Ambiente

Aos 81, Jane Fonda é presa em protesto contra aquecimento global

Atriz e ativista Jane Fonda durante protesto global contra o clima em 19 de setembro
© AP Photo / David Swanson

A atriz Jane Fonda, 81, foi presa nesta sexta-feira (11) em Washington enquanto participava de uma manifestação contra as mudanças climáticas. 

O protesto ocorreu em frente ao Capitólio, prédio usado como sede do Congresso dos Estados Unidos. Em vídeo publicado pelo site TMZ, é possível ver a atriz caminhando ao lado de pequeno grupo de pessoas portando cartazes contra o aquecimento global e o uso de combustíveis fósseis. O cartaz de Fonda dizia "vote, fale, haja". 

O grupo para então nas escadarias do Capitólio. Depois, um grupo de policiais chegam ao local. As imagens mostram a atriz sendo algemada e levada pelos agentes até uma van. 

Segundo o TMZ, ela foi detida junto a outras 15 pessoas, integrantes do grupo Oil Change International. 

"Hoje, a polícia do Capitólio dos EUA prendeu 16 pessoas por protestarem ilegalmente na entrada leste do Capitólio", disse uma porta-voz da polícia à imprensa dos EUA. Fonda e os demais foram acusados de obstrução e importunação. 

O perfil oficial da atriz no Twitter compartilhou imagens da manifestação e da prisão, publicadas pelo grupo ativista do qual Fonda faz parte. 

Fonda prometeu protestar toda sexta-feira

A manifestação faz parte da iniciativa Fire Drill Fridays, por meio da qual a atriz prometeu realizar protestos todas as sextas-feiras contra o aquecimento global. Fonda diz ser inspirada pela ativista sueca Greta Thunberg e suas greves semanais em prol da conscientização ambiental. 

Recentemente, a atriz disse que tinha se mudado para Washington para "ficar mais perto do epicentro da luta pelo clima". 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2019101114627060-aos--81-jane-fonda-e-presa-em-protesto-contra-aquecimento-global/

Desmatamento na Amazônia cresce 92,7% de janeiro a setembro

 Vista aérea de queimada na Floresta Amazônia, vista à partir da cidade de Porto Velho, capital de Rondônia.
©André Cran/Folhapress

O desmatamento na Amazônia subiu 92,7% entre janeiro e setembro desse ano em comparação com o mesmo período de 2018, segundo dados do sistema Deter, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 

O Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real), mecanismo em funcionamento desde 2004, dispara alertas para orientar ações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis). Os últimos três meses foram os mais críticos, com as maiores altas de desmatamento desde 2015 e 2016.

Em junho, houve aumento de 90% ante o mesmo período de 2018; em julho, o crescimento foi 278%; e em agosto o salto alcançou 222%. Já no mês passado a alta foi de 96%, o que representa cerca de 1.447 km² de floresta devastados. 

Entre janeiro e setembro de 2019, foram 7.853 km² de mata destruídos, ante os 4.075 km² do mesmo período do ano passado - um aumento de 92,7%. 

O Deter não mede precisamente a área desmatada, o que só é feito anualmente pelo sistema Prodes (Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia), mas aponta uma tendência e valores estimados. A partir dos seus dados o Ibama atua para combater a derrubada da floresta. 

Incêndios na floresta geraram crise internacional

O primeiro resultado do Prodes abrangendo o período em que Bolsonaro está no poder deve sair em novembro. O sistema compila os dados de agosto de um ano a julho do outro. O Prodes indica um aumento do desmatamento desde 2012. 

Em agosto, a divulgação dos dados do INPE sobre o aumento das queimadas na Amazônia geraram uma crise internacional para o governo do presidente Jair Bolsonaro. Líderes mundiais como a chanceler  alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, expressaram preocupação com a floresta. 

O então diretor da INPE, Ricardo Galvão, recebeu críticas do governo por revelar os dados e acabou sendo exonerado. As últimas informações da instituição mostram que os focos de incêndios diminuíram em setembro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019101114626985-desmatamento-na-amazonia-cresce-927-de-janeiro-a-setembro/

Nobel de física: 'Os humanos não poderão migrar para fora do Sistema Solar'

Cientista laureado com o Nobel da Paz, Michel Mayor, durante coletiva de imprensa na Espanha, em 9 de outubro de 2019
© AP Photo / Manu Fernandez

O ganhador do Nobel de Física afirma ser uma "loucura absoluta" achar que poderemos emigrar para exoplanetas e nos aconselhou a cuidar melhor do planeta Terra, que é "totalmente habitável".

Michel Mayor, físico ganhador do Nobel de Física de 2019, afirmou em coletiva de imprensa na Espanha que os seres humanos nunca serão capazes de viajar para fora do Sistema Solar.

"Se estivermos falando de exoplanetas, temos que deixar algo muito claro: nós não migraremos para lá." 

Migração seria impossível por causa da distância ente a Terra e exoplanetas, inclusive os mais próximos. 

Se algum dia a vida na Terra não for mais possível, seria "uma loucura absoluta" pensar que poderemos estabelecer colônias em exoplanetas, ressaltou.

O cientista explicou que "mesmo se tivéssemos a sorte de encontrar um planeta habitável que não estivesse longe demais, por exemplo, há dezenas de anos-luz, que seria o equivalente a distância daqui até a esquina", ainda demoraríamos um tempo considerável para fazer a viagem.

"Estamos falando de centenas de milhões de dias, utilizando os meios que temos disponíveis hoje", explicou.

Em outubro de 1995, o cientista suíço, então professor da Universidade de Genebra, e o doutorando Didier Queloz encontraram o primeiro exoplaneta, algo que até então era considerado pura ficção científica.

Desde então, mais de 4.000 exoplanetas foram encontrados na nossa galáxia. "Com meu colega, começamos esta busca por planetas, mostramos que era possível estudá-los", disse Michel Mayor.

Exoplaneta HD 131399Ab, girando ao redor de três sois. 7 de Julho de 2016
© AP Photo / Observatório Europeu do Sul, L. Calsada
Exoplaneta HD 131399Ab, girando ao redor de três sois. 7 de Julho de 2016

De qualquer forma, Mayor enfatizou que a pergunta a ser respondida pela próxima geração é se existe vida em outros planetas.

"Nós não sabemos! A única forma de saber é desenvolver técnicas que nos permitam detectar a vida à distância", afirmou o cientista.

Para isso, o ganhador do Nobel de Física aconselhou que nós tomássemos cuidado com o nosso planeta, descrito por ele como "muito bonito e completamente habitável".

Na terça-feira (8), os ganhadores do Nobel de Física foram anunciados, sendo eles os cientistas James Peebles "por descobertas teóricas na cosmologia física" e Michel Mayor e Didier Queloz "pelo descobrimento de um exoplaneta orbitando uma estrela como o Sol".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019101114623976-nobel-de-fisica-os-humanos-nao-poderao-migrar-para-fora-sistema-solar/

AIEA abre conferência sobre papel da energia nuclear no combate às mudanças climáticas

 

Pessoas participam da Conferência Internacional sobre Mudança Climática e o Papel da Energia Nuclear no Centro Internacional de Viena em Viena, Áustria, no dia 7 de outubro de 2019. Cerca de 550 participantes representando 79 países e 18 organizações internacionais participam da conferência de uma semana, a primeiro sobre este tema organizado pela AIEA. (Xinhua/Guo Chen)

 

Viena, 7 out (Xinhua) -- A mudança climática é um dos maiores desafios do mundo, mas será difícil conseguir reduzir as emissões de gases de efeito estufa sem um aumento significativo no uso da energia nuclear, de acordo com o chefe interino do órgão de vigilância nuclear da ONU, em uma conferência realizada aqui na segunda-feira.

 

"É difícil ver como a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa pode ser alcançada sem um aumento significativo no uso de energia nuclear nas próximas décadas", disse Cornel Feruta, diretor-geral interino da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nas observações de abertura na Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas e o Papel da Energia Nuclear.

 

"Avanços sendo feitos em vários países com relação ao descarte final de resíduos radioativos de alto nível podem ajudar a aliviar as preocupações do público sobre a sustentabilidade a longo prazo da energia nuclear", acrescentou ele.

 

Cerca de 550 participantes, representando 79 países e 18 organizações internacionais, participam da conferência de uma semana, a primeira sobre o tema, organizada pela AIEA.

 

Realizado em cooperação com a Agência de Energia Nuclear (NEA) da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o evento serve como "um fórum único para o intercâmbio de informações científicas e a realização de discussões objetivas sobre o papel da energia nuclear na mitigação de mudança climática", de acordo com o site oficial da AIEA.

 

Atualmente, 30 países operam 449 reatores de energia nuclear em todo o mundo, gerando 10 por cento da eletricidade mundial e um terço de toda a eletricidade de baixo carbono. Em termos de prevenção de emissões, é o equivalente a tirar 400 milhões de carros das ruas todos os anos, segundo Feruta.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/08/c_138456422.htm

Temos de acordar

A produção de plástico começou nos anos 50. Este material novo na época ofereceu grande comodidade e sua produção disparou.

 

 

Ainda me lembro do entusiasmo da minha avó e da minha mãe por este material fabuloso que surgia como a panaceia universal do lar, em particular da cozinha. Era barato, resistia bastante, era colorido, tinha utilidades múltiplas. Em vez de andar a recortar restos de tecidos para juntar engraçados quadrados com que fazer a saquinha do pão, ops, já estava, o saco de plástico servia para o lixo orgânico, para ir às compras, para guardar alimentos, em suma para facilitar a vida das mulheres. Nessa altura ainda não havia homens de saco de plástico na mão a passear o cãozinho no jardim.

Lembremos que a Tupperware foi desenvolvida em 1946 por Earl S. Tupper (1907–83) em Leominster, Massachusetts. Coloridas caixas e caixinhas de tamanhos e volumes vários, que até se vendiam em reuniões com chá e bolinhos na casa de donas da mesma. Assim ganhavam uma oportunidade de cuscar nas vizinhas, invadiram de cor a imaginação romântica, primeiro das mulheres americanas dos anos 50 e depois das mulheres europeias dos anos 60 e seguintes. Estes produtos continuam a ser vendida em mais de cem países.

Em 1967 já eram produzidos 25 milhões de toneladas de plástico. Hoje em dia produzem-se 300 milhões de toneladas. A indústria de plásticos vale  hoje 4 triliões de dólares.  Cerca de metade do que produzimos são plásticos de uso único, isto é,  usados uma vez estão transformados em lixo. No  primeiro Dia da Terra,em 1970 começaram os alertas para o perigo desta situação. Desde então a  industria  reagiu com  meios de publicitários, campanhas públicas de divulgação, grupos de força e parcerias com ONG maquilhadas  para parecerem “verdes/limpas”, e começaram a culpar os maus utilizadores dos plásticos pela crescente ameaça e impingindo a ideia de que a reciclagem é a solução. Limitar a produção de plástico é o objetivo que querem fazer esquecer desviando as atenções.

Lauren Feeney uma jornalista que reside em Brooklyn, NY tornou-se respeitada pelo trabalho que produz e se concentra  na pobreza e nos direitos humanos tanto nos EUA como no resto do mundo tem focada grande atenção nesta questão da tentativa de engano do público. Reciclar não é a solução.

Sharon Lerner é uma outra jornalista americana que se interessa pelo impacto dos plásticos na saúde e no meio ambiente.

Acompanho o trabalho de ambas publicado pelo The Intercept e outros meios de comunicação.

A ideia peregrina de que a reciclagem de plásticos resolve o problema da invasão de terras e mares pelos mesmos está  morta. Em 2015,os EUA reciclaram apenas de 9% dos seus resíduos de plástico e, desde então,  este valor vai decaindo. Dos 8,3 biliões de toneladas  produzidas – 79% – acabou em aterros ou foi  enviado para países pobres onde se acumulam perigosamente. O Senegal é um país que visitei e de onde regressei triste e desiludida. A paisagem é plástico.

Por exemplo, em 2017 a  China decidiu  parar de receber a grande maioria dos resíduos de plástico de outros países. saltou a primeira grande tampa onde se escondia a famosa reciclagem. Naquele ano,os EUA tinham enviado 931 milhões de quilos de resíduos plásticos para a China e Hong Kong, negócio que faziam desde 1994, quando a Agência de Proteção Ambiental americana começou a controlar as exportações de plásticos.  Grande parte da sucata de plástico teoricamente “reciclado” que os EUA enviaram para a China foi queimada ou enterrada, em vez de ser transformada em novos produtos.

As notícias terríveis sobre a disseminação de resíduos de plástico em pequenos pedaços estão agora quase em toda parte. Há “microplásticos” no ar dos Pirineus. Microplásticos são transformados em lodo de esgoto e espalhados em campos onde se cultivam alimentos. E, como sabemos, baleias cheias de plástico que costumam aparecer mortas, e os oceanos estão inundados de lixo plástico e agora contêm cerca de 150 milhões de toneladas deste material – uma massa que em breve superará o peso de todos os peixes nos mares. A contaminação está nos alimentos e na água. Água engarrafada, agora também contém plástico de acordo com uma pesquiza feita em 2018. Embora todas as grandes marcas tenham testado positivo para microplásticos, a pior foi a Nestlé Pure Life, que afirma que sua água “passa por um processo de qualidade de 12 etapas, para que você possa confiar em cada gota”.

Não podemos confiar na publicidade paga pelas grandes companhias produtoras que tentam sossegar-nos com uma reciclagem que só recicla os bolsos dos produtores.

Agora, sabemos que o lixo plástico também é causa da extinção de espécies, devastação ecológica e problemas de saúde humana. E porque mais de 99% do plástico é derivado de petróleo, gás natural e carvão – e porque sua destruição também usa combustíveis fósseis – grupos ambientais agora reconhecem o plástico como um dos principais contribuintes para as mudanças climáticas.

 

Ilustração: Peixes,  de Beatriz Lamas Oliveira


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/temos-de-acordar/

Acerca do chamado "aquecimento global"

por Jorge Figueiredo
A campanha de desinformação acerca do chamado "aquecimento global" de origem humana (antropogénica) vai de vento em popa. Ela destina-se a confundir as pessoas, apagando a distinção entre verdades e mentiras. Esta promoção do irracionalismo constitui uma impostura e um atropelo à ciência. A fim de manter um mínimo de sanidade, convém recapitular o assunto e estabelecer factos. As perguntas e respostas que se seguem tentam fazer isso.

O ser humano é responsável pelo clima no planeta Terra?

A resposta é não. Não podemos controlar o clima do nosso planeta, o qual é determinado por factores totalmente fora do nosso alcance tais como intensidade da actividade solar, nuvens, ângulo de rotação do planeta, vulcões e muitíssimos outros.

Clima é a mesma coisa que ambiente?

A resposta é igualmente negativa. O ambiente refere-se à camada delgada de ar em que vivemos sobre a superfície da terra e do mar, ao passo que o clima abrange todo o planeta até à estratosfera. A confusão entre ambiente e clima é muito frequente, sobretudo por parte de jornalistas e políticos ignorantes. O ser humano pode (e deve) preservar o ambiente, mas nada pode fazer quanto ao clima.

O dióxido de carbono (CO2) é um gás poluente?

É um rematado absurdo dizer que o CO2 é um poluente pois trata-se de um gás não só inócuo para a saúde humana como também indispensável à vida no planeta Terra (indispensável à fotossíntese). No entanto, o IPCC resolveu erigir o CO2 como o grande vilão universal responsável pelo aquecimento global – mas tal relação de causa e efeito nem sequer está demonstrada. O CO2 não é o "botão de controle" do clima. Além disso, é igualmente absurdo reduzir uma ciência tão complexa como a climatologia – em que intervém uma multidão de variáveis – a apenas uma única variável, o CO2. Recorde-se que a proporção total de CO2 no ar que respiramos é de apenas 0,03% a 0,04% e que a parte do mesmo de origem antropogénica é absolutamente irrisória.

Aquecimento global e alterações climáticas são expressões sinónimas?

A expressão ambígua de alterações climáticas constitui um recuo em relação à expressão original utilizada pelo IPCC, de aquecimento global. A nova formulação é melíflua pois sempre houve "alterações climáticas" desde que a Terra existe.

Por que a ONU criou o IPCC?

Tudo indica que a ONU criou o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) num momento (1988) em que estava relativamente enfraquecida e algo desmoralizada. Para se recompor o seu secretariado procurava uma grande causa mobilizadora e adoptou a hipótese do aquecimento global de origem antropogénica. Organismos seus como a Organização Meteorológica Mundial e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente foram convocados para o efeito.

É verdade que o IPCC é constituído por cerca de três mil cientistas?

Isso é falso. O IPCC é constituído sobretudo por funcionários nomeados pelos governos que dele participam, ou seja, por burocratas. A sua gestão é política e as grandes conferências organizadas pelo IPCC (em Copenhaga, Bali, Paris e este ano em Nova York) são participadas sobretudo por políticos.

Os relatórios periódicos do IPCC merecem credibilidade?

Os extensos relatórios do IPCC (que poucos lêem) são geralmente vazados numa linguagem confusa e pouco inteligível. A maior parte do público lê apenas a introdução de poucas páginas dos mesmos, o "Executive Summary", o qual nem sempre corresponde ao conteúdo do relatório.

A teoria climatológica em que o IPCC baseia as suas afirmações é correcta?

Não, está ultrapassada. A teoria do "efeito estufa" e da hipótese do aquecimento global foi elaborada por Arrhenius no fim do século XIX, muito antes da existência de satélites meteorológicos. A teoria climatológica moderna, dos anticiclones móveis polares, foi elaborada pelo grande cientista Marcel Leroux (1938-2008). Há um resumo da sua teoria em resistir.info/climatologia/impostura.cientifica.html . Quem quiser especializar-se em climatologia terá de estudar o seu livro "Global Warming – Myth or Reality?: The Erring Ways of Climatology" (Springer Verlag, 2010, 510 p.)

É verdade que 97% dos cientistas apoiam a tese do aquecimento global de origem antropogénica?

Em primeiro lugar as questões científicas não se decidem por maiorias ou minorias – a ciência não é democrática. Os contemporâneos de Galileu acreditavam que a Terra era o centro do universo, mas isso não prova a veracidade da sua crença. O argumento da "maioria" é dos mais fracos que possam existir para a demonstração de uma hipótese.

A modelação informática é um método válido no estudo da climatologia?

Não. Para serem úteis os modelos devem ter um número de variáveis relativamente limitado. Problemas complexos que envolvem milhares de variáveis, como é o caso do clima, não se prestam à modelação matemática por mais poderosos que sejam os computadores. A tentativa do IPCC de modelar o clima é vã e presta-se a inúmeras aldrabices pois há uma multidão de variáveis que têm de ser estimadas de modo mais ou menos arbitrário e inputadas no modelo. Portanto, os modelos do IPCC não servem para análises preditivas. São "caixas negras" em que ninguém sabe bem o que está lá dentro e cujos resultados estão sujeitos ao arbítrio dos seus criadores, os quais manipulam à vontade as variáveis que contém. Entretanto, a modelação é útil na meteorologia e permite uma capacidade preditiva da ordem de um par de semanas (nunca de décadas como pretende o IPCC).

Combater o aquecimento global/alterações climáticas é uma posição "de esquerda"?

Tal como em qualquer ciência, não existe uma climatologia "de esquerda" ou "de direita". Quanto à crença na origem antropogénica do aquecimento global, há gente tanto de direita como de esquerda que embarca nisso. Ao nível institucional verifica-se que há organizações de direita (como a União Europeia) que defendem essa crença e fazem campanhas contra as emissões de CO2 e outras igualmente de direita (como o governo Trump) que a contestam. Simetricamente, há gente de direita e de esquerda que contesta a validade das teses propaladas pelo IPCC. Isso não significa necessariamente que neguem a possibilidade do aquecimento, facto já verificado no passado (a Idade Média europeia, por exemplo, experimentou um período mais quente que o actual). Não tem sentido politizar a ciência em termos de esquerda-direita.

Qual a importância desta discussão? Que importa se o homem é ou não responsável pelo clima?

Importa muito. Em primeiro lugar porque desvia a atenção da humanidade dos problemas que são realmente graves e importantes, como a ameaça de guerra nuclear, a corrida armamentista, as questões ambientais (como a poluição verdadeira da terra, da água e do ar, a desertificação da Amazónia, etc), a repartição da riqueza, o depauperamento do Terceiro Mundo, etc, etc.

Ao nível operacional, porque introduz uma grave distorção nas políticas energéticas, as quais são postas a reboque da nova "religião" aquecimentista. Isto significa um brutal desperdício de recursos escassos. Assim, a apologia beata das energias ditas renováveis faz com que sejam promovidas energias intermitentes e anti-económicas. Exemplo: uma central eólica tem apenas uns 25 anos de vida útil, a comparar com uma central hidroeléctrica cuja vida útil pode ir aos 100 anos. Por isso será preciso investir quatro vezes numa central eólica para obter o mesmo serviço proporcionado por uma hidroeléctrica. Além disso, por ser intermitente, uma central eólica não evita a necessidade de investir na geração convencional – o que significa duplicação de investimentos, onerando inutilmente a sociedade. E isto sem esquecer que as referidas energias alternativas assentam em soluções técnicas também poluentes nos processos de fabricação (ex.: elementos venenosos no interior dos painéis fotovoltaicos).

Ao nível subjectivo, a ideologia aquecimentista provoca sentimentos de culpabilização nos povos. Querem que todos se sintam culpados por estarem a "poluir" o ambiente com o diabolizado CO2. Em Portugal chegou-se ao absurdo de cogitar um verdadeiro crime de lesa economia nacional: o sucateamento de centrais termoeléctricas que estão boas e em condições operacionais (como as de Sines e do Pego) devido às malfadadas emissões de CO2.

Ao nível ambiental, a trapaça aquecimentista faz com que sejam descuradas as emissões que são realmente poluentes e fazem mal à saúde, tais como o SO2 (dióxido de enxofre), os NOx (óxidos de azoto) e em especial o NO2 (dióxido de azoto), as partículas sólidas (particulate matter) emitidas, por exemplo, pelos motores de Ciclo Diesel, etc. Isto, por sua vez, gera graves distorções na política de transportes (e na política fiscal que a precede) afastando soluções boas, viáveis e económicas. O subsídio ao veículo eléctrico é um exemplo dessa distorção (consumo desbragado de terras raras para a sua construção, disposição final das baterias após a sua vida útil, geração de electricidade para alimentá-las, etc). A "descarbonização" da sociedade apregoada pelo governo António Costa é um projecto disparatado, ruinoso e inviável.

Ao nível financeiro, a teoria errada do aquecimento global proporciona bons negócios para o capital financeiro que inventou o negócio da venda de direitos de emissão de CO2. Trata-se de algo como as "indulgências para pecar" vendidas pela Igreja Católica, contra as quais se revoltou Lutero. Este negócio dá bons lucros aos banqueiros mas não beneficia a humanidade. Neste momento já há uma verdadeira indústria do aquecimento global.

Por que tantos académicos defendem a origem humana do aquecimento global e o combate ao CO2?

Trata-se de uma teoria que é dominante (por ter sido imposta atravs de campanhas) e que para a União Europeia se transformou num artigo de fé. Assim, há numerosas linhas de financiamento da UE e dos governos europeus que aceitam servilmente as suas imposições. Boa parte da comunidade académica amolda-se a isso a fim de não secarem os financiamentos. Alguns, como os da Universidade de East Anglia (Grã-Bretanha) chegaram a aldrabar estatísticas a fim de conseguir os resultados que desejavam apresentar. O escândalo ficou conhecido como Climategate (v. resistir.info/climatologia/climategate_28nov09.html ). Além disso, muitos académicos são intimidados ou discriminados nas peer reviews quando apresentam opiniões diferentes desta doutrina dominante. Recentemente a Universidade do Porto abrigou uma conferência científica séria sobre alterações climáticas (v. www.portoconference2018.org ), o que provocou uma fúria histérica de académicos aquecimentistas.

A humanidade pode prescindir dos combustíveis fósseis?

A classificação de "fóssil" atribuída ao petróleo e ao gás natural (metano, ou CH4) pode ser discutida. Muitos cientistas, como Thomas Gold ( www.resistir.info/energia/gold_biosfera_cap5.html ) e a escola ucraniana de geologia, defendem a origem abiótica do petróleo e do metano. Existem planetas com mares e oceanos de metano. Mas, respondendo directamente à pergunta, é quase impossível que a energia consumida pela humanidade possa algum dia ser renovável a 100 por cento. Isso não é preocupante pois mesmo após o esgotamento dos recursos petrolíferos no planeta haverá ainda reservas de metano suficientes para muitos séculos. Além disso, o metano pode ser produzido pelo homem (o biometano, que é uma energia renovável). O ódio dos aquecimentistas contra o metano atrasa o processo necessário e inelutável de afastamento do consumo de refinados de petróleo em direcção ao gás natural, processo esse que desejavelmente deveria ser gradual e harmonioso.

Até quando vai perdurar a loucura aquecimentista?

Não sabemos. Mas combater o irracionalismo continua a ser um dever de toda a pessoa lúcida. Com a difusão destes mitos climáticos parece que estamos a entrar numa nova idade das trevas, com teorias fantasiosas e com gente e instituições interessadas em instilar o medo a fim de vender as "soluções" e colher os lucros respectivos. O sr. Al Gore deu o exemplo e depois dele seguiram-se muitos outros.

A Humanidade tem direito ao desenvolvimento e enfrenta muitos problemas – científicos, técnicos, sociais e políticos. Mas a teoria do aquecimento global não conduz à resolução dos mesmos. Ela, ao contrário, ameaça agravar todos problemas e de uma forma desumana.

06/Outubro/2019

Este texto encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/climatologia/ag_faqs_out19.html

Área florestal na Mongólia Interior expande 17 milhões de hectares em 70 anos

 

O Parque Nacional do Pântano de Genheyuan na Região Autônoma da Mongólia Interior, norte da China. (Xinhua/Li Zhipeng)

Hohhot, 5 out (Xinhua) -- A área total de floresta na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China, expandiu de 9,13 milhões de hectares nos primórdios da Nova China para 26,13 milhões de hectares, um aumento líquido de 17 milhões de hectares em 70 anos, de acordo com o governo local.

Atualmente, a área florestal da região ocupa o primeiro lugar no país, e sua taxa de cobertura florestal aumentou de 7,73% para 22,1%, um salto de 14,37 pontos percentuais.

A Mongólia Interior dá sempre grande importância à construção e proteção ecológica. Em particular, no início do século XXI, a região autônoma lançou uma série de grandes projetos ecológicos, incluindo o Projeto de Proteção Florestal dos Três Nortes (Sanbei) e um projeto que visa transformar terrenos agrícolas marginais em florestas.

Ao mesmo tempo, o desmatamento comercial das florestas naturais foi parado na região desde abril de 2015, num esforço para restaurar o ecossistema, reduzindo em 1,51 milhão de metros cúbicos o corte de madeira anualmente.

A Mongólia Interior tem vários grandes desertos. Restringir a desertificação está no topo da agenda da campanha ecológica da região.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/05/c_138450130.htm

Nasceu o neoliberalismo climático

 
 
Salvar o planeta de quê? Das alterações climáticas, de que mais haveria de ser? Haverá mais coisas assim tão ameaçadoras com que tenhamos de nos preocupar?
 
José Goulão* | opinião
 
Salvar o planeta! Ora aí está uma causa nobre, por certo não fracturante, à medida do mainstream, padronizada segundo as normas da opinião única, enfim polémica quanto baste porque os seus opositores são encabeçados por figuras que estão de passagem, como Donald Trump, por certo uma excepção na tão recomendável classe bipartidária e monolítica dos Estados Unidos da América. Atentemos nos casos de Obama, de Hillary Clinton, consabidamente tão amigos do planeta e do ambiente.
 
Salvar o planeta de quê? Das alterações climáticas, de que mais haveria de ser? Haverá mais coisas assim tão ameaçadoras com que tenhamos de nos preocupar?
 
Na verdade, parece não haver coisa mais necessário na sociedade global em que vivemos do que mobilizar-nos no urgentíssimo e justíssimo combate contra a degradação do ambiente e as mudanças climáticas dela decorrentes.
 
Mobilizemo-nos, pois. Sigamos as marchas juvenis e coloridas inspiradas algures nos meandros onde se move essa tão carismática como recatada figura de George Soros, conhecido como «filantropo», um verdadeiro papa do globalismo, do neoliberalismo, reconhecido patrono ou mesmo proprietário da democracia autêntica.
 
Sigamos Greta Thurnberg lamentando os seus «sonhos perdidos», juntemo-nos ao Eng.º Guterres, a quem as aflições do clima proporcionaram uma energia interventiva até agora desconhecida, sobretudo desde que se tornou secretário-geral da ONU; acompanhemos Obama, Mark Zuckerberg, Al Gore, Richard Branson e outros patronos do movimento de Greta Thurnberg; desfilemos de braço dado com o benemérito Bill Gates, agora dedicado à causa dos negócios da geoengenharia a bem do ambiente, com as comissárias e os comissários europeus, os generais da NATO, os poluidores e as suas vítimas, todos irmanados nesta imensa vaga regeneradora que a muitos parece cativar e verdadeiramente não tem inimigos pois todos habitamos nesta Terra e 2030, «o ponto de não retorno», é já amanhã.
 
Além disso, «não há planeta B», como muito bem recordou o prof. Marcelo mesmo que, desta feita, a autoria do sound bite não lhe pertença. O sistema autorregenera-se
 
A crer nesta espécie de «revolução colorida» – o que não é de espantar, pois várias outras têm a chancela inconfundível do «filantropo» Soros – o seu êxito não suscita grandes dúvidas, porque estão mais do que identificadas as causas da revolta do clima.
O segredo não estará, ao que parece, em atacá-las mas sim em «adaptar-nos» a elas e acreditar que os grandes poluidores industriais se converterão beatificamente à causa; os gigantes do agronegócio transnacional deixarão benevolamente de destruir os solos, esbanjar água e expandir a seca; os monstros da indústria mineira global, comovidos pela grande movimentação, deixarão de contaminar os solos para os expurgar de riquezas; os negociantes de madeiras não mandarão acender nem mais um fósforo nas florestas; os magnatas do petróleo abandonarão o fracking e deixarão os mares e os solos em paz, genuinamente convertidos às energias renováveis; os impérios do armamento chegarão à conclusão de que as actividades amigas do ambiente são muito mais interessantes que as guerras, quiçá até do ponto de vista económico; os generais e outros senhores do militarismo deliberarão espontaneamente que o dinheiro investido em armas, sobretudo as nucleares, deve ser transferido para o combate à fome no mundo.
 
Os grandes interesses económicos do planeta, desde o grande especulador financeiro ao incansável barão da droga, curvar-se-ão, enfim, perante os activismos desinteressados que decidiram salvar a harmonia climática poupando, ao mesmo tempo, o sistema que a destrói. O capitalismo ecológico, o neoliberalismo climático estavam, afinal, a umas mobilizações bem comportadas e a uns discursos lamurientos de distância. E sem que a ordem que nos governa seja minimamente beliscada. Como não nos havíamos lembrado disto antes? Mas talvez ainda estejamos a tempo, mais vale tarde do que nunca, os destrambelhamentos climáticos serão domesticados. Com uma condição: que os aceitemos e nos adaptemos, como recomenda, sábio, Bill Gates. A «adaptação» será, afinal, a alma do negócio.
 
Nada de distracções
 
Mas atenção: foco total, nada de distracções, dedicação absoluta à «adaptação» do planeta às alterações climáticas e sempre no quadro da ordem estabelecida. Caso contrário, a ameaça persistirá.
Não há que esbanjar esforços em causas fracturantes e que, como se percebe pelo consenso quase global suscitado pelo caos climático, acabam por ser marginais.
Em poucas ou nenhuma ocasião como esta vamos encontrar do mesmo lado da barricada as paupérrimas vítimas das inundações do Bangladesh e o presidente do Goldman Sachs, o banco que, segundo o próprio, desempenha o papel de Deus na Terra; ou o indígena da Amazónia e o presidente cessante do Banco Central Europeu, Mario Draghi; ou os sudaneses vítimas da seca e os todo-poderosos dirigentes do Carlyle Group.
 
O mesmo não acontece com outras situações que suscitam mobilizações, mas nunca com esta amplitude e consenso. É o caso das guerras que se multiplicam pelo mundo, ou das crescentes desigualdades e do fosso que se alarga entre a maioria de pobres e a minoria de ricos, da acumulação de armas, sobretudo as nucleares, da globalização do trabalho escravo, dos milhões de desalojados e refugiados.
São, de facto, problemas em torno dos quais não encontramos mobilizações tão massivas, uma tal convergência de opiniões, uma cobertura tão abrangente dos meios de comunicação globais.
 
Fizeram-se – e fazem-se – manifestações contra as guerras, acções contra as injustiças e as desigualdades, iniciativas contra a pobreza, a fome ou os refugiados. Mas nela não encontraremos as figuras que lhe dão peso, prestígio e fama como Obama, o Eng.º Guterres, o presidente do Goldman Sachs, o diligente Bill Gates ou a presidente da Comissão Europeia. E se, por uma hipótese absurda, algum jovem ou alguma jovem assumir um papel semelhante ao de Greta Thurnberg, mas em defesa da eliminação total das armas nucleares, certamente não lhe será facultado o púlpito dos oradores nas Nações Unidas e não será transformado em ícone pela comunicação mainstream. Pelo contrário, não tardaria a ter à perna a comunidade global de espionagem e certamente seria tratado como reles agente russo ou chinês.
 
No entanto, a proliferação de guerras e de armas cada vez mais modernas e com efeitos letais massivos pode provocar amanhã, depois de amanhã, de uma penada, os efeitos que as alterações climáticas produzem gradualmente e que têm ponto de não retorno agendado para 2030, segundo as previsões mais repetidas. Porém, ao que parece por aquilo a que temos vindo a assistir, a crise do clima é certa enquanto a destruição do planeta por um conflito global pode acontecer ou não, saibamos correr riscos… Portanto, nada de alarmismos e, sobretudo, de dispersões em relação à causa definitiva, a da «adaptação» às derrapagens do ambiente.
 
 
E se ligássemos tudo?
 
Atendendo à gravidade dos cenários que ameaçam o planeta, o mais natural seria transformá-los numa causa única e poderosa capaz de reduzir os riscos. Defender a Terra e os sistemas de vida que nela existem seria uma acção muito mais eficaz e abrangente se interligássemos as lutas contra as alterações climáticas, a guerra, a pobreza, as desigualdades, as agressões aos direitos humanos, a escravatura e outras.
 
Esta seria a ordem natural das coisas.
 
Mas não a ordem natural do sistema em que vivemos.
 
Ao associar as causas amigas do planeta seríamos conduzidos, inevitavelmente, à evidência que a defesa da Terra é, em si mesma, uma causa fracturante. Não conseguiremos encontrar na luta contra a guerra as mesmas vedetas globais e a mesma projecção da suposta luta contra as alterações climáticas. Em boa verdade, essas figuras dizem estar do lado do ambiente enquanto promovem as guerras e o negócio de armas, ao mesmo tempo que geram milhões de desalojados e refugiados.
Negócio é, de facto, a palavra-chave, o conceito que transpõe de forma traiçoeira, enganosa e oportunista a movimentação contra as alterações climáticas para o lado da guerra, das desigualdades, da pobreza, da exploração – tudo fruto do mesmo sistema.
 
Os expoentes do capitalismo na sua versão fundamentalista neoliberal estão em pleno desenvolvimento de uma operação de apropriação das questões ambientais tentando impor uma milagrosa quadratura do círculo.
 
Ou seja, o capitalismo que envenena o planeta, que o põe diariamente em risco, surge como salvador do planeta privatizando uma justíssima causa para que lhe seja possível, com grande ajuda do sistema mediático, arrastar massas que sofrem de genuínas inquietações à mistura com ingenuidade e vulnerabilidades.
 
Mas não só.
 
O principal é que o capitalismo neoliberal transformou a luta contra as alterações climáticas num negócio. O método é insidioso: dá como adquiridas as transformações já ocorridas ou em curso e põe a tónica na «adaptação» do planeta a essas circunstâncias. O negócio do clima junta-se assim ao negócio da guerra, ao negócio da droga, ao negócio do trabalho escravo, ao negócio da exploração dos recursos naturais.
 
Desenvolver pretensas soluções científicas capazes de responder ao aquecimento global, à subida dos mares, aos degelos, às carências de água e outros fenómenos está a transformar-se na antecâmara de novos grandes negócios. Aos lucros da contaminação do planeta somam-se os proveitos gerados pela «adaptação» aos efeitos da contaminação.
 
O sistema que ganha destruindo o planeta é o mesmo que continua a ganhar pretensamente «adaptando-o» às mudanças – não atacando as causas e manipulando multidões. Por isso, de acordo com a sua estratégia, a nobre causa da luta contra as alterações climáticas, que mobiliza dezenas de milhões de pessoas genuinamente alarmadas, tem de ser isolada de outras que, na realidade, lhe são afins e complementares, como a da luta pela paz. É a manobra a que estamos a assistir.
 
O capitalismo neoliberal conseguiu encontrar um caminho para transformar as questões ambientais e climáticas em lucros. Quanto à «paz», a única maneira de a fazer gerar proveitos é espalhando a ilusão de que pode ser estabelecida através da multiplicação de guerras. Nasceu assim o neoliberalismo ambiental, humanista, pacifista.
 
É necessário desmontar esta mistificação e impedir que as causas ambientais sejam capturadas pelos terroristas do ambiente para que tudo continue na mesma, isto é, deteriorando-se. A luta contra as alterações climáticas é indissociável dos combates contra a guerra, a pobreza, a austeridade, as desigualdades, os problemas dos refugiados, a censura, a exploração, a extinção dos direitos sociais, a violação dos direitos humanos. Converge tudo na mobilização contra o sistema que está na base de todas as aberrações que afectam o ser humano e o planeta.
 
* José Goulão | AbrilAbril | opinião
 
Leia em AbrilAbril

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/10/nasceu-o-neoliberalismo-climatico.html

Para lá da jardinagem

Chico Mendes, sindicalista-ambientalista brasileiro, assassinado em 1988, terá dito um dia que “ambientalismo sem luta de classes é jardinagem”. Na acção de massas da passada sexta-feira, surgiu com força a ideia de que a luta ecológica tem de colocar a questão da superação do capitalismo, um sistema fossilizado. Como bem sublinhou Vítor Dias, o Público teve dificuldades ideológicas em lidar editorialmente com estes insolentes “aprendizes de Lenine”, para retomar a expressão do seu assustado director, substituindo o contestado capitalismo por um potencialmente anódino consumismo na sua primeira página (em contradicção com o título da notícia no sítio do jornal e, já agora, com o título da página interior do jornal em papel no sábado, onde a palavra maldita aparecia). Realmente, precisamos de uma política ecológica anti-capitalista, centrada na classe trabalhadora e, pelo menos, em reformas radicais, em modo de um Green New Deal visto como parte de uma transição sistémica. Embora tenha por referência os EUA, Matt Huber dá-nos boas indicações gerais sobre os contornos de tal política de crítica e de proposta num artigo que merece ser traduzido. Em primeiro lugar, esta abordagem enfatiza a “responsabilidade de classe pela crise ecológica”, dada a crucial lógica de controlo sobre o processo produtivo capitalista, por oposição a uma narrativa em que todos somos responsáveis enquanto meros consumidores mais ou menos nivelados, ofuscando as razões pelas quais poucos têm muito mais do que necessitam e muitos têm muito menos. Abordar a questão pelo decrescimento genérico é um beco sem saída ideológico e político. O decrescimento está para as questões ambientais como o RBI está para as sociais. O que tem de ser deliberadamente expandido e o que tem de ser contraído em termos de sectores económicos, quem deve poder melhorar e quem tem de regredir materialmente? Em segundo lugar, como sublinha, Huber, a abordagem que tem de ser favorecida centra-se nos sistemas de provisão vitais para vida de classes trabalhadoras – alimentação, habitação, energia, saúde ou transportes – defendendo a soberania alimentar, parte de desglobalização mais vasta dos circuitos económicos, ou a socialização dos sistemas de provisão cruciais. Sem segurança social, não há transição que nos valha. No fundo, só com alterações profundas nas relações sociais de propriedade e nas formas de coordenação económica, é possível enfrentar a questão climática.Para já não falar da crucial questão da moeda que é crédito e do seu controlo e direcção. Tudo isto exige uma mobilização social que não pode ser hegemonizada por sectores burgueses mais ou menos esclarecidos e bem-intencionados. Neste contexto, é bom saber que a nossa CGTP não anda a jardinar.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

A INQUIETAÇÃO DOS JOVENS

Por desinformação ou estupidez, encolhem os ombros à realidade fatídica, e dizem:
-- O futuro é muito longe! 
Nessa afirmação, impregnada de um egoísmo absolutamente acéfalo, sugerem que as gerações seguintes se aguentem com a eco-catástrofe, pois quando isso acontecer, os de hoje, estarão mortos!
Outros incomodam-se menos  com o diagnóstico de uma Terra moribunda, quase em agonia, e mais com a forma do exercício de uma cidadania ou cultura de protesto protagonizada pelos mais jovens da tribo.
Para mim, entre os acontecimentos mais importantes deste tempo nosso, elejo a consciência ecológica dos jovens e a sua mobilização planetária em defesa da nossa casa comum, que é a Terra. É esse direito à indignação a expressão de uma consciência cívica em defesa da vida e a prática de uma inquietação social contra a indiferença, que se deve transformar numa exigência de novas políticas à escala global.
Daí que não possamos ler, senão com uma gargalhada, o proverbial irrequietismo  de Vasco Pulido Valente, no seu diário semanal no "Público", ao escrever: "Era bem feito que o planeta explodisse e atirasse com a menina Greta para Saturno a ver se ela aprendia a não faltar à escola." 
Feiticeiro do comentário, ele gosta de brincar com o fogo das palavras. Mas, às vezes, fica queimado!

Quinta-Feira, 3 de Outubro
 
 

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O caro FPN só me responderá se quiser, obviamente, mas gostava de o desafiar com uma questão: para além da "mobilização planetária", conseguirá apontar-me alguma evidencia mais concreta da "consciência ecológica dos jovens" que enaltece ? E, já agora, o que é que nessa matéria distingue os de agora da geração hippie ? Cump. JRodrigues

Ver o original em Notícias do Bloqueio (clique aqui)

Ainda sobre o avanço dos transportes públicos

Aquando da "Greve Climática" assinalava eunão ter havido um único protesto, reclamação, proposta, alerta ou lamento sobre o impacto dos transportes na pegada ecológica. Ou dizendo de outro modo, ninguém se referiu ao impacto do uso do carro no clima. E dizia que tal impacto é tremendo. Para o ilustrar, fiz então referência à Pegada da Mobilidade e Transportes e apresentava este quadro.
 
Admito que o quadro seja de leitura difícil. Mas já se torna fácil se olharmos apenas para a proporção da "pegada" entre um autocarro e um carro, tomando por referência a mobilidade a duas rodas.  
 
Posto isto passemos do não acontecido na tal greve mediática para falar num caminho aberto recentemente e que vai no sentido de continuar a lutar,  levando mais longe o avanço avançado, a bem do clima e... da economia doméstica!
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

COMO COZINHAR GRÁFICOS PARA A PSICOSE CLIMÁTICA?

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O Vídeo abaixo mostra os cozinhados que os climato-histéricos utilizam para enganar as pessoas

 


https://www.youtube.com/watch?v=8455KEDitpU
Múltiplas evidências da massiva manipulação da opinião pública, mostram que a questão do aquecimento global se transformou numa questão política e que o «Green New Deal» é muito importante para o globalismo.
A este propósito, ver os artigos, neste blog:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2018/12/a-urgencia-climatica-e-uma-falsificacao.html
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2018/08/lembra-se-do-urso-polar-morrer-devido.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2017/06/alteracoes-climaticas-fraude-cientifica.html
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A comunicação social e as variações do tempo ao longo dos tempos

I. Introdução

Por variações do tempo entendem-se, aqui, as alterações das condições meteorológicas  nas diversas regiões ao longo do tempo. Costuma falar-se em mudanças de estado do tempo.

Os diversos tipos de precipitação (chuva, neve, granizo, etc.,), a temperatura do ar e a pressão atmosférica a várias altitudes, a velocidade do vento, o grau de humidade e a nebulosidade, podem ser avaliados qualitativa e quantitativamente constituindo-se como parâmetros meteorológicos fundamentais. Estes são, por sua vez, função complexa da rotação da Terra, da inclinação do seu eixo em relação à órbita, do ponto ocupado na sua translação em torno do Sol e da intensidade e tipo das radiações solares que chegam ao planeta que habitamos. A temperatura a diversas profundidades, bem como o tipo de velocidade das correntes experimentadas nas grandes massas de água existentes nos mares e oceanos, estão correlacionadas com as condições atmosféricas porque, entre outros aspetos, contribuem para a evapotranspiração e, assim, para o grau de humidade do ar atmosférico.

Sabe-se que a evolução das condições meteorológicas constitui um bom exemplo de sistema caótico existente na natureza, o que determina que as previsões, têm, apesar da evolução técnico-científica que se traduz em métodos empíricos e numéricos sofisticados, um horizonte temporal limitado[1].

A propósito das mudanças de estado do tempo sentidas em várias regiões do planeta, não apenas daquelas associadas às estações do ano, vem-se falando cada vez mais em clima nos últimos anos, e, particularmente, em alterações climáticas. Ou seja, aponta-se para a existência de uma mudança persistente  nos padrões característicos dos vários tipos de clima mais comuns [2].

Tempo (meteorológico) e clima são conceitos diferentes muitas vezes confundidos pelo senso comum. Talvez porque os meios de comunicação social utilizam o termo “clima” quando se referem ao “tempo” e usam “climático” em lugar de “meteorológico”. Mas, curiosamente, nunca se enganam ao contrário[3]

O tempo varia muito e de forma contínua, aliás, de forma caprichosa, não obstante reger-se por leis da natureza. Já o clima está, ou é suposto estar, sujeito a variações que ocorrem muito mais lentamente[4]. A ciência que dele se ocupa, a climatologia, fundamenta-se no estudo estatístico dos elementos caracterizadores do clima, ou sistema climático, procedendo a descrições sistemáticas e a explicações acerca da repartição dos vários tipos de clima[5]

O sistema climático consiste numa estreita camada exterior da Terra com pouco mais de 60 km, que engloba a crosta terrestre e o designado geofluido formado pelos oceanos e atmosfera. A modelação físico-matemática de tal sistema exige interdisciplinaridade e é extremamente complexa[6].      

Embora se saiba que sempre houve  alterações climáticas ao longo da vida da Terra, as mudanças de que se fala e escreve de forma abundante nos últimos anos, dever-se-iam em grande parte, segundo a hipótese teórica dominante, às interações das atividades humanas com o meio ambiente. No caso concreto das repercussões na biosfera traduzidas em fenómenos meteorológicos severos que dificultam a habitabilidade do planeta, aponta-se como causa principal a crescente emissão do dióxido de carbono (CO2) a partir de diversos processos de combustão, tanto na indústria e na produção de eletricidade, como nos edifícios habitacionais ou de serviços, e, ainda, pelos transportes que utilizam derivados de combustíveis fósseis. Não obstante existirem outros gases, como o metano, p.ex., e, também, o vapor de água, que contribuem para o efeito de estufa de uma forma muito intensa, isso é pouco valorizado na divulgação daquilo que se vem designando como uma catástrofe que merece uma declaração de emergência generalizada.

Não é objetivo do presente artigo discutir  esta hipótese, e, muito menos, confirmá-la ou infirmá-la. Dizer, apenas, que se trata de uma teoria, que ganhou grande força institucional, social e política, mas que, no entanto, não está comprovada de forma definitiva  por metodologia científica homologável em referenciais canónicos.       

Contudo, os órgãos de comunicação social tomaram o tema como item nuclear das suas agendas, e vêm-lhe dedicando muito espaço e tempo, designadamente através do relato dos acontecimentos meteorológicos com maior impacto, procurando estabelecer, de forma crescente e acrítica, um nexo de causalidade entre cada episódio  e as alterações climáticas de raiz antropogénica.

Nos últimos meses o caudal de notícias, artigos, reportagens e debates difundidos em todo o tipo de vetores de comunicação social, tem aumentado exponencialmente, raiando por vezes uma estridência que, ela própria, se configura como inadequada ao tratamento sério de assunto tão complexo. Em certos casos parece haver um histerismo eivado de traços populistas.

E é neste contexto que se insere a pesquisa realizada de que se dá conta no presente artigo. 

Pretendeu-se com ela responder às questões seguintes: a) Que eco fazia a comunicação social, neste caso a imprensa, dos eventos meteorológicos mais relevantes, isto é, aqueles que maiores inconvenientes traziam às sociedades humanas, em meados do século XX?  b) Havia menos  inclemências meteorológicas noticiadas do que hoje em dia? c) A natureza e a intensidade dos fenómenos registados pelos jornais eram menos significativas do que no presente? 

O método usado implicou fazer uma análise às edições dos jornais Diário de Notícias e Século referentes ao ano de 1950.

Por se considerar suficiente para os objetivos definidos, descrevem-se sucintamente os principais eventos noticiados nos meses de janeiro e fevereiro pelo Diário de Notícias e nos meses de maio, junho e julho pelo Século.

2. Notícias relacionadas com eventos meteorológicos significativos publicadas pelo Diário de Notícias e Século

Diário de Notícias (1950, janeiro e fevereiro)

Em termos noticiosos, embora não se trate de evento meteorológico, será interessante registar que, no dia 1 de janeiro, se dava conta de um abalo sísmico com significativa intensidade, sentido em Lisboa, Mafra, etc., tendo o  Observatório Infante D. Luís situado o epicentro a 100 km ao norte de Lisboa.

A 8 de janeiro, o matutino publicava na sua primeira página, com destaque, um interessante título: A Terra está a aquecer? 

O trabalho jornalístico, de autoria de Manuel Rodrigues, era depois desenvolvido a páginas quatro, isto numa época  em que tanto se falava já na “guerra fria” entre o mundo ocidental e a Rússia (URSS). Aquilo a que no jornal se dizia ser uma  “audaciosa hipótese científica”, não surgiu, portanto, por falta de outros assuntos. 

O texto explicava que “desde o princípio deste século a temperatura está a aumentar no ártico e os glaciares recuam”, isto segundo  uma teoria do Prof. George Gamow. Mais exatamente, há que esclarecê-lo, tratava-se de Georgy Antonovich Gamov, nascido em Odessa (1904) e naturalizado americano em 1940, físico que recebeu da UNESCO um Prémio Kalinga em 1956. Esteve, entre outras investigações, ligado à teoria do Big-Bang.

No seu livro  “Biography of the Earth”, o autor previa que o aquecimento ocorresse até ao ano 20 000 e, depois, haveria um arrefeceria até ao ano 50 000. A notícia referia, também, que o Prof. Hans Ahlman vinha coligindo dados sobre o Ártico, concluindo que a temperatura teria aumentado desde 1900 até 1950, cerca de 5ºc. Este investigador afirmava ter verificado uma subida do nível do mar em torno das ilhas Spitzberg, relacionada com o recuo dos glaciares. Na Suécia o glaciar de Kebnekolse reduziu-se em 30 milhões de m3 desde 1902, afirmava Ahlman.

E quais eram as hipóteses colocadas para explicar o aquecimento? Inclinação do eixo da Terra? Dizer que uma expedição à Antártida dirigida pelo almirante Byrd, tinha detetado a existência de “oásis” com lagos livres numa latitude onde tudo deveria ser gelo.

Para tirar tudo a limpo, dizia-se na peça jornalística, tinha partido uma expedição internacional (ingleses, noruegueses e dinamarqueses) para o Antártico, a bordo do iate Norsel que levava a bordo dois aparelhos da RAF.

Notar que esta hipótese, colocada por cientistas, surgia num contexto socioeconómico pós-guerra, em que a Revolução Industrial havia começado várias décadas antes, e quando se registava um significativo incremento das atividades produtivas com a concomitante produção de gases com efeito de estufa. No entanto, estava-se então no início de um período, que durou até cerca de 1975, durante o qual, sabe-se hoje pelos registos homologados, não houve aumentos nas temperaturas médias no planeta.   

A notícia atrás referida era contemporânea de uma visita do presidente do conselho aos trabalhos da barragem de Castelo de Bode, e, também, de uma outra sobre o reconhecimento do governo britânico da China Popular, embora, dizia Grã-Bretanha, “não implicava a aprovação do comunismo na China (Times)”. 

A 15 de janeiro noticiava-se que um intenso “temporal” no Atlântico e no Pacífico continuava a causar graves perturbações no EUA, tendo-se afundado doze barcos de pesca.

Em Portugal o tempo apresentava-se gélido (Lisboa) e nevava abundantemente em Portalegre (22, 23 e 24 de janeiro)

No Lago Winnebago (Oshkosh), Estado de Wisconsin, localizado a norte de Milwaukee (USA) uma placa de gelo soltou-se, a 26 de janeiro, tendo isolado cerca de 6000 automóveis quando os seus condutores estavam a pescar, o que causou grande aflição durante várias horas enquanto a grande placa andou à deriva. 

Entre 2 e 13 de fevereiro, anunciaram-se: um “violento temporal” em Inhambane, o vento ciclónico que paralisou o movimento de navios no Tejo, graves destruições na costa de Espinho, uma tempestade de neve em Israel, a morte de 18 pessoas devido a intensos nevões em França e um ciclone na Zambézia, tempestades no mar com chuvas torrenciais que impedem a navegação, bem como intensa queda de neve que isolou vários aglomerados em toda a Inglaterra. O naufrágio do navio finlandês “Karhula” provocou 10 mortos a oeste de Helder.

Estes eventos meteorológicos aconteciam quando se anunciava que a “bomba de hidrogénio” iria ser fabricada por decisão de Truman, e que um espião alemão, em fuga de uma mina de urânio soviética perto da Checoslováquia, dizia que  “a água será transformada em combustível para automóveis”. Este cientista alemão, Wilh Mellentin de seu nome, referia-se a uma transformação da água em “oxi-hidrogénio líquido”.

No dia 16 anunciava-se a assinatura de um Tratado de aliança entre a URSS e a China, anunciava-se que continuavam a verificar-se grandes nevões em vários pontos do país, e alguns dias depois (a 26) dava-se nota de que vento a 117 km/h foi registado no Porto (Serra do Pilar) e que grande trovoada teria imposto o encerramento de várias barras.

Século (1950, maio, junho e julho)

Antes da referência aos episódios mais marcantes relacionados com o tempo, deixar registo de que, a 2 de maio, se noticiava que “é possível que as tarifas elétricas no Porto aumentem para que se possa fornecer aos consumidores corrente em boas condições” e que tinha começado “no Tribunal Plenário da Boa-Hora, sob a presidência do desembargador Dr. Abreu Mesquita, o julgamento de Álvaro Barreirinhas Cunhal, de 36 anos, licenciado em direito, acusado de atividades subversivas”. 

A 5 de maio os pescadores de Sesimbra pediram a “proteção ao Senhor Jesus das Chagas para que a abundância regresse”, até porque também se noticiava que “a sardinha que fugiu da costa continental está a afluir aos Açores”, isto num tempo em que a maior parte da população portuguesa vivia da agricultura e da pesca

Também por essa altura se referia que “está quase submersa a cidade de Morris no sul de Winipeg devido a inundações/cheias do Rio Vermelho”, o que determinou que 300 000 habitantes tivessem sido afetados e que  8 500 tinham ficado sem abrigo.

Vários mortos e desaparecidos, para além de avultados prejuízos materiais devido a uma tempestade que assolou o Estado de New York, ocorrência grave registada a 9 de maio, quando “granizo do tamanho de ovos de perdiz caiu em Mértola e Moura causando avultados prejuízos” e ventos fortes causaram naufrágio embarcação pesca no Porto.

Para evitar uma nova guerra franco-alemã o governo de Paris ministro Schuman propôs, noticiava-se a 10 de maio, “a fusão da produção da hulha e aço da Alemanha e da França como um primeiro passo para a Federação Europeia”. Isto quando, discretamente, partiu uma “missão de estudo dos EUA para o Vietnam”.

A 12 de maio registrava-se que “chuvas torrenciais na Turquia, provocaram dois mortos e cinco feridos no distrito de Chakmak”, bem como “dezoito mortos causados por inundações no Estado de Nebrasca”.

Uma chuva intensa e trovoadas perturbaram as cerimónias do 13 de maio em Fátima e a 6ª esquadra dos EUA chegou a Lisboa, enquanto no porto de Leixões se descarregavam 6200 de trigo chegados no âmbito do Plano Marshall.

Concluía-se, ainda, que as “culturas tiveram em Abril condições desfavoráveis em relação ao mês anterior devido às condições meteorológicas”, e sobre as causas do desaparecimento da sardinha das costas portuguesas, anunciava-se, a 18 de maio, que “serão estudadas por uma missão que vai aos EUA ocupar-se de questões de biologia marítima”.

A 21, “um violento furacão que durou alguns minutos assolou Vilar Formoso, tendo o granizo destruído culturas em Almeida e Junça, e um violento temporal desabou sobre a região do Porto.

As trutas do rio Coura estão a desaparecer, notava-se a 24, acrescentando que “em Padronelo (Paredes) a pesca à rede e a introdução de outras espécies” estava a dizimar as saborosas salmonidæ. Também o ano estava a revelar-se “terrível para a agricultura”: em Belmonte chove há 15 dias tendo caído granizo com grande dimensão que feriu pessoas. Em Almeida houve milhares de contos de prejuízo.

Uma grande tempestade ocorreu na Turíngia (Berlim), provocando oito mortos e duas crianças desaparecidas, bem como 88 casas destruídas, tendo perecido 95% das cabeças de gado (dia 25). Além de que violentas tempestades assolaram várias regiões de França causando mortos e grandes prejuízos em Besançon, Lille, etc.,

Em junho, dia 7, dava-se relevo a três incêndios que  “devastam florestas da Terra Nova, um dos quais ameaça a cidade de Lewisport” e, a 12, chamava-se a atenção dos leitores para as inundações em Lisboa, assim como as violentas tempestades assolavam Calcutá e Bengala Ocidental.

Alguns dias depois, a 18 de junho, destacava-se a notícia de que “três continentes estão a ser assolados por violentas tempestades; milhões de francos de prejuízo e várias vítimas em França; foram arrasados os arredores de uma cidade no norte da Itália; a trágica ameaça de inundações que ocorreram em 1948 está a repetir-se na Colúmbia britânica” e a 20 de junho, dava-se á estampa a impressionante notícia de que se tinham verificado  130 mortes de habitantes na região de Darjeeling, Bengala ocidental, em função de desprendimentos de terras devidos às chuvas torrenciais.

Não obstante publicação, a 26 de junho, de que “Tropas da Coreia do Norte invadiram a Coreia do sul”, facto que, tendo sido o início visível da Guerra da Coreia, alimentou os noticiários dos dois matutinos analisados com vasto caudal noticioso até ao início de 1951, continuou a aparecerem muitas referências a episódios meteorológico mais ou menos intensos.  

3. Síntese Conclusiva           

O Homem teve sempre uma íntima ligação aos diversos fenómenos meteorológicos, não apenas porque a sua segurança, atividade e conforto são função direta deles, mas, também, porque o troante fogo celeste ou os grandes caudais de água e vento remetem os humanos, temerosos do que desconhecem, para patamares pontuados por diversos teísmos.

Não é de admirar que as sociedades humanas tenham vindo a prestar crescente atenção aos noticiários relacionados com a meteorologia, nomeadamente no referencial das previsões, até porque algumas atividades económicas carecem desse prévio e vital conhecimento. 

Contudo, o presente artigo tem outro objetivo: analisar, embora sinteticamente, a qualidade e a quantidade informativa difundida nos meios de comunicação social de massas, que, na atualidade, está quase sempre focada no estabelecimento de correlações com as alterações climáticas antropogénicas.

Admite-se, como muito provável, que perante notícias relacionadas com mais um ciclone (furacão, tempestade tropical, ou congéneres) ou com uma inundação violenta, os espectadores dos canais televisivos estabeleçam imediata e subconscientemente uma ligação às mudanças de clima de raiz antropogénica, até porque isso é quase sempre sublinhado. É, também, verosímil considerar que as pessoas em geral concluam que “há cada vez mais e piores eventos meteorológicos”, esquecendo, até porque deles não têm memória, os que ocorriam há setenta anos.

Contudo, poder-se-á constatar, pelo registo feito, que, em 1950, o número e a intensidade de fenómenos meteorológicos em Portugal e no mundo, foram muito significativos: várias dezenas de acontecimentos problemáticos e extremos. Não se poderá, é certo, dizer se foram em maior ou menor número do que os que ocorreram em 2018, p.ex., nem se pode fazer uma comparação direta e segura das respetivas intensidades. Mas, quanto a muitos deles, apesar de não terem merecido mais do que algumas linhas no interior dos jornais, percebe-se terem significado graves impactes para as populações e territórios. 

Não haverá dúvida de que determinadas cheias ou ciclones ocorridos em 1950 afetariam, no presente, um muito maior número de pessoas e infraestruturas, quanto mais não fosse devido ao aumento das densidades populacionais em determinadas zonas costeiras (e não só). E, também, salienta-se, porque os aumentos exponenciais das áreas impermeabilizadas devido à explosiva urbanização facilitam muito os caudais que acorrem às zonas baixas. O problema está no solo e não no ar.

Sublinhar que o ano de 1950 se situou em pleno num período de cerca de trinta e cinco anos (1940 a 1975) durante o qual se registou uma descida da temperatura media global, depois de ter havido um crescimento desde o início do século XX. Os modelos climáticos não têm resposta credível para este facto, até porque não seria crível que tivesse havido uma descida nas emissões de CO2 antropogénico nesse período. 

Um fator decisivo para a perceção da realidade por parte dos atuais consumidores de notícias, quando comparada com a situação de há umas décadas atrás, está no facto de que, agora, qualquer episódio atmosférico mais intenso é imediatamente designado como extremo e, por isso, demonstrativo da existência de alterações climáticas,  merecendo um palavroso e prolongado (horas e, por vezes, dias) tratamento mediático, com espetaculares imagens em direto, colhidas com reduzidos custos de produção, e acompanhamento de comentadores encartados como cientistas. 

Parece poder-se concluir que, sem por em causa a existência de alterações no sistema climático, seria necessária uma maior prudência na disseminação de “verdades científicas” tidas como paradigmas indiscutíveis, apresentadas, bastas vezes, de uma forma simplista, pouco racional e, até, fundamentalista.

E, sobretudo, as políticas públicas, aquelas financiadas por recursos reunidos a partir dos contribuintes e dos cidadãos que pagam taxas e tarifas  por serviços de interesse comum, deveriam merecer grande ponderação, evitando voluntarismos que podem vir a revelar-se graves no futuro.    


[1] Matemática do Planeta Terra, Entre ordem e desordem: da célula ao sol, Maria Paula Serra de Oliveira, pág. 74, 2ª edição, outubro 2014, IST Press.

[2] Tipos de Clima mais característicos: equatoriais húmidos, tropicais, áridos ou desérticos, temperados, frios, polares e de montanha.

[3] História de los câmbios climáticos, José Luis Comellas, pág. 15, 2011, RIAL, Madrid

[4] Idem, pág. 17.

[5] Dictionaire des sciences de la Terre -Continents, océans, atmosphére, François Durand-Dastès, pág.104, Encyclopædia Universalis, 1998, Paris.

[6] Matemática do Planeta Terra, Compreender o clima, uma aventura pelos paradigmas da modelação, Carlos Pires, pág. 99, 2ª edição, outubro 2014, IST Press.

Ver o original em 'Praça do Bocage ' (clique aqui)

Já só faltava o populismo para animar a malta

Populismo é o termo que as elites usam para as políticas de que não gostam, mas que a gente comum apoia.
Francis Fukuyama

 

 Para lá de Lenine, já só faltava outro espectro a assustar as elites liberais que dominam jornais como o Público: o do populismo, desta vez ambiental. Sim, precisamos mesmo de um populismo, de clivagens bem fundamentadas entre povos e elites do poder em todas as áreas fundamentais da vida. Nos anos setenta, Ernesto Laclau de resto dizia que o socialismo é o populismo na sua melhor e mais consequente forma política. E não sou eu que vou discordar, logo agora que precisamos também de um eco-socialismo enraizado nas massas populares

 

Entretanto, a técnica convencional de uma certa ciência política é sempre a mesma desde os primórdios da Guerra Fria: ai que os extremos se atraem, totalitarismo, populismo, blá, blá, blá. Esta técnica só sobreviveu e prosperou por razões de poder e não de validade.

 

A economia política dominante produz tão maus resultados para tantos que as elites só podem de novo recear a juventude do mundo. Agora, os que contestam o capitalismo fossilizado, retirando as implicações políticas radicais que se impõem da melhor ciência, equivalem-se aos negacionistas do clima, vejam lá o despautério. Estão de cabeça perdida.

 

Com excepções, as páginas de opinião dos jornais já só servem para medir o declínio do chamado extremo-centro. O consenso construído desde o final dos anos oitenta, de Washington a Bruxelas, está a dar de si também na economia política internacional. Afinal, a história pode não ter terminado. Pode, note-se.

 

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Highway 1

Há cerca de 15 anos fiz a estrada que liga Los Angeles a São Francisco, na Califórnia. A famosa Highway 1.

 

 

Passei, parei, jantei e dormi em Carmel, esperando que a qualquer momento a porta se abrisse para deixar entrar Clint Eastwood, na altura mayor lá da vila.

Passei por Monterey, San Luiz Obispo, Santa Bárbara. Comigo um dos meus melhores amigos, um americano, psiquiatra, gay, border line que durante dois anos lutou para ser admitido na Faculdade de Medicina de Los Angeles.

A paisagem é de cortar o fôlego. Vi as sequoias gigantes. A imponência das árvores deve ter inspirado o autor de O Senhor dos Anéis.

Encontrei agora, nas minhas pesquisas e estudos, um artigo preparado por três jornalistas de investigação. O primeiro, Pedro Armando Aparício é de origem salvadorenha e tem nacionalidade americana. O segundo é David Zlutnick, americano, diretor e produtor de filmes, residente em San Francisco e já bem conhecido por sequências que filmou  sobre catástrofes como o post Katrina em New Orleans, no West Bank palestiniano ou no Malawi. Ou seja é um activista. O terceiro e não menos importante é Leighton Woodhouse, doutorado em sociologia por Berkeley, realizador e produtor de documentários dedicados a questões ambientais.

Todos estes autores, ativistas  e defensores lúcidos e empenhados da defesa do ambiente para impedir uma catástrofe, chamam a atenção para o seguinte:

 
A desflorestação da Amazónia é reconhecida em todo o mundo como uma catástrofe que influencia as mudanças climáticas globais. Muito menos reconhecida é a ameaça de  desflorestação de florestas tropicais temperadas, como a enorme floresta costeira que se estende do norte da Califórnia ao Alasca. Calcula-se que essas  florestas tropicais temperadas captam de 2 a 7 vezes mais carbono por ha do que as florestas tropicais como a Amazónia. Manter esses ecossistemas saudáveis e intactos é uma parte imperativa para evitar o aquecimento global catastrófico.”
 
 
 

Na Califórnia, muitos ativistas lutam há décadas para preservar as florestas. Não começaram agora só porque Greta Thurneberg se zangou com os dirigentes políticos mundiais nas Nações Unidas. Usam de todos os meios possíveis e imagináveis para impedir as empresas madeireiras de derrubar sequóias e abetos, usando o próprio corpo como marco de defesa da floresta. Há plataformas de 30 metros de altura construídas no topo das árvores e os ativistas vivem nelas semanas, meses ou mesmo anos a fio. Bloqueiam estradas, acorrentam-se a escavadoras. Pergunto-me se terão todos síndrome de Asperger, se serão autistas, ou se não têm uma vida familiar digna, como por exemplo cozinhar para os filhos e enviá-los bem vestidos para a escola. Enfrentam madeireiras como a Sierra Pacific Industries, a Green Diamond Resource Company e a Humboldt Redwood Company, e essa luta vem dos anos 80 e 90.

Julia Lorraine Hill, atualmente com 45 anos, é uma ativista ambiental americana que também começou cedo e não fez um percurso escolar clássico e pacífico. Tornou-se famosa por ter vivido numa sequoia de 55 metros de altura, árvore com cerca de 1.500 anos de idade, durante 738 dias entre 10 de dezembro de 1997 e 18 de dezembro de 1999, para impedir que esta fosse abatida. Tinha então 23 anos e não sei se alguém tentou chamar-lhe louca, autista, malcriada, ou personalidade desviante e outros epítetos com que é mimoseada Greta hoje em dia.

Aqueles que continuam a querer fechar os olhos às alterações climáticas, ao risco dos gases com efeito de estufa, aos mares de plástico que invadiram os oceanos e que parecem mais interessados no seu bifinho no prato do que no futuro da geração de hoje, aqueles que não investem uma horinha de estudo nas questões do ambiente, mas gostariam que Greta fosse à escolinha todos os dias, a esses podemos pedir que pensem no seguinte:

Será melhor acompanhar a par e passo o que disseram os “politicos” ou os aspirantes “a” naquele debate triste presidido pela Maria Flor Pedroso, será melhor continuar a acompanhar a caterva de crimes de CMTV, ou seria melhor repensar que educação ambiental deveriam ter os nossos jovens para em vez de serem alforrecas a brincarem nas praxes se tornarem em Joanas d’Arc da floresta?

 

Ilustração de Beatriz Lamas Oliveira


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ativistas-highway-1/

Levantada interdição a banhos nas praias da Duquesa e Azarujinha

    30 setembro 2019

Os banhos estiveram interditos nas praias da Duquesa, em Cascais, e da Azarujinha, em São João do Estoril, desde sexta-feira, alegadamente por os níveis de precipitação terem provocado “escorrências não controláveis das ribeiras urbanas, ao longo da costa de Cascais”, mas a interdição foi levantada esta segunda-feira depois de conhecidos os resultados da contra análise às águas, apurou Cascais24. 

 

A descoberta foi feita no decurso das análises semanais que são efetuadas, por rotina, a todas as praias do concelho, sendo que as efetuadas na última terça-feira, dia 24 de setembro e cujos resultados só foram conhecidos esta sexta-feira, revelaram valores microbiológicos acima dos parâmetros de referência, nas praias da Duquesa e Azarujinha. 

 

Por precaução, o delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo Mário Durval decidiu acautelar a saúde pública e interditar as praias a banhos. 

 

Nos locais foram, entretanto, afixados avisos, içadas as respetivas bandeiras vermelhas e a segurança dos banhistas assegurada pelos respetivos nadadores salvadores. 

 

Na última sexta-feira foram realizadas novas análises, cujos resultados só foram conhecidos esta segunda-feira e apontam para os padrões normais. 

 

A situação foi monitorizada de perto pela Câmara Municipal de Cascais, em parceria com a Capitania do Porto de Cascais, a Delegação Local de Saúde e as empresas Águas de Cascais e Águas do Tejo Atlântico. 

 

Recorda-se que, em Cascais, a época balnear iniciada a 1 de maio só termina no próximo dia 15 de outubro. É a mais longa do País.

 
 
 

LISBOA CONTRA CLIMA A MUDAR - miúdos e miúdas a "protestar"... para inglês ler

 
O establishment e os media simpatizam com o movimento "Fridays for Future". Será ele realmente um "protesto"?
 
RT
 
Quando centenas de milhares de pessoas – muitos delas escolares – vão às ruas em mais uma manifestação sobre alterações climáticas, pode-se perguntar: até que ponto este protesto não faz parte do status quo? A greve escolar da activista climática sueca Greta Thunberg, em Agosto último, foi pouco mais do que um espectáculo para editores de jornais e equipes de TV. Mas a "greve escolar" destes cruzados adolescentes ganhou força e o movimento "Sextas-feiras pelo futuro" ("Fridays for Future") cresceu. Agora, após o discurso emotivo de Thunberg na Cimeira de Acção Climática da ONU, segunda-feira, centenas de milhares de grevistas climáticos por todo o mundo estão a congestionar as ruas na sexta-feira, pedindo aos governos que declarem um estado de emergência, cortem emissões de carbono, penalizem a ingestão de carne e matem o automóvel, escolhendo algumas da suas propostas. Mas estes radicais – como teriam sido chamados não muito tempo atrás – não estão a deparar-se com os cassetetes, o gás lacrimogéneos e as balas de borracha que o Estado utiliza habitualmente para reprimir dissidentes. Os meios de comunicação não estão a difamar aqueles que participam das suas fileiras classificando-os como racistas e minimizando o número de participantes. Tão pouco, estas multidões que ocupam as ruas de cidades arriscam-se a sofrer ferimentos e mutilações.
 
A própria ideia de "protesto" implica alguma resistência, alguma injustiça do Estado a ser superada. Protestatários do clima argumentariam que não está a ser feito o suficiente para remediar o calor sobre a terra – e este é um debate que vai além do âmbito deste artigo – mas governos, media e representantes do poder têm ajudado Thunberg e o movimento de protesto a cada passo do caminho. Os protestos dos "Coletes amarelos" em França começaram em oposição a um aumento do imposto sobre combustíveis e depararam-se com toda a violência acima descrita, semana após semana. Thunberg, em contraste, foi convidada a discursar no parlamento francês em Julho último. O mesmo aconteceu com os seus comparecimentos no Fórum Económico Mundial em Davos, no princípio deste ano, com os seus discursos perante o parlamento britânico e o Congresso dos EUA, bem como com o seu mais recente comparecimento perante a ONU. Em todas estas ocasiões, líderes políticos mundiais desenrolaram o tapete vermelho e mantiveram a porta aberta para que ela lhes desse lição. A cobertura de Thunberg e dos protestos climáticos nos media tem sido esmagadoramente favorável – com The Guardian a comparar o seu discurso de segunda-feira ao pronunciamento de Abraham Lincoln em Gettysburg pelo seu significado histórico e com a New York Magazine a chamá-la de "a Joana d'Arc da alteração climática". Os Coletes Amarelos, para continuar a comparação, são descritos como uma ralé de anti-semitas e de "notórios negadores do Holocausto", com base nas acções de uma minúscula minoria de protestatários. Os grevistas escolares e os cruzados do clima desfrutam de apoio universal. "Estamos no princípio de uma extinção em massa e tudo o que vocês falam é acerca de dinheiro e contos de fadas de eterno crescimento económico", repreendeu Thunberg aos líderes na segunda-feira. Contudo, mesmo as corporações mundiais saltaram a bordo do vagão da banda eco, sempre ansiosas por dar um sinal de virtude ao seu objectivo de mais alguns dólares, ainda que as suas próprias credenciais verdes sejam no mínimo suspeitas. Se os protestos estão a ser apresentados como uma narrativa de Davi e Golias com crianças a falarem a verdade ao poder e imporem responsabilidade à elite, por que então a elite as apoia tão calorosamente? Um optimista diria que estes líderes vêem finalmente a necessidade da acção climática urgente. Afinal de contas, o clamor público sobre o buraco na camada de ozono na década de 1980 levou à adopção de uma proibição memorável de produtos químicos em 1987. E, três décadas mais tarde, no ano passado, a NASA revelou provas de que a camada de ozono está a recuperar-se. Um cínico argumentaria que os escalões superiores podem se beneficiar de alguma maneira. E isso também é verdade. Vários conglomerados das principais instituições financeiras do mundo, apoiados por grupos de reflexão neoliberais como o Atlantic Council, já manifestaram interesse em por as mãos sobre fundos públicos a fim de financiar empreendimentos verdes da indústria, particularmente nos países em desenvolvimento. Aquilo a que alguns chamam de crise, eles chamam de " oportunidade climática ". Abordar a mudança climática também apresenta a políticos com mania de controle oportunidades infindáveis para pressionar por leis que de outra forma seriam intragáveis. Mais de 100 parlamentares norte-americanos no Congresso apoiam o "Novo acordo verde" ("Green New Deal"). Dentre eles estão alguns candidatos à presidência e Alexandria Ocasio-Cortez, a megalomaníaca congressista de Nova York que no mês passado recebeu Thunberg naquela cidade após a sua travessia do Atlântico neutra em carbono. Além de medidas para afastar os EUA dos combustíveis fósseis e substituir as viagens de avião e carro por alternativas mais ecológicas, a legislação do Green New Deal de Ocasio-Cortez vem empacotada junto com uma lista de desejos progressista de assistência médica universal, aumento do salário mínimo, redistribuição de riqueza e controle do governo da indústria – tradicionalmente um anátema para os eleitores americanos. Todos estes apelos exigem impostos mais altos e expansão de poder do governo federal. Seja por interesse próprio ou por benevolência, o movimento de protesto climático desfruta do apoio da elite e retirar a sexta-feira das escolas a fim de manifestar é garantia de um protesto seguro. Faltar à escola normalmente daria aos faltosos uma repreensão ou uma conversa severa, mas cada vez mais professores estão a unir-se às greves e a incentivar seus alunos a participarem. Quando eu era adolescente, não nos davam dia de folga para protestar contra a invasão do Iraque. Ao invés disso, escapávamos, vestíamos nossos jeans e casacos com capuz e apanhávamos um autocarro para edifícios do governo. O protesto era sentido como transgressivo e anti-establishment. Proteste num dia de folga. Negue a seus pais e à geração deles a única possibilidade significativa numa semana bem ocupada de passar algum tempo consigo. Afinal, como disse Thunberg, os adultos "roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias". Um protesto deixa de ser um protesto quando é a favor do establishment. Uma vez que ele alcance este ponto de inversão, as pessoas começam a sondar intenções mais profundas e duvidosas dos protestatários e o apoio corporativo é um dobre de finados para a sua autenticidade. A maior parte das pessoas que se queixam acerca dos protestatários climáticos não detestam Greta Thunberg por aquilo que ela é. Elas apenas não gostam de serem amedrontadas para pensarem de um certo modo pelas forças combinadas de activistas, de corporações, dos media e do Estado, não importa quão correcto ou errado seja esse caminho.
 
27/Setembro/2019
 
Ver também:
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/lisboa-contra-clima-mudar-miudos-e.html

Alterações climáticas, emprego e condições de trabalho

WP 20190924 15 12 38 ProDecorreu em Lisboa, nos 24 e 25 de setembro, um Workshop europeu organizado em parceria pela CGTP-IN e a Confederação Europeia dos Sindicatos para refletir sobre os impactos das alterações climáticas nas regiões e sectores e os seus efeitos no emprego e nos trabalhadores.

Vários intervenientes sindicalistas, cientistas entre outros, de oito países, partilharam os seus conhecimentos e preocupações a partir dos dados científicos recentemente apresentados pelos mais variados painéis internacionais por ocasião da Cimeira da ONU, sobre o mesmo tema. Dados que reforçam a urgência de actuar mais rapidamente para reduzir a emissão de gases Co2 sob pena de chegar a uma « situação de não retorno » em termo de catástrofes.

O sistema económico capitalista actual provocou esta situação com a exploração dos recursos naturais sem sustentabilidade, dando prioridade ao lucro. Os recursos fosseis, a agricultura e a produção intensiva, alimentado pelo modo de vida consumista contribuem fortemente para esta situação.

As alterações climáticas atingem de forma inequívoca todos os países europeus mas com intensidade diferente e com efeitos diferentes consoante situações distintas mas transversais para alguns países: A região Artica; a região Atlântica; a região Boreal ; a região Continental, a região Mediterrânica; as regiões Costeiras e as regiões de Montanhas. Portugal sofre os efeitos de seca, de inundações na orla costeira, tempestades, precipitações curtas mas intensas, as ondas de calor e as mudanças de temperaturas extremas, etc.

Foram analisados os impactos destas alterações climáticas nalguns sectores como a agricultura, o turismo, a indústria e os serviços (água, emergência, bombeiros, saúde...). Tomamos conhecimento das políticas e medidas de mitigação e de adaptação tomadas pelos governos e em particular por Portugal, para combater estas situações

Estes planos e estratégias nacionais são pouco conhecidos e os cidadãos e os trabalhadores em particular não foram adequadamente informados, nem tidos em conta na elaboração das mesmas, mesmo sendo os primeiros visados por elas. Parece que só agora é que se vão preocupar com as « consequências sócio-económicas » e esperamos que incluam as consequências no emprego e nos locais de trabalho.

Com efeito, além da mudança no comportamento individual no modo de vida das pessoas, além de se defender uma transição económica justa, que garante os empregos dignos, faz falta uma análise mais profunda das consequências das alterações climáticas sobre os trabalhadores conforme o seu local de trabalho. Foram reportados pelos sindicalistas presentes os efeitos sobre as condições de trabalho e na saúde dos trabalhadores. O trabalho com temperaturas mais altas ou mais baixas sem equipamento de protecção ou de mitigação adequados, quer seja no campo ou nas fábricas ou dentro dos veículos de trabalho; horários de trabalho inapropriados e a carga horária excessiva; os efeitos na saúde (sistema digestivo, saúde mental, alergias, doenças infecciosas,...), as doenças profissionais a aumentar,...

Para culminar contribui para o agravamento destas situações o facto de a maioria destes trabalhadores auferirem salários muito baixos, horas extraordinárias mal pagos ou não remunerados, abuso do trabalho ilegal com imigrantes e a falta de inspecção sobre as condições de segurança e saúde no trabalho particularmente agravadas pelas alterações climáticas.

Face a estas situações, os sectores presentes defenderam diversas propostas de medidas e de políticas adequadas conforme a sua situação sectorial em particular. O elemento comum a todos os participantes deste Workshop europeu foi que não podemos dissociar os aspectos sociais e laborais da luta para enfrentar os desafios ambientais e a economia de baixo carbono e devemos defender um outro modelo económico que não seja predador para ambiente e os recursos naturais e que respeita a natureza e o ser humano. Os sindicatos têm aqui um papel importante através da luta sindical, da negociação colectiva e da sua intervenção nos seus âmbitos de influência, puxando estes assuntos para o debate e apontar soluções.

Departamento para o Desenvolvimento Sustentável da CGTP-IN, 27 set. 2019

Ver original aqui

Em defesa do meio ambiente

As instituições políticas internacionais estão assim a substituir o conhecimento científico nas ciências naturais por uma opaca modelização estatística, à imagem do que, com efeitos desastrosos, se fez na teoria económica, transformando-a em dogmas de escrutínio virtualmente impossível.

 

Nunca tive o prazer de conhecer pessoal ou profissionalmente o Professor Galopim de Carvalho, mas graças às redes sociais pude ler nos últimos dias alguns dos seus escritos que são da mais oportuna, mais didática e melhor fundamentada opinião sobre os desafios ambientais com que estamos confrontados.

  1. Leituras do Professor Galopim de Carvalho

Professor Galopim de Carvalho

São opiniões que não se encontram facilmente no espaço informativo ou de debate até porque não servem para municiar a nova guerra de religião em que se tornou o debate climático.

O eminente cientista saúda o poderoso movimento da juventude que se manifesta em defesa do ambiente, especialmente em ‘Não há planeta B (II)’, situa de forma assaz precisa o catastrofismo no plano científico, histórico e religioso e dá-nos uma espectacular lição em matéria de aquecimento global e ‘Não há planeta B’ (I) onde junta um acervo impressionante de conhecimento na matéria à sua opinião sobre a dinâmica climática do planeta.

O que prende mais a atenção no que ele nos diz é a espantosa dimensão das alterações climáticas a que assistimos nos últimos 18.000 anos (ou seja, 0,0004% da existência do planeta), que vão desde a subida do nível do mar de 140 metros, com períodos em que o nível subiu a um alucinante ritmo de 2 cm por ano, até a enormes variações de temperatura média, que vieram de um clima polar que chegava à latitude de Aveiro e passaram por temperaturas médias 3.° superiores às de hoje.

O que me parece essencial da sua mensagem é de que é preciso lutar pela preservação do meio ambiente, não deixando que este seja submergido por debates de mudanças climáticas ou especificamente sobre o aquecimento global.

É uma conclusão que partilho com ele, não necessariamente pelas mesmas razões – até porque naturalmente, não tenho competência científica na matéria para o poder fazer – mas a que penso poder chegar-se sem necessidade de entrar sequer no âmbito da dinâmica climática.

  1. Reequacionar os desafios ambientais

Desde a Cimeira do Rio de 1992 que, no quadro do direito internacional e do seu acompanhamento institucional, os impactos antrópicos no clima se autonomizaram de outras temáticas ambientais como a desertificação, as florestas ou os oceanos. Esse quadro institucional levou a que o debate do clima viesse a ocupar o espaço que era até aí ocupado pelo debate ambiental.

A inversão de prioridades interessou em primeiro plano à indústria que constitui a mais consistente ameaça de catástrofe ambiental, a indústria nuclear, que contra toda a evidência passou a ser considerada ‘verde’ e a toda uma série de actividades que atentam contra o ambiente.

Sem querer ser exaustivo, temos por exemplo a extração submarina de areias ou a mineração de água dos lençóis freáticos que levou já a impressionantes invasões do mar que foram escondidas pelos futuros efeitos da subida das águas ocasionada pelo aquecimento; a sobrepesca e a poluição que destroem os ecossistemas marinhos que são esquecidos em favor do mesmo aquecimento, ou a desertificação e destruição dos solos por via da intensificação insustentável da agricultura, ela também escondida por uma onda mediática sobre o aquecimento global.

O debate climático tem ainda a suprema vantagem para quem nada quer fazer em prol do ambiente de ser um debate sobre um fenómeno difuso de causas múltiplas em que dificilmente se identificam práticas e as suas consequências directas, pelo que dificilmente se avança.

Na Suécia, país que como sabemos está na crista da onda climática, a exportação de activismo climático serve para desvalorizar os problemas ambientais consubstanciados pela eutrofização do Báltico, pelos riscos de catástrofe da sua imensa indústria nuclear ou pela queima de resíduos que são apresentados como ‘reciclagem’.

Saber se são ou não são os factores antrópicos que irão ditar o essencial das mudanças climáticas que temos pela frente é um assunto que exige profundos conhecimentos científicos que não estão ao meu nível nem do da esmagadora maioria da população ou mesmo dos líderes de opinião. Mais importante que isso, não é algo determinante para avaliar a necessidade do combate ambiental, até porque as práticas necessárias para preservar o ambiente levam na sua maioria à diminuição da emissão atmosférica de gases com efeito de estufa.

  1. Recuperar em favor do ambiente o movimento juvenil de protesto

Não me causa qualquer impressão a arrogância e falta de respeito da jovem sueca que lidera o movimento climático mundial, mais que não fosse, porque com a idade dela, eu fiz pior, mas impressiona-me que o mundo institucional se disponha a colocá-la nos principais palcos mundiais para ela assim papaguear os seus chavões pseudo-científicos como o fez na Cimeira de Nova Iorque.

 
Por mais de 30 anos a ciência tem sido clara como cristal’ (…) ‘para termos 67% de possibilidades de ficarmos abaixo dos 1.5° de temperatura […] temos de emitir menos de 350 gigatoneladas de CO2 […] o que ao nível actual de emissões nos deixa menos de oito anos e meio’
 
 
 
 

As instituições políticas internacionais estão assim a substituir o conhecimento científico nas ciências naturais por uma opaca modelização estatística, à imagem do que, com efeitos desastrosos, se fez na teoria económica, transformando-a em dogmas de escrutínio virtualmente impossível.

É possível e necessário inverter este estado de coisas, e para isso, como muito bem diz o Professor Galopim de Carvalho, há que contar com a generosidade e vontade do movimento juvenil sabendo retirá-lo das lógicas e dos interesses estabelecidos para o transformar numa dinâmica em favor do ambiente.

 


 
“Sol ardente”, de Vincent van Gogh

 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/em-defesa-do-meio-ambiente/

Terroristas climáticos asseveram: Terreiro do Paço será inundado pelo mar

 
 
A intoxicação da opinião pública com a arma do terrorismo climático atinge o paroxismo 
 
Em 28/Setembro, o semanário da burguesia portuguesa, o Expresso, põe em título na pg. 18:  "ONU confirma o pior cenário para Portugal" (sic).   A referida pseudo-notícia diz que "A imagem do Terreiro do Paço submerso no final do século não é nova, mas foi esta semana confirmada pelo mais recente relatório do IPCC dedicado aos oceanos e à criosfera (partes congeladas da Terra)" (sic).   E mais adiante assevera que 146 mil portugueses serão afectados pela alta do nível dos mares até 2050, número que sobe para 225 mil em 2100. 
Tais enormidades são ditas, em tom sério, por um sr. Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.  Ele diz que descobriu esses números através dos seus "modelos semi-empíricos" (sic).
Pelo visto as universidades portuguesas embarcam nesta campanha de estupidificação dos povos.  Depois de um reitor proibir servir carne da vaca nas cantinas da sua universidade a fim de combater o aquecimento global, temos agora um emulo em Lisboa a prometer inundações.
 
 
Está em curso uma gigantesca campanha mundial de desinformação dos povos.impostura global tem livre curso e as classes dominantes deram permissão aos media para propalarem todos os disparates possíveis e imagináveis.  Para esta farsa não recorrem a sábios como Marcel Leroux ou a qualquer cientista sério.  Basta-lhes uma adolescente sueca para promoverem um carnaval mediático mundial.
No momento em que o modo de produção capitalista atinge a sua mais grave crise de sempre, em que guerras criminosas como as do Iémen e Síria continuam a matar milhares de pessoas, em que se avizinham tempestades monetárias e financeiras, em que a situação dos trabalhadores se agrava, as classes dominantes precisavam inventar um problema fictício para distrair os povos dos seus problemas verdadeiros.   A invenção do aquecimento global equivale à invenção do diabo em tempos medievais.   Ambas servem para submeter os oprimidos.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/terroristas-climaticos-asseveram.html

China reforça combate a violações ambientais

A lei de proteção ambiental revisada da China intensificou efetivamente o combate a violações ambientais, segundo o Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente.

Desde que entrou em vigor em 2015, a lei de proteção ambiental revisada ficou conhecida como "a mais rigorosa" na história, destacou o ministro Li Ganjie em uma coletiva neste domingo.

Os dados oficiais mostram que as autoridades trataram de 186 mil casos de poluição ambiental em 2018, número bem mais alto que os 83 mil casos em 2014.

As multas totais chegaram a 15,28 bilhões de yuans (US$ 2,15 bilhões) no ano passado, ante os 3,17 bilhões de yuans em 2014, segundo a pasta.

Nos últimos 70 anos, a China formou um sistema de leis e regulamentos sobre o meio ambiente, cobrindo ar, água, solo, segurança nuclear e outros principais elementos ambientais.

O ministério garantiu que continuará fortalecendo a legislação nas áreas chave, incluindo a revisão da Lei sobre Prevenção e Controle da Poluição Ambiental por Resíduos Sólidos e a formulação da lei de proteção do Rio Yangtzé.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/30/c_138436402.htm

O situacionismo e os media simpatizam com o movimento de Greta “Sextas-feiras pelo Futuro”… Poderá então considerar-se exactamente um “protesto”?

Quando se vêm os grandes media, instituições globais, o capital monopolista, Estados cujo currículo é mais do que sombrio a patrocinar um movimento global de protesto, alguma coisa cheira a esturro. Os mesmos que, por exemplo, reprimem brutalmente os “Coletes Amarelos” e outros movimentos de massas promovem com toda a simpatia acções de rua cuja figura mais visível é Greta Thunberg. Justifica-se por isso tentar entender melhor o que se passa.

Enquanto centenas de milhares de pessoas - muitas delas crianças em idade escolar - saem às ruas em nova manifestação sobre alterações climáticas, devemos interrogar-nos: em que momento se torna status quo o protesto?

Em Agosto passado a suspensão isolada da actividade da sua escola da activista climática sueca Greta Thunberg pouco mais foi do que uma exibição para editores de jornais e equipas de TV. Mas a “greve escolar” da adolescente cruzada cresceu em bola de neve e o movimento “Sextas-feiras pelo Futuro” ampliou-se.
Agora, depois de um discurso emocionado de Thunberg na Cimeira de Acção Climática da ONU na segunda-feira, centenas de milhares de grevistas no mundo inteiro estão na sexta-feira a encher as ruas, exigindo aos seus governos que declarem um estado de emergência, reduzam as emissões de carbono, penalizem o consumo de carne e liquidem o automóvel, para escolher apenas algumas das suas propostas.

Mas estes radicais - como há pouco tempo seriam chamados - não estão a ser recebidos pelos bastões, gás lacrimogénio e balas de borracha que o Estado geralmente utiliza para reprimir a dissidência (coisa que nenhuma manifestação pacífica devia sofrer). Os meios de comunicação não estão a difamar os participantes tratando-os de racistas e a menosprezar os números de participação, e as multidões que ocupam as ruas da cidade não correm o risco de sofrer ferimentos e mutilações.

A própria ideia de “protesto” implica alguma resistência, alguma injustiça do Estado a ser superada. Os manifestantes do clima argumentariam que não está a ser feito o suficiente para sarar a nossa Terra em aquecimento - e isso é um debate além do escopo deste artigo - mas os governos, os media e os corretores do poder do mundo têm ajudado o movimento de protesto de Thunberg e companhia a cada passo do seu caminho .
Os protestos dos “Coletes Amarelos” em França começaram pela oposição a um aumento nos impostos sobre combustíveis fósseis e foram semanalmente recebidos com toda a violência acima descrita. Thunberg foi, pelo contrário, convidada a discursar no parlamento francês em Julho. O mesmo com as suas aparições no Fórum Económico Mundial em Davos no início deste ano, os seus discursos no parlamento britânico e no Congresso dos EUA e a sua mais recente aparição na ONU. Em todas as ocasiões, os líderes políticos do mundo estenderam o tapete vermelho e mantiveram a porta aberta para ela lhes dar uma palestra.

A cobertura dos media sobre Thunberg e os protestos climáticos tem sido esmagadoramente favorável - com o The Guardian comparando o seu discurso na segunda-feira ao discurso de Abraham Lincoln em Gettysburg pelo seu significado histórico, e a New York Magazine a chamar-lhe “a Joana d’Arc da alteração climática”. Para prosseguir com a comparação, os Coletes Amarelos foram descritos como uma horda de anti-semitas e “notórios negacionistas do Holocausto”, com base nas acções de uma minúscula minoria de manifestantes.
Os grevistas da escola e os cruzados do clima desfrutam de apoio geral. “Estamos no início de uma extinção em massa, e tudo de que se pode falar é sobre dinheiro e contos de fadas acerca de um crescimento económico eterno”, ralhou Thunberg aos líderes na segunda-feira. No entanto, mesmo as grandes empresas do mundo saltaram para dentro do comboio ecológico, sempre interessadas em dar um toque virtuoso no seu percurso para mais alguns dólares, mesmo que suas credenciais verdes sejam no mínimo suspeitas.

Se os protestos estão a ser apresentados como uma história de David e Golias de crianças falando a verdade ao poder e ajustando contas com a elite, por que é que a elite as apoia de todo o coração? Um optimista diria que esses líderes finalmente vêm a necessidade de urgente acção climática. Afinal, o clamor público sobre o buraco na camada de ozono na década de 1980 levou à adopção de uma histórica proibição de produtos químicos em 1987 e, três décadas depois, a NASA revelou no ano passado provas de que a camada de ozono está a recuperar.

Um cínico argumentaria que os escalões superiores se preparam para beneficiar de alguma maneira. E isso também é verdade. Vários conglomerados das principais instituições financeiras do mundo, apoiados por grupos de reflexão neoliberais como o Atlantic Council, já manifestaram interesse em meter as mãos em fundos públicos para financiar empreendimentos industriais verdes, especialmente nos países em desenvolvimento. Aquilo a que alguns chamam crise, eles chamam “oportunidade climática”.

Abordar a alteração climática também oferece aos políticos obcecados pelo controlo com uma ilimitada oportunidade de avançar com legislação de outra forma difícil de digerir. Mais de 100 parlamentares norte-americanos no Congresso apoiam o ‘Green New Deal’. Entre eles está uma mão cheia de candidatos à presidência e Alexandria Ocasio-Cortez, a badalada congressista de Nova York que deu no mês passado as boas vindas na cidade a Thunberg após a sua travessia “neutra em carbono” do Atlântico.

Para além de medidas para afastar os EUA dos combustíveis fósseis e substituir as deslocações em avião e automóvel por alternativas mais verdes, a legislação “Green New Deal” de Ocasio-Cortez vem associada a uma progressiva lista de desejos sobre assistência médica universal, aumento de salário mínimo, redistribuição de riqueza e controlo da indústria pelo governo - tradicionalmente um anátema para os eleitores americanos. Tudo isto exige impostos mais altos e uma expansão do poder do governo federal.

Seja por interesse próprio ou por benevolência, o movimento de protesto climático conta com o apoio da elite, e sair à Sexta-feira da escola para se manifestar é tão seguro quanto o protesto pode ser. Fazer gazeta à escola normalmente daria aos farsantes um puxão de orelhas ou uma conversa severa, mas mais e mais professores estão a unir-se às greves e a encorajar os seus alunos a participar.

Quando eu era adolescente, não nos davam um dia de folga para protestar contra a invasão do Iraque. Em vez disso, fugimos, mudámos de roupa para os nossos jeans e fatos-macaco folgados, e apanhámos um autocarro até às instalações do governo. O protesto sentia-se como transgressivo e anti-establishment.

Proteste num dia de folga. Recuse aos seus pais e à sua geração a única significativa oportunidade numa semana de trabalho de passar algum tempo consigo. Afinal, como disse Thunberg, os adultos “roubaram os meus sonhos e a minha infância com as vossas palavras vazias”.

Um protesto deixa de ser um protesto quando é pró-establishment. Uma vez que chegue a esse ponto crítico, as pessoas começam a sondar mais profundamente e a duvidar das intenções dos manifestantes, e o apoio das grandes empresas é mortífero para a autenticidade.

A maioria das pessoas que se queixa dos manifestantes climáticos não odeia Greta Thunberg por aquilo que ela é. Simplesmente não gostam de ser levados pelas forças combinadas de activistas, empresas, media e Estado a pensar de uma determinada maneira, não importa quão certa ou errada essa maneira for.

Fonte: https://www.rt.com/news/469789-greta-climate-protests-allowed/

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

A degradação do ambiente resulta da «exploração abusiva dos recursos»

Através de uma moção, aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Viseu, a CDU exige uma «verdadeira política» de defesa do meio ambiente, salientando a importância do papel do poder local.

Créditos / Pixabay

«Preservar o ambiente e a natureza, prevenir as alterações climáticas», assim se intitula o texto aprovado na passada sexta-feira, no qual as causas da degradação do ambiente surgem bem identificadas. 

A destruição da floresta, a poluição hídrica e atmosférica, tal como a agricultura intensiva são, lê-se no documento, «consequência do modo de produção dominante, que conduz à exploração abusiva dos recursos para além das necessidades dos seres humanos, à sobreprodução e ao desperdício».

A CDU entende que os «alarmismos» em torno das alterações climáticas «só servem os interesses dos negócios em nome do ambiente», além de poderem servir como justificação para a criação de novas taxas e impostos «ditos verdes».

Situações, acrescenta, que ora «penalizam comportamentos individuais das camadas mais pobres», ora servem para «acentuar a implementação de mecanismos financeiros e especulativos, como o mercado do carbono», contribuindo para converter a poluição num «negócio de muitos milhões». 

Mais do que «enunciados proclamatórios, dramatizações e a disseminação de medos baseados em cenários catastrofistas», a coligação PCP-PEV insiste que a protecção da natureza e o equilíbrio ambiental e ecológico exigem medidas de reforço dos meios do Estado para desenvolver «uma verdadeira política de defesa do meio ambiente».

A mensagem traduz a necessidade de colocar a riqueza natural do País «ao serviço do povo e do desenvolvimento nacional», implementar alternativas energéticas de domínio público, reforçar o investimento nos transportes públicos e investir na investigação e desenvolvimento com vista à diminuição da dependência de combustíveis fósseis. 

Por outro lado, a CDU salienta o papel que o poder local tem vindo a desempenhar na implementação de políticas públicas defensoras do ambiente, tais como o abastecimento de água às populações e a defesa da água como um bem público, a generalização do saneamento básico com redes de recolha e tratamento de efluentes, o desenvolvimento duma política de ordenamento do território e a participação na redução tarifária dos transportes públicos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/degradacao-do-ambiente-resulta-da-exploracao-abusiva-dos-recursos

«ENERGIAS RENOVÁVEIS» E MILHÕES DE AVES MORTAS

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Este vídeo intitula-se Máquinas «verdes» de morte: a destruição causada por energias «renováveis», à Vida Animal e Natureza. Neste pequeno vídeo, além das imagens impressionantes de aves e morcegos mortos pelas eólicas, as florestas naturais arrasadas e substituídas por plantações para produção de biocombustível, vemos como certas ONGs ambientais foram cooptadas pelo lóbi da «energia verde»: estas participam na campanha de imagem das chamadas energias renováveis, uma ocultação intencional dos problemas graves que se levantam, em termos ecológicos e de conservação.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Acerca da impostura global

  • Versin en castellano
    por Jorge Figueiredo

    Rumo ao arrefecimento global?. Alguns leitores têm indagado porque resistir.info tem dado tanta ênfase à denúncia desse mítico aquecimento global, o qual seria um problema aparentemente esotérico e afastado dos objectivos deste sítio web. Alguns deles chegaram mesmo a dizer que tal denúncia afastar-se-ia da posição "de esquerda", pois publicações e personalidades progressistas (como a Monthly Review e Fidel Castro) têm endossado as preocupações aquecimentistas. Por essa razão, convém dar alguns esclarecimentos, estabelecer alguns factos e fazer algumas precisões.

    Comecemos pelos factos que consideramos estabelecidos:

    1) O dióxido de carbono não é um gás tóxico e nem tão pouco poluente. As suas emissões são o resultado inevitável e necessário de toda e qualquer combustão de compostos de carbono (como refinados de petróleo, carvões, gás natural, etc). Trata-se além disso de um gás indispensável à vida na Terra pois ao respirar todos os seres vivos inspiram uma mistura de oxigénio e CO2, expirando este último.

    2) Não está provado que as emissões de CO2 de origem antropogénica (isto é, produzidas pelo homem, o que exclui todas as demais emissões naturais desse gás) tenham qualquer efeito significativo para um aquecimento global. Muitos cientistas consideram absolutamente desprezível a contribuição humana para as emissões globais de CO2 que se verificam no planeta.

    3) Os dados empíricos demonstram que desde 1998 não está a haver o tão famoso aquecimento global previsto pelos modelos informáticos utilizados pelo Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC) da ONU. Por isso, de forma oportunista, eles mudaram a expressão "aquecimento global" – que já não correspondia à verdade factual – para a expressão mais ambígua de "alterações climáticas" (que sempre existiram ao longo de toda a história do planeta Terra).

    4) Os modelos informáticos são por si mesmo falíveis. A teoria da modelação diz-nos que os modelos para serem úteis devem ser relativamente simples, com um número de variáveis limitado. Tentar aplicar a modelação ao clima é um esforço ínvio pois nesse caso o número de variáveis (e de suposições que têm de ser feitas) é gigantesco. Em climatologia pouco de útil pode ser obtido a partir da modelação informática, por mais poderosos que sejam os computadores (embora não se passe o mesmo com a meteorologia).

    5) O caso torna-se ainda pior se um método mau como a modelação informática tiver como base uma teoria caduca. É precisamente isto o que se passa com os modelos climatológicos utilizados pelo IPCC, concebidos no princípio do século XX (antes portanto da existência de satélites meteorológicos). A moderna teoria climatológica foi estabelecida pelo grande cientista francês Marcel Leroux (1938-2008), da Université Jean Moulin, em Lyon. O parecer do professor Marcel Leroux acerca desse suposto aquecimento global está resumido no seu artigo "Uma impostura científica" .

    6) O IPCC não é uma organização de cientistas e sim de burocratas, geralmente bem pagos, nomeados pelos governos. É mentira que o IPCC disponha de três mil cientistas especializados em climatologia, como tem sido tantas vezes apregoado. E é igualmente mentira a afirmação de que haveria "consenso científico" quanto ao dogma aquecimentista.

    7) Se estivesse a haver algum aquecimento global no planeta Terra isso não seria mau para a humanidade. Numerosas regiões do mundo poderiam passar a ter agriculturas produtivas. A Gronelândia, por exemplo – a "Terra Verde" como a chamaram os vikings – dispunha de agricultura na época do Período Quente Medieval. Pode-se mesmo afirmar que o berço da civilização ocidental foi numa terra extremamente quente: a Mesopotâmia (actual Iraque), entre o Tigre e o Eufrates. Civilizações como a egípcia e a azteca floresceram em climas quentes.

     


    Mas por que deveríamos preocupar-nos com tais questões, que são na maioria do foro estritamente científico? Porque com base nos erros teóricos e práticos do IPCC foi propagandeada uma gigantesca histeria global que inoculou políticos de todo o mundo e deu azo a toda espécie de oportunismos, manifestações de ignorância & trafulhices. Para isso muito contribuíram aldrabões como o sr. Al Gore (vice-presidente dos EUA no governo Clinton), que promoveu activamente o terrorismo climático através do livro e do filme Uma verdade inconveniente. Instilar o medo a fim de vender a solução tem sido uma táctica dos espertalhaços de todos os tempos. Este caso não foge à regra, pois Gore e outros inventaram o novo business da venda dos direitos de emissão de carbono – e os banqueiros da Wall Street obviamente rejubilaram. Alguns indivíduos especializaram-se nessas loucas previsões catastrofistas. É o caso por exemplo do sr. James Hansen, o pai disto tudo, que até fala em subidas do nível dos mares da ordem das dezenas (!) de metros.

    Por outro lado, a absurda intensidade publicitária dada ao falso problema do aquecimento global e das diabolizadas emissões de CO2 tem provocado problemas em série, todos mais ou menos encadeados uns nos outros. O primeiro deles é desviar as atenções das questões realmente importantes. E sobretudo da mais importante da nossa era, aquela que condicionará todo o nosso devir e afectará duramente nosso modo de vida futuro: o atingir do Pico Petrolífero. Tal facto é sistematicamente silenciado pelos media ditos "de referência" e ignorado por políticos cujo horizonte temporal não passa de quatro anos (basta ver os actuais governantes portugueses que, em conluio com banqueiros, querem construir um novo aeroporto no país no exacto momento em que se anuncia a estagnação/declínio do transporte aéreo).

    O segundo problema é o gigantesco desvio de recursos financeiros e humanos provocado em todo o mundo pela aldrabice do aquecimento global. Só com o dinheiro gasto em conferências internacionais como as de Bali e agora a de Copenhagem, quantas coisas não poderiam ser feitas! Isto é verdadeiro também em relação a Portugal, onde os governos do sr. Sócrates têm despejado rios de dinheiro em organizações tais como SIAM I, SIAM II, PNAC, CAC, FPC, gabinetes de consultoria e outras tantas criadas ad hoc para o aproveitamento deste maná orçamental. Já foi instituída uma verdadeira indústria do aquecimento global.

    Em terceiro lugar verifica-se a deformação das políticas energéticas, pois foram postas a reboque do mito climático. Basta ver, por exemplo, o facto de a UE impor limitações de emissões de CO2 nos automóveis hoje fabricados na Europa. Ou seja, ao invés de estabelecer níveis mínimos de rendimento para os motores ou de impor restrições quanto às emissões que são realmente poluentes (como o SO2, os óxidos de azoto, as partículas sólidas, etc) a limitação é imposta a um gás não poluente. Isto é, mais uma vez, um exemplo de confusão sistemática entre ambiente e clima, em que o primeiro é prejudicado sem qualquer benefício para o segundo.

    Em quarto lugar toda esta imensa histeria global – que vai culminar amanhã, 7 de Dezembro, na Conferência de Copenhagem – constitui uma derrota para a Ciência. O cepticismo público que isto pode provocar é um crime sem par na história do pensamento científico. Não nos referimos apenas ao recente escândalo com os investigadores britânicos e americanos que aldrabavam estatísticas e censuravam os seus colegas nas peer review , o Climategate . É muito mais do que isso: é a possível desmoralização da própria ciência em geral, enquanto tal, abrindo caminho para o irracionalismo. Uma amostra caricata disso é que se chegou a fazer em Portugal um estudo para o combate às "alterações climáticas" ao nível municipal (!).

    Em quinto lugar está a deformação das políticas energéticas de muitos países. Isso é visível em Portugal, onde os governos têm estimulado e subsidiado soluções irracionais do ponto de vista económico e energético com base na falácia do aquecimento global e das malfadadas emissões de CO2. Basta lembrar, por exemplo, a desgraçada política de subsídio aos biocombustíveis líquidos e agora aos veículos eléctricos (quando Portugal é importador líquido de quilowatts-hora); o não apoio às boas soluções possíveis nos transportes (como os veículos a gás natural, que podem utilizar biometano, gás natural comprimido ou gás natural liquefeito); a promoção ruinosa de energias ditas renováveis às custas dos subsídios da perequação tarifária; etc; etc. A ignorância (deliberada?) do Pico Petrolífero e a falácia do Protocolo de Quioto levam a tais aberrações. Estamos numa época em que deveria haver planeamento energético a fim de promover uma "fuga" ao petróleo, tão grande e tão rápida quanto possível. Governos clarividentes como o da Suécia já descobriram isso, o português ainda não. Mas os erros de hoje terão de ser pagos amanh㠖 e o preço pode ser caro.

    Finalmente, há a observação curiosa de a posição do resistir.info não ser "de esquerda". No entanto, as questões científicas não são "de esquerda" nem "de direita" pois o que deve prevalecer é a busca da verdade. A ciência faz-se também por ensaio e erro. Uma teoria científica que foi válida numa certa época (como a climatologia elaborada no princípio do século XX) pode/deve ser sujeita à crítica e superada por outra melhor (como o fez Marcel Leroux). Não há uma climatologia "de esquerda" ou "de direita", assim como não há física ou matemática que mereçam esses epítetos. Mas a insistência em aplicar uma teoria caducada quando já está disponível uma nova, melhor e com mais poder explicativo é certamente uma posição reaccionária. Entende-se que insistam na velha teoria aqueles cujas convicções científicas se amoldam ao seu próprio interesse (empregos, business do carbono, financiamentos, etc). Mas é menos compreensível que personalidades e publicações progressistas, talvez por desconhecimento, ainda se apoiem na mesma. É possível que o recente escândalo do Climategate lhes abra os olhos.

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/climatologia/impostura_global.html

Mensagem para Greta Mortágua e os jovens ridículos que se preocupam com o ambiente

(Por Jovem Conservador de Direita, in Público, 28/09/2019)

As eleições legislativas são demasiado importantes para perdermos tempo a discutir temas irrelevantes como alterações climáticas. Mas, esta sexta-feira, um grupo de jovens ignorantes decidiu interromper discussões verdadeiramente fulcrais para o futuro do país, como o caso de Tancos ou a subida do PSD nas sondagens, e fazer uma marcha pelo clima, com a liderança espiritual de uma adolescente sueca. Bons tempos em que os jovens eram inspirados por outros jovens a ingerir cápsulas de Tide ou a fazer o desafio do manequim. Agora são inspirados a mudar o mundo, como se o mundo estivesse mal e precisasse de mudança.

 

Esta Dra. Greta Mortágua tem 16 anos e, em vez de andar a fazer coisas típicas de 16 anos, como estudar e brincar com o telemóvel, anda a querer fazer política. Um jovem que queira fazer política não faz discursos, nem vai à ONU. Vai para uma juventude partidária, cola cartazes, bate palmas e, se souber obedecer aos adultos, pode eventualmente ir para assessor. Não pode é ter opiniões.

Se a Dra. Greta quer liderar um movimento global, nós, como adversários, temos o dever de a criticar como adulta. Merece todos os memes insultuosos que são feitos com a sua imagem na Internet. É uma menor? Sim. Mas é uma menor que decidiu ser insolente e ter opinião. É uma pena que os pais dela não a tenham protegido para que nós não nos víssemos forçados a ter de a insultar na Internet ou a fazer trocadilhos com o seu nome.

Quanto às crianças que decidiram marchar pelo clima, tenham vergonha. Se nós não as tivéssemos colocado no mundo, elas nem sequer teriam clima para defender. Queixam-se das alterações climáticas, mas, se não fosse o capitalismo, não poderiam usufruir do luxo que é manifestarem-se pela sua sobrevivência.

Andámos nós a destruir o planeta e a libertar dióxido de carbono para agora termos estes jovens a quererem implementar socialismo para salvar o planeta. Foi por estes mal-agradecidos que nós criámos um planeta pior. Em vez de nos agradecerem por termos utilizado recursos e adiado eventuais soluções para as alterações climáticas pelo bem-estar deles, temos de aturar protestos.

Há crianças em países do terceiro mundo a produzir os telemóveis que eles utilizam para divulgar imagens dos cartazes ridículos deles, que, já agora, são feitos em cartão. Sabem de onde vem o cartão? Das árvores, seus hipócritas. Sabem o que salva árvores? O capitalismo e os tablets que crianças da vossa idade andam a produzir em fábricas e que não podem protestar pelo ambiente. E, já agora, queixam-se da libertação de dióxido de carbono, mas sabem o que é que liberta dióxido de carbono? Vocês! Se conseguirem deixar de expirar dióxido de carbono, podem protestar. Até lá deixem de ser hipócritas. Se vocês têm direito a libertar dióxido de carbono, a Exxon Mobil também tem. Julgam que são mais que uma corporação? Uma corporação pelo menos cria empregos. O que é que vocês fazem? Comem cereais enquanto vêm vídeos no YouTube?

Não lêem o Dr. Zé Diogo Quintela? Vocês podem perfeitamente ter uma opinião diferente da comunidade científica. Ninguém vos obriga a estarem preocupados com o ambiente. Vão gozar a vida e abrir franchises de padarias. Até porque, se a comunidade científica estiver certa, vocês podem nem sobreviver até à idade adulta. Sabem que, enquanto protestam, há jovens da vossa idade na Índia a aprender programação e matemática avançada? Eles vivem no mesmo planeta e não estão preocupados. Estão felizes, ao contrário de vocês.

Greves pelo clima? É assim que querem arranjar empregos no futuro? Sabem qual é a melhor competência que o mercado procura? Capacidade de adaptação. Eles querem jovens que aceitem a realidade como ela é e que se adaptem a ela. Não querem jovens que querem mudar as coisas. Um bom colaborador não faz greves para mudar as coisas. Olha para a situação e procura ser o mais produtivo possível em função dessa situação.

É por isso que vocês vão ser praxados quando chegarem à universidade. Os vossos colegas da praxe vão arrancar a rebeldia de dentro de vocês aos gritos e tornar-vos preparados para, com sorte, serem colaboradores das empresas de sucesso contra as quais protestaram ontem. Deixem os adultos resolver os assuntos e não nos chateiem. Cumprem a vossa função, que é estudar e aceitar sem questionar a opinião dos adultos. Podemos estar a destruir o planeta, mas sabemos o que estamos a fazer.

Caso a comunidade científica que estuda e analisa o clima esteja certa, o que é pouco provável, serão os jovens que vão sofrer mais com as alterações climáticas, visto que vão ter de viver mais tempo num planeta inabitável. Em vez de estarem a chorar com pena do planeta e a defender regulações que limitam o capitalismo e o mercado livre, podiam ser empreendedores e descobrir novos planetas. Se a sobrevivência do capitalismo depender do fim do planeta, temos de aceitar. É preferível acabar a vida na Terra do que ter de aceitar medidas socialistas para o planeta continuar a existir. Pessoalmente, prefiro não existir do que viver no socialismo que exige à indústria petrolífera que deixe de extrair petróleo. Os dinossauros morreram para que nós os pudéssemos utilizar para fazer andar os nossos carros. Sempre que enchemos o depósito estamos a homenagear um pequeno velociraptor em decomposição. Ao deixar de queimar combustíveis fósseis só para controlar emissões de dióxido de carbono, estamos a dizer aos dinossauros que a extinção deles foi em vão. É uma falta de respeito para com os mortos. Se tivermos de nos extinguir para os honrar, qual é o problema?

Dizem que não há um planeta B. Como é que sabem? Em vez de andarem a querer gastar dinheiro num Green New Deal ou a taxar grandes fortunas, deixem o capitalismo funcionar. Se houver solução para as alterações climáticas, ela está no mercado livre. E pode muito bem haver um planeta B. A maior esperança da humanidade é o Dr. Jeff Bezos realizar o seu sonho de construir uma nave espacial e enviar-se para o espaço com um bidão do seu sémen e milhares de óvulos para inseminar, garantindo, assim, que a Humanidade não acaba. O planeta B pode ser muito melhor do que o planeta A porque vai ter o Dr. Jeff Bezos como o novo Dr. Adão. A Amazónia antiga pode desaparecer e, com ela, a vida na Terra. Seria poético se fosse a nova Amazónia, a Amazon, a garantir a sobrevivência da Humanidade através do sémen do seu CEO e fundador.


 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A garota, o fascista e a luta pelo futuro

 
 
Na sociedade dele, fraqueza é morte. Virtude é ganância, frieza e vaidade. Ninguém sente nada. Afastam com medicação a dor de viver sem dinheiro, dignidade, tempo ou sentido. Temem a menina que se tornou adulta antes do tempo
 
Umair Haque | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho
 
Houve na ONU um momento histórico, capturado por fotografias, que me tocou e provavelmente tocou você, por ser memorável e especial.
 
O fascista pavão que encabeça o império capitalista mundial em desagregação – arrogante no brilho das câmeras. E atrás dele a colegial humilde e desafiadora, tentando salvar o mundo. Que momento! Mas o que há de tão impressionante nisso? Por que toca tanto as pessoas sensatas e conscientes?
 
Como todos os momentos históricos, um paradoxo – ou vários deles – revelou-se claramente. Um conflito épico entre o passado e o futuro. O presente e a possibilidade. Entre o velho mundo, que morre – e o novo lutando para nascer. O primeiro paradoxo é entre poder e falta de poder – mas não de modo simplista. De um lado, a estudante mais adulta que o normal. Repreendendo os governantes do mundo reunidos. Sem se deter em nenhum momento. Vocês fracassaram conosco, diz ela. Vocês roubaram minha infância e agora estão roubando meu futuro. Por dinheiro. Vocês não ligam? Para nós? Para o planeta? Os governantes aplaudem, desconfortáveis. Foram pegos, chamados, flagrados, questionados, desafiados – por uma garota. Como chegaram aqui os sem-poder, por um momento que seja? Como uma estudantezinha … está desafiando a força congregada dos poderosos do planeta Terra?
 
 
O mundo parece estar virando de cabeça pra baixo diante de nossos olhos. A criança que se tornou adulta antes do tempo está repreendendo os adultos mais poderosos do mundo por estar agindo… como crianças mimadas! È algo bizarro, surreal, inebriante. Vemos revelado, em termos absolutos, o quão terrivelmente os governantes falharam. Uma estudantezinha está chamando-os ao dever – literalmente. Pode haver acusação maior do que essa? Quando uma menina expõe quão viciadas são suas prioridades, moralidade, ética, atitudes … quem é a criança de fato ? A pequena estudante está desafiando o poder formal, institucional com o poder moral, o social e cultural. Ela vencerá?
 
Isso me traz ao segundo paradoxo – entre o que você pode denominar ego e alma. Greta, como todas as grandes figuras da história, maneja a vergonha. Pense em Martin Luther King, Gandhi, Mandela, Malala. Todas elas são titãs do poder moral. O que dá a este sua força demolidora? Ao nos converter em testemunhas, apela para o que há de melhor em nós. Nossa alma moral, nossa consciência. Isso nos envergonha, provoca em nós a culpa por pequenas cumplicidades e cegueiras voluntárias. Fustiga com um chicote de tristeza e arrependimento. Devemos ser melhores que isso, ela nos lembra. Então talvez desafiemos as ordens dos homens insensatos e violentos que transformaram a humanidade em servos e escravos por milênios. Talvez então haja revolução.
 
Há um homem impermeável à mensagem de Greta. O líder – não ria – do “mundo livre”. Ele atravessa o palco, presunçoso como uma … criança mimada. Só dá ele, você vê. Ora, é ele quem merece o Prêmio Nobel da Paz. Por construir campos de concentração, prender crianças em gaiolas, separar famílias e deixar crianças pequenas morrer de fome – aquilo que o último promotor vivo de Nuremberg chamou de crimes contra a humanidade.
 
A mensagem de Greta não o atinge – ou aos seus seguidores, que começaram a atacá-la por ser diferente, por ser jovem, por ser desafiadora, por não obedecer. Ele a xinga. O que isso nos diz? O poder moral da mensagem de Greta vem de uma terrível vergonha. Mas esse homem – o fascista que lidera o “mundo livre” – não tem vergonha. Muito naturalmente, tudo que ele sente é ódio e fúria. Por que?
 
Porque ele é um narcisista infantil. Ele literalmente vive no mundo emocional e das experiências de uma criança pequena. Está para sempre buscando poder total, onipotência, provar a si mesmo que tem valor, tendo sido desamado por pais distantes. Ele vai fracassar – porque nesta vida ninguém pode ter poder absoluto. Ele já é motivo de ridículo no mundo. Não importa – ele duplica a dose. Impõe mais violência, faz mais xingamentos. O mundo ri um pouco mais. O ciclo vicioso continua. O que mais um narcisista infantil pode fazer? Ele não tem vergonha – só o desejo desesperado de ser poderoso, mesmo que isso signifique … transformar o mundo inteiro em cinzas, desde que ele possa ficar no topo disso.
 
É possível perceber como a pequena estudante representa um nível radicalmente mais alto de consciência do que a maioria dos governantes do mundo… mas especialmente do líder fascista do “mundo livre”?
 
Isso me leva ao próximo paradoxo. O líder do “mundo livre” é um fascista, com arsenais de máquinas que assassinam por controle remoto. Sua mentalidade atrofiada e reduzida – a razão de sua existência é conquistar mais poder e riqueza por meio da violência – está sendo desafiada por uma menininha de uma social-democracia suave, com vergonha, culpa e humanidade. Como?
 
Por que todos os que atacam Greta, ou ao menos a maioria deles, vêm do país deste homem – o império capitalista que implodiu em fascismo? Não é natural que aqueles que não têm vergonha venham do império capitalista da violência e da voracidade? Naquela sociedade, vulnerabilidade é fraqueza, e fraqueza é morte. Virtude é, portanto, ganância, desumanidade, crueldade, frieza, egoísmo, vaidade. O que é valorizado acima de tudo é a capacidade de impor violência – não apenas física mas social, emocional, cultural. Você pode destruir uma cidade sem sentir nada? Você pode vender a um país inteiro pílulas ou armas que matam? Impressionante! Aqui está um bilhão de dólares! A vergonha não é permitida no império de violência do capitalismo. Como poderia?
 
Os sentimentos simplesmente não são permitidos. Ninguém mais sente nada. Eles aprenderam a expulsar com medicação a dor terrível de ser explorado sem piedade por seus senhores capitalistas, que os deixam sem dinheiro, dignidade, tempo, sentido. E os donos de escravos, por sua vez, estão muito ocupados transformando-os em commodities para vender e comprar, de modo que possam comprar coisas brilhantes para gabar-se e exibir-se. No império em ruínas do capitalismo, ninguém mais está autorizado a sentir, razão por que este império é conhecido mundialmente por sua frivolidade, superficialidade, falta de sentido. As pessoas foram desumanizadas – mas não sabem disso, porque ninguém vai lhes contar. O que pessoas desumanizadas podem fazer para salvar um planeta moribundo? Elas não conseguem sequer se salvar.
 
Mas o país de onde vem a estudante é o oposto. As pessoas não parecem presas numa disputa por uma fatia cada vez menor de poder, como no Império capitalista em colapso. Por que? As pessoas são cuidadas. Não perfeitamente – alguma sociedade será perfeita algum dia? Simplesmente de um modo mais humano. Seguro-saúde, aposentadoria, renda, transporte, educação – essas coisas são direitos humanos básicos. As pessoas são portanto mais livres – porque, em vez de competir pelo poder, elas se fortalecem umas às outras. Para quê? Para viver mais plenamente. Para serem felizes, questionarem, conhecerem, entenderem, desafiarem, resistirem, pensarem, raciocinarem, serem humanos e decentes e saudáveis. E assim, finalmente – isso é crucial – sentirem. Isso é o que lhes foi ensinado.
Quando sua vida não é uma competição sem fim, desumanizadora, brutalizadora, pela sobrevivência – perdeu aquele emprego, lá se vai seu seguro saúde, bang, uma pequena emergência e todo mundo está à beira da ruína – então sua vida também não é um contínuo sentimento de pavor, ansiedade e desespero. Você não tem que medicar esses sentimentos para espantá-los – do modo como as pessoas fazem no império capitalista, seja com comprimidos, dinheiro ou posses. Você está livre para sentar-se e refletir, para sentir profundamente o pesar, a alegria, a dor e a beleza de simplesmente estar aqui. Existir por meio apenas alguns atos de respirar, neste oásis azul girando através da escuridão infinita.
 
Mas o capitalismo matou a habilidade de sentir. De conectar-se de verdade com a própria vida. A pequena estudante sente, e sente profundamente, a ponto de sofrer pela morte do planeta e da vida nele. Não é coincidência que ela venha de um tipo de sociedade diferente. Ela certamente não poderia ter vindo do império capitalista. Quem pode sofrer pelo fim do mundo na terra do sorriso de plástico? E esse sorriso de escárnio não é o que está estampado na cara do fascista?
 
Isso me leva ao próximo paradoxo. Uma pequena estudante – ensinando a todos nós como sofrer pelo fim do mundo. Enquanto o líder fascista do mundo livre apoia e aprende e nos ensina apenas o que é ser o tipo de tolo violento que acaba com os mundos.
 
Vamos colocar desta forma. O que a pequena estudante está de fato nos ensinando? O valor da raiva? Isso é o que pensam as pessoas – os bem-intencionados – no império capitalista. Elas agora só podem ver violência, por isso pensam que a lição é a raiva. Mas não é. A lição é esta. Para enfrentar o fim do mundo, e lutar contra ele, precisamos sentir, realmente sentir, dentro dos nossos ossos. Se não podemos sentir – que razão haverá para agir?
 
Pense no fascista que atravessa o palco, que zomba da pequena estudante. Por que ele não liga para o fim do mundo? Por que seus seguidores não ligam? Bem, porque eles não podem sentir nada, de fato. É por isso que estão tentando vencer, por meio de todo tipo de abuso, toda a violência, todo o dinheiro e poder e sexo que exigem. Eles querem sentir algo, qualquer coisa, menos o vazio. Estão muito ocupados esperando tirar vantagem do fim do mundo, da vida que morre no planeta Terra. O que isso nos diz? Emocionalmente, eles estão numa disputa interminável pela sobrevivência. Qualquer coisa menos que onipotência, estar acima de todos os outros, dominá-los – carece de valor. Do que mais o líder fascista do mundo livre estaria atrás … de ainda mais dinheiro e poder? Pelo que mais seus seguidores insultariam e zombariam da estudante?
 
Não sobraram sentimentos verdadeiros. Somente a sensação de raiva por ter direito, mas ter negados o poder e a fortuna merecidos. O velho sentimento de amargura – esses escravos me pertencem! Esses subumanos deveriam estar em campos de concentração! Não há sentimentos genuínos – apenas o desejo ardente de provocar violência. Os sentimentos morrem todo dia um pouco no império em ruínas do capitalismo.
 
Mas aqueles que não podem sentir nada não podem também enfrentar o fim do mundo – muito menos lutar contra ele. Pense na pequena estudante. Ela é divergente. Ela não tem a cabeça normal. Dizem que pessoas como ela não deveriam ser capazes de sentir muita coisa – este é o mito. Mas é ela a incandescente. Aquela que repreende os governantes do mundo com uma espécie de fúria abrasadora. Ela é quem chora lágrimas. É dela que a tristeza explode como um inverno sem fim.
 
A pequena estudante está nos ensinando como chorar pelo fim do mundo. Dessa maneira, ela também nos ensina a lutar pelo futuro. Mas o fascista que lidera o “mundo livre” só está nos ensinando como zombar e desdenhar da morte. Da democracia, do planeta, da vida que há nele, da história, da decência.
 
A pequena estudante está nos ensinando que a capacidade de desafiar vem não apenas da irritação ou da fúria – ou mesmo da “esperança” e “otimismo” perfeitamente empacotados pelo império capitalista – mas de um sentimento de tristeza profundo e devastador, de um sentimento de desespero existencial de parar o coração. Da náusea de Sartre, do desespero de Camus, do terror de Kierkegaard. Sem essas emoções vivificantes irradiando de nossos centros morais como grandes ondas de transformação – não apenas a interminável fome de mais poder, mais dinheiro, mais posses – não há absolutamente razão para fazer outra coisa senão submeter-se aos homens violentos que sempre governaram o mundo. Mesmo que o mundo, desta vez, esteja acabando.
 
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O establishment e os media simpatizam com o movimento "Fridays for Future". Será ele realmente um "protesto"?

por RT

'. Quando centenas de milhares de pessoas – muitos delas escolares – vão às ruas em mais uma manifestação sobre alterações climáticas, pode-se perguntar: até que ponto este protesto não faz parte do status quo?

A greve escolar da activista climática sueca Greta Thunberg, em Agosto último, foi pouco mais do que um espectáculo para editores de jornais e equipes de TV. Mas a "greve escolar" destes cruzados adolescentes ganhou força e o movimento "Sextas-feiras pelo futuro" ("Fridays for Future") cresceu.

Agora, após o discurso emotivo de Thunberg na Cimeira de Acção Climática da ONU, segunda-feira, centenas de milhares de grevistas climáticos por todo o mundo estão a congestionar as ruas na sexta-feira, pedindo aos governos que declarem um estado de emergência, cortem emissões de carbono, penalizem a ingestão de carne e matem o automóvel, escolhendo algumas da suas propostas.

Mas estes radicais – como teriam sido chamados não muito tempo atrás – não estão a deparar-se com os cassetetes, o gás lacrimogéneos e as balas de borracha que o Estado utiliza habitualmente para reprimir dissidentes. Os meios de comunicação não estão a difamar aqueles que participam das suas fileiras classificando-os como racistas e minimizando o número de participantes. Tão pouco, estas multidões que ocupam as ruas de cidades arriscam-se a sofrer ferimentos e mutilações .

A própria ideia de "protesto" implica alguma resistência, alguma injustiça do Estado a ser superada. Protestatários do clima argumentariam que não está a ser feito o suficiente para remediar o calor sobre a terra – e este é um debate que vai além do âmbito deste artigo – mas governos, media e representantes do poder têm ajudado Thunberg e o movimento de protesto a cada passo do caminho.

Os protestos dos "Coletes amarelos" em França começaram em oposição a um aumento do imposto sobre combustíveis e depararam-se com toda a violência acima descrita, semana após semana. Thunberg, em contraste, foi convidada a discursar no parlamento francês em Julho último. O mesmo aconteceu com os seus comparecimentos no Fórum Económico Mundial em Davos, no princípio deste ano, com os seus discursos perante o parlamento britânico e o Congresso dos EUA, bem como com o seu mais recente comparecimento perante a ONU. Em todas estas ocasiões, líderes políticos mundiais desenrolaram o tapete vermelho e mantiveram a porta aberta para que ela lhes desse lição.

A cobertura de Thunberg e dos protestos climáticos nos media tem sido esmagadoramente favorável – com The Guardian a comparar o seu discurso de segunda-feira ao pronunciamento de Abraham Lincoln em Gettysburg pelo seu significado histórico e com a New York Magazine a chamá-la de "a Joana d'Arc da alteração climática". Os Coletes Amarelos, para continuar a comparação, são descritos como uma ralé de anti-semitas e de "notórios negadores do Holocausto", com base nas acções de uma minúscula minoria de protestatários.

Os grevistas escolares e os cruzados do clima desfrutam de apoio universal. "Estamos no princípio de uma extinção em massa e tudo o que vocês falam é acerca de dinheiro e contos de fadas de eterno crescimento económico", repreendeu Thunberg aos líderes na segunda-feira. Contudo, mesmo as corporações mundiais saltaram a bordo do vagão da banda eco, sempre ansiosas por dar um sinal de virtude ao seu objectivo de mais alguns dólares, ainda que as suas próprias credenciais verdes sejam no mínimo suspeitas.

Se os protestos estão a ser apresentados como uma narrativa de Davi e Golias com crianças a falarem a verdade ao poder e imporem responsabilidade à elite, por que então a elite as apoia tão calorosamente? Um optimista diria que estes líderes vêem finalmente a necessidade da acção climática urgente. Afinal de contas, o clamor público sobre o buraco na camada de ozono na década de 1980 levou à adopção de uma proibição memorável de produtos químicos em 1987. E, três décadas mais tarde, no ano passado, a NASA revelou provas de que a camada de ozono está a recuperar-se.

Um cínico argumentaria que os escalões superiores podem se beneficiar de alguma maneira. E isso também é verdade. Vários conglomerados das principais instituições financeiras do mundo, apoiados por grupos de reflexão neoliberais como o Atlantic Council, já manifestaram interesse em por as mãos sobre fundos públicos a fim de financiar empreendimentos verdes da indústria, particularmente nos países em desenvolvimento. Aquilo a que alguns chamam de crise, eles chamam de " oportunidade climática ".

Abordar a mudança climática também apresenta a políticos com mania de controle oportunidades infindáveis para pressionar por leis que de outra forma seriam intragáveis. Mais de 100 parlamentares norte-americanos no Congresso apoiam o "Novo acordo verde" ("Green New Deal"). Dentre eles estão alguns candidatos à presidência e Alexandria Ocasio-Cortez, a megalomaníaca congressista de Nova York que no mês passado recebeu Thunberg naquela cidade após a sua travessia do Atlântico neutra em carbono.

Além de medidas para afastar os EUA dos combustíveis fósseis e substituir as viagens de avião e carro por alternativas mais ecológicas, a legislação do Green New Deal de Ocasio-Cortez vem empacotada junto com uma lista de desejos progressista de assistência médica universal, aumento do salário mínimo, redistribuição de riqueza e controle do governo da indústria – tradicionalmente um anátema para os eleitores americanos. Todos estes apelos exigem impostos mais altos e expansão de poder do governo federal.

Seja por interesse próprio ou por benevolência, o movimento de protesto climático desfruta do apoio da elite e retirar a sexta-feira das escolas a fim de manifestar é garantia de um protesto seguro. Faltar à escola normalmente daria aos faltosos uma repreensão ou uma conversa severa, mas cada vez mais professores estão a unir-se às greves e a incentivar seus alunos a participarem.

Quando eu era adolescente, não nos davam dia de folga para protestar contra a invasão do Iraque. Ao invés disso, escapávamos, vestíamos nossos jeans e casacos com capuz e apanhávamos um autocarro para edifícios do governo. O protesto era sentido como transgressivo e anti-establishment.

Proteste num dia de folga. Negue a seus pais e à geração deles a única possibilidade significativa numa semana bem ocupada de passar algum tempo consigo. Afinal, como disse Thunberg, os adultos "roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias".

Um protesto deixa de ser um protesto quando é a favor do establishment. Uma vez que ele alcance este ponto de inversão, as pessoas começam a sondar intenções mais profundas e duvidosas dos protestatários e o apoio corporativo é um dobre de finados para a sua autenticidade.

A maior parte das pessoas que se queixam acerca dos protestatários climáticos não detestam Greta Thunberg por aquilo que ela é. Elas apenas não gostam de serem amedrontadas para pensarem de um certo modo pelas forças combinadas de activistas, de corporações, dos media e do Estado, não importa quão correcto ou errado seja esse caminho.

27/Setembro/2019

O original encontra-se em www.rt.com/news/469789-greta-climate-protests-allowed/

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/climatologia/greve_climatica_27set19.html

A greve climática e a disposição de milhares, e milhares, e milhares em fazer aquilo que ainda não foi feito! - I

De entre as milhentas imagens escolhi esta aqui. É a que tem mais palavras de ordem por centímetro quadrado. Adiro a todas, mas sublinho algumas:
"NÓS DECIDIMOS O FUTURO"; BLA BLA BLA ACT NOW"; "ESTÃO A FICAR SEM DESCULPAS E NÓS SEM TEMPO"; "RESPEITAR O AMBIENTE É RESPEITAR A VIDA".
A greve climática mostrou(-me) a disposição de milhares, e milhares, e milhares em fazer aquilo que ainda não foi feito! 
 
Fazer, por exemplo, o que consta num programa partidário, página 53, e onde inscreve "O combate à obsolescência programada, utilizada em grande escala pelas multinacionais, contrariando a redução do período da vida útil de bens e equipamentos".  
Mas fazer exatamente o quê? 
Tão simples quanto isto: 
1) escrever ao Pai de Natal a exigir, nada de telemóveis/smartphones pois o que tenho chega
2) escrever à Worten a exigir, reduzam a gama, caramba. 72 modelos é um crime de lesa planeta.
Mas então...
Então o quê? É ver... é ver...
e os jovens precisam de saber!
 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Pintar o clima

Recorrendo a dados do Berkeley Earth para a maior parte dos países, Ed Hawkins (Centro Nacional de Ciência Atmosférica da Universidade de Reading) construiu gráficos coloridos para melhor ilustrar a variação da temperatura média entre 1850 e 2018, com os anos a azul a registar os valores mais baixos e a vermelho os mais elevados.
Um dos aspetos que mais sobressai deste exercício é a constatação de que o aquecimento à escala global se intensificou apenas num tempo recente (desde finais dos anos oitenta) e, portanto, com um padrão e um ritmo dificilmente conciliáveis com a ideia de estarmos perante um fenómeno gradual a que é alheia a ação humana e que apenas reflete os longos ciclos naturais de aumento e redução da temperatura do planeta. De facto, o acumular de sinais e alertas que apontam, de modo cada vez mais consistente, para o risco de uma catástrofe sem precedentes - levando hoje para as ruas milhares de jovens em todo o mundo - não só esvazia os argumentos dos que negam as alterações climáticas (ou o papel da ação humana nesse processo) como obriga a reconhecer as implicações profundas do seu combate. Isto é, como aqui assinalou o João Rodrigues, a necessidade de «uma nova política económica», que valorize o bem comum, reduza as desigualdades e mobilize «formas de planificação exigentes» (que assegurem o «controlo público das redes, da banca e das grandes alavancas de investimento»), sem dispensar uma certa «desglobalização dos circuitos económicos».

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Limites e restos

No dia de uma grande acção de massas do movimento ecologista, recupero uma sugestiva formulação de George Monbiot:
“Não é inteiramente verdade que por detrás de uma grande fortuna esteja um grande crime (…) mas parece ser universalmente verdadeiro que à frente de uma grande fortuna está um grande crime”.
Isto é assim, dado que “a riqueza imensa se traduz automaticamente em impactos ambientais imensos, independentemente das intenções dos seus possuidores”. A evidência empírica de que “os mais ricos estão a cometer ecocídio” acumula-se tão ou mais rapidamente do que a concentração de riqueza. Monbiot faz um bom trabalho a sistematizá-la. Realmente, não é possível começar a resolver a questão ambiental sem limitar o rendimento e a riqueza que é possível acumular: do consumo conspícuo ao bloqueio de soluções cooperativas. Quando pensamos em limites, pensamos pelo menos para lá do capitalismo neoliberal. A questão social e a questão ambiental estão profundamente articuladas, como também nos indica o Papa Francisco. Os neoliberais sabem que cada vez mais verão as coisas por este prisma e daí o seu ódio de morte aos mensageiros da catástrofe ambiental iminente. A crónica vil de João Miguel Tavares sobre Greta Thumberg é só um exemplo do estado a que chegou o neoliberalismo realmente existente. Um jornal que publica coisas destas pode ser tudo menos referência para o que quer que seja de civilizado. No Público é aliás assim: Manuel Carvalho diz matem e João Miguel Tavares diz esfolem os aprendizes de Lenine. Não resta mais nada aos autointitulados liberais.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Sobre iPhone11, tecnologia e “fim do trabalho”

 
 
Relatório da OIT joga novas luzes sobre a automação. Não é o trabalho que declina, mas extração de mais valia e desigualdade que disparam. Subcontratados da Apple são 25 vezes mais explorados que tecelões ingleses do século XIX
 
Vijay Prashad, do Tricontinental Institute | Outras Palavras | Tradução: Simone Paz
 
Um relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra: há agora 3,5 biliões de trabalhadores no mundo. Nunca o número foi tão vasto. A conversa sobre “o fim dos trabalhadores” é prematura, quando confrontada com o peso desses dados.
 
A OIT reporta que a maior parte desses 3,5 biliões de trabalhadores “enfrentam ausência de bem-estar material, segurança económica, igualdade de oportunidades ou possibilidade de desenvolvimento humano. Estar empregado nem sempre garante uma vida decente. Muitos trabalhadores precisam aceitar trabalhos pouco atraentes, normalmente informais (é o chamado trabalho flexível) e caracterizados por baixa remuneração, além da acesso escasso ou inexistente a proteção social e direitos trabalhistas”. Embora metade da força de trabalho mundial seja composta por empregados assalariados, dois milhões de trabalhadores (61% do total) estão no setor informal.
 
O relatório da OIT mostra que o número de trabalhadores pobres diminuiu, em grande parte graças ao abrangente impacto da China. Há controvérsias nos dados relacionados à pobreza, já que se desconfia da honestidade das estatísticas apresentadas por muitos governos. Ainda assim, os dados comprovam que mesmo com os rendimentos dos pobres aumentando, estes ainda não cresceram o suficiente para tirá-los de fato da pobreza. Jason Hickel e Huzaifa Zoomkawala expõem como houve poucos ganhos para a parte mais pobre da humanidade nas últimas décadas. “No interior do 60% mais pobre da humanidade, o cidadão comum viu sua renda anual crescer somente 1.200 dólares… ao longo de 36 anos”, escreve Hickel. Está longe de ser digno de celebração.
 
 
Mesmo com os dados evidenciando que os trabalhadores dentro da força de trabalho global não conseguem encontrar “trabalho decente”, as taxas de produtividade estão muito mais altas do que antes. Como o relatório da OIT indica, “espera-se que o crescimento da produtividade entre 2019 e 2021 alcance o seu pico mais elevado desde 2010, superando a média histórica de 2,1% para o período de 1992-2018”. A OIT refere-se à média mundial, visto que em muitos países — incluindo os EUA — o aumento da produtividade tem se mantido estagnado: ou seja, é o crescimento da produtividade em países como a China que puxa para cima a média global. Porém, os benefícios do aumento da produtividade não são satisfatoriamente distribuídos entre os trabalhadores, em termos de aumento salarial proporcional às suas contribuições. Os benefícios sobem diretamente para os donos do capital, o que aumenta a concentração de riqueza. O trabalho está produzindo um excedente maciço, que poderia muito bem ser usado para melhorar o bem-estar geral da humanidade. Em vez disso, vai parar nos bolsos dos capitalistas.
 
* * *
No último ano, o Instituto de Pesquisa Social Tricontinental tentou encontrar formas de explicar alguns conceitos-chave equivocados.
 
1. O de que a força de trabalho mundial diminuiu. As falas sobre automação e precariedade levaram à suposição de que haveria um declínio do trabalho, em plano mundial. Não é o caso. Hoje há mais pessoas trabalhando do que nunca, muitas delas em fábricas — apesar dos “desertos fabris” e do processo de desindustrialização no Ocidente
 
2. O de que a pobreza diminuiu. Se houvesse menos gente trabalhando, haveria menos gente ganhando dinheiro — logo, haveria maiores taxas de pobreza. O fato é: há mais pessoas trabalhando, porém, a pobreza continua sendo um problema sério. As pessoas empregadas aumentaram sua produtividade média e produzem muito mais hoje do que antigamente. O que as mantém na pobreza, apesar de sua produtividade aumentada — que vem, em parte, das melhorias tecnológicas — é que não conseguem usufruir uma parcela maior dos ganhos de produtividade e da mais-valia total produzida. Mas o que também mantém a taxa de pobreza constante é a destruição do estado de bem-estar e de uma série de provisões, desde subsídios para habitação até cestas de alimentos, que tem sido tirados de biliões de pessoas.
 
Há, de fato, mais pessoas empregadas, mas elas não são capazes de ganhar a quantia suficiente, do total da mais-valia que produzem, para superar a linha da pobreza.
 
O legado da análise marxista nos fornece um conceito simples: taxa de exploração. Marx, em O Capital (1867), trata da exploração em duas formas. No plano moral, ele brada contra a exploração dos trabalhadores, particularmente das crianças. As terríveis condições de vida e de trabalho desses trabalhadores, enfureceram Marx, assim como qualquer pessoa sensível. Além disso, no marco de sua ciência, Marx estudou a forma como os donos do capital contratam trabalhadores comprando sua força de trabalho. São estes trabalhadores que produzem a mais-valia, cujos ganhos são expropriados pelos donos do capital graças a seus direitos de propriedade. Exploração, portanto, é a extração dessa mais-valia pelos donos do capital aos trabalhadores que a produzem. Marx escreveu que a taxa de exploração pode ser calculada de forma clara, se usarmos seu aparato conceitual.
 
* * *
A Apple acabou de lançar o iPhone 11. Poucas características o diferenciam do iPhone X, embora a versão mais cara do novo telefone celular tenha três câmaras. É importante destacar que a Apple não fabrica esses aparelhos. Eles são manufaturados em larga escala pela companhia taiwanesa Foxconn, que emprega mais de 1,3 milhão de trabalhadores apenas na China. O iPhone é obscenamente caro [R$ 8.999 no Brasil], e a maior parte dos recursos de sua venda vão parar na Apple, não vai para os trabalhadores nem para a Foxconn. Como a Apple possui a propriedade intelectual sobre o telefone, ela delega a produção a companhias como a Foxconn, que fabrica os telefones para o mercado. A Apple devora o grosso dos lucros graças a este processo.
 
Cinco anos atrás, E. Ahmet Tonak realizou um estudo do iPhone 6, analisando-o desde o ponto de vista da análise marxista da taxa de exploração. Como integrante do Instituto de Pesquisa Social Tricontinental, Ahmet atualizou suas análises para acompanhar o iPhone X. Aproveitamos a ocasião para produzir o Caderno nº 2, que explica alguns dos conceitos centrais da teoria marxista e em seguida utiliza a análise da taxa de exploração para olhar mais de perto para o iPhone. A taxa de exploração nos permite demonstrar o quanto o trabalhador agrega valor no processo de produção. Ela demonstra que, mesmo se o trabalhador recebesse mais, só pela mágica da mecanização e da administração eficiente do processo de produção a taxa de exploração aumentaria. Sob o sistema capitalista, é impossível haver liberdade para o trabalhador.
 
A descoberta mais assombrosa da análise é que os trabalhadores de nosso tempo, que fabricam iPhones, são 25 vezes mais explorados do que os trabalhadores de fábricas têxteis dos século 19, na Inglaterra. A taxa de exploração dos trabalhadores do iPhone é de 2.458%. Esse número nos faz lembrar de que apenas uma parte infinitesimal da jornada de trabalho vai compor o valor do salário que o trabalhador recebe; na quase totalidade desta jornada, os operários produzindo para ampliar a riqueza do capitalista. Quanto maior a taxa de exploração, mais cresce a riqueza do dono do capital, graças ao trabalho assalariado.
 
O caderno nº 2 foi criado com enorme cuidado por nossa Tings Chak e Ingrid Neves. Nós o produzimos com a esperança de que seja amplamente utilizado em diferentes formas de educação — seja em escolas de política, com fins académicos ou para o estudo independente. O texto foi escrito numa linguagem clara e precisa, o seu desenho foi formulado para melhorar o aprendizado.
 
* * *
Esta semana, a ONU organizou cinco reuniões de cúpula sobre a catástrofe climática. Antonio Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, diz que duas palavras resumem estes cinco encontros: ambição e ação. Os protestos mundiais para defender o planeta ocorreram na última sexta-feira (20), e há ainda mais atos marcados na sequência. Entretanto, as conversas nos encontros da ONU permanecem estagnadas pela recusa dos EUA e de outros países ocidentais em reconhecer sua grande responsabilidade na catástrofe, ao terem ultrapassado os limites de suas cotas de emissão de carbono. A esperança de que esses países contribuíssem para o Fundo Global para o Clima desmoronou. A quantia mínima necessária é da ordem de triliões de dólares, e não os poucos biliões que foram prometidos. Pouco se fala em mitigar, em transferir tecnologia, em desigualdade de emissões ou tantas outras soluções substanciais que atacariam a raiz da crise atual.
 
Há alguns anos, a Oxfam lançou um importante estudo que mostrava como a metade mais pobre do planeta era responsável por apenas 10% das emissões globais, enquanto os 10% mais rico respondiam por 50% das emissões de carbono. No entanto, como observa a Oxfam, são as pessoas dos países mais pobres as mais vulneráveis às mudanças climáticas, muitas vezes erroneamente culpadas por causá-las. A discussão sobre desenvolvimento não tem ocorrido em paralelo à discussão sobre mudanças climáticas. Qual o sentido de dizer, para as biliões de pessoas que produzem mais-valia, mas vivem em pobreza, que devem reduzir seu consumo? Um estudo recente da ONU diz que pelo menos 820 milhões de pessoas vivem com fome, e pelo menos outras 2 biliões de pessoas sofrem de insegurança alimentar.
 
* * *
Não podemos abordar as mudanças climáticas sem falar em abolir o sistema que vive da fome e da pobreza da maior parte das pessoas do mundo, e sem reconhecer as sementes para um futuro melhor que estão sendo plantadas hoje. A corrente de pensamento crítico latino-americano nos lembra da importância disso. Num relatório feito recentemente, pelos nossos escritórios em Buenos Aires e São Paulo, José Seoane escreve: “não se trata apenas de imaginar esses futuros de forma teórica, baseando-nos em nosso passado; a questão é também refletir e difundir os projetos populares que estão se desenvolvendo atualmente e antecipar o futuro que estamos buscando”. Qual o ponto de salvar o planeta enquanto biliões de trabalhadores morrem de fome?
 
O sofrimento não é uma mercadoria. Não existe mercado primário ou secundário para ele. É terra e pedras no estômago de um ser humano faminto. Um ser humano trabalhador da cadeia de produção de um iPhone.
 
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Vijay Prashad é o diretor do Tricontinental: Institute for Social Research e editor chefe da LeftWord Books. É chefe de redação do Globetrotter, um projeto do Independent Media Institute. Ele escreve regularmente para The Hindu, Frontline, Newsclick e BirGün.
 

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Como a pseudo-ciência das alterações climáticas tornou-se aceite publicamente

por Nir Shaviv [*]

Um camelo puxa um carro atascado na neve em Saratov, Fevereiro/2019, Líderes políticos e corporativos reunidos na semana climática em Nova York instaram a acções significativas para combater o aquecimento global. Mas, considerando os altos custos das soluções sugeridas, será que a cura não seria pior que a doença?

Como liberal que cresceu numa casa solar, sempre fui consciente da energia e propenso a soluções activistas em questões ambientais. Fiquei portanto extremamente surpreso quando minhas investigações como astrofísico me levaram à conclusão de que a alteração climática é mais complicada do que nos levam a acreditar. A doença é muito mais benigna e uma solução paliativa simples está diante de nossos olhos.

Para começar, a história que ouvimos nos media, de que na maior parte do século XX o aquecimento é de origem antropogénica, de que o clima seria muito sensível às mudanças de CO2 e de que o aquecimento futuro será portanto grande e acontecerá muito em breve, simplesmente não é apoiada por nenhuma evidência directa, apenas por uma linha duvidosa de raciocínio circular. "Sabemos" que os seres humanos devem ter causado algum aquecimento, vemos aquecimento, não sabemos de mais nada que o pudesse ter causado, então [conclui-se] é por isso.

No entanto, não há cálculos baseados nos primeiros princípios que levam a um grande aquecimento pelo CO2 – nenhum. Recorde-se, os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) declaram que duplicar o CO2 aumentará as temperaturas em 1,5º a 4,5º C, uma enorme margem de incerteza que remonta ao comité Charney desde 1979.

De facto, não há evidências em qualquer escala de tempo a mostrar que variações do CO2 ou outras alterações no orçamento de energia causem grandes variações de temperatura. Há, no entanto, evidências em contrário. Variações de dez vezes no CO2 nos últimos 500 milhões de anos não têm correlação alguma com a temperatura; e igualmente, a resposta climática a grandes erupções vulcânicas como a do Krakatoa .

Ambos os exemplos levam ao limite superior inelutável de 1,5º C por duplicação de CO2 – muito mais modesto do que prevêem os sensíveis modelos climáticos do IPCC. No entanto, a grande sensibilidade deste último é requerida para [poder] explicar o aquecimento do século XX, ou assim se pensa erroneamente.

Em 2008, utilizando vários conjuntos de dados do período de mais de um século, mostrei que a quantidade de calor que entra nos oceanos, em sincronia com o ciclo solar de 11 anos, é de uma ordem de grandeza maior do que o efeito relativamente pequeno esperado simplesmente a partir de alterações na produção solar total. Nomeadamente, as variações da actividade solar traduzem-se em grandes mudanças no chamado forçamento radiactivo sobre o clima.

Como a actividade solar aumentou significativamente ao longo do século XX, uma fracção significativa do aquecimento deveria ser atribuída ao sol e, como a mudança geral no forçamento radiactivo devido ao CO2 e à actividade solar é muito maior, a sensibilidade climática deveria estar no lado baixo (cerca de 1º a 1,5º C por duplicação de CO2).

Na década seguinte à publicação do exposto acima, não só o artigo não foi contestado como mas mais dados, desta vez dos satélites, confirmaram as grandes variações associadas à actividade solar. À luz desses dados concretos, agora deveria ser evidente que grande parte do aquecimento não é de origem humana e que o aquecimento futuro em qualquer dado cenário de emissão será muito mais pequeno.

Infelizmente, como a comunidade climática desenvolveu um ponto cego (blind spot) a qualquer evidência que devesse levantar uma bandeira vermelha, tais como os exemplos acima mencionados ou o aquecimento troposférico nas últimas duas décadas muito menor do que os modelos previstos, o resto do público tem uma visão muito distorcida das alterações climáticas – um quadro científico duvidoso cheio de inconsistências tornou-se uma espécie de calamidade.

Com esta mentalidade pública, fenómenos como o da activista infantil Greta Thunberg não são surpresa. O mais preocupante, no entanto, é que esta mentalidade comprometeu a capacidade de transmitir a ciência ao público.

Um exemplo do mês passado é a minha entrevista à [revista] Forbes. Poucas horas depois de o artigo ser publicado on-line, ele foi removido pelos editores "por não cumprir nossos padrões editoriais". O facto de se ter tornado politicamente incorrecto ter qualquer discussão científica levou o público a aceitar a pseudo-argumentação que apoia os cenários catastróficos.

A evidência do aquecimento não nos diz o que causou o aquecimento, e sempre que alguém precisa recorrer ao chamado consenso dos 97%, ele ou ela está a fazer isso porque seus argumentos científicos não são suficientemente fortes. A ciência não é uma democracia.

Falta saber se o mundo ocidental ultrapassará esta histeria em curso no futuro próximo, pois é claro que numa escala de tempo de uma década ou duas isso será uma coisa do passado. Não apenas haverá crescentes inconsistências entre modelo e dados, como uma força muito mais forte mudará as regras do jogo.

Quando a China perceber que já não pode confiar no carvão, começará a investir fortemente na energia nuclear para atender suas necessidades de energia crescentes. Nessa altura, o Ocidente não ficará para trás. Teremos, então energia barata e limpa, que pode produzir combustíveis neutros em carbono e até fertilizantes baratos que tornarão redundante a agricultura recentemente problemática do corte e da queima.

O Ocidente perceberia então que o aquecimento global nunca foi e nunca será um problema sério. Enquanto isso, o CO2 extra na atmosfera até aumentaria a produção agrícola, como foi observado em regiões particularmente áridas. Afinal de contas, é alimento vegetal.

25/Setembro/2019
[*] Presidente do Instituto de Física Racah da Universidade Hebraica de Jerusalém, @nshaviv

Ver também:

 
 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/climatologia/pseudo_ciencia_25set19.html

Évora é «cidade-lanterna» em matéria ambiental

O laboratório vivo para a descarbonização, um plano municipal de adaptação às alterações climáticas e a requalificação do Aqueduto da Água de Prata são alguns dos projectos em curso no Município eborense.

Praça do GiraldoCréditos

Mensagens deixadas nas várias manifestações realizadas hoje, a propósito da chamada Greve Climática Global, levam a acreditar que nada se está (ou tem vindo) a fazer a favor do ambiente e contra as alterações climáticas. Mas uma incursão pelo Município de Évora (CDU) prova que não é bem assim.  

Entre Janeiro de 2015 e Dezembro de 2016, a autarquia integrou o grupo de 26 municípios-piloto que responderam ao concurso lançado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), no âmbito do projecto ClimAdaPT.Local, com vista à elaboração da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas. 

Os projectos implementados são muitos, variados e entrecruzam-se. Um dos últimos, apresentado no passado dia 20 de Setembro, chama-se POCITYF (Positive Energy CITY Transformation Framework) e tem como objectivo tornar a cidade mais auto-sustentável e amiga do ambiente.

Ao AbrilAbril, o vereador Alexandre Varela explica que o POCITYF visa criar um conjunto de Positive Energy Blocks – áreas geograficamente delimitadas com uma produção local renovável superior ao consumo, em termos de média anual – nas cidades-piloto de Évora e Alkmaar (Holanda), bem como nas respectivas cidades-seguidoras de Granada (Espanha), Bari (Ιtália), Celje (Eslovénia), Ujpest (Hungria), Ioannina (Grécia) e Hvidovre (Dinamarca).

Com a implementação dos referidos Positive Energy Blocks, acrescenta, o POCITYF pretende transformar o tecido urbano dessas cidades, com enfoque nas áreas cultural e historicamente protegidas, em locais mais sustentáveis, saudáveis, acessíveis e fiáveis para os seus cidadãos. Porque não se pode falar de ambiente sem ter em conta as pessoas. 

 

O projecto é desenvolvido em quatro linhas de transição energética de actuação. A par de soluções inovadoras para tornar o saldo energético positivo nos edifícios e nas áreas urbanas, e de um sistema de gestão que permita garantir o armazenamento de energia para posterior utilização no reequilíbrio da rede, visa implementar soluções que melhorem a integração da mobilidade eléctrica na rede de distribuição eléctrica da cidade, tal como a co-criação de soluções que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos e a eficiência energética da cidade.

O POCITYF terá uma duração de 60 meses e um investimento total de 22,5 milhões de euros, destinado na sua maioria «às cidades-lanterna». A portuguesa irá beneficiar de um investimento de 9,8 milhões de euros para o total dos parceiros que trabalharão para Évora, sendo que a maior fatia (8,1 milhões de euros) será financiamento entregue pela Comissão Europeia. Concretamente, a autarquia receberá uma verba de 1,15 milhões de euros destinada à subcontratação para a instalação de equipamentos a fornecer pelos parceiros (488 mil euros), para custos directos com pessoal (414 mil euros) e para outros, directos e indirectos (251 mil de euros).  

Um «laboratório vivo» para reduzir CO2

No POCITYF integram-se e entrecruzam-se outros projectos ambientais como o Laboratório Vivo para a Descarbonização em Évora. A ideia é transformar o Centro Histórico de Évora num «laboratório» onde se testem soluções tecnológicas com vista à redução das emissões de gases com efeitos de estufa.

Segundo a autarquia, estes testes serão desenvolvidos essencialmente na área dos transportes e mobilidade sustentável e da eficiência energética do espaço colectivo. Em termos concretos, o trabalho passa, por exemplo, por encontrar formas mais equilibradas ambientalmente de efectuar a distribuição logística no Centro Histórico, disponibilizar informação em tempo real sobre percursos ou estacionamento, de forma a evitar engarrafamentos, ou gerir a iluminação da cidade, regulando a intensidade da iluminação consoante as necessidades do momento. 

Destaca-se ainda a utilização, ao nível do transporte público e de mercadorias, de veículos eléctricos que irão ser equipados com dispositivos de recolha de dados úteis para a revisão dos planos de urbanização e de mobilidade de Évora.  

As soluções que se mostrarem viáveis poderão ser implementadas no concelho e servirem de exemplo para outras cidades nacionais e estrangeiras.

Reabilitação do Aqueduto da Água da Prata

Um exemplo é, desde já, o aproveitamento da água proveniente do Aqueduto da Água da Prata, enquanto forma de mitigar o impacto das alterações climáticas. O projecto de recuperação do aqueduto, subsidiado em 60% pelo programa LIFE da Comissão Europeia, terá a duração de quatro anos e meio. 

Tendo em conta que não se prevê a sua utilização para consumo humano, o objectivo é, por um lado, reduzir os gastos municipais relativamente ao consumo de água da rede pública para rega dos espaços verdes e, por outro, diminuir a dependência que a rega de espaços verdes tem na rede pública de água tratada.

A reabilitação dos poços e nascentes do aqueduto, que há 480 anos começou a levar água à Praça do Giraldo, no centro da cidade de Évora, permitirá ainda uma adaptação das áreas verdes urbanas a soluções eficientes no uso da água e da energia.

A par das questões ambientais, há aspectos de poupança que merecem ser tidos em conta. Segundo cálculos da autarquia, o projecto permitirá, entre outras vantagens ambientais, poupar cerca de 120 mil metros cúbicos de água tratada e reduzir o consumo de energia através do fornecimento gravítico de água a 50% das áreas verdes urbanas, estimando-se uma redução de emissão de CO2 na ordem das 2,16 toneladas anuais.

Atento à redução das emissões de CO2 e à promoção da eficiência energética, o Município de Évora aderiu ao «Pacto de Autarcas», compromisso europeu com vista a atingir uma redução de 20% dos consumos energéticos e das emissões carbónicas já no próximo ano. 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/evora-e-cidade-lanterna-em-materia-ambiental

(Multimídia) China implementará firmemente o Acordo de Paris e honrará seus compromissos

 

Uma visão da pastagem de Bayan Bulag na Região Autônoma Uigur de Xinjiang no noroeste da China, 20 de agosto de 2018. (Xinhua/Hu Huhu)

A China continuará, como sempre, implementando firmemente o Acordo de Paris, honrando plenamente seus compromissos e promovendo o estabelecimento de um mecanismo de governança global climática equitativo, racional e mutuamente benéfico, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.

A China sempre atribuiu grande importância ao tratamento das mudanças climáticas e defende uma estratégia nacional de atribuir igual importância à mitigação e adaptação, apontou a pasta em comunicado intitulado "Cúpula de Ação Climática da ONU: Posição e Ação da China".

Como um co-líder da Solução Baseada na Natureza, a China está pronta a trabalhar com todas as partes para injetar forte ímpeto político na cooperação internacional no tratamento das mudanças climáticas e na implementação do Acordo de Paris.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/26/c_138425478.htm

O GRITO DE GRETA THUNBERG

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Um rosto, um nome: Greta Thunberg. A menina sueca que um dia abandonou a escola para se sentar à porta do Parlamento pedindo contas aos políticos pela morte anunciada da Terra, tornou-se voz de consciência da humanidade. Por todo o mundo, milhões de jovens juntam-se à sua voz e amplificam o seu grito num grande clamor planetário.
Estou a vê-la, agora, no areópago mundial sobre as mudanças climáticas, promovido pela ONU, com a sua rebeldia, a sua insubmissão, as suas palavras exigentes e acusatórias, e uma lágrima furtiva lavra o meu rosto, como se quisesse juntar a minha indignação, às suas palavras de futuro. Estou a vê-la, agora, com a sua inquietação fecunda, chamar o mundo à razão. Fala, denuncia, acusa. A sua aparente fragilidade juvenil agiganta-se, os seus olhos parecem formular a interrogação decisiva: que fizeram do futuro?
Então, as suas palavras parecem um eco distante do respirar da Terra e milhões de pessoas, por todo o mundo, fazem delas uma bandeira de futuro e utopia, que levantam para exigir, afinal, a defesa da vida. Mergulhemos nas palavras de Greta Thunber. Ainda iremos a tempo de os sinos não dobrarem pela humanidade. Ouçamo-la:
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"Minha mensagem para os líderes internacionais é de que nós estaremos de olho em vocês. Isto está completamente errado. Eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na minha escola, do outro lado do oceano. 
 E vocês vêm até nós, jovens, para pedir esperança. Como vocês ousam? 
 Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com vossas palavras vazias. E ainda assim, eu tenho que dizer que sou uma das pessoas com mais sorte (nesta situação). As pessoas estão a sofrer e estão morrendo. Os nossos ecossistemas estão morrendo. 
 Por mais de 30 anos, a ciência tem sido muito clara. Como vocês se atrevem a continuar ignorando isto? Nós estamos vivenciando o começo de uma extinção em massa. E tudo o que vocês fazem é falar de dinheiro e de contos de fadas sobre um crescimento económico eterno. 
Como vocês se atrevem? 
 Por mais de 30 anos, a ciência tem sido muito clara. Como vocês se atrevem a continuar ignorando isto? E como se atrevem a vir aqui e dizer que estão fazendo o suficiente? Quando sabemos que as políticas e as soluções necessárias não são sequer vistas? 
Vocês dizem que estão nos escutando e que compreendem a urgência (deste tema). Mas não importa tão triste e furiosa eu esteja, eu não quero acreditar no que dizem. Se vocês realmente entendem o que está acontecendo e continuam falhando em agir, vocês seriam um mal. E eu me recuso a acreditar nisso. 
A proposta de cortar as nossas emissões pela metade em 10 anos, apenas nos dá uma chance de 50% de ficar abaixo da marca de 1.5ºC e existe um risco de desencadear reações irreversíveis em cadeia que fogem do controle humano. 50% pode ser aceitável para vocês. Mas estes números não incluem outros pontos como feedback, lacunas e um aquecimento adicional causado pela poluição tóxica do ar ou aspectos de equidade e justiça climáticos. 
Estes números também fazem com que a minha geração seja obrigada a ter que retirar centenas de bilhões de toneladas de dióxido de carbono do ar, causadas por vocês. Então, 50% simplesmente não são aceitáveis. Nós teremos que viver com as consequências. Para ter uma chance de 67% de continuar abaixo da marca de 1.5ºC do aumento global temperatura, no melhor cenário do (relatório) do IPCC, o mundo teria ainda 420 toneladas giga de emissões de dióxido de carbono para emitir, em 1 de janeiro de 2018. 
Hoje, este número já caiu para 350 toneladas giga. Vocês estão falhando connosco. Mas os jovens já começaram a entender vossa traição. Como vocês se atrevem a pensar que isto pode ser resolvido sem mudar nada? Ou através de algumas soluções técnicas? 
Com os níveis atuais de emissões de hoje, o orçamento de emissões de dióxido de carbono acabaria inteiramente em apenas 8 anos e meio. Não haverá nenhuma solução ou planos apresentados com base nestes números que trago aqui hoje. Porque estes números são bem desconfortáveis e vocês não têm a maturidade suficiente para abordar este tema como ele realmente é. 
Vocês estão falhando connosco. Mas os jovens já começaram a entender a traição. Os olhos de uma geração futura inteira estão sobre vocês. E se vocês escolherem fracassar. Eu vos digo: nós jamais perdoaremos vocês. Nós não vamos deixar vocês fazerem isso. aqui e agora, que nós colocamos um limite. O mundo está despertando. E a mudança está chegando, quer vocês queiram ou não."

Quinta-Feira, 27 de Setembro

Ver o original em Notícias do Bloqueio (clique aqui)

Ministros dos BRICS defendem biotecnologia para diminuir uso da terra

Colheita de trigo (foto de arquivo)
© Sputnik / Alexey Malgavko

Os ministros de Agricultura dos BRICS, reunidos em Bonito, no Mato Grosso do Sul, comprometeram-se a usar a biotecnologia para aumentar a eficiência da produção e utilizar menos terras de cultivo.

"Os ministros reconhecem a importância da agricultura sustentável e o papel da biotecnologia para o aumento da produtividade, usando menos terras e insumos", disse o Ministério da Agricultura brasileiro em nota.

Ao final do encontro, as delegações dos BRICS (Brasil, Índia, China e África do Sul) assinaram a Carta de Bonito. Segundo o ministério, o documento” traz o compromisso de aumentar a participação de biocombustíveis sustentáveis ​​e outras fontes de energia renováveis ​​na matriz energética” dos países do bloco, além de incentivar medidas contra a erosão do solo e proteção das margens dos rios com vegetação nativa.

Conectividade rural

Os participantes também defenderam uma melhor aplicação das tecnologias da informação na agricultura. “Reconhecemos que, para produzir mais alimentos de maneira sustentável, a conectividade digital rural é de suma importância”, diz o documento.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ressaltou que os cinco países do grupo estão alinhados em relação aos temas básicos discutidos na reunião.

"Sabemos da responsabilidade que teremos de alimentar 9,8 bilhões de pessoas até 2050, sendo 3,3 bilhões dentro dos países do Brics", disse ela.

O vice-ministro de Agricultura da Rússia, Sergey Levin, enalteceu a importância da Carta de Bonito, e disse que ela guiará os trabalhos do grupo no futuro.

"A declaração abarca todas as áreas de cooperação que são importantes para nossos países", declarou.

Reunião em Brasília

O encontro dos ministros de Agricultura do bloco faz parte das reuniões setoriais que representantes dos governos dos BRICS vem realizando nos últimos meses, e que precedem a cúpula de chefes de Estado que acontecerá em meados de novembro em Brasília.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019092614565562-ministros-dos-brics-defendem-biotecnologia-para-diminuir-uso-da-terra/

Um discurso para a História

«O que quero dizer é que estaremos de olhos postos em vocês. Está tudo errado. Eu não deveria estar aqui. Eu devia estar na escola, do outro lado do oceano. Mas vocês dirigem-se a nós, os jovens, para terem esperança. Como se atrevem? Vocês roubaram os meus sonhos e a minha infância com as vossas palavras ocas e eu sou uma das escolhidas.
As pessoas estão a sofrer. As pessoas estão a morrer. Ecossistemas inteiros estão a colapsar. Estamos no início de uma extinção em massa. E a única coisa de que conseguem falar é sobre dinheiro, com contos de fadas acerca do crescimento sem fim. Como se atrevem?
Há mais de trinta anos que a ciência é de uma clareza cristalina. Como se atrevem a continuar a ignorar? Virem aqui dizer que estão a fazer o que é necessário, quando as políticas e as respostas de que precisamos ainda nem sequer se vislumbram. Dizem que nos escutam e que compreendem a situação de urgência, mas não importa o quão triste e zangada eu esteja por não acreditar nisso. Porque se compreendessem de facto a situação e continuassem a falhar isso seria cruel. E por isso eu recuso-me a acreditar.
A ideia hoje em voga, de cortar as nossas emissões para metade nos próximos dez anos, apenas nos dá uma probabilidade de 50% de ficar abaixo de 1,5Cº e de evitar o risco de reações em cadeia irreversíveis, que escapam à capacidade de controlo humano. Talvez estes 50% sejam aceitáveis para vós. Mas trata-se de um valor que não contempla os pontos de rutura, a maior parte dos efeitos de retroação, o aquecimento adicional que a poluição do ar esconde ou as questões relacionadas com a justiça e equidade climática. Efeitos que recaem sobre a minha geração, que terá por isso que ser capaz de retirar da atmosfera centenas de milhares de toneladas do vosso CO2, com tecnologias que praticamente ainda não existem. Por isso, um risco de 50% não é aceitável para nós. Nós teremos que viver com as consequências. Para uma probabilidade de 67% de a temperatura ficar abaixo de um aumento global de 1,5ºC - que é o melhor cenário apresentado pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) - o mundo só dispunha de 420 gigatoneladas de CO2 para emitir no passado dia 1 de janeiro de 2018. E hoje esse valor já é só de 350 gigatoneladas. Como se atrevem a fingir que o problema pode ser resolvido com as abordagens do costume, business as usual, e algumas soluções técnicas?
Com os atuais níveis de emissões, o orçamento que subsiste para remover o dióxido de carbono esgotar-se-á em menos de um ano e meio. Não existirão hoje e aqui soluções nem planos capazes de responder a estes cenários, porque os números são demasiado desfavoráveis e vocês não têm a maturidade suficiente para o assumir.
Vocês estão a falhar-nos. Mas os jovens estão a começar a perceber a vossa traição. Os olhos das futuras gerações estão postos em vós. E se optarem por nos falhar eu digo-vos que nunca vos perdoaremos. Não deixaremos que fujam a esta responsabilidade. É aqui e agora que traçamos uma linha. O mundo está a acordar e a mudança está a chegar, quer gostem quer não. Obrigada.» A pungente e poderosa intervenção de Greta Thunberg na Cimeira do Clima, a 23 de setembro de 2019.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Aprendizes de Lenine?

Aparentemente, anda um espectro de novo a pairar por aí: o do revolucionamento que será necessário no modo de produção para enfrentar a catástrofe ambiental iminente. Um economista convencional um dia definiu-a como a maior falha do mercado da história da humanidade. As soluções económicas convencionais – andar a brincar aos mercados de emissões ou às taxas e taxinhas – ou não funcionam ou estão longe de chegar. Neste contexto, a jovem Greta Thumberg fez um discurso pungente na cimeira sobre a acção climática das Nações Unidas. Apreciei particularmente a sua denúncia do dinheiro como um dos obstáculos à tal mudança. Afinal de contas, lembrem-se dos efeitos do nexo-dinheiro, expostos brilhantemente num Manifesto espectral de 1848. Num editorial com laivos do habitual anticomunismo primário, talvez com efeitos contrários às intenções do seu autor, Manuel Carvalho até confessava ontem no Público ter levado também “um murro no estômago” de Thumberg. Mas a sua “pose e insolência”, o seu radicalismo, fê-lo lembrar, vejam lá do que esta gente se lembra, um “qualquer aprendiz de Lenine do século passado”. Esta gente anda teme “o radicalismo jacobino”. No fim do arrazoado, Carvalho até acaba a reconhecer que sem este radicalismo, ao qual só falta enfatizar mais a classe e menos a geração, “as soluções equilibradas” não serão possíveis. O medo, sempre o medo da revolução, está na base de uma certa política económica. Irá um dia este neoliberal converter-se ao Green New Deal, um plano que nestes tempos sombrios ainda parece uma utopia de um punhado, ainda que crescentemente influente, de democratas socialistas na América? Entretanto, aprender com alguns aspectos da vida e obra de Lenine é capaz de não ser mesmo má ideia: organização consequente, análise concreta da situação concreta, avaliação precisa da correlação de forças, valorização da política de classe, identificação dos elos mais fracos da cadeia imperialista, prontidão para aceder ao poder, pugnando por um socialismo que terá de ser igual a sovietes, uma democracia avançada, mais electrificação de todo o país, agora com base em renováveis. Ou alguém pensa que será possível enfrentar a catástrofe iminente sem uma valorização do comum, sem muito menos desigualdade, sem formas de planificação exigentes, e que implicam controlo público das redes, da banca, das grandes alavancas de investimento, sem uma certa desglobalização dos circuitos económicos, enfim, sem uma nova política económica?

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Cimeira do Clima em tom de farsa

A farsa mundial montada à volta da adolescente sueca Greta Thunberg chegou ao cume com o discurso patético que a jovem fez em Nova Iorque, na Cimeira da Acção Climática. De lágrima teatral e voz embargada, “acusou” os dirigentes mundiais de não fazerem “o suficiente”. Uma reclamação à medidas das conveniências: é preciso que o mundo inteiro acredite que a solução sairá das mãos dos dirigentes mundiais e de dentro do próprio sistema que eles cuidam em manter.

A emoção criada em torno do Clima mobiliza muita gente — sobretudo jovens, e nos países desenvolvidos — mas tem o condão, bem calculado por quem manobra na sombra, de desviar essa gente do centro do problema.

Todos os discursos sobre o tema das alterações climáticas subentendem, quando não afirmam mesmo, que a questão não é nem ideológica, nem partidária, nem política — porque, dizem, toca “a espécie humana” e “o planeta”. Esta aparente maximização do assunto é a forma mais eficaz de despolitizar um problema cuja solução é exclusivamente política.

O que está em causa é o processo como o modo capitalista de produção, tornado planetário e hegemónico, degrada as condições de vida dos indivíduos e dos grupos populacionais e destrói os recursos naturais disponíveis, para assegurar a sua sobrevivência como sistema de produção. A necessidade de acumulação contínua de capital, cada vez mais acelerada e cada vez mais competitiva — com todos os desperdícios que isso provoca — está no centro do problema.

Todas as sociedades humanas e todos os modos de produção, de alguma maneira, foram destruindo meio-ambiente e recursos. Mas o capitalismo imperialista de hoje, mundializado, atingiu o paroxismo no que a isso respeita. Mais, a crise de senilidade que o atinge irremediavelmente agudiza ao extremo a competição entre as grandes potências — como a agressividade da política de Trump põe à vista — fazendo da depredação dos recursos, humanos e naturais, uma pulsão irreprimível que direcciona o comportamento do capitalismo, hoje com consequências catastróficas de escala mundial. Esta espécie de vontade cega é sinal do esforço desesperado de sobrevivência, à custa de tudo e de todos, de um sistema social historicamente ultrapassado.

Não estamos, pois, perante um problema de “políticos” ou de “políticas”, no sentido curto dos termos. Estamos perante uma questão de poder — o poder de um sistema social-económico-político devastar, na sua decadência, as próprias condições de existência da sociedade humana. É esse poder que precisa de ser destruído pela raiz.

Distrair as atenções de milhões de pessoas deste foco — concretamente, a depredação capitalista —, propondo-lhes ilusórias reformulações comportamentais do mesmíssimo sistema de poder, significa dissolver uma tomada de consciência que toque o nervo da questão. E que é este: as catástrofes que se perfilam no horizonte próximo são de tal monta, e a sua decorrência do capitalismo de hoje é tão absoluta, que é necessária uma revolução social anticapitalista para as prevenir.

Pode comprovar-se esse desviar de atenções pelo facto de o destaque dado às preocupações ambientais tenderem a sobrepor-se e a apagar uma série de outros problemas cruciais do mundo de hoje, em vez de com eles se articularem. Ainda recentemente, a Organização Mundial de Saúde revelou que, em 2030, mais de metade da população mundial (cinco mil milhões de pessoas) continuará sem acesso à Saúde. Acrescentem-se os outros problemas crónicos — água e saneamento, alimentação, habitação, pobreza em geral, escolaridade, participação política, etc. etc. — e componha-se com isso o quadro geral do mundo em que vivemos.

Excluídas da agenda “ambientalista” estão também essas outras devastações ambientais que dão pelo nome de agressões militares, golpes de estado ou embargos económicos — em que os EUA e a UE se especializaram — que causam milhões de mortos e de estropiados, desemprego generalizado, caos económico, atraso crónico, deslocados em massa, migrações mortíferas, desarticulação de instituições estatais, predomínio de sectarismos.

Por este caminho, a degradação ambiental, entendida no sentido estrito de afectação dos recursos naturais, tende a ser o alfa e o ómega das preocupações das classes médias do mundo desenvolvido em defesa do seu modo e vida — com tudo o que isso implica de alheamento dos demais problemas da maioria da população mundial.

A jovem sueca tornou-se uma marioneta nas mãos de dirigentes sabidos que têm um propósito claro: tratar a população mundial como um rebanho que importa desviar do alvo.

O “ambientalismo” tem sido por isso acarinhado, pelas forças que detêm o poder por esse mundo fora, como ideologia de substituição da acção política transformadora. E a manobra tem a capacidade de atracção que se tem visto no mundo capitalista desenvolvido (o mundo restante está demasiado ocupado com a simples sobrevivência) precisamente porque a consciência política e a acção de massas apontadas para uma transformação social radical atravessa um, já muito longo, período de maré baixa.

Urbano de Campos

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

O luxo arrasador dos super ricos

 
 
Um voo, em seus jatos, consome o combustível de um ano, numa cidade africana. É preciso cortar seu poder. Um começo: limitar a renda e a riqueza individuais; e defender a frugalidade pessoal, combinada com vida coletiva abundante
 
George Monbiot*, no The Guardian | Outras Palavras | Tradução: Gabriela Leite | Imagem: Bill Bragg
 
Não é exatamente verdade que por trás de cada grande fortuna há um grande crime. Músicos e romancistas, por exemplo, podem tornar-se extremamente ricos oferecendo prazer a outras pessoas. Mas parece ser uma verdade universal de que diante de toda grande fortuna está um grande crime. Riquezas imensas traduzem-se automaticamente em imensos impactos ao meio ambiente, independentemente das intenções daqueles que as possuem. Os muito ricos, quase por definição, estão cometendo ecocídio.
 
Algumas semanas atrás, recebi uma carta de um funcionário de um aeroporto privado, no Reino Unido. “Eu vejo coisas que realmente não deveriam estar acontecendo em 2019”, escreveu. Todo dia, observa aeronaves do modelo Global 7000 [para 10 a 19 passageiros], Gulfstream G650 [11 a 18 passageiros] e até Boeings 737 decolarem com apenas um passageiro, a maior parte a caminho dos EUA e da Rússia. Os Boeing 737 privados, construídos para levar 174 passageiros, são abastecidos no aeroporto com cerca de 25 mil litros de combustível. Essa é a mesma quantidade de energia fóssil que uma pequena cidade africana utiliza em um ano.
 
Aonde estão indo esses passageiros solitários? Talvez, visitar uma de suas supercasas, construídas e geridas a um enorme custo ambiental, ou a uma viagem em seus superiates, que podem queimar 500 litrosde diesel por hora em velocidade de passeio, e são construídos e mobiliados com materiais raros, extraídos às custas de paisagens naturais.
 
 
Não deveria nos surpreender o fato de que quando a Google articulou uma reunião dos ricos & famosos no resort de Verdura, na Sicília, em julho, para discutir o colapso climático, seus delegados chegaram em 114 jatos privados e em uma frota de megaiates, e dirigiram pela ilha com seus supercarros. Mesmo quando têm boas intenções, os ultrarricos não conseguem deixar de destruir o mundo vivo.
 
Uma série de pesquisas mostra que a renda é, de longe, o fator mais determinante no impacto ambiental. Não importa quão ecológica a pessoa pensa que é: se tem dinheiro excedente, ela gasta. A única forma de consumo que está clara e positivamente correlacionada com suas boas intenções perante o meio ambiente é a dieta: pessoas que se veem como “verdes” tendem a comer menos carne e mais vegetais orgânicos. Mas estas atitudes têm pouca influência na quantidade de combustível de transporte, energia doméstica e outros materiais consumidos. O dinheiro domina tudo.
 
Os efeitos desastrosos do poder de compra são agravados pelos impactos psicológicos de ser ricoEstudos abundantes mostram que quanto mais rico você é, menos tem capacidade de se conectar a outras pessoas. A riqueza suprime a empatia. Um dos estudos revela que pessoas que dirigem carros caros têm menos probabilidade de parar para pessoas nas faixas de pedestre do as que dirigem carros populares. Outro, revelou que pessoas ricas tinham menos capacidade que as pobres de sentir compaixão por gente com câncer. Apesar de serem desproporcionalmente responsáveis por nossa crise ambiental, os ricos serão os últimos e os que menos sofrerão com o desastre planetário, enquanto os pobres serão os primeiros e os mais prejudicados. Quanto mais ricos, sugere a pesquisa, menos o conhecimento das mudanças climáticas os perturba.
 
Outro problema é que a riqueza limita as perspectivas até das pessoas com as melhores intenções. Na semana passada, Bill Gates argumentou, em uma entrevista ao jornal Financial Times, que desinvestir em combustíveis fósseis é uma perda de tempo. Seria melhor, segundo ele, despejar dinheiro em novas tecnologias disruptivas com emissões mais baixas. É claro que precisamos de novas tecnologias. Mas ele não entendeu o ponto crucial: para prevenir a catástrofe climática, o que conta não é o que você faz, mas o que você para de fazer. Não importa quantos painéis de energia solar você instala, se não fechar, simultaneamente, usinas de carvão e gás. A menos que usinas de combustível fóssil sejam retiradas antes do fim de suas vidas úteis, e toda exploração e desenvolvimento de novas reservas de combustível fóssil sejam interrompidas, há pouca chance de impedir que a Terra aqueça 1,5ºC.
 
Mas isso requer mudanças estruturais, o que envolve intervenção política tanto quanto inovação tecnológica: uma abominação para os bilionários do Vale do Silício. Exige o reconhecimento de que dinheiro não é uma varinha mágica que faz todo o mal desaparecer.
 
Na semana passada, me uni à Greve Global pelo Clima, na qual nos levantamos junto aos jovens, cujo grito ressoou pelo mundo. Como sou um trabalhador autônomo, me pergunto contra quem será minha greve. Contra mim mesmo? Sim: contra um aspecto meu, pelo menos. Talvez, a coisa mais radical que possamos fazer agora seja limitar nossas aspirações materiais. A hipótese com a qual governos e economistas operam é que todos nós lutamos para maximizar nossas riquezas. Se formos bem sucedidos nessa tarefa, inevitavelmente demoliremos o sistema em que nossa vida se apoia. Se os pobres viverem como ricos e os ricos viverem como oligarcas, destruiremos tudo. A busca contínua por riqueza, em um mundo que já possui o bastante (apesar de muito mal distribuído) é a fórmula para destruição em massa.
 
Uma greve significativa em defesa do mundo vivo é, em parte, uma guerra contra o desejo de aumentar nossa renda e de acumular riqueza: desejo moldado, mais do que possivelmente nos damos conta, pelas narrativas sociais e econômicas dominantes. Eu vejo que minha greve é em apoio a um conceito radical e perturbador: já basta. Individual e coletivamente, é hora de decidir o que “basta” significa, e como saber em que momento alcançamos esse ponto.
 
Há um nome para essa abordagem, cunhado pela filósofa belga Ingrid Robeyns: limitismo. Robeyns argumenta que deveria haver um limite para a quantidade de renda e riqueza que uma pessoa pode acumular. Da mesma forma como reconhecemos a linha da pobreza, abaixo da qual ninguém pode estar, deveríamos reconhecer a linha da riqueza, acima da qual ninguém poderia subir. Esse chamado a um nivelamento talvez seja a maior blasfêmia para o discurso contemporâneo.
 
Mas seus argumentos são sólidos. Excedente de dinheiro permite que algumas pessoas exerçam poder desordenado sobre outras: no trabalho; na política; e sobretudo na captura, uso e destruição da riqueza natural do planeta. Se todos quiserem florescer, não podemos pagar pelos ricos. Tampouco podemos bancar nossas próprias aspirações, que a cultura da maximização da riqueza encoraja.
 
A triste verdade é que os ricos conseguem viver como vivem simplesmente porque outros são pobres: não há espaço nem físico, nem ecológico, para todos buscarem o luxo privado. Ao invés disso, deveríamos lutar por c frugalidade privada e luxo público. A vida na Terra depende da moderação.
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/o-luxo-arrasador-dos-super-ricos.html

VAMOS SALVAR O PLANETA, “até que a vaca tussa”

                       E a vaca não tosse.
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A menina sueca, “brinquedo” do capitalismo, que Soros financia, vem dar lições aos políticos e, emocionada, diz que por este caminho “a vaca não vai tossir.” O Reitor corta no bife, para que a vaca tussa. Os estudantes, que já frequentam as boîtes, com a anuência dos governantes, faltam às aulas para mostrar aos adultos que por este andar a “vaca não vai tossir”, na escola primária a miudagem faz redações sobre “O Planeta” e, a televisão pergunta-lhes se sabem onde está “O Planeta”.

E toda esta macacada é tão previsível como a chegada do outono após o último dia do verão. “O Planeta” continua a rodar e a rir das a análises e dos analistas, que nem uma só vez referem O CAPITALISMO, AS MULTINACIONAIS OU O NEOLIBERALISMO, COMO SE NADA TIVESSEM A VER COM TOSSE DA VACA.

A América Latina é a segunda potência mundial em produção de proteína animal, a região produz mais de 144 milhões de toneladas de carne, ovos e leite por ano, o suficiente para alimentar várias vezes as populações famintas de todo o continente.

A fome não pára de aumentar no mundo e já atinge mais de 821 milhões “Expresso”

O CAPITALISMO É ALHEIO À FOME E ÀS GUERRAS E AO PLANETA

NÃO É ? 

 
Aos Vindouros, se os Houver…
 
Vós, que trabalhais só duas horas
a ver trabalhar a cibernética,
que não deixais o átomo a desoras
na gandaia, pois tendes uma ética;
que do amor sabeis o ponto e a vírgula
e vos engalfinhais livres de medo,
sem preçários, calendários, Pílula,
jaculatórias fora, tarde ou cedo;
computai, computai a nossa falha
sem perfurar demais vossa memória,
que nós fomos pràqui uma gentalha
a fazer passamanes com a história;
que nós fomos (fatal necessidade!)
quadrúmanos da vossa humanidade.
 
Alexandre O’Neill
 

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

O mundo que mudou Greta

  kids
 
Uma nota prévia, para quem consegue ver nas linhas abaixo um ataque à jovem sueca. Há aqui dois pontos: ambos análises minhas sobre o que envolve Thunberg e não sobre Thunberg enquanto jovem com preocupações mais do que justas:
 
Eu não permitiria este tipo de exposição da minha filha, como não permitiria que se transformasse em estrela de reality-show. Este é um dos meus pontos.

O outro tem a ver comigo e só comigo, que estou habituado a ver que o sistema não promove quem o quer derrubar, ou sequer afetar, a menos que seja no sentido de transferir poderes para que tudo fique na mesma. Quanto ao discurso de Thunberg, tem toda a razão na maioria do que diz, tirando, por exemplo, a parte da "infância roubada". Espero que assim terminem as dúvidas que, por considerar que esta criança está a ser explorada pelo sistema que pretende combater, não significa que ela não tenha razão.

Greta Thunberg tem 16 anos e sofre de Síndrome de Asperger, tendo antecedentes: "Aos 11 anos, desenvolveu um quadro de depressão, parou de falar e até de comer. Em dois meses, perdeu dez quilos. Pouco tempo depois, a jovem foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo (DSM-IV), um transtorno psicológico caracterizado pela recusa em falar em determinadas situações, mas em que a pessoa consegue falar em outras".

Isto, na minha visão leiga, constitui um especial caso de fragilidade. Deixou a escola para se tornar ativista, aos 15 anos. E, a partir daqui, explico por que acho que o que lhe estão a fazer é criminoso. O ambiente e a sua preservação é uma luta que tem mais de invisível do que de visível. Na América Latina e um pouco por todo o mundo há dezenas de ativistas ambientais que todos os anos são assassinados sem que haja o mínimo de simpatia nem dos media nem da ONU (5).

Os pais de Thunberg expuseram-na de uma maneira indecente e fizeram-no de forma consciente, como o The Times explica (1), tendo Malena Ernman, mãe de Thunberg, lançado um livro precisamente uma semana depois da "descoberta" da sua filha como ícone. Já o pai, que até então geria a carreira da mãe na área musical, passou a gerir a carreira da filha.

Ver original em 'Manifesto 74' na seguinte ligação:

http://manifesto74.blogspot.com/2019/09/o-mundo-que-mudou-greta.html

"Nós temos apenas uma Terra", diz Merkel na ONU

 
 
Na conferência do clima, Merkel pede mais cooperação internacional para combater o aquecimento global. Chanceler também se reúne com Greta Thunberg. Com Brasil ausente, países decidem doar US$ 500 milhões para Amazónia.
 
A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta segunda-feira (23/09) durante a Conferência do Clima das Nações Unidas que "não há dúvida" de que o aquecimento global é causado pelos humanos e que a comunidade internacional precisa agir em conjunto para conter a crise climática.
 
"Nós temos apenas uma Terra", disse a chanceler, em Nova York. "É por isso que nós, como representantes de países industrializados, temos o dever de usar a inovação, a tecnologia e o dinheiro para construir um caminho para deter o aquecimento global".
 
Merkel ainda aproveitou a ocasião para promover as medidas que seu governo anunciou na última sexta-feira como parte de uma iniciativa para reduzir as emissões de CO2 da Alemanha. O pacote inclui instituir taxas pelo "direito de poluir" de proprietários de automóveis e o incentivo a viagens de trem, entre outras medidas.
 
Ela descreveu a iniciativa como o início de "uma profunda mudança" na Alemanha. O país europeu tem apenas 1% da população global, mas é responsável por 2% das emissões de CO2 no mundo. "Se todos se comportassem como nós, as emissões globais dobrariam", disse.
 
Ainda segundo a chanceler, é preciso promover essa mudança por meio de incentivos. "Há aqueles que estão agindo, protestando e nos pressionando, mas existem os céticos", disse. Por isso, segundo ela, "a tarefa de todos os governos é dialogar com todas as pessoas".
 
O discurso de Merkel foi acompanhado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que fez uma aparição surpresa na conferência. Ele não havia confirmado presença anteriormente. Trump apareceu junto com seu vice, Mike Pence, ainda durante a fala do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Ele ouviu todo o discurso de Merkel e deixou o local logo depois.
 
 
Antes do seu discurso, Merkel se encontrou com a jovem ativista sueca Greta Thunberg, que nos últimos meses ajudou a dar impulso ao movimento internacional contra as mudanças climáticas ao promover greves escolares pelo clima ("Skolstrejk för klimatet"). Na última sexta-feira, o movimento promovido por Greta se metamorfoseou na Greve Global pelo Clima, que reuniu milhões de pessoas mundo afora para exigir mais acao política contra as mudanças climáticas.
 
Greta também discursou na conferência, logo antes de Merkel. Com um tom duro e emocional, ela disse: "vocês roubaram meus sonhos de infância".  "Pessoas estão sofrendo, pessoas estão morrendo, ecossistemas inteiros estão entrando em colapso", acusou. "Eu não deveria estar aqui, deveria estar na escola, do outro lado do oceano", ressaltou a ativista.
 
"Estamos no início de uma extinção em massa, e a única coisa que vocês sabem falar é sobre dinheiro e contos de fada de crescimento económico eterno. Como vocês se atrevem? Vocês estão falhando connosco. Mas os jovens estão começando a entender a sua traição", disse ela, antes de receber aplausos intensos na sede das Nações Unidas.
 
A conferência do clima, que precede a Assembleia Geral da ONU, que começa na terça-feira, foi convocada pelo secretário-geral, António Guterres. Além de Merkel e Modi, o presidente da França, Emmanuel Macron, discursou. O governo federal do Brasil não tomou parte na conferência.
 
Doações para florestas tropicais
 
Ainda no âmbito da conferência, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a ONG Conservação Internacional decidiram doar 500 milhões de dólares adicionais para o reflorestamento da Amazónia e de outras florestas tropicais. O anúncio foi feito pela presidência francesa durante uma reunião especial sobre a Amazónia organizada nesta segunda-feira pela ONU.
 
A iniciativa do encontro foi do presidente francês Emmanuel Macron, em conjunto com os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, da Colômbia, Iván Duque, e da Bolívia, Evo Morales. O Brasil, mais uma vez, não participou.
 
Durante o encontro sobre a Amazónia, Macron lamentou a ausência de representantes brasileiros. "O Brasil é bem-vindo. Acho que todo mundo quer trabalhar com o Brasil."
 
Já o presidente Piñera destacou a necessidade urgente de conservar florestas.
 
"Uma colaboração internacional é necessária e urgente, e existe uma vontade enorme", disse Piñera, cujo país organizará a cúpula para a luta contra a mudança climática COP-25 em dezembro deste ano.
 
Entre as medidas que devem ser promovidas pelo pacote, o Banco Mundial planeja estabelecer um programa "Pro Green", com a ajuda da Alemanha e da França, para financiar projetos da terra. Já o Banco Interamericano de Desenvolvimento financiará ações nos grandes estados da Amazónia.
 
Além disso, a ONG americana Conservação Internacional, que conta com o ator Harrison Ford entre seus diretores, apoiará projetos locais liderados por organizações não governamentais, comunidades indígenas e empresas privadas.
 
Deutsche Welle | JPS/afp/dpa/rt/ots

Preservar o ambiente; Valorizar o trabalho e os trabalhadores

floresta ambienteA CGTP-IN organiza em colaboração com a CES - Confederação Europeia dos Sindicatos, nos dias 24 e 25 de Setembro, em Lisboa, um Workshop que tem como objectivo discutir os problemas decorrentes das mudanças climáticas e apontar medidas que assegurem a protecção ambiental, a defesa e melhoria do emprego e dos direitos dos trabalhadores e o bem estar das populações.

Neste Workshop irão participar e intervir sindicalistas de vários sectores profissionais bem como representantes da APA - Agência Portuguesa do Ambiente, do CNADS - Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e outras organizações que se debruçam sobre esta problemática.

Os graves problemas ambientais, incluindo os resultantes das mudanças climáticas são indissociáveis, nomeadamente da lógica capitalista centrada numa visão predadora e mercantilista dos recursos naturais e de desprezo pelo ambiente e a qualidade de vida dos cidadãos.

Uma situação que está a gerar alterações climáticas com fortes impactos negativos na vida quotidiana de todos e que exigem medidas concretas que visem a redução ou eliminação dos seus efeitos aos mais variados níveis. Com efeito importa ter presente que para além dos efeitos económicos e estruturais o impacto das alterações climáticas se faz sentir cada vez mais na saúde das pessoas.

Para a CGTP-IN a adopção de medidas para a preservação do ambiente tem de estar permanentemente ligada à salvaguarda do emprego e à criação de mais postos de trabalho. Neste sentido, importa estabelecer atempadamente um plano, para as empresas que eventualmente possam vir a encerrar, que assegure a formação e a colocação dos trabalhadores em outras unidades, em simultâneo com o incentivo à criação de mais emprego estável e de qualidade, como garante para a efectivação do trabalho digno.

Em Portugal, os governos têm elaborado planos de adaptação, como o roteiro para neutralidade carbónica, a produção de energias renováveis, a economia circular... Planos que para além de serem pouco conhecidos pelas populações, exigem que as propostas dos sindicatos sejam tidas em consideração e que a implementação das respectivas políticas sejam sujeitas ao seu acompanhamento e avaliação.

A Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020) é pouco conhecida e ainda se faz pouco no que diz respeito a adaptações face aos efeitos catastróficos das alterações climáticas que exigem uma política global e integrada a diferentes níveis, do local ao nacional. Sabemos que algumas Câmaras Municipais, em colaboração com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente e algumas universidades estão a desenvolver Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas pelo que reclamamos que os trabalhadores, neste caso, os seus representantes sindicais, sejam chamados a participar nessas dinâmicas!

A CGTP-IN considera que é necessário que as empresas passem das palavras aos actos e tenham uma atitude responsável na preservação dos ambientes de trabalho, de acordo com o Desenvolvimento Sustentável, nos modos de produção, na eficácia energética, na eliminação da poluição e no respeito pelas condições laborais e de trabalho digno.

A emergência climática é real e devemos intervir para alterar este sistema económico capitalista e o seu comportamento predador que provocam a actual situação.

A CGTP-IN exorta os trabalhadores a participarem activamente na discussão de uma questão que é central para o futuro da humanidade, denunciando as causas e os responsáveis, em simultâneo com um apelo a uma atitude colectiva e individual que respeite o ambiente para uma melhor qualidade de vida para todos.

Vivem-se já os impactos das alterações climáticas em todas as vertentes da nossa vida social e profissional. Está cientificamente provado que as alterações climáticas estão cada vez mais destrutivas e que grande parte resulta do comportamento humano e do modo de produção e de consumo do sistema capitalista em que nos encontramos.

Desde há muito que a CGTP-IN desenvolve iniciativas em torno desta problemática, debatendo a Agenda 2030 da ONU com medidas para o Desenvolvimento Sustentável em perspectiva do equilíbrio entre as necessidades ambientais, sociais e económicas dos países, e priorizando os aspectos sociais, laborais e humanos. O próprio Acordo de Paris de 2015, que visa reduzir as emissões de carbono para a atmosfera, para além de ser insuficiente e contraditório não está a ser implementado da mesma forma por todos os estados. A renúncia do Acordo por parte do Presidente Trump dos EUA e o facto de Bolsonaro, Presidente do Brasil ameaçar seguir o mesmo caminho, acrescenta novos perigos, que exigem uma forte condenação internacional.

Vivemos tempos desafiantes. Entre 20 e 23 de Setembro decorre uma semana de acção/mobilização sindical no mundo inteiro em defesa do Clima, na boleia da Cimeira da Acção Climática organizada pela ONU no dia 23 de Setembro. A CGTP-IN defende um maior controlo na sua implementação real, que garanta uma « Transição Justa » que salvaguarde os empregos, melhores condições sociais para as populações e trabalho digno. É neste contexto que se vai realizar nos dias 24 e 25 de Setembro, o Workshop sobre “Consequências das alterações climáticas e emprego: sectores e regiões em riscos e como antecipar”.

Ver original aqui

A campanha do Bife

Com a adesão do Bloco de Esquerda à social-democracia é verdade que a campanha política legislativa se tornou bastante maçadora, sobrando apenas trocas de desinteressantes galhardetes e promessas que ninguém leva demasiadamente a sério.

 

 

De fora ficou o PCP – dilacerado internamente pela adesão à geringonça – que, convenhamos, quarenta e cinco anos depois do 25 de Abril não escandaliza nem entusiasma quem quer que seja e… o PAN.

Suscitando mais irritação e sarcasmo do que adesão, o PAN conseguiu tornar-se o elemento central da campanha, trazendo para o nosso país grande parte dos debates existenciais que grassam pelo mundo ocidental levando mesmo a que o Governo se partisse em facções pró e anti bife com António Costa a tentar o consenso com uma malograda aposta no peixe.

O bombardeamento começou a propósito de uma tirada de gosto duvidoso algures no espaço das redes sociais sobre a existência de pessoas a mais neste mundo, que foi transformado em prova irrefutável das sinistras ambições do PAN por a pessoa em causa ter sido no passado dirigente do partido.

É verdade que uma facção importante da ecologia contemporânea tem uma lógica extremamente perigosa. A humanidade polui, é má e produz CO2, e no fundo uma limpeza mais ou menos radical seria a solução. E depois, o homem é superior em quê aos animais?

Acho boa ideia que o cidadão se previna contra estas lógicas que inevitavelmente levarão aos mesmos resultados a que levou a doutrina do ‘Lebensraum’ se não lhe fizermos frente, mas não acho boa ideia resumir o debate a isso.

Há formas humanas e positivas de olhar para o bem-estar animal em particular e seguramente para o ambiente, um socio-ambientalismo, ou se quisermos a democracia social e ambiental.

Era eu criança ainda quando vi o ‘2001 Odisseia no Espaço’ e fiquei siderado com o problema a que, mais de meio século passado, continuo a não saber dar resposta. O progresso científico da humanidade leva inexoravelmente ao questionar da mesma humanidade, e isso quer dizer que devemos parar esse progresso? E se sim, em que ponto? E mesmo se acharmos que sim, isso é realista?

Não tendo eu resposta para estas questões, não penso no entanto que seja possível ignorarmos o quão cada vez mais estamos mergulhados em questões como a do bife. Na minha infância o bife era o inglês que o comia, porque a pobreza agrícola crónica do país tornava-o uma iguaria longe das possibilidades do cidadão.

O bife veio com a democracia – ou pouco antes dela, com o marcelismo – e tornou-se símbolo da ascensão do país. O prego, calão lisboeta, rapidamente se espalhou, seguido do bitoque, do filet mignon e de muitos outros que são ainda novidades para muitos de nós quando chega a notícia da sua ameaça de extinção.

E no entanto, o movimento está em marcha há bastante tempo. O bife sintético continua cada vez mais próximo do prato a preços abordáveis; os falsos bifes, feitos à base de matéria vegetal ganham cada vez uma maior parte do mercado nos mercados ocidentais, onde a sedução pelo vegetarianismo e o horror pela pecuária se vão desenvolvendo.

A vaca aparece como a inimiga pública número 1 do ambiente, porque, pelos métodos intensivos com que é hoje generalizadamente criada, é a mais consumidora de recursos e, suprema das ironias, é também a grande responsável por emissões de metano.

E vai daí, pelo que se lê no ciberespaço, o reitor da Universidade de Coimbra terá decretado a extinção da vaca nos menus da cantina, em gesto entusiasticamente apoiado pelo PAN que quase gerou uma guerra civil e que serviu para dar alguma emoção a uma cinzenta campanha.

Não creio que seja uma guerra que vá terminar tão cedo, e por isso há alguns pontos que me parecem importantes.

Os responsáveis públicos têm de tomar consciência dos desafios a que estão sujeitos. Não, não creio que a solução seja a de fechar fronteiras ou querer obrigar as autoridades pública a promover o consumo do que produzem. Trata-se antes de entender a mensagem e promoverem a adaptação à realidade.

A sociedade civil deveria preocupar-se ser alvo de campanhas deformadas, tentar separar o trigo do joio e habituar-se à ideia de coexistir com várias sensibilidades e opiniões sem por isso entrar em guerra civil.

Os políticos em campanha poderão fazer os seus cálculos e agir em conformidade. Com o nosso Presidente da República a posicionar-se já publicamente como chefe do partido do Bife, trata-se agora de ver como age a concorrência.

Espero no entanto que se tome nota de que há outras guerras em curso que são capazes de ser mais importantes para o nosso futuro próximo, como a da teocracia iraniana pela supressão do seu povo, conquista do Médio Oriente e subjugação ocidental.


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-campanha-do-bife/

Bolsonaro chega para Assembleia da ONU e Brasil se diz 'comprometido' com Acordo de Paris

© REUTERS / ADRIANO MACHADO

O Brasil expressou total compromisso com suas obrigações no campo ambiental e, especificamente, com o Acordo de Paris contra o aquecimento global, embora o Brasil não tenha participado da Cúpula de Ação Climática, realizada nesta segunda-feira em Nova York.

Em nota, o Ministério de Relações Exteriores do Brasil enfatizou que o país está "totalmente comprometido com o cumprimento de seus compromissos internacionais na área ambiental" e citou especificamente a obrigação assumida no Acordo de Paris.

Segundo o governo, o acordo é um dos "mais ambiciosos do mundo", pois planeja reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 37% em 2025 em comparação a 2005, com previsão de elevar essa meta para 43% no ano de 2030.

O Ministério de Relações Exteriores também observou que o Brasil fazia parte "construtiva" do processo de preparação da Cúpula de Ação Climática.

A pasta citou a apresentação de uma proposta de ações sobre resiliência de grupos urbanos vulneráveis, outra sobre a promoção de biocombustíveis no setor de transportes e outra sobre um projeto de baixo carbono na agricultura.

Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia
© REUTERS / Bruno Kelly
Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia

Além disso, representantes do governo tentaram esclarecer a ideia de que o Brasil foi banido da reunião pela ONU e que foi proibido intervir por causa de seu baixo compromisso com o meio ambiente.

"Os organizadores da Cúpula de Ação Climática estabeleceram que apenas os chefes de Estado e de governo podem falar durante o evento", observou a nota do ministério.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a Nova York na tarde desta segunda-feira para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira, um movimento que foi interpretado como para justificar a falta de tempo para participar da cúpula climática.

A presença de Bolsonaro em Nova York era incerta até os últimos dias, porque o presidente está se recuperando da operação de uma hérnia realizada em 8 de setembro, de modo que sua agenda nos EUA se limitará ao essencial.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019092314550475-bolsonaro-chega-para-assembleia-da-onu-e-brasil-se-diz-comprometido-com-acordo-de-paris/

Será ouro branco?

(Daniel Oliveira, in Expresso, 21/09/2019)

Daniel Oliveira
 

 

Numa campanha que se esverdeou, há um debate interessante a fazer, porque cruza escolhas ambientais difíceis e estratégias económica distintas: o lítio. E seria interessante porque deixaria claro que a política ambiental não é diferente de todas as outras: há clivagens ideológicas e tenta-se escolher o mal menor.

Comecemos pela primeira dificuldade: falta-nos tempo para atingir a dificílima meta da neutralidade carbónica. Para fazer a transição energética e eletrificar os transportes precisamos de armazenar energia e, para isso, precisamos de baterias. A tecnologia disponível, até que outras alternativas se tornem viá­veis (do sódio ao flúor, passando por tudo o que ainda virá), é o lítio. Podemos depender do lítio importado a quem não tem qualquer respeito pelo ambiente. Ou podemos extraí-lo nós, exigindo-nos as condições que gostaríamos que os outros cumprissem. Portugal tem uma das maiores reserva de lítio do mundo. Há 12 áreas ricas em lítio identificadas (oito e meia fora de áreas protegidas). Mas com os estudos ainda em fase preparatória é muito arriscado fazer conjeturas. Há quem pense que encontrámos a saída para todos os nossos problemas. Técnicos com quem falei atiram baldes de água gelada para o excesso de otimismo. E o lítio tem problemas ambientais relevantes: um forte impacto na paisagem, grande consumo de água e de energia e utilização de químicos nocivos, como o ácido sulfúrico. Como precisamos dele para descarbonizar, ou o produzimos ou importamos células para produção de baterias da China ou lítio do Chile ou da Bolívia.

Passamos à segunda dificuldade. Temos duas opções. A primeira é o modelo clássico e tudo indica que será a do governo: fazem-se concessões a privados. Se as negociarmos bem, como nunca fazemos, o Estado ficará, usando o modelo de outros países, com cerca de 35% da receita, entre royalties e impostos. E a fiscalização ambiental será tão limitada como de costume. A outra possibilidade é aprender alguma coisa com o que os noruegueses fizeram com o petróleo. O Estado poderia encontrar parceiros privados para criar uma empresa de capitais mistos com maioria pública, garantindo um verdadeiro controlo da mais importante matéria-prima que teremos nas próximas décadas e sobre as condições em que é explorado. Como os noruegueses, podemos ficar com 78% da receita e criar um fundo ambiental cuja receita financiasse a recuperação do impacto desta exploração e os 85 mil milhões que serão necessários à descarbonização nos próximos 30 anos. E tentar fazer aqui a produção de baterias e a sua reciclagem. A escolha é entre o modelo neoliberal ou terceiro-mundista e o modelo social-democrata ou escandinavo.

Sabendo que é na próxima legislatura que estas escolhas se farão, questio­nei o ministro do Ambiente no meu podcast. Respondeu-me que o Estado não tem know-how para extrair lítio. Mas também é para isso que servem os parceiros privados. O Estado — todos nós — é dono da matéria-prima e tem a capacidade de fazer o investimento, que pode ser de 300 milhões em Montalegre, com um retorno bastante interessante.

Na encruzilhada em que estamos, as nossas reservas de lítio são uma oportunidade. Claro que os ecologistas de outdoor explicarão que não devemos explorar o lítio, nem usar combustíveis fósseis, nem expandir o gasoduto em Sines, nem extrair hidrocarbonetos, nem construir mais barragens. Concordo com muitas destas interdições. Mas não podem ser todas ao mesmo tempo. Se a transição energética é para ontem não se pode esperar por tecnologias que só serão viáveis amanhã. Fazem-se escolhas. As melhores das possíveis. Chama-se política.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Proteção do clima e os autoproclamados salvadores do mundo

 
 
Alemanha só é responsável por 2% das emissões globais de CO2. E uma redução rápida poderia ser facilmente alcançada sem a necessidade de protestos cinematográficos, opina Felix Steiner.
 
Que encenação: um embate de 19 horas, com direito a manifestantes em frente à Chancelaria Federal em Berlim, e atos em mais 500 cidades em toda a Alemanha. Mas, afinal, o que está em jogo é nada menos do que a salvação do mundo.
 
A apenas alguns dias da Cúpula do Clima das Nações Unidas, na sexta-feira (20/09) manifestantes já marcham pelo globo. Mas em nenhum lugar o tema é tratado com tanto fervor quanto na Alemanha. Os alemães estão mais uma vez em seu elemento: "Nós sabemos o que é nobre, útil e bom. E devemos ser um modelo para o resto mundo, para que ele nos siga o mais rápido possível." "Que o caráter alemão possa curar o mundo” já era um mote quando a Alemanha ainda tinha um imperador.
 
De fato, o governo federal da Alemanha alcançou uma conquista notável: a gigantesca soma de 54 bilhões de euros será investida nos próximos quatro anos, no combate às mudanças climáticas. Pode ser que um ou outro lucre com isso, mas para a massa das cidadãs e cidadãos comuns, isso significa nada além de um pesado aumento de impostos. Pois a maioria continuará a anda de carro e a não querer congelar no inverno. Nesse ponto, o ministro das Finanças pode se dar por muito feliz: quem se lembra de uma época em que o povo tenha implorado tanto assim por um aumento de impostos?
 
 
Diante de somas tão enormes, é de admirar que a maioria dos manifestantes fosse de jovens. Quando se tratava do orçamento de escolas e universidades, nas últimas décadas nunca havia dinheiro suficiente – independente do estado da economia. Agora, finalmente, uma soma equivalente a um décimo do pacote para salvar o mundo – 5 biliões de euros – será disponibilizada para equipar as escolas com computadores modernos. E isso num país que não tem recursos naturais além das aptidões dos seus habitantes!
 
Os jovens, no entanto, não parecem se incomodar nem um pouco com essa disparidade. Isso, porque sem a proteção do clima eles não terão mesmo qualquer futuro, como atestam suas faixas e cartazes.
 
Que tolice! O mundo não vai acabar em 2030 nem nas décadas seguintes, não importa como se comportem as curvas de temperatura. O apocalíptico discurso diário sobre crise, desastre, pontos de ruptura e de virada parece ter ofuscado o bom senso de muitos. O fato de que isso poderia se tornar um dia contraproducente ficou claro recentemente para o movimento pró-clima nos Estados Unidos: o escritor Jonathan Franzen ruminava na renomada revista The New Yorker sobre as consequências últimas de se reconhecer que não há mais nada a ser salvo.
 
Que outras finalidades não se poderia dar a esses 54 bilhões de euros? Por exemplo, pesquisa avançada em fusão nuclear. Ou o desenvolvimento de carros com células de combustível; ocupar-se de todas as formas de progresso e inovação que não dependam do esgotamento de recursos. E assim manter a Alemanha tecnologicamente no topo, a fim de manter também no futuro a prosperidade já alcançada.
 
Isso tudo vai demorar demais? Os objetivos do clima de 2025 e 2030 não serão alcançados só por esses meios? Talvez. Por outro lado, isso também poderia ser fácil: seria preciso apenas colocar as usinas nucleares já existentes de volta em operação e desligar as muito piores termoelétricas que usam linhito, um grande emissor de CO2. Pois até agora nenhum outro Estado quis seguir a Alemanha no abandono da energia nuclear, anunciado em 2011 com uma certeza messiânica e ênfase em seu caráter exemplar.
 
No fim de semana, não pretendo protestar em nenhum lugar, mas sim me preparar para o inverno que se aproxima na Alemanha, e cortar lenha. E essa é uma atividade satisfatória, pois, apesar de todo o esforço, vê-se logo o resultado. E é garantido que funciona: quando faz frio lá fora, minha casa está bem quentinha.
 
Felix Steiner (jps) | Deutsche Welle | opinião
 
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Tecnologia transforma flatulência de vacas em sacolas plásticas

 
 
Em seu complexo processo digestivo, as vagas expulsam entre 100 e 200 litros de metano por dia. "É biomagia", diz sorrindo Oliver Campbell, diretor do departamento de embalagens da empresa de tecnologia Dell, enquanto segura em uma das mãos uma sacola plástica comum... ou quase.
 
A sacolinha em questão é feita, literalmente, do ar que respiramos.
 
À primeira vista, as sacolas de metano são iguais às que conhecemos. A diferença é que os modelos comuns são feitos de petróleo, enquanto a engenhoca nas mãos de Campbell vem do AirCarbon, o carbono extraído do metano expulso pelas vacas, ou que se desprende de lixões.
 
O procedimento não apenas evita o uso de combustíveis fósseis, como também contribui com a diminiuição de gases tóxicos no meio ambiente. A versão proveniente do metano é produzida por uma empresa californiana chamada Newlight.
 
"(O metano) reage com um biocatalizador e cria uma reação que separa o carbono e o oxigênio no gás. Então passa por um período de fermentação, de onde surge este material plástico", exlpica Campbell à BBC.
BBC - 23 dezembro 2014

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/tecnologia-transforma-flatulencia-de.html

O BESTIALOGIO CLIMÁTICO

 
 
 
A nova religião do aquecimento global, agora alcunhada de "alterações climáticas", continua a provocar asneiradas às catadupas. Elas já atingiram nível universitário com a incorporação do magnífico reitor da Universidade de Coimbra.
 
Este resolveu proibir a carne de vaca nas cantinas da universidade com o argumento de que a mesma provoca muita emissão de CO2 – apesar de este gás, diabolizado pelos aquecimentistas, ser inócuo para a saúde humana e para o ambiente.
No cortejo das asneiras conta-se também uma menina autista sueca que tem a monomania do aquecimento global e que chefes de estado e de governo fingem ouvir atentamente. E agora, para culminar, anuncia-se uma marcha mundial de jovens contra a "crise" climática.
 
O mass media corporativos colaboram activamente com tais mistificações, promovendo-as. No entanto, vozes sábias e sensatas como as do Prof. Luiz Mollion são praticamente ignoradas.
 
A intoxicação da opinião pública com falsos problemas serve para ocultar os verdadeiros.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/o-bestialogio-climatico.html

CGTP: «graves problemas ambientais são indissociáveis da lógica capitalista»

Num workshop com o lema «Consequências das alterações climáticas e emprego: sectores e regiões em riscos e como antecipar», os sindicalistas apontarão medidas que salvaguardem os direitos dos trabalhadores.

Créditos / pxhere.com

A CGTP-IN organizará, em colaboração com a Confederação Europeia dos Sindicatos, nos dias 24 e 25 de Setembro, em Lisboa, um workshop que tem como objectivo discutir os problemas decorrentes das mudanças climáticas e apontar medidas que assegurem a protecção ambiental, a defesa e melhoria do emprego e dos direitos dos trabalhadores, e o bem estar das populações, pode ler-se em nota divulgada à imprensa.

Nesta iniciativa irão participar sindicalistas de vários sectores, bem como representantes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS) e outras organizações que se debruçam sobre esta problemática.

Para a central sindical, os graves problemas ambientais, incluindo os resultantes das mudanças climáticas, são «indissociáveis» da lógica capitalista centrada numa «visão predadora e mercantilista dos recursos naturais» e de «desprezo» pelo ambiente e a qualidade de vida dos cidadãos.

Defende, assim, que a adopção de medidas para a preservação do ambiente tem de estar permanentemente ligada à salvaguarda do emprego e à criação de mais postos de trabalho. Neste sentido, para os sindicalistas importa estabelecer «atempadamente» um plano para as empresas que eventualmente possam vir a encerrar, que assegure a formação e a colocação dos trabalhadores noutras unidades, a par do incentivo à criação de mais emprego «estável e de qualidade», como garante para a efectivação do trabalho digno.

Afirmando que as estratégias a adoptar pelo Estado neste sentido são «pouco conhecidas», reclamam que os trabalhadores e os seus representantes sindicais «sejam chamados a participar nessas dinâmicas».

«É necessário que as empresas passem das palavras aos actos», acrescenta a nota, que apela para que as empresas adoptem uma atitude «responsável» na preservação dos ambientes de trabalho, de acordo com o desenvolvimento sustentável, nos modos de produção, na eficácia energética, na eliminação da poluição e no respeito pelas condições laborais e de trabalho digno.

A GLOBALIZAÇÃO DA MUDANÇA CLIMÁTICA

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Há muito que os países ocidentais se preocupam com o ambiente, o problema é que apenas se preocupavam com o ambiente nos seus próprios países, mesmo aqui na Península Ibérica a Espanha escolheu o Tejo para instalar a sua central nuclear, em caso de acidente o impacto seria minimizado, o rio levaria a poluição para Portugal. Por todo o mundo os países ricos deslocalizaram as suas indústrias poluente e a atração desses investimento até ganhou a forma de estratégia de desenvolvimento. Até que um dia, lá longe, na Índia, numa cidade chamada Bhopal...
 
É óbvio que a cada momento deixamos a nossa marca, quando comemos, quando nos vestimos, quando escrevemos uma carta de amor numa folha da Renova, quando defecamos, quando respiramos, quando nos deitamos numa bela cama em madeira que os nosso avós trouxeram das colónias. A toda a hora tratamos mal o clima, ajudamos os exploradores de países longínquos onde crianças esfomeadas partem as pedras da nossa bela calçada, plantam o algodão das nossas camisas de marca ou colhem as belas bananas que nos são vendidas a bons preços numa promoção.
 
É óbvio que não podemos deixar de respirar, comer, vestir, viajar, defecar ou dormir. É óbvio que se deixarmos de comer carne de vaca pouco compensamos a multiplicação das low costa que nos enchem as ruas de turistas e nos ajudam a sair da crise. É óbvio que não podemos deixar de comer proteínas e substituir a carne por algumas variedade de peixe pode dar igual ao litro, o mesmo sucedendo com legumes que importamos do norte de África ou de outras paragens.
 
Mas também é óbvio que se continuarmos com desculpas um dia destes acordamos numa casa sem telhado ou quando formos aliviar a bexiga ficamos com a água até aos tornozelos senão até às cruzes. É óbvio que nos empaturramos em comida que só nos traz problemas, que abusamos da moda graças ao baixo preço dessa maravilhosa globalização que faz o milagre de transformar a fome de crianças asiáticas ou egípcias na beleza das nossas top models.
 
Podemos estar descansados, para muitos de nós o prazo de validade do planeta ainda dá para estarmos tranquilos, porque quando o vaso cair já passamos. Mas é uma pena aquilo que estamos fazendo aos que vierem a seguir e se muito do mundo que conhecemos na infância já não existe, muitas das próximas gerações irão ver o nosso mundo em formato digital
 
Enfim, é óbvio que somos uma geração de merda.
 

Ver original em 'O Jumento' (aqui)

ONU sobre mudança climática: últimos 5 anos foram os mais quentes da história

Mudança Climática (imagem de arquivo)

Nos últimos cinco anos, o ritmo das alterações climáticas aumentou significativamente, concluiu o mais recente relatório publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), um órgão das Nações Unidas.

O relatório, intitulado "O Clima Global em 2015-2019", foi divulgado no domingo (22) para informar a Cúpula de Ação Climática do secretário-geral da ONU, que será realizada em Nova York nesta segunda-feira (23).

"As causas e impactos da mudança climática estão aumentando ao invés de desacelerar", alertou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

A lista de notícias ruins sobre o estado do planeta é longa e está detalhada no documento da OMM.

Temperaturas anormais

Os sinais alarmantes, como o aumento do nível do mar, a perda de gelo ou fenômenos meteorológicos extremos, todos aumentaram entre 2015 e 2019. Este último ano deverá se tornar o quinto ano mais quente já registrado. Um aumento de 20% nos níveis de gases de efeito estufa elevou as temperaturas médias globais em 1,1 graus Celsius, acima do nível pré-industrial.

No últimos anos, ondas de calor generalizadas, incêndios que batem recordes, ciclones tropicais, inundações e secas levaram à perda de vidas e colheitas em muitos países.

O gelo está se derretendo a um ritmo crescente na Antártida e na Groenlândia, tornando-se o principal fator que contribui para a subida do nível do mar.

Perdas humanitárias e econômicas

"Como vimos este ano, com efeitos trágicos nas Bahamas e em Moçambique, o aumento do nível do mar e tempestades tropicais intensas levaram a catástrofes humanitárias e econômicas", acrescentou Taalas.

O secretário-geral da OMM acrescentou ainda que os ciclones tropicais foram a causa das maiores perdas econômicas atribuídas ao clima extremo.

Nasa divulga aumento das temperaturas do planeta em 2017
© NASA . NASA’s Scientific Visualization Studio
Nasa divulga aumento das temperaturas do planeta em 2017

A temporada de furacões no Atlântico de 2017 foi a que causou mais danos desde que há registo, com mais de 125 mil milhões de dólares de perdas associados ao furacão Harvey.

A Cúpula do Clima da ONU foi convocada pelo secretário-geral da organização, António Guterres, para incentivar os líderes mundiais a serem mais ambiciosos no combate ao aquecimento global.

Brasil excluído da cúpula

O Brasil não irá discursar na cúpula porque, segundo artigo da Folha de S. Paulo, a ONU selecionou outros países que enviaram propostas consideradas mais ambiciosas. Também foram vetados Estados Unidos, Arábia Saudita, Japão, Austrália e Coreia do Sul.

O diretor de políticas públicas da ONG SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, acredita que a exclusão do Brasil é justa porque o país "não fez a lição de casa". 

"Acho que a ONU está chamando a atenção do Brasil. Ela não proibiu, a condição para se participar desse evento era ter feito o documento [...] O Brasil perdeu crédito, habilidade e está colocando em risco nossa economia e nossa sociedade com posturas tão obtusas e atrasadas", disse Mantovani à Sputnik Brasil.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2019092314547761-onu-sobre-mudanca-climatica-ultimos-5-anos-foram-os-mais-quentes-da-historia/

Fartura de Poluição e Miséria de “Ambientalismo”

De facto, a questão ambiental é demasiado importante para que a deixemos a tais “ambientalistas”!

 

 

Ao divulgar o gráfico sobre os Estados que mais poluem, elaborado pela AFP, Bruno Bertez escreveu meia-dúzia de linhas que dissecam e põem a nu a miséria total (prática e teórica) do “ambientalismo/ecologismo” realmente existente:

 

Chut c’est un secret, voici les pays du G20 qui émettent le plus de CO2

Chut c’est un secret , voici les pays du G 20 qui émettent le plus de CO2. Regardez la modeste part des 28 pays de l’Union Européenne, surtout si on retire l’Allemagne!

En Europe, l’idéologie climatique est une couverture, une construction parallèle: c’est un moyen de contrôler les citoyens, de vendre du collectif, de prélever pour financer les déficits, de créer une humeur malthusienne qui permet la baisse du cout de reproduction de la main d’oeuvre.

Cela fait passer la pilule de la frugalité.

Cela n’empêche pas les vraies préoccupations écologiques bien sur, elles sont justifiées; mais cela les dénature et les entache.

Nous sommes dans la récupération.

Hélas le peuple, les masses fonctionnent binaire, c’est noir ou c’est blanc: on est pour ou contre, pas de place pour l’intelligence.”

 

 

 
 
 

De facto, a questão ambiental é demasiado importante para que a deixemos a tais “ambientalistas”!


por Salvador Vicente

Exclusivo Tornado / IntelNomics



 
 

HÁ BIFE EM CAMBRIDGE?

A política alimentar seguida na Universidade de Cambridge (que data de 2016) trata todos os ruminantes por igual (carneiro/borrego, maior emissor, e vaca) não aboliu completamente (dois dos restaurantes continuam a servir) e, acima de tudo, preparou um estudo, com muitas medidas de preparação e acompanhamento.

 https://www.environment.admin.cam.ac.uk/sustainable-food/university-cambridges-sustainable-food-policy#

 

 

Ver original em 'De Rerum Natura' na seguinte ligação::

http://dererummundi.blogspot.com/2019/09/ha-bife-em-cambridge.html

Anatomia e imagens do grande protesto global

 
 
Não foi apenas a maior manifestação já realizada contra a destruição do planeta. Foi um sinal claro de que aumenta a consciência sobre as causas do problema e de que o movimento pode tornar-se ator central na contestação do capitalismo
 
Antonio Martins | Outras Palavras
 
Se não é possível ocultar um protesto, tente esvaziá-lo de sentido. A Greve Global pelo Clima estava convocada há dois meses, mas a velha mídia brasileira fez o possível para não vê-la – muito menos, narrá-la.
 
Agora que isso tornou-se impossível, pois milhões foram às ruas no primeiro dia da semana de ações, as fotos se espalharão pelos portais, jornais e noticiários de TV. Os textos tomarão, no entanto, o cuidado de omitir três pontos centrais. Primeiro: cresce, junto com as marchas, a consciência de que o planeta não é ameaçado “pelo ser humano” – mas por um sistema que obriga multidões a devastarem a natureza (ao privá-las de outro modo de subsistência) e que promove, em busca do lucro, o consumismo, o desperdício e a obsolescência programada. Segundo: esta consciência deixou de ser um fenômeno restrito às sociedades ricas ou às classes com mais acesso à informação. À medida em que as consequências do aquecimento global espalham-se, surgirá talvez um fenômeno oposto: as maiorias pobres, principais vítimas, podem converter-se na grande força a tomar as ruas e exigir mudança. Terceiro: a omissão dos políticos tem um preço. Embora tenha se difundido pelo mundo, os protestos foram e tendem a ser maiores e mais ácidos nos países cujos governantes desdenham da crise.
 
Oceania
 
A jornada desta sexta-feira começou na Oceânia, quando o resto do planeta ainda dormia. Na Nova Zelândia, onde a primeira ministra Jacinta Ardern defende a imigração e a luta contra o aquecimento global, as manifestações ocorrerão no próximo dia 27. Mas a Austrália, onde governa Scott Morrison, um primeiro-ministro alinhado à direita e aos planos geopolíticos de Trump, viveu talvez os maiores protestos de rua de sua história. Multidões formaram-se nas principais cidades – Sidney, Camberra, Adelaide, Brisbane – e uma centena de centros urbanos menores. Reuniram 300 mil pessoas, num país de população nove vezes menor que a brasileira. Muitas portavam cartazes contra Morrinson. Outras lembravam: “negação não é política”, referindo-se ao fato de que o enorme litoral australiano e a concentração dos habitantes na costa torna o país especialmente vulnerável à elevação dos mares.
 
Situadas a Nordeste da Austrália, as Ilhas Salomão também foram palco manifestações. Lá, uma população de 560 mil pessoas está ameaçada de desaparecer rapidamente. A altitude média é de centímetros acima do mar. Muitas casas são montadas sobre palafitas fincadas diretamente no solo oceânico. Ciclones, antes inexistentes, estão se tornando cada vez mais comuns. Houve protestos em que se lia: “Não estamos afundando. Estamos lutando”.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/anatomia-e-imagens-do-grande-protesto.html

FACTOS SOBRE CONSUMO DE CARNE E EMISSÕES DE CO2

Havendo tanta discussão sobre a abolição do bife nas cantinas da Universidade de Coimbra, é bom ter um olhar científico sobre o assunto: 1)  Toda carne consumida no mundo, proveniente da pecuária, contribui com 7100 megatoneladas de CO2 por ano, o que significa 14,5% do total anual de emissões. https://ccafs.cgiar.org/bigfacts/# 2) Por seu lado a carne de vaca não é a que causa maior quantidade das referidas  emissões, mas sim a de cordeiro/ carneiro / borrego (39 kg de CO2 por quilograma de carne consumida em vez de 27 kg) http://www.greeneatz.com/foods-carbon-footprint.html  Não vi qualquer estudo da Universidade sobre o assunto, que não dispõe aliás de grandes especialistas em emissões de carbono e, ainda menos, em ciências da nutrição (ainda não há uma Faculdade das Ciências da Nutrição e da Alimentação). Portanto, a medida agora anunciada - se é que de facto tem alguma efícácia, pois parece que praticamente não há bife de vaca nos menus das cantinas - parece ser uma medida demagógiga e panfletária: se as intenções poderão ser as melhores, seria melhor procurar diminuir as emissões dos autocarros turísticos poluentes a vários títulos (não é só CO2!) que enchem a Rua Larga, para não falar de todo o outro intenso trânsito na Alta e, se o foco for apenas o consumo de proteínas que causa emissões, convém não esquecer o cordeiro  e, ainda que menores a carne de vaca, o queijo, o porco e o salmão.
 

Ver original em 'De Rerum Natura' na seguinte ligação::

http://dererummundi.blogspot.com/2019/09/factos-sobre-consumo-de-carne-e.html

Ambientalismo ou animalismo?

O debate pré-eleitoral deste ano é o primeiro em que se fala seriamente de problemas ambientais e - o que não é de todo a mesma coisa - de direitos dos animais. O que torna premente distinguir ambientalismo e animalismo.
 
O ambientalismo é uma ideologia que prioriza a defesa do equilíbrio e a salubridade do meio-ambiente, algumas vezes o «desenvolvimento sustentável». Pode ser mais moderada ou mais radical, mais adepta do progresso tecnológico ou mais conservadora de modos de vida, mas permite uma conversa racional, porque é humanista: coloca o ser humano no centro das nossas atenções. O animalismo é uma filosofia de vida em passagem da esfera individual para o campo social e político. Parte do reconhecimento de que há outros seres sencientes (verdade) e chega rapidamente à conclusão de que qualquer actividade que implique sofrimento animal ou «exploração animal» é ilegítima. Pensa-se em ruptura com o que denuncia como «antropocentrismo», e que no fundo é o bom velho humanismo.
 
No debate político em Portugal, as duas abordagens, apesar de radicalmente diferentes, aparecem misturadas. É certo que em algumas questões conduzem aos mesmos resultados. Por exemplo, na polémica de redes sociais da semana passada, as restrições ao consumo de carne de vaca foram defendidas com argumentos ambientalistas (limitar o impacto da indústria agro-pecuária, que consome muita água e multiplica emissões), e com argumentos animalistas («é moralmente errado criar animais para abate»). Mas com os primeiros é possível um diálogo racional, que pondere outras formas de conseguir uma menor «pegada ecológica», enquanto com os segundos estamos perante uma barragem quase terrorista de argumentos sentimentais, e face à ânsia de limitar a liberdade dos únicos seres deste planeta providos de razão. 
 
Nem problema moral nem atentado ambiental, parte da liberdade individual.
O que os animalistas pretendem verdadeiramente é impor-nos um estilo de vida de acordo com a sua moral: uma preocupação quotidiana (e quase religiosa) com o impacto dos nossos mais pequenos gestos noutros seres vivos. Não pelo ambiente, mas pelos animais «sencientes». Acontece que se a liberdade significa alguma coisa, é justamente podermos escolher o nosso estilo de vida. E que há uma única espécie neste planeta que demonstrou ser capaz não apenas de formular direitos, mas também de respeitar deveres. Sendo o vegetarianismo e o veganismo legítimos como escolhas individuais, não podem ser impostos a toda a sociedade.
 
Os verdadeiros ambientalistas, particularmente no debate político e partidário actual em Portugal, devem portanto ter o cuidado de se diferenciarem daquilo que é animalismo (mal) disfarçado de ambientalismo. O que implica não se deixarem arrastar para a irracionalidade anti-humanista, ou colaborarem na ilusão de que os comportamentos diários dos indivíduos podem ter um impacto sequer comparável ao da regulação global dos transportes ou dos modos de produção de energia (quanto à comida, o desperdício de um terço da produção mostra como qualquer medida pontual sobre o consumo de carne é insignificante). Também, vezes demais, a acção ecologista parece convencida de que o «impacto zero» no planeta é possível; realista é discutir impactos maiores e menores.
 
Os ambientalistas têm ainda que se distanciar de alguns excessos, irracionalidades e sentimentalismos. «Salvar o planeta», por exemplo, é um slogan infeliz: é a humanidade que interessa salvar. Outro: muitos acreditam sinceramente, com fervor malthusiano, que o crescimento populacional é imparável (e até fazem apelos anti-natalistas), quando na realidade se prevê que a população mundial estagne daqui a meio século.
 
Gráfico sacado de Pinker (2018).
Os animalistas vivem uma contradição óbvia que desmascara o seu pretenso ecologismo: o tremendo impacto ambiental dos animais domésticos. Realmente, estima-se que cerca de um quarto do impacto da produção de carne seja para rações de animais domésticos. A caricatura do vegetariano que tem um cão que come carne não anda muito longe da realidade.
 
Finalmente, enquanto o animalismo é um estilo de vida urbano (legítimo, sublinhe-se), de pessoas jovens e saudáveis de classe média, e que portanto se marimba olimpicamente no impacto que as suas medidas pseudo-ambientais tenham na vida dos mais pobres, um ambientalismo que se queira de esquerda não pode aceitar que os pobres paguem a crise ambiental. Em qualquer política ambiental de esquerda, deve-se preferir prejudicar os interesses de grandes empresas e Estados do que colocar todo o peso da «catástrofe climática» em pessoas pobre demais para terem a escolha da carne que comem, ou que não dispõem de alternativas de transporte ao automóvel pessoal.

Ver original em 'Esquerda Republicana' na seguinte ligação:

http://esquerda-republicana.blogspot.com/2019/09/ambientalismo-ou-animalismo.html

A Terra é redonda

(António Guerreiro, in Público, 20/09/2019)

Parece que a nossa época é aquela em que tomámos consciência de que estamos confrontados com o perigo absoluto do fim da humanidade: este catastrofismo é o tom dominante, diariamente, nos media ocidentais que nos servem de referência.

 

Uma vez instalado este imaginário catastrofista, foram evacuadas a grande velocidade as reminiscências dos tempos modernos, que nos falavam de emancipação, progresso, liberdade, esperança. Agora, mal falamos em “esperança” vem-nos logo à memória a proposta desse “grande animal hanseático”, como alguém chamou ao filósofo alemão Peter Sloterdijk, que propôs em tempos que deviam ser postos na prisão todos aqueles que falam em esperança porque contribuem para a catástrofe. Recordemos que Sloterdijk é o filósofo que, com a sua teoria das esferas e do “espaço interior do mundo” nos veio mostrar que a Terra é redonda.

Podemos objectar que já o sabíamos há séculos. Pois sabíamos, mas só começámos a ver e a sentir verdadeiramente essa rotundidade quando os efeitos de tudo o que fazemos, em termos ecológicos, em qualquer parte do mundo, chegam até nós como um boomerang. Antes de a Terra ser única e redonda, como é hoje, os países ricos podiam sentir-se seguros ao depositar o seu lixo industrial nos países longínquos. Hoje, até o fundo dos mares está em circulação na superfície da nossa Terra redonda.

Curioso, e até divertido, é ver como nos vão sendo ministrados todo os dias ecopaliativos:. Dizem-nos: viaja o menos possível de avião, vai para a escola ou para o emprego de bicicleta, bebe só água da torneira, reutiliza os sacos plásticos, não deixes a torneira aberta enquanto lavas os dentes, toma atenção a todos os teus gestos quotidianos, torna-te um herói da salvação do planeta (como se o planeta estivesse interessado nos nossos esforços e não continuasse a existir depois de nós, tal como já existia antes de nós). Tudo isto não passa de formas de exorcismo e de recalcamento do medo, ao mesmo tempo que cria a ilusão de que estamos a responder à urgência.

Se olharmos com atenção e utilizarmos o bom senso (nem é preciso muita ciência) facilmente concluímos que muito pouco se faz porque era preciso virar os nossos modos de vida de pernas para o ar para se fazer alguma coisa eficaz (se ainda há tempo para isso porque obviamente não se pára de um dia para o outro um processo que começou há séculos). Não é que devamos continuar a agir como sempre agimos, mas todas estas ideias de boa vontade que surgem todos os dias como injunções acabam por esconder a questão política essencial.

Na verdade, passámos em pouco tempo de uma política com pouquíssima ecologia a uma ecologia de boa vontade à qual falta política. E essa falta torna vãs todas as boas intenções. O que vemos é que continua a ser difícil declinar essas duas palavras — ecologia e política — sob a forma de uma ecopolítica digna desse nome. Uma ecopolítica à altura dos desafios com que estamos confrontados terá de ser capaz de mostrar que as situações ecológicas, políticas, sociais, económicas, institucionais, tecnológicas e psíquicas estão em total conexão umas com as outras. Sem agir sobre todas estas dimensões, o “impasse planetário” mantém-se. Por isso é que são tão ingénuos os regulamentos avulsos e o pretenso “regresso à natureza” de tonalidade romântica.

Se já estamos a viver em pleno “perigo absoluto”, como afiançam até os cientistas colapsólogos e os catastrofistas esclarecidos, então só podemos concluir que não saímos ainda da imobilidade nem se vislumbra que iremos sair. A culpa é também das nossas representações das catástrofes: pensamos num acontecimento colossal (a Terra submetida a uma terrível operação que tanto pode ser vista como a aniquilação total como a sublime “obra de arte total”), que interrompe abruptamente o curso do mundo e da História. Ora, tal como o Messias que, para alguns autores da mística judaica, chega de maneira imperceptível, já aí está mas ainda ninguém deu por ele, também a catástrofe pode chegar imperceptivelmente: quando apreendemos os seus sinais já ela chegou com carácter de irreversibilidade.


Livro de Recitações

“No debate dos grandes, afinal quem ganhou a quem?”
Título do Expresso online, 17/09/2019

Nestas olimpíadas dos debates, ganhar nunca é o resultado de uma verificação que pode ser descrita, mas de um acto que se consuma através de frases proferidas por outrem: ganha sempre aquele que alguém diz que ganha. Se há vozes que, pela posição que ocupam, lhes é outorgada uma certa autoridade, então são elas que decidem se ganhou X ou Y, isto é, o que disserem consuma a vitória de um e a derrota do outro. Não se trata de árbitros, mas de jogadores num metajogo que se sobrepõe ao jogo de primeiro nível. Neste título do Expresso, toda a minha atenção vai para o “afinal”: perante todas as indecisões quanto ao resultado de um jogo que é por definição indecidível, há alguém que nos vem garantir, sob a forma de uma interrogação cuja resposta será dada a quem abrir o link, que há uma verdade de última instância, há “afinal” um vencedor de verdade. Afinal, quem ganha são sempre os metajogadores. E a final acontece sempre no dia seguinte.​

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

CIENTISTA DESMONTA OS MITOS DA HISTERIA CLIMÁTICA

Furacões01
 
                                           https://www.youtube.com/watch?v=4JJ3yeiNjf4
                  A FALSA CIÊNCIA DOS «CONSENSOS»
Eu gostava que as pessoas com educação científica, que lêem o meu blog, reconhecessem a importância da palestra do Dr. Soon, na medida em que, com argumentos, destrói a PSEUDO-ciência (ou mitos) e a adesão acrítica ao chorrilho de falsidades, por parte das pessoas. Encheram-lhes os ouvidos e a cabeça com uma suposta unanimidade no mundo científico sobre o assunto... o tal «consenso».

Mas a ciência não é, nem nunca foi, uma questão de consenso
A decisão política pode sê-lo. Decidir se adoptamos ou não um determinado programa, ou lei, ou medida governamental, será equivalente a procurar o consenso mais alargado possível na cidadania. Simplesmente, aqui trata-se de leis ou medidas feitas e decididas pela sociedade, pelos humanos. 
Quando lhes quiserem insinuar que a «ciência opera por consensos» ou que «existe um consenso entre os cientistas sobre isto, ou sobre aquilo...» devem duvidar da honestidade da pessoa, sobretudo se ela se intitula cientista. 
Nada, no modo de proceder da ciência, tem a ver com consensos, mas sim com a experimentação, que vem validar ou invalidar determinado modelo, hipótese, ou teoria.  Se um único facto (e, mais ainda, um conjunto de factos) vem contradizer uma teoria, então ela fica INVALIDADA.  Não importa que um exército de «cientistas» feitos à pressão, ou de políticos mascarados de cientistas, clame que tal teoria é verdadeira. No caso de haver facto(s) que a contradiz(em), ela será sempre considerada como falsa, ou como não provada, ou não validada pela experiência e pela observação.
Agora, o que se passa [e isto é muito grave], é uma campanha massiva de media, políticos, activistas sociais, etc. que pensam ter razão. Para eles, tudo o que contradiz essa razão (a razão deles) é desonesto, ao serviço de forças obscuras, etc.
O Dr. Soon chama a atenção para o significado disto, para além da própria controvérsia em torno das alterações climáticas: é a própria ciência que pode estar a ser descredibilizada, junto do grande público. Com efeito, toda esta montagem, envolvendo prestigiosas instituições e nomes sonantes da ciência, acabará por ser vista como aquilo que é, mais cedo ou mais tarde. Muitas pessoas ficarão de tal maneira decepcionadas, que deixarão de ter confiança na ciência em geral, confundindo a má ciência e o abuso de poder no «establishment» científico, com a ciência em si mesma! 
O cepticismo, em qualquer domínio do saber, é uma atitude saudável se ele estiver aberto a examinar - sem preconceitos - quaisquer evidências a favor, ou contra, a teoria que o próprio defende. 
O espírito científico não é «partidário». As pessoas verdadeiramente científicas sabem que se deve lutar contra o seu próprio subjectivismo. Quando virem que um argumento é rejeitado, não por falha de lógica intrínseca, não por insuficiente suporte experimental, não por incompatibilidade com o conjunto dos dados disponíveis, mas por ataques ad hominem, insinuando que são «agentes de lóbis» pró-indústria poluidora, etc... fiquem de pé atrás, exerçam o vosso espírito crítico, tentem perceber quais as motivações subjacentes a tais campanhas. 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A religião, a carne de vaca e o Reitor da Universidade de Coimbra

(Carlos Esperança, 18/09/2019)

Imagem de António Neto Brandão, in Facebook

Preservar o ambiente e tornar sustentável o Planeta é assunto demasiado sério, que não se compadece com ironias fáceis ou adiamentos em período de emergência, mas há um mínimo de bom senso aparentemente alheio ao Reitor da Universidade de Coimbra.

 

Todos sabemos que o modo de vida das sociedades atuais não é sustentável e que a sua perpetuação só abreviará o prazo de validade do Planeta para a vida humana. É urgente um novo paradigma que me leva a refletir sobre o aquecimento global e as tragédias que nos aguardam, mas há diferenças entre a ponderação exigida e o exibicionismo fácil.

Desconhecia a competência do Magnífico Reitor nas ementas das cantinas e a função de nutricionista-mor para proibir um alimento não proscrito pelas autoridades sanitárias.

A abolição inopinada da carne de vaca parece-me uma prepotência própria de um crente cujo proselitismo não aceita o contraditório. O atual reitor da UC, uma instituição laica, já surpreendeu na tomada de posse ‘antecedida de Missa Solene na Capela de S. Miguel, pelas 9 horas’, em 18 de fevereiro deste Ano da Graça.

Foi uma atitude pioneira de indignidade, de que pode não ter sido o responsável, mas a sua posse integrou uma missa para abrilhantar a cerimónia, missa cujo anúncio inédito mereceu a indignação de vários docentes. Foi a primeira vez que um reitor tomou posse com missa anunciada.

Se em 1 de março foi o primeiro reitor a manifestar publicamente a preocupação com a salvação da alma, em 17 de setembro, meio ano depois, é pioneiro a salvar o Planeta. Espero que não pense que o pão ázimo, que alimenta a alma, transubstanciado em corpo e sangue, após os sinais cabalísticos, seja a fonte de proteínas para substituir a carne de vaca.

Para já, parece-me abuso de funções, à semelhança da Missa Solene, impor aos outros o direito individual que lhe assiste.

Como na missinha, volto agora a repudiar a prepotência do Magnífico Reitor, por não lhe reconhecer autoridade para a decisão que tomou.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Materiais obtidos pelo The Intercept mostram plano 'paranoico' de Bolsonaro na Amazônia

© REUTERS / ADRIANO MACHADO

Bolsonaro estaria planejando povoar Amazônia contra chineses, ONGs e Igreja Católica.

O governo de Bolsonaro estaria elaborando um plano de ocupação e desenvolvimento da Amazônia desde a ditadura militar.

O projeto Barão de Rio Branco retoma o antigo desejo militar de povoar a Amazônia, sob o pretexto de desenvolver a região e proteger a fronteira norte do país.

Documentos, obtidos pelo jornal The Intercept, detalham o plano que incentivaria os grandes empreendimentos a atrair a população brasileira a povoar a região amazônica para elevar a participação da região norte no PIB do país.

Contrariando os pronunciamentos realizados em rede nacional por Bolsonaro, os documentos mostram que os planos do presidente é explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes para a Amazônia.

O plano foi apresentando pelo coronel reformado Raimundo César Calderaro, coordenador de Bolsonaro, em reuniões fechadas com políticos e empresários locais. Parte do conteúdo desta reunião foi revelada pelo portal Open Democracy.

A secretaria teria afirmado ter reunido a sociedade, academia e autoridades locais para receber opiniões e sugestões para dar sequência ao projeto, entretanto deixou de fora os indígenas, quilombolas e ambientalistas.

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli
Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

O governo Bolsonaro estaria visando as "riquezas" da Amazônia, como os minérios, o potencial hidrelétrico e as terras cultiváveis do planalto da Guiana. Além disso, há planos para a construção de uma hidrelétrica e uma rodovia e explorar as regiões de savanas.

Vale destacar que outros projetos semelhantes foram abandonados devido ao impacto socioambiental em comunidades indígenas e quilombolas, onde inclusive há o registro de tribos isoladas. Entretanto, o governo Bolsonaro ignora a questão socioambiental e estaria determinado a seguir em frente com o projeto, "custe o que custar".

Em áudios gravados durante a reunião fechada, o governo Bolsonaro cita que o Brasil precisa proteger suas fronteiras, principalmente com o Suriname, país que recebe investimento e imigrantes chineses. Já que eles acreditam que a China poderia fazer o mesmo em uma região pouco habitada do Brasil, o que facilitaria uma suposta invasão chinesa.

Entretanto, Mauricio Santoro, professor de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, afirmou que a China não tem uma política de imigração e que, na verdade, está atraindo de volta seus cidadãos capacitados que vive no Ocidente.

Os militares acreditam que a única forma de proteger o Brasil é desenvolver a região amazônica a qualquer custo, pois almejam elevar a renda do PIB do Brasil.

A realidade aponta que o projeto "causará impactos destrutivos e irreversíveis" para a região, para os povos indígenas e para os recursos naturais.

Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia
© REUTERS / Bruno Kelly
Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia

O governo Bolsonaro vem tentando aprovar o projeto desde janeiro, mas até agora não conseguiu, entretanto o assunto segue secretamente em pauta.

Por coincidência, a Amazônia está sofrendo sua maior crise e desmatamento após incêndios que podem ter sido causados por apoiadores de Bolsonaro e seu projeto Rio Branco, escreve o The Intercept. Inclusive, a crise da Amazônia está favorecendo seu projeto de interesses na região, onde uma exploração e expansão estão em seus planos.

Ou seja, Bolsonaro e seu "exército" veem a crise da Amazônia como uma grande oportunidade para seguir com o projeto. Tanto é que a Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos admitiu que o governo deverá criar um Grupo de Trabalho Interministerial para discutir o projeto, expondo ainda mais a real intenção do governo Bolsonaro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019092014538832-materiais-obtidos-pelo-the-intercept-mostram-plano-paranoico-de-bolsonaro-na-amazonia/

Brasil sem voz na cúpula do clima: retaliação ou falta de dever de casa?

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli

Dono da maior floresta tropical do mundo, o Brasil foi impedido de discursar na Cúpula sobre Ação Climática da ONU. A Sputnik Brasil ouviu duas vozes sobre a decisão da ONU de tirar o microfone dos brasileiros.

Com início previsto para a véspera da Assembleia-Geral da ONU, o evento tem como objetivo "aumentar a ambição e acelerar a implementação do Acordo de Paris". 

O Brasil não irá discursar porque, afirma reportagem da Folha de S. Paulo, a ONU selecionou outros países que enviaram propostas consideradas mais ambiciosas. Também foram vetados Estados Unidos, Arábia Saudita, Japão, Austrália e Coreia do Sul.

"O Brasil não apresentou nenhum plano para aumentar o compromisso com o clima", disse à Folha de S. Paulo o enviado especial da secretaria-geral da ONU, Luis Alfonso de Alba.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já questionaram o aquecimento global.

Bolsonaro pediu, em novembro de 2018,  que o Brasil não sediasse a Conferência do Clima da ONU em 2019, e o evento acabou transferido para o Chile. Salles pretende se reunir nos Estados Unidos com negacionistas do aquecimento global e Araújo já escreveu, em 2018, que o "climatismo" é uma trama para "sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China".

O advogado e especialista em direito ambiental Fernando Pinheiro Pedro acredito que a exclusão do Brasil do rol dos oradores durante Cúpula sobre Ação Climática da ONU é um "desaforo internacional" e um posicionamento "ideológico e contaminado pelo sectarismo". 

"Há uma manipulação de ordem política e ideológica de uma questão que deveria ser tratada eminentemente no campo científico", diz Pedro à Sputnik Brasil.

Ainda de acordo com Pedro, o Brasil é prejudicado por "países europeus comprometidos com o globalismo" por seu posicionamento mais "soberanista e menos globalista".

Brasil está fora porque não fez a lição de casa

O diretor de políticas públicas da ONG SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, acredita que a exclusão do Brasil é justa porque o país "não fez a lição de casa". Ele ressalta que os brasileiros são responsáveis pela criação de instrumentos e eventos importantes no campo das políticas climáticas, como a Conferência do Clima e a Conferência da Biodiversidade: "não é coisa de gringo querendo trazer informação para cá", diz.

"Acho que a ONU está chamando a atenção do Brasil. Ela não proibiu, a condição para se participar desse evento era ter feito o documento", diz Mantovani á Sputnik Brasil. "O Brasil perdeu crédito, habilidade e está colocando em risco nossa economia e nossa sociedade com posturas tão obtusas e atrasadas."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019091914536216-brasil-sem-voz-na-cupula-do-clima-retaliacao-ou-falta-de-dever-de-casa/

Aeroporto no Montijo tem «conjunto de impactes negativos»

A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do futuro aeroporto do Montijo termina hoje. Câmara da Moita e organizações ambientalistas alertam para riscos.

A decisão final do EIA deverá será conhecida em OutubroCréditos

Esta terça-feira, a Câmara Municipal da Moita (CDU), no distrito de Setúbal, anunciou num comunicado que tinha aprovado uma posição em que dá parecer negativo ao EIA do novo aeroporto, devido ao «conjunto de impactes negativos no território, no ambiente, na saúde, na segurança pública e nos valores culturais e patrimoniais existentes».

A decisão foi aprovada na segunda-feira, em reunião do Executivo, tendo em conta a existência de «alternativas de localização mais favoráveis», como é o caso do Campo de Tiro de Alcochete, também no distrito de Setúbal.

Para o Município, o local escolhido – Base Aérea n.º 6, entre o Montijo e Alcochete – traz «riscos reais para a saúde pública causados pela elevada exposição da população ao ruído e às concentrações de poluentes no ar, contrariando todas as directivas da Organização Mundial de Saúde».

Contrariamente à Moita, no início deste mês as câmaras do Barreiro e do Montijo deram um parecer favorável ao EIA, considerando que o estudo contempla «as adequadas medidas de compensação ao nível da protecção ambiental».

Ambientalistas dizem «Não»

Essa não é, no entanto, a posição assumida pela GEOTA, LPN, FAPAS, SPEA e A Rocha. Num comunicado conjunto hoje divulgado, as organizações não-governamentais (ONG) dão parecer negativo ao projecto do aeroporto do Montijo e respectivo EIA, considerando que este «falha em todas as vertentes relacionadas com a avaliação de impactes, a mitigação e as medidas compensatórias».

Por outro lado, criticam, está em desconformidade com «directivas europeias, legislação nacional e compromissos assumidos pelo Estado português perante tratados internacionais», no que diz respeito à conservação do património natural e ao desenvolvimento sustentável.

No comunicado conjunto, as organizações sublinham que o EIA «não avalia os impactos na qualidade de vida e na saúde pública das populações que vivem nas áreas que passarão a ser sobrevoadas por aeronaves», ao mesmo tempo que desconsidera «habitats e espécies prioritários, bem como áreas protegidas».

Além das falhas, as ONG destacam que o EIA «não apresenta argumentos que expliquem» em que medida este projecto irá responder a necessidades nacionais, ao mesmo tempo que denunciam uma «pressão política inaceitável» para a execução da obra.

«A assinatura do acordo entre o Governo de Portugal e a ANA [Aeroportos de Portugal] para a construção do novo aeroporto do Montijo, ainda antes da elaboração do Estudo de Impacte Ambiental e do parecer da Comissão de Avaliação, é uma forma de ingerência política em processos de avaliação ambiental que consideramos inaceitável num Estado de direito», concluem.

Recorde-se que, no frente-a-frente com o líder do PSD, Rui Rio, o primeiro-ministro, António Costa, ameaçou que uma renegociação com a ANA «custaria ao País milhares de milhões de euros» caso não fosse possível avançar com o novo aeroporto de Lisboa no Montijo.

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/aeroporto-no-montijo-tem-conjunto-de-impactes-negativos

Pesquisa em biodiversidade descobre mil espécies de animais e plantas no centro de Moçambique

Maputo, 17 set (Xinhua) -- Mais de mil espécies de animais e plantas, incluindo várias novas espécies em Moçambique e outras potencialmente novas para a ciência, foram descobertas na província central de Manica, em Moçambique.

A descoberta, resultado de uma pesquisa de biodiversidade de duas semanas que ocorreu no fim de 2018, em uma seção de uma área de conservação pouco pesquisada chamada Chimanimani, foi anunciada em um comunicado pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) do país na terça-feira.

As descobertas incluem 231 espécies de aves, 176 plantas, 42 mamíferos, 22 espécies de anfíbios, 45 répteis e mais de 450 insetos, segundo o comunicado.

Segundo o documento, uma nova espécie de morcego pode ter sido descoberta em Moçambique, além disso uma espécie de rã, outra de lagarto, um tipo de grilo de arbusto possivelmente são inéditos para a ciência. Várias espécies de animais foram registradas pela primeira vez no país,

Especialistas enfatizaram a importância de proteger a rica biodiversidade desse cenário contra ameaças como a mineração, a exploração madeireira e o aumento demográfico.

A Reserva Nacional de Chimanimani é habitada há séculos e contém importantes sítios históricos, incluindo pinturas rupestres da Idade da Pedra e ruínas que datam da era do Grande Zimbábue dos séculos XIV e XV.

Juntamente com o Parque Nacional de Chimanimani do Zimbábue, a Reserva Nacional de Chimanimani é uma área transfronteiriça protegida que cobre aproximadamente mil quilômetros quadrados.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/18/c_138400923.htm

China acaba com epidemia de pragas destruidora de milho

Beijing,18 set (Xinhua) -- A China venceu a luta contra uma epidemia de largata-militar que ameaçou a produção de milho e grãos do país, divulgou nesta terça-feira o Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais.

Graças aos esforços conjuntos de controle, as pragas consumiram menos de 5% da produção e não causaram danos à principal área de produção de milho, disse Pan Wenbo, funcionário do ministério.

As metas de controle de pragas e estabilização da produção de grãos de outono foram alcançadas, e a ameaça à principal área de produção de milho foi eliminada, disse Pan.

A praga, detectada pela primeira vez em janeiro, se alastrou da Província de Yunnan no sudoeste da China para 25 regiões de nível provincial, afetando 1 milhão de hectares de cultivos e causando danos a 164 mil hectares.

O país alocou pelo menos 860 milhões de yuans (US$ 121 milhões) em fundos financeiros para combater as pragas.

É possível que a praga migratória retorne no próximo ano e o ministério trabalhará em planos de controle com antecedência, disse Pan.

Pan acrescentou que o Ministério continuará promovendo as capacidades de prevenção e controle de pragas, melhorando as políticas de apoio a emergência e estabelecendo um mecanismo de longo prazo para combater as pragas.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/18/c_138400830.htm

China fortalece apoio financeiro para enfrentar mudança climática

Beijing, 18 set (Xinhua) -- A China fortalecerá o apoio financeiro a programas destinados a mitigar a mudança climática e a reduzir as emissões de carbono, um aspecto destacado dos esforços do país para impulsionar as finanças verdes, indicou o órgão supervisor do ambiente da China.

Em um fórum de finanças verdes, Li Gao, funcionário do Ministério de Ecologia e Ambiente, disse que a China acelerará a construção de políticas relacionadas de financiamento para resolver a mudança climática e apresentar padrões nacionais nessa área.

Esforços devem ser feitos para se estabelecer zonas pilotos de financiamento do clima e orientar os governos locais para explorarem caminhos e modelos de desenvolvimento específicos para lidar com os assuntos climáticos chave, apontou Li.

Ele também pediu o fortalecimento da cooperação internacional em financiamento climático para promover a implementação de projetos amigáveis ao clima no exterior.

A China introduziu em dezembro de 2017 um mecanismo de mercado para o controle de emissões de carbono com um sistema nacional de comércio. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/18/c_138400739.htm

Com uma batalha à vista já outra se perfila

Até 6 de outubro a prioridade será a repetição da grande vitória das esquerdas de há quatro anos, ampliando-a tanto quanto o possível. Esse é o desafio do curto prazo, aquele que determinará se continuaremos a constatar melhorias efetivas nos nossos rendimentos e qualidade de vida nos anos vindouros.

 

Vencida essa batalha logo outra deverá mobilizar-nos: a que, neste fim-de-semana, António Guterres considerou ser a das nossas vidas, porque o tempo está a esgotar-se para que evitemos um descontrole irreversível no comportamento da atmosfera terrestre, com o efeito de estufa a acentuar-se significativamente devido ao aumento da evaporação dos oceanos, não só elevados num metro por efeito do degelo da Groenlândia e do Ártico, mas também pelo seu aumento de temperatura.

 

Para inquietação maior dos cientistas, constata-se que o ritmo desse aquecimento global está a acelerar-se, verificando-se uma transposição do clima anteriormente associado ao Magrebe para as condições agora rastreadas no sul da Europa.

 

Pode haver a tentação de militar por políticas à medida da situação de emergência climática escolhendo partidos e movimentos, que adotam a agenda ecologista por oportunismo ou sem suporte ideológico coerente capaz de dar consistência às pretensões emitidas pelas suas palavras de ordem. A evidência mais óbvia - e que depressa será a linha de separação entre o lirismo inconsequente de uns e a determinação responsável de outros - é não ser possível defender uma agenda ecologista sem por em causa o sistema económico que a contraria. Daí não ser credível o discurso de quem diz defender um planeta sustentável sem se posicionar politicamente à esquerda ou à direita. O aquecimento global, com todos os perigos a ele associados, torna obsoletos os partidos tradicionais das direitas e, ainda mais, os que se andaram para aí a inventar como tentativa de dar ilusório fôlego à moribunda intenção de fazer o tempo voltar para trás.

 

Em vez de apoiarmos partidos ou movimentos de contrafação cuja ideologia é indefinida ou enfeudada a outros interesses, que não os que anunciam, deveremos secundar quem está efetivamente a tomar medidas concretas para que cesse a atividade das centrais a carvão, se substitua o transporte individual pela mobilidade coletiva ou se aumente substancialmente a produção de energia elétrica com fontes renováveis. Entre o blá-blá-blá de uns e as medidas já tomadas, ou em preparação, pelo governo não é difícil escolhermos a trincheira para que o país cumpra a sua parte no esforço global para que os nossos filhos e netos recebam a herança de um planeta onde seja agradável crescer e viver.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/09/com-uma-batalha-vista-ja-outra-se.html

Chineses fazem 300 milhões de viagens diárias por via de transporte verde

Tianjin, 17 set (Xinhua) -- A China tem conquistado grande progresso em transporte verde, fornecendo 300 milhões de viagens por dia, disse um alto funcionário dos transportes na segunda-feira na cerimônia de abertura de uma campanha sobre o transporte verde.

A campanha, organizada pelo Ministério do Transporte, Ministério da Segurança Pública, Administração Nacional dos Órgãos Governamentais e Confederação Nacional dos Sindicatos da China, durará de 16 a 22 de setembro.

Um total de 37 cidades chinesas dispõe de redes de metrô, com a distância total em operação acima de 5.300 km. O sistema de transporte público urbano serve mais de 90 bilhões de viagens de passageiros anualmente e os usuários diários médios das bicicletas compartilhadas superam 40 milhões, disse Liu Xiaoming, vice ministro do Transporte.

Até agora, a China conta com 670 mil ônibus e trólebus, dos quais 340 mil são veículos movidos a nova energia, ficando em primeiro lugar no mundo, disse Liu.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/17/c_138398421.htm

Quase 3.000 aldeias em Beijing deixam de usar carvão

Beijing, 17 set (Xinhua) -- Ao todo, 2.963 aldeias em Beijing deixaram de usar carvão até o final de 2018, com cerca de 1,1 milhão de famílias rurais passando a utilizar energia limpa para aquecimento no inverno, informou nesta terça-feira o Departamento Municipal da Agricultura e dos Assuntos Rurais de Beijing.

Beijing intensificou os esforços para zerar o uso do carvão nas aldeias, pois sua queima para aquecimento no inverno é um desafio para o compromisso da cidade de ter mais dias sem poluição atmosférica.

Em 2013, a metrópole lançou um programa para acabar com o uso do carvão a favor da energia limpa, na tentativa de melhorar a qualidade do ar.

Até o ano passado, a medida reduziu a quantia de carvão queimado nas estações de aquecimento da cidade em quase 4 milhões de toneladas.

Desde então, a qualidade do ar em Beijing melhorou ao longo dos anos. A concentração média de PM 2,5 (partículas transportadas pelo ar com diâmetro de até 2,5 micrômetros) da cidade nos primeiros oito meses do ano atingiu a baixa recorde de 42 microgramas por metro cúbico, segundo o Departamento Municipal do Meio Ambiente e da Ecologia de Beijing.

A capital registrou 227 dias de boa qualidade do ar em 2018, 51 dias a mais que em 2013, disse Yu Jianhua, vice-chefe do departamento, acrescentando que a densidade de outros poluentes do ar, como o dióxido de enxofre, também bateu a marca da menor baixa histórica.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/17/c_138398806.htm

ONU veta discurso do Brasil na cúpula do Clima

Presidente Jair Bolsonaro participa de conferência em Brasília, 21 de agosto de 2019
© REUTERS / Adriano Machado

Estados Unidos, Arábia Saudita, Japão, Austrália e Coreia do Sul também estariam fora da lista de países que vão discursar na cúpula da ONU.

A ONU vetou o Brasil da lista de países que vão discursar na Cúpula para Ação Climática das Nações Unidas, que ocorre na próxima segunda-feira (23), em Nova York, por não apresentar compromissos com o clima.

De acordo com o enviado especial da secretaria-geral da ONU, Luis Alfonso de Alba, citado pela Folha de S.Paulo, a organização solicitou que os países enviassem um plano em relação aos compromissos climáticos. A seleção da lista de países que vão discursar na cúpula seria baseada na seleção dos discursos mais inspiradores.

“O Brasil não apresentou nenhum plano para aumentar o compromisso com o clima”, afirmou a fonte.

De acordo com a fonte, Estados Unidos, Arábia Saudita, Japão, Austrália e Coreia do Sul, também devem ficar de fora da lista de discursos no evento. A lista total terá 63 países selecionados, incluindo França e Reino Unido. 

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, convocou a Cúpula para Ação Climática da ONU estrategicamente para acontecer às vésperas da Assembleia-Geral e conseguir um maior envolvimento dos chefes de Estado para as questões climáticas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019091814532179-onu-veta-discurso-do-brasil-na-cupula-do-clima/

O CAPITALISMO NÃO É VERDE!

 
 
Rui Sá | Jornal de Notícias | opinião
 
Se há coisa que me chateia é ver as organizações políticas a correrem atrás "do que está a dar", naquilo que não se pode considerar sentido de oportunidade política mas mero oportunismo político.
 
Nos últimos tempos, PAN e BE empurram-se mutuamente para ver quem ganha o pódio das causas ambientais a que, convenhamos, deram pouca importância ao longo da sua relativamente curta vida. Mas, se há manifestações de jovens com elevada mobilização em defesa do ambiente, se a Comunicação Social está rendida à sua cobertura (como não faz de quaisquer outras manifestações com mais mobilização...), então toca a virar as agulhas para o assunto, até porque, dizem, o PAN e o BE disputam o mesmo "segmento" de voto... Confesso que não é esta a forma de fazer política que me seduz, embora reconheça que a mesma pode render votos no curto prazo. Mas, com um bocado de inteligência e de atenção, vemos como o gigante tem pés de barro e as incoerências são evidentes.
 
E assim vemos que o PAN, nas contas da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, na rubrica de transportes, apresenta como maior valor o transporte em carro próprio do seu líder... E Catarina Martins, tão preocupada com o ambiente, mostra que, sobre a matéria, tem ideias coladas com cuspo que a fazem dizer que temos barragens a mais porque elas fazem com que a água se evapore...
 
 
Mas, deixando a espuma dos dias, temos de facto um problema ambiental grave. Que temos de combater. Mas, sendo sérios, não podemos deixar de constatar que a origem do problema está no sistema económico em que vivemos - o capitalismo. Que, e isso está mais do que provado (não sendo necessário recorrer a Marx, que tão bem e de uma forma pioneira o caraterizou), precisa que a economia cresça para permitir acumular capital - a sua razão principal de ser.
 
E esse crescimento faz-se com a proliferação de produtos e serviços, com tempos de vida cada vez mais curtos, que fazem com que se extraiam cada vez mais recursos do planeta, exaurindo-o. Ao mesmo tempo que a ânsia do lucro faz com que a produção se efetue sem preocupações ambientais (veja-se o caso da Amazónia e da primazia do negócio da madeira que Bolsonaro incentiva). Simultaneamente surgem as teses de que a culpa é dos cidadãos (mais ou menos como aconteceu aquando da última crise económica, em que nos procuraram fazer crer que a culpa era nossa porque vivíamos acima das nossas posses).
 
De facto, o capitalismo não é verde e a sustentabilidade do ambiente contraria mesmo a sua essência. Não quer isto dizer que os cidadãos não se devam mobilizar para defender o ambiente e, em particular e no momento que vivemos, que se mobilizem contra as alterações climáticas. Mas atacar as consequências sem ir às causas não costuma dar bom resultado...
 
*Engenheiro

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/o-capitalismo-nao-e-verde.html

Crime ambiental em ribeira de Tires

SEJA UM REPÓRTER CASCAIS24 E ENVIE-NOS A SUA NOTICIA, FOTOGRAFIA OU VÍDEO PARA: cascais24.cidadaoreporter@gmail.com
JOSÉ COELHO MARTINS (Texto e fotos)
16 setembro 2019 
A ribeira do Goilão em Tires, está a ser palco de despejos ilegais de esgotos.
A manilha de águas pluviais existente debaixo do pontão em frente ao pavilhão dos escuteiros encontra-se em permanência a deitar esgotos para a ribeira e assim se mantém.
Há dias, também no mesmo pontão, a manilha do lado sul deitava esgotos em profusão para a ribeira.
O caricato da situação é que se encontrava estacionada mesmo ao lado do pavilhão dos escuteiros uma carrinha grande de caixa fechada da Cascais Ambiente e ninguém desta empresa se dignou providenciar no sentido de alertar as autoridades (dá para acreditar?), pelo  que tive de ser eu a fazê-lo, como já o fiz inúmeras vezes em momentos anteriores. 
A GNR/SEPNA foi informada, bem como a Polícia Municipal, que se deslocou ao local pouco tempo depois. 
 
Passado cerca de mais 30 a 40  minutos chegou um piquete da Águas de Cascais, que desentupiu o colector de esgoto da Rua Principal e no seguimento dessa iniciativa, a manilha de águas pluviais do lado sul parou de correr.
Mas o do lado norte continua a debitar esgoto em quantidade muito apreciável.
Não sou especialista na matéria, mas custa-me entender que havendo dois circuitos distintos, um de águas pluviais e outro de residuais domésticas, possa ser possível que do último transitem líquidos para o primeiro. Admitindo que tal seja legalmente permitido, pois já nada me espanta nesta espécie de país e com esta espécie de gente, o que me parece ser óbvio e que entra pelos olhos de qualquer um é que se tem de colocar um ponto final num quadro de crime ambiental que dura há já vários anos neste local e que se tem tornado cada vez mais permanente.
Mais uma vez aqui, repito, que tanto condeno a inacção do executivo camarário, como a inacção da oposição desse executivo, sendo que até ao momento não tenho conhecimento de qualquer iniciativa de quem quer que seja no sentido de contribuir para uma solução definitiva deste crime ambiental.
Concluo, relembrando que em Cascais tudo começa nas pessoas! E como é  bom viver no interior do concelho de Cascais! E como me sinto feliz  por estar a pagar os vossos salários!
 
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/normal-0-21-false-false-false-pt-x-none_68.html

Como o Sínodo da Amazônia revela a lucidez política do papa Francisco

Só a Divina Providência poderia prever que um encontro internacional sobre a Amazônia, convocado há dois anos, coincidiria com o atual momento da região, alvo de políticas destrutivas do governo Jair Bolsonaro e após virar notícia global em razão dos incêndios descontrolados e do avanço recorde do desmatamento.

 

 

Em Roma, a explicação que se ouve dentro dos muros da Cidade do Vaticano é bem mundana: trata-se de um exemplo da sagacidade política do papa Francisco, que, responsável por pautar o evento no final de 2017, desde o início de seu pontificado, há seis anos, elencou a defesa do meio ambiente como ponto central de sua agenda.

No próximo mês, durante três semanas, mais de 250 integrantes da Igreja Católica, além de indígenas, ribeirinhos e cientistas de nove países que fazem parte da floresta, se reunirão no Vaticano para o Sínodo da Amazônia – evento que consolidará a liderança global do argentino Jorge Mario Bergoglio como porta-voz da causa ecológica.

O objetivo não é somente discutir novas formas de evangelização na região, que tem cada vez menos influência católica, mas principalmente debater propostas e estratégias para a preservação de sua biodiversidade, das comunidades tradicionais e como desenvolver um modelo econômico sustentável.

Visto pelo governo Bolsonaro como uma ameaça à soberania nacional, o evento será outro potente fórum a chamar atenção da comunidade internacional para a prejudicial política em curso na Amazônia, além de provocar descontentamento na ala conservadora do Vaticano, que tachou o sínodo de “herético” por propor a discussão de temas revolucionários para o catolicismo, como a ordenação de leigos para suprir a falta de padres nas regiões isoladas.

O sínodo é uma espécie de assembleia realizada em média a cada três anos, que muitos em Roma chamam de “Parlamento dos Bispos”. Ele foi instituído após o Concílio Vaticano II, um longo debate que, no início dos anos 1960, modernizou a estrutura da Igreja em diversas frentes. A atual edição, dedicada à Amazônia, se encaixa na categoria de sínodo especial, como já ocorreu antes em discussões específicas sobre continentes como Europa e África. A novidade, agora, é o evento ser dedicado a uma região geográfica.

Como observou recentemente o jornal L’Osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, a Igreja Católica não tem competência para formular e promover novos modelos de desenvolvimento na Amazônia, mas o que ela espera é denunciar os males provocados pelo atual modelo político e econômico, posicionando-se simbolicamente contra uma situação que considera de “caos ambiental e social” e coloca em risco a área com a maior biodiversidade do mundo.

O documento preparatório do sínodo, produzido após consultas a mais de 80 mil pessoas que vivem nas comunidades amazônicas dos nove países e que servirá de guia das discussões, antecipa o tom crítico que virá da Santa Sé nas próximas semanas. O texto afirma que “a violência, o caos e a corrupção” reinam na Amazônia e não poupa nem mesmo o passado da própria Igreja, reconhecendo que ela foi cúmplice de crimes durante a ocupação da região.

“A destruição múltipla da vida humana e ambiental, as enfermidades e a contaminação de rios e terras, o abate e a queima de árvores, a perda maciça da biodiversidade, o desaparecimento de espécies, constituem uma realidade crua que interpela todos nós”, ressalta o Instrumentum Laboris, que, dividido em três partes, tem um total de 147 tópicos.

Como reconhece o Vaticano, há “muito em jogo” na Amazônia, onde vivem cerca de 30 milhões de pessoas, por isso a necessidade de escutar as aspirações e os “gritos” das comunidades locais, conforme ressaltaram nos últimos meses o papa e os muitos bispos e padres envolvidos na organização.

Em maio de 2015, pouco mais de dois anos depois de eleito, Bergoglio divulgou uma carta encíclica (“Laudato Si”) em que deixava claro sua preocupação com o meio ambiente. Ali ele lançou as bases do seu discurso contra as monoculturas e a ambição empresarial que destrói florestas. Ele menciona a Amazônia na carta (como também regiões da África) e pondera que há “propostas de internacionalização da Amazônia que só servem aos interesses econômicos das corporações internacionais”.

Ainda antes da ascensão de políticos negacionistas do aquecimento global, o pontífice vaticinava: “Muitos daqueles que detêm mais recursos e poder econômico ou político parecem concentrar-se sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas, procurando apenas reduzir alguns impactos negativos de mudanças climáticas”.

O documento foi considerado um importante divisor no mundo católico, conforme ressalta o veterano vaticanista Marco Politi. Pela primeira vez, o Vaticano expressou que a ecologia é fundamental na fé cristã e expôs diretrizes para os fiéis sobre a proteção da natureza. “O papa deixou claro que há uma relação intrínseca entre a degradação ambiental e a degradação social. O mesmo que destrói uma destrói a outra”, ressalta Politi. O subtítulo da carta encíclica de 2015, “sobre o cuidado da casa comum”, dará o tom das discussões em Roma no próximo mês.

Para o governo brasileiro, envolto de fantasmas internos e externos, o evento – após toda a repercussão internacional recente e o embate com o francês Emmanuel Macron – é mais um exemplo da conspiração internacional contra a soberania da Amazônia. O tom conspiratório é compartilhado e alimentado pelo Exército brasileiro.

As primeiras notícias da contrariedade do governo surgiram ainda no início do ano, quando se noticiou que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência estava monitorando o evento. Recentemente, o órgão negou que tivesse infiltrado agentes no sínodo, mas ressaltou que o acompanhava pela imprensa e nos sites da Igreja – os arapongas não tiveram muito trabalho, já que a documentação do evento está aberta na internet.

O governo brasileiro solicitou ao Vaticano para acompanhar a assembleia por meio de um representante, pedido que foi negado. O gesto irritou a cúpula da Igreja, segundo auxiliares do papa, pois foi considerado uma tentativa de ingerência nos assuntos internos. O sínodo é um evento realizado pela Igreja e para a Igreja, conforme disseram.

Em março, o uruguaio Guzmán Carriquiry Lecour, conselheiro de Francisco que cuidava da Pontifícia Comissão para a América Latina, recém-aposentado, deixou o descontentamento claro: “O papa respeita a autonomia política de cada país, assim como quer que cada país respeite a autonomia da Igreja”.

O que parece inevitável é o renascimento de uma nova polarização, acompanhada por animosidades mútuas, entre a Igreja e o governo brasileiro, situação que se viu durante a ditadura militar (1964-1985). “Para o governo, o que importa é abrir oportunidades de lucros para os grandes investimentos interessados em ocupar as terras indígenas, ricas em minerais preciosos, em explorar a indústria madeireira, expandir o plantio de soja e as pastagens de gado”, afirma o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. “Mais do que angariar adeptos para o catolicismo, o que a Igreja quer é defender os povos originários e a preservação socioambiental.”

Dos nove países amazônicos (Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa), o Brasil – que detém a maior extensão da floresta – tem a situação política mais delicada. Sobretudo pelas visões antagônicas entre Brasília e Roma. O choque fica evidente ao se comparar a política ambiental colocada em prática nos últimos meses, diametralmente oposta aos pontos listados no documento que guiará o sínodo – que se chocaria também com a política de governos precedentes, como, por exemplo, do PT, em especial nas críticas à construção de usinas hidrelétricas na floresta.

“A Amazônia está sendo disputada a partir de várias frentes”, afirma um trecho do Instrumentum Laboris. “Uma responde aos grandes interesses econômicos ávidos de petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais etc. Outra é a de um conservacionismo ecológico que se preocupa com o bioma, porém ignora os povos amazônicos.”

O cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e próximo de Bergoglio, será o relator do evento. Ele já deixou claro o que pensa sobre o tema. “Um dos problemas cruciais para proteger a Amazônia surge do modelo de desenvolvimento imposto pelas autoridades públicas e pelos interesses das empresas privadas”, escreveu o cardeal no livro O Sínodo para a Amazônia, publicado recentemente pela Igreja.

Segundo disse Francisco a jornalistas depois de ser eleito, dom Cláudio estava ao seu lado durante a votação decisiva na Capela Sistina, em 2013, quando ele foi anunciado o novo papa. O brasileiro o abraçou e disse: “Não se esqueça dos pobres!”. Este será o espírito do sínodo: ouvir quem nunca teve voz, sejam eles indígenas, ribeirinhos e os pobres das periferias amazônicas.

Além da questão ambiental, haverá ênfase na necessidade de defender os direitos humanos (muitos missionários católicos foram assassinados na região, caso da irmã americana Dorothy Stang, executada no Pará em 2005) e a preservação das terras indígenas (que o governo Bolsonaro quer abrir para a exploração mineral).

Na primeira semana, os participantes farão uma radiografia da atual situação da Amazônia. O quadro brasileiro é dramático: além da inoperância governamental diante do desmatamento, que em agosto deste ano cresceu 222% em relação ao mesmo mês do ano passado, há uma acintosa desmobilização contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e secretarias de repressão a incêndios antes existentes na estrutura do Ministério do Meio Ambiente.

Entre os cientistas convidados para a exposição nos primeiros dias do evento, está o climatologista brasileiro Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). “A grande questão é o modelo de desenvolvimento na Amazônia, que é o mesmo desde a década de 1970. As pesquisas de opinião mostram que o brasileiro não concorda com o desmatamento e toda a situação atual. Se vivêssemos realmente numa democracia plena, já tínhamos encontrado um caminho”, lamentou.

Ele explicará os três vetores que contribuem para a atual situação da floresta: o aumento da vulnerabilidade aos incêndios, o desmatamento e o aquecimento global, aspectos negados pelo governo brasileiro. Nobre conta que as mudanças na Amazônia já são perceptíveis, com o prolongamento da estação da seca e uma mudança nas espécies de árvores. Algumas delas desenvolveram maior tolerância ao período de seca, enquanto outras, típicas das regiões mais úmidas, registram taxa de mortalidade maior.

“Estamos chegando perto de um momento de não retorno. Já devastamos entre 15% e 17% de toda a Amazônia. Se chegarmos a 25%, veremos uma desertificação irreversível, com o desaparecimento de grande parte da floresta”, completa. “Pelo menos o papa entendeu que não nos resta mais muito tempo.”

Para a Igreja, outro ineditismo do sínodo aponta para o seu próprio futuro – e não somente dentro da Amazônia. Pela primeira vez, o Vaticano discutirá a possibilidade de “ordenação sacerdotal de pessoas idosas (homens ou mulheres), de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e instável”.

A ideia, há muito debatida internamente, poderá revolucionar a Igreja se aprovada pelos bispos, afirma Marco Politi. “Esse é um tema de excepcional importância. Atualmente a correlação interna é de 60% a favor de aprovar a medida”, disse. Politi observa que o relator do sínodo, dom Cláudio Hummes, é favorável à ideia: “Começa-se fazendo essa experiência na selva amazônica, mas depois, inevitavelmente, se fará em outras áreas, como, por exemplo, na floresta de pedra que é Nova York.”

A ordenação de leigos poderia suprir uma das principais carências da Igreja na Amazônia, a falta de padres, problema que se verifica também em outras partes do mundo, em especial nos países europeus onde há alta percentagem de idosos – numa cidade da Suíça, uma mulher assumiu funções paroquiais diante da falta de um sacerdote.

Mas o tema suscita forte oposição da ala conservadora do Vaticano, que vem disparando ataques a Francisco desde o Sínodo da Família, em 2015, quando o papa pregou maior abertura para os fiéis separados e gays. Outra relutância dos opositores diz respeito ao que eles consideram uma “contaminação” do cristianismo na sua relação com a espiritualidade dos povos indígenas (pagã, segundo essa visão). Esse aspecto foi discutido e supostamente superado pelo Concílio Vaticano II, que defendeu inserir a fé cristã na cultura indígena sem imposição, como ocorreu durante a colonização das Américas. Mas a resistência persiste.

Um dos mais conhecidos críticos do Santo Padre, o cardeal alemão Walter Brandmüller classificou o documento preparatório do sínodo de “herético” e contraditório ao “ensino irrevogável da Igreja”. “É impossível esconder o fato de que esse sínodo é particularmente adequado para implementar dois dos projetos mais ambicionados e que nunca foram implementados até agora: a abolição do celibato e a introdução do sacerdócio feminino, a começar por mulheres diaconisas”, escreveu.

A Amazônia, como de resto todo o Brasil, ainda registra o “vertiginoso crescimento das recentes igrejas evangélicas de origem pentecostal”, conforme observa o Vaticano. Na segunda metade do século passado, a Igreja foi uma importante aliada das comunidades indígenas, sendo a sustentação para a sobrevivência de muitas etnias, como se viu, por exemplo, no caso dos xavantes em Mato Grosso durante a ditadura, expulsos de suas terras originárias e protegidos graças ao trabalho de religiosos. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) é um dos principais legados nesse sentido, mas seu peso e influência já não são os mesmos.

“A Igreja que está na Amazônia sempre teve deficiência de missionários e de recursos, vamos expor ao mundo a precariedade e o quanto é importante buscar novos caminhos para a evangelização e para estar mais presente”, afirma dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), a diocese mais indígena do Brasil (90% da população, de 23 etnias e 18 línguas diferentes) e uma das maiores da Amazônia.

Ele conta que sua diocese tem apenas 21 padres, que conseguem visitar no máximo quatro vezes por ano as comunidades ribeirinhas espalhadas pela região. “É preciso passar de uma pastoral de visita para uma pastoral de presença”, defendeu. O bispo apoia a ordenação de leigos como sacerdotes – “acredito que o sínodo vai assumir a proposta de ordenar homens casados” – e ressalta que a Igreja precisa definir com urgência o tipo de função que as mulheres poderão assumir.

Para Frei Betto, a Igreja Católica ainda exerce na Amazônia uma função exógena, de “defender a preservação da floresta e os povos que a habitam”, e outra endógena, “de fortalecer a cultura dos povos amazônicos, inclusive suas tradições espirituais e religiosas, sem querer importar uma versão colonialista do cristianismo”, como no passado, hoje adotada abertamente por igrejas evangélicas neopentecostais, aliadas do bolsonarismo.

O papa Francisco afirmou na última semana, numa rara ocasião em que rebateu seus críticos internos, que não teme um “cisma” no Vaticano, como já ocorreu no passado. Ele diz que está aberto às críticas, mas condenou a deslealdade dos opositores que agem nas sombras, “atiram pedras e depois escondem as mãos”. “Hoje temos muitas escolas de rigidez dentro da Igreja, que não são cismas, mas maneiras cristãs pseudocismáticas, que terminarão mal. Quando você vê cristãos, bispos, padres rígidos, há problemas por trás disso, eles não têm a santidade do evangelho. Por isso devemos ser brandos com as pessoas que são tentadas por esses ataques, elas estão passando por um problema.”

A resposta do pontífice, um crítico do populismo em ascensão no mundo, também poderia ser aplicada aos políticos rígidos e com “problemas por trás”, como o presidente brasileiro.


por Lucas Ferraz  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Agência Pública) / Tornado


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/como-o-sinodo-da-amazonia-revela-a-lucidez-politica-do-papa-francisco/

Consórcio de Estados da Amazônia negocia com europeus retomada do Fundo Amazônia

Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
© REUTERS / Nacho Doce

Nove Estados estão reunidos em Consórcio e negociam com países europeus novos repasses ao Fundo Amazônia, que teve transferências canceladas por conta da política ambiental de Jair Bolsonaro (PSL).

O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal reúne Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O órgão teve reunião em Brasília na semana passada com representantes das embaixadas da Alemanha, Reino Unido e Noruega e outro encontro com representante da embaixada francesa.

"O desejo dos doadores não é só de manter o Fundo Amazônia, mas de aumentar a possibilidade de arrecadação. Inclusive trazendo outros países para participar, ouvimos isso de forma muito clara", diz o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil. "Somos um bloco com partidos das mais diferentes ideologias, mas procuramos o nosso ponto de convergência e unidade: a defesa da Amazônia", afirma.

Presidente do Consórcio, Goés diz que os recursos europeus poderão ser gerenciados pelo Governo Federal, ou pelo próprio Consórcio, caso seja necessário. Para o pedetista, o Fundo Amazônia correu o risco de ser suspenso, mas agora o cenário indica uma retomada.

Com mais de R$ 1 bilhão aplicado ao longo de 10 anos na conservação da floresta, o Fundo Amazônia perdeu um repasse da Noruega (R$ 133 milhões) e Alemanha (R$ 155 milhões) por discordâncias sobre as políticas ambientais brasileiras. 

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli
Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

O aumento do desmatamento e das queimadas fez com que o presidente francês, Emmanuel Macron, e Bolsonaro trocassem farpas publicamente por conta dos rumos da maior floresta tropical do mundo. O governador do Amapá afirma que atualmente o momento das relações entre Paris e Brasília é de "distensionamento".

"Estamos dizendo que a diplomacia, mesmo entre os diferentes, é fundamental. Vivemos em um mundo globalizado onde nossos problemas também dizem respeito à humanidade, como os problemas de outros países também nos atingem. Viver em uma bolha e encastelado terá um custo muito alto", analisa Goés.

Nesta segunda-feira (16), o Consórcio teve reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e acertou a transferência de R$ 430 milhões do Fundo da Petrobras aos Estados para investimento em ações de conservação da floresta. 

A próxima reunião do Consórcio com os representantes europeus está prevista para o próximo mês, na Embaixada da Alemanha. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019091614526281-consorcio-de-estados-da-amazonia-negocia-com-europeus-retomada-do-fundo-amazonia/

Consórcio de 9 Estados negocia com europeus retomada do Fundo Amazônia

Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
© REUTERS / Nacho Doce

Nove Estados estão reunidos em Consórcio e negociam com países europeus novos repasses ao Fundo Amazônia, que teve transferências canceladas por conta da política ambiental de Jair Bolsonaro (PSL).

O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal reúne Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O órgão teve reunião em Brasília na semana passada com representantes das embaixadas da Alemanha, Reino Unido e Noruega e outro encontro com representante da embaixada francesa.

"O desejo dos doadores não é só de manter o Fundo Amazônia, mas de aumentar a possibilidade de arrecadação. Inclusive trazendo outros países para participar, ouvimos isso de forma muito clara", diz o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil. "Somos um bloco com partidos das mais diferentes ideologias, mas procuramos o nosso ponto de convergência e unidade: a defesa da Amazônia", afirma.

Presidente do Consórcio, Goés diz que os recursos europeus poderão ser gerenciados pelo Governo Federal, ou pelo próprio Consórcio, caso seja necessário. Para o pedetista, o Fundo Amazônia correu o risco de ser suspenso, mas agora o cenário indica uma retomada.

Com mais de R$ 1 bilhão aplicado ao longo de 10 anos na conservação da floresta, o Fundo Amazônia perdeu um repasse da Noruega (R$ 133 milhões) e Alemanha (R$ 155 milhões) por discordâncias sobre as políticas ambientais brasileiras. 

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli
Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

O aumento do desmatamento e das queimadas fez com que o presidente francês, Emmanuel Macron, e Bolsonaro trocassem farpas publicamente por conta dos rumos da maior floresta tropical do mundo. O governador do Amapá afirma que atualmente o momento das relações entre Paris e Brasília é de "distensionamento".

"Estamos dizendo que a diplomacia, mesmo entre os diferentes, é fundamental. Vivemos em um mundo globalizado onde nossos problemas também dizem respeito à humanidade, como os problemas de outros países também nos atingem. Viver em uma bolha e encastelado terá um custo muito alto", analisa Goés.

Nesta segunda-feira (16), o Consórcio teve reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e acertou a transferência de R$ 430 milhões do Fundo da Petrobras aos Estados para investimento em ações de conservação da floresta. 

A próxima reunião do Consórcio com os representantes europeus está prevista para o próximo mês, na Embaixada da Alemanha. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019091614526281-consorcio-de-estados-da-amazonia-negocia-com-europeus-retomada-do-fundo-amazonia/

Expulsão das populações e «ilegalidades» marcam exploração da Belo Sun no Pará

A presença da multinacional canadiana na Volta Grande do Xingu (Sudoeste do Pará) entra em conflito com os habitantes e causa danos ao ambiente. As suas acções estão a ser questionadas pela Justiça.

As ameaças, ilegalidades e danos causados pelo Belo Sun estão a ser alvo de processos judiciaisCréditos / socioambiental.org

Na tentativa de se instalar na Volta Grande do Xingu (região amazónica), em Maio de 2012, a empresa de exploração mineira Belo Sun comprou terras em Vila da Ressaca, uma localidade do município de Senador José Porfírio, tendo realizado transacções e acordos que estão a ser questionados pela Justiça.

Numa extensa peça ontem publicada no portal do Brasil de Fato, sob o título «Instalação da Belo Sun, no Pará, é marcada por ações ilegais e expulsão de moradores», sublinha-se que, desde então, a actuação da multinacional no local tem tido impactos «na vida dos povos da floresta». «A Belo Sun instalou-se na Vila Ressaca, construiu [um] escritório, ampliou as vias de acesso e fixou placas declarando [a] sua propriedade».

O «obstáculo» da PA Ressaca

Criado em 1999, no âmbito de outros projectos de reforma agrária no estado do Pará, o Programa de Assentamento (PA) Ressaca constitui uma barreira para a Belo Sun, na medida em que a área onde pretende levar a cabo a extracção de ouro se sobrepõe parcialmente ao PA, contíguo à Vila da Ressaca.

No documento de criação, a área destinada ao PA foi calculada em 30,2 mil hectares, com capacidade de albergar 340 famílias. No entanto, segundo refere o Brasil de Fato, actualmente, a área do PA registada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Cadastro Ambiental Rural passou a ser de 26,1 mil hectares, ou seja, 4,1 mil hectares mais pequeno.

Área da Volta Grande do Xingu, na região amazónica do Sudoeste do Pará, com a localização do projecto da Belo Sun Créditos

Elielson Pereira da Silva, investigador do projecto «Nova Cartografia Social da Amazônia», da Universidade Federal do Pará, afirma que tal discrepância de medidas encontrada nos documentos «acende um alerta quanto aos interesses da mineradora».

Para o investigador, a estranha redução não encontra qualquer amparo em actos administrativos do Incra, uma vez que, nos 20 anos de existência do organismo, não foi realizada nenhuma alteração legal do perímetro do assentamento. O facto de o projecto de extracção mineira da Belo Sun estar «em cima da área do PA» levanta suspeitas.

Agressões desde os tempos da ditadura

Pereira da Silva lembrou ao Brasil de Fato que a Belo Sun comprou, em 2010, os direitos de mineração a uma empresa – Oca Mineração – que dera «entrada em pedidos de exploração mineral por volta de 1976» e que tem um historial de agressões contra as populações da região amazónica, de «violências praticadas contra os pequenos garimpeiros e os povos tradicionais».

Por seu lado, Valdomiro Lima, garimpeiro, pescador e agricultor que mora na comunidade da Vila da Ressaca desde 2013, afirma que o local «era tranquilo e foi a empresa Belo Sun que roubou a paz aos moradores».

Com a chegada da Belo Sun, começaram as «ameaças» e as «placas» a anunciar em todas as entradas da vila: «proibido entrar estranho; proibido garimpar; pescar. Quer dizer, estavam-se a apoderar de uma coisa que não era deles. E sem dar a mínima [explicação] para ninguém», denuncia.

«Ilegalidades» da Belo na mira da defensora pública do Pará

Em declarações ao Brasil de Fato, a defensora pública do estado do Pará, Andreia Barreto, abordou a questão do protocolo de intenções que Belo Sun e Incra assinaram em 2016, com vista à retirada da população do PA Ressaca, onde residem actualmente cerca de 500 famílias, tendo sublinhado que o protocolo «não tem validade e que a manobra faz parte de uma prática da Belo Sun de tentar burlar a legislação para começar a minerar».

A defensora explicou ainda que existem duas acções judiciais que envolvem a Belo Sun. Uma delas «está, inclusive, vigente, que são as compras das antigas fazendas, que eram as antigas áreas de garimpo que os supostos proprietários venderam para Belo Sun», disse, acrescentando: «A gente questiona a legalidade dessa compra.»

Há ainda outra acção que envolve a fixação, por parte da Belo Sun, de placas proibitivas de caça, pesca e garimpagem, junto ao rio, nas estradas, «como se [a multinacional] fosse dona das terras todas sem antes passar por um processo de destinação do poder público federal», frisa.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/expulsao-das-populacoes-e-ilegalidades-marcam-exploracao-da-belo-sun-no-para

As monoculturas como pensamento estratégico

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 14/09/2019)

Miguel Sousa Tavares

 

1 Eis que regressou, via programa eleitoral do PSD, a arrastada discussão sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL). Uma discussão que parecia consensualmente encerrada com a opção pela Portela+1 e o aproveitamento da pista militar do Montijo e as suas evidentes vantagens em relação à anterior opção, Alcochete: mais próxima, francamente mais barata e de mais rápida execução. Claro que, como qualquer aeroporto, o Montijo não deixa de implicar fortíssimos impactos ambientais, decorrentes da área abrangida, do ruído causado, dos acessos envolvidos e das populações afectadas. Mas, nesse aspecto, os danos ali causados são danos subtraídos a Lisboa, muito mais populosa, em virtude do número de operações de que a Portela ficará aliviada. Há ainda o caso particular das aves do Estuário do Tejo — um problema que também se punha em relação a Alcochete — e que o Estudo de Impacte Ambiental não ignora mas considera poder ser minimizado em termos aceitáveis. A escolha pelo Montijo poderia assim continuar a parecer pacífica se tudo isto fosse pacífico e não desse antes a sensação de um mundo submerso de interesses cruzados onde até os poucos especialistas que não estão arrolados pelos interesses conseguem ver absolutamente claro. Sabemos que a ANA prefere o Montijo porque lhe sairia muito mais caro ter de construir um aeroporto de raiz noutro lado qualquer e esta é mais uma ocasião para lamentarmos a privatização da ANA, feita por razões de pura demagogia ideológica e que agora nos impede de ver claro numa questão de interesse público determinante. É o que acontece quando os rapazes e raparigas das juventudes partidárias chegam ao poder, com algumas ideias vendidas nos cursos de Verão, e acham que se podem tomar decisões sobre a governação de um país alienando previamente os principais instrumentos necessários para tal.

Mas se é difícil ver claro sobre o céu do Montijo, eu vejo mais claro o que se diz sobre os céu de Lisboa. O NAL, dizem-nos, é absolutamente necessário e urgente para dar resposta ao fluxo expectável e sempre em crescendo, do número de turistas que esperamos que continuem a visitar-nos nos próximos anos, décadas e séculos, até ao fim dos tempos. Curiosamente, este é um argumento tanto dos que defendem o Montijo já como dos que defendem Alcochete logo: não se pode parar o crescimento do turismo, o que significaria, segundo António Costa, “comprometer fortemente a dinâmica de crescimento do país”. Eu oiço este discurso há 40 anos e foi em nome dele e da “dinâmica de crescimento do país” que assisti, por exemplo, à vandalização do Algarve. A aposta na quantidade não apenas descaracterizou quase toda uma região como obrigou necessariamente a uma estratégia de fuga em frente que fez baixar drasticamente a qualidade da oferta e da procura, sem, todavia, acarretar, longe disso, um correspondente aumento de receitas. Porque aquilo que se torna mau tem de se vender mais barato.

Felizmente, nos últimos anos — e muito mais por iniciativa privada do que por políticas públicas pensadas — a oferta turística em Portugal começou a contemplar outras geografias, outro tipo de produtos e, sobretudo, outro tipo de abordagens. Pelo país fora proliferam uma quantidade de iniciativas louváveis e de grande qualidade que, em muitos casos, têm sido uma bóia de salvação contra o abandono do interior. E seria de uma imensa má-fé não reconhecer o que o turismo fez de bom pela verdadeira reconstrução de cidades como Lisboa e Porto e algumas outras também, arrancadas de um marasmo que se diria imutável para sempre. Não tenho dúvida de que foi essa nova atitude, que soube aproveitar diversas circunstâncias externas favoráveis, que ajudou em grande parte o sector privado a aguentar-se no ground zero para que a falência do Estado o empurrou. Mas todos sabemos que há um preço a pagar e que em alguns casos, como o da habitação no centro das cidades, ele já está a ser pago. A menos que se acredite, como me dizia há tempos um taxista entusiasmado, que os habitantes de Lisboa e Porto deveriam ser todos expulsos para a periferia e as cidades deixadas só para os turistas e respectivos serviços de apoio, é óbvio que haverá cada vez mais um conflito latente entre os direitos dos cidadãos e as expectativas da indústria turística. O exemplo dos grandes paquetes carregados de turistas é um caso para meditação: ficamos todos contentes quando, num mesmo dia, quatro paquidermes flutuantes amarram em Lisboa e vomitam 20 mil turistas pela zona nobre da cidade, entupindo o trânsito e fazendo as delícias de taxistas, tuk-tuks e vendedores de souvenirs. Mas, no fim do dia, eles nem jantam nem dormem, a receita que deixam é mínima face ao transtorno que causam e à despesa feita pelo município para os receber, paga pelos impostos de quem cá vive. Vale a pena? Barcelona, Veneza, Dubrovnik, as ilhas gregas são exemplos, onde estive recentemente e onde nunca mais voltarei a não ser por razões de trabalho, de lugares outrora mágicos e hoje devastados por hordas de turistas vagueantes à procura da selfie perfeita, despejados como gado de charters e navios, tentando acreditar que estão em viagem e felizes. Bom, estão no seu direito. E quem os recebe e factura com eles, também. São direitos incontestáveis. Mas as cidades também são feitas de outras pessoas, não apenas turistas e comerciantes do turismo. No dia em que as ideias do meu taxista forem doutrina inquestionável (e já faltou mais) as cidades estarão mortas, os países estarão mortos. Seremos apenas uma Disneylância servida por aeroportos e portos para levar e trazer gente que não mora aqui.

Dêem-me todas as razões para um novo aeroporto, menos a da necessidade de ter de receber cada vez mais e mais turistas, sem fim à vista.


2 “Não há actividade humana que não provoque impactos sobre a natureza… O problema é que, reduzindo os riscos dos impactos ambientais a zero, não há alimentação para a Humanidade.” Não, esta frase não foi dita por Jair Bolsonaro para justificar a desmatação da Amazónia, a benefício dos criadores de gado e plantadores de soja. Mas podia muito bem ter sido dita, pois corresponde ao seu profundo pensamento em matéria de ambiente. Esta frase pertence a um responsável político de um partido oficialmente preocupado com as questões ambientais, de um país que se indigna com a destruição da Amazónia e a insensibilidade do Presidente brasileiro. A frase pertence ao nosso ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e serviu-lhe para justificar a proliferação daquilo que se está tornar na monocultura do olival superintensivo no perímetro de rega do Alqueva. Rebatendo uma das várias críticas aos danos ambientais causados por essa monocutura — o uso abundante de herbicidas e pesticidas — sossegou-nos ainda o ministro dizendo que “o nosso país situa-se no espaço europeu, onde a utilização de pesticidas é mais restrita”. Anda muito distraído, o ministro! Este Verão, a UE não conseguiu impor aos Estados-membros, capturados pelas multinacionais do sector, uma alta significativa ao uso de pesticidas, apesar da divulgação de um relatório que estima em 75% o desaparecimento de insectos, em especial as abelhas, no território europeu, nos últimos 30 anos (o que cada um de nós pode constatar, lembrando e comparando a quantidade de insectos que dantes morriam durante uma viagem no pára-brisas dos carros e a que morre hoje). E, com a morte dos insectos, como relatava uma reportagem do “Le Monde” de há uma semana, estamos também a assistir ao desaparecimento acelerado dos pássaros nos céus da Europa, por falta de alimento. É lastimável que um ministro da Agricultura não perceba a relação íntima que existe entre agricultura e ambiente e que apenas nos países do Terceiro Mundo é que se faz agricultura a olhar só para a geração de hoje e à custa da destruição da natureza. É muito fácil ser-se ambientalista …no quintal do vizinho.

Ao contrário do que diz Mariana Matos, representante dos industriais do sector, não se trata de uma querela entre os “urbanos que querem ir passear para o campo aos fins-de-semana e os agricultores que têm de ser pobrezinhos”. Para começar, não estamos a falar de agricultores, mas de industriais de commodities: nenhum destes supostos agricultores é capaz de enxertar uma árvore ou podar uma oliveira, as máquinas e o computador fazem tudo por eles. Depois, pobrezinhos é que eles não são: além do Grupo Melo e o seu Oliveira da Serra, a maior parte deles são empresários espanhóis, triplamente ajudados pelos nossos impostos: na construção do Alqueva, no preço político da água e nos subsídios dados ao negócio. Não há aqui nenhuma querela entre urbanos e campesinos: há é entre quem se preocupa com o que se passa no campo e quem se acha dono absoluto dele. Deixem lá de nos imaginar assim tão ingénuos.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia


 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Amnistia Internacional distingue Fridays For Future em Portugal

A conhecida organização de Direitos Humanos junta-se ao movimento global que vai atribuir o prémio Embaixador de Consciência da Amnistia Internacional 2019 a Greta Thunberg e às Fridays For Future, como reconhecimento do trabalho dos jovens na liderança contra as alterações climáticas.

 

 

Para assinalar a ocasião em Portugal, o director-executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro A. Neto, entrega a distinção aos organizadores das Fridays For Future em Portugal, na próxima segunda-feira (dia 16 de Setembro), às 13h, na sede da Amnistia Internacional, em Lisboa.

 
O exemplo de perseverança de Greta Thunberg é uma aula ao mundo. Os milhões de jovens que, por toda a parte e sem esquecer as suas responsabilidades quotidianas, lideram com ela os movimentos pelo clima são um exemplo a seguir por todos nós. O papel que têm desempenhado inspira-nos e lembra-nos que o activismo diz respeito ao quotidiano, desde as escolhas que fazemos enquanto consumidores, às exigências que fazemos aos nossos governos”.
Pedro A. Neto, Director-executivo da Amnistia Internacional Portugal
 
 

 
A crise climática é um dos maiores desafios de direitos humanos dos nossos dias, afectando, desproporcionalmente, quem já se encontra em situação de desigualdade. Com a força destes jovens e dos mais de sete milhões de membros e apoiantes da Amnistia Internacional, queremos que esta questão esteja no topo da agenda política, empresarial e da própria sociedade civil. Só nós podemos mudar o rumo dos acontecimentos e é dessa transição económica e energética que dependerá o futuro da nossa humanidade. É essencial unir governos, corporações e organizações parceiras nesta missão”.
Pedro A. Neto
 
 

O prémio Embaixador de Consciência da Amnistia Internacional foi criado em 2002 para celebrar pessoas e grupos que promovem os direitos humanos, ao agir em consciência contra a injustiça, ao mesmo tempo que usam as suas competências para inspirar os outros. Entre os vencedores estão nomes como Nelson Mandela, Malala Yousafzai, Harry Belafonte, Ai Weiwei, os Grupos da Juventude da África Ocidental e Central, Angélique Kidjo, o movimento dos direitos indígenas no Canadá, Alicia Keys e Colin Kaepernick.

Setembro pelo clima

Pedro A. Neto lembra que “a crise climática coloca em causa direitos essenciais, como a vida, saúde ou habitação, o que pode levar ao deslocamento de milhões de pessoas, nos próximos anos”. Sobre a questão energética, nota que o “abandono dos combustíveis fósseis deve ser acompanhado pela introdução de energias limpas e 100 por cento éticas, uma vez que a Amnistia Internacional tem documentado o uso de mão-de-obra infantil e explorada na extracção de componentes utilizados, por exemplo, em baterias de veículos eléctricos”. O director-executivo da Amnistia Internacional Portugal alerta ainda para a necessidade da economia – através de políticas públicas nacionais e transaccionais – garantir a transição dos postos de trabalho ligados às indústrias poluentes para novas indústrias limpas, sustentáveis e, uma vez mais, 100 por cento éticas e respeitadoras de direitos humanos”.

Para enfrentar a crise climática, a liberdade de expressão e associação ou o acesso à educação e informação são também essenciais. Por isso, a Amnistia Internacional vai coorganizar a People’s Summit on Climate, Rights and Human Survival, que decorre nos dias 18 e 19 de Setembro, em Nova Iorque.

O evento resulta da cooperação entre sociedade civil e o escritório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, com o objectivo de criar uma nova era de activismo climático que busca soluções baseadas nos direitos humanos. No total, vão estar reunidos mais de 100 representantes de organizações não-governamentais, comunidades indígenas, académicos, entre outros.

À Amnistia Internacional e ao escritório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos juntam-se a Greenpeace Internacional, o Center for International Environmental Law, o Wallace Global Fund e o Center for Human Rights and Global Justice da Universidade de Nova Iorque. Esta conferência mundial antecede a Cimeira do Clima das Nações Unidas, agendada para o dia 23 de setembro, em Nova Iorque.

Em Portugal, a Amnistia Internacional vai organizar diversas actividades para assinalar a Semana de Acção pelo Clima, entre 20 e 27 de Setembro. Neste último dia, a organização vai participar na Greve Global pelo Clima, em Lisboa.


 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/amnistia-internacional-distingue-fridays-for-future-em-portugal/

Venda das hidroelétricas portuguesas

Lê-se nos jornais que, no processo em curso com vista à venda de “barragens da EDP”, há três finalistas: a Iberdrola, os noruegueses da Statkraft e os austríacos da Verbund.

A informação foi difundida pela Reuters garantindo haver outras empresas, como a Enel (através da Endesa), a Engie, a Macquarie e a Brookfield, que também estiveram interessadas, mas não passam à próxima etapa.

A Endesa já tinha admitido, em maio, que iria analisar a compra destes ativos hidroelétricos.

A EDP disse, em março deste ano, quando apresentou o seu plano estratégico, que o “reforço na energia renovável” e a “venda de ativos” seriam objetivos até 2022. Ou seja, em Portugal, a empresa privilegiará os “extraordinários” leilões do novos centros fotovoltaicos em que a EDP se viu repescada e, ainda, dos processos de reforço da potência eólica nos seus parques. Mas, vê-se agora, a principal aposta está na “venda de ativos”.

Segundo notícias, a EDP “prevê uma geração de 12 mil milhões de euros nos próximos quatro anos”, dos quais sete mil milhões serão canalizados para novos investimentos. Dos restantes, uma parte importante serão para dividendos aos acionistas (3 mil milhões €) e para baixar a dívida até 2022 (2 mil milhões €)

Cerca de 75% do investimento previsto para os próximos quatro anos será em energias renováveis, sendo os Estados Unidos o principal destino (40%), seguidos pela Europa (35%) e o Brasil (25%). Em Portugal ficará, portanto, menos de 20% do investimento

A par da venda das barragens, a empresa elétrica poderá estar a preparar-se para vender o setor da Distribuição (isso dependerá do resultado do concurso internacional). É uma hipótese que conviria ser esclarecida.

O novo plano estratégico foi anunciado após a apresentação dos resultados referentes a 2018: uma queda dos lucros de 53% para 519 milhões de euros. Os “prejuízos” acontecem pela primeira vez desde o início da privatização, em 1997. A EDP disse que este resultado se deveu a um “forte impacto da elevada fiscalidade” e das “decisões regulatórias”. Ou seja, a empresa esconde que, de facto, houve nos últimos dois anos uma intervenção política corretiva que, embora ainda timorata, permitiu cortar nas escandalosas rendas excessivas que vinha usufruindo.

Os aproveitamentos hidroelétricos envolvidos nesta operação de alienação, correspondendo a um elevado potencial de energia renovável de há muito estabelecido entre nós, fazem parte de concessões que foram parar às mãos da EDP em condições “muito favoráveis”. Isto, para não utilizar outro termo. Aliás, os argumentos então aduzidos para não haver concursos públicos, apontavam para o facto de a EDP “ser pública e portuguesa” e, também, para não se deixar o país ficar refém de uma bacia hidrográfica.

Num momento em que existem dirigentes políticos preocupados com a “evaporação da água nas barragens” e com o “excesso de barragens”, como ouvimos à líder do BE e ao representante do PAN, devem colocar-se as seguintes questões reais:

Em que condições esta venda foi ou vai ser autorizada pelo Estado (concedente)? O que diz o governo acerca desta operação? Foi ela previamente concertada?

As mais-valias resultantes vão ser partilhadas “com os consumidores” baixando as tarifas? Ou com o Estado (contribuintes)? Ou, como parece, vão em larga medida para os dividendos dos acionistas e de outras otimizações financeiras que interessam à empresa?

Se a Iberdrola ganhar, a Autoridade da Concorrência permitirá a consumação da operação?

O que diz o PS sobre este momentoso tema? Já que se está em campanha eleitoral irá continuar a falar-se genericamente sobre as energias renováveis? E, o governo já conversou com os espanhóis e com a UE sobre estas alterações?

Este caso vem demonstrar que, quando as energias renováveis são exploradas por empresas privadas do tipo EDP, quase sempre acontecem grandes negociatas e geração de avultados lucros e mais-valias. E, é também por isso, que os centros de decisão político-económica estão muito interessados, nas medidas de política pública destinadas a um suposto combate aos efeitos das alterações climáticas.

O capitalismo não é Verde.

Aliás, alguns movimentos inorgânicos ditos ecologistas, que pescam por arrastão com redes sociais, atuam, por distração ou por deliberada intenção, no sentido de potenciar os interesses do grande capital.

Ver o original em 'Praça do Bocage ' (clique aqui)

Brasil | Propriedades privadas na Amazónia concentram queimadas

 
 
Observatório do Clima
 
33% dos focos de fogo estão em áreas inscritas no Cadastro Ambiental Rural, mostra nova análise do Ipam
 
As propriedades privadas responderam por 33% dos focos de calor registados na Amazónia até agora. Em segundo lugar vieram as áreas sem destinação fundiária específica, que somam 30% dos focos de calor – 20% apenas em florestas públicas não destinadas, um forte indicativo de grilagem de terras.
 
Os números fazem parte de uma nova análise sobre a atual temporada de fogo na Amazónia, separada agora por categoria fundiária, feita pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (IPAM), com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de 1º de janeiro a 29 de agosto de 2019.
 
Terras indígenas e unidades de conservação são as categorias com menor incidência no ano, registando 6% e 7% dos focos, respectivamente. Essa análise de áreas protegidas exclui as áreas de proteção ambiental, ou APAs: apesar de serem categorizadas como unidades de conservação, elas apresentam um comportamento similar ao de propriedades privadas, e sozinhas responderam por 6% dos focos no período.
 
Os assentamentos de reforma agrária responderam por 18% dos casos; contudo, análises preliminares indicaram grande concentração de casos em poucos projetos.
 
 
O estudo reforça outra nota técnica sobre o tema lançado em agosto pelo IPAM, estabelecendo a relação entre derrubada da floresta e queimadas. “O principal gatilho desta temporada de fogo na Amazónia não é a seca, mas o pico de desmatamento”, explica a diretora de Ciência do instituto, Ane Alencar, que estuda o tema há mais de duas décadas. “Este ano não é especialmente mais seco do que anteriores.”
 
Ao comparar 2019 com a média de focos de calor registada entre 2011 e 2018, todas as categorias fundiárias apresentaram crescimento nos casos, com destaque para as APAs (aumento de 141% em relação à média dos oito anos anteriores) e as florestas públicas não destinadas (126% de aumento).
 
“Existem 67 milhões de hectares de florestas públicas sem destinação na Amazónia que são património dos brasileiros, mas que por falta de governança estão hoje à mercê de grileiros e especuladores irregulares de terra. O desmatamento e o fogo que acontece nessas regiões é totalmente ilegal, e devem ser alvo de investigação e ações de comando e controle”, diz o pesquisador sénior do IPAM, Paulo Moutinho.
 
 
Ana Maria | em Envolverde
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/brasil-propriedades-privadas-na.html

Caverna encontrada na Espanha seria sinal assustador do aumento do nível do mar

Degelo de geleira na Groenlândia
© AP Photo / David Goldman

Cientistas analisam caverna na Espanha formada cerca de 5 milhões de anos atrás que daria pistas sobre um assustador aumento do nível do mar.

Na ilha espanhola de Mallorca há uma caverna chamada Artà com estalagmites e estalactites formadas na época Plioceno. Analisando os depósitos de minerais no local, cientistas descobriram que as estruturas se formaram em um período quando a concentração de CO2 era semelhante à dos dias de hoje.

Sendo assim, o clima daquela época seria semelhante ao atual, enquanto que o nível do mar era cerca de 16 m acima do de hoje, o que seria causado pela grande concentração de CO2 na atmosfera, revelou o estudo publicado na revista científica Nature.

Uma das provas disso seria a própria presença das estalagmites e estalactites na caverna. Elas teriam sido formadas durante milhares de anos devido à ação da água do mar, quando a caverna se encontrava inundada.

Isso levou os cientistas a crerem que os minerais da caverna são a prova de que o nível do mar esteve em determinada época superior ao atual, quando as condições climáticas de hoje eram semelhantes à da época passada.

Para uma das participantes das análises, a geoquímica Oana Dumitru da Universidade do Sul da Flórida, Estados Unidos, as concentrações de CO2 atuais poderão causar o derretimento do gelo da Groenlândia e da Antártida ocidental. O efeito disto poderia ser o aumento do nível do mar em até 23,5 metros.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019090814493915-caverna-encontrada-na-espanha-seria-sinal-assustador-do-aumento-do-nivel-do-mar/

A INJUSTIÇA GLOBAL DA CRISE CLIMÁTICA

 
 
Os países que menos contribuem para as mudanças climáticas são aqueles que mais sofrem seus efeitos. Enquanto nações ricas emitem altos níveis de CO2, as mais pobres temem pela segurança alimentar de seus habitantes. 
 
Nos últimos anos, ambientalistas e cientistas vêm alertando que os países mais pobres, que têm pegadas de carbono muito baixas, estão sofrendo o impacto das emissões de dióxido de carbono da fatia mais rica do mundo. Um relatório da agência beneficente britânica Christian Aid mostra essa disparidade. 
 
O relatório Greve de Fome: o índice de vulnerabilidade climática e alimentar aponta que os dez países que registram os maiores índices de insegurança alimentar no mundo geram menos de meia tonelada de CO2 por pessoa. Combinados, eles geram apenas 0,08% do total de CO2 global. 
 
"O que realmente me surpreendeu e me chocou foi a forte correlação negativa entre pobreza alimentar e a baixíssima emissão per capita", diz a autora do relatório, Katherine Kramer. "É muito maior do que esperávamos." 
 
No topo do ranking está o Burundi, na África Central, que registra 0,027 toneladas, a menor emissão de CO2 per capita entre todos os países. O número é tão baixo que é muitas vezes arredondado para zero. Em comparação, os alemães, americanos e sauditas geram, em média, a mesma quantidade de CO2 que 359, 583 e 719 burundeses, respectivamente. 
 
Conforme destacado no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a insegurança alimentar é uma das principais ameaças à vida humana que podem ser provocadas pelas mudanças climáticas. Esse risco é especialmente maior no Hemisfério Sul, onde as pessoas dependem da agricultura em pequena escala e são mais vulneráveis a secas, inundações e condições climáticas extremas. 
 
No Burundi, que já vem enfrentando insegurança alimentar como resultado da instabilidade política – e onde a prevalência de desnutrição crônica é a mais alta do mundo – a mudança dos padrões climáticos é encarada com preocupação. 
 
As chuvas no país africano foram muito esporádicas nos últimos três anos, particularmente em algumas regiões dependentes da agricultura. E o relatório prevê que inundações e secas extremas resultarão em um declínio da produção de entre 5% e 25% nas próximas décadas.
 
"O Burundi é uma testemunha vivo da injustiça da crise climática", diz Philip Galgallo, diretor do braço da Christian Aid para o Burundi. "Apesar de produzirmos quase nenhuma emissão de carbono, nos encontramos na linha de frente das mudanças climáticas, sofrendo com temperaturas mais altas, produção mais baixa das colheitas e chuvas cada vez menos regulares."
 
É uma história parecida com a do segundo país com maior índice insegurança alimentar do mundo: a República Democrática do Congo (RDC), que também tem a segunda menor pegada de carbono. A elevação rápida das temperaturas implica um risco ainda maior de disseminação de doenças entre os animais e nas lavouras. Além disso, os padrões de chuva estão mudando, deixando os agricultores congoleses inseguros sobre quando plantar e quando colher.
 
 
Risco de subnutrição 
 
As mudanças climáticas não afetam apenas a produção das plantações e a capacidade de cultivar alimentos. O CO2 também afeta diretamente os nutrientes presentes nas colheitas. 
 
Um estudo recente da revista científica Lancet Planetary Health analisou como as mudanças climáticas e os níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera estão reduzindo a prevalência de nutrientes em alimentos básicos, como arroz, trigo, milho e soja. Cerca de 50% das calorias consumidas do mundo vêm desses grãos.
 
O estudo constatou que, nos próximos 30 anos, a disponibilidade de nutrientes críticos para a saúde humana, incluindo ferro, proteína e zinco, poderá ser significativamente reduzida se o planeta continuar a produzir emissões de CO2 no mesmo ritmo. 
 
"Vamos enfrentar uma redução de 14% a 20% na disponibilidade global de ferro, zinco e proteína em nossa dieta", prevê o autor do estudo Seth Myers.
 
E as implicações dessa redução são muito significativas.
 
"A deficiência de ferro e zinco nos alimentos hoje já faz com que cerca de 60 milhões de anos de vida sejam perdidos anualmente. Então essas deficiências já provocam grandes cargas globais de doenças", afirma Myers. 
 
"Como resultado do aumento dos níveis de CO2, centenas de milhões de pessoas vão passar a correr risco de morrer por causa de deficiências de zinco e proteínas. E cerca de um bilhão de pessoas que já têm essas deficiências vão vê-las serem exacerbadas", diz.
 
Tais deficiências aumentam a mortalidade infantil por doenças e enfermidades como malária, pneumonia e diarreia. 
 
As pessoas mais afetadas estarão no Hemisfério Sul, diz Myers. Isso porque aquelas que correm maior risco de sofrer com essas deficiências nutricionais já contam com dietas menos diversificadas e um menor consumo de alimentos de origem animal, como carne, leite, ovos, queijo e iogurte. 
 
"E isso não deixa de ser meio irônico, já que essas são as pessoas que têm menos responsabilidade pela emissão de dióxido de carbono que está tornando os alimentos menos nutritivos", explica Myers. Ele descreve a situação como uma emergência de saúde pública e uma crise moral. 
 
"Não há desculpa para não agir com a máxima urgência quando são as emissões da parte mais rica do mundo que estão colocando as pessoas mais pobres do planeta em perigo", afirma.
 
Senso de urgência moral
 
Kramer, da Christian Aid, por sua vez, diz que existem várias medidas que o mundo desenvolvido precisa adotar para combater a insegurança alimentar e ajudar a combater as mudanças climáticas.
 
"A primeira e mais importante é reduzir drasticamente e muito rapidamente suas próprias emissões", diz ela. "Podemos continuar a nos refugiar em ambientes fechados, com nossos ventiladores e ar-condicionado. Temos acesso a estoques de água para nos refrescar. As mudanças ainda não nos atingiram da mesma maneira, mas já estão afetando o mundo em desenvolvimento." 
 
Myers concorda. "Temos que parar de queimar combustíveis fósseis. Precisamos fazer a transição para fontes renováveis e evitar as emissões de dióxido de carbono o mais rápido possível. Precisamos também ter um senso de urgência moral para essa transição", afirma. 
 
Outro passo importante é dar apoio aos países em desenvolvimento. Kramer diz que isso pode ser feito com incentivo financeiro ou com o fornecimento de tecnologia e educação, principalmente para a instalação de sistemas de alerta prévios que permitam que os países prevejam quando um desastre natural está prestes a acontecer e possam se preparar adequadamente.
 
Ainda segundo Myers, também é preciso ajudar os países em desenvolvimento a melhorar sua produtividade e resiliência (capacidade de resistência e recuperação de um ecossistema). 
 
Por meio do Acordo de Paris sobre o clima, quase todos os países desenvolvidos do mundo já se comprometeram a fornecer recursos para ajudar países em desenvolvimento a combater os efeitos das mudanças climáticas, mas não estão previstas penalidades para aqueles que não cumprirem suas promessas. 
 
É por isso que Kramer acredita que as pessoas precisam pressionar seus governos a cumprir as metas. "Se não diminuirmos nossas emissões e resolvermos a crise climática como uma comunidade global, os impactos serão cada vez piores, e milhões de vidas estarão em risco", conclui. 
 
Anne-Sophie Brändlin (jps) | Deutsche Welle
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/a-injustica-global-da-crise-climatica.html

O QUE A MEDIA «ESQUECE», QUANDO FALA DE FOGOS E DE CLIMA

Cito e traduzo parte de um artigo retirado de https://www.rt.com/news/468151-fires-floods-climate-change/
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             © earthobservatory.nasa.gov As florestas estão, sem dúvida, ardendo e os fogos afetando a Amazónia são os piores desde 2010.
Mas, globalmente, os fogos diminuíram drasticamente nas duas últimas décadas.
Esta informação não é proveniente de um blog cético em relação ao aquecimento climático ou do grupo editorial do Wall Street Journal, mas é da NASA, que tem vindo a estudar os fogos com satélites desde os anos 1980.
De acordo com a agência espacial, a área afetada a cada ano pelos fogos diminuiu de 24 por cento desde 2003. Embora se verifique uma desflorestação, ela é mais usualmente feita usando máquinas, não o fogo, dizem os investigadores da NASA.
Sem dúvida, “as mudanças de padrão nos incêndios nas savanas, nas pradarias e nas florestas são tão grandes que - até agora - têm obscurecido alguns dos riscos acrescidos de fogo causado pelo aquecimento global” disse o cientista da NASA Doug Morton. A mudança climática torna mais provável que os fogos sejam despoletados, continuou Morton, mas “a atividade humana contrabalançou efetivamente o risco climático.”
Os investigadores da NASA também descartaram as afirmações de que os fogos contribuem para o incremento global das emissões de carbono.  “Apesar das vastas quantidades de carbono libertado por fogos nas savanas, pradarias e florestas boreais, a investigação mostra que os fogos neste bioma não contribuem, em geral, com aumento de carbono na atmosfera no longo prazo,” estabeleceu o Observatório da Terra da NASA. Em vez disso, o recrescimento da vegetação e a criação de carvão, tipicamente recapturam o carbono perdido num espaço de tempo de «meses ou anos». Ver artigo completo aqui.
 
 
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Amazônia: desmatamento sobe pelo 4º mês consecutivo e cresce preocupação com incêndios

Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
© REUTERS / Nacho Doce

O desmatamento na Floresta Amazônica brasileira aumentou pelo quarto mês consecutivo em agosto em relação ao ano anterior, de acordo com dados preliminares do governo divulgados na sexta-feira, aumentando as preocupações com os incêndios que já devastam a região.

A Amazônia brasileira está enfrentando sua pior série de incêndios florestais desde 2010, com notícias da destruição da maior floresta tropical do mundo no mês passado, provocando protestos globais e preocupações de que possa prejudicar a demanda pelas exportações do país.

O principal grupo da indústria exportadora de carne do Brasil e outras associações do agronegócio se juntaram na sexta-feira a organizações não-governamentais (ONGs) para pedir o fim do desmatamento em terras públicas, exigindo ação do governo em meio aos incêndios.

"Não vi nenhum contrato sendo cancelado em nenhum setor. As exportações continuam, mas a luz vermelha está piscando", disse Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, em entrevista a repórteres. "Se a ação não for tomada, se o discurso não mudar, se a retórica não mudar, as coisas podem piorar".

Os ambientalistas culpam a forte retórica do presidente de direita Jair Bolsonaro em favor do desenvolvimento da Amazônia para encorajar os desmatadores e aqueles que incendiam.

Bolsonaro reclamou que o país não tem recursos para policiar uma área tão grande quanto a Amazônia. O país está enfrentando um acentuado déficit orçamentário, pois sua economia se recupera mais lentamente do que o esperado de uma profunda recessão.

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, disse à Agência Reuters em uma entrevista na sexta-feira que o governo não tinha fundos suficientes para contratar agentes policiais ambientais permanentes, que são usados para combater o desmatamento e incêndios.

Em vez disso, o governo federal planeja contratar policiais ambientais estaduais nos seus dias de folga para ajudar na execução, disse ele. "Você precisa ser criativo", acrescentou.

O grupo dos sete países ricos ofereceu US$ 20 milhões em ajuda na semana passada para ajudar a combater os incêndios, mas Bolsonaro disse que só aceitaria se o presidente francês Emmanuel Macron retirasse "insultos" contra ele.

Bolsonaro e Macron foram envolvidos em uma guerra de palavras profundamente pessoal e pública, com Bolsonaro zombando da esposa de Macron e acusando o líder francês de desrespeitar a soberania do Brasil. Macron chamou Bolsonaro de mentiroso e disse que as mulheres brasileiras "provavelmente têm vergonha" dele.

Foco de incêndio na Floresta Amazônica, Humaitá, Brasil, 14 de agosto de 2019
© REUTERS / Ueslei Marcelino
Foco de incêndio na Floresta Amazônica, Humaitá, Brasil, 14 de agosto de 2019

Ainda não está claro se o Brasil aceitará a oferta, embora o país receba 10 milhões de libras em ajuda do Reino Unido, segundo a embaixada britânica em Brasília.

Aumento do desmatamento

Nos oito meses até agosto, o desmatamento da Amazônia aumentou 92%, para 6.404,8 quilômetros quadrados (2.472,91 milhas quadradas), uma área maior que o estado americano de Delaware, de acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Somente em agosto, o desmatamento mais do que triplicou para 1.700,8 quilômetros quadrados (657 milhas quadradas).
Muitas vezes, o desmatamento é seguido de queimadas para limpar a terra para a pecuária ou a agricultura, de modo que a destruição em agosto pode sinalizar mais incêndios na Amazônia, segundo Ana Paula Aguiar, pesquisadora do INPE que está de licença na Universidade de Estocolmo.

"Eles cortam árvores e depois começam a queimar, então possivelmente [o pico de queimadas] continuará", afirmou Aguiar. "Se eles já desmataram no mês anterior, veremos fogo este mês".

Nos cinco primeiros dias de setembro, o INPE registrou 2.799 incêndios na Amazônia, uma queda de 60% em relação ao mesmo período de 2018.

Se os hotspots continuarem sendo registrados na mesma taxa, setembro pode ser um mês melhor para incêndios, caindo abaixo do mesmo mês do ano anterior e da média dos últimos 20 anos, disse Aguiar. Mas com apenas alguns dias de dados, é muito cedo para contar, disse ela.

O ministro do Meio Ambiente Salles atribuiu a queda no número de incêndios às medidas do governo para combater os incêndios, que incluíram o envio de militares.

A chuva pode trazer alívio para a parte ocidental da Amazônia brasileira, embora, a leste, amplas áreas da floresta tropical permaneçam extremamente secas, segundo dados do Refinitiv.

Incêndios florestais no Brasil
© AFP 2019 / Victor Moriyama
Incêndios florestais no Brasil

Chamada à ação

O grupo de carne Abiec e as ONGs Imazon e IPAM estão entre os 11 grupos brasileiros que assinaram uma campanha na sexta-feira pedindo uma força-tarefa do Ministério da Justiça para resolver conflitos por terras públicas, disseram representantes dos grupos a repórteres.

A proteção da Amazônia, que absorve grandes quantidades de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global, é vista como vital para o combate às mudanças climáticas. Aproximadamente 60% da Amazônia está no Brasil.

A campanha também pede que outra força-tarefa examine as florestas em terras públicas às quais não foi atribuída nenhuma reserva ou outro status.

Cerca de 40% do desmatamento em 2018 ocorreu em terras públicas, segundo o IPAM.

Todas as florestas devem receber designações com base no que são mais adequadas, disse o diretor executivo do IPAM, Andre Guimarães. Por exemplo, se contiver espécies sensíveis, uma floresta poderá ser protegida como reserva ou parque nacional, disse ele.

Outros poderiam ser designados como florestas nacionais ou áreas de concessão para a exploração sustentável de madeira, disse Guimarães.

Aproximadamente 650.000 km2 de floresta no Brasil - uma área quase o dobro do tamanho da Alemanha - não têm designação, de acordo com o IPAM.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019090714490512-amazonia-desmatamento-incendios/

Portugal | Programa do Governo para combate à desertificação “é ineficaz”

 
 
Tribunal de Contas revela que programa não está a cumprir com o compromisso assumido com as Nações Unidas para travar a degradação do solo, que leva à desertificação.
 
O programa do Governo para combater a desertificação é “ineficaz”, tem várias falhas e não está a cumprir com o compromisso de “neutralidade da degradação do solo” – ou seja, torná-lo mais fértil e sustentável – fixado na Agenda 2030 das Nações Unidas. Além disso, é impossível saber se as verbas transferidas por Bruxelas para combater a desertificação – que ascendem a 2,7 milhões de euros – são, de facto, canalizadas para o programa de combate à desertificação.
 
Estas são algumas das conclusões do Tribunal de Contas (TdC), que divulga hoje uma auditoria à organização e execução do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, revisto em 2014.
 
Os juízes salientam ainda que as duas estruturas que foram criadas através do programa de combate à desertificação “são ineficazes”. Trata-se da Comissão Nacional de Coordenação, que “não cumpriu” com as suas funções “por falta de recursos humanos e financeiros”, e do Observatório Nacional de Desertificação, que “nunca” chegou a funcionar, “o que não permitiu assegurar a monitorização do programa e dos respetivos resultados nem sistematizar o conhecimento sobre a desertificação”, lê-se no documento.
 
No relatório, os juízes deixam vários alertas sobre o impacto das alterações climáticas e desertificação e fazem várias recomendações ao ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, ao ministro do Ambiente e da Transição Energética e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
 
 
O programa analisado pelos juízes do TdC foi criado em 1996 e revisto em 2014, com o objetivo de identificar e monitorizar os riscos de desertificação, e para definir as linhas de ação para o combate às alterações climáticas, através da gestão do uso da água e da gestão das florestas.
 
Os alertas do TdC são feitos numa altura em que a desertificação “tem vindo a aumentar” em Portugal, afetando hoje 58% do território nacional, “sobretudo nas áreas do sul e do interior centro e norte”.
 
E o cenário futuro, traçado pelo juízes, está longe de ser animador. De acordo com o relatório do TdC, as previsões sobre as alterações climáticas “tornam expectável o acentuar dos riscos de desertificação” no país, acabando por potenciar um “maior risco de incêndios” que resultam “na redução da capacidade produtiva dos solos e na escassez de recursos hídricos”.
 
Revisão do Programa e mais apoios à agricultura
 
Os juízes recomendam, desde logo, aos governantes, uma “nova revisão do programa” de combate à desertificação, de forma a que, até 2030, sejam cumpridos os compromissos assumidos com as Nações Unidas, em matéria de neutralidade de degradação do solo, ou seja, um plano de ação para torná-lo mais fértil e sustentável, sendo esta uma via para fixar população ativa nos meios rurais. Nesta área, o TdC recomenda ainda aos dois governantes que definam as medidas a tomar, identificando as entidades responsáveis, a sua calendarização e custos, lê-se no relatório.
 
Os juízes salientam ainda que a atribuição de apoios aos projetos que combatem a desertificação – que resultam de fundos comunitários – é “pouco consistente” e têm “um impacto diminuto”. Isto apesar de se ter verificado que projetos em causa teriam “relevância” para o combate à desertificação.
 
Por isso, os juízes entendem que devem aumentar “os incentivos” para “culturas agrícolas ajustadas” que travem a desertificação, devendo ser criados, por exemplo, “apoios especificamente dirigidos a zonas em risco de desertificação” ou uma “majoração de apoios e medidas específicas para áreas afetadas”.
 
O TdC defende ainda que o Governo deve “promover a aprovação de legislação adequada” e que seja ponderada uma linha de ação, em cooperação com Espanha, para o combate à desertificação.
 
Ao ICNF, os magistrados dizem ser necessário “reforçar os meios humanos” para que seja favorecido o funcionamento e a “eficácia” do programa.
 
Área desertificada aumentou 22%
 
De acordo com o relatório do TdC, Portugal é um dos países europeus com maior risco de desertificação. Os dados mais recentes – que foram recolhidos para preparar o programa de desertificação – apontam para que nos entre 1980 e 2010 (em 30 anos) a desertificação tenha afetado mais de metade do território nacional, ascendendo a 58%, a que acrescem ainda as áreas áridas do sudeste da Madeira e as ilhas de Porto Santo, Desertas e Selvagens. São mais 22 pontos percentuais face aos 36% de área sinalizada como desertificada nos anteriores 30 anos, entre 1960 e 1990.
 
Além disso, na série climática do decénio 2000-2010, “cerca de 63% do território foi classificado como área suscetível à desertificação”, alerta a auditoria do TdC.
 
E esta crescente diversificação pode vir a resultar num “aumento significativo da temperatura média em todas as regiões” do país, estando prevista uma subida de 3OC da temperatura máxima na zona costeira e de 7OC no interior, durante o verão. Com este aumento de temperatura, as previsões apontam para máximas superiores a 35OC que serão acompanhadas por noites tropicais, com a temperatura mínima nos 20OC.
 
Além disso haverá um aumento “da frequência e intensidade de ondas de calor”, alertam os juízes do TdC tendo como base estudos e simulações de diferentes modelos climáticos que apontam que estas alterações deverão fazer-se sentir entre 2080 e 2100. Nessa altura, em Portugal, haverá também “uma redução da precipitação”.
 
O relatório do TdC refere ainda o último relatório da Comissão Europeia, de 2018, o “Atlas Mundial da Desertificação”, que traça um cenário global dos países europeus e onde são apontadas as razões que podem conduzir à desertificação. A Comissão Europeia alerta para a “erosão dos solos, salinização, urbanização e migração”, lê-se no documento.
 
Em traços gerais, como resultado das alterações climáticas, a Comissão Europeia prevê que até 2100 os países do sul da Europa, onde estão incluídos Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Bulgária deverão sofrer potenciais perdas no PIB entre 1,8% e 3%. Estas perdas económicas são resultado do impacto das alterações climáticas que se vão fazer sentir na agricultura, na energia, em cheias e inundações, em incêndios florestais, na saúde humana e na seca. Os estudos apontam que a curto prazo o número anual de pessoas afetadas pela seca suba para 153 milhões, das quais metade estão nos países da Europa do Sul. Este número é sete vezes superior ao número atual de pessoas que sofrem impacto da seca.
 
Em traços gerais, a Comissão Europeia alerta que em 2050, em todos os países europeus, 90% da superfície terrestre já estará degradada, o que levará a cerca de 700 milhões de pessoas deslocadas por causa da falta de terrenos férteis e sustentáveis.
 
Ana Petronilho | jornal i | Foto: Diana Tinoco
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/programa-do-governo-para-combate.html

Greve para defender a Tapada de Mafra

Governo insiste em manter em funções directora condenada por assédio pela ACT. O património ambiental está em causa por ausência de resposta política adequadas à sua preservação.

Créditosopraticante.pt

Perante a grave situação da Tapada de Mafra, os trabalhadores e o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA) decidiram convocar greve para o próximo dia 11 de Setembro, evocando simbolicamente a data do trágico incêndio que, em 2003, consumiu cerca de 70% da área florestal da Tapada.

«O estado de desgoverno em que se encontra esta instituição com mais de duzentos anos faz temer que, em caso de calamidade, os danos possam ser mais devastadores do que os decorrentes do incêndio de 2003, devido à inoperacionalidade de meios», lê-se na nota do sindicato.

São inúmeras as denúncias feita pelo STFPSSRA na sua nota à imprensa. Entre outras razões, a acção de luta desenvolve-se pelo cumprimento do Plano Operacional da Defesa da Floresta Contra Incedêncios (PODFCI) e «contra as práticas de assédio moral e pelo fim das pressões».

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) condenou, em Fevereiro deste ano, a presidente da Tapada de Mafra «pela prática reiterada de assédio moral», sem que disso tenham sido retiradas quaisquer consequências.

A decisão da ACT ocorreu na sequência de uma queixa apresentada pelos trabalhadores e «sete meses depois do despacho de condenação, o Ministro da Agricultura ainda acha que não é altura para tomar decisões e anda a protelar a sua demissão», apesar de ter afirmado que procederia à demissão «no minuto seguinte, se [o assédio] fosse provado», lê-se no comunicado do sindicato.

Desde 2016, a actual presidente da direcção é «a única responsável pela demissão de dez trabalhadores que, em desespero, rescindiram os contratos de trabalho por pressões e ameaças», explica a estrutura sindical.

É urgente defender a Tapada de Mafra

O sindicato acusa, quanto à gestão ambiental, serem «por demais evidentes as más opções», enumerando o «corte de sobreiros vivos», a «sistemática ameaça ao único casal de açor, por práticas de gestão que potenciam a perturbação, principalmente nos períodos críticos de nidificação», a «alimentação deficiente de cervídeos e javalis», a «limpeza do lago onde vivem e se reproduzem anfíbios», o «corte dos arbustos e florestação envolventes de uma charca» ou a «instalação de [materiais para a prática de] arborismo em árvores consideradas doentes».

A Tapada de Mafra tem o seu PODFCI desactualizado, o que representa um perigo de incêndio numa área florestal de 833 hectares. A realidade esbarra com o que prevê o plano. Entre outras falhas, existem apenas quatro trabalhadores na brigada de defesa da floresta, quando deveriam estar sete ao serviço; o coordenador técnico da brigada encontra-se «avençado [apenas] em part-time»; e as viaturas não estão em condições de utilização para fazer face às necessidades.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-para-defender-tapada-de-mafra

Amazônia: pesadelo geopolítico ou questão de soberania?

O chefe indígena Kadjyre Kayapo, da etnia Krimej, observa área desmatada da Amazônia na cidade de Altamira, no Pará.
© AP Photo / Leo Correa

A maior floresta tropical do mundo comemora o seu dia nesta quinta-feira (5) sob o olhar atento do mundo e com pouco a ser comemorado. A Sputnik Brasil ouviu especialistas sobre o que representa a Amazônia, sua riqueza ambiental e seu impacto geopolítico.

O número de queimadas na Floresta Amazônica brasileira é o maior dos últimos cinco anos. Levantamento do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (IPAM), com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indica que foram registrados 71.497 focos de incêndio entre os dias 1º de janeiro e 18 de agosto deste ano, número 82% maior do que o do mesmo período em 2018.

O desmatamento também está aumentado, segundo dados de diferentes fontes. A medição realizada pela ferramenta Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do INPE, indica que os alertas de desmatamento em julho deste ano cresceram 278% na comparação com o mesmo mês de 2018. 

Após a divulgação dos dados do INPE, o presidente Jair Bolsonaro disse ter o "sentimento" de que eles estariam errados e demitiu o então presidente do órgão, Ricardo Galvão. 

No longo prazo, a devastação é ainda maior. O MapBiomas estimou que de 1985 a 2018 a Amazônia brasileira perdeu uma área equivalente a 2,5 Alemanhas, foram 89 milhões de hectares desmatados. 

Além de dominar as manchetes de jornais ao redor do mundo nas últimas semanas, a Amazônia também teve um pico de interesse no Google. Dados do mecanismo de busca mostram que a floresta foi mais pesquisada em agosto de 2019 do que em qualquer outro período dos últimos 10 anos. 

Nos últimos meses, Bolsonaro rendeu notícias com suas análises do assunto. Ele afirmou que as pessoas poderiam comer menos e alternar os dias em que fazem cocô para preservar o meio ambiente e acusou sem provas as organizações não governamentais (ONGs) de serem responsáveis pela onda de incêndios. O presidente também disse que a questão ambiental preocupa apenas "os veganos que comem só vegetais".

"Bolsonaro foi extremamente inábil, de novo, muito inconsequente. Tem algo aí de muita imaturidade, ele tenta agir com a desinformação e mentiras quando diz que ONGs trabalham para que houvesse os incêndios", diz à Sputnik Brasil a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A repercussão dos incêndios na web e nas ruas, onde foram registrados atos em defesa da Amazônia, não é uma surpresa, avalia Braga. A professora da UFSCar afirma que a população tem diversas fontes de informação e "não se deixa enganar facilmente como em outros períodos da história política brasileira".

A posição de Bolsonaro foi contraposta pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que acusou o presidente brasileiro de mentir sobre seu compromisso ambiental, levou a pauta da Amazônia para a cúpula do G7 e falou sobre um possível "status internacional para a maior floresta tropical do mundo".

Bolsonaro reagiu acusando Macron de ter uma "mentalidade colonialista" e recusou a oferta de 20 milhões de euros (cerca de R$ 91 milhões) feita pelo G7 para ajudar no combate ao fogo. Porém, diante das pressões nacional e internacional, o presidente brasileiro assinou uma operação de Garantia de Lei e Ordem (GLO) para utilizar homens e recursos das Forças Armadas no combate aos incêndios.

Professor da Faculdade Baiana de Direito e especialista em direito internacional, Thiago Carvalho Borges avalia que tanto Bolsonaro como Macron se excederam nas declarações e que "não há precedente" de internacionalização de área que faz parte do território de um Estado soberano. 

"Parece que seria algo contrário ao direito internacional geral, pois o domínio territorial dos Estados é um direito inerente à condição soberana. Somente com a concordância desses Estados é que seria possível algum arranjo com o objetivo de administrar a região amazônica nesse plano", diz Borges à Sputnik Brasil. 

Biodiversidade perdida aos montes

"Já perdemos espécies, ecossistemas e comunidades que a gente não vai sequer conhecer por causa desse fogo", diz a mestre em ecologia Nurit Bensusan à Sputnik Brasil.

Autora de livros sobre biodiversidade, Bensusan também ressalta que cada trecho da floresta perdido pode ser insubstituível: "A Amazônia é conjunto de paisagens e ecossistemas diferentes, não é bem assim 'ah, queimou aqui, mas tem mais ali na esquina'. As partes que queimam são diferentes das partes que não queimaram, a floresta é diversa, não é um conjunto igual."

Tronco pega fogo na Floresta Amazônica
© AFP 2019 / Carl De Souza
Tronco pega fogo na Floresta Amazônica

O aumento da devastação na maior floresta tropical do mundo pode ser explicado em partes por uma "atmosfera anticiência" na gestão Bolsonaro, diz Bensusan.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, questiona o aquecimento global e já escreveu em seu blog que existe uma "ideologia da mudança climática, o climatismo", cujo objetivo seria "sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China".

"Você pode negar o que quiser, pode dizer 'eu me recuso a acreditar que o Papai Noel não existe'. Boa sorte, o Papai Noel não existe, então os termômetros não deixam de aumentar, porque as pessoas não acreditam em aquecimento global, a diversidade biológica não deixa de ser extinta porque você não acredita no valor dela", diz Bensusan.

Bolsonaro chegou a afirmar durante a campanha que iria retirar o Brasil do Acordo de Paris, assim como Donald Trump fez com os Estados Unidos, mas depois recuou. Assinado por 195 países, o Acordo de Paris é o maior esforço global para tentar conter as mudanças climáticas. O tratado tem como objetivo limitar o aquecimento global em até 2 graus Celsius, preferencialmente em 1,5 grau Celsius, na comparação com os níveis pré-industriais. 

O planeta já aqueceu um grau Celsius nas comparação com o século XIX e o mês de julho de 2019 foi, possivelmente, o mais quente da história, segundo a Organização Meteorológica Mundial.

Previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) prevê que 8% das plantas vão ser extintas e que 70% a 90% dos corais da Terra vão deixar de existir com um aquecimento de 1,5 grau Celsius. Se o planeta continuar no ritmo atual, diz o IPCC, o aquecimento deverá atingir 3 ou 4 graus Celsius.

Como reduzir o desmatamento?

Doutor em ecologia e pesquisador do IPAM, Paulo Moutinho participou do desenho de uma política pública para a preservação das florestas que hoje é utilizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 65 países

O REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal ou, em inglês, Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation) é um mecanismo que cria recompensas para quem mantém a floresta em pé. O programa começou a ser elaborado em 2003 em uma parceria entre cientistas brasileiros e dos Estados Unidos.

O Brasil também tem o "principal experimento no mundo sobre REDD", diz o ecologista. O Fundo Amazônia foi responsável por empregar mais de R$ 1 bilhão na preservação da floresta nos últimos 10 anos. Para ter acesso aos recursos, o Brasil precisa controlar seu desmatamento. 

  • Vista de cima das queimadas na Amazônia
    Vista de cima das queimadas na Amazônia
    © AFP 2019 / Lula Sampaio
  • Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
    Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
    © REUTERS / Nacho Doce
  • Criança brinca no meio de incêndios florestais na Amazônia
    Criança brinca no meio de incêndios florestais na Amazônia
    © REUTERS / Ricardo Moraes
  • Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia
    Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia
    © REUTERS / Bruno Kelly
  • Fumaça ganha tom vermelho das chamas que se alastram pela Amazônia
    Fumaça ganha tom vermelho das chamas que se alastram pela Amazônia
    © REUTERS / Ueslei Marcelino
  • Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
    Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
    © Sputnik / Thales Schmidt
  • Manifestante escrevendo cartaz durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    Manifestante escrevendo cartaz durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
  • Manifestante durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    Manifestante durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
  • Manifestante com a bandeira do Brasil e cartaz SOS Amazônia durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal em 26 de agosto de 2019
    Manifestante com a bandeira do Brasil e cartaz "SOS Amazônia" durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal em 26 de agosto de 2019
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
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© AFP 2019 / Lula Sampaio
Vista de cima das queimadas na Amazônia

Descontentes com a política ambiental brasileira, Alemanha e Noruega suspenderam repasses de R$ 151 milhões e R$ 130 milhões, respectivamente, para o Fundo Amazônia.

"Isso [Fundo Amazônia] foi desenhado pelo Brasil e pela sociedade brasileira. É algo soberano do Brasil e sem interferência externa dos doadores. Todo o fundo é gerido pelo governo brasileiro", diz Moutinho à Sputnik Brasil.

O pesquisador do IPAM ressalta que a redução do desmatamento de 2005 a 2012 registrada no Brasil mostra que a sociedade brasileira tem as ferramentas e conhece os caminhos para preservar a Amazônia — e não preservar a floresta terá um custo econômico. 

"95% da agricultura brasileira depende de chuvas e essa chuva vem, em grande parte, da manutenção não só da Amazônia, mas do cerrado e de outros biomas", afirma o doutor em ecologia, que também aponta uma das ações necessárias para preservar a Amazônia: "respeitar os guardiões da floresta, como os povos indígenas, quilombolas e até os pequenos produtores familiares."

A participação da Amazônia no regime de chuvas de outras regiões é conhecido como o fenômeno dos "rios voadores". A evaporação da água gerada pelas árvores é transportada para outras partes do Brasil e cria chuvas vitais para as plantações e o consumo humano. 

Professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), Sonaira Souza da Silva também aponta o custo econômico da devastação:

"O fogo desencadeia vários níveis de problemas. No nível local, ele causa o esgotamento do solo, os agricultores notam que com as sucessivas queimadas o solo dentro de três anos já não tem o mesmo rendimento", diz a professora da Ufac à Sputnik Brasil. Ela também ressalta que sua pesquisa indica que os focos de incêndio "reduzem drasticamente" o número de árvores com valor comercial nas áreas que atinge. 

Amazônia é porta de entrada do Brasil ao mundo

Dono da maior floresta tropical do mundo, o Brasil ocupa um lugar de destaque na arena internacional quando o assunto é meio ambiente. Essa liderança ficou impressa quando o Rio de Janeiro sediou, em 1992, uma das primeiras cúpulas globais sobre o aquecimento global, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92.

O evento reuniu desde o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, até o líder cubano Fidel Castro. 

O professor do Departamento de Geografia e do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Ribeiro relembra que durante a Eco-92 o então presidente francês, François Mitterrand, disse que a "a Amazônia é muito importante para ficar apenas sob a tutela dos países amazônicos".

© AFP 2019 / Gerard Fouet
O então presidente francês François Mitterrand discursa durante a Eco-92, no Rio de Janeiro.

Ribeiro, contudo, diz que a Floresta Amazônica é um assunto dos países da América Latina, apesar do que classifica como "desmonte" da política ambiental feito por Bolsonaro.

O professor da USP ressalta que o Brasil perde influência nas relações internacionais e está se isolando do mundo com suas posições.

"Todo esse protagonismo está sendo perdido, e evidentemente isso leva a um isolamento do país", diz Ribeiro à Sputnik Brasil. "Essa radicalização tem levado a um isolamento, o que não é bom, nenhum país se projeta no mundo de maneira isolada. Especialmente o Brasil, que não é uma potência militar ou tecnológica. O que temos de ativo é a biodiversidade."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019090514477239-amazonia-pesadelo-geopolitico-ou-questao-de-soberania/

para os nossos filhos

 
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Um desafio para os valentes que no ano da graça de 2019 criticam a Greta Thunberg, ridicularizam as pessoas que alertam para a necessidade imperiosa de revermos os nossos hábitos de consumo, e apregoam a sua liberdade de comer quanta carne de vaca muito bem lhes apetecer e de fazer tantas viagens de avião quantas puderem comprar: têm a coragem de imprimir tudo o que têm andado a publicar nas redes sociais sobre este assunto, e guardar num envelope endereçado aos vossos filhos e aos vossos netos, para eles abrirem e lerem em 2029?

Ver o original em Dois Dedos de Conversa - clicar aqui

«A Arte da Guerra»Amazónia, os incendiários gritam: ’Há fogo!’

Aliados de ontem, inimigos de hoje: são os países que investiram no Brasil e que obrigaram a sua indústria a explorar as suas riquezas sem tomar precauções que, doravante, denunciam a devastação desse modelo económico.

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À frente do lobby "ruralista", isto é, das empresas de agronegócio, Tereza Cristina Correla da Costa Dias desempenhou um grande papel na eleição do Presidente Jair Bolsonaro, que lhe conferiu o cargo de Ministra da Agricultura.

Perante a propagação dos incêndios na Amazónia, a Cimeira do G7 mudou a sua agenda para ‘enfrentar a emergência’. Os Sete - França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Japão, Canadá e Estados Unidos - assumiram, juntamente com a União Europeia, o papel de Corpo de Bombeiros planetário.

O Presidente Macron, como bombeiro chefe, lançou o alarme “a nossa casa está a arder”. O Presidente Trump prometeu o máximo empenho dos EUA no trabalho de extinção.

Os holofotes da comunicação mediática concentram-se nos incêndios no Brasil, deixando todo o resto na sombra. Primeiro de tudo, o facto de que está a ser destruída não só a floresta amazónica (dois terços da área são do Brasil), reduzida quase 10 mil km2 por ano em 2010-2015, mas também a floresta tropical da África equatorial e a floresta meridional e oriental da Ásia. As florestas tropicais perderam, em média, a cada ano, uma área equivalente à área total do Piemonte, Lombardia e Veneto.

Embora as condições sejam diferentes de área para área, a causa fundamental é a mesma: a exploração intensiva e destrutiva dos recursos naturais para obter o máximo lucro.

Na Amazónia, abatem-se árvores para obter madeira valiosa destinada à exportação. A floresta residual é queimada para usar essas áreas para culturas e agricultura intensiva também destinadas à exportação. Esses terrenos muito frágeis, uma vez degradados, são abandonados e, portanto, são desarborizadas novas áreas. O mesmo método destrutivo é adoptado, provocando graves danos ambientais, para explorar os depósitos amazónicos de ouro, diamantes, bauxite, zinco, manganês, ferro, petróleo e carvão. Também contribui para a destruição da floresta amazónica, a construção de enormes bacias hidroeléctricas, destinadas a fornecer energia para as actividades industriais,

A exploração intensiva e destrutiva da Amazónia é praticada por empresas brasileiras, fundamentalmente controladas - por meio de participações, mecanismos financeiros e redes comerciais - pelos principais grupos multinacionais e financeiros do G7 e de outros países.

- Por exemplo, a JBS, proprietária de 35 fábricas de processamento de carne no Brasil, onde 80 mil bovinos são abatidos por dia, possui filiais importantes nos EUA, Canadá e Austrália e é amplamente controlada através de parcelas de dívida dos credores: JP Morgan (EUA), Barclays (GB) e os grupos financeiros da Volkswagen e da Daimler (Alemanha).

- A Marfrig, em segundo lugar depois da JBS, pertence 93% a investidores americanos, franceses, italianos e outros investidores europeus e norte-americanos.

- A Noruega, que hoje ameaça retaliação económica contra o Brasil pela destruição da Amazónia, provoca na mesma Amazónia, graves danos ambientais e sanitários através do seu grupo multinacional Hydro (metade do qual é propriedade do Estado norueguês), que explora as jazidas de bauxite para a produção de alumínio, tanto que foi colocado sob investigação no Brasil.

Os governos do G7 e outros, que hoje criticam formalmente o Presidente brasileiro Bolsonaro, para limpar a consciência perante a reacção do público, são os mesmos que favoreceram a sua ascensão ao poder, para que as suas multinacionais e os seus grupos financeiros tivessem as mãos ainda mais livres, na exploração da Amazónia.

A ser atacadas estão, sobretudo, as comunidades indígenas, em cujos territórios se concentram as actividades de desflorestação ilegal. Sob os olhos de Tereza Cristina, Ministra da Agricultura de Bolsonaro, cuja família de latifundiários, tem uma longa história de ocupação fraudulenta e violenta, das terras das comunidades indígenas.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Poluição. Estudo encontra partículas ultrafinas à volta do aeroporto de Lisboa

 
 
Pela primeira vez em Portugal foram estudadas as chamadas partículas ultrafinas
 
Um estudo inédito em Portugal avaliou as concentrações de partículas ultrafinas nas imediações do Aeroporto de Lisboa e nas zonas da cidade sobrevoadas pelos aviões, detetando níveis considerados, pelos investigadores, como preocupantes.
 
O trabalho agora publicado na revista científica da especialidade Atmospheric Pollution Research revela que as concentrações de partículas ultrafinas são 18 a 26 vezes mais elevadas em áreas influenciadas pelos movimentos aéreos em Lisboa.
 
"Há uma relação clara entre os movimentos aéreos e os níveis de partículas ultrafinas, numa influência que se estende de forma significativa a zonas como as Amoreiras", detalha à TSF a principal autora do estudo desenvolvido no Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e no Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade.
 
Margarida Lopes acrescenta que as chamadas "partículas ultrafinas", que têm um tamanho 700 vezes inferior ao da espessura de um fio de cabelo, são um fenómeno poluente que só foi detetado neste século, pelo que está pouco estudado.
 
 
A nanociência é muito recente, mas, no entanto, já se sabem que estas partículas afetam a saúde, apesar de ainda não serem alvo, na lei, de valores-limite para a qualidade do ar.
 
"Até há poucos anos nem se suspeitava que existissem partículas tão minúsculas e com impacto tão grande sobre a saúde (...). A sua medição e reconhecimento dos efeitos prejudicais para a saúde pública é recente, sendo uma preocupação crescente pela sua mais direta absorção pelo organismo através do sistema respiratório [por serem tão pequenas são mais facilmente absorvidas]", explica a investigadora da Universidade Nova.
 
O estudo confirma "os níveis de concentração de partículas ultrafinas nas imediações de um aeroporto localizado praticamente dentro de uma cidade e com elevada população exposta".
 
Margarida Lopes explica que outros estudos internacionais já tinham mostrado demasiadas partículas ultrafinas perto de aeroportos, sendo que agora, em Lisboa, também se nota essa tendência num raio de um quilómetro à volta do aeroporto ou em zonas mais sobrevoadas como as Amoreiras, havendo uma clara relação causa-efeito com a passagem dos aviões.
 
"Esta é uma área de investigação recente, mas já se sabe que estas partículas têm efeitos bastante nocivos para saúde, pior que as partículas de maior dimensão que já estão legisladas, provocando mais doenças respiratórias, mas também sendo associadas a doenças neurológicas como o Alzheimer e Parkinson", conclui a Margarida Lopes, que diz que não gostaria de morar em várias das zonas onde fez medições, perto do aeroporto de Lisboa.
 
Nuno Guedes | TSF
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/poluicao-estudo-encontra-particulas.html

Beatas na via pública dão multa a partir desta quarta-feira

Foi publicada hoje em Diário da República a lei que decorre do diploma do PAN e pune quem atire pontas de cigarro para a via pública com coimas entre 25 e 250 euros.

Créditos / Contas Connosco

A lei que proíbe o descarte em espaço público de pontas de cigarros, charutos ou outros cigarros contendo produtos de tabaco entra em vigor amanhã mas prevê um «período transitório de um ano a contar da data da entrada em vigor». 

De acordo com a nova lei, os «estabelecimentos comerciais, designadamente, de restauração e bebidas, os estabelecimentos onde decorram actividades lúdicas e todos os edifícios onde é proibido fumar devem dispor de cinzeiros e de equipamentos próprios para a deposição dos resíduos indiferenciados e selectivos produzidos pelos seus clientes, nomeadamente receptáculos com tampas basculantes ou outros dispositivos que impeçam o espalhamento de resíduos em espaço público».

Os estabelecimentos referidos «devem ainda proceder à limpeza dos resíduos produzidos nas áreas de ocupação comercial e numa zona de influência num raio de cinco metros».

A lei indica que as contraordenações são puníveis com coimas entre 25 e 250 euros para particulares e entre 250 e 1500 euros para empresas. No que diz respeito às empresas produtoras de tabaco, apenas refere que «devem promover» a utilização de materiais biodegradáveis no fabrico dos filtros.

No artigo referente aos «incentivos para a adaptação de equipamentos», chama-se o Governo para, no prazo de 180 dias a partir da data da entrada em vigor da presente lei, e no âmbito do Fundo Ambiental, criar um sistema para subsidiar os «cinzeiros e equipamentos próprios para a deposição de resíduos de produtos de tabaco».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/beatas-na-publica-dao-multa-partir-desta-quarta-feira

Achegas sobre a floresta amazónica

Recebemos um abundante correio sobre a polémica relativa aos incêndios na Amazónia. Ninguém contesta as nossas informações, mas entram no debate com paixão.

Em quatro dias, inúmeras informações suplementares foram felizmente relatadas por novos participantes. Parece, nomeadamente, que não somente os incêndios nos últimos dez anos se tornaram geralmente raros nesta região (com um aumento este ano), mas que eles são muito menos importantes do que em Angola e no Congo.

Nós lembramos que:
- os julgamentos sobre a ideologia, ou a boa educação, do Presidente Bolsonaro são irrelevantes para o facto de ele ter razão ou não, e não têm, portanto, de ser levados em linha de conta;
- os governos de direita e esquerda da Amazónia seguiram a mesma política de desbravamento, pelas mesmas razões, prova de que essa decisão nada tem a ver com os interesses das multinacionais;
- a floresta amazonense não tem relação com a quantidade de CO2 na atmosfera. Ela respira, aspirando e depois expirando este gás. Ela apenas retém uma ínfima porção de CO2 para o seu crescimento (fotossíntese). É por isso que apenas os incêndios têm a ver com um balanço de carbono;
- inúmeras fontes misturam a zona administrativa «Amazónia» do Brasil, a floresta de 8 países controlada pela OTCA e a floresta amazónica em 9 países, levando a incoerências estatísticas.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Amazónia: o pior pode ainda estar por vir?

Ainda sobre os incêndios deste ano na Amazónia, o gráfico manhoso que andou a circular por aí enferma de dois problemas essenciais. Por um lado, como se mostrou aqui, compara valores totais anuais (para o período entre 2003 e 2018) com valores parciais (para 2019, apenas até julho). Por outro, acentuando o enviesamento e a desinformação, apenas considera em 2019 os meses da «época baixa» de incêndios (janeiro a julho), no Brasil. De facto, quando se consideram os valores médios mensais dos últimos dezasseis anos (2003-2009), verifica-se que a área ardida entre janeiro e julho corresponde apenas a 15% do total anual (cerca de 13 mil dos 67 mil Km2 registados, em média, por ano). Ora, só até julho de 2019 (32 mil Km2) já ardeu cerca de metade (e não 15%) do valor médio anual registado entre 2003 e 2018, com a habitual «época de incêncios», sublinhe-se, apenas agora a começar (registando julho um aumento vertiginoso de área ardida - cerca de +211% face à média dos últimos dezasseis anos - em contraste os meses anteriores de 2019, não se afastam das médias mensais desse período).
Significa isto, por seu turno, que julho de 2019 é não só o mês com maior área ardida da série anual disponível, como - atendendo à distribuição ao longo do ano dos meses da «época de incêndios» - que o pior estará para vir. De facto, se num cenário mais otimista (e menos verosímil) se poderão atingir os 86 mil Km2 de área ardida (presumindo que os acréscimos apenas equivalem, em termos absolutos, a valores próximos da média registada nos últimos três anos), num cenário mais realista a situação será bem pior. Isto é, caso se mantenham as taxas de variação mensal registadas nos últimos três anos, entre julho e dezembro, a devastação poderá atingir os cerca de 270 mil Km2 no final do ano. Estamos neste caso, evidentemente, perante um contexto em que a intencionalidade política pesa muitíssimo mais que as razões imputáveis à seca e às alterações climáticas. Isto é, estamos perante as primeiras evidências materiais da concretização do programa político de Bolsonaro para a floresta Amazónica (aqui referido), com as suas imbricações internas (associadas ao agronegócio e à mineração, por exemplo) e os seus prolongamentos à escala global (a que o João Rodrigues aqui aludiu). E portanto é sobretudo no plano da ação política, e das decisões e orientações que o atual governo brasileiro adotar até ao final do ano, que se decide a dimensão final da catástrofe, neste ano de 2019.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Furacão Dorian atinge categoria mais alta, alertam meteorologistas dos EUA

Furacão Dorian se aproxima da costa dos Estados Unidos
© AFP 2019 / NOAA

O furacão Dorian, que está se dirigindo para o estado da Flórida, nos EUA, atingiu a categoria máxima (5) da escala de furacões de Saffir-Simpson.

Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (National Hurricane Center), a velocidade dos ventos atinge 257 quilômetros por hora. O furacão se formou no oceano Atlântico.

As ilhas de Ábaco, no norte das Bahamas, logo serão epicentro do furacão, informa o Centro no seu Twitter.

Dorian é agora um furacão de categoria 5, com ventos constantes de 160 milhas por hora. O centro deste furacão catastrófico está prestes a atingir as ilhas Ábaco com ventos devastadores. Próxima mensagem de aviso: Centro Nacional de Furacões - hurricanes.gov

"Está previsto um período prolongado de tormentas perigosas, ventos destruidores e chuvas fortes, que podem provocar inundações nas ilhas Ábaco e nas Bahamas na segunda-feira", informam os meteorologistas.

No sábado (31), o primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, avisou os habitantes sobre o perigo e deu ordens de evacuar a ilha principal.

"Eu quero que vocês lembrem: as casas, os edifícios, as estruturas podem ser reconstruídas, as vidas não", disse ele na conferência de imprensa.

Na sexta-feira (30), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou o estado de emergência na Flórida.

Dorian é o quarto furacão nesta estação. Na estação passada, a Flórida foi atingida por dois furações que provocaram algumas dezenas de vítimas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019090114467134-furacao-dorian-atinge-categoria-alta-informam-meteorologistas/

II Encontro Pelas Florestas

No fim-de-semana de 13 a 15 de Setembro a Herdade do Freixo do Meio acolhe o “II Encontro Pelas Florestas”, uma iniciativa da Reflorestar Portugal que apela à participação de toda a comunidade nacional.

 

 

Nesta segunda edição, o montado alentejano vai receber cidadãos, proprietários, agricultores, educadores, reflorestadores e empresas que tenham em comum o empenho e a missão de propagar a cultura regenerativa dos ecossistemas nacionais.

Neste espaço de convergência nacional vão reunir-se diferentes áreas de conhecimento e de saber interligadas e, maioritariamente, indissociáveis (alimentação, práticas agrícolas, habitação ecológica, gestão de resíduos, produção de novas fibras, o fim do plástico, as economias circulares, a legislação, a educação, a saúde humana e dos ecossistemas).

Segundo indicam, será um espaço de diálogo colaborativo, de reflexão, aprendizagem, enriquecimento e consciência, individual e colectiva.

Programa e bilhetes

Informações adicionais através do e-mail: [email protected]


 
 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ii-encontro-pelas-florestas/