Banca

O LUGAR DA FRAUDE

 
 

Conhece a Wirecard? Há um ano valia mais que o Deutsche Bank e era rainha entre as empresas fintech (que associam serviços bancários e pagamentos eletrónicos) e as blue-chip (consideradas mais lucrativas e seguras em bolsa).


Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião

Começou em 1999 como operador de pagamentos online através de cartões de crédito e entrou na Bolsa de Frankfurt em 2005, ocupando o lugar de uma empresa já falida. Esse truque, que já foi utilizado por centenas de empresas chinesas nos EUA, evitou o processo burocrático de uma nova entrada em bolsa.  Sob os comandos de Markus Braum, ex-consultor da KPMG, a Wirecard adquiriu a XCOM, tornando-se num banco, ou melhor, numa fintech, daquelas a quem a UE e Portugal procuram agora abrir as portas em nome do "mercado livre".

A expansão continuou, com a aquisição de várias empresas de pagamentos online, sobretudo focadas no mercado asiático, financiada pela emissão de ações e obrigações a investidores atraídos pelos gigantescos lucros da Wirecard. Apesar de algumas dúvidas levantadas ao longo dos anos pelo "Financial Times" (FT), que publicou esta história, a auditoria às contas de 2017 feita pela EY saiu limpa. A valer 191 euros por ação, a empresa entrou em 2018 no índice Dax30, o que a tornou num investimento "seguro" aos olhos dos fundos de pensões.

Apesar de todo o escrutínio, só em março de 2019 é que o FT descobre que metade dos lucros da Wirecard são gerados por "parceiros" subcontratados. O rasto dessas empresas leva a edifícios abandonados ou moradas de modestas famílias de pescadores das Filipinas. Segundo o documentário The China Hustle, foi isso mesmo que aconteceu também com as tais empresas chinesas que fizeram sucesso nas bolsas norte-americanas.

Depois de anos de contas declaradas "limpas" pela EY, o cerco apertou-se sobre a Wirecard com a publicação de uma nova auditoria, agora da KPMG, que não conseguiu verificar as fontes dos lucros reportados na Irlanda e em Singapura.  Em junho, as autoridades alemãs são forçadas a lançar uma investigação e a Wirecard anuncia um buraco de 1,9 mil milhões, bem como a detenção do seu CEO.

Os métodos da Wirecard foram também os de outras empresas que, tal como esta, fizeram sucesso nos mercados financeiros. E se não forem estes, muitos outros casos acabam a levar-nos sempre à mesma pergunta: há um normal funcionamento do capitalismo financeiro que não inclua a fraude constante e ao mais alto nível?

*Deputada do BE

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/07/o-lugar-da-fraude.html

Presidente do Santander defende que funcionário em home office abdique de parte do salário

 
 

247 -O presidente do Santander, Sergio Rial, defende que a melhor maneira de implantar um modelo de home office para seus funcionários é a “abdicação voluntária” de benefícios e parte de seus salários. Com informações da Folha de S. Paulo.

Em entrevista promovida pelo banco, Rial disse que “se tudo isso te poupa tempo, você deixa de gastar com combustível, tua vida fica mais fácil até sob o ponto de vista econômico, por que não dividir algumas coisas dessas com a empresa? Por que não pode ser um voluntário com a abdicação de algum benefício, de algum salário? Desde que seja voluntário”.

Segundo ele seria preciso uma “construção em conjunto”, por meio do “diálogo” entre a direção e funcionários.

 

“O Santander esclarece que, embora o sistema de home office a ser adotado pela organização esteja em definição, a hipótese de reduções na remuneração dos funcionários está absolutamente fora de questão neste contexto", ressaltou a assessoria de imprensa da empresa.

 

MONTEPIO GERAL – ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA – ASSEMBLEIA GERAL – TERÇA-FEIRA, 30 de JUNHO, pelas 20 horas, na Rua das PORTAS DE SANTO ANTÃO, 96, em LISBOA

O Montepio Geral – Associação Mutualista realizará a sua Assembleia Geral, Sessão Ordinária,

no próximo dia 30 de junho, pelas 20h00, na Rua das Portas de Santo Antão, n.º 96, em Lisboa,

com a seguinte ordem de trabalhos:

  1. Deliberar sobre o Relatório do Conselho de Administração e Contas Individuais, bem como sobre o Parecer do Conselho Fiscal, referente ao exercício de 2019;
  2. Deliberar sobre as propostas de aplicação de resultados;
  3. Apreciar o Relatório da Actividade do Conselho Geral, relativo ao exercício de 2019;
  4. Deliberar sobre a proposta de modificações do Regulamento de Benefícios apresentada pelo Conselho de Administração, acompanhada de parecer favorável do Conselho Geral, nos termos do disposto no artigo 65.º n.º 4. e 5.º dos Estatutos.
  5. Eleger, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 65.º n.º 5 dos Estatutos, uma Comissão de 5 membros para dar parecer e preparar a versão final da proposta de modificações do Regulamento de Benefícios a apresentar à Assembleia Geral nos termos do disposto no n.º 6 do artigo 65.º dos Estatutos.

Para que a Assembleia Geral funcione em 1ª Convocação é necessária a presença de, pelo menos, metade dos Associados, número que é de admitir não consiga alcançar-se. Nesta conformidade, a Assembleia reúne, em 2ª Convocação, pelas 21:00 horas do mesmo dia, e no mesmo local, podendo então deliberar qualquer que seja o número de Associados presentes.

Tendo em consideração a situação excepcional de saúde pública causada pela epidemia de SARS-CoV-2 (COVID-19), que levou à declaração da situação de calamidade, e ao aconselhamento pelas autoridades de saúde pública ao distanciamento social com o objectivo de prevenção, contenção e mitigação da infecção epidemiológica por COVID-19, os documentos relativos à Ordem de Trabalhos a submeter à apreciação e deliberação da Assembleia Geral estarão à disposição dos Associados, a partir da presente data, para consulta, aqui e serão ainda disponibilizados, em suporte físico, na Assembleia Geral. A disponibilização dos referidos documentos aos Associados nos termos estabelecidos no artigo 23.º n.º 5 dos Estatutos está dependente de prévia marcação através do e-mail AM.SecGeral@montepio.pt com antecedência mínima de 2 dias úteis.

As regras sanitárias e de distanciamento social relativas à forma de admissão, credenciação, entrada e saída da sala e ainda à presença dos Associados na sala da Assembleia Geral, estarão publicadas aqui.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/26/montepio-geral-associacao-mutualista-assembleia-geral-terca-feira-30-de-junho-pelas-20-horas-na-rua-das-portas-de-santo-antao-96-em-lisboa/

Bloco ataca escolha de Centeno para o BdP (e aponta súbita mudança “radical” no PSD)

 

O Bloco insistiu que Mário Centeno não é a pessoa indicada para ser governador do Banco de Portugal, dando como exemplos os processos Novo Banco e Banif.

 

Estas posições foram transmitidas pela dirigente do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua em conferência de imprensa, na Assembleia da Republico, depois de o primeiro-ministro, António Costa, na quinta-feira à noite, ter formalizado a proposta de designação para que Mário Centeno substitua Carlos Costa no lugar de governador do Banco de Portugal.

Mariana Mortágua começou esta sexta-feira por se referir ao processo formal de caráter institucional seguido agora por António Costa na escolha de Mário Centeno, considerando que, nesta matéria, distinguiu-se muito pouco do que fez o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho em 2015.

“O atual primeiro-ministro não teve nenhum momento formal para ouvir as opiniões dos diferentes partidos. Sabemos que António Costa fará a designação independentemente da posição dos partidos. Nesse âmbito, distingue-se muito pouco daquilo que o seu antecessor [Pedro Passos Coelho] fez quando nomeou Carlos Costa para o cargo de governador do Banco de Portugal”, considerou Mariana Mortágua.

Em relação à escolha feita pelo executivo socialista, a deputada do Bloco de Esquerda insistiu nas críticas ao ex-ministro de Estado e das Finanças, sobretudo pelo papel direito que teve em relação a alguns dos processos que envolveram questões de banca desde o final de 2015. Neste ponto, Mariana Mortágua defendeu que deve ser feita uma avaliação política da escolha de Mário Centeno, principalmente “depois de se ter passado o último mês a discutir as várias injeções futuras possíveis no Novo Banco por conta de um contrato de venda à Lone Star”.

“Ora, esse contrato de venda foi negociado, assinado e defendido por Mário Centeno enquanto ministro das Finanças, tal como foi no caso do Banif – um banco que foi alvo de uma injeção de dinheiro público para depois ser entregue ao Santander. São essas decisões que este Governo e que Mário Centeno tomaram relativamente à banca que não se distanciam muito quer do Banco de Portugal, quer do anterior Governo [PSD/CDS-PP]”.

Em conclusão, “Mário Centeno não é a pessoa indicada para ser governador”.

Críticas à mudança “radical” do PSD

Confrontada com a posição do PSD de que entende que nenhuma mudança nos critérios de nomeação do governador do Banco de Portugal deve ter efeitos já neste processo de substituição de Carlos Costa por Mário Centeno, Mariana Mortágua disse que o Bloco de Esquerda sempre alertou para as questões de segurança jurídica e de constitucionalidade no que respeita ao processo legislativo em curso no parlamento.

Mas surpreende-me essa posição do PSD, porque estive na reunião da Comissão de Orçamento e Finanças em que os deputados desse partido defenderam exatamente o contrário. Houve uma mudança radical de posição, porque esses deputados do PSD quiseram terminar o processo legislativo quase a mata cavalos para se aplicar a esta nomeação. A posição do Bloco de Esquerda é a mesma desde o início: O processo legislativo tem de ter segurança jurídica e constitucional”, contrapôs.

Na conferência de imprensa, Marina Mortágua voltou a demarcar-se de uma parte do projeto do PAN em que se prevê a introdução de uma incompatibilidade de um membro do Governo ser governador do Banco de Portugal.

“Mas a Assembleia da República tem de ter poder vinculativo na nomeação do governador do Banco de Portugal. Aparentemente, vamos nomear um governador do Banco de Portugal sem que haja sequer a garantia de que tem uma maioria na Assembleia da República que o apoia”, apontou a bloquista.

Questionada se o Banco Central Europeu (BCE) alguma vez aceitará que a Assembleia da República tenha poder de nomeação e de destituição do governador do Banco de Portugal, Mariana Mortágua considerou que a atuais regras tornam este titular “numa figura insubstituível, que pode fazer o que bem entender e que permanecerá no cargo independentemente da avaliação que o país fizer do seu desempenho”.

“Já se viu o resultado destas leis [em vigor]. Foi impossível tirar Carlos Costa do cargo de governador”, observou, antes de se insurgir contra os poderes do BCE nesta matéria, alegando que são poderes que não passam pela democracia portuguesa.

“Não podemos permitir que instituições sem qualquer tipo de submissão às regras da democracia portuguesa controlem cargos tão essenciais para o funcionamento da democracia portuguesa”, acrescentou.

 

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/bloco-ataca-escolha-centeno-bdp-aponta-subita-mudanca-radical-no-psd-332008

Governo já designou Mário Centeno para governador do BdP. Carta já seguiu para o Parlamento

 

O primeiro-ministro escreveu esta quinta-feira ao presidente da Assembleia da República a comunicar a proposta do Governo para nomear o ex-ministro das Finanças Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal.

 

“É intenção do Governo, na sequência de proposta do senhor ministro de Estado e das Finanças [João Leão], designar o professor doutor Mário Centeno para o cargo de governador do BdP”, lê-se na missiva enviada por António Costa a Ferro Rodrigues.

Na mesma carta, à qual a agência Lusa teve acesso, o primeiro-ministro pede depois que “seja requerida a audição do indigitado na comissão parlamentar competente, nos termos do disposto na lei orgânica do Banco de Portugal”.

Esta quinta-feira, no final do Conselho de Ministros, António Costa afirmou que já transmitira aos partidos com representação parlamentar a intenção do Governo em relação à sucessão de Carlos Costa no cargo de governador do Banco de Portugal.

“Já tive a oportunidade de ter um contacto telefónico diretamente entre mim e o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares [Duarte Cordeiro]. Já falámos com todos os partidos para os ouvir sobre a matéria. Transmitimos qual a nossa intenção“, referiu.

Quanto à audição parlamentar, António Costa disse que, “nos termos da lei, tem de se realizar, para que possa decorrer normalmente o processo de nomeação. Gostaríamos que o processos decorresse de forma tranquila, tendo em conta que o mandato do atual senhor governador [Carlos Costa] terminará no próximo mês”, alegou o primeiro-ministro.

Também nesta quinta-feira, o PSD afirmou que já comunicou ao Governo que discorda e desaconselha a escolha de Mário Centeno como próximo governador do Banco de Portugal, mas recusa aprovar leis ‘ad hominem’ que o impeçam.

“A nossa posição é clara e já a comunicámos ao Governo: é uma posição desfavorável à escolha de Mário Centeno: é uma escolha desaconselhável, não traz clareza nem reforça solidez do sistema, é uma escolha que não faríamos e com que não concordamos”, afirmou o vice-presidente do PSD Nuno Morais Sarmento.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/governo-ja-designou-mario-centeno-governador-do-bdp-331903

Director de risco do BES foi promovido a administrador do Novo Banco por António Ramalho

 

O ex-director de risco do BES, no período entre 2012 e 2014, Rui Fontes, foi promovido a administrador do Novo Banco pela direcção de António Ramalho, após ter sido convidado para o cargo pelo Fundo de Resolução.

 

Rui Fontes foi nomeado director do departamento de risco do BES já depois da resolução do Banco. Em 2016, após António Ramalho substituir Eduardo Stock da Cunha na presidência do Novo Banco, Rui Fontes foi destacado para a Comissão Executiva, ficando com o pelouro do risco, conforme reporta o Público.

O agora administrador do Novo Banco explica no jornal que foi convidado para o cargo pelo Fundo de Resolução, entidade que está sob a tutela do Banco de Portugal, para integrar a Comissão Executiva de António Ramalho.

Rui Fonte também sublinha que cumpria os requisitos necessários para assumir o cargo de administrador.

O Público constata que o Banco de Portugal reconheceu a sua idoneidade para o cargo pelo facto de Rui Fontes não ter sido visado em nenhum processo contraordenacional, quer enquanto esteve no departamento de risco do BES, entre 2012 e 2014, quer pelas funções no Novo Banco, no período de 2014 a 2016.

O Fundo de Resolução agravou o seu saldo negativo para mais de 7 mil milhões de euros em 2019, especialmente devido às injecções de capital no Novo Banco.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/director-risco-do-bes-promovido-administrador-do-novo-banco-antonio-ramalho-331632

Banco Montepio vai fechar 31 balcões. Gestão justifica encerramentos com “novo ciclo”

 

O banco Montepio vai fechar 31 balcões, disse esta terça-feira a instituição, referindo que está reforçar a aposta nos serviços digitais.

 

O banco disse que decidiu “ajustar o modelo de distribuição e reorganização da rede comercial” através da “fusão de 31 balcões redundantes devido à sua proximidade geográfica”. Contudo, acrescentou, continuará a “prestar os serviços bancários de proximidade às populações”. Gestão justifica encerramentos com “novo ciclo”, refere ainda o jornal Eco sobre os balcões que serão encerrados.

O banco não indica as agências em causa nem se haverá trabalhadores afetados.

O Montepio teve lucros de 5,4 milhões no primeiro trimestre (17% abaixo de período homólogo), tendo no final de março 3.969 trabalhadores e 328 balcões em Portugal.

Ainda no comunicado esta terça-feira divulgado e a que a agência Lusa teve acesso, a instituição afirmou que está a “acelerar a transição digital”, tanto internamente como na relação com os clientes, assim como a ajustar o modelo de negócio, com a “aposta em produtos com maior valor acrescentado para o cliente”.

O objetivo é ainda aumentar a eficiência, o que será feito através “da revisão dos processos e dos normativos internos”, lê-se na informação divulgada.

Citado em comunicado, o presidente executivo do Montepio disse que o banco precisa de acelerar a transição digital, quer por que a “dinâmica da relação e as expectativas dos clientes sobre o serviço prestado evoluíram de forma acelerada”, quer pela competição do setor, em que “além da constante produção regulamentar, ou das taxas de juro historicamente baixas, servir bem os clientes constitui o maior desafio para os bancos”.

O Montepio indicou ainda as medidas que tem tomado relacionadas com a transição digital, como a abertura de contas através online, a possibilidade de clientes atualizarem dados pessoais através apenas de canais online, a contratação de crédito pessoal até 5.500 euros por meios ‘online’ e novas plataformas tecnológicas em processos internos do banco.

// Lusa

 

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https://zap.aeiou.pt/banco-montepio-vai-fechar-31-balcoes-331595

Portugal | Se eu soubesse

 
 
Diz o povo que o pior cego é aquele que não quer ver. Esse comportamento - individual ou coletivo - de, por comodismo, se fazer vista grossa perante factos objetivos duros com que nos deparamos, ou de, por oportunismo, fingirmos que desconhecemos a realidade, paga-se muito caro.

Manuel Carvalho Da Silva| Jornal de Notícias | opinião

A História está cheia de decisões políticas ancoradas nesses fingimentos: umas geraram enormes prejuízos económicos e sociais, outras deram origem a guerras. Todas elas causam injustiças, pobreza, horrores. Passado algum tempo aparecem responsáveis por essas decisões a dizer-nos: "se soubesse o que sei hoje" agiria de forma diferente. Na esmagadora maioria dos casos estas afirmações são de uma hipocrisia que enoja, como é o caso de recentes declarações de Durão Barroso, numa entrevista à Atlantic Talks.

Barroso foi o lacaio de serviço na organização da cimeira das Lajes, em 2003, onde foi assumido o avanço para a invasão e guerra do Iraque. Era, na altura, primeiro-ministro de Portugal e um político com experiência internacional. Agora diz que "com o que se sabe hoje" provavelmente não agiria da mesma forma, fazendo de conta que "a informação que tinha na altura" - construída de forma mentirosa pelos Estados Unidos da América (EUA) - era a de que dispunha. Ora, ele sabia muito bem que as Nações Unidas não aceitavam tal ato, que parte dos países europeus e a esmagadora maioria à escala mundial se opunham e viu, naqueles dias, milhões e milhões de cidadãos em todo o Mundo, e em Portugal, manifestando-se desesperadamente contra tal opção. Até o Papa apelou para que não se entrasse por tal caminho. Durão Barroso participou, bem informado e conscientemente, num dos atos criminosos e belicistas mais graves após a II Guerra Mundial. Uma invasão ignóbil para limpar toda a Administração iraquiana (expressão de Barroso), seguida de guerra que alimentou outras guerras, a instabilização de países, o incremento do terrorismo e milhões de refugiados, e que causou e causa imensos mortos e sofrimento humano.

Enquanto primeiro-ministro, Barroso sabia existir em Portugal uma opinião esmagadora condenatória da via da guerra, incluindo a opinião, embora pouco ofensiva, do presidente da República. Propositadamente traiu o povo português, mas ganhou "competências" que o catapultaram para presidente da Comissão Europeia e agora para chairman do banco Goldman Sachs Internacional, um dos principais pilares, à escala global, da "economia que mata" a que se refere o Papa Francisco. E porque este banco é uma das instituições que mandam neste Mundo crescentemente injusto e belicista, vemos, infelizmente, governantes de países e responsáveis de grandes instituições a curvarem-se perante este bandalho político.

Aquela "badalhoquice" política não surpreende vinda de Durão Barroso. O que se reclama para gente como ele é a existência de condições para rigoroso julgamento político e outros, se adequados. Entretanto, choca ver Mário Centeno - que publicamente se reconhece como pessoa séria e rigorosa - agora, a propósito do contrato com o Novo Banco, puxar da bengala "se eu soubesse o que sei hoje" para nos dizer que faria diferente.

Então, Mário Centeno, o que é que o senhor sabe que os portugueses precisam de saber para evitarem que o desastre continue?

*Investigador e professor universitário

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/portugal-se-eu-soubesse.html

No grande capital não se toca nem com uma flor

Com uma formula, embora, mais inteligente que Faria de Olveira , Artur Santos Silva lá vem defender a dama da banca…”espanhola”. Mas tem razão , o imposto não devia ser só para a banca
“Na Conversa Capital, espaço de entrevista conjunto do Negócios e Antena 1, o presidente honorário do BPI e curador da Fundação La Caixa, defende que a solidariedade deve ser pedida às grandes empresas e não só aos bancos que vão ser o “primeiro sofredor” da crise.” mas também são os que mais  têm recebido do BCE e indirectamente e directamente dos nossos impostos
 
Lembra que “é a terceira vez que há um imposto dirigido para os bancos” e que faria mais sentido ir buscar receita às grandes empresas, mediante critérios a definir e que poderiam passar pela dimensão do capital ou dos lucros.”
 

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/3diq2rN

Venezuela leva Novo Banco a tribunal para recuperar 1,35 mil milhões de euros

 

Oito empresas públicas da Venezuela, incluindo a petrolífera estatal PDVSA, estão a processar o Novo Banco com o intuito de desbloquear verbas congeladas pela instituição. Em causa estão valores da ordem dos 1,35 mil milhões de euros.

 

O processo deu entrada no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa nesta sexta-feira, 19 de Junho, de acordo com o Expresso. Em causa estão verbas no Novo Banco que estas empresas gostariam de movimentar, mas que foram congeladas.

Além da Petróleos da Venezuela (PDVSA), a acção envolve também o Banco de Desenvolvimento Económico e Social da Venezuela, segundo o semanário.

No início do ano, a PDVSA viu a justiça recusar uma providência cautelar que visava movimentar 400 milhões de euros que se encontram congelados no Novo Banco.

A entidade financeira recusa deixar sair as verbas da instituição no âmbito das suspeitas que surgiram no decorrer do inquérito ao antigo Grupo Espírito Santo (GES), cumprindo as regras de prevenção do branqueamento de capitais.

O Novo Banco alega que não consegue determinar quem será o beneficiário último destas verbas.

O Ministério Público (MP) suspeita que o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, pagou alegados subornos a políticos do regime do antigo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Salgado e Chávez terão firmado uma “parceria estratégica”, em 2010, que levou empresas públicas venezuelanas a investirem 6,4 mil milhões de euros em empresas do GES. Será parte desse dinheiro, em depósitos e em títulos adquiridos, que as empresas pretendem agora recuperar.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/venezuela-leva-novo-banco-tribunal-recuperar-135-mil-milhoes-euros-331069

Estupefacto com os estupefactos

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 17/06/2020)

Daniel Oliveira

A relação do Estado com o Novo Banco é de débito direto. Pode vir a ter de injetar dinheiro não apenas para limpar o legado do BES mas para compensar o capital que o banco não foi buscar por causa da pandemia. Perante isto, o Presidente da República mostrou-se “estupefacto”. É assim que vai estar, até às eleições, perante qualquer notícia impopular. Das duas uma: ou não conhece os termos da venda do Novo Banco e é incompetente, porque é seu dever estar informado num tema desta relevância, ou conhece e é demagogo.

ministro das Finanças e o Banco de Portugal já vieram desmentir esta ideia. É como acionista (o Fundo de Resolução tem 25% do Novo Banco) que o Estado pode ser chamado a injetar ainda mais dinheiro, ao abrigo de uma rede de segurança de último recurso. É mais dinheiro público, mas não tem nada a ver com o mecanismo de capital contingente, descansam-nos. A primeira coisa a fazer é acabar com esta charada. Tornar públicos – e não apenas para os deputados – os contratos de venda do Novo Banco e toda a documentação que corresponda a qualquer dever do Estado.

Depois, todos os que apoiaram esta venda devem assumir as suas responsabilidades políticas. E isso inclui Mário Centeno, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. Mas não devemos ficar por aí. Os organizadores da venda são responsáveis: Sérgio Monteiro, um homem obscuro que continua a passar pelos pingos da chuva e que recebeu meio milhão de euros por este rico trabalho; e Carlos Costa. Os dois também têm de responder perante o país, sem direito a qualquer tipo de reserva que impeça o escrutínio democrático.

Só depois disto podemos andar ainda mais para trás. Discutir aquela que foi, como disse Centeno, “a mais desastrosa resolução bancária alguma vez feita na Europa”. Aí, os responsáveis são o mesmíssimo Carlos Costa, o sempre eretamente rigoroso Passos Coelho e a inenarrável Maria Luís Albuquerque, que disse que uma solução que já custou cinco mil milhões ao Estado  não teria custos para os contribuintes..

Depois desta catástrofe, havia três possibilidades para o Novo Banco: deixar falir, dissolvendo-o; vender em condições tais que o Estado ficaria a pagar tudo; e nacionalizar. A primeira era impossível sem um efeito sistémico em toda a banca e na economia; a segunda era ruinosa e tirava todo o poder ao Estado; a terceira era ruinosa mas dava poder ao Estado. Eu defendi a terceira, batendo-se Portugal com quem, na Europa, impôs ao país uma resolução experimentalista e desastrosa. Quem defendeu a segunda, que corresponde à nacionalização dos riscos e privatização dos ganhos, tem de assumir as suas responsabilidades. Sabendo que, depois de esmifrar o Estado, a Lone Star fará o que entender com o banco. E que todas as garantias que agora nos são dadas valem o mesmo do que as anteriores: nada.

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A desfaçatez do lugar tenente de um fundo abutre

É raro concordar com Marcelo, mas tenho de convir que, por uma vez, sou obrigado a reconhecer-me na estupefação por ele sentida perante as palavras do presidente do Novo Banco. A coincidência na reação esgota-se porém na expressão, porque não foi o conteúdo das mesmas a suscitarem-me o espanto, mas a desfaçatez com que António Ramalho o fez.

 

Sabemos que os fundos-abutre primam pela falta de escrúpulos. Pudera! Nem mereceriam o termo injurioso se lhes sobrasse a mínima pinga de tal cuidado. Mas, perante um país a contas com uma tal crise, Ramalho não se poupa a esforços para exigir mais dinheiro do Estado, mesmo que, a coberto do tal Fundo de Resolução, que nunca chega a sair do perene esvaziamento. E cuidando, entretanto, da vidinha, porque mais depressa decidiu bónus indecorosos para rechear as suas contas, do que conseguiu dar alguma solvibilidade a um Banco assumidamente falido (ou será que sem os sucessivos cheques ainda teria abertas as portas?).

 

Olhamos para Ramalho e não esquecemos o quanto sempre acompanhou dos senhores do «Compromisso Portugal», que não se contentaram com os desmandos cavaquistas na nossa economia e promoveram o Observador como ponta-de-lança dos seus interesses promovidos através de Passos Coelho. Azar deles: a marioneta saiu-lhes prestável (e por isso, apesar da fama de cábula, arranjaram-lhe cátedra numa universidade!), mas manifestamente incompetente. Porque a transformação definitiva do país com a privatização do que ao Estado restava e a precarização massiva de quem trabalha - convertido na uberizada fórmula do empresário por conta própria a mando de patrões dispostos a pagarem-lhes o mínimo e a exigirem-lhes o máximo! - concluiu-se ao fim de quatro anos não se perspetivando oportunidade a médio-longo prazo para que se cumpra tal desígnio.

 

Nesse sentido António Ramalho divergiu de Paulo Macedo que, apesar das críticas justificadas quanto ao seu consulado á frente da Caixa Geral dos Depósitos, tem cumprido a função sem nada exigir de inusitado aos nossos bolsos de contribuintes. Para o lugar tenente da Lone Star em Portugal o contrato criado por Sérgio Monteiro a mando de Carlos Costa, é para ser lido nas letras maiores, mas também nas mais miudinhas, aquelas que neles sempre comporta o que de intencionalmente vigarista contêm. Por isso diz ser a pandemia uma «extrema adversidade», que impõe mais dinheiro do Estado.

 

Espera-se que, tal como se deseja ver cumprido na TAP - com a vontade de Pedro Nuno Santos a sobrepor-se à de António Costa - também no Novo Banco se chegue à altura de dizer Basta e ele seja objeto de uma intervenção, que ponha cobro aos inaceitáveis rios de dinheiro, que para ele foram, entretanto, despejados.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/06/a-desfacatez-do-lugar-tenente-de-um.html

A mercantilização das Universidades e da Investigação: o caso da grande indústria farmacêutica em período de Covid-19 – 5. Curar doentes é um modelo de negócio sustentável? (1ªparte)

Espuma dos dias Mercantilização Universidade Investigação

Seleçção e tradução de Júlio Marques Mota

5.Curar doentes é um modelo de negócio sustentável? (1ªparte)

5.1.A Goldman Sachs pergunta em relatório de investigação biotecnológica: Curar doentes é um modelo de negócio sustentável? Por Tae Kim

5.2.Goldman Sachs e a economia da cura das doenças. Por factotumk

5.3.Aconteceu finalmente: Goldman Sachs pergunta se “A cura dos pacientes é um modelo de negócio sustentável”. Por Walter Einenkel

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5.1. A Goldman Sachs pergunta em relatório de investigação biotecnológica: Curar doentes é um modelo de negócio sustentável?

Tae Kim Por Tae Kim

Publicado por CNBC em 11/04/2018 (ver aqui)

147 Mercantilização Univ e Invest Big Pharma 5 G Sachs pergunta Curar doentes modelo de negócio sustentável 1

Yuri Arcurs | Getty Images

Os analistas da Goldman Sachs tentaram abordar um assunto delicado para as empresas biotecnológicas, especialmente as envolvidas no tratamento pioneiro da “terapia genética”: as curas podem ser más para o negócio a longo prazo.

“Curar pacientes é um modelo de negócio sustentável?” perguntam os analistas num relatório de 10 de Abril intitulado “The Genome Revolution”.

“O potencial para produzir “curas com um só tratamento” é um dos aspetos mais atractivos da terapia genética, da terapia celular com engenharia genética e da edição genética. No entanto, tais tratamentos oferecem uma perspetiva muito diferente no que diz respeito às receitas recorrentes em relação às terapias crónicas”, escreveu a analista Salveen Richter na nota dirigida aos clientes na terça-feira. “Embora esta proposta tenha um enorme valor para os pacientes e para a sociedade, pode representar um desafio para os criadores de genomas que procuram um fluxo de caixa sustentado”.

Richter citou os tratamentos da Gilead Sciences para a hepatite C, que atingiram taxas de cura superiores a 90 por cento. As vendas da empresa nos EUA para estes tratamentos contra a hepatite C atingiram um pico de 12,5 mil milhões de dólares em 2015, mas têm vindo a diminuir desde então. A Goldman estima que as vendas americanas destes tratamentos serão inferiores a 4 mil milhões de dólares este ano, de acordo com um quadro constante do relatório.

“A GILD é um bom exemplo disso, em que o sucesso da sua concessão para a hepatite C esgotou gradualmente o conjunto disponível de pacientes tratáveis”, escreveu o analista. “No caso de doenças infecciosas como a hepatite C, a cura de pacientes existentes também diminui o número de portadores capazes de transmitir o vírus a novos pacientes, pelo que o conjunto de incidentes também diminui … Quando um conjunto de incidentes permanece estável (por exemplo, no cancro), o potencial de cura apresenta menos riscos para a sustentabilidade de uma concessão”.

O analista não respondeu a um pedido de comentário.

O relatório sugeria três soluções potenciais para as empresas de biotecnologia:

“Solução 1: Abordar os grandes mercados: A hemofilia é um mercado de 9-10 mil milhões de dólares (hemofilia A, B), que cresce cerca de 6-7% ao ano.

“Solução 2: Abordar as perturbações com elevada incidência: A atrofia muscular espinhal (AME) afeta as células (neurónios) da medula espinal, afetando a capacidade de andar, comer ou respirar”.

“Solução 3: Inovação constante e expansão da carteira: Existem centenas de doenças hereditárias da retina (formas genéticas de cegueira) … O ritmo da inovação também desempenhará um papel, uma vez que os programas futuros podem compensar a trajetória decrescente de receitas dos ativos anteriores”.

 

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O autor: Tae Kim é um repórter da Barron’s que cobre a área de tecnologia. Anteriormente, trabalhou na CNBC Digital como jornalista de investimento, cobrindo acções e mercados. Antes disso, foi editor no Yahoo Finance e também trabalhou como analista de acções em hedge funds.

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5.2. Goldman Sachs e a economia da cura das doenças

Por factotumk

Publicado por Hive blog em 17/04/2018 (ver aqui)

147 Mercantilização Univ e Invest Big Pharma 5 G Sachs pergunta Curar doentes modelo de negócio sustentável 3

Fonte da imagem: foodmet.net

Curar doenças representa um modelo de negócio sustentável?

Esta questão foi recentemente analisada pelo analista da Goldman Sachs Salveen Richter e colegas no relatório “Genome Revolution”, tal como foi noticiado por Tae Kim da CNBC:

O potencial para produzir “curas com um só tratamento” é um dos aspetos mais atractivos da terapia genética, da terapia celular com engenharia genética e da edição genética. No entanto, tais tratamentos oferecem uma perspetiva muito diferente no que diz respeito às receitas recorrentes em relação às terapias crónicas“, escreveu a analista Salveen Richter na nota dirigida aos clientes na terça-feira. “Embora esta proposta tenha um enorme valor para os pacientes e para a sociedade, pode representar um desafio para os criadores de genomas que procuram um fluxo de caixa sustentado”. 

Richter e a sua equipa fazem referência a um estudo de caso de tratamentos oferecidos pela Gilead Sciences para a hepatite C, que atingiu taxas de cura superiores a 90 por cento. As vendas nos EUA dos tratamentos da empresa atingiram 12,5 mil milhões de dólares em 2015, mas têm vindo a diminuir desde então e espera-se que desçam abaixo dos 4 mil milhões de dólares este ano. Richter observa:

A GILD é um bom exemplo disso, em que o sucesso da sua concessão para a hepatite C esgotou gradualmente o conjunto disponível de pacientes tratáveis“, escreveu o analista. “No caso de doenças infecciosas como a hepatite C, a cura de pacientes existentes também diminui o número de portadores capazes de transmitir o vírus a novos pacientes, pelo que o conjunto de incidentes também diminui … Quando um conjunto de incidentes permanece estável (por exemplo, no cancro), o potencial de cura apresenta menos riscos para a sustentabilidade de uma concessão”. Fonte: CNBC

Qual a Solução?

O relatório apresenta três potenciais soluções centradas em torno de investigação de tratamentos que tenham o máximo impacto nos resultados da empresa:

“Solução 1: Abordar os grandes mercados: A hemofilia é um mercado de 9-10 mil milhões de dólares (hemofilia A, B), que cresce cerca de 6-7% ao ano.

“Solução 2: Abordar as perturbações com elevada incidência: A atrofia muscular espinhal (AME) afeta as células (neurónios) da medula espinal, afetando a capacidade de andar, comer ou respirar”.

“Solução 3: Inovação constante e expansão da carteira: Existem centenas de doenças hereditárias da retina (formas genéticas de cegueira) … O ritmo da inovação também desempenhará um papel, uma vez que os programas futuros podem compensar a trajetória decrescente de receitas dos ativos anteriores”.

Fonte: CNBC

Ao ler nas entrelinhas, parece que estas soluções poderiam ser reformuladas da seguinte forma:

Evitar investigar tratamentos para doenças raras (que só podem ser rentáveis a preços que excedem o poder de compra dos pacientes com base na pequena dimensão do mercado) e direcionar-se para tratamentos dirigidos a mercados maiores e mais estáveis, que gerarão o maior fluxo de caixa”.

Esta abordagem parece lógica do ponto de vista empresarial e parece estar em consonância com os princípios do capitalismo. Mas será que há mais nesta questão?

Resumo

Embora o relatório do Goldman não sugira que as empresas devam deixar de desenvolver curas com um só tratamento, parece implicar que tais tratamentos podem não ser rentáveis a longo prazo. Se for esse o caso, como devem as empresas gerir tratamentos que possam ter um impacto alterador na vida de apenas uns poucos pacientes?

Parece que Richter e a sua equipa estão a abordar uma questão que afeta não só a terapia genética, mas todas as terapias médicas apoiadas e fornecidas por entidades com fins lucrativos – desde a medicina aos procedimentos e aos cuidados preventivos: se as empresas derem prioridade aos lucros sobre as pessoas, qual será o impacto em vidas humanas?

O que pensa disto?

  • Como devem ser abordados os tratamentos para doenças raras com um perfil de poucos doentes? Deve a investigação ser financiada publicamente? Deveria caber a entidades privadas de menor dimensão?
  • Devem as empresas poder lucrar com os doentes?
  • As empresas farmacêuticas e biotecnológicas cotadas em bolsa têm o dever fiduciário de agir no melhor interesse dos acionistas. Têm também uma responsabilidade para com a sociedade baseada na sua função e especialização? Como devem equilibrar estas duas prioridades?
  • O desenvolvimento de tratamentos médicos deve ser impulsionado pelo lucro ou pelo princípio utilitário de ajudar o maior número de pessoas? Se impulsionado pelo utilitarismo, como desenvolver um sistema no quadro do capitalismo que incentive as empresas a investir em tratamentos com baixo retorno do investimento?
  • A terapia genética suporta elevados custos de I&D, estimados entre 500 mil dólares e mais de um milhão de dólares, mas, como o Washington Post observa, o sucesso dos tratamentos de terapia genética não está garantido e pode mesmo levar à morte em alguns casos. Como equilibrar o pagamento de um tratamento que muda a vida e que pode não funcionar e custar pelo menos centenas de milhares de dólares?
  • Como é que as empresas em geral equilibram os lucros e as contribuições que promovem o bem-estar social? É o capitalismo compatível com a prosperidade humana em geral?

 

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5.3. Aconteceu finalmente: Goldman Sachs pergunta se “A cura dos pacientes é um modelo de negócio sustentável”

Walter Einenkel Por Walter Einenkel

Publicado por Daily Kos em 13/04/2018 (ver aqui)

Em 10 de abril no ano de Nosso Senhor de 2018, analista da Goldman Sachs supostamente publicaram um relatório intitulado “The Genome Revolution.” Segundo numerosos relatos noticiosos, o relatório aprofunda um tema bastante incómodo —tratamentos de doenças.

“O potencial para produzir “curas com um só tratamento” é um dos aspetos mais atrativos da terapia genética, da terapia celular com engenharia genética e da edição genética. No entanto, tais tratamentos oferecem uma perspetiva muito diferente no que diz respeito às receitas recorrentes em relação às terapias crónicas”, escreveu a analista Salveen Richter na nota dirigida aos clientes na terça-feira. “Embora esta proposta tenha um enorme valor para os pacientes e para a sociedade, pode representar um desafio para os criadores de genomas que procuram um fluxo de caixa sustentado”.

Não é um “bom negócio”, para ser absolutamente franco. Todos nós sabemos que não é. Há mundos inteiros de conspiração que continuam a existir com base neste único núcleo de verdade. Porquê esta notícia agora? Porque a ciência e a medicina estão a aproximar-se muito de grandes e significativas descobertas sobre doenças e enfermidades que, em tempos, só eram um pouco tratáveis com rotinas de medicamentos muito dispendiosos. Os avanços da terapia genética têm tido uma grande parte nisto, com a FDA a aprovar promissores ensaios de terapia genética, e resultados ainda mais excitantes vindos de todo o mundo. Mas, como relata a CNBC, resolver problemas graves para o público não significa que se continue a comprar mega-iates. O analista da Goldman Sachs Salveen Richter tem más notícias para o nosso actual sistema de “mercado livre”:

(…)

O facto é que a indústria privada gasta muito dinheiro em investigação científica, porque é extraordinariamente lucrativa. Mas os governos também gastam dinheiro em investigação científica e alguns partidos políticos consideram que uma das muitas coisas que o nosso governo deveria ajudar a fazer, para além de financiar as artes e a educação, é fomentar a investigação científica e a inovação. O nosso actual governo, liderado pelos Republicanos, não acredita nisso, tendo já estabelecido cortes maciços na investigação científica. Acreditam que os interesses privados podem inovar da melhor forma possível para obter os melhores resultados para a maioria das pessoas.

A maioria de nós sabe que há mais hipóteses de o Pai Natal aparecer em nossa casa e levar-nos à lua do que a indústria privada a fazer o que é certo para o mundo passando por cima do que é certo para os resultados da indústria privada.

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O autor: Walter Einenkel, editor de Daily Kos desde 2015, é licenciado pela Universidade de Wesleyan (Middletown,Connecticut).

 

 

 

 

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/17/a-mercantilizacao-das-universidades-e-da-investigacao-o-caso-da-grande-industria-farmaceutica-em-periodo-de-covid-19-5-curar-doentes-e-um-modelo-de-negocio-sustentavel-1aparte/

Novo banco, velhos hábitos

No jornalismo escreve-se a primeira versão da história. Cristina Ferreira escreveu mais um bom capítulo da história do Novo Banco: baseados na avaliação de uma auditora internacional, o Banco de Portugal e o BNP Paribas, um banco multinacional francês, garantiram, num memorando confidencial de 2015, que o Novo Banco tinhas as “contas limpas”.

Perante isto, volto a colocar a questão ao Ministério das Finanças e ao Banco de Portugal:

Como querem que haja confiança no sistema se aparentemente não têm capacidade técnico-política para auditar e inspeccionar os bancos de forma autónoma, sem dependerem de empresas internacionais de imparcialidade mais do que duvidosa?

A resposta é parte de um problema institucional mais geral de enfraquecimento das capacidades do Estado, de construção de uma dependência que também é cognitiva. A nomeação de António Costa Silva para fazer um plano tornou este problema ainda mais claro.

Entretanto, confirma-se o que a lógica dos incentivos já permitia antecipar desde o início: os abutres que foram colocados no Novo Banco por Mário Centeno, Carlos Costa e pelos burocratas do eixo Bruxelas-Frankfurt, com a ajuda bem remunerada de Sérgio Monteiro, preparam-se para comer o fundo de resolução até ao último euro.

Hoje ficámos a saber que “a injecção no Novo Banco em 2021 é automática em ‘cenário de extrema adversidade’”. Se não fosse a pandemia seria outro pretexto adverso qualquer: “ora, o que acontece é que essa imprevisibilidade não nos permite dizer quanto é que vamos buscar”. Vão buscar tudo. António Ramalho teve um aumento salarial avultado para poder falar com esta desfaçatez. Há muito mérito nisto, parece.

E por falar em mérito: se a Assembleia da República não conseguir travar, o Governo prepara-se para substituir Carlos Costa por Mário Centeno na sucursal de Frankfurt. É, na realidade, uma solução de continuidade: ambos têm experiência em transações com infernos fiscais, ambos aplicaram o princípio do pagam, mas não mandam, e ambos pensam como se estivessem no centro, estando numa periferia monetária e financeiramente colonizada.

O que pode correr mal neste novo contexto depressivo?

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Bloco diz que é “inaceitável” contrato do Novo Banco ter sido “escondido ao país”

 

A líder do Bloco de Esquerda considerou “inaceitável”, esta terça-feira, que o contrato de venda do Novo Banco tenha sido “escondido ao país” e que o Estado continue a “dar tanto dinheiro” sem saber como são geridos os créditos.

 

“Agora, há mais uma cláusula secreta que dirá que, numa situação excecional, o Estado terá que fazer novas injeções. Tudo isto é inaceitável”, afirmou a coordenadora do BE, Catarina Martins, em declarações aos jornalistas.

Em Évora, à margem de um encontro com trabalhadores da área da cultura, a líder bloquista disse que é “inaceitável a forma como o Novo Banco foi entregue à Lone Star” e o contrato “escondido ao país”.

O contrato “é muito mais lesivo para o país do que aquilo que foi afirmado pelo [então] ministro da Finanças quando foi feito”, assinalou, lamentando que “o Estado português continue a dar tanto dinheiro ao Novo Banco sem saber sequer como é que os créditos estão a ser geridos”.

Catarina Martins comentava a notícia do Público de hoje, segundo a qual o contrato de compra pela Lone Star “previu que em circunstâncias de extrema adversidade’, como uma pandemia, o Estado é forçado a injetar automaticamente o dinheiro necessário para manter o banco dentro das metas de solidez definidas”.

“Num momento em que é preciso apoiar os trabalhadores que perderam o seu trabalho e rendimento, em que há tantos setores da economia paralisados e em que a crise social se avoluma, não é aceitável que continuemos a dar dinheiro ao sistema financeiro e não se discuta de forma transparente como é que utilizamos os recursos do país”, referiu. “A urgência tem de ser responder às pessoas, já resgatámos bancos a mais”, acrescentou.

A líder do Bloco revelou que o contrato “já chegou ao Parlamento”, após “uma longa insistência” do partido, mas adiantou que os bloquistas ainda não viram o documento porque “está encriptado”.

“Acho gravíssimo que o Governo e o ministro das Finanças tantas vezes interrogados sobre o contrato de entrega do Novo Banco ao Lone Star nunca tenha informado o Parlamento destas cláusulas”, realçou.

Após o “erro inicial” da venda do Novo Banco, a coordenadora do Bloco propôs a realização de uma “auditoria pública à forma como os créditos têm sido geridos” para se perceber porque é que “está sempre a pedir tanto dinheiro público”.

“Se está a gerir bem os créditos, se há credores privilegiados ou uma gestão dos créditos que privilegia o acionista privado contra o interesse público”, realçou, notando que estes “são os sinais do que está a acontecer”.

Por outro lado, Catarina Martins defendeu que “não possa ser feita nenhuma injeção no Novo Banco que não seja expressamente aprovada pelo Parlamento”.

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, afirmou em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, divulgada no domingo, que “a deterioração da situação económica leva a necessidades de capital ligeiramente suplementares” às que estavam estimadas para este ano e que foram comunicadas ao Fundo de Resolução.

Uma afirmação que levou, na segunda-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a afirmar-se “estupefacto”.

// Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/bloco-inaceitavel-contrato-novo-banco-330288

Os prejuízos não recuperáveis da Associação Montepio

– A Associação mutualista teve €408,8 milhões de prejuízos em 2019
– Há que reconhecer que não são recuperáveis parte dos €833 milhões de "Ativos por impostos diferidos"
– Isso significa que o Ativo da Associação já não é suficiente para pagar o que deve

Assembleia geral de associados no Coliseu, em Lisboa, às 21 horas no dia 30/6/2020, para debater o Relatório e Contas de 2019.   Se quiser garantir as suas poupanças não falte e participe.
 
por Eugénio Rosa [*]

A hora da verdade para a AMMG chegou, as imparidades não registadas, a criação de ativos fictícios para ocultar uma situação insustentável, já não são mais possíveis até porque o novo auditor (PwC) não deu cobertura a isso. É impossível por mais tempo ocultar a verdade aos associados.

Há vários anos (desde 2010 com a aquisição do FINIBANCO e da REAL Seguros) temos vindo a alertar os associados, os supervisores e o governo (tivemos várias reuniões com o anterior Ministro do Trabalho com esse objetivo) para uma gestão ruinosa e megalómana que violava a lei e que utilizava as poupanças dos associados para comprar empresas arruinadas, para criar empresas sem rentabilidade (o grupo Montepio tem participações em cerca de 40 empresas) muitas delas são um sorvedouro do dinheiro dos associados, só servindo para dar lugares de administração. Os supervisores e governo não podem agora dizer que não sabiam, e que não foram avisados a tempo sendo, por isso, também responsáveis pela situação a que o Montepio chegou.

Nas assembleias gerais da AMMG tivemos de enfrentar a fúria dos defensores da administração de Tomás Correia e vimos, com desilusão, os poucos associados que participavam nas assembleias (em média 300 ou menos em mais de 600.000) devido à falta de informação e à manipulação das datas por Tomás Correia & o padre Melícias para que fosse difícil a sua participação; repetimos, vimos a maioria dos poucos presentes arregimentados pelos fieis de Tomás Correia, aprovarem cegamente a sua gestão ruinosa tornando-se assim também corresponsáveis por ela. Parafraseando Eça de Queirós pode-se dizer que a nudez forte da verdade acabou por se impor, e o manto diáfano da fantasia e da mentira desapareceu, e tem-se de enfrentar a realidade dolorosa.

A ORIGEM DOS 408,8 MILHÕES € DE PREJUIZOS DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA EM 2019

Em estudos anteriores e mesmo na ultima assembleia geral de associados chamamos a atenção para o facto do Banco Montepio estar valorizado nas contas da Associação Mutualista por 1.877 milhões quando os Capitais próprios (diferença entre o ATIVO e o PASSIVO) do Banco Montepio eram apenas, de acordo com as suas contas de 2019, de 1.452 milhões €, ou seja, valia na contabilidade do banco menos 425 milhões € do que estava registado nas contas da Associação Mutualista. O auditor, que é a PwC, deste total apenas considerou 377,5 milhões € como perdidos (registando em 2019 como imparidades nas contas da Associação Mutualista sendo a razão principal dos elevados prejuízos deste ano), o que determina que o Banco Montepio passe a estar valorizado nas contas da Associação Mutualista por 1.500 milhões €, um valor ainda superior em 48 milhões € àquilo que na contabilidade do banco vale.

Mesmo este montante sobrevalorizado aceite pelo auditor tem como justificação a previsão de lucros do Plano de negócios 2020-2024 aprovado pelo conselho de administração do Banco Montepio que não é realista (20,7 M€ em 2020; 38,9M€ em 2021; 53,3M€ em 2022; 124,4M€ em 2023; e 200,2M€ em 2024 e, a partir deste ano um crescimento anual de 2%) sendo de duvidosa obtenção pelo menos os valores a partir de 2022 devido aos reduzidos rácios de capital que impedem o aumento significativo do credito concedido e à incapacidade que a atual administração do banco tem demostrado para aumentar o negócio bancário, agravada pela crise económica causada pelo "coronavírus" que não foi tida em conta.

Para além disso, foi utilizada uma taxa de desconto de 9,47% para atualizar os "cash-flow", manifestamente reduzida como se constataria se Associação Mutualista não tivesse adquirido, em junho de 2020, 50 milhões € obrigações subordinadas, e se o Banco Montepio tivesse sido obrigado a ir ao mercado para obter esses fundos. Na anterior emissão, o Banco Montepio ofereceu uma taxa de 10,5%, e mesmo com esta taxa não apareceram interessados no mercado o que obrigou a Associação a adquirir a maior parte da emissão: Se se adicionar um spread de 1%, obtém-se uma taxa de 11,5% o que causa a redução do valor do banco para 1.284 milhões €, e mais 216 milhões € de imparidades que teriam de ser registadas na Associação

É uma prova de falta de independência do atual conselho fiscal eleito na lista do atual conselho de administração, o ataque que faz ao auditor já que, no seu parecer, defende a taxa de desconto proposta pelo conselho de administração de apenas 8,47%, e com base nela tenta por em causa a utilizada pela PwC, sem qualquer razão técnica, apenas com a justificação de que "com tal alternativa desejada, o capital próprio da AMMG não teria, seguramente, sofrido a sangria de que foi alvo, na medida em que, inclusivamente , haveria margem para alguma reversão de imparidades".

O que era preciso, segundo o atual conselho fiscal, era continuar a enganar os associados e a opinião pública sobre a real situação da Associação Mutualista. O que o conselho fiscal devia ter feito, e não fez, era analisar as reservas e os desacordos bem fundamentados do auditor , a saber:   uma reserva por desacordo , relativa ao registo dos impostos diferidos ativos, uma incerteza material relacionada com a continuidade , atentos os riscos de liquidez, de concentração de ativos, de incerteza suscitada pelo COVID-19, da mensuração e recuperabilidade dos investimento em participadas, bem como da mensuração e recuperabilidade dos ativos por impostos diferidos e, finalmente, três ênfases, a saber: uma relativa ao princípio da continuidade das operações, uma segunda relativa aos pressupostos subjacentes à valorização das participações financeiras e uma terceira associada à transição para um novo ambiente regulatório. Mas nada disto fez, revelando incapacidade técnica e falta de independência apesar da gravidade da situação.

Na pág. 61 do Relatório e contas da Associação Mutualista está uma informação que pela sua importância se transcreve na integra: "O valor da participação da Associação Mutualista no capital social do Banco Montepio, em 2019, totalizou 1.500 milhões €, correspondente a um valor bruto de 2.375 milhões € a qual está associado imparidade no montante total de 875 milhões €". Isto significa que a Associação Mutualista já aplicou no Capital social do Banco Montepio 2.375 milhões €, a maior parte poupanças dos associados, e que 875 milhões € já se perderam devido a créditos ruinosos concedidos na Caixa Económica fundamentalmente pela gestão da administração de Tomás Correia que não foram recuperados. Mas não foi só na Caixa Economica, agora Banco Montepio, que isso sucedeu.

Na pág. 62 do mesmo relatório, em relação a outras empresas do grupo Montepio, também se pode ler o que a seguir se transcreve na integra: "A carteira de outras participações financeiras da Associação Mutualista noutras empresas do grupo finalizou o ano de 2019 com um valor liquido de 221 milhões €, representando 6,4% do ativo liquido da Associação Mutualista. Esse valor compreende um valor bruto de 395 milhões € deduzido da imparidade acumulada e registada de 173 milhões €". Isto significa que a Associação Mutualista investiu nas outras empresas do grupo 395 milhões €, a maior parte poupanças dos associados, mas que devido também a uma gestão ruinosa e irresponsável se perderam já 173 milhões €

Se somarmos as poupanças dos associados que desapareceram na Caixa Economica agora Banco Montepio – 875 milhões € – mais as perdas já contabilizadas noutras empresas do grupo – 173 milhões € – causadas pela gestão ruinosa da administração de Tomás Correia obtém-se 1.048 milhões €. Eis um valor indicativo da destruição de valor contabilizado causada pela administração de Tomás Correia.

Para além das imparidades de 377,5 milhões € constituidas pela Associação Mutualista em 2019 devido à destruição que a administração de Tomás Correia causou na Caixa Economica agora Banco Montepio e que só foram contabilizadas em 2019 nas contas da Associação Mutualista, sendo a causa mais importante dos enormes prejuizos que esta apresentou em 2019, há ainda acrescentar a constituição de 14,8 milhões € imparidades devido a perdas verificadas do Montepio Seguros (pág. 63), causadas pelos prejuizos na companhia de seguros Lusitânia, SA (não vida) que, somados aos da Caixa Economica/Banco Montepio, dão um total de 392,3 milhões €, que explicam os enormes prejuizos da Associação Mutualista em 2019.

"ATIVOS POR IMPOSTOS DIFERIDOS" (DTA) NO MONTANTE DE 833 MILHÕES €, A MAIOR PARTE FICTICIOS QUE SÓ SERVEM PARA OCULTAR A SITUAÇÃO GRAVE E REAL DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA

Como consta da pág. 124 do Relatório e contas de 2019, a Associação Mutualista contabilizou como um ATIVO 833,2 milhões € de impostos diferidos, sendo 790,4 milhões € de "Provisões matemáticas" e 67,2 milhões € referentes a "Reporte de prejuízos fiscais". Para se poder compreender o carater fictício destes "ATIVOS" (eles não servem para reembolsar as poupanças aos associados nem para pagar dividas) é importante ter presente o seguinte.

A Associação Mutualista até 2017 esteve isenta de pagamento de IRC. Para que gozasse dessa isenção era indispensável, nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 10º do CIRC, condicionada à observância dos requisitos previstos no n.º 3 do artigo 10º do CIRC que cumprisse as seguintes condições:
(i) exercício efetivo e a título exclusivo ou predominante das atividades de cariz social (alínea a) do n.º 3);
(ii) por regra, afetação aos fins sociais, de pelo menos 50% do rendimento global líquido (alínea b)) e;
(iii) inexistência de qualquer interesse direto ou indireto dos membros dos órgãos estatutários (alínea c).

Face ao agravamento da situação da Associação Mutualista determinado por uma gestão ruinosa que causou que o seu PASSIVO (dividas a pagar, incluindo os reembolsos das poupanças aos associados) fosse já nessa altura superior ao seu ATIVO (o que possuía e o que tinha a haver), a administração de Tomás Correia imaginou um expediente para esconder aos associados e à opinião publica a situação real da Associação Mutualista. Para isso declarou ao Ministério das Finanças a existência de interesses dos membros do conselho de administração nos resultados da Associação Mutualista (recebiam para além da remuneração fixa entre 24.000€ e 31.000€/mês, uma remuneração variável) o que determinou que a Associação Mutualista perdesse a isenção do IRC, causando assim prejuízos aos associados (pode-se falar mesmo de uma medida danosa) que desta forma viram ser ainda mais reduzidos os escassos rendimentos das suas poupanças, mas que permitiu à administração de Tomás Correia criar enormes "Ativos por impostos diferidos", que eram fictícios (não reais), mas com os quais conseguiu esconder a situação grave da Associação Mutualista devido à sua gestão, e enganar por mais algum tempo os associados e a opinião pública, perante a passividade dos supervisores, do auditor de então, mas não da PwC , e do próprio governo que nada fizeram para impedir tal manobra.

Assim em 2017, para além dos "Ativos por impostos diferidos" por "Reporte de prejuízos fiscais" (202,3 milhões €) foram criados, pela primeira vez, "Ativos por impostos diferidos" de "Provisões matemáticas" no montante de 622,5 milhões € (em 2019, este valor é já de 790,4 milhões € como se referiu, constituindo a parcela mais importante do "Ativos de impostos diferidos" cujo total é 833,3 milhões €). Para obter estes montantes utilizou-se uma taxa de 30,18% aplicada ao valor das poupanças dos associados já que fiscalmente, pela lei das seguradoras, não eram dedutíveis, mas que não correspondem a qualquer Ativo real. Resultam apenas de "diferenças temporárias" que são simplesmente anulados na proporção em que essas poupanças sejam reembolsadas aos associados. Estão em duplicado no ATIVO (em aplicações do Ativo-depósitos, imóveis, participações financeiras, etc. -e mais 30% das Provisões técnicas em impostos diferidos). Os "Ativos por impostos diferidos" só servem para evitar que a Associação pague IRC pelas poupanças quando as reembolsa, mas não servem para reembolsar as poupanças aos associados. Para isso tem que existir dinheiro ou outros ativos reais, mas uma parte deles desapareceram na Caixa Economica, devido a créditos ruinosos, ou em outras empresas do grupo Montepio causado por má gestão, por isso uma parte não são recuperáveis. Apesar de serem "Ativos fictícios" eles servem para empolar o ATIVO da Associação e assim esconder aos associados a real situação da Associação. Se deduzirmos ao ATIVO LÍQUIDO da Associação Mutualista – 3.455,6 milhões € - os 790,4 milhões € da "Ativos por impostos diferidos" de "Provisões matemáticas", que são "ativos fictícios" pois não correspondem a qualquer ativo real, nem servem para reembolsar as poupanças, obtém-se 2.665,2 milhões € - que é inferior ao PASSIVO (o que deve) da Associação Mutualista – 3.118,2 milhões € - já em 453 milhões €. Mas os "Ativos por impostos diferidos" não se resumem em 2019 apenas às diferenças temporárias no valor de 790,4 milhões €. Há ainda 67,2 milhões € de "Reporte de prejuízos fiscais". Para a Associação Mutualista poder recuperar a totalidade deste valor através da dedução no IRC a pagar (que antes estava isenta mas agora não) terá de ter lucros no montante de 320 milhões € até 2027, já que a taxa utilizada aqui foi de 21,5%, o que não acontecerá sendo de prever que uma parcela mesmo daqueles 67,2 milhões € não sejam recuperáveis. Estes 67,2 milhões € não servem para reembolsar os 3.009 milhões € de poupanças dos associados que estão na Associação, só servem para abater no IRC que antes não se pagava.

A CONCENTRAÇÃO ELEVADA DE RISCO, EM CLARA VIOLAÇÃO DA LEI, PERMITIDA PELOS SUPERVISORES E GOVERNO, É QUE LEVOU À ATUAL SITUAÇÃO, SENDO POR ISSO TAMBÉM RESPONSÁVEIS POR ELA

De acordo com o nº4 do artº 68 do atual Código das Associações Mutualistas (DL 59/2018) , que repete neste artigo o anterior, as aplicações numa "única empresa ou sociedade não podem, em caso algum, representar mais de 10 % do ativo de uma associação mutualista". No entanto, os 2.375 milhões € aplicados no Capital Social da Caixa Economica, agora Banco Montepio, cujo valor atual é apenas 1.500 milhões € segundo a PwC, correspondem a 68,7% do Ativo líquido total atual da Associação (3.455,2 milhões €) e os 1500 milhões € representam 43,4%, valores todos eles muitas vezes superiores aos permitidos pela lei. E ainda há 180 milhões € investidos em obrigações subordinas que representam também risco elevado para a Associação Mutualista Esta violação reiterada da lei pela administração de Tomás Correia, que colocou em risco as poupanças dos associados, só foi possível com conivência dos supervisores, entre os quais estava o governo através do Ministério do Trabalho

A REDUÇÃO CONTINUADA DO NÚMERO DE ASSOCIADOS, UM INDICADOR CLARO DA PERDA DE CONFIANÇA TAMBÉM NA ATUAL ADMINISTRAÇÃO, QUE É UMA HERANÇA DE TOMÁS CORREIA

No fim de 2015, a Associação Mutualista tinha 632.913 associados. Em 2018, apenas 612.607 e, em dezembro de 2019, somente 601.784 associados. A perda continua de associados que se verificou a partir de 2015 é um indicador da perda de confiança na administração da Associação Mutualista devido a uma gestão ruinosa que estava a destruir as suas poupanças, e a pôr em risco o reembolso futuro delas. Em 2019, quando comparado com 2018, verificou-se uma redução das aplicações dos associados nas modalidades atuarias (-2,2 milhões €), apenas aumentou significativamente as aplicações em "Capital certo" (+179,8 milhões € do que em 2018) , que é uma espécie de deposito a prazo, sem qualquer garantia, que se torna atrativo por oferecer uma taxa de juro superior às de depósitos bancário mas com risco elevado porque não tem qualquer fundo de garantia, diferentemente dos depósitos bancários que tem. Em 2019, os associados fizeram levantamentos de poupanças de 640,5 milhões €

O QUE É NECESSÁRIO PARA EVITAR O COLAPSO DO MONTEPIO, PARA ASSEGURAR AS POUPANÇAS AOS ASSOCIADOS, E EVITAR DESPEDIMENTOS DE TRABALHADORES

Em primeiro lugar reconhecer a gravidade da situação pois só assim é que se sentirá a urgência de encontrar uma solução credível, exequível e de unidade para salvar o Montepio e recuperar o enorme valor destruído.

O 1º passo a dar , é portanto a realização de eleições gerais para todos os órgãos da Associação Mutualista com base nuns Estatutos que respeitem a lei para ser eleita uma administração de unidade que tenha a confiança dos associados.
O 2º passo é elaborar um plano de reestruturação do grupo Montepio fundindo e acabando com uma multiplicidade de empresas, muitas delas conflituantes entre si (ex. no imobiliário) , que não têm rentabilidade, que só servem para delapidar as poupanças dos associados e dar cargos de administração e analisar a possibilidade de recuperar de novo a isenção de IRC.
O 3º passo é obter o apoio do governo para dar segurança às poupanças dos associados e conquistar a confiança deles, como Mário Centeno prometeu em 2018 (ver: observador.pt/... ), dando tempo à nova administração para recuperar o enorme valor destruído pela administração de Tomás Correia

14/Junho/2020
[*] Associado do Montepio, edr2@netcabo.pt

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/e_rosa/montepio_14jun20.html

Novo Banco admite precisar de mais capital este ano por causa da covid-19

 

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, admitiu que a instituição vai precisar de mais capital do que o previsto para este ano, face ao impacto da covid-19, alterando assim a estimativa que já tinha entregado ao Fundo de Resolução.

 

“No início de cada ano fazemos sempre uma previsão e entregamos essa previsão ao Fundo de Resolução. Naturalmente, este ano, a diferença é entre a previsão que fizemos antes da covid-19 e a que faremos depois da covid-19“, afirmou António Ramalho, numa entrevista conjunta ao Jornal de Negócios e à Antena 1.

Assim, conforme apontou este responsável, a “deterioração da situação económica” antevê que o banco vá necessitar de “necessidades de capital ligeiramente suplementares” às que estavam estimadas.

No entanto, o presidente executivo do Novo Banco escusou-se a antecipar números, sublinhando que só no final do ano é que estes serão conhecidos. António Ramalho vincou que o objetivo é deixar “o banco totalmente limpo no final de 2020”, garantindo ainda que “gostaria de utilizar o menos necessário”.

De acordo com a rádio TSF, apesar deste pedido, agora público, ainda esta semana o Governo disse que o Orçamento Suplementar não prevê nenhuma verba para uma injeção adicional no Novo Banco este ano.

O jornal Público noticiou, este sábado, que, em 2015, um memorando confidencial do BNP Paribas em colaboração com o Banco de Portugal (BdP) concluiu que, à época, as contas do Novo Banco estavam bem provisionadas com uma carteira de crédito sustentada por garantias. Segundo a mesma publicação, o memorando antecipava que o banco atingiria 180 milhões de euros de lucro em 2019.

Novo Banco já recebeu 2978 milhões de euros

O dinheiro recebido pelo Novo Banco para se recapitalizar totaliza 2978 milhões de euros desde 2017, depois de, a 8 de maio, o Governo ter confirmado que foi realizada uma nova injeção de capital pelo Fundo de Resolução bancário.

O montante transferido, na semana em causa, para o Novo Banco pelo Fundo de Resolução foi realizado ao abrigo do mecanismo acordado na venda do Novo Banco à Lone Star (em 2017), pelo qual o Fundo de Resolução compensa o banco por perdas em ativos com que ficou na resolução do BES.

Contudo, uma vez que o Fundo de Resolução não tem o dinheiro necessário às injeções de capital no Novo Banco, todos os anos pede dinheiro ao Estado, indo devolver o empréstimo ao longo de 30 anos.

Desta vez, dos 1037 milhões de euros que o Fundo de Resolução pôs no Novo Banco, 850 milhões de euros vieram diretamente do Estado. Também em 2018, dos 1149 milhões de euros postos no Novo Banco, 850 milhões de euros vieram de um empréstimo do Tesouro. Já referente a 2017, dos 792 milhões de euros injetados, 430 milhões de euros vieram de um empréstimo público.

No total, o Novo Banco já recebeu 2978 milhões de euros do Fundo de Resolução para se recapitalizar, dos quais 2130 milhões de euros foram de empréstimos do Tesouro.

O Novo Banco registou prejuízos de 1058,8 milhões de euros em 2019, uma diminuição face aos 1412,6 milhões de euros verificados em 2018. Já no primeiro trimestre de 2020, a instituição financeira totalizou um prejuízo de 179,1 milhões de euros, valor que compara com um resultado líquido negativo de 93,1 milhões de euros registado em igual período do ano anterior.

Apesar dos prejuízos, isso não impediu os administradores da instituição de receberem prémios anuais de quase dois milhões de euros pelo seu desempenho em 2019. São bónus superiores aos pagos no BCP, no Santander Totta e no BPI, instituições que apresentaram melhores resultados financeiros.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/novo-banco-precisar-mais-capital-329852

Caso BPN. Ex-ministro da Saúde tenta “acordo confidencial” para evitar pena de prisão

O ex-ministro da Saúde, Arlindo de Carvalho

O ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva, Arlindo de Carvalho, e o seu sócio, José Neto, entregaram ao Estado bens e valores para tentar evitar uma pena de prisão de seis anos a que foram condenados num processo do caso BPN, em 2018.

 

Ambos pagaram quase um total de 22 milhões de euros de uma dívida que a Parvalorem herdou do BPN, avança o Correio da Manhã. Desse valor, 10 milhões de euros foram pagos em dinheiro e o restante em imóveis.

“Houve um acordo e eu não devo mais nada, mas não posso dizer mais do que isto porque o acordo é confidencial”, explicou José Neto ao CM. Os 10 milhões de euros terão sido obtidos através da venda de um imóvel em Lisboa em 2019. Já os imóveis entregues ao Estado foram comprados pelas suas empresas com créditos do BPN.

Na governação de José Oliveira e Costa, o BPN concedeu créditos de cerca de 60 milhões de euros a empresas de Arlindo de Carvalho e José Neto, a empresas como a Pousa Flores, e a negócios entre os dois sócios e o BPN.

Arlindo de Carvalho e José Neto foram ambos condenados a uma pensa de prisão de seis anos por burla qualificada e fraude fiscal. Os então gestores do banco usaram “terceiros de confiança” para atuarem como “fiduciários” em projetos de investimento, que na realidade pertenciam e eram comandados pelo grupo que dirigia o BPN, explica o Observador. Com este ‘acordo confidencial’ esperam que o Tribunal da Relação de Lisboa suspenda a pena.

ZAP //

 

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https://zap.aeiou.pt/bpn-acordo-confidencial-evitar-prisao-329541

Novo Banco em Espanha está à venda (e já há interessados de olho nele)

 

O Novo Banco em Espanha está à venda e já há interessados em adquirir o negócio espanhol do banco liderado, em Portugal, por António Ramalho. O Abanca e o Andbank são os primeiros a manifestarem interesse.

 

De acordo com o jornal esconómico Invertia, que pertence ao El Español, há já contactos inciais entre o Abanca, que comprou a CGD em Espanha e vai adquirir o Eurobic, e o Andbank e o dono do Novo Banco, o Lone Star.

A notícia é avançada pelo económico espanhol, que cita fontes próximas do processo. Por outro lado, o Andbank disse que não tem interesse na filial espanhola do banco português detido pelo fundo norte-americano.

O Abanca já comprou o banco que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) tinha em Espanha, o Banco Caixa Gerale está em processo de aquisição do Eurobic, tendo fechado oficialmente o acordo para a compra de 95% das açõesdo banco liderado pelo ex-ministro Fernando Teixeira dos Santos, ficando, entre outros, com as participações de 42,5% de Isabel dos Santos e de 37,5% de Fernando Teles.

Os negócios em Espanha do Novo Banco estarão avaliados em 40 milhões de euros, se não for tida em conta a Novo Activos Financieros España (NAFE), gestora de ativos espanhola do Novo Banco, cuja venda foi acordada com a Trea Asset Management no final do ano passado.

A venda da gestora de ativos foi suspensa a partir do momento em que começou a ser avançada a possibilidade de o Lone Starvender a totalidade do negócio em Espanha.

O Lone Star pôs a sucursal do Novo Banco em Espanha no final de maio. Com esta venda, o Novo Banco vai tornar-se num banco praticamente com presença só em Portugal. Desde 2015 que já fechou operações que tinha noutros países e regiões, nomeadamente Cabo Verde, Ásia e França.

ZAP //

 

 

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Prejuízos enormes na Mutualista do Montepio

O governo e os supervisores não podem dizer que não sabiam pois foram avisados, sendo responsáveis pela situação atual da AMMG.

 

 

Na Associação Mutualista Montepio Geral é urgente também a intervenção do governo (não no Banco Montepio mas na AMMG) para garantir as poupanças de 601.000 associados (3.000 milhões €)devido à situação grave da AMMG com prejuízos enormes que as contas de 2019 certamente mostrarão, até aqui escondidos, cuja divulgação o conselho de administração tem adiado, o que confirmará os alertas de gestão ruinosa que temos vindo a fazer nos últimos anos.

O governo e os supervisores não podem dizer que não sabiam pois foram avisados, sendo responsáveis pela situação atual da AMMG.


 

 

Nesta Informação 1/2020 aos associados do Montepio analiso de uma forma sintética o impacto da situação do Banco Montepio na Associação Mutualista, a limitação na concessão de credito que tem este banco devido aos baixíssimos rácios de capital, e não devido à falta de liquidez (o banco com um LCR de 179,9% até tem excesso de liquidez), o risco de despedimentos no Banco Montepio, assim como as consequências graves para o grupo Montepio e para os associados que resultou de ausência total de supervisão por parte do governo que permitiu a gestão ruinosa das administrações lideradas por Tomás Correia, assim como a desarticulação e passividade que se está verificar entre os diversos supervisores (ASF, Banco de Portugal e Ministério do Trabalho, ou seja o governo) que poderá tornar a situação insustentável, o que exige uma rápida correção.

Espero que este estudo possa contribuir para a mobilização dos associados do Montepio e da opinião publica na defesa do maior grupo mutualista, a viver uma situação difícil devida à gestão ruinosa da administração de Tomás Correia e à passividade dos supervisores, que não atuaram a tempo e e continuam a não atuar agora.

Estudo

A falta de transparência, a não prestação de contas pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), o impacto enorme da situação do Banco Montepio na AMMG que não pode ser ignorado por todos os supervisores, a passividade e a desarticulação entre estes pode causar uma crise grave no Montepio de que serão responsáveis

Num dos últimos nossos estudos (nº 20/2020) analisamos, utilizando o RC de 2019, a situação do Banco Montepio, onde estão aplicadas cerca de 70% das poupanças dos associados. Este banco é a sua principal garantia, e tudo que acontece nele reflete-se na segurança e rentabilidade dessas poupanças.

A desvalorização do Banco Montepio que é o ativo mais importante que garante as poupanças dos associados e as limitações atuais à concessão de crédito

As conclusões a que chegamos com base na análise do seu Relatório e Contas de 2019 é que o Banco Montepio, apesar de apresentar um elevado rácio de liquidez(tinha um LCR 179,9%, muito acima dos 110% exigidos pelo Banco de Portugal), que gera confiança nos depositantes, tem perdido valor todos os anos o que significa uma redução da garantia das poupanças dos associados.

Tal perda de valor é revelada/confirmada:

  • pela redução continua dos seus Capitais Próprios (diferença entre o Ativo e o Passivo, pois só entre 2018 e 2019, reduziu-se de 1.521 milhões € para 1.440 milhões €, menos 81M€);
  • pela diminuição do valor do seu Ativo líquido (entre 2018 e 2019, reduziu-se de 18.361 milhões € para 17.740 milhões €, ou seja, sofreu uma redução de 621 milhões € num ano apenas);
  • pela queda continuada da sua carteira de crédito bruto (entre 2018 e 2019, diminuiu de 13.078 milhões € para 12.552 milhões €, ou seja, perdeu 526 milhões € num ano apenas).

E o mais grave, contrariamente ao que declarações recentes do seu presidente podia fazer crer, esta redução do crédito bruto não teve apenas como causa a redução dos chamados créditos improdutivos (NPE). E isto porque a redução causada por estes (venda da carteira de crédito de 321 milhões € e crédito abatido ao ativo, ou seja, “write-offs” de 90 milhões € em 2019) soma 411 milhões € em 2019. E a redução no crédito bruto, em 2019, foi de 526 milhões €. Isto significa que 115 milhões € daquela redução é crédito liquidado e amortizado que o banco não conseguiu compensar com o novo crédito concedido em 2019.

Mesmo a redução do rácio de créditos improdutivos (NPE) para 12,2%, que continua a ser um dos mais elevados de toda a banca, significa que o Banco Montepio ainda tem na sua carteira 1.531 milhões € de créditos improdutivos que o obrigarão a ainda constituir certamente enormes imparidades, o que significa mais prejuízos. E isto porque são os restos dos créditos improdutivos (NPE), pois quem comprou carteiras de créditos ao Banco Montepio certamente escolheu o melhor deixando o pior cuja recuperação (a maior parte) será muito difícil. Para além disto, o Banco Montepio enfrenta atualmente uma situação cujas consequências vão cair sobre a Associação Mutualista, que os supervisores (BdP, ASF, Ministério do Trabalho) tem fechado os olhos.

Um dos maiores problemas que enfrenta atualmente o Banco Montepio (BM) é a queda todos os anos da sua carteira de crédito, que é a principal fonte dos rendimentos de um banco comercial como é o BM. Um banco cujo negócio bancário diminui todos os anos dificilmente sobreviverá e rapidamente será presa fácil de grupos financeiros que tentarão adquiri-lo a preço de saldo. E o grave é que o Banco Montepio está limitado em aumentar o crédito concedido. E isto não é porque não tenha liquidez. Ele tem até liquidez em excesso como prova o seu elevado rácio de liquidez (LCR) de 179,9% e, para além disso, tem aplicado em títulos, a maioria parte divida publica, 3.179 milhões € que podiam ser canalizados para a concessão de crédito.

Ele está limitado no aumento da sua carteira de crédito porque os rácios de capital (Rácio de Capital Total), estão muito próximos dos rácios mínimos exigidos pelo Banco de Portugal (o Rácio total exigido pelo supervisor é 13,885% e o rácio do banco é apenas 14%, portanto tem uma folga de apenas 15 p.b.). O aumento de algumas centenas de milhões € de crédito determinaria o aumento do Ativo ponderado pelo risco (RWA), que é o denominador da fração utilizada para calcular os rácios de capital (o numerador são os Capitais próprios e a divida subordinada), o que causaria a diminuição do Rácio de capital abaixo do mínimo exigido pelo Banco de Portugal e a imediata exigência deste para que o BM fosse recapitalizado.

A curto prazo, pois a continuar esta imobilidade o banco afunda-se ainda mais, vai haver necessidade de emitir divida subordinada para aumentar o Rácio de Capital Total e mais uma vez, como já aconteceu, a AMMG terá de comprar essa divida porque o “mercado” certamente não está interessado em aplicações num banco na situação do Banco Montepio.

Perante esta situação de impasse poderá haver a tentação, por parte do conselho de administração do banco, de reduzir custos despedindo trabalhadores.E isto apesar de continuarem a entrar novos trabalhadores não aproveitando os que existem na instituição. O que o BM necessita, não é de menos trabalhadores, mas sim de mais negócio bancário, e isso também passa por uma administração com mais experiência de banca comercial, capaz de motivar a rede comercial com objetivos claros, o que não acontece no BM. A atual administração, em que a quase totalidade dos seus membros não tem qualquer experiência de banca comercial foi aceite pelo Banco de Portugal, muito mais interventivo após a saída de Tomás Correia do banco mas que revelou uma complacência incompreensível  neste caso e nos conflitos a nível do governo do  banco durante 2019 que o paralisaram.

A situação difícil em que se encontra a Associação Mutualista causada pelo Banco Montepio e por uma Administração que é incapaz de resolver os problemas e de gerar a confiança dos associados e a urgência da ação conjugada de todos os supervisores

A desvalorização continuada do Banco Montepio tem um impacto negativo muito grande e direto na Associação Mutualista que os supervisores(Ministério do Trabalho, ASF, e Banco de Portugal e mesmo governo) não podem ignorar. O Banco Montepio está valorizado nas contas da Associação Mutualista por 1.871 milhões €. Mas o valor contabilístico do banco, que corresponde ao valor dos seus Capitais Próprios, que é diferença entre o seu Ativo (o que possui e tem a haver) e o seu Passivo (o que deve) era, no fim de 2019, apenas de 1.440 milhões € (o valor de mercado pode ser ainda mais baixo). O Banco Montepio está registado nas contas da Associação Mutualista por um valor muito superior àquele que vale, mais concretamente, por mais 431 milhões €.

Para que o valor do Banco Montepio registado nas contas da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) corresponda ao valor do banco dado pela sua contabilidade haveria de registar nas contas da AMMG 431 milhões € de imparidades, o que obrigaria a AMMG a apresentar prejuízos nas suas contas de 2019 da ordem dos 400 milhões €. Eis certamente uma razão do conselho de administração da Associação Mutualista ter adiado a prestação de contas de 2019. O objetivo é esconder, o maior tempo possível, aos associados a situação desastrosa da Associação Mutualista causada pela gestão ruinosa da administração de Tomás Correia de que os atuais membros da administração também faziam parte.

Para além disto, a maior parte das poupanças dos associados (mais de 2.000 milhões €) estão aplicados no Banco Montepio. E nos últimos anos, incluindo 2019 (e prevê-se que isso também aconteça nos próximos anos) o Banco Montepio não tem transferido quaisquer lucros para a Associação Mutualista para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicadas no banco. Durante os últimos anos da administração de Tomás Correia isso foi disfarçado utilizando o dinheiro das novas poupanças que entrava todos os anos. Com a redução enorme da chamada “Margem associativa”, que é a diferença entre as entradas de novas poupanças e a saída de poupanças, a Associação Mutualista está cada vez mais incapaz de continuar a fazer isso e de continuar também a recapitalizar o Banco Montepio. Esta é uma situação que todos os supervisores e o governo não podem ignorar.

A conjugação destas duas situações que são dramáticas para todo o grupo Montepio, e também a incapacidade revelada pela atual administração da Associação Mutualista para as resolver, são factos que os supervisores e o governo não podem igualmente ignorar porque a situação atual é também da sua responsabilidade, já que ela só foi criada porque a supervisão não atuou. O anterior Código das Associações Mutualistas e também o atual proíbe que uma associação mutualista tenha investido numa única entidade (banco, empresa, etc.)mais de 10% do valor do seu ativo.

A Associação Mutualista tem investido no Banco Montepio um valor correspondente a cerca de 60% do valor do seu Ativo, portanto 6 vezes superior ao permitido pela lei. A lei foi reiteradamente violada pela administração de Tomás Correia perante a passividade e conivência do supervisor que era e é o Ministério do Trabalho, ou seja, do governo, que nada fez para impedir isso. E isto aconteceu tanto no governo de Passos Coelho, em que reuniões solicitadas ao ministro do Trabalho nunca tiveram resposta, como com Vieira Silva, com que tivemos reuniões que, apesar de advertido, nunca fez nada. Tal atitude o supervisor permitiu à administração da AMMG uma gestão irresponsável que colocou as poupanças dos associados sujeitas a uma enorme exposição ao banco, com enormes riscos.

A passividade e a inercia revelada atualmente pelos supervisores, de que é exemplo o facto do Ministério do Trabalho ter em seu poder há mais de um ano um projeto de novos Estatutos da Associação Mutualista, que contem normas de duvidosa legalidade, e ainda não se ter pronunciado é inaceitável, e revela o desconhecimento da gravidade da situação e uma falta de respeito pelos 620.000 associados que tem o Montepio e pelas suas poupanças fruto de uma vida de trabalho para muito deles. Tem também consequências graves para o Montepio não só o atraso na atuação mas também a falta de articulação que se verifica entre os diferentes supervisores – Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, ou seja, o governo; a ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) e o Banco de Portugal – para terem uma atuação coordenada e atempada para salvar o Montepio. O adiamento só torna o problema mais grave e de difícil solução

A pretensão de alguns dos supervisores de ignorarem a gravidade da situação, dizendo que não é sua competência, mas de outro, está a conduzir o grupo Montepio a uma situação insustentável de que todos são responsáveis. A isso não conseguirão fugir se não atuarem rapidamente, pois não poderão dizer mais tarde, como é habitual no nosso país, que não sabiam ou que isso não era da sua competência. A desarticulação que se está a observar entre a ASF e o Ministério do Trabalho, o “atirar a bola de um para outro” é grave, porque é paralisante, e poderá causar crise grave no Montepio.

 

As obrigações de todos os supervisores, a fuga e “o lavar das mãos” da ASF

Com a publicação do Decreto-Lei 59/2018, o novo Código das Associações Mutualista, gerou-se entre os associados do Montepio a esperança que a intervenção da ASF, como entidade também de supervisão da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), tendo em conta a sua experiência e capacidade técnica garantisse a segurança das suas poupanças.

Isto não acontecia com o Ministério do Trabalho, que, para além de não ter qualquer capacidade técnica para o fazer, sempre mostrou desinteresse em realizar uma supervisão efetiva da Associação Mutualista, o que permitiu às sucessivas administrações de Tomás Correia utilizarem as poupanças dos associados para cobrir os enormes prejuízos acumulados na Caixa Economica pela sua gestão ruinosa, o que era facilitado pelo facto de ser simultaneamente presidente da AMMG e da CEMG. E isto apesar de envolver um conflito grave de interesses, permitido pelo Banco de Portugal durante muitos anos sendo, por essa razão, também responsável pela destruição de um enorme valor das poupanças dos associados e pela situação atual da Associação Mutualista.

E esta esperança de que uma maior segurança nas suas poupanças ir-se-ia verificar resultante de uma supervisão mais efetiva por parte da ASF, decorria do texto da própria lei que, embora concedendo uma prazo de 12 anos para que a enorme exposição da AMMG ao Banco Montepio fosse reduzida para os níveis permitidos pela lei (apenas 10% do seu Ativo) dava à ASF um conjunto de poderes (artº 6ºdo Decreto-Lei 59/2018 a ASF) dos quais destacamos os seguintes:

  1. Exigir a apresentação de um plano detalhado, que inclua as fases e atos essenciais para a adaptação ao regime de supervisão previsto na secção III do capítulo X do Código;
  2. Exigir a apresentação de informação financeira com referência à data da entrada em vigor do presente decreto-lei (2018 );
  3. Exigir a realização de auditorias especiais por entidade independente, por si designada;
  4. Obter informações pormenorizadas sobre a situação das associações mutualistas e o conjunto das suas atividades;
  5. Proceder à verificação da conformidade das associações mutualistas com as exigências em matéria de provisões técnicas, dos requisitos de capital, da avaliação dos elementos do ativo e do passivo, das regras de investimento e dos fundos próprios por referência às disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador, salvaguardadas as regras previstas no Código;
  6. Analisar o sistema de governação e os riscos a que as associações mutualistas estão ou podem vir a estar expostas e a sua capacidade para avaliar esses riscos, por referência às disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador;
  7. Verificar a atuação das associações mutualistas no seu relacionamento com os subscritores de modalidades de benefícios de segurança social, por referência às disposto para o setor segurador;
  8. Verificar o cumprimento pela associação mutualista do plano apresentado ao abrigo da alínea a);
  9. Exigir o ajustamento do plano previsto na alínea a) de forma a incluir medidas tendentes a garantir a convergência progressiva, com vista a atingir a plena conformidade com as disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador no final do período transitório;
  10. Exigir a elaboração de um  relatório anual pela associação mutualista sobre o grau de cumprimento do plano previsto na alínea a), incluindo, quando aplicável, os ajustamentos previstos na alínea anterior;
  11. Dar parecer sobre o relatório anual”.

Apesar do Decreto-Lei 59/2018 ter sido publicado em Ag.2018, até a esta data nem os membros do Conselho Geral da AMMG nem os associados do Montepio conhecem o que a ASF fez para cumprir a lei. Só em 12 de Maio de 2020 a ASF publicou a Norma 3/2020-R que estabelece prazos (artº 26º)  para a Associação Mutualista fornecer  informação com referência a 2019, que são contados só a partir da entrada em vigor desta norma (12/5/2020 e não de 2018 como dispunha o DL 59/2028) e variam entre 30 dias (modalidades, sistema de reclamações, etc.); 45 dias (balanços individuais, capital, listas de  ativos, provisões técnicas, etc.); 60 dias (contas do grupo, lista dos ativos, empresas do grupo, etc.) e 90 dias (Plano inicial de convergência).

No dia 20 de Maio de 2020, a ASF publicou uma “Nota de Informação” sobre a Norma Regulamentar 3/2020-R em que remete para o Ministério do Trabalho todos os poderes para tomar medidas, funcionando a ASF, como um simples secretariado técnico da análise da informação recebida, afirmando que:

se no final do período transitório , a associação mutualista não preencher os requisitos financeiros no âmbito do regime de supervisão previsto no Código das Associações Mutualistas , não ingressa no regime de supervisão, cabendo apenas a à ASF a avaliação do cumprimento desses requisitos”.

E então caberá ao Ministério do Trabalho nessa altura proceder:

à alteração das disposições do regulamento de benéficos relativas à estrutura e montantes das quotas ou benefícios de uma ou mais modalidades, com vista ao restabelecimento do equilíbrio técnico-financeiro”;

por outras palavras, impor  aos associados cortes nas suas poupanças e rendimentos causados por uma gestão ruinosa permitida pelos supervisores e pelo governo ao longo de muitos anos e, durantes os 12 anos do período transitório, os supervisores (ASF e Ministério do Trabalho) não terem feito aquilo a que estavam obrigados e se esperava deles.

É necessário que a ASF não se demita das suas funções e tenha uma atuação firme e informe os representantes dos associados no conselho geral da AMMG dos resultados da sua monitorização quer à situação inicial do grupo Montepio, quer ao Plano inicial de convergência apresentado, quer às medidas que propõe para que ele seja cumprido e que, conjuntamente com o Banco de Portugal, o Ministério do Trabalho e o governo assegurem a implementação das medidas necessários para dar segurança aos associados e para que não sejam feitos cortes nas poupanças dos associados, a maioria delas fruto de uma vida de trabalho visando assegurar um fim de vida mais tranquilo.


 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/prejuizos-enormes-na-mutualista-do-montepio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=prejuizos-enormes-na-mutualista-do-montepio

Novo Banco. Prejuízos podem exigir nova intervenção do Fundo de Resolução

António Ramalho, presidente do Novo Banco

O Novo Banco está muito perto de pedir uma nova injeção ao Fundo de Resolução. No último trimestre, o banco apresentou um resultado negativo de quase 180 milhões de euros.

 

Nos primeiros três meses do ano, o Novo Banco apresentou prejuízos de 180 milhões de euros, um resultado fruto dos efeitos da pandemia de covid-19 que provocou mossa nos rácios da instituição. Segundo o Jornal de Negócios, o Banco está perto do limite que lhe permite ativar o mecanismo de capital contingente.

A 31 de março, o “rácio provisório CET1 foi de 12,3% e o rácio provisório de solvabilidade total de 13,8%, valores que representam uma redução face aos apurados no final de 2019 devido principalmente à diminuição dos capitais próprios (resultados do período e outro rendimento integral) impactados no período pelos efeitos decorrentes da pandemia covid-19”, refere o Novo Banco.

Apesar desta quebra quebra, o banco lembra que “continua com o seu rácio CET1 protegido, tendo este nível de proteção sido fixado em 12% a partir de janeiro de 2020”.

Ainda que o rácio esteja muito próximo do nível em que entra a “proteção”, isto significa que não será necessária já uma nova injeção do Fundo de Resolução, só no final do ano. Do montante total do mecanismo, o Novo Banco pode utilizar ainda cerca de 900 milhões de euros.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/novo-banco-fundo-resolucao-328784

Informação aos associados do Montepio

– Falta de transparência
– Não prestação de contas pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG)
– Impacto enorme da situação do banco Montepio na AMMG que não pode ser ignorado por todos os supervisores
– Passividade e desarticulação entre os supervisores pode causar uma crise grave no Montepio, de que serão responsáveis

por Eugénio Rosa [*]

'. Num dos nossos últimos estudos (nº 20/2020) analisamos, utilizando o Relatório e Contas (RC) de 2019, a situação do Banco Montepio, onde estão aplicadas cerca de 70% das poupanças dos associados. Este banco é a sua principal garantia e tudo que acontece nele reflete-se na segurança e rentabilidade dessas poupanças.

A DESVALORIZAÇÃO DO BANCO MONTEPIO QUE É O ATIVO MAIS IMPORTANTE QUE GARANTE AS POUPANÇAS DOS ASSOCIADOS E AS LIMITAÇÕES ATUAIS À CONCESSÃO DE CRÉDITO

As conclusões a que chegamos com base na análise do seu Relatório e Contas de 2019 é que o Banco Montepio, apesar de apresentar um elevado rácio de liquidez (tinha um LCR 179,9%, muito acima dos 110% exigidos pelo Banco de Portugal), que gera confiança nos depositantes, tem perdido valor todos os anos o que significa uma redução da garantia das poupanças dos associados.

Tal perda de valor é revelada/confirmada pela redução continua dos seus Capitais Próprios (diferença entre o Ativo e o Passivo, pois só entre 2018 e 2019, reduziu-se de 1.521 milhões € para 1.440 milhões €, menos 81M€); pela diminuição do valor do seu Ativo líquido (entre 2018 e 2019, reduziu-se de 18.361 milhões € para 17.740 milhões €, ou seja, sofreu uma redução de 621 milhões € num ano apenas); pela queda continuada da sua carteira de crédito bruto (entre 2018 e 2019, diminuiu de 13.078 milhões € para 12.552 milhões €, ou seja, perdeu 526 milhões € num ano apenas). E o mais grave, contrariamente ao que declarações recentes do seu presidente podia fazer crer, esta redução do crédito bruto não teve apenas como causa a redução dos chamados créditos improdutivos (NPE). E isto porque a redução causada por estes (venda da carteira de crédito de 321 milhões € e crédito abatido ao ativo, ou seja, "write-offs" de 90 milhões € em 2019) soma 411 milhões € em 2019. E a redução no crédito bruto, em 2019, foi de 526 milhões €. Isto significa que 115 milhões € daquela redução é crédito liquidado e amortizado que o banco não conseguiu compensar com o novo crédito concedido em 2019. Mesmo a redução do rácio de créditos improdutivos (NPE) para 12,2%, que continua a ser um dos mais elevados de toda a banca, significa que o Banco Montepio ainda tem na sua carteira 1.531 milhões € de créditos improdutivos que o obrigarão a ainda constituir certamente enormes imparidades, o que significa mais prejuízos. E isto porque são os restos dos créditos improdutivos (NPE), pois quem comprou carteiras de créditos ao Banco Montepio certamente escolheu o melhor deixando o pior cuja recuperação (a maior parte) será muito difícil. Para além disto, o Banco Montepio enfrenta atualmente uma situação cujas consequências vão cair sobre a Associação Mutualista, que os supervisores (BdP, ASF, Ministério do Trabalho) tem fechado os olhos.

Um dos maiores problemas que enfrenta atualmente o Banco Montepio (BM) é a queda todos os anos da sua carteira de crédito, que é a principal fonte dos rendimentos de um banco comercial como é o BM. Um banco cujo negócio bancário diminui todos os anos dificilmente sobreviverá e rapidamente será presa fácil de grupos financeiros que tentarão adquiri-lo a preço de saldo. E o grave é que o Banco Montepio está limitado em aumentar o crédito concedido. E isto não é porque não tenha liquidez. Ele tem até liquidez em excesso como prova o seu elevado rácio de liquidez (LCR) de 179,9% e, para além disso, tem aplicado em títulos, a maioria parte divida publica, 3.179 milhões € que podiam ser canalizados para a concessão de crédito. Ele está limitado no aumento da sua carteira de crédito porque os rácios de capital (Rácio de Capital Total), estão muito próximos dos rácios mínimos exigidos pelo Banco de Portugal (o Rácio total exigido pelo supervisor é 13,885% e o rácio do banco é apenas 14%, portanto tem uma folga de apenas 15 p.b.). O aumento de algumas centenas de milhões € de crédito determinaria o aumento do Ativo ponderado pelo risco (RWA), que é o denominador da fração utilizada para calcular os rácios de capital (o numerador são os Capitais próprios e a divida subordinada), o que causaria a diminuição do Rácio de capital abaixo do mínimo exigido pelo Banco de Portugal e a imediata exigência deste para que o BM fosse recapitalizado. A curto prazo, pois a continuar esta imobilidade o banco afunda-se ainda mais, vai haver necessidade de emitir divida subordinada para aumentar o Rácio de Capital Total e mais uma vez, como já aconteceu, a AMMG terá de comprar essa divida porque o "mercado" certamente não está interessado em aplicações num banco na situação do Banco Montepio.

Perante esta situação de impasse poderá haver a tentação, por parte do conselho de administração do banco, de reduzir custos despedindo trabalhadores . E isto apesar de continuarem a entrar novos trabalhadores não aproveitando os que existem na instituição. O que o BM necessita, não é de menos trabalhadores, mas sim de mais negócio bancário, e isso também passa por uma administração com mais experiência de banca comercial, capaz de motivar a rede comercial com objetivos claros, o que não acontece no BM. A atual administração, em que a quase totalidade dos seus membros não tem qualquer experiência de banca comercial foi aceite pelo Banco de Portugal, muito mais interventivo após a saída de Tomás Correia do banco mas que revelou uma complacência incompreensível neste caso e nos conflitos a nível do governo do banco durante 2019 que o paralisaram

A SITUAÇÃO DIFICIL EM QUE SE ENCONTRA A ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA CAUSADA PELO BANCO MONTEPIO E POR UMA ADMINISTRAÇÃO QUE É INCAPAZ DE RESOLVER OS PROBLEMAS E DE GERAR A CONFIANÇA DOS ASSOCIADOS E A URGÊNCIA DA AÇÃO CONJUGADA DE TODOS OS SUPERVIOSRES

A desvalorização continuada do Banco Montepio tem um impacto negativo muito grande e direto na Associação Mutualista que os supervisores (Ministério do Trabalho, ASF, Banco de Portugal e mesmo governo) não podem ignorar. O Banco Montepio está valorizado nas contas da Associação Mutualista por 1.871 milhões €. Mas o valor contabilístico do banco, que corresponde ao valor dos seus Capitais Próprios, que é diferença entre o seu Ativo (o que possui e tem a haver) e o seu Passivo (o que deve) era, no fim de 2019, apenas de 1.440 milhões € (o valor de mercado pode ser ainda mais baixo). O Banco Montepio está registado nas contas da Associação Mutualista por um valor muito superior àquele que vale, mais concretamente, por mais 431 milhões €. Para que o valor do Banco Montepio registado nas contas da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) corresponda ao valor do banco dado pela sua contabilidade haveria de registar nas contas da AMMG 431 milhões € de imparidades, o que obrigaria a AMMG a apresentar prejuízos nas suas contas de 2019 da ordem dos 400 milhões €. Eis certamente uma razão do conselho de administração da Associação Mutualista ter adiado a prestação de contas de 2019. O objetivo é esconder, o maior tempo possível, aos associados a situação desastrosa da Associação Mutualista causada pela gestão ruinosa da administração de Tomás Correia de que os atuais membros da administração também faziam parte.

Para além disto, a maior parte das poupanças dos associados (mais de 2.000 milhões €) estão aplicados no Banco Montepio. E nos últimos anos, incluindo 2019 (e prevê-se que isso também aconteça nos próximos anos) o Banco Montepio não tem transferido quaisquer lucros para a Associação Mutualista para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicadas no banco. Durante os últimos anos da administração de Tomás Correia isso foi disfarçado utilizando o dinheiro das novas poupanças que entrava todos os anos. Com a redução enorme da chamada "Margem associativa", que é a diferença entre as entradas de novas poupanças e a saída de poupanças, a Associação Mutualista está cada vez mais incapaz de continuar a fazer isso e de continuar também a recapitalizar o Banco Montepio. Esta é uma situação que todos os supervisores e o governo não podem ignorar.

A conjugação destas duas situações que são dramáticas para todo o grupo Montepio, e também a incapacidade revelada pela atual administração da Associação Mutualista para as resolver, são factos que os supervisores e o governo não podem igualmente ignorar porque a situação atual é também da sua responsabilidade, já que ela só foi criada porque a supervisão não atuou. O anterior Código das Associações Mutualistas e também o atual proíbe que uma associação mutualista tenha investido numa única entidade (banco, empresa, etc) mais de 10% do valor do seu ativo. A Associação Mutualista tem investido no Banco Montepio um valor correspondente a cerca de 60% do valor do seu Ativo, portanto seis vezes superior ao permitido pela lei. A lei foi reiteradamente violada pela administração de Tomás Correia perante a passividade e conivência do supervisor que era e é o Ministério do Trabalho, ou seja, do governo, que nada fez para impedir isso. E isto aconteceu tanto no governo de Passos Coelho, em que reuniões solicitadas ao ministro do Trabalho nunca tiveram resposta, como com Vieira Silva, com que tivemos reuniões que, apesar de advertido, nunca fez nada. Tal atitude do supervisor permitiu à administração da AMMG uma gestão irresponsável que colocou as poupanças dos associados sujeitas a uma enorme exposição ao banco, com enormes riscos.

A passividade e a inércia revelada atualmente pelos supervisores, de que é exemplo o facto de o Ministério do Trabalho ter em seu poder há mais de um ano um projeto de novos Estatutos da Associação Mutualista, que contem normas de duvidosa legalidade e ainda não se ter pronunciado, é inaceitável e revela o desconhecimento da gravidade da situação e uma falta de respeito pelos 620 mil associados que tem o Montepio e pelas suas poupanças fruto de uma vida de trabalho para muito deles. Tem também consequências graves para o Montepio não só o atraso na atuação mas também a falta de articulação que se verifica entre os diferentes supervisores – Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, ou seja, o governo; a ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) e o Banco de Portugal – para terem uma atuação coordenada e atempada para salvar o Montepio. O adiamento só torna o problema mais grave e de difícil solução

A pretensão de alguns dos supervisores de ignorarem a gravidade da situação, dizendo que não é sua competência, mas de outro, está a conduzir o grupo Montepio a uma situação insustentável de que todos são responsáveis. A isso não conseguirão fugir se não atuarem rapidamente, pois não poderão dizer mais tarde, como é habitual no nosso país, que não sabiam ou que isso não era da sua competência. A desarticulação que se está a observar entre a ASF e o Ministério do Trabalho, o "atirar a bola de um para outro" é grave, porque é paralisante, e poderá causar crise grave no Montepio.

AS OBRIGAÇÕES DE TODOS OS SUPERVISORES, A FUGA E "O LAVAR DAS MÃOS" DA ASF

Com a publicação do Decreto-Lei 59/2018, o novo Código das Associações Mutualista, gerou-se entre os associados do Montepio a esperança que a intervenção da ASF, como entidade também de supervisão da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), tendo em conta a sua experiência e capacidade técnica garantisse a segurança das suas poupanças. Isto não acontecia com o Ministério do Trabalho, que, para além de não ter qualquer capacidade técnica para o fazer, sempre mostrou desinteresse em realizar uma supervisão efetiva da Associação Mutualista, o que permitiu às sucessivas administrações de Tomás Correia utilizarem as poupanças dos associados para cobrir os enormes prejuízos acumulados na Caixa Economica pela sua gestão ruinosa, o que era facilitado pelo facto de ser simultaneamente presidente da AMMG e da CEMG. E isto apesar de envolver um conflito grave de interesses, permitido pelo Banco de Portugal durante muitos anos sendo, por essa razão, também responsável pela destruição de um enorme valor das poupanças dos associados e pela situação atual da Associação Mutualista.

E esta esperança de que uma maior segurança nas suas poupanças ir-se-ia verificar resultante de uma supervisão mais efetiva por parte da ASF, decorria do texto da própria lei que, embora concedendo uma prazo de 12 anos para que a enorme exposição da AMMG ao Banco Montepio fosse reduzida para os níveis permitidos pela lei (apenas 10% do seu Ativo) dava à ASF um conjunto de poderes (artº 6º do Decreto-Lei 59/2018 a ASF) dos quais destacamos os seguintes:
a) Exigir a apresentação de um plano detalhado, que inclua as fases e atos essenciais para a adaptação ao regime de supervisão previsto na secção III do capítulo X do Código;
b) Exigir a apresentação de informação financeira com referência à data da entrada em vigor do presente decreto-lei (2018 );
c) Exigir a realização de auditorias especiais por entidade independente, por si designada;
d) Obter informações pormenorizadas sobre a situação das associações mutualistas e o conjunto das suas atividades;
e) Proceder à verificação da conformidade das associações mutualistas com as exigências em matéria de provisões técnicas, dos requisitos de capital, da avaliação dos elementos do ativo e do passivo, das regras de investimento e dos fundos próprios por referência às disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador, salvaguardadas as regras previstas no Código;
f) Analisar o sistema de governação e os riscos a que as associações mutualistas estão ou podem vir a estar expostas e a sua capacidade para avaliar esses riscos, por referência às disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador;
g) Verificar a atuação das associações mutualistas no seu relacionamento com os subscritores de modalidades de benefícios de segurança social, por referência às disposto para o setor segurador;
h) Verificar o cumprimento pela associação mutualista do plano apresentado ao abrigo da alínea a);
i) Exigir o ajustamento do plano previsto na alínea a) de forma a incluir medidas tendentes a garantir a convergência progressiva, com vista a atingir a plena conformidade com as disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador no final do período transitório;
j) Exigir a elaboração de um relatório anual pela associação mutualista sobre o grau de cumprimento do plano previsto na alínea a), incluindo, quando aplicável, os ajustamentos previstos na alínea anterior;
k) Dar parecer sobre o relatório anual".

Apesar do Decreto-Lei 59/2018 ter sido publicado em Ago/2018, até a esta data nem os membros do Conselho Geral da AMMG nem os associados do Montepio conhecem o que a ASF fez para cumprir a lei. Só em 12 de Maio de 2020 a ASF publicou a Norma 3/2020-R que estabelece prazos (artº 26º) para a Associação Mutualista fornecer informação com referência a 2019, que são contados só a partir da entrada em vigor desta norma (12/5/2020 e não de 2018 como dispunha o DL 59/2028) e variam entre 30 dias (modalidades, sistema de reclamações, etc.); 45 dias (balanços individuais, capital, listas de ativos,, provisões técnicas, etc.); 60 dias (contas do grupo, lista dos ativos, empresas do grupo, etc.) e 90 dias (Plano inicial de convergência).

No dia 20 de Maio de 2020, a ASF publicou uma "Nota de Informação" sobre a Norma Regulamentar 3/2020-R em que remete para o Ministério do Trabalho todos os poderes para tomar medidas, funcionando a ASF, como um simples secretariado técnico da análise da informação recebida, afirmando que " se no final do período transitório , a associação mutualista não preencher os requisitos financeiros no âmbito do regime de supervisão previsto no Código das Associações Mutualistas , não ingressa no regime de supervisão, cabendo apenas à ASF a avaliação do cumprimento desses requisitos". E então caberá ao Ministério do Trabalho nessa altura proceder " à alteração das disposições do regulamento de benéficos relativas à estrutura e montantes das quotas ou benefícios de uma ou mais modalidades, com vista ao restabelecimento do equilíbrio técnico-financeiro"; por outras palavras, impor aos associados cortes nas suas poupanças e rendimentos causados por uma gestão ruinosa permitida pelos supervisores e pelo governo ao longo de muitos anos e, durante os 12 anos do período transitório, os supervisores (ASF e Ministério do Trabalho) não terem feito aquilo a que estavam obrigados e se esperava deles.

É necessário que a ASF não se demita das suas funções e tenha uma atuação firme e informe os representantes dos associados no conselho geral da AMMG dos resultados da sua monitorização quer à situação inicial do grupo Montepio, quer ao Plano inicial de convergência apresentado, quer às medidas que propõe para que ele seja cumprido e que, conjuntamente com o Banco de Portugal, o Ministério do Trabalho e o governo assegurem a implementação das medidas necessários para dar segurança aos associados e para que não sejam feitos cortes nas poupanças dos associados , a maioria delas fruto de uma vida de trabalho visando assegurar um fim de vida mais tranquilo.

31/Maio/2020
[*] Associado do Montepio, edr2@netcabo.pt

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/e_rosa/montepio_31mai20.html

Supervisores responsáveis por crise grave à vista no Montepio?

A falta de transparência, a não prestação de contas pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), o impacto enorme da situação do Banco Montepio na AMMG que não pode ser ignorado por todos os supervisores, a passividade e a desarticulação entre estes pode causar uma crise grave no Montepio de que serão responsáveis

 

 

Nesta Informação 1/2020 aos associados do Montepio analiso de uma forma sintética o impacto da situação do Banco Montepio na Associação Mutualista, a limitação na concessão de credito que tem este banco devido aos baixíssimos rácios de capital, e não devido à falta de liquidez (o banco com um LCR de 179,9% até tem excesso de liquidez), o risco de despedimentos no Banco Montepio, assim como as consequências graves para o grupo Montepio e para os associados que resultou de ausência total de supervisão por parte do governo que permitiu a gestão ruinosa das administrações lideradas por Tomás Correia, assim como a desarticulação e passividade que se está verificar entre os diversos supervisores (ASF, Banco de Portugal e Ministério do Trabalho, ou seja o governo) que poderá tornar a situação insustentável, o que exige uma rápida correção.

Espero que este estudo possa contribuir para a mobilização dos associados do Montepio e da opinião publica na defesa do maior grupo mutualista, a viver uma situação difícil devida à gestão ruinosa da administração de Tomás Correia e à passividade dos supervisores, que não atuaram a tempo e e continuam a não atuar agora.

 

 
 
 
 

Estudo

A falta de transparência, a não prestação de contas pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), o impacto enorme da situação do Banco Montepio na AMMG que não pode ser ignorado por todos os supervisores, a passividade e a desarticulação entre estes pode causar uma crise grave no Montepio de que serão responsáveis

Num dos últimos nossos estudos (nº 20/2020) analisamos, utilizando o RC de 2019, a situação do Banco Montepio, onde estão aplicadas cerca de 70% das poupanças dos associados. Este banco é a sua principal garantia, e tudo que acontece nele reflete-se na segurança e rentabilidade dessas poupanças.

 

A desvalorização do Banco Montepio que é o ativo mais importante que garante as poupanças dos associados e as limitações atuais à concessão de crédito

As conclusões a que chegamos com base na análise do seu Relatório e Contas de 2019 é que o Banco Montepio, apesar de apresentar um elevado rácio de liquidez(tinha um LCR 179,9%, muito acima dos 110% exigidos pelo Banco de Portugal), que gera confiança nos depositantes, tem perdido valor todos os anos o que significa uma redução da garantia das poupanças dos associados.

Tal perda de valor é revelada/confirmada:

  • pela redução continua dos seus Capitais Próprios (diferença entre o Ativo e o Passivo, pois só entre 2018 e 2019, reduziu-se de 1.521 milhões € para 1.440 milhões €, menos 81M€);
  • pela diminuição do valor do seu Ativo líquido (entre 2018 e 2019, reduziu-se de 18.361 milhões € para 17.740 milhões €, ou seja, sofreu uma redução de 621 milhões € num ano apenas);
  • pela queda continuada da sua carteira de crédito bruto (entre 2018 e 2019, diminuiu de 13.078 milhões € para 12.552 milhões €, ou seja, perdeu 526 milhões € num ano apenas).

E o mais grave, contrariamente ao que declarações recentes do seu presidente podia fazer crer, esta redução do crédito bruto não teve apenas como causa a redução dos chamados créditos improdutivos (NPE). E isto porque a redução causada por estes (venda da carteira de crédito de 321 milhões € e crédito abatido ao ativo, ou seja, “write-offs” de 90 milhões € em 2019) soma 411 milhões € em 2019. E a redução no crédito bruto, em 2019, foi de 526 milhões €. Isto significa que 115 milhões € daquela redução é crédito liquidado e amortizado que o banco não conseguiu compensar com o novo crédito concedido em 2019.

Mesmo a redução do rácio de créditos improdutivos (NPE) para 12,2%, que continua a ser um dos mais elevados de toda a banca, significa que o Banco Montepio ainda tem na sua carteira 1.531 milhões € de créditos improdutivos que o obrigarão a ainda constituir certamente enormes imparidades, o que significa mais prejuízos. E isto porque são os restos dos créditos improdutivos (NPE), pois quem comprou carteiras de créditos ao Banco Montepio certamente escolheu o melhor deixando o pior cuja recuperação (a maior parte) será muito difícil. Para além disto, o Banco Montepio enfrenta atualmente uma situação cujas consequências vão cair sobre a Associação Mutualista, que os supervisores (BdP, ASF, Ministério do Trabalho) tem fechado os olhos.

Um dos maiores problemas que enfrenta atualmente o Banco Montepio (BM) é a queda todos os anos da sua carteira de crédito, que é a principal fonte dos rendimentos de um banco comercial como é o BM. Um banco cujo negócio bancário diminui todos os anos dificilmente sobreviverá e rapidamente será presa fácil de grupos financeiros que tentarão adquiri-lo a preço de saldo. E o grave é que o Banco Montepio está limitado em aumentar o crédito concedido. E isto não é porque não tenha liquidez. Ele tem até liquidez em excesso como prova o seu elevado rácio de liquidez (LCR) de 179,9% e, para além disso, tem aplicado em títulos, a maioria parte divida publica, 3.179 milhões € que podiam ser canalizados para a concessão de crédito.

Ele está limitado no aumento da sua carteira de crédito porque os rácios de capital (Rácio de Capital Total), estão muito próximos dos rácios mínimos exigidos pelo Banco de Portugal (o Rácio total exigido pelo supervisor é 13,885% e o rácio do banco é apenas 14%, portanto tem uma folga de apenas 15 p.b.). O aumento de algumas centenas de milhões € de crédito determinaria o aumento do Ativo ponderado pelo risco (RWA), que é o denominador da fração utilizada para calcular os rácios de capital (o numerador são os Capitais próprios e a divida subordinada), o que causaria a diminuição do Rácio de capital abaixo do mínimo exigido pelo Banco de Portugal e a imediata exigência deste para que o BM fosse recapitalizado.

A curto prazo, pois a continuar esta imobilidade o banco afunda-se ainda mais, vai haver necessidade de emitir divida subordinada para aumentar o Rácio de Capital Total e mais uma vez, como já aconteceu, a AMMG terá de comprar essa divida porque o “mercado” certamente não está interessado em aplicações num banco na situação do Banco Montepio.

Perante esta situação de impasse poderá haver a tentação, por parte do conselho de administração do banco, de reduzir custos despedindo trabalhadores.E isto apesar de continuarem a entrar novos trabalhadores não aproveitando os que existem na instituição. O que o BM necessita, não é de menos trabalhadores, mas sim de mais negócio bancário, e isso também passa por uma administração com mais experiência de banca comercial, capaz de motivar a rede comercial com objetivos claros, o que não acontece no BM. A atual administração, em que a quase totalidade dos seus membros não tem qualquer experiência de banca comercial foi aceite pelo Banco de Portugal, muito mais interventivo após a saída de Tomás Correia do banco mas que revelou uma complacência incompreensível  neste caso e nos conflitos a nível do governo do  banco durante 2019 que o paralisaram.

 

A situação difícil em que se encontra a Associação Mutualista causada pelo Banco Montepio e por uma Administração que é incapaz de resolver os problemas e de gerar a confiança dos associados e a urgência da ação conjugada de todos os supervisores

A desvalorização continuada do Banco Montepio tem um impacto negativo muito grande e direto na Associação Mutualista que os supervisores(Ministério do Trabalho, ASF, e Banco de Portugal e mesmo governo) não podem ignorar. O Banco Montepio está valorizado nas contas da Associação Mutualista por 1.871 milhões €. Mas o valor contabilístico do banco, que corresponde ao valor dos seus Capitais Próprios, que é diferença entre o seu Ativo (o que possui e tem a haver) e o seu Passivo (o que deve) era, no fim de 2019, apenas de 1.440 milhões € (o valor de mercado pode ser ainda mais baixo). O Banco Montepio está registado nas contas da Associação Mutualista por um valor muito superior àquele que vale, mais concretamente, por mais 431 milhões €.

Para que o valor do Banco Montepio registado nas contas da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) corresponda ao valor do banco dado pela sua contabilidade haveria de registar nas contas da AMMG 431 milhões € de imparidades, o que obrigaria a AMMG a apresentar prejuízos nas suas contas de 2019 da ordem dos 400 milhões €. Eis certamente uma razão do conselho de administração da Associação Mutualista ter adiado a prestação de contas de 2019. O objetivo é esconder, o maior tempo possível, aos associados a situação desastrosa da Associação Mutualista causada pela gestão ruinosa da administração de Tomás Correia de que os atuais membros da administração também faziam parte.

Para além disto, a maior parte das poupanças dos associados (mais de 2.000 milhões €) estão aplicados no Banco Montepio. E nos últimos anos, incluindo 2019 (e prevê-se que isso também aconteça nos próximos anos) o Banco Montepio não tem transferido quaisquer lucros para a Associação Mutualista para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicadas no banco. Durante os últimos anos da administração de Tomás Correia isso foi disfarçado utilizando o dinheiro das novas poupanças que entrava todos os anos. Com a redução enorme da chamada “Margem associativa”, que é a diferença entre as entradas de novas poupanças e a saída de poupanças, a Associação Mutualista está cada vez mais incapaz de continuar a fazer isso e de continuar também a recapitalizar o Banco Montepio. Esta é uma situação que todos os supervisores e o governo não podem ignorar.

A conjugação destas duas situações que são dramáticas para todo o grupo Montepio, e também a incapacidade revelada pela atual administração da Associação Mutualista para as resolver, são factos que os supervisores e o governo não podem igualmente ignorar porque a situação atual é também da sua responsabilidade, já que ela só foi criada porque a supervisão não atuou. O anterior Código das Associações Mutualistas e também o atual proíbe que uma associação mutualista tenha investido numa única entidade (banco, empresa, etc.)mais de 10% do valor do seu ativo.

A Associação Mutualista tem investido no Banco Montepio um valor correspondente a cerca de 60% do valor do seu Ativo, portanto 6 vezes superior ao permitido pela lei. A lei foi reiteradamente violada pela administração de Tomás Correia perante a passividade e conivência do supervisor que era e é o Ministério do Trabalho, ou seja, do governo, que nada fez para impedir isso. E isto aconteceu tanto no governo de Passos Coelho, em que reuniões solicitadas ao ministro do Trabalho nunca tiveram resposta, como com Vieira Silva, com que tivemos reuniões que, apesar de advertido, nunca fez nada. Tal atitude o supervisor permitiu à administração da AMMG uma gestão irresponsável que colocou as poupanças dos associados sujeitas a uma enorme exposição ao banco, com enormes riscos.

A passividade e a inercia revelada atualmente pelos supervisores, de que é exemplo o facto do Ministério do Trabalho ter em seu poder há mais de um ano um projeto de novos Estatutos da Associação Mutualista, que contem normas de duvidosa legalidade, e ainda não se ter pronunciado é inaceitável, e revela o desconhecimento da gravidade da situação e uma falta de respeito pelos 620.000 associados que tem o Montepio e pelas suas poupanças fruto de uma vida de trabalho para muito deles. Tem também consequências graves para o Montepio não só o atraso na atuação mas também a falta de articulação que se verifica entre os diferentes supervisores – Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, ou seja, o governo; a ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) e o Banco de Portugal – para terem uma atuação coordenada e atempada para salvar o Montepio. O adiamento só torna o problema mais grave e de difícil solução

A pretensão de alguns dos supervisores de ignorarem a gravidade da situação, dizendo que não é sua competência, mas de outro, está a conduzir o grupo Montepio a uma situação insustentável de que todos são responsáveis. A isso não conseguirão fugir se não atuarem rapidamente, pois não poderão dizer mais tarde, como é habitual no nosso país, que não sabiam ou que isso não era da sua competência. A desarticulação que se está a observar entre a ASF e o Ministério do Trabalho, o “atirar a bola de um para outro” é grave, porque é paralisante, e poderá causar crise grave no Montepio.

 

As obrigações de todos os supervisores, a fuga e “o lavar das mãos” da ASF

Com a publicação do Decreto-Lei 59/2018, o novo Código das Associações Mutualista, gerou-se entre os associados do Montepio a esperança que a intervenção da ASF, como entidade também de supervisão da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), tendo em conta a sua experiência e capacidade técnica garantisse a segurança das suas poupanças.

Isto não acontecia com o Ministério do Trabalho, que, para além de não ter qualquer capacidade técnica para o fazer, sempre mostrou desinteresse em realizar uma supervisão efetiva da Associação Mutualista, o que permitiu às sucessivas administrações de Tomás Correia utilizarem as poupanças dos associados para cobrir os enormes prejuízos acumulados na Caixa Economica pela sua gestão ruinosa, o que era facilitado pelo facto de ser simultaneamente presidente da AMMG e da CEMG. E isto apesar de envolver um conflito grave de interesses, permitido pelo Banco de Portugal durante muitos anos sendo, por essa razão, também responsável pela destruição de um enorme valor das poupanças dos associados e pela situação atual da Associação Mutualista.

E esta esperança de que uma maior segurança nas suas poupanças ir-se-ia verificar resultante de uma supervisão mais efetiva por parte da ASF, decorria do texto da própria lei que, embora concedendo uma prazo de 12 anos para que a enorme exposição da AMMG ao Banco Montepio fosse reduzida para os níveis permitidos pela lei (apenas 10% do seu Ativo) dava à ASF um conjunto de poderes (artº 6ºdo Decreto-Lei 59/2018 a ASF) dos quais destacamos os seguintes:

  1. Exigir a apresentação de um plano detalhado, que inclua as fases e atos essenciais para a adaptação ao regime de supervisão previsto na secção III do capítulo X do Código;
  2. Exigir a apresentação de informação financeira com referência à data da entrada em vigor do presente decreto-lei (2018 );
  3. Exigir a realização de auditorias especiais por entidade independente, por si designada;
  4. Obter informações pormenorizadas sobre a situação das associações mutualistas e o conjunto das suas atividades;
  5. Proceder à verificação da conformidade das associações mutualistas com as exigências em matéria de provisões técnicas, dos requisitos de capital, da avaliação dos elementos do ativo e do passivo, das regras de investimento e dos fundos próprios por referência às disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador, salvaguardadas as regras previstas no Código;
  6. Analisar o sistema de governação e os riscos a que as associações mutualistas estão ou podem vir a estar expostas e a sua capacidade para avaliar esses riscos, por referência às disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador;
  7. Verificar a atuação das associações mutualistas no seu relacionamento com os subscritores de modalidades de benefícios de segurança social, por referência às disposto para o setor segurador;
  8. Verificar o cumprimento pela associação mutualista do plano apresentado ao abrigo da alínea a);
  9. Exigir o ajustamento do plano previsto na alínea a) de forma a incluir medidas tendentes a garantir a convergência progressiva, com vista a atingir a plena conformidade com as disposições legais, regulamentares e administrativas em vigor para o setor segurador no final do período transitório;
  10. Exigir a elaboração de um  relatório anual pela associação mutualista sobre o grau de cumprimento do plano previsto na alínea a), incluindo, quando aplicável, os ajustamentos previstos na alínea anterior;
  11. Dar parecer sobre o relatório anual”.

Apesar do Decreto-Lei 59/2018 ter sido publicado em Ag.2018, até a esta data nem os membros do Conselho Geral da AMMG nem os associados do Montepio conhecem o que a ASF fez para cumprir a lei. Só em 12 de Maio de 2020 a ASF publicou a Norma 3/2020-R que estabelece prazos (artº 26º)  para a Associação Mutualista fornecer  informação com referência a 2019, que são contados só a partir da entrada em vigor desta norma (12/5/2020 e não de 2018 como dispunha o DL 59/2028) e variam entre 30 dias (modalidades, sistema de reclamações, etc.); 45 dias (balanços individuais, capital, listas de  ativos, provisões técnicas, etc.); 60 dias (contas do grupo, lista dos ativos, empresas do grupo, etc.) e 90 dias (Plano inicial de convergência).

No dia 20 de Maio de 2020, a ASF publicou uma “Nota de Informação” sobre a Norma Regulamentar 3/2020-R em que remete para o Ministério do Trabalho todos os poderes para tomar medidas, funcionando a ASF, como um simples secretariado técnico da análise da informação recebida, afirmando que:

se no final do período transitório , a associação mutualista não preencher os requisitos financeiros no âmbito do regime de supervisão previsto no Código das Associações Mutualistas , não ingressa no regime de supervisão, cabendo apenas a à ASF a avaliação do cumprimento desses requisitos”.

E então caberá ao Ministério do Trabalho nessa altura proceder:

à alteração das disposições do regulamento de benéficos relativas à estrutura e montantes das quotas ou benefícios de uma ou mais modalidades, com vista ao restabelecimento do equilíbrio técnico-financeiro”;

por outras palavras, impor  aos associados cortes nas suas poupanças e rendimentos causados por uma gestão ruinosa permitida pelos supervisores e pelo governo ao longo de muitos anos e, durantes os 12 anos do período transitório, os supervisores (ASF e Ministério do Trabalho) não terem feito aquilo a que estavam obrigados e se esperava deles.

É necessário que a ASF não se demita das suas funções e tenha uma atuação firme e informe os representantes dos associados no conselho geral da AMMG dos resultados da sua monitorização quer à situação inicial do grupo Montepio, quer ao Plano inicial de convergência apresentado, quer às medidas que propõe para que ele seja cumprido e que, conjuntamente com o Banco de Portugal, o Ministério do Trabalho e o governo assegurem a implementação das medidas necessários para dar segurança aos associados e para que não sejam feitos cortes nas poupanças dos associados, a maioria delas fruto de uma vida de trabalho visando assegurar um fim de vida mais tranquilo.



 

 
 
 

 


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/supervisores-responsaveis-por-crise-grave-a-vista-no-montepio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=supervisores-responsaveis-por-crise-grave-a-vista-no-montepio

Banqueiros portugueses alertam: o pior pode estar para vir

Os principais banqueiros portugueses acreditam que o mais difícil da crise provocada pela pandemia de covid-19 ainda está para vir.

 

Na SIC Notícias, no âmbito do CEO Banking Forum, uma parceria do canal televisivo com o Expresso e a consultora Accenture, os principais banqueiros portugueses adiantaram que os bancos estão em melhores condições para ajudar a economia, mas, para já, recusam que estejam a falhar na ajuda aos empresários.

Segundo o Expresso, às críticas de que os empréstimos garantidos pelo Estado ainda não foram disponibilizados às empresas, os responsáveis da CGD, BCP, BPI e Novo Banco avançaram com números para responder: os quatro bancos têm aprovados 3.850 milhões de euros no âmbito das linhas de crédito garantidas pelo Estado.

Paulo Macedo, da CGD, antecipou que o banco deverá acabar com cerca de 800 milhões de euros de créditos aprovados e o BCP 1.450 milhões de euros, segundo Miguel Maya. António Ramalho revelou que o Novo Banco tem 1.000 milhões de euros, dos quais 400 milhões já chegou às empresas, 160 milhões estão disponíveis e o resto está em trânsito. João Pedro Oliveira e Costa, do BPI, falou em 600 milhões de euros, dos quais 52% já contratados.

O dinheiro está a chegar, com uma banca que está a cumprir o seu papel, da mesma maneira que o Governo está a cumprir, com políticas anticíclicas”, disse o responsável da Caixa Geral de Depósitos. Oliveira e Costa adiantou, até, que já existe uma reanimação económica, ainda que tímida, após o confinamento.

António Ramalho disse que a pressão sobre a intervenção da banca tem sido elevada, mas que será ainda mais no futuro: “O papel da banca vai ser muito mais importante na segunda fase da reconstrução, que vai ser muito mais difícil”, constatou.

“A crise é pior, mas há um outro consenso, embora menos falado: é que os bancos estão muito mais bem preparados para esta crise”, sustentou Paulo Macedo, acrescentando há também incertezas, nomeadamente por tudo depender da saúde.

Para os banqueiros, a realidade futura é com o crescimento do crédito malparado, que vai depender dos prazos das moratórias de crédito, atualmente a permitirem que as empresas e os particulares não paguem as prestações até ao fim de setembro.

É óbvio que é preciso prolongar essas moratórias. O final do ano não é suficiente”, explicou Miguel Maya, acrescentando que “tudo o que seja menos do primeiro trimestre de 2020 é pouco”.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/banqueiros-pior-pode-estar-para-vir-327261

Transacções infernais


A TVI teve acesso ao contrato de compra e venda do Novo Banco, cuja divulgação pública tem sido uma exigência levantada nos últimos dias na esfera política. A primeira estranheza passa pela identidade do comprador: em vez de Lone Star, o nome que surge no contrato é Nani Holdings. O contrato a que a TVI teve acesso é confidencial e está guardado a sete chaves no banco de Portugal. Um documento extenso, mas que, logo ao início, surpreende: o que podemos ler e que, a 31 de março de 2017, foi celebrado o contrato entre o fundo de resolução e a Nani Holdings. O primeiro manteve 25% do banco e o segundo adquiriu 75%. A Nani Holdings, adquirente, é detida a 100% pelo Lone Star Fund, no Luxemburgo. Este, por sua vez, tem como maior acionista, a Nani Superholding, com sede no paraíso fiscal das Bermudas, e é detida por uma diversidade de fundos geridos pela americana Lone Star, dona indireta do Novo Banco. O mesmo é dizer que será difícil fazer o percurso inverso até à responsabilização. Ou seja, até quem tem de pagar ou devolver seja o que for.

Não há grandes comentários a fazer a este excerto da notícia da TVI. Confirma-se simplesmente a sordidez associada a este processo político de internacionalização da banca nacional, em que pagamos, mas não mandamos, compelido pela integração europeia e, infelizmente, aceite pelo governo. Entretanto, e isto é mesmo uma nota de rodapé, é óbvio que Centeno não deve ir para governador da sucursal de Frankfurt, mas se calhar pode: afinal de contas, Carlos Costa tinha experiência em transacções com paraísos fiscais da sua passagem pelo BCP.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Lone Star vende Novo Banco em Espanha

Depois da última injecção estatal de 850 milhões de euros, o fundo abutre Lone Star pôs o Novo Banco em Espanha à venda. Decisão já terá sido comunicada aos trabalhadores da subsidiária.

CréditosJosé Sena Goulão / Agência Lusa

Segundo informação avançada pelo espanhol El Confidencial, a norte-americana Lone Star já estará a sondar bancos de investimento para dar início ao processo à procura de um comprador. 

A decisão, adianta o periódico, foi comunicada nos últimos dias aos quase 200 trabalhadores da subsidiária espanhola pelo presidente do Novo Banco, António Ramalho. 

A notícia surge depois de o Estado português ter injectado mais 850 milhões de euros na instituição herdada de Ricardo Salgado, a que se junta a polémica dos prémios chorudos pagos aos administradores, apesar dos prejuízos apresentados consecutivamente pelo banco desde 2014, data da resolução do BES.

A venda do Novo Banco constituiu para a Lone Star um investimento sem risco, permitindo-lhe receber um banco limpo de prejuízos, através de injecções de dinheiros públicos, e com um quadro de pessoal já bastante reduzido. Até agora, já recebeu 11 263 milhões de euros para se capitalizar. Mais de metade deste valor saiu dos cofres do Estado.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/lone-star-vende-novo-banco-em-espanha

Portugal | Os novos bancos da vida

 
 
Rui Sá* | Jornal de Notícias | opinião

Causou polémica, nas últimas semanas, a injeção de mais 850 milhões de euros no Novo Banco.

A meu ver, pelas razões erradas: o foco da polémica passou a ser a "mentira" de Costa, a "traição" de Centeno, a "acusação" de Marcelo, e não o essencial - mais 850 milhões de euros de dinheiros avalizados pelo Estado para alimentar um banco privado, verba que entra diretamente nas contas do nosso défice.

Naturalmente que, para os responsáveis por este negócio (foram o PSD/CDS que decidiram a resolução do BES) e PS (que vendeu, a preço zero, ao fundo norte-americano Lone Star, 75% do banco), importa que a discussão seja em torno das questões paralelas - já me custa mais ver o BE, na ânsia de cavalgar a espuma mediática, a também valorizar o acessório.

Mas a pergunta de um milhão de dólares é outra: se o Estado português tem de injetar no Novo Banco, todos os anos (sim, ainda não terminou e para o ano há mais!...), centenas de milhões de euros, então porque não assume o controlo do banco? Ou seja, pagamos para os outros gerirem e, ainda por cima, e como se viu, para pagarmos salários pornográficos aos seus gestores!

Mais vale, então, pagarmos, gerirmos e impormos regras de gestão. Pelo que considero muito pertinente e de enorme bom senso o facto de o PCP ter apresentado, mais uma vez, a proposta para que o Novo Banco seja nacionalizado. Embora esteja cético relativamente aos resultados, importa que cada um assuma, mais uma vez, as suas responsabilidades.

Mas a pandemia pôs a nu outros privilegiados para além dos bancos - os proprietários dos alojamentos locais! É o que se depreende do programa Porto com Sentido que Rui Moreira, com o apoio do PS, aprovou para salvar o alojamento local na cidade. Já aqui o abordei, mas o que agora sei do mesmo ainda choca mais.

De facto, a Câmara vai alugar alojamentos locais e, depois, subarrenda-os àquilo a que chama "classe média". Na verdade, os apoios não serão dados às famílias, mas sim aos proprietários de alojamentos locais, independentemente de estes serem pequenos ou grandes proprietários, de terem recuperado fogos devolutos ou terem expulsado os seus antigos arrendatários.

De facto, para estes, são só benesses: um inquilino credível como a Câmara, o pagamento antecipado de rendas (que pode ir até 60 meses), a isenção de IMI e a possível isenção de IRS e IRC durante o período de aluguer. Para as famílias da "classe média" não haverá apoios: um casal, se alugasse um T1 no centro do Porto a 520€ (valor de referência máxima definida pelo município), só teria direito a subsídio de renda se, em termos brutos, o seu rendimento mensal conjunto fosse inferior a 1274€ (ou seja, o salário mínimo para ambos)!... Uma vergonha, como a do apoio aos bancos.

*Engenheiro
 
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-os-novos-bancos-da-vida.html

Portugal | Jerónimo diz que verba para Novo Banco resolvia metade dos problemas sociais

 
 
Líder comunista apelidou a situação de "inaceitável"
 
O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) disse este domingo que os 850 milhões de euros transferidos recentemente para o Novo Banco davam para "resolver metade dos problemas sociais que neste momento existem".

"Tantas vezes nos dizem que não há dinheiro para acudir aos problemas dos trabalhadores e do nosso povo, mas a verdade é que nunca falta para acudir à banca, como aconteceu há dias, com a transferência para o Novo Banco de mais de 850 milhões de euros", apontou Jerónimo de Sousa num discurso no largo do cemitério de Baleizão, concelho de Beja, após uma homenagem a Catarina Eufémia, assassinada há 66 anos pelas forças do regime fascista.

O líder comunista apelidou a situação de "inaceitável" e sublinhou que a resolução dos problemas sociais não é concretizada porque "a preferência foi injetar mais 850 milhões de euros na banca", aproveitando para voltar a apelar para que se "inicie de imediato a integração do banco na esfera pública", conforme proposto num projeto de lei apresentado pelo PCP, na Assembleia da República, na sexta-feira.

 
Perante cerca de meia centena de militantes, estrategicamente colocados à distância recomendada pelas normas da Direção Geral da Saúde para o combate à pandemia de Covid-19, Jerónimo de Sousa aproveitou, também, para criticar "os grandes interesses do capitalismo reinante" que acusou de desencadear a "ação terrorista contra as iniciativas da CGTP e do 1.º de maio".

"Não foi inocente, nem a sua preocupação era ou é a saúde dos trabalhadores. Se tivessem nas suas empresas, onde se nota as consequências do surto epidémico, cumpram as normas de segurança e higiene, as condições sanitárias lá nas empresas, nos locais de trabalho, e teriam fortes razões para se preocupar tendo em conta a situação", atirou o líder do PCP, em alusão ao surto de Covid-19 no que, segundo o balanço de sexta-feira, afetava já 81 trabalhadores de três empresas do polo industrial da Azambuja.
 
Jerónimo de Sousa insistiu que "não é por razões sanitárias" que não queriam "que se comemorasse o 25 de abril, que maio fosse uma jornada de luta ou que se realizasse a festa do Avante!", em setembro.
 
"É porque à sombra do vírus, que mata e preocupa tantos portugueses legitimamente, querem que, em silêncio, se liquidem centenas de milhares de postos de trabalho, que se desregulamente os direitos dos trabalhadores e o direito a ter direitos, que ameaça hoje tantos e tantos", referiu.

A finalizar, Jerónimo de Sousa voltou a apontar a 'mira' às "empresas com lucros milionários" para as quais se transferem "milhares de euros públicos" e tocam "insistentemente o riscado disco das necessidades e dos sacrifícios".

"Muitas delas são grandes empresas multinacionais. São as grandes empresas que beneficiaram de mais de 50% do expediente de lay-off. É para fazer frente a esta situação que o PCP, entendendo o sentimento, necessidade e aspirações dos trabalhadores e do povo, procurou por todos os meios reclamar a resolução dos seus problemas, assumindo uma atitude proposta no quadro da Assembleia da República com esse objetivo", concluiu Jerónimo de Sousa.
 
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 339 mil mortos e infetou mais de 5,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de dois milhões de doentes foram considerados curados. Em Portugal, morreram 1302 pessoas das 30 471 confirmadas como infetadas, e há 7705 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

O "Grande Confinamento" levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.
 
Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020 e Bruxelas estima uma contração da economia de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e da zona euro (6,3%).
 
TSF | Lusa | Imagem: © Nuno Veiga/Lusa
 

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Quem foi que disse que nada será como dantes?

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 23/05/2020)

1 Eu fui um deles: eu fui um dos que tive uma esperança, ainda que ténue, de que tivéssemos aprendido alguma coisa com esta lição. Mas ainda nem vemos o fim do pesadelo nem alcançámos todas as suas consequências e já se percebeu que quem manda nisto — no mundo, no planeta, neste “capitalismo que mata”, como disse o Papa Francisco — pretende fazer tudo igual, mas ainda mais depressa e pior, se possível.

 

As Bolsas animam-se com a retoma económica na China, puxada a todo o gás pelas centrais a carvão; a Amazónia, escondida temporariamente dos satélites pelas nuvens e pela pandemia à solta em terras do Brasil, aumentou em 171% a área desflorestada em Abril, em comparação com igual mês de 2019 (529 km2 a menos de floresta tropical); e na Europa, sob pressão das companhias aéreas, Bruxelas abandonou qualquer veleidade de limitar a lotação dos aviões, um dos mais intensos poluidores atmosféricos e um dos mais eficazes focos de propagação do vírus.

Entre nós, muito se escreveu e falou sobre um regresso ao campo e à pequena agricultura familiar e biológica, cujos benefícios e atractividade o confinamento forçado tinha permitido redescobrir, e também se escutaram juras de revisão do modelo de turismo assente nas multidões e na destruição de habitats naturais: quase me vieram lágrimas aos olhos com esses textos lindos, comoventes, inesperados. Pois, aí está: a agricultura que é apoiada, financiada por dinheiros europeus e aquela por onde vagueiam exércitos de trabalhadores asiáticos semiescravos é a agricultura superintensiva, predadora da terra e esbanjadora de água.

<span class="creditofoto">ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO</span>
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO

O olival já transbordou do Alqueva e pode ver-se em faixas da A2, a caminho do Algarve, ou na Barragem do Maranhão, onde antes se nadava e fazia remo e que agora está coberta de uma espuma Oliveira da Serra, vinda dos fertilizantes que era suposto serem biodegradáveis. Mas ao Alqueva também já chegou o amendoal intensivo, que, depois de ter secado as terras da Califórnia, procura países do Terceiro Mundo que não defendam a sua água e ainda subsidiem os seus predadores — e não há muitos. Na Costa Vicentina, temos as estufas dos frutos vermelhos intensivos, onde só o dito Parque Natural é nosso, tudo o resto é estrangeiro: os donos, os trabalhadores, os frutos. No Algarve, enfim, ao abacate, esse fruto que entrou na moda via ceviche e que é tão português e tão amigo da pouca água que lá há, veio agora juntar-se apressadamente, no Sotavento e por via covid, a cultura intensiva dos laranjais: a montante da A22, terraplena-se a toda a força, planta-se aos milhares e abrem-se furos como se ali debaixo corressem rios, entretanto secando a jusante as pequenas hortas e culturas dos agricultores locais. E, mais para baixo e para poente, a Lone Star (sim, a do Novo Banco) prepara-se para começar aquilo a que o dirigente da Almargem Luís Brás chamou, adequadamente, “um projecto do século passado, desajustado ao presente e ignorando o futuro”: trata-se (eu adoro esta linguagem dos arquitectos a soldo dos patos-bravos) de “uma peça arquitectónica integrada num parque ambiental que inclui mais de 6o hectares de zonas húmidas”. Trocando por miúdos ou por milhões: trata-se de construir uma “cidade lacustre”, no pesadelo que já é Vilamoura, acrescentando-lhe mais 2400 camas e para tal desviando a ribeira de Quarteira e criando um ninho de criação de mosquitos numa zona onde recentemente foram detectados focos de doenças causadas pelos mosquitos e que estavam há muito desactivadas. Em tempos de pandemia, com tanto que se tem dito e escrito sobre os vírus causados pela agressões à biodiversidade dos ecossistemas, é caso para dizer que não podia haver projecto mais actual e mais integrado no ar do tempo!

Tudo isto suponho que seja apoiado pelo Turismo, sei que é financiado e acarinhado pela Agricultura e, como habitualmente, passa tudo ao lado daquele senhor que tem como alcunha ministro do Ambiente. Como é que nada poderá não ser como dantes?

2 Procurem no Google a Villa de São Paulo, no Estoril. Trata-se de um palacete em óptimo estado de conservação, que aparece descrito como o melhor espaço de Portugal para um estrangeiro se vir casar. Tem três andares, servidos por elevador interno, 14 quartos, diversas cozinhas, salas e salões e um enorme terraço com piscina em cima do mar e com acesso directo à praia, ali em baixo. Não vale menos de 10 milhões de euros, a preço de ocasião. Mas o Novo Banco vendeu-o por 3 milhões, integrado num pacote que envolvia também um terreno em Alverca, um prédio no Chiado e uma quinta em Sintra — tudo representado por um crédito de 17,4 milhões, mas que o banco vendeu por 5,7 (um desconto de 67%) ao “Rei dos Frangos”, o maior accionista privado do Benfica, de cujo presidente é sócio e amigo (e o qual, por sua vez e através das suas empresas, é dos maiores devedores do NB). São créditos destes (quantos — dezenas, centenas?) que o NB não “consegue” cobrar e que se vê “obrigado” a vender com descontos de 70%, que depois regista como imparidades e de que apresenta a factura para pagamento aos contribuintes. Mas isto é só a superfície do negócio. Quem sabe, escavando mais fundo, se não se descobre ainda petróleo debaixo disto tudo? Como no Texas, de onde eles vieram.

3 Há quem, interna e externamente, não suporte o Presidente francês, mas Emmanuel Macron tem provado ser o mais euro­peísta e menos chauvinista Presidente francês desde há muito tempo — além do facto, apenas interno, de ter quase toda a razão no conflito contra os “coletes amarelos”, defensores de privilégios geracionais insustentáveis. Macron teve a perseverança necessária para convencer Angela Merkel a dar o passo decisivo e, enfim, sem as dizer, a pronunciar as palavras mágicas: dívida europeia mutualizada. E de quem mais pode para quem mais precisa, tal como ensinou Marx. Fazendo-o através do Orçamento da União, ela contorna internamente a questão jurídica levantada pelo Tribunal Constitucional Alemão junto do BCE — e a que este faria bem em nem sequer responder. Nada pode ainda ser dado como adquirido, mas o peso da Alemanha deve ser suficiente para forçar a mão aos renitentes austríacos, suecos e dinamarqueses. Isso deixaria a Holanda isolada contra 26 e com a agravante de já gozar da má fama de ser o vazadouro fiscal onde as empresas dos outros pagam impostos que eram devidos nos países de origem.

4 A questão da atribuição da nacio­nalidade aos judeus sefarditas expulsos daqui no reinado de D. Manuel e a mando dos seus sogros, os Reis Católicos espanhóis, Fernando e Isabel, é muito mais interessante do que comecei por supor — embora, aparentemente, não venha a mobilizar mais do que alguns escassos milhares de pedidos. Ou talvez não, se, com a alteração proposta na lei, não for necessário qualquer período de residência antes de se pedir a nacionalidade portuguesa.

O meu interesse começa na curiosidade de saber como é que se fará prova de uma descendência que remonta há mais de 500 anos e quem é que irá apreciar tais provas. Depois, há uma questão de timing diplomático: o momento em que Portugal se prepara para reconhecer a nacionalidade aos judeus que daqui expulsou há cinco séculos é o momento em que Israel se prepara para anexar a Cisjordânia aos palestinianos, assim consumando um longo processo, iniciado com o regresso à Terra Prometida, politicamente sustentado também na expulsão de que se reclamavam vítimas há dois mil anos. E, uma vez regressados, foi o que se sabe: guerra após guerra, colonato a colonato, Israel foi roubando a Palestina aos palestinianos, estando agora na iminência de abocanhar o último pedaço que lhe interessa. Felizmente, dessa ameaça estamos livres, mas, se há alguma moral nestas coisas da geopolítica, cabe lembrar isto aos futuros novos portugueses.

Mas o que me chamou a atenção para a questão foi o excelente texto do Henrique Monteiro no Expresso online (“O antissemitismo à solta”). Tem ele toda a razão quando enaltece o povo judeu, os seus 120 prémios Nobel, os seus extraordinários músicos (e escritores e etc.). Tem ainda toda a razão quando afirma, na esteira de vários historiadores, que a expulsão dos judeus, além de um acto de perseguição religiosa, hoje intolerável, foi um acto altamente prejudicial para Portugal, em vários aspectos. Aliás, os judeus daqui expulsos não tiveram muita sorte, pois voltaram a cruzar-se connosco no Brasil, para onde foram na expedição holandesa celebrizada por Maurício de Nassau, com o objectivo de nos roubar o comércio do açúcar, e de onde acabaram todos expulsos, 40 anos depois, por uma decisiva aliança de portugueses, espanhóis, índios e negros. E, de terra em terra, de exílio em exílio, como é sua sina, acabaram eles, saídos 150 anos antes de Portugal, por ir fundar mais a norte a cidade de New Amsterdam, a que hoje chamamos Nova Iorque.

Porém, onde a argumentação a favor da sua nacionalidade me parece insuficiente é quando ela tem como único título de legitimação o facto de terem sido expulsos daqui há mais de 500 anos. De acordo com esse princípio, raros devem ser os povos que não teriam também o poder de baralhar as leis de nacionalidade estabelecidas por esse mundo fora. A começar logo aqui: muito anos antes de expulsarmos os judeus já tínhamos expulsado os mouros, que aqui haviam chegado 600 anos antes de Portugal existir, quando Tarik atravessou o estreito. Os mesmos Reis Católicos expulsaram-nos definitivamente de Espanha em 1492 e nós quase dois séculos e meio antes, quando D. Afonso III conquistou o Algarve e estabeleceu as fronteiras definitivas de Portugal. O que diría­mos agora se, invocando o mesmo princípio que os judeus sefarditas, os mauritânios (presumo que a população inteira…) nos batessem à porta a pedir a nacionalidade?

Eu sou a favor de um país diverso e misturado. Mas não de uma identidade nacional completamente descaracterizada, ao sabor de vistos gold ou direitos de antiguidade tão antigos que já perderam há muito qualquer relação com o país que hoje somos. Por isso, acho que aos clássicos jus soli e jus sanguini, como fundamentos da nacionalidade, se deve acrescentar a aquisição por efeito de residência — efectiva, actual e continuada durante um certo período —, a qual, a par do conhecimento da língua, garante a tal relação entre um cidadão e o seu país. Mas não mais do que essas vias.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A mafia da Banca e a Banca da mafia

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Máfia em socorro de empresas italianas em dificuldades

As organizações criminosas prosperam em crises, como a que está ocorrendo hoje. Elas são capazes de emprestar dinheiro às empresas imediatamente, o  que os bancos recusam ou não o fazem com rapidez suficiente. A oportunidade, então, de assumir o seu controle
Postado em 25 de maio de 2020 
A máfia  é o primeiro banco da Itália, alarma se a associação SOS Impresa.Um “banco” que tem muito dinheiro e pode emprestar dinheiro imediatamente.Tentação para empresas em dificuldade que enfrentam lentidão burocrática e extrema cautela nas instituições de crédito ao solicitar um empréstimo.
Um benefício para as organizações criminosas que, assim, podem se infiltrar em novos setores da economia ou fortalecer seu domínio sobre as muitas PME que já lhes são devidas.Eles os esmagariam com 100 bilhões de euros em taxas ilegais, ou 7% do PIB.Cerca de um quinto dos empresários italianos são, portanto, vítimas de extorsão, extorsão e outros empréstimos usurários – correspondendo a uma taxa 50% superior à aplicada em média pelos bancos.
Geralmente, os credores de agiotas aplicam taxas de juros de pelo menos 10% ao mês e exigem reembolso do dobro do valor adiantado em um ano.O desgaste totaliza uma faturação anual de quase 100 bilhões de euros.Na época da crise de 2008, de acordo com um relatório do Instituto Italiano de Estudos Políticos, Económicos e Sociais (Eurispes), uma em cada dez empresas do setor agrícola, comercial e de serviços preferia recorrer a agiotas sem escrúpulos  do que recorrem a banqueiros relutantes.

De 2008 a 2013, o desgaste aumentou em 30%. Os dois meses de confinamento teriam causado um aumento semelhante, dizem Confcommercio e o Ministério do Interior.Este último, assim como os prefeitos e magistrados, continua lembrando quea Máfia está aproveitando as dificuldades económicas pelas quais o país está passando.Eles estão pedindo uma maior rastreabilidade dos fluxos financeiros, maiores controles e a criação de um ”código vermelho  ” para relatar transações suspeitas com mais rapidez e eficiência.   
 Para combater a usura, é urgente obter liquidez imediatamente através do auxílio prometido pelo governo e empréstimos bancários com garantia do Estado , insistem nas várias associações que representam comerciantes e PMEs.Mas temos que enfrentar aqueles que são suspeitos ou oprimidos.O risco é que o dinheiro chegue tarde demais e beneficie as empresas que já estarão sob o controle da máfia. “ 

Usar elemento central da estratégia econômica das máfias

A máfia estava inicialmente relutante em relação a essa prática.Mas, graças às crises das últimas décadas, ele viu uma maneira rápida e eficaz de atender a seus interesses.
« L’usure à destination des particuliers est laissée aux clans les plus faibles, explique l’écrivain Roberto Saviano, mais pour le prêt usurier à destination des entreprises est un élément central de leur stratégie. Elles donnent l’argent immédiatement et ont même parfois supprimé les intérêts pour le remboursement ou les ont réduits très fortement. L’entrepreneur, une fois la phase critique passée, ne pourra rien leur refuser. » 

La mafia au secours des entreprises italiennes en difficulté

Les organisations criminelles prospèrent à la faveur des crises, comme celle qui sévit aujourd’hui. Elles sont en mesure de prêter immédiatement aux entreprises les liquidités que les banques leur refusent ou ne leur versent pas assez vite. L’occasion ensuite d’en prendre le contrôle
Publié le 25 mai 2020 
La mafia est la première banque d’Italie, s’alarme l’association SOS Impresa. Une « banque » qui dispose d’immenses liquidités et peut prêter de l’argent immédiatement. Une tentation pour les entreprises en difficulté qui se heurtent aux lenteurs bureaucratiques et à l’extrême prudence des instituts de crédits lorsqu’elles demandent un prêt.
Une aubaine pour les organisations criminelles qui peuvent ainsi infiltrer de nouveaux secteurs de l’économie ou renforcer leur emprise sur les nombreuses PME qui leur sont déjà redevables. Elles les écraseraient de 100 milliards d’euros de prélèvements illégaux, soit 7 % du PIB. Environ un cinquième des entrepreneurs italiens seraient ainsi victimes d’extorsions, rackets et autres prêts usuriers -correspondant à un taux 50 % supérieur à celui appliqué en moyenne par les banques.
Communément, les prêteurs usuriers appliquent des taux d’intérêt d’au moins 10 % par mois et exigent en un an le remboursement du double de la somme avancée. L’usure totalise un chiffre d’affaires annuel de près de 100 milliards d’euros. Au moment de la crise de 2008, selon un rapport de l’Institut italien d’études politiques, économiques et sociales (Eurispes), une entreprise sur dix dans le secteur de l’agriculture, du commerce et des services avait préféré se tourner vers des usuriers peu scrupuleux qu’avoir recours à des banquiers réticents.
De 2008 à 2013, l’usure avait progressé de 30 %. Les deux mois de confinement auraient provoqué une hausse similaire, estiment Confcommercio et le ministère de l’intérieur. Ce dernier, ainsi que les préfets et les magistrats, ne cessent de rappeler que la mafia est en train de profiter des difficultés économiques que traverse le pays. Ils demandent une plus grande traçabilité des flux financiers, une augmentation des contrôles et la création d’un « code rouge » pour signaler de manière plus rapide et efficace les opérations suspectes.
« Pour lutter contre l’usure, il y a urgence à obtenir immédiatement des liquidités via les aides promises par le gouvernement et les prêts bancaires avec une garantie de l’Etat, insistent les différentes associations représentant commerçants et PME. Mais on doit affronter qui se méfient ou sont débordées. Le risque est que l’argent arrive trop tard et profite à des entreprises qui seront déjà passées sous le contrôle de la mafia. »

L’usure élément central de la stratégie économique des mafias

La mafia était à l’origine rétive à cette pratique. Mais à la faveur des crises de ces dernières décennies, elle a vu un moyen rapide et efficace de servir ses intérêts.
“Ausura para indivíduos é deixada para os clãs mais fracos , explica o escritor Roberto Saviano,mas o agenciamento de empréstimos para empresas é um elemento central de sua estratégia.Eles dão o dinheiro imediatamente e às vezes até cortam os juros do empréstimo ou o cortam muito acentuadamente.Passada a fase crítica, o empresário não pode recusar nada. ”   
 
 

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/2zu0V7x

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/25/a-mafia-da-banca-e-a-banca-da-mafia/

USA | O barulho dos empréstimos a pequenas empresas

Eve Ottenberg *

Os governantes do império estão cegos pelo dogma da direita, do funcionamento de cima para baixo – por isso, a sua reação instintiva ao desastre é pôr dinheiro nas mãos dos ricos. 

 

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Foto de Nathaniel St. Clair

Um escândalo explodiu, recentemente, sobre o fundo de empréstimos a pequenas empresas. O primeiro Programa de Proteção de Salários (PPS), de US $ 350 biliões, foi criado para ajudar pequenas empresas – atacadas pelos confinamentos da Covid-19 –  a continuar a pagar aos empregados. Mas os bancos ficaram encarregados de desembolsar esses empréstimos. E apareceram então a distribuir US $ 365 milhões em empréstimos perdoáveis ​​a grandes cadeias de capital aberto, como a Potbelly Sandwich Shop, Shake Shack e Quantum Corp.No meio de grandes protestos, a Shake Shack devolveu o seu empréstimo de US $ 10 milhões. A Potbelly e a Sweetgreen disseram que também o fariam. Assim como, em 27 de abril, 13 grandes empresas prometeram devolver o dinheiro que haviam ilegalmente recebido, com, supostamente, US $ 2 biliões devolvidos ao programa. Mas os bancos ficaram expostos, como tendo ajudado 94 ou mais empresas de capital aberto a arrebatar benefícios sociais atribuídos pelo governo a negócios familiares. Muitas dessas mais de 94 empresas, incluindo navios de cruzeiro, demonstraram pouca vergonha. Não têm a intenção de devolver os seus empréstimos. Ajudaram a esvaziar o fundo. Não é admissível. Têm de ser obrigados a devolver o dinheiro.

Parte daquele dinheiro do PPS foi para empresas mega doadoras da campanha de reeleição de Trump, de acordo com o The Intercept. Essas doadoras receberam montes de dinheiro. No topo da lista havia hotéis de luxo administrados pela família Bennett. Receberam, até agora, mais dinheiro do PPS do que qualquer outro doador conhecido. Os Bennetts deram liberalmente a Trump e ao GOP [abreviatura de Grand Old Party, referência comum ao Partido Republicano dos EUA – NT]. Também recebeu esses empréstimos, que não precisam de ser reembolsados, uma empresa conetada a um lobista e angariador de fundos para Trump; de igual modo, a Continental Materials Corp, a Easy Post e vários outros benfeitores de Trump e do GOP. Isto cheira a corrupção.

Entre outras ricas empresas que capturaram tanto dinheiro que esgotaram o fundo para as pequenas empresas, esteve a biotecnológica Athersys, que recebeu US $ 1 milhão, segundo a Zerohedge, “apesar de ter angariado quase US $ 60 milhões numa oferta de ações, numa segunda-feira. Entretanto, a Nikola Motor… anunciou uma avaliação de US $ 4 biliões, no início de março”, mas pediu US $ 4 milhões ao PPS. Também esteve nas manchetes a cadeia nacional Ruth Chris Steakhouse, que captou US $ 20 milhões do fundo para as pequenas empresas, que agora devolverá. A AP informou que os empréstimos destinados às pequenas empresas foram para “empresas com milhares de empregados, com multas aplicadas por investigações governamentais e riscos de falência financeira”. Nada como dinheiro grátis para os que já nadam em dinheiro.

Os bancos eram a raiz do problema. Assim, em 23 de abril, o senador Marco Rubio – num recente intervalo dos seus ataques verbais sanguinários ao governo venezuelano – escreveu para 12 CEO de bancos, para saber como escolheram aqueles mutuários. Uma excelente pergunta e, sem dúvida, as respostas serão ambíguas. Entre esses bancos, o JP Morgan destaca-se. Para citar Zerohedge de novo: “De todos os bancos que trapacearam as pequenas empresas com o auxílio para o Coronavírus, o JP Morgan leva o troféu”. Esses bancos agiram como veículos, recompensando os seus comparsas. Os seus comparsas são as grandes e ricas corporações. Qual é o problema do dinheiro ter sido  destinado a pequenas empresas? Os bancos preferem os super-ricos.

O governo não parece disposto a punir os bancos responsáveis ​​por esta pilhagem. O próximo desenvolvimento – o novo segundo projeto de PPS – prova esta afirmação. Bem ciente deste recente e caro roubo, o Congresso sentou-se com o Tesouro e redigiu um novo projeto de empréstimos, sem novos constrangimentos! Nenhuma linguagem que, dada a última pilhagem, prevenisse a sua repetição com novas salvaguardas. Nenhum ataque aos bancos por, essencialmente, encorajarem uma fraude. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, prometeu novas diretrizes e instou as grandes empresas a devolverem os seus empréstimos obtidos sob o primeiro PPS. Ameaçou com “severas consequências” se não o fizerem, incluindo investigações. Vamos esperar que ele mantenha a sua palavra no futuro e alargue as ameaças aos bancos, porque é tudo o que temos para prevenir outro desastre com os novos fundos.

O novo projeto foi aprovado na Câmara 388-5. Coloca US $ 321 biliões no PPS para que as empresas possam continuar a pagar aos trabalhadores e, segundo informações, já está quase esgotado. Também concede US $ 60 biliões para empréstimos de emergência para pequenas empresas, US $ 75 biliões para hospitais e US $ 25 biliões para testes Covid-19. Tudo isto parece bom, mas se os bancos direcionarem novamente esse dinheiro para empresas de capital aberto – e por que não? – é apenas mais uma roubalheira dos plutocratas, os piores dos quais a pandemia trouxe à tona. O governo investiu triliões de dólares em bilionários, oligarcas e chefões de empresas, e eles querem tudo, incluindo aqueles empréstimos a fundo perdido ​​para pequenas empresas.

Entretanto, mais de 26 milhões de pessoas perderam os seus empregos e aqueles que não precisam de ajuda mantêm-nos. Mas o governo federal parece incapaz de fazer a única coisa decente: aprovar um projeto de lei especificamente para aquelas pessoas – e para mais ninguém. Os governantes do império estão cegos pelo dogma da direita, do funcionamento de cima para baixo – por isso, a sua reação instintiva ao desastre é pôr dinheiro nas mãos dos ricos. Este dogma é uma forma de extrema estupidez e que, tragicamente, significa a ruína para multidões de americanos.

* Eve Ottenberg é romancista e jornalista. O seu último livro é Further Adventures of Feckless Frank [Outras aventuras do irresponsável Frank]. Pode encontrar-se no seu website.

Fonte: https://www.counterpunch.org/2020/05/01/the-small-business-loan-racket/, colocado e acedido em 2020/05/01.

Tradução do inglês de PAT

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/o-barulho-dos-emprestimos-a-pequenas-95138

O banqueiro autocrata

Mesmo neste maio de 2020 a transbordar de fraseologia, se tivéssemos de escolher a frase do mês, sem dúvida ganharia a palma a de Mário Centeno sobre o Novo Banco: “Não permitirei que uma instituição bancária com as portas abertas possa ser prejudicada por um debate parlamentar”. Centeno tem bom remédio: acabe com o parlamento. Será nisso que está a pensar?

Tal como o “janota” dos dicionários imortalizou no português corrente a imagem de aperaltado que o general Junot deixara por cá no tempo das invasões napoleónicas, talvez também um termo “novobanco” venha a ser nos dicionários do futuro o sinónimo de regabofe e trafulhice.

Muito tem sido dito, e bem, sobre esses regabofe e trafulhice: como o buraco negro do banco foi fabricado com o negócio de conceder créditos incobráveis para os negócios escuros de uma camarilha cavaquista; como o paleio sobre o “risco sistémico” serviu para eternizar esse buraco negro; como o Estado faz um contrato a prometer que o banco receberá quase mil milhões de euros por ano, parte deles do OE; como mantém secreto esse contrato, para se poder pensar que ao banco basta estalar os dedos a pedir o dinheiro e não tem de dar explicações sobre as alegadas dificuldades que deveriam fundamentar o pagamento; como essas alegadas dificuldades podem ser invocadas, sem dizer quais, pontualmente, todos os anos, mesmo quando os administradores estão a quase duplicar os seus vencimentos.

Para além disso que tem sido dito sobre os mecanismos, sofisticados ou grosseiros, da fraude, há também alguma coisa a dizer sobre o modo como o regabofe e a trafulhice corroem os alicerces da democracia burguesa. É que os debates parlamentares são muito animados e muito folclóricos até ao preciso instante em que neles seja dito: “Antes de pagar, o Estado deve dar uma olhada nas contas”.

Porque, sendo isso dito, acabou-se a animação e o folclore. Nesse preciso instante, surgem os banqueiros questionados a queixar-se de que estão a ser usados como “arma de arremesso”. E surge Centeno a dizer: “Não permitirei”. Se se vislumbra a mais remota possibilidade de o parlamento, por uma vez, tratar seriamente este assunto, a voz dos banqueiros engrossa e aí vem o murro na mesa, para impor a ordem que o presidente, Ferro Rodrigues, não está vocacionado a impor naquele bazar.

É verdade que Centeno não é ainda o banqueiro-mor, porque não pode acumular tudo: presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças português já seria overdose, para alguém que deve opor-se aos eurobonds em Bruxelas e defendê-los em Lisboa. Mas a cadeira de governador do Banco de Portugal já lá está, à espera dele. Mesmo sem o ser ainda formalmente, ele já é mais banqueiro do que os banqueirinhos do Novo Banco. Centeno é, mais do que a voz do dono, a voz e o dono.

Nesta crise ainda pareceu, por um breve momento, que o presidente da República e o primeiro-ministro iriam pôr os pés à parede, porque ambos, especialmente António Costa, foram desautorizados com o nariz de palmo que Centeno lhes fez em público. Dir-se-ia, por esse breve momento, que desprezar ao mesmo tempo parlamento, primeiro-ministro e presidente era, até para Centeno, ter mais olhos que barriga.

E afinal, que aconteceu? Todas as venerandas instituições da República meteram o rabo entre as pernas e, depois das iniciais reacções de mau humor, apressaram-se a atestar a Centeno a sua “confiança política e pessoal” (António Costa) ou a pedir para ele a “gratidão dos portugueses” (Marcelo Rebelo de Sousa).

Tudo isto para já não falar no Tribunal de Contas: não devia esse outro pilar da democracia exigir o tal contrato secreto, para saber se foi Passos Coelho quem lesou os interesses do Estado ao assiná-lo, ou se são António Costa e Centeno quem os lesa agora ao incumpri-lo?

E tudo também para não voltar a falar do parlamento: mesmo se não há condições políticas para uma moção de censura ao Governo, não as haveria para uma moção de censura ao ministro? Tem o parlamento de engolir em seco a declaração de confiança de António Costa?

Se Centeno ganhou, espectacularmente, um braço de ferro que pareceu ser contra tudo e contra todos, isso não se deveu à reacção provinciana de instituições democráticas deslumbradas com o seu carisma cosmopolita. E tão-pouco se deveu a que ele seja o super-homem, ou sequer o “Ronaldo das finanças”.

A explicação está em ser Centeno o líder político do capital, o condensado vivo das suas aspirações e o que melhor sabe falar com a voz grossa dos banqueiros quando a algaraviada parlamentar passa das marcas, mas sem se atrever a chegar àquela marca de pedir a sua saída.

Já em tempos tivemos o fenómeno de um ministro das Finanças que a imprensa alcunhou de “ditador financeiro” e que mandava no Governo sem ser primeiro-ministro, que depois foi primeiro-ministro a mandar no presidente, e entretanto substituiu o parlamento caótico por uma claque disciplinada com o cartão de um só partido. Durou quatro décadas.

Para acabar com os debates parlamentares desagradáveis aos bancos, Centeno meteu na ordem o parlamento, o primeiro-ministro, o presidente, mas ainda lhe faltará meter na ordem a imprensa. Muito fez ele, mas alguma coisa falta ainda fazer. E os banqueiros sabem fazer política, porque a fazem a todo o instante.

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

AHRESP acusa banca de impor spreads acima do permitido

 

A secretária-geral da AHRESP, Ana Jacinto, afirma que a banca está a impor valores de ‘spread’ acima dos definidos pelo Governo nas linhas de crédito criadas para ajudar as empresas afetadas pela crise causada pela covid-19.

 

“O que a banca faz é exigir ‘spreads’ mais elevados que aqueles que os protocolos e os regulamentos exigem”, diz a líder da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios.

De acordo com Ana Jacinto, “a banca exige garantias bancárias patrimoniais, pessoais, quando o Governo já disse sistematicamente que não podem ser exigidas garantias” e, além disso, “extravasa todos os prazos de resposta” que são fixados para que o crédito possa chegar a tempo às empresas.

A secretária-geral da AHRESP adianta que a associação escreveu a todos os bancos a queixar-se da situação e só obteve resposta de um, com a indicação de que estava a cumprir todas as regras.

 
 

Segundo Ana Jacinto, a situação já foi apresentada ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa.

Quanto aos apoios dados pelo Governo no âmbito da pandemia, a responsável diz que são “curtos” e defende que a resposta tem de ser “mais robusta” e que o tempo para isso acontecer está a chegar ao fim porque, se até ao final do mês não houver novo pacote de medidas para apoiar o setor, muitos estabelecimentos terão de fechar.

A AHRESP apresentou um pacote de 11 medidas ao Governo e considera que, para a manutenção dos postos de trabalho, é fundamental uma injeção de capital a fundo perdido nas empresas. “Se não houver dinheiro a fundo perdido hoje, são subsídios de desemprego amanhã”, defende Ana Jacinto.

A líder da associação diz ainda que continuam a existir empresas que ainda não receberam os pagamentos do ‘lay-off’ simplificado e defende a continuidade da medida.

Quanto à descida do IVA para a restauração, Ana Jacinto realça que, no passado, a medida permitiu contratar mais pessoas e agora ajudará a manter quem está empregado.

Sobre o balanço da reabertura, a secretária-geral da AHRESP diz que foi tímido e adianta que se não houver mais medidas no final do mês, muitas empresas vão optar por voltar a fechar as portas.

// Lusa

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ahresp-banca-spreads-permitido-326236

Uma banca ao serviço dos banqueiros

DIGA NÃO À INÉRCIA: Portugal e os Banksters

O comentador de Belém não quererá receber os banqueiros outra vez?
Os empréstimos da banca são hoje mais caros do que antes da pandemia mesmo com as linhas de crédito garantidas pelo Estado.
Os pequenos empresários de vários sectores queixam -se mas da parte do governo e do regulador não se vê nada

AHRESP acusa banca de dificultar crédito à restauração

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) diz que os bancos estão a exigir às microempresas valores de spread mais elevados do que os definidos pelo Governo para o acesso às linhas de crédito

Segundo a porta-voz da associação que representa os restaurantes, os bancos estão a dar preferência a empresas “mais robustas”. Às microempresas, os bancos impõem valores de spread mais elevados do que os definidos pelo Governo e exigem “garantias bancárias, patrimoniais e pessoais”, que o Executivo já disse não serem devidas mas nada faz.
A banca está ainda a “extravasar todos os prazos de resposta”, acrescenta Ana Jacinto. A AHRESP criou uma plataforma para monitorizar o andamento dos processos junto da banca e tem recebido relatos “extraordinário”, revela a porta-voz da associação. Segundo Ana Jacinto, “a maior parte das empresas” do setor “não foram financiadas”.
A responsável adianta também que associação escreveu a todos os bancos, reportando a situação, e que apenas obteve resposta de um, que disse à AHRESP estar a agir no cumprimento das regras.
 

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/2ZyL56m

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/24/uma-banca-ao-servico-dos-banqueiros/

A notícia é de hoje, suja mas fresca

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Ler aquie aqui
Lá que isto está a saque, não há qualquer dúvida, mas não necessitavam de ser tão provocadores e de nos humilhar com estas gargalhadas de desprezo.
Pois bem, vieram para extorquir, mas que o façam com alguma compostura, não merecemos ser escarnecidos de modo tão acintoso. Não vos peço que nos respeitem porque provavelmente não o merecemos, mas por favor, moderem a chacota, cambada de filhos daquela vossa mãe.
 
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O RESPEITINHO É MUITO BONITO

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Portugal | No país dos matraquilhos

 
 
O Governo regateia apoios a empresas e trabalhadores independentes, aperta os cordões à bolsa nos apoios sociais, nega subsídios de risco a quem está na linha da frente, mas à banca continua a entregar os milhões de bandeja. Não estamos todos no mesmo barco.
 
 
Tudo está bem quando acaba bem? Não se engane, esta crise política  foi apenas uma encenação para nos distrairmos do essencial. Enquanto nos dão a entender que podemos respirar fundo, que depois da tempestade veio a bonança, foram mais 850 milhões de euros nossos parar aos cofres do Novo Banco. Mais uma vez, o prémio sai à banca à custa de cada um de nós.

O compromisso político era inequívoco: “Até haver resultados da auditoria não haverá qualquer reforço do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução para esse fim.” Esta foi a frase de António Costa em resposta ao Bloco de Esquerda quando questionado se iria continuar a aceitar meter dinheiro no Novo Banco.

A questão não era menor. Sempre nos prometeram que não haveria custos para os contribuintes com o BES e o Novo Banco, mas a realidade mostrou como isso era um enorme embuste. Até 2015, a resolução que PSD e CDS garantiam não ter custos levou 3900 milhões de euros dos cofres do Estado. Depois, a venda do Novo Banco que António Costa jurava não ter encargos significou um rombo de 2130 milhões de euros. São promessas dolorosas para os cofres públicos. Juram com uma mão no peito e a outra no nosso bolso.

 
O Novo Banco foi vendido em 2017 à Lone Star, um fundo abutre que viu no negócio uma boa fonte de especulação. A venda foi acompanhada de um mecanismo de capital contingente, uma espécie de garantia pública sobre os créditos duvidosos. A gestão destes ativos tóxicos poderia levar à injeção de capital público, coisa que o Governo garantia ser difícil de acontecer. Como a realidade tem demonstrado, esta escolha foi ruinosa para os cofres públicos. O Estado paga mas não manda e no final a Lone Star terá um banco limpinho para vender.

A um mau negócio junta-se uma gestão muito questionável. Há suspeitas da venda de créditos abaixo do seu valor a entidades relacionadas com o fundo Lone Star, imputando os prejuízos depois para o tal mecanismo de capital contingente, isto é, aos cofres públicos. Foi com esta suspeição que surgiu a necessidade da auditoria à gestão do Novo Banco e às necessidades de injeção de capital.

As suspeitas são incontornáveis e mesmo os defensores desta venda desastrosa, como o Presidente da República ou o primeiro-ministro, exigiram essa auditoria. O Ministério das Finanças escreveu que “o valor expressivo das chamadas de capital em 2018 e 2019 [1,9 mil milhões de euros] tornava indispensável a realização de uma auditoria para o escrutínio do processo de concessão dos créditos incluídos no mecanismo de capital contingente” e acompanhou esse coro. Contudo, não esperou pelo seu resultado para despejar mais 850 milhões de euros públicos nos cofres do Novo Banco.

Mário Centeno diz que foi um problema de comunicação(link is external) que justifica o desentendimento com António Costa mas não consegue explicar porque não podia esperar umas semanas até que a auditoria fosse concluída(link is external). Aqui está a origem da suposta crise política. O resto resume-se rápido: Costa dá a mão a Marcelo para que este tire o tapete a Centeno. Como a divergência não era de fundo – nenhum deles questiona a injeção de dinheiro no Novo Banco porque isso significaria questionar a própria venda –, a questão passou a ser de calendário. A crise política tinha pés de barro e por isso rapidamente se sanou, apenas com mais um problema de comunicação de Centeno, desta feita com o Presidente da República.

Centeno não sai mas também não fica, é uma espécie de antecâmara para o tão desejado cargo de governador do Banco de Portugal. O mal estar no seio do Governo não fica mas também não sai, é uma espécie de paz podre onde se decidirão as respostas mais importantes para a saída da enorme crise que enfrentamos. E, no meio disto tudo, centenas de milhões que podiam ajudar a responder à crise já foram parar aos cofres do Novo Banco.

O Governo regateia apoios a empresas e trabalhadores independentes, aperta os cordões à bolsa nos apoios sociais, nega subsídios de risco a quem está na linha da frente, mas à banca continua a entregar os milhões de bandeja. Não estamos todos no mesmo barco.

Esquerda.net

Artigo publicado no jornal Público a 15 de maio de 2020
 
*Pedro Filipe Soares-- Deputado, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, matemático.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-no-pais-dos-matraquilhos.html

Portugal | BES é o "maior crime de colarinho branco", diz Rui Rio

 
 
O presidente do PSD, Rui Rio, desafiou esta quarta-feira o primeiro-ministro a esclarecer se não estão a ser pagos "calotes empolados" no Novo Banco, lamentando que a justiça não tenha ainda atuado no "maior crime de colarinho branco", numa referência ao BES.

No debate quinzenal com António Costa no parlamento, Rui Rio centrou toda a sua intervenção nas injeções de dinheiro público no Novo Banco calculando que, desde 2014, esta instituição já tenha recebido cerca de sete mil milhões de euros de impostos dos portugueses.

"O senhor ministro das Finanças diz que temos de pagar, ponto final. Não concordo, temos de pagar porquê? Temos de pagar se for devido, se não for devido não temos de pagar", defendeu.

O líder do PSD pediu a António Costa que esclarecesse se "tem a certeza" de que não existem créditos do Novo Banco "vendidos ao desbarato", imóveis vendidos "a preço de favor" (e a quem) e pediu que a Assembleia da República tenha acesso à documentação que detalha as imparidades que justificam as injeções do Fundo de Resolução.

"Imparidades em linguagem bonita da Assembleia da República, para o povo entender, são calotes", afirmou Rio.

Na resposta, o primeiro-ministro apontou que quem supervisiona e quantifica as imparidades do Novo Banco é o Banco Central Europeu e que as contas desta instituição foram auditadas por três entidades.

"Se quer saber e obter essa documentação, é requerer a quem a tem. E quem a tem ou são os auditores ou o Fundo de Resolução", afirmou.

 

 
Perante as dúvidas do presidente do PSD, António Costa defendeu que a venda do Novo Banco em 2017 - quando apenas havia um interessado - foi "o melhor acordo possível".

"Se não tivéssemos vendido em 2017, teríamos ficado melhor com o banco resolvido? Não quero comentar o que fizeram os meus antecessores, sobre o que nós fizemos não tenho a menor dúvida de que para a banca, para a economia portuguesa e para a imagem externa do país, a venda foi o melhor acordo possível face ao que estávamos a vender", disse.

Rui Rio fez também questão de voltar uns anos atrás e referir-se ao Banco Espírito Santo (BES), cuja resolução viria a dar origem ao Novo Banco (o chamado "banco bom", como recordou o líder do PSD), lamentando que a justiça "não tenha tido ainda a capacidade de julgar e muito menos punir quem quer que seja naquele que é o maior crime de colarinho branco em Portugal".

Na sua intervenção, o líder do PSD não questionou Costa sobre a continuidade ou não do ministro das Finanças - depois de ter defendido na semana passada que Mário Centeno não tinha condições para se manter no Governo -, centrando-se nos apoios concedidos ao Novo Banco desde que foi criado em 2014.

"O chamado `banco bom´ recebeu entre 2014 e 2017 4,9 mil milhões de euros até à sua venda, em 2017. Mesmo então, o Governo comprometeu-se com uma `plafond´ de mais 3,9 mil milhões de euros - dos quais 2,1 mil milhões de impostos dos portugueses - para o caso de o Novo Banco descobrir novas imparidades escondidas", elencou.

Perante este valor total de 7 mil milhões de euros de dinheiro público, Rio questionou o Governo se "conferiu a fatura que lhe foi apresentada" e se verificou se não "há calotes empolados para receber mais dinheiro do Estado".

O líder do PSD estranhou que todos os anos sejam descobertas novas imparidades que não existiam no ano anterior, sendo os balanços do Novo Banco "vistos e revistos" por várias entidades, e apontou que esta instituição vendeu imóveis "abaixo do que tinha inscrito no balanço anterior", quando o mercado imobiliário estava em alta.

"Era bom que soubéssemos a quem estão a ser vendidos estes créditos, estes imóveis", apelou, ironizando que os prémios aos gestores do Novo Banco "não vão seguramente premiar os lucros, porque o banco só dá prejuízos, mas a forma eficaz como o Conselho de Administração tem conseguido sacar os impostos dos portugueses".

O primeiro-ministro salientou que, em 2017, o Governo fixou um teto limite de 3,9 mil milhões que poderiam ser pagos através do Fundo de Resolução ao Novo Banco por imparidades que viessem a ser reconhecidas pelo Banco Central Europeu.

António Costa recordou ainda que o dinheiro do Fundo de Resolução é um empréstimo do Estado aos bancos "a larguíssimo prazo", do qual espera ser ressarcido e que rende juros, e salientou que, desde novembro de 2015, apenas 32% do capital injetado no Novo Banco foi por esta via.

"Se me pergunta se é uma situação maravilhosa, não, é uma muito má situação que resulta da gestão privada do banco, do processo de resolução e da forma como foi conduzida a venda até 2017", admitiu, mas considerando que a alternativa de resolver o banco teria sido mais prejudicial ao país.

Na resposta, Rio concordou que "tecnicamente" o dinheiro colocado pelo Estado no Fundo de Resolução é um empréstimo, mas lembrou que os bancos têm 40 anos para o pagar.

"Como se diz na minha terra, é para pagar quando as galinhas tiverem dentes", lamentou.

Jornal de Notícias com agências

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-bes-e-o-maior-crime-de.html

Esta economia mata mesmo

 
“Remuneração dos gestores do Novo Banco disparou 75% com Lone Star”, informa-nos Cristina Ferreira no Público.

Os gestores têm seguido à risca a linha da Lone Star para o Novo Banco, cuja lógica ruinosa para o país vamos conhecer cada vez melhor: da venda de activos a preço de saldo a empresas cujo proprietário há-de um dia ser conhecido à socialização dos prejuízos.

A Lone Star é um fundo abutre que encarna a financeirização do capitalismo em estado puro. Deste processo faz parte um brutal aumento das desigualdades dentro das empresas, distanciando cada vez mais o topo da base, para que os gestores estejam alinhados com os interesses extractivos de accionistas mais ou menos voláteis.

Sim, esta economia mata mesmo.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Os bancos e a economia

Entenda a Macroeconomia e tenha sucesso com os investimentos
 
Sei pouco de tudo e ainda menos de macroeconomia. A microeconomia, gestão de bens próprios, fui-a compreendendo empiricamente, mas não faria um voto consciente se não refletisse nas opções que os vários partidos me propõem, incluindo o campo económico.

 

Aprendi alguma coisa sobre finanças em 1973, por experiência própria. Em março tinha 80 mil escudos disponíveis e, como ia entrar com excelente remuneração, no início de abril, na multinacional onde acabaria a minha vida ativa, decidi converter as economias em ações de empresas cotadas na Bolsa de Lisboa.

Era solteiro, não precisava do dinheiro, e deixei-as ficar. Em fins de agosto, de regresso das férias em Itália e Jugoslávia, fui passar a última semana com os meus pais, e pensei vendê-las. Valiam duzentos e muitos contos, à cotação de 1 de setembro, altura em que regressei ao trabalho. Por esse valor podia ter comprado um T-3 novo em Coimbra. Não o fiz e, nesse mês, a subida do barril do petróleo de US$ 10 para 20 dólares levou ao encerramento da Bolsa e acabei por perder a totalidade das economias.

Conto este episódio, que a direita gosta de atribuir ao 25 de Abril, porque aprendi então que eram voláteis os valores mobiliários, como, aliás, os imobiliários e a própria vida. Serve também para refletir sobre a recente encenação da alegada obrigação de os bancos ajudarem os contribuintes, porque estes já os ajudaram no passado. E a saga continua.

Rui Rio referiu a obrigação e Marcelo coreografou a reunião por videoconferência com banqueiros, isto é, CEOs dos bancos, finda a qual garantiu aos portugueses que estavam empenhados nessa ajuda, promessa que, a ter sido feita, não podia ser cumprida.

Não entendo como os bancos, penalizados nos seus ativos financeiros, podem estar em condições de injetar dinheiro na economia. Aliás, por muito que custe aceitar, são os banqueiros quem mais dinheiro perde nas atuais circunstâncias. Basta lembrar a falência do banco Lehman Brothers, a crise financeira que provocou e a tragédia que se seguiu nos países de economias mais débeis.

Apesar de alguns economistas afirmarem o contrário, tenho por adquirido que a falência de um banco arrasta outros, efeito dominó, e atrai vampiros à espera dos cadáveres. No sistema capitalista, único que existe, os bancos são os órgãos do aparelho circulatório da economia e não podem falir. Quanto à propriedade, é outro assunto. De Gaulle estatizou alguns e, mais tarde, lamentou não os ter nacionalizado a todos.

A experiência ensinou-me que as ações de bancos, construtoras, seguradoras, empresas de comunicações ou outras, não valiam um centavo após a falência.

Estou convicto de que uma Europa mais pobre não pode ressarcir os prejuízos, mesmo os países mais ricos. Prevejo que a desvalorização da moeda, a subida de impostos ou a redução efetiva de vencimentos e pensões seja inevitável. Só assim se compreendem as resistências de alguns países ricos à generosa proposta de Merkel e Macron.

Se não tivéssemos o euro, como moeda, há muito estariam depreciadas as remunerações dos trabalhadores e, sobretudo, as pensões. Lembro-me da excelente pensão do meu pai (1971) e da modéstia a que estava reduzida quando faleceu (1997).

E, se não integrássemos a União Europeia, era provável termos já perdido a democracia.

 

Ponte Europa / Sorumbático
 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/05/os-bancos-e-economia.html

Portugal | As perguntas de 850 milhões que ainda não têm resposta

 
 
Anselmo Crespo | TSF | opinião
 
Por mais animada que tenha sido a semana - a política fez o desconfinamento todo de uma vez -, o que se passou com a transferência dos 850 milhões de euros para o Novo Banco não dignificou ninguém: nem o Governo, nem a oposição, nem a Presidência da República e muito menos o setor financeiro.

 


Vale a pena um pequeno exercício de memória para lembrar que, há dois meses, Marcelo Rebelo de Sousa chamou Centeno a Belém para lhe pedir que não abandonasse o posto, num momento tão difícil do país. Ou que Rui Rio, há um ano, afirmava desassombrado na TSF que Mário Centeno podia perfeitamente ser seu ministro das Finanças e agora vem pedir a sua demissão. Isto já para não falar das loas que António Costa teceu ao seu CR7 do Eurogrupo, usado como bandeira eleitoral do PS nas Legislativas de outubro passado.

 


E quanto à substância deste caso, a verdade é que nem os pedidos de desculpa, nem as falhas de comunicação e muito menos as manobras de diversão ou os pedidos de demissão conseguiram disfarçar a questão mais importante em toda esta polémica: como é que um primeiro-ministro faz depender novas injeções no Novo Banco de uma auditoria que ainda está a ser feita e acaba desautorizado pelo ministro das Finanças? Pior: como é que o primeiro-ministro se compromete, por três vezes, com esta decisão - que levaria à quebra de um contrato assinado pelo Estado -, sem que o ministro das Finanças o alerte para o que está em causa?

 


Nenhuma das explicações que ouvimos esta semana responde a estas perguntas. Na substância, Mário Centeno tem razão: o Estado, sendo uma pessoa de bem, tem de cumprir os contratos que assina. O inverso significaria uma quebra de confiança, com impacto internacional, e uma mais que provável derrota em tribunal. Mas um primeiro-ministro não sabe isto?

 

 
Mário Centeno explicou na TSF que se tratou de uma falha de comunicação e que as contas do Novo Banco foram auditadas, deixando subentendido que o primeiro-ministro teria confundido as auditorias. O que é completamente impossível, já que das três vezes que António Costa falou sobre isto - em dois debates quinzenais e numa entrevista ao Expresso -, referiu-se sempre à auditoria que só estaria pronta em julho. O primeiro-ministro não sabia que havia um pagamento de 850 milhões de euros que teria de ser feito em maio, sob pena de quebra de contrato?

 


Mário Centeno diz ainda que não fez nada à revelia do primeiro-ministro. O que torna tudo politicamente mais delicado. Sobretudo quando o Presidente da República vem colocar-se ao lado do primeiro-ministro. Porque isso só pode significar uma de duas coisas: ou alguém está a mentir ou, no mínimo, não nos estão a dizer a verdade toda.
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-as-perguntas-de-850-milhoes.html

“Pandemia financeira”. Lucros do BCP afundam 77% no primeiro trimestre

O presidente do Millennium BCP, Miguel Maya

Os lucros do BCP caíram 77,1% para 35,3 milhões de euros no primeiro trimestre de 2020, uma diminuição face aos 153,8 milhões de euros do mesmo período do ano passado, refletindo os efeitos da pandemia de covid-19.

 

De acordo com um comunicado do banco enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o resultado é “influenciado por provisões covid-19 de 78,8 milhões de euros”.

“Assim, a quebra face aos 153,8 milhões de euros apurados no trimestre homólogo do ano anterior decorreu em grande parte do aumento de 98,3 milhões de euros evidenciado pelas outras imparidades e provisões, que incluem também o reforço da provisão extraordinária constituída para os processos relacionados com os créditos à habitação concedidos em francos suíços pela subsidiária polaca”, pode ler-se também no comunicado do BCP enviado à CMVM e citado pela agência Lusa.

Em conferência de imprensa para a apresentação dos resultados do primeiro trimestre, o CEO do BCP detalhou que o banco mudou de foco em tempos de pandemia. “Mudámos o foco do crescimento para a defesa do balanço. A defesa do banco passou a ser principal preocupação“, sublinhou Miguel Maya, citado pelo jornal Eco.

 
 

“Por prudência e antecipando uma crise severa, o banco pôs de parte 78,8 milhões [de euros]. São provisões genéricas e consideramos que são as adequadas numa perspetiva prudente. Vai depender muito da situação de confinamento e da retoma económica”.

Apesar da queda, nota ainda o mesmo jornal de economia, o resultado do BCP foi melhor do que o esperado pelo mercado, com os analistas do CaixaBank/BPI a apontarem para uma descida de 85% do lucro para 23 milhões de euros.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/lucros-do-bcp-afundam-77-no-primeiro-trimestres-325424

€ 850.000.000. Os hospedeiros e os parasitas

Numa economia cujas linhas mestras são as da predominância do interesse privado sobre o interesse publico, as soluções para acudir a bancos e outras empresas privadas estejam sempre acautelados e sejam considerados “essenciais” para a estabilidade económica e, por via dessa, a estabilidade social, de forma pandémica globalizada.

 

 

Em jeito de Nota Introdutória. Segundo o ministro da educação, aquando do regresso às aulas na segunda feira dia dezoito do corrente mês de maio do ano da graça de dois mil e vinte, explicou aos alunos de uma escola secundária de Sintra, sendo que, algumas das palavras escritas não são, em rigor, a exata reprodução do discurso do Governante e sim da inteira responsabilidade do autor deste texto, embora o raciocínio geral presumo, seja o correto, “o ciclo de incubação para o desenvolvimento e posterior contágio do vírus Covid 19, um parasita, é o seguinte: o vírus tem a necessidade de entrar no corpo Humano que lhe serve de hospedeiro para incubação de forma a que se desenvolva e, aproveitando os rituais de socialização do Homem, se possa propagar de forma pandémica por toda a população Humana, usando sempre o mesmo procedimento:

  • contágio;
  • incubação;
  • propagação.

Durante a incubação afeta as vias respiratórias com primordial incidência causando danos conducentes à morte de cidadãos” com primazia para os portadores de doenças crónicas de risco e, a faixa etária acima dos sessenta anos de idade por dificuldades na criação orgânica de defesas.

Ora, os oitocentos e cinquenta milhões de Euros entregues ao Novo Banco, a pretexto seja ele qual for, advieram para o Orçamento Geral do Estado, de receita gerada por incubação em Seres Humanos, trabalhadores por conta de outrem que, na sua força de trabalho, seja ela no domínio que for, são hospedeiros do resultado global apurado:

  1. no PIB-Produto Interno Bruto;
  2. no resultado final do exercício de exploração das micro e macro empresas;
  3. na receita fiscal e outras em sede de OGE-Orçamento Geral do Estado:
  4. outros serviços.

É o trabalho que movimenta as economias e são os trabalhadores os hospedeirose consumidores finais dos produtos cuja transformação, transporte e comercialização a sua força de trabalho tornou possível, cujas mais valias são conversíveis em proventos acumulados por parasitas que distribuem entre si esses proventos e que, do resultado apurado em sede de receita tributária encontram sempre soluções a contento através de engenharias financeiras dissimuladas para dar destino a essas mais valias por circuitos que entenderem.

Inclusive no grupo dos já aposentados, teoricamente acima dos sessenta anos de idade, onde as diferenças de rendimentos são abissais entre os cuja vida foi o trabalho e os cuja vida foi viver do trabalho dos antes citados.

Daí que, numa economia cujas linhas mestras são as da predominância do interesse privado sobre o interesse publico, as soluções para acudir a bancos e outras empresas privadas estejam sempre acautelados e sejam considerados “essenciais” para a estabilidade económica e, por via dessa, a estabilidade social, de forma pandémica globalizada.

Em função deste raciocínio o Governo de então obrigou o Estado a assumir um compromisso com os novos donos de o Novo Banco em entregar no corrente ano a avultada soma de oitocentos e cinquenta milhões de euros que foram entregues, a que acrescerão os milhões que serão necessários para a falida TAP em risco de colapso total face a prejuízo avultado acumulado em consequência da pandemia Covid 19, mais uns quantos milhões para LAYOFF que, noticiam, foi requerido, pelo menos por uma empresa, de forma fraudulenta, as indeminizações exigidas por concessionárias de infraestruturas rodoviárias acordadas em função dos fluxos de tráfego mínimos, entre uma panóplia de habilidades que sempre acontecem em circunstancias de calamidade.

Mesmo com as benesses de última hora do eixo franco alemão à revelia da UE-União Europeia, com a clara intenção de condicionar solução no sentido do apoio a fundo perdido aos Países mais afetados mas que por exigência sensata e de união todos os parceiros exigirão tratamento igual, esses fundos serão direcionados para os Estados que depois os distribuem em função de candidaturas cujo fim dificilmente se conhece salvo o resultado das auditorias posteriormente efetuadas.

Os custos desta crise, a somar às anteriores, sairão durante décadas dos resultados do trabalho de gerações inteiras através dos mesmos processos de sempre até que algo mude o rumo da gestão da coisa pública e, o Estado Social vingue e arrecade receita para aplicar em despesa do Estado que acautele o futuro das sociedades de forma civilizada, racional e equitativa, em que os direitos fundamentais sejam um facto, e não retórica!


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/e-850-000-000-os-hospedeiros-e-os-parasitas/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=e-850-000-000-os-hospedeiros-e-os-parasitas

Eles comem mesmo tudo

novo banco 001

É por causa de jornalistas como Cristina Ferreira do Público que vale a pena comprar jornais. E em papel. Ela segue algumas das pistas sórdidas da banca, neste caso do Novo Banco, há vários anos: “A partir de Outubro de 2017, assim que o banco passou para a esfera do Lone Star, com uma almofada de capital de 3,9 mil milhões de euros, a gestão começou a reconhecer perdas do “antigamente” e a vender carteiras de créditos problemáticos a grande desconto, sustentando sucessivos pedidos de capital de 2,7 mil milhões ao Fundo de Resolução, que detém 25% da instituição.” E coloca questões pertinentes: “[A]inda se vai procurar saber o nome dos titulares das sociedades que têm estado a comprar créditos ao Novo Banco, bem como estas empresas, consideradas como “abutres”, que ganharam com o negócio?” Acho que todos temos razões para suspeitar da resposta, tendo em conta uma peça da mesma jornalista recordada pelo Paulo Coimbra, que tem uma memória de elefante. Para perceberem o modo como estes fundos abutres operam, coloquem Lone Star e Coreia do Sul, de preferência em inglês, num motor de busca. Pelo meio da peça de ontem, Ferreira ainda expõe implicitamente o negócio das empresas que “auditam” em função de certos interesses, levando-me a colocar uma questão singela ao Banco que não é de Portugal e ao Ministério das Finanças:  Como querem que haja confiança no sistema se aparentemente não têm capacidade técnico-política para auditar e inspeccionar os bancos de forma autónoma, sem dependerem de empresas internacionais de imparcialidade mais do que duvidosa? E já nem falo dos grandes escritórios de advogados a que recorrem regularmente para outros serviços. Este velho Estado tem mesmo de ser reconstruído. Esta reconstrução implica toda uma luta contra estes “mordomos do universo todo”, contra estes “mandadores sem lei”.
 
Continua a ser a melhor banda sonora para este e outros temas de economia política. 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Marcelo e Costa sem máscaras

António Costa faz declaração ao País após reunir com Marcelo...

Hoje os banqueiros sabem que podem arruinar bancos que os Estados por via dos impostos dos cidadãos virão em seu socorro. Claro que há uma parte do “socorro” que se entende e que tem a ver com as poupanças dos clientes. O resto é arenga para manter a santidade dos mercados a funcionar. Vale a pena ter em atenção que em Portugal os banqueiros “arruinados” continuam a fazer a mesma vida, enquanto milhões de portugueses viveram dias dificílimos. Com a troica a pobreza ficou muito próximo de um quarto da população. Vamos ver como fica no fim da pandemia.

Tenha-se em conta o comprometimento do antigo triunvirato Cavaco/Passos/Carlos Costa no que ao BES se refere. Deram todas as garantias de que era um banco seguro. Depois quando já não era veio Maria Luís Albuquerque jurar que partiam o banco em dois e o Novo Banco seria bom e o outro o mau. Quem já se esqueceu? O banco bom já nos levou 7.876 milhões de euros… E quanto mais irá levar?

Entretanto, o país assistiu à bravata em torno da alegada falta de informação de Mário Centeno a António Costa da decisão tomada no Conselho de Ministros quanto ao momento da transferência dos 850 milhões de euros para o banco bom. Sabia-se, melhor, intuía-se que o enlevo de Costa por Centeno passara para Sisa.

Quando Costa se atirou com toda a repugnância ao Sr. ministro das Finanças dos Países Baixos havia no adjetivo qualificativo uma intensidade que parecia ir para além do destinatário. O vigor ecoou nas paredes das salas de reuniões do eurogrupo. Era repugnante o que o ministro dissera, e o silêncio do eurogrupo?

O próprio pedido de desculpas de Costa a Catarina dava ares de serem setas atiradas ao novo São Sebastião das Finanças.

A surpresa chegou mais tarde com o encontro na Autoeuropa alemã de António Costa/ Marcelo. Ambos sem máscara a encavalitaram-se ao colo para declararem que no regaço levavam uma eleição presidencial, eram votos no regaço esclareceram a quem os quis ouvir. Não eram rosas.

Na guerra com Centeno, Costa ganhou Marcelo. Este, na batalha pelo plebiscito presidencial, ganhou Costa e o PS ficou órfão, sendo o maior partido neste momento. O encontro de ambos poderá vir a figurar nos manuais de amor ao próximo.

Marcelo tem raízes capazes de chegarem a qualquer lado, a distância entre Belém e o Rato é significativa, mas pelos vistos alcançável. E sem ser a nado.

Portugal confinou-se ainda mais. Em Belém a música não mudará face à entronização de São Marcelo. São Bento que se cuide se se fiar na virgem. A sedução está concluída. O PS fica a ver o andor de São Rebelo. À esquerda pelo que se vislumbra haverá uma competição pela liderança da segunda Liga, num país em que a direita é minoritária.

Costa e Marcelo envolveram-se a fundo nos destinos de cada um, sendo que Marcelo depois de eleito fica de mãos livres e Costa não.

Enterraram Centeno, mesmo que o funeral tenha sido adiado. E para que conste o Estado continuará a pagar o Novo Banco, não se esqueçam.

https://www.publico.pt/2020/05/18/opiniao/opiniao/costa-marcelo-mascara-1916910

 
 
 

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2020/05/18/marcelo-e-costa-sem-mascaras/

Portugal | Centeno foi de "uma deselegância". Marcelo “deve ter ficado furioso”

 
 
Francisco Louçã criticou, esta sexta-feira, a atitude e palavras do ministro das Finanças, perante a polémica relacionada com o Novo Banco.

Como não podia deixar de ser, visto que, foi um dos assuntos que marcou a atualidade política esta semana, Francisco Louçã comentou, esta sexta-feira, no seu espaço semanal na SIC Notícias, a polémica que envolveu Mário Centeno, a injeção de 850 milhões euros ao Novo Banco, a troca de palavras entre o ministro das Finanças, o primeiro-ministro e o Presidente da República.
 
Apesar de o programa se chamar 'Tabu', o Conselheiro de Estado não teve nenhum problema em criticar a "desautorização" de Centeno a Costa e de dizer mesmo que, numa situação normal, ou seja, sem pandemia e sem uma crise económica a espreitar, o ministro das Finanças teria sido demitido.

"Há aqui um conflito político. António Costa comprometeu-se com a necessidade de uma audição, Mário Centeno afirma que tem de se pagar a conta, pagou a conta sem os resultados da audição. Normalmente, deveria ter sido demitido do Governo. O primeiro-ministro percebeu, no entanto, que era uma situação muito difícil neste contexto e que criar uma crise neste momento era problemático", garantiu Louçã.

De acordo com o fundador do Bloco de Esquerda (BE), ao injetar no Novo Banco 850 milhões de euros, depois do compromisso público do primeiro-ministro", feito desde o dia 22 de abril, Centeno "está a dizer que o primeiro-ministro fez um compromisso 'irrazoável' ao país e, por isso, está a montar um ataque ao primeiro-ministro".

E mais, sublinha Louçã, mesmo depois da "habilidade manhosa" do comunicado lançado depois da reunião na quarta-feira, entre os dois ministros, originada pelas palavras de apoio a António Costa por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, Mário Centeno voltou ao 'ataque', mas desta vez ao Presidente da República.

"O ministro da Finanças levou esta afirmação da sua posição ainda mais longe porque, no dia seguinte, tornou público que o Presidente da República lhe teria pedido desculpas, o que Marcelo desmentiu. O Presidente da República deve ter ficado furioso, e com razão. Isto é de uma deselegância institucional, é uma pura vingança pessoal", frisou o antigo líder do BE.

Notícias ao Minuto | Imagem: © Global Imagens

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-centeno-foi-de-uma.html

Portugal | Sem ponta de resolução

 
 
Miguel Guedes | Jornal de Notícias | opinião

Resumir o conflito institucional entre António Costa e Mário Centeno a um problema de comunicação seria uma doce e meiga resolução para um primeiro-ministro que tratou de travar a fundo para guinar de direcção.

Durante algum tempo, questionava-se se a falta de habilidade política de Centeno alguma vez desempenharia um papel decisivo na aritmética da política interna. À memória, o riso de escárnio de Passos Coelho, aquando da primeira intervenção parlamentar do ministro em 2015. Dois anos depois, deu-se o aparecimento do "Ronaldo das Finanças" enquanto presidente do Eurogrupo que, transportando a aura da indiscutível competência técnica, o elevou ao Santo Graal. Centeno, com distinção e currículo, passou a ser inatacável. Até agora, chegado o momento que Marcelo escolheu para lhe desferir o primeiro golpe.

"Paso doble" sem arena: António Costa aproveita para lançar Marcelo na sua recandidatura presidencial, sem que o PS tenha definido ainda candidato. Apesar da conversa entre Marcelo e Centeno - longa ia a noite - poder ter servido para confinar azedumes, ninguém esquece que primeiro-ministro e ministro das Finanças colocaram, horas antes, o país em suspenso numa altura de pandemia. Mas fosse essa a pior notícia e poderíamos dormir descansados.

Infelizmente, novos 850 milhões de euros foram já injectados no Novo Banco, sucedendo aos 3,9 mil milhões de 2014, aos 792 milhões de 2018 e aos 1,149 milhões injectados em 2019. Se pensarmos nos 6,030 milhões de euros que custou aos contribuintes, do BES já todos levamos números para insónias. O facto desta nova tranche de 850 milhões ter sido transferida por Centeno após António Costa ter garantido a Catarina Martins, a 22 de Abril, que não haveria qualquer reforço do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução e ao Novo Banco até se conhecer o resultado da auditoria que está em curso (auditoria, determinada por Lei em 2019, defendida por Costa e Centeno para apuramento de responsabilidades), diz bem dos ziguezagues do poder político e de como ele se verga ao poder financeiro mal este apita para os longos intervalos de silêncio do jogo de bastidores.

Em Janeiro, uma proposta do BE visava garantir que qualquer injecção de capital público tivesse de ser submetida à aprovação na Assembleia da República. Rejeitada pelo mesmo PSD que agora a propõe como medida de salvação, poderia ter evitado que mais estes 850 milhões passassem, sem escrutínio, para as mãos de gestores que se autopropõem a prémios de 2 milhões de euros por um exercício de 2019 em que o banco registou perdas superiores a mil milhões de euros. Num banco que "herdou" o crédito malparado das dívidas da Fundação Berardo, Luís Filipe Vieira, Grupo Mello, João Pereira Coutinho, Ongoing, do Sporting ou da família Moniz da Maia, o espectro que paira no ar é de que a irresponsabilidade é ainda maior do que a falta de honra no compromisso político publicamente assumido.

* Músico e jurista

O autor escreve segundo a antiga ortografia

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-sem-ponta-de-resolucao.html

O buraco do Novo Banco

PSD, BE e CDS-PP mantêm dúvidas sobre falha na informação a Costa...

A. Costa , o Novo Banco e a fantasia do “Fundo de Resolução “

“Quer a resolução quer a separação de ativos não teve a ver connosco, foi tudo anterior. Mas eu não vou estar aqui a abrir um debate com o doutor Passos Coelho nem com o doutor Carlos Costa sobre a resolução que fizeram em 2014, nem a separação de ativos que o Banco de Portugal fez em 2015. Isso são temas do passado”, disse. O que é verdade. mas Carlos Costa continua a assobiar para o lado.. Na perspetiva do primeiro-ministro, ao seu Governo competiu “encontrar uma solução” para o Novo Banco.  “A solução que foi encontrada teve a ver com a venda que foi feita à Lone Star naquelas circunstâncias. Como na altura foi explicado e assumido por nós, a qualidade da venda depende da qualidade do produto. A qualidade do produto que havia para vender era aquela e, portanto, os custos foram aqueles”, frisou. No entanto, segundo António Costa, o facto de se ter encontrado uma solução para o Novo Banco, mesmo com custos, teve efeitos sobretudo externos na imagem da economia portuguesa. “Aquilo que permitiu foi definir qual era o teto máximo de responsabilidade do Estado, estabilizar o sistema financeiro e, caso se atenda à evolução da taxa de juro de Portugal antes desse momento e depois, verifica-se que essa venda foi absolutamente crítica e decisiva para podermos entrar uma trajetória diferente da credibilidade internacional do Estado Português”, sustentou. Interrogado se concorda com os dois milhões de prémio que administração do Novo Banco quer atribuir, António Costa referiu que “o fundo de resolução não concorda e que, por isso, no reforço de capital que faça, descontará qualquer despesa desse tipo”. Uma posição do fundo de resolução com a qual António Costa disse concordar. O fundo de resolução não concorda e depois o que acontece? O fundo de resolução foi criado para dar a ideia que não são os contribuintes que vão o buraco do Novo Banco… Como disse o insuspeito , para o caso,V. Bento o Fundo de resolução é uma ficção como o tempo o demonstrará

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/16/o-buraco-do-novo-banco/

As contas de 2019 do Banco Montepio

– A recuperação ainda não se verificou
– Agora ainda mais difícil devido à grave crise causada pelo "Covid 19"
– Em 2019, o Ativo líquido, a carteira de crédito, os Capitais Próprios e os Rácios de capital desceram
– O Banco Montepio continua a não transferir lucros para a Associação Mutualista para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicadas no banco

por Eugénio Rosa [*]

 Depois de vários meses de espera – o que só serviu para gerar preocupações nos associados, e também porque a Associação Mutualista continua a não divulgar as suas contas de 2019, uma opacidade que não se compreende num grupo mutualista que devia ser um exemplo de transparência – o Banco Montepio divulgou em 5 de Maio as Contas de 2019. É com base apenas na informação pública disponibilizada pela respetiva administração que vamos fazer uma análise objetiva da situação do Banco Montepio para que os associados fiquem a conhecer não só qual é a situação real do banco mas também os resultados dos esforços feitos para a sua recuperação (é preciso não esquecer que o Banco Montepio tem mais de 70% das poupanças dos associados e é a principal garantia dessa poupanças). Mas, em 2019, as reclamações dos clientes aumentaram em 41,1% atingindo 5.685 (pág. 29 do RC-2019), o que mostra que alguma coisa vai mal no funcionamento do Banco Montepio e não são apenas as contas e os resultados apresentados que vamos analisar.

A REDUÇÃO DO ATIVO LÍQUIDO, DA CARTEIRA DE CRÉDITO E DOS CAPITAIS PRÓPRIOS CONTINUOU EM 2019, E AUMENTOU A INEFICÊNCIA NA UTILIZAÇÃO DAS DISPONIBILIDADES E O RISCO

O quadro 1, com dados dos Balanços, dá uma fotografia do Banco Montepio no fim de cada ano do período considerado (2015/2019), permitindo que se fique a saber se está ou a não a verificar a recuperação do Banco Montepio, após a gestão ruinosa da administração de Tomás Correia, que destruiu enorme valor, deixando uma pesada herança difícil e de demorada recuperação

 

Quadro 1.

NOTA: Em 2019, fazem "reexpresso" (abrem) das contas de 2018, e nestas reduzem o Ativo em cerca de 20M€; através redução da carteira de crédito, e também os Capitais Próprios de 1536M€ para 1516M€ e o Rácio Capital Total de 14,1% para 13,9%

A primeira conclusão importante que se tira dos dados do quadro anterior é a redução, todos os anos, do valor do Ativo líquido do Banco Montepio, ou seja, daquilo que ele possui e tem a haver, o que significa uma redução continuada da sua importância e peso no contexto da banca a operar em Portugal. Em 4 anos, o Ativo líquido do Banco Montepio reduziu-se em 16,1% (-3.405 milhões €).

Um aspeto ainda mais preocupante é a redução do negócio bancário traduzida na redução, todos os anos, da sua carteira de crédito. Em quatro anos (2015/2019) a quebra na carteira de crédito líquido atingiu 21,8% (- 3.198 milhões €). Só em 2019, a redução foi de 526 milhões €. Se deduzirmos a carteira vendida neste ano (321 milhões €) os "write-off" (90 milhões €, crédito abatido ao ativo por ser considerado totalmente pedido), o que soma 411 milhões €, e a redução foi de 526 milhões €. Isto significa (a diferença) que o novo crédito concedido não está a ser suficiente para compensar o crédito liquidado e o crédito amortizado, o que é dramático em termos de futuro para o Banco Montepio. O banco está a perder quota de mercado, a favor de outros e, a continuar, o banco perderá valor garantindo cada vez menos as poupanças dos associados que estão investidos nele – cerca de 2.500 milhões € – e não gerará lucros que possam ser transferidos para Associação Mutualista para remunerar as poupanças dos associados investidas no banco. Há mais de cinco anos que a Associação Mutualista não recebe qualquer rendimento do banco por essas poupanças, com consequências graves não só para a AMMG mas também para os associados, e se se mantiver o tipo de gestão é de prever que isso possa acontecer por mais anos.

A confirmar uma gestão que não tem conseguido rentabilizar os meios financeiros que dispõe estão mais dois indicadores importantes (quadro 1). O primeiro, é o Rácio de transformação, que se obtém dividindo o crédito líquido pelos depósitos, e que dá quantos euros de crédito o banco concede por cada 100€ de depósitos que obtém. Entre 2016 e 2019, o "Rácio de transformação" diminuiu de 111% para 91,5%. Isto significa que, em 2016, por cada 100€ de depósitos a Caixa Economica emprestou às famílias e empresas 111€ e, em 2019, por cada 100€ de depósitos o crédito concedido foi apenas de 91,5€. Há uma a parcela de depósitos que ficam "improdutivos" por falta de capacidade em conceder crédito (num contexto difícil, a desmotivação da rede comercial é grave).

Outro dado que confirma esta incapacidade de gestão são os elevados montantes imobilizados em "Caixa e Bancos Centrais+ aplicações em outras instituições de crédito + aplicações em títulos" que somavam, no fim de 2019, 6.459 milhões €. Deste total, e isso é extremamente preocupante, pelo elevado risco que determina para o Banco Montepio, interessa referir as aplicações em "Títulos e outros instrumentos" que, em Dez. 2019, totalizavam 3.179 milhões €, o que correspondia 17,9% do Ativo liquido total o que determina riscos enormes para o Banco Montepio (de taxa de juro e mesmo cambiais, para não falar de outros riscos que, se evoluírem negativamente, podem determinar importantes menos-valias, causando prejuízos significativos ao banco).

Outro dado importante, para o qual é necessário chamar a atenção pelo que significa é a redução dos Capitais Próprios (diferença entre Ativo e Passivo) do Banco Montepio. Entre 2017 e 2019, os Capitais Próprios reduziram-se de 1.730 milhões € para apenas 1.452 milhões €, ou seja, "desapareceram" 278 milhões €, devido a imparidades e menos-valias que foram contabilizadas diretamente na conta de Capital indo diretamente para "Reservas" que, no fim de 2019, eram negativas atingindo o enorme montante de -920 milhões €.

O Capital Social do Banco Montepio, que é o investimento feito pela Associação Mutualista no banco (há ainda mais 150 milhões € em divida subordinada), fundamentalmente com as poupanças dos associados somava, em 2019, 2.420 milhões €, mas o valor de Capitais atribuídos ao acionista era apenas de 1.452 milhões €, ou seja, menos 968 milhões €, e são a maior parte poupanças dos associados que "desapareceram". Esta redução dos Capitais Próprios do Banco Montepio levanta um problema com consequências graves para AMMG. O Banco Montepio está valorizado nas contas da Associação Mutualista por 1.877 milhões € mas, de acordo com as contas do próprio banco, o seu valor é apenas de 1.452 milhões €, ou seja, está sobreavaliado nas contas da Associação Mutualista em 425 milhões €. Se esta diferença for contabilizada como imparidades nas contas da AMMG, como devia ser pois corresponde à situação real, esta apresentará em 2019 prejuízos de cerca de 400 milhões €. E se deduzirmos ao Ativo os "impostos diferidos ativos (808M€ em 2018, que não são ativos verdadeiros nem reais), a AMMG apresentaria uma Situação líquida negativa enorme. Daí a razão do atraso na apresentação das contas de 2019. Este é um problema grave que levantei na última assembleia geral de associados e que o presidente me procurou responder alegando que ele tinha como base um plano de negócios do banco que permitiria recuperar esse valor. O mesmo argumento foi utilizado pela KPMG para dar cobertura à gestão de Tomás Correia. Mas nem a Associação Mutualista nem o Banco Montepio cumpriram alguma vez o plano de negócios e é de prever que aconteça o mesmo no futuro. Esperemos o que a PcW, que é o novo auditor do banco e da Associação, fará. Estamos aqui para ver. Já conhecemos a atuação da KPMG e os seus resultados.

O BANCO MONTEPIO ESTÁ A SE MANTER À CUSTA DOS DEPOSITANTES, QUE SÃO NA MAIORIA ASSOCIADOS, E NÃO DE RENDIMENTOS OBTIDO COM A CONCESSÃO DE CRÉDITO, E OS LUCROS REDUZIDOS TÊM COMO FONTE MAIS-VALIAS E NÃO A ATIVIDADE "CORE" DO BANCO

O quadro 2, com dados da Demostrações de Resultados consolidados do Banco Montepio do período 2015/2019, permitir conhecer as origens dos valores constantes dos Balanços (quadro 1)

 

Quadro 2.

A Margem Financeira , que tem como fonte a atividade "core" (por excelência) de um banco como é o Banco Montepio tem diminuído todos os desde 2017. E a redução não tem sido maior devido a redução enorme dos juros pagos aos depositantes, superior à queda dos juros recebidos em operações ativas (crédito). Entre 2015 e 2019, os juros de operações ativas registaram uma redução de 327 milhões € ( só entre 2918 e 2019, os juros de crédito caíram de 313,7 milhões€ para 279,6 milhões €), enquanto os juros de operações passivas (principalmente de depósitos) registaram uma diminuição de 336 milhões € (entre 2018 e 2019, a taxa de juro média paga pelos depósitos diminuiu de 0,45% para apenas 0,28%, e juros pagos pelo banco aos depositantes diminuíram de 56,9M€ para 34,7M€). Foram principalmente os depositantes (a maioria associados do Montepio), que suportaram os efeitos da falta de negócio bancário (diminuição do crédito) e da incapacidade para o aumentar, embora fazendo uma análise rigorosa do risco o que, durante a administração de Tomás Correia, não foi feito com consequências ruinosas para todo o grupo Montepio e, em particular, para os associados cujas poupanças tiveram de suportar os prejuízos. Para compensar a quebra nas receitas resultante da redução na concessão de crédito, o Banco Montepio, à semelhança de outros bancos, aumentou as comissões muitas delas sobre os depositantes. Em 2019, as receitas brutas de comissões atingiram 148 milhões €, sendo 102,6 milhões € de "serviços bancários" e as Comissões líquidas, após a dedução dos encargos, foi de 122 milhões €, superior à de 2018 em 4 milhões € (+ 3,4%).

O "Produto bancário core", que é aquele que constitui a atividade principal de um banco comercial, como é o Banco Montepio, e que resulta da soma da Margem financeira com a receita das Comissões liquidas, a partir de 2017 tem diminuído, incluindo 2019 (menos 8 M€ do que 2018).O aumento do Produto bancário verificado em 2019 (+ 52 milhões € do que 2018) resultou não da atividade "core" do banco, mas fundamentalmente de mais-valias obtidas em "Ativos financeiros "(os resultados das operações financeiras fixaram-se em 49,9 milhões €, valor que compara com 10,9 milhões € contabilizados em 2018", como consta pág.88 do RC-2019), portanto uma atividade essencialmente especulativa, pois nuns anos dá lucro (mais-valias) enquanto em outros dá prejuízos (menos-valias) que podem por em perigo a estabilidade do próprio banco, tendo em conta que os "ativos financeiros" têm um peso enorme no Banco Montepio. É fácil de concluir só foi possível apresentar um resultado líquido positivo de 24,2 milhões € devido aos 49,9 milhões € obtidos com operações financeiras resultantes de mais valias obtidas com os títulos até porque foi necessário reforçar o Fundo de Pensões devido a alteração dos pressupostos atuariais (entrega adicional de 22M€).

EM 2019, OS CUSTOS OPERACIONAIS BAIXARAM DIMINUIRAM 3%, MAS OS CUSTOS COM PESSOAL AUMENTRAM 1% DEVIDO À SUBIDA DOS CUSTOS COM ADMINISTRAÇÕES ENTRE 74% E 87%

No Banco Montepio (quadro 2) verificou-se uma forte diminuição dos custos operacionais. Entre 2015 e 2019, a redução nestes custos foi de 105 milhões € (-29,2%), que foi conseguida fundamentalmente nos "custos com pessoal" (-46 milhões €) e nos "gastos gerais administrativos " (-63 milhões €). Esta diminuição resultou da redução de 308 trabalhadores só em Portugal e do fecho de 89 balcões. Mas, em 2019 registou-se um enorme aumento de custos com as administrações (quadro 3).

 

Quadro 3.

Os dados do quadro 3 não necessitam de comentários, mas merecem uma reflexão quer pelos associados do Montepio, quer pela própria administração, até pelos fracos resultados obtidos pelo Banco Montepio. Note-se que o quadro 3 refere apenas os custos das administrações que constam do RC-2019 (pag.200/201) e não inclui os custos de outros órgãos sociais que estão incluídos nos da 1ª linha do quadro. As remunerações de cada um dos 16 membros do conselho de administração atual (o Conselho Geral de Supervisão que existia antes foi substituído por um conselho de administração com mais 9 membros, que ficou mais caro para o banco, e com menos capacidade de gestão e de fiscalização, pois são menos independentes e têm menos experiencia de banca), com o mesmo nº de membros que a CGD, um banco 5 vezes maior estão na pág.622 do RC-2019 para quem estiver interessado. Os administradores executivos têm remunerações que variam entre 18.173€ e 28.673€/mês, e os não executivos (7) recebem 9.000€/mês. Como vários administradores são também administradores nas subsidiárias interessava saber se algum recebe remuneração por isso, e porquê, mas o relatório não tem essa informação mas era importante que tivesse por uma questão de transparência e porque é uma matéria sensível para os associados até devido ao aumento excessivo dos custos com as administrações.

AUMENTO 45,3% NAS IMPARIDADES EM 2019, E RESULTADOS LIQUIDOS REDUZIDOS

Apesar da venda de carteiras de crédito não produtivo (em 2018 e 2019, 560 milhões €), de imobiliário (198,5M€ em 2019) e de enormes " write-offs" (só em 2019 foram abatidos ao Ativo 90 milhões € de crédito por terem sido considerados totalmente perdidos), apesar de toda esta "limpeza" mesmo assim o Banco Montepio teve de constituir, em 2019, mais 141 milhões € de imparidades (+45,3% do que em 2018), que resultou principalmente da aplicação de modelos de cálculo de imparidades mais rigorosos segundo o BM. Como consequência o custo de risco de crédito duplicou ente 2018 e 2019 (subiu de 0,5% para 1%). E isto apesar da redução dos NPE (créditos improdutivos) para 12,2%, embora continue a ser um valor ainda elevado (muito superior ao de outros bancos) e de pior qualidade (o melhor foi vendido), só conseguido à custa da venda de carteiras de crédito e de "write-off". Como consequência, o Resultado líquido em 2019 foi apenas de 24,2 milhões €, só possível com mais-valias de 49 milhões € obtidos operações com ativos financeiros. Mais um ano, a juntar a muitos, que o Banco Montepio não faz qualquer transferência para AMMG para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicados no Banco Montepio (cerca de 2500 milhões €).

A QUEDA DE TODOS OS RACIOS DE CAPITAL EM 2019, QUANDO NO SETOR SOBEM, QUE ESTÃO NOS MINIMOS EXIGIDOS PELO SUPERVISOR E O RISCO DE NOVA RECAPITALIZAÇÃO DO BANCO MONTEPIO

Um aspeto preocupante é a queda de todos os rácios de capital em 2019 (entre 2018/2019, CET 1 e o Tier 1 passaram de 13,5% para 12,4%; e o Rácio Total de 14,1%, valor não "reexpresso", para 13,9%, muito próximo dos 13,875% mínimo exigido pelo Banco de Portugal, quadro 2), o que limita a capacidade do banco para conceder crédito . Mesmo este baixo Rácio total só foi conseguido à custa da injeção, pela Associação Mutualista, de 100 milhões € em 2019. A criação orgânica interna de capital por meio de lucros tem sido muito reduzida no BM como mostram os Resultados líquidos dos últimos anos. O Banco Montepio tem contabilizado enormes imparidades e menos-valias que, embora não passando por "Resultados" (vai diretamente a Capital), por isso não tem sido visível para a opinião publica e associados (em "Reservas" estão 990 milhões € de "prejuízos") mas que, no entanto, têm destruído o capital do Banco Montepio. Os Capitais Próprios do Banco Montepio diminuíram, entre 2017 e 2019, em 311 milhões € (passaram de 1763 milhões € para apenas 1452 milhões €), o que tem criado graves dificuldades ao banco para cumprir os rácios de capital mínimos exigidos pelo Banco Portugal. A redução do Ativo ponderado pelo risco (RWA) por meio da venda de carteiras de crédito e outros ativos, e de aplicações em divida publica, considerada pelo supervisor de risco zero, tem sido o meio utilizado. Mesmo assim os rácios de capital estão nos mínimos exigidos pelo Banco de Portugal e se não fosse a flexibilidade dos supervisores motivada pela crise do COVID 19 conforme consta da pág. 65 do RC-2019 ("No que respeita às componentes de capital e liquidez, em linha com a decisão tomada pelo BCE para as instituições significativas, o Banco de Portugal autorizou que as instituições de crédito menos significativas sujeitas à sua supervisão, onde se inclui o Banco Montepio, operem, de forma temporária, com um nível inferior à da recomendação de fundos próprios - Pillar 2 Guidance - e da reserva combinada de fundos próprios, e com níveis de liquidez inferiores ao requisito do rácio LCR") certamente haveria necessidades de nova recapitalização do Banco este ano o que criaria graves dificuldades à Associação Mutualista. O rácio em que o Banco Montepio continua com uma situação confortável é o de liquidez – LCR – que, no fim de 2019, apresentava o valor de 179,9%, acima do mínimo exigido pelo Banco de Portugal que é 100%/110% (embora muito dependente dos depósitos dos "institucionais" que envolvem elevado risco, pois o seu levantamento é rápido e os efeitos são enormes), o que simultaneamente dá confiança aos clientes e é um sinal que estes continuam a confiar no BM, o que é positivo, no entanto tal valor de rácio também é um indicador de ineficiência pois revela que há liquidez em excesso que não é aproveitada para conceder credito também devido aos reduzidos rácios de capital.

UM PLANO DE TRANSFORMAÇÃO CUJOS RESULTADOS AINDA NÃO SÃO VISIVEIS

Um dos principais objetivos da atual administração era a implementação do "Plano de transformação", mandado fazer a uma consultora externa, com um custo muito elevado, que iria permitir uma rápida recuperação do banco. Um dos pilares mais importante desse plano foi a transformação do Montepio Investimentos no Banco de Empresas Montepio. Com a sua criação pretendia-se entrar num nicho de mercado, dizia-se não explorado pelos outros bancos, com grande capacidade de crescimento. Mas os resultados obtidos até data foram reduzidos, estando aquém das expectativas que tinham os seus defensores, como revela o quadro seguinte (pág. 58 do RC-2019).

 

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O Banco de Empresas Montepio (BEM) em 2019 registou um aumento de crédito de apenas 48,3 milhões €, um Produto bancário apenas de 2,5 milhões €, portanto inferior ao 2018 que foi de 2,7 milhões €, e Resultados operacionais negativos de -0,5 milhões€. E embora não seja claro porque essa informação não consta do relatório deve incluir já imparidades e menos-valias. O Montepio Investimentos, que foi a empresa donde surgiu o Banco de Empresas Montepio, apresentou nos últimos anos sempre resultados positivos como revelam os dados quadro. É importante chamar a atenção para o aumento dos custos operacionais que, entre 2018 e 2019, mais que duplicaram. É uma situação, a do BEM, que exige um acompanhamento muito grande para saber se ele cumpre os objetivos ou então é necessário parar com tais custos. No entanto, como vai ser publicado brevemente um relatório do BEM então com base nele farei uma análise mais fundamentada dos seus resultados, ficando esta nota apenas como alerta para um problema que preocupa os associados

UM BANCO QUE NÃO REMUNERA AS POUPANÇAS DOS ASSOCIADOS E SUPERVISORES (BdP e MTSSS) QUE NÃO ATUAM PERMITINDO O AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO NO MONTEPIO, E A URGÊNCIA DE RENOVAÇÃO

Embora em clara violação da lei, que não permite que uma Associação Mutualista tenha aplicado numa única empresa mais de 10% do valor do seu Ativo, mas o Banco Montepio (BM), antes CEMG, tem mais de 66% do valor do Ativo da AMMG, e há anos que não transfere quaisquer lucros para a Associação Mutualista para esta remunerar as poupanças dos associados (72% estão investidos no banco) . Em 2019, isso aconteceu novamente e é de prever que se não verificar uma alteração no BM aconteça por mais anos, já que o contexto para a banca, e ainda mais para o Banco Montepio, por ser um banco mais pequeno, se agravou imenso com a crise do "coronavírus" tornando os planos de negócios do BM, que ignoram os efeitos desta crise (ver ponto i da pág. 236 do RC-2019) meros desejos de difícil concretização. Os resultados alcançados pela atual administração nos dois últimos anos reforçam essa preocupação.

As alterações profundas no grupo Montepio e uma gestão renovada necessárias e urgentes só são possíveis com uma nova administração da AMMG, baseada numa unidade abrangente que tenha a confiança dos associados, pois a atual é passiva e está sem iniciativa, força e ideias. Apesar dos problemas que se acumulam no Banco Montepio, o Banco de Portugal nada fez e faz, e o Ministério do Trabalho, tem em seu poder um projeto de Estatutos há quase um ano para se pronunciar, o que ainda não fez, permitindo o agravamento da situação na Associação Mutualista. Ambos são responsáveis pelo que acontecer no Montepio.

09/Maio/2020
[*] Economista e associado do Montepio, edr2@netcabo.pt

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/e_rosa/montepio_09mai20.html

Portugal | "Banca falhou completamente." Contabilistas culpam bancos por atrasos nos apoios

 
 
Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, revela que apoios que estão a chegar são da Segurança Social.
 
Abastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados acusa a banca de não estar a apoiar as pequenas e médias empresas, sublinhando que apenas estão a chegar apoios da Segurança Social.

Numa comunicação, na noite desta quarta-feira, em direto, Paula Franco revela que os empresários estão com dificuldades na aprovação das linhas de crédito de apoio à economia, apesar de o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas dizer que algumas parcelas destes apoios já estão esgotados.

"Quem falhou completamente aqui foi a banca. O Governo quando preparou este apoio às empresas, pequenas e microempresas, foi assente em dois pontos, o financiamento e o apoio da SS e tem sido o dinheiro da SS e dos contribuintes que está a ser utilizado para pagar os apoios às empresas", alerta a responsável.

Paula Franco espera que até segunda-feira todos os problemas com os processos de lay-off ainda pendentes estejam resolvidos, revelando que tem a informação de que estes "estão a ser reprocessados e que vão ser agendados pagamentos para dia 15 e dia 18".

"Vão ser agora despachados muitos processos de lay-off de situações que estavam emperradas e que foram libertadas", acrescenta.

Depois desta fase, Paula Franco espera que, depois de segunda-feira, passe a existir um número pequeno de situações de lay-off por resolver.
 
José Milheiro | TSF

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-banca-falhou-completamente.html

O relachamento de Centeno

(Comentário:

O autor é um cidadão cujas opiniões merecem todo o respeito. Todavia provavelmente ter-se-á enganado quando afirma "o BE, o PCP e os restantes Partidos que acerca desta importante questão nunca se pronunciaram, andavam distraídos? "
Estranha-se tal afirmação porque basta uma muito rápida consulta através do Google para constatar que há muito o PCP e o BE se insurgem contra o modelo de apoio ao Novo Banco e contra as verbas que lhe têm sido atribuídas. A título de exemplo, apenas procurando nos meses de novembro e fevereiro que o autor refere:

https://expresso.pt/economia/2019-11-23-Ja-ha-oposicao-a-ajuda-unica-ao-Novo-Banco

https://observador.pt/2019/11/09/catarina-martins-governo-nao-deve-autorizar-mais-pagamentos-ao-novo-banco-sem-saber-o-que-se-passa/

https://eco.sapo.pt/2020/02/04/psd-trava-bloco-no-controlo-de-todas-as-injecoes-no-novo-banco/

https://expresso.pt/politica/2020-01-21-PCP-quer-impedir-Estado-de-injetar-mais-dinheiro-em-bancos-privados )

(Joaquim Vassalo Abreu, 14/05/2020)

 

Erros todos cometemos e muito mais num preciso momento em que o PM tem tantas coisas e preocupações na sua cabeça, tantas coisas a prever e tantas respostas a dar. E a grande verdade é que Costa, sempre omnipresente, o tem feito com todo o denodo e competência. É verdade mas…um lapso destes não podia acontecer, dê por onde der.

Podemos dizer que neste princípio de “distanciamento social”, o que preocupa Costa não é o Orçamento aprovado e que vinha sendo aplicado, e no qual já estava prevista a verba a injectar no Novo Banco, verba decorrente do acordo de venda à Lone Star e responsabilidade do Fundo de Resolução, mas sim o próximo Orçamento Suplementar, esse sim de muito difícil feitura e projecção.

Eduardo Galeano disse um dia que “A Memória é aquilo que torna o passado em presente”. E por isso, para não cometermos erros inúteis, temos que permanentemente a ela recorrer. E a memória mais recente, no que ao último Orçamento de Estado diz respeito e onde, como disse a referida verba vinha contemplada, é que tanto o BE como o PCP o aprovaram.

Eles leram, eles estudaram o seu conteúdo e debateram o mesmo tanto na generalidade como na especialidade. A minha memória não tem presente qualquer objecção a esse prudente “item”, pelo que me soa agora a aproveitamento político, que não ouso chamar de ilegítimo, o verberar do facto.

Mas recorrendo à minha memória: Em 15 de Novembro de 2019, há poucos meses portanto, revelava o Expresso que os acionistas do Novo Banco, Lone Star e Fundo de Resolução, já estavam a estudar a hipótese da antecipação da injecção do capital do Estado. Leia-se Fundo de Resolução, dos Bancos do Sistema, a quem o Estado antecipa fundos remíveis em trinta anos.

E no mesmo Expresso, em 29 de Fevereiro deste ano, estava a Pandemia a ser decretada, numa entrevista ao Presidente do Novo Banco, este informa que ia pedir mais 1.037 milhões de Euros ao Fundo de Resolução para colmatar falhas de capital decorrentes de prejuízos na actividade provocados por imparidades que o Banco não consegue suprir, sob pena de ver os seus rácios deteriorados e, por via disso, não poder continuar a sua actividade por falta de financiamento para a mesma.

De modo que eu pergunto: o BE, o PCP e os restantes Partidos que acerca desta importante questão nunca se pronunciaram, andavam distraídos? Já era coisa assumida e portanto agora não relevante? Sim, não fosse a Pandemia. E claro, quando todo esse dinheiro era mais preciso para tudo menos para injectar num Banco, novo mas sem futuro à vista…

Se eu estou contra este acordo de repartição e venda do Novo Banco? Estou e completamente! Se me sinto perplexo com as Auditorias até agora feitas de análise aos seus Activos e Créditos sobre Clientes? Aqui ainda muito mais, nomeadamente desde o início em que na separação entre Banco Bom e Mau, o Bom ficou com imenso Crédito duvidoso que deveria pertencer ao Mau. Mas, não sofrendo eu de ingenuidade precoce,  já há muito era  para mim muito claro que isso obedeceu a uma estratégia de “chico espertice”: A de que, para vender, isto é largarmo-nos de problemas, era deixar para quem viesse a solução. O costume…

Se eu estou contra tudo isto? Estou completamente e de princípio,  Mas…É que o problema advém de um pecando original deste “Sistema”: O de criar Bancos inimputaveis, Gestores inimputaveis, Administradores que internamente decidem sobre seus salários e prémios mas nunca são responsáveis pelos erros cometidos. Gente a quem nós confiamos, ou melhor somos obrigados a confiar as nossas poupanças, das quais fazem o que bem entendem e lhes convém, mas num desprezo total pelas suas consequências, que eles sabem nunca os irão atingir…

Mas este “Sistema” instituído por este Capitalismo sorvedor e egoísta, deve-nos levar a pensar, pois a ele estamos de pés e mãos presos: Quando um Banco está na eminência de entrar em falência (não possuir mais recursos nem suas fontes para fazer frente às obrigações), três coisas podem acontecer:

  1. Conseguir uma injecção de liquidez que permita a manutenção dos rácios de Capital e Solvabilidade necessários ao seu financiamento. Mas quem injecta dinheiro num Banco falido? Só um Estado possui essa possibilidade. Mas em nome e a troco de quê?
  2. O Banco ( mais o seu nome e marca) é vendido por  “tuta e meia” e quem o compra ficando apenas com a “operação” ( negócio), remete para o resto do “Sistema” ( que tem receio do risco sistemico), todos os riscos da sua “limpeza”. E tudo, mais uma vez, vai inevitavelmente recair sobre o Estado…
  3. A “ Nacionalização”! Mas aqui o BCE, a CE e tudo quanto seja Tribunal ou Regulação não a permitem nem apoiam, não só pelo precedente mas principalmente pela carga ideológica que encerra. Eles, no fundo, pretendem que isso seja feito mas sob outra capa. Como agora nas Companhias de Aviação, entendem?

A ausência de tudo isto seria a falência pura e dura. Mas quem seriam principais prejudicados numa falência assim: os depositantes! Os mais desprotegidos num caso destes pois apenas podem recorrer ao Fundo de Garantia de Depósitos ( até € 100 mil) mas, falando de recursos (depósitos) de 70 ou 80 mil milhões de euros nele existentes, para parca miséria serviria a sua  capitalização!

Finalmente: Era inevitável a injecção deste capital no Novo Banco e na precisa data em que foi feita. E não me venham com alegorias nem menções a Auditorias: tinha que ser feita e se Costa afirmou que não sabia ou esperava o final da Auditoria para antes dessa data, não deveria nunca ter dito o que disse no Parlamento.

Mas, tratando-se infelizmente de uma inevitabibidade, eu não deixo de realçar o facto político mas, quanto ao que todos os “Midia” falam, da crescente incompatibilidade entre Costa e Centeno, eu estou convicto que elas não têm por fundo a política ou economia nacionais, mas sim profundas divergências a propósito da Europa e do seu futuro.

Centeno, que fez tão grande trabalho e tão grande que todos devemos louvar, há muito que encena um “tabu”, um ‘tabu” feito de meias palavras, de incógnitas e indecisões, mantendo sempre um pé fora e um pé dentro, nunca evidenciando estar no seu cargo em pleno. Por isso e  porque um Ministro das Finanças nunca pode estar na sua imprescindível função sem ser em pleno, Centeno tem que optar: ou está ou não está!

E o seu “relaxamento”, por mais que eu o aprecie enquanto brilhante Ministro das Finanças, não colhe…E, por tudo isso, estou com COSTA!


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Os abutres do Novo Banco

Em complemento ao que o João Rodrigues escreveu no texto abaixo, lembrei-me do que Cristina Ferreira escreveu no Público:  “O Novo Banco passou milhares de bens imobiliários avaliados em centenas de milhões de euros para a Hudson Adviser, uma sociedade que tem como accionista o fundo norte-americano Lone Star que também controla a instituição. A empresa acabou de se instalar no último andar de um prédio de Lisboa, que pertence ao Novo Banco (...) No pacote agora confiado à Hudson Advisers encontram-se activos considerados problemáticos, isto é, os que são difíceis de rentabilizar e de vender. E que já justificaram o registo de imparidades que resultaram em perdas para o banco e explicam grande parte dos elevados prejuízos compensados por verbas públicas. Mas outros activos estão classificados como tendo grande potencial. E neste grupo está, por exemplo, o edifício sede do Novo Banco, situado na esquina da Avenida da Liberdade em Lisboa com a Rua Barata Salgueiro, avaliado em cerca de 40 milhões.” O Governo espera o quê destes abutres? Audite-se e nacionalize-se. Entretanto, o descaramento de Centeno não tem mesmo limites.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)


 João Rodrigues:
 

Já basta de sininhos

 
 
Há quase três anos, chamámos a atenção, em artigo no Le Monde diplomatique - edição portuguesa, para a ruinosa “solução” encontrada para o Novo Banco por um Governo às ordens de Bruxelas-Frankfurt, aceitando que Portugal funcionasse como cobaia para o princípio perverso do pagam, mas não mandam. O fundo abutre vai comer tudo e não vai deixar nada. É caso para dizer, com José Gusmão, que o descaramento de Mário Centeno tem de ter limites nesta área. O último episódio, de suposta falta de comunicação entre o Ministro das Finanças e o Primeiro-Ministro sobre mais uma injeção no Novo Banco, é só uma farsa no meio da tragédia. E isto sem que se saiba da sordidez que para lá vai; por exemplo, sem que se saiba quem é que está a comprar a baixo preço activos do banco para, sei lá, os revender. Esta sordidez só pode começar a ser superada com uma auditoria a fundo, seguida da inevitável nacionalização, há muito necessária, do Novo Banco, tendo em conta a sua importância e a melhor experiência internacional distante e recente. Entretanto, o Cristiano Ronaldo das finanças não deixará de jogar apenas por causa da banca. Afinal de contas, vai ter a honra de ter sido no ano passado o Ministro do superávite orçamental, à boleia da conjuntura e de um investimento público em mínimos da UE, e este ano o Ministro daquele que será provavelmente o maior défice orçamental, efeito da pandemia. O défice é fundamentalmente uma variável endógena, muito mais dependente do andamento da economia do que das habilidades do Ministro, notem, uma vez mais. Este país tem uma história mitificada de “magos das finanças”, de Salazar a Cavaco. Começou e acabou sempre mal. É tempo de acabar com os mitos e de encarar a realidade das interdependências nos saldos financeiros sectoriais. E, já agora, é preciso não deixar que Centeno vá governar o Banco que não é de Portugal, fazendo de moralista das finanças públicas e de correia de transmissão de Frankfurt. Não haveria grande novidade, concedo, mas já basta de sininhos.
 

Já basta de sininhos

Há quase três anos atrás, chamámos a atenção, em artigo no Le Monde diplomatique - edição portuguesa, para a ruinosa “solução” encontrada para o Novo Banco por um Governo às ordens de Bruxelas-Frankfurt, aceitando que Portugal funcionasse como cobaia para o princípio perverso do pagam, mas não mandam. O fundo abutre vai comer tudo e não vai deixar nada. É caso para dizer, com José Gusmão, que o descaramento de Mário Centeno tem de ter limites nesta área.

O último episódio, de suposta falta de comunicação entre o Ministro das Finanças e o Primeiro-Ministro sobre mais uma injeção no Novo Banco, é só uma farsa no meio da tragédia. E isto sem que se saiba da sordidez que para lá vai; por exemplo, sem que se saiba quem é que está a comprar a baixo preço activos do banco para, sei lá, os revender. Esta sordidez só pode começar a ser superada com uma auditoria a fundo, seguida da inevitável nacionalização, há muito necessária, do Novo Banco, tendo em conta a sua importância e a melhor experiência internacional.

Entretanto, o Cristiano Ronaldo das finanças não deixará de jogar apenas por causa da banca. Afinal de contas, vai ter a honra de ter sido no ano passado o Ministro do superávite orçamental, à boleia da conjuntura e de um investimento público em mínimos da UE, e este ano o Ministro daquele que será provavelmente o maior défice orçamental, obra da pandemia.

O défice é fundamentalmente uma variável endógena, muito mais dependente do andamento da economia do que das habilidades do Ministro, notem, uma vez mais. Este país tem uma história mitificada de “magos das finanças”, de Salazar a Cavaco. É tempo de acabar com o mito e encarar a realidade.

E, já agora, é preciso não deixar que Centeno vá governar o Banco que não é de Portugal, fazendo de moralista das finanças públicas e de correia de transmissão de Frankfurt.

Não haveria grande novidade, concedo, mas já basta de sininhos.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Novo Banco “foi a mais desastrosa resolução bancária alguma vez feita na Europa”

 
 
Centeno passa da defesa ao ataque
 
O tema na agenda era o programa de estabilidade mas, no seu discurso inicial, Mário Centeno escolheu abordar o Novo Banco. Atirou-se ao PSD, a quem acusa de fazer intervenções para chamar a atenção de 10 segundos de telejornal

Um dia depois de ter dado uma entrevista à TSF onde explica o que falhou, entre o seu gabinete e do primeiro-ministro, na transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco, Mário Centeno partiu ao ataque. Esta manhã, no Parlamento, resolveu trazer à liça a responsabilidade do PSD no processo, dizendo que “todos conhecem o processo desde o início” e que, se o problema existe, é porque o Novo Banco foi mal resolvido – foi, aliás, “a mais desastrosa resolução bancária alguma vez feita na Europa”.

Durante a sua intervenção inicial, Mário Centeno começou por lembrar que “o Novo Banco não nasceu em 2019”. Se os empréstimo têm de ser feitos anualmente, argumenta o ministro, é porque, em 2014, aquando da separação do BES bom e do BES mau, “a seleção dos ativos foi mal feita, e incompetente. O banco que era novo e devia ser bom tinha ainda muito de mau”. Por causa da “resolução desordenada”, em 2016, o Estado pagou 1,5 mil milhões de euros em juros por causa do Novo Banco, argumentou ainda.

Por isso, a venda do Novo Banco e o acordo de transferências acabou por ser um mal menor, e tinha de ser feito, em nome da "estabilidade financeira", uma preocupação que "nem todos os governos no passado exerceram de forma competente no passado".

O PSD acusou o toque mas o deputado Afonso Oliveira ripostou que o discurso inicial “não foi para nós de certeza, foi para o sr. primeiro-ministro”, a quem o Ministério das Finanças se esqueceu de avisar da transferência.

O deputado quis saber o que o que motivou o desacerto entre António Costa e Mário Centeno, e se as Finanças fizeram a transferência à revelia do primeiro-ministro. Na resposta, o ministro das Finanças carregou ainda mais no tom: “Não, não foi à revelia do primero-ministro“. Não há nenhuma decisão do governo que seja feita à margem do Conselho de Ministros, diz Mário Centeno, que acusa o PSD de ter “assinado resoluções desastrosas na praia.”

Para Centeno, o PSD não tem presente a história, e "um decisor politico que não a conhece vive para os primeiros minutos do telejornal".

Insatisfeitos com a resposta o ministro, tanto o Bloco de Esquerda como o PCP voltaram à carga, para tentarem perceber, nomeadamente, como se justifica a desarticulação entre o gabinete do primeiro-ministro e o do ministro das Finanças.

 
O LAPSO FREUDIANO E A DIFERENÇA QUE UM “S” FAZ

“Insisto no que já esclareci”, repetiu Centeno: “Não há nenhuma contradição nem nenhum conflito na gestão governamental nesta matéria”, nem tão pouco “há falta de controlo político”. Muito menos há informação oculta: “Nunca escondi a esta assembleia nem aos portugueses que o risco máximo que teríamos com este mecanismo eram 3,9 mil milhões de euros”. “Nunca fugi à pergunta se havia risco sobre esta matéria”.

Mas, então, porque é que António Costa fez depender a transferência da auditoria? Duas horas volvidas sobre o início da audição no Parlamento, Centeno continua sem resposta para esta questão – e ontem, em entrevista à TSF, até disse que só o primeiro-ministro poderia fazê-lo – mas ensaiou uma espécie de explicação a Mariana Mortágua.

Numa intervenção muito crítica, a deputada do Bloco de Esquerda tinha concordado com a responsabilização histórica do governo PSD/CDS (“a seleção dos ativos foi incompetente e há uma auditoria que o banco de Portugal esconde há anos”) mas apontou também o dedo ao Governo atual, porque foi ele “que decidiu pagar os prejuízos e entregar o banco a um fundo privado. Foi o governo que decidiu não o tornar público”.

Na sua intervenção, Mariana Mortágua aludiu à falta de controlo dos dinheiros públicos e foi falando em auditoria no singular, e auditorias no plural, e Mário Centeno não deixou passar a subtileza.

Lembrando que existem cinco entidades a independentes umas das outras que têm como responsabilidade de controlar o Novo Banco, o ministro das Finanças sublinhou que, “talvez por lapso freudiano, a senhora deputada foi flutuando entre “auditorias” e “auditoria”. Ora, “o rigor que temos de seguir tem de ser proporcional ao rigor que colocamos nas respostas que recebemos”. Embora não o tenha dito diretamente, Mário Centeno parece ter deixado implícito que o desacerto com o primeiro-ministro se deveu a uma confusão entre as diversas "auditorias" no plural a que o Novo Banco é sujeito, uma explicação que o jornal Público tinha avançado no sábado.

QUEM TEM RAZÃO: MÁXIMO DOS SANTOS OU ANTÓNIO RAMALHO?

A “falha de comunicação” dentro do Governo sobre o empréstimo para o Novo Banco não foi o único percalço. Pelo meio, o Fundo de Resolução resolveu subtrair 2 milhões de euros ao bolo da transferência, para descontar o facto de a administração do Novo Banco ter reservado este montante para prémios, a distribuir em 2022. Fernando Anastácio, deputado do PS, quis saber o que pensa o ministro das Finanças sobre o tema. No fundo, quem tem razão: se Luis Máximo dos Santos, ao reter o dinheiro, se a administração do Novo Banco, que aspira por uma remuneração suplementar.

Na resposta, Mário Centeno foi parco em explicações. Diz que “o Governo concorda com a orientação da EBA [a autoridade bancária europeia] sobre dividendos e prémios. E essa orientação foi a que o acionista Fundo de Resolução transmitiu ao Novo Banco”. Não explicou, contudo, porque foi o Fundo de Resolução a reter o dinheiro, e não o próprio Tesouro.

Mais à frente no debate, perante a insistência de Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, que indagou se o ministério das Finanças "conhecia este bónus", se "aceitou esta proposta de remuneração" e "qual a política de remuneração do Novo Banco", Mário Centeno repeteria que “nós acompanhando o fundo de resolução temos uma opinião muito clara sobre os prémios”.

O ministro disse ainda que já iniciou os trâmites para desencadear a auditoria ao empréstimo deste ano. “No ano passado o processo foi mais demorado [a entrega da auditoria da Deloitte foi adiada para julho], mas este ano podemos poupar algum tempo”, diz Centeno, que lembra que tem de ser o Banco de Portugal a escolher o auditor.

Elisabete Miranda | Expresso

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/novo-banco-foi-mais-desastrosa.html

Quem vai ganhar com o naufrágio do Novo Banco?

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Olhando para as orientações da União Europeia, para a centralização da estrutura de supervisão, a constituição da União Bancária e a reconfiguração do sistema bancário ibérico e europeu, o movimento que rapidamente se identifica é o da aglomeração das várias instituições financeiras.

Tudo indica que o Novo Banco esteja a ser preparado, com dinheiros públicos, para a sua entrega a um mega-banco ibérico ou europeu.

O prazo para a utilização da garantia pública é de oito anos, mas nos dois primeiros o Novo Banco já consumiu cerca de metade do valor disponível. Isso significa que dentro de pouco tempo ficará limpo de créditos problemáticos e activos desvalorizados. Quando isso suceder, deixará de estar penalizado pelos «castigos» dos bancos em regime de ajuda pública e passará a ser um banco desejável, pela sua carteira de crédito, pela sua rede, pelos seus depósitos. O encaixe dessa venda, a existir, ficará nas mãos da Lone Star que, entretanto, já absorveu também uma boa parte das ajudas públicas.

A venda do Novo Banco foi uma opção criminosa.

Só a nacionalização asseguraria a minimização dos impactos negativos da queda do BES e, ao mesmo tempo, a integração de uma poderosa instituição financeira na esfera pública, assim permitindo que fosse colocada ao serviço do povo e do País, da economia nacional e da produção.

Sublinhados meus

AQUI

 

Via: O CASTENDO https://bit.ly/2WuR5en

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/14/quem-vai-ganhar-com-o-naufragio-do-novo-banco/

Novo Banco: um poço sem fundo

O Novo Banco, desbaratado pelo governo PSD/CDS, constituiu para a Lone Star um investimento sem risco que lhe permitiu receber um banco limpo de prejuízos, através de injecções de dinheiros públicos.

CréditosTiago Petinga / Agência LUSA

«Ir à lã e sair tosquiado» é o provérbio que, com toda a propriedade, se pode aplicar ao PSD e ao CDS a propósito do debate de actualidade sobre o Novo Banco que, conjuntamente com BE, agendaram para a tarde desta quarta-feira na Assembleia da República.

Um debate realizado na sequência da recente injecção de capital no Novo Banco e da evidente falta de articulação entre o ministro das Finanças e o primeiro-ministro, com alguma lavagem de roupa suja à mistura. PS, PSD e CDS trocaram acusações sobre relacionamentos com o antigo BES, actual Novo Banco, nomeadamente citando o caso Marquês e o processo de aquisição dos submarinos.

PSD e CDS trouxeram ao debate ideias e propostas sobre o Novo Banco, umas que não aplicaram no último governo que protagonizaram e outras que chumbaram, algumas já em 2020.

O Novo Banco, vendido ao desbarato pelo governo PSD/CDS, constituiu para a Lone Star um chorudo negócio, num investimento sem risco que lhe permitiu receber um banco limpo de prejuízos, através de injecções de dinheiros públicos, e com um quadro de pessoal já bastante reduzido.

Aliás, o BE lembrou no debate os 6030 milhões de euros já investidos. Mariana Mortágua, a propósito da recente injecção de capital e do comportamento do Governo, considerou não se tratar de uma falha de comunicação mas de «um problema político de enorme gravidade», que pôs em causa a palavra de António Costa, acusando ainda o Governo de estar a fazer «uma remodelação em directo».

O PCP, por seu lado, lembrou que, em 16 de abril, questionado pelos comunistas sobre «se pretendia manter a transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco» o ministro das Finanças confirmou a realização da transferência porque «contratos são contratos». Duarte Alves lembrou que os 850 milhões de euros agora injectados no Novo Banco se somam aos milhões já «entregues pelos portugueses, desde a fraudulenta resolução decidida pelo Governo PSD/CDS, até à ruinosa privatização a custo zero, com garantias dadas pelo Estado».

O deputado comunista contestou o continuado enterrar de «milhões de euros dos portugueses, para que o banco fique nas mãos de privados», acabando, muito provavelmente, por ir parar ao «controlo espanhol», sublinhando que «o Novo Banco não pode continuar a ser um buraco sem fundo, pago por todos os portugueses, sem se garantir o seu controlo público».

No debate, o PS limitou-se a criticar a atribuição de prémios de gestão aos administradores do Novo Banco e a lembrar que PSD e CDS prometeram que este «seria um banco bom».

A defender a posição do Governo esteve o secretário de Estado adjunto e das Finanças, para quem o Governo não faltou aos critérios que tinha definido, de esperar pelas conclusões da auditoria, acusando a direita de comportamento oportunista. Mourinho Félix afirmou ainda concordar com a posição do BE de «não envolver dinheiro público sem auditorias», respeitando o que considerou ser a coerência das posições de PCP e PEV, de não injectar «dinheiro público em instituições privadas» e de considerarem que «a banca deve estar na mão do Estado».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/novo-banco-um-poco-sem-fundo

PSD quer que injeções no Novo Banco passem pela AR. BE acusa-o de ter chumbado diploma idêntico

 

O PSD anunciou, esta quarta-feira, que vai apresentar uma iniciativa para que novas injeções no Novo Banco só possam ocorrer depois de o Parlamento ser informado.

 

No arranque do debate de atualidade sobre o Novo Banco, pedido pelo PSD, BE e CDS-PP, a continuidade do ministro das Finanças no Governo foi questionada e apontadas contradições entre o discurso de Mário Centeno e o do primeiro-ministro, bem como com o do Presidente da República.

“Ou estamos a assistir a uma remodelação em direto e o ministro das Finanças sairá do Governo porque considera o seu primeiro-ministro ‘irresponsável’. Ou já assistimos a uma remodelação e o ministro das Finanças passou a dirigir o Governo. O que o Governo não nos pode dizer é que se compromete a não pagar sem auditoria e que paga sem auditoria, ou que a auditoria é indispensável, mas não é necessária”, acusou a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua.

Pela bancada do PSD, o deputado Duarte Pacheco defendeu que “o primeiro-ministro concorda com o princípio” de que transferências de montantes elevados, como a que foi feita para o Fundo de Resolução destinada a recapitalizar o Novo Banco, deveriam ser precedidas de “uma auditoria, de uma análise, de um estudo”.

 
 

“O primeiro-ministro concorda com este princípio e por isso deu uma garantia a este Parlamento, o Presidente da República concorda com este princípio, não é indiferente o Estado cumprir os seus compromissos antes ou depois de saber o que se passou”.

Para “prevenir a arrogância do ministro das Finanças que o primeiro-ministro não consegue controlar”, o deputado do PSD anunciou a apresentação de uma iniciativa legislativa. “Vamos apresentar uma iniciativa para definir que novas transferências só poderão ocorrer após a Assembleia da República ser informada dos termos e das razões para o efeito”.

Pela bancada do Bloco, Mariana Mortágua apontou que o que o PSD vem agora defender foi “exatamente a proposta” que o Bloco apresentou em janeiro, no âmbito do Orçamento do Estado, e que os sociais-democratas chumbaram — uma afirmação que alguns deputados do PSD rejeitaram, num aparte.

“Se tivesse sido aprovada em janeiro, quando a propusemos, esta medida teria impedido a transferência deste 850 milhões. Esperamos que, desta vez, a indignação do PSD contribua para a aprovação destas iniciativas”, afirmou a deputada, que já tinha anunciado que iria reapresentar o diploma no Parlamento.

Na sexta-feira passada, o primeiro-ministro explicou que não foi informado pelo Ministério das Finanças do pagamento de 850 milhões de euros, tendo pedido desculpa ao Bloco de Esquerda pela informação errada transmitida durante o debate quinzenal.

Centeno admitiu, entretanto, numa entrevista à TSF, que se tratou de “uma falha de comunicação” entre o seu gabinete e o do primeiro-ministro.

ZAP // Lusa

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/psd-injecoes-novo-banco-parlamento-324294

Portugal | SAI MIL MILHÕES PARA O NOVO BANCO

 
 
Pedro Santos Guerreiro | Expresso | opinião
 
O primeiro-ministro sabe tudo. Sabe de cor os apoios a sócios-gerentes e a recibos verdes, o número de disciplinas nas escolas e de máscaras nos transportes públicos, o que vai acontecer nas praias e nos festivais de música, o primeiro-ministro nunca é apanhado em falso numa entrevista. Só não sabe uma coisa: que foram transferidos mil milhões para o Novo Banco.
 
O mesmo primeiro-ministro que não diz gastar um cêntimo na TAP sem controlar não controla cem mil milhões de cêntimos para o Novo Banco.

Está tudo errado. É chocante saber que nem António Costa abriu os olhos para o dinheiro nem o ministro das Finanças pestanejou em transferi-los. É claro que a oposição vai pôr em causa a justiça na repartição de sacrifícios na pandemia. E é previsível que agora se diga e sublinhe e repita que “para os bancos há sempre dinheiro”. Até porque é verdade. Como verdade é o seguinte: já não podia ser de outra forma, porque todo o sistema de apoios ao Novo Banco foi assim montado.

Chamar ‘banco bom’ ao Novo Banco foi como chamar ‘Pai Natal’ a quem dá presentes. Ambos não existem. O ex-BES carregou milhares de milhões em créditos maus que foi vendendo ao preço da uva mijona, pois era mesmo uva que não poderia dar vinho. Fê-lo porque era preciso. E fê-lo porque pôde: havia capital garantido no Fundo de Resolução (outro nome ‘Pai Natal’, aliás, para dizer que o dinheiro financiado pelo Estado não é do Estado) para cobrir os prejuízos daí resultantes. E como eles se têm empilhado nos últimos anos.

 
O acordo foi feito com Bruxelas e só tinha, em geral, duas alternativas: ou se deixava o banco falir ou se fazia um aumento de capital gigante à cabeça. Optou-se por garantir o capital ao longo de alguns anos, na esperança, aliás, de que ele fosse vendido. Foi, é verdade; a Lone Star ficou com 75% de mil milhões de euros, que hoje o banco não vale. E nós fomos enchendo a vala às pazadas de mil milhões. É quase tudo dinheiro do Estado, tirando as contribuições de outros bancos, contrariados em subsidiar um concorrente que se aniquilou enquanto BES. Acredita que os bancos vão pagar ao Estado o dinheiro agora emprestado durante 30 anos? Eu não, mas espero estar cá para ver.

No acordo desenhado em 2017 com o BCE, o Novo Banco conseguiu o que provavelmente nenhum banco do mundo tem: que injeções futuras de capital, por estarem garantidas pelo Estado, já contem como capital. Foi assim que os rácios em 2019 foram cumpridos, já incluíam a injeção de mil milhões que fantasmagoricamente foi processada esta semana. E se não tivesse sido feita? Bom, então o banco entrava instantaneamente em processo de recuperação. Percebe a armadilha?

O Novo Banco está a ser salvo por uma máquina comercial com grande força nas empresas e com vendas de ativos tóxicos que supostamente não existiam, que causam prejuízos, que forçam aumentos de capital. Em tempos de pandemia, esperar-se-ia que o Governo pelo menos reduzisse a fatura, diluindo-a por mais anos. O ministro das Finanças percebeu que estava de mãos atadas e o primeiro-ministro de olhos vendados. E como não sabe como há de explicar isto aos portugueses que estão a sofrer na pele a crise económica brutal, há de fazer piruetas políticas.

Os bancos são essenciais nesta crise, porque por eles passa o dinheiro para as empresas, eles decidem quais vivem e quais morrem. Que não morram eles, o que começa por reconhecer que este ano vão ter prejuízos, em vez de mascararem as perdas futuras atrás das moratórias de crédito que o Governo aprovou. Porque de pagar prejuízos futuros estamos fartos. E, no caso do Novo Banco, até os prejuízos passados. Para o ano isto acaba, na última transferência. Ponham um lembrete na agenda do primeiro-ministro, por favor.

Pedro Santos Guerreiro |  Expresso – 9 de Maio 2020 – in A Estátua de Sal

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https://paginaglobal.blogspot.com/2020/05/portugal-sai-mil-milhoes-para-o-novo.html

A venda contra todos os interesses do País

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Desde que o Novo Banco foi criado que a sua gestão, sob direcção do Banco de Portugal, foi orientada para a preparação da sua alienação.

O Novo Banco não foi valorizado nem reequilibrado. Antes foi gerido no sentido da limpeza do seu balanço com recursos públicos e na minimização da sua estrutura. Essa orientação traduz uma estratégia clara para a sua posterior integração num outro mega-banco.

A gestão foi levada a cabo no sentido de permitir uma libertação gradual de recursos públicos, sem que em nenhum momento os responsáveis políticos tenham assumido a totalidade dos custos advenientes da resolução da instituição. O Novo Banco despediu trabalhadores, diminuiu o número de postos de trabalho, encerrou dependências e balcões e alienou activos em preço de saldo.

A venda do banco, por opção do actual Governo e alinhada com as imposições da Comissão Europeia, determinou a perda de um importante instrumento de política económica e financeira e a sua integral devolução à mesma gestão que o fez colapsar: a privada.

A avaliação dos activos do Novo Banco foi levada a cabo por Felipe Botín, filho de Ana Botin: à época, ele presidia à Lone Star ibérica e ela ao Santander.

A proposta apresentada pela Lone Star foi aceite pelo Governo e pelo Banco de Portugal, implicando uma garantia pública através de um mecanismo de capitalização contingente que podia atingir os 3,9 mil milhões de euros. Tal mecanismo já foi parcialmente consumido – em cerca de dois mil milhões –, o que significa que a conta actual se situa em cerca de sete mil milhões de euros (4,9 mil milhões iniciais mais dois nesta fase, podendo acrescer até 3,98 mil milhões) [valores em Março de 2019 ].

A venda do Novo Banco demonstra, por si só, que a privatização é uma má opção financeira. A operação em si mesma é desastrosa e implica perdas para o Estado que podem fazer ascender a factura do BES/Novo Banco a 10 mil milhões de euros, sem contar com potenciais perdas futuras por responsabilidades em processos judiciais, sendo que muitos estão ainda em aberto contra o Banco de Portugal e o Estado português.

A obsessão anti-público e favorável à gestão privada independentemente dos interesses do País teve, neste processo de venda imposto pela União Europeia e aceite pelo Governo PS, um custo absurdo para o Estado. O mesmo Estado que não se permite a contar o tempo de carreira dos seus trabalhadores, entrega a grupos privados para limpeza de dívidas também privadas, milhares de milhões de euros.

Desde que os maus activos do Novo Banco foram isolados, particularmente depois da venda, que o PCP alerta para a possibilidade de estar a processar-se uma limpeza de dívida em grande escala. Ou seja, empresas como a Lone Star podem estar a servir dois lados de um mundo de corporações privadas: uma pelo lado de um futuro comprador e outra pelo lado dos ex-proprietários ou devedores do BES.

Não existem hoje nenhumas garantias de que oNovo Banco não está a alienar dívidas dos antigos devedores doBES, pagas peloEstado, e ao mesmo tempo a limpar os activos problemáticos para entregar o Novo Banco limpo desse lastro de imparidades a um futuro comprador.

Sublinhados meus

AQUI

 

Via: O CASTENDO https://bit.ly/2yIvKoY

 

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https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/13/a-venda-contra-todos-os-interesses-do-pais/

Portugal | O pagamento ao Novo Banco é justo?

 
 
Pedro Tadeu | TSF | opinião
 
Desde que foi criado, na sequência da resolução do Banco Espírito Santo, o Novo Banco já recebeu 11 263 milhões de euros para se capitalizar. É tanto quanto o custo anual de todo o Serviço Nacional de Saúde.

Os contribuintes já emprestaram ao herdeiro dos restos do antigo BES mais de seis mil milhões de euros. Os outros cinco mil milhões foram entregues de várias maneiras, com uma parte a ir através do Fundo de Resolução.
 
A ideia de criar este tipo de instituições é bem antiga: surgiu na sequência de uma crise financeira nos Estados Unidos em 1907, quando grandes banqueiros como J. P. Morgan perceberam que os bancos deveriam organizar-se de forma a não dependerem dos Estados para resolverem as falências no setor, pois se ficassem a dever favores a Presidentes ou a ministros, as nacionalizações ou outras penalizações seriam inevitáveis.
 
Segundo essa ideia, todos os bancos, em conjunto, deveriam passar a contribuir para um fundo de gestão de possíveis bancarrotas, pois essa era a forma de, sem intervenção do Estado, a opinião pública não entrar em pânico durante uma crise.

O conceito "Fundo de Resolução" surge, portanto, para evitar, sem subsídios do Governo, corridas aos levantamentos de depósitos na banca, impedir vendas massivas, a baixo preço, de ações ou alienações desesperadas de ativos bancários.

 
Cem anos depois, a crise financeira iniciada em 2008 levou a União Europeia a promover uma solução semelhante e é por isso que, em Portugal, o Fundo de Resolução foi criado, em 2012, acabando por ter, a partir de2014, a missão de tratar da falência do BES e do BANIF.

Mas nos anos da criação do Fundo de Resolução os bancos portugueses estavam em dificuldade e as contribuições que se dispuseram a fazer para financiar a nova instituição foram muito baixas.

E é assim que, por falta de fundos, o Fundo de Resolução acaba por pedir ao Estado, todos os anos, dinheiro emprestado para o entregar ao banco que ficou com a parte boa do negócio do BES, de acordo com o contratado na sequência da venda de 75% do capital do Novo Banco à norte-americana Lone Star.

Supostamente boa parte desse dinheiro será um dia pago pelo Fundo de Resolução, com juros, mas tenho dúvidas de que isso venha a acontecer, pelo menos de forma linear e sem transtornos de maior... mas vou fingir que não e dizer que acredito nisso, que pelo menos seis mil milhões de euros voltarão, daqui a uns anos valentes, para o Estado.

Entretanto, a semana passada, o ministro Mário Centeno emprestou mais 850 milhões de euros para ajudar o Novo Banco, isto apesar do primeiro-ministro ter garantido que, este ano, essa tranche só seguiria depois de analisada uma auditoria às contas do banco - e um dia alguém explicará o mistério de um ministro das Finanças não discutir com o seu primeiro-ministro a entrega de uma tão grande quantidade de dinheiro.
 
Por agora direi antes que o pagamento feito há dias ao Novo Banco é quase três vezes superior ao valor gasto durante o último mês pelo Estado, por causa da paragem da economia provocada pela Covid-19, com subsídios para lay-offs e com outros apoios a 98 mil empresas e a 781 mil trabalhadores.

O pagamento feito agora ao Novo Banco acontece com a insuspeita Ordem dos Contabilistas Certificados a ter necessidade de emitir um comunicado sobre o acesso ao financiamento de emergência, para acusar a banca portuguesa de pedir documentos desnecessários e ilegais às empresas.

O pagamento deste ano ao Novo Banco acontece quando a banca em geral está a ser acusada, por empresas de todo o país, de dificultar com uma barreira burocrática a entrega dos créditos bonificados criados pelo Governo.

O pagamento feito agora ao Novo Banco acontece quando está a faltar dinheiro nas tesourarias das firmas e nos bolsos das pessoas.

O pagamento feito agora ao Novo Banco acontece em plena crise do novo coronavírus, com falências e miséria a liquidar empresas e a ameaçar trabalhadores.
 
Se os pagamentos anteriores ao Novo Banco eram polémicos, o da semana passada não pode deixar de ser visto por uma grande fatia de portugueses, aflitos com a crise que está aí, como, simplesmente, imoral.

J.P. Morgan, o banqueiro "inventor" dos Fundos de Resolução que pretendiam garantir a estabilidade e independência face ao Estado do setor financeiro norte-americano, veria, se fosse vivo, algo em Portugal que em 1907 não foi capaz de conceber: uma banca que não só não assegura sozinha a gestão das falências do setor, uma banca que não cuida dos seus, como põe o Estado, os contribuintes e os clientes a financiar essas falências sem correr o risco de ser nacionalizada.

Ainda por cima, esta banca decide impedir com uma barreira burocrática, sem consequências, que se apliquem com rapidez e eficácia políticas de crédito de emergência decididas pelo Governo.

Se J.P. Morgan, há mais de 100 anos, soubesse que havia maneira de a banca poder viver de favores do Estado sem que o Estado nunca os cobrasse, como acontece hoje em dia em Portugal, nunca teria inventado os Fundos de Resolução. Para quê?...
 

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As contas do Montepio

As contas do Banco Montepio de 2019 revelam que a recuperação ainda não se verificou, sendo agora mais difícil devido à grave crise causada pelo “COVID 19” – em 2019, o Ativo líquido, a carteira de crédito, os Capitais Próprios e os Rácios de capital desceram, e o Banco Montepio continua a não transferir lucros para a Associação Mutualista para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicadas no banco

 

 

Neste estudo analiso, apenas com base na informação divulgada no Relatório e Contas do Banco Montepio de 2019, só publicado em 5 de Maio de 2020, a situação real do banco, mostrando, com base nos dados divulgados pela própria administração, que ainda não se verificou em 2019 a recuperação do banco, já que o seu Ativo liquido, carteira de credito, Capitais próprios e Rácios de Capital reduziram-se em 2019. E mostro, também utilizando informação constante do relatório, que os 21,7 milhões € de resultados líquidos apresentados em 2019, não foram conseguidos através da atividade “core” do banco, que é a intermediação financeira (captar depósitos e conceder credito), mas sim por meio de mais -valias obtidas com a venda de títulos de divida publica, portanto receita aleatória associada a uma atividade que pode ser considerada especulativa. No meio de toda esta situação difícil, o rácio positivo é o de liquidez -LCR – que apresenta um valor de 179,9%, portanto muito acima do mínimo exigido pelo Banco de Portugal que é 100%, o que mostra que a situação do banco neste campo é confortável o que dá segurança aos depositantes do banco.

E concluo o estudo com as seguintes palavras que deixo fundamentalmente para reflexão dos 620.000 associados do Montepio: “É urgente alterações profundas no grupo Montepio e uma gestão renovada só possível com uma nova administração da Associação Mutualista (AMMG), baseada numa unidade abrangente que tenha a confiança dos associados. Apesar dos problemas que se acumulam no Banco Montepio, o Banco de Portugal nada fez e faz, e o Ministério do Trabalho, que tem em seu poder um projeto de Estatutos há quase um ano para se pronunciar, o que não fez, permitindo o agravamento da situação na Associação Mutualista (AMMG). Ambos – Banco de Portugal e Ministério do Trabalho, e o próprio governo, são responsáveis pelo que acontecer no grupo Montepio. Depois não podem dizer que não sabiam.

Espero que este estudo possa contribuir para a mobilização dos associados do Montepio e da opinião publica na defesa do maior grupo mutualista, a viver uma situação difícil devida à gestão ruinosa da administração de Tomás Correia, que deixou uma pesada herança, e que faça os supervisores (Banco de Portugal e Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social) atuarem para defender o grupo Montepio e os 3.000 milhões € de poupanças que os associados têm nele. O silencio e  passividade só têm contribuído para agravar a situação como prova este estudos e a não divulgação das Contas de 2019 da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG).

 

 
 
 
 

Estudo

As contas do Banco Montepio de 2019 revelam que a recuperação ainda não se verificou, sendo agora mais díficil devido à grave crise causada pelo “COVID 19” – em 2019, o Ativo líquido, a carteira de crédito, os Capitais Próprios e os Rácios de capital desceram, e o Banco Montepio continua a não transferir lucros para a Associação Mutualista para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicadas no banco

Depois de vários meses de espera, o que só serviu para gerar preocupações nos associados, e também porque a Associação Mutualista continua a não divulgar as suas contas de 2019, uma opacidade que não se compreende num grupo mutualista que devia ser um exemplo de transparência, o Banco Montepio divulgou em 5 de Maio as Contas de 2019.

É com base apenas na informação pública disponibilizada pela respetiva administração que vamos fazer uma análise objetiva da situação do Banco Montepio para que os associados fiquem a conhecer não só qual é a situação real do banco mas também os resultados dos esforços feitos para a sua recuperação (é preciso não esquecer que o Banco Montepio tem mais de 70% das poupanças dos associados e é a principal garantia dessa poupanças). Mas, em 2019, as reclamações dos clientes aumentaram em 41,1% atingindo 5.685 (pág. 29 do RC-2019), o que mostra que alguma coisa vai mal no funcionamento do Banco Montepio e não são apenas as contas e os resultados apresentados que vamos analisar.

 

A redução do Ativo Líquido, da carteira de crédito e dos capitais próprios continuou em 2019, e aumentou a ineficiência na utilização das disponibilidades e o risco

O quadro 1, com dados dos Balanços, dá uma fotografia do Banco Montepio no fim de cada ano do período considerado (2015/2019), permitindo que se fique a saber se está ou a não a verificar a recuperação do Banco Montepio, após a gestão ruinosa da administração de Tomás Correia, que destruiu enorme valor, deixando uma pesada herança difícil e de demorada recuperação.

 

Quadro 1 – Balanço consolidado da CEMG/Banco Montepio – Dez.2015/Dez. 2019

 
NOTA: Em 2019, fazem “reexpresso” (abrem) das contas de 2018, e nestas reduzem o Ativo em cerca de 20M€; através redução da carteira de crédito, e também os Capitais Próprios de 1536M€ para 1516M€ e o Rácio Capital Total de 14,1% para 13,9%

A primeira conclusão importante que se tira dos dados do quadro anterior é a redução, todos os anos, do valor do Ativo líquido do Banco Montepio, ou seja, daquilo que ele possui e tem a haver, o que significa uma redução continuada da sua importância e peso no contexto da banca a operar em Portugal. Em 4 anos, o Ativo líquido do Banco Montepio reduziu-se em 16,1% (-3.405 milhões €).

Um aspeto ainda mais preocupante é a redução do negócio bancário traduzida na redução, todos os anos, da sua carteira de crédito. Em 4 anos (2015/2019) a quebra na carteira de crédito líquido atingiu 21,8% (- 3.198 milhões €). Só em 2019, a redução foi de 526 milhões €. Se deduzirmos a carteira vendida neste ano (321 milhões €) os “write-off” (90 milhões €, crédito abatido ao ativo por ser considerado totalmente pedido), o que soma 411 milhões €, e a redução foi de 526 milhões €. Isto significa (a diferença) que o novo crédito concedido não está a ser suficiente para compensar o crédito liquidado e o crédito amortizado, o que é dramático em termos de futuro para o Banco Montepio.

O banco está a perder quota de mercado, a favor de outros e, a continuar, o banco perderá valor garantindo cada vez menos as poupanças dos associados que estão investidos nele – cerca de 2.500 milhões € – e não gerará lucros que possam ser transferidos para Associação Mutualista para remunerar as poupanças dos associados investidas no banco. Há mais de 5 anos que a Associação Mutualista não recebe qualquer rendimento do banco por essas poupanças, com consequências graves não só para a AMMG mas também para os associados, e se se mantiver o tipo de gestão é de prever que isso possa acontecer por mais anos.

A confirmar uma gestão que não tem conseguido rentabilizar os meios financeiros que dispõe estão mais dois indicadores importantes (quadro 1). O primeiro, é o Rácio de transformação, que se obtém dividindo o crédito líquido pelos depósitos, e que dá quantos euros de crédito o banco concede por cada 100€ de depósitos que obtém. Entre 2016 e 2019, o “Rácio de transformação” diminuiu de 111% para 91,5%. Isto significa que, em 2016, por cada 100€ de depósitos a Caixa Económica emprestou às famílias e empresas 111€ e, em 2019, por cada 100€ de depósitos o crédito concedido foi apenas de 91,5€. Há uma a parcela de depósitos que ficam “improdutivos” por falta de capacidade em conceder crédito (num contexto difícil, a desmotivação da rede comercial é grave).

Outro dado que confirma esta incapacidade de gestão são os elevados montantes imobilizados em “Caixa e Bancos Centrais+ aplicações em outras instituições de crédito + aplicações em títulos” que somavam, no fim de 2019, 6.459 milhões €. Deste total, e isso é extremamente preocupante, pelo elevado risco que determina para o Banco Montepio, interessa referir as aplicações em “Títulos e outros instrumentos” que, em Dez. 2019, totalizavam 3.179 milhões €, o que correspondia 17,9% do Ativo liquido total o que determina riscos enormes para o Banco Montepio (de taxa de juro e mesmo cambiais, para não falar de outros riscos que, se evoluírem negativamente, podem determinar importantes menos-valias, causando prejuízos significativos ao banco).

Outro dado importante, para o qual é necessário chamar a atenção pelo que significa é a redução dos Capitais Próprios (diferença entre Ativo e Passivo) do Banco Montepio. Entre 2017 e 2019, os Capitais Próprios reduziram-se de 1.730 milhões € para apenas 1.452 milhões €, ou seja, “desapareceram” 278 milhões €, devido a imparidades e menos-valias que foram contabilizadas diretamente na conta de Capital indo diretamente para “Reservas” que, no fim de 2019, eram negativas atingindo o enorme montante de -920 milhões €.

O Capital Social do Banco Montepio, que é o investimento feito pela Associação Mutualista no banco (há ainda mais 150 milhões € em divida subordinada), fundamentalmente com as poupanças dos associados somava, em 2019, 2.420 milhões €, mas o valor de Capitais atribuídos ao acionista era apenas de 1.452 milhões €, ou seja, menos 968 milhões €, e são a maior parte poupanças dos associados que “desapareceram”. Esta redução dos Capitais Próprios do Banco Montepio levanta um problema com consequências graves para AMMG. O Banco Montepio está valorizado nas contas da Associação Mutualista por 1.877 milhões € mas, de acordo com as contas do próprio banco, o seu valor é apenas de 1.452 milhões €, ou seja, está sobreavaliado nas contas da Associação Mutualista em 425 milhões €.

Se esta diferença for contabilizada como imparidades nas contas da AMMG, como devia ser pois corresponde à situação real, esta apresentará em 2019 prejuízos de cerca de 400 milhões €. E se deduzirmos ao Ativo os “impostos diferidos ativos (808M€ em 2018, que não são ativos verdadeiros nem reais), a AMMG apresentaria uma Situação líquida negativa enorme. Daí a razão do atraso na apresentação das contas de 2019.

Este é um problema grave que levantei na última assembleia geral de associados e que o presidente me procurou responder alegando que ele tinha como base um plano de negócios do banco que permitiria recuperar esse valor. O mesmo argumento foi utilizado pela KPMG para dar cobertura à gestão de Tomás Correia. Mas nem a Associação Mutualista nem o Banco Montepio cumpriram alguma vez o plano de negócios e é de prever que aconteça o mesmo no futuro. Esperemos o que a PcW, que é o novo auditor do banco e da Associação, fará. Estamos aqui para ver. Já conhecemos a atuação da KPMG e os seus resultados.

 

O Banco Montepio está a se manter à custa dos depositantes, que são na maioria associados, e não de rendimentos obtidos com a concessão de crédito, e os lucros reduzidos têm como fonte mais-valias e não a atividade “core” do banco

O quadro 2, com dados da Demonstrações de Resultados consolidados do Banco Montepio do período 2015/2019, permitir conhecer as origens dos valores constantes dos Balanços (quadro 2)

 

Quadro 2 – Demonstrações de resultados consolidados da CEMG – Banco Montepio – 2015 /2019

 

A Margem Financeira, que tem como fonte a atividade “core” (por excelência) de um banco como é o Banco Montepio tem diminuído todos os desde 2017. E a redução não tem sido maior devido a redução enorme dos juros pagos aos depositantes, superior à queda dos juros recebidos em operações ativas (crédito).

Entre 2015 e 2019, os juros de operações ativas registaram uma redução de 327 milhões € (só entre 2918 e 2019, os juros de crédito caíram de 313,7 milhões€ para 279,6 milhões €), enquanto os juros de operações passivas (principalmente de depósitos) registaram uma diminuição de 336 milhões € (entre 2018 e 2019, a taxa de juro média paga pelos depósitos diminuiu de 0,45% para apenas 0,28%, e juros pagos pelo banco aos depositantes diminuíram de 56,9M€ para 34,7M€). Foram principalmente os depositantes (a maioria associados do Montepio), que suportaram os efeitos da falta de negócio bancário (diminuição do crédito), e da incapacidade para o aumentar, embora fazendo uma análise rigorosa do risco o que, durante a administração de Tomás Correia, não foi feito com consequências ruinosas para todo o grupo Montepio e, em particular, para os associados cujas poupanças tiveram de suportar os prejuízos.

Para compensar a quebra nas receitas resultante da redução na concessão de crédito, o Banco Montepio, à semelhança de outros bancos, aumentou as comissões muitas delas sobre os depositantes. Em 2019, as receitas brutas de comissões atingiram 148 milhões €, sendo 102,6 milhões € de “serviços bancários” e as Comissões líquidas, após a dedução dos encargos, foi de 122 milhões €, superior à de 2018 em 4 milhões € (+ 3,4%).

O “Produto bancário core”, que é aquele que constitui a atividade principal de um banco comercial, como é o Banco Montepio, e que resulta da soma da Margem financeira com a receita das Comissões liquidas, a partir de 2017 tem diminuído, incluindo 2019 (menos 8 M€ do que 2018). O aumento do Produto bancário verificado em 2019 (+ 52 milhões € do que 2018) resultou não da atividade “core” do banco, mas fundamentalmente de mais-valias obtidas em “Ativos financeiros” (os resultados das operações financeiras fixaram-se em 49,9 milhões €, valor que compara com 10,9 milhões € contabilizados em 2018”, como consta pág.88 do RC-2019), portanto uma atividade essencialmente especulativa, pois nuns anos dá lucro (mais-valias) enquanto em outros dá prejuízos (menos-valias) que podem por em perigo a estabilidade do próprio banco, tendo em conta que os “ativos financeiros” têm um peso enorme no Banco Montepio. É fácil de concluir só foi possível apresentar um resultado líquido positivo de 24,2 milhões € devido aos 49,9 milhões € obtidos com operações financeiras resultantes de mais valias obtidas com os títulos até porque foi necessário reforçar o Fundo de Pensões devido a alteração dos pressupostos atuariais (entrega adicional de 22M€).

 

Em 2019, os custos operacionais baixaram 3%, mais os custos com pessoal aumentaram 1% devido à subida dos custos com administrações entre 74% e 87%

No Banco Montepio (quadro 2) verificou-se uma forte diminuição dos custos operacionais. Entre 2015 e 2019, a redução nestes custos foi de 105 milhões € (-29,2%), que foi conseguida fundamentalmente nos “custos com pessoal” (-46 milhões €) e nos “gastos gerais administrativos” (-63 milhões €). Esta diminuição resultou da redução de 308 trabalhadores só em Portugal e do fecho de 89 balcões. Mas, em 2019 registou-se um enorme aumento de custos com as administrações (quadro 3).

 

Quadro 3 – A repartição dos custos com pessoal pelos trabalhadores e pelas administrações

 

Os dados do quadro 3 não necessitam de comentários, mas merecem uma reflexão quer pelos associados do Montepio, quer pela própria administração, até pelos fracos resultados obtidos pelo Banco Montepio. Note-se que o quadro 3 refere apenas os custos das administrações que constam do RC-2019 (pag.200/201), e não inclui os custos de outros órgãos sociais que estão incluídos nos da 1ª linha do quadro.

As remunerações de cada um dos 16 membros do conselho de administração atual (substituíram também o Conselho Geral de Supervisão ficando muito mais caro para o banco sem qualquer aumento de eficiência, pelo contrário), que são tantos como na CGD, um banco 5 vezes maior estão na pág.622 do RC-2019 para quem estiver interessado. Os administradores executivos têm remunerações que variam entre 18.173€ e 28.673€/mês, e os não executivos (7) recebem 9.000€/mês. Como vários administradores são também administradores nas subsidiárias interessava saber se algum recebe remuneração por isso, e porquê, mas o relatório não tem essa informação mas era importante que tivesse por uma questão de transparência e porque é uma matéria sensível para os associados até devido ao aumento excessivo dos custos com as administrações.

 

Aumento 45,3% nas imparidades em 2019, e resultados líquidos reduzidos

Apesar da venda maciça de carteiras de crédito não produtivo (em 2018 e 2019, 560 milhões €), de imobiliário (198,5 em 2019) e de enormes write-offs (só em 2019 foram abatidos ao Ativo 90 milhões € de crédito por terem sido considerados totalmente perdidos), apesar de toda esta “limpeza” mesmo assim o Banco Montepio teve de constituir, em 2019, mais 141 milhões € de imparidades (+45,3% do que em 2018), que resultou principalmente da aplicação de modelos de cálculo de imparidades mais rigorosos segundo o BM. Como consequência o custo de risco de crédito duplicou ente 2018 e 2019 (subiu de 0,5% para 1%).

E isto apesar da redução dos NPE (créditos improdutivos) para 12,2%, embora continue a ser um valor ainda elevado (muito superior ao de outros bancos), só conseguido à custa da venda de carteiras de crédito e de “write-off”. Como consequência, o Resultado líquido em 2019 foi apenas de 24,2 milhões €, só possível com mais-valias de 49 milhões € obtidos operações com ativos financeiros. Mais um ano, a juntar a muitos, que o Banco Montepio não faz qualquer transferência para AMMG para esta poder remunerar as poupanças dos associados aplicados no Banco Montepio (mais de 2500 milhões €).

 

A queda de todos os rácios de capital em 2019, quando no setor sobem, que estão nos mínimos exigidos pelo supervisor e o risco de nova recapitalização do Banco Montepio

Um aspeto preocupante é a queda de todos os rácios de capital em 2019 (entre 2018/2019, CET 1 e o Tier 1 passaram de 13,5% para 12,4%; e o Rácio Total de 14,1% (o não “reexpresso”) para 13,9%, muito próximo dos 13,875% mínimo exigido pelo Banco de Portugal- quadro 2), o que limita a capacidade do banco para conceder crédito. Mesmo este baixo Rácio total só foi conseguido à custa da injeção, pela Associação Mutualista, de 100 milhões € em 2019. A criação orgânica interna de capital por meio de lucros tem sido muito reduzida no BM como mostram os Resultados líquidos dos últimos anos.

O Banco Montepio tem contabilizado enormes imparidades e menos-valias que, embora não passando por “Resultados” (vai diretamente a Capital), por isso não tem sido visível para a opinião publica e associados (em “Reservas” estão 990 milhões € de “prejuízos”) mas que, no entanto, têm destruído o capital do Banco Montepio. Os Capitais Próprios do Banco Montepio diminuíram, entre 2017 e 2019, em 311 milhões € (passaram de 1763 milhões€ para apenas 1452 milhões€), o que tem criado graves dificuldades ao banco para cumprir os rácios de capital mínimos exigidos pelo Banco Portugal.

A redução do Ativo ponderado pelo risco (RWA) por meio da venda de carteiras de crédito e outros ativos, e de aplicações em divida publica, considerada pelo supervisor de risco zero, tem sido o meio utilizado. Mesmo assim os rácios de capital estão nos mínimos exigidos pelo Banco de Portugal e se não fosse a flexibilidade dos supervisores motivada pela crise do COVID 19 (“No que respeita às componentes de capital e liquidez, em linha com a decisão tomada pelo BCE para as instituições significativas, o Banco de Portugal autorizou que as instituições de crédito menos significativas sujeitas à sua supervisão, onde se inclui o Banco Montepio, operem, de forma temporária, com um nível inferior à da recomendação de fundos próprios – Pillar 2 Guidance – e da reserva combinada de fundos próprios, e com níveis de liquidez inferiores ao requisito do rácio LCR” – pode-se ler na pág. 65 do RC-2019) certamente haveria necessidades de nova recapitalização do Banco este ano o que criaria graves dificuldades à Associação Mutualista.

O rácio em que o Banco Montepio continua com uma situação confortável é o de liquidez – LCR – que, no fim de 2019, apresentava o valor de 179,9%, acima do mínimo exigido pelo Banco de Portugal que é 100% ou 110%, embora muito dependente dos depósitos dos “institucionais” que envolve elevado risco, o que simultaneamente dá confiança aos clientes e é um sinal que estes continuam a confiar no BM, o que é positivo, no entanto tal valor de rácio também é um indicador de ineficiência pois revela que há liquidez em excesso que não é aproveitada para conceder credito também devido aos reduzidos rácios de capital.

 

Um plano de transformação cujos resultados ainda não são visíveis

Um dos principais objetivos da atual administração era a implementação do “Plano de transformação”, mandado  fazer a uma consultora externa, com um custo muito elevado, que iria permitir uma rápida recuperação do banco. Um dos pilares mais importante desse plano foi a transformação do Montepio Investimentos no Banco de Empresas Montepio. Com a sua criação pretendia-se entrar num nicho de mercado, dizia-se não explorado pelos outros bancos, com grande capacidade de crescimento. Mas os resultados obtidos até data foram reduzidos, estando aquém das expectativas que tinham os seus defensores, como revela o quadro seguinte (pág. 58 do RC-2019).

 

O Banco de Empresas Montepio (BEM) em 2019 registou um aumento de crédito de apenas 48,3 milhões €, um Produto bancário apenas de 2,5 milhões €, portanto inferior ao 2018 que foi de 2,7 milhões €, e Resultados operacionais negativos de -0,5 milhões€. E embora não seja claro porque essa informação não consta do relatório deve incluir já imparidades e menos-valias. O Montepio Investimentos, que foi a empresa donde surgiu o Banco de Empresas Montepio, apresentou nos últimos anos sempre resultados positivos como revelam os dados quadro.

É importante chamar a atenção para o aumento dos custos operacionais que, entre 2018 e 2019, mais que duplicaram. É uma situação, a do BEM, que exige um acompanhamento muito grande para saber se ele cumpre os objetivos ou então é necessário parar com tais custos. No entanto, como vai ser publicado brevemente um relatório do BEM então com base nele farei uma análise mais fundamentada dos seus resultados, ficando esta nota apenas como alerta para um problema que preocupa os associados.

 

Um banco que não remunera as poupanças dos associados e supervisores (BdP e MTSS) que não atuam permitindo o agravamento da situação no Montepio, e a urgência de renovação

Embora em clara violação da lei, que não permite que uma Associação Mutualista tenha aplicado numa única empresa mais de 10% do valor do seu Ativo, mas o Banco Montepio (BM), antes CEMG, tem mais de 66% do valor do Ativo da AMMG, e há anos que não transfere quaisquer lucros para a Associação Mutualista para esta remunerar as poupanças dos associados (72% estão investidos no banco). Em 2019, isso aconteceu novamente e é de prever que se não verificar uma alteração importante no BM aconteça por mais anos, já que o contexto para a banca, e ainda mais para o Banco Montepio, por ser um banco mais pequeno, se agravou imenso com a crise do “coronavírus” tornando os planos de negócios do BM, que ignoram os efeitos desta crise (ver ponto i da pág. 236 do RC-2019) meros desejos de difícil concretização. Os resultados alcançados pela atual administração nos dois últimos anos reforçam essa conclusão.

Assim, alterações profundas no grupo Montepio e uma gestão renovada só possível com uma nova administração da AMMG, baseada numa unidade abrangente que tenha a confiança dos associados são urgentes. Apesar dos problemas que se acumulam no Banco Montepio, o Banco de Portugal nada fez e faz, e o Ministério do Trabalho, tem em seu poder um projeto de Estatutos há quase um ano para se pronunciar, o que ainda não fez, permitindo o agravamento da situação na Associação Mutualista. Ambos são responsáveis pelo que acontecer no Montepio.



 

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/as-contas-do-montepio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=as-contas-do-montepio

Sai mil milhões para o Novo Banco

(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso, 09/05/2020)

O primeiro-ministro sabe tudo. Sabe de cor os apoios a sócios-gerentes e a recibos verdes, o número de disciplinas nas escolas e de máscaras nos transportes públicos, o que vai acontecer nas praias e nos festivais de música, o primeiro-ministro nunca é apanhado em falso numa entrevista. Só não sabe uma coisa: que foram transferidos mil milhões para o Novo Banco.

O mesmo primeiro-ministro que não diz gastar um cêntimo na TAP sem controlar não controla cem mil milhões de cêntimos para o Novo Banco.

 

Está tudo errado. É chocante saber que nem António Costa abriu os olhos para o dinheiro nem o ministro das Finanças pestanejou em transferi-los. É claro que a oposição vai pôr em causa a justiça na repartição de sacrifícios na pandemia. E é previsível que agora se diga e sublinhe e repita que “para os bancos há sempre dinheiro”. Até porque é verdade. Como verdade é o seguinte: já não podia ser de outra forma, porque todo o sistema de apoios ao Novo Banco foi assim montado.

Chamar ‘banco bom’ ao Novo Banco foi como chamar ‘Pai Natal’ a quem dá presentes. Ambos não existem. O ex-BES carregou milhares de milhões em créditos maus que foi vendendo ao preço da uva mijona, pois era mesmo uva que não poderia dar vinho. Fê-lo porque era preciso. E fê-lo porque pôde: havia capital garantido no Fundo de Resolução (outro nome ‘Pai Natal’, aliás, para dizer que o dinheiro financiado pelo Estado não é do Estado) para cobrir os prejuízos daí resultantes. E como eles se têm empilhado nos últimos anos.

O acordo foi feito com Bruxelas e só tinha, em geral, duas alternativas: ou se deixava o banco falir ou se fazia um aumento de capital gigante à cabeça. Optou-se por garantir o capital ao longo de alguns anos, na esperança, aliás, de que ele fosse vendido. Foi, é verdade; a Lone Star ficou com 75% de mil milhões de euros, que hoje o banco não vale. E nós fomos enchendo a vala às pazadas de mil milhões. É quase tudo dinheiro do Estado, tirando as contribuições de outros bancos, contrariados em subsidiar um concorrente que se aniquilou enquanto BES. Acredita que os bancos vão pagar ao Estado o dinheiro agora emprestado durante 30 anos? Eu não, mas espero estar cá para ver.

No acordo desenhado em 2017 com o BCE, o Novo Banco conseguiu o que provavelmente nenhum banco do mundo tem: que injeções futuras de capital, por estarem garantidas pelo Estado, já contem como capital. Foi assim que os rácios em 2019 foram cumpridos, já incluíam a injeção de mil milhões que fantasmagoricamente foi processada esta semana. E se não tivesse sido feita? Bom, então o banco entrava instantaneamente em processo de recuperação. Percebe a armadilha?

O Novo Banco está a ser salvo por uma máquina comercial com grande força nas empresas e com vendas de ativos tóxicos que supostamente não existiam, que causam prejuízos, que forçam aumentos de capital. Em tempos de pandemia, esperar-se-ia que o Governo pelo menos reduzisse a fatura, diluindo-a por mais anos. O ministro das Finanças percebeu que estava de mãos atadas e o primeiro-ministro de olhos vendados. E como não sabe como há de explicar isto aos portugueses que estão a sofrer na pele a crise económica brutal, há de fazer piruetas políticas.

Os bancos são essenciais nesta crise, porque por eles passa o dinheiro para as empresas, eles decidem quais vivem e quais morrem. Que não morram eles, o que começa por reconhecer que este ano vão ter prejuízos, em vez de mascararem as perdas futuras atrás das moratórias de crédito que o Governo aprovou. Porque de pagar prejuízos futuros estamos fartos. E, no caso do Novo Banco, até os prejuízos passados. Para o ano isto acaba, na última transferência. Ponham um lembrete na agenda do primeiro-ministro, por favor.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Dona do Banco Montepio contratou Paulo Pedroso (mas rejeita influência das ligações ao PS)

Paulo Pedroso

O antigo ministro socialista Paulo Pedroso foi contratado em Abril pela Associação Mutualista Montepio, a dona do Banco Montepio. Uma contratação que aumenta a influência de elementos ligados ao PS no seio da instituição numa altura em que as contas estão mais complicadas.

 

Paulo Pedroso foi contratado para realizar estudos na área do mutualismo e da economia social e a Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) assegura que “a escolha resulta, estritamente, da identificação de competências em sociologia do trabalho e no domínio da economia social”, como adianta em nota ao Eco.

“A colaboração não visa quaisquer outros objectivos” que não a elaboração de estudos, frisa a dona do Banco Montepio, descartando que esteja, de algum modo, relacionada com a influência do PS no seio da instituição.

Entre os dirigentes da AMMG há várias figuras ligadas ao PS, nomeadamente Maria de Belém e Luís Patrão.

Paulo Pedroso anunciou a saída do PS em Janeiro passado, notando que tinha deixado de ser militante antes das eleições legislativas de Outubro, sem avançar razões para essa decisão.

Além de ter sido dirigente do PS, Pedroso é casado com a actual presidente do grupo parlamentar socialista, Ana Catarina Mendes, que, em termos políticos, é uma das figuras mais próximas de António Costa.

Estes dados levam algumas pessoas a sublinhar que a sua contratação “vem acentuar a influência socialista numa altura de maior aperto na AMMG”, como aponta o Eco. Uma versão rebatida pela Mutualista que assegura que Pedroso vai limitar-se a realizar “estudos concretos de âmbito mutualista e de economia social”.

A dona do Banco Montepio ainda não apresentou as contas de 2019.

Já o Banco Montepio revelou, na semana passada, um aumento dos lucros em quase 60%, para 21,7 milhões de euros, mas já divulgou que a pandemia de covid-19 deverá obrigar a uma revisão do plano de negócios.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/dona-montepio-paulo-pedroso-influencia-ps-323727

Novo Banco – Se o Estado paga, o Estado deve gerir

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O afundamento doBanco Espírito Santo, a criação doNovo Banco, a medida de resolução e a venda ao fundo especulativo Lone Star custaram ao País, até ao momento, cerca deoito mil milhões de euros,mas a factura pode crescer.

O PCP defende desde o início do processo que o banco regresse ao controlo público, mas PS, PSD e CDS têm-no impedido.

Os actuais problemas do Novo Banco são inseparáveis das opções políticas e das responsabilidades quer do governo PSD/CDS, quer da União Europeia (EU) que, ao contrário do que defendeu o PCP, decidiram aplicar uma medida de resolução ao BES sem congelar e tomar controlo público dos bens do grupo Espírito Santo.

Ao mesmo tempo que mentiam aos portugueses sobre uma suposta inexistência de custos da resolução, PSD/CDS determinavam a nacionalização do prejuízo para proceder à limpeza do balanço do Banco e à sua posterior entrega a um qualquer grupo económico, como veio a acontecer em Outubro de 2017, quando o PS decidiu pela venda ao fundo Lone Star.

A submissão às instituições da União Europeia tem como consequência uma concentração cada vez mais acentuada da propriedade bancária e da perda de soberania nacional nos planos económico e financeiro, impedindo opções que permitam a integração do Novo Banco no sector público bancário.

Tal opção, a única que defende o interesse nacional e a estabilidade do sistema financeiro, implica um confronto com essas imposições que o PCP nunca escamoteou.

Pelo contrário, sempre o tem afirmado como imperativo patriótico.

AQUI

 

Via: O CASTENDO https://bit.ly/3602PsJ

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/11/novo-banco-se-o-estado-paga-o-estado-deve-gerir/

As forças centrífugas

As grandes manobras ao redor do BCE começaram desde que o Tribunal de Karlsruhe iniciou as hostilidades,  apanhando todos de surpresa Como parar a dinâmica de desmantelamento da Europa, que brutalmente  se acentuou com seu ultimato de três meses?A resposta não foi encontrada.
 
As reações calorosas reunidas peloFinancial Times entre os governadores do BCE não representam uma resposta.Para eles, não há como responder à acção de um tribunal que não tem o banco central sob sua jurisdição. O argumento levantado, é o do paradoxo de que aqueles que foram  os mais firmes defensores de sua independência  agora a desrespeitam … Para descartar a questão, poderia confiar se ao Bundesbank a respostar ao tribunal.Isso implicaria que Jens Weidmann viesse a defender a política do BCE com a qual há muito se distancia.  
Acreditar que isso seria suficiente para apagar o fogo é deixar de entender os fundamentos do julgamento dos juízes de Karlsruhe.Sob aparências inócuas, a “proporcionalidade” a que se referem é um conceito do direito fundamental alemão.No presente caso, aplica-se à razão entre os 2.000 bilhões de euros em compras de títulos do BCE e o ligeiro aumento da inflação, que é a justificação  oficial.Os juízes colocam o dedo na ferida : os objetivos perseguidos pelo BCE não têm por objectivo a sua missão que é a estabilidade de preços Demonstrar o contrário será muito difícil. Angela Merkel será chamada para tomar posição, mas ela não será capaz de fazer muito.

Os problemas são imensos, o contexto está a piorar com as previsões económicas da Comissão, que anuncia uma recessão sem precedentes e alerta que “o perigo de uma recessão mais profunda e mais longa o que é muito real”.A queda é certa ,mas, qual será a recuperação?As previsões nesta área são otimistas demais para serem honestas e apenas esperam para serem desmentidas pelos fatos.Enquanto continua a discussão sobre a recuperação, relaciona-se com as modalidades e o montante dos meios que serão divulgados a nível europeu.Nada garante o seu final feliz até o momento, pois tudo sugere uma decisão má, que será considerada um grande passo à frente.
A Comissão alertou que “existem graves distorções no mercado único e profundas diferenças económicas, financeiras e sociais entre os Estados membros da área do euro, que podem ameaçar a estabilidade da união económica e monetária”.Estas distorções no mercado único não são uma questão pequena.As regras da comunidade em matéria de ajuda pública foram relaxadas para permitir que os estados salvassem as suas empresas estratégicas  em necessidade.Mas alguns países têm mais meios financeiros do que outros, este é o caso da Alemanha em primeiro lugar, cuja ajuda representa até hoje um terço dos 1,9 trilhões de euros gastos em l ‘União Europeia na última pontuação.Se, no final da crise atual, isso não representa uma distorção de fato da concorrência,o que é então? Mais um passo na integração europeia,  em que haverá vencedores e perdedores no mercado único.

 

 

 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/05/08/as-forcas-centrifugas/

Descodificador

A primeira linha de atuação da política monetária do Eurosistema assentou na disponibilização de liquidez em larga escala ao sistema financeiro (...) [F]oram alteradas as condições das operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas (TLTRO III), a vigorar entre junho de 2020 e 2021, cuja taxa de juro pode chegar a -1%, o nível mais baixo alguma vez disponibilizado pelo BCE, e que permite que os bancos tenham acesso a montantes mais elevados de financiamento do que anteriormente (...) A segunda linha de atuação da política monetária do Eurosistema passa pela compra de grandes volumes de dívida do setor público e do setor privado, para permitir que todos os setores da economia possam aceder a financiamento em condições favoráveis (...) Ao disponibilizarem liquidez em larga escala aos bancos e ao adquirirem grandes volumes de dívida pública e privada, os bancos centrais do Eurosistema, incluindo o Banco de Portugal, estão a assegurar que as instituições de crédito dispõem de condições e incentivos para financiarem, em condições favoráveis, as empresas e as famílias, mesmo num contexto desafiante como o que resulta da pandemia de Covid-19. Estas medidas de política monetária mostram que os bancos centrais da área do euro farão tudo o que for necessário no âmbito do seu mandato para evitar que a crise causada por esta emergência sanitária traga restrições ao financiamento à economia como um todo. 

Excertos do útil “descodificador” do Banco que não é de Portugal “como a política monetária está a ajudar a combater os efeitos da pandemia”.

No entanto, o descodificador tem de ser descodificado: quem é que está mesmo a ser ajudado?

O “eurosistema” foi desenhado para colocar os bancos acima dos Estados em termos de condições de financiamento, ajudando os primeiros de forma clara. Não há ali qualquer menção ao financiamento dos Estados, até porque o financiamento directo, no mercado primário, e o financiamento monetário são proibidos pelos tratados.

Se, como dizia Hegel, a verdade está na totalidade, aqui está tudo codificado na fórmula “financiamento à economia como um todo”. Os Estados são o todo, mas o financiamento aos Estados é indirecto, mediado pelos bancos.

Obviamente, sabemos que o BCE tem o controlo sobre as taxas de juro e que, no contexto das suas compras de dívida, parte do que a República pagar pela dívida pública acabará por ser devolvido ao Ministério das Finanças em dividendos pagos pelo Banco que voltará a ser de Portugal.

Cuidado, coisas destas preocupam os alemães, quando falamos de países do Sul em momentos de crise.

Entretanto, sabemos que são os Estados que estão em melhores condições para gerar a despesa que suporta os rendimentos e as condições literalmente de vida da população, que os bancos terão de ser salvos pelos Estados ou que, neste contexto de incerteza, são poucos os que no sector privado procurarão crédito. Quem é que vai investir com tanta capacidade produtiva instalada por utilizar?

No BCE dizem que a sua actuação tem de ser conforme com os mercados, velha fórmula ordoliberal, marketkonform, pura ideologia. Os mercados já teriam colapsado, reparem. Como fazer algo conforme com um arranjo que depende da acção pública? Através da acção pública pós-democrática.

E os Estados têm de ir aos “mercados”, pagando taxas de juro reais positivas por emissões de dívida, excepto se forem a Alemanha, a quem se paga para financiar sempre que as coisas apertam: as taxas de juro das obrigações alemãs a dez anos registam valores negativos.

Já, por exemplo, na ilha que se libertou da UE e que sensatamente nunca aderiu ao Euro, não é assim: o Banco de Inglaterra pode creditar uma conta do Tesouro para que este possa rapidamente realizar a despesa de que necessita e sem deixar lastro de dívida. É tão simples e decente que a mente, enredada nestes códigos do Eurosistema, bloqueia.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Não deixam a caixa ser banco público


Desde 2011 que Bruxelas quer privatizar a Caixa e continua a querer. Em 2011, Teixeira dos Santos resistiu e a contrapartida foi a venda da Fidelidade [ao grupo chinês Fosun], que era da CGD. E lembro que no quadro das negociações que em 2016 levaram ao aumento de capital da Caixa, Bruxelas condicionou a aprovação a que o grupo não possa fazer política pública. O Governo comprometeu-se mesmo a garantir que a Caixa funcionaria como banco privado.

Até podíamos ser nós, embora não usemos a palavra negociação, mas é António Nogueira Leite, em entrevista ao Público de hoje, ou seja, um dos economistas que roda há muito por uma multiplicidade de conselhos de administração de grandes empresas com poder político e que, quando as coisas apertarem, já está pronto para ir à televisão com o façam força que eu gemo, porque não há alternativa que não passe por obedecer ao eixo Bruxelas-Frankfurt.

Foi este tipo de economista que aliás justificou a seu tempo a bondade deste tipo de dependência. E como tem sido boa a banca privada, como tem sido óptimo o euro e maravilhosa a circulação internacional de capitais, tara que se mantém, reparem, mesmo quando as pessoas não podem circular.

E este tipo de economista tem sempre palco por toda a comunicação social. É uma versão ideológica dos círculos viciosos discutidos na economia do desenvolvimento. Já agora que refiro o palco, reparem em Paulo Portas, a versão todos os negócios são estrangeiros disto, todos os dias na TVI, em horário nobre, a perorar sem contraditório sobre uma mixórdia de temáticas pandémicas, com José Alberto Carvalho a assessorar. Uma vergonha ético-política.

Bom, continuando: Nogueira Leite até concede a necessidade de uma certa flexibilização do brutal condicionamento de Bruxelas à acção da CGD, em resposta a uma questão muito atenta de Cristina Ferreira.E até consegue dizer, vejam lá, o nosso SNS; se dependesse dele, aposto, o nosso SNS já tinha desaparecido há muito. Afinal de contas, este tipo de economista nasceu academicamente nos EUA dos anos oitenta e intelectualmente tenho a impressão que nunca saiu de lá.

Naturalmente, o morto-vivo consenso de Bruxelas-Frankfurt, o mais próximo do Consenso de Washington de má memória, continua na prática a ser aceite, na ausência da oportunamente nebulosa solidariedade europeia. Pudera. Ele não se engana. Quem se engana e muito são os idiotas úteis que se dizem de esquerda, isto para usar um tipo de linguagem algo próxima da que é habitual em Nogueira Leite. Enfim, temos de aprender com quem ganha.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

As ditas ajudas

Brasil Soberano e Livre: BCE e Fed apontam de novo para a...

Nos EUA  ao mesmo tempo que o Banco Central , a FED é pressionada para conceder mais ajudas às empresas e à industria petrolífera , designadamente à industria de gás de xisto , há quem ponha em causa a sua neutralidade.

Na Câmara dos representantes de maioria democrática foi constituída uma Comissão de vigilância , que quer saber as repartições , prioridades e condições associadas nomeadamente em relação aos despedimentos , os limites das remunerações dos dirigentes ,  compras de acções próprias e distribuição de dividendos  bem como os apoios à banca nas tomadas dos seus empréstimos
A Fed anunciou  que iria dar  as informações pedidas A suspeição está instalada , nomeadamente  de favoritismo partidário .
E como se tem processado  na UE as ajudas do BCE às empresas ?

 

 

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/26/as-ditas-ajudas/

Banco de Portugal faz novas acusações contra o Montepio. Coima pode chegar aos 10 milhões

 

O Banco de Portugal (BdP) fez uma nova acusação contra o banco Montepio no mês de março. A entidade acusou a instituição de prestar falsas informações acerca dos rácios de capital.

 

De acordo com o Jornal de Negócios, o Banco de Portugal (BdP) entidade liderada por Carlos Costa, considera que o banco Montepio prestou falsas informações acerca dos rácios de capital na altura em que era liderada por Tomás Correia e, depois, por José Félix Morgado.

“Em março de 2020, o Banco Montepio foi notificado pelo BdP de um procedimento administrativo relacionado com 11 alegadas violações das regras de cálculo dos fundos próprios e da prestação de informação periódica”, lê-se num prospeto do banco, citado pelo jornal.

O documento indica que as eventuais violações aconteceram nos anos de 2013, 2014 e 2016, num período em que o Banco Montepio era liderado por António Tomás Correia (até 2015) e depois por Félix Morgado. Este gestor acabou por sair em 2018 em rutura com Tomás Correia e o seu lugar foi ocupado por Carlos Tavares, atual chairman do Montepio. A comissão executiva é agora chefiada por Pedro Leitão.

 
 

O processo foi aberto em 2017. Agora, o Montepio arrisca uma coima que pode ir até aos 10 milhões de euros.

A instituição bancária já afirmou que “pretende defender-se conta estas alegações” num processo que se junta a outros em que o banco é acusado pelo regulador do setor financeiro.

Há outros processos contra o Montepio que estão numa fase mais avançada. O banco foi condenado a uma coima única no valor de 400 mil euros, depois de o BdP ter detetado, em 2015, falhas nos mecanismos de prevenção de branqueamento de capitais. No total, são 16 alegadas violações, numa acusação com que o banco não se conforma.

ZAP //

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/banco-portugal-novas-acusacoes-montepio-320362

Uma grave crise económica a que se pode juntar uma eventual crise da banca em Portugal

Eugénio Rosa    20.Abr.20
Rui Rio e o PR têm-se dirigido à banca apelando aos seus “bons sentimentos” para ajudar as empresas e as famílias. A realidade é que tem sido a banca a ser ajudada pelos contribuintes: mais de 23.800 milhões € quando enfrentou grandes dificuldades devido à crise de 2008 e à má gestão dos banqueiros. E o mesmo acontece com os seus clientes/depositantes com a multiplicação de comissões enquanto pagam taxas de juro de miséria. E, ainda assim, a banca tem actualmente já incorporados elevados riscos nos seus Balanços.
 
 
 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Mas também do sector financeiro – os abutres

SIC Notícias | Fitch mantém rating português no lixo, com...

Com a sua União europeia , sem moeda própria , com um banco Central transformada em agência bancária do BCE, Costa já abre a porta a novos impostos e a  uma futura dita austeridade , enquanto os abutres das empresas de rating preparam o terreno…

“O país não precisa de austeridade, precisa de relançar a economia”, começou por dizer Costa ao semanário. Lembrou, no entanto, a “incerteza” que ainda existe em relação ao impacto da Covid-19 nas contas públicas. Por isso, desta vez, António Costa preferiu não se comprometer e deixou em aberto se a receita será ou não de austeridade.
Mas já ando nisto há muitos anos para não dar hoje uma resposta que amanhã não possa garantir. E acho que há um fator fundamental para sairmos desta crise, que é mantermos confiança. E a confiança tem de assentar em todos percebermos qual é o grau de incerteza em que vivemos e qual é o grau de compromisso que podemos assumir. 
Por sua vez a Fitch baixou a perspetiva do rating. De “positivo”, o outlook caiu para “estável”, mantendo-se o “BBB”, com a agência de notação financeira norte-americana a antecipar uma interrupção das tendências positivas recentes, tanto da economia como do endividamento de Portugal.
“A revisão do outlook reflete o impacto significativo do Covid-19 na economia portuguesa e na situação orçamental do país”, refere a agência numa nota publicada no seu site. “O choque deverá interromper a tendência de melhoria do crescimento económico, do rácio da dívida face ao PIB, mas também da resiliência do setor financeiro”, acrescenta.

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/2VGwv9g

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/18/mas-tambem-do-sector-financeiro-os-abutres/

Para que os tempos sejam mesmo outros (II)

«Quando os trabalhadores e pequenos empresários perdem tanto (muitos quase tudo!), pagar dividendos é um rastilho para a raiva política (como disse o Financial Times). (...) O facto de acionistas de grandes empresas se prepararem para manterem o seu rendimento é só mais uma evidência da polarização excessiva da nossa sociedade: ou a reformamos rapidamente, ou o risco de desintegração, pela mão da raiva política assinalada pelo respeitável Financial Times é real.»
«Durante a crise de 2008-2011, os bancos também andaram alegremente a pagar dividendos e desta vez os reguladores agiram preventivamente. Para as empresas não financeiras, pelos vistos, temos de esperar pela próxima crise. E assim, de crise em crise, se vai acendendo o rastilho da raiva numa sociedade polarizada
».

Susana Peralta, Os dividendos do nosso descontentamento (aqui e aqui).

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Os Abutres em acção

Moody's assigns Aa2 to Hanwha Energy USA's proposed notes...

Moody,s a agência de notação norte americana :
Mudámos o nosso outlook para o sistema bancário português de ‘estável’ para ‘negativo’”, começa por dizer a nota dedicada a Portugal, com a agência de notação financeira a considerar que a pandemia “corrói a qualidade dos ativos e rentabilidade” da banca nacional.
Os especuladores não perdem tempo e vão preparando o terreno para a factura futura .
Em França o primeiro ministro já vai falando num imposto Coronavírus.. Adivinhem quem o pagará 

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/34Gk3up

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/16/os-abutres-em-accao/

Moody’s coloca banca portuguesa em perspetiva negativa

 

A Moody’s alterou também para negativa a perspetiva da Noruega, Finlândia, Hungria e Eslováquia, dizendo reflete a expectativa de que os países sofram uma “forte contração no crescimento económico”.

 

A Moody’s alterou esta quinta-feira a perspetiva da banca portuguesa de estável para negativa, numa avaliação ao sistema bancário de nove países europeus à luz da pandemia de covid-19.

O Serviço de Investidores da Moody’s fez uma revisão das perspetivas de nove sistemas bancários europeus à luz da pandemia de coronavírus e, a par de Portugal, alterou para negativa a perspetiva da Noruega, Finlândia, Hungria (antes era estável) e Eslováquia (de positiva para negativa). As perspetivas para os outros quatro sistemas bancários analisados – República Checa, Polónia, Áustria e Irlanda – permaneceram estáveis.

“A mudança na perspetiva dos sistemas bancários norueguês, finlandês, húngaro e português de estável para negativo reflete a nossa expectativa de que todos os quatro países experimentem uma forte contração no crescimento económico”, justifica a Moody’s.

 
 

A agência de notação financeira acrescenta que, naqueles casos, “a rentabilidade dos bancos enfraquecerá devido ao aumento das provisões para perdas com empréstimos e ao crescimento reduzido dos empréstimos”. As mudanças nas perspetivas espelham o que a Moody’s espera que sejam as prováveis consequências do surto de coronavírus na Europa.

A Moody’s projeta uma contração cumulativa da economia no primeiro e no segundo trimestres de 2020. Porém, considera que, apesar das medidas de política fiscal e monetária de apoio que “provavelmente” vão ajudar a recuperação com crescimento acima da tendência nos trimestres subsequentes e em 2021, “é improvável que a perda de produção no segundo trimestre” seja recuperada.

Assim, os créditos problemáticos dos bancos vão aumentar, diz, e o aumento das provisões para perdas com empréstimos vai reduzir a rentabilidade, que no caso da maioria dos bancos europeus, já é baixa, relativamente aos pares globais.

ZAP // Lusa

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/moodys-banca-perspetiva-negativa-319541

Quem é que vai, mesmo, pagar a crise?

Uma grave crise económica a que se pode juntar uma eventual crise da banca em Portugal. A banca é fundamentalmente financiada com os depósitos dos clientes que devem ser acautelados e não com dinheiro dos banqueiros como alguns pensam

Neste estudo analiso a situação dos sete maiores bancos a operar em Portugal mostrando que, como consequência de uma gestão de risco que continuou a verificar-se mesmo depois da crise de 2008, perante a passividades dos supervisores, associada à quebra brutal da atividade económica causada pelo “coronavírus” que obrigou ao fecho de milhares de empresas, ao aumento rápido do desemprego e à colocação de centenas de milhares de trabalhadores em “lay-off”, que reduziu os rendimentos das empresas e das famílias (crise do lado oferta e também do lado da procura), o nosso país corre o risco real de que a uma grave crise económica se junte uma grave crise na banca, o que seria dramático para os portugueses.

É preciso estar atento e vigilante com o que se passa na banca, e é necessário que as decisões que envolvam a banca sejam tomadas com conhecimento profundo do sistema bancário e da sua situação real atual porque as poupanças dos portugueses estão na banca e ela é fundamental na defesa e na recuperação económica futura. O que é necessário é que a banca seja bem gerida e sirva o país, e não o contrário como muitas vezes acontece.

Espero que este estudo possa ser útil para a reflexão e debate sobre situação atual da banca, a sua missão na atual crise, e sobre a necessidade de um controlo efetivo dela pois os banqueiros necessitam de muita vigilância já que a supervisão (BCE e BdP) tem-se revelado fraca, passiva e muitas vezes conivente deixando arrastar os problemas  e não tomando as decisões adequadas no momento certo.

 

 
 
 
 

Estudo

Uma grave crise económica a que se pode juntar uma eventual crise da banca em Portugal. A banca é fundamentalmente financiada com os depósitos dos clientes que devem ser acautelados e não com dinheiro dos banqueiros como alguns pensam

Tem-se assistido nos últimos dias a uma pressão sobre a banca para que ela seja “boa” e ajude as empresas e famílias (discurso de Rui Rio na Assembleia da República e teleconferência dos presidentes dos bancos com o próprio presidente da República) pois foi ajudada pelo Estado, ou seja, pelos contribuintes em mais de 23.800 milhões € segundo o próprio Banco de Portugal quando enfrentou grandes dificuldades devido à crise de 2008 e à má gestão dos banqueiros.

Muitos conhecem qual é a minha posição sobre os grandes grupos financeiros que têm estrangulado as empresas e as famílias, dificultando o crescimento económico e o desenvolvimento do país, já que estão mais interessados na extração de uma parte importante das mais-valias criada em outros setores do que na promoção do desenvolvimento. Basta lembrar, a este propósito, a multiplicação de comissões sobre os clientes/depositantes enquanto pagam taxas de juro de miséria aqueles que depositam o seu dinheiro na banca. No entanto, é importante não esquecer como a banca funciona e que meios financeiros utiliza quando concede crédito pois, na sua esmagadora maioria, não esses meios não são dos banqueiros mas dinheiro dos depositantes que é preciso acautelar. Para além disso, é preciso ter presente que, devido à continuação de uma gestão de risco que já causou graves prejuízos, depois suportados pelos contribuintes ou associados (estes últimos, no Banco Montepio), a banca tem atualmente já incorporado nos seus Balanços elevados riscos. É tudo isto que vamos mostrar neste estudo para que o leitor/depositante fique atento à evolução da situação da banca.

 

O dinheiro que a banca utiliza é, na sua esmagadora maioria, dinheiro dos depositantes e não dos seus acionistas

Para tornar mais clara e mais facilmente compreensível a explicação de que os bancos funcionam fundamentalmente com o dinheiro dos depositantes, por isso há que acautelar a sua segurança, e de que incorpora novamente elevados riscos consequência da continuação de uma gestão de risco, construiu-se o quadro 1, com dados dos relatórios e contas dos bancos.

 

Quadro 1 – Aplicações em títulos, Ativo líquido, crédito concedido, depósitos e capital pertencente aos associados dos sete maiores bancos com designação portuguesa a operar em Portugal – 2019

 

A primeira conclusão importante que se tira dos dados do quadro 1, e que não deve ser esquecida é que, em média, 72% do Ativo líquido da banca é financiada com recursos (depósitos) dos clientes e apenas 9% do Ativo líquidos dos bancos é financiado com dinheiro dos acionistas. Portanto, quando se fala na concessão fácil de crédito, sem uma análise de riscos fundamentada, é preciso não esquecer que esse crédito é financiado com os depósitos feitos pelos clientes dos bancos que têm de ser acautelados.

A parcela que cabe aos banqueiros é muito reduzida, e o seu risco é muito menor do que aquele que os depositantes ou os contribuintes têm. E os contribuintes porque o Estado tem Estado está sempre disponível para salvar os bancos devido à gestão ruinosa e irresponsável de muitos banqueiros, como aconteceu na crise de 2008.

Como prova que é o dinheiro dos depositantes que enfrenta os maiores riscos na concessão de mau credito, como aconteceu na crise de 2008, basta ter presente, como revelam os dados do quadro 1, que, em média, os depósitos são superiores ao credito concedido pela banca (correspondem a 117,4%, portanto são superiores em 17,4%), enquanto o dinheiro dos acionistas corresponde somente a 14,6% do credito concedido pela banca.

O “Rácio de transformação “ médio do conjunto dos sete bancos é apenas de 85%, o que significa que por cada 100€ de depósitos que recebem só emprestam 85€ (dos grandes bancos, o pior é o da CGD com apenas 73€ de credito por cada 100€ de depósitos, que revela incapacidade da administração de Paulo Macedo para rentabilizar os fundos que o Estado e os depositantes puseram ao dispor). O crédito é financiado, na maioria dos bancos, com recursos dos clientes (depósitos) e ainda restava muito dinheiro (36.279 milhões €) para o conjunto daqueles sete bancos em 2019).

 

Uma gestão após a crise de 2008 que criou graves riscos para a banca que podem causar elevados prejuízos com a crise económica do “coronavírus”

Os dados constantes do quadro 1 permitem também avaliar/identificar os principais riscos que enfrenta banca e, consequentemente, os depósitos de clientes devido à gestão de risco dos banqueiros após a crise de 2008 conjugada com atual crise económica causada pelo “coronavírus”. Observe-se o elevado volume de “APLICAÇÕES EM TÍTULOS” que os sete maiores bancos têm nos seus balanços, o que são, por que fizeram e que riscos envolvem para a banca na presente crise.

Estes títulos são fundamentalmente títulos de divida pública (portuguesa e de outros países) e títulos de empresas (ações, obrigações, etc.). No fim de 2019, a CGD tinha aplicado em títulos 20.452 milhões € o que correspondia a 23,8% do seu Ativo líquido total, um valor muito elevado que envolve um elevado risco. Estes sete bancos tinham aplicados em títulos 77.336 milhões € o que representava 22,8% do seu Ativo líquido total, o que é um valor enorme que envolve riscos enormes para a banca, e mais numa crise económica com dimensão que será a atual.

A banca comercial em Portugal, no lugar de apostar na concessão do crédito às empresas e às famílias tem direcionado uma parcela muito elevada da sua liquidez para investimentos em ativos financeiros, apostando na especulação visando obter mais-valias (lucros fáceis e rápidos). Para além disso, quando investe em divida publica que, de acordo com as normas do supervisor tem teoricamente risco zero o que não é verdadeiro, visa assim também reduzir o Ativo ponderado pelo risco (RWA) para, através desta engenharia financeira, aumentar os rácios de capital para que os acionistas não sejam obrigados a entrarem com mais dinheiro.

Mas esta gestão envolve grandes riscos para a estabilidade da banca e para a segurança dos depósitos dos clientes em relação aos quais os supervisores (BdP e BCE) se têm mantido passivos e mesmo coniventes, nomeadamente em situações de grave crise económica como aquela que resultará do “coronavírus”.

E isto porque com agravamento da situação da economia de cada pais e, em particular, de Portugal,  o risco para os investidores, que são normalmente grandes grupos financeiros, aumenta e é de prever que eles aumentem as taxas de juro da divida publica (e já começaram, a taxa de juro, a “yield”,  dos títulos da divida publica portuguesa a 10 anos já está em 1,643% e a italiana em 2,737%). Logo que estas taxas sejam superiores àquelas que os bancos adquiriram esses títulos, os bancos começarão a acumular elevadas menos valias, ou seja, prejuízos, que terão ser contabilizados ou  na conta de “Resultados”, o que determinará prejuízos imediatos para a banca, ou na conta de “Capital” corroendo os capitais próprios dos bancos, que já são reduzidos (em média correspondem  apenas 9% do Ativo liquido dos bancos) diminuindo a segurança dos depósitos dos clientes.

Em relação aos títulos de empresas, com a queda das bolsas devido à queda brutal da atividade económica que se está a verificar, perdem valor o que determinará também menos valias para quem investiu nestes títulos, portanto mais prejuízos para a banca.

Em resumo, a gestão de risco que tem sido seguido pelos banqueiros nos últimos anos, apostando mais em ativos financeiros visando obter mais valias, ou seja, lucros rápidos e fáceis (atividade especulativa), e não na concessão de credito às empresas e famílias, com o objetivo também reduzir as entradas de dinheiro dos acionistas (recapitalizações) para aumentar os rácios de capital, incorporou na banca a operar em Portugal elevados riscos que, numa situação de grave crise como a do “coronavirus”, se podem materializar em elevados prejuízos afetando a estabilidade financeira da banca. É um risco real que é preciso estar atento pois, caso contrário, as consequências para o Estado, para os contribuintes e para a economia ainda poderão ser mais dramáticas.

 

O risco das imparidades no crédito concedido poderem disparar

Apesar do aumento reduzido do crédito concedido pela banca às empresas e às famílias nos últimos anos, mesmo assim o crédito concedido pelos sete bancos totalizava 208.504 milhões € como revelam os dados do quadro 1. Com a queda brutal da atividade económica (fecho e desaparecimento de muitas empresas)e com a redução dos rendimentos das famílias é previsível que as imparidades no crédito já concedido disparem e, com isso, os prejuízos da banca. Por outro lado, o governo tem procurado, por lei, aliviar as obrigações das empresas e das famílias junto da banca e, os supervisores, flexibilizar as exigências de aumentos dos rácios de capital o reduz a segurança dos depósitos dos clientes e aumenta os riscos para os contribuintes terem de acudir à banca.

É um quadro extremamente difícil que se avizinha para a banca em Portugal, o que é agravado pela incapacidade e mesmo incompetência que a maioria das administrações têm revelado para aumentar o negócio bancário optando pela solução mais fácil que é multiplicar as comissões sobre os depositantes. O futuro da banca em Portugal exige uma politica de muito equilíbrio e de muita vigilância.



 

 
 
 

 


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/quem-e-que-vai-mesmo-pagar-a-crise-economica/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=quem-e-que-vai-mesmo-pagar-a-crise-economica

Uma grave crise económica a que se pode associar uma eventual crise da banca em Portugal

– A banca é fundamentalmente financiada com os depósitos dos clientes que devem ser acautelados e não com dinheiro dos banqueiros

por Eugénio Rosa [*]

Tem-se assistido nos últimos dias a uma pressão sobre a banca para que ela seja "boa" e ajude as empresas e famílias (discurso de Rui Rio na Assembleia da República e teleconferência dos presidentes dos bancos com o próprio presidente da República) pois foi ajudada pelo Estado, ou seja, pelos contribuintes em mais de 23.800 milhões € segundo o próprio Banco de Portugal quando enfrentou grandes dificuldades devido à crise de 2008 e à má gestão dos banqueiros.

Muitos conhecem qual é a minha posição sobre os grandes grupos financeiros que têm estrangulado as empresas e as famílias, dificultando o crescimento económico e o desenvolvimento do país, já que estão mais interessados na extração de uma parte importante das mais-valias criada em outros setores do que na promoção do desenvolvimento. Basta lembrar, a este propósito, a multiplicação de comissões sobre os clientes/depositantes enquanto pagam taxas de juro de miséria àqueles que depositam o seu dinheiro na banca. No entanto, é importante não esquecer como a banca funciona e que meios financeiros utiliza quando concede crédito pois, na sua esmagadora maioria, não pertencem aos banqueiros mas são dinheiro dos depositantes que é preciso acautelar. Para além disso, é preciso ter presente que, devido à continuação de uma gestão de risco que já causou graves prejuízos, depois suportados pelos contribuintes ou associados (estes últimos, no Banco Montepio), a banca tem atualmente já incorporado nos seus Balanços elevados riscos. É tudo isto que vamos mostrar neste estudo para que o leitor/depositante fique atento à evolução da situação da banca.

O DINHEIRO QUE A BANCA UTILIZA É, NA SUA ESMAGADORA MAIORIA, DINHEIRO DOS DEPOSITANTES E NÃO DOS SEUS ACIONISTAS

Para tornar mais clara e mais facilmente compreensível a explicação de que os bancos funcionam fundamentalmente com o dinheiro dos depositantes, por isso há que acautelar a sua segurança, e de que incorpora novamente elevados riscos consequência da continuação de uma gestão de risco, construiu-se o quadro 1, com dados dos relatórios e contas dos bancos.

 

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A primeira conclusão importante que se tira dos dados do quadro 1, e que não deve ser esquecida é que, em média, 72% do Ativo líquido da banca é financiada com recursos (depósitos) dos clientes e apenas, em média, 9% do Ativo líquidos dos bancos é financiado com dinheiro dos acionistas. Portanto, quando se fala na concessão fácil de crédito, sem uma análise de riscos fundamentada, é preciso não esquecer que esse crédito é financiado com os depósitos feitos pelos clientes dos bancos que têm de ser acautelados. A parcela que cabe aos banqueiros é muito reduzida, e o seu risco é muito menor do que aquele que os depositantes ou os contribuintes têm. Referimos a contribuintes porque o Estado tem estado sempre disponível para salvar os bancos, como aconteceu na crise de 2008, devido à gestão ruinosa e irresponsável de muitos banqueiros.

Como prova que é o dinheiro dos depositantes que enfrenta os maiores riscos na concessão de mau credito, como aconteceu na crise de 2008, basta ter presente, como revelam os dados do quadro 1, que, em média, os depósitos são superiores ao credito concedido pela banca (correspondem a 117,4%, portanto são superiores em 17,4%), enquanto o dinheiro dos acionistas corresponde somente a 14,6% do credito concedido pela banca. O crédito é financiado, na sua totalidade, pelos recursos dos clientes (depósitos) e ainda resta muito dinheiro (36.279 milhões €) para o conjunto daqueles sete bancos em 2019).

UMA GESTÃO APÓS A CRISE DE 2008 QUE CRIOU GRAVES RISCOS PARA A BANCA QUE PODEM CAUSAR ELEVADOS PREJUÍZOS DURANTE A CRISE ECONÓMICA DO "CORONAVIRUS"

Os dados constantes do quadro 1 permitem também avaliar/identificar os principais riscos que enfrenta banca e, consequentemente, os depósitos de clientes devido à gestão de risco dos banqueiros após a crise de 2008 e à atual crise económica causada pelo "coronavírus". Comecemos pela análise do volume de "APLICAÇÕES EM TITULOS" que os sete maiores bancos têm nos seus balanços, o que são, por que fizeram e que riscos envolvem para a banca na presente crise.

Estes títulos são fundamentalmente títulos de divida pública (portuguesa e de outros países) e títulos de empresas (ações, obrigações, etc). No fim de 2019, a CGD tinha aplicado em títulos 20.452 milhões € o que correspondia a 23,8% do seu Ativo líquido total, um valor muito elevado que envolve um elevado risco. Estes sete bancos tinham aplicados em títulos 77.336 milhões € o que correspondia a 22,8% do seu Ativo líquido total, o que é um valor enorme que envolve riscos enormes para a banca, e mais numa crise económica com dimensão que será a atual.

A banca comercial em Portugal, no lugar de apostar na concessão do crédito às empresas e às famílias tem direcionado uma parcela muito elevada da liquidez que possui para investimentos em ativos financeiros, apostando na especulação visando obter mais-valias (lucros fáceis e rápidos). Para além disso, quando investe em divida publica que, de acordo com as normas do supervisor tem teoricamente risco zero o que não é verdadeiro, visa assim também reduzir o Ativo ponderado pelo risco (RWA) para, através desta engenharia financeira, aumentar os rácios de capital sem que seja necessário os acionistas entrarem com mais dinheiro. Mas esta gestão envolve grandes riscos para a estabilidade da banca e para a segurança dos depósitos dos clientes em relação aos quais os supervisores (BdP e BCE) se têm mantido passivos e mesmo coniventes, nomeadamente em situações de grave crise económica como aquela que resultará do "coronavírus".

E isto porque com agravamento da situação da economia de cada pais e, em particular, de Portugal, o risco para os investidores, que são normalmente grandes grupos financeiros, aumenta e é de prever que eles aumentem as taxas de juro da divida publica (e já começaram, a taxa de juro, a "yield", dos títulos da divida publica portuguesa a 10 anos já está em 1,643% e a italiana em 2,737%). Logo que estas taxas sejam superiores àquelas a que os bancos adquiriram esses títulos, os bancos começarão a acumular elevadas menos valias, ou seja, prejuízos, que terão ser contabilizados ou na conta de "Resultados", o que determinará prejuízos imediatos para a banca, ou na conta de "Capital" corroendo os capitais próprios dos bancos, que já são reduzidos (em média correspondem a apenas 9% do Ativo liquido dos bancos) diminuindo a segurança dos depósitos dos clientes. Em relação aos títulos de empresas, com a queda das bolsas devido à queda brutal da atividade económica que se está a verificar, perdem valor o que determinará também menos valias para quem investiu nestes títulos, portanto mais prejuízos para a banca.

Em resumo, a gestão de risco que tem sido seguida pelos banqueiros nos últimos anos, apostando mais em ativos financeiros visando obter mais valias, ou seja, lucros rápidos e fáceis (atividade especulativa), e não na concessão de credito às empresas e famílias, com o objetivo também de reduzir as entradas de dinheiro dos acionistas (recapitalizações) para aumentar os rácios de capital, incorporou na banca a operar em Portugal elevados riscos que, numa situação de grave crise como a do " coronavirus ", se podem materializar em elevados prejuízos afetando a estabilidade financeira da banca. É um risco real que é preciso estar atento pois, caso contrário, as consequências para o Estado e para os contribuintes ainda poderão ser mais dramáticas

O RISCO DAS IMPARIDADES NO CRÉDITO CONCEDIDO PODEREM DISPARAR

Apesar do aumento reduzido do crédito concedido pela banca às empresas e às famílias nos últimos anos, mesmo assim o crédito concedido pelos sete bancos totalizava 208.504 milhões € como revelam os dados do quadro 1. Com a queda brutal da atividade económica (fecho e desaparecimento de muitas empresas) e com a redução dos rendimentos das famílias é previsível que as imparidades no crédito já concedido disparem e, com isso, os prejuízos da banca. Por outro lado, o governo tem procurado, por lei, aliviar as obrigações das empresas e das famílias junto da banca e, os supervisores, flexibilizar as exigências de aumentos dos rácios de capital o reduz a segurança dos depósitos dos clientes e aumenta os riscos para os contribuintes terem de acudir à banca. É um quadro extremamente difícil que se avizinha para a banca em Portugal, o que é agravado pela incapacidade e mesmo incompetência que a maioria das administrações da banca têm mostrado para aumentar o negócio bancário optando pela solução mais fácil que é multiplicar as comissões sobre os depositantes. O futuro da banca em Portugal exige uma politica de muito equilíbrio e de muita vigilância.

10/Abril/2020
[*] edr2@netcabo.pt

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/e_rosa/crise_banca_10abr20.html

O tabu foi novamente quebrado

O Vicente Ferreira já se referiu ao assunto: o Banco de Inglaterra vai financiar diretamente a política orçamental tornando-se, assim, claro que o Estado, não só não necessita dos mercados privados para se financiar numa moeda que ele próprio emite, como, frequentemente, o interesse público determina a necessidade de os colocar fora cena. O termo de economia política apropriado à situação é, julgo, repressão financeira.
Uma das características diferenciadoras de um regime monetário neoliberal, talvez a mais importante de todas, é a autoimposição, política e institucionalmente construída, da subordinação creditícia do Estado soberano colocando-o numa situação em que concede o monopólio da emissão monetária, hoje inteiramente fiduciária e da sua força legal inteiramente dependente, a um banco central e, simultaneamente, se auto exclui da possibilidade de, junto deste, se financiar diretamente, colocando-se, assim, por escolha, na dependência dos mercados financeiros privados. É um desenho institucional irracional, injusto e ineficiente. É irracional porque a instabilidade intrínseca dos mercados financeiros requer a existência de um prestamista de último recurso que seja capaz de atuar como garante do funcionamento do sistema, ou seja, o Estado. O fato do Estado depender do crédito de agentes privados, cuja solvência tem de assegurar, é uma contradição nos seus próprios termos que inviabiliza o exercício daquela função de prestamista de último recurso e gera situações como a que Portugal, e restante periferia da zona euro, viveu a partir de 2010, com a instabilidade provocada pelos negócios especulativos do sector financeiro a alimentar a instabilidade das contas públicas, num círculo vicioso que só terminou quando o BCE (whatever it takes) garantiu que o Estado teria os meios necessários para se financiar e para financiar a banca. É injusto porque, excluindo o Estado de se financiar diretamente num banco central que canaliza toda a sua oferta monetária para um mercado primário fechado e cativo de uma mão cheia de grande empórios financeiros privados, permite a essas instituições privadas, que têm o privilégio exclusivo de ali aceder à oferta monetária criada do nada pelo banco central, usar aquele posição oligopolista para financiar o orçamento do Estado apropriando-se, no processo, da renda que resulta de emprestarem a esse Estado a uma taxa de juro sempre superior àquela a que o banco central (no uso do monopólio emissor que, novamente, o mesmo Estado lhe permite), previamente, lhes empresta. É ineficiente porque, criando um falso e autoimposto constrangimento às finanças públicas, “não há dinheiro”, impede a sociedade do pleno emprego dos recursos à sua disposição. Como afirmou Keynes, uma sociedade pode sempre pagar o que pode produzir. Enquanto houver desemprego, o Estado pode e deve garantir trabalho. O valor do que é produzido por quem tem acesso a um novo posto de trabalho é a garantia de que é possível pagar-lhe. Este distópico regime monetário tem beneficiado de uma laboriosamente produzida opacidade, assente em mecanismos que só aparentemente são complexos, para fabricar a subordinação do Estado a interesses particulares e lhes permitir uma injustificada extração de valor através de actividades que não o criam. A crise do coronavírus estilhaçou o tabu e tornou ainda mais claro quão contra o interesse público é este regime monetário neoliberal. Não podemos esquecê-lo nos tempos difíceis que se avizinham.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Marcelo, os banqueiros e o teatrinho de papéis trocados

Banqueiros, os monarcas da sociedade, coroados pelos governos?
 
O PR anunciou que ia chamar os banqueiros para os persuadir a ajudarem a recuperação da economia portuguesa, e os órgãos de comunicação multiplicaram-se a divulgar a sua intenção, como se os banqueiros aguardassem o pedido do PR para as boas ações 😊.

Na última segunda-feira Marcelo saiu da reunião, isto é, levantou-se da cadeira onde se sentou para o encontro apregoado, por videoconferência, com os presidentes dos cinco maiores bancos portugueses, CGD, BCP, Novo Banco, Santander e BPI.

Apesar de ser tão previsível, o PR anunciou com pompa e circunstância:

“Saio desta reunião com a sensação de que a banca portuguesa está a acompanhar de forma muito atenta a realidade do nosso país, o que se vive nas famílias e nas empresas”, como se pudesse fracassar em tão piedosa intenção. E não surpreendeu que tenha encontrado um espírito “de grande mobilização no sentido de ajudar a economia portuguesa”.

Do que disseram os banqueiros nada se sabe, nem é hábito o contraditório ao PR, só da encenação da peça em que o ponto saltou para o palco e debitou os papéis de todos.

Num país onde a Constituição não é lida, onde se confundem as funções presidenciais e as do Governo, passou a ser dado adquirido o entusiasmo dos bancos a favor da solidariedade social. Marques Mendes há de glorificar a intervenção ‘oportuna’ do PR.

Ora, contra o desejo piedoso do PR e a alegada promessa dos banqueiros, estes, ainda que quisessem, não a podem  cumprir, se acaso a fizeram.

Os bancos, ao contrário do que se diz, não têm capacidade de minimizar a devastação sofrida no tecido económico e empresarial. Eles próprios sofrem a anemia da economia e ninguém perdeu mais dinheiro do que os bancos, o sistema circulatório da economia. Se os bancos deviam ser privados, é outra conversa. De Gaulle nacionalizou alguns no pós-guerra e, mais tarde, admitiria que devia tê-los nacionalizado a todos.

Imaginem um pequeno acionista de um banco e vejam quanto valem as suas ações agora e antes desta catástrofe natural cujo fim é incerto. Pois, se um pequeno acionista perde o seu dinheiro, um grande perde-o na razão direta do número de ações de que é titular.

Sabe bem dizer mal de banqueiros falidos. Eram poupados quando o capital financeiro era responsável por todos os desmandos na economia, que lideravam, e censurados os Estados quando os salvaram em 2008, como se pudessem assistir ao efeito dominó da contaminação sistémica de todo o sistema.

O neoliberalismo já mostrou a perversidade e incapacidade, mas admito não existirem condições para que as alavancas da economia sejam um exclusivo do setor público.
Há quem fique indignado com estas afirmações, dizer que os bancos são perdedores e fracos, e é o que penso.

O teatrinho foi montado para mais um ato de propaganda antecipada para as eleições presidenciais, e é irrelevante nas tarefas que nos esperam, na resolução da situação de centenas de milhares de vítimas, patrões sem empresas e trabalhadores sem emprego.

Todos seremos chamados a pagar de forma dolorosa, sem precedentes, a reconversão da economia inimiga do ambiente, o início de um ciclo novo onde as desigualdades sociais obscenas não poderão persistir, onde o aquecimento global levanta novos desafios e as guerras ameaçam continuar.

Desta vez vamos mesmo receber menos, sobretudo os reformados, através de impostos, da inflação ou de cortes. É preciso ser demasiado ingénuo ou excessivamente crente para duvidar.

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2020/04/marcelo-os-banqueiros-e-o-teatrinho-de.html

Os “Jubileus” dos Saraivas

(Joaquim Vassalo Abreu, 08/04/2020)

Declaro-me emocionado com as reenvindicações dos donos do Futebol… e quase que choro….

Mas este País é pequeno e nele já não cabem os “Padrinhos”’do Futebol! Todos esses que actuando à margem das leis faziam entre eles a “ multiplicação dos pães “,  mas delapidando os seus Clubes e Sad’s.

Estão agora remetidos ao seu silêncio estas “abébias”, mas elas rapidamente a terreiro voltarão para reclamar do ostracismo a que estão a ser votados e lembrar da falta que fazem…e perdões, mais perdões e mais ajudas pois o Proença e o Evangelista dizem que também são filhos de Deus…

Que trajédia, Deus meu! E os dinheiros daqueles fabulosos contratos conseguidos às margens das Leis? Que tal repatria-los e devolvê-los aos Clubes que tanto dizem amar? Confesso que isto me comove…

Mas mais emocionado fiquei ainda com as exigências do Saraiva, o patrão dos patrões, mais o seu apelo a um “Jubileu”… e aqui chorei mesmo…

Mas pergunto-me: numa fase como esta vir “pedinchar” ao Estado 20 mil milhões de apoios, isenções de impostos, adiamento ou corte de responsabilidades etc etc etc, não lhes dá assim como um alerta de consciência e admitam pensar: mas como é que eu ( eles) posso pedir apoio aos pobres Portugueses, já fartos de tanto dar, quando tenho (eles) milhões de milhões nos Panamás, Curaçaus, Bahamas, Caimões e muitas Ilhas Virgens?

E os banqueiros, meu santo Deus? E os Banqueiros agora “pressionados” e “chantageados”, como li aí de um “camelo” que insiste em falar? E os Banqueiros, coitados?

Pois, os Banqueiros! Que jogam com o dinheiro dos outros, que apostam milhões em “blufs” exorbitantes, capturados por essas autênticas “máfias” das compras de ações a descoberto ( Short Selling), a troco de umas migalhas em comissões, que apostam quase tudo nos “futuros” qual roleta, e que depois, envolvidos em imparidades e prejuízos, lançam todo o ónus sobre esses tais depositantes, que lhes confiam as suas poupanças, com absurdas comissões por tudo e mais alguma coisa e ainda com custos de serviços obscenos…

Mas nunca prescindindo dos seus chorudos prémios pois eles são únicos e pertencem a um clube privado, qual seita onde elaboram suas próprias leis!

Por exemplo, aquele do BCP, para não falar já do Jardim, nunca tinha sido banqueiro e em pouco tempo saltou de uma qualquer assembleia da Opus Dei directamente para presidente desse mesmo Banco. Esteve lá dois anitos e foi-se embora com um bónus de dez milhões de aéreos. Sim, esse mesmo, o da Leya e aqui confesso que já nem lágrimas tenho….

E enquanto o Marcelo vai interceder junto dos banqueiros para que tenham memória, sejam compreensivos, sejam tolerantes, pensem desta vez um pouco nos Portugueses, num exercício de bajulação e subserviência bacoca, a tal “pressão” e “chantagem” de que fala o tal Lourenço, o Saraiva afirma que o Governo está a agir com atraso…e fala num “Jubileu”…

E que tal Dr. Saraiva dizer a todas essas empresas portuguesas,  as quais o Sr. representa e é porta voz como chefe da CIP, que “patrioticamente” mandaram para a Holanda as suas SGPS’s e lá pagam os seus IRC’s, que voltem para Portugal e ajudem a economia pátria pagando aqui os seus impostos e não engordem mais quem de modo tão egocêntrico actua?

E, já agora, tome o lugar do penitente Marcelo e denuncie V.Ex a Banca, essa Banca que, pelos vistos, nesses empréstimos concedidos à Economia, tendo garantias do Estado que chegam aos 90%, ainda exigem garantias adicionais (e até reais) aos seus sócios ou administradores…

Fazia um favorzinho ao Governo, que diz estar a agir com atraso e um ainda maior ao Marcelo para evitar que ele a seguir se vista com uma sarapilheira, tipo Egas Moniz, e lhes vá novamente bater à porta…

E, finalmente, neste perdão de leves penas, que eu acho como precaução muito bem, porque razão não é libertado Rui Pinto da sua prisão condicional, quando aqueles “assassinos” do CEF estão em domiciliária? Mas quem tem medo do que ele possa revelar? Ou por outra, quem o mandou saber tanto…?

E não me digam que não lhes dá assim como que uma vontade de chorar…


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Bancos impedidos de cobrar comissões por operações digitais. Acesso a jogos online limitados

 

Os bancos vão ficar impedidos de cobrar comissões por operações de pagamento através de plataformas digitais dos prestadores de serviços, segundo uma proposta do PEV com alterações do PS aprovada no Parlamento.

 

O projeto de lei do Partido Ecologista Os Verdes foi aprovado com inúmeras alterações propostas pelo PS durante as votações no plenário de 100 iniciativas legislativas dos vários partidos relacionadas com a crise causada pela pandemia de covid-19.

A iniciativa do PEV, com as alterações dos socialistas, prevê uma “medidaexcecional e temporária de suspensão de cobrança de comissões devidas pela utilização e realização de operações de pagamento através de plataformas digitais dos prestadores de serviços de pagamentos, designadamente homebanking ou de aplicações com instrumento de pagamento baseado em cartão, por motivo da situação epidemiológica existente no país”.

A proposta do PS veio alterar a duração da medida, que passa assim a produzir efeitos até 30 de junho de 2020. O PEV propunha que a medida durasse “até à cessação das medidas de prevenção, contenção, mitigação e tratamento da infeção epidemiológica por SARS-CoV-2 e da doença covid-19”.

 
 

Jogo online limitado

O acesso às plataformas de jogo online vai ser limitado durante o período de estado de emergência, de acordo com uma proposta do PAN aprovada pelo parlamento. A iniciativa teve os votos contra do PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega, tendo sido aprovada com os votos dos restantes partidos e da deputada não inscrita Joacine Katar Moreira.

O diploma, aprovado em votação final global, prevê que sejam estabelecidas limitações “parciais ou totais de acesso às plataformas de jogo de azar ‘online’” até ao fim do estado de emergência, pretendendo-se com a medida informar e proteger os consumidores, sobretudo os menores, jovens adultos ou pessoas com adição ao jogo.

Depois da entrada em vigor do diploma, o que acontecerá no dia seguinte ao da sua publicação, o Governo terá de regulamentar a medida, dispondo de cinco dias para o fazer.

No preâmbulo do diploma é sublinhado o impacto que o isolamento social e a necessidade de confinamento podem ter junto das pessoas com menor capacidadede controlaro impulso para o jogo, sendo ainda referido que outros países, como Espanha, tomaram medidas para limitar o acesso ao jogo ‘online’ durante este período.

“Os dados conhecidos até à presente data são elucidativos do crescimento do recurso às plataformas de jogos online — o incremento de receita diária média dos jogos ‘online’ chega a 18% acima do período comparável do ano anterior, explicado pelo encerramento dos casinos físicos”, refere o texto, acrescentando que no setor dos jogos de casino a receita média diária aumentou 24% em relação ao ano anterior.

ZAP // Lusa

 

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/bancos-impedidos-cobrar-comissoes-operacoes-digitais-318337

Os banqueiros nossos amigos

Há uns trinta e muitos anos a televisão pública nacional achou que os portugueses tratavam barbaramente os animais domésticos e lançaram uma campanha que tinha por mote o slogan «os animais nossos amigos».

 

Recordei-me de tal iniciativa publicitária a propósito da que Marcelo empreendeu em proveito dos banqueiros. Como já se previa veio dar conta de, concluído o encontro virtual com os mais representativos do país, nada trazer de substantivo a anunciar quanto ao que as empresas e os clientes comuns passariam a beneficiar, mas considerando ter captado dos cinco interlocutores aquilo que os Beach Boys em tempos cantaram comogood vibrations.

 

Para nós, os filiados na escola dos cínicos, versão Diógenes, não escapa o verdadeiro alcance do gesto: se até Rui Rio se aprestava a apedrejar os banqueiros gananciosos se se atrevessem a acabar os seus exercícios anuais com lucro o que se poderia esperar dos partidos mais à esquerda? Melhor valia prevenir, terá pensado Marcelo que, fiado na popularidade das sondagens, intenta conter a indignação pública no momento em que essa propensão dos banqueiros para só pensarem nos lucros vier, uma vez mais, a confirmar-se.

 

Não é certo que seja particularmente bem sucedido: os portugueses já estão mais do que fartos do feitio dessa gente que, quais escorpiões, não conseguem iludir a sua natureza visceralmente predadora.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/04/os-banqueiros-nossos-amigos.html

A prova do pudim

Vamos ver e perguntar.
 
 
Agora só falta o compromisso solene da Associação Portuguesa de bancos de divulgar semanalmente o número de pedidos de empréstimos recebidos e o número de pedidos aprovados e com que juros.
 
 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Banca mal parada

Não é com spreads e taxas de juro de 3 e 4%, nem com comissões bancárias que continuam a multiplicar-se e a reinventar-se, que se apoiam as empresas e ajuda a economia.

O Presidente da República esteve reunido com os presidentes dos principais bancos, no sentido de perceber melhor o que está a fazer a banca para apoiar as empresas e as famílias, neste período de crise causado pelo surto epidémico. No final, deixou a ideia de que o sector bancário nacional está atento à realidade das empresas e à situação das famílias, tendo-lhes garantido que, progressivamente, os apoios vão chegar.

A propósito desta reunião, Rui Rio, depois de ter falado em «lucro zero para a banca em 2020/2021», pediu coerência aos bancos e que estes passem das palavras aos actos, e não pensem em lucrar «empréstimo a empréstimo».

Também o PCP reagiu à reunião, não partilhando da «avaliação que o Presidente da República transmitiu ao País», na sequência do encontro com os banqueiros, sublinhando que a «realidade que está no terreno, seja junto das famílias, seja junto de milhares de micro, pequenas e médias empresas», não a confirma. Isto é, não será «com spreads e taxas de juro de 3% e 4%» nem com «comissões bancárias que continuam a multiplicar-se e a reinventar-se», que se «apoiam as empresas e ajuda a economia».

 Depois dos 20 mil milhões de euros de dinheiros públicos mobilizados para tapar os buracos provocados pela gestão danosa e fraudulenta na banca, os comunistas afirmam que «não basta impedir que sejam distribuídos dividendos à banca ou aos grupos económicos», considerando que a banca deve cumprir o seu papel no desenvolvimento da actividade económica sem obter «ganhos por via da intermediação dos apoios públicos» e dando prioridade  às «micro, pequenas e médias empresas e não aos grupos económicos».

O BE, por seu lado, também reclama a proibição da distribuição de dividendos e de bónus na banca.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/banca-mal-parada

Marcelo e a banca

Covid-19: Marcelo vai reunir com a banca e espera ver setor "a...

“Encontrei um estado de espírito de grande mobilização no sentido de ajudar a economia portuguesa”, “a banca está motivada, empenhada e muito atenta. É uma luta nacional” e isso “é bom para Portugal e para os portugueses.”MRS
A notícia dizia que Marcelo tinha convocado os cinco maiores bancos portugueses.
Não . Recebeu um nacional e 4 estrangeiros.
Voltou a repetir que os banqueiros pagaram o que lhe foi facilitado. Não, não pagaram Sr Presidente.
Se tinha dúvidas telefonava ao seu amigo Ricardo Espírito Santo e este podia falar do buraco que deixou ao erário público, ou ao seu amigo  Vitor Bento que foi administrador do Novo Banco e que já afirmou que o “Fundo de Resolução” é uma ficção. E essa ficção vai também ser paga pelo povo português.
Depois a Banca não só foi financiada pelo Orçamento de Estado como foi financiada e consolidada através do BCE , quer com a compra indirecta de dívida pública portuguesa quer através das  diversas medidas ditas não convencionais Ora tudo isto reflectiu se de forma directa e indirecta negativamente no Orçamento do país . A que há que acrescentar a vergonhosa resolução do BANIF e da consolidação da Caixa
Quanto à boa vontade da Banca viu-se desde logo em querer cobrar juros nas linhas de crédito garantidas pelo Estado e na continuação da cobrança de comissões e mais comissões… 
E veremos o que vai acontecer mais á frente .

Hoje já apareceu no “Negócios”um “porta voz” não identificado da Banca que afirmou candidamente que a Banca vai necessitar depois de ser consolidada. Serão necessárias mais palavras ?

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/39Nj6kL

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/06/marcelo-e-a-banca/

Banca foi além do que definiu o Governo. Marcelo diz-se motivado e tranquilo

(Comentário:

Exatamente a encenação que se previa. Rebelo de Sousa montou o drama necessário para defender a Banca e tranquilizar os banqueiros.

Uma previsível jogada de antecipação para branquear uma atuação cada vez mais vista como uma ação de 'banksters'. Em nome da República Rebelo de Sousa foi ouvi-los para poder vir dizer-nos que estejamos todos tranquilos, os banqueiros são gente muito empenhada no interesse comum e estão cheios de vontade de nos ajudar.

Felizes portugueses por quem tão boa Banca zela. Amen)

 

Depois de ter estado reunido por teleconferência com representantes da banca, Marcelo Rebelo de Sousa falou aos portugueses, a partir do Palácio de Belém, para dizer que saiu com um “estado de espírito motivado por ouvir o que cada um disse que estava e tenciona fazer”.

 

Na tarde desta segunda-feira, e depois de ter estado reunido com representantes da banca, o Presidente da República falou ao país para dizer que saiu deste encontro por teleconferência “com a sensação de que a banca portuguesa está a acompanhar de forma muito atenta a realidade do nosso país”.

Além de ter acolhido as iniciativas do Governo, a banca tomou as suas próprias medidas, “iniciativas próprias completando medidas aprovadas pelo Governo“, fez saber Marcelo Rebelo de Sousa.

“Retive algumas ideias que sei que o Governo já conhece. São ideias da banca que se completam com as do governo. A conversa foi muito útil porque foi muito concreta, teve sugestões concretas na vida dos portugueses”, seja a nível fiscal ou de financiamento das empresas, apontou.

Apesar de não entrar em detalhes em relação às medidas adotadas, Marcelo adiantou que amanhã, terça-feira, vai reunir-se com a Associação Portuguesa dos Bancos e com o Governador do Banco de Portugal (BdP).

Em relação à execução das medidas decididas pelo Governo, o Presidente disse que a banca “já começou os processos para colocar no terreno o financiamento previsto nessas medidas”, ainda que esse processo “demore tempo”. “Mesmo assim, em casos que foram expostos, ou já chegou ou vai chegar nos próximos dias e semanas, progressivamente, às empresas portuguesas”, sublinhou.

Questionado pelos jornalistas sobre se a banca tem capacidade para, depois de uma crise financeira que não tem muitos anos, responder às necessidades da economia, Marcelo diz que lhe foi dito que “a situação da banca pode merecer confiança dos portugueses”.

Munido dos exemplos do mês de março – quer pela forma como os portugueses recorreram a moratórias, quer a nível de poupança -, Marcelo disse que “há uma grande maturidade dos portugueses” em relação à forma como estão a gerir uma situação que é nova.

LM, ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/banca-alem-do-que-definiu-governo-317813

Caso BPP. Ex-banqueiro João Rendeiro acusado de nova burla

 

O Ministério Público (MP) acusou o ex-presidente e fundador do BPP, João Rendeiro, de mais um crime de burla qualificada no caso BPP, segundo avança o Correio da Manhã.

 

A acusação relaciona-se, de acordo com o Correio da Manhã, com a emissão de obrigações subordinadas, no valor de 35 milhões de euros, que o BPP fez dois meses antes de pedir ajuda financeira ao Banco de Portugal (BdP). Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital, ex-administradores, também estão acusados de burla qualificada.

O MP alega, segundo o CM, que Rendeiro, Guichard e Fezas Vital tinham conhecimento do estado de insolvência do BPP quando, em 2008, o banco fez a emissão de obrigações subordinadas no valor de 35 milhões.

Ao serem acusados de burla qualificada, os três ex-administradores terão causado danos patrimoniais aos clientes que subscreveram essas obrigações.

 
 

Esta é a segunda vez que Rendeiro, Guichard e Fezas Vital são acusados de burla qualificada no caso BPP. Em fevereiro de 2013, os três banqueiros foram acusados de burla qualificada no processo relacionado com o aumento de capital da Privado Financeiras, sociedade-veículo do BPP.

Nesse ano, o BdP condenou 11 arguidos do BPP a multas da ordem dos 11 milhões de euros. Os recursos interpostos pela maioria dos arguidos reduziram o valor para os 8 milhões de euros.

João Rendeiro também foi condenado pelo BdP a uma multa de 2 milhões de euros, entretanto reduzida para 1,5 milhões, no âmbito de infrações cometidas na gestão do BPP, nomeadamente “falsificação de contabilidade”, “inobservância de regras contabilísticas” e “prestação de informação falsa”.

ZAP //

 

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/caso-bpp-ex-banqueiro-joao-rendeiro-acusado-nova-burla-317552

Bancos centrais: independência ou controle democrático?

Bancos Centrais01
 
Baseado num livro [ pdf  (1.64 MB)]de Richard Werner, o documentário* abaixo, tornado público em Novembro de 2014, é sobre o poder dos bancos centrais para criar mudanças económicas, políticas e sociais e sobre a forma como o fazem.

Diria que é um documentário generalista e acessível, mas dirigido a um público informado e interessado em questões económicas e políticas, e que algum conhecimento prévio do trabalho de economistas não neoclássicos pode ajudar.

Por exemplo, a hipótese da instabilidade financeira de Hyman Minsky (aqui resumida por Steve Keen) e a conclusão de Keynes e Schumpeter segundo a qual o investimento não é financiado por poupança, mas pela expansão endógena da oferta monetária bancária (aqui confirmada pelo Banco de Inglaterra), sendo pilares fundamentais da compreensão do capitalismo e da sua inerente instabilidade, constituem também o tipo de conhecimento que permite perceber, por exemplo, o funcionamento opaco e muito pouco escrutinado dos bancos centrais e, simultaneamente, expor a ficção neoliberal da sua independência e a sua real dependência dos mercados financeiros. Tudo questões, mais ou menos, diretamente tratadas no documentário.

 
 

Num relato cadenciado e repleto de informação histórica, o trabalho de Richard Werner permite-nos compreender, por exemplo, como a articulação entre Tesouro e banco central, entre a política orçamental e a política monetária, se constituiu como o arranjo institucional que produziu uma política de crédito, fortemente expansionista, assente, não na poupança prévia, mas na criação monetária, capaz de suportar a transformação radical da devastada estrutura produtiva japonesa pós 2ª guerra mundial, fazendo emergir, literalmente, dos escombros uma economia com pleno emprego, enorme prosperidade e razoável igualdade.

O documentário evidencia também como, entre os anos 80 e os anos 90 do século passado, sob forte influência, senão mesmo imposição, da potência monetária que, com o fim de Bretton Woods, consolidou a sua posição hegemónica no novo arranjo monetário internacional (os EUA), o banco central do Japão é objeto de uma profunda reconfiguração que o compatibiliza com a nova ordem imposta pela antiga potência ocupante e o torna, pretensamente, independente.

É, a meu ver, um momento importante do filme até porque, de seguida, Werner expõe a responsabilidade daquele reconfigurado ator monetário, o banco central do Japão, na criação de uma enorme bolha de crédito, à qual se seguiria uma inevitável crise económico-social que acabaria por produzir o consentimento - que não existia na sociedade nipónica - para uma reestruturação neoliberal da economia, ou seja, para as tais ‘reformas estruturais’ que nós, no sul da Europa, infelizmente, tão bem conhecemos.

Um outro momento de particular interesse (1h22m24s) é aquele em que as questões relacionadas com a zona euro são abordadas. Começa assim: “Os exemplos das crises japonesa e asiática ilustram como crises podem ser manipuladas para facilitar a redistribuição da propriedade económica e para implementar mudanças legais, estruturais e políticas. Hoje [2014] eventos similares estão em progresso na zona euro”.

Nesta parte, o documentário, para além de apontar a responsabilidade do BCE na bolha de crédito que antecedeu a crise, erradamente designada, das “dívidas soberanas”, também denuncia, primeiro, o facto de aquele banco central ter podido prevenir as crises bancárias que se seguiram e não o ter feito, e, segundo, de só ter agido depois de ter promovido a transferência de parcelas de soberania orçamental dos estados membros do euro para a União Europeia e de a ter obtido.

“As deliberações dos órgãos de decisão do BCE são secretas. A mera tentativa de influenciar o BCE – por exemplo, através do debate democrático e da discussão - é proibida de acordo com o Tratado de Maastricht”, ouve-se, a seguir, no documentário, que continua assim: “o BCE é uma organização internacional que está acima e fora das leis e jurisdição de qualquer nação individual. Os seus quadros superiores transportam passaportes diplomáticos e os arquivos e documentos dentro do BCE não podem ser alvo de busca ou retenção por qualquer força policial ou do ministério público”.

Quando estamos a aproximar-nos da parte final (1h22m24s), vemos Richard Werner a perguntar a Trichet, o antecessor de Draghi e Lagarde na presidência do BCE: “Onde é que, no tratado de Maastricht ou nos estatutos do BCE, diz que é trabalho do BCE apoiar a reforma estrutural ou qualquer outra agenda política?”. Vale a pena atentar no descaramento e no viés ideológico da resposta de Trichet, mas para isso terão de ver o documentário. Se o fizerem, não se arrependerão, prometo.

De seguida, Richard Werner, continua chamando a atenção para o facto da comissão europeia se ter apoiado num único estudo para justificar a independência do BCE e desse estudo ter sido manipulado para obter o resultado desejado, ou seja, para concluir indevidamente que os bancos centrais independentes conseguem inflações mais baixas.

O documentário termina recordando diferentes e muito significativos episódios históricos em que as manobras (“deception”) de bancos centrais independentes, bancos que não prestam contas a nenhum tipo de órgão eleito, resultaram em verdadeiras calamidades públicas, com repercussões muito graves e conhecidas de todos.

Como é possível estarmos na posse de toda esta informação e não concluirmos que é mais que tempo de colocar os bancos centrais sob escrutínio democrático? Como não usar todo o poder à disposição do BCE para fazer face à pandemia que estamos a viver? Como podemos permitir que, num momento desta gravidade, o BCE forneça financiamento monetário à banca privada, que objetivamente lhe dê dinheiro (isso mesmo, dado), mas esteja impedido de financiar os Estados de onde emana a confiança e o aparato económico-legal que sustenta a sua emissão puramente fiduciária?

*Legendas em português disponíveis nas definições do documentário no YouTube.

 

 Baixar: pdfThe New Paradigm in Macroeconomics Solving the Riddle of Japanese Macroeconomic Performance(1.64 MB)

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

OS BANCOS CENTRAIS ESTÃO A POR O MUNDO DE JOELHOS

 The New World Reality
O surpreendente título acima, para muitas pessoas, apenas pode ser completamente compreendido para quem oiça atentamente a vídeo-conversa abaixo, entre Greg Mannarino e Lynette Zang.   
 
 
 
De facto, chega-se à conclusão de que, contrariamente ao que muita gente pensa, o facto de bancos centrais emitirem mais dívida não os vai enfraquecer, pelo contrário. 
Mannarino coloca a questão de maneira diferente ajuda-nos a ver a realidade: «se eles têm um produto (único) que é dívida, quanto mais dívida colocarem, mais fortes ficam». É toda uma nova perspectiva que se desenvolve e as pessoas fariam bem em ouvir com atenção, qualquer que seja a sua posição «a priori». 
Eu confesso que fiquei confortado com o facto de Mannarino expor claramente muitos dos meus receios de um «fascismo mundial», receios que eu temia expor publicamente, porque temia que as pessoas iriam desprezar completamente as minhas análises, como vindas de um louco, ou paranóico, ou conspiracionista, etc. 
Infelizmente, tal como a Cassandra da antiguidade grega,  as contemporâneas «Cassandras» (como Lynette e Greg) continuarão a dizer as verdades ao mundo, mas este vai continuar a ignorá-las, senão mesmo rir-se delas.
Hoje em dia, quase todas as pessoas vivem dentro de uma redoma, invisível para elas, a «matrix» interior, que foi incutida pelos os inputs sociais, culturais, educativos, etc. 
Elas nem se apercebem que têm sido manipuladas, assumem as «verdades ideológicas» como sendo suas. Pensam que são as mais espertas, mais inteligentes, etc...
  

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Os banqueiros na UE e o “venha a nós ao nosso reino”

usury hashtag on Twitter
O BCE começou por pedir a maior prudência na distribuição de dividendos e nos bónus.
Depois anunciou a tolerância zero sobre os dividendos e agora sobre os bónus .
Andrea Enria ,o presidente do conselho de vigilância prudencial do BCE subiu o tom de voz na terça feira dizendo que estaria pronto a intervir se os banqueiros não fizessem prova de uma “extrema moderação” na distribuição das partes variáveis”. Esta mensagem foi reforçada pela “Autoridade bancária europeia ” (EBA) nesse mesmo dia.”Se necessário , o supervisor tem o poder de tomar medidas em relação a cada banco”.
Segundo os últimos dados disponíveis , em relação ao ano de 2017 , 4858 banqueiros da União Europeia(com o reino Unido incluido) ganharam em média cerca de 2 mil milhões de euros por ano , 142 milhões em Bónus. 
Para 2019 uma boa parte dos bancos anunciaram que iriam ter políticas conservadoras sobre as remunerações variáveis. Mas até agora raros foram os Bancos que  o fizeram nomeadamente em relação aos bónus. Em França os Bónus de 2019 foram distribuidos com o salário de Março. As ameaças do regulador parecem ter sido mais para a opinião pública.   Seria interessante que a “Associação Portuguesa de Bancos ” fornecesse os dados em relação aos banqueiros em Portugal, designadamente em relação aos bónus . Vamos aguardar.
 
 
 
 
 

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/2UW1KwQ

Os CTT e a banca

Greve nos CTT dias 21 e 22 de Dezembro - CGTP-IN

Os CTT e a banca

1)A pouca vergonha de uma privatização , com um banco 
Comissão de trabalhadores desafia  a administração dos CTT a não proceder á distribuição de dividendos
A Comissão acredita que “esses 16,5 milhões [de euros] serão bem mais úteis se ficarem na empresa, neste quadro de crise, provocada pela covid-19, cujo impacto nas receitas da empresa será inevitável e extremamente negativo”, indica o organismo no mesmo comunicado.

2)A banca para se fazer boazinha diz que vai responder aos pedidos de moratórias . Mas continua com as comissões e mais comissões…
O Estado disponibilizou três mil milhões e euros para as empresas mas a banca , com as comissões faz subir os custos destas linhas de crédito . Para que serve a banca ?

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/3aytcr4

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/03/31/os-ctt-e-a-banca/

Bancos também dão moratória no crédito automóvel

Para além da moratória no crédito à habitação decretada pelo Governo, alguns bancos estão a alargar a moratória ao crédito de consumo, como por exemplo, à prestação do carro.

Face à pandemia de covid-19, o Governo aprovou, na semana passada, a moratória de seis meses de créditos à habitação. Caixa, Santander, BPI e Crédito Agrícola são alguns dos bancos que também estão a conceder moratórias de crédito ao consumo, como por exemplo a prestação do carro.

Alguns bancos estão ainda a conceder um ano de moratória, em vez dos seis meses decretados pelo Executivo, avança esta segunda-feira o Jornal de Notícias.

 

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi a primeira a avançar com a disponibilização da moratória no crédito à habitação. Além disso, anunciou a extensão aos contratos de crédito ao consumo. Entre as medidas tomadas pela CGD está a “avaliação de potencial carência de capital até seis meses para crédito à habitação e crédito pessoal, mediante pedido do cliente e em condições de simplicidade de acesso”.

Também o BPI anunciou um “novo pacote de medidas”, disponibilizando às famílias e empresas “moratórias no crédito à habitação, pessoal e automóvel” por seis meses.

Por sua vez, o Santander garante a “suspensão do processamento das prestações e adesão à moratória do banco que permite a carência de capital de seis meses” aos seus clientes que têm crédito à habitação e viram os seus rendimentos reduzidos.

O Crédito Agrícola vai mais longe e concede moratórias de um ano tanto para o crédito à habitação como para o crédito ao consumo.

A moratória aprovada pelo Governo tem uma duração de seis meses, até 30 de setembro, e “prevê a proibição da revogação das linhas de crédito contratadas, a prorrogação ou suspensão dos créditos até fim deste período, de forma a garantir a continuidade do financiamento às famílias e empresas e a prevenir eventuais incumprimentos”.

Com isto, o Governo pretende reforçar o “apoio e proteção de famílias, empresas e demais entidades da economia social, para assegurar o reforço da sua tesouraria e liquidez, atenuando os efeitos da redução da atividade económica”. A moratória deverá representar um valor a rondar os 20 mil milhões de euros.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/bancos-moratoria-credito-automovel-316365

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