Ambiente

CIENTISTA DESMONTA OS MITOS DA HISTERIA CLIMÁTICA

Furacões01
 
                                           https://www.youtube.com/watch?v=4JJ3yeiNjf4
                  A FALSA CIÊNCIA DOS «CONSENSOS»
Eu gostava que as pessoas com educação científica, que lêem o meu blog, reconhecessem a importância da palestra do Dr. Soon, na medida em que, com argumentos, destrói a PSEUDO-ciência (ou mitos) e a adesão acrítica ao chorrilho de falsidades, por parte das pessoas. Encheram-lhes os ouvidos e a cabeça com uma suposta unanimidade no mundo científico sobre o assunto... o tal «consenso».

Mas a ciência não é, nem nunca foi, uma questão de consenso
A decisão política pode sê-lo. Decidir se adoptamos ou não um determinado programa, ou lei, ou medida governamental, será equivalente a procurar o consenso mais alargado possível na cidadania. Simplesmente, aqui trata-se de leis ou medidas feitas e decididas pela sociedade, pelos humanos. 
Quando lhes quiserem insinuar que a «ciência opera por consensos» ou que «existe um consenso entre os cientistas sobre isto, ou sobre aquilo...» devem duvidar da honestidade da pessoa, sobretudo se ela se intitula cientista. 
Nada, no modo de proceder da ciência, tem a ver com consensos, mas sim com a experimentação, que vem validar ou invalidar determinado modelo, hipótese, ou teoria.  Se um único facto (e, mais ainda, um conjunto de factos) vem contradizer uma teoria, então ela fica INVALIDADA.  Não importa que um exército de «cientistas» feitos à pressão, ou de políticos mascarados de cientistas, clame que tal teoria é verdadeira. No caso de haver facto(s) que a contradiz(em), ela será sempre considerada como falsa, ou como não provada, ou não validada pela experiência e pela observação.
Agora, o que se passa [e isto é muito grave], é uma campanha massiva de media, políticos, activistas sociais, etc. que pensam ter razão. Para eles, tudo o que contradiz essa razão (a razão deles) é desonesto, ao serviço de forças obscuras, etc.
O Dr. Soon chama a atenção para o significado disto, para além da própria controvérsia em torno das alterações climáticas: é a própria ciência que pode estar a ser descredibilizada, junto do grande público. Com efeito, toda esta montagem, envolvendo prestigiosas instituições e nomes sonantes da ciência, acabará por ser vista como aquilo que é, mais cedo ou mais tarde. Muitas pessoas ficarão de tal maneira decepcionadas, que deixarão de ter confiança na ciência em geral, confundindo a má ciência e o abuso de poder no «establishment» científico, com a ciência em si mesma! 
O cepticismo, em qualquer domínio do saber, é uma atitude saudável se ele estiver aberto a examinar - sem preconceitos - quaisquer evidências a favor, ou contra, a teoria que o próprio defende. 
O espírito científico não é «partidário». As pessoas verdadeiramente científicas sabem que se deve lutar contra o seu próprio subjectivismo. Quando virem que um argumento é rejeitado, não por falha de lógica intrínseca, não por insuficiente suporte experimental, não por incompatibilidade com o conjunto dos dados disponíveis, mas por ataques ad hominem, insinuando que são «agentes de lóbis» pró-indústria poluidora, etc... fiquem de pé atrás, exerçam o vosso espírito crítico, tentem perceber quais as motivações subjacentes a tais campanhas. 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A religião, a carne de vaca e o Reitor da Universidade de Coimbra

(Carlos Esperança, 18/09/2019)

Imagem de António Neto Brandão, in Facebook

Preservar o ambiente e tornar sustentável o Planeta é assunto demasiado sério, que não se compadece com ironias fáceis ou adiamentos em período de emergência, mas há um mínimo de bom senso aparentemente alheio ao Reitor da Universidade de Coimbra.

 

Todos sabemos que o modo de vida das sociedades atuais não é sustentável e que a sua perpetuação só abreviará o prazo de validade do Planeta para a vida humana. É urgente um novo paradigma que me leva a refletir sobre o aquecimento global e as tragédias que nos aguardam, mas há diferenças entre a ponderação exigida e o exibicionismo fácil.

Desconhecia a competência do Magnífico Reitor nas ementas das cantinas e a função de nutricionista-mor para proibir um alimento não proscrito pelas autoridades sanitárias.

A abolição inopinada da carne de vaca parece-me uma prepotência própria de um crente cujo proselitismo não aceita o contraditório. O atual reitor da UC, uma instituição laica, já surpreendeu na tomada de posse ‘antecedida de Missa Solene na Capela de S. Miguel, pelas 9 horas’, em 18 de fevereiro deste Ano da Graça.

Foi uma atitude pioneira de indignidade, de que pode não ter sido o responsável, mas a sua posse integrou uma missa para abrilhantar a cerimónia, missa cujo anúncio inédito mereceu a indignação de vários docentes. Foi a primeira vez que um reitor tomou posse com missa anunciada.

Se em 1 de março foi o primeiro reitor a manifestar publicamente a preocupação com a salvação da alma, em 17 de setembro, meio ano depois, é pioneiro a salvar o Planeta. Espero que não pense que o pão ázimo, que alimenta a alma, transubstanciado em corpo e sangue, após os sinais cabalísticos, seja a fonte de proteínas para substituir a carne de vaca.

Para já, parece-me abuso de funções, à semelhança da Missa Solene, impor aos outros o direito individual que lhe assiste.

Como na missinha, volto agora a repudiar a prepotência do Magnífico Reitor, por não lhe reconhecer autoridade para a decisão que tomou.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Materiais obtidos pelo The Intercept mostram plano 'paranoico' de Bolsonaro na Amazônia

© REUTERS / ADRIANO MACHADO

Bolsonaro estaria planejando povoar Amazônia contra chineses, ONGs e Igreja Católica.

O governo de Bolsonaro estaria elaborando um plano de ocupação e desenvolvimento da Amazônia desde a ditadura militar.

O projeto Barão de Rio Branco retoma o antigo desejo militar de povoar a Amazônia, sob o pretexto de desenvolver a região e proteger a fronteira norte do país.

Documentos, obtidos pelo jornal The Intercept, detalham o plano que incentivaria os grandes empreendimentos a atrair a população brasileira a povoar a região amazônica para elevar a participação da região norte no PIB do país.

Contrariando os pronunciamentos realizados em rede nacional por Bolsonaro, os documentos mostram que os planos do presidente é explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes para a Amazônia.

O plano foi apresentando pelo coronel reformado Raimundo César Calderaro, coordenador de Bolsonaro, em reuniões fechadas com políticos e empresários locais. Parte do conteúdo desta reunião foi revelada pelo portal Open Democracy.

A secretaria teria afirmado ter reunido a sociedade, academia e autoridades locais para receber opiniões e sugestões para dar sequência ao projeto, entretanto deixou de fora os indígenas, quilombolas e ambientalistas.

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli
Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

O governo Bolsonaro estaria visando as "riquezas" da Amazônia, como os minérios, o potencial hidrelétrico e as terras cultiváveis do planalto da Guiana. Além disso, há planos para a construção de uma hidrelétrica e uma rodovia e explorar as regiões de savanas.

Vale destacar que outros projetos semelhantes foram abandonados devido ao impacto socioambiental em comunidades indígenas e quilombolas, onde inclusive há o registro de tribos isoladas. Entretanto, o governo Bolsonaro ignora a questão socioambiental e estaria determinado a seguir em frente com o projeto, "custe o que custar".

Em áudios gravados durante a reunião fechada, o governo Bolsonaro cita que o Brasil precisa proteger suas fronteiras, principalmente com o Suriname, país que recebe investimento e imigrantes chineses. Já que eles acreditam que a China poderia fazer o mesmo em uma região pouco habitada do Brasil, o que facilitaria uma suposta invasão chinesa.

Entretanto, Mauricio Santoro, professor de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, afirmou que a China não tem uma política de imigração e que, na verdade, está atraindo de volta seus cidadãos capacitados que vive no Ocidente.

Os militares acreditam que a única forma de proteger o Brasil é desenvolver a região amazônica a qualquer custo, pois almejam elevar a renda do PIB do Brasil.

A realidade aponta que o projeto "causará impactos destrutivos e irreversíveis" para a região, para os povos indígenas e para os recursos naturais.

Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia
© REUTERS / Bruno Kelly
Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia

O governo Bolsonaro vem tentando aprovar o projeto desde janeiro, mas até agora não conseguiu, entretanto o assunto segue secretamente em pauta.

Por coincidência, a Amazônia está sofrendo sua maior crise e desmatamento após incêndios que podem ter sido causados por apoiadores de Bolsonaro e seu projeto Rio Branco, escreve o The Intercept. Inclusive, a crise da Amazônia está favorecendo seu projeto de interesses na região, onde uma exploração e expansão estão em seus planos.

Ou seja, Bolsonaro e seu "exército" veem a crise da Amazônia como uma grande oportunidade para seguir com o projeto. Tanto é que a Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos admitiu que o governo deverá criar um Grupo de Trabalho Interministerial para discutir o projeto, expondo ainda mais a real intenção do governo Bolsonaro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019092014538832-materiais-obtidos-pelo-the-intercept-mostram-plano-paranoico-de-bolsonaro-na-amazonia/

Brasil sem voz na cúpula do clima: retaliação ou falta de dever de casa?

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli

Dono da maior floresta tropical do mundo, o Brasil foi impedido de discursar na Cúpula sobre Ação Climática da ONU. A Sputnik Brasil ouviu duas vozes sobre a decisão da ONU de tirar o microfone dos brasileiros.

Com início previsto para a véspera da Assembleia-Geral da ONU, o evento tem como objetivo "aumentar a ambição e acelerar a implementação do Acordo de Paris". 

O Brasil não irá discursar porque, afirma reportagem da Folha de S. Paulo, a ONU selecionou outros países que enviaram propostas consideradas mais ambiciosas. Também foram vetados Estados Unidos, Arábia Saudita, Japão, Austrália e Coreia do Sul.

"O Brasil não apresentou nenhum plano para aumentar o compromisso com o clima", disse à Folha de S. Paulo o enviado especial da secretaria-geral da ONU, Luis Alfonso de Alba.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já questionaram o aquecimento global.

Bolsonaro pediu, em novembro de 2018,  que o Brasil não sediasse a Conferência do Clima da ONU em 2019, e o evento acabou transferido para o Chile. Salles pretende se reunir nos Estados Unidos com negacionistas do aquecimento global e Araújo já escreveu, em 2018, que o "climatismo" é uma trama para "sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China".

O advogado e especialista em direito ambiental Fernando Pinheiro Pedro acredito que a exclusão do Brasil do rol dos oradores durante Cúpula sobre Ação Climática da ONU é um "desaforo internacional" e um posicionamento "ideológico e contaminado pelo sectarismo". 

"Há uma manipulação de ordem política e ideológica de uma questão que deveria ser tratada eminentemente no campo científico", diz Pedro à Sputnik Brasil.

Ainda de acordo com Pedro, o Brasil é prejudicado por "países europeus comprometidos com o globalismo" por seu posicionamento mais "soberanista e menos globalista".

Brasil está fora porque não fez a lição de casa

O diretor de políticas públicas da ONG SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, acredita que a exclusão do Brasil é justa porque o país "não fez a lição de casa". Ele ressalta que os brasileiros são responsáveis pela criação de instrumentos e eventos importantes no campo das políticas climáticas, como a Conferência do Clima e a Conferência da Biodiversidade: "não é coisa de gringo querendo trazer informação para cá", diz.

"Acho que a ONU está chamando a atenção do Brasil. Ela não proibiu, a condição para se participar desse evento era ter feito o documento", diz Mantovani á Sputnik Brasil. "O Brasil perdeu crédito, habilidade e está colocando em risco nossa economia e nossa sociedade com posturas tão obtusas e atrasadas."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019091914536216-brasil-sem-voz-na-cupula-do-clima-retaliacao-ou-falta-de-dever-de-casa/

Aeroporto no Montijo tem «conjunto de impactes negativos»

A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do futuro aeroporto do Montijo termina hoje. Câmara da Moita e organizações ambientalistas alertam para riscos.

A decisão final do EIA deverá será conhecida em OutubroCréditos

Esta terça-feira, a Câmara Municipal da Moita (CDU), no distrito de Setúbal, anunciou num comunicado que tinha aprovado uma posição em que dá parecer negativo ao EIA do novo aeroporto, devido ao «conjunto de impactes negativos no território, no ambiente, na saúde, na segurança pública e nos valores culturais e patrimoniais existentes».

A decisão foi aprovada na segunda-feira, em reunião do Executivo, tendo em conta a existência de «alternativas de localização mais favoráveis», como é o caso do Campo de Tiro de Alcochete, também no distrito de Setúbal.

Para o Município, o local escolhido – Base Aérea n.º 6, entre o Montijo e Alcochete – traz «riscos reais para a saúde pública causados pela elevada exposição da população ao ruído e às concentrações de poluentes no ar, contrariando todas as directivas da Organização Mundial de Saúde».

Contrariamente à Moita, no início deste mês as câmaras do Barreiro e do Montijo deram um parecer favorável ao EIA, considerando que o estudo contempla «as adequadas medidas de compensação ao nível da protecção ambiental».

Ambientalistas dizem «Não»

Essa não é, no entanto, a posição assumida pela GEOTA, LPN, FAPAS, SPEA e A Rocha. Num comunicado conjunto hoje divulgado, as organizações não-governamentais (ONG) dão parecer negativo ao projecto do aeroporto do Montijo e respectivo EIA, considerando que este «falha em todas as vertentes relacionadas com a avaliação de impactes, a mitigação e as medidas compensatórias».

Por outro lado, criticam, está em desconformidade com «directivas europeias, legislação nacional e compromissos assumidos pelo Estado português perante tratados internacionais», no que diz respeito à conservação do património natural e ao desenvolvimento sustentável.

No comunicado conjunto, as organizações sublinham que o EIA «não avalia os impactos na qualidade de vida e na saúde pública das populações que vivem nas áreas que passarão a ser sobrevoadas por aeronaves», ao mesmo tempo que desconsidera «habitats e espécies prioritários, bem como áreas protegidas».

Além das falhas, as ONG destacam que o EIA «não apresenta argumentos que expliquem» em que medida este projecto irá responder a necessidades nacionais, ao mesmo tempo que denunciam uma «pressão política inaceitável» para a execução da obra.

«A assinatura do acordo entre o Governo de Portugal e a ANA [Aeroportos de Portugal] para a construção do novo aeroporto do Montijo, ainda antes da elaboração do Estudo de Impacte Ambiental e do parecer da Comissão de Avaliação, é uma forma de ingerência política em processos de avaliação ambiental que consideramos inaceitável num Estado de direito», concluem.

Recorde-se que, no frente-a-frente com o líder do PSD, Rui Rio, o primeiro-ministro, António Costa, ameaçou que uma renegociação com a ANA «custaria ao País milhares de milhões de euros» caso não fosse possível avançar com o novo aeroporto de Lisboa no Montijo.

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/aeroporto-no-montijo-tem-conjunto-de-impactes-negativos

Pesquisa em biodiversidade descobre mil espécies de animais e plantas no centro de Moçambique

Maputo, 17 set (Xinhua) -- Mais de mil espécies de animais e plantas, incluindo várias novas espécies em Moçambique e outras potencialmente novas para a ciência, foram descobertas na província central de Manica, em Moçambique.

A descoberta, resultado de uma pesquisa de biodiversidade de duas semanas que ocorreu no fim de 2018, em uma seção de uma área de conservação pouco pesquisada chamada Chimanimani, foi anunciada em um comunicado pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) do país na terça-feira.

As descobertas incluem 231 espécies de aves, 176 plantas, 42 mamíferos, 22 espécies de anfíbios, 45 répteis e mais de 450 insetos, segundo o comunicado.

Segundo o documento, uma nova espécie de morcego pode ter sido descoberta em Moçambique, além disso uma espécie de rã, outra de lagarto, um tipo de grilo de arbusto possivelmente são inéditos para a ciência. Várias espécies de animais foram registradas pela primeira vez no país,

Especialistas enfatizaram a importância de proteger a rica biodiversidade desse cenário contra ameaças como a mineração, a exploração madeireira e o aumento demográfico.

A Reserva Nacional de Chimanimani é habitada há séculos e contém importantes sítios históricos, incluindo pinturas rupestres da Idade da Pedra e ruínas que datam da era do Grande Zimbábue dos séculos XIV e XV.

Juntamente com o Parque Nacional de Chimanimani do Zimbábue, a Reserva Nacional de Chimanimani é uma área transfronteiriça protegida que cobre aproximadamente mil quilômetros quadrados.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/18/c_138400923.htm

China acaba com epidemia de pragas destruidora de milho

Beijing,18 set (Xinhua) -- A China venceu a luta contra uma epidemia de largata-militar que ameaçou a produção de milho e grãos do país, divulgou nesta terça-feira o Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais.

Graças aos esforços conjuntos de controle, as pragas consumiram menos de 5% da produção e não causaram danos à principal área de produção de milho, disse Pan Wenbo, funcionário do ministério.

As metas de controle de pragas e estabilização da produção de grãos de outono foram alcançadas, e a ameaça à principal área de produção de milho foi eliminada, disse Pan.

A praga, detectada pela primeira vez em janeiro, se alastrou da Província de Yunnan no sudoeste da China para 25 regiões de nível provincial, afetando 1 milhão de hectares de cultivos e causando danos a 164 mil hectares.

O país alocou pelo menos 860 milhões de yuans (US$ 121 milhões) em fundos financeiros para combater as pragas.

É possível que a praga migratória retorne no próximo ano e o ministério trabalhará em planos de controle com antecedência, disse Pan.

Pan acrescentou que o Ministério continuará promovendo as capacidades de prevenção e controle de pragas, melhorando as políticas de apoio a emergência e estabelecendo um mecanismo de longo prazo para combater as pragas.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/18/c_138400830.htm

China fortalece apoio financeiro para enfrentar mudança climática

Beijing, 18 set (Xinhua) -- A China fortalecerá o apoio financeiro a programas destinados a mitigar a mudança climática e a reduzir as emissões de carbono, um aspecto destacado dos esforços do país para impulsionar as finanças verdes, indicou o órgão supervisor do ambiente da China.

Em um fórum de finanças verdes, Li Gao, funcionário do Ministério de Ecologia e Ambiente, disse que a China acelerará a construção de políticas relacionadas de financiamento para resolver a mudança climática e apresentar padrões nacionais nessa área.

Esforços devem ser feitos para se estabelecer zonas pilotos de financiamento do clima e orientar os governos locais para explorarem caminhos e modelos de desenvolvimento específicos para lidar com os assuntos climáticos chave, apontou Li.

Ele também pediu o fortalecimento da cooperação internacional em financiamento climático para promover a implementação de projetos amigáveis ao clima no exterior.

A China introduziu em dezembro de 2017 um mecanismo de mercado para o controle de emissões de carbono com um sistema nacional de comércio. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/18/c_138400739.htm

Com uma batalha à vista já outra se perfila

Até 6 de outubro a prioridade será a repetição da grande vitória das esquerdas de há quatro anos, ampliando-a tanto quanto o possível. Esse é o desafio do curto prazo, aquele que determinará se continuaremos a constatar melhorias efetivas nos nossos rendimentos e qualidade de vida nos anos vindouros.

 

Vencida essa batalha logo outra deverá mobilizar-nos: a que, neste fim-de-semana, António Guterres considerou ser a das nossas vidas, porque o tempo está a esgotar-se para que evitemos um descontrole irreversível no comportamento da atmosfera terrestre, com o efeito de estufa a acentuar-se significativamente devido ao aumento da evaporação dos oceanos, não só elevados num metro por efeito do degelo da Groenlândia e do Ártico, mas também pelo seu aumento de temperatura.

 

Para inquietação maior dos cientistas, constata-se que o ritmo desse aquecimento global está a acelerar-se, verificando-se uma transposição do clima anteriormente associado ao Magrebe para as condições agora rastreadas no sul da Europa.

 

Pode haver a tentação de militar por políticas à medida da situação de emergência climática escolhendo partidos e movimentos, que adotam a agenda ecologista por oportunismo ou sem suporte ideológico coerente capaz de dar consistência às pretensões emitidas pelas suas palavras de ordem. A evidência mais óbvia - e que depressa será a linha de separação entre o lirismo inconsequente de uns e a determinação responsável de outros - é não ser possível defender uma agenda ecologista sem por em causa o sistema económico que a contraria. Daí não ser credível o discurso de quem diz defender um planeta sustentável sem se posicionar politicamente à esquerda ou à direita. O aquecimento global, com todos os perigos a ele associados, torna obsoletos os partidos tradicionais das direitas e, ainda mais, os que se andaram para aí a inventar como tentativa de dar ilusório fôlego à moribunda intenção de fazer o tempo voltar para trás.

 

Em vez de apoiarmos partidos ou movimentos de contrafação cuja ideologia é indefinida ou enfeudada a outros interesses, que não os que anunciam, deveremos secundar quem está efetivamente a tomar medidas concretas para que cesse a atividade das centrais a carvão, se substitua o transporte individual pela mobilidade coletiva ou se aumente substancialmente a produção de energia elétrica com fontes renováveis. Entre o blá-blá-blá de uns e as medidas já tomadas, ou em preparação, pelo governo não é difícil escolhermos a trincheira para que o país cumpra a sua parte no esforço global para que os nossos filhos e netos recebam a herança de um planeta onde seja agradável crescer e viver.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/09/com-uma-batalha-vista-ja-outra-se.html

Chineses fazem 300 milhões de viagens diárias por via de transporte verde

Tianjin, 17 set (Xinhua) -- A China tem conquistado grande progresso em transporte verde, fornecendo 300 milhões de viagens por dia, disse um alto funcionário dos transportes na segunda-feira na cerimônia de abertura de uma campanha sobre o transporte verde.

A campanha, organizada pelo Ministério do Transporte, Ministério da Segurança Pública, Administração Nacional dos Órgãos Governamentais e Confederação Nacional dos Sindicatos da China, durará de 16 a 22 de setembro.

Um total de 37 cidades chinesas dispõe de redes de metrô, com a distância total em operação acima de 5.300 km. O sistema de transporte público urbano serve mais de 90 bilhões de viagens de passageiros anualmente e os usuários diários médios das bicicletas compartilhadas superam 40 milhões, disse Liu Xiaoming, vice ministro do Transporte.

Até agora, a China conta com 670 mil ônibus e trólebus, dos quais 340 mil são veículos movidos a nova energia, ficando em primeiro lugar no mundo, disse Liu.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/17/c_138398421.htm

Quase 3.000 aldeias em Beijing deixam de usar carvão

Beijing, 17 set (Xinhua) -- Ao todo, 2.963 aldeias em Beijing deixaram de usar carvão até o final de 2018, com cerca de 1,1 milhão de famílias rurais passando a utilizar energia limpa para aquecimento no inverno, informou nesta terça-feira o Departamento Municipal da Agricultura e dos Assuntos Rurais de Beijing.

Beijing intensificou os esforços para zerar o uso do carvão nas aldeias, pois sua queima para aquecimento no inverno é um desafio para o compromisso da cidade de ter mais dias sem poluição atmosférica.

Em 2013, a metrópole lançou um programa para acabar com o uso do carvão a favor da energia limpa, na tentativa de melhorar a qualidade do ar.

Até o ano passado, a medida reduziu a quantia de carvão queimado nas estações de aquecimento da cidade em quase 4 milhões de toneladas.

Desde então, a qualidade do ar em Beijing melhorou ao longo dos anos. A concentração média de PM 2,5 (partículas transportadas pelo ar com diâmetro de até 2,5 micrômetros) da cidade nos primeiros oito meses do ano atingiu a baixa recorde de 42 microgramas por metro cúbico, segundo o Departamento Municipal do Meio Ambiente e da Ecologia de Beijing.

A capital registrou 227 dias de boa qualidade do ar em 2018, 51 dias a mais que em 2013, disse Yu Jianhua, vice-chefe do departamento, acrescentando que a densidade de outros poluentes do ar, como o dióxido de enxofre, também bateu a marca da menor baixa histórica.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-09/17/c_138398806.htm

ONU veta discurso do Brasil na cúpula do Clima

Presidente Jair Bolsonaro participa de conferência em Brasília, 21 de agosto de 2019
© REUTERS / Adriano Machado

Estados Unidos, Arábia Saudita, Japão, Austrália e Coreia do Sul também estariam fora da lista de países que vão discursar na cúpula da ONU.

A ONU vetou o Brasil da lista de países que vão discursar na Cúpula para Ação Climática das Nações Unidas, que ocorre na próxima segunda-feira (23), em Nova York, por não apresentar compromissos com o clima.

De acordo com o enviado especial da secretaria-geral da ONU, Luis Alfonso de Alba, citado pela Folha de S.Paulo, a organização solicitou que os países enviassem um plano em relação aos compromissos climáticos. A seleção da lista de países que vão discursar na cúpula seria baseada na seleção dos discursos mais inspiradores.

“O Brasil não apresentou nenhum plano para aumentar o compromisso com o clima”, afirmou a fonte.

De acordo com a fonte, Estados Unidos, Arábia Saudita, Japão, Austrália e Coreia do Sul, também devem ficar de fora da lista de discursos no evento. A lista total terá 63 países selecionados, incluindo França e Reino Unido. 

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, convocou a Cúpula para Ação Climática da ONU estrategicamente para acontecer às vésperas da Assembleia-Geral e conseguir um maior envolvimento dos chefes de Estado para as questões climáticas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019091814532179-onu-veta-discurso-do-brasil-na-cupula-do-clima/

O CAPITALISMO NÃO É VERDE!

 
 
Rui Sá | Jornal de Notícias | opinião
 
Se há coisa que me chateia é ver as organizações políticas a correrem atrás "do que está a dar", naquilo que não se pode considerar sentido de oportunidade política mas mero oportunismo político.
 
Nos últimos tempos, PAN e BE empurram-se mutuamente para ver quem ganha o pódio das causas ambientais a que, convenhamos, deram pouca importância ao longo da sua relativamente curta vida. Mas, se há manifestações de jovens com elevada mobilização em defesa do ambiente, se a Comunicação Social está rendida à sua cobertura (como não faz de quaisquer outras manifestações com mais mobilização...), então toca a virar as agulhas para o assunto, até porque, dizem, o PAN e o BE disputam o mesmo "segmento" de voto... Confesso que não é esta a forma de fazer política que me seduz, embora reconheça que a mesma pode render votos no curto prazo. Mas, com um bocado de inteligência e de atenção, vemos como o gigante tem pés de barro e as incoerências são evidentes.
 
E assim vemos que o PAN, nas contas da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu, na rubrica de transportes, apresenta como maior valor o transporte em carro próprio do seu líder... E Catarina Martins, tão preocupada com o ambiente, mostra que, sobre a matéria, tem ideias coladas com cuspo que a fazem dizer que temos barragens a mais porque elas fazem com que a água se evapore...
 
 
Mas, deixando a espuma dos dias, temos de facto um problema ambiental grave. Que temos de combater. Mas, sendo sérios, não podemos deixar de constatar que a origem do problema está no sistema económico em que vivemos - o capitalismo. Que, e isso está mais do que provado (não sendo necessário recorrer a Marx, que tão bem e de uma forma pioneira o caraterizou), precisa que a economia cresça para permitir acumular capital - a sua razão principal de ser.
 
E esse crescimento faz-se com a proliferação de produtos e serviços, com tempos de vida cada vez mais curtos, que fazem com que se extraiam cada vez mais recursos do planeta, exaurindo-o. Ao mesmo tempo que a ânsia do lucro faz com que a produção se efetue sem preocupações ambientais (veja-se o caso da Amazónia e da primazia do negócio da madeira que Bolsonaro incentiva). Simultaneamente surgem as teses de que a culpa é dos cidadãos (mais ou menos como aconteceu aquando da última crise económica, em que nos procuraram fazer crer que a culpa era nossa porque vivíamos acima das nossas posses).
 
De facto, o capitalismo não é verde e a sustentabilidade do ambiente contraria mesmo a sua essência. Não quer isto dizer que os cidadãos não se devam mobilizar para defender o ambiente e, em particular e no momento que vivemos, que se mobilizem contra as alterações climáticas. Mas atacar as consequências sem ir às causas não costuma dar bom resultado...
 
*Engenheiro

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/o-capitalismo-nao-e-verde.html

Crime ambiental em ribeira de Tires

SEJA UM REPÓRTER CASCAIS24 E ENVIE-NOS A SUA NOTICIA, FOTOGRAFIA OU VÍDEO PARA: cascais24.cidadaoreporter@gmail.com
JOSÉ COELHO MARTINS (Texto e fotos)
16 setembro 2019 
A ribeira do Goilão em Tires, está a ser palco de despejos ilegais de esgotos.
A manilha de águas pluviais existente debaixo do pontão em frente ao pavilhão dos escuteiros encontra-se em permanência a deitar esgotos para a ribeira e assim se mantém.
Há dias, também no mesmo pontão, a manilha do lado sul deitava esgotos em profusão para a ribeira.
O caricato da situação é que se encontrava estacionada mesmo ao lado do pavilhão dos escuteiros uma carrinha grande de caixa fechada da Cascais Ambiente e ninguém desta empresa se dignou providenciar no sentido de alertar as autoridades (dá para acreditar?), pelo  que tive de ser eu a fazê-lo, como já o fiz inúmeras vezes em momentos anteriores. 
A GNR/SEPNA foi informada, bem como a Polícia Municipal, que se deslocou ao local pouco tempo depois. 
 
Passado cerca de mais 30 a 40  minutos chegou um piquete da Águas de Cascais, que desentupiu o colector de esgoto da Rua Principal e no seguimento dessa iniciativa, a manilha de águas pluviais do lado sul parou de correr.
Mas o do lado norte continua a debitar esgoto em quantidade muito apreciável.
Não sou especialista na matéria, mas custa-me entender que havendo dois circuitos distintos, um de águas pluviais e outro de residuais domésticas, possa ser possível que do último transitem líquidos para o primeiro. Admitindo que tal seja legalmente permitido, pois já nada me espanta nesta espécie de país e com esta espécie de gente, o que me parece ser óbvio e que entra pelos olhos de qualquer um é que se tem de colocar um ponto final num quadro de crime ambiental que dura há já vários anos neste local e que se tem tornado cada vez mais permanente.
Mais uma vez aqui, repito, que tanto condeno a inacção do executivo camarário, como a inacção da oposição desse executivo, sendo que até ao momento não tenho conhecimento de qualquer iniciativa de quem quer que seja no sentido de contribuir para uma solução definitiva deste crime ambiental.
Concluo, relembrando que em Cascais tudo começa nas pessoas! E como é  bom viver no interior do concelho de Cascais! E como me sinto feliz  por estar a pagar os vossos salários!
 
 
 

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Como o Sínodo da Amazônia revela a lucidez política do papa Francisco

Só a Divina Providência poderia prever que um encontro internacional sobre a Amazônia, convocado há dois anos, coincidiria com o atual momento da região, alvo de políticas destrutivas do governo Jair Bolsonaro e após virar notícia global em razão dos incêndios descontrolados e do avanço recorde do desmatamento.

 

 

Em Roma, a explicação que se ouve dentro dos muros da Cidade do Vaticano é bem mundana: trata-se de um exemplo da sagacidade política do papa Francisco, que, responsável por pautar o evento no final de 2017, desde o início de seu pontificado, há seis anos, elencou a defesa do meio ambiente como ponto central de sua agenda.

No próximo mês, durante três semanas, mais de 250 integrantes da Igreja Católica, além de indígenas, ribeirinhos e cientistas de nove países que fazem parte da floresta, se reunirão no Vaticano para o Sínodo da Amazônia – evento que consolidará a liderança global do argentino Jorge Mario Bergoglio como porta-voz da causa ecológica.

O objetivo não é somente discutir novas formas de evangelização na região, que tem cada vez menos influência católica, mas principalmente debater propostas e estratégias para a preservação de sua biodiversidade, das comunidades tradicionais e como desenvolver um modelo econômico sustentável.

Visto pelo governo Bolsonaro como uma ameaça à soberania nacional, o evento será outro potente fórum a chamar atenção da comunidade internacional para a prejudicial política em curso na Amazônia, além de provocar descontentamento na ala conservadora do Vaticano, que tachou o sínodo de “herético” por propor a discussão de temas revolucionários para o catolicismo, como a ordenação de leigos para suprir a falta de padres nas regiões isoladas.

O sínodo é uma espécie de assembleia realizada em média a cada três anos, que muitos em Roma chamam de “Parlamento dos Bispos”. Ele foi instituído após o Concílio Vaticano II, um longo debate que, no início dos anos 1960, modernizou a estrutura da Igreja em diversas frentes. A atual edição, dedicada à Amazônia, se encaixa na categoria de sínodo especial, como já ocorreu antes em discussões específicas sobre continentes como Europa e África. A novidade, agora, é o evento ser dedicado a uma região geográfica.

Como observou recentemente o jornal L’Osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, a Igreja Católica não tem competência para formular e promover novos modelos de desenvolvimento na Amazônia, mas o que ela espera é denunciar os males provocados pelo atual modelo político e econômico, posicionando-se simbolicamente contra uma situação que considera de “caos ambiental e social” e coloca em risco a área com a maior biodiversidade do mundo.

O documento preparatório do sínodo, produzido após consultas a mais de 80 mil pessoas que vivem nas comunidades amazônicas dos nove países e que servirá de guia das discussões, antecipa o tom crítico que virá da Santa Sé nas próximas semanas. O texto afirma que “a violência, o caos e a corrupção” reinam na Amazônia e não poupa nem mesmo o passado da própria Igreja, reconhecendo que ela foi cúmplice de crimes durante a ocupação da região.

“A destruição múltipla da vida humana e ambiental, as enfermidades e a contaminação de rios e terras, o abate e a queima de árvores, a perda maciça da biodiversidade, o desaparecimento de espécies, constituem uma realidade crua que interpela todos nós”, ressalta o Instrumentum Laboris, que, dividido em três partes, tem um total de 147 tópicos.

Como reconhece o Vaticano, há “muito em jogo” na Amazônia, onde vivem cerca de 30 milhões de pessoas, por isso a necessidade de escutar as aspirações e os “gritos” das comunidades locais, conforme ressaltaram nos últimos meses o papa e os muitos bispos e padres envolvidos na organização.

Em maio de 2015, pouco mais de dois anos depois de eleito, Bergoglio divulgou uma carta encíclica (“Laudato Si”) em que deixava claro sua preocupação com o meio ambiente. Ali ele lançou as bases do seu discurso contra as monoculturas e a ambição empresarial que destrói florestas. Ele menciona a Amazônia na carta (como também regiões da África) e pondera que há “propostas de internacionalização da Amazônia que só servem aos interesses econômicos das corporações internacionais”.

Ainda antes da ascensão de políticos negacionistas do aquecimento global, o pontífice vaticinava: “Muitos daqueles que detêm mais recursos e poder econômico ou político parecem concentrar-se sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas, procurando apenas reduzir alguns impactos negativos de mudanças climáticas”.

O documento foi considerado um importante divisor no mundo católico, conforme ressalta o veterano vaticanista Marco Politi. Pela primeira vez, o Vaticano expressou que a ecologia é fundamental na fé cristã e expôs diretrizes para os fiéis sobre a proteção da natureza. “O papa deixou claro que há uma relação intrínseca entre a degradação ambiental e a degradação social. O mesmo que destrói uma destrói a outra”, ressalta Politi. O subtítulo da carta encíclica de 2015, “sobre o cuidado da casa comum”, dará o tom das discussões em Roma no próximo mês.

Para o governo brasileiro, envolto de fantasmas internos e externos, o evento – após toda a repercussão internacional recente e o embate com o francês Emmanuel Macron – é mais um exemplo da conspiração internacional contra a soberania da Amazônia. O tom conspiratório é compartilhado e alimentado pelo Exército brasileiro.

As primeiras notícias da contrariedade do governo surgiram ainda no início do ano, quando se noticiou que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência estava monitorando o evento. Recentemente, o órgão negou que tivesse infiltrado agentes no sínodo, mas ressaltou que o acompanhava pela imprensa e nos sites da Igreja – os arapongas não tiveram muito trabalho, já que a documentação do evento está aberta na internet.

O governo brasileiro solicitou ao Vaticano para acompanhar a assembleia por meio de um representante, pedido que foi negado. O gesto irritou a cúpula da Igreja, segundo auxiliares do papa, pois foi considerado uma tentativa de ingerência nos assuntos internos. O sínodo é um evento realizado pela Igreja e para a Igreja, conforme disseram.

Em março, o uruguaio Guzmán Carriquiry Lecour, conselheiro de Francisco que cuidava da Pontifícia Comissão para a América Latina, recém-aposentado, deixou o descontentamento claro: “O papa respeita a autonomia política de cada país, assim como quer que cada país respeite a autonomia da Igreja”.

O que parece inevitável é o renascimento de uma nova polarização, acompanhada por animosidades mútuas, entre a Igreja e o governo brasileiro, situação que se viu durante a ditadura militar (1964-1985). “Para o governo, o que importa é abrir oportunidades de lucros para os grandes investimentos interessados em ocupar as terras indígenas, ricas em minerais preciosos, em explorar a indústria madeireira, expandir o plantio de soja e as pastagens de gado”, afirma o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. “Mais do que angariar adeptos para o catolicismo, o que a Igreja quer é defender os povos originários e a preservação socioambiental.”

Dos nove países amazônicos (Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa), o Brasil – que detém a maior extensão da floresta – tem a situação política mais delicada. Sobretudo pelas visões antagônicas entre Brasília e Roma. O choque fica evidente ao se comparar a política ambiental colocada em prática nos últimos meses, diametralmente oposta aos pontos listados no documento que guiará o sínodo – que se chocaria também com a política de governos precedentes, como, por exemplo, do PT, em especial nas críticas à construção de usinas hidrelétricas na floresta.

“A Amazônia está sendo disputada a partir de várias frentes”, afirma um trecho do Instrumentum Laboris. “Uma responde aos grandes interesses econômicos ávidos de petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais etc. Outra é a de um conservacionismo ecológico que se preocupa com o bioma, porém ignora os povos amazônicos.”

O cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e próximo de Bergoglio, será o relator do evento. Ele já deixou claro o que pensa sobre o tema. “Um dos problemas cruciais para proteger a Amazônia surge do modelo de desenvolvimento imposto pelas autoridades públicas e pelos interesses das empresas privadas”, escreveu o cardeal no livro O Sínodo para a Amazônia, publicado recentemente pela Igreja.

Segundo disse Francisco a jornalistas depois de ser eleito, dom Cláudio estava ao seu lado durante a votação decisiva na Capela Sistina, em 2013, quando ele foi anunciado o novo papa. O brasileiro o abraçou e disse: “Não se esqueça dos pobres!”. Este será o espírito do sínodo: ouvir quem nunca teve voz, sejam eles indígenas, ribeirinhos e os pobres das periferias amazônicas.

Além da questão ambiental, haverá ênfase na necessidade de defender os direitos humanos (muitos missionários católicos foram assassinados na região, caso da irmã americana Dorothy Stang, executada no Pará em 2005) e a preservação das terras indígenas (que o governo Bolsonaro quer abrir para a exploração mineral).

Na primeira semana, os participantes farão uma radiografia da atual situação da Amazônia. O quadro brasileiro é dramático: além da inoperância governamental diante do desmatamento, que em agosto deste ano cresceu 222% em relação ao mesmo mês do ano passado, há uma acintosa desmobilização contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e secretarias de repressão a incêndios antes existentes na estrutura do Ministério do Meio Ambiente.

Entre os cientistas convidados para a exposição nos primeiros dias do evento, está o climatologista brasileiro Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). “A grande questão é o modelo de desenvolvimento na Amazônia, que é o mesmo desde a década de 1970. As pesquisas de opinião mostram que o brasileiro não concorda com o desmatamento e toda a situação atual. Se vivêssemos realmente numa democracia plena, já tínhamos encontrado um caminho”, lamentou.

Ele explicará os três vetores que contribuem para a atual situação da floresta: o aumento da vulnerabilidade aos incêndios, o desmatamento e o aquecimento global, aspectos negados pelo governo brasileiro. Nobre conta que as mudanças na Amazônia já são perceptíveis, com o prolongamento da estação da seca e uma mudança nas espécies de árvores. Algumas delas desenvolveram maior tolerância ao período de seca, enquanto outras, típicas das regiões mais úmidas, registram taxa de mortalidade maior.

“Estamos chegando perto de um momento de não retorno. Já devastamos entre 15% e 17% de toda a Amazônia. Se chegarmos a 25%, veremos uma desertificação irreversível, com o desaparecimento de grande parte da floresta”, completa. “Pelo menos o papa entendeu que não nos resta mais muito tempo.”

Para a Igreja, outro ineditismo do sínodo aponta para o seu próprio futuro – e não somente dentro da Amazônia. Pela primeira vez, o Vaticano discutirá a possibilidade de “ordenação sacerdotal de pessoas idosas (homens ou mulheres), de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e instável”.

A ideia, há muito debatida internamente, poderá revolucionar a Igreja se aprovada pelos bispos, afirma Marco Politi. “Esse é um tema de excepcional importância. Atualmente a correlação interna é de 60% a favor de aprovar a medida”, disse. Politi observa que o relator do sínodo, dom Cláudio Hummes, é favorável à ideia: “Começa-se fazendo essa experiência na selva amazônica, mas depois, inevitavelmente, se fará em outras áreas, como, por exemplo, na floresta de pedra que é Nova York.”

A ordenação de leigos poderia suprir uma das principais carências da Igreja na Amazônia, a falta de padres, problema que se verifica também em outras partes do mundo, em especial nos países europeus onde há alta percentagem de idosos – numa cidade da Suíça, uma mulher assumiu funções paroquiais diante da falta de um sacerdote.

Mas o tema suscita forte oposição da ala conservadora do Vaticano, que vem disparando ataques a Francisco desde o Sínodo da Família, em 2015, quando o papa pregou maior abertura para os fiéis separados e gays. Outra relutância dos opositores diz respeito ao que eles consideram uma “contaminação” do cristianismo na sua relação com a espiritualidade dos povos indígenas (pagã, segundo essa visão). Esse aspecto foi discutido e supostamente superado pelo Concílio Vaticano II, que defendeu inserir a fé cristã na cultura indígena sem imposição, como ocorreu durante a colonização das Américas. Mas a resistência persiste.

Um dos mais conhecidos críticos do Santo Padre, o cardeal alemão Walter Brandmüller classificou o documento preparatório do sínodo de “herético” e contraditório ao “ensino irrevogável da Igreja”. “É impossível esconder o fato de que esse sínodo é particularmente adequado para implementar dois dos projetos mais ambicionados e que nunca foram implementados até agora: a abolição do celibato e a introdução do sacerdócio feminino, a começar por mulheres diaconisas”, escreveu.

A Amazônia, como de resto todo o Brasil, ainda registra o “vertiginoso crescimento das recentes igrejas evangélicas de origem pentecostal”, conforme observa o Vaticano. Na segunda metade do século passado, a Igreja foi uma importante aliada das comunidades indígenas, sendo a sustentação para a sobrevivência de muitas etnias, como se viu, por exemplo, no caso dos xavantes em Mato Grosso durante a ditadura, expulsos de suas terras originárias e protegidos graças ao trabalho de religiosos. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) é um dos principais legados nesse sentido, mas seu peso e influência já não são os mesmos.

“A Igreja que está na Amazônia sempre teve deficiência de missionários e de recursos, vamos expor ao mundo a precariedade e o quanto é importante buscar novos caminhos para a evangelização e para estar mais presente”, afirma dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), a diocese mais indígena do Brasil (90% da população, de 23 etnias e 18 línguas diferentes) e uma das maiores da Amazônia.

Ele conta que sua diocese tem apenas 21 padres, que conseguem visitar no máximo quatro vezes por ano as comunidades ribeirinhas espalhadas pela região. “É preciso passar de uma pastoral de visita para uma pastoral de presença”, defendeu. O bispo apoia a ordenação de leigos como sacerdotes – “acredito que o sínodo vai assumir a proposta de ordenar homens casados” – e ressalta que a Igreja precisa definir com urgência o tipo de função que as mulheres poderão assumir.

Para Frei Betto, a Igreja Católica ainda exerce na Amazônia uma função exógena, de “defender a preservação da floresta e os povos que a habitam”, e outra endógena, “de fortalecer a cultura dos povos amazônicos, inclusive suas tradições espirituais e religiosas, sem querer importar uma versão colonialista do cristianismo”, como no passado, hoje adotada abertamente por igrejas evangélicas neopentecostais, aliadas do bolsonarismo.

O papa Francisco afirmou na última semana, numa rara ocasião em que rebateu seus críticos internos, que não teme um “cisma” no Vaticano, como já ocorreu no passado. Ele diz que está aberto às críticas, mas condenou a deslealdade dos opositores que agem nas sombras, “atiram pedras e depois escondem as mãos”. “Hoje temos muitas escolas de rigidez dentro da Igreja, que não são cismas, mas maneiras cristãs pseudocismáticas, que terminarão mal. Quando você vê cristãos, bispos, padres rígidos, há problemas por trás disso, eles não têm a santidade do evangelho. Por isso devemos ser brandos com as pessoas que são tentadas por esses ataques, elas estão passando por um problema.”

A resposta do pontífice, um crítico do populismo em ascensão no mundo, também poderia ser aplicada aos políticos rígidos e com “problemas por trás”, como o presidente brasileiro.


por Lucas Ferraz  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Agência Pública) / Tornado


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/como-o-sinodo-da-amazonia-revela-a-lucidez-politica-do-papa-francisco/

Consórcio de Estados da Amazônia negocia com europeus retomada do Fundo Amazônia

Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
© REUTERS / Nacho Doce

Nove Estados estão reunidos em Consórcio e negociam com países europeus novos repasses ao Fundo Amazônia, que teve transferências canceladas por conta da política ambiental de Jair Bolsonaro (PSL).

O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal reúne Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O órgão teve reunião em Brasília na semana passada com representantes das embaixadas da Alemanha, Reino Unido e Noruega e outro encontro com representante da embaixada francesa.

"O desejo dos doadores não é só de manter o Fundo Amazônia, mas de aumentar a possibilidade de arrecadação. Inclusive trazendo outros países para participar, ouvimos isso de forma muito clara", diz o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil. "Somos um bloco com partidos das mais diferentes ideologias, mas procuramos o nosso ponto de convergência e unidade: a defesa da Amazônia", afirma.

Presidente do Consórcio, Goés diz que os recursos europeus poderão ser gerenciados pelo Governo Federal, ou pelo próprio Consórcio, caso seja necessário. Para o pedetista, o Fundo Amazônia correu o risco de ser suspenso, mas agora o cenário indica uma retomada.

Com mais de R$ 1 bilhão aplicado ao longo de 10 anos na conservação da floresta, o Fundo Amazônia perdeu um repasse da Noruega (R$ 133 milhões) e Alemanha (R$ 155 milhões) por discordâncias sobre as políticas ambientais brasileiras. 

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli
Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

O aumento do desmatamento e das queimadas fez com que o presidente francês, Emmanuel Macron, e Bolsonaro trocassem farpas publicamente por conta dos rumos da maior floresta tropical do mundo. O governador do Amapá afirma que atualmente o momento das relações entre Paris e Brasília é de "distensionamento".

"Estamos dizendo que a diplomacia, mesmo entre os diferentes, é fundamental. Vivemos em um mundo globalizado onde nossos problemas também dizem respeito à humanidade, como os problemas de outros países também nos atingem. Viver em uma bolha e encastelado terá um custo muito alto", analisa Goés.

Nesta segunda-feira (16), o Consórcio teve reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e acertou a transferência de R$ 430 milhões do Fundo da Petrobras aos Estados para investimento em ações de conservação da floresta. 

A próxima reunião do Consórcio com os representantes europeus está prevista para o próximo mês, na Embaixada da Alemanha. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019091614526281-consorcio-de-estados-da-amazonia-negocia-com-europeus-retomada-do-fundo-amazonia/

Consórcio de 9 Estados negocia com europeus retomada do Fundo Amazônia

Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
© REUTERS / Nacho Doce

Nove Estados estão reunidos em Consórcio e negociam com países europeus novos repasses ao Fundo Amazônia, que teve transferências canceladas por conta da política ambiental de Jair Bolsonaro (PSL).

O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal reúne Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O órgão teve reunião em Brasília na semana passada com representantes das embaixadas da Alemanha, Reino Unido e Noruega e outro encontro com representante da embaixada francesa.

"O desejo dos doadores não é só de manter o Fundo Amazônia, mas de aumentar a possibilidade de arrecadação. Inclusive trazendo outros países para participar, ouvimos isso de forma muito clara", diz o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil. "Somos um bloco com partidos das mais diferentes ideologias, mas procuramos o nosso ponto de convergência e unidade: a defesa da Amazônia", afirma.

Presidente do Consórcio, Goés diz que os recursos europeus poderão ser gerenciados pelo Governo Federal, ou pelo próprio Consórcio, caso seja necessário. Para o pedetista, o Fundo Amazônia correu o risco de ser suspenso, mas agora o cenário indica uma retomada.

Com mais de R$ 1 bilhão aplicado ao longo de 10 anos na conservação da floresta, o Fundo Amazônia perdeu um repasse da Noruega (R$ 133 milhões) e Alemanha (R$ 155 milhões) por discordâncias sobre as políticas ambientais brasileiras. 

Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
© REUTERS / Amanda Perobelli
Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

O aumento do desmatamento e das queimadas fez com que o presidente francês, Emmanuel Macron, e Bolsonaro trocassem farpas publicamente por conta dos rumos da maior floresta tropical do mundo. O governador do Amapá afirma que atualmente o momento das relações entre Paris e Brasília é de "distensionamento".

"Estamos dizendo que a diplomacia, mesmo entre os diferentes, é fundamental. Vivemos em um mundo globalizado onde nossos problemas também dizem respeito à humanidade, como os problemas de outros países também nos atingem. Viver em uma bolha e encastelado terá um custo muito alto", analisa Goés.

Nesta segunda-feira (16), o Consórcio teve reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e acertou a transferência de R$ 430 milhões do Fundo da Petrobras aos Estados para investimento em ações de conservação da floresta. 

A próxima reunião do Consórcio com os representantes europeus está prevista para o próximo mês, na Embaixada da Alemanha. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

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Expulsão das populações e «ilegalidades» marcam exploração da Belo Sun no Pará

A presença da multinacional canadiana na Volta Grande do Xingu (Sudoeste do Pará) entra em conflito com os habitantes e causa danos ao ambiente. As suas acções estão a ser questionadas pela Justiça.

As ameaças, ilegalidades e danos causados pelo Belo Sun estão a ser alvo de processos judiciaisCréditos / socioambiental.org

Na tentativa de se instalar na Volta Grande do Xingu (região amazónica), em Maio de 2012, a empresa de exploração mineira Belo Sun comprou terras em Vila da Ressaca, uma localidade do município de Senador José Porfírio, tendo realizado transacções e acordos que estão a ser questionados pela Justiça.

Numa extensa peça ontem publicada no portal do Brasil de Fato, sob o título «Instalação da Belo Sun, no Pará, é marcada por ações ilegais e expulsão de moradores», sublinha-se que, desde então, a actuação da multinacional no local tem tido impactos «na vida dos povos da floresta». «A Belo Sun instalou-se na Vila Ressaca, construiu [um] escritório, ampliou as vias de acesso e fixou placas declarando [a] sua propriedade».

O «obstáculo» da PA Ressaca

Criado em 1999, no âmbito de outros projectos de reforma agrária no estado do Pará, o Programa de Assentamento (PA) Ressaca constitui uma barreira para a Belo Sun, na medida em que a área onde pretende levar a cabo a extracção de ouro se sobrepõe parcialmente ao PA, contíguo à Vila da Ressaca.

No documento de criação, a área destinada ao PA foi calculada em 30,2 mil hectares, com capacidade de albergar 340 famílias. No entanto, segundo refere o Brasil de Fato, actualmente, a área do PA registada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Cadastro Ambiental Rural passou a ser de 26,1 mil hectares, ou seja, 4,1 mil hectares mais pequeno.

Área da Volta Grande do Xingu, na região amazónica do Sudoeste do Pará, com a localização do projecto da Belo Sun Créditos

Elielson Pereira da Silva, investigador do projecto «Nova Cartografia Social da Amazônia», da Universidade Federal do Pará, afirma que tal discrepância de medidas encontrada nos documentos «acende um alerta quanto aos interesses da mineradora».

Para o investigador, a estranha redução não encontra qualquer amparo em actos administrativos do Incra, uma vez que, nos 20 anos de existência do organismo, não foi realizada nenhuma alteração legal do perímetro do assentamento. O facto de o projecto de extracção mineira da Belo Sun estar «em cima da área do PA» levanta suspeitas.

Agressões desde os tempos da ditadura

Pereira da Silva lembrou ao Brasil de Fato que a Belo Sun comprou, em 2010, os direitos de mineração a uma empresa – Oca Mineração – que dera «entrada em pedidos de exploração mineral por volta de 1976» e que tem um historial de agressões contra as populações da região amazónica, de «violências praticadas contra os pequenos garimpeiros e os povos tradicionais».

Por seu lado, Valdomiro Lima, garimpeiro, pescador e agricultor que mora na comunidade da Vila da Ressaca desde 2013, afirma que o local «era tranquilo e foi a empresa Belo Sun que roubou a paz aos moradores».

Com a chegada da Belo Sun, começaram as «ameaças» e as «placas» a anunciar em todas as entradas da vila: «proibido entrar estranho; proibido garimpar; pescar. Quer dizer, estavam-se a apoderar de uma coisa que não era deles. E sem dar a mínima [explicação] para ninguém», denuncia.

«Ilegalidades» da Belo na mira da defensora pública do Pará

Em declarações ao Brasil de Fato, a defensora pública do estado do Pará, Andreia Barreto, abordou a questão do protocolo de intenções que Belo Sun e Incra assinaram em 2016, com vista à retirada da população do PA Ressaca, onde residem actualmente cerca de 500 famílias, tendo sublinhado que o protocolo «não tem validade e que a manobra faz parte de uma prática da Belo Sun de tentar burlar a legislação para começar a minerar».

A defensora explicou ainda que existem duas acções judiciais que envolvem a Belo Sun. Uma delas «está, inclusive, vigente, que são as compras das antigas fazendas, que eram as antigas áreas de garimpo que os supostos proprietários venderam para Belo Sun», disse, acrescentando: «A gente questiona a legalidade dessa compra.»

Há ainda outra acção que envolve a fixação, por parte da Belo Sun, de placas proibitivas de caça, pesca e garimpagem, junto ao rio, nas estradas, «como se [a multinacional] fosse dona das terras todas sem antes passar por um processo de destinação do poder público federal», frisa.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/expulsao-das-populacoes-e-ilegalidades-marcam-exploracao-da-belo-sun-no-para

As monoculturas como pensamento estratégico

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 14/09/2019)

Miguel Sousa Tavares

 

1 Eis que regressou, via programa eleitoral do PSD, a arrastada discussão sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL). Uma discussão que parecia consensualmente encerrada com a opção pela Portela+1 e o aproveitamento da pista militar do Montijo e as suas evidentes vantagens em relação à anterior opção, Alcochete: mais próxima, francamente mais barata e de mais rápida execução. Claro que, como qualquer aeroporto, o Montijo não deixa de implicar fortíssimos impactos ambientais, decorrentes da área abrangida, do ruído causado, dos acessos envolvidos e das populações afectadas. Mas, nesse aspecto, os danos ali causados são danos subtraídos a Lisboa, muito mais populosa, em virtude do número de operações de que a Portela ficará aliviada. Há ainda o caso particular das aves do Estuário do Tejo — um problema que também se punha em relação a Alcochete — e que o Estudo de Impacte Ambiental não ignora mas considera poder ser minimizado em termos aceitáveis. A escolha pelo Montijo poderia assim continuar a parecer pacífica se tudo isto fosse pacífico e não desse antes a sensação de um mundo submerso de interesses cruzados onde até os poucos especialistas que não estão arrolados pelos interesses conseguem ver absolutamente claro. Sabemos que a ANA prefere o Montijo porque lhe sairia muito mais caro ter de construir um aeroporto de raiz noutro lado qualquer e esta é mais uma ocasião para lamentarmos a privatização da ANA, feita por razões de pura demagogia ideológica e que agora nos impede de ver claro numa questão de interesse público determinante. É o que acontece quando os rapazes e raparigas das juventudes partidárias chegam ao poder, com algumas ideias vendidas nos cursos de Verão, e acham que se podem tomar decisões sobre a governação de um país alienando previamente os principais instrumentos necessários para tal.

Mas se é difícil ver claro sobre o céu do Montijo, eu vejo mais claro o que se diz sobre os céu de Lisboa. O NAL, dizem-nos, é absolutamente necessário e urgente para dar resposta ao fluxo expectável e sempre em crescendo, do número de turistas que esperamos que continuem a visitar-nos nos próximos anos, décadas e séculos, até ao fim dos tempos. Curiosamente, este é um argumento tanto dos que defendem o Montijo já como dos que defendem Alcochete logo: não se pode parar o crescimento do turismo, o que significaria, segundo António Costa, “comprometer fortemente a dinâmica de crescimento do país”. Eu oiço este discurso há 40 anos e foi em nome dele e da “dinâmica de crescimento do país” que assisti, por exemplo, à vandalização do Algarve. A aposta na quantidade não apenas descaracterizou quase toda uma região como obrigou necessariamente a uma estratégia de fuga em frente que fez baixar drasticamente a qualidade da oferta e da procura, sem, todavia, acarretar, longe disso, um correspondente aumento de receitas. Porque aquilo que se torna mau tem de se vender mais barato.

Felizmente, nos últimos anos — e muito mais por iniciativa privada do que por políticas públicas pensadas — a oferta turística em Portugal começou a contemplar outras geografias, outro tipo de produtos e, sobretudo, outro tipo de abordagens. Pelo país fora proliferam uma quantidade de iniciativas louváveis e de grande qualidade que, em muitos casos, têm sido uma bóia de salvação contra o abandono do interior. E seria de uma imensa má-fé não reconhecer o que o turismo fez de bom pela verdadeira reconstrução de cidades como Lisboa e Porto e algumas outras também, arrancadas de um marasmo que se diria imutável para sempre. Não tenho dúvida de que foi essa nova atitude, que soube aproveitar diversas circunstâncias externas favoráveis, que ajudou em grande parte o sector privado a aguentar-se no ground zero para que a falência do Estado o empurrou. Mas todos sabemos que há um preço a pagar e que em alguns casos, como o da habitação no centro das cidades, ele já está a ser pago. A menos que se acredite, como me dizia há tempos um taxista entusiasmado, que os habitantes de Lisboa e Porto deveriam ser todos expulsos para a periferia e as cidades deixadas só para os turistas e respectivos serviços de apoio, é óbvio que haverá cada vez mais um conflito latente entre os direitos dos cidadãos e as expectativas da indústria turística. O exemplo dos grandes paquetes carregados de turistas é um caso para meditação: ficamos todos contentes quando, num mesmo dia, quatro paquidermes flutuantes amarram em Lisboa e vomitam 20 mil turistas pela zona nobre da cidade, entupindo o trânsito e fazendo as delícias de taxistas, tuk-tuks e vendedores de souvenirs. Mas, no fim do dia, eles nem jantam nem dormem, a receita que deixam é mínima face ao transtorno que causam e à despesa feita pelo município para os receber, paga pelos impostos de quem cá vive. Vale a pena? Barcelona, Veneza, Dubrovnik, as ilhas gregas são exemplos, onde estive recentemente e onde nunca mais voltarei a não ser por razões de trabalho, de lugares outrora mágicos e hoje devastados por hordas de turistas vagueantes à procura da selfie perfeita, despejados como gado de charters e navios, tentando acreditar que estão em viagem e felizes. Bom, estão no seu direito. E quem os recebe e factura com eles, também. São direitos incontestáveis. Mas as cidades também são feitas de outras pessoas, não apenas turistas e comerciantes do turismo. No dia em que as ideias do meu taxista forem doutrina inquestionável (e já faltou mais) as cidades estarão mortas, os países estarão mortos. Seremos apenas uma Disneylância servida por aeroportos e portos para levar e trazer gente que não mora aqui.

Dêem-me todas as razões para um novo aeroporto, menos a da necessidade de ter de receber cada vez mais e mais turistas, sem fim à vista.


2 “Não há actividade humana que não provoque impactos sobre a natureza… O problema é que, reduzindo os riscos dos impactos ambientais a zero, não há alimentação para a Humanidade.” Não, esta frase não foi dita por Jair Bolsonaro para justificar a desmatação da Amazónia, a benefício dos criadores de gado e plantadores de soja. Mas podia muito bem ter sido dita, pois corresponde ao seu profundo pensamento em matéria de ambiente. Esta frase pertence a um responsável político de um partido oficialmente preocupado com as questões ambientais, de um país que se indigna com a destruição da Amazónia e a insensibilidade do Presidente brasileiro. A frase pertence ao nosso ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e serviu-lhe para justificar a proliferação daquilo que se está tornar na monocultura do olival superintensivo no perímetro de rega do Alqueva. Rebatendo uma das várias críticas aos danos ambientais causados por essa monocutura — o uso abundante de herbicidas e pesticidas — sossegou-nos ainda o ministro dizendo que “o nosso país situa-se no espaço europeu, onde a utilização de pesticidas é mais restrita”. Anda muito distraído, o ministro! Este Verão, a UE não conseguiu impor aos Estados-membros, capturados pelas multinacionais do sector, uma alta significativa ao uso de pesticidas, apesar da divulgação de um relatório que estima em 75% o desaparecimento de insectos, em especial as abelhas, no território europeu, nos últimos 30 anos (o que cada um de nós pode constatar, lembrando e comparando a quantidade de insectos que dantes morriam durante uma viagem no pára-brisas dos carros e a que morre hoje). E, com a morte dos insectos, como relatava uma reportagem do “Le Monde” de há uma semana, estamos também a assistir ao desaparecimento acelerado dos pássaros nos céus da Europa, por falta de alimento. É lastimável que um ministro da Agricultura não perceba a relação íntima que existe entre agricultura e ambiente e que apenas nos países do Terceiro Mundo é que se faz agricultura a olhar só para a geração de hoje e à custa da destruição da natureza. É muito fácil ser-se ambientalista …no quintal do vizinho.

Ao contrário do que diz Mariana Matos, representante dos industriais do sector, não se trata de uma querela entre os “urbanos que querem ir passear para o campo aos fins-de-semana e os agricultores que têm de ser pobrezinhos”. Para começar, não estamos a falar de agricultores, mas de industriais de commodities: nenhum destes supostos agricultores é capaz de enxertar uma árvore ou podar uma oliveira, as máquinas e o computador fazem tudo por eles. Depois, pobrezinhos é que eles não são: além do Grupo Melo e o seu Oliveira da Serra, a maior parte deles são empresários espanhóis, triplamente ajudados pelos nossos impostos: na construção do Alqueva, no preço político da água e nos subsídios dados ao negócio. Não há aqui nenhuma querela entre urbanos e campesinos: há é entre quem se preocupa com o que se passa no campo e quem se acha dono absoluto dele. Deixem lá de nos imaginar assim tão ingénuos.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia


 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Amnistia Internacional distingue Fridays For Future em Portugal

A conhecida organização de Direitos Humanos junta-se ao movimento global que vai atribuir o prémio Embaixador de Consciência da Amnistia Internacional 2019 a Greta Thunberg e às Fridays For Future, como reconhecimento do trabalho dos jovens na liderança contra as alterações climáticas.

 

 

Para assinalar a ocasião em Portugal, o director-executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro A. Neto, entrega a distinção aos organizadores das Fridays For Future em Portugal, na próxima segunda-feira (dia 16 de Setembro), às 13h, na sede da Amnistia Internacional, em Lisboa.

 
O exemplo de perseverança de Greta Thunberg é uma aula ao mundo. Os milhões de jovens que, por toda a parte e sem esquecer as suas responsabilidades quotidianas, lideram com ela os movimentos pelo clima são um exemplo a seguir por todos nós. O papel que têm desempenhado inspira-nos e lembra-nos que o activismo diz respeito ao quotidiano, desde as escolhas que fazemos enquanto consumidores, às exigências que fazemos aos nossos governos”.
Pedro A. Neto, Director-executivo da Amnistia Internacional Portugal
 
 

 
A crise climática é um dos maiores desafios de direitos humanos dos nossos dias, afectando, desproporcionalmente, quem já se encontra em situação de desigualdade. Com a força destes jovens e dos mais de sete milhões de membros e apoiantes da Amnistia Internacional, queremos que esta questão esteja no topo da agenda política, empresarial e da própria sociedade civil. Só nós podemos mudar o rumo dos acontecimentos e é dessa transição económica e energética que dependerá o futuro da nossa humanidade. É essencial unir governos, corporações e organizações parceiras nesta missão”.
Pedro A. Neto
 
 

O prémio Embaixador de Consciência da Amnistia Internacional foi criado em 2002 para celebrar pessoas e grupos que promovem os direitos humanos, ao agir em consciência contra a injustiça, ao mesmo tempo que usam as suas competências para inspirar os outros. Entre os vencedores estão nomes como Nelson Mandela, Malala Yousafzai, Harry Belafonte, Ai Weiwei, os Grupos da Juventude da África Ocidental e Central, Angélique Kidjo, o movimento dos direitos indígenas no Canadá, Alicia Keys e Colin Kaepernick.

Setembro pelo clima

Pedro A. Neto lembra que “a crise climática coloca em causa direitos essenciais, como a vida, saúde ou habitação, o que pode levar ao deslocamento de milhões de pessoas, nos próximos anos”. Sobre a questão energética, nota que o “abandono dos combustíveis fósseis deve ser acompanhado pela introdução de energias limpas e 100 por cento éticas, uma vez que a Amnistia Internacional tem documentado o uso de mão-de-obra infantil e explorada na extracção de componentes utilizados, por exemplo, em baterias de veículos eléctricos”. O director-executivo da Amnistia Internacional Portugal alerta ainda para a necessidade da economia – através de políticas públicas nacionais e transaccionais – garantir a transição dos postos de trabalho ligados às indústrias poluentes para novas indústrias limpas, sustentáveis e, uma vez mais, 100 por cento éticas e respeitadoras de direitos humanos”.

Para enfrentar a crise climática, a liberdade de expressão e associação ou o acesso à educação e informação são também essenciais. Por isso, a Amnistia Internacional vai coorganizar a People’s Summit on Climate, Rights and Human Survival, que decorre nos dias 18 e 19 de Setembro, em Nova Iorque.

O evento resulta da cooperação entre sociedade civil e o escritório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, com o objectivo de criar uma nova era de activismo climático que busca soluções baseadas nos direitos humanos. No total, vão estar reunidos mais de 100 representantes de organizações não-governamentais, comunidades indígenas, académicos, entre outros.

À Amnistia Internacional e ao escritório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos juntam-se a Greenpeace Internacional, o Center for International Environmental Law, o Wallace Global Fund e o Center for Human Rights and Global Justice da Universidade de Nova Iorque. Esta conferência mundial antecede a Cimeira do Clima das Nações Unidas, agendada para o dia 23 de setembro, em Nova Iorque.

Em Portugal, a Amnistia Internacional vai organizar diversas actividades para assinalar a Semana de Acção pelo Clima, entre 20 e 27 de Setembro. Neste último dia, a organização vai participar na Greve Global pelo Clima, em Lisboa.


 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/amnistia-internacional-distingue-fridays-for-future-em-portugal/

Venda das hidroelétricas portuguesas

Lê-se nos jornais que, no processo em curso com vista à venda de “barragens da EDP”, há três finalistas: a Iberdrola, os noruegueses da Statkraft e os austríacos da Verbund.

A informação foi difundida pela Reuters garantindo haver outras empresas, como a Enel (através da Endesa), a Engie, a Macquarie e a Brookfield, que também estiveram interessadas, mas não passam à próxima etapa.

A Endesa já tinha admitido, em maio, que iria analisar a compra destes ativos hidroelétricos.

A EDP disse, em março deste ano, quando apresentou o seu plano estratégico, que o “reforço na energia renovável” e a “venda de ativos” seriam objetivos até 2022. Ou seja, em Portugal, a empresa privilegiará os “extraordinários” leilões do novos centros fotovoltaicos em que a EDP se viu repescada e, ainda, dos processos de reforço da potência eólica nos seus parques. Mas, vê-se agora, a principal aposta está na “venda de ativos”.

Segundo notícias, a EDP “prevê uma geração de 12 mil milhões de euros nos próximos quatro anos”, dos quais sete mil milhões serão canalizados para novos investimentos. Dos restantes, uma parte importante serão para dividendos aos acionistas (3 mil milhões €) e para baixar a dívida até 2022 (2 mil milhões €)

Cerca de 75% do investimento previsto para os próximos quatro anos será em energias renováveis, sendo os Estados Unidos o principal destino (40%), seguidos pela Europa (35%) e o Brasil (25%). Em Portugal ficará, portanto, menos de 20% do investimento

A par da venda das barragens, a empresa elétrica poderá estar a preparar-se para vender o setor da Distribuição (isso dependerá do resultado do concurso internacional). É uma hipótese que conviria ser esclarecida.

O novo plano estratégico foi anunciado após a apresentação dos resultados referentes a 2018: uma queda dos lucros de 53% para 519 milhões de euros. Os “prejuízos” acontecem pela primeira vez desde o início da privatização, em 1997. A EDP disse que este resultado se deveu a um “forte impacto da elevada fiscalidade” e das “decisões regulatórias”. Ou seja, a empresa esconde que, de facto, houve nos últimos dois anos uma intervenção política corretiva que, embora ainda timorata, permitiu cortar nas escandalosas rendas excessivas que vinha usufruindo.

Os aproveitamentos hidroelétricos envolvidos nesta operação de alienação, correspondendo a um elevado potencial de energia renovável de há muito estabelecido entre nós, fazem parte de concessões que foram parar às mãos da EDP em condições “muito favoráveis”. Isto, para não utilizar outro termo. Aliás, os argumentos então aduzidos para não haver concursos públicos, apontavam para o facto de a EDP “ser pública e portuguesa” e, também, para não se deixar o país ficar refém de uma bacia hidrográfica.

Num momento em que existem dirigentes políticos preocupados com a “evaporação da água nas barragens” e com o “excesso de barragens”, como ouvimos à líder do BE e ao representante do PAN, devem colocar-se as seguintes questões reais:

Em que condições esta venda foi ou vai ser autorizada pelo Estado (concedente)? O que diz o governo acerca desta operação? Foi ela previamente concertada?

As mais-valias resultantes vão ser partilhadas “com os consumidores” baixando as tarifas? Ou com o Estado (contribuintes)? Ou, como parece, vão em larga medida para os dividendos dos acionistas e de outras otimizações financeiras que interessam à empresa?

Se a Iberdrola ganhar, a Autoridade da Concorrência permitirá a consumação da operação?

O que diz o PS sobre este momentoso tema? Já que se está em campanha eleitoral irá continuar a falar-se genericamente sobre as energias renováveis? E, o governo já conversou com os espanhóis e com a UE sobre estas alterações?

Este caso vem demonstrar que, quando as energias renováveis são exploradas por empresas privadas do tipo EDP, quase sempre acontecem grandes negociatas e geração de avultados lucros e mais-valias. E, é também por isso, que os centros de decisão político-económica estão muito interessados, nas medidas de política pública destinadas a um suposto combate aos efeitos das alterações climáticas.

O capitalismo não é Verde.

Aliás, alguns movimentos inorgânicos ditos ecologistas, que pescam por arrastão com redes sociais, atuam, por distração ou por deliberada intenção, no sentido de potenciar os interesses do grande capital.

Ver o original em 'Praça do Bocage ' (clique aqui)

Brasil | Propriedades privadas na Amazónia concentram queimadas

 
 
Observatório do Clima
 
33% dos focos de fogo estão em áreas inscritas no Cadastro Ambiental Rural, mostra nova análise do Ipam
 
As propriedades privadas responderam por 33% dos focos de calor registados na Amazónia até agora. Em segundo lugar vieram as áreas sem destinação fundiária específica, que somam 30% dos focos de calor – 20% apenas em florestas públicas não destinadas, um forte indicativo de grilagem de terras.
 
Os números fazem parte de uma nova análise sobre a atual temporada de fogo na Amazónia, separada agora por categoria fundiária, feita pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (IPAM), com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de 1º de janeiro a 29 de agosto de 2019.
 
Terras indígenas e unidades de conservação são as categorias com menor incidência no ano, registando 6% e 7% dos focos, respectivamente. Essa análise de áreas protegidas exclui as áreas de proteção ambiental, ou APAs: apesar de serem categorizadas como unidades de conservação, elas apresentam um comportamento similar ao de propriedades privadas, e sozinhas responderam por 6% dos focos no período.
 
Os assentamentos de reforma agrária responderam por 18% dos casos; contudo, análises preliminares indicaram grande concentração de casos em poucos projetos.
 
 
O estudo reforça outra nota técnica sobre o tema lançado em agosto pelo IPAM, estabelecendo a relação entre derrubada da floresta e queimadas. “O principal gatilho desta temporada de fogo na Amazónia não é a seca, mas o pico de desmatamento”, explica a diretora de Ciência do instituto, Ane Alencar, que estuda o tema há mais de duas décadas. “Este ano não é especialmente mais seco do que anteriores.”
 
Ao comparar 2019 com a média de focos de calor registada entre 2011 e 2018, todas as categorias fundiárias apresentaram crescimento nos casos, com destaque para as APAs (aumento de 141% em relação à média dos oito anos anteriores) e as florestas públicas não destinadas (126% de aumento).
 
“Existem 67 milhões de hectares de florestas públicas sem destinação na Amazónia que são património dos brasileiros, mas que por falta de governança estão hoje à mercê de grileiros e especuladores irregulares de terra. O desmatamento e o fogo que acontece nessas regiões é totalmente ilegal, e devem ser alvo de investigação e ações de comando e controle”, diz o pesquisador sénior do IPAM, Paulo Moutinho.
 
 
Ana Maria | em Envolverde
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/brasil-propriedades-privadas-na.html

Caverna encontrada na Espanha seria sinal assustador do aumento do nível do mar

Degelo de geleira na Groenlândia
© AP Photo / David Goldman

Cientistas analisam caverna na Espanha formada cerca de 5 milhões de anos atrás que daria pistas sobre um assustador aumento do nível do mar.

Na ilha espanhola de Mallorca há uma caverna chamada Artà com estalagmites e estalactites formadas na época Plioceno. Analisando os depósitos de minerais no local, cientistas descobriram que as estruturas se formaram em um período quando a concentração de CO2 era semelhante à dos dias de hoje.

Sendo assim, o clima daquela época seria semelhante ao atual, enquanto que o nível do mar era cerca de 16 m acima do de hoje, o que seria causado pela grande concentração de CO2 na atmosfera, revelou o estudo publicado na revista científica Nature.

Uma das provas disso seria a própria presença das estalagmites e estalactites na caverna. Elas teriam sido formadas durante milhares de anos devido à ação da água do mar, quando a caverna se encontrava inundada.

Isso levou os cientistas a crerem que os minerais da caverna são a prova de que o nível do mar esteve em determinada época superior ao atual, quando as condições climáticas de hoje eram semelhantes à da época passada.

Para uma das participantes das análises, a geoquímica Oana Dumitru da Universidade do Sul da Flórida, Estados Unidos, as concentrações de CO2 atuais poderão causar o derretimento do gelo da Groenlândia e da Antártida ocidental. O efeito disto poderia ser o aumento do nível do mar em até 23,5 metros.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019090814493915-caverna-encontrada-na-espanha-seria-sinal-assustador-do-aumento-do-nivel-do-mar/

A INJUSTIÇA GLOBAL DA CRISE CLIMÁTICA

 
 
Os países que menos contribuem para as mudanças climáticas são aqueles que mais sofrem seus efeitos. Enquanto nações ricas emitem altos níveis de CO2, as mais pobres temem pela segurança alimentar de seus habitantes. 
 
Nos últimos anos, ambientalistas e cientistas vêm alertando que os países mais pobres, que têm pegadas de carbono muito baixas, estão sofrendo o impacto das emissões de dióxido de carbono da fatia mais rica do mundo. Um relatório da agência beneficente britânica Christian Aid mostra essa disparidade. 
 
O relatório Greve de Fome: o índice de vulnerabilidade climática e alimentar aponta que os dez países que registram os maiores índices de insegurança alimentar no mundo geram menos de meia tonelada de CO2 por pessoa. Combinados, eles geram apenas 0,08% do total de CO2 global. 
 
"O que realmente me surpreendeu e me chocou foi a forte correlação negativa entre pobreza alimentar e a baixíssima emissão per capita", diz a autora do relatório, Katherine Kramer. "É muito maior do que esperávamos." 
 
No topo do ranking está o Burundi, na África Central, que registra 0,027 toneladas, a menor emissão de CO2 per capita entre todos os países. O número é tão baixo que é muitas vezes arredondado para zero. Em comparação, os alemães, americanos e sauditas geram, em média, a mesma quantidade de CO2 que 359, 583 e 719 burundeses, respectivamente. 
 
Conforme destacado no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a insegurança alimentar é uma das principais ameaças à vida humana que podem ser provocadas pelas mudanças climáticas. Esse risco é especialmente maior no Hemisfério Sul, onde as pessoas dependem da agricultura em pequena escala e são mais vulneráveis a secas, inundações e condições climáticas extremas. 
 
No Burundi, que já vem enfrentando insegurança alimentar como resultado da instabilidade política – e onde a prevalência de desnutrição crônica é a mais alta do mundo – a mudança dos padrões climáticos é encarada com preocupação. 
 
As chuvas no país africano foram muito esporádicas nos últimos três anos, particularmente em algumas regiões dependentes da agricultura. E o relatório prevê que inundações e secas extremas resultarão em um declínio da produção de entre 5% e 25% nas próximas décadas.
 
"O Burundi é uma testemunha vivo da injustiça da crise climática", diz Philip Galgallo, diretor do braço da Christian Aid para o Burundi. "Apesar de produzirmos quase nenhuma emissão de carbono, nos encontramos na linha de frente das mudanças climáticas, sofrendo com temperaturas mais altas, produção mais baixa das colheitas e chuvas cada vez menos regulares."
 
É uma história parecida com a do segundo país com maior índice insegurança alimentar do mundo: a República Democrática do Congo (RDC), que também tem a segunda menor pegada de carbono. A elevação rápida das temperaturas implica um risco ainda maior de disseminação de doenças entre os animais e nas lavouras. Além disso, os padrões de chuva estão mudando, deixando os agricultores congoleses inseguros sobre quando plantar e quando colher.
 
 
Risco de subnutrição 
 
As mudanças climáticas não afetam apenas a produção das plantações e a capacidade de cultivar alimentos. O CO2 também afeta diretamente os nutrientes presentes nas colheitas. 
 
Um estudo recente da revista científica Lancet Planetary Health analisou como as mudanças climáticas e os níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera estão reduzindo a prevalência de nutrientes em alimentos básicos, como arroz, trigo, milho e soja. Cerca de 50% das calorias consumidas do mundo vêm desses grãos.
 
O estudo constatou que, nos próximos 30 anos, a disponibilidade de nutrientes críticos para a saúde humana, incluindo ferro, proteína e zinco, poderá ser significativamente reduzida se o planeta continuar a produzir emissões de CO2 no mesmo ritmo. 
 
"Vamos enfrentar uma redução de 14% a 20% na disponibilidade global de ferro, zinco e proteína em nossa dieta", prevê o autor do estudo Seth Myers.
 
E as implicações dessa redução são muito significativas.
 
"A deficiência de ferro e zinco nos alimentos hoje já faz com que cerca de 60 milhões de anos de vida sejam perdidos anualmente. Então essas deficiências já provocam grandes cargas globais de doenças", afirma Myers. 
 
"Como resultado do aumento dos níveis de CO2, centenas de milhões de pessoas vão passar a correr risco de morrer por causa de deficiências de zinco e proteínas. E cerca de um bilhão de pessoas que já têm essas deficiências vão vê-las serem exacerbadas", diz.
 
Tais deficiências aumentam a mortalidade infantil por doenças e enfermidades como malária, pneumonia e diarreia. 
 
As pessoas mais afetadas estarão no Hemisfério Sul, diz Myers. Isso porque aquelas que correm maior risco de sofrer com essas deficiências nutricionais já contam com dietas menos diversificadas e um menor consumo de alimentos de origem animal, como carne, leite, ovos, queijo e iogurte. 
 
"E isso não deixa de ser meio irônico, já que essas são as pessoas que têm menos responsabilidade pela emissão de dióxido de carbono que está tornando os alimentos menos nutritivos", explica Myers. Ele descreve a situação como uma emergência de saúde pública e uma crise moral. 
 
"Não há desculpa para não agir com a máxima urgência quando são as emissões da parte mais rica do mundo que estão colocando as pessoas mais pobres do planeta em perigo", afirma.
 
Senso de urgência moral
 
Kramer, da Christian Aid, por sua vez, diz que existem várias medidas que o mundo desenvolvido precisa adotar para combater a insegurança alimentar e ajudar a combater as mudanças climáticas.
 
"A primeira e mais importante é reduzir drasticamente e muito rapidamente suas próprias emissões", diz ela. "Podemos continuar a nos refugiar em ambientes fechados, com nossos ventiladores e ar-condicionado. Temos acesso a estoques de água para nos refrescar. As mudanças ainda não nos atingiram da mesma maneira, mas já estão afetando o mundo em desenvolvimento." 
 
Myers concorda. "Temos que parar de queimar combustíveis fósseis. Precisamos fazer a transição para fontes renováveis e evitar as emissões de dióxido de carbono o mais rápido possível. Precisamos também ter um senso de urgência moral para essa transição", afirma. 
 
Outro passo importante é dar apoio aos países em desenvolvimento. Kramer diz que isso pode ser feito com incentivo financeiro ou com o fornecimento de tecnologia e educação, principalmente para a instalação de sistemas de alerta prévios que permitam que os países prevejam quando um desastre natural está prestes a acontecer e possam se preparar adequadamente.
 
Ainda segundo Myers, também é preciso ajudar os países em desenvolvimento a melhorar sua produtividade e resiliência (capacidade de resistência e recuperação de um ecossistema). 
 
Por meio do Acordo de Paris sobre o clima, quase todos os países desenvolvidos do mundo já se comprometeram a fornecer recursos para ajudar países em desenvolvimento a combater os efeitos das mudanças climáticas, mas não estão previstas penalidades para aqueles que não cumprirem suas promessas. 
 
É por isso que Kramer acredita que as pessoas precisam pressionar seus governos a cumprir as metas. "Se não diminuirmos nossas emissões e resolvermos a crise climática como uma comunidade global, os impactos serão cada vez piores, e milhões de vidas estarão em risco", conclui. 
 
Anne-Sophie Brändlin (jps) | Deutsche Welle
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/a-injustica-global-da-crise-climatica.html

O QUE A MEDIA «ESQUECE», QUANDO FALA DE FOGOS E DE CLIMA

Cito e traduzo parte de um artigo retirado de https://www.rt.com/news/468151-fires-floods-climate-change/
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             © earthobservatory.nasa.gov As florestas estão, sem dúvida, ardendo e os fogos afetando a Amazónia são os piores desde 2010.
Mas, globalmente, os fogos diminuíram drasticamente nas duas últimas décadas.
Esta informação não é proveniente de um blog cético em relação ao aquecimento climático ou do grupo editorial do Wall Street Journal, mas é da NASA, que tem vindo a estudar os fogos com satélites desde os anos 1980.
De acordo com a agência espacial, a área afetada a cada ano pelos fogos diminuiu de 24 por cento desde 2003. Embora se verifique uma desflorestação, ela é mais usualmente feita usando máquinas, não o fogo, dizem os investigadores da NASA.
Sem dúvida, “as mudanças de padrão nos incêndios nas savanas, nas pradarias e nas florestas são tão grandes que - até agora - têm obscurecido alguns dos riscos acrescidos de fogo causado pelo aquecimento global” disse o cientista da NASA Doug Morton. A mudança climática torna mais provável que os fogos sejam despoletados, continuou Morton, mas “a atividade humana contrabalançou efetivamente o risco climático.”
Os investigadores da NASA também descartaram as afirmações de que os fogos contribuem para o incremento global das emissões de carbono.  “Apesar das vastas quantidades de carbono libertado por fogos nas savanas, pradarias e florestas boreais, a investigação mostra que os fogos neste bioma não contribuem, em geral, com aumento de carbono na atmosfera no longo prazo,” estabeleceu o Observatório da Terra da NASA. Em vez disso, o recrescimento da vegetação e a criação de carvão, tipicamente recapturam o carbono perdido num espaço de tempo de «meses ou anos». Ver artigo completo aqui.
 
 
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Amazônia: desmatamento sobe pelo 4º mês consecutivo e cresce preocupação com incêndios

Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
© REUTERS / Nacho Doce

O desmatamento na Floresta Amazônica brasileira aumentou pelo quarto mês consecutivo em agosto em relação ao ano anterior, de acordo com dados preliminares do governo divulgados na sexta-feira, aumentando as preocupações com os incêndios que já devastam a região.

A Amazônia brasileira está enfrentando sua pior série de incêndios florestais desde 2010, com notícias da destruição da maior floresta tropical do mundo no mês passado, provocando protestos globais e preocupações de que possa prejudicar a demanda pelas exportações do país.

O principal grupo da indústria exportadora de carne do Brasil e outras associações do agronegócio se juntaram na sexta-feira a organizações não-governamentais (ONGs) para pedir o fim do desmatamento em terras públicas, exigindo ação do governo em meio aos incêndios.

"Não vi nenhum contrato sendo cancelado em nenhum setor. As exportações continuam, mas a luz vermelha está piscando", disse Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, em entrevista a repórteres. "Se a ação não for tomada, se o discurso não mudar, se a retórica não mudar, as coisas podem piorar".

Os ambientalistas culpam a forte retórica do presidente de direita Jair Bolsonaro em favor do desenvolvimento da Amazônia para encorajar os desmatadores e aqueles que incendiam.

Bolsonaro reclamou que o país não tem recursos para policiar uma área tão grande quanto a Amazônia. O país está enfrentando um acentuado déficit orçamentário, pois sua economia se recupera mais lentamente do que o esperado de uma profunda recessão.

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, disse à Agência Reuters em uma entrevista na sexta-feira que o governo não tinha fundos suficientes para contratar agentes policiais ambientais permanentes, que são usados para combater o desmatamento e incêndios.

Em vez disso, o governo federal planeja contratar policiais ambientais estaduais nos seus dias de folga para ajudar na execução, disse ele. "Você precisa ser criativo", acrescentou.

O grupo dos sete países ricos ofereceu US$ 20 milhões em ajuda na semana passada para ajudar a combater os incêndios, mas Bolsonaro disse que só aceitaria se o presidente francês Emmanuel Macron retirasse "insultos" contra ele.

Bolsonaro e Macron foram envolvidos em uma guerra de palavras profundamente pessoal e pública, com Bolsonaro zombando da esposa de Macron e acusando o líder francês de desrespeitar a soberania do Brasil. Macron chamou Bolsonaro de mentiroso e disse que as mulheres brasileiras "provavelmente têm vergonha" dele.

Foco de incêndio na Floresta Amazônica, Humaitá, Brasil, 14 de agosto de 2019
© REUTERS / Ueslei Marcelino
Foco de incêndio na Floresta Amazônica, Humaitá, Brasil, 14 de agosto de 2019

Ainda não está claro se o Brasil aceitará a oferta, embora o país receba 10 milhões de libras em ajuda do Reino Unido, segundo a embaixada britânica em Brasília.

Aumento do desmatamento

Nos oito meses até agosto, o desmatamento da Amazônia aumentou 92%, para 6.404,8 quilômetros quadrados (2.472,91 milhas quadradas), uma área maior que o estado americano de Delaware, de acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Somente em agosto, o desmatamento mais do que triplicou para 1.700,8 quilômetros quadrados (657 milhas quadradas).
Muitas vezes, o desmatamento é seguido de queimadas para limpar a terra para a pecuária ou a agricultura, de modo que a destruição em agosto pode sinalizar mais incêndios na Amazônia, segundo Ana Paula Aguiar, pesquisadora do INPE que está de licença na Universidade de Estocolmo.

"Eles cortam árvores e depois começam a queimar, então possivelmente [o pico de queimadas] continuará", afirmou Aguiar. "Se eles já desmataram no mês anterior, veremos fogo este mês".

Nos cinco primeiros dias de setembro, o INPE registrou 2.799 incêndios na Amazônia, uma queda de 60% em relação ao mesmo período de 2018.

Se os hotspots continuarem sendo registrados na mesma taxa, setembro pode ser um mês melhor para incêndios, caindo abaixo do mesmo mês do ano anterior e da média dos últimos 20 anos, disse Aguiar. Mas com apenas alguns dias de dados, é muito cedo para contar, disse ela.

O ministro do Meio Ambiente Salles atribuiu a queda no número de incêndios às medidas do governo para combater os incêndios, que incluíram o envio de militares.

A chuva pode trazer alívio para a parte ocidental da Amazônia brasileira, embora, a leste, amplas áreas da floresta tropical permaneçam extremamente secas, segundo dados do Refinitiv.

Incêndios florestais no Brasil
© AFP 2019 / Victor Moriyama
Incêndios florestais no Brasil

Chamada à ação

O grupo de carne Abiec e as ONGs Imazon e IPAM estão entre os 11 grupos brasileiros que assinaram uma campanha na sexta-feira pedindo uma força-tarefa do Ministério da Justiça para resolver conflitos por terras públicas, disseram representantes dos grupos a repórteres.

A proteção da Amazônia, que absorve grandes quantidades de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global, é vista como vital para o combate às mudanças climáticas. Aproximadamente 60% da Amazônia está no Brasil.

A campanha também pede que outra força-tarefa examine as florestas em terras públicas às quais não foi atribuída nenhuma reserva ou outro status.

Cerca de 40% do desmatamento em 2018 ocorreu em terras públicas, segundo o IPAM.

Todas as florestas devem receber designações com base no que são mais adequadas, disse o diretor executivo do IPAM, Andre Guimarães. Por exemplo, se contiver espécies sensíveis, uma floresta poderá ser protegida como reserva ou parque nacional, disse ele.

Outros poderiam ser designados como florestas nacionais ou áreas de concessão para a exploração sustentável de madeira, disse Guimarães.

Aproximadamente 650.000 km2 de floresta no Brasil - uma área quase o dobro do tamanho da Alemanha - não têm designação, de acordo com o IPAM.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019090714490512-amazonia-desmatamento-incendios/

Portugal | Programa do Governo para combate à desertificação “é ineficaz”

 
 
Tribunal de Contas revela que programa não está a cumprir com o compromisso assumido com as Nações Unidas para travar a degradação do solo, que leva à desertificação.
 
O programa do Governo para combater a desertificação é “ineficaz”, tem várias falhas e não está a cumprir com o compromisso de “neutralidade da degradação do solo” – ou seja, torná-lo mais fértil e sustentável – fixado na Agenda 2030 das Nações Unidas. Além disso, é impossível saber se as verbas transferidas por Bruxelas para combater a desertificação – que ascendem a 2,7 milhões de euros – são, de facto, canalizadas para o programa de combate à desertificação.
 
Estas são algumas das conclusões do Tribunal de Contas (TdC), que divulga hoje uma auditoria à organização e execução do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, revisto em 2014.
 
Os juízes salientam ainda que as duas estruturas que foram criadas através do programa de combate à desertificação “são ineficazes”. Trata-se da Comissão Nacional de Coordenação, que “não cumpriu” com as suas funções “por falta de recursos humanos e financeiros”, e do Observatório Nacional de Desertificação, que “nunca” chegou a funcionar, “o que não permitiu assegurar a monitorização do programa e dos respetivos resultados nem sistematizar o conhecimento sobre a desertificação”, lê-se no documento.
 
No relatório, os juízes deixam vários alertas sobre o impacto das alterações climáticas e desertificação e fazem várias recomendações ao ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, ao ministro do Ambiente e da Transição Energética e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
 
 
O programa analisado pelos juízes do TdC foi criado em 1996 e revisto em 2014, com o objetivo de identificar e monitorizar os riscos de desertificação, e para definir as linhas de ação para o combate às alterações climáticas, através da gestão do uso da água e da gestão das florestas.
 
Os alertas do TdC são feitos numa altura em que a desertificação “tem vindo a aumentar” em Portugal, afetando hoje 58% do território nacional, “sobretudo nas áreas do sul e do interior centro e norte”.
 
E o cenário futuro, traçado pelo juízes, está longe de ser animador. De acordo com o relatório do TdC, as previsões sobre as alterações climáticas “tornam expectável o acentuar dos riscos de desertificação” no país, acabando por potenciar um “maior risco de incêndios” que resultam “na redução da capacidade produtiva dos solos e na escassez de recursos hídricos”.
 
Revisão do Programa e mais apoios à agricultura
 
Os juízes recomendam, desde logo, aos governantes, uma “nova revisão do programa” de combate à desertificação, de forma a que, até 2030, sejam cumpridos os compromissos assumidos com as Nações Unidas, em matéria de neutralidade de degradação do solo, ou seja, um plano de ação para torná-lo mais fértil e sustentável, sendo esta uma via para fixar população ativa nos meios rurais. Nesta área, o TdC recomenda ainda aos dois governantes que definam as medidas a tomar, identificando as entidades responsáveis, a sua calendarização e custos, lê-se no relatório.
 
Os juízes salientam ainda que a atribuição de apoios aos projetos que combatem a desertificação – que resultam de fundos comunitários – é “pouco consistente” e têm “um impacto diminuto”. Isto apesar de se ter verificado que projetos em causa teriam “relevância” para o combate à desertificação.
 
Por isso, os juízes entendem que devem aumentar “os incentivos” para “culturas agrícolas ajustadas” que travem a desertificação, devendo ser criados, por exemplo, “apoios especificamente dirigidos a zonas em risco de desertificação” ou uma “majoração de apoios e medidas específicas para áreas afetadas”.
 
O TdC defende ainda que o Governo deve “promover a aprovação de legislação adequada” e que seja ponderada uma linha de ação, em cooperação com Espanha, para o combate à desertificação.
 
Ao ICNF, os magistrados dizem ser necessário “reforçar os meios humanos” para que seja favorecido o funcionamento e a “eficácia” do programa.
 
Área desertificada aumentou 22%
 
De acordo com o relatório do TdC, Portugal é um dos países europeus com maior risco de desertificação. Os dados mais recentes – que foram recolhidos para preparar o programa de desertificação – apontam para que nos entre 1980 e 2010 (em 30 anos) a desertificação tenha afetado mais de metade do território nacional, ascendendo a 58%, a que acrescem ainda as áreas áridas do sudeste da Madeira e as ilhas de Porto Santo, Desertas e Selvagens. São mais 22 pontos percentuais face aos 36% de área sinalizada como desertificada nos anteriores 30 anos, entre 1960 e 1990.
 
Além disso, na série climática do decénio 2000-2010, “cerca de 63% do território foi classificado como área suscetível à desertificação”, alerta a auditoria do TdC.
 
E esta crescente diversificação pode vir a resultar num “aumento significativo da temperatura média em todas as regiões” do país, estando prevista uma subida de 3OC da temperatura máxima na zona costeira e de 7OC no interior, durante o verão. Com este aumento de temperatura, as previsões apontam para máximas superiores a 35OC que serão acompanhadas por noites tropicais, com a temperatura mínima nos 20OC.
 
Além disso haverá um aumento “da frequência e intensidade de ondas de calor”, alertam os juízes do TdC tendo como base estudos e simulações de diferentes modelos climáticos que apontam que estas alterações deverão fazer-se sentir entre 2080 e 2100. Nessa altura, em Portugal, haverá também “uma redução da precipitação”.
 
O relatório do TdC refere ainda o último relatório da Comissão Europeia, de 2018, o “Atlas Mundial da Desertificação”, que traça um cenário global dos países europeus e onde são apontadas as razões que podem conduzir à desertificação. A Comissão Europeia alerta para a “erosão dos solos, salinização, urbanização e migração”, lê-se no documento.
 
Em traços gerais, como resultado das alterações climáticas, a Comissão Europeia prevê que até 2100 os países do sul da Europa, onde estão incluídos Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Bulgária deverão sofrer potenciais perdas no PIB entre 1,8% e 3%. Estas perdas económicas são resultado do impacto das alterações climáticas que se vão fazer sentir na agricultura, na energia, em cheias e inundações, em incêndios florestais, na saúde humana e na seca. Os estudos apontam que a curto prazo o número anual de pessoas afetadas pela seca suba para 153 milhões, das quais metade estão nos países da Europa do Sul. Este número é sete vezes superior ao número atual de pessoas que sofrem impacto da seca.
 
Em traços gerais, a Comissão Europeia alerta que em 2050, em todos os países europeus, 90% da superfície terrestre já estará degradada, o que levará a cerca de 700 milhões de pessoas deslocadas por causa da falta de terrenos férteis e sustentáveis.
 
Ana Petronilho | jornal i | Foto: Diana Tinoco
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/programa-do-governo-para-combate.html

Greve para defender a Tapada de Mafra

Governo insiste em manter em funções directora condenada por assédio pela ACT. O património ambiental está em causa por ausência de resposta política adequadas à sua preservação.

Créditosopraticante.pt

Perante a grave situação da Tapada de Mafra, os trabalhadores e o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA) decidiram convocar greve para o próximo dia 11 de Setembro, evocando simbolicamente a data do trágico incêndio que, em 2003, consumiu cerca de 70% da área florestal da Tapada.

«O estado de desgoverno em que se encontra esta instituição com mais de duzentos anos faz temer que, em caso de calamidade, os danos possam ser mais devastadores do que os decorrentes do incêndio de 2003, devido à inoperacionalidade de meios», lê-se na nota do sindicato.

São inúmeras as denúncias feita pelo STFPSSRA na sua nota à imprensa. Entre outras razões, a acção de luta desenvolve-se pelo cumprimento do Plano Operacional da Defesa da Floresta Contra Incedêncios (PODFCI) e «contra as práticas de assédio moral e pelo fim das pressões».

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) condenou, em Fevereiro deste ano, a presidente da Tapada de Mafra «pela prática reiterada de assédio moral», sem que disso tenham sido retiradas quaisquer consequências.

A decisão da ACT ocorreu na sequência de uma queixa apresentada pelos trabalhadores e «sete meses depois do despacho de condenação, o Ministro da Agricultura ainda acha que não é altura para tomar decisões e anda a protelar a sua demissão», apesar de ter afirmado que procederia à demissão «no minuto seguinte, se [o assédio] fosse provado», lê-se no comunicado do sindicato.

Desde 2016, a actual presidente da direcção é «a única responsável pela demissão de dez trabalhadores que, em desespero, rescindiram os contratos de trabalho por pressões e ameaças», explica a estrutura sindical.

É urgente defender a Tapada de Mafra

O sindicato acusa, quanto à gestão ambiental, serem «por demais evidentes as más opções», enumerando o «corte de sobreiros vivos», a «sistemática ameaça ao único casal de açor, por práticas de gestão que potenciam a perturbação, principalmente nos períodos críticos de nidificação», a «alimentação deficiente de cervídeos e javalis», a «limpeza do lago onde vivem e se reproduzem anfíbios», o «corte dos arbustos e florestação envolventes de uma charca» ou a «instalação de [materiais para a prática de] arborismo em árvores consideradas doentes».

A Tapada de Mafra tem o seu PODFCI desactualizado, o que representa um perigo de incêndio numa área florestal de 833 hectares. A realidade esbarra com o que prevê o plano. Entre outras falhas, existem apenas quatro trabalhadores na brigada de defesa da floresta, quando deveriam estar sete ao serviço; o coordenador técnico da brigada encontra-se «avençado [apenas] em part-time»; e as viaturas não estão em condições de utilização para fazer face às necessidades.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/greve-para-defender-tapada-de-mafra

Amazônia: pesadelo geopolítico ou questão de soberania?

O chefe indígena Kadjyre Kayapo, da etnia Krimej, observa área desmatada da Amazônia na cidade de Altamira, no Pará.
© AP Photo / Leo Correa

A maior floresta tropical do mundo comemora o seu dia nesta quinta-feira (5) sob o olhar atento do mundo e com pouco a ser comemorado. A Sputnik Brasil ouviu especialistas sobre o que representa a Amazônia, sua riqueza ambiental e seu impacto geopolítico.

O número de queimadas na Floresta Amazônica brasileira é o maior dos últimos cinco anos. Levantamento do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (IPAM), com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indica que foram registrados 71.497 focos de incêndio entre os dias 1º de janeiro e 18 de agosto deste ano, número 82% maior do que o do mesmo período em 2018.

O desmatamento também está aumentado, segundo dados de diferentes fontes. A medição realizada pela ferramenta Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do INPE, indica que os alertas de desmatamento em julho deste ano cresceram 278% na comparação com o mesmo mês de 2018. 

Após a divulgação dos dados do INPE, o presidente Jair Bolsonaro disse ter o "sentimento" de que eles estariam errados e demitiu o então presidente do órgão, Ricardo Galvão. 

No longo prazo, a devastação é ainda maior. O MapBiomas estimou que de 1985 a 2018 a Amazônia brasileira perdeu uma área equivalente a 2,5 Alemanhas, foram 89 milhões de hectares desmatados. 

Além de dominar as manchetes de jornais ao redor do mundo nas últimas semanas, a Amazônia também teve um pico de interesse no Google. Dados do mecanismo de busca mostram que a floresta foi mais pesquisada em agosto de 2019 do que em qualquer outro período dos últimos 10 anos. 

Nos últimos meses, Bolsonaro rendeu notícias com suas análises do assunto. Ele afirmou que as pessoas poderiam comer menos e alternar os dias em que fazem cocô para preservar o meio ambiente e acusou sem provas as organizações não governamentais (ONGs) de serem responsáveis pela onda de incêndios. O presidente também disse que a questão ambiental preocupa apenas "os veganos que comem só vegetais".

"Bolsonaro foi extremamente inábil, de novo, muito inconsequente. Tem algo aí de muita imaturidade, ele tenta agir com a desinformação e mentiras quando diz que ONGs trabalham para que houvesse os incêndios", diz à Sputnik Brasil a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A repercussão dos incêndios na web e nas ruas, onde foram registrados atos em defesa da Amazônia, não é uma surpresa, avalia Braga. A professora da UFSCar afirma que a população tem diversas fontes de informação e "não se deixa enganar facilmente como em outros períodos da história política brasileira".

A posição de Bolsonaro foi contraposta pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que acusou o presidente brasileiro de mentir sobre seu compromisso ambiental, levou a pauta da Amazônia para a cúpula do G7 e falou sobre um possível "status internacional para a maior floresta tropical do mundo".

Bolsonaro reagiu acusando Macron de ter uma "mentalidade colonialista" e recusou a oferta de 20 milhões de euros (cerca de R$ 91 milhões) feita pelo G7 para ajudar no combate ao fogo. Porém, diante das pressões nacional e internacional, o presidente brasileiro assinou uma operação de Garantia de Lei e Ordem (GLO) para utilizar homens e recursos das Forças Armadas no combate aos incêndios.

Professor da Faculdade Baiana de Direito e especialista em direito internacional, Thiago Carvalho Borges avalia que tanto Bolsonaro como Macron se excederam nas declarações e que "não há precedente" de internacionalização de área que faz parte do território de um Estado soberano. 

"Parece que seria algo contrário ao direito internacional geral, pois o domínio territorial dos Estados é um direito inerente à condição soberana. Somente com a concordância desses Estados é que seria possível algum arranjo com o objetivo de administrar a região amazônica nesse plano", diz Borges à Sputnik Brasil. 

Biodiversidade perdida aos montes

"Já perdemos espécies, ecossistemas e comunidades que a gente não vai sequer conhecer por causa desse fogo", diz a mestre em ecologia Nurit Bensusan à Sputnik Brasil.

Autora de livros sobre biodiversidade, Bensusan também ressalta que cada trecho da floresta perdido pode ser insubstituível: "A Amazônia é conjunto de paisagens e ecossistemas diferentes, não é bem assim 'ah, queimou aqui, mas tem mais ali na esquina'. As partes que queimam são diferentes das partes que não queimaram, a floresta é diversa, não é um conjunto igual."

Tronco pega fogo na Floresta Amazônica
© AFP 2019 / Carl De Souza
Tronco pega fogo na Floresta Amazônica

O aumento da devastação na maior floresta tropical do mundo pode ser explicado em partes por uma "atmosfera anticiência" na gestão Bolsonaro, diz Bensusan.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, questiona o aquecimento global e já escreveu em seu blog que existe uma "ideologia da mudança climática, o climatismo", cujo objetivo seria "sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China".

"Você pode negar o que quiser, pode dizer 'eu me recuso a acreditar que o Papai Noel não existe'. Boa sorte, o Papai Noel não existe, então os termômetros não deixam de aumentar, porque as pessoas não acreditam em aquecimento global, a diversidade biológica não deixa de ser extinta porque você não acredita no valor dela", diz Bensusan.

Bolsonaro chegou a afirmar durante a campanha que iria retirar o Brasil do Acordo de Paris, assim como Donald Trump fez com os Estados Unidos, mas depois recuou. Assinado por 195 países, o Acordo de Paris é o maior esforço global para tentar conter as mudanças climáticas. O tratado tem como objetivo limitar o aquecimento global em até 2 graus Celsius, preferencialmente em 1,5 grau Celsius, na comparação com os níveis pré-industriais. 

O planeta já aqueceu um grau Celsius nas comparação com o século XIX e o mês de julho de 2019 foi, possivelmente, o mais quente da história, segundo a Organização Meteorológica Mundial.

Previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) prevê que 8% das plantas vão ser extintas e que 70% a 90% dos corais da Terra vão deixar de existir com um aquecimento de 1,5 grau Celsius. Se o planeta continuar no ritmo atual, diz o IPCC, o aquecimento deverá atingir 3 ou 4 graus Celsius.

Como reduzir o desmatamento?

Doutor em ecologia e pesquisador do IPAM, Paulo Moutinho participou do desenho de uma política pública para a preservação das florestas que hoje é utilizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 65 países

O REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal ou, em inglês, Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation) é um mecanismo que cria recompensas para quem mantém a floresta em pé. O programa começou a ser elaborado em 2003 em uma parceria entre cientistas brasileiros e dos Estados Unidos.

O Brasil também tem o "principal experimento no mundo sobre REDD", diz o ecologista. O Fundo Amazônia foi responsável por empregar mais de R$ 1 bilhão na preservação da floresta nos últimos 10 anos. Para ter acesso aos recursos, o Brasil precisa controlar seu desmatamento. 

  • Vista de cima das queimadas na Amazônia
    Vista de cima das queimadas na Amazônia
    © AFP 2019 / Lula Sampaio
  • Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
    Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia
    © REUTERS / Nacho Doce
  • Criança brinca no meio de incêndios florestais na Amazônia
    Criança brinca no meio de incêndios florestais na Amazônia
    © REUTERS / Ricardo Moraes
  • Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia
    Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia
    © REUTERS / Bruno Kelly
  • Fumaça ganha tom vermelho das chamas que se alastram pela Amazônia
    Fumaça ganha tom vermelho das chamas que se alastram pela Amazônia
    © REUTERS / Ueslei Marcelino
  • Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
    Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
    © Sputnik / Thales Schmidt
  • Manifestante escrevendo cartaz durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    Manifestante escrevendo cartaz durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
  • Manifestante durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    Manifestante durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
  • Manifestante com a bandeira do Brasil e cartaz SOS Amazônia durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal em 26 de agosto de 2019
    Manifestante com a bandeira do Brasil e cartaz "SOS Amazônia" durante ato contra queimadas na Amazônia em Lisboa, Portugal em 26 de agosto de 2019
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
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© AFP 2019 / Lula Sampaio
Vista de cima das queimadas na Amazônia

Descontentes com a política ambiental brasileira, Alemanha e Noruega suspenderam repasses de R$ 151 milhões e R$ 130 milhões, respectivamente, para o Fundo Amazônia.

"Isso [Fundo Amazônia] foi desenhado pelo Brasil e pela sociedade brasileira. É algo soberano do Brasil e sem interferência externa dos doadores. Todo o fundo é gerido pelo governo brasileiro", diz Moutinho à Sputnik Brasil.

O pesquisador do IPAM ressalta que a redução do desmatamento de 2005 a 2012 registrada no Brasil mostra que a sociedade brasileira tem as ferramentas e conhece os caminhos para preservar a Amazônia — e não preservar a floresta terá um custo econômico. 

"95% da agricultura brasileira depende de chuvas e essa chuva vem, em grande parte, da manutenção não só da Amazônia, mas do cerrado e de outros biomas", afirma o doutor em ecologia, que também aponta uma das ações necessárias para preservar a Amazônia: "respeitar os guardiões da floresta, como os povos indígenas, quilombolas e até os pequenos produtores familiares."

A participação da Amazônia no regime de chuvas de outras regiões é conhecido como o fenômeno dos "rios voadores". A evaporação da água gerada pelas árvores é transportada para outras partes do Brasil e cria chuvas vitais para as plantações e o consumo humano. 

Professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), Sonaira Souza da Silva também aponta o custo econômico da devastação:

"O fogo desencadeia vários níveis de problemas. No nível local, ele causa o esgotamento do solo, os agricultores notam que com as sucessivas queimadas o solo dentro de três anos já não tem o mesmo rendimento", diz a professora da Ufac à Sputnik Brasil. Ela também ressalta que sua pesquisa indica que os focos de incêndio "reduzem drasticamente" o número de árvores com valor comercial nas áreas que atinge. 

Amazônia é porta de entrada do Brasil ao mundo

Dono da maior floresta tropical do mundo, o Brasil ocupa um lugar de destaque na arena internacional quando o assunto é meio ambiente. Essa liderança ficou impressa quando o Rio de Janeiro sediou, em 1992, uma das primeiras cúpulas globais sobre o aquecimento global, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92.

O evento reuniu desde o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, até o líder cubano Fidel Castro. 

O professor do Departamento de Geografia e do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Ribeiro relembra que durante a Eco-92 o então presidente francês, François Mitterrand, disse que a "a Amazônia é muito importante para ficar apenas sob a tutela dos países amazônicos".

© AFP 2019 / Gerard Fouet
O então presidente francês François Mitterrand discursa durante a Eco-92, no Rio de Janeiro.

Ribeiro, contudo, diz que a Floresta Amazônica é um assunto dos países da América Latina, apesar do que classifica como "desmonte" da política ambiental feito por Bolsonaro.

O professor da USP ressalta que o Brasil perde influência nas relações internacionais e está se isolando do mundo com suas posições.

"Todo esse protagonismo está sendo perdido, e evidentemente isso leva a um isolamento do país", diz Ribeiro à Sputnik Brasil. "Essa radicalização tem levado a um isolamento, o que não é bom, nenhum país se projeta no mundo de maneira isolada. Especialmente o Brasil, que não é uma potência militar ou tecnológica. O que temos de ativo é a biodiversidade."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019090514477239-amazonia-pesadelo-geopolitico-ou-questao-de-soberania/

para os nossos filhos

 
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Um desafio para os valentes que no ano da graça de 2019 criticam a Greta Thunberg, ridicularizam as pessoas que alertam para a necessidade imperiosa de revermos os nossos hábitos de consumo, e apregoam a sua liberdade de comer quanta carne de vaca muito bem lhes apetecer e de fazer tantas viagens de avião quantas puderem comprar: têm a coragem de imprimir tudo o que têm andado a publicar nas redes sociais sobre este assunto, e guardar num envelope endereçado aos vossos filhos e aos vossos netos, para eles abrirem e lerem em 2029?

Ver o original em Dois Dedos de Conversa - clicar aqui

«A Arte da Guerra»Amazónia, os incendiários gritam: ’Há fogo!’

Aliados de ontem, inimigos de hoje: são os países que investiram no Brasil e que obrigaram a sua indústria a explorar as suas riquezas sem tomar precauções que, doravante, denunciam a devastação desse modelo económico.

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À frente do lobby "ruralista", isto é, das empresas de agronegócio, Tereza Cristina Correla da Costa Dias desempenhou um grande papel na eleição do Presidente Jair Bolsonaro, que lhe conferiu o cargo de Ministra da Agricultura.

Perante a propagação dos incêndios na Amazónia, a Cimeira do G7 mudou a sua agenda para ‘enfrentar a emergência’. Os Sete - França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Japão, Canadá e Estados Unidos - assumiram, juntamente com a União Europeia, o papel de Corpo de Bombeiros planetário.

O Presidente Macron, como bombeiro chefe, lançou o alarme “a nossa casa está a arder”. O Presidente Trump prometeu o máximo empenho dos EUA no trabalho de extinção.

Os holofotes da comunicação mediática concentram-se nos incêndios no Brasil, deixando todo o resto na sombra. Primeiro de tudo, o facto de que está a ser destruída não só a floresta amazónica (dois terços da área são do Brasil), reduzida quase 10 mil km2 por ano em 2010-2015, mas também a floresta tropical da África equatorial e a floresta meridional e oriental da Ásia. As florestas tropicais perderam, em média, a cada ano, uma área equivalente à área total do Piemonte, Lombardia e Veneto.

Embora as condições sejam diferentes de área para área, a causa fundamental é a mesma: a exploração intensiva e destrutiva dos recursos naturais para obter o máximo lucro.

Na Amazónia, abatem-se árvores para obter madeira valiosa destinada à exportação. A floresta residual é queimada para usar essas áreas para culturas e agricultura intensiva também destinadas à exportação. Esses terrenos muito frágeis, uma vez degradados, são abandonados e, portanto, são desarborizadas novas áreas. O mesmo método destrutivo é adoptado, provocando graves danos ambientais, para explorar os depósitos amazónicos de ouro, diamantes, bauxite, zinco, manganês, ferro, petróleo e carvão. Também contribui para a destruição da floresta amazónica, a construção de enormes bacias hidroeléctricas, destinadas a fornecer energia para as actividades industriais,

A exploração intensiva e destrutiva da Amazónia é praticada por empresas brasileiras, fundamentalmente controladas - por meio de participações, mecanismos financeiros e redes comerciais - pelos principais grupos multinacionais e financeiros do G7 e de outros países.

- Por exemplo, a JBS, proprietária de 35 fábricas de processamento de carne no Brasil, onde 80 mil bovinos são abatidos por dia, possui filiais importantes nos EUA, Canadá e Austrália e é amplamente controlada através de parcelas de dívida dos credores: JP Morgan (EUA), Barclays (GB) e os grupos financeiros da Volkswagen e da Daimler (Alemanha).

- A Marfrig, em segundo lugar depois da JBS, pertence 93% a investidores americanos, franceses, italianos e outros investidores europeus e norte-americanos.

- A Noruega, que hoje ameaça retaliação económica contra o Brasil pela destruição da Amazónia, provoca na mesma Amazónia, graves danos ambientais e sanitários através do seu grupo multinacional Hydro (metade do qual é propriedade do Estado norueguês), que explora as jazidas de bauxite para a produção de alumínio, tanto que foi colocado sob investigação no Brasil.

Os governos do G7 e outros, que hoje criticam formalmente o Presidente brasileiro Bolsonaro, para limpar a consciência perante a reacção do público, são os mesmos que favoreceram a sua ascensão ao poder, para que as suas multinacionais e os seus grupos financeiros tivessem as mãos ainda mais livres, na exploração da Amazónia.

A ser atacadas estão, sobretudo, as comunidades indígenas, em cujos territórios se concentram as actividades de desflorestação ilegal. Sob os olhos de Tereza Cristina, Ministra da Agricultura de Bolsonaro, cuja família de latifundiários, tem uma longa história de ocupação fraudulenta e violenta, das terras das comunidades indígenas.





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Poluição. Estudo encontra partículas ultrafinas à volta do aeroporto de Lisboa

 
 
Pela primeira vez em Portugal foram estudadas as chamadas partículas ultrafinas
 
Um estudo inédito em Portugal avaliou as concentrações de partículas ultrafinas nas imediações do Aeroporto de Lisboa e nas zonas da cidade sobrevoadas pelos aviões, detetando níveis considerados, pelos investigadores, como preocupantes.
 
O trabalho agora publicado na revista científica da especialidade Atmospheric Pollution Research revela que as concentrações de partículas ultrafinas são 18 a 26 vezes mais elevadas em áreas influenciadas pelos movimentos aéreos em Lisboa.
 
"Há uma relação clara entre os movimentos aéreos e os níveis de partículas ultrafinas, numa influência que se estende de forma significativa a zonas como as Amoreiras", detalha à TSF a principal autora do estudo desenvolvido no Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e no Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade.
 
Margarida Lopes acrescenta que as chamadas "partículas ultrafinas", que têm um tamanho 700 vezes inferior ao da espessura de um fio de cabelo, são um fenómeno poluente que só foi detetado neste século, pelo que está pouco estudado.
 
 
A nanociência é muito recente, mas, no entanto, já se sabem que estas partículas afetam a saúde, apesar de ainda não serem alvo, na lei, de valores-limite para a qualidade do ar.
 
"Até há poucos anos nem se suspeitava que existissem partículas tão minúsculas e com impacto tão grande sobre a saúde (...). A sua medição e reconhecimento dos efeitos prejudicais para a saúde pública é recente, sendo uma preocupação crescente pela sua mais direta absorção pelo organismo através do sistema respiratório [por serem tão pequenas são mais facilmente absorvidas]", explica a investigadora da Universidade Nova.
 
O estudo confirma "os níveis de concentração de partículas ultrafinas nas imediações de um aeroporto localizado praticamente dentro de uma cidade e com elevada população exposta".
 
Margarida Lopes explica que outros estudos internacionais já tinham mostrado demasiadas partículas ultrafinas perto de aeroportos, sendo que agora, em Lisboa, também se nota essa tendência num raio de um quilómetro à volta do aeroporto ou em zonas mais sobrevoadas como as Amoreiras, havendo uma clara relação causa-efeito com a passagem dos aviões.
 
"Esta é uma área de investigação recente, mas já se sabe que estas partículas têm efeitos bastante nocivos para saúde, pior que as partículas de maior dimensão que já estão legisladas, provocando mais doenças respiratórias, mas também sendo associadas a doenças neurológicas como o Alzheimer e Parkinson", conclui a Margarida Lopes, que diz que não gostaria de morar em várias das zonas onde fez medições, perto do aeroporto de Lisboa.
 
Nuno Guedes | TSF
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/poluicao-estudo-encontra-particulas.html

Beatas na via pública dão multa a partir desta quarta-feira

Foi publicada hoje em Diário da República a lei que decorre do diploma do PAN e pune quem atire pontas de cigarro para a via pública com coimas entre 25 e 250 euros.

Créditos / Contas Connosco

A lei que proíbe o descarte em espaço público de pontas de cigarros, charutos ou outros cigarros contendo produtos de tabaco entra em vigor amanhã mas prevê um «período transitório de um ano a contar da data da entrada em vigor». 

De acordo com a nova lei, os «estabelecimentos comerciais, designadamente, de restauração e bebidas, os estabelecimentos onde decorram actividades lúdicas e todos os edifícios onde é proibido fumar devem dispor de cinzeiros e de equipamentos próprios para a deposição dos resíduos indiferenciados e selectivos produzidos pelos seus clientes, nomeadamente receptáculos com tampas basculantes ou outros dispositivos que impeçam o espalhamento de resíduos em espaço público».

Os estabelecimentos referidos «devem ainda proceder à limpeza dos resíduos produzidos nas áreas de ocupação comercial e numa zona de influência num raio de cinco metros».

A lei indica que as contraordenações são puníveis com coimas entre 25 e 250 euros para particulares e entre 250 e 1500 euros para empresas. No que diz respeito às empresas produtoras de tabaco, apenas refere que «devem promover» a utilização de materiais biodegradáveis no fabrico dos filtros.

No artigo referente aos «incentivos para a adaptação de equipamentos», chama-se o Governo para, no prazo de 180 dias a partir da data da entrada em vigor da presente lei, e no âmbito do Fundo Ambiental, criar um sistema para subsidiar os «cinzeiros e equipamentos próprios para a deposição de resíduos de produtos de tabaco».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/beatas-na-publica-dao-multa-partir-desta-quarta-feira

Achegas sobre a floresta amazónica

Recebemos um abundante correio sobre a polémica relativa aos incêndios na Amazónia. Ninguém contesta as nossas informações, mas entram no debate com paixão.

Em quatro dias, inúmeras informações suplementares foram felizmente relatadas por novos participantes. Parece, nomeadamente, que não somente os incêndios nos últimos dez anos se tornaram geralmente raros nesta região (com um aumento este ano), mas que eles são muito menos importantes do que em Angola e no Congo.

Nós lembramos que:
- os julgamentos sobre a ideologia, ou a boa educação, do Presidente Bolsonaro são irrelevantes para o facto de ele ter razão ou não, e não têm, portanto, de ser levados em linha de conta;
- os governos de direita e esquerda da Amazónia seguiram a mesma política de desbravamento, pelas mesmas razões, prova de que essa decisão nada tem a ver com os interesses das multinacionais;
- a floresta amazonense não tem relação com a quantidade de CO2 na atmosfera. Ela respira, aspirando e depois expirando este gás. Ela apenas retém uma ínfima porção de CO2 para o seu crescimento (fotossíntese). É por isso que apenas os incêndios têm a ver com um balanço de carbono;
- inúmeras fontes misturam a zona administrativa «Amazónia» do Brasil, a floresta de 8 países controlada pela OTCA e a floresta amazónica em 9 países, levando a incoerências estatísticas.





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Amazónia: o pior pode ainda estar por vir?

Ainda sobre os incêndios deste ano na Amazónia, o gráfico manhoso que andou a circular por aí enferma de dois problemas essenciais. Por um lado, como se mostrou aqui, compara valores totais anuais (para o período entre 2003 e 2018) com valores parciais (para 2019, apenas até julho). Por outro, acentuando o enviesamento e a desinformação, apenas considera em 2019 os meses da «época baixa» de incêndios (janeiro a julho), no Brasil. De facto, quando se consideram os valores médios mensais dos últimos dezasseis anos (2003-2009), verifica-se que a área ardida entre janeiro e julho corresponde apenas a 15% do total anual (cerca de 13 mil dos 67 mil Km2 registados, em média, por ano). Ora, só até julho de 2019 (32 mil Km2) já ardeu cerca de metade (e não 15%) do valor médio anual registado entre 2003 e 2018, com a habitual «época de incêncios», sublinhe-se, apenas agora a começar (registando julho um aumento vertiginoso de área ardida - cerca de +211% face à média dos últimos dezasseis anos - em contraste os meses anteriores de 2019, não se afastam das médias mensais desse período).
Significa isto, por seu turno, que julho de 2019 é não só o mês com maior área ardida da série anual disponível, como - atendendo à distribuição ao longo do ano dos meses da «época de incêndios» - que o pior estará para vir. De facto, se num cenário mais otimista (e menos verosímil) se poderão atingir os 86 mil Km2 de área ardida (presumindo que os acréscimos apenas equivalem, em termos absolutos, a valores próximos da média registada nos últimos três anos), num cenário mais realista a situação será bem pior. Isto é, caso se mantenham as taxas de variação mensal registadas nos últimos três anos, entre julho e dezembro, a devastação poderá atingir os cerca de 270 mil Km2 no final do ano. Estamos neste caso, evidentemente, perante um contexto em que a intencionalidade política pesa muitíssimo mais que as razões imputáveis à seca e às alterações climáticas. Isto é, estamos perante as primeiras evidências materiais da concretização do programa político de Bolsonaro para a floresta Amazónica (aqui referido), com as suas imbricações internas (associadas ao agronegócio e à mineração, por exemplo) e os seus prolongamentos à escala global (a que o João Rodrigues aqui aludiu). E portanto é sobretudo no plano da ação política, e das decisões e orientações que o atual governo brasileiro adotar até ao final do ano, que se decide a dimensão final da catástrofe, neste ano de 2019.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Furacão Dorian atinge categoria mais alta, alertam meteorologistas dos EUA

Furacão Dorian se aproxima da costa dos Estados Unidos
© AFP 2019 / NOAA

O furacão Dorian, que está se dirigindo para o estado da Flórida, nos EUA, atingiu a categoria máxima (5) da escala de furacões de Saffir-Simpson.

Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (National Hurricane Center), a velocidade dos ventos atinge 257 quilômetros por hora. O furacão se formou no oceano Atlântico.

As ilhas de Ábaco, no norte das Bahamas, logo serão epicentro do furacão, informa o Centro no seu Twitter.

Dorian é agora um furacão de categoria 5, com ventos constantes de 160 milhas por hora. O centro deste furacão catastrófico está prestes a atingir as ilhas Ábaco com ventos devastadores. Próxima mensagem de aviso: Centro Nacional de Furacões - hurricanes.gov

"Está previsto um período prolongado de tormentas perigosas, ventos destruidores e chuvas fortes, que podem provocar inundações nas ilhas Ábaco e nas Bahamas na segunda-feira", informam os meteorologistas.

No sábado (31), o primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, avisou os habitantes sobre o perigo e deu ordens de evacuar a ilha principal.

"Eu quero que vocês lembrem: as casas, os edifícios, as estruturas podem ser reconstruídas, as vidas não", disse ele na conferência de imprensa.

Na sexta-feira (30), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou o estado de emergência na Flórida.

Dorian é o quarto furacão nesta estação. Na estação passada, a Flórida foi atingida por dois furações que provocaram algumas dezenas de vítimas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019090114467134-furacao-dorian-atinge-categoria-alta-informam-meteorologistas/

II Encontro Pelas Florestas

No fim-de-semana de 13 a 15 de Setembro a Herdade do Freixo do Meio acolhe o “II Encontro Pelas Florestas”, uma iniciativa da Reflorestar Portugal que apela à participação de toda a comunidade nacional.

 

 

Nesta segunda edição, o montado alentejano vai receber cidadãos, proprietários, agricultores, educadores, reflorestadores e empresas que tenham em comum o empenho e a missão de propagar a cultura regenerativa dos ecossistemas nacionais.

Neste espaço de convergência nacional vão reunir-se diferentes áreas de conhecimento e de saber interligadas e, maioritariamente, indissociáveis (alimentação, práticas agrícolas, habitação ecológica, gestão de resíduos, produção de novas fibras, o fim do plástico, as economias circulares, a legislação, a educação, a saúde humana e dos ecossistemas).

Segundo indicam, será um espaço de diálogo colaborativo, de reflexão, aprendizagem, enriquecimento e consciência, individual e colectiva.

Programa e bilhetes

Informações adicionais através do e-mail: [email protected]


 
 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ii-encontro-pelas-florestas/

Bolívia anuncia chegada de aeronave russa para combater incêndios florestais

Army 2015 International Military-Technical Forum. Day Two
© Sputnik / Alexander Vilf

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou que um avião Ilyushin 76, emprestado pela Rússia, se juntará na próxima semana ao combate aos incêndios que atingem florestas na região de Santa Cruz.

O presidente declarou em um comunicado oficial que a mobilização para combater os incêndios que já atingiram cerca de 800 mil hectares do Bosque Seco Chiquitano, um ecossistema de transição entre a Amazônia e o Chaco, continua.

"Em quatro ou cinco dias, chegará um avião Ilyushin IL 76 da Rússia, com capacidade de 50 mil litros. É um empréstimo, pagaremos apenas os custos operacionais", disse Morales em Concepcion, uma das cidades próximas aos incêndios.

Morales disse que o Ilyushin IL 76, a segunda maior aeronave de combate a incêndios do mundo, se juntará ao maior avião do tipo, o Boeing 747 Supertanker, com capacidade para 75 mil litros, contratado pelo governo.

Mais de 4 mil militares, bombeiros, policiais, voluntários e técnicos participam da mobilização, com apoio de 12 helicópteros, incluindo dois enviados pelo Peru e três fornecidos pela França, vários aviões e cerca de 300 veículos, incluindo 45 carros-pipa.

Morales agradeceu a cooperação internacional, que também inclui doações de mais de dois milhões de dólares e a participação de pelo menos 300 pessoas entre bombeiros e especialistas.

Os graves incêndios florestais na Bolívia se tornaram objeto de debate entre os candidatos das eleições gerais e presidenciais que serão realizadas no dia 20 de outubro, e nas quais Morales buscará seu quarto mandato consecutivo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019083014455540-bolivia-anuncia-chegada-de-aeronave-russa-para-combater-incendios-florestais/

Bolsonaro não é só contra a Amazónia, é contra o Brasil

 
 
“Sem respeitar os tratados internacionais em relação as salva-guardas ambientais, em que é signatário, e sem cumprir sua própria legislação ambiental, o Brasil se torna pária no mundo globalizado e terá sua pauta de exportações imensamente prejudicada, pois essas exigências fazem parte dos acordos multilaterais do mercado mundial”
 
Dalton Macambira, Rio de Janeiro | Correio do Brasil | opinião
 
Após defender a ditadura militar e se declarar fã incondicional do torturador e assassino Brilhante Ustra, em oito meses de governo, Bolsonaro elegeu como alvos principais de sua “cruzada anticivilizatória”: a educação, os professores e os ambientalistas. Esse ódio ao saber, a cultura e ao meio ambiente são manifestações próprias de governos autoritários, que buscam no obscurantismo, de cunho claramente fascista, destruir as bases de uma sociedade democrática e do estado de direito.
 
A polémica mais recente do presidente foi colocar em prática o que afirmara desde a campanha eleitoral, quando disse que iria acabar com a farra das multas ambientais, sendo que depois de eleito cogitou seriamente extinguir o Ministério do Meio Ambiente, numa clara demonstração de que fragilizaria os órgãos de fiscalização do uso dos recursos naturais no país. Mesmo reconhecendo que o Ibama e o ICMBio não têm os recursos necessários para o exercício de sua missão institucional, o capitão reformado brigou com a Alemanha e a Noruega, principais doadores do Fundo Amazónia que tem sido fundamental para financiar as ações de comando e controle na região.
Maior floresta
 
Parece que a assessoria ainda não informou ao presidente que a Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, com mais de cinco milhões de quilómetros quadrados de uma megabiodiversidade, quase 70% das reservas florestais do planeta, onde muitas espécies animais e vegetais ainda são desconhecidas pela ciência, e representa cerca de 60% do território brasileiro.
 
Ao contrário do que afirma o senso comum, a Amazónia não é o pulmão do mundo, pois uma floresta adulta ao captar o carbono, através da fotossíntese, para a sua sustentação e produção de oxigénio, faz o movimento inverso na respiração e, embora a maior parte dela esteja no Brasil, não é apenas nossa, nós a dividimos com mais cinco países: Colômbia, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela.
 
No entanto, parece que ainda não informaram à Bolsonaro que a floresta amazónica tem relação direta com o regime de chuvas em praticamente toda a América do Sul. Uma única árvore com uma copa de cerca de 20 metrosde diâmetro é capaz de produzir até mil litros de água por dia para a atmosfera, no processo de evapotranspiração, sem falar nos 25 mil quilómetros de rios navegáveis da região que possibilitam, pela evaporação, a formação de nuvens e a consequente elevada pluviosidade que permite encher rios e reservatórios de todo o país, para irrigação e produção de energia, fator decisivo que transformou o Brasil em um dos maiores produtores mundiais de alimentos.
 
Portanto, está claro, como o sol, que o desmatamento ilegal e as queimadas na Amazónia são fatores contrários ao nosso desenvolvimento, sobretudo pelo momento de grande crise económica, agravado pelos inúmeros absurdos praticados pelo governo.
 
Congresso Nacional
 
Também parece que não informaram ao capitão reformado, homem de poucas letras e que pouco cultiva o hábito da leitura, que os acordos internacionais em que o Brasil é signatário foram referendados pelo Congresso Nacional, portanto, não são compromissos de governo, mas de Estado.
Como Bolsonaro não respeita a liturgia do cargo e a institucionalidade, os seus seguidores se acham no direito de desrespeitar as leis, como ocorreu com o “dia do fogo”, convocado criminosamente pelas redes sociais.
 
Querem mudar na marra o que a democracia só permite por meio do voto. No estado de direito quem não concorda com a proibição da pena de morte ou com a legislação ambiental, por exemplo, precisa ter voto no Parlamento para fazer valer suas ideias.
 
O presidente também mandou bloquear recursos da ordem de R$ 430 milhões dos programas de fiscalização e combate a incêndios florestais e seus próprios ministros admitiram que tal medida foi tomada para garantir o dinheiro das emendas de parlamentares que venderam o voto para aprovar a reforma da previdência.
 
Apesar da confissão do crime, tendo como consequência o aumento das queimadas e o desmatamento ilegal na Amazónia, os guardiões da moral e do combate a corrupção do Ministério Público até o momento não tomaram qualquer iniciativa.
 
Os números também revelam que à medida que aumentam os crimes ambientais no país, as multas e fiscalizações caem drasticamente, não apenas por falta de recursos, mas por decisão política do governo.
 
O órgão ambiental federal que multou Bolsonaro em 2012 não apenas retirou a multa como exonerou o fiscal por sua “ousadia”. Para liberar o garimpo, inclusive em terras indígenas, e o desmatamento na Amazónia, o ministro do meio ambiente não apenas mandou suspender a fiscalização como foi até a região confraternizar com as madeireiras e mineradoras. Não satisfeito, o presidente preferiu culpar o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pelo aumento do desmatamento e as organizações não governamentais pelas queimadas.
 
Amazónia é nossa
 
Os generais de plantão, os mesmos que pressionaram o STF para manter Lula preso, saíram na defesa do capitão reformado: bradaram que a “Amazónia é nossa” e reclamaram que a França estava interferindo em problemas internos do Brasil, em função de declarações do presidente francês contra o aumento das queimadas e do desmatamento ilegal.
 
Coincidentemente esses mesmos militares nada reclamaram pela soltura do Temer e da não prisão de Aécio. Também nada declararam quando da entrega da Embraer à Boeing norte-americana. Ou seja, os milicos que defendem a nossa soberania em relação à Europa se submetem vergonhosamente aos interesses dos EUA.
 
Sem respeitar os tratados internacionais em relação as salva-guardas ambientais, em que é signatário, e sem cumprir sua própria legislação ambiental, o Brasil se torna pária no mundo globalizado e terá sua pauta de exportações imensamente prejudicada, pois essas exigências fazem parte dos acordos multilaterais do mercado mundial.
 
Seja em defesa do meio ambiente ou por interesse dos nossos concorrentes diretos em desgastar e fragilizar o Brasil no comércio internacional, a segunda hipótese é a mais provável, o governo Bolsonaro marcha na contra corrente da história e tende cada vez mais a ficar isolado, prejudicando seriamente o meio ambiente e o desenvolvimento económico do nosso país, perdendo, inclusive, apoio do agronegócio que o ajudou decisivamente, ao lado do Poder Judiciário/Ministério Público, em sua eleição.
 
*Dalton Melo Macambira, é professor do Departamento de História da Universidade Federal do Piauí e doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Rede PRODEMA/UFPI.
 
 
 

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Bolsonaro e o silêncio do Governo português

 
 
Se há algo que devia unir a humanidade é a inescapável conclusão de que todos precisamos de oxigénio. Se isso bastasse para salvar a Amazónia poderíamos dormir descansados.
Joana Mortágua* | Jornal i | opinião
A Amazónia está a arder. Já todos vimos as imagens, na descrição da tragédia não resta muito espaço para as palavras. A Amazónia faz parte do nosso património afetivo e de sobrevivência com o planeta que habitamos. Se há algo que devia unir a humanidade é a inescapável conclusão de que todos precisamos de oxigénio. Se isso bastasse para salvar a Amazónia poderíamos dormir descansados. Não basta, e é preciso entender porquê.
 
Bíblia, Boi e Bala. Um B para a frente parlamentar evangélica, defensora da generalização da “cura gay” e outros atentados aos direitos humanos. Um B para agrupar todos os parlamentares com interesses no agronegócio, também chamada de bancada ruralista. Um B para os armamentistas, frente parlamentar de militares e polícias convictos de que os problemas de segurança do Brasil se resolvem pondo uma arma na mão e uma bomba nas garantias democráticas de cada cidadão. E um B para os unir a todos: Bolsonaro.
 
 
O crescimento das bancadas suprapartidárias dos 3B’s não fazia adivinhar nada de bom. Em 2014 foi eleito o Congresso mais ultraconservador da democracia brasileira e a partir daí o seu poder não parou de aumentar. Foram a base do golpe contra Dilma Rousseff, do apoio a Temer e da eleição de Bolsonaro. Não o fizeram em nome do progresso, dos direitos humanos, da justiça social, da proteção ambiental e das liberdades democráticas no Brasil. Mas receberam em troca muitos favores.
 
Um dos setores mais poderosos é o da agropecuária, atividade exportadora encarada como um dos suportes da economia brasileira. A agenda política desse setor serve um único objetivo: expandir o agronegócio aumentando a área de exploração e as margens de lucro.
 
Para isso é preciso
1) enfraquecer a proteção dos indígenas e ocupar os seus territórios protegidos;
2) alargar a malha da definição de trabalho escravo e indigno, no qual estão envolvidos alguns dos parlamentares desta bancada;
3) acabar com as penalizações por crimes ambientais;
4) liberalizar o desmatamento e o tipo de atividade permitida (como mineração);
5) flexibilizar a legislação dos agrotóxicos;
6) enfraquecer, e se possível criminalizar, as ONG’s ambientais.
 
Com a tomada de posse de Jair Bolsonaro esta agenda ganhou novo alento. O agronegócio deixou de ter contatos com o Governo e passou a ser o Governo.
Para estes ruralistas, na sua maioria habituados a agir fora de lei, Bolsonaro disse o que precisavam de ouvir:
 
“— Não pode continuar assim. 61% do Brasil você não pode fazer nada. Tem locais aqui que você, para produzir uma coisa, você não vai produzir porque você não pode (andar) em uma linha reta para exportar, tem que fazer uma curva enorme para desviar de um quilombola, uma terra indígena, uma área de preservação ambiental. Estão acabando com o Brasil. Se eu fosse fazendeiro, eu não vou falar o que eu faria, não, mas eu deixaria de ter dor de cabeça.”
 
Em poucos meses multiplicaram-se ataques e assassinatos nos acampamentos do Movimento dos Sem Terra e nas reservas indígenas. Até que no dia 10 de agosto um grupo de ruralistas quis ser a mão cega que interpreta e ateia os desígnios do Presidente. No Dia do Fogo, dezenas de queimadas ilegais invadiram áreas protegidas da Amazónia sem que os alertas iniciais tivessem sido escutados.
 
As mobilizações de repúdio internacional pela destruição da Amazónia não tardaram. Mobilizações populares em todo o mundo, cientistas, artistas, ONU, responsáveis internacionais fizeram saber da sua preocupação referindo-se explicitamente às queimadas. Só Trump alinhou com o amigo Bolsonaro.
 
Não há duvida de que a solidariedade internacional é necessária. Independentemente das crises diplomáticas, do acordo UE- Mercosul (ele próprio fertilizante do agronegócio, dos ataques ambientais e da insegurança alimentar), o Brasil deve receber toda a ajuda que precisar para apagar aqueles fogos.
 
Mas não há água que apague o Dia do Fogo. De que serve, e a quem se dirige, a solidariedade que omite os responsáveis pelo empoderamento dos ruralistas, que não censura as políticas anti ambientais do Governo, que não condena ataques e assassinatos a ONGs e povos indígenas.
 
A Amazónia está a arder em nome do lucro do agronegócio protegido por um governo com um nome: Jair Bolsonaro. Ao esconder isso em palavras surdas atrás do biombo da solidariedade, a atitude do Governo português não esteve à altura. Há momentos em que o silêncio é cúmplice e este não pode ser um deles.
 
*Deputada do Bloco de Esquerda
 
 
 

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Solidariedade com os povos afectados pelos fogos na Amazónia

arderTêm vindo a deflagrar dramáticos incêndios na Amazónia, afectando em particular o Brasil e as populações indígenas da região, vítimas da devastação da floresta e de outros meios de vida.

A predação e destruição da Floresta Amazónica é a marca da prevalência do interesse económico sobre o interesse e direitos das populações, sobre a floresta e a biodiversidade.

Um processo que se acentuou com o golpe no Brasil e com o actual governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, activo promotor dos interesses do agronegócio, da produção e comércio da madeira e da extracção de minérios na Amazónia, interesses incompatíveis com a salvaguarda da floresta e os direitos dos povos indígenas. Interesses também indissociáveis do comércio internacional e do seu domínio por grandes empresas, que à custa destas calamidades e da especulação permitida pelos países onde estes recursos naturais são transaccionados realizam taxas de lucro obscenas.

Desde há muito que o grande capital e grandes potências mundiais procuram alargar o seu domínio sobre os imensos recursos naturais (incluindo a terra, a água e os minérios) da Amazónia, motivo pelo qual se desenvolvem movimentações neocoloniais, de ingerência, cerco e militarização da região, nomeadamente pelos EUA.

A CGTP-IN é profundamente solidária com os trabalhadores e os povos dos países de toda a região da Amazónia. É necessário encontrar soluções que ponham fim a esta tragédia e que evitem a sua repetição, defendendo os interesses dos povos dos países envolvidos e salvaguardando a sua soberania.

A CGTP-IN continuará a denunciar estas acções e planos de domínio económico e a tentativa de transferir custos e responsabilidades para o plano individual, enquanto se branqueia o capitalismo e se mercantiliza a natureza e o meio ambiente.

Internacional/CGTP-IN
29.08.2019

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Trump pressiona por exploração em floresta nacional no Alasca

 
 
Se decretada, medida poderá afetar milhões de hectares da maior floresta temperada intacta do mundo, ao permitir a extração de madeira e minérios e construção de estradas. Tongass é alvo constante de disputas políticas.
 
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou o Departamento de Agricultura do país a remover as restrições à exploração na Floresta Nacional de Tongass, uma área de 6,7 milhões de hectares no Alasca, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (27/08) pelo jornal americano The Washington Post.
 
Se for de fato decretada, a medida poderá afetar mais da metade daquela que é considerada a maior floresta temperada intacta do mundo e permitirá a exploração de madeira, minérios e recursos energéticos, além da construção de estradas.
 
Trump discutiu o assunto com o governador do Alasca, o republicano Mike Dunleavy, e ordenou que seu secretário de Agricultura, Sonny Perdue, decrete a remoção das restrições.
 
As restrições à exploração em Tongass haviam sido impostas pelo ex-presidente Bill Clinton em 2001, dias antes de deixar a Casa Branca, ao interditar a extração de madeira em mais da metade da área e proibir a construção de estradas em mais de 2,3 milhões de hectares da floresta, no sudeste do Alasca.
 
 
Seu sucessor, George W. Bush, já havia tentado reverter a medida, sem sucesso. Durante anos, a floresta esteve no centro de disputas políticas envolvendo a exploração dos recursos naturais da região. Em 2016, o Serviço Florestal americano finalizou um plano para descontinuar gradualmente as atividades madeireiras no local em até dez anos.
 
O Congresso americano declarou mais de 2,3 milhões de hectares de floresta antiga como área selvagem, o que significa que ela deve permanecer livre de exploração. Se o plano de Trump avançar, mais de 3,8 milhões de hectares poderão ser explorados.
 
O Parque Nacional de Tongass possui grande quantidade de madeira de cedro, abeto e cicuta, com rios habitados por salmões e fiordes, além de ser um território vital para ursos pardos, veados-de-cauda-negra e pássaros como o açor-comum.
 
Políticos republicanos se queixam dos prejuízos à indústria madeireira no Alasca, que, segundo o Washington Post, emprega apenas 1% da mão de obra no estado, em comparação com os 8% da indústria de processamento de alimentos marinhos, como o salmão, e os 17% do setor do turismo.
 
Deutsche Welle | RC/ots/efe
 
 

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General Augusto Heleno: Amazônia é objeto de cobiça internacional

Foto de um almoço realizado em 2015 entre Jair Bolsonaro e Augusto Heleno
© Foto : Reprodução / Twitter Jair Bolsonaro

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou nesta quinta-feira que Amazônia é objeto de cobiça internacional por conta de seus recursos naturais e biodiversidade.

O general disse que desconsiderar as ameaças externas à Amazônia seria uma falta de responsabilidade.

"É irresponsável acharmos que a Amazônia não é objeto de cobiça internacional. O mundo tem uma crise, e ela é vastamente comentada, uma crise de alimentos, uma crise de matéria-prima, de commodities", disse ele durante um discurso na Escola Naval, no Rio de Janeiro, durante o Congresso Acadêmico sobre Defesa Nacional.

"A Amazônia é vista como um depósito de futuras conquistas do ser humano. Então, é óbvio que há ambições claras em relação a Amazônia", acrescentou Heleno, citado pela Agência Brasil.

O militar criticou o presidente francês, Emmanuel Macron, por supostas ofensas ao governo brasileiro.

"Ele está transferindo para os incêndios na Floresta Amazônica todos os problemas da humanidade", afirmou o chefe do GSI.

"Não podemos aceitar que o Brasil seja difamado mundialmente por uma jogada política, por interesse de um político, que não é o interesse nem do seu país nem o interesse da Europa", declarou.

O general afirmou não poder fazer uma avaliação oficial sobre a operação de combate aos focos de incêndio. No entanto adiantou que as notícias que tem recebido são positivas.

"Pelo que a gente sabe por notícias que chegam, a operação está sendo um sucesso e conseguindo o objetivo principal que é neutralizar as queimadas, que não são da amplitude nem da gravidade que vinha sendo anunciado".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082914448706-general-augusto-heleno-amazonia-e-objeto-de-cobica-internacional/

ONU prevê o fim do capitalismo fóssil

 
 
Estudo aponta que necessidade de substituir matriz energética deverá romper com sistema que conhecemos, de energia barata. Estado precisará assumir as rédeas do mercado e priorizar bem estar coletivo contra consumo desvairado
 
Mar Pichel, na BBC Brasil | em Outras Palavras
 
É um grande alerta a governos e economistas: estamos em meio a uma transformação do modelo econômico cujo pano de fundo é o esgotamento dos recursos e as mudanças climáticas. De alguma maneira, estamos assistindo ao fim do capitalismo como o conhecemos.
 
Essa é a conclusão de um grupo de especialistas finlandeses em um estudo pedido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para contextualizar seu relatório mundial sobre desenvolvimento sustentável.
 
“O capitalismo como o conhecemos depende de energia barata. E esse é o motor ou facilitador do crescimento que vimos nos últimos 100, 150 ou 200 anos, basicamente”, explica o economista Paavo Järvensivu, integrante do centro de pesquisas finlandês BIOS e um dos autores do estudo, à BBC News Mundo.
 
Agora, diz ele, estamos entrando em outra etapa. “A era da energia barata está chegando ao fim, e, se não tivermos essa energia barata, já não poderemos ter esse tipo de capitalismo.”
 
Um momento de transição
 
Por causa das mudanças climáticas, pela primeira vez na história da humanidade as economias estão tendo que recorrer a fontes de energia menos eficientes que requerem “mais esforço e não menos” para serem produzidas, afirmam os cientistas no estudo.
 
“É preciso um grande esforço para cortar nossa dependência dos combustíveis fósseis”, diz Järvensivu.
 
O informe da BIOS sinaliza que a dimensão energética da economia tem sido ignorada quase por completo em muitos países ricos. Os governantes seguem pensando que podem mitigar o efeito das mudanças climáticas e se adaptar com o sistema existente.
 
Segundo ele, muitos governos simplesmente mudam “um pouco as regras”, introduzindo, por exemplo, “modestos” impostos sobre o carbono, a fim de desincentivar a emissão de poluentes.
 
Mas para Järvensivu e seus colegas do BIOS, o mercado já não é suficiente para proporcionar soluções, e os Estados devem assumir o papel de protagonistas. Outros grupos de cientistas e de estudiosos ambientalistas concordam que há necessidade de um compromisso político mais profundo.
 
Grande parte do problema, segundo o estudo do BIOS, é que as teorias econômicas dominantes hoje foram desenvolvidas na era da abundância energética e, portanto, as políticas econômicas relacionadas a elas se baseiam no pressuposto de crescimento energético. Portanto, “tais teorias e modelos são inadequados para explicar o momento atual”.
 
Reconstrução ecológica
 
Para explicar as exigências desse novo modelo econômico, Järvensivu recorre a um momento histórico. “No período após a Segunda Guerra Mundial, as sociedades reconstruíram suas infraestruturas e práticas; agora, precisamos de algo similar para que nossas economias e práticas possam funcionar sem combustíveis fósseis.”
 
E, como naquela época, não há muito tempo para conseguir isso. “Temos entre 15 e 30 anos para reconstruir a infraestrutura. Se o que queremos é manter as condições para a vida humana, o objetivo já não pode ser um ‘crescimento abstrato do PIB (Produto Interno Bruto)'”, diz o economista.
 
“Temos que começar a ver quais são as tarefas concretas – por exemplo, como vamos reconstruir nossos sistemas de energia e de transporte. E os governos devem descobrir como organizar a economia para cumprir essas metas.”
 
Segundo o estudo, é necessário transformar as formas como produzimos e consumimos energia, transporte, alimentos e moradia. “O resultado deve ser uma produção e um consumo com oportunidades decentes para uma boa vida, que ao mesmo tempo reduzam drasticamente a carga sobre os ecossistemas naturais.”
 
Por exemplo, de acordo com esse grupo de estudiosos, as cidades deverão ter um sistema de transporte majoritariamente elétrico. Em relação à forma como produzimos e consumimos alimentos, o estudo diz que devemos “caminhar em direção a uma dieta baseada em plantas”.
 
‘Algo diferente’
 
Para Järvensivu e seus colegas, os Estados e governos são os únicos atores “com legitimidade e capacidade” para tocar essa série de mudanças, porque “obviamente isso precisa de algum tipo de planejamento e coordenação e também um financiamento que não estamos vendo agora”.
 
De qualquer forma, se considerarmos a maior potência econômica do mundo, os Estados Unidos, o governo de Donald Trump não só não está destinando recursos para concretizar essa transição e reconstrução ecológica como está insistindo em formas de energia altamente poluentes, como a indústria de carbono. Em algumas ocasiões, inclusive colocou em xeque a existência das mudanças climáticas.
 
O economista considera que a chegada desses tipos de governos ao poder, que negam os efeitos das mudanças climáticas, se deve, em parte, ao fato de os “partidos progressistas não terem proporcionado respostas suficientemente boas para resolver os problemas de desigualdade e ambientais”.
 
“Portanto, houve mais espaço para movimentos populistas que oferecem soluções fáceis — e que, na realidade, não são soluções.”
 
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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/onu-preve-o-fim-do-capitalismo-fossil.html

Jovens ecologistas acampam «pela sustentabilidade do planeta»

São Torpes acolhe, de hoje a domingo, jovens comprometidos com o ambiente e um desenvolvimento sustentável. O combate à poluição e ao plástico ou a aposta nos transportes públicos são alguns dos motes.

Membros da Ecolojovem numa acção de denúncia da Central de AlmarazCréditos / Ecolojovem

Há 25 anos que os jovens ecologistas – desde a fundação da Ecolojovem – realizam o seu acampamento anual, aproveitando para, a partir dos problemas locais, apresentar as soluções sustentáveis e de defesa do planeta.

Na edição deste ano, a escolha do local não foi um acaso. São Torpes (município de Sines) situa-se numa região de particular importância para a produção hidroeléctrica – de baixo custo e sustentável – a partir das suas conhecidas ondas. Para além disso, todo o Alentejo litoral confronta-se hoje com problemas e especificidades que merecem, segundo os ecologistas, atenção por parte do poder político.

Em declarações ao AbrilAbril, Tiago Aldeias, dirigente da Ecolojovem e candidato pela CDU às próximas eleições legislativas, afirmou que são muitas as questões a que querem dar atenção durantes estes dias, como sejam «o combate ao despovoamento, à poluição dos oceanos e ao uso excessivo e desnecessário do plástico».

Para Os Verdes é mais actual do que nunca reiterar o alerta para a poluição dos oceanos, em particular com os plásticos, que é uma «batalha dos Verdes há vários anos, que desde os anos 90 se batem pela redução de embalagens excessivas e desencessárias em bens e produtos».

O candidato lembra que esta é uma zona do distrito de Setúbal que carece de muito investimento ao nível dos transportes públicos, nomeadamente na ferrovia, mas não só. A aposta nos transportes públicos é fundamental para o desenvolvimento de um País mais sustentável, assinala.

Para Tiago Aldeias, «o despovoamento que se verifica, por exemplo, nos concelhos de Grândola e Santiago do Cacém, mesmo com o empenho das autarquias na melhoria das condições de vida, não se alterará sem que se resolvam problemas com os serviços públicos, como o difícil acesso à Saúde». O jovem ecologista lembra que, a título de exemplo, «o Hospital do Litoral Alentejano está a precisar de grandes investimentos e de recursos humanos».

E quando está «colocada em cima da mesa a ligação ferroviária de Sines a Espanha, [Os Verdes continuam a dizer que] importa ligar Funcheira a Beja e, depois, ligar Beja a Évora», sendo que a linha ferroviária tem também de fazer «transporte de passageiros e não [apenas] de mercadorias».

Sendo um «acampamento de jovens», a iniciativa contará com inúmeras actividades lúdicas, as quais lançam desde já o mote para as eleições legislativas de Outubro.

Entre as actividades previstas estão a realização de uma acção de limpeza de praias, de jogos tradicionais, de uma iniciativa cultural ou um sunset verde.

José Luís Ferreira, deputado à Assembleia da República e candidato da CDU, participará na conversa a realizar pelos ecologistas sobre a «sustentabilidade do planeta».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/jovens-ecologistas-acampam-pela-sustentabilidade-do-planeta

Amazónia

Floresta recua,pecuária avança
 

RIO - De 1985 a 2018, o Brasil perdeu 89 milhões de hectares de áreas naturais em todo seu território, algo como 20 vezes a área do Estado do Rio. Essa perda acompanhouo ritmo dos rebanhos, pois a abertura de pastos é o principal motor do desmatamento: no mesmo período, a área destinada à agropecuária teve um aumento de 86 milhões de hectares. "O Globo"
 

 

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Da Amazônia à Sibéria: intensidade anormal de incêndios florestais ao redor do globo

Vista aérea mostra fumaça subindo sobre terreno desmatado da selva amazônica em Porto Velho, Brasil, 27 de agosto de 2019
© REUTERS / Ueslei Marcelino

Apesar de os incêndios na Amazônia terem se transformado em uma crise internacional, eles representam apenas uma parcela das muitas áreas onde incêndios estão queimando ao redor do mundo.

Assim como o bioma amazônico está em chamas, vastas extensões da savana na África Central, regiões árticas da Sibéria e áreas na Europa e nos EUA também vêm sofrendo com incêndios, escreve The New York Times.

Na opinião do professor John Abatzoglou, do Departamento de Geografia da Universidade de Idaho (EUA), as temperaturas mais quentes e secas "vão continuar promovendo o potencial de incêndio", e, caso as tendências de aquecimento continuem, há o risco de "grandes e incontroláveis incêndios globais".

Em 2019, foi registrado um aumento dramático dos incêndios florestais em algumas regiões árticas, que raramente pegavam fogo, queimando cerca de seis milhões de acres de floresta siberiana desde julho.

O artigo cita que, no Alasca, os incêndios consumiram mais de 2,5 milhões de acres de floresta de tundra e neve, levando os pesquisadores a sugerir que as mudanças climáticas e os incêndios florestais poderiam alterar permanentemente as florestas da região.

Tão importante como as selvas tropicais, florestas como as da Sibéria são também vitais para o sistema climático global. Desde o final de julho, as queimadas vêm devastando a Sibériae várias outras partes da Rússia, onde o governo impôs estado de emergência. Ao todo, as chamas chegaram a atingir 6,7 milhões de acres de floresta nesta região.

Incêndio florestal no distrito de Taiga, perto da cidade siberiana de Krasnoyarsk (arquivo)
© REUTERS / Ilya Naymushin
Incêndio florestal no distrito de Taiga, perto da cidade siberiana de Krasnoyarsk (arquivo)

Cientistas alertam que como os incêndios atingem lugares onde antes eram raros, eles ameaçam contribuir para um ciclo de retroalimentação, em que os incêndios florestais potencialmente aceleram a mudança climática, lançando para atmosfera quantidades significativas de dióxido de carbono, um potente gás do efeito estufa.

"Temos os incêndios intencionais, através da limpeza da terra. Temos os incêndios que estão acontecendo em áreas remotas que provavelmente não estariam acontecendo, pelo menos nesta gravidade, na ausência de mudança climática", afirmou o doutor Abatzoglou, em referência às diferentes causas de queimadas.

Crise ambiental na Amazônia

No caso do Brasil, as queimadas florestais são um exemplo de incêndios que estão sendo provocados deliberadamente, para limpar terras florestadas para agricultura ou pastoreio de gado.

Vista de cima das queimadas na Amazônia
© AFP 2019 / Lula Sampaio
Vista de cima das queimadas na Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro tem defendido a expansão da indústria agrícola e descartado a ideia de estender proteções aos grupos indígenas que vivem na floresta, o que levou a preocupações de que as taxas de desmatamento poderiam aumentar ainda mais.

Relatórios sugerem que as queimadas deste ano podem piorar ainda mais em parte devido à guerra comercial entre EUA e China (um dos maiores compradores de soja do mundo), que levou Pequim a buscar novos fornecedores para substituir os agricultores americanos.

África Subsaariana em chamas

Um padrão semelhante pode ser visto em alguns dos incêndios na África Subsaariana que recentemente chamaram a atenção do mundo.

Os ecossistemas da savana no norte e sul da floresta tropical da África queimam de forma bastante previsível a cada dois ou três anos, segundo Abatzoglou.

"Este é realmente o ecossistema mais propenso a incêndios do mundo […] É a combinação certa de ser húmido o suficiente para ter combustível suficiente e seco o suficiente para queimar, e há muitos relâmpagos", explica o professor.

Ártico e Europa em risco

Neste verão europeu, que gerou uma onda de calor anormal, as queimadas eclodiram em regiões que tipicamente não sofriam com incêndios, incluindo no Alasca, na Groenlândia e na Sibéria.

No território europeu, um dos países gravemente atingidos pelas chamas neste ano foi Portugal, que teve parte de sua área destruída e várias pessoas feridas, devido a incêndios florestais, alimentados pelos ventos fortes, que começaram no dia 20 de junho em lugares de difícil acesso.

Membros dos serviços de emergência tentam extinguir incêndio perto de Cardigos, Portugal, em 21 de julho de 2019
© AP Photo / Sergio Azenha
Membros dos serviços de emergência tentam extinguir incêndio perto de Cardigos, Portugal, em 21 de julho de 2019

Esses incêndios são provocados pelo aumento das temperaturas, que secam as plantas e as tornam mais propensas à ignição.

Somente na primeira metade do mês de agosto, as queimadas florestais no Ártico emitiram 42 megatoneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

Outro fator de risco, que exacerbou o aquecimento global, é a fuligem produzida pela combustão da turfa, que é rica em carbono. Quando a fuligem se instala em geleiras próximas, o gelo absorve a energia solar em vez de refleti-la, e acelera o seu derretimento.

Ciclo sazonal de queimadas nos EUA

Grande parte do oeste e sudeste dos EUA, assim como o estado da Califórnia, está acostumada a ter incêndios todos os anos, que faz parte de um ciclo sazonal. Essas regiões são o que os pesquisadores chamam de ecossistemas adaptados ao fogo.

Como exemplo dessa evolução, a publicação cita os pinheiros lodgepole, uma árvore típica do oeste norte-americano, que precisam do calor das chamas para liberar suas sementes.

Contudo, pesquisas publicadas neste ano sugerem que os incêndios florestais na Califórnia são 500% maiores do que seriam sem a mudança climática induzida pelo homem.

Incêndios no Sudeste Asiático

Um padrão semelhante está ocorrendo em Sumatra, Bornéu e Malásia peninsular, onde 71% das florestas de turfa (um dos ecossistemas que mais armazenam gás carbônico) foram perdidas no Sudeste Asiático entre 1990 e 2015.

Mapa da NASA dos incêndios florestais de agosto de 2019
Mapa da NASA dos incêndios florestais de agosto de 2019

Na maioria dos casos, as florestas foram substituídas por fazendas que produzem óleo de palma – uma das culturas mais importantes da região.

De acordo com um estudo, a neblina causada por incêndios na região em 2015 pode ter causado a morte prematura de 100 mil pessoas. Após isso, o governo adotou uma série de medidas para reduzir o número de incêndios, mas neste ano as queimadas voltaram a ocorrer.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019082914446913-da-amazonia-a-siberia-intensidade-anormal-de-incendios-florestais-ao-redor-globo/

A intox amazônica

 

Justamente antes da abertura do G7 de Biarritz, uma intensa campanha de intoxicação foi lançada na imprensa internacional com a cumplicidade do Presidente francês, Emmanuel Macron, e do Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Ela visa permitir aos Europeus controlar a Amazônia, seus minerais, seus tesouros farmacêuticos e suas preciosas madeiras.

Ela tem por objetivo distorcer o problema antes de fornecer uma solução falsa.

Em primeiro lugar, os ativistas desta campanha repetiram que a Amazônia é «o pulmão verde do planeta», uma fórmula falaciosa que leva a pensar que essa floresta absorveria a maior parte do CO2 produzido na Terra, o que é um absurdo.

Em segundo lugar, eles não pararam de afirmar que a floresta amazônica arde tão rápido que vai desaparecer. A mídia (média-pt) estrondeia dando números absurdos quanto a superfícies devastadas. Ora, a floresta amazônica é uma área úmida extremamente lenta a arder. As áreas devastadas não estão na própria floresta, mas em zonas desmatadas. Em alguns meses após o abate das árvores, a flora tropical volta a crescer. Essas zonas estão, então, cobertas com troncos caídos e novas árvores que, estas sim, queimam rapidamente.

O Presidente Emmanuel Macron sugeriu que ia agir no quadro do G7 para salvar esta floresta. Ora, o G7 não é uma instância decisória, mas unicamente um lugar de troca de ideias permitindo aos dirigentes ocidentais se compreenderem melhor. Desde 1978, o único organismo internacional encarregado deste dossiê é a OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), da qual a França não quis ser participante, embora o Departamento da Guiana esteja na Amazônia.

Desde o início desta controvérsia, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, denunciou a natureza colonialista desta abordagem do problema por um G7 para o qual nenhum líder da OTCA foi convidado. Depois, o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, apelou a uma concertação no âmbito da OTCA, mas aqueles que se opõem ao seu governo recusaram. O Presidente da Bolívia, Evo Morales, retomou esta proposta, que deverá agora ser aceita.

Que se aprecie, ou não, tal ou tal destes presidentes não é o ponto em questão. Eles são responsáveis pela floresta amazônica e seus habitantes. Não têm nenhum interesse em destruí-la.

O problema não são os incêndios nas áreas desmatadas, nem o desmatamento, mas o modo anárquico como é conduzido. As mentiras conscientemente proferidas, de maneira coordenada, por vários líderes europeus, no primeiro nível dos quais o Presidente francês, sugerem que tudo será feito para desviar a atenção internacional das verdadeiras jogadas econômicas e políticas deste drama.





Ver original na 'Rede Voltaire'



A política de Bolsonaro para a Amazónia

1. Circula por aí um gráfico que sugere que a «devastação da Amazónia» foi «bem mais severa durante os governos "progressistas" de Lula e Dilma», surgindo o governo de Bolsonaro com o menor valor de área ardida desde 2003. Sucede, porém, como se demonstrou aqui, que o autor do referido gráfico compara valores anuais totais entre 2003 e 2018 com os valores parciais de 2019 (janeiro a julho), induzindo os leitores em erro. 2. De facto, quando se analisa - como é suposto - a evolução em termos homólogos (neste caso de janeiro a julho), obtém-se para 2019 o valor mais elevado de área ardida na série temporal anual disponibilizada pelo INPE (ainda sem os dados de agosto, o mês claramente mais severo até agora). Isto é, cerca de 33 mil Km2 de área ardida em 2019, que representam quase o triplo do ano anterior (12 mil Km2) e mais do dobro da média registada no período 2003-2019 (15 mil Km2/ano), com o valor mais próximo (cerca de 31 mil Km2) a verificar-se em 2004.
3. Aliás, o aumento vertiginoso da área ardida em 2019 está em linha com o acréscimo do número de focos de incêndio registado até 26 de agosto (cerca de 43 mil, que traduzem um aumento de 129% face ao valor homólogo de 2018), atingindo-se assim o valor mais elevado desde 2010. E também em linha com o aumento da área de desmatamento, que se estima possa vir a atingir cerca de 14 mil Km2 no final do ano, que representam - nesse caso - um aumento de 81% face a 2018 e o valor mais elevado que se regista depois de 2006. 4. Como é óbvio, o problema da desflorestação da Amazónia não surge apenas agora, com Bolsonaro. A questão é que todos os sinais apontam para uma clara inversão da tendência de menor pressão sobre a floresta, desde 2005. De facto, quando se comparam os valores médios mensais de área ardida nos últimos 17 anos com os de 2019, verifica-se um brutal aumento em julho, que triplica o valor médio do período. Da mesma forma, se o nível de desmatamento registado nos últimos três anos e em 2019 é semelhante até abril, regista-se desde então uma divergência de valores, atingindo-se os 2,3 mil Km2 em julho passado (mais do dobro da média registada entre 2017 e 2019).
5. Sem surpresa, estes dados traduzem a concretização da política de Bolsonaro para a Amazónia, centrada numa exploração sem escrúpulos nem limites e em ganhos de curto-prazo, criando as condições para o ecocídio a que se refere Jonathan Watts no The Guardian. É em nome dessa política que Bolsonaro nomeou para o Ambiente um ministro condenado por fraude ambiental, minou o Ibama e demitiu o diretor-geral do INPE (responsável pelos dados de satélite sobre a destruição da floresta), alienou os apoios financeiros da Noruega e da Alemanha, atacou verbalmente as comunidades indígenas (incentivando os ataques de fazendeiros e mineiros), ou ignorou os alertas sobre a «operação dia do fogo», engendrada por agricultores e «grileiros» e marcada para 10 de agosto.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Brasil | “Não são as Forças Armadas, estúpido”

 
 
Sete medidas certeiras que o Brasil poderia adotar para defender a Amazônia, se o governo não fizesse apenas teatro. E uma questão intrincada: como enfrentar, além de um presidente primitivo, o projeto que se esconde por trás dele?
 
Antonio Martins | Outras Palavras | Imagem: Cristopher R. W. Nevinson,  Returning to the Trenches (1914)
 
Mais uma vez, os militares teriam contido o delírio do governo Bolsonaro. Na quinta-feira, especula hoje o Valor, em texto bem apurado e verossímil, os ministros Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, interromperam o surto que levava o Palácio do Planalto a negar o forte aumento das queimadas na Amazônia. Uma reunião ministerial de emergência definiu que era preciso mudar o discurso, para salvar as aparências. Vinte e quatro horas depois, o ex-capitão reconhecia, em rede nacional de TV, que o problema é real. Contudo, anunciava resposta controversa: em vez de medidas estruturais em defesa da floresta, nova ampliação dos atributos das Forças Armadas, em operação aparatosa de “garantia da lei e da ordem” (GLO).
 
Apesar de precária ao extremo, a fala teve algum efeito midiático, por dois motivos. Os meios de comunicação tradicionais comportam-se, diante de Bolsonaro, como o grande poder econômico. Embora incomodem-se com o comportamento protofascista do presidente e possam, em certas circunstâncias, alfinetá-lo, não estão dispostos a corroer seu poder: veem nele o único personagem hoje capaz de realizar seu programa de contrarreformas. Segundo, e igualmente importante: o Estado e a sociedade brasileira têm, a seu dispor, um leque de políticas plenamente capaz de frear os incêndios, reduzir a devastação da Amazônia de modo drástico e alcançar, em algum tempo, o desmatamento zero. Contudo, elas contrariam não apenas a truculência e as patetadas do presidente mas, também, o desmanche dos serviços públicos, propugnado pelo projeto neoliberal hoje hegemônico. Por isso, quase não há debate sobre tais políticas na velha mídia. Resgatá-las é um primeiro passo para enxergar que há – também em relação à Amazônia e ao Ambiente – outro país possível. Eis algumas delas:
 
 
1. Recompor o Orçamento do Ministério do Meio Ambiente
 
 
A devastação da Amazônia não é nem inevitável, nem constante. Ela avança ou reflui em função das políticas de proteção à floresta. Entre 2004 e 2012, lembra o economista Ricardo Abramovay, o esforço brasileiro de combate às queimadas foi considerado, pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC-ONU) como a contribuição mais relevante, em todo o planeta, à luta contra o aquecimento global.
 
Foi o resultado de um leque de aprendizados e esforços, alguns dos quais estão descritos nos itens a seguir. Custou relativamente pouco. Em 2013, depois de crescer por quatro anos seguidos, o orçamento do ministério do Meio Ambiente (MMA) chegou ao máximo: R$ 5,05 bilhões – 30% menos do que lucrou, só no primeiro trimestre de 2019, o maior banco privado nacional.
 
Em seguida, porém, começa o desmonte. O MMA perde recursos no final do governo Dilma, permanece enfraquecido sob Temer e chega ao fundo do poço com Bolsonaro. A partir de recursos já minguados, o ministério da Economia aplica, em maio, um novo corte de R$ 187 milhões. A redução afeta todos os programas de defesa ambiental – e repercute especialmente no Ibama. A saída é simples e viável. Recompor os níveis de 2013 custaria o equivalente a apenas três dias de pagamento da dívida pública. Mas um dos objetivos centrais do pensamento neoliberal é preciso limitar ao máximo o gasto social do Estado. A Amazônia é vítima desta concepção – tanto quanto da estupidez do presidente.
 
 
2. Reverter o desmonte do Ibama
 
A redução à metade do orçamento atingiu fortemente todos os programas do MMA. Segundo dados do Sistema Integrado de Orçamento e Planejamento (SIOP), obtidos pelo PSOL, a Fiscalização Ambiental e Combate a Incêndios Florestais perdeu 38% dos recursos e a implementação da Política Nacional sobre Mudança de Clima, 95%.
 
Mas o dano não foi apenas financeiro. Aos cem dias do governo, um estudo do Greenpeace detalhou dezenas de medidas que, tomadas por atos rotineiros – simples “canetadas” do presidente, sem consulta alguma à sociedade ou ao Congresso – afetavam a proteção ao ambiente. São medidas provisórias, decretos, simples portarias. Extinguem órgãos fiscalizadores. Facilitam questionar e anular multas. Favorecem responsáveis por crimes socioambientais (a Vale, por exemplo). Desmontam ou descaracterizam conselhos. Relaxam medidas de controle (sobre os agrotóxicos, por exemplo). Desestruturam, em especial, os dois órgãos cruciais para aplicação das medidas protetivas à natureza: O Instituto Chico Mendes (ICMBio) e o Ibama.
 
Uma matéria de Ana Carolina Amaral, na Folha de S.Paulo detalha, em particular, os ataques a estes órgãos. De seus 27 superintendentes, 21 foram exonerados pelo ministro Ricardo Salles em fevereiro. Em abril, depois de ameaçar dirigentes do ICMBio, ele trocou toda sua direção por militares. Em maio, determinou que o Ibama anunciasse antecipadamente os locais onde fará suas fiscalizações, reduzindo-as a pantomimas.
 
Reverter qualquer uma destas dezenas de decisões teria efeitos muito mais concretos que a decretar a GLO. No momento estes atos simples estão bloqueados pela precariedade do debate nacional sobre o tema.
 
 
3. Criar condições para a volta do Fundo Amazônia
 
A retirada da Noruega e da Alemanha do Fundo Amazônia, há algumas semanas, foi tratada por Bolsonaro como uma desfeita. O presidente tentou, além disso, fazer crer que o fundo era uma tentativa de intervenção externa em assuntos brasileiros – e que havia algo positivo em seu esvaziamento. Esta narrativa agride os fatos.
 
O Fundo Amazônia foi uma criação do Brasil, anunciada em 2007, numa reunião em Bali (Indonésia) preparatória para a Conferência de Paris sobre o Clima. Num momento em que o país tinha protagonismo nas negociações climáticas internacionais, e em que seu esforço para reduzir as queimadas na Amazônia era reconhecido, funcionou como um apoio financeiro complementar aos investimentos de preservação já feitos pelo país. Já assegurou recursos de US$ 3,4 bilhões, direcionados a 103 projetos de  monitoramento, prevenção e combate ao desmatamento e administrados por órgãos federais, governos estaduais, universidades e sociedade civil.
 
Noruega e Alemanha retiraram-se do Fundo devido a seu completo desvirtuamento. Em maio, o ministro Ricardo Salles afirmou que uma das destinações dos recursos seria “compensar” financeiramente proprietários rurais que tivessem invadido áreas de preservação – e que cobrassem “indenizações”. À mesma época, o próprio Sales anunciou que interviria no Cofa – o Comitê Orientador no fundo. Hoje tripartite – governo federal, Estados e sociedade civil – o órgão seria inflado por indicações do governo Bolsonaro. Diante de sua total descaracterização, Noruega e Alemanha descomprometeram-se.
 
O Fundo Amazônia é uma pequena mostra do que deveriam ser os mecanismos globais de transferência de riqueza, para resolver questões que transcendem as esferas nacionais. Problemas contemporâneos como as pandemias, as crises financeiras e em especial as mudanças climáticas não podem ser resolvidos no âmbito de cada país. Num mundo desigual, é justo que haja redistribuição de riquezas para enfrentar tais desafios. Os recursos do Fundo são relativamente reduzidos, diante do próprio orçamento brasileiro. Mas podem ser cruciais, enquanto há, na sociedade, correlação de força para uma vasta reforma tributária que multiplique a ação do MMA. Ou mesmo para revogar a Emenda Constitucional 95, que congelou por vinte anos o gasto social.
 
 
4. Volta das multas e outras sanções aos desmatadores
 
Uma contradição flagrante marca a repressão ao desmatamento, em 2019. Houve aumento de 82% nas queimadas. Porém, a quantidade de multas aplicadas pelo Ibama é a mais baixa, desde 1995. Além disso, surgiram sinais de que, estimulados pela certeza de cobertura governamental, fazendeiros agiram em quadrilha para executar atividades criminosas, como o chamado “dia do fogo.
 
A redução das sanções, que cria sensação de impunidade e estimula as queimadas, não é casual. Desde o início do governo, tanto o presidente da República quanto Ricardo Salles fizeram, em seguidas declarações, alusão a uma suposta “indústria de multas”, que precisaria ser freada. Pior: o presidente ordenou que deixassem de ser cumpridas disposições como o artigo 111, do decreto 6514, de 2008, que prevê a destruição de todas as máquinas e equipamentos usados em atividades ilegais contra o meio ambiente. E, em ato simbólico de enorme significado, o Ibama exonerou o servidor que multou, em 2002, o então deputado Jair Bolsonaro, por pesca proibida.
 
Multar os devastadores é instrumentos essencial para preservar a floresta. Avanços tecnológicos recentes permitem tonar ainda mais eficaz esta política. Graças ao Cadastro Ambiental Rural, criado em 2012, e a um monitoramento por satélites muito mais detalhado, já é possível identificar as propriedades rurais em que se fazem as queimadas e multá-las “da mesma forma que os radares multam motoristas infratores”, afirma o engenheiro florestal Tasso Azevedo, criador do projeto MapBiomas.
 
Que crédito merece um presidente que fala em “mobilizar as Forças Armadas” depois de desmoralizar este dispositivo preventivo poderosíssimo?
 
5. Restaurar a autoridade do INPE sobre o monitoramento de queimadas
 
Uma série de três reportagens do jornalista Raimundo Pereira expõe, em detalhes (1 2 3), o bizarro ataque do governo Bolsonaro ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e ao Sistema Deter, que monitora há anos as queimadas na Amazônia. O fato mais notório é a demissão do cientista Ricardo Galvão, que presidia o instituto até julho.
 
O que incomodou o presidente foi a revelação de que, a partir de junho, os incêndios na floresta haviam assumido proporção inédita, devido à série de fatos reportada acima. Bolsonaro pediu que as informações sobre desmatamento (que são públicas) fossem levadas a sua consideração, antes de divulgadas. Depois, quando ficou claro o ridículo da proposta, questionou a precisão do monitoramento do INPE, exonerou Galvão e tomou as primeiras providências para que o órgão público seja substituído por uma empresa privada. Em matéria em O Eco, a jornalista Cristiana Prizibisczki demonstra que o edital para contratá-la é dirigido para levar à escolha da empresa norte-americana Planet.
 
Em entrevista à jornalista Petria Chaves, neste domingo, o economista Ricardo Abramovay explica: a eventual mudança desperdiçaria um esforço brasileiro singular. Ao longo do tempo, o INPE desenvolveu técnicas para converter os dados brutos e incompreensíveis oferecidos pelos satélites em informações cada vez mais precisas sobre as queimadas, seu volume, sua localização precisa. Como visto no item acima, este conhecimento é uma ferramenta poderosa para dissuadir os incêndios, ameaçando de punição quem os pratica.
 
6. Revogar a MP da Liberdade Econômica
 
Conhecida como “Medida Provisória da Liberdade Econômica”, a MP 881/2009 foi vista pela mídia como “modernizadora” e “desburocratizante”. Seu sentido é outro. Em seus princípios, ela tenta restringir a regulação da Economia pelo Estado e sociedade. Em suas medidas concretas, elimina uma série de direitos sociais e ambientais. O fim do descanso dos trabalhadores aos domingos, que o Senado evitou ao final, é apenas um deles.
 
No capítulo ambiental, a MP prevê (artigo 3º), a dispensa de qualquer tipo de licença ambiental para “atividades econômicas de baixo risco” – deixando para o Executivo a tarefa de definir o que são. Também estabelece que certas autorizações ambientais sejam concedidas por decurso de prazo — ou seja, se o órgão responsável não cumprir o prazo estipulado a licença será concedida automaticamente. Num cenário de desmonte dos serviços públicos, é fácil prever as consequências. “Aos governos que não interessar uma boa gestão ambiental, bastará sucatear os órgãos para acelerar as autorizações”, lembra Adriana Ramos, especialista em políticas públicas do Instituto Socioambiental (ISA).
 
A MP 881, que tramitou sem nenhum debate público, é um novo favor às grandes corporações e um ataque direto aos direitos sociais e ambientais. Uma nova política em favor da Amazônia e das maiorias incluirá sua revogação.
 
 
7. Defender os recursos necessários para a dignidade das Forças Armadas
 
Suprema ironia: o governo que pensa ser possível controlar os incêndios na Amazônia com emprego das Forças Armadas é o mesmo que está dizimando a capacidade de mobilização do Exército, Marinha e Aeronáutica. A notícia foi dada em 17 de agosto, quando a política de “ajuste fiscal” imposta pelo ministro Paulo Guedes derrubou a previsão do PIB e deflagrou mais cortes no Orçamento. Estima-se agora que 25 mil, dos 80 mil recrutas hoje mobilizados em todo o país, voltarão para casa em outubro; que haverá expediente reduzido para os que permanecerem; e que estes poderão ser dispensados à hora do almoço, já que não haverá recursos sequer para pagar suas refeições.
 
A defesa da Amazônia exige medidas preventivas, que foram negligenciadas sistematicamente pelo governo Bolsonaro e cuja responsabilidade não é das Forças Armadas. Secundariamente, porém – e como paliativo, para combater incêndios já deflagrados –, seu esforço é relevante e muito bem-vindo. Afastar os militares da Segurança Pública, para a qual não estão preparados; identificar ações estratégicas que podem desempenhar em tempos de paz (da proteção às áreas indígenas e aos biomas brasileiros à construção de obras de infraestrutura) é decisivo tanto para preservar a democracia quanto para pensar um novo projeto de país.
 
Por isso vale defender, com ênfase, os recursos necessários para a ação das Forças Armadas; e livrá-las da humilhação a que são submetidas pelos cortes decretados por Paulo Guedes e sancionados por seu chefe.
 
Por isso, qualquer política futura voltada a preservar a Amazônia precisa incluir uma medida simples: a restauração da autoridade do INPE sobre as queimadas; a preservação de suas conquistas tecnológicas e, como gesto simbólico de grande relevância, a recondução de Ricardo Galvão a seu posto.
 
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Brasil rejeita dinheiro do G7 para a Amazónia

 
 
"Usem-no para reflorestar a Europa"
 
O anúncio da rejeição da ajuda financeira do G7 foi feito pelo ministro brasileiro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano,
 
O ministro brasileiro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou esta segunda-feira que o Governo rejeitará a ajuda de 20 milhões de dólares (17,95 milhões de euros) oferecida pelo G7 para combater os incêndios na Amazónia.
 
A informação foi obtida pelo portal de notícias G1 , tendo sido confirmada pela assessoria do Palácio do Planalto, sede do Governo brasileiro.
 
"Agradecemos, mas talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa. Macron (Presidente francês) não consegue sequer evitar um previsível incêndio numa igreja que é património da humanidade (incêndio na Catedral de Notre-Dame) e quer ensinar o quê para nosso país? Ele tem muito o que cuidar em casa e nas colónias francesas", disse Onyx ao G1.
 
 
O chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, anunciou na segunda-feira que o G7 fornecerá uma ajuda imediata de 20 milhões de dólares (17,95 milhões de euros) para combater o incêndio na maior floresta tropical do mundo.
 
Na cimeira do G7, dos países mais industrializados do mundo, participaram durante o fim de semana os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.
 
Porém, Onyx Lorenzoni acredita que Macron poderá ter "objetivos colonialistas" na ajuda atribuída pelo G7.
 
"O Brasil é uma nação democrática, livre e nunca teve práticas colonialistas e imperialistas como talvez seja o objetivo do francês Macron", acrescentou o ministro da Casa Civil.
 
As declarações de Onyz assemelham-se às do chefe de Estado do Brasil, Jair Bolsonaro, que quando confrontado com a oferta de ajuda do G7 mostrou ter dúvidas acerca da intenções desses países.
 
"Será que alguém ajuda alguém, a menos que seja pobre, sem retorno? Isto é, sem esperar por algo em troca", questionou Bolsonaro, junto à entrada do Palácio da Alvorada, sua residência oficial.
 
O chefe de Estado do Brasil mostrou a capa do jornal brasileiro "O Globo", cuja manchete principal dizia: "Macron promete ajuda dos países ricos para a Amazónia".
 
Com o jornal nas mãos, Jair Bolsonaro insistiu e perguntou: "O que eles querem na Amazónia por tanto tempo?".
 
Sem mencionar qualquer país em particular, o Presidente brasileiro disse que, no final da semana passada, falou com "líderes excecionais" sobre a grave situação gerada pelos incêndios na Amazónia, que na sua opinião realmente desejam colaborar com o Brasil na luta contra as chamas.
 
Posição diferente teve na segunda-feira o ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, que afirmou que a ajuda anunciada pelo G7 aos países atingidos pelos incêndios da Amazónia é "sempre bem-vinda".
 
"Acho uma excelente medida, é muito bem-vinda", disse Salles, citado pelo portal de notícias G1.
 
O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.
 
A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.
 
Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).
 
TSF | Lusa
 
Na imagem: O Presidente Jair Bolsonaro diz não querer conversar com os líderes mundiais que querem "continuar vigiando o Brasil" © Adriano Machado/Reuters
 
 
 
 
 

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Como os latifundiários formaram grupo no WhatsApp para queimar a mata

Fazendeiros bolsonaristas formam grupo no WhatsApp para coordenar o “dia do fogo” no Sul do Pará.

 

 

A ideia absurda de parte da elite latifundiária, de estar à margem e acima da lei, resultou no enorme desastre ambiental a que os brasileiros e o mundo assistem estarrecidos – o grande aumento nas queimadas na Amazônia. Eles se sentem representados e autorizados pelo presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro, que, ao falar absurdos e impropriedades sobre o meio ambiente, sinaliza, desde o alto, do mais importante cargo da República, o de presidente, o descumprimento da lei, abrindo a porteira para incendiários – e simultaneamente jogando a culpa, sem provas, sobre ONGs e ambientalistas.

Essa realidade sórdida foi demonstrada num artigo da revista Globo Rural, publicado no domingo (25), sob o título de “Grupo usou WhatsApp para convocar ‘dia do fogo’ no Pará”. Conforme o artigo, um grupo com 70 participantes foi formado nessa rede social e marcou a data (10 de agosto) para as queimadas no sul do Pará – e deu a ela o nome de “dia do fogo”.

Houve um enorme crescimento no número de focos de incêndio na região, em torno da rodovia BR-163, nos municípios de Altamira e Novo Progresso. Nesta última cidade, o aumento do número de focos de incêndio na mata foi de 300% no dia 10, um sábado, em relação ao dia anterior. Foram registrados 124 focos. No domingo, foram ainda mais, diz a reportagem: 203 casos. Em Altamira, o aumento foi ainda maior: 743% a mais de um dia para o outro; no domingo havia lá 237 focos de incêndio.

Segundo a reportagem, o grupo de incendiários do WhatsApp é formado por “sindicalistas [a reportagem não esclarece, mas certamente são de sindicatos patronais…], produtores rurais, comerciantes e grileiros”. Eles tinham o objetivo de “mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que apoiam suas ideias de ‘afrouxar’ a fiscalização do Ibama e quem sabe conseguir o perdão das multas pelas infrações cometidas ao Meio Ambiente.”

Segundo o jornal Folha do Progresso, aqueles fazendeiros incendiários pretendiam mostrar a Bolsonaro que querem “trabalhar e o único jeito é derrubando. E para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo”, disse um dos organizadores do “queimadaço”. Almejam também o perdão de multas, pretensão que certamente está por trás da declaração de uma daquelas latifundiárias, que recentemente foi multada justamente por queimar ilegalmente a mata, e que – ouvida pela reportagem – alegou, sem provar, que agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio – um órgão do governo subordinado ao Ministério do Meio Ambiente) teriam ateado fogo na mata, reforçando assim o argumento descabido e não provado de Bolsonaro (que seu filho Flávio repercutiu nas redes sociais) de envolvimento de ONGs nas queimadas.

A acusadora dessa falsidade é pecuarista identificada como Nair Brizola (de Cachoeira da Serra, um distrito de Altamira) que, também sem apresentar qualquer provas, disse que um carro do ICMBio teria sido usado por incendiários. E acenou para o presidente da República: “O presidente Bolsonaro tá certo quando diz que essas ONGs estão botando fogo,” disse. Ela própria, entretanto, recentemente recebeu multa de R$ 1 milhão, acusada de “destruir 70,93 hectares de floresta do bioma amazônico mediante uso do fogo”, na Reserva Biológica da Serra do Cachimbo, no Pará.

Marcos Aurélio Venancio, diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, citado em texto da jornalista Daniele Bragança, no portal ((o)) Eco, desmentiu as acusações da pecuarista. E garantiu que o ICMBio vai investigar se pessoas ligadas ao órgão incentivaram a prática ilegal. “Repudiamos qualquer agressão ao meio ambiente e vamos ser rígidos na apuração desses fatos”, disse.

O “dia do fogo” foi revelado no dia 5 de agosto pelo jornal Folha do Progresso – quase uma semana antes do aumento das chamas na região. Dizia que os produtores se sentem “amparados pelas palavras do presidente” Bolsonaro e coordenaram para o mesmo dia a queima de pasto e áreas em desmatamento. Um dos líderes da articulação incendiária, ouvido pelo jornal – sob condição de anonimato – disse que o objetivo é mostrar ao presidente que querem trabalhar, um argumento absurdo para infringir a lei.

O Ministério Público Federal no Pará, que investiga o “dia do fogo”, questionou o Ibama, em Itaituba (Pa) antes da data prevista para o “queimadaço”, sobre a necessidade de fiscalização preventiva. A resposta do Ibama foi uma reafirmação da escassez de recursos para isso, confirmando na prática o abandono imposto pelo governo federal a essa atividade de proteção ambiental. O Ibama informou ao MPF que as atividades de fiscalização estavam prejudicadas pela falta de recursos e de apoio da Polícia Militar. O Ibama só pode enviar uma viatura para “fortalecer a brigada do Prevfogo em Itaituba”!

Tamanho descalabro está registrado no documento inicial da investigação, de autoria do procurador Paulo de Tarso. Pode-se, diz aquela autoridade, “constatar, diante de tal cenário, grave negligência do Estado na proteção da floresta amazônica, o que abre larga margem para ações desenfreadas por infratores contra o meio ambiente. Tem-se, ainda, notícia de que os focos de incêndio ocorreram, inclusive, no interior de áreas públicas federais, como Unidade de Conservação Flona do Jamanxim, recategorizada por lei que reduziu drasticamente sua área, e, Reserva Biológica Nascentes Serra do Cachimbo, a qual já sofre intensa pressão por grileiros, fazendeiros e mineradores, sendo de extrema relevância a investigação dos possíveis crimes ambientais perpetrados em seus interiores durante a ocorrência das queimadas noticiadas”.

É um depoimento eloquente sobre o descaso ambiental do governo da extrema-direita, que abre a porteira para os crimes cometidos por latifundiários incendiários. Para o MPF, “o enfrentamento do desmatamento ilegal é uma política de Estado, não de governos específicos”, previsto em compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo Brasil e impostos pela Constituição de 1977 e pela Política Nacional de Meio Ambiente – compromissos jogados na lata do lixo pelo governo da extrema-direita.

“Em suma, o enfrentamento do desmatamento e das queimadas não é faculdade do Poder Público. É dever!”, diz o documento inicial da apuração daquela verdadeira conspiração do fogo.

O atrevimento desses latifundiários incendiários bolsonaristas, de extrema-direita, se traduz na recusa da responsabilidade social que o uso da propriedade privada implica e a Constituição brasileira obriga. É propriedade deles – e acabou… o Estado e as leis devem, em sua opinião, deixá-los livres para agir – seja contra o meio ambiente, seja contra os direitos dos trabalhadores, seja contra a imagem do Brasil no mundo. São irresponsáveis que, a título de defesa do direito de propriedade, tocam fogo na própria casa.


Texto em português do Brasil


 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/como-os-latifundiarios-formaram-grupo-no-whatsapp-para-queimar-a-mata-dia-do-fogo/

Evo Morales decide inspecionar pessoalmente incêndios na Amazônia

Evo Morales, presidente da Bolívia, em Moscou
© Sputnik / Sergei Guneev

O presidente da Bolívia, Evo Morales, decidiu inspecionar pessoalmente incêndios que vêm devastando a região amazônica boliviana há semanas, segundo um correspondente da Sputnik.

Ao lado de um grupo de jornalistas de diversos veículos de imprensa, o correspondente da Sputnik esteve a bordo de um helicóptero junto com o presidente boliviano, que sobrevoou os incêndios.

A aeronave foi até a região de Chiquitania, onde os bombeiros estão combatendo os incêndios florestais do lado boliviano da Amazônia.

Os incêndios florestais na região amazônica estão ocorrendo há cerca de três semanas. Brasil e Bolívia estão envolvidos no combate aos incêndios, enquanto os países vizinhos ofereceram assistência a eles.

De acordo com dados de satélite fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, este ano, a área de incêndios florestais na região aumentou em 82% em comparação com 2018.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019082814441208-evo-morales-decide-inspecionar-pessoalmente-incendios-na-amazonia/

Chuva de plástico

É tempo de tomar em mãos o movimento ecológico, purga-lo das tendências obscurantistas e milenaristas e sobretudo dos inúmeros demagogos que querem prosperar à sua custa. Depois da chuva de plástico, o que nos espera?

 

 

Há cerca de três décadas, o meu caro amigo José Mateus Cavaco Silva – episodicamente editor de um destacável do Expresso – convidou-me a escrever sobre os desafios enfrentados por Portugal no ano 2000, tendo eu na altura escrito que o melhor critério de desempenho do país seria o de ver a quantidade de plásticos e hidrocarbonetos que iriam continuar a juncar as praias do país.

E se é verdade que as marés de nafta e o número de detritos plásticos vindos da navegação costeira poderão ter diminuído, a situação continua longe de ser boa nas praias portuguesas, e muito pior ainda um pouco por todo o lado no mundo como podemos hoje constatar peles redes sociais.

A mim impressionou-me especialmente o Vale do Bekaa e o deserto iraquiano que conheci anos mais tarde, antes de finalmente a humanidade parecer ter acordado, com imagens horríveis de animais mortos cheios de plástico.

Leio agora que nos pontos do planeta que julgávamos mais imunes à poluição industrial, como as Montanhas Rochosas, os Alpes, ou o Ártico, chove plástico. E na verdade, se quando não o metemos borda fora ou o enterramos em lixeiras, queimamos o plástico, o que haveria a esperar?

Do local onde escrevo esta crónica – perto de Hudiksvall, a meio da costa sueca do Báltico – os plásticos e o papel dos resíduos domésticos nem sequer são triados, e isto num país que pretende dar lições de gestão ambiental ao mundo.

A invasão de plástico é um entre muitas outros dos problemas ambientais com que nos confrontamos e que se eternizam e aprofundam por não termos por parte das nossas elites intenção de os resolver.

Temos por um lado a ecologia conservadora que considera que a solução é andar para trás. Pregar a redução do número de seres humanos e a privação universal é meio caminho andado para levar uma parte substancial ou mesmo maioritária da população a reagir contra o ideário tido por ambiental.

Amostras de água da chuva recolhidas no Colorado e analisadas sob um microscópio, continham um arco-íris de fibras plásticas. (USGS)

Em casos extremos, o movimento torna-se mesmo numa versão contemporânea das seitas milenaristas que vêm no progresso industrial o pecado cuja expiação exige sacrifício.

Depois, temos todos os demagogos que se apresentam como heróis da ecologia para se aproveitar do movimento para os seus fins particulares que pouco ou nada têm a ver com o ambiente, e que frequentemente são contrários ao ambiente.

O mais importante desses passos demagógicos foi o de separar o ‘clima’ (e com isto quer-se dizer o que se pensa ser o impacto indirecto da acção humana na transformação climatérica) do resto da agenda ambiental e social no âmbito da qual ela se situou até à histórica conferência do Rio.

Foi assim possível pensar que seria boa ideia aumentar a probabilidade da maior ameaça ambiental à sobrevivência da humanidade – uma hecatombe nuclear – promovendo a energia nuclear como a solução para o ‘clima’. Depois disso passou-se às mais extravagantes ideias como as de enterrar gases carbónicos em minas ou no fundo do mar e as mais diversas soluções de engenharia climática.

Se calcular a dispersão do plástico na natureza e tomar as medidas necessárias para a evitar é algo relativamente óbvio e simples, o mesmo não acontece com a relação entre as mais diversas actividades humanas a o seu potencial impacto climático, matéria sujeita a mecanismos complexos que não são de forma alguma plenamente conhecidos.

Apesar de o aumento de dióxido de carbono na atmosfera ter sido apontado logo nas primeiras estimativas como sendo potencialmente responsável por metade do efeito de estufa, as Nações Unidas, com o protocolo de Quioto, largamente inspirado em Al Gore, criou um sistema absolutamente aberrante que passou pela redução de todos os gases com efeitos de estufa a equivalentes dióxido de carbono, estimar a produção de todos eles universalmente, atribuir direitos históricos de poluição e criar uma bolsa para transacionar esses direitos.

A ideia peregrina resultou num imenso gasto burocrático a fazer contas impossíveis, um subsídio a muitas indústrias altamente poluidoras e a um Casino de direitos de carbono que nunca teve qualquer efeito útil, que não fosse golpes pouco claros.

Tivemos depois a brilhante ideia de vender a exploração de gás de xisto – fala-se menos no petróleo de xisto, mas normalmente ambos andam associados – com o peregrino argumento de que por unidade de energia fornecida esse gás produzia muito menos dióxido de carbono.

O ex-Presidente Barack Obama tem reclamado a justo título o facto de ter conseguido compatibilizar os acordos de Paris com o aumento exponencial da produção de gás e petróleo. Só não foi claro quanto ao facto de o ter feito à custa da mais pura hipocrisia, que fez esconder os níveis de emissão atmosférica de metano. Contas feitas o ano passado, levam à conclusão de que não há vantagens na utilização do gás de xisto em relação ao carvão, em termos de emissões de gases com efeito de estufa.

Mas quem olhar para as redes sociais vai ver Barack Obama transformado em herói da ‘luta pelo clima’ e não um dos vários protagonistas internacionais responsáveis por utilizar demagogicamente a retórica do clima para agravar os problemas ambientais do planeta (incluindo as de gases com efeito de estufa muito mais danosos que o dióxido de carbono, como o metano) sem dar nenhum dos passos necessários na agenda ambiental.

Passados trinta anos, creio que nos encontramos mais longe de enfrentar os desafios ambientais que temos pela frente.

É tempo de tomar em mãos o movimento ecológico, purga-lo das tendências obscurantistas e milenaristas e sobretudo dos inúmeros demagogos que querem prosperar à sua custa.

Depois da chuva de plástico, o que nos espera?


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/chuva-de-plastico/

O incendiário e o patriarca

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 24/08/2019)

Foi Erasmo de Roterdão quem no seu Elogio da Loucura (1509) cunhou a melhor definição política de povo, chamando-lhe “esse enorme e poderoso animal”. Ao contrário do que pretendem os sedutores, os demagogos ou os leitores precipitados de Rousseau, o povo também se engana. O “poderoso animal” às vezes equivoca-se na escolha dos seus líderes. No Novo Mundo, em pouco tempo, foram cometidos dois erros políticos pelos povos dos EUA e do Brasil. Erros que, dada a dimensão dessas duas federações, têm repercussão global. O poder que foi transferido para Trump e Bolsonaro pelos respetivos povos parece ter aumentado o atrevimento da sua ignorância. Nenhum deles sofreu a metamorfose que ocorre nos raros políticos que se transformam em estadistas.

Os incêndios imensos que lavram no Brasil (numa área maior do que a União Europeia), queimando imensidões de floresta tropical e de cerrado, revelam que o programa de Bolsonaro consiste em destruir tudo o que foi sendo construído para organizar a Amazónia legal, desde os tempos de Getúlio Vargas. O aumento exponencial dos incêndios reflete no terreno a consequência das suas palavras de ódio contra todos aqueles que querem preservar a floresta e respeitar os povos indígenas. Bolsonaro e os seus cúmplices, como o “ministro do Ambiente” Ricardo Salles, estão a instigar todos aqueles que se querem apoderar, mesmo ilegalmente, do território da Amazónia para fazer pastagens, garimpo ilegal e corte predatório de madeira. A partir de Brasília, atacam-se as agências federais que têm ajudado a manter a lei e a ordem: o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais); o IBAMA (principal agência ambiental); a FUNAI (a fundação destinada a proteger as populações indígenas). Sem vergonha, Brasília insulta a Alemanha e a Noruega que desde 2008 têm feito grandes doações para o Fundo Amazónia e diaboliza as ONG como se fossem malfeitores.

Tudo isto parece ainda mais trágico, quando o principal homem de ação e intelecto, que inspirou D. Pedro I nos primeiros anos de soberania do Brasil. foi o genial José Bonifácio (1763-1838), que os brasileiros reconhecem como o Patriarca da Independência. Bonifácio foi um dos maiores naturalistas da época e pioneiro mundial da ecologia, tendo criado, tanto em Portugal como no Brasil, visionária legislação para a proteção das florestas. Em 1823, numa intervenção contra a escravatura, apresentada na Assembleia Geral Constituinte do Império, Bonifácio, proferiu este extraordinário alerta: ” (…) nossos montes e encostas vão-se escalvando diariamente. E com o andar do tempo faltarão as chuvas fecundantes, que favoreçam a vegetação e alimentem nossas fontes e rios, sem o que o nosso belo Brasil em menos de dois séculos ficará reduzido aos páramos e desertos áridos da Líbia. Virá então esse dia (dia terrível e fatal), em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos.”

O povo brasileiro terá de escolher entre honrar o patriarca que sonhou o Brasil ou vergar-se ao incendiário que o está a mergulhar num pesadelo.

 

 

Professor universitário

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Proteção da Amazônia é vital para conter aquecimento global, afirma MRE norueguês

Imagem de queimada na Amazônia, na cidade de Novo Progresso, Pará
© REUTERS / Nacho Doce

O Ministério das Relações Exteriores da Noruega ressaltou que a proteção da Floresta Amazônica é vital para conter o aquecimento global e preservar a biodiversidade.

Em um tweet, o Ministério das Relações Exteriores norueguês escreveu que a "Noruega continua se empenhando para limitar o desflorestamento na região [da Amazônia]", ressaltando que "a proteção da Floresta [Amazônica] é uma responsabilidade global compartilhada".

​Os incêndios na Amazônia são motivos de grande preocupação. Proteger a floresta tropical é vital para limitar o aquecimento global e garantir a biodiversidade. A Noruega continua se empenhando para limitar o desflorestamento na região. Proteger a floresta tropical é uma responsabilidade global. 

Desde 2008, a Noruega contribuiu com US$ 1,2 bilhão no Fundo Amazônia, criado para prevenção, monitoramento e luta contra o desmatamento na Amazônia.

Entretanto, no dia 16 de agosto, Oslo anunciou que não contribuiria mais anualmente, alegando que "não há base legal e técnica" para financiar o Fundo Amazônia, visto que o governo Bolsonaro decretou a dissolução do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA) e do Comitê Técnico do Fundo Amazônia (CTFA).

De acordo com especialistas do Instituto Nacional de Investigações Espaciais do Brasil (INPE), mais de 75 mil focos de incêndios foram detectados na Amazônia em 2019, um índice 85% maior do que em 2018.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082614434037-protecao-da-amazonia-e-vital-para-conter-aquecimento-global-afirma-mre-noruegues/

AS AGRESSÕES À AMAZÓNIA

 
 
As agressões à Amazónia intensificaram-se de forma bárbara no governo do sr. Bolsonaro, mas não tiveram início com ele.  No tempo da ditadura militar-empresarial, o governo do general Garrastazu Medici (1969-1974) promoveu o projecto absurdo da construção da rodovia transamazonica, com mais de5000 km. 
 
Por sua vez, no governo da sra. Dilma Rousseff a ministra escolhida para a Agricultura foi uma latifundiária interessada em continuar a expansão do agro-negócio, ou seja, continuar a estender as fronteiras agrícolas através da desflorestação. 
 
Foi também no governo desta sra. Rousseff (dito "progressista") que tiveram início projectos de construção de hidroeléctricas na Amazónia – com as consequentes desflorestações e violações das reservas dos povos ancestrais que ali viviam, os índios.
A indignação com a tragédia que agora se verifica não deveria fazer esquecer o passado recente. O culpado por este crime ambiental é, em última análise, o capitalismo.  

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

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Governo brasileiro minimiza dimensão dos incêndios na Amazónia

 
 
O Governo brasileiro minimizou hoje as dimensões dos incêndios que lavram na Amazónia, declarando que os fogos "não estão fora de controlo" e que a maioria se encontra no "nível mais baixo" de emergência.
 
Num comunicado enviado à agência Lusa, intitulado "nove factos sobre os incêndios na Amazónia", o executivo brasileiro defende que todos os anos ocorrem incêndios florestais no Brasil, e que o país está, precisamente, a atravessar "o período crítico de ocorrência de queimadas"
 
O governo brasileiro refere ainda que os recursos financeiros disponibilizados para o controlo de fogos permanecem em níveis similares ao passado recente, e que 2.409 "brigadistas de incêndio" do Governo Federal estão à disposição dos executivos estaduais para atuar no local, frisando que se trata de um "contingente acima da média de anos anteriores".
 
"O Governo Federal está a atuar, por meio do Ibama(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), assim como em conjunto com os estados, para conter os focos de incêndios", refere o comunicado.
 
O executivo, liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro, insistiu que o país é uma "referência mundial" no combate terrestre aos fogos florestais, e que coordena a Rede Sul-Americana de Incêndios Florestais, providenciando treino e assistência a outros países.
 
A informação deste comunicado colide com outros dados também divulgados.
 
 
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (Inpe) informou que o número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.
 
Foram várias as figuras internacionais que se mostraram preocupadas com a situação da Amazónia, como é o caso dos chefes de Estado da França e Alemanha, assim como o primeiro-ministro do Canadá.
 
"A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta Amazónia, o pulmão que produz 20% do oxigénio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros da cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem em dois dias", pediu o chefe de Estado francês.
 
A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa áreado planeta.
 
Com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, a Amazónia inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 

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Macron diz que Bolsonaro mentiu e opõe-se a acordo com Mercosul

 
 
Em meio à crise das queimadas na Amazónia, governo francês acusa presidente brasileiro de desrespeitar compromissos firmados na cúpula do G20. Proteção do meio ambiente foi condição para acordo comercial com a UE.
 
Diante da crise gerada pelas queimadas na Amazónia, o governo do presidente francês, Emannuel Macron, disse nesta sexta-feira (23/08) que Jair Bolsonaro mentiu ao assumir compromissos em defesa do meio ambiente durante a cúpula do G20 no Japão, algo que, segundo a França, deve inviabilizar a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
 
"Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República [francesa] só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula [do G20] em Osaka", declarou o Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em nota.
 
"Nessas circunstâncias, a França se opõe ao acordo com o Mercosul", conclui o comunicado, lembrando que o Parlamento da França ainda precisa ratificar o acordo comercial.
 
 
Na quinta-feira, Macron já havia sugerido que as queimadas e o desmatamento da Amazónia brasileira deveriam ser tema de reuniões na cúpula do G7, que ocorre a partir desta sexta-feira em Biarritz, no sudoeste da França. A proposta foi apoiada pela chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel.
 
O governo da Irlanda também adotou uma posição similar à francesa, afirmando que não deve ratificar o acordo por causa da falta de comprometimento dos brasileiros "em honrar seus compromissos ambientais".
 
Nas últimas semanas, a França e outros países europeus vêm criticando a política ambiental do governo brasileiro. Desde que tomou posse, Bolsonaro e membros do seu governo vêm defendendo a exploração de minerais em terras indígenas, contestando dados científicos sobre aumento do desmatamento, propondo a legalização de garimpos, esvaziando órgãos de proteção ambiental e promovendo mudanças unilaterais no Fundo Amazónia, que conta com financiamento europeu.
 
Bolsonaro também já ameaçou em algumas ocasiões deixar o Acordo de Paris sobre o clima e, mais recentemente, reagiu com desprezo quando a Alemanha e a Noruega suspenderam repasses para programas ambientais diante da nova guinada na política ambiental brasileira.
 
No final de julho, Bolsonaro ainda menosprezou uma visita do ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian. Na ocasião, o presidente cancelou de última hora o encontro com o ministro que estava agendado em Brasília e, pouco depois, apareceu ao vivo na internet cortando o cabelo. O gesto teatral repercutiu mal na imprensa francesa.
 
A queda de braço com os franceses ocorre em meio a dúvidas sobre o futuro do acordo entre a UE e o Mercosul, fechado em junho após 20 anos de negociações. À época, o governo Bolsonaro celebrou o desfecho como um trunfo da política externa, mas não parou de antagonizar com vários países da UE, cujos parlamentos ainda precisam ratificar o acordo.
 
Na França, o presidente Macron já havia colocado um reforço da proteção ambiental no Brasil como condição para implementação do acordo de livre-comércio. Após um início tenso na cúpula do G20, em junho, o líder francês disse que o acordo foi finalmente fechado porque Bolsonaro havia oferecido garantias de preservação do meio ambiente brasileiro.
 
"A verdadeira mudança na fase final de negociação foi a afirmação clara pela qual o Brasil se comprometeu com o Acordo de Paris e na luta pela biodiversidade", disse Macron na ocasião, em Osaka, no Japão.
 
Deutsche Welle
 
 
 

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Lavar as mãos da Amazónia

 
Quando se fala no Fundo da Amazónia, patrocinado por países ricos, convém esclarecer quem contribui para esse fundo, no caso, Noruega e Alemanha, juntamente com a Petrobras. No caso da Noruega, ainda em 2018 uma empresa mineira cujo maior acionista é, espante-se, o governo da Noruega, esteve envolvida num caso de contaminação ambiental, que tentou esconder.
Os países ricos do Hemisfério Norte a decidirem o que é melhor para a Amazónia. Sem ter em conta, obviamente, o que são os interesses dos indígenas e dos trabalhadores. Já nem coloco aqui a evidente questão da soberania e o direito dos povos à auto-determinação.
Sobre os incêndios dramáticos da Amazónia, convém olharmos para dentro. É da Amazónia que vem alguma da carne que comemos, da madeira, do cobre, ferro, diamantes, chumbo, estanho e de outros minérios que consumimos. É de lá que saem petróleo e gás natural, bananas, borracha, laranjas, cacau, guaraná, óleos de coco, açaí.
Assim, a Amazónia é, ao mesmo tempo, um pulmão do mundo e um pulmão económico do Brasil que é explorado pelos países desenvolvidos.
Reduzir a importância económica da Amazónia na economia brasileira impõe uma mudança nos hábitos de consumo do mundo desenvolvido.
Por outro lado, seria necessário que o Brasil encontrasse formas de compensar as perdas gigantescas para o povo brasileiro que vive da exploração da Amazónia, empregados por grandes empresas de países ricos ou suas subsididiárias, o que é praticamente impossível no sistema económico vigente.
Neste momento, o desmatamento da Amazónia está ao nível dos anos 90 de Fernando Henrique Cardoso, demonstrando que o país recuou mais de 20 anos nesta questão.

Como se vê pelo Fundo da Amazónia, não é o assistencialismo que vai resolver o drama dos povos indígenas da Amazónia e do povo brasileiro que vive da exploração florestal. É a mudança do sistema económico vigente, que nos faz esquecer que também há Amazónia quando não arde e é de lá que vem muito do que usamos todos os dias e nem pensamos nisso.

O norte rico quer manter o seu quintal a sul, sem pensar em quem lá vive. Simultaneamente, a ONU continua inerte, tirando o já célebre "Guterres preocupado", desta vez com situação na Amazónia".

 
O problema da Amazónia e do Mundo é político e económico. E chama-se capitalismo.

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http://manifesto74.blogspot.com/2019/08/lavar-as-maos-da-amazonia.html

Bolsonaro jogou gasolina na floresta

“Em meio à balbúrdia, Bolsonaro e seu séquito se vestem de “nacionalistas”, brandindo um visto temporário para o mundo do anticolonialismo com o intuito de enganar incautos e fugir da essência do problema”.

 

 

Existem, basicamente, dois fatores para se explicar a extensão das queimadas nas florestas brasileiras. Um é a sazonalidade, o ciclo da seca que nesta época do ano castiga a região. Outro é a atitude do presidente Jair Bolsonaro de tocar fogo nos instrumentos de preservação do meio ambiente, como a demissão intempestiva do presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, e sua birra com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No primeiro caso, além de lançar epítetos contra os críticos de suas atitudes sobre o meio ambiente, como foi o caso das organizações não governamentais (ONGs) que estariam promovendo um holocausto ambiental na Amazônia para “chamar atenção” contra o governo brasileiro, Bolsonaro alegou falta de recursos para combater o fogo. Finalmente, ele anunciou a inócua “tendência” de acionar tropas do Exército, o que ocorreria por meio de uma operação de Garantia de Lei e da Ordem (GLO), semelhante ao que foi feito por Michel Temer para tentar combater a violência no Rio de Janeiro.

No segundo caso, Bolsonaro faz ataques ao Ibama desde a campanha eleitoral. Segundo ele, a instituição conduz uma suposta “indústria da multa” e chegou ao detalhe reles de exonerar José Augusto Morelli do cargo de Chefe do Centro de Operações Aéreas da Diretoria de Proteção Ambiental como represália à multa que levou do servidor por pesca ilegal. O presidente já fez diversos ataques ao órgão fiscalizador e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e sufocou a atuação dos fiscais com um decreto para inviabilizar multas ambientais.

No terceiro caso, a demissão do presidente do Inpe, Bolsonaro agiu com extrema irresponsabilidade ao destratar uma instituição que desfruta de alto prestígio na comunidade científica. Não é concebível que ele desconheça a seriedade dos dados produzidos pelo Inpe, como o monitoramento das fronteiras agrícolas na Amazônia e no Cerrado e da dinâmica do desmatamento. O Instituto tem prestígio internacional e sua equipe conta com funcionários altamente gabaritados.

Ao mesmo tempo em que faz tudo isso, Bolsonaro se ajoelha perante o seu amo, o presidente norte-americano Donald Trump, prometendo fidelidade canina aos intentos do chefão da Casa Branca de tutelar a dinâmica econômica e política do Brasil de acordo com seus interesses geopolíticos. A consequência, além da carta branca para os incendiários florestais, é o pretexto para oportunistas que se julgam mais capazes do que os brasileiros para cuidar do meio ambiente meterem o bedelho em assuntos internos do país, como acaba de fazer o presidente francês Emmanuel Macron.

Em meio à balbúrdia, Bolsonaro e seu séquito se vestem de “nacionalistas”, brandindo um visto temporário para o mundo do anticolonialismo com o intuito de enganar incautos e fugir da essência do problema. A pantomima soa ridícula, algo parecido com performances de artistas de picadeiro. Essas performances lembram também a tragédia grega, quando o protagonista caminha consciente e célere em direção à própria ruína. Pode também ser comédia, com o protagonista atuando como o néscio de quem todos riem. Ou uma farsa, quando o protagonista é enganado.

Seja o que for, o certo é que a defesa da Amazônia exige seriedade e verdadeiro compromisso com os interesses nacionais. Ainda ressoa pelo país o slogan “A Amazônia é nossa”, um brado que se ergueu com força desde que a ditadura militar impôs sua lógica de que aquela imensidão verde poderia se transformar em uma ocupação desordenada, abrindo caminho para aventureiros de todo tipo – inclusive prepostos de interesses colonialistas. Com o bolsonarismo retomando essa lógica, agora com essas novas roupagens – o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, diz que a solução para a Amazônia é “monetizá-la”, abrindo áreas para o desenvolvimento comercial –, esse brado volta a ser um imperativo nacional.

A floresta amazônica é o segundo maior bioma do mundo e se estende por nove países. Sua importância é inquestionável. No caso do Brasil, há, comprovadamente, a compatibilidade de se fazer a preservação no âmbito de um projeto nacional de desenvolvimento, uma das grandes vantagens locais no ambiente de competição na divisão de espaços da economia mundial. Sua defesa por um amplo conjunto de vozes e movimentos, que se espalha pelo mundo, fortalece a luta por uma Brasil soberano e democrático.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

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Após Trump, UE também oferece ajuda no combate contra incêndios no Brasil

Imagem de queimada na Amazônia, no município Porto Velho, Rondônia
© REUTERS / UESLEI MARCELINO

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, expressou suas dúvidas relativamente às perspectivas do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul devido à situação dos incêndios florestais que estão atingindo a Amazônia.

Donald Tusk fez estas declarações durante a coletiva de imprensa realizada antes da cúpula do G7, que começa hoje em Biarritz, França.

"Os incêndios na Amazônia são um sinal muito triste. Nós apoiamos o acordo com o Mercosul, mas me custa imaginar o processo da ratificação do acordo pelos países membros da UE com um país que permite a destruição dos 'pulmões' de nosso planeta", lamentou o presidente do Conselho Europeu.

"Ao mesmo tempo, a União Europeia está disposta a oferecer ajuda financeira ao Brasil no combate aos incêndios florestais", acrescentou.

Trump propõe ajuda para proteger Amazônia

Na sexta-feira (23) o presidente dos EUA Donald Trump teve uma conversa telefônica com Jair Bolsonaro. Após o contato, o presidente dos EUA escreveu sobre o tema nas redes sociais, oferecendo ajuda no combate aos focos de queimada.

"Acabei de falar com o presidente Jair Bolsonaro do Brasil. Nossas perspectivas comerciais futuras são muito interessantes e nossa relação é forte, talvez mais forte do que nunca. Eu disse a ele que, se os Estados Unidos puderem ajudar a combater os incêndios na floresta amazônica, estaremos prontos a ajudar!".

Jair Bolsonaro elogiou as palavras de apoio do presidente Donald Trump e a disposição de ajudar o Brasil a proteger a floresta amazônica.

Na quinta-feira (22), o secretário-geral da ONU, António Guterres, também expressou preocupação com os incêndios, dizendo que, em meio a uma crise climática global, o mundo não pode perder sua principal fonte de oxigênio e biodiversidade.

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Rodrigo Maia defende que fundos da Petrobras sejam usados no combate aos incêndios na Amazônia

Após o vazamento da lista de Fachin, Rodrigo Maia encerrou sessão na Câmara
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu na sexta-feira (23) a utilização dos recursos do fundo da Petrobras para combate às queimadas na Amazônia e também para a área de educação.

Maia informou que fez petição ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para a liberação de R$ 2,5 bilhões do fundo da Petrobras, sendo que R$ 1 bilhão devem ser destinados ao combate às queimadas. O restante, R$ 1,5 bilhão, seria aplicado na área de educação.

"Nós estamos vendo aí o governo parado em muitas áreas, inclusive na área de educação. As universidades anunciando que daqui a pouco tempo, se continuar contingenciado seus orçamentos, muitas vão parar", disse Maia, em evento na Associação dos Advogados de São Paulo.

Moraes fixou prazo de 48 horas para que a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Ministério da Economia se manifestem sobre o pedido de auxílio ao combate às queimadas.

Maia criticou o presidente da França Emmanuel Macron , que ao criticar os incêndios disse que a Amazônia era a "nossa casa".

"Algumas podem ter fundamento, outras não. [Há] alguns excessos, acho que a frase do presidente francês ontem em relação à crítica [às queimadas na Amazônia], introduzindo a questão da 'nossa casa', o que é nossa casa? A Floresta Amazônica no território brasileiro é dos brasileiros e nós temos que encontrar soluções. Acho que está tendo algum excesso", avaliou Maia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082414428025-rodrigo-maia-defende-que-fundos-da-petrobras-sejam-usados-no-combate-aos-incendios-na-amazonia/

Brasil | A Amazônia é nossa!

O agravamento das queimadas na Amazônia causa alarme no mundo e será debatido na reunião do G7.

 

 

O Estado brasileiro, seu governo e suas Forças Armadas têm a obrigação legal de defender a Amazônia por uma razão muito simples: ela é parte do território brasileiro. Aliás a maior parte: são 65%, dois terços dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados que formam o Brasil.

Existem várias razões para a defesa da Amazônia, mas esta é a principal – a proteção da integridade do território nacional, que cabe àquelas instituições e a todos os brasileiros.

“A Amazônia é nossa”: este clamor (que ecoa o slogan da grande campanha de defesa nacional nas décadas de1940 e 1950, “o petróleo é nosso”), volta a emergir com vigor nestes dias em que o governo de extrema direita do ex-capitão Jair Bolsonaro põe em risco a soberania brasileira sobre a Amazônia e também sua integridade. E, ao indicar o desrespeito à proteção ambiental, ameaça isolar ainda mais o Brasil no cenário mundial, com graves ameaças não só políticas – que decorrem do isolamento internacional do país – mas também econômicas pelo grave prejuízo ao comércio externo do país que essa marginalidade inconcebível pode acarretar.

Defender a Amazônia não se limita à grandiosa tarefa de proteger esta enorme parcela do território brasileiro contra a cobiça internacional, que é enorme e antiga, já podendo ser medida em séculos de investidas estrangeiras para ocupar a região ou partes dela.

Cobiça que, agora se manifesta novamente quando, a pretexto da agressão ambiental que resulta do enorme aumento das queimadas na floresta. A Amazônia será tema da reunião do G7 – os países mais ricos do mundo: Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido – que se realizará neste final de semana (dias 24 e 25) em Biarritz, na França.

Quem colocou o assunto na pauta foi o presidente francês Emmanuel Macron, alegando, de forma alarmista, que “Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão do nosso planeta que produz 20% do nosso oxigênio, está em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vejo vocês em dois dias para falar sobre esta emergência”, escreveu no Twitter.

A alegação de Macron desrespeita a soberania brasileira, já enxovalhada pela própria ação do governo entreguista de Jair Bolsonaro que não só abre a porteira da região para a presença de empresas multinacionais, sobretudo dos EUA, mas dificulta e praticamente elimina a fiscalização das queimadas criminosas que ocorrem na região. Que aumentaram exponencialmente desde a posse de Jair Bolsonaro na presidência da República, em janeiro deste ano. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informa o registro de 74.155 incêndios na Amazônia desde o início do ano, ou seja, 85% a mais do que entre janeiro e agosto de 2018.

É um desastre enorme contra a parcela da humanidade que reside no Brasil e nos países vizinhos na América do Sul, antes de alcançar os demais países.

O desastre é maior do que as alegações do presidente francês, e cabe ao Brasil, a suas autoridades e a seu povo lutar contra ele.

A alegação de Macron – e de outros, induzidos pela propaganda na mídia – de que a Amazônia é o “pulmão do mundo” já foi desmentida pelos cientistas faz tempo: eles compararam a absorção de gás carbônico pela floresta e sua emissão de oxigênio e concluiram que elas se equilibram – as árvores da floresta usam praticamente todo o oxigênio que emitem, reduzindo assim em muito seu papel de “pulmão do mundo “.

A Amazônia deve ser defendida por outros motivos. Em primeiro lugar os climáticos, e a nuvem de fumaça das queimadas que escureceu São Paulo e outras cidades na segunda-feira (19), nas quais “anoiteceu” às 15 horas, em pleno dia, e a água da chuva estava tomada por suas partículas nocivas, é um sinal veemente das consequências climáticas da falta de proteção da Amazônia contra as queimadas. Que resulta do descaso do governo em fazer cumprir a lei de proteção ambiental.

A fumaça que escureceu São Paulo foi o sinal alarmante da incúria do governo da extrema direita, que não fiscaliza a ação ilegal e criminosa dos que queimam a flortesta. E, para piorar, o presidente acusou – sem nenhuma prova – ONGs e ambientalistas de responsáveis pelo desastre para, disse ele de maneira leviana e irresponsável, criar problemas para seu governo.

Se as queimadas destroem fisicamente a Amazônia e ameaçam regiões vizinhas, há outros motivos para a defesa da região.

A Amazônia tem a mais rica biodiversidade do planeta, com mais da metade das espécies vegetais e animais. É uma riqueza imensa, que faz parte do patrimônio da humanidade, e sua gestão e proteção cabem aos brasileiros, que podem ser beneficiados pelas riquezas que ela gera. Mas que desperta a ganância de empresas multinacionais que buscam o lucro que seu uso pode gerar.

Há também a riqueza mineiral do subsolo amazônico – que vai do minério de ferro, cobre, petróleo, até niquel, nióbio, e mesmo ouro e diamantes. A cobiça do capital, e de estrangeiros é grande e causa problemas graves pois, muitas vezes, estes minérios estão localizados em terras indígenas.

A lei exige que a mineração em terra indígena tenha legislação própria e a comunidade indígena seja consultada. Mas nem sempre isso acontece – e no governo de extrema direita, menos ainda. Um exemplo pode ser visto anos antes, em 2006, quando a Polícia Federal apurou, na Operação Carbono, a exportação ilegal de diamantes – muitos deles vindos da maior jazida do mundo, situada nas terras dos Cinta Larga, em Rondônia.

Depois do golpe de 2016, que afastou do governo a presidenta eleita Dilma Rousseff, esta situação com certeza se agravou em atenção ao verdadeiro clamor que surgiu, na extrema direita, contra o cumprimento da lei de proteção das florestas e de respeito à integridade das terras indígenas.

Há também a água doce, um recurso vital que hoje é escasso para cerca de 20% da população no mundo (1,4 bilhão de pessoas). E que, por isso, poderá causar disputas e mesmo guerras.

O grande depósito de água doce do mundo é a Amazônia – de cada dez 10 litros despejados no oceano, dois vêm do rio Amazonas. São 175 milhões de litros de água doce por segundo, o maior volume entre todos os rios do planeta. É quase nove mil vezes o conteúdo médio de uma piscina olímpica a desaguar no oceano por segundo.

É por estas razões que os brasileiros precisam defender a integridade da Amazônia – razões climáticas, econômicas, políticas e sociais.

“A Amazônia é nossa” – este slogan deve ser bradado ao mundo e também ao governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, cujo desprezo à lei e à ciência ameaça este patrimônio que, antes de pertencer à humanidade, é dos brasileiros.


Texto em português do Brasil


 
 
 

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https://www.jornaltornado.pt/a-amazonia-e-nossa/

Defensoria do Peru pede convocação de nações da Amazônia contra incêndios

Vegetação em chamas na floresta Amazônica
© AP Photo / Dario Lopez-Mills

A Defensoria do Peru solicitou nesta sexta-feira (23) que o Executivo peruano convoque nações amazônicas para discutir os incêndios na Amazônia.

O órgão estatal quer ativação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para lidar com os incêndios na região, segundo um comunicado publicado pela Defensoria.

"A Defensoria pede ao Poder Executivo para liderar a ativação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para implementar ações conjuntas e contundentes para mitigar, remediar e prevenir novos desastres", afirmou.

A Defensoria é um órgão estatal autônomo responsável por assegurar a proteção dos direitos fundamentais dos indivíduos, bem como pela supervisão do Estado.

A OTCA é uma organização intergovernamental composta por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, que coordena os procedimentos do Tratado de Cooperação Amazônica (TCA).

O ATT é um instrumento legal assinado em 1978, de natureza técnica, com o objetivo de promover o desenvolvimento harmonioso e integrado da bacia amazônica.

A Defensoria afirma que o Executivo peruano faz o pedido "em face do desastre ambiental causado por milhares de incêndios que vêm ocorrendo na Amazônia e que estão afetando seriamente a população indígena, rural e urbana que habita nosso continente".

Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
© Sputnik / Thales Schmidt
Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.

Por outro lado, foi solicitado que os Ministérios da Agricultura, Economia, bem como outros órgãos do governo "garantam o financiamento" do Plano de Prevenção e Redução de Riscos de Incêndios Florestais, aprovado pelo país no final de 2018.

Da mesma forma, solicitou-se que o Executivo tome as medidas necessárias para garantir o bem-estar dos povos amazônicos localizados na fronteira leste, que foram afetados pela fumaça que vem da Amazônia brasileira.

Nesta sexta-feira (23), o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, também pediu que o órgão aja, oferecendo seu país como sede de uma possível reunião de ministros representando as nações amazônicas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019082314426444-defensoria-do-peru-pede-convocacao-de-nacoes-da-amazonia-contra/

Chanceler venezuelano convoca nações da Amazônia para discutir incêndios

Jorge Arreaza, ministro das Relações Exteriores da Venezuela, durante coletiva de imprensa em Moscou, Rússia
© Sputnik / Yevgeny Odinokov

O governo venezuelano pediu aos países amazônicos que discutam urgentemente a situação em torno dos incêndios florestais na região, disse o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, através de sua conta no Twitter.

Os incêndios florestais na região amazônica estão ocorrendo há cerca cerca de três semanas. De acordo com dados de satélite, fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apenas neste ano, a área de incêndios florestais aumentou 82% em comparação com 2018. Brasil e Bolívia estão engajados no combate aos incêndios florestais, enquanto os países vizinhos ofereceram assistência. 

"O governo venezuelano se ofereceu para realizar uma reunião de emergência de ministros das Relações Exteriores da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica para considerar e eliminar as conseqüências ecológicas e sociais dos incêndios florestais devastadores na região amazônica", ressaltou Arreaza nesta sexta-feira (23).

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica inclui Colômbia, Equador, Guiana, Bolívia, Suriname, Brasil e Peru, além da Venezuela.

Nesta sexta-feira (23), o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu aos líderes mundiais que os incêndios na Amazônia sejam prioridade dos líderes reunidos na cúpula do G7.

Da mesma forma, na quinta-feira (22), o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, expressou preocupação com os incêndios, dizendo que em meio a uma crise climática global, o mundo não poderia perder sua principal fonte de oxigênio e biodiversidade.

O presidente do Brasil assumiu compromissos nesta sexta-feira (23) durante um pronunciamento à nação brasileira. Bolsonaro afirmou que empregará "tolerância zero" com os crimes ambientais, além de criticar o que chamou de divulgação de dados falsos sobre os incêndios.

Durante o pronunciamento de Bolsonaro, diversas cidades pelo país registraram panelaços como forma de protesto contra o presidente e a situação na Amazônia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019082314426398-chanceler-venezuelano-convoca-nacoes-da-amazonia-para-discutir-incendios/

Ato pela Amazônia no Rio mira em Bolsonaro e Salles

Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
© Sputnik / Thales Schmidt

No ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro, o grito em defesa da liberdade do ex-presidente Lula foi abafado pelo pedido de afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O evento desta sexta-feira (23) na Cinelândia é uma das manifestações que se espalharam pelo Brasil após a Amazônia registrar sua maior onda de queimadas dos últimos cinco anos. O dado é de levantamento do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (IPAM) com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Foram 71.497 focos de incêndio entre os dias 1 de janeiro e 18 de agosto deste ano, número 82% maior do que o registrado no mesmo período de 2018.

"Essa irresponsabilidade vai gerar desemprego no Brasil, gerando boicote e quebrado as exportações de carne e soja do agronegócio. Até setores do agronegócio estão vendo o monstro que eles próprios pariram", afirma à Sputnik o deputado estadual e ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc. 

O ex-ministro diz que na assinatura de criação do Fundo Amazônia, em 2008, um representante da Noruega afirmou a ele que a iniciativa era um "seguro de vida" da população do país europeu. "A Noruega é um pequeno país perto da Groelândia. Quando aquilo derreter, eles vão ser um dos que vão submergir", diz Minc.

Além das críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), os manifestantes na Cinelândia também pediram o afastamento de Salles e entoaram o grito "Amazônia sim, ele não".

"Conheço Bolsonaro desde 1989, quando ele iniciou a vida pública, e eu também, como vereador do Rio de Janeiro, ele sempre teve absoluto desprezo pelas questões ambientais, sempre considerou isso como frescura ou coisa de comunista, e não mudou", diz à Sputnik Brasil o ex-deputado federal Chico Alencar (PSOL), que também participou do ato.

Primeiro indígena a entrar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) pelo sistema de cotas, Michael Baré Tikuna diz que o presidente tem o "mesmo discurso de 1500, é um discurso ideológico do colonizador escravista, desde 1500 estamos passando por vários 'Bolsonaros' até chegar ao de hoje".

A autônoma Priscila de Mello não estava na Cinelândia para protestar contra a política ambiental de Bolsonaro, mas para vender bebidas. Ela está desempregada há 3 anos e diz que as queimadas na Amazônia são movidas exclusivamente pelo dinheiro: "existem povos lá, isso não está sendo levado em consideração".

  • Manifestação na Cinelândia em defesa da Amazônia.
    Manifestação na Cinelândia em defesa da Amazônia.
    © Sputnik / Thales Schmidt
  • Cartazes da manifestação em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
    Cartazes da manifestação em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
    © Sputnik / Thales Schmidt
  • Protesto em Paris contra os incêndios florestais na Amazônia
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  • Vegetação em chamas na floresta Amazônica
    Vegetação em chamas na floresta Amazônica
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  • Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
    Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
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Manifestação na Cinelândia em defesa da Amazônia.

Repercussão internacional

Os incêndios na Amazônia serão assunto neste final de semana em Biarritz. A pequena cidade francesa receberá a cúpula do G7 e os líderes de quatro países participantes já falaram sobre o assunto. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou em nota que "Bolsonaro mentiu para ele durante a cúpula [do G20] de Osaka" e que o presidente brasileiro "decidiu não respeitar seus compromissos com a mudança climática nem agir na questão da biodiversidade."

A Alemanha disse que "a magnitude dos incêndios é preocupante", o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, classificou o fogo na floresta como uma "crise internacional" e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, afirmou que "precisamos agir pelo nosso planeta".

Bolsonaro, que já acusou, sem provas, as Organizações não Governamentais (ONGs) de serem responsáveis pelos incêndios, disse que a discussão da Amazônia no G7 " sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI".

O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército brasileiro e atualmente assessor do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), questionou a "autoridade moral" da França em falar sobre a Amazônia e citou uma frase atribuída ao líder comunista do Vietnã Ho Chi Minh que acusa os franceses de serem a pátria do Iluminismo, "mas quando viaja se esquece de levá-lo consigo".

Donald Trump saiu em socorro do aliado e disse que conversou com Bolsonaro e que "os Estados Unidos podem ajudar com os incêndios na floresta Amazônica".

A fumaça já foi vista do espaço por satélites da NASA e forçou um voo da LATAM vindo de Brasília a mudar seu destino porque a fumaça das queimadas impediu seu pouso na capital de Rondônia, Porto Velho. 

Com a pressão internacional e o acordo comercial entre Mercosul e a União Europeia posto em cheque pelo fogo na Amazônia, Bolsonaro assinou decreto para utilizar as Forças Armadas por meio de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para conter os incêndios.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082314425918-ato-pela-amazonia-no-rio-mira-em-bolsonaro-e-salles/

Amazónia - Porque não chega ficar horrorizado...

Aos membros do Congresso Brasileiro, ao governo de Jair Bolsonaro, aos líderes mundiais e, por razões conhecidas, ao Presidente Marcelo
«Como cidadãos de todo o mundo, ficamos horrorizados ao ver o rápido aumento da destruição da floresta amazónica nos últimos meses. O destino da humanidade está diretamente conectado sobre o destino da Amazónia, e pedimos que vocês façam tudo o que puderem para proteger a floresta, incluindo aprovar leis para proteger as florestas públicas e acabar com o desmatamento ilegal e inclusive aumentar a pressão internacional para evitar mais destruição da Amazónia.»
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Até porque: 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Primeiro-ministro britânico diz que incêndios na Amazônia representam 'crise internacional'

Boris Johnson em Moscou.
© Sputnik / Alexey Filipov

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, manifestou a sua preocupação com os incêndios na Floresta Amazônica, afirmando que as queimadas representam uma "crise internacional".

Johnson ofereceu a colaboração do seu país para ajudar no combate aos incêndios e na preservação da Amazônia.

​“Os incêndios que assolam a floresta amazônica são desoladores, mas também uma crise internacional. Estamos dispostos a fornecer toda a ajuda que pudermos para controlá-los e ajudar a proteger uma das maiores maravilhas da Terra”, disse ele no Twitter.

O porta-voz do primeiro ministro também declarou que Boris Johnson "está profundamente preocupado com o aumento de incêndios na floresta amazônica e o impacto da trágica perda desses preciosos habitats".

“O efeito desses incêndios será sentido em todo o mundo e é por isso que precisamos de ação internacional para proteger as florestas tropicais do mundo. O Reino Unido continuará apoiando projetos no Brasil para fazer isso, e o primeiro-ministro usará o G7 para pedir um foco renovado na proteção da natureza e no combate às mudanças climáticas”, acrescentou o porta-voz, citado pelo The Guardian.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082314425637-primeiro-ministro-britanico-diz-que-incendios-na-amazonia-representam-crise-internacional/

Governo Merkel também defende debate sobre incêndios na Amazônia pelo G7

Steffen Seibert, porta-voz do governo de Angela Merkel (Arquivo)
© AP Photo / Michael Sohn

O porta-voz do governo de Angela Merkel, Steffen Seibert, disse que a Alemanha defende que os incêndios da Amazônia são uma situação urgente e que o assunto deve ser debatido durante a cúpula do G7 este final de semana.

"A chanceler está convencida que a questão deve constar na agenda dos países do G7 quando se reunirem este final de semana" em Biarritz, na França, disse o porta-voz.

O governo de Merkel diz que os incêndios preocupam o mundo inteiro.

“A magnitude dos incêndios é preocupante e ameaça não só o Brasil e os outros países afetados, mas também o mundo inteiro”, disse Steffen Seibert.

Merkel é a terceira líder do G7 que defende que o grupo discuta o fogo na floresta amazônica: Emmanuel Macron, da França, e Justin Trudeau, do Canadá, já se pronunciaram favorável a discussão.

Macron usou o Twitter na quinta-feira (22) e chamou os incêndios da Amazônia de "crise internacional".

"Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão de nosso planeta, que produz 20% de nosso oxigênio, arde em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos nos encontrar daqui a dois dias para falar dessa urgência!", escreveu o francês.

​Trudeau também usou o Twitter para responder ao presidente francês.

"Eu não poderia concordar mais, Emmanuel Macron. Nós trabalhamos muito para proteger o ambiente no G7 no ano passado em Charlevoix, e precisamos que isso continue nesse fim de semana. Precisamos agir pela Amazônia e agir pelo nosso planeta –nossos filhos e netos contam conosco."

​O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registrou quase 2.500 novos focos de incêndio em 48 horas em todo o Brasil. Segundo o INPE, 75.336 incêndios florestais foram registrados no país de janeiro a 21 de agosto – 84% a mais que no mesmo período do ano passado – e mais de 52% são relacionados diretamente com a Amazônia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019082314424333-governo-merkel-tambem-defende-debate-sobre-incendios-na-amazonia-pelo-g7/

Brasil | Bolsonaro: “Sou presidente para interferir mesmo”

 
 
O mandatário neofascista aproveitou para acusar ONGs de estarem por trás das queimadas na Amazônia por terem perdido recursos e estarem querendo atingi-lo.
 
O presidente neofascista Jair Bolsonaro disse na quarta-feira (21.8), ao comentar críticas de que estaria interferindo politicamente em órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal, que foi eleito presidente para “interferir mesmo” e, caso contrário, seria um “banana”.
 
Em discurso em evento sobre o setor de aço em Brasília, o presidente também disse que se o Acordo de Paris sobre o clima fosse bom, os Estados Unidos não o teriam abandonado, mas afirmou que “por enquanto” o Brasil permanecerá no pacto que visa combater as mudanças climáticas.
 
– Olha, eu fui presidente para interferir mesmo, se é isso que eles querem – disse o presidente ao comentar críticas na imprensa de que estaria interferindo na PF e na Receita.
 
– Se é para ser um banana, um poste dentro da Presidência, eu estou fora, pô! – completou o presidente.
 
 
Ele disse que apenas sugeriu um nome para substituir o superintendente da PF no Rio de Janeiro, mas que não viu problema no fato de o escolhido ter sido outro, e afirmou que, embora a Receita faça um bom trabalho, tem problemas e esses problemas são resolvidos trocando pessoas.
 
O presidente voltou a comentar a eleição presidencial na Argentina, onde a oposição conquistou uma expressiva vitória sobre o presidente Mauricio Macri, aliado de Bolsonaro, nas primárias. Ele disse acreditar que a tendência de vitória da esquerda no país vizinho possa ser revertida e pediu que os empresários presentes trabalhem por isso.
 
Bolsonaro afirmou ainda que quer argentinos no Brasil como turistas, não como refugiados, e disse que se o opositor Alberto Fernández vencer a disputa presidencial na Argentina, poderá trabalhar com ele na área econômica, mas afirmou que na seara política “jamais”.
 
Acusações a ONGs
 
O mandatário neofascista também disse, nesta quarta-feira, que organizações não-governamentais podem estar por trás das queimadas na Amazônia por terem perdido recursos e estarem querendo atingi-lo.
 
Ele não apresentou evidências das alegações e, indagado se tinha provas do que afirmava, disse que não existem planos escritos nesses casos.
 
– O crime existe. Isso temos que fazer o possível para que não aumente, mas nos tiramos dinheiro de ONGs, 40% ia para ONGs. Não tem mais. De modo que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro. Então pode, não estou afirmando, ter ação criminosa desses ongueiros para chamar atenção contra minha pessoa, contra o governo do Brasil – disse o presidente em entrevista ao sair do Palácio da Alvorada.
 
Em seguida, Bolsonaro afirmou que “tudo indica” que pessoas se preparam para ir à Amazônia filmar e então “tocaram fogo” na floresta.
 
Questionado se tinha provas ou indícios das acusações que fazia, o presidente afirmou que isso “não tem um plano escrito” e “não é assim que se faz”.
 
Desde o início deste ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora os focos de queimadas no país, já detectou mais de 72 mil pontos, especialmente nos Estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas. O número é 83% maior que no mesmo período de 2018 —um ano atípico por ter sido muito úmido— e o maior dos últimos sete anos.
 
PT é alvo de acusações em provas
 
Na última semana, o presidente brasileiro acusou os médicos cubanos que estavam no Brasil dentro do programa Mais Médicos de terem sido enviados, a pedido do PT para criarem “células terroristas” no país, mas disse que não precisa apresentar provas da sua acusação.
 
– O PT botou no Brasil cerca de 10 mil fantasiados de médicos aqui dentro, em locais pobres para fazer células de guerrilhas e doutrinação. Tanto é que quando eu cheguei eles foram embora porque eu ia pegá-los – acusou Bolsonaro.
 
O presidente voltou às acusações contra Cuba e o PT —partido que estava no governo quando o Mais Médicos foi criado—, ao ser questionado sobre propostas para resolver problemas sociais do Brasil, depois de reclamar de reportagens que mostravam a situação difícil que vive a família da primeira-dama, Michele, em uma cidade-satélite de Brasília.
 
Ao ser perguntado diretamente sobre provas das acusações que faz aos médicos cubanos, Bolsonaro evitou responder.
 
– Precisa ter prova disso daí? Tu acha que está escrito isso aí em algum lugar? – disse.
 
Correio do Brasil, com Reuters e Agências e Notícias – de Brasília
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/brasil-bolsonaro-sou-presidente-para.html

Incêndios no Brasil "refletem irresponsabilidade de Bolsonaro" -- Observatório

 
 
As declarações do Observatório do Clima surgem horas depois de o chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, ter dito que as ONG podem ser responsáveis pelos incêndios florestais que estão a ocorrer na região da Amazónia.
 
A coordenação do Observatório do Clima, coligação de cerca de 50 organizações não-governamentais (ONG) brasileiras em prol do ambiente, afirmou que o "recorde de queimadas no país reflete a irresponsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro". "O fogo reflete a irresponsabilidade do Presidente com o bioma (conjunto de ecossistemas) que é património de todos os brasileiros, com a saúde da população da Amazónia e com o clima do planeta, cujas alterações alimentam a destruição da floresta e são por ela alimentadas, num círculo vicioso", declarou o grupo em comunicado. "As queimadas são apenas o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do Governo de Jair Bolsonaro e do seu ministro do Meio Ambiente, o ímprobo Ricardo Salles, que turbinou o aumento da taxa de desflorestação no último ano", acrescentou a aliança de ONG.
 
 
As declarações do Observatório do Clima surgem horas depois de o chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, ter dito que as ONG podem ser responsáveis pelos incêndios florestais que estão a ocorrer na região da Amazónia.
"O crime existe e nós temos de fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tirámos dinheiros de ONG. Das transferências de fora, 40% iam para as ONG. Não tem mais. (...) De forma que esse pessoal está a sentir a falta do dinheiro", disse Bolsonaro, à saída do Palácio da Alvorada, em Brasília. O Presidente brasileiro adiantou que considerava estranho os incêndios deflagrarem em diversas áreas da Amazónia e, por isso, acredita que poderiam fazer parte de um alegado plano orquestrado para prejudicá-lo, embora não tenha apresentado qualquer prova para fundamentar as suas suspeitas.
 
"Então, pode estar a haver, não estou a afirmar, ação criminosa desses 'ongueiros' [pessoas que trabalham em ONG] para chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o Governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos", acrescentou o chefe de Estado. Jair Bolsonaro voltou a afirmar que as ONG que atuam na proteção do ambiente no Brasil estão ao serviço de "interesses estrangeiros". O Observatório do Clima frisa que desde que assumiram os seus mandatos, Bolsonaro e Salles têm "desmontado as estruturas de governança ambiental e os órgãos de fiscalização". Extinção de órgãos responsáveis por planos de controlo da desflorestação na Amazónia, cortes de verbas dedicadas à proteção ambiental, redução de ações de fiscalização e a suspensão do Fundo Amazónia foram alguns dos exemplos citados pelo grupo de ONG. "A combinação de autoritarismo e fanatismo ideológico do Presidente e do seu ministro transformam em fumaça não apenas as árvores da Amazónia e a reputação do Brasil, mas também o bem-estar de uma população que o Governo federal deveria proteger e o nosso acesso a mercados internacionais e a investimentos", conclui o Observatório do Clima num comunicado publicado no seu 'site'. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, com base em imagens de satélite, indicam que as queimadas no Brasil aumentaram 82% de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018. Na segunda-feira, uma nuvem de fumo produzida por queimadas no Paraguai, Bolívia e também na região amazónica dentro do território do Brasil transformou o dia em noite na cidade de São Paulo, onde o céu pareceu escurecer pouco depois das 15h00 locais.
 
TSF | Lusa
 
 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/incendios-no-brasil-refletem.html

Polêmica ambiental x comércio internacional: autossabotagem ou guerra da informação?

Desmatamento na Amazônia (foto de arquivo)
© AP Photo / Andre Penner

Membros do agronegócio estão demonstrando preocupação com as consequências da imagem do Brasil no exterior, em meio a acusações de descaso com questões ambientais. Mas que efeitos práticos isso pode trazer para o país?

Os discursos antiambientalistas do governo brasileiro, o aumento do uso de agrotóxicos e os recentes desmatamentos e queimadas que têm devastado o país acenderam o alerta para produtores e exportadores de gêneros agroindustriais, que identificam uma distorção na imagem do Brasil que poderia levar a prejuízos econômicos para o setor. 

Em audiência pública na Comissão de Agricultura do Senado (CRA) na última quarta-feira, representantes do agronegócio chamaram a atenção para perdas ligadas a uma "guerra da informação" com movimentos internacionais que teriam interesse em prejudicar o Brasil.

Para o diplomata Norberto Moretti, secretário de política externa comercial do Itamaraty, o momento exige que o país realize um esforço conjunto para reverter essa situação "degenerada" e alterar as percepções que vêm se consolidando no exterior.

"A imagem de nosso país no exterior tornou-se uma preocupação de todos, no governo e no setor privado. Virou um tema de crucial relevância. Uma percepção equivocada sobre nosso agronegócio vem se sobrepujando, resultado em parte de ignorância, em parte de má-fé e interesses inconfessáveis. Várias forças se conjugaram visando consolidar uma imagem equivocada sobre a sustentabilidade ambiental e a segurança social de nosso agro", disse Moretti, citado pela Agência Senado. 

​De acordo com o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, as queimadas na Amazônia que vêm chamando a atenção do mundo nos últimos dias não são uma grande novidade, já que as mesmas sempre ocorreram no Brasil. Para ele, as dimensões maiores do impacto causado na opinião pública se devem, possivelmente, a uma "divulgação mais acelerada" pela imprensa.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista diz que, independentemente do fato de a recente devastação ser maior ou menor do que as anteriores, isso acaba gerando, sim, uma grande preocupação, dada a responsabilidade do Brasil de "alimentar o mundo".

"Se, eventualmente, o processo de dificuldade para ingressar o produto brasileiro no exterior for consumado, nós vamos ter dificuldade de abastecer o mundo com alimentos", declara Castro.

Questionado sobre as declarações de Norberto Moretti sobre uma possível guerra de informação ligada às pautas ambientais do Brasil, o presidente da AEB afirma concordar em princípio com a hipótese, mas reconhece não haver garantias sobre essa suposição. O grande problema nesse caso, destaca, seria, na verdade, a falta de eficiência na comunicação do atual governo.

"A comunicação dele [do governo de Jair Bolsonaro] não é o forte. Então, ele acaba sendo muito atacado por questões de comunicação. Agora, eu não tenho dados concretos para informar que isso de fato esteja acontecendo. Mas é possível."

​O engenheiro agrônomo Marcos Fava Neves, professor das Faculdades de Administração da Universidade de São Paulo (USP) na capital e em Ribeirão Preto, acredita que a atual preocupação do setor agropecuário em relação às consequências dessa imagem negativa que vem sendo divulgada do Brasil afeta, na verdade, toda a sociedade brasileira.

Também em declarações à Sputnik, o acadêmico explica que o Brasil vinha se posicionando como uma potência ambiental por ter a matriz energética mais limpa entre os grandes países, por ter mais de 60% da sua área preservada e por ter um código florestal dos mais rigorosos. Segundo ele, todo esse potencial que o país tinha para ser "a economia verde do mundo" foi prejudicado, nas duas últimas semanas, por conta de "deturpações feitas com dados que não são verdadeiros".

"Isso tudo desposiciona, momentaneamente, o Brasil como potência climática ambiental, como país que assinou, na última reunião ministerial do clima, um dos protocolos mais arrojados do mundo. Nós vimos erodir essa imagem em 15 dias. Então, essa é uma preocupação da sociedade brasileira."

Ainda de acordo com Fava Neves, há, atualmente, uma atitude de má fé de oportunistas que estão vinculando a questão das queimadas na Amazônia com a produção de alimentos no país. Isso, ele afirma, está sendo feito por "gente que não quer o crescimento do Brasil, por gente que teve sua participação de mercado ofuscada pelo nosso grande crescimento nos últimos anos e por pessoas que estão pegando carona num oportunismo" para ver se conseguem algum tipo de embargo momentâneo à produção brasileira.

"Essa tentativa de se ligar a Amazônia à produção brasileira de alimentos é um gesto de má fé que tem que ser combatido de maneira violenta pela nossa sociedade, porque ele ameaça o desenvolvimento social do Brasil."

Boicote em curso

De acordo com o secretário de política externa comercial do Itamaraty, recentemente, o parlamento de um país europeu interpelou o diretor executivo de uma empresa por conta de suas produções no Brasil. Além disso, os efeitos disso que ele considera uma guerra de informações também teria levado a rede de supermercados sueca Paradiset a liderar um boicote contra produtos brasileiros, retirando de suas prateleiras itens como café, águas-de-coco, chocolates, limões e mangas produzidas aqui, alegando que o Brasil virou "o paraíso dos agrotóxicos".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019082314420738-polemica-ambiental-x-comercio-internacional-autossabotagem-ou-guerra-da-informacao/

A soberania queima junto com a Amazônia e a venda da Petrobrás

“A derrubada de árvores e as queimadas, sob a inoperância tolerante do governo, representam uma agressão à soberania nacional tão grave como a venda de empresas públicas estratégicas brasileiras como a Petrobrás”, alerta a presidenta deposta em nota publicada nesta quinta-feira 22; ela completa que “a extinção da maior floresta tropical do mundo e a venda da sétima empresa de Petróleo do planeta são irreversíveis” e chama a população para ir às ruas nos protestos marcados para esta sexta-feira

 

 

A devastação da floresta amazônica é uma face assustadora da destruição da soberania nacional. É um crime de lesa-pátria cometido pelo governo Bolsonaro. A derrubada de árvores e as queimadas, sob a inoperância tolerante do governo, representam uma agressão à soberania nacional tão grave como a venda de empresas públicas estratégicas brasileiras como a Petrobrás, prevista para ocorrer até 2022. A catástrofe ambiental e as privatizações são perigosas, porque algumas decisões econômicas podem ser revistas e revogadas, mas a extinção da maior floresta tropical do mundo e a venda da sétima empresa de Petróleo do planeta são irreversíveis.

Não é coincidência que, num mesmo dia, o governo neofascista tenha acusado organizações sociais que defendem a Amazônia de autoras dos incêndios florestais e anunciado a privatização de 17 empresas públicas, acenando ainda com a venda da Petrobras, a maior empresa brasileira. Trata-se de um projeto de destruição do Brasil – tanto de suas empresas quanto de suas riquezas naturais.

A defesa da Amazônia ganhou caráter de urgência, questão imediata a ser enfrentada já, antes que seja tarde demais. Em um ano, foram registrados mais de 72 mil focos de incêndio na região ambientalmente mais rica do Brasil. Só esta semana, houve 68 grandes focos de incêndios em áreas indígenas e unidades de preservação, verificados por imagens de satélite – um aumento de 70% desde o ano passado.

Não é por acaso que grandes incêndios ocorram em áreas indígenas e de proteção ambiental. Também não é sem motivo que os incêndios atinjam as áreas de maior registro de desmatamento. Isto é efeito da política ambiental desastrosa do governo que acabou com a fiscalização e das manifestações de Bolsonaro contra a existência de reservas indígenas, de tolerância à grilagem e defesa da exploração mineral das terras que deveriam ser protegidas. Bolsonaro é exemplo de destruição e morte. Quando fala suas barbaridades sobre meio ambiente, autoriza a sua destruição por grileiros, invasores, contrabandistas e toda espécie de criminosos aproveitadores.

As insanidades pronunciadas por Bolsonaro, dia sim, dia também, estão levando o Brasil a perder mais do que os R$ 283 bilhões do Fundo Amazônia, que a Noruega e a Alemanha suspenderam por não confiar no governo. O Brasil perde credibilidade perante a comunidade internacional, perde riqueza ambiental para sua população e o mundo, assim como perde empresas estatais para investidores estrangeiros e perderá, sem dúvida, fatias relevantes de mercado para seus produtos de exportação.

Bolsonaro mente quando diz que o governo dele está fazendo sua parte em defesa do meio ambiente. Ele se apropria de dados antigos e de resultados que não são seus. O desmatamento aumentou 278% do ano passado até julho deste ano. Já havia crescido durante o governo que assumiu em 2016 por meio de um golpe de estado que me tirou do cargo para o qual havia sido eleita, sem que tivesse cometido qualquer crime. E se tornou praticamente incontrolável desde a posse de Bolsonaro.

Não era assim quando o Brasil tinha governos progressistas e populares. O governo Lula e o meu governo reduziram o desmatamento da Amazônia em 82%. Nosso esforço foi reconhecido pela ONU, em 2014, como um exemplo a ser seguido pelo mundo. “As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e sua contribuição para retardar o aquecimento global não têm precedentes”, dizia o relatório das Nações Unidas.

A defesa da Amazônia é questão fundamental. Neste momento, o coração do planeta queima e sangra, precisa ser protegido de seus inimigos, entre os quais está, por mais espantoso que pareça, o atual governo brasileiro. Por isto, temos de ir às ruas para as manifestações marcadas para amanhã à tarde em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras cidades do Brasil e do mundo.

Defender a Amazônia é defender a soberania nacional.

Lutar pela soberania é lutar pela Amazônia.


por Dilma Rousseff | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-soberania-queima-junto-com-a-amazonia-e-a-venda-da-petrobras/

Bolsonaro chama alerta sobre Amazônia de Macron de 'mentalidade colonialista'

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não gostou da declaração do seu colega francês sobre Amazônia e atacou de volta.

Nesta quinta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou sua preocupação com os incêndios na Amazônia, classificando a tragédia de "crise internacional". Em sua conta no Twitter, a autoridade de Paris prometeu levar o assunto à cúpula do G7, que será realizada neste fim de semana.

A declaração do francês repercutiu na rede e dividiu a internet brasileira. Parte dos usuários criticou Macron por interferir nos assuntos internos do país. Muitos, no entanto, agradeceram a preocupação, na esperança de que Brasília reaja mais rápido em caso de pressão externa.

O presidente Jair Bolsonaro ficou com o primeiro grupo e não gostou dos comentários do líder europeu. Para ele, Macron "instrumentalizou" tema para lucrar politicamente e, além disso, apresentou uma "mentalidade colonialista".

​Mais cedo, em uma transmissão ao vivo no Facebook, Bolsonaro também criticou "alguns países" por aproveitar a situação e criticar o Brasil.

"Um país teve a desfaçatez de falar 'a nossa Amazônia'. Estão interessados em ter um dia um espaço da nossa Amazônia para eles", reclamou o político.

"Alguns países aproveitam o momento para potencializar as críticas contra o Brasil. Para prejudicar nosso agronegócio e economia. E recalcar o Brasil a uma posição subalterna", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082214420774-bolsonaro-chama-alerta-sobre-amazonia-de-macron-de-mentalidade-colonialista/

Secretário-geral da ONU: Amazônia deve ser protegida

Área desmatada da Amazônia em Porto Velho, Rondônia.
© REUTERS / Nacho Doce

O secretário das Nações Unidas manifestou preocupação nesta quinta-feira com os incêndios na Amazônia.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, declarou nesta quinta-feira estar "profundamente preocupado" com os incêndios na Floresta Amazônica.

"Estou profundamente preocupado com os incêndios na Floresta Amazônica. Em meio à crise climática global, não podemos dar conta de prejuízos à maior fonte de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia deve ser protegida", escreveu o secretário-geral em sua conta no Twitter.

​Mais cedo, o presidente da França, Emmanuel Macron, também publicou uma declaração na mesma rede social, classificando as queimadas no Brasil de "crise internacional", e prometeu discutir o assunto durante a cúpula do G7, que será realizada neste fim de semana em Biaritz.

Também nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou sugerir que as ONGs estão por trás dos incêndios.

"Pode ser fazendeiro, pode, todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs", disse Bolsonaro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082214420723-secretario-geral-da-onu-amazonia-deve-ser-protegida/

Macron classifica incêndios na Amazônia de 'crise internacional' para discutir durante G7

Presidente francês Emmanuel Macron durante reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em 19 de agosto de 2019.
© Sputnik / Sergey Guneev

O presidente da França alertou para a situação das queimadas na Amazônia e prometeu discutir o assunto na próxima cúpula do G7.

O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta quinta-feira que a cúpula do G7 deve discutir os incêndios em curso na Amazônia, por se tratar de uma "crise internacional".

A cúpula do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido) será realizada neste fim de semana também na França, em Biarritz.

​"Nossa casa está queimando. Literalmente. A Amazônia, os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta, está queimando. Essa é uma crise internacional. Membros da cúpula do G7, vamos discutir essa emergência em dois dias!", escreveu Macron em sua conta no Twitter.

A mensagem do chefe de Estado termina com a hashtag #ActForTheAmazon, que está entre as mais compartilhadas nas redes sociais durante todo o dia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082214420659-macron-classifica-incendios-na-amazonia-de-crise-internacional-para-discutir-durante-g7/

“Bolsonaro não precisa das ONGs para queimar a imagem do Brasil”

Mais de 118 organizações da sociedade civil se reuniram e divulgaram nota rechaçando declaração do presidente da república, Jair Bolsonaro que responsabilizou “os defensores da Amazônia” das grandes queimadas que ocorrem na floresta Amazônica. Ele disse que o seu “sentimento” é de que “ONGs estão por trás” do alastramento do fogo para “enviar mensagens ao exterior”. Em repúdio, entidades disseram que “Bolsonaro não precisa das ONGs para queimar a imagem do Brasil”.

 

Segundo as organizações, mesmo em pouco tempo de governo, Bolsonaro é responsável pelo aumento das queimadas. “No seu curto período de governo, também cresceram o desmatamento, a invasão de parques e terras indígenas, a exploração ilegal e predatória de recursos naturais e o assassinato de lideranças de comunidades tradicionais, indígenas e ambientalistas”.

Ao mesmo tempo, com o desmonte e desmoralização da fiscalização ambiental, além das inúmeras mensagens de incentivo à ocupação predatória da Amazônia e tentativa de criminalizar os que defem a conservação.

Leia abaixo a íntegra da nota:

Os focos de incêndio em todo Brasil aumentaram 82% desde o início deste ano, para um total de 71.497 registros feitos pelo INPE, dos quais 54% ocorreram na Amazônia. Diante da escandalosa situação, Bolsonaro disse que o seu “sentimento” é de que “ONGs estão por trás” do alastramento do fogo para “enviar mensagens ao exterior”.

O aumento das queimadas não é um fato isolado. No seu curto período de governo, também cresceram o desmatamento, a invasão de parques e terras indígenas, a exploração ilegal e predatória de recursos naturais e o assassinato de lideranças de comunidades tradicionais, indígenas e ambientalistas. Ao mesmo tempo, Bolsonaro desmontou e desmoralizou a fiscalização ambiental, deu inúmeras declarações de incentivo à ocupação predatória da Amazônia e de criminalização dos que defendem a sua conservação.

O aumento do desmatamento e das queimadas representa, também, o aumento das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, distanciando o país do cumprimento das metas assumidas no Acordo de Paris. Enquanto o governo justifica a flexibilização das políticas ambientais como necessárias para a melhoria da economia, a realidade é que enquanto as emissões explodem, o aumento do PIB se aproxima do zero.

O Presidente deve agir com responsabilidade e provar o que diz, ao invés de fazer ilações irresponsáveis e inconsequentes, repetindo a tentativa de criminalizar as organizações, manipulando a opinião pública contra o trabalho realizado pela sociedade civil.

Bolsonaro não precisa das ONGs para queimar a imagem do Brasil no mundo inteiro.

Brasil, 21 de agosto de 2019

Assinam:

  • Ação Educativa
  • Angá;
  • Articulação Antinuclear Brasileira;
  • Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, APIB;
  • Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente, APEDEMA;
  • Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia, AGENDHA;
  • Associação Agroecológica Tijupá;
  • Associação Alternativa Terrazul;
  • Associação Ambientalista Copaíba;
  • Associação Ambientalista Floresta em Pé, AAFEP;
  • Associação Ambientalista Floresta em Pé, AAFEP;
  • Associação Amigos do Meio Ambiente, AMA;
  • Associação Arara do Igarapé Humaitá, AAIH;
  • Associação Brasileira de ONGs, ABONG;
  • Associação Civil Alternativa Terrazul;
  • Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos, AQUASIS;
  • Associação de Preservação da Natureza do Vale do Gravataí;
  • Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida, APREMAVI;
  • Associação Defensores da Terra;
  • Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre, AMAAIAC;
  • Associação em Defesa do rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar, APOENA;
  • Associação Flora Brasil;
  • Associação MarBrasil;
  • Associação Mico-Leão-Dourado;
  • Associação Mineira de Defesa do Ambiente, AMDA;
  • Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia, CAPA / FLD;
  • Centro de Assessoria Multiprofissional, CAMP;
  • Centro de Estudos Ambientais, CEA;
  • Centro de Trabalho Indigenista, CTI;
  • Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro Brasileiro;
  • Cidade Escola Aprendiz;
  • Coletivo BANQUETAÇO;
  • Coletivo Delibera Brasil;
  • Coletivo do Fórum Social das Resistências de Porto Alegre;
  • Coletivo Socioambiental de Marilia;
  • Comissão Pró-Índio do Acre, CPI-Acre;
  • Conselho de Missão entre Povos Indígenas, COMIN / FLD;
  • Conselho Indigenista Missionário, CIMI;
  • Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, COIAB;
  • Coordenadoria Ecumênica de Serviço, CESE;
  • Ecossistemas Costeiros, APREC;
  • Elo Ligação e Organização;
  • Espaço de Formação, Assessoria e Documentação;
  • FADS – Frente Ampla Democrática Socioambiental;
  • FEACT Brasil (representando 23 organizações nacionais baseadas na fé);
  • Federação de Órgãos para Assistencial Social e Educacional, FASE;
  • Fórum Baiano de Economia Solidária;
  • Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, FBOMS;
  • Fórum da Amazônia Oriental, FAOR;
  • Fórum de Direitos Humanos e da Terra;
  • Fórum de ONGs Ambientalistas do Distrito Federal;
  • Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo, FOAESP;
  • Fórum Ecumênico ACT Brasil;
  • Fórum Social da Panamazônia;
  • Fundação Avina;
  • Fundação Luterana de Diaconia, FLD;
  • Fundação Vitória Amazônica, FVA;
  • GEEP – Açungui;
  • Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero;
  • Grupo Ambientalista da Bahia, GAMBA;
  • Grupo Carta de Belém;
  • Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná;
  • Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para Agenda 2030;
  • Grupo Ecológico Rio de Contas, GERC;
  • Habitat para humanidade Brasil;
  • Iniciativa Verde;
  • Instituto AUÁ;
  • Instituto Augusto Carneiro;
  • Instituto Bem Ambiental, IBAM;
  • Instituto Centro Vida, ICV;
  • Instituto de Estudos Ambientais – Mater Natura;
  • Instituto de Estudos Jurídicos de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais, IDhES;
  • Instituto de Estudos Socioeconômicos, Inesc;
  • Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, Iepé;
  • Instituto de Pesquisas Ecológicas, IPÊ;
  • Instituto Ecoar;
  • Instituto EQUIT – Gênero, Economia e Cidadania Global;
  • Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental;
  • Instituto Internacional de Educação do Brasil, IEB;
  • Instituto MIRA-SERRA;
  • Instituto Socioambiental, ISA;
  • Instituto Universidade Popular, UNIPOP;
  • Iser Assessoria;
  • Movimento de Defesa de Porto Seguro, MDPS;
  • Movimento dos Trabalhadores/as Rurais sem Terra, MST;
  • Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas de São Paulo;
  • Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça e Cidadania;
  • Movimento Roessler;
  • Movimento SOS Natureza de Luiz Correia;
  • Núcleo de Pesquisa em Participação, Movimentos Sociais e Ação Coletiva, NEPAC UNICAMP;
  • Observatório do Clima;
  • OekoBr;
  • Operação Amazônia Nativa, OPAN;
  • Organização dos Professores Indígenas do Acre, OPIAC;
  • Pacto Organizações Regenerativas;
  • Plataforma DHESCA Brasil;
  • ProAnima – Associação Protetora dos Animais do Distrito Federal;
  • Processo de Articulação e Diálogo, PAD;
  • Projeto Saúde e Alegria;
  • Rede Brasileira De Justiça Ambiental;
  • Rede Conhecimento Social;
  • Rede de Cooperação Amazônia, RCA;
  • Rede de ONGs da Mata Atlântica, RMA;
  • Rede de ONGs da Mata Atlântica;
  • Rede Feminista de Juristas, deFEMde;
  • Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS, RNP+BRASIL;
  • Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS do Estado de São Paulo, RNP+SP;
  • Sempreviva Organização Feminista, SOF;
  • SOS Mata Atlântica;
  • Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, SPVS;
  • Terra de Direitos;
  • TERRA VIVA – Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Extremo Sul da Bahia;
  • União Protetora do Ambiente Natural, UPAN;
  • Vida Brasil;

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/bolsonaro-nao-precisa-das-ongs-para-queimar-a-imagem-do-brasil/

Rede protocola pedido de impeachment contra ministro do Meio Ambiente

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
© REUTERS / Adriano Machado

O partido Rede apresentou na manhã desta quinta-feira (22) um pedindo de impeachment contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-o de crime de responsabilidade.

De acordo com o pedido, protocolado pelos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e a deputada Joenia Wapichana (RR), Salles não cumpriu com o “dever constitucional de proteção ao meio ambiente e dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil”.

“Em nosso entendimento, Salles cometeu crime de responsabilidade. Além disso, cabe destacar a omissão em relação ao aumento do desmatamento na Amazônia e das queimadas que estão atingindo a região. Pedimos o impeachment de Salles, sobretudo, em defesa do Meio Ambiente!”, afirmou Randolfe Rodrigues no Twitter.

​"O ministro não atuou para prevenir a catástrofe de queimada que acontece na Amazônia. De outro lado, atua no desmonte dos quadros dos órgãos, na desarticulação das secretarias. É um conjunto de medidas e ações que levaram à catástrofe que ocorre neste momento na Amazônia. É de conhecimento o período de seca na Amazônia. Essas ações e omissões levaram a esse agravamento”, acrescentou.

Se o STF proceder com o julgamento do pedido de impeachment, o ministro do Meio Ambiente pode perder o cargo e ser proibido de exercer cargos públicos por oito anos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082214420375-rede-protocola-pedido-de-impeachment-contra-ministro-do-meio-ambiente/

Presidente da Colômbia oferece ajuda para combater incêndios na Amazônia

Iván Duque, presidente da Colômbia durante sua visita à OEA
© AP Photo / Jose Luis Magana

O presidente da Colômbia, Iván Duque, ofereceu o apoio do seu governo para trabalhar em conjunto com outros países para mitigar os incêndios que consomem hectares de florestas na Amazônia.

"A tragédia ambiental na Amazônia não tem fronteiras e deve chamar a atenção de todos. Do Governo Nacional, oferecemos aos nossos países irmãos o nosso apoio para trabalhar juntos para uma finalidade urgente: proteger os pulmões do mundo", disse Duque através da sua conta do Twitter.

​Embora os incêndios florestais sejam comuns na Amazônia durante a estação seca, boa parte dos que estão acontecendo neste momento ocorrem devido ao desmatamento produzido na área afetada.

Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), com base em dados do INPE, revelaram que o Brasil vive a maior onda de queimadas dos últimos cinco anos. Desde o início do ano até o dia 18 de agosto, foram registrados 71.497 focos de incêndio, número 82% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), um dos sistemas mais usados para monitorar o desmatamento da Amazônia, relatou que nos últimos 12 meses houve um aumento de 15% da área desmatada em relação ao período anterior.

Os dados foram divulgados na semana passada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que é responsável pelo SAD, e avaliou o desmatamento no período entre agosto de 2018 e julho de 2019.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019082214420291-presidente-da-colombia-oferece-ajuda-para-combater-incendios-na-amazonia/

Sem apresentar provas, Bolsonaro volta a atacar ONGs por queimadas na Amazônia

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, discursa no Palácio do Planalto, Brasília, 24 de julho de 2019
© REUTERS / Adriano Machado

O presidente Jair Bolsonaro disse que a causa das queimadas na Amazônia pode ser a ação de fazendeiros, mas reiterou que "a maior suspeita vem de ONGs".

Bolsonaro foi questionado por jornalistas nesta quinta-feira (22) sobre ter levantado suspeitas de que a ação de ONGs estaria relacionada aos incêndios na Floresta Amazônica. Ele admitiu que não tem provas sobre a associação de organizações com as queimadas.

"Pode, pode ser fazendeiro, pode. Todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs", afirmou o presidente ao sair do Palácio do Planalto.

"Não se tem prova disso, meu Deus do céu. Ninguém escreve isso, vou queimar lá, não existe isso. Se você não pegar em flagrante quem está queimando e buscar quem mandou fazer isso, que isso tá acontecendo, é um crime que está acontecendo", acrescentou.

Na última quarta-feira (21) Bolsonaro chegou a afirmar que "pode estar havendo ação criminosa desses 'ongueiros'" para chamar atenção contra o governo por ter ele ter cortado repasses para ONGs.

ONG atribui queimadas às políticas de Bolsonaro

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o diretor do departamento de combate a incêndios do Greenpeace Russia, Grigory Kuksin, afirmou que são as ações e políticas do próprio presidente que permitiram o aumento das queimadas com o seu apoio às ações de fazendeiros na Floresta Amazônica.

"O presidente Bolsonaro certamente sabe as causas destes incêndios, e elas não são as que ele declara, porque foram justamente as suas políticas e suas ações
que permitiram que fazendeiros tiveram a possibilidade de incendiar a mata de forma massiva e sem absolutamente nenhum controle", declarou.

Um estudo apresentado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que, entre janeiro deste ano e a última segunda-feira, o número de focos de queimadas no Brasil aumentou 83% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo o recorde dos últimos sete anos com 72.843 pontos registrados.

A intensidade das queimadas na Amazônia no começo da semana fez com que a fumaça se espalhasse e cobrisse diversas cidades do país com uma névoa escura.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082214420278-sem-apresentar-provas-bolsonaro-volta-a-atacar-ongs-por-queimadas-na-amazonia/

Bolsonaro abre porteira ao crime ambiental na Amazônia, diz deputada

Por incentivar mineração em terras indígenas e agir para acabar com o Fundo Amazônia, um programa de combate ao desmatamento e de desenvolvimento sustentável, Jair Bolsonaro abriu a porteira da degradação ambiental na região.

 

 

É o que avalia a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) para quem o presidente não dá a menor importância às questões ambientais.

Segundo ela, Bolsonaro está levando o país uma completa desmoralização, abrindo espaço para os oportunistas e irresponsáveis que defendem a internacionalização da Amazônia brasileira.

 
Bolsonaro nunca se conformou com a multa que o Ibama lhe aplicou pela prática de crime ambiental. Então, tudo o que ele puder fazer para acabar com o órgão, ele vai fazer. Bolsonaro abre a porteira da degradação ambiental na Amazônia, quando incentiva mineração em terras indígenas e dá sinais de que quer extinguir algumas reservas ambientais”.
Perpétua Almeida, discurso no plenário da Câmara nesta terça-feira (20) à noite
 
 
 
Agora, ele também detona o Fundo Amazônia, que sobrevivia com as contribuições da Alemanha e Noruega, sustentando parte das ações do Ibama e dos projetos de uso sustentável da floresta. Perder o apoio dos que mais contribuem significa perder quase 300 milhões de reais em investimentos em projetos ambientais. Significa que populações mais pobres podem ficar desassistidas”.
Perpétua Almeida
 
 

Para a parlamentar, as leis precisam ser cumpridas como o Código Florestal propõe e é necessário aliar sustentabilidade com desenvolvimento. “A Amazônia está ardendo, está em chamas, e a fumaça se deslocou para outros estados. O avanço da fumaça com as queimadas ilegais mostrou que não são só os moradores do Norte que sofrem com o desmatamento, todo o país será vítima da destruição de anos de conquistas que são nossas leis ambientais”, frisou.

A parlamentar acredita que é preciso agir rapidamente para que os prejuízos sejam reduzidos e denunciou que o aumento do desmatamento e das queimadas é, na maior parte dos casos, criminoso.

Perpétua defendeu as populações tradicionais que sofrem as consequências do desmatamento e perdem a terra para as multas, enquanto os grandes devastadores, aqueles que desmatam ilegalmente, são amparados por advogados e não pagam multa nenhuma.

Impassividade

“Até quando vamos assistir a morte da Amazônia de braços cruzados?”, questionou a deputada. Perpétua citou os dados alarmantes do Sistema de Alerta de Desmatamento que foram divulgados recentemente e mostraram que, na comparação de julho deste ano com julho de 2018, o desmatamento foi 66% maior. Para ela, uma das possíveis causas deste aumento é o incentivo que sai das falas do presidente Jair Bolsonaro.

A deputada acreana entende que é essencial uma proposta de desenvolvimento, de cidadania e de geração de renda por meio do uso sustentável da floresta. “A Amazônia peruana é do Peru, a Amazônia boliviana é da Bolívia, e a Amazônia brasileira é dos brasileiros! O Brasil precisa provar aos brasileiros que pode, sabe e quer cuidar da sua Amazônia”, concluiu.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Prensa Latina) / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/bolsonaro-abre-porteira-ao-crime-ambiental-na-amazonia-diz-deputada/

Desmatamento é principal causador de incêndios na Amazônia, diz especialista

Desmatamento da Amazônia (foto de arquivo)
© AP Photo / Andre Penner

A cidade de São Paulo observou um fenômeno estranho na tarde desta segunda-feira (19). Era por volta de 15 horas quando a tarde se transformava em noite e as ruas ficaram completamente escuras.

No início, muitos pensaram que a escuridão fosse causada pelo mau tempo, mas o principal fator para o céu ter ficado escuro foi na verdade a fumaça de incêndios que se espalham pelas florestas do Norte do Brasil, se estendendo pelos Estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e que foram transportadas pelo vento em direção a região Sudeste.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) admitiu que um corredor de fumaça avançou em direção ao centro-sul do país e chegou a São Paulo.

De acordo com Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o fenômeno dos incêndios florestais pode ser tanto natural, causado pelas secas, quanto provocado pela ação do homem.

Um levantamento feito pelo IPAM, com base em dados do INPE, revelaram que o Brasil vive a maior onda de queimadas dos últimos cinco anos. Desde o início do ano até o dia 18 de agosto, foram registrados 71.497 focos de incêndio, número 82% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Ane Alencar atribui o crescimento do número de incêndio ao aumento do desmatamento na região da Amazônia, e não à fenômenos naturais.

"O que nós estamos vivenciando hoje na Amazônia é um período de fogo, uma estação de fogo que está super relacionada com o desmatamento", disse em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo a pesquisadora, se as queimadas continuarem se espalhando neste ritmo é possível que elas cheguem ao seu pico no próximo mês.

"Se a gente seguir a tendência de queima dos outros anos, a tendência é que esse número aumente e chegue no seu pico mais ou menos no início da primeira semana de setembro", afirmou.

O professor Foster Brown, da Universidade Federal do Acre (UFAC), disse que o tempo de recuperação da área desmatada pode levar décadas para se recuperar.

"A primeira coisa a se fazer é não deixar queimar novamente, temos indicações em torno da biomassa das florestas que podem levar décadas para recuperar a perda de um incêndio. Se tiver repetição dos mesmos incêndios na área impactada pode levar a uma degradação que é basicamente permanente da floresta", disse à Sputnik Brasil.

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), um dos sistemas mais usados para monitorar o desmatamento da Amazônia, relatou que nos últimos 12 meses houve um aumento de 15% da área desmatada em relação ao período anterior.

Os dados foram divulgados na semana passada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que é responsável pelo SAD, e avaliou o desmatamento no período entre agosto de 2018 e julho de 2019.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082114417265-desmatamento-e-principal-causador-de-incendios-na-amazonia-diz-especialista/

Bolsonaro sugere que ONGs poderiam estar por trás do aumento de queimadas na Amazônia

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante o discurso no Palácio do Planalto, 1º de agosto de 2019
Eraldo Peres

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que o aumento de queimadas registrado nos últimos dias na Amazônia pode ser resultado de ação criminosa.

Para o presidente, as ações podem ser uma reação à suspensão de repasses do governo para organizações não governamentais (ONGs) e a também de verbas de países para o Fundo Amazônia, projeto de cooperação internacional para preservação da floresta, informou Agência Brasil.

Nas últimas semanas, os principais doadores do fundo, Alemanha e Noruega, anunciaram a suspensão de seus repasses após a divulgação das taxas de desmatamento na região.

"O crime existe e temos que fazer com que esse crime não aumente. Mas nós tiramos dinheiro de ONGs, repasses de fora, dos quais 40% iam para ONGs, não tem mais, acabamos com repasses de órgão públicos para ONGs, de modo que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro", explicou o presidente.

"Então, pode estar havendo ação criminosa desses 'ongueiros' para chamar atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que estamos enfrentando”, disse Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada, na manhã desta quarta-feira.

"Não estou afirmando, mas no meu entender, há interesse dessas ONGs que representam interesse de fora do Brasil", acrescentou o político.

O presidente aproveitou para disparar contra as demarcações de terra e contra interferência outros países na Amazônia.

"As demarcações não são para proteger o índio, mas para deixar intacta a maior parte possível dessa área para que, no futuro, outros países venham nos explorar aqui. Você acha que é coração muito grande desses países em ajudar? Ele não querem ajudar, todo mundo sabe que não tem amizade entre países, tem interesses. O que nós temos na região amazônica o mundo não tem. O mundo cresce 70 milhões de habitantes por ano, esse pessoal precisa de algo para se alimentar, para evoluir e vem de onde a matéria-prima? Dessa área", alertou.

"É um crime, o governo não está insensível para isso. Mas temos uma guerra acontecendo no mundo contra o Brasil, a guerra da informação", concluiu o chefe de Estado e prometeu governo vai abrir investigação para punir os responsáveis pelas queimadas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082114416872-bolsonaro-sugere-que-ongs-poderiam-estar-por-tras-do-aumento-de-queimadas-na-amazonia/

Fumo dos incêndios na Amazónia espalhou-se pelo continente sul-americano

Apesar de esta época do ano ser de seca na Amazónia e noutras regiões florestais do Brasil, o grande número de fogos registados recentemente tem origem criminosa, na «acção predatória dos fazendeiros».

O Brasil de Fato sublinha que, na maioria dos casos, os fogos têm origem «na acção predatória de fazendeiros», que procuram expandir as áreas de pastagem ou para plantações de sojaCréditos / greenpeace.org

Uma notícia publicada esta terça-feira no portal Brasil de Fato dá conta do «ritmo acelerado» nas queimadas na floresta amazónica, de tal forma que o fumo era visível, na passada segunda-feira, na cidade de São Paulo.

As partículas das queimadas «viajaram milhares de quilómetros, primeiro rumo ao oeste do continente, chocando contra a cordilheira dos Andes», e rumando depois para sul, afirma a fonte noticiosa citada, precisando que o fumo que atingiu São Paulo retornou ao Brasil potencializado pelos incêndios florestais na Bolívia e no Paraguai.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Brasil vive a maior onda de queimadas dos últimos cinco anos, tendo sido registados, desde Janeiro, 71 497 focos de incêndio, mais 82% que em igual período do ano passado, quando foram registados 39 194 focos.

Os estados onde as queimadas mais cresceram foram Mato Grosso do Sul (260%), Rondónia (198%), Pará (188%), Acre (176%) e Rio de Janeiro (176%). Recentemente, no período de 17 a 19 Agosto, o Inpe registrou 5253 focos de queimadas em todo o Brasil, além 1618 na Bolívia, 1116 no Peru e 465 no Paraguai.

Sendo esta época de seca na Amazónia e noutras zonas de floresta do Brasil, a mata torna-se mais susceptível a incêndios e a seca pode ajudar a alastrar os fogos. No entanto, o Brasil de Fato sublinha que, na maioria dos casos, o fogo tem origem «na acção predatória de fazendeiros», que procuram expandir as suas áreas de pastagem ou para plantações de soja.

Imagem do sistema de monitorização climática Windy do dia 18 de Agosto com alta concentração atmosférica (manchas vermelhas) de monóxido de carbono nos estados do Acre, Rondónia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, passando por Bolívia e Paraguai Créditos
 

Fazendeiros promoveram «dia do fogo» no Pará

No passado dia 10, várias cidades ao longo da via BR-163, no Sudoeste do estado brasileiro do Pará, ficaram cobertas por densas nuvens de fumo, depois de fazendeiros dessa região da Amazónia terem promovido um «dia do fogo».

De acordo com o Brasil de Fato, os ataques reiterados de Jair Bolsonaro «às políticas ambientais, aos ambientalistas e aos órgãos de fiscalização estimularam» os fazendeiros a realizar esta acção. Segundo o jornal local Folha do Progresso, a ideia era chamar a atenção do governo: «Precisamos de mostrar ao presidente que queremos trabalhar e o único jeito é derrubando. E, para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo», disse um dos organizadores da acção.

Só na principal cidade da região, Novo Progresso, foram registados 124 focos de incêndio no dia 10 e 203 casos no dia seguinte. Na cidade de Altamira, houve 194 casos no sábado, dia 10, e 237 no dia 11. De acordo com a Folha de S. Paulo, o Ministério Público Estadual está a investigar o caso.

Recorde-se que o actual presidente brasileiro, que se autodesignou «capitão motosserra», já mostrou que não gosta dos dados divulgados pelo Inpe – nomeadamente os relativos à desflorestação ou desmatamento – e trocou o presidente do Instituto, substituindo Ricardo Galvão por um oficial da Força Aérea.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/fumo-dos-incendios-na-amazonia-espalhou-se-pelo-continente-sul-americano

A pobreza e as florestas do Brasil

Na média, a queda de rendimentos no Brasil, desde o fim de 2014, é de 2,6%. Os jovens perderam cerca de 15% de sua renda durante a crise. Os dados são do FGV Social, publicados pelo jornal Folha de S. Paulo. Eles mostram também que a crise atingiu de forma mais intensa os estratos pobres, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A renda per capita do trabalho dos 10% mais ricos subiu 2,5% acima da inflação; e a do 1% mais rico, 10,1%. Já o rendimento dos 50% mais pobres despencou 17,1%; e dos 40% “do meio”, caiu 4,2%.

 

Como informa o FGV Social, o total de pessoas que cruzaram a linha da extrema pobreza desde 2014, passando a viver com menos de R$ 232 por mês, cresceu 33%. São 6,3 milhões de brasileiros, o que elevou a 23,3 milhões o total de miseráveis, o equivalente a 11,2% da população. Mesmo assim, há muito menos pessoas na pobreza extrema hoje do que no início dos anos 2000, quando elas eram 28% do total.

São números que esclarecem muitos dos problemas econômicos, sociais e, consequentemente, políticos do Brasil. A economia entrou em colapso quando enfrentou o ciclo de desaceleração puxado pela queda na taxa de investimento, que passou a apresentar patamares negativos a partir do segundo semestre de 2014. Essa desaceleração pode ser atribuída a múltiplas causas. Começa pelas falhas na condução da política econômica e fatores políticos, como as manifestações de 2013 e a incerteza eleitoral de 2014.

Pesou muito também fatores internacionais, como a perspectiva de redução dos estímulos monetários injetados para reavivar a economia norte-americana e a rápida queda no preço das commodities. Houve ainda os fatores institucionais, com o avanço da Operação Lava Jato que afetou setores estratégicos da economia brasileira, como petróleo e gás, construção civil e indústria naval. Influenciou, da mesma forma, os efeitos destrutivos da tática da oposição de impedir a presidenta reeleita de governar. A situação se agravou com o “choque fiscal” de 2015, conduzido pelo então ministro da Fazenda Joaquim Levy, ainda no governo da presidenta Dilma Rousseff.

O golpe do impeachment em 2016 aprofundou essa linha contracionista que mergulhou o país na recessão e, com a eleição de Bolsonaro em 2018, ela ganhou ares ainda mais autoritários. Na verdade, trata-se de uma política oposta ao enfrentamento do principal desafio do Brasil – vencer as suas enormes desigualdades sociais. Delas decorre o estigma da fome – condição inaceitável em um país de agricultura farta e vastas fontes de riqueza natural – resultante do gerenciamento do Estado voltado exclusivamente para atender a interesses privados.

O combate à pobreza no Brasil nunca foi uma impossibilidade natural. No período Lula e Dilma, de geração de emprego e renda – o que significa estímulo ao consumo e à cidadania –, isso ficou bem demonstrado. Não existe método mais eficaz de integrar os excluídos do que o de transformar todos em consumidores. Além do desemprego – um fenômeno essencialmente urbano – há a pobreza na zona rural, estimada pelo Ipea em cerca de 36%. No caso dos mais pobres, o campo responde por quase metade deles.

Vem daí a tradição de empurrar brasileiros pobres para a prática de profanar o meio ambiente para ter o que comer, como fez a ditadura militar com sua política de adensar a Amazônia. Isso é inaceitável. Não é aceitável, também, determinar que a floresta pode ser trocada pelo garimpo, por lavoura extensiva, por rebanhos e madeireiras praticando extrativismo predatório.

Como disse o ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, mesmo o agronegócio pode ser prejudicado com o discurso de Bolsonaro em relação a questões ambientais, que abre caminho para grileiros e oportunistas de todo calibre. A exploração racional da riqueza do país permite o seu desenvolvimento sem destruir o meio ambiente.

A questão é criar as alavancas para o projeto de rompimento com a restauração da ordem neoliberal, agora com feição ultraliberal e ainda mais neocolonial, definida por Bolsonaro. Se a política adotada for ajustada à perspectiva de superação do bolsonarismo – a lógica que faz os ricos ficarem mais ricos, os pobres mais pobres, e os miseráveis excluídos até da discussão sobre a exclusão –, os resultados aparecerão. Esse projeto só pode ser edificado pela via política, com o empenho de amplos segmentos patrióticos, democráticos e progressistas, unidos em favor do Brasil.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-pobreza-e-as-florestas-do-brasil/

Os banqueiros misantropos por detrás do «New Deal» Verde

 
 
Ninguém que conheça como se comporta o capitalismo pode deixar de desconfiar do actual empenho “verde” da oligarquia, directamente ou através da promoção mediática de figuras e organizações de fachada. Uma observação documentada dos bastidores, como a que este texto faz, ajuda a esclarecer alguma coisa.
 
 
Uma vasta mudança radical em direção a uma “economia verde” está agora a ser impulsionada por forças que podem deixar um cidadão educado bastante desconfortável.
 
Evidentemente, os noticiários mostram diariamente o bravo movimento jovem de “eco-guerreiros” liderado pela sueca Greta Thunberg, de 16 anos, ou pelo norte-americano Jamie Margolin, de 17 anos, que se tornou uma força em toda a Europa e os EUA dirigindo movimentos como Extinction Rebellion, This is Zero Hour, Sunrise Movement e a eco-cruzada das Crianças. A jovem face de Alexandria Ocasio-Cortez vende diariamente a ideia de que a única maneira de substituir as forças capitalistas ultrapassadas que há décadas atormentam o mundo é impor um New Deal Verde que dê prioridade à descarbonização como uma meta para a humanidade em vez de continuar a permitir que as irresponsáveis forças dos mercados determinem nosso destino.
 
A presidente da UE, Ursula von der Leyen, atacou até a Iniciativa Cinturão e Estrada da China (que, ironicamente, representa um verdadeiro New Deal do século XXI) dizendo que “alguns estão a comprar influência investindo na dependência em relação a portos e estradas”… mas “que nós seguimos o caminho europeu”. O que é o “caminho europeu”? Não os planos de desenvolvimento de Charles De Gaulle ou Konrad Adenauer, que encaravam como positivos o crescimento industrial e o aumento da população, mas antes um Green New Deal. Von der Leyen disse em 17 de Julho que “eu quero que a Europa se torne o primeiro continente do mundo neutro em CO2 até 2050! Vou apresentar um New Deal Verde para a Europa nos meus primeiros 100 dias no cargo… ”
 
Atacando as “irresponsáveis forças do mercado” e as estruturas de poder do capitalismo não são coisas más de fazer … mas porque devemos descarbonizar? A re-regulamentação de bancos grandes demais para cais já está muito atrasada, mas porque supõem tantos que um “New Deal Verde” não irá apenas capacitar as mesmas forças que devastaram o mundo nos últimos cinquenta anos e apenas causar mais morte e fome do que já foi sofrida sob a Globalização?
 
Pode até pensar-se em fazer essas perguntas confrontando primeiro o desconfortável facto de que por detrás destas figuras recortadas em cartão como Thunberg, Margolin, Cortez ou o Green New Deal estão figuras que ninguém de forma alguma associaria ao humanitarismo.
 
Títulos verdes e oligarcas
 
Quando começamos a puxar a cortina rapidamente encontramos figuras como o príncipe Charles, que recentemente se reuniu com os chefes de 18 países da Commonwealth para consolidar legislação de emergência climática que foi prontamente aprovada nos parlamentos do Reino Unido e do Canadá. No final da reunião, Charles disse que “temos 18 meses para salvar o mundo da alteração climática” e apelou a “aumentar o volume de financiamento do sector privado cujo fluxo se dirige ao apoio ao desenvolvimento sustentável em toda a comunidade”.
 
Após o decreto real, o Banco da Inglaterra e alguns dos mais sujos bancos na rede de finanças da Rothschild-City of London promoveram “instrumentos financeiros verdes” encabeçados pelos Green Bonds para redirecionar planos de pensão e fundos mútuos para projectos verdes em que ninguém de perfeito juízo jamais investiria voluntariamente. O Índice Ecológico, Social, de Governança (ESGI) já foi implementado em 51% dos bancos da Alemanha, incluindo a bomba de derivativos à espera de explodir denominada Deutschebank. Os principais banqueiros que apoiam o ESGI como Mark Carney, do Banco da Inglaterra, disseram que mais de 6,5 milhões de milhões de euros poderiam ser mobilizados sob este novo índice (que actualmente representa cerca de US $ 160 milhares de milhões). A criação desses “títulos verdes” é acompanhada pelos mecanismos de resgate que foram implementados nos países transatlânticos a fim de roubar milhões de milhões de dólares dos fundos de pensões, RRSPs e fundos mútuos da próxima vez que for necessário um resgate para sustentar os “grandes demais para fracassar”, que actualmente estão sentados sobre uma bolha de US $ 1,2 milhões de milhões de derivativos à espera de explodir.
 
Além de encabeçar o Banco da Inglaterra, o ex. Goldman Sachs Carney patrocinou também a Força Tarefa do Conselho de Estabilidade Financeira sobre Revelações Financeiras Relacionadas com o Clima que foi criada em 2015 e foi usada como linha de orientação para o Livro Branco do Governo do Reino Unido de Julho de 2019, “Estratégia Financeira Verde: Transformar as Finanças para um Futuro Mais Verde ”. O Livro Branco propôs “consolidar a posição do Reino Unido como centro global para a finança verde e posicionar o Reino Unido à frente da inovação financeira verde e de dados e análises… endossados ​​por instituições que representam globalmente US $ 118 milhões de milhões de activos”. A Força-Tarefa liderada por Carney gerou também em 2016 a Iniciativa Financeira Verde, que é agora um veículo primário projectado para desviar os fluxos de capital internacional para tecnologia verde.
 
O ex-empregador da Carney Goldman Sachs também criou um “Índice Verde para ‘investimento virtuoso’, incluindo dois novos índices de sustentabilidade para promover investimentos pesados ​​em infraestrutura verde, chamados CDP Environment EW e CDP Eurozone EW. A sigla CDP é originária do Climate Disclosure Project - um think tank londrino que gerou o programa da Goldman Sachs. Marine Abiad, da Goldman Sachs, promoveu o índice CDP dizendo em 10 de Julho “estamos convencidos de que a finança sustentável ​​permitem que os mercados financeiros desempenhem um papel virtuoso na economia”.
 
Caso ache que Extinction Rebellion foi de alguma forma intocado pela mão de engenheiros sociais, uma destacada figura por detrás do movimento chamado Alex Evans foi um ex-consultor da Unidade Internacional de Sustentabilidade do Príncipe [Carlos] e coautor do livro do Global Intelligence Council Global Trends 2025: A Transformed World, que se tornou um modelo de política ambiental / externa para a administração Obama em 2008. Actualmente, Evans dirige também o Collective Psychology Project “onde a psicologia se encontra com a política”.
 
Outras destacadas figuras da inteligência britânica que gerem o movimento Extinction Rebellion incluíam Farhana Yamin e Sam Gaell, da Chatham House (a instituição de controlo por trás do Conselho de Relações Exteriores de Nova York). Poderia uma “benevolente” ditadura verde ser uma Coisa Boa?
 
Fala o advogado do diabo: não podemos presumir que estes bancos centrais, oligarcas e gestores de hedge funds apenas se preocupam com o meio ambiente? Qual é o problema se eles estão a tentar modificar o comportamento da humanidade para salvar o meio ambiente? Afinal de contas, a própria humanidade é uma egoísta e glutona máquina de produção de poluição, e não é melhor para todos se estas elites iluminadas apenas transformam a economia mundial de forma a consumirmos menos e pensarmos mais sobre o futuro?
 
Se essa linha de pensamento se aproxima de algo que já sentiu dentro de si, sofreu uma lavagem cerebral.
É claro que o mundo se transformou num culto consumista ao longo das últimas décadas em que o pensamento de longo prazo foi sacrificado aos ganhos de curto prazo e, claro, precisamos de uma reorganização do sistema. Thunberg e os Green New Dealers não estão errados sobre essa matéria. Tudo bem e chique.
 
Mas se pensa que acompanhando os tipos de reforma que aspiram a colocar os valores do dólar na redução das pegadas de carbono ou em espalhar moinhos de vento e painéis solares de baixa qualidade (e muito caros) em todo o mundo com a expectativa de que essas fontes de energia não causem de algum modo um vasto colapso da capacidade industrial da civilização (e uma perda associada de capacidade de sustentar a vida humana), então está a enganar-se a si próprio. Um quilowatt de energia de um moinho de vento é apenas o mesmo que um quilowatt de energia nuclear quando aplicado a uma equação matemática, mas não na vida real. Quando aplicado a funções de trabalho de capital intensivo necessárias para fundir aço industrial, operar máquinas-ferramentas, alimentar um vasto complexo agroindustrial, um sistema ferroviário de alta velocidade ou construir coisas como a Belt and Road Initiative, as fontes de energia “verdes” não chegam nem perto para agir praticamente.
 
A questão sempre foi o controlo populacional
 
Os oligarcas que comandam o “grande projeto verde” desde que Sir Alexander King, do Clube de Roma, iniciou o estudo Limits to Growth em 1970, sabiam que as fontes verdes de energia de “baixa densidade de fluxo de energia” restringiriam a população global e é isso exactamente o que queriam. Sir King disse-o em 1990, quando escreveu: “Na busca de um novo inimigo que nos una, surgiu a ideia de que a poluição, a ameaça do aquecimento global, a escassez de água, a fome e afins preencheriam os requisitos … Todos esses perigos são causados ​​pela intervenção humana, e é somente através da alteração de atitudes e comportamentos que eles podem ser superados. O verdadeiro inimigo, então, é a própria humanidade ”.
 
Sir King estava, afinal de contas, apenas seguindo a liderança do fundador da UNESCO (e presidente da Eugenics) Sir Julian Huxley que em 1946 escreveu “A unificação política em algum tipo de governo mundial será necessária… Embora … qualquer política eugénica radical seja por muitos anos politicamente e psicologicamente impossível, será importante para a UNESCO ver que o problema eugénico é examinado com o maior cuidado, e que a opinião pública é informada das questões em jogo, de modo a que muito do que agora é impensável possa pelo menos tornar-se pensável ”.
 
Foi apenas alguns anos depois que Huxley seria cofundador do World Wildlife Fund ao lado do príncipe Philip Mountbatten e do príncipe Bernhardt da Holanda.
Todos os três estiveram presentes na reunião promovida por Bernhardt que fundou o grupo Bilderberg para adiantar em 1954 essa grande conversão da sociedade ao autoextermínio voluntário e, embora Huxley não estivesse presente em 1970, os outros dois oligarcas cofundaram o 1001 Nature Trust juntamente com 999 outros ricos misantropos para financiar o florescente movimento ambientalista. Estas forças estavam também por detrás do golpe de Estado nos Estados Unidos, que colocou no poder a Comissão Trilateral sob Jimmy Carter e desencadeou a “desintegração controlada da economia dos EUA” entre 1978-1982 (esse será o tópico de outro estudo). Esse agrupamento, encabeçado por Zbigniew Brzezinski, não apenas jogou a cartada do radicalismo islâmico contra a União Soviética como estabeleceu também um programa de redução da população através da promoção de fontes de energia verde muito antes de isso ser popular.
 
Os oligarcas que actualmente estão a tentar reformar a humanidade não se importam com o meio ambiente. O príncipe Philip e Bernhardt têm no currículo matar mais espécies ameaçadas em safári do que a maioria das pessoas matou mosquitos. Eles simplesmente não gostam de pessoas. Especialmente pessoas que pensem. Pessoas que pensam que questionam como e porque regras arbitrárias são aplicadas para justificar guerras, pobreza e oligarquismo que destroem vidas tanto agora como no futuro.
 
A Iniciativa do Cinturão e Estrada e a tendência para aumentar a população humana tanto quantitativa como qualitativamente que esses grandes projectos implicam, é o alvo do Green New Deal.
 
O legado do progresso científico e tecnológico que lançou a civilização ocidental a partir de uma idade das trevas e para um renascimento no século XV está sob ataque, porque é essa ética perdida que a oligarquia sabe que ainda pode ser despertada e que iria trazer o Ocidente para a harmonia com o programa Rússia-China para o crescimento e desenvolvimento sob uma filosofia de “cooperação win-win” tanto na Terra como no espaço.
 
Os efeitos das ideias do renascimento coincidiram com a maior taxa de descobertas de princípios universais, à medida que a humanidade procurava conhecer a mente de Deus através do estudo do livro da natureza com um coração de amor e uma atitude de humildade exemplificada na figura de Leonardo Da Vinci. A explosão de novas tecnologias que surgiram não apenas revolucionou a astronomia, a medicina e a engenharia, mas deu origem à moderna economia industrial, que coincidiu com o maior aumento de população da história. Este aumento exponencial tem sido durante séculos usado por malthusianos como prova de que a humanidade é “apenas mais um crescimento canceroso” na “pureza da mãe Gaia”.
 
Portanto, se não concorda com a filosofia seres humanos = cancro e quer algo um pouco mais optimista na sua vida, então apoie hoje um verdadeiro New Deal.
 
 
 
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/os-banqueiros-misantropos-por-detras-do.html

'Temos cidades em Rondônia cobertas pela fumaça das queimadas'

Imagem de queimada na Amazônia, na cidade de Novo Progresso, Pará.
© REUTERS / Nacho Doce

Os incêndios na Amazônia estão aumentando em 2019 e são utilizados por madeireiros para encobrir ações ilegais e fazer pressão contra indígenas e ocupações, afirma Claudinei dos Santos, da coordenação do MST em Rondônia.

"Temos cidades em Rondônia cobertas pela fumaça das queimadas. Não tenho dúvida nenhuma que essas ações estão conectadas com uma política do Estado brasileiro de abrir caminho para o capital nessas áreas de proteção ambiental", diz Santos à Sputnik Brasil. 

Na última sexta-feira, um voo da LATAM vindo de Brasília teve que mudar seu destino porque a fumaça de queimadas impediu seu pouso na capital de Rondônia, Porto Velho. A aeronave pousou em Manaus, Amazonas.

Por conta das queimadas e da falta de chuva, o Acre decretou estado de alerta ambiental nesta segunda-feira (19).

Levantamento do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (IPAM) com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o Brasil vive a maior onda de queimadas dos últimos cinco anos. Foram 71.497 focos de incêndio entre os dias 1 de janeiro e 18 de agosto deste ano, número 82% maior do que o registrado no mesmo período de 2018. 

Ainda de acordo com o IPAM, há um "forte indicativo do caráter intencional dos incêndios: limpeza de áreas recém-desmatadas".

A tese da pesquisa é confirmada por Santos. Segundo o membro do MST, os madeireiros usam as chamas para esconder práticas ilegais como a grilagem e a extração ilegal de madeira. Ele também afirma que um incêndio criminoso foi realizado para acuar o Assentamento Margarida Alves, em Nova União. 

"A fumaça generalizou na região", afirma.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019082014413370-temos-cidades-em-rondonia-cobertas-pela-fumaca-das-queimadas/

Poluição do ar aumenta risco de depressão, diz pesquisa

Uma mulher de máscara para a proteção contra a poluição do ar anda em uma ponteem Beijing enquanto a capital de China é encoberta pela fumaça pesada na terça-feira, dezembro 20, 2016
© AP Photo / Andy Wong

A poluição do ar está ligada a um risco maior de doenças mentais, disseram pesquisadores nesta terça-feira (20) em estudo baseado em dados de saúde de milhões de pacientes nos Estados Unidos e na Dinamarca.

As pessoas expostas a ar de baixa qualidade em ambos os países tiveram maior probabilidade de serem diagnosticadas com transtorno bipolar ou depressão, segundo o estudo, embora os críticos argumentem que ele tenha falhas e disseram que mais pesquisas são necessárias para tirar conclusões sólidas.

"Há muitos gatilhos conhecidos [para doenças mentais], mas a poluição é uma nova direção", disse o líder do estudo, Andrey Rzhetsky, da Universidade de Chicago, à Thomson Reuters Foundation. "Pesquisas em cães e roedores mostram que a poluição do ar pode entrar no cérebro e causar inflamação que resulta em sintomas semelhantes à depressão. É bem possível que a mesma coisa aconteça em humanos."

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a poluição atmosférica mata 7 milhões de pessoas por ano — o equivalente a 13 mortes por minuto — mais do que o total combinado de guerra, homicídio, tuberculose, HIV, AIDS e malária.

A poluição pode encurtar a expectativa de vida de crianças nascidas hoje em uma média de 20 meses, de acordo com pesquisa publicada pelo Health Effects Institute no início deste ano.

A preocupação crescente com a questão levou cidades como Paris, Bogotá e Jacarta a implantarem dias sem carros.

Mas, embora o impacto da poluição na saúde física seja bem conhecido, as ligações com doenças mentais têm sido menos exploradas.

Pesquisadores compararam dados de saúde e exposição local à poluição em 151 milhões de residentes nos EUA e 1,4 milhão de pacientes dinamarqueses para o estudo publicado no periódico PLOS Biology.

Para os pacientes dinamarqueses, eles compararam a saúde mental à exposição ao ar poluído até os 10 anos, enquanto nos Estados Unidos analisaram os níveis de poluição em tempo real.

A exposição na infância estava ligada a um aumento de mais de duas vezes na esquizofrenia entre os pacientes dinamarqueses, disseram os pesquisadores, assim como taxas mais altas de transtorno de personalidade, depressão e bipolaridade.

No entanto, o estudo revelou-se controverso.

Um comentário crítico do professor de Stanford, John Ioannidis, que foi publicado ao lado do estudo, disse que a pesquisa levanta a "intrigante possibilidade" de que a poluição do ar pode causar doenças mentais, mas não conseguiu apresentar um argumento claro.

"Apesar das análises envolvendo grandes conjuntos de dados, a evidência disponível tem falhas substanciais e uma longa série de potenciais vieses pode invalidar as associações observadas", escreveu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019082014413142-poluicao-do-ar-aumenta-risco-de-depressao-diz-pesquisa/

Bolsonaro e ministro Salles tramam pelo fim do Fundo Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, estão conseguindo acabar com Fundo Amazônia, considerado o maior programa de combate ao desmatamento e de desenvolvimento sustentável no país.

 

 

A crítica é feita pelo coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara dos Deputados, Nilto Tatto (PT-SP), para quem as ações tanto do presidente quanto do ministro são no sentido de destruir o programa.

Responsável pelo repasse de 93,8% dos R$ 3,4 bilhões destinados ao fundo, a Noruega anunciou na quinta-feira (15) a suspensão de mais um repasse de R$ 132,6 milhões. A Alemanha já havia suspendido R$ 155 milhões.

Num tom bélico, Bolsonaro debochou da situação: “A Noruega não é aquela que mata baleia lá em cima, no Polo Norte, não? Que explora petróleo também lá? Não tem nada a dar exemplo para nós. Pega a grana e ajude a Angela Merkel a reflorestar a Alemanha”, afirmou Bolsonaro.

O ministro Salles recebeu a notícia apático. Disse que não ficava supresso com a suspensão dos repasses. “O fundo está suspenso. Portanto tem que aguardar o resultado para poder ver se vai ter a destinação”, disse ele.

“Isso é muito sério para toda a luta pelo clima. A Amazônia é o pulmão do mundo e todos nós dependemos inteiramente da proteção da floresta tropical lá. Não há cenários para atingir as metas climáticas sem a Amazônia”, disse o ministro do meio ambiente da Noruega, Ola Elvestuen na entrevista.

“Em poucos dias o Brasil perdeu R$ 155 milhões da Alemanha, mais R$ 130 milhões da Noruega. Recursos que seriam aplicados na preservação da Amazônia. Nada mal para a dupla Bolsonaro e Salles que tramam destruir o Fundo Amazônia”, publicou no Twitter o parlamentar.

Ele lembrou que, por diversas vezes, Bolsonaro chamou o Ibama de “indústria de multas”. “Sinalizou aos desmatadores que podem continuar desmatando. Não por acaso deseja o fim do fundo que financia o deslocamento das equipes do Ibama na região”, criticou.


Imagem do programa da televisão pública da Alemanha satirizando o governo brasileiro

Recursos do fundo bancaram o aluguel de veículos especiais como helicópteros para o Ibama fazer operações na região. Desde o ano passado, o Instituto recebe recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para essa finalidade. Há um contrato com Ibama com recursos do fundo da ordem de R$ 140 milhões.

O deputado diz que a imagem de Bolsonaro no exterior é de inimigo do meio ambiente. “Em horário nobre, programa da principal rede de televisão pública da Alemanha satiriza o governo brasileiro, criticando suas políticas ambientais e agrícolas e o crescente desmatamento na Amazônia”, diz.

A deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP) diz que a imagem do país está em baixa no cenário mundial. “O que isso expressa é a falta de confiança que o país desperta na comunidade internacional, ou seja, não há credibilidade de que o governo Bolsonaro possa tocar uma política de sustentabilidade. Há que levar em consideração que a Amazônia é essencialmente dos nortistas, do Brasil e do interesse mundial”.

Alegações falsas

Em artigo publicado originalmente no jornal alemão Frankfurter Allgemeine, Adriana Ramos, sócia do Instituto Socioambiental (ISA), que desenvolve projetos no Amazonas e Mato Grosso com recursos do fundo, diz que as preocupações do ministro Salles com a gestão do programa são falsas. “A verdade é que (ele) não tem nenhum interesse no combate ao desmatamento”, diz a ambientalista.

“Enquanto atendia as demandas do ministro, a equipe do Fundo Amazônia paralisou os processos de aprovação de projetos, e com isso o novo governo já conseguiu seu intuito, que é limitar o alcance das iniciativas que enfrentam os desmatamentos”, denunciou.

O instituto de pesquisa Imazon divulgou nesta sexta-feira (16) um aumento de 66% no desmatamento da Amazônia no mês de julho de 2019, em comparação com o mesmo período no ano passado.

Ela lembrou também que o objetivo de Bolsonaro era extinguir a pasta do meio ambiente. “No momento não há sequer clareza sobre que setor do governo tem a responsabilidade de zelar pelos compromissos de redução do desmatamento assumidos pelo Brasil no âmbito da Convenção do Clima”, diz.

Adriana Ramos afirmou que o governo ataca a estrutura de governança do fundo, pois as condições estabelecidas pelos doadores para a criação do programa foi que houvesse “diversidade de atores sociais participando dos esforços de redução de desmatamento”.

“Seguindo uma orientação geral do governo de reduzir a participação da sociedade nos diferentes conselhos que acompanham e definem as diretrizes de cada política setorial, o ministério está atualmente tentando restringir a participação da sociedade civil no Comitê Orientador do Fundo Amazônia”, afirmou a ambientalista.

Para ela, o objetivo do governo é redirecionar os recursos para indenizar a desapropriação de terra aos proprietários rurais cujas terras estão em áreas protegidas. Esse tipo definanciamento não permitido pelas regras atuais do programa.

O Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA), presidido pelo Ministério do Meio Ambiente, é composto por representantes do governo federal, dos governos estaduais da Amazônia e da sociedade civil, representados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (CONTAG), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.

Relatório de atividade

No relatório de atividade divulgado este ano, por conta dos dez anos do programa, o então presidente do BNDES, Joaquim Levy, disse que trajetória do programa “tem se mostrado positiva não só nos aspectos quantitativos, com o crescimento das doações recebidas, dos projetos aprovados e dos desembolsos de recursos; mas também em aspectos qualitativos de sua atuação, como a ampla distribuição territorial”.

Os números divulgados são expressivos. São 190 unidades de conservação apoiadas; 746 mil imóveis rurais inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR); 162 mil pessoas beneficiadas com atividades produtivas sustentáveis; 687 missões de fiscalização ambiental efetuadas; 465 publicações científicas ou informativas produzidas; 65% da área das terras indígenas da Amazônia apoiadas; 338 instituições apoiadas diretamente e por meio de parceiros.

Em 2018, chegou-se ao total de 103 projetos apoiados. Dos R$ 3,4 bilhões, R$ 1,9 bilhão foi aprovado para os projetos, sendo R$ 1,1 bilhão já desembolsado. Dos recursos arrecadados 93,8% foram doados pela Noruega, 5,7% da Alemanha e 0,5% da Petrobrás.


por Iram Alfaia | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/bolsonaro-e-ministro-salles-tramam-pelo-fim-do-fundo-amazonia/

Desmatamento na Amazônia dispara 15% em um ano

O desmatamento na região amazônica disparou 15% nos últimos 12 meses. É o que apontam dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados nesta sexta-feira (16/08). Entre agosto de 2018 e julho de 2019 – o que abrange o final do governo Michel Temer (MDB) e o início da gestão Jair Bolsonaro (PSL) –, o total de área desmatada foi de 5.054 quilômetros quadrados, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.

 

 

Além disso, o desmatamento da Amazônia Legal– que inclui os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará e partes do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão – foi 66% em julho de 2019 do que em julho do ano anterior. O aumento correspondeu a 1.287 quilômetros quadrados, em comparação aos 777 km² registrados no mesmo mês de 2018. A conclusão é que 25% do desflorestamento registrado no período de 12 meses até julho 2019 ocorreu no último mês.

Por outro lado, a superfície das florestas degradadas teve redução de 62% se comparados os meses de julho de 2019 (135 km²) e de 2018 (356 km²). O termo “desmatamento” se refere ao chamado corte raso, ou seja, a retirada completa da vegetação, enquanto “degradação” significa uma diminuição ou raleamento da cobertura vegetal, como ocorre pela extração de madeira ou por queimadas.

Segundo o Imazon, a proporção de desmatamento e degradação por estado foi maior no Pará (44%), seguido de Rondônia (18%), Amazonas (16%), Roraima (11%), Mato Grosso (8%) e Acre (3%). Em torno de 55% dos desmatamentos ocorreram em áreas privadas ou sob estágio de posse, além de outros 20% em assentamentos, 19% em unidades de conservação e 6% em terras indígenas.

O Imazon não tem vínculos com o governo brasileiro nem com o Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujos dados foram contestados pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo presidente Jair Bolsonaro. Seu SAD fornece registros mensais sobre o desmatamento e degradação florestal, utilizando dados de satélites diferentes. O sistema foi desenvolvido em 2008 como alternativa aos dados oficiais.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


 
 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/temer-e-bolsonaro-desmatamento-na-amazonia-dispara-15-em-um-ano/

“Bolsonaro ignora o meio ambiente e o que a ciência diz”.

O processo de desmatamento da floresta amazónica não é de agora, mas vem acelerando desde que Bolsonaro foi eleito. Este é inteiramente surdo aos argumentos da ciência acerca das consequências de um processo que se aproxima do que é designado como “ponto de inflexão,” “a partir do qual os padrões biológicos e climáticos são afectados de modo irreparável.”

Conselheiro de três ex-presidentes americanos e estudioso da Amazônia desde 1965, o biólogo Thomas Lovejoy alerta para efeitos irreparáveis do desmatamento. Em entrevista, ele classifica o trabalho do Inpe de impecável.



Conselheiro ambiental dos ex-presidentes americanos Ronald Reagan, Bill Clinton e George W. Bush e ex-conselheiro-chefe do Banco Mundial para biodiversidade, o biólogo Thomas E. Lovejoy estuda a Amazônia desde 1965. Conhecido como o “padrinho da biodiversidade” por popularizar o termo na década de 1980, Lovejoy preocupa-se com o futuro da floresta em meio ao avanço do desmatamento.
Em fevereiro, o especialista assinou um editorial na revista científica Science Advances, ao lado do climatologista brasileiro Carlos Nobre, no qual fazem um alerta. Eles afirmam que o desmatamento na Amazônia está caminhando para o que chamam de ponto de inflexão, a partir do qual os padrões biológicos e climáticos são afetados de modo irreparável.
Em entrevista à DW Brasil, o pesquisador classifica os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento de impecáveis e sugere formas sustentáveis de usar os recursos da floresta para desenvolver a economia.
Lovejoy afirma que, assim como o líder americano, Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro está ignorando o meio ambiente e deveria ouvir cientistas experientes sobre a Amazônia.
A entrevista é de Cristian Edel Weiss, publicada por Deutsche Welle, 12-08-2019.
Eis a entrevista.

Você começou a pesquisar a Amazônia na década de 1960. O que mudou na floresta desde então?

Cheguei à Amazônia pela primeira vez em junho de 1965 e imediatamente decidi que queria fazer o meu PhD lá [pela Universidade de Yale]. Era o sonho dos biólogos. Desde então, a Amazônia passou de 3% para mais de 17% desmatada […] Passou de [uma região com] uma rodovia para dezenas de rodovias, de nenhum projeto hidrelétrico para dezenas deles, e de uma população na Amazônia inteira de cerca de 3 milhões para 30 milhões. Isso está avançando até o ponto em que o ciclo hidrológico que alimenta a floresta tropical está perto de um ponto de inflexão.
A boa notícia é que em 1965 havia um parque nacional, na Venezuela, e uma reserva indígena demarcada. Agora, no Brasil e em todos os países da Amazônia, há cerca de 25% em áreas de conservação e outros 25% de áreas indígenas demarcadas, o que é uma conquista extraordinária.

Em fevereiro, você e o climatologista Carlos Nobre publicaram um editorial no qual afirmam que desmatamento, mudança climática e queimadas contribuem para que a Amazônia alcance o que vocês chamam de ponto de inflexão, a partir do qual deixaria de existir um ecossistema de floresta tropical, afetando o regime de chuvas. Como você avalia a situação tendo em conta os dados divulgados recentemente pelo Inpe?

Acredito que Carlos e eu concordamos que o ponto de inflexão está muito próximo. Penso que o dado revelador é que tivemos secas históricas em 2005, 2010, 2015 e 2016, e essa é, na nossa opinião, a primeira oscilação para o ponto de inflexão. Então, esses são o alerta e a má notícia, mas sempre é possível restabelecer uma margem de segurança por meio do reflorestamento.

E como vocês chegaram à essa conclusão?

Nos anos 1970, o cientista brasileiro Eneas Salati demonstrou que a Amazôniaproduzia metade da sua própria chuva. Antes disso, o dogma era que a vegetação é simplesmente consequência do clima e não tem qualquer influência sobre ele. O que Salati foi capaz de demonstrar, numa pesquisa que quebrou paradigmas, é que, quando a umidade vem do Atlântico tropical, numa massa de ar em direção ao oeste, e derrama sua chuva perto da costa atlântica, até 75% dessa umidade volta para a atmosfera por meio da evaporação ou transpiração através das folhas. Você pode ver isso acontecendo com a umidade saindo do topo da floresta, após uma tempestade. Assim, tudo está disponível para se tornar chuva mais para o oeste. A conclusão foi que a umidade se recicla cinco ou seis vezes até chegar à parede alta dos Andes. A massa de ar sobe, esfria e libera uma enorme quantidade de chuva, que abastece os 20% de água doce do mundo, que é o sistema fluvial do Amazonas. Essa foi a base de tudo.
Desde o início, havia a pergunta óbvia de quanto desmatamento poderia causar a degradação desse ciclo. Porque quando a chuva cai, e quando não há floresta, ela escorre e não fica disponível para reciclagem. Carlos conseguiu alguém para fazer um modelo relacionado a pergunta há uns dez ou 15 anos. E a conclusão foi que provavelmente cerca de 40% a 50% [de desmatamento degradaria o ciclo natural de chuvas de modo irreversível]. Isso é muito longe de onde as coisas estavam na época e até mesmo de onde estamos agora. Mas outras coisas têm acontecido. O uso extensivo do fogo, que seca a floresta ao redor, não só destrói o que queimou, como penetra e seca a floresta. Assim, no ano seguinte, ela está mais vulnerável ao fogo. Outra coisa, é claro, é a crescente presença da mudança climática. A discussão que Carlos e eu tivemos e que levou ao artigo na Science Advances é que os fatores estão agindo juntos numa espécie de energia negativa. E quando você olha para essas secas históricas, é muito difícil não concluir que essas são as primeiras oscilações do que poderia ser um ponto de inflexão na região amazônica.

O que poderia ser feito para melhorar a economia na região sem avançar para a floresta?

A maioria do que está acontecendo dá algum ganho imediato, mas o custo no longo prazo é enorme. Então, a pergunta é: quais são as alternativas? E uma das mais claras é a aquacultura, porque nos rios amazônicos há uma série de grandes espécies de peixes que dependem das florestas de várzea durante os meses em que os rios estão altos. A floresta é inundada e tem cadeias alimentares curtas. Os peixes vegetarianos com cadeias curtas como esta são altamente desejáveis. Há um enorme potencial na aquacultura para que não haja apenas a extração florestal, mas que se esteja usando algum recurso da biodiversidade nativa para construir retorno econômico.
Outra coisa realmente importante é como criar cidades relativamente sustentáveis na Amazônia. Manaus tem uma espécie de benefício em ter um tipo de zona livre de impostos à sua volta. Ao visitá-la, ouço: “À medida que a produção econômica de Manaus aumenta, o desmatamento diminui”. E essa é uma relação real. Mas a questão é: qual é essa atividade econômica? É proveniente principalmente de fábricas de montagem, que proporcionam oportunidades de emprego montando coisas, geralmente, com materiais que não saem da floresta. Mas há possibilidades novas e interessantes em torno de cidades sustentáveis. Há um forte potencial de ecoturismo, que também cria mercados para artesanato. E artesanato pode ser realmente maravilhoso e não muito barato. Juntando as duas coisas, todas elas se tornam únicas para o lugar em particular que os produz. A maior oportunidade de todas gira em torno de estudar a biodiversidade da Amazônia e tentar descobrir o seu potencial para criar retorno e benefício econômico.

O que pode ser feito a partir da biodiversidade?

Um exemplo interessante seria estudar as formigas cortadeiras. O que é elas fazem de bom é levar pedaços de folhas para o subsolo e usá-los como matéria orgânica para uma fazenda de fungos, que é a fonte da dieta delas. Assim, o que poderia ser feito, e ainda não foi, é estudar as formigas cortadeiras e descobrir quais árvores elas não atacam, pois elas têm fungicida natural, e obviamente as formigas não querem fungicida em sua fazenda de fungos. Assim poderia haver um mercado enorme para fungicidas naturais, que podem ser revelados por esse tipo de pesquisa. Então, se você começar a pensar sobre a biodiversidade na Amazônia, todas essas espécies que representam soluções para problemas biológicos são apenas um potencial para desenvolver o retorno econômico. A chave para o futuro é abraçar essa diversidade biológica na Amazônia. E fazer pesquisa e parceria com a indústria para tentar descobrir novos potenciais.

Você foi conselheiro nos governos de Clinton, Reagan e George W. Bush. Agora, no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se orgulha de ser chamado de “Trump dos Trópicos”. Que paralelo você traça entre os EUA e o Brasil quanto à atual política ambiental?

Não há dúvida de que ambos [Bolsonaro e Trump] estão ignorando o meio ambiente. Eles estão ignorando o que a ciência diz sobre o meio ambiente. Acho tudo isso muito estranho porque, no fim das contas, a raiz da palavra ciência é conhecer. Sem dúvida, isso é muito infeliz, e esperemos que seja um fenômeno de curto prazo.

Que conselho você daria a Bolsonaro na área ambiental?

Ele deveria juntar alguns cientistas experientes para pensar sobre o conteúdo que acabamos de falar e identificar oportunidades.

Bolsonaro criticou os dados divulgados recentemente pelo Inpe, afirmando que estes não condizem com a verdade e prejudicam a imagem do Brasil. Como você vê isso?

Permita-me colocar desta forma: os dados do Inpesempre estiveram entre os melhores do mundo e acima de reprovação. E é um erro dele [Bolsonaro] pensar o contrário.

Os dados e a metodologia do Inpe são realmente confiáveis?

Sim, eles têm uma longa história fazendo um trabalho impecável.

Há uma forma de medir o desmatamento de maneira mais assertiva?
O sensoriamento remoto melhora ao longo do tempo. Por isso, provavelmente há formas de obter dados mais precisos. Mas falo apenas sobre pontos decimais aqui, e não sobre o conjunto de dados gerais. Tenho certeza de que a capacidade de sensoriamento remoto em outras partes do mundo trará resultados semelhantes [aos do Inpe].

Bolsonaro tem entrado em atrito com países desenvolvidos devido à política ambiental. O que essas nações podem fazer para impedir o desmatamento na Amazônia?
Minha esperança é de que tudo possa ser melhorado por meio do bom diálogo entre nações. A questão realmente infeliz é que após sediar a Cúpula da Terra (Eco–92), em 1992, o Brasil foi líder global em meio ambiente por anos, isso quase se tornou parte da marca do Brasil. Espero que tanto o Brasil quanto os Estados Unidos retomem logo esse tipo de liderança.

(EcoDebate, 14/08/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.] Fonte: https://www.ecodebate.com.br/2019/08/14/bolsonaro-ignora-o-meio-ambiente-e-o-que-a-ciencia-diz/

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Desmatamento da Amazônia aumentou 15% nos últimos 12 meses, aponta estudo

Área desmatada da Floresta Amazônica
© REUTERS / Nacho Doce

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), um dos sistemas mais usados para monitorar o desmatamento da Amazônia, relatou que nos últimos 12 meses houve um aumento de 15% da área desmatada em relação ao período anterior.

Os novos dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que é responsável pelo SAD, e avaliou o desmatamento no período entre agosto de 2018 e julho de 2019.

Um dos dados mais alarmantes destacados pelo estudo é o grande aumento de área desmatada na Amazônia somente no mês de julho, revelando uma significativa escalada do desmatamento da região, que somou 1.287 km² de florestas destruídos no mês passado. O total da área devastada nos 12 meses avaliados foi de 5.054 km².

"Somente em julho de 2019, mês que fecha o calendário oficial do desmatamento, a destruição das florestas somou 1.287 km². É um aumento de 66% em relação a julho de 2018. Acre, que tradicionalmente não costuma aparecer na lista dos estados que mais desmatam, ocupou a terceira posição do ranking com um aumento de 257% no mês", diz a publicação do Imazon.

O estudo destacou que os municípios que tiveram os maiores índices de desmatamento, em julho de 2019, foram Altamira (128 km²) e São Félix do Xingu (96 km²), no Pará, e Porto Velho (78 km²), em Rondônia.

A ferramenta utilizada pra monitorar a destruição das florestas é o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que se baseia em imagens de satélites, desenvolvida pelo Imazon para reportar mensalmente o ritmo do desmatamento e da degradação florestal da Amazônia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019081614397315-desmatamento-da-amazonia-aumentou-15-nos-ultimos-dos-12-meses-aponta-estudo/

Emissão de gases de efeito estufa na atmosfera bate recorde histórico, diz estudo

A emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso junto com com outros gases conhecidos como halogenados tem um efeito de aquecimento 43% maior do que em 1990. É o que aponta o relatório “Estado do Clima 2018”, divulgado no Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia

 

 

O Planeta Terra bateu um novo recorde de emissão de gases de efeito estufa na atmosfera em 2018. A emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso junto com com outros gases conhecidos como halogenados tem um efeito de aquecimento 43% maior do que em 1990. É o que aponta o relatório “Estado do Clima 2018”, divulgado nesta segunda-feira (12) no Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia.

A temporada de 2018 entrou para a lista de quatro anos mais quentes desde pelo menos o fim do século 19, quando a medição começou a ser feita. Os únicos três anos mais quentes que 2018 foram 2015, 2016 e 2017.

“Todos os anos desde o início do século 21 têm sido mais quentes do que a média entre 1981 e 2010”, diz o relatório.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/emissao-de-gases-de-efeito-estufa-na-atmosfera-bate-recorde-historico-diz-estudo/

Os banqueiros misantropos por detrás do «New Deal» Verde

Matthew Ehret    13.Ago.19

Ninguém que conheça como se comporta o capitalismo pode deixar de desconfiar do actual empenho “verde” da oligarquia, directamente ou através da promoção mediática de figuras e organizações de fachada. Uma observação documentada dos bastidores, como a que este texto faz, ajuda a esclarecer alguma coisa.


 

Uma vasta mudança radical em direção a uma “economia verde” está agora a ser impulsionada por forças que podem deixar um cidadão educado bastante desconfortável.

Evidentemente, os noticiários mostram diariamente o bravo movimento jovem de “eco-guerreiros” liderado pela sueca Greta Thunberg, de 16 anos, ou pelo norte-americano Jamie Margolin, de 17 anos, que se tornou uma força em toda a Europa e os EUA dirigindo movimentos como Extinction Rebellion, This is Zero Hour, Sunrise Movement e a eco-cruzada das Crianças. A jovem face de Alexandria Ocasio-Cortez vende diariamente a ideia de que a única maneira de substituir as forças capitalistas ultrapassadas que há décadas atormentam o mundo é impor um New Deal Verde que dê prioridade à descarbonização como uma meta para a humanidade em vez de continuar a permitir que as irresponsáveis forças dos mercados determinem nosso destino.

A presidente da UE, Ursula von der Leyen, atacou até a Iniciativa Cinturão e Estrada da China (que, ironicamente, representa um verdadeiro New Deal do século XXI) dizendo que “alguns estão a comprar influência investindo na dependência em relação a portos e estradas”… mas “que nós seguimos o caminho europeu”. O que é o “caminho europeu”? Não os planos de desenvolvimento de Charles De Gaulle ou Konrad Adenauer, que encaravam como positivos o crescimento industrial e o aumento da população, mas antes um Green New Deal. Von der Leyen disse em 17 de Julho que “eu quero que a Europa se torne o primeiro continente do mundo neutro em CO2 até 2050! Vou apresentar um New Deal Verde para a Europa nos meus primeiros 100 dias no cargo… ”

Atacando as “irresponsáveis forças do mercado” e as estruturas de poder do capitalismo não são coisas más de fazer … mas porque devemos descarbonizar? A re-regulamentação de bancos grandes demais para cais já está muito atrasada, mas porque supõem tantos que um “New Deal Verde” não irá apenas capacitar as mesmas forças que devastaram o mundo nos últimos cinquenta anos e apenas causar mais morte e fome do que já foi sofrida sob a Globalização?

Pode até pensar-se em fazer essas perguntas confrontando primeiro o desconfortável facto de que por detrás destas figuras recortadas em cartão como Thunberg, Margolin, Cortez ou o Green New Deal estão figuras que ninguém de forma alguma associaria ao humanitarismo.

Títulos verdes e oligarcas

Quando começamos a puxar a cortina rapidamente encontramos figuras como o príncipe Charles, que recentemente se reuniu com os chefes de 18 países da Commonwealth para consolidar legislação de emergência climática que foi prontamente aprovada nos parlamentos do Reino Unido e do Canadá. No final da reunião, Charles disse que “temos 18 meses para salvar o mundo da alteração climática” e apelou a “aumentar o volume de financiamento do sector privado cujo fluxo se dirige ao apoio ao desenvolvimento sustentável em toda a comunidade”.

Após o decreto real, o Banco da Inglaterra e alguns dos mais sujos bancos na rede de finanças da Rothschild-City of London promoveram “instrumentos financeiros verdes” encabeçados pelos Green Bonds para redirecionar planos de pensão e fundos mútuos para projectos verdes em que ninguém de perfeito juízo jamais investiria voluntariamente. O Índice Ecológico, Social, de Governança (ESGI) já foi implementado em 51% dos bancos da Alemanha, incluindo a bomba de derivativos à espera de explodir denominada Deutschebank. Os principais banqueiros que apoiam o ESGI como Mark Carney, do Banco da Inglaterra, disseram que mais de 6,5 milhões de milhões de euros poderiam ser mobilizados sob este novo índice (que actualmente representa cerca de US $ 160 milhares de milhões). A criação desses “títulos verdes” é acompanhada pelos mecanismos de resgate que foram implementados nos países transatlânticos a fim de roubar milhões de milhões de dólares dos fundos de pensões, RRSPs e fundos mútuos da próxima vez que for necessário um resgate para sustentar os “grandes demais para fracassar”, que actualmente estão sentados sobre uma bolha de US $ 1,2 milhões de milhões de derivativos à espera de explodir.

Além de encabeçar o Banco da Inglaterra, o ex. Goldman Sachs Carney patrocinou também a Força Tarefa do Conselho de Estabilidade Financeira sobre Revelações Financeiras Relacionadas com o Clima que foi criada em 2015 e foi usada como linha de orientação para o Livro Branco do Governo do Reino Unido de Julho de 2019, “Estratégia Financeira Verde: Transformar as Finanças para um Futuro Mais Verde ”. O Livro Branco propôs “consolidar a posição do Reino Unido como centro global para a finança verde e posicionar o Reino Unido à frente da inovação financeira verde e de dados e análises… endossados ​​por instituições que representam globalmente US $ 118 milhões de milhões de activos”. A Força-Tarefa liderada por Carney gerou também em 2016 a Iniciativa Financeira Verde, que é agora um veículo primário projectado para desviar os fluxos de capital internacional para tecnologia verde.

O ex-empregador da Carney Goldman Sachs também criou um “Índice Verde para ‘investimento virtuoso’, incluindo dois novos índices de sustentabilidade para promover investimentos pesados ​​em infraestrutura verde, chamados CDP Environment EW e CDP Eurozone EW. A sigla CDP é originária do Climate Disclosure Project - um think tank londrino que gerou o programa da Goldman Sachs. Marine Abiad, da Goldman Sachs, promoveu o índice CDP dizendo em 10 de Julho “estamos convencidos de que a finança sustentável ​​permitem que os mercados financeiros desempenhem um papel virtuoso na economia”.

Caso ache que Extinction Rebellion foi de alguma forma intocado pela mão de engenheiros sociais, uma destacada figura por detrás do movimento chamado Alex Evans foi um ex-consultor da Unidade Internacional de Sustentabilidade do Príncipe [Carlos] e coautor do livro do Global Intelligence Council Global Trends 2025: A Transformed World, que se tornou um modelo de política ambiental / externa para a administração Obama em 2008. Actualmente, Evans dirige também o Collective Psychology Project “onde a psicologia se encontra com a política”.

Outras destacadas figuras da inteligência britânica que gerem o movimento Extinction Rebellion incluíam Farhana Yamin e Sam Gaell, da Chatham House (a instituição de controlo por trás do Conselho de Relações Exteriores de Nova York).

Poderia uma “benevolente” ditadura verde ser uma Coisa Boa?

Fala o advogado do diabo: não podemos presumir que estes bancos centrais, oligarcas e gestores de hedge funds apenas se preocupam com o meio ambiente? Qual é o problema se eles estão a tentar modificar o comportamento da humanidade para salvar o meio ambiente? Afinal de contas, a própria humanidade é uma egoísta e glutona máquina de produção de poluição, e não é melhor para todos se estas elites iluminadas apenas transformam a economia mundial de forma a consumirmos menos e pensarmos mais sobre o futuro?

Se essa linha de pensamento se aproxima de algo que já sentiu dentro de si, sofreu uma lavagem cerebral.
É claro que o mundo se transformou num culto consumista ao longo das últimas décadas em que o pensamento de longo prazo foi sacrificado aos ganhos de curto prazo e, claro, precisamos de uma reorganização do sistema. Thunberg e os Green New Dealers não estão errados sobre essa matéria. Tudo bem e chique.

Mas se pensa que acompanhando os tipos de reforma que aspiram a colocar os valores do dólar na redução das pegadas de carbono ou em espalhar moinhos de vento e painéis solares de baixa qualidade (e muito caros) em todo o mundo com a expectativa de que essas fontes de energia não causem de algum modo um vasto colapso da capacidade industrial da civilização (e uma perda associada de capacidade de sustentar a vida humana), então está a enganar-se a si próprio. Um quilowatt de energia de um moinho de vento é apenas o mesmo que um quilowatt de energia nuclear quando aplicado a uma equação matemática, mas não na vida real. Quando aplicado a funções de trabalho de capital intensivo necessárias para fundir aço industrial, operar máquinas-ferramentas, alimentar um vasto complexo agroindustrial, um sistema ferroviário de alta velocidade ou construir coisas como a Belt and Road Initiative, as fontes de energia “verdes” não chegam nem perto para agir praticamente.

A questão sempre foi o controlo populacional

Os oligarcas que comandam o “grande projeto verde” desde que Sir Alexander King, do Clube de Roma, iniciou o estudo Limits to Growth em 1970, sabiam que as fontes verdes de energia de “baixa densidade de fluxo de energia” restringiriam a população global e é isso exactamente o que queriam. Sir King disse-o em 1990, quando escreveu: “Na busca de um novo inimigo que nos una, surgiu a ideia de que a poluição, a ameaça do aquecimento global, a escassez de água, a fome e afins preencheriam os requisitos … Todos esses perigos são causados ​​pela intervenção humana, e é somente através da alteração de atitudes e comportamentos que eles podem ser superados. O verdadeiro inimigo, então, é a própria humanidade ”.

Sir King estava, afinal de contas, apenas seguindo a liderança do fundador da UNESCO (e presidente da Eugenics) Sir Julian Huxley que em 1946 escreveu “A unificação política em algum tipo de governo mundial será necessária… Embora … qualquer política eugénica radical seja por muitos anos politicamente e psicologicamente impossível, será importante para a UNESCO ver que o problema eugénico é examinado com o maior cuidado, e que a opinião pública é informada das questões em jogo, de modo a que muito do que agora é impensável possa pelo menos tornar-se pensável ”.

Foi apenas alguns anos depois que Huxley seria cofundador do World Wildlife Fund ao lado do príncipe Philip Mountbatten e do príncipe Bernhardt da Holanda.
Todos os três estiveram presentes na reunião promovida por Bernhardt que fundou o grupo Bilderberg para adiantar em 1954 essa grande conversão da sociedade ao autoextermínio voluntário e, embora Huxley não estivesse presente em 1970, os outros dois oligarcas cofundaram o 1001 Nature Trust juntamente com 999 outros ricos misantropos para financiar o florescente movimento ambientalista. Estas forças estavam também por detrás do golpe de Estado nos Estados Unidos, que colocou no poder a Comissão Trilateral sob Jimmy Carter e desencadeou a “desintegração controlada da economia dos EUA” entre 1978-1982 (esse será o tópico de outro estudo). Esse agrupamento, encabeçado por Zbigniew Brzezinski, não apenas jogou a cartada do radicalismo islâmico contra a União Soviética como estabeleceu também um programa de redução da população através da promoção de fontes de energia verde muito antes de isso ser popular.

Os oligarcas que actualmente estão a tentar reformar a humanidade não se importam com o meio ambiente. O príncipe Philip e Bernhardt têm no currículo matar mais espécies ameaçadas em safári do que a maioria das pessoas matou mosquitos. Eles simplesmente não gostam de pessoas. Especialmente pessoas que pensem. Pessoas que pensam que questionam como e porque regras arbitrárias são aplicadas para justificar guerras, pobreza e oligarquismo que destroem vidas tanto agora como no futuro.

A Iniciativa do Cinturão e Estrada e a tendência para aumentar a população humana tanto quantitativa como qualitativamente que esses grandes projectos implicam, é o alvo do Green New Deal.

O legado do progresso científico e tecnológico que lançou a civilização ocidental a partir de uma idade das trevas e para um renascimento no século XV está sob ataque, porque é essa ética perdida que a oligarquia sabe que ainda pode ser despertada e que iria trazer o Ocidente para a harmonia com o programa Rússia-China para o crescimento e desenvolvimento sob uma filosofia de “cooperação win-win” tanto na Terra como no espaço.

Os efeitos das ideias do renascimento coincidiram com a maior taxa de descobertas de princípios universais, à medida que a humanidade procurava conhecer a mente de Deus através do estudo do livro da natureza com um coração de amor e uma atitude de humildade exemplificada na figura de Leonardo Da Vinci. A explosão de novas tecnologias que surgiram não apenas revolucionou a astronomia, a medicina e a engenharia, mas deu origem à moderna economia industrial, que coincidiu com o maior aumento de população da história. Este aumento exponencial tem sido durante séculos usado por malthusianos como prova de que a humanidade é “apenas mais um crescimento canceroso” na “pureza da mãe Gaia”.

Portanto, se não concorda com a filosofia seres humanos = cancro e quer algo um pouco mais optimista na sua vida, então apoie hoje um verdadeiro New Deal.

Fonte: https://www.strategic-culture.org/news/2019/08/10/misanthropic-bankers-behind-green-new-deal/

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Relâmpagos atingem região do Ártico: por que isso é um sinal preocupante?

Homem e relâmpago ao fundo no lago de Genebra, na Suíça
© AFP 2019 / Fabrice Coffrini

A presença deste fenômeno indica instabilidade atmosférica na região do Ártico.

No passado sábado (10) foram detectados múltiplos relâmpagos em um raio de 480 quilômetros do Polo Norte, informou o Serviço Meteorológico dos EUA, que inclusivamente emitiu uma notificação especial sobre o fenômeno invulgar. "Este é um dos relâmpagos que ocorreram mais ao norte na memória do serviço de prognósticos do Alaska", escreveu o Serviço Meteorológico.

Uma série de relâmpagos foram registrados na tarde de sábado (10 de agosto) a cerca de 480 quilômetros do Polo Norte. Os relâmpagos ocorreram perto de 85°N e 126°E.

A cada dia no nosso planeta ocorrem milhões de relâmpagos, no entanto este fenômeno acontece muito raramente nas regiões próximas ao Ártico. Uma das principais razões da ocorrência de relâmpagos é a instabilidade atmosférica, quando a atmosfera inferior é mais quente e húmida, enquanto a camada superior é mais fria e seca. Estas condições estimulam a convecção, que pode fazer surgir tempestades elétricas.

A maioria das tormentas elétricas ocorrem em latitudes mais baixas, onde a combinação de temperaturas mais altas e humidade provoca com facilidade a aparição deste fenômeno. Porém, devido as mudanças climáticas globais, as tempestades elétricas estão aparecendo em áreas incomuns.

Neste verão foram registrados os menores níveis de gelo marinho em grande parte do Ártico. O desaparecimento do gelo marinho na área tem tido como consequência o aumento das temperaturas da superfície do mar muito acima da média para esta época do ano, o que pode estar contribuindo para a presença de massas de ar anormalmente instáveis.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019081314383251-relampagos-atingem-regiao-do-artico-por-que-isso-e-um-sinal-preocupante/

“Eu posso vender. Quanto você dá?”

Para entender o “novo” projeto para a Amazônia. Vista, após 1964 como território a incorporar ao Centro-Sul, ela é, sob Bolsonaro, mero menu de opções aos mega-investidores estrangeiros. Que escolham: minérios, soja, madeira, bois…

 

 

Assim como o desmatamento da Amazônia mantém relação direta com o stress hídrico nas metrópoles do sudeste, a conversão compulsória da região amazônica em um portfólio de commodities tem relação direta com a desindustrialização do país, ou seja, com o aprofundamento de seu perfil produtivo regressivo. Quanto maior simplificação produtiva e territorial, tanto maior o desmanche de direitos sociais e de normativas ambientais. Os setores considerados catalizadores desse modelo – a indústria extrativa mineral, o agronegócio e a infraestrutura especializada –estão fortemente ancorados na região não por acaso.

Reterritorializações instauradas com base na interpenetração entre grupos privados e aparelhos governamentais e intergovernamentais tendem a obter abrangência regional e continental, acompanhando redefinições locacionais dos capitais de distintas origens e destinos. O que retoricamente se temia, a chamada “internacionalização da Amazônia”, tornou-se agora uma premissa regulatória: prerrogativas máximas para os investimentos para atraí-los. Entre essas prerrogativas, além da incondicionada aquisição de blocos de recursos naturais, consta a possibilidade de empresariar o controle de extensas faixas territoriais.

Foi sob “linhas nacionais” que se deu a incorporação da Amazônia à medida lhe incumbiram “funções” agropecuárias e minerais na sequência da marcha para o (centro) oeste a partir dos anos 1960. Com o entrecruzamento das fronteiras agrícola, mineral e energética na Amazônia, nos anos 2000, estabeleceu-se um novo patamar de homogeneização do espaço econômico do país, sempre por meio da garantia de dilatação das taxas de lucro nas margens, nos espaços periféricos subalternizados.

Evoluímos de um colonialismo interno em que a Ditadura empresarial-militar de 1964 procurava incorporar a Amazônia à estrutura produtiva do centro-sul do país por meio de obras viárias e de incentivos fiscais para a condição de franja auxiliar do processo expansivo das cadeias transnacionais. As mediações políticas derivadas da anterior divisão inter-regional do trabalho foram sendo substituídas por fórmulas territoriais flexíveis condizentes com novas estratégias de deslocalização dos investimentos e ajustes espaciais consecutivos.

Nessa periferia da periferia é que se forja a forma-padrão de apropriação de recursos territorializados em larga escala. O modelo energo-minero-metalúrgico condena o país a ser uma eterna sucessão de enclaves em rotação ― um enorme menu territorial à disposição de investidores privados e suas encomendas. Novas parcerias entre capitais passam a ser fundadas na garantia de dinamismos adicionais e outros termos, de barateamento da população e de elasticidade regulatória, para a realização de valor nesses setores matriciais.

Este quadro se agrava na conjuntura recente com o estabelecimento de processos de ruptura institucional e mafialização da representação política a partir de 2016. Medidas congressuais-governamentais têm franqueado a exploração desimpedida de recursos naturais na região, suspendendo-se a vigência de direitos territoriais reconhecidos nacional e internacionalmente.

Conferindo-se absoluta discricionaridade privada às concessões minerarias, energéticas e dos setores de infraestrutura, não há mais eco de soberania possível. Com a permissão de multiplicação da dívida pública e o uso ilimitado de derivativos financeiros, com destaque para os mercados futuros de commodities, o país perde qualquer pretensão de definir contornos sociais, implodidos os regimes de convivência e de multiterritoritorialidade decorrentes.

O sentido e a direção das políticas econômicas hegemônicas no Brasil e de seus arranjos espaciais é o da liquidação dos bens públicos e das riquezas ainda não privatizadas e monopolizadas. Isso explica, mormente, por que os territórios não completamente mercantilizados, especialmente na Amazônia, têm sido frente prioritária de expansão capitalista. O fim da Amazônia como “barreira espacial”, como região singular, diversa e por isso protegida, é manifestação de uma crise de sobreacumulação em fase aguda que se expressa por meio de expropriações materialmente fulminantes definidas em esferas fictícias ou financeirizadas de valorização do capital.

A decorrência disso são investimentos blindados contra quaisquer limites ambientais e sociais. Enquanto florestas e seus povos são devastados em novos arcos de desmatamento e de limpeza social, o Governo brasileiro fecha os olhos e diz apenas cumprir “ordens superiores” que remetem a várias ordens de depredação. Da ordem da cadeia transnacional de carne e soja, da ordem das fornecedoras globais de minério de ferro. Da ordem das redes financeiras e de infraestrutura que arrematam e antecipam a expansão da commoditização do território. Da ordem dos capitais estrangeiros e em particular da superpotência norte-americana.

Não resta dúvida que a Amazônia foi posta no tabuleiro da contenda sino-americana. E de forma vil e rebaixada, como ficou patente no gesto de Cessão da Base de Alcântara. Por ora, o cenário econômico da região tem sido marcado pelo reposicionamento dos capitais chineses confluindo para retornos não apenas financeiros mas para alinhamentos geopolíticos que envolvem algum grau de acoplamento territorial com o cinturão do Pacífico, através de financiamentos centralizados.

Enquanto não se acertam os investidores internacionais, o que se centraliza aqui é o crime ambiental e o extermínio de camponeses e comunidades tradicionais. Justamente o que se centraliza no caso do INPE: a forma de apresentar ou dissimular uma oficiosa liberação de queimadas, desflorestamento e invasão de territórios indígenas e unidades de conservação. A narrativa oficial censurará qualquer dado que constranja o arranjo econômico-geopolítico entre os grandes players na região amazônica.

Desordem encomendada, missão cumprida?


por Luís Fernando Novoa Garzón, Sociólogo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR-UFRJ. Foi assessor nacional de missões da Plataforma de Direitos Humanos (DHESCA)  | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Outras Palavras) / Tornado


 

 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/projeto-para-a-amazonia-eu-posso-vender-quanto-voce-da/

A ameaça invisível que pode destruir a Arábia Saudita

Riad, capital da Arábia Saudita
CC BY-SA 4.0 / B.alotaby

Enquanto o petróleo trouxe riquezas à Arábia Saudita, a falta de água ameaça o país. Os recursos hídricos poderiam acabar antes do petróleo.

No século XX a Arábia Saudita experimentou um boom de crescimento após a descoberta de petróleo em seu território. O que poucos sabem é que a água tem se tornado um recurso cada vez mais escasso no país, enquanto o consumo individual é alto e o das práticas agrícolas também.

Enquanto o petróleo se tornou a fonte de riquezas do reino, a falta de água poderá arruiná-lo. Atualmente, um morador de Riad, capital da Arábia Saudita, consome diariamente cerca de 263 litros de água. Isto é o dobro da média mundial.

Em entrevista a The Guardian, o chefe de uma das fábricas da Berain, empresa do setor de água, Ahmed Safar Asmari, fez declarações sobre os recursos hídricos na região.

"Na Arábia Saudita só há duas fontes de água: o mar e os poços profundos [...] Estamos na região central, então aqui só há poços profundos", disse Asmari.

Para ele, a Arábia Saudita não deverá enfrentar sérios problemas com água durante os próximos 150 anos. Ele acredita que no país existem recursos suficientes para abastecer a população durante esse tempo.

Saudita bebe água após visitar o vilarejo de Dhi Ain a sudoeste de Riad em 13 de maio de 2009
© AP Photo / Hassan Ammar
Saudita bebe água após visitar o vilarejo de Dhi Ain a sudoeste de Riad em 13 de maio de 2009

No entanto, nem todos os especialistas são tão otimistas. Em 2016, um especialista da Universidade Rei Faisal, na Arábia Saudita, declarou que as reservas de água não durariam mais que 13 anos.

Além disso, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla em inglês) anunciou em 2008 que os recursos hídricos do país estariam se esgotando em um ritmo muito rápido.

"A maior parte de água extraída provém de aquíferos fósseis profundos e algumas previsões sugerem que estes recursos não poderão durar mais que 25 anos", informou a organização.

Reação do governo

Por sua vez, o governo saudita tenta combater o grande consumo de água no país. Em março deste ano, o Reino lançou um programa, chamado Qatrah, que visa reduzir o consumo de água por indivíduo para 200 litros até 2020 e 150 até 2030.

Ao mesmo tempo, o governo tentou reduzir o cultivo de cereais com o fim de diminuir o gasto de água. No entanto, os produtores locais acabam por cultivar produtos agrícolas mais rentáveis, mas que também exigem grande quantidade de água.

"A Arábia Saudita está usando mais de quatro vezes a água que se renova em média", disse a doutora Rebecca Keller da Stratfor, empresa privada de inteligência e análise geopolítica.

Sendo um país pobre em chuvas e rios, a Arábia Saudita construiu em seu território 31 usinas dessalinizadoras. Com a capacidade de transformar água do mar em água potável, esses centros são responsáveis por produzir 50% do total da água consumida no país.

No entanto, as usinas também têm seu lado negro. De acordo com a Agência Internacional de Energia, em 2016 a dessalinização representava 3% da produção de água no Oriente Médio, enquanto que consumia 5% do total de energia usada na região.

Isso torna a dessalinização um processo extremamente caro e insustentável, contudo a demanda de água dessalinizada aumenta 14% por ano.

Usina dessalinizadora em Rishon Letzion, Israel, foto de 4 de maio de 2004
© AP Photo / Dan Balilty
Usina dessalinizadora em Rishon Letzion, Israel, foto de 4 de maio de 2004

Além disso, as usinas também danificam o meio ambiente através de emissões de gases à atmosfera e põem em perigo os ecossistemas marinhos ao despejar substâncias poluentes no mar.

Keller também acrescenta que o país poderia sofisticar o uso da dessalinização ao usar energia solar no processo. Para tanto, Israel seria um parceiro ideal, já que possui experiência no setor.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019080814363929-a-ameaca-invisivel-que-pode-destruir-a-arabia-saudita/