Argélia

Argélia | Multidão pede "nova independência" nas ruas de Argel

 
 
A poucas semanas das presidenciais, centenas de pessoas foram às ruas da capital argelina para reclamar uma "nova independência" do país, no 65.º aniversário do começo da luta armada contra o colonialismo francês.
 
Sem números oficiais, a 37ª. sexta-feira consecutiva de manifestações ficou marcada por uma mobilização semelhante à altura mais forte do movimento "Hirak", uma contestação inédita ao Governo de Argel que começou a 22 de fevereiro deste ano.
 
"A Argélia quer independência" e "Venderam o país, traidores" foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes, dirigindo-se ao Presidente Abdelkader Bensalah, que desvalorizou o movimento de contestação como "alguns elementos que saíram à rua".
 
Milhares de argelinos ocuparam desde o início do dia a praça do Grande Poste, no centro de Argel, que se tornou o epicentro dos protestos. Um forte esquema de segurança foi montado pelo governo local para acompanhar o protesto. Agentes verificavam identidades dos manifestantes e inspecionavam bolsas, como a agência de notícias EFE pôde comprovar no local.
 
Para driblar os pontos de fiscalização que impedem o acesso à capital todas as sextas-feiras desde o início das manifestações, argelinos de diferentes partes do país chegaram a Argel nos últimos dias para participar do movimento. Muitos deles se hospedam em hotéis ou ficam nas casas de familiares ou amigos.
 
 
 
Contra o antigo regime
 
A mobilização dirige-se também ao general Ahmed Gaid Salah, o dirigente mais poderoso no país depois da demissão do ex-presidente Abdelaziz Bouteflika, consumada em abril passado depois da pressão das manifestações. Salah já garantiu que a eleição presidencial marcada para o próximo dia 12 de dezembro tem "adesão total" dos argelinos.
 
Na manifestação de hoje, os manifestantes gritaram que Salah não terá votos este ano, com o argumento de que se trata apenas de uma votação para regenerar um regime que exigem que seja desmantelado.
 
A 1 de novembro de 1954, a Frente de Libertação Nacional desencadeou a revolução argelina e a luta armada pela independência com uma série de atentados.
 
Deutsche Welle | tms, com agências

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/argelia-multidao-pede-nova.html

A pobreza atinge em força a Argentina: 1 em cada 3 crianças passa fome

Um relatório recente mostra que um terço das crianças argentinas sofre de insegurança alimentar e tem dificuldade para aceder a água potável. A situação é mais grave na Grande Buenos Aires.

Em Fevereiro deste ano, 200 mil pessoas manifestaram-se em Buenos Aires «contra a fome e o aumento dos preços», exigindo respostas urgentes ao governo de MacriCréditosBernardino Avila / Página 12

De acordo com o estudo «Agua segura y alimentación, derechos pendientes de ser garantizados», realizado pelo Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA) para a Provedoria de Justiça [Defensoría del Pueblo] da província de Buenos Aires, a insegurança alimentar das crianças argentinas – mais na Grande Buenos Aires – sofreu um grande aumento entre 2017 e 2018.

O estudo precisa que os níveis de insegurança alimentar entre as crianças argentinas «sofreram um forte aumento» tanto na região metropolitana de Buenos Aires (onde atingiu os 35,8%) como em todo o país austral (29,3%) no último trimestre de 2018, «registando os valores mais elevados da série 2010-2018», segundo revela o portal perfil.com.

No que respeita à insegurança alimentar severa, o aumento também foi sensível, situando-se nos valores mais altos desde 2010: 17,4% na Grande Buenos Aires (GBA) e 13% em toda a Argentina.

Os dados do estudo relativos à ajuda alimentar directa e gratuita mostram que se registou um aumento da cobertura entre 2017 e 2018, sendo que esta é maior na GBA (40,3%) que no total nacional (34,9%). Os principais beneficiários desta ajuda alimentar, explica o documento, são as crianças que frequentam o primeiro ciclo de ensino, sendo que «o acesso aos alimentos é fortemente restringindo no caso das crinças não escolarizados e dos adolescentes».

Outros elementos destacados pelo relatório são dificuldade de acesso das crianças a água potável (afecta uma em cada três) e uma alimentação deficiente, sem os nutrientes indispensáveis ao seu desenvolvimento físico e cognitivo.

A situação é mais grave na GBA, sendo que crianças com dificuldade de acesso a alimentos vivem sobretudo em casas com situações de pobreza (79%), residem em bairros degradados (63%) e localizados principalmente na Região Ocidental da região urbana (44%), precisa o estudo, a que a Prensa Latina também teve acesso.

Aumento da pobreza na Argentina

Em meados de Julho, o Observatório da Dívida Social da UCA apresentou um relatório preliminar, de acordo com o qual se regista um aumento da pobreza no país austral, estimando que 35% da população se encontre «em condições de vulnerabilidade».

A recessão económica e o peso (moeda argentina) altamente desvalorizado, o acordo celebrado entre o governo de Macri e o Fundo Monetário Internacional – com os habituais «pedidos» de redução na despesa pública e de aprofundamento das políticas de austeridade –, os aumentos de preços nos serviços básicos, as subidas constantes dos preços da alimentação, os despedimentos, os encerramentos de inúmeras empresas, o elevado desemprego estão entre os factores que contribuíram para que a Argentina atinja, este ano, o número recorde de pessoas em situação de pobreza.

No final de Outubro, há eleições gerais na Argentina. Nas preliminares, realizadas este mês, os peronistas (na oposição) ganharam com grande avanço (cerca de 15%) sobre a coligação liderada por Mauricio Macri.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/pobreza-atinge-em-forca-argentina-1-em-cada-3-criancas-passa-fome

Argélia: FLN e RND dão a presidência da Assembleia aos Irmãos Muçulmanos

 

Enquanto a população contesta a legitimidade da totalidade das personalidades que exerceram altos cargos sob a presidência de Abdelaziz Bouteflika, o Presidente da Assembleia Popular Nacional, Mouad Bouchareb, cedeu e demitiu em 2 de Julho.

Para lhe suceder, os partidos maioritários (a Frente de Libertação Nacional e a União Nacional Democrática) uniram-se à candidatura do Irmão Slimane Chenine (foto). Ele foi apresentado por uma coligação (coalizão-br) de partidos islâmicos (Ennhada, Adala e El Bina) ultra-minoritária.

Os seis outros candidatos (entre os quais os da FLN e RND) retiraram-se.

Contrariamente ao princípio democrático, a votação decorreu de mão no ar

Slimane Chenine é um ilustre desconhecido. Ele começou a sua carreira política com Abbasi Madani (fundador da Frente Islâmica de Salvação) no seio da Liga de Pregação Islâmica, de Mahfoud Nahnah.

Por sua parte, o Presidente interino da República da Argélia, Abdelkader Bensalah, cujo mandato termina a 9 de Julho e que está entre as personalidades contestadas, permanece no cargo dada a ausência de eleição.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Argélia: Levantamento popular contra o regime

por Alger Rpublicain[*]

Operários, pequenos camponeses, juventude popular, intelectuais progressistas, fazei ouvir vossas aspirações políticas e sociais!

Uma "fagulha incendiou toda a pradaria" porque a atmosfera estava carregada de uma cólera candente alimentada pela captura dos oligarcas do Estado e das riquezas do país, por um imenso descontentamento que crescia há meses. Sem remontar às inúmeras manifestações locais desde 2001, houve primeiro a manifestação de Kherrata que foi o detonador do movimento contra o 5º mandato de Bouteflika, o mandato excessivo para um homem que não era ouvido desde há mais de 5 anos e raramente foi entrevistado na TV. O apelo às marchas de 22 de Fevereiro, sobre a origem das quais se podem colocar questões, tomou um terreno fértil.

A guerrinha que desde pelo menos 2003 opunha duas fracções do poder envenenou-se ao cabo dos anos até o ponto de enfraquecer gravemente a coesão interna do regime, concluindo-se em Setembro de 2015 pelo afastamento do general Médiène, o "Rab Dzaïr" (Deus da Argélia>), chefe do DRS, a polícia política que tem o direito de ver tudo. As liberalizações empreendidas de modo declarado desde 1990, o desbaratar das riquezas da nação, o açambarcamento das receitas petrolíferas por uma minoria de indivíduos que deitaram a mão sobre o comércio exterior, gerou uma classe de oligarcas, de burgueses mafiosos.

Estas rapinas atiçaram o ódio do povo pelos novos ricos, corrompidos, corruptores, prevaricadores, predadores, anti-nacionais que praticam a super-facturação de produtos importados, destruidores da produção nacional. Evidentemente, esta classe não havia aguardado o retorno de Bouteflika para prosperar. Bouteflika não fez senão agregar dezenas de oligarcas às dezenas que ele havia encontrado em 1999 e multiplicar as suas fortunas graças a um barril de petróleo a mais de 100 dólares.

Os trabalhadores, os jovens filhos do povo que esta minoria desprezou do alto dos seus castelos, das suas residências luxuosas de Neuilly-sur-Seine, ou alhures, do alto das suas fortunas insultuosas, revoltaram-se. Eles estão decididos a dar uma varridela geral em toda esta fauna putrefacta. A indignação atingiu o cúmulo diante do fosso que separa a maioria esmagadora da população desta burguesia oligárquica. O espírito de resignação, o sentimento de estar só a remoer sua cólera cederam de repente diante da descoberta de que as massas populares unidas e decididas a tomar o futuro nas suas mãos contêm uma força formidável.

Mas a força da indignação e da mobilização dos trabalhadores e das camadas sociais mais desfavorecidas não deve deixar que as suas mãos sejam atadas pelos apelos a que se limitem a não se afastar do "sistema". Este termo cada um o entende à sua maneira. Ao escutar os porta-vozes políticos e ideológicos mais influentes dos interesses das fracções burguesas ou pequeno-burguesas descontentes com a política económica do regime dos oligarcas, esta palavra designa algumas dezenas de pessoas ligadas directamente aos grupos que dão as cartas desde há muito. É sobre estes grupos e unicamente sobre eles que é preciso concentrar o tiro, nos ordenam eles.

Os trabalhadores que não suportam mais as privações e as desigualdades, as mulheres que reivindicam a igualdade são portanto solicitadas por braços musculosos, visivelmente encarregados de controlar os slogans, a "não dividir" o movimento unânime contra Bouteflika com reivindicações sociais "sectoriais inoportunas". Sobretudo nada de greves nos sectores produtivos, dizem-nos os Bouchachi! Compreende-se: isso afecta a caixa dos burgueses "liberais" cujas figuras conhecidas se pavoneiam em meio dos pobres infelizes (zawalia). Aguardem a partida deste regime, a realização de eleições democráticas, a instauraçlão de uma 2ª República – com conteúdo voluntariamente mantido no vago – a instalação de um poder "legítimo". Depois se discutirá quanto à "república democrática e social". Depois, quando tiver votado pelos Benfitour juniors, ser-lhe-á explicado que será preciso trabalhar por "nossa querida pátria" 12 horas por dia com 8 horas pagas! Paralelamente, estes políticos entregam-se a negociações clandestinas para reconciliar os diferentes clãs burgueses mafiosos a fim de controlar o movimento popular e evitar que ele se transforme em movimento de destruição das bases económicas da burguesia.

O seu maior medo é com efeito que uma tal reorientação das lutas desemboque, para além do derrube do regime actual que já ninguém quer, na reivindicação de um regime que recoloque na ordem do dia a perspectiva de uma sociedade socialista. Uma perspectiva espantosa para os exploradores, os arrivistas e os novos candidatos ao enriquecimento.

Ao rejeitar estes "conselhos", a classe operária, os trabalhadores, o campesinato trabalhador, as camadas sociais que vivem do seu trabalho, os intelectuais patriotas e progressistas devem fazer ouvir fortemente suas aspirações de classe. O movimento do 22 de Fevereiro será desviado das expectativas populares profundas se não se travar o caminho aos políticos das classes especuladoras e exploradoras. Estes "novos guias" procuram enganá-los para preservar seus interesses de classe egoístas substituindo homens odiados por figuras novas.

Este é o momento para os explorados, para a juventude popular, colocar com força suas reivindicações. Estes são os que mais sofrem com este regime mafioso-burguês. Estes são os que têm mais interesse em desembaraçarem-se deles extirpando suas raízes.

Este é o momento de se organizar nos sindicatos de classe unitários e coordenados, de sacudir as cadeias da escravidão capitalista, de se bater por um governo revolucionário verdadeiramente democrático e popular, de participar na criação de um partido revolucionário de classe capaz de dirigir o movimento popular, promovendo o socialismo na solidariedade internacionalista com os proletários do conjunto do planeta.

É nestas condições que as vitórias democráticas das massas populares, que ainda não foram arrancadas, não serão confiscadas pela burguesia dita "liberal". Esta teme sobretudo que a democracia vá até ao fim, até ao controle dos meios de produção e de distribuição pelos trabalhadores. É também nestas condições que as intrigas e as manobras imperialistas febris, em que um dos seus principais fins é apoderar-se das riquezas petrolíferas do país, serão derrotadas. Seria perigoso negar ou subestimar a realidade deste perigo.

03/04/2019

[*] O Alger Rpublicain um antigo e combativo jornal argelino que, no tempo colonial, foi dirigido por Henri Alleg . Para saber mais da histria deste jornal ler La Grande Aventure D'Alger Republicain .

O original encontra-se em www.alger-republicain.com/Soulevement-populaire-contre-le.html

Este editorial encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/africa/argelia_03abr19.html

Presidente interino da Argélia promete organizar eleições transparentes e justas

FILE PHOTO: Algeria's President Abdelaziz Bouteflika looks on during a meeting with army Chief of Staff Lieutenant General Gaid Salah in Algiers, Algeria, in this handout still image taken from a TV footage released on March 11, 2019.
© REUTERS / Algerian TV /Handout

O presidente interino da Argélia, Abdelkader Bensalah, que assumiu a liderança do Estado pelo período de 90 dias, prometeu organizar eleições transparentes e justas.

"Estou comprometido em criar todas as condições necessárias para eleições justas e transparentes", disse Bensalah durante seu discurso transmitido pela televisão estatal.

Além disso, ele expressou a esperança de que "em breve será eleito novo presidente".


Bensalah anunciou seus planos para criar uma comissão eleitoral em cooperação com as forças políticas e a população do país.

O presidente interino convocou seus compatriotas a superar os conflitos.

Em 3 de abril, o Conselho Constitucional da Argélia aprovou a renúncia de Abdelaziz Buteflika, o líder octogenário que ocupava o cargo de presidente desde 1999.

A presidência do país magrebino foi declarada vaga nos termos do artigo 102 da atual Constituição, que permite incapacitar o presidente por motivos de saúde.

Buteflika anunciou em fevereiro passado a intenção de concorrer ao quinto mandato de cinco anos nas eleições presidenciais de 18 de abril, fato que desencadeou protestos em massa no país.

Em 11 de março, o líder retirou seu pedido e adiou as eleições presidenciais, no entanto, os protestos não cessaram.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019041013645016-presidente-argelia-eleicoes-transparentes-politica/

As mentiras do Poder argelino

Thierry Meyssan*
Os critérios que se utilizam habitualmente na política para explica os jogos de poder não se aplicam à Argélia. Os seus dirigentes actuais são antes de mais impostores que fabricaram de si próprios, um a seguir a outro, falsas biografias para obter a consideração dos seus concidadãos. Passando de umas para outras, conseguiram chegar ao topo do Estado. E, aí se mantêm por vontade das grandes potências que fazem de conta que acreditam nas suas fábulas para melhor os manipular.
Os média (mídia-br) internacionais descobrem com estupefacção a realidade sobre o Poder argelino que se esforçaram por dissimular até aqui. Este não é detido por um clã, mas por vários entre os quais a figura do Presidente Bouteflika é o ponto de equilíbrio.
No Poder argelino, quem defende o quê?
Estes clãs travam uma batalha feroz entre si, o que os impediu não apenas de designar um sucessor para o Presidente cessante mas também um Primeiro-ministro. Finalmente, designaram três : Noureddine Bedoui, assistido por Ramtane Lamamra, ambos flanqueados por um terceiro, Lakhdar Brahimi.

Tratemos de compreender bem a repartição de papéis:

- Abdelaziz Bouteflika é um pequeno escroque que foi o secretário de Houari Boumediene e soube, no decorrer do tempo, inventar para si um passado [1]. Desde há vinte anos, ele usurpa a função presidencial graças a uma série de violações da Constituição e a eleições visivelmente manipuladas. Hospitalizado na Suíça, por duas semanas, para «avaliações médicas periódicas», diagnosticaram-lhe «problemas neurológicos e respiratórios». Constatando que era incapaz de dar o seu consentimento para os tratamentos, os médicos perguntaram quem era o seu tutor legal para os autorizar. Como resposta, repatriaram o moribundo incapaz sem o mostrar. Depois, difundiram na An Nahar TV breves imagens suas, datadas de 18 de Outubro de 2017, que foram apresentadas como filmadas a 11 de Março de 2019 [2]. Finalmente, difundiram uma nova carta, que lhe foi atribuída, para anunciar o prolongamento sine die do seu mandato.

- Noureddine Bedoui foi designado, pela pessoa que detém a pena presidencial, como Primeiro-ministro. Até aqui, ele era Ministro do Interior e considerado próximo de um dos irmãos do presidente cessante, Nacer Bouteflika. Foi ele quem imaginou a possibilidade de atribuir um quinto mandato ao presidente inválido e supostamente recolhera seis milhões de assinaturas para o apoiar. O seu papel é o de fazer durar a ilusão presidencial.

- Ramtane Lamamra foi nomeado Vice-primeiro-ministro. Era, até aqui, conselheiro do Presidente inválido, quer dizer, na realidade um dos detentores do Poder em seu lugar. Passa por representar os interesses da antiga potência colonial, a França.

- Lakhdar Brahimi foi nomeado Presidente da Conferência Nacional encarregada de por em marcha a transição democrática, sempre anunciada e jamais iniciada. Este aposentado (85 anos) foi chamado por causa da sua folha de serviços: ele desempenhou um papel central na criação do actual sistema e representa os interesses da nova potência colonial: os Estados Unidos.

Este personagem de primeiro plano não é nada daquilo que afirma ser. Vindo de uma família de colaboradores com o Ocupante francês, conseguiu fazer crer que havia, pelo contrário, participado na libertação nacional. 

• Em 1965, ele foi a última pessoa a receber Mehdi Ben Barka. Informou os Serviços Secretos marroquinos das suas intenções e facilitou, assim, o sequestro e assassinato do Secretário da Tricontinental. 

• Em 1982, no quadro dos esforços argelino-marroco-sauditas, ele conclui os Acordos de Taif que põem fim à guerra civil libanesa em troca da instauração de um regime confessional, totalmente ingovernável, colocando de facto o país sob controle eterno das grandes potências regionais e internacionais. 

• No fim de 1991, ele foi um dos 10 membros do Conselho Superior de Segurança argelino que destituiu o Presidente Chadli Bendjedid, anulou as eleições municipais e abriu a via a Abdelaziz Bouteflika para o Poder. [3]. 

• Em 2000, ele forçou a criação de um Serviço de Informações no seio da Administração das Nações Unidas [4]. 

• Em 2001, apedido de Washington, ele concluiu os Acordos de Bona pondo fim à intervenção americano-britânica no Afeganistão e colocando Hamid Karzai e os narco-traficantes no Poder [5]. 

• Em 2012, após a demissão de Kofi Annan do seu posto de mediador na Síria, ele foi nomeado, conjuntamente pela ONU e pela Liga Árabe, não como mediador mas como «representante especial». Longe de pôr em marcha o Plano de paz Lavrov-Annan, que havia sido aprovado pelo Conselho de Segurança, trabalha para aplicar o plano secreto do seu patrão, o número 2 das Nações Unidas, Jeffrey Feltman, para uma total e incondicional rendição da República Árabe Síria [6].

O papel dos islamistas

Há várias narrativas da Década Negra (1991-2002) durante a qual 60.000 a 150.000 pessoas morreram. A única coisa certa, se analisarmos o longo período, é que as obras sociais wahhabitas substituíram o Estado nas zonas rurais, que o terrorismo islamista foi uma tentativa britânica para excluir a influência francesa, e que o Exército salvou o país ao mesmo tempo que alguns militares se passaram para o lado dos «degoladores».

Quando tudo terminou, em 2004, o Presidente Bouteflika aliou-se pessoalmente aos «cortadores de gargantas» (islamistas [7]) contra os «erradicadores» (militares). Ele apresentou-se como um velho soldado capaz de fazer a paz com os seus inimigos. Na realidade, aliava-se aos islamistas para reduzir o poder do Exército e dos Serviços de Segurança que o haviam colocado no Poder.

- Em 2013, Abdelaziz Bouteflika reestruturou o Departamento da Inteligência e da Segurança, retirando-lhe uma grande parte das suas atribuições e meios e colocando o General Mohamed Mediéne na aposentação. 

- Em 2014, autorizou o braço armado da FIS, o AIS ---responsável por dezenas de milhares de mortes--- a organizar um campo de treino à vista de todos. 

- Em 2016, fez com que o chefe do AIS, Madani Mezrag, fosse recebido por Ahmed Ouyahia (que ele nomeou pouco depois Primeiro-ministro) e anunciou que agora ele gozava de amnistia (anistia-br) e de imunidade. 

- Em Março de 2019, o seu clã fez saltar Madani Mezrag para a frente do palco a fim de fazer pesar a ameaça de uma nova guerra civil sobre a população que se manifestava.

Neste contexto, a nomeação de Lakhdar Brahimi faz todo o sentido. Quando estava encarregue do dossier sírio na ONU e na Liga Árabe, ele bateu-se por uma «solução política» que incluía a prisão do Presidente Bashar al-Assad e a sua substituição por um professor da Sorbonne, Burhan. Ghalioun. Ora, este, colaborador da National Endowment for Democracy (NED/CIA), muito embora oficialmente partidário de uma Síria não-confessional, tinha sido o guionista dos discursos de Abbassi Madani, o chefe do FIS, durante o seu exílio no Catar.

A Argélia Independente construiu-se, primeiro, no secretismo inerente à luta de libertação nacional. Depois esse secretismo foi mantido e usado por alguns para construir uma lenda e atribuírem-se um papel glorioso. Esta mistificação, repetida durante décadas, privou o povo da compreensão dos acontecimentos. Ela permitiu-lhes tornarem-se indispensáveis jogando para isso, ao mesmo tempo, com a ameaça (os «degoladores») e com a protecção (os «erradicadores»). Prisioneiros da sua própria mistificação, são hoje forçados a submeterem-se à chantagem da França e dos Estados Unidos.

Thierry Meyssan | Voltaire.net.org | Tradução Alva
Na imagem: Desde há uma vintena de anos, a maioria das biografias dos dirigentes argelinos é falsificada. Todos reclamam ter-se batido pela libertação nacional face à Ocupação francesa, mas raros são os que efectivamente o fizeram. Os verdadeiros heróis foram afastados há muito tempo.

* Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Notas:
[1] Bouteflika, une imposture algérienne, Mohamed Benchicou, Le Matin, 2003.
[2] « Le report des élections algériennes et la bombe Brahimi », par Khalida Bouredji, Réseau Voltaire, 15 mars 2019.
[3] Islam and democracy : the failure of dialogue in Algeria, Frédéric Volpi, Pluto Press, 2003 (p. 55 et suivantes).
[5] « L’opium, la CIA et l’administration Karzai », par Peter Dale Scott, Traduction Anthony Spaggiari, Réseau Voltaire, 10 décembre 2010. « Le partenaire afghan de Monti », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 9 novembre 2012.
[6] “A Alemanha e a ONU contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria) , Rede Voltaire, 28 de Janeiro de 2016.
[7] Nós distinguimos a religião muçulmana da sua manipulação política, o islamismo, tal com é formulado pela Confraria dos Irmãos Muçulmanos. NdaR.

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/03/as-mentiras-do-poder-argelino.html

As mentiras do Poder argelino

Os critérios que se utilizam habitualmente na política para explica os jogos de poder não se aplicam à Argélia. Os seus dirigentes actuais são antes de mais impostores que fabricaram de si próprios, um a seguir a outro, falsas biografias para obter a consideração dos seus concidadãos. Passando de umas para outras, conseguiram chegar ao topo do Estado. E, aí se mantêm por vontade das grandes potências que fazem de conta que acreditam nas suas fábulas para melhor os manipular.

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Desde há uma vintena de anos, a maioria das biografias dos dirigentes argelinos é falsificada. Todos reclamam ter-se batido pela libertação nacional face à Ocupação francesa, mas raros são os que efectivamente o fizeram. Os verdadeiros heróis foram afastados há muito tempo.

Os média (mídia-br) internacionais descobrem com estupefacção a realidade sobre o Poder argelino que se esforçaram por dissimular até aqui. Este não é detido por um clã, mas por vários entre os quais a figura do Presidente Bouteflika é o ponto de equilíbrio.

No Poder argelino, quem defende o quê ?

Estes clãs travam uma batalha feroz entre si, o que os impediu não apenas de designar um sucessor para o Presidente cessante mas também um Primeiro-ministro. Finalmente, designaram três : Noureddine Bedoui, assistido por Ramtane Lamamra, ambos flanqueados por um terceiro, Lakhdar Brahimi.

Tratemos de compreender bem a repartição de papéis:

- Abdelaziz Bouteflika é um pequeno escroque que foi o secretário de Houari Boumediene e soube, no decorrer do tempo, inventar para si um passado [1]. Desde há vinte anos, ele usurpa a função presidencial graças a uma série de violações da Constituição e a eleições visivelmente manipuladas. Hospitalizado na Suíça, por duas semanas, para «avaliações médicas periódicas», diagnosticaram-lhe «problemas neurológicos e respiratórios». Constatando que era incapaz de dar o seu consentimento para os tratamentos, os médicos perguntaram quem era o seu tutor legal para os autorizar. Como resposta, repatriaram o moribundo incapaz sem o mostrar. Depois, difundiram na An Nahar TV breves imagens suas, datadas de 18 de Outubro de 2017, que foram apresentadas como filmadas a 11 de Março de 2019 [2]. Finalmente, difundiram uma nova carta, que lhe foi atribuída, para anunciar o prolongamento sine die do seu mandato.

- Noureddine Bedoui foi designado, pela pessoa que detém a pena presidencial, como Primeiro-ministro. Até aqui, ele era Ministro do Interior e considerado próximo de um dos irmãos do presidente cessante, Nacer Bouteflika. Foi ele quem imaginou a possibilidade de atribuir um quinto mandato ao presidente inválido e supostamente recolhera seis milhões de assinaturas para o apoiar. O seu papel é o de fazer durar a ilusão presidencial.

- Ramtane Lamamra foi nomeado Vice-primeiro-ministro. Era, até aqui, conselheiro do Presidente inválido, quer dizer, na realidade um dos detentores do Poder em seu lugar. Passa por representar os interesses da antiga potência colonial, a França.

- Lakhdar Brahimi foi nomeado Presidente da Conferência Nacional encarregada de por em marcha a transição democrática, sempre anunciada e jamais iniciada. Este aposentado (85 anos) foi chamado por causa da sua folha de serviços: ele desempenhou um papel central na criação do actual sistema e representa os interesses da nova potência colonial: os Estados Unidos.

Este personagem de primeiro plano não é nada daquilo que afirma ser. Vindo de uma família de colaboradores com o Ocupante francês, conseguiu fazer crer que havia, pelo contrário, participado na libertação nacional.
• Em 1965, ele foi a última pessoa a receber Mehdi Ben Barka. Informou os Serviços Secretos marroquinos das suas intenções e facilitou, assim, o sequestro e assassinato do Secretário da Tricontinental.
• Em 1982, no quadro dos esforços argelino-marroco-sauditas, ele conclui os Acordos de Taif que põem fim à guerra civil libanesa em troca da instauração de um regime confessional, totalmente ingovernável, colocando de facto o país sob controle eterno das grandes potências regionais e internacionais.
• No fim de 1991, ele foi um dos 10 membros do Conselho Superior de Segurança argelino que destituiu o Presidente Chadli Bendjedid, anulou as eleições municipais e abriu a via a Abdelaziz Bouteflika para o Poder. [3].
• Em 2000, ele forçou a criação de um Serviço de Informações no seio da Administração das Nações Unidas [4].
• Em 2001, a pedido de Washington, ele concluiu os Acordos de Bona pondo fim à intervenção americano-britânica no Afeganistão e colocando Hamid Karzai e os narco-traficantes no Poder [5].
• Em 2012, após a demissão de Kofi Annan do seu posto de mediador na Síria, ele foi nomeado, conjuntamente pela ONU e pela Liga Árabe, não como mediador mas como «representante especial». Longe de pôr em marcha o Plano de paz Lavrov-Annan, que havia sido aprovado pelo Conselho de Segurança, trabalha para aplicar o plano secreto do seu patrão, o número 2 das Nações Unidas, Jeffrey Feltman, para uma total e incondicional rendição da República Árabe Síria [6].

O papel dos islamistas

Há várias narrativas da Década Negra (1991-2002) durante a qual 60.000 a 150.000 pessoas morreram. A única coisa certa, se analisarmos o longo período, é que as obras sociais wahhabitas substituíram o Estado nas zonas rurais, que o terrorismo islamista foi uma tentativa britânica para excluir a influência francesa, e que o Exército salvou o país ao mesmo tempo que alguns militares se passaram para o lado dos «degoladores».

Quando tudo terminou, em 2004, o Presidente Bouteflika aliou-se pessoalmente aos «cortadores de gargantas» (islamistas [7]) contra os «erradicadores» (militares). Ele apresentou-se como um velho soldado capaz de fazer a paz com os seus inimigos. Na realidade, aliava-se aos islamistas para reduzir o poder do Exército e dos Serviços de Segurança que o haviam colocado no Poder.

- Em 2013, Abdelaziz Bouteflika reestruturou o Departamento da Inteligência e da Segurança, retirando-lhe uma grande parte das suas atribuições e meios e colocando o General Mohamed Mediéne na aposentação.
- Em 2014, autorizou o braço armado da FIS, o AIS ---responsável por dezenas de milhares de mortes--- a organizar um campo de treino à vista de todos.
- Em 2016, fez com que o chefe do AIS, Madani Mezrag, fosse recebido por Ahmed Ouyahia (que ele nomeou pouco depois Primeiro-ministro) e anunciou que agora ele gozava de amnistia (anistia-br) e de imunidade.
- Em Março de 2019, o seu clã fez saltar Madani Mezrag para a frente do palco a fim de fazer pesar a ameaça de uma nova guerra civil sobre a população que se manifestava.

Neste contexto, a nomeação de Lakhdar Brahimi faz todo o sentido. Quando estava encarregue do dossier sírio na ONU e na Liga Árabe, ele bateu-se por uma «solução política» que incluía a prisão do Presidente Bashar al-Assad e a sua substituição por um professor da Sorbonne, Burhan. Ghalioun. Ora, este, colaborador da National Endowment for Democracy (NED/CIA), muito embora oficialmente partidário de uma Síria não-confessional, tinha sido o guionista dos discursos de Abbassi Madani, o chefe do FIS, durante o seu exílio no Catar.

A Argélia Independente construiu-se, primeiro, no secretismo inerente à luta de libertação nacional. Depois esse secretismo foi mantido e usado por alguns para construir uma lenda e atribuírem-se um papel glorioso. Esta mistificação, repetida durante décadas, privou o povo da compreensão dos acontecimentos. Ela permitiu-lhes tornarem-se indispensáveis jogando para isso, ao mesmo tempo, com a ameaça (os «degoladores») e com a protecção (os «erradicadores»). Prisioneiros da sua própria mistificação, são hoje forçados a submeterem-se à chantagem da França e dos Estados Unidos.


[1] Bouteflika, une imposture algérienne, Mohamed Benchicou, Le Matin, 2003.

[2] « Le report des élections algériennes et la bombe Brahimi », par Khalida Bouredji, Réseau Voltaire, 15 mars 2019.

[3] Islam and democracy : the failure of dialogue in Algeria, Frédéric Volpi, Pluto Press, 2003 (p. 55 et suivantes).

[4] « Rapport du Groupe d’étude sur les opérations de paix de l’Organisation des Nations Unies », Nations Unies A/55/305, ou S/2000/809.

[5] « L’opium, la CIA et l’administration Karzai », par Peter Dale Scott, Traduction Anthony Spaggiari, Réseau Voltaire, 10 décembre 2010. « Le partenaire afghan de Monti », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 9 novembre 2012.

[6] “A Alemanha e a ONU contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria) , Rede Voltaire, 28 de Janeiro de 2016.

[7] Nós distinguimos a religião muçulmana da sua manipulação política, o islamismo, tal com é formulado pela Confraria dos Irmãos Muçulmanos. NdaR.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Argélia em risco de mergulhar no caos

Nas últimas semanas, quase toda ou mesmo toda a hierarquia dos serviços de informação, segurança e polícia foi substituída pelo presidente Bouteflika, da Argélia.

E dizer que tudo começou com uma inesperada, surpreendente e, pelo visto, providencial apreensão de 701 quilos de cocaína, no fim de Maio passado, no porto de Oran. Uma aprensão de droga de que resulta uma inesperada alteração dos equilíbrios político-securitários, a favor de um moribundo Bouteflika e em detrimento dos generais…

Dos 7 generais que, no início do actual mandato do Boutflika, integravam o top-10 do poder (e que haviam derrotado os islamistas na guerra civil argelina) não resta já nenhum, depois do presidente ter cortado ao seu “grande amigo” Gaid Salah (o CEMGFA berbére que durante anos lhe tem garantido a cadeira presidencial…) os seus serviços de informação e segurança…

E de também ter mandado dizer, há escassos dias, que prepara “reajustamentos” na alta hierarquia militar, no quadro dos preparativos da sua candidatura a novo mandato presidencial (já é o quinto…), nas eleições de Abril próximo.

É um autêntico golpe de Estado conduzido a partir do palácio da Presidência que poderia nem ter consequências de maior se não estivesse a Argélia confrontada com um cenário de caos em todas as suas fronteiras (excepto na marroquina, a oeste, mas nessa há uma fortíssima tensão político-militar…) e se não fossem os homens agora afastados os responsáveis pela segurança do país e, sobretudo, do regime.

A Argélia pode estar assim à beira de também ela mergulhar no caos que a envolve… Um cenário que, há anos, dá pesadelos aos responsáveis das grandes agências ocidentais de inteligência.

Exclusivo Tornado / IntelNomics

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Ver artigo original em "O TORNADO"

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