado apresenta estas transferências como sendo one-off, que é como quem diz, “uma vez sem exemplo”, mas é eufemismo para a opinião pública e jargão para a Comissão Europeia. Mais sincero seria apresentar a coisa como dotações para o Ministério da Banca ou, vá lá, como transferências para o Instituto de Socorro a Náufragos Financeiros. Doze anos depois do primeiro colapso, o do BPN, as transferências continua­rão em 2020, com €600 milhões para o Novo Banco — e veremos se não será mais.

É uma grandeza sem grandiosidade: num Estado submerso em créditos, será usado mais dinheiro no Novo Banco do que na redução da dívida pública. Ou do que no Ministério da Cultura. Ah, e, €5000 milhões depois, a conta desse caso original chamado BPN ainda não está sequer fechada. Quem nos dera que o problema fosse mesmo de “estabilidade emocional” dos banqueiros: alegremente pagaríamos avenças mensais a todas as suas mulheres e maridos se nos poupassem o gasto multimilionário.

Cinco mil milhões para o BPN. €6,3 mil milhões para a Caixa. €4,3 mil milhões para o Novo Banco. €3,4 mil milhões para o Banif. Foram estes os compromissos assumidos pelo Estado numa dúzia de anos, a que se somam outras injeções que foram devolvidas (€3000 milhões para o BCP e €1,5 mil milhões para o BPI) ou que ainda podem sê-lo (€450 milhões no BPP). O total de compromissos aproxima-se, pois, dos €24 mil milhões, dos quais 80% desapareceram como água pela areia seca. Da Caixa ainda haverá dividendos, mas a conta perdulária devia ser escrita numa lápide, sob uma estátua no centro das cidades, para que não seja esquecida: “Aqui jazem 20 mil milhões de euros”; por cima, a estátua do perdedor desconhecido, o contri­buinte anónimo e os lesados em produtos financeiros com risco oculto que lhes devoraram as poupanças.

Quando Costa e Marcelo chegaram aos seus palácios oficiais, em 2015 e 2016, a situação era surdamente ainda calamitosa. Injetou-se dinheiro na Caixa, com Bruxelas a fechar os olhos a ajudas de Estado, o BPI sanou os seus conflitos acionistas ao ser tomado pelos espanhóis do La Caixa, o BCP acalmou a situação de capital, o Banif foi vendido ao Santander e pagou-se para vender o Novo Banco à Lone Star — mas as transferências para o ex-BES não têm fim, parece que de cada vez que se abre uma gaveta se encontra mais um crédito que não será pago, seja a projetos imobiliários ou a empresas de cogumelos. Daí ter evoluído o cenário de venda ou fusão do banco, o que passa por negociar com a Lone Star o desbloqueamento da sua saída, assim abrindo caminho para uma consolidação. O BCP está na linha da frente, pelas sinergias mais óbvias. Se o processo avançar, “sinergias” quererá dizer despedimentos, claro. Mas mesmo que os acionistas se entendam, é preciso que o BCE aprove, e não é fácil Bruxelas aceitar uma fusão com acionistas angolanos e chineses.

O tema marcará o primeiro semestre de 2020, sendo o interesse do Estado o de se desembaraçar das garantias que deu para cobertura de prejuízos futuros, o que vai prolongando o calendário das ajudas à banca. Com a licença do senhor presidente da Assembleia da República, isto, sim, é uma vergonha. Nada excecional. É o mesmo todos os anos: “Não há dinheiro para isto, mas há dinheiro para os bancos.”


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Associação Mutualista: A pesada herança

Tomás Correia saiu do Montepio mas deixou uma pesada herança de destruição que demorará muito tempo a recuperar e uma cultura de arbítrio e de ostentação que infelizmente persiste e que só uma administração de unidade ampla poderá eliminar e gerar uma nova confiança nos Associados.

 

 

Nesta Informação aos Associados do Montepio analiso a situação atual da Associação Mutualista, do Banco Montepio, e da Lusitânia SA (não vida) empresas do grupo Montepio que, como consequência da gestão ruinosa da administração de Tomás Correia, enfrentam atualmente situações de extrema dificuldade. E que Tomás Correia, embora obrigado a sair do Montepio, deixa uma pesada herança de destruição e delapidação das poupanças dos associados que levará muitos anos a recuperar. E isso só será possível com uma nova administração de unidade alargada, que inspire confiança aos associados,  e não com uma administração de continuidade como se pretende.

Apesar de Tomas Correia já não estar no Montepio a cultura de desrespeito pelos associados e de abuso na utilização dos dinheiros do grupo Montepio continua a imperar de que são exemplos comprovativos a marcação de uma assembleia geral de associados para o dia 30 de Dezembro de 2019, com o objetivo de dificultar a participação dos associados, e a realização de uma Festa do Natal do grupo Montepio cujo custo foi de 235€ por pessoa.

Mesmo que não seja associado do Montepio peço a sua ajuda para que esta informação chegue ao maior número de associados da Associação Mutualista.

 

Finalmente, este é o ultimo estudo de 2019. Durante este ano publiquei 57 estudos, mais do que as semanas do ano. Embora isso me tenha exigido um grande esforço, e o sacrifício de quase todos os fins de semanas, considero que esse esforço valeu a pena se este trabalho foi útil a todos aqueles que leram os meus estudos e os divulgaram. Como sempre afirmei não existe, da minha parte, qualquer pretensão de substituir o pensamento único dominante nos media por outro, mas apenas o propósito de fornecer ao leitor uma outra forma de analisar os problemas económicos e sociais, na ótica da defesa de quem trabalha, para que ele, confrontando-a com a do pensamento neoliberal dominante nos media, forme a sua própria opinião, que é o mais importante.

Aproveito para desejar a todos Festas Felizes, e um Novo Ano 2020 melhor que o que agora termina

 

 

 

 

 

Dois episódios recentes mostram que a cultura de marginalização e de desprezo pelos direitos dos associados e de utilização abusiva dos seus dinheiros continua a imperar no Montepio apesar do afastamento compulsivo de Tomás Correia da Associação Mutualista pelo facto do supervisor (ASF) não ter reconhecido com idoneidade para continuar como presidente da Associação Mutualista.

O primeiro episódio refere-se à realização da festa de Natal do Montepio no Altice Arena, um espaço caro e, segundo o jornal OBSERVADOR, “a festa vai ser de arromba e não se poupa despesas”. “A  refeição será servida pelaCasa do Marquês, a cozinha oficial do Protocolo de Estado, e custo por pessoa será de 235 euros” que foi naturalmente paga pelos associados do Montepio. Embora a maioria dos trabalhadores do grupo Montepio se tenham recusado em participar na dita festança, ela foi ofensiva para com os associados e mais num altura em que as empresas do grupo Montepio enfrentam sérias dificuldades (acumularam enormes prejuízos, não têm rentabilidade suficiente para transferir excedentes para a AMMG e esta poder distribuir benefícios aos associados nem para recuperar as poupanças que foram delapidadas pela gestão de Tomás Correia), mesmo apesar da reduzida participação, o grupo Montepio despendeu cerca de 400.000 € com a ”festança” como refere o jornal.

O segundo episódio também caraterizador da cultura de desprezo pelos associados, é a marcação da assembleia geral de associados precisamente para 30 de Dezembro de 2019, pela 21 horas, na Rua Áurea, 219-241, em Lisboa, para debater o “Programa e o Orçamento para 2020”, um dia em que os associados do Montepio estão naturalmente a preparar a passagem do ano ou em deslocação para estarem com os seus familiares, portanto um dia não apropriado para a realização de uma assembleia, a não ser que o objetivo deliberado seja dificultar a participação dos associados (certamente foi esse o objetivo). Para os associados que tenham a possibilidade de participar nessa assembleia a convocatório e o Programa e Orçamento – Informação Legal.

 

 
 
 

 

 

 
 
 
 

Estudo

Tomás Correia saiu do Montepio mas deixou uma pesada herança de destruição que demorará muito tempo a recuperar e uma cultura de arbítrio e de ostentação que infelizmente persiste e que só uma administração de unidade ampla poderá eliminar e gerar uma nova confiança nos Associados.

Informação 7/2019 aos Associados do Montepio

 

 

O agravamento da situação da Associação Mutualista Montepio Geral

A diminuição de associados, a redução da liquidez imediata, uma margem associativa que não garante o reembolso das poupanças dos associados, uma Situação Líquida real negativa

O quadro 1, com os dados mais importantes dos Relatórios e contas individuais e dos Programas de Ação e Orçamento da Associação Mutualista permite tirar algumas conclusões importantes sobre a evolução da situação real da Associação Mutualista no período 2016/2019 e conhecer a sua situação atual, ou seja, a herança deixada pela administração ruinosa de Tomás Correia.

 

Quadro 1 – Contas individuais do Montepio – Associação Mutualista: as previsões de Tomás Correia e a realidade – 2016/2020

 
Fonte: Relatório e Contas e Programa de Ação e Orçamento de 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020 do Montepio – Associação Mutualista

 

A primeira conclusão que se tira dos dados do período 2016/2019 é diminuição dos associados em todos os anos. Em 2016 eram 632.447 e, em 2019, tinham-se reduzido para 604.500.

A segunda conclusão importante que se tira é que existe uma grande diferença entre as previsões fantasiosas da administração de Tomás Correia, constantes do Orçamento que apresenta todos os anos e o que depois é realizado. Para concluir isso basta analisar os dados que estão nas colunas a laranjas, onde constam as diferenças entre o previsto (Orçamento) e o realizado (o constante das Contas finais ou das estimativas feitas no fim de cada ano). Uma dúvida legitima que se coloca é em relação ao Orçamento para 2020. Acontecerá o mesmo?

Mas os dados do quadro 1 levantam outras questões que são ainda mais preocupantes. Em primeiro lugar, que as saídas de poupanças da Associação Mutualista tem sido superiores às entradas. Esse facto é revelado pela Margem Associativa negativa (em 2016, -122,4 milhões €; em 2017: – 373,9 milhões €; em 2018 :-191,2 milhões €, o soma que as saídas de dinheiro foram superiores às entradas em 687,5 milhões €) . A pequena Margem associativa positiva de 43,3 milhões € em 2019, que tem ainda de ser confirmada quando forem publicadas as Contas de 2019, não compensa o ritmo de saídas de poupanças verificado neste período, naturalmente devido à falta de confiança que a administração de Tomás Correia inspirava.

E a previsão constante do Orçamento para 2020 (+60,6 milhões €) revela por quem fez tal previsão falta de confiança no futuro, até porque existe, como os dados do quadro revelam, uma diferença grande entre o que se prevê o que se realiza para muito menos. Devido aos maus investimentos que a administração de Tomás Correia fez, investimentos de elevado risco porque concentrado fundamentalmente em duas empresas – Caixa Económica e Lusitânia SA – e devido aos enormes prejuízos acumulados e à falta de rentabilidade destas empresas, a Associação Mutualista só se aguentará enquanto as entradas de dinheiro forem superiores às saídas, à semelhança de uma “pirâmide de PONZI”.

Outro aspeto preocupante, que está também associada a referida anteriormente, é a quebra brutal da “Liquidez imediata” (soma dos “Depósitos em bancos” e dos “investimentos financeiros” , nomeadamente obrigações que podem ser facilmente resgatadas e transformadas em dinheiro) da Associação Mutualista para acudir a dificuldades de tesouraria. Foi o que ocorreu em 2018, quando Tomás Coreia desencadeou uma campanha nos media contra Félix Morgado, o que causou forte turbulência no grupo Montepio, e levou muitos associados a levantarem as suas poupanças por sentirem insegurança.

E a “Liquidez imediata” diminuiu entre 2016 e 2019, como revelam os dados do quadro 1, de 1.510 milhões €  para apenas 541 milhões €, ou seja, reduziu-se para um terço (-64,2%) em apenas 3 anos. Basta qualquer turbulência na Associação Mutualista ou qualquer insegurança que se alastre para Associação Mutualista enfrentar problemas de liquidez, até porque a Caixa Económica está limitada pelo supervisor no apoio que pode dar à Associação Mutualista. E será muito difícil, a não ser que seja a saldo, vender as empresas em que as poupanças dos associados estão aplicadas (BM, Lusitânia SA).

Finalmente, um outro aspeto preocupante é que, em 2019, o ATIVO da Associação Mutualista, ou seja, aquilo que ela possui ou tem a receber, era já inferior ao seu PASSIVO, ou seja, aquilo que ela deve ou tem de pagar. Como mostram os dados do quadro 1, se se deduzir ao valor do ATIVO os chamados “Ativos por impostos diferidos”, que não são verdadeiramente ativos, pois com eles não se pode pagar qualquer divida (por ex. não se pode reembolsar as poupanças aos associados), conclui-se que, em 2019, o ATIVO da Associação Mutualista sem “Ativos por impostos diferidos”, era inferior ao seu PASSIVO em 73 milhões €. Se fosse uma empresas diríamos que ela estava tecnicamente falida.

É esta a pesada herança deixada pela administração de Tomás Correia que ele tem procurado esconder, com mentiras e realizando “festanças” com dinheiro dos associados, mas que a realidade fria e objetiva dos números divulgados pela Associação Mutualista revelam. E é preciso que se diga com clareza, até para que não existam ilusões: a recuperação da enorme destruição levada a cabo pela gestão de Tomás Correia durante vários anos vai ser difícil e demorada. Só quem ainda acredita em milagres é que pode acreditar o contrário. É por isso que defendo que seja constituída uma lista de unidade alargada de todos aqueles que estão interessados em salvar o Montepio, o que não será possível por uma administração de continuidade.

 
 
 

 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/associacao-mutualista-a-pesada-heranca/

À espera da solidão do PS

Domingos Lopes

À medida que o tempo vai decorrendo fica mais nítido o que sucedeu com a grave crise gerada para “salvação” dos bancos que se arruinaram com a sua gestão, antes elogiadíssima.

Depois da nacionalização da banca, a reprivatização foi apresentada como uma das medidas mais necessárias para obterem lucros e salvarem os bancos e a economia( sempre em salvação) face ao despesismo e à incúria do Estado.

Foi a grande loucura. O BCP abriu só com homens. Mulheres no banco do Jardim só na igreja ou na cozinha…Era a banca sadia. Lucros estratosféricos. Crédito a jorros. Gaste e pague depois, diziam eles, os poupadinhos. O glamour.

Durante trinta anos de cima da sua arrogância e poder fizeram o que quiseram com o beneplácito dos governantes. Quem tinha bancos podia ter ministros, secretários de Estado, municípios, políticos, jornais, televisões, tudo… O país era deles, literalmente.

Veio a crise. E de quem foi a culpa? Dos portugueses que viviam acima das possibilidades, embora não fossem donos de nenhuma banco a rebentar de tanto crédito mal concedido a amigos, parentes, compadres, à família. A direita, mas não só (no PS também houve quem seguisse a ladainha) foi em socorros dos seus génios fustigando o pobre povo atordoada pela pancadaria nos vencimentos cortados até às unhas. Aguentava, diziam os espertalhaços …

A salvação de Portugal, o seu resgate, estava no empobrecimento. Passos ainda tinha um de seiscentos milhões para cortar, se tivesse ganho as eleições com o CDS, e que provavelmente o candidato a líder do PSD Luís Montenegro tem em vista, se ganhar. Diga-se que este restaurador- mor da direita nem uma vez criticou o poder dos sacrossantos banqueiros.

Os bancos que escarneciam do Estado gastador, cheio de gorduras, e o combatiam ,receberam quase dezanove mil milhões de euros para se salvarem arruinando a vida de milhões de portugueses.

Vive-se hoje uma luta quase sempre às escondidas para que não venha ao de cima esse lado escandaloso da incompetência. Os que hoje atacam ao serviços públicos são os mesmos que parasitam o Estado e exigem à cabeça lucros ( via parcerias) independentemente dos resultados. Finórios. São os que confundem os seus bolsos com a economia nacional. São os que em sede de concertação social se entrincheiram contra o aumento diário no salário mínimo de um café, mas se calam ou defendem que o Estado continue a encher o banco vendido ao preço da uva mijona ao Lonely Star e que que continue ad nauseam a pagar danos colaterais de  outro escândalo, como foi o BPN, não tendo bastado o que todos pagámos. São os mesmos que acharam ser um grande negócio vender a EDP a uma multinacional chinesa por um par de tostões a ponto de agora estarem prestes a venderam seis das cinquenta e nove barragens por dois mil e setecentos milhões de euros, sendo que apenas os ativos não estratégicos têm um valor de seis mil milhões.

E que dizer da venda da PT-TELECOM com todo aquele cortejo de excelente administradores com as mais altas condecorações sentados nos bancos dos tribunais como arguidos para serem julgados daqui a muitos anos porque a justiça em Portugal não é para pressas para os poderosos. E a venda da ANA? Fez um contrato que lhe assegura a exploração do aeroporto de Lisboa até a gente se esquecer da data enchendo os acionistas de vil metal…Tudo ao desbarato. Eles é que sabem. Vão para o governo e depois pulam para a EDP dos chineses(Mexia e Teixeira dos Santos, sempre tiveram uma costela comunista), para a ANA( José Luis Arnault) para o FMI(Vitor Gaspar) ou para a ARROWS, Maria Luis Albuquerque.

A verdade é que, na expectativa de que o governo do PS esteja quatro anos de solidão à esquerda, já se apressam a exigir na Saúde, na Escola Pública, na Justiça, na Segurança Social, par tout.

https://www.publico.pt/2019/12/31/politica/opiniao/ai-estao-espera-solidao-ps-1898893

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2019/12/31/a-espera-da-solidao-do-ps/

MONTEPIO – TOMÁS CORREIA SAIU DO MONTEPIO MAS DEIXOU UMA PESADA HERANÇA DE DESTRUIÇÃO QUE DEMORARÁ MUITO TEMPO A RECUPERAR E UMA CULTURA DE ARBÍTRIO E DE OSTENTAÇÃO QUE INFELIZMENTE PERSISTE E QUE SÓ UMA ADMINISTRAÇÃO DE UNIDADE AMPLA PODERÁ ELIMINAR E G

 

UMA ASSEMBLEIA MARCADA PARA 30/12/2019

https://www.montepio.org/institucional/informacao-legal/

Casa do Marquês,

 

O AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA MONTEPIO GERAL: a diminuição de associados, a redução da liquidez imediata, uma margem associativa que não garante o reembolso das poupanças dos associados, uma Situação Líquida real negativa

 

 

A CAIXA ECONÓMICA, AGORA BANCO MONTEPIO, CONTINUA A NÃO REVELAR SINAIS DE RECUPERAÇÃO E NA NUMEROSA ADMINISTRAÇÃO NÃO HÁ QUEM POSSA IMPULSIONAR A REDE

 

A LUSITÂNIA SA(não vida) ACUMULOU ENORMES PREJUÍZOS E OBRIGOU A RECAPITALIZAÇÕES

 

Quadro 4- capital Social, Instrumentos de Capital, Resultados Líquidos e Capitais Próprios da Lusitânia SA (não vida) – Em milhares de euros

 

Eugénio Rosa – Economista –edr2@netcabo.pt  – 27-12-2019

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/12/29/montepio-informacao-n-o-8-2019-tomas-correia-saiu-do-montepio-mas-deixou-uma-pesada-heranca-de-destruicao-que-demorara-muito-tempo-a-recuperar-e-uma-cultura-de-arbitrio-e-de-ostentacao-que-infeliz/

Acionistas compram dívidas da Global Media. BCP e Novo Banco terão feito desconto de 85%

(Comentário:

Qualquer português gostaria de comprar as suas dívidas com descontos de 80% (por cada 100 que em dívida pagar só 20 seria ótimo)mas a banca só oferece estes 'descontos' a alguns DDTs
E a banca pode fazê-lo como quiser porque é privada e porque sabe que se o negócio correr mal cá estarão os contribuintes portugueses (os tais que não temos direito a descontos)para continuarem a pagar os prejuízos privados com dinheiros públicos.

Não seria preferível nacionalizar a banca? Parece-me que...)

 

detengase / Flickr

 

Os acionistas de referência da Global Media – Kevin Ho e José Pedro Soeiro – também compraram ao BCP e ao Novo Banco as dívidas do grupo.

 

O ECO avançou, esta sexta-feira, que Kevin Ho e José Pedro Soeiro, acionistas de referência da Global Media, compraram as dívidas do grupo ao Millennium BCP e ao Novo Banco. De acordo com fontes não identificadas, a compra terá sido efetuada com um desconto entre os 80% e os 85%, sendo que a operação aconteceu em simultâneo com a compra das posições de capital detidas pelos dois bancos.

A compra – tanto das dívidas como das posições de capital – foi comunicada aos colaboradores da Global Media através de uma carta enviada pela administração na véspera de Natal.  Na missiva lê-se que, após esta operação, a dívida bancária da empresa foi reduzidapara “valores marginais”.

“Reduzimos a nossa dívida bancária de forma consistente, desde 2014 até 2018, através de venda de ativos. No ano de 2019, demos um novo passo estruturante na sustentabilidade financeira do nosso grupo, tendo os acionistas adquirido as dívidas e participações detidas pelos bancos Millennium BCP e Novo Banco, reduzindo, assim, a dívida bancária, para valores marginais.”

Contudo, não se conhece o valor da transação nem a quantia perdida pelos bancos. Fonte oficial do grupo remeteu esclarecimentos para as partes que “terão executado o eventual negócio”. O BCP e o Novo Branco optaram também por não comentar a operação.

O BCP vendeu a totalidade do capital que detinha na Global Media. Os principais acionistas são Kevin Ho, empresário de Macau, dono da KNJ, e José Pedro Soeiro, empresário português ligado ao antigo primeiro-ministro de Angola, Lopo de Nascimento. Joaquim Oliveira ainda permanece acionista, mas reduziu a participação.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/acionistas-compram-dividas-global-media-299621

Portugal | Uma banca de emoções

 
 
Miguel Guedes | Página Global | opinião
 
Não têm sido tempos fáceis para o sector da banca. Depois dos escândalos financeiros que levaram à nacionalização do BPN, à falência do BPP, à insolvência/recapitalização/venda do Banif, à intervenção do Estado na CGD e à resolução do BES, a comoção dos depositantes e accionistas não tem parado de crescer ao ritmo das falências, perdas, empréstimos e descapitalizações. Sistema financeiro, Banco de Portugal, regulador, comissões de inquérito, todo um novelo de especulação, falta de rigor, crime, favorecimento e compadrio.
 
À escala internacional, um assalto de muitos milhões para o bolso de alguns. Para milhões de pessoas, um assalto sem mão armada perpetrado pelas zonas cinzentas e permitida pela desregulação do sector financeiro. Nos dias de hoje, dos bancos e de muitos banqueiros, espera-se muita coisa mas não um vendaval de emoções. Pensávamos nós, incautos depositantes de zero de juro à ordem, que as verdadeiras dificuldades eram sentidas por quem não auferia salário para fazer face a todos os dias do mês. A habitação ou a falta dela, o endividamento ou o desemprego, a fome ou a indignidade. No fundo, a impossibilidade, o quase fado da pobreza. Mas não. Faltava a pequena história lusa, a singela contribuição particular de um homem para contar uma grande história de comoção. Ei-la.
 
 
Foi por estes dias de Natal que ficamos a saber que há, pelo menos, mais um ser humano que não pode ficar "Sozinho em casa" para além de Macaulay Culkin. Licínio Pina, presidente do Grupo Crédito Agrícola, garantia à sua esposa (desde 2016 até data incerta), uma subvenção mensal de mais de 2000 euros líquidos - paga pelo banco - a título de contributo para a sua estabilidade emocional. Mas faltou à esposa do presidente a estabilidade do conselho emocional que se impunha e para a qual o banco atenciosamente pagava: "não o faças".
 
Salvam-se bancos, salvam-se homens. "Para o exercício das minhas funções e responsabilidades, necessito de disponibilidade total e, acima de tudo, estabilidade emocional", justificou Licínio Pina. A disponibilidade total para o exercício das funções do presidente era assim garantida pela trave-mestra do seu equilíbrio. E assim foi até cartas anónimas denunciarem esta pequena história de um banqueiro em divã caseiro, acossado pela enorme responsabilidade de fazer o seu trabalho com emoção equilibrada a preço módico. É comovente para história de época e para uma nova dimensão de aforro familiar. Se é verdade que a responsabilidade de gestão de um banco privado deve ser assegurada pelos seus accionistas, também sabemos como se anunciou o fim da história de algumas instituições destes reis magos. Tem custado muito ao Estado e ao bolso de cada um de nós. Há casos que nem Freud explica.
 
*Músico e jurista
 
O autor escreve segundo a antiga ortografia

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/portugal-uma-banca-de-emocoes.html

Portugal | A prenda que ninguém pediu

 
 
Pedro Ivo Carvalho* | Jornal de Notícias | opinião
 
Longe de mim estragar-lhe o Natal, caro leitor. Mas é nos dias de maior júbilo e comunhão que devemos olhar para tudo em perspetiva. Proponho-lhe que, quando estiver à mesa a comer o cabrito ou o farrapo-velho, conte as pessoas à sua volta.
 
Vamos imaginar que são 10. E que são todos adultos integrados no mercado de trabalho e sócios vitalícios da máquina contributiva do Estado. Há uma notícia para lhes comunicar. Mas talvez seja mais prudente fazê-lo antes de começarem a avançar (de novo) para as rabanadas e os sonhos. Então é assim: cada um desses amigos ou familiares desembolsou, em dez anos, qualquer coisa como 1800 euros para salvar a Banca. Sim, é melhor ir buscar o vinho do Porto para empurrar.
 
 
As contas certas são estas: de 2008 a 2018, de acordo com dados atualizados há dias pelo Tribunal de Contas, o Estado português injetou 18 mil milhões de euros em bancos geridos por impunes trapaceiros que o regime acarinhou nos dias bons e continuou a acarinhar nos dias maus. Esta é a prenda da década para o país. Uma prenda que ninguém quis. Que ninguém pediu. Um presente envenenado que, ainda hoje, quase 12 anos volvidos sobre o primeiro assalto às contas públicas no âmbito das operações de ancoragem do Novo Banco e do antigo BES, do BPN e das recapitalizações da Caixa Geral de Depósitos, continua a acumular cadáveres nas fileiras obscuras do Orçamento do Estado.
 
Ninguém, pelo menos ninguém que preze a honestidade, é capaz de garantir que estaríamos melhor hoje se tivéssemos deixado cair os bancos e os banqueiros. Segurámos ambos. Mas a paga veio com juros e forrada a ironia. Nunca como agora a Banca cobrou tantas taxas, nunca como agora despediu tantos, nunca como agora esteve tão fisicamente distante dos clientes. Tão amargamente divorciada do país que, empenhando os dedos e os anéis, salvou os maus, mas capitalizou todos.
 
*Diretor-adjunto

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/portugal-prenda-que-ninguem-pediu.html

Crédito Agrícola pagava dois mil euros a mulher do presidente para garantir “estabilidade emocional”

O pagamento da subvenção, alegadamente num valor mensal de cerca de 2.000 euros, foi decidido para compensar a mulher de Licínio Pina por ter prescindido da sua carreira de professora para dar apoio ao marido.

 

A esposa de Licínio Pina, presidente do Grupo Crédito Agrícola, recebeu desde 2016 e o final do ano passado uma subvenção mensal de cerca de dois mil euros para dar “estabilidade emocional” ao marido. De acordo com o Jornal de Notícias, a situação já havia sido divulgada antes, mas Licínio Pina afirmou que não era verdade.

Segundo explicou o próprio presidente do Grupo Crédito Agrícola, a subvenção foi decidida para compensar a sua esposa por ter prescindido da sua carreira de professora para dar apoio ao marido. “A minha esposa é há mais de 36 anos o meu fator de equilíbrio e sempre me ajudou. Quando aceitei este desafio, coloquei como condição tê-la ao meu lado”, escreveu, numa carta datada de agosto do ano passado, o presidente do CA.

“Para o exercício das minhas funções e responsabilidades, necessito de disponibilidade total e acima de tudo, estabilidade emocional”, acrescentou ainda, explicando que o pagamento foi aprovado pelo banco e que era retirado da sua remuneração bruta, “não acrescentando custo adicional” ao Grupo.

A missiva foi escrita em resposta a uma carta anónima que circulou no Grupo. O caso gerou polémica e levou o Banco de Portugal a pedir explicações sobre o pagamento feito a Maria Ascenção Pina. A subvenção foi suspensa na sequência destas cartas que denunciaram o caso.

Ao Jornal de Notícias, fonte oficial do Grupo afirmou que, “na situação atual (…) não existe nenhuma ligação da esposa ou de qualquer outro familiar do eng.o Licínio Pina ao CA”. Por seu turno, a carta anónima “deve ser uma carta divulgada para as Caixas Agrícolas na sequência de denúncias anónimas e reportadas ao mandato de 2016-2018. O mandato atual de 2019-2021 está devidamente autorizado pelas autoridades reguladoras”.

Isto significa que, no novo mandato, já não se verifica o pagamento a Maria Ascenção Pina, apesar de o Grupo não esclarecer quando é que a subvenção deixou de ser paga e qual era o seu valor.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/credito-agricola-2-mil-mulher-presidente-299208

A UE ao serviço dos banqueiros e grandes accionistas

Vigaristas encartados

A promessa em 2013 feita pela UE aos contribuintes europeus depois dos protestos e indignação da opinião publica por andar a salvar banqueiros com os seus salários , pensões e degradação dos serviços públicos após a crise financeira de 2007/2009 era simples: não seriam mais os primeiros convocados a resgatar bancos em dificuldades; em vez disso, os investidores deveriam pagar a conta quando uma instituição financeira quebrasse.
 
 
“Os contribuintes não estão mais na linha da frente para pagar pelos erros dos bancos”, escreveu no Twitter o responsável pela principal autoridade de regulamentação financeira da União Europeia, Michel Barnier, em dezembro de 2013, após a conclusão das negociações políticas sobre uma nova legislação.
 
Seis anos depois, podemos ver  todas as maneiras utilizadas  pela UE e pelos governos para contornar este princípio. Só este mês, a Comissão Europeia aprovou o pacote de 3,6 mil milhões de euros da Alemanha para o Norddeutsche Landesbank-Girozentrale, enquanto a Itália arquiteta o salvamento de um banco regional no sul do país.
 
“Não poderíamos estar mais preocupados; este pode ter sido o último prego no caixão da nossa estrutura de resolução”, escreveu o espanhol Luis Garicano, membro do Parlamento Europeu, por e-mail. Um lamento  pio para ficar em acta
 
Após a crise, a UE definiu um conjunto de regras para transferir o ónus para os proprietários e credores de bancos em dificuldades, forçando-os a arcar com perdas antes de um banco poder utilizar recursos públicos. Uma agência foi criada para lidar com bancos em apuros na Zona Euro e as instituições são obrigadas a emitir certos tipos de dívida convertíveis em participações acionistas ou que sofram baixa contabilítica se houver problemas.
A pratica o que revelou desde que entrou em vigor em 2016 foi que o Conselho Unico de Resolução se tornou  um orgão de geometria variável apenas para iludir a opinião publica e salvar banqueiros privados
Estes foram os principais casos em que os contribuintes arcaram com resgates de instituições financeiras na Europa desde 2016:
 
Banca Popolare di Bari
No exemplo mais recente, este banco regional no sul de Itália acumulou empréstimos malparados superiores a “todos os níveis aceitáveis “, segundo o CEO Vincenzo De Bustis. O governo concordou em criar um banco de desenvolvimento, fornecer 900 milhões de euros e financiar o investimento de reestruturação do Banca Popolare di Bari SCpA, juntamente com fundo interbancário FITD.
 
As desculpas e os argumentos para contornarem o Fundo de Resolução : “Com ativos totais inferiores a 14 mil milhões de euros, o banco é pequeno demais para ser supervisionado pelo Banco Europeu Banco Central ou o SRB de Bruxelas. Como nos casos anteriores de bancos italianos problemáticos, impor perdas aos investidores do banco é politicamente difícil, porque muitas das suas obrigações foram vendidas a clientes de retalho, também conhecidos como eleitores.”
NordLB 
O credor do norte da Alemanha, NordLB, recebeu a luz verde da UE para um resgate envolvendo 2,8 mil milhões de euros em injeções de capital bem como cerca de 5 mil milhões de euros em garantias este mês após os seus fundos terem sido corroídos por empréstimos tóxicos. O fardo é dividido entre duas províncias alemãs, bem como por bancos de poupanças públicos. O resgate foi precedido por negociações com a Cerberus Capital Management e a Centerbridge Partners sobre uma participação no banco, mas os proprietários – os estados da Baixa Saxónia e Alta Saxónia, bem como alguns bancos de poupança pública – decidiram apoiar o banco. AS desculpas : “A Comissão Europeia decidiu que nenhum auxílio estatal ilegal estava envolvido porque os investidores são remunerados “em termos de mercado”, o que significa que um investidor privado aceitaria, pelo menos em teoria, as mesmas condições. Se havia algum investidor privado que aceitasse tais termos, certamente não apareceu.” Banca Carige
Retido entre conflitos de gestão e dívidas incobráveis, o Banca Carige SpA passou de crise em crise e ficou submetido à administração do BCE no início deste ano num movimento sem precedentes. O governo forneceu garantias de liquidez em 3 mil milhões de euros em janeiro para garantir que o banco podia continuar a pagar os seus passivos.As desculpas :” O departamento de ajuda estatal da Comissão argumentou que o apoio estava de acordo com as suas regras porque o Carige está a pagar uma taxa ao Estado e porque a medida é “direcionada, proporcional e limitada no tempo.” Gande lata
Veneto Banca e Banca Popolare di Vicenza
Depois de Itália ter tentado durante meses encontrar uma solução para os bancos em dificuldades numa das regiões mais ricas do país, o BCE desligou a torneira numa sexta-feira à noite, em junho de 2017, entregando-os ao SRB para venda. Crucialmente, a agência decidiu que não eram importantes o suficiente para justificar o tratamento especial conhecido como resolução e passou a pasta para as autoridades italianas. Por sua vez, comprometeram até 17 mil milhões de euros na ajuda de liquidação para evitar uma “perturbação grave” na economia local e apoiar a aquisição da Intesa Sanpaolo SpA. Enquanto acionistas e credores juniores sofreram perdas em conformidade com regras de auxílio estatal, mas a Itália decidiu mais tarde reembolsar a vasta maioria de lesados, alegando que os títulos em causa foram vendidos incorretamente pelos dois bancos. O departamento de auxílio estatal da Comissão apoiou todas estas medidas.
Banca Monte dei Paschi di Siena
Itália usou uma exceção nas regras de falência bancária da UE – conhecida como Diretiva de recuperação e resolução bancária – para injetar 5,4 mil milhões de euros no banco mais antigo do mundo, que estava a lutar contra uma montanha de empréstimos malparados. Uma seção da lei permite que os governos forneçam uma recapitalização por precaução a bancos solventes, a fim de remediar uma “grave perturbação” na economia. Novamente, acionistas e credores juniores registaram perdas, embora os clientes do retalho possam conseguir alguma compensação do banco. Como no caso dos dois bancos venezianos, os detentores de títulos senior foram poupados. O Estado possui agora 68% do banco e está a explorar maneiras de alienar a participação.
Caixa Geral de Depósitos como banco publico o dinheiro metido pelo Estado continua no Estado e com os  lucros o contribuinte recupera o que foi investido ao contrário dos privados em que quem lucra são os banqueiros e os grandes accionistas
A recapitalização de 2017 deste banco totalmente estatal português  não foi considerado auxílio estatal ilegal ( depois do que A UE considerou para os privados , não faltava mais nada que não aprovasse)porque, assim como no caso do NordLB, o capital foi fornecido pelo governo “nos termos de mercado”. Portugal investiu 3,9 mil milhões de euros ao planear uma profunda reestruturação do banco para salvaguardar a sua rentabilidade a longo prazo. Em novembro, a CGD reportou um lucro líquido nos primeiros nove meses de 641 milhões de euros, e o governo espera receber 237 milhões de euros em dividendos no próximo ano.
 
Cyprus Cooperative Bank
Chipre obteve aprovação da UE em 2018 para desembolsar 3,5 mil milhões de euros, mais de 10% do seu produto interno bruto, para a liquidação do segundo maior banco do país. As desculpas : “A principal razão para a Comissão ter apoiado a solução foi tratar-se de um processo de longo prazo, que começou antes da entrada em vigor do regime de resolução da UE, que deve ser tratado com base nas leis nacionais. Metade dos ativos do banco não eram rentáveis e  a instituição era totalmente financiada através de depósitos, o que significa que não havia detentores de títulos que pudessem contribuir para as perdas assumidas com o colapso, de acordo com a Comissão”
 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/25/a-ue-ao-servico-dos-banqueiros-e-grandes-accionistas/

É fartar vilanagem | BPN custou ao Estado 4.900 milhões entre 2011 e 2018

 
 
O processo de nacionalização e reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN) custou ao Estado 4.900 milhões de euros entre 2011 e 2018, segundo o parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado de 2018, hoje divulgado.
 
No documento, o Tribunal de Contas aponta que só no ano passado o saldo das receitas e despesas orçamentais decorrentes da nacionalização e reprivatização do BPN e da constituição das sociedades-veículo públicas Parups, Parvalorem e Parparticipadas (que ficaram com ativos do ex-BPN) foi negativo em 829 milhões de euros.
 
No total, a fatura do BPN nas contas públicas totalizou, entre 2011 e 2018, 4.900 milhões de euros.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Lusa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/e-fartar-vilanagem-bpn-custou-ao-estado.html

“CONVERSA DA TRETA”, sobre o BES – uma história infantil

 
 
Mário Motta | opinião
 
No Público podemos ler sobre o adiamento do Processo BES. A prosa tem o rótulo de conteúdo exclusivo para assinantes. Por isso é uma prosa com preço, não aberta aos que não avançarem com umas moedas de euro, os proprietários precisam de continuar a desfrutar de uma vida condigna… Os sortudos. Concordamos, sob a perspetiva de que nesta sociedade (que para iludir apelidam de tão maravilhosa) não existem almoços grátis, nem textos… Nem nada.
 
No assomo de prosa a que é permitido chegar concluímos que o trabalho de Ana Henriques, sem surpresa, é mais do mesmo e que a poupança de uns euros ao não comprarmos o acesso à prosa vem por bem.
 
Do que lá consta por acesso online livre reproduzimos:
 
*********
Acusação do processo BES adiada para o primeiro semestre de 2020
 
“Como é que é possível ainda ninguém ter sido julgado?”, interroga António Costa a propósito das novas medidas contra a corrupção.
 
“O poder político que nos dê meios suficientes para trabalharmos”, reclama fonte do DCIAP.
 
A acusação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) aos arguidos do processo da derrocada do banco e do Grupo Espírito Santo foi novamente adiada: depois de terem planeado apresentá-la no final deste ano ou no início do próximo, os procuradores apontam agora para o primeiro semestre de 2020...
 
ESTE CONTEÚDO É EXCLUSIVO PARA ASSINANTES DO JORNAL EUROPEU DO ANO
 
Ana Henriques | Público | Cartoon Vasco Gargalo
 

********* 

 
Aquilo que sobressai para conclusão dos milhões de cidadãos remonta à postura absolutamente natural das técnicas conhecidas mas nunca esgotadas das histórias infantis vulgarmente conhecidas pelo jogo do empurra: Costa, atual PM, interroga com quase estupefacção “Como é que é possível ainda ninguém ter sido julgado?” (grande lata!) e a resposta surge cristalina: “O poder político que nos dê meios suficientes para trabalharmos”, reclama fonte do DCIAP.
 
Empurram uns para os outros, os dos poderes políticos e os do judiciário, cabendo também responsabilidades apontadas aos profissionais da Comunicação Social, entre tantos outros que foram comprados pelo famigerado Dono Disto Tudo, Ricardo Salgado. É ou não o jogo do empurra?
 
A saber? Quem foram os “comprados” com proventos em offshores, incluindo “dádivas” a partidos políticos, a candidatos presidenciais, a políticos a mencionar, e outros? Quem são os jornalistas que também foram contemplados com "ofertas" em offshores em países e ilhas paradisíacas? Porque nunca vimos as suas identidades reveladas, quando é expectável que existam listas que informam?
 
Pois… Já sabemos a resposta: está tudo em “segredo de justiça”. Já nos esquecíamos dessa nuance – aplicável quando convém, mas revelada em grandes parangonas quando  por interesses esconsos não convém…
 
Se tudo isto não é uma “história infantil” encontrem-lhe outro epíteto qualquer. Daqueles que sejam igualmente de embalar.
 
Além disso há a justiça. Essa tresloucada que se desfez da venda nos olhos, que anda de hiperminisaia, exageradamente maquilhada, e que abre as pernas aos que lhe justificam os seus poderes políticos e financeiros. Uma megera inqualificável.
 
Acresce que, como isto está, tudo se compreende que ocorra. Que se prometa luta pela transparência, pela democracia, pela justiça... Histórias.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/conversa-da-treta-sobre-o-bes-uma.html

BCE autorizado a ocultar documentos que levaram à queda do BES

Marcello Casal Jr. / ABr

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde

O Tribunal de Justiça da União Europeia seguiu a indicação do advogado-geral e decidiu que o Banco Central Europeu (BCE) pode ocultar alguns dos documentos que estiveram na base na intervenção no Banco Espírito Santo (BES).

 

A decisão, tomada na quinta-feira, contraria uma decisão anterior do Tribunal Geral da União Europeia numa contenda entre o BCE e a Espírito Santo Financial (ESF) Portugal, uma das entidades através da qual o Grupo Espírito Santo assegurava o controlo do BES, noticiou o Expresso.

Em abril de 2018, continuou o Expresso, o Tribunal Geral da UE anulou uma decisão de 2015, que recusava a ESF Portugal a aceder a alguma da informação sobre a decisão do conselho do BCE de 28 de junho de 2014 – aquela que antecipou a retirada do estatuto de contraparte ao BES e que precipitou a resolução aplicada a 03 de agosto.

O BCE recorreu, defendendo que a recusa da documentação visa proteger o interesse público, ganhando agora no Tribunal de Justiça da UE. Desta forma, o BCE terá de pagar apenas dois terços dos seus custos judiciais, ficando o outro terço a cargo da ESF Portugal, que terá também de pagar os seus próprios encargos.

 
 

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/bce-ocultar-documentos-queda-bes-justica-europeia-298491

Novo Banco vai receber mais 600 milhões em 2020

António Cotrim / Lusa

 

O Governo estima que a recapitalização do Novo Banco pelo Fundo de Resolução seja de 600 milhões de euros em 2020, segundo o Relatório da proposta de Orçamento do Estado (OE2020).

 

No quadro relativo às medidas temporárias da política orçamental, o Governo inscreve 600 milhões de euros para a “recapitalização do Novo Banco via Fundo Resolução”.

No âmbito da venda de 75% do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, em 2017, o Estado fez um acordo que prevê a recapitalização do banco pelo Fundo de Resolução (entidade da esfera do Estado) para cobrir falhas no capital geradas pelos ativos tóxicos com que o Novo Banco ficou do BES (crédito malparado ou imóveis). No total, segundo esse acordo, o Fundo de Resolução bancário pode injetar 3,89 mil milhões de euros no Novo Banco até 2026.

Referentes a 2017 e 2018, o Novo Banco já recebeu 1.941 milhões de euros, sendo que o valor a injetar relativo a este ano terá ainda de ser apurado após fechadas as contas do banco de 2019.

 
 

O Expresso noticiou em novembro que o Fundo de Resolução poderia ser chamado a injetar dinheiro no Novo Banco de uma só vez em 2020, uma solução que o Novo Banco vê com bons olhos e que o Governo estaria a avaliar por até mediaticamente ser mais fácil de gerir, apesar das reticências do Ministério das Finanças devido ao impacto nas contas públicas.

Contudo, a proposta do Orçamento do Estado entregue esta segunda-feira no parlamento refere o valor de 600 milhões de euros. Para injetar dinheiro no Novo Banco, o Fundo de Resolução (que é financiado pelos bancos que operam em Portugal, apesar de consolidar nas contas públicas) tem recorrido a empréstimos do Tesouro, uma vez que não tem dinheiro suficiente, no máximo de 850 milhões de euros por ano.

Na proposta do Orçamento do Estado para 2020, apesar de o Governo prever a recapitalização de 600 milhões de euros no Novo Banco, mantém o valor de 850 milhões de euros de empréstimos de médio e longo prazo ao Fundo de Resolução.

Ainda no documento, conhecido esta segunda-feira ao final da noite, o Governo contabiliza um custo de 130 milhões de euros para conversão de ativos por impostos diferidos do Novo Banco.

A conversão é feita ao abrigo do regime criado em 2014 pelo governo PSD/CDS-PP que deu aos bancos a garantia de que os ativos por impostos diferidos acumulados (resultantes da diferença entre os custos contabilísticos com imparidades ou provisões e os reconhecidos para efeitos fiscais) podem ser convertidos em créditos sobre o fisco ou pode ser pedida a sua devolução em qualquer momento futuro, sem limite temporal.

Esse regime terminou em 2016, mas os ativos acumulados até 31 de dezembro de 2015 podem continuar a ser usados. Novo Banco, BCP e Caixa Geral de Depósitos (CGD) têm significativos ativos por impostos diferidos em balanço.

Em fevereiro, o presidente do Novo Banco, António Ramalho, disse que o Estado já tinha devolvido 100 milhões em 2019 e 120 milhões em 2018 relativos a ativos por impostos diferidos. Em troca da conversão de ativos por impostos diferidos, o Estado pode ficar diretamente acionista do Novo Banco.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/novo-banco-vai-receber-600-milhoes-2020-297666

Montepio e negociatas benzidas com água benta

Com a Benção do Padre Melícias , PSD , PS, &CDS ,,,o fim de uma “Era” no Montepio. 
Tomás Correia deixa a liderança da maior mutualista 11 anos depois. Foram três mandatos e mais um ano do quarto mandato que terminaram abruptamente com um obstáculo chamado ASF. Para trás fica uma coleção de polémicas, desde a compra do Finibanco 40% acima do valor de mercado até à borla fiscal de 800 milhões de euros que permite à Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) respirar. Somou controvérsias no banco, abrindo guerra a Félix Morgado e Carlos Tavares. Na saída não evitou as críticas: o almoço de Natal custou 600 mil euros, uma despesa enorme face à situação sensível que a maior mutualista enfrenta.

montepio01

A compra do Finibanco

É apontado como um dos negócios mais desastrosos de Tomás Correia. Em julho de 2011, numa altura em que os bancos estavam em grande stress por causa da crise das dívidas soberanas, a AMMG avançou para a compra do Finibanco, um pequeno banco do Porto detido maioritariamente pela família Costa Leite.A operação saiu cara aos associados, que no ano seguinte tiveram de injetar 450 milhões de euros. O Finibanco custou 350 milhões de euros, cerca de 100 milhões acima do valor de mercado.(para se ter uma ideia dos números lembrar que 800 milhões foi a verba que foi para o SNS igual à que foi para o Novo Banco !)
Além de cara, a operação também esteve envolta em polémica também por causa dos indícios de crime de mercado financeiro. Suspeitas de abuso de informação privilegiada (insider trading), depois de um repentino disparo no valor das ações do Finibanco nas sessões anteriores à OPA, levaram o polícia dos mercados a ir para o “terreno”. Mas ninguém vai preso

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2PPVCDx

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/15/montepio-e-negociatas-benzidas-com-agua-benta/

Uber Money - a precariedade por trás do algoritmo

Há um par de dias, um artigo publicado no The Guardian por Veena Dubal, professora de Direito na Universidade da Califórnia e colunista do jornal britânico, chamava a atenção para os novos planos da Uber com a criação da equipa Uber Money, cujo objetivo declarado é “fornecer serviços financeiros e tecnologias avançadas” aos seus motoristas.
 
Dubal considera que a empresa se prepara para reproduzir nos EUA o modelo que já está a ser desenvolvido em países como o Brasil, a Índia ou o Perú, em que fornece créditos de curto prazo (os chamados "payday loans") aos motoristas, a serem pagos com horas de trabalho adicionais. Além disso, o objetivo da Uber Money é entrar no ramo dos serviços financeiros e passar a fornecer produtos que vão desde contas bancárias a cartões de crédito - a empresa afirma que pretende "dar às pessoas acesso a serviços financeiros dos quais estavam excluídas." No entanto, a concessão de empréstimos de curto prazo ou cartões de crédito aos motoristas precários não resolve os problemas de vulnerabilidade económica. Na verdade, o fornecimento de serviços financeiros a pessoas e comunidades marginalizadas com termos abusivos (taxas de juro incomportáveis, prazos de pagamento apertados, entre outros) constitui o que alguns sociólogos têm descrito como processo de inclusão predatória, que reproduz e acentua as desigualdades, como lembra a autora. A precarização como modelo de negócio não é novidade para a "economia da partilha". Este simbolismo da partilha esconde a natureza das relações laborais por detrás destes serviços. Apesar de ter 4 milhões de condutores em mais de 700 cidades pelo mundo, a Uber apenas emprega oficialmente 22.000 trabalhadores – a empresa consegue este truque ao não reconhecer os condutores dos veículos como trabalhadores da empresa, mas como motoristas independentes. Para efeitos legais, a Uber limita-se a gerir a aplicação digital que coloca em contacto os motoristas com as pessoas que procuram o serviço de transporte, não assumindo responsabilidade pelas condições de trabalho e proteção social dos trabalhadores. Sob a ilusão de se tornarem "os seus próprios patrões" e terem controlo sobre quando e quanto trabalham, os trabalhadores não são reconhecidos como tal e não têm direito a dias de férias, faltas por doença ou subsídios, enquanto a Uber estende o seu domínio sobre todos os aspetos da nossa vida. Apesar de instituições como o Tribunal de Justiça da União Europeia ou estados norte-americanos como a Califórnia ou Nova Jersey terem classificado a Uber como empresa de transportes e exigido que cumprisse a legislação em vigor, reconhecendo a existência dos motoristas como empregados e assegurando os seus direitos, a verdade é que o modelo se tem mantido. Ao avançar para o ramo dos serviços financeiros e da gestão de dívidas, a Uber consolida o seu modelo de negócio assente na precariedade e controlo sobre os trabalhadores, aliando ao modelo perverso de exploração laboral a lógica coerciva da dívida. Ao fazê-lo, crê Dubal, "a Uber prova novamente que o seu maior argumento - que proporciona liberdade aos condutores - é também a sua maior mentira." Precisamos de mobilização para a travar.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Resort na Madeira está à venda por 54 milhões. Deixou BPI e Novo Banco a “arder” com dívidas de 90 milhões

(Comentário:

Depois nós todos pagamos mais uns milhares de milhões para o Novo banco...claro)

Quinta do Lorde - Resort, Marina & Hotel / Facebook

Quinta do Lorde – Resort, Marina & Hotel no Caqniçal, Madeira.

O resort Quinta do Lorde, localizado no Caniçal, na Madeira, foi colocado à venda por 54 milhões de euros depois de ter sido declarado insolvente. O projecto faliu com dívidas superiores a 114 milhões de euros, sendo que o Novo Banco é o seu maior credor.

 

O Jornal de Negócios avança que, após um longo processo e depois de ter sido declarado insolvente em Julho de 2018, o resort da Quinta do Lorde foi colocado à venda por um preço base de 54 milhões de euros.

O espaço que foi inaugurado em 2013 deixa dívidas superiores a 114 milhões de euros, com o Novo Banco como principal credor com um valor em falta de 48,4 milhões de euros. O BPI é credor de 42,3 milhões de euros.

O resort é constituído por um hotel de cinco estrelas com 111 quartos, 103 apartamentos e por uma marina, situando-se numa área que se estende por 160 mil metros quadrados.

 
 

O BPI deu azo ao processo de insolvência, face à impossibilidade de recuperar os valores em dívida. Ainda houve uma tentativa de incluir o resort no Processo Especial de Revitalização (PER), com vista à reestruturação da dívida. Mas o processo terminou com a falência da unidade.

Os interessados na compra do resort devem apresentar a sua proposta até 16 de Janeiro de 2020.

ZAP //

 
 
 

Em queda há cinco anos (e onde fica o fundo?)

Artigo de Mariana Mortágua.


O BES caiu há cinco anos. Quinze dias após Cavaco Silva ter garantido que o banco era de confiança, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, dava uma certeza repetida por Passos Coelho: “a decisão não terá qualquer custo para o erário público”.

Esta semana, o Novo Banco já veio anunciar mais uma injeção pública de 541 milhões, a somar aos dois mil milhões desde que o atual Governo tomou a desastrosa decisão de vender o banco ao fundo Lone Star.

Cinco anos depois, ainda esperamos que os responsáveis pelo maior escândalo financeiro português (e escândalos não nos têm faltado) sejam levados à Justiça, num processo que se antevê complexo mas que deveria produzir resultados em tempo útil.

Apesar disso, e também graças a um inquérito parlamentar, conhecemos hoje pormenores que nos permitem compreender melhor o banco de todos os regimes. Sabemos como o BES terá mantido um saco azul nas ilhas Virgens Britânicas, a ES Entreprises, para alegados “pagamentos extra” a administradores, gestores e políticos, como Zeinal Bava e José Sócrates. Terá sido também dessa empresa que saíram 253 mil euros para a campanha de Cavaco Silva de 2011. Sabemos como Ricardo Salgado interferiu com empresas estratégicas privatizadas, como a Portugal Telecom ou a EDP. Sabemos da relação entre os interesses económicos portugueses e a cleptocracia angolana, com os primeiros a precisar de negócios lucrativos e os segundos à procura de apagar a origem das suas fortunas. Conhecemos o papel dos offshores nos esquemas ilegais de financiamento do Grupo Espírito Santo, e sabemos como as amnistias fiscais aprovadas por Sócrates, Passos Coelho e Paulo Portas serviram para branquear tantos crimes económicos.

Não se muda o passado, mas é importante olhar para trás e perceber que a raiz do problema não está na honestidade ou estrutura moral das figuras envolvidas. Ao longo de décadas, banqueiros e grandes empresários, políticos e gestores premiados, participaram e beneficiaram da construção das regras de funcionamento da nossa economia. Quiseram estas leis fiscais, influenciaram as privatizações, advogaram pela liberalização financeira e por aquilo a que chamaram o “desenvolvimento” do mercado de capitais. Fizeram passar os seus interesses económicos pelo interesse da economia portuguesa e o resultado está à vista: dívida, tecido produtivo enfraquecido, perda de controlo dos setores estratégicos para capitais estrangeiros.

Cinco anos depois, para além de responsabilidades particulares, devemos exigir outras regras para a economia, em nome do trabalho e do desenvolvimento produtivo do país, e não de uma elite parasitária, nacional ou estrangeira.

Artigo publicado no Jornal de Notícias, 6/9/2019

 

 

Ver o original na Revista Crítica Económica e Social na seguinte ligação:

https://criticaeconomica.net/2019/10/em-queda-ha-cinco-anos-e-onde-fica-o-fundo/

Montepio: Os “Estatutos de Tomás Correia”

Os “Estatutos de Tomás Correia” não garantem a segurança das poupanças dos associados, reduzem os poderes das assembleias de associados e mantêm a promiscuidade entre os órgãos

 

 

Nesta informação aos associados do Montepio analiso os Estatutos aprovados na assembleia de 4/11/2019, em que participaram menos de 400 associados dos 604.000 que tem a Associação Mutualista, mostrando que ele mantém todos males que levaram o Montepio à situação difícil que enfrenta atualmente:

  1. Falta de um órgão interno independente do conselho de administração que faça uma fiscalização eficaz da atividade deste;
  2. Captura do conselho fiscal pelo conselho de administração;
  3. Promiscuidade entre os vários órgãos da Associação Mutualista já que a lista vencedora fica com todos os lugares do conselho de administração, do conselho fiscal e da mesa da assembleia geral, pois na eleição destes órgãos não é permitida listas separadas para cada um deles nem utilizado o método de Hondt.

Para além disso os Estatutos aprovados esvaziam os poderes da assembleia de associados que passa a ter uma reunião ordinária apenas de 4 em 4 anos para eleger os órgãos da associação, cria uma assembleia de representantes que só se reúne, em sessões ordinárias, 3 vezes por ano e cujas decisões são condicionadas pela participação obrigatória nas suas reuniões do conselho de administração, viola os princípios democráticos dividindo os associados em dois escalões (A e B) , etc.. Em suma, é um Estatutos que não garante nem os direitos dos associados nem dá segurança às suas poupanças, por isso deve ser recusada o registo pelo Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social pois, caso contrário, será mais uma vez o Montepio e os associados que pagarão a fatura.

Mesmo que não seja associado do Montepio peço a sua ajuda para que esta informação chegue ao maior número de associados da Associação Mutualista. Antecipadamente agradeço a ajuda que puder dar pois o Montepio é maior mutua do país que tem 604.000 associados e as poupanças de mais de um milhão de portugueses (associados e familiares)

 

 
 
 
 

Estudo

Os “Estatutos de Tomás Correia” não garantem a segurança das poupanças dos associados, reduzem os poderes das assembleias de associados e mantêm a promiscuidade entre os órgãos

Informação 6/2019 aos Associados do Montepio

 

A crise no Grupo Montepio, um estatuto aprovado pela “Brigada de Tomás Correia” que mantém a falta de fiscalização que levou à situação atual, e supervisores (Banco de Portugal, ASF e Ministério do Trabalho) que adiam decisões deixando a situação degradar-se ainda mais e tornando mais difícil a recuperação

O grupo Montepio vive neste momento a pior crise de toda a sua longa história. O número de associados tem diminuído quase mil por mês. E se no seu Balanço da AMMG forem deduzidos os “Ativos por impostos diferidos” (815M€ de ativos fictícios),e contabilizadas todas as imparidades (perdas) das empresas (o que não acontece), o seu ATIVO (o que possui e tem a receber) é já bastante inferior aos seu PASSIVO (o que deve e tem a pagar, que inclui as poupanças dos associados), a analisar em outro estudo.

Há longos anos que me oponho publicamente à administração de Tomás Correia, não contra a sua pessoa, mas sim contra a sua gestão ruinosa que, sem qualquer fiscalização por parte dos associados, pois não existe um órgão interno independente que o faça, e sem fiscalização pelos supervisores que, embora alertados atempadamente, permitiram que ele violasse impunemente a lei (o Código das Associações Mutualistas não permite que uma associação tenha mais de 10% do seu ativo aplicado numa única empresa, mas cerca de 60% estão aplicados na Caixa Económica), levou o Montepio a esta situação pondo em risco as poupanças de 604.000 associados e delapidando mesmo uma parte importante delas em empresas sem rentabilidade e em créditos ruinosos que concedeu sem qualquer análise de risco.

A permanência durante tantos anos e a destruição realizada pelas administrações de Tomás Correia só foram possíveis, por um lado, devido à existência de um Estatutos antidemocrático que não permite aos associados fazer uma fiscalização eficaz da atividade do conselho de administração; por outro lado, como consequência da marginalização e do alheamento da quase totalidade dos associados e, finalmente, por meio da captura de uma pequena parte dos trabalhadores do grupo Montepio (cerca 300 num total de quase 5000 trabalhadores) por Tomás Correia, que os tem utilizado como brigada de choque nas assembleias da Associação Mutualista, usando para os mobilizar e controlar as chefias de confiança que colocou à frente da rede comercial do banco e da rede mutualista e os meios do grupo Montepio (carros para os transportar de todo o país, etc.)

 

A aprovação de um estatuto pela Brigada de Tomás Correia em 4/11/2019, que continua a não garantir aos associados qualquer fiscalização do Conselho de administração da Associação Mutualista e que é necessário alterar

Os novos Estatutos para a Associação Mutualista, obrigatório pela publicação do novo Código das Associações Mutualistas (Decreto-Lei 59/2018), foi elaborado por uma comissão escolhida por Tomás Correia, e aprovado na assembleia de 4/11/2019 dominada pela brigada de Tomás Correia que impediu o seu debate na assembleia através do habitual requerimento para passar imediatamente à votação. É por esta razão que o designamos por “Estatutos de Tomás Correia”. Os “Estatutos de Tomás Correia” não só mantém, no essencial, todos as deficiências/lacunas do Estatutos atuais com até as agrava. Pode-se resumir esses Estatutos da seguinte forma:

  1. Esvazia da quase todos poderes a assembleia geral dos associados já que as assembleias ordinárias só se realizarão de 4 em 4 anos para eleger os órgãos sociais da Associação Mutualista;
  2. A aprovação do Programa de Ação e do Orçamento, e das Contas deixam de ser da competência da assembleia de associados;
  3. Não cria qualquer órgão independente do conselho de administração que possa fazer uma fiscalização eficaz da atividade deste, embora esta seja uma das causas mais importantes que permitiram a enorme destruição levada acabo pelas administrações de Tomás Correia;
  4. Cria em substituição do Conselho Geral uma Assembleia de representantes com apenas 30 membros que continuará condicionada pela participação obrigatória na suas reuniões do conselho de administração, do conselho fiscal e da mesa da assembleia geral, sendo transferindo para esta assembleia de representante uma parte importantes dos poderes que antes estavam na assembleia geral de todos os associados, mas que se reunirá, em sessões ordinárias, apenas 3 vezes por ano, não tendo poderes para criar um comissão de fiscalização da atividade do conselho de administração;
  5. Mantém a obrigação de apresentação de listas conjuntas para os 3 órgãos da Associação Mutualista – conselho de administração, conselho fiscal, mesa de assembleia geral – o que determina que a lista vencedora fique com todos os lugares destes órgãos, já que não se aplica na sua eleição o método de Hondt, o que tem como consequência que o conselho fiscal, órgão de fiscalização, seja capturado pelo conselho de administração, não tendo por isso condições mínimas para fazer uma fiscalização eficaz da atividade do conselho de administração como a experiencia amplamente provou, o que possibilitou a destruição que sofreu o Montepio;
  6. Aumenta o numero de membros do conselho de administração de 4 para 6 sendo dois não executivos, sem qualquer proveito a nível de fiscalização, a não ser o aumento de despesa, já que os dois não executivos são eleitos na lista vencedora;
  7. Mantém os privilégios chocantes de que gozam os atuais membros do conselho de administração (remunerações que variam entre 26.000€ 31.000€ por mês, carro de gama alta com todas as despesas pagas, pensão completa, igual ao vencimento atualizada todos os anos, ao fim de 20 anos de serviço);
  8. Cria um seguro para cobrir as responsabilidades civis pelos atos praticados pelos membros do conselho de administração e conselho fiscal;
  9. Inclui uma norma transitória que mantém em funções até 2021 os atuais membros do conselho de administração, do conselho fiscal e da mesa da assembleia geral, visando impedir que os associados, com a entrada em vigor do novo Código das Associações Mutualista e de um novo Estatutos que decorre do Código, possam expressar, através do seu voto, quem querem à frente da Associação Mutualista como obriga a própria lei.

É este no essencial os novos “Estatutos de Tomás Correia”, elaborado por uma comissão escolhida por ele e da sua confiança, e aprovado por uma assembleia constituído por menos de 400 associados dos 604.000 que tem atualmente o Montepio, e dominada pela brigada arregimentada por Tomás Correia. São estes Estatutos que se vai analisar seguidamente com detalhe para provar o que se disse e se vai também apresentar propostas de alteração (estão sublinhadas a amarelo), explicando as razões, para que o Ministério do Trabalho , Solidariedade e Segurança Social as possa tomar em consideração não aceitando o registo dos “Estatutos de Tomás Correia” tal como foi apresentado. Aos associados interessados em fazer ainda ouvir a sua voz e defender os seus direitos e poupanças seria útil que o transmitam ainda ao Ministério.

 

1 . O esvaziamento dos poderes da assembleia geral de associados da AMMG, cujas assembleias ordinárias só se realizarão de 4 em 4 anos, o que contribuirá para o afastamento ainda maior dos associados e agravará a falta de fiscalização

Os “Estatutos de Tomas Correia” preveem a realização de uma única assembleia ordinária de 4 em 4 anos para eleger os órgãos do Montepio. Efetivamente, o único prazo fixado nos novos Estatutos para a realização da assembleia geral dos associados é o que consta da alínea a) do nº2 do artº 22º que dispõe o seguinte: “A Assembleia Geral reúne quadrienalmente (de 4 em 4 anos), em sessão ordinária no mês de dezembro do ano em que se verificar o termo dos mandatos para a eleição dos Órgãos associativos”. É a única assembleia ordinária prevista nos novos Estatutos. A aprovação do Programa de Ação e do Orçamento assim como das Contas Individuais e Consolidadas da Associação Mutualista deixa de ser da competência da Assembleia Geral dos Associados. Para além disso, as competências da assembleia de associados são reduzidas significativamente e associados a atos que só esporadicamente acontecem (alterações dos Estatutos; destituição dos órgãos associativos; adesão ou desvinculação de uniões e federações, regulamento de benefícios).

É evidente que este esvaziamento de poderes da assembleia geral dos associados e a redução do número de assembleias ordinárias obrigatórias, com prazos fixados nos Estatutos, a apenas uma de 4 em 4 anos contribuirá inevitavelmente para um ainda maior afastamento da esmagadora maioria dos associados do Montepio e da vida associativa já que sentirão que não têm qualquer possibilidade de intervirem diretamente na fiscalização da atividade do Montepio.

É urgente a alteração deste artigo com objetivo de alargar os poderes da assembleia de associados, nomeadamente ficando no âmbito dos seus poderes a retificação da decisão da Assembleia de representantes no que se refere ao Programa de Ação e Orçamento e às Conta individuais e consolidadas da Associação Mutualista de cada ano, que são os documentos fundamentais e estratégicos da Associação Mutualista.

 

2. Os novos “Estatutos de Tomás Correia” não cria qualquer órgão independente do conselho de administração que possa fazer uma fiscalização eficaz da atividade deste, mantém a promiscuidade existente a nível de órgãos que permitiu a enorme destruição de valor que sofreu o grupo Montepio

Uma das lacunas mais graves que existe no grupo Montepio, nomeadamente na Associação Mutualista, que permitiu a enorme destruição levada a cabo pelas administrações de Tomás Correia é a inexistência de um órgão independente do conselho de administração que faça uma fiscalização eficaz da sua atividade. Esta situação foi agravada pela ausência de fiscalização por parte do supervisor (o Ministério do Trabalho) que, embora atempadamente alertado, nada fez permitindo até que a administração de Tomás Correia violasse impune e reiteradamente o Código Mutualista, nomeadamente o nº 2 do artº 56 do Decreto-Lei 72/90 que proíbe investimentos numa única empresa superiores a 10% do valor do Ativo da Associação Mutualista. E os Estatutos aprovados não resolvem este grave problema, até o agravam.

Assim, segundo o nº 4 do artº 42º as listas para o conselho de administração, conselho fiscal e mesa da assembleia geral são obrigatoriamente conjuntas (a única exceção é a lista para a assembleia de representes) o que determina que a lista que ganhe as eleições para o conselho de administração ganha todos os lugares do conselho fiscal e da mesa da assembleia geral. É evidente, e a experiência do Montepio confirma isso, que um conselho fiscal eleito nestas condições (à eleição destes órgãos na se aplica o método de Hondt) não tem qualquer independência para fazer uma fiscalização eficaz da atividade do conselho de administração; ele é capturado por este pois os seus membros devem normalmente o lugar ao presidente do conselho de administração. Este é o modelo que vigorou na Associação Mutualista, e cujas consequências foram dramáticas em termos de destruição de valor devido à falta de fiscalização. Apesar disso persiste-se no erro pois é evidente que o que se pretende é que o conselho de administração continue a não ser submetido a qualquer fiscalização eficaz por órgão independente dele.

O mesmo problema se verifica a nível do conselho de administração. De acordo o nº1 do artº 32º dos Estatutos aprovados pela assembleia dominada pela brigada de Tomás Correia, o numero de administradores é aumentado de 4 para 6, sendo 2 não executivos. No entanto, este aumento de 50% no número de administradores, não acarreta qualquer melhoria em termos de fiscalização, apenas aumenta a despesa (remuneração elevada, carro de gama alta e despesas pagas, cartão de crédito, pensão completa ao fim de 20 anos).

É importante introduzir alterações em todos estes artigos para criar condições que assegurem uma fiscalização eficaz da atividade do conselho de administração, já que foi a ausência dela que criou as condições que levaram o grupo Montepio à situação difícil em que se encontra. E essas alterações necessárias são, a nosso ver, pelos menos as seguintes: (a) Em relação aos órgãos conselho de administração, conselho fiscal e mesa de assembleia geral, a possibilidade de serem apresentadas listas separadas para cada um deles, e os seus membros serem eleitos pelo método de Hondt; (b) A atribuição dos dois membros não executivos do conselho de administração não à lista vencedora (a lista vencedora ficaria com todos os membros executivos) mas sim às duas listas seguintes que tivessem reunido maior numero de votos. Desta forma assegurar-se-iam condições para o aumento da independência do órgão de fiscalização – conselho fiscal –tornando-o assim mais independente e, consequentemente, a sua fiscalização mais eficaz, por um lado, e, por outro lado, ao incluir-se administradores não executivos no conselho de administração verdadeiramente independentes dos eleitos pela lista vencedora aumentarse-ia assim a capacidade de fiscalização na Associação Mutualista.

 

3. Uma assembleia de representantes que só se reúne obrigatoriamente 3 vezes por ano, e sem possibilidade de nomear qualquer comissão de fiscalização, e aindapor cima condicionada pela presença obrigatória do conselho de administração, do conselho fiscal e da mesa da assembleia geral nas suas reuniões

De acordo com o artº 29º dos “Estatutos de Tomás Correia” é criada uma Assembleia de representantes constituído por 30 membros eleitos, em lista separada da dos restantes órgãos, pela assembleia ordinária eleitoral que se realiza de 4 em 4 anos. Estes representantes são eleitos pelos associados repartidos em 2 escalões ( o mesmo sucede para os restantes órgãos da Associação Mutualista): Escalão A: associados com mais de 2 anos e menos de 10 anos de antiguidade; Escalão B: associados com antiguidade superior a 10 anos. E de acordo com a alínea b) do nº 5 do artº 42 destes Estatutos, as listas de candidatura a assembleia de representantes devem incluir “30 candidatos efetivos e 16 suplentes, distribuídos, na proporção de metade, pelos 2 escalões de antiguidade”. E segundo o nº 3 do artº 45º o apuramento dos resultados eleitorais “para a Assembleia dos representantes a conversão faz-se de harmonia com o método de Hondt de representação proporcional da media mais alta de Hondt”.

É evidente que esta forma de apuramento dos resultados pode gerar uma situação em que os votos dos associados não têm pesos iguais na eleição quer da Assembleia de representantes quer dos outros órgãos da AMMG. Basta imaginar a situação em que o Escalão A tenha metade dos votantes do Escalão B, mas como se utiliza a média, não se diz se é ponderada ou é media simples (deixa-se ao arbítrio), apesar de cada um dos Escalões ser constituído por um número bastante diferente de associados, no apuramento são considerados como tivessem o mesmo número, desvirtuando os resultados eleitorais. Este é um artigo que deve ser eliminado dos Estatutos, podendo ser substituído por um outro que, a nível de listas, procure respeitar a paridade de género ou um mínimo de distribuição pelas regiões com maior numero associados.

Segundo o nº3 do artº 30º dos novos “Estatutos de Tomás Correia”, a Assembleia de representantes tem apenas 3 reuniões ordinárias por ano (31 de Março para aprovar as contas individuais, até 31 de Maio para aprovar as contas consolidadas e até 31 de Dezembro para aprovar o Programa de ação e o Orçamento para o ano seguinte). É evidente que com este número reduzido de reuniões a Assembleia de representantes não tem nenhuma capacidade para fazer a fiscalização da atividade do conselho de administração.

Uma solução, que é a nossa proposta, seria prever-se a eleição pela própria assembleia de uma comissão permanente de fiscalização, integrando elementos de todas as listas representadas na assembleia de representantes com os poderes previstos nas alíneas e) e f) do nº1 do artº 30º dos novos Estatutos. Para evitar o condicionamento da Assembleia de representantes pelos restantes órgãos da Associação Mutualista, como acontecia com o Conselho Geral que tinha no seu seio o conselho de administração, o conselho fiscal e a mesa da assembleia geral, deve ser eliminados os nº 8 e 9 do artº 29 e substituídos por outros em os restantes órgãos da Associação Mutualista só podiam estar presentes nas reuniões da Assembleia de representantes quando fossem convocados por esta.

 

4. A idoneidade exigida aos candidatos a titulares dos órgãos da Associação Mutualista deve ser total

Devia ser acrescentado mais uma alínea ao nº1 do artº 38 dos novos Estatutos dispondo que os candidatos a titulares dos órgãos associativos não podem ser arguidos em qualquer processo levantado pelos supervisores ou por outras entidades oficiais. Isto para garantir que o Montepio não seja afetado na sua reputação como atualmente sucede, devendo os candidatos serem pessoas de bem e acima de quaisquer suspeitas.

 

5. A necessidade da designação ou da destituição dos representantes do Montepio geral nas empresas serem aprovados pela Assembleia de representantes sob proposta do conselho de administração

A alínea r) do 1 do artº 33º que dá poderes ao Conselho de administração para nomear ou destituir os representantes do Montepio Geral nas empresas e em outras entidades deve ser alterado para que tal nomeação ou destituição se faça com base numa proposta do conselho de administração apresentada a Assembleia de representantes para a sua aprovação ou retificação E isto para eliminar o compadrio e a utilização destes cargos para premiar os fieis da administração como muitas vezes sucede, em prejuízo da competência e do Montepio.

 

6. A eliminação da certificação da assinatura do associado no voto por correspondência “com o espécime existente no Montepio” que facilita as “chapeladas” nas eleições

Uma das formas de certificação da assinatura do associado no voto de correspondência, prevista na alínea a) do nº 4 do artº 44 dos Estatutos de Tomás Correia é “com o espécime existente no Montepio Geral”. Como os ficheiros dos associados são controlados pelo conselho administração em funções que muitas vezes se candidata de novo, tal forma de certificação do voto cria condições para se verifiquem as chamadas “chapeladas de votos” nas eleições. Para evitar tal suspeita, e como esta forma de certificação não é a legal, tal alínea seja eliminada dos novos Estatutos e aceite apenas as certificações previstas na lei.

 

7. A manutenção de pensões milionárias para os membros do conselho de administração e a criação de um seguro de responsabilidade civil, pago pela Associação Mutualista, para os membros do conselho de administração e do conselho fiscal

De acordo com os nº1 e 2 do artº 52º dos Estatutos de Tomás Correia, “ os titulares do conselho de administração que tenham exercido as suas funções em tempo completo, por mais de um ano e até ao fim do mandato… têm direito a um pensão de reforma … calculada com base numa percentagem de 4% ou 5% por cada ano completo de exercício do cargo , consoante tenha havido até 5 anos ou mais anos de exercício, sobre retribuição auferida pelos vogais do conselho de administração na data de reconhecimento da situação … em que foi requerida, e será atualizada de acordo com a variação daquela retribuição”. Portanto, ao fim de 20 anos de serviço um administrador da Associação Mutualista tem direito a uma pensão que é igual a 100% da retribuição. Isto é um privilégio que nenhum trabalhador do Montepio tem e nenhum trabalhador português possui, pois para ter direito a uma pensão que é normalmente inferior a 80% do seu vencimento tem de trabalhado e descontado para a Segurança Social ou CGA pelo menos durante 40 anos. É um privilégio chocante que existe na Associação Mutualista devendo, por isso, ser eliminado este artigo e, em sua substituição, introduzido um novo artigo que dê aos administradores o direito a uma pensão calculada da mesma forma que os restantes trabalhadores do Montepio.

No artº 49 dos “Estatutos de Tomás Correia” foi introduzido um nº 3 que dispõe que “ a responsabilidade exclusivamente civil dos membros do conselho de administração e do conselho fiscal deve ser coberta por segura de responsabilidade civil”. Deve ser excluído deste seguro as multas e coimas de natureza pessoal aplicadas aos membros destes órgãos por violação das leis e das normas emitidas pelos supervisores, para evitar que seja a Associação Mutualista a pagar as coimas, como aquelas que foram aplicadas pelo Banco de Portugal a Tomás Correia e aos restantes membros quando eram administradores da Caixa Económica pois, caso contrário, era a cobertura de atos de gestão ilegais à custa dos dinheiros dos associados.

 

8. A existência de uma norma transitória que visa manter até 2021 o atual conselho de administração, conselho fiscal e mesa da assembleia geral, impedindo a livre expressão da vontade dos associados

Os “Estatutos de Tomás Correia” terminam com uma norma que é bem o retrato dele próprio. Segundo o nº2 do artº 56 “Os mandatos dos titulares da mesa da assembleia geral, do conselho de administração, e do conselho fiscal…. mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de dezembro de 2021, não sendo alterada a composição destes órgãos até à mesma data”. O objetivo deste artigo é claro: impedir eleições, impedir que os associados tenham a possibilidade de expressar a sua vontade. O medo de eleições por parte da administração de Tomás Correia é grande e visível. Eles sabem bem o que fizeram ao Montepio e às poupanças dos associados. Esta disposição deve ser também eliminada e introduzida uma disposição em que fique claro que, com a entrada em vigor dos novos Estatutos, devem ser realizadas imediatamente eleições para todos os órgãos da Associação Mutualista. Assim, o exige a lei (Decreto-Lei 59/2018) e um novo Estatutos.

A SAÍDA DEFINITIVA de Tomás Correia da administração da Associação Mutualista, pois a sua presença contamina e está a tornar ingovernável o grupo Montepio, tornando mais difícil a sua recuperação, de que é exemplo a situação no Banco Montepio, é uma URGÊNCIA, assim como a UNIDADE DE TODOS OS ASSOCIADOS que querem salvar o Montepio, recuperar as poupanças delapidadas pelas administrações de Tomás Correia e obter de novo a confiança dos associados e dos portugueses no Montepio. Para isso é NECESSÁRIO A REALIZAÇÃO DE ELEIÇÕES IMEDIATAS PARA TODOS OS ÓRGÃOS DO MONTEPIO para que os associados possam escolher NOVOS DIRIGENTES para a Associação Mutualista que tenham a sua CONFIANÇA pois só assim é possível unir o Montepio e recuperar o que foi destruído para gestão ruinosa das administrações de Tomás Correia. É URGENTE DAR A VOZ AOS ASSOCIADOS EM ELEIÇÕES PARA TODOS OS ÓRGÃOS DO MONTEPIO

Não é com uma administração contaminada pela falta de idoneidade e que destruiu tanto valor no Montepio como é a atual que se consegue obter a confiança dos associados e salvar o Montepio. Mais de nunca é indispensável a unidade se se quiser salvar o Montepio, pois a herança deixada pelas administrações de Tomás Correia é muito pesada, mesmo para aqueles que tenham andado cegos por ele ou alheados dos problemas do Montepio como rapidamente concluirão, e só com uma unidade muito alargada é que se conseguirá vencer os problemas que ele cria à continuação do Montepio.



 

 
 
 

 


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/montepio-os-estatutos-de-tomas-correia/

Grandes bancos europeus estão 'desinvestindo' nos EUA

Homem posando com dólares depois de comprá-los em uma casa de câmbio em Caracas (Foto de arquivo)
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

Nos últimos três anos, os quatro maiores bancos europeus de investimento reduziram seus ativos nos EUA, para "otimizar capital" e evitar regulamentação.

Os quatro maiores bancos de investimento da Europa, o Deutsche Bank, o Credit Suisse, o UBS e o Barclays, retiraram ativos de suas principais holdings nos EUA nos últimos três anos. O montante total é de US$ 280 bilhões (R$ 1,18 trilhão).

Esta dramática reformulação das operações revela como os bancos estão abordando seus problemas crônicos relativos à rentabilidade de seus negócios nos EUA.

Desde 2016, os gigantes bancários têm sido forçados a transferir a maioria de suas operações nos EUA para as chamadas holdings intermediárias (intermediate holding companies, IHC em inglês), que são capitalizadas de forma independente e testadas para avaliar sua capacidade de suportar crises futuras. Em três anos, estes bancos reduziram em mais de 34% seus ativos depositados nestas entidades.

Esta redução deveu-se, em certa medida, à diminuição de sua presença nos EUA, mas, na sua maioria, resultou da implementação do seu plano de transferência de ativos para outras entidades sujeitas a menos regulamentação por parte das autoridades norte-americanas.

Credit Suisse e Deutsche Bank

O banco suíço Credit Suisse liderou essa tendência ao reduzir seus ativos em IHCs em US$ 105 bilhões (R$ 440,6 bilhões).

É seguido pelo Deutsche Bank da Alemanha, que reduziu seus ativos nas holdings intermediárias em US$ 86,3 bilhões, ou seja, de US$ 203 bilhões para US$ 116,7 bilhões (de R$ 851 para R$ 489,7 bilhões), mas ainda teve que aumentar o patrimônio líquido na sua IHC, de US$ 10,9 bilhões em setembro de 2016 para US$ 13,5 bilhões (de R$ 45,7 para R$ 56,7 bilhões) em 2019. Como resultado, os ativos da principal agência do Deutsche Bank nos EUA aumentaram em US$ 45 bilhões, de US$ 130 bilhões para US$ 175 bilhões (de R$ 545 para 734 bilhões) no mesmo período.

Em 2016, antes do regime IHC, o banco alemão foi duramente criticado por usar as complexas estruturas dos EUA para conduzir seus negócios em Wall Street sem uma almofada financeira, um requisito mínimo de solvência exigido a uma instituição de crédito em um determinado território.

Uma fonte próxima ao caso disse ao Financial Times que a mudança de ativos tem principalmente a ver com "otimização de capital".

Barclays e UBS

A capitalização do banco Barclays nos EUA caiu US$ 61 bilhões (R$ 256 bilhões) nos últimos três anos. O banco britânico está mais comprometido com os EUA do que seus rivais estrangeiros devido à aquisição do Lehman Brothers após a crise de 2008.

"Temos uma maior percentagem de negócios nos EUA do que alguns dos nossos concorrentes. É por isso que os EUA são fundamentais para nós. É quase como se fosse uma sede dupla", explicou um dos executivos do Barclays, Joe McGrath.

A menor redução nos ativos foi relatada pelo banco suíço UBS, que já havia feito grandes cortes em seus negócios nos EUA antes da introdução das novas estruturas. Entre 2016 e 2019, essa instituição financeira retirou US$ 25 bilhões (R$ 105 bilhões) das holdings intermediárias.

Dennis Keller, chefe do grupo Better Markets, acredita que essas estratégias dos bancos europeus são preocupantes e que "a arbitragem regulatória clássica" poderá mais uma vez colocar os contribuintes americanos e as instituições da Reserva Federal em maior risco porque poderão ter que "resgatar" os bancos europeus em caso de crise.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019112514818508-grandes-bancos-europeus-estao-desinvestindo-nos-eua/

Banco alemão quer usar robôs para substituir 18 mil funcionários

Sede do Deutsche Bank em Londres
© REUTERS / Toby Melville/Files

O plano de reestruturação do banco alemão Deutsche Bank já cortou mais de 4 mil empregos e deve extinguir mais 18 mil vagas até 2022.

Segundo afirmou ao site Financial News, o chefe de operações do setor corporativo e de investimentos do banco, Mark Matthews, o uso da inteligência artificial aumentou "maciçamente" a produtividade do banco.

Ainda segundo Matthews, 680 mil horas de trabalho manual foram salvos com o emprego da tecnologia. Além disso o banco já estaria utilizando bots para processar 5 milhões de transações em seu banco corporativo e outras 3,4 milhões de operações em seu banco de investimentos.

O chefe de operações do banco espera que o número de funcionários continue diminuindo e afirma que não há dúvida sobre esse rumo. "Nosso modelo é reduzir custos e, ao mesmo tempo, melhorar nosso ambiente de controle e a experiência do cliente”, disse ao Financial News.

O Deutsche Bank pretende ainda automatizar ainda mais operações como parte de sua iniciativa para a economia de US$ 6,6 bilhões nos próximos três anos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019112414816947-banco-alemao-quer-usar-robos-para-substituir-18-mil-funcionarios/

Os ricos estão a fugir dos bancos

A procura de cofres-fortes disparou. Os ricos procuram soluções alternativas aos bancos para guardar a sua riqueza.

 

 

O verbo “desbancarizar” já tinha surgido (em inglês) há meia-dúzia de anos, mas agora a coisa tornou-se moda, como a Bloomberg regista:

 

From London to Switzerland to parts of the U.S., the rich are looking to store precious metals, cash and cryptocurrency.  For some, it’s the threat of a global recession. Others are avoiding bank deposits as negative interest rates force lenders to charge for holding cash. Many are concerned about natural disasters.

Hedge fund titan Ray Dalio captured the anxiety last month when he warned the global economy is under threat from an explosive mix of ineffective monetary policy, a widening wealth gap and climate change. A majority of wealthy investors are stockpiling cash in anticipation of a sharp market drop before the end of next year, according to a survey of clients from UBS Global Wealth Management.”

 

 
 
 
 

Mais aqui: World’s Rich Are Rattled and Seeking Old-Fashioned Security


Exclusivo Tornado / IntelNomics

 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/os-ricos-estao-a-fugir-dos-bancos/

Cobrança de comissões sustenta banca

No sector que afastou mais de 16 mil trabalhadores desde 2008, faz-se caminho no aumento das receitas por via da cobrança de comissões, que só em 2018 renderam 9280 milhões de euros.

Créditos / radioregional.pt

Do total dos rendimentos das instituições bancárias, 32% correspondem, actualmente, à cobrança de comissões, informação divulgada esta terça-feira pelo Banco de Portugal e que consta das Séries Longas – Sector bancário português 1990-2018.

O aumento dos valores das comissões constitui uma manobra que a banca exerce para tentar contrariar a redução das margens financeiras decorrentes da redução das taxas de juro e das margens de intermediação financeira, bem como da forte desaceleração do crédito, que se vem registando nos últimos anos.

Só este ano, os 154 bancos que operam em Portugal já efectivaram 788 alterações aos seus preçários de comissões e despesas. E a comissão que permite a disponibilização do cartão de débito aumentou, em seis meses, 16,7%.

Para além disso, desde 2008, o sector fechou, em todo o País, 2656 balcões e fez sair mais de 16 mil dos seus trabalhadores. Reduziram-se também em mais de 2000 o número de caixas de multibanco na última década.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cobranca-de-comissoes-sustenta-banca

Europa segue exemplo da Rússia e China com alternativa a Visa e MasterCard

A UE está desenvolvendo um sistema de pagamento alternativo ao Visa e MasterCard; a necessidade do sistema seria principalmente política, devido à dominação das companhias americanas.

20 bancos europeus estão desenvolvendo um sistema de pagamento pan-europeu que pode substituir os cartões Visa e MasterCard. Chama-se PEPSI, Pan-European Payment System Initiative.

Segundo fontes da agência AFP, a maior parte dos bancos franceses, bem como o Deutsche Bank alemão, está envolvida no desenvolvimento do sistema. No entanto, nenhuma entidade bancária europeia confirmou oficialmente a sua participação no projeto.

As fontes explicam que a iniciativa de criar o sistema surge porque o problema é político e não "estritamente técnico". O Banco Central Europeu teria começado a se preocupar com a soberania dos pagamentos a partir de 2017.

Americanos lideram na Europa

De acordo com a Retail Banking Research, os americanos lideram o mundo dos cartões de pagamento com 2,2 bilhões de cartões Visa e 1,9 bilhão de MasterCard. Há também o sistema Diners Club (107 milhões de cartões) e o American Express (70 milhões de cartões), ambos também dos EUA.

Embora sempre tenham existido sistemas locais na Europa, nos últimos anos estes perderam terreno. "Na Europa, 9 em cada 10 euros de pagamentos com cartão são feitos com Visa ou MasterCard", disse Ivan Kapustianski, consultor financeiro e especialista em investimentos pessoais, ao diário russo Vzglyad.

No entanto, o mundo dos sistemas de pagamento está mudando ativamente. Em termos de números de cartões, o principal concorrente dos americanos é o gigante chinês Union Pay, que já emitiu 3,5 bilhões de cartões. Em 2017, a Union Pay representava 44% de todos os cartões de pagamento no mundo, enquanto a Visa e a MasterCard perfaziam 21% e 16% , respectivamente.

"No entanto, o sistema de pagamentos chinês abrange principalmente os países asiáticos, que absorvem esse volume de cartões devido à grande densidade populacional da região. Ao mesmo tempo, os americanos reinam na Europa", diz Mark Goichmann, chefe do grupo de analistas CAFT.

Exemplo da China e da Rússia

Não é só a China que tem os seus próprios sistemas de pagamento. Após a introdução das sanções ocidentais, a Rússia criou o seu cartão Mir, que é aceito em sete países, incluindo a Turquia.

"O exemplo do sistema de pagamento russo Mir mostrou que a rejeição dos sistemas internacionais não só é possível, como também razoável do ponto de vista da segurança, sendo também uma forma de reduzir o impacto da pressão das sanções", explica Sergey Alpatov, diretor comercial da Chronopay.

"Os europeus decidiram seguir o caminho da China e da Rússia, que criaram os seus próprios sistemas de pagamento nacionais. Os motivos de Moscou e Pequim são compreensíveis, mas por que razão está a União Europeia a fazê-lo? Afinal, os Estados Unidos não impuseram sanções contra os europeus e não lançaram quaisquer guerras comerciais. Por outro lado, se Moscou anunciou em voz alta a criação de seu próprio sistema nacional de pagamentos devido à pressão ocidental, Bruxelas está fazendo isso em silêncio. De que tem tanto medo?", pergunta Olga Samofalova.

Os analistas russos assumem que Bruxelas está pensando na sua soberania, na independência da Europa em relação aos sistemas de pagamento dos EUA e, no futuro, dos da China.

Não se trata só de uma questão financeira.

"Além do fato de as empresas americanas controlarem o mercado de pagamentos na UE, dispõem também de informações sobre os dados pessoais dos cidadãos da UE, o que também comporta certos riscos, especialmente no contexto de guerras comerciais", conclui Kapustianski.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019110714743140-europa-segue-exemplo-da-russia-e-china-com-alternativa-a-visa-e-mastercard/

Portugal | A praga das comissões bancárias

 
 
Mariana Mortágua* | Jornal de Notícias | opinião
 
A edição de ontem do "Jornal de Notícias" trazia-nos os números do Banco de Portugal para as comissões bancárias cobradas no país: 40 mil milhões de euros desde 2007, o equivalente a 8,8 milhões de euros por dia.
 
Estes dados vêm acrescentar uma visão de conjunto à realidade com que tantas pessoas já se confrontaram: são as comissões pelo débito da prestação do crédito à habitação, por uma declaração de não dívida ou por uma operação através do MB Way, fora o que custa manter uma simples conta à ordem com um cartão associado. Ter uma conta num banco é uma despesa - e a Caixa Geral de Depósitos não é exceção.
 
As razões para esta praga de comissões são conhecidas. Desde a crise financeira que a Europa está em dificuldades económicas. Como os estados estão, na prática, proibidos de investir nas economias, o Banco Central Europeu tentou cumprir sozinho a função de estimular a atividade económica, baixando as taxas de juro até ao ponto em que estão negativas. A compressão das taxas de juro retirou uma fonte de rentabilidade aos bancos, que procuram agora sustentar os seus lucros aumentando as comissões.
 
Esta não é a única consequência da má política económica a nível europeu. Entre outras coisas, a aposta nos juros negativos favorece o apetite pelos investimentos financeiros mais arriscados (e com maior retorno), com impactos negativos ao nível da estabilidade financeira. A recuperação económica precisa de outras formas de estímulo, que vêm do salário, do emprego e do investimento produtivo.
 
No imediato, cabe-nos travar a expropriação financeira levada a cabo sob a forma de comissões bancárias. Aqui ficam quatro ideias que o Bloco levará ao Parlamento: melhorar os serviços mínimos bancários, para criar um pacote de serviços garantidos, acessíveis a qualquer pessoa, com comissões controladas; proibir comissões absurdas que não correspondem a qualquer serviço; acabar com as comissões unilaterais cobradas pelo serviço MB Way; criar um livro de obrigações de serviço público para a CGD no que diz respeito à cobrança de comissões. Nesta, como em qualquer outra matéria, a indignação não basta. É preciso proposta e vontade política.
 
*Deputada do BE

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/portugal-praga-das-comissoes-bancarias.html

Tomás Correia: saída a prazo do Montepio

Tomás Correia anuncia a saída a prazo do Montepio mas quer se manter até 15 de Dezembro para controlar e garantir que a sucessão é de fieis
– "Um Montepio sem Tomás Correia mas controlado por Tomás Correia": eis o objetivo

por Eugénio Rosa [*]
ASSEMBLEIA DOS ASSOCIADOS DO MONTEPIO NO DIA 4 DE NOVEMBRO DE 2019 NO COLISEU DE LISBOA, ÀS 21 HORAS, PARA APROVAR NOVOS ESTATUTOS E QUE PODE TAMBÉM SERVIR PARA CORRER RAPIDAMENTE COM TOMÁS CORREIA E PARA EXIGIR ELEIÇÕES IMEDIATAS PARA TODOS OS ÓRGÃOS

Sabendo que o supervisor (ASF) iria brevemente negar-lhe o registo e dar-lhe um prazo para sair, Tomás Correia dando o dito por não dito (dias antes tinha dito que não se demitiria), o que é habitual nele (a verdade e mentira são iguais para ele), anunciou na reunião do Conselho Geral de 24/10/2019 a sua saída do Montepio, mas não para já. Quer ter tempo para controlar a aprovação dos novos Estatutos assim como a sucessão por pessoas que lhe sejam fiéis e que se sujeitem à sua vontade garantindo, assim, " um Montepio sem Tomás Correia mas controlado por Tomás Correia" . Para quem o conheça sabe bem que este é o seu grande objetivo. Infelizmente o Conselho geral não tentou impedir isso. Vamos ver se o supervisor (ASF) se curva também à sua vontade.

Este objetivo de Tomás Correia torna-se mais claro através da análise do "Projeto de revisão parcial dos Estatutos", elaborada por uma comissão escolhida só por ele, e que pretende que seja aprovado na assembleia de associados que se realiza no dia 4 de Novembro de 2019 pelas 21:00 horas (2ª convocatória), no Coliseu dos Recreios, Rua Portas de Santo Antão, n.º 96, em Lisboa. A convocatória da assembleia assim como os documentos para ela (projeto de estatutos e análise das diferenças em relação ao atual) estão disponíveis em www.montepio.org/institucional/informacao-legal/

UM PROJETO DE REVISÃO DOS ESTATUTOS QUE INCLUI UM ARTIGO PARA MANTER A ATUAL ADMINISTRAÇÃO ATÉ 2021 SEM TOMÁS CORREIA MAS COM OS SEUS FIEIS E SEM ELEIÇÕES

O nº2 do artº 56º do Projeto de revisão dos Estatutos da Associação Mutualista, elaborado pela comissão escolhida por Tomás Correia, dispõe precisamente o seguinte: " Os mandatos dos titulares da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, eleitos em 7 de Dezembro de 2018 , mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de Dezembro de 2021 , não sendo alterada a composição destes órgãos até à mesma data". Portanto, o objetivo é manter a administração de Tomás Correia mesmo sem Tomás Correia até 2021.

O que ele vai tentar fazer é escolher dentro dos membros do atual conselho de administração um(a) sucessor(a) que lhe seja inteiramente fiel. E desta forma vai procurar controlar "à distância" (?!) a Associação Mutualista e, através dela, todo o grupo Montepio, procurando impor a sua vontade. E quem da atual administração se atreverá, devendo o seu lugar a Tomás Correia, a resistir à sua vontade até porque ele está convencido que é um grande gestor com grande experiência (o seu ego é enorme)?

Enquanto ele estiver no ou a controlar o Montepio, seja diretamente ou por terceiros, a destruição de valor e de confiança continuará, os associados e poupanças continuarão a sair e será muito mais difícil a recuperação pois ele contamina, com a sua presença, todo o grupo Montepio. Quem conhece Tomás Correia sabe bem ou se obedece a ele ou ele contra quem tem a ousadia de dizer não. Para ele não há outra opção, pois não admite, por deformação, nem pensamento próprio nem autonomia nas pessoas que o rodeiam. Por todas estas razões aquele nº2 do artº 56º do Projeto de Estatutos é um dos que deve ser eliminado.

E isto porque aquela "solução" da comissão escolhida por Tomás Correia, para perpetuar o seu poder, não encontra cobertura nem na lei nem no projeto de revisão dos Estatutos. O projeto de revisão dos Estatutos cria uma assembleia de representantes , com 30 membros, que substitui o Conselho Geral, que desaparece, e que assume alguns poderes que atualmente residem na assembleia geral de todos os associados (artº 30 do Projeto de revisão dos Estatutos). O projeto no seu artº 42º prevê a convocação de uma Assembleia Geral Eleitoral para a eleição de todos os órgãos sociais da Associação Mutualista e não apenas de parte deles ou de um deles. E o artº 79 do Código das Associações Mutualistas também reforça tal interpretação, pois no nº3 do artº 73º, só prevê a realização de uma assembleia geral para a eleição de todos os órgãos, e não assembleias parciais para a eleição de um órgão. Como a eleição da Assembleia de representantes é obrigatória e tem de ser feita rapidamente para que a Associação Mutualista possa funcionar de acordo com a lei atual, e não se coloque à margem da lei, a eleição terá abranger todos os órgãos e não apenas um órgão, como pretende Tomás Correia .

Para além de tudo isto, por um lado, há também uma questão de legitimidade democrática e, por outro lado, a necessidade de criar uma grande união de todos os associados para salvar o Montepio. Os atuais membros do conselho de administração devem o seu lugar à fidelidade a Tomás Correia, que os escolheu, e nunca se poderão libertar dessa dependência e ónus se não se submeterem a eleições em que os associados possam livremente pronunciar-se. Para além disso, por serem uma administração de Tomás Correia, embora sem ele, gerarão naturalmente divisão e desconfiança. E isto numa altura que é urgente unir os associados, gerar confiança, e combater a desunião e desânimo existente, que se tem traduzido pela saída liquida de cerca de 1000 associados por mês da Associação Mutualista e de uma parte significativa das suas poupanças.

A herança deixada pela administração de Tomás Correia é muito pesada e levará muitos anos a recuperar o que foi destruído (a destruição de valor e de confiança é enorme). Que ninguém tenha ilusões disso. É necessário realizar eleições para todos os órgãos da Associação Mutualista a fim de restabelecer a unidade e a confiança que é indispensável para salvar o Montepio

A CONTINUAÇÃO DE UM REGIME DE PENSÕES DOURADAS PARA OS ADMINISTRADORES DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA APESAR DAS GRAVES DIFICULDADES QUE ENFRENTA O GRUPO MONTEPIO É UMA AFRONTA

De acordo com os nº1 e 2 do artº 52 do Projeto de revisão dos Estatutos " Os titulares do Conselho de Administração que tenham exercido as suas funções em tempo completo, por mais de um ano e até ao fim do mandato beneficiam quando tenham atingido a idade de aposentação em vigor para os empregados do Montepio Geral, de uma pensão de reforma que é calculada com base numa percentagem de 4% ou 5% por cada ano completo de exercício do cargo, consoante tenha havido até cinco ou mais anos de exercício, sobre a retribuição auferida pelos Vogais do Conselho de Administração na data do reconhecimento da situação naquela em que for requerida, e será atualizada de acordo com as variações daquela retribuição".

Assim, segundo o artº 52 do Projeto de Estatutos, um administrador da Associação Mutualista tem direito a uma pensão de reforma que é calculada da seguinte forma: por cada ano de serviço como administrador ele tem direito a uma pensão que corresponde a 4% (se for administrador menos de cinco anos de serviço) ou 5% por cada ano (se for administrador mais de cinco anos). Fazendo contas ele tem direito a uma pensão completa, que corresponde 100% da remuneração mensal que recebe, ao fim de 20 anos (20x5%=100%) . E é atualizada de acordo com os aumentos das remunerações dos administradores. Um trabalhador para ter a pensão completa, que representa cerca de 80% da sua remuneração, tem de trabalhar 40 anos. É um escândalo que já vigora atualmente e que é transferido para o novo Estatutos, e que deve ser eliminado (a fórmula de cálculo da pensão deve ser igual para todos, trabalhadores e administradores)

Esta situação ainda se torna mais escandalosa se se tiver presente que a remuneração mensal de Tomás Correia é superior a 30.000€ por mês e as dos restantes administradores de 26.000€/mês. Para além disto gozam de outros benesses com carros de alta gama e gasolina e manutenção tudo à "borla", e naturalmente de cartões de crédito. Tudo isto é pago pelos associados do Montepio a quem se procura ocultar este escândalo, e que têm tido a conivência dos supervisores que nem obrigam a sua publicação no Relatório e contas da Associação Mutualista, à semelhança do que acontece já nos bancos e muitas empresas. A opacidade é a norma no Montepio.

SEGUROS DE RESPONSABILIDADE CIVIL PARA OS ADMINISTRADORES PODE GERAR IMPUNIDADE

Como não podia deixar de acontecer, e pelas razões que são bem conhecidas, a comissão escolhida por Tomás Correia, não se esqueceu de incluir uma norma no Projeto de Estatutos, que não existe nos Estatutos atuais, e que é a seguinte (artº 49, nº3): " A responsabilidade exclusivamente civil dos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal deve ser coberta por seguro de responsabilidade civil". Os comentários são desnecessários pois a razão é fácil de compreender por quem acompanhe a vida do Montepio e dos membros da sua administração e dos processos que têm.

O PROJETO DE ESTATUTOS DA COMISSÃO ESCOLHIDA POR TOMÁS CORREIA NÃO MELHORA O CONTROLO DOS ASSOCIADOS SOBRE O CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO; PELO CONTRÁRIO MANTÉM AS SITUAÇÕES QUE LEVARAM O MONTEPIO E AS POUPANÇAS DOS ASSOCIADOS À SITUAÇÃO GRAVE EM QUE SE ENCONTRAM

O projeto de Estatutos da comissão escolhida por Tomás Correia não melhora o controlo dos associados sobre a atividade da administração, nem impede que no futuro aconteça o que sucedeu com a administração de Tomás Correia (a delapidação de centenas de milhões das poupanças dos associados). Pelo contrário mantém os vícios anteriores de ausência de controlo, e agrava mesmo alguns. Para a segurança das poupanças dos associados e para a defesa do Montepio é necessário que o projeto de Estatutos seja profundamente alterado.

Segundo o projeto de Estatutos a eleição do conselho de administração, do conselho fiscal e da mesa da assembleia geral é feita conjuntamente, ou seja a lista que tiver mais votos ganha todos os lugares (artº 45, nº1). Isto determina que continue a não existir qualquer fiscalização na Associação Mutualista pois o conselho fiscal e a mesa da assembleia geral são naturalmente submissos em relação ao conselho de administração, como a experiencia passada mostrou, pois são eleitos na lista do conselho de administração (são todos amigos um dos outros, e protegem-se mutuamente). Defendemos que deve existir a possibilidade de se candidatarem listas separadas para cada um dos órgãos da Associação Mutualista e de se aplicar o método de Hondt na sua eleição, para que possam existir membros independentes para fazer uma fiscalização eficaz (da administração) pois foi a falta dela que levou o Montepio situação grave que enfrenta.

Os membros do conselho de administração e do conselho fiscal não devem ter o direito de participar na assembleia de representantes como prevê o artº 29, nº8, a não ser sejam convidados por esta. E isto para não condicionar as suas decisões como acontece no conselho geral do Montepio. Um órgão que tem a obrigação de controlar não pode ter no seu seio o órgão que é controlado. É um princípio básico de organização. Para além disso é inaceitável a divisão dos eleitores associados (artº 29) com menos e mais de 10 anos de antiguidade. O nº4 do artº 44º, sobre o voto por correspondência não dá qualquer segurança e deve ser alterado. Estes são apenas alguns pontos (há mais) para reflexão.

25/Outubro/2019
[*] edr2@netcabo.pt

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/e_rosa/montepio_25out19.html

Comissões anunciadas pela Caixa merecem rejeição dos utentes

O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos repudia, em comunicado, os aumentos anunciados e reafirma a importância da defesa do banco público e da sua função de servir a economia nacional.

Créditos

A principal exigência constante na nota enviada à imprensa pelo Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) é a de que o Governo e a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) cessem com o «escandaloso aumento no valor das comissões».

O pagamento de comissões e o respectivo aumento afectará com grande incidência os utentes «com menores recursos», alertam na nota. E, «não sendo [uma questão] exclusiva da CGD, não deixa de ser imoral, ainda mais quando de trata do banco público». Ao mesmo tempo, o movimento lembra que o papel da CGD deveria ser o de combater «a cartelização dos preços dos serviços e comissões de que padece o sector financeiro».

Estes aumentos nas comissões são tão mais incompreensíveis quanto têm vindo «a público, nos últimos dias, [que] o rendimento líquido da CGD com comissões e serviços aumentou 13% entre 2015 e 2018, o que corresponde a cerca de 46 milhões de euros». Entre a diferença dos engargos e das receitas com comissões nestes três anos, conclui-se que, só em 2018, o banco alcançou a «soma de 393,8 milhões de euros».

O MUSP recorda ainda que a principal missão do banco público é a de «apoiar as famílias portuguesas no crédito e nos serviços bancários e alavancar a economia nacional, as micro, pequenas e médias empresas».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/comissoes-anunciadas-pela-caixa-merecem-rejeicao-dos-utentes

Tomás Correia faz que sai mas mantém o controlo

Tomás Correia anuncia a saída a prazo do Montepio mas quer se manter até 15 de Dezembro para controlar e garantir que a sucessão é de fieis. “Um Montepio sem Tomás Correia mas controlado por Tomás Correia”: eis o objectivo

 

 

Neste estudo analiso a demissão a prazo anunciada por Tomás Correia na reunião do Conselho Geral da Associação Mutualista de 24 de Outubro de 2019, assim como os seus objectivos, bem com os pontos essenciais do protejo de revisão de Estatutos da Associação Mutualista, elaborada por uma comissão escolhida por Tomás Correia, projecto esse que visa perpetuar o poder de Tomás Correia sobre o grupo Montepio para além da sua saída, mesmo formalmente sem pertencer aos seus órgãos, e que ele pretende que seja aprovado pelos associados na assembleia  de associados que se realiza no dia 4 de Novembro de 2019 pelas 21:00 horas (em 2ª convocatória), no Coliseu dos Recreios, Rua Portas de Santo Antão, n.º 96, em Lisboa.

É urgente que Tomás Correia saia rapidamente do Montepio pois a sua presença está a contaminar todo o grupo e tornar mais difícil a sua recuperação pois gera desconfiança e desunião. É urgente novas eleições para todos os órgãos do Montepio para eleger uma administração e um conselho fiscal que dê confiança para unir os associados e gerar confiança que é tão necessário para salvar o Montepio após a enorme destruição de valor e de confiança feita pela administração de Tomás Correia. É em momentos como estes que se vê quem está verdadeiramente interessado em defender as poupanças dos associados e o Montepio e tem coragem para o fazer.

Mesmo que não seja associado do Montepio peço a sua ajuda para que esta informação chegue ao maior número de associados da Associação Mutualista. Antecipadamente agradeço a ajuda que puder dar pois o Montepio é maior mutua do país que tem 600.000 associados e 3.000 milhões € de poupanças de mais de um milhão de portugueses (associados e familiares) feitas ao longo da vida com muito sacrifício.

 
 
 
 

Estudo

Tomás Correia anuncia a saída a prazo do Montepio mas quer se manter até 15 de Dezembro para controlar e garantir que a sucessão é de fieis

“Um Montepio sem Tomás Correia mas controlado por Tomás Correia”: eis o objectivo

 

Informação 5/2019 aos Associados do Montepio

Assembleia dos Associados do Montepio no dia 4 de Novembro de 2019 no Coliseu de Lisboa, às 21 horas, para aprovar novos Estatutos e que pode também servir para correr rapidamente com Tomás Correia e para exigir eleições para todos os órgãos

Sabendo que o supervisor (ASF) iria brevemente negar-lhe o registo e dar-lhe um prazo para sair, Tomás Correia dando o dito por não dito (dias antes tinha dito que não se demitiria), o que é habitual nele (a verdade e mentira são iguais para ele), anunciou na reunião do Conselho Geral de 24/10/2019 a sua saída do Montepio, mas não para já. Quer ter tempo para controlar a aprovação dos novos Estatutos assim como a sucessão por pessoas que lhe sejam fieis e que se sujeitem à sua vontade garantindo, assim, “um Montepio sem Tomás Correia mas controlado por Tomás Correia”. Para quem o conheça sabe bem que este é o seu grande objectivo. Infelizmente o Conselho geral não tentou impedir isso. Vamos ver se o supervisor (ASF) se curva também à sua vontade. Este objectivo de Tomás Correia torna-se mais claro através da análise do “Projecto de revisão parcial dos Estatutos”, elaborada por uma comissão escolhida só por ele, e que pretende que seja aprovado na assembleia de associados que se realiza no dia no dia 4 de Novembro de 2019 pelas 21:00 horas (2ª convocatória), no Coliseu dos Recreios, Rua Portas de Santo Antão, n.º 96, em Lisboa. A convocatória da assembleia assim como os documentos para ela (projecto de estatutos e análise das diferenças em relação ao actual) estão disponíveis em https://www.montepio.org/institucional/informacao-legal/

 

Um projecto de revisão dos Estatutos que inclui um artigo para manter a actual administracção até 2021 sem Tomás Correia mas com os seus fieis e sem eleições

O nº2 do artº 56º do Projecto de revisão dos Estatutos da Associação Mutualista, elaborado pela comissão escolhida por Tomás Correia, dispõe precisamente o seguinte: “Os mandatos dos titulares da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, eleitos em 7 de Dezembro de 2018, mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de Dezembro de 2021, não sendo alterada a composição destes órgãos até à mesma data”. Portanto, o objectivo é manter a administração de Tomás Correia mesmo sem Tomás Correia até 2021. O que ele vai tentar fazer é escolher dentro dos membros do actual conselho de administração um(a) sucessor(a) que lhe seja inteiramente fiel. E desta forma vai procurar controlar “à distância” (?!) a Associação Mutualista e, através dela, todo o grupo Montepio, procurando impor a sua vontade. E quem da actual administração se atreverá, devendo o seu lugar a Tomás Correia, a resistir à sua vontade até porque ele está convencido que é um grande gestor com grande experiência (o seu ego é enorme)? Enquanto ele estiver no ou a controlar o Montepio, seja directamente ou por terceiros, a destruição de valor e de confiança continuará, os associados e poupanças continuarão a sair e será muito mais difícil a recuperação pois ele contamina, com a sua presença, todo o grupo Montepio. Quem conhece Tomás Correia sabe bem ou se obedece a ele ou ele contra quem tem a ousadia de dizer não. Para ele não há outra opção, pois não admite, por deformação, nem pensamento próprio nem autonomia nas pessoas que o rodeiam. Por todas estas razões aquele nº2 do artº 56º do Projeto de Estatutos é um dos que deve ser eliminado.

E isto porque aquela “solução” da comissão escolhida por Tomás Correia, para perpetuar o seu poder, não encontra cobertura nem na lei nem no projecto de revisão dos Estatutos. O projecto de revisão dos Estatutos cria uma assembleia de representantes, com 30 membros, que substitui o Conselho Geral, que desaparece, e que assume alguns poderes que actualmente residem na assembleia geral de todos os associados (artº 30 do Projecto de revisão dos Estatutos). O projecto no seu artº 42º prevê a convocação de uma Assembleia Geral Eleitoral para a eleição de todos os órgãos sociais da Associação Mutualista e não apenas de parte deles ou de um deles. E o artº 79 do Código das Associações Mutualistas também reforça tal interpretação, pois no nº3 do artº 73º, só prevê a realização de uma assembleia geral para a eleição de todos os órgãos, e não assembleias parciais para a eleição de um órgão. Como a eleição da Assembleia de representantes é obrigatória e tem de ser feita rapidamente para que a Associação Mutualista possa funcionar de acordo com a lei actual, e não se coloque à margem da lei, a eleição terá abranger todos os órgãos e não apenas um órgão, como pretende Tomás Correia.

Para além de tudo isto, por um lado, há também uma questão de legitimidade democrática e, por outro lado, a necessidade de criar uma grande união de todos os associados para salvar o Montepio. Os actuais membros do conselho de administração devem o seu lugar à fidelidade a Tomás Correia, que os escolheu, e nunca se poderão libertar dessa dependência e ónus se não se submeterem a eleições em que os associados possam livremente pronunciar-se. Para além disso, por serem uma administração de Tomás Correia, embora sem ele, gerarão naturalmente divisão e desconfiança. E isto numa altura que é urgente unir os associados, gerar confiança, e combater a desunião e desânimo existente, que se tem traduzido pela saída liquida de cerca de 1000 associados por mês da Associação Mutualista e de uma parte significativa das suas poupanças. A herança deixada pela administração de Tomás Correia é muito pesada e levará muitos anos a recuperar o que foi destruído (destruição de valor e de confiança é enorme). Que ninguém tenha ilusões disso. É necessário realizar eleições para todos os órgãos da Associação Mutualista para restabelecer a unidade e a confiança que é indispensável para salvar o Montepio

 

A continuação de um regime de pensões douradas para os administradores da Associação Mutualista apesar das graves dificuldades que enfrenta o Grupo Montepio é uma afronta

De acordo com os nº1 e 2 do artº 52 do Projecto de revisão dos Estatutos “Os titulares do Conselho de Administração que tenham exercido as suas funções em tempo completo, por mais de um ano e até ao fim do mandato beneficiam quando tenham atingido a idade de aposentação em vigor para os empregados do Montepio Geral, de uma pensão de reforma que é calculada com base numa percentagem de 4% ou 5% por cada ano completo de exercício do cargo, consoante tenha havido até cinco ou mais anos de exercício, sobre a retribuição auferida pelos Vogais do Conselho de Administração na data do reconhecimento da situação naquela em que for requerida, e será actualizada de acordo com as variações daquela retribuição”

Assim, segundo o artº 52 do Projecto de Estatutos, um administrador da Associação Mutualista tem direito a uma pensão de reforma que é calculada da seguinte forma: por cada ano de serviço como administrador ele tem direito a uma pensão que corresponde a 4% (se for administrador menos de 5 anos de serviço) ou 5% por cada ano (se for administrador mais de 5 anos). Fazendo contas ele tem direito a uma pensão completa, que corresponde 100% da remuneração mensal que recebe, ao fim de 20 anos (20 X5%=100%). E é actualizada de acordo com os aumentos das remunerações dos administradores. Um trabalhador para ter a pensão completa, que representa cerca de 80% da sua remuneração, tem de trabalhar 40 anos. É um escândalo que já vigora actualmente e que é transferido para o novo Estatutos, e que deve ser eliminado (a fórmula de cálculo da pensão deve ser igual para todos, trabalhadores e administradores)

Esta situação ainda se torna mais escandalosa se se tiver presente que a remuneração mensal de Tomás Correia é superior a 30.000€ por mês e as dos restantes administradores de 26.000€/mês. Para além disto gozam de outros benesses com carros de alta gama e gasolina e manutenção tudo à “borla”, e naturalmente de cartões de crédito. Tudo isto é pago pelos associados do Montepio a quem se procura ocultar este escândalo, e que têm tido a conivência dos supervisores que nem obrigam a sua publicação no Relatório e contas da Associação Mutualista, à semelhança do que acontece já nos bancos e muitas empresas. A opacidade é a norma no Montepio .

 

Seguros de responsabilidade civil para os administradores pode gerar impunidade

Como não podia deixar de acontecer, e pelas razões que são bem conhecidas, a comissão escolhida por Tomás Correia, não se esqueceu de incluir uma norma no Projecto de Estatutos, que não existe nos Estatutos actuais, e que é a seguinte (artº 49, nº3): “A responsabilidade exclusivamente civil dos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal deve ser coberta por seguro de responsabilidade civil”. Os comentários são desnecessários pois a razão é fácil de compreender por quem acompanhe a vida do Montepio e dos membros da sua administração e dos processos que têm.

 

O projecto de Estatutos da Comissão escolhida por Tomás Correia não melhora o controlo dos associados sobre o Conselho de Administração; pelo contrário, mantém as situações que levaram o Montepio e as poupanças dos associados à situação grave em que se encontram

O projecto de Estatutos da comissão escolhida por Tomás Correia não melhora o controlo dos associados sobre a actividade da administração, nem impede que no futuro aconteça o que sucedeu com a administração de Tomás Correia (a delapidação de centenas de milhões das poupanças dos associados). Pelo contrário mantém os vícios anteriores de ausência de controlo, e agrava mesmo alguns. Para a segurança das poupanças dos associados e para a defesa do Montepio é necessário que o projecto de Estatutos seja profundamente alterado.

Segundo o projecto de Estatutos a eleição do conselho de administração, do conselho fiscal e da mesa da assembleia geral é feita conjuntamente, ou seja a lista que tiver mais votos ganha todos os lugares (artº 45, nº1). Isto determina que continue a não existir qualquer fiscalização na Associação Mutualista pois o conselho fiscal e a mesa da assembleia geral são naturalmente submissos em relação ao conselho de administração, como a experiência passada mostrou, pois são eleitos na lista do conselho de administração (são todos amigos um dos outros, e protegem-se mutuamente). Defendemos que deve existir a possibilidade de se candidatarem listas separadas para cada um dos órgãos da Associação Mutualista e de se aplicar o método de Hondt na sua eleição, para que possa existir membros independentes para fazer uma fiscalização eficaz (da administração) pois foi a falta dela que levou o Montepio situação grave que enfrenta. Os membros do conselho de administração e do conselho fiscal não devem ter o direito de participar na assembleia de representantes com prevê o artº 29, nº8, a não ser sejam convidados por esta. E isto para não condicionar as suas decisões como acontece no conselho geral do Montepio. Um órgão que tem a obrigação de controlar não pode ter no seu seio o órgão que é controlado. É um princípio básico de organização. Para além disso é inaceitável a divisão dos eleitores associados (artº 29) com menos e mais de 10 anos de antiguidade. O nº4 do artº 44º, sobre o voto por correspondência não dá qualquer segurança e deve ser alterado. Estes são apenas alguns pontos (há mais) para reflexão.



 

 
 
 

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/tomas-correia-faz-que-sai-mas-mantem-o-controlo/

Empréstimos imobiliários ilegítimos e ilegais

Eric Toussaint    25.Oct.19

A grande crise financeira de 2007-2008 - que continua até hoje produzindo os seus efeitos – deixou à vista as práticas deletérias dos bancos, cujas consequências mais graves são pagas pelos cidadãos. Mas nada mudou nessas práticas, de tal forma criminosas que algumas acabam até por ser condenadas pelos próprios tribunais burgueses.


 

É o Estado, amiga.

Da Polónia à França, passando pelo Estado espanhol, Croácia, Hungria, Eslovénia, Grécia e outros países dos Balcãs, a emissão de empréstimos hipotecários em francos suíços afecta mais de um milhão de vítimas da rapacidade dos grandes bancos privados. O Tribunal de Justiça da União Europeia acaba de emitir uma sentença que constitui uma etapa suplementar na corrida de obstáculos que muitos colectivos de pessoas endividadas percorrem.

Em 3 de Outubro de 2019, o Tribunal de Justiça da União Europeia, com sede no Luxemburgo, emitiu uma sentença que dá parcialmente razão as vítimas na Polónia de empréstimos bancários abusivos concedidos principalmente durante o período 2004-2010 (Financial Times, EU rules in favour of Polish borrowers over Swiss franc-linked loans, publicado em 4 de Outubro de 2019). Esta vigarice afecta cerca de 700.000 lares na Polónia que foram convencidos por grandes bancos privados a contratar os seus créditos em francos suíços (TVN polaca, European Court of Justice backs Polish Swiss franc loan borrowers, publicado em 3 de Outubro de 2019).

O mecanismo abusivo usado pelos bancos pode ser resumido da seguinte forma: os bancos concederam empréstimos hipotecários em francos suíços que deveriam ser pagos em moeda local, o zloty. Garantiam aos seus clientes que, sendo o valor do franco suíço muito estável, faziam um bom negócio. Ora bem, a partir de 2010, o valor do franco suíço aumentou enormemente em relação ao zloty, ao euro, à coroa croata, ao forint húngaro etc. Um exemplo concreto: uma família polaca que pediu emprestados 150.000 francos suíços há 15 anos e tem pago regularmente os juros e uma parte do capital, descobre que mesmo agora ainda precisa devolver o equivalente em zlotys à soma inicial em francos suíços. Esta família, como as demais vítimas de empréstimos em francos suíços, está acorrentada a um mecanismo de dívida perpétua. Estão em curso onze mil processos perante a justiça polaca.

Dada a lentidão desta justiça e a cumplicidade do governo polaco com os bancos, várias vítimas levaram a questão ao Tribunal de Justiça da União Europeia [], que acaba de lhes da parcialmente razão. A sentença de 3 de Outubro deveria acelerar os processos em curso na Polónia e colocar mais claramente o governo polaco perante as suas responsabilidades. De facto, até agora, face ao drama social causado pelo comportamento odioso dos bancos, ele apenas estabeleceu um mecanismo de ajuda direcionado às famílias mais pobres. O governo polaco usa dinheiro público para ajudar os bancos a serem pagos pelos pobres por dívidas hipotecárias em francos suíços. Isso permite que os bancos continuem a obter grandes lucros.

Em vez desta política, um governo realmente a serviço da população e da justiça social deveria ter proposto ao Parlamento a adopção de uma lei para anular essas dívidas ilegítimas e ilegais, em vez de recomendar às vítimas, como o governo actual fez, que recorram individualmente à justiça. Mas, até agora, ele mesmo manteve-se longe de o fazer porque protege os interesses de grandes bancos privados estrangeiros e polacos. O montante total de créditos vinculados ao franco suíço na carteira dos bancos na Polónia eleva-se ao equivalente a 32.000 milhões de euros. Para vários deles, estes créditos ilegítimos são superiores aos seus próprios fundos. Isso mostra em particular a extensão da vigarice a que se dedicaram.

Os grandes bancos que abusaram dos seus clientes são bem conhecidos na Europa além das fronteiras polacas. Trata-se do BNP Paribas, o primeiro banco francês, o Commerzbank, o segundo maior banco alemão, o Santander, o primeiro banco espanhol, o BCP, um dos principais bancos portugueses que comprou à Société Générale, o segundo banco francês, a sua subsidiária polaca chamada Eurobank (o conjunto chama-se actualmente Millénium).

A sentença adoptada pelo Tribunal de Justiça da União Europeia é uma etapa suplementar da saga do escândalo dos empréstimos vinculados ao franco suíço.
Na Hungria, perante o descontentamento popular, o governo populista de direita de Viktor Orban cancelou em 2014, por um valor de vários milhares de milhões de euros, empréstimos abusivos vinculados ao franco suíço, forçando os bancos a convertê-los na moeda local, o forint .

Em 2015, o governo da Croácia teve também que aliviar a dívida de quase cem mil famílias endividadas (sobre as origens dos empréstimos em francos suíços na Croácia, ler Pierre Gottiniaux, Le scandale du crédit en franc suisse, publicado em 23 de Setembro de 2013).
Na Eslovénia, existem procedimentos em andamento.
Na Grécia, o Supremo Tribunal rejeitou em Abril de 2019 as reclamações de 70.000 vítimas dos empréstimos hipotecários em francos suíços, mostrando mais uma vez que defendia os interesses dos poderosos contra o povo (ver Ekathimerini.com, Loans in Swiss francs to be repaid at current rate, publicado em 18 de Abril de 2019).

No Estado espanhol, estima-se que foram comercializadas até 70.000 hipotecas das chamadas multi-divisas, seja em francos suíços ou ienes. Destas, cerca de 50.000 emitidas entre o Bankinter, o Popular (absorvido pelo Santander) e o Barclays (integrado ao CaixaBank) []. Embora também tenham sido colocadas por entidades como a Catalunya Caixa (adquirida pelo BBVA), Santander, BBVA e Bankia [].

A Associação de Usuários Financeiros (Asufin) assumiu a defesa judicial dos afectados pelas hipotecas multi-divisa, que obtiveram sentenças favoráveis ​​ao consumidor, duas delas do Supremo Tribunal (STS 608/2017, de 15 de Novembro e STS 599/2018 de 22 de Outubro). Segundo dados colectados pela Asufin, 82% das hipotecas multi-divisa foram assinadas em 2007 (40,4%) e 2008 (41%). A partir de 2009, eles foram descontinuadas e actualmente não estão entre os produtos oferecidos por nenhuma entidade [].

Em França, um processo contra o BNP Paribas realizar-se-á em Novembro perante o Tribunal Correcional de Paris. Em França, o BNP Paribas Personal Finance (PNP PPF) comercializou entre Março de 2008 e Dezembro de 2009 empréstimos imobiliários tóxicos junto de 4.655 famílias. Este tipo de empréstimo chamado Helvet Immo, essencialmente destinado a investimento em habitação, é subscrito em francos suíços mas pago em euros. A subida do franco suíço no mercado de câmbios em relação à moeda europeia tem sido uma armadilha para os contraentes, que viram ao longo do tempo que o capital restante devido do empréstimo aumentava significativamente, apesar dos pagamento efectuados .

Face a um banco que rejeitava qualquer negociação amigável, os clientes empreenderam acções na justiça.
Constituídos civilmente com o apoio do Choisir UFC-Que, do Consommation Logement Cadre de vie e de Force Ouvrière consumidores, 2.000 possuidores de empréstimos, organizados colectivamente, apresentaram diversas acções criminais no final de 2011 e fizeram abrir um inquérito judicial em 2013. Em 29 de Agosto de 2017, no final de uma instrução judicial de três anos e meio, os dois juízes de instrução encarregados desse processo decidiram inculpar duplamente o BNP PPF e fazer encaminhar a acusação para o tribunal criminal por “ prática comercial enganosa. ” Atrasado durante muito tempo, o julgamento vai realizar-se no final de Novembro de 2019 no tribunal correcional em Paris.

Conclusão

A grande crise financeira de 2007-2008, que continua produzindo até hoje os seus efeitos, revelou à luz do dia as práticas deletérias dos bancos, cujas consequências mais graves são pagas pelos cidadãos. Longe de servir a economia e de financiar os grandes projectos socialmente justos e necessários do ponto de vista ecológico que a urgência do nosso tempo impõe, os bancos continuam suas actividades especulativas em benefício de um punhado de capitalistas que expoliam os cidadãos e actores públicos locais.

Diante dessa situação, impõe-se uma solução: assumir o controlo dos bancos socializando-os por meio do estabelecimento de um serviço público bancário a serviço do interesse geral.

Também é muito importante agir de forma coordenada a nível europeu para combater as dívidas privadas ilegítimas e, neste caso em concreto, dos créditos vinculados ao franco suíço que foram concedidos por grandes bancos privados.

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^endereço (www.odiario.info)
  2. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Banco de Portugal condena Caixa e Banif por infracções

O banco público é condenado em 50 mil euros de coima e o Banif em 280 mil euros, por violações de diversas regras financeiras identificadas entre 2013 e 2017.

O Santander Totta comprou o Banif mas não os seguros dos créditos à habitaçãoCréditos / Funchal Notícias

O regulador do sector bancário publicou, esta quarta-feira na sua página oficial, decisões de processos contraordenacionais aplicados a bancos, sociedades gestoras e administradores, nas quais identifica diversas infracções para sustentar as condenações em causa.

No que respeita à Caixa Geral de Depósitos (CGD), o valor aplicado de 50 mil euros decorre de infracções ocorridas entre 2014 e 2017, «a título negligente», e que violam a norma que proíbe a realização de operações de pagamento sem autorização do ordenante. O banco público não recorreu da decisão.

Quanto ao Banif, a condenação no pagamento de 280 mil euros resulta de infracções registadas entre 2013 e 2015 (período anterior à sua resolução, ocorrida a 20 de Dezembro de 2015, com a injecção de dinheiros públicos) relativas a falsas informações prestadas ao BdP quanto a fundos próprios. Não obstante, a execução destas condenações relativas ao Banif estão suspensas na sua execução por dois anos. Tais processos foram aceites pelo chamado Banif «mau», que se encontra actualmente em liquidação, pelo que se prevê que, considerando os seus poucos activos, não deverá ter capacidade de pagar as dívidas.

Recorde-se que com a espartilha do Banif, o Santander Totta adquiriu, a preço de saldo, a parte da actividade bancária, e a Oitante, os activos que aquele não quis. Ao passo que o Estado português já injectou milhares de milhões de euros naquela instituição financeira.

Entre outros processos que ficaram conhecidos esta quarta-feira, constam a condenação de Ricardo Salgado em 75 mil euros por infracções graves, como a prestação de falsas informações e ainda a aplicação de 110 mil euros de coima ao Espírito Santo Financial Group (ESFG).

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/banco-de-portugal-condena-caixa-e-banif-por-infraccoes

O VALOR-FÉTICHE DO DINHEIRO-PAPEL E A RAZÃO ÚLTIMA DA SUBIDA DO OURO

image
         
Considero irónico que seja alguém como Egon Von Greyerz, um gestor de armazenamento de ouro de grandes fortunas, na Suiça, que nos venha mostrar de forma clara e inequívoca, no artigo «Num mundo ilusório, é o ouro que fala verdade», a inanidade do pensamento económico contemporâneo, a criminalidade dos que gerem os nossos destinos e a obscuridade em que nos deixa a media corporativa!
A realidade é a coisa mais difícil de se reconhecer, especialmente quando se tem sido toda a vida condicionado por um conjunto de crenças, alicerçadas em práticas sociais, em pseudo-ciência, em coação também, em suma: a pensar-se dentro do rebanho. Porém, há verdades evidentes que acabam por furar a redoma de ilusão na qual é mantida a sociedade, para benefício de alguns poucos e para grave prejuízo da imensa maioria.
Uma das ficções mais persistentes que a nossa sociedade tem suportado, e que está agora a ruir, é a do valor do papel-moeda. Com efeito, as moedas de todos os países, estão (desde há cerca de 45 anos...) adoçadas em nada mais que a promessa, do governo respectivo que a emitiu, em reconhecer e aceitar esse papel impresso, como forma válida dos cidadãos pagarem as suas dívidas, nomeadamente ao Estado, sob forma de impostos, taxas, etc. Estão hoje em dia à vista os malabarismos decorrentes deste extraordinário postulado, que seria extravagante, não fosse ele suportado pelos muito reais e materiais meios de coerção que os Estados possuem para obrigar os cidadãos a cumprir com as suas obrigações fiscais.
No entanto, os que estão a destruir a moeda-papel, são - nada mais nada menos - que os próprios bancos centrais e os Estados respectivos.  Com efeito, a impressão monetária (quer se chame QE= quantitative easing, ou outro nome) constante e em grandes quantidades, vai parar às contas da banca, supostamente «demasiado grande para ir à falência», não da economia comum, do dia-a-dia. Este dinheiro é também responsável pelo inflacionar de bolhas, sobretudo no sector financeiro, embora as pessoas comuns possam notar mais isso no imobiliário, pois vai inviabilizar o seu acesso à habitação, sob forma de casa própria, ou de aluguer.
Como é evidente, o papel-moeda em si mesmo, vale - na medida e somente na medida - em que as pessoas lhe atribuem e reconheçam valor. O valor facial ou nominal de uma nota bancária não é mais do que uma unidade de contabilidade. O valor reside na capacidade ou potencialidade desse bocado de papel ser trocado por outra(s) coisa(s).  Ora, as pessoas trabalham por esses bocados de papel porque sabem que estes lhes permitem comprar os bens e serviços indispensáveis para si e para suas famílias, sem o que é evidente que não se incomodariam a trabalhar longas e penosas horas, cinco dias por semana (ou mais) para «um papel sem valor».
É aqui que nasce o duplo paradoxo: - a atribuição (universal) de valor a algo que não tem intrinsecamente nenhum; algo que pode ser fabricado a custo zero pelo Estado; o dinheiro-papel é um símbolo. - mas símbolo de quê, da equivalência ao trabalho, directamente ou indirectamente, investido na obtenção desse tal papel colorido?
Afinal, essa era a tese de Marx, de que o dinheiro é apenas uma forma «congelada» e condensada  de capital, resultante do trabalho. Com efeito, esse tipo de relação com o dinheiro está inegavelmente presente nas sociedades contemporâneas. A imensa maioria precisa de trabalhar para obter a quantidade suficiente dessas unidades, às quais é atribuído valor (quase a magia) para aquisição de bens e serviços.
Porém, a essa forma de obter dinheiro, por transformação do trabalho em mercadoria ou serviço (a essência da economia capitalista), sobrepõe-se outra, que atingiu um volume deveras monstruoso e não tem nada que ver com a progressão das forças produtivas, com a produção de mercadorias ou serviços.  Refiro-me ao dinheiro criado «ex nihilo» pelos bancos centrais e pela banca comercial. Este dinheiro serve, directa ou indirectamente, para alimentar a especulação.  Fortunas, baseadas nesta economia de casino, têm esta origem: a riqueza, como a matéria e a energia, não se destrói...transforma-se.
Quando vemos vivendas que mais parecem palácios, iates, carros de luxo, mas também grandes edifícios de grandes companhias multinacionais, eles próprios obras de arte dos melhores arquitectos, recheadas de equipamento e decoração muito dispendiosos, sabemos que estes correspondem a um excedente, que não foi resultante de trabalho árduo e honesto dos seus proprietários, mas de uma qualquer manigância ou soma de manigâncias, que permitiu amassar fortuna.  Esta fortuna, embora tenha uma componente de exploração directa do trabalho assalariado de outrem, é sobretudo, hoje, resultante de especulação, do acesso privilegiado a empréstimos a custo zero (ou quase) ao qual certos indivíduos e empresas têm acesso, como privilégio de sua proximidade ao poder. 
A obtenção, por uma pequeníssima oligarquia, do dinheiro dito «fiat» (= não tem suporte, senão a palavra do governo) constitui um fenómeno totalmente novo no capitalismo, ao qual nem Marx, nem muitos outros depois dele (incluindo muitos contemporâneos) podiam ter sequer imaginado. A especulação existia, nas bolsas e noutros aspectos da economia, mas no tempo de Marx (e mesmo bem mais tarde) era um fenómeno marginal.  Quando Marx explicou o início dos empórios capitalistas através da ACUMULAÇÃO PRIMITIVA, sobre os despojos coloniais não podia prever que outras formas de acumulação teriam lugar, século e meio depois de sua morte. 
Hoje em dia, a acumulação de capital que permite o amontoar de fortunas colossais é obtida por meios bem diferentes. Hoje, trata-se simplesmente de obter dos Estados e respectivos bancos centrais, elevadas somas como empréstimos, as quais têm a característica de ter um juro próximo de zero. Estas benesses porem, não estão ao alcance de qualquer pessoa, nem mesmo dos capitalistas com dimensão média. Apenas multinacionais, a grande banca, fundos trilionários e as esferas mais próximas do poder, possuem esse privilégio.  Por exemplo, ao «postular» que um banco não pode ir à  falência... o que se está a proporcionar?  - Que todas as apostas, mesmo as mais arriscadas, mesmo as mais idiotas, que a direcção desse banco faça terão a garantia do respectivo Estado: lá estará ele para «amparar», «limpar», «reparar» os estragos feitos!
Mas afinal, o Estado obtém o dinheiro dos impostos, os quais são pagos pelos cidadãos. Estes, de uma forma ou de outra, contribuíram com o seu trabalho para criar valor e foram remunerados em dinheiro. É apenas devido à ocultação de todo o esquema de gatunagem  que esse dinheiro, resultante dos que trabalham, vai impunemente parar aos bolsos das empresas, da banca e dos fundos que se «portaram mal»!
É um autêntico ataque em forma, que é feito às pensões de reforma  e aos salários dos funcionários, pelo Estado, pelo governo, pelos dirigentes que choram lágrimas de crocodilo.. Uma media ao serviço dos poderosos encarrega-se de ocultar e baralhar os factos (na essência, muito simples), que poderiam emergir da análise fria e objectiva... .

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

CGD vende filial espanhola ao Abanca

A venda da CGD da sua filial espanhola, ordenada por Bruxelas, põe fim a quase 30 anos de intervenção directa no mercado bancário espanhol e desbarata uma ferramenta de apoio às PME nacionais.

A Caixa Geral de Depósito é o único banco em Portugal que tem o Estado como único accionistaCréditos

O Banco Caixa Geral (BCG), filial espanhola da Caixa Geral de Depósitos (CGD), foi esta manhã vendido ao banco Abanca por 364 milhões de euros.

A transferência da propriedade da empresa decorreu em Madrid e culmina um processo iniciado em Novembro de 2018, quando o Governo português escolheu o banco galego Abanca para a venda da filial da CGD. No passado dia 9 de Setembro, o Banco Central Europeu (BCE) autorizou a operação.

Segundo a Lusa, o Abanca pagou 364 milhões de euros pela aquisição de 99,79% da filial espanhola, o que teve um impacto positivo de 135 milhões nos resultados do primeiro semestre e nos capitais consolidados da CGD.

Com esta aquisição, a instituição bancária, propriedade do grupo Banesto, adiciona à sua carteira 131 mil clientes e um volume de negócios de 7000 milhões de euros distribuídos por 110 balcões (na sua maioria localizados na fronteira com Portugal) e contando com mais de 500 trabalhadores.

Fim de quase 30 anos de operação em Espanha

Com a venda, a CGD põe fim a quase 30 anos de operação independente no país vizinho, com o qual a economia portuguesa, com particular relevo para as pequenas e médias empresas (PME), se encontra fortemente interligada.

A este propósito, em declarações prestadas ao ECO em Abril passado, Enrique Santos, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola (CCILE), refere que a relação entre Portugal e Espanha «é muito intensa e anualmente representa mais de 32 mil milhões de euros em produtos e serviços transaccionados, tendo vindo a crescer todos os anos». Segundo o ECO, «Portugal contava com 5278 exportadores para Espanha em 2014, valor que foi subindo ligeiramente ao longo dos anos posteriores, a um ritmo relativamente estável».

O valor dos activos do BCG é reconhecido pelos seus novos donos, que se lhe referiram como sendo um banco «são, capitalizado e muito bem gerido». Na conferência de imprensa realizada após a venda, Paulo Macedo, presidente da CGD, afirmou não sair «com gosto» do mercado espanhol e explicou a venda como «uma condição da capitalização da própria Caixa», prevista no Plano Estratégico de 2017 do banco do Estado. Defendendo a medida, o gestor declarou que «a CGD não está efusiva» mas vai [com esta venda] «estar mais focada e ser mais sustentável e ter menores probabilidades de pedir dinheiro aos contribuintes».

«nos anos seguintes [a 2005] a actividade do Banco Caixa Geral centrou-se, não no esperado apoio aos pequenos e médios empresários portugueses com actividades ibéricas, mas na banca de investimento»

Relatório Final da II Comissão de Inquérito

Segundo o referido Plano Estratégico, desenhado pelo Governo PS e pela Comissão Europeia em 2017 como resposta às ajudas prestadas pelo Estado português à CGD nesse ano, o banco estatal abandonará as suas operações em Espanha, na África do Sul e no Brasil, ao mesmo tempo que reduz a sua presença em Cabo Verde. Em 24 de Setembro passado, um despacho do secretário de Estado Adjunto e das Finanças determinou a abertura de candidaturas ao BCG Brasil, a fim de vender este banco até ao final do corrente ano.

Ao antigo ministro da Saúde do governo de Passos Coelho tem sido reconhecida a competência técnica mas também lhe é apontada a condução do banco do Estado «com uma política de máximo lucro – e, já agora, de máximos prémios para os gestores envolvidos – como se fosse um qualquer banco privado», desaproveitando o papel estratégico da banca pública no desenvolvimento da economia portuguesa.

«Banca de investimento» em vez de apoio a empresas malbarata recurso público

A subsidiária espanhola da CGD, recorda o Expresso, resultou da aquisição e posterior integração, a partir de 1991, de três bancos – o Banco Simeón, o Banco de Extremadura e o Banco Luso Español (inicialmente Chase Manhattan Bank España) –, cuja dispersão regional dificultou a sua complementaridade. Com novas aquisições postas de parte, optou-se por um crescimento orgânico que se traduziu na sua actual dimensão, mas o desenvolvimento do banco foi seriamente prejudicado pelas opções tomadas na chamada «banca de investimento», a qual, segundo a mesma fonte, foi «a principal responsável pelas perdas registadas nesta operação», conforme foi possível apurar pela comissão parlamentar de inquérito a gestão do banco público.

Segundo o Relatório Final da II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco (Relatório Final), a qual funcionou entre 21 de Fevereiro e 19 de Julho de 2019, «a "operação Espanha" custou à CGD mais de EUR 582M em prejuízos para além dos valores despendidos em aumentos de capital do BCG, tendo contribuído de forma relevante para os aumentos de capital que o accionista Estado teve de efectuar na CGD em Portugal».

O relatório é claro a respeito das responsabilidades pelo fracasso da «operação Espanha», as quais devem ser imputadas ao desrespeito e incumprimento da política de defesa do interesse público delineada para o BCG.

«Como a banca de retalho tinha um potencial de crescimento muito lento e limitado, a banca de investimento, de maior complexidade e risco, tornou-se mais apelativa num contexto de acesso facilitado aos mercados internacionais de capitais. A antecipação dos objectivos impostos pelo plano de negócios 2005-2010 (triplicar o activo para EUR 7 mil milhões, duplicar a base de clientes, duplicar o número de agências e atingir um ROE positivo) foi assim conseguida à custa de uma alteração substancial da estrutura do crédito concedido»

RELATÓRIO FINAL DA II COMISSÃO DE INQUÉRITO

O investimento da CGD no país vizinho foi feito «considerando a ligação das economias de Portugal e de Espanha» e o facto de esta ser «o maior parceiro comercial português», com «uma economia à altura em plena expansão e tendo um dos sectores bancários mais desenvolvidos», mas onde a banca portuguesa detinha apenas «0,3% de quota de mercado», enquanto «a banca espanhola detinha 12% da quota de mercado em Portugal».

Estas foram, segundo o Relatório Final, «as razões para o investimento da CGD em Espanha», o qual tinha por objectivo «a liderança no negocio bilateral Portugal-Espanha», pelo que em 2005/2006 foram abertos «20 centros de empresas, 12 centros de private banking para acompanhamento de clientes abastados e dois centros de corporate banking».

Se em 2005 as pequenas e médias empresas (PME) beneficiaram de 60% do crédito concedido, esse apoio foi efémero e, «nos anos seguintes, a actividade do Banco Caixa Geral centrou-se», pode ler-se no relatório, «não no esperado apoio aos pequenos e médios empresários portugueses com actividades ibéricas, mas na banca de investimento».

Entre 2005 e 2008, «o crédito concedido quase triplicou» mas, neste último ano, «incluindo o crédito concedido pela sucursal, as PME passaram a representar apenas 38% enquanto os Grandes Riscos no BCG duplicaram», aos quais deve somar-se o crédito imobiliário, retratado no relatório como especulativo. Em 2011, a «banca de investimento» já significava 70% do negócio da sucursal da CGD.

Trata-se, expõe o relatório, de uma subversão dos «objectivos iniciais com que [a CGD] iniciou as suas operações em Espanha», motivados pela mesma priorização do lucro máximo que é usada hoje para a liquidação deste activo estratégico: «a antecipação dos objectivos impostos pelo plano de negócios 2005-2010 (triplicar o activo para EUR 7 mil milhões, duplicar a base de clientes, duplicar o número de agências e atingir um ROE positivo) foi assim conseguida à custa de uma alteração substancial da estrutura do crédito concedido».

«Se se tivesse mantido a estratégia inicial de investimento, seria menos provável o falhanço geral da operação da CGD em Espanha mesmo tendo em conta a crise, porque enquanto que o PIB espanhol caiu 4%, as vendas do sector imobiliário contraíram 40%, sector em que [a CGD] apostou maioritariamente após a mudança de estratégia»

RELATÓRIO FINAL DA II COMISSÃO DE INQUÉRITO

O relatório conclui que «para além dos prejuízos directos pode também considerar-se o imensurável custo de oportunidade, dado que a CGD poderia ter aplicado esses recursos noutras áreas mais seguras e alinhadas com a estratégia inicialmente delineada para a presença em Espanha, nomeadamente os apoios a pequenas e médias empresas portuguesas a operar no país vizinho».

O Relatório Final da II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco foi aprovado por unanimidade em Julho passado e pôs a nu o desbaratamento de recursos do banco público entre pelo menos 2005 e 2015, responsabilizando tanto o governo PS de José Sócrates como o governo de coligação PSD/CDS de Passos Coelho, Paulo Portas e Assunção Cristas.

Isso mesmo foi sublinhado pelo deputado Duarte Alves (PCP), que, na altura, em declarações feitas ao Público, apontou aos sucessivos governos do PS, PSD e CDS responsabilidades pelo rumo de afastamento da Caixa do seu papel como banco público, que «levaram às perdas» conhecidas.

A mesma fonte refere declarações de João Paulo Correia (PS), Duarte Marques (PSD) e Cecília Meireles (CDS), em que estes deputados colocaram o acento tónico nas responsabilidades das administrações da CGD (algumas «ruinosas») e não nas dos governos de tutela.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cgd-vende-filial-espanhola-ao-abanca

O agravamento da crise do Montepio

O agravamento da crise económica, financeira e de governo do Grupo Montepio, o risco de despedimentos e a passividade dos supervisores (ASF, Ministério do Trabalho e Banco de Portugal) que assim se tornam coniventes

 

Eugénio Rosa

Neste estudo analiso, utilizando os dados sobre a Associação Mutualista e do Relatório e Contas consolidado do 1º semestre 2019 do Banco Montepio, a situação difícil e mesmo grave em que se encontra actualmente a Associação Mutualista Montepio Geral, e o risco que correm as poupanças de mais de 600.000 associados se a administração de Tomás Correia permanecer. E isto porque a indefinição, a instabilidade e a quebra de reputação causada pela manutenção da administração de Tomás Correia, punida (ela e a administração da sua confiança na Lusitânia não vida) com elevadas coimas pelo Banco de Portugal e pela Autoridade de Concorrência está a desestabilizar todo o grupo Montepio, perante a passividade da ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) do Ministério do Trabalho e do Banco de Portugal que nada fazem para por fim a tal situação.

E como se tudo isto já não fosse suficiente uma comissão escolhida por Tomás Correia elaborou uma proposta de Estatutos para a Associação Mutualista que inclui um artigo (artº 56, nº2) que estabelece o seguinte: “Os mandatos dos titulares da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, eleitos em 7 de Dezembro de 2018, mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de Dezembro de 2021, não sendo alterada a composição destes Órgãos até à mesma data”, ou seja a manutenção de Tomás Correia e dos seus fieis até 2021. E isto apesar do novo Código das Associações Mutualistas (Decreto-Lei 59/2018) impor a entrada em vigor de um novo Estatutos para a Associação Mutualista até Setembro de 2019 e, consequentemente, a eleição de novos corpos gerentes.

Mas a administração de Tomás Correia e os seus fieis, incluindo o padre Melícias, têm medo de novas eleições pois nas ultimas tiveram menos de metade dos votos, e só foi a dispersão por várias listas que os salvou. A ASF  anda há mais de um ano a adiar a decisão sobre a idoneidade de Tomás Correia tornando-se  conivente com toda esta situação e sendo responsável pelo desgaste e prejuízos económicos e financeiros e de reputação que ela está a causar a todo o grupo Montepio

Mesmo que não seja associado do Montepio peço a sua ajuda para que esta informação chegue ao maior número de associados da Associação Mutualista. Antecipadamente agradeço a ajuda que puder dar pois o Montepio é a maior mutualista do país que tem as poupanças de mais de um milhão de portugueses (associados e familiares).

 
 

Estudo

O agravamento da crise económica, financeira e de governo do Grupo Montepio, o risco de despedimentos e a passividade dos supervisores (ASF, Ministério do Trabalho e Banco de Portugal) que assim se tornam coniventes.

 

 
 

 

A crise da Associação Mutualista agrava-se perante a passividade da ASF e do Ministério do Trabalho que andam há um  ano para decidir mas não decidem nada

O grupo Montepio é constituído por 48 empresas, em que a entidade mãe, ou seja, aquela que financia todas as empresas, e cujos resultados consolida (lucros e prejuízos) é a Associação Mutualista Montepio Geral.

Embora o número de associados esteja a diminuir todos os meses, em Agosto  de 2019, ainda tinha 606.000 associados, cujas poupanças – cerca de 3.000 milhões € – têm financiado todas aquelas empresas e suportado os elevados prejuízos que elas têm acumulado ao longo de mais de 15 anos de uma gestão ruinosa da administração Tomás Correia que, à semelhança de Ricardo Salgado, se sente “Dono de Todo o Montepio” (DTM), impondo de uma forma prepotente, quer à Associação Mutualista quer nas empresas do grupo, a sua vontade (os que se atrevem a opor-se são marginalizados, cultivando a cultura da submissão), muitas vezes em clara violação da lei ( segundo o Código das Associações mutualistas as aplicações numa “única empresa ou sociedade não podem, em caso algum, representar mais de 10 % do ativo de uma associação mutualista”, mas no fim de 2018 estavam investidos no Banco Montepio 2.420 milhões €, o que corresponde a 63,42% do Ativo da Associação Mutualista e a 80,7% das poupanças que os associados têm nela e, em 2019, foram aplicados mais 150 milhões € em divida subordinada do Banco Montepio, conforme pág.156 Relatório e Contas) perante a passividade dos supervisores (Ministério do Trabalho e ASF)que nada fizeram para impedir a violação da lei.

No fim de 2018, Tomás Correia apresentou um Programa de Actividades e Orçamento de 2019 para a Associação Mutualista fantasioso, que à semelhança dos anos anteriores, nunca é cumprido e apenas serve para iludir quem quer ser mais uma vez enganado. Previa que o número de associados aumentasse, entre 2018 e 2019, de 612.000 para 636.000, mas o que tem acontecido é uma diminuição de quase 1000 associados por mês; previa também que a Margem associativa (diferença entre entradas e saídas de poupanças) fosse positiva no montante de 121,3 milhões €, mas nos oito primeiros meses de 2019 a Margem associativa foi nula.

A nível de liquidez imediata, ou seja, de meios financeiros que podem ser utilizados de imediato para reembolsar os associados, o Orçamento para 2019 previa em “Caixa e Bancos” existirem 236,6 milhões €, e a realidade é que na data referida existiam apenas 150 milhões €. E em obrigações, que podem ser rapidamente convertidas em dinheiro, previa 465 milhões € e existiam pouco mais de 360 milhões €, estando  cerca de 150 milhões € aplicados em dívida subordinada do Banco Montepio não podendo ser transformados imediatamente em dinheiro porque, se fossem resgatados iriam afectar os racios de capital, o que não é permitido pelo Banco de Portugal.

Assim se um número elevado de associados, como aconteceu já no passado, quiser levantar as suas poupanças dificilmente o conseguirá. E se retiramos ao Activo da Associação Mutualista os chamados “Activos por impostos diferidos” – 816 milhões € – que é um “activo fictício”, o valor do Activo total (aquilo que possui ou tem a receber) a Associação Mutualista é já inferior ao seu Passivo total, ou seja, aquilo que deve e tem de pagar. Portanto, o risco que correm as poupanças é grande.

A juntar a tudo isto há ainda as coimas aplicadas pelo Banco de Portugal (3,5 milhões € ao Banco Montepio e 1,25 milhões € à administração de Tomás Correia) por actos inaceitáveis serem praticados num grupo mutualista que se devia orientar pelos princípios da transparência, de cumprimento da lei e de uma gestão rigorosa que defenda a reputação do Montepio e os interesses dos associados, o que não aconteceu; e ainda a coima de 13 milhões € aplicada à Lusitânia SA (não vida), pela Autoridade da Concorrência, por cartelização praticada por uma administração escolhida e da confiança de Tomás Correia.

E estas coimas assim como os custos da defesa dos administradores condenados pelo Banco de Portugal e pela Autoridade da Concorrência, estão a ser pagos pelo Montepio ou seja, pelos associados. Tudo isto custa dezenas de milhões € ao Montepio e aos associados e afecta a reputação do Montepio. Tomás Correia não é digno para continuar à frente da AMMG mas continua perante a passividade da ASF e do Ministério do Trabalho que andam há um ano para decidir sobre a idoneidade mas não decidem nada, e quando decidirem é já tarde.

 

As poupanças dos associados aplicadas nas empresas do Grupo Montepio não estão render nada ou quase nada, o que não permite pagar aos associados os rendimentos prometidos e muito menos distribuir benefícios

Dos 3.000 milhões € (poupanças) que os associados têm aplicado na Associação Mutualista, cerca de 2.100 milhões € , deduzindo as imparidades, estão aplicadas em empresas do grupo Montepio. E o dramático é que essas empresas ou têm tido sistematicamente prejuízos ou resultados próximos de zero, o que não permite à Associação Mutualista remunerar os associados pelas poupanças que têm investido na Associação Mutualista. Uma parte dessas poupanças já desapareceu (pelo menos as cobertas por imparidades) devido aos prejuízos acumulados por essas empresas (na Caixa Económica, actual Banco Montepio, a Associação Mutualista já investiu 2.420 milhões € e os Capitais Próprios do Banco, em Jun. 2019, somavam apenas 1.508,6 milhões €, o que significa que desapareceram 911,4 milhões € devido aos prejuízos acumulados; uma situação semelhante verifica-se na Lusitânia SA (não vida) que acumulou nos últimos 7 anos -2012/2018- 155,8 milhões € de prejuízos e  onde a Associação Mutualista já investiu 141 milhões € a juntar aos lucros obtidos pela Lusitânia vida que têm sido desviados para aquela empresa).

Por isso, vamos analisar de uma forma mais detalhada a situação actual do Banco Montepio (Caixa Económica) para mostrar o risco existente, pois ele é o activo mais importante da Associação Mutualista, e aquele que é a principal garantia das poupanças  e dos rendimentos dos associados.

 

O Banco Montepio e a queda continuada do crédito apesar da elevada liquidez, a indefinição a nível de governo, e o banco continua a não gerar rendimentos para a Associação Mutualista apesar desta ter investido nele 2.420 Milhões €

 

O quadro 1 foi construído com base nas contas apresentadas pelas administrações de Tomás Correia (2015), de José Félix Morgado (2016 e 2017) e de Carlos Tavares (2018 e 2019)

 

Quadro 1 – Demonstração de resultados consolidados da CEMG – Banco Montepio – 2015 / 1º Semestre 2019

 

Comecemos pela análise da Margem Financeira que resulta da actividade “core” do banco de intermediação financeira. A primeira conclusão que se tira dos dados do quadro 1 é que ela tem diminuído de uma forma continuada desde 2017. Entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, diminuiu novamente pois passou de 134 milhões € para 120 milhões € (-10,4%), enquanto que em  2015 e 2017, a Margem Financeira  tinha aumentado em todos os anos (+25M€ e +18M€) E isto apesar de se ter pago aos depositantes, pelos seus depósitos, neste período (2015/2019), menos 300 milhões €.. E mesmo se entrarmos em conta com os rendimentos de capital (juros das elevadas aplicações em divida publica como se mostrará mais à frente), mesmo assim a situação não se alterou em 2019.

Portanto, o grande problema que continua a enfrentar o Banco Montepio, que não se limita apenas ao 1º sem.2019, pois também se verificou em anos anteriores, mas se mantém, é a incapacidade para aumentar o crédito numa conjuntura difícil, o que exigia por parte de quem é responsável da administração pela rede comercial uma grande experiência, competência, e uma capacidade para envolver e dinamizar os trabalhadores, fixando objectivos claros e utilizando incentivos adequados, o que ainda não se verificou no Banco Montepio. Em estudo anterior mostramos que o banco está a perder quota de mercado, uma situação muito grave que a continuar mostra que não está a ser capaz de aguentar a concorrência dos outros bancos o que, a persistir, corre o risco de ser reduzido à insignificância ou absorvido por outro banco.

O segundo proveito (crédito) que decorre da actividade “core” do Banco são as comissões. E as “Comissões líquidas”, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, praticamente estagnaram. A explicação está também no “efeito dos menores proveitos com comissões de crédito”. Portanto, resulta do grave problema que continua a enfrentar o Banco Montepio, e que continua por resolver, que é a incapacidade para aumentar o crédito às famílias e à economia e que o Banco de Empresas Montepio não está a conseguir resolver, como iremos mostrar mais à frente.

Como consequência da evolução negativa quer da Margem Financeira quer das Comissões líquidas, o “Produto bancário core”, que é a soma das duas e resulta da actividade “core” do banco, diminuiu em 16 milhões € entre o 1º sem.2018 e 1º sem.2019

Também o “Produto bancário”, que é um dos indicadores mais utilizados para avaliar os resultados da actividade no sector bancário e para avaliar a sua gestão, sofreu no Banco Montepio uma redução pois, entre 1º sem.2018  e 1º sem.2019, diminuiu de 142 milhões € para 126 milhões € (-11,3%).

Os Custos operacionais entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, reduziram-se em 7 milhões €, mas 6 milhões € à custa da redução em despesas com pessoal, mas o que banco necessita é de mais negócio.

Como consequência, o “Cost-To-income”, o rácio mais utilizado na banca para avaliar a eficiência da gestão, teve, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, uma evolução também negativa. Calculado com base na divisão dos Custos operacionais pelo Produto bancário, este rácio aumentou, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, de 66,1% para 68,8%. E o calculado com base no “Produto bancário core” teve um aumento semelhante (de 66,4% para 68,2%) o que é consequência da falta de negócio.

Entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, as imparidades totais registam uma quebra de 12 milhões €, pois passaram de 60 milhões € para 47 milhões €, mas a redução nas imparidades de crédito foi muito menor (apenas -4 milhões €). E mesmo assim é preciso estar atento devido ao elevado montante de créditos não produtivos (taxa NPL:14,7%, o que corresponde a 1.849 milhões €).

Como consequência, os Resultados operacionais foram, no 1º seme. 2019 praticamente iguais aos do 1º sem.2018, mas  o Resultado liquido do 1º sem.2019 (4,8 milhões € e não inclui a coima de 3,5 M€) foi muito inferior ao do 1º sem.2018 (18,1 milhões €) em -73,5%, um indicador de que em 2019 não haverá, mais uma vez, transferência de  lucros para a Associação Mutualista, o que significa que os associados não obterão qualquer rendimento de cerca de 1.509 milhões € que ainda existem no banco das suas poupanças, a não ser que se utilize uma parte do dinheiro de poupanças para pagar os rendimentos.

A nível de rácios, interessa referir os rácios de capital  (CET 1 e Tier 1) que, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, aumentaram apenas 0,5 pontos percentuais fundamentalmente à custa  da diminuição do Activo ponderado pelo risco (RWA) que, entre Dez.2017 e o 1º sem.2019, diminuiu de 11.875 milhões € para 10.429 milhões € através da venda de carteiras de crédito muitas vezes com prejuízo , de  “write-off” (créditos abatidos ao Activo por se consideraram perdidos) e do elevado montante aplicado em divida pública que, de acordo com instruções do supervisor, é considerado um activo sem risco. O rácio de Capital Total aumentou, entre o 1º sem. 2018 e o 1º sem.2019, de 13,6% para 15,2%, não só pelas razões anteriores, mas também devido àemissão de dívida subordinada a uma taxa de 10,5% no montante de 150 milhões € adquirida pela Associação Mutualista com as poupanças dos associados.

Um aspecto positivo a realçar é o rácio de liquidez (LCR) que, entre o 1º sem.2018 e o 1º semestre de 2019, aumentou de 160,5% para 196,8%, um valor  muito acima do exigido pelo supervisor que é 100%, o que dá estabilidade ao banco e gera confiança, mas é também um indicador de falta de eficiência a nível de gestão (existe elevada liquidez que não é aproveitada para conceder  crédito).

 

A continuação da queda do crédito concedido no 1º semestre de 2019 e a indefinição existente a nível de governo e o risco de despedimentos no Banco Montepio

Os dados do quadro 2, oficiais porque são dos Relatórios publicados pela Caixa Económica Montepio Geral, agora Banco Montepio, permitem fazer a análise do Balanço do Banco Montepio de vários anos completando a análise anterior. E uma das conclusões importantes que dele se tira é a continuada e significativa queda do crédito concedido pelo banco, o que prova que o crédito novo continua a ser insuficiente para compensar o credito amortizado, o liquidado, o abatido e o vendido. A continuar poderá pôr em risco o próprio emprego dos trabalhadores. É preciso que não se esqueça disso.

 

Quadro 2 – Balanço consolidado da CEMG/BANCO MONTEPIO – 2015/1º Semestre 2019

FONTE: Contas anuais de 2015, 2016, 2017, 2018 e 1º Semestre de 2019 – Caixa Económica Montepio Geral, Banco Montepio

 

Um 1º aspecto importante dos dados quadro 2, é a manutenção de elevadas aplicações no BCE e em outras instituições de crédito,o que revela que o Banco Montepio tem capacidade para conceder mais crédito do que actualmente concede (se o não faz, é porque não consegue ter a dinâmica necessária). Essa conclusão é reforçada pelas enormes aplicações em títulos – 3.246 milhões € no 1º sem.2019 – que corresponde a 17,4% do Activo líquido total, mais 5,6 pontos percentuais que em Dezembro-2018.

É uma área que não faz parte do seu “core business”, e que incorpora o risco da taxa de juro, visando a obtenção de mais-valias (57 milhões € foram directamente registadas na Conta de Capital compensando os 68,8 milhões € resultantes dos alteração dos pressupostos do Fundo de Fundo de Pensões, em que baixou a taxa de descontos de 2,25% para 1,6%), o que está associado a actividade especulativa de risco o que confirma também a existência de elevados meios financeiros disponíveis não aplicados na concessão de crédito.

Mas o que é preocupante é a continuação da queda do crédito concedido também no 1º sem.2019, já que o crédito bruto, em apenas 6 meses, sofreu uma redução de 500 milhões €. Se consideramos o período de tempo da actual administração (um ano e meio), já atinge 1.485 milhões € (80 M€/mês). E redução do crédito verifica-se em todos os segmentos como revela o quadro da pág. 56 do Relatório do 1º sem.2019 (entre Dez.2018 e Jun. 2019, a redução foi de 207 milhões € a nível de particulares, sendo -172 milhões no crédito a habitação, e a diminuição atingiu 282 milhões € no credito a empresas).

A este ritmo de queda de crédito não há instituição financeira, com a dimensão do Banco Montepio, que resista durante muito tempo o que põe também em risco o emprego de muitos trabalhadores. E a situação torna-se mais incompreensível para associados e trabalhadores quando se assiste a novas contratações de trabalhadores no lugar de aproveitar os trabalhadores já existentes no Banco.

O BANCO DE EMPRESAS MONTEPIO (BEM), apresentado como a solução para esta situação grave de falta de crédito, ainda não provou que assim o seja, pois segundo dados constantes do quadro que se encontra na pág. 39 do mesmo relatório a evolução do crédito real liquido total do BEM não tem atingido os objectivos esperados, sendo a seguinte: Junho de 2018: 32,8 milhões €; Dez.2018: 27,4 milhões €; Junho de 2019: 24,7 milhões €, portanto reduzidos e em queda.

Um aspecto positivo são os depósitos de clientes que não têm diminuído. Entre dez.2018 e Junho de 2019 até aumentaram de 12.566 milhões € para 12.688 milhões € (+114 milhões €). No entanto, se somarmos os depósitos de clientes às “Responsabilidades representadas por títulos, que também são recursos de clientes com os quais o banco financia o seu activo, então conclui-se que se verificou, entre dez. 2018 e jun. 2019, uma diminuição pois passou de 13.660 milhões € para 13.641 milhões €.

O “rácio de transformação”, que é outro indicador da eficiência da dinâmica comercial, e que se obtém dividindo o crédito líquido pelos recursos de clientes, que pode servir para avaliar a eficiência de uma administração (quanto mais baixo pior), tem diminuído com a actual administração como revela o quadro 2. Entre Dez.2018 e Jun.2019, baixou de 96,4% para 92%. Isto significa que por cada 100€ de depósitos que o Banco Montepio obteve dos clientes, em Dezembro de 2018, concedia crédito apenas no montante de 96,4€ e, em Junho de 2019, já tinha descido a concessão de crédito para apenas 92€ por cada 100€ de depósitos. E se este rácio for calculado com base nos recursos totais obtidos dos clientes (depósitos+ títulos), a situação ainda se revela mais grave: em dez.2018 por cada 100€ de recursos totais obtidos o crédito concedido foi  88,7€ e, em jun. 2019, apenas 85,5€. Uma parcela importante de recursos obtidos não são rentabilizados pelo Banco Montepio através da concessão de crédito o que revela elevada apatia e ineficiência. É mais uma razão para os trabalhadores estarem apreensivos e os seus postos de trabalho em risco.

Um aspecto positivo a salientar é a redução dos Activos ponderados pelo risco (RWA) que são o denominador da fracção utilizada para calcular os rácios de capital. Devido às dificuldades existentes na recapitalização do Banco Montepio face às crescentes exigências do supervisor, a administração do banco desenvolveu esforços para reduzir o valor dos RWA. Entre 2017 e 2018, os Activos ponderados pelo risco (RWA) diminuíram em 1.106 milhões €, pois passaram de 11.875 milhões € para 10.769 milhões €, e no 1º sem.2019 diminuíram mais 340 milhões € pois passaram para 10.429 milhões €- Esta evolução é positiva pois reduz as necessidades de capital. No entanto, isto tem também um lado negativo, já que é também uma consequência da redução significativa da carteira de crédito e do aumento enorme de aplicações em títulos da divida pública que incorpora no banco o risco de mercado e de taxa de juro, e que é associado normalmente a actividade especulativa (obtenção de mais valias para compensar a redução da Margem financeira causada pela incapacidade de aumentar o credito concedido).

No período 2011/2018, como consequência da perdas a nível do credito concedido na maioria pela administração de Tomás Correia, praticamente sem análise de risco,  e dos enormes prejuízos causados, a Associação Mutualista foi obrigada a recapitalizar o agora Banco Montepio, com 1.620 milhões € de poupanças dos associados (Tomás Correia ainda teve a desfaçatez de se gabar na assembleia geral da AMMG de 28/3/2019 que não teve de recorrer ao Estado como aconteceu com outros bancos, mas só isso sucedeu porque utilizou as poupanças dos 607.000 associados para cobrir as enormes perdas causadas pela sua administração), a que se junta,  em 2019, mais 76 milhões €, que praticamente não tem rendido nada nos últimos anos à AMMG, portanto aos associados, devido aos baixíssimos resultados obtidos pelo Banco Montepio como se verificou também em 2018 e agora em 2019. E mais recentemente teve conceder um empréstimo subordinado face ao fracasso da emissão publica, para que o banco pudesse cumprir o Rácio de Capital total exigido pelo supervisor.

Um aspecto preocupante revelado pelos dados do quadro 2, é a redução do Capitais Próprios que, embora reduzida no 1º sem.2019 (-12,7 milhões €), revela a continuação de uma tendência que se tem  verificado nos últimos anos, que mostra a incapacidade do Banco Montepio de aumentar os seus Capitais pela via orgânica interna (lucros), o que tem obrigado a Associação Mutualista a sucessivas recapitalizações com as poupanças doas associados. É uma situação insustentável, e que não pode continuar, e que resulta também da situação criada e agravada pela indefinição e instabilidade que existe a nível de governo do Banco Montepio cuja responsabilidade é de Tomás Correia e do Banco de Portugal, de que é prova recente a demissão do presidente da Comissão de Auditoria um dos membros mais competentes da actual administração do banco que se recusou a ser conivente com a actual situação.

 

O golpe de Tomás Correia para se manter na AMMG até 2021 só é possível com a conivência e a passividade dos supervisores que não tomam decisões tornando mais difícil a recuperação do Montepio

A necessidade de uma unidade alargada para salvar o Montepio

Segundo o nº1 do artº 5º do novo Código das Associações Mutualistas (DL 59/2018) de 2 de Agosto de 2018“As associações mutualistas existentes à data da entrada em vigor do presente decreto -lei dispõem do prazo de um ano, a contar dessa data, para procederem às alterações dos estatutos necessárias à sua conformidade com as normas do Código”. E de acordo com mesmo decreto ele entra em vigor 30 dias após a sua publicação. Portanto, em Setembro de 2019 deve entrar em vigor o novo Estatutos da Associação Mutualista.

E o que fez Tomás Correia para continuar a controlar o Montepio? Escolheu uma Comissão (a sua) para a elaboração dos novos Estatutos a apresentar na Assembleia de associados convocada, através do seu amigo padre Melícias, para  4 de Novembro no Coliseu, que elaborou um projecto de Estatutos, acredite-se ou não, que no seu nº2 do artº 56 diz o seguinte: “Os mandatos dos titulares da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, eleitos em 7 de Dezembro de 2018, mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de Dezembro de 2021, não sendo alterada a composição destes Órgãos até à mesma data”.A desfaçatez e a impunidade com que se sente O “Dono de todo o Montepio” é enorme ao impor nos novos estatutos a perpetuação à frente do Montepio dele e dos seus amigos. Ele tem medo de novas eleições. É urgente uma unidade ampla de todos aqueles que estão interessados em salvar as poupanças dos associados, o emprego dos trabalhadores e o Montepio para correr com Tomás Correia que tanta destruição causou ao Montepio.



 

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-agravamento-da-crise-do-montepio/

O agravamento da crise económica, financeira e de governo no Grupo Montepio, o risco de despedimentos e a passividade dos supervisores que assim se tornam coniventes

– A crise da Associação Mutualista agrava-se

perante a passividade da ASF e do Ministério do Trabalho que andam há um ano para decidir mas não decidem nada

por Eugénio Rosa [*]

'. O grupo Montepio é constituído por 48 empresas, em que a entidade mãe, ou seja, aquela que financia todas as empresas, e cujos resultados consolida (lucros e prejuízos) é a Associação Mutualista Montepio Geral. Embora o numero de associados esteja a diminuir todos os meses, em Agosto de 2019, ainda tinha 606 mil associados, cujas poupanças – cerca de 3.000 milhões € – têm financiado todas aquelas empresas e suportado os elevados prejuízos que elas têm acumulado ao longo de mais de 15 anos da gestão ruinosa da administração Tomás Correia que, à semelhança de Ricardo Salgado, se sente "Dono de Todo o Montepio" (DTM), impondo de uma forma prepotente, quer à Associação Mutualista quer nas empresas do grupo, a sua vontade (os que se atrevem a opor são marginalizados, cultivando a cultura da submissão) , muitas vezes em clara violação da lei (segundo o Código das Associações mutualistas as aplicações numa "única empresa ou sociedade não podem, em caso algum, representar mais de 10 % do ativo de uma associação mutualista", mas no fim de 2018 estavam investidos no Banco Montepio 2.420 milhões €, o que corresponde a 63,42% do Ativo da Associação Mutualista e a 80,7% das poupanças que os associados têm nela e, em 2019, foram aplicados mais 150 milhões € em divida subordinada do Banco Montepio, conforme pág.156 Relatório e Contas) perante a passividade dos supervisores (Ministério do Trabalho e ASF) que nada fizeram para impedir a violação da lei.

No fim de 2018, Tomás Correia apresentou um Programa de Atividades e Orçamento de 2019 para Associação Mutualista fantasioso, que à semelhança dos anos anteriores, nunca é cumprido e apenas serve para iludir quem quer ser mais uma vez enganado. Previa que o número de associados aumentasse, entre 2018 e 2019, de 612.000 para 636.000, mas o que tem acontecido é uma diminuição de quase 1000 associados por mês; previa também que a Margem associativa (diferença entre entradas e saídas de poupanças) fosse positiva no montante de 121,3 milhões €, mas nos oito primeiros meses de 2019 a Margem associativa foi nula. A nível de liquidez imediata, ou seja, de meios financeiros que podem ser utilizados de imediato para reembolsar os associados, o Orçamento para 2019 previa em "Caixa e Bancos" existirem 236,6 milhões €, e a realidade é que na data referida existiam apenas 150 milhões €. E em obrigações, que podem ser rapidamente convertidas em dinheiro, previa 465 milhões € e existiam pouco mais de 360 milhões €, estando cerca de 150 milhões € aplicados em divida subordinada do Banco Montepio não podendo ser transformados imediatamente em dinheiro porque, se fossem resgatados iriam afetar os rácios de capital, o que não é permitido pelo Banco de Portugal. Assim se um número elevado de associados, como aconteceu já no passado, quiser levantar as suas poupanças dificilmente o conseguirá. E se retiramos ao Ativo da Associação Mutualista os chamados "Ativos por impostos diferidos" – 816 milhões € – que é um "ativo fictício", o valor do Ativo total (aquilo que possui ou tem a receber) da Associação Mutualista é já inferior ao seu Passivo total, ou seja, aquilo que deve e tem de pagar. Portanto, o risco que correm as poupanças é grande.

A juntar a tudo isto há ainda as coimas aplicadas pelo Banco de Portugal (3,5 milhões € ao Banco Montepio e 1,25 milhões € à administração de Tomás Correia) por atos inaceitáveis serem praticados num grupo mutualista que se devia orientar pelos princípios da transparência, de cumprimento da lei, e de uma gestão rigorosa que defenda a reputação do Montepio e os interesses dos associados, o que não aconteceu; e ainda a coima de 13 milhões € aplicada à Lusitânia SA (não vida), pela Autoridade da Concorrência, por cartelização praticada por uma administração escolhida e da confiança de Tomás Correia. E estas coimas assim como os custos da defesa dos administradores condenados pelo Banco de Portugal e pela Autoridade da Concorrência, estão a ser pagos pelo Montepio ou seja, pelos associados. Tudo isto custa dezenas de milhões € ao Montepio e aos associados e afeta a reputação do Montepio. Tomás Correia não é digno para continuar à frente da AMMG mas continua perante a passividade da ASF e do Ministério do Trabalho que andam há um ano para decidir sobre a idoneidade mas não decidem nada, e quando decidirem é já tarde.

AS POUPANÇAS DOS ASSOCIADOS APLICADOS NAS EMPRESAS DO GRUPO MONTEPIO NÃO ESTÃO A RENDER NADA OU QUASE NADA, O QUE NÃO PERMITE PAGAR AOS ASSOCIADOS OS RENDIMENTOS PROMETIDOS E MUITO MENOS DISTRIBUIR BENEFICIOS

Dos 3.000 milhões € (poupanças) que os associados têm aplicado na Associação Mutualista, cerca de 2.100 milhões € , deduzindo as imparidades, estão aplicadas em empresas do grupo Montepio. E o dramático é que essas empresas têm tido sistematicamente prejuízos ou resultados próximos de zero, o que não permite à Associação Mutualista remunerar os associados pelas poupanças que têm investido na Associação Mutualista. Uma parte dessas poupanças já desapareceu (pelo menos as cobertas por imparidades) devido aos prejuízos acumulados por essas empresas (na Caixa Económica, atual Banco Montepio, a Associação Mutualista já investiu 2.420 milhões € e os Capitais Próprios do Banco, em Jun.2019, somavam apenas 1.508,6 milhões €, o que significa que desapareceram 911,4 milhões € devido aos prejuízos acumulados; uma situação semelhante verifica-se na Lusitânia SA (não vida) que acumulou nos últimos sete anos – 2012-2018 – 155,8 milhões € de prejuízos e onde a Associação Mutualista já investiu 141 milhões € a juntar aos lucros obtidos pela Lusitânia vida que têm sido desviados para aquela empresa). Por isso, vamos analisar de uma forma mais detalhada a situação atual do Banco Montepio (Caixa Económica) para mostrar o risco existente, pois ele é o ativo mais importante da Associação Mutualista, e aquele que é a principal garantia das poupanças e dos rendimentos dos associados.

O BANCO MONTEPIO E A QUEDA CONTINUADA DO CRÉDITO APESAR DA ELEVADA LIQUIDEZ, A INDEFINIÇÃO A NIVEL DE GOVERNO, E O BANCO CONTINUA A NÃO GERAR RENDIMENTOS PARA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA APESAR DESTA TER INVESTIDO NELE 2.420 MILHÕES €

O quadro 1 foi construído com base nas contas apresentadas pelas administrações de Tomás Correia (2015), de José Félix Morgado (2016 e 2017) e de Carlos Tavares (2018 e 2019)

 

Comecemos pela análise da Margem Financeira que resulta da atividade "core" do banco de intermediação financeira. A primeira conclusão que se tira dos dados do quadro 1 é que ela tem diminuído de uma forma continuada desde 2017. Entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, diminuiu novamente pois passou de 134 milhões € para 120 milhões € (-10,4%), enquanto que em 2015 e 2017, a Margem Financeira tinha aumentado em todos os anos (+25M€ e +18M€) E isto apesar de se ter pago aos depositantes, pelos seus depósitos, neste período (2015/2019), menos 300 milhões €. E mesmo se entrarmos em conta com os rendimentos de capital (juros das elevadas aplicações em divida publica como se mostrará mais à frente), mesmo assim a situação não se alterou em 2019.

Portanto, o grande problema que continua a enfrentar o Banco Montepio, que não se limita apenas ao 1º sem.2019, pois também se verificou em anos anteriores, mas se mantém é a incapacidade para aumentar o crédito numa conjuntura difícil, o que exigia por parte de quem é responsável da administração pela rede comercial uma grande experiencia, competência, e uma capacidade para envolver e dinamizar os trabalhadores, fixando objetivos claros e utilizando incentivos adequados, o que ainda não se verificou no Banco Montepio. Em estudo anterior mostramos que o banco está a perder quota de mercado, uma situação muito grave que a continuar mostra que não está a ser capaz de aguentar a concorrência dos outros bancos o que, a persistir, corre o risco de ser reduzido à insignificância ou absorvido por outro banco.

O segundo proveito (rédito) que decorre da atividade "core" do Banco são as comissões. E as "Comissões líquidas", entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, praticamente estagnaram. A explicação está também no "efeito dos menores proveitos com comissões de crédito". Portanto, resulta do grave problema que continua a enfrentar o Banco Montepio, e que continua por resolver, que é a incapacidade para aumentar o crédito às famílias e à economia e que o Banco de Empresas Montepio não está a conseguir resolver, como iremos mostrar mais à frente.

Como consequência da evolução negativa quer da Margem Financeira quer das Comissões líquidas, o "Produto bancário core", que é a soma das duas e resulta da atividade "core" do banco, diminuiu em 16 milhões € entre o 1º sem.2018 e 1º sem.2019

Também o "Produto bancário", que é um dos indicadores mais utilizados para avaliar os resultados da atividade no setor bancário e para avaliar a sua gestão, sofreu no Banco Montepio uma redução pois, entre 1º sem.2018 e 1º sem.2019, diminuiu de 142 milhões € para 126 milhões € (-11,3%).

Os Custos operacionais entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, reduziram-se em 7 milhões €, mas 6 milhões € à custa da redução em despesas com pessoal , mas o que banco necessita é de mais negócio.

Como consequência, o "Cost-To-income", o rácio mais utilizado na banca para avaliar a eficiência da gestão, teve, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, uma evolução também negativa. Calculado com base na divisão dos Custos operacionais pelo Produto bancário, este rácio aumentou, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, de 66,1% para 68,8%. E o calculado com base no "Produto bancário core" teve um aumento semelhante (de 66,4% para 68,2%) o que é consequência da falta de negócio.

Entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, as imparidades totais registam uma quebra de 12 milhões €, pois passaram de 60 milhões € para 47 milhões €, mas a redução nas imparidades de crédito foi muito menor (apenas -4 milhões €). E mesmo assim é preciso estar atento devido ao elevado montante de créditos não produtivos (taxa NPL: 14,7%, o que corresponde a 1.849 milhões €).

Como consequência, os Resultados operacionais foram, no 1º sem.2019 praticamente iguais aos do 1º sem.2018, mas o Resultado liquido do 1º sem.2019 (4,8 milhões € e não inclui a coima de 3,5M€) foi muito inferior ao do 1º sem.2018 (18,1 milhões €) em -73,5%, um indicador de que em 2019 não haverá, mais uma vez, transferência de lucros para a Associação Mutualista, o que significa que os associados não obterão qualquer rendimento de cerca de 1.509 milhões € que ainda existem no banco das suas poupanças, a não ser que se utilize uma parte dinheiro de poupanças para os pagar rendimentos.

A nível de rácios , interessa referir os rácios de capital (CET 1 e Tier 1) que, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, aumentaram apenas 0,5 pontos percentuais fundamentalmente à custa da diminuição do Ativo ponderado pelo risco (RWA) que, entre Dez.2017 e o 1º sem.2019, diminuiu de 11.875 milhões € para 10.429 milhões € através da venda de carteiras de crédito muitas vezes com prejuízo, de "write-off" (créditos abatidos ao Ativo por se consideraram perdidos) e do elevado montante aplicado em divida pública que, de acordo com instruções do supervisor, é considerado um ativo sem risco. O rácio de Capital Total aumentou, entre o 1º sem.2018 e o 1º sem.2019, de 13,6% para 15,2 %, não só pelas razões anteriores, mas também devido à emissão de divida subordinada a uma taxa de 10,5% no montante de 150 milhões € adquirida pela Associação Mutualista com as poupanças dos associados.

Um aspeto positivo a realçar é o rácio de liquidez (LCR) que, entre o 1º sem.2018 e o 1º semestre de 2019, aumentou de 160,5% para 196,8%, um valor muito acima do exigido pelo supervisor que é 100%, o que dá estabilidade ao banco e gera confiança, mas é também um indicador de falta de eficiência a nível de gestão (existe elevada liquidez que não é aproveitada para conceder crédito).

A CONTINUAÇÃO DA QUEDA DO CRÉDITO CONCEDIDO NO 1º SEMESTRE DE 2019 E A INDEFINIÇÃO EXISTENTE A NIVEL DE GOVERNO E O RISCO DE DESPEDIMENTOS NO BANCO MONTEPIO

Os dados do quadro 2, oficiais porque são dos Relatórios publicados pela Caixa Económica Montepio Geral, agora Banco Montepio, permitem fazer a análise do Balanço do Banco Montepio de vários anos completando a análise anterior. E uma das conclusões importantes que dele se tira é a continuada e significativa queda do crédito concedido pelo banco, o que prova que o crédito novo continua a ser insuficiente para compensar o credito amortizado, o liquidado, o abatido e o vendido . A continuar poderá pôr em risco o próprio emprego dos trabalhadores. É preciso que não se esqueça disso.

 

'.

Um primeiro aspeto importante dos dados quadro 2 é a manutenção de elevadas aplicações no BCE e em outras instituições de crédito, o que revela que o Banco Montepio tem capacidade para conceder mais crédito do que atualmente concede (se o não faz, é porque não consegue ter a dinâmica necessária). Essa conclusão é reforçada pelas enormes aplicações em títulos – 3.246 milhões € no 1º sem.2019 – que corresponde a 17,4% do Ativo líquido total, mais 5,6 pontos percentuais que em dezembro-2018. É uma área que não faz parte do seu "core business", e que incorpora o risco da taxa de juro, visando a obtenção de mais-valias (57 milhões € foram diretamente registadas na Conta de Capital compensando os 68,8 milhões € resultantes dos alteração dos pressupostos do Fundo de Fundo de Pensões, em que baixou a taxa de descontos de 2,25% para 1,6%), o que está associado a atividade especulativa de risco o que confirma também a existência de elevados meios financeiros disponíveis não aplicados na concessão de crédito.

Mas o que é preocupante é a continuação da queda do crédito concedido também no 1º sem.2019, já que o crédito bruto, em apenas seis meses, sofreu uma redução de 500 milhões €. Se consideramos o período de tempo da atual administração (um ano e meio), já atinge 1.485 milhões € (80M€/mês). E redução do crédito verifica-se em todos os segmentos como revela o quadro da pág. 56 do Relatório do 1º sem.2019 (entre Dez.2018 e Jun.2019, a redução foi de 207 milhões € a nível de particulares, sendo -172 milhões no crédito a habitação, e a diminuição atingiu 282 milhões € no credito a empresas). A este ritmo de queda de credito não há instituição financeira, com a dimensão do Banco Montepio, que resista durante muito tempo o que põe também em risco o emprego de muitos trabalhadores. E a situação torna-se mais incompreensível para associados e trabalhadores quando se assiste a novas contratações de trabalhadores no lugar de aproveitar os trabalhadores já existentes no Banco.

O BANCO DE EMPRESAS MONTEPIO (BEM), apresentado como a solução para esta situação grave de falta de crédito, ainda não provou que assim o seja, pois segundo dados constantes do quadro que se encontra na pág. 39 do mesmo relatório a evolução do credito real liquido total do BEM não tem atingido os objetivos esperados, sendo a seguinte: Junho de 2018: 32,8 milhões €; Dez.2018: 27,4 milhões €; Junho de 2019: 24,7 milhões €, portanto reduzidos e em queda.

Um aspeto positivo são os depósitos de clientes que não têm diminuído. Entre dez.2018 e junho de 2019 até aumentaram de 12.566 milhões € para 12.688 milhões € (+114 milhões €). No entanto, se somarmos os depósitos de clientes às "Responsabilidades representadas por títulos", que também são recursos de clientes com os quais o banco financia o seu ativo, então conclui-se que se verificou, entre dez. 2018 e jun.2019, uma diminuição pois passou de 13.660 milhões € para 13.641 milhões €.

O "rácio de transformação", que é outro indicador da eficiência da dinâmica comercial, e que se obtém dividindo o crédito líquido pelos recursos de clientes, que pode servir para avaliar a eficiência de uma administração (quanto mais baixo pior), tem diminuído com a atual administração como revela o quadro 2. Entre Dez.2018 e Jun.2019, baixou de 96,4% para 92%. Isto significa que por cada 100€ de depósitos que o Banco Montepio obteve dos clientes, em dezembro de 2018, concedia crédito apenas no montante de 96,4€ e, em Junho de 2019, já tinha descido a concessão de crédito para apenas 92€ por cada 100€ de depósitos. E se este rácio for calculado com base nos recursos totais obtidos dos clientes (depósitos+ títulos), a situação ainda se revela mais grave: em dez.2018 por cada 100€ de recursos totais obtidos o credito concedido foi 88,7€ e, em jun.2019, apenas 85,5€. Uma parcela importante de recursos obtidos não são rentabilizados pelo Banco Montepio através da concessão de crédito o que revela elevada apatia e ineficiência. É mais uma razão para os trabalhadores estarem apreensivos e os seus postos de trabalho em risco

Um aspeto positivo a salientar é a redução dos Ativos ponderados pelo risco (RWA) que são o denominador da fração utilizada para calcular os rácios de capital. Devido às dificuldades existentes na recapitalização do Banco Montepio face às crescentes exigências do supervisor, a administração do banco desenvolveu esforços para reduzir o valor dos RWA. Entre 2017 e 2018, os Ativos ponderados pelo risco (RWA) diminuíram em 1.106 milhões €, pois passaram de 11.875 milhões € para 10.769 milhões €, e no 1º sem.2019 diminuíram mais 340 milhões € pois passaram para 10.429 milhões €- Esta evolução é positiva pois reduz as necessidades de capital. No entanto, isto tem também um lado negativo, já que é também uma consequência da redução significativa da carteira de crédito e do aumento enorme de aplicações em títulos da divida pública que incorpora no banco o risco de mercado e de taxa de juro, e que é associado normalmente a atividade especulativa (obtenção de mais valias para compensar a redução da Margem financeira causada pela incapacidade de aumentar o credito concedido).

No período 2011/2018, como consequência da perdas a nível do credito concedido na maioria pela administração de Tomás Correia, praticamente sem análise de risco, e dos enormes prejuízos causados, a Associação Mutualista foi obrigada a recapitalizar o agora Banco Montepio, com 1.620 milhões € de poupanças dos associados (Tomás Correia ainda teve a desfaçatez de se gabar na assembleia geral da AMMG de 28/3/2019 que não teve de recorrer ao Estado como aconteceu com outros bancos, mas só isso sucedeu porque utilizou as poupanças dos 607 mil associados para cobrir as enormes perdas causadas pela sua administração), a que se junta, em 2019, mais 76 milhões €, que praticamente não tem rendido nada nos últimos anos à AMMG, portanto aos associados, devido aos baixíssimos resultados obtidos pelo Banco Montepio como se verificou também em 2018 e agora em 2019. E mais recentemente teve conceder um empréstimo subordinado face ao fracasso da emissão pública, para que o banco pudesse cumprir o Rácio de Capital total exigido pelo supervisor.

Um aspeto preocupante revelado pelos dados do quadro 2, é a redução do Capitais Próprios que, embora reduzida no 1º sem.2019 (-12,7 milhões €), revela a continuação de uma tendência que se tem verificado nos últimos anos, que mostra a incapacidade do Banco Montepio de aumentar os seus Capitais pela via orgânica interna (lucros), o que tem obrigado a Associação Mutualista a sucessivas recapitalizações com as poupanças dos associados. É uma situação insustentável, e que não pode continuar, e que resulta também da situação criada e agravada pela indefinição e instabilidade que existe a nível de governo do Banco Montepio cuja responsabilidade é de Tomás Correia e do Banco de Portugal, de que é prova recente a demissão do presidente da Comissão de Auditoria um dos membros mais competentes da atual administração do banco que se recusou a ser conivente com a atual situação.

O GOLPE DE TOMÁS CORREIA PARA SE MANTER NA AMMG ATÉ 2021 QUE SÓ É POSSIVEL COM A CONIVENCIA E A PASSIVIDADE DOS SUPERVISORES QUE NÃO TOMAM DECISÕES TORNANDO MAIS DIFICIL A RECUPERAÇÃO DO MONTEPIO. A NECESSIDADE DE UMA UNIDADE ALARGADA PARA SALVAR O MONTEPIO

Segundo o nº1 do artº 5º do novo Código das Associações Mutualistas (DL 59/2018) de 2 de agosto de 2018 "As associações mutualistas existentes à data da entrada em vigor do presente decreto-lei dispõem do prazo de um ano, a contar dessa data, para procederem às alterações dos estatutos necessárias à sua conformidade com as normas do Código". E de acordo com mesmo decreto ele entra em vigor 30 dias após a sua publicação. Portanto, em setembro de 2019 deve entrar em vigor o novo Estatutos da Associação Mutualista. E o que fez Tomás Correia para continuar a controlar o Montepio? Escolheu uma Comissão (a sua) para a elaboração dos novos Estatutos a apresentar na Assembleia de associados convocada, através do seu amigo padre Melícias, para 4 de Novembro no Coliseu, que elaborou um projeto de Estatutos, acredite-se ou não, que no seu nº2 do artº 56 diz o seguinte: "Os mandatos dos titulares da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, eleitos em 7 de Dezembro de 2018, mantêm-se em vigor até ao seu termo em 31 de Dezembro de 2021, não sendo alterada a composição destes Órgãos até à mesma data". A desfaçatez e a impunidade com que se sente o "Dono de todo o Montepio" é enorme ao impor nos novos estatutos a perpetuação à frente do Montepio dele e dos seus amigos. Ele tem medo de novas eleições. É urgente uma unidade ampla de todos aqueles que estão interessados em salvar as poupanças dos associados, o emprego dos trabalhadores e o Montepio para correr com Tomás Correia que tanta destruição causou ao Montepio.

10/Outubro/2019
[*] edr2@netcabo.pt

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/e_rosa/montepio_10out19.html

China age severamente contra violações do setor bancário

(É como cá...)

 

Beijing, 11 out (Xinhua) -- Os reguladores de bancos e seguros da China decidiram quase 658 milhões de yuans (US$ 94 milhões) em multas nos primeiros três trimestres deste ano, informou nesta sexta-feira o Economic Information Daily.

 

Os corpos regulatórios de bancos e seguros da China, em vários níveis, determinaram 1.219 punições a instituições bancárias do país, com uma diminuição de quase 40% nas multas em relação ao ano passado, com o número de notificações basicamente inalterado.

A maior parte das punições foi dada por violações de crédito e empréstimos, especialmente empréstimos imobiliários, que incorreram mais notificações e maiores multas do que no ano passado.

Segundo a reportagem, as multas relacionadas a empréstimos imobiliários foram estimadas em cerca de 100 milhões de yuans.

As penas pesadas deste ano mostram que o governo está reprimindo as violações de crédito imobiliário, avalia Yan Yuejin, analista do think tank E-house China R&D Institute, com sede em Shanghai.

A Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China anunciou uma série de medidas desde agosto para prevenir o financiamento ilegal ao setor imobiliário, incluindo uma inspeção direcionada aos negócios dos bancos relacionados a imóveis em 32 cidades e um lembrete contra pequenos e médios bancos locais com respeito a candidatos inelegíveis para empréstimos imobiliários.

O Banco Agrícola da China, o Banco Pingan e a Industrial Bank Co., disseram recentemente que restringiram o uso de cartão de crédito em transações imobiliárias. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/11/c_138464215.htm

CGD não pode aumentar lucros à custa dos que menos têm e menos podem

640px Caixa Geral de Depósitos CGD 3779646223A CGTP-IN considera inadmissível o novo aumento substancial dos custos de produtos e serviços bancários agora anunciado pela Caixa Geral de Depósitos, que vai atingir sobretudo os reformados e trabalhadores de menores rendimentos.

Efectivamente, os aumentos mais significativos incidem sobre as comissões das contas de custo mais baixo, nomeadamente a conta S, a mais barata do banco, utilizada principalmente pelos clientes mais idosos, e sobre as contas de serviços mínimos bancários, que sempre foram gratuitas no banco público, e passam agora a ter um custo anual de €4,20 para clientes com rendimentos superiores ao salário mínimo.

Mas as taxas são igualmente agravadas relativamente a outros serviços desde o processamento das prestações da casa, aos levantamentos ao balcão, cadernetas e cheques.

O aumento dos custos de processamento das prestações da casa – taxa que muitos consideram ilegal – vai atingir milhares de famílias independentemente dos seus rendimentos, ao passo que os elevados custos dos levantamentos ao balcão são particularmente gravosos para os mais idosos, que experimentam grandes dificuldades na utilização de meios alternativos, como os cartões de débito.

Em contrapartida, muitas contas utilizadas por clientes de mais recursos beneficiam de uma redução das comissões de manutenção de conta, o que demonstra mais uma vez à custa de quem os bancos alimentam os seus lucros.

A CGTP-IN considera inaceitável que o banco público queira aumentar os lucros à custa daqueles que menos têm e menos podem.

A administração da CGD continua assim a penalizar quem trabalha e trabalhou para minimizar os prejuízos de negócios ruinosos feitos no passado. A CGTP-IN lembra que muitos dos que são afectados por estas medidas não têm quaisquer alternativas, nomeadamente os reformados, até porque a generalidade das pensões é paga exclusivamente através da CGD, o que só reforça a necessidade de intervenção urgente por parte do Governo.

Os aumentos agora anunciados pela Caixa Geral de Depósitos inserem-se na política, seguida em todo o sector bancário, de desincentivar a ida dos clientes aos balcões, com o objectivo de reduzir custos e simultaneamente esvaziar as funções de muitos trabalhadores, que passam a ser dispensáveis e a engrossar o número crescente de despedimentos no sector, ao mesmo tempo que a banca aumenta exponencialmente os seus lucros.

Para a CGTP-IN, a Caixa Geral de Depósitos não pode continuar a ser um banco público que funciona na lógica da gestão privada e deve converter-se num banco de verdadeira gestão pública, assente num modelo de negócio que tenha como prioridades o desenvolvimento do país e o apoio ao setor produtivo e às famílias. De que espera o Governo para agir?

Ver original aqui

Comissões da Caixa voltam a aumentar

Diversos serviços do banco público sofrerão subidas de preços a partir de 2020, penalizando os clientes. Este é um mecanismo a que a banca recorre cada vez mais para aumentar os seus lucros.

.CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

O preçário com os novos aumentos foi disponibilizado esta terça-feira no portal da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e visa um conjunto de comissões bancárias que voltam a ser aumentadas quando não chegaram a passar cinco meses desde os últimos aumentos.

Tais medidas inserem-se num contexto em que o sector bancário visa desincentivar os clientes a dirigirem-se aos balcões com o objectivo de reduzir custos, designadamente salariais, ao mesmo tempo que incrementa as suas receitas.

 

Só nos primeiros meses de 2019, o banco dirigido por Paulo Macedo obteve lucros de 282,5 milhões de euros, valor entretanto corrigido em alta para mais de 400 milhões depois da venda do banco em Espanha.

Entre os serviços e produtos sujeitos a estas subidas estão as contas «pacote», as mais baratas do banco, a conta de serviços mínimos bancários, determinadas transferências via MB Way (passam a ser cobradas a quem utilize a aplicação), levantamentos ao balcão, actualização de cadernetas, requisição de cheques e até o próprio pagamento das prestações do crédito à habitação.

No que respeita às transferências MB Way, passam a cinco, com a CGD, os bancos que cobram por este serviço, que em determinadas circunstâncias terá o custo de 88,4 cêntimos por operação.

Os aumentos das «contas pacote» afectam as contas «S» e as de serviços mínimos bancários. No caso destas últimas, a CGD passará a cobrar 4,20 euros anuais aos clientes com essas contas cujos rendimentos sejam superiores ao salário mínimo nacional.

Os levantamentos de dinheiro ao balcão aumentam de 2,86 euros para 3,12 euros e a actualização de cadernetas ao balcão passa de 1,04 euros para  2,08 euros.

Já a entrega imediata de três cheques passará a custar 5,2 euros, em vez dos actuais 3,74 euros, e as requisições de cheques encarecem em quase dois euros.

Acresce ainda que o preço para pagar mensalmente o crédito à habitação aumentará mais de vinte cêntimos mensais, o que se traduz num aumento de perto de 35 euros anuais.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/comissoes-da-caixa-voltam-aumentar

Paulo Macedo diz que tardará uma década até banca ser perdoada pelas “asneiras”

 
 
Numa conferência organizada pela sociedade de Advogados Sérvulo & Associados, em Lisboa, no painel de debate dedicado ao futuro da banca, o presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) citou o governador do Banco de Inglaterra para considerar que a inovação é importante na banca mas também a resiliência.
 
“A banca tem de ser muito resiliente para as asneiras que já fez e, até ser perdoada, vai ser para aí uma década”, disse Paulo Macedo, considerando que essa estimativa de tempo é se “tudo correr bem”.
 
 O presidente do BCP, Miguel Maia, considerou a “banca tem imensa responsabilidade naquilo que é a reputação” e defendeu que “não só do passado” mas também hoje, referindo que basta abrir o Financial Times para ler ainda hoje notícias de escândalos financeiros em grandes bancos.
 
“É tempo de fazermos as coisas de forma diferente, estou mais otimista, estamos a passar um período difícil na banca, mas temos todas as condições para afirmar a confiança com os clientes”, afirmou, considerando que a banca conseguirá ganhar valor se “aproveitar este momento para ter proximidade às pessoas”, aos clientes.
 
Dinheiro Vivo | Foto: Orlando Almeida / Global Imagens

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/paulo-macedo-diz-que-tardara-uma-decada.html

Estado paga contas e banco perdoa dívidas milionárias

O Novo Banco, que já recebeu mais de 7 mil milhões de euros do Estado desde a resolução do BES de Ricardo Salgado, perdoou uma dívida de 25 milhões à Malo Clinic.

CréditosJosé Sena Goulão / Agência Lusa

Segundo notícia avançada hoje pelo Jornal de Negócios, a Malo Clinic tinha uma dívida no valor de 51 milhões de euros com o Novo Banco, que aceitou um perdão de 25 milhões de euros, no âmbito do Plano Especial de Revitalização (PER).

Revela o diário que a maior parte da dívida do grupo de medicina dentária é ao banco que resultou da reestruturação do BES, em Agosto de 2014, e a quem o Estado já entregou mais de sete mil milhões de euros. Só em Maio deste ano foram 1149 milhões de euros que o Novo Banco recebeu do Fundo de Resolução. 

Apesar disso, a instituição liderada por António Ramalho registou um prejuízo de 400,1 milhões de euros no primeiro semestre do ano, quase o dobro das perdas em igual período de 2018, que foram de 212,2 milhões, tendo anunciado que teria de pedir, pelo menos, mais 541 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

Entretanto, o banco que perdoa dívidas milionárias é o mesmo que tem vindo a reduzir balcões e a cortar pessoal (são mais de 2000 trabalhadores desde a resolução do BES). No passado mês de Agosto, o Governo do PS autorizou o Novo Banco a «alargar o limite quantitativo previsto para cessações de contratos de trabalho por mútuo acordo», perspectivando-se a saída de mais 310 pessoas até 2021. 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/estado-paga-contas-e-banco-perdoa-dividas-milionarias

Querem que guardemos o dinheiro nos colchões

(Pedro Marques Lopes, in Diário de Notícias, 14/09/2019)

Pedro Marques Lopes

Poupando o caríssimo leitor e benemérito do nosso sistema bancário a grandes detalhes, em termos muito simples, os bancos, sempre segundo a Autoridade da Concorrência, arranjavam maneira de não concorrerem uns com os outros, ou melhor, combinavam os preços.


 

A notícia já desapareceu, os programas de debate televisivos e radiofónicos quase ignoraram o assunto e, que eu desse conta, não foi tema da campanha eleitoral. Ou seja, uma gigantesca vigarice que 14 bancos praticaram não desinquieta particularmente os cidadãos, a comunicação social e as pessoas que se propõem representar-nos.

Pode ser que já nos tenhamos habituado. Nestes últimos anos têm sido tantas e tão variadas as formas como os bancos e os seus geniais gestores nos foram ao bolso que já nem ligamos. Às tantas até já lhes achamos piada: “Ahhh, aqueles malandrotes armaram mais uma marosca, uns espertalhões.”

Segundo a Autoridade da Concorrência (AdC), 14 bancos informavam antecipadamente os seus concorrentes sobre os preços que iam praticar em certos produtos e as vendas que tinham feito desses mesmos produtos nos meses anteriores. É o que quer dizer a passagem do texto que aplica a coima quando refere que eram fornecidas informações sobre “spreads a aplicar num futuro próximo no crédito à habitação ou os valores do crédito concedido no mês anterior”.

Poupando o caríssimo leitor e benemérito do nosso sistema bancário a grandes detalhes, em termos muito simples, os bancos, sempre segundo a Autoridade da Concorrência, arranjavam maneira de não concorrerem uns com os outros, ou melhor, combinavam os preços.

Não me parece que seja necessário discorrer sobre o facto de vivermos numa sociedade que acredita que a concorrência gera valor para os consumidores, levando a que as empresas tentem desenvolver produtos melhores e mais baratos. Chama-se economia de mercado. O que os bancos fizeram foi cuspir nesses princípios e fazendo-o atingiram diretamente os seus clientes.

Um cenário verdadeiramente espetacular: ao mesmo tempo que o cliente pagava os problemas do banco estava também a ser diretamente prejudicado na relação comercial que tinha com essa empresa. Um verdadeiro dois em um da pouca-vergonha.
A coima que a AdC aplicou aos bancos tem um significado maior para a relação entre cidadãos e bancos do que as contribuições que direta ou indiretamente fizemos para o sistema financeiro.

As dívidas incobráveis, que nós gentilmente pagamos e que grande parte da banca tem, não resultaram todas, longe disso, de verdadeiros roubos ou sequer de gestão negligente. A crise financeira foi o que foi e analisar aos olhos de hoje atos de gestão – como concessões de crédito – do passado será sempre um disparate. Deixar implodir o sistema não seria sequer uma hipótese e o poder político, como nosso representante, achou por bem – e bem – usar os nossos impostos para o salvar.

Outra coisa é sabermos que os bancos não cumprem regras de forma sistemática e se organizam para maximizarem os lucros à custa dos clientes violando normas básicas do mercado. Não há sequer comparação, isto é absolutamente destrutivo para a relação de confiança que tem de existir no relacionamento entre os bancos e os seus clientes e subverte completamente as regras do mercado.

Convém também lembrar que este tipo de práticas não aconteceu no vazio, foram levadas a cabo por pessoas de carne e osso, homens e mulheres que continuam a exercer as mais altas funções no sistema financeiro como se nada tivesse acontecido e que aparecem cheias de moral a debitar considerações sobre tudo e mais alguma coisa. Não há responsabilidades pessoais concretas a apurar?

Enquanto, apesar de cumprir a sua função, não se pode deixar de elogiar a Autoridade da Concorrência (suspeito de que há uns anos não haveria coragem para tomar esta posição), é verdadeiramente insultuosa a posição do Banco de Portugal quando afirma recear o impacto de eventuais coimas para o setor. Perdão? Então práticas anticoncorrenciais não devem ser penalizadas? Devem ser relevadas ações que prejudicam diretamente os cidadãos e distorcem o mercado? E, já agora, o que diabo andavam a fazer os responsáveis pela supervisão, não cabe nas suas incumbências verificar se há más práticas ? Pelos vistos, não. Ou, pelo menos, acham que não devem ser punidas.

Convenhamos, não é que não suspeitemos de que o que agora se descobriu na atividade bancária não aconteça noutras atividades, desde os combustíveis às telecomunicações, passando por outras. E se mesmo com muitos operadores existem estas vilanias (teoricamente mais difíceis de combinar), não será delirante imaginar que em setores com poucos operadores, fenómenos como a cartelização (clara na situação exposta pela AdC) ou o abuso de posição dominante aconteçam com frequência.

Portugal, como país pequeno e com problemas objetivos de concorrência, está mais exposto a problemas desta natureza. Por essas e por outras é absolutamente imprescindível uma regulação forte e com poderes reforçados. Se assim não for ficamos expostos ou à continuação de situações como a vergonha descrita ou a devaneios estatistas que ainda iriam piorar mais a situação.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A propósito de ratings e de artigos encomiásticos na imprensa internacional

Não é por a Standard & Poor’s e outras agências de notação financeira andarem agora a melhorar o rating português, que me tomei de amores por elas. Na substância continuo a pensar o mesmo, que aqui escrevi há cerca de dez anos, quando elas iam baixando essa mesma classificação e criavam as condições para que José Sócrates viesse a ver obrigado a pedir a intervenção datroika, com o exuberante aplauso das direitas lusas, que muito lhe sabotaram o trabalho até o encostarem à parede.

 

Ainda assim o reconhecimento dessas agências significa ao mesmo tempo duas coisas: por um lado não têm como negar a evolução muito positiva dos diversos indicadores financeiros nos últimos quatro anos. Se mantivessem esse rating numa classificação mais baixa só dariam razão ao descrédito com que as sabemos feridas de morte na sua duvidosa origem.

 

Há, por outro lado, a consonância com outros ícones do capitalismo financeiro como o são «The Economist» ou o «Financial Times», cujos encomiásticos artigos sobre o governo português tanto têm incomodado Rui Rio ou Assunção Cristas.

 

Se os porta-vozes do capitalismo fazem esses elogios é por estarem com as ideias à deriva a verem se apanham alguma solução para o seu idolatrado sistema económico-financeiro, que dá crescentes sinais de obsolescência. A globalização andava a correr tão bem, que os fundos de investimento e outros atores dos mercados financeiros já salivavam por antecipação perante a possibilidade de, levando os serviços e as mercadoriasstandardizadas, cada vez mais baratas perante os benefícios das economias de escala e multiplicando exponencialmente o número de consumidores, darem definitiva razão ao delírio de Fukuyama sobre o fim da História.

 

A chatice para esses porta-vozes do capitalismo resultou da consciência de se manter bem atual a primeira frase do primeiro capítulo que Marx afixou no seu intemporal Manifesto: «a história do mundo tem sido a história das lutas de classes». E elas vêm-se revelando de formas que esses prosélitos não esperavam, porque o seu próprio monstro abriu caixas, que não esperavam sob a forma de populistas dispostos a sabotarem o lucro de cujos interesses são provedores.

 

É por isso que as agências de notação financeira ou as quotidianas bíblias do capitalismo olham para a experiência governativa portuguesa com a hipocrisia do príncipe de Salina em «O Leopardo»: mesmo que algo tenha de mudar vestindo-se até de cores aparentemente adversas, importa, sobretudo, que tudo deixem na mesma.

 

Fiquemos, pois, satisfeitos com os elogios e classificações de rating de quem nada de bom esperamos, mas não nos iludamos quanto á sua efetiva intenção...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/09/a-proposito-de-ratings-e-de-artigos.html

UE e Banca desprotegem mais frágeis com fim das cadernetas

A 14 de Setembro deixará de ser possível levantar dinheiro com caderneta, o que afectará centenas de milhares de pessoas. Os principais prejudicados serão os idosos com menos condições económicas.

Créditose-konomista.pt

A aplicação da directiva da União Europeia em Portugal reflectir-se-á sobre os clientes da Caixa Geral de Depósitos (CGD), do Montepio e da Caixa de Crédito Agrícola. Segundo a determinação de Bruxelas, passa a não poder utilizar-se as cadernetas bancárias para levantar dinheiro ou fazer transferências, ainda que se mantenha a possibilidade de consulta de saldos e movimentos.

Estima-se que centenas de milhares de pessoas venham a ser afectadas pela medida – só na CGD são 290 mil os utilizadores de caderneta, segundo informação de fonte oficial do banco ao Público.

As alternativas à caderneta são cartões de débito, cheques, aplicações tecnológicas para telemóveis ou a criação de contas online. Todavia, para muitas pessoas, em particular para os mais idosos, tais alternativas são inviáveis pela sua dificuldade na utilização de tais meios, podendo criar-se situações de entrave no acesso às pensões e reformas.

A segurança é o argumento, mas os lucros esperam-se

Segundo Bruxelas, razões de segurança presidem à imposição. A directiva europeia de serviços de pagamento veio estabelecer que as cadernetas não oferecem segurança aos utilizadores (porque estas funcionam com banda magnética e PIN, ou seja não permitem uma «autenticação forte dos clientes») e por isso têm deixar de ser usadas em todos os estados-membros. A aceitação de tais normas pelo Governo desconsidera a realidade nacional e as implicações de tal imposição para milhares de pessoas.

Em consequência, os bancos estão a propor aos utilizadores de caderneta que adiram a cartões de débito. Nesta fase quer o Montepio, quer a CGD informam que tais cartões serão gratuitos durante o prazo de um ano, mas nada dizem sobre que valores virão a ser cobrados a partir de tal data, seja quanto aos cartões, seja em relação a comissões.

A DECO já veio alertar para o facto de quaisquer das alternativas virem a implicar custos para os utilizadores. A coordenadora da área de serviços financeiros da associação, Sónia Covita, em declarações ao Público, explicou que os clientes com caderneta são, na sua maioria, idosos e vivem com mais dificuldades económicas, defendendo a criação de «um cartão de débito gratuito e vitalício, tal como as cadernetas».

Tal solução mitigaria o problema, mas, ainda assim, não resolveria as dificuldades que serão criadas a estes utilizadores no direito a aceder às suas contas bancárias.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/ue-e-banca-desprotegem-mais-frageis-com-fim-das-cadernetas

Os contribuintes continuam «a pagar» e a administração «a despedir»

O Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira considera que o novo pedido de rescisão por mútuo acordo apresentado pela administração do Novo Banco revela «desrespeito» pelos trabalhadores.

Créditos

Os trabalhadores reagiram depois de ter vindo a público que o Novo Banco (NB) obteve autorização do Ministério do Trabalho para alargar a 310 funcionários o limite previsto para as cessações por mútuo acordo entre 8 de Agosto de 2019 e 31 de Dezembro de 2021.

Em declarações ao AbrilAbril, Rute Santos, coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (Sintaf/CGTP-IN), lembrou que o plano de reestruturação nunca foi apresentado aos sindicatos, o que mostra o «desrespeito com que a administração trata os trabalhadores e os seus representantes». Confirmou também que estes números ultrapassam o objectivo acordado entre o Estado e a Direcção-Geral da Concorrência europeia. No âmbito deste acordo, o banco teria de reduzir o número de trabalhadores para 4909 até 2021, pelo que faltaria despedir 84 – e não 310.

A dirigente criticou ainda os próprios termos em que se coloca a solução: «Nem é uma solução, nem é mútuo acordo. Aquilo que é apresentado aos trabalhadores é “ou vais ou vais”», explicando que o trabalhador ou aceita as condições de saída ou é forçado a sair por extinção do posto de trabalho.

«Infelizmente, os acontecimentos têm dado razão ao que o Sintaf previa desde o início deste processo. O banco está a ser desmembrado aos bocados, com grandes ganhos para poucos e muitos prejuízos para o País», declarou. «Os contribuintes continuam a pagar e o banco continua a despedir trabalhadores», denunciou, sublinhando que o NB deveria ter ficado na esfera pública, a ser gerido pelo Estado.

O NB, criado em 2014, contava com 674 balcões e até hoje já encerrou 273 (-40,5%). No mesmo período, o número de trabalhadores passou de 7887 para 4993, o que se traduz numa redução de 2894.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/os-contribuintes-continuam-pagar-e-administracao-despedir

O Estado e os novos desafios – II

Os bancos estatais perderam a sua influência em favor de um único banco central da U.E. que, tenta elencar através do setor privado toda a vida económica e por essa via controlar as sociedades dos diversos Estados.

 

 

Neste contexto, o sistema financeiro tal qual o conhecemos com dinâmicas próprias de ajustamento tem sido, nos últimos tempos, onde se tem operado, também, as maiores transformações e, por consequência direta e indireta, a sua ação  primária de compra e venda de moeda com suporte Estatal em valor real de materiais raros ou de matérias primas com procura acrescida consoante os tempos, à presente criação da transação artificial em suporte virtual através de sistemas operativos alojados.

Temos assim que, a compra e venda de moeda física pelas entidades bancárias com a supervisão de bancos nacionais, no espaço da U.E. desapareceu para ceder lugar a um só banco. O Banco Central Europeu. A moeda deixou de ter a chancela nacional para ter chancela da União e uma nova designação. Euro.

E, como em tudo na vida, as transformações que acontecem geram sempre convulsões próprias.

Os bancos estatais perderam a sua influência em favor de um único banco central da U.E. que, tenta elencar através do setor privado toda a vida económica e por essa via controlar as sociedades dos diversos Estados.

O problema é que a História das civilizações mudou de ritmo lento para um outro ritmo demasiado acelerado tendo em conta a sua dimensão comparativamente à dimensão da capacidade Humana em discernir.

Os problemas Nacionais deixaram há muito de o ser para se converterem em problemas de escala global.

E, essa nova conjuntura, exige medidas de fundo estruturais adequadas direcionadas para um melhor desempenho na gestão dos recursos naturais o que passa por uma autêntica revolução educativa geradora de novos conceitos para novas abordagens.

A sustentabilidade da Segurança Social passa, tal e qual outros Ministérios, pela partilha da receita bruta do Estado que neste momento financia a banca por motivo da estabilidade financeira e outros setores privados como a agricultura, as pescas, a indústria, o turismo, entre outros e, se esquiva da sua obrigação para com os cidadãos que é a razão da sua existência.

O paradigma da iniciativa privada sem investimento dos interessados sustentada por políticas europeias de “tapa buracos” que semeiam à sua volta a subsidiodependência não tem futuro e condiciona o futuro das gerações vindouras que se debaterão com um conceito de estigmatizado de que “quem vier atrás que feche a porta”.

Importa por isso à cidadania olhar o Estado como meio e não como protetor e, aos agentes económicos a consciência de que o lucro tem de ser o resultado do investimento com riscos e não a cultura de que “só perde quem tem” dando azo á irresponsabilidade na assunção das responsabilidades inerentes.

A organização política e financeira carece de ajustamento ao tempo assim como a educação e os seu valores estruturais de suporte.

A Humanidade enfrenta hoje um desafio que ultrapassa o pensamento mediano incapaz de tomar medidas e que exige soluções novas perante o colapso previsível das existentes.

 
Parte I
 
 
 

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/banco-central-o-estado-e-os-novos-desafios-ii/

Portugal | Carlos Costa trauteia: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”?

 
 
A notícia do Expresso em 16.08 aborda a talvez injustiça de um talvez competente governador do BP que laboriosamente tem contribuído para as baldas e outras prestidigitações em valores que mesmo os portugueses que vivam até quase aos cem anos, com mais de 70 anos de trabalho/exploração, a trabalhar no duro, conseguiriam chegar a somar uma ínfima parte de tais valores astronómicos que passam no crivo esburacado do banco pomposamente governado por Carlos Costa. Valores que amiúde e costumeira instância são pagos por todos os portugueses, que até sabem e sentem que dessas quantias astronómicas “foi um ar que lhes deu”, algo que “desaparece” do mesmo modo que pérolas atiradas a porcos, sem retorno.
 
No Aventar a abordagem à notícia referida no Expresso, João Mendes tece a propósito umas linhas de prosa curta e escorreita, que aqui trazemos ao PG. Quanto a Carlos do BP, ali de pedra e cal, sem vergonha e com muita honra, todos os meses mama quase 17 mil euros do seu “precioso” contributo a favor dos cambalachos e mal parados a toda a velocidade. Tão rápido, que passa sem no BP verem… “as falcatruas” – como é dito na populaça.
 
A seguir o título no Expresso e a notícia (de vómitos) com a respetiva ligação. Depois a prosa no Aventar, que muito gostaríamos que coubesse nos cérebros adormecidos de milhões de portugueses pela factualidade e pela inteligente ironia, que diz tanto. E onde “estamos metidos”. E com quem “estamos metidos” no compromisso de sustentá-los e a ouvi-los trautear o “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.
 
Provavelmente, não por acaso, a ser verdade, numa noite de Janeiras já lhe cantaram, talvez por resposta, “a mim não me enganas tu, a mim não me enganas tu…”.
 
Redação PG
 
Carlos Costa está a receber acima das suas possibilidades, não está?
 
João Mendes  | Aventar | opinião
 
 
O BES, o banco mau e o banco bom que daí resultaram, o Banif, o periclitante Montepio, os sucessivos buracos e empréstimos estratosféricos concedidos pela CGD aos Berardos desta vida, não raras vezes sem contrapartidas. Carlos Costa está há quase 10 anos à frente do Banco de Portugal, que supostamente deveria regular o sistema bancário, e as tragédias sucedem-se. É caso para dizer que poderá estar a receber acima das suas possibilidades. E das possibilidades do país.
 
Chamem-lhe populismo, mas não é nada fácil justificar os 16,9 mil euros mensais que este senhor aufere. Até porque a regulação bancária, como se tem visto, é anedota nacional. E o papel do Banco de Portugal, em particular no caso BES, foi absolutamente irresponsável, a roçar o criminoso. Depois admirem-se que o discurso dos venturas pega. Ninguém, pelo menos no mundo real e face às circunstâncias conhecidas, compreende um salário destes.
-----
P.S: A imprensa nacional destaca o facto de Carlos Costa não ter sido aumentado, depois de três anos consecutivos de aumentos salariais. Eu, no lugar dele, entrava em greve por melhores condições laborais.
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/portugal-carlos-costa-trauteia-daqui.html

O que está Paulo Macedo a fazer na CGD?

Paulo Macedo tem um largo currículo no “bloco central”, passando dos impostos para a Saúde e da Saúde para a CGD, por escolha tanto do PSD como do PS. A sua administração na CGD gaba-se de apresentar lucros. Lucros conseguidos reduzindo praticamente a zero os juros pagos aos depositantes, aumentando as comissões cobradas, obtendo receitas temporárias com mais-valias, fechando agências e reduzindo o número de trabalhadores, e revertendo imparidades constituídas a mais no passado. O problema da CGD continua a ser ter a política de direita no comando.

Gostaste do que leste?

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

                

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

O que Paulo Macedo está a fazer na CGD?

Aplicações em títulos, que incorporam risco no banco, aumentaram enormemente, enquanto o crédito concedido à economia e às famílias caiu, quota de mercado diminuiu, banco não gera capital orgânico e necessita de emitir divida para cumprir rácios de capital, a redução de trabalhadores e o fecho de agências vai continuar, mas “lucros” escondem a realidade.


 

 

Neste estudo analiso as contas do 1º semestre de 2019 da CGD divulgadas recentemente pela administração de Paulo Macedo, e procuro também realizar uma avaliação dos resultados obtidos por esta administração no período 2016/1º semestre de 2019 com base em dados divulgados pela própria CGD.

Após realizar tal análise é-se obrigado a concluir que foi reduzindo a praticamente ZERO os juros pagos aos depositantes, aumentando as comissões cobradas, obtendo receitas temporárias com mais-valias, fechando agências e reduzindo o número de trabalhadores, e revertendo imparidades constituídas a mais no passado, que a administração de Paulo Macedo conseguiu apresentar no 1º sem. 2019 um Resultado positivo de 283 milhões €. E isto apesar do negócio bancário (crédito concedido à economia e às famílias) da CGD ter continuado a diminuir. Por estas razões, é- se obrigado a concluir que a “recuperação” da CGD, tão elogiada nos media pelos defensores de Paulo Macedo, não é consistente, nem credível, nem durável. O futuro o dirá.

Espero que este estudo contribua para alertar  a opinião pública  sobre a situação do maior banco público e o tipo de gestão que está a ser feita assim como para os seus objectivos e resultados pois, tal como aconteceu no passado, as consequências são pagas sempre pelos contribuintes e também pelos trabalhadores e clientes, nomeadamente depositantes,  da CGD.

 
 
 

Estudo

O que Paulo Macedo está a fazer na CGD? – Aplicações em títulos, que incorporam risco no banco, aumentaram enormemente, enquanto o crédito concedido à economia e às famílias caiu, quota de mercado diminuiu, banco não gera capital orgânico e necessita de emitir divida para cumprir rácios de capital, a redução de trabalhadores e o fecho de agências vai continuar, mas “lucros” escondem a realidade

A administração de Paulo Macedo acabou de divulgar uma “Press Release” com informação sobre as contas da CGD referente ao 1º semestre de 2019, o que o Banco Montepio ainda não o fez. É possível fazer por isso uma primeira análise fundamentada não só dos resultados alcançados, mas também como eles foram obtidos e sobre a consistência dos lucros divulgados. É igualmente possível realizar, com base nessa informação e em anteriores, uma primeira avaliação dos resultados da administração de Paulo Macedo no período 2016/1º sem.2019. É o que se vai procurar fazer neste estudo de uma forma objectiva, porque utilizando os próprios dando divulgados pela CGD, diferente da veiculada pelos media que se limitam a repetir, sem contraditório, a versão da administração.

O aumento das aplicações que incorporam risco na CGD, a redução do crédito e a perda de quota de mercado, a incapacidade para gerar capital orgânico e o recurso a emissão de divida no montante de 2.000 milhões € para cumprir os rácios de capital

No quadro 1, reunimos os dados mais importantes dos Balanços consolidados da CGD referentes ao período 2016/1º sem. 2019 da administração de Paulo Macedo que permitem fazer tal análise.

 

Quadro 1 – Os resultados da administração de Paulo Macedo na CGD em números – Parte 1

FONTE: Contas anuais de 2016, 2017 e 2018, 1º semestre de 2018 e 2019 – CGD

 

A primeira conclusão que se tira dos dados do quadro anterior, é a de que em 2,5 anos de gestão de Paulo Macedo, a CGD viu reduzido o valor do seu Ativo em 3,4% (-3.212 milhões €). Mas ainda muito mais preocupante, é o facto dos dados revelarem que se verificou, com a administração de Paulo Macedo um forte investimento em títulos, nomeadamente no 1º semestre de 2019. Assim, as aplicações em títulos que, no fim de 2016, representavam já 14,7% do valor do Ativo da CGD no fim do 1º semestre de 2019 atingiram 21,3% (19.937 milhões €), tendo aumentado só no 1º sem.2019 em 2.955 milhões €, o que corresponde a 53,6% do aumento verificado durante todo o período analisado (2016/2019), que foi de 5.508 milhões €. Embora a administração de Paulo Macedo não tenha divulgado a composição da carteira de títulos, o certo é que qualquer alteração na taxa de juro (ex. da divida pública) ou nas taxas de câmbio poderão ter um forte impacto negativo na CGD, pondo em risco a sua estabilidade económico-financeira, devido aos enormes valores aplicados em títulos (21,3% do Ativo); portanto, uma gestão que incorpora grandes riscos de mercado e cambial na CGD.

Enquanto se verifica uma gestão que aposta fundamentalmente em aplicações que permitam obter ganhos especulativos (mais-valias) a curto e médio prazo, os valores do crédito tanto bruto como liquido concedidos pela CGD continuam em queda. Assim, em 2,5 anos de administração de Paulo Macedo, a carteira de crédito bruto diminuiu em 16,9% (- 12.809 milhões €) e o crédito líquido caiu em 16,3% (-9.934 milhões €). Se consideramos apenas os 6 primeiros meses de 2019, neste curto período o crédito bruto sofreu uma redução de 2.547 milhões €, e o crédito liquido diminuiu em 2.140 milhões €. É evidente que este ritmo de redução do crédito concedido tem consequências graves não só para a CGD (a continuar será provável surgirem problemas graves) mas também para o país pois a CGD deixa de cumprir a sua missão que é a de promover o crescimento económico e o desenvolvimento do país, como mostram os próprios dados sobre o crédito divulgados pela CGD (Q2).

 

Quadro 2 – Evolução do credito concedido pela CGD em Portugal – administração de Paulo Macedo

FONTE: Press-Release divulgado pelo conselho de administração da CGD referentes a contas anuais e semestrais – 2016 /1º semestre de 2019

 

Entre Dez.2016 e Junho de 2019, o credito concedido no país pela CGD diminuiu em 10.072 milhões € (-19%) sendo a redução de 4.358 milhões € no crédito concedido às empresas e de 3.014 milhões € no crédito a particulares. Como revelam os dados do quadro, no 1º semestre de 2019 essa queda acentuou-se, pois em 6 meses a redução de crédito foi de 2.548 milhões €. Como consequência desta evolução a CGD perdeu quota mercado tanto no crédito total concedido no país como até nos depósitos como revelam os dados do quadro seguinte, que são da CGD.

 

Quadro 3 – Evolução da quota de da CGD no credito total e nos depósitos totais no país

FONTE : Apresentação contas 2016, 2017, 2018 e 1º sem. 2019 – Conselho de administração da CGD

 

Em 2,5 anos de administração de Paulo Macedo, a quota de mercado da CGD no crédito total concedido no país reduziu-se em 18,8%, e a nível de depósitos caiu em 9,7%, o que mostra que a administração de Paulo Macedo não só tem sido incapaz de aumentar o crédito concedido como de manter a quota de mercado que a CGD detinha perdendo-a para a concorrência da banca estrangeira que já domina o sector. Outro aspecto revelada pelos dados do quadro 3, é o facto de se ter registado uma redução dos depósitos na CGD entre 2016 e 2018, pois diminuíram de 66.692 milhões € para 63.423 milhões € (-3.3.269 milhões €), embora no 1º sem.2019 se tenha verificado uma recuperação para 65.644 milhões €, mas inferior ao de 2016.

Um indicador ´utilizado também na banca para avaliar a eficiência da gestão é o rácio de transformação que se obtém dividindo o crédito líquido pelo valor dos depósitos. Segundo os dados do quadro 1, em 2016, o rácio da transformação da CGD era 89,1%, ou seja, por cada 100€ de depósitos que recebia concedia crédito no montante de 89,1€; e no fim do 1º sem.2019 o rácio de transformação da CGD já era só 75,3%, ou seja, por cada 100€ de depósitos que obtinha só emprestava 75,3€. Esta incapacidade para rentabilizar os recursos que recebia dos depositantes também era revelado pelo rácio de liquidez (LCR) que atingia 323,6% no fim do 1º sem.2019, o mais elevado em toda a banca, e 3,23 vezes superior ao exigido pelo Banco de Portugal (100%).

Os Capitais Próprios da CGD estagnaram após 2017 em que se verificou uma importante recapitalização por parte do Estado em 3.400 milhões € (injecção de 2500 M € mais 900 M € de CoCos) e uma emissão de divida de 500 milhões a uma taxa de 10,75% (entre 2016 e 2017, os Capitais próprios da CGD aumentaram de 3.883 M € para 8274 M €, mas depois estagnaram: 8.285 M € em 2018 e 8.224 M€ no 1º sem. 2019), o que mostra que a administração de Paulo Macedo tem sido incapaz de gerar capital orgânico suficiente para aumentar os Capitais Próprios (é certo que teve de suportar o reforço do Fundo de pensões que resultou da diminuição da taxa de desconto considerada nos cálculos atuariais de 2,075% para 1,6%).

O aumento que se verificou nos rácios de capital em 2018 (embora no 1º sem. 2019 registou uma diminuição) deve-se à diminuição do Activo Ponderado pelo Risco (RWA) resultante da venda de carteiras de crédito (2.000 milhões €), e de write-offs no valor de 1.800 milhões € (em 2016, tinha sido já abatido ao Activo créditos no montante de 1.993 milhões € – write-offs – por se terem sido considerados totalmente perdidos a que se juntam mais estes 1.800 M€). Tal facto contribuiu para diminuir o rácio de NPL, ou seja, de créditos improdutivos, entre 2016 e 1º sem. 2019, de 15,8% (10.300 M€) para 7,3% (3.824 M€). É por esta razão que na “Press Release” do 1º sem. 2019, a administração de Paulo Macedo refira que prevê a emissão de 2.000 milhões € de divida precisamente para cumprir os rácios de capital que, por via orgânica, foi incapaz de alcançar e pela qual vai pagar taxa de juro alta (na anterior emissão a 10,75%)

A margem financeira, o produto bancário e os resultados obtidos não através do aumento do negócio bancário mas sim à custa dos depositantes, de mais-valias, e de uma diminuição de custos (redução trabalhadores e agências) que está a fragilizar a CGD

No quadro 4, reunimos os dados mais importantes das Demonstrações de resultados consolidados da CGD referentes ao período 2016/1º sem. 2019 que permitem completar a análise anterior.

 

Quadro 4 – Os resultados da administração de Paulo Macedo na CGD em números – Parte 2

FONTE: Contas anuais de 2016, 2017 e 2018, 1º semestre de 2018 e de 2019 – CGD

 

A análise dos dados da Demonstrações de resultados consolidados da CGD referente ao período 2016/1º semestre de 2019, permite tirar conclusões importantes sobre a gestão de Paulo Macedo.

Comecemos pela Margem financeira que resulta fundamental da actividade “core” de um banco comercial, que é a concessão de crédito. Entre 2016 e 2018, os juros cobrados pela CGD devido à falta de negócio bancário diminuíram em 16,1% (passaram de 2.470 milhões € para 2.072 milhões €). Tal quebra nos proveitos, resultante da incapacidade revelada pela administração de Paulo Macedo para aumentar o negócio bancário (e até para manter a quota de mercado), foi compensada fundamentalmente pela redução brutal de juros pagos as depositantes que, no mesmo período, registou uma diminuição de 39,4%. Esta gestão de “espremer os depositantes”, pagando-lhes juros próximos de zero, para compensar a incapacidade da administração de Paulo Macedo em aumentar o crédito concedido, continuou no 1º semestre de 2019, pois neste semestre, quando comparado com o homólogo de 2018, os juros cobrados diminuíram 8,1%, enquanto os pagos, nomeadamente aos depositantes, desceram em 14,8%. Como consequência, a Margem financeira obtida no 1º semestre de 2019 foi inferior à do 1º semestre de 2018 em -3,1%.

A politica de gestão de compensar a quebra do negócio bancário “espremendo” os depositantes é também confirmada pelo aumento continuo das comissões. Entre 2016 e 2018, as receitas de comissões líquidas subiram 5,5% (+ 24 M €) e, no 1º sem.2019 tornaram a aumentar (+0,6%).

Como consequência da falta de negócio bancário o Produto bancário “Core” da CGD (Margem financeira + Comissões líquidas) que tinha aumentado em 2017, diminuiu em 2018, o mesmo sucedendo no 1º sem.2019 pois, quando comparado com o do 1º sem.2018, sofreu uma redução de 2,5% (-17M€). Tal situação foi apenas compensada por ganhos de natureza especulativa e transitória de 62,2 milhões € resultante de mais-valias, agora contabilizada em “Outros resultados de exploração” e não em “Resultados de Operações financeiras” (ROF). Foi desta forma que foi conseguido um aumento no “Produto global de Actividade” de 2,1% (+19,1 M €) no 1º sem.2019, quando comparado com o 1º sem.2018, quando entre 2017 e 2018 se tinha verificado uma redução de 9,1% (-179 M €).

Como não consegue aumentar o negócio bancário, o “ataque” da administração de Paulo Macedo virou-se contra a própria CGD visando reduzir custos, sem pensar nas consequências futuras, com o objectivo de poder apresentar resultados. Em 2,5 anos, a actual administração fechou 131 agências e reduziu o número de trabalhadores da CGD em Portugal em 1.030. Esta política de obter “lucros” à custa da redução da dimensão e da importância da CGD para promover o crescimento económico e o desenvolvimento do país vai continuar como consta da “Press Release” tendo-se para isso 35,5 milhões €. Como consequência, os Custos operacionais, e nestes os mais importantes são os Custos com pessoa. que, entre 2016 e 2018, tinham sofrido uma redução de 14,3%, tornaram a diminuir 5,9% no 1º sem.2019, em relação aos do 1º sem.2018.

A redução nos Custos com pessoal atingiu 7,9% apenas no 1º semestre de 2019. Como consequência os Custos com Pessoal que, em 2016, corresponderam a 46% do Produto global da Actividade, no 1º sem.2019 representaram apenas 33%, quando no 1º sem.2018 eram 36% do Produto de Actividade. É também por estas razões que “Cost-to-income”, que se obtém dividindo os Custos operacionais pelo Produto global de actividade, que na banca é utilizado como um indicador para avaliar a eficiência (quanto mais baixo, maior é a eficiência), tenha passado, entre o 1º sem. 2018 e o 1.sem.2019, de 57% para 53%. Pena é que esta diminuição não tenha sido conseguida através do aumento do negócio bancário, mas sim por meio da redução dos meios que a CGD dispõe para promover o crescimento económico e o desenvolvimento do país.

Um aspecto à primeira vista insólito a soma das imparidades registadas no 1º sem. 2019 é um valor negativo (-12,3 milhões €), o que resulta de se terem feito imparidades a mais em anos anteriores que foram agora revertidas, contribuindo para os resultados do 1º semestre de 2019.

Foi desta forma – reduzindo a praticamente ZERO os juros pagos aos depositantes, aumentando as comissões cobradas, obtendo receitas temporárias com mais-valias, fechando agências e reduzindo o número de trabalhadores, e revertendo imparidades constituídas a mais no passado – que a administração de Paulo Macedo conseguiu apresentar no 1º sem. 2019 um Resultado positivo de 283 milhões € , mesmo com a redução do negócio bancário (credito concedido à economia e às famílias). Mas como ficou claro da análise feita com base nos dados divulgados pela administração de Paulo Macedo que a “recuperação” que se está a verificar na CGD, não é consistente, nem credível, nem durável. O futuro o dirá.



 

 
 
 

 


 

Transferência Bancária

Nome: Quarto Poder Associação Cívica e Cultural
Banco: Montepio Geral
IBAN: PT50 0036 0039 9910 0321 080 93
SWIFT/BIC: MPIOPTPL

 

 

Pagamento de Serviços

Entidade: 21 312
Referência: 122 651 941
Valor: (desde €1)

 

Pagamento PayPal

 

 

Envie-nos o comprovativo para o seguinte endereço electrónico: [email protected]

Ao fazer o envio, indique o seu nome, número de contribuinte e morada, que oportunamente lhe enviaremos um recibo via e-mail.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Privatizam-se os lucros, nacionalizam-se os prejuízos

O primeiro semestre de 2019 foi positivo para o sector bancário, sobretudo graças às comissões cobradas aos depositários. Na hora dos prejuízos, o poder político tem escolhido salvar os bancos, mas não os obriga a investir no desenvolvimento do país.

CréditosMário Cruz / Agência LUSA

Assim, os cinco maiores bancos em Portugal registaram um lucro agregado de 462,6 milhões de euros no primeiro semestre do ano, valor inferior ao de 2018, diminuição que se deve à descida dos lucros do BPI e sobretudo aos prejuízos do Novo Banco. 

O Santander aumentou os lucros em perto de 5%, o BCP em quase 13% e a CGD brilhou com um disparo de 46% no resultado. Ora, sem os prejuízos do Novo Banco, a soma dos lucros dos restantes quatro bancos totaliza os 862,7 milhões de euros nos primeiros seis meses.

O banco do Estado passou dos 194 milhões de euros de lucro no primeiro semestre de 2018 para os 282,5 milhões no mesmo período deste ano. O BCP aumentou os lucros em 19,2 milhões de euros, atingindo os 169,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, depois de 150,6 milhões em igual período do ano passado. Já a operação do espanhol Santander em Portugal aumentou os lucros em 12,3 milhões de euros, já que dos 263,6 milhões de euros registados no primeiro semestre de 2018 passou a 275,9 milhões nos primeiros seis meses deste ano.

O Novo Banco, pelo contrário, registou um prejuízo de 400,1 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, quase o dobro das perdas em igual período de 2018, que foram de 212,2 milhões. Prevê que terá de pedir, pelo menos, mais 541 milhões de euros ao fundo de resolução.

Impressiona o peso que têm as comissões bancárias nos valores positivos acima referidos. Uma vez que os bancos actualmente emprestam menos à economia - às pequenas e médias empresas - e é nos impostos sobre os utilizadores e depositários que se apoiam para manter e aumentar os seus lucros. A CGD arrecadou, no primeiro semestre deste ano, 243 milhões de euros; o BCP 342,2 milhões de euros, o Santander 192,8 milhões de euros, e o BPI 127,2 milhões de euros. Mesmo o Novo Banco, apesar dos prejuízos, no que toca a comissões recebeu 152,3 milhões de euros.

Os resultados da actividade deste sector tentam esconder o que revelam estes números: o sector financeiro já não faz o seu lucro depender do risco dos investimentos produtivos. Antes diminui os empréstimos e aumenta as comissões, que se tornam uma renda garantida que os alimenta. Os investimentos arriscados que assumem e que são em alguns casos a razão dos prejuízos, o País conhece-os quando é chamado a pagar a factura.

Com mais de 7 mil milhões de euros entregues pelo Estado ao Novo Banco, desde a resolução do BES em Agosto de 2014, os portugueses continuam a pagar os custos de uma política de gestão ao serviço dos interesses do sector financeiro, e a não verem taxados de forma expressiva os lucros da banca.

O poder político escolhe salvar os bancos quando as suas operações dão maus resultados, mas não escolhe retirar deles o valor que, face aos seus lucros, poderia ser investido na melhoria das condições de vida dos trabalhadores e das populações.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/privatizam-se-os-lucros-nacionalizam-se-os-prejuizos

FARTAI VILANAGEM!

As injeçõesno Novo Banco mais 541 milhões de ao Fundo de Resolução image (seringa anal)
Factura da venda do Novo Banco continua a subir: os prejuízos de 400 milhões do primeiro semestre justificam nova injecção do Fundo de Resolução, desta vez de 541 milhões. Lusa e PÚBLICO  
imageO Novo Banco prevê pedir mais 541 nilhões de euros ao Fundo de Resolução, uma estimativa decorrente dos prejuízos de 400,1 milhões de euros no primeiro semestre, divulgou hoje o banco liderado por António Ramalho.
 “O montante de compensação de capital estimado nas contas do semestre é de 541 milhões de euros”, pode ler-se na nota enviada hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Contudo, o valor pedido ao Fundo de Resolução apenas vai ser contabilizado em 2020, quando estiverem fechadas as contas de 2019. Segundo o banco, “a compensação do final do ano dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor à data”. No entanto, o Novo Banco adianta que os seus rácios de capital estão “protegidos em níveis predeterminados até aos montantes das perdas já verificadas nos activos protegidos pelo Mecanismo de Capital Contingente”, ou seja, o mecanismo que permite o recurso ao Fundo de Resolução.
Em Maio, o Novo Banco recebeu mais uma injeção de capital pelo Fundo de Resolução de 1149 milhões de euros, isto depois de em 2018 ter tido prejuízos de 1412,6 milhões de euros.
Do valor colocado no banco, 850 milhões de euros vieram de um empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução (entidade da esfera do Banco de Portugal que consolida nas contas públicas). Em 2018, para fazer face a perdas de 2017, o Novo Banco já tinha recebido uma injecção de capital de 792 milhões de euros do Fundo de Resolução.
A injecção de capital serve para cobrir as perdas relativas a activos (crédito malparado, imóveis) incluídos no mecanismo de compensação acordado aquando da venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, em Outubro de 2017. O Novo Banco vendeu, no primeiro semestre, carteiras de crédito malparado, imóveis e ainda a seguradora GNB Vida, “cujo impacto negativo ascendeu a 340 milhões de euros”.
O mecanismo em vigor estabelece que o Novo Banco pode solicitar ao Fundo de Resolução até 3890 milhões de euros até 2026, pelo que nos próximos anos ainda pode pedir mais quase 2000 milhões de euros. No valor relativo ao primeiro semestre, já se desconta a esta margem de 2000 milhões os 541 milhões anunciados esta sexta-feira.
O prejuízo de 400,1 milhões de euros no primeiro semestre do ano compara com um prejuízo de 212,2 milhões no mesmo período de 2018. Em comunicado, o Novo Banco explica que o resultado se deve a “uma perda de 513,5 milhões de euros na actividade legacy [legado do BES] e de um ganho de 113,4milhões de euros na actividade recorrente”.
O Novo Banco fechou, por outro lado, o primeiro semestre com menos 103 trabalhadores do que no final de 2018. “Os custos com pessoal totalizaram 133,4 milhões de euros (-0,3% em termos homólogos), para o que contribuiu a redução, face a 31 de Dezembro de 2018, de 103 colaboradores”, refere o banco liderado por António Ramalho. No final de Junho, o banco nascido na resolução do BES tinha 4993 funcionários. Ainda na mesma data tinha 401 balcões, menos um do que em 2018.
O Banco Espírito Santo, tal como era conhecido, acabou em Agosto de 2014, tendo sido criado o Novo Banco, actualmente detido em 75% pelo fundo Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução bancário.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Novo Banco com novos prejuízos volta a pedir ajuda ao Estado

Com mais de 7 mil milhões de euros entregues pelo Estado ao Novo Banco, desde a resolução do BES em 2014, os portugueses continuam a pagar os custos.

CréditosTiago Petinga / Agência LUSA

O Novo Banco registou um prejuízo de 400,1 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, quase o dobro das perdas em igual período de 2018 que foram de 212,2 milhões. Prevê que terá de pedir, pelo menos, mais 541 milhões de euros ao fundo de resolução.

Com mais de 7 mil milhões de euros entregues pelo Estado ao Novo Banco, desde a resolução do BES em Agosto de 2014, os portugueses continuam a pagar os custos de uma política de gestão ao serviço dos interesses do sector financeiro.

Anunciando novo pedido ao fundo de resolução, a Lone Star usa mais uma vez a garantia pública de 3,9 mil milhões de euros que o actual Governo lhe concedeu.

O banco, que já reduziu em mais de 2000 o número de trabalhadores, desde a resolução do BES, prepara-se para despedir mais 400 trabalhadores, como denota o pedido feito ao Governo de alargamento da quota de trabalhadores despedidos a quem podem atribuir subsídio de desemprego.

Assim, o Estado português paga para limpar os activos problemáticos e paga o despedimento de trabalhadores.

Em nota enviada à imprensa, o PCP afirma que «a venda do Banco pelo actual Governo alinhado com as imposições da Comissão Europeia, (...) demonstra, por si só, que a privatização foi uma má opção com custos que podem ultrapassar os 10 mil milhões de euros e que a solução que melhor teria servido os interesses do País e dos portugueses, como o PCP defendeu e continua a defender, é a nacionalização do Banco».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/novo-banco-com-novos-prejuizos-volta-pedir-ajuda-ao-estado

CGD: lucros aumentam à custa da redução trabalhadores

O banco fechou o semestre com lucros de 283 milhões de euros, mas continuará o processo de redução de custos, o que ditará a saída de mais 240 quadros até ao final de 2019.

Paulo Macedo, presidente executivo da CGDCréditosRicardo Castelo / Agência Lusa

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reduziu o quadro de pessoal em 400 trabalhadores durante o último ano. O banco fechou o semestre com lucros de 283 milhões de euros, mas continuará o processo de redução de custos, o que ditará a saída de mais 240 quadros até ao final de 2019.

No final de Junho, o banco público tinha um total de 7503 trabalhadores em Portugal, menos 172 desde o início do ano e menos 400 face a Junho de 2018. O objectivo, explicou Paulo Macedo, é reduzir o pessoal em 571 pessoas ao longo deste ano, pelo que sairão ainda 240 até Dezembro. 

O presidente executivo já tinha anunciado que o banco tinha 180 milhões de euros para pagar a saída de centenas de trabalhadores, em 2019 e 2020, que aceitassem sair através do programa de «rescisões por mútuo acordo» e pré-reformas.

No âmbito do processo de recapitalização aceite em 2016 pela Comissão Europeia, de quase 5000 milhões de euros (dos quais 2500 milhões de injecção directa do Estado), a CGD iniciou um processo de reestruturação que passava também pela saída de 2200 trabalhadores até 2020 (isto depois das centenas que já tinham saído nos anos anteriores).

Para cumprir os objectivos impostos por Bruxelas, a par do encerramento de agências, o banco iniciou, então, processos de saída por mútuo acordo, com pagamento de indemnizações, tendo saído 547 pessoas em 2017 e 646 trabalhadores em 2018.

Na apresentação das contas do ano 2018, Paulo Macedo revelou que em 2018, ano em que encerrou 70 agências, a CGD teve lucros de 496 milhões de euros em 2018, acima dos 51,9 milhões de euros registados em 2017.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/cgd-lucros-aumentam-custa-da-reducao-trabalhadores

Libra - como o Facebook quer controlar o mundo

Há algumas semanas, o Facebook anunciou a intenção de criar uma nova criptomoeda, a Libra, para servir de meio de pagamento digital global. No Livro Branco entretanto divulgado, a Libra é apresentada como “uma moeda global simples capaz de dar poder a milhões de pessoas”, projetada para que seja “tão fácil enviar dinheiro como enviar um e-mail”, sendo o seu valor de mercado indexado a um cabaz de moedas tradicionais (como o dólar ou o euro). Embora existam já 28 empresas envolvidas no projeto, entre as quais a Visa, Mastercard, Paypal, Vodafone, eBay, Uber e Spotify, é o Facebook que o tem liderado desde o início. A intenção foi anunciada por David Marcus, líder do projeto, como forma de aumentar a utilidade – e, forçosamente, a necessidade – do Facebook no nosso dia-a-dia. Marcus esclareceu que o objetivo da Libra é ser “um importante meio de troca, uma moeda digital de alta qualidade” capaz de ser usada “sem limite de fronteiras, para pagamentos do dia-a-dia, pequenas transações e outros tipos de operações.” O empresário fez ainda questão de se distanciar das outras criptomoedas – a Libra funcionará como dinheiro e não como mero “ativo ou veículo de investimento”, como a Bitcoin e outras moedas digitais. “Quando um sistema de pagamentos digital como este for possível, creio que poderão ocorrer profundas mudanças”, concluiu. Não estará enganado: é de mudanças profundas que falamos quando se trata de criar uma moeda digital pronta a ser utilizada pelos 2,5 mil milhões de utilizadores do Facebook (um terço da população mundial). Não por acaso, Marcus já teve de comparecer numa audição no Senado norte-americano, onde se levantaram várias questões relacionadas com a segurança e a estabilidade da nova moeda digital. Mas o que está realmente em causa com a Libra? Vamos por partes: tradicionalmente, qualquer moeda implica a existência de autoridades políticas – governos – com legitimidade social suficiente para assegurar a aceitação da moeda como meio de pagamento e garantir o seu valor, como escreveu o Alexandre Abreu. Uma vez que à emissão da Libra não corresponde nenhum estado soberano, o seu valor é apenas convencional. Isto levanta o primeiro problema, já que nem o Facebook, nem nenhuma outra empresa privada, possui a liquidez necessária para garantir a estabilidade da moeda. Um dos maiores riscos da Libra prende-se com o facto de que, estando sujeita a movimentos especulativos ou a simples oscilações dos mercados, nenhuma das empresas envolvidas terá reservas monetárias suficientes para garantir o valor da moeda. Isto significa que em caso de uma crise de confiança, se quisermos evitar um colapso financeiro semelhante ao de 2008, os governos terão de intervir. Não podemos prever os custos de um resgate público deste tipo, mas a jurista Katharina Pistor alerta para o facto de que “é fácil imaginar um cenário em que resgatar a Libra poderia requerer mais liquidez do que qualquer Estado tem capacidade de fornecer. Recordemos a Irlanda após a crise financeira de 2008. Quando o governo anunciou que assumiria as dívidas do setor bancário privado, o país mergulhou numa crise de dívida soberana. Ao lado de um colosso como o Facebook, vários estados-nação poderiam acabar na mesma situação que a Irlanda.” A essência do problema é o risco sistémico – o Facebook estará sujeito a todos os riscos do setor financeiro, e resgatá-lo pode implicar medidas e quantias sem precedentes. Daí que a democrata Maxine Waters, líder do Comité de Serviços Financeiros do Congresso norte-americano que pediu mais tempo para avaliar o caso, tema que “se os planos do Facebook se concretizarem, a empresa e os seus parceiros deterão um enorme poder económico, capaz de desestabilizar moedas e governos”. Mas os problemas não acabam aqui: é que, ao passar a intermediar as nossas transações financeiras, o Facebook passará a ter acesso a toda a informação sobre os padrões de consumo e os rendimentos dos utilizadores, podendo cruzá-la com os dados que já possui sobre os nossos “gostos”, preferências, redes de amigos, o que escrevemos, os sítios que visitamos, entre outros. Alguns analistas consideram que no centro desta operação está a hipótese de recolha de enormes quantidades de dados, o “petróleo dos dias de hoje”, como já foi apontado pela The Economist. O Facebook já desenvolveu uma aplicação própria, a Calibra (descrita aqui), uma espécie de “carteira digital” que armazena as moedas de cada utilizador, bem como as chaves criptográficas necessárias para lhes aceder (garantindo, assim, que quem perde a sua password ou telemóvel não fica sem o dinheiro). Na prática, cada carteira permite ter acesso a informação sobre o poder de compra e o tipo de transações da pessoa em questão – se multiplicarmos a informação pelos milhares de milhões de utilizadores da rede social, percebemos o alcance da informação e do poder que lhe está associado. Se a informação é o petróleo dos nossos dias, o Facebook encontrou a sua maior reserva mundial. A centralização da informação nas mãos de um gigante tecnológico como o Facebook permite a sua utilização para operações de publicidade dirigida, com o intuito de manipular os nossos padrões de consumo e moldar as nossas escolhas – como avisa Francisco Louçã, “os estrategos do Facebook imaginam aqui um modo de consumo obsessivo e gerador de uma patologia de dependências mercantilizáveis. O FB e os seus outros modos de comunicar querem ser a bolha onde todos respiramos.” Além disso, com o controlo sobre um meio de pagamento que pretende estabelecer-se a nível global, o Facebook torna-se um gigante financeiro, responsável não apenas pela utilização da moeda mas ainda pela gestão de crédito. Assemelha-se a ficção, mas parece ter vindo para ficar – o Facebook encarna o papel da multinacional Evil Corp, da série norte-americana Mr. Robot, agregando ainda mais informação sobre todos os aspetos da nossa vida e reforçando o seu poder de vigilância e controlo sobre as sociedades, capaz de moldar escolhas que vão dos produtos que compramos aos candidatos em que votamos. “Confiem em nós” foi a expressão mais repetida por David Marcus ao longo da audição no Senado. Soa a um bom sinal?

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

A CGD não pode exercer a sua atividade bancária como um banco privado

 
 
Octavio Serrano * | opinião
 
Parece que o inquérito do Parlamento à CGD, terminou; não critico o inquérito propriamente dito; faço-o em relação aos resultados do mesmo; bem espremidinho, nada; além das polémicas, sempre boas para acordar a opinião pública; como onda que passa e vai; com uma cristazinhas de espuma, morrer docemente na areia. Pois, para mim, mesmo que não se condene alguém, a não ser na praça pública, era muito bom, era se se tirassem ilações, que se consubstanciassem em reformas que de futuro evitassem, todas estas misérias!
E existirão três interrogações chave, que nos deveríamos colocar! A primeira: como evitar que um Banco Publico, seja instrumentalizado pelo poder político, em funções? A segunda: deverá um Banco público, estar no mercado, como se se tratasse de um Banco privado? O terceiro: o segredo bancário, nos aspectos em que está em causa o bem público, deve ou não ser levantado?
O que temos assistido, nomeadamente no tempo do Sócrates, é ao facto de a CGD se ter transformado num mero instrumento, ao serviço de interesses inconfessáveis; não se percebem, e talvez não seja para perceber, como se fizeram determinados empréstimos, que se transformaram em grandes imparidades; e não me venham dizer, como fez o Armando Vara, que a grande culpada, foi a crise económica e financeira que atingiu o país; não me admiraria nada, se a justiça, descobrisse favorecimentos ilícitos, corrupções passivas e comércio de influências, nestes empréstimos. Pois muitos deles, foram sancionados apesar dos avisos das análises de risco, a eles associados. Logo, estou convencido, que as correias de transmissão do poder político, dentro da CGD tiveram um papel de relevo nestes processos; a conclusão que se tira de tudo isto, é que urge garantir, que no futuro, nunca mais o poder politico se arrogue de director bancário; seja através da interdição do exercício de direcção bancária a quem não esteja habilitado; seja garantindo total autonomia das direcções dos Bancos, face à tutela; seja através da promoção por concurso às direcções, de profissionais de carreira; seja através, da responsabilização e da cominação dos actos individuais ou grupais dos dirigentes; seja, através, de controlo auditor independente e publico, das contas da CGD.
 
 
E porque diabo, é que um Banco Publico, se há-de envolver em determinadas operações, típica da Banca privada? Tais como fazer empréstimos, destinados a especulações bolsistas; tornar-se acionista de sociedades, a quem concedeu empréstimos; efectuar especulações bolsistas directamente na bolsa de valores; tudo isto, não tem nada a ver com a Missão e objecto social, de um Banco Publico! Se a actividade da CGD, estivesse bem delimitada, e bem adstrita, em exclusivo ao serviço público, certamente não estaríamos agora, a assistir ao caso Berardo! Pois um Banco Publico, deve privilegiar a utilização dos capitais que lhe estão confiados, ao financiamento do investimento público, à promoção produtiva e económica da microeconomia, e a servir como entidade segura e responsável, pelas poupanças que lhe são confiadas. Por isso se deveria delimitar com precisão, o âmbito da actividade bancária da CGD, a fim de impedir a intervenção desta, em negócios rocambolescos.
A questão do segredo Bancário, na CGD, é outro aspecto polémico; afinal, se todos os negócios fossem transparentes e perfeitamente justificáveis, certamente nem seria preciso segredo bancário; nessas condições, a CGD faria os seus negócios, dentro da actividade financeira que lhe está adstrita, e ninguém precisaria de saber, a quem e como emprestou dinheiro; afinal a actividade social e económica de um Banco é emprestar dinheiro; será normal; agora, caso as mais elementares regras de bom senso comercial sejam, continua e sistematicamente violadas, todos aqueles cidadãos que do seu bolso se vejam forçados a pagar impostos, para solver buracos financeiros, têm todo o direito de saber, tim-tim por tim-tim, de todos os processos que conduziram a tal resultado; não só, os mais mediatizados, como todos os outros; mais, o resultado de todas as auditorias, devem ser públicas, até ao mais ínfimo pormenor! Porquê? Para que, nos meandros da justiça e dos poderes formais e informais estabelecidos, não se diluam responsabilidades, e se deixe de exercer a devida justiça!
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/a-cgd-nao-pode-exercer-sua-atividade.html

José Sócrates desmente Observador

Breve comentário a uma notícia publicada dia 22, no jornal online Observador.

 

 

 
  1. A reportagem do observador é exatamente o que parece- mais uma lamentável intriga oriunda da antiga casa civil do presidente Cavaco Silva.
  2. O objetivo é tentar ligar o meu nome – e a aprovação do decreto lei que criou o museu Berardo no CCB – aos empréstimos  que lhe foram concedidos pela Caixa Geral de Depósitos. Mais uma vez, nada há de verdade nessa insinuação.
  3. Como é falsa também a chamada “ coincidência de timing” entre a aprovação do decreto lei e a concessão de créditos da caixa ao senhor José Berardo para comprar ações no BCP. A primeira é de 2006, o contrato de crédito é de 2007.
  4. É igualmente falso que fosse “normal” – como é referido no texto – que os pareceres internos da casa civil fossem entregues no meu gabinete. Os pareceres internos da casa civil servem para aconselhar o Presidente, não o Governo. O que aconteceu neste caso foi que o governo aprovou um decreto-lei que permitiu expor a melhor coleção de arte moderna existente no Pais, aumentando a oferta cultural. O Presidente decidiu promulgar esse decreto, podendo não o fazer.
  5. Finalmente não resisto a citar um breve trecho da reportagem. Diz o jornalista : “ O desagrado de Cavaco Silva com o desequilíbrio do acordo negociado pelo Governo Sócrates era tal que, a propósito de uma capa que a  revista norte americana fez na mesma altura com o multimilionário Warren Buffet chegou a desabafar para a sua equipe: “ Este sim, é que é um verdadeiro benemérito” , disse o Presidente enquanto pegava na revista.”  Brevemente, porque o assunto não merece mais : o jornalista relata uma história que lhe foi contada por alguém, como se ele próprio a tivesse pessoalmente testemunhado, enganando maliciosamente os seus leitores. Enfim.

Ericeira, 23 de julho de 2019
José Sócrates

 



PS- envio também as respostas dadas a este propósito na Comissão de Inquérito da Caixa Geral de Depósitos. Eis o texto:

VI- Senhor José Berardo

1

Nunca reuni com o senhor José Berardo em 2007. A única reunião de trabalho – a única – que tive com ele decorreu no meu gabinete, a pedido da então Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, para discutir a possibilidade de um acordo entre o Estado e a Fundação Berardo para que a sua coleção fosse exposta no Centro Cultural de Belém. Essa reunião aconteceu antes do acordo que foi assinado a 3 de Abril de 2006 e nunca mais tive qualquer outra reunião de trabalho nem acompanhei o desenrolar das negociações, que decorreram no respetivo Ministério da tutela. Quero reafirmar, como já fiz publicamente no dia da inquirição do Dr. Filipe Pinhal, que nunca discuti, conversei ou orientei o senhor José Berardo em qualquer investimento ( aliás, não tinha com ele qualquer relação que permitisse uma conversa desse tipo). Nunca tive conhecimento, fosse por quem fosse, do empréstimo que este negociou com a Caixa Geral de Depósitos para reforçar a sua posição acionista no Banco Comercial Português, assim como não tinha conhecimento que a Caixa ou o restante sector financeiro realizassem empréstimos tomando como garantias ações de bancos. Nunca sugeri a ninguém- acionista ou não acionista – que requeresse empréstimos na Caixa para tomar ou reforçar posições no banco comercial português. Tal assunto nunca foi discutido dentro do Governo nem o discuti com o Ministro da Finanças. Na verdade,  só tive conhecimento desse financiamento exatamente no mesmo momento em que todos os portugueses souberam – no inicio dos trabalhos dessa Comissão Parlamentar.

2

No entanto, a miséria moral chegou a tal ponto que nesta comissão o senhor Filipe Pinhal referiu uma pretensa conversa com o senhor Joe Berardo em que este lhe terá dito que “ ainda estou para saber como é que aquele homem me enfeitiçou, como é que aquele homem me deu a volta…”  Para, então, a partir daqui,  concluir que “aquele homem” só poderia o Dr. Teixeira Pinto ou eu próprio. E, acrescenta, só poderia ter sido eu já que a palavra daquele não teria peso suficiente para o influenciar. Este comportamento não tem outro objetivo que não seja senão procurar envolver o meu nome na história seja de que forma for, nem que seja preciso recorrer à forma mais abjeta de intriga e de insinuação. É uma tristeza.

 

 
 
 

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/jose-socrates-desmente-observador/

TRANSPARÊNCIA RIMA COM DEMÊNCIA E DECÊNCIA

image
 
Grandes devedores custaram 3,5 mil milhões ao Novo Banco. CGD e BCP perderam 2 mil milhões
Tudo ficou claro na “informação anonimizada”, como um luminoso raio dentro da tempestade, de tal modo que nos julgam encandeados, cegos ou tontos.
Se alguém pensar que há limites para a astúcia, ou acreditar que o escárnio é uma figura monolítica, tire daí o sentido. Esta agressão do BdP, o desrespeito perante os legítimos senhores dos bens usurpados atingiu os cinco mil e quinhentos milhões de insultos, escondendo usurpadores conluiados dentro dos nossos cofres.
O ROUBO É MANIFESTO, OS BURLÕES TÊM ROSTO.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Portugal | CGD: Salvar as aparências

 
 
Rafael Barbosa* | Jornal de Notícias | opinião

A comissão parlamentar de inquérito à CGD chegou ao fim e a satisfação entre os deputados era grande. Nomeadamente por esse feito raro de votarem as conclusões por unanimidade. A saber: a supervisão do Banco de Portugal foi incompetente (em particular a de Vítor Constâncio); a gestão da Caixa não foi prudente (em particular a de Carlos Santos Ferreira); a intervenção dos governos pecou por ação ou omissão (em particular a de José Sócrates).

Apesar da amnésia das testemunhas em geral (e dos picos de obscenidade de algumas delas em particular), não são conclusões surpreendentes. E bastou que alguém fosse um pouco além do óbvio, para se desfazer a unanimidade. Por exemplo, a ideia, defendida pelos sociais-democratas, de que anda por aí um grupo de gente poderosa em que se percebe um "padrão de encobrimento", recurso à "falta de memória", uso do "silêncio" ou "concertação da narrativa". No fundo, "um grupo restrito de pessoas e empresas que beneficia e concede entre si tratamentos privilegiados", sacando "vantagens" que normalmente resultam em "sacrifícios" para os outros. Não sei se os deputados do PSD, que propuseram esta ousadia, e os do BE e PCP, que a subscreveram, se deram conta de que é uma definição possível para organização mafiosa. Mas ficou claro que é conclusão demasiado forte para os estômagos sensíveis dos deputados do CDS (que se abstiveram) e do PS (que votaram contra).

Ainda assim, anunciou-se o "sentimento de dever cumprido". E percebeu-se no dia seguinte que se respira um novo ar. O Banco de Portugal, contagiado pela onda de revelações, divulgou a lista de grandes devedores, que conduziram à falência da Banca e à injeção de 24 mil milhões de euros de dinheiro público ao longo de uma década de descalabro. Divulgou, mas em modo polido. Em vez dos nomes dos que contribuíram para nos levar à ruína, ficámos a conhecer códigos numéricos. É como com as conclusões unânimes da comissão parlamentar: não servem para nada, mas salvam-se as aparências.

*Editor-executivo | Imagem em Observador

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/portugal-cgd-salvar-as-aparencias.html

Comissão de Inquérito à Caixa confirma responsabilidades políticas em gestão ruinosa

O relatório votado por unanimidade, esta quarta-feira no Parlamento, confirma responsabilidades políticas a três níveis: conselhos de administração, supervisão e sucessivos governos de PS, PSD e CDS-PP.

CréditosMário Cruz / Agência LUSA

O resultado da II Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos vem, por um lado, confirmar elementos já conhecidos de comissões precedentes e, por outro, permitir um apuramento mais fino de responsabilidades de âmbito político e financeiro.

A clarificação destas responsabilidades teve contributo decisivo do PCP que insistiu para se expor no texto esta questão. Aliás, segundo o deputado Duarte Alves, a versão inicial do relator era «muito insuficiente» nesta matéria.

Não obstante, ficou como conclusão do relatório que os problemas vividos no banco público decorrem de políticas de afastamento da gestão na óptica do interesse público.

 

No caso dos Conselhos de Administração – dos quais sempre participaram personalidades reconhecidas de PS, PSD e CDS-PP – a Caixa acaba lesada em directa consequência da utilização de critérios contrários aos da boa gestão pública.

No plano da supervisão, a actuação do Banco de Portugal confirmou-se insuficiente na defesa do banco público, sendo mais clara a tese da sua inutilidade quando lhe teria sido exigido um acompanhamento mais rigoroso da boa vida financeira da Caixa.

O acompanhamento por diferentes governos do banco público, tanto do ponto de vista político, como financeiro ficou também evidente perante a constatação que o interesse público não foi defendido, apontando-se aqui PS, PSD e CDS-PP como principais responsáveis enquanto partidos que estiveram em sucessivos governos.

O apontar de responsabilidades a estes três níveis é tanto mais evidente quando se olha para o exemplo dos créditos cedidos para a compra de acções do BCP, que resultaram em avultados prejuízos.

O posicionamento do PSD, ao longo dos trabalhos desta comissão parlamentar de inquérito, evidenciou o objectivo da direita de atacar o banco público, o qual acabou derrotado, não sendo vertida no relatório a sua tese de que «não há diferença entre a Caixa e quaisquer bancos privados».

Aliás, o maior exemplo desse objectivo a que o PSD se propôs, foi a sua proposta de incluir no relatório a indiciação do crime de gestão danosa. Inserção essa que poderia implicar usurpação de competências de outros órgãos de soberania da justiça, nomeadamente do Ministério Público. A proposta acabou rejeitada com os votos de PCP e PS e a abstenção do BE.

Finalmente acabou por constar do documento que, «perante indícios» que apontam para possíveis responsabilidades criminais, a comissão deliberou entregar o relatório e todos os elementos de que dispôs para a sua elaboração, ao Ministério Público.

 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/comissao-de-inquerito-caixa-confirma-responsabilidades-politicas-em-gestao-ruinosa

Vem aí relatório do inquérito à CGD e os dados sobre grandes devedores

Semana quente na banca
A protagonista é a banca portuguesa. O palco é o Parlamento. Esta semana será quente. O relatório final da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos é discutido e votado. E é divulgado também o relatório com os dados gerais sobre os grandes devedores dos bancos que, nos últimos anos, receberam dinheiros estatais.

João Almeida vai apresentar o relatório preliminar esta segunda-feira, 15 de julho. Aí, o deputado centrista terá já as suas conclusões e recomendações resultantes dos trabalhos da iniciativa parlamentar que se debruçou sobre a gestão e as causas da capitalização do banco público em 2017.

Dois dias depois, é a vez de o documento ser discutido e votado pelos deputados – que podem fazer propostas de alteração.

A primeira comissão parlamentar de inquérito à CGD, cujo relator foi o deputado socialista Carlos Pereira, não teve conclusões aprovadas, devido a um problema por conta da presença dos deputados socialistas na altura da votação. “Desta votação resultou a não aprovação dos capítulos 1 a6 inclusive (onde constavam as conclusões do relatório) e a aprovação de cinco das sete recomendações propostas pelo deputado relator”, explica o ofício de conclusão dos trabalhos.
“Quanto às razões da inconclusividade dos trabalhos elas prendem-se pelo facto de as mesmas terem sido rejeitadas pela maioria dos deputados efetivos presentes na sala no momento da votação”, indicava o mesmo documento. As recomendações passavam pela “manutenção da Caixa Geral de Depósitos nas mãos do Estado” ou pela adoção de “práticas mais conservadoras” pela instituição financeira.

É no dia 19 que terminam os trabalhos da comissão de inquérito que se iniciou depois de conhecida uma versão preliminar da auditoria da EY aos atos de gestão. E esta foi uma iniciativa parlamentar que já beneficiou com a entrada em vigor da Lei n.º 15/2019, a lei da transparência na banca, em que os poderes das comissões de inquéritos foram reforçados, nomeadamente para aceder a informação. Aliás, por isso é que a comissão conseguiu ter acesso a atas que permitiu questionar devedores e antigos diretores.

Ora, é precisamente esta lei que, esta semana, terá resultados no Parlamento. É ela que obriga a que sejam divulgados os grandes devedores dos bancos que foram auxiliados pelo Estado. O documento com toda a informação, secreta, foi entregue ao Parlamento, mas a lei prevê também que seja elaborado um relatório com informação agregada e anonimizada sobre as grandes exposições dos bancos.

A Lusa noticiou esta sexta-feira que até à próxima quarta-feira de manhã, dia 17, esse relatório será divulgado. Em causa estão os grandes devedores dos bancos Caixa Geral de Depósitos, BES/Novo Banco, Banif, BPN, BCP e BPI. Um passo dado depois de Banco de Portugal e deputados terem estado a acertar agulhas.
Segundo a Lusa, o Banco de Portugal irá divulgar nesse documento público a informação dos devedores por banco, referindo as perdas causadas por um devedor ou grupo, ainda que sem os nomear.
Diogo Cavaleiro | Expresso

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/vem-ai-relatorio-do-inquerito-cgd-e-os.html

Um medo alemão

(Francisco Louçã, in Expresso, 13/07/2019)

 

À quarta é de vez? A administração do Deutsche Bank (DB) promete o sucesso do plano de reestruturação, com 18 mil despedimentos e a redução da unidade de investimentos, passando a concentrar-se no retalho. As razões da emergência são os €2,8 mil milhões de prejuízo no último trimestre, com o valor das ações no nível mais baixo em 149 anos.

Mas o icebergue é mais fundo, não bastou uma recapitalização recente de €30 mil milhões e um primeiro ‘banco mau’. O medo está, por isso, a instalar-se nos circuitos financeiros. O FMI não usa meias-palavras, considera o DB como o maior dos bancos que é um risco sistémico.

AS BOAS NOTÍCIAS SÃO MÁS

O Governo alemão trata o caso como um perigo soberano, mas é duvidoso que tenha os meios para salvar o banco se o pânico se instalar. Falhou tudo o que tentou, como conduzir o banco a uma fusão com um concorrente, o Commerzbank. Entretanto, dois grandes bancos, a suíça UBS e o holandês ING, indicaram que poderiam propor uma fusão, que na verdade seria comprar os restos do DB depois de desfeito — a questão é que alguém tem de pagar a conta.

A dimensão do problema não é sequer fácil de medir. O DB tem 24 milhões de clientes, um banco postal e o maior gestor de ativos da Alemanha. Teve a ambição de ser o poder alemão na globalização, salvou-se sempre e quem se lembra do resgate da Grécia sabe do que se trata. Só que tem uma dívida tóxica colossal. Por causa disso, quer criar um novo ‘banco mau’ com 74 mil milhões de euros em ativos, mais do que se supunha há poucas semanas. O caso é que a exposição real a ativos de risco será pelo menos de €288 mil milhões (o valor nacional dos seus derivados é 12 vezes maior, o triplo do PIB europeu, mas isso diz pouco sobre o valor real).

E AS MÁS SÃO PÉSSIMAS

É importante perceber como é que o banco chegou a estes valores astronómicos. Talvez o mecanismo mais importante tenha sido especializar-se em investimento especulativo com uma avalancha de liquidez em dólares, que ainda é a moeda de referência para dois terços das trocas mundiais, usando para isso vários instrumentos cada vez mais arriscados. Um deles são os produtos derivados, como os swaps cambiais: o DB assina com um outro banco um contrato para lhe assegurar o câmbio de euros por dólares a um preço fixo a longo prazo. E este banco empresta em dólares, que não tem nos seus cofres, sabendo que os pode ir buscar ao DB sempre que precisar, usando este contrato. A pirâmide vai crescendo entretanto, muitos agentes financeiros e bancos usam o mesmo procedimento e, assim, a expansão financeira e a liquidez das últimas décadas apoiou-se nesta ficção. O DB quis ser o maior banco europeu para competir com os norte-americanos jogando em câmbios e montanhas de dívida.

O banco tornou-se deste modo o epicentro de tal negócio. E chegou desta forma aos €288 mil milhões. Por isso mesmo, o banco tem tentado na última década limpar esta conta, mas não o vai conseguir. Ao colocar no ‘banco mau’ uma parte do risco, quer vender esses contratos a preço de saldo, mas o truque de prestidigitação não evita ter que registar nas suas contas o prejuízo, sabendo ainda que o Governo, mesmo que o quisesse, não pode cobrir a parada, pois o buraco pode chegar a trinta anos do gigantesco superavit atual da Alemanha. É grande demais e é por isso que muita gente se lembra do Lehman Brothers. Talvez este abismo seja maior.


O caso Bonifácio

Depois de uma semana de celeuma sobre o artigo de Fátima Bonifácio que postula que “os ciganos são inassimiláveis” e “os africanos são abertamente racistas”, percebe-se que o caso em si é quase banal, a não ser pela curiosidade de Ventura ser ali enunciado em modo mais troglodita. Daniel Oliveira, Marta Mucznik ou Francisca Van Dunem, entre outros, arrumaram o assunto com elegância.

A fantasiosa reconstrução de uma história mágica (“as mulheres partilham, de um modo geral, as mesmas crenças religiosas e os mesmos valores morais: fazem parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade”) ou o simplismo discriminatório (“isto não se aplica a africanos nem a ciganos”, pois não “descendem dos Direitos Universais do Homem decretados pela Grande Revolução Francesa de 1789”) são só a triste repetição de teses racistas que marcaram a meia-noite do século XX.

Mas, como Bonifácio faz parte de uma rede de gente fina que exibe a sua deriva extremista como se fosse o superior enunciado do senso comum, a tribo, mesmo que meio envergonhada, levantou-se em sua defesa, alegando, à falta de melhor, que o direito de opinião estava em risco se o racismo não fosse tolerado. Ela própria calou-se. Falaram por ela Helena Matos (“Não interessa se concordo ou discordo (…), o que interessa, o que é grave [é que] a ditadura das causas triunfou”) e Rui Ramos, que despejou os insultos em que é tão prolixo (“repugnou-me a canalhice das calúnias e das ameaças (…) e a inspiração de um dos mais asquerosos projetos políticos do nosso tempo (…) e porque a má-fé e a estupidez dominam este debate”). Como a pessoa mais inocente compreende, se tudo é tão superlativo é porque o navio já naufragou. Ora, a senhora professora há décadas que passeia a prosápia como se fosse um modo de vida e escreve tudo o que lhe apetece, sem qualquer restrição ao seu direito de opinião.

Resumindo, o caso Bonifácio só tem um motivo de curiosidade. Revela como o nosso tempo repete a tragédia dos anos 30, com a rendição de liberais ao totalitarismo, agora fascinados por Trump e Bolsonaro ou Salvini e Orbán. A “Cristandade” como referencial político, a raça como valor civilizacional, a superioridade branca como moral… já vimos isto tudo. É esta banalidade que é perigosa. Acrescente-se um Protocolo dos Sábios do Sião e teremos o que precisamos para um frémito de orgulho guerreiro que desce dos salões até aos arruaceiros da nova direita.


Casos triviais de pilhagem de dados

Episódio um. A carta do Santander aos clientes começa assim: “Os bancos são atualmente obrigados a recolher um conjunto de informações muito vasto sobre os seus clientes, respeitantes à sua identificação e conhecimentos (disse mesmo “conhecimentos”?), com a finalidade de permitir a adequação dos produtos e serviços prestados, no respeito da legislação aplicável e de procedimentos internos definidos para o efeito”. Aqui tem um monumento de falsidade. A legislação é exigente sobre a informação que os bancos devem ter sobre os clientes, mas não para “permitir a adequação dos produtos e serviços prestados”. Trata-se de uma invocação de autoridade para assustar o cliente.

Prossegue a carta: atualize o seu “comprovativo de morada” e, de seguida, o “comprovativo da entidade patronal/profissão”, o que já é excessivo (uma carta da entidade patronal é condição para ter uma conta bancária?). Mas chega-se então ao essencial, o cliente é intimado a “entregar” uma “declaração de património” e uma “comprovação de património”. Ora, esta carta é enviada a clientes de conta corrente e sem qualquer crédito em curso. Aliás, é assinada por Carla Santos, da Direção de Coordenação de Marketing. Ou seja, quer estabelecer uma base de dados para o marketing do banco. Mas não ficamos por aqui. Se o cliente não enviar imediatamente a dita comprovação de património, haverá “consequências especialmente gravosas, incluindo o encerramento de contas bancárias”.

Dois meses depois, nova carta. Se o cliente não enviou os tais dados, haverá “o encerramento de contas bancárias”. Portanto, a direção de marketing do banco, querendo “adequar” a sua oferta financeira, decide assustar os clientes para obter informação sobre o seu património e “conhecimentos”. O procedimento é abusivo, a ameaça é ilegal, a base de dados é clandestina. É tudo errado.

Episódio dois. Vai renovar o cartão do passe social? No impresso, é “obrigatório” declarar o e-mail e o telemóvel. Mesmo que depois assinale os campos de rejeição de publicidade da empresa e outros spams, lá está, para ter o passe social é “obrigatório” dar à empresa aqueles dados. Mais uma vez, é uma base de dados ilegal.

Dir-me-ão que são histórias triviais do nosso tempo. São mesmo. E há uma sabedoria ancestral que diz que, se quer conhecer o vilão, basta pôr-lhe um bastão na mão. Estas empresas ameaçam com o seu bastão e pensam que ninguém repara. Chama-se pilhagem de dados.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Publicações mais recentes

Últimos posts

Itens com Pin
Atividades Recentes
  • Vasco Graça updated his profile
    Publicação sobre moderação
    Item de fluxo publicado com sucesso. Item passa a ser visível no seu fluxo.
Aqui ainda não existem atividades
LOGO4 vert01
A Plataforma Cascais - movimento cívico é um grupo aberto de cidadãos, autónomo de quaisquer interesses económicos, religiosos ou partidários.
Todas as publicações deste site refletem apenas as opiniões dos seus autores e não responsabilizam a PC-mc
exceto quando expressamente assinadas por esta.
 

SSL Certificate
SSL Certificate