Assange

EUA acusam Assange de ajudar Snowden a recrutar hackers

Participantes de um comício de apoio a Julian Assange, fundador do Wikileaks, na Corte Real de Woolich, em Londres, 24 de fevereiro de 2020
© Sputnik / Justin Griffiths-Williams

Um grande júri norte-americano acusa o ciberativista australiano e fundador da plataforma de vazamento WikiLeaks de ajudar Snowden tanto a escapar da prisão como a receber "materiais roubados".

O Grande Júri do estado norte-americano de Virgínia, que lidera a investigação criminal contra Julian Assange, acusa o fundador e seus colegas do WikiLeaks de usar Edward Snowden para recrutar hackers em conferências e congressos de tecnologia organizados na Europa e na Ásia.

"Assange e outros no WikiLeaks demonstraram abertamente sua intenção de ajudar Snowden a evitar a prisão a fim de encorajar hackers e leakers a fornecer ao WikiLeaks materiais roubados", diz a nova acusação em apoio ao pedido de extradição do ativista australiano do Reino Unido para os EUA.

O Grande Júri de Virgínia alarga o prazo dos supostos crimes de 2009 para 2015, quando o australiano vivia como refugiado na embaixada do Equador em Londres, Reino Unido.

Além disso, o relato das alegações menciona repetidas instâncias em que o fundador do portal de vazamento alegadamente conspirou com ativistas dos coletivos de Anonymous, LulzSec, AntiSec e Gnosis para obter dados confidenciais e secretos do governo e da administração dos EUA.

The 'Star Witness' of the new superseding indictment is a diagnosed sociopath/ convicted conman/ child abuser/ FBI informant who was found guilty in Iceland of impersonating #Assange https://t.co/Gd249hthhj

— WikiLeaks (@wikileaks) June 25, 2020

A "testemunha estrela" da nova acusação substitutiva é um sociopata/vigarista condenado/abusador de crianças/ informante do FBI que foi considerado culpado na Islândia de se fazer passar por Assange

"Não é uma nova acusação, mas um comunicado de imprensa glorificado", disse Kristinn Hrafnsson, um jornalista islandês ao leme do site, segundo o jornal australiano The New Daily.

Além disso, a ordem revisada foi liberada duas semanas antes do prazo para a defesa apresentar seus documentos ao juiz britânico e aos advogados de acusação que representam os EUA.

"Isso mostra como eles estão abusando do devido processo e desprezando as regras do sistema judicial britânico", comentou Hrafnsson.

O Departamento de Justiça dos EUA na semana passada reforçou as acusações contra Assange sem aumentar o número de acusações, originalmente emitidas no ano passado.

Aniversário na cela

Assange faz 49 anos em 3 de julho, permanecendo detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh no sudeste de Londres, sem visitas de familiares, amigos ou advogados desde março, devido à pandemia do coronavírus.

Sua namorada e mãe de seus dois filhos que nasceram enquanto ele estava confinado na embaixada do Equador, Stella Morris, promete marcar a ocasião.

Julian's birthday is on Friday. He'll be 49. The kids and I will bake a cake but Julian won't be able to taste it. We haven't seen each other since March due to #COVID restrictions in Belmarsh prison.

— Stella Moris (@StellaMoris1) June 28, 2020

O aniversário de Julian é na sexta-feira [3]. Ele fará 49 anos. As crianças e eu faremos um bolo, mas Julian não conseguirá saboreá-lo.

Não nos vemos desde março devido às restrições da COVID na prisão de Belmarsh.

Morris exige a libertação condicional de seu noivo até que o processo de extradição seja resolvido ou pelo menos até que a segunda parte do julgamento seja iniciada, mas a juíza Baraitser se recusa a ceder e mantém Assange em sua cela, sendo a próxima terça-feira (7) a data prevista para o reinício das audiências no Tribunal Penal Central, o famoso Old Bailey de Londres.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020063015774766-eua-acusam-assange-de-ajudar-snowden-a-recrutar-hackers/

EUA ampliam acusações contra Assange em suposto caso de hacking

Policiais na entrada do Tribunal de Westminster, Londres, onde está decorrendo um ato contra a extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange
© Sputnik / Justin Griffiths-Williams

Segundo o Departamento de Justiça, o ativista australiano teria fornecido uma lista de alvos ao líder de um grupo de hackers.

Um grande júri dos EUA alargou as acusações contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse o Departamento de Justiça norte-americano em um comunicado à imprensa.

"A nova acusação não acrescenta incriminações adicionais ao anterior conjunto de 18 acusações apresentadas contra Assange em maio de 2019", disse o comunicado de quarta-feira (24), "no entanto, amplia a extensão da conspiração em torno das imputadas intrusões informáticas das quais Assange foi anteriormente acusado".

A declaração diz que o denunciante supostamente recebeu e publicou e-mails de uma violação de dados de uma empresa de consultoria de inteligência dos EUA, violação realizada por um hacker "anônimo" afiliado ao grupo de hackers LulzSec.

O hacker acusa Assange de lhe ter pedido indiretamente para enviar spam à empresa de consultoria, acrescenta o comunicado. Em 2012, Assange teria estado em contato com o líder do grupo LulzSec que estava cooperando com o Departamento Federal de Investigação (FBI) até então.

O Departamento de Justiça dos EUA acrescentou que o ciberativista australiano havia fornecido ao líder do grupo uma lista de alvos para o LulzSec hackear.

Assange teria dito ao líder do LulzSec que os melhores materiais seriam da Agência Central de Inteligência (CIA), da Agência de Segurança Nacional (NSA) ou do New York Times, de acordo com o comunicado.

Julian Assange, em julgamento no Reino Unido, enfrenta até 175 anos de prisão se for extraditado para os Estados Unidos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020062515757542-eua-ampliam-acusacoes-contra-assange-em-suposto-caso-de-hacking/

Na linha da frente até ao fim

Por Manlio Dinucci

Giulietto Chiesa morreu algumas horas depois de concluir, no 75º Aniversário da Libertação e do fim da Segunda Guerra Mundial, a Conferência Internacional de 25 de Abril, “Libertemo-nos do Vírus da Guerra”. Uma conferência de transmissão ao vivo, organizada pelo Comitato No War No NATO, do qual era um dos fundadores, e pela Global Research (Canadá), o centro de pesquisa sobre a globalização, dirigido pelo Professor Michel Chossudovsky.
Vários oradores – da Itália e de outros países europeus, dos Estados Unidos à Rússia, do Canadá à Austrália – examinaram as razões subentendidas devido às quais a guerra nunca terminou desde 1945: a Segunda Guerra Mundial foi seguida pela Guerra Fria, depois houve uma série ininterrupta de guerras e o regresso a uma situação análoga à da Guerra Fria, que aumenta o risco de um conflito nuclear.
Os economistas, Michel Chossudovsky (Canadá), Peter Koenig (Suíça) e Guido Grossi (Itália), explicaram como é que as forças económicas e financeiras poderosas exploram a crise do coronavírus para dominar as economias nacionais e o que devemos fazer para impedir esse plano.
David Swanson (Director do World Beyond War, USA), o economista Tim Anderson (Australia), o fotojornalista Giorgio Bianchi e o historiador Franco Cardini, falaram sobre as guerras passadas e presentes, ligadas aos interesses dessas mesmas forças poderosas.
O perito em questões politico-militares, Vladimir Kozin (Russia), a ensaísta Diana Johnstone (Usa),  a secretária da Campanha para o Desarmamento Nuclear, Kate Hudson (Reino Unido), analisaram os mecanismos que aumentam a probabilidade de um conflito nuclear catastrófico.

John Shipton (Austrália), pai de Julian Assange e Ann Wright (USA), antiga Coronel do US Army, retrataram a situação dramática de Julian Assange, o jornalista fundador do WikiLeaks, detido em Londres, com o risco de ser extraditado para os Estados Unidos, onde o aguarda a sentença de prisão perpétua ou a pena de morte.
Giulietto Chiesa direccionou a sua intervenção sobre esse tema. Em resumo, estas são algumas passagens:
“O facto de que se queira destruir Julian Assange significa que, também nós, todos nós, seremos amordaçados, obscurecidos, ameaçados, incapazes de compreender o que está a acontecer no nosso país e no mundo. Isto não é o futuro, é o presente. Em Itália, o Governo organiza uma comissão de censuradores encarregados, oficialmente,  de ‘limpar’ todas as notícias que se afastem das notícias oficiais. É a censura do Estado, como é que pode ser chamado de outra maneira? Também a RAI, a televisão pública, institui uma ‘task-force’ contra as “fake news” para apagar o rasto das suas mentiras diárias, que inundam todos os seus écrans de televisão.
E há, ainda pior, os misteriosos tribunais muito mais poderosos do que esses caçadores de ‘fake news’: são o Google e o Facebook, que manipulam as notícias e, com seus algoritmos e truques secretos, censuram sem apelação. Já estamos cercados de novos tribunais, que apagam os nossos direitos.
Recordam-se do artigo 21 da Constituição Italiana?
Está escrito: “Todos têm o direito de manifestar livremente o seu pensamento”.
Mas 60 milhões de italianos são forçados a ouvir um único altifalante, que grita através dos sete canais televisivos do poder.
Por esse motivo é que Julian Assange é um símbolo, uma bandeira, um convite para a reconquista dos direitos civis, políticos e económicos, para nos acordar antes que seja tarde demais.
 
É indispensável unir as forças que temos, que não são assim tão pequenas, mas têm um defeito crucial: o de estar divididas, incapazes de falar a uma só voz. Precisamos de um instrumento que fale aos milhões de cidadãos que querem saber”.
Estas são as últimas palavras de Giulietto Chiesa. Confirmadas pelo facto de que, imediatamente após a transmissão, o vídeo da Conferência ficou obscurecido, porque “o seu conteúdo foi identificado pela comunidade do YouTube, como sendo inapropriado ou ofensivo para certos tipos de público”.
 
Manlio Dinucci
 

Via: FOICEBOOK https://bit.ly/2zROoLd

Covid-19: Julgamento de extradição de Assange adiado para setembro

 
 
Advogados do fundador da WikiLeaks não têm acesso direto ao seu cliente "há mais de um mês" e consideram que esta é a melhor solução.
 
O tribunal britânico que vai decidir se Julian Assange, de 48 anos, vai ser extraditado para os Estados Unidos ou não, decidiu adiar o julgamento para setembro por causa da pandemia do novo coronavírus, segundo a CNN. O julgamento de extradição de Assange já tinha sido suspenso até ao dia 18 de maio e agora foi adiado desta data para setembro.
 
Citando os receios com o vírus, um dos elementos da equipa de advogados de Assange, Edward Fitzgerald, disse que “as provas são de que não seria seguro Assange participar numa videoconferência de um ponto de vista médico”.
 
Além disso, por causa das restrições em vigor no Reino Unido devido à pandemia, a equipa de defesa do fundador da WikiLeaks afirma que não tem acesso direto a Assange “há mais de um mês”. Julian Assange encontra-se detido na prisão de Belmarsh, no sul de Londres, e as visitas foram suspensas.
 
Uma situação que só piora as condições para defender Assange. “Houve sempre grandes dificuldades em aceder a Assange, mas com o surto de coronavírus a preparação deste caso passou de difícil para impossível”, frisou Edward Fitzgerald, acrescentando que se o julgamento acontecesse no dia 18 de maio Assange “estaria numa luta de David contra Golias, com as mãos atadas nas costas”.
 
De recordar que o governo norte-americano pretende a extradição de Julian Assange por alegadamente ter conspirado com a antiga analista Chelsea Manning para expor documentos confidenciais em 2010.
 
Se for extraditado para os Estados Unidos, Assange vai enfrentar 18 acusações de crime e pode ser condenado a uma pena de prisão de até 175 anos.
 
Fábio Nunes | Notícias ao Minuto | Imagem: © Getty Images
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/covid-19-julgamento-de-extradicao-de.html

Uma boa oportunidade para Cotrim ter ficado calado

1. Durante umas quinzenas, enquanto foi inquietante novidade na Assembleia da República, prestei particular atenção ao momento dos debates em que o primeiro-ministro via-se confrontado com as perguntas do deputado situado na mais extrema posição das direitas. Sabendo-o levado ao colo por um coro de fiéis nas redes sociais e pelos jornais da Cofina, aferia o perigo que poderia vir a constituir no futuro. Mas depressa me desinteressei da pugna: o sujeito em causa é tão contraditório e primário no que defende, que António Costa não precisa de recorrer aos reconhecidos dotes de tribuno para o devolver rapidamente à insignificância.

 

Desaparecida Assunção Cristas e estando o CDS confinado às inconsequentes telmices de quem comanda o exíguo grupo parlamentar, ganha acrescido interesse a intervenção do ultraliberal de serviço. Menos execrável que o desventurado vizinho, detetando-se-lhe até educação menos trauliteira, Cotrim de Figueiredo lá vai fazendo os possíveis para manter desfraldada a bandeira pró-liberdade total para os mercados. Só que a pandemia tem acentuado a importância determinante do Estado em tudo quanto é feito para a combater e para lhe vir a debelar os efeitos na economia. Daí que, uma vez mais, o representante da Iniciativa Liberal investiu desajeitadamente pelo lado da ineficiência do Estado no apoio aos empresários, que se andariam a queixar da excessiva burocracia no acesso aos programas para eles aprovado.

 

Letal, António Costa espetou-lhe dolorosa farpa:“Vou-lhe dar uma amarga notícia: foram os socialistas quem inventaram o Simplex e foram os liberais que o meteram na gaveta”.De facto, quanto tempo ficou perdido na maximização da eficiência da Administração Pública quando, entre 2011 e 2015, Passos Coelho e os seus cortesãos deitaram a perder todo o trabalho criado nos anos anteriores pela equipa de Maria Manuel Leitão Marques?

 

Cotrim só pode corresponder com aquela expressão conformado de quem intimamente sentiu quão preferível teria sido ficar calado.

 

2. Muito positiva a decisão tomada pelo Ministério da Cultura, que anunciou a compra de 400 mil euros em livros a pequenas editoras e livreiros cuja condição financeira era de manifesto estrangulamento devido à pandemia. E, ao mesmo tempo, também antecipou as bolsas literárias atribuídas anualmente a projetos de alguns escritores. 

 

Estas são daquelas notícias positivas sobre as quais a maioria das televisões não diz uma palavra...
 
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/04/uma-boa-oportunidade-para-cotrim-ter.html

Assange teve dois filhos com advogada em embaixada, diz jornal

 
 
Fundador do WikiLeaks passou sete anos exilado na Embaixada do Equador em Londres. Mídia britânica informa que, nesse período, ele foi pai de duas crianças e ficou noivo de uma de suas advogadas.
 
O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, teve dois filhos com uma de suas advogadas enquanto estava exilado na Embaixada do Equador em Londres, informou o jornal britânico Mail on Sunday neste domingo (12/04).
 
A notícia veio à tona quando Assange tentou conseguir liberdade temporária da prisão de Belmarsh, em Londres, por acreditar correr "alto risco" de pegar coronavírus enquanto se encontra preso à espera de uma possível extradição para os EUA.
 
O australiano de 48 anos é supostamente pai de dois meninos, respectivamente, com idades de dois e um ano, nascidos da advogada sul-africana Stella Morris, escreveu o jornal.
 
O jornal britânico publicou fotos de Julian Assange com as crianças junto a uma entrevista com Morris, que diz que o casal "se apaixonou" e planeava casar-se.
 
 
Assange enfrenta a ameaça de uma possível extradição para os EUA por acusações ligadas à liberação de arquivos secretos pelo site WikiLeaks em 2010, detalhando aspectos das campanhas militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque.
 
Ele fugiu para a embaixada do Equador em Londres em 2012 para evitar outros processos judiciais na Suécia, onde era acusado de assédio sexual e estupro, acusações que foram retiradas posteriormente.
 
Assange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres. Ele pode pegar até 175 anos de detenção se for condenado em todas as 18 acusações nos EUA, que incluem a publicação de documentos sigilosos e a violação da lei antiespionagem americana.
 
No mês passado, ele havia pedido liberdade temporária junto a um tribunal superior inglês, mas os juízes lhe negaram fiança e disseram que a pandemia não era motivo para sua libertação. Os magistrados afirmaram, porém, que Assange pode fazer outra tentativa de conseguir sair sob fiança de sua prisão de alta segurança.
 
O WikiLeaks tuitou confirmando a história: "A recém-revelada parceira de Julian Assange e mãe de seus dois filhos pequenos fala pela primeira vez: ela insta o governo do Reino Unido a liberar seu noivo vulnerável em meio a medos por coronavírus."
 
"Eu amo Julian profundamente e espero me casar com ele", disse Morris ao jornal.
 
O primeiro dos dois filhos teria sido concebido em 2016. Morris estava visitando Assange na embaixada há vários anos para discutir procedimentos legais com o fundador do Wikileaks. Os dois meninos aparentemente visitaram o pai na prisão.
 
Washington busca há anos a extradição de Assange, que vem lutando contra sua transferência para os Estados Unidos desde que foi preso. O tribunal em Londres só deve decidir sobre a extradição após 18 de maio.
 
Deutsche Welle | CA/afp/dpa/dw
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/assange-teve-dois-filhos-com-advogada.html

Declaração acerca da audiência de fiança de Assange, em risco de contrair o coronavírus

por Doctors4Assange

 Doctors4Assange condena fortemente a decisão de quarta-feira da juíza distrital Vanessa Baraitser de negar fiança a Julian Assange. Apesar da nossa anterior declaração inequívoca [1] de que o sr. Assange está em risco acrescido de doença grave e de morte caso contraia coronavírus, bem como a evidência de peritos médicos, Baraitser descartou o risco mencionando linhas de orientação do Reino Unidos para prisões em resposta à pandemia global: "Não tenho razão para não confiar neste conselho como baseado em provas, confiável e apropriado". [2]

Observe-se, no entanto, que Baraitser não tratou do risco acrescido para o sr. Assange relativo à população prisional geral do Reino Unido, muito menos à do [presídio] HMP Belmarsh onde ele está encarcerado. Tão pouco abordou o consenso médico e legal que está a emergir rapidamente de que prisioneiros vulneráveis e de baixo risco deveriam ser libertados, de imediato.

Como ouviu o tribunal, o Sr. Assange corre um risco crescente de contrair e morrer da nova doença do coronavírus (COVID-19), um desenvolvimento que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma emergência de saúde pública de preocupação internacional [3] e uma pandemia global [4] . As razões para o aumento do risco do Sr. Assange incluem a sua contínua tortura psicológica, a sua história de negligência médica e saúde frágil, assim como doenças pulmonares crónicas.

Edward Fitzgerald, advogado, representando o Sr. Assange, disse: "Estes peritos [médicos] consideram que ele está particularmente em risco de desenvolver o coronavírus e, se isso acontecer, que este redunde em complicações muito graves para ele... Se ele desenvolvesse sintomas críticos, seria muito duvidoso que Belmarsh fosse capaz de lidar com a sua condição" [5] .

A rejeição displicente de Baraitser da terrível situação do Sr. Assange diante da emergência da COVID-19 contrastou fortemente não apenas com as provas médicas periciais, mas com os próprios procedimentos legais. A audiência teve lugar no terceiro dia do encerramento do Reino Unido devido ao coronavírus. Dos dois consultores que representam o Sr. Assange, Edward Fitzgerald usou uma máscara facial e o advogado Mark Summers participou através do audiolink. Os advogados dos EUA juntaram-se aos trabalhos por telefone.

O próprio Sr. Assange apareceu por videolink, o qual foi encerrado após cerca de uma hora, tornando-o incapaz de acompanhar o restante da sua própria audiência, incluindo o sumário da defesa e a decisão da Juíza Distrital. Os apoiantes do Sr. Assange, presentes pessoalmente, observaram medidas de distanciamento social. No total, apenas 15 pessoas estiveram presentes, incluindo juiz, advogados e observadores.

Baraitser mais uma vez errou ao afirmar que como nenhum prisioneiro do HMP Belmarsh actualmente tem coronavírus, Assange ainda não estava em risco. O advogado do Sr. Assange observou, em contraste, que eles tiveram dificuldade em visitá-lo depois de serem informados pelos funcionários de Belmarsh que mais de 100 funcionários do presídio estão actualmente "auto-isolados". Além disso, não está claro se qualquer dos prisioneiros de Belmarsh foi mesmo testado para o coronavírus.

A garantia de Baraitser de que as medidas do governo eram adequadas para proteger o Sr. Assange também soou como falsa no mesmo dia em que o governo do Reino Unido anunciava que o Príncipe Charles deu positivo no teste COVID-19. Se o governo britânico não pode proteger a sua própria família real da doença, como pode ele proteger adequadamente os seus prisioneiros mais vulneráveis nas prisões, os quais foram descritos como "campo de reprodução" para o coronavírus?

Além disso, no dia da audiência surgiram notícias de que 19 prisioneiros em 10 prisões do Reino Unido haviam testado positivo para o coronavírus, um aumento de seis prisioneiros em 24 horas [6] . Desde o dia da audiência até à data, dois condenados no Reino Unido morreram do COVID-19, ambos, tais como Assange, eram homens em grupos de alto risco [7] .

Esta notícia, e a decisão de negar fiança ao Sr. Assange, é alarmante à luz de numerosas declarações e relatórios que chamaram a atenção para o risco dos prisioneiros, recomendando com urgência a libertação de prisioneiros não violentos, bem como acções adoptadas por outros países para moderar o risco.

Especificamente, em 17 de Março um relatório [8] do Professor de Saúde Pública Richard Coker, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, afirmava que "instalações congregadas" tais como prisões proporcionavam condições ideais para a "transmissão explosiva" do coronavírus. A "quantidade de horas" importa em termos de contenção, adverte Professor Coker avisa. O relatório recomenda que "se a detenção for desnecessária, deve ser relaxada. Isto deveria ser feito antes que o vírus tenha a oportunidade de entrar num centro de detenção".

Consequentemente, no mesmo dia da audiência da fiança do Sr. Assange, a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, emitiu uma declaração [9] a conclamar autoridades a libertarem prisioneiros que são particularmente vulneráveis ao COVID-19, bem como condenados de baixo risco. "Agora, mais do que nunca, os governos deveriam libertar toda pessoa detida sem suficiente base legal, incluindo prisioneiros políticos e outros detidos simplesmente por exprimirem pontos de vista críticos ou dissidentes", disse ela.

A Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos advertiu que numa crise de saúde tal como a apresentada pelo COVID-19, os direitos de pessoas detidas devem ser protegidos sob a "Regras Mandela" das Nações Unidas que governam os direitos de prisioneiros, notando que prisões abrigam populações vulneráveis tais como idosos, condenados com doenças ou incapacidade, assim como detidas grávidas ou jovens. Tais populações são frequentemente detidas em instalações "superlotadas" e "não higiénicas", em alguns perigosamente, ela enfatizou.

"O distanciamento físico e o auto-isolamento em tais condições são praticamente impossíveis", escreveu a Alta Comissária. "Com surtos da doença, e um número de mortes crescente, já relatados em prisões e outras instituições num número crescente de países, as autoridades deveriam actuar agora para impedir novas perdas de vida entre detidos e funcionários".

Em consonância com este conselho, no país natal do sr. Assange, a Austrália, em 24 de Março o governo da Nova Gales do Sul anunciou [10] a libertação antecipada de prisioneiros seleccionados, com base na sua "vulnerabilidade de saúde" e status de segurança e condenação, à luz da pandemia do COVID-19.

Nos EUA, o médico chefe de Rikers Island, Nova York, instou juízes e promotores a libertarem condenados, sempre que possível, para protegê-los do coronavírus. E 600 prisioneiros encarcerados por delitos menores e não violentos foram libertados em Los Angeles. Mais de 3000 médicos e trabalhadores da saúde também assinaram uma carta aberta instando as autoridades de imigração dos EUA a libertarem detidos a fim de mitigar a epidemia do COVID-19 [11] .

Acrescentando suas vozes jurídicas a estas autoridades médicas e de direitos humanos, no dia seguinte à audiência de fiança do Sr. Assange, três professores de direito e criminologia recomendaram "conceder fiança a prisioneiros não sentenciados para travar a propagação do coronavírus" [12] .

Julian Assange é exactamente um prisioneiro não sentenciado com vulnerabilidade de saúde significativa. Ele está detido em prisão preventiva, sem pena de prisão ou acusação no Reino Unido, muito menos condenação.

Doctors4Assange também se preocupa com o facto de manter Assange em Belmarsh não só aumenta o seu risco de contrair coronavírus, como também aumentará o seu isolamento e a sua incapacidade de preparar a sua defesa para a sua próxima audiência de extradição, em violação do seu direito humano de preparar uma defesa. As visitas dos advogados do Sr. Assange têm sido cada vez mais restringidas devido ao confinamento de presos a fim de evitar a propagação do coronavírus.

Estes dois factores já contribuem grandemente para a tortura psicológica do Sr. Assange e estamos alarmados porque a combinação da decisão de Baraitser, juntamente com restrições prisionais cada vez mais rigorosas em resposta à pandemia, irá intensificar essa mesma tortura. Isto aumenta ainda mais a sua vulnerabilidade ao coronavírus.

Além disso, testemunhas de Assange provavelmente não poderão viajar para a sua audiência de extradição no mês de Maio devido a restrições de viagem impostas tanto pelo Reino Unido ou seus países de origem. Isto poderia resultar em novo adiamento da sua audiência de extradição, prolongando dessa forma o seu abuso medicamente perigoso de tortura psicológica e negligência médica politicamente motivada, como pormenorizámos na nossa carta publicada no número de 7 de Março de The Lancet [13] .

Kristinn Hrafnsson, editor chefe da WikiLeaks, resumiu a decisão de Baraitser de uma maneira coerente com o claríssimo consenso médico e legal, assim como ética médica há muito estabelecida: "Expor um outro ser humano a doença grave e à ameaça de perder a sua vida é grotesco é totalmente desnecessário. Isto não é justiça, é uma decisão bárbara" [14] .

27/Março/2020

[1] From the Doctors4Assange website: doctorsassange.org/...
[2]  From Marty Silk live tweet during the proceedings:  twitter.com/MartySilkHack/status/1242807708778192897
[3]  From the World Health Organization website:  www.who.int/...
[4]  From the World Health Organization website:  www.euro.who.int/...
[5] Bridges for Media Freedom, Briefing, Assange Bail Application, 25 March 2020.
[6]  www.expressandstar.com/news/...
[7]  metro.co.uk/...
[8]  detentionaction.org.uk/...
[9]  www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=25745&LangID=E
[10]  www.smh.com.au/...
[11]  countercurrents.org/...
[12]  theconversation.com/...
[13]  www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30383-4/fulltext
[14]  www.independent.co.uk/

O original encontra-se em doctorsassange.org/...

Esta declaraçãoencontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/doctors4assange_27mar20.html

Corte de Londres se recusa a liberar Assange em meio à pandemia do coronavírus

Apoiador do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afixa uma placa na cerca da Corte de Woolwich antes de uma audiência para decidir se Assange deve ser extraditado para os Estados Unidos, em Londres, Reino Unido, 25 de fevereiro de 2020
© REUTERS / Henry Nicholls

Considerando a propagação da COVID-19 e a preocupação quanto ao estado de saúde de Julian Assange, seus advogados pediram sua liberdade sob fiança.

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, não foi liberado sob fiança nesta quarta-feira (25) pela Justiça britânica após seus advogados solicitarem sua libertação em razão da pandemia do coronavírus.

Segundo uma das juízas do caso, Assange deve continuar na prisão de Belmarsh em Londres.

Anteriormente, sua defesa manifestou inquietude por seu estado de saúde e anunciou que apresentaria a solicitação ao tribunal de Westminster. Os advogados consideram que o australiano está particularmente vulnerável à COVID-19 na prisão.

Seu estado de saúde se deteriora

Refugiado desde 2012 na Embaixada do Equador em Londres, o fundador do WikiLeaks foi preso pela polícia britânica em abril de 2019.

Uma carta aberta foi assinada em novembro por 60 médicos para manifestar preocupação quanto ao agravamento do quadro de saúde de Assange. Preso, o fundador do WikiLeaks arrisca ser extraditado aos Estados Unidos, onde pode ser condenado a 175 anos de prisão.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020032515374728-corte-de-londres-se-recusa-liberar-assange-em-meio-a-pandemia-do-coronavirus/

Médicos pedem libertação de Assange devido ao risco de contrair COVID-19

Participante de manifestação contra extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em Londres
© Sputnik / Justin Griffiths-Williams

Os Médicos por Assange pedem ao governo australiano para ter em conta a má saúde do denunciante, citando condições "férteis" em prisões britânicas para a propagação do SARS-CoV-2.

Médicos e outros defensores dos direitos humanos pedem a libertação de Julian Assange para evitar o risco de contágio pelo novo coronavírus na prisão de Londres, onde ele está preso desde abril de 2019.

"A vida e a saúde de Julian Assange estão em maior risco devido à sua detenção arbitrária durante esta pandemia global", adverte Médicos por Assange (Doctors for Assange), um grupo de cerca de 200 médicos em uma carta ao governo australiano para intervir no assunto.

A Associação dos Governadores das Prisões do Reino Unido advertiu que as prisões britânicas são "locais férteis" para a propagação do novo coronavírus, disse o grupo internacional de especialistas médicos.

"O governo australiano deve atender aos apelos crescentes das autoridades médicas, legais e de direitos humanos e intervir para garantir a liberdade e proteger a vida do premiado jornalista australiano", exortaram os signatários da carta.

Os colaboradores do fundador do WikiLeaks e os ativistas que se mobilizam quase diariamente em seu nome em Londres também exigem sua libertação face à crise do coronavírus.

"É essencial que Julian Assange seja incluído em qualquer política de libertação, agora que as autoridades estão prestes a cancelar visitas sociais", disse Joseph Farrell, jornalista e "embaixador" do WikiLeaks.

O representante da plataforma de comunicações digitais alertou que a "saúde" de Assange já está "em perigo", e que sofreria ainda mais sob as condições restritivas e severas de Belmarsh, no sudeste de Londres.

"A ameaça de que ele possa contrair o vírus é terrível", lamentou Farrell.

Pano de fundo do assunto

Assange, um australiano de 48 anos, está preso sem acusação na prisão de segurança máxima de Belmarsh, enquanto luta contra a sua possível extradição para os Estados Unidos no julgamento que começou em fevereiro de 2020, e que está previsto que seja retomado em maio.

O governo de Boris Johnson se prepara para anunciar na quarta-feira (18) o cancelamento dos julgamentos e outras medidas de precaução na área judicial para mitigar o avanço do coronavírus.

O governo também espera estender o programa de libertação precoce para aliviar a pressão da infecção nas prisões.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020031815344186-medicos-pedem-libertacao-de-assange-devido-ao-risco-de-contrair-covid-19/

A caixa de vidro blindado é um instrumento de tortura

por Craig Murray [*]

Assange na caixa de vidro blindado do tribunal de Woolwhich. Na audiência separada de quinta-feira acerca de permitir a Assange sair da caixa blindada para sentar-se com a sua equipe jurídica, testemunhei directamente que a decisão de Baraitser contra Assange foi por ela lida ANTES de ter ouvido o advogado de defesa apresentar os seus argumentos; e que ela os leu sem qualquer modificação.

Posso começar por explicar a minha posição na galeria pública em relação à juíza. Durante toda a semana sentei-me deliberadamente na frente, no banco direito. A galeria dá para uma janela de vidro blindado com uma altura de cerca de dois metros acima da sala de audiência. Ela corre de um lado do tribunal e a extremidade direita da galeria pública está acima da tribuna da juíza, a qual se senta abaixo perpendicular à mesma. Surpreendentemente, portanto, nos assentos do lado direito da galeria pública, tem-se uma visão ininterrupta do topo de toda a tribuna do juiz e podem-se ver todos os documentos do juiz e a tela do computador.

O advogado Mark Summers sublinhou que, no caso Belousov vs Rússia o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo, decidiu contra o Estado da Rússia porque Belousov fora julgado numa gaiola de vidro praticamente idêntica na sua construção e posição em tribunal àquela na qual agora estava Assange. Isso prejudicou a sua participação no julgamento e o seu livre acesso a advogados e privou-o de dignidade humana como réu.

Summers continuou dizendo que era prática normal para certas categorias de prisioneiros não condenados que fossem libertadas do banco dos réus para se sentar junto aos seus advogados. O tribunal tinha relatórios psiquiátricos sobre a depressão clínica extrema de Assange e, de facto, o guia das melhores práticas do Departamento de Justiça do Reino Unido declara que pessoas vulneráveis deveriam ser libertadas para se sentarem ao lado dos seus advogados. Não estava a ser solicitado tratamento especial para Assange – ele estava a pedindo para ser tratado como qualquer outra pessoa vulnerável.

A defesa foi obstruída pela sua incapacidade de se comunicar confidencialmente com seu cliente durante as audiências. Na próxima etapa do julgamento, onde testemunhas estavam a ser examinadas, a comunicação oportuna era essencial. Além disso, os advogados não podiam falar com ele senão através de uma fenda no vidro, com audição ao alcance dos agentes da empresa privada de segurança que o vigiavam (ficou claro que eles eram Serco, não do Grupo 4, como Baraitser havia dito no dia anterior) e na presença de microfones.

Baraitser ficou de mau humor neste ponto e falou com um tom de voz incisivo. "Quem são aquelas pessoas atrás de si na fila de trás?" perguntou sarcasticamente a Summers – uma pergunta de que sabia muito bem a resposta. Summers respondeu que faziam parte da equipe jurídica de defesa. Baraitser disse que Assange poderia contactá-los se tivesse algo a transmitir. Summers respondeu que havia um corredor e um muro baixo entre a caixa de vidro e a posição em que estava e que tudo o que Assange podia ver por cima do muro era o topo da sua nuca. Baraitser disse que vira Assange chamar. Summers disse que gritar no tribunal não era nem confidencial nem satisfatório.

Fui advertido agora que é definitivamente uma ofensa publicar a foto de Julian na sua gaiola de vidro, ainda que eu não o tivesse feito e que esteja absolutamente por toda a Internet. Também vale a pena notar que estou de volta ao meu país, a Escócia, onde meu blog se baseia, e nenhum deles está sob a jurisdição do tribunal inglês. Mas estou ansioso para não lhes dar uma desculpa para me afastarem da audiência, portanto removi-o, mas pode vê-lo aqui .

Esta é a foto tirada ilegalmente (não por mim) de Assange no tribunal. Se olhar cuidadosamente, poderá ver que há uma passagem e uma cerca baixa de madeira entre ele e a fila de trás dos advogados. Pode ver também um dos dois agentes prisionais da [empresa] Serco a guardá-lo dentro da caixa.

Baraitser disse que Assange poderia passar notas e ela testemunhata notas a serem passadas por ele. Summers respondeu que os funcionários do tribunal haviam agora proibido a passagem de notas. Baraitser disse que eles poderiam falar deste assunto com a Serco, que era um assunto para as autoridades prisionais.

Summers afirmou que, ao contrário da declaração de Baraitser no dia anterior, ela realmente tinha jurisdição sobre a questão de libertar Assange do banco dos réus. Baraitser interveio para dizer que agora aceitava isso. Summers disse então que havia produzido certo número de elementos para mostrar que Baraitser também estava errada ao dizer que estar em custódia só poderia significar estar no banco dos réus. Pode-se estar sob custódia em qualquer lugar dentro do recinto do tribunal ou mesmo fora dele. Baraitser ficou muito irritada com isso e afirmou que só havia dito que a entrega à custódia do tribunal devia ser igual à entrega à caixa de vidro.

Ao que Summers respondeu de forma memorável, agora muito zangado: "Bem, isso também está errado e tem estado errado nos últimos oito anos".

Concluindo o argumento, Baraitser emitiu seu julgamento sobre essa questão. Agora, a coisa interessante é isto e sou uma testemunha ocular directa. Ela leu seu julgamento, o qual tinha várias páginas e foi escrito à mão. Ela o havia trazido consigo para o tribunal num pacote e não fez nenhuma alteração. Ela havia escrito seu julgamento antes de ouvir Mark Summers falar.

Seus pontos-chave eram que Assange era capaz de se comunicar com seus advogados gritando a partir da caixa. Ela o viu passar notas. Ela estava disposta a adiar o tribunal a qualquer momento para que Assange pudesse descer e falar com seus advogados para discussões nas celas, e se isso prolongasse a duração da audiência de três para seis semanas, isso poderia tanto tempo quanto necessário.

Baraitser declarou que nenhum dos relatórios psiquiátricos prévios que dispunha afirmava que era necessário que Assange deixasse a caixa blindada. Como essa pergunta não fora feita a nenhum dos psiquiatras havia feito – e muito provavelmente nenhum sabia nada acerca da disposição física do tribunal – isso não é surpreendente

Tenho estado a perguntar-me porque é tão essencial para o governo britânico manter Assange naquela caixa, incapaz de ouvir audiências ou instruir seus advogados em reacção a provas, mesmo quando um advogado do governo dos EUA declarou que não tinha objecção a Assange sentar-se com os seus advogados.

A resposta está na avaliação psiquiátrica de Assange dada ao tribunal pelo extremamente ilustre professor Michael Kopelman (que é familiar a todos os que leram Murder in Samarkand ):

"O Sr. Assange mostra virtualmente todos os factores de risco que investigadores de Oxford descreveram em prisioneiros que ou se suicidam ou fazem tentativas letais. … Estou tão confiante quanto um psiquiatra pode estar de que, se a extradição para os Estados Unidos se tornasse iminente, o sr. Assange encontraria um meio de se suicidar".

O facto de que Kopelman, como disse Baraitser, não declarar especificamente que a caixa de vidro blindado é má para Assange não reflecte nada mais do que facto de não lhe ter sida feita aquela pergunta. Qualquer ser humano com um mínimo de decência seria capaz de extrair a inferência. O argumento estreito de Baraitser de que nenhum psiquiatra declarara especificamente que ele deveria ser libertado da caixa blindada é espantosamente insensível, desonesto e desumano. Quase certamente nenhum psiquiatra havia concebido que ela determinaria a imposição de tal tortura.

Então, por que Baraitser está a fazer isso?

Acredito que o confinamento de Assange, um geek intelectual da informática, à maneira de Hannibal Lecter não tem qualquer base racional, é uma tentativa deliberada de levar Julian ao suicídio. O tribunal antiterrorista de segurança máxima encontra-se fisicamente dentro do complexo da fortaleza que abriga a prisão de alta segurança. Ele é conduzido algemado e sob forte escolta da sua cela de isolamento até a caixa blindada através de um túnel subterrâneo. Nestas circunstâncias, qual é a possível necessidade de ele ser despido e ter as suas cavidade investigadas continuamente? Por que é que ele não tem permissão para ter seus documentos judiciais? O mais revelador para mim foi o facto de não lhe ser permitido apertar as mãos ou tocar seus advogados através da fenda na caixa blindada.

Eles estão implacavelmente a impor-lhe a negação sistemática de qualquer conforto humano básico, como o toque das pontas dos dedos de um amigo ou a bloquear o alívio que poderia ter apenas por estar ao lado de alguém amigável. Eles estão a garantir a continuação dos efeitos psicológicos extremos do isolamento de um ano de virtual confinamento solitário. Um mínimo de conforto humano poderia fazer um enorme bem à sua saúde mental e resiliência. Eles estão determinados a travar isto a todo o custo. Eles estão a tentar fazer com que se mate a si próprio – ou criar nele a condição em que a sua morte por estrangulamento possa ser explicada como suicídio.

Esta também é a única explicação em que posso pensar porque estão a arriscar a criação de condições óbvias para julgamento nulo (mistrial). Pessoas mortas não podem recorrer.

Recordo que Julian é um prisioneiro que cumpriu sua sentença sem precedentes por se ter foragido sob fiança. Actualmente o seu status é supostamente o de um homem inocente a enfrentar acusações. Estas acusações são por nada, excepto pela publicação das revelações de Chelsea Manning de crimes de guerra.

Que Baraitser está a actuar sob instruções parece-me certo. Ela tem estado desesperada ao longo do julgamento para aproveitar qualquer oportunidade de negar qualquer responsabilidade pelo que está a acontecer a Julian. Ela declarou que não tem jurisdição sobre o seu tratamento na prisão e, mesmo quando tanto a defesa quanto a acusação juntas declaravam que era prática normal para os magistrados emitirem instruções ou solicitações ao serviço prisional, ela se recusou-se a aceitar isso.

Baraitser está claramente a tentar distanciar-se psicologicamente de qualquer responsabilidade no que está a ser feito. Para isto, ela fez uma série de negações de jurisdição ou capacidade de influenciar eventos. Ela tem dito que não tem jurisdição para interferir nas buscas corporais, algemas e remoção de documentos de Assange ou com o facto de ele ser mantido em solitária. Ela disse que não tem jurisdição para solicitar que seus advogados de defesa tenham mais acesso ao cliente preso a fim de preparar a sua defesa. Ela disse que não tem jurisdição sobre a posição dele na sala do tribunal. Ela sugeriu várias vezes que cabe à Serco decidir se pode passar notas aos seus advogados e à [empresa] Grupo 4 decidir se ele pode ser libertado da caixa blindada. Os momentos em que ela parece mais satisfeita de ouvir são aqueles em que o advogado de acusação, James Lewis, argumenta que ela não tem nenhuma decisão a fazer a não ser assinar a extradição porque está em boa forma e que o artigo 4 do Tratado não tem legitimidade legal.

Um membro da família Assange comentou comigo no final da primeira semana que ela parecia muito preguiçosa e, portanto, encantada por aceitar quaisquer argumentos que reduzissem a quantidade de trabalho que ela precisava fazer. Penso que é algo diferente disso. Penso que há um canto da mente dessa filha de dissidentes do apartheid que rejeita seu próprio papel na tortura de Assange e está constantemente a pedir: "Não tive escolha, não tinha responsabilidade". Aqueles que sucumbem ao mal devem encontrar o conforto interno que puderem.

Este artigo é totalmente gratuito para reprodução e publicação, inclusive em tradução, e espero que as pessoas assim o façam activamente. A verdade nos libertará.

02/Março/2020
Ver também:

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_murray_02mar20.html

Extradição de Assange: Poderá um toque francês furar a farsa neo-orwelliana?

– Os media corporativos lusitanos fazem silêncio acerca do julgamento de Assange
– Sindicato dos Jornalistas também se omite
– Assange é impedido de contactar livremente com os seus advogados

por Pepe Escobar [*]

É bastante adequado que o destino judicial de Julian Assange – imperialmente pré determinado – esteja a ser jogado na Grã-Bretanha, a terra natal de George Orwell. [1]

Como descrito pelos penosos, dolorosos, relatórios do embaixador Craig Murray, o que está a acontecer no tribunal de Woolwich Crown é uma farsa sub-orwelliana com toques de Conrad [2] : o horror... o horror..., reencenada para os frenéticos anos vinte. O cerne das nossas trevas mentais não está no Congo: está numa lúgubre sala de tribunal ligada a uma penitenciária, presidida por uma desprezível lacaia imperial.

Num dos livros de Michel Onfray publicado no ano passado, Theorie de la Dictature (ed. Robert Laffont), o principal dissidente e politicamente incorrecto filósofo francês principia exactamente a partir de Orwell ao examinar as características chave da nova imagem de uma ditadura. Ele rastreia sete caminhos de destruição: destruir a liberdade, empobrecer a linguagem, abolir a verdade, suprimir a história, negar a natureza, propagar o ódio e aspirar ao império.

Para destruir a liberdade, enfatiza Onfray, o poder precisa assegurar vigilância perpétua; destruir a vida pessoal; suprimir a solidão; tornar a opinião uniforme e denunciar crimes de pensamento. Isto soa como o roteiro do governo dos Estados Unidos para a perseguição de Assange.

Outros caminhos, como no empobrecimento da linguagem, incluem a prática da novilíngua (newspeak); utilizando dupla linguagem; destruindo palavras; oralizando a linguagem; falando uma linguagem única e suprimindo os clássicos. Isto soa como o modus operandi das classes dominantes do Poder hegemónico.

Para abolir a verdade, o poder deve ensinar ideologia; instrumentalizar a imprensa; propagar fake news e produzir realidade. Para propagar o ódio, o poder, entre outros instrumentos, deve criar um inimigo; fomentar guerras e psiquiatrizar o pensamento crítico.

Não há dúvida de que já estamos atolados profundamente dentro desta distopia neo-orwelliana.

John Milton, autor de Paraíso perdido publicado em 1642, não podia ter sido mais profético quando escreveu: "Aqueles que ferem os olhos do povo culpam-no por ser cego". Como não identificar um paralelo directo com o exército do Le Petit Roi Emmanuel Macron, mês após mês, a deliberadamente cegar o protesto dos Coletes Amarelos nas ruas de França?

Orwell era mais directo do que Milton, dizendo que falar acerca de liberdade não tem significado a menos que se refira à liberdade de dizer às pessoas aquilo que elas não querem ouvir. E ele põe isto em contexto ao citar uma linha de Milton: "Pelas regras conhecidas da antiga liberdade".

Mas nenhumas "regras conhecidas da antiga liberdade" são permitidas ao entrar no coração das trevas do tribunal de Woolwich Crown.

Um espião ao serviço do povo

Cr Juan Branco é provavelmente o mais brilhante jovem intelectual francês – herdeiro de uma fina tradição que vem de Sartre/Foucault/Deleuze. O establishment francês detesta-o, especialmente por causa do seu best-seller Crépuscule , onde disseca o macronismo – estigmatizado como um regime gangster – a partir de dentro e o presidente francês como uma criatura e instrumento de uma minúscula oligarquia.

Crépuscule. Ele acaba de publicar Assange: L'Antisouverain (Les Editions du Cerf), um estudo absorvente e erudito que define como "um livro de filosofia acerca da figura do Anti-Soberano". O Soberano é naturalmente o aparelho de estado.

Aqui (em francês) está uma excelente entrevista com Branco acerca do livro. Não há nada que seja remotamente comparável com isto na anglo-esfera, a qual tem tratado Assange essencialmente como um esquisito desagradável que ressuma difamação vulgar e acumula tiradas sub-ideológicas disfarçadas como factos.

O livro foi estruturado como um seminário para a super-selectiva Ecole Normale Superieure, a augusta escola no Quartier Latin que modela as elites francesas, um ninho privilegiado de instituições do poder e de reprodução de privilégios. Branco leva o leitor ao âmago deste universo só para fazê-lo descobrir Assange do ponto de vista de um daqueles estudantes.

Branco teve o privilégio de aproveitar a interacção entre a Ecole Normale Superieure e Yale. Ele encontrou Assange na embaixada equatoriana, em Janeiro de 2014, "num estado de confinamento radical" e a seguir acompanhou-o como consultor jurídico, advogado, "dia após dia", até reunir-se outra vez com ele e Setembro de 2016, "a preparar-se para nada menos do que mudar o curso da eleição presidencial americana e engendrar a queda daquela que havia jurado esmagá-lo, Hillary Rodham Clinton".

Branco está fascinado pelo "jornalismo científico" de Assange e pela sua capacidade de "intervir no espaço político sem ocupar um lugar específico". Assim, Assange é retratado como um oráculo contemporâneo, um maníaco pelo acesso livre à informação, alguém que "nunca procurou uma recompensa ou inserção, ou protecção judicial", o que é um modus operandi totalmente diferente de qualquer media.

Branco mostra como a WikiLeaks "permitiu a actuação de denunciantes", com o crescimento de um arquivo paralelo à "produção de dados relacionados ao mecanismo dos aparelhos de poder contemporâneos". Sob este sistema, "todo cidadão é capaz de se tornar um investigador".

Assim, o trabalho de Assange tem sido acerca da redistribuição de poder. É como se Assange se tivesse tornado "um espião a serviço do povo". E isso leva Branco a traçar a conexão com os Coletes Amarelos. Quando a WikiLeaks divulgou as "Macron Leaks" , em 2017, legitimou a luta dos Coletes Amarelos pela democracia directa.

Branco descreve Assange como "uma figura estranha, uma ponte entre a pré-história da civilização digital e a sua penetração definitiva como um elemento primordial, estrutural, do espaço político e social".

Mas provavelmente a sua melhor avaliação de Assange é como "um dissidente do seu próprio espaço interno, interessado sobretudo na esfera da dominação cultural, económica e social na qual nasceu, a do imperium americano, do qual sua Austrália nativa é um dos aliados mais dedicados, e que domina este ciberespaço onde ele se constituiu como um actor político".

No que poderia ser interpretado como razão principal para a ilimitada sede de vingança do governo dos Estados Unidos contra Assange está o facto de ele ter denunciado que "os actos americanos têm uma função regulatória natural para o resto do mundo, uma resultante da sua super-dominação do espaço geopolítico contemporâneo".

Está tudo no algoritmo

E isto nos traz ao cerne da questão: os algoritmos. Como resume Branco, "a revelação de documentos em estado bruto destina-se a devolver direitos no espaço político àqueles que foram descartados devido à sua submissão a palavras de autoridade que têm sido mascaradas por algoritmos".

Onfray já havia advertido acerca da "destruição de palavras", ao "empobrecimento da linguagem" e à adesão à novilíngua – mas Branco leva isso a um novo nível. Como "a palavra do poder é assimilada ao algoritmo, no sentido de que ela se beneficia de uma presunção de verdade, ela não revela, para permanecer eficaz, qualquer de seus recursos, estabelecendo uma realidade impossível de contestar".

Branco tem o cuidado de explicar que "O algoritmo não se teria transformado num poder social se não fosse escorado por uma pressuposição ética (a consagração do Homo Economicus ), sem uma assunção de cientificismo (portanto de universalidade) e sem uma ruptura tecnológica (big data)".

Branco resume a sua análise na fórmula "A algoritmização é o fundamento da soberania". E foi exactamente isto que Assange desafiou. E é por isso que ele é uma figura tão desagregadora, eternamente controversa, ao contrário de Edward Snowden, que basicamente é um sujeito médio – com um QI excelente – que apenas quer reformar um sistema.

Uma oportunidade para a Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Quando trabalhava em favor de Assange, Branco essencialmente coordenava uma equipe de juristas subordinados ao juiz-estrela Baltasar Garzon, o qual estava presente no tribunal de Woolwich Crown no início desta semana. Na semana passada, a equipe legal de Assange disse que iriam pedir asilo em França. Branco provavelmente não pode participar desta equipe por causa do seu "Crepuscule" – que estripa Macron.

O Petit Roi, por sua vez, talvez agora possa ser apresentado à suprema oportunidade de Relações Públicas ao nível global – se acabasse esta pavorosa farsa neo-orwelliana, oferecendo asilo a Assange e ao mesmo tempo ridicularizando Trump e Boris Johnson, reforçaria o seu status numa miríade de latitudes europeias e por todo o Sul Global.

Mas que não haja ilusões. Em 3 de julho de 2015, aconselhado pela sua equipe legal, Assange escreveu um artigo assinado para o Le Monde a indagar acerca da possibilidade de asilo. Apenas uma hora após a publicação, o Palácio do Eliseu – sob François Hollande – emitiu uma recusa firme. Não houve fugas quanto à espécie de pressão aplicada pelo Estado Profundo dos EUA.

O advogado de Assange, Geoffrey Robertson, não tem ilusões: "Ele não será perdoado pelo Presidente Trump, embora um [futuro] presidente Sanders talvez o possa perdoar. Penso que esse é o objectivo do Pentágono – encarcerá-lo pelo resto de sua vida".

Uma medida da covardia de todos os jornais consagrados que tanto lucraram com o trabalho de Assange e da WikiLeaks é este desprezível editorial de Le Monde , que a contragosto finge defendê-lo como jornalista e editor.

É inútil esperar que da parte dos media corporativos anglo-americanos haja sequer um mínimo da decência e admitir que jornalistas não devem ser tratados como espiões e criminosos perigosos. A criminalização do pensamento crítico – capaz de provocar, desmascarar e denunciar o poder bruto – é um ponto-chave da plataforma da nova ditadura examinada por Onfray e já está em vigor. Agora cabe a Onfray e a Branco não se perderem na tradução – e demonstrar vigorosamente à anglo-esfera que não se deve permitir a prevalência do coração das trevas.

28/Fevereiro/2020
NR
[1] Em 27/Fevereiro a juza Vanessa Baraitser suspendeu o julgamento at 18/Maio.
[2] Joseph Conrad: autor de Corao das trevas , acerca da colonizao do Congo.

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_escobar_28fev20.html

A extradição de Assange: será que um toque francês conseguiria furar uma farsa neo-orwelliana?

 

 

Por Pepe Escobar, em Paris, especial para oConsortium News

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

Faz muito sentido que o destino judicial - imperialmente pré-determinado - de Julian Assange esteja se desenrolando na Grã-Bretanha, país de George Orwell.

Segundo o cáustico e doloroso relato do Embaixador Craig Murray, o que vem acontecendo no tribunal de Woolwich Crown é uma farsa sub-orwelliana com toques conradianos: o horror... o horror... remixado para os Frenéticos Anos Vinte. O coração de nossas trevas morais não está no Congo: está num sombrio tribunal anexo a um presídio, presidido por um lacaio subalterno do império.

Em um dos livros de Michel Onfray publicado no ano passado pela editora Robert Laffont, “Theorie de la Dictature” (A Teoria da Ditadura) – o maior filósofo dissidente e politicamente incorreto francês - parte exatamente de Orwell para examinar as principais características dessa ditadura nova-onda. Ele distingue sete caminhos para a destruição: destruir a liberdade, empobrecer a língua, abolir a verdade, suprimir a história, negar a natureza, propagar o ódio e aspirar ao império.

Para destruir a liberdade, ressalta Onfray, o poder tem que assegurar vigilância perpétua; arruinar a vida pessoal; suprimir a solidão; uniformizar a opinião e denunciar crimes de pensamento. Isso parece uma mapa da perseguição que o governo dos Estados Unidos move contra Assange.

 

Outros caminhos, como o empobrecimento da linguagem, inclui a prática da novilíngua; o uso de dupla linguagem; a destruição das palavras; a oralização da língua; o monolinguismo e a supressão dos clássicos. Isso soa como o modus operandi das classes dominantes do Hegêmona.

Para abolir a verdade, o poder tem que ensinar ideologia; instrumentalizar a imprensa; propagar fake news e produzir a realidade. Para propagar o ódio, o poder, entre outros instrumentos, tem que criar um inimigo, fomentar guerras e psiquiatrizar o pensamento crítico.

Não há a menor dúvida de que já estamos atolados nas profundezas dessa distopia neo-orwelliana.

 

John "Paraíso Perdido" Milton, em 1642, não poderia ter sido mais profético quando escreveu que "Aqueles que ferem os olhos das pessoas acusam-nas de serem cegas". Como não ver aí um paralelo direto com o exército do Le Petit Roi Emmanuel Macron, que mês após mês vem propositalmente cegando os manifestantes Gilets Jaunes/Coletes Amarelos nas ruas da França?

Orwell foi mais direito que Milton quando disse que falar de liberdade não faz qualquer sentido, a não ser se em referência ao direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir. E ele colocou essa ideia em contexto citando um verso de Milton: "Pelas regras conhecidas da antiga liberdade".

Nenhuma "regra conhecida da antiga liberdade" tem permissão para penetrar o coração das trevas do tribunal de Woolwich Crown.

Um espião a serviço do povo

Pode-se afirmar que Juan Branco é o mais brilhante dos jovens intelectuais franceses - herdeiro da nobre tradição Sartre/Foucault/ Deleuze. O establishment francês o detesta, principalmente em razão de seu best-seller "Crepuscule", no qual ele disseca o macronismo – taxado de regime criminoso – a partir de dentro, e acusa o presidente francês de ser criatura e instrumento de uma minúscula oligarquia.

Branco acaba de publicar pela Les Editions du Cerf "Assange: L’Antisouverain" (Assange: o Anti-soberano), um estudo absorvente e erudito que ele define como "um livro de filosofia sobre a figura do Anti-soberano". O Soberano, é claro, sendo o aparato estatal.

Aqui em francês vai uma excelente entrevista com Branco sobre o livro. Não há nada que possa ser remotamente comparado a ele na anglosfera, que sempre tratou Assange como um excêntrico desagradável, vomitando calúnias vulgares e empilhando tiradas sub-ideológicas disfarçadas como fatos.

O livro, basicamente, é estruturado como um seminário para a hiper-seletiva Ecole Normale Superieure, a augusta escola do Quartier Latin que forma as elites francesas, um ninho privilegiado de instituições de poder e de reprodução de privilégios. Branco conduz o leitor até o coração desse universo apenas para fazê-lo ou fazê-la descobrir Assange a partir do ponto de vista de um desses alunos.

Branco teve o privilégio de se beneficiar da interação entre a Ecole Normale Superieure e Yale. Ele conheceu Assange na Embaixada do Equador, em janeiro de 2014, "em um estado de confinamento radical", e então acompanhou-o como consultor jurídico e em seguida advogado, "dia após dia", até reencontrá-lo em setembro de 2016, "preparando-se para nada menos que mudar o curso da eleição presidencial americana, e arquitetando a queda daquela que havia jurado esmagá-lo, uma tal de Hillary Rodham Clinton".

Branco é fascinado pelo "jornalismo científico" de Assange, e por sua capacidade de "intervir no espaço político sem ocupar um lugar específico". Assange é retratado como um oráculo contemporâneo, maníaco por livre acesso à informação, alguém que "nunca buscou recompensa, nem inserção, nem proteção jurídica", o que é um modus operandi totalmente diverso do de qualquer mídia.

Branco mostra como o WikiLeaks "permitiu a ação dos whistleblowers", acumulando um arquivo paralelo à "produção de dados relacionados ao mecanismo do aparato de poder contemporâneo". Nesse sistema, qualquer cidadão é capaz de se tornar um pesquisador".

O trabalho de Assange, portanto, sempre foi a redistribuição de poder. É como se Assange tivesse se tornado "um espião a serviço do povo". E isso leva Branco a traçar a conexão com os Gilets Jaunes/Coletes Amarelos. Quando o WikiLeaks, em 2017, publicou os "Vazamentos deMacron" , a luta dos Coletes Amarelos pela democracia direta viu-se legitimada.

Branco descreve Assange como "uma figura estranha, uma ponte entre a pré-história da civilização digital e sua penetração definitiva como um elemento estrutural, primordial do espaço político e social".

Mas é possível afirmar que sua melhor descrição de Assange é a de "um dissidente de seu próprio espaço interno, interessado principalmente na esfera da dominação cultural, econômica e social na qual ele nasceu, a do imperium americano, do qual sua Austrália natal é um dos mais dedicados aliados, e que domina o ciberespaço onde ele se constituiu em um ator político".

No que pode ser entendido como a principal razão para a ilimitada sede de vingança do governo dos Estados Unidos contra Assange, ele denunciou o fato de que "os atos americanos têm uma função regulatória natural para o resto do mundo, resultado de seu hiper-domínio sobre o espaço geopolítico contemporâneo".

Está tudo no algoritmo

A vista a partir da Galeria de Membros da Bolsa de Valores de Nova York, agosto de 2008. (Ryan Lawler, Wikimedia Commons)

E isso nos traz ao cerne da questão: os algoritmos. Na síntese de Branco, "a revelação de documentos em estado bruto visa a reinvestir no espaço político aqueles que foram descartados devido à sua submissão a uma palavra de autoridade cujos algoritmos foram mascarados".

Onfray já havia advertido quanto à "destruição das palavras", ao "empobrecimento da língua" e ao uso da novilíngua - mas Branco leva tudo isso ainda mais longe. Uma vez que "a palavra do poder é uma palavra assimilada ao algoritmo, no sentido de que ela se beneficia de uma presunção de verdade, ela não revela, para continuar tendo efeito, nenhum de seus recursos, estabelecendo a enunciação de uma verdade impossível de contestar".

Branco tem o cuidado de explicar que "O algoritmo não teria se transformado em um poder social sem o apoio de uma pressuposição ética (a consagração do Homo Economicus), sem uma postulação de cientificismo (e portanto de universalidade) e sem uma ruptura tecnológica (os megadados)".

Branco reduz sua análise à fórmula "A algoritmização é a base da soberania". E foi exatamente isso que Assange desafiou. E é por isso que ele é uma figura tão contenciosa, tão eternamente controversa, ao contrário de Edward Snowden, que basicamente é um cara normal - com um QI brilhante - que apenas quer reformar um sistema.

Uma chance para a Liberdade, Igualdade e Fraternidade?

Quando ele trabalhava a favor de Assange, Branco, essencialmente, coordenava uma equipe de advogados subordinados ao juiz-estrela Baltasar Garzon, que estava presente no tribunal de Woolwich Crown no início desta semana. Na semana passada, os advogados de Assange disseram que iriam pedir asilo à França. Branco não pode de modo algum participar dessa equipe devido ao seu "Crepuscule" – que eviscera Macron.

O Petit Roi, por seu lado, talvez tenha agora a oportunidade suprema de uma jogada de Relações Públicas de alcance global. Ao por fim a uma horrenda pantomima neo-orwelliana, oferecer asilo a Assange e ridicularizar Trump e Boris Johnson ao mesmo tempo, ele elevaria seu status em uma miríade de latitudes europeias e em todo o Sul Global.

Mas que não haja ilusões. Em 3 de julho de 2015, a conselho de seus advogados, Assange escreveu um artigo assinado para o Le Monde perguntando sobre a possibilidade de asilo. Apenas uma hora após a publicação, o Palácio Elysée - sob François Hollande – emitiu uma firme negativa. Não houve vazamentos quanto ao tipo de pressões aplicadas pelo Deep State norte-americano.

Geoffrey Robertson, advogado de Assange, não tem ilusões: "Ele não será perdoado pelo Presidente Trump, embora um [futuro] presidente Sanders talvez o perdoe. Creio que seja esse o objetivo do Pentágono. Encarcerá-lo pelo resto de sua vida".

Uma medida do grau de covardia de todos os jornais convencionais que tanto lucraram com o trabalho de Assange e com o WikiLeaksé este desprezível editorial do Le Monde, que em tom morno finge defendê-lo como jornalista e editor.

É perda de tempo esperar da imprensa empresarial anglo-americana sequer um mínimo da decência para admitir que jornalistas não devem ser tratados como espiões ou criminosos perigosos. A criminalização do pensamento crítico - capaz de provocar, desmascarar e denunciar o poder bruto - é um ponto-chave da plataforma da nova ditadura examinada por Onfray, e já em vigor. Agora cabe a Onfray e a Branco não se perderem na tradução - e demonstrar vigorosamente à anglosfera que o coração das trevas não deve prevalecer.

Wikileaks: Centenas manifestam-se em Londres contra extradição de Assange

 
 
Várias centenas de pessoas concentraram-se hoje em Londres, para se manifestarem contra a extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange, dois dias antes da decisão judicial britânica ao pedido dos Estados Unidos, que querem julgá-lo por espionagem.
 
Agitando faixas e cartazes com frases como "Não extraditem Assange", ou "O jornalismo não é crime", a multidão reuniu-se à volta da embaixada da Austrália, país de origem de Julian Assange, antes de marchar pelas ruas de Londres.
 
"Boris Johnson, tem vergonha", cantaram os manifestantes ao passarem por Downing Street, a residência do primeiro-ministro britânico.
 
Entre os apoiantes de Assange presentes na manifestação, contavam-se o ex-primeiro-ministro grego Yanis Varouflakis, o fundador da banda Pink Floyd Roger Waters e a estilista Vivienne Westwood.
 
"Eu não entendo mesmo porque é que o Julian está detido", disse o pai de Assange, John Shipton, considerando que se tratou de "uma detenção arbitrária".
 
Aos 48 anos, Julian Assange está detido na prisão de alta segurança de Belmarsh, no sul de Londres, desde a sua detenção, em abril de 2019, na embaixada do Equador, onde se refugiou durante sete anos.
 
Processado por espionagem nos Estados Unidos, o que exige sua extradição, Assange corre o risco de ser condenado a uma pena de até 175 anos de prisão.
 
 
As autoridades norte-americanas acusam-no de ter colocado em risco as suas fontes quando publicou, em 2010, cerca de 250.000 telegramas diplomáticos e 500.000 documentos confidenciais relacionados com atividades do exército norte-americano no Iraque e no Afeganistão.
 
A editora do Wikileads em Londres, Kristinn Hrafnsson, apelou hoje a que "se lute por Assange", denunciando "a força das trevas" que recai sobre aqueles que querem "transparência e verdade".
 
O fundador do Wikileaks recebeu recentemente o apoio da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que lançou uma petição que, até hoje à tarde, contabilizava quase 40.000 assinaturas.
 
Entretanto, a Assembleia Nacional Catalã (ANC) convocou para a próxima segunda-feira, em Barcelona, uma concentração de apoio a Julian Assange, à qual se vão juntar grupos e partidos como os Anónimos da Catalunha o Juntos pela Catalunha, o Esquerda Republicana da Catalunha, o Candidatura de Unidade Popular, o Democratas pela Catalunha, o Partido Pirata, o Primárias Catalunha e o Solidariedade Catalã.
 
Na próxima segunda-feira, 24 de fevereiro, começará a audiência em Londres para decidir se o Reino Unido irá extraditar para os Estados Unidos o fundador do WikiLeaks.
 
O ANC promoveu e marcou a mobilização de apoio para as 19:30 na Praça da Universidade de Barcelona.
 
A escolha do local deve-se, de acordo com o ANC, ao facto de, no outono de 2017, Assange ter mostrado o seu apoio "ao direito à autodeterminação da Catalunha".
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/wikileaks-centenas-manifestam-se-em.html

Conselho da Europa contra extradição de Assange para os EUA

 
 
A extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, onde é acusado de espionagem, terá um "efeito paralisador na liberdade de imprensa", alertou hoje a comissária para os direitos humanos do Conselho da Europa, Dunja Mijatovic.
 
"A possível extradição" do fundador da Wikileaks, atualmente detido no Reino Unido, "tem implicações em termos de direitos humanos que ultrapassam largamento o seu caso individual", considerou Mijatovic num comunicado.
 
"As acusações gerais e vagas contra (ele) e os crimes mencionados na acusação são perturbadores na medida em que muitos deles dizem respeito a atividades que estão no centro do jornalismo de investigação", insistiu a comissária.
 
Autorizar a extradição de Julian Assange nessa base teria "um efeito paralisador na liberdade de imprensa" e poderia "impedir" os meios de comunicação social "de cumprirem a sua tarefa de fornecedores de informação" e de "salvaguarda nas sociedades democráticas", segundo Mijatovic.
 
A comissária lembrou ainda que o relator especial da ONU sobre a tortura, Nils Melzner, considerou que na hipótese de uma extradição "tanto as condições de detenção nos Estados Unidos como a pena que lhe poderá ser imposta" pela justiça norte-americana representam um risco de tortura ou de tratamento desumano ou degradante.
 
Julian Assange "não deve ser extraditado", afirmou Mijatovic, assegurando que vai continuar a "acompanhar de perto" a situação do ativista australiano, detido em Belmarsh, no sul de Londres, desde a sua detenção em abril de 2019 na embaixada do Equador, onde esteve confinado cerca de 10 anos.
 
A extradição de Julian Assange, 48 anos, foi pedida pelos Estados Unidos por 18 presumíveis delitos de espionagem e conspiração por cometer ingerência informática, arriscando 175 anos de prisão caso seja considerado culpado.
 
Notícias ao Minuto | Lusa

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/conselho-da-europa-contra-extradicao-de.html

A VERDADE SOBRE JULIAN ASSANGE

                             
Uma acusação de violação fabricada e provas fabricadas na Suécia, pressões do Reino Unido para não abandonar o caso, um julgamento faccioso, a detenção numa prisão de máxima segurança, a tortura psicológica e - em breve - a extradição para os EUA onde poderá ter uma condenação de 175 anos de prisão, por ter denunciado crimes de guerra.
Pela primeira vez, o relator especial da ONU sobre a tortura Nils Melzer, fala detalhadamente sobre as descobertas explosivas que a sua investigação revelou, no caso do fundador Wikileaks, Julian Assange.
A entrevista abaixo foi conduzida pelo jornalista suíço Daniel RyserYves Bachmann (fotos) e Charles Hawley (tradução), em 31.01.2020, e foi inicialmente publicada na página de Norman Finkelstein:
Devido à importância e significado desta entrevista decidi publicar o texto em inglês, conforme se encontra no site Global Research https://www.globalresearch.ca/truth-about-julian-assange/5703054 
--------------------
1. The Swedish Police constructed a story of rape
Nils Melzer, why is the UN Special Rapporteur on Torture interested in Julian Assange?
N.M. That is something that the German Foreign Ministry recently asked me as well: Is that really your core mandate? Is Assange the victim of torture?
What was your response?
N. M. The case falls into my mandate in three different ways: First, Assange published proof of systematic torture. But instead of those responsible for the torture, it is Assange who is being persecuted. Second, he himself has been ill-treated to the point that he is now exhibiting symptoms of psychological torture. And third, he is to be extradited to a country that holds people like him in prison conditions that Amnesty International has described as torture. In summary: Julian Assange uncovered torture, has been tortured himself and could be tortured to death in the United States. And a case like that isn’t supposed to be part of my area of responsibility? Beyond that, the case is of symbolic importance and affects every citizen of a democratic country.
Why didn’t you take up the case much earlier?
Imagine a dark room. Suddenly, someone shines a light on the elephant in the room – on war criminals, on corruption. Assange is the man with the spotlight. The governments are briefly in shock, but then they turn the spotlight around with accusations of rape. It is a classic maneuver when it comes to manipulating public opinion. The elephant once again disappears into the darkness, behind the spotlight. And Assange becomes the focus of attention instead, and we start talking about whether Assange is skateboarding in the embassy or whether he is feeding his cat correctly. Suddenly, we all know that he is a rapist, a hacker, a spy and a narcissist. But the abuses and war crimes he uncovered fade into the darkness. I also lost my focus, despite my professional experience, which should have led me to be more vigilant.
Let’s start at the beginning: What led you to take up the case?
In December 2018, I was asked by his lawyers to intervene. I initially declined. I was overloaded with other petitions and wasn’t really familiar with the case. My impression, largely influenced by the media, was also colored by the prejudice that Julian Assange was somehow guilty and that he wanted to manipulate me. In March 2019, his lawyers approached me for a second time because indications were mounting that Assange would soon be expelled from the Ecuadorian Embassy. They sent me a few key documents and a summary of the case and I figured that my professional integrity demanded that I at least take a look at the material.
And then?
It quickly became clear to me that something was wrong. That there was a contradiction that made no sense to me with my extensive legal experience: Why would a person be subject to nine years of a preliminary investigation for rape without charges ever having been filed?
Is that unusual?
I have never seen a comparable case. Anyone can trigger a preliminary investigation against anyone else by simply going to the police and accusing the other person of a crime. The Swedish authorities, though, were never interested in testimony from Assange. They intentionally left him in limbo. Just imagine being accused of rape for nine-and-a-half years by an entire state apparatus and by the media without ever being given the chance to defend yourself because no charges had ever been filed.
You say that the Swedish authorities were never interested in testimony from Assange. But the media and government agencies have painted a completely different picture over the years: Julian Assange, they say, fled the Swedish judiciary in order to avoid being held accountable.
That’s what I always thought, until I started investigating. The opposite is true. Assange reported to the Swedish authorities on several occasions because he wanted to respond to the accusations. But the authorities stonewalled.
What do you mean by that: “The authorities stonewalled?”
Allow me to start at the beginning. I speak fluent Swedish and was thus able to read all of the original documents. I could hardly believe my eyes: According to the testimony of the woman in question, a rape had never even taken place at all. And not only that: The woman’s testimony was later changed by the Stockholm police without her involvement in order to somehow make it sound like a possible rape. I have all the documents in my possession, the emails, the text messages.
“The woman’s testimony was later changed by the police” – how exactly?
On Aug. 20, 2010, a woman named S. W. entered a Stockholm police station together with a second woman named A. A. The first woman, S. W. said she had had consensual sex with Julian Assange, but he had not been wearing a condom. She said she was now concerned that she could be infected with HIV and wanted to know if she could force Assange to take an HIV test. She said she was really worried. The police wrote down her statement and immediately informed public prosecutors. Even before questioning could be completed, S. W. was informed that Assange would be arrested on suspicion of rape. S. W. was shocked and refused to continue with questioning. While still in the police station, she wrote a text message to a friend saying that she didn’t want to incriminate Assange, that she just wanted him to take an HIV test, but the police were apparently interested in «getting their hands on him.»
What does that mean?
S.W. never accused Julian Assange of rape. She declined to participate in further questioning and went home. Nevertheless, two hours later, a headline appeared on the front page of Expressen, a Swedish tabloid, saying that Julian Assange was suspected of having committed two rapes.
Two rapes?
Yes, because there was the second woman, A. A. She didn’t want to press charges either; she had merely accompanied S. W. to the police station. She wasn’t even questioned that day. She later said that Assange had sexually harassed her. I can’t say, of course, whether that is true or not. I can only point to the order of events: A woman walks into a police station. She doesn’t want to file a complaint but wants to demand an HIV test. The police then decide that this could be a case of rape and a matter for public prosecutors. The woman refuses to go along with that version of events and then goes home and writes a friend that it wasn’t her intention, but the police want to «get their hands on» Assange. Two hours later, the case is in the newspaper. As we know today, public prosecutors leaked it to the press – and they did so without even inviting Assange to make a statement. And the second woman, who had allegedly been raped according to the Aug. 20 headline, was only questioned on Aug. 21.
What did the second woman say when she was questioned?
She said that she had made her apartment available to Assange, who was in Sweden for a conference. A small, one-room apartment. When Assange was in the apartment, she came home earlier than planned, but told him it was no problem and that the two of them could sleep in the same bed. That night, they had consensual sex, with a condom. But she said that during sex, Assange had intentionally broken the condom. If that is true, then it is, of course, a sexual offense – so-called «stealthing». But the woman also said that she only later noticed that the condom was broken. That is a contradiction that should absolutely have been clarified. If I don’t notice it, then I cannot know if the other intentionally broke it. Not a single trace of DNA from Assange or A. A. could be detected in the condom that was submitted as evidence.
How did the two women know each other?
They didn’t really know each other. A. A., who was hosting Assange and was serving as his press secretary, had met S. W. at an event where S. W. was wearing a pink cashmere sweater. She apparently knew from Assange that he was interested in a sexual encounter with S. W., because one evening, she received a text message from an acquaintance saying that he knew Assange was staying with her and that he, the acquaintance, would like to contact Assange. A. A. answered: Assange is apparently sleeping at the moment with the “cashmere girl.” The next morning, S. W. spoke with A. A. on the phone and said that she, too, had slept with Assange and was now concerned about having become infected with HIV. This concern was apparently a real one, because S.W. even went to a clinic for consultation. A. A. then suggested: Let’s go to the police – they can force Assange to get an HIV test. The two women, though, didn’t go to the closest police station, but to one quite far away where a friend of A. A.’s works as a policewoman – who then questioned S. W., initially in the presence of A. A., which isn’t proper practice. Up to this point, though, the only problem was at most a lack of professionalism. The willful malevolence of the authorities only became apparent when they immediately disseminated the suspicion of rape via the tabloid press, and did so without questioning A. A. and in contradiction to the statement given by S. W. It also violated a clear ban in Swedish law against releasing the names of alleged victims or perpetrators in sexual offense cases. The case now came to the attention of the chief public prosecutor in the capital city and she suspended the rape investigation some days later with the assessment that while the statements from S. W. were credible, there was no evidence that a crime had been committed.
But then the case really took off. Why?
Now the supervisor of the policewoman who had conducted the questioning wrote her an email telling her to rewrite the statement from S. W.
What did the policewoman change?
We don’t know, because the first statement was directly written over in the computer program and no longer exists. We only know that the original statement, according to the chief public prosecutor, apparently did not contain any indication that a crime had been committed. In the edited form it says that the two had had sex several times – consensual and with a condom. But in the morning, according to the revised statement, the woman woke up because he tried to penetrate her without a condom. She asks: «Are you wearing a condom?» He says: «No.» Then she says: «You better not have HIV» and allows him to continue. The statement was edited without the involvement of the woman in question and it wasn’t signed by her. It is a manipulated piece of evidence out of which the Swedish authorities then constructed a story of rape.
Why would the Swedish authorities do something like that?
The timing is decisive: In late July, Wikileaks – in cooperation with the «New York Times», the «Guardian» and «Der Spiegel» – published the «Afghan War Diary». It was one of the largest leaks in the history of the U.S. military. The U.S. immediately demanded that its allies inundate Assange with criminal cases. We aren’t familiar with all of the correspondence, but Stratfor, a security consultancy that works for the U.S. government, advised American officials apparently to deluge Assange with all kinds of criminal cases for the next 25 years.
2. Assange contacts the Swedish judiciary several times to make a statement – but he is turned down
Why didn’t Assange turn himself into the police at the time?
He did. I mentioned that earlier.
Then please elaborate.
Assange learned about the rape allegations from the press. He established contact with the police so he could make a statement. Despite the scandal having reached the public, he was only allowed to do so nine days later, after the accusation that he had raped S. W. was no longer being pursued. But proceedings related to the sexual harassment of A. A. were ongoing. On Aug. 30, 2010, Assange appeared at the police station to make a statement. He was questioned by the same policeman who had since ordered that revision of the statement had been given by S. W. At the beginning of the conversation, Assange said he was ready to make a statement, but added that he didn’t want to read about his statement again in the press. That is his right, and he was given assurances it would be granted. But that same evening, everything was in the newspapers again. It could only have come from the authorities because nobody else was present during his questioning. The intention was very clearly that of besmirching his name.
Where did the story come from that Assange was seeking to avoid Swedish justice officials?
This version was manufactured, but it is not consistent with the facts. Had he been trying to hide, he would not have appeared at the police station of his own free will. On the basis of the revised statement from S.W., an appeal was filed against the public prosecutor’s attempt to suspend the investigation, and on Sept. 2, 2010, the rape proceedings were resumed. A legal representative by the name of Claes Borgström was appointed to the two women at public cost. The man was a law firm partner to the previous justice minister, Thomas Bodström, under whose supervision Swedish security personnel had seized two men who the U.S. found suspicious in the middle of Stockholm. The men were seized without any kind of legal proceedings and then handed over to the CIA, who proceeded to torture them. That shows the trans-Atlantic backdrop to this affair more clearly. After the resumption of the rape investigation, Assange repeatedly indicated through his lawyer that he wished to respond to the accusations. The public prosecutor responsible kept delaying. On one occasion, it didn’t fit with the public prosecutor’s schedule, on another, the police official responsible was sick. Three weeks later, his lawyer finally wrote that Assange really had to go to Berlin for a conference and asked if he was allowed to leave the country. The public prosecutor’s office gave him written permission to leave Sweden for short periods of time.
And then?
The point is: On the day that Julian Assange left Sweden, at a point in time when it wasn’t clear if he was leaving for a short time or a long time, a warrant was issued for his arrest. He flew with Scandinavian Airlines from Stockholm to Berlin. During the flight, his laptops disappeared from his checked baggage. When he arrived in Berlin, Lufthansa requested an investigation from SAS, but the airline apparently declined to provide any information at all.
Why?
That is exactly the problem. In this case, things are constantly happening that shouldn’t actually be possible unless you look at them from a different angle. Assange, in any case, continued onward to London, but did not seek to hide from the judiciary. Via his Swedish lawyer, he offered public prosecutors several possible dates for questioning in Sweden – this correspondence exists. Then, the following happened: Assange caught wind of the fact that a secret criminal case had been opened against him in the U.S. At the time, it was not confirmed by the U.S., but today we know that it was true. As of that moment, Assange’s lawyer began saying that his client was prepared to testify in Sweden, but he demanded diplomatic assurance that Sweden would not extradite him to the U.S.
Was that even a realistic scenario?
Absolutely. Some years previously, as I already mentioned, Swedish security personnel had handed over two asylum applicants, both of whom were registered in Sweden, to the CIA without any legal proceedings. The abuse already started at the Stockholm airport, where they were mistreated, drugged and flown to Egypt, where they were tortured. We don’t know if they were the only such cases. But we are aware of these cases because the men survived. Both later filed complaints with UN human rights agencies and won their case. Sweden was forced to pay each of them half a million dollars in damages.
Did Sweden agree to the demands submitted by Assange?
The lawyers say that during the nearly seven years in which Assange lived in the Ecuadorian Embassy, they made over 30 offers to arrange for Assange to visit Sweden – in exchange for a guarantee that he would not be extradited to the U.S. The Swedes declined to provide such a guarantee by arguing that the U.S. had not made a formal request for extradition.
What is your view of the demand made by Assange’s lawyers?
Such diplomatic assurances are a routine international practice. People request assurances that they won’t be extradited to places where there is a danger of serious human rights violations, completely irrespective of whether an extradition request has been filed by the country in question or not. It is a political procedure, not a legal one. Here’s an example: Say France demands that Switzerland extradite a Kazakh businessman who lives in Switzerland but who is wanted by both France and Kazakhstan on tax fraud allegations. Switzerland sees no danger of torture in France, but does believe such a danger exists in Kazakhstan. So, Switzerland tells France: We’ll extradite the man to you, but we want a diplomatic assurance that he won’t be extradited onward to Kazakhstan. The French response is not: «Kazakhstan hasn’t even filed a request!» Rather, they would, of course, grant such an assurance. The arguments coming from Sweden were tenuous at best. That is one part of it. The other, and I say this on the strength of all of my experience behind the scenes of standard international practice: If a country refuses to provide such a diplomatic assurance, then all doubts about the good intentions of the country in question are justified. Why shouldn’t Sweden provide such assurances? From a legal perspective, after all, the U.S. has absolutely nothing to do with Swedish sex offense proceedings.
Why didn’t Sweden want to offer such an assurance?
You just have to look at how the case was run: For Sweden, it was never about the interests of the two women. Even after his request for assurances that he would not be extradited, Assange still wanted to testify. He said: If you cannot guarantee that I won’t be extradited, then I am willing to be questioned in London or via video link.
But is it normal, or even legally acceptable, for Swedish authorities to travel to a different country for such an interrogation?
That is a further indication that Sweden was never interested in finding the truth. For exactly these kinds of judiciary issues, there is a cooperation treaty between the United Kingdom and Sweden, which foresees that Swedish officials can travel to the UK, or vice versa, to conduct interrogations or that such questioning can take place via video link. During the period of time in question, such questioning between Sweden and England took place in 44 other cases. It was only in Julian Assange’s case that Sweden insisted that it was essential for him to appear in person.
3. When the highest Swedish court finally forced public prosecutors in Stockholm to either file charges or suspend the case, the British authorities demanded: “Don’t get cold feet!!”
Why was that?
There is only a single explanation for everything – for the refusal to grant diplomatic assurances, for the refusal to question him in London: They wanted to apprehend him so they could extradite him to the U.S. The number of breaches of law that accumulated in Sweden within just a few weeks during the preliminary criminal investigation is simply grotesque. The state assigned a legal adviser to the women who told them that the criminal interpretation of what they experienced was up to the state, and no longer up to them. When their legal adviser was asked about contradictions between the women’s testimony and the narrative adhered to by public officials, the legal adviser said, in reference to the women: «ah, but they’re not lawyers.» But for five long years the Swedish prosecution avoids questioning Assange regarding the purported rape, until his lawyers finally petitioned Sweden’s Supreme Court to force the public prosecution to either press charges or close the case. When the Swedes told the UK that they may be forced to abandon the case, the British wrote back, worriedly: «Don’t you dare get cold feet!!»
Are you serious?
Yes, the British, or more specifically the Crown Prosecution Service, wanted to prevent Sweden from abandoning the case at all costs. Though really, the English should have been happy that they would no longer have to spend millions in taxpayer money to keep the Ecuadorian Embassy under constant surveillance to prevent Assange’s escape.
Why were the British so eager to prevent the Swedes from closing the case?
We have to stop believing that there was really an interest in leading an investigation into a sexual offense. What Wikileaks did is a threat to the political elite in the U.S., Britain, France and Russia in equal measure. Wikileaks publishes secret state information – they are opposed to classification. And in a world, even in so-called mature democracies, where secrecy has become rampant, that is seen as a fundamental threat. Assange made it clear that countries are no longer interested today in legitimate confidentiality, but in the suppression of important information about corruption and crimes. Take the archetypal Wikileaks case from the leaks supplied by Chelsea Manning: The so-called «Collateral Murder» video. (Eds. Note: On April 5, 2010, Wikileaks published a classified video from the U.S. military which showed the murder of several people in Baghdad by U.S. soldiers, including two employees of the news agency Reuters.) As a long-time legal adviser to the International Committee of the Red Cross and delegate in war zones, I can tell you: The video undoubtedly documents a war crime. A helicopter crew simply mowed down a bunch of people. It could even be that one or two of these people was carrying a weapon, but injured people were intentionally targeted. That is a war crime. «He’s wounded,» you can hear one American saying. «I’m firing.» And then they laugh. Then a van drives up to save the wounded. The driver has two children with him. You can hear the soldiers say: Well it’s their fault for bringing their kids into a battle. And then they open fire. The father and the wounded are immediately killed, though the children survive with serious injuries. Through the publication of the video, we became direct witnesses to a criminal, unconscionable massacre.
What should a constitutional democracy do in such a situation?
A constitutional democracy would probably investigate Chelsea Manning for violating official secrecy because she passed the video along to Assange. But it certainly wouldn’t go after Assange, because he published the video in the public interest, consistent with the practices of classic investigative journalism. More than anything, though, a constitutional democracy would investigate and punish the war criminals. These soldiers belong behind bars. But no criminal investigation was launched into a single one of them. Instead, the man who informed the public is locked away in pre-extradition detention in London and is facing a possible sentence in the U.S. of up to 175 years in prison. That is a completely absurd sentence. By comparison: The main war criminals in the Yugoslavia tribunal received sentences of 45 years. One-hundred-seventy-five years in prison in conditions that have been found to be inhumane by the UN Special Rapporteur and by Amnesty International. But the really horrifying thing about this case is the lawlessness that has developed: The powerful can kill without fear of punishment and journalism is transformed into espionage. It is becoming a crime to tell the truth.
What awaits Assange once he is extradited?
He will not receive a trial consistent with the rule of law. That’s another reason why his extradition shouldn’t be allowed. Assange will receive a trial-by-jury in Alexandria, Virginia – the notorious «Espionage Court» where the U.S. tries all national security cases. The choice of location is not by coincidence, because the jury members must be chosen in proportion to the local population, and 85 percent of Alexandria residents work in the national security community – at the CIA, the NSA, the Defense Department and the State Department. When people are tried for harming national security in front of a jury like that, the verdict is clear from the very beginning. The cases are always tried in front of the same judge behind closed doors and on the strength of classified evidence. Nobody has ever been acquitted there in a case like that. The result being that most defendants reach a settlement, in which they admit to partial guilt so as to receive a milder sentence.
You are saying that Julian Assange won’t receive a fair trial in the United States?
Without doubt. For as long as employees of the American government obey the orders of their superiors, they can participate in wars of aggression, war crimes and torture knowing full well that they will never have to answer to their actions. What happened to the lessons learned in the Nuremberg Trials? I have worked long enough in conflict zones to know that mistakes happen in war. It’s not always unscrupulous criminal acts. A lot of it is the result of stress, exhaustion and panic. That’s why I can absolutely understand when a government says: We’ll bring the truth to light and we, as a state, take full responsibility for the harm caused, but if blame cannot be directly assigned to individuals, we will not be imposing draconian punishments. But it is extremely dangerous when the truth is suppressed and criminals are not brought to justice. In the 1930s, Germany and Japan left the League of Nations. Fifteen years later, the world lay in ruins. Today, the U.S. has withdrawn from the UN Human Rights Council, and neither the «Collateral Murder» massacre nor the CIA torture following 9/11 nor the war of aggression against Iraq have led to criminal investigations. Now, the United Kingdom is following that example. The Security and Intelligence Committee in the country’s own parliament published two extensive reports in 2018 showing that Britain was much more deeply involved in the secret CIA torture program than previously believed. The committee recommended a formal investigation. The first thing that Boris Johnson did after he became prime minister was to annul that investigation.
4. In the UK, violations of bail conditions are generally only punished with monetary fines or, at most, a couple of days behind bars. But Assange was given 50 weeks in a maximum-security prison without the ability to prepare his own defense
In April, Julian Assange was dragged out of the Ecuadorian Embassy by British police. What is your view of these events?
In 2017, a new government was elected in Ecuador. In response, the U.S. wrote a letter indicating they were eager to cooperate with Ecuador. There was, of course, a lot of money at stake, but there was one hurdle in the way: Julian Assange. The message was that the U.S. was prepared to cooperate if Ecuador handed Assange over to the U.S. At that point, the Ecuadorian Embassy began ratcheting up the pressure on Assange. They made his life difficult. But he stayed. Then Ecuador voided his amnesty and gave Britain a green light to arrest him. Because the previous government had granted him Ecuadorian citizenship, Assange’s passport also had to be revoked, because the Ecuadorian constitution forbids the extradition of its own citizens. All that took place overnight and without any legal proceedings. Assange had no opportunity to make a statement or have recourse to legal remedy. He was arrested by the British and taken before a British judge that same day, who convicted him of violating his bail.
What do you make of this accelerated verdict?
Assange only had 15 minutes to prepare with his lawyer. The trial itself also lasted just 15 minutes. Assange’s lawyer plopped a thick file down on the table and made a formal objection to one of the judges for conflict of interest because her husband had been the subject of Wikileaks exposures in 35 instances. But the lead judge brushed aside the concerns without examining them further. He said accusing his colleague of a conflict of interest was an affront. Assange himself only uttered one sentence during the entire proceedings: «I plead not guilty.» The judge turned to him and said: «You are a narcissist who cannot get beyond his own self-interest. I convict you for bail violation.»
If I understand you correctly: Julian Assange never had a chance from the very beginning?
That’s the point. I’m not saying Julian Assange is an angel or a hero. But he doesn’t have to be. We are talking about human rights and not about the rights of heroes or angels. Assange is a person, and he has the right to defend himself and to be treated in a humane manner. Regardless of what he is accused of, Assange has the right to a fair trial. But he has been deliberately denied that right – in Sweden, the U.S., Britain and Ecuador. Instead, he was left to rot for nearly seven years in limbo in a room. Then, he was suddenly dragged out and convicted within hours and without any preparation for a bail violation that consisted of him having received diplomatic asylum from another UN member state on the basis of political persecution, just as international law intends and just as countless Chinese, Russian and other dissidents have done in Western embassies. It is obvious that what we are dealing with here is political persecution. In Britain, bail violations seldom lead to prison sentences – they are generally subject only to fines. Assange, by contrast, was sentenced in summary proceedings to 50 weeks in a maximum-security prison – clearly a disproportionate penalty that had only a single purpose: Holding Assange long enough for the U.S. to prepare their espionage case against him.
As the UN Special Rapporteur on Torture, what do you have to say about his current conditions of imprisonment?
Britain has denied Julian Assange contact with his lawyers in the U.S., where he is the subject of secret proceedings. His British lawyer has also complained that she hasn’t even had sufficient access to her client to go over court documents and evidence with him. Into October, he was not allowed to have a single document from his case file with him in his cell. He was denied his fundamental right to prepare his own defense, as guaranteed by the European Convention on Human Rights. On top of that is the almost total solitary confinement and the totally disproportionate punishment for a bail violation. As soon as he would leave his cell, the corridors were emptied to prevent him from having contact with any other inmates.
And all that because of a simple bail violation? At what point does imprisonment become torture?
Julian Assange has been intentionally psychologically tortured by Sweden, Britain, Ecuador and the U.S. First through the highly arbitrary handling of proceedings against him. The way Sweden pursued the case, with active assistance from Britain, was aimed at putting him under pressure and trapping him in the embassy. Sweden was never interested in finding the truth and helping these women, but in pushing Assange into a corner. It has been an abuse of judicial processes aimed at pushing a person into a position where he is unable to defend himself. On top of that come the surveillance measures, the insults, the indignities and the attacks by politicians from these countries, up to and including death threats. This constant abuse of state power has triggered serious stress and anxiety in Assange and has resulted in measurable cognitive and neurological harm. I visited Assange in his cell in London in May 2019 together with two experienced, widely respected doctors who are specialized in the forensic and psychological examination of torture victims. The diagnosis arrived at by the two doctors was clear: Julian Assange displays the typical symptoms of psychological torture. If he doesn’t receive protection soon, a rapid deterioration of his health is likely, and death could be one outcome.
Half a year after Assange was placed in pre-extradition detention in Britain, Sweden quietly abandoned the case against him in November 2019, after nine long years. Why then?
The Swedish state spent almost a decade intentionally presenting Julian Assange to the public as a sex offender. Then, they suddenly abandoned the case against him on the strength of the same argument that the first Stockholm prosecutor used in 2010, when she initially suspended the investigation after just five days: While the woman’s statement was credible, there was no proof that a crime had been committed. It is an unbelievable scandal. But the timing was no accident. On Nov. 11, an official document that I had sent to the Swedish government two months before was made public. In the document, I made a request to the Swedish government to provide explanations for around 50 points pertaining to the human rights implications of the way they were handling the case. How is it possible that the press was immediately informed despite the prohibition against doing so? How is it possible that a suspicion was made public even though the questioning hadn’t yet taken place? How is it possible for you to say that a rape occurred even though the woman involved contests that version of events? On the day the document was made public, I received a paltry response from Sweden: The government has no further comment on this case.
What does that answer mean?
It is an admission of guilt.
How so?
As UN Special Rapporteur, I have been tasked by the international community of nations with looking into complaints lodged by victims of torture and, if necessary, with requesting explanations or investigations from governments. That is the daily work I do with all UN member states. From my experience, I can say that countries that act in good faith are almost always interested in supplying me with the answers I need to highlight the legality of their behavior. When a country like Sweden declines to answer questions submitted by the UN Special Rapporteur on Torture, it shows that the government is aware of the illegality of its behavior and wants to take no responsibility for its behavior. They pulled the plug and abandoned the case a week later because they knew I would not back down. When countries like Sweden allow themselves to be manipulated like that, then our democracies and our human rights face a fundamental threat.
You believe that Sweden was fully aware of what it was doing?
Yes. From my perspective, Sweden very clearly acted in bad faith. Had they acted in good faith, there would have been no reason to refuse to answer my questions. The same holds true for the British: Following my visit to Assange in May 2019, they took six months to answer me – in a single-page letter, which was primarily limited to rejecting all accusations of torture and all inconsistencies in the legal proceedings. If you’re going to play games like that, then what’s the point of my mandate? I am the Special Rapporteur on Torture for the United Nations. I have a mandate to ask clear questions and to demand answers. What is the legal basis for denying someone their fundamental right to defend themselves? Why is a man who is neither dangerous nor violent held in solitary confinement for several months when UN standards legally prohibit solitary confinement for periods extending beyond 15 days? None of these UN member states launched an investigation, nor did they answer my questions or even demonstrate an interest in dialogue.
5. A prison sentence of 175 years for investigative journalism: The precedent the USA vs. Julian Assange case could set
What does it mean when UN member states refuse to provide information to their own Special Rapporteur on Torture?
That it is a prearranged affair. A show trial is to be used to make an example of Julian Assange. The point is to intimidate other journalists. Intimidation, by the way, is one of the primary purposes for the use of torture around the world. The message to all of us is: This is what will happen to you if you emulate the Wikileaks model. It is a model that is so dangerous because it is so simple: People who obtain sensitive information from their governments or companies transfer that information to Wikileaks, but the whistleblower remains anonymous. The reaction shows how great the threat is perceived to be: Four democratic countries joined forces – the U.S., Ecuador, Sweden and the UK – to leverage their power to portray one man as a monster so that he could later be burned at the stake without any outcry. The case is a huge scandal and represents the failure of Western rule of law. If Julian Assange is convicted, it will be a death sentence for freedom of the press.
What would this possible precedent mean for the future of journalism?
On a practical level, it means that you, as a journalist, must now defend yourself. Because if investigative journalism is classified as espionage and can be incriminated around the world, then censorship and tyranny will follow. A murderous system is being created before our very eyes. War crimes and torture are not being prosecuted. YouTube videos are circulating in which American soldiers brag about driving Iraqi women to suicide with systematic rape. Nobody is investigating it. At the same time, a person who exposes such things is being threatened with 175 years in prison. For an entire decade, he has been inundated with accusations that cannot be proven and are breaking him. And nobody is being held accountable. Nobody is taking responsibility. It marks an erosion of the social contract. We give countries power and delegate it to governments – but in return, they must be held accountable for how they exercise that power. If we don’t demand that they be held accountable, we will lose our rights sooner or later. Humans are not democratic by their nature. Power corrupts if it is not monitored. Corruption is the result if we do not insist that power be monitored.
You’re saying that the targeting of Assange threatens the very core of press freedoms.
Let’s see where we will be in 20 years if Assange is convicted – what you will still be able to write then as a journalist. I am convinced that we are in serious danger of losing press freedoms. It’s already happening: Suddenly, the headquarters of ABC News in Australia was raided in connection with the «Afghan War Diary». The reason? Once again, the press uncovered misconduct by representatives of the state. In order for the division of powers to work, the state must be monitored by the press as the fourth estate. WikiLeaks is a the logical consequence of an ongoing process of expanded secrecy: If the truth can no longer be examined because everything is kept secret, if investigation reports on the U.S. government’s torture policy are kept secret and when even large sections of the published summary are redacted, leaks are at some point inevitably the result. WikiLeaks is the consequence of rampant secrecy and reflects the lack of transparency in our modern political system. There are, of course, areas where secrecy can be vital. But if we no longer know what our governments are doing and the criteria they are following, if crimes are no longer being investigated, then it represents a grave danger to societal integrity.
What are the consequences?
As the UN Special Rapporteur on Torture and, before that, as a Red Cross delegate, I have seen lots of horrors and violence and have seen how quickly peaceful countries like Yugoslavia or Rwanda can transform into infernos. At the roots of such developments are always a lack of transparency and unbridled political or economic power combined with the naivete, indifference and malleability of the population. Suddenly, that which always happened to the other – unpunished torture, rape, expulsion and murder – can just as easily happen to us or our children. And nobody will care. I can promise you that.
18’826 Menschen machen die Republik heute schon möglich. Wollen auch Sie, dass die noch junge Republik weiterhin unabhängigen, transparenten Journalismus betreiben kann? Dann kommen Sie als Mitglied oder Abonnentin an Bord!

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Fim à tortura e ao abandono médico de Assange

por Stephen Frost, Lissa Johnson, Jill Stein, William Frost,
em nome de 117 médicos signatrios

Pres Em 22/Nov/2019 nós, um grupo de mais de 60 médicos, escrevemos ao secretário do Interior do Reino Unido para manifestar nossas sérias preocupações acerca da saúde física e mental de Julian Assange. Na nossa carta [1] , documentámos um historial de negação de acesso a cuidados de saúde e prolongada tortura psicológica. Nós pedimos que Assange fosse transferido da prisão de Belmarsh para um hospital de ensino universitário a fim de receber avaliação e tratamento médico. Confrontados com a evidência de tortura não tratada e em curso, também levantámos a questão do preparo físico de Assange para participar em procedimentos de extradição para os EUA.

Não tendo recebido qualquer resposta sólida do Governo do Reino Unido, nem à nossa primeira carta [1] nem àquela que se seguiu [2] , escrevemos ao Governo Australiano pedindo que interviesse para proteger a saúde do seu cidadão. [3] Até à data, lamentavelmente, nenhuma resposta foi recebida. Enquanto isso, muito mais médicos de todo o mundo juntaram-se ao nosso apelo. Nosso grupo actualmente chega a 117 médicos, representando 18 países.

O caso de Assange, o fundador da WikiLeaks, é multifacético. Ele relaciona-se à lei, à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa, ao jornalismo, à publicação e à política. Ele também se relaciona à medicina. O caso sublinha vários aspectos preocupantes que justificam a atenção estreita da profissão médica e a acção concertada.

Fomos instados a actuar a seguir aos angustiantes testemunhos oculares relatados pelo antigo diplomata britânico Craig Murray e pelo jornalista de investigação John Pilger, o qual descreveu o estado de saúde deteriorado numa audiência de gestão do caso em 21/Out/2019. [4] , [5] Assange apareceu na audiência pálido, com baixo peso, envelhecido e a mancar, e ele havia visivelmente lutado para lembrar informação básica, centrar seus pensamentos e articular suas palavras. No fim da audiência, ele "disse à juíza distrital Vanessa Baraitser que não havia entendido o que acontecera no tribunal" [6]

Nós redigimos uma carta ao secretário do Interior do Reino Unido, a qual rapidamente reuniu mais de 60 assinaturas de médicos da Austrália, Áustria, Alemanha, Itália, Noruega, Polónia, Sri Lanka, Suécia, Reino Unidos e EUA, concluindo: "É nossa opinião que o sr. Assange exige urgente avaliação média tanto do seu estado de saúde físico como psicológico. Qualquer tratamento médico indicado deveria ser administrado num hospital de ensino universitário (cuidados terciários) adequadamente equipado e com staff qualificado. Caso tal avaliação e tratamento urgente não se verifique, temos preocupações reais, com a evidência actualmente disponível, de que o sr. Assange poderia morrer na prisão. A situação médica é portanto urgente. Não há tempo a perder". [1]

Em 31/Mai/2019 o Relator Especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer, informou sobre a sua visita de 09/Mai/2019 a Assange em Belmarsh, acompanhado por dois peritos médicos. "O sr. Assange mostrava todos os sintomas típicos de exposição prolongada a tortura psicológica, incluindo stress extremos, ansiedade crónica e trauma psicológico intenso". [7] Em 01/Nov/2019, Melzer advertiu: "A continuada exposição do sr. Assange à arbitrariedade e ao abuso pode em breve custar-lhe a vida". [8] Exemplos das comunicações imperativas a governos do Relator Especial da ONU sobre Tortura são mostrados no apêndice.

Tais advertências e a apresentação de Assange na audiência de Outubro talvez não devessem ser uma surpresa. Assange havia, afinal de contas, antes da sua detenção na prisão de Belmarsh em condições equivalentes a confinamento solitário, passado quase sete anos restringido a algumas salas na embaixada do Equador em Londres. Ali, ele foi privado de ar fresco, luz do sol, da capacidade de se mover e exercitar livremente e do acesso a cuidados médicos adequados. Na verdade, o Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da ONU sustentou que o confinamento equivalia a "privação arbitrária da liberdade". [9]

O Governo do Reino Unido recusou-se a conceder a Assange transferência segura para um hospital, apesar de pedidos de médicos que puderam visitá-lo na embaixada. [10] Havia também um clima de medo em torno da provisão de cuidados de saúde na embaixada. Um médico que visitou Assange na embaixada documentou o que um colega de Assange informou: "Tem havido muitas dificuldades em encontrar médicos praticantes que estivessem dispostos a examinar o sr. Assange na Embaixada. As razões dadas eram a incerteza sobre se o seguro médico cobriria a Embaixada Equatoriana (uma jurisdição estrangeira); se a associação com o sr. Assange poderia prejudicar seus meios de vida ou atrair atenção indesejada para eles e suas famílias; bem como desconforto respeitante à exposição desta associação quando entrando na Embaixada. Um praticante médico manifestou preocupação a um dos entrevistados depois de a polícia tomar notas do seu nome e do facto de que estava a visitar o sr. Assange. Um praticante médico escreveu que concordava em produzir um relatório médico só sob a condição de que o seu nome não ficasse disponível para o público, temendo repercussões". [11]

De modo perturbador, parece que este ambiente de insegurança e intimidação, mais uma vez comprometendo o cuidado médico a Assange, era intencional. Assange foi sujeito a uma cobertura de vigilância 24 horas por dia dentro da embaixada, como mostrou a emergência de vídeo e registos secretos de áudio. [12] Ele foi vigiado em privado e com visitantes, incluindo família, amigos, jornalistas, advogados e médicos. Não só foram violados seus direitos a privacidade, vida pessoal, privilégio legal e liberdade de expressão como, também, o seu direito à confidencialidade médico-paciente.

Condenamos a tortura de Assange. Condenamos a recusa ao seu direito fundamental de cuidados de saúde adequados. Condenamos o clima de temor em torno da provisão de cuidados de saúde para ele. Condenamos as violações do seu direito à confidencialidade médico-paciente. Não se pode permitir que a política interfira com o direito à saúde e à prática da medicina. Na experiência do Relator Especial da ONU sobre Tortura, a escala de interferência do estado é sem precedente: "Em 20 anos de trabalho com vítimas de guerra, violência e perseguição política nunca vi um grupo de estados democráticos conspirarem para deliberadamente isolar, demonizar e abusar de um indivíduo isolado por tão longo tempo e com tão pouco respeito pela dignidade humana e pelo estado de direito". [7]

Convidamos médicos nossos pares a juntarem-se como signatários a nossas cartas e acrescentar mais vozes aos nossos apelos. Desde que médicos começaram a avaliar Assange na embaixada equatoriana em 2015, a opinião médica e as recomendações urgentes de médicos foram sistematicamente ignoradas. Mesmo quando as autoridades designadas do mundo sobre detenção arbitrária, tortura e direitos humanos acrescentaram seus apelos a advertências de médicos, governos marginalizaram a ética médica, a autoridade médica e o direito humano à saúde. Esta politização de princípios médicos fundamentais é de grave preocupação para nós, pois isto traz implicações para além do caso de Assange. Abuso por negligência médica politicamente motivada estabelece um perigoso precedente, pelo qual a profissão médica pode ser manipulada como uma ferramenta política, minando em última análise a imparcialidade da profissão, o compromisso para com saúde para todos e a obrigação de não prejudicar.

Caso Assange morra numa prisão do Reino Unidos, como advertiu o Relator Especial da ONU sobre Tortura, ele efectivamente terá sido torturado até à morte. Grande parte daquela tortura terá tido lugar numa ala prisional médica, sob observação de médicos. A profissão médica não pode permitir-se permanecer em silêncio, do lado errado da tortura e do lado errado da história, enquanto tal farsa se desdobra.

No interesse da ética médica, da autoridade médica e do direito humano à saúde, e tomando uma posição contra a tortura, juntos podemos desafiar e despertar a consciência dos abusos pormenorizados nas nossas cartas. Nossos apelos são simples: estamos a conclamar governos a finalizarem a tortura de Assange e a assegurarem o seu acesso ao melhor cuidado de saúde disponível antes que seja demasiado tarde. Nosso pedido a outro é isto: por favor juntem-se a nós.

Somos membros do Doctors for Assange. Declaramos não ter interesses conflitantes. Os signatários desta carta estão listados no apêndice .

17/Fevereiro/2020
1. First letter to the UK Government. Concerns of medical doctors about the plight of Mr Julian Assange
2. Second letter to the UK Government. Re: medical emergency – Mr Julian Assange
3. First letter to the Australian Government. Re: medical emergency – Mr Julian Assange
4. Murray C., Assange in court
5. Pilger J., Pilger - Julian Assange could barely speak in court!
6. Agence France Presse, Julian Assange's health is so bad he 'could die in prison', say 60 doctors
7. UN Human Rights Office of the High Commissioner, UN expert says "collective persecution" of Julian Assange must end now
8. UN Human Rights Office of the High Commissioner, UN expert on torture sounds alarm again that Julian Assange's life may be at risk
9. UN Human Rights Office of the High Commissioner, Working Group on Arbitrary Detention deems the deprivation of liberty of Mr Julian Assange as arbitrary
10. Love S., Access to medical care, a human right, must also be guaranteed to Julian Assange
11. Dr [Redacted]. Medical report, evaluation of Mr Assange
12. Irujo JM, Russian and US visitors, targets for the Spanish firm that spied on Julian Assange

O original encontra-se em www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30383-4/fulltext .   Para descarreg-lo em formato PDF clique aqui .

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_medicos_17fev20.html

Mais de cem médicos assinam carta a exigir fim da “tortura” de Assange

 

Mais de cem médicos assinaram uma carta, divulgada esta terça-feira, na qual pedem que o fundador do Wikileaks receba tratamento médico adequado. 

 

Através de uma carta publicada, esta terça-feira, na revista científica The Lancet, mais de uma centena de médicos pediram que Julian Assange receba o tratamento médico adequado na prisão para resolver os seus problemas de saúde física e mental.

“Os nossos apelos são simples: Estamos a pedir aos Governos que ponham fim à tortura de Assange e lhe garantam o acesso aos melhores cuidados de saúde disponíveis antes que seja tarde demais”, pode ler-se na missiva.

“Se Assange morrer numa prisão do Reino Unido, é porque efetivamente foi torturado até à morte”, destacam os médicos, acrescentando que esta “profissão não se pode dar ao luxo de permanecer em silêncio, do lado errado da tortura e do lado errado da História”.

 
 

Esta segunda-feira, o atual diretor do Wikileaks, o islandês Kristin Hrafnsson, a advogada do informático, Jennifer Robinson, e os deputados australianos George Christensen e Andrew Wilkie compareceram perante os media para denunciar as consequências da detenção de Assange.

Hrafnsson advertiu que o desfecho do julgamento no Reino Unido, que responde a um pedido de extradição entregue pelos Estados Unidos em maio de 2019, determinará o “futuro do jornalismo”, por decidir “o que acontece a um jornalista que difunde informação evidente sobre um Estado e de interesse público”.

Os EUA pediram ao Reino Unido a sua extradição por 18 presumíveis delitos de espionagem e conspiração por cometer ingerência informática, e arrisca 175 anos de prisão caso seja considerado culpado.

Detido inicialmente no Reino Unido a pedido da Suécia devido a um alegado caso de violação, entretanto arquivado, Assange passou os últimos dez anos confinado, primeiro sob prisão domiciliária e de seguida como refugiado, na embaixada do Equador em Londres, que em 2019 lhe retirou o asilo político. Atualmente, o australiano de 48 anos encontra-se detido na prisão londrina de alta segurança de Belmarsh.

No final da sessão, o pai do detido, John Shipton, declarou que o estado de saúde do seu filho “melhorou”, após ser autorizado a sair da sua cela de isolamento e iniciar um regime de exercícios.

O início do processo está agendado para a próxima segunda-feira em Londres.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/medicos-exigem-fim-tortura-assange-309362

'Antes que seja tarde demais': 117 médicos de 18 países exigem fim de prisão de Assange

Julian Assange participou em formato vídeo do Fórum Internacional da Mídia em 7 de junho de 2016
© Sputnik / Aleksei Kudenko

O denunciante do WikiLeaks vive dias difíceis em isolamento, e preocupações com seu tratamento estão levando cada vez mais pessoas a exigir mudanças rápidas.

Julian Assange tem sido torturado e ainda não recebeu os cuidados médicos adequados de que necessita, apesar da aproximação rápida das audiências de extradição, segundo especialistas. O editor do WikiLeaks enfrenta até 175 anos de prisão nos EUA e há a preocupação de que sua condição o impeça de participar adequadamente de sua defesa.

A proeminente revista médica The Lancet publicou uma carta de 117 médicos e psicólogos de todo o mundo exigindo o "fim da tortura psicológica" de Julian Assange.

"Desde que os médicos começaram a avaliar o Sr. Assange na embaixada do Equador em 2015, a opinião médica especializada e as recomendações urgentes dos médicos têm sido constantemente ignoradas", diz a carta, escrita por um grupo de profissionais médicos conhecidos como Médicos por Assange (Doctors for Assange), publicada em 17 de fevereiro.

Em maio de 2019, o especialista em tortura da ONU Nils Melzer, juntamente com dois outros especialistas médicos especializados na avaliação de vítimas de tortura, concluiu que o fundador do WikiLeaks apresentava sintomas de "tortura psicológica".

 

Em Londres, nos reunimos com o relator especial da ONU para Tortura, Nils Melzer, para discutir o Julian Assange. Nils não nos deixou dúvidas de que Assange está mostrando efeitos de tortura psicológica e se sente traído pelo sistema de justiça do Reino Unido, EUA e Austrália.

Melzer deixou claro que a tortura psicológica "não é uma tortura leve", e deve apresentar um relatório sobre tortura psicológica à ONU até o final de fevereiro.

Julian Assange, fundador do Wikileaks, detido pela polícia do Reino Unido
© Foto / Ruptly
Julian Assange, fundador do Wikileaks, detido pela polícia do Reino Unido

A primeira série de audiências de Assange sobre extradição terá início na segunda-feira (24) e se espera que seja realizada em Woolwich, no sul de Londres, perto da prisão de segurança máxima de Belmarsh, onde ele está preso. Até recentemente o editor era mantido em isolamento na ala médica da prisão, embora a pressão dos seus advogados, ativistas e colegas prisioneiros tenha resultado na sua recente transferência para uma ala coletiva em Belmarsh.

Apelos a clemência

Os especialistas médicos "condenam a tortura de Assange" e a contínua negação "do seu direito fundamental" a cuidados de saúde apropriados.

"Esta politização dos princípios médicos fundamentais é para nós motivo de grande preocupação, pois tem implicações para além do caso de Julian Assange. O abuso por negligência médica politicamente motivada estabelece um precedente perigoso, acabando por minar a imparcialidade da nossa profissão, o compromisso com a saúde para todos e a obrigação de não causar mal a ninguém", se lê na carta.

Marise Payne, ministra das Relações Exteriores da Austrália, também recebeu uma cópia da carta. O evento coincide com a chegada dos deputados australianos Andrew Wilkie e George Robert Christensen, que viajaram para o Reino Unido para visitar Assange, falar com o especialista em tortura da ONU e deputados do Reino Unido e fazer pressão para a libertação de Assange. A carta endereçada a Payne apela para "agir com determinação agora" para garantir a libertação de Assange.

"Nossos apelos são simples", escrevem os autores da carta, publicada na The Lancet: "Pedimos aos governos que acabem com a tortura do Sr. Assange e garantam seu acesso aos melhores cuidados de saúde disponíveis, antes que seja tarde demais". Também apelam a outros profissionais médicos para que se juntem a eles.

Assange enfrenta até 175 anos de prisão nos EUA por acusações relacionadas com espionagem e com o seu papel na publicação de documentos classificados. As publicações, nomeadamente registos de guerra no Iraque e no Afeganistão revelaram crimes de guerra, cometidos por tropas lideradas pelos EUA, juntamente com outras formas de criminalidade e corrupção.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020021815229612-antes-que-seja-tarde-demais-117-medicos-de-18-paises-exigem-fim-de-prisao-de-assange/

Mais de 100 médicos pedem 'fim da tortura' a Assange e exigem assistência médica, 'antes que seja tarde'

247 -Mais de cem médicos pediram ao Reino Unido e à Austrália que terminem a tortura do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, preso na prisão britânica de alta segurança em Belmarsh, enquanto se aguarda um pedido de extradição para EUA

Em carta aberta publicada nesta segunda-feira (17) na revista científica The Lancet, 117 especialistas de 18 países denunciam que desde que os médicos começaram a avaliar Assange em 2015 na Embaixada do Equador em Londres, onde ele estava refugiado, suas opiniões e recomendações de especialistas "foram constantemente ignoradas", informa Russia Today.

Ao mesmo tempo, lembram que o relator especial da Organização das Nações Unidas para a Tortura, Nils Melzer, alertou que o jornalista começou a exibir sinais de que é vítima de tortura psicológica.

"Condenamos a tortura de Assange. Condenamos a violação do seu direito fundamental a cuidados médicos adequados. Condenamos o clima de medo em torno da prestação de cuidados médicos a ele. Condenamos as violações do seu direito ao sigilo médico-paciente", escrevem os signatários da carta, que alertam que "não se pode permitir que a política interfira no direito à saúde e na prática da medicina".

"Se Assange morrer em uma prisão no Reino Unido, como alertou o Relator Especial das Nações Unidas para a Tortura, será em consequência de ter sido efetivamente torturado até a morte", denunciam os signatários, acrescentando que a profissão médica "não pode permitir-se o luxo de permanecer em silêncio, do lado errado da tortura, do lado errado da história".

Nesse contexto, os signatários pedem aos governos que "ponham fim à tortura" de Assange e garantam "seu acesso aos melhores cuidados médicos disponíveis antes que seja tarde demais".

Mais de 130 personalidades na Alemanha exigem a libertação de Assange

 
Mais de 130 políticos, artistas e jornalistas exigiram hoje na Alemanha a "libertação imediata" de Julian Assange "por razões humanitárias e em conformidade com os princípios do estado de direito", defendendo ainda a liberdade de imprensa.
 
Numa conferência de imprensa em Berlim, o promotor desta iniciativa, o jornalista de investigação Günter Walraff, disse que o fundador do WikiLeaks "não pode esperar por um julgamento nos Estados Unidos ou um processo de extradição no Reino Unido de acordo com o estado de direito".
 
Walraff acrescentou que Assange está a ser prejudicado nos seus preparativos de defesa e lembrou que o relator especial das Nações Unidas Nils Melzer confirmou que Assange mostrava sinais de ter sido submetido a tortura psicológica.
 
O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Sigmar Gabriel, declarou, por sua vez, que de acordo com os seus parâmetros, o Reino Unido e os Estados Unidos promovem o Estado de direito, mas que, "por razões políticas", neste caso "aparentemente não há garantia de um processo" que respeite os princípios elementares.
 
Gabriel acrescentou que não se trata de saber se Assange cometeu um crime, mas que "nas condições atuais, não pode fazer uso dos direitos elementares de qualquer acusado", isto é, "não consegue preparar-se física e mentalmente e nem com a ajuda dos seus advogados pode preparar uma defesa adequada".
 
Por isso, disse Gabriel, Assange "deve ser libertado".
 
Por outro lado, Walraff afirmou que o objetivo é fazer com que as pessoas entendam que não estão a falar apenas da defesa do próprio Assange, mas "também da defesa da liberdade de opinião e de imprensa e, consequentemente, também da própria democracia".
 
Walraff alertou que "se, ao descobrir crimes de Estado, jornalistas, denunciantes e a meios de comunicação precisarem temer a perseguição, a prisão ou até temer pelas suas vidas no futuro, o quarto poder está mais do que em perigo".
 
Entre os signatários do apelo à libertação de Assange estão dez ex-ministros, incluindo três da Justiça, disse Walraff, representantes de partidos políticos, escritores como Elfride Jelinek, Eva Menasse e Eugen Ruge e jornalistas, além de quatro organizações.
 
Assange aguarda o resultado do julgamento de extradição para os Estados Unidos num prisão de alta segurança de Londres, onde está preso desde abril do ano passado, depois de ser removido pela polícia britânica da embaixada do Equador, onde recebeu asilo por sete anos.
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto: 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/mais-de-130-personalidades-na-alemanha.html

A nova batalha por Assange e pelo jornalismo

 
 
Extradição aos EUA será decidida a partir de 24/2. Se autorizada, fundador do Wikileaks ficará incomunicável, e poderá ser condenado a 175 anos. Perseguição vira precedente para calar imprensa crítica. Mas a resistência também cresce
 
Nozomi Hayase | Outras Palavras | Tradução de Simone Paz Hernández
 
Na audiência da última quinta-feira, em Westminster, Londres, foi estabelecido o cronograma do caso de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. As equipes jurídicas de Assange nos EUA fizeram um pedido para que a audiência de extradição fosse dividida em duas fases. Seu advogado de defesa, Edward Fitzgerald, explicou ao tribunal que eles não estarão prontos para apresentar o corpo principal de suas provas até depois da primeira semana da audiência, que começar, segundo se prevê, no final de fevereiro.
 
Assange foi indiciado por 17 acusações de espionagem, entre elas, por ter publicado documentos sobre a guerra dos EUA no Irã e no Afeganistão, e sobre as torturas na prisão de Guantánamo. Na audiência anterior, na segunda-feira 13 de janeiro, seu advogado, Gareth Peirce, levantou a questão que o preocupa: até agora, Assange não teve acesso a apoio jurídico, o que dificulta uma preparação adequada para sua defesa — ainda mais quando se enfrenta a sentenças que podem somar 175 anos de prisão.
 
Recentemente, surgiram novas evidências que provam que a CIA contratou a empresa de segurança espanhola, US Global, para espionar Assange dentro da Embaixada do Equador em Londres, na época em que ele habitou o local sob asilo político. Os alvos da vigilância incluíam seus advogados, médicos e visitas. Agora, três ex-funcionários da companhia se apresentaram como testemunhas, confirmando que seu então chefe, David Morales, ordenou que os trabalhadores instalassem na embaixada novas câmeras de vídeo, com capacidade de gravação de áudio, em dezembro de 2017.
 
Na saída da corte, após a audiência, o editor-chefe do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, declarou: “Com os depoimentos apresentados pelos EUA, nós agora aprendemos que eles não consideram que os estrangeiros possam ter proteção pela Primeira Emenda [à Constituição norte-americana, que assegura liberdade de expressão].” Ele insistiu em como isso é uma perseguição política contra um jornalista — e um grave ataque à liberdade de imprensa, com repercussão mundial.
 
 
John Reed, um dos representantes da campanha “Don’t Extradite Assange” (“Não à extradição de Assange”), criada pelo WikiLeaks no Reino Unido, também falou com a imprensa:
 
“Se Assange for extraditado, ele será imediatamente submetido às “Medidas Administrativas Especiais”, ou seja, ele e sua equipe jurídica não poderão falar com a imprensa nem com o público… ele será jogado para um buraco negro”. Em seguida, alertou o público: “Isso é guerra contra o jornalismo. Nenhum tipo de jornalismo estará a salvo com as acusações e perseguições atuais. Se o julgamento de Assange for levado adiante, isso pode acontecer.”
 
A equipe jurídica de Assange tem alertado sobre a ameaça à liberdade de imprensa por parte da ação judicial do governo dos EUA — ao processar um jornalista estrangeiro, negar a proteção da Primeira Emenda e aplicar a Lei de Espionagem.
 
Até a mídia mainstream chamou a atenção para estes fatos assim que as acusações contra Assange foram revelados, em 2018. Sobre a perseguição ao criador do WikiLeaks, o New York Times declarou: “Uma acusação centrada na publicação de informações de interesse público… gera um precedente com profundas implicações para a liberdade de imprensa”. O The Atlantic apontou: “Se o governo dos EUA processar o editor do WikiLeaks por publicar material classificado, todos os meios de comunicação estarão em risco”.
 
Agora, o “precedente de Assange” parece estar se estabelecendo silenciosamente. A fagulha da guerra ao jornalismo aumentou. Na terça-feira, Glenn Greenwald, jornalista do The Intercept, foi indiciado por crimes cibernéticos no Brasil. Grupos de liberdade de imprensa saíram rapidamente em sua defesa, condenando o ato de criminalização do jornalismo pelo governo brasileiro. James Jaffer, diretor do Instituto da Primeira Emenda na Universidade de Columbia, ressaltou as graves semelhanças entre o caso de Greenwald e o de Assange:
 
“É terrível ver isto acontecendo. A ideia de que jornalistas possam ser processados por publicar informações que outros obtiveram ilegalmente (eu assumo que essa seja a ideia ou teoria em questão, apesar das reviravoltas do caso) é, claramente, a base do indiciamento dos EUA contra Julian Assange, também”.
 
À medida em que o ataque aos princípios da Primeira Emenda aumenta no mundo todo, Assange, prisioneiro desta guerra, permanece em completo isolamento na prisão de Belmarsh, em Londres. Desde o dia 22 de setembro de 2019, ele está preso apenas pelo pedido de extradição dos EUA.
 
Nils Melzer, Relator Especial da ONU sobre Tortura, alertou com preocupação que Assange, cuja saúde entrou em uma “espiral descendente” dentro da prisão, é vítima de tortura psicológica.
 
A audiência de extradição de Assange está marcada para começar em 24 de fevereiro, dividida em duas partes: primeiro, ao longo de uma ou duas semanas; em seguida, após o dia 18 de maio, por mais três semanas. Este é o caso mais importante contra a liberdade de imprensa do século XXI. As pessoas precisam se engajar na luta pelo fim da guerra ao jornalismo.
 
Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROS QUINHENTOS
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/a-nova-batalha-por-assange-e-pelo.html

Processo de Assange constitui ataque à liberdade de imprensa

– Os media corporativos fazem silenciamento deliberado do caso Assange
– Mas muitas organizações de jornalistas omitem-se

por Nozomi Hayase [*]

Pres Na audiência de quarta-feira, em Westminster, em Londres, foi estabelecido o cronograma do caso de extradição [NR] de Julian Assange para os EUA. As equipes jurídicas de Assange nos EUA solicitaram que a audiência da extradição fosse dividida. Seu advogado de defesa, Edward Fitzgerald, enfatizou ao tribunal que não estarão prontos para apresentar o corpo principal das suas evidências até depois da primeira semana da audiência, a qual está marcada para começar no final de Fevereiro.

Prevê-se agora que a audiência de extradição de Assange prossiga em duas partes: a partir do início de 25 de Fevereiro, durante uma a duas semanas e depois continuará em 18 de Maio durante mais três semanas.

Assange foi indiciado por 17 acusações de espionagem pela publicação de documentos relativos às guerras dos EUA no Iraque e Afeganistão e de torturas na prisão da Baía de Guantánamo. Durante sua audiência anterior na segunda-feira, 13 de Janeiro, seu advogado, Gareth Peirce, levantou preocupação de que a falta de acesso de Assange a conselhos legais havia dificultado a preparação adequada da sua defesa, quando enfrenta sentenças de prisão de até prisão 175 anos.

Recentemente surgiram novas evidências mostrando que a CIA contratou a empresa de segurança espanhola US Global para espionar Assange dentro da embaixada do Equador em Londres, quando Assange ali vivia sob asilo político. Os alvos desta vigilância incluíram seus advogados, médicos e visitantes. Agora, três ex-funcionários da empresa apresentaram-se como testemunhas confirmando que o seu então chefe, David Morales, em Dezembro de 2017ordenou que trabalhadores instalassem novas câmaras de vídeo na embaixada com capacidade de registo áudio.

Fora do tribunal, após a audiência, o editor-chefe da WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, disse : "Agora, com as submissões e depoimentos apresentados pelos EUA, ficamos a saber... que eles não consideram que os de nacionalidade estrangeira tenham protecção da Primeira Emenda". Ele reiterou que isto é uma perseguição política a um jornalista e um grave ataque à liberdade de imprensa em escala mundial.

John Reed, representante de "Don't Extradite Assange", a campanha britânica criada pela WikiLeaks, também falou à imprensa:

"Se Assange for extraditado, será imediatamente colocado sob "Medidas Administrativas Especiais" . Isto significa que não poderá falar à imprensa ou ao público, e nem tão pouco a sua equipe jurídica... Ele será colocado num buraco negro...".

A seguir, alertou o público: "Isto é guerra ao jornalismo. Nenhum jornalismo pode ser seguro nesta presente perseguição. Se o julgamento de Julian Assange fosse autorizado a ir em frente, isso aconteceria. "

Advertências quanto à liberdade de imprensa

A equipe jurídica de Assange tem advertido para o alcance da ameaça à liberdade de imprensa por parte do governo dos EUA ao processar um jornalista estrangeiro pois trata-se de uma faca de dois gumes que em simultâneo nega a protecção da Primeira Emenda e aplica a Lei de Espionagem.

Aos media estabelecidos soou a mesma advertência quando as acusações contra Assange foram reveladas no final de 2018. O New York Times escreveu que "acusações centradas na publicação de informações de interesse público...criariam um precedente com implicações profundas nas liberdades de imprensa". The Atlantic publicou um comentário que dizia : "Se o governo dos EUA puder processar o editor da WikiLeaks por publicar material classificado, então todos os meios de comunicação estarão em risco".

Agora, o "precedente Assange" parece estar a estender o seu alcance. Na terça-feira, Glenn Greenwald, jornalista de The Intercept, foi acusado de crimes cibernéticos no Brasil. Grupos de liberdade de imprensa rapidamente vieram em sua defesa, condenando o acto de criminalização do jornalismo por parte do governo brasileiro. James Jaffer, director do "Instituto Knight da Primeira Emenda", da Universidade de Columbia, destacou as semelhanças notáveis entre o caso de Greenwald e o de Assange:

"Terrível de ver isto. A teoria de que jornalistas podem ser processados por publicarem informações que outros obtiveram ilegalmente (que eu assumo ser a teoria aqui, apesar de volteios da acusação) é também, obviamente, a base para a acusação de Assange nos EUA".

À medida que o ataque à Primeira Emenda aumenta em todo o mundo, Assange, um prisioneiro desta guerra, permanece em completo isolamento na prisão de Belmarsh, em Londres. Desde 22 de Setembro de 2019, ele foi detido unicamente para atender à solicitação de extradição dos EUA.

O relator especial da ONU sobre tortura, Nils Melzer, levantou preocupações e recordou que Assange, cuja saúde entrou numa "espiral descendente" dentro da prisão, é uma vítima de tortura psicológica.

Este é o mais importante caso de liberdade de imprensa do século XXI. O público deve empenhar-se a fim de acabar com esta guerra ao jornalismo.

27/Janeiro/2020
[NR] A palavra "extradição" parece inadequada para o caso Assange pois ele não é cidadão dos EUA nem nunca esteve sob uma jurisdição dos EUA.   Assim, se Assange vier a ser enviado para os Estados Unidos isto não será uma decisão de justiça e sim o culminar de uma operação de sequestro de um jornalista estrangeiro.   A referida operação foi decidida e preparada há vários anos pelo Departamento de "Justiça" dos EUA, com a conivência activa dos governos e autoridades judiciais da Grã-Bretanha e Suécia.

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_audiencias_27jan20.html

Assange removido da solitária

– Nenhum jornal português publicou esta notícia

 

Julian Assange no pres Julian Assange foi retirado da solitária!   O fundador da WikiLeaks foi finalmente retirado da cela de segredo da prisão de Belmarsh após uma série de petições da sua equipe legal e de outros prisioneiros.

O prisioneiro político australiano foi mantido quase incomunicável e com severas restrições a acesso de visitantes desde Abril de 2019, enquanto aguarda o seu processo de extradição para os EUA que deve começar em 24 de Fevereiro.

Joseph Farrell, embaixador da WikiLeaks, diz que na sexta-feira 24 de Janeiro o prisioneiro de 48 anos foi removido da solitária na ala médica do presídio para outra ala com 40 condenados.

Esta conquista, afirma ele, verificou-se depois de a sua equipe legal e de três petições separadas de condenados ao governador da prisão considerarem que o seu tratamento era injusto e irrazoável.

Após várias reuniões entre autoridades do presídio e a equipe legal de Assange e de condenados, ele foi transferido.

"A transferência é uma enorme vitória para a equipe legal de Assange e para os que fizeram campanha insistindo durante semanas para que as autoridades prisionais acabassem o tratamento punitivo de Assange", disse Farrell.

Assange deve enfrentar julgamento no próximo mês para determinar se ele deveria ser extraditado para os EUA, onde foi acusado com 17 alegações de espionagem e uma de conspiração para cometer intrusão informática.

As acusações relacionam-se a alegações de que Assange tentou ajudar a antiga analista de inteligência do US Army Chelsea Manning a proteger a sua identidade digital quando esta acessou ficheiros classificados do Pentágono sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão.

A WikiLeaks ajudou a publicar milhares daqueles ficheiros, incluindo alguns que revelavam crimes de guerra dos Estados Unidos em ambos os países. O seu caso é encarado como um teste ácido quanto à protecção de fontes de jornalistas.

Farrell disse que a saída de Asssange da solitária após nove meses de permanência é uma pequena vitória, mas que ainda lhe está a ser negado acesso adequado aos seus advogados.

Numa recente audiência para a gestão do processo o solicitador Gareth Pierce disse que à equipe de defesa só foram permitidas três horas de conversação com Assange para discutir o caso.

"Ainda lhe está a ser negado acesso adequado aos seus advogados, como até o juiz reconheceu numa audiência no Tribunal de Magistrados de Westminster", disse Farrell.

"E os promotores da campanha continuam a insistir em que Assange não deveria estar na prisão de modo algum, pelo menos no presídio de alta segurança de Belmarsh".

24/Janeiro/2020
  • Escrever a Assange uma forma de apoi-lo. Nas cartas e cartes-postais deve-se incluir sempre o seu nmero de prisioneiro (do contrrio no sero entregues). O endereo :
       Mr. Julian Assange
       Prisoner # A9379AY
       HMP Belmarsh
       Western Way
       London SE28 0EB UK
       Gr-Bretanha

    A fonte desta notícia encontra-se em 7news.com.au/...

     

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_solitaria_24jan20.html

Relator da ONU critica Reino Unido e EUA por 'torturarem' Assange e Manning

Cartaz em prol de Juan Assange ao lado da embaixada equatoriana, 11 de abril de 2019
© AP Photo / Matt Dunham

Nils Melzer, relator especial das Nações Unidas, criticou ferozmente a contínua violação dos "direitos humanos" denunciantes do WikiLeaks pelos governos da OTAN.

O relator especial da ONU Nils Melzer criticou os governos dos EUA e do Reino Unido pela forma como estão tratando os denunciantes da WikiLeaks Julian Assange e Chelsea Manning, respectivamente.

Em uma carta publicada na terça-feira (31) e enviada em 29 de outubro para o governo do Reino Unido, o relator especial da ONU tece duras críticas à forma como Julian Assange está sendo tratado, citando a deterioração da saúde do fundador do WikiLeaks, e pedindo sua libertação, ou pelo menos melhoria das condições na prisão.

 

​(1/6) Acabou de sair: A minha carta ao governo do Reino Unido de 29 de outubro de 2019, detalhando violações graves do processo, expressando alarme quanto às condições de detenção e saúde de Assange, reiterando as minhas perguntas e apelando para sua rápida libertação. 60 dias e sem resposta

Segundo relata a carta, Assange está sendo submetido a tratamento "desnecessário, desproporcional e "discriminatório" na Prisão de Belmarsh de alta segurança.

 

​(2/6) As minhas conclusões oficiais, apoiadas por especialistas médicos, fornecem inquestionavelmente "motivos razoáveis para acreditar" que os funcionários britânicos contribuíram para a tortura psicológica ou maus tratos de Assange, seja por perpetração, tentativa, cumplicidade ou outras formas de participação [no processo]

O "exame forense e psiquiátrico completo" realizado durante a visita em 9 de maio de 2019 mostrou "um padrão claro de sintomas típicos de pessoas que foram expostas a tortura psicológica por um período prolongado de tempo", segundo disse o relator da ONU.

"Estou muito preocupado que, se o Reino Unido não tomar medidas urgentes para aliviar a situação do Sr. Assange, a sua saúde possa em breve atingir uma fase crítica, incluindo o risco de morte".

Além disso, uma eventual extradição para os EUA o exporia a "um risco real de violações graves [...] incluindo tortura e outros tratamentos ou castigos cruéis, desumanos ou degradantes", algo que já aparenta estar acontecendo com o denunciante no Reino Unido.

Melzer exigiu igualmente que as autoridades britânicas fornecessem detalhes das medidas que tomaram para proteger Assange da tortura e de outros abusos e, se tais medidas não foram tomadas, explicar como essa falha é "compatível com as obrigações de direitos humanos" que o Reino Unido subscreveu sob o direito internacional.

Em um telefonema recente de Julian Assange permitido no Natal pelas autoridades britânicas, Vaughan Smith, seu amigo e jornalista, relatou que o denunciante soava muito diferente do habitual, parecendo sedado, e com dificuldade em falar. "Estou morrendo aos poucos", disse Assange ao amigo durante a conversa.

Tratamento de Chelsea Manning

Relativamente à ativista detida pelos norte-americanos, uma carta escrita em novembro e divulgada na terça-feira (31), junto com a carta relativa a Assange, diz também que Manning está sofrendo "uma medida de coerção aberta e progressivamente severa", que cumpre "todos os elementos constitutivos de tortura".

 

Acabou de sair: A minha carta oficial para o governo dos EUA de 1 de novembro de 2019 explicando por que é que a detenção contínua de Chelsea Manning não é uma sanção legal, mas uma medida coerciva aberta e progressivamente severa, que consiste em tortura, e que deve ser suspensa e abolida sem demora

Melzer disse que a detenção coerciva também parece ser "incompatível com as obrigações internacionais quanto aos direitos humanos" dos EUA, de acordo com várias convenções internacionais.

"A prática de privação coerciva da liberdade por desprezo civil [...] envolve infligir intencionalmente sofrimento mental e emocional progressivamente severo para fins de coerção e intimidação por ordem das autoridades judiciais", escreveu o especialista em tortura.

O relator da ONU acrescentou que as vítimas deste tipo de confinamento coercitivo prolongado têm demonstrado "sintomas pós-traumáticos e outras consequências graves e persistentes para a saúde mental e física".

Manning está atualmente na prisão por desrespeito ao tribunal depois que se recusou a testemunhar perante um grande júri federal que estava tentando levantar acusações adicionais contra o WikiLeaks e Julian Assange.

Quanto à própria denunciante, ela continua chamando sua detenção de "inútil" e "cruel", e está "totalmente comprometida com seus princípios", de acordo com seus advogados.

Manning já foi condenada a 35 anos em uma prisão militar em 2011, tendo iniciado detenção de fato no ano anterior. Sua sentença foi comutada pelo então presidente Barack Obama em janeiro de 2017.

Relação entre os dois

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que está preso em Londres à espera de uma audiência de extradição para os EUA, foi acusado de conspiração para cometer intrusão informática com Chelsea Manning para hackear computadores do Departamento de Defesa e obter acesso a segredos do Estado norte-americano.

Em 2010, o WikiLeaks divulgou o curta-metragem Assassinato Colateral, mostrando um ataque indiscriminado dos EUA em Bagdá em 2007, que matou 12 pessoas, incluindo dois jornalistas da Reuters.

Os procuradores norte-americanos estão tentando forçar Manning a testemunhar no julgamento de Assange se ele for extraditado para os EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020010114959326-relator-da-onu-critica-reino-unido-e-eua-por-torturarem-assange-e-manning/

'Estou morrendo aos poucos', diz Assange em telefonema de Natal para colega

Fundador do WikiLeaks Julian Assange no Reino Unido
© AP Photo / Matt Dunham

Neste Natal, as autoridades britânicas permitiram ao jornalista Julian Assange realizar uma ligação telefônica para amigos ou familiares, a partir da prisão de segurança máxima na qual se encontra, no sudeste da capital do Reino Unido, Londres.

O jornalista e amigo de Assange, Vaughan Smith, teria recebido o telefonema do ativista e fundador do Wikileaks na véspera de Natal.

"Acho que ele queria alguns minutos para escapar" da sua realidade na prisão, disse o colega de Assange, acrescentando que seu amigo soava irreconhecível na ligação telefônica.

Mas, a ligação não foi nem um pouco alegre. Smith conta que Assange tem dificuldade em falar e que a deterioração de sua condição ficou evidente durante a conversa.

"Ele me disse: 'Estou morrendo aos poucos aqui'", contou Smith à RT.

Smith disse suspeitar que seu colega estava sedado, apesar de Assange não ter dito isso expressamente durante a conversa.

"Ele falava enrolado e devagar. O Julian é uma pessoa muito articulada, que se expressa muito claramente. E ele soava péssimo... foi muito triste ouvi-lo", relatou seu colega.

Para Smith, "era bastante óbvio" que Assange estava sobre efeito de medicação, acrescentando que outras pessoas que visitaram o ativista tiveram a mesma impressão.

De fato, Smith não é a primeira pessoa a suspeitar que Assange é sedado na prisão. No entanto, as autoridades britânicas se recusam a divulgar informações sobre eventual medicação prescrita a Assange, se limitando a garantir que "não estão destratando" o ativista.

Ação de apoio a Julian Assange em Londres
© Sputnik / Justin Griffiths-Williams
Ação de apoio a Julian Assange em Londres

Considerando que ele é "mantido em solitária 23 horas por dia", e que pedidos de médicos para examiná-lo são reiteradamente negados, Smith diz ser difícil acreditar nas garantias das autoridades.

Smith, que comemorou o Natal com Assange em 2010, lembrou que "ele foi uma companhia maravilhosa", mas que o homem que conversou com ele ao telefone "parecia outra pessoa".

"Eu não consigo entender nem o motivo pelo qual ele está na prisão de Belmarsh. Ele está em prisão preventiva, apesar de não representar nenhuma ameaça à sociedade", argumentou.

Belmarsh é uma prisão destinada a presos de alta periculosidade, que normalmente recebe assassinos e terroristas. Assange não atende a nenhuma dessas categorias e foi preso inicialmente por uma infração considerada menor: não se apresentar ao tribunal após ter sido liberado sob fiança. Mesmo assim, foi colocado em uma prisão de segurança máxima, onde aguarda julgamento relativo à extradição para os Estados Unidos da América.

Para Smith, o sistema penal britânico se vinga de um ativista que teve a audácia de divulgar a verdade sobre a conduta de países poderosos.

"O que está acontecendo com Assange é muito mais uma vingança e procurar usá-lo como exemplo, para dissuadir outras pessoas de responsabilizar os EUA pelos seus atos", disse Smith.

Smith lembrou a importância de pressionar as autoridades britânicas para que forneçam informações acerca do tratamento dispensado a Assange na prisão.

"[Assange] propôs um debate sobre como deve ser a transparência na era digital. O debate foi reprimido e nunca pôde ocorrer de fato. Ao invés disso, ele virou réu. É por isso que ele está em Belmarsh".

Smith lembra que Assange está preso "de uma forma ou de outra" desde que se refugiou na Embaixada do Equador em Londres, em 2012.

"Nós temos que questionar mais. Julian está com a sua liberdade cerceada por mais de uma década. É uma desgraça. Ele merece mais do que isso", concluiu.

Julian Assange foi preso pelas autoridades britânicas em abril de 2019, após o Equador ter rescindido o seu status de asilado político.

Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019.
© Sputnik / Ruptly
Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019

Com o aval do governo equatoriano, a polícia britânica entrou na embaixada e prendeu o fundador do site WikiLeaks, acusado de ter violado as condições de liberdade sob fiança no Reino Unido em 2012, crime passível de pena de um ano de prisão.

O jornalista havia buscado asilo na Embaixada do Equador para evitar a extradição aos Estados Unidos, que o acusam de ter publicado ilegalmente documentos confidenciais. O jornalista alega que pode ser sentenciado a prisão perpétua pela Justiça norte-americana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019123114953646-estou-morrendo-aos-poucos-diz-assange-em-telefonema-de-natal-para-colega/

Assange não pode ser extraditado por causa de tratado entre EUA e Reino Unido, argumenta defesa

Ação de apoio a Julian Assange em Londres
© Sputnik / Justin Griffiths-Williams

Os advogados do denunciante vão chamar até 21 testemunhas e empregar todos os meios necessários para evitar sua extradição aos EUA.

Os advogados do jornalista e fundador do WikiLeaks, Julian Assange, vão argumentar que um tratado entre os EUA e o Reino Unido proíbe explicitamente a extradição por ofensas políticas quando sua audiência começar em fevereiro de 2020.

"Dizemos que há no tratado uma proibição de ser extraditado por um delito político, e esses delitos, tal como são enquadrados e em substância, são delitos políticos", disse o advogado de Assange, Edward Fitzgerald, ao Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres.

Os advogados de defesa de Assange vão convocar até 21 testemunhas para defender seu caso, apresentar provas médicas, comentários públicos feitos por autoridades norte-americanas e detalhes do caso de Chelsea Manning para impedir a extradição do fundador do WikiLeaks para os EUA.

Manning está atualmente na prisão por desrespeito ao tribunal depois que se recusou a testemunhar perante um grande júri federal que estava tentando levantar acusações adicionais contra o WikiLeaks e Julian Assange.

Manifestantes protestam contra a prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em Londres
© Sputnik / Demond Cureton
Manifestantes protestam contra a prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em Londres

Assange falou por videoconferência e deve comparecer pessoalmente no tribunal na sexta-feira (20) para responder a perguntas de um juiz espanhol acerca de "revelações sobre escutas de conversas com seus advogados" durante sua longa estadia na embaixada do Equador em Londres.

Caso de Julian Assange

O jornalista enfrenta 18 acusações nos EUA, incluindo conspiração para hackear computadores do governo e violar leis de espionagem, enfrentando uma possível pena de décadas na prisão. Sua audiência de extradição completa deve começar em 24 de fevereiro de 2020.

Essa audiência poderá durar até quatro semanas, devido à grande quantidade de provas que deverão ser apresentadas em sua defesa. Baraitser acrescentou que a próxima audiência começará no dia 23 de janeiro.

Assange esteve refugiado durante sete anos na embaixada do Equador em Londres, onde procurou asilo para evitar a extradição para a Suécia por alegações de estupro, que foram posteriormente retiradas. O governo equatoriano renegou sua promessa de asilo do denunciante em abril deste ano, o que fez com que as autoridades britânicas o prendessem.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019122014917709-assange-nao-pode-ser-extraditado-por-causa-de-tratado-entre-eua-e-reino-unido-argumenta-defesa/

Centenas de jornalistas do mundo assinam carta aberta pela libertação de Assange

 
 
Oscar Grenfell
 
Centenas de jornalistas e de trabalhadores dos media do mundo inteiro assinaram uma carta aberta apaixonada que reclama a liberdade incondicional do fundador da WikiLeaks, Julian Assange. Ela pede também o fim imediato da campanha judicial travada contra lei pelo crime de ter revelado crimes de guerra. Entre os 422 signatários, até ao momento, figuram Kristinn Hrafnsson, redactor chefe da WikiLeaks; John Pilger, jornalista de investigação de reputação mundial e Daniel Ellsberg, o denunciante dos "Pentagone papers" que revelou toda a criminalidade da guerra do Vietname. Em nome do World Socialist Web Site, a carta foi assinada pelo presidente do comité de redacção internacional do WSWS, David North, e por outros jornalistas do WSWS. Este apelo poderoso testemunha o carácter canalha e ilegal do aprisionamento de Assange no presídio de alta segurança de Belmarsh pela Grã-Bretanha. Ele indica claramente que os jornalistas que têm princípios vêm a tentativa da administração americana do presidente Donald Trump de o perseguir por 17 acusações principais sob a Lei de espionagem e de aprisioná-lo pela vida toda como um ataque frontal à liberdade de imprensa e uma ameaça grave aos seus próprios direitos. A posição tomada pelos jornalistas segue-se à carta aberta dirigida ao ministro britânico do Interior no mês passado por mais de 65 médicos eminentes. A carta condena a recusa a fornecer cuidados de saúde adequados a Assange e adverte que ele poderia morrer na prisão. Ela coincide com uma declaração de um grupo de advogados internacionais, os quais documentam a ilegalidade da perseguição a Assange pelos Estados Unidos e pede a sua libertação imediata. Estas iniciativas mostram que fora do vaso fechados dos governos, das agências de informação e das empresas mediáticas, que têm conduzido a campanha de nove anos contra Assange, a opinião pública mundial está do lado do fundador da WikiLeaks e contra os seus perseguidores.
 
A carta dos jornalistas diz: "Este caso está no cerne do princípio da liberdade de expressão. Se o governo americano puder perseguir o sr. Assange por ter publicado documentos classificados, isto pode abrir o caminho a processos judiciais contra jornalistas por toda a parte do mundo. Isto constituiria um precedente alarmante para a liberdade de imprensa no mundo". A carta declara sem meias palavras: "Numa democracia, os jornalistas podem revelar crimes de guerra e casos de tortura e de abusos sem ter de ir para a prisão. Este é mesmo o papel da imprensa numa democracia". Ela passa em revista as conclusões repetidas do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a Detenção Arbitrária. Estas conclusões demonstram que Assange tem de facto sido objecto de uma detenção ilegal pelas autoridades britânicas quando invadiram a embaixada equatoriana, onde em 2012 ele havia pedido asilo político. A carta apresenta a conclusão do Relator especial da ONU sobre tortura, Nils Melzer. Este último declarou que os direitos legais e democráticos de Assange haviam sido espezinhados. Além disso, Assange foi objecto de uma campanha sem precedentes de "mobbing public" que equivalia à "tortura psicológica". Os jornalistas escrevem: "Consideramos os governos dos Estados Unidos da América, do Reino Unido, do Equador e da Suécia responsáveis pelas violações dos direitos do homem que o sr. Assange foi vítima". Eles citam um comentário notável de Melzer, que escreveu no princípio deste ano: "Compreendi finalmente que eu me deixara cegar pela propaganda. Caluniou-se Assange sistematicamente para desviar a atenção dos crimes que ele denunciava". O funcionário da ONU sublinhou o papel da imprensa burguesa na diabolização de Assange e na repetição das calúnias cozinhadas contra ele pelos serviços de informação. Os trabalhadores dos media declaram (e isto é significativo): "Assange deu uma contribuição excepcional ao jornalismo de interesse público, à transparência e à imputabilidade dos governos através do mundo". Eles recordam algumas das dezenas de prémios que ele recebeu pelas divulgações da WikiLeaks, o que refuta magistralmente a afirmação de que Assange não é "um jornalista", repetida pelos cães amestrados pró patronato alinhados com a administração Trump. A carta toma igualmente posição a favor dos lançadores de alerta que são perseguidos por terem denunciado actos criminosos cometidos por governos. "As reportagens do sr. Assange sobre os abusos e os crimes são de uma importância histórica, assim como as contribuições dos lançadores de alerta Edward Snowden, Chelsea Manning e Reality Winner, que estão agora no exílio ou encarcerada", afirma. Os jornalistas mencionam o combate travado pelo romancista francês Émile Zola em favor de Alfred Dreyfus, um oficial militar judeu vítima de uma maquinação baseada sobre falsas acusações de espionagem no fim do século XIX. Em 1898 escreveu sua célebre carta aberta "J'accuse!" na qual ataca nominalmente os responsáveis pela perseguição de Dreyfus. A carta dos jornalistas diz: "A posição de Zola entrou para os livros da história e constitui ainda hoje nosso dever de lutar contra os erros judiciais e de exigir contas aos poderosos. Este dever é hoje mais necessário do que nunca, no momento em Julian Assange é perseguido por governos e confrontado com 17 acusações principais em virtude da Lei americana sobre espionagem, que remonta a mais de um século". A comparação é perfeitamente apropriada. Tal como no caso de Dreyfus, são as forças mais reaccionárias da sociedade que conduzem a perseguição de Assange e utilizam-na como um precedente para abolir os direitos fundamentais de toda a população. E, tal como para a defesa de Dreyfus, nada menos que a mobilização da classe operária e dos partidários das liberdades civis, a começar pelos jornalistas, é necessária para assegurar a liberdade incondicional de Assange e repelir os atentados aos direitos democráticos. A última parte da carta merece ser citada na íntegra. "Enquanto jornalistas e organizações de jornalistas que acreditam nos direitos do homem, na liberdade de informação e no direito do público à informação, pedimos a libertação imediata de Julian Assange", lê-se ali. "Exortamos nossos governos, todas as agências nacionais e internacionais e nossos confrades jornalistas a pedirem que seja posto fim à campanha judicial travada contra ele pelo crime de ter revelado crimes de guerra". "Exortamos nossos colegas jornalistas a informar o público desta violação das liberdades fundamentais". Sinal do imenso respeito mundial pela WikiLeaks e do reconhecimento das implicações internacionais da perseguição a Assange: jornalistas de países tão diversos como a África do Sul, o Quénia, a Namíbia, o Uganda, Israel, o Líbano, o Chile, Sri Lanka, a Ucrânia, a Rússia, a China, a Nova Zelândia, a Austrália, a Islândia, a Suécia, a França, a Turquia, a Croácia, os Estados Unidos e uma multidão de outros assinaram a carta. Dentre eles figuram personalidade com dezenas de anos de experiência na indústria dos media. Na Austrália, Kerry O'Brien, presidente da " Walkley Foundation", assim como os jornalistas de investigação Andrew Fowler e Quentin Dempster fazem parte. Empregados actuais de grandes organizações mediáticas assinaram igualmente. Na Alemanha, personalidades de primeiro plano de numerosas organizações de imprensa dentre as mais importantes do país participam da iniciativa. Entre outros Becker Sven, redactor chefe de Der Spiegel e Bastian Obermeyer, responsável pelos inquéritos do Süddeutsche Zeitung. Personalidades eminentes dos media progressistas e anti-guerra como Joe Lauria, redactor chefe do Consortium News e os jornalistas Chris Hedges, Mark Curtis, Elizabeth Vos, Nozomi Hayase e numerosos outros são signatários. Anthony Bellanger, secretário geral da Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ), associação mundial que reúne 187 organizações filiadas em 140 países e representando 600 mil membros, ali figura igualmente. Todos os defensores de Assange dos direitos democráticos devem promover o mais amplamente possível a posição destes jornalistas. A carta deveria ser difundida nos media sociais, enviada a todos os trabalhadores dos media e distribuída nos campus universitários e nos bairros populares. Esta carta é uma nova manifestação da vaga de apoio da opinião pública em favor de Assange e de que a hostilidade à sua perseguição, que anima milhões de trabalhadores, estudantes, jovens e intelectuais por todo o mundo, surge à superfície da vida política. Esta evolução bem vinda sublinha a necessidade de intensificar a campanha pela sua defesa, sobretudo alçando-a o mais amplamente possível na classe operária internacional. Esta é a força social mais poderosa do mundo e seus interesses são indissociáveis de uma ofensiva para proteger todos os direitos democráticos e sociais.
 
13/Dezembro/2019
 
Ver também
 The Fate of Journalism & Julian Assange , Kristinn Hrafnsson, Editor-In-Chief of WikiLeaks
Este artigo encontra-se em https://resistir.info/

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/centenas-de-jornalistas-do-mundo.html

Centenas de jornalistas do mundo inteiro assinam carta aberta pela libertação de Assange

por Oscar Grenfell

Centenas de jornalistas e de trabalhadores dos media do mundo inteiro assinaram uma carta aberta apaixonada que reclama a liberdade incondicional do fundador da WikiLeaks, Julian Assange. Ela pede também o fim imediato da campanha judicial travada contra lei pelo crime de ter revelado crimes de guerra.

Dentre os 422 signatários, até o momento, figuram Kristinn Hrafnsson, redactor chefe da WikiLeaks; John Pilger, jornalista de investigação de reputação mundial e Daniel Ellsberg, o denunciante dos "Pentagone papers" que revelou toda a criminalidade da guerra do Vietname.

Em nome do World Socialist Web Site, a carta foi assinada pelo presidente do comité de redacção internacional do WSWS, David North, e por outros jornalistas do WSWS.

Este apelo poderoso testemunha o carácter canalha e ilegal do aprisionamento de Assange no presídio de alta segurança de Belmarsh pela Grã-Bretanha. Ele indica claramente que os jornalistas que têm princípios vêm a tentativa da administração americana do presidente Donald Trump de o perseguir por 17 acusações principais sob a Lei de espionagem e de aprisioná-lo pela vida toda como um ataque frontal à liberdade de imprensa e uma ameaça grave aos seus próprios direitos.

A posição tomada pelos jornalistas segue-se à carta aberta dirigida ao ministro britânico do Interior no mês passado por mais de 65 médicos eminentes. A carta condena a recusa a fornecer cuidados de saúde adequados a Assange e adverte que ele poderia morrer na prisão. Ela coincide com uma declaração de um grupo de advogados internacionais, os quais documentam a ilegalidade da perseguição a Assange pelos Estados Unidos e pede a sua libertação imediata.

Estas iniciativas mostram que fora do vaso fechados dos governos, das agências de informação e das empresas mediáticas, que têm conduzido a campanha de nove anos contra Assange, a opinião pública mundial está do lado do fundador da WikiLeaks e contra os seus perseguidores.

A carta dos jornalistas diz: "Este caso está no cerne do princípio da liberdade de expressão. Se o governo americano puder perseguir o sr. Assange por ter publicado documentos classificados, isto pode abrir o caminho a processos judiciais contra jornalistas por toda a parte do mundo. Isto constituiria um precedente alarmante para a liberdade de imprensa no mundo".

A carta declara sem meias palavras: "Numa democracia, os jornalistas podem revelar crimes de guerra e casos de tortura e de abusos sem ter de ir para a prisão. Este é mesmo o papel da imprensa numa democracia".

Ela passa em revista as conclusões repetidas do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a Detenção Arbitrária. Estas conclusões demonstram que Assange tem de facto sido objecto de uma detenção ilegal pelas autoridades britânicas quando invadiram a embaixada equatoriana, onde em 2012 ele havia pedido asilo político.

A carta apresenta a conclusão do Relator especial da ONU sobre tortura, Nils Melzer. Este último declarou que os direitos legais e democráticos de Assange haviam sido espezinhados. Além disso, Assange foi objecto de uma campanha sem precedentes de "mobbing public" que equivalia à "tortura psicológica".

Os jornalistas escrevem: "Consideramos os governos dos Estados Unidos da América, do Reino Unido, do Equador e da Suécia responsáveis pelas violações dos direitos do homem que o sr. Assange foi vítima".

Eles citam um comentário notável de Melzer, que escreveu no princípio deste ano: "Compreendi finalmente que eu me deixara cegar pela propaganda. Caluniou-se Assange sistematicamente para desviar a atenção dos crimes que ele denunciava". O funcionário da ONU sublinhou o papel da imprensa burguesa na diabolização de Assange e na repetição das calúnias cozinhadas contra ele pelos serviços de informação.

Os trabalhadores dos media declaram (e isto é significativo): "Assange deu uma contribuição excepcional ao jornalismo de interesse público, à transparência e à imputabilidade dos governos através do mundo". Eles recordam algumas das dezenas de prémios que ele recebeu pelas divulgações da WikiLeaks, o que refuta magistralmente a afirmação de que Assange não é "um jornalista", repetida pelos cães amestrados pró patronato alinhados com a administração Trump.

A carta toma igualmente posição a favor dos lançadores de alerta que são perseguidos por terem denunciado actos criminosos cometidos por governos. "As reportagens do sr. Assange sobre os abusos e os crimes são de uma importância histórica, assim como as contribuições dos lançadores de alerta Edward Snowden, Chelsea Manning e Reality Winner, que estão agora no exílio ou encarcerada", afirma.

Os jornalistas mencionam o combate travado pelo romancista francês Émile Zola em favor de Alfred Dreyfus, um oficial militar judeu vítima de uma maquinação baseada sobre falsas acusações de espionagem no fim do século XIX. Em 1898 escreveu sua célebre carta aberta "J'accuse!" na qual ataca nominalmente os responsáveis pela perseguição de Dreyfus.

A carta dos jornalistas diz: "A posição de Zola entrou para os livros da história e constitui ainda hoje nosso dever de lutar contra os erros judiciais e de exigir contas aos poderosos. Este dever é hoje mais necessário do que nunca, no momento em Julian Assange é perseguido por governos e confrontado com 17 acusações principais em virtude da Lei americana sobre espionagem, que remonta a mais de um século".

A comparação é perfeitamente apropriada. Tal como no caso de Dreyfus, são as forças mais reaccionárias da sociedade que conduzem a perseguição de Assange e utilizam-na como um precedente para abolir os direitos fundamentais de toda a população. E, tal como para a defesa de Dreyfus, nada menos que a mobilização da classe operária e dos partidários das liberdades civis, a começar pelos jornalistas, é necessária para assegurar a liberdade incondicional de Assange e repelir os atentados aos direitos democráticos.

A última parte da carta merece ser citada na íntegra. "Enquanto jornalistas e organizações de jornalistas que acreditam nos direitos do homem, na liberdade de informação e no direito do público à informação, pedimos a libertação imediata de Julian Assange", lê-se ali.

"Exortamos nossos governos, todas as agências nacionais e internacionais e nossos confrades jornalistas a pedirem que seja posto fim à campanha judicial travada contra ele pelo crime de ter revelado crimes de guerra".

"Exortamos nossos colegas jornalistas a informar o público desta violação das liberdades fundamentais".

Sinal do imenso respeito mundial pela WikiLeaks e do reconhecimento das implicações internacionais da perseguição a Assange: jornalistas de países tão diversos como a África do Sul, o Quénia, a Namíbia, o Uganda, Israel, o Líbano, o Chile, Sri Lanka, a Ucrânia, a Rússia, a China, a Nova Zelândia, a Austrália, a Islândia, a Suécia, a França, a Turquia, a Croácia, os Estados Unidos e uma multidão de outros assinaram a carta.

Dentre eles figuram personalidade com dezenas de anos de experiência na indústria dos media. Na Austrália, Kerry O'Brien, presidente da " Walkley Foundation", assim como os jornalistas de investigação Andrew Fowler e Quentin Dempster fazem parte.

Empregados actuais de grandes organizações mediáticas assinaram igualmente. Na Alemanha, personalidades de primeiro plano de numerosas organizações de imprensa dentre as mais importantes do país participam da iniciativa. Entre outros Becker Sven, redactor chefe de Der Spiegel e Bastian Obermeyer, responsável pelos inquéritos do Süddeutsche Zeitung.

Personalidades eminentes dos media progressistas e anti-guerra como Joe Lauria, redactor chefe do Consortium News e os jornalistas Chris Hedges, Mark Curtis, Elizabeth Vos, Nozomi Hayase e numerosos outros são signatários.

Anthony Bellanger, secretário geral da Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ), associação mundial que reúne 187 organizações filiadas em 140 países e representando 600 mil membros, ali figura igualmente.

Todos os defensores de Assange dos direitos democráticos devem promover o mais amplamente possível a posição destes jornalistas. A carta deveria ser difundida nos media sociais, enviada a todos os trabalhadores dos media e distribuída nos campus universitários e nos bairros populares.

Esta carta é uma nova manifestação da vaga de apoio da opinião pública em favor de Assange e de que a hostilidade à sua perseguição, que anima milhões de trabalhadores, estudantes, jovens e intelectuais por todo o mundo, surge à superfície da vida política.

Esta evolução bem vinda sublinha a necessidade de intensificar a campanha pela sua defesa, sobretudo alçando-a o mais amplamente possível na classe operária internacional. Esta é a força social mais poderosa do mundo e seus interesses são indissociáveis de uma ofensiva para proteger todos os direitos democráticos e sociais.

13/Dezembro/2019

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_carta_aberta_13dez19.html

As mentiras sobre Assange devem parar desde já

John Pilger    03.Dic.19  

O kafquiano processo contra Julian Assange é sobretudo um processo contra a liberdade de informar, sem a qual o jornalismo não pode realizar a tarefa que fundamentalmente lhe caberia. Os media internacionais têm desempenhado um papel central na campanha para denegrir Assange e criminalizar aquilo que realizou – expor os crimes de guerra dos EUA -. Podem entretanto estar a dar-se conta de que a condenação de Assange será a sua própria condenação definitiva àquilo que tem sido o seu papel neste processo: o de meros e obedientes reprodutores da desinformação de um poder criminoso e corrupto.

Jornais e outros media nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália assumiram recentemente uma paixão pela liberdade de expressão, especialmente pelo seu direito de publicar livremente. Estão preocupados com o “efeito Assange”.

É como se a luta de reveladores da verdade como Julian Assange e Chelsea Manning fosse agora um aviso para eles: que os rufias que arrastaram Assange para fora da embaixada do Equador em Abril podem um dia vir por eles.

Um refrão comum ecoou no Guardian a semana passada. A extradição de Assange, disse o jornal, “não é uma questão de quão sábio Assange é, e menos ainda de quão simpático será. Não se trata do seu carácter, nem do seu discernimento. É uma questão de liberdade de imprensa e do direito do público a ter conhecimento. ”

O que o Guardian está a tentar fazer é separar Assange das suas extraordinárias realizações, que ao mesmo tempo deram lucros ao Guardian e desvendaram a sua própria vulnerabilidade, juntamente com sua propensão para se subordinar ao poder voraz e difamar aqueles que revelam a sua duplicidade.

O veneno que tem alimentado a perseguição a Julian Assange não é neste editorial tão óbvio como costuma ser; não há ficção sobre Assange manchar com fezes as paredes da embaixada ou ser cruel com seu o gato.

Em vez disso, as hipócritas referências a “carácter”, “discernimento” e “simpatia” perpetuam um épico denegrimento que tem agora quase uma década. Nils Melzer, relator das Nações Unidas sobre Tortura, usou uma descrição mais adequada. “Tem havido”, escreveu ele, “uma implacável e desenfreada campanha de assédio público”. Explica o assédio moral como “um fluxo interminável de declarações humilhantes, degradantes e ameaçadoras na imprensa”. Essa “ridicularização colectiva” equivale a tortura e poderia levar à morte de Assange.

Tendo testemunhado muito do que Melzer descreve, posso garantir a verdade das suas palavras. Se Julian Assange vier, como alertam os médicos, a sucumbir às crueldades amontoadas sobre ele, semana após semana, mês após mês, ano após ano, jornais como o Guardian partilharão a responsabilidade.

Há alguns dias, Nick Miller, o homem do Sydney Morning Herald em Londres, escreveu uma preguiçosa e especiosa peça, intitulada “Assange não foi ilibado, apenas aguentou mais do que a justiça”. Estava a referir-se ao abandono sueco da chamada investigação Assange.
O relatório de Miller não é atípico nas suas omissões e distorções enquanto se disfarça de tribuna dos direitos das mulheres. Não há trabalho original, nem investigação real: apenas enxovalho.

Não há nada no comportamento documentado de um punhado de zelotes suecos que se apropriaram as “alegações” de má conduta sexual contra Assange e fizeram uma farsa da lei sueca e da tão gabada decência daquela sociedade.

Não menciona que, em 2013, a promotora sueca tentou abandonar o caso e enviou um e-mail ao Ministério Público da Coroa (CPS) em Londres a dizer que não iria mais tentar obter um Mandado de Detenção Europeu, que recebeu como resposta: “Não se atreva!!! ” (Obrigado a Stefania Maurizi de La Repubblica).

Outros e-mails mostram o CPS desencorajando os suecos de virem a Londres para entrevistar Assange – o que era prática comum - bloqueando assim um desenvolvimento que poderia tê-lo libertado em 2011.

Nunca houve um processo. Nunca houve acusações. Nunca houve uma tentativa séria de colocar “alegações” a Assange e questioná-lo - comportamento que o Tribunal de Apelação sueco considerou negligente e o Secretário Geral da Ordem dos Advogados da Suécia condenou depois.
Ambas as mulheres envolvidas disseram que não houve violação. Evidências críticas escritas de suas mensagens de texto foram intencionalmente negadas aos advogados de Assange, claramente porque minavam as “alegações”.

Uma das mulheres ficou tão chocada com a prisão de Assange, acusou a polícia de a manipular e de alterar o seu testemunho. A promotora-chefe, Eva Finne, rejeitou a “suspeita de qualquer crime”.

O homem do Sydney Morning Herald omite como um político ambicioso e comprometido, Claes Borgstrom, emergiu por detrás da fachada liberal da política sueca e efectivamente se apropriou e fez reviver o caso.

Borgstrom colocou uma ex-colaboradora política, Marianne Ny, como nova promotora. Ny recusou-se a garantir que Assange não seria enviado para os Estados Unidos se fosse extraditado para a Suécia, embora, como o The Independent relatou, “já tenham ocorrido discussões informais entre as autoridades dos EUA e da Suécia sobre a possibilidade do fundador do WikiLeaks Julian Assange ser entregue a custódia americana, segundo fontes diplomáticas “. Isto era em Estocolmo um segredo de Polichinelo. O facto de a Suécia libertária ter um sombrio e documentado passado de entregar pessoas nas mãos da CIA não era novidade.

O silêncio foi quebrado em 2016, quando o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária, um órgão que decide se os governos estão a cumprir as suas obrigações sobre direitos humanos, decidiu que Julian Assange fora detido ilegalmente pela Grã-Bretanha e pediu ao governo britânico que o libertasse.

Ambos os governos da Grã-Bretanha e da Suécia haviam participado na investigação da ONU e concordaram em cumprir a sua decisão, que carregava o peso do direito internacional. O secretário de Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, apareceu no Parlamento e insultou o painel da ONU.

O caso sueco era uma fraude desde o momento em que a polícia entrou secreta e ilegalmente em contacto com um tabloide de Estocolmo e desencadeou a histeria que viria a consumir Assange. As revelações de WikiLeaks sobre os crimes de guerra dos EUA envergonharam as donzelas do poder e os seus interesses pessoais, que se autodenominavam jornalistas; e por isso o irredutível Assange nunca seria perdoado.

Agora abrira a época da caça. Os atormentadores mediáticos de Assange cortaram e colaram entre si as mentiras e os insultos vituperativos uns dos outros. “Ele é realmente é matacão mais maciço”, escreveu a colunista do Guardian Suzanne Moore. O entendimento adquirido era que ele havia sido acusado, o que nunca fora verdade. Na minha carreira, fazendo reportagem a partir de lugares de extrema agitação, sofrimento e criminalidade, nunca conheci nada parecido.

Na terra natal de Assange, na Austrália, este “assédio moral” atingiu um apogeu. O governo australiano estava tão ansioso para entregar o seu cidadão aos Estados Unidos que a primeira ministra em 2013, Julia Gillard, quis retirar-lhe o passaporte e acusá-lo de um crime - até que lhe foi indicado que Assange não havia cometido nenhum crime e ela não tinha o direito de lhe retirar a cidadania.

Julia Gillard, segundo o sítio web Honest History, detém o recorde do mais bajulador discurso já feito no Congresso dos EUA. A Austrália, disse ela perante aplausos, era a “grande parceira” dos Estados Unidos. A grande parceira conspirou com os EUA na sua caça a um australiano cujo crime era jornalismo. O seu direito a proteção e assistência adequada foi negado.

Quando o advogado de Assange, Gareth Peirce, e eu nos encontrámos com duas autoridades consulares australianas em Londres, ficamos chocados ao saber que tudo o que conheciam sobre o caso “é o que lemos nos jornais”.

Este abandono pela Austrália foi a principal razão da concessão de asilo político pelo Equador. Como australiano, achei isso especialmente vergonhoso.

Quando recentemente lhe perguntaram sobre Assange, o actual primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse: “Ele deveria sujeitar-se à música”. Este tipo de comportamento rufia, desprovido de qualquer respeito pela verdade, pelos direitos e pelos princípios e leis, é a razão pela qual a imprensa na Austrália, controlada sobretudo por Murdoch, está agora preocupada com o seu próprio futuro, como o Guardian está preocupado, e o New York Times está preocupado. A preocupação deles tem um nome: “o precedente de Assange”.

Eles sabem que o que acontece com Assange pode acontecer-lhes. Os direitos básicos e a justiça que lhe são negados podem ser negados a eles. Foram avisados. Todos nós fomos avisados.
Sempre que vejo Julian no sombrio e surreal mundo da prisão de Belmarsh, lembro-me da responsabilidade daqueles que o defendem. Existem princípios universais em jogo neste caso. Ele próprio gosta de dizer: “Não sou eu. É muito mais amplo”.

Mas no cerne desta luta notável - e é, acima de tudo, uma luta - está um ser humano cujo carácter, repito carácter, tem demonstrado a mais surpreendente coragem. Saúdo-o.

Versão editada de uma intervenção de John Pilger no lançamento em Londres de “In Defense of Julian Assange”, uma antologia publicada por Or Books, Nova York.
Fonte: http://johnpilger.com/articles/the-lies-about-assange-must-stop-now

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^endereço (www.odiario.info)
  2. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Alerta mundial pela vida de Julian Assange: liberdade já!

O Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA), que abrange dezenas de entidades e organizações latino-americanas e caribenhas, dentre elas o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, publicou uma nota alertando para a gravidade do estado de saúde de Julian Assange.

 

 

No documento, o Fórum expressa preocupação com a situação de Julian Assange, do fundador do Wikileaks, vítima de graves violações no cárcere, com uso, inclusive de diversos métodos de tortura.

Confira a íntegra da nota:

 

Alerta mundial pela vida de Julian Assange. Liberdade já!

Julian Assange corre sério risco de morrer na prisão. Assim expressaram, em uma carta aberta, 60 médicos de diferentes partes do mundo, manifestando sérias preocupações com a atual condição mental e física do jornalista investigativo.

À estas vozes se soma um comunicado, emitido no dia 1º de novembro, pelo Relator Especial sobre Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU), Nils Melzer, que se referiu à contínua deterioração da saúde de Assange desde sua prisão no começo do ano e assegurou que a vida do fundador do Wikileaks corre perigo.

O relator emite, no texto referido, uma dura crítica ao indicar que “enquanto o governo dos Estados Unidos da América persegue o senhor Assange por publicar informação sobre sérias violações dos direitos humanos, incluindo torturas e assassinatos, os oficiais responsáveis por tais crimes seguem gozando de impunidade”.

O Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América, rede em que confluem centenas de comunicadores e ativistas da América Latina e do Caribe, faz eco da exigência médica para que Assange seja transportado, imediatamente, a um hospital devidamente equipado e com profissionais capazes de preservarem a sua vida.

Além disso, nos unimos ao clamor mundial e exigimos a negação da extradição aos Estados Unidos e o fim da perseguição contra Julian Assange.

Assange aportou informação fidedigna e abriu os olhos do mundo para os delitos de lesa-humanidade cometidos pelos Estados Unidos. As consequências que enfrenta são uma vingança perversa e representam grave ameaça à liberdade de expressão e à investigação jornalística.

Exortamos os meios de comunicação, as organizações de direitos humanos e os organismos internacionais a acompanharem decididamente a exigência pela liberdade absoluta de Assange.

Somente assim, será Justiça!

 

 

25/11/2019

 

 

 
 
 

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Centro de Estudos Barão de Itararé) / Tornado

 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/alerta-mundial-pela-vida-de-julian-assange-liberdade-ja/

RU | Ligações da juíza de Assange e do seu marido com o establishment militar britânico

 
 
Conflito de interesse 
 
Mark Curtis e Matt Kennard [*]
 
 
Lorde Arbuthnot de Edrom, ex-ministro da Defesa, é presidente remunerado do conselho consultivo da corporação militar Thales Group e, até o início deste ano, foi conselheiro da empresa de armas Babcock International. Ambas as empresas têm grandes contratos com o Ministério da Defesa do Reino Unido (MOD).

As revelações põem em evidência preocupações quanto a conflitos de interesse. A sua esposa, sra. Arbuthnot, começou a presidir o processo legal de Assange em 2017 e decidiu em Junho último que iniciaria uma audiência plena em Fevereiro próximo a fim de considerar o pedido de extradição do Reino Unido feito pelo governo Trump.

Exige-se aos juízes britânicos que declarem quaisquer potenciais conflitos de interesses aos tribunais, mas entendemos que a sra. Arbuthnot não o fez.

Lady Arbuthnot nomeou recentemente um juiz distrital para julgar o caso de extradição de Assange, mas continua a ser a figura legal que supervisiona o processo. De acordo com o serviço de tribunais do Reino Unido, o magistrado-chefe é "responsável por... apoiar e orientar colegas juízes distritais".

Actualmente Assange está detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, em condições descritas pelo relator especial da ONU sobre tortura, Nils Meltzer , como "tortura psicológica". Se for transferido para os EUA, Assange enfrenta prisão perpétua com acusações de espionagem.

Lady Arbuthnot beneficiou-se financeiramente das organizações expostas pela WikiLeaks

Quando Lady Arbuthnot estava no seu cargo anterior, como juíza distrital em Westminster, ela beneficiou-se pessoalmente de financiamentos, juntamente com o marido, de duas fontes expostas pelo WikiLeaks nas suas divulgações de documentos.

O registo de interesses do parlamento britânico mostra que, em Outubro de 2014, a sra. Arbuthnot recebeu ingressos no valor de 1.250 libras para o Chelsea Flower Show em Londres, juntamente com o seu marido. Os ingressos foram fornecidos pela Bechtel Management Company Ltd, parte da grande corporação militar dos EUA, a Bechtel, cujos contratos com o Ministério da Defesa do Reino Unido incluem um projecto de até 215 milhões de libras para transformar sua Organização de Equipamentos e Apoio da Defesa, o organismo que compra e suporta todo o equipamento usado pelas forças armadas britânicas.

Outra linha de negócios da Bechtel é " cibersegurança industrial ", expressão que é frequentemente um eufemismo para guerra cibernética e tecnologia de vigilância.

As divulgações da WikiLeaks acerca da Bechtel mostraram conexões estreitas da empresa com a política externa dos EUA. Os telegramas publicados em 2011, por exemplo, mostram que a embaixadora dos EUA no Egipto, Margaret Scobey, pressionou o Ministério da Electricidade e Energia a aceitar uma proposta da Bechtel para consultoria técnica e concepção da primeira central nuclear do Egipto.

Em outro benefício pessoal declarado ao parlamento, a sra. Arbuthnot, mais uma vez junto com o seu marido, teve voos e despesas no valor de 2.426 libras esterlinas pagos para uma visita a Istambul em Novembro de 2014. Isto foi para "promover e incrementar relações bilaterais entre a Grã-Bretanha e a Turquia em alto nível", de acordo com a declaração de registo de interesses de Arbuthnot.

Estas despesas foram pagas pelo Tatlidil britânico-turco, um fórum estabelecido em 2011 durante a visita a Londres do primeiro-ministro turco a Recep Tayyip Erdoðan e anunciado com o então primeiro-ministro David Cameron. Tatlidil descreve seus objectivos como "facilitar e fortalecer as relações [sic] entre a República da Turquia e o Reino Unido ao nível de governo, diplomacia, negócios, academia e media".

Seu papel principal é realizar uma conferência anual de dois dias, com a presença do presidente da Turquia e de ministros turcos e britânicos. Lord Arbuthnot também participou do Tatlidil em Wokingham, uma cidade nos arredores de Londres, em Maio de 2018.

Como sujeitos de fugas não desejadas, tanto a Bechtel quanto a Tatlidil têm motivos para se opor ao trabalho de Assange e da WikiLeaks. Embora os pagamentos tenham sido inscritos no registo parlamentar de interesses, as partes no processo judicial não foram informadas acerca deles. Apesar de o julgamento de Assange ter atraído críticas significativas por todo o mundo, a sra. Arbuthnot não considerou necessário mencionar estes pagamentos às partes, ao público e aos media.

 
A conexão turca

Num julgamento importante em Fevereiro de 2018, a sra. Arbuthnot rejeitou o argumento dos advogados de Assange de que mandato de prisão de então deveria ser cancelado e, ao invés disso, proferiu uma decisão notável.

Ela rejeitou as conclusões do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária – um órgão composto por peritos jurídicos internacionais – de que Assange estava a ser " detido arbitrariamente ", caracterizou a permanência de Assange na embaixada como "voluntária" e concluiu que a saúde e o estado mental de Assange eram de importância menor.

A sra. Arbuthnot envolveu-se no processo legal de Assange por volta de Setembro de 2017 e presidiu a audiência em 7 de Fevereiro de 2018, antes de proferir uma sentença uma semana depois. Durante uma parte deste período – de 29 de Janeiro a 1º de Fevereiro – seu marido esteve novamente na Turquia em visita a Erdoðan e outros altos responsáveis do governo turco.

Alguns destes responsáveis foram revelados especificamente pela WikiLeaks e tinham razões para se oporem à libertação de Assange. Não há qualquer sugestão de que Lorde Arbuthnot tenha pedido para exercer, ou exercido, pressão sobre sra. Arbuthnot, nem que ela sucumbiu a alguma pressão, mas há uma aparência de viés que poderia ter sido evitada se essa conexão tivesse sido revelada e se Lord Arbuthnot tivesse evitado reunir-se com aqueles indivíduos naquele momento.

Arbuthnot fazia parte de uma delegação de quatro membros, sendo os outros a Baronesa Neville-Jones, ex-presidente do comité conjunto da inteligência britânico, a qual coordena o GCHQ, o MI5 e o MI6; Lord Polak, o presidente dos Amigos Conservadores de Israel; e lorde Trimble.

Entre aqueles com que Arbuthnot e os outros lordes estiveram na viagem encontravam-se o ministro das Relações Exteriores Mevlüt Çavuþoðlu e o ministro da energia Berat Albayrak, genro de Erdoðan. Em 2016, a WikiLeaks publicou 57.934 dos emails pessoais de Albayrak, dos quais mais de 300 mencionaram Çavuþoðlu, na sua divulgação da " Berat's Box ".

Assim, ao mesmo tempo em que Lady Arbuthnot presidia o processo legal de Assange, seu marido mantinha conversações com altos funcionários na Turquia revelados pela WikiLeaks, alguns dos quais têm interesse em punir Assange e a organização WikiLeaks.

As ramificações do revelado por Assange acerca de Berat Albayrak e do partido governante AKP, que ocorrera há pouco mais de um ano, estavam em andamento no momento das reuniões dos Lordes na Turquia. As publicações da WikiLeaks levaram a medidas de força contra os media na Turquia, incluindo a prisão de jornalistas e a proibição total do acesso à WikiLeaks no país.

A visita de Lord Arbuthnot e outros lordes britânicos à Turquia foi paga pelo Bosphorus Centre for Global Affairs , que se auto-descreve como uma ONG que monitora a precisão das notícias sobre a Turquia. Contudo, os ficheiros "Berat's Box" da WikiLeaks revelaram que o centro era financiado por Berat Albayrak e actuou como uma frente do governo para suprimir reportagens críticas ao governo. Também foi revelado que o centro administrava um certo número de contas de trolls a favor do governo.

Não se sabe o que foi discutido na viagem de Lord Arbuthnot à Turquia, ou se a questão de Assange foi levantada. No entanto, os contactos que o marido da juíza de Assange teve com figuras políticas poderosas que recentemente haviam sido reveladas pela WikiLeaks levantam preocupações sobre conflitos de interesse e se estes deveriam ter sido declarados pela sra. Arbuthnot, se não o foram.

Conexões militares e de inteligência de Lorde Arbuthnot

Lord Arbuthnot é membro da Câmara dos Lordes e foi o ministro de compras para a defesa no governo conservador entre 1995 e 1997. Mais tarde, serviu como chefe de bancada (chief whip) durante a liderança de William Hague no partido. Arbuthnot foi um forte defensor da guerra de David Cameron na Líbia em 2011 e foi Cameron quem propôs o então deputado James Arbuthnot para um título de par do reino em 2015.

Lord Arbuthnot também tem conexões com antigos responsáveis dos serviços de inteligência do Reino Unido, que a WikiLeaks revelou nas suas publicações e que efectuaram operações de inteligência no Reino Unido contra a WikiLeaks.

Até Dezembro de 2017, Lord Arbuthnot era um dos três directores de uma empresa de segurança privada, a SC Strategy , junto com o ex-director do MI6, Sir John Scarlett e Lord Carlile . Até Junho de 2019, Arbuthnot permaneceu como " consultor sénior " da SC Strategy. A Scarlett é mencionada nas divulgações da WikiLeaks e permaneceu em grande parte fora dos debates públicos sobre privacidade e vigilância.

Pouco se sabe da SC Strategy, que não possui sítio web, mas a a Companies House lista um endereço em Watford. A Carlile declara no seu registo de interesses que a SC Strategy foi formada por ela e a Scarlett em 2012 "para fornecer consultoria estratégica sobre políticas públicas, regulamentação e práticas comerciais do Reino Unido". Ela lista um cliente como o Ministério das Relações Exteriores e Autoridade de Investimentos do Catar.

Foi relatado que a SC Strategy "parece manter um certo grau de influência em Whitehall" e que em 2013 e 2104 a empresa teve uma reunião privada com o secretário de gabinete Sir Jeremy Heywood.

O antigo parceiro de Lord Arbuthnot na SC Strategy, Lord Carlile, foi o Revisor Independente da Legislação sobre Terrorismo em 2001-11 e é um proeminente defensor público dos serviços de inteligência.

Lord Arbuthnot também foi, até Fevereiro de 2019, " conselheiro " da corporação militar Babcock International, em cujo quadro está o ex-chefe do GCHQ, Sir David Omand.

Até Novembro de 2018 Arbuthnot era membro do conselho consultivo do Information Risk Management, uma consultoria de cibersegurança sediada em Cheltenham, o lar do GCHQ, um dos cujos " peritos " é Andrew France, ex-diretor adjunto de operações de defesa cibernética do GCHQ.

Antes de se tornar um par do reino, Lord Arbuthnot foi membro do Comitê Parlamentar de Inteligência e Segurança entre 2001 e 2006. Actualmente, ele também é responsável do grupo parlamentar de segurança cibernética de todos os partidos, administrado pelo Grupo de Segurança da Informação (ISG) da Royal Holloway, Universidade de Londres. O ISG administra um projecto no valor de 775 mil libras que é em parte financiado pelo GCHQ.

O próprio Lord Arbuthnot aparece em documentos publicados pela WikiLeaks, incluindo dois telegramas diplomáticos dos EUA. Um telegrama confidencial dos EUA em Dezembro de 2009 observa Arbuthnot a dizer a um funcionário da embaixada dos EUA em Londres que apoiava o discurso do presidente Obama acerca da estratégia dos EUA para o Paquistão e o Afeganistão.

Membro do establishment militar britânico

As posições passadas e presentes de Lord Arbuthnot tornam-no uma parte firme da comunidade industrial militar britânica. Um de seus perfis declara que "ele tem uma longa história de envolvimento no topo da defesa e da vida política do Reino Unido". O WikiLeaks qualificou-se como um adversário da comunidade militar, com muitas das suas divulgações a focarem o meio em que operam pessoas como Lord Arbuthnot.

Arbuthnot é ex-presidente do comité de defesa parlamentar – cargo que ocupou durante nove anos, entre 2005 e 2014 – período em que a WikiLeaks ganhou atenção mundial através da publicação de ficheiros sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, nas quais estavam envolvidos os militares britânicos. Ele também é um antigo membro do comité conjunto de estratégia de segurança nacional e do comité de lei das forças armadas.

O perfil parlamentar de Arbuthnot afirma : "De tempos em tempos, o membro recebe hospitalidade do fórum de defesa do Reino Unido, o grupo parlamentar de todos os partidos para as forças armadas e o grupo parlamentar de todos os partidos sobre questões de defesa e segurança".

Lord Arbuthnot também é o presidente do conselho consultivo do Thales Group, uma corporação de armamento que foi denunciada pela WikiLeaks em várias divulgações.

A Thales também tem grandes contratos com o Ministério da Defesa, incluindo um projeto de drone de 700 milhões de libras e um acordo de 600 milhões de libras para a manutenção dos navios de guerra da marinha real. Uma das linhas de negócios lucrativos da Thales é a "segurança cibernética" e o seu sítio web refere-se de maneira depreciativa à WikiLeaks e a Assange pessoalmente como capazes de "roubar" informação.

 
A Thales produz drones de "vigilância" usados pelos militares britânicos no Afeganistão, os quais foram expostos em divulgações da WikiLeaks. Arbuthnot é um forte defensor dos drones: ele era o presidente do comité de defesa quando este produziu um relatório altamente favorável às operações britânicas em 2014 que recomendava "levar o vigilância à sua plena capacidade operacional".

O perfil parlamentar de Lord Arbuthnot também listou a Babcock International como sendo um " cliente pessoal " no seu papel de consultor da SC Strategy até Fevereiro de 2019. A Babcock tem mais de £ 22 mil milhões em contratos com o Ministério da Defesa e é o maior fornecedor de serviços de suporte , apoiando mais 70% de todas as suas horas de treino de voo .

Tal como a Thales, a Babcock possui uma linha de negócios em " inteligência cibernética e segurança ". Arbuthnot era o ministro encarregado das compras em 1996, quando o governo anunciou a venda do controverso estaleiro naval privatizado de Rosyth para Babcock.

Lord Arbuthnot também é presidente do Conselho Consultivo de Garantia da Informação, um órgão cujos patrocinadores incluíam as empresas de armas norte-americanas Raytheon e Northrop Grumman, e que também trabalha com segurança cibernética, entre outras questões de informação digital. A Raytheon é amplamente exposto nas divulgações da WikiLeaks.

Conflito de interesses

Os vínculos de Lord Arbuthnot com o establishment militar britânico constituem conexões profissionais e políticas entre um membro da família do magistrado principal e um certo número de organizações e indivíduos que se opõem profundamente ao trabalho de Assange e da WikiLeaks e que foram expostos pela organização.

As orientações legais do Reino Unido declaram que "qualquer conflito de interesses numa situação litigiosa deve ser declarado". A orientação judicial para magistrados do Supremo Juiz (Lord Chancellor) e do Lorde Chefe de Justiça Justice é clara:

 
"Os membros do público devem estar confiantes em que os magistrados são imparciais e independentes. Se se souber que a sua imparcialidade ou independência está comprometida num caso específico, deve-se retirar de imediato... Nem tão pouco deveria ouvir qualquer caso sobre o qual já tenha conhecimento de algo ou que toque numa actividade em que esteja envolvido".
 
Entendemos que a sra. Arbuthnot não revelou nenhum conflito de interesse em potencial no seu papel de juiz ou magistrada-chefe.

Sabe-se que Lady Arbuthnot se afastou de pronunciar-se acerca de outros dois processos devido a possíveis conflitos de interesse, mas só após investigações dos media. Em Agosto de 2018, como juíza no centro da batalha legal da gigante da tecnologia Uber para operar em Londres, ela recusou-se a prevenir qualquer conflito de interesses com o seu marido.

Lady Arbuthnot restabeleceu a licença da Uber em Londres depois de ter sido julgada não uma operadora de aluguer de carros particulares "adequada e apropriada". Ela finalmente desistiu de ouvir outros apelos da empresa depois de uma investigação do Observer levantou questões sobre ligações entre o trabalho do marido e a companhia.

A Qatar Investment Authority (QIA), o fundo soberano do país, é um dos principais investidores na Uber. A QIA também era cliente da SC Strategy, onde Lord Arbuthnot era director e então consultor. A Senhora e Lord Arbuthnot alegaram que nem sabiam que a QIA investiU no Uber, apesar de ser um dos seus maiores accionistas.

Em 2017, Lady Arbuthnot também evitou pronunciar-se sobre um caso relativo à transmissão de material "ofensivo" sobre o Holocausto quando a equipe de defensores legais do réu levantou a questão de "apreensão razoável de viés" por parte da juíza. Isto relacionava-se com o envolvimento do seu marido com os Amigos Conservadores de Israel (Conservative Friends of Israel), um organismo do qual Arbuthnot é ex-presidente e que no passado havia pago pelo menos uma visita a Israel.

Nem Lady nem Lord Arbuthnot retornaram pedidos de comentário.

 
[*] Jornalistas.

O original encontra-se em Daily Maverick e em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ 

 
LEIA TAMBÉM EM PÁGINA GLOBAL:
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/ru-ligacoes-da-juiza-de-assange-e-do.html

As mentiras acerca de Assange têm de parar já

por John Pilger [*]

Em defesa da livre express Jornais e outros media nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália declararam recentemente uma paixão pela liberdade de expressão, especialmente pelo seu direito de publicar livremente. Eles estão preocupados com o "efeito Assange".

É como se a luta dos que dizem a verdade, como Julian Assange e Chelsea Manning, fosse agora uma advertência para eles: que os bandidos que em Abril arrastaram Assange para fora da embaixada equatoriana possam algum dia chegar a eles.

Um refrão comum foi reflectido pelo Guardian na semana passada. A extradição de Assange, diz o jornal, "não é uma questão de quão sensato é o sr. Assange, muito menos de quão afável. Não é acerca do seu carácter, nem do seu juízo. É uma matéria de liberdade de imprensa e do direito do público de saber".

O que o Guardian está a tentar fazer é separar Assange dos seus feitos notáveis, os quais tanto fizeram o Guardian lucrar como revelaram a sua própria vulnerabilidade, bem como a sua propensão para bajular o poder rapinante e enlamear aqueles que revelam os seus duplos padrões.

O veneno que tem alimentado a perseguição a Julian Assange não é tão óbvio neste editorial como habitualmente; não há ficção acerca de Assange emporcalhar com fezes as paredes da embaixada ou de ser abominável para com o seu gato.

Nils Melzer. Ao invés disso, as menções mistificatórias ao seu "carácter" e "juízo" e "afabilidade" perpetuam uma difamação monstruosa que agora tem quase uma década. Nils Melzer, o Relator das Nações Unidas sobre Tortura, utilizou uma descrição mais adequada. "Tem havido", escreveu ele, "uma implacável e desenfreada campanha de assédio público". Ele explica o assédio como "um fluxo infindável de declarações humilhantes, acanalhadas e ameaçadoras na imprensa". Esta "acumulação ridícula" equivale a tortura e poderia levar à morte de Assange.

Tendo testemunhado muito do que Melzer descreve, posso atestar a verdade das suas palavras. Se Julian Assange vier a sucumbir às crueldades despejadas sobre ele, semana após semana, mês após mês, ano após ano, como advertem médicos, jornais como o Guardian partilharão a responsabilidade.

Há poucos dias, o homem do Sidney Morning Herald em Londres, Nick Miller, escreveu um artigo preguiçoso e especioso intitulado, "Assange não foi inocentado, ele simplesmente evadiu-se à justiça". Ele estava a referir-se ao abandono pela Suécia da chamada investigação Assange.

A reportagem de Miller não é atípica pelas suas omissões e distorções enquanto mascara-se como um tribuno dos direitos das mulheres. Não há trabalho original, nenhuma investigação real: apenas difamação.

Não há nada no comportamento documentado de um punhado de fanáticos suecos que deturparam as "alegações" de má conduta sexual contra Assange e fizeram uma zombaria da lei sueca e da louvada decência da sociedade.

Ele não menciona que em 2013 o promotor sueco tentou abandonar o caso e enviou um email ao Serviço de Acusação da Coroa (Crown Prosecution Service, CPS), em Londres, a dizer que não mais prosseguiria um Mandado Europeu de Prisão (European Arrest Warrant), ao qual ela recebeu a réplica: "Não ouse!!!" (Obrigado a Stefania Maurizi, de La Repubblica ).

Outros emails mostram que o CPS desencorajou os suecos de virem a Londres para entrevistar Assange – o que era prática comum – bloqueando portanto o progressos que podia tê-lo posto em liberdade em 2011.

Nunca houve uma acusação formal. Nunca houve acusações. Nunca houve uma tentativa séria de fazer "alegações" a Assange e questioná-lo – comportamento que o Tribunal Sueco de Recursos considerou ser negligente e que o secretário-geral da Associação Sueca de Advogados condenou.

Ambas as mulheres envolvidas disseram não ter havido violação. As evidências escritas críticas das suas mensagens de texto foram deliberadamente retidas aos advogados de Assange, porque minavam claramente as "alegações".

Uma das mulheres ficou tão chocada com a prisão de Assange que acusou a polícia de impor-se à força e de mudar o seu depoimento como testemunha. A promotora chefe, Eva Finne, afastou a "suspeita de qualquer crime".

O homem do Sydney Morning Herald omite como um político ambicioso e comprometido, Claes Borgstrom, emergiu por trás da fachada liberal da política sueca e efectivamente agarrou e ressuscitou o processo.

Borgstom alistou uma antiga colaboradora política, Marianne Ny, como a nova promotora. Ny recusou-se a garantir que Assange não seria enviado para os Estados Unidos se ele fosse extraditado para a Suécia, muito embora, como informou The Independent, "discussões informais já tivessem se verificado entre os EUA e responsáveis suecos sobre a possibilidade de o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, ser entregue à custódia americana, segundo fontes diplomáticas". Isto era um segredo aberto em Estocolmo. Que a libertária Suécia tivesse passado negro e documentado de entregar (rendering) pessoas às mãos da CIA não era novidade.

O silêncio foi rompido em 2016 quando o United Nations Working Party on Arbitrary Detention, um organismo que decide se governos estão a cumprir suas obrigações de direitos humanos, determinou que Julian Assange estava ilegalmente detido pela Grã-Bretanha e conclamou o governo britânico a libertá-lo.

Tanto o governo britânico como o sueco fizeram parte da investigação da ONU e concordaram em obedecer à sua determinação, a qual tinha o peso de lei internacional. O secretário britânico dos Estrangeiros, Philip Hammond, levantou-se no Parlamento e insultou o painel da ONU.

O caso sueco foi uma fraude desde o momento em que a polícia secretamente e ilegalmente contactou um tablóide de Estocolmo e desencadeou a histeria que era para consumar Assange. As revelações da WikiLeaks dos crimes de guerra da América envergonharam os serviçais do poder e seus interesses escusos, os quais se intitulavam jornalistas. E, por isto, o insociável Assange nunca seria esquecido.

Estava agora aberta a estação de caça. Os media atormentadores de Assange copiavam e colavam as mentiras uns dos outros e as suas injúrias. "Ele é realmente o mais excremento (turd) mais maciço", escreveu no Guardian a colunista Suzanne Moore. A voz corrente era que ele fora acusado, o que nunca foi verdade. Na minha carreira, fazendo reportagens a partir de lugares em extrema comoção, sofrimento e criminalidade, nunca conheci qualquer coisa como isso.

Na pátria de Assange, a Austrália, este "assédio" ("mobbing") atingiu o auge. Tão ansioso estava o governo australiano por entregar o seu cidadão aos Estados Unidos que a primeira-ministra em 2013, Julia Gillard, quis retirar-lhe o passaporte e acusá-lo de um crime – até que lhe fosse apontado que Assange não havia cometido nenhum crime e que ela não tinha o direito de retirar-lhe sua cidadania.

Julia Gillard, segundo o sítio web Honest History , mantém o recorde do discurso mais bajulatório já feito no Congressos dos EUA. A Austrália, disse ela para o aplauso, era a "grande alma gémea" da América. A alma gémea entrou em conivência com a América na sua caçada a um australiano cujo crime era o jornalismo. O seu direito a protecção e assistência adequada foi negado.

Quando o advogado de Assange, Gareth Peirce, e eu encontrámos dois responsáveis consulares australianos em Londres ficámos chocados porque tudo o que eles sabiam acerca do caso "é o que lemos nos jornais".

Este abandono por parte da Austrália foi a principal razão para a concessão de asilo político pelo Equador. Como australiano, considerei isto especialmente vergonhoso.

Quanto perguntado acerca de Assange, recentemente, o actual primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse: "Ele deveria enfrentar a música". Esta espécie de selvageria, destituído de qualquer respeito pela verdade, pelos direitos, pelos princípios e pela lei, é porque a maior parte da imprensa na Austrália controlada por Murdoch está agora preocupada acerca do seu próprio futuro, tal como o Guardian está preocupado e The New York Times está preocupado. A sua preocupação tem um nome: "o precedente Assange".

Eles sabem que o que acontece a Assange pode acontecer a eles. Os direitos básicos e a justiça negadas a ele podem ser negados a eles. Eles foram advertidos. Todos nós fomos advertidos.

Todas as vezes que vejo Julian no mundo sinistro e surreal da prisão de Belmarsh sou recordado da responsabilidade daqueles de nós que o defendem. Há princípios universais em causa neste caso. Ele próprio teve o cuidado de dizer: "Não é por mim. É muito mais vasto".

Mas no cerne desta luta notável – e é, acima de tudo, uma luta – é um ser humano cujo carácter, repito carácter, tem demonstrado a mais espantosa coragem. Eu a saúdo.

24/Novembro/2019

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/pilger/pilger_24nov19.html

Suécia arquiva acusação de estupro contra Assange

 
 
Promotoria diz que provas contra fundador do Wikileaks, atualmente preso no Reino Unido, perderam força após quase uma década e não são suficientes para um indiciamento.
 
Promotores suecos decidiram nesta terça-feira (19/11) encerrar as investigações sobre acusações de estupro contra o fundador do portal Wikileaks Julian Assange, atualmente preso no Reino Unido.
 
O ativista de 48 anos também que luta contra uma possível extradição para os Estados Unidos, onde é acusado de publicar documentos confidenciais militares e diplomáticos através do Wikileaks,
 
A promotora sueca Eva-Marie Persson disse que as os depoimentos da suposta vítima eram "coerentes, extensos e detalhados" e que as provas da acusação, no processo iniciado em 2010, eram confiáveis, mas que após quase uma década, "as evidências foram enfraquecidas consideravelmente devido ao longo período de tempo que se passou desde o ocorrido".
 
"Após conduzir uma extensa avaliação de tudo que surgiu no curso das investigações preliminares, concluí que as provas não são fortes suficientes para formar as bases para um indiciamento", disse a promotora.
 
 
O caso já havia sido arquivado uma vez, em 2017, mas acabou sendo reaberto em maio, depois que Assange foi preso no Reino Unido. A acusação de estupro era uma de quatro alegações de ofensas sexuais apresentadas contra Assange. Três supostos crimes de ofensa sexual prescreveram há quatro anos. Restava apenas a suspeita de estupro.
 
 Assange negou repetidamente todas as acusações e disse que as relações sexuais foram consensuais.
 
A decisão da promotoria resolve um dilema da Justiça britânica, que se dividia entre pedidos pela extradição de Assange tanto para a Suécia quanto para os EUA. Entretanto, Persson disse que a decisão de encerrar as investigações ainda pode ser alvo de recurso.
 
Atualmente, Assange está preso por violar sua liberdade condicional no Reino Unido, após se refugiar na embaixada do Equador em Londres durante quase sete anos para evitar a extradição para a Suécia. Ele foi sentenciado em maio a uma pena de 50 semanas de prisão.
 
A extradição para os Estados Unidos será avaliada em uma audiência marcada para fevereiro. O jornalista é alvo de 18 acusações criminais por parte da Justiça americana, inclusive de conspirar para invadir computadores do governo e violar a Lei de Espionagem do país.
 
Deutsche Welle | RC/ap/rtr

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/suecia-arquiva-acusacao-de-estupro.html

Suécia suspende investigação de Julian Assange por acusação de estupro

Fundador do WikiLeaks Julian Assange no Reino Unido
© AP Photo / Matt Dunham

A Suécia não vai prosseguir com sua investigação sobre as acusações de assédio sexual contra Julian Assange. A informação foi divulgada pelo WikiLeaks nesta terça-feira (19).

Ao comentar a decisão, o editor-chefe do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, enfatizou a necessidade de “agora se concentrar na ameaça que Assange tem alertado há anos: a acusação beligerante dos Estados Unidos e a ameaça que ela representa para a Primeira Emenda”.

 

URGENTE: Suécia suspendeu a investigação de Julian Assange.

Em maio, os promotores suecos reabriram a investigação contra Assange por alegações de agressão sexual.

Julian Assange foi responsável por publicar arquivos militares e diplomáticos secretos em 2010 sobre as campanhas de bombardeio dos EUA no Afeganistão e no Iraque, sendo acusado pelas autoridades norte-americanas sob a Lei de Espionagem, o que pode lhe render uma sentença de até 175 anos em uma prisão nos EUA.

O ciberativista foi preso em Londres em 11 de abril, depois que o Equador revogou seu status de asilo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019111914794438-suecia-suspende-investigacao-de-julian-assange-por-acusacao-de-estupro/

John Pilger: O processo de extradição de Julian Assange é ‘uma charada’

 
 
 
Em entrevista a The Real News Network, John Pilger comenta a forma como vem sendo conduzido no Reino Unido o processo de extradição para os EUA de Julian Assange, e a forma vergonhosa como grandes media – que se aproveitaram de forma muito lucrativa do seu trabalho jornalístico – agora ignoram este processo inteiramente arbitrário e o atacam.
 
Greg Wilpert: Bem-vindo a The Real News Network. Eu sou Greg Wilpert em Arlington, Virgínia.
 
Julian Assange perdeu recentemente uma tentativa judicial de adiar a próxima audiência de extradição em Fevereiro de 2020. A audiência sobre o adiamento ocorreu em 21 de Outubro e, de acordo com observadores presentes, ele mal conseguia enunciar frases coerentes. Reagindo à audiência o relator de Direitos Humanos da ONU, Nils Melzer, alertou na sexta-feira passada que Assange continua a mostrar sintomas de tortura psicológica. Melzer visitou Assange em Maio quando realizou uma extensa revisão da sua condição física e psicológica. Na sua declaração de sexta-feira, Melzer disse: “Apesar da urgência médica do meu primeiro recurso e da gravidade das supostas violações, o Reino Unido não adoptou quaisquer medidas de investigação, prevenção e reparação exigidas pela lei internacional”.
 
Para além das preocupações como Assange é tratado na prisão de Belmarsh nos arredores de Londres, muitos levantaram também preocupações sobre a imparcialidade dos processos contra ele. Assange foi preso em Abril passado, quando a Embaixada do Equador, onde lhe fora concedido asilo político, permitiu que a polícia o prendesse. Ele recebeu então uma pena de 50 semanas por ter escapado à prisão em 2012. Desde então o governo Trump solicitou a extradição de Assange por 17 acusações de espionagem pelas quais poderia caber-lhe uma sentença de 170 anos de prisão nos Estados Unidos.
 
Juntando-se a mim agora para discutir os últimos desenvolvimentos no caso de Julian Assange está John Pilger. Ele tem observado de muito perto o caso Assange e esteve presente na audiência de 21 de Outubro. É um jornalista premiado e documentarista. O seu filme mais recente é The Coming War on China. Obrigado por se juntar a nós novamente, John.
 
John Pilger: Com muito gosto.
 
Greg Wilpert: Vamos começar pela a condição de Assange. Como foi dito, esteve presente na última audiência. Qual foi a sua percepção do estado dele e como se apresentou ele?
 
John Pilger: Sim, estive na última audiência e vi Julian cerca de uma semana antes disso, portanto vi-o de perto recentemente em várias ocasiões. Penso que posso concordar com a avaliação de Nils Melzer. É muito difícil dizer. A sua condição física mudou dramaticamente. Perdeu cerca de 15 quilos de peso. Vê-lo no tribunal esforçando-se para dizer o seu nome e a sua data de nascimento foi realmente muito tocante. Vi-o quando visitei Julian na prisão de Belmarsh, quando ele fica primeiro muito perturbado e depois se controla. Fico sempre impressionado pela a pura resiliência deste homem, porque, como diz Melzer, absolutamente nada foi feito para mudar as condições que lhe são impostas pelo regime prisional. Nada foi feito pelas autoridades britânicas.
 
Isso quase foi sublinhado pela forma desdenhosa como esta audiência recentemente foi conduzida por esse juiz, por esse magistrado. Havia entre todos nós que estávamos lá a sensação de que toda a charada, e parecia uma charada, fora pré estabelecida. Tinha, sentados à nossa frente, numa mesa comprida, quatro norte-americanos que eram da embaixada dos EUA aqui em Londres, e um dos promotores corria para trás e para a frente para receber instruções deles. A juíza viu isso, e permitiu-o. Era absolutamente ultrajante.
 
Quando Julian tentou falar e dizer que, basicamente, lhe estavam sendo negadas os meios necessários para preparar seu caso, foi-lhe negado o direito de chamar o seu advogado norte-americano. Foi-lhe negado o direito de ter qualquer tipo de processador de texto ou laptop. Foram-lhe negados certos documentos. Como ele disse, “até me foram negados os meus próprios escritos”, como lhes chamou. Ou seja, as suas próprias anotações e manuscritos. Isto não mudou de forma nenhuma, e é claro que o efeito disso na sua moral, para dizer o mínimo, tem sido muito significativo, e isso foi visível no tribunal.
 
Greg Wilpert: Sim. Quero aprofundar um pouco mais essa questão sobre a imparcialidade deste julgamento. Craig Murray, que é blogueiro e esteve também na última audiência, escreveu sobre várias questões, que também mencionou. Ele menciona especificamente a juíza distrital, Vanessa Baraitser, e uma das coisas que ela fez foi rejeitar completamente o pedido de Assange para determinar se o processo de extradição é mesmo legal. Ou seja, ele cita de acordo com a lei do Reino Unido: “A extradição não será concedida se a ofensa pela qual a extradição é solicitada for uma ofensa política”. Agora, o que acha dessa questão? A ofensa de Assange é política, e o que diz sobre a reacção do juiz a essa solicitação?
 
John Pilger: Conheço muito bem o advogado dele, Gareth Peirce, e ela não é uma pessoa que realmente se irrita assim. Mas vi-a antes e depois da audiência, e ela estava bastante irritada com o facto de, como ela disse: “Aqui temos uma audiência de extradição, baseada num tratado entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, e há uma seção nesse tratado que diz, tal como você mencionou, que “ninguém pode ser extraditado se”, e parafraseio, se a dita ofensa for de algum modo política. Está na lei, não é uma questão de opinião. São políticas. Todas excepto uma das acusações inventadas na Virgínia, são baseadas na Lei de Espionagem de 1917, que era uma peça política de legislação usada para expulsar os objectores de consciência durante a Primeira Guerra Mundial.
 
É político. Não há acusação. Não há base nem fundamento para permitir que estes procedimentos de extradição avancem, e quase perversamente o juiz pareceu reconhecê-lo no seu desprezo pelos trâmites. Sempre que Julian Assange falava, ela fingia um desinteresse, um tédio e, sempre que os seus advogados falavam a mesma coisa. Sempre que o promotor falava, estava atenta. Os aspectos teatrais desta audiência foram bastante notáveis. Nunca vi nada parecido. Então, muito apressadamente, quando o advogado de Julian Assange solicitou um adiamento quando o processo começar realmente em Fevereiro, eles disseram: “Não estaremos preparados em Fevereiro”, e ela descartou-o de imediato.
 
Não só isso, ela disse que o processo de extradição seria realizado num tribunal que é de facto adjacente à prisão de Belmarsh. É quase parte da prisão. Está muito longe de Londres. Portanto ter-se-á, se não um julgamento secreto, um julgamento em que, ou uma audiência de extradição em que muito poucos lugares estão disponíveis ao público. É muito difícil chegar a esse local. Portanto foram colocados todos os obstáculos para que Assange tenha uma audiência justa. E apenas posso repetir: é um editor e um jornalista que de nada foi condenado, acusado de nada na Grã-Bretanha, cujo único crime é o jornalismo. Pode parecer um slogan, mas é verdade. Eles querem condená-lo por expor o tipo de ultrajantes crimes de guerra, Iraque, Afeganistão, aquilo que se supõe que os jornalistas deveriam fazer.
 
Greg Wilpert: Certo. Por fim, quero perguntar-lhe também sobre o apoio que Assange parece ou não ter recebido. Parece que as organizações de media que beneficiaram tremendamente com o trabalho de Assange praticamente não mencionam o seu caso, e muito menos o apoiam. Além disso, grupos de direitos humanos como a Amnistia Internacional instaram o Reino Unido a não extraditar Julian, mas não insistiram no caso. Acabei de o verificar. Não o elevaram ao estatuto de uma campanha, como normalmente fazem para presos políticos. Como explica essa ausência de interesse pela situação de Assange entre os media e os grupos de direitos humanos?
 
John Pilger: Porque muitos grupos de direitos humanos são profundamente políticos, a Amnistia Internacional nunca atribuiu a Chelsea Manning a condição de prisioneiro de consciência. Uma coisa realmente vergonhosa. Chelsea Manning, que foi efectivamente torturada na prisão e, como você diz, não elevaram o caso de Julian. Por quê? Bem, eles são uma extensão. Eles são uma extensão de um estabelecimento que agora está quase sistematicamente caindo sobre qualquer forma de dissidência real. Nos últimos cinco, seis anos, as últimas abertas, as últimas fissuras, os últimos espaços dos media dominantes para jornalistas, de jornalistas comuns aos do tipo de Assange, e não apenas de Assange, para pessoas como eu e outros, esses espaços fecharam.
 
Os media dominantes, e certamente na Grã-Bretanha, sempre mantiveram abertos esses espaços. Fecharam, e penso que geralmente há um medo, em todos os media, de se opor ao Estado em algo como o caso Assange. Vê-se a forma como toda a obsessão com a Rússia tem consumido os media com tantas histórias disparatadas. A hostilidade, a animosidade em relação a Julian. A minha própria teoria é que o seu trabalho envergonhava muitos jornalistas. Ele faz o que os jornalistas deveriam ter feito e deixaram de fazer. Fez o trabalho de um jornalista. Apenas isso o pode explicar. Quero dizer, quando se pega num jornal como The Guardian, que publicou originalmente as revelações do WikiLeaks sobre o Iraque e o Afeganistão, e se voltou contra Julian Assange da forma mais cruel possível.
Eles exploraram-no por uma coisa. Vários jornalistas saíram-se extremamente bem com os seus livros, argumentos em Hollywood e assim por diante, mas voltaram-se pessoalmente contra ele. Foi um dos espectáculos menos edificantes que eu já vi no jornalismo. O mesmo aconteceu no New York Times.
Mais uma vez, só posso supor a razão disso. É que ele os envergonha. Temos neste momento um deserto de jornalismo. Existem alguns que ainda fazem o seu trabalho; que ainda se levantam contra o poder do establishment; que ainda não estão atemorizados. Mas há tão poucos agora, e Julian Assange é totalmente destemido nisso. Ele sabia que iria ter muitos problemas com o Estado na Grã-Bretanha, o Estado nos Estados Unidos - mas foi em frente de qualquer maneira. Esse é um verdadeiro jornalista.
 
Greg Wilpert: Bem, teremos que deixá-lo por enquanto, mas é claro que continuaremos acompanhando o seu caso dele, como temos feito desde o início. Estiva conversando com John Pilger, jornalista premiado e documentarista. Obrigado novamente, John, por se ter juntado a nós hoje.
 
John Pilger: Muito obrigado, Greg.
 
Greg Wilpert: Obrigado por se juntarem à The Real News Network.
 
Fonte: https://therealnews.com/stories/julian-assange-extradition-process-charade
 
Publicado em O Diário.info em 9.11.2019

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/john-pilger-o-processo-de-extradicao-de.html

John Pilger: O processo de extradição de Julian Assange é ‘uma charada’

Greg Wilpert    09.Nov.19 

Em entrevista a The Real News Network, John Pilger comenta a forma como vem sendo conduzido no Reino Unido o processo de extradição para os EUA de Julian Assange, e a forma vergonhosa como grandes media – que se aproveitaram de forma muito lucrativa do seu trabalho jornalístico – agora ignoram este processo inteiramente arbitrário e o atacam.


 

Greg Wilpert: Bem-vindo a The Real News Network. Eu sou Greg Wilpert em Arlington, Virgínia.

Julian Assange perdeu recentemente uma tentativa judicial de adiar a próxima audiência de extradição em Fevereiro de 2020. A audiência sobre o adiamento ocorreu em 21 de Outubro e, de acordo com observadores presentes, ele mal conseguia enunciar frases coerentes. Reagindo à audiência o relator de Direitos Humanos da ONU, Nils Melzer, alertou na sexta-feira passada que Assange continua a mostrar sintomas de tortura psicológica. Melzer visitou Assange em Maio quando realizou uma extensa revisão da sua condição física e psicológica. Na sua declaração de sexta-feira, Melzer disse: “Apesar da urgência médica do meu primeiro recurso e da gravidade das supostas violações, o Reino Unido não adoptou quaisquer medidas de investigação, prevenção e reparação exigidas pela lei internacional”.

Para além das preocupações como Assange é tratado na prisão de Belmarsh nos arredores de Londres, muitos levantaram também preocupações sobre a imparcialidade dos processos contra ele. Assange foi preso em Abril passado, quando a Embaixada do Equador, onde lhe fora concedido asilo político, permitiu que a polícia o prendesse. Ele recebeu então uma pena de 50 semanas por ter escapado à prisão em 2012. Desde então o governo Trump solicitou a extradição de Assange por 17 acusações de espionagem pelas quais poderia caber-lhe uma sentença de 170 anos de prisão nos Estados Unidos.

Juntando-se a mim agora para discutir os últimos desenvolvimentos no caso de Julian Assange está John Pilger. Ele tem observado de muito perto o caso Assange e esteve presente na audiência de 21 de Outubro. É um jornalista premiado e documentarista. O seu filme mais recente é The Coming War on China. Obrigado por se juntar a nós novamente, John.

John Pilger: Com muito gosto.

Greg Wilpert: Vamos começar pela a condição de Assange. Como foi dito, esteve presente na última audiência. Qual foi a sua percepção do estado dele e como se apresentou ele?

John Pilger: Sim, estive na última audiência e vi Julian cerca de uma semana antes disso, portanto vi-o de perto recentemente em várias ocasiões. Penso que posso concordar com a avaliação de Nils Melzer. É muito difícil dizer. A sua condição física mudou dramaticamente. Perdeu cerca de 15 quilos de peso. Vê-lo no tribunal esforçando-se para dizer o seu nome e a sua data de nascimento foi realmente muito tocante. Vi-o quando visitei Julian na prisão de Belmarsh, quando ele fica primeiro muito perturbado e depois se controla. Fico sempre impressionado pela a pura resiliência deste homem, porque, como diz Melzer, absolutamente nada foi feito para mudar as condições que lhe são impostas pelo regime prisional. Nada foi feito pelas autoridades britânicas.

Isso quase foi sublinhado pela forma desdenhosa como esta audiência recentemente foi conduzida por esse juiz, por esse magistrado. Havia entre todos nós que estávamos lá a sensação de que toda a charada, e parecia uma charada, fora pré estabelecida. Tinha, sentados à nossa frente, numa mesa comprida, quatro norte-americanos que eram da embaixada dos EUA aqui em Londres, e um dos promotores corria para trás e para a frente para receber instruções deles. A juíza viu isso, e permitiu-o. Era absolutamente ultrajante.

Quando Julian tentou falar e dizer que, basicamente, lhe estavam sendo negadas os meios necessários para preparar seu caso, foi-lhe negado o direito de chamar o seu advogado norte-americano. Foi-lhe negado o direito de ter qualquer tipo de processador de texto ou laptop. Foram-lhe negados certos documentos. Como ele disse, “até me foram negados os meus próprios escritos”, como lhes chamou. Ou seja, as suas próprias anotações e manuscritos. Isto não mudou de forma nenhuma, e é claro que o efeito disso na sua moral, para dizer o mínimo, tem sido muito significativo, e isso foi visível no tribunal.

Greg Wilpert
: Sim. Quero aprofundar um pouco mais essa questão sobre a imparcialidade deste julgamento. Craig Murray, que é blogueiro e esteve também na última audiência, escreveu sobre várias questões, que também mencionou. Ele menciona especificamente a juíza distrital, Vanessa Baraitser, e uma das coisas que ela fez foi rejeitar completamente o pedido de Assange para determinar se o processo de extradição é mesmo legal. Ou seja, ele cita de acordo com a lei do Reino Unido: “A extradição não será concedida se a ofensa pela qual a extradição é solicitada for uma ofensa política”. Agora, o que acha dessa questão? A ofensa de Assange é política, e o que diz sobre a reacção do juiz a essa solicitação?

John Pilger: Conheço muito bem o advogado dele, Gareth Peirce, e ela não é uma pessoa que realmente se irrita assim. Mas vi-a antes e depois da audiência, e ela estava bastante irritada com o facto de, como ela disse: “Aqui temos uma audiência de extradição, baseada num tratado entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, e há uma seção nesse tratado que diz, tal como você mencionou, que “ninguém pode ser extraditado se”, e parafraseio, se a dita ofensa for de algum modo política. Está na lei, não é uma questão de opinião. São políticas. Todas excepto uma das acusações inventadas na Virgínia, são baseadas na Lei de Espionagem de 1917, que era uma peça política de legislação usada para expulsar os objectores de consciência durante a Primeira Guerra Mundial.

É político. Não há acusação. Não há base nem fundamento para permitir que estes procedimentos de extradição avancem, e quase perversamente o juiz pareceu reconhecê-lo no seu desprezo pelos trâmites. Sempre que Julian Assange falava, ela fingia um desinteresse, um tédio e, sempre que os seus advogados falavam a mesma coisa. Sempre que o promotor falava, estava atenta. Os aspectos teatrais desta audiência foram bastante notáveis. Nunca vi nada parecido. Então, muito apressadamente, quando o advogado de Julian Assange solicitou um adiamento quando o processo começar realmente em Fevereiro, eles disseram: “Não estaremos preparados em Fevereiro”, e ela descartou-o de imediato.

Não só isso, ela disse que o processo de extradição seria realizado num tribunal que é de facto adjacente à prisão de Belmarsh. É quase parte da prisão. Está muito longe de Londres. Portanto ter-se-á, se não um julgamento secreto, um julgamento em que, ou uma audiência de extradição em que muito poucos lugares estão disponíveis ao público. É muito difícil chegar a esse local. Portanto foram colocados todos os obstáculos para que Assange tenha uma audiência justa. E apenas posso repetir: é um editor e um jornalista que de nada foi condenado, acusado de nada na Grã-Bretanha, cujo único crime é o jornalismo. Pode parecer um slogan, mas é verdade. Eles querem condená-lo por expor o tipo de ultrajantes crimes de guerra, Iraque, Afeganistão, aquilo que se supõe que os jornalistas deveriam fazer.

Greg Wilpert: Certo. Por fim, quero perguntar-lhe também sobre o apoio que Assange parece ou não ter recebido. Parece que as organizações de media que beneficiaram tremendamente com o trabalho de Assange praticamente não mencionam o seu caso, e muito menos o apoiam. Além disso, grupos de direitos humanos como a Amnistia Internacional instaram o Reino Unido a não extraditar Julian, mas não insistiram no caso. Acabei de o verificar. Não o elevaram ao estatuto de uma campanha, como normalmente fazem para presos políticos. Como explica essa ausência de interesse pela situação de Assange entre os media e os grupos de direitos humanos?

John Pilger: Porque muitos grupos de direitos humanos são profundamente políticos, a Amnistia Internacional nunca atribuiu a Chelsea Manning a condição de prisioneiro de consciência. Uma coisa realmente vergonhosa. Chelsea Manning, que foi efectivamente torturada na prisão e, como você diz, não elevaram o caso de Julian. Por quê? Bem, eles são uma extensão. Eles são uma extensão de um estabelecimento que agora está quase sistematicamente caindo sobre qualquer forma de dissidência real. Nos últimos cinco, seis anos, as últimas abertas, as últimas fissuras, os últimos espaços dos media dominantes para jornalistas, de jornalistas comuns aos do tipo de Assange, e não apenas de Assange, para pessoas como eu e outros, esses espaços fecharam.

Os media dominantes, e certamente na Grã-Bretanha, sempre mantiveram abertos esses espaços. Fecharam, e penso que geralmente há um medo, em todos os media, de se opor ao Estado em algo como o caso Assange. Vê-se a forma como toda a obsessão com a Rússia tem consumido os media com tantas histórias disparatadas. A hostilidade, a animosidade em relação a Julian. A minha própria teoria é que o seu trabalho envergonhava muitos jornalistas. Ele faz o que os jornalistas deveriam ter feito e deixaram de fazer. Fez o trabalho de um jornalista. Apenas isso o pode explicar. Quero dizer, quando se pega num jornal como The Guardian, que publicou originalmente as revelações do WikiLeaks sobre o Iraque e o Afeganistão, e se voltou contra Julian Assange da forma mais cruel possível.
Eles exploraram-no por uma coisa. Vários jornalistas saíram-se extremamente bem com os seus livros, argumentos em Hollywood e assim por diante, mas voltaram-se pessoalmente contra ele. Foi um dos espectáculos menos edificantes que eu já vi no jornalismo. O mesmo aconteceu no New York Times.
Mais uma vez, só posso supor a razão disso. É que ele os envergonha. Temos neste momento um deserto de jornalismo. Existem alguns que ainda fazem o seu trabalho; que ainda se levantam contra o poder do establishment; que ainda não estão atemorizados. Mas há tão poucos agora, e Julian Assange é totalmente destemido nisso. Ele sabia que iria ter muitos problemas com o Estado na Grã-Bretanha, o Estado nos Estados Unidos - mas foi em frente de qualquer maneira. Esse é um verdadeiro jornalista.

Greg Wilpert: Bem, teremos que deixá-lo por enquanto, mas é claro que continuaremos acompanhando o seu caso dele, como temos feito desde o início. Estiva conversando com John Pilger, jornalista premiado e documentarista. Obrigado novamente, John, por se ter juntado a nós hoje.

John Pilger: Muito obrigado, Greg.

Greg Wilpert: Obrigado por se juntarem à The Real News Network.

Fonte: https://therealnews.com/stories/julian-assange-extradition-process-charade

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^endereço (www.odiario.info)
  2. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

A VERDADE... «CONVENIENTE OU INCONVENIENTE» ?

                                        
Este título ocorreu-me por eu ter lido o excelente artigo de Diana Johnstone sobre Julian Assange. 
Ele é o símbolo contemporâneo das pessoas que, sujeitas a enormes pressões de toda a espécie não vergam, não cedem, não se deixam seduzir pelos cantos de sereias, mas simplesmente dizem ou escrevem o que sabem, cientes de que é seu dever tornar público os dados que permitirão as outras pessoas fazerem os juízos próprios sobre quem anda a mentir, como é que as coisas realmente se passam, sobretudo como é que os poderosos cozinham as suas narrativas para encobrir os seus (muitos e muito grandes...) crimes.
O caso Assange tem para mim um outro significado, o de me desabituar definitivamente de julgar as pessoas com base nas suas declarações de princípios, esses princípios tão bonitos, tão generosos, mas que logo sofrem um «entorse» assim que os interesses de quem os profere está em jogo.  Por outras palavras, são igualmente abundantes os hipócritas nas fileiras das diversas ideologias, sejam elas de extrema direita ou esquerda,  ou moderados, centristas, liberais, socialistas, etc.  Digo isto porque os que costumam mascarar-se em arautos da «verdade», em cavaleiros da justiça, etc. são os que logo viram a cara, e fingem que não sabiam aquilo que se está a passar com Julian Assange. Todos sabem -porém - que é o equivalente a um assassinato a sangue frio, a uma lenta e cruel asfixia. Mas Julian Assange e Chelsea Manning são sujeitos a estes longos e penosos sofrimentos, porque tiveram a coragem de desmascarar as crueldades, os crimes, as corrupções, dos poderes: de todos os poderes, por mais que a media prostituta diga o contrário, por mais que tentem colar-lhes a etiqueta de «agentes encobertos da Rússia de Putin», ou de «inimigas do Ocidente».
A media está envolvida no encobrimento dos crimes dos Estados, para isso usando todas as técnicas de condicionamento. Uma forma é a saturação com conteúdos triviais, que provocam a relativização de todas as notícias ou informações que chegam à cidadania e à qual esta responde com indiferença.  Outras técnicas consistem em adjectivar dando conotações, reproduzir acriticamente o discurso oficial, de perpetuar a «verdade» oficial.  A inclusão de algum noticiário não elogioso, mas não crítico para o poder instalado, dá a «cobertura» de respeitabilidade, permitindo que os ingénuos sejam mantidos na convicção de existir uma «objectividade» dos media.  Quando determinado acontecimento é muito difícil de enquadrar dentro da narrativa oficiosa do poder e dos media do poder, então das duas uma: ou a posição dos críticos do poder é distorcida até à caricatura, sendo depois apontados a dedo, ou se faz «black-out» (ocultação total): se não está em nenhum meio de comunicação de massas, então, «não existe»...  Não creio que o regime de controlo da informação e das pessoas seja muito grosseiro, nem que se esgote com os exemplos acima dados: pelo contrário, tem uma enorme carga de ciência psicológica e sociológica por detrás, tem imensa energia investida em tornar credível o cenário, para a grande maioria do público.  
É verdade que este público já tinha um condicionamento prévio, por anos de doutrinação disfarçados de «educação» (seja em escolas públicas ou privadas, tanto faz, pois o efeito é o mesmo!). Mas o seu reforço constante é absolutamente essencial para manter a ilusão «matrix», da narrativa do poder. 
Voltando ao nosso assunto inicial; Assange e o excelente artigo de Diane Johnstone... Se há uma coisa que o poder não tolera e não perdoa é «lançadores de alerta» mostrarem a realidade por detrás da ribalta, desfazendo toda a roupagem de mentiras constantemente envergadas pelos porta-vozes do poder e reforçados, confirmados com as pseudo-informações mediáticas, que na realidade são instrumentos de propaganda, apenas.  Como é evidente, por mais que pessoas isoladas ou pequenos grupos de idealistas tentem «furar» este «écran de fumo», que se interpõe entre a realidade e as pessoas comuns, tal não irá acontecer em tempos «normais».  Será preciso uma crise profunda, que abale as estruturas de poder, que desfaça as alianças «santas» ou «espúrias» entre os vários actores, sobretudo que a grande massa da população compreenda finalmente -depois de ter sido espoliada !- o que têm feito com ela. Nesse ponto, será impossível manter as aparências, pois a realidade irromperá na vida de milhões. Será a própria vida a romper a cortina nas suas mentes, essa cortina que impede milhões de pessoas de ver, de compreender. 
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Saúde de Assange está em risco, informam as Nações Unidas

Ação de apoio a Julian Assange em Londres
© Sputnik / Justin Griffiths-Williams

A saúde do fundador do WikiLeaks está em risco, informou o relator especial da ONU sobre tortura, Niels Meltzer. O relator urge o Reino Unido a investigar indícios de tortura psicológica contra o ativista e reitera o pedido para não extraditar Assange para os EUA.

O relator especial da ONU sobre tortura alerta para o estado preocupante da saúde do jornalista e fundador do WikiLeaks, Julian Assange, mantido preso pelas autoridades britânicas desde abril deste ano.

"Do meu ponto de vista, este caso nunca foi sobre a culpa ou inocência de Assange. Isso é uma maneira de forçá-lo a pagar pela divulgação de graves violações da lei pelas autoridades, inclusive casos de alegados crimes de guerra e corrupção", declarou Meltzer.

O relator especial disse que visitou Assange no cárcere, acompanhado de médicos, e na ocasião foi concluído que o estado de saúde do fundador do Wikileaks estava deteriorado.

"Enquanto o Reino Unido não mudar urgentemente seu rumo e não aliviar a situação desumana [em que ele se encontra], a continuação dessa arbitrariedade e abuso de autoridade pode custar a vida de Assange", alertou o relator especial.

Após visitar o jornalista, Meltzer reportou os fatos às autoridades britânicas que, por sua vez, não tomaram nenhuma medida para melhorar as condições de encarceramento de Assange, assim como não iniciaram inquérito para apurar os indícios de tortura psicológica.

Fundador do WikiLeaks Julian Assange no Reino Unido
© AP Photo / Matt Dunham
Fundador do WikiLeaks Julian Assange no Reino Unido

O relator reiterou o pedido ao Reino Unido para que não extradite Assange para os EUA, onde o jornalista poderia enfrentar prisão perpétua. Meltzer também incitou Londres a fornecer tratamento médico para o fundador do Wikileaks.

Prisão de Assange

Julian Assange foi preso em abril do corrente, após o Equador ter rescindido o seu status de asilado político. Com o aval do governo equatoriano, a polícia britânica entrou na embaixada e prendeu o fundador do site WikiLeaks, acusado de ter violado as condições de liberdade sob fiança no Reino Unido em 2012, crime passível de pena de um ano de prisão.

Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019.
© Sputnik / Ruptly
Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019

O jornalista havia buscado asilo na Embaixada do Equador para evitar a extradição aos Estados Unidos, que o acusam de ter publicado ilegalmente documentos confidenciais. O jornalista alega que poderia ser sentenciado a prisão perpétua pela Justiça norte-americana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019110114721521-saude-de-assange-esta-em-risco-informam-as-nacoes-unidas/

É agora inquestionável que vivemos sob uma ditadura: o caso Assange

Eric Zuesse    29.Oct.19  

A perseguição dos EUA contra Julian Assange revela bem o que resta do “Estado de Direito” burguês. Não há arbitrariedade, violência ou crime que não tenha sido cometido, seja pelos EUA seja pelos seus Estados lacaios. E agora o que está em marcha para Assange é idêntico ao que aconteceu a Milosevic: um “problema de saúde” que arrumará de vez o problema.


Que outro nome podemos dar-lhe quando um editor faz o que o New York Times fez ao publicar os Documentos do Pentágono e foi deliberado pelo Supremo Tribunal em 1971 (New York Times Co. v. Estados Unidos) que o fizera sob a protecção da Primeira Emenda, e quando desta vez o editor é mantido durante anos em vários tipos de prisão sem julgamento, e está agora tão destruído que agora, na sua primeira aparição em tribunal para se defender, parece ter sido drogado mas, por qualquer motivo, “Quando lhe pediram para dizer o seu nome e data de nascimento, ele esteve durante alguns segundos visivelmente em dificuldades para se recordar dos dois.” “Foi um verdadeiro esforço dele para articular as palavras e se concentrar sua linha de pensamento.” O acontecimento ocorreu em 21 de Outubro.
Aqui (com o negrito a ser por mim usado apenas para destacar especialmente os nomes das principais pessoas na audiência) estão mais destaques do relato fornecido em 22 de Outubro pelo ex-embaixador do Reino Unido Craig Murray, sob o título “Assange in Court”:
“Tendo assistido aos julgamentos no Uzbequistão de várias vítimas de tortura extrema e tendo trabalhado com sobreviventes da Serra Leoa e de outros lugares, posso dizer que ontem mudei completamente de ideia e Julian exibiu exactamente os sintomas de uma vítima de tortura piscando perante a luz, particularmente em termos de desorientação, confusão e do verdadeiro esforço para exprimir a vontade própria por entre a névoa do desamparo inculcado.”
“Todos naquele tribunal viram ontem que um dos maiores jornalistas e um dos mais importantes dissidentes do nosso tempo está a ser torturado até a morte pelo Estado, perante os nossos olhos. Ver o meu amigo, o homem mais articulado, o pensador mais rápido que já conheci, reduzido àquela vacilante e incoerente ruína era insuportável. No entanto, os agentes do Estado, em particular a insensível magistrada Vanessa Baraitser, estavam não apenas preparados, mas ansiosos por fazer parte desse desporto sangrento. ”
“A acusação contra Julian é muito específica: conspirar com Chelsea Manning para publicar os registos da Guerra do Iraque, os registos da guerra do Afeganistão e os telegramas do Departamento de Estado”.
“Os pontos chave em questão eram que a defesa de Julian estava a solicitar mais tempo para preparar as suas provas; e a argumentar que os delitos políticos foram especificamente excluídos do tratado de extradição. Argumentaram que deveria haver, portanto, uma audiência preliminar para determinar se o tratado de extradição sequer se aplicava. As razões apresentadas pela equipa de defesa de Assange por mais tempo para se preparar foram ao mesmo tempo convincentes e surpreendentes. ”
“As provas endereçadas ao tribunal espanhol incluíam também uma conspiração da CIA para sequestrar Assange, o que revela a atitude das autoridades norte-americanas em relação à legalidade no seu caso e ao tratamento que ele poderia esperar nos Estados Unidos. A equipa de Julian explicou que o processo jurídico espanhol estava a decorrer agora e as provas que contém seriam extremamente importantes, mas que poderia não estar concluído e, portanto, as provas não estarem totalmente validadas e disponíveis no tempo do cronograma proposto para as audiências sobre a extradição de Assange. Pela a acusação, James Lewis QC [Conselho da Rainha] declarou que o governo se opôs fortemente a qualquer a que fosse concedido à defesa qualquer adiamento para se preparar.”
“Estavam presentes cinco representantes do governo dos EUA.”
“Lewis disse mesmo ao juiz que estava a ‘receber instruções dos que estavam atrás de si”.
“O governo dos EUA ditava as suas instruções a Lewis, que transmitia essas instruções a Baraitser, que as aceitava como sua decisão legal”.
“Baraitser rematou depois tudo dizendo que a audiência de Fevereiro será realizada, não no relativamente aberto e acessível Tribunal de Magistrados de Westminster, onde estávamos, mas no Tribunal de Magistrados de Belmarsh, a sombria instalação de alta segurança usado para o processamento legal preliminar de terroristas, anexo à prisão de segurança máxima onde Assange está detido. Existem apenas seis cadeiras para o público, mesmo na maior sala de Belmarsh, e o objectivo é claramente evitar o escrutínio público. ”
“A equipa de defesa de Assange opôs-se vigorosamente à mudança para Belmarsh, em particular porque não há salas de conferência disponíveis para consultar o seu cliente”.
“Por fim, Baraitser virou-se para Julian e ordenou que se levantasse, e perguntou-lhe se havia entendido os procedimentos. Ele respondeu negativamente, disse que não conseguia pensar e deu toda a aparência de desorientação. … Tornou-se cada vez mais confuso e incoerente.”
” Há anos que venho catalogando e protestando contra os poderes cada vez mais autoritários do Estado do Reino Unido, mas que o abuso mais grosseiro possa ser tão aberto e sem disfarce ainda é um choque.”
“A menos que Julian seja em breve libertado, ele será destruído. E se o Estado pode fazer isto, quem será o próximo? ”
Ainda há mais no relato de Murray que chocaria qualquer leitor inteligente, mas estes trechos constituem o que considero os seus aspectos principais.
No que diz respeito à questão de saber se o governo dos EUA é uma ditadura: até agora, existem algumas análises quantitativas socio científicas rigorosas da questão, e todas as provas apontam claramente para que a resposta seja “Sim”, pelo menos no que diz respeito a esse particular Governo.
Assim, claramente que acabamos por viver num estado totalitário: o Estado Profundo dos EUA e seus aliados. Chamar ‘democracia’ a isto é insultar essa palavra magnífica. Algumas revoluções autênticas foram desencadeadas contra tiranias que não são tão vis como esta.
O complexo militar industrial (MIC) não controlava inteiramente o governo dos EUA em 1971, quando o direito absoluto de censura do MIC foi rejeitado pela Supremo Tribunal dos EUA no caso dos Pentagon Papers; mas agora, depois do 11 de Setembro, finalmente conseguiu-o, e assim a democracia viu-se totalmente eliminada nos EUA de hoje.

Eric Zuesse, historiador investigador é, mais recentemente, o autor de They’re Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010, e de CHRIST’S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity.

Fonte: https://washingtonsblog.com/2019/10/that-we-live-under-a-dictatorship-is-now-unquestionable-the-assange-case.html[1]

Divulga o endereço[2] deste texto e o de odiario.info[3] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^https://washingtonsblog.com/2019/10/that-we-live-under-a-dictatorship-is-now-unquestionable-the-assange-case.html (washingtonsblog.com)
  2. ^endereço (www.odiario.info)
  3. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Juiz espanhol esbarra na tentativa de questionar Julian Assange

Fundador do WikiLeaks Julian Assange no Reino Unido
© AP Photo / Matt Dunham

Juiz José de la Mata pretende entrevistar o ciberactivista australiano como testemunha do caso, mas Reino Unido discorda, informa o jornal El País.

O sistema judiciário britânico está bloqueando o pedido de um juiz espanhol para questionar Julian Assange em Londres como testemunha em um caso sobre alegações de que a empresa de segurança espanhola Undercover Global S.L. teria espionado o fundador do Wikileaks enquanto ele vivia na embaixada do Equador em Londres, informou El País.

Em 25 de setembro, o juiz José de la Mata enviou às autoridades britânicas uma Ordem de Investigação Europeia (EIO, sigla em inglês) pedindo permissão para interrogar Assange por videoconferência como testemunha no caso aberto pelo Supremo Tribunal de Espanha, a Audiencia Nacional, contra o proprietário da UC Global S. L., David Morales (considerado suspeito), por supostos delitos envolvendo violações de privacidade e de privilégios de cliente-advogado, bem como apropriação indevida, suborno, lavagem de dinheiro e posse criminosa de armas.

A EIO é uma nova ferramenta que acelera a cooperação entre juízes de diferentes países da UE e contorna cartas rogatórias laboriosas baseadas em instrumentos de direito internacional. Trata-se de um procedimento automático, e os pedidos só podem ser rejeitados em casos excecionais.

Documentos e imagens de vídeo revelados anteriormente pelo El País mostram que a UC Global S. L. espiou reuniões de Assange com seus advogados onde sua estratégia de defesa legal era discutida. Morales supostamente ofereceu gravações dessas e outras conversas aos serviços de inteligência dos EUA.

Mas a Autoridade Central do Reino Unido (UKCA, United Kingdom Central Authority), o organismo responsável pelo tratamento e resposta às EIO, recusou provisoriamente o pedido de De la Mata para interrogar Assange e solicitou mais informações, argumentado que "estes tipos de interrogatórios são apenas realizados pela polícia" na Grã-Bretanha e que os eventos descritos pelo juiz espanhol são "pouco claros".

Questionando a relação entre os eventos descritos por De la Mata no seu pedido, ela disse que parecia não haver ligação entre o crime contido nos eventos descritos e a explicação de como esta questão foi levantada, ou o que a Espanha está investigando especificamente. Rashid Begun, que assinou a resposta, também pediu a De la Mata que clarificasse a jurisdição sob a qual a Espanha afirma estar investigando o caso.

A posição britânica, sem precedentes nesses tipos de pedidos de colaboração judicial, está sendo vista pelos órgãos judiciais espanhóis como uma demonstração de resistência contra as consequências que o caso poderia ter no processo de extradição do ciberativista australiano para os Estados Unidos.

Resposta do juiz espanhol

Em 14 de Outubro, De la Mata enviou à agência britânica uma resposta escrita. No documento, o juiz manifestou sua surpresa e referiu-se aos "casos anteriores" em que a UKCA aceitou pedidos de entrevistas por videoconferência.

De la Mata também citou tratados de cooperação internacional que dizem que o único obstáculo nestes casos seria se a pessoa interrogada fosse o acusado. "Neste caso, Julian Assange é uma testemunha, não uma parte acusada", escreveu De la Mata.

O juiz espanhol negou que seu pedido inicial não fosse claro, sublinhando que desde que o crime seja cometido em Espanha e o devido processo seja instruído, o sistema judiciário espanhol tem jurisdição e é competente para inquirir casos de crimes cometidos por cidadãos espanhóis fora do país. Os microfones usados para espionar Assange foram comprados na Espanha e as informações obtidas foram enviadas e carregadas em servidores na sede da UC Global S. L., em Jerez de la Frontera, mesmo que os crimes também fossem "parcialmente" cometidos em outros países, argumentou De la Mata.

De la Mata acrescentou que os crimes (divulgação ilegal de segredos e suborno) são crimes no Reino Unido.

Assange tem estado detido na Prisão de Belmarsh, em Londres, desde que foi expulso da embaixada do Equador em Londres em abril. Está prevista para o início de 2020 uma audiência sobre sua extradição para os EUA. O sistema judiciário dos EUA está acusando Assange de supostamente cometer 18 crimes por revelar no WikiLeaks informações confidenciais sobre operações militares no Iraque e Afeganistão. O ciberativista poderá enfrentar uma pena de até 175 anos de prisão.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019102914705201-juiz-espanhol-esbarra-na-tentativa-de-questionar-julian-assange/

Julian Assange pode não viver até o final do processo de extradição

– O silêncio conivente dos media e dos jornalistas corporativos é ensurdecedor
– O caso de Assange é uma infâmia maior que o affaire Dreyfuss
– É uma tentativa de assinalar aos jornalistas as consequências de publicar informação relevante

por Craig Murray [*]

Audi Fiquei profundamente abalado ao testemunhar os acontecimentos no Tribunal de Magistrados de Westminster, segunda-feira 21 de Outubro. Todas as decisões foram tomadas às pressas, mal ouvindo os argumentos e objecções da equipa jurídica de Assange, por uma magistrada que nem sequer pretendia estar a ouvi-las.

Antes de entrar nesta ausência flagrante de um processo justo, a primeira coisa que devo observar foi a condição de Julian. Fiquei muito chocado com o peso que o meu amigo perdeu, com a velocidade com que o seu cabelo caiu e com a sua aparência de envelhecimento prematuro e muito rápido. Ele está também a coxear de forma muito pronunciada, o que nunca vi antes. Desde a sua prisão, ele perdeu mais de 15 kg de peso.

Mas sua aparência física não era tão chocante quanto sua deterioração mental. Quando lhe pediram para dizer o nome e data de nascimento, ele lutou visivelmente por alguns segundos para se lembrar de ambos. Chegarei ao conteúdo importante de sua declaração no final do processo no devido tempo, mas a sua dificuldade em fazê-la era muito evidente; foi uma verdadeira luta para ele articular as palavras e concentrar-se na sua linha de raciocínio.

Até então, sempre fui discretamente céptico em relação àqueles que alegavam que o tratamento de Julian representava tortura – mesmo depois de Nils Melzer , relator especial da ONU sobre tortura, o afirmar – e céptico em relação àqueles que sugeriam que ele poderia estar sujeito a tratamentos de drogas debilitantes. Porém, depois de ter participado em julgamentos no Uzbequistão de várias vítimas de tortura extrema e de ter trabalhado com sobreviventes da Serra Leoa e de outros lugares, posso dizer que ontem mudei de ideias completamente: Julian exibiu exactamente os sintomas de uma vítima de tortura trazida para a luz, particularmente em termos de desorientação, confusão e verdadeira luta para reivindicar o livre arbítrio através da névoa de uma extrema debilidade adquirida.

Apoiantes de Assange diante do Tribunal de Westminster. Fiquei ainda mais céptico em relação àqueles que alegaram, como um membro sénior da sua equipa jurídica me fez na véspera da audiência, que estavam preocupados com o facto de Julian poder não viver até o fim do processo de extradição. Agora vejo-me não apenas a acreditar, mas assombrado por este pensamento. Todos no tribunal viram que um dos maiores jornalistas e dissidentes mais importantes do nosso tempo está a ser torturado até a morte pelo Estado, diante de nossos olhos.

Ver o meu amigo, o homem mais articulado, o pensador mais rápido que já conheci, reduzido àquele naufrágio e destruição incoerente, era insuportável. No entanto, os agentes do Estado, particularmente a insensível magistrada Vanessa Baraitser, não estavam apenas preparados, mas ansiosos por fazer parte desta força destruidora. Na verdade, ela disse-lhe que, se ele fosse incapaz de seguir os procedimentos, os seus advogados poderiam explicar-lhe mais tarde o que havia acontecido. A questão de saber por que um homem que, pelas próprias acusações contra ele era altamente inteligente e competente, fora reduzido pelo Estado a alguém incapaz de seguir um processo judicial, não lhe deu um milissegundo de preocupação.

A acusação contra Julian é muito específica: conspiração com Chelsea Manning para publicar documentos da Guerra do Iraque, da guerra do Afeganistão e telegramas do Departamento de Estado. As acusações não têm nada a ver com a Suécia, nada com sexo e nada com as eleições de 2016 nos EUA; seria uma simples clarificação que os grandes media parecem incapazes de entender.

Apoiantes de Assange diante do Tribunal de Westminster. O objectivo da audiência foi determinar o cronograma do processo de extradição. Os pontos principais em questão eram que a defesa de Julian solicitava mais tempo para preparar as suas evidências, argumentando que ofensas políticas fossem especificamente excluídas do tratado de extradição. Argumentaram que deveria haver, portanto, uma audiência preliminar para determinar se o tratado de extradição seria aplicável.

As razões apresentadas pela equipa de defesa de Assange por mais tempo para se preparar foram convincentes e surpreendentes. Eles tiveram um acesso muito limitado ao cliente na prisão e só haviam sido autorizados a entregar-lhe documentação uma semana antes. Ele também tinha acabado de ter autorização para um acesso limitado ao computador e todos os seus registos e materiais relevantes haviam sido apreendidos na Embaixada do Equador pelo Governo dos EUA; ele não tinha acesso aos seus próprios materiais com o objectivo de preparar a sua defesa.

Além disso, argumentou a defesa, entraram em contacto com os tribunais espanhóis sobre um caso jurídico em Madrid muito importante e relevante que forneceria provas vitais. Mostraria que a CIA estava a ordenar a espionagem directa a Julian na embaixada, através de uma empresa espanhola, a UC Global, contratada para fornecer segurança na embaixada. Fundamentalmente, isso incluía espiar conversas privilegiadas , entre Assange e seus advogados discutindo a sua defesa contra os processos de extradição que estavam em andamento nos EUA desde 2010. Em qualquer processo normal, esse facto seria suficiente para que o processo de extradição fosse julgado improcedente. Aliás, soube no dia anterior à audiência, que o material espanhol produzido em tribunal, encomendado pela CIA, inclui especificamente uma cobertura em vídeo de alta resolução de Julian discutindo vários assuntos comigo.

Apoiantes de Assange diante do Tribunal de Westminster. As evidências para o tribunal espanhol também incluíam uma conspiração da CIA para sequestrar Assange, que representava a atitude de ilegalidade das autoridades dos EUA neste caso e ao tratamento que ele poderia esperar nos Estados Unidos. A equipe de Julian explicou que o processo legal espanhol estava em curso e que as evidências seriam extremamente importantes, mas poderiam não estar concluídas e, portanto, as evidências não serem totalmente validadas e disponíveis no tempo do cronograma proposto para as audiências de extradição de Assange.

Na acusação, James Leais QC [1] afirmou que o governo se opunha fortemente a qualquer atraso que a defesa preparasse e se opunha fortemente a quaisquer considerações diferentes da questão de saber se a acusação era uma ofensa política excluída pelo tratado de extradição. Baraitser aceitou a sugestão de Lewis e afirmou categoricamente que a data da audiência de extradição seria em 25 de Fevereiro e não poderia ser alterada. Ela estava aberta a alterações nas datas para apresentação de evidências e respostas antes disso, neste sentido convocou um recesso de dez minutos para que a acusação e a defesa concordassem com essas etapas.

O que aconteceu depois foi muito instrutivo. Presentes cinco representantes do governo dos EUA (inicialmente três e mais dois chegaram no decorrer da audiência), sentados em mesas atrás dos advogados no tribunal. Os advogados de acusação entraram imediatamente em contacto com os representantes dos EUA e depois saíram do tribunal com eles, para decidir como responder às datas.

Após o regresso, a equipa de defesa afirmou que, em sua opinião profissional, não poderia preparar-se adequadamente se a data da audiência de Fevereiro fosse mantida, mas, seguindo as instruções de Baraitser, delinearam um cronograma para a entrega de evidências. Em resposta a isso, o advogado júnior de Lewis correu para o fundo do tribunal a fim de consultar os americanos novamente, enquanto Lewis disse ao juiz que estava "recebendo instruções dos que estavam atrás".

É importante observar que, ao dizer isto, não foi o gabinete do procurador-geral do Reino Unido que estava sendo consultado, mas a embaixada dos EUA. Lewis recebeu as instruções dos americanos e concordou que a defesa poderia ter dois meses para preparar as suas evidências (eles disseram que precisavam de um mínimo absoluto de três), mas a data da audiência de Fevereiro não foi alterada. Baraitser pronunciou a sua decisão concordando com tudo o que Lewis havia dito.

Nesta fase, não era claro por que estávamos participando nesta farsa. O governo dos EUA ditava as suas instruções a Lewis, que as transmitia a Baraitser, que as tomava como sua decisão legal. A farsa poderia ter sido evitada e o governo dos EUA simplesmente ocupar o lugar na barra do tribunal para controlar todo o processo. Ninguém poderia, estando naquele tribunal, acreditar que se estava num processo legal genuíno ou que Baraitser estava por um momento a ter em conta os argumentos da defesa. As suas expressões faciais nas poucas ocasiões em que ela olhou para a defesa, variaram de desprezo a tédio e sarcasmo. Quando ela olhava para Lewis, estava atenta, aberta e calorosa.

A extradição está sendo levada a cabo rapidamente de acordo com um cronograma ditado por Washington. Além do desejo de antecipar-se ao tribunal espanhol no fornecimento de provas da actividade da CIA para sabotar a defesa. O que torna a data de Fevereiro tão importante para os EUA? Muito gostaria de receber quaisquer ideias sobre isso.

Baraitser rejeitou o pedido da defesa de uma audiência prévia separada para considerar se o tratado de extradição se aplicava, sem se preocupar em dar qualquer razão para isso (possivelmente ela não memorizou adequadamente as instruções que Lewis tinha estado a dar-lhe para concordar). No entanto, este é o artigo 4º Tratado de Extradição UK/US de 2007 .

Em face disto, aquilo de que Assange é acusado é a própria definição de ofensa política – se não é, então o que é? Não está coberto por nenhuma das excepções listadas [2] . Há todas as razões para considerar se esta acusação está excluída pelo tratado de extradição e fazê-lo antes do longo e muito dispendioso processo de considerar todas as evidências, no caso de o tratado se aplicar. Mas Baraitser simplesmente pôs de imediato o argumento de parte.

No caso de alguém ter alguma dúvida sobre o que estava acontecendo ali, Lewis levantou-se e sugeriu que a defesa não deveria perder o tempo do tribunal com muitos argumentos. Todos os argumentos para a audiência substantiva devem ser apresentados por escrito com antecedência e uma "guilhotina deve ser aplicada" (suas palavras exactas) a argumentos e testemunhas em tribunal, talvez de cinco horas para a defesa. A defesa sugeriu que precisariam de mais do que os cinco dias programados para apresentar seu caso. Lewis respondeu que toda a audiência deveria terminar em dois dias. Baraitser disse que esse não era o momento correcto para concordar com isso, mas ela o considerará assim que receber os pacotes de evidências. (NOTA: Baraitser fará o que Lewis instruí e interromperá a audiência substantiva).

Baraitser limitou tudo dizendo que a audiência de Fevereiro será realizada, não no Tribunal de Magistrados de Westminster, relativamente aberto e acessível, onde estávamos, mas no Tribunal de Magistrados de Belmarsh, o sombrio mecanismo de alta segurança usado para o processamento legal preliminar de terroristas, anexo à prisão de segurança máxima onde Assange está detido. Existem apenas seis cadeiras para o público mesmo na maior sala de tribunal de Belmarsh, o objectivo é claramente evitar o escrutínio público e garantir que Baraitser não seja novamente exposta em público a um relato genuíno de seus procedimentos, como este que está a ler. Provavelmente não poderei participar na audiência substantiva de Belmarsh.

Claramente, as autoridades ficaram desconcertadas com as centenas de pessoas boas que apareceram para apoiar Julian. Eles esperam que muito menos cheguem a Belmarsh, muito menos acessível. Estou bastante certo (e recordo ter tido uma longa carreira como diplomata) de que os dois funcionários extras do governo americano que chegaram no meio do processo eram agentes de segurança armados, trazidos por causa do alarme provocado pelo número de manifestantes em torno de uma audiência na qual estavam presentes altos funcionários dos EUA. A mudança para Belmarsh pode ter sido uma iniciativa americana.

A equipe de defesa de Assange opôs-se vigorosamente à mudança para Belmarsh, principalmente porque não há salas de conferência disponíveis para consultar seu cliente e têm acesso muito inadequado a ele na prisão. Baraitser rejeitou a objecção de imediato com um sorriso muito pronunciado.

Finalmente, Baraitser virou-se para Julian, ordenou-lhe que se levantasse e perguntou se ele havia entendido o processo. Ele respondeu negativamente, disse que não conseguia pensar e deu toda a aparência de desorientação. Então ele pareceu encontrar uma força interior, levantou-se um pouco e disse:

Não entendo como este processo pode ser equitativo. Esta super-potência teve 10 anos para se preparar para este caso e eu nem consigo ter acesso aos meus escritos. É muito difícil, onde estou, fazer qualquer coisa. Essas pessoas têm recursos ilimitados.

O esforço pareceu tornar-se demasiado, sua voz caiu e ele ficou cada vez mais confuso e incoerente. Ele falou de denunciadores de irregularidades e editores sendo rotulados inimigos do povo, depois falou sobre o DNA de seus filhos ser roubado e espionado nas suas reuniões com o seu psicólogo. Não estou sugerindo de maneira alguma que Julian estivesse errado sobre esses pontos, mas ele não conseguiu enquadrá-los nem articulá-los adequadamente. Ele claramente não era ele mesmo, muito doente e era terrivelmente doloroso de assistir. Baraitser não mostrou nem simpatia nem a menor preocupação. Ela observou com veemência que, se ele não conseguia entender o que havia acontecido, seus advogados poderiam explicar-lhe isso e ela saiu do tribunal.

Toda a experiência foi profundamente perturbadora. Era muito claro que não havia nenhum processo genuíno de considerações legais a acontecer. O que tivemos foi uma demonstração nua do poder do Estado e um desbragado ditar de procedimentos pelos americanos. Julian estava numa caixa atrás de vidro à prova de balas, e eu e os trinta outros membros do público que nos espremíamos estávamos numa caixa diferente atrás de mais vidro à prova de balas. Não sei se ele podia ver-me ou a seus outros amigos no tribunal, ou se era capaz de reconhecer alguém. Ele não deu nenhuma indicação de que sim.

Em Belmarsh, ele é mantido em isolamento completo durante 23 horas por dia, tendo 45 minutos de exercício. Se tiver que ser movido, desimpedem os corredores antes que ele desça e trancam todas as portas das celas para garantir que não tenha contacto com nenhum outro prisioneiro fora do período de exercício curto e estritamente supervisionado. Não há justificação possível para que esse regime desumano, usado para grandes terroristas, seja imposto a um editor prisioneiro em prisão preventiva.

Venho catalogando e protestando há anos contra os poderes cada vez mais autoritários do Estado do Reino Unido, mas um abuso tão grave, tão aberto e sem disfarces ainda é um choque. A campanha de demonização e desumanização contra Julian, baseada nas mentiras do governo e dos media, levou a uma situação em que ele pode ser morto lentamente à vista do público e processado criminalmente com a acusação de publicar a verdade sobre irregularidades do governo, sem receber qualquer assistência da sociedade "liberal".

A menos que Julian seja libertado em breve, ele será destruído. Se o Estado puder fazer isso, quem será o próximo?

22/Outubro/2019
NT
[1] Queen's Counsel: advogado com competência para discutir casos em tribunais de nível superior
[2] Delitos que não são considerados crimes políticos.

Ver também:

 

 

[*] Escritor, radialista e activista de direitos humanos. Foi embaixador britânico no Uzbequistão desde Agosto 2002 a Outubro de 2004 e reitor da Universidade de Dundee de 2007 a 2010, www.craigmurray.org.uk

O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/52433.htm

 

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/julian_pode_morrer.html

'Assange tem sintomas de vítima de tortura', diz ex-diplomata britânico

Fundador do WikiLeaks Julian Assange no Reino Unido
© AP Photo / Matt Dunham

Craig Murray, ex-diplomata do Reino Unido, contou em entrevista à Sputnik Internacional sobre o estado de Julian Assange após vê-lo durante audiência em corte britânica.

Na última segunda-feira (21), o ativista e fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, foi levado a tribunal na Corte de Magistrados de Westminster em Londres, Reino Unido.

Um dos presentes era Craig Murray, ex-embaixador do Reino Unido e atual ativista em defesa dos direitos humanos. Em entrevista à Sputnik Internacional, Murray contou o que viu e falou sobre o estado físico e mental de Assange.

"Bom, eu fiquei muito chocado ao vê-lo na corte na segunda. A sua aparência mudou radicalmente. Ele envelheceu uns vinte anos desde a última vez que o vi há um ano. Eu percebi que ele perdeu uns 15 quilos ou mais, desde que entrou para a prisão de Belmarsh. Tudo isso em apenas poucos meses", afirmou Murray.

Além disso, o britânico também disse que Assange sofreu queda de cabelo e começou a mancar, coisa que antes não fazia.

Fora a deterioração de sua condição física, Assange apresentou problemas para expressar seus pensamentos assim como dizer seu nome e sua data de nascimento, de acordo com Murray.

"Quando ele tentou dizer alguma coisa no final, quando perguntado se ele entendia os procedimentos, Assange disse que não entendia muito bem o que estava acontecendo. Logo em seguida, ele tentou fazer uma declaração sobre a injustiça do processo e a falta de instrumentos para a elaboração de sua defesa, no entanto, ele não conseguia achar as palavras", afirmou Murray.

Solitária

O ex-diplomata britânico também ressaltou as condições em que Assange é mantido preso no Reino Unido. Segundo ele, o fundador do WikiLeaks é confinado em uma solitária.

"Eu não sei bem ao certo o que têm feito com ele. Eu sei que ele é confinado em uma solitária. Ele é vigiado o tempo todo. Ele só sai da cela 45 minutos por dia [...] Durante os exercícios ele tem um contato muito limitado com poucos prisioneiros. Certamente este confinamento solitário é uma forma de tortura, mas eu não sei o que tem sido feito com ele além disso", acrescentou Murray.

Baseado em sua experiência com pessoas que foram submetidas à tortura no Uzbequistão e Serra Leoa, o ex-diplomata acredita que Assange seja vítima de tortura.

"Eu sei como elas [vítimas de tortura] se comportam [...]. Ele [Assange] tem todos os sintomas de uma vítima de tortura, em termos de desorientação e na dificuldade em expressar sua vontade e falar coerentemente", afirmou o ativista.

'Atitude parcial'

Observando o andamento do processo no tribunal, Murray disse que a atitude da juíza, Vanessa Baraitser, se revelou parcial, visto que a todo tempo a magistrada atuava em favor da promotoria, sem mesmo dar explicações.

Desta forma, Murray disse que não haveria grande diferença entre Assange ser julgado tanto no Reino Unido quanto nos EUA, mas acredita que em uma corte superior dos EUA Julian Assange teria maiores chances de vencer.

"Eu acredito que nos EUA, em uma corte superior, ele poderia vencer, porque a Primeira Emenda é um pilar absoluto da sociedade política americana", declarou Murray.

Interferência dos EUA

Também a audiência foi executada com constante interferência de representantes da Justiça dos EUA, segundo o entrevistado.

"Eles [oficiais da Justiça dos EUA] estavam dando instruções aos promotores. Não era a Promotoria Real Britânica que estava instruindo os promotores. Era a própria Promotoria dos EUA. Eu devo dizer que fui testemunha disso", afirmou Craig Murray.

Desta forma, o britânico revelou que os promotores de Assange buscavam conselhos diretamente dos oficiais da Justiça dos EUA presentes na audiência.

Grande mídia e Assange

Ademais as acusações feitas pelos Estados Unidos, Julian Assange foi acusado de estupro na Suécia. Desde então, o ativista se tornou foco da grande mídia e, segundo Murray, teve sua imagem suja.

Com o início de seu asilo na embaixada equatoriana na capital britânica, alguns acreditaram que Assange buscava uma forma de fugir da acusação de estupro na Suécia. No entanto, Murray ressalta que o objetivo central do acusado era fugir da possibilidade de extradição aos EUA.

Para Murray, os reais motivos de Assange não foram compreendidos pela grande mídia.

"Ele sempre disse que a razão de ir para a embaixada do Equador não foi para não ir à Suécia. Ele temia a extradição aos EUA. Agora que ele foi levado a custódia, as alegações suecas desapareceram [...] Está assim provado que isso é verdade. As acusações suecas foram só um pretexto. Elas nunca foram sérias. Isso foi elaborado para levá-lo a custódia e depois enviá-lo para os EUA", contou o britânico.

Após publicar telegramas de missões diplomáticas dos Estados Unidos e denunciar supostos crimes de guerra de Washington no Iraque, Julian Assange se tornou alvo de acusações pelo governo americano.

Para evitar sua extradição aos EUA, Assange passou sete anos em asilo na embaixada do Equador em Londres. No entanto, em 11 de abril, após permissão do governo equatoriano, Assange foi preso pela Polícia do Reino Unido e levado a julgamento, tendo como fundo o pedido de extradição do governo americano.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019102514689504-assange-tem-sintomas-de-vitima-de-tortura-diz-ex-diplomata-britanico/

Londres | Tribunal recusa dar mais tempo a Assange para preparar a sua defesa

 
 
O fundador do WikiLeaks Julian Assange compareceu hoje num tribunal de Londres para combater a extradição para os Estados Unidos sob a acusação de espionagem, e viu recusado um pedido de mais tempo para preparar o seu caso.
 
Assange e a sua equipa de advogados não conseguiram convencer a juíza Vanessa Baraitser sobre a concessão de mais tempo pelo que a decisão sobre a extradição permanece agendada para uma audição de cinco dias em finais de fevereiro, com audições intermédias em novembro e dezembro.
 
À entrada da sessão, Assange, com ar saudável mas aparentando ter perdido peso, segundo a Associated Press, ergueu o punho em direção aos apoiantes que enchiam a galeria pública do Tribunal de magistrados de Westminster.
 
Após a recusa da juíza em recusar o seu pedido de adiamento de três meses, Assange disse que não entendia os procedimentos.
 
O fundador do WikiLeaks considerou que o seu caso não é "justo" porque o Governo dos EUA possui "recursos ilimitados", além de não facilitar o acesso aos seus advogados ou aos documentos de que necessita para preparar a sua batalha legal contra a extradição, ao permanecer detido na prisão Belmarsh, nos arredores de Londres.
 
"Eles têm todas as vantagens", denunciou Assange, 48 anos.
 
 
O advogado Mark Summers, que representa Assange, disse à juiza ser necessário mais tempo para preparar a defesa do indiciado contra as acusações "sem precedentes" dirigidas a um jornalista sobre a prática de espionagem.
 
Summers disse que o caso possui muitas facetas e requer uma "enorme" quantidade de planeamento e preparação.
 
Acusou ainda os EUA de espionagem ilegal a Assange enquanto este permaneceu no interior da embaixada do Equador quando procurou refúgio e de outras ações ilegais contra o fundador do WikiLeaks.
 
O ativista australiano foi detido pela polícia britânica no início de abril na embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou durante sete anos devido aos receios de ser extraditado para os EUA.
 
Washington acusa-o de ter divulgado milhares de documentos secretos no seu portal WikiLeaks, e de "conspiração" para se infiltrar nos sistemas informáticos governamentais.
 
Em junho de 2012 Assange deveria comparecer perante a justiça britânica para responder a supostos abusos sexuais cometidos na Suécia.
 
Apesar de o país escandinavo ter posteriormente retirado o pedido de extradição, o Reino Unido manteve o mandado de captura por não ter comparecido em tribunal quando foi convocado, e que implicou a pena de prisão que agora está em vias de terminar.
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/10/londres-tribunal-recusa-dar-mais-tempo.html

Assange foi alvo de torturas e violações de direitos, denuncia enviado da ONU

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange (foto de arquivo)
© REUTERS / Peter Nicholls

O editor do WikiLeaks, Julian Assange, foi submetido a "tortura psicológica" e seus direitos de devido processo legal foram "sistematicamente violados" por todos os Estados envolvidos, de acordo com o relator especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer.

Dois médicos especialistas acompanharam Melzer quando ele visitou Assange na prisão de Belmarsh, no Reino Unido, declarou ele na terça-feira.

"Chegamos à conclusão de que ele havia sido exposto a tortura psicológica por um período prolongado de tempo. Essa é uma avaliação médica", explicou o oficial da ONU.

A mensagem de Melzer caiu amplamente em ouvidos surdos, pois apenas alguns repórteres compareceram à conferência de imprensa de terça-feira na sede da ONU em Nova York.

Não foi a primeira vez que Melzer tentou chamar a atenção para a situação de Assange. Ele escreveu um artigo de opinião sobre o assunto em junho, apenas para encontrá-lo ignorado ou rejeitado pelos principais meios de comunicação, e acabou publicando cartas abertas aos governos dos EUA, Reino Unido, Equador e Suécia em julho.

"Pedimos a todos os Estados envolvidos que investigassem esse caso e aliviassem a pressão exercida sobre ele, e especialmente respeitassem seus direitos de devido processo, que, na minha opinião, foram sistematicamente violados em todas essas jurisdições", prosseguiu Melzer. Nenhum país concordou em fazê-lo, acrescentou ele, embora essa fosse sua obrigação sob a Convenção sobre Tortura.
Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019.
© Sputnik / Ruptly
Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019

A polícia britânica arrastou Assange para fora da embaixada equatoriana em 11 de abril, depois que o governo do presidente Lenín Moreno revogou seu asilo, concedido em 2012. O editor do WikiLeaks passou quase sete anos dentro da embaixada em Londres, onde procurou refúgio e asilo contra os pedidos de prisão e extradição dos EUA, por acusações relacionadas à publicação em 2010 de documentos secretos do governo relacionados às guerras no Iraque e no Afeganistão.

Assange, de 48 anos, foi preso - e depois preso por uma sentença de 50 semanas por evasão de fiança - na instalação de segurança máxima usada para abrigar terroristas, assassinos e outros criminosos de alto nível. Segundo informações, ele passou boa parte do tempo no hospital da prisão.

Embora ele fosse ser libertado em 22 de setembro, um juiz decidiu que ele continuaria preso até as audiências de sua extradição para os EUA, agendadas para fevereiro de 2020. Se enviado para os EUA e condenado, ele pode pegar até 175 anos atrás das grades.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019101614649738-assange-foi-alvo-de-torturas-e-violacoes-de-direitos-denuncia-enviado-da-onu/

CIA tinha acesso a fichas de visitantes de Assange na Embaixada do Equador, diz reportagem

Embaixada do Equador em Londres, aonde ficou asilado por sete anos o jornalista Julian Assange
© AP Photo / Alastair Grant

A empresa de segurança espanhola contratada pela Embaixada do Equador em Londres, durante a estadia de Julian Assange, reunia informações sobre seus visitantes e as repassava para a CIA.

David Morales, dono da empresa de segurança espanhola Undercover Global SL, teria orientado os seus funcionários a coletar informações sobre qualquer pessoa que visitasse o jornalista e fundador do site Wikileaks, Julian Assange, durante os quase sete anos nos quais ele ficou asilado na Embaixada do Equador em Londres, segundo reportagem do jornal El País.

Ex-funcionários da empresa denunciaram ao jornal espanhol que a agência de inteligência norte-americana, a CIA, teria tido acesso às informações. A agência teria acedido ao servidor de internet da empresa, no qual eram reunidas as informações, inclusive os “perfis” dos visitantes contendo todo tipo de informações pessoais. Os visitantes americanos e russos receberam a maior prioridade, principalmente se fossem advogados ou vinculados à imprensa.

Ao entrar na Embaixada, os visitantes precisavam deixar seus celulares e computadores com a empresa de segurança, o que poderia ter garantido o acesso da inteligência norte-americana a arquivos e documentos salvos nesses aparelhos.

O CEO da Undercover Global SL também teria fornecido áudios e vídeos dos encontros de Assange para a CIA, inclusive das reuniões entre o jornalista e seus advogados. Um tribunal espanhol abriu um processo sobre o ocorrido após as revelações feitas pelo jornal.

Prisão de Julian Assange

Julian Assange foi preso em abril do corrente, após o Equador ter rescindido o seu status de asilado político. Com o aval do governo equatoriano, a polícia britânica entrou na Embaixada e prendeu o fundador do site Wikileaks, acusado de ter violado a sua libertação provisória no Reino Unido em 2012, crime passível de pena de um ano de prisão.

Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019.
© Sputnik / Ruptly
Julian Assange é preso após ter seus status de asilado político revogado pelo Equador, em abril de 2019

O jornalista tinha buscado asilo na Embaixada do Equador para evitar a extradição aos Estados Unidos, que o acusa de ter publicado ilegalmente documentos confidenciais. O jornalista alega que poderia ser sentenciado a prisão perpétua pela Justiça norte-americana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019100914614913-cia-tinha-acesso-a-fichas-de-visitantes-de-assange-na-embaixada-do-equador-diz-reportagem/

Um encontro com Julian Assange na prisão

– Mesmo tendo cumprido em abril a sentença que o levou à prisão, Assange continua detido
– A Lei de Espionagem americana está sendo usada pela primeira vez contra um editor
– As acusações nos Estados Unidos por publicar informações de interesse público podem conden&aacute-lo a 175 anos de cadeia

por Felicity Ruby [*]

Só conheci Julian Assange no cárcere. Faz nove anos que o visito na Inglaterra, trazendo notícias e solidariedade australiana.

Quando fui a Ellingham Hall [histórica propriedade rural em Norfolk onde Assange ficou em prisão domiciliar durante dois anos], levei música e chocolate. Quando fui à embaixada do Equador, levei camisas de flanela, cópias de Rake, uma série de TV australiana, um pote de Wizz Fizz, uma marca australiana de sorvete, e folhas de eucalipto. Mas para o presídio de Belmarsh não se pode levar nada – nenhum presente, nenhum livro, nenhuma folha de papel.

E, depois de ter passado por lá, voltei para a Austrália, um país tão distante que o abandonou em quase todos os aspectos.

Ao longo dos anos, aprendi a não perguntar a Julian "como você está?", porque é bem óbvio como ele está: detido, difamado, caluniado, sem liberdade, preso – em "celas" cada vez mais estreitas, frias, escuras e húmidas –, perseguido e punido por publicar informações. Aprendi a não reclamar da chuva ou comentar o lindo dia que está fazendo, porque ele não sai há tanto tempo que sentir até uma nevasca seria uma bênção. Aprendi também que não é reconfortante, mas sim cruel, falar sobre pores-do-sol, sobre as aves kookaburras, nativas da Austrália, ou sobre viagens de carro. Que não ajuda a assegurá-lo de que, como eu e meu cão, ele também encontrará rastros de animais nos parques naturais australianos quando algum dia voltar para casa, mesmo que eu pense nisso quase todos os dias.

A natureza prolongada e de crescente intensidade de seu confinamento me confronta enquanto, na primeira fila, eu espero na porta de entrada daquela prisão de tijolos marrons, no último dia 12 de setembro. No centro de visitantes, do lado oposto, cadastraram minhas digitais depois de eu ter mostrado dois comprovantes de residência diferentes e meu passaporte. Certifiquei-me de ter tirado absolutamente tudo de meus bolsos e guardei minha bolsa, ficando apenas com uma nota de 20 libras para comprar chocolate e sanduíches. Apesar do teatro de segurança que se segue, o dinheiro é roubado em algum momento durante o percurso por não menos de quatro corredores cujas portas traseiras são seladas antes que as portas dianteiras se abram, depois por um detector de metal, para em seguida ser revistada e ter minha boca e orelhas inspecionadas.

Depois de calçarem de novo os sapatos, os visitantes atravessam uma área externa e encaram a realidade da prisão: uma cerca de aço com arame farpado em lâmina de uns 4 metros de altura ao redor de toda a sua extensão. Eu me apresso até o próximo prédio e chego a uma sala onde 30 pequenas mesas estão fixadas no chão, cada uma com uma cadeira azul de plástico de frente para três cadeiras verdes.

Ele se senta em uma das cadeiras azuis.

Eu hesito agora, como sempre, em descrevê-lo. Isso também aprendi: é um impulso protetor contra o fascínio mórbido de alguns de seus defensores e também daqueles que apreciam seu sofrimento.

Sua saúde já estava se deteriorando seriamente quando ele deixou a embaixada. Ele confirma que ainda está na ala hospitalar, apesar de ainda não ter visto especialistas, o que é claramente necessário depois de tudo que passou. Ele explica que é transportado para dentro e para fora de sua cela, onde fica 22 horas por dia, sob um procedimento chamado de "movimentos controlados", o que significa que a prisão é trancada e os corredores, esvaziados. Ele descreve o pátio de exercícios. Na parede se lê: "Aprecie as folhas de relva sob seus pés"; mas não há relva, apenas betão. Não há nada verde, apenas betão e grades no alto.

Após tão extremo isolamento e privação de companhia humana, claro que ele está feliz em ver amigos – eu não estou sozinha. Ele mascara o desconforto e se esforça, sorrindo das minhas piadas, paciente com a minha falta de jeito, acenando e me encorajando a lembrar mensagens parcialmente memorizadas. Eu me levanto para pegar comida enquanto ele coloca a conversa em dia com outro amigo. É aí que percebo que não tenho dinheiro, então volto para pegar o deles. Quando retorno para a fila, uma moça com um hijab [véu muçulmano] fala: "Ele não pertence a esse lugar. Ele não deveria estar aqui. Nós sabemos das coisas por causa dele. Ele tem muitos apoiadores na comunidade muçulmana". Essa compreensão e a solidariedade ajudam a me acalmar depois da provação de entrar neste lugar frio; até aqui existe calor, amizade, gentileza. Fico muito agradecida àquela mulher e volto com uma bandeja de junk food para contar o que ela tinha acabado de me dizer, o que prova mais uma vez que muitas pessoas conseguem enxergar através da manipulação mediática intensiva contra Julian. E que elas têm senso de humanidade, bom senso, empatia e compaixão que penetram esse filtro.

Julian recebe duas visitas sociais por mês; a última havia sido três semanas e meia antes, por isso conversamos rápido, trocando tantas palavras, mensagens e ideias quanto possível. Nunca houve silêncios entre nós e, abastecidos apenas por café até altas horas, frequentemente falávamos ao mesmo tempo, um respondendo enquanto o outro falava, mas o barulho daquela sala é alto demais para isso.

Várias vezes ele precisa fechar os olhos para organizar sua linha de raciocínio, e então desatamos novamente, conscientes de que o lento tempo da prisão se acelera durante as visitas, que são muito barulhentas – outros 30 prisioneiros estão vendo seus amigos e famílias, crianças estão tentando ser ouvidas, e, presumivelmente, microfones e câmaras estão se esforçando para ouvir o que está sendo dito.

O especialista em tortura da ONU que também o visitou na prisão disse que Julian exibe efeitos de tortura psicológica prolongada. Ele tem sido torturado pela detenção indefinida, e a perspectiva de extradição para os Estados Unidos, para um julgamento espetacularizado, onde ele enfrentaria uma possível pena de 175 anos de prisão – uma pena de morte, efetivamente –, é sem dúvida uma forma de tortura.

Mesmo assim, ele me surpreende diversas vezes ao tirar o foco da conversa de si mesmo e o colocar nos princípios e implicações mais amplos do seu caso: "Não é só sobre mim, Flick; é sobre tantas pessoas, todos os jornalistas no Reino Unido. Se eu posso ser capturado, qualquer australiano trabalhando em Londres, qualquer jornalista ou editor pode ser detido simplesmente por estar fazendo seu trabalho".

Algumas semanas antes, em um evento do Partido Verde australiano em Sydney, eu havia ficado irritada quando alguém disse algo parecido: "Não é sobre Julian; é sobre o jornalismo". Eu respondi: "E quando vai ser sobre Julian também? Quando ele estiver morto? Quando eles o tiverem matado? Quando você acha que isso vai poder ser sobre um editor australiano que está numa prisão do Reino Unido, sendo punido pelos Estados Unidos por publicar a verdade sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão?".

Quando se trata de Julian, nada é normal; cada passo do processo legal e político dos últimos nove anos foi anômalo, e o contexto e pretexto também foram manipulados por um grande número de estratégias, algumas delas vazadas , para infectar e influenciar a percepção pública que se tem dele, de seu trabalho e de seus apoiadores. Isso muda radicalmente conversas normais sobre ele, mesmo com alguns de meus amigos mais cautelosos.

Eu dou um abraço de despedida em um homem muito mais magro do que aquele que eu conhecia, e uma pessoa diferente desaparece no corredor quando a visita acaba, mesmo que os nossos punhos esquerdos estejam erguidos, como sempre.

No nosso caminho de volta da visita, recebemos uma ligação para avisar que uma audiência técnica havia sido inesperadamente adiantada para o dia seguinte.

Nessa "audiência técnica", o juiz distrital descartou preventivamente a possibilidade de fiança . Não era uma audiência sobre fiança, e os advogados de Julian nem haviam tido a possibilidade de solicitá-la, mas o juiz a descartou sem ouvir quaisquer argumentos ou fatos. Quando o juiz perguntou se ele entendeu, Julian disse: "Na verdade, não. Tenho certeza de que os advogados vão explicar". Ele não entendeu porque isso é irregular, mais uma vez, mas também porque não tem acesso a documentos do tribunal e a documentos legais para ajudar a preparar seu caso.

No dia 23 de setembro, Julian completou sua sentença por violar as condições da liberdade provisória e será mantido preso apenas para que os Estados Unidos possam tentar extraditá-lo. Isso significa que ele cumpriu sentença por ter cometido o crime de solicitar e receber asilo político.

Por que querem trancafiar Assange

O Equador garantiu o asilo porque era óbvio que os Estados Unidos planejavam processá-lo por suas publicações . Entre muitas outras coisas, ele está sendo processado por ter publicado o número real de civis mortos no Iraque e no Afeganistão – milhares de pessoas que foram vítimas de bombardeios, mutilações e tortura. Ele publicou também informações sobre jornalistas mortos por tropas ocidentais, incluindo José Couso, o jornalista espanhol morto no Iraque pelas tropas americanas (os espanhóis depois foram pressionados pelos Estados Unidos a não pedir uma investigação ).

É por isto que eles querem trancafiar Julian: para fazer dele um exemplo, e para que possam fazer isso de novo no futuro sem ter de prestar contas.

A verdade é que Julian estava certo desde o começo. Ele buscou asilo para se proteger dessa exata situação que enfrenta agora: extradição para os EUA, para um julgamento espetacularizado e uma pena de morte de facto por publicar informações de interesse público.

A natureza extrema das acusações silenciou o ódio cáustico reservado a Julian, mas não as declarações baseadas em psicologia barata sobre sua personalidade (uma personalidade que, por acaso, eu aprecio e amo, assim como Noam Chomsky, Daniel Ellsberg, Slavoj Žižek, Patti Smith, P. J. Harvey, Scott Ludlam, Ken Loach e vários outros intelectuais e ativistas.)

Agora, o New York Times , o Washington Post , o Wall Street Journal e o Guardian fazem comentários depreciativos sobre a personalidade de Julian antes de expressar grande preocupação com as acusações às quais ele está respondendo, porque, de fato, os americanos "criminalizam práticas comuns do jornalismo", como disse Amal Clooney, a emissária especial do Reino Unido para a liberdade de imprensa, em junho, na Conferência Global sobre Liberdade de Imprensa.

Então, finalmente, editores e jornalistas do mundo todo entendem que seus destinos estão interligados ao de Julian, para quem não há nenhuma esperança de julgamento justo nos Estados Unidos.

Ele está sendo acusado com base na Lei de Espionagem, usada pela primeira vez contra um editor, que não permite que se use como defesa o argumento de interesse público.

É por isso que o juiz britânico e a ministra do Interior não deveriam extraditar Julian Assange para os Estados Unidos.

Algumas vozes estão se levantando conforme se começa a perceber que, se essa extradição ocorrer, qualquer jornalista que cubra segurança nacional ou faça um trabalho investigativo no Reino Unido ou em qualquer outro país pode ser detido, estabelecendo um precedente terrível para todos os jornalistas e editores.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça de Trump está tentando coagir Chelsea Manning e Jeremy Hammond, duas fontes de vazamentos para o WikiLeaks, a depor contra Julian num processo secreto sem juiz – uma instituição abolida em todos os outros países, exceto na Libéria.

Apesar de eles também estarem presos indefinidamente, Manning e Hammond estão resistindo. Onde isso vai acabar? Precisa acabar com Julian saindo de Belmarsh e, depois, do aeroporto de Sydney, para que seus olhos, prejudicados por tantos anos de confinamento, possam se habituar a encontrar, aqui em casa, trilhas de vombates , marsupiais originários da Austrália, e de wallabies , animais australianos da mesma família dos cangurus, mas de menor porte.

Até que isso aconteça, precisamos continuar lutando contra sua extradição, pedindo que o Reino Unido resista e que o governo australiano traga seu cidadão e editor de volta para casa.

As acusações dos Estados Unidos contra Julian Assange e as possíveis penas

Julian Assange responde por 18 acusações :

1. Conspiração para violar a Lei de Espionagem: 10 anos.
2. Violação da Lei de Espionagem pela obtenção de arquivos da Base Naval de Guantánamo por Manning: 10 anos.
3. Violação da Lei de Espionagem pela obtenção de Cablegate [comunicações diplomáticas] por Manning: 10 anos.
4. Violação da Lei de Espionagem pela obtenção de registros da Guerra do Iraque por Manning: 10 anos.
5. Tentativa de receber e obter informações sigilosas: 10 anos.
6. Obtenção e recepção ilegal de arquivos de Guantánamo: 10 anos.
7. Obtenção e recepção ilegal de Cablegate: 10 anos.
8. Obtenção e recepção ilegal de registros da Guerra do Iraque: 10 anos.
9. Causar divulgação ilegal de arquivos de Guantánamo por Manning: 10 anos.
10. Causar divulgação ilegal de Cablegate por Manning: 10 anos.
11. Causar divulgação ilegal de registros da Guerra do Iraque por Manning: 10 anos.
12. Induzir Manning a comunicar, entregar e transmitir arquivos de Guantánamo: 10 anos.
13. Induzir Manning a comunicar, entregar e transmitir Cablegate: 10 anos.
14. Induzir Manning a comunicar, entregar e transmitir registros da Guerra do Iraque: 10 anos.
15. "Publicação pura" de Diários da Guerra do Afeganistão: 10 anos.
16. "Publicação pura" de Registros da Guerra do Iraque: 10 anos.
17. "Publicação pura" de Cablegate: 10 anos.
18. Conspiração para violar a Lei de Fraude e Abuso de Computadores (CFFA, em inglês): 5 anos.

[*] @FlickRubicon

O original encontra-se na revista australiana Arena Publications e a tradução de Bárbara D'Osualdo em apublica.org/2019/10/um-encontro-com-julian-assange-na-prisao/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_04out19.html

Saúde de Assange está se deteriorando na prisão, diz advogado

Julian Assange, creador de Wikileaks detenido por la policía de Reino Unido
© Foto / Ruptly

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, ainda está isolado na prisão no Reino Unido e enfrenta problemas de saúde na detenção, disse à Sputnik o advogado de Assange, Carlos Poveda.

"Ele está isolado 23 horas por dia e tem apenas uma hora para o intercâmbio interpessoal. A situação é muito difícil. Ele perdeu peso e está completamente isolado do mundo. Isso afeta sua saúde", disse Poveda na sexta-feira (27).

Assange foi preso em Londres em abril deste ano e sentenciado a 50 semanas de prisão por pagar sua fiança em 2012. À época, Assange se refugiou na embaixada equatoriana em Londres para evitar extradição para a Suécia, onde enfrentou acusações de agressão sexual e possível extradição subsequente para os Estados Unidos.

Após a prisão de Assange, Washington entrou com um pedido de extradição. As audiências sobre o caso de extradição de Assange estão agendadas para 25 de fevereiro de 2020.

Os EUA inicialmente acusaram Assange de conspirar para cometer um crime cibernético. No entanto, o Departamento de Justiça dos EUA posteriormente aumentou as acusações e com isso Assange pode enfrentar até 175 anos de prisão.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019092814570981-saude-de-assange-esta-se-deteriorando-na-prisao-diz-advogado/

Pamela Anderson: Julian Assange está preso, porque 'há muito mais segredos para manter'

Pamela Anderson
© AP Photo / Paul A. Hebert

A atriz e modelo americana Pamela Anderson lançou um novo apelo para soltar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que está preso no Reino Unido e enfrenta extradição aos EUA.

Falando ao programa matinal "Good Morning Britain" ao vivo de Vancouver nesta segunda-feira (23), Pamela Anderson, de 52 anos de idade, afirmou que Assange "precisa ser liberado, antes de tudo" e relembrou que "ele é um australiano no Reino Unido à espera de extradição norte-americana".

Ela acrescentou que Assange estava certo ao procurar asilo, porque tudo o que ele disse que ia acontecer, aconteceu.

Anderson visitou Assange na prisão britânica de segurança máxima de Belmarsh em maio deste ano, semanas depois de ter sido expulso da embaixada do Equador em Londres e preso pela polícia britânica.

Condições na prisão

A modelo detalhou as condições em Belmarsh: "Não é um lugar onde você queira deixar um amigo querido, e eu me importo muito com Julian. Acho que ele foi psicologicamente torturado."

Ela descreveu Assange como uma "pessoa boa que se dedicou a dizer a verdade ao público, o que nós merecemos saber, expondo crimes de guerra [...] Ele está sentado na prisão, porque obviamente há muito mais segredos para manter. Ele é apenas um cara fantástico".

"Quando ele me viu, ele me abraçou e me levantou do chão", ela se lembrou, acrescentando que Assange estava "doentio".

Torturas psicológicas?

Assange está cumprindo pena de prisão de 50 semanas desde o início de maio e o relator especial da ONU sobre tortura, Nils Melzer, que visitou o australiano atrás das grades no final de maio, afirmou que o fundador do WikiLeaks mostrou "todos os sintomas típicos de uma exposição prolongada à tortura psicológica".

"Minha preocupação mais urgente é que, nos Estados Unidos, Assange estaria exposto a um risco real de graves violações de seus direitos humanos, incluindo liberdade de expressão, direito a um julgamento justo e proibição de tortura e outros tratamentos ou punições cruéis, desumanos ou degradantes", lamentou Nils Melzer após a visita.

Acusações contra Assange

O editor do WikiLeaks foi condenado por violação de fiança em 2012; na época, ele estava aguardando a extradição para a Suécia para interrogatório sobre acusações de estupro e agressão sexual.

Assange se refugiou na embaixada do Equador em Londres, negando que as acusações fossem motivadas politicamente e temendo que as autoridades suecas o entregassem aos Estados Unidos, que o acusaram de espionagem.

O fundador do WikiLeaks está se preparando para uma batalha jurídica contra a extradição, que deverá começar em fevereiro de 2020. Contra Assange há 18 acusações, que englobam espionagem, por ter vazado centenas de milhares de documentos diplomáticos e militares secretos relacionados às guerras do Iraque e do Afeganistão, que revelaram como militares dos EUA encobriram a morte de centenas de civis.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019092314549914-pamela-anderson-julian-assange-esta-preso-porque-ha-muito-mais-segredos-para-manter/

Porque Julian Assange está a ser torturado até à morte

– Com o silêncio conivente dos media corporativos
– E diante do mutismo de muitas organizações de jornalistas

por Karen Kwiatkowski [*]

Cartoon de Latuff. Penso que já sabemos a resposta. No entanto, precisamos ir mais além e tentar entender o que significa para todos nós esta destruição de um jornalista moderno, nos Estados Unidos e no Reino Unido, parcialmente velada, mas totalmente séria.

Assange é um advogado de denunciantes, um promotor do acesso à informação e da segurança de informação para todos – não apenas para governos e grandes corporações conectadas ao governo. Com a ajuda de especialistas em segurança da informação, codificadores, contadores de verdade e testemunhas em todo o mundo, recebeu e publicou material que embaraçou e expôs um certo número de organizações poderosas, incluindo o governo dos EUA e seus muitos companheiros e beneficiários.

Por que ele está a ser torturado até à morte? Por que ele ainda está a ser submetido a novas variantes experimentais de BZ recém-extraídas de Porton Down e privado, não apenas de amigos, parentes e acesso não supervisionado à sua equipe jurídica, como também de alimentos e cuidados básicos?

A resposta sumária é que ele está detido por conta dos Estados Unidos e está a ser interrogado química e fisicamente em Belmarsh (a Guantanamo britânica), a fim de revelar suas chaves criptográficas privadas e os nomes e informações criptografadas relativas a outras pessoas dentro da rede de informações da Wikileaks. A prisão de Ola Bini em Abril, com novas acusações feitas no mês passado, e a nova prisão e reencarceramento de Chelsea Manning , mostram parte do esforço para encontrar os responsáveis anónimos de fugas informação dos cofres da NSA, especificamente seu esconderijo de ferramentas de hacking revelado em 2016. Isto é indicado na generalidade, mas não completamente apresentado, na acusação dos EUA .

É fascinante que os recentes acordos de confissões negociadas (plea deals) de dois "espiões" da NSA – funcionários do governo que levaram para casa e "armazenaram" grandes quantidades de material da NSA fossem notavelmente leves, quando comparados com o que Julian Assange está a passar e o mdo como Bini e Manning foram e estão a ser tratados.

Um sr. Pho, de 67 anos, que trabalhou como desenvolvedor das Operações de Acesso Personalizado da NSA , declarou-se culpado de uma acusação de remoção intencional de informações de defesa e foi libertado sob fiança antes de no início de 2018~ ser condenado a 66 meses . O tesoureiro extraordinário da NSA, Harold Martin, foi recentemente condenado a nove anos por " crimes contra o estado ". Até a sra. Reality Winner , que foi julgada sob a Lei de Espionagem e não recorreu, recebeu uma sentença relativamente leve , a ser concluída numa prisão próxima da sua casa e com promessas de que pode ser tratada de bulimia. John Kiriakou fez pouco mais do que revelar o que todo o país já sabia sobre tortura efectuada pela CIA e foi sentenciado a 30 meses de prisão.

A melhor prática nos EUA, caso estiver interessado nesta linha de trabalho, é declarar-se culpado para obter uma sentença leniente (cop a plea). Caso contrário, é melhor comportar-se como um oficial que jurou cumprir a Constituição (como Petraeus ou Clapper ) ou um político de elite como Hillary. Excepto isso, assegure-se ser julgado publicamente por acusações fracas, assim talvez evite interrogatórios químicos, tortura física e mental e detenção indefinida pelo governo dos EUA e seus lacaios. Caso contrário, como no caso de Julian Assange e Edward Snowden, é preciso a protecção de um poderoso governo não americano para defender-se dos esquadrões da morte dos EUA. Edward tem isso da Rússia e Julian tinha a do Equador, mas o preço é elevado – e nenhum preço é demasiado alto para o contribuinte dos EUA quando se trata da segurança do governo estado-unidense.

No caso de Assange, apesar de nenhum dano ter sido causado ao mundo ou à vida humana, o governo dos EUA experimentou um embaraço significativo com a divulgação das ferramentas de hackers do governo pelo grupo de hackers Shadow Brokers. Estas divulgações em camadas indicam o que a NSA e outras partes do governo dos EUA (e seus aliados dos Cinco Olhos ) foram e são capazes de fazer, e estão a fazer, a todos nós. A legalização retroactiva de 2016 da vigilância do Reino Unido dos seus cidadãos indica o âmbito e a preocupação dos governos existentes que estão empenhados na auto-preservação em tempos difíceis. A actualização da Lei da Liberdade dos EUA (USA Freedom Act), na mesma época, revela em grande medida as mesmas preocupações por parte do Estado estado-unidense.

As revelações dos Shadow Brokers também sugerem que outra fuga do calibre do de Snowden pode existir dentro da NSA. Graças a Assange, Snowden e outros, a NSA sente-se quase tão tecnologicamente transparente e vulnerável quanto o americano médio. Isso não deve ficar assim!

Como isso não deve permanecer assim, Assange e aqueles que podem ter trabalhado com ele serão interrogados com toda a capacidade do estado (tortura física, mental e química). Eles não serão julgados, representados ou defendidos num tribunal público e, como observado aqui para Assange, eles nunca serão libertados , independentemente do que vier a ser descoberto através de interrogatórios.

Se uma toupeira, ou toupeiras, permanece(m) ou não dentro do vasto conglomerado de Inteligência dos EUA é, nesta altura, irrelevante. Uma ou mais deve e será encontrada, e como parte dessa pesquisa, muitas pessoas – a serem encontradas entre jornalistas tradicionais ou não-tradicionais do século XXI, agregadores, blogueiros, comunicadores, tweeters ou pesquisadores e a vasta população de empregados do governo e empreiteiros – devem ser destruídas.

Como nas intrincadas burocracias de inteligência da Alemanha do Leste, da União Soviética, do Irão sob o xá e de uma longa lista ao longo da história da humanidade, uma vez que a doença do secretismo do governo e do crime oculto se metastiza, não há solução senão a morte, destruição e eventual colapso de o sistema e uma recuperação lenta, penosa e contraditória da sociedade humana.

Por outro lado, não haverá recuperação lenta e penosa para Julian Assange. Ele foi reduzido à capacidade mental de viciado em drogas com a cabeça incapacitada, e alguns destes efeitos serão permanentes. Fisicamente, ele é relatado como estando abaixo do peso (menos de 45,4 kg), com comida e água a serem usadas como moeda de troca no seu interrogatório contínuo. Ironicamente, até os prisioneiros de Guantanamo, como parte do afectuoso cuidado do governo dos EUA, foram alimentados à força quando tentaram morrer de fome. Os cuidadores de Julian estão a usar comida e água para quebrá-lo completamente.

Haverá alguma boa noticia? Terri Gross, da NPR, apresentou uma interessante perspectiva histórica sobre a experimentação de drogas da CIA na semana passada . Vale a pena ouvir, pois toda mudança é evolução. Curiosamente, como no fim do emprego de Sidney Gottlieb, se o patrocinador do mal dentro de um governo é removido, por vezes todo o seu quadro é limpo. Na maioria das vezes, ilustrando o "efeito em cadeia" de Robert Higgs , ele é simplesmente relocalizado em outras partes do governo ou mesmo expandido entre várias agências.

O poder do governo dos dias modernos está fundamentalmente relacionado à sua "credibilidade". Esta credibilidade, esta confiabilidade, está a vacilar por toda a parte – em parte pelo valente trabalho de pessoas honestas em todos os lugares – e não se engane, estamos de facto por toda a parte. A perseguição sem esperança e perversa de Julian Assange sinaliza exactamente uma tal crise de credibilidade. Quando um edifício, ou uma instituição, começa a desmoronar, há muitas tarefas urgentes a serem feitos para salvar vidas e assegurar um futuro mais feliz. Descubra uma delas e comece a fazê-la.

 


Nota aos leitores: por favor, divulguem este artigo em listas de email, grupos de discussão, blogs, fóruns na Internet, etc.

16/Setembro/2019
[*] Ph.D., tenente-coronel aposentada da US Air Force, agricultora e aspirante a anarco-capitalista. Ela concorreu ao Congresso no 6º distrito da Virgínia em 2012.

O original encontra-se em www.lewrockwell.com/... e em www.globalresearch.ca/why-julian-assange-tortured/5689298

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_torturado_16set19.html

CRAIG MURRAY: «Assange, o preso político mais importante do mundo»

                         image
Foi nestes termos «Assange, o preso político mais importante do mundo», que Craig Murrey descreveu a situação de Julian Assange. Presentemente, a situação do preso político Assange é a seguinte:
- Está a chegar o termo da prisão de Assange por ter violado a liberdade condicional a que estava sujeito (recordemos o contexto em que cometeu este «crime»: era ameaçado muito seriamente pelo aparelho repressivo-judicial americano, pela CIA e, inclusive, por políticos e pessoas da media dos EUA)  - A comissão da ONU dos direitos humanos já tinha condenado a atitude do Reino Unido de manter sob prisão alguém que não oferecia perigosidade, nem tinha ainda sido julgado. Segundo o grupo de trabalho da ONU sobre detenções ante-julgamento:  «Na lei internacional, a detenção pré-julgamento deve ser imposta apenas em casos limitados. A detenção durante as investigações deve mesmo ser mais limitada, em especial, na ausência de qualquer acusação. As investigações suecas foram encerradas há mais de 18 meses, agora e a única base que resta para a contínua privação da liberdade do Sr. Assange é o não respeito pelas condições de liberdade condicional, a qual é uma infracção menor que não pode justificar post facto a detenção durante mais de seis anos de confinamento a que esteja sujeito  desde que procurou asilo na embaixada do Equador. O Sr. Assange deveria ser capaz e exercer o seu direito de liberdade de movimentos sem restrições, de acordo com as convenções das Nações Unidas, que foram ratificadas pelo Reino Unido.
- Vanessa Baraitser, é o nome da juíza que sentenciou agora que, apesar de Assange ter terminado a sua sentença de prisão de seis meses por ter desrespeitado as condições de liberdade condicional, se justifica (supostamente) a continuação da sua manutenção como preso pela suposta intenção de fugir antes de estar decidido o seu processo de extradição para os EUA. No entanto, colocam-se problemas graves de saúde de Julian Assange e sobretudo o único motivo para a sua prisão e eventual extradição é ele ter exercido os seus direitos de liberdade de informar 
- A ameaça que pesa sobre ele é portanto exclusivamente política. Nos EUA está desde há muito tempo sendo organizado um processo secreto - os seus advogados nos EUA não têm autorização para ver as peças do processo - e baseado apenas numa suposta «traição» que consiste em revelar ao mundo (como o fizeram aliás jornais como o Guardian, o New York Times, etc)  os crimes de guerra de militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque. Note-se, que tornou públicos documentos fornecidos por outrem (Chelsea Manning), não sendo o seu caso diferente dos diversos editores de jornais que - pelo mundo fora - têm dado acolhimento a documentos secretos obtidos ilegalmente, mas que são considerados por eles da maior importância para conhecimento do público.
- O processo de extradição para os EUA é absurdo e completamente em violação das convenções da ONU, assinadas pelo Reino Unido. Se a justiça deste país não fosse uma farsa, a única coisa que poderia fazer - neste caso - era libertar Julian Assange e deixá-lo ir para qualquer parte do mundo que ele desejasse.
-O caso Assange, por mais isolado que pareça, é muito importante para inúmeros casos - passados, presentes ou futuros - na medida em que governos possam usar o argumento do que a «justiça do Reino Unido» (país signatário das convenções sobre os direitos humanos) tem feito.  Igualmente grave é o efeito inibidor sobre editores da media e sobre lançadores de alerta potenciais: eles podem recear perseguições impiedosas e ilegais, caso façam uso da sua liberdade fundamental de dar informações que sejam muito importantes e que o público deveria conhecer, mas que são ocultadas pelos governos....

  

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Assange continua detido em Londres até julgamento sobre extradição para EUA

 
 
Uma juíza britânica decidiu hoje que o ativista australiano Julian Assange vai permanecer na prisão enquanto aguarda o julgamento, em fevereiro, que decidirá a sua eventual extradição para os Estados Unidos.
 
Assange, 48 anos, deveria sair da prisão HMP Belmarsh, a oeste de Londres, em 22 de setembro, e após cumprir uma sentença por ter violado as condições da sua liberdade condicional no Reino Unido em 2012.
 
No decurso de uma deslocação à Corte de Magistrados de Westminster, a juíza Vanessa Baraitser decidiu que o fundador do WikiLeaks permanecerá privado de liberdade devido ao seu "historial de evasão".
 
"Na minha perspetiva, há motivos substanciais para crer que, se for libertado, voltará a fugir", considerou a magistrada.
 
Assange, que comparecer por videoconferência desde a prisão, foi questionado se compreendia a situação em que se encontra. "A verdade é que não, mas estou certo que os meus advogados vão explicar-me", respondeu.
 
Em fevereiro está previsto o julgamento de extradição para os Estados Unidos, com as acusações emitidas pela administração da Casa Branca a implicarem uma condenação até 170 anos de prisão.
 
O ativista australiano foi detido pela polícia britânica no início de abril na embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou durante sete anos devido aos receios de ser extraditado para os EUA.
 
Washington acusa-o de ter divulgado milhares de documentos secretos no seu portal WikiLeaks, e de "conspiração" para se infiltrar nos sistemas informáticos governamentais.
 
Em junho de 2012 Assange deveria comparecer perante a justiça britânica para responder a supostos abusos sexuais cometidos na Suécia.
 
Apesar de o país escandinavo ter posteriormente retirado o pedido de extradição, o Reino Unido manteve o mandado de captura para não ter comparecido em tribunal quando foi convocado, e que implicou a pena de prisão que agora está em vias de terminar.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Foto: © Reuters
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/assange-continua-detido-em-londres-ate.html

Assange seguirá preso pois justiça do Reino Unido teme nova fuga

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, é visto saindo de delegacia em Londres
© REUTERS / Peter Nicholls

Em 22 de setembro, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, terá cumprido metade de sua pena. Mas a Justiça britânica disse que não concederá liberdade condicional a ele por bom comportamento por temer uma fuga.

Segundo as leis do país, ele poder entrar com pedido de liberdade ao chegar à metade de sua pena. No entanto, um tribunal de Westminster afirmou que ele permanecerá preso.

A juíza do distrito londrino, Vanessa Baraiser, acredita que Assange poderia fugir, como já ocorreu quando o ativista pediu asilo na embaixada do Equador, local onde permaneceu por sete anos, para evitar ser deportado para a Suécia e Estados Unidos. 

Investigação é arquivada em 2017 e reaberta em 2019

Assange era investigado por supostos crimes de assédio sexual no país europeu. A Justiça sueca decidiu arquivar o caso em 2017, mas, em maio deste ano, ele foi reaberto. O fundador do Wikileaks decidiu continuar na Embaixada por temer uma extradição para os Estados Unidos, onde poderia ser julgado por traição.

Assange foi condenado no Reino Unido por violar as condições de sua liberdade domiciliar em 2012, quando ele se refugiou na Embaixada do Equador com medo de ser enviado para a Suécia e depois aos EUA.  Em 2010, o Tribunal Superior de Londres tinha permitido que Assange fosse mandado para o país escandinavo, dando início a uma batalha judicial.

“O senhor compareceu hoje nesta corte porque sua sentença está chegando ao fim, quando isso ocorrer, passará de ser um prisioneiro em serviço para uma pessoa que enfrenta uma extradição”, disse Baraiser.

Julgamento de extradição marcado para 25 de fevereiro

O julgamento de extradição de Assange para os EUA está marcado para 25 de fevereiro de 2020. Washington diz que ele vazou documentos secretos sobre operações do exército americano no Iraque e Afeganistão, acusação que pode acarretar numa pena de prisão perpétua. Especialistas, no entanto, dizem que ele poderia pegar no máximo 5 anos, por ter revelado informações verdadeiras como jornalista.

Em 11 de abril deste ano, o Equador decidiu retirar o asilo concedido a Assange, que foi então preso pela polícia britânica por violação de sua condicional.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019091314513389-assange-seguira-preso-pois-justica-do-reino-unido-teme-nova-fuga/

Uma sociedade apenas é tão livre quanto o for o seu mais problemático dissidente político

 
 
As razões da perseguição, do exílio e da prisão de Julian Assange dizem muito sobre a real natureza da sociedade, e sobre o aparelho mediático dominante. Assange é perseguido porque revelou a verdade sobre crimes. Por isso também é atacado por poderosos meios de comunicação cuja especialidade é fazer o contrário.
 
 
Você não o saberia agora por nenhuma notícia publicada em qualquer meio de comunicação de massa ocidental, mas o músico Roger Waters vai interpretar a icónica música dos Pink Floyd “Wish You Were Here” em frente ao gabinete da secretária do Interior britânico Priti Patel, para chamar a atenção para a perseguição do fundador de WikiLeaks, Julian Assange.
No início deste ano, o bilionário Richard Branson realizou um concerto ao estilo “Live Aid” na Colômbia, perto da fronteira com a Venezuela, com o objectivo de “ajudar o povo venezuelano”. Na realidade, a encenação não passou de uma manobra para engendrar as inteiramente falsas narrativas de que o presidente Maduro estava a bloquear pontes e a recusar toda a ajuda estrangeira, e os fundos arrecadados acabaram por ser desviados pelo grupo - apoiado por Trump - de opositores pela “mudança de regime”, liderado pelo fantoche dos EUA Juan Guaidó. Os meios de comunicação britânicos, no entanto, ficaram absolutamente alucinados com a história. Só nos meios de comunicação de massa do Reino Unido, cada palavra nesta frase está hiper-linkada a uma história diferente sobre o concerto. E esse foi um concerto no outro lado do planeta, enquanto o evento de Assange acontece em Londres, em frente ao escritório de uma proeminente autoridade britânica, e tem em palco um dos maiores músicos de rock britânico de todos os tempos.
Essa discrepância diz-lhe tudo o que precisa saber sobre a chamada “imprensa livre” na sociedade ocidental e, de facto, sobre a própria sociedade ocidental.
 
Uma sociedade é tão livre quanto o for o seu dissidente político mais problemático, o que hoje significa que você é tão livre quanto Julian Assange o for. Enquanto você vive numa sociedade que pode dar origem a uma campanha multi-governamental coordenada para prender um jornalista pelo resto da vida com base em acusações falsas, porque ele expôs crimes de guerra dos EUA, você não é livre e não deve aceitar fingir que o é.
 
 
O velho ditado “as acções falam mais alto do que as palavras” tem eco entre as pessoas porque as palavras podem mentir mas as acções não o podem. E enquanto os comentadores milionários dos media bilionários nos asseguram continuamente por palavras que vivemos numa sociedade livre, as acções das pessoas que exercem sobre nós poder oficial e não oficial dizem-nos que vivemos efectivamente numa sociedade que tortura e aprisiona jornalistas dissidentes por dizerem verdades inconvenientes.
A perseguição de Julian Assange diz-nos muito mais sobre a nossa sociedade do que as narrativas autorizadas que nos vendem:
A perseguição de Julian Assange fala-nos sobre a função real dos media de massa. A discrepância entre a cobertura mediática do evento de apoio a Assange e a festarola propagandística de mudança de regime de Richard Branson é apenas um dos muitos, muitos exemplos que poderíamos discutir sobre como esses meios de comunicação distorcem deliberadamente a sua cobertura a favor de agendas que por acaso acontece alinharem-se com os interesses da CIA e do Departamento de Estado dos EUA. De todas as vezes que a situação de Assange surge nas manchetes, os media sociais enchem-se de aspirantes ambiciosos publicando piadas sarcásticas sobre ele, numa tentativa de mostrar aos operadores dos media bilionários quão longe estão dispostos a ir para defender o status quo. Dizem-nos por palavras que os media de massas estão cá para nos dizer a verdade sobre o que está a acontecer no mundo mas, através de acções, somos informados exactamente do oposto.
 
A perseguição de Julian Assange fala-nos sobre as engrenagens do império. Assange foi expulso da embaixada e preso por uma colaboração extremamente óbvia entre os EUA, Reino Unido, Suécia, Equador e Austrália, mas cada um deles fingiu estar a agir como nação soberana, separada, e completamente independente das outras. A Suécia fingiu estar profundamente preocupada com as acusações de violação, o Reino Unido fingiu estar profundamente preocupado com uma violação da fiança, o Equador fingiu estar profundamente preocupado com o skate e a higiene dos gatos das embaixadas, os EUA fingiram que estavam profundamente preocupados com os detalhes acerca da forma como Assange ajudou Chelsea Manning a encobrir o seu rasto, a Austrália fingiu estar demasiado preocupada em contemplar as questões soberanas desses outros países para intervir em defesa do seu cidadão, e todos convergiram de uma forma que parece exactamente igual em prender um jornalista por publicar factos. Vê-se constantemente essa mesma dinâmica, seja com intervenções militares, acordos comerciais ou campanhas de formatação de narrativas contra governos não alinhados.
 
A perseguição de Julian Assange diz-nos o tipo de sociedade em que realmente vivemos. Somos inundados desde a mais tenra infância com agradáveis slogans sobre liberdade e democracia, que nos dizem deverem ser difundidos a todos na terra com quanta força for necessária, mesmo que tenhamos que os matar a todos. Na realidade, vivemos numa sociedade feita de mentiras e liderada por mentirosos, que perseguem violentamente quem expõe a verdade. Essa gente são os seus opressores. Essa gente são os seus guardas prisionais. As suas faces zombeteiras dizem-lhe que está livre por detrás das grades da prisão, e que vão acabar consigo se você discordar.
Isto vai ter que mudar.
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/uma-sociedade-apenas-e-tao-livre-quanto.html

Julian Assange | "Todos nós estamos em perigo"

 
 
John Pilger transmite uma gélida advertência de Julian Assange
“Não se trata apenas de mim. É muito mais vasto. Trata-se de todos nós. De todos os jornalistas e todos os editores que cumprem sua função, os quais estão em perigo.” 
 
O jornalista John Pilger transmitiu uma drástica advertência do co-fundador da WikiLeaks, Julian Assange, o qual afirmou que a sua perseguição destina-se a matar a dissidência. "Fale alto agora", disse Pilger, ou enfrente "o silêncio de uma nova espécie de tirania". Assange actualmente cumpre uma sentença de 50 semanas no Presídio Belmarsh por não ter comparecido a uma audiência para fixação de fiança em 2012. As autoridades dos EUA estão a pedir a sua extradição pelo seu papel na publicação de documentos classificados, acusando-o de espionagem. Ao falar num comício junto ao Ministério do Interior, em Londres, na segunda-feira, Pilger transmitiu uma mensagem do editor da WikiLeaks o qual, se extraditado e condenado, poderia ser sentenciado a 175 anos de prisão. Não se trata apenas de mim. É muito mais vasto. Trata-se de todos nós. De todos os jornalistas e todos os editores que cumprem sua função, os quais estão em perigo. "O perigo que Julian Assange enfrenta pode facilmente estender-se aos editores actuais e passados do Guardian, doNew York Times, da Der Spiegel, de El Pais na Espanha, do Sidney Morning Herald e de muitos outros jornais e media que publicaram revelações da WikiLeaks acerca das mentiras e crimes dos nossos governos", continuou John Pilger. "Ao defender Julian Assange defendemos nossos mais sagrados direitos", advertiu Pilger. Fale alto agora ou acorde uma manhã com o silêncio de uma nova espécie de tirania".
 
02/Setembro/2019
 
Ver também: 
 Pink Floyd's Roger Waters jam 'Wish You Were Here' at Assange demo outside UK Home Office (Roger Waters, do Pink Floyd's, toca "Wish You Were Here" na manifestação a favor de Assange junto ao Ministério do Interior britânico) O original encontra-se em www.rt.com/news/467833-pilger-julian-assange-warning/ Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/julian-assange-todos-nos-estamos-em.html

Um controle médico da ONU para Julian Assange

por Aymeric Monville [*]

'. Porque o advogado britânico de Julian Assange, John Jones, morreu, supostamente por suicídio, em Abril de 2016.

Porque o seu colega nos Estados Unidos morreu um mês depois.

Porque os Estados Unidos tentam intimidar as testemunhas Chelsea Manning e Jacob Appelbaum.

Porque estamos, infelizmente, sem notícias de Sarah Harrison, que havia ajudado tanto Assange como Edward Snowden.

Porque, no que resta o actual círculo em torno de Assange, Joseph Farrell, apresentado como o embaixador da WikiLeaks tem assento no conselho do Centre for Investigative Journalism, o qual é financiado pela Open Society de George Soros.

Porque uma advogada de Assange, Renata Ávila, desde 2018 é directora executiva da Fundación Ciudadania Inteligente financiada pela Open Society (Soros) e mesmo pela National Endowment for Democracy, fundada durante o governo de Ronald Reagan.

Porque a Bertha Foundation, o escritório do advogado de Assange, Jennifer Robinson, encontra-se frequentemente no mesmo tipo de campanhas de apoio que a Open Society de Soros.

Porque George Soros reconheceu abertamente ter apoiado a revolução laranja na Ucrânia, a qual converge com um plano claramente ostentado pelos apoiantes do imperialismo estado-unidense de fragmentação do espaço ex-soviético, tendo Zbigniew Brzezinski revelado este plano.

Porque a WikiLeaks revelou as conivências entre Soros e a equipe de campanha de Clinton em 2016,

Porque os dirigentes dos EUA, Hillary Clinton inclusive, não ocultam o ódio para com Julian Assange nem a sua vontade de calá-lo para sempre.

Porque responsáveis como George W. Bush e Dick Cheney reconheceram e justificaram a existência de centros de detenção secretos da CIA e a prática da tortura.

Porque existem centros como Guantánamo que, pelo seu carácter extra-territorial, permitem escapar a qualquer controle da justiça.

Porque o relator da ONU sobre a tortura, Nils Melzer, disse que Julian Assange sofria de tortura psicológica, que o seu estado era preocupante e que podia morrer na prisão.

Porque não nos podemos contentar com o testemunho de um simples jornalista, ainda que bem intencionado e preocupado com a saúde de Julian Assange como John Pilger, para confirmar que Assange continua em Belmarsh e que não está em perigo de morte.

Porque além deste comunicado não temos outras notícias de Assange desde há várias semanas.

Por todas estas razões, e sem fazer processo de intenção a quem quer que seja nem contestar o direito de cada um de ter esta ou aquela opinião política, nem à defesa e aos apoiantes de Julian Assange de se organizarem como entenderem, não podemos entretanto fazer com que a nossa confiança repouse sobre este o aquele indivíduo participante do círculo de Julian Assange – ou melhor, do que resta dele actualmente – para tomar as medidas necessárias a fim de preservar a sua vida e a sua saúde.

Exigimos que um médico mandatado pela ONU possa entrar na prisão de Belmarch a fim de controlar o estado de saúde de Julian Assange e garantir-nos que ele continua detido no momento actual. Pedimos que a entrevista e a visita sejam filmadas e que um relatório médico muito preciso seja elaborado.

Julian Assange deve igualmente ser libertado de imediato a fim de ser cuidado numa estrutura médica benevolente que o atenda. É inconcebível que o ditador Pinochet tenha sido libertado por razões de saúde enquanto Julian Assange continua sempre nas mãos de Estados que se erigiram em polícias do mundo e cujos crimes ele desmascarou amplamente.

[*] Redigido com os elementos fornecidos por Véronique Pidancet Barrière para WikiJustice Julian Assange.

O original encontra-se em www.initiative-communiste.fr/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_16ago19.html

Polícia norueguesa acredita que co-fundador do WikiLeaks morreu em acidente de caiaque

Agentes da polícia norueguesa em Oslo (arquivo)
© AFP 2019 / ODD ANDERSEN

A polícia norueguesa afirmou nesta sexta-feira estar encerrado as investigações do caso envolvendo o desaparecido do co-fundador do WikiLeaks.

Segundo a polícia da Noruega, as evidências sugerem que o co-fundador do site WikiLeaks morreu em um acidente de caiaque no ano passado.
Arjen Kamphuis, um especialista holandês em segurança cibernética, foi visto pela última vez saindo de um hotel na cidade norueguesa de Bodo, em 20 de agosto de 2018.

"A polícia concluiu que Kamphuis provavelmente sofreu um acidente na noite de 20 de agosto de 2018, enquanto passeava de caiaque no fiorde de Skjerstad... e subsequentemente se perdeu no mar", afirmou.

A polícia acrescentou que o seu corpo nunca foi encontrado. As autoridades, no entanto, recuperaram um caiaque com um furo no casco e um remo, bem como alguns pertences pessoais de Kamphuis flutuando no mar.

O celular de Kamphuis foi brevemente ligado, dez dias depois do seu desaparecimento. A investigação descobriu, entretanto, que o aparelho foi retirado da água por motoristas de caminhão que acharam que o item tinha sido descartado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019082314425879-policia-norueguesa-acredita-que-co-fundador-do-wikileaks-morreu-em-acidente-de-caiaque/

“Não esqueçam Julian Assange”

 
 
Fundador do Wikileaks continua preso na Inglaterra, em segurança máxima, com péssimo estado de saúde. EUA insistem em sua extradição, para castigar quem denunciou seus crimes de guerra e espionagem sem fim. É preciso defendê-lo.
 
Oscar Grenfell | Outras Palavras | Tradução: Gabriela Leite
 
Em uma entrevista do dia 16 de agosto à 3CR, uma estação de rádio comunitária de Melbourne, o pai de Julian Assange, John Shipton, declarou que a saúde do fundador do WikiLeaks continua a se deteriorar na prisão britânica de segurança máxima Belmarsh.
 
Shipton revelou que Assange recebeu uma visita de seu irmão Gabriel alguns dias antes. “Julian está esquelético e longe de estar em boas condições ou saudável”, disse. “Está sofrendo de ansiedade. Continua com seu espírito batalhador, mas seu bem estar está declinando rapidamente.”
 
O pai disse que há um risco de que “percamos Julian”, se nada for feito para acabar com seu encarceramento. Seu aviso provocou uma declaração do jornalista mundialmente renomado, John Pilger, no Twitter, no começo de agosto. Ele escreveu: “Não esqueçam Julian Assange. Ou iremos perdê-lo. Eu o vi na prisão de Belmarch e sua saúde se deteriorou…”
 
 
Shipton destacou as condições draconianas no presídio de Belmarsh, onde Assange está preso desde que foi arrastado da embaixada do Equador em Londres pela polícia britânica, em 11 de abril.
 
“Você acredita que Julian, que é um cara do tipo gentil e intelectual, está trancafiado em uma prisão de segurança máxima?” perguntou ao entrevistador Jacob Gresh, apoiador do WikiLeaks.
 
Assange foi despachado para essas instalações apesar de ter sido condenado apenas por um pequeno delito à lei britânica, resultado de sua atendida reivindicação por asilo político na embaixada do Equador em 2012.
 
Shipton explicou que Assange estava “em uma célula 20 horas por dia e tem duas visitas sociais por mês. Advogados são permitidos em algumas outras vezes. As visitas sociais podem ser arbitrariamente canceladas ou ter seu tempo reduzido”.
 
Relatou que quando viajou da Austrália a Londres, dois meses e meio atrás, “esperamos, e nos disseram que não poderíamos entrar” na prisão para uma visita pré-arranjada com Assange.
 
“Não deram nenhum motivo”, disse Shipton, exceto que “houve agendamentos conflitantes com os médicos que viriam vê-lo. Então, eles usam o horário de visita para trazer doutores para examiná-lo, o que significa que uma visita social precisa ser cancelada”.
 
Shipton, junto de um membro da equipe do WikiLeaks e o artista chinês Ai Weiwei, retornou na semana seguinte para outra visita marcada. “Esperamos 46 minutos até Julian chegar”, disse. As autoridades do cárcere alegaram que tinham “esquecido” de avisar Assange sobre a visita, “então eles tiveram que buscá-lo e trazê-lo para cá”.
 
O resultado foi que a visita de duas horas, à qual Assange tem direito, foi reduzida para apenas uma hora. “Fazer uma longa viagem da Austrália para ver Julian e ficar com ele apenas uma hora, isso é muito cruel para mim”, disse o pai.
 
Quando perguntado por Grech se achava que isso se deu por incompetência ou se foi um ataque deliberado aos direitos de Ashton, Shipton respondeu: “me disseram que fazem isso com os presos famosos para reforçar autoridade sobre ele e sobre suas visitas”.
 
Shipton revelou que a extensão dos problemas médicos de Assange, e as condições de seu confinamento, compeliram seu irmão Gabriel a escrever “uma carta ao primeiro ministro [australiano] Scott Morrison, descrevendo as circunstâncias e saúde de Julian. Nela, pede que Morrison faça alguma coisa urgentemente, porque, caso contrário, perderemos Julian”.
 
O pai de Assange condenou a recusa de sucessivos governos australianos a tomar alguma atitude em defesa do fundador do WikiLeaks, um cidadão e jornalista australiano. Para ele, isso contrasta com os sentimentos das pessoas comuns.
 
Shipton declarou: “sinto que Julian depende muito do apoio dos australianos, e seu amparo tem sido incansável ao longo dos anos. O governo, é claro, não tomou conhecimento, e parece para mim que só se importa com os Estados Unidos e com o Reino Unido, e voluntariamente sacrificará o bem-estar de Julian às exigências dos dois países”.
 
No mês passado, Anthony Albanese, líder do Partido Trabalhista da Austrália, de oposição ao governo — e ministro do antigo governo trabalhista que afirmou que o WikiLeaks era “ilegal” em 2010, apoiando sua perseguição — concordou em encontrar-se com Shipton por dez minutos. Albanese não disse nada desde então. Tanto os partidos Coalizão e Trabalhista trataram os pedidos de intervenção feitos pela família e amigos de Assange com desprezo e seguiram com seu apoio de nove anos ao esforço norte-americano em persegui-lo e em destruir o WikiLeaks.
 
Shipton notou que essa perseguição foi resultado das atividades de publicação do WikiLeaks, que “nos deram uma ideia de todos os crimes hediondos que se desdobraram para nós nos últimos 20 anos, de país atrás de país sendo destruído, dos assassinatos, da implantação de espiões e dos políticos de segunda classe que tiveram suas afiliações com o embaixador dos EUA”.
 
As últimas informações sobre a saúde de Assange coincidem com o lançamento público de duas cartas que ele mandou a seus apoiadores desde sua prisão em Belmarsh.
 
Em uma, publicada no twitter por Ariyana Love em 16 de agosto, Assange escreveu: “Obrigado, sra. Love, são pessoas como você, grandes e pequenas, lutando para salvar minha vida, que me fazem ter forças para continuar. Podemos vencer! Não deixe esses malditos sacrificarem a liberdade de expressão, a democracia europeia e a minha vida no altar do Brexit”.
 
Em outra, escrita em maio mas publicada apenas na semana passada, Assange sublinhou a importância de protestos em sua defesa. Sugeria que as manifestações que exigem sua liberdade fossem feitas à porta dos escritórios de organizações que “não estão acostumadas aos protestos ou teriam dificuldade de defender-se contra eles ideologicamente”, e listou um bom número de publicações de notícias, incluindo a BBC e o Le Monde, como possíveis alvos.
 
Assange escreve: “Protestos são muito poderosos em lugares não acostumados a eles, mesmo se todos fingirem o contrário”.
 
Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROS QUINHENTOS
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/nao-esquecam-julian-assange.html

Assange na prisão é "tratado pior do que um assassino"

por John Pilger

O imperialismo quer crucificar Assange, cartoon de Fern Julian Assange está a sofrer de uma saúde fraca em consequência do mau tratamento na prisão, de acordo com o jornalista John Pilger que recentemente visitou o fundador da WikiLeaks.

Ao descrever as condições "em deterioração" de Assange, Pilger afirmou que ele está a ser tratado "pior do que um assassino" no presídio de Belmarsh, em Londres.

"Ele está isolado, medicado e são-lhe negadas as ferramentas para combater as falsas acusações relativas a uma extradição para os EUA. Agora temo por ele. Não o esqueçam", escreveu Pilger em mensagem no seu twitter .

E acrescenta: "Ao visitá-lo vislumbrei o tratamento bárbaro que lhe é aplicado, com isolamento, negação de exercício adequado, de acesso à biblioteca, ao computador portátil. Ele não pode preparar a sua defesa. Ele está mesmo impedido de efectuar telefonemas aos seus advogados nos EUA. Em 4 de Junho o seu advogado britânico escreveu ao governador. [A resposta foi] silêncio. Tudo fora da lei.

Assange foi preso na Embaixada equatoriana em Londres no dia 11 de Abril e recebeu uma sentença de 50 semanas por fugir da liberdade condicional numa investigação sueca que envolvia um alegado assalto sexual.

Agora com 48 anos, Assange enfrenta extradição para os Estados Unidos, onde é acusado de posse e disseminação de informação classificada. Se for considerado culpado pode receber uma sentença de até 175 anos de prisão.

Assange tem estado na mira de Washington desde há anos, com a sua organização a ganhar notoriedade depois de publicar um vídeo que mostrava militares dos EUA a atacar jornalistas e civis no Iraque em Julho de 2007.

Ver também:

Este texto encontra-se em http://resistir.info/ .

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/pilger/assange_08ago19.html

Em defesa de Julian Assange

por Tarik Ali
entrevistado por Natalia Viana [*]

Defender Julian Assange é defender o direito que as pessoas têm de saber como estão sendo governadas. É essa a opinião de Tariq Ali, intelectual e escritor paquistanês que lança em agosto o livro "Em Defesa de Julian Assange" (In defence of Julian Assange), que reúne textos de Noam Chomsky, Daniel Ellsberg, Chelsea Manning, Ai Weiwei e Slavoj Žižek, entre outros autores, analisando a situação do australiano fundador do Wikileaks. A autora desta entrevista também colaborou para o livro, que está em pré-venda, em inglês, no site da editora ER Books . Toda a receita será revertida para a organização Courage Foundation , que auxilia Assange e apoia pessoas que vazam informações.

Julian está atualmente preso na Inglaterra e aguarda o desfecho de uma batalha na justiça britânica sobre um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos com base em seu trabalho de divulgação de documentos referentes às guerras do Iraque, do Afeganistão e das embaixadas americanas pelo mundo.

Nessa entrevista à Pública, Tariq Ali associa a perseguição a Assange à reação de governos contra os movimentos revoltosos que se seguiram à crise de 2008, e afirma que sentiu que era preciso fazer algo para mostrar que ainda hoje há pessoas que não acreditaram nos repetidos ataques à reputação do criador do Wikileaks. "Eles querem punir as pessoas que fornecem informações para as pessoas comuns, porque as elites que controlam nosso mundo hoje tratam as pessoas como crianças. Então o motivo principal é criar um exemplo e deixar as pessoas com muito medo, dizendo, se você vazar algo é isso que vai acontecer". Tarik também comentou a polícia brasileira e o atual momento do país. Para ele, a vitória de Jair Bolsonaro "foi o crime mais devastador da direita e ultradireita Latinoamericana".

Sobre a política brasileira, que eu sei que você acompanha. Qual sua visão sobre o governo Bolsonaro?

A vitória de Bolsonaro foi o crime mais devastador da direita e ultradireita Latinoamericana. Não se pode dizer que Bolsonaro faz parte da direita tradicional que existe no Brasil. Ele é um personagem cujas ideias vêm da ultradireita, que defende a ditadura militar, e o mais chocante é que a Justiça brasileira participou disso. Pelo amor de Deus, Lula não é nenhum santo ou anjo, mas a maneira em que armaram para ele e o trancaram para não haver nem um candidato confiável no Brasil é parte da tendência de fechar os espaços para a dissensão, e as vozes dissonantes na mídia. Está ligado a tornar extremamente difícil para líderes de esquerda questionarem o sistema. Especialmente líderes como ele, que aprendem com seus erros, pelo menos é o que ele diz. E a coisa interessante é que a maioria dos brasileiros que não são ricos ainda confiam em Lula mais do que em outros políticos, e confiam em Lula mais do que no PT, como um partido. Então prender o Lula foi a única maneira de se livrar dele e isso agora foi exposto.

Eu me lembro, por exemplo, a maneira como Sergio Moro foi tratado pela mídia, as manchetes na Globo, o apoio da Folha e outros jornais. E agora sabemos o que estava acontecendo. Você olha para a cara de Sergio Moro e não vê a cara da Justiça mas de um político envergonhado, corrupto e enganador, que é o que ele sempre foi. Acho que o PT pagou um preço muito alto assim como o país ao não fazer nenhuma tentativa séria de alterar, de fato, as estruturas políticas e constitucionais do Brasil.

Então você acha os últimos governos não mudaram o país?

Acho que a única coisa significativa foi o Bolsa Família, um subsídio para os pobres, e isso foi muito importante, mas não foi estrutural. Ninguém consegue formar uma maioria, então o que você faz? Você compra políticos. E foi um grande erro que Lula e os outros líderes do PT fizeram ao decidir seguir como antes, administrar o mesmo sistema, mas quem iria administrar seriam eles. E toda essa política fracassou. Mas para mim a chave agora é essa: pode o PT ser ressuscitado? Eu não sei.

Agora falando do livro, por que você decidiu fazer? Quando você começou, no final do ano passado, Assange ainda não tinha sido preso….

Eu senti que Julian estava sendo isolado globalmente, a combinação dos ataques contra ele de diferentes senadores e políticos nos EUA, o fato que a mídia liberal havia efetivamente deixado de cobrir as suas condições dentro da embaixada… O ex-secretário da embaixada do Equador me disse que as condições estavam muito ruins para ele na embaixada. Então sentimos que tínhamos que fazer algo. Alguma coisa precisava ser feita, dramaticamente e publicamente, para Julian. Também em nome da solidariedade, para mostrar que ainda havia alguns de nós que não tínhamos sido convencidos pelos ataques à sua reputação, pelas calúnias. E nesse sentido o Ministério Público sueco teve um papel extremamente ruim, e o livro demonstra isso, acusando ele de estupro quando havia evidência muito limitada, se é que havia alguma, depois se recusando a vir entrevistá-lo em Londres, insistindo que ele fosse extraditado para a Suécia. Tudo isso foi usado para difamá-lo e prejudicar sua reputação.

Me deixou muito bravo que ele tenha sido levado para a prisão de Belmarsh, que é uma prisão de segurança máxima, onde são levadas pessoas acusadas de terrorismo. E agora, o governo aceitou que a Justiça britânica poderá julgá-lo e decidir se ele deve ou não ser extraditado para os Estados Unidos. A situação é extremamente séria e acho que as pessoas têm que perceber isso. Mesmo aquelas que não gostam de Julian por razões pessoais têm que ver isso de maneira política e o fracasso em fazer isso é chocante.

Como as pessoas deveriam ver esse pedido de extradição?

Basicamente que o governo dos Estados Unidos quer fazer de Assange um exemplo, quer trancá-lo em isolamento como fizeram inicialmente com a Chelsea Manning, e o principal propósito disso, como eu explico na introdução do livro, é criar um efeito dissuasório. É para dizer para as pessoas novas ou velhas que trabalham em agências governamentais: "isso é o que acontece se você vazar ou publicar informação sem permissão legal". Acho que eles não conseguiram fazer isso com o Snowden, que é diferente de Julian, que jamais trabalhou para governo americano – ele era um jornalista online. Por sorte, Snowden está na Rússia, e eles não vão permitir que alguém o retire de lá. Eles querem punir quem fornece informações para as pessoas comuns, porque as elites que controlam nosso mundo tratam as pessoas como crianças. E como os adultos dizem uns para os outros: "Shhh… Não diga isso na frente das crianças". Eles não querem que os cidadãos saibam toda a verdade. E a grande imprensa, que publicou algumas coisas do Wikileaks, se afastou muito rapidamente e não publicou todas as revelações, como nós sabemos. Então o motivo principal é criar um exemplo e deixar as pessoas com muito medo, dizendo, se você vazar algo é isso que vai acontecer.

Você acha que a ideia é também desincentivar jornalistas que publicam material vazado?

Sim, muito. Mas a maioria dos jornalistas que trabalham para a grande imprensa fazem algum tipo de autocensura. E até mesmo pessoas muito boas. Eles sabem até onde podem ir, mas não vão além. Jornalistas investigativos sérios, online, ainda têm um grande papel a cumprir, mas querem desencorajá-los.

Das 18 acusações contra Julian na Justiça americana, 17 são relacionadas a publicar o material das embaixadas, da guerra do Afeganistão e do Iraque. Além disso, Assange não estava nos Estados Unidos e nem é cidadão americano. Essa busca por ele pelo governo americano significa um novo patamar?

Usualmente, governos locais punem jornalistas que fazem isso em seus países. O que é novo é que o governo americano está alvejando jornalistas agora, e não importa a nacionalidade ou de onde eles são. Mas eles já fizeram isso, sob as leis de terrorismo, em toda a Europa. Por exemplo, eles arrancaram pessoas das ruas de muitos países europeus e levaram para países árabes para serem torturados, e depois para Guantánamo. Esse princípio, uma vez aceito que governos podem fazer isso, pode ser usado para tudo. Agora estamos em uma situação em que cada vez mais as elites globais tendem a considerar a liberdade de expressão e a liberdade da imprensa como dispensáveis. Então, o autoritarismo tem crescido nos últimos 20, 25 anos. E afeta até mesmo a imprensa liberal.

A origem disso foi a Guerra ao Terror e os ataques de 11 de setembro?

Acho que foi uma desculpa usada para isso. No Reino Unido eu estava escrevendo artigos no Guardian regularmente, apontando que era previsto que os Estados Unidos seriam atacados. Então nos primeiros dias depois de 11 de setembro era possível debater e aguentar, mas devagar esse espaço começou a ser reduzido, e a nossa visão começou a ser menos importante. E o mesmo aconteceu na imprensa brasileira, eu escrevia para a Folha, era entrevistado pela Globo sobre esses temas. Mas como se tivesse sido combinado internacionalmente, por comum acordo, o espaço para vozes dissidentes se tornou cada vez menor.

Qual a sua visão sobre a cobertura sobre Assange pela imprensa?

O descrevem como hacker e como uma pessoa acusada de estupro, e a palavra jornalista é raramente usada. E o fato de que o Wikileaks foi criado para publicar material que as pessoas enviavam para eles e que era, efetivamente, uma organização de jornalismo investigativo — e que continua a ser — sumiu da narrativa oficial. Então o direito das pessoas saberem quem está governando seu mundo e o que estão fazendo está sendo deixado de lado.

Por que essa narrativa mudou tanto?

Por causa da crise capitalista de 2008, quando muitos grupos se formaram e questionaram quase tudo. E não se quer que isso seja incentivado. Então uma coisa que eles [as elites] preservam de maneira muito forte é o monopólio da informação. Para eles isso é muito importante, por causa da digitalização do mundo. Quem controla o monopólio? Essa é uma questão muito importante. Então todas as vozes alternativas, em especial aquelas que têm acesso a materiais importantes, têm que ser neutralizados, e há diferentes maneiras de lidar com eles. E lidaram com o Julian de uma maneira específica, que estamos vendo agora: a prisão. E com "eles" não quero apenas dizer o establishment americano, mas o Europeu também. Fora a Alemanha, o apoio tem sido muito fraco dos outros países europeus. O Reino Unido é virtualmente um estado cliente dos Estados Unidos, os italianos e franceses não estão interessados na questão de Assange, o único país onde há ainda algum debate sobre Assange é a Alemanha, e até ali está se enfraquecendo. Em Berlim erigiram uma estátua para Snowden, Assange e Manning, então fizeram algumas coisas. Mas o serviço de inteligência alemão está completamente envolvido com os outros serviços de inteligência europeus e com os americanos. Eles agem coletivamente.

Como se estruturou essa campanha de assassinato de reputação contra Assange?

Acho que não há dúvida de que os representantes dessas agências de inteligência se reúnem regularmente para discutir qual é a ameaça, onde está, e eu acho que, especialmente, durante a campanha eleitoral dos Estados Unidos [2016] em que disseram que Assange havia vazado informações para Trump, a grande maioria disso foi baseada em mentiras, segundo o que descobrimos. Então "hackeamento" e "hackers" se tornaram grandes questões recentemente. Eu não concordo com Putin na maior parte das coisas, mas transformar a campanha pós-eleição nos Estados Unidos na qual Trump venceu, e dizer que se não fosse pelos Russos ele não teria vencido é um esforço dos Democratas para dizer que foram derrotados por forças externas e não internas. Eles não aceitaram que Trump ganhou, e o desespero político e psicológico foi culpe Assange, culpe os russos, culpe todo mundo menos você mesmo! Porque se eles tivessem culpado eles mesmos, teriam que olhar suas políticas, que são neoliberais, pró-guerra.

Então tudo isso acabou misturado na questão do Julian Assange, e a campanha contra ele é execrável. É assim que eles operam. E agora os Estados Unidos são muito abertos sobre isso — exigir que ele seja extraditado para os EUA para ser questionado pelo FBI — e se fizeram isso com Assange eles farão com outros jornalistas também! Como pode Assange violar a segurança nacional americana quando ele não está naquele país e nem é um cidadão americano. É bizarro!

Qual é o legado do WikiLeaks, em sua opinião?

Acho que o legado do Wikileaks é 100% positivo. Qual é a principal coisa que eles fizeram? Publicaram documentos relativos às relações do império americano em relação ao resto do mundo! E o que é muito interessante é que em privado, muitas embaixadas americanas no exterior enviavam mensagens para o Departamento de Estado admitindo coisas que nós da esquerda estávamos falando em público. Nesse sentido, tornar públicas essas mensagens privadas é incrivelmente importante para democratizar a política. Como uma população vai decidir em quem votar se não tem nem 50% da informação? Desse ponto de vista todo o Wikileaks foi positivo. E grupos online como Intercept etc nasceram da experiência do Wikileaks.

Qual é sua expectativa do impacto do livro?

Quem sabe? Eu espero que circule, seja traduzido em todo o mundo. É um livro muito forte. Espero que alerte as pessoas para que defendam Assange e façam campanha em seu nome.

11/julho/2019
Ver também:

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

 

Baixar: pdfClass War Conservatism And Other Essays(1.77 MB)  e   pdfThe Extreme Centre A Second Warning(1.57 MB)

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_tarik_ali_jul19.html

O poder contra a imprensa: Os casos de extradição de Pinochet e de Assange

por Elizabeth Vos [*]

Pinochet. Oito meses a partir de 28 de Junho de 2019, uma das mais importantes audiências de extradição na história recente acontecerá no Reino Unido, quando um tribunal britânico e o ministro do Interior determinarão se o editor do WikiLeaks Julian Assange será extraditado para os Estados Unidos a fim de enfrentar acusações de espionagem pelo crime de jornalismo.

Há vinte e um anos atrás, noutro caso histórico de extradição, a Grã-Bretanha teve que decidir se enviaria o ex-ditador chileno Augusto Pinochet para Espanha pelo crime de assassinato em massa.

Em outubro de 1998, Pinochet, cujo regime se tornou sinónimo de assassinatos políticos em massa , "desaparecimentos" e tortura, foi preso em Londres enquanto estava em tratamento médico.

Um juiz em Madrid, https://resistir.info/varios/assange_extradicao.html , pediu sua extradição em conexão com a morte de cidadãos espanhóis no Chile.

Argumentando com a incapacidade de Pinochet de submeter-se a julgamento devido à idade, em 2000 o Reino Unido impediu que ele fosse extraditado para a Espanha onde teria enfrentado processo por abusos de direitos humanos.

Clare Montgomery. Num ponto inicial do processo a advogada de Pinochet, Clare Montgomery, apresentou em sua defesa um argumento que nada tinha a ver com idade ou com problemas de saúde.

"Os Estados e os órgãos do Estado, incluindo chefes de Estado e ex-chefes de Estado, têm direito à imunidade absoluta de processos criminais nos tribunais nacionais de outros países", disse Montgomery, segundo citou o jornal The Guardian . Ela argumentou que os crimes contra a humanidade devem ser definidos de forma restrita no contexto de casos de guerra internacional, tal como relatou a BBC .

O argumento de imunidade de Montgomery foi derrubado pela Câmara de Lordes . Mas o tribunal de extradição determinou que a saúde precária de Pinochet, amigo da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, o impediria de ser enviado à Espanha.

Embora os casos de Pinochet e Assange estejam separados por mais de duas décadas, dois dos participantes são os mesmos, desta vez desempenhando papéis muito diferentes.

Montgomery reapareceu no caso de Assange para argumentar acerca do direito de o promotor sueco obter um mandado de prisão europeu para Assange.

Este seu argumento acabou por falhar. Um tribunal sueco recentemente negou o mandado de detenção europeu. Mas, como no caso de Pinochet, Montgomery ajudou a ganhar tempo, desta vez permitindo que as alegações sexuais suecas persistissem e enlameassem a reputação de Assange.

Garzón, o juiz espanhol, que requisitou a extradição de Pinochet, também reaparece no caso de Assange. Ele é um conhecido defensor dos direitos humanos, "visto por muitos como o mais corajoso vigilante legal em Espanha e o flagelo de políticos e senhores das drogas em todo o mundo", como The Independent o descreveu há alguns anos.

Ele agora lidera a equipa legal de Assange.

Amigos e inimigos

A questão a destacar é se o sistema legal britânico deixou ir embora sem ser julgado um notório ditador como Pinochet mas enviará um editor como Assange para os Estados Unidos, onde enfrentará a prisão perpétua.

A maré do sentimento político tem corrido contra Assange.

Tatcher e Pinochet. Perante o facto de o secretário do Interior do Reino Unido ter assinado o pedido de extradição de Assange para os EUA, levando o Tribunal de Magistrados a marcar uma audiência de cinco dias no final de Fevereiro de 2020, os legisladores britânicos pediram publicamente que o caso contra Assange prosseguisse . Poucas autoridades eleitas defenderam Assange (a sua imagem foi manchada por alegações e críticas não comprovadas da Suécia acerca da eleição dos EUA em 2016, que nada tem a ver com o pedido de extradição).

Pinochet, por outro lado teve amigos altamente colocados, Tatcher pediu abertamente a sua libertação .

"[Pinochet] teria o hábito de enviar chocolates e flores para [Thatcher] durante as suas visitas semestrais a Londres e tomar chá com ela sempre que possível. Apenas duas semanas antes de sua prisão, Pinochet foi recebido pelos Thatchers na sua casa em Chester Square, Londres", relatou a BBC e a CNN informou sobre a "famosa relação estreita".

Pinochet e Kissinger. Afeto semelhante também foi documentado entre Pinochet e o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger. The Nation relatou num memorando desclassificado uma conversa privada em Santiago do Chile, em Junho de 1976, que revelou "as expressões de Kissinger de "amizade", compreensão "simpática" e desejos de sucesso para Pinochet no auge da sua repressão, quando muitos desses crimes – tortura, desaparecimentos, terrorismo internacional – estavam a ser cometidos".

Abuso sistemático e difundido

Pinochet subiu ao poder depois de um golpe de Estado violento das forças armadas chilenas em 11 de Setembro de 1973, apoiado pelos EUA, que derrubou o presidente democraticamente eleito do país, o socialista Salvador Allende. O golpe foi qualificado como "um dos mais brutais da história moderna da América Latina".

A CIA financiou operações no Chile com milhões de dólares antes e depois da eleição de Allende conforme no Senado dos EUA, em 1975, relatou a Comissão Church .

Embora o relatório da Comissão Church não tenha encontrado evidências de que a CIA financiou diretamente o golpe, o National Security Archive observou que a CIA "apoiou ativamente a Junta militar após o derrube do presidente Allende. Muitos dos oficiais de Pinochet estavam envolvidos em abusos sistemáticos e generalizados dos direitos humanos. Alguns deles eram contactos da CIA, seus agentes ou dos militares dos EUA".

A violência infligida por Pinochet ultrapassou as fronteiras do Chile. As suas ordens de extermínio estão ligadas ao assassinato de um dissidente chileno exilado, o ex-ministro Orlando Letelier, na explosão de um carro-bomba no solo dos EUA . O ataque também matou Ronni Moffitt, um cidadão dos EUA.

Mais de 40 mil pessoas , muitas apenas com ténues ligações a dissidentes, foram "desaparecidas", torturadas ou mortas durante os 17 anos do reinado de terror de Pinochet.

O Chile de Pinochet, quase imediatamente após o golpe, tornou-se um laboratório para a teoria económica neoliberal da Escola de Chicago, um novo laissez-faire aplicado na ponta das armas. Thatcher e o presidente Ronald Reagan defenderam um sistema de privatizações, comércio livre, cortes nos serviços sociais e desregulamentação dos bancos e dos negócios, o que levou à maior desigualdade num século.

Em contraste com esses crimes e corrupção, Assange publicou milhares de documentos confidenciais mostrando como as autoridades dos EUA e de outras nações estiveram comprometidas em muitos atos de crime e corrupção.

No entanto, está longe de ser certo que Assange venha a obter a mesma indulgência no processo de extradição britânico que Pinochet desfrutou.

Após a morte do ditador, Christopher Hitchens escreveu que o Departamento de Justiça dos EUA tinha uma acusação contra Pinochet completada já há algum tempo. "Mas a acusação nunca foi revelada", Hitchens reportou na [revista] Slate.

A acusação contra Assange, em contraste, não foi apenas revelada, mais acusações foram acumuladas.

Dadas as dificuldades de longa data que ele teve no acesso à justiça, é justo dizer que o Reino Unido e o resto do mundo ocidental estão a cometer um "desaparecimento forçado" em câmara lenta de Assange.

Algumas revelações da WikiLeaks:

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_extradicao.html

"Perseguição colectiva" a Assange deve cessar, afirma perito da ONU

– Um comunicado de imprensa que os media portugueses silenciaram

por Gabinete do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos

 

'.

GENEBRA (31/Maio/2019) – Um perito da ONU que visitou Julian Assange numa prisão em Londres afirma temer que os seus direitos humanos possam ser seriamente violados se ele for extraditado para os Estados Unidos e condena o deliberado e concertado abuso infligido durante anos ao co-fundador da Wikileaks.

"Minha mais urgente preocupação é que, nos Estados Unidos, o Sr. Assange seria exposto a um risco real de sérias violações dos seus direitos humanos, incluindo sua liberdade de expressão, seu direito a um julgamento justo e a proibição de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, bem como punições", afirmou Nils Melzer, o Relator Especial da ONU sobre tortura.

"Estou particularmente alarmado com o recente anúncio pelo Departamento de Justiça dos EUA de 17 novas acusações contra o Sr. Assange sob a Lei da Espionagem, a qual actualmente prevê até 175 anos de prisão. Isto pode resultar numa sentença de prisão perpétua sem liberdade condicional, ou possivelmente mesmo a pena de morte, se novas acusações forem acrescentadas no futuro", disse Melzer, o qual reiterou também preocupações quanto à saúde de Assange.

Embora Assange não seja mantido em confinamento solitário, o Relator Especial disse que está gravemente preocupado com a frequência e duração limitada das visitas de advogados e de que a sua falta de acesso aos ficheiros e documentos do processo tornem impossível para ele preparar adequadamente a sua defesa em qualquer dos complexos processos judiciais que se acumulam contra ele.

"Desde 2010, quando a Wikileaks começou a publicar provas de crimes de guerra e de tortura cometidos pelas forças dos EUA, temos assistido a um esforço sustentado e concertado de vários Estados para conseguir que o Sr. Assange seja extraditado para os Estados Unidos para processo, o que levanta preocupações sérias sobre a criminalização do jornalismo investigativo em violação tanto da Constituição dos EUA como da lei internacional dos direitos humanos", disse Melzer.

"Desde então, tem havido uma implacável e desenfreada campanha de assédio público, intimidação e difamação contra Assange, não só nos Estados Unidos como também no Reino Unido, Suécia e, mais recentemente, no Equador". Segundo o perito, isto incluiu um fluxo infindável de declarações humilhantes, degradantes e ameaçadoras na imprensa e nos medias sociais, assim como de figuras políticas importantes e até mesmo magistrados judiciais envolvidos em processos contra Assange.

"No decorrer dos últimos nove anos o Sr. Assange tem sido exposto a abuso persistente e cada vez mais severo que vai da perseguição judicial sistemática e arbitrária até o confinamento na embaixada equatoriana, ao seu isolamento opressivo, importunação e vigilância dentro da embaixada e de deliberado ridículo colectivo, insultos e humilhação, para dar azo a instigação de violência e mesmo apelos repetidos ao seu assassínio".

'. Durante a sua visita à prisão em 9 de Maio Melzer foi acompanhado por dois peritos médicos especializados no exame de vítimas potenciais de tortura e outros maus tratos.

A equipe pôde falar com Assange confidencialmente e efectuar uma avaliação médica completa.

"Era óbvio que a saúde do Sr. Assange fora seriamente afectada pelo ambiente extremamente hostil e arbitrário a que tem estado exposto durante muitos anos", disse o perito. "O mais importante, em acréscimo a sofrimentos físicos, o Sr. Assange mostrou todos os sintomas típicos de prolongada exposição à tortura psicológica, incluindo extrema tensão, ansiedade crónica e trauma psicológico intenso".

"A evidência é esmagadora e clara", afirmou o perito. "O Sr. Assange tem sido deliberadamente exposto, por um período de vários anos, a formas progressivamente severas de tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante, cujos efeitos cumulativos só podem ser descritos como tortura psicológica.

"Condeno, nos mais fortes teremos, o abuso deliberado, concertado e de natureza constante infligidos ao Sr. Assange e deploro seriamente o fracasso constante de todos os governos envolvidos para tomar medidas a fim de proteger seus direitos humanos mais fundamentais e sua dignidade", declarou o perito. "Ao exibir uma atitude de complacência, na melhor das hipóteses, e de cumplicidade, na pior, estes governos criaram uma atmosfera de impunidade que encoraja o aviltamento e abuso sem limites do Sr. Assange".

Em cartas oficiais enviadas antes desta semana, Melzer instou os quatro governos envolvidos a coibirem-se de disseminar, instigar ou tolerar declarações ou outras actividades prejudiciais aos direitos humanos e dignidade do Sr. Assange e a tomarem medidas para proporcionar-lhe o adequado alívio e reabilitação pelo dano passado. Ele mais uma vez apelou ao Governo Britânico para não extraditar Assange para os Estados Unidos ou para qualquer outro Estado que falhe em proporcionar garantias confiáveis contra a sua adiantada transferência para os Estados Unidos. Ele também recordou ao Reino Unidos a sua obrigação de assegurar o acesso desimpedido de Assange a conselhos legais, documentação e preparação adequada proporcional à complexidade dos processos pendentes.

"Em 20 anos de trabalho com vítimas de guerra, violência e perseguição política nunca vi um grupo de Estados democráticos confabulados para deliberadamente isolar, demonizar e abusar de um indivíduo isolado por tão longo tempo e com tão pouco respeito pela dignidade humana e a regra da lei", afirmou Melzer. "A perseguição colectiva de Julian Assange deve acabar aqui e agora!"

O Sr. Nils Melzer, Special Rapporteur on torture and other cruel, inhuman or degrading treatment or punishment (Relator especial sobre tortura e outros tratamentos ou punições crueis, desumanos e degradantes); faz parte do que é conhecido como os Special Procedures do Conselho de Direitos Humanos. Special Procedures, o maior corpo de peritos independentes no sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas, é o nome geral dos mecanismos de apuramento independente de factos e monitoração do Conselho que trata ou de situações específicas de país ou de questões temáticas em toda a parte do mundo. Os peritos do Special Procedures trabalham numa base voluntária; eles não são funcionários da ONU e não recebem um salário pelo seu trabalho. Eles são independentes de qualquer governo ou organização e actuam na sua capacidade individual.

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/melzer_31mai19.html

Assange | EUA apresentam pedido formal de extradição de fundador do WikiLeaks

As autoridades norte-americanas apresentaram formalmente a um tribunal britânico o pedido de extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, detido no Reino Unido, confirmaram na terça-feira o porta-voz da organização e fonte do Governo dos EUA.

Assange enfrenta nos EUA uma acusação por 18 crimes, incluindo divulgação de informação classificada e conspiração com Chelsea Manning, ex-militar norte-americano, para quebrar senhas de computadores do Departamento de Defesa dos EUA.

O fundador do WikiLeaks foi preso pela polícia britânica depois de ter sido expulso, em 11 de abril, da embaixada do Equador em Londres, onde se tinha refugiado desde 2012, cumprindo uma pena de 50 semanas por ter violado as condições de fiança estabelecidas em 2010.


Na próxima sexta-feira, o tribunal de Westminter, em Londres, vai analisar as provas de apoio apresentadas pelas autoridades norte-americanas, que pedem a extradição de Assange para os EUA, disse hoje Kristinn Hrafnsson, porta-voz do WikiLeaks.

A audição judicial será o primeiro momento de confronto entre a defesa de Julian Assange e as autoridades dos EUA, num processo que se deverá prolongar por vários meses, até uma decisão do tribunal britânico.

A justiça norte-americana invoca a lei antiespionagem para imputar várias acusações de crime a Julian Assange, considerando que o responsável do WikiLeaks divulgou informação classificada, quando publicou cerca de 250 mil telegramas diplomáticos e mais de 500 mil documentos confidenciais, relativos à atividade das Forças Armadas dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Kristinn Hrafnsson diz que a invocação de legislação antiespionagem para a acusação da justiça norte-americana revela "uma estrutura legal arcaica", que é agora usada "de forma inédita" para atentar "contra o jornalismo e contra a liberdade de Imprensa".

Julian Assange não deverá comparecer na audiência da próxima sexta-feira, encontrando-se numa unidade médica prisional, nos arredores de Londres, devido a complicações de saúde.

Diário de Notícias | Lusa | Foto: Assange encontra-se detido numa unidade médica prisional em Londres | © Reuters/Henry Nicholls/File Photo

Governo britânico assina pedido de extradição para enviar Julian Assange para os EUA

WikiLeaks founder Julian Assange is seen on the balcony of the Ecuadorian Embassy in London, Britain, May 19, 2017
© REUTERS / Peter Nichollspe

O ministro do Interior do Reino Unido revelou que assinou um pedido de extradição do co-fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para os EUA, onde ele é acusado de violar a Lei de Espionagem.

Falando no programa Today da BBC Radio 4, Sajid Javid declarou que assinou e certificou os trabalhos na quarta-feira, com a ordem indo para os tribunais do Reino Unido nesta sexta-feira.

"Ele está bem atrás das grades. Há um pedido de extradição dos EUA que está nos tribunais amanhã, mas ontem eu assinei o mandado de extradição e o confirmei e que estará em frente aos tribunais amanhã", afirmou.


O Departamento de Justiça dos EUA apresentou 17 novas acusações contra o jornalista australiano. Em maio, ele foi adicionalmente acusado de conspirar com Chelsea Manning, ex-analista de inteligência e denunciante, para obter acesso à rede do Pentágono dos EUA.

Assange está atualmente cumprindo uma sentença de prisão no Reino Unido por violação de condicional. Aos 47 anos, ele estava doente demais para comparecer no mês passado, na última audiência na corte de magistrados de Westminster, em relação ao pedido dos EUA.

A audiência foi remarcada para sexta-feira e, dependendo do estado de sua saúde, pode ocorrer na prisão de Belmarsh, onde ele está detido.

O jornalista passou seis anos vivendo asilo na embaixada equatoriana em Londres, temendo que a Grã-Bretanha o entregasse aos EUA. Ele foi arrastado à força para fora do prédio em abril, depois que a nação sul-americana decidiu despejá-lo.

Sua prisão e subsequente aprisionamento provocaram muitos protestos públicos. O ativista de direitos humanos Peter Tatchell acredita que uma sentença quase máxima de "50 semanas é excessiva e desproporcional".

A saúde do co-fundador do WikiLeaks tem sido uma preocupação especial para seus apoiadores. Seu advogado, Per Samuelson, disse aos repórteres depois de visitar Belmarsh no final de maio que "a situação de saúde de Assange [...] era tal que não era possível conduzir uma conversa normal com ele".


O relator especial da ONU para a Tortura, Nils Melzer, que visitou Assange em Belmarsh, afirmou que ele mostrou sinais claros de tratamento degradante e desumano, o que só contribuiu para a deterioração de sua saúde.

A publicação da filmagem da guerra do Iraque mostrando um helicóptero americano Apache matando 12 pessoas, incluindo dois funcionários da Agência Reuters, é uma das exposições mais significativas e comentadas feitas pelo WikiLeaks.

Apenas uma semana antes de Hillary Clinton se tornar a indicada do Partido Democrata à presidência em 2016, o WikiLeaks divulgou milhares de e-mails mostrando que as principais figuras do partido haviam colaborado para garantir que o senador Bernie Sanders não ganhasse a indicação. Os vazamentos obrigaram a líder da legenda, Debbie Wasserman-Schultz, a renunciar.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019061314052856-reino-unido-extradicao-assange-eua/

EUA apresentam ao Reino Unido pedido formal para a extradição de Assange

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange (foto de arquivo)
© REUTERS / Peter Nicholls

Os EUA enviaram um pedido formal ao Reino Unido para extraditar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, informou a CNN.

Em 2012, Assange se refugiou na sede diplomática equatoriana em Londres depois de perder todos os recursos contra a extradição que o Reino Unido estava preparando para cumprir, aceitando o pedido do Ministério Público Sueco que o obrigou a investigá-lo por supostos crimes sexuais.

O Equador anulou o asilo ao jornalista australiano em 11 de abril e o entregou às autoridades britânicas.


Assange rejeitou sua extradição alegando que a Suécia o entregaria aos EUA, onde ele poderia enfrentar a pena de morte por publicar milhares de documentos secretos sobre operações do Exército dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

A investigação preliminar contra Assange na Suécia, pela suposta violação, foi interrompida em 2017, dada a possibilidade limitada de levá-lo a comparecer perante o tribunal, entre outros fatores.

Em 13 de maio, o Ministério Público da Suécia reabriu a investigação e anunciou que buscaria a extradição de Assange para Estocolmo.

Poveda disse que a situação de isolamento do ciberativista começou quando "mudou a política do Equador, com o presidente Lenin Moreno", e continuou em 11 de abril.

Em 30 de maio, Assange não interveio nem pessoalmente nem por videoconferência em uma audiência preparatória de seu processo de extradição para os EUA devido a uma deterioração em sua saúde.

De acordo com o portal de vazamentos de 30 de maio, o ciber-ativista australiano foi transferido para a enfermaria de Belmarsh.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019061014039828-eua-apresentam-ao-reino-unido-pedido-formal-para-a-extradicao-de-assange/

Perseguição a Assange é infinitamente maior que o próprio Assange

Caitlin Johnstone [*]
A mãe de Julian Assange informou ontem que o fundador do WikiLeaks não recebeu visitantes durante sua detenção na prisão de Belmarsh, incluindo médicos e seus advogados. Médicos que visitaram Assange na Embaixada do Equador atestaram que ele precisa urgentemente de cuidados de saúde. Belmarsh é uma prisão de segurança máxima por vezes mencionada como "a Baía de Guantánamo do Reino Unido" No entanto, pedem que acreditemos que isso tem algo a ver com uma alegada violação de fiança e um pedido de extradição dos EUA por supostos crimes informáticos com uma sentença máxima de cinco anos. Se você diminuir o zoom e escutar a tagarelice menos informada dos propagandistas abertos e dos consumidores dos media de massa ocidentais, também verificará que as pessoas acreditam que isso também tem algo a ver com a Rússia e acusações de estupro. Na verdade, nada disso é verdade. Assange está preso sob condições draconianas por causa do jornalismo eapenas por causa do jornalismo . O governo Obama dispensou-se de processá-lo depois de a publicação de Manning no WikiLeaks ter revelado que isso colocaria em risco a liberdade de imprensa e o governo Obama não tinha mais nenhuma evidência à sua disposição do que o governo Trump tem agora. O "crime" de que Assange é acusado consiste em nada mais do que o de práticas jornalísticas padrão que os jornalistas de investigação utilizam o tempo todo , incluindo protecção de fontes e encorajar a fonte a obter mais material. A única coisa que mudou foi o aumento da disposição da Casa Branca para processar jornalistas por praticar jornalismo. E há uma abundância derazões para acreditar que ele será atingido por acusações ainda mais graves , uma vez extraditado para o território norte-americano. Eles não fazem toda esta perturbação por uma simples violação de fiança com uma sentença máxima de cinco anos. Mas se você diminuir o zoom ainda mais, no grande esquema das coisas, isso quase não tem nada a ver com Assange. Claro, ele tem sido um espinho cravado naqueles que operam a aliança de poder transnacional ocidental. Dada a escolha eles naturalmente prefeririam que ele estivesse encarcerado ou morto do que livre e vivo. Mas não é isso que os influenciadores corruptos que estão estrangulando o nosso mundo tentam caçar. Eles estão em busca de algo muito, muito maior. Assange acaba por ser um degrau no caminho.


Como já discutido anteriormente, a acusação a Assange é realmente destinada a estabelecer um precedente legal que permitirá ao governo dos EUA prender jornalistas por tentarem responsabilizá-lo usando o jornalismo. A razão pela qual está a ler constantemente a frase "Assange não é um jornalista" dita por lacaios do império em todo o mundo é porque eles precisam de uma contra-narrativa para o facto indiscutível de que este precedente representa uma ameaça para jornalistas de todo o mundo. O argumento de que desde Assange não é um jornalista ( pura asneira , aliás) é para afirmar que isso não estabelece um precedente para jornalistas. Como se a sua definição pessoal do que é um "jornalista real" fosse aquela usada pelo governo dos EUA ao determinar se deve ou não processar outras pessoas por fazerem coisas semelhantes ao que fez Assange, ao invés de qualquer definição que atenda às agendas do governo dos EUA. Mas a fim de obter a perspectiva realmente grande do que esses bastardos procuram é preciso diminuir ainda mais o zoom do. No romance de ficção científica Ender's Game , o jovem protagonista dá uma surra violenta num dos valentões que o intimidavam, acabando por matá-lo. Quando perguntado por que fizera isso, o menino, que fora criado e educado para se tornar um estratega sábio, explica que fizera isso não por malícia contra o valentão, nem apenas para ganhar a luta, mas para vencer também todos os combates futuros. Se as crianças na escola vissem de que selvajaria ele era capaz e soubessem que ele não deveria ser subestimado, ele nunca teria de lutar contra elas. Se isso lhe soa um pouco sociopático, é porque realmente é. E, com a diferença notável entre os papéis de valentão e vítima sendo invertidos, este é exactamente o princípio que estamos a ver exercido contra Assange. O mundo inteiro observa o que está a ser feito a Assange actualmente. Não importa o quão propagandeado você seja, não importa o quanto odeie o homem pessoalmente, você vê isso acontecer e aprende uma lição. E essa lição é, nunca faça nada remotamente parecido com o que ele fez, ou se deparará com o mesmo destino. Este é o objectivo real da perseguição a Assange, e não afecta apenas um editor australiano numa cela de prisão no Reino Unido, nem mesmo os jornalistas de investigação ao redor do mundo interessados em praticar a arte perdida de manter o poder de informar usando jornalismo, mas todos no mundo que consomem a media. Isso funciona. Sei que funciona porque funciona comigo. Direi aqui e agora: se tem informações que incrimine as pessoas mais poderosas do mundo, mantenha-as longe de mim. Dê a outra pessoa, literalmente a qualquer outra pessoa, porque sou muito covarde e tenho muito a perder envolvendo-me em qualquer coisa que possa me levar a apodrecer em alguma cela de prisão no estrangeiro. Tenho filhos. Estou apaixonado. Não posso e não vou seguir esse caminho. E se isso for verdade para mim, sei com certeza que é verdade também para inúmeros outros. Eles brutalizaram os denunciantes ao ponto de, com certeza, ter um efeito assustador sobre aqueles que de outra forma se tornariam importantes fontes de fugas, e agora estão a brutalizar também os jornalistas que publicam essas fugas. As probabilidades de alguém que quer denunciar o poder real encontrar um jornalista disposto a ajudá-lo diminuem rapidamente para zero. Eles tentam vencer esta luta contra Assange de forma brutal a fim de garantir que vencem também todas as lutas futuras. Por isso é absolutamente estúpido que esta conversa seja tão fixada em Assange, o homem, seja denegrido ou elogiado. Outro dia publiquei um enorme artigo com ataques as principais calúnias a Assange que descobri. Há 27 delas no total até agora, e eu adicionarei mais em breve. Esta montanha de difamação existe porque, ao invés de prestar atenção aos perigos que acabei de esboçar, os quais ameaçam tornar impossível a oposição aos líderes do império centralizado nos EUA que marcham para nos levar à extinção ou à distopia , as pessoas estão a tagarelar acerca da personalidade de Assange, ou se ele limpou ou não o seu gato enquanto estava na embaixada. O outro lado disto são pessoas que se fixam em Assange como um herói, o que pode, claro, ajudar a chamar a atenção para sua situação e, portanto, ser de algum benefício. Mas no final das contas isso também faz perder a floresta ao ver a árvore. Isto tudo é muito, muito maior do que o próprio Assange e precisamos nos opor por razões que são muito mais significativas do que as características individuais de um homem que, dependendo do que ouvimos, podemos ou não acreditar ser uma pessoa simpática. Nunca perca de vista que a intimidação de denunciantes e publicadores de fugas ameaça impedir que a verdade informe o comportamento de toda a nossa espécie, deixando apenas os caprichos dos mais poderosos para decidir nosso destino. As pessoas mais poderosas são aquelas mais dedicadas à busca do poder, aquelas sociopatas o suficiente para pisar na cabeça de qualquer outro e fazer o que for preciso para garantir o máximo de controle possível sobre o maior número possível de seres humanos. É a eles que estamos a entregar a condução do nosso mundo se permitirmos que a verdade seja intimidada até ao silenciamento. E nunca perder de vista que com a prisão e o julgamento de Julian Assange, estes opressores sociopatas revelaram-se. Eles arrancaram a máscara amistosa de Big Brother e expuseram as obscuras entidades infernais que se contorcem e zumbem por baixo. Este súbito interesse pelas tecnicalidades legais do protocolo de fiança e do protocolo de protecção da fonte jornalística parece exactamente o mesmo que processar um jornalista pela publicação de factos porque é exactamente isso que está a acontecer. Nunca permita que alguém o faça acreditar no contrário e não ouse perder esta rara oportunidade de denunciar aos seus semelhantes como os nossos opressores revelaram a sua verdadeira natureza. 

22/Abril/2019

[*] Autora de Rogue Nation: Psychonautical Adventures  O original encontra-se em caitlinjohnstone.com/...  Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/perseguicao-assange-e-infinitamente.html

A perseguição a Julian Assange é infinitamente maior que o próprio Assange

por Caitlin Johnstone [*]

A mãe de Julian Assange informou ontem que o fundador do WikiLeaks não recebeu visitantes durante sua detenção na prisão de Belmarsh, incluindo médicos e seus advogados. Médicos que visitaram Assange na Embaixada do Equador atestaram que ele precisa urgentemente de cuidados de saúde. Belmarsh é uma prisão de segurança máxima por vezes mencionada como "a Baía de Guantánamo do Reino Unido".

No entanto, pedem que acreditemos que isso tem algo a ver com uma alegada violação de fiança e um pedido de extradição dos EUA por supostos crimes informáticos com uma sentença máxima de cinco anos. Se você diminuir o zoom e escutar a tagarelice menos informada dos propagandistas abertos e dos consumidores dos media de massa ocidentais, também verificará que as pessoas acreditam que isso também tem algo a ver com a Rússia e acusações de estupro.

Na verdade, nada disso é verdade. Assange está preso sob condições draconianas por causa do jornalismo e apenas por causa do jornalismo . O governo Obama dispensou-se de processá-lo depois de a publicação de Manning no WikiLeaks ter revelado que isso colocaria em risco a liberdade de imprensa e o governo Obama não tinha mais nenhuma evidência à sua disposição do que o governo Trump tem agora. O "crime" de que Assange é acusado consiste em nada mais do que o de práticas jornalísticas padrão que os jornalistas de investigação utilizam o tempo todo , incluindo protecção de fontes e encorajar a fonte a obter mais material. A única coisa que mudou foi o aumento da disposição da Casa Branca para processar jornalistas por praticar jornalismo. E há uma abundncia de razões para acreditar que ele será atingido por acusações ainda mais graves , uma vez extraditado para o território norte-americano. Eles não fazem toda esta perturbação por uma simples violação de fiança com uma sentença máxima de cinco anos.

Mas se você diminuir o zoom ainda mais, no grande esquema das coisas, isso quase não tem nada a ver com Assange. Claro, ele tem sido um espinho cravado naqueles que operam a aliança de poder transnacional ocidental. Dada a escolha eles naturalmente prefeririam que ele estivesse encarcerado ou morto do que livre e vivo. Mas não é isso que os influenciadores corruptos que estão estrangulando o nosso mundo tentam caçar. Eles estão em busca de algo muito, muito maior. Assange acaba por ser um degrau no caminho.

Como já discutido anteriormente , a acusação a Assange é realmente destinada a estabelecer um precedente legal que permitirá ao governo dos EUA prender jornalistas por tentarem responsabilizá-lo usando o jornalismo. A razão pela qual está a ler constantemente a frase "Assange não é um jornalista" dita por lacaios do império em todo o mundo é porque eles precisam de uma contra-narrativa para o facto indiscutível de que este precedente representa uma ameaça para jornalistas de todo o mundo. O argumento de que desde Assange não é um jornalista ( pura asneira , aliás) é para afirmar que isso não estabelece um precedente para jornalistas. Como se a sua definição pessoal do que é um "jornalista real" fosse aquela usada pelo governo dos EUA ao determinar se deve ou não processar outras pessoas por fazerem coisas semelhantes ao que fez Assange, ao invés de qualquer definição que atenda às agendas do governo dos EUA.

Mas a fim de obter a perspectiva realmente grande do que esses bastardos procuram é preciso diminuir ainda mais o zoom do.

No romance de ficção científica Ender's Game , o jovem protagonista dá uma surra violenta num dos valentões que o intimidavam, acabando por matá-lo. Quando perguntado por que fizera isso, o menino, que fora criado e educado para se tornar um estratega sábio, explica que fizera isso não por malícia contra o valentão, nem apenas para ganhar a luta, mas para vencer também todos os combates futuros. Se as crianças na escola vissem de que selvajaria ele era capaz e soubessem que ele não deveria ser subestimado, ele nunca teria de lutar contra elas.

Se isso lhe soa um pouco sociopático, é porque realmente é. E, com a diferença notável entre os papéis de valentão e vítima sendo invertidos, este é exactamente o princípio que estamos a ver exercido contra Assange.

O mundo inteiro observa o que está a ser feito a Assange actualmente. Não importa o quão propagandeado você seja, não importa o quanto odeie o homem pessoalmente, você vê isso acontecer e aprende uma lição. E essa lição é, nunca faça nada remotamente parecido com o que ele fez, ou se deparará com o mesmo destino. Este é o objectivo real da perseguição a Assange, e não afecta apenas um editor australiano numa cela de prisão no Reino Unido, nem mesmo os jornalistas de investigação ao redor do mundo interessados em praticar a arte perdida de manter o poder de informar usando jornalismo, mas todos no mundo que consomem a media.

Isso funciona. Sei que funciona porque funciona comigo. Direi aqui e agora: se tem informações que incrimine as pessoas mais poderosas do mundo, mantenha-as longe de mim. Dê a outra pessoa, literalmente a qualquer outra pessoa, porque sou muito covarde e tenho muito a perder envolvendo-me em qualquer coisa que possa me levar a apodrecer em alguma cela de prisão no estrangeiro. Tenho filhos. Estou apaixonado. Não posso e não vou seguir esse caminho. E se isso for verdade para mim, sei com certeza que é verdade também para inúmeros outros. Eles brutalizaram os denunciantes ao ponto de, com certeza, ter um efeito assustador sobre aqueles que de outra forma se tornariam importantes fontes de fugas, e agora estão a brutalizar também os jornalistas que publicam essas fugas. As probabilidades de alguém que quer denunciar o poder real encontrar um jornalista disposto a ajudá-lo diminuem rapidamente para zero.

Eles tentam vencer esta luta contra Assange de forma brutal a fim de garantir que vencem também todas as lutas futuras.

Por isso é absolutamente estúpido que esta conversa seja tão fixada em Assange, o homem, seja denegrido ou elogiado.

Outro dia publiquei um enorme artigo com ataques as principais calúnias a Assange que descobri. Há 27 delas no total até agora, e eu adicionarei mais em breve. Esta montanha de difamação existe porque, ao invés de prestar atenção aos perigos que acabei de esboçar, os quais ameaçam tornar impossível a oposição aos líderes do império centralizado nos EUA que marcham para nos levar à extinção ou à distopia , as pessoas estão a tagarelar acerca da personalidade de Assange, ou se ele limpou ou não o seu gato enquanto estava na embaixada.

O outro lado disto são pessoas que se fixam em Assange como um herói, o que pode, claro, ajudar a chamar a atenção para sua situação e, portanto, ser de algum benefício. Mas no final das contas isso também faz perder a floresta ao ver a árvore. Isto tudo é muito, muito maior do que o próprio Assange e precisamos nos opor por razões que são muito mais significativas do que as características individuais de um homem que, dependendo do que ouvimos, podemos ou não acreditar ser uma pessoa simpática.

Nunca perca de vista que a intimidação de denunciantes e publicadores de fugas ameaça impedir que a verdade informe o comportamento de toda a nossa espécie, deixando apenas os caprichos dos mais poderosos para decidir nosso destino. As pessoas mais poderosas são aquelas mais dedicadas à busca do poder, aquelas sociopatas o suficiente para pisar na cabeça de qualquer outro e fazer o que for preciso para garantir o máximo de controle possível sobre o maior número possível de seres humanos. É a eles que estamos a entregar a condução do nosso mundo se permitirmos que a verdade seja intimidada até ao silenciamento.

E nunca perder de vista que com a prisão e o julgamento de Julian Assange, estes opressores sociopatas revelaram-se. Eles arrancaram a máscara amistosa de Big Brother e expuseram as obscuras entidades infernais que se contorcem e zumbem por baixo. Este súbito interesse pelas tecnicalidades legais do protocolo de fiança e do protocolo de protecção da fonte jornalística parece exactamente o mesmo que processar um jornalista pela publicação de factos porque é exactamente isso que está a acontecer. Nunca permita que alguém o faça acreditar no contrário e não ouse perder esta rara oportunidade de denunciar aos seus semelhantes como os nossos opressores revelaram a sua verdadeira natureza.

22/Abril/2019

[*] Autora de Rogue Nation: Psychonautical Adventures

O original encontra-se em caitlinjohnstone.com/...

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_johnstone_22abr19.html

Julian Assange é condenado a 50 semanas de prisão em Londres

Retrato de Julian Assange perto da embaixada do Equador em Londres
© REUTERS / Peter Nicholls

Nesta quarta-feira (1º), o Supremo Tribunal do Reino Unido sentenciou Julian Assange, fundador do WikiLeaks, a 50 semanas (16 meses e meio) de prisão por violar a liberdade condicional.

"Você não se entregou à polícia por sua vontade, a embaixada no Equador foi forçada a dar acesso ao prédio para a polícia […] Você tinha uma escolha e eu rejeito todos os argumentos [atenuantes da sentença]", disse a juíza Deborah Taylor, ao anunciar o veredito.

Ela disse também que a violação por Assange da liberdade condicional está "para além das acusações mais sérias apresentadas contra ele".


Antes de ouvir a sentença, o fundador do WikiLeaks disse, através dos advogados, lamentar os atos praticados.

As audiências sobre a extradição de Assange vão continuar na quinta-feira (2) no Tribunal de Magistrados de Westminster.

Julian Assange foi detido em 11 de abril, após a decisão do presidente do Equador, Lenín Moreno, de retirar o asilo do ativista na embaixada equatoriana.

O ativista ficou famoso por publicar dados vazados secretos sobre, por exemplo, as operações militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque, bem como sobre as condições na prisão de Guantánamo. 

Em 2010, o fundador do WikiLeaks, procurado pelas autoridades americanas, viajou para a Suécia em busca de proteção, porém, acabou sendo acusado de estuprar duas mulheres. A acusação veio a ser arquivada pela Suécia, que revogou o mandado de captura. 

Desde 2012, Assange estava vivendo na embaixada do Equador em Londres, após as autoridades equatorianas lhe terem concedido asilo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019050113788580-julian-assange-sentenca-prisao-londres-liberdade-condicional/

Julian Assange e a agenda para a Guerra Global

A perseguição dos EUA a Julian Assange tem uma justificação fundamental: a prática política, económica e militar da maior potência imperialista só pode ser defendida mentindo, silenciando e falsificando toda a informação. O que Wikileaks fez e continua a fazer é desmascarar essa colossal ocultação de sucessivos crimes contra a humanidade.

Introdução

Durante quase uma década Washington tentou silenciar, prender e eliminar o mais destacado jornalista de investigação do mundo, Julian Assange (JA) e a sua equipa de colaboradores no Wilkileaks (WL).

Nunca os media de massa foram tão desacreditados por documentos oficiais que contradizem directamente a propaganda oficial, verbalizada por líderes políticos e papagueada por “líderes” jornalísticos.

Washington está particularmente empenhado em capturar JA porque as suas revelações tiveram um impacto particularmente poderoso sobre o público dos EUA, os críticos políticos, os media alternativos e grupos de direitos humanos, operando a sua viragem contra as guerras dos EUA no Médio Oriente, Sul da Ásia, África e América Latina.

Discutiremos o que JA e WL realizaram e porquê o gume particularmente afiado da sua reportagem perturbou o governo.

Vamos depois discutir os conflitos “em curso” e o fracasso da Casa Branca em conseguir uma vitória decisiva, como factores que levaram Washington a intensificar os seus esforços para fazer de JA um “exemplo” para outros jornalistas - exigindo que eles se “moldem” ou paguem as consequências, incluindo a prisão.

1
Contexto para as revelações públicas (Whistleblowing)

No final de uma década de guerra, a oposição ao envolvimento dos EUA no Iraque e no Afeganistão tinha-se alargado a sectores do establishment militar e civil. Foram divulgados documentos e os críticos foram encorajados a disponibilizar relatórios revelando crimes de guerra e o custo em vidas humanas. WL, sob a liderança de Assange, foram os destinatários de centenas de milhares de documentos que provinham de analistas militares, empreiteiros e detentores de cargos civis desgostados das mentiras oficiais e dos media de massas que perpetravam e davam cobertura a crimes de guerra.

Como as guerras se arrastavam, e novas guerras foram lançadas na Líbia e na Síria e os congressistas liberais estavam impotentes e não estavam dispostos a expor as mentiras dos regimes Obama/Clinton e as falsificações que acompanharam o assassínio do Presidente Kadhafi, Wilkileaks e JA divulgaram documentos que revelaram como os EUA planearam, implementaram e fabricaram Guerras Humanitárias para “salvar as pessoas”… bombardeando-as!

As principais redes de comunicação e a imprensa de prestígio seguiam a linha oficial, mas os documentos WL desacreditaram-nos.

O Pentágono, a CIA, a Presidência e os seus apoiantes no Congresso entraram em pânico – à medida que as suas atividades secretas vinham à tona.

Recorreram a várias acções desesperadas, todas direccionadas a silenciar a liberdade de expressão. Acusaram de “espionagem” os jornalistas de investigação – “que trabalhavam para a Rússia ou para os terroristas islâmicos” ou que eram simplesmente “traidores por dinheiro”.

2

À medida que a mensagem WL ganhava legitimidade, Washington voltou-se para o sistema judiciário em busca de sentenças para amordaçar os seus críticos. A liberdade de expressão foi criminalizada. Mas WL continuou. Novos e mais críticos denunciantes entraram em cena; Chelsea Manning, Edward Snowden, William Binney e outros disponibilizaram novas evidências devastadoras das grosseiras distorções e fabricações sobre mortes de civis por parte de Washington.

Aos olhos do Pentágono Julian Assange era O Inimigo porque se recusou a ser comprado ou intimidado. WL despertou com sucesso a desconfiança nos meios de comunicação de massa e a desconfiança nas notícias de guerra oficiais difundidas entre o público.

O Pentágono, a Casa Branca e o aparelho dos serviços de informações procuraram os espiões “internos” que disponibilizavam documentos a WL. A prisão de Julian Assange foi colocada na crença de que a “decapitação” do líder intimidaria outros jornalistas de investigação. JA fugiu para salvar a vida, e procurou e recebeu asilo na Embaixada do Equador no Reino Unido.

Depois de sete anos de pressão, os EUA conseguiram que o Presidente equatoriano Lenin Moreno violasse a constituição do seu próprio país e permitisse que a polícia britânica detivesse JS, o prendesse e preparasse a sua extradição para Washington, onde o regime encontrará o quadro judicial apropriado para o condenar à prisão perpétua ou … pior.

Conclusão

Os crimes de guerra cometidos por Washington são de tal dimensão que corroeram o passivo e submisso ethos dos seus funcionários públicos; tendo perdido a confiança, o governo sustenta-se em ameaças, expulsões e processos crime.

3

Os jornalistas de investigação estão sob pressão por parte do coro de prostitutas de imprensa e enfrentam processos crime
Liberdade de expressão hoje significa “liberdade” para obedecer ao Estado.

O julgamento que se segue de Julian Assange é mais do que sobre a liberdade de expressão. É sobre a capacidade de Washington de prosseguir guerras globais, aplicar sanções ilegais contra países independentes e recrutar Estados vassalos sem oposição. Washington, sem a consciência do público, poderá iniciar guerras comerciais e difamar impunemente os concorrentes .

Uma vez silenciados e/ou presos os delatores, vale tudo.
No período actual muitos jornalistas perderam a capacidade de falar a verdade ao poder, e jovens redactores que buscam oportunidades e modelos a seguir enfrentam a ameaça da censura hierarquicamente imposta por meio de punições. A Casa Branca procura converter o país numa câmara de eco das mentiras das guerras “humanitárias” e golpes “democráticos”.

O governo dos EUA prossegue hoje uma guerra contra a Venezuela. O Tesouro rapina os seus recursos e riquezas e o Estado nomeia o seu presidente em nome de “valores democráticos”.

O regime de Trump está a matar à fome o povo da Venezuela para o submeter, em nome de uma missão humanitária, enredo que apenas é contestado por poucos jornalistas nos meios de comunicação alternativos.

Washington prende JA para garantir que os crimes contra a Venezuela prosseguirão impunemente.

Fonte: https://petras.lahaine.org/julian-assange-and-the-agenda-for/

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Os EUA flertam com o direito nazi - Boaventura

Por se oporem aos projetos de Washington, Julian Assange e Lula estão submetidos à lógica do “inimigo interno”, que floresceu com Hitler. Sob aparência de normalidade democrática, o Ocidente avança para o Estado de exceção

Boaventura de Sousa Santos* | Outras Palavras

O problema da transparência, tal como o da luta contra a corrupção, é a sua intransparente seletividade. Quem talvez viva mais diretamente este problema são os jornalistas de todo o mundo que ainda persistem em fazer jornalismo de investigação. Todos tremeram no passado dia 11 de abril, qualquer que tenha sido o teor dos editoriais dos seus jornais, ante a prisão de Julian Assange, retirado à força da embaixada do Equador em Londres para ser entregue às autoridades norte-americanas que contra ele tinham emitido um pedido de extradição. As acusações que até agora foram feitas contra ele referem-se a ações que apenas visaram garantir o anonimato da whistleblower Chelsea Manning, ou seja, garantir o anonimato da fonte de informação, uma garantia sem a qual o jornalismo de investigação não é possível.

Se os jornalistas são quem vive mais diretamente a seletividade da transparência, quem mais sofre as consequências dela é a qualidade da democracia e a credibilidade do dever de prestação de contas a que os governos democráticos estão obrigados. Por que é que a luta pela transparência se dirige a certos alvos políticos e não a outros? Por que é que as revelações em alguns casos são saudadas e produzem efeitos, enquanto noutros são impedidas e, se feitas, são ignoradas? Daí a necessidade de conhecer melhor os critérios que presidem à seletividade. Claro que o outro lado da seletividade da transparência é a seletividade da luta contra a transparência. Talvez não soubéssemos das perturbadoras revelações da WikiLeaks em 2010 — vídeos militares sobre o assassinato em 2007, no Iraque, de civis desarmados, dois dos quais trabalhavam para a Reuters — se elas não fossem divulgadas amplamente pelos meios de comunicação de referência de todo o mundo. Por que é que toda a sanha persecutória desabou sobre o fundador do WikiLeaks e não sobre esses meios, alguns dos quais ganharam muito dinheiro que nunca reverteu adequadamente para Assange? Por que é que nessa altura os editoriais do New York Times saudavam Assange como o campeão da liberdade de expressão e as revelações, como o triunfo da democracia, e o editorial da semana passada considera a sua prisão como o triunfo da rule of law? Por que é que o governo do Equador protegeu “os direitos humanos de Assange durante seis anos e 10 meses”, nas palavras do presidente Lenin Moreno, e o entregou repentina e informalmente, violando o direito internacional de asilo? Será porque, segundo o New York Times, o novo empréstimo do FMI ao Equador no valor de cerca de 4 bilhões de dólares teria sido aprovado pelos EUA sob a condição de o Equador entregar Julian Assange? Será porque o WikiLeaks revelou recentemente que Moreno poderia vir a ser acusado de corrupção em face de duas contas, tituladas pelo seu irmão, uma em Belize e outra no Panamá, onde alegadamente terão sido depositadas comissões ilegais?


Quanto à seletividade da luta pela transparência há que distinguir entre os que lutam a partir de fora do sistema político e os que lutam a partir de dentro. Quanto aos primeiros, a sua luta tem, em geral, um efeito democratizador porque denuncia o modo despótico, ilegal e impune como o poder formalmente democrático e legal se exerce na prática para neutralizar resistências ao seu exercício. No caso do WikiLeaks haverá que reconhecer que tem publicado informações que afetam governos e atores políticos de diferentes cores políticas, e este é talvez o seu maior pecado num mundo de rivalidades geopolíticas. A sorte do WikiLeaks mudou quando, em 2016, revelou as práticas ilegais que manipularam as eleições primárias no Partido Democrático dos EUA para que Hilary Clinton, e não Bernie Sanders, fosse o candidato presidencial, e mais ainda depois de ter mostrado que Hilary Clinton fora a principal responsável pela invasão da Líbia, uma atrocidade pela qual o povo líbio continua a sangrar. Pode objetar-se que o WikiLeaks se tem restringido, em geral, aos governos mais ou menos democráticos do dito mundo eurocêntrico ou nortecêntrico. É possível, mas também é verdade que as revelações que têm sido feitas para além desse mundo colhem muito pouca atenção dos meios dominantes.

A seletividade da luta por parte dos que dominam o sistema político é a que mais dano pode causar à democracia porque quem protagoniza a luta pode, se tiver êxito, aumentar por via não democrática o seu poder. O sistema jurídico-judiciário é hoje o instrumento privilegiado dessa luta. Assistimos nos últimos dias a tentativas desesperadas para justificar a revogação do asilo de Assange e a sua consequente prisão à luz do direito internacional e direito interno dos vários países envolvidos, mas a ninguém escapou que se tratou de um verniz legal para cobrir uma conveniência política ilegal, se não mesmo uma exigência por parte dos EUA. Mas obviamente que o estudo de caso do abuso do direito para encobrir conveniências políticas internas e imperiais é a prisão do ex-presidente Lula da Silva. O executor desse abuso é Sérgio Moro, acusador, juiz em causa própria, ministro do governo que conquistou o poder graças à prisão de Lula da Silva. Lula da Silva foi processado mediante sórdidos dislates processuais e a violação da hierarquia judicial, foi condenado por um crime que nunca foi provado, e mantido na prisão apesar de o processo não ter transitado em julgado. Daqui a cinquenta anos, se ainda houver democracia, este caso será estudado como exemplo de como a democracia pode ser destruída pelo exercício abusivo do sistema judicial. Este é também o caso que melhor ilustra a falta de transparência na seletividade da luta pela transparência. Não é preciso insistir que a prática de promiscuidade entre o poder econômico e o poder político vem de longe no Brasil e que cobre todo o espectro político. Nem tão pouco que o ex-presidente Michel Temer pôde terminar o mandato para o qual não fora eleito apesar dos desconchavos financeiros em que alegadamente teria estado envolvido. O importante é saber que a prisão de Lula da Silva foi fundamental para eleger um governo que entregasse os recursos naturais às empresas multinacionais, privatizasse o sistema de aposentadorias, reduzisse ao máximo as políticas sociais e acabasse com a tradicional autonomia da política internacional do Brasil e se rendesse a um alinhamento incondicional com os EUA em tempos de rivalidade geopolítica com a China.

Objetivamente, quem mais se beneficia com estas medidas são os EUA. Não admira que interesses norte-americanos se tenham envolvido tanto nas últimas eleições gerais brasileiras. Também é sabido que as informações que serviram de base à investigação da Operação Lava-Jato resultaram de uma íntima colaboração com o Departamento de Justiça dos EUA. Mas talvez seja surpreendente a rapidez com que, neste caso, o feitiço se pode se virar contra o feiticeiro. O WikiLeaks acaba de revelar que Sérgio Moro foi um dos magistrados treinados nos EUA para a chamada “luta contra o terrorismo”. Tratou-se de um treino orientado para o uso musculado e manipulativo das instituições jurídicas e judiciárias existentes e para o recurso a inovações processuais, como a delação premiada, com o objetivo de obter condenações rápidas e drásticas. Foi essa formação que ensinou os juristas a tratar alguns cidadãos como inimigos e não como adversários, isto é, como seres privados dos direitos e das garantias constitucionais e processuais e dos direitos humanos supostamente universais.

O conceito de inimigo interno, originalmente desenvolvido pela jurisprudência nazista, visou precisamente criar uma licença para condenar com uma lógica de estado de exceção, apesar de exercida em suposta normalidade democrática e constitucional. Moro foi assim escolhido para ser o malabarista jurídico-político ao serviço de causas que não podem ser sufragadas democraticamente. O que une Assange, Lula e Moro é serem peões do mesmo sistema de poder imperial, Assange e Lula, enquanto vítimas, Moro enquanto carrasco útil e por isso descartável quando tiver cumprido a sua missão ou quando, por qualquer motivo, se transformar num obstáculo a que a missão seja cumprida.

* Doutorado em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROS QUINHENTOS

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/os-eua-flertam-com-o-direito-nazi.html

O Estado Profundo contra a WikiLeaks

or 42550
por Pepe Escobar [*]

Desenho de Nathaniel St. Clair. A acusação a Julian Assange feita pelo FBI parece um sonâmbulo a passear. Nenhuma evidência. Sem documentos. Nenhum testemunho seguro. Só um fogo cruzado de condicionais.

Mas nunca subestime a chicana contorcionista dos funcionários do governo dos EUA. Ainda que Assange possa não ser caracterizado como jornalista e editor, o objectivo da declaração juramentada é acusá-lo de conspirar para cometer espionagem.

Na verdade, a acusação nem sequer é de que Assange tenha hackeado um computador do governo estado-unidense e obtido informações classificadas; é que ele pode ter discutido isso com Chelsea Manning e pode ter tido a intenção de fazer um hack. O estilo orwelliano do crime de pensamento não vai além disso. Agora, a única coisa que está a faltar é um software de inteligência artificial para detectá-los.

O conselheiro legal de Assange, Geoffrey Robertson – que também representa outro destacado prisioneiro político, o brasileiro Lula – foi directo ao assunto (aos 19:22 minutos): "A justiça que ele está a enfrentar é justiça, ou injustiça, na América... Eu esperaria que os juízes britânicos tivessem crença suficiente na liberdade de informação para rejeitar o pedido de extradição".

Isso está longe de ser um facto consumado. Daí a consequência inevitável: A equipe legal de Assange está a preparar-se para provar, sem limitações, num tribunal britânico, que esta acusação do governo estado-unidense de conspiração para hackear computadores é apenas um prolegómeno para acusações subsequentes de espionagem, caso Assange seja extraditado para o solo dos EUA.

Tudo acerca do Vault 7

John Pilger, entre outros, já destacou como o plano para destruir a WikiLeaks e Julian Assange foi lançado em 2008 – no final do regime de Cheney – cozinhado pela obscura Divisão de Avaliações contra a Inteligência Cibernética (Cyber Counter-Intelligence Assessments Branch ) do Pentágono.

O objectivo exclusivo era criminalizar a WikiLeaks e enlamear Assange pessoalmente, usando "tropas de choque... alistadas nos media – aqueles que têm a pretensão de manter o registo correcto e dizer-nos a verdade".

Este plano permanece mais do que activo – basta considerar como a prisão de Assange foi coberta pela maior parte dos media de referência dos EUA / Reino Unido.

Em 2012, já na era Obama, a WikiLeaks pormenorizou a surpreendente "escala da investigação do Grande Júri dos EUA" sobre si mesma. O governo dos EUA sempre negou a existência de um tal grande júri.

"O governo dos EUA pôs de pé e coordenou uma investigação criminal inter-agências da Wikileaks, composta por uma parceria entre o Departamento de Defesa (DOD), incluindo: CENTCOM; SOUTHCOM; a Agência de Inteligência da Defesa (DIA); Agência de Sistemas de Informação de Defesa (DISA); Sede do Departamento do Exército (HQDA); Divisão de Investigação Criminal do Exército dos EUA (CID) para USFI (Forças dos EUA no Iraque) e 1ª Divisão Blindada (AD);Unidade Investigativa de Crimes Informáticos do Exército dos EUA (CCIU); 2º Exército (Comando Cibernético do Exército dos EUA). Dentro disso ou além disso, três investigações de inteligência militar foram realizadas. Grande Júri do Departamento de Justiça (DOJ) e do Federal Bureau of Investigation (FBI), Departamento de Estado (DOS) e Serviço de Segurança Diplomática (DSS). Além disso, a Wikileaks tem sido investigada pelo Gabinete do Director de Inteligência Nacional (ODNI), pelo Gabinete do Executivo Nacional de Contra-Inteligência (ONCIX), pela Agência Central de Inteligência (CIA); pelo Comité de Supervisão da Câmara; pelo Comité Interinstitucional de Pessoal de Segurança Nacional e pelo PIAB (Conselho Consultivo de Inteligência do Presidente)".

Mas foi só em 2017, na era Trump, que o Estado Profundo se tornou totalmente balístico; foi quando a WikiLeaks publicou os ficheiros da Vault 7 – pormenorizando o vasto repertório de espionagem hacker / cibernética da CIA.

Foi a revelação inédita da CIA como um Imperador Nu – incluindo as operações de supervisão desonestas do Centro de Inteligência Cibernética, um departamento ultra-secreto da NSA.

O WikiLeaks obteve os ficheiros da Vault 7 no início de 2017. Na época, a WikiLeaks já havia publicado os ficheiros do DNC [Democratic National Committee] – os quais o impecável Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS) provou sistematicamente serem uma fuga, não um hack.

A narrativa monolítica da facção Estado Profundo, alinhada com a máquina de Clinton, foi que "os russos" hackearam os servidores DNC. Assange sempre foi inflexível; esse trabalho não fora de um actor do Estado – e ele poderia provar isso tecnicamente.

Houve alguma movimentação rumo a um acordo, intermediado por um dos advogados de Assange: A WikiLeaks não publicaria a informação mais contundente da Vault 7 em troca da passagem segura de Assange para ser entrevistado pelo Departamento de Justiça dos EUA (DoJ).

O DoJ queria um acordo – e eles fizeram uma oferta à WikiLeaks. Mas o director do FBI, James Comey, o matou. A questão é saber porque.

É uma fuga, não um hack

Algumas reconstruções teoricamente sãs do movimento de Comey estão disponíveis. Mas o facto chave é que Comey já sabia – por meio das suas conexões estreitas com o topo do DNC – que isso não fora um hack e sim uma fuga.

O embaixador Craig Murray enfatizou repetidas vezes (ver aqui ) como os ficheiros do DNC / Podesta publicados pela WikiLeaks vieram de duas fontes diferentes dos EUA; uma de dentro do DNC e outra de dentro da inteligência dos EUA.

Não havia nada para Comey "investigar". Ou haveria, se Comey tivesse ordenado ao FBI que examinasse os servidores do DNC. Então, para que conversar com Julian Assange?

O lançamento pela WikiLeaks, em Abril de 2017, dos mecanismos de malware embutidos no "Grasshopper" e no "Marble Framework" foram de facto uma bomba. É assim que a CIA insere cadeias (strings) de linguagem estrangeira no código-fonte a fim de disfarçá-los como originários da Rússia, do Irão ou da China. O inestimável Ray McGovern, membro do VIPS, destacou como o Marble Framework "destrói essa narrativa acerca do hacking russo".

Não é de admirar que o então director da CIA, Mike Pompeo, tenha acusado a WikiLeaks de ser uma "agência de inteligência hostil não estatal", habitualmente manipulada pela Rússia.

Joshua Schulte, o alegado vazador ( leaker ) do Vault 7, ainda não enfrentou um tribunal dos EUA. Não há dúvida de que lhe será oferecido um acordo pelo governo dos EUA se ele for agressivo no seu testemunho contra Julian Assange.

É uma estrada longa e sinuosa, a ser percorrida em pelo menos dois anos, se Julian Assange vier a ser extraditado para os EUA. Duas coisas para o momento já estão claras como cristal. O governo dos EUA está obcecado em encerrar a WikiLeaks de uma vez por todas. E por causa disso, Julian Assange nunca obterá um julgamento justo no chamado "Tribunal de Espionagem" do Distrito Leste da Virgínia, conforme pormenorizado pelo ex-responsável de contra-terrorismo da CIA e denunciante John Kiriakou.

Enquanto isso, a demonização ininterrupta de Julian Assange prosseguirá inabalável, fiel às directrizes estabelecidas há mais de uma década. Assange é até mesmo acusado de estar numa operação de inteligência dos EUA, e a WikiLeaks, um ramo de uma operação de cobertura do Estado Profundo.

Talvez o Presidente Trump manobre o Estado Profundo hegemónico para que Assange testemunhe contra a corrupção do DNC; ou talvez Trump ceda completamente à "agência de inteligência hostil" de Pompeo e sua gang da CIA a ladrar por sangue. É tudo um jogo de sombras com riscos ultra-altos – e o espectáculo nem mesmo começou.

19/Abril/2019

Ver também:

 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_escobar_19abr19.html

Assange e os vilões

Um indignado e certeiro texto, que aponta com clareza a extrema indignidade da perseguição empreendida contra Assange, a grosseira violação de regras fundamentais do direito internacional na sua detenção, o vergonhoso servilismo do presidente do Equador e dos governos europeus face à arbitrariedade com que o poder em Washington quer ajustar contas com alguém que nada mais fez do que expor o seu apodrecimento moral e o seu gangsterismo político.

Pouco resta a acrescentar a tudo o que já foi dito, e estava sendo dito, do caso Assange. Uma operação absolutamente violatória do direito internacional tal fora estabelecido pelo Grupo de Trabalho da ONU contra as Detenções Arbitrárias que, numa extensa resolução datada de 4 de Dezembro de 2015 estabelecia que a prisão do fundador do Wikileaks era arbitrária e ilegal e ele devia ser libertado. E não apenas isso, no seu item 100 requeria que “os governos da Suécia e do Reino Unido … garantissem a situação do sr. Assange para assegurar a sua segurança e integridade física, facilitar o exercício do seu direito à liberdade de movimentos da forma mais expedita possível e assegurar e para assegurar o pleno gozo dos direitos garantidos pelas normas internacionais relativas à detenção de pessoas.”

Num sistema internacional em que com cada vez mais frequência se atropela a legalidade laboriosamente construída desde o final da Segunda Guerra Mundial, não é surpreendente o que aconteceu. Nesta verdadeira tragédia para a humanidade - porque é isso que significa a perseguição a Julian Assange - há alguns vilões.


Em primeiro lugar, Lenin Moreno, (a) “Judarrás” repugnante síntese de Judas e Barrabás que privou o australiano nacionalizado equatoriano do asilo diplomático concedida há sete anos, pouco depois de ele, privado de acesso à internet e telefonia, ter supostamente sido quem trouxe à luz pública as negociatas obscuras de Moreno. O comportamento do “Judarrás” é também duplamente detestável porque nem sequer teve a coragem de o expulsar da sede da embaixada equatoriana em Londres, antes solicitou à Polícia Metropolitana que, violando a imunidade diplomática, entrasse no referido recinto para prender pela força o asilado. Poucas vezes se viu um tal exemplo de baixeza e servilismo perante as ordens do império, desejoso de aplicar uma humilhação exemplar a Assange como sinal intimidatório para os muitos que como ele querem garantir o direito à informação, componente essencial de uma ordem política democrática.

Em segundo lugar, a Casa Branca é o outro vilão, que desde o tempo do “progressista” Barack Obama fez o impossível para conseguir que Assange fosse extraditado para os EUA. Se isto vier a acontecer, caso esta solicitação seja aceite, espera o jornalista ser sujeito a “duríssimas técnicas de interrogatório” (um eufemismo para evitar dizer tortura), uma sucessão interminável de processos judiciais e acusações, a prisão e, provavelmente, o seu assassínio numa bem orquestrada “rixa entre condenados” numa prisão povoada de bandidos, narcotraficantes e criminosos da pior espécie. A sua eventual morte numa rixa de prisioneiros evitaria aos EUA a acusação de ter condenado à morte um homem que quis que a verdade fosse conhecida.

Terceiro, os inapresentáveis “representantes do povo” ​​na Câmara dos Comuns do Reino Unido e os congressistas dos Estados Unidos. Os primeiros irromperam em grandes manifestações de júbilo quando a primeira-ministra Theresa May informou da prisãode Assange. O mesmo ocorreu no Senado e na Câmara de Representantes do Congresso dos EUA, constituída em grande parte por politiqueiros que enriqueceram na sua função legislativa protegendo os lobbies e as empresas que financiaram as suas carreiras políticas e condenando a maioria da população do seu país a crescentes dificuldades económicas, a ponto de “os 1% mais ricos dos EUA terem rendimentos maiores do que 90% da população”. Estes personagens são os que tornaram possível que o assalariado médio desse país “necessite de trabalhar mais de um mês para ganhar o que um CEO ganha numa hora.” Pois bem: foi esta a gentalha que celebrou com alvoroço a prisão de Assange. (Ver estes e outros dados em: Nicholas Kristof: : “An Idiot’s Guide to Inequality”, no New York Times, 22 de Julho de 2014, e na nota de William Marsden, “Obama’s State of the Union speech will be call to arms on wealth gap”, em https://o.canada.com/news, 26 de Janeiro de 2014.)

Em quarto e último, os governos europeus que não somente consentem este ataque de Washington contra o livre fluxo da informação e a imprescindível transparência da gestão pública como admitem, vassalos indignos que são, que os desejos da Casa Branca e as leis ditadas pelo Congresso desse país possuam validade extraterritorial e se apliquem nos seus próprios países sem tentarem o menor assomo de protesto ou resistência. Tem esse sentido o seu vergonhoso acompanhamento das decisões de Washington: desde o caso Assange até às sanções económicas contra a Rússia; ou desde a criminosa campanha contra Kadhafi na Líbia até à brutal agressão contra a Síria; ou desde o bloqueio a Cuba até à palhaçada da opereta cómica montada em torno da figura de Juan Guaidó na Venezuela, tudo diz muito claramente que a arte do bom governo é algo que parece ter-se perdido numa Europa que descartou qualquer pretensão de soberania e dignidade nacionais e se resignou a cumprir o desonroso papel de compincha de quantas tropelias queira perpetrar o imperador de turno.

*Publicado em O Diário.info Fonte: https://www.lahaine.org/mundo.php/assange-y-los-villanos

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/assange-e-os-viloes.html

Note from America: An Easter Message – When Dissidents Become Enemies of the State

21st April 2019 / United States
Note from America: An Easter Message - When Dissidents Become Enemies of the State

By John W Whitehead – constitutional attorney, Charlottesville, Virginia: When exposing a crime is treated as committing a crime, you are being ruled by criminals. In the current governmental climate, where laws that run counter to the dictates of the US Constitution are made in secret, passed without debate, and upheld by secret courts that operate behind closed doors, obeying one’s conscience and speaking truth to the power of the police state can render you an “enemy of the state.”

 

That list of so-called “enemies of the state” is growing.

Wikileaks founder Julian Assange is merely the latest victim of the police state’s assault on dissidents and whistleblowers.

On April 11, 2019, police arrested Assange for daring to access and disclose military documents that portray the U.S. government and its endless wars abroad as reckless, irresponsible, immoral and responsible for thousands of civilian deaths.

Included among the leaked materials was gunsight video footage from two U.S. AH-64 Apache helicopters engaged in a series of air-to-ground attacks while American aircrew laughed at some of the casualties. Among the casualties were two Reuters correspondents who were gunned down after their cameras were mistaken for weapons and a driver who stopped to help one of the journalists. The driver’s two children, who happened to be in the van at the time it was fired upon by U.S. forces, suffered serious injuries.

There is nothing defensible about crimes such as these perpetrated by the government.

When any government becomes almost indistinguishable from the evil it claims to be fighting—whether that evil takes the form of war, terrorism, torture, drug trafficking, sex trafficking, murder, violence, theft, pornography, scientific experimentations or some other diabolical means of inflicting pain, suffering and servitude on humanity—that government has lost its claim to legitimacy.

These are hard words, but hard times require straight-talking. It is easy to remain silent in the face of evil.

What is harder—what we lack today and so desperately need—are those with moral courage who will risk their freedoms and lives in order to speak out against evil in its many forms.

Throughout history, individuals or groups of individuals have risen up to challenge the injustices of their age. Nazi Germany had its Dietrich Bonhoeffer. The gulags of the Soviet Union were challenged by Aleksandr Solzhenitsyn. America had its colour-coded system of racial segregation and warmongering called out for what it was, blatant discrimination and profiteering, by Martin Luther King Jr.

And then there was Jesus Christ, an itinerant preacher and revolutionary activist, who not only died challenging the police state of his day—namely, the Roman Empire—but provided a blueprint for civil disobedience that would be followed by those, religious and otherwise, who came after him.

Indeed, it is fitting that we remember that Jesus Christ—the religious figure worshipped by Christians for his death on the cross and subsequent resurrection—paid the ultimate price for speaking out against the police state of his day.

A radical nonconformist who challenged authority at every turn, Jesus was a far cry from the watered-down, corporatized, simplified, gentrified, sissified vision of a meek creature holding a lamb that most modern churches peddle. In fact, he spent his adult life speaking truth to power, challenging the status quo of his day, and pushing back against the abuses of the Roman Empire.

Much like the American Empire today, the Roman Empire of Jesus’ day had all of the characteristics of a police state: secrecy, surveillance, a widespread police presence, a citizenry treated like suspects with little recourse against the police state, perpetual wars, a military empire, martial law, and political retribution against those who dared to challenge the power of the state.

 

For all the accolades poured out upon Jesus, little is said about the harsh realities of the police state in which he lived and its similarities to modern-day America, and yet they are striking.

Unfortunately, the radical Jesus, the political dissident who took aim at injustice and oppression, has been largely forgotten today, replaced by a congenial, smiling Jesus trotted out for religious holidays but otherwise rendered mute when it comes to matters of war, power and politics.

Yet for those who truly study the life and teachings of Jesus, the resounding theme is one of outright resistance to war, materialism and empire.

What a marked contrast to the advice being given to Americans by church leaders to “submit to your leaders and those in authority,” which in the American police state translates to complying, conforming, submitting, obeying orders, deferring to authority and generally doing whatever a government official tells you to do.

Telling Americans to march in lockstep and blindly obey the government—or put their faith in politics and vote for a political savior—flies in the face of everything for which Jesus lived and died.

Ultimately, this is the contradiction that must be resolved if the radical Jesus—the one who stood up to the Roman Empire and was crucified as a warning to others not to challenge the powers-that-be—is to be an example for our modern age.

As I make clear in my book Battlefield America: The War on the American People, we must decide whether we will follow the path of least resistance—willing to turn a blind eye to what Martin Luther King Jr. referred to as the “evils of segregation and the crippling effects of discrimination, to the moral degeneracy of religious bigotry and the corroding effects of narrow sectarianism, to economic conditions that deprive men of work and food, and to the insanities of militarism and the self-defeating effects of physical violence”—or whether we will be transformed nonconformists “dedicated to justice, peace, and brotherhood.”

As King explained in a powerful sermon delivered in 1954, “This command not to conform comes … [from] Jesus Christ, the world’s most dedicated nonconformist, whose ethical nonconformity still challenges the conscience of mankind.”

We need to recapture the gospel glow of the early Christians, who were nonconformists in the truest sense of the word and refused to shape their witness according to the mundane patterns of the world.  Willingly they sacrificed fame, fortune, and life itself in behalf of a cause they knew to be right.  Quantitatively small, they were qualitatively giants.  Their powerful gospel put an end to such barbaric evils as infanticide and bloody gladiatorial contests.  Finally, they captured the Roman Empire for Jesus Christ… The hope of a secure and livable world lies with disciplined nonconformists, who are dedicated to justice, peace, and brotherhood.

 

Constitutional attorney and author John W. Whitehead is founder and president of The Rutherford Institute. His new book Battlefield America: The War on the American People  (SelectBooks, 2015) is available online at www.amazon.com. Whitehead can be contacted at johnw@rutherford.org.

 

 


 

Ver o original em "TruePublica" (clique aqui)

O QUE ACONTECE COM ASSANGE DEVERIA ATERRORIZAR A IMPRENSA – por CHRIS HEDGES

 

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Chris Hedges, La crucifixion de Julian Assange – Ce qui arrive à Assange devrait terrifier la presse (Truth Dig)

 

Le Grand Soir, 13 de Novembro de 2018

 

Truthdig, 12 de Novembro de 2018

 

 

 

O silêncio sobre o tratamento a Assange não é apenas uma traição que lhe é feita,  mas também  uma traição à liberdade de imprensa. Vamos pagar um preço alto por esta cumplicidade.

 

O asilo de Julian Assange na Embaixada do Equador em Londres foi transformado numa  pequena loja de horror. Ao longo dos últimos sete meses, ele foi largamente afastado de qualquer comunicação com o mundo exterior. A sua nacionalidade equatoriana, que lhe foi concedida como requerente de asilo, está a ser revogada. A sua saúde deteriorou-se. É-lhe negado o acesso a cuidados médicos apropriados fora da embaixada. Os seus esforços para obter reparação foram paralisados pelas “regras da mordaça” [gag rules] – Uma regra da mordaça é uma regra que limita ou proíbe a discussão, consideração ou discussão de um determinado assunto pelos membros de um órgão legislativo ou executivo. – incluindo ordens equatorianas proibindo-o de tornar públicas as suas condições de vida dentro da embaixada na sua luta contra a revogação da sua cidadania equatoriana.

 

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison recusou-se a interceder em nome de Assange, cidadão australiano, apesar de o novo governo equatoriano, liderado por Lenín Moreno – que chama Assange de “problema herdado” e obstáculo a melhores relações com Washington – tornar insuportável a vida do fundador do Wikileaks nesta insuportável embaixada. Quase todos os dias, a embaixada impõe condições mais duras a  Assange, incluindo a cobrança das  suas despesas médicas, impondo regras obscuras sobre como ele deve cuidar do  seu gato e pedindo-lhe para executar várias tarefas domésticas degradantes.

 

Os equatorianos, relutantes em deportar Assange após conceder-lhe asilo político e cidadania, pretendem tornar a sua vida tão dolorosa de modo a que ele aceite  em deixar a embaixada para ser preso pelos britânicos e extraditado para os Estados Unidos. O ex-presidente equatoriano Rafael Correa, cujo governo concedeu asilo político ao editor , chama de “tortura” as atuais condições de vida de Assange.

 

A sua mãe, Christine Assange, declarou num recente apelo em vídeo  : [o autor cita longos extratos. Veja-se o apelo integral  e em francês  : https://www.legrandsoir.info/unity4j-christine-assange-lance-un-appel-… – NdT]

Assange foi elogiado e cortejado por alguns dos principais meios de comunicação do mundo, incluindo o New York Times e o Guardian, pela informação que possuía. Mas uma vez que os seus documentos sobre crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos, em grande parte fornecidos por Chelsea Manning, foram publicados por esses meios de comunicação, ele foi marginalizado e diabolizado. Um documento do Pentágono, preparado pela Seção de Avaliações de Contra-Inteligência Cibernética em 8 de março de 2008 que se tornou conhecido dada uma fuga de informação  revelou uma campanha de propaganda para desacreditar o WikiLeaks e Assange. O documento afirma que a campanha de difamação deve procurar destruir o “sentimento de confiança” que é o “centro de gravidade” do Wikileaks e manchar a reputação de Assange. Isto tem funcionado bem. Assange é particularmente difamado por publicar 70.000 e-mails obtidos por hacker(s) pertencentes ao Comité Democrático Nacional (DNC) e a altos funcionários democráticos. Democratas e o ex-diretor do FBI James Comey dizem que os e-mails foram copiados das contas de John Podesta, gestor de campanha da candidata democrata Hillary Clinton, por hackers do governo russo. O diretor Comey disse que as mensagens foram provavelmente enviadas para a WikiLeaks através de um intermediário. Assange disse que os e-mails não foram fornecidos por “atores estatais”.

 

O Partido Democrata, que procura atribuir a  sua derrota eleitoral à “interferência” russa e não à grotesca desigualdade de rendimento, à traição relativamente a  classe trabalhadora americana, à perda de liberdades civis, à desindustrialização e ao golpe de Estado das empresas que o partido ajudou a orquestrar, acusa Assange de ser um traidor, embora não seja um cidadão americano. Nem um espião. E, tanto quanto sei, não há lei contra a publicação dos segredos do governo dos EUA. Ele não cometeu nenhum crime. Hoje, artigos em jornais que uma vez publicaram artigos do Wikileaks centram-se no seu comportamento alegadamente negligente – o que não era óbvio durante as minhas visitas – e no facto de ele ser, segundo as palavras de The Guardian, “um convidado indesejado” na embaixada. A questão vital dos direitos de um editor e de uma imprensa livre deu lugar a calúnias contra a pessoa.

 

Assange recebeu asilo na embaixada em 2012 para evitar a extradição para a Suécia e responder a perguntas sobre acusações de crimes sexuais que acabaram por ser retiradas. Assange temia que, uma vez detido pelos suecos, fosse extraditado para os Estados Unidos [um acordo de extradição entre a Suécia e os Estados Unidos autoriza a extradição de uma pessoa como mera “testemunha”]. O Governo britânico declarou que, apesar de já não ser procurado para interrogatório na Suécia, Assange será detido e preso se abandonar a embaixada por violar as condições da sua libertação sob caução.

 

WikiLeaks e Assange fizeram mais para denunciar as maquinações e crimes obscuros do Império Americano do que qualquer outra organização de imprensa. Além de denunciar as atrocidades e crimes cometidos pelo exército americano nas  nossas intermináveis guerras e revelar o funcionamento interno da campanha Clinton, Assange tornou públicas as ferramentas de pirataria utilizadas pela CIA e pela NSA, os seus programas de vigilância e sua interferência nas eleições estrangeiras, incluindo nas eleições francesas. Ele revelou a conspiração contra o líder do Partido Trabalhista britânico Jeremy Corbyn pelos deputados trabalhistas do Parlamento. E o Wikileaks mobilizou-se rapidamente para salvar Edward Snowden, que expôs a total vigilância do governo sobre a população  americana   em relação à extradição para os Estados Unidos, ajudando-o a fugir de Hong Kong para Moscovo. As fugas de informação  de Snowden também revelaram, de forma preocupante, que Assange estava numa  “lista de alvos de uma caça ao homem” feita pelos americanos.

 

O que está a acontecer com  Assange deveria  aterrorizar a imprensa. No entanto, o seu destino é visto com indiferença e desprezo sarcástico. Uma vez expulso da embaixada, será julgado nos Estados Unidos por aquilo que publicou. Isto criará um novo e perigoso precedente jurídico que a administração Trump e as futuras administrações utilizarão contra outros editores, incluindo os que fazem parte  da máfia que está  a tentar linchar Assange. O silêncio sobre o tratamento de Assange não é apenas uma traição que lhe é feita,  mas uma traição à liberdade de imprensa. Vamos pagar um preço alto por esta cumplicidade.

 

Mesmo que tenham sido os russos a fornecer os e-mails de Podesta a Assange, ele tinha razão em publicá-los. Isso é o que eu teria feito. Essas cartas revelavam as práticas do aparato político de Clinton que ela e os líderes democratas estavam a tentar  esconder. Durante as minhas duas décadas como correspondente estrangeiro, organizações e governos têm-me  divulgado regularmente documentos roubados. A minha única preocupação era se os documentos eram autênticos ou não. Se eram  autênticos, eu  publicá-los-ia. Entre os que me transmitiram estavam os rebeldes da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN); o exército salvadorenho, que me deu documentos sangrentos da FMLN encontrados após uma emboscada; o governo sandinista da Nicarágua; a Mossad, o serviço de inteligência israelita;  o FBI; a CIA; o grupo rebelde do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK); a Organização para a Libertação da Palestina (OLP); o serviço de informações francês, a Direcção-Geral da Segurança Externa, ou DGSE; e o governo sérvio de Slobodan Milosovic, que mais tarde foi julgado como um criminoso de guerra.

 

Soubemos por e-mails publicados pela WikiLeaks que a Fundação Clinton recebeu milhões de dólares da Arábia Saudita e do Qatar, dois dos principais doadores do Estado Islâmico. Como secretária de Estado, Hillary Clinton reembolsou  os seus doadores ao aprovar a venda de armas no valor de US$ 80 mil milhões à Arábia Saudita, o que permitiu que o reino iniciasse uma guerra devastadora no Iémen que desencadeou uma crise humanitária, incluindo uma grave escassez de alimentos e um surto de cólera, e deixou quase 60.000 pessoas mortas. Soubemos que Clinton tinha recebido $675.000 para uma conferência no Goldman Sachs, uma quantia tão grande que só pode ser qualificada como suborno. Soubemos que a Sra. Clinton disse às elites financeiras nas suas lucrativas conversas que queria o “comércio aberto e sem fronteiras” e que acreditava que os líderes de Wall Street estavam em  melhor posição para gerirem  a economia, uma declaração que foi diretamente contra as suas promessas eleitorais. Soubemos que a campanha de Clinton se destinava a influenciar as primárias republicanas para garantir que Donald Trump fosse o candidato republicano. Soubemos que a Sra. Clinton obteve antecipadamente as perguntas feitas durante o debate feitas para as  primárias. Soubemos,  porque 1.700 dos 33.000 e-mails vieram de Hillary Clinton, que ela foi a principal arquiteta da guerra na Líbia. Nós ficámos a saber  que ela acreditava que o derrube  de Moammar Gaddafi iria melhorar as suas possibilidades  como  candidata presidencial. A guerra que ela  pretendia mergulhou a Líbia no caos, viu a ascensão ao poder dos jihadistas radicais no que é agora um Estado falhado, provocou um êxodo massivo  de migrantes para a Europa, viu os stocks de armas líbias apreendidos pelas milícias rebeldes e radicais islâmicos em toda a região e deixou 40.000 mortos. Esta informação deveria ter ficado escondida? Pode dizer que sim, mas neste caso não se pode considerar um jornalista.

 

“Eles estão a prender o  meu filho para terem  uma desculpa para o entregarem aos  Estados Unidos, onde ele será sujeito a um falso julgamento”, advertiu Christine Assange. “Nos últimos oito anos, ele não teve acesso a um processo legal apropriado. Em cada etapa, a injustiça prevaleceu, com uma enorme negação da justiça. Não há razão para crer que não será esse o caso no futuro. O grande júri americano que produz o mandado de extradição é mantido em segredo, tem quatro procuradores, mas não tem nem  defesa nem juiz.

 

O tratado de extradição entre o Reino Unido e os Estados Unidos permite que o Reino Unido extradite Julian para os Estados Unidos sem provas prima facie. Uma vez nos Estados Unidos, a National Defense Authorization Act permite a detenção ilimitada sem julgamento. Julian enfrenta o risco de ser preso e colocado na Baía de Guantánamo e torturado, com uma pena de prisão de alta segurança de 45 anos ou a pena de morte”.

 

Assange está sozinho. Cada dia que passa é-lhe  mais difícil. Esse é o objetivo. Cabe-nos a nós protestar. Somos a sua última esperança, e a última esperança, receio eu, de uma imprensa livre.

 

Chris Hedges

Chris Hedges, passou quase duas décadas como correspondente estrangeiro na América Central, Médio Oriente, África e Balcãs. Ele fez relatos relatou aa partir de mais de 50 países e trabalhou para o The Christian Science Monitor, National Public Radio, The Dallas Morning News e The New York Times, para o qual foi correspondente estrangeiro durante  15 anos.

 

Tradução Le Grand Soir, “haverá contas a prestar” por VD para Le Grand Soir com provavelmente todos os erros e erros habituais

 

Chris Hedges

Fonte: Chris HEDGES, La crucifixion de Julian Assange – Ce qui arrive à Assange devrait terrifier la presse (Truth Dig). Publicado pelo sitio Le Grand Soir e disponível em:
 
https://www.legrandsoir.info/la-crucifixion-de-julian-assange-ce-qui-arrive-a-assange-devrait-terrifier-la-presse-truth-dig.html

Ver também em:

 

Crucifying Julian Assange
 
Traduction Le Grand Soir, “il y aura des comptes à rendre” par VD pour le Grand Soir avec probablement toutes les fautes et coquilles habituelles

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/04/20/o-nosso-respeito-por-assange-crucificacao-de-julian-assange-o-que-acontece-com-assange-deveria-aterrorizar-a-imprensa-por-chris-hedges/

Assange é um traidor? E as redes sociais?

Os mesmos que se escandalizam com as brechas de segurança de Assange são os que permitem que dados de cidadãos comuns sejam usados, vendidos, trocados pelas plataformas e redes sociais.
Catarina Carvalho | Diário de Notícias | opinião
Julian Assange está nas mãos da justiça britânica. Nesta semana vimos fotos dele a ser preso em Londres, onde estava exilado na Embaixada do Equador. A sua cara mais arredondada, barba grande, espreitando pelo vidro baço de humidade do carro em que o transportaram, o ar desmazelado, tudo o que hoje sabemos dele, as suspeitas de chantagem, as simpatias por determinadas fações ou poderes externos... e parecia que tínhamos dado um salto anacrónico. Um traidor é um traidor? Depende do ângulo de onde se observa. Assange será assim sempre considerado pelos Estados Unidos - pelas vidas que pôs em risco com as informações que divulgou. Informações militares obtidas através do conluio com uma hacker com acesso ao sistema - Chelsea Manning. No mundo, há quem se divida sobre o assunto, até porque foram reveladas práticas controversas em algumas operações especiais. O que Assange ajudou a revelar foi importante, e essa revelação não pode ser criminalizada. É para isso que o bom jornalismo serve, para avaliar se os cidadãos precisam de conhecer segredos (ou se os Estados abusam dele). Também por isso o processo contra Assange está a ser firmemente informado - para que não toque na questão da liberdade de informação nem no ataque ao jornalismo livre (que tantas vezes se usou de denunciantes para operar verdadeiras transformações na sociedade).


Mas tanto aconteceu depois de Assange, tanto que alguns dos crimes de que está acusado parecem hoje notas de rodapé na triste história, quase uma tragédia, dos dados pessoais, da privacidade, dos cibercrimes que os expõem. No tempo em que Assange foi preso, todos acreditávamos estar mais seguros do que ele nos começou a mostrar que estávamos. Depois dele, percebemos em catadupa e com muito mais profundidade o perigo que todos corríamos - e corremos. Não apenas por razões militares. O grau de vigilância a que estamos sujeitos na nossa vida privada é muito maior do que alguma vez julgávamos possível, sem que a nossa sociedade passasse a ser uma distopia. Ou será que já é? Pior, visto neste túnel do tempo, a NSA estará longe de ser o mais perigoso dos nossos vigilantes. É curioso verificar como o próprio Assange terá evoluído na sua luta - há suspeitas de que terá interferido nas eleições americanas, por exemplo, entrado nos servidores de uma coligação anti-Trump, tendo partilhado a password com a campanha do candidato eleito, que terá praticado extorsão, no Equador, e que ter-se-á aliado a potências estrangeiras. Tudo pormenores que não o qualificam como um paladino da liberdade nem tão-pouco da liberdade de expressão. Muito pelo contrário. Não pode haver hoje dúvida absolutamente nenhuma de que as ações de Assange não tiveram, nem de longe nem de perto, efeito semelhante ao que assistimos nas redes sociais. Ou na internet 2.0, a que potencia a interatividade e traz para dentro do mundo cibernético uma grande fatia da nossa vida social. Ainda nesta semana foram revelados dados que indicam que milhares de utilizadores dos smart speakers da Amazon tiveram a possibilidade de ter as suas conversas mais íntimas escutadas, nas suas próprias casas, por funcionários daquela empresa que lhes fornece mais este "periférico" tecnológico das suas vidas. Na guerra das informações, é natural que os Estados tenham segredos - até para proteger os seus. Mas não é nada natural que governos de democracias modernas reajam de forma tão violenta contra alguém e de forma tão branda para com essas plataformas de uso de dados pessoais. Os Estados precisam de segredos como os cidadãos de privacidade. Sem uns e sem os outros é possível que as democracias como as conhecemos não tenham, afinal, assim tanto futuro. E é a esta luz que, de ambos os lados, devemos olhar para Assange.

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/assange-e-um-traidor-e-as-redes-sociais.html

Assange e os vilões

Um indignado e certeiro texto, que aponta com clareza a extrema indignidade da perseguição empreendida contra Assange, a grosseira violação de regras fundamentais do direito internacional na sua detenção, o vergonhoso servilismo do presidente do Equador e dos governos europeus face à arbitrariedade com que o poder em Washington quer ajustar contas com alguém que nada mais fez do que expor o seu apodrecimento moral e o seu gangsterismo político.

Pouco resta a acrescentar a tudo o que já foi dito, e estava sendo dito, do caso Assange. Uma operação absolutamente violatória do direito internacional tal fora estabelecido pelo Grupo de Trabalho da ONU contra as Detenções Arbitrárias que, numa extensa resolução datada de 4 de Dezembro de 2015 estabelecia que a prisão do fundador do Wikileaks era arbitrária e ilegal e ele devia ser libertado. E não apenas isso, no seu item 100 requeria que “os governos da Suécia e do Reino Unido … garantissem a situação do sr. Assange para assegurar a sua segurança e integridade física, facilitar o exercício do seu direito à liberdade de movimentos da forma mais expedita possível e assegurar e para assegurar o pleno gozo dos direitos garantidos pelas normas internacionais relativas à detenção de pessoas.”
Num sistema internacional em que com cada vez mais frequência se atropela a legalidade laboriosamente construída desde o final da Segunda Guerra Mundial, não é surpreendente o que aconteceu. Nesta verdadeira tragédia para a humanidade - porque é isso que significa a perseguição a Julian Assange - há alguns vilões.

Em primeiro lugar, Lenin Moreno, (a) “Judarrás” repugnante síntese de Judas e Barrabás que privou o australiano nacionalizado equatoriano do asilo diplomático concedida há sete anos, pouco depois de ele, privado de acesso à internet e telefonia, ter supostamente sido quem trouxe à luz pública as negociatas obscuras de Moreno. O comportamento do “Judarrás” é também duplamente detestável porque nem sequer teve a coragem de o expulsar da sede da embaixada equatoriana em Londres, antes solicitou à Polícia Metropolitana que, violando a imunidade diplomática, entrasse no referido recinto para prender pela força o asilado. Poucas vezes se viu um tal exemplo de baixeza e servilismo perante as ordens do império, desejoso de aplicar uma humilhação exemplar a Assange como sinal intimidatório para os muitos que como ele querem garantir o direito à informação, componente essencial de uma ordem política democrática.

Em segundo lugar, a Casa Branca é o outro vilão, que desde o tempo do “progressista” Barack Obama fez o impossível para conseguir que Assange fosse extraditado para os EUA. Se isto vier a acontecer, caso esta solicitação seja aceite, espera o jornalista ser sujeito a “duríssimas técnicas de interrogatório” (um eufemismo para evitar dizer tortura), uma sucessão interminável de processos judiciais e acusações, a prisão e, provavelmente, o seu assassínio numa bem orquestrada “rixa entre condenados” numa prisão povoada de bandidos, narcotraficantes e criminosos da pior espécie. A sua eventual morte numa rixa de prisioneiros evitaria aos EUA a acusação de ter condenado à morte um homem que quis que a verdade fosse conhecida.

Terceiro, os inapresentáveis “representantes do povo” ​​na Câmara dos Comuns do Reino Unido e os congressistas dos Estados Unidos. Os primeiros irromperam em grandes manifestações de júbilo quando a primeira-ministra Theresa May informou da prisão de Assange. O mesmo ocorreu no Senado e na Câmara de Representantes do Congresso dos EUA, constituída em grande parte por politiqueiros que enriqueceram na sua função legislativa protegendo os lobbies e as empresas que financiaram as suas carreiras políticas e condenando a maioria da população do seu país a crescentes dificuldades económicas, a ponto de “os 1% mais ricos dos EUA terem rendimentos maiores do que 90% da população”. Estes personagens são os que tornaram possível que o assalariado médio desse país “necessite de trabalhar mais de um mês para ganhar o que um CEO ganha numa hora.” Pois bem: foi esta a gentalha que celebrou com alvoroço a prisão de Assange. (Ver estes e outros dados em: Nicholas Kristof: : “An Idiot’s Guide to Inequality”, no New York Times, 22 de Julho de 2014, e na nota de William Marsden, “Obama’s State of the Union speech will be call to arms on wealth gap”, em https://o.canada.com/news, 26 de Janeiro de 2014.)

Em quarto e último, os governos europeus que não somente consentem este ataque de Washington contra o livre fluxo da informação e a imprescindível transparência da gestão pública como admitem, vassalos indignos que são, que os desejos da Casa Branca e as leis ditadas pelo Congresso desse país possuam validade extraterritorial e se apliquem nos seus próprios países sem tentarem o menor assomo de protesto ou resistência. Tem esse sentido o seu vergonhoso acompanhamento das decisões de Washington: desde o caso Assange até às sanções económicas contra a Rússia; ou desde a criminosa campanha contra Kadhafi na Líbia até à brutal agressão contra a Síria; ou desde o bloqueio a Cuba até à palhaçada da opereta cómica montada em torno da figura de Juan Guaidó na Venezuela, tudo diz muito claramente que a arte do bom governo é algo que parece ter-se perdido numa Europa que descartou qualquer pretensão de soberania e dignidade nacionais e se resignou a cumprir o desonroso papel de compincha de quantas tropelias queira perpetrar o imperador de turno.

Fonte: https://www.lahaine.org/mundo.php/assange-y-los-villanos

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

11 Abril DIA MUNDIAL da INFÂMIA

O dia 11 de abril de 2019 deve ser proclamado como o DIA MUNDIAL DA INFÂMIA!

Os chamados valores civilizacionais do Ocidente, os Direitos Humanos e outras tretas que os governantes dos EUA e seus lacaios apregoam cinicamente enquanto promovem guerras em todos os azimutes, lançando bombas materiais e imateriais que matam e condicionam milhões de pessoas para que os seus interesses geoestratégicos se mantenham intocados, o que fazem com uma ferocidade crescente em função do seu declínio económico, mostram que são uma farsa. Essa gente mostra, mais uma vez, sua verdadeira face.

Julian Assange, cofundador da WikiLeaks, foi detido porque os EUA assim o exigiam. O governo britânico prendeu-o escudando-se nas leis, no direito que é sempre o direito do mais forte à liberdade e pouco tem a ver com a justiça. Bem podem declarar candidamente que não pressionaram o Equador a revogar o pedido de asilo de Assange e que a justiça segue o seu curso . Uma declaração doblez por bem saberem que os EUA esqueceram, como por magia, os problemas financeiros do Equador, ordenando ao FMI que proceda ao empréstimo de uns providenciais 4,2 mil milhões de dolares. São caros os trinta dinheiros do Judas Moreno. Imediatamente depois disso, os diplomatas equatorianos “convidam” a Polícia Metropolitana de Londres a entrar na sua embaixada e prender o seu hóspede de longa data.

O que Assange e o WikiLeaks fizeram é um feito histórico. Puseram a nu o funcionamento do Estado burguês, do Estado imperialista, a hipocrisia, a brutalidade, as práticas desonestas a que recorrem rasgando as normas mais básicas do direito internacional para assegurar a continuidade da exploração pelo capital.

O que Assange fez foi apresentar evidências contemporâneas da verdadeira natureza e o real funcionamento do estado imperialista e dos seus lacaios. A comprovação das tramóias da política externa e interna dos estados burgueses. Contra todas as evidências e sem argumentos perseguiram-no sem tréguas. Nunca perderem um segundo até o conseguirem prender.

Assange e o WikiLeaks desmontaram a “face humana” do imperialismo que todos os dias é vendida pela comunicação social mercenária que a transacciona sem pudor por todos os canais mediáticos ao seu serviço e ao serviço da plutocracia que a comprou estripando o jornalismo de investigação, uma raridade cada vez mais rara, de qualquer independência e isenção, para que o pensamento dominante transforme a democracia numa fábrica de retóricas inúteis, despolitizando as sociedades com o objectivo de que a esperança numa sociedade outra morra antes de nascer.

O que Assange demonstrou é o que Orwell tinha antecipado “para sermos corrompidos pelo totalitarismo, não temos que viver num país totalitário”. As sociedades ocidentais estão profundamente corrompidas como as revelações do Wikileaks demonstraram.

Daniel Ellsberg, um dos muitos raros jornalistas de investigação que ainda existem, perseguido por em 1971 ter revelado os Documentos do Pentágono, expondo as mentiras da administração Jonhson sobre guerra do Vietnam, ocultando os inúmeros crimes de guerra dos EUA, já havia advertido em 2017: “Obama abriu a campanha legal contra a imprensa, perseguindo as raízes das investigações jornalísticas sobre segurança nacional e Trump vai perseguir os investigadores”.

Sério aviso e se o governo dos EUA conseguir extraditar Assange, processá-lo e encarcerá-lo, legitimará o seu direito de perseguir quem quer que seja, de qualquer modo, em qualquer parte, em qualquer altura.

Os “media livres”, durante os anos em Assange esteve refugiado na embaixada do Equador em Londres, procuraram desacreditá-lo por todos os meios, mesmo com o recurso a fake news. No seu melhor, a comunicação social dita de referência enredou-se em argumentários jurídicos para concluir que “o caso Assange é uma teia confusa”. Têm dúvidas sobre se teria o direito de publicar coisas que não deveriam ser publicadas por desnudarem as práticas criminosas atiradas para debaixo dos tapetes dos segredos de estado . Umas tartufices para ocultar que as “coisas” que Assange divulgou, que se encontram no site do Wikileaks, são a verdade sobre o modo homicida como o império actua, a revelação de Hillary Clinton enquanto apoiante e beneficiária do jihadismo no Médio Oriente, a pormenorizada descrição da actuação de embaixadores americanos e outros enviados especiais para derrubarem governos na Síria, na Ucrânia, na Venezuela e mais, muito mais, sempre muito mais. Querem estar protegidos contra os Assange, intimidando quem corajosa e honestamente se proponha continuar esse trabalho revolucionário de denúncia das mentes e das práticas criminosas ao serviço do imperialismo.

Exigir a liberdade de Julian Assange é defender a nossa liberdade.

Ver o original em 'Praça do Bocage ' (clique aqui)

O NOSSO RESPEITO POR ASSANGE – JULIAN ASSANGE NUNCA TERÁ UM JULGAMENTO JUSTO NOS ESTADOS UNIDOS, por JOHN KIRIAKOU

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Julian Assange n’aura jamais un procès équitable aux États-Unis, por John Kiriakou
Le Grand Soir, 19 de Dezembro de 2018

 

Em 16 de novembro de 2018, um assistente do procurador geral adjunto do Distrito Federal de East Virginia revelou acidentalmente que Julian Assange, co-fundador do Wikileaks, foi acusado de crimes federais não especificados; essas acusações foram seladas.

 

A divulgação ocorreu num caso não relacionado de terrorismo e pornografia infantil. Em resposta a um pedido da imprensa, o Procurador-Geral Adjunto dos EUA pediu a um juiz que mantivesse as acusações de Assange seladas, dizendo: “Devido à sofisticação do acusado e à publicidade em torno do caso, nenhum outro procedimento  é susceptível de manter confidencial o facto de Assange ter sido acusado….”. As acusações devem permanecer seladas até que Assange seja preso.

 

Há vários aspetos alarmantes neste “acidente”. Em primeiro lugar, é notícia que Assange foi acusado de algo. A especulação é que a acusação incluiria várias acusações de espionagem. O governo argumentará que Assange não é um jornalista e que não tem direito às proteções de que os jornalistas gozam. Também argumentará que Assange fez exatamente o que a Lei de Espionagem de 1917 descreve como espionagem: “Fornecer informações de defesa nacional a qualquer pessoa não autorizada a recebê-las. (Tenho argumentado ao longo dos anos que a Lei de Espionagem é tão vaga que é inconstitucional, embora não tenha sido contestada pelo sistema federal perante o Supremo Tribunal.)

 

O problema aqui é que é muito raro – mesmo sem precedentes – que um estrangeiro (Assange é australiano) seja acusado de espionagem quando não roubou a informação. Foi-lhe simplesmente fornecida a informação, que depois tornou pública. Assange diz que era apenas um jornalista a fazer o seu trabalho e que nenhuma administração alguma vez acusou um jornalista de espionagem por fazer o seu trabalho.

 

Em segundo lugar, esta revelação inadvertida confirmou que Assange foi acusado no Distrito Oriental da Virgínia – o chamado “tribunal de espionagem”. Isto é exatamente o que muitos de nós temíamos. Lembre-se que nenhum defensor da segurança nacional foi considerado inocente no Distrito Leste da Virgínia. O Distrito Oriental também é conhecido como “Tribunal Foguete” devido à rapidez com que os processos são ouvidos e decididos. Não estás pronto para te defenderes? Precisas de mais tempo? O seu ficheiro está incompleto? Sem sorte. Vemo-nos no tribunal.

 

Terceiro, eu previ há muito tempo que Assange enfrentaria a juíza Leonie Brinkema se ele fosse apresentado perante o Distrito Oriental. A juíza Brinkema tratou do meu caso, assim como do caso do denunciante da CIA, Jeffrey Sterling.

 

 

Ela também reservou o caso Edward Snowden para si mesma. Brinkema é uma juíza de cortar cabeças. Ela foi nomeada para a magistratura federal por Ronald Reagan depois de ter servido  como procurador federal. Foi então nomeada juíza de instrução por Bill Clinton, sob o patrocínio do ex-senador republicano John Warner.

 

Brinkema não me deu literalmente nenhuma hipótese de me defender. A certa altura, à medida que o julgamento se aproximava, os meus advogados apresentaram 70 moções, pedindo que 70 documentos classificados fossem desclassificados para que eu pudesse usá-los para me defender. Não tinha defesa sem eles. Bloqueámos três dias para audiências. Quando chegamos ao tribunal, Brinkema disse: “Deixe-me poupar-lhe muito tempo. Rejeitarei todas estas 70 moções. Não precisa de nenhuma destas informações”. Quando saí da sala de audiências, perguntei ao meu advogado o que tinha acabado de acontecer. “Acabámos de perder o caso. Foi o que aconteceu. Agora vamos ter de negociar.”

 

Os meus advogados negociaram finalmente 30 meses de prisão – bem abaixo dos 45 anos que o Departamento de Justiça tinha inicialmente solicitado. Foi uma confissão de culpa chamada “11C1C”; é um acordo “gravado em pedra” e não pode ser modificado por um juiz. É pegar ou largar. Ela pegou-lhe, mas não antes de me pedir para me levantar, apontando para mim e dizendo: “Sr. Kiriakou, eu odeio esse recurso. Sou juiz desde 1986 e nunca tive um “11C1C”. Se pudesse, dava-te dez anos.” Os seus comentários foram inapropriados e os meus advogados apresentaram uma queixa de ética contra ela. Mas ela é Brinkema. É assim que ela é.

 

Julian Assange não tem hipótese de ter um julgamento justo no Distrito Leste da Virgínia. A única coisa que o pode salvar é a recusa  do júri. Tecnicamente, a recusa do júri é ilegal. Isto acontece quando um júri absolve o acusado, não porque o acusado é inocente, mas porque a própria lei está errada. A lei da espionagem está errada. Julian Assange é jornalista. Ele nunca deveria ter sido acusado de um crime. Embora o juiz a ser nomeado possa discordar, um júri pode discordar. E deveria fazê-lo.

 

John Kiriakou

 

John Kiriakou é um antigo agente antiterrorista da CIA e um antigo investigador principal da Comissão de Relações Exteriores do Senado. John tornou-se o sexto denunciante acusado pela administração de Obama sob a Lei sobre a Espionagem – uma lei destinada a punir os espiões. Passou 23 meses na prisão por tentar opor-se ao programa de tortura da administração Bush.

Tradução e publicação por: Le Grand Soir, John Kiriakou, 19-12-2018.
Fonte: John KIRIAKOU, Julian Assange n’aura jamais un procès équitable aux États-Unis. Publicado por Le Grande Soir, e disponível em:

https://www.legrandsoir.info/julian-assange-n-aura-jamais-un-proces-equitable-aux-etats-unis.html

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/04/17/o-nosso-respeito-por-assange-julian-assange-nunca-tera-um-julgamento-justo-nos-estados-unidos-por-john-kiriakou/

Assange | DO SILENCIAMENTO AO ENLAMEAMENTO

Assange
Primeiro tentaram ocultar a infame prisão de Julian Assange:   nenhum dos grandes media corporativos internacionais (CNN, BBC, NYT, etc) esteve presente no acto da sua prisão

Só através da RT o mundo pôde ter imagens de Assange, doente e combalido, a ser arrastado por polícias para fora da embaixada onde estava asilado. A seguir, como não puderam ocultar o escândalo, estes media tentam enlamear Assange. Por isso veiculam acriticamente todas as sandices vis propaladas governo equatoriano. 

No burgo lusitano, o semanário Expresso faz as duas coisas:  oculta o assunto na pg. 31 da sua edição e em simultaneo calunia Assange. É de se perguntar qual a integridade e decência dos dois sujeitos, Paulo Anunciação e Daniel Lozano, que assinam a nota do Expresso de 13/Abril. Indivíduos venenosos que se lançam contra um homem ameaçado de ser entregue às Guantanamos dos EUA – e que é o maior jornalista de todos os tempos – não merecem o nome de jornalistas. São apenas áulicos do poder.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/assange-do-silenciamento-ao-enlameamento.html

Tens o direito de te manteres em silêncio

– A prisão de Assange foi um ato de vingança do governo dos EUA que fere o cerne do jornalismo

por Pepe Escobar [*]
Arrastado pela pol

O dia 11 de abril de 2019 é uma data que se manterá infame nos anais dos "valores" do Ocidente e da "liberdade de expressão". A imagem é cruel. Um jornalista algemado e arrastado à força, publicamente, do interior duma embaixada, agarrado ao livro de Gore Vidal sobre a História do Estado de Segurança Nacional dos EUA .

O mecanismo é brutal. Julian Assange, cofundador da WikiLeaks, foi detido porque os EUA assim o exigiam desde o governo britânico Tory que, por sua vez, declarou discretamente não ter pressionado o Equador a revogar o pedido de asilo de Assange.

Os EUA esquecem, como por magia, os problemas financeiros do Equador, ordenando ao FMI que proceda ao empréstimo de uns providenciais 4,2 mil milhões de dólares . Imediatamente depois disso, os diplomatas equatorianos "convidam" a Polícia Metropolitana de Londres a entrar na sua embaixada e prender o seu hóspede de longa data.

Vamos diretos ao assunto. Julian Assange não é um cidadão norte-americano, é australiano. A WikiLeaks não é uma organização de media com sede nos EUA. Se o governo dos EUA conseguir extraditar Assange, processá-lo e encarcerá-lo, legitimará o seu direito de perseguir quem quer que seja, de qualquer modo, em qualquer parte, em qualquer altura.

Podem chamar-lhe o Assassínio do Jornalismo

Arranjem-me essa password

O processo do Departamento de Justiça dos EUA contra Assange é, no mínimo, inconsistente. Na essência, tem tudo a ver com a divulgação de informações confidenciais em 2010 – 90 mil ficheiros militares sobre o Afeganistão, 400 mil ficheiros sobre o Iraque e 250 mil mensagens diplomáticas espalhadas por todo o planeta.

Assange é acusado de ajudar Chelsea Manning, o antigo analista de informações do exército dos EUA, a obter esses documentos. Mas ainda é mais sofisticado. Também é acusado de "encorajar" Manning a reunir mais informações.

Não há outra forma de interpretar isso. Isto representa, sem quaisquer entraves, uma total criminalização da prática jornalística

De momento, Assange é acusado de "conspiração para a prática de intrusão informática". A acusação alega que Assange ajudou Manning a decifrar uma password nos computadores do Pentágono ligados à Rede de Protocolos Secretos da Internet (SIPRNet).

Registos de conversa, em março de 2010, obtidos pelo governo dos EUA, Manning fala com alguém chamado "Ox" ou, em alternativa, "associação de imprensa". O Departamento de Justiça está convencido de que este interlocutor é Assange. Mas tem de o provar, sem sombra de dúvida.

Manning e essa pessoa, alegadamente Assange, travam "diálogos". "Durante uma conversa, Manning disse a Assange que "depois deste carregamento, é tudo o que tenho". A que Assange respondeu: "Segundo a minha experiência, os olhos curiosos nunca deixam de ver"'.

Nada disto faz sentido. As empresas de media publicam rotineiramente fugas ilegais de informações confidenciais. Manning ofereceu os documentos que já havia descarregado para o New York Times e o Washington Post – e que foram recusados. Só depois disso se aproximou a WikiLeaks.

A alegação de que Assange tentou ajudar a decifrar uma password de computador tem sido avançada desde 2010. O Departamento de Justiça, no tempo de Obama, recusou-se a aceitá-la, consciente do que isso significaria em termos de possível ilegalização do jornalismo de investigação.

Não admira que as empresas de media norte-americanas, privadas de um importante furo jornalístico, tenham começado a difamar a WikiLeaks como um agente russo.

A opção nuclear

O grande Daniel Ellsberg – dos Documentos do Pentágono – já havia advertido em 2017: "Obama abriu a campanha legal contra a imprensa, perseguindo as raízes das notícias investigativas sobre segurança nacional – as fontes – e Trump vai perseguir os investigadores (e os seus patrões, os editores). Para usar uma metáfora, a acusação de Assange é um "primeiro uso" da "opção nuclear" contra a Primeira Emenda, de proteção duma imprensa livre".

As atuais acusações do Departamento de Justiça – basicamente, o roubo de uma password de computador – são apenas a ponta da avalanche. Pelo menos por enquanto, a publicação não é um crime. Mas, se for extraditado, Assange pode ser acusado adicionalmente por conspirações extra e até violação da Lei de Espionagem de 1917.

Mesmo que ainda tenham de obter o consentimento de Londres para aumentar as acusações, não faltam advogados no Departamento de Justiça para arranjar subterfúgios e fabricar um crime a partir do nada.

Jennifer Robinson, a competente advogada de Assange, sublinhou corretamente que a detenção dele é "uma questão de liberdade de expressão" porque "trata-se das formas como os jornalistas podem comunicar com as suas fontes". O inestimável Ray McGovern, que sabe uma ou duas coisas sobre a comunidade de informações dos EUA, evocou um requiem pelo quarto estado .

O contexto total da detenção de Assange surge em plena luz quando examinado na sequência de Chelsea Manning ter passado um mês em prisão solitária numa cadeia da Virgínia por se recusar a denunciar Assange perante um grande júri. Não restam dúvidas de que a tática do Departamento da Justiça é fazer Manning ceder através de quaisquer meios disponíveis.

Esta é a equipa legal de Manning : "A acusação contra Julian Assange, hoje revelada, foi obtida um ano antes de Chelsea ter comparecido perante o grande júri e ter-se recusado a prestar testemunho. O facto de esta acusação já existir há mais de um ano confirma o que a equipa legal de Chelsea e a própria Chelsea têm dito desde que ela recebeu a primeira intimação para comparecer perante um Grande Júri federal no distrito leste de Virgínia – ou seja, que obrigando Chelsea a depor seria uma duplicação da prova já na posse do grande júri e não seria necessária para os advogados dos EUA obterem uma acusação de Assange",

O Estado Profundo ataca

A bola agora está do lado de um tribunal britânico. Assange certamente vai permanecer na prisão durante uns meses, sem fiança, enquanto decorre o dossiê dos EUA para a extradição. Provavelmente, o Departamento da Justiça tem conversado com Londres sobre como um juiz "correto" pode proferir o resultado desejado.

Assange limitou-se a publicar. Não revelou absolutamente nada. O New York Times, tal como o Guardian, também publicou o que Manning descobriu. Collateral Murder , entre dezenas de milhares de peças de provas, devia estar sempre na primeira linha de todo o debate – trata-se dos crimes de guerra praticados no Afeganistão e no Iraque.

Portanto, não admira que o Departamento de Estado dos EUA não perdoe a Manning e a Assange, mesmo que o New York Times, em mais uma ocasião de descarados critérios duplos, possa escapar. O drama necessitará por fim de ser encerrado no distrito leste de Virgínia, porque os aparelhos de segurança nacional e de informações há anos que trabalham neste guião a tempo inteiro.

Enquanto diretor da CIA, Mike Pompeo foi direto ao assunto: "Chegou a altura de chamar à WikiLeaks o que ela é na realidade: um serviço de informações não estatal e hostil, incitado com frequência por atores estatais como a Rússia".

O que representa uma verdadeira declaração de guerra: sublinha que a WikiLeaks é perigosa só por ter praticado jornalismo de investigação.

As atuais acusações do Departamento de Justiça nada têm a ver com o anunciado Russiagate. Mas espera-se que o subsequente futebol político seja bombástico.

O campo de Trump, neste momento, está dividido. Assange ou é um herói popular que combate o pântano do Estado Profundo ou um modesto fantoche do Kremlim. Simultaneamente, Joe Manchin, um senador democrata sulista, tal como o proprietário de uma plantação do século XIX regozija-se por Assange ser agora "propriedade nossa". A estratégia dos Democratas será usar Assange para chegar a Trump.

E há a União Europeia, da qual mais tarde ou mais cedo a Grã-Bretanha poderá já não fazer parte. A União Europeia estará vigilante quanto à extradição de Assange para a "América de Trump", enquanto o Estado Profundo não garantir que todos os jornalistas, estejam onde estiverem, têm o direito de se manterem em silêncio.

13/Abril/2019

Ver também:

 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/varios/assange_escobar_13abr19_p.html

Prisão de Assange, uma advertência da História – O jornalismo real está a ser criminalizado por bandidos

(John Pilger, in Resistir, 12/04/2019)

O vislumbre de Julian Assange a ser arrastado para fora da embaixada equatoriana em Londres é um símbolo dos nossos tempos. A força contra a justiça. O músculo contra a lei. A indecência contra a coragem. Seis polícias maltrataram um jornalista doente, com os olhos contraídos diante da primeira luz natural que viam em quase sete anos. 

Que este ultraje tenha acontecido no centro de Londres, na terra da Magna Carta, deve envergonhar e irar todos os que se preocupam por sociedades “democráticas”. Assange é um refugiado político protegido pelo direito internacional, o beneficiário de asilo sob um convénio estrito do qual a Grã-Bretanha é signatária. As Nações Unidas deixaram isto claro na decisão legal do seu Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária (Working Group on Arbitrary Detention, WGAD). 

Mas para o inferno com tudo isso. Deixem os bandidos entrarem. Dirigido pelos quase fascistas na Washington de Trump, em conluio com Lenin Moreno do Equador, um Judas latino-americano e um mentiroso que procura disfarçar seu regime rançoso, a elite britânica abandonou seu último mito imperial: o da razoabilidade e justiça. 

Imagine Tony Blair arrastado de sua casa georgiana de vários milhões de libras em Connaught Square, Londres, algemado, a fim de ser despachado para o banco dos réus em Haia. Pelo padrão de Nuremberg, Blasir cometeu o “crime supremo”:   a morte de um milhão de iraquianos. O crime de Assange é o jornalismo:   responsabilizar os predadores, revelar suas mentiras e facultar a verdade aos povos de todo o mundo. 

A prisão chocante de Assange transmite uma advertência a todos os que, como escreveu Oscar Wilde, “preguem as sementes do descontentamento [sem as quais] não haveria avanço civilizacional”. A advertência é explícita em relação aos jornalistas. O que aconteceu ao fundador e editor do WikiLeaks pode acontecer consigo num jornal, consigo num estúdio de TV, consigo na rádio, consigo a realizar um podcast.  O principal atormentador de Assange nos media, The Guardian, um colaborador do estado secreto, mostrou seu nervosismo esta semana com um editorial que atingiu novas alturas de dissimulação. O Guardian explorou o trabalho de Assange e da WikiLeaks no que seu editor anterior chamou de “o maior furo dos últimos 30 anos”. O jornal fez matérias a partir das revelações da WikiLeaks e apropriou-se dos elogios e riquezas decorrentes.  Sem que nem um centavo fosse para Julian Assange ou para a WikiLeaks, um apregoado livro do Guardian levou a um lucrativo filme de Hollywood. Os autores do livro, Luke Harding e David Leigh, aproveitaram-se da sua fonte, abusaram dela e revelaram a password secreta que Assange dera ao jornal em confiança, a qual destinava-se a proteger um ficheiro digital contendo telegramas vazados de embaixadas dos EUA.  A revelação de guerras coloniais homicidas  Quando Assange ainda estava na embaixada equatorina, Harding juntou-se à polícia do lado de fora e jactou-se no seu blog de que “a Scotland Yard pode ter a última gargalhada”. The Guardian publicou então uma série de falsidades acerca de Assange, nada menos que uma desacreditada afirmação de que um grupo de russos e o homem de Trump, Paul Manafort, haviam visitado Assange na embaixada. Tais reuniões nunca aconteceram; era falso.  Mas o tom agora mudou. “O caso Assange é moralmente uma teia confusa”, opinou o jornal. “Ele (Assange) acredita em publicar coisas que não deveriam ser publicadas … Mas ele sempre lançou uma luz sobre coisas que não deveriam ter sido escondidas”.  Tais “coisas” são a verdade acerca do modo homicida como a América conduz suas guerras coloniais, as mentiras do Foreign Office britânico na negação de direitos a povos vulneráveis, tais como os ilhéus das Chagos, a revelação de Hillary Clinton como uma apoiante e beneficiária do jihadismo no Médio Oriente, a pormenorizada descrição de embaixadores americanos sobre como os governos da Síria e da Venezuela podem ser derrubados e muito mais. Isto tudo está disponível no sítio da WikiLeaks .  The Guardian está compreensivelmente nervoso. Homens da polícia secreta já visitaram o jornal e pediram e obtiveram a destruição ritual de um disco rígido. Quanto a isto, o jornal tem tradição. Em 1983, uma empregada administrativa do Foreign Office, Sarah Tisdall, vazou documentos do governo britânico mostrando quando armas nucleares americanas chegariam à Europa. The Guardian foi coroado de louvores.  Quando um tribunal pediu para saber a fonte, ao invés de o editor ir para a prisão de acordo com o princípio fundamental de proteger a fonte, Tisdall foi traída, processada e cumpriu seis meses de prisão.  Se Assange for extraditado para a América por publicar o que The Guardian chama “coisas” verídicas, o que é que impede o actual editor, Katherine Viner, de segui-lo, ou o editor anterior, Alan Rusbridger, ou o prolífero propagandista Luke Harding?  E o que impede de seguirem o mesmo caminho os editores de The New York Times The Washington Post, os quais também publicaram parcelas da verdade com origem na WikiLeaks, assim como o editor de El Pais na Espanha, e de Der Spiegel na Alemanha e de The Sydney Morning Herald na Austrália? A lista é longa.  David McCraw, principal advogado de The New York Times, escreveu: “Penso que o processo [de Assange] seria um muito, muito mau precedente para editores … de tudo o que sei, ele está na posição de uma editora clássica e a lei teria dificuldade em distinguir entre o New York Times e o WikiLeaks”.  Mesmo se jornalistas que publicarem fugas da WikiLeaks não se deixarem intimidar por um grande júri americano, a intimidação de Julian Assange e Chelsea Manning será suficiente. O jornalismo real estará a ser criminalizado por bandidos à vista de todos. A divergência tornou-se uma complacência.  Na Austrália, o actual governo apaixonado pelos EUA está a processar dois denunciantes, os quais revelaram que os espiões de Canberra instalaram dispositivos de escuta para captar as reuniões de gabinete do novo governo de Timor-Leste com o propósito expresso de enganar aquela pequena e empobrecida nação a fim de tomar a sua parcela dos recursos de petróleo e gás no Mar de Timor. O julgamento deles será realizado em segredo. O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, é infame pela sua participação no estabelecimento de campos de concentração para refugiados nas ilhas do Pacífico de Nauru e Manus, onde crianças ferem-se a si próprias e suicidam-se. Em 2014, Morrison propôs campos de detenção em massa para 30 mil pessoas.  Jornalismo: uma grande ameaça  O jornalismo real é o inimigo destas desgraças. Uma década atrás, o Ministério da Defesa em Londres produziu um documento secreto que descrevia as “principais ameaças” à ordem pública como sendo tríplice: terroristas, espiões russos e jornalistas de investigação. Esta última era designada como ameaça principal.  O documento foi devidamente enviado à WikiLeaks, que o publicou. “Não tínhamos escolha”, contou-me Assange. “É muito simples. O povo tem o direito de saber e o direito de perguntar e desafiar o poder. Isso é a verdadeira democracia”.  E se Assange, Manning e outros no seu rastro – se houver outros – forem silenciados e “o direito de saber, questionar e desafiar” for retirado?  Na década de 1970 encontrei-me com Leni Reifenstahl, amiga próxima de Adolf Hitler, cujos filmes ajudaram a lançar o feitiço nazi sobre a Alemanha.  Ela contou-me que a mensagem nos seus filmes, a propaganda, não dependia de “ordens de cima” mas sim do que ela denominava o “vazio obediente” (“submissive void”) do público.  “Será que este vazio obediente incluía a burguesia liberal e educada?”, perguntei-lhe eu.  “Naturalmente”, disse ela, “especialmente a intelligentsia … Quando as pessoas já não perguntam mais questões sérias, elas são submissas e maleáveis. Tudo pode acontecer”.  E aconteceu. O resto, ela podia ter acrescentado, é história. 


Fonte aqui


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Mídia: Equador passou mais de um ano se preparando para expulsar Assange da embaixada

Retrato de Julian Assange perto da embaixada do Equador em Londres
© REUTERS / Peter Nicholls

O Equador passou mais de um ano organizando a expulsão de Julian Assange da embaixada em Londres, tentando obter garantias do Reino Unido e dos EUA de que depois da extradição o fundador do WikiLeaks não seria condenado à morte, informa o canal de TV ABC, citando autoridades americanas e equatorianas.

De acordo com um funcionário dos EUA, Assange causou "inconveniência significativa" ao pessoal da missão diplomática. "Eles disseram: 'Isso é demais. Como vamos nos livrar desta pessoa?'", oficial americano cita palavras de funcionários da embaixada.

Ao mesmo tempo, é relatado que, apesar de Assange ser um convidado "custoso e desconfortável" na embaixada, o Equador estava disposto a retirar asilo diplomático somente após negociações secretas sobre destino de Assange.

De acordo com a ministra equatoriana do Interior, Maria Paula Roma, o processo de deportação de Assange começou em 7 de março de 2018, quando o Equador enviou a primeira carta de pedido de garantia ao Reino Unido de que Londres não extraditaria o fundador do WikiLeaks para um país onde ele poderia enfrentar pena de morte.


Seis meses depois, o Equador fez contato direto com os EUA por meio de seu embaixador na Alemanha, Manuel Mahia Dalmau, que solicitou uma "reunião urgente" em Berlim com o embaixador dos EUA na Alemanha, Richard Grennell, um dos "enviados mais próximos" do presidente americano Donald Trump na Europa.

Segundo o canal, sustentar Assange era muito caro para a embaixada equatoriana. Assim, é relatado que desde 2012 o país gastou 10 milhões de dólares, incluindo serviços médicos, jurídicos e necessidades domésticas. Além disso, a estadia de Assange na embaixada obrigou os funcionários da missão diplomática a alugar instalações adicionais, pois ocupava "muito espaço".

O problema com a rápida transferência de Assange para as autoridades britânicas foi que o fundador do WikiLeaks poderia vir a enfrentar pena de morte, que foi combatida pelo lado equatoriano, e, segundo autoridades, Dalmau era inflexível.

De acordo com o canal, após negociações com o seu homólogo equatoriano, Grenell entrou em contato com o Departamento de Justiça dos EUA para obter uma garantia de que a pena de morte não seria imposta, e o vice-procurador-geral Rod Rosenstein concordou com a proposta, tendo o acordo sido apenas verbal.


Nota-se que o Departamento de Estado e o Departamento de Justiça dos EUA se recusaram a comentar essa informação, mas, de acordo com dados da Justiça norte-americana, entre os vereditos que podem ameaçar Assange, não há pena de morte, o prazo máximo, segundo as autoridades, em seu caso pode ser de até cinco anos.

Assange é conhecido por publicar material confidencial, que engloba operações militares norte-americanas no Afeganistão e no Iraque. Os materiais detalham episódios individuais, incluindo a morte de civis. De acordo com o WikiLeaks, mais da metade dos mortos no Iraque era civil (por volta 66.000 de 109.000). Além disso, Assange publicou materiais sobre as condições de detenção na prisão americana de Guantánamo em Cuba.


Em 2010, o fundador do WikiLeaks foi acusado na Suécia de ter cometido crimes sexuais, o que ele negou. O tribunal sueco colocou Assange na lista internacional de procurados, o que ocasionou detenção dele em Londres, mas, com pagamento de fiança, veio a ser liberto. Em 2017, a acusação contra Assange na Suécia foi arquivada, mas após ser preso em Londres, a Procuradoria sueca declarou que estava analisando a possibilidade de reabrir a investigação.

Os EUA acusam agora Assange de conspiração e de publicação de documentos oficiais roubados. O Departamento de Justiça dos EUA informou que, caso Assange seja considerado culpado, pode vir a passar até cinco anos na prisão. De acordo com a decisão do tribunal de Londres, os EUA devem entregar ao Reino Unido os documentos sobre a extradição de Assange até 12 de junho.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019041613693464-midia-equador-passou-ano-preparando-expulsar-assange-embaixada/

ODiario.info » A prisão de Assange é uma advertência da História

A prisão de Julian Assange pela polícia britânica e no interior da embaixada do Equador tem muitos aspectos verdadeiramente repugnantes, desde a traição de Lenin Moreno às mentiras com que essa violação do direito de asilo tentou justificar-se. O crime de Assange é divulgar factos verdadeiros sobre como se comporta a criminosa elite que hoje comanda a maior parte do mundo. E, com Assange, são criminalizadas a difusão da verdade e a dignidade do jornalismo.

Entrever Julian Assange sendo arrastado da embaixada equatoriana em Londres é emblemático do tempo que vivemos. O poder contra o direito. O musculo contra a lei. A indecência contra a coragem. Seis policias maltratam um jornalista doente, cujos olhos piscam face à primeira luz natural em quase sete anos.

Que esse ultraje tenha acontecido no coração de Londres, na terra da Magna Carta, deveria envergonhar e irritar todos os que dizem temer pelas sociedades “democráticas”. Assange é um refugiado político protegido pelo direito internacional, objecto de asilo ao abrigo de um acordo estrito do qual a Grã-Bretanha é signatária. As Nações Unidas clarificaram-no na decisão jurídica do seu Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária.

Mas para o diabo com isso. Deixem entrar os rufias. Dirigida pelos quase fascistas da Washington de Trump, em aliança com o equatoriano Lenin Moreno, um mentiroso Judas latino-americano procurando disfarçar o seu rançoso regime, a elite britânica abandonou o seu derradeiro mito imperial: o da honestidade e da justiça.
Imaginem Tony Blair a ser arrastado da sua casa georgiana de muitos milhões de libras em Connaught Square, Londres, algemado, para ser enviado para a enxovia em Haia. Pelos padrões de Nuremberga, o “crime supremo” de Blair é a morte de um milhão de iraquianos. O crime de Assange é o jornalismo: responsabilizar os rapinantes, expor as suas mentiras e capacitar com a verdade as pessoas em todo o mundo.
A chocante prisão de Assange comporta um aviso para todos os que, como Oscar Wilde escreveu, “costuram as sementes do descontentamento [sem as quais] não haveria avanço para a civilização”. O aviso é explícito para os jornalistas. O que aconteceu com o fundador e editor do WikiLeaks pode acontecer consigo num jornal, num estúdio de TV, na rádio, consigo executando um podcast.

O principal atormentador mediático de Assange, o Guardian, um colaborador do Estado secreto, manifestou o seu nervosismo esta semana com um editorial que atingiu novas alturas no servilismo das ratazanas. O The Guardian explorou o trabalho de Assange e do WikiLeaks naquilo que o seu editor anterior chamou de “o maior furo dos últimos 30 anos”. O jornal apropriou-se das revelações do WikiLeaks e reivindicou os elogios e as riquezas que vieram com isso.

Com nem um centavo indo para Julian Assange ou para o WikiLeaks, um elogiado livro do Guardian levou a um lucrativo filme de Hollywood. Os autores do livro, Luke Harding e David Leigh, voltaram-se contra a sua fonte, abusaram dela e revelaram a senha secreta que Assange havia dado ao jornal em sigilo, que fora concebida para proteger um arquivo digital contendo telegramas vazados de embaixadas norte-americanas.

Com Assange retido na embaixada equatoriana, Harding juntou-se à polícia no exterior e regozijou-se no seu blog que “a Scotland Yard pode ser a última a rir”. O The Guardian publicou desde então uma série de falsidades sobre Assange, não menor das quais uma alegação sem qualquer crédito de que um grupo de russos e o homem de Trump, Paul Manafort, tinham visitado Assange na embaixada. Essas reuniões nunca aconteceram; era falso.

Mas o tom agora mudou. “O caso Assange é uma teia moralmente emaranhada”, opinou o jornal. “Ele (Assange) acredita em publicar coisas que não deveriam ser publicadas…Mas trouxe sempre à luz coisas que nunca deveriam ter sido escondidas.

Essas “coisas” são a verdade sobre o modo homicida como os EUA conduzem as suas guerras coloniais, as mentiras do Ministério das Relações Exteriores britânico na sua negação de direitos a gente vulnerável, como os ilhéus de Chagos, a denúncia de Hillary Clinton como apoiante e beneficiária do jihadismo no Médio Oriente, a descrição detalhada de embaixadores norte-americanos sobre como os governos da Síria e da Venezuela poderiam ser derrubados, e muito mais. Está tudo disponível no site do WikiLeaks.

O Guardian está compreensivelmente nervoso. Policias secretos já visitaram o jornal e exigiram e conseguiram a destruição ritual de um disco rígido. Nisto o jornal tem experiência. Em 1983 uma funcionária do Ministério do Exterior, Sarah Tisdall, vazou documentos do governo britânico que mostravam quando chegariam à Europa as armas nucleares de cruzeiro norte-americanas. O Guardian foi regado com elogios.

Quando uma ordem judicial exigiu conhecer a fonte, em vez de o editor ir para a prisão em defesa do princípio fundamental de proteção de uma fonte, Tisdall foi traída, processada e cumpriu seis meses de prisão.
Se Assange for extraditado para os EUA por publicar o que o Guardian chama de “coisas” verdadeiras, o que impedirá o actual editor, Katherine Viner, de fazer o mesmo, ou o editor anterior, Alan Rusbridger, ou o prolífico propagandista Luke Harding?

O que impedirá os editores do New York Times e do Washington Post, que também publicaram trechos da verdade com origem no WikiLeaks, e o editor do El Pais na Espanha, e o Der Spiegel na Alemanha e o Sydney Morning Herald na Austrália. A lista é longa.

David McCraw, advogado principal do New York Times, escreveu: “Penso que a acusação [de Assange] seria um precedente muito mau para os editores… de tudo o que eu sei, ele parece estar na posição clássica de um editor e a lei teria muita dificuldade em distinguir entre o New York Times e o WikiLeaks. ”

Mesmo que os jornalistas que publicaram os vazamentos do WikiLeaks não sejam intimados por um júri norte-americano, a intimidação de Julian Assange e Chelsea Manning já será suficiente. O jornalismo real está a ser abertamente criminalizado por rufias. A dissidência tornou-se um devaneio.

Na Austrália, o actual EUA-embrutecido governo está a processar dois informadores que revelaram que os espiões de Canberra montaram escutas nas reuniões do gabinete do novo governo de Timor-Leste, com o propósito expresso de vigarizar a pequena e empobrecida nação quanto à parte do petróleo. e recursos de gás no Mar de Timor que lhe é devida. O julgamento será realizado em segredo. O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, tem o infame reconhecimento da sua participação na criação de campos de concentração para refugiados nas ilhas do Pacífico de Nauru e Manus, onde crianças se auto-mutilam e se suicidam. Em 2014, Morrison propôs campos de detenção em massa para 30.000 pessoas.
O jornalismo real é o inimigo dessas desgraças. Há uma década, o Ministério da Defesa em Londres produziu um documento secreto que descrevia as três principais ameaças à ordem pública: terroristas, espiões russos e jornalistas investigadores. Esta última era designada como a maior ameaça.

O documento foi vazado para o WikiLeaks, que o publicou. “Não tivemos escolha”, disse-me Assange. “É muito simples. As pessoas têm o direito de saber e o direito de questionar e desafiar o poder. É isso a verdadeira democracia.

E se Assange, Manning e outros da sua linha - se houver outros - forem silenciados e “o direito de saber, questionar e desafiar” for retirado?

Na década de 1970, conheci Leni Riefenstahl, amiga íntima de Adolf Hitler, cujos filmes ajudaram a lançar a maldição nazi sobre a Alemanha.

Ela disse-me que a mensagem nos seus filmes, a propaganda, dependia não de “ordens vindas de cima”, mas daquilo que chamava o “vazio submisso” do público.

“Esse vazio submisso incluiu a burguesia liberal e educada?” Perguntei-lhe.

“É claro”, ela disse, “especialmente a elite…. Quando as pessoas deixam de colocar perguntas sérias, são submissas e maleáveis. Tudo pode acontecer.”
E fez.

O resto, poderia ela ter acrescentado, é história.

Fonte: https://www.counterpunch.org/2019/04/12/the-assange-arrest-is-a-warning-from-history/

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Primeiro, Assange. Depois, todos nós

Os cidadãos e a imprensa têm direito de enfrentar o poder? Ataque ao criador do Wikileaks revela que o Ocidente rendeu-se às corporações e abandonou a bandeira da liberdade. É preciso descobrir como resgatá-la

Chris Hedges* | Outras Palavras | Tradução: Antonio Martins
A prisão, nesta quinta-feira, de Julian Assange, desmente todo o discurso sobre o Estado de Direito e a liberdade de imprensa. As ilegalidades praticadas pelos governos do Equador, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos na captura de Assange são sinistras. Elas pressagiam um mundo em que as ações internas, abusos, corrupção, mentiras e crimes – inclusive os de guerra – praticados por Estados corporativos e pela elite governante global serão escondidos do público. Elas pressagiam um mundo em que aqueles que mantêm coragem e integridade para expor o abuso de poder serão caçados, torturados, submetidos a julgamentos farsescos e condenados a penas perpétuas, em confinamento solitário. Elas pressagiam uma distopia orwelliana em que a informação é substituída por propaganda, banalidades e distração. A prisão de Assange, temo, marca o início oficial do totalitarismo corporativo que ameaça definir nossas vidas.

Sob que lei o presidente equatoriano, Lenin Moreno, liquidou de forma caprichosa os direitos de Julian Assange ao asilo, como refugiado político? Sob que lei Moreno autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada equatoriana – que tem status diplomático de território soberano – para prender um cidadão equatoriano naturalizado? Sob que lei a primeira-ministra Theresa May ordenou que a polícia britânica agarrasse Assange, que nunca cometeu um crime? Sob que lei o presidente Donald Trump pediu a extradição de Assange, que não é cidadão norte-americano e cuja organização noticiosa não está situada em território dos Estados Unidos?


Estou certo de que advogados governamentais estão, agora, praticando os contorcionismos que se tornaram regra nos Estados corporativos, servindo-se de argumentos legais para extripar direitos por meio de decisões no Judiciário. É assim que temos o direito à privacidade, mas nenhuma privacidade. É assim que temos eleições “livres” financiadas por dinheiro corporativo, narradas por uma mídia corporativa condescendente, tudo sobre férreo controle corporativo É assim que temos um processo legislativo em que lobistas das corporações escrevem as leis, e políticos contratados pelas empresas as votam. É assim que temos o direito ao devido processo judicial sem nenhum processo devido. É assim que temos governos – cuja responsabilidade fundamental é proteger os cidadãos – que ordenam e executam o assassinato de seus próprios cidadãos (como o clérigo Anwar al-Awlaki e seu filho de 16 anos, mortos por ordem de Barack Obama). É assim que há uma imprensa legalmente autorizada a publicar informação secreta vazada, e um editor numa cela na Inglaterra, aguardando extradição para os Estados Unidos, e uma autora de denúncias, Chelsea Manning, numa cela norte-americana.

A Grã-Bretanha usará, como cobertura legal para a prisão, o pedido de extradição de Washington, baseado em acusações de conspiração. Este argumento legal, num Judiciário autônomo, seria desprezado pela corte. Infelizmente, não há mais, nos EUA, um Judiciário autônomo. Muito em breve saberemos se ele ainda existe no Reino Unido.

Assange obteve asilo na embaixada equatoriana em 2012, para evitar extradição para a Suécia para responder questões sobre supostas ofensas sexuais, que ao final foram retiradas. Assange e seus advogados sempre argumentaram que, se colocado sob custódia sueca, ele seria extraditado para os Estados Unidos. Assim que ele obteve o asilo, e a cidadania equatoriana, o governo britânico recusou-se a garantir-lhe passagem segura para o aeroporto de Londres, aprisionando-o na embaixada por sete anos, durantes os quais sua saúde deteriorou continuamente.

O governo Trump tentará julgar Assange por acusações de que conspirou com Chelsea Manning em 2010 para roubar os segredos de guerra sobre o Iraque e o Afeganistão obtidos pelo WikiLeaks. Meio milhão de documentos internos vazados por Manning do Pentágono e do Departamento de Estado, junto com o vídeo de 2007, de pilotos de helicóptero dos EUA atirando despreocupadamente em civis iraquianos, inclusive crianças, e em dois jornalistas da Reuters, ofereceram evidência abundante da hipocrisia, violência indiscriminada e uso rotineiro de tortura, mentiras, propinas e táticas cruas de intimidação pelo governo dos EUA em sua diplomacia e guerras no Oriente Médio. Assange e o WikiLeaks permitiram – é o trabalho mais importante da imprensa – que enxergássemos os trabalhos clandestinos do Império, e por isso tornaram-se presas deste Império.

Os advogados do governo norte-americano tentarão separar o WikiLeaks e Assange do New York Times e do The Guardian, que publicaram, ambos, o material vazado por Manning. Para fazê-lo, denunciarão Assange por “roubo” dos documentos. Manning foi pressionada, durante sua detenção e julgamento – repetidamente e muitas vezes com brutalidade – a implicar Assange na obtenção do material. Recusou-se repetidamente a fazê-lo. Está no momento encarcerada por sua recusa a testemunhar, sem a presença de seu advogado, diante do júri reunido para o caso de Assange. Barack Obama ofereceu a Manning, condenada a 35 anos, clemência, depois de ela ter cumprido sete anos numa prisão militar.

Quando os documentos e vídeos que Manning entregou a Assange e ao WikiLeaks foram publicados e disseminados por publicações como o New York Times e o Guardian, a mídia voltou-se contra Assange, de modo insensível e louco. Organizações que haviam publicado o material do WikiLeaks em várias edições, logo aceitaram ser veículos de propaganda obscura para desacreditar Assange e sua publicação. Esta campanha coordenada foi detalhada num documento do Pentágono, também vazado, preparado pelo Setor de Contra-inteligência Digitale datado de 8 de março de 2008. O documento pedia que os EUA destruísse o “sentimento de confiança” que é o “centro de gravidade” do Wikleaks e a reputação de Assange.

Assange, que graças aos vazamentos de Manning havia exposto os crimes de guerra, as mentiras e as manipulações do governo de George W. Bush, atraiu a ira do establishment do Partido Democrata ao publicar 70 mil e-mails hackeados, que pertenciam ao Comitê Nacional e a dirigentes partidários. Os e-mails foram copiados da conta de John Podesta, o chefe de campanha de Hillary Clinton. Eles expuseram a doação de milhões de dólares, à Fundação Clinton, pela Arábia Saudida e o Qatar, dois dos grandes financiadores do Estado Islâmico. Também expuseram os 657 mil dólares que a Goldman Sachs pagou a Hillary Clinton por palestras – uma soma tão alta que só pode ser considerada suborno. Expuseram as incessantes mentiras de Hillary. Os e-mails mostraram, por exemplo, que ela dizia às elites financeiras desejar “comércio e fronteiras abertas”, além de acreditar que os executivos de Wall Street estavam melhor posicionados para dirigir a economia – uma afirmação que contradizia toda a sua campanha. O material expôs os esforços da campanha de Hillary para influenciar as primárias do Partido Republicano e garantir que Trump fosse o escolhido pelo partido. Revelou que ela foi informada previamente das questões que lhe seriam dirigidas num debate. Demonstrou que a candidata foi a principal arquiteta da intervenção dos EUA na Líbia – um conflito que ela julgava capaz de selar suas credenciais para a disputa presidencial. Alguns jornalistas podem argumentar que tais informações, assim como os arquivos de guerra, deveriam permanecer escondidas – mas não podem, nesse caso, continuar considerando a si próprios como jornalistas.

Os dirigentes do Partido Democrata, interessados em culpar a Rússia pela derrota eleitoral, acusa hackers do governo russo de terem obtido os e-mails de Podesta. Mas James Comey, ex-diretor do FBI, admitiu que eles foram provavelmente entregues ao WikiLeaks por um intermediário. Assange sustenta que os e-mails não foram recebidos de “agentes de Estado”.

O WikiLeaks fez mais para expor os abusos do poder e os crimes do império norte-americano que qualquer outra publicação. Além dos arquivos de guerra, e dos e-mails de Podesta, ele tornou públicas as ferramentas de hackeamento usadas pela CIA e pela Agência Nacional de Segurança (a NSA), e sua interferência conjunta em eleições de outros países – inclusive as francesas. Ele revelou a conspiração interna contra Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista inglês, por parlamentares do partido. Quando Edward Snowden apontou a vasta vigilância exercida pelas agências de espionagem norte-americanas sobre seus cidadãos, o Wikileaks interveio para salvá-lo de extradição aos Estados Unidos, ajudando-o a fugir de Hong Kong para Moscou. Os vazamentos de Snowden também revelaram que Assange estava numa “lista de alvos de caçada humana” dos Estados Unidos.

Aparentemente abatido, quando era arrastado para fora da embaixada equatoriana pela polícia britânica, Assange balançou seu dedo e gritou: “O Reino Unido precisa resistir a esta ação do governo Trump… O Reino Unido precisa resistir”!

Todos nós precisamos resistir. Devemos, de todas as maneiras possíveis, pressionar o governo britânico para interromper o linchamento judicial de Assange. Se ele for extraditado aos EUA e julgado, isso criará um precedente legal que liquidará a capacidade da imprensa – a quem Trump repetidas vazes chama de “inimigo do povo” – para fiscalizar o poder. Os crimes financeiros e de guerra, a perseguição de dissidentes, minorias e imigrantes, a pilhagem, pelas corporações, na sociedade e dos ecossistemas e o empobrecimento incessante dos homens e mulheres que trabalham, para engordar as contas bancárias dos ricos e consolidar o controle total do poder pelos oligarcas globais não vão apenas se agigantar. Eles não serão mais parte do debate público. Primeiro Assange; depois, todos nós.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROS QUINHENTOS
Leia também em Outras Palavras
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/primeiro-assange-depois-todos-nos.html

O NOSSO RESPEITO POR ASSANGE – ASSANGE, por ERIC WERNER

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

O que é um herói, pergunta o estudante? Estás a pensar em Assange, disse o advogado? Um herói é alguém que prefere a glória, mas à custa de uma morte rápida em vez de  uma vida longa, mas sem glória. No que diz respeito a Assange, ele já alcançou a glória. Ah… e os seus esbirros  não podem fazer nada quanto a isso.

Claro que vão prendê-lo e mantê-lo nas suas brilhantes prisões 24 horas por dia, vingar-se dele (que os provocou durante sete anos), submetendo-o a todo o tipo de abusos. Eles vão colocá-lo  com drogas psicotrópicas (a fim de reduzi-lo a um estado vegetal). Muito em breve também o entregarão à Polícia Secreta do Estado dos EUA (“Ele é nossa propriedade”, disse hoje um senador dos EUA). Eles vão fazer tudo isto. Mas eles não podem fazer o que ele fez, ele não o fez. O que ele fez, ele o fez e fez bem, e também ninguém poderá desfazer isso. É indestrutível. A sua glória é que desempenhou plenamente o seu papel de denunciante, mostrando-nos o que tão poucas pessoas estavam dispostas a ver até agora: simplesmente a “realidade da coisa” (Maquiavel).

Assange  deu-no-la a ver, e todos hoje a  veem (atrás do falso cenário de papel de parede, que agora se está a desfazer: a democracia, Estado de Direito, etc.). Todos sabem que este regime é um regime criminoso, apenas criminoso. Já ninguém tem ilusões quanto a isto. Foi o que ele nos deu a ver. É por isso que ele vai ter uma morte rápida.

 

Pode ler o original clicando em:

https://ericwerner.blogspot.com/2019/04/assange.html

Para ler sobre Eric Werner clique em:

https://www.blogger.com/profile/09503549289938777334

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/04/14/o-nosso-respeito-por-assange-assange-por-eric-werner/

Ativista sueco é preso no Equador acusado de colaboração com Assange

Ministra do Interior do Equador, María Paula Romo, afirmou que o governo obteve informações que comprovam que Bini visitou Assange mais de 12 vezes na embaixada do país em Londres.

O ativista e pesquisador de segurança da informação Ola Bini foi preso nesta sexta-feira (12/04) pelo governo equatoriano no Aeroporto Internacional Mariscal Sucre, em Quito, por supostamente colaborar com o fundador da WikiLeaks, Julian Assange.

A ministra do Interior do Equador, María Paula Romo, afirmou que o governo obteve informações que comprovam que Bini visitou Assange mais de 12 vezes na embaixada do país em Londres, onde o fundador da WikiLeaks estava residindo sob asilo diplomático até esta quinta-feira.

“Temos a evidência de uma pessoa próxima que colaborava com WikiLeaks e com Assange, que visitou a embaixada do Equador em Londres ao menos em 12 ocasiões diferentes ao longo desses últimos anos”, disse Romo.

A ministra ainda disse que Bini “estava vivendo no Equador e também vimos seus último encontros com o ex-chanceler Ricardo Patiño, que estava no cargo quando o asilo [a Assange] foi outorgado. Sua última viagem foi à Venezuela há mais ou menos um mês, um mês e meio”.

No momento da prisão, Bini estava prestes a embarcar para o Japão para participar de um treinamento na organização internacional de artes marciais Bujinkan. Mais cedo, o ativista comentou o pronunciamento da ministra em sua conta no Twitter dizendo que as notícias eram muito preocupantes e que parecia “uma caça às bruxas contra mim”.

Segundo a revista Peoples Dispatch, Bini é um nome importante do movimento software livre e pela privacidade digital, tendo desenvolvido um trabalho extenso na área de comunicação segura e anonimato com diversas organizações internacionais, além de ser autor de livros sobre tecnologia da informação. O desenvolvedor de softwares é cidadão sueco e tem visto para trabalhar e residir no Equador. A prisão do ativista está sendo vista como parte de uma ofensiva para reprimir a comunidade que defende uma tecnologia que permita maior segurança na comunicação.

O acadêmico e ativista indiano Vijay Prashad afirmou que “Ola Bini é inocente e foi preso no Equador sem motivo”. Nas redes sociais, Prashad fez um chamado para pressionar o presidente Lenín Moreno pela liberação de Bini.

Martin Fowler, cientista-chefe da ThoughtWorks e antigo colega de Bini, também escreveu no Twitter: “Fico muito preocupado de saber que meu amigo e colega Ola Bini foi preso no Equador. Ele é um grande defensor e desenvolvedor na área de privacidade da informação e até agora não conseguiu falar com um advogado.”

Autoridades equatorianas citadas pela imprensa afirmam que Bini foi preso em uma operação para desmontar uma conspiração para chantagear o presidente Lenín Moreno. No entanto, a advogada e ativista Renata Ávila afirmou ao site de notícias indiano NewsClick que “a prisão de Bini é uma tentativa de Lenín Moreno de salvar a própria pele recriando o mesmo tipo de espetáculo judiciário que o sistema norte-americano fez com os hackers russos”.

Moreno enfrenta um grande escândalo desde o vazamento dos chamados INA papers, que revelaram casos de corrupção envolvendo pessoas próximas ao presidente equatoriano.

Em uma série de posts no Twitter, Y. Kiran Chandra, secretário-geral do Movimento Software Livre da Índia, falou da importância da contribuição de Bini para o desenvolvimento de tecnologias em segurança da informação e questionou por que “um dos melhores desenvolvedores que soluciona problemas da sociedade com a tecnologia está sendo tratado de maneira tão perversa”.

Desacato | Fonte: Opera Mundi | Foto: Reprodução/Twitter

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/ativista-sueco-e-preso-no-equador.html

A era da injustiça - Equador "vendeu" Assange

Lenin Moreno, presidente do Equador, “vendeu” Assange aos EUA em troca de redução de dívida
Paul Craig Roberts

O dia 11 de Abril de 2019 deu-nos uma nova palavra para Judas:   Moreno — o presidente fantoche do Equador que vendeu Julian Assange a Washington por suas 30 moedas.  Nesta manhã a prisão de Assange dentro da embaixada equatoriana em Londres foi a primeira etapa na tentativa de Washington de criminalizar a Primeira Emenda da Constituição dos EUA. O homem de Washington em Quito disse que revogou o asilo político de Assange e a sua cidadania equatoriana devido à sua liberdade de expressão. Quando polícias de diversa raça e género arrastaram Assange para fora da embaixada nesta manhã, reflecti sobre a absoluta corrupção de três governos – dos EUA, Reino Unido e Equador – e das suas instituições. A polícia britânica não mostrou vergonha quando carregou Assange desde a sua embaixada-prisão dos últimos sete anos até uma cela britânica como estação intermediária para outra americana. Se a polícia britânica tivesse qualquer integridade, toda a força policial teria ficado doente. Se o parlamento britânico tivesse qualquer integridade, eles teriam bloqueado a contribuição de Londres para o julgamento espectáculo de Washington agora em preparação. Se os britânicos tivessem um primeiro-ministro ao invés de uma agente de Washington, Assange teria sido libertado há muito tempo atrás e não mantido num aprisionamento de facto até que Washington aceitasse o preço de Moreno. 
Se o embaixador equatoriano em Londres tivesse qualquer integridade, ter-se-ia demitido ao invés de chamar a polícia para levar Assange. Será o embaixador tão desalmado que possa viver tranquilo consigo próprio como o homem que ajudou Moreno a desonrar a reputação do Equador?



Se os jornalistas anglo-americanos tivessem qualquer integridade, eles levantar-se-iam em armas quanto à criminalização da sua profissão. O presidente Trump sobreviveu a três anos de provação semelhante aos sete anos da provação de Assange. Trump sabe quão corruptas são as agências de inteligência e o Departamento de Justiça (sic) dos EUA. Se Trump tivesse qualquer integridade, ele poria um fim imediato à vergonhosa e embaraçosa perseguição à Assange através da emissão de perdão pré julgamento. Isto também poria fim ao re-aprisionamento ilegal de Manning. Mas integridade não é algo que prospere em Washington, ou em Londres ou em Quito. Quando o Departamento de Justiça (sic) não tem um crime com o qual acusar a vítima que pretende, o departamento repete continuamente a palavra "conspiração". Assange é acusado de estar em conspiração com Manning para obter e publicar dados secretos do governo, tais como o filme, o qual já era conhecido de um repórter do Washington Posto qual fracassou no seu jornal e na sua profissão ao permanecer silencioso quanto a soldados dos EUA cometerem crimes extraordinários sem remorso. Como soldado dos EUA, era realmente dever de Manning relatar os crimes e a falha de tropas estado-unidenses em desobedecerem a ordens ilegais. Supunha-se que Manning relatasse os crimes aos seus superiores, não ao público, mas ele sabia que o militares já haviam encoberto o massacre de jornalistas e civis e não queria um outro evento tipo My Lai nas suas mãos. Não acredito na acusação contra Assange. Se a WikiLeaks rompeu o código para Manning, a WikiLeaks não precisava de Manning. O alegado Grande Júri que alegadamente produziu a acusação foi conduzido em segredo ao longo de muitos anos enquanto Washington buscava algo que pudesse ser atribuído a Assange. Se houve realmente um grande júri, os jurados eram destituídos de integridade, mas como podemos saber se houve realmente um grande júri? Por que deveríamos nós acreditar em qualquer coisa que diga Washington depois das "armas de destruição em massa de Saddam Hussein", da "utilização por Assad de armas químicas contra o seu próprio povo", da "ogivas iranianas", da "invasão russa da Ucrânia", do "Russiagate" e assim por diante ad infinitum ? Por que acreditar que Washington desta vez está a contar a verdade? Quando o grande júri foi secreto por causa da "segurança nacional", será que o julgamento também será secreto e as provas secretas? Será que teremos aqui um processo tipo Star Chamber no qual uma pessoa é acusada em segredo e condenada em segredo com provas secretas? Este é o procedimento utilizado por governos tirânicos que não dispõem de argumentos contra a pessoa que eles querem destruir. Os governos em Washington, Londres e Quito são tão desavergonhados que não se importam em demonstrar a todo o mundo seu desrespeito à lei e a sua falta de integridade. Talvez o resto do mundo seja ele próprio tão desavergonhado de modo a não haver consequências adversas para Washington, Londres e Quito. Por outro lado, talvez o enquadramento de Assange, a seguir à falcatrua do Russiagate e da desavergonhada tentativa de derrubar a democracia na Venezuela e instalar um agente de Washington como presidente daquele país, venha a tornar claro para todos que o chamado "mundo livre" é conduzido por um governo patife e sem lei. Washington está a acelerar o declínio do seu império pois deixa claro que não é digna de respeito. Não se pode ter confiança alguma em que seja feita justiça em qualquer julgamento americano. No julgamento de Assange, a justiça não é possível. Com Assange condenado pelos media, mesmo um júri convencido da sua inocência irá condená-lo a fim de não enfrentar denúncias por libertar um "espião russo". A condenação de Assange tornará impossível para os media relatarem fugas de informação que sejam desfavoráveis ao governo. À medida que o precedente se expandir, futuros promotores públicos apresentarão o caso de Assange como um precedente para processar críticos do governo que serão acusados de pretensos danos ao mesmo. A era da justiça e do governo responsável está a chegar ao fim. 

11/Abril/2019

Ver também: 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/a-era-da-injustica.html

Wikileaks | O que mudou para o Equador entregar Assange às autoridades britânicas

Julian Assange esgotou a paciência de quem o albergou, mas há mais neste caso do que as razões invocadas na quinta-feira pelo Equador.

"A paciência do Equador chegou ao limite". A frase, do presidente do país que durante sete anos acolheu Julian Assange, ilustra o desgaste entre ambas as partes. Ano e meio de tensões que vão além das razões quotidianas alegadas, a parte visível de uma divergência com contornos de geopolítica.

O presidente do Equador, Lenin Moreno, aduziu uma série de razões objetivas para justificar a retirada do estatuto de asilo político a Assange, que permitiu a detenção do fundador da WikiLeaks, em Londres. As primeiras a lembrar o passado de "hacker" do australiano, de 47 anos. "Instalou equipamentos eletrónicos de distorção não permitidos e bloqueou câmaras de segurança da missão diplomática" equatoriana em Londres.


"Agrediu e maltratou os guardas da embaixada e acedeu, sem autorização, aos arquivos de segurança. Possui um telefone móvel com o qual comunica com o exterior", acrescentou Moreno, em conferência de imprensa. "Por último, ameaçou há dois dias o Governo do Equador". Esta é, certamente, a razão mais forte para a rutura, que esconde motivos que a razão mal conhece.

"Não respeitou nenhuma das suas obrigações e isso obrigou o Equador a pôr em vigor, em outubro passado, um protocolo especial sobre a coabitação numa embaixada (...), ele continuou a infringir esse protocolo", aduziu o embaixador do Equador em Londres, Jaime Marchán, em referência às regras impostas desde outubro de 2018, que Assange criticava.

A nacionalidade equatoriana, que lhe tinha sido atribuída em 2017, foi-lhe igualmente retirada. Para o ex-Presidente equatoriano Rafael Correa, a detenção foi "uma vingança pessoal do Presidente, Lenin Moreno, porque a WikiLeaks divulgou há alguns dias um caso muito grave de corrupção" que o envolve.

Foi o anterior presidente do Equador, Rafael Correa, de Esquerda, que concedeu asilo a Assange, em 2012. Lenin Moreno, que era número dois de Correa, é agora o líder equatoriano e principal rival do anterior chefe de Estado e tem uma posição política mais ao centro.

Assange é uma peça derrubada no xadrez da geopolítica mundial?

Moreno rompeu com boa parte do projeto político de Correa pouco depois de ganhar as eleições, em maio de 2017. Restabeleceu as relações com os EUA e organismos como Fundo Monetário Internacional (FMI), que acaba de conceder ao país um empréstimo de cerca de quatro mil milhões de euros, e afastou-se do regime de Nicolás Maduro.

Há poucas semanas, Moreno recebeu Juan Guaidó, e reconheceu-o como presidente interino da Venezuela. Uma soma de decisões que, segundo os defensores do atual líder equatoriano, multiplicaram os inimigos do ex-delfim de Correa e transformaram a disputa entre ambos numa questão de geopolítica mundial. Assange, aparentemente, foi uma peça derrubada neste xadrez.

Em confronto com Moreno, o ex-presidente do Equador tem mais de 20 investigações judiciais "à perna", reside em Bruxelas e recusa voltar ao país que governou, por se considerar vítima de perseguição.

"A WikiLeaks incluiu nas suas publicações estes argumentos, estas alegações de Correa, de um suposto escândalo do presidente. Estas ligações direcionavam para uma página onde se encontram publicada fotos pessoais da vida quotidiana do presidente e da família. Não são prova de nada, não são documentos oficiais", explicou a ministra do Interior à AFP.

"Neste momento, o Governo equatoriano e o presidente são alvos de uma grande campanha, uma campanha de ataque à reputação que também está a ser orquestrada pela WikiLeaks", disse a ministra do Interior equatoriano, em referência a uma caso conhecido como "Ina Papers", que liga Moreno a uma conta no Panamá.

Trata-se, disse à AFP o antigo chefe de Estado do Equador, da revelação pelo "site" WikiLeaks da existência de "uma conta secreta no Panamá, no Balboa Bank", em nome da família Moreno, e que o Executivo atual considera "uma infâmia".

Augusto Correia | Jornal de Notícias | Foto Epa/Peter Rae
Ver mais em JN

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/wikileaks-o-que-mudou-para-o-equador.html

Noam Chomsky diz que prisão de Julian Assange está ligada à de Lula

Em entrevista ao canal Democracy Now, o linguista e filósofo Noam Chomsky diz que há uma tentativa de silenciar as vozes de ambos, lembrando ainda a prisão de Gramsci sob o fascismo.

O linguista, filósofo e cientista político Noam Chomsky concedeu uma entrevista ao canal Democracy Now em que compara a prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, com a do ex-presidente Lula e a do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci.

Segundo ele, há uma tentativa de silenciar as vozes de ambos, lembrando da prisão de Gramsci sob o fascismo. Chomsky ressalta a proibição de Lula fazer declarações públicas e afirma que “ele é o prisioneiro político mais importante do mundo. Você ouve alguma coisa [na imprensa] sobre isso? Bem, Assange é um caso similar: temos que silenciar essa voz”

“Alguns podem se lembrar quando o governo fascista de Mussolini colocou Antonio Gramsci na prisão. O promotor disse: ‘Temos que silenciar essa voz por 20 anos. Não podemos deixá-lo falar.’ Isso é o Assange. Isso é o Lula. Isso é um escândalo.”

“Sob o governo Lula, no início deste milênio, o Brasil foi um dos mais – talvez o país mais respeitado do mundo. Foi a voz do Sul Global sob a liderança de Lula da Silva”, afirma o renomado linguista.

Assista abaixo ao vídeo legendado:

" data-width="auto" data-show-text="false">
Chomsky compara prisão de Assange às prisões de Lula e Gramsci

Chomsky compara prisão de Assange às prisões de Lula e Gramsci “Sob o governo Lula, no início deste milênio, o Brasil foi um dos mais – talvez o país mais respeitado do mundo. Foi a voz do Sul Global sob a liderança de Lula da Silva”, afirma o renomado linguista. Chomsky aponta o golpe após a saída de Lula do poder e sua prisão. Ressalta a proibição de Lula fazer declarações públicas e que “ele é o prisioneiro político mais importante do mundo. Você ouve alguma coisa [na imprensa] sobre isso? Bem, Assange é um caso similar: temos que silenciar essa voz.” Ele nos relembra, ainda, da prisão de Gramsci sob o fascismo: “Alguns podem se lembrar quando o governo fascista de Mussolini colocou Antonio Gramsci na prisão. O promotor disse: ‘Temos que silenciar essa voz por 20 anos. Não podemos deixá-lo falar.’ Isso é o Assange. Isso é o Lula. Isso é um escândalo.” Democracy Now! Tradução e legendas por César Locatelli

Publicado por Democracy Now Brasil em Sexta-feira, 12 de abril de 2019

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/noam-chomsky-diz-que-prisao-de-julian-assange-esta-ligada-a-de-lula/

Às ordens dos EUA Equador trai Julian Assange

Equador obediente aos EUA entrega Assange. Analistas consideram que o Equador e a sua embaixada em Londres simplesmente estão a cumprir ordens dos EUA relativamente ao asilo que anteriormente foi servido a Julian Assange e agora lhe foi retirado. O Reino Unido, parceiro incondicional dos EUA, ordenou a prisão de Assange na própria embaixada equatoriana depois de ter sido acordado superiormente, semanas atrás, que seria retirado o estatuto de asilado que protegia Assange. Não restam dúvidas de que Assange vai ser extraditado para os EUA e se arrisca a ser condenado a prisão perpétua sob acusação de espionagem, por ter obtido informações secretas que posteriormente tornou públicas e puseram a descoberto políticas e procedimentos dos EUA que violam o direito internacional, o que é sobejamente comum nas atuações-operações dos EUA. Da Deutsche Welle recolhemos para o PG o texto que apresentamos em seguida.
Redação PG
Assange é preso em Londres
Fundador do Wikileaks, que estava abrigado na embaixada equatoriana desde 2012 para evitar extradição, é detido pela polícia. Ele esteve por trás de um dos maiores vazamentos de documentos secretos da história dos EUA.
O fundador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, foi preso em Londres nesta quinta-feira (11/04), após a polícia ter sua entrada permitida na embaixada equatoriana onde ele se refugiava há quase sete anos.

A polícia confirmou a prisão de Assange, de 47 anos. As autoridades afirmaram que foram convidadas pelo próprio embaixador a entrar na embaixada após a remoção do asilo político concedido pelo país sul-americano ao jornalista.


A presidência do Equador confirmou a remoção do asilo, citando violações de convenções internacionais. O presidente Lenín Moreno anunciou o que chamou de "decisão soberana" em um comunicado nesta quinta-feira.
O fundador do Wikileaks, que estava abrigado na embaixada equatoriana desde 2012 para evitar extradição, esteve por trás de um dos maiores vazamentos de documentos secretos da história dos EUA. Ele temia ser enviado pelos britânicos para os EUA, onde enfrenta investigação.

O Departamento de Justiça americano acusou Assange formalmente de conspirar com a ex-analista de inteligência do Exército americano Chelsea Manning para ter acesso a um computador confidencial do governo no Pentágono. A acusação de Washington foi anunciada após a prisão do australiano nesta quinta-feira.

Se condenado, ele pode enfrentar até cinco anos de prisão, e especialistas em direito afirmam que mais acusações são possíveis. Um dos advogados de Assange afirmou que seu cliente vai lutar contra uma extradição para os EUA. 

"Eu requeri ao governo britânico que garantisse que Assange não seria extraditado para um país onde poderia sofrer tortura ou pena de morte", disse Lenín Moreno em comunicado.

O presidente equatoriano reclamou do comportamento do jornalista e o acusou de "interferir em questões de outros Estados" enquanto estava na embaixada e disse que o asilo concedido ao jornalista se tornou "insustentável e inviável". Assange teria violado repetidas vezes as "provisões das convenções de um asilo diplomático", segundo Moreno, citando como exemplo, documentos do Vaticano vazados recentemente pelo Wikileaks.

Durante um ato público na cidade equatoriana de Latacunga, Moreno afirmou que a decisão de retirar o asilo diplomático concedido ao ativista australiano foi dele. "A paciência do Equador tem limite. Tiramos o asilo desse malcriado e vantajosamente nos livramos de uma pedra no sapato", desabafou.

"De agora em diante, teremos muito cuidado em conceder asilo. Só o daremos para gente que realmente valha a pena e não para um hacker miserável, cuja única intenção é desestabilizar governos", afirmou o presidente, acusando ainda Assange de manchar as paredes da embaixada com suas fezes.

A cidadania equatoriana de Assange, concedida em 2017, foi suspensa nesta quarta-feira, afirmou o ministro do Exterior do país sul-americano, José Valencia.

Assange buscou refúgio na embaixada equatoriana após a promotoria sueca abrir uma investigação acusado-o de assédio sexual. Em 2010, o Tribunal Superior de Londres deu luz verde para a extradição de Assange para a Suécia, dando início a uma batalha judicial.

Em junho de 2012, o Equador confirmou que Assange estava na embaixada do Equador em Londres e que pediu asilo político. A polícia londrina advertiu que Assange violou as condições de prisão domiciliar à qual estava submetido e poderia ser detido.

O caso se arrastou até 2017, quando os promotores suecos arquivaram o inquérito contra o jornalista, encerrando a investigação preliminar da acusação de estupro. A procuradoria sueco afirmou que a permanência de Assange na embaixada do Equador impediu a execução do pedido de extradição e não era mais possível realizar a transferência em tempo "razoável".

Em dezembro do mesmo ano o Equador concedeu a cidadania equatoriana a Assange. Mais tarde, com a mudança de governo no Equador, o novo presidente, Lenín Moreno, disse que o caso se Assange era uma "pedra no sapato" para seu país.

Em fevereiro de 2018, a Justiça britânica rejeitou um recurso da defesa de Assange e manteve uma ordem de prisão, ditada após ele violar as condições da sua liberdade condicional ao entrar na embaixada equatoriana em Londres.

O governo do Equador iniciou então uma série de medidas hostis a Assange, como restringir seu acesso à internet na embaixada em Londres, por ele ter violado um acordo no qual se comprometia a não opinar sobre questões de outros países.

Novas regras foram impostas ao "hóspede indesejado", como limpar o próprio banheiro, cuidar de seu gato e pagar pela eletricidade e internet que utilizava. No mesmo mês, um juiz equatoriano rejeitou a queixa de Assange de que as novas regras estariam violando seus direitos.

Em abril de 2019, Lenín Moreno acusou Assange de violar repetidamente os termos de seu asilo. Em resposta, o Wikileaks afirmou que as declarações de Moreno seriam uma retaliação após o portal divulgar alegações de corrupção contra o presidente. No dia 4 de abril, o Wikileaks alertou que Assange seria expulso da embaixada dentro de poucos dias.

Deutsche Welle

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/as-ordens-dos-eua-equador-trai-julian.html

Ao entregar Julian Assange, Lenín Moreno trai a história do Equador

“Lenín Moreno revelou ao mundo sua miséria humana entregando Julian Assange à polícia britânica”, afirmou o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, ao criticar seu sucessor que, na manhã desta quinta-feira (11), cancelou o asilo político concedido pelo Estado equatoriano ao hacker fundador do Wikileaks. Agora Assange pode ser extraditado para a Suécia, ou para os Estados Unidos, onde responde por vazamento de dados sigilosos do governo norte-americano.

Centenas de jornalistas e ativistas estavam reunidos em um auditório em Foz do Iguaçu, cidade brasileira que faz fronteira com a Argentina e o Paraguai, à espera de Julian Assange. Eu estava entre eles, com os nervos à flor da pele. Fazia apenas um ano que o hacker havia divulgado dados sigilosos dos Estados Unidos sobre violações aos direitos humanos nas guerras do Afeganistão e do Iraque. O mundo ainda não tinha processado essa bomba – de informação – que estourou em 2010 e ecoa até agora. Todos queriam ir além e aprender a usar a internet como uma ferramenta na luta contra o monopólio de informação. 

Assange foi preso na manhã desta quinta-feira (11), na embaixada do Equador em Londres

Com a cabeça à prêmio e status de popstar, Assange obviamente não atravessaria um oceano para se encontrar com os ativistas no Sul do mundo, mas poderia participar do evento chamado “1º Encontro Mundial de Blogueiros Progressistas” através de uma vídeoconferência. Por motivos técnicos e de segurança, a tal palestra não aconteceu. Entretanto, o Wikileaks havia enviado seu porta-voz, Kristinn Hrafnsson, que falou sobre os desafios de usar a verdade para furar o cerco das grandes corporações responsáveis por manipular a informação a serviço dos interesses do mercado. 

Apesar das dificuldades técnicas, nesta mesma época Assange comandava um programa de entrevistas com grandes personalidades políticas e intelectuais para debater o futuro da humanidade. Entre os destaques do talk show intitulado “O mundo amanhã”, estiveram o filósofo Slavoj Zizek, e o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah. 

O programa era distribuído numa espécie de operação de guerrilha. Recebíamos os episódios já traduzidos em vários idiomas com antecedência e tínhamos o compromisso de só levá-los ao ar em nossos canais na hora exata estabelecida no e-mail. Assim, sempre ao mesmo tempo, os vídeos apareciam nas redes sociais de todo o globo. 

Intelectuais, políticos e o próprio Assange, olhavam com interesse para a América Latina e o Caribe. Diferente da Europa, que viveu a maior revolução socialista da história no século passado, por aqui, a esquerda ainda não tinha o peso de ter sido governo e os presidentes progressistas conseguiam emplacar políticas públicas de inclusão social e se impor com soberania no xadrez mundial de forma a alterar – minimamente – a ordem geopolítica. Chegamos a ter onze chefes de Estado progressistas ao mesmo tempo na Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba, Chile, Equador, Honduras, Nicarágua, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Isso atraiu olhares do mundo todo, para o bem e para o mal. 

Foi este movimento que levou o hacker a pedir refúgio no Equador quando recebeu ordem de prisão na Inglaterra em 2012. O então presidente, Rafael Correa, avançava a passos largos com sua Revolução Cidadã e num ato de política externa corajosa e altiva concedeu asilo político ao fundador do Wikileaks

Uma das visitas ilustres que Assange recebeu na embaixada foi Noam Chomsky

Do dia pra noite o pequeno país andino com pouco mais de 15 milhões de habitantes ganhou os holofotes da imprensa mundial. Ativistas dos direitos humanos elogiavam a atitude de Correa e depositavam todas as fichas no defensor do “socialismo do século 21”. A embaixada equatoriana em Londres virou palco de manifestações em defesa da liberdade de informação e fortalecimento da democracia. Intelectuais renomados e lideranças sociais se deslocavam de diversos países para visitar Assange. Parecia que o futuro sonhado no talk show do hacker ganhava fôlego, mas a festa durou pouco. 

Neste mesmo ano o Paraguai sofreu com o golpe de Estado que depôs Fernando Lugo e o quadro de instabilidade se intensificou até chegar em seu ápice com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016. Em meio a este cenário conturbado, com os progressistas caindo um a um, o Equador não só se manteve firme, como enfrentou os Estados Unidos para proteger Assange e conseguiu eleger Lenín Moreno, o líder encarregado de continuar a Revolução Cidadã. 

Logo após a eleição de Lenín, em 2017, conversei com o então ministro da Educação do Equador, René Ramírez, que estava confiante com a mudança. Para ele, seu país tinha tomado decisões corajosas nos últimos anos e o próprio asilo de Assange significava muito mais que a proteção ao ativista, era, na verdade, uma demonstração de força e soberania da diplomacia equatoriana que não se ajoelhou ante as ameaças dos Estados Unidos.

Lenín, o traidor

Tão logo recebeu a faixa presidencial, Lenín traiu a Revolução Cidadã. O presidente do mesmo partido de Correa dividiu opiniões internamente, mudou o projeto político e passou a perseguir os “correistas” que restavam no governo. Ao anular o asilo político de Assange e entregá-lo à polícia britânica, dá uma prova mais de sua diplomacia de pés descalços que se curva aos interesses externos em detrimento da soberania conquistada a duras penas na última década. 

Por isso, para Correa, a decisão de entregar Assange não só coloca em risco a vida do ativista – que pode ser deportado para os Estados Unidos e condenado à pena de morte – como representa uma “humilhação para o Equador”. “Lenín Moreno é o maior traidor da história do Equador e da América Latina”, disparou o ex-presidente nesta manhã em sua conta oficial no Twitter. 

Correa insinuou ainda que a entrega de Assange já foi previamente negociada com os Estados Unidos. Lenín nega e se defende com o argumento de que solicitou à Inglaterra “a garantia de que o senhor Assange não seria entregue em extradição a um país onde possa sofrer torturas ou pena de morte”. 

Em um vídeo publicado em sua conta oficinal no Twitter, Lenín afirmou que cancelou o asilo de Assange porque a conduta do ativista nos últimos tempos era “desrespeitosa e agressiva” e acrescentou que o Wikileaks havia publicado declarações “hostis e ameaçadoras” contra seu governo. As poucas vezes em que o hacker supostamente “passou dos limites”, a penalidade que recebeu do Estado equatoriano foi ficar temporariamente sem internet na embaixada, nada que se compare à medida extrema do atual presidente. 

No ano passado, Assange ganhou a nacionalidade equatoriana, o que, segundo Correa, agrava ainda mais a situação porque entregá-lo significa também ferir a Constituição do país. O Wikileaks emitiu um comunicado onde afirma que o Equador “agiu ilegalmente” ao encerrar o asilo e “viola o direito internacional”.

O secretário de Estado para Assuntos Internos do Reino Unido, Sajid Javid, agradeceu ao Equador pela “cooperação” e afirmou que o hacker de 47 anos, agora sob a custodia da polícia britânica, vai “responder à justiça do Reino Unido”. O futuro de Assange é incerto, o fato concreto é que a subserviência de Lenín enterrou o que ainda restava da Revolução Cidadã.

Assista ao clipe “Multi_viral” com a participação de Assange: 


por Mariana Serafini, Jornalista e estudiosa da América Latina | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ao-entregar-julian-assange-lenin-moreno-trai-a-historia-do-equador/

Correa diz que Equador entregou Assange por acordo de US$ 4,2 bilhões com FMI

Julian Assange sendo preso
© Foto : Ruptly

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, acusou o atual presidente equatoriano, Lenín Moreno, de suspender o asilo do ciberativista Julian Assange para conseguir um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Correa afirmou à Sputnik que há evidências do acordo e que Moreno prometeu "entregar" Assange em uma reunião de 2017 com Paul Manafort, ex-chefe de campanha do presidente dos EUA, Donald Trump.

O ex-presidente Correa, que rompeu com Moreno, também comentou sobre as visitas feitas ao Equador pelo vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence.

Nessas ocasiões, Moreno teria prometido "ajudar a isolar a Venezuela, deixar a corporação petroleira Chevron, uma empresa que destruiu metade da floresta amazônica, impune e entregar Assange".

No mês passado, o FMI anunciou a aprovação de um empréstimo para o Equador de US$ 4,2 bilhões. A primeira parcela, de US$ 652 milhões, já foi paga. 


Correa suspeita que o presidente equatoriano tomou a decisão de retirar o asilo de Assange depois que o WikiLeaks publicou documentos sobre o alegado relacionamento de Moreno com uma empresa de fachada, a INA Papers.

O ex-presidente apontou que a empresa INA Papers foi registrada em 2012, quando Moreno ainda era seu vice-presidente, e quando no governo "nós lutamos a nível mundial contra os paraísos fiscais".

Assange continuará por videoconferência os procedimentos para a próxima audiência de extradição, marcada para 2 de maio.

Será uma sessão preliminar de um processo judicial que pode durar meses ou até anos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041213660352-correa-equador-entregou-wikileaks-assange-emprestimo-fmi/

O que aconteceu com o gato de Assange?

Julien Assange mostra seu gato na Embaixada do Equador em Londres
© REUTERS / Courtesy of WikiLeaks

O bichano está bem. O "Gato da Embaixada" foi entregue a familiares do ciberativista Julian Assange no final de 2018, informou o ministro das Relações Exteriores do Equador José Valencia.

Ele morava com o ciberativista Julian Assange na embaixada do Equador em Londres desde 2016 e ganhou até mesmo sua própria conta no Twitter.


O felino foi causa de divergência entre o fundador do WikiLeaks e as autoridades equatorianas. 

Assange foi detido nesta quinta-feira (11) após passar 7 anos na embaixada equatoriana porque Quito suspendeu seu asilo. O presidente do Equador, Lenín Moreno, acusa Assange de violar o acordo de convivência para garantir permanência dele na embaixada.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019041113659668-gato-assange-embaixada-wikileaks/

'Fiquem quietos': prisão de Assange é uma mensagem ao povo, diz congressista dos EUA

Manifestantes protestam contra a prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em Londres
© Sputnik / Demond Cureton

A prisão nesta quinta-feira (11) do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na embaixada equatoriana no Reino Unido, serve para enviar uma mensagem de intimidação a todos os cidadãos e jornalistas norte-americanos, disse a deputada democrata dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, em um comunicado.

"A prisão de Julian Assange tem como objetivo enviar uma a todos os americanos e jornalistas: fiquem quietos, se comportem, andem na linha. Ou vocês vão pagar o preço", disse Gabbard através de sua conta no Twitter.

​​Mais cedo nesta quinta-feira (11), autoridades britânicas, declaradamente em nome dos Estados Unidos, prenderam Assange dentro da embaixada equatoriana em Londres.


Ao mesmo tempo autoridades norte-americanas divulgaram uma acusação de conspiração contra Assange. A pena, caso condenado, pode chegar a cinco anos de prisão.

Assange ficou famoso após o WikiLeaks publicar arquivos vazados, incluindo alguns referindo-se às operações militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque, e às condições da prisão de Guantánamo.

O Wikileaks também revelou que havia espionagem dos Estados Unidos contra o Brasil durante o governo de Dilma Rousseff.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041113659884-eua-julian-assange-wikileaks-embaixada-londres/

EUA pedem extradição de Assange após prisão em Londres

Estados Unidos pediram a extradição de Julian Assange, após ele ser preso na Embaixada do Equador em Londres.

Os Estados Unidos pediram a extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, informou a polícia britânica, após a prisão de Assange na Embaixada do Equador em Londres nesta quinta-feira.

“Julian Assange, 47, foi hoje, quinta-feira, 11 de abril, preso por policiais do Serviço de Polícia Metropolitana na Embaixada do Equador”, informou a polícia.

Esse é um mandado de extradição nos termos da Seção 73 da Lei de Extradição. Ele comparecerá sob custódia à Corte de Magistrados de Westminster o mais rápido possível.”


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


Assange: advogada diz que presidente do Equador prestou desserviço aos direitos humanos

Manifestantes protestam contra a prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em Londres
© Sputnik / Demond Cureton

O ativista australiano Julian Assange, preso nesta quinta-feira na Inglaterra, corre o risco de sofrer injustiças se for entregue às autoridades norte-americanas. É o que acredita a advogada Ângela Tsatlogiannis, especialista em Direito Internacional e Direitos Humanos das Faculdades Rio Branco - SP.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Tsatlogiannis destacou que a situação do fundador do WikiLeaks sempre foi bastante complicada, especialmente nesses últimos sete anos, em que esteve refugiado na Embaixada do Equador no Reino Unido, pois ninguém sabia que destino ele teria. Segundo ela, ao decidir retirar o asilo concedido, o presidente equatoriano, Lenín Moreno, optou por entregar Assange aos policiais britânicos como um criminoso ou perseguido comum, para posterior extradição para os Estados Unidos, onde ele poderá "cumprir uma pena mais severa do que deveria". 


"Lá nos Estados Unidos, a gente sabe que ele vem sendo procurado, ele é perseguido de fato, ele é querido pelo governo americano para que cumpra a pena que eles acreditam que é devida por todo o estrago que ele fez quando divulgou as informações que eram secretas do governo americano anos atrás. Então, ele corre um risco bastante sério de cumprir uma pena um pouco mais severa do que ele deveria por crimes que a gente duvidaria se de fato ele cometeu ou não", disse a professora.

Para a especialista, é "um desserviço para os direitos humanos e para o direito internacional o que o presidente do Equador fez" ao retirar o asilo de Assange. 

"Certamente, ele vai ser injustiçado. O Assange será injustiçado com tudo isso", afirmou. "Nós sabemos que os Estados Unidos, por vezes, não tratam com tanta justiça pessoas que não atuam da forma que melhor convém a eles. Então, a gente não sabe, não pode prever o destino que vai ser dado a ele chegando aos Estados Unidos."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2019041113656665-prisao-assange-direito-internacional/

Advogado da OAB: Equador cedeu a pressões imperialistas para suspender asilo de Assange

Pessoas assistem videoconferência com o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, Quito, Equador, junho de 2016
© AFP 2019 / RODRIGO BUENDIA

Marcelo Chalreo, presidente da Comissão de Direitos Sociais da OAB-RJ e membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos, disse em entrevista à Sputnik Brasil nesta quinta-feira que vê com profunda tristeza e indignação a prisão do ativista Julian Assange mais cedo em Londres. Para ele, condenável nesse caso foi a atitude do governo equatoriano.

Assange foi detido nesta manhã, na capital britânica, após uma decisão do presidente do Equador, Lenín Moreno, de suspender o asilo político concedido ao fundador do WikiLeaks, que se encontrava refugiado na embaixada equatoriana no Reino Unido desde 2012. Sua prisão teria ligação com um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos, país que se sentiu lesado ao ter documentos secretos publicados pelo site do jornalista e hacker australiano.


De acordo com Chalreo, a decisão do Equador de expulsar Assange de sua embaixada fere regras do direito internacional que tratam de casos de asilo. Ele considera "desculpas esfarrapadas" as justificativas de Quito para suspender o asilo.

"A atitude do governo equatoriano é uma atitude absolutamente reprovável. O governo equatoriano deveria ter obrado há muito para conseguir um salvo-conduto para o Julian. E fez exatamente o contrário, entregando o Julian aos facínoras que querem destruí-lo. E querem destruí-lo por força daquilo que o Julian informou mundialmente, a respeito do comportamento dos governos norte-americanos ao longo de vasto período", disse o advogado em entrevista à Sputnik Brasil.

Para o especialista, o governo equatoriano cedeu a "pressões internacionais imperialistas, colonialistas" ao desistir de proteger o ativista.

"É realmente uma atitude deplorável, que não se coaduna com as regras de proteção internacionais aos direitos das pessoas."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2019041113655484-prisao-julian-assange/