Animais

Os cachorros de Trump

Donald Trump é o segundo presidente na história dos EUA a não contar com um animal de estimação na Casa Branca; o outro foi James Polk (1845-1849)

Autor: Rolando Pérez Betancourt | internet@granma.cu

Junho, 2020

 

Foto: AP

 

Donald Trump é o segundo presidente na história dos EUA a não contar com um animal de estimação na Casa Branca; o outro foi James Polk (1845-1849).

A tradição remonta aos idos de George Washington e, durante muito tempo, os cachorros foram maioria no posto de «bicho de estimação» presidencial.

Via: Home https://bit.ly/2XVg6jR

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/06/12/os-cachorros-de-trump/

Cadela salva por populares, bombeiros e intervenção rápida da São Francisco de Assis depois de atropelamento

Por Redação
08 junho 2020
Populares, Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, bem como a equipa de Intervenção Rápida da Associação São Francisco de Assis salvaram, esta segunda-feira, ao início da noite, uma cadela de médio porte, vítima de atropelamento na rua José Moreira- artéria entre o Minipreço e a Repsol, em São Domingos de Rana.

O canídeo “ficou debaixo do carro” numa área de intenso movimento rodoviário, que sofreu alguns congestionamentos.

O alerta para um “atropelamento rodoviário” foi dado aos Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana cinco minutos depois das oito horas da noite, fazendo deslocar, segundo a Autoridade Nacional de Emergência de Proteção Civil, 8 operacionais e dois veículos.

Pedro Carvalho
“Quando chegámos ao local, constatámos tratar-se de um canídeo, o qual, entretanto, tinha sido resgatado de debaixo da viatura por populares”, disse, aCascais24, Pedro Carvalho, Segundo Comandante daquele Corpo de Bombeiros.

A cadela, que apresentava alguns ferimentos, acabou por ser evacuada pela ambulância de Intervenção Rápida da Associação São Francisco de Assis, entretanto acionada pelos Bombeiros, que prestaram ao animal os primeiros socorros.

“Foi transportada a uma clínica veterinária da Parede, com a qual mantemos uma parceria”, confirmou, aCascais24, João Salgado, presidente executivo da Associação São Francisco de Assis.

“Trata-se de uma cadela, sem raça definida e que, por precaução, vai ficar em observação, embora, à partida, esteja livre de perigo”, acrescentou João Salgado.

João Salgado
O canídeo é pertença de um casal sul-americano, que acompanhou o animal até à clínica, onde também compareceu o condutor do veículo que o atropelou.

“Agora, caso os donos do animal demonstrem não possuírem condições económicas para suportar os tratamentos e a recuperação do mesmo as despesas serão custeadas ao abrigo do protocolo que existe entre a nossa Associação e o município”, concluiu o presidente executivo da Associação São Francisco de Assis.
 

Reino Unido lança teste de "cães detectores de COVID-19"

Cachorros treinam para detectar coronavírus pelo cheiro

Londres, 17 mai (Xinhua) - Cães farejadores devem ser treinados na Grã-Bretanha para detectar o COVID-19 antes que os sintomas apareçam nos seres humanos, de acordo com o Departamento de Saúde e Assistência Social.

Os cães, que conseguem detectar certos tipos de câncer com sucesso, serão submetidos a um treinamento intensivo para ver se conseguem detectar a doença antes que os sintomas apareçam, apoiados por 500.000 libras (605.185 dólares americanos) em financiamento do governo.

Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) realizarão a primeira fase de teste em colaboração com a instituição de caridade Medical Detection Dogs e a Universidade de Durham.

O teste fará com que a equipe do Serviço Nacional de Saúde (SNS) dos hospitais de Londres colete amostras de odores de pessoas infectadas com novos coronavírus e não infectadas. Seis cães de detecção biológica serão submetidos a um treinamento completo para identificar o vírus a partir das amostras.

"Nosso trabalho anterior mostrou que a malária tem um odor característico e, com o Medical Detection Dogs, treinamos com sucesso cães para detectar com precisão a malária. Isso, combinado com o conhecimento de que doenças respiratórias podem alterar o odor corporal, nos deixa esperançosos de que os cães também possam detectar o COVID-19", disse o pesquisador da LSHTM, James Logan.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/19/c_139068656.htm

COVID19. Voluntários da São Francisco de Assis passeiam animais de pessoas em isolamento e profissionais de saúde

(Comentário:

Os voluntários... Os dirigentes (pagos pela Câmara) certamente que há muito que andam de quarentena...

O que foi uma Fundação meritória é hoje uma "associação" (paga pelos contribuintes) para o marketing e para dar emprego aos amigos)

 

 Por Redação

26 março 2020

A pensar, também, na dignidade da vida animal, 25 voluntários da Associação São Francisco de Assis estão disponíveis para passear animais de munícipes em situação de isolamento.

 

O anúncio foi feito esta terça-feira pelo vereador Nuno Piteira Lopes no final da visita que efetuou à Associação, onde muitos tratam animais abandonados e outros são voluntários para tomar conta de animais pertencentes a pessoas que fazem parte dos grupos de risco ou de profissionais de saúde.

 

O anúncio foi feito durante a visita à Associação, esta terça-feira

Segundo o vereador, que foi acompanhado na visita pelo vice-presidente da direção da Associação, João Salgado, “mesmo com as portas fechadas devido à contingência #Covid19, na Associação São Francisco de Assis, em Cascais, o trabalho não para e além dos cuidados com os animais à guarda da associação, há 25 voluntários disponíveis para passear animais de munícipes em situação de isolamento”.

 

 

Para que os voluntários da Associação São Francisco de Assis possam passear o seu patudo, deve inscrever-se na Junta de Freguesia da sua área de residência. Eis os respetivos contatos:
-Cascais-Estoril: 968 772 739
-Alcabideche: 21 460 32 12
-Carcavelos-Parede: 21 458 67 30 | 21 458 67 39
-S. Domingos de Rana: 21 454 91 90

 

 

 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_2754.html

Situação nos canis municipais é dramática e de rutura, diz associação de veterinários

 

A associação de médicos veterinários municipais dizem que a situação nos centros de recolha dos municípios é dramática e de rutura e que a lei que proíbe os abates foi feita sobre “premissas erradas”.

 

“Temos CROA totalmente inoperacionais, não conseguem retirar os animais da rua, estão cheios, estão superlotados, não conseguem fazer face à situação de emergência”, disse Ricardo Lobo, da direção da Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios (ANVETEM), considerando que “tudo isto é dramático”, porque “as listas de espera vão acumulando” e há animais que viverão toda a vida em cativeiro.

“O problema é que, de facto, a lei foi feita sobre premissas erradas, porque os números que nós tínhamos até então são os mesmos números de animais abandonados que nos chegam para recolher. Continuam na mesma ordem de grandeza e não estão nivelados com a capacidade de adoção das famílias portuguesas”, acrescentou.

Ricardo Lobo defendeu que deveriam ser os médicos veterinários municipais a gerir os CROA, não numa lógica de abate indiscriminado, mas “de acordo com critérios de bem-estar animal, sociabilização e da possibilidade de adoção”.

“Pelo menos que fosse dada aos médicos veterinários a oportunidade de gerir o CROA de acordo com critérios de bem-estar animal, sociabilização, da possibilidade de adoção. Neste momento nada disso é feito, os animais estão alojados no centro de recolha oficial e lá ficarão eternamente”, disse, frisando que não defende um regresso “ao passado de tratar os animais como resíduo urbano”, no qual eram recolhidos, abatidos e incinerados.

Segundo o responsável, “a lei poderia continuar a fazer pressão e a existir, e iam-se prorrogando os prazos da entrada em vigor da proibição dos abates, mediante o equilíbrio dos animais que são para recolher e dos animais recolhidos”.

Ricardo Lobo salientou que esta gestão, em conjunto com as campanhas de sensibilização e de esterilização que estão a ser desenvolvidas, permitirá chegar a um equilíbrio entre os animais disponíveis e as famílias interessadas em adotar dentro de cinco a 10 anos.

Por isso, na sua perspetiva, não faz sentido a construção de mais CROA, como preveem várias propostas discutidas há dias no parlamento, até porque vão sempre ser insuficientes para os animais que atualmente necessitam de uma vaga.

“Faz algum sentido estar a construir canis por cima de canis, por cima de canis, para daqui a cinco anos não precisarmos deles?”, questionou.

O responsável sublinhou ainda que existem questões económicas e que se estão a desviar recursos que eram essenciais para outros ramos da veterinária, porque “não é só construir”, mas “é preciso manter”.

Ricardo Lobo salientou que o que se está a fazer é a recolher cães que vão passar a sua vida toda num CROA, comprometendo o bem-estar animal, e sublinhou o caso da Holanda, considerado um exemplo de boas práticas, onde alguns cães são abatidos, nomeadamente aqueles que estão no centro há mais de 12 meses.

A Lei n.º 27/2016, de 23 de agosto, que aprovou medidas para a criação de uma rede de CROA e estabeleceu a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população, definiu que as Câmaras tinham até outubro de 2018 para se adaptarem, passando então a ser proibida esta prática.

Lusa //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/situacao-canis-dramatica-associacao-veterinarios-312709

Moçambique alcança progressos na proteção da vida selvagem, mas os desafios continuam, diz relatório

Maputo, 3 mar (Xinhua) -- A proteção da vida selvagem e da biodiversidade em Moçambique vem registrando progressos significativos na última década, mas os conflitos entre humanos e animais continuam sendo um desafio, disse a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) na terça-feira.

Falando no Dia Mundial da Vida Selvagem, o diretor de Serviços de Proteção e Aplicação da Lei da ANAC, Carlos Lopes Pereira, disse à rádio nacional RM que houve uma diminuição no número de caça furtiva, principalmente para as espécies protegidas, como elefantes e rinocerontes.

Após um período de graves perdas, o número de elefantes e rinocerontes nos parques nacionais está se estabilizando, disse o diretor.

Entretanto, os conflitos entre humanos e animais permanecem, como nos últimos cinco anos 420 pessoas foram mortas por animais e só no último ano houve 42 mortes e 44 feridos, disse Pereira.

Além disso, ele lamenta que não se pode quantificar o impacto na segurança alimentar, pois os animais selvagens também destroem as plantações e instalações de produção de alimentos.

Como um esforço para aumentar a conscientização sobre a proteção da vida selvagem, as autoridades moçambicanas estão lançando uma campanha com o tema "A caça furtiva rouba de todos nós", e também há projetos destinados a reduzir a luta por espaço entre humanos e animais.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/04/c_138842523.htm

Quando o sofrimento dos galgos prenuncia o fim do dos touros

A explicação aventada por alguns amigos de João Moura para a forma como deixou degradar a condição dos seus galgos levanta uma pertinente questão sobre o futuro das touradas em Portugal: não será o argumento económico a justificar o fim da barbárie, que elas representam?

 

É certo que os defensores dos espetáculos taurinos vieram congratular-se, há poucas semanas, com o aumento do número dos espectadores nas corridas organizadas durante o ano transato, mas esse comprazimento lembrou a dos familiares dos doentes terminais que facilmente se iludem com aquelas canónicas melhorias em vésperas de lhes ser declarado o óbito. Com o cerco movido pela opinião pública, em grande parte conquistada para a ideia de não se justificar um espetáculo caracterizado por infligir sofrimento aos touros empurrados para a arena, será fatal o desapego dos aficionados a um hábito, que sabem torná-los alvo de censura.

 

Não sabemos, igualmente, as razões por que João Moura está a passar por apertos financeiros, mas duvido que um cavaleiro ou um toureiro consiga grandescachets nas poucas corridas para que possam anualmente ser contratados. Daí que o aspeto terrível dos cães postos a salvo dos maus tratos do dono pareça colar-se simbolicamente ao de uma tradição tauromática em vias de deixar definitivamente de ser o que foi...

Nuno Markl usa Instagram para criticar João Moura pelos maus tratos aos cães

 

Na sequência das notícias vindas a público sobre os maus tratos a que foram sujeitos os cães do cavaleiro tauromático, João Moura, o humorista Nuno Markl publicou, na sua página pessoal do Instagram, um texto com a sua indignação.

A acompanhar a imagem acima o humorista escreveu no Instagram:

Eu podia ter posto aqui uma fotografia do estado deplorável dos cães do toureiro João Moura.

Mas é uma imagem trágica demais, pelo que optei por colocar uma fotografia do dono dos animais. Cá está ele.

Somos um país que está a avançar em algumas coisas. A possibilidade de escolhermos se queremos ou não terminar a nossa vida, em caso de sofrimento atroz e incurável, é um desses passos.

Mas por cada passo para a frente, continuam a surgir vários passos atrás no caminho de uma existência mais medieval, seja nos preconceitos e na violência para com humanos ou na maneira como há quem continue a ser um filho da p¥t@ do pior para com os animais.

Temos brandos costumes para fora, mas ainda horríveis e extremos costumes cá dentro”.

O carinho e a forte ligação de Nuno Markl aos animais é de conhecimento público. Sobretudo para aqueles que acompanham as suas publicações sobre as diabruras dos seus animais.

 

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/nuno-markl-usa-instagram-para-criticar-joao-moura-pelos-maus-tratos-aos-caes/

Filhote de coala nasce em Lisboa e reforça clamor pela conservação da espécie (VÍDEO)

Filhote de coala nasce no zoológico de Lisboa
© Sputnik / Caroline Ribeiro

Um filhote de coala é o novo habitante do Jardim Zoológico de Lisboa. Nascido no mês de julho de 2019, só agora foi apresentado oficialmente ao público.

O pequeno coala ainda não tem nome e a equipe do zoológico nem sabe o sexo. Só quando o filhote estiver menos dependente do marsúpio, a bolsa que fica na barriga da mãe, é que as tratadoras vão poder manuseá-lo melhor.

"O coala é um marsupial. O bebê nasce com um mês (de gestação). Depois, vai para a bolsa da mãe. Lá ele fica durante uns seis, sete meses, até ganhar independência. Depois ele começa a sair e ficar no dorso da mãe, até começar a se desligar um pouco", explica à Sputnik Brasil a tratadora Stefane Leandro.

Tratadora Stefane Leandro com Goolara e o filhote
© Sputnik / Caroline Ribeiro
Tratadora Stefane Leandro com Goolara e o filhote

Goolara, a mãe do filhote, tem quatro anos e essa foi a segunda gestação dela. O filhote nasceu pesando pouco mais de meio quilo e vem se desenvolvendo bem. Para monitorar o crescimento, mãe e bebê precisam ser pesados de duas a três vezes por semana.

"É muito importante fazermos a pesagem, porque conseguimos controlar se o animal está bem ou não de saúde. Se um coala perder 500 gramas de uma vez já é uma diferença muito grande. Portanto temos que estar muito atentos", diz à Sputnik Brasil a tratadora Ana Rodrigues.

Preservação da espécie

Além de Goolara e do filhote, Stefane e Ana cuidam dos outros quatro coalas do Jardim Zoológico de Lisboa. A unidade foi a primeira da Europa a ter exemplares da espécie, que chegaram em 1991. Desde então, o zoológico faz parte do Programa de Conservação in situ de Coalas, em colaboração com a Sociedade Zoológica de San Diego, na Califórnia, que atua na preservação dos animais na Austrália.

Por causa dos graves incêndios que atingiram o país no final do ano, o programa vai reforçar o apoio financeiro aos profissionais que trabalham no resgate dos coalas.

"A área das Blue Mountains, onde as equipes estão, ardeu 90%. Até agora, 12 coalas foram resgatados. A operação é dispendiosa e o grande desafio é onde ir buscar o alimento, que são as folhas de eucalipto, naquela zona. Um coala só come os brotos e as folhas jovens. Se apanhamos 50 quilos de folha, que é muito, eles só vão comer 200 gramas. Por isso a preocupação", diz à Sputnik Brasil José Dias Ferreira, curador de mamíferos do Zoológico de Lisboa e responsável pelo fundo de conservação.

O gestor explica que ainda não se sabe o número de coalas mortos nos incêndios, mas diz que a situação, que já era grave, deve piorar. Os profissionais aguardam a atualização da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), entidade que define listas de espécies ameaçadas de extinção, mas celebram o nascimento do filhote em Lisboa.

"O nascimento de um coala é sempre um momento importante para o programa, e mais ainda neste momento, dada a situação em que eles estão. Nós não sabemos sequer que estatuto de conservação vão ter. Estão como vulneráveis pelo IUCN, mas com o que se está a passar vai ter um salto negativo, não sei mesmo se não vão passar a criticamente ameaçados. Este nascimento é mais importante por isso, tendo em conta que morreram um bilhão de espécies nos últimos três meses e não se sabe ao certo o número de coalas que morreram", diz José Dias Ferreira.

O zoológico de San Diego já arrecadou meio milhão de dólares para o reforço ao programa. O de Lisboa deve definir esta semana o montante para doação. Além disso, quem visita o viveiro dos coalas pode contribuir, diexando qualquer valor nos cofrinhos espalhados no local.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2020021115202884-filhote-de-coala-nasce-em-lisboa-e-reforca-clamor-pela-conservacao-da-especie-video/

Ordem dos Veterinários acusa juntas de se financiarem à custa dos cães

 

A Ordem dos Médicos Veterinários teme que a segunda taxa que o Partido Socialista (PS) quer criar para os cães aumente ainda mais os casos de abandono, acusando as juntas de freguesia, que iriam receber este valor, de se quererem financiar à custa dos donos dos animais.

 

Esta segunda taxa, explicou a TSF, que faz regressar uma taxa que já existiu até outubro de 2019 – quando foi criado o novo Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC) -, será cobrada pelas juntas de freguesia que já o faziam no passado.

O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Jorge Cid, falou à TSF numa “trapalhada”, questionando a razão para que “alguém que tem um cão tenha de pagar cinco a 15 euros a uma junta de freguesia, anualmente, quando qualquer outro animal não paga nada”.

“O PS tenta reintroduzir uma taxa que tinha sido eliminada”, indicou o bastonário, defendendo que “não pode existir pressão das juntas de freguesia porque não querem abdicar de uma verba a que estavam habituadas, tendo de arranjar outra forma de o fazer e não à conta dos donos dos cães”.

E sublinhou: “A proposta de diploma apresentada na Assembleia da República diz que as juntas vão depois implementar planos de promoção do bem estar animal, algo que nunca fizeram na vida”.

O regresso da taxa para os cães a pagar nas juntas de freguesia será votado esta quarta-feira, no Parlamento.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ordem-veterinarios-juntas-financiarem-custa-caes-307158

40 deputados socialistas contra subida do IVA nas touradas “obrigados” a votar a favor

 

Quarenta deputados do PS tentaram, sem sucesso, alterar o OE2020 de forma a impedir a subida do IVA nas touradas para 23%. Apesar de contrariados, os socialistas vão votar a favor da medida por causa da disciplina de voto.

 

Maria da Luz Rosinha, deputada e ex-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, terra de tradições taurinas, e Pedro do Carmo, eleito por Beja, foram os porta-vozes do descontentamento socialista, numa conferência de imprensa, acompanhados de parlamentares de vários círculos, Açores, Évora, Portalegre, Setúbal, por exemplo.

“A posição assumida deve-se exclusivamente à disciplina de voto”, garantiu a antiga autarca socialista.

Luz Rosinha afirmou que os deputados apresentaram uma proposta de alteração ao texto do OE, Pedro do Carmo explicou que os defensores da tauromaquia não tinham uma maioria dentro da bancada e que a direção do grupo parlamentar não a acolheu, argumentando que “está em causa uma questão fiscal” do orçamento.

O grupo de deputados critica “a imposição de uma ‘cultura de gosto’” e “assumem-se convictamente defensores da cultura portuguesa, em que se inclui a tauromaquia”.

“O que se apresenta como uma medida fiscal é, antes, uma posição de preconceito relativamente a uma vertente da cultura popular portuguesa, particularmente enraizada em muitas comunidades”, lê-se no texto da declaração de voto subscrita por quase 40 deputado socialistas.”Respeitamos a disciplina de voto e por isso votaremos a favor [da subida do IVA] mas não concordamos”, vincaram os socialistas, citados pelo jornal Público.

Até agora, os espetáculos de tauromaquia estão sujeitos à taxa reduzida do IVA.

Na bancada do PS, os deputados têm disciplina de voto quanto ao programa do Governo, Orçamentos do Estado, moções de censura e de confiança e compromissos do programa eleitoral ou ainda por orientação expressa da comissão política nacional do partido.

ZAP // Lusa

 

 
 
 

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https://zap.aeiou.pt/contrariados-40-deputados-do-ps-votaram-aumento-do-iva-das-touradas-306772

O Farripas

O Farripas é um cão triste. Vive num quintal pobre, sujo e sem plantas. Quando chove fica friorento e molhado, não tem uma casota. Apenas umas tábuas e uma placa de zinco para ali atirado ao descuido do dono. Nunca vai passear e por ali vive ao abandono sem um carinho ou afago.

 

 

O Farripas não sabe que como ele há muitos outros cães mal amados.

A ração é magra e quando chega vem de um tacho rapado à miséria em que vive o Sr Gervásio, seu dono, mais conhecido na aldeia pelo Espantalho.

A água, as mais das vezes, bebe-a o Farripas de uma poça enlameada que a chuva caridosa lhe traz.

No quintal do vizinho do lado, por alcunha o Malmequeres,há alguma fruteiras e flores selvagens que atraem os pássaros.

Dos pássaros o Farripas gosta, trazem-lhe a alegria dos anjos alados. De tal modo os pássaros estão acostumados à presença do cão tão abandonado que até dois melros se lhe aproximam aos pulinhos e lhe fazem uma alegre companhia. Por estas visitas se agita a cauda do cão de triste sina.

Nunca foi tosquiado. Os olhitos tristes estão cobertos de pelo sujo e emaranhado.

Quem lhe deu o nome foram os rapazitos da aldeia, num dia em que o Farripas, apanhando a cancela aberta, tinha fugido para o largo onde os miúdos da escola brincavam.

_Farripas! Farripas! Gritou a garotada.

E o cãozito que na altura ainda era jovem, conheceu as alegrias das festas de pequenada.

Mas logo, nem uma hora depois o Espantalhoapareceu todo zangado, procurando pelo bicho a quem tão mal tratava. Cheio de medo o cão agachou-se contra a bicicleta de um dos meninos que lhe fizera uma festa na cabeça suja, mas delicada.

O Espantalhovinha, como sempre, todo abrutalhado e com um saco de serapilheira debaixo do braço. Pobre Farripas que de rabo entre as pernas nem tentou fugir de tanto medo que sentia, pois sabia de um saber antigo e sem palavras, que ia ser castigado.

Metido dentro do saco, arrepiado, triste e a ganir, lá voltou o Farripas para o quintal onde vivia aprisionado.

Foi um dia sem comer, onde só uma chuva miudinha o veio ajudar a dar alento à língua ressequida e às dores que as pauladas vingativas do Espantalho lhe tinham caído no lombo emagrecido.

Mas chegou o dia em que a sorte da triste vida do Farripas pareceu mudar.

O vizinho Malmequeresdesapareceu depois de mais uma das suas valentes bebedeiras. Outras pessoas chegaram à casa do lado.

O Farripas conseguia ouvir vozes de pessoas e de criançada, as vozes que lhe lembravam sempre aquele dia da fuga em que um menino lhe fizera festas na cabeça e ele se sentira feliz por uma vez.

Uma cabeça apareceu por cima do muro que separava o quintal do Espantalho do quintal de defunto Malmequeres. Uma criança pareceu agitada e passados alguns minutos o bom do Farripas via uma cabeça toda encaracolada a assomar ao cimo do muro. Era o Filipe, o novo vizinho do lado. Depois surgiu outra cabeça com olhos de ternura espantada.

O cão maltratado pressentiu do fundo do seu mundo tão limitado que talvez dali viesse alívio à sua vida de animal desprezado.

Passado algum tempo ouviu um estranho apito contínuo e levantou-se, a custo, do chão todo sujo à sua volta.

_ Espera aí, Farripas. Vamos ajudar-te. O teu dono não te merece, vem aí a Guarda e vamos levar-te.

Vais connosco ao Veterinário, vais ser tosquiado e lavado com água quentinha, vais ser acarinhado.

O cão de olhos sempre tristes alteou as orelhas sujas ao reconhecer a voz do Filipe, o menino que o acarinhara.

Estavam a chegar mais pessoas. Desta vez o Espantalhonão teve oportunidade de pegar no saco de serapilheira para esconder a sua malvadez de homem só e pela vida mal tratado. Abriu a porta à Guarda e sentou-se no mocho onde costumava enrolar cigarros de barbas de milho e beber até cair para o lado. Ainda tentou dar umas desculpas mal amanhadas:

_ Esse bicho que aí levam é um mal agradecido! Quantas vezes tirei pão da minha boca para o alimentar _ mentiu ele tentando ainda ganhar as boas graças das pessoas que lhe entravam pela casa adentro e que ele não se sentia capaz de enxotar.

O Farripas foi levado à tosquia e ao banho. Tinha feridas na pele, infetadas. Curariam. Mas a alegria que sentia de ser ver cuidado, fazia o coraçãozinho bater-lhe de felicidade.

 

Ilustração: O Farripas, de Beatriz Lamas Oliveira


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-farripas/

Essa cadela pega o ônibus sozinha todos os dias para brincar no parque (e também paga a passagem)

 
 

Geralmente, os cães chegam ao parque acompanhados por seus donos, mas com a cadela Eclipse é diferente. Todos os dias ela sai de casa sozinha , pega o ônibus para o centro e desce na parada do parque, onde gosta de passar algumas horas em liberdade. Aqui, ela brinca com seus amigos de quatro patas por um tempo; depois, quando está cansada, pega o ônibus de volta para casa. Tudo pagando corretamente suas viagens, pois ela tem o bilhete de viagem preso na coleira.

 

Eclipse é um cão muito independente de Seattle e Jeff Young, seu dono, está feliz com isso. Foi ele quem notou sua habilidade, depois de ver um dia o cachorro correr em direção ao veículo e subir nele, pretendendo chegar ao seu parque favorito.

Jeff a acompanhou algumas vezes começando, devagar, a deixá-la em paz, depois de ensiná-la o caminho de volta, convencido de que ela voltaria sem a necessidade de nenhum companheiro, e assim foi.

 
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O motorista do ônibus aprovou suas viagens individuais e a polícia também deu o aval porque todos perceberam o quão bom, inteligente e prudente ela é ao mesmo tempo. Na área, todos os pilotos a conhecem e a deixam seguir sem problemas, também porque na coleira ela carrega um passe válido para todas as corridas.

 
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Ninguém nunca se queixou de sua presença no ônibus; de fato, todos estão mais felizes desde que ela é passageira. Enquanto isso, ela se tornou tão famosa e amada que conquistou muitos fãs também no Facebook, onde há uma página dedicada inteiramente a ela e suas aventuras.

 
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">Posted by Eclipse Seattle's Bus Riding Dog on Monday, December 10, 2018

Via GreenMe

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/essa-cadela-pega-o-onibus-sozinha/

Aeroporto de Southampton tem uma equipa canina para acalmar os passageiros

 

O Aeroporto de Southampton, no Reino Unido, tem uma equipa canina para acalmar os nervos dos passageiros que não gostam muito de andar de avião.

 

Se alguma vez aterrar em Southampton, no Reino Unido, não se admire se vir uma equipa de ‘patudos’ a passear-se pelo aeroporto. Segundo o jornal The Daily Mirror, trata-se da Canine Crew, uma equipa de cães que tem como objetivo acalmar os passageiros.

Estes animais estão mais do que qualificados para o trabalho, afinal, já eram usados para terapia na organização Therapy Dogs Nationwide. No aeroporto, podem trabalhar não só com passageiros nervosos, mas também com pessoas com certas deficiências.

De acordo com o jornal britânico, a equipa canina vai andar pelas partidas e chegadas do aeroporto inglês, acompanhada por voluntários, uma vez por semana.

“Ter cães de terapia no nosso aeroporto não apenas beneficiará os nossos passageiros, como também toda a nossa equipa. Estes companheiros de quatro patas são bem conhecidos por aumentarem a alegria em geral, o bem-estar e o humor. Estamos muito animados por recebê-los na família do aeroporto”, afirmou Simon Young, chefe do departamento de Serviços de Passageiros.

O conceito não é novo. No ano passado, um projeto semelhante foi testado no Aeroporto de Aberdeen e em São Francisco, nos Estados Unidos, também existe a Wag Brigade que, para além de cães, também tem a porquinha LiLou ao serviço.

ZAP //

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/aeroporto-southampton-equipa-canina-305430

Espanha. Vox quer abater cães que não são adotados

(Comentário:

Coerentemente com o seu ideário a extrema direita só quer que sejam adotados cães de raça pura e jovens. Os restantes são para abater. Não foi há muito tempo que aplicaram idêntica visão a seres humanos.

A extrema direita quando começa a ter apoio é assim...)

DimaBerkut / Canva

 

O Vox, partido de ultradireita espanhola, apresentou uma medida que propõe que os cães que não são adotados sejam abatidos. A proposta já está a gerar uma grande onda de protestos nas redes sociais.

 

Animais sem raça reconhecida, velhos, doentes e potencialmente perigosos também estão incluídos na proposta, já que “impede qualquer família ou pessoa que procura um animal de companhia” de adotar um animal nestas condições.

Segundo o Correio da Manhã, a iniciativa partiu do grupo parlamentar de Saragoça, que propõe que os animais considerados “inaptos” sejam abatidos no abrigo municipal para cães vadios.

Para Julio Calvo, veterinário de profissão e porta-voz municipal do Vox, “esta prática seria muito mais aconselhável do ponto de vista humanitário do que manter os animais nas péssimas condições em que estão a ser mantidos durante anos”.

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/vox-abater-caes-nao-adotados-297782

Subida do IVA nas touradas: “Com medidas como esta, o PS faz um favor à extrema-direita”

*Bloco / Flickr

 

Manuel Alegre teceu duras críticas àquela que considera ser a “ditadura do gosto” e à cedência do PS face a partidos como o PAN e o Bloco de Esquerda.

 

A subida do IVA das touradas para a taxa máxima de 23% não agradou a Manuel Alegre, que, em declarações ao Expresso, disse que isto se trata de uma “ditadura do gosto” e de uma “cedência do PS” a partidos como o PAN ou o Bloco de Esquerda.

“Trata-se de impor uma ditadura de algum modo e eu sou contra todo o tipo de ditaduras, estou sempre a favor da liberdade. O PS, ao estar do lado do PAN e do BE, não está do lado da cultura e de uma tradição nacional e ibérica”, afirmou o antigo líder-

O histórico dirigente socialista acusou ainda o partido de ser “cúmplice” a favor de uma “ultra-minoria”. “Cada vez mais o PS está num casulo e foca-se nestas questões em vez de problemas concretos. Com medidas como esta, o PS faz um favor à extrema-direita. Na minha opinião, é um enorme erro político esta medida.”

 
 

Para Alegre, a subida do IVA para a taxa máxima vai prejudicar o setor tauromáquico, mas “não serão só os cavaleiros que serão gravemente afetados”. Os campinos e todos os outros trabalhadores também estão incluídos neste leque.

Durante a entrevista ao Expresso, Manuel Alegre recordou ainda o caso do deputado do CDS Daniel Campelo, que aprovou com o seu voto o Orçamento do Estado para 2000, apresentado por António Guterres, com o pretexto de poder manter a fábrica de queijo Limiano, em Ponte de Lima.

Cheira-me a queijo Limiano e isso deixa um cheiro a pântano. Eu acho que atrás disto está sempre aquela questão fatídica do Orçamento do queijo Limiano e isso dá sempre mau resultado para o PS e para o país. Como é possível esquecer tantos concelhos a troco do quê? Do resto da geringonça? Da ditadura do gosto? Eu acho que isso põe em causa a confiança no voto no PS e digo isso com tristeza”, afirmou Manuel Alegre.

OE2020. Tudo aquilo que precisa de saber e que o vai afetar

 

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/touradas-ps-faz-favor-extrema-direita-297667

CRIME. Seis cachorros abandonados em vala "estão bem e vão ser adotados"



                       23 novembro 2019
Seis cachorros abandonados, esta sexta-feira, em Carcavelos vão ser adotados, disse, a Cascais24,  João Salgado, presidente da Associação São Francisco de Assis, que recolheu os caninos bebés depois de resgatados por agentes da PSP.
 
Cinco dos cachorros foram encontrados por entre alguma vegetação, abandonados numa vala por uma transeunte, Clara Barendse que, por ironia, passeava o seu canino.
 
O sexto cachorro encontrava-se dentro de um saco.
 
Ao descobrir os caninos, a mulher alertou a PSP que, por acaso, tinha uma patrulha móvel nas proximidades e cujos três agentes procederam de imediato ao resgate dos animais.
 
João Salgado, presidente da São Francisco de Assis
Posteriormente, os seis cachorros foram recolhidos e transportados para as instalações da Associação São Francisco de Assis, confirmou, a Cascais24, João Salgado.
 
Ainda segundo João Salgado, "os cachorros estão bem e o seu destino será a adoção".
 

A descoberta

Clara Barendse tornou pública esta história na sua página pessoal do Facebook, na qual afirma "contar uma história triste que acabou por ter um final feliz".
 
"É uma história que envolve três jovens agentes da PSP de Carcavelos que pronta e diligentemente agiram no sentido de resolução de uma emergência", escreve.
 
E, a seguir descreve como acabou por descobrir os cachorros abandonados.
 
"Uma carga abundante de chuva caía. Aguardei que cessasse para poder ir passear o meu cão. A meio do caminho descampado, ele parou e eu olhei para a vala funda cheia de capim e folhas, que ladeia o caminho. Fiquei estarrecida. Cinco pequenos seres canídeos, indefesos, tentavam galgar a rampa feita de folhas molhadas e mato, pedindo auxílio com uns ganidos desesperados. Fiquei sem saber o que fazer. Completamente impotente".
Clara, a cidadã que encontrou os cachorros abandonados
"Não sei explicar o que então aconteceu. Sei que, de repente, vi surgir um carro da PSP, a fazer a curva na estrada em que me situava. Coloquei-me logo no meio da estrada, agitando os braços, pedindo socorro". "Eles pararam de imediato e resgataram os pequenos cães abandonados. Afinal eram seis. Um deles, ainda estava dentro do saco que os levou para que tivessem um fatal destino. Seis seres bebés lançados para o lixo, sob um temporal. Acção inclassificável...". "Os agentes Rafael Cardoso, André Valente e Garrett foram incansáveis, carinhosos e desenvolveram todos os necessários procedimentos para que estes pequenos cãezinhos fintassem um destino fatal. Aguardámos o Piquete de Emergência de Resgate Animal da Associação S. Francisco de Assis que, com profissionalismo, ultimou o resgate dos animais".

Elogio

Finalmente, e depois de deixar a todos os intervenientes a sua "gratidão e respeito", a cidadã  Clara Barendse não deixa de elogiar a atuação dos agentes da PSP. "Hoje, sinto um orgulho enorme por estes agentes que tão exemplarmente representam a PSP. O seu dever foi cumprido, o de resgate dos indefesos seres, como trouxeram a mim própria aquele sentimento de protecção e de segurança que deles esperamos como cidadãos", conclui no seu post. A cidadã Clara não deixa, porém, de destacar, também, "a ajuda pronta de três vizinhos que levaram mantas, toalhas, alimentos e muito carinho" aos cachorros abandonados.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Bolsonaro vai a festa de peão e defende rodeios: 'não existe politicamente correto'

Presidente Jair Bolsonaro durante coletiva de imprensa após evento do Dia da Vitória, no Rio de Janeiro
© Sputnik / Thiago de Araújo

O presidente Jair Bolsonaro esteve neste sábado (17) em Barretos (SP), para participar da 64ª Festa de Peão Boiadeiro de Barretos. Durante o evento, ele voltou a defender as vaquejadas.

Bolsonaro afirmou que está "ao lado" dos apoiadores de rodeios e vaquejadas, acrescentando que é contra o "grupo politicamente correto" que quer impedir essas festas no país.

​"Respeito todas as instituições, mas lealdade eu devo a vocês. O Brasil está acima de tudo. Neste momento em que muitos criticam a festa de peões e a vaquejada, quero dizer com muito orgulho que estou com vocês. Não existe politicamente correto. Existe o que precisa ser feito", afirmou.

Em seguida, o presidente montou num cavalo oferecido pela organização do evento e deu duas voltas pela arena principal.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019081814400038-bolsonaro-vai-a-festa-de-peao-e-defende-rodeios-nao-existe-politicamente-correto/

EM DEFESA DOS BURROS

                        Voice of a...donkey? Rescue animal with incredible vocal range goes viral (VIDEO)

                  https://www.rt.com/business/450405-pakistan-donkeys-export-china/
[1]

Uma notícia muito séria (ver acima), sobre exportação de burros do Paquistão para a China, esteve na origem desta reflexão.

Sabemos que o burro é tido - nas fábulas e nos provérbios - como um animal extremamente estúpido, limitado, teimoso.

Este retrato do burro é absolutamente injusto, pois o asno não tem menos inteligência que qualquer outro equídeo. Simplesmente, as imaginações românticas vêem, no cavalo, o animal «nobre», um animal muito dedicado ao seu dono, etc...

Ora, na verdade, quase ninguém tem contacto quotidiano com cavalos. Praticamente, não se vêem cavalos no dia-a-dia: apenas em filmes ou em concursos hípicos, ou nas guardas de honra aquando das visitas de presidentes estrangeiros... Daí que  lhe seja atribuída uma «nobreza» de carácter e muitas outras virtudes, porque é usado, actualmente, em situações da aparato, de gala, ou de desporto  de alta competição. 

O cavalo - como todo o animal domesticado - foi sujeito a selecção. No tempo em que a força animal era praticamente exclusiva, houve raças dedicadas ao transporte, ao trabalho nos campos, assim como à guerra, etc. 

Os cavalos que conhecemos são fruto de 10 mil anos de selecção pelos humanos. Os poucos cavalos selvagens que restam nas estepes Ásia Central mais se parecem com burros, na verdade, pela sua anatomia. 

Quanto aos burros, eles foram também usados em larga escala, durante sensivelmente o mesmo tempo que os cavalos, mas as suas características fizeram dele um animal ideal para o transporte e os trabalhos agrícolas. 

É muito mais resistente que o cavalo, capaz de se contentar com uma ração menos nutritiva.

Porém, o burro tem outras características muito interessantes, em si mesmo. 

O preconceito social é que impede as pessoas de compreender que o burro é um animal com uma inteligência bastante maior, da que lhe é atribuída.

Tem uma grande paciência, não se enfurece facilmente, embora o coice de burro possa ser mortífero; colabora com o seu dono e transporta-o sem fazer capricho...

«Mais vale burro que me carregue do que cavalo que me derrube» (um provérbio popular, já existente antes de mestre Gil Vicente o ter para sempre celebrizado na «Farsa de Inês Pereira»[2]).

Nos países do Norte da África, que eu visitei e em muitos outros, que apenas conheço indirectamente, o burro continua a ser um animal essencial como ajudante nos trabalhos agrícolas e no transporte de bens para os mercados. 

Na minha infância (há quase 60 anos), viam-se burros a puxar carroças, que entravam em Lisboa - pela praça de Espanha - de madrugada,  e se dirigiam para os diversos mercados (nessa altura, não havia super e hiper mercados) com os produtos hortícolas e frutícolas da região saloia. 

No interior norte de Portugal, principalmente, é vulgar a presença de burros nos campos e nas estradas, transportando toda a espécie de produtos ou alfaias.

Se faz sentido ou não, do ponto de vista económico, tal como no Paquistão (ver notícia acima), desenvolver a criação de burros em Portugal... não sei. 

Mas o facto é que existem raças de burros[3], tal como existem de cavalos. Estas raças podem ter um potencial genético muito apreciado para determinados fins.  Sabemos que a coudelaria de Alter do Chão[4] é muito célebre pela qualidade dos seus cavalos, de raça Lusitana. É bem possível que faça sentido existir algo equivalente para as raças autóctones[5] de burros. Penso que algumas poderão estar em vias de extinção.  

Mesmo que a conservação das raças autóctones de burros não pareça prioritária para pessoas desprevenidas, parece-me que existe todo o interesse - e não apenas da ciência - em conservar a sua diversidade genética.

Afinal de contas (tal como o cavalo) o burro é um produto de milénios de criação, cruzamentos selectivos, apuramento de raças. 

Como qualquer outro animal doméstico, a espécie burro/asno e todas as suas raças são património da cultura, da história, do saber humanos.   

Leia original aqui

Os cães experimentam emoções semelhantes às das crianças

Nos últimos anos, várias pesquisas científicas mostraram que os cães podem sentir emoções semelhantes às que os humanos experimentam.

Um estudo realizado na Universidade Emory, em Atlanta (Estados Unidos), mostrou que esses animais experimentam as mesmas sensações sentidas pelas crianças e que o nível de sensibilidade de ambos é muito semelhante.

Cães têm a mesma sensibilidade que uma criança

Isto é demonstrado pelo estudo realizado pelo neurologista Gregory Bens, que, depois de realizar um teste em vários cães, até por conta própria, conseguiu demonstrar que os cães têm a mesma sensibilidade que uma criança.

O experimento consistiu em selecionar alguns desses animais para submetê-los a uma ressonância magnética . Durante o teste, os cães foram expostos a vários tipos de estímulos, que iriam gerar uma certa atividade cerebral.

De acordo com o estudo, a atividade cerebral dos cães aumentou à medida que recebiam sinais sobre a dieta ou os odores das pessoas conhecidas por eles.

Os cães podem ser pessimistas ou otimistas?

Por outro lado, outro estudo relacionado a emoções em cães mostrou que esses animais podem ser otimistas ou pessimistas como nós humanos.

Em outras palavras, quando um cachorro fica sozinho na casa, ele agita e demonstra claramente através de latidos, destruindo móveis ou fazendo suas necessidades dentro de casa.

Nesse sentido, a pesquisa revelou que os cães ficam ansiosos quando permanecem sozinhos, demonstrando uma atitude clara em relação ao pessimismo.

O chefe da equipe de investigação da Universidade de Bristol (Reino Unido) que completou o estudo é o professor Mike Mendl.

O homem afirmou através de vários canais de comunicação que sua equipe foi capaz de desenvolver um novo método para estudar a diferença entre decisões pessimistas ou otimistas em cães.

Este grupo de especialistas realizou o estudo usando 24 cães que haviam sido recentemente colocados em um abrigo para cães.

Um dos investigadores interagiu com cada cão em uma sala isolada por vinte minutos.

No dia seguinte, ele trouxe cada cão de volta para o quarto, deixando-o sozinho por um período de cinco minutos, quando o animal foi gravado com uma câmera.

Durante esses cinco minutos, os estudiosos puderam observar como o cão começou a latir, pular na mobília e arranhar a porta. Esses comportamentos foram repetitivos em todos os animais.

Para estudar a tomada de decisões nesses mesmos cães , os investigadores colocaram uma tigela de comida e outra tigela vazia dentro da sala . Ambos os vasos foram posicionados em pontos ambíguos.

Os cães que foram rápidos em pular para aqueles pontos ambíguos, como se esperassem por uma recompensa por comida, foram classificados como cães otimistas. Pelo contrário, aqueles que não se aproximaram das tigelas foram chamados de pessimistas.

Mendl disse: “Sabemos que o humor das pessoas influencia seu julgamento e que as pessoas felizes são mais propensas a julgar uma situação ambígua de maneira positiva”. Nosso estudo mostrou que o mesmo procedimento também se aplica aos cães. .

Os resultados sugerem que um comportamento considerado problemático nos proprietários, terá um mesmo significado emocional para seus animais, mesmo quando este comportamento não é propriamente expresso.

Há também a possibilidade de alguns cães responderem com mais ansiedade quando deixados sozinhos.

É importante saber isso porque o comportamento negativo após a separação é comum em cães, e saber como prever esse tipo de reação pode ser útil para tratá-los adequadamente e garantir que eles possam alcançar seu bem-estar.

O que mais os cães podem sentir?

Outros estudos sugeriram que os cães podem experimentar emoções negativas, como os humanos, mesmo em relação ao equivalente de certas condições psicológicas crônicas ou agudas, como a depressão.

Da mesma forma, há alguns anos, sintomas semelhantes à depressão clínica, neurose e outras condições psicológicas foram geralmente aceitos no que hoje é conhecido como emoção canina.

Por outro lado, outras pesquisas revelam que os cães também podem ficar com ciúmes . Este tipo de comportamento, em que um animal experimenta frustração por causa do que acontece com outro animal, também foi encontrado em primatas.

Segundo os cientistas, este tipo de comportamento em cães é provavelmente devido à estreita relação entre estes animais e os seres humanos.

Do site imieianimali

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/os-caes-experimentam-emocoes-semelhantes-as-das-criancas/

Ainda a questão de ter de subsidiar um espetáculo repugnante

A questão de ter, ou não, de subsidiar uma atividade repugnante - a tourada—com os meus impostos, continua na ordem do dia e só lamento que tantos socialistas ainda defendam o que é uma manifestação passadista e machista, compreensivelmente adorada pelas gentes das direitas, incompreensível, porém, em quem deveria pugnar pelos valores mais progressistas. Ao contrário dos defensores da barbárie, que até gostariam de a fazer aceitar como património cultural reconhecido internacionalmente, muito dificilmente teriam a pretensão satisfeita porque, a nível de quem reconhece práticas tradicionais a preservar, aquele conceito não condiz com o direito de causar sofrimento a animais não-humanos por mero entretenimento.
Trata-se, igualmente, de uma atividade em perda progressiva de espectadores: se no ano transato se registou um ligeiro influxo nessa tendência, os 378 mil rústicos, que pagaram bilhete para a ela assistirem, representaram menos 45% do que os verificados dez anos atrás. A socióloga Paula Sequeiros põe em causa a perenidade dos usos:“as sociedades vão mudando. O costume e a tradição estão sempre a fazer-se e a desfazer-se”.
Compreende-se, pois, a razão porque António Costa viu recusada pela Associação Nacional de Municípios Portugueses a possibilidade de ser transferida para cada autarquia a decisão de autorizar, ou não, os espetáculos taurinos nos respetivos territórios. Sabendo quão volúveis são os entendimentos dos eleitores, nem querem pensar-se responsáveis de tal decisão dado o risco de perderem votos num ou noutro lado desta pugna civilizacional. Mas o primeiro-ministro não evitou dar uma merecida bicada a Carlos César no decorrer das Jornadas Parlamentares em que manifestou implícito desagrado pelo comportamento indecoroso de uma parte do grupo parlamentar.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/11/ainda-questao-de-ter-de-subsidiar-um.html

A discussão inexistente

«Há uma história antiga que tem muito que ver com a situação portuguesa actual. Quando George Bernard Shaw, dramaturgo e prémio Nobel da Literatura, falava de arte a um empresário teatral este falava-lhe de dinheiro, e quando Shaw falava de dinheiro aquele falava-lhe de arte. A dúvida metódica portuguesa actual confunde-se com dívida. Quando António Costa fala de touradas fala de dinheiro e quando Manuel Alegre fala de corridas de touros esquece-se do dinheiro. No fundo, o alarido nacional à volta de o IVA das touradas ser de 6% ou 13% não tem que ver com a discussão séria que poderia haver: devem, ou não, existir touradas? Mas, como sempre, em Portugal mistura-se tudo para que, depois, não se tome uma decisão sobre nada. Dela vai sobrar apenas Manuel Alegre, a "voz moral" que sempre conviveu com o "status quo" partidário quando lhe convinha. Nada mais. Discute-se touradas como se fosse uma questão de "civilização" ou de "liberdade", mas evita-se fazer a definitiva pega de cernelha: que política de cultura se quer para Portugal? Que estratégia deve ser seguida? E como é que ela pode e deve ser paga?
Não há, como se sabe, uma ideia de política cultural para o país. Exceptuando alguns "árbitros do gosto" que por aí cirandaram, a evocação da cultura serviu apenas, durante décadas, para a classe política pendurar na lapela nomes que lhes davam "credibilidade" antes das eleições. Nunca a cultura foi considerada como um pilar estratégico da nação. Pensa-se nos monumentos em momentos de turismo sedento, mas fora dessas eras de excitação, ficam a apodrecer (basta ir ao Palácio da Ajuda, sede do Ministério da Cultura, para ver como o património é tratado no país). Fala-se de estratégia audiovisual, mas é tudo para inglês ver. A sorte é haver criadores e artistas que são uma espécie de aldeias de Astérix num país que despreza a cultura, a sua história e a sua memória. Não se discute cultura: grita-se por causa das touradas e, brevemente, do tiro aos pombos. Enquanto isso o país torna-se analfabeto. E fica feliz com isso.»
Fernando Sobral
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Leia original aqui

A civilização contra a cultura

(António Guerreiro, in Público, 16/11/2018)

Guerreiro

António Guerreiro

E, de repente, ao entrar em funções, confrontada com a questão das touradas, a ministra da Cultura pronunciou a palavra “civilização”, explicitando assim, espontaneamente, o campo e o horizonte de ideias em que esta discussão tem lugar. O aparecimento e a evolução semântica e ideológica da palavra “civilização” e das problemáticas que ela trouxe consigo é um assunto importante na história das ideias, que no nosso tempo mobilizou estudos de figuras tão importantes como Jean Starobinski e Émile Benveniste.

A civilização como categoria é um elemento central do projecto iluminista, para o qual ela designa o processo fundamental da História e o resultado desse processo: a superação de um estado primordial em direcção a um estado considerado superior do ponto de vista moral, cultural, científico, tecnológico, etc. A ideia de civilização tornou-se o critério pelo qual a barbárie — ou não-civilização — é julgada e condenada. Ela só pode ser compreendida em função da ideia de progresso, da concepção de que há um progresso da humanidade.

recita2

A história da ideia de civilização não pode ser feita sem a referência à ideia de cultura, com a qual ela forma um par. E esse par ganhou uma importante configuração dicotómica — a civilização em oposição à cultura — que nos chegou da tradição romântica alemã. A reivindicação da Kultur contra a Zivilisation (vista com desconfiança como ideia muito francesa), a defesa da “cultura espiritual” e enraizada contra o cosmopolitismo e universalismo da ideia de civilização, democrática na sua essência, encontra em Thomas Mann, na sua fase inicial, um representante que manifestou todo o seu desprezo pela classe que ele denominou como intelectuais da civilização, Zivilisationsliterat, a que pertencia, aliás, o seu irmão Heinrich Mann.

O par dicotómico civilização/cultura é de uma grande complexidade, ao ponto de ser muito difícil responder a esta questão: quando Freud escreveu Unbehagen in der Kultur, publicado em 1930, é sobre o mal-estar da cultura ou sobre o mal-estar da civilização que ele escreveu? Sobre isso, os tradutores nunca se entenderam e nas principais línguas europeias encontramos o título traduzido das duas maneiras.

Fácil é então perceber porque é que os defensores das touradas reivindicam a ideia de cultura e os que querem que elas sejam proibidas tomam a civilização como critério. Mais difícil — mas necessário — é perceber que as duas partes não estão envolvidas num litígio em que é possível uma verdadeira discussão, isto é, um encadeamento das frases de um lado e de outro que formam uma argumentação e uma contra-argumentação, tendo como condição necessária o pressuposto de que é possível as duas partes litigarem.

Ora, neste caso não se trata nunca de um litígio, mas de um diferendo. O que é um diferendo? Há um diferendo, explicou o filósofo francês Jean-François Lyotard, quando o discurso de uma parte não tem nenhum sentido para a outra parte porque as duas falam uma linguagem diferente e nem partilham um terreno mínimo, uma razão comum, que possa tornar possível o esforço que consistiria em cada uma das partes se colocar no lugar da outra.

É que, neste caso em que há um diferendo, as palavras de uns não podem ser encadeadas nas palavras dos outros. Há uma absoluta heterogeneidade de linguagens, uma incomensurabilidade dos discursos, ao ponto de aquilo a que uns chamam cultura os outros chamarem barbárie. E cada vez que uma das partes explica e defende as suas razões, só confirma as razões da outra parte. E, assim, o conflito nunca pode ser equitativamente resolvido, não é possível recorrer a uma regra de julgamento aplicável ao discurso de ambos os lados. O diferendo não é uma mera oposição de opiniões nem se resolve accionando os mecanismos da democracia.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Aplaudir a tortura, o sangue e a morte

«Podem dar as voltas que quiserem, mas as touradas são a exibição pública da tortura de um animal, que é esfaqueado para enfraquecer e depois, no caso das touradas de morte (...) ser morto. (...) As histórias ridículas de como os defensores das touradas “amam os touros” (sic), de como prezam a valentia dos animais, de como o “touro bravo” enobrece os campos do Ribatejo, para depois ser trazido à arena de tortura e morte como se esse fosse o seu destino teleológico, a cultura machista da “coragem” perante os mais fracos (o touro é o mais fraco dentro da praça), devem pouco a pouco envelhecer no passado. É isso mesmo que chamamos civilização. O mundo em que vivemos é duro, desigual, injusto, violento. Quem saiba história sabe que não há maneira de o tornar limpinho, higiénico, pacífico, nem em séculos, quanto mais numa geração. Mas acabar com as touradas, com a tortura dos touros para satisfação sádica das massas, é um passo no bom sentido. Porque senão vivemos na pior das hipocrisias em que matar ou tratar mal um cão e um gato pode levar à prisão — e bem —, mas em que no meio de cidades e vilas de uma parte do país podemos aplaudir a tortura, o sangue e a morte.» José Pacheco Pereira, Os que “amam” muito os touros e os torturam e matam «Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais "cheiram" a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou. (...) Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?» Paulo Varela Gomes, Morrer como um touro

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Os que “amam” muito os touros e os torturam e matam

José Pacheco Pereira no Público de hoje:
A ideia de que ser a favor ou contra as touradas é uma questão de liberdade de expressão é um absurdo. Ser a favor ou contra as touradas é uma questão de civilização e, por muito que a palavra esteja gasta, nós sabemos muito bem o que é. É o mundo frágil que nos faz viver melhor, mais tempo, com menos violência do que no passado. É completamente frágil e contraditório, muitas vezes anda para trás e poucas vezes anda para a frente, mas representa o melhor da vida possível, feito por um olhar humanista sobre as coisas, que inclui condenar, limitar, punir a violência.
É o mundo em que há direitos humanos, em que os homens e as mulheres são iguais, é o mundo em que as mulheres e as crianças são protegidas da violência doméstica, é o mundo em que o direito de viver de forma livre o sexo é garantido, é o mundo em que a tortura, a pena de morte, o genocídio são condenados, é o mundo em que há liberdade religiosa, de opinião, política, etc., etc. Sim, é verdade que é também o mundo em que tudo isto não existe, mas escolham. Pode não ser o mundo que temos, mas é o mundo que desejamos.
Os animais não podem ter “direitos” equiparados aos direitos humanos, mas faz parte de uma sociedade humana que valorize a ética e combata todas as formas de violência olhar para os animais com um sentimento de especial proximidade que está para além da domesticidade. Os movimentos a favor dos animais, ou melhor, os movimentos contra a crueldade com os animais, fazem parte da tradição humanista dos séculos XIX e XX. A ideia central era que o modo como tratamos os animais era um sinal de como tratávamos os homens, a crueldade contra os animais era um sinal de uma violência institucionalizada que não se limitava aos animais, mas se estendia aos homens, mulheres e crianças.
Não me estou a referir a nenhuma das variantes radicais modernas dos direitos dos animais que fazem parte da moda dos nossos dias. Não é isso, não tem que ver com aviários, nem com matadouros, nem com as mil e uma formas de industrialização da produção de alimentos, algumas das quais ganhavam em ser menos cruéis. Nem com a caça. A caça tem um valor económico, e tem um papel no controlo das espécies, e é cada vez mais moldada pela lei de modo a que o seu carácter lúdico seja subordinado a estas necessidades.
Tem que ver com as touradas. Podem dar as voltas que quiserem, mas as touradas são a exibição pública da tortura de um animal, que é esfaqueado para enfraquecer e depois, no caso das touradas de morte — que todos os defensores das touradas desejavam poder ter sem limitações —, ser morto. As touradas vivem do sangue, da dilaceração da carne, do cansaço até ao limite e da morte. Podem ter todos os rituais possíveis, ter toda a “arte” de saracotear à volta de um bicho, mas as touradas não são uma arte, são a exibição circense de um combate desigual entre homens e animais, cuja essência é a sua tortura para gáudio colectivo.
Não é um combate de iguais. Na verdade, os combates de cães e de galos — proibidos não se sabe porquê à luz da permissão das touradas — são muito mais um combate entre iguais do que o homem de faca e o touro sem armas a não ser os chifres, que muitas vezes são embolados. Mas é o sangue e a morte que fazem o espectáculo e, ao serem um espectáculo, são um sinal de barbárie.
O argumento da tradição também não é argumento. Se há coisas que a tradição encobre é um vasto conjunto de práticas que felizmente hoje são consideradas inaceitáveis, desde a violência doméstica à discriminação dos homossexuais, à excisão feminina, à pena de morte, à legitimação da tortura. Se aceitamos que a “tradição” por si só legitima a violência e crueldade, então podemos voltar ao “cá em casa manda ela e quem manda nela sou eu” e toca de lhe bater.
Os argumentos dos defensores das touradas são a versão portuguesa dos argumentos da National Rifle Association nos EUA, que também se identifica como uma “associação de direitos civis” e usa o argumento da tradição para justificar uma sociedade banhada de armas e em que a violência dos massacres é sempre culpa de outra coisa que não sejam as armas.
As histórias ridículas de como os defensores das touradas “amam os touros” (sic), de como prezam a valentia dos animais, de como o “touro bravo” enobrece os campos do Ribatejo, para depois ser trazido à arena de tortura e morte como se esse fosse o seu destino teleológico, a cultura machista da “coragem” perante os mais fracos (o touro é o mais fraco dentro da praça), devem pouco a pouco envelhecer no passado. É isso mesmo que chamamos civilização. O mundo em que vivemos é duro, desigual, injusto, violento. Quem saiba história sabe que não há maneira de o tornar limpinho, higiénico, pacífico, nem em séculos, quanto mais numa geração. Mas acabar com as touradas, com a tortura dos touros para satisfação sádica das massas, é um passo no bom sentido. Porque senão vivemos na pior das hipocrisias em que matar ou tratar mal um cão e um gato pode levar à prisão — e bem —, mas em que no meio de cidades e vilas de uma parte do país podemos aplaudir a tortura, o sangue e a morte.
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Leia original aqui

Que faena mais triste!

A imagem acima de um touro morto na praça da Nazaré, e de cujo sofrimento derradeiro existe elucidativo vídeo no youtube, substitui milhentas palavras sobre todas as razões, porque o espetáculo tauromáticos é uma barbárie a extirpar dos nossos usos e costumes, opondo uma minoria ruidosa e profundamente reacionária da ampla maioria, que condena a violência praticada contra os animais.
Faz, pois, todo o sentido a reação do ex-embaixador Seixas da Costa ao lamentável episódio liderado por Carlos César e secundado por alguns deputados socialistas - Helena Roseta, Jorge Lacão, Ascenso Simões, João Paulo Correia, Luís Testa, Pedro Carmo e Sérgio Sousa Pinto - em que visam diretamente a ministra Graça Fonseca pela sua mais do que justificada defesa do princípio da discriminação negativa das touradas em matéria fiscal. Está a tratar-se de facto de uma faena muito triste!
Nenhum desses deputados é novato em questões políticas para se armarem em virgens inocentes quanto ao óbvio aproveitamento das direitas em relação a tal iniciativa. Terão adormecido tranquilos quanto a terem-se convertido nos idiotas úteis de quem deveriam sempre considerar seus inimigos?
Hoje em dia as touradas distinguem não só as pessoas civilizadas dos trogloditas, que se comprazem com o sofrimento animal, mas também as esquerdas defensoras da progressividade dos valores sociológicos, das direitas, que os tendem congelar num passado em que se sentem ideologicamente melhor enquadradas.
A incompetência de César foi tal que António Costa viu-se obrigado a vir recordar-lhe em frente às câmaras de televisão que, em matérias fiscais, não há legitimidade para a liberdade de voto de quem quer que seja. O que coloca os taurófilos do grupo parlamentar na possível alçada do Conselho de Jurisdição, que averigua e sanciona as faltas graves cometidas contra o interesse do Partido.
Há já algum tempo que sinto reservas quanto à atuação do antigo presidente regional dos Açores como líder parlamentar do Partido para que pago quotas há mais de trinta anos. Foram diversas as ocasiões em que César manifestou incómodo por ter de conviver com a maioria parlamentar, que apoia o governo, preferindo-lhe outras (más) companhias. Mas não me sentira até agora tão revoltado com a sua forma de «defender» (?) a atual solução política como a que agora decidiu encabeçar, causando um injustificado embaraço ao Primeiro-Ministro e à Ministra da Cultura.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/11/que-faena-mais-triste.html

Locutoras, poetas tontos e velhos mesmo velhos

1 - Na RTP a locutora (quem se comporta como ela, de há muito, nos vem habituando, não merece nome de jornalista!) Cristina Esteves fez uma reportagem a enfatizar o facto de três congressistas californianos eleitos nesta terça-feira serem lusodescendentes, como se daí viesse algum mérito ou vantagem para o nosso país.
Há gente que cuida da sua identidade nacional como Narcisos sempre a olharem para o espelho e a acharem quão bem lhes ficam os trapinhos. Na realidade os tais três congressistas, dois pró-Trump e o outro, que concorreu pelos democratas, apenas se preocuparão com os seus interesses pessoais, partidários e dos respetivos eleitores, de pouco se importando sobre quem vive nos sítios donde provieram os respetivos avós.
2 - O excelente, mas tonto, poeta de Águeda decidiu sacudir o anonimato em que vai caindo com crescente frequência e encontrou na contestação à política do governo a respeito das touradas um bom argumento para se fazer lembrado. É claro que as televisões agarraram a oportunidade para, dando-lhe injustificado tempo de antena, aproveitarem para disparar contra a nova ministra da Cultura.
Vale uma aposta em como a resposta de Vital Moreira ao tão incensado texto não merecerá a mesma relevância mediática? Osmedia, a soldo dos que vivem obcecados em encontrarem motivos para porem em causa a maioria parlamentar, são muito seletivos quanto ao que lhes interessa negociar.
3 - Na entrevista à RTP o deputado do PAN conotou a posição pró-tourada do poeta com a idade avançada, que explicaria o enquistamento em valores culturais e civilizacionais de uma outra época.
Concordo com André Silva e até acrescento um reparo complementar: em relação à barbárie taurina só velhos a podem defender. E essa velhice nem sempre coincide com o que parece indicar o cartão de cidadão.
 
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

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Estertores tauromáticos

Os paladinos das touradas demoram a entender que são quixotes a brandirem armas contra moinhos de vento. A ridícula contestação à ministra demonstra o quanto se dissociaram da realidade cultural da nossa sociedade. É que revela-se notória a ampla maioria de portugueses, que repudiam o quanto se passa nas arenas do país, olhando para as farpas espetadas nos corpos ensanguentados dos touros como uma barbárie a que importa pôr cobro.
É risível a tentativa de reivindicarem a caução intelectual à conta de Hemingway ou Picasso, quando os valores civilizacionais tanto mudaram desde que ambos desaparecem do mundo dos vivos. Felizmente que os programas de David Attenborough ou da National Geographic muito nos esclareceram sobre a inteligência e os sentimentos dos mais dispares animais. Muito embora prossigam os massacres dos rinocerontes, dos elefantes ou dos tigres de bengala, cresce o clamor internacional sobre a importância de preservar a riqueza da vida selvagem e o quanto perderemos se ela paulatinamente se extinguir.
A tauromaquia insere-se numa cultura de bestialidade em que o touro existe para ser sangrado à vista de todos e uns quantos peralvilhos ostentem a sua falsa valentia. Eu que nasci numa família, que frequentava touradas e visitava ganadeiros - conhecendo-lhes, pois, as idiossincrasias - ainda tenho esperança de viver tempo suficiente para que esse degradante espetáculo seja liminarmente proibido.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

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Portugal | Tourada não é arte, é só triste

Manuel Molinos | Jornal de Notícias | opinião

Não devia ser preciso pensar "muito, muito, muito" para chamar às touradas o nome que lhe é devido. E não, não se trata de uma atividade cultural, não é arte. É simplesmente um espetáculo de tortura deplorável no século XXI. Classificar a tourada como "atividade cultural" é triste.

A ministra da Cultura admitiu discutir em sede de especialidade do Orçamento um eventual alargamento dos espetáculos abrangidos pela redução do IVA de 13% para 6%, mas excluiu a tauromaquia por "ser uma questão de civilização". No que às touradas diz respeito, esteve muito bem! Aplausos como se estivéssemos na arena do Campo Pequeno. Mas o Governo podia ter estado ainda bem melhor. Se já é difícil entender que os espetáculos ao ar livre sejam taxados a 13% e os realizados em recintos fechados a 6%, é ainda mais complicado assistir a uma tourada ao vivo numa sala de teatro ou num palco de um festival de verão. É que só assim, e com muito esforço, se perceberia a aproximação da tourada à arte, uma vez que está tudo no mesmo pacote!

Civilizado, portanto, seria proibir a realização de touradas em Portugal.

A este propósito, convém que a ministra da Cultura não se esqueça que a RTP classifica as touradas como cívicas, pois enquadra-as no serviço público. Aliás, numa resposta enviada aos subscritores de uma petição que pede o fim da transmissão de touradas na RTP, o provedor dos espectadores indicou que não irá pressionar o diretor de programas para que erradique as touradas do ecrã. "Não me cabe qualquer dúvida de que a instituição à qual compete representar a vontade dos portugueses é a Assembleia da República", diz.

Assim, já que o PAN até aprovou um Orçamento onde a tourada ainda é vista como arte, e se aliena de uma das mais escandalosas violações dos direitos dos animais, e já que Assunção Cristas vê a tourada como um "bailado", e se pensar "muito, muito, muito" é capaz de ter pena dos animais, resta a esperança de que a civilização apregoada pela nova ministra da Cultura não seja mais uma cornada em vão.
 
 

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Maioria vai acabar com isenção de IVA para toureiros

tourada

A maioria parlamentar de esquerda vai acabar com a isenção do IVA para os “artistas tauromáquicos” no próximo Orçamento de Estado. De acordo com o jornal Público, o PAN terá já obtido esta garantia da parte do Governo, pondo-se assim fim a uma das mais aberrantes disposições do código tributário.

De acordo com o deputado André Silva, também não será aplicada a taxa reduzida de IVA mas antes a taxa normal. É “uma questão de justiça tributária, de moralização: se até o acesso à justiça, a um advogado, ou à alimentação pagam IVA, não faz sentido deixar isenta uma actividade que consiste em maltratar um animal”, afirmou André Silva ao jornal.

O deputado do PAN afirma que não sabe se esta poderá ser uma medida decisiva para acabar com a tourada em Portugal mas está convencido que existe uma grande maioria na sociedade contra esta atividade.  André Silva acrescenta ainda que a falta de viabilidade económica da tauromaquia seria mais evidente se fossem retirados apoios públicos a uma atividade com notória perda de público.

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Sem desculpas para o respeito pelos animais

Nos últimos dias sucederam-se notícias de crimes revoltantes contra animais: uma manada de elefantes foi exterminada no Botswana, um tigre desmaiou e sofreu convulsões num circo russo e um touro foi morto à punhalada em Reguengos de Monsaraz. Não esquecendo os cães e gatos diariamente abandonados por donos, que os condenam a inevitável e trágica morte ao negarem-lhes a proteção, mesmo que relativa, até então usufruída.
Eu sei que há muitos refugiados por cuja defesa não nos deveremos silenciar. E gente em todos os continentes, que vivem miseravelmente, muito aquém do que ditariam os requisitos mínimos de sobrevivência. Mas a proteção dos animais não pode ser descurada a pretexto de prioridades com os seres humanos, elas também de inequívoca urgência. Não pode, porém, haver complacência com os crimes cometidos para alimentarem tráficos hediondos e absurdos ou satisfazerem o sadismo dos que se divertem com o sofrimento dos bichos. 
Sou pois pelo fim das touradas e de todos os «entretenimentos» baseados no desconcerto ou sofrimento de bovinos, e da utilização de animais selvagens em pistas de circo. E quero ver o ativo cumprimento da legislação sobre os maus tratos aos animais, com as polícias a identificar e levar a tribunal os energúmenos, que deles são responsáveis.

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

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"Têm de levar mais, filhos da puta, morram." Ativistas antitourada agredidos em Albufeira

Vídeos mostram agressões a ativistas quando já dominados pela GNR, que é acusada de não ter identificado agressores e de manietar uma das ativistas e apagar conteúdo do seu telefone. Sexta-feira há outra tourada e está convocado novo protesto
“Filho da puta, filho da puta!Tens alguma coisa de vir para aqui? Não gostas, vai para casa!" Os gritos ouvem-se durante um curto vídeo filmado na quinta-feira, na praça de toiros de Albufeira. Nas imagens, um dos corredores que faz a ligação entre a arena e o exterior. Nele passam três homens, um dos quais de tronco nu, com dizeres nas costas, que caminha dobrado, algemado, conduzido por um militar da GNR. Durante o curto percurso, o detido é pontapeado duas vezes, nas costas e no peito, por dois homens, sem que o militar esboce gesto ou advertência. Um peão de brega, capa na mão, e um forcado assistem, assim como várias outras pessoas. Ninguém tenta parar as agressões; ninguém protesta. Passa outro detido, também de tronco nu com escritos, também agarrado por militar da GNR. Um homem, cabelo grisalho e camisola escura, aproxima-se a correr e com uma bandarilha desfecha três golpes no detido, na cabeça e nas costas. A seguir volta para trás, calmamente, sem que alguém o interpele.
"Stop torture"; "Stop bullfight"; "Love animals"; "Tourist boycott". São as palavras de ordem que os detidos escreveram no peito e nas costas, para uma ação em que um deles, o holandês Peter Janssen, 33 anos, é veterano e diz dirigir-se aos turistas ("Convencer os aficionados é impossível, não mudam de posição", explica). Ativista do Vegan Strike Group, grupo de defesa dos direitos dos animais, repetiu-a em várias praças de touros - fala em 40 ações - desde 2015: Campo Pequeno, Huelva, Bogotá. Nesta última cidade, em 2016, feriu duas pessoas acidentalmentenum salto para arena que não correu bem: ele próprio partiu um braço.
Expulso da Colômbia pelo feito, Janssen, que notícias afiançam ser objeto de vários processos por atividades idênticas, foi em Albufeira acompanhado, na invasão da arena, por dois ativistas portugueses, Artur Nascimento e Hélder Silva. Invadiram a arena após a lide do primeiro touro, depois de este ser retirado e quando a cavaleira Ana Batista se preparava para a volta de triunfo à arena. De imediato perseguidos por dois militares da GNR e vários outros homens, foram rapidamente apanhados e levados para fora da praça, sob o aplauso dos espectadores. E, como descrito, repetidamente agredidos no corredor.

"Vi dois homens a bater numa mulher"

Mas as agressões não ficaram por aí. Mónica Gaspar, 42 anos, que gere um restaurante e uma loja veganos (isentos de qualquer produto animal) em Albufeira, e que se encontrava na rua junto à praça de touros, viu "cerca de 20 pessoas com paus de madeira, bandarilhas, etc. a bater nos ativistas e nos agentes. Havia um homem que creio estar ligado ao toureio a cavalo a incitá-los: "Têm de levar mais, filhos da puta, morram." Fui dizer para pararem e dois agarraram-me pelos colarinhos, bateram-me na cara, deram-me pontapés."

Valeu a Mónica um grupo de lisboetas em passeio. "Vinha com a minha mulher, as minhas filhas e um casal amigo a passar e vi dois homens a bater numa mulher, a agredi-la brutalmente, a murro. Iam caindo para cima do carrinho de bebé da minha filha mais nova, que tem 7 meses, obrigando-me a fugir para o meio da estrada. Deixei o carrinho com a minha mulher e agarrei o homem, puxei-o para parar de bater na rapariga." Quem fala é Pedro Pereira, 35 anos, assistente operacional na Câmara de Lisboa, de férias no Algarve. "Mas aí apareceram vários a agarrar-me - cheguei a ter quatro à minha volta - e a tentar bater-me. Ainda consegui desviar-me, tenho um metro e oitenta e sou ágil, mas veio um por trás que me bateu com um pau e me abriu a cabeça."
A mulher viu quem foi e com o quê: "Ela acha que era um tipo que estava com os toureiros, porque me agrediu com uma escova dos cavalos. Mas quando pedimos à GNR, que entretanto tinha chegado, para ir à praça e ao pé dos camiões dos cavalos tentar encontrá-lo - ele fugiu depois de me bater -, não se dispuseram a isso." Pedro acabou a noite no hospital para lhe coserem a cabeça, pagando quase 70 euros pela consulta e curativo. "Não estou nada arrependido, tenho a consciência tranquila. Vi uma mulher a ser agredida e reagi. Só tenho pena de não poder identificar a pessoa que me partiu a cabeça."

"Tirem-me daqui esta gaja senão prendo-a"

Não há, que se saiba, imagens das agressões na rua. Carla Sananda, 41 anos, poderá ter ou não filmado e fotografado essas cenas - não o revela ao DN -, mas acusa a GNR de lhe ter apagado o conteúdo do telefone. Esta professora de ioga, mulher de um dos ativistas detidos (Artur Nascimento), comprou ingresso para a tourada para assistir à ação e registá-la. "Tirei fotos e filmei. Aquilo ficou muito feio. Eles [os ativistas] ficaram muito maltratados, apesar de os polícias terem tentado protegê-los. Aí foram impecáveis, um GNR até ficou com dedos partidos por tentar defendê-los."

Os elogios à polícia param aqui, porém. "Quando cheguei à rua estavam muitas pessoas, pró-tourada, muito exaltadas. Afastei-me um pouco e estava a ligar para uma amiga a tentar perceber onde ela estava quando uma mulher ligada à empresa da praça me tirou o telefone e disse aos GNR - entretanto tinham chegado reforços - que eu estava a filmar. E um deles em vez de me perguntar alguma coisa fez-me logo uma chave ao pescoço. Veio outro que me dobrou, pôs-me a cabeça nos joelhos. A seguir um deu-me o telefone de volta, dizendo que tinha apagado tudo." Carla, que se descreve como tendo um metro e 54 e 47 quilos, conta que respondeu ao militar: "Não pode fazer isso, sei os meus direitos." Este terá começado a empurrá-la com o peito, altura quem ela lhe terá perguntado "mas é um militar ou um civil?" Aí, continua a narrativa de Carla, o polícia tê-la-á tratado por tu e dito "tirem-me daqui esta gaja senão prendo-a".

"Hematomas na cabeça e no pescoço, luxação no ombro." Carla lê ao telefone o relatório médico sobre as marcas da ação policial. Vai, assevera, apresentar queixa contra a mulher que lhe tirou o telefone e contra a GNR por lho ter apagado e pela brutalidade de que foi alvo. "Nunca na vida estive numa situação parecida. Fez-me sentir que se deve formar a GNR para proteger as pessoas, não para agredir. Descontrolaram-se completamente. Estava à espera de que me protegessem ou pelo menos falassem comigo de forma diferente. Senti-me abusada."

Contactado pelo DN, que lhe remeteu uma série de perguntas por e-mail, o Comando Nacional da GNR não esclareceu quantos efetivos tinha na praça de touros e em que tipo de serviço (oficial ou gratificado), quantos compareceram em reforço, nem se identificou agressores. Quanto ao número de queixas apresentadas, refere apenas a de "uma manifestante, que não esteve envolvida na invasão do recinto", a qual "apresentou queixa por ofensas à integridade física contra desconhecidos" (refere-se a Mónica). E sumariza assim o sucedido: "No decorrer do evento de tauromaquia verificou a existência de confrontos físicos entre aficionados e ativistas, o que obrigou à intervenção da GNR, no sentido de garantir a integridade física dos manifestantes. O Comando Territorial de Faro mobilizou os meios necessários para repor a ordem pública."

Confirmando que "no decurso desta ocorrência, e no momento em que se garantia a proteção de um dos invasores, um militar sofreu ferimentos numa das mãos", sobre a situação relatada por Carla Sananda o relato do Comando é este: "No exterior do recinto, a GNR foi chamada a intervir devido a um conflito existente entre duas mulheres, motivado pela posse indevida de um telemóvel, tendo o mesmo sido recuperado pelos militares e devolvido à legítima proprietária." As perguntas do DN sobre a agressão de que Carla diz ter sido vítima por parte dos agentes, assim como sobre a ameaça de detenção e o alegado apagar do conteúdo do telefone por um deles não mereceram qualquer comentário. Também a questão "há alguma circunstância em que a GNR considere poder legalmente apropriar-se de um telefone de um cidadão e apagar conteúdos?" ficou sem resposta.

"Aficionados mostraram grande tolerância"

O DN contactou a empresa que gere a Praça de Toiros de Albufeira, mas esta remeteu qualquer esclarecimento para o porta-voz da Protoiro/ Federação Portuguesa de Tauromaquia, Hélder Milheiro. Este disse ao DN ter assistido ao espetáculo sentado "ao lado da empresária da praça", comunicando a sua visão do ocorrido: "O que aconteceu foi uma ação provocatória de um grupo vegano de assalto. Este é um grupo sediado em Espanha pago por fundos internacionais de origem desconhecida e que se dedica a ações deste tipo: provocar ações de distúrbio e apresentar-se como vítimas." Como assim? "Têm o objetivo de provocar alguma reação menos adequada, porque estamos a falar de atitudes provocatórias, num contexto de boicote." E terá sido o caso? "Não, os aficionados deram mostra de grande tolerância e respeito."

Há imagens que mostram os ativistas, já algemados, a ser agredidos dentro da praça. "Lamentamos qualquer excesso que tenha acontecido. A existirem agressões lamentamos e reprovamos." Mas estando presente não viu nada excessivo? Não ouviu falar de agressões? Houve até a necessidade de chamar reforços policiais. "Fiquei na bancada e a empresária também. Aquilo que recomendamos quer aos aficionados quer aos empresários é que reajam serenamente." Acha que houve essa serenidade? "Não creio que tenha havido a serenidade desejável. Mas estamos a falar de um crime semipúblico." A que crime se refere? "A empresa apresentou queixa por danos e porque houve um número significativo de pessoas que saíram e quiseram o dinheiro do bilhete de volta." E como qualifica a ação de quem agride pessoas que estão incapazes de se defender e sob guarda policial? Não é crime? "Não sou jurista para saber se é crime. É reprovável e inadmissível." E não será cobarde? "Não vou estar aqui a usar adjetivos. Se algum excesso aconteceu é reprovável. Mas não vou colocar aqui de repente estes mercenários internacionais como pequenas vítimas. Trata-se de uma ação provocatória e atentatória dos direitos dos outros cidadãos."

Obviamente que as ações do Vegan Strike Group são fora da lei, reconhece Mónica Gaspar. "Estar a invadir espaço alheio e desestabilizar vai ter uma reação. E tudo o que gera violência não é bom. Não é assim que devemos mostrar o nosso ponto de vista. Devemos agir dentro da lei e com respeito pelos outros. Eu faço ativismo todos os dias no meu restaurante, nas minhas palestras. E tenho família no Montijo e em Alcochete, eles gostam de ver touradas e eu respeito e eles respeitam-me a mim."

Militante da causa animal há muito e integrada no movimento antitourada "há cerca de dois anos", não é a primeira vez que Mónica se sente em perigo. No ano passado, numa manifestação à porta da mesma praça, lançaram um petardo na sua direção. "Ainda não sei nada dessa queixa. Quando a fui apresentar um agente da GNR tentou dissuadir-me, insistiu que não ia dar em nada." Suspira. "E desta vez quando apresentei queixa disseram-me que não tinham a identificação do senhor que me ajudou, o Pedro Pereira. Vi-o ser identificado por uma agente, que tomou nota dos dados dele, mas perderam-nos. Agora vou ter de fazer um aditamento à queixa. Acho isto incompreensível."

E não é tudo: "Quando disse que queria ir ao interior da praça com escolta para tentar identificar quem me bateu responderam que era perigoso e recusaram. Aliás, nem identificaram as pessoas que bateram no senhor que me acudiu." Como interpreta isso?Hesita. "Há poderes aqui em Albufeira, sabe? É complicado. Amanhã vai haver outra tourada e vamos fazerum protesto. Estive a falar com a GNR e garantiram-me que vão tomar medidas e que é seguro eu ir. Disseram-me também que se me acontecer algo ou à minha loja para os avisar. Portanto depois do mal aviso-os? Respondi que se calhar vou pedir licença de porte de arma."
Fernanda Câncio | Diário de Notícias

 

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Em Cascais também vivem animais

OPINIÃO. A 25 de Junho de 2018, e depois de uma proposta do PAN, entrou em vigor a lei que possibilita a permanência de animais de companhia em estabelecimentos comerciais, sob condições específicas. Apesar de todo o populismo e desinformação que o debate em torno desta lei causou é já possível verificar em Cascais a existência de vários locais que permitem a entrada de animais em espaços fechados. Na esfera privada, e a título de exemplo, somos brindados com o recente Roots Café e que tem, inclusive, um simpático dístico à entrada. Ler mais

Leia o artigo completo em CASCAIS24 (clique aqui)

Morrer como um touro

Um artigo do Paulo Varela Gomes escrito em 2010 mas que continua atual.


Paulo Varela Gomes 01Paulo Varela Gomes*

27 de Fevereiro de 2010 in Público

O Ministério da Cultura resolveu criar uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura a pretexto de que lidar touros seria uma tradição cultural portuguesa a preservar. Mas a tradição é mais antiga, do tempo em que humanos e animais lutavam na arena para excitar os nervos da multidão com o sangue e a morte anunciada. A piedade, que é um valor mais antigo do que Cristo, veio, na sua interpretação cristã, salvar disto os humanos. Esqueceu-se, porém, dos animais.

Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais "cheiram" a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou.

Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão. Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual. Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte. Querem os toureiros ser hombres até ao fim? Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume.

Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.

Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?

 
* Historiador

Morrer como um touro

Este belo texto do Paulo Varela Gomes tem 8 anos, mas reganhou actualidade:
«Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições. 
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?»
Amanhã virá outro tema e ninguém falará de touradas no próximos tempos, mas estou certa de que nem o mais convicto dos seus defensores lá no fundo, nos estertores do seu espernear, acredita que elas, as touradas, não têm os dias, os meses ou os anos contados. Por mais que os partidos políticos conservadores finjam que não o sabem e que a discussão vá acesa nas redes sociais.
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Leia original aqui

Apesar de ainda legais na lei, as touradas são ilegítimas para qualquer povo civilizado

Em miúdo frequentei bastante o mundo das touradas até por ter um avô, que tinha grande prazer nesse tipo de espetáculo. Ademais conhecia pessoalmente um dos principais ganadeiros da altura - com quem partilhara o enorme sofrimento da campanha na Flandres em 1918 -a quem visitava, levando-me para conhecer a forma como se preparavam os animais para as lides taurinas.
Até por ter desse avô gratas memórias poderia dele ter herdado essa perspetiva positiva sobre as touradas. Mas não tenho! Pelo contrário, renego-a como algo visto como fascinante quando era miúdo, mas hoje execrável no que significa o sofrimento do animal.
Curiosamente andam aí pelos jornais uns quantos paladinos dessa tradição, que recorrem a um argumento que se me afigura risível: se os detratores das touradas não gostam de tal espetáculo só têm de não os frequentar, dando liberdade de escolha aos que se comprazem com essa barbaridade. No fundo replicam o que, à esquerda, se tem dito a propósito do aborto ou da eutanásia: quem não as quiser praticar só se tem de eximir de o fazer, dando liberdade a quem não vê nisso qualquer problema.
Mas serão equivalentes esses argumentos? Claro que não são, muito embora os taurinófilos queiram explorar tais semelhanças: alguém que não quer que se desenvolva o feto, que cresce dentro de si sem ainda ter chegado a uma formatação mental inerente a um ser vivo autónomo, toma uma decisão legítima, que só diz respeito ao seu corpo. Quem procura o recurso à morte assistida apenas está a tomar uma decisão dedurabilidade da sua própria vida.Ora, os defensores das touradas não estão a exigir legitimidade apenas sobre oprazer, que retiram do sofrimento do touro, porque lhes é indiferente o que este sente no contínuo rasgar das carnes pelas farpas dos toureiros, dos bandarilheiros ou dos cavaleiros. É sobre outros corpos, que não são os seus, que se arrogam do direito de decidir sobre o seu sofrimentoe morte.
Porque os animais não se equivalem ao ser humano? Mentira, mais do que demonstrada pela Etologia: os animais também têm afetos e consciência do prazer ou da dor. E nisso têm de ser respeitados.
Poder-se-ia pensar que é estulta a guerra civilizacional, que se está a lançar contra as touradas tendo em conta o desapreço progressivo que os circos com animais estão a conhecer junto dopúblico mais esclarecido. Não tardará que o espetáculo circense apenas seja visto como legítimo se dispensando o recurso a animais selvagens domesticados. Nessa lógica o espetáculo taurino também se perspetiva condenado pela ausência progressiva de quem a ele assista, tendo em conta essa consciência crescente quanto aos direitos dos animais. Mas, porque continuam a haver touros a sofrerem nas praças portuguesasdurante a época estival, constitui um imperativo a importância de os poupar a tal crueldade impondo de vez aquilo que os catalães já aprovaram - a proibição definitiva de tais eventos.
Se a iniciativa parlamentar nesse sentido não passou desta vez, ela não tardará, como muitas outros, que vão no sentido do progresso, a concretizarem-se a curto, médio prazo...

Veja o original em 'Ventos Semeados':  https://ventossemeados.blogspot.com/2018/07/apesar-de-ainda-legais-na-lei-as.html

Parlamento discute criminalização das touradas

A proibição das touradas regressa ao Parlamento, desta vez por proposta do PAN, esta sexta-feira.

As tentativas que a História regista esgotaram-se no conflito com comunidades inteiras.

CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

O PAN agendou para amanhã, dia em que se discutem as alterações à legislação laboral, o debate e votação da sua proposta para proibir as corridas de touros em Portugal, prevendo a entrada em vigor no dia seguinte à publicação do diploma.

A justificar o projecto, o PAN apresenta como argumentos centrais o «declínio da indústria tauromáquica» e a sua «inviabilidade económica», citando uma redução no número de espectadores que, no entanto, não é comprovado pelos números oficiais utilizados. O partido acrescenta às razões o sofrimento dos animais envolvidos e o impacto social da exposição à violência.

A abolição dos espectáculos tauromáquicos não é uma ideia nova, como o PAN reconhece. Historicamente, a hierarquia da Igreja chegou a excomungar quem participasse em corridas de touros durante os séculos XVI e XVII, por as associar ao paganismo e ao pecado, existindo decisões papais nesse sentido. As corridas de touros foram proibidas durante um ano no reinado de D. Maria II, entre 1836 e 1837, e novamente durante a 1.ª República, entre 1919 e 1923. Sem sucesso, uma vez que as tradições taurinas continuaram a cumprir-se.

Mais recentemente, as intervenções policiais em Vila Franca de Xira, em 1977, ou o processo dos touros de morte em Barrancos, no final de década de 1990, foram expressão do conflito que se abre com comunidades inteiras quando se tenta, por via da criminalização ou da força, acabar com práticas que estas sentem como parte dos seus costumes e tradições.

No caso desta última, a visibilidade que a Associação Animal deu à prática barranquenha, com providências cautelares e decisões de tribunais, elevou o confronto a um patamar que levou o Parlamento a aprovar uma lei de excepção.

A aprovação de uma lei a proibir a tauromaquia seria mais do que a consagração legal de uma concepção ou de uma opinião sobre esta actividade em concreto. Tratar-se-ia da criminalização de práticas seculares em muitas comunidades, com participações em alguns casos na ordem das centenas de milhares de pessoas. A eventual aplicação da força repressiva do Estado para aplicar essa lei teria consequências incalculáveis.

PAN subestima implantação pelo País

Existemdisparidades nosnúmeros invocadosquanto àparticipação emespectáculos tauromáquicos. Segundorefere o PAN nopreâmbulo do seuprojecto-lei, dos 308municípios doPaís, 44 têmactividade taurina,tendo sido realizados 181espectáculos tauromáquicos em 2017, com umaassistência média de 1100espectadores.

De acordo com a Federação Portuguesa de Tauromaquia, por seu turno, há 101 concelhos onde se realizam regularmente corridas de touros, havendo «centenas» de outros onde se realizam outros espectáculos no âmbito das chamadas «tauromaquias populares», como largadas, esperas, garraiadas, vacadas, etc. A mesma fonte refere que em 2014 se realizaram corridas de touros em todos os distritos do País à excepção de Vila Real e da Região Autónoma da Madeira. Por outro lado, na ilha Terceira, nos Açores, realizam-se anualmente 250 espectáculos de «tourada à corda» entre Maio e Outubro.

Por todo o País há festas populares em que a componente taurina envolve centenas de milhares de pessoas. São disso exemplo as festas do Colete Encarnado, que começa amanhã em Vila Franca de Xira, as Festas do Barrete Verde e do Salineiro, em Alcochete, as Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita ou a Feira de Maio, na Azambuja.

Em 2001 foi criada a Secção de Municípios com Actividade Taurina da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que é composta actualmente por 44 concelhos. Quarenta e oito municípios aprovaram a declaração «Tauromaquia – Património Cultural Imaterial».

Expressão da cultura popular

Antropologicamente,asdiferentes expressões datauromaquia sãorituais simbólicos comraízes milenares noscultos taurinos queexistem emtoda abacia doMediterrâneo.Associados aritos defertilidade pagãos,resultam igualmente deevoluções simbólicas queexpressam arelação contraditóriaentre aforça danatureza e acultura humana,construída colectivamente e quepermite asobrevivência dassociedades emsituações adversas.

Segundo a Federação Portuguesa de Tauromaquia, a corrida de touros como a conhecemos hoje nasce no século XVIII, consubstanciando uma ideia central do Iluminismo, a do domínio da razão sobre a força e a natureza, e é já durante o século XX «que se transforma no espectáculo artístico que hoje é».

Desde que não atentem contra direitos das pessoas, o respeito por especificidades culturais, pela identidade cultural das populações, sejam maioritárias ou minoritárias, devem fazer parte de uma cultura democrática. Foi esta ideia que guiou a Assembleia da República quando, em 2002, aprovou a lei de excepção que permite que Barrancos e Reguengos de Monsaraz mantenham touradas com touros de morte.

As expressões da cultura popular não são imutáveis. Umas perdem força e desaparecem, outras ganham-na e projectam-se. A história mostra que não é por via legal ou repressiva que essas expressões culturais populares evoluem.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

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