Arábia Saudita

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, clientes irresistíveis: Impotência ou cinismo face à venda de armas pela Europa. Por Romain Mielcarek

Guerra Iemen Congo mapa africa_ médio oriente

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Romain Mielcarek Por Romain Mielcarek

Publicado por   em setembro de 2019, páginas 22 e 23 (ver aqui)

 

Após quatro anos de guerra levada a cabo por Riade no Iémen e pelo menos dez mil mortos, o debate sobre a venda de armas continua a ser difícil. Entre as belas declarações e a razão de ser do Estado, a maioria dos países europeus, e em especial os principais exportadores de armas, optaram por continuar as entregas à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos.

Guerras esquecidas massacres ignorados Texto 4. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos clientes irresistíveis 1

 

No final de maio de 2019, os estivadores da Confederação Geral do Trabalho (CGT) no porto de Marselha inspecionaram as cargas destinadas ao Bahri Tabuk, um cargueiro saudita suspeito de tentar carregar munições de artilharia. Alguns dias antes, outro navio, o Bahri Yanbu, tinha conseguido recuperar a sua carga na Bélgica, mas teve de desistir do carregamento no porto francês do Havre. Em 20 e 21 de maio, sindicalistas italianos anunciaram uma greve até o navio sair do porto de Génova, obtendo o direito de inspecionar a carga. Em cada caso, os trabalhadores portuários eram acompanhados por um punhado de ativistas de organizações não governamentais (ONG) e por alguns eleitos que denunciavam o papel da Arábia Saudita e dos seus aliados na guerra do Iémen. O início de uma tomada de consciência após longos anos de inércia?

A atual sequência da guerra no Iémen começou em 2014, quando grupos de rebeldes hutis avançaram até à capital, Sana’a. Este movimento de confissão xiita, apoiado pelo Irão, tem vindo a confrontar mais ou menos violentamente as forças lealistas desde 2004. Em 15 de fevereiro de 2015, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) adotou a Resolução 2201, condenando o movimento huti e apelando ao fim das hostilidades. A Comissão reiterou esta condenação em várias ocasiões, inclusive após 26 de Março de 2015, quando a Arábia Saudita, à frente de uma coligação que incluía os Emirados Árabes Unidos (EAU), o Egipto, o Sudão e Marrocos, lançou as primeiras operações militares (1).

Ao mesmo tempo, as Nações Unidas estão preocupadas com os 24,1 milhões de iemenitas (de um total de 30,5 milhões) que necessitam de assistência, 14,3 milhões dos quais se encontram numa situação de extrema necessidade. No final de 2018, os combates tinham deslocado 4,8 milhões de pessoas, ferido 60.000 e morto quase 10.000 (2). Algumas ONG, incluindo o Armed Conflict Location & Event Data Project (Acled), que criou uma importante base de dados, estimam que mais de 90 000 pessoas foram mortas, incluindo 11 700 civis (3). A “pior crise humanitária do planeta“, alertou a ONU em fevereiro de 2018.

Muitas ONG consideram que a Arábia Saudita e os seus aliados pouco se preocupam com a população civil. E para citar os casos mais dramáticos, entre dezenas de outros: o bombardeamento de uma cerimónia fúnebre em outubro de 2016 (cento e quarenta mortos), o de um casamento em abril de 2018 (cerca de trinta mortos, incluindo treze crianças) ou de um autocarro em 9 de agosto de 2018 (cinquenta e um mortos, entre os quais quarenta crianças). “Erros tristes“, alega Riyadh. Mas o estabelecimento de um bloqueio marítimo que, a pretexto de impedir a circulação de armas, impede também a circulação de alimentos e a fome da população deixa poucas dúvidas sobre as práticas do reino.

Desde o início do conflito, as organizações europeias que trabalham no controlo dos armamentos, como a Amnistia Internacional, Action, Security, Ethics Republicans (ASER), Action by Christians for the Abolition of Torture (ACAT), Campaign Against Arms Trade (CAAT), Human Rights Watch, etc., têm insistido no facto de que as armas utilizadas são provenientes dos Estados Unidos e de países europeus. A Arábia Saudita e os EAU são dois clientes que lideram regularmente a lista de vendas da França, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália, Bulgária e Suécia. Algumas ONG (4) intentaram, em ordem dispersa, ações judiciais perante o Tribunal Penal Internacional, bem como perante os tribunais nacionais. De cada vez, o objetivo é demonstrar a cumplicidade do país exportador, mas a interpretação da lei continua a ser difícil.

 

Ações judiciais

Em França, por exemplo, o procedimento lançado pela ASER foi rejeitado em 9 de julho pelo Tribunal Administrativo de Paris. No Reino Unido, o Tribunal de Recurso de Londres decidiu a favor da CAAT (Campaign Against Arms Trade), em 20 de junho, considerando que a concessão de licenças pelo Governo à Arábia Saudita constituía um “erro de direito” (interpretação incorreta da lei). Um parecer não vinculativo que Liam Fox, então Secretário de Estado do Comércio Internacional, prometeu anular através de um novo procedimento. Uma vitória, no entanto.

O Tratado sobre o Comércio de Armas (TCA), em vigor desde 24 de dezembro de 2014 (5), e a posição comum europeia adotada em 2008 comprometem todos estes países a absterem-se de exportar armas se existir um “risco preponderante” de que contribuam para “violações do direito humanitário internacional“. No entanto, as ONG e os governos não utilizam a mesma definição de “risco preponderante“. Os primeiros veem cada morte de civis como elemento de prova, enquanto os segundos falam de “danos colaterais” – que criticam, mas não condenam a intervenção. Existem crimes de guerra? Haverá cumplicidade por parte daqueles que fornecem as armas? De momento, nenhum dos tribunais onde a ação foi intentada se pronunciou a favor das ONG.

Embora a maioria dos governos esteja publicamente preocupada com a carnificina no Iémen, foi o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado do seu país em Istambul, em outubro de 2018, que conduziu a decisões políticas nas semanas seguintes. A Áustria, a Dinamarca, a Noruega, os Países Baixos e a Finlândia introduziram então um embargo, com os dois últimos a desistirem de contratos potencialmente interessantes, mas não em igualdade de circunstâncias com os dos líderes de mercado.

Em França, a publicação de documentos classificados pelo coletivo de jornalistas Disclose em 15 de abril pôs em evidência a responsabilidade do executivo (6). Estas revelações valeram aos jornalistas serem convocados pela Direcção-Geral da Segurança Interna (DGSI) no âmbito de uma investigação sobre a “violação do segredo de defesa nacional“. O que estava em causa: uma nota confidencial da Direção dos Serviços Secretos Militares (DRM) enviada ao Presidente Emmanuel Macron, ao Primeiro-Ministro Edouard Philippe, à Ministra das Forças Armadas Florence Parly e ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Jean-Yves Le Drian. Essa nota contém uma lista das principais armas utilizadas pelos Sauditas e pelos Emirados neste conflito. Inclui as posições dos tanques de combate (Leclerc, AMX-30, AMX-10P), tanques blindados (Aravis), navios de guerra (corvetas Baynunah, fragatas Al-Madinah e Al-Makkah), peças de artilharia (AUF1, LG1, Milão, RTF1…) e outras armas. ), aviões-cisterna (A330-MRTT), helicópteros (Cougar, Panther e Dauphin), aviões de combate (Mirage 2000-9) ou as suas armas equipadas com laser (Damocles), que permitem visar um alvo com alta precisão.

Segundo o DRM, as armas autopropulsionadas Caeser do fabricante francês Nexter poderiam atingir 436.370 civis iemenitas e “apoiar as tropas leais e as forças armadas sauditas na sua progressão através do território iemenita“. Mas, se os serviços secretos militares falam de um uso “defensivo“, os jornalistas da Disclose mostram que trinta e cinco civis foram mortos em bombardeamentos de artilharia ao alcance dos Caeser, alguns deles a uma distância demasiado grande para as armas chinesas e americanas também presentes nesta zona: só as armas de origem francesa poderiam tê-los atingido. Além disso, ao contrário dos tanques Leclerc e dos Mirage 2000-9, estas máquinas foram fornecidas em prestações a partir de 2010 (e sê-lo-ão até 2024): é difícil alegar ignorância no momento da entrega do armamento.

A nota da DRM inclui igualmente as corvetas da classe Abu Dhabi vendidas pelos italianos, os aviões de caça Typhoon e Tornado entregues pelos britânicos, os caçadores de minas da classe Al-Murjan e as corvetas da classe Murayjib fabricados na Alemanha, bem como os navios de patrulha marítimos Ghannatha e os radares aéreos de origem sueca.

A continuação das exportações de armas ao longo da guerra no Iémen já era conhecida através dos relatórios oficiais sobre exportações. Em 2017, os países da União Europeia concederam licenças no valor de 17 mil milhões de euros à Arábia Saudita e de 5 mil milhões de euros aos EAU (7). Entre eles: o Reino Unido (1,572 mil milhões de euros), a Alemanha (477 milhões de euros) e a Bélgica (152 milhões de euros) (8). As entregas de armas ascenderam a 484 milhões de euros para a Bulgária e 174 milhões de euros para a Espanha. No seu próprio relatório (9), em 4 de junho, a França anunciou que tinha entregue 1,398 mil milhões de euros de armas à monarquia saudita e 237 milhões aos Emirados Árabes Unidos em 2018. Enquanto no Ocidente, os principais fabricantes históricos, como a França, a Alemanha ou o Reino Unido, fornecem sistemas estruturantes, como aviões ou navios de combate, no Oriente, Riade e Abu Dhabi vão procurar equipamento menos sofisticado. A Arábia Saudita é assim o maior cliente de armas ligeiras e munições da Bulgária.

Como justificar estas vendas? No gabinete do Ministro das Forças Armadas francês, abstêm-se de responder. No entanto, em 7 de maio de 2019, a senhora Parly defendeu o seu caso perante os membros da Comissão de Defesa Nacional: “É essencial para a nossa soberania. (…) Para dispormos do equipamento militar que nos permita intervir no cumprimento da nossa missão fundamental de proteção do nosso território e dos nossos nacionais e de dissuasão nuclear, devemos manter a viabilidade e a independência da nossa indústria de defesa (10).”

Na realidade, a ministra tem mudado constantemente a sua retórica entre a má‑fé e a mentira. Apesar das informações fornecidas pelo DRM, Parly foi categórica na France Inter em 20 de janeiro de 2019: “Não tenho conhecimento de que as armas [francesas] estejam a ser utilizadas diretamente neste conflito”. Em 7 de maio, diante dos deputados e após as revelações de Disclose, ela persistiu: “Nunca reivindicámos que nenhuma arma francesa fosse utilizada no Iémen. Mas hoje não temos provas de que as armas de fabrico francês estejam a ser utilizadas deliberadamente contra as populações civis”. Os documentos DRM especificam, contudo, para várias armas, como a corvette de lançamento de mísseis Baynunah: “Participa no bloqueio naval e no apoio às operações terrestres na costa do Iémen.”

O deputado da maioria Fabien Gouttefarde, presidente do grupo de amizade França-Yemen e do grupo de estudos Acção Humanitária, assegurou, por seu lado, que, durante a sua visita ao estado-maior da coligação, Riade lhe explicou que os oficiais americanos e britânicos não tinham encontrado nada de errado com o método. O político francês, antigo advogado especializado em direito do conflito armado no Ministério da Defesa, justifica as vendas da França: “Existe uma parceria estratégica com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Não devemos esquecer Charlie Hebdo. Os ataques terroristas mortais vieram da Al-Qaeda na Península Arábica [AQPA], com bases de recurso no Iémen. Havia uma verdadeira ameaça terrorista que a coligação ajudou a combater”.Acrescentou que “os hutis cometem quase tantos crimes de guerra. Eles atravessam diariamente a fronteira saudita. Quando se tem uma parceria estratégica deste tipo, é também legítimo fornecer armas para se defender”. Embora a nota DRM elogie alguns esforços dos Emirados contra os jihadistas, várias sondagens de imprensa mostraram que a coligação não fez disto uma prioridade, mesmo quando ela se coordenava, em alguns casos, com a AQPA contra os hutis (11).

Face à razão de Estado invocada pelos governos europeus, os parlamentos, quando não estão divididos, têm dificuldade em obter informações fiáveis sobre as exportações. Embora os relatórios públicos se tenham tornado uma prática corrente em todo o lado, a sua exploração está a revelar-se mais ou menos difícil, dependendo do país. Raros são os eleitos franceses, por exemplo, que estão dispostos a explorar as longas páginas de tabelas que lhes são disponibilizadas. É ainda pior em Itália, com a apresentação de 1.400 páginas de documentos não triados. No Reino Unido, vários deputados são especializados neste exercício e redigem um contrarrelatório com perguntas a que o governo é obrigado a responder. Na Alemanha, o debate é particularmente intenso no Comité de Defesa. Uma minoria de países, incluindo os Países Baixos, notificam os representantes eleitos de qualquer assinatura de uma licença de exportação de valor superior a 2 milhões de euros, fora de uma lista de países fiáveis. Apenas na Suécia é consultado um grupo de deputados especializados sobre qualquer licença de risco, mesmo antes da sua emissão (ver “Na Suécia, um controlo parlamentar pouco eficaz“). No Reino Unido, o porta-voz da CAAT, Andrew Smith, congratula-se com o veredicto do Tribunal de Recurso de 20 de junho. Tanto mais que Londres suspendeu temporariamente as suas novas licenças com a Arábia Saudita, sem interromper as entregas e a manutenção.

Embora o debate estivesse aceso, nenhum grande exportador tinha adotado uma política firme… até outubro de 2018, após o assassinato de Khashoggi, quando a Chanceler alemã Angela Merkel declarou numa reunião em Ortenberg, em 22 de outubro: “Até este caso estar resolvido, não haverá mais exportações para a Arábia Saudita”. Prometo-vos isso.”

O anúncio constituiu um enorme golpe para a indústria europeia, em especial em França e no Reino Unido. Como algumas peças eram fabricadas por empresas alemãs, os maiores fabricantes ficaram bloqueados. A maioria dos industriais tentou influenciar a vontade alemã nos bastidores, mas um deles expressou-se publicamente saindo do grupo: o presidente executivo da Airbus, que espera, entre outras coisas, vender quarenta e oito aviões de caça Eurofighter a Riade. Em 16 de fevereiro, Thomas Enders disse à agência noticiosa Reuters: “Há anos que nos enlouquece que o lado alemão se tenha dado o direito de bloquear a venda, digamos, de um helicóptero francês, quando apenas uma pequena peça alemã entrava no seu fabrico”. Estas peças alemãs estão de facto presentes em todo o lado, por razões históricas. “Após a Segunda Guerra Mundial, a indústria de armamento alemã era muito limitada“, explica o jornalista e investigador Otfried Nassauer. “Durante décadas, a Alemanha tinha-se especializado, portanto, na conceção de componentes para outros países. É por isso que hoje os encontramos no Eurofighters destinados à Arábia Saudita, apesar de ser o Reino Unido que os exporta”.

 

O embargo contornado

A fim de evitar serem bloqueados pelas opções políticas de Berlim, os seus parceiros beneficiam desde 1972 de um acordo, denominado “Debré-Schmidt”, que autoriza as empresas a mudar de subcontratante se não puderem fornecer os elementos previstos nos contratos. Mas embora esta liberdade funcione no papel, é muitas vezes difícil encontrar substituições num prazo razoável. No caso do Eurofighter, as atualizações dos programas informáticos bloqueados por Berlim não podem ser improvisadas pela primeira empresa nascente que apareça (12). Pior ainda, os substitutos são frequentemente americanos, e os traficantes de armas europeus receiam mais que tudo verem-se sujeitos à boa vontade de Washington. Por isso, Paris e Londres chegaram à mesa para convencer Berlim a mudar de posição. Em 29 de março de 2019, o Governo alemão reduziu as proibições ao equipamento totalmente alemão. Os componentes, mesmo os destinados aos países infratores, serão finalmente entregues.

Na verdade, do outro lado do Reno, os industriais já encontraram outros truques para contornar o embargo. A Rheinmetall continuou a entregar munições à Arábia Saudita através das suas filiais em Itália e na África do Sul. Em termos mais gerais, os gigantes de armamento europeus estão a estabelecer-se cada vez mais localmente, tanto na Arábia Saudita como nos Emirados Árabes Unidos. Nos últimos meses, Riyadh e Abu Dhabi anunciaram o lançamento de empresas conjuntas e a abertura de fábricas em parceria com uma multiplicidade de grupos europeus (Thales, Naval Group, Leonardo, Cockerill Maintenance and Engineering [CMI], Navantia, Airbus, MBDA, etc.), respetivamente através da Saudi Arabian Military Industries (SAMI) e da Emirates Defense Industries Company (EDIC). O objetivo é progressivamente construir e manter o equipamento no local. Não importando que os governos e os parlamentos dos países parceiros tenham cada vez menos voz na matéria.

Nenhum industrial concordou em responder-nos oficialmente, mas um executivo de uma empresa francesa diz-nos a coberto do anonimato: “A SAMI é agora um dos pré-requisitos impostos pela Arábia Saudita. Trata-se de uma invenção muito recente que surge da necessidade de coordenar a indústria no local. (…) A Arábia Saudita é o segundo maior importador de armas do mundo. Portanto, todos os vendedores estão lá.

 

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Notas

(1) Veja-se Laurent Bonnefoy, «Enlisement saoudien au Yémen», Le Monde diplomatique, décembre 2017.

(2) «Yemen: 2019 humanitarian needs overview», Bureau de la coordination des affaires humanitaires des Nations unies, décembre 2018.

(3) «Yemen snapshots: 2015-2019», Acled, junho 2019.

(4) Em França  (ASER, ACAT), na Bélgica — Coordination nationale d’action pour la paix et la démocratie (CNAPD), Ligue des droits de l’homme —, no Reino Unido (CAAT), em  Itália — European Center for Constitutional and Human Rights (ECCHR), Rete Disarmo —, au Yémen (Mwatana for Human Rights), nos Paises Baixos  — Public Interest Litigation Project – Nederlands Juristen Comité voor de Mensenrechten (PILP-NJCM), PAX, Stop Wapenhandel.

(5) No princípio de 2019, 101 Estados ratificaram, entre os quais os países europeus   mas não os  Estados Unidos, a China e a Rússia .

(6) «Made in France», Disclose, 15 abril 2019.

(7) De acordo com o relatório de 2017 do Serviço Europeu para a Acção Externa, responsável pela compilação dos dados dos países membros, não é possível dar um valor sobre as entregas porque nem todos os países partilham esta informação com Bruxelas.

(8) Vingtième rapport annuel sur les exportations d’équipements militaires de l’Union européenne, Journal officiel de l’Union européenne,2018/C 453/01, 14 dezembro de 2018.

(9) Rapport au Parlement sur les exportations d’armement de la France 2019, ministère des armées, 4 junho 2019.

(10) Compte rendu d’audition n°32 de la commission de la défense nationale et des forces armées, Asseembleia Nacional, Paris, 7 maio de 2019.

(11) Maggie Michael, Trish Wilson et Lee Keath, «AP Investigation: US allies, Al-Qaida battle rebels in Yemen», Associated Press, 7 agosto de 2018.

(12) Michel Cabirol, «Eurofighter, A330-MRTT, Casa C295, H145… bloqués à l’export: Berlin fragilise Airbus», La Tribune, 25 fevereiro de 2019.

 

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O autor: Romain Mielcarek, jornalista independente, especialista em questões de defesa e diplomacia, doutorado em ciências da informação e comunicação autor de Marchands d’armes.Enquête sur un business français, Tallandier, Paris, 2017.

 

 

 

 

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/25/guerras-esquecidas-massacres-ignorados-texto-4-arabia-saudita-e-emirados-arabes-unidos-clientes-irresistiveis-impotencia-ou-cinismo-face-a-venda-de-armas-pela-europa-por-romain-mielcare/

«É crime retirar a Arábia Saudita de uma lista negra sobre direitos humanos»

O Supremo Conselho Revolucionário do Iémen criticou a decisão da ONU de retirar a coligação liderada pelos sauditas da «lista negra» em que estava desde 2017 por matar e ferir crianças no país árabe.

Uma criança caminha no meio de edifícios destruídos pela aviação saudita, no Iémen (imagem de arquivo)Créditos / RT

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou ontem que a coligação liderada pela Arábia Saudita seria retirada da «lista negra» onde foi incluída em 2017 por matar e ferir crianças no decurso das suas operações militares de agressão ao Iémen.

A medida está relacionada, segundo o organismo, com uma «descida significativa no número de menores mortos e feridos na sequência de ataques aéreos».

Mohammed Ali al-Houthi, presidente do Supremo Conselho Revolucionário do Iémen, criticou fortemente a medida, esta terça-feira, caracterizando-a como «um crime indelével» e sublinhando que a decisão «confirma o caos no organismo mundial», revela a PressTV.

Na sua conta de Twitter, al-Houthi afirmou ainda que a decisão da ONU ocorre na mesma altura em que a Arábia Saudita, apoiada pelos Estados Unidos, perpetrou «um novo massacre» no país árabe.

O responsável iemenita referia-se aos ataques aéreos da coligação liderada pelos sauditas na província de Sa'ada, na segunda-feira, e que, segundo o Ministério da Saúde, provocaram pelo menos 13 mortos, incluindo quatro menores.

Crianças mais vulneráveis

As Nações Unidas negaram que a decisão agora tomada seja devida a pressões externas, embora um funcionário tenha lembrado à Reuters que a Arábia Saudita e os seus aliados fizeram muito para «retirar a coligação da sua lista da vergonha», reorrendo a tácticas de «bullying, ameaças e pressões».

Adrianne Lapar, directora da Watchlist on Children and Armed Conflict, disse que, ao retirar a coliação liderada pelos sauditas [da lista], «o secretário-geral envia a mensagem de que as potências podem matar crianças e ficar impunes», acrescentando que Guterres «deixou as crianças mais vulneráveis aos ataques».

Um outro responsável pelos direitos das crianças, Jo Becker, acusou Guterres de estar «a acrescentar um novo nível de vergonha à sua "lista de vergonha" ao retirar a coligação liderada pelos sauditas e ignorar as próprias provas da ONU sobre violações graves, continuadas contra as crianças».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/e-crime-retirar-arabia-saudita-de-uma-lista-negra-sobre-direitos-humanos

Governo Trump quer ampliar vendas de armas para a Arábia Saudita, diz jornal

Melania Trump na Arábia Saudita
© AP Photo / Evan Vucci

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, planeja vender cerca de 7,5 mil munições guiadas de precisão no valor de quase US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) para a Arábia Saudita, informou o jornal Wall Street Journal (WSJ).

Segundo os assessores, uma notificação preliminar dos planos de fornecimento e venda foi enviada ao Comitê de Relações Exteriores do Senado e ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara em meados de janeiro, e espera-se uma notificação formal em breve, informou o jornal.

Se a proposta for aprovada, a Arábia Saudita comprará 7,5 mil munições guiadas de precisão modelo Paveway IV, fabricadas pela empresa Raytheon Technologies Corporation, além de 60 mil peças que Riade comprou em acordo de 2019.

O Wall Street Journal também informou que, como parte da proposta, Washington assumirá o compromisso de que a Raytheon Technologies produza ainda US$ 106 milhões (R$ 565 milhões) em armas na Arábia Saudita

.Visitante caminha no estande da empresa Raytheon apresentando equipamentos em Cingapura

© AP Photo / Wong Maye-E
Visitante caminha no estande da empresa Raytheon apresentando equipamentos em Cingapura

Segundo o jornal, a proposta pode reacender objeções de parlamentares democratas que questionam o momento e as justificativas do acordo e reacender as tensões sobre a venda de armas aos aliados de Washington na região do golfo Pérsico.

A proposta surge um ano depois que o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ordenou que o Departamento de Estado aprovasse 22 acordos de armas no valor de US$ 8,1 bilhões (cerca de R$ 43 bilhões) com a Jordânia, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. A medida veio depois que o governo Trump declarou uma emergência ligada à escalada de tensões com o Irã.

A emergência permitiu que o governo mudasse procedimentos padrão de notificação do Congresso sobre a venda de armas, o que provocou reação dos democratas e de alguns republicanos que tentaram bloquear as transferências de armas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2020053015642837-governo-trump-quer-ampliar-vendas-de-armas-para-a-arabia-saudita-diz-jornal/

Sauditas bombardeiam Iémen depois de anunciarem um cessar-fogo

A Arábia Saudita lançou vários ataques aéreos contra o Iémen, esta quarta-feira, poucas horas depois de ter declarado um cessar-fogo, em parte para evitar a propagação do novo coronavírus no país árabe.

Um homem e os seus filhos num zona bombardeada de Hudaydah (imagem de arquivo)CréditosGiles Clarke / UNOCHA

Ontem à noite, a coligação liderada pelos sauditas fez saber que iria calar as armas no Iémen, para apoiar os esforços das Nações Unidas com vista a pôr fim à guerra de agressão, que se prolonga há cinco anos, e impedir a disseminação da Covid-19.

Um representante da coligação, o coronel Turki al-Malki, afirmou que a medida fora tomada para evitar um potencial surto do novo coronavírus no Iémen – onde não foram registados casos de infecção até ao momento – e que entraria em vigor ao meio-dia desta quinta-feira, por um período de duas semanas, eventualmente extensível, informa a PressTV.

Poucas horas depois do anúncio deste cessar-fogo com pretensos intuitos humanitários, aviões da coligação atacaram posições em várias regiões iemenitas, nomeadamente nas províncias de Sa’ada, Amran e al-Bayda, segundo divulgou a cadeia estatal de TV iemenita al-Masirah.

Ainda antes dos ataques aéreos, o movimento Huti Ansarullah retirou importância ao anúncio de cessar-fogo saudita, classificando-o como uma oportunidade para Riade sair do «lodaçal» em que se encontra, devido aos «repetidos fracassos» frente às forças iemenitas, com o mínimo de danos.

«Manobra dos agressores», que querem «salvar a face»

Em declarações à al-Mayadeen TV, Mohammed al-Bukhaiti, membro do Conselho Político do movimento Ansarullah, afirmou que a medida anunciada pela coligação é mais uma «manobra dos agressores» e uma «estratégia para se reforçarem e reorganizarem as suas fileiras».

 

«Os sauditas anunciaram diversos cessar-fogos no Iémen mas violaram-nos sempre», sublinhou al-Bukhaiti, frisando que Riade está a usar a pandemia de Covid-19 como «oportunidade para salvar a face e uma saída» para a guerra.

No entanto, em seu entender, com o cerco ainda em curso ao país árabe, a guerra não vai acabar. «Se um cessar-fogo não incluir o fim do bloqueio imposto ao Iémen, isso significa que a guerra de agressão saudita vai continuar», declarou, citado pela PressTV.

Recentemente, as tropas iemenitas intensificaram os ataques de represália contra a Arábia Saudita e os seus mercenários, dentro e fora do país, tendo conseguido recuperar algumas regiões estratégicas nas províncias de Jawf e Marib.

Cinco anos de guerra de agressão

No dia 26 de Março, passaram cinco anos sobre o início da violenta campanha militar contra o povo iemenita lançada pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e uma coligação de países árabes, numa tentativa de suprimir a resistência do movimento Ansarullah e de recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

A guerra de agressão, apoiada pelo Ocidente, provocou grande destruição em zonas residenciais e arrasou quase inteiramente as infra-estruturas civis do país, incluindo hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas, mergulhando-o naquilo que as Nações Unidas classificam como uma das piores crises humanitárias de sempre.

Em Fevereiro último, a Unicef voltou a lembrar que «o Iémen é um inferno para as crianças», na medida em que estas são particularmente afectadas pela fome e por doenças como cólera, difteria, sarampo e dengue. De acordo com as Nações Unidas, uma criança morre a cada dez minutos no Iémen, país onde, como consequência da agressão militar, mais de 22 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária e dez milhões são «severamente afectadas pela fome».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/sauditas-bombardeiam-iemen-depois-de-anunciarem-um-cessar-fogo

A Arábia Saudita faz cair o preço do petróleo para US $ 31 dólares o barril

 

O preço do barril de petróleo caiu 20% nos mercados europeus e 30% nos mercados asiáticos a seguir à reunião trimestral da OPEP em Viena. Trata-se do preço mais baixo desde há onze anos.

A Arábia Saudita, rejeitando as propostas visando baixar ligeiramente a oferta em período de abrandamento económico mundial, devido à epidemia de coronavírus, impôs agressivamente uma queda drástica dos preços.

A Arábia Saudita é o principal actor da Organização dos Países Produtores de Petróleo, da qual a Rússia é apenas um membro associado (Opep +). O Kremlin era favorável a uma redução da produção, enquanto a Rosneft defendia a posição de cada um por si.

Esta queda drástica ameaça directamente o equilíbrio financeiro de muitos países produtores. Se ela se mantiver por vários meses, muitos poderão ver-se em apuros para fazer pagamentos.

Trata-se de um desafio frontal à estratégia petrolífera da Rússia, mas mais ainda à Administração Trump.

Parece que a Arábia Saudita ameaça destruir a indústria dos EUA do petróleo de xisto (cuja rentabilidade implica um preço do barril de pelo menos US $ 45 dólares), a fim de parar a tentativa dos EUA de desestabilização do país [1].

A Cera Week de Houston, a mais importante conferência de petróleo do mundo, que se devia realizar esta segunda-feira, foi cancelada.

Algumas companhias de petróleo são mais atingidas que outras tendo em conta os seus custos de exploração. A mais afectada é a BP, da qual o valor da acção baixou 20%.



[1] “Que alvo após a Síria ?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 11 de Março de 2020.



Ver original na 'Rede Voltaire'



O móbil do assassinato de Jamal Khashoggi

 

O jornalista iraniano do Guardian, Saeed Kamali Dehghan (foto), assegura hoje que Jamal Khashoggi foi seu informante (informador-pt). Segundo ele, as confidências que a si teria feito seriam o motivo do assassinato do jornalista do Washington Post (e membro dos Irmãos Muçulmanos), em 2 de Outubro de 2018, em Istambul.

Em Outubro de 2018, Saeed Kamali Dehghan publicou três artigos sobre mídia (média-pt) de influência saudita [1]. Nomeadamente, ele havia indicado que a cadeia (canal-pt) Iran International TV, sediada em Londres, é secretamente financiada por US $ 250 milhões de dólares pela Arábia Saudita.

Ela fora criada justo antes da eleição presidencial iraniana de 19 de Maio de 2017.

A autoridade reguladora britânica, a Ofcom, havia se preocupado com as ações dessa cadeia que tinham feito a defesa dos Mujahedin do Povo e do Movimento de Libertação do Avaz; duas organizações que reivindicaram inúmeras ações terroristas contra a República Islâmica e que são apoiadas pela Arábia Saudita.

Saeed Kamali Dehghan havia especificado que a operação de intoxicação da Iran International TV era dirigida por Saud al-Qahtani em nome do Príncipe Mohamed bin Salman. No entanto, foi esse mesmo al-Qahtani quem supervisionou a purga do Ritz-Carlton e o interrogatório do Primeiro-ministro libanês, Saad Hariri. Fora ele também quem a Turquia identificou como o supervisor do assassinato de Khashoggi. Agora, ele estaria colocado em prisão domiciliar em Riade.

Saeed Kamali Dehghan foi treinado pelas redes de George Soros. Ele realizou um documentário, em 2009, para a HBO assegurando que a jovem Neda Agha-Soltan havia sido assassinada pelos Serviços Secretos da República Islâmica durante as manifestações contra a reeleição do Presidente Mahmud Ahmadinejad. Por esse trabalho, ele recebeu um Peabody Award (Prêmio Peabody-ndT) e fora nomeado jornalista do ano de 2010 pela Associação de Imprensa Estrangeira no Reino Unido (patrocinado pelo Catar). Na realidade, a jovem Neda não fora assassinada pelo Irã (Irão-pt) durante a manifestação, mas durante seu transporte para o hospital por seus agentes de tratamento [2].

Saeed Kamali Dehghan se tornou, mais tarde, colaborador da CNN, CBC, France 24, Channel 4, depois Le Monde e o do Guardian.

Desde o assassinato de Khashoggi, os Serviços Secretos de Sua Majestade têm feito o melhor para desacreditá-lo, e o Guardian o proibiu de publicar sobre este assunto seja o que for [3].



[1] “Ofcom examining TV network over interview praising attack in Iran”, Saeed Kamali Dehghan, The Guardian, October 2, 2018. “Independent’s deal with Saudi publisher back under spotlight”, Jim Waterson & Saeed Kamali Dehghan, The Guardian, October 19, 2018. “Concern over UK-based Iranian TV channel’s links to Saudi Arabia”, Saeed Kamali Dehghan, The Guardian, October 31, 2018.

[2] Lire l’encadré en fin d’article : « Que se passe-t-il en Syrie ? », par Domenico Losurdo, Traduction Marie-Ange Patrizio, Réseau Voltaire, 27 avril 2011.

[3] “Guardian reporter speaks out on Neda Agha-Soltan, Jamal Khashoggi, Iran International TV, Masih Alinejad”, Mohammad Homaeefar, Tehran Times, March 3, 2020.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Ministro saudita pede à Saudi Aramco para aumentar produção de 12 para 13 milhões de barris diários

Instalação de Khuraisda da Saudi Aramco
© Foto / Saudi Aramco

Ministro saudita pede à Saudi Aramco para aumentar produção de 12 para 13 milhões de barris diários.

Anteriormente, Amin Nasser, diretor-executivo da Saudi Aramco, companhia petrolífera estatal saudita, disse que a empresa iria aumentar o fornecimento de petróleo, incluindo para o mercado doméstico, de 9,7 para 12,3 milhões de barris diários.

A Saudi Aramco, a maior empresa petrolífera do mundo, recebeu uma diretiva do Ministério da Energia do Reino para incrementar as capacidades de produção de 12 para 13 milhões de barris por dia, informou a companhia.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031115317612-ministro-saudita-pede-a-saudi-aramco-para-aumentar-producao-para-13-milhoes-de-barris-diarios/

Arábia Saudita utiliza tribunal especial para silenciar dissidência

 
 
A Amnistia Internacional denunciou hoje que a Arábia Saudita está a utilizar um tribunal especial para condenar e silenciar sistematicamente as vozes dissidentes no país, exigindo a libertação "imediata e incondicional" de todos os "prisioneiros de consciência".
A acusação consta de um relatório hoje divulgado que tem por base uma investigação conduzida pela Amnistia Internacional (AI) e revela como as autoridades de Riade, apesar da promoção de "uma retórica de reformas", utilizam o Tribunal Penal Especializado (SCC, na sigla em inglês) como "uma arma" para silenciar as vozes críticas ao regime, cujo "homem forte" é o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.
 
O SCC foi estabelecido em outubro de 2008 para julgar indivíduos acusados de crimes relacionados com terrorismo.
 
A investigação da AI indica que desde 2011 aquela instância judicial é utilizada de forma sistemática para processar e condenar pessoas, nomeadamente defensores dos direitos humanos, escritores, economistas, membros do clero, jornalistas ou reformistas e ativistas políticos (incluindo da minoria xiita), com base "em acusações vagas que equiparam com frequência atividades políticas pacíficas a crimes relacionados ao terrorismo".
 
"O governo da Arábia Saudita aproveita o SCC para criar uma falsa aura de legalidade em torno do abuso da lei antiterrorista para silenciar os seus críticos. Todas as etapas de um processo judicial no SCC estão manchadas com violações dos direitos humanos", acusou a diretora regional da AI para o Médio Oriente e norte de África, Heba Morayef.
 
Acesso negado a advogados, regimes de detenção sem qualquer comunicação com o exterior e condenações fundamentadas em "ditas confissões extraídas através de tortura" são exemplos de abusos apontados por Heba Morayef.
 
A AI refere que fez uma aprofundada análise de documentos judiciais do SCC, das declarações públicas do governo e da legislação nacional saudita.
 
Entrevistas com ativistas, advogados e pessoas próximas dos vários casos de dissidentes julgados e condenados pelo SCC também foram incluídas no relatório.
 
 
A organização internacional referiu que escreveu, em 12 de dezembro de 2019, às autoridades sauditas, tendo recebido uma resposta da comissão de direitos humanos que resumia as leis nacionais e os procedimentos relevantes, sem abordou diretamente as questões levantadas.
 
"A nossa investigação desmente a brilhante nova imagem reformista que a Arábia Saudita está a tentar cultivar" e que "aumentou após a nomeação do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman", destacou Heba Morayef.
 
"Ao mesmo tempo que trouxeram um conjunto de reformas positivas no campo dos direitos das mulheres, as autoridades desencadearam uma intensa repressão sobre algumas das principais defensoras dos direitos humanos que há anos lutavam por tais reformas, bem como sobre outros cidadãos que promoviam mudanças", relatou a organização.
 
No relatório, a Amnistia apresenta os casos concretos de 95 indivíduos, a maioria homens, que sofreram "julgamentos injustos", que foram condenados a penas pesadas, incluindo a pena de morte, ou que ainda permanecem em julgamento no SCC entre 2011 e 2019.
 
A AI destacou ainda que pelo menos 28 muçulmanos sauditas da minoria xiita - a Arábia Saudita é um regime de maioria sunita -- foram executados desde 2016, muitos condenados à morte pelo SCC com base em confissões extraídas com recurso a tortura.
 
No documento, a organização exige a libertação "imediata e incondicional" de todos os "prisioneiros de consciência" e apela a uma reforma "urgente" do SCC, para garantir que este tribunal "possa conduzir julgamentos justos e proteger os réus de detenções arbitrárias, tortura e de outros maus-tratos".
 
A ONG pediu igualmente investigações independentes sobre as alegações de tortura e de outros maus-tratos infligidos durante os períodos de custódia e que as vítimas de tais abusos sejam indemnizadas.
 
"Se o rei saudita [rei Salman] e o príncipe herdeiro desejam mostrar que estão empenhados nas reformas, deveriam, como primeiro passo, libertar imediatamente e incondicionalmente todos os prisioneiros de consciência, garantir que as condenações e as sentenças sejam anuladas e declarar uma moratória oficial sobre todas as execuções com o objetivo de abolir a pena de morte" reforçou Heba Morayef.
 
A Amnistia lembrou ainda que o Conselho dos Direitos Humanos da ONU adotou, em 2019, duas declarações conjuntas, de teor inédito, sobre a situação dos direitos humanos no reino saudita e que apontavam um conjunto necessário e urgente de reformas neste campo.
 
A primeira declaração foi adotada em março de 2019, alguns meses após o homicídio do influente jornalista saudita no exílio e crítico do regime de Riade Jamal Khashoggi, em outubro de 2018.
 
"Nada foi cumprido e os membros do Conselho devem garantir um escrutínio contínuo (...), apoiando o estabelecimento de um mecanismo de monitorização e de denúncia sobre a situação dos direitos humanos", concluiu a organização.
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/arabia-saudita-utiliza-tribunal.html

Guterres pede investigação imparcial à morte de Khashoggi após sentença saudita

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu esta segunda-feira uma investigação imparcial sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, depois de Riade ter anunciado a condenação à morte de cinco sauditas.
 
"O secretário-geral continua a sublinhar a necessidade de uma investigação independente e imparcial do assassinato, para assegurar uma análise geral e uma responsabilização por todas as violações de direitos humanos cometidas neste caso", disse, numa conferência de imprensa, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
 
O representante também referiu que António Guterres reitera "o compromisso da ONU para assegurar a liberdade de expressão e a proteção dos jornalistas", insistindo também na histórica oposição à pena de morte por parte das Nações Unidas.
 
Estas declarações surgem depois de hoje o procurador-geral da Arábia Saudita ter anunciado que cinco sauditas foram condenados à morte pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, em outubro de 2018, no consulado saudita em Istambul, Turquia.
 
 
Nenhuma acusação foi apresentada contra Saud al-Qahtani, um assessor próximo do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, acrescentou o procurador, dizendo que o ex-general foi absolvido, tendo o mesmo acontecido com o subdiretor dos serviços secretos sauditas, Ahmed Asiri, e com o embaixador saudita em Istambul, Mohamed Al Otaibi.
 
Em 2 de outubro de 2018, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que morava nos Estados Unidos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, para tratar de alguns documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca.
 
O jornalista não voltou a sair do consulado, onde foi morto por agentes sauditas, que saíram da Turquia e regressaram à Arábia Saudita logo após o assassínio.
 
O julgamento dos 11 suspeitos começou no início de janeiro, na Arábia Saudita, e o procurador-geral pediu a pena de morte para cinco deles.
 
Jornal de Notícias | Imagem: EPA/Ali Haider

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/guterres-pede-investigacao-imparcial.html

Mais de um milhão de peças arqueológicas roubadas do Iémen

Um investigador norte-americano revelou que os Emirados Árabes Unidos participaram decisivamente no roubo e contrabando de antiguidades iemenitas, vendendo-as para vários países, incluindo os EUA.

Peças arqueológicas apreendidas aos contrabandistas pelas autoridades iemenitas na província de MaribCréditos / HispanTV

Alexander Nagel, professor e arqueólogo, afirmou que mais de um milhão de peças arqueológicas foram roubadas do Iémen, tendo acrescentado que muitas delas foram contrabandeadas para os Estados Unidos através de países como os Emirados Árabes Unidos e Israel, informa o portal Yemen Extra.

Muitos estrangeiros que entraram no Iémen sob a aparência de arqueólogos e investigadores eram de facto «comerciantes» que fizeram entrar antiguidades iemenitas nos EUA no valor de muitos milhões de dólares – só uma das peças está avaliada em 34 milhões de dólares –, explicou o investigador, que confirmou o envolvimento de «muitos exploradores, académicos e diplomatas» neste «esquema de roubo e saque», indica a mesma fonte.

Os Emirados Árabes Unidos já tinham sido acusados de participar no contrabando de artefactos antigos roubados no Iraque, no Egipto e na Síria – uma parte dos quais foi vendida à sucursal do Museu do Louvre em Abu Dhabi.

Em declarações à agência iemenita Saba, uma fonte do gabinete do chefe de Governo de Salvação Nacional do Iémen, Abdelaziz bin Habtoor, condenou este domingo o «saque» sistemático de sítios arqueológicos e históricos, edifícios e propriedades públicas na província de Aden por parte dos Emirados Árabes Unidos.

Guerra de agressão desde Março de 2015

Recorde-se que este país árabe é um dos principais intervenientes na guerra de agressão ao Iémen, como elemento da coligação liderada pela Árabia Saudita que, em Março de 2015, lançou uma grande ofensiva contra o povo iemenita.

De acordo com a organização Armed Conflict Location and Event Data Project (ACLED), a guerra contra o mais pobre dos países árabes provocou mais de 100 mil mortos em mais de quatro anos e meio.

A guerra de agressão, apoiada pelo Ocidente, provocou grande destruição em zonas residenciais e em infra-estruturas civis iemenitas, incluindo hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas.

Também conduziu a uma das piores crises humanitárias de sempre, com surtos de cólera e a má-nutrição severa a afectarem milhões de iemenitas – de acordo com as Nações Unidas, mais de 24 milhões necessitam de ajuda humanitária urgente, incluindo dez milhões que sofrem de níveis extremos de fome.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-de-um-milhao-de-pecas-arqueologicas-roubadas-do-iemen

Ministério da Defesa da Arábia Saudita dá 'luz verde' para reforços militares dos EUA

Bandeira da Arábia Saudita
© AP Photo / Jacquelyn Martin

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, informou anteriormente à Arábia Saudita sobre os últimos reforços que, juntamente com outras implantações e sistemas de defesa aérea somará 3.000 forças, autorizadas no mês passado.

Uma fonte do Ministério da Defesa Saudita disse neste sábado, citada pela Agência de Imprensa Saudita (SPA), que Riad recebeu reforços adicionais para forças e equipamentos de defesa, acrescentando que os Estados Unidos está cooperando com o governo saudita para manter a segurança regional.

O Pentágono disse que o reforço foi desencadeado pelos "recentes ataques ao Reino da Arábia Saudita", referindo-se aos ataques de drones a duas grandes usinas da Aramco em Abqaiq e Khurais em 14 de setembro.

Os ataques resultaram na suspensão da produção de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia por parte da Arábia Saudita, o que representa mais da metade de sua produção diária total.

O movimento houthi do Iêmen assumiu a responsabilidade pelos ataques contra a Arábia Saudita, enquanto os Estados Unidos atribuíram a culpa ao Irã. Teerã negou todas as reivindicações de envolvimento.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a repórteres na sexta-feira que a Riad, a seu pedido, pagaria pelo envio de tropas norte-americanas adicionais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101214630255-ministerio-da-defesa-da-arabia-saudita-da-luz-verde-para-reforcos-militares-dos-eua/

Ofensiva devastadora dos Houthis: Três brigadas sauditas aniquiladas

– Uma verdadeira viragem na situao do Médio Oriente
– Esta notícia foi omitida pela maior parte dos media corporativos

por Federico Pieraccini [*]

Ve Até agora, muitos poderiam ter sido levados a acreditar que os Houthis eram uma força armada esfarrapada e sem sofisticação. Outros, vendo os ataques de drones e mísseis às instalações petrolíferas sauditas, podem ter achado que seria um ataque de "falsa-bandeira" realizado por Riad para aumentar o valor de mercado da Aramco; ou então numa operação realizada pelo Irão ou mesmo Israel. Porém, em 28 de setembro, os Houthis puseram fim a estas especulações confirmando o que muitos, como eu, escrevemos há meses; isto é, que as táticas assimétricas dos Houthis, combinadas com as capacidades convencionais do exército iemenita, são capazes de por de joelhos o reino saudita de Mohammed Bin Salman.


 

As forças de mísseis do exército iemenita mostraram ser capazes de realizar ataques altamente complexos, sem dúvida em resultado de informações fornecidas pela população xiita na Arábia Saudita, que é contra a ditadura da Casa de Saud. Esses simpatizantes Houthis ajudaram na identificação dos alvos, realizaram o reconhecimento dentro das instalações atacadas, descobriram os pontos mais vulneráveis e transmitiram essas informações ao exército Houthi e iemenita. As forças iemenitas empregaram meios produzidos localmente para degradar severamente as unidades de extração e processamento de petróleo bruto da Arábia Saudita, ataques que reduziram a quase metade a produção de petróleo e ameaçaram continuar com outros alvos se o genocídio levado a cabo pela Arábia Saudita no Iémen não cessasse.

Em 28 de setembro, os Houthis e o exército iemenita realizaram um ataque convencional incrível, com duração de três dias, iniciado dentro das fronteiras do Iémen. A operação envolveu meses de recolha de informações e planeamento operacional . Foi um ataque muito mais complexo do que o realizado contra as instalações de petróleo da Aramco. Os relatórios iniciais indicam que as forças da coligação liderada pela Arábia Saudita foram atraídas para posições vulneráveis e, em seguida, através de um movimento de cerco conduzido rapidamente dentro do território saudita, os Houthis cercaram a cidade de Najran e seus arredores e submeteram a maior parte de três brigadas sauditas com efetivos da ordem dos milhares, incluindo dezenas de oficiais superiores, além de inúmeros veículos de combate. Este acontecimento é um divisor de águas, deixando os EUA, Mike Pompeo, israelenses e sauditas incapazes de culpar o Irão, pois tudo isso ocorreu muito longe do daquele país.

A operação em larga escala foi precedida pela artilharia de mísseis do Iémen, que atingiu o aeroporto de Jizan com 10 mísseis paralisando qualquer movimento de e para o aeroporto, inclusive negando a possibilidade de apoio aéreo às tropas cercadas. Os Houthis também atingiram o aeroporto internacional King Khalid, em Riad, numa importante operação que atingiu os helicópteros Apache, forçando-os a deixar a área. As bases militares próximas também foram alvejadas, a fim de interromper quaisquer reforços e interromper a cadeia de comando. Isso levou as forças sauditas a fugir em desorganização.

As imagens divulgadas pelos Houthis mostram uma estrada no meio de um vale nos arredores de Najran, com dezenas de veículos blindados sauditas tentando fugir enquanto são atacados por ambos os lados por mísseis Houthis, juntamente com armas pesadas e leves. A confirmação visual do desastre pode ser vista no número de baixas e no número de prisioneiros. Imagens mostram fileiras de prisioneiros sauditas a marcharem sob guarda iemenita em direção a campos de prisioneiros.

Isto é algo extraordinário de se ver: o exército saudita, o terceiro maior comprador de armas do mundo, a ser amplamente atacado por um dos países mais pobres do mundo. Os números dizem tudo: os Houthis conseguiram controlar mais de 350 quilómetros do território saudita. Atendendo a que o orçamento militar saudita é de quase 90 mil milhões de dólares por ano, essa conquista é ainda mais extraordinária.

As forças Houthis empregaram drones, mísseis, sistemas antiaéreos e guerra eletrónica para impedir que os sauditas apoiassem as suas tropas com aviação ou outros meios para ajudar os seus militares presos. Os depoimentos de soldados sauditas sugerem que os esforços para resgatá-los foram pouco sinceros e pouco efeito tiveram. Os prisioneiros de guerra sauditas acusam os seus líderes militares de tê-los abandonado como presas aos seus oponentes.

O exército iemenita e os Houthis em menos de dez dias foram capazes de infligir golpes devastadores à credibilidade dos sistemas de defesa dos EUA e das forças armadas sauditas. Fizeram isso utilizando métodos criativos adequados ao objetivo em questão.

Em primeiro lugar, revelaram a vulnerabilidade interna do Reino através de um nível de penetração na Arábia Saudita conseguindo realizar reconhecimento interno com a ajuda de infiltrados ou colaboradores locais, para saber exatamente onde atingir as instalações de petróleo para obter o máximo de efeitos e danos. Posteriormente, demonstraram as suas capacidades técnicas e cibernéticas por meio de uma operação assimétrica, empregando drones de vários tipos, bem como guerra eletrónica para cegar os radares do sistema Patriot dos EUA, neste processo reduziram à metade a produção de petróleo da Arábia Saudita por um período de tempo que a Aramco ainda não determinou.

Finalmente, o aspeto mais surpreendente destes eventos é a recente operação terrestre no Iémen, realizada em território hostil e conseguindo cercar três brigadas compostas por milhares de homens e seus equipamentos. Milhares de soldados iemenitas leais a Ansarullah (Houthis) participaram nesta operação bem-sucedida, apoiada por drones, aeronaves de ataque ao solo e baterias de defesa antiaérea. Tais capacidades são normalmente associadas a militares bem treinados e bem equipados, do que a militares provenientes do Terceiro Mundo.

Os Houthis enviaram uma mensagem clara a Riade quando atingiram as suas instalações de petróleo. Eles efetivamente deixaram claro que tinham os meios e a capacidade de danificar o reino de forma irreparável, levando, finalmente, ao derrube da Casa de Saud.

O porta-voz do exército iemenita anunciou, depois de atingir as instalações petrolíferas sauditas, que interromperia todas as ações ofensivas usando drones e mísseis, deixando Riade decidir se as coisas parariam por aí e eles se sentariam à mesa de negociações para encerrar o conflito, ou se a Arábia Saudita estava com disposição para mais do mesmo tratamento.

Mohammed bin Salman, sem dúvida, teria recebido várias garantias dos americanos, explicando o fracasso dos sistemas Patriot e assegurando-lhe que mais assistência americana estava a caminho; e que, além disso, seria impossível chegar a um acordo com os Houthis, em particular tendo em conta que eles são considerados uma representação do Irão (uma mentira desmascarada); sem mencionar, é claro, a enorme perda de prestígio que uma capitulação representaria para sauditas, israelenses e americanos .

Já se fala em Riade de receber novos suprimentos do sistema THAAD (igualmente inúteis contra a guerra assimétrica Houthi) e outros sistemas de defesa aérea americanos muito caros. É muito mau para os sauditas que os EUA não tenham nada como os sistemas russos Pantsir e BUK, que permitem uma defesa aérea de várias camadas, ideal para a defesa de pequenos drones e mísseis de baixo voo que são difíceis de interceptar com sistemas como o Patriot e o THAAD.

Em vez de iniciar negociações de paz para parar o genocídio em curso no Iémen e evitar ser atingido novamente pelos Houthis em resposta, Mohammed bin Salman e seus assessores parecem ter achado adequado cometer outros crimes de guerra no Iémen.

Diante de tal intransigência, os Houthis seguiram em frente com um novo ataque ainda mais devastador para a moral saudita e desconcertante para os formuladores de políticas ocidentais. Milhares de homens e seus equipamentos foram mortos, feridos ou capturados num movimento de cerco, remanescente das ações das Republicas Populares de Donetsk e de Lugansk na Ucrânia, em 2015, onde as forças de Kiev foram igualmente cercadas e destruídas.

Geralmente estes movimentos de cerco exigem um reconhecimento completo para determinar onde melhor cercar o inimigo. Além disso, seriam necessários sistemas de apoio aéreo e de defesa antiaérea para afastar as respostas americanas e sauditas. Além de tudo isto, é necessário que as tropas, juntamente com seus equipamentos, tenham o treino necessário para os ataques, que exigem coordenação e execução rápida e eficaz de ordens. Todos esses requisitos foram cumpridos em resultado da excelente preparação e conhecimento do terreno pelo exército iemenita e pelos Houthis.

Se o ataque às instalações petrolíferas sauditas teve grande impacto, o ataque ainda mais dramático daquele sábado forçará Mohammed bin Salman e seus aliados americanos a enfrentar uma realidade muito dura. A Arábia Saudita, agora é preciso reconhece-lo, não tem capacidade de defender as suas fronteiras com o Iémen, deixando os Houthis e o exército iemenita livres para entrar no território saudita, mostrando como dão pouca importância à opinião e sentimentos dos sauditas e dos EUA.

Este é um xeque-mate triplo dos Houthis contra Riade. Primeiro, mostraram que tinham apoio local suficiente na Arábia Saudita para ter sabotadores internos prontos no caso de uma guerra total com o Irão ou o Iémen. Depois, mostraram que têm capacidade para prejudicar a produção de petróleo da Arábia Saudita. Em última análise, as forças convencionais do Iémen poderiam redesenhar as fronteiras entre a Arábia Saudita e o Iémen a favor deste último, caso os líderes iemenitas decidissem invadir e ocupar uma faixa do território saudita para garantir uma zona-tampão, já que as forças sauditas violaram a soberania do Iémen e massacraram civis inocentes nos últimos cinco anos.

Vale refletir sobre a importância desses eventos. O terceiro maior gastador de armas do mundo é incapaz de derrotar o país árabe mais pobre do mundo. Além disso, é incapaz de proteger seus interesses e fronteiras nacionais perante um país árabe empobrecido. Os Houthis mostraram ao mundo o que uma força armada pobre, mas organizada e motivada, pode fazer usando métodos assimétricos para colocar um dos exércitos mais bem equipados de joelhos. Esse conflito será estudado em todo o mundo como um exemplo de como um novo meio de guerra é possível quando as capacidades tecnológicas e cibernéticas são democratizadas e estão disponíveis para aqueles que sabem usá-las adequadamente, como os Houthis mostraram com o uso de drones e guerra eletrónica.

Com os Houthis desfrutando de um alto nível de motivação, através de uma combinação de capacidades de mísseis, detenção de muitos prisioneiros de guerra e com sabotadores espalhados por toda a Arábia Saudita (a propósito, um estranho incêndio ocorreu em Jeddah no dia 29 de setembro, na estação ferroviária de Al-Haramain), talvez seja hora de Riade aceitar as trágicas consequências de uma guerra inútil e sentar-se à mesa de negociações com Ansarullah.

Washington e Tel Aviv tentarão de todas as formas impedir tais negociações. Mas se Mohammed bin Salman e família desejam salvar o seu reino, é melhor começarem a conversar com os Houthis imediatamente. Caso contrário, é apenas uma questão de tempo até que outro ataque de Ansarullah leve ao completo colapso e ruína da Casa de Saud e do Reino da Arábia Saudita.

[*] Escritor independente, especializado em assuntos internacionais, conflitos, política e estratégias.

O original encontra-se em Strategic Culture Foundation
e em www.informationclearinghouse.info/52312.htm

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/moriente/ofensiva_05out19.html

Os drones hutis abriram a caixa de Pandora

Valentin Vasilescu analisa o dispositivo de defesa antiaérea saudita. Depois de mostrar a impossibilidade de um ataque vindo do Irão sem ser detectado pelos Estados Unidos, ele explica como um ataque vindo do Iémene conseguiu atingir os seus alvos sem ser visto por Riade.

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Sistema de defesa antiaérea saudita.

O ataque de drones dos rebeldes hutis contra as instalações petrolíferas sauditas visava abrir um período de mudanças dramáticas na Península Arábica. Muito embora o ataque tenha começado no Iémene, e tenha beneficiado de um certo apoio do Irão, aqueles que tomaram a decisão de o preparar, de o facilitar e de o executar encontravam-se algures. O objectivo prosseguido é muito claro e, pela sua realização, eu tenho a firme convicção que haverá outros ataques com efeitos muito mais espectaculares para a economia da Arábia Saudita e dos sultanatos ricos em petróleo da região do Golfo. Tanto mais porque as armas mais sofisticadas compradas por estes Estados e as forças militares dos norte-americanas colocadas na região foram incapazes de impedir estes ataques.

Desde 1996, a Arábia Saudita possui o sistema de defesa antiaérea (AA) automatizado mais moderno do mundo (Peace Shield), que está conectado a todas os ramos de forças armadas. Ele foi criado pelos Estados Unidos, por um custo de US $ 5,6 mil milhões (bilhões-br) de dólares, e constantemente actualizado. Integra radares militares, todos os sistemas de mísseis antiaéreos e aviões de alerta AWACS, ou navios de guerra militares. O «Peace Sheild» tem um centro de comando nacional e está dividido no território da Arábia Saudita em cinco sectores (norte, sul, leste, oeste e a capital do país).

A detecção de alvos aéreos no espaço saudita é assegurada por 17 radares norte-americanos fixos AN/FPS-117 e 6 radares móveis AN/TPS-43. Além disso, a Arábia Saudita opera também com 5 aparelhos E-3A e 2 SAAB-2000 (AWACS). A defesa antiaérea saudita é garantida por 10 baterias de mísseis de médio alcance MIM-23 HAWK, 5 baterias de mísseis de longo alcance MIM-114 Patriot e várias dezenas de baterias de mísseis de curto alcance Shahine (Crotale). assim como artilharia clássica antiaérea.

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Os rebeldes hutis lançaram sobre a Arábia Saudita um ataque com 20 drones e, pelo menos, um míssil de cruzeiro a partir do Iémene. Para os não-iniciados, o míssil de cruzeiro funciona também como um drone com motor a reacção. Os alvos foram a refinaria de Abqaiq e a instalação petrolífera de Khurais, ambas pertencendo à Aramco. O resultado foi o incêndio e a interrupção do fornecimento de gás e petróleo por um período indeterminado.

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Os média (mídia-br) ocidentais afirmam que os Estados Unidos localizaram o sítio de lançamento dos drones e que este se situa no sul do Irão. Isso é impossível, já que os Estados Unidos têm uma cadeia de alerta que vigia a costa iraniana 24 horas sobre 24, do Kuwait aos Emirados Árabes Unidos, na qual participa igualmente a 5ª Frota dos EUA, cujo porto base está no Barém.

O mais extraordinário é que os aviões de combate do Iémene tenham tido uma precisão máxima sobre os alvos escolhidos, muito embora tenham voado em ziguezague mais de 800 km contornando as zonas de detecção. O planeador (planejador-br) de operações conhecia perfeitamente os elementos-chave das instalações petrolíferas sauditas, selecionando para cada uma o número mínimo de meios de ataque. Conforme ao princípio «de economia de forças e meios» da ciência militar. A probabilidade de penetrar a defesa antiaérea saudita acabou sendo total, já que os drones não foram detectados por nenhum radar.

Após o 11 de Setembro de 2001, o Presidente do Iémene, Abdullah Saleh, declarou o seu apoio a George Bush na guerra contra o terrorismo. Os Estados Unidos ofereceram ao Iémene um generoso apoio militar. Acima de tudo, formaram a Força Aérea iemenita nas suas escolas militares, forneceram-lhe munições e técnicas de combate. O Iémene recebeu 8 aviões de transporte (incluindo 2 C-130 Hércules) e 14 aviões de combate F-5E. Além disso, recebeu 26 helicópteros de combate (incluindo o UH-1H). Por conseguinte, o exército iemenita não está tão «de mãos vazias» quanto a imprensa ocidental o apresentou.

Em 7 de Julho, na presença do Ministro da Defesa, o Major-General Mohammed Nasser, os rebeldes hutis revelaram os novos sistemas de armas fabricados localmente. Tratava-se, nomeadamente, do míssil de cruzeiro Quds-1, o míssil balístico táctico Badir-F e os drones propulsionados por motores a pistão Samad-1, Samad-3 e Qasef-2K. Uma foto mostra a fixação de um reservatório, como uma bossa, para aumentar o alcance.

Sabe-se que alguns drones utilizam motores de carros pequenos ou de motos de pequena cilindrada, de 250 a 1. 000 centímetros cúbicos, fabricados na Europa, como o drone iemenita Samad-3. Uma parte dos mísseis de cruzeiro utiliza um pequeno motor a reacção (APU), usado pelos aviões de transporte e pelos helicópteros, para a produção de energia quando os motores estão em paragem, ou para arrancar motores na ausência de uma fonte de arranque com a qual os aeródromos estão equipados. Os Iemenitas têm helicópteros dos EUA e talvez possam ter montado a sua APU na primeira série de mísseis de cruzeiro. Como fizeram inúmeros Estados, que criaram drones-alvo para testar a eficácia dos seus sistemas antiaéreos. No entanto, os rebeldes hutis têm um número impressionante de tais motores fabricados em França, na Itália, na Alemanha, no Japão, etc. O lançamento e a aceleração de drones e de mísseis de cruzeiro fazem-se com um motor de foguete de combustível sólido. O motor de APU para o vôo pesa 20 kg, tem um consumo específico de 0,7 a 3,12 l /min e uma velocidade de 650 a 800 km/h. Com um tanque de 250 a 300 l, o míssil de cruzeiro pode atingir as refinarias sauditas. Ora, não há qualquer restrição à comercialização desses dois tipos de motores.

Para melhor se compreender a situação, vou primeiro traduzir o conceito de defesa contra os drones e mísseis de cruzeiro para uma linguagem comum. A vulnerabilidade dos alvos tem a ver com a escassa distância de detecção destes meios ofensivos por radar, situando-se abaixo dos 30-40 km. Devido ao seu pequeno tamanho, aos seus materiais não metálicos e ao seu perfil de vôo, situado a cerca de 10 m acima do solo, a impressão no radar é dificilmente observável. A distância de 30 a 40 km diminui ainda mais em função da altura da antena e do raio do círculo coberto pela antena. Por exemplo, o radar do míssil Patriot tem um raio de 120º, em 360º .

Os radares dos satélites militares de rastreio não estão à altura de detectar os mísseis de cruzeiro ou os drones. Nestes casos, a defesa antiaérea de uma área compreendendo o conjunto do território nacional não é eficaz porque requer forças consideráveis. É por isso que a defesa de objectivos importantes é organizada segundo as direções de risco quanto aos acessos mais prováveis.

A probabilidade de detecção aumenta com a cooperação entre a rede de radar terrestre e os radares embarcados nas aeronaves remotas AWACS ( Airborne Early Warning and Control ) dispondo de uma área de detecção mais extensa. Aquando da aproximação dos drones aos seus alvos, a Arábia Saudita com um Saab-2000 de matricula 6002, com o indicativo rádio BAHAR 46, alojando um radar do tipo AEW, poderia tê-los detectado. Porém, o AWACS tinha sido enviado em patrulha para o lado oposto, para a fronteira iraquiana. Para a detecção de aparelhos voando a baixa altitude, a defesa directa contra um pequeno objectivo pode utilizar plataformas de radar de tipo dirigível ou balões ancorados ao solo.

Se drones ou mísseis de cruzeiro forem detectados com antecedência, e se aviões de combate se encontrarem na área de intervenção aérea na proximidade do alvo, eles serão interceptados por mísseis ar-ar, com ajuda de sensores infravermelhos ou de radares embarcados. Caso contrário, esta tarefa recai sobre a defesa antiaérea que usa mísseis de longo, médio, curto, ou muito curto alcance e sistemas de artilharia de pequeno calibre CIWS (Kashtan, Goalkeeper, Meroka, Oerlikon Millenium, etc.). No caso das refinarias, deve notar-se que os mísseis antiaéreos de curto e muito curto alcance, guiados por feixe térmico, são automaticamente dirigidos para a chama do gás de combustão, e não para o alvo aéreo.

Supondo que os radares descobrem o alvo aéreo cerca de 20 a 25 km antes do ataque, o tempo antes de impacto no alvo é de 100 a 110 segundos. Subtraímos daqui um tempo passivo de 10 a 30 segundos necessário para preparar o lançamento de mísseis antiaéreos de longo, médio e curto alcance. Se a primeira salva de mísseis não destruiu o alvo, o segundo lançamento de misseis, composto por mísseis de muito curto alcance, é efectuado para um raio de 7 a 9 km. Quando a distância de detecção é muito pequena, mas o tempo de impacto ainda é superior a 65 segundos, todos os tipos de mísseis antiaéreos são lançados simultaneamente. O último recurso é representado pelos sistemas de artilharia CIWS (canhões rotativos de 6 tubos de 20 a 35 mm), com uma cadência de tiro de até 8. 000 projécteis/minuto, com um alcance de 3 km e uma eficácia máxima de cerca de 500 m. Se tiver que se fazer face a ataques em vagas sucessivas, em intervalos muito próximos, usando inúmeros drones e mísseis de cruzeiro, em direções diferentes, à medida que os Iemenitas progridem, os canais do serviço de defesa ficam saturados e o sistema bloqueia.

Os ataques preventivos constituem o método mais eficaz para lutar contra os drones e os mísseis de cruzeiro. Assim, os seus lançadores, os seus armazéns de componentes e os seus hangares de montagem devem ser alvejados. Tudo depende da exactidão das informações recolhidas pelos serviços de inteligência militar.

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Os Norte-americanos começaram a analisar metodicamente o ataque de drones Iemenitas a estas instalações petrolíferas, tanto mais que os seus sistemas antiaéreos mais capazes estavam presentes. O relatório é secreto mas o Instituto de Estudos Internacionais Middleburry, de Monterey, publicou várias fotos de satélite, desclassificadas, do sistema de defesa da refinaria de Abqaiq antes do ataque. No que diz respeito à refinaria de Abqaiq que foi atingida pelos drones Iemenitas, o dispositivo de defesa directa foi instalado pelos Estados Unidos (foto acima). Num raio de 10 km, à volta da refinaria, foram colocadas 2 baterias Patriot PAC-2/3 de longo alcance, uma bateria de mísseis Shahine-Crotale de curto alcance e 3 secções de artilharia com radar do tipo Oerlikon e câmeras Skyguard.

O centro de controle de tiro para os sistemas de artilharia antiaérea sauditas é baseado no equipamento de radar Skyguard com um alcance de 20 km, para os alvos evoluindo a mais de 5.000 m, e de 5 km para alvos voando a menos de 500 m. Uma peça de Oerlikon dispõe de um canhão com dois tubos de 35 mm, com uma cadência de tiro de 550 a 1. 000 projécteis/minuto. Uma secção de artilharia que defende uma direção de entrada é composta por 3-4 peças Oerlikon.

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Numa imagem de satélite de Abril de 2019, nota-se que a bateria Patriot colocada a sudoeste da refinaria de Abqaiq foi recolocada pelos Sauditas numa outra zona. Numa outra imagem de satélite, vemos o dispositivo de defesa antiaérea da refinaria datado de 14 a 15 de Setembro. A segunda bateria Patriot, colocada a leste da refinaria, está ausente, mas a primeira bateria Patriot regressou ao dispositivo. Como é que a bateria de Patriot funcionaria, na rede automatizada, se o seu radar não é capaz de detecção, e porque é que os alvos não detectaram, eles próprios, um radar de rede Fps-117 ou 43? Além disso, pode constatar-se que duas das três posições das secções de artilharia, respectivamente a do sudoeste e a de sudeste, estão vazias (ver fotos 14, 15). Por outras palavras, as que teriam podido intervir num ataque vindo do Iémene. O que levanta grandes questões sobre a saúde mental do líder do sector (ADOC) que ordenou essa recolocação.

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Se a estação de radar da bateria Shahine-Crotale e a da secção de artilharia antiaérea do Norte tivessem funcionado e detectado os alvos, os Sauditas tinham menos de um minuto para reagir. Para os mísseis Shahine-Crotale, o tempo de preparação era insuficiente para abrir fogo. Os drones iemenitas voavam a uma altitude de 5 a 10 m vindos do sul e a secção de artilharia do Norte da refinaria foi a única a disparar para cima, por entre as colunas das infraestruturas, caindo alguns dos projécteis sobre a refinaria. Isso explica o facto de que, muito embora os Iemenitas tenham usado 18 + 1 aparelhos de ataque para os dois alvos Sauditas, só na refinaria de Abqaiq é que houve 27 focos de incêndio.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Houthis: novos ataques contra Arábia Saudita estão em preparação

Lançamento de míssil balístico pelos houthis contra a Arábia Saudita
© REUTERS / Houthi Military Media Unit

O movimento rebelde dos houthis, que controla o norte do território do Iêmen, disse que está preparando novos ataques contra a Arábia Saudita. 

Segundo o grupo, a ação será levada a cabo se Riad não responder aos pedidos para cessar suas hostilidades. Em meados de setembro os houthis reivindicaram a autoria dos ataques contra refinarias de petróleo sauditas, que ocasionaram uma forte queda na produção do país. 

A Arábia Saudita lidera uma coalizão que combate os houthis no Iêmen ao lado do governo local. Os rebeldes, por sua vez, são apoiados pelo Irã. Após a ofensiva, o grupo disse que iria suspender os ataques com drones, e pediu para Riad fazer o mesmo. 

"Preparações de larga escala estão em andamento para ataques irrestritos e poderosos, que serão suficientes para derrubar o agressor se esforços de paz e diálogo não trouxerem sucesso", disse o Conselho Político Supremo dos Houthis em um comunicado, segundo publicado pela emissora Almasirah TV, que é controlada pelo movimento. 

'Ponta de um iceebrg'

De acordo com o órgão, os ataques nas instalações sauditas foram apenas "a ponta de um iceberg" em comparação com a capacidade dos rebeldes. 

Após os houthis anunciarem a suspensão dos ataques com drones, a mídia indicou que a Arábia Saudita tinha concordado com um cessar-fogo. No entanto, o movimento informou que as ofensivas sauditas continuavam. 

Riad acusa o Irã de estar por trás dos ataques contra a refinarias, argumentando que os rebeldes não tem poder de fogo suficiente. Teerã, por sua vez, nega participação na ação e diz que as alegações da Arábia Saudita e dos EUA, que também acusam o Irã, fazem parte de um complô.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019100214591775-houthis-novos-ataques-contra-arabia-saudita-estao-em-preparacao/

VIRAGEM NA GUERRA DO IÉMENE, NÃO FAVORÁVEL À ARÁBIA SAUDITA

 

Três brigadas sauditas derrotadas em ofensiva relâmpago dos houthis
Resumido a partir de:
Federico Pieraccini via The Strategic Culture Foundation

Muita gente pode ter sido levada a acreditar que os houthis são uma milícia tribal que não possui qualquer sofisticação.  

No Sábado 28 de Setembro, os houthis cancelaram qualquer especulação nesse sentido, ao confirmar aquilo que as pessoas bem informadas já sabiam desde há meses: as tácticas da guerra assimétrica dos houthis conjugadas com as capacidades convencionais do exército iemenita, eram capazes de colocar de joelhos o reino saudita.

Elementos simpatizantes dos huthis dentro da Arábia Saudita – uma importante minoria xiita – desempenharam um papel de reconhecimento e de fornecimento de informações que permitiram que o exército iemenita levasse a cabo complexos ataques com mísseis e com drones. Os golpes certeiros fizeram com que a produção petrolífera do Reino ficasse reduzida a metade, com a ameaça de continuar, alcançando outros alvos, se os sauditas não parassem com o genocídio de população do Iémen.

                      

No Sábado 28, os houthis e o exército iemenita levaram a cabo uma manobra audaciosa, de ataque terrestre, atravessando a fronteira iemenita- saudita. Esta operação envolveu, certamente, elementos complexos, quer de recolha de informação por espionagem, quer de planeamento operacional. Foi muito mais sofisticada do que o ataque à refinaria da Aramco. As reportagens iniciais indicam que as forças sauditas foram atraídas para uma ratoeira, ficando em posições vulneráveis, sendo depois envolvidas por um movimento rápido dentro do território saudita. Os houthis cercaram a vila de Najran e capturaram a maior parte de três brigadas, com milhares de soldados e dúzias de oficiais superiores, assim como numerosos veículos de combate.

A operação em larga escala foi antecedida por uma barragem de tiros de artilharia pelos iemenitas contra o  Aeroporto de Jizan, onde 10 mísseis paralisaram todos os movimentos de partidas e chegadas. Isto fez com que o apoio aéreo às tropas cercadas em Najran fosse impossível.  Os houthis também atingiram o aeroporto internacional de Riade, numa operação que obrigou os helicópteros Apache aí estacionados a fugir da área. As bases vizinhas também foram atingidas, de forma a cortar a possibilidade de reforços e interrompendo a cadeia de comando. Isto levou a uma fuga desorganizada das forças sauditas.

Imagens captadas e exibidas pelos houthis mostram dúzias de veículos tentando fugir e a serem atacados, de ambos os lados da estrada. Este desastre para as forças sauditas, pode ser confirmado pelo número elevado de baixas e pelo número de prisioneiros que foram feitos.  

                          EFpDzYnUEAE5T_G A visão de prisioneiros sauditas escoltados por soldados iemenitas para campos de prisioneiros é qualquer coisa que desafia a imaginação. Porém, isto aconteceu e mostra como é frágil um exército muito bem equipado (os sauditas têm o 3º lugar mundial no que toca a despesas de armamento, com 90 biliões de dólares por ano, de orçamento militar) mas confiando apenas nessa suposta superioridade tecnológica.  Os houthis, além de todos acontecimentos acima relatados, conseguiram manter sob controlo mais de 350 quilómetros de território saudita.

As forças houthis usaram drones, mísseis, sistemas anti-aéreos e dispositivos electrónicos capazes de prevenir que os sauditas apoiassem as suas tropas cercadas com aviação ou por outros meios. Os testemunhos de soldados sauditas dão a entender que as tentativas feitas para os socorrer foram feitas sem grande convicção e tiveram pouco efeito. Os prisioneiros de guerra sauditas acusam as chefias militares de terem-nos deixado à mercê dos seus adversários.

Ver também:

https://ogmfp.wordpress.com/2019/09/18/o-cisne-negro-ataque-com-drones-a-instalacoes-petroliferas-da-arabia-saudit


Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Quando 'mais' não quer dizer 'melhor'

Quando 'mais' não quer dizer 'melhor'

Os EUA vão instalar mais uma bateria de mísseis terra-ar Patriot após ataques a refinarias da Saudi Aramco, informou o porta-voz do Pentágono Jonathan Hoffman.

Além disso, Washington vai enviar para a Arábia Saudita cerca de 200 militares e quatro radares Sentinel.

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, também aprovou a ideia de enviar mais duas baterias do Patriot e um sistema de defesa antimíssil THAAD, entretanto, a decisão sobre a instalação do armamento ainda não foi tomada.

Os representantes do Pentágono notam que a instalação de mais forças vai consolidar a segurança do país árabe, assim como a das forças norte-americanas na região, e exprimem a esperança de que outros países da região também contribuam no fortalecimento da defesa da Arábia Saudita.

Na semana passada, militares norte-americanos reconheceram a derrota do Patriot durante o ataque com drones e mísseis às refinarias sauditas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2019092714568943-quando-mais-nao-quer-dizer-melhor/

Ataques na Arábia Saudita? Irão é responsável, diz Macron, Merkel e Boris

 
 
Os líderes da França, Alemanha e Reino Unido acusaram hoje o Irão de ser responsável pelo ataque que ocorreu no dia 14 às instalações petrolíferas sauditas, pedindo que "se abstenha de mais provocações". Irão é responsável
 
"Está claro para nós que o Irão é responsável por este ataque. Não existe outra explicação possível", referem Emmanuel Macron, Angela Merkel e Boris Johnson, num comunicado conjunto, após uma reunião à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
 
O Governo iraniano criticou hoje Boris Johnson, após o primeiro-ministro britânico ter revelado no domingo que o Reino Unido considera o Irão responsável pelos ataques à indústria petrolífera da Arábia Saudita.
 
A agência noticiosa iraniana ISNA informou que o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Abbas Mousavi, criticou os "infrutíferos esforços contra a República islâmica do Irão" e considerou que o Governo britânico "deveria terminar a venda de armas letais à Arábia Saudita", envolvida no conflito do Iémen desde 2015.
 
 
No domingo, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, acusou o Irão de ser, muito provavelmente, responsável pelos ataques às duas instalações petrolíferas na Arábia Saudita.
 
"Posso dizer que o Reino Unido atribui ao Irão, com muito alto grau de probabilidade, os ataques à Aramco (a gigante petrolífera saudita)" de 14 de setembro, disse o líder conservador a bordo de um avião a caminho de Nova Iorque.
 
Os rebeldes Houthis reivindicaram os ataques de 14 drones e mísseis na Arábia Saudita, que resultaram na redução da produção de petróleo no reino em 5,7 milhões de barris por dia, ou seja, 6% da produção mundial.
 
A Arábia Saudita também acusou o Irão, mas Teerão continua a negar qualquer responsabilidade.
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/ataques-na-arabia-saudita-irao-e.html

Irã diz que EUA exageram a magnitude do ataque a Saudi Aramco

Hassan Rouhani
© Sputnik / Sergei Guneev

O presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou que os Estados Unidos exageram no tamanho do dano gerado nas instalações petrolíferas da Arábia Saudita para poder conseguir acordos milionários e manter sua presença na região.

Rohani fez essas declarações pouco antes de viajar para Nova York para participar da 74ª sessão da Assembleia Geral da ONU, onde pretende apresentar o plano de Teerã para a segurança no Golfo Pérsico.

"Eles exageram os danos [causados à Saudi Aramco], a razão disso é que os Estados Unidos querem estender totalmente seu domínio na região para se apoderar do petróleo do leste da Arábia Saudita", disse o presidente em nota.

Segundo Rohani, Washington quer aproveitar os recentes ataques para costurar acordos militares com os países da região e ganhar bilhões de dólares. Para o presidente isso comprova o desejo dos EUA de manterem uma presença permanente da região.

No dia 14 de setembro, as instalações da empresa Saudi Aramco em Abqaiq e Khurais, no leste da Arábia Saudita, foram alvos de um ataque reivindicado pelos rebeldes houthis no Iêmen.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita argumentam que por trás do incidente está o Irã, que rejeita categoricamente seu envolvimento.

O porta-voz do Ministério da Defesa da Arábia Saudita, Turki Maliki, disse em 18 de setembro que as instalações em Abqaiq e Khurais foram atacadas com 18 mísseis e sete veículos aéreos não tripulados fabricados pelo Irã.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019092314548666-ira-diz-que-eua-exageram-a-magnitude-do-ataque-a-saudi-aramco/

Chanceler iraniano explica como houthis conseguiram atacar refinarias sauditas

Apoiantes dos rebeldes houthis mostram modelos de mísseis durante uma manifestação na capital do Iêmen.
© AFP 2019 / MOHAMMED HOWAIS

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif, disse que os rebeldes iemenitas Houthis conseguiram aumentar o alcance de seus mísseis, permitindo-lhes atacar instalações petrolíferas na Arábia Saudita.

O ministro iraniano das Relações Exteriores explicou durante entrevista à CBS que os rebeldes iemenitas receberam armas de seu ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que "as comprou com dinheiro saudita durante sua longa permanência no poder.

Zarif também observou que os houthis têm tecnologia e know-how para melhorar suas armas.

O ministro iraniano destacou também que Riade não apresentou nenhuma prova do envolvimento de Teerã nos ataques.

Sequência de acusações

A situação no Oriente Médio se deteriorou depois que várias instalações petrolíferas da empresa estatal de petróleo e gás Saudi Aramco foram atacadas por drones no dia 14 de setembro, após o que o reino foi forçado a cortar a produção de petróleo em mais de metade.

A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada pelos rebeldes iemenitas houthis, contra os quais a coligação árabe liderada pela Arábia Saudita está combatendo mas Riade e Washington acusaram Teerã do incidente.

O Irã nega todas as acusações, enquanto seu governo enfatizou que os ataques às instalações petrolíferas prejudicam toda a região, e observou que tais acusações são tradicionais para os EUA e não causam surpresa.

Armas de fogo de artilharia do exército saudita em direção às posições houthis da fronteira saudita com o Iêmen.
© REUTERS / Faisal Al Nasser
Armas de fogo de artilharia do exército saudita em direção às posições houthis da fronteira saudita com o Iêmen.

Apesar da falta de provas do envolvimento do Irã no ataque, Trump ordenou que as sanções contra Teerã fossem substancialmente reforçadas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019092314547177-chanceler-iraniano-explica-como-houthis-conseguiram-atacar-refinarias-sauditas/

Irã pede que Arábia Saudita ponha um fim na guerra contra Iêmen

Coalizão da aviação dos países árabes causou ataques aéreos contra a residência do ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh
© Sputnik / Stringer

O Ministério de Relações Exteriores do Irã fez um apelo para que a Arábia Saudita pare com acusações "sem fundamento" e ponha fim à guerra no Iêmen.

O ministro de Estado das Relações Exteriores da saudita, Adel Al Jubeir, afirmou neste sábado que os ataques contra instalações petrolíferas da Riad dos feridos realizados a partir do Irã e não do Iêmen.

“Ao invés de acusações sem fundamento contra outros, o governo da Arábia Saudita deveria pôr um fim à guerra devastadora no Iêmen que não criou nada mais que assassinatos de pessoas inocentes e destruições desse país”, diz a declaração do porta-voz da chancelaria iraniana, Abás Musaví.

O porta-voz rechaçou mais uma vez as acusações de que Teerã teria participado dos ataques contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita.

Em 14 de setembro, a Arábia Saudita, o maior exportador e um dos principais produtores de petróleo do mundo, cortou em quase cinquenta por cento o seu fornecimento diário do produto em função dos ataques de drones às instalações da companhia estatal de petróleo, a Saudi Aramco.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019092114542772-ira-pede-que-arabia-saudita-ponha-um-fim-na-guerra-contra-iemen/

As explosões que abalaram a Arábia Saudita

 
 
As maiores instalações de petróleo do mundo estão em chamas e os EUA têm as mãos amarradas. Como os rebeldes do Iêmen, massacrados há anos, vingaram-se e sacudiram o xadrez político de uma das regiões mais explosivas do planeta
 
Pepe Escobar | Tradução: Antonio Martins | Imagem: Sebastião Salgado
 
Somos os Houthis e estamos entrando em cena. Com o ataque espetacular às duas maiores refinarias de petróleo sauditas, em Abqaiq, os houthis do Iêmen sacudiram o xadrez político no Sudeste da Ásia e foram tão longe que introduziram uma dimensão totalmente nova: a possibilidade de tirar do poder a Casa de Saud, [dinastia monárquica saudita].
 
Contra-ataque é uma merda. Os houthis – xiitas zaidistas do norte do Iêmen e os wahhabistas sauditas estão há muito na garganta uns dos outros. O livro Tribes and Politics in Yemen, de Marieke Brandt, é essencial para compreender a complexidade estonteante das tribos Houthis. Além disso, ele situa o conflito no sul da Península Árabe além de uma mera guerra por procuração entre o Irã e a Arábia Saudita.
 
Ainda assim, é sempre importante considerar que os xiitas árabes da Província Oriental [da Arábia Saudita], que trabalham nas instalações de petróleo deste país são aliados naturais dos houthis em combate contra Riad.
 
A surpreendente capacidade houthi – de enxames de drones a ataques com mísseis balísticos – ampliou-se de modo notável no último ano. Não foi por acidente que a União de Emirados Árabes percebeu para que lado sopravam os ventos geopolíticos e geoeconômicos: Abu Dhab retirou-se da guerra absurda do príncipe saudita Mohammad bin Salman contra o Iêmen e está engajada agora no que descreve como uma estratégia de paz.
 
Mesmo antes de Abqaiq, ou houthis já haviam tramado alguns ataques contra instalações petrolíferas sauditas, além de ataques aos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi. No início de julho, o Centro de Comando de Operações do Iêmen exibiu fartamente, em Sana’a [a capital do país] seu amplo acervo de drones e mísseis, balísticos e alados.
 
A situação chegou a um ponto em que há, no Golfo Pérsico, conversa constante sobre um cenário espetacular: os houthis investindo numa louca corrida através do deserto para capturar Meca e medina, em conjunção com uma revolta maciça dos xiitas no cinturão de óleo do Oriente. Não é mais algo impossível. Coisas estranhas aconteceram no Oriente Médio. Basta lembrar que os sauditas não são capazes sequer de vencer uma rixa de bar – e por isso, dependem tanto de mercenários.
 
 
O Orientalismo ataca outra vez
 
O refrão das agências norte-americanas, segundo o qual os houthis são incapazes de tais ataques sofisticados trai os piores traços de orientalismo e do complexo e carga de superioridade do homem branco. As únicas partes de mísseis exibidas pelos sauditas até agora vêm de um míssil de cruzeiro yemeni Quds1. Segundo o general-brigadeiro Yahya Saree, porta-voz das Forças Armadas Yemenis, sediadas em Sana’a, “o sistema Quds provou sua grande capacidade de atingir seus alvos e despistar os sistemas de interceptação inimigos”.
 
As forças armadas houthis assumiram a responsabilidade por Abqaiq: “Esta operação é uma das maiores executadas por nossas forças no interior da Arábia Saudita e seguiu-se a uma operação acurada de inteligência, monitoramento avançado e cooperação de homens livres e honrados no interior do reino [saudita]”.
 
Repare no conceito chave: “cooperação” no interior da Arábia Saudita – que poderia incluir todo o espectro de iemenitas na Província Oriental xiita.
 
Ainda mais relevante é o fato de que montanhas de equipamento norte-americano instaladas no interior e exterior da Arábia Saudita – satélites, o sistema de vigilância AWACS, mísseis Patriot, drones, navios de guerra, jatos – não viram nada, ou pelo menos não o fizeram a tempo. O avistamento, por um caçador de pássaros no Kuwait, de três drones supostamente dirigidos à Arábia Saudita é apresentado como “prova”. Sinal da imagem embaraçosa de que um enxame de drones – de onde quer que tenha vindo – voando sem obstáculos, por horas, sobre o território saudita…
 
Funcionários norte-americanos admitem abertamente que agora tudo o que importa está ao alcance dos 1500 km de alcance do novo drone UAV-X dos houthis: campos de petróleo da Arábia Saudita, um usina nuclear ainda em construção nos Emirados e o mega-aeroporto de Dubai.
 
Minhas conversações com fontes em Teerã, nos dois últimos anos, deixaram-me seguro de que os novos drones e mísseis houthis são, em essência, cópias de designs iranianos, montados no próprio Iêmen com apoio crucial de engenheiros do Hezbollah.
 
As agências norte-americanas insistem que 17 drones e mísseis de cruzeiro foram lançados de modo combinado, a partir do sul do Irã. Mas radares Patriot teriam captado suas trajetórias e os derrubado. Até agora, nenhum registro de sua trajetória foi revelado. Especialistas em temas militares em geral concordam que o radar dos mísseis Patriot é bom, mas sua taxa de êxito é controversa, para dizer o mínimo. O importante, mais uma vez, é que os houthis foram capazes de construir mísseis ofensivos. E sua acurácia em Abqaiq é excepcional.
 
No momento, parece que o vencedor da guerra da Arábia Saudita, apoiada pelos EUA e Reino Unido, contra a população civil iemenita – este conflito que começou em março de 2015 e gerou uma crise humanitária considerada pela ONU como de bíblicas proporções – não é o príncipe coroado, conhecido pelas iniciais MBS.
 
Ouçam o general
 
As torres de estabilização de petróleo cru em Abqaiq – muitas delas – foram alvos específicos, junto com tanques de armazenamento de gás natural. Fontes do Golfo Pérsico contam que a reparação e ou reconstrução pode levar meses. Até Riyad admitiu o mesmo.
Culpar cegamente o Irã, sem provas, não ajuda. Teerã conta com grandes grupos de pensamento estratégico. Eles não precisam nem querem explodir o Sudeste Asiático, algo que poderiam fazer. Os generais da Guarda Revolucionária do Irã disseram muitas vezes, de forma aberta, que estão prontos para a guerra.
 
O professor Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, que tem relações muito próximas com o ministério das Relações Exteriores, é claríssimo: “[O ataque] Não partiu do Irã. Se tivesse partido, seria muito embaraçoso para os norte-americanos, porque mostraria que são incapazes de detectar um grande número de drones e mísseis iranianos. Não faz sentido.”
 
Marandi acrescenta: “As defesas aéreas sauditas não estão equipadas para defender o país do Iêmen, mas do Irã. Os iemenitas estão se tornando cada vez melhores. Desenvolvem tecnologia de drones e mísseis há quatro anos e meio. Foi um alvo muito fácil.
 
Um alvo fácil e desprotegido. Os sistemas US PAC-2 e PAC-3, instalados na Arábia Saudita, estão todos orientados para o leste, na direção do Irã. Nem Washington, nem Riyad sabe com segurança de onde vieram os mísseis ou enxames de drones.
 
Os leitores deveriam prestar muita atenção à entrevista arrasadora com o general Amir Ali Hajizadeh, comandante da Força Aérea dos Guardas Revolucionários Islâmicos, do Irã. Feita em farsi (com legendas em inglês), ela foi concedida ao intelectual iraniano Nader Talebzadeh, que está sob sanções norte-americanas. Inclui questões sugeridas por mim e pelos analistas norte-americanos Phil Giraldi e Michal Maloof, em quem confio.
 
Ao explicar a autossuficiência do Irã em defesa, Hijazadeh parece um ator muito racional. A linha básica: “Nossa interpretação é que nem os políticos norte-americanos, nem nossos governantes querem uma guerra. Se um incidente como o ocorrido com o drone [refere-se, aqui ao RQ-4N, derrubado pelo Irã em junho] ocorrer, ou se sobrevier um mal entendido, e se isso conduzir a uma guerra em larga escala, é outro assunto. Nesse caso, estaremos sempre preparados.”
 
Ao responder a uma de minhas perguntas, sobre que mensagem os Gurdas Revolucionários querem deixar, especialmente aos Estados Unidos, Hajizadeh não economiza palavras: “Além das bases norte-americanas em várias regiões, como o Afeganistão, o Iraque, o Kuwait, os Emirados e o Qatar, são nossos alvos todos os navios, até uma distância de 2 mil km. Nós os monitoramos constantemente. Eles pensam que se se afastarem 400 km, estarão fora de nosso alcance. Onde quer que estejam, basta uma fagulha. Nós atingimos seus navios, suas bases aéreas, suas tropas.
 
Compre seu S-400 ou mais
 
No front energético Teerã tem jogado com muito precisão, mesmo pressionada. Vende carregamentos de petróleo, desligando os transponders de seus petroleiros quando eles deixam seus portos e transferindo o petróleo em mar, de petroleiro para petroleiro, à noite, pagando um pouco para recarimbar a carga como se tivesse origem outros produtores. Confirmei isso há semanas com os traders do Golfo Pérsico em quem confio – e todos o confirmam. O Irã pode continuar nesta toada para sempre.
 
O governo Trump, é claro, sabe. Mas o fato é que olha de lado. Para dizer em poucas palavras: foi pego numa armadilha por sua loucura total, ao se retirar do acordo nuclear internacional com o Irã. Busca uma saída para salvar a face. A chanceler alemã Angela Merkel advertiu-o com todas as palavras: Washington precisa voltar ao acordo que renegou, antes que seja tarde demais.
 
E aqui chegamos ao ponto de arrepiar os cabelos.
 
O ataque a Abqaiq mostra que toda a produção de petróleo do Oriente Médio, de mais de 18 milhões de barris por dia – incluindo o Kuwait, o Qatar, os Emirados Árabes e a Arábia Saudita – pode ser facilmente atingida. A defesa adequada contra drones e mísseis é zero. Aqui entra a Rússia.
 
Eis o que ocorreu na entrevista coletiva após o encontro de cúpula de Ancara sobre a Síria, que reuniu esta semana os presidentes Putin, da Rússia, Rouhani, do Irã e Erdogan, da Turquia.
 
Pergunta: A Rússia abastecerá a Arábia Saudita com qualquer apoio para restaurar sua infraestrutura?
 
Putin:  Sobre este tema, está escrito também no Corão que todo tipo de violência é ilegítimo, exceto para proteger o próprio povo. Se for para proteger a Arábia Saudita e seu povo, estamos prontos a oferecer a assistência necessária. Os líderes políticos da Arábia Saudita precisam tomar uma decisão sábia, como tomaram o Irã ao comprar o sistema de defesa contra mísseis [russo] S-300, e o presidente Recep Tayyip Erdogan, quando comprou o último sistema S-400. Eles ofereceriam proteção confiável para todos os equipamentos de infraestrutura sauditas.
 
Hassan Rouhani: Então, eles precisam comprar o S-300 ou o S-400?
 
Putin: Cabe a eles decidir (risos).
 
Em The Transformation of War, Martin van Creveld previu que todo o complexo industrial, militar e de segurança desabaria, quando ficasse claro que a maior parte de suas armas é inútil contra oponentes assimétricos de quarta geração. Não há dúvidas de que todo o Sul Global está observando – e de que captou a mensagem.
 
Guerra híbrida, reloaded
 
E agora entramos em uma dimensão inteiramente nova da guerra híbrida assimétrica.
 
Na hipótese horrível de que Washington decidisse atacar o Irã, animada pelos suspeitos neocons de sempre, o Pentágono jamais poderia esperar atingir todos os drones do Irã e ou do Iêmen. Os EUA poderiam esperar, certamente, uma guerra até o fim. E nesse caso nenhum navio cruzaria o Estreito de Ormuz. Todos sabemos as consequências.
 
O que nos remete à Grande Surpresa. A verdadeira razão por que não haveria navios atravessando o Estreito de Ormuz é que não haveria petróleo para bombear no Golfo Pérsico. Os campos petrolíferos, tendo sido bombardeados, estariam em chamas.
 
E então voltamos à linha básica real, traçada não apenas por Moscou e Pequim mas também por Paris e Berlim. Donald Trump apostou por muito tempo – e perdeu. É preciso encontrar uma saída que lhe salve a face. Se o Partido da Guerra permitir.
 
Na foto: Operários contêm explosão em campos de petróleo no Kuwait, após a guerra de 1991. Agora, os EUA gostariam de agir contra o Irã – mas perderam tanto as condições morais quanto o poder bélico
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/as-explosoes-que-abalaram-arabia-saudita.html

Coalizão liderada pela Arábia Saudita lança ataques aéreos contra alvos dos houthis em Hodeidah, Iêmen

Saná, 20 set (Xinhua) -- A coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou no início de sexta-feira uma série de ataques aéreos contra a cidade portuária iemenita de Hodeidah, no Mar Vermelho, tendo como alvo quatro locais que disse ser usados pelos rebeldes iemenitas de houthi para montar barcos de controle remoto e minas marítimas.

Em um comunicado veiculado pela Agência de Imprensa saudita, o porta-voz da coalizão Turki al-Maliki disse que os lugares atacados no norte de Hodeidah eram usados pelos houthis para executar "operações terroristas" que ameaçam as linhas de transporte marítimo e o comércio internacional no Estreito de Bab al-Mandab e no sul do Mar Vermelho.

Por outro lado, o grupo houthi disse em seu canal de televisão al-Masirah que os ataques aéreos violaram um acordo de cessar-fogo intermediado pela ONU, que foi chegado em Estocolmo no ano passado para suspender o combate em Hodeidah, acrescentando que eles estão prontos para confrontar "qualquer possível agravamento militar".

Os ataques aéreos ocorreram horas depois que a coalizão disse que interceptou e destruiu um barco carregado de bombas no Mar Vermelho na noite de quinta-feira, mas não especificou o alvo pretendido.

Os houthis assumiram na semana passada a autoria dos ataques de drone contra duas importantes instalações da empresa petrolífera Aramco, da Arábia Saudita, paralisando temporariamente a metade da produção de petróleo saudita.

A Arábia Saudita vem liderando uma coalizão militar árabe contra os houthis, aliados do Irã no Iêmen, há mais de quatro anos em apoio ao governo exilado mas internacionalmente reconhecido do presidente iemenita, Abd-Rabbu Mansour Hadi.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/20/c_138408361.htm

O «CISNE NEGRO»: Ataque com drones a instalações petrolíferas da Arábia Saudita

 
   «Foram noticiadas explosões enormes em duas instalações de petróleo da Aramco a empresa exploradora de petróleo da Arábia Saudita. Embora, no imediato, as autoridades sauditas tenham recusado designar os culpados, a média, incluindo a BBC começou imediatamente a insinuar que ou os Houthis do Iémene ou o Irão eram os responsáveis.» (Retirado de artigo de Tony Cartalucci, em Global Research)
 
 
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O problema com estas atribuições é que apenas reforçam um dos lados, como sendo o «agredido». Neste caso a Arábia saudita. Se os Houthis são considerados agentes do Irão (quer isso seja exagerado ou não), automaticamente estão a dar pretexto para uma retaliação, um contra-ataque. Estão a legitimar a transformação de uma guerra local, a agressão da Arábia saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos seus aliados ocidentais, Americanos, Australianos, Britânicos (que se sabe terem mercenários no Iémene), numa guerra «defensiva» contra a suposta «agressão» do Irão. De facto, a media ocidental, parece ser mais o porta-voz dos governos, do que meios independentes noticiosos, que informem com objectividade o que se está passando.
 
Desde há quase cinco anos, está em curso uma guerra brutal contra os grupos Houthis, que derrubaram, no Iémene um governo que tinha o apoio dos sauditas.
Por muito que aleguem, a luta dos Houthis é um problema interno ao Iémene, os sauditas não têm legitimidade para se imiscuírem e, muito menos, pretenderem reinstalar pela força um governo totalmente desacreditado. Mas esse é o pretexto, pois a verdadeira razão é ainda e sempre o petróleo. Com efeito, as reservas de petróleo sauditas são muito menores na realidade que as que apregoam. Para conseguir bombear um litro de petróleo para fora dos poços, têm de bombear muitos litros de água (salgada, retirada do mar, e canalizada para os poços petrolíferos). Pelo contrário, a fronteira norte do Iémene tem grandes reservas de petróleo intactas, as quais seriam exploradas pelos sauditas em condições favoráveis, caso dispusessem de um governo «dócil», do outro lado da fronteira.
 
 
É esta a verdadeira razão da guerra de genocídio, em que a ONU - repetidas vezes - apelou a que levantassem o bloqueio que estava a causar uma mortandade por fome e por epidemias não tratadas, à população civil iemenita. Os sauditas têm cobertura plena, apoio material com fornecimento de material de guerra e de vigilância, pelos sofisticados satélites espiões americanos e outros meios guiando e aumentando a eficácia dos ataques aéreos sauditas e dos emirados.
 
 
Se tivessem um mínimo de decência, as potências ocidentais já teriam feito parar esta criminosa guerra. Mas ela ocorre longe, sobretudo longe dos olhares dos «virtuosos zeladores» dos direitos humanos…
É evidente que uma agressão constante como a que o povo iemenita tem sofrido, vai desencadear uma resposta forte, face a um poder que não recua perante nenhuma atrocidade.
Que os drones tivessem incorporada tecnologia do Irão, parece-me absolutamente verosímil, mas isso não pode legitimar um ataque contra o Irão, da mesma maneira que -hipoteticamente – o ataque dum grupo de guerrilha na Síria, só pelo facto de utilizar armamento americano contra instalações russas, não poderia legitimar um ataque russo contra os EUA!
 
 
Este ataque com drones assinala uma viragem na situação estratégica mundial, pela simples razão de que uma força como a dos Houthis, com capacidade técnica para operar drones, pode causar danos sérios num gigante, quer em termos militares, quer económicos.
Note-se que estes drones estão (em alguns mercados, pelo menos) acessíveis ao público em geral, por somas da ordem de 1500 dólares. Ora, isso corresponde a um efeito multiplicador da ordem de mil, um milhão, ou mais ainda, pelos prejuízos directos que um atentado destes pode trazer – como foi o caso – a uma instalação ultra-sensível, quer em termos de economia dum país, quer mesmo mundial.
 
Não existe maneira absolutamente segura de proteger instalações gigantes de refinação de petróleo ou outras, de outro tipo, que existam noutros pontos do globo. É impossível sequer imaginar uma protecção eficaz dos múltiplos oleodutos e gasodutos que percorrem milhares de quilómetros nesta e noutras regiões do globo.
 
É, portanto, uma viragem no que se poderá chamar de guerra assimétrica; pode significar uma viragem também na forma como os poderes encaram as situações de conflito, se tiverem o mínimo de bom-senso. Torna-se impossível uma guerra convencional ser ganha, nestas circunstâncias. 
Não existe maior fragilidade do que a das civilizações tecnologicamente avançadas, dependentes de redes cibernéticas e de aprovisionamento de energia, sob formas diversas (petrolífera, eléctrica). Mesmo as redes de abastecimento de água e alimentos, estão completamente fragilizadas. 
Um grupo guerrilheiro com uma logística bastante leve pode, em qualquer momento, causar um enorme caos, uma paralisia completa do adversário.
 
A guerra com armas nucleares é uma loucura, pois não há dúvida que acabará por destruir as próprias condições de habitabilidade do Planeta, numa escalada bélica inevitável.
A guerra com armas convencionais, nunca poderá realmente desembocar numa vitória completa sobre adversários, pois pequenos grupos serão capazes de actos de sabotagem eficazes e de efeitos catastróficos, devido à fragilidade do próprio tecido que sustenta as nossas comunicações, as redes energéticas, os circuitos de abastecimento de víveres…
Se houvesse bom-senso, as grandes potências militares tratariam de encontrar meios não militares, mas antes diplomáticos, de resolver os seus conflitos.
 
Quantos milhões de mortos e de vítimas da brutalidade da guerra tecnológica haverá no Iémene e em muitos outros pontos do Globo, até que esta simples e clara evidência de estratégia seja compreendida pelos responsáveis políticos e militares: 
Não há possibilidade de vitória militar. O único meio de resolver os diferendos é por via diplomática.
 
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Irã exige provas de acusações e não descarta 'guerra generalizada', diz Zarif

Porta-voz do Ministério da Defesa, coronel Turki Al-Malik mostra destroços de míssil que atingiu as refinarias sauditas.
© REUTERS / HAMAD I MOHAMMED

Ontem, o Ministério da Defesa saudita organizou uma conferência de imprensa para mostrar aos jornalistas o suposto míssil de cruzeiro iraniano e drones.

Comentando uma recente apresentação pela Arábia Saudita de uma suposta prova de que Teerã estaria envolvido no recente ataque a refinarias sauditas, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que precisa de ver essa prova.

"Quanto ao ataque às instalações petrolíferas da Aramco, caso eles tenham provas reais da cumplicidade iraniana, então, que as mostrem", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Mousavi à emissora Al Alam.

Em meio às acusações, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, afirmou à CNN nesta quinta-feira (19), que a República Islâmica não admitirá um ataque contra seu país e, responderia com uma "guerra generalizada".

"Estou fazendo uma declaração muito séria de que não queremos guerra, não queremos nos envolver em um conflito militar, mas não vamos pestanejar quanto a defender o nosso território", afirmou Zarif.

​"Ato de guerra" ou Agitação para Guerra? O que resta do time B (+ aliados ambiciosos) estão tentando instigar Donald Trump à guerra. Para seu próprio bem, eles devem rezar para que não consigam o que tanto desejam. Eles ainda estão pagando pela guerra do Iêmen, eles foram arrogantes demais para terminá-la quatro anos atrás.

No último sábado (14), a Saudi Aramco foi obrigada a fechar duas de suas instalações depois de estas serem atacadas por drones, o que posteriormente levou ao corte na produção de petróleo em quase metade, resultando no aumento dos preços do petróleo em todo o mundo.

Fotografia, divulgada pelo governo dos EUA, mostra danos causados após ataque de drones à instalação de petróleo de Khurais, da Saudi Aramco, na Arábia Saudita
© AP Photo / Governo dos EUA/Digital Globe
Fotografia, divulgada pelo governo dos EUA, mostra danos causados após ataque de drones à instalação de petróleo de Khurais, da Saudi Aramco, na Arábia Saudita

O Ministério da Defesa saudita mostrou nesta quarta-feira ( 18) um suposto míssil de cruzeiro iraniano e drones que teriam sido utilizados no ataque.

Contudo, antes de as supostas provas terem sido tornadas públicas, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, culpou o Irã pelo ataque, que, por sua vez, negou as acusações.

Posteriormente, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou durante uma reunião com o príncipe saudita, Salman bin Hamad Al-Khalifa, que, com base nas evidências que havia visto, o Irã seria responsável pelo ataque.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091914534383-ira-exige-provas-acusacoes-guerra-generalizada/

Secretário de Estado dos EUA diz que ataque contra sauditas foi "ato de guerra" do Irã

Secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo
© AP Photo / Phil Nijhuis

O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse nesta quarta-feira (18) que o ataque contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita pode ser considerado um "ato de guerra" do Irã.

Riad, por sua vez, afirmou que as evidências demonstram que a ação contra seu território, lançada por drones e mísseis, foi "inquestionavelmente patrocinada pelo Irã".

Teerã, no entanto, nega participação na ofensiva, assumida pelos rebeldes houthis do Iêmen, país que vive uma guerra civil desde 2015 entre os insurgentes, apoiados pelo Irã, e o governo, que recebem ajuda da Arábia Saudita. Os houthis acusam o reino de matar milhares de pessoas no conflito.

Teerã disse que iria responder imediatamente caso seja alvo de algum ataque. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que iria aumentar ainda mais as sanções financeiras contra o Irã.

O país já vem sofrendo uma série de restrições aplicadas pelos americanos, que deixaram o pacto nuclear costurado entre potências ocidentais e Teerã.

"Não importa se houthis assumiram ataque", diz Pompeo

Em uma coletiva de imprensa, o porta-voz das Forças Armadas sauditas, Turki al-Malki, disse que o ataque que atingiu refinarias no país foi "lançado do norte e inquestionavelmente patrocinado pelo Irã". O Iêmen fica ao sul da Arábia Saudita, enquanto o Irã e o Iraque se situam ao norte.

Durante a coletiva, foram apresentadas drones despedaçados e queimados, além de pedaços de mísseis, identificados por Riad como equipamentos iranianos. Segundo Riad, 18 drones e 7 mísseis foram lançados no ataque.

Logo ao chegar em Riad, Pompeo disse que a Arábia Saudita foi a "nação atacada em seu solo, um ato de guerra contra ela". Antes, ele afirmara que "não importa" se os houthis assumiram responsabilidade, trata-se de um "ataque iraniano".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091814532216-secretario-de-estado-dos-eua-diz-que-ataque-contra-sauditas-foi-ato-de-guerra-do-ira/

Arábia Saudita afirma ter provas da participação do Irã nos ataques a suas refinarias

 

Segundo Ministério da Defesa saudita, Irã teria usado drone do tipo Delta Wing para atacar instalações petrolíferas da Saudi Aramco.

As instalações petrolíferas da Saudi Aramco teriam sido atacadas por 25 mísseis de cruzeiro e drones, afirma o Ministério da Defesa da Arábia Saudita.
Isso foi afirmado na quarta-feira (18) durante uma coletiva de imprensa para canais de televisão árabes pelo representante do Ministério da Defesa da Arábia Saudita, Turki al Malki.

"Os ataques contra as instalações da Saudi Aramco foram realizados por 25 mísseis de cruzeiro e drones, inclusive 18 drones e sete mísseis de cruzeiro", disse Turki al Malki.

Ao vivo nos canais de televisão, o Ministério da Defesa do país mostrou 4 mísseis de cruzeiro que teriam sido usados para o ataque contra um dos dois campos petroleiros de Hurais, no leste do país.

Arábia Saudita continua a investigar qual foi o local de lançamento dos mísseis e drones que atacaram as instalações petrolíferas.

"O ataque foi realizado desde o norte e sem dúvidas que foi suportado pelo Irã", declarou Turki al Malki.

"Da investigação resulta evidente que o drone [usado para o ataque contra instalações da Saudi Aramco] é um Delta Wing iraniano", adicionou o representante do Ministério.

Sendo o maior exportador e um dos três maiores produtores de petróleo, a Arábia Saudita depois do ataque contra suas instalações petrolíferas em 14 de setembro reduziu sua produção mais do que em duas vezes – em 5,7 milhões de barris por dia desde o número habitual de cerca de 9,8 milhões. O ministro da Energia da Arábia Saudita afirmou em 17 de setembro que, graças ao uso das reservas, o fornecimento do petróleo já voltou ao nível anterior. A extração perdida até agora foi recuperada em metade.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091814531145-arabia-saudita-afirma-ter-provas-da-participacao-de-ira-nos-ataques-contra-refinarias/

Plano de contra-ataque ao Irã pelas refinarias sauditas incendiadas é proposto a Trump

Presidente dos EUA Donald Trump durante cerimônia para comemorar o 75º aniversário do Dia D, Normandia, França, 6 de junho de 2019
© AP Photo / Alex Brandon

Líderes militares americanos forneceram ao presidente dos EUA um plano de ataque a instalações petrolíferas do Irã em resposta ao suposto envolvimento de Teerã nos ataques a refinarias sauditas, informou mídia.

Durante uma reunião de segurança nacional, realizada na segunda-feira (16), os representantes militares americanos expuseram ao líder norte-americano, Donald Trump, uma estratégia com várias ações retaliatórias, incluindo ataques físicos e cibernéticos, comunicou a NBC News, citando funcionários dos EUA conhecedores da reunião.

De acordo com o Politico, citando fontes próximas a Trump, o presidente americano é contra atacar Teerã, porque ele quer cumprir sua promessa de campanha de manter Washington fora de qualquer novo conflito estrangeiro, além de estar preocupado que uma guerra com o Irã possa ter consequências econômicas.

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Joseph Dunford, comunicou a repórteres na terça-feira (17) que o Comando Central dos EUA enviou peritos forenses para ajudar a Arábia Saudita a avaliar o ataque.

Autorização do Congresso

Posteriormente, o presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara americana, Eliot Engel, informou em uma declaração que o presidente dos EUA precisa de um voto de autorização do Congresso antes de lançar qualquer ataque ao Irã em retaliação aos recentes ataques a refinarias sauditas.

Para Engel, a falta de estratégia da administração Trump gerou escalada e confusão no Oriente Médio.

O senador democrata americano Tim Kaine declarou à MSNBC que ele iria apresentar uma resolução dos poderes de guerra para forçar uma votação imediata para impedir qualquer ação militar não autorizada contra Teerã.

Instalações da Aramco em chamas após ataques na Arábia Saudita
© REUTERS / Hamad I Mohammed
Instalações da Aramco em chamas após ataques na Arábia Saudita

Enquanto que o senador Dick Durbin disse que Washington não possui um tratado de segurança com Riad e, por isso, não tem compromisso de defendê-la, mesmo que as evidências revelem que o país foi atacado pelo Irã.

Ataque a refinarias sauditas

Em 14 de setembro, duas refinarias da petroleira Saudi Aramco foram atingidas por drones e incendiadas. O incidente levou a um corte na produção de petróleo num total de 5,7 milhões de barris por dia - cerca de metade da produção diária de petróleo da Arábia Saudita. O encerramento das instalações petrolíferas provocou um aumento dos preços do petróleo em todo o mundo.

O movimento iemenita Houthis se responsabilizou pelo ataque. Os Estados Unidos, entretanto, atribuíram a culpa ao Irã, enquanto este nega as acusações.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019091814529724-midia-plano-de-contra-ataque-ao-ira-pelas-refinarias-sauditas-incendiadas-e-proposto-a-trump/

Embaixador saudita: ataque a instalações petrolíferas 'quase certamente' foi apoiado pelo Irã

Incêndio em instalações da Saudi Aramco
© REUTERS / Hamad I Mohammed

O embaixador da Arábia Saudita em Londres disse, nesta quarta-feira (18), que o ataque às refinarias sauditas "quase certamente" foi apoiado por Teerã e que as autoridades "estão investigando a questão".

"Quase certamente foi apoiado pelo Irã [...] Estamos tentando não reagir muito rapidamente porque a última coisa que precisamos é de mais conflito na região", disse o príncipe Khalid bin Bandar bin Sultan Al Saud, embaixador saudita em Londres.

"Estamos investigando a questão. Estamos trabalhando com nossos parceiros nos Estados Unidos, na ONU, no Reino Unido e com qualquer pessoa que queira se envolver para nos ajudar a resolver o que aconteceu, descobrir o que aconteceu, de onde eles vieram, o ataque", complementou.

De acordo com uma declaração do movimento Houthi, transmitida pelo canal de TV Almasirah, o grupo lançou dez drones contra as refinarias de Abqaiq e Khurais. O comunicado também disse que os ataques continuarão até que o reino pare suas operações militares no Iêmen, onde os sauditas têm efetuado bombardeamentos contra militantes que apoiam o presidente iemenita Abdrabbuh Mansur Hadi na guerra civil.

Ataque de 'advertência'

Entretanto, o ministro da Defesa iraniano, Amir Hatami, insistiu que Teerã não desempenhou qualquer papel nos ataques.

"Evidentemente, foi um confronto militar entre os dois países. Os iemenitas foram um dos lados, eles próprios disseram que o fizeram", disse o ministro, conforme citado pela agência de notícias ISNA

O presidente iraniano Hassan Rouhani, disse nesta quarta-feira (18), que a ofensiva dos rebeldes iemenitas contra as plataformas da Arábia Saudita foi uma advertência.

"Os iemenitas atacaram as instalações petrolíferas sauditas como um aviso", disse o canal televisivo Press TV, citando o líder iraniano.

Imagem, divulgada pelo governo dos EUA, mostra danos à instalação de petróleo de Khurais, da petroleira Saudi Aramco, localizada na Arábia Saudita
© AP Photo / Governo dos EUA/Digital Globe
Imagem, divulgada pelo governo dos EUA, mostra danos à instalação de petróleo de Khurais, da petroleira Saudi Aramco, localizada na Arábia Saudita

As refinarias da Saudi Aramco foram atingidas por drones no sábado (14), resultando em um incêndio maciço nas instalações. Os EUA culpam o Irã pelo incidente, enquanto Teerã nega as alegações.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091814529453-ataque-a-instalacoes-petroliferas-sauditas-quase-certamente-foi-realizado-pelo-ira/

Como EUA poderiam se aproveitar dos ataques a refinarias sauditas?

Fumaça é vista após um incêndio nas instalações de Aramco na cidade oriental de Abqaiq, Arábia Saudita
© REUTERS . Hamad I Mohammed

Os EUA vão usar os ataques de drones a refinarias da Arábia Saudita do sábado passado (14) para aumentar a pressão sobre o Irã, ponderou Boris Dolgov, pesquisador do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Academia de Ciências da Rússia.

De acordo com Dolgov, os EUA vão usar ataques a refinarias sauditas da mesma forma que usaram os ataques contra petroleiros no golfo Pérsico, ou seja, para intensificar a pressão político-diplomática, e talvez político-militar, sobre o Irã.

"Talvez o Irã não tenha nada a ver com esses ataques, porque os houthis agem independentemente e não a mando do Irã", ressaltou à Sputnik.

Dolgov acrescentou que os rebeldes houthis e o movimento Ansar Allah conseguiram "aumentar reputação" com os ataques a refinarias sauditas ao mostrar que houthis são capazes de atacar uma das mais importantes potências do golfo Pérsico e até mesmo influenciar o preço do petróleo, visto que Arábia Saudita diminuiu produção após ataques.

"Ou seja, os houthis mostraram ser capazes de influenciar não apenas a situação no Oriente Médio e no golfo Pérsico, mas a geopolítica como um todo", agregou.

Conflito militar entre Irã e EUA?

Apesar de a situação ter sido agravada, um conflito militar é improvável, acredita Dolgov.

"Não acredito que haverá um conflito militar amplo e de grande escala, porque é inaceitável tanto para os Estados Unidos quanto para o Irã. Para os EUA seria uma grande guerra, que custaria demais, e com contra-ataque do Irã, que possui mísseis balísticos e aviões", explicou.

Além disso, Boris Dolgov ressaltou que Israel acabaria se envolvendo em caso de conflito entre os EUA e o Irã.

"Israel seria imediatamente atacado pelo Irã em caso de conflito militar com os EUA. O governo iraniano já retrucou as ameaças dos EUA que, em caso de conflito com norte-americanos, 'Israel seria transformado em pó'. Trata-se de um perigo real, por isso é improvável que os EUA ataquem", concluiu.

Ataque a refinarias sauditas

No sábado (14), duas refinarias de petróleo na Arábia Saudita pegaram fogo devido a ataques de drones. A Arábia Saudita, que é uma das maiores exportadoras e uma das três maiores produtoras de petróleo do mundo, declarou que os ataques ocasionaram um corte de mais da metade da produção – 5,7 milhões de barris por dia de uma marca habitual de cerca de 9,8 milhões.

Os rebeldes iemenitas houthis, contra os quais a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita está lutando desde 2015, declararam ser os responsáveis pelos ataques às refinarias sauditas. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, culpou o Irã de estar envolvido nos ataques. E as acusações foram refutadas imediatamente pelas autoridades iranianas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091614525049-como-eua-poderiam-se-aproveitar-dos-ataques-a-refinarias-sauditas/

O ATAQUE ÀS REFINARIAS SAUDITAS

A propósito do ataque desencadeado pelos rebeldes iemenitas contra refinarias sauditas lembrei-me deste episódio de uma aventura de Tanguy e Laverdure por aquelas paragens, desenhada já há uns bons cinquenta anos, que envolve precisamente o ataque contra as instalações de uma grande companhia petrolífera que sustenta um regime despótico num hipotético emirado da região. O que mudou parece ter sido os meios: onde antigamente havia que dispor de aviação, agora a operação pode fazer-se visando as instalações com drones. Mas, como na ficção de outrora, na realidade actual ficam expostas as vulnerabilidades destes alvos económicos em países que estão tão dependentes da exportação de uma matéria prima.
Uma coisa é certa: as imagens de uma refinaria a arder são, como se vê abaixo, de uma estética impressionante, a que as televisões não conseguem dizer que não...

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/09/o-ataque-as-refinarias-sauditas.html

Trump diz estar preparado para responder a ataques contra Arábia Saudita

Presidente dos EUA Donald Trump durante cerimônia para comemorar o 75º aniversário do Dia D, Normandia, França, 6 de junho de 2019
© AP Photo / Alex Brandon

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse estar pronto para responder aos ataques contra seu aliado, Arábia Saudita, após drones terem danificado refinarias do país.

O presidente disse também que sabe que foi o autor do ataque, mas que quer primeiro ouvir a versão de Riad.

 

​Refinarias sauditas foram atacadas. Temos razões para acreditar que sabemos quem foi o culpado [...] mas gostaríamos de ouvir a versão das autoridades do Reino, quem, segundo elas, causou estes ataques e como devemos agir daqui para diante

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, culpou o Irã e disse "estar armado e pronto" para responder quando a confirmação for recebida.

Pompeo acrescentou estar esperando posicionamento saudita sobre a responsabilidade dos ataques e sobre as formas "de prosseguir".

As declarações de Donald Trump aconteceram depois de uma reunião do Conselho de Segurança dos EUA na Casa Branca, da qual o vice-presidente, Mike Pence, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o secretário de Defesa, Mark Esper, também participaram. Altas autoridades americanas disseram que imagens de satélite e outras informações de inteligência mostram que o ataque não teria sido lançado no Iêmen, onde os rebeldes houthis assumiram a responsabilidade.

De Teerã, por outro lado, eles apontaram que os comentários americanos eram "mentiras máximas". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Musaví, disse que essas são acusações "sem sentido" que buscam destruir a imagem do Irã para pavimentar o caminho para futuras ações contra a República Islâmica.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091614521465-trump-estar-preparado-para-responder-ataques-contra-arabia-saudita/

Preços de petróleo disparam após ataque contra refinarias sauditas

Bolsa de Valores de Pequim
© AP Photo / Ng Han Guan

Os preços do petróleo disparam nas bolsas de valores em todo o mundo depois que a Arábia Saudita anunciou a suspensão da produção diária de 5,7 milhões de barris.

Para os mercados de petróleo, é a pior interrupção não programada de produção da história, superando até a perda de suprimentos de petróleo do Kuwait e do Iraque em agosto de 1990.

Os preços das marcas de referência Brent subiram US$ 11,73, atingindo o valor de US$ 71,95 por barril nas primeiras operações da Bolsa de Valores de Cingapura.

O aumento afetou preço do gás natural, que aumentou entre 1,5 e 2%.

A Arábia Saudita foi forçada a suspender cerca de 50% de sua produção - 5% da produção global - depois que vários drones atacaram a maior instalação de processamento de petróleo do mundo em Abqaiq e o segundo maior campo de petróleo do reino em Khurais.

Após a ofensiva, o principal índice da Bolsa de Valores da Arábia Saudita, Tadawul All Share (TASI), registrou uma queda de cerca de 2,3%. O reino pode reiniciar um volume significativo de produção de petróleo interrompida em questão de dias, mas precisa de semanas para restaurar toda a sua capacidade de produção.

Por enquanto, os principais produtores e consumidores podem usar suas reservas acumuladas para tentar conter o aumento dos preços em todo o mundo. Assim, o presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a liberação do petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo de seu país, "se for necessário".

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Autoridades dos EUA culpam Irã pelo ataque contra instalações da Saudi Aramco

Casa Branca em Washington
© Sputnik / Aleksey Agaryshev

Duas instalações da Saudi Aramco foram atacadas por drones neste sábado, suspendendo a produção de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia. A organização Houthi, no Iêmen, assumiu a responsabilidade pelos ataques.

De acordo com altas autoridades americanas, citadas pela Reuters, o alcance e a precisão dos ataques, que vieram em uma direção oeste-noroeste, sugerem que o lançamento não foi feito pelos houthis.

"Não há dúvida de que o Irã é responsável por isso. Não importa como você interpreta, não há como escapar. Não há outro candidato. As evidências não apontam em outra direção senão para o Irã", afirmaram as autoridades citadas pela Reuters.

Autoridades norte-americanas observaram supostas imagens de satélite de 19 supostos impactos nas instalações de petróleo, disse a Reuters, acrescentando que as autoridades alegam ter evidências adicionais ainda não reveladas.

As autoridades americanas, citadas pela Reuters, até agora se recusam a dizer de onde o ataque foi lançado. "Existem duas opções, e temos nossa opinião sobre qual era", disseram autoridades dos EUA, acrescentando que o governo iraquiano declarou não estar por trás dos lançamentos, informou a Reuters.

Segundo a Reuters, citando autoridades americanas, Washington está trabalhando com autoridades sauditas que alegam que mísseis de cruzeiro foram usados ​​nos ataques às instalações de petróleo da Saudi Aramco.

Mais de 17 dispositivos foram lançados, afirmaram as autoridades americanas, acrescentando que nem todos os projéteis atingiram seus objetivos e alguns foram recuperados ao norte do destino pretendido, segundo a Reuters.

"Os houthis nunca chegaram tão longe no passado, não acreditamos que eles tenham essa capacidade. E os houthis nunca haviam atingido dessa maneira precisa e coordenada antes", disseram as autoridades americanas, citadas pela Reuters.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alegou anteriormente que o Irã estaria envolvido nos ataques. Teerã classificou essas alegações de falsas.

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Arábia Saudita pretende restaurar produção perdida de petróleo até segunda-feira

Refinaria de petróleo na Arábia Saudita
© AP Photo / Hassan Ammar

A Arábia Saudita pretende restaurar o terço da produção de petróleo perdida devido a ataques de drones em suas instalações de refino até segunda-feira.

Nas primeiras horas do sábado, duas refinarias da Saudi Aramco, em Abqaiq e Khurais, foram atacadas por drones. Como resultado, a produção de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia foi suspensa.

"Devemos conseguir ser capazes de ter 2 milhões de barris por dia online já amanhã", disse uma autoridade saudita, citada pelo Wall Street Journal. 

"Mas estamos garantindo que o mercado não sofra escassez até estarmos totalmente online novamente", acrescentou a fonte.

O ataque com drones causou incêndios maciços em duas instalações de petróleo da petrolífera Saudi Aramco no sábado (14). Os incêndios, em particular, atingiram a refinaria de Abqaiq, na província oriental, e uma instalação de processamento de petróleo perto do campo de petróleo de Khurais, localizada a cerca de 160 quilômetros a leste de Riade.

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EUA não vão acabar com guerra no Iêmen culpando o Irã, diz Zarif

Chanceler do Irã Mohammad Javad Zarif
© AP Photo / Petr David Josek

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse neste domingo (15) que os Estados Unidos não acabarão a guerra no Iêmen culpando o Irã por tudo.

No sábado (14), ataques com drones causaram incêndios em duas instalações de petróleo da Saudi Aramco. Os incêndios, em particular, atingiram a refinaria de Abqaiq, na província oriental, e uma instalação de processamento de petróleo perto do campo de petróleo de Khurais, localizada a cerca de 160 quilômetros a leste de Riade.

Os rebeldes houthis iemenitas assumiram a responsabilidade pelos ataques, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou o Irã pelos ataques.

Sobre isso, Zarif teceu os seguintes comentários no Twitter:

​Tendo falhado a "pressão máxima, @SecPompeo está se voltando para o "engano máximo". Os EUA e seus clientes estão sem saída no Iêmen por causa da ilusão de que a superioridade das armas levará à vitória militar. Culpar o Irã não terminará o desastre.

No início do dia, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as alegações de Pompeo são falsas.

Os rebeldes houthis conduzem ataques regulares com drones contra instalações na Arábia Saudita, que fornece apoio aéreo ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen em sua luta contra os houthis desde 2015.

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Pompeo acusa Irã de lançar 'ataque sem precedentes a suprimento de energia mundial'

Incêndio em instalações da Saudi Aramco no campo de Abqaiq, na Província Oriental da Arábia Saudita, em 14 de setembro de 2019
© REUTERS / HAMAD I MOHAMMED

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, culpou o Irã neste sábado pelos recentes ataques de drone a instalações petrolíferas da empresa Saudi Aramco, na Arábia Saudita.

Em declarações publicadas em seu Twitter, o chefe da diplomacia norte-americana exortou a comunidade internacional "a condenar publicamente e inequivocamente os ataques do Irã". 

​Teerã está por trás de quase 100 ataques na Arábia Saudita, enquanto Rouhani [presidente iraniano] e Zarif [chanceler iraniano] fingem se engajar na diplomacia. Em meio a todos os pedidos por desescalada, o Irã lançou agora um ataque sem precedentes ao suprimento mundial de energia. Não há evidências de que os ataques vieram do Iêmen.

"Conclamamos todas as nações a condenar publicamente e inequivocamente os ataques do Irã. Os Estados Unidos trabalharão com nossos parceiros e aliados para garantir que o mercado de energia permaneça bem abastecido e o Irã seja responsabilizado por sua agressão", escreveu Pompeo.

Mais cedo, o príncipe saudita Mohammed bin Salman, citado pela Agência de Imprensa Saudita (SPA), disse ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em telefonema, que o reino está disposto e é capaz de enfrentar e lidar com essa "agressão terrorista". Trump, por sua vez, afirmou que Washington irá cooperar com Riad para garantir a segurança do reino e destacou o impacto negativo dos ataques à economia dos EUA e do mundo.

Nesta madrugada, o Ministério do Interior da Arábia Saudita informou que uma explosão provocada por ataques de drone levou a incêndios em duas instalações da estatal Saudi Aramco no campo de Abqaiq, na Província Oriental do país. O fogo foi controlado por funcionários da própria empresa.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091414518488-pompeo-acusa-ira-de-lancar-ataque-sem-precedentes-a-suprimento-de-energia-mundial/

Mais de 100 mortos em novo massacre saudita no Iémen

A Arábia Saudita levou a cabo vários ataques aéreos, este domingo, contra uma prisão na província de Dhamar onde eram mantidos prisioneiros de guerra, matando mais de 100 pessoas.

Autoridades de saúde locais e Cruz Vermelha estimam que o número de vítimas mortais aumenteCréditos / Middle East Eye

O número de mortos, apontado pelo Ministério iemenita da Saúde e pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha, pode chegar aos 150, uma vez que muitos corpos se encontram ainda sob os escombros, disse um representante do Ministério ao Middle East Eye (MEE).

A mesma fonte precisou que os caças sauditas realizaram sete ataques aéreos contra os três edifícios de uma antiga escola transformada em prisão, onde o movimento Huti Ansarullah tinha sob custódia 185 prisioneiros, incluindo alguns que iriam ser libertados no âmbito de um acordo alcançado com as forças da coligação agressora.

«Foram atingidos os três edifícios, em cujo interior se encontravam 185 prisioneiros, e todos foram mortos ou feridos», disse ao MEE uma fonte ligada aos serviços de saúde em Dhamar, no Sudoeste do Iémen, acrescentando: «Quando os sauditas atacam um edifício, é certo que todos lá dentro se tornaram baixas.»

A mesma fonte revelou que, entre os mortos e feridos, se encontram os guardas prisionais, e, referindo que o número de mortos confirmados já superava os 100, disse esperar que «o número suba para 150 nas próximas horas, uma vez que há feridos em estado crítico que não podem receber o tratamento necessário em Dhamar ou Sana’a».

«A destruição do sistema de saúde é outro crime saudita, porque as pessoas feridas não têm possibilidade de receber tratamento adequado», frisou.

Quando os sauditas alegam que os ataques destruíram um local de armazenamento de drones e mísseis em Dhamar, a fonte ligada à saúde sublinhou que é do conhecimento público que esta prisão não era uma infra-estrutura militar e que este ataque constitui «um crime contra a humanidade».

ONU: «Riade tem de prestar contas pelo ataque»

«Espero que a coligação inicie uma investigação sobre este incidente e que prevaleça a responsabilidade», disse este domingo Martin Griffiths, enviado especial das Nações Unidas para o Iémen, num comunicado conjunto com a coordenadora humanitária das Nações Unidas para o Iémen, Lise Grande.

Defenderam que «os iemenitas merecem um futuro de paz» e instaram ao fim do conflito, tendo ainda a coordenadora revelado o envio em curso de material cirúrgico e médicos para o local do massacre.

Por seu lado, o líder do movimento popular iemenita Ansarullah, Abdul-Malik al-Huti, condenou o «terrível crime» cometido pela Arábia Saudita, sublinhando que «os crímes contra prisioneiros de guerra revelam o ódio e a decadência moral do inimigo saudita e evidenciam o desconcerto da coligação agressora para escapar do beco sem saída na guerra do Iémen», informa a HispanTV.

Num discurso transmitido pela TV, o dirigente Huti destacou o facto de o «regime de Riade [...] assassinar até o pessoal dos seus próprios aliados».

Guerra de agressão desde Março de 2015

Com apoio dos EUA e do Reino Unido, a Arábia Saudita, liderando uma aliança que incluía países como os Emirados Árabes Unidos, o Egipto e o Sudão, lançou uma grande ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, em Março de 2015, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

De acordo com a estimativa mais recente da ACLED (Armed Conflict Location & Event Data), a guerra de agressão provocou mais de 91 mil mortos no Iémen nos últimos quatro anos e meio. Por seu lado, o ministro iemenita da Saúde, Taha al-Mutavakel, disse na passada quarta-feira que, desde o início da guerra, foram mortos no Iémen mais de 140 mil civis.

Os ataques da coligação liderada pelos sauditas a zonas residenciais e infra-estruturas civis tem sido uma constante. Hospitais, escolas, fábricas, sistemas de captação de água e centrais eléctricas foram destruídas, e tanto casamentos como cerimónias fúnebres foram alvo dos seus caças.

De acordo com um relatório das ONU publicado em Dezembro de 2018, mais de 24 milhões de iemenitas necessitam de ajuda humanitária urgente, incluindo dez milhões que são «severamente afectados pela fome».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-de-100-mortos-em-novo-massacre-saudita-no-iemen

Coalizão saudita nega ataque contra prisão no Iêmen que teria deixado 100 mortos

Forças sauditas no Iêmen
© REUTERS / Faisal Al Nasser/Files

A coalizão liderada pela Arábia Saudita negou, neste domingo (1), as alegações feitas pelo movimento rebelde iemenita Houthi de que seu ataque aéreo atingiu uma prisão.

No início do dia, a coalizão anunciou que havia atingido uma instalação militar houthi em Dhamar, que abrigava drones e sistemas de defesa aérea.

A emissora Almasirah, controlada pelo movimento Houthi, relatou, no entanto, que a coalizão havia atingido uma prisão, matando 60 pessoas e ferindo outras 50. Segundo a Cruz Vermelha o número de mortos é ainda maior, chegando a pelo menos 100 pessoas mortas, conforme divulgou a RT.

Segundo o coronel Turki Maliki, citado pela agência de notícias Al Arabiya, o ataque aéreo da coalizão atingiu uma base militar houthi e não a prisão. Ainda segundo a declaração,foram tomadas as precauções necessárias, de acordo com a lei internacional, para proteger os civis durante o ataque.

Há anos, o Iêmen está envolvido em um conflito armado entre as forças do governo, lideradas pelo presidente Abdrabuh Mansour Hadi, e o movimento rebelde Houthi.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita realiza ataques aéreos contra o movimento houthi a pedido de Hadi desde março de 2015. O conflito gerou uma enorme crise humanitária no país, classificada como uma das piores do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019090114467926-coalizao-liderada-pela-arabia-saudita-nega-ataque-aereo-contra-prisao-no-iemen/

A Arábia Saudita contra a Turquia

Segundo o Middle East Eye, a Arábia Saudita teria concebido um plano para destruir a imagem positiva do Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan. É o que ressalta de um documento confidencial do Emirates Policy Center que a revista pôde consultar.

Vários jornais árabes relacionam este plano com a interdição de entrada, que acaba de ser feita pela Arábia Saudita, durante 12 dias a altas temperaturas, a 80 contentores transportando principalmente géneros alimentícios perecíveis.

Eles citam também a ausência do Presidente Erdoğan da última Cimeira (cúpula-br) da Organização de Cooperação Islâmica, na Arábia Saudita.

Outros lembram as tensões entre a Arábia Saudita e a Turquia desde que esta tornou público o assassinato do bilionário Jamal Kashoggi, no consulado saudita de Istambul. Este assassínio ocorreu após quatro outros desaparecimentos de personalidades sauditas no mundo que não recolheram a mesma atenção.

No entanto, raros são os que tratam em detalhe o conflito que opõe os dois Estados a propósito dos Irmãos Muçulmanos. Ou que analisam o cerco da Arábia Saudita pelo Exército turco, presente no Catar, no Kuwait, no Sudão e no Mar Vermelho.

EXCLUSIVE : Saudi Arabia’s ‘strategic plan’ to take Turkey down” («EXCLUSIVO : "O plano estratégico" da Arábia Saudita para derrubar a Turquia»- ndT), David Hearst & Ragip Soylu, Middle East Eye, August 5, 2019.





Ver original na 'Rede Voltaire'



A ameaça invisível que pode destruir a Arábia Saudita

Riad, capital da Arábia Saudita
CC BY-SA 4.0 / B.alotaby

Enquanto o petróleo trouxe riquezas à Arábia Saudita, a falta de água ameaça o país. Os recursos hídricos poderiam acabar antes do petróleo.

No século XX a Arábia Saudita experimentou um boom de crescimento após a descoberta de petróleo em seu território. O que poucos sabem é que a água tem se tornado um recurso cada vez mais escasso no país, enquanto o consumo individual é alto e o das práticas agrícolas também.

Enquanto o petróleo se tornou a fonte de riquezas do reino, a falta de água poderá arruiná-lo. Atualmente, um morador de Riad, capital da Arábia Saudita, consome diariamente cerca de 263 litros de água. Isto é o dobro da média mundial.

Em entrevista a The Guardian, o chefe de uma das fábricas da Berain, empresa do setor de água, Ahmed Safar Asmari, fez declarações sobre os recursos hídricos na região.

"Na Arábia Saudita só há duas fontes de água: o mar e os poços profundos [...] Estamos na região central, então aqui só há poços profundos", disse Asmari.

Para ele, a Arábia Saudita não deverá enfrentar sérios problemas com água durante os próximos 150 anos. Ele acredita que no país existem recursos suficientes para abastecer a população durante esse tempo.

Saudita bebe água após visitar o vilarejo de Dhi Ain a sudoeste de Riad em 13 de maio de 2009
© AP Photo / Hassan Ammar
Saudita bebe água após visitar o vilarejo de Dhi Ain a sudoeste de Riad em 13 de maio de 2009

No entanto, nem todos os especialistas são tão otimistas. Em 2016, um especialista da Universidade Rei Faisal, na Arábia Saudita, declarou que as reservas de água não durariam mais que 13 anos.

Além disso, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla em inglês) anunciou em 2008 que os recursos hídricos do país estariam se esgotando em um ritmo muito rápido.

"A maior parte de água extraída provém de aquíferos fósseis profundos e algumas previsões sugerem que estes recursos não poderão durar mais que 25 anos", informou a organização.

Reação do governo

Por sua vez, o governo saudita tenta combater o grande consumo de água no país. Em março deste ano, o Reino lançou um programa, chamado Qatrah, que visa reduzir o consumo de água por indivíduo para 200 litros até 2020 e 150 até 2030.

Ao mesmo tempo, o governo tentou reduzir o cultivo de cereais com o fim de diminuir o gasto de água. No entanto, os produtores locais acabam por cultivar produtos agrícolas mais rentáveis, mas que também exigem grande quantidade de água.

"A Arábia Saudita está usando mais de quatro vezes a água que se renova em média", disse a doutora Rebecca Keller da Stratfor, empresa privada de inteligência e análise geopolítica.

Sendo um país pobre em chuvas e rios, a Arábia Saudita construiu em seu território 31 usinas dessalinizadoras. Com a capacidade de transformar água do mar em água potável, esses centros são responsáveis por produzir 50% do total da água consumida no país.

No entanto, as usinas também têm seu lado negro. De acordo com a Agência Internacional de Energia, em 2016 a dessalinização representava 3% da produção de água no Oriente Médio, enquanto que consumia 5% do total de energia usada na região.

Isso torna a dessalinização um processo extremamente caro e insustentável, contudo a demanda de água dessalinizada aumenta 14% por ano.

Usina dessalinizadora em Rishon Letzion, Israel, foto de 4 de maio de 2004
© AP Photo / Dan Balilty
Usina dessalinizadora em Rishon Letzion, Israel, foto de 4 de maio de 2004

Além disso, as usinas também danificam o meio ambiente através de emissões de gases à atmosfera e põem em perigo os ecossistemas marinhos ao despejar substâncias poluentes no mar.

Keller também acrescenta que o país poderia sofisticar o uso da dessalinização ao usar energia solar no processo. Para tanto, Israel seria um parceiro ideal, já que possui experiência no setor.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019080814363929-a-ameaca-invisivel-que-pode-destruir-a-arabia-saudita/

Coalizão saudita anuncia ofensiva no Iêmen

Artilharia do Exército saudita dispara contra o Iêmen a partir de um posto perto da fronteira saudita-iemenita, no sudoeste do país, em 13 de abril de 2015. A Arábia Saudita lidera uma coalizão de vários países árabes realizando ataques aéreos contra os rebeldes xiitas Huthis que invadiram a capital Sanaa em setembro e se expandiram para outras partes do Iêmen.
© AFP 2019 / FAYEZ NURELDINE

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita anunciou ofensiva às posições dos houthis na capital do Iêmen, Sanaa, informou Reuters neste sábado, citando a mídia local.

O jornal Saudi Gazette detalhou que os alvos militares incluíam locais de defesa aérea e um local de armazenamento de mísseis balísticos da milícia Houthi em Sanaa.

No início desta semana, a coalizão liderada pela Arábia Saudita teria realizado dois ataques contra uma escola militar no distrito de Ar Rawdah, na parte norte de Sanaa. Os caças da coalizão também bombardearam duas vezes as instalações da ex-guarda presidencial no sul de Sanaa.

​No começo de julho, os rebeldes houthis realizaram ataques contra dois aeroportos no sul da Arábia Saudita. O porta-voz militar do movimento Houthi teria alertado sobre "operações mais dolorosas" se a coalizão liderada pela Arábia Saudita não interrompesse os ataques aéreos contra alvos rebeldes.

O Iêmen está envolvido em um conflito entre as forças do governo, lideradas pelo presidente Abd Rabbuh Mansour Hadi e os houthis. A coalizão liderada pelos sauditas vem realizando ataques contra os houthis a pedido de Hadi desde março de 2015. O conflito resultou em uma enorme crise humanitária no país.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019071914241002-coalizao-saudita-anuncia-ofensiva-no-iemen/

Secretário de Defesa dos EUA autoriza envio de tropas e equipamentos na Arábia Saudita

Tropas norte-americanas passam através Alemanha para Leste Europeu
© AP Photo / Ingo Wagner

O secretário de defesa dos Estados Unidos em exercício autorizou o envio de "pessoal e recursos militares dos EUA" para a Arábia Saudita, de acordo com um comunicado emitido pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).

"Em coordenação e a convite do Reino da Arábia Saudita, o Secretário de Defesa autorizou o movimento de pessoal e recursos dos EUA a serem mobilizados para a Arábia Saudita. Esse movimento de forças fornece um impedimento adicional e garante nossa capacidade de defender nossos interesses na região", escreveu o secretário.

Mais cedo, a agência de notícias SPA informou que o rei saudita Salman bin Abdulaziz Al Saud havia aprovado o envio de tropas dos EUA para o reino.

Um funcionário do Ministério da Defesa da Arábia Saudita disse que a decisão tinha como objetivo impulsionar "a cooperação conjunta [entre a Arábia Saudita e os EUA] em defesa da segurança e estabilidade regionais e preservar sua paz".

De acordo com a CNN, o local escolhido para o envio das tropas dos EUA é a Base Aérea Prince Sultan. O motivo da escolha é porque ele está localizado em uma área remota que levaria mais tempo para os mísseis iranianos chegarem.

Nem o Departamento de Defesa dos EUA ou Riad confirmaram o local para o qual as tropas dos EUA serão enviadas.

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https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019071914240950-secretario-de-defesa-autoriza-desembarque-de-tropas-e-equipamentos-na-arabia-saudita/

Estados Unidos vendem armas para sauditas para 'prevenir que China e Rússia ocupem este vácuo'

Secretário interino de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan
© AP Photo / Jacquelyn Martin

Os Estados Unidos estão empenhados em fornecer armas à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos como parte de um esforço para evitar que a China ou a Rússia preencham este vácuo, disse o secretário de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan a repórteres durante encontro com o homólogo georgiano.

"A situação com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos é: como podemos fornecer-lhes as vendas militares para se defenderem? E realmente o coração de tudo isso está sendo responsivo neste ambiente de alta ameaça e, secundariamente, se eles não comprarem dos Estados Unidos, dos quais somos um parceiro muito forte, então, por razões de segurança, precisam ir para a China ou para a Rússia", disse Shanahan na terça-feira.

Na semana passada, a Comissão de Relações Exteriores do Senado disse em um comunicado que seus membros apresentarão 22 resoluções separadas para bloquear o acordo de armas do governo Trump com a Arábia Saudita - e com os Emirados Árabes Unidos - e reafirmar o papel do Congresso de aprovar governos estrangeiros.


Os senadores disseram que a maneira pela qual o governo Trump avançou com a venda de armas é sem precedentes e está em desacordo com a prática e cooperação de longa data entre o Congresso e o Executivo.

Os Estados Unidos têm um pacote de armas de US $ 8,1 bilhões concluído com a Arábia Saudita, que inclui 120 mil bombas guiadas com precisão, suporte para caças F-15 da Arábia Saudita, morteiros, mísseis antitanques e rifles calibre .50.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2019061114044263-estados-unidos-armas-para-sauditas-china-e-russia/

ONU critica Arábia Saudita por decapitação de 37 homens

Príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman em encontro com o então secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis.
© AP Photo / Cliff Owen

A chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) criticou nesta quarta-feira (24) a decapitação de 37 cidadãos sauditas ocorrida nesta semana.

A Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, ressaltou que a maioria dos mortos era de muçulmanos da minoria xiita que podem não ter tido julgamentos justos e que ao menos três eram menores de idade quando condenados.

A Arábia Saudita afirma que realizou as execuções devido a crimes de terrorismo e está sendo cada vez mais questionada globalmente por seu histórico de direitos humanos desde o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi e pela detenção de ativistas dos direitos das mulheres.

Bachelet disse que é "particularmente repugnante" o fato de três dos mortos serem menores de idade.


Ela disse que enviados da ONU expressaram preocupação com a ausência do devido processo legal e de garantias de julgamentos justos em meio a alegações de que as confissões foram obtidas por meio de tortura.

Na noite de terça-feira, a Anistia Internacional disse que a maioria dos que foram executados em seis cidades pertenciam à minoria xiita e que foram condenados em "julgamentos de fachada", incluindo ao menos 14 pessoas que participaram de protestos antigoverno na Província Oriental do país rico em petróleo em 2011 e 2012.

A entidade disse em um comunicado que um deles, Abdulkareem al-Hawaj, foi detido quando tinha 16 anos, o que torna sua execução uma "violação flagrante da lei internacional".


Sediada em Londres, a Anistia disse que 11 dos executados foram condenados por espionar para o arquirrival de Riad, o Irã muçulmano xiita, e sentenciados à morte em 2016.

A Província Oriental de maioria xiita tornou-se um ponto focal de agitação no início de 2011, com manifestações pedindo o fim da discriminação e demandando reformas na monarquia sunita muçulmana. A Arábia Saudita nega qualquer discriminação contra os xiitas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019042413752008-onu-critica-arabia-saudita-por-decapitacao-de-37-homens/

A Arábia Saudita apoia a China contra os jiadistas

O Príncipe Mohamed bin Salman foi em visita oficial à China a fim de dar o seu apoio à política anti-terrorista chinesa.

Esta viagem acontece quando a Turquia se pronunciou contra a repressão que, segundo ela, atinge a minoria turcófona e muçulmana uigur. Simultaneamente, Pequim empreende um recenseamento biométrico da população de Xinjiang.

O Príncipe MBS aproveitou a sua deslocação para assinar muitos acordos de cooperação. Trata-se para Riade, ao mesmo tempo, de diversificar os seus fornecedores, a fim de sair da sua dependência em relação aos Estados Unidos, e de organizar as suas exportações de petróleo.





Ver original na 'Rede Voltaire'



O horror cresce no Iémen

No Iémen, o país sobre o qual desabou uma guerra devastadora liderada pela Arábia Saudita com o apoio dos EUA e outras potências ocidentais, as coisas vão de mal a pior de acordo com recentes denúncias de atrocidades cometidas contra a martirizada população.

Al Yunaid, membro do denominado governo de salvação nacional criado pelos rebeldes hutis, afirmou que a coalizão agressora utiliza contra vilarejos e cidades armas proibidas em nível mundial.

Tais ataques, garantiu, potenciam a propagação de inúmeras doenças, como a cólera, o sarampo, a difteria, gripe e outras.

Um dos fatores assinalados pelos especialistas como chave na rápida propagação da epidemia de cólera – considerada a mais grave e espalhada do planeta pela Organização Mundial da Saúde – é justamente a destruição da infraestrutura sanitária, do sistema de água e esgoto e a acumulação de toneladas de lixo nas ruas.

Centenas de milhares de pessoas se acham entulhadas em acampamentos que carecem dos serviços mínimos indispensáveis e onde faltam medicamentos, alimentos e pessoal para atender às necessidades da população civil, a principal vítima de um conflito imposto que completará quatro anos no próximo dia 25 de março.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha informa que o Iémen é palco da pior crise humanitária no planeta: 22 milhões de pessoas necessitam ajuda para sobreviver, muitas delas estão à beira da fome.

Além dos bombardeios, combates e doenças, os iemenitas têm de lidar com as minas plantadas pelas duas partes em conflito, ou seja, os hutis e as tropas leais ao presidente Abdrabbuh Mansour Hadi, que é apoiado pela coalização agressora formada por Arábia Saudita e países ocidentais.

A organização Médicos sem Fronteiras assinalou que de três pessoas feridas pelas minas uma é criança, o que está causando uma geração com graves mutilações, outro grave problema de longo prazo.

Em dezembro passado, na Suécia, se obteve um limitado acordo de paz, mas falta muito para conseguir o cessar-fogo efetivo, a troca de prisioneiros e destravar o acesso à ajuda humanitária, indispensável para salvar muitas, talvez milhões de vidas.

O drama se passa diante de governos, grandes meios de comunicação e organizações internacionais que assistem indiferentes, a reação tem sido lenta demais, talvez porque se trata do país mais pobre no mundo árabe.

O Iémen não tem grandes recursos naturais, mas se situa num dos extremos que comunicam o Mar Vermelho com o canal de Suez, por onde passam todos os dias milhões de barris de petróleo, razão suficiente para desencadear o desejo de grandes produtores e consumidores de controlar esta estratégica passagem. Sem dúvida, o óleo é a principalmente causa desta guerra tão cruel.


por Guillermo Alvarado, da Radio Havana Club | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (i21 ) / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-horror-cresce-no-iemen/

Mulheres sauditas não precisarão mais da autorização masculina para procedimentos de parto

(Grandes 'progressos' nesta 'exemplar democracia' tão do agrado da direita económico-política que promoveu o caos no Iraque, na Líbia e quis fazer o mesmo na Síria.
Apesar de tudo talvez este seja um passo feliz para as mulheres sauditas.
A desavergonhada cumplicidade do capitalismo neoliberal com o reacionarismo árabe ainda vai dar muito mau resultado...
Comentário à seguinte notícia)
 
 
Mulheres sauditas a caminho de um festival cultural em Riad, capital da Arábia Saudita (foto de arquivo)
© AFP 2018 / FAYEZ NURELDINE

As mulheres grávidas na Arábia Saudita não serão mais obrigadas a obter permissão de homens responsáveis para se submeterem a procedimentos de parto, incluindo cesarianas, informou o The National.

A lei anterior exigia exigiam que as sauditas obtivessem uma permissão assinada de seus guardiões do sexo masculino em uma ampla gama de procedimentos de parto. Elas agora podem decidir de forma independente como querem dar a luz, de acordo com a publicação.


A partir de agora, mulheres também podem solicitar informações sobre seu estado de gravidez e a data prevista de nascimento sem a permissão de seus guardiões do sexo masculino, informou o jornal.

A decisão é parte de uma flexibilização das regras de gênero na Arábia Saudita. No ano passado, as mulheres sauditas foram oficialmente autorizadas a dirigir, a servir ao Exército do país e a participar de partidas de futebol em estádios dedicados ao esporte.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019011913138520-mulheres-sauditas-autorizacao-parto/

Realpolitik para distraídos

Em 1710, Leibniz inventou a palavra teodiceia a partir de dois termos gregos (significando "justiça de Deus", numa tradução direta). Durante décadas, gastaram-se muitas sinapses a tentar conciliar duas realidades aparentemente contraditórias, contidas na pergunta: "Como é possível a existência de mal num mundo que foi criado por um Deus não só infinitamente poderoso, mas infinitamente bom?" A teodiceia produziu uma espécie de "economia do mal", em que um crime ou desgraça determinados e reais apareciam "justificados" pela crença de terem evitado um mal maior. Essa metafísica do mal desapareceu do pensamento europeu com o choque do terramoto de Lisboa de 1755, contudo, permito-me um exercício análogo ao da teodiceia, depois de escutar as declarações de Trump sobre o relatório da CIA, que confirma o príncipe saudita Salman como o responsável pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi.
Exibindo um "mal moral" (ainda citando Leibniz) despudorado, Trump afirmou que as vantagens económicas e estratégicas de uma boa relação com Riade pesam muitíssimo mais do que a vida de Khashoggi. Já uns dias antes, presente no desastre incendiário da Califórnia, Trump continuou a negar a existência de alterações climáticas, confundindo factos com convicções, varrendo o melhor da investigação das Ciências da Terra das últimas décadas com o punho da sua crença irracional. Sobre a malignidade da conduta de Trump, parece não restar dúvida. Mas haverá algum mal maior a evitar que possa justificar a sua existência?
Será que o atual presidente norte-americano poderá servir como uma caricatura com utilidade pedagógica? Será que a maldade crua, o desprezo boçal pelos valores da justiça e da dignidade humana, tanto para com os vivos como para com os vindouros, exibidos incessantemente por Trump podem servir para ensinar, até aos mais distraídos, as linhas com que se cose a política em 2018?
Na verdade, a conduta de Trump difere mais da dos líderes democráticos europeus na carroceria do que na motorização, para usar uma metáfora tão rude como o tema. Nenhum estadista europeu, incluindo Macron, parece inclinado a perder um euro nas exportações de armamento para Riade por causa do esquartejamento de Khashoggi. Trump está quase sozinho na negação das alterações climáticas, mas a fé dos europeus que nela acreditam não parece ser forte a ponto de colocarem a defesa da saúde pública e do clima acima do interesse material da indústria automóvel, como se viu no enredado escândalo das emissões revelado em 2015. O realismo político hoje já não está propriamente ao serviço da razão de Estado, mas sim dos imperativos de rentabilidade ininterrupta de uma economia global, dominada por uma plutocracia nómada que manda sem rebuço nos governos nacionais e não hesita em manipular e mentir. Veja-se como a UE foi "vendida" aos cidadãos em nome do "modelo social europeu" e da "convergência económico-social" dos Estados membros. Mentiras nuas, face à desigualdade crescente e à precarização generalizada do trabalho assalariado. O motor da UE hoje é o seu tratado orçamental, um instrumento implacável ao serviço da reprodução do capital, desse "moinho que se tritura a si mesmo", na expressão notável de Novalis. Mas o mal não tem de ter a última palavra. Em 1940, Churchill poderia ter aceitado a generosa proposta de paz de Hitler. Preferiu o risco e o preço de sangue do valor da dignidade. A única via para devolver grandeza e redenção à política.
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Leia original aqui

Trump chama Arábia Saudita de 'grande aliado' apesar do relatório da CIA

Donald Trump optou por não especular sobre o papel desempenhado pelo príncipe-herdeiro saudita no caso Khashoggi. O presidente dos EUA afirmou que precisa conversar com os funcionários da inteligência antes.

Segundo o jornal Washington Posto, a Agência Central de Inteligência (CIA) revelou em um relatório que o príncipe saudita teria ordenado o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. Apesar disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou Riad e lembrou que Arábia Saudita é "um grande aliado" dos Estados Unidos que oferece "muitos empregos e muitos de negócios e desenvolvimento econômico ".


"Eles têm sido um aliado verdadeiramente espetacular em termos de empregos e desenvolvimento econômico", disse Trump, citado pelo site Politico.

Comentando sobre os últimos desenvolvimentos no caso Khashoggi, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não havia sido informado pela CIA sobre o assunto, e que ele pretende discutir o tema com os oficiais de inteligência e o Secretário de Estado, Mike Pompeo.

O presidente também pareceu relutante em especular sobre as alegações de que o príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, estaria envolvido nesta questão.

Um porta-voz da embaixada saudita em Washington, por outro lado, considerou as conclusões da CIA como "falsas".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018111712699824-trump-arabia-saudita-cia/

CIA conclui que príncipe herdeiro saudita ordenou o assassinato de Khashoggi, diz mídia

A CIA descobriu que o príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman ordenou o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi em Istambul no mês passado, contradizendo diretamente as declarações do governo saudita que se dizia inocente, informou o Washington Post.

Citando fontes familiarizadas com o assunto, o jornal informou que a CIA chegou a conclusão após examinar várias evidências, incluindo um telefonema entre Khashoggi e o irmão do príncipe herdeiro, Khalid, que também é embaixador saudita nos Estados Unidos.


Foi ele quem disse ao jornalista que ele deveria ir a Istambul para obter a documentação necessária para se casar com sua noiva turca. Quando Khashoggi chegou ao consulado saudita em Istambul em 2 de outubro, ele nunca saiu.

"A posição aceita é que não há como isso acontecer sem que ele esteja ciente ou envolvido", disse uma fonte ao jornal.

Um porta-voz da embaixada saudita em Washington, DC, considerou as conclusões da CIA como "falsas".

"Temos e continuamos ouvindo várias teorias sem ver a base primária dessas especulações", disse a porta-voz Fatimah Beshen, negando que Khalid e Khashoggi tenham discutido Istambul em seu telefonema.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018111612694667-cia-conclui-principe-herdeiro-assassinato-khashoggi-midia/

O regime saudita sobrevive, mas entra em tempos perturbados

– Quando o assassinato de um colaborador do Washington Post desperta mais indignação nos media de referência do que as dezenas de milhares de civis que a Arábia Saudita assassina no Iémen, com a colaboração activa das potências ocidentais

Melkulangara Bhadrakumar
Numa revelação sensacionalcitando "fontes de inteligência", o antigo ministro australiano dos Negócios Estrangeiros Alexander Downer escreveu no jornal Financial Review de domingo que o jornalista saudita Jamal Khashoggi, o qual foi assassinado dia 2 de Outubro na Turquia, estava longe de ser um "liberal de bom coração" mas era, sim, um experiente agente de inteligência e um simpatizante da Fraternidade Muçulmana que trabalhava pela mudança de regime no seu país. Downer escreveu: "Para aumentar a complexidade da narrativa, a Fraternidade é apoiada pelo presidente turco Recep Tayyp Erdogan e os qataris... De modo que Jamal Khashoggi – um antigo agente da inteligência saudita, um homem que estava próximo da Fraternidade Muçulmana (FM) e era um oponente jurado do programa de reforma de MBS (o príncipe herdeiro saudita) – estava em vias de estabelecer um centro para promover a ideologia da FM. Ele estava a montá-lo na Turquia com dinheiro do Qatar. Os sauditas queriam travá-lo. Em Setembro ofereceram-lhe US$9 milhões para retornar à Arábia Saudita e viver ali livremente. Eles queriam-no fora do jogo. Khashoggi recusou e o resto você sabe. Os sauditas mataram-no". O que até o momento estava no âmago da dedução intuitiva torna-se agora facto real. A revelação de Downer transforma completamente a narrativa acerca da morte de Khashoggi e está destinada a ter enormes consequências. Assumindo que as "fontes de inteligência" de Downer fossem australianas, deve ser considerado que a Austrália é membro da altamente privilegiada aliança de inteligência de cinco países, a Five Eyes, juntamente com os EUA, Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia. As agências Five Eyes são obrigadas a partilhar espontaneamente toda a inteligência, incluindo inteligência primária (e mesmo técnicas relativas à aquisição de tal inteligência). Basta dizer que está fora de questão que a inteligência do projeto da Fraternidade Muçulmana para a mudança de regime na Arábia Saudita envolvendo Khashoggi, Turquia e Qatar também não estivesse disponível para a CIA e o MI6. A Arábia Saudita é uma aliada chave dos EUA e, no entanto, iremos nós acreditar que a CIA e o MI6 simplesmente ficaram inertes diante de inteligência tão sensível? Isto equivale a dizer que explode uma proposta irresistível:   a CIA e o MI6 estavam a apoiar de modo encoberto o projecto de Khashoggi para a mudança de regime na Arábia Saudita. Na verdade, é óbvio que os comentadores dos media americanos conhecidos por terem laços estreitos com o establishment da inteligência dos EUA ficaram raivosos logo que transpirou na noite de 2 de Outubro que Khashoggi entrara no Consulado Saudita em Istambul no princípio do dia e deixara de sair do edifício. A histeria desencadeada desde o primeiro dia acerca do incidente, de uma forma tão sustentada, é sem precedentes. O príncipe saudita Turki al-Faisal – filho de um antigo rei e primo do príncipe herdeiro, ex-chefe de inteligência saudita e embaixador tanto nos Estados Unidos como na Grã-Bretanha, bem como associado de Khashoggi – recentemente perguntou com indignação por que tinha de haver tamanho barulho. Turki, com sarcasmo mordaz, disse que "pessoas com telhados de vidro não deveria lançar pedras. Países que torturaram e encarceram pessoas inocentes" e "iniciaram uma guerra que matou muitos milhares... baseada em informação falsificada, deveriam ser humildes ao olhar para outros", disse ele, numa clara referência à política de contra-terrorismo e à invasão do Iraque. A conclusão é que a raiva explosiva e a fúria do "Estado Profundo" na América quanto à morte de Khashoggi só podem ser compreendidas com a informação de Downer – a saber, que Khashoggi era um "activo" inestimável do establishment de inteligência dos EUA e os sauditas simplesmente o eliminaram. Agora, se o "Estado Profundo" estava a promover Khashoggi, o presidente Donald Trump ou não sabia disso ou foi deliberadamente mantido no escuro. A questão é que até hoje Trump parece estar em isolamento esplêndido na sua aversão a punir o regime saudita pelo assassinato de Khashoggi. Trump é abertamente evasivo, embora neste fim de semana o presidente turco, Erdogan, tenha publicado um artigo no jornal Washington Post alegando que a liderança saudita "nos mais altos níveis" estava envolvida no assassinato de Khashoggi. Naturalmente, não é a primeira vez na história política dos EUA que o "Estado Profundo" actuou por trás, nas costas de um presidente em exercício. Contudo, Trump é diferente de Dwight Eisenhower ou John Kennedy. E ele acredita firmemente que nada deveria ser feito para desestabilizar a Arábia Saudita. Nestas circunstâncias, o dado de inteligência de Downer funcionará muito bem para Trump se ele quiser sacudir e afastar a pressão do "Estado Profundo", o qual tem tentado actos de força contra o regime saudita. Juntamente com o facto de que o lobby israelense também se intrometeu no caso Khashoggi argumentando contra qualquer acção dos EUA contra o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, amigo de Israel. Assim, as probabilidades são fortemente favoráveis à política de Trump de "não ouvir o mal, não ver o mal, não falar do mal" no regime saudita. Contudo, o establishment de inteligência dos EUA está a sofrer com a humilhação infligida pelo regime saudita e é improvável que recue envergonhado. A alta probabilidade é que ele travará guerra por outros meios – até que a democracia islâmica prevaleça na Arábia Saudita. Bruce Riedel, perito em Médio Oriente da Brookings Institution, que actuou durante três décadas na CIA, disse na semana passada à revista New Yorker: Não há saída política (no caso Khashoggi), excepto através da violência". É uma observação sinistra por parte de alguém que foi operacional de inteligência durante muitos anos e que conhece a Arábia Saudita como a palma da mão. A reportagem do New Yorker, de Dexter Filkins, vencedor do Prêmio Pulitzer e aclamado autor com longa experiência em reportagens em pontos quentes do Médio Oriente, conclui:   "Mesmo se – especialmente se – MBS se ativer à sua posição, parece provável que a família real saudita e a Arábia Saudita em geral estejam a entrar num período perigoso". 

06/Novembro/2018

Ver também: 
 Erdogan says he gave Khashoggi death recordings to Saudi Arabia, US, UK, France & Germany (Erdogan diz que entregou as gravações da morte de Khashoggi à Arábia Saudita, EUA, Reino Unido, França e Alemanha)  O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...  Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/o-regime-saudita-sobrevive-mas-entra-em.html

O Iémen é um «inferno na terra» para as crianças

Com a guerra de agressão lançada pela Arábia Saudita, cerca de 30 mil crianças morrem todos os anos de má-nutrição severa no Iémen, alertou a Unicef este domingo.

De acordo com a Unicef, 1,8 milhões de crianças iemenitas sofrem diariamente de má-nutrição e 400 mil de má-nutrição severaCréditos / Sputnik News

«O Iémen é hoje um inferno na terra para as crianças. Um inferno não para 50-60% das crianças, mas para cada rapaz e rapariga que vivem no Iémen», afirmou Geert Cappelaere, director regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Médio Oriente e Norte de África, numa conferência de imprensa realizada este domingo em Aman, capital da Jordânia.

«Trinta mil crianças com idades inferiores a cinco anos morrem todos os anos no Iémen de doenças que têm a má-nutrição na sua origem», disse o responsável da Unicef, acrescentando que uma criança morre, a cada dez minutos, de doenças facilmente evitáveis».

De acordo com a Unicef, 1,8 milhões de crianças iemenitas sofrem diariamente de má-nutrição e 400 mil de má-nutrição severa, sendo que «40% destas residem em Hudaydah e nas províncias circundantes», onde a guerra se tem intensificado.

Preocupação especial com Hudaydah

Cappelaere fez especial menção à cidade portuária de Hudaydah, no Oeste do Iémen, e à situação humanitária que enfrenta, em virtude da ofensiva lançada pela coligação liderada pela Arábia contra a cidade e a região circundante.

A este propósito, lembrou que porto de Hudaydah tem uma importância vital para 70% a 80% da população iemenita, uma vez que constitui a única porta de entrada para o abastecimento de produtos comerciais e a assistência humanitária, que depois permite à Unicef ajudar o Norte do país.

«Com o assalto a Hudaydah, não tememos apenas pelas vidas de milhares de crianças [naquela região], temenos também pelo impacto que terá nas crianças e demais poulação, sobretudo no Norte do país», frisou Cappelaere.

Para acabar com esta catástrofe, insistiu na necessidade de «um acordo de cessar-fogo» no Iémen sob mediação do emissário especial das Nações Unidas.

Guerra de agressão, desde Março de 2015

Liderando uma coligação militar que inclui países como os Emirados Árabes Unidos, o Sudão e o Egipto, a Arábia Saudita lançou, em Março de 2015, uma ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

O Centro Legal para os Direitos e o Desenvolvimento iemenita afirma que a guerra de agressão contra o Iémen já provocou mais de 15 mil mortos, na sua grande maioria civis. Já o Armed Conflict Location and Event Data Project aponta para números mais elevados: 56 mil mortos.

Por seu lado, o Comité Internacional da Cruz Vermelha e as Nações Unidas têm-se referido à situação no país como «a maior crise humanitária do mundo». As Nações Unidas sublinham que a campanha militar provocou milhares de mortos e feridos entre a população civil, foi responsável pela destruição de uma parte substancial das infra-estruturas do país árabe e está na origem de uma situação humanitária em que mais de 22 milhões de iemenitas necessitam de ajuda alimentar urgente, sendo que 8,4 milhões são «severamente afectados pela fome».

Tanto a Arábia Saudita como os Emirados Árabes Unidos têm sido frequentemente acusados de violações dos direitos humanos e de perpetrar acções que se configuram como crimes de guerra.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

AQUI HÁ UM ANO ERA UM GAJO BESTIAL... - 1

Há precisamente um ano, apenas quatro meses depois de se ter tornado no príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman era-nos apresentado como um gajo bestial, que encabeçava «um novo comitê de combate à corrupção», comité esse que prendia príncipes e antigos ministros às dezenas; progressista, deixava as mulheres conduzir e assistir até a jogos de futebol! Um ano depois, através daquilo que se vai descobrindo sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi em Istambul, pode concluir-se, ironicamente, que a construção de tal imagem de Mohammed bin Salman talvez tenha sido um pouco favorável demais... Torcer o pescoço a adversários políticos exilados não é moderno, nem é de molde a granjear simpatias Mundo fora... As ligações de hipertexto são todas para artigos de um mesmo jornal, o Público, mas a questão que coloco destina-se a toda a comunicação social: de forma patente, ela limitou-se a repassar adiante propaganda da facção saudita no poder, sem qualquer certificação da sua veracidade. Onde é que andam os pedidos de desculpa?...

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2018/11/aqui-ha-um-ano-era-um-gajo-bestial.html

Khashoggi vs. 50.000 crianças iemenitas massacradas

Peter KoenigEste texto é escrito com justificada indignação. Indignação perante a hipocrisia com que os media, governos e instituições ocidentais reagiram ao assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Trata-se de um assassínio repugnante. Mas que Parlamento Europeu o condene, e nunca tenha encontrado razões para condenar os massacres que a Arábia Saudita leva a cabo no Iémen, é igualmente repugnante.


 

O Parlamento Europeu solicitou ontem (25 de Outubro) um embargo imediato à venda de armas à Arábia Saudita, sancionando desse modo o Reino delinquente se se vem juntando aos EUA e Israel como o principal fornecedor de crimes em todo o Médio Oriente e no mundo. A França disse todavia que apenas aplicará sanções se ficar provado que Riad esteve efectivamente envolvida no assassínio do controverso jornalista saudita. Ao menos a senhora Merkel tinha dito há alguns dias que não iria fornecer armas aos sauditas – em consequência do repugnante crime cometido sobre Jamal Khashoggi.

É Indubitável que se tratou de um horrível assassínio que teve lugar no Consulado saudita em Istambul, com o corpo de Jamal Khashoggi possivelmente serrado em bocados e, segundo os relatos mais recentes, enterrado no pátio traseiro do Consulado. E tudo isto, tal como é agora geralmente admitido, executado por ordem de Riad. Para aligeirar o golpe – por razões de negócio – alguns países europeus argumentam que poderá não se ter tratado de um assassínio premeditado mas possivelmente de um “acidente” mortal, o que evidentemente alterar as premissas e aligeirar a punição – e as vendas de armamento poderão continuar. De qualquer modo, não passa de negócio.

A Europa não tem moral, nem ética, nem nada. A Europa, representada por Bruxelas, e em Bruxelas pela Comissão Europeia (CE) não-eleita não passa, para todos os objectivos práticos, de um mero ninho de lacraus, um ninho de criminosos políticos de colarinho branco, gente dos negócios e em larga medida uma populaça de 500 milhões em larga medida sujeita a lavagem ao cérebro. Existem algumas excepções entre a população e, felizmente, o seu núcleo de “acordados” tem vindo gentilmente a crescer.

Mesmo a Suíça, um país neutral segundo a sua Constituição e um não-membro da UE, embora um firme aderente da União [não] Europeia pela via de mais de 110 contratos bi e multilaterais, ficou a saber-se ontem que está a auxiliar a Arábia Saudita na conversão do helicóptero civil de fabrico suíço Pilatus em feroz máquina de guerra. O Pilatus sempre teve a reputação dessa controversa convertibilidade e era particularmente conhecido na Suíça por essa razão – mas agora ultrapassaram o limite do que é tolerável, ajudando os criminosos e belicistas sauditas a montar uma máquina de guerra voadora no próprio país dos sauditas – totalmente contra a lei suíça e a Constituição suíça, mas inteiramente tolerada pelo governo suíço.

Voltando à questão concreta: foi necessário o horrendo assassínio de um famoso jornalista, de nacionalidade saudita e crítico dos sauditas para que os Europeus reagissem – e, não se esqueçam, a contragosto. Prefeririam seguir a linha de Donald Trump: porquê perder a venda de armas aos sauditas no valor de 110 milhares de milhões de dólares por causa do assassínio de um jornalista? Afinal de contas, negócios são negócios. Tudo o resto é uma farsa.

Há já três anos e meio que os sauditas empreenderam uma horrenda guerra no Iémen. Massacraram dezenas de milhares de iemenitas – segundo a Comissão de Direitos Humanos da ONU mais de 50.000 crianças iemenitas morreram em consequência de bombardeamentos aéreos sauditas com bombas fornecidas pelo Reino Unido e aviões de guerra fornecidos pelos EUA, em consequência de doenças resultantes da ausência de sistemas sanitários e de água potável, como a cólera, e – um crime ainda pior – em consequência da fome extrema, a pior fome da história recente segundo a UNICEF/WHO, imposta pela força uma vez que os sauditas, com o consentimento dos seus aliados europeus, encerraram todos os portos de entrada incluindo Hodeida, o mais importante porto do Mar Vermelho.

A Espanha vende mísseis guiados por laser à Arábia Saudita. Destruição e Morte no Iémen vs. Desemprego em Espanha[1]
Os Europeus, juntamente com os EUA, têm sido mais do que cúmplices deste crime contra a humanidade – destes horríveis crimes de guerra. Imaginem que algum dia é criado um Tribunal como o de Nuremberga para julgar os crimes de guerra cometidos nos últimos 70 anos. Nem um único dos líderes ocidentais que ainda esteja vivo será poupado. É nisto que nós – no Ocidente – nos tornámos. Num ninho de criminosos de guerra – criminosos de guerra em resultado de simples ganância. Inventaram um sistema neoliberal-tudo-é-mercadoria em que não existe nem regras nem ética nem moral – apenas o dinheiro, o lucro e mais lucro. Qualquer forma de maximização do lucro – a guerra e a indústria da guerra – é boa e é aceite. E o Ocidente, com a sua política de fazer dinheiro seja como for, está a impor este sistema nefasto e destrutivo em todo o lado por meio da força e das “mudanças de regime,” caso a coisa não esteja a ser voluntariamente aceite.

E nós, o povo, tornámo-nos cúmplices disso, na medida em que vivemos no conforto e no luxo e não poderíamos estar menos preocupados do que estamos com o que os nossos “líderes” andam a fazer ao resto do mundo, aos chamados humanos menores que vivem na miséria como refugiados, com as suas casas e cidades destruídas e bombardeadas em cinzas, sem escolas, sem hospitais, e em grande medida sem alimentos – é verdade: todos os dias mais de 70 milhões de refugiados estão em deslocação, na sua maioria vindos do Médio Oriente destruído pelo Ocidente. Porque haveríamos de nos preocupar? Vivemos bem. E em contrapartida estes refugiados poderiam roubar-nos os empregos. Não os deixem invadir os nossos abrigos. É preferível continuar a reduzir à bomba os seus países a ruínas.

O Iémen, uma posição estratégica muito ambicionada, não deverá evidentemente ser governado por Houthis, um grupo de revolucionários muçulmanos com inclinações socialistas que integra o Shia Zaidi, um ramo do Shia Imamiya do Irão. Acabaram por ficar fartos de décadas de manipulação do seu governo por parte de Washington. E quem melhor do que os lacaios da Arábia Saudita para realizar o trabalho sujo de Washington? E sim, não têm de o fazer sozinhos. São-lhes fornecidos armamentos de todo o lado da Europa, sobretudo da Grã-Bretanha, e da França, também da Espanha, e durante algum tempo também da Alemanha – e sim, também da neutral Suíça.

Não importa que dezenas de milhares de crianças sejam mortas, que segundo a Comissão de Direitos Humanos da ONU 22 milhões de iemenitas (de uma população de cerca de 30 milhões) estejam em risco de fome severa, e isso inclui 8 milhões de crianças – crianças que na sua maioria deixaram de ter acesso a escolas, assistência sanitária e alimentação – uma geração inteira ou mais sem educação, um bem planeado fosso na sociedade como sucede na Síria, Iraque e Afeganistão. Matando e privando crianças da satisfação de necessidades básicas o Ocidente está a criar um crescente fosso educacional, de pessoas que de outra forma iriam combater pelos seus países, pelas suas sociedades. Não existem. E isso torna tão mais fácil para o Ocidente o simplesmente assumir o controlo da sua posição estratégica, dos seus recursos naturais, apropriar-se e esvaziar os fundos de segurança social acumulados pela sua força de trabalho.

Não será isto suficiente para que a ilustre populaça que vive no luxo ocidental se recoste nos seus cadeirões e pense no assunto? – E se um dia os papéis se invertem e nós, o ocidente, nos encontramos perante a justiça? – Existe alguém no ocidente suficientemente audacioso e realista para encarar essa possibilidade? – E, como é visível nos dias de hoje, a história dá passos de gigante. Estamos no século XXI – a Inteligência Artificial (IA) mais do que se integrou na nossa sociedade. E se – se aqueles que consideramos inferiores e inimigos nossos estiverem efectivamente alguns passos à nossa frente na ciência da IA – e possam inverter o quadro com alguma rapidez?

E enquanto nos admiramos sobre a razão por que os iemenitas massacrados pelos sauditas não suscitam agitação nos media ocidentais, as nossas projecções lineares de crescimento do PIB ocidental fornecidas pelo FMI atingem índices fantásticos por alturas de 2030, ignorando a taxa de desemprego de 20% resultante da IA que alguns prevêem. Esses números contraditórios não têm importância se pudermos alcançar um resultado expressivo matando crianças iemenitas. Mas é necessário o assassínio de Khashoggi para deter – mesmo que temporariamente, e apenas se estivermos com sorte – a máquina de guerra saudita. A população do Iémen não tem importância. Porquê?
Porque é que o assassínio de um jornalista – é certo que um assassínio horrível e medonho realizado pelo governo do seu próprio país. Independentemente de quão controverso Jamal Khashoggi era, ele escrevia para os media ocidentais, para os donos da verdade tais como o Washington Post e o NYTimes. Poderá ter sido isso que o tornou mais importante do que 50.000 crianças iemenitas massacradas e mutiladas – mais importante no sentido de que é apenas em resultado do seu abjecto assassínio que os Europeus irão – talvez – reagir e “sancionar” os sauditas.

Mas mesmo isso não é garantido – uma vez que o Mestre Transatlântico Trump tem muitos trunfos na manga, que pode adiantar e coagir os fantoches europeus no sentido de seguirem o seu odioso exemplo e poupar Riad de qualquer punição, em particular no que diz respeito a armas. No fim de contas, trata-se de negócio. Crianças mortas são apenas isso, iemenitas mortos, uma geração a menos com a qual nos preocuparmos.

Peter Koenig é Investigador Associado do Centre for Research on Globalization (Centro de Investigação sobre Globalização).

Fonte: https://www.globalresearch.ca/khashoggi-versus-50000-slaughtered-yemeni-children/5658192[2]

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Leia original aqui

«Erdogan e Teerão querem destruir o Reino da Arábia Saudita»

Entrevista de JOHAN-FRÉDÉRIK HEL GUEDJ, publicada por “L’Echo” de Bruxelas, no dia 27 de Outubro de 2018, em tradução autorizada para ‘O Tornado’

Deputado europeu até 2009 [pelo PS] o português Paulo Casaca cofundou o ARCHumankind e o Fórum Democrático da Ásia do Sul. A partir do “caso Kashoggi”, ele fala-nos do conflito triangular que coloca o Irão e a Turquia contra a Arábia Saudita.

Travou conhecimento com um príncipe que teve um destino estranhamente semelhante ao de Adnan Kashoggi…

Com efeito, em 2010, no contexto do lançamento do ARCHumankind, fui apresentado ao príncipe saudita dissidente Sultan bin Turki bin Abdulaziz, na sua residência principesca do décimo sexto bairro de Paris, rodeado por uma miríade de servidores. Em 2015, foi atraído a Marrocos por uma proposta empresarial e, desapareceu. Foi autor de um livro que justificava as razões pelas quais se achava o legítimo sucessor do trono. Entre as histórias que me contou, lembro a de um dos seus irmãos mais velhos que, não sabendo nadar, se afogou quando teria absurdamente decidido lançar-se ao mar do seu iate para nadar até à costa…

Claramente, Mohammed bin Salman encarna um despotismo esclarecido que é comparável dos monarcas europeus do século XVIII. Não é um falso reformador: ele anseia promover uma verdadeira mudança, humanismo à parte, bem entendido. No caso de Kashoggi, ele está perante o Presidente Erdogan que soube utilizar a sua espionagem, transformando-a numa telenovela em episódios diários. Na verdade é um ataque em forma contra a Arábia Saudita, promovido pela “Irmandade Muçulmana”, de que o presidente turco é o representante mais eminente e de que Kashoggi era um seguidor.

Lembre-se que Arábia Saudita é, desde o século XVII, um produto puro do “antigo jihadismo” tribal: o clã Saud aliou-se ao vaabismo fanático, estabelecendo um compromisso entre o clero e o que viria a ser o poder real e que conquistou Meca, já no século XX.

A “Irmandade Muçulmana” é o inimigo do poder saudita?

O Ocidente conhece a “Irmandade Muçulmana” sobretudo na sua variante egípcia, na senda do trabalho da escola de Bernard Lewis. No entanto, desde a década de 1920, temos o movimento do califado na Índia britânica, que surgiu como uma reação à queda do Império Otomano, e que precede o nascimento da “Irmandade Muçulmana”. Em 1927, o teólogo indiano Sayyid Abul Ala Mawdudi foi o primeiro a defender o que eu chamo de “jihadismo moderno” num panfleto essencial, “Al-Jihad fit Islam”. Paradoxalmente, este profundo conhecedor do marxismo aplicou ao Islão a mesma lógica revolucionária, criticando o Islão nacional em favor de um islamismo global. Tendo em vista uma Índia totalmente muçulmana, ele opôs-se à partição de 1947. Em 1963, em Meca, vamos vê-lo a ensinar um certo… Ayatollah Khomeini.

A história oficial iraniana quer convencer-nos que entre 1951 e 1953, durante a revolução nacionalista de Mosaddegh, Khomeini se teria retirado para Qom. Na realidade, ele esteve no centro dos acontecimentos políticos, o que o Ocidente não quer ver: não retirado em Qom mas envolvido no derrube de Mossadegh, orquestrado com os britânicos e com o Xá. O clero concordou com Mosaddegh na nacionalização do petróleo, mas não com a liberalização do regime ou com o fim da tradição da adjudicação da Presidência do Majlis [Parlamento. Nota do editor] ao clero. Os meus amigos iranianos salientam que os escritos indigentes de Khomeini nunca foram publicados pelo regime; mais activista que teólogo, a sua nomeação como “Marja-i-Taqlid” [fonte de emulação] foi feita apenas para o proteger politicamente. Exilado na Turquia, em 1964, indispôs os herdeiros laicos de Ataturk que o expulsaram para o Iraque, onde o Partido Baath, longe de ser o partido dos sunitas, perseguindo o xiismo, como é retratado, apoiou o clero xiita contra o partido comunista, cuja base era urbana e xiita. É somente após o esmagamento do partido comunista no princípio da década de 1970 que Saddam se voltou contra o clero xiita.

Em face deste revolucionário jihadismo de Estado, qual é o lugar da Arábia Saudita?

De acordo com a fórmula de Gramsci que eu adaptei do comunismo para o jihadismo, a Arábia Saudita enfrenta um jihadismo orgânico que quer o poder total. Com Khomeini à frente do Irão dá-se o assalto à grande mesquita de Meca, de Novembro a Dezembro de 1979, que quase consegue derrubar a monarquia.

A rivalidade de turco-iraniana para a hegemonia do Islão é muito antiga. No Irão o xiismo tornou-se a religião do Estado só com a dinastia safávida, iniciada por sinal por um nativo do Azerbaijão, de língua turca, e a opção xiita foi feita com o objectivo de disputar a hegemonia otomana, sunita, sobre o Islão. Em síntese, como o sunismo estava totalmente nas mãos otomanas, os safávidas optaram pelo xiismo como instrumento geopolítico. É a geopolítica que comanda a opção xiita e não o contrário. É por isso que os ‘puristas’ do xiismo iraquiano falam do seu xiismo como “Jaafari” em oposição ao “xiismo safávida” (dos iranianos).

Pelo seu lado a Arábia Saudita, fundada como Estado em 1932, é uma antiga colónia turca que nunca foi um epicentro civilizacional como o Império Otomano ou o Império Persa. O reino contou com duas vantagens: o poder do petróleo e o poder simbólico de “Meca”. Na eclosão da guerra no Afeganistão, que não começou em 1979, mas em 1973, com a queda da monarquia em Cabul, já se assiste à rivalidade entre a Arábia Saudita e o Irão no financiamento da Jihad afegã. Para o Irão, a exportação de jihadismo, como o fez para o Iraque, a Síria ou o Iémen, é um objectivo mais urgente do que a destruição de Israel, que, neste momento, é usado para alimentar o fanatismo no mundo muçulmano. Assim, a aliança de Teerão com a Venezuela [primeira reserva mundial de petróleo, Ed.] é parte de um objectivo de dominação da produção mundial. Por coincidência, o mapa petrolífero saudita coincide quase exactamente com o mapa de implantação do xiismo.

Nessa rivalidade entre a Arábia Saudita e o Irão, qual o papel da Turquia?

Erdogan conquistou o poder absoluto no seu país, com um cheque em branco da Europa, que queria ver nele um ‘democrata muçulmano’; uma espécie de democrata-cristão europeu. Pura ilusão! Por exemplo, em 2010, uma revisão constitucional permitiu-lhe concentrar o poder nas suas mãos, o que o Serviço Europeu para a Acção Externa se apressou a aprovar como um passo para a normalização do regime. Enquanto deputado europeu, eu tinha já criticado fortemente esta credulidade, e os nossos amigos gregos demonstraram ser mais lúcidos e saber mais sobre a Turquia do que todos nós!

O que pretende Erdogan com o seu jogo de informação sobre o assassinato de Kashoggi?

Como pode Erdogan, campeão da repressão dos jornalistas turcos, fazer-se passar pelo paladino da liberdade de imprensa na Arábia Saudita? Lembremos que numerosos opositores ao regime de Teerão, refugiados em território turco, desapareceram com o silêncio e a bênção de Ancara. Há três anos que a Turquia e a Arábia Saudita estão em guerra aberta, que se manifesta através do apoio turco à “Irmandade Muçulmana” e à Jihad na Síria. O egípcio Youssef al-Qaradhawi é o principal líder espiritual da “Irmandade Muçulmana”, mas Erdogan é a sua figura política cimeira internacional. A aliança contranatura entre Ancara e Moscovo na Síria explica-se aqui: a Turquia quer um aliado importante contra Riade e os poderes árabes que enfrentam o islamismo, como o Egipto.

Se Erdogan demonstra tanto empenho em espetar o assassínio de Kashoggi na ferida saudita, é porque este era um instrumento essencial na luta da “Irmandade Muçulmana” contra a Monarquia. Kashoggi não era o defensor exemplar dos direitos humanos perante Riade que a imprensa ocidental publicita. Este assassínio é odioso, mas o cenário da rivalidade geopolítica entre Ancara, Teerão e Riade estão para lá deste cenário simplista. O caso “Kashoggi” confirma a vontade do Irão e da Turquia em celebrar uma aliança para eliminar o poder saudita. A Turquia gostaria que Meca voltasse a ter um poder neutro como teve durante um milénio com os Hachemitas.  O Irão gostaria de ter o controlo sobre o petróleo e sobre Meca. Enfim, o recente projecto americano de uma “OTAN árabe”, reunindo o Egipto, a Jordânia, os Emiratos e a Arábia Saudita, é uma grande ameaça que aproximou Ancara de Teerão.

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/erdogan-e-teerao-querem-destruir-o-reino-da-arabia-saudita/

O reino terrorista da Arábia Saudita

É comum chegarmos ao conhecimento de violações dos direitos humanos por parte das autoridades da Arábia Saudita. A lista é longa.
Também é frequente associar ações de terroristas à Arábia Saudita. É também com alguma frequência que vimos a saber pela imprensa que a casa real, reis, príncipes e quejandos têm relações semelhantes a ambientes de cortar à faca, em algumas vezes aparentemente amenizados pela hipocrisia, o cinismo, a falsidade e outros “condimentos” sorridentes que pretendem disfarçar os ódios caseiros. Até desmenti-los.
Na região é enorme o poder da Arábia Saudita, poder militar e conluio com os EUA e também seus respetivos crimes e violações dos direitos humanos – digamos que é como uma máfia internacional em tamanho Big Mac.Por se considerarem com esse poder é que os criminosos que assassinaram Khashoggi e o desmembraram fizeram-no levianamente. Afinal era um opositor do regime, julgando saberem os mandantes, assim como os executores, que a impunidade era o seu prémio, além de outras mordomias que nestes casos funcionam como pagamento.
Que há príncipes cúmplices no hediondo crime, dizem órgãos de comunicação social, que o rei Mohammad bin Salman estava parcialmente a par do que ia acontecer, convencido que ele seria raptado e transportado para o seu nefasto reino… São profícuas as teorias e as declarações sopradas a jornalistas que tudo aproveitam para publicar e garantir mais dólares ou euros por pagamento. O que importa é que digam ou escreveram o que quiserem, com informação ou contra informação, existe já neste momento – e não é de agora – uma certeza: o reino da Arábia Saudita é terrorista.
Do jornal Expresso – leia a seguir - retiramos conteúdo de hoje que nos anuncia a “terceira versão sobre o assassinato de Khashoggi”. Haverá mais alguma nova versão em breve? É que nenhuma das conhecidas é para acreditar piamente. Aliás, quem é que se dispõe a acreditar numa casa real e num reino e cúmplices que se revelam com práticas associadas a atos terroristas?
MM | PG
Arábia Saudita dá terceira versão sobre o assassinato de Khashoggi: foi premeditado

Declaração foi emitida pelo gabinete da Arábia Saudita equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros

Arábia Saudita volta a oferecer outra versão da história do crime de Jamal Khashoggi, o jornalista que escrevia para o “Washington Post” e que foi assassinado no consulado saudita em Istambul, na Turquia, a 2 de outubro. Depois de defender que Khashoggi saiu da embaixada pelo próprio pé e a seguir admitir que a sua morte resultou de uma briga com oficiais sauditas, um procurador público daquele país admite: o crime foi premeditado, conta o “Washington Post”.

Essa declaração foi emitida pelo gabinete da Arábia Saudita equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. O procurador baseou-se em informações da investigação das autoridades turcas. A investigação, que conta com a cooperação entre Turquia e Arábia Saudita, vai continuar.

OS DESENVOLVIMENTOS

O presidente da Turquia prometeu durante a semana que ia revelar a "verdade nua e crua" sobre a morte de Jamal Khashoggi, mas, na verdade, deu poucas novidades e nem abordou as informações publicadas na imprensa de que haveria áudios e vídeos comprometedores.

"Temos a certeza de que foi assassinado no consulado", começou por dizer no Parlamento Erdogan, depois de prestar condolências à família de Khashoggi, garantindo ainda que o crime "selvagem" foi planeado com dias de antecedência. De acordo com o governante turco, a equipa que "planeou e executou o assassinato" foi alertada da visita de Khashoggi ao consulado saudita em Istambul.

A Arábia Saudita admitiu na sexta-feira de 19 de outubro que o jornalista Jamal Khashoggi estava morto. Na altura, a notícia foi avançada pela televisão estatal do reino.

Na segunda-feira, a imprensa turca publicou novas informações que implicavam o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, na morte do jornalista Jamal Khashoggi.

Segundo o diário turco, Yeni Safak, o homem apresentado como chefe do comando saudita de 15 agentes que se deslocaram a Istambul para matar o jornalista, entrou diretamente em contacto com o gabinete do príncipe a partir do consulado.

No mesmo dia, o presidente norte-americano afirmou que não estava satisfeito com as explicações de Riade sobre o assassinato do jornalista saudita e disse estar surpreendido com o prazo de um mês anunciado pelos sauditas para a investigação. "Não estou satisfeito com o que ouvi", declarou Donald Trump, nos jardins da Casa Branca.

Jamal Khashoggi, 60 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de outubro, para obter um documento para casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto.

Jornalista saudita residente nos Estados Unidos desde 2017, Khashoggi era apontado como uma das vozes mais críticas da monarquia saudita.

Expresso

Ler no Expresso:

Tempestade Khashoggi abate-se sobre o mundo

No caso do assassínio do jornalista-espião Jamal Khashoggi o Ocidente é de novo vítima do oportunismo da estratégia de dois pesos e duas medidas e da falta de princípios diplomáticos e humanitários.

Polícias forenses turcos no consulado da Arábia Saudita em Istambul, investigando as circunstâncias da morte de Jamal Khashoggi. Istambul, Turquia, Outubro de 2018.CréditosFonte: El Independiente/EFE

O cadáver do jornalista-espião Jamal Khashoggi pode ainda não ter aparecido oficialmente, mas há muitos esqueletos a sair dos armários dos Estados Unidos e dos seus principais aliados ocidentais em matéria de direitos humanos, cumplicidades e relações com a Arábia Saudita, país que é propriedade privada de uma família cuja conduta não desdenha o recurso a práticas criminosas.

Sendo o assassínio de Khashoggi apenas mais um na longa lista de atrocidades que inclui chacinas contemporâneas como a que decorre no Iémen, as suas repercussões, porém, podem gerar uma situação diferente. Alguns sinais indiciam que o Ocidente poderá sentir-se obrigado, pela primeira vez, a bater de frente com o seu tradicional aliado. Mas estará preparado para se aguentar com a resposta dos beduínos do deserto, para quem «todo o insulto deve ser vingado»?

Petróleo a 200 dólares por barril, fim da exclusividade do dólar nas transacções petrolíferas, aproximação ao Irão, apoio ao Hamas e ao Hezbollah, compra de armas à China e à Rússia, cedência de uma base militar a Moscovo em região saudita próxima dos territórios da Síria, Israel, Líbano e Iraque – o recado de Riade já foi transmitido por Turki al-Dhakil, conselheiro do príncipe Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro, ministro da Defesa e homem forte da Arábia Saudita. Estas medidas e algumas outras do mesmo género serão as respostas a eventuais sanções norte-americanas e dos principais países ocidentais ditadas pelo assassínio de Khashoggi, agente da CIA, «residente norte-americano», braço direito do principal opositor de Mohammed bin Salman, Walid bin Talal – um dos homens mais ricos do mundo, embaixador secreto da Arábia Saudita em Israel.

Mohammed bin Salman, espécie de regente do reino perante a doença do rei Salman, com 82 anos, poderá ser, é certo, vítima da sua ganância galopante. Com pouco mais de 30 anos e depois de ter eliminado toda a concorrência na corrida ao trono, tornou-se um caso exemplar de alguém que pretende ganhar muito em pouco tempo. Isso pode sair-lhe caro na sequência de um episódio fabricado essencialmente no âmbito de serviços secretos e onde as traições cruzadas não serão de desprezar.

Ganancioso e sem limites

Mal ascendeu à posição de herdeiro do trono, Mohammed bin Salman pretendeu ter acesso às inexploradas reservas de hidrocarbonetos do deserto Rub-al-Khali, em território sob o domínio do Iémen; como este país se opôs às suas pretensões provocou a guerra que ainda hoje se arrasta, condenando sete milhões de pessoas à fome, provocando 15 mil mortos e 24 mil feridos em 1300 dias.


Em 4 de Novembro de 2017, Mohammed bin Salman aproveitou uma alegada tentativa de golpe palaciano para prender e torturar cerca de 1300 príncipes e altos quadros do regime, aproveitando para extorquir pelo menos metade das fortunas a cada um. E foi assim que 800 mil milhões de dólares entraram nos seus cofres pessoais, que não nos do rei – que se confundem com os do Estado.

De caminho, o herdeiro do trono decapitou, na verdadeira acepção da palavra, a oposição xiita ao executar o seu dirigente máximo, Nimr Bakr al-Nimri. E mandou arrasar com tanques de guerra numerosas aldeias e comunidades xiitas na região de Qatif, como foi o caso de Mussawara e Chukeiwat.

Um episódio mal contado

O assassínio de Jamal Khashoggi, ao cabo desta sequência de crimes durante a qual os Estados Unidos e os seus aliados permaneceram mudos e quedos, aparece como uma história ainda muito mal contada.

Khashoggi sabia muitos segredos cujo receio de divulgação era suficiente para tirar o sono ao poder saudita. Não existem dúvidas de que Bin Salman o mandou silenciar, aproveitando também para lançar uma nova purga interna atingindo Walid bin Talal, um rival com peso mundial. Daí que a confissão atribuída a Khashoggi sob tortura, segundo a qual estava em preparação um golpe para afastar o príncipe herdeiro, fosse uma maneira de atingir definitivamente esse adversário.

O crime foi obra dos serviços secretos sauditas e a sua preparação era do conhecimento de outros serviços de espionagem.

A CIA sabia de tudo, segundo revelações do Washington Post; e os serviços secretos turcos, MIT, também; por isso montaram previamente escutas no consulado saudita em Istambul, onde tudo aconteceu.

Porém, nem a CIA – com quem Khashoggi trabalhava – nem o MIT advertiram o jornalista-espião dos riscos que corria. Isto é, deixaram-no ser assassinado, provavelmente para que os governos turco e norte-americano tirem proveito da situação. De acordo com as revelações do Washington Post, Khashoggi foi mesmo dissuadido, por «uma pessoa da sua inteira confiança», de procurar a legalização dos seus documentos no consulado de Washington, e aconselhado antes a procurar o de Istambul. Quem o fez, apontou-lhe o caminho da morte.

Nunca antes visto

O assassínio de Jamal Khashoggi adquire assim uma dimensão mundial jamais observada em relação a qualquer dos muitos crimes que preenchem o quotidiano da Arábia Saudita.

França, Reino Unido e Alemanha prometem sanções comerciais – longe de incluir, porém, a venda de armas com as quais o regime saudita flagela o Iémen, ameaça fazer o mesmo com o Koweit, e arrasa aldeias xiitas.

As ameaças dos Estados Unidos também não passam ainda de propaganda da qual faz eco a comunicação social. Não é de crer que os impérios armamentistas norte-americanos admitam que seja posta em causa, por exemplo, a última encomenda de armas feita pelo príncipe Mohammed bin Salman, e que ascende a 110 mil milhões de dólares.

Numa primeira fase, Trump deu «credibilidade» às versões sauditas sobre o «desaparecimento» de Khashoggi; depois, achou «lógicas» as explicações sobre a suposta «rixa» com «bandidos comuns» da qual teria resultado a morte do jornalista. Aguarda-se, entretanto, que a visita de uma equipa da CIA ao local do crime contribua para uma posição norte-americana mais credível perante a opinião pública – muito sensibilizada internacionalmente pelo assassínio.

Uma sensibilização que não deixa de ser caso virgem perante os continuados crimes do regime saudita.

Nunca os Estados Unidos e as principais potências da NATO e da União Europeia manifestaram qualquer inquietação pelo contributo do Riade para a criação de grupos terroristas islâmicos, desde os mujahidin afegãos, em meados dos anos setenta, seguindo-se bin Laden e a al-Qaida e seus sucedâneos, até ao Estado Islâmico e suas sequelas.

Jamais os Estados Unidos e seus aliados procuraram aprofundar as «coincidências» existentes entre o poder saudita e os atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova York.

O apoio terrorista patrocinado pela Arábia Saudita às operações de destruição de países como a Líbia, o Iraque ou a Síria nunca foi condenado – pelo contrário, foi aproveitado – pelos aliados ocidentais de Riade.

Não consta que alguma voz oficial dos Estados Unidos, da NATO e União Europeia tenha condenado a invasão saudita do Bahrein para fazer abortar a «primavera árabe».

Tolerância colaborante que se repete com a sangrenta agressão contra o Iémen, cujo fim não está à vista.

O assassínio sistemático de dirigentes da oposição saudita, ou mesmo de membros da família real «dissidentes» não é assunto que chame a atenção dos escrupulosos dirigentes europeus e norte-americanos.

Muito menos será motivo de inquietação o massacre de populações xiitas do reino whaabita, cujo monarca é uma emanação directa de Deus.

O Tratado de Quincy

Porém, a repugnante morte de Khashoggi, um crime entre muitos, uma vítima entre centenas de milhares, alterou a rotina complacente.

Acontece que quando Mohammed bin Salman eliminou a concorrência e se proclamou futuro rei observou-se na Europa e nos Estados Unidos uma onda de entusiasmo: o homem era um liberal, deixava as mulheres conduzir automóveis, promovia concertos, na verdade estávamos perante uma pedrada no charco, em Riade despontava um quase-democrata.

E nenhum dos seus actos criminosos mereceu reparos até ao assassínio de Khashoggi.

De repente, e apenas por causa do que aconteceu em Istambul, passámos a estar em presença de alguém que se limita a traduzir a essência do regime saudita – um comportamento «medieval».

Além do carácter invulgar da reacção internacional a este crime saudita, há outros aspectos, quase esquecidos, que contribuem para a sua singularidade.

Temos vindo a assistir a uma concentração das responsabilidades pelo assassínio de Khashoggi na pessoa de Mohammed Bin Salman, ilibando-se assim não apenas o rei Salman como o próprio regime.

Desta maneira, a situação torna-se exterior ao conteúdo do Tratado de Quincy, celebrado em 1945 entre o presidente norte-americano Franklin Roosevelt e o monarca saudita, mais recentemente confirmado por George W. Bush. Em duas palavras, o acordo estabelece que os Estados Unidos têm acesso aos hidrocarbonetos da região em troca da protecção militar ao reino da Arábia Saudita. Este, por seu turno, compromete-se a viabilizar a existência de um Estado judaico na Palestina.

De acordo com o tratado, os Estados Unidos devem proteger militarmente o Estado saudita, representado pelo rei. Esta interpretação exclui, portanto, o príncipe herdeiro; assim sendo, Bin Salman poderá ser removido e substituído por alguém menos truculento e ganancioso, alguém que possa contribuir para concretizar o mais recente projecto da Administração Trump: reactivar a economia norte-americana fazendo reingressar no país parte dos investimentos em hidrocarbonetos, ou seja, através de generoso reforço dos investimentos sauditas. Mohammed bin Salman poderia não ser o homem ideal para essa estratégia, apesar das fabulosas encomendas de armamento já feitas.

A situação joga-se agora no fio da navalha: ou Bin Salman é derrubado através de mais um golpe palaciano e faz-se «justiça» por Khashoggi – isto é, o poder saudita ficará em mãos mais previsíveis para os «revoltados» com o assassínio do jornalista-espião; ou ele resiste e a dimensão das ameaças já proferidas poderá ser uma tempestade sobre a economia mundial. Fechar as torneiras do petróleo até aos sete milhões e meio de barris por dia, catapultando-o para os 200 dólares por barril, é uma perspectiva assustadora para grande parte das nações mundiais.

A posição de Mohammed bin Salman, entretanto, poderá não ser tão periclitante como parece, porque tem um aliado poderosíssimo: Israel. Que não deixará de se movimentar neste contexto.

Benjamin Netanyahu e Bin Salman são unha com carne. O primeiro-ministro israelita conta com o dirigente saudita para continuar a assegurar a inoperância da Autoridade Palestiniana, mesmo perante a transferência de embaixadas para Jerusalém e a continuação da colonização; e, sobretudo, para manter viva a pressão bélica sobre o Irão. Bin Salman, por seu lado, assegura um alto nível de ameaça contra o Irão e continuará a contar com Israel para a guerra contra o Iémen. Telavive e Riade têm um quartel-general conjunto na Somalilândia, neste momento quase exclusivamente dedicado às operações militares em território iemenita.

Dentro do silêncio oficial israelita têm-se ouvido algumas vozes oficiosas saudando o desaparecimento de Khashoggi, alguém que «era amigo da al-Qaida e da Irmandade Muçulmana» – o que sendo verdade para o jornalista espião também não deixa de o ser para o regime sionista, tendo em conta o caso sírio.

Conhecendo-se a ligação umbilical entre os Estados Unidos e Israel, sobretudo entre Netanyahu e Trump, percebe-se que Mohammed bin Salman poderá não ser tão descartável como parece.

O nó está apertado. E a chantagem de Riade tem conteúdo explosivo. Mais uma vez o Ocidente é vítima do oportunismo da estratégia de dois pesos e duas medidas, da falta de princípios diplomáticos e humanitários.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

O Pacto de Quincy apenas protege o Rei da Arábia, não o seu herdeiro

Os Panamianos que se lembram da prisão por Washington do seu empregado, o General Noriega, não estão surpresos com a sorte reservada por Washington ao Príncipe herdeiro saudita. O escândalo Jamal Khashoggi é um dos menores crimes de MBS, mas deverá ser o seu último. A família dos Saud não está protegida pelo Pacto de Quincy que apenas se aplica ao Rei. Os Estados Unidos deverão recuperar vários biliões de dólares.

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Recebendo o Príncipe herdeiro saudita, «MBS», o Presidente Trump relembrara as dispendiosas encomendas de Riade ao seu país e concluíra sorrindo: «Está dentro dos vossos meios, não é assim ?».

O caso Khashoggi é um dos múltiplos exemplos da ética de geometria variável dos Ocidentais.

A Arábia dos Saud

Desde há setenta anos que se ignora um facto gritante: a Arábia Saudita não é um Estado como os outros. Ele é a propriedade privada do seu Rei, e todos os que aí residem não são mais do que seus servos. É por isso que toma o nome da residência dos seus proprietários, os Saud, ou seja a Arábia Saudita.

No século XVIII, uma tribo de beduínos, os Saud, aliou-se à seita dos wahhabitas e rebelou-se contra o Império Otomano. Conseguiram criar um reino em Hedjaz, a região da Península Arábica que inclui as cidades santas do Islão, que são Medina e Meca. Foram rapidamente dominados pelos Otomanos. _ No início do século XIX, um sobrevivente da tribo dos Saud lança uma nova revolta. No entanto, a sua família destrói-se de forma fratricida e sai derrotada de novo.
Finalmente, no século XX, os Britânicos apostam nos Saud para derrubar o Império Otomano e explorar os recursos em hidrocarbonetos da Península Arábica. Com a ajuda de Lawrence da Arábia, eles fundam o reino actual, o terceiro da tribo.

A jogada do Foreign Office era a de que os Saud e os wahhabitas são detestados pelos seus servos e incapazes de se entender com os seus vizinhos. Tendo em conta a disparidade de forças militares, entre as espadas dos Saud e armas modernas dos Britânicos, esta família jamais se poderia voltar contra os seus senhores ocidentais. No entanto, a seguir à Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos aproveitaram o enfraquecimento dos Britânicos para os substituir. O Presidente Franklin Roosevelt concluiu com o fundador do reino o Pacto de Quincy. Os Estados Unidos comprometiam-se a proteger a família dos Saud em troca do seu petróleo. Além disso, os Saud não se oporiam à criação de um Estado judeu na Palestina. Este documento foi renovado pelo Presidente George W. Bush.

O fundador do wahhabismo, Mohammed ben Abdelwahhab, considerava que todos os que não se juntassem à sua seita deveriam ser exterminados. Numerosos autores salientaram a proximidade da forma de vida wahhabita e a de algumas seitas judaicas ortodoxas, assim como as semelhanças entre os argumentos dos teólogos wahhabitas e os de certos pastores cristãos puritanos. Entretanto, a fim de manter a sua influência no Médio-Oriente, os Britânicos decidiram combater os nacionalistas árabes e apoiar as Confrarias dos Irmãos Muçulmanos e dos Nachqbandis. Foi por isso que eles pediram aos Saud, em 1962, para criar a Liga Islâmica Mundial e, em 1969, o que chamamos hoje a Organização de Cooperação Islâmica. O wahhabismo já admite o islamismo sunita que tinha combatido. Agora os wahhabitas apresentam-se como os protectores do sunismo, mas persistem no combate contra as outras formas de islamismo.

Desejoso de evitar os fratricídios que marcaram a história da sua família no século XIX, Ibn Saud instituiu um sistema de sucessão entre os seus irmãos. O fundador do reino teve 32 esposas que lhe deram 53 filhos e 36 filhas. O mais velho de entre os vivos, o rei Salman, tem 82 anos. Para salvar o reino, o Conselho da Família admitiu, em 2015, pôr fim a esta regra adélfica e designar os filhos do Príncipe Nayef e do novo Rei Salman como os futuros herdeiros. No fim, Mohammed Ben Salman expulsou o filho de Nayef e tornou-se o único Príncipe herdeiro da Arábia Saudita.

Os costumes morais dos Saud

Na antiguidade, a palavra «árabe» designava os povos aramaicos vivendo do lado sírio do Eufrates. Nesse sentido, os Saud não são árabes. No entanto, tendo o Corão sido compilado pelo Califa de Damasco, hoje em dia a palavra «árabe» designa os povos que falam a língua do Corão, logo os de Hejaz. Este termo genérico mascara civilizações muito diferentes, dos beduínos do deserto até aos povos de cidades, numa área geográfica que vai do Oceano Atlântico até o Golfo Pérsico.

Passada subitamente do camelo ao avião particular, a família dos Saud conservou, no século XXI, a cultura arcaica do deserto. Por exemplo, o seu ódio pela História. Ela destruiu todos os vestígios históricos no seu país. Foi esta mentalidade que vimos em acção com os jiadistas no Iraque e na Síria. Não há nenhuma outra razão para explicar a destruição da casa de Maomé pelos Saud, ou das tabuinhas administrativas sumérias (as tábuas de barro cozido de escrita cuneiforme-ndT) pelo Daesh (E.I.).

Da mesma forma que os Ocidentais utilizaram os Saud para afastar os Otomanos —o que ninguém contesta hoje em dia—, utilizaram os jiadistas, financiados pelos Saud e enquadrados pelos wahhabitas, para destruir o Iraque e a Síria.

Há quem esqueça, mas no princípio da agressão contra a Síria, quando a imprensa ocidental inventava a «Primavera Árabe», a Arábia Saudita só exigia a saída do Presidente Bashar al-Assad. Riade aceitava a permanência dos seus conselheiros, do seu governo, do seu exército e dos seus serviços secretos, aos quais nada havia a recriminar. Apenas queria a cabeça de Assad porque este não é sunita.

Quando o Príncipe Mohamed Ben Salman (dito «MBS») se tornou o mais jovem Ministro da Defesa no mundo, exigiu explorar os campos petrolíferos do «Crescente Vazio», essa zona a cavalo sobre o seu país e o Iémene. Face à recusa iemenita, lançou uma guerra para aí se cobrir de glória, imitando o seu avô.

Na realidade, ninguém jamais conseguiu manter-se no Iémene, muito mais do que no Afeganistão. Pouco importa, o Príncipe herdeiro manifesta o seu poderio privando 7 milhões de pessoas de comida. Se no Conselho de Segurança todos os membros se preocupam pela crise humanitária, ninguém se atreve a criticar o “bravo” Príncipe MBS.

Aconselhando o seu pai, o Rei Salman, MBS propõe-lhe eliminar o chefe da Oposição interna, o Xeque Nimr Baqr al-Nimr [1]. O homem era, é certo, pacífico, mas do ponto de vista wahhabita era um infiel, um xiita. Foi decapitado sem causar a mínima indignação nos países Ocidentais. Depois, MBS fez destruir Moussawara e Chouweikat na região de Qatif. Ambas xiitas ! Aí, novamente, os Ocidentais não viram as cidades arrasadas pelos blindados, nem os servos massacrados.

Não suportando qualquer contestação, MBS pressiona o seu pai a romper com o Catar, em Junho de 2017, o qual teve a audácia de tomar partido pelo Irão face à Arábia Saudita. Ele intima todos os Estados árabes a segui-lo e consegue fazer recuar provisoriamente o Emirado.

Assim que acede à Casa Branca, o Presidente Trump junta-se ao incêndio. Ele deixa os iemenitas agonizar na condição de que Riade cesse de apoiar os jiadistas.

Foi então que o conselheiro do Presidente Trump, Jared Kushner, teve a ideia de recuperar o dinheiro do petróleo para resgatar a economia dos EUA. A imensa fortuna dos Saud não é mais do que o dinheiro que os Ocidentais em geral, e os Norte-americanos em particular, lhe têm mecanicamente despejado pelos seus hidrocarbonetos. Ora, isso não é o fruto do seu trabalho, apenas uma renda pela sua propriedade. O jovem organiza, pois, o golpe Palaciano de Novembro de 2017 [2]. Cerca de 1. 300 membros da família real são colocados em prisão domiciliar, incluindo o bastardo do clã Fadh, o Primeiro-ministro libanês Saad Hariri. Alguns são pendurados pelos pés e torturados. Todos têm que «oferecer» ao Príncipe herdeiro metade da sua fortuna. «MBS» encaixa, em nome próprio, pelo menos 800 biliões (bilhões-br) de dólares em dinheiro e em acções [3].

Erro fatal !

A fortuna dos Saud, até aqui dispersa entre todos, concentrou-se numa mão que não era a do Rei e, portanto, do Estado. Basta, pois, torcer essa mão para recuperar a fortuna.

MBS também ameaça o Kuwait com a mesma sorte do Iémene se não lhe der as suas reservas petrolíferas fronteiriças. Mas o tempo escoa-se rapidamente.

A operação Khashoggi

Bastava esperar. A 2 de Outubro de 2018, MBS mandou assassinar, no Consulado saudita de Istambul, um dos homens de mão do Príncipe al-Waleed Ben Talal, o jornalista Jamal Khashoggi, em violação do artigo 55 da Convenção de Viena sobre Relações Consulares [4].

Jamal Khashoggi era neto do médico pessoal do rei Abdul Aziz. Ele era sobrinho do negociante de armas Adnan Khashoggi, que equipou a Força Aérea saudita, depois aprovisionou, por conta do Pentágono, o Irão xiita contra o Iraque sunita. Samira Khashoggi, a sua tia, é a mãe do negociante de armas Dodi Al-Fayed (eliminado com a sua companheira, a Princesa britânica Lady Diana [5]).

Jamal fora associado ao golpe Palaciano que o velho Príncipe al-Waleed preparava contra MBS. Espadachins cortaram-lhe os dedos e desmembraram-no antes de apresentar a sua cabeça ao seu patrão, MBS. A operação foi cuidadosamente gravada (registrada-br) pelos Serviços Secretos Turcos e dos EUA.

Em Washington, a imprensa e os parlamentares dos EUA pedem ao Presidente Trump para decretar sanções contra Riade [6].

Um conselheiro de MBS, Turki Al-Dakhil, replica que se os Estados Unidos lançarem sanções contra o reino, este está pronto a rebentar a ordem mundial [7]. Já que na tradição dos beduínos do deserto, qualquer insulto deve ser vingado seja qual for o preço a pagar.

Segundo ele, o reino prepara umas trinta medidas entre as quais as mais salientes serão :

  • - Baixar a produção de petróleo para 7,5 milhões de barris/dia, provocando uma subida dos preços para perto dos 200 dólares o barril. O reino exigirá ser pago em outras divisas que não o dólar, provocando o fim da sua hegemonia ;
  • - Afastar-se de Washington e reaproximar-se de Teerão ;
  • - Comprar armas na Rússia e na China. O reino oferecerá uma base militar à Rússia em Tabuk, no Noroeste do país, quer dizer na proximidade da Síria, de Israel, do Líbano e do Iraque ;
  • - Apoiar de imediato o Hamas e o Hezbolla.

 

Consciente dos danos que a besta pode causar, a Casa Branca toca a rebate. Lembrando-se tardiamente do seu belo discurso sobre os «Direitos Humanos», os Ocidentais declaram, em coro, que não suportam mais este tirano medieval [8]. Todos os seus líderes económicos, um por um, acatam as instruções de Washington e anulam a sua participação no Fórum de Riade.

Lembrando que Khashoggi era um «residente norte-americano», o Presidente Trump e o seu conselheiro Kushner evocam o confisco dos seus bens em proveito dos Estados Unidos para apaziguar a sua cólera.

Em Telavive, é o pânico. MBS era o melhor parceiro de Benjamin Netanyahu [9]. Ele tinha-lhe pedido para constituir um estado-maior conjunto na Somalilândia afim de esmagar os Iemenitas. Ele próprio tinha secretamente visitado Israel, em fins de 2017. O antigo Embaixador dos EUA em Telavive, Daniel B. Shapiro, previne os seus correligionários israelitas (israelenses-br) : com um tal aliado, Netanyahu coloca o país em perigo [10].

O Pacto de Quincy apenas protege o Rei, não os pretendentes ao seu trono.

[1] « La mort du cheikh El-Nimr fait vaciller le régime des Saoud » («A morte do Xeque Al-Nimr faz vacilar o regime dos Saud»- ndT), par André Chamy, Réseau Voltaire, 3 janvier 2016.

[2] “Golpe Palaciano em Riade”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 7 de Novembro de 2017.

[3] “Saudis Target Up to $800 Billion in Assets” («Sauditas visam até $800 biliões em Fundos»-ndT), Margherita Stancati & Summer Said, Wall Street Journal, November 8, 2017.

[4] « Convention de Vienne sur les relations consulaires », Réseau Voltaire, 24 avril 1963.

[5] Lady died, par Francis Gillery, Fayard éd., 2006. « Francis Gillery : "J’ai étudié le mécanisme du mensonge d’État dans l’affaire Diana" », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 23 août 2007.

[6] “The disappearance of Jamal Khashoggi” («O desaparecimento de Jamal Kashoggi»-ndT), by Manal al-Sharif, Washington Post (United States) , 9 October 2018. “Letter by the Senate Foreign Relations Committee on the disappearance of Jamal Khashoggi”, 10 October 2018.

[7] “US sanctions on Riyadh would mean Washington is stabbing itself”, Turki Al-Dakhil, Al-Arabiya, October 14, 2018.

[8] « Déclaration conjointe des ministres des affaires étrangères d’Allemagne, de France et du Royaume-Uni sur la disparition de Jamal Khashoggi », « Déclaration de la France, de l’Allemagne et du Royaume-Uni sur la mort de Jamal Khashoggi », Réseau Voltaire, 14 et 21 octobre 2018.

[9] “Exclusivo : Os projectos secretos de Israel e da Arábia Saudita”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Junho de 2015.

[10] “Why the Khashoggi Murder Is a Disaster for Israel” («Porquê o assassínio de Kashoggi é um desastre para Israel»- ndT), Daniel Shapiro, Haaretz, October17, 2018.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Por que não chamou o embaixador em Riad, Senhor Ministro?

POR QUE NÃO CHAMOU O EMBAIXADOR EM RIAD, SENHOR MINISTRO?

Como todos os regimes totalitários e absolutistas, os seus dirigentes ensimesmam-se de tal modo nos seus interstícios de terror, que se convencem que podem fazer o que lhes convier que o mundo acabará por se render à sua realidade.
Após o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, os dirigentes sauditas declararam que ele tinha saído do consulado onde fora para tratar dos papéis do seu casamento com uma cidadã turca.
Logo se soube que não era verdade, pois que um esquadrão de assassinos sauditas enviado de Riad, nesse dia, o tinha assassinado. Riad esperava que o assunto morresse à medida que o tempo passava.
Só que o tempo às vezes em vez de enterrar assuntos dá-lhes mais força e não os abandona à vontade dos ditadores. O mundo sonolento tem estremeções e desperta com ímpeto surpreendendo.
Os dirigentes do reino dos sabres mediram mal o seu desprezo pela civilização e os direitos humanos. Acreditavam que o assassinato de Khashoggi os deixavam livre de uma caneta incómoda, só que o seu assassinato mostrou ao mundo o reino de terror que impera em Riad. O grau da perfídia rasa o inimaginável, só compaginável com personagens sinistras, próprias das tragédias do genial William Shakespeare.
Os dirigentes de Riad deram carta-branca aos sicários especialistas em fazer desaparecer corpos humanos. Enviaram-nos ao consulado. Cumpriram a missão. Pois bem, após negarem que ele ficara no interior do consulado, assumem que houve uma luta corpo a corpo e que Khashoggi morreu estrangulado.
Mas por que razão um homem que vai buscar documentos para se poder casar se envolve numa luta tão violenta que morre estrangulado? Se ele temia que o matassem e, por isso, abandonou a Arábia Saudita?
Os que serviram para cumprir ordens são agora os únicos culpados, sem mandantes por um crime cometido num país estrangeiro. Podem vir até a decapitar os executores materiais do crime para que as suas línguas não falem, mas ninguém acreditará que agiram por sua conta num país em que tudo é milimetricamente controlado. Que os sicários que o estrangularam digam onde está o corpo de Khashoggi enquanto têm língua.
Parece que só o Presidente mais desequilibrado em toda a história dos EUA “acredita” na versão saudita.
Todos se lembram que Santos Silva chamou o embaixador português em Moscovo por causa de uma tentativa de assassinato de um espião russo. Pode o Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros informar os portugueses qual foi a razão para não ter chamado a Lisboa o embaixador português?

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2018/10/23/por-que-nao-chamou-o-embaixador-em-riad-senhor-ministro/

Fonte revela como jornalista Khashoggi teria sido assassinado no consulado saudita

Pessoas protestam perto do consulado da Arábia Saudita em Istambul após o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, 9 de outubro de 2018
© AFP 2018 / Ozan Kose

O jornalista Jamal Khashoggi, que morreu no consulado da Arábia saudita em Istambul, teria sido asfixiado por acidente, escreveu a agência Reuters, citando um alto funcionário no governo saudita.

Segundo a agência, a Arábia Saudita não planejava assassinar o jornalista. Riad teria enviado à Turquia 15 agentes para convencer o jornalista, que nos últimos anos trabalhava nos EUA e criticava o governo saudita, a voltar à pátria.


Porém, durante o encontro com o jornalista, os agentes começaram a ameaçar Khashoggi e ele tentou oferecer resistência e pedir socorro, causando o pânico entre os agentes. Eles teriam tentado lhe tapar a boca, escreve Reuters, mas exageraram na força e acabaram asfixiando o jornalista, afirmou a fonte.

Para esconder o assassinato, os agentes ocultaram o corpo de Khashoggi em um tapete, retiraram-no do consulado em um carro diplomático e o entregaram a uma pessoa de confiança em Istambul para que depois se livrasse dele.

Depois, um dos participantes do assassinato teria saído do consulado vestido com as roupas do jornalista morto para que as câmeras fixassem que Khashoggi saíra do consulado.


Caso Khashoggi

Jamal Khashoggi, colunista do jornal Washington Post, vivia nos EUA desde 2017 e foi dado como desaparecido em 2 de outubro após entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul.

Durante mais de duas semanas, a parte saudita afirmou que o jornalista tinha saído do consulado. Porém, na noite de sexta para sábado (20), Riad reconheceu que o jornalista foi de fato assassinado durante uma briga com funcionários do consulado.

O rei saudita Salman bin Abdulaziz Al Saud e o príncipe herdeiro Mohammad Bin Salman recentemente expressaram condolências à família do jornalista.

 

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018102212491873-jornalista-Khashoggi-arabia-saudita-assassinado/

Divisão pública dos Saud

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A repressão do complô para fazer cair o Príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman (dito como «MBS»), provocou a fuga de vários membros da família real.

Enquanto o Rei Salman assegurou, ele próprio, ao Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, tudo ignorar sobre este assunto e o assassinato de Jamal Khashoggi, há rumores garantindo que o seu filho, MBS, exigiu ver a cabeça cortada do homem de confiança do Príncipe Al-Waleed.

O Príncipe Ahmed bin Abdelaziz, irmão do rei Salman, instalou-se definitivamente na Europa. Ele poderá ficar a residir em Paris. Antigo Ministro do Interior, é um dos «sete Sudairis». Tem a reputação de ser reaccionário, mas de não ser corrupto. Ele já tinha participado, em 2015, nas manobras exercidas para impedir a fulgurante ascensão de MBS.

Foi acompanhado por um filho e uma esposa do antigo Rei Abdallah, Saad e Hessah.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Jamal Khashoggi: Turquia deve pedir investigação às Nações Unidas

Em comunicado conjunto, as organizações Amnistia Internacional, Human Rights Watch, Comité para a Protecção dos Jornalistas e Repórteres Sem Fronteiras, apelam, a uma só voz, para que a Turquia solicite urgentemente ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para abrir uma investigação da ONU à possível execução extrajudicial do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Segundo o comunicado, as organizações signatárias “instam a que esta investigação determine as circunstâncias em volta do papel desempenhado pela Arábia Saudita no desaparecimento forçado e possível morte do jornalista. Deve ainda visar identificar todos os responsáveis por terem ordenado, planeado e executado quaisquer operações ligadas a este caso”.

Lê-se no referido documento que a “Turquia deve pedir urgentemente ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que instaure uma investigação das Nações Unidas sobre a possível execução extrajudicial do proeminente jornalista saudita Jamal Khashoggi, do Comité para a Protecção dos Jornalistas, Human Rights Watch e Amnistia International, e Repórteres Sem Fronteiras”.

A investigação deve determinar as circunstâncias que cercam o papel da Arábia Saudita no desaparecimento forçado e possível morte de Khashoggi. Deve procurar identificar todos os responsáveis ​​pelo pedido, planeamento e execução de quaisquer operações relacionadas ao caso.

A Turquia deve recrutar a ONU para iniciar uma investigação oportuna, confiável e transparente”.
Robert Mahoney, Vice-director executivo do Comité para a Protecção dos Jornalistas
O envolvimento da ONU é a melhor garantia contra um branqueamento saudita ou tentativas de outros governos de varrer a questão para manter laços comerciais lucrativos com Riad”.
Robert Mahoney

As autoridades sauditas intensificaram a repressão às vozes dissidentes no país desde que Mohammad bin Salman se tornou príncipe herdeiro em Junho de 2017. E, está a ser marcado pela repressão sistemática da dissensão, incluindo a expressão pacífica dirigida à promoção e protecção dos direitos humanos. Praticamente todos os defensores de direitos humanos e vozes críticas, incluindo clérigos religiosos, jornalistas e académicos, foram alvejados nas recentes detenções.

O desaparecimento de Khashoggi ocorre depois de mais de um ano de detenções contra jornalistas que denunciaram casos de corrupção, direitos das mulheres e outras questões delicadas. Várias estão sendo realizadas em locais desconhecidos, sem acusação, segundo pesquisa do Committee to Protect Journalists.

Ver artigo original em "O TORNADO"

A reputação perdida da Arábia Saudita

O caso Khashoggi lança uma luz macabra sobre o reinado do suposto reformador Salman. Cinismo e repressão caracterizam um governo brutalmente autoritário. O país começa a sentir as consequências, opina Kersten Knipp.
Assim funcionam as coisas no mundo da penumbra: quem se mete com figuras duvidosas não deve contar com a lealdade delas. Isso é o que constatam os 15 membros de um comando especial que, no início de outubro, viajaram da Arábia Saudita até o consulado do país na Turquia e lá supostamente assassinaram o jornalista Jamal Khashoggi.

O caso desencadeou ondas com que os autores do crime nem de longe contavam. Agora está sendo esperada uma declaração pública da casa real saudita, cuja mensagem central, segundo informações da emissora americana CNN, é que os regentes em Riad de nada sabiam sobre o assassinato.

A ideia é que algumas figuras obscuras teriam se juntado por conta própria, viajado para a Turquia e então atacado o jornalista saudita – sem o conhecimento da família real e para absoluta indignação desta. Agora os ousados malfeitores devem ser até punidos. Nem um escritor especializado em histórias de máfia conseguiria imaginar uma trama tão perfeita.

Pelo menos um não saudita já foi atrás dessa versão do escandaloso episódio: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após uma conversa com o rei Salman, ele adotou a noção de uma "quadrilha assassina", que teria conspirado para cometer os atos malignos. Khashoggi teria morrido nas mãos de "rogue killers", assassinos renegados. Cúmplices na família real: nenhum.

Os serviços secretos americanos aparentemente veem a coisa diferente. Segundo fontes de imprensa, teriam sido interceptadas conversas em que autoridades sauditas planejavam sequestrar Khashoggi e levá-lo para a Arábia Saudita. Especula-se que o novo homem forte em Riad, Mohammad bin Salman, apelidado MbS, estaria pelo menos informado sobre a operação.

Com isso, a reputação do príncipe-herdeiro estaria pelo menos arranhada diante da opinião pública global. O caso Khashoggi não surpreende, pelo contrário. Ele representa o atual clímax na carreira política de um dirigente que, em seu ainda breve reinado, por diversas vezes já chamou a atenção por uma política altamente cínica e inescrupulosa.

Dela faz parte, por exemplo, a briga, ampliada em boicote, com o vizinho Catar, iniciada simplesmente por a tendência política do pequeno emirado não agradar ao príncipe Salman.

Dela faz também parte a guerra aérea contra o Iêmen, de longe o país mais pobre do mundo árabe, na qual, segundo dados da ONU, só até agosto último já morreram quase 5.600 civis e outros 10.400 ficaram feridos. Devido ao bloqueio marítimo saudita, mais de 12 milhões de iemenitas estão enfrentando fome extrema.

Em caso de dúvida, o governo de Riad também investe brutalmente contra a própria população. O blogueiro Raif Badawi, que há anos está encarcerado, devido a críticas políticas relativamente inofensivas, é apenas o mais conhecido de uma série de oposicionistas atrás de grades.

Em meados de 2018, além disso, diversas ativistas dos direitos femininos foram presas. Também elas defenderam reivindicações que só podem ser consideradas provocações sérias num sistema dominado pelo absolutismo. Outros tiveram destino ainda mais duro: a Anistia Internacional registrou a morte de diversos oposicionistas em 2017.

Mohammed bin Salman, o rosto de uma Arábia Saudita supostamente moderna, que permitiu a suas cidadãs dirigir e na qual os cinemas puderam voltar a funcionar, se encena como reformador apaixonado. Suas demonstrações nesse sentido foram, até agora, coroadas de êxito: o país conquistou – um pouco – simpatias. Mas agora se constata que, debaixo de uma política exclusivamente cosmética, ele segue um curso inflexível, brutalmente autoritário.

Esse curso visa assegurar o futuro da Casa de Saud. Seu sucesso não está nem de longe garantido: chovem os cancelamentos, por parte da elite empresarial global, para a Future Investment Initiative, marcada para a terceira semana de outubro, em Riad. A moeda do reino, o rial, atingiu sua cotação mais baixa dos últimos dois anos.

Sucesso econômico é também uma questão de imagem. No momento, várias empresas ocidentais parecem ter notado que uma cooperação com a Arábia Saudita poderá prejudicar gravemente a imagem delas. Nos círculos relevantes em Riad, isso talvez lance a questão se MbS, o garoto-propaganda do pseudo-reformismo saudita, é realmente a pessoa certa para guiar o país em direção ao futuro.
Kersten Knipp (av) | Deutsche Welle | opinião

 

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/10/a-reputacao-perdida-da-arabia-saudita.html

O que revela o assassinato de Jamal Khashoggi

DomingosLopesDomingos LopesO assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, no consulado turco, em Istambul, revela, em toda a sua nudez, a natureza do regime absolutista monárquico no poder em Riad.
O poder saudita congeminou o assassinato de um prestigiado intelectual árabe porque ele não aceitava a mordaça de escrever o que o palácio real queria.
Quando a notícia do casamento de Jamal bateu no consulado, devem ter sido imediatamente transmitida aos mais altos dirigentes sauditas que, sabendo que para casar ele teria de se deslocar ao consulado, organizaram friamente o seu assassinato.
Receberam-no no consulado e uma equipa de carniceiros profissionais, vindos da capital do reino obscurantista no mesmo dia, matou-o e fê-lo desaparecer, ao que se sabe levando-o esquartejado para Riad e afirmando que ele tinha saído do consulado.
A sua noiva, fora do consulado, esperou onze horas seguidas, sem o ver sair. Os dirigentes sauditas tinham perfeita consciência do escândalo que rebentaria, mas para eles todos os escândalos são melhores que Jamal Khashoggi continuar a escrever o que pensava nos jornais onde escrevia.
Na verdade, o poder saudita está habituado a comprar quem quer que seja com os seus triliões. Quem não se render deve ser assassinado, nem que seja no estrangeiro.
Veja-se a posição de Trump. De início considerou muito grave e exigiu que se apurassem responsabilidade, combinando com Riad enviar Pompeo para ele sair de lá “convencido” que a Suas Altezas reais nunca lhes passou pela cabeça assassinar Jamal, sendo que algum dos carrascos o deve ter feito por descuido. Eis o que Trump, provavelmente Macron, Theresa May queriam ouvir.
Esta última e os seus amigos, por uma tentativa de envenenamento de um espião russo convertido para espiar Putin, puseram a Europa em alvoroço com a expulsão de centenas de diplomatas russos, como não se via há décadas, nem no período da guerra fria.
Trump e Pompeo já avançaram com a desculpa que criaram com o tal príncipe “moderno” para que tudo fique na mesma. Os carrascos encarregados de matar Khashoggi afinal saíram de Riad para lhe fazer perguntas sobre a prenda de casamento e Jamal, com o susto, morreu, pois não imaginava que os enviados de Salman lhe quisessem desejar felicidades .
Trump já afirmou que vai continuar a vender milhares de milhões à Arábia Saudita em armamento para abafar a revolta no Iémen. Os amigos são para as ocasiões.
Pactuar com um poder desta natureza é assumir que crimes tão hediondos no modus faciendi e nas desculpas apresentadas possam ser tolerados.
Resta a todos, sobretudo aos Estados, a aceitação ou rejeição de semelhante barbaridade para que que armadilhas deste tipo não possam ser montadas seja onde for e por quem quer que seja.

Transrito do Público online de hoje

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2018/10/17/o-que-revela-o-assassinato-de-jamal-khashoggi/

Premiê da Espanha reafirma apoio à rescisão da venda de bombas para a Arábia Saudita

O líder do Partido Socialista da Espanha (PSOE), Pedro Sanchez, durante coletiva de imprensa no Parlamento em Madri, na Espanha.
© REUTERS / Juan Medina

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse à imprensa local neste domingo que seu governo estava arriscando "criar a imagem de estar revisando todo o seu relacionamento" com a Arábia Saudita se não entregasse as armas como prometido, informou a AFP.

"A situação foi muito complicada. O dilema enfrentado pelo governo foi romper seus laços comerciais, econômicos e políticos com a Arábia Saudita, com o impacto que isso poderia ter em algumas áreas do país, como a Baía de Cádiz, ou mesmo de executar contratos assinados pelo governo anterior", disse Sanchez à emissora de televisão privada La Sexta, citada pela AFP.

No início de setembro, o governo espanhol cancelou a venda de 400 bombas guiadas por laser a Riade em meio a preocupações de que elas seriam usadas nos ataques da coalizão saudita contra civis no Iêmen. A venda original foi acordada em 2015 pelo antigo governo conservador da Espanha.

Em agosto, o Ministério de Relações Exteriores da Espanha sugeriu que Madrid reconsiderasse o fornecimento de armas para Riade e outros membros da coalizão liderada pela Arábia Saudita em meio a ataques aéreos mortais contra alvos civis no Iêmen. A declaração veio após relatos de que aviões de coalizão atacaram um ônibus escolar em um movimentado mercado na província de Saada, no norte do Iêmen, reduto da oposição política houthi envolvido em conflito violento com o atual governo iemenita no exílio e apoiado pela coalizão. O ataque matou pelo menos 50 pessoas e feriu outras 77. Mais da metade dos mortos eram crianças menores de 15 anos.

Segundo a AFP, o cancelamento da venda de bombas guiadas a laser colocaria em risco uma encomenda muito maior de cinco navios de guerra Corvette — uma venda no valor de 1,8 bilhão de euros — a ser construída pelo estaleiro espanhol Navantia, na região sul da Andaluzia. Além do contrato de navio de guerra, Madrid assinou acordos de engenharia para construir uma ferrovia de alta velocidade ligando Meca e Medina, além de um metrô no centro de Riade.

No ano passado, a Espanha forneceu cerca de 361 milhões de euros em armas à Arábia Saudita e seus aliados do Golfo, que apoiam desde 2015 o governo iemenita no exílio em sua luta contra uma facção de oposição Houthi.

Os defensores dos direitos humanos apelidaram a guerra de "a maior catástrofe humanitária do mundo", alegando que desde que se juntou ao conflito, a coalizão liderada pela Arábia Saudita realizou contínuos ataques aéreos contra alvos civis, muitos dos quais constituem crimes de guerra.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2018091612224193-premie-espanha-cancelamento-bombas-arabia-saudita/

Espanha «honra acordo» e vende mais 400 bombas à Arábia Saudita

Depois de travar o negócio há dez dias, o governo espanhol anunciou que as bombas seguem para os sauditas. Representantes da ONU no Iémen voltaram a alertar para a situação humanitária no país.

Destroços de um edifício bombardeado pelos sauditas na capital do Iémen, Saná, em Outubro de 2016. Estima-se que 140 pessoas tenham morrido e perto de 600 tenham ficado feridasCréditos / The Independent

O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, disse esta quinta-feira que o seu governo iria «honrar o contrato» realizado em 2015 pelo governo anterior, de Mariano Rajoy, sublinhando em declarações a uma rádio que «não encontrou razões para não o concretizar».

Questionado sobre as garantias que possuía quanto à utilização das bombas pelos sauditas, no sentido de não provocar vítimas entre a população civil, Borrell disse que as bombas guiadas a laser têm «uma extraordinária precisão».

A reviravolta ocorre dez dias depois de a ministra da Defesa, Margarita Robles, ter confirmado que tinha dado início ao cancelamento do contrato celebrado entre ambos os países, relativo à venda de 400 bombas guiadas a laser, acrescentando que Madrid pagaria a Riade 9,2 milhões de euros pelas armas não entregues, informa a RT.

A decisão de cancelar o negócio estaria ligada, de acordo com a RT e a PressTV, às múltiplas críticas internacionais contra o massacre da população civil – mais recentemente em Hudaydah e na província da Sa'ada, onde foi atacado um autocarro cheio de crianças – levado a cabo pela coligação liderada pelos sauditas no Iémen.

De acordo com algumas fontes, a reviravolta repentina fica a dever-se às pressões dos sauditas, que terão ameaçado não avançar com outros negócios – de maior monta – no futuro. Recentemente, o construtor estatal espanhol Navantia assinou com os sauditas um contrato no valor de 1,8 mil milhões de euros pela venda cinco corvetas.

Depois dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França, Espanha é um dos maiores vendedores de armas à Arábia Saudita.

ONU alerta para agravamento da situação humanitária

Numa entrevista concedida à agência Reuters, Meritxell Relaño, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Iémen, alertou para o «inferno» que as crianças iemenitas estão a viver no seu país sob a agressão saudita.

Relaño disse que «mais de 11 milhões de crianças, ou quase 80% dos menores de 18 anos no Iémen, enfrentam a ameaça de escassez de alimentos, doenças, deslocamentos e grave falta de acesso a serviços sociais básicos».

Também ontem, a coordenadora humanitária das Nações Unidas para o Iémen, Lise Grande, emitiu um comunicado em que dá conta da «deterioração dramática» da situação em Hudaydah nos últimos dias e afirma que a população «está aterrorizada pelos bombardeamentos, disparos de artilharia e ataques aéreos».

Desde que a coligação liderada pela Arábia Saudita lançou uma ofensiva contra a cidade costeira, em 13 de Junho, os bombardeamentos são contíunos. «As pessoas estão a lutar pela sobrevivência, mais de 25% das crianças estão desnutridas, 900 mil pessoas na província estão desesperadas por comida e 90 mil mulheres grávidas correm um risco enorme», alertou a representante das Nações Unidas.

Afirmando que a população civil tem carência de tudo – dinheiro, cuidados de saúde, água potável e apoio especializado –, sublinhou que «as partes no conflito estão obligadas a fazer tudo ao seu alcance para proteger os civis e as suas infra-estruturas».

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

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