Ambiente

Desenvolvimento sustentável: uma visão trabalhista. Por Brian Kohler

Seleção e tradução de Francisco Tavares

Desenvolvimento sustentável: uma visão trabalhista

Brian Kohler Por Brian Kohler, membro da União dos Trabalhadores de Comunicações, Energia e Papel do Canadá

Apresentação feita na Conferência sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, realizada em 5 de dezembro de 1996, em Chicago, Illinois. (veraqui)

 

A verdadeira escolha não é o emprego ou o ambiente. É ambos ou nenhum dos dois.

Penso que muitas vezes não conseguimos entender as posições uns dos outros porque não tentamos colocar-nos no lugar deles. Por isso, gostaria de começar por vos pedir que se imaginem nesta situação hipotética. O exemplo é deliberadamente estereotipado – qualquer semelhança com pessoas reais é totalmente coincidência.

Imagine-se como um trabalhador numa fábrica química. Você tem um emprego estável que paga bem e vinte anos de antiguidade. Se você perder este emprego, sabe no seu coração que não vai conseguir outro igual; na verdade, terá sorte de reter metade do seu poder de compra atual e perderá a sua pensão, benefícios e a dignidade e orgulho de poder proporcionar à sua família uma vida razoavelmente confortável.

A empresa disse-lhe em reuniões que o sucesso das novas instalações de produção em construção é a única esperança de que esta fábrica permaneça aberta. Por outro lado, você também tem algumas preocupações de saúde relacionadas com a produção de certos materiais na fábrica e não sabe se confia inteiramente na gerência para proteger a sua saúde ou o seu trabalho.

Não parece haver muitas opções abertas para você. A sua compreensão de economia de produção, relações laborais e saúde ocupacional é altamente eficaz, mas a um nível prático de realizar o trabalho. Você não tem necessariamente pensado muito nos processos de tomada de decisão política ou na ética ambiental.

Um dia você chega ao trabalho para encontrar vários milhões de dólares em equipamentos de construção ociosos e algumas centenas de trabalhadores de construção em pé, sem saber o que fazer a seguir. Ouve-se dizer que um grupo ambientalista ganhou uma ordem judicial impedindo que a nova unidade de produção fosse construída. Como reagiria?

Este debate é apenas parcialmente sobre quem está certo, e quem está errado, sobre níveis de poluição tóxica ou impactos económicos. Muito mais fundamentalmente, é sobre como a sociedade vai tomar decisões sobre sustentabilidade e quem vai pagar o preço dessas decisões. Serão aqueles que têm os bolsos mais recheados ou serão aqueles que podem obter a melhor imprensa?

 

Tomando partido por ambos os lados

Àqueles que se sentem mais solidários com os activistas ambientais, eu diria o seguinte: Nós no movimento trabalhista somos os vossos melhores amigos e aliados mais fortes na busca de um futuro sustentável. Os trabalhadores têm sido os “sinal de alerta” da sociedade, e os cadáveres dos nossos irmãos e irmãs identificaram a maioria dos produtos químicos dos quais vocês estão agora a fazer campanha para livrarem o ambiente desses produtos. No entanto, se nos atacarem nos nossos locais de trabalho, se não compreenderem a questão do emprego, criarão um confronto que não poderão vencer. Vocês vão-nos forçar a uma aliança com os nossos empregadores e você, nós, a sociedade e o meio ambiente seremos todos os perdedores.

Aos que mais simpatizam com o lado do empresário, eu diria isto novamente: Nós no movimento trabalhista somos os vossos melhores amigos e aliados mais fortes na busca de um futuro sustentável. Os trabalhadores dependem do vosso sucesso económico para os nossos empregos e para o nosso futuro. Entendemos que, enquanto houver atividade industrial, haverá um impacto ambiental: Não há produção “limpa”; apenas produção “mais limpa”… a segunda lei da termodinâmica acabará por nos apanhar. No entanto, se continuarem tratar-nos como mercadorias em vez de seres humanos, se continuarem a perder empregos a cada oportunidade usando as desculpas da globalização, automação, redução de pessoal, fusões e contratações externas; se continuarem a envenenar os nossos corpos e depois lutarem contra as nossas tentativas de obter até mesmo a compensação dos trabalhadores em troca, terão que nos perdoar por sermos um pouco céticos quando prometem salvar os nossos empregos.

Na recente Convenção Nacional do Sindicato dos Trabalhadores das Comunicações, Energia e Papel do Canadá, foi aprovada uma resolução apelando para a criação de um “Programa de Transição Justa”. Se a sociedade tem de fazer algumas escolhas difíceis sobre quais atividades económicas estamos dispostos a continuar e quais estamos dispostos a renunciar, é necessário um programa de transição estruturado ou “justo”, para que os custos dessas decisões sejam compartilhados de forma justa. Pois é absolutamente claro que, sem um tal plano, as pessoas que pagarão 99% do preço da mudança serão os trabalhadores das indústrias afetadas e as comunidades que dependem dos rendimentos desses trabalhadores. O capital pode anular prejuízos, cobrar seguros em alguns casos, e reinvestir noutros lados. Os trabalhadores não têm este tipo de opções. Sem um “Programa de Transição Justa” você garante conflito, e possivelmente conflito violento. A escolha é sua.

Não há futuro para os nossos sindicatos e para os legítimos interesses dos nossos membros, jogando a nossa sorte às cegas seja com ambientalistas ou seja com empregadores. Nós temos a nossa própria perspectiva legítima. Devemos, no entanto, fazer um melhor trabalho de articulação.

Se não conseguirmos preservar o meio ambiente, enfrentaremos catástrofes globais. Por outro lado, se ignorarmos as necessidades económicas e sociais, enfrentaremos uma catástrofe de outro tipo. É claro que grandes mudanças estruturais no modo de funcionamento da sociedade e da economia devem ocorrer se quisermos avançar em direção à sustentabilidade. Estas mudanças provocarão mudanças massivas nos padrões de emprego. Os trabalhadores, as suas famílias e as suas comunidades não devem ser solicitados a suportar 100% dos custos de uma transição para a sustentabilidade.

 

O que deve um “Programa de Transição Justa” proporcionar?

  1. Proteger o poder de compra dos trabalhadores e de suas famílias.
  2. Facilitar a transição de trabalhadores deslocados ambientalmente para novos empregos.
  3. Uma redefinição, se necessário, do termo emprego para reflectir os princípios da sustentabilidade.
  4. Apoio às comunidades dependentes das indústrias em declínio.

 

Como vamos ganhar uma transição justa? Primeiro, colocando a nossa própria casa em ordem. Segundo, trabalhando dentro das organizações que já temos, às quais pertencemos ou às quais somos afiliados. Terceiro, explicando a nossa posição ao público. Quarto, educando os nossos membros, e finalmente, construindo alianças com grupos ambientais ou empregadores que aceitam o conceito de “Transição Justa” como uma condição prévia para debater qualquer questão de mudança ambiental.

 

Definição de valores

Como todos nós ainda dependemos de um sistema económico que recompensa a produção, o consumo e o crescimento sobre práticas sustentáveis, talvez tenhamos que encontrar uma forma de definir o “valor” que damos no meio ambiente, assim como às necessidades sociais. Esse valor pode ou não ser fixado em termos de dólares, mas de alguma forma deve ser um valor real na “moeda de Deus” [o dólar], se você quiser.

Os nossos governos atuais parecem não responder às preocupações ambientais e certamente às preocupações trabalhistas. No entanto, as questões ambientais são constantemente colocadas em alta nas pesquisas de opinião pública, perguntando às pessoas o que é importante para elas. Temos um problema se a indústria está a mover as políticas públicas numa direção, enquanto os ambientalistas estão a mover a opinião pública na direção oposta. Esta é uma receita para o confronto, e possivelmente uma receita violenta. Os trabalhadores são apanhados neste confronto, “simpáticos para um lado, mas dependentes do outro”.

Alguns ambientalistas são apenas alarmistas? Será que a “boa ciência” nos mostra que os nossos problemas são realmente menores? A experiência no campo da saúde ocupacional tem ensinado aos sindicalistas que quando os cientistas discordam, o pior cenário costuma ser o mais próximo da verdade. Em qualquer caso, se quisermos garantir o pior cenário, a melhor maneira de o fazer é fingir que os problemas não existem.

A teoria do desenvolvimento sustentável diz que devemos atender às “necessidades” da geração atual sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas necessidades. “Necessidades” não significa apenas necessidades económicas e ambientais, mas inclui também necessidades sociais.

O que pedimos, fundamentalmente, é que a política pública seja definida pelo público e não apenas por aqueles que têm a melhor imprensa ou os bolsos mais recheados. O debate sobre o que entendemos exactamente por sustentabilidade é também um debate sobre o que entendemos por democracia.

Por exemplo, a sustentabilidade não significa que as preocupações económicas se sobrepõem a todas as outras. Mas também não significa que a pureza ambiental seja a única consideração quando tomamos decisões como uma sociedade. Suponha que eu descubra um medicamento que cure o cancro, ou a SIDA. Suponha que a fabricação desse medicamento criará um resíduo extremamente tóxico que eu não posso descartar, que só posso armazenar. Você acha que a sociedade me dirá para não fazer isso? Você diria?

As pessoas que estão desesperadas não estão preocupadas com o meio ambiente. Neste momento, o Canadá e os Estados Unidos têm muitas pessoas desesperadas, resultado de decisões políticas deliberadas do governo. Será que vamos dizer às pessoas e comunidades desesperadas e preocupadas que as suas fábricas, minas e moinhos devem fechar pelo bem do meio ambiente? Talvez possamos, mas só se pudermos dizer então o que vai acontecer, e o que eles vão fazer, depois. E o que acontece quando a geração e acumulação de riqueza por poucos já não produz empregos para que o resto possa ganhar uma pequena parte dessa riqueza? Talvez precisemos de algumas novas regras básicas para a sociedade, novamente sob a forma de políticas públicas estabelecidas pelo público.

Lembre-se que os nossos afiliados ganham a vida trabalhando na chamada “produção tóxica” e, portanto, este debate significa mais para nós do que apenas uma discussão académica sobre economia e meio ambiente. O funcionamento sustentável destas instalações é uma questão tão importante para nós como para qualquer outro grupo. Nós somos parte interessada, e importante, nesta questão e temos o prazer de participar no seu processo.

O planeta Terra tem sido comparado a uma nave espacial. É um ambiente finito, com recursos finitos a bordo, e sem novos suprimentos entrando.

Vou, portanto, concluir com este pensamento: Na nave espacial Terra, não há passageiros, apenas tripulação. Você, eu, todos nós – nós somos essa tripulação. Chegou a hora de tomar algumas decisões. Temos de decidir sabiamente, pois esta pode ser a nossa última oportunidade de o fazer.

 

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O autor: Brian Kohler é o Diretor de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da IndustriALL Global Union, com sede em Genebra, Suíça: uma federação global que representa cerca de 50 milhões de trabalhadores do setor de recursos e industriais em 140 países. Sindicalista toda a sua vida, Brian estudou química na Universidade Simon Fraser e na Universidade de Waterloo, no Canadá, e está actualmente a trabalhar num doutoramento em Sustentabilidade na Universidade De Montfort, no Reino Unido. Brian tem sido um activista dos trabalhadores pela saúde, segurança e ambiente durante quase 40 anos. Ele é um especialista em direitos laborais e é um pioneiro do conceito de uma Transição Justa para a sustentabilidade.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/24/a-proposito-do-conceito-e-iniciativas-da-transicao-justa-5-desenvolvimento-sustentavel-uma-visao-trabalhista-por-brian-kohler/

A política de uma transição justa: evitar argumentos falaciosos. Por John Weeks

 

Seleção e tradução de Francisco Tavares

4. A política de uma transição justa: evitar argumentos falaciosos

John Weeks - II Por John Weeks

Publicado por social europe em 4 de fevereiro de 2020 (ver aqui)

 

John Weeks argumenta na nossa série “transição justa” que o seu sucesso está ligado a uma mensagem política de esperança.

 

Em Dezembro, Social Europe lançou a sua série transição justa, que transformou a discussão e o debate sobre a realização de uma União Europeia sustentável, social e económica. O artigo inicial e os que se seguiram clarificam as tarefas políticas necessárias para alcançar um sistema social equitativo, para lá da actual dependência dos métodos de produção e de distribuição.

Juntamente com propostas concretas, a discussão sobre a transição justa, porém, destacou a necessidade de descartar falácias que enfraquecem o movimento por uma sociedade sustentável. Talvez o mais debilitante politicamente é que inerente à luta por um planeta sustentável está um conflito geracional.

 

Non sequiturs [1]

Esta hipótese assenta em dois não sequiturs. A primeira afirma que a geração mais velha “roubou o futuro” da geração mais jovem pela sua inacção na política ambiental. A segunda, e implícita, é a asserção de que a geração mais velha é responsável pela crise ambiental, enquanto os jovens são as suas vítimas.

O conflito geracional é comumente usado para despolitizar questões políticas, tais como a concentração da riqueza. Tais argumentos partilham uma falha fundamental – a incapacidade de ver os seres humanos como vivendo em sociedades. Como deveria ser óbvio, em todas as sociedades os velhos já foram jovens e os jovens vão envelhecer. A ideia de que a sociedade está permanentemente dividida entre grupos etários é estática e uma variação da infame afirmação da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher de que não existe tal coisa como a sociedade.

Também não é verdade que as questões ambientais sejam mais relevantes para os jovens do que para os mais velhos. O impacto imediato da poluição sobre a saúde dos idosos é pelo menos tão grave quanto para crianças e adolescentes, com o efeito mais evidente das doenças respiratórias, que afetam desproporcionalmente os pobres. A afirmação de divisão geracional serve como uma ficção útil para aqueles que desejam evitar enfrentar a política de construção de coligações para conseguir o resgate ambiental.

Muito mais plausível do que o argumento geracional é o elemento de classe na transição justa. Uma transição eficaz implicará necessariamente a eliminação de muitos empregos bem remunerados e qualificados, por exemplo, na produção de veículos a motor. Substituí-los por empregos verdes produtivos é essencial para a obtenção de apoio político para a transição.

Além disso, a afirmação de que a crise ambiental roubou o futuro da juventude vem de uma perspectiva singularmente de classe média. A desigualdade e a pobreza têm roubado o futuro a milhões de jovens em todo o mundo. É por isso que cada país exige uma transição justa na qual a luta pela sustentabilidade ambiental faz parte da criação de rendimentos dignos, como defende a vice-primeira-ministra espanhola Teresa Ribera. O nosso internacionalismo exige que estendamos o processo de transição justa aos países de baixo rendimento fortemente dependentes das exportações de hidrocarbonetos.

 

Interesses especiais

Estreitamente ligada à falácia do conflito geracional está uma segunda falácia – a acusação arrebatadora de que “os nossos líderes falharam connosco”. Isto deriva do sequitur seguinte de que, embora os políticos tenham tido décadas para agir, eles não conseguiram parar a deterioração ambiental. A ação efetiva sobre o meio ambiente não é uma questão de tempo. Ela requer enfrentar e superar com sucesso a oposição de interesses especiais.

Os políticos da UE que têm lutado pela justiça ambiental exigem e ganharam o apoio dos progressistas. Em vez de repreender os nossos aliados pelo que não fizeram, precisamos de construir as coligações que permitirão alcançar novos avanços. Essa tarefa envolve inspecionar e avaliar a postura dos políticos, como, por exemplo, “Labour for a Green New Deal” fez com os competidores na corrida de liderança do partido britânico.

A UE precisa de uma acção mais corajosa, e o seu próprio programa verde representa uma base sobre a qual se pode construir. Como construir a coligação entre países para uma transição justa através de um programa verde leva-me à terceira falácia.

 

Advertências directas

O medo de desastre não foi um método eficaz de reunir os eleitores do “remain” no referendo de 2016 no Reino Unido sobre a adesão à UE, nem é uma fórmula provável de sucesso para salvar o ambiente. Alguns considerarão os terríveis avisos como exageros; mais importante ainda, quando se acredita nelas as previsões de catástrofe podem provocar desespero e confusão.

Samantha Smith, diretora do Centro de Transição Justa do Congresso Sindical Internacional e parceiros, fornece o antídoto para esta falácia: substituímos o medo pela esperança, um programa “oferecendo aos trabalhadores e às comunidades esperança para o futuro”. Os políticos mais bem-sucedidos reconhecem que os cidadãos respondem à esperança em vez do medo – ninguém mais do que Franklin D Roosevelt, quatro vezes eleito presidente dos Estados Unidos.

No Outono de 1932, “FDR” fez a sua primeira corrida para a presidência com um terço da força de trabalho dos EUA desempregada e outros mais em horários curtos. Ele escolheu como sua improvável canção de campanha ‘Happy Days are Here Again’ (Dias Felizes estão aqui novamente, os céus acima estão claros novamente …). E ele ganhou com uma maioria esmagadora.

A transição justa poderia tirar uma lição de Roosevelt. Talvez pudesse escolher o sucesso de 1926 de Irving Berlin, ‘Blue Skies Smiling at Me’, oferecendo a promessa estimulante de um futuro saudável e sustentável que buscamos – ou, mais europeu e sofisticado, o primeiro movimento da Eroica de Beethoven.

 

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Nota

[1] N.T. Non sequitur é uma expressão em língua latina (traduzida para português como “não se segue”) que designa a falácia lógica na qual a conclusão não decorre das premissas; vd. https://pt.wikipedia.org/wiki/Non_sequitur

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O autor: John Weeksé coordenador do Fórum de Economia Progressista com sede em Londres e professor emérito da School of Oriental and African Studies. Ele é autor de The Debt Delusion: Living within Our Means and Other Fallacies (2019) e Economia do 1%: How Mainstream Economics Services the Rich, Obscures Reality and Distorts Policy.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/02/23/a-proposito-do-conceito-e-iniciativas-da-transicao-justa-4-a-politica-de-uma-transicao-justa-evitar-argumentos-falaciosos-por-john-weeks/

Culturas intensivas despertam preocupações em Estremoz

A preparação de terras para a instalação de culturas intensivas em Veiros, no município de Estremoz, está a gerar preocupações entre a população quanto a eventuais impactos no ambiente e na saúde.

Olival intensivo /Vida RuralCréditos

Numa nota enviada às redacções, o PCP alerta que a população, em particular os moradores do Baldio da Eira, na freguesia alentejana de Veiros (distrito de Évora), «foi recentemente confrontada com a preparação de terras para a instalação [de] culturas intensivas a escassos metros das suas habitações».

Os comunistas consideram natural a preocupação com os eventuais «impactos na saúde, no ambiente e consequentemente na qualidade de vida», uma vez que as culturas agrícolas em regime de produção intensivo e superintensivo são conhecidas por exigirem a utilização de produtos agrotóxicos.

Neste caso, sublinha a nota, «colocam-se preocupações acrescidas quanto à defesa da saúde das pessoas, na medida em que as culturas confinam com habitações», existindo ainda preocupações quanto «à possibilidade de contaminação de aquíferos e do ar e à erosão dos solos a médio prazo».

Alertas sucessivos e questionamento

O PCP afirma ter alertado repetidamente o Governo para estas preocupações e apresentado soluções com vista à resolução dos problemas, «por via do controlo e monitorização das culturas já existentes», da «definição de regras que evitem a expansão da área dedicada a culturas intensivas e superintensivas», e da «limitação quanto à sua instalação em zonas confinantes com aglomerados populacionais ou zonas residenciais».

A nota lembra ainda que, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2020, os comunistas apresentaram duas propostas com vista ao reforço das «verbas destinadas ao estudo e monitorização deste tipo de culturas», bem como à fixação de «regras para que essa monitorização seja feita» tendo em conta a defesa da saúde e da qualidade de vida das populações e a promoção de culturas agrícolas tradicionais em regime não intensivo, «prevendo apoios com esse objectivo».

Neste sentido, os deputados comunistas na Assembleia República exigiram esclarecimentos ao Ministério da Agricultura, questionando-o, nomeadamente, sobre: a intervenção que as estruturas do Ministério tiveram no processo de instalação das culturas intensivas em Veiros; a existência de algum controlo ou estudo prévio dos impactos dessas culturas na saúde das populações e no ambiente; as medidas tomadas pelo Governo para assegurar que da prática da actividade agrícola em tais condições não resultam prejuízos para a saúde das populações ou o ambiente.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/culturas-intensivas-despertam-preocupacoes-em-estremoz

Portugal | Novo aeroporto: De "Pássaros não são estúpidos" a "avaliação rigorosa"

 
 
A construção desta infraestrutura voltou a estar no centro das atenções pelas consequências que poderá ter nos habitats e animais que vivem no estuário do Tejo.
 
Alberto Souto de Miranda, secretário de Estado adjunto e das Comunicações, saiu esta terça-feira em defesa do aeroporto do Montijo, num artigo de opinião divulgado no jornal Público. 
 
Ressalvando que "não há aeroportos sem impactos" e admitindo que o "risco mais sério são as colisões de aves com aviões", o responsável escreveu que "os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem", sustentando que "este postulado arriscado é tão cientificamente sólido como o seu contrário: o de que eles não vão encontrar outras rotas migratórias, outras paragens estalajadeiras, como no Mouchão. Ciência sem dados comprovados não é ciência". 
 
As palavras de Alberto Souto de Miranda não passaram despercebidas no espaço público.
 
"Quem sou eu para duvidar da inteligência dos pássaros. Já quanto à lucidez de alguns titulares públicos que arriscam uma decisão destas confiando na superior “adaptação” dos ditos inteligentes com asas, enfim...", escreveu, nas redes sociais, Carlos Abreu Amorim, ex-deputado do PSD. 
 
No mesmo dia, a criação de uma petição por uma associação holandesa de defesa das aves acrescentou mais um possível entrave à construção do novo aeroporto do Montijo.
 
O abaixo-assinado, que já conta com mais de 26 mil assinaturas, opõe-se à construção da infraestrutura em nome de milhares de aves e, em particular, do maçarico-de-bico-direito - uma ave símbolo daquele país - que estarão em risco por causa da construção do aeroporto, visto que utilizam o estuário do Tejo como ponto de passagem na sua migração anual. 
 
Ora, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, confrontado por jornalistas  com as queixas da associação holandesa de proteção das aves, garantiu que a avaliação de impacto ambiental do futuro aeroporto do Montijo foi "muito rigorosa" e que apresenta alternativas para a comunidade de animais que ali se encontra. 
 
O governante sublinhou que a declaração de Impacto Ambiental do Aeroporto do Montijo "foi discutida publicamente, foi discutida tecnicamente, e tem um conjunto de medidas de compensação e de minimização dos impactos ambientais" e que a avaliação "concluiu que os impactos que existem podem ser minimizados".
 
"Na parte aérea que é afetada da Reserva Natural do Estuário do Tejo ela é compensada por outras áreas que até são de maior dimensão" destinada à população de aves, nomeadamente algumas salinas na margem sul", concluiu Matos Fernandes à margem da apresentação do novo concurso de transportes da Área Metropolitana de Lisboa. 
 
Recorde-se que em 8 de janeiro de 2019, a ANA - Aeroportos de Portugal e o Estado assinaram o acordo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, com um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 para aumentar o atual aeroporto de Lisboa e transformar a base aérea do Montijo, na margem sul do Tejo, num novo aeroporto.
 
O aeroporto do Montijo poderá ter os primeiros trabalhos no terreno já este ano, depois da emissão da Declaração de Impacto Ambiental (DIA) e da reorganização do espaço aéreo militar e após os vários avanços registados em 2019.
 
Notícias ao Minuto | Imagem: © iStock
 
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/portugal-novo-aeroporto-de-passaros-nao.html

Nas 105 melhores cidades na ação climática estão Sintra, Lisboa e Guimarães

A “Carbon Disclosure Project” é uma organização sem fins lucrativos, com sede no Reino Unido, que apoia investidores, empresas, cidades e regiões a gerir os impactos ambientais.

Numa lista das cidades “classe A”, as cidades que tomaram três vezes mais ações climáticas do que outras, Portugal aparece três vezes na lista das cidades líderes em ação climática e transparência.

A lista, na qual um terço das cidades são europeias, inclui outras cidades como Berlim (Alemanha), Barcelona (Espanha), Cidade do Cabo (África do Sul), Los Angeles (Estados Unidos), Cidade do México (México) ou Paris (França).

Na contagem referente a 2019 o número de cidades na Ásia-Pacífico mais do que dobrou em relação ao ano anterior.

A lista do CDP é baseada em dados de mais de 850 cidades sobre elementos como emissões, vulnerabilidades relacionadas com o clima e ações para reduzir as emissões e adaptação aos riscos. Com os resultados as cidades são classificadas de “A” a “D”.

Lisboa, por exemplo, aparece na lista “A” porque, diz o CDP, reduziu as emissões em 50% entre 2002 e 2014 e o Plano Diretor Municipal inclui um plano de hortas urbanas que aumentará as zonas verdes em quase 20%.

A capital irá construir 75 quilómetros de novos corredores “bus” e 92 quilómetros de percursos pedestres.

“A ciência do clima não deixa dúvidas que as emissões globais (de gases com efeito de estufa) têm de ser reduzidas até 2030 para limitar os efeitos da crise climática global. As cidades têm um papel crucial para enfrentar esse desafio, cobrindo apenas 2% da superfície da Terra são a fonte de 70% das emissões”, disse Kyra Appleby, diretora para a área das cidades, estados e regiões do CDP.

E acrescentou: “Estas 105 cidades estão a dar o exemplo a nível de transparência e ação que precisamos das cidades do mundo inteiro”.

Pelo mundo e entre as cidades classe “A” estão exemplos como Manchester, no Reino Unido, que está a agir para ser neutra em carbono em 2038, ou a região eThekwin, na África do Sul, que quer ter 40% das energias renováveis em 2030. Ou mesmo Petaling Jaya, na Malásia, que em 2011 lançou um esquema de impostos que premeia o baixo carbono.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/ambiente-sociedade/nas-105-melhores-cidades-na-acao-climatica-estao-sintra-lisboa-e-guimaraes/

Guterres diz que a crise climática é o maior obstáculo para a paz mundial

André Kosters / Lusa

 

No Paquistão, o quinto país mais ameaçado pelos efeitos das mudanças climáticas, o secretário-geral das Nações Unidas destacou a questão da água como o maior perigo para o país.

 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse este domingo que a crise climática é o maior obstáculo à paz mundial, durante a visita ao Paquistão, um país em conflito com a Índia por causa do uso da água.

“A crise climática é talvez o maior obstáculo à paz, estabilidade e prosperidade globais”, disse Guterres, durante uma conferência sobre desenvolvimento sustentável, no seu primeiro evento público em Islamabad, onde chegou hoje para uma visita oficial.

O Paquistão é o quinto país mais ameaçado pelos efeitos das mudanças climáticas, em particular pelo degelo, inundações e desertificação, segundo relatórios de organizações ambientais.

 
 

Além destas ameaças, Guterres destacou a questão da água como o maior perigo para o Paquistão, lembrando que 80% dos seus lençóis é destinado à agricultura, que emprega 40% da população ativa.

De resto, o problema da água tem criado tensões com a Índia, já que os dois países compartilham os leitos de seis rios, não se entendendo relativamente à gestão destes recursos hídricos.

Guterres lembrou que era o primeiro-ministro de Portugal, quando assinou com Espanha um acordo, em 1998, para gerir a água dos rios que os dois países europeus compartilham.

“Este exemplo mostra que é possível uma cooperação eficaz para resolver esse género de problemas”, explicou o secretário-geral da ONU.

António Guterres, que tem apelado para ações mais vigorosas para enfrentar a emergência climática, acrescentou que “paz, prosperidade, dignidade e direitos humanos para todas as pessoas são o objetivo do desenvolvimento sustentável”.

Guterres destacou a importância do desenvolvimento sustentável para todos os países e comunidades, já que os efeitos das mudanças climáticas não respeitam fronteiras.

“Nenhum país pode dizer que é imune aos seus efeitos (da mudança climática)”, disse o secretário-geral, lamentando que o “ritmo da mudança seja lento”, quando se procura alcançar metas de desenvolvimento sustentável.

Durante a palestra, Guterres deu o exemplo do próprio Paquistão, país pelo qual desenvolveu afinidade durante as suas muitas visitas como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), entre 2005 e 2015.

“É injusto que o Paquistão esteja na vanguarda do impacto negativo das mudanças climáticas. O Paquistão contribuiu pouco para o problema“, disse Guterres.

Além da conferência sobre mudanças climáticas, Guterres participou numa reunião com refugiados do Afeganistão, Iémen e Tajiquistão que estão em solo paquistanês.

“A minha primeira reunião no Paquistão: gerações de refugiados afegãos que compartilharam histórias emocionantes, as suas esperanças e os seus sonhos”, escreveu o líder da ONU na sua conta da rede social Twitter.

Na segunda-feira, Guterres participará numa conferência que assinala o 40.º aniversário da chegada de refugiados afegãos ao Paquistão, estará presente no início de uma campanha de vacinação contra a poliomielite, um grave problema neste país asiático, e visitará um templo sikh aberto aos peregrinos oriundos da Índia.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/guterres-diz-crise-climatica-maior-obstaculo-paz-mundial-309011

Por trás da ideologia verde

– Os piores projectos das elites mundializadas

por Pierre Lévy [*]

A nova santa da religi O "Pacto verde" ("Green Deal" no jargão bruxelense) é doravante o eixo principal das instituições europeias. Ele foi apresentado por Bruxelas em Dezembro último. No dia 14 de Janeiro, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen precisou o financiamento, antes de ser lançada, na Primavera, uma "grande lei climática" que será imposta aos Estados membros. Estão em causa milhões de milhões de euros. Este vasto "plano de batalha ecológica" vai-se tornar, segundo a sra. Von der Leyen, a "marca de fábrica" da UE.

Naturalmente, encontram-se numerosas vozes que consideram que tudo isto não iria suficientemente longe. Outros, ou os mesmos, acusaram a Comissão de vigarice, de "parecer" converter-se à ecologia cedendo ao ar dos tempos.

O discurso ambientalista estrutura a ideologia das elites mundializadas, de que Bruxelas é um dos mais belos espécimes

Não é o caso. O discurso ambientalista estrutura em profundidade a ideologia das elites mundializadas, de que Bruxelas é um dos mais belos espécimes. Ela encontra suas raízes há várias décadas. Assim, um cenáculo saído da OCDE (organização dos países ocidentais mais ricos), conhecido sob o nome de Clube de Roma, publicou em 1972 um relatório tornado célebre intitulado "Os limites do crescimento".

Este texto foi vivamente apoiado por Sicco Mansholt, presidente da Comissão Europeia em 1972-1973. O sr. Mansholt, geralmente considerado como um dos "pais da Europa", já defendia o decrescimento.

E se houver dúvida quanto ao papel motor dos dirigentes, políticos, financeiros e oligárquicos, na promoção das teses pró clima e pró ambiente, não é proibido observar que o emblemático multimiliardário americano Michaël Bloomberg até recentemente era o representante da ONU para o clima. Ele acaba de ser substituído neste posto pelo canadiano Mark Carney, que foi presidente do Banco da Inglaterra até Janeiro de 2020. O homem tornou-se célebre pelas suas previsões apocalípticas em caso de Brexit. Ela agora tem um novo emprego para exibir seus talentos de profeta de catástrofes anunciadas mas fantasistas.

Distinguir dois planos

Convém à partida distinguir dois planos de reflexão quanto ao "aquecimento climático": por um lado, a investigação e a confrontação científica; por outro, a análise e a compreensão das questões que lhe estão ligadas: económicas, sociais, políticas, geopolíticas, democráticas, mesmo filosóficas.

O primeiro debate, sobre a realidade das ditas alterações climáticas e sobre suas possíveis causas, cabe aos próprios cientistas. Não será abordado aqui. Neste momento pode-se recordar que não há uma unanimidade entre os investigadores que estabelecesse sem contestação a existência do aquecimento de origem antrópica – a não ser que se trate todos os cientistas dissidentes como fantasistas, ignorantes ou impostores.

Um espírito racional deveria estar assustado pela omnipresença totalitária da tese dominante, tão martelada que se torna difícil sair do quadro do pensamento imposto

Em contrapartida, todos os cidadãos são perfeitamente legítimos para se inscreverem no outro debate, aqueles que tentam discernir os meandros das campanhas actuais. De resto, um espírito racional e crítico deveria ficar assustado pela omnipresença totalitária da tese dominante, pregada da manhã à noite na imprensa escrita e audiovisual, até ao ponto em que se torna difícil sair do quadro de pensamento imposto. Se se ouvir bem certos militantes ecologistas, não se estaria muito longe da execução do crime de "negacionismo climático" e mesmo das sanções penais correspondentes.

Cinco dossiers, pelo menos, podem ser evocados. Eles põem à luz a ligação intrínseca entre os interesses da oligarquia ocidental mundializada e a ideologia pró clima. Não se pode citar aqui senão os títulos de capítulo, cada um deles merecendo evidentemente desenvolvimentos mais amplos.

Primeiro dossier: o social

O primeiro poderia assim ser resumido: a sobriedade julgada necessária para "salvar o planeta" é na realidade o subterfúgio da austeridade que as forças do dinheiro entendem impor aos povos. Ela tem seus agentes, evidentemente, em numerosas sucursais da "esquerda" e por vezes é exaltada sob o nome de "sobriedade feliz". Para todos aqueles que se inquietam quanto à maneira de colmatar seu fim de mês, agita-se a ameaça do fim do mundo. O "super-consumo", inclusive de energia, é apontado a dedo com o lema: "mais vale ser melhor do que ter mais.

Será de notar que este estado de espírito não é novo na ideologia dominante. O outrora mediático jornalista François de Closets construiu o essencial da sua carreira editorial a denunciar as pessoas que desejariam "Sempre mais", título de uma da vintena de obras aparecidas desde 1970 sobre este mesmo tema.

O antagonismo entre aqueles que se angustiam quanto ao "fim do mês" e aqueles que alertam sobre o "fim do mundo" irrompeu em Novembro de 2018: o movimento dos Coletes amarelo nasceu da recusa ao tributo que o governo tentou impor sobre os combustíveis, com o fim confessado de "modificar os comportamentos".

Centenas de milhares de empregos directos estão ameaçados, em nome do enverdecimento da economia

O poder de compra de milhões de trabalhadores não está apenas ameaçado. Centenas de milhares de empregos directos estão igualmente ameaçados, em nome do enverdecimento da economia – projectado para criar outros postos de trabalho, mas mais tarde. Uma realidade que se encontra nos quatro cantos da União Europeia. Não é por acaso que a Comissão prevê um Fundo destinado especialmente a "acompanhar" os futuros trabalhadores privados do seu emprego e as futuras regiões sinistradas.

Sem dúvida não é inócuo observar que as categorias mais ameaçadas são as mais emblemáticas da força e da história operárias: mineiros (em França, encontraram outros pretextos para liquidar esta actividade anteriormente), siderurgistas, operários das indústrias química e do automóvel... Um pouco como se no inconsciente dos dominantes se tratasse de se desembaraçarem das fábricas demasiado "carbónicas"... e ao mesmo tempo das classes perigosas, sobretudo ali onde elas estão concentradas e combativas.

Segundo dossier: a geopolítica

O segundo domínio é de outra natureza. Tem a ver com uma imperícia do Todo Poderoso: este teve o mau gosto de repartir os hidrocarbonetos confiando uma grande parte aos Estados não alinhados com o Ocidente... Assim, a Rússia, o Irão, a Venezuela, para citar apenas três exemplos, são os países onde estão concentradas as maiores reservas petrolíferas e/ou gasistas.

Portanto pode-se imaginar que nas esferas dominantes, não se ficaria forçosamente descontente em que estes Estados fossem pouco a pouco privados dos recursos proporcionados pelas exportações de energia carbónica. Ao diabolizar esta última enfraquecem-se assim as posições e os meios financeiros dos adversários ou dos inimigos designados.

Terceiro dossier: a governação mundial

O terceiro dossier tem forte conotação ideológica. Repetem-nos continuamente: a catástrofe climática não pode ser combatida senão à escala mundial. Uma lenga lenga providencial para todos aqueles que militam, há décadas, por uma governação mundializada (sonho final dos poderosos) e suas declinações em grandes blocos regionais tais como a UE.

Logo, isto vem mesmo a propósito: para resolver os grandes problemas do nosso tempo, a escala dos Estados-nação estaria ultrapassada. De repente, a tese tem todas as aparências da evidência: o aquecimento não tem fronteiras, é preciso portanto esquecer as velhas ideias da soberania nacional.

Quarto dossier: a democracia

A quarta dimensão dos imperativos climáticos impostos refere-se a uma questão que não é decididamente anódino: a democracia. Pois os exemplos o mostram: as classes populares, os povos, parecem não aceitar submeter-se à doxa ambientalista, em todo o caso não suficientemente rápido para evitar as catástrofes anunciadas.

Pior, estariam prontos a punir eleitoralmente os governos demasiado zelosos em matéria de luta contra o CO2. E como estes teriam a fraqueza de temerem as reacções dos seus eleitores, as medidas necessárias – resumidas na fórmula: "é preciso mudar radicalmente nosso modo de vida" – são eternamente retardadas...

A conclusão se impõe: a democracia tornou-se um obstáculo à sobrevivência do planeta. Alguns afirmam-no abertamente. Outros, que não podem ser tão brutais, interrogam-se gravemente. Pois se a nossa sobrevivência colectiva está realmente ameaçada, a democracia deve ceder. Isto é imparável – e é sobretudo, miraculosamente, uma aurora para os poderosos do mundo, que fazem cada vez menos boa convivência com a soberania popular (a Comissão Trilateral já havia apontado os "problemas" da democracia na década de 1970 – a época do Clube de Roma).

Último dossier: a colocação em causa do progresso

Finalmente, a quinta questão é provavelmente a mais fundamental e refere-se ao progresso. Não pode passar desapercebido a ninguém que o "estilo da época" põe-no fundamentalmente. O progresso sob todas as suas dimensões – social (poder de compra, protecção social, serviços públicos...), económico (crescimento), cultural, científico, tecnológico... – seria, pode-se escolher, suspeito, culpável, arriscado ou arrogante.

Aqui e ali, interroga-se gravemente: não se teria ido demasiado longe? O dogma dominante poderia ser enunciado assim: "queira deixar o planeta no estado em que o encontrou". E para dar uma dimensão emocional suplementar ao caso, convocam-se "nossos filhos", "nossos netos" em relação aos quais arcamos com uma pesada responsabilidade. Exactamente o mesmo argumento que para a dívida...

O leque é vasto, desde os colapsólogos a defenderem abertamente o retorno à charrua (quando não ao suicídio preventivo da humanidade, único método para deixar o planeta sobreviver) até aos mais prudentes que se contentam em por em causa cada novo projecto de infraestrutura (ferroviária, rodoviária, aeroportuário, hidráulica – há sempre um castor dos pampas que é preciso salvar). Teremos nós realmente necessidade de tudo isto? murmura-se de diferentes lados.

Naturalmente, a querela entre partidários de uma visão prometéica da humanidade os defensores de uma antiga idade de ouro (que nunca existiu) não é nada nova. Mas a incapacidade progressiva do actual sistema dominante em criar riqueza (outra que não seja para os seus accionistas) tem como consequência que este sistema segregue ideologias regressivas, tal como o decrescimento, que não é senão o vestuário bio da recessão.

A concepção da relação entre o homem e a natureza é o terreno privilegiado desta evolução literalmente reaccionária. Seria preciso "preservar", "defender", "respeitar" a natureza. Pior: a ideologia dominante de agora em diante estabelece uma equivalência entre "natural" e "bom" (a nauseante abundância publicitária neste sentido o ilustra). Será preciso recordar que este culto do "natural" nem sempre foi celebrado?

Será que se mede o absurdo de semelhante injunção? A natureza regorgita de produtos tóxicos, ao passo que produtos dos mais artificiais (medicamentos, química) representam um trunfo insubstituível para o bem-estar colectivo e individual. Ainda que, evidentemente, se deva opor às poluições decorrentes da busca desenfreada de lucro – e não do progresso enquanto tal.

Não se pode conceber a epopeia da humanidade como uma sequência de combates para descobrir e inventar, para se emancipar dos "constrangimentos da natureza"?

Mais generalizadamente, não de pode conceber a epopeia humana como uma sequência de combates para descobrir e inventar, para se emancipar dos "constrangimentos da natureza"? Desde os primeiros humanos que constroem um tecto protector para se porem ao abrigo dos caprichos da natureza, à época actual onde se envia uma sonda para examinar o sol, o homem sempre procurou libertar-se dos constrangimentos para tornar possível o que era impossível.

Não tem a humanidade precisamente como característica agira contra a natureza?

Não é isto que poderia definir a humanidade? Esta última não tem como característica agir contra-natura ? A começar por esta luta milenar para repor em causa uma das principais características da natureza: a lei da selva.

Portanto, de um lado há aqueles que respeitam a natureza, em particular uma das suas constantes (ainda que não exclusiva): os mais fortes dominam os mais fracos, os predadores alimentam-se das presas. E do outro aqueles que têm no coração o combate pela igualdade – combate que decorre, se se ousa resumir, desde o levantamento dos escravos com Espártaco aos assalariados actuais em luta pelas pensões de reforma.

Ao pretenderem "salvar o planeta" das ameaças que a actividade humana, sob a forma de CO2, faria pairar sobre ele, as instituições europeias escolheram o seu campo. Temos o direito de escolher o oposto, que pretende não limitar o campo dos possíveis ao existente. Ou, pelo menos, aceitar o debate sem invectivas e sem delírios apocalípticos.

12/Fevereiro/2020

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/ambiente/ideologia_verde_12fev20.html

O rasto do dinheiro por trás da “nova agenda verde”

De repente a onda da nova agenda verde de medidas radicais para “parar” as mudanças climáticas tornou-se a mais recente coqueluche e até o grande potentado da globalização económica e o Fórum de Davos (Fórum Económico Mundial) deu enorme destaque ao tema, chamando até a intervir a jovem Greta Thunberg.

 

 

Quererá isto dizer que a elite económica mundial está verdadeiramente empenhada no combate às prejudiciais alterações climáticas ou apenas que já terá encontrado a via para preparar uma significativa mudança nos fluxos globais de capital, onde as grandes corporações financeiras podem continuar a lucrar; que outra coisa se poderá esperar quando assistimos ao conclave dos grandes directores de fundos de investimento de capital do mundo e dos principais banqueiros centrais do mundo?

Al Gore

No Fórum de Davos deste ano cruzaram-se Al Gore, presidente do Climate Reality Project e principal patrocinador de Greta Thunberg, Christine Lagarde, a ex-directora do FMI e actual presidente do Banco Central Europeu, Mark Carney, o ex-presidente do Banco da Inglaterra e agora consultor de mudança climática do primeiro-ministro inglês Boris Johnson, David M. Rubenstein, o influente fundador do Carlyle Group, Feike Sybesma, do gigante do agronegócio Unilever e que também é presidente-executivo do Fórum de Alto Nível de Liderança em Competitividade e Preços de Carbono do Grupo Banco Mundial, e Larry Fink, fundador e CEO do grupo de investimentos BlackRock e o mais improvável de todos os impulsionadores da nova agenda verde.

A BlackRock não é um fundo de investimento normal, antes o maior gestor de activos do mundo – gere um montante aproximado de 7 biliões de dólares (valor que é superior ao PIB conjunto de França e Alemanha, as duas maiores economias da EU), distribuído por mais de 100 países – que domina as principais bolsas mundiais e grandes accionistas das principais empresas de petróleo e das maiores empresas de carvão do mundo. Ainda assim, e no que aparenta uma completa inversão de estratégia, divulgou poucos dias antes do Fórum de Davos um boletim para os CEOs empresariais onde afirma que as alterações climáticas constituem um factor determinante nas perspectivas de longo prazo das empresas, que uma tal perspectiva começa a ser assimilada e que os riscos climáticos já estão a levar os investidores a reavaliar as principais premissas sobre os modelos de financiamento, concluindo que o risco climático é um risco de investimento e porque os mercados de capitais antecipam riscos futuros, Fink espera para breve uma realocação significativa de capital, através, nomeadamente, da constituição de carteiras de activos que substituam os investimentos nas empresas e nos sectores dos combustíveis fósseis (petróleo e carvão) e reforcem o compromisso com a sustentabilidade e a transparência nas actividades de gestão de investimentos… Perante tanta confiança e assertividade de um dos principais barões do capital transnacional quase apetece resumir, dizendo que quem não seguir as orientações do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) da ONU na construção da sua carteira de activos, arrisca-se a perder dinheiro!

Greta Thunberg

Reforçando a sua recente veia ecológica, Larry Fink indica no seu boletim o TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures, ou Equipa para Divulgações Financeiras Relacionadas com o Clima) e o SASB (Sustainability Accounting Standards Board ou Conselho de Normas Contabilísticas de Sustentabilidade) como importantes fontes de informação sobre os riscos relacionados com o clima, mas revela afinal quem realmente suporta esta nova onda. O TCFD foi criado em 2015 pelo Bank for International Settlements e é presidido por Mark Carney, governador do Banco da Inglaterra e membro do conselho de Davos, ex-governador do Banco do Canadá e ex-Goldman Sachs; o TCFD, a City of London Corporation (o órgão municipal da área financeira de Londres) e o governo do Reino Unido, criaram em 2016 a Green Finance Initiative, com o objectivo de canalizar biliões de dólares para investimentos “verdes” e apresenta profundas ligações ao FSB (Financial Stability Board, entidade que monitoriza e apresenta recomendações sobre o sistema financeiro global). O já citado TCFD é presidido pelo bilionário Michael Bloomberg e inclui, além do BlackRock, o JP MorganChase, o Banco Barclays, o HSBC (Hong Kong and Shanghay Banking Corporation), a Swiss Re (a segunda maior resseguradora do mundo), o ICBC (Industrial and Commercial Bank of China), a Tata Steel, a petrolífera ENI, a Dow Chemical, o gigante da mineração australiano BHP e a Generation Investment Management de Al Gore; já o SASB, entidade que tem assessorado os grupos financeiros que direccionam o fluxo de capital global para os principais projectos de mineração de carvão e petróleo, inclui, além do BlackRock, os fundos Vanguard, Fidelity Investments, Goldman Sachs, State Street Global, Carlyle Group, Rockefeller Capital Management e vários grandes bancos como o Bank of America e o UBS.

E são estas as impolutas entidades que irão reorientar as empresas em direcção a uma economia mais verde, ajudadas certamente por outras entidades tão insuspeitas como os dirigentes dos principais bancos centrais – como é o caso do governador do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, que foi citado pela Reuters quando afirmou que o «…risco relacionado com o clima difere de outros riscos, pois é muito menos previsível e o seu impacto a longo prazo significa que os efeitos durarão mais do que outros riscos financeiros», ou da presidente do BCE, Christine Lagarde, quando assegurou que aquele banco lutará para cumprir uma assumida missão climática – que há algum tempo vêem incluindo os riscos ambientais nos seus discursos sobre inflação e estabilidade monetária.

Christine Lagarde

De uma forma ou outra, parece cada vez mais evidente que este impulso por uma acção climática dramática tem mais a ver com uma tentativa de justificação para uma grande reorganização da economia global do que para um modelo de energia que implique uma redução drástica dos padrões de vida globais. Isso mesmo foi já assumido por Otmar Edenhofer, o líder de um dos grupos de trabalho do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, quando disse numa entrevista ao entrevista ao Neue Zürcher Zeitung, em 2010, que é preciso acabar com a ideia que a política climática internacional é uma questão ambiental, porque está é na realidade apenas um meio de redistribuição da riqueza.

E que melhor forma de o fazer senão através dos maiores controladores de dinheiro do mundo, como o BlackRock, ou com a colaboração de um centros financeiros com maior opacidade, como a City londrina?

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/rasto-do-dinheiro-por-tras-da-nova-agenda-verde/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=rasto-do-dinheiro-por-tras-da-nova-agenda-verde

Incêndios. Governo prevê “arrendamento forçado das terras” caso proprietários não colaborem

 

O Governo pretende reduzir a área ardida para metade e reconverter a paisagem rural em florestas. Se os proprietários não quiserem aderir a este plano, o Estado vai arrendar coercivamente as terras.

 

Os incêndios que ultrapassem a dimensão de 500 hectares vão resultar num plano de recuperação das áreas ardidas, prevendo-se que o Estado proceda ao “arrendamento forçado das terras” caso os proprietários não colaborem, avançou esta terça-feira o ministro do Ambiente.

“Será realizado um plano de recuperação e, caso os proprietários não queiram ou não o possam executar, o Estado, através da administração central ou local, procederá ao arrendamento coercivo das terras”, afirmou o ministro do Ambiente e Ação Climática, João Matos Fernandes, referindo que em 2019 se registaram 14 incêndios com área superior a 500 hectares.

Na apresentação do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, numa audição no parlamento, João Matos Fernandes destacou como grandes orientações estratégicas deste plano a valorização dos espaços rurais, “num país com seis milhões de hectares de florestas, matos e pastagens”, e a reconstrução da paisagem em mosaico, recuperando também as zonas que foram percorridas por incêndios.

 
 

“A nossa ambição passa pela reconversão de 20% da nossa paisagem rural, por forma a impedir a ocorrência de grandes incêndios, através da criação de descontinuidades na paisagem. Iremos elaborar 20 planos de paisagem durante esta década com este objetivo”, indicou, recordando que já foram alvo de planos as serras de Monchique e Silves, atingidas por um grande fogo florestal em 2018.

Neste âmbito, a ideia é “reconverter 1,2 milhões de hectares, um quinto da área ocupada por espaços florestais”, apontou o governante, considerando como fundamental envolver os proprietários e associações. “Outra meta bem definida é a da necessidade de recuperar as áreas ardidas”, reforçou João Matos Fernandes.

Com um horizonte temporal de uma década, o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais prevê uma despesa total superior a seis mil milhões de euros, com um investimento expectável de 60% a ser direcionado para a prevenção e 40% para o combate, tendo como principal objetivo a redução para metade da área ardida.

“Outro grande foco deste plano é o da redução em 80% das ignições em dias de elevado risco. Nesta matéria, a vigilância, a proximidade e a informação são determinantes”, referiu o ministro do Ambiente, adiantando que um dos objetivos é reduzir em 600 mil hectares a área ardida, em 10 anos.

Com esta meta, o Governo pretende dar “um grande impulso a um Portugal com muito menos fogos, com uma nova paisagem rural, com um capital natural mais valioso e com a capacidade de sumidouro necessária”, declarou o governante.

Relativamente ao planeamento para o Sistema de Gestão Integrado de Fogos Rurais, João Matos Fernandes esclareceu que “envolve não apenas o nível nacional, mas também, e sobretudo, os níveis regional e local”, com o levantamento de necessidades em cada nível, dando-lhes “uma centralidade no desenho da ação nacional que não existia”.

“A escala do fogo não é municipal”, frisou o ministro do Ambiente, defendendo que o planeamento a um nível intermunicipal “oferece grandes ganhos, mas sem nunca perder o envolvimento das autarquias e dos agentes locais”.

Além disso, o responsável pela pasta do Ambiente destacou que o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais dá uma resposta concreta ao objetivo de Portugal ser neutro em emissões carbónicas, em 2050, o que implica o aumento da capacidade de sequestro de carbono, que, entre outras condições, depende da redução para metade da área ardida em fogos rurais, em particular dos “incêndios rurais graves”.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/incendios-arrendamento-forcado-terras-308131

Papa defende preservação da Amazônia e cuidado com os mais pobres

Vatican News -“A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.” Assim tem início a Exortação apostólica pós-sinodal, Querida Amazônia. O Pontífice, nos primeiros pontos, (2-4) explica “o sentido desta Exortação”, rica de referências a documentos das Conferências episcopais dos países amazônicos, mas também a poesias de autores ligados à Amazônia. Francisco destaca que deseja “expressar as ressonâncias” que o Sínodo provocou nele. E esclarece que não pretende substituir nem repetir o Documento final, que convida a ler “integralmente”, fazendo votos de que toda a Igreja se deixe “enriquecer e interpelar” por este trabalho e que a Igreja na Amazônia se empenhe “na sua aplicação”. O Papa compartilha os seus “Sonhos para a Amazônia” (5-7), cujo destino deve preocupar a todos, porque esta terra também é “nossa”. Assim, formula “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “que lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “que guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.

O sonho social: a Igreja ao lado dos oprimidos

O primeiro capítulo de Querida Amazônia é centralizado no “Sonho social” (8). Destaca que “uma verdadeira abordagem ecológica” é também “abordagem social” e, mesmo apreciando o “bem viver” dos indígenas, adverte para o “conservacionismo”, que se preocupa somente com o meio ambiente. Com tons vibrantes, fala de “injustiça e crime” (9-14). Recorda que já Bento XVI havia denunciado “a devastação ambiental da Amazônia”. Os povos originários, afirma, sofrem uma “sujeição” seja por parte dos poderes locais, seja por parte dos poderes externos. Para o Papa, as operações econômicas que alimentam devastação, assassinato e corrupção merecem o nome de “injustiça e crime”. E com João Paulo II, reitera que a globalização não deve se tornar um novo colonialismo.

Os pobres sejam ouvidos sobre o futuro da Amazônia

Diante de tanta injustiça, o Pontífice fala que é preciso “indignar-se e pedir perdão” (15-19). Para Francisco, são necessárias “redes de solidariedade e de desenvolvimento” e pede o comprometimento de todos, inclusive dos líderes políticos. O Papa ressalta o tema do “sentido comunitário” (20-22), recordando que, para os povos amazônicos, as relações humanas “estão impregnadas pela natureza circundante”. Por isso, escreve, vivem como um verdadeiro “desenraizamento” quando são “forçados a emigrar para a cidade”. A última parte do primeiro capítulo é dedicado às “Instituições degradadas” (23-25) e ao “Diálogo social” (26-27). O Papa denuncia o mal da corrupção, que envenena o Estado e as suas instituições. E faz votos de que a Amazônia se torne “um local de diálogo social” antes de tudo “com os últimos. A voz dos pobres, exorta, deve ser “a voz mais forte” sobre a Amazônia.

O sonho cultural: cuidar do poliedro amazônico

 

O segundo capítulo é dedicado ao “sonho cultural”. Francisco esclarece que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente” (28). E recorre a uma imagem que lhe é cara: “o poliedro amazônico” (29-32). É preciso combater a “colonização pós-moderna”. Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes” (33-35). Citando Laudato si’ e Christus vivit, destaca que a “visão consumista do ser humano” tende a “a homogeneizar as culturas” e isso afeta sobretudo os jovens. A eles, o Papa pede que assumam as raízes, que recuperem “a memória danificada”.

Não a um indigenismo fechado, é preciso um encontro intercultural

A Exortação se concentra depois sobre o “encontro intercultural” (36-38). Mesmo as “culturas aparentemente mais evoluídas”, observa, podem aprender com os povos que “desenvolveram um tesouro cultural em conexão com a natureza”. A diversidade, portanto, não deve ser “uma fronteira”, mas “uma ponte”, e diz não a “um indigenismo completamente fechado”. A última parte do segundo capítulo é dedicada ao tema “culturas ameaçadas, povos em risco” (39-40). Em qualquer projeto para a Amazônia, esta é a recomendação do Papa, “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos”. Estes, acrescenta, dificilmente podem ficar ilesos se o ambiente em que nasceram e se desenvolveram “se deteriora”.

 

O sonho ecológico: unir cuidado com o meio ambiente e cuidado com as pessoas

O terceiro capítulo, “Um sonho ecológico”, é o mais relacionado com a Encíclica Laudato si’. Na introdução (41-42), destaca-se que na Amazônia existe uma relação estreita do ser humano com a natureza. Cuidar dos irmãos como o Senhor cuida de nós, reitera, “é a primeira ecologia que precisamos”. Cuidar do meio ambiente e cuidar dos pobres são “inseparáveis”. Francisco dirige depois a atenção ao “sonho feito de água” (43-46). Cita Pablo Neruda e outros poetas locais sobre a força e a beleza do Rio Amazonas. Com suas poesias, escreve, “ajudam a libertar-nos do paradigma tecnocrático e consumista que sufoca a natureza”.

Ouvir o grito da Amazônia, o desenvolvimento seja sustentável

Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia” (47-52). Recorda que o equilíbrio planetário depende da sua saúde. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”. O desenvolvimento sustentável, prossegue, requer que os habitantes sejam sempre informados sobre os projetos que dizem respeito a eles e auspicia a criação de “um sistema normativo” com “limites invioláveis”. Assim, Francisco convida à “profecia da contemplação” (53-57). Ouvindo os povos originários, destaca, podemos amar a Amazônia “e não apenas usá-la”; podemos encontrar nela “um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”. A última parte do terceiro capítulo é centralizada na educação e hábitos ecológicos” (58-60). O Papa ressalta que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”.

O sonho eclesial: desenvolver uma Igreja com rosto amazônico

O último capítulo, o mais denso, é dedicado “mais diretamente” aos pastores e aos fiéis católicos e se concentra no “sonho eclesial”. O Papa convida a “desenvolver uma Igreja com rosto amazônico” através de um “grande anúncio missionário” (61), um “anúncio indispensável na Amazônia” (62-65). Para o Santo Padre, não é suficiente levar uma “mensagem social”. Esses povos têm “direito ao anúncio do Evangelho”; do contrário, “cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG”. Uma parte consistente é dedicada ainda à inculturação. Retomando a Gaudium et spes, fala de “inculturação (66-69) como um processo que leva “à plenitude à luz do Evangelho” aquilo que de bom existe nas culturas amazônicas.

Uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia

O Papa dirige o seu olhar mais profundamente, indicando os “Caminhos de inculturação na Amazônia”. (70-74). Os valores presentes nas comunidades originárias, escreve, devem ser valorizados na evangelização. E nos dois parágrafos sucessivos se detém sobre a “inculturação social e espiritual” (75-76). O Pontífice evidencia que, diante da condição de pobreza de muitos habitantes da Amazônia, a inculturação deve ter um “timbre marcadamente social”. Ao mesmo tempo, porém, a dimensão social deve ser integrada com aquela “espiritual”.

Os Sacramentos devem ser acessíveis a todos, especialmente aos pobres

Na sequência, a Exortação indica “pontos de partida para uma santidade amazônica” (77-80), que não devem copiar “modelos doutros lugares”. Destaca que “é possível receber, de alguma forma, um símbolo indígena sem o qualificar necessariamente como idolátrico”. Pode-se valorizar, acrescenta, um mito “denso de sentido espiritual” sem necessariamente considerá-lo “um extravio pagão”. O mesmo vale para algumas festas religiosas que, não obstante necessitem de um “processo de purificação”, “contêm um significado sagrado”.

Outra passagem significativa de Querida Amazônia é sobre a inculturação da liturgia (81-84). O Pontífice constata que já o Concílio Vaticano II havia solicitado um esforço de “inculturação da liturgia nos povos indígenas”. Além disso, recorda numa nota do texto que, no Sínodo, “surgiu a proposta de se elaborar um «rito amazônico»”. Os Sacramentos, exorta, “devem ser acessíveis, sobretudo aos pobres”. A Igreja, afirma evocando a Amoris laetitia, não pode se transformar numa “alfândega”.

Bispos latino-americanos devem enviar missionários à Amazônia

Relacionado a este tema, está a “inculturação do ministério” (85-90) sobre a qual a Igreja deve dar uma resposta “corajosa”. Para o Papa, deve ser garantida “maior frequência da celebração da Eucaristia”. A propósito, reitera, é importante “determinar o que é mais específico do sacerdote”. A resposta, lê-se, está no sacramento da Ordem sacra, que habilita somente o sacerdote a presidir a Eucaristia. Portanto, como “assegurar este ministério sacerdotal” nas zonas mais remotas? Francisco exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a ser mais generosos”, orientando os que “demonstram vocação missionária” a escolher a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.

Favorecer um protagonismo dos leigos nas comunidades

Depois dos Sacramentos, Querida Amazonía fala das “comunidades cheias de vida” (91-98), nas quais os leigos devem assumir “responsabilidades importantes”. Para o Papa, com efeito, não se trata “apenas de facilitar uma presença maior de ministros ordenados”. Um objetivo “limitado” se não suscitar “uma nova vida nas comunidades”. São necessários, portanto, novos “serviços laicais”. Somente através de “um incisivo protagonismo dos leigos”, reitera, a Igreja poderá responder aos “desafios da Amazônia”. Para o Pontífice, os consagrados têm um lugar especial e não deixa de recordar o papel das comunidades de base, que defenderam os direitos sociais, e encoraja em especial a atividade da REPAM e dos “grupos missionários itinerantes”.

Novos espaços às mulheres, mas sem clericalizações

Francisco dedica um espaço à força e ao dom das mulheres (99-103). Reconhece que, na Amazônia, algumas comunidades se mantiveram somente “graças à presença de mulheres fortes e generosas”. Porém, adverte que não se deve reduzir a Igreja a “estruturas funcionais”. Se assim fosse, com efeito, teriam um papel somente se fosse concedido a elas acesso à Ordem sacra. Para o Pontífice, deve ser rejeitada a clericalização das mulheres, acolhendo, ao invés, a contribuição segundo o modo feminino, que prolonga “a força e a ternura de Maria”. Francisco encoraja o surgimento de novos serviços femininos, que – com um reconhecimento público dos bispos – incidam nas decisões para as comunidades.

Os cristãos devem lutar juntos para defender os pobres da Amazônia

Para o Papa, é preciso “ampliar horizontes para além dos conflitos” (104-105) e deixar-se desafiar pela Amazônia a “superar perspectivas limitadas” que “permanecem enclausuradas em aspetos parciais”. O quarto capítulo termina com o tema da “convivência ecumênica e inter-religiosa” (106-110), “encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum”. “Como não lutar juntos? – questiona Francisco – Como não rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia”?

Confiemos a Amazônia e os seus povos a Maria

Francisco conclui a Querida Amazônia com uma oração à Mãe da Amazônia (111). “Mãe, olhai para os pobres da Amazônia – é um trecho da sua oração –, porque o seu lar está a ser destruído por interesses mesquinhos (…) Tocai a sensibilidade dos poderosos porque, apesar de sentirmos que já é tarde, Vós nos chamais a salvar o que ainda vive”.

O sistema global a caminho do colapso financeiro e climático?

A crescente desigualdade, bem evidente na pauperização acelerada dos assalariados, e a sobrevivência do modelo económico que sustenta e que tem transformado a democracia ocidental numa espécie de catalisador duma forma moderna de escravidão económica não se pode prolongar nem servir para adiar as medidas necessárias à contenção do desgaste provocado pelo modelo de exploração desbragada dos recursos naturais.

 

 

De acordo com o Índice Multidimensional de Pobreza, publicado em meados de 2019 pela ONU, mais de um quarto da população mundial (2 mil milhões de pessoas) vive em situação de pobreza e, segundo dados do Institute of International Finance de meados do mesmo ano, o endividamento mundial subiu para 250,9 biliões de dólares (228 biliões de euros), valor que fixa um novo recorde de 320% do PIB mundial.

O que antes podia ser visto com um mar de dívidas no qual tentávamos flutuar tornou-se rapidamente num oceano de dívidas no qual arriscamos afundar-nos todos.

Esta enorme quantidade de dívida, uma imaginária riqueza de faz de conta, que o capitalismo global trata como o seu bezerro de ouro ameaça agora colapsar estruturalmente, o que não é apenas um problema para os 1% de mega ricos que ainda exercem uma influência determinante no aspecto político-económico e na própria vida colectiva. O colapso originado pela última crise reduziu milhões de trabalhadores e de antigos proprietários imobiliários a uma luta pela sobrevivência que não terminou para a maioria deles, hipocritamente associados a uma suposta recuperação económica (que apenas o foi para o factor capital) que o que conseguiu foi reduzir os salários de quem trabalha e aprofundar o processo de concentração da riqueza. Nada de profundamente diferente do que assistimos nos primórdios do capitalismo industrial, no século XIX, quando os camponeses foram empurrados dos campos para as fábricas para criarem riqueza para os seus proprietários, enriquecendo-os ao ponto de ultrapassarem a riqueza dos anteriores senhores feudais.

Agora, o capital global criou uma ínfima minoria pessoas super-ricas a ponto de apenas três bilionários norte-americanos terem tanta riqueza combinada quanto 150 milhões dos seus concidadãos, tantos são os que esperam obedientemente para ir às urnas e votar na continuação do sistema que nos dirige em direcção a mais um colapso financeiro, quase seguramente mais doloroso que o anterior. O recurso a fundos públicos para resgatar a riqueza privada salvou-a temporariamente mas não se pode permitir que tal se repita, especialmente quando se registam, um pouco por todo o lado, contestações e revoltas em consequência da degradação das condições de vida da generalidade das populações, que sentem a sua cada vez mais palpável miséria.

A aproximação de um novo potencial colapso desta economia de casino em que se transformou o capitalismo financeiro global parece cada vez mais real, mas os seus maiores malefícios ainda poderão ser evitados, mesmo que os principais defensores do sistema sintam que isso é inevitável e a sociedade, ou seja os trabalhadores assalariados, apenas terão que aprender a viver com mais austeridade e muito menos conforto. Preocupados em mudar o acessório para que no essencial tudo continue sem alterações , os poderes estabelecidos (económicos e políticos) têm contado com a colaboração dos meios de comunicação que regularmente noticiam os pequenos fait divers enquanto procuram minimizar as notícias das multidões de pessoas frustradas que da França à Nigéria ou do Líbano ao Chile se erguem, como raramente antes o fizeram, contra a autoridade e a regra que as reduziu a níveis de vida cada vez mais inferiores e degradantes.

E esse mesmo sistema está na raiz de um problema de maior alcance, reduzido ao chavão das alterações climáticas pelos mesmíssimos oportunistas que não hesitariam em usar um lança-chamas para apagar um incêndio, ou que pretendem fazer depender de um sistema de lucro privado as iniciativas para acabar com o potencial de destruição do planeta e dos seus habitantes originado pelo mesmo sistema de lucro privado. Enquanto desenvolvemos planos para limpar a trapalhada que criámos na natureza recorrendo ao mesmo sistema que lhe deu origem, muitos começam já a perceber o jogo de interesses que leva à contínua alteração das formas de combate à poluição que mais não é que uma via de alternar os titulares dos lucros assim gerados. Este é o modelo que originou lucros crescentes para uma minoria que assim ganhou poder para dominar e comercializar bens essenciais como o ar, a água, a terra, a saúde, o bem-estar, transformando tudo em mercadorias (bens transaccionáveis) que só podem ser compradas e vendidas num mercado para o qual teremos que ter os meios (riqueza) para participarmos e que aos excluídos apenas oferecerá uma alternativa: a de morrerem.

A crescente desigualdade, bem evidente na pauperização acelerada dos assalariados, e a sobrevivência do modelo económico que sustenta e que tem transformado a democracia ocidental numa espécie de catalisador duma forma moderna de escravidão económica não se pode prolongar nem servir para adiar as medidas necessárias à contenção do desgaste provocado pelo modelo de exploração desbragada dos recursos naturais. A este modelo de exploração desenfreada dos recursos globais em benefício de uma minoria terá que se contrapor (e sobrepor) outro, mais natural e racional, pensado colectivamente e globalmente, onde o lucro individual seja obrigatoriamente substituído pelo interesse geral.


 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-sistema-global-a-caminho-do-colapso-financeiro-e-climatico/

Verdade Envenenada: o teflon no sangue de toda a gente

(Daniel Deusdado, in Diário de Notícias, 31/01/2020)

Teflon. Bom para garantir que os alimentos não ficam colados às frigideiras e tachos quentes. Igualmente usado em alguma roupa simultaneamente quente e impermeável (tipo “gore-tex”). Faz parte da composição de alguns detergentes. E de repelente de insetos. E está em muitos plásticos e tantas outras coisas que o tornou presente no sangue de praticamente todos os norte-americanos e de centenas de milhões de pessoas por todo o mundo.

Esta é a história do PFOA-C8 – ácido perfluorooctanóico, inventado em 1945 nos Estados Unidos e cuja ingestão acumulada ao longo da vida está por determinar. Tornou-se notícia porque a primeira batalha jurídica contra o “teflon” foi finalmente vencida em 2016 por um advogado norte-americano, Robert Billot.

 

A sua saga gerou um documentário no Netflix , “The Devil We know: como a DuPont envenenou o mundo inteiro com o teflon” (infelizmente já não disponível). Recentemente o filme “Dark Waters – Verdade Envenenada”, esteve durante o mês de janeiro nas salas portuguesas (ainda permanece no Porto e Guimarães), protagonizado por Mark Ruffalo e Anne Hathaway. O caso “teflon” foi ainda narrado pelo acutilante “The Intercept”, e depois pelo “The New York Times”.

Inicialmente criado como isolante dos tanques militares, o “teflon” veio parar ao uso doméstico nos anos 60, apesar dos testes laboratoriais das empresas químicas começarem a demonstrar que o PFOA-C8 causava tumores testiculares, pancreáticos e hepáticos em ratos de laboratório.

Em consequência dos riscos para os seres humanos, a 3M desistiu da sua produção no ano 2000 quando finalmente a Agência de Proteção do Ambiente norte-americano (EPA) exigiu às empresas uma avaliação mais rigorosa dos efeitos do químico.

Mas, ao contrário da 3M, a DuPont passou a assegurar vendas estimadas em mais de mil milhões de dólares por ano com este produto, apesar de na sua linha de produção de teflon vários funcionários terem problemas de saúde graves, incluindo grávidas.

O escândalo teflon só se tornou visível depois das queixas de um produtor de gado – vizinho da DuPont, em Parkersburg, Virgínia Ocidental, – ver morrer 200 vacas ao ingerirem água do rio contaminada pela fábrica química. Em simultâneo, tanto o agricultor como a sua mulher contraíram cancros (ele já faleceu).

Depois de décadas a tentar ignorar o caso, a DuPont é confrontada pelo advogado Robert Billot (ele próprio membro de uma sociedade de advogados que trabalhava para as maiores químicas do mundo) que acaba por aceitar a defesa do agricultor envenenado e falido.

Aqui chegados: esta história é absolutamente desoladora e, ao mesmo tempo, essencial para percebermos em que mundo vivemos.

Em primeiro lugar o caso “teflon” mostra que só são proibidos no mundo inteiro os químicos que, comprovadamente, matam pessoas ou provocam danos graves na sua saúde. Até esta prova estar irrefutavelmente confirmada, estamos no território da absoluta “inovação” e onde os organismos de controlo – sejam as Agências de Proteção do Ambiente ou outros – se limitam a deixar entrar no mercado as inovações que, até prova em contrário, não tragam danos para a saúde humana. Só que essa prova surge apenas por via das vítimas – e muitas vezes já é tarde demais.

Este caso demonstra igualmente como o tempo joga a favor de quem polui ou provoca danos irreversíveis. Os mil milhões de faturação anual da DuPont com o “teflon” são astronomicamente superiores à indemnização que a empresa química acabou por pagar (670 milhões de dólares) aos 3500 casos de contaminação sanguínea verificados em Parkersburg.

Em segundo lugar, a DuPont só foi condenada porque o advogado Robert Billot conseguiu provar que a substância era danosa para os seres humanos em virtude dos estudos que a própria DuPont tinha efetuado nos anos 60 – e a que ele teve acesso por ordem judicial. Ou seja, não havia qualquer estudo público exceto o da DuPont. Aliás, se o estudo do teflon dependesse desse financiamento público, não teria havido qualquer caso porque os organismos públicos norte-americanos não os fazem em grande escala. Não havia sequer dados para provar a má-fé da empresa. Mais: casos como estes levam as grandes empresas sem responsabilidade social a não estudarem nada. Se não houver conhecimento, não pode haver má-fé. E sobretudo não haverá fugas de informação que as incrimine.

Foi pela pressão junto da opinião pública que a DuPont aceitou inicialmente pagar 70 milhões de dólares para compensar os habitantes de Parkersburg do envenenamento das águas e do ambiente da cidade.

Só que o advogado Robert Billot usou-os de uma forma inteligente: dividiu a indemnização entre todos os habitantes de Parkersburg e, em contrapartida, convidou-os a fazer análises ao sangue no momento de receberem a indemnização individual de 400 dólares. Apareceram 70 mil pessoas, crianças incluídas.

E agora repare-se: a DuPont aceitou, durante as negociações fora de tribunal, respeitar as conclusões das análises ao sangue dos habitantes e atuar em conformidade com os resultados.

Quanto tempo demoraram os resultados das análises a surgir? Sete anos.

Ao fim desta colossal espera, já o advogado estava quase falido, com a saúde desfeita e sem o respeito dos habitantes de Parkersburg. Mas os resultados eram claros: 3500 casos de contaminação em Parkersburg com PFOA-C8.

Quando finalmente chegou a hora de respeitar o acordo de mediação, a multinacional química voltou atrás e recusou negociar as indemnizações. Robert Billot teria de processar a DuPont por cada um dos 3500 casos, participar em milhares de audiências, e depois em milhares de julgamentos. Uma tarefa pura e simplesmente impossível de realizar em tempo útil para a vida destes lesados da DuPont.

Felizmente há histórias que acabam, digamos, razoavelmente. Robert Billot não desistiu. Começou por ganhar o primeiro julgamento, e depois o segundo, e a seguir o terceiro. Finalmente a DuPont percebeu que ia destruir ainda mais a sua limitada reputação e resolveu pagar 670 milhões de uma só vez a todas as vítimas. Mesmo assim pouco mais de metade do valor que faturava num só ano em teflon. E assim o caso se arrastou até 2016.

Repare-se: quase 60 anos após o conhecimento das consequências da produção e uso do PFOA-CB (teflon), finalmente a multinacional química perdeu em tribunal devido ao estoicismo de um advogado. Sem isso, esta história continuaria sem ser do conhecimento público.

Entretanto, a (nova) DowDuPont tentou alterar o PFOA-C8 pelo Gen-X mas não há certezas sobre se algo mudou do ponto de vista toxicológico. A produção, essa, mantém-se à escala global.

Outro dado importante: o PFOA-C8 ainda não entrou na lista dos “poluentes orgânicos persistentes” (conhecidos como os químicos eternos) da Convenção de Estocolmo, criada pelas Nações Unidas. O “teflon” tem sido encontrado em coisas tão diversas como resíduos industriais, carpetes resistentes a manchas ou líquidos de limpeza de carpetes, muitos tipo sde plásticos, têxteis especiais e obviamente em tachos, panelas e frigideiras. Os estudos assinalam o potencial de gerar cancro renal e testicular, problemas na tiroide e malformações nos fetos.

Em Peterburgspark, cidade onde o principal foco de contaminação surgiu, os habitantes desprezaram durante muito tempo Robert Billot e os cidadãos que o ajudavam, porque isso afetava a joia da cidade, a fábrica da DuPont, uma das melhores empresas onde se podia trabalhar.

Aina hoje continuamos a estrelar ovos, e tudo o resto, nas frigideiras e panelas com teflon. E haverá milhares de outros químicos que, em conjunto, geram uma bioacumulação no corpo humano que estarão na origem de muitos cancros de que desconhecemos a origem.

Duas perguntas: quem regula realmente a indústria química? Onde nos leva tudo isto?

 

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

CASCAISEA realizou a sua primeira ação pública, na praia do Abano

Foi no passado sábado, que a recém-formada associação ambiental CASCAISEA realizou oficialmente a sua primeira ação pública, na praia do Abano.

O estado do tempo e do mar, que esteve no passado fim-de-semana, não favoreceu a recolha do lixo na praia mas por questões de segurança a organização optou por um local mais acessível como é a praia do Abano.

O desafio foi mostrar e desafiar os 38 participantes a procurarem o lixo pelos vários locais da praia, debaixo das pedras e ao longo do areal.

Durante cerca de uma hora, todos os participantes estiveram a levantar pedras e a remover da praia todos os objetos poluentes que encontraram.

O objetivo não era de apanhar grandes quantidades de lixo mas mostrar a gravosa situação dos mares e sensibilizar os participantes para os problemas ambientais e da sobrevivência dos ecossistemas marinhos.

A CASCAISEA surgiu em Cascais, no verão de 2019, fundada pelo ativista ambiental Miguel Lacerda, e “promete trabalhar arduamente na defesa dos oceanos e dos ecossistemas”.

A associação não tem fins lucrativos e assume-se como uma organização altruísta, que através dos associados e apoiantes, pretende trabalhar voluntariamente, de forma coordenada, na consciencialização da proteção dos Oceanos, e do mar em Cascais, em particular.

Miguel Lacerda, cascaense, mergulhador, velejador, ativista ambiental e pioneiro nas ações de limpeza dos oceanos em Portugal.

Miguel Lacerda é mergulhador, velejador, ativista ambiental e pioneiro nas ações de limpeza dos oceanos em Portugal.

Homenageado, em 2009, com a medalha de mérito municipal pela defesa do ambiente e do meio ambiente, o mergulhador dedica grande parte da sua vida nesta missão da limpeza dos mares, onde recolhe por ano mais de 30 toneladas de lixo marinho no litoral e no fundo do mar.

O ativista ambiental pretende que as futuras gerações possam desfrutar dos oceanos tanto quanto ele.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/ambiente-sociedade/cascaisea-realizou-a-sua-primeira-acao-publica-na-praia-do-abano/

É lei. França começa a banir plástico descartável

Márcia de Sousa (Fonte: Sitehttps://ciclovivo.com.br/)

Em plena véspera de Natal, o governo da França publicou um decreto que marca o início da proibição do uso de plásticos descartáveis. A lei, que quase passou despercebida, já entrou em vigor no dia 1o de janeiro.

Nesta primeira fase três produtos plásticos descartáveis foram proibidos: pratos, copos e cotonetes. A partir de 2021 serão banidos também canudos e talheres. A meta é eliminar gradualmente todos os plásticos de uso único até 2040.

Canudinhos são os primeiros da lista

 

A lei, é claro, passa por um período de adaptação. As lojas que transportam os descartáveis – agora proibidos – ainda poderão vendê-los pelos próximos seis meses, desde que os mesmos tenham sido produzidos ou importados anteriormente. O decreto também isenta alguns setores até julho de 2021, tais como instalações sanitárias e no uso em transportes como trens e aviões. Produtos compostáveis, com ao menos 50% de materiais orgânicos em sua constituição, também terão isenção temporária.

Além do objetivo de retirar de circulação todos os plásticos descartáveis nas próximas duas décadas, a França tem como objetivo reciclar 100% dos plásticos até 2025. Os planos vão ao encontro das novas diretrizes propostas pela União Europeia e o caminho que segue as maiores economias do mundo. Até mesmo a China, maior produtor de plástico, anunciou que vai eliminar os descartáveis.

 
Plástico na rua

 

PLÁSTICOS DE USO ÚNICO SERÃO PROIBIDOS EM SÃO PAULO

Projeto de Lei do vereador Xexéu Tripoli foi sancionado e entra em vigor em janeiro de 2021

 

Fonte: Natasha Olsen – Site:http://www.ciclovivo.com.br

A lei que proíbe o fornecimento de plásticos de uso único na cidade de São Paulo foi sancionada pelo prefeito Bruno Covas no dia 13 de janeiro de 2020. O Projeto de Lei 01-00099/2019 é de autoria do vereador Xexéu Trípoli, do PV, e entra em vigor a partir de 01 de janeiro de 2021.

Os estabelecimentos comerciais não poderão fornecer copos, pratos, talheres, agitadores e hastes de balão. A proibição se aplica a hotéis, restaurantes, bares e padarias, entre outros. A lei também é válida para espaços para festas, clubes noturnos, salões de dança, eventos culturais e esportivos de qualquer espécie.

Em substituição aos itens que serão proibidos a partir do ano que vem, os estabelecimentos devem oferecer alternativas biodegradáveis, compostáveis ou reutilizáveis.

Estes itens ainda poderão ser vendidos em supermercados, uma vez que a venda de produtos é regulamentada pela legislação federal.

De acordo com o Trípoli, 16% dos resíduos gerados na cidade de São Paulo são compostos de plástico em suas diferentes formas. Além de diminuir o volume de resíduos plásticos, a nova lei vai incentivar a reciclagem de materiais e impulsionar a transição para uma economia circular, cujo modelo de negócio e desenvolvimento econômico é alternativo ao linear (extrair, produzir e descartar). “Precisamos pensar no reuso de todos os materiais, não apenas do plástico”, alerta o vereador.

Um mar de resíduos de plástico

 

Participação da sociedade

Para Bruno Covas, a participação dos paulistanos é fundamental. O prefeito cita a proibição dos canudos plásticos, que mesmo antes de ser regulamentada já traz impactos positivos. “Hoje praticamente não se encontram mais canudos que não sejam biodegradáveis ou de outra alternativa na cidade. Mais do que a sanção pecuniária ou a fiscalização, a lei transformou a cultura da população”, explica Covas.

Sobre os canudos, Xexéu Trípoli ressaltou que produtos oxibiodegradáveis não entram entre as substituições que devem ser aceitas. “Estes canudos se decompõem mais rápido que os de plástico convencional, mas ainda assim levam mais de 100 anos para se decompor e ao final se transformam em microplástico”, explicou o vereador.

Indústria e comércio

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico – Abiplast emitiu um comunicado dizendo que a proibição pode trazer impactos financeiros e na geração de empregos. Ao invés da proibição, a associação sugere que o uso dos produtos de plástico de uso único seja regulamentado para garantir a reciclagem e reduzir o consumo. Segundo o comunicado, “A indústria de transformação e reciclagem de material plástico está disposta a contribuir para a construção de soluções em conjunto”.

Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirmou, em entrevista concedida em novembro de 2019, que os possíveis impactos negativos nas finanças dos estabelecimentos especificados no projeto de lei não incomodarão o comércio “Se tiver (impacto), será mínimo. E, como foi algo pensado para contribuir na preservação do meio ambiente, então vale. A associação é favorável”.

Lixo plástico

 

Compromisso ético

Em seu pronunciamento, o prefeito Bruno Covas afirmou que o compromisso ambiental é um compromisso ético com as futuras gerações. “A lei que proibiu os canudos plásticos preparou a população e mostra que é viável que outras leis como essa venham. Essa sanção social vem com uma mudança de padrão para evitar a explosão dos gases de efeito estufa presentes nos aterros sanitários”.

Em 2021, os estabelecimentos que forem flagrados fornecendo produtos de plástico de uso único receberão uma advertência e, a partir da segunda autuação, a multa vai de R$ 1 mil a R$ 8 mil. Existe ainda a possibilidade de fechamento do comércio, caso a lei não seja respeitada.

“Não é uma coisa nova dentro dos países ligados a questão ambiental, que trabalham para diminuir o lixo plástico no planeta. Não foi uma ideia minha, mas uma adequação”, conta Xexéu.

Para ele, apesar de não existirem estudos que mensurem o impacto da nova legislação, os efeitos serão muito positivos. “16% do lixo que vai pro aterro de São Paulo é de plástico. Dentro desses 16%, há um número enorme de plástico descartável. Não conseguimos mensurar o impacto, mas é certeza absoluta que a médio e longo prazo será enorme. Teremos uma melhora profunda na questão dos lixos descartados”, finaliza o vereador.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/oasis/e-lei-franca-comeca-a-banir-plastico-descartavel

Deus da-vos Davos?

1500 jatos privados, helicópteros e limousines para discutir o… aquecimento climático image
 
Se as alterações climáticas faziam parte das preocupações do Fórum Económico Mundial, que teve lugar de 22 a 25 de janeiro em Davos, foi em jato privado, helicóptero e limousine que se deslocaram os grandes patrões e responsáveis políticos que nele participaram. O que nos faz acreditar que andam a gozar com o pagode.
Este ano chegaram à Confederação Helvética mais 200 jatos que o ano passado. Compreende-se: não era possível viajar de iate até aos Alpes suíços, e, os senhores do Mundo não brincam em serviço, nem esperam pelo bom vento, são eles que nos fabricam as tempestades e entretêm com a menina Greta e o catamaran milionário.
 
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Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Mundo está tomando rumo da 'autodestruição', adverte economista

Armagedom, imagem referencial
© CC0 / Pixaby

O discurso predominante na sociedade capitalista está levando o mundo à "autodestruição" por impor um modelo de consumo de energia dependente de recursos naturais fósseis não renováveis, tais como petróleo, afirma o professor emérito David Barkin.

O especialista em Economia Ecológica e Solidária, David Barkin, acredita que estamos tomando o rumo da autodestruição.

"A minha previsão em relação à situação atual do mundo é que neste momento estamos seguindo rumo da autodestruição. O discurso dominante assegura que através das boas intenções das corporações, fazendo melhores práticas, o desastre climático e a destruição da biodiversidade podem ser evitados", acredita o pesquisador, que é doutor pela Universidade Yale, EUA, e vencedor do Prêmio Nacional de Economia de 1979 por análise da inflação.

Barkin discursou no Colóquio Internacional sobre "como surgem as novas ordens no Universo", mais especificamente na arte, na história e na economia. Para Barkin, "este discurso é uma ilusão que acarretaria o empobrecimento do mundo de uma forma cruel, de uma destruição segmentada do tecido social em quase todos os países do mundo".

Além disso, Barkin afirmou ser "evidente que a primeira medida viável é abandonar a utilização dos produtos energéticos mais poluentes, que são hidrocarbonetos fósseis", indagando a possibilidade de implementar o desuso de tais vias de energia.

Segundo o professor, deve-se criar "um modelo totalmente diferente da utilização de energia", que deve ser executado rapidamente para frear a proeminente autodestruição do mundo.

Diferentemente da abordagem dominante, Barkin opina que "a sociedade capitalista é incapaz de evitar danos ecológicos" e que nos dias de hoje "a prova está nos dez milhões de hectares perdidos nos incêndios na Austrália".

O professor cita como exemplo os aborígenes australianos que conhecem outras técnicas para evitar danos florestais.

Estas culturas ancestrais "desenvolveram sistemas extraordinários e diferentes durante muitas gerações, para proteger as florestas e seus recursos naturais, parecidos com as técnicas aplicadas por índios no Canadá, no México e na Amazônia".

O conhecimento ancestral dos índios está na "gestão coletiva e comunitária" de sociedades que procuram se afastar da órbita do mercado mundial, longe dos processos agroindustriais que contribuem para o consumo extrapolado de energia, característico do capitalismo, concluiu Barkin.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2020012515051372-mundo-esta-tomando-rumo-da-autodestruicao-adverte-economista/

Polícia Municipal aperta cerco ao transporte e abandono ilegal de entulhos

(Fotos CMCascais)
Por Redação
23 janeiro 2020
Cerca de 60 toneladas de resíduos sem controlo foram intercetados ultimamente pela Polícia Municipal de Cascais, que tem vindo a apertar o cerco ao transporte e abandono ilegal de entulhos no concelho. Os resíduos detetados eram transportados em 14 veículos. No âmbito da campanha “Diga Não ao Abandono”, a Polícia Municipal de Cascais fiscalizou nas estradas do concelho, em dezembro último, 43 veículos que transportavam resíduos de demolição e de construção.
Vinte e nove dos veículos que transportavam resíduos encontravam-se em situação legal.
No entanto, 14 outros efetuavam o transporte ilegalmente. Na defesa da salubridade e do ambiente, a Polícia Municipal de Cascais promete operações inopinadas de fiscalização na rede viária do concelho de Cascais, visando intercetar e fiscalizar veículos que transportem, sem controlo, resíduos de demolição e de construção.
 
Recorda-se que, nos últimos tempos, tem vindo a agravar-se o abandono de entulhos, à margem da Lei, em diferentes locais do concelho, alguns deles até junto a vias que atravessam localidades, e outros em terrenos privados sem conhecimento dos donos, por parte de denominados empreiteiros, subempreiteiros e biscateiros.
 
 
Multimédia
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_7914.html

Aeroporto em Cascais… A quem beneficia?

Luis Salgado

Os problemas subjacentes ao alargamento do aeroporto Humberto Delgado e a possibilidade da construção de um novo aeroporto civil no Montijo, aproveitando parte da base aérea lá existente, pela sua gravidade e atualidade têm suscitado as maiores preocupações quer das populações, quer de ambientalistas, por diversos motivos.

As questões de impacto ambiental em pleno estuário do Tejo, as questões do ruído elevado, acima do permitido por lei (em ambas as localizações), a possibilidade de se tratar de um investimento que irá “afundar”  decorrente das alterações climáticas, têm sido constantes nos média e têm alarmado, não só as populações, como também os eleitos e as eleitas do Bloco de Esquerda.

No entanto, não menos importante, têm sido a lenta e silenciosa transformação do Aeródromo Municipal de Cascais, em Tires, em aeroporto.

O Aeródromo Municipal de Cascais é já a quarta infraestrutura aeroportuária de maior movimento no país, conforme palavras do próprio executivo camarário.

Essa transformação tem sido feita ao arrepio dos mais basilares princípios de transparência, sem que sejam ouvidas as populações residentes nas zonas circundantes ao aeródromo, bem como as das zonas próximas afetadas pelos malefícios que decorrem de tal transformação.

As notícias públicas e publicadas sobre essa transformação são já bastantes, conforme se pode constatar em Notícia Expresso , Notícia Observador, Notícia JN, e Notícia DNoticias.

Aliás, é sabido, pois afirmado pelo Sr. Vice-presidente da Câmara de Cascais, que o aeródromo já passou a aeroporto, conforme se pode aferir pela entrevista acessível em Entrevista Publituris.

Sabemos, ainda, que o Executivo Camarário, em reunião de Câmara Municipal de Cascais do passado dia 17 de dezembro, aprovou um conjunto de medidas (pontos 18, 19 e 83da ordem de trabalhos desse dia) que levam à expansão da infraestrutura de Cascais.

Prevê-se, ainda, um plano de urbanização para a sua área circundante e com previsão de expropriações onde, aparentemente, se pretende instituir também o direito de preferência do Município na aquisição dos imóveis das áreas urbanas circundantes ao perímetro daquela infraestrutura. No entanto, verifica-se a total ausência de planos públicos disponíveis, desconhece-se a existência de qualquer estudo de impacto ambiental, estudo de ruído, ou quaisquer consultas públicas sobre a alteração que se pretende ali concretizar.

Existem diversas incongruências neste projeto, onde não há qualquer participação das populações, sendo de salientar que na referida infraestrutura ocorreram diversos acidentes, alguns deles fatais, nos últimos anos.

Agora, ainda antes da apreciação pela Assembleia Municipal, colocam em consulta publica, em surdina e sem se dar por isso, meros fragmentos do que ali pretendem fazer, escondendo sempre o verdadeiro e ultimo objetivo destas alterações… e fazem-no sem nunca conseguir, ou sequer tentar, explicar quais os benefícios para as populações residentes!

Apenas sabemos que os aviões não vão andar por cima dos céus de Cascais… Vão sim andar por cima das cabeças de quem vive entre Carcavelos e são Pedro do Estoril, de quem vive na Madorna, no Penedo, na Terplana, em São Domingos de Rana e em Manique…

Fosse por cima de quem mora na Quinta da Marinha e da Quinta da Bicuda, e então queria ver o que se diria!!!

Por isso julgo ser pertinente perguntar:

  1. Existem estudos de impacto ambiental, estudos de ruído, estudos de segurança ou outros?
  2. Qual o parecer da ANAC face a esta alteração?
  3. Porque não promoveu, ou fez promover, as consultas públicas e audições a todos e todas quantos/as venham a sofrer com o impacto de tal alteração?
  4. Como se prevê garantir a segurança de pessoas e bens quanto a uma infraestrutura inserida na malha urbana e onde, nos últimos anos, se têm verificado acidentes com frequência acima da média nacional?
  5. Quais as contrapartidas previstas para mitigar ou reduzir os danos ambientais, de aumento de poluição sonora e de poluição ambiental, decorrentes da passagem de aeródromo para aeroporto?
  6. Quais os benefícios previstos para as populações, diretos e indiretos, e em que medida?

P.S.- Foi colocada uma pergunta ao Governo sobre este tema e com as questões aqui suscitadas, nas partes em que depende do Estado Central a sua resposta.

Ver original em 'Portal Cascais' aqui

 
 
 

Veja aqui a notícia

Vai estudar, Greta…

greta-th.jpg

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, sugeriu hoje à ativista pelo clima Greta Thunberg que vá estudar Economia, defendendo que não é preciso deixar de utilizar combustíveis fósseis.

Ao repto do governante norte-americano poderia facilmente contrapor-se a ignorância e a insensibilidade das elites políticas e financeiras em relação ao impacto ambiental brutal e irreversível do actual capitalismo neoliberal, desregulado e hiperconsumista.

É verdade que a nossa casa comum já está a arder, como diz a activista sueca – literalmente, como é bem visível nos incêndios australianos – mas também é certo que enquanto os interesses dos donos do mundo, que querem continuar a enriquecer, não forem travados, é ilusão pensar-se que alguma coisa de substancial poderá mudar na forma como irremediavelmente vamos destruindo o único planeta que temos para viver.

Uma resposta à altura ao secretário de Estado foi dada, via Twitter, por Yanis Varoufakis:

O que diz Mnuchin, infelizmente, faz sentido. Se Greta fosse estudar economia convencional, passaria vários semestres a estudar modelos de mercados onde nem uma catástrofe climática nem uma crise económica são possíveis. É tempo de transformar tanto a economia política como a economia.

Cientistas encontram nova ameaça ao clima da Terra

Gases de efeito de estufa (imagem ilustrativa)
© Sputnik / Anton Denisov

Um grupo internacional de cientistas encontrou uma nova ameaça ao clima do planeta e aos esforços para a prevenção de uma catástrofe climática.

De acordo com o portal científico Phys.org., os cientistas detectaram que na atmosfera da Terra está subindo o nível de um gás de efeito estufa – o trifluorometano. O aumento do gás perigoso para o clima do planeta está acontecendo apesar de em 2017 a sua produção pela humanidade supostamente ter sido quase eliminada.

Uma tonelada de emissões de trifluorometano é equivalente à emissão de mais de 12 mil toneladas de gás carbónico. Esse gás quase não tem uso na indústria, mas se forma no resultado da produção de outra substância química que é usada nos sistemas de arrefecimento nos países em desenvolvimento.

Em 2015, a Índia e a China anunciaram a intenção de reduzir a emissão deste gás perigoso. Nesse contexto, em 2017 os governos dos países afirmaram que pararam quase completamente as emissões do trifluorometano.

Os cientistas esperavam que, no período entre 2015 e 2017, a concentração do gás na atmosfera começaria a diminuir. No entanto, o novo estudo revelou que a presença do gás na verdade aumentou, alcançando níveis de recorde em 2018.

Segundo os pesquisadores, a causa do aumento podem ser as emissões na China e na Índia que na verdade não realizaram com sucesso o programa da liquidação do trifluorometano como foi anunciado.

Poluição atmosférica na China.
© AFP 2019 / Partrick Kovarik
Poluição atmosférica na China.

De acordo com os especialistas, se as promessas tivessem sido realizadas, de 2015 a 2017 teria sido possível evitar o aumento do nível dos gases de efeito de estufa, o que na verdade não aconteceu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2020012315038606-cientistas-encontram-nova-ameaca-ao-clima-da-terra/

Pacto Ecológico Europeu: nem verde, nem ecológico, nem europeu

A UE é hoje talvez o mais radical baluarte do neoliberalismo. Não seria assim de esperar que o seu Pacto Ecológico Europeu fosse outra coisa senão mais um esforço para aumentar lucros ao grande capital, embrulhado em mais uma operação de propaganda. O capitalismo não é nem nunca será “verde”.


Inês Pereira    22.Ene.20

Na década de 30 a Administração Roosevelt adoptou o New Deal1. O objectivo, nesse tempo, era salvar o capitalismo da profunda crise em que se encontrava. Recentemente, a Comissão Europeia (CE) apresentou o chamado European Green Deal, traduzido para português como Pacto Ecológico Europeu. Hoje, como ontem, o que se pretende com o tal «Pacto» é maximizar o lucro dos grandes grupos económicos, instrumentalizando justas preocupações das populações com o ambiente e explorando ainda mais os trabalhadores e os povos.
Estamos, pois, perante uma enorme acção de propaganda da União Europeia (UE), isto porque o «Pacto» proposto pela Comissão Europeia não é verde, nem é ecológico, como não são verdes, nem ecológicas, as demais políticas fundamentais que tem promovido.
Serão verdes as políticas comerciais levadas a cabo pela UE, nomeadamente os acordos de livre comércio, como são o CETA2 ou o Acordo UE com o Mercosur? Serão verdes as políticas de liberalização e de privatização do sector da energia ou do sector dos transportes? Serão verdes as políticas militaristas que encharcam com milhões de euros a tão «verde» indústria militar das grandes potências europeias?

O «Pacto» proposto pela CE é uma forma de fazer negócio com o ambiente quando, por exemplo, se pretende alargar o mercado do carbono, o negócio da compra e venda das licenças para poluir.
É uma forma de explorar os trabalhadores e os povos, promovendo impostos ditos de «verdes» – que recentemente foram rejeitados por massivas manifestações na França ou na Bélgica – e de os responsabilizar pela degradação do ambiente, quando as responsabilidades maiores estão nos grandes grupos económicos e no capitalismo.
É mais uma forma de ataque à independência e soberanias nacionais, ao sabor dos interesses das grandes potências europeias quando, por exemplo, se procuram adoptar propostas, como é o caso da revisão da Directiva da Tributação da Energia, por maioria qualificada e não por unanimidade3.

Trata-se de um plano proteccionista da produção da indústria das grandes potências europeias cujo objectivo passará certamente por salvar e maximizar os seus lucros e não proteger as pessoas, um plano alinhado com o desenvolvimento da política militarista da UE, ao integrar as políticas ambientais na Política Comum de Segurança e Defesa4.
No fundo, é uma proposta que procura baralhar toda a gente, mantendo intocáveis e transportando para o ambiente aqueles que são os pilares estruturais da UE: neoliberalismo, militarismo e federalismo5.
Sem dúvida que há uma necessidade de cooperação entre os Estados para fazer face aos desafios que se colocam no plano ambiental, no entanto não será certamente com a «liderança» da UE ou pelas suas políticas que tais desafios poderão ter uma resposta à altura.
Para dar resposta aos desafios que se colocam no plano do ambiente é necessário romper com políticas fundamentais da UE. Será necessário, por exemplo, no plano da energia recuperar o controlo público do sector energético e orientar o seu funcionamento para o bem-estar das populações, para objectivos sociais e ambientais. Serão necessárias medidas que promovam o transporte público, que assegurem a sua progressiva gratuitidade e qualidade e que contrariem a lógica do transporte individual.
É uma ilusão pensar que um «Pacto» assente numa lógica capitalista possa resolver qualquer problema ambiental e não será por a União Europeia se encharcar de tinta verde que essa passará a ser a cor das suas políticas.
Não será um capitalismo verde, um capitalismo 2.0 ou um capitalismo de última geração que salvará o ambiente. E sim, é tempo de agir, de agir organizadamente para derrotar o capitalismo, pois este não é, nem nunca será, verde.

1.Designação atribuída aos programas económicos implementados pelo presidente Franklin D. Roosevelt, entre 1933 e 1937, a fim de recuperar a economia dos EUA, depauperada pela Grande Depressão iniciada em 1929 com o crash da bolsa de Nova Iorque. Ver, a propósito, o artigo de António Avelãs Nunes «De 1929 a 2019 – o capitalismo não mudou (I)», publicado a 30 de Outubro de 2019.

2.O Acordo Económico e de Livre Comércio entre a União Europeia (UE) e o Canadá é mais conhecido pela sua sigla inglesa, CETA (Comprehensive Economic and Trade Agreement).

3.Ver p. 5 da Communication on The European Green Deal, consultável aqui.

4.Ver p. 21, ibidem.

5.Um desenvolvimento do tema pode ser lido em «Nasceu o neoliberalismo climático», de José Goulão, publicado a 4 de Outubro de 2019.

 

Fonte: https://www.abrilabril.pt/internacional/pacto-ecologico-europeu-nem-verde-nem-ecologico-nem-europeu[1]

Divulga o endereço[2] deste texto e o de odiario.info[3] entre os teus amigos e conhecidos

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

“a Austrália e a lixeira” – por ANTÓNIO OLIVEIRA

 

Os incêndios na Austrália provocaram até agora, a morte de mais de mil milhões de animais das mais variadas espécies.

Ao mesmo tempo a ciência confirma a extinção do peixe-espátula, a espécie emblemática da China, em consequência da sobrepesca e da fragmentação do seu habitat natural.

A crise da biodiversidade é uma realidade não escamoteável que se alimenta da alteração climática e que, por sua vez, a alimenta também.

Os especialistas assinalam o modelo de crescimento capitalista como o responsável primeiro de toda esta conjuntura.

Atendendo ao último relatório do Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES), a mudança do uso da terra e do mar, a sobreexploração intensiva dos recursos naturais, a alteração climática, a contaminação e a introdução de espécies invasoras, são os factores que mais contribuem para o aumento desregrado da crise actual.

E salientam os especialistas ‘o sistema capitalista, baseado em ritmos rápidos e trepidantes e no consumo«depredador e desaforado» são os elementos que estruturam esta situação de emergência ecológica em que se afundou o planeta e todas as formas de vida

E Robert Watson, presidente do IPBES, referiu na apresentação do relatório ‘a saúde dos ecossistemas de que dependemos nós e as demais espécies, deteriora-se mais rapidamente que nunca. Estamos a corroer os sustentáculos das nossas economias, formas de vida, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo

A jornalista e autora Naomi Klein, referindo a escassa rentabilidade da crise da biodiversidade, salienta que ‘o capitalismo do desastre’ leva a que as inversões financeiras se movimentem apenas para as oportunidades económicas abertas pela própria crise.

Já no ano passado, Jason Clay, vice-presidente executivo do World Wildlife Fund, a ONG que actua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental, afirmou ‘só a produção de 15 matérias-primas essenciais, é responsável pelos problemas ambientais mais prementes, a deflorestação, o uso de pesticidas e a sobreexploração pesqueira

Mais salienta que 70% do comércio internacional desses produtos é liderado por menos de 500 empresas e, nalguns casos, uma única empresa controla a quarta parte de todos o mercado, como a ‘Cargill’ no que se refere ao óleo de palma.

E a ‘Coca-Cola’ é a maior compradora de alumínio à face da terra, a maior compradora de cana do açúcar, a terceira de cítricos, a segunda de vidros e a quinta maior de café.

Não há dúvida alguma de que quando chegar a hora avaliarem as questões da sustentabilidade, a ´Coca-Cola’ é mais importante que as Nações Unidas, afirma a propósito Gerald Butts, que foi director executivo da World Wildlife Fund Canada.

Alguém deveria explicar ao mundo como alguns fulanos continuam a mandar no pequeno pedaço do universo onde vivemos, nem será preciso nomeá-los, mas por vezes lembro Julio Cortázar ‘Deve haver um lugar com uma lixeira onde estão amontoadas todas as explicações

 

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/01/22/carta-de-braga-a-australia-e-a-lixeira-por-antonio-oliveira/

Não é social e também não é verde

Lembram-se da Agenda de Lisboa na viragem do milénio? Lembram-se da intensa colonização de grande parte da social-democracia europeia pelo neoliberalismo, através de uma retórica de investimento social tributária de uma economia da oferta em versão supostamente progressista? E lembram-se do fundo de ajustamento à globalização, essa demonstração de como a integração europeia tanto ajuda o mundo do trabalho, como se viu também com as troikas e quejandos?
 

Se faço estas perguntas é porque o novo pacto verde europeu e o seu fundo para a transição têm a mesma lógica, destinada agora a cooptar também parte do movimento ecologista. Esperemos que a história não se repita. Não é por acaso que a pós-verdade tem origens europeias: não é verde, de facto.

Jornais como o Público lançaram vários mil milhões para cima dos leitores, papagueando a linha da Comissão. No caso do tal fundo de transição dita justa, estamos a falar de dinheiro fresco, à escala da UE e para meia dúzia de anos, num montante inferior ao orçamento anual do Estado português para a saúde. Rebaptizam-se depois verbas já existentes ao serviço do mais importante: parcerias público-privadas que vão até onde as engenharias financeiras de mercado as levarem para fingir que este sistema pode ser verde. Lembram-se do Plano Juncker?

O mais importante, como sempre acontece na integração europeia realmente existente, é a tentativa de encontrar soluções de mercado para problemas criados pelo mercado, o que é típico do neoliberalismo desde Milton Friedman e quejandos: no caso do ambiente, a obsessão de sempre são os opacos e ineficazes mercados de emissões.

Ao contrário do New Deal original e do Green New Deal proposto pelos social-democratas norte-americanos, o chamado pacto europeu não é proposto por um Estado, mas sim por uma organização supranacional pós-democrática que constrange, através de regras cada vez mais estúpidas, o investimento público e anula a mobilização de outros instrumentos de política pelos Estados democráticos realmente existentes, obviamente sem os substituir por nada de relevante do ponto de vista macroeconómico.

E ao contrário do New Deal original, que pressupôs naturalmente um contexto histórico desglobalizador, que é hoje de novo necessário também nesta área, a UE é o outro nome da globalização mais intensa, por via dos tratados e dos acordos comerciais sem fim, destinados a estender cada vez mais as cadeias de valor, transferindo os segmentos mais poluentes para longe e favorecendo o poluente transporte de longa distância.

 Não há mão de verde que esconda estas realidades. Ou haverá?

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

‘Nada foi feito’ diante das mudanças climáticas, diz Greta Thunberg em Davos

 

 

Rede Brasil Atual– A jovem ativista sueca Greta Thunberg afirmou nesta terça-feira (21) que é preciso fazer “muito mais” para deter as emissões de gases poluentes que contribuem para o agravamento do efeito-efeito estufa, e que os países ricos devem ajudar os países mais pobres. Ela também instou os líderes políticos e empresariais que participam do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a ouvirem os jovens ambientalistas sobre os destinos do mundo.

“Ninguém esperava, mas há uma maior consciência e a mudança climática virou um tema ‘quente’. Mas, sob outro ponto de vista, nada foi feito, as emissões de CO2 não diminuíram, e esse é nosso objetivo”, afirmou Greta, durante o painel intitulado “Construindo um caminho sustentável para um futuro coletivo”. Ela lidera o movimento Greve Global pelo Clima, que busca engajar jovens do mundo inteiro na luta contra o aquecimento global.

“Não sou uma pessoa que pode reclamar sobre não ser ouvida”, disse Greta, provocando risadas da plateia, mas acrescentou que a “ciência e os jovens” ainda não são “o centro da conversa”, e é preciso que passem a ser. Segundo ela, a emergência ambiental “é sobre nós e as futuras gerações e aqueles que são afetados hoje”. Ela afirmou ainda que “os países ricos devem chegar ao objetivo de zero emissão muito mais rapidamente e ajudar os países pobres”.

 

Ela também criticou a imprensa tradicional por calar-se diante dos impactos das mudanças climáticas, que atingem principalmente as populações mais vulneráveis dos países pobres. “As pessoas morrem por causa das mudanças climáticas, e uma mínima fração de grau centígrado de aquecimento já é importante. Mas não acho que tenha visto um único veículo de imprensa falar sobre isso”, afirmou.

Também participaram da discussão o ambientalista chinês Ma Jun, diretor da ONG Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais; a geógrafa e ativista do Chade, Hindou Omarou Ibrahim, coordenadora da Associação de Mulheres Peúles e Povos Autótones do Chade (Afpat); o diretor da seguradora alemã Allianz, Oliver Bäte, e o presidente da Fundação Rockfeller, Rajiv Shah.

(Multimídia) China divulga plano para cortar uso de plásticos até 2025

 

Beijing, 20 jan (Xinhua) -- A China divulgou neste domingo um plano ambicioso para proibir ou reduzir significativamente a produção e o uso de produtos plásticos que são nocivos ao meio ambiente nos próximos cinco anos para conter a poluição.

O país proibirá ou restringirá gradualmente a produção, venda e uso de certos plásticos, ao promover suas alternativas degradáveis e de reciclagem, de acordo com um documento emitido pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) e pelo Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente.

Segundo o texto, até 2025, a China deve controlar eficazmente a poluição plástica, reduzir substancialmente a quantia de resíduos deste material em aterros sanitários de cidades importantes, estabelecer um sistema completo de gerenciamento e avançar no desenvolvimento de produtos alternativos.

A produção e venda de talheres de espuma plástica e cotonetes plásticos de uso único serão proibidas até o final de 2020. Para produtos químicos diários que contêm microesferas plásticas, a produção será proibida em 2020 e as vendas, em 2022.

O documento também reitera as proibições de produção e uso de sacolas plásticas finas e filmes agrícolas de polietileno, bem como de produtos plásticos com resíduos hospitalares e da importação de dejetos plásticos.

O texto estabelece um calendário detalhado para os próximos cinco anos para reduzir o uso de embalagens plásticas e de pacotes descartáveis e não degradáveis.

Por exemplo, os canudos plásticos de uso único não degradáveis serão proibidos no final de 2020, enquanto os talheres plásticos descartáveis e não degradáveis serão banidos dos restaurantes nas cidades. Até o fim de 2022, esta mesma proibição será estendida aos distritos.

De acordo com o documento, até o final de 2025, o uso de talheres plásticos de uso único não degradáveis para take-out em cidades será reduzido em 30%.

Além disso, todos os hotéis e pensões devem parar de usar produtos plásticos descartáveis até 2025, enquanto os postos de serviços de entrega expressa e postais devem deixar de usar embalagens plásticas não degradáveis, fita plástica e sacos de tecido plástico descartáveis.

Ao mesmo tempo, a China incentivará o uso de materiais alternativos, como produtos não plásticos e sacos de compras degradáveis, e pede esforços para a reciclagem e eliminação de resíduos plásticos, aponta o documento.

Meng Wei, porta-voz da CNDR, disse em uma entrevista coletiva que as autoridades chinesas aumentarão o apoio à elaboração de políticas e à pesquisa científica, além de intensificar a supervisão e a aplicação da lei a esse respeito.

Os principais problemas no controle da poluição plástica serão supervisionados pelos inspetores ambientais centrais, de modo a melhorar as práticas de avaliação e responsabilidade, acrescentou.

Uma menina lança uma garrafa plástica em uma lata de lixo em Chongqing, sudoeste da China, em 4 de julho de 2019. (Xinhua/Wang Quanchao)

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/20/c_138720352.htm

Aquecimento global e suas consequências: novas descobertas

 

No final de 2019, as temperaturas na Austrália marcaram recorde de média (média!) de 40,9oC. Os incêndios neste país ocorreram, apesar de importantes para a manutenção das espécies endêmicas ao bioma – algo parecido com o que ocorre em nosso Cerrado – chamaram a atenção pela proporção catastrófica, fruto da seca enorme que atinge o país, em reflexo direto das mudanças climáticas. Afinal, o aquecimento global é o vilão da história?

É importante que se entenda o aquecimento global (efeito estufa). É um fenômeno de extrema importância para a manutenção da vida, pois permite a retenção do calor na Terra. Seus principais gases, que criam uma espécie de “cobertor” ao redor do planeta (que não é plano, POR FAVOR!) são o CO2 (dióxido de Carbono) e CH4 (Metano). Qual é o problema então? Simples: a quantidade desses gases que está sendo liberada é muito maior do que a capacidade que a própria natureza tem de capturá-los de volta através de ciclos biogeoquímicos, mantendo-os em quantidade ideal na atmosfera - precisamos lembrar que os oceanos são os principais responsáveis por absorver o CO2 através do processo de fotossíntese realizado pelo fitoplâncton e algas marinhas.

Estudo divulgado pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) durante a Conferência do Clima da ONU (COP-25), realizada em Madri, na Espanha, afirma que as mudanças climáticas, associadas a poluição por nutrientes, estão retirando o O2 (oxigênio) dos oceanos, o que indica uma ameaça direta às espécies, principalmente animais maiores – quanto maior, mais energia necessária, portanto, maior demanda por O2.

Já outro estudo divulgado na revista chinesa Advances in Atmospheric Sciences aponta que em 2019 a temperatura média dos oceanos atingiu a marca mais alta já registrada, o que pode gerar ondas de calor marinhas fatais a vida marinha e proporcionarem a formação de furacões.

Percebe-se, portanto, que as alterações climáticas, além de elevar o nível dos oceanos, têm outros efeitos sérios até então desconsiderados. Além dessa diminuição de O2, a absorção de CO2 (cerca de 33%) ocorre também nesse local, causando a morte de corais (e outros animais que dependem do cálcio para sua constituição física) pela acidificação – uma vez que o gás reage com a água e gera ácido carbônico. Consequentemente, todo ecossistema marinho é ameaçado. Um ponto importante que poucos lembram: de todo O2 atmosférico, cerca de 60% (alguns falam em até 80%) provém justamente das algas, a maioria marinhas.

Ou seja, o aquecimento global, em ritmo descontrolado como está hoje, gera uma reação em cadeia que desestabiliza e coloca em risco a sobrevivência de muitas espécies...inclusive a nossa.

 

Pesquisas realizadas na Austrália e no Reino Unido mostram que os veados-vermelhos (Cervus elaphus), que habitam uma ilha escocesa, estão nascendo em um menor intervalo de tempo – em cada década, reduzem 3 dias. Os cientistas justificam isso pelas alterações genéticas que a espécie vem sofrendo.

Ok. Mas por que isso é importante? Primeiro porque a antecipação pode influenciar no próprio comportamento dos animais, uma vez que os nascimentos sempre ocorrem em momentos adequados, como durante a presença de alimentos, por exemplo. A partir do momento em que o ambiente não seja favorável, pode comprometer essa espécie ou até mesmo as espécies vegetais das quais se alimenta. Além disso, serve de alerta, afinal, é uma espécie que evolutivamente estaria conseguindo se adaptar às mudanças climáticas, mas que todos animais – e outros seres vivos – apresentariam essa capacidade de adequação?

No caso da espécie humana, estudos recentes dos estadunidenses Alan Barreca e Jessamyn Schaller, publicados na conceituada revista Nature, também relacionam um tempo menor de gestação, o que afeta o desenvolvimento do feto, gerando problemas de saúde em bebês prematuros (asma, redução da função pulmonar, elevação do risco de derrames e ataques cardíacos), incluindo o desenvolvimento cognitivo.

 

De forma indireta, as crianças que nascem na atual conjuntura ambiental, também têm mais chances de enfrentar fome e adquirir arbovirores como dengue, zika e chikungunya, conforme indica o Relatório Internacional Lancet Countdown 2019, elaborado por 35 instituições acadêmicas do mundo todo e pelas agências da Organização das Nações Unidas (ONU). Somos, portanto, uma das espécies inaptas para tais mudanças no clima.

Quais os reais motivos desse aquecimento exagerado? Basicamente por dois motivos principais – e antrópicos: o avanço do agronegócio e a poluição do ambiente. Devem estar se indagando como isso é possível. Vamos lá.

De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), as emissões de CO2 no Brasil se dão pelo desmatamento (46%) e atividades de agropecuária (24%), totalizando 68%, tornando o país o sétimo maior emissor do planeta.

Em relação a poluição, são vários os tipos, mas a principal delas diz respeito às substâncias que contaminam o ambiente e são liberadas na atmosfera. E novamente, o agronegócio tem papel fundamental nisso ao promover o uso indiscriminado dos agrotóxicos – em um ano do atual (des)governo brasileiro foram liberados 503 novos registros desses produtos, sendo 20% extremamente tóxicos e fatais para agentes polinizadores como as abelhas.

(Essa atitude é mais uma que atende os interesses das multinacionais como Bayer/Monsanto e Dow AgroSciences/Corteva, ignorando estudos e pesquisas científicas sérias).

No Brasil, a bancada do agronegócio e seus interesses escusos ditam regras que afetam diretamente o aquecimento global. A Floresta Amazônica, sendo devastada e queimada sob a tutela do (des)governo Bolsonaro, coloca em risco a própria agricultura. Isso porque ela é responsável não apenas pelo sequestro de CO2, mas pela emissão de umidade na atmosfera, a qual é carregada por correntes de ar até a região Sudeste, por exemplo. No entanto, com sua diminuição, além de não absorver o CO2, também afeta diretamente os regimes de chuva em épocas de plantio (safra), comprometendo a geração de alimentos.

Só em 2019, as áreas desmatadas na Amazônia cresceram 85% e mesmo assim, são minimizadas e até ignoradas pelo atual presidente do país.

(Vale salientar também que ao desmatar e sofrer queimadas – em uma relação direta entre as áreas – há liberação de CO2 dessa queima, afinal, imagine uma árvore de 50 anos, período no qual retirou o CO2 da atmosfera e de repente, ao ser queimada, libera todo o CO2 de uma única vez. Uma vez desmatado, o local servirá para o plantio de soja e pastagens. Pastagens que alimentam o gado, potencializando o efeito estufa, pois esses animais liberam outro importante gás, o CH4 (gás metano), cuja capacidade de retenção de calor na atmosfera é cerca de 30 vezes maior que o próprio CO2).

Paralelamente a essas arbitrariedades, resoluções da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) – como a recente Resolução Normativa nº24 – são tomadas na surdina para facilitar a liberação e uso de organismos geneticamente modificados (“OGMs”, também chamados de “transgênicos”). O mais curioso é que as próprias empresas detentoras da tecnologia e da produção desses OGMs – e investimentos bilionários – é que ficam responsáveis pelos estudos para comprovar o nível de risco associado aos mesmos. Ou seja, não é do interesse dessas empresas estimar o risco fielmente, colocando sob risco seus investimentos – lembremos do documento da Monsanto, publicado no livro “O mundo segundo a Monsanto”: “não podemos nos dar ao luxo de perder nem sequer um dólar em nossos negócios”)

(Recomendo a leitura do artigo Os casos envolvendo a Monsanto e outras corporações, onde falo um pouco mais sobre esse livro e suas denúncias perturbadoras)

Além de tendenciosas, tais resoluções e aparelhamento da máquina pública por pessoas ligadas a essas empresas/corporações – a chamada “porta-giratória” – escondem os danos à saúde que os OGMs causam; além de necessitarem de maios quantidade de agrotóxicos, apesar de venderem e propagandearem o oposto aquilo que a literatura científica prova. Como bem define o colaborador da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida e membro da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Leonardo Melgarejo, a RN24 promove a “falsa ideia de cientificidade em uma decisão que atende interesses políticos”.

Sendo assim, de nada adiantarmos lutar contra o aquecimento global se não condenarmos o agronegócio e seus interesses capitais. O Agro, além de tóxico, é inimigo do equilíbrio ambiental.

Montijo não é uma boa opção para novo aeroporto

A Plataforma Cívica Aeroporto BA6 – Montijo Não! alerta que a construção de um novo aeroporto deve ter em conta a defesa de opções estratégicas para o País, em articulação com a defesa do ambiente.

Créditos / Dinheiro Vivo

A Plataforma de cidadãos vem, em nota enviada à imprensa, reiterar que os interesses presentes e futuros do País devem prevalecer na decisão da construção do novo aeroporto.

O comunicado foi elaborado na sequência da audição do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2020, que reiterou a intenção de avançar com a solução de um novo aeroporto no Montijo.

Ao posicionamento do ministro, a Plataforma contrapõe com factos históricos relativos à questão, recordando que, desde 2007, «e após uma grande discussão pública e forte contestação de diversas entidades», teve de se «encontrar uma localização alternativa à Ota». E, consequentemente, houve «a decisão política, em 2010, de aceitar a localização do novo aeroporto de Lisboa em terrenos públicos do Campo de Tiro de Alcochete».

A solução de construção do novo aeroporto em Alcochete, segundo a organização, é a única que tem uma «Declaração de Impacte Ambiental decidida e aprovada», que se encontra em vigor até ao próximo dia 9 de Dezembro de 2020.

A Plataforma cívica reitera que a opção de Alcochete «só não avançou porque, na sequência da privatização da ANA, a concessionária não quis e porque o Governo aceitou essa posição, em vez de defender os interesses do País», optando por satisfazer a vontade da multinacional VINCI.

A estrutura cívica afirma que continuará a agir para que «sejam respeitados e cumpridos todos os pressupostos legais» e defendidos «os direitos e garantias dos cidadãos».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/montijo-nao-e-uma-boa-opcao-para-novo-aeroporto

A betonização de Cascais em detrimento do ambiente

Assistimos nos últimos anos a um aumento desmesurado de betonização de Cascais por todo o lado, construção e mais construção. Um dos mais recentes empreendimento de luxo o Bayview, que contempla também o novo Hipermercado Jumbo é a imagem clara do poder que os lóbis da construção detêm em Cascais, mas não ficamos por aqui, muitos mais há para enumerar.

A Nova SBE – School Of Buisiness And Economics da UNL, a construção nos antigos terrenos onde estava implementado o Hotel Nau, o sufoco de betão imposto aos moradores da Quinta Do Barão, com as construções nos terrenos da antiga fábrica da Legrand em Carcavelos e o consequente aumento do trânsito no bairro. O Plano de Reestruturação Urbanística de Carcavelos Sul (PPERUCS) / LOTEAMENTO DA QUINTA DOS INGLESES, mega construção quase em cima da Praia de Carcavelos. Na Costa da Guia a destruição de um pulmão verde e a construção de um enorme edifício de betão, no local do antigo Hotel Paris/Sana Estoril a construção de um edifício que por pouco não ocupa a Estrada Marginal, tal é a desproporção da volumetria em relação ao hotel que foi demolido e muitos exemplos mais poderia dar.

Não posso esquecer os projectos do aumento da construção na Marina de Cascais, falando-se já na construção de um hotel de apreciável volumetria.

Muitos destes empreendimentos destruíram espaços verdes, outros impedem a construção de espaços de veraneio que poderiam servir para aumentar e melhorar os espaços verdes de lazer e o bem-estar dos muitos Cascalenses.

O ambiente, e o bem-estar das populações foi relegado para segundo plano.

Na Costa da Guia, a construção do edifício da Associação Chabad Portugal, destruiu um enorme e excelente espaço verde, motivando revolta nos moradores da área envolvente que tentaram opor-se. No entanto, o Presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, ignorou a vontade das populações e autorizou a destruição de muitas árvores, o que revoltou muitos moradores da Costa da Guia e de toda a área envolvente.

A contestação ao PPERUCS mantém-se, é um atentado ambiental em perfeito conluio entre a Câmara de Cascais e promotores imobiliários privados, o Presidente da Câmara ignorou completamente a enorme contestação que se gerou, ignorou o interesse publico, o bem-estar das populações e a salubridade ambiental.

As constantes derrocadas das arribas entre S. Pedro do Estoril e a Praia da Parede, têm vindo a manter-se ao longo de anos, principalmente na Área Marinha Protegida das Avencas (AMPA), e na Praia da Bafureira, que se encontra “interdita” vai para dois anos e a Câmara nada faz.

A falta de vigilância na AMPA tem permitido que indivíduos munidos de espingardas de caça submarina e sem qualquer tipo de sinalização invadam partes da Área Protegida caçando/pescando peixe, moluscos e mariscos.

As ribeiras que carecem de apurada limpeza e onde ainda são despejados esgotos que vão desaguar nas praias ou perto delas, como é exemplo, a Ribeira da Praia dos Pescadores e por sua vez a Ribeira de Sassoeiros que desagua no meio da praia de Carcavelos.

O Paredão entre Cascais e a Praia da Azarujinha carece de arranjos, principalmente no pavimento e acessos, mas também de limpeza na sua generalidade.

Toda a orla costeira de Cascais carece de limpeza, quando falo da orla costeira não estou a falar só das praias, estou a falar de toda a orla costeira, locais onde se pratica pesca lúdica, miradouros e outros locais turísticos da costa de Cascais. De referir a deficiente limpeza das praias pois como muitos cascalenses vêm denunciando nas redes sociais, a limpeza é superficial o que se pode constatar se escavarmos a areia alguns centímetros, rapidamente se verifica a existência de beatas de tabaco, pequenos pedaços de plástico, cotonetes, etc.

No Guincho é hoje frequente os autocarros de turistas, quer nacionais quer estrangeiros, pararem entre a Praia da Crismina e os pesqueiros denominados Moniz, Margarida e Ponta Alta deixando para traz o lixo, nomeadamente garrafas de plástico, lenços de papel, embalagens de comida e outros.

As arribas entre o Farol do Cabo Raso e a Praia da Crismina deveriam ser locais interditos à circulação automóvel, tal não acontece e assistimos não só à destruição evidente da flora e das arribas no seu todo, como à proliferação de lixo que só é recolhido devido à boa vontade de alguns cidadãos em efectuarem esse trabalho.

As informações turísticas relativas a percursos pedestres, fauna e flora existente e normas ambientais que foram colocadas ao longo da costa, estão na sua maioria degradadas ou destruídas, deixando de cumprir a sua função servindo agora para grafitar.

Muitos mais exemplos poderiam ser elencados, quer na orla costeira quer no interior do Concelho. Facilmente se conclui que o ambiente está a ser relegado para segundo plano e o betão, os grandes negócios imobiliários avançam “de vento em popa”. É essa a vontade que quem governa em Cascais, assistimos por isso à betonização de Cascais em detrimento do ambiente.

 

António Lemos

 

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https://www.portalcascais.pt/comentadores-tematicos/ambiente/a-betonizacao-de-cascais-em-detrimento-do-ambiente/

FEM | Mudanças climáticas são maior risco global, indica relatório

 
 
Novo relatório do Fórum Económico Mundial mostra mudanças na percepção de risco. Se em anos anteriores problemas económicos eram considerados maiores ameaças, agora temores de colapso climático dominam.
 
Em seu 15º Relatório Global de Riscos publicado nesta quarta-feira (15/01), o Fórum Económico Mundial (FEM) afirma que, pela primeira vez desde que se começou a publicar o documento, todos os "principais riscos de longo prazo, em relação à probabilidade" são ambientais.
 
Enquanto na década anterior as crises económicas e financeiras tenham sido consideradas as mais perigosas, constatou-se que as percepções de risco se desviaram para condições climáticas extremas, desastres ambientais, perda de biodiversidade, catástrofes naturais e falha na mitigação das mudanças do clima.
 
"As mudanças climáticas são uma ameaça muito real e séria para a sociedade", afirma Alison Martin, membro do grupo de serviços financeiros Zurich Insurance Group, que ajudou a compilar a publicação, em colaboração com a empresa de consultoria Marsh & McLennan e várias universidades de renome de todo o mundo.
 
"Eventos climáticos extremos, como ondas de calor e inundações, estão se tornando mais comuns e graves, fazendo com que as comunidades enfrentem custos humanitários e económicos muitas vezes devastadores."
 
 
Sistemas multilaterais em desintegração
 
O Fórum Económico Mundial é uma organização internacional centrada na cooperação entre os setores público e privado. Ela reúne líderes empresariais, estrategistas de políticas governamentais e representantes da sociedade civil para promover discussões globais sobre questões prementes.
 
Publicado na véspera da reunião do 50º aniversário da reunião do Fórum Económico Mundial em Davos, no fim de janeiro, o relatório analisou as opiniões de mais de 750 especialistas e tomadores de decisão globais, para classificar suas maiores preocupações em termos de probabilidade e impacto.
 
Em relação aos riscos de curto prazo que a humanidade já enfrenta em 2020, três em cada quatro entrevistados mencionaram como os mais prementes: confrontos económicos, polarização política, ondas de calor extremas, destruição de ecossistemas de recursos naturais e ataques cibernéticos.
 
O FEM descreve o mundo em que vivemos como cheio de "incerteza geopolítica e geoeconómica". Poderosas forças económicas, demográficas e tecnológicas estão moldando um novo equilíbrio de poder, no qual os países vêem cada vez mais as oportunidades e desafios por meio de "lentes unilaterais".
 
Como resultado, estruturas de aliança e sistemas multilaterais ameaçam entrar em colapso, sob a pressão de "posturas nacionalistas em busca de agendas individuais e dissociação económica".
 
O presidente do Fórum Económico Mundial, Borge Brende, observou no relatório que a renovação da arquitetura dos sistemas políticos e económicos multilaterais seria "a tarefa definidora desta geração".
 
"Será um esforço monumental, mas indispensável. O Relatório Global de Riscos demonstra a dimensão dos altos riscos", escreveu Brende, acrescentando que as esperanças de que o sistema global simplesmente "se recupere" arriscariam fazer perder "oportunidades cruciais" de enfrentar problemas urgentes.
 
Estabilidade económica e coesão social
 
Em meio a um consenso global sobre política e economia desgastado, o relatório do FEM diz temer que 2020 seja marcado por confrontos económicos intensificados e polarização política doméstica.
 
Além disso, o retrocesso do crescimento económico e o aumento da desigualdade financeira elevam o risco de estagnação económica, ao mesmo tempo em que diminui o espaço de ação dos governos para estimular as economias com política monetária e fiscal.
Em meio a essa perspectiva económica sombria, o descontentamento do povo com seus líderes políticos deve aumentar, levando a mais protestos públicos, potencialmente enfraquecendo a capacidade dos governos de tomar medidas decisivas em caso de recessão. Sem estabilidade económica e social, contudo, os países poderão não ter os "recursos financeiros, o capital político ou o apoio social necessários a enfrentar os principais riscos globais".
 
Como os últimos cinco anos já foram os mais quentes já registados, prevê-se um aumento das mudanças climáticas nos próximos anos, tornando os desastres relacionados ao clima mais intensos e mais frequentes.
 
"Os impactos de curto prazo das mudanças climáticas acarretam uma emergência planetária que incluirá perda de vidas, tensões sociais e geopolíticas, assim como impactos económicos negativos", diz o relatório, acrescentando que o fracasso na mitigação e adaptação às mudanças climáticas é o risco número um em termos de impacto, e número dois quanto à probabilidade nos próximos dez anos.
 
A perda de biodiversidade – classificada como segundo risco mais impactante e terceiro mais provável para a próxima década – tem implicações críticas para a humanidade, devido ao provável colapso dos sistemas de alimentação e saúde, e as interrupções de toda a cadeia de suprimentos.
 
Fragmentação digital e assistência médica
 
Embora a tecnologia digital traga enormes benefícios económicos e sociais a grande parte da população global, os entrevistados da pesquisa do FEM dizem acreditar que o acesso desigual à internet, a falta de uma estrutura global de governação de tecnologia e a cibersegurança representam riscos significativos. Isso "impedirá que todo o potencial das tecnologias de próxima geração seja realizado", explica o relatório.
 
No campo da saúde pública, as ameaças aos sistemas existentes são vistas principalmente como advindas de "mudanças nos padrões sociais, ambientais, demográficos e tecnológicos", que podem desfazer os ganhos dramáticos em bem-estar e prosperidade.
 
Aqui o relatório identifica, como ameaças aos sistemas de saúde pública em todo o mundo, o aumento, por exemplo, de doenças cardiovasculares e mentais, assim como os custos crescentes das doenças crónicas. "À medida que os riscos à saúde existentes ressurgem e novos vêm à tona, os êxitos passados da humanidade em superar os desafios à saúde não são garantia de resultados futuros", adverte o FEM.
 
O Fórum Económico Mundial conclui sua avaliação de riscos para 2020 dizendo que "à medida que a janela de oportunidades está se fechando, são necessárias ações coordenadas rápidas e com múltiplas partes interessadas, a fim de mitigar os piores resultados."
 
Uwe Hessler (ca) | Deutsche Welle
 

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AUSTRÁLIA | O OUTRO CRIME AMBIENTAL DA DIREITA

 
 
Ao contrário da Amazónia, a floresta seca é mais sujeita ao fogo. Mas catástrofe atual foi produzida também por um governo que nega o aquecimento global, incentiva os combustíveis fósseis e desmonta o sistema público de prevenção
 
Carolyn Kormann, no The New Yorker | Outras Palavras | Tradução: Antonio Martins
 
O atual primeiro ministro da Austrália, Scott Morrison, assumiu o posto, em agosto de 2018. Seu antecessor, Malcolm Turnbull, igualmente do Partido Liberal, era pressionado havia meses, quiçá anos, pela própria coligação de direita no poder, que reúne os partidos Liberal e Nacional. Mas o golpe final veio quando Turnbol apoiou um plano nacional de energia que, para controlar a emissão de gases de efeito estufa, teria reduzido, ainda que de forma moderada, a dependência do setor de energia em relação aos combustíveis fósseis. Numa tentativa de salvar seu mandato, na décima primeira hora, Turnbull desistiu de tornar a redução das emissões obrigatória por lei.
 
Era muito tarde. Morrison foi eleito pelos parlamentares liberais numa espécie de golpe de bastidores e logo declarou que o plano energético de Turnbull estava morto. Seu compromisso com os combustíveis fósseis já era conhecido. Em 2017, quando exercia o posto equivalente ao de ministro das Finanças [threasurer] – e a Austrália tornou-se, segundo a Agência Internacional de Energia, o maior exportador de carvão do mundo – ele levou uma pedra de carvão ao Parlamento e a apresentou a seus colegas, como se fossem alunos de escola primaria. “Isto é carvão. Não tenham medo! Não se assustem! Não vai machucar vocês”, disse. Não mencionou que a pedra havia sido laqueada, para evitar que suas mãos se sujassem…
 
 
 
O mandato de Morrison como primeiro ministro é marcado, desde então, pela recusa em admitir a relação, cientificamente confirmada, entre o uso de petróleo e carvão e a mudança climática. No final de 2018, uma seca severa e ondas de calor então inéditas fizeram dezenas de milhares de morcegos tombarem mortos do céu. Naquele ano, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), descobriu, entre outros impactos terríveis, que a Grande Barreira de Coral perecerá inteiramente se o aquecimento superar 1,5ºC (já convivemos com vasta morte e branqueamento de corais). A primavera de 2019 foi a mais seca de todos os tempos na Austrália. Porém, ao invés de mudar de atitude, Morrison liderou uma política em favor dos combustíveis fósseis. Ela incluiu planos para uma nova nova usina termoelétrica a carvão e 10 milhões de dólares para um estudo destinado a ressuscitar uma outra, desativada, no estado de Queensland. O Partido Trabalhista voltou-se contra ele, defendendo uma plataforma eleitoral de maior ação climática – inclusive metas de redução de emissões efetivas. Ninguém esperava que Morrison se reelegesse; as pesquisas sugeriam que a maioria dos eleitores preocupava-se com a mudança climática. Mas um baixo comparecimento ás urnas e a apatia, devida em parte à natureza em geral instável da política australiana (nenhum primeiro ministro completa seu mandato, há mais de uma década) contribuíram para uma vitória surpreendente de Morrison, em maio de 2019. Na noite da eleição, ele disse a seus apoiantes: “Sempre acreditei em milagres”.
 
Talvez seja este o motivo para insistir que o carvão “não vai ferir vocês”, quando o mineral, obviamente, irá fazê-lo. O carvão é o combustível mais sujo e o que mais produz CO². Fechar todas as termoelétricas que o utilizam o é imperativo para limitar o aumento da temperatura global. Eliminar o carvão, especialmente em países da OCDE como a Austrália, é o primeiro passo na transição para energias renováveis. (Segundo um relatório, os países da OCDE deveriam eliminar inteiramente o uso de carvão em 2030). Há consenso científico generalizado em que o aumento das temperaturas já ocorrido – uma média global de 1,1ºC – contribuiu para a devastadora onda de incêndios na Austrália, ao criar condições ainda de ainda mais seca e calor. Mas, ainda em novembro, Morrison ameaçou criminalizar o ativismo climático, um dia depois de protestos diante de uma conferência de mineradores em Melbourne terminar em escaramuças com a polícia. “Estamos trabalhando para identificar mecanismos capazes de colocar fora da lei estas práticas, egoístas e indulgentes, que ameaçam a vida dos australianos”, disse ele…
 
Em dezembro, o país atingiu sua média de temperatura mais alta, com algumas localidades registando 46,1ºC. Estas condições logo criaram um inferno de incêndios devastadores, os quais continuam e cujo fim não está à vista. Milhares de casas já foram reduzidas a cinzas; muitos vilarejos, aniquilados; 28 pessoas morreram. A fumaça cobriu cidades. Em dezembro, a qualidade do ar em Sydney atingiu onze vezes o nível de risco; no dia do Ano Novo, na capital, Camberra, onde Morrison tem sua residência oficial de primeiro ministro, a qualidade do ar foi mais de 25 vezes pior que o nível de risco. Os moradores foram aconselhados a ficar em casa. Os incêndios mataram aproximadamente 1 bilião de animais, varrendo um terço dos koalas em New South Wales e possivelmente colocando algumas espécies perigosamente próximas à extinção – entre elas a felosa do oriente (um pássaro), o sapo corroboree e o gambá pigmeu das montanhas. Os incêndios são tão quentes, e se espalharam tanto (megaincêndios surgem quando dois fogos se encontram), que geraram seu próprio clima — inclusive incontroláveis tornados de fogo, formados quando ventos em espiral criam colunas maciças de fogo, cinzas, vapor e detritos. Área que quase nunca queimam, inclusive florestas húmidas que abrigam espécies endémicas e raras, estão em chamas. Mesmo os climatologistas australianos, cientes há anos de que o aquecimento global agravaria a severidade da estação de incêndios, estão atónitos com a escala do fogo. Virginia Young, uma estudiosa das florestas australianas, disse ao Washington Post acreditar que o país está à beira de uma “enorme mudança ecológica”.
 
O governo australiano, com Morrison no comando, não lidou bem com a crise. O primeiro ministro ignorou pedido de um grupo de ex-bomberios para um encontro na última primavera, em que pretendiam alertá-lo sobre a necessidade de mais água para o combate ao fogo. Em dezembro, a despeito do intensidade e velocidade crescentes com que muitos incêndios se espalhavam, ele tirou férias no Havaí, decidindo voltar apenas após a morte de dois bombeiros voluntários. Em seu primeiro dia após o retorno, disse a uma emissora de rádio de Sydney que ainda cogitava termoelétricas a carvão. “É preciso usar todas as fontes de energia. Sou muito agnóstico, importo-me que sejam confiáveis e baratas”. Acrescentou: “Haverá muito barulho em toda parte, mas tendo a ouvir as vozes quietas, caladas”. Ele foi repudiado em visitas a cidades destruídas, com os moradores e bombeiros recusando-se a apertar sua mão. Quando passou por Cobargo, um vilarejo chamuscado, um manifestante disse-lhe que deveria “ter vergonha de si mesmo” por “deixar o país arder”. Na última sexta-feira, dezenas de milhares de cidadãos caminharam pelas ruas para protestar contra seu governo, opor-se a novas minas de carvão – incluindo a gigante Carmichael, de propriedade do grupo indiano Adani, que o governo aprovou em junho – e para exigir políticas que reduzam as emissões causadas por fósseis. A multidão cantava: “Scomo [Scott Morrison] tem de ir embora” [Scommo has to go], enquanto avançava nas redes sociais a hashtag irónica #scottyfrommarketing, uma referência a seu passado de empresário de marketing, que inclui uma passagem como diretor da Tourism Australia.
 
 
Morrison não se sensibilizou. No domingo, depois de outro bombeiro voluntário morrer, ele deu entrevista de rádio em que chamou esta estação de incêndios e a mudança climática de “o novo normal”. Não deu indicação alguma de que mudará sua política e se engajará numa transição que supere os combustíveis fósseis. Também enfatizou a prevenção e as medidas adaptativas, para lidar com os impactos. “Não são só incêndios”, disse: “tem a ver com inundações, ciclones, secas, que terão impacto sobre muitos temas. A adaptação e a resiliência são chaves. A construção de represas, o manejo da vegetação nativa a limpeza da terra ou onde você constrói as casas são chaves”. Embora a adaptação seja de fato necessária e urgente, ela não pode, de modo algum, ser tudo o que os governos limitam-se a fazer para prevenir os piores efeitos da mudança climática.
 
Por enquanto, ao que parece, a Austrália permanecerá atada ao carvão. Na quarta-feira, Morrison disse a repórteres em Canberra: “Nosso setor de recursos é incrivelmente importante para a Austrália”. O país é o segundo maior exportador global de carvão termal (o tipo usado para produzir eletricidade), perdendo apenas para a Indonésia. Em 2018, a Austrália exportou 200 milhões de toneladas métricas, cotadas em 26 biliões de dólares, para a China, Japão e outros países do sudeste asiático. O volume está caindo vagarosamente, à medida em que a China utiliza suas fontes internas e tanto a China quanto o Japão distanciam-se do carvão. Mas a própria Austrália ainda obtém um terço de sua eletricidade de termoelétricas a carvão, o que faz dela um dos maiores emissores de CO² per capita do planeta.
 
O governo de Morrison, além disso, foi parcialmente responsável, nas conversações climáticas da ONU, em dezembro, por bloquear a negociação de políticas voltadas a combater o aquecimento global. Se países como a Austrália continuarem a agir como peso morto na transição energética, todas as adaptações que Morrison mencionou – a totalidade de sua “resposta à mudança climática” – será inconsequente. O aquecimento permanecerá e grandes extensões do continente, e do resto do planeta, irão tornar-se inabitáveis. Tragédias como os incêndios já não podem ser consideradas desastres naturais. Em 2 de janeiro, Morrison assistiu ao funeral de Geoffrey Keaton, um dos bombeiros mortos em trabalho. Numa entrevista coletiva que concedeu na sequência, ele afirmou: “Não podemos controlar os desastres naturais; o que podemos fazer é controlar nossa resposta.”
 
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Raoni e filha de Chico Mendes promovem aliança contra política ambiental de Bolsonaro

247 - O Instituto Raoni e diversos organizações não governamentais realizam desde segunda-feira (13) um encontro com cerca de 320 indígenas de diversas etnias e estados brasileiros. A reunião divulgará nesta sexta-feira (17) uma carta aberta ao Congresso e ao Ministério Público.

As lideranças reunidas à beira do Rio Xingu, no Mato Grosso, denunciam os retrocessos nas políticas ambientais e indigenistas do governo Bolsonaro.

Ângela Mendes lembra o projeto que seu pai, o líder extrativista Chico Mendes, assassinado em 1988, desenvolveu nos anos 1980 com líderes indígenas como Ailton Krenak: a Aliança dos Povos da Floresta.

 

As informações são dos jornalistas Rubens Valente e Bruno Santos.

Controle da catástrofe incendiária na Amazônia é desmentido pelo Inpe: desmatamento aumentou 183% em dezembro

 

247 - A notícia de queda no desmatamento em 2019 pode estar no mesmo patamar de credibilidade da alardeada 'retomada econômica'. Dados do Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do Inpe, o desmatamento na Amazônia cresceu 183% em dezembro, em comparação ao mesmo mês de 2018.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que "o Deter tem a função de auxiliar as ações do Ibama no combate ao desmatamento, mas também pode ser usado para analisar as tendências de desmate. Ou seja, pode-se visualizar se a destruição da floresta está aumentando ou diminuindo. Além disso, os dados do Deter costumam subestimar os dados anuais consolidados de desmate (Prodes)."

A matéria ainda acrescenta que "segundo os dados do Inpe, o crescimento do desmatamento (sempre em comparação com os mesmos meses de anos anteriores) tem sido constante. Desde maio de 2019, os aumentos têm sido acentuados, com exceção de outubro, que apresentou crescimento menor, de cerca de 5%."

 

Lisboa, Capital Verde Europeia?

Esta semana, com pompa e circunstância, recebendo o secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Vice-Presidente da Comissão Europeia para o Green Deal, Frans Timmermans, Lisboa consagrou-se como como a Capital Verde Europeia (2020).

Pela primeira vez uma cidade no sul da Europa recebe este galardão e os objectivos a que se propõe são genericamente positivos porém, e há um abismal porém, se olharmos estruturalmente para o que o município necessita para garantir um excedente climático, isto é ultrapassarmos a barreira da neutralidade carbónica, e o que efectivamente está a fazer está longe de garantir a acção necessária.

O município, tal como o país, continua a ignorar o facto de ainda termos taxas de consumo de bens e serviços muito acima dos limites sustentáveis da real economia, das taxas de reciclagem e de gestão ecológica de resíduos estarem longe das ideais, de se continuar a externalizar o impacto do aumento do tráfego aéreo (sem falar na expansão da Portela para o aeroporto comercial no Montijo), automóvel tal como de barcos e cruzeiros, da expansão da poluição luminosa e do crescimento das emissões de gases poluentes, tal como da poluição generalizada do lixo urbano, por exemplo com os resíduos plásticos e beatas.

Importa também alertar para a morte gradual do rio Tejo e a destruição maciça dos nossos oceanos com a sobrepesca e poluição generalizada.

Isto sem esquecer da falta de visão política para implementar soluções que estruturalmente protejam a biodiversidade e a coexistência harmoniosa de mais espécies animais e vegetais no município. Sim as metas a que se propõe Lisboa são audaciosas mas pouco se deve esperar de um executivo que mantém a mesma forma de pensar, agir e gerir os recursos que nos trouxe para este caos climático.

Dizer que Lisboa é um exemplo de cidade ecológica ou que caminha para a neutralidade carbónica, tendo o rótulo de Capital Verde Europeia, é só assumir que a metrópole está na rota para não poluir tanto como outras capitais.

Não representa, muito menos garante, que a neutralidade carbónica seja atingida, que os valores de poluição sonora, atmosférica e luminosa diminuam drasticamente, que a educação e a mobilidade sejam políticas estruturais do município, nem que as políticas de gestão de resíduos ou mesmo de preservação da biodiversidade sejam eficazes e duradouras.

Aqui, como em tantos outros exemplos, o rótulo de verde pouco significa se a Câmara PS mantiver e reforçar o paradigma de consumo exacerbado, de externalização ambiental e de crescimento contínuo.

Felizmente para o ano teremos eleições autárquicas e podemos, como cidadãos/ãs, dar mais força, através do voto, a partidos com políticas ecológicas holísticas e que tenham uma visão estrutural de como devemos implementar uma sociedade baseada na descentralização da produção, distribuição e consumo de energia e de bens alimentares, de como desenvolver PMEs que acrescentem mais valor nesta transição económica e social, de como reduzir o nosso consumo de bens e serviços, de como reforçar a integração das comunidades nas decisões políticas, de como melhorar estruturalmente a mobilidade urbana e peri-urbana, de como garantir que o turismo não externaliza os seus impactos para quem mora no território, de como projectar as construções e as políticas de habitação para todos os cidadãos e, naturalmente, de como desenvolver os municípios como espaços de coexistência entre mais espécies animais e vegetais.

Queremos cidades vivias, desenvolvidas e prósperas, não amorfas à loucura do consumismo e do crescimento pelo crescimento.

Como nota final frisar que estreou, no Cinema São Jorge, como parte da semana inaugural de Lisboa como Capital Verde Europeia, o documentário É P´ra Amanhã, que nos fala em vários episódios sobre a urgência de transitarmos para uma sociedade e economia realmente sustentável, progressista e descarbonizada mostrando alguns dos muitos exemplos positivos que já operam e se expandem em Portugal.

Francisco Guerreiro

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https://www.portalcascais.pt/analise-politica/francisco-guerreiro/lisboa-capital-verde-europeia/

Perigo! Agrotóxicos invadem Brasil, segundo especialista

Fazendeiro no Estado norte-americano do Nebraska faz o plantio de soja, em maio de 2019, após a Casa Branca liberar segunda rodada de subsídios
© AP Photo / Nati Harnik

O governo precisa equilibrar o interesse da indústria com a atuação dos órgãos reguladores, alega especialista, consultado pela Sputnik Brasil.

O número de licenças de defensivos agrícolas registrado em 2019 é o mais expressivo desde 2005, de acordo com monitoramento feito pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, quando começou a série histórica.

Segundo o Greenpeace, desses produtos, 22 contêm ingredientes ativos que têm seu uso proibido na União Europeia. Além disso, 25 constam na lista dos produtos extrema ou altamente tóxicos à saúde humana.

Sob o governo Bolsonaro, o Brasil bateu recorde do número de agrotóxicos liberados, com 467 licenças em 2019.

Segundo a pesquisa da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária - 23% dos alimentos analisados têm resíduos de agrotóxicos acima do limite permitido ou proibidos para a cultura.

O governo Bolsonaro afrouxou deliberadamente o controle sobre os agrotóxicos no Brasil? Isso pode repercutir no mercado externo? Quais são os riscos para a saúde da população?

Segundo Carlos Canejo, professor de Engenharia Ambiental na Universidade Veiga de Almeida, é necessário que as regras sobre o uso de agrotóxicos sejam mais rígidas.

"O uso desses agrotóxicos causa uma significativa degradação ambiental. Ele contamina solos, rios, lençol freático. Isso vem a ocorrer porque esses agrotóxicos que são usados durante o processo de irrigação, fazem com que aconteça uma contaminação de todo o sistema de modo contínuo", alertou o especialista para Sputnik Brasil.

Desse modo, os agrotóxicos afetam uma região muito maior, do que a área, na qual são aplicados.

Por outro lado, o professor destacou que uma fiscalização mais rigorosa deve ser aplicada, uma vez que o uso de substâncias químicas no solo nem sempre é realizado de forma legal.

Canejo destacou que a legislação brasileira "não deve nada" aos países mais desenvolvidos. O problema, segundo ele, está na implementação das leis.

"A grande gama de agrotóxicos disponibilizados pelo mercado dificulta essa fiscalização. E também não temos a segurança sobre o uso humano de muitos desses agrotóxicos", ponderou o especialista.

Apesar da Anvisa realizar pesquisas sobre a segurança das substâncias químicas utilizadas no cultivo, o avanço da indústria nem sempre é acompanhado pelos órgãos governamentais.

"A gente está sujeito a problemas que devem ser melhor avaliados", alertou o professor.

Carlos Canejo avalia que, o novo governo, sem entrar em méritos políticos, buscou firmar um acordo para o avanço na "liberação de novas licenças para motivar a indústria".

"Claro que isso precisa de uma discussão mais ampla", avaliou o interlocutor da Sputnik Brasil.

A indústria agrícola é muito importante para o país, afirmou o acadêmico. No entanto, o setor precisa de mair regulação.

"A gente opera com agrotóxicos que não foram liberados em outros países...então a gente precisa refletir um pouco", declarou o entrevistado.

"O grande passivo ambiental acaba ficando no nosso país", concluiu o pesquisador.

O governo não está medindo os riscos para pode exportar mais, dessa forma. Para o cientista a resposta está na regulação e na implementação das leis já existentes, que são muito mais modernas, do que a prática do mercado.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020011114997201-perigo-agrotoxicos-invadem-brasil-segundo-especialista/

Incêndios florestais australianos destroem vida selvagem e enormes extensões de terra devido lenta resposta do governo

Incêndio na Austrália

Por Matt Goss

 

Camberra, 9 jan (Xinhua) -- O número de mortos pelos incêndios florestais na Austrália, que começaram extraordinariamente no início de setembro, subiu para 27, com o incêndio que continua queimando.

 

Na quarta-feira, mais de 10,7 milhões de hectares de terra haviam sido queimados no país inteiro. Na manhã de quinta-feira, o governo estadual de Nova Gales do Sul (NSW) anunciou que 1.870 casas foram destruídas no estado.

 

Tanto NSW quanto Victoria declararam estado de emergência e que condições catastróficas de incêndio florestal podem persistir.

 

A fumaça dos incêndios cobriu as principais cidades da Austrália por dias seguidos e se espalhou para o leste da Nova Zelândia até a América do Sul.

 

De acordo com dados compilados pelo Fundo Mundial para a Natureza, 1,25 bilhão de animais morreram nos incêndios, muitos dos quais eram espécies icônicas da Austrália, incluindo coalas, cangurus, marsupiais e cacatuas.

 

Em resposta à crise, o primeiro-ministro australiano Scott Morrison, o tesoureiro Josh Frydenberg e o vice-primeiro-ministro Michael McCormack, estabeleceram na segunda-feira a Agência Nacional de Recuperação de Incêndios Florestais e anunciaram 2 bilhões de dólares australianos (1,37 bilhão de dólares americanos) em financiamento para esforços de socorro e recuperação.

 

O anúncio foi feito em meio a um dos meses difíceis de Morrison desde que ele se tornou primeiro-ministro em agosto de 2018.

 

Em dezembro, ele pediu desculpas depois que deixou o país para passar férias em família no Havaí, enquanto grande parte de seu estado natal, NSW, estava em chamas.

 

Desde que ele interrompeu suas férias, Morrison enfrentou uma pressão significativa para seguir políticas mais ambiciosas de mudança climática para mitigar futuras crises.

 

A Austrália se comprometeu a reduzir suas emissões de carbono em 26 a 28 por cento em relação aos níveis de 2005 até 2030, segundo o acordo climático de Paris, uma meta que Morrison disse que "protegerá o meio ambiente", além de garantir a viabilidade a longo prazo dos "empregos e meios de subsistência das pessoas".

 

A crescente pressão sobre o primeiro-ministro para tomar medidas a fim de evitar futuros incêndios chegou ao seu ápice no início de janeiro, enquanto ele passeava pela cidade afetada de Cobargo, em NSW, onde duas pessoas morreram. Morrison foi questionado por moradores locais.

 

O Escritório de Meteorologia (BOM) divulgou na quinta-feira sua Declaração Anual do Clima, revelando que 2019 foi o ano mais quente e seco da Austrália desde o início dos registros em 1900.

 

De acordo com dados do BOM, a temperatura média da Austrália em 2019 foi 1,52 graus Celsius mais quente que a média de longo prazo.

 

O total nacional de chuvas foi de 277,6 milímetros (mm), bem abaixo do recorde anterior em 1902 (o mais baixo anterior foi de 314,5 mm).

 

Andrew Gissing, especialista em gerenciamento de emergências do Centro de Pesquisa Cooperativa de Incêndios Florestais e Desastres Naturais, disse recentemente que a Austrália gasta "muito em socorro e recuperação de desastres e pouco em prevenções".

 

"Mais pessoas vivem em áreas de alto risco de incêndio, serviços de emergência são ampliados e o clima está mudando rapidamente", disse ele em um comunicado à imprensa.

 

"Crises futuras são inevitáveis. Devemos considerar a perspectiva de uma temporada monstruosa de incêndios florestais, como nunca vimos".

 

Mais de um terço da Ilha Kangaroo, na costa do sul da Austrália, foi queimada por incêndios e cerca de 25.000 coalas, metade da população da ilha, podem ter morrido.

 

Os coalas da Ilha Kangaroo são considerados essenciais para a sobrevivência a longo prazo das espécies, porque foram descobertas como livres da clamídia que afeta quase metade daqueles no continente, causando cegueira, infertilidade e morte generalizadas.

 

Chris Dickman, ecologista da Universidade de Sydney, disse na quarta-feira que 800 milhões de animais morreram apenas em NSW.

 

"Provavelmente estamos vendo como as mudanças climáticas podem parecer para outras partes do mundo nos primeiros estágios da Austrália no momento", disse ele em comunicado.

 

"É um momento muito triste".

 

 Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-01/10/c_138694748.htm

Economista previu incêndios na Austrália há uma década

David Mariuz / EPA

 

Um estudo ambiental elaborado pelo economista Ross Garnaut foi capaz de prever, há mais de dez anos, os incêndios que iriam assolar a Austrália no início de 2020, bem como os impactos que estes teriam na economia do país.

 

O relatório, datado de 2008, foi agora recuperado pelos meios de comunicação australianos. Tal como escreve o semanário Expresso, o estudo ambiental de Garnaut tentou antever os impactos que estes meses de incêndios teriam na economia australiana.

O documento alertava que as condições climáticas iria provocar “o início mais precoce da época de fogos, um fim mais tardio da mesma e uma intensidade maior dos incêndios” na Austrália, principalmente a sudeste do país.

Na prática, Garnaut vaticinou que, caso a Austrália não tomasse medidas adequadas, enfrentaria uma temporada de incêndios mais frequente e intensa até 2020. “Este efeito aumenta com o tempo, mas deve ser diretamente observável até 2020”.

Além do alerta, Garnaut deixava ainda alguns conselhos para minimizar o problema. “O risco pode ser substancialmente reduzido através de ações fortes, eficazes e precoces de todas as principais economias do mundo”, escreveu o economista.

“A Austrália precisará desempenhar a sua parte proporcional na ação global. Como um dos países mais desenvolvidos, sua parte total será relativamente grande e envolverá grandes mudanças iniciais na estrutura económica estabelecida”.

Em declarações à SBS News, Garnaut mostrou-se frustrado por não ter conseguido passar a mensagem do seu relatório. “Sinto-me triste porque foi ineficaz. Tendo-me sido dada a oportunidade de conversar com os australianos sobre esse assunto, fui incapaz de os convencer de que era do nosso interesse nacional desempenhar um papel no esforço global para mitigar a efeitos das mudanças climáticas “, afirmou.

Já à ABC, o economista recusou-se a culpar os responsáveis pelas decisões políticas, mas recordou o papel da Ciência. “Se ignoramos a Ciência ao construir uma ponte, a ponte cai (…) Se ignoramos a Ciência ao construir um avião, o avião cai”.

Segundo estimativas do Conselho de Seguradoras da Austrália (ICA), os danos causados ​​pelos incêndios na Austrália ascendem aos 700 milhões de dólares australianos (432 milhões de euros). O valor deverá subir.

Desde setembro, altura em que os primeiros fogos deflagraram, já morreram pelo menos 26 pessoas e mais de duas mil habitações estão inabitáveis.

ZAP //

 

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https://zap.aeiou.pt/economista-previu-fogos-na-australia-ha-decada-301480

Especialista: combater fogo na Amazônia não basta, sem combater desmatamento

 Vista aérea de queimada na Floresta Amazônia, vista à partir da cidade de Porto Velho, capital de Rondônia.
©André Cran/Folhapress

Especialista alerta para aumento de desmatamento, acredita que o governo demorou para entrar em ação para combater o fogo na Amazônia, mas espera que o governo tenha aprendido a lição.

O INPE – Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais divulgou na terça-feira números que comprovam que, entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento da Amazônia realmente cresceu, chegando a atingir quase 10 mil km2 de floresta derrubada e representando um aumento de 39,5% em relação ao mesmo período anterior.

Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o Governo Federal demorou muito para agir contra o fogo na região e os novos dados já eram esperados "por conta do que aconteceu em agosto, quando uma área muito grande foi queimada pelo fogo".

Entre as causas principais, segundo a especialista, estaria o aumento do desmatamento na região.

"Entre 2018 e 2019 a gente teve um aumento do desmatamento de cerca de 30% na região. E o segundo semestre do ano [2019] já indica um aumento considerável de desmatamento, de mais de 100% inclusive, em relação ao segundo semestre do ano anterior", alegou ela para Sputnik Brasil.

Por outro lado, para entender como o fogo se comporta na Amazônia, é necessário entender as relações com as épocas de chuva e com as atividades na região.

Para e entrevistada, normalmente o fogo tem o pico no mês de setembro, e começa a reduzir, porque começa a chover. Então é esperado, quando chega novembro e dezembro, que as queimadas comecem a diminuir por conta das chuvas.

No ano passado, no entanto, foi acompanhada uma grande redução no número de foco em setembro e outubro. Isso estaria relacionado com os decretos do presidente, que autorizaram o uso do exército no combate ao fogo, instauraram moratória do uso de fogo na região até 24 de outubro.

"Claramente, depois de 24 de outubro, o número de focos começa a ter uma tendência de aumento. Isso se traduziu num aumento significativo no número de focos de fogo em novembro, comparado ao ano passado, e também em dezembro", explicou Ane Alencar.

Para a especialista, o governo demorou muito para reagir, e agora está colhendo os frutos de sua inação e até negação.

"Se o governo federal tivesse reagido positivamente aos números do INPE sobre desmatamento em julho, com certeza não teríamos um número tão alto de queimadas no ano passado. Teve uma displicência do Governo Federal de renegar o aumento do desmatamento num momento crucial", alertou a diretora do IPAM.

Ela lembra que o governo começou a agir somente após a repercussão internacional dos incêndios na região e, mesmo assim, a contragosto e com muita "negação".

Ane Alencar destacou que os decretos presidenciais foram muito positivos no combate ao fogo, mas espera que o governo tenha aprendido a lição e aja com mais antecedência no futuro e que também ataque o desmatamento ilegal.

"É a hora de aprender com o que aconteceu em 2019. É a hora do governo focar no incentivo de redução de desmatamento. De investir em estratégias para descobrir desmatamento ilegal, queimada ilegal", concluiu a especialista.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2020010914986002-especialista-combater-fogo-na-amazonia-nao-basta-sem-combater-desmatamento/

Somos todos muito verdes, mas...

 
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Não somos propriamente excepção quando advogamos a urgência de mudarmos de vida a fim de evitar os piores cenários. De resto, nenhum partido político, em Portugal, se coloca do lado dos negacionistas.
Todavia, quando chega a altura de mostrar trabalho ficamos muito aquém do necessário. Um bom exemplo prende-se com o sector dos transportes. Apostou-se fortemente na construção de auto-estradas e desinvestiu-se na ferrovia, factos também sobejamente conhecidos. O mais surpreendente, porém, é em pleno século XXI, 2020, os transportes colectivos (geralmente públicos) continuarem a ser um parente paupérrimo de um pais que não conhece uma estratégia há largas décadas.
Ora, esta é uma incongruência inaceitável. Os transportes colectivos são indispensáveis para qualquer estratégia que se enquadre neste contexto de urgência climática e o que país tem é um interior que não sabe sequer o que são transportes públicos e um litoral, sobretudo as áreas metropolitanas, com transportes decrépitos, insuficientes em número e mais do que lotados - um cenário verdadeiramente de terceiro mundo.

Ver o original em 'Triunfo da Razão' na seguinte ligação:

http://triunfo-da-razao.blogspot.com/2020/01/somos-todos-muito-verdes-mas.html

Obras do aeroporto de Lisboa avançam sem avaliação de impacto ambiental

A associação Zero adianta que as obras de expansão têm como objetivo um aumento da atividade aeroportuária, que terá impactos na qualidade do ar, ruído ou pressão sobre as infraestruturas.

 

A organização ambientalista Zero considera que o processo de expansão do aeroporto de Lisboa é “absolutamente inacreditável” do ponto de vista regulatório e político, e alerta para a falta de uma Avaliação de Impacto Ambiental (AIA).

Em comunicado, a associação considera “inacreditável a incapacidade das entidades regulatórias de fazerem cumprir a legislação”, no dia em que começam obras de expansão (saídas rápidas das pistas) do Aeroporto Humberto Delgado que implicam a suspensão de voos noturnos.

Quando as obras estiverem prontas haverá um aumento da atividade aeroportuária em Lisboa, que terá impactos significativos em áreas como a qualidade do ar, ruído ou pressão sobre as infraestruturas, diz a Zero no comunicado, concluindo que é incompreensível que não tenha sido feito uma AIA.

 
 

“Estas obras terão como efeito imediato o aumento potencial do número de movimentos, pelo que o seu efeito cumulativo no ambiente e na qualidade de vida das populações deveria ser avaliado”, explica a associação ambientalista.

Para a Zero, as obras “incluem-se obviamente na estratégia de expansão do Aeroporto Humberto Delgado, estando-se perante um estratagema absolutamente inaceitável de fragmentação de projetos e de obras com o intuito de se contornar a obrigatoriedade de um processo de AIA”.

A Zero revela no comunicado que a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) a informou em 16 de dezembro que as obras que agora começam estão previstas no ‘Masterplan’ “de expansão do aeroporto”.

Os ambientalistas consideram portanto que os impactos ambientais decorrentes das obras de expansão devem ser avaliados e deve ser permitida a participação da população e recordam que já em 2004 o Tribunal de Justiça da União Europeia tinha determinado que as obras num aeroporto que tenham como objetivo o aumento significativo da sua capacidade, mesmo que não incluam alterações na pista, devem ser objeto de uma AIA e que outras diretrizes da Comissão Europeia vão no mesmo sentido.

“As obras de expansão no Aeroporto Humberto Delgado já anunciadas, que incluem o alargamento do estacionamento para aviões e a construção de um novo hangar para os militares e entidades oficiais, novos acessos rodoviários e a reformulação de toda a circulação em torno do aeroporto, e também a ampliação do espaço de check-in de passageiros, requerem um procedimento próprio de Avaliação de Impacto Ambiental”, afirma.

A organização alerta ainda que o plano de expansão da ANA-Aeroportos de Portugal ainda em vigor nada refere sobre qualquer projeto de expansão do aeroporto de Lisboa, que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), como autoridade nacional de Avaliação de Impacto Ambiental, não responde aos ofícios da Zero e também não exigiu qualquer avaliação, e que não existe um Plano de Ação para o Ruído que assegure o cumprimento dos valores-limite legislados.

// Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/aeroporto-lisboa-sem-impacto-ambiental-300739

Os desabafos de um otimista obrigado a moderar-se

Os fogos na Austrália alcançaram uma dimensão tal, que os bombeiros já se confessam impotentes - e incompetentes! - para os combaterem. Não surpreende, pois, que o primeiro-ministro tenha sido declaradopersona non grata nos sítios onde procurou tirarselfies e distribuir abraços junto dos que tudo perderam. É que ninguém esquece o seu descarado negacionismo a respeito das alterações climáticas, refutando as evidências científicas com o mesmo tom acintoso do seu amigo Trump. Nem tão pouco se ignoram as suas ligações aos interesses mineiros australianos, particularmente os relacionados com a extração do carvão. E, cereja em cima do bolo!, não há quem não se indigne com a decisão de partir de férias com a família para o Hawai deixando para trás vastas extensões do país a serem destruídas pelo fogo.

 

Nas mais recentes eleições legislativas ele ganhara-as contra a maioria das previsões, que o davam como condenado a ser punido eleitoralmente pelos seus dislates. Agora, muitos dos que nele apostaram por liderar a direita com que se identificavam, sofrem as consequências da sua opção, porque nada foi feito para precaver o que os anos anteriores já haviam prognosticado como tendo potencial para muito se agravar.

 

Em simultâneo com as intensas vagas de calor, que assolam a maior ilha da Oceânia, ocorreram as diluvianas chuvas, que puseram grande parte da população de Jacarta a enfrentar uma inundação como nunca até então conhecera. A antecipação do que implicará a subida do nível dos oceanos por efeito do aquecimento global ficou mais do que demonstrado na capital indonésia, que o respetivo governo pondera transferir para a ilha de Bornéu. Não consta que esse plano, perfeitamente sensato, tenha colhido contestação semelhante à que o nosso ministro do Ambiente conheceu quando sugeriu a deslocação de aldeias localizadas em potenciais leitos de cheia para zonas de maior cota de altitude onde possam ser poupadas aos efeitos conhecidos há cerca de duas semanas. De facto são os cientistas a calcularem em centenas de milhões os habitantes obrigados a deslocarem-se até 2025 para se livrarem das cada vez mais impressionantes inundações nas zonas ribeirinhas.

 

Surpreendente tem sido, igualmente, a vaga de frio, que está a assolar a Índia como nunca se verificara nos registos efetuados nos últimos 119 anos. Ao mesmo tempo que, na Rússia, registos colhidos em intervalo de tempo semelhante, mostram nunca ter havido um ano tão quente como o de 2019.

 

Noutras geografias os recordes de canícula vão sendo sucessivamente batidos como aconteceu em julho no deserto da Líbia onde os termómetros chegaram aos 58ºC ou nas planícies iranianas de Lut onde passaram muito para além dos 60ºC, implicando o avanço progressivo da aridez nesses territórios.

 

A falta de água doce constitui um dos mais desafiantes problemas deste século tendo em conta que só 3,5% dos 70% de água, que constitui o planeta, é efetivamente potável.

 

Para a situação mais tender para a irreversível distopia avulta o aumento demográfico, que se tornou explosivo em muitas regiões do mundo, particularmente no Médio Oriente, onde a população síria quadruplicou nos últimos sessenta anos e a iraniana triplicou em meio século. Grotesco é, por isso mesmo, o projeto faraónico em curso nos Emiratos Árabes Unidos com a construção de ilhas em forma de plameiras e onde se implantam centros comerciais, hotéis de luxo e, até mesmo, uma Trump Tower. O efeito devastador sobre os recifes coralíferos do Golfo Pérsico já estão mais do que reportados. Mas a sexta grande extinção de espécies animais não conhece fronteiras: de Moçambique chega a notícia de ter havido a redução para um terço dos 12 mil paquidermes existentes em 2009 na reserva do Niassa, porque não há quem trave a nefasta atividade dos caçadores furtivos.

 

Perante todos estes cenários até mesmo um otimista irritante como me assumo, tem dificuldade em manter essa bonomia perante um futuro, que será, sobretudo, aquele em que as minhas netas tentarão ser felizes. Ou se mudam urgentemente de políticas a nível internacional ou será pedido aos vindouros uma capacidade de resiliência muito para além do que poderíamos imaginar.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2020/01/os-desabafos-de-um-otimista-obrigado.html

Estas são espécies declaradas extintas na última década

Organização das Nações Unidas afirmou que pelo menos um milhão de espécies podem desaparecer no futuro próximo. Cada ano elas são adicionadas em uma lista vermelha interminável.

Apesar dos esforços que muitos ambientalistas e Estados realizaram para sua conservação, muitas espécies foram declaradas extintas na última década.

A Terra poderia ser o lar de entre 5 e 10 milhões de espécies, segundo estimativas, das quais os investigadores catalogaram menos de dois milhões. Organização das Nações Unidas afirmou que pelo menos um milhão de espécies podem desaparecer.

No entanto, a situação de ameaça à sobrevivência em que estão muitas espécies também põe em perigo os ecossistemas dos quais dependemos para viver. Os cientistas estimam que as espécies estão se extinguindo 1.000 vezes mais rápido do que deveriam.

As espécies costumam se extinguir (geralmente) por culpa da atividade humana. Nós fazemos desaparecer seus habitats, introduzimos espécies invasoras que as matam, contaminamos seus espaços, as comemos ou as caçamos com outros objetivos ou prejudicamos indiretamente os lugares onde vivem através dos efeitos da mudança climática.

Estão são algumas das espécies raras que a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) declarou oficialmente extintas nos últimos 10 anos.

Hemignathus ellisianus

Se observarmos o que se passou com as espécies das ilhas havaianas, vemos que isso serve como um dos exemplos mais notáveis do perigo que correram às mãos dos humanos.

Hemignathus ellisianus
© CC0 / John Gerrard Keulemans / Wikimedia
Hemignathus ellisianus

Esta espécie era um pequeno tentilhão de bico comprido e curvo que comia insetos e néctar, mas se extinguiu devido às doenças de aves e a que os humanos limparam a floresta. A UICN declarou a espécie extinta em 2016.

Bettongia anhydra

Os cientistas que trabalham no deserto australiano recolheram um só exemplar de Bettongia anhydra, um cruzamento entre um rato e um canguru, por isso sabemos pouco sobre onde e como vivia.

Foi visto pela última vez em 1933 e provavelmente foi presa de gatos selvagens invasores e raposas invasoras. A UICN o declarou extinto em 2016.

Calathus extensicollis

O escaravelho da terra grande e predador era endémico das florestas de grande altitude do Pico, uma ilha dos Açores no Atlântico. Os naturalistas o registraram pela última vez em 1859, e desde então não foram realizados estudos exaustivos. A UICN o declarou extinto em 2018.

Contomastix lacertoides

Era um pequeno lagarto que foi encontrado uma vez em um afloramento de granito na cidade costeira uruguaia de Cabo Polônio. Os naturalistas não registaram nenhum desde 1977, e talvez tenha morrido devido à crescente perturbação humana pelo turismo durante a temporada de reprodução do lagarto.

A UICN o declarou extinto em 2016.

Dusicyon avus

Este canídeo do tamanho de um cachorro vivia nos habitats herbáceos dos pampas e da Patagônia na América do Sul.

Os arqueólogos o encontraram em tumbas que datam do segundo milênio a.C. e é possível que fosse mantido como mascote. Não está claro quando se extinguiu realmente, a datação por radiocarbono sugere que foi entre 326 e 496 anos atrás, enquanto um cachorro que corresponde com sua descrição aparece em diários do século XIX. A caça e a competição com cachorros domésticos são os prováveis culpados da extinção desta espécie, que foi adicionada à lista de espécies extintas da UICN em 2015.

Eulophia stenopetala

Os naturalistas registraram esta orquídea uma vez nas colinas secas de Butão em 1859 e ela não foi registrada desde então. A causa da extinção não está clara, mas talvez se deva ao desenvolvimento das estradas na zona. A UICN declarou a planta extinta em 2017.

Habenaria petromedusa

Esta planta com flor vivia nas ilhas de Cabo Verde e só se conhece um exemplar recolhido em 1787. Resta pouco habitat apropriado para ela, por isso a UICN a declarou extinta em 2017.

Leiolopisma ceciliae

Os cientistas só sabem desta espécie de réptil que provavelmente ela se extinguiu há pelo menos 300 anos, se não mais.

Leiolopisma ceciliae
© CC BY 3.0 / Christian Hauzar / Telfair-Skink.jpg
Leiolopisma ceciliae

A possibilidade do que poderia ter estado ao redor dos últimos 1.500 anos levou a UICN a o adicionar à lista de extinção em 2019.

Garça-noturna de Bermudas

Ossos de aves pernaltas apareceram nas ilhas Bermudas que pertenceram a uma espécie de garça que pode ter vivido nas ilhas.

Garça-noturna de Bermudas
Garça-noturna de Bermudas

No entanto, a caça e os gatos selvagens provavelmente a levaram ao seu fim. A UINC a declarou extinta em 2014.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019123114954280-estas-sao-especies-declaradas-extintas-ultima-decada-que-nunca-mais-veremos/

2019 foi o ano do meio ambiente?

O chefe indígena Kadjyre Kayapo, da etnia Krimej, observa área desmatada da Amazônia na cidade de Altamira, no Pará.
© AP Photo / Leo Correa

Com a marcha das mudanças climáticas, o ano de 2019 foi recheado de acontecimentos que mostraram o avanço do aquecimento global e a importância da política ambiental. A Sputnik Brasil conta aqui alguns desses episódios.

Brumadinho

No Brasil, o ano começou com o acidente da Vale em Brumadinho. Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da Mina do Feijão rompeu, causou a morte de centenas de pessoas e liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O material feriu o ecossistema da região e manchou o Rio Paraopeba, um dos afluentes do rio São Francisco.

Este é o segundo acidente de grandes proporções da Vale em Minas Gerais em poucos anos. Em 2015, outra barragem da mineradora rompeu em Bento Rodrigues, distrito da cidade de Mariana, e causou 19 mortes. 

"Uma coisa muito triste de se verificar é que, dentro da possível área que seria afetada pela ruptura da barragem, a Vale já sabia que estava ali o setor administrativo, o refeitório, ou seja, existia um laudo de agosto do ano passado que mostrava que a barragem estava muito insegura, da Tüv Süd, e as operações continuaram normalmente", afirma Pedro Luis Côrtes, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à Sputnik Brasil. 

Ainda de acordo com o especialista, o incidente foi uma "tragédia anunciada" e com efeitos graves, como o desequilíbrio da cadeia alimentar, poluição da água, dificuldade de reflorestamento, já que o rejeito cobriu o solo orgânico em que sementes poderiam germinar, entre outros fatores. 

Amazônia e óleo no Nordeste

A disparada dos incêndios e do desmatamento na Amazônia teve repercussão ambiental, nacional e internacional. De acordo com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na Amazônia Legal avançou 29,5% entre agosto de 2018 e julho de 2019, na comparação com igual período entre 2017 e 2018. Foram desmatados 9.762 km², a maior marca dos últimos 10 anos.

Este número é do sistema de monitoramento chamado de Prodes e foi divulgado em dezembro, mas levantamentos feitos em meses anteriores já demonstravam o avanço das motosserras na maior floresta tropical do mundo. O presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar que tinha o "sentimento" de que as cifras poderiam estar erradas.

O então presidente do INPE, Ricardo Galvão, afirmou que o presidente se comportava como se estivesse em um "botequim" e que havia tomado uma atitude "covarde". Galvão terminou afastado do cargo.

O assunto ganhou manchetes internacionais e Alemanha e Noruega suspenderam repasses de R$ 288 milhões ao Fundo Amazônia, inciativa que já investiu mais de R$ 1 bilhão na conservação da floresta nos últimos 10 anos. O presidente da França, Emmanuel Macron, levou o assunto para a cúpula do G7 e Paris colocou em xeque o acordo entre União Europeia e Mercosul.

Diante da repercussão internacional, Bolsonaro acabou assinando um decreto de Garantia da lei e da Ordem (GLO) para o uso das Forças Armadas na luta contra o fogo. 

"Na prática, o governo deu uma espécie de carta branca para todos que desejassem se apropriar de terras da União por meio de grilagem", diz Cortês. O professor da USP também avalia que Bolsonaro é "leniente" e com quem se apropria criminosamente de terras públicas.

Sobre o vazamento de óleo que atingiu centenas de localidades, todos os nove Estados do Nordeste, e chegou até o Rio de Janeiro, Cortês ressalta que a própria população tomou o problema em suas próprias mãos ao tentar limpar o estrago.

"Desde Brumadinho, passando pelas queimadas, e mais recentemente com esse derramamento de óleo, o governo sempre demorou muito para agir. No caso de Brumadinho, o Governo Federal praticamente não se manifestou. O ministro [do Meio Ambiente] Ricardo Salles pouco falou a respeito dos impactos ambientais que ocorreram na região".

Na avaliação de Cortês, Salles se sustenta no cargo, apesar de ser condenado por fraudar mapas para beneficiar mineradoras, por seu alinhamento ideológico com Bolsonaro. 

COP 25

Em dezembro, foi realizada na cidade de Madri, na Espanha, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 25), um dos eventos mais importantes da política ambiental global e que serve para definir metas do Acordo de Paris. Apesar do avanço da perda de gelo, aumento das temperaturas e do nível do mar, o evento não produziu uma declaração final ambiciosa. 

Mesmo com um atraso de mais de um dia na publicação da declaração final, a COP 25 falhou em definir as regras do mercado de carbono que foi previsto no Acordo de Paris. A questão deverá ficar para a próxima cúpula climática da ONU, que está prevista para acontecer em Glasgow, na Escócia, em novembro de 2020.

Cortês não faz uma avaliação positiva do evento e da participação brasileira nele: "Foi outra tragédia ambiental. Saímos de uma maneira muito triste e feia dessa COP. Esse prejuízo pode inclusive se estender para outras áreas, como as exportações agrícolas brasileiras."

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019123114938815-2019-foi-o-ano-do-meio-ambiente/

Portugal | CHEIAS

 
 
Rui Sá | Jornal de Notícias | opinião
 
A propósito da tempestade Elsa e das cheias que de imediato se verificaram em Águeda, ouvi, na rádio, a jornalista a dizer, com alguma dose de inocência, que a cidade foi construída em leito de cheia (no caso do rio Águeda).
 
E digo com inocência porque temos de ter consciência que uma parte significativa das cidades se instalaram nas margens de rios, estando por isso nos respetivos leitos de cheia.
Foi um risco que os nossos antepassados correram, numa altura em que os inconvenientes das cheias eram compensados pela fonte de vida que, entre outras, constituía a existência de água potável, peixe e escoamento de resíduos. Com o seu engenho, o Homem foi procurando mitigar as consequências dessas cheias, mas sabendo, sempre, que nunca eliminava esse risco. Pelos que conheço melhor, os habitantes da Ribeira do Porto e, principalmente, de S. Pedro de Miragaia, não trocariam as suas casas por outras em que o risco de cheias fosse inexistente (e, pelos vistos, os especuladores imobiliários também não desistem da sua gula, mesmo perante esse risco...). Por isso, e com a sabedoria dos tempos, muitas das casas com entrada pelos "arcos de Miragaia" têm saída de emergência a uma cota mais elevada, pela Rua Arménia.
 
Já é profundamente lamentável que, com o que hoje se sabe, se continuem a construir edifícios em zonas de risco (sendo certo que, com as alterações climáticas, essas zonas se ampliaram e os riscos aumentaram). Recordo, quando assumi as funções de vereador do Ambiente da Câmara Municipal do Porto, que muitas pressões sofri para dar parecer favorável a empreendimentos imobiliários que nem sequer cumpriam o afastamento de 10m das margens de ribeiras do cidade! E que, como já aqui referi, votei sozinho contra a construção de um hotel na margem da ribeira da Granja, na zona de Grijó (votação antecipada porque o hotel tinha de estar pronto a tempo do Euro 2004 mas que, passados 17 anos, ainda não foi construído - mas tem direitos adquiridos como, pelo que leio, um hotel nas dunas da praia da Memória em Matosinhos!...).
 
Do mesmo modo, custa-me ficar sempre com a ideia de que a gestão do caudal das barragens não é feita com o objetivo de minimizar os riscos ou o impacto das cheias, mas sim de otimizar a produção de energia elétrica e, consequentemente, a faturação - situação que ainda torna mais evidente a necessidade de as barragens, como ativo estratégico, se deverem manter em mãos nacionais e públicas!
 
Não é, assim, possível transladar cidades e povoações. Temos é de fazer as obras que minimizem esses riscos (muitas delas há muito estudadas mas não concretizadas), impedir outras de risco e gerir os recursos colocando o interesse das pessoas à frente dos lucros das empresas.
 
*Engenheiro

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/portugal-cheias.html

Quercus preocupada com lançamento do concurso para prospeção de Lítio em Portugal

 
 
“O anúncio relativo a este concurso, feito ontem [sábado] pelo Sr. Ministro do Ambiente, é no entender da Quercus, reflexo de uma intenção do Governo que tem por base argumentos errados e que não correspondem à realidade do contexto internacional”, afirma a Associação Nacional de Conservação da Natureza em comunicado.
 
A Quercus manifestou hoje “enorme preocupação” com o lançamento de um concurso para prospeção de Lítio em Portugal no início de 2020, considerando que é assente em “argumentos errados” que não correspondem à realidade do contexto internacional.
 
“O anúncio relativo a este concurso, feito ontem [sábado] pelo Sr. Ministro do Ambiente, é no entender da Quercus, reflexo de uma intenção do Governo que tem por base argumentos errados e que não correspondem à realidade do contexto internacional”, afirma a Associação Nacional de Conservação da Natureza em comunicado.
 
Nesse sentido, a associação manifesta a “sua enorme preocupação” com o lançamento deste concurso, que será “seguido de uma provável exploração deste minério nos nove locais escolhidos do território nacional”.
 
Contudo, adverte, “Portugal não possui reservas de lítio em quantidades tão significativas quanto o Governo diz possuir”.
 
 
Para a Quercus, “não faz sentido o Governo continuar a insistir no modelo de autorização de licenças de prospeção de lítio em Portugal, colocando em causa o património ambiental, ecológico e a biodiversidade das regiões que atualmente estão a ser alvo desta intenção”.
 
Perante esta situação, a associação exige “uma vez mais” ao Governo que “ponha termo ao modelo de exploração de lítio” que pretende implementar no país, defendendo que é necessário “reavaliar todo este projeto de exploração insustentável”.
 
Lembra ainda que, de acordo com Serviço Geológico dos Estados Unidos, a Bolívia possui 150 vezes mais reservas de lítio que Portugal (9.000.000 toneladas), o Chile 125 vezes mais (7.500.000) e a China 53 vezes mais (3.200.000).
 
“Neste contexto, Portugal possui reservas estimadas em apenas 60.000 ton [toneladas], o que configura uma ordem de grandeza muito inferior aos restantes países avaliados”, observa.
 
A associação recorda ainda que o Governo perdeu, recentemente, o principal argumento para fomentar a instalação de minas de lítio em Portugal. “Com efeito, o Grupo Metalúrgico Avançado (AMG), com sede na Holanda, anunciou no mês passado a construção de uma refinaria de hidróxido de lítio em Zeitz, Saxônia-Anhalt, na Alemanha.
 
De acordo com a notícia do jornal eletrónico alemão electrize.net, o lítio deve ser processado de forma a que este possa ser usado em baterias de carros elétricos, prevendo-se que a refinaria esteja em pleno funcionamento dentro de dois a três anos.
 
“Este avanço por parte da Alemanha vem demonstrar que o Governo de Portugal está profundamente errado quando faz depender a oportunidade de uma refinaria de lítio em Portugal da instalação e exploração de minas de lítio em território nacional”, refere a Quercus.
 
No sábado, o ministro do Ambiente e Ação Climática mostrou-se convencido que as explorações de lítio no país possam arrancar no primeiro trimestre de 2020, após a aprovação de um decreto-lei que deixe claras “as novas exigências ambientais”.
 
“Para haver um concurso para a prospeção e depois a eventual concessão dos nove locais que estão determinados, com sendo aqueles onde há uma maior existência de lítio, tem de ser precedido de uma nova lei, para que haja um conjunto de garantias, à cabeça, nomeadamente, ambientais. Tenho, desde ontem [sexta-feira], essa nova proposta de decreto-lei”, afirmou aos jornalistas João Matos Fernandes.
 
Ressalvando que não sabe dizer qual é “o calendário da aprovação de um decreto-lei”, porque tem de ser promulgado pelo Presidente da República, o ministro disse acreditar que “até ao final do primeiro trimestre de 2020, a exploração de lítio tenha o seu início”.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

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Portugal | O ambiente e os temas tabu

 
 
Inês Cardoso | Jornal de Notícias | opinião
 
Conseguir uma coerência absoluta em todos os planos da vida é um desafio interminável. Por maioria de razão para as questões ambientais, que se impuseram como tema prioritário no ano que está a terminar.
 
Todos facilmente nos identificamos com a necessidade de proteger o Planeta, mas mais difícil é abdicar das viagens de avião e os especialistas em mobilidade são céticos a perspetivar alternativas nos próximos anos.
 
Ou, outro exemplo, é cómodo e simples carregar num botão e fazer compras online, mas os custos ambientais obrigam a pensar numa forma de as tornar mais sustentáveis. Os veículos elétricos são vistos como o caminho mais rápido para reduzir a poluição, mas também essa opção lança desafios energéticos, sendo difícil prever a capacidade de resposta num cenário de mudança radical dos combustíveis fósseis para os elétricos.
 
A coerência é ainda mais desafiante para quem ocupa cargos públicos. E se é louvável a honestidade com que o ministro João Matos Fernandes lança afirmações como a de que discutir a eventual deslocação de aldeias ribeirinhas não pode ser um tabu, mais questionável é o sentido de oportunidade, num momento em que as populações sofrem os efeitos das cheias e em que, como foi obrigado a esclarecer, não há qualquer plano nesse sentido.
 
A declaração é ainda mais discutível quando enquadrada com a polémica localização do futuro aeroporto do Montijo. Além dos impactos ambientais na avifauna, a infraestrutura poderá vir a ser afetada pela subida do nível médio do mar. Mesmo que a cota da pista seja elevada cinco metros, como assegura o ministro do Ambiente, nos cenários mais extremos aponta-se para o risco de ficar inundada entre 2050 e 2070. Não pode haver tabus a discutir com seriedade as consequências das alterações climáticas. Mas isso tem de valer tanto para as populações como para quem as governa. Para quem tem responsabilidades e poder de decisão.
 
*Diretora-adjunta
 
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Portugal | Ministro diz que deslocação de aldeias ribeirinhas não pode ser "tabu"

 
 
 
O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, considerou esta sexta-feira que a deslocação de aldeias ribeirinhas para prevenir que sejam afetadas pelas cheias não pode "ser um tema tabu em democracia", rejeitando contudo que haja planos nesse sentido.
 
"Há aglomerados no litoral que não temos quaisquer dúvidas que têm [de] ser recolocados e aí a ação do próprio Governo em conjunto com autarquias. Aqui é uma fase muito diferente, como disse o senhor presidente [da Câmara Municipal] de Montemor-o-Velho, e muito bem, é uma decisão de última ratio [último recurso] que não faz sentido ser tabu e não ser discutida naturalmente em democracia", afirmou Matos Fernandes, quando questionado sobre as declarações na segunda-feira na RTP2 de que as pessoas das aldeias ribeirinhas do Mondego têm que "ir pensando em mudar de sítio".
 
Na sexta-feira, à margem do lançamento do concurso para a concessão da rede de carregamento de carros elétricos, o governante explicou que o que fez foi lançar "um desafio para pensar" às populações daquela zona.
 
"Por motivos de precaução, por motivos exclusivos de preocupação com quem ali mora e com quem tem habitações, foi lançado este desafio de as pessoas refletirem sobre isso. Não há aqui nenhum plano, nenhum modelo, não há sequer comparação entre estes aglomerados e, por exemplo, alguns aglomerados do litoral. Aí o avanço mar é inexorável, enquanto as cheias, embora mais frequentes, não são de frequência continuada", afirmou.
 
No litoral, disse, há ação do Governo juntamente com as autarquias para alguns aglomerados virem a ser recolocados, enquanto em aldeias ribeirinhas ainda se está "numa fase muito diferente".
 
 
Matos Fernandes considerou que nunca será garantido que o leito do Mondego tenha capacidade de escoar mais de 2.000 m3 (metros cúbicos) por segundo, apesar de este ano ter chegado a escoar 2.200 m3 devido a oito milhões de euros gastos na manutenção, mesmo com os projetos de regularização do rio Ceira (apenas com métodos de engenharia natural), uma vez que as alterações climáticas aumentam a probabilidade de ocorrência de fenómenos extremos.
 
Assim, defendeu, as populações devem refletir sobre este assunto, sem haver temas tabu.
 
Questionado sobre se o Estado estaria disponível para ajudar essas populações, Matos Fernandes não se comprometeu para já, afirmando ser "óbvio que o Estado nunca se pode pôr de fora da adaptação do território às alterações climáticas em todo o país", mas que, para já, "não faz sentido num processo que está muito estado seminal".
 
Já perguntado sobre se essa mesma reflexão não devia também ser feita pelo Governo sobre o novo aeroporto do Montijo, perante o risco de inundações, Matos Fernandes afirmou que, apesar de se saber que a costa portuguesa está sujeita ao aumento do nível médio das águas do mar, o sítio e o projeto do aeroporto têm características que o protegem.
 
"Estamos a falar de uma infraestrutura na outra ponta do estuário, que tem uma pista que nunca inundou, uma pista vai ser sobrelevada em cinco metros, estamos a falar de uma coisa completamente diferente do ponto de vista do risco", considerou.
 
Jornal de Notícias | Imagem: Lusa

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Acerca da emergência climática

por Daniel Vaz de Carvalho

1 - Os cientistas, os especialistas e os outros

O tema alterações climáticas é tratado sem debate. Especialistas garantem que existe na comunidade científica um total consenso acerca da necessidade de descarbonização do ambiente. O CO2 seria a causa das alterações climáticas registadas. Os que se opõem a esta visão são ignorados ou considerados uma espécie de heréticos: os "negacionistas". Sobre o facto do contraditório estar ausente destas questões um jornalista dizia que não ia opor bloguistas às opiniões de cientistas.

Teremos de acreditar nos especialistas? Nem por isso. O especialista pode dominar técnicas, mas não a ciência, que na climatologia abrange um complexo cientifico, designadamente da paleontologia, à física e geofísica. Ao cientista exige-se cada vez mais a "cultura integral do indivíduo" (Bento Jesus Caraça) para não cair no que Brecht referia no seu Galileu Galilei.

Ortega e Gasset considerava os especialistas um dos males do mundo moderno: "Antes os homens podiam dividir-se em sábios e ignorantes, em mais ou menos sábios e mais ou menos ignorantes. Mas o especialista não pode ser subsumido em nenhuma destas categorias. Não é um sábio porque ignora formalmente tudo o que não entra na sua especialidade, mas também não é um ignorante (...) Em política, em arte, nas outras ciências tomará posições de primitivo, de ignorantíssimo, mas toma-las-á com a energia e suficiência de um sábio, sem admitir – e isto é paradoxal – a opinião de especialistas destas coisas. Ao especializado a civilização fê-lo hermético e satisfeito dentro das suas limitações".

É aliás espantoso que ditos especialistas sobre a matéria, estejam tão mal informados ou nos informem tão mal, "herméticos" dentro das suas limitações". Em 23 setembro deste ano um conjunto de 500 cientistas e profissionais de 13 países enviou uma carta ao secretário-geral da ONU contestando a doutrina da descarbonização, que a ignorou completamente.

A iniciativa partiu do prof. Guus Berkhout, geofísico, professor emérito da Universidade de La Haye. Basicamente, pretendia-se que houvesse debate sobre as alterações climáticas: "Exortamos-vos a que seja seguida uma política climática baseada em ciência sólida, realismo económico e atenção real àqueles que são atingidos por políticas de mitigação caras e desnecessárias." Resumidamente, eram apresentadas as seguintes posições:

- Não há emergência climática
- Fatores naturais assim como antropogénicos provocam um aquecimento.
- O aquecimento é muito mais lento que o previsto. Isso mostra-nos que estamos longe de entender as mudanças climáticas.
- Os modelos sobre os quais a política climática se apoia são inadequados
- O CO2 é o alimento natural das plantas, o fundamento de toda a vida na terra.

"Contestamos firmemente a política de neutralidade carbónica prejudicial e irrealista proposta para 2050. Até que surjam melhores abordagens, o que certamente acontecerá, temos tempo suficiente para refletir e adaptar. O objetivo da política internacional deve ser fornecer energia fiável e barata de forma permanente a nível mundial". [1]

2 - Perplexidades de um leigo

A perplexidade surge ao ver como o debate científico sobre posições diferentes é recusado ou como nos media meras opiniões ou hipóteses passam como ciência provada, sem um mínimo de contraditório. Por exemplo, em 1976 "especialistas" anunciavam um período de arrefecimento, como que uma nova glaciação (the big freeze). Em 1995, passaram para o "aquecimento global", provocado pelo CO2... ( Da glaciaciação ao aquecimento: meio século de fake news ).

Os fenómenos relacionados com o clima entraram no campo da crença. O "consenso científico" que determina que 97% dos cientistas estão de acordo com a hipótese das causas das alterações climáticas registadas no último século serem muito provavelmente devido a atividades humanas é apoiada pela NASA , que refere um conjunto de organizações científicas que apoiam esta posição.

Aqueles 97% baseiam-se em quatro estudos, contestados num documento do NIPCC (Nongovernemental International Panel on Climate Change) Porquê cientistas discordam acerca do aquecimento global , resumido pela Association des climato-réalistes: [2]

- Em 2003 um artigo da historiadora Noami Orestes, publicado na revista Science , mostrava que entre 1993 e 2003, 75% dos artigos apoiavam direta ou indiretamente a tese do aquecimento global de origem antropogénica.

- Em 2009 um estudo de uma mestranda (Zimmerman) e do seu orientador de tese (Doran) da Universidade de Illinois baseou-se numa sondagem a 10 250 geocientistas, da qual obteve 3 146 respostas, concluindo por 97% de concordância. Apenas 5% se identificaram como climatologistas, cerca de 1 000 não tinham diploma de doutoramento ou mesmo mestrado.

- Em 2010 William Anderegg, estudante da Universidade de Stanford, baseou-se numa pesquisa de artigos publicados na internet, concluindo que 97 a 98% dos cientistas apoiavam a tese antropogénica. Considerava que os que mais publicavam eram mais credíveis do que os cientistas que publicavam menos, sem fazer qualquer esforço para o demonstrar.

- Em 2013 um especialista em ciências cognitivas Jonh Cook baseou-se também no número de artigos publicados na internet defendendo cada uma da posições para concluir pelo consenso científico dos 97%.

Em 2014, um grupo de cientistas canadianos analisou os quatro exercícios de contagem acima ( Friends of Science, 2014 ), pesquisando os artigos ou respostas que concordavam explicitamente com a afirmação do IPCC de que a atividade humana é responsável por mais da metade do aquecimento observado. Descobriram que em Orestes havia apenas 1,2% de concordância, Doran e Zimmerman, 3,4%; Anderegg, 66% e Cook 0,54%.

"A reivindicação de 97% está nas ciências psicológicas e não nas ciências climáticas. Uma reivindicação de consenso de 97% é apenas "prova social, um poderoso motivador psicológico para influenciar o público". A desconstrução dessas pesquisas mostrou que não há um consenso científico de 97% sobre o aquecimento global causado pelo homem, como afirmavam os estudos. [2]

O climatologista prof. Marcel Leroux, declarava numa entrevista em 2007 que "o chamado "aquecimento global" é um mito pseudo-científico": [3]

- 95% do efeito estufa deve-se ao vapor de água. O CO2, representa apenas 3,62% do efeito estufa. Só uma pequena proporção pode ser atribuído às atividades humanas, com um valor total de 0,28% do efeito estufa total, incluído 0,12% para o CO2.

- Alteração climática" não é sinónimo de "aquecimento global" porque "clima global" não existe. A alteração climática não depende em absoluto do CO2 e o homem não é em absoluto responsável por isso, exceto no contexto limitado das cidades.

- O aquecimento da troposfera nas últimas duas décadas é muito menor do que os modelos previstos. Aliás, o CO2 extra na atmosfera até aumentaria a produção agrícola, como foi observado em regiões particularmente áridas. Afinal de contas, é alimento vegetal.

A recente subida das águas em Veneza foi apresentada nos media como "prova" do aquecimento global. Na realidade, "esqueceram-se" de ter em conta que da subida do nível médio das águas em 27 cm registado desde 1872, pelo menos 14 cm se devem a subsidência, isto é, à deslocação para baixo da superfície terrestre relativamente a um nível de referência, neste caso o nível do mar, provocada quer por movimentos tectónicos quer por bombeamento de águas subterrâneas. [4]

3 - Alterações climáticas

A paleontologia mostra como as variações climáticas foram uma constante ao longo da história do planeta, alternando entre períodos frios e períodos quentes, devido, conforme as épocas, a alterações cíclicas na inclinação do eixo da Terra, à sua órbita ser mais ou menos alongada ou a intensa atividade vulcânica. Tem sido referido o deslocamento de placas tectónicas - que continua a dar-se regularmente - levando a variações do magma interior da Terra, repercutindo-se também, na deslocação dos polos magnéticos.

Sensivelmente há 11 600 anos a glaciação terminou na Europa, tendo a temperatura subido vários graus em poucas décadas, mesmo em poucos anos como indicam dados fornecidos pelas perfurações feitas no gelo na Islândia. Há 10 000 anos, no período quente, podia ir-se a pé do que é hoje a Inglaterra até à Suécia, um espaço designado por Doggerland. Há 8 000 mil anos o clima era então 1 ou 2 graus mais elevado que hoje, sucedendo-se durante mil anos um período frio. A época romana foi considerada um período quente e próspero. [5]

Desde a Idade Média que se sucedem períodos frios e quentes. Entre 1150 e 1300, na Europa central e ocidental prevaleceu um ótimo climático que deslocou as culturas particularmente a vinha, de 4 a 5 graus de latitude para o Norte. Os períodos quentes foram períodos férteis e prósperos. Os períodos frios foram historicamente épocas de morte e escassez tornando mesmo inabitáveis áreas do Norte da Europa. [6] .

Na Idade Média os glaciares dos Alpes eram mais pequenos que atualmente. Os modelos climáticos adotados para descarbonização não explicam estas variações. Os estudos paleoclimáticos não revelaram nenhuma relação entre o CO2 e a temperatura, não sendo estabelecida nenhuma relação causal, fisicamente fundamentada, provada e quantificada entre a evolução da temperatura (ascensão, mas também descida) e a variação do efeito estufa pelo CO2. [3]

A concentração de CO 2 não explica a existência de períodos quentes no passado, como o que levou os vikings a permanecerem na Gronelândia (a Terra Verde) durante os séculos século X a XIV. Porém, "especialistas" descartam esta situação como "não significativa" (?!). Uma "Pequena Idade do Gelo" sucedeu entre 1600 e 1850.

A chamada "temperatura média mundial" aumentou em 0,74º Celsius entre 1906-2005, mas na realidade não se pode falar em "temperatura global" como o demonstra um estudo cientifico que contradiz a doutrina canónica do efeito de estufa ( Energy & Environment, 2018, vol. 29(4), pgs.613-632).

As conclusões mostram que nas regiões interiores da Sibéria, a temperatura média não subiu de 1930 a 2010. Contudo, nas zonas sob influência oceânica, foi detetado para o mesmo período um aumento da temperatura média inferior a 1º Celsius.

O inverno de 2005-2006, bateu recordes de frio e neve, no Inverno de 2000 a Sibéria registou as suas temperaturas mais baixas e a Mongólia pediu ajuda internacional. No interior oeste norte-americano as temperaturas médias foram em 2010 quase 1º Celsius mais baixas do que nos anos trinta. No que diz respeito às regiões costeiras norte-americanas, sujeitas à influência oceânica, a temperatura média foi ligeiramente superior à dos anos 1930.

Noutras regiões do mundo, como nos Balcãs, China, Paquistão, Sahel, as conclusões não mudam: em mais de um século o aquecimento é observado apenas em regiões sob influência oceânica. Ou seja, desde 1900, a temperatura dos oceanos aquece lentamente por causas que não são conhecidas em detalhe, conclui o estudo.

Se o aumento da concentração atmosférica de CO2 fosse a causa das alterações climáticas o aumento da temperatura deveria manifestar-se da mesma maneira em todas as regiões do planeta, costeiras ou continentais, pelo que a doutrina do efeito estufa deixa de fazer sentido.

As variações do nível do mar têm também sido uma constante ao longo do tempo. Gravuras de outras épocas mostram o Tejo junto ao Mosteiro dos Jerónimos ou à Torre de Belém como ilhéu. No tempo dos romanos o rio banhava Lisboa quase até onde é hoje o Rossio. Nas ruínas romanas de Milreu no Algarve podem ver-se argolas para amarração de barcos, que distam uns 10 km da ria Formosa.

Nos últimos 100 anos o nível do mar subiu 15 cm – 1,5 mm por ano. Agora diz-se que o nível do mar subirá 65 cm (ou mesmo 1 metro) em 80 anos. Segundo o IPCC a taxa de elevação média entre 1901 e 2010 foi de 1,7 mm ao ano. Entre 1993 e 2010 a taxa de elevação aumentou, sendo em média 3,2 mm por ano.

4 - Contradições da descarbonização

Há praticamente duas décadas que as emissões de CO2 se tornaram no dogma das alterações climáticas, num crescendo de divulgação nos media, conferências, artigo científicos ou tidos como tal e mesmo manifestações de rua. Porém, nem as manifestações nem o que é exibido põem em causa o modelo de sociedade de consumo e desperdício vigente, que ou não pretendem alterar ou não dizem de forma consistente como.

O CO2 atmosférico foi potenciado pela desflorestação, em particular das espécies autóctones, a agricultura industrial, produção de óleo de palma, pastagens destinadas a obter carne para as transnacionais do hamburger, etc.

O comércio livre e a globalização neoliberal, permanece na prática intocável e é mesmo defendido pelos adeptos da "descarbonização", contudo milhares de navios e dezenas de milhares de camiões percorrem em cada instante mares e estradas, associados a este comércio, sendo responsáveis pelas emissões que contestam. Transportes públicos foram privatizados, menorizados ou deixados degradar para promover o transporte privado de mercadorias e o automóvel individual.

Assim, apesar dos apelos à redução das emissões de CO2, estas têm continuado a aumentar 1,5% ao ano, em média, na última década, sem mostrar o menor sinal de redução. [7]

Os media que propalam a tese da "descarbonização", estão no momento seguinte a fazer propaganda aos "black fridays", a modelos de consumo compulsivo e desperdício para que as pessoas comprem o que não precisam. Os jovens são tanto mobilizados contra o CO2, como insistentemente seduzidos para adquirem novos modelos eletrónicos, que se sucedem numa competição irracional, para basicamente mesmas funções.

Que modelo de consumo se pretende afinal para a "descarbonização"? Uma sociedade organizada em consumir e deitar fora, com equipamentos cuja vida útil foi sistematicamente reduzida (o obsoletismo programado) baseada no american way of life – apesar de líderes no desperdício? Mas a reciclagem também tem custos ambientais.

Os mesmos que estavam muito preocupados com a redução da afluência de navios aos portos nacionais devido a reivindicações dos estivadores, agora clamam que em águas nacionais os navios emitem mais CO2 que o tráfego rodoviário. De modo semelhante, os que reclamavam medidas para desenvolver o turismo, mostram-se inquietos com o CO2 emitido pelos aviões.

As consequências económicas e sociais da "descarbonização" têm sido omitidas. Não são explicadas, por exemplo, as consequências da economia digital quanto às emissões de CO2 com partes de produtos finais produzidas a milhares de quilómetros de distância, agravando o que já hoje acontece pela atividade das transnacionais.

Apresentados como panaceia para a "descarbonização", os veículos elétricos podem provocar uma catástrofe ambiental. Existem impactos ambientais muito elevados com a reciclagem das baterias e o elevado consumo de matérias-primas relativamente escassas, além dos custos que só serão evidenciados quando o Estado retirar os subsídios.

Dado que não há desenvolvimento económico e também social sem energia abundante e barata, como vão poder desenvolver-se, em particular os países ditos em vias de desenvolvimento, com as chamadas "energias limpas"? Tudo aponta para que as energia ditas limpas provocarão ainda maior desigualdade social. Recorde-se que 2,5 mil milhões de pessoas dependem da madeira para aquecer e cozinhar e segundo o Banco Mundial 11% da população mundial não tem acesso à eletricidade.

Não está explicado em termos quantificados, como as energias renováveis podem satisfazer as necessidades energéticas no mundo. A Agência Internacional de Energia divulgou no seu relatório anual que o consumo global de energia aumentará 50% até 2050 e as energias renováveis não serão suficientes.

5 - A "oportunidade climática"

Por detrás do "aquecimento global", perfila-se uma "oportunidade climática", fonte de dinheiros públicos para o grande capital.

Na UE pretende-se, no âmbito de um "Acordo Verde Europeu" (apoiado em 1 milhão de milhões euros em dez anos), alcançar a neutralidade carbónica em 2050, reduzindo a partir de 2030, 50% a 55%, as emissões. Lembremos que a UE representa apenas 9,6% das emissões mundiais[7] .

A aplicação de "impostos verdes" irá garantir uma parte daquela verba. Com esta perspetiva o grande capital e a direita deixaram de atacar os "fundamentalistas do ambiente" e ei-los ecologistas anti CO2.

Por seu lado, o Atlantic Council, defendia que o capital privado deve ser mobilizado para evitar os piores impactos das mudanças climáticas, caso contrário os resultados serão catastróficos. "Agora vemos oportunidades de negócios e investimentos atraentes e rentáveis em alternativas de baixo carbono. A New Climate Economy estimou que ações ousadas sobre as alterações climáticas resultariam em oportunidades económicas de 26 milhões de milhões de dólares e 65 milhões de novos empregos, até 2030. Uma analise do Banco Mundial recomenda que uma fração dos 100 milhões de milhões de dólares mantidos por fundos de pensão e outros investidores institucionais, sejam aplicados em investimentos considerados verdes, limpos ou favoráveis ao clima. [8]

A "energia limpa" constitui efetivamente um grande negócio para os oligopólios da eletricidade. Com o fim da vida útil das centrais térmicas teriam de realizar elevados investimentos – antes feitos pelo Estado – para se manterem no negócio. Nada disso, vão receber subsídios para investimentos em energias alternativas. A questão é calcular como vão ser satisfeitas as necessidades energéticas atuais e futuras e a que preço.

Outro negócio da "oportunidade climática" é o mercado de licenças para a descarbonização. Como sempre, a tese é que o mercado resolve tudo – a quem? – mantendo os países mais pobres no subdesenvolvimento, sem acesso a energias menos onerosas, enquanto as transnacionais vão poder continuar a desflorestar e a produzir a milhares de quilómetros dos centros de consumo, porque dá mais lucro.

No fundo, trata-se de promover mais uma "destruição criadora" que o capitalismo necessita periodicamente para aumentar a taxa de lucro, garantido por subsídios e apoios públicos.

Apesar de tudo isto, o recente fracasso da Cimeira de Madrid, que se junta aos anteriores Acordos de Osaka e de Paris, mostra as contradições entre imperialismos e os diferentes interesses económicos envolvidos.

Sem surpresa, apesar das consequências catastróficas de que os media se faziam eco, de momento o tema praticamente desapareceu. Duas coisas ficam, o dinheiro que o grande capital vai absorver ao abrigo do combate ao CO2 e o facto de, em particular os jovens, não se mobilizarem contra a guerra, contra a fome e miséria no mundo, o trabalho semi-escravo dos que fazem o vestuário que usam ou os "brinquedos" eletrónicos que deitam para um canto para comprar a última moda, mas contra... o CO2.

O belicismo está fora da "descarbonização", ao que parece a indústria militar, manobras, bombardeamentos e guerras não emitem CO2 nem são prejudiciais ao ambiente, já que o silêncio é total sobre o tema e sobre o aumento de despesas militares que os países da NATO se propõem.

Não se fala em poluição, esgotamento dos recursos naturais, desflorestação, perda de biodiversidade devido fundamentalmente à agricultura e pecuária intensivas ou nos impactos ambientais provocados pelo comércio livre neoliberal, nem, sobretudo, às ameaças à civilização, à espécie humana e ao planeta, pelo belicismo imperialista.

Notas
[1] www.climato-realistes.fr/...
[2 ] www.climato-realistes.fr/...
[3] Marcel Leroux (1938-2008) foi professor emérito de Climatologia, diretor do Laboratório de Climatologia, Riscos e Ambiente do Centro Nacional de Investigação Científica de França, membro da Sociedade Americana de Meteorologia e da Sociedade Meteorológica de França. resistir.info/climatologia/leroux_entrevista_2007.html
[4] L'inondation de Venise n'est pas due à la montée des eaux résultant du changement climatique
[5] Karin Bojo, A grande família europeia, os 54 000 primeros anos, Ed Bertrand 2019, p. 105
[6] Idem p. 97 e 99
[7] www.climato-realistes.fr/bulletin-des-climato-realistes-n-96/
[8] www.atlanticcouncil.org/...

Ver também:

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/v_carvalho/falsa_emergencia.html

Obsolescência programada

Num final de ano parlamentar bastante intenso, a discussão e votação das propostas de lei sobre o alargamento dos prazos de garantia e o do tempo de vida útil dos bens duradouros foi adiada para o próximo ano.

Ainda assim, o PCP fez o seu trabalho de casa e preparou um vídeo onde, de forma clara e objectiva, explica as suas ideias acerca do combate à obsolescência programada. Um tema merecedor de ampla discussão pública, pois é demasiado importante para ser deixado apenas ao arbítrio da classe política e à influência dos lobbies do comércio e da indústria.

A defesa do ambiente, a protecção dos oceanos e da biodiversidade, o combate às alterações climáticas e a descarbonização do planeta são causas que, pelo menos no plano teórico, reúnem o consenso dos cidadãos informados e preocupados com o nosso futuro colectivo.

No entanto, falta compreender que estas coisas não podem ser apenas declarações de intenções: implicam mudanças efectivas nos modos de produção e nos hábitos de consumo, pois nem a exploração predatória de recursos naturais escassos e não renováveis nem o consumismo irresponsável são sustentáveis a prazo. Sendo coerentes, não podemos estar contra a exploração do lítio transmontano e, ao mesmo tempo, apoiar a exploração desenfreada deste mineral e de diversos metais raros de que depende o fabrico de telemóveis e outros equipamentos de alta tecnologia. Continuar a trocar de aparelho ao fim de dois ou três anos como pretendem muitos consumidores, indo atrás de uma necessidade artificialmente criada pelas marcas, é uma prática ambientalmente irresponsável e, a prazo, completamente insustentável.

Poderemos eventualmente considerar excessivos os dez anos de garantia previstos na proposta do PCP para determinados tipos de bens de consumo. O uso intensivo ou as características de determinados materiais ou tecnologias podem implicar uma menor durabilidade. Mas também há exemplos em sentido contrário: temos comboios com mais de 50 anos a circular diariamente que, com a manutenção adequada, continuam a prestar bons serviços aos utilizadores. Tudo passa por projectar equipamentos duráveis e resistentes ou, pelo contrário, apostar na sua substituição a curto prazo.

A prosperidade capitalista assenta na ideia de que, através do mercado livre, os produtores competem entre si para colocar à disposição dos consumidores os bens que estes necessitam. Satisfazer o cliente é, nesta perspectiva, a melhor garantia de que se continuarão a fazer bons negócios no futuro. No entanto, a obsolescência programada inverte esta lógica por completo, fazendo sentir ao consumidor que o produto que comprou há uns meses já não lhe convém: há outro mais recente, mais bonito, mais rápido, mais potente, com mais e melhores funcionalidades. Já não se busca a satisfação plena do consumidor. Na perspectiva do capitalismo hiper-consumista dos nossos dias, o que interessa é manter o consumidor insatisfeito. Para que nunca pare de comprar…

Uma visão para Cascais sem P10

Uma visão para Cascais sem P10

Embora Lisboa esteja a “respirar um veneno invisível” como concluído num estudo recente, Cascais ainda mantém uma qualidade do ar relativamente boa. No Portal meteoblue , de acordo com o índice de qualidade do ar europeu, as previsões para Cascais são modo geral boas (não excelentes). Para a maior parte dos dias da semana do Natal, o gráfico para Cascais mostra-nos uma cor verde pálido, em vez do mais desejável verde alface. Afinal somos uma vila entre a serra e o mar – no mundo perfeito este gráfico devia ilustrar uma qualidade de ar excelente.

Relativamente às partículas P10 – partículas microscópicas que podem ser inaladas, estando entre os poluentes atmosféricos mais prejudiciais para a saúde -, a sua presença em Cascais atingiu um pico na semana que chegou aos 60 µg/m3.  De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, o valor de referência aceitável para saúde humana não deve exceder a média diária de µg/m3.

Estas partículas resultam sobretudo da queima de combustíveis fósseis, por via dos transportes e da indústria. Mais uma vez reforça-se a ideia geral de que os fósseis são isso mesmo: obsoletos. Deviam ficar enterrados no chão, que é onde pertencem. Ao usar estes combustíveis abrimos uma caixa de Pandora. As partículas P10 têm efeitos bastante gravosos para a saúde humana, incluindo doenças pulmonares e cardiovasculares.

É essencial reduzir este tipo de poluição nos centros urbanos e, no caso do centro de Cascais, a única forma e o fazer é reduzir radicalmente a circulação de veículos.

Eis a minha visão para uma nova Cascais, sem P10 e outros poluentes:

O trânsito no centro da cidade passa a ser exclusivo para transportes públicos – já agora fazendo-se uma reconversão de toda a frota pública para veículos elétricos ou a hidrogénio. O mesmo cenário replica-se nos centros da Parede e Carcavelos. Em todas as outras zonas do Concelho, da Malveira da Serra a São Domingues de Rana, encoraja-se a partilha de carros (com zonas de parqueamento especiais e grátis para o Car Sharing), e aposta-se em força nos transportes públicos, elétricos ou a hidrogénio, aumentando-se as ciclovias, sempre que possível.

Seria uma Cascais também mais segura, com zonas verdes onde antes estavam parques de estacionamento, invertendo-se o paradigma de construção que seria agora do cimento para o verde. Nestas áreas, as famílias poderiam desfrutar de zonas de desporto e acabam-se com as corridas ao longo da marginal, que é de acordo com estudos feitos, uma das zonas onde as partículas P10 têm níveis de concentração mais elevadas.

Aqui fica o meu desejo para 2020 – uma Cascais sem P10.

Inês Campos

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/comentadores-tematicos/ambiente/uma-visao-para-cascais-sem-p10/

Aldeias a mudar de sítio

cheia.JPG“Vamos ter de nos adaptar aos recursos que temos. As aldeias têm de saber que estão numa zona de risco. Paulatinamente, as aldeias vão ter que ir pensando em mudar de sítio porque não esperamos que esta capacidade que temos possa vir a crescer.”

As declarações desbocadas do ministro do Ambiente partem de uma realidade insofismável: a maior parte da população e das infraestruturas do nosso país concentram-se no litoral norte e centro. Não acontece por acaso; é o resultado de ser aqui que, historicamente, as comunidades humanas encontraram melhores condições para sobreviver e prosperar: água mais abundante, terras mais férteis, clima mais ameno, melhores acessibilidades. Claro que a ocupação dos vales e o progressivo assoreamento dos rios, conjugados com os efeitos mais recentes das alterações climáticas e de alguma incúria na gestão de albufeiras, barragens e sistemas de contenção, estão a tornar mais frequentes e gravosos os efeitos das cheias.

Contudo, não me parece que mandar as aldeias “mudar de sítio” seja a coisa mais sensata que um governante possa fazer. Talvez faça mais sentido, da parte de quem governa, impor, por exemplo, um maior rigor no licenciamento de obras e edificações em leitos de cheia. Ou uma efectiva coordenação entre as entidades que gerem os caudais dos principais rios e zelam pelo bom estado dos diques e sistemas de rega.

Será preciso recordar que nos Países Baixos existem, não apenas aldeias, mas vilas, cidades permanentemente abaixo do nível do mar? E que apesar dos níveis de pluviosidade mais elevados do que os nossos, se conseguem manter as casas e as populações a salvo de inundações? As soluções tecnológicas existem. Nem sempre são é aplicadas eficazmente. E é aqui que há muitos erros a corrigir e responsabilidades a apurar…

Voltando às palavras do ministro: em vez de convidar as aldeias a mudar para sítios mais elevados, talvez fizesse mais sentido usar o seu poder e a sua influência para ajudar a impedir esse disparate ambiental que será o aeroporto do Montijo. Para que daqui a uns 20 ou 30 anos, quando a pista se encontrar à mercê das águas do Tejo, não tenhamos de ouvir um outro ministro a convidar os aviões a irem aterrar noutro sítio…

'Eu nunca entendi o vento', diz Trump em discurso bizarro contra turbinas eólicas

 

Sputnik Brasil - O presidente dos EUA, Donald Trump, discursou perante estudantes na região de West Palm Beach, no Estado norte-americano da Flórida, quando tratou do tema energia eólica: "Eu estudei isso mais do que qualquer pessoa que eu conheça", assegurou.

"Eu nunca entendi o vento. Sabe, eu conheço os moinhos de vento muito bem. Eles são barulhentos, eles matam os pássaros. Quer ver um cemitério de pássaros? Vá debaixo de um moinho de vento um dia. Você verá mais pássaros do que viu durante toda a sua vida", declarou.

As observações do presidente dos EUA foram feitas durante comentários sobre propostas de opositores de criar um "New Deal Verde", uma política de fomento estatal de fontes de energia alternativas.

"[As turbinas eólicas] são feitas principalmente na China e na Alemanha", disse Trump. "Mas se você for um conhecedor do assunto, saberá que elas são fabricadas com muita, muita fumaça. Gases são lançados para a atmosfera", declarou.

"Sabe que temos um mundo, certo? E o mundo é pequeno comparado ao Universo. Então é uma quantidade tremenda, tremenda de fumaça", disse, em uma aparente alusão ao processo de fabricação das turbinas.

De acordo com o presidente dos EUA, a fabricação de turbinas eólicas pode deixar pegadas de carbono: "Você fala sobre pegada de carbono, fumaça está sendo lançada no ar, certo? Lançada. Quer seja na China, na Alemanha, está indo para o ar. É o nosso ar, o ar deles, tudo, certo?", explicou Trump.

 

A antipatia do presidente dos EUA pelas turbinas eólicas, ou "moinhos de vento", como ele prefere chamar, não é nova. No passado, Trump já havia acusado o barulho das turbinas de causar doenças como o câncer, reportou o jornal The Guardian.

"Você vê todos esses moinhos de vento, cada um tem uma cor diferente. Tem alguns que são brancos, alguns que são brancos alaranjados. Minha cor favorita, o laranja", comentou Trump.

O presidente foi acusado por seus críticos de fazer declarações contra as turbinas eólicas por causa de uma proposta de instalação de um parque eólico próximo de campo de golfe que ele possui na Escócia.

 

"Sabe o que eles não dizem a você sobre os moinhos de vento? Passados dez anos, eles ficam horrorosos. Eles começam a ficar cansados, velhos", disse.

Embora sejam consideradas ecológicas, existem dados de que as turbinas eólicas têm realmente impacto negativo na vida das aves. De acordo com um estudo realizado em 2013 pela Wildife Society, após a instalação de turbinas eólicas no estado norte-americano da Califórnia, foram registradas mortes de cerca de um milhão de morcegos e meio milhão de pássaros.

A Inspeção do Ambiente só conseguiu cobrar 24% das multas nos últimos cinco anos

Paulo Cunha / Lusa

 

Nos últimos cinco anos, a Inspeção-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) só conseguiu cobrar 24% das multas, escreve o jornal Público esta segunda-feira.

 

Entre 2014 e 2018, num universo de 3319 inspeções ambientais e 5728 processos de contraordenação instaurados, a IGAMAOT aplicou mais de 37 milhões de euros em coimas, mas só conseguiu cobrar pouco mais de nove milhões (cerca de 24%).

Cerca de 15,4 milhões de euros referentes às coimas fixadas pela inspeção ainda aguardam decisão judicial, segundo uma análise da IGAMAOT para o diário. Há também 6,6 milhões estão em tramitação e 5,8 milhões foram alvo de arquivamento judicial.

“Temos registado um grande número de decisões judiciais em que se constatou não terem os tribunais apreendido/apreciado corretamente a relevância das questões ambientais submetidas à sua apreciação”, nota a análise da IGAMAOT.

 
 

De acordo com o mesmo diário, há também muitos casos em que as multas passaram a repreensões escritas ou em que os infratores são absolvidos pelo tribunal ou mesmo em que o processo não chegue a tribunal.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/inspecao-do-ambiente-so-conseguiu-cobrar-24-multas-298835

VERGONHA. Atentado ambiental junto a complexo multiserviços camarários

Atentado ambiental junto a serviços municipais em Alcoitão (Foto Vitor Gonçalves)
Por Redação
20 dezembro 2019

Águas turvas e espumosas, exalando um cheiro nauseabundo, foram detetadas esta sexta-feira, ao início da tarde, estagnadas no ribeiro junto ao Complexo de Multiserviços da Câmara Municipal de Cascais, em Alcoitão.

 
O ribeiro está situado junto ao parque de estacionamento do complexo e muito perto do refeitório municipal, onde o cheiro foi sentido com alguma intensidade.
 
Ainda não é conhecida, pelo menos oficialmente, a origem de esta autêntica vergonha, embora tudo aponte para uma alegada descarga ilegal e poluente no ribeiro que atravessa o espaço do complexo multiserviços camarários.
 
No Complexo Multiserviços funcionam serviços e empresas municipais e, por ironia, a própria empresa municipal Cascais Ambiente!
 
"Se esta gente não cuida da sua casa, como é que pode cuidar da casa dos outros?", questionou um munícipe, que classificou este "atentado ao ambiente e à saúde pública uma verdadeira vergonha".
 
 
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

https://www.cascais24.pt/p/blog-page_830.html

Resíduo líquido da indústria papeleira pode ser reutilizado em tecnologia ecológica, diz pesquisa

Beijing, 18 dez (Xinhua) -- Pesquisadores chineses descobriram que os componentes do resíduo líquido da indústria papeleira podem ser usados na tecnologia verde, de acordo com uma pesquisa publicada na revista acadêmica Environmental Science and Technology.

O tratamento do resíduo líquido é importante para a produção limpa de polpa na indústria de papel.

Uma tecnologia ecológica e de baixo custo para a reutilização de substâncias orgânicas deve ser desenvolvida para mitigar os impactos negativos sobre o meio ambiente.

Os pesquisadores da Universidade Agrícola de Shandong examinaram a estrutura química das substâncias extraídas do líquido residual e o relacionamento delas com a bioatividade no crescimento de plantas.

Após o fracionamento, as proporções de proteína e amino dentro das substâncias caíram com o crescente peso molecular, mas a aromaticidade aumentou.

Os pesquisadores descobriram que o crescimento da muda de arroz foi promovido pelo resíduo líquido com baixo peso molecular sob a pressão do sal, mas inibido por uma fração com alto peso molecular.

Os resultados também sugeriram que o crescimento promovido estava mais relacionado com a estrutura química do que com o peso molecular.

A pesquisa forneceu a base teórica para o desenvolvimento de uma tecnologia verde para a reutilização sustentável na agricultura do líquido residual.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/18/c_138639781.htm

(Multimídia) Chanceler chinês diz que mudança climática é ponto mais destacado da cooperação China-UE

 

Foto tirada em 11 de dezembro de 2019 mostra a entrada do Pavilhão Chinês na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP25) em Madrid, Espanha. (Xinhua/Lu Yang)

Bruxelas, 16 dez (Xinhua) -- A mudança climática, um dos principais desafios de nossos tempos, foi o ponto mais destacado da cooperação China-União Europeia (UE), disse na segunda-feira o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi.

A nova liderança da UE identificou a mudança climática como uma prioridade máxima, o que pode ser refletido na adoção pela Comissão Europeia na semana passada de um ambicioso plano para chegar à neutralidade climática, disse Wang em um evento organizado pelo think tank European Policy Center.

A China sediará a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Diversidade Biológica no próximo ano.

"Aproveitaremos esta oportunidade para promover o progresso ecológico global e construir um futuro compartilhado para todos os seres vivos na Terra junto com todas as partes", afirmou Wang.

Wang acrescentou que a China e a UE precisam intensificar a coordenação e cooperação nesta área para melhorar o entendimento mútuo e promover a plena e efetiva implementação do Acordo de Paris.

"Trabalhemos juntos para um desenvolvimento de baixo carbono e sustentável e para deixar um mundo de rios limpos, montanhas verdes e céus azuis para nossas futuras gerações", acrescentou Wang.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/17/c_138638102.htm

Negociações climáticas da ONU terminam sem acordo sobre questões-chave

 

SPAIN-MADRID-COP25-CLOSING PLENARY

Foto tirada no dia 15 de dezembro de 2019 mostra uma cena de encerramento do plenário da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP25) em Madri, Espanha, 15 de dezembro de 2019. A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP25) terminou no domingo depois de uma prorrogação sem precedentes, uma vez que os negociadores não conseguiram chegar a um acordo no Artigo 6 do Acordo de Paris de 2015 sobre os detalhes dos mecanismos de mercado de carbono. (Xinhua/Lu Yang)

 

Madri, 15 dez (Xinhua) - A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP25) terminou no domingo após uma prorrogação sem precedentes, uma vez que os negociadores não conseguiram chegar a um acordo no Artigo 6 do Acordo de Paris de 2015 sobre os detalhes dos mecanismos de mercado de mercado.

 

As negociações estavam programadas para terminar na sexta-feira, mas continuaram durante todo o sábado e até domingo de manhã. Com mais de 40 horas de prorrogação, foi a COP mais longa da história, que era bastante usual ser estendida devido discussões intensas.

 

MECANISMOS DE MERCADO

 

"Tivemos tantas conversas até tão tarde, sem dormir durante a noite toda", disse Carolina Schmidt, presidente da COP25 e ministra do Meio Ambiente do Chile, no plenário de encerramento da conferência que terminou no domingo à tarde.

 

Nas últimas duas semanas, delegados de quase 200 países focaram no Artigo 6 do Acordo de Paris de 2015, que trata de alguns detalhes técnicos da implementação do acordo na construção de mecanismos de mercado, especialmente no mercado global de carbono.

 

"Queremos fechar o Artigo 6... que irá gerar recursos para a realização de projetos, e os projetos nos permitirão avançar em direção ao desenvolvimento sustentável... os mecanismos contribuem para nos ajudar no avanço", disse Schmidt.

 

"Claramente, é dito que chegamos ao acordo, mas estávamos muito próximos. Agradeço seus esforços, as longas horas e a obtenção de um acordo que estávamos no limite. Temos um progresso concreto em textos concretos para nos permitir olhar adiante com esperança", segundo Schmidt.

 

No plenário de encerramento, os delegados da maioria dos países expressam seu arrependimento ou frustração por não conseguirem chegar ao acordo sobre o artigo 6. O trabalho será deixado para uma discussão mais aprofundada no próximo congresso COP26, que está programado para ser realizado em Glasgow ano que vem.

 

ESFORÇOS CHINESES

 

Em um comunicado divulgado após o plenário de encerramento, a delegação chinesa disse que a China teve um papel positivo e construtivo durante o evento. Embora o acordo sobre o Artigo 6 não tenha sido alcançado, a China promoverá que todas as partes envolvidas cheguem ao consenso o mais rápido possível.

 

"Os resultados do congresso estão abaixo das nossas expectativas, especialmente que a questão central, que trata dos detalhes de implementação do artigo 6, chegou apenas a uma conclusão processual. Acredito que todos estamos lamentando e não pudemos corresponder aos nossos esforços", disse Zhao Yingmin, chefe da delegação chinesa e vice-ministro da Ecologia e Meio Ambiente, no plenário de encerramento em nome dos chamados países BASIC que são China, Brasil, Índia e África do Sul.

 

Zhao também observou que os países do BASIC se sentiram desapontados pelos países desenvolvidos não atenderem à demanda por financiamento dos países em desenvolvimento. Os quatro países também lamentaram o arranjo da implementação e ambição pré-2020. Ele convidou os países desenvolvidos a tomarem ações efetivas para preencherem a lacuna no corte de emissões e o apoio aos países em desenvolvimento.

 

Zhao disse que a China trabalhará com outras partes para abordarem a "última milha" da implementação do Acordo de Paris e realizará a cooperação Sul-Sul em mudanças climáticas.

 

Os países participantes também tiveram diferenças nas ambições de lidarem com as mudanças climáticas, já que alguns países desejam ter metas mais ambiciosas, mas outros querem seguir as metas estipuladas no Acordo de Paris.

 

Os negociadores fizeram um balanço das ações e da implementação que abordam as mudanças climáticas no período pré-2020. Adaptação às mudanças climáticas, financiamento, transferências tecnológicas e capacitação também foram discutidos.

 

HORA DE AÇÂO

 

Entre os documentos adotados, está o acordo "Hora de Ação Chile-Madri", que estabelece as bases para que os países apresentem Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) mais ambiciosas até 2020 em resposta à emergência climática.

 

Expressa a "necessidade urgente" desses novos compromissos dos países de preencherem a lacuna existente com a meta do Acordo de Paris de evitar um aumento de temperatura superior a 1,5 graus Celsius.

 

De acordo com uma declaração emitida pelo Ministério da Transição Ecológica da Espanha, a COP25 reafirma o valor do multilateralismo e da cooperação internacional para resolver um desafio global, como as mudanças climáticas.

 

"Mesmo em contextos globais complexos, a COP25 não abandonou a agenda climática em um momento crucial para a implementação do Acordo de Paris. Pelo contrário, mostrou um multilateralismo ativista", disse a ministra do Meio Ambiente espanhola, Teresa Ribera.

 

A conferência mudou do Chile para a Espanha no último minuto, devido protestos na capital chilena, Santiago.

 

Mais de 26.000 pessoas vieram à capital espanhola para o evento, incluindo pessoas de ONGs, setores privados e instituições multilaterais que promoveram a cooperação global para combater as mudanças climáticas, enquanto muitos ativistas climáticos realizaram vários protestos fora do local do congresso e no centro de Madri.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/17/c_138637128.htm

É hora de uma ruptura

 
 
O mundo parece estar atingindo seus limites econômico, ecológico e social. E insistimos em tentar resolver problemas do século passado como no século passado. Chegou o momento de repensar as estruturas.
 
Para muitos, o ano 2020 já foi símbolo de um futuro distante. Alguns o imaginavam mais promissor, outros, mais sombrio. Mas, agora, estamos aqui. O futuro é agora.
 
As notícias diárias indicam que não estamos preparados para este futuro: mudanças climáticas, desastres ambientais catastróficos, sistemas sociais perversos, desemprego, pobreza, conflitos, déficit habitacional – e a lista continua. 
 
E os problemas são globais. Seja em Jacarta, Lagos, Cairo, Los Angeles, Paris, os maiores desafios são surpreendentemente semelhantes. O mundo parece estar atingindo seus limites econômico, ecológico e social. Ou melhor, já passou há muito tempo por eles.
 
 
O que podemos fazer? Nós consertamos o sistema. Corrigir e otimizar – é o que sempre fizemos. Por exemplo, estamos tentando agora substituir o motor de combustão por um motor elétrico. Um projeto complexo e caro que, em última análise, serve para levar pessoas de A para B pela manhã, e de B para A à noite.
 
Mas não faria mais sentido considerar o porquê de nos deslocarmos todos os dias? Por que milhões de pessoas se dirigem a escritórios localizados nos centros das cidades todos os dias e que ficam vazios depois do horário de expediente? E em uma localização privilegiada no centro da cidade, onde aqueles com uma renda normal há muito tempo não têm condições de morar. 
 
Mesmo que utilizemos o transporte público, o desafio continua grande, porque todo o tráfego atinge agora os seus limites nas horas de pico. Por que precisa ser assim?
 
Outro exemplo: as Nações Unidas estimam que até meados deste século dois terços da população mundial viverão em cidades. Os problemas decorrentes da urbanização afetam a todos, independentemente de onde vivem.
 
Ao mesmo tempo, o número de lares com várias pessoas vem declinando rapidamente há anos, especialmente nas grandes cidades. Metade das casas é, hoje, o lar de somente uma pessoa, porque vivemos mais e estamos cada vez menos ligados uns aos outros. Como lidamos com isso? Quais seriam as alternativas?
 
Outro ponto: nos queixamos da criação de gado em massa e da resistência aos antibióticos associada a essa prática, dos solos e da água poluídos por nitrogênio e do desmatamento para a produção de alimentos.
 
No entanto, estamos nos mantendo fiéis à agricultura convencional. Não há ideias mais sustentáveis que satisfaçam tanto os clientes como os agricultores? O que devemos fazer?
 
Até agora, temos tratado principalmente os sintomas sem abordar as causas. Estamos consertando os problemas do século passado com as soluções do século passado. Mas isso está se tornando cada vez mais raro porque os problemas estão se tornando mais complexos.
 
Chegou o momento de repensar as estruturas do século passado e talvez encontrar soluções inteiramente novas e melhores.
 
A Deutsche Welle estabeleceu exatamente esse objetivo para 2020: reunir abordagens promissoras e soluções propostas de uma grande variedade de áreas e delinear uma utopia construtiva, ou seja, realizável. Como seria o trabalho, a mobilidade, a nutrição, a comunicação, a medicina, o espaço de convivência e a coexistência do futuro?
 
Embora já existam algumas abordagens promissoras para a mudança, ainda não resolvemos realmente os enormes problemas econômicos, ecológicos e sociais, e quem é realista têm de admitir isso.
 
Queremos construir um "mundo inteligente", nos consideremos extraordinariamente inteligentes, mas não nos fazemos as perguntas certas. Estamos presos no pensamento do final do século 20 e encontramos mil razões para que as coisas sejam como são e não possam ser diferentes.
 
Não se trata de basicamente proibir ou de um romântico "retorno à natureza". Nem todos temos de nos sentar num home office, viver um estilo de vida vegano no campo e andar de bicicleta.
 
Isso não é realista porque não é desejável para a maioria. E o que não queremos, não fazemos voluntariamente. Coerção e proibições podem ser eficazes, mas há certamente soluções mais atraentes que fazem viver e trabalhar juntos valer mais a pena.
 
Estamos em 2020 – e o futuro é agora! Nós precisamos de utopias novas e construtivas. Nós queremos que planejadores urbanos e futurólogos, especialistas em agricultura e políticos, visionários e pensadores criativos tenham sua opinião sobre como seriam as melhores estruturas e soluções. Buscar alternativas é trabalhoso, é um desafio, mas valerá a pena!
 
Alexander Freund (fc) | Deutsche Welle

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/e-hora-de-uma-ruptura.html

Ministério da Justiça vai remover amianto em 39 tribunais

Manuel de Almeida / Lusa

A Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem

O Ministério da Justiça estará a preparar-se para remover materiais com amianto de 39 tribunais. No total, foi detetado amianto em 87 tribunais.

 

“Encontram-se em fase de elaboração os procedimentos referentes às 36 remoções pontuais de amianto” identificadas nas quatro fases de um processo de análise que tem decorrido desde 2015, disse fonte oficial do gabinete de Francisca Van Dunem em declarações ao jornal Público.

De acordo com o Governo, as intervenções nestes 36 edifícios, que correspondem a “remoções pontuais de materiais com amianto” como “depósitos de água, caldeiras, autoclismos e mástique em janelas”, serão levadas a cabo em 2020. Aos 36 edifícios referenciados pela tutela, acrescem as situações dos Palácios da Justiça de Oeiras, Peniche e Vila Viçosa, que terão que sofrer remoções “mais extensas”.

A análise contratada pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) em 2015 detetou materiais com amianto em 87 tribunais, num total de 215 edifícios. Dos 87 tribunais em que foi detetado amianto, nem todos deverão ser alvo de intervenção. Há “situações a remover ou a monitorizar”, disse fonte do ministério da Justiça.

 
 

Segundo o mesmo jornal, 21 dos 87 tribunais já foram alvo de intervenção entre 2016 e 2019, para retirar materiais com a fibra cancerígena. Estes trabalhos correspondem a um investimento de cerca de 1,2 milhões de euros.

Em Portugal, há cerca de 4263 edifícios públicos com amianto, uma lista que não foi tornada pública, apesar da insistência das associações ambientalistas e dos sindicatos.

ZAP //

 

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ministerio-da-justica-vai-remover-amianto-39-tribunais-297662

Al Gore: o criminoso de oito guerras, vendedor do ecologismo. Por Nazanín Armanian

Espuma dos dias Ecologia e negocios de guerra

Seleção e tradução de Francisco Tavares

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Estamos uma vez mais perante um excelente e certeiro artigo de Nazanín Armanian que desmascara a mistificação da realidade levada a cabo pelos poderes do capitalismo dominante. Não sendo personagem único no seu género, não posso deixar de sublinhar que Al Gore fez parte da cúpula de poder da maior potência mundial, os EUA, durante a presidência Clinton (1993-2001). Assim, para além dos factos que são anteriores e posteriores a esse período, cabe recordar que nos eventos abrangidos pela administração Clinton ele atuou sempre em estreita ligação com Bill Clinton (então presidente) e Madeleine Albright (como Secretária de Estado).

Obrigado a Nazanín Armanian e ao Público.es

FT

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Al Gore: o criminoso de oito guerras, vendedor do ecologismo

Nazanín_Armanián Por Nazanín Armanian

Editado por publico es es , em 13 de dezembro de 2019 (ver aqui)

51 AlGore o criminoso de 8 guerras

O exvicepresidente estadounidense e Premio Nobel da Paz, Al Gore, na COP25, em Madrid. REUTERS/Sergio Perez

 

Dizem que quem mata uma pessoa é um assassino, quem mata milhares na guerra é um herói, e se ainda por cima se apresenta como Verde, então é o Super-Homem. Na Cimeira do imperialismo verde de Madrid 2019 não podia faltar Albert “Al” Gore, o promotor do negócio Big Green, vice-presidente do governo de Bill Clinton (1993-2001) e Prémio Nobel da Paz por sua defesa do meio ambiente, o mesmo galardão que Henry Kissinger recebeu pelo seu pacifismo e os seus esforços pelos direitos humanos dos oprimidos.

Porque “apagar a memória histórica” dos cidadãos é essencial para que o sistema atual continue a funcionar tranquilamente, também é essencial tirar o pó aos dois aspetos da história perversa do Herói Verde para aqueles que pretendem mudá-la: 1) Como o homem da destruição bélica em massa do Afeganistão, Iraque, Jugoslávia, Albânia, Sudão, Libéria, Haiti e Congo, e 2) O falso ambientalista, fabricado pelo imperialismo verde, que com a sua fama protege a destruição do meio ambiente em favor dos seus próprios negócios e dos da sua espécie. É um dos falcões mais agressivos do Partido Democrata, um personagem especialmente oportunista, que durante a sua carreira tentou com os seus discursos contraditórios ganhar o voto dos ultraconservadores e também dos progressistas, e depois usá-lo para os interesses mais sinistros dos EUA no mundo.

 

O currículo de guerra de Al Gore

Um férreo defensor das guerras de pilhagem e da expansão colonialista dos EUA, Al Gore atacou aqueles que recorriam à “Síndrome do Vietname” e à morte de milhares de soldados para evitar novas guerras: “Temos interesses no mundo que são suficientemente importantes para defendê-los. E não devemos estar tão queimados pela tragédia do Vietname que não reconheçamos a necessidade do uso da força para os nossos interesses”. O leitor já fez algum estudo para determinar os danos procados pelas guerras (o uso do Agente Laranja, por exemplo!) ao meio ambiente?

  • Em 1978, o nosso ganhador do Prémio Nobel opôs-se aos novos regulamentos federais sobre armas de fogo para agradar aos seus eleitores das áreas rurais.
  • Em 1979 ele defendeu o patrocínio de Reagan ao grupo terrorista Contra na Nicarágua, e financiado com cocaína (a CIA paga aos “jihadistas” do Afeganistão com dinheiro do ópio, cujo cartel obriga os agricultores a cultivar papoulas em vez de batatas e trigo).
  • Em 1983, ele apoiou o envio de tropas ao Líbano, onde um ataque matou 241 soldados americanos, 58 paraquedistas franceses e 6 civis libaneses. O que perderam os EUA no Líbano?
  • Em 1983, aplaudiu a invasão norte-americana da pequena ilha de Granada, de 90.000 habitantes, por representar uma “ameaça aos EUA” de 300 milhões de almas e dotada de 5.113 ogivas nucleares. A verdadeira razão? Ser governada pelos socialistas e um aliado de Cuba e da URSS.
  • Em 1986 celebrou o bombardeamento da Líbia por Reagan.
  • Em 1991 o falcão Gore votou a favor da decisão de Bush de atacar o Iraque, uma guerra que causou um grande desastre ecológico no Golfo Pérsico. Depois criticou Bush por ser “demasiado brando” com Saddam Hussein!
  • Em 1991, o mesmo Gore, que estava muito preocupado porque as crianças americanas “pudessem ter tumores e cancro causados por químicos usados nos pijamas de dormir”, aprovou o embargo mais criminoso da história da humanidade contra o povo iraquiano, que matou 1,5 milhões de pessoas, quase metade delas crianças. Em 29 de junho de 2000, quando Gore dava uma palestra em Chicago sobre “incentivos de política energética para as cidades”, o diretor de Vozes do Deserto, Danny Muller, perguntou-lhe: “Porque razão alguém deveria votar numa administração que mata 5.000 crianças inocentes por mês com as sanções ao Iraque?” Gore não respondeu, e os seus capangas levaram-no para fora da sala. O embargo proibia a venda de produtos como o cloro para tornar a água potável, equipamento sanitário como seringas e uma grande variedade de medicamentos, equipamento de oxigénio para hospitais, papel e lápis ou leite em pó, no contexto de uma guerra genocida total. Milhares de crianças nasceram com deformações terríveis, vítimas de toneladas de bombas, incluindo urânio empobrecido. A pintor e diretora do Museu Nacional de Arte do Iraque, Leila al-Attar, e o seu marido foram mortos num desses bombardeamentos.
  • Em 1993, após a queda do regime de Siad Barre na Somália, que passou de maoísta a aliado de Washington no estratégico Corno de África, Gore-Clinton organizaram uma das suas “invasões humanitárias”. Enquanto a morte de milhares de somalis foi considerada “dano colateral” dos seus infames interesses, a “Batalha de Mogadíscio”, na qual a guerrilha somali enfrentou as tropas americanas ao matar pelo menos 70 fuzileiros, tornou-se a segunda derrota dos EUA numa guerra depois do Vietname.
  • Em 1994, ele autorizou a CIA a sequestrar cidadãos de outras nações que ele considerava uma ameaça aos interesses dos EUA, revela Richard Clarke, assessor de segurança do Estado, crítico da política antiterrorista dos EUA.
  • Em 1994, a ONU e o governo de Clinton-Al Gore-Albright sabiam que o responsável pelo massacre dos muçulmanos num mercado em Sarajevo era um grupo muçulmano de extrema-direita, mas ainda assim culparam o governo da Federação Jugoslava, a que os meios de comunicação ocidentais chamavam “governo sérvio” para enfrentar os grupos étnicos que compunham o país, desmantelando assim o último Estado europeu a declarar-se socialista mesmo depois do fim da URSS. O apoio encoberto do regime Clinton à Al Qaeda na Bósnia e no Kosovo (como a equipa de Carter-Brzezinski fez em 1978 no Afeganistão para destruir o governo socialista do país) transformou a Bósnia numa base para o “jihadismo” a que chegaram milhares de indivíduos recrutados pela “Rede Islâmica Militante” coordenada pelo Pentágono. O massacre de centenas de milhares de civis jugoslavos foi batizado como “Intervenção Humanitária” da NATO e esse país foi quebrado para que, entre outros propósitos, os EUA instalassem no coração da Europa, no Kosovo, a sua segunda maior base militar do mundo chamada Camp Bondsteel (a primeira também está na Europa: Stuttgart!). A base inclui uma mini Baía de Guantánamo, conforme revelado em 2005 pelo Comissário dos Direitos Humanos do Conselho da Europa, Álvaro Gil Robles. Kosovo “por acaso” é outra escola do Estado islâmico: Blerim Heta, o kosovar que em 24 de março de 2014 matou 52 pessoas num ataque no Iraque trabalhou nesta base. Porque razão os EUA pretendem causar caos no Iraque?
  • Em 1998, ele bombardeou o laboratório farmacêutico Al-Shifa no Sudão para desviar a opinião pública do escândalo Lewinsky. O Afeganistão também recebeu toneladas de bombas nessa data e durante todo o mandato do trio criminoso Clinton-Al Gore-Albright. Dezenas de milhares de afegãos morreram sob as bombas ou devido à contaminação da sua água, solo e ar. Afeganistão, porquê?
  • Em 2000, ele propôs ataques militares rápidos e eficazes contra os “Estados rebeldes”, por representarem “uma ameaça emergente para o nosso país”, rindo dos tratados internacionais sobre o assunto e da própria ONU.
  • Em 2002, Al Gore também apoiou a guerra “preventiva” de Bush contra o Iraque e, diante das “dúvidas” sobre a existência de armas de destruição em massa de Saddam, oferece-lhe outro pretexto: “O Iraque representa uma séria ameaça à estabilidade do Golfo Pérsico e devemos organizar uma coligação internacional para eliminar o seu acesso às armas de destruição em massa”, insistindo na “natureza excepcional dos Estados Unidos e que nenhum direito internacional pode impedir este país de tomar medidas para proteger os seus interesses vitais”.

Conclusão: Al Gore nunca participaria numa cimeira antimilitar.

 

O currículo ecológico de Al Gore

  • Em 1979, o deputado Al Gore defendeu a construção de uma barragem no rio Pequeno Tennessee sem que ela fosse utilizada para o controle de inundações ou geração de energia; ele simplesmente queria encher os bolsos das construtoras, lembra o diário Counterpunch. Quando ambientalistas (os verdadeiros!) protestaram que a represa ia matar várias espécies protegidas, Al Gore e os seus companheiros chantagearam inclusive o presidente Carter por que, se vetasse a lei, negariam o apoio democrata ao Tratado do Canal do Panamá. Isso lançou as bases para que os empresários contornassem a Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção em outras regiões do país, diz o ambientalista David Brower.
  • Ele costuma afirmar que “Somos todos responsáveis” pela catástrofe ecológica, escondendo o facto de que 80% das agressões contra o meio ambiente são cometidas por grandes corporações ou que o consumo de energia de um cidadão médio do Primeiro Mundo é 70 vezes maior que um cidadão médio nos países em desenvolvimento: ele apaga intencionalmente as linhas que separam os ricos dos pobres, os comerciantes dos consumidores.
  • Foi a Climate Protection Alliance Foundation de Al Gore que propôs o uso do biocombustível, como uma energia renovável, fabricando “Eco-carros”. O novo negócio para o setor energético foi uma tragédia para milhões de pobres, cujos alimentos básicos são à base de batatas, arroz e trigo, e agora foram expulsos das suas terras pelos grandes produtores do “Bio”. Mesmo o que viviam do milho e da soja, já convertidos em agrocombustíveis, foram afetados pela invenção: os protestos sociais de 2007 no México contra o aumento do preço do milho, usado para produzir etanol nos Estados Unidos desmascarava as soluções de classe para supostamente salvar o planeta, um negócio que tem causado a desertificação de grandes áreas, o corte de milhões de árvores e a destruição de pastagens. Além disso, a erosão dos solos devido à sobreexploração, entre outras razões, desmente que este tipo de energia seja tão renovável num curto espaço de tempo: acelerará o aquecimento global.
  • Depois do fracasso dos agrocombustíveis, agora eles querem vender-nos produtos “inteligentes” para um “Planeta Mais Inteligente”, e a sua lavagem verde tomando a Terra e os seus habitantes por tolos.
  • Um ativismo a favor do próprio negócio: “Você acha que há algo errado em ser ativo nos negócios neste país”, respondeu Gore àqueles que o criticam por usar a sua posição e influência para engordar a sua conta bancária. O nosso ecologista é parceiro de várias empresas de “produtos inteligentes de economia de energia”, como a Silver Spring, que fabrica software para tornar a rede elétrica mais eficiente e recebe parte dos US$ 3,4 milhares de milhões em subsídios do Departamento de Energia dos EUA. Quando ele deixou o governo em 2001, Al Gore tinha um património de 1,7 milhões de dólares. Graças ao seu negócio “verde”, consultoria, conferências verdes ($100.000 por palestra), os direitos dos seus filmes e livros verdes, investindo em empresas como Apple, Google, painéis solares e até mesmo urinóis sem água, o seu património disparou: em 2003 ele tinha $200 milhões, segundo a agência Bloomberg. A este ritmo, quanto teria hoje?

A atual presidente do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, também presente na Cimeira de Madrid, é outra das grandes empresárias dos produtos Bio.

  • Oferecer soluções ridículas e inúteis para defraudar o público: usar menos água quente, diz Al Gore, o que significaria 700 mil galões de gasolina por dia nos Estados Unidos, que representam apenas 0,15% do consumo diário de combustível do país. Segundo a FAO, a cada minuto, o capitalismo selvagem destrói uma área de floresta equivalente a 40 campos de futebol, cerca de 13 milhões de hectares por ano. Ele também propôs multar as empresas de carbono e com isso plantar árvores (de “ter filhos e escrever livros” se encarregará Al Gore). Ele sabe que não crescem urtigas em terras contaminadas. Na Nigéria, a companhia petrolífera anglo-holandesa Shell foi acusada de “cumplicidade no assassinato, estupro e tortura” de nigerianos nos anos 90: a companhia petrolífera tinha criado uma unidade de espionagem secreta, que passou informações sobre os incómodos ambientalistas para a agência de segurança nigeriana, ao mesmo tempo que pedia ao presidente general Sani Abacha que “resolvesse o problema”. E ele fê-lo: enforcou 9 líderes ecologistas, matou mais de 1.000 manifestantes e destruiu cerca de 30.000 casas na implementação da política “Terra Queimada”. Assim, a Shell poderia levar um milhão de barris de petróleo por dia e contaminar o meio ambiente com paz de espírito. E depois perguntam: “Porque é que os nigerianos se atiram ao mar em barcos deixando as suas casas?”

Esperem e verão que pessoas como Al Gore aparecerão numa cimeira para apresentarem bombas inteligentes e verdes que não poluem: só matam pessoas, e só os pobres, que são os únicos que não podem fugir de uma zona de guerra.

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A autora: Nazanín Armanian:(1961-), é uma escritora e politóloga iraniana exilada em Espanha desde 1983. Licenciou-se em Ciências Políticas pela Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED), onde lecionou de 2009 a 2013. De 2007 a 2012 foi também professora de questões islâmicas de cursos complementares da Universidade de Barcelona. Em 2015 ministra a cadeira de Relações Internacionais na UNED. É tradutora oficial de persa/farsi para espanhol. A sua área de investigação é o mundo islâmico, o islão político, a geopolítica do Médio Oriente e Norte de África e os direitos das mulheres. Colabora em diversos meios de comunicação espanhóis e mantém uma coluna semanal no blog Punto y Seguido do diário Público.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/12/17/al-gore-o-criminoso-de-oito-guerras-vendedor-do-ecologismo-por-nazanin-armanian/

O lucrativo negócio por trás da ativista Greta Thunberg

A ativista sueca que luta contra as mudanças climáticas tem o apoio de grandes empresas de lobby e energia em seu país, embora sua família tente negar

 

 

por Cristina Gómez, em El Español

Greta Thunberg tornou-se, em menos de um ano, um ícone global contra as mudanças climáticas. Mas seu enorme sucesso foi impulsionado e promovido, de acordo com o The Sunday Times, por grandes lobbies e empresas de energia verde que usariam a jovem de 16 anos como ponta de lança para “facilitar a transição para o corporativismo verde”.

O jornal britânico ligou a adolescente e sua crescente notoriedade ao magnata Ingmar Rentzhog, presidente de um Think Tank (laboratório de ideias e pesquisas), do qual são membros dos políticos social-democratas suecos, aos executivos de grandes empresas de energia do país.

Greta Thunberg foi anunciada com sua famosa greve escolar perante o Parlamento da Suécia em agosto do ano passado. No dia 20, especificamente, Ingmar Rentzhog enviou uma foto da jovem para sua página no Facebook e naquela mesma tarde o jornal Dagens Nyheter – o de maior circulação no país – publicou sua história. Já sabemos o resto.

No entanto, as informações exclusivas do Times garantem que sua história começou meses antes.

Início do ativismo

Em maio de 2018, Thunberg ganhou o segundo prêmio em um concurso de redação ambiental organizado pelo jornal Svenska Dagbladet.

Após o concurso, Bo Thoren, líder do grupo local Fossil Free Dalsland, contatou os vencedores e outros jovens ativistas para falar sobre como “envolver e obter ajuda de jovens para aumentar o ritmo da transição para uma sociedade sustentável, desde que eu estava procurando novos rostos” para o movimento.

Entre as propostas de Thoren, estava uma greve escolar inspirada nas manifestações dos estudantes sobreviventes do massacre do Parkland Institute na Flórida – que ocorreu em fevereiro daquele ano. “Havia eleições agendadas para setembro, três semanas após o início do curso. Imagine o que aconteceria se as crianças chegassem no primeiro dia e dissessem ‘não voltaremos até as eleições’”, explicou Thoren.

Greta estava convencida da ideia de uma greve e decidiu colocá-la em prática. Thoren sabia disso e foi a Estocolmo em 21 de agosto para se juntar a ela. Mas no dia anterior, Rentzhog encontrou a ativista “casualmente” na frente do Parlamento e as notícias começaram a se tornar virais antes da chegada de Thoren.

Embora Rentzhog tenha dito inicialmente que viu Greta “por acaso”, ele finalmente admitiu ao Times que uma semana antes havia recebido um e-mail de Thoren informando sobre o protesto. Da mesma forma, Rentzhog conheceu a família de Greta meses antes do evento, quando ele coincidiu com Malena Ernman, a mãe da jovem, em uma conferência sobre o clima em Estocolmo. Isso foi assegurado por e-mail ao jornalista do Times, apesar do fato de ele ter alegado anteriormente que a primeira vez que soube da garota foi quando os protestos começaram.

A tudo isso, devemos acrescentar que a greve de Greta coincidiu com o lançamento do livro de Ernman, Scenes from the Heart, que conta como “trabalhar para salvar o planeta salvou a vida de sua família”. Rentzhog aproveitou a publicação, a fama de Malena Ernman – cantora de ópera prestigiosa – e o carisma de Greta para espalhar sua mensagem pelas redes sociais e, assim, pular para a mídia em todo o mundo.

Assim começou o relacionamento entre a família de Thunberg e Rentzhog, um acordo que os pais da menina tentam esconder.

Poderes envolvidos

A razão pela qual seus pais sempre negaram que exista uma colaboração com Rentzhog é que o fundador da plataforma We Don’t Have Time – com a qual ele pretende aproveitar o poder das redes sociais para “responsabilizar líderes e empresas da mudança climática “- é também o presidente da Global Utmaning (mais conhecida como Desafio Global), um grupo de reflexão no qual estão envolvidos líderes de lobby, executivos de empresas de energia e até políticos.

Para a família Thunberg, é fundamental que sua imagem não seja prejudicada pelos interesses de terceiros. A fundadora do Global Challenge é Kristina Persson, ex-membra do Partido Social Democrata e ministra do governo sueco entre 2014 e 2016. Outros membros do Think Tank são: David Olsson, membro do Svenska Bostadsfonden, um dos maiores fundos imobiliários da Suécia de cujo Conselho fazem parte Rentzhog e Gustav Stenbeck, cuja família controla a empresa de investimentos sueca Kinnevik.

O Conselho também inclui Petter Skogar, presidente da KFO, a maior associação patronal da Suécia, e Anders Wijkman, ex-presidente do Clube de Roma e membro do Parlamento Europeu entre 1999 e 2009.

Outro membro de destaque é Nystedt Ringborg, consultor da Agência Internacional de Energia e ex-vice-presidente da multinacional suíça-sueca ABB, que atua em áreas de robótica e energia, entre outras.

O Times também enfatiza que Ringborg é membro da Sustainable Energy Angels, uma empresa de capital de risco de energia verde.

Inconsistências

Embora o Times sugira que a família de Thunberg talvez não conheça os interesses das grandes potências que Rentzhog trouxe consigo quando os contatou, também mostra inconsistências em sua conta.

Começa com a assinatura da mãe de Greta em um artigo de opinião publicado no Dagens Nyheter – que, lembre-se, foi o primeiro a ecoar os protestos de Thunberg perante o Parlamento. Este artigo tem outras oito empresas, entre as quais Kristina Persson e três outros membros do Global Challenge. Rentzhog, que deveria ser o autor do artigo, disse que mostrou a lista de signatários a Malena Ernman, mas sem indicar as acusações que eles detinham no Global Challenge, para que a mãe de Greta não soubesse quem eles eram, mas também assinou um artigo escrito pelo presidente deste Think Tank.

Entre as incongruências da família da jovem ecologista, está também o pai dela, Svante Thunberg, que disse com firmeza que “nunca trabalhamos com a plataforma Rentzhog ou o Global Challenge”, apesar de Greta fazer parte do conselho consultivo de sua plataforma Não temos tempo (fundada por Rentzhog).

Embora a família de Thunberg tenha tentado romper com qualquer tipo de lobby, seu novo assessor de imprensa é Daniel Donner, que está trabalhando no lobby de Bruxelas: European Climate Foundation.

Como ativista, é inevitável que Greta Thunberg se cercasse de lobbies e líderes que apoiam sua causa – e têm seus próprios interesses – para gerar as mudanças que ela pede aos políticos em todo o mundo, mas a tentativa de esconder essas relações para manter seus interesses e imagem pura gera desconfiança em relação a ela.

No momento, todos os passos dados pela jovem sueca, que mobilizou milhares de jovens de todo o mundo para combater as mudanças climáticas, serão questionados e investigados com lupa.


por Cristina Gómez, em El Español   |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-lucrativo-negocio-por-tras-da-ativista-greta-thunberg/

A COP falhou. É a vez dos municípios!

Francisco Guerreiro

A COP falhou. É a vez dos municípios!

A recente cimeira do clima, em Madrid, mostrou o quão presos estão os Estados, os Governos e as visões ideológicas vigentes à política do crescimento e do nacionalismo. Incapazes de compreender que o impacto das alterações climáticas é um fenómeno global com responsabilidades múltiplas e históricas a declaração que emanou desta cimeira ficou aquém da própria sobrevivência da humanidade. Sim porque quando se discute o caminho urgente e drástico que devemos adoptar, para em último curso preservar a vida Humana na Terra, não podemos apenas fazer declarações de intenção e manter o mesmo paradigma económico, social e ambiental com uns salpicos de Green Washing.

A incapacidade de compromissos pelos países mais poluidores e ditos desenvolvidos para reduzir drasticamente as emissões representa muito do que ainda vigora na política tradicional. Os tribalismos ideológicos. Se a ciência e a comunidade científica há décadas nos aponta as soluções técnicas e as áreas mais prioritárias e as populações apoiam esta transição justa e responsável, há algo inerentemente errado com o modo como se materializa este conhecimento e vontade social em políticas públicas.

Por tal é que a descentralização é cada vez mais uma arma eficaz para combater a inacção governamental e a apatia internacional. Emergem um conjunto de municípios que se preparam para reduzir o impacto dos efeitos do aumento da temperatura média global e que se unem para partilhar os resultados das suas políticas públicas garantindo assim que bons e maus exemplos possam, ou não, ser replicados com maior eficiência e eficácia nos seus municípios.

Neste campo encontramos, por exemplo, a organização C40. Um Hub que se une em torno de uma plataforma de partilha de políticas públicas que garantam o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e que trabalha em sinergia para reduzir o impacto destes núcleos urbanos não só em termos de emissões como de poluição luminosa, sonora, atmosférica, entre outros. Neste conglomerado apenas está presente o município de Lisboa.

Há também, dentro da União Europeia, um programa muito relevante que ajuda os municípios a obter linhas de financiamento para implementar políticas locais de protecção e mitigação climática. Falo do Mayors Adapt. Neste campo sabemos que Cascais tem estado a trabalhar para garantir que projectos ligados ao clima são financiados e que o município está em linha com os objectivos de descarbonização da União Europeia. Algo bastante positivo por parte do município.

Porém não conseguimos compreender como se enquadra esta vontade positiva da vereação do ambiente quando o executivo no seu todo mantém uma política urbanística desmesurada, de impermeabilização dos solos, de construção no litoral, de desaproveitamento de edifícios públicos para produção de energia 100% limpa e renovável, de limpeza irregular de zonas costeiras, e de crescimento dos voos comerciais e profissionais no aeródromo de Municipal de Cascais, em Tires, e de reforço do turismo de massas no município (entre tantos outros exemplos).

Mais uma vez há sinais contraditórios em Cascais. Veremos se o município consegue ser realmente pioneiro em combater os erros governamentais que nos colocam longe das metas de descarbonização para 2050. Não só esperamos como continuaremos a trabalhar para isso.

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/analise-politica/francisco-guerreiro/a-cop-falhou-e-a-vez-dos-municipios/

Câmara de Loures aperta o cerco a descarga ilegal de resíduos

A autarquia acaba de recrutar mais 19 agentes para a Polícia Municipal de Loures, que na última semana apreendeu em flagrante delito duas viaturas de transporte por descarga ilegal de resíduos.

A Câmara Municipal de Loures revela numa nota à imprensa que as apreensões ocorreram no final da semana passada e resultam de uma «intensa operação de vigilância e combate» à deposição de resíduos ilegais no concelho, que vem desenvolvendo desde Março.

De acordo com o texto, uma das viaturas foi apreendida na estrada nacional EN 250, em Unhos, quando descarregava resíduos provenientes de uma obra no Bairro Venceslau. A segunda viatura foi apanhada pela Polícia Municipal de Loures em São João da Talha, no momento em que descarregava resíduos provenientes de obras em Coruche (Santarém).

O Município recorda que estas deposições de resíduos constituem uma contra-ordenação ambiental muito grave e correspondem, para pessoas singulares, a coimas entre dez e 100 mil euros, em caso de negligência, e entre 20 mil a 200 mil euros, em caso de dolo.

Para as pessoas colectivas, nomeadamente as empresas, estes valores vão de 24 a 144 mil euros, em situações de negligência. Em caso de dolo, o valor da coima começa nos 240 mil euros e pode atingir os cinco milhões de euros.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/camara-de-loures-aperta-o-cerco-descarga-ilegal-de-residuos

Quem deve mudar os comportamentos? O consumidor ou a Jerónimo Martins e afins?

Ambientalistas, empresas e sindicatos afirmaram esta sexta-feira que a conferência do clima da ONU em Madrid está à beira do “desastre completo”, com países como o Brasil a tentarem “arruinar” o acordo de Paris sobre combate ao aquecimento global.
 
Em conferência de imprensa (...) a diretora executiva da organização ambientalista Greenpeace, Jennifer Morgan, disse a jornalistas que “neste momento, há países como a Austrália, Brasil e Arábia Saudita que só querem completar as suas agendas e arruinar o acordo de Paris, carregando-o com tantos subterfúgios que não conseguirá ser eficaz”. A Jennifer dá desconto ao que se passa por aqui... se não, vejamos:
 
403 mil toneladas de laranjas saíram dos pomares portugueses em 2018. Portugal teve, no último ano, a maior produção de laranjas dos últimos 33 anos. Contudo, o aumento da produção trouxe excesso de citrinos ao mercado e fez cair 20% o preço no produtor. Enquanto isso acontece, o Pingo Doce vende laranja importada, e não se importa nada. Quem distraidamente lê o rótulo julga tratar-se de laranja do Algarve, mas em boa verdade, esta laranja chegou de fora, da vizinha Espanha, transportada com elevada pegada ecológica...
 
 
 
Mas não se pense que a coisa fica por aqui. Outro caso. Uma garrafa de água num país onde ainda a vai havendo, não se dando prova de que não haja falta, é importada de... França e percorre inimaginável distância.

Se é verdade que o sector dos transportes continua a ser um dos sectores de actividade com maior consumo de energia ele também é, em consequência, um dos que mais contribui para as emissões de gases com efeito de estufa. 
E não se pense que fui à procura de casos extremos. Eles apenas ilustram duas situações extremas de como as grandes superfícies não só concorrem para agravar as condições da produção nacional não a escoando, como também, com as suas politicas comerciais, concorrem  para o aquecimento global. 
 
Se a COP25 está à beira "do desastre completo"? Quem esperava outra coisa nunca olhou para as prateleiras  de um supermercado com olhos de ver.
 
 
 
 
 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Brasil | Ricardo Salles: COP25 não deu em nada

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente do Brasil, durante a COP25, na Espanha.
© REUTERS / SUSANA VERA

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, disse neste domingo que a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP25, realizada em Madri, "não deu em nada".

A conferência terminou neste domingo. Os negociadores chegaram a um acordo mínimo, no âmbito da agenda climática cobrada pela ciência e pela sociedade civil.

"COP 25 não deu em nada. Países ricos não querem abrir seus mercados de créditos de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem. Protecionismo e hipocrisia andaram de mãos dadas, o tempo todo", escreveu o ministro em sua conta no Twitter.

O texto aprovado não inclui a seção de mercados de carbono (existente no artigo 6º do Acordo de Paris). Esse mercado, segundo cobrado por ambientalistas, pode ser essencial para metas climáticas ainda mais ambiciosas.

O acordo também não emitiu nenhum sinal forte de que intensificará e acelerará a ação climática.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019121514896703-ricardo-salles-cop25-nao-deu-em-nada/

COP25 aprovou conclusões. Não há acordo para regulação dos mercados de carbono

ZIPI / EPA

A ministra chilena e Presidente da COP25, Carolina Schmidt (D), com o Secretário do UNFCCC, Ovais Sarmad

A cimeira da ONU sobre o clima terminou hoje em Madrid assinalando a urgência para conter as alterações climáticas, mas a mais longa cimeira sobre o clima de sempre sem chegar a acordo nos pontos essenciais.

 

A Cimeira do Clima da ONU aprovou um documento final acerca da ambição climática em 2020 e cumprimento do Acordo de Paris. Intitulado “Chile-Madrid, hora de agir“, o acordo foi alcançado este domingo, quase dois dias após o dia marcado para encerrar a conferência COP25.

Aumentar a ambição dos países na ação para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e combater as alterações climáticas era um dos temas chave da cimeira.

A cimeira começou a 2 de dezembro e deveria ter terminado na sexta-feira. Após duas semanas de negociações, a cimeira de Madrid ainda seestendeu por mais dois dias, mas não conseguiu um acordosobre as regras dos mercados internacionais de carbono.

Um primeiro esboço de acordo foi considerado insuficiente e criticado por vários países e entidades não governamentais, que, numa primeira análise ao texto do documento, o consideraram mesmo uma traição ao Acordo de Paris “e às pessoas em todo o mundo”.

Reformulado, o acordo pede um aumento da ambição dos compromissos de luta contra as alterações climáticas, seguindo o calendário marcado pelo Acordo de Paris e cria as bases para que em 2020 os países apresentem compromissos de redução de emissões de gases com efeito de estufa mais ambiciosos.

Acordo quase bloqueado pelo Brasil

O Brasil quase bloqueou o acordo principal da cimeira, ao negar-se inicialmente a reconhecer o papel que os oceanos e o uso da terra têm nas alterações climáticas. A presidente da cimeira, a ministra chilena do Ambiente Carolina Schmidt, submeteu a votos o acordo político e principal da conferência e chegou mesmo a dá-lo como aprovado.

No entanto, segundos depois, os representantes de várias delegações pediram a palavra para apresentar objeções, como a Suíça, que disse não ter conhecido o acordo com antecedência, ou o Egito e a Malásia, que estavam com dificuldades em aceder aos documentos na página da cimeira.

De seguida, o Brasil pediu a palavra para dizer que tinha dúvidas em aprovar um texto no qual se incluem referências expressas em dois parágrafos ao papel dos oceanos e do uso da terra no clima global. A intervenção do representante brasileiro provocou  protestos e de respostas sobre a importância dos oceanos e da terra no clima.

A presidência da COP pediu duas vezes ao Brasil para que não bloqueasse o acordo, mas o representante brasileiro, numa primeira intervenção, disse que não podia aceitar os parágrafos porque “minavam” o resto do texto, que no seu conjunto era “muito importante”.

No entanto, perante a insistência da presidente chilena o Brasil acabou por comunicar formalmente que aceitava o acordo na integra, um anúncio recebido com aplausos.

Alterações climáticas

O acordo alcançado reconhece que as políticas climáticas devem ser permanentemente atualizadas com base nas informações da ciência. Também reconhece o papel do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (IPCC), referindo os dois relatórios publicados este ano sobre o uso do solo e os oceanos.

A cimeira confirmou que a luta contra as alterações climáticas é uma questão transversal que envolve matérias que vão das finanças à ciência, da indústria à energia, dos transportes às florestas ou agricultura. Reconheceu também a importância dos oceanos no sistema climático e como resposta aos relatórios do IPCC ficaram acordadas duas iniciativas para 2020, uma sobre oceanos e outra sobre o uso da terra.

O acordo traça um novo Plano de Ação de Género, para incrementar a participação das mulheres nas negociações internacionais do clima, desenvolvendo medidas que permitam dar respostas à forma diferente como as alterações climáticas afetam as mulheres e as crianças. O plano terá vigência até 2025, ano em que será revisto.

Recursos para pequenos países

O acordo contempla ainda que se deem diretrizes ao Fundo Verde do Clima para que, pela primeira vez, se destinem recursos para perdas e danos dos países mais vulneráveis aos fenómenos climáticos. Este era um dos pedidos mais insistentes dos pequenos Estados insulares e que são mais afetados, e pressupões um aumento do âmbito do financiamento do Fundo, além de ações de mitigação e adaptação.

Os países desenvolvidos são instados a proporcionar recursos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento e é criada a “Rede Santiago”, que permite canalizar assistência técnica de organizações e especialistas para esses países vulneráveis.

A regulação dos mercados de carbono, um dos temas mais debatidos durante a COP25, estava incluída no documento final, mas foi decidido debatê-lo em separado, por muitos considerarem que nesta matéria era melhor um não acordo do que um mau acordo.

Importância das pessoas e ONGs

O acordo reconhece a importância do protagonismo da dimensão social da COP25 de que as pessoas devem estar no centro da resposta à crise climática e reconhece o imperativo de que a transição para um mundo livre de emissões deve ser justa e impulsionar a criação de emprego decente e de qualidade.

O acordo reconhece a importância dos atores não governamentaisna ação climática, que são instados a aumentar a sua ação.

Balanço a quatro anos

Na COP25 foram mobilizados 89 milhões de dólares, provenientes de diversos países para o Fundo de Adaptação e mais de 80 países anunciaram que apresentarão compromissos de luta contra as alterações climáticas mais ambiciosos do que os atuais em 2020.

O número de multinacionais comprometidas com a neutralidade carbónica— não produzir mais emissões de gases com efeito de estufa do que aquelas que tem capacidade de fazer desaparecer — em 2050 passou de 90, na cimeira de Nova Iorque, em setembro passado, para 117 na cimeira de Madrid.

O número de grandes cidades comprometidas com a neutralidade passou de uma centena, na cimeira de Nova Iorque, para 398, na COP25. O número de países comprometidos com a neutralidade carbónica passou de 66 para 73.

A cimeira é já a mais longa conferência sobre alterações climáticas da história. Até agora a conferência mais longa tinha sido a realizada em Durban, África do Sul, a COP17, que demoro mais 36 horas após o fim oficial.

ZAP // Lusa

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/cop25-aprovou-conclusoes-297363

Protesto contra o «excessivo» movimento de aviões e o terminal no Montijo

Dezenas de pessoas estiveram no aeroporto da Portela, este sábado, a protestar contra os «propósitos desumanos» do Governo e da multinacional Vinci no que respeita ao futuro do aeroporto de Lisboa.

Créditos / União de Sindicatos de Lisboa

No «compromisso» lido na acção de protesto, a que o AbrilAbril teve acesso, pode ler-se que os cidadãos e organizações participantes se preocupam com as alterações climáticas e defendem o ambiente, a biodiversidade da Reserva Natural do Estuário do Tejo e um futuro melhor «para as gerações vindouras».

«O que hoje nos trouxe até aqui é a preocupação que nos une face aos riscos, perigos e consequências negativas para as populações de Lisboa e da Margem Sul, perante os propósitos desumanos do Governo e da multinacional Vinci», que querem aumentar, de forma significativa, o número de movimentos de aviões no Aeroporto Humberto Delgado e que pretendem construir um terceiro terminal aeroportuário no Montijo.

Opondo-se a uma agenda que «favoreça os interesses privados das multinacionais», estas organizações prometem prosseguir a denúncia desta atitude do Governo e promover o esclarecimento e a dinamização de acções para que sejam mais aqueles que se manifestem em defesa do ambiente.

A acção foi promovida por diversas organizações, entre elas a ATERRA, a Zero, a União de Sindicatos de Lisboa (CGTP-IN) e a Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/protesto-contra-o-excessivo-movimento-de-avioes-e-o-terminal-no-montijo

Too Good To Go chegou a Cascais

 

Criada em 2016 na Dinamarca expandiu-se para mais de 13 países europeus onde, a Too Good to Go, já salvou mais de 23 milhões de refeições e evitou que cerca de 58 mil toneladas de CO2 fossem emitidas para a atmosfera.

Em Portugal chegou em Outubro deste ano com o conceito de combater o desperdício de comida através de uma app que permite a compra de refeições ou produtos prontos a consumir com 75% de desconto. O custo das refeições varia entre os 2,99 euros e os 5,99 euros.

A sua implementação em Portugal começou por Lisboa, Oeiras e em algumas zonas da Margem Sul.

A sua chegada ao concelho de Cascais abrange as localidades de Carcavelos, Parede e Estoril onde vários restaurantes se juntaram a este conceito através do uso da app.

As refeições são variadas e já englobam pratos que vão desde sushi, hambúrgueres, bolos de pastelaria e pães em espaços como o Fika Coffee, Niwa Sushi, Paco Bigotes, Roots Café, Terraza Cascais e Organifresh entre outros.

Para utilização deste serviço basta instalar a app da Too Good to Go, que se encontra disponível gratuitamente para o Android e o iOS, registar-se e aceder ao mapa de localização das lojas aderentes, escolher o que pretende e adicionar o meio de pagamento para o efeito. Depois é passar na loja escolhida e proceder ao levantamento da refeição.

Com uma perspectiva ecológica a visão da Too Good to Go “pretende um mundo com zero desperdícios alimentares”.

Todos os anos são desperdiçadas cerca de um milhão de toneladas de comida, 50 mil refeições diárias, que vão diretamente para o lixo. A intervenção da Too Good To Go passa por criar parcerias com restaurantes, hotéis e supermercados para comprar os excedentes.

E isto é possível através do seu serviço de marketplace online, que é o local onde os estabelecimentos aderentes colocam à venda os excedentes do final do turno ou do dia.

Desta forma os utilizadores da app podem beneficiar de refeições de qualidade a preços mais acessíveis.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/gadgets/too-good-to-go-chegou-a-cascais/

Desmatamento da Amazônia bate recorde em novembro de sobe mais de 100%, diz agência

Imagem de drone de área desmatada e queimada na parte rural de Humaitá, no sul do Amazonas
© Folhapress / Sandro Pereira / Código19

O desmatamento na Amazônia brasileira saltou para o nível mais alto para o mês de novembro desde o início da manutenção de registros em 2015, de acordo com dados preliminares do governo publicados nesta sexta-feira.

A destruição da maior floresta tropical do mundo totalizou 563 km2 em novembro, 103% a mais do que no mesmo mês do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Isso elevaria o desmatamento total no período de janeiro a novembro para 8.934 km2, 83% a mais do que no mesmo período de 2018 e uma área quase do tamanho de Porto Rico.

Os dados divulgados pelo INPE foram coletados através do banco de dados DETER, um sistema que publica alertas sobre incêndios e outros tipos de empreendimentos que afetam a floresta tropical.

Os números do DETER não são considerados dados oficiais de desmatamento. Isso vem de um sistema diferente chamado PRODES, também gerenciado pelo INPE. Os números do PRODES divulgados no mês passado mostraram que o desmatamento subiu ao ponto mais alto em mais de uma década este ano, saltando 30% de 2018 para 9.762 km2.

Presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante evento em SP
© Folhapress / Fábio Vieira / FotoRua
Presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante evento em SP

Guinada histórica

O desmatamento geralmente diminui em novembro e dezembro, durante a estação chuvosa da região amazônica. O número do mês passado era extraordinariamente alto.

Pesquisadores e ambientalistas culpam o presidente Jair Bolsonaro por encorajar fazendeiros e madeireiros ao pedir que a Amazônia seja desenvolvida e enfraquecer a agência ambiental do governo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disseram que governos anteriores tiveram um papel importante no aumento do desmatamento, dizendo que políticas incluindo cortes no orçamento de agências como o Ibama estavam em vigor bem antes da posse do novo governo em 1º de janeiro.

O Ministério do Meio Ambiente não fez comentários sobre os dados do DETER de novembro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019121314890274-desmatamento-da-amazonia-bate-recorde-em-novembro-de-sobe-mais-de-100-diz-agencia/

Não se falou disto em Madrid, mas falou-se disto por aqui... será que o PS vai chutar para canto?

obsolescencia programada 01
Ontem, em Madrid, o discurso de Greta entrou numa nova faceta, como aliás referi, mas não chegou a pôr os nomes aos bois. Não que não saiba mas, porque sabe lá Deus por quê, não o acrescentou àquilo que disse.
 
E do que falo? Disso, do consumismo e da obsolescência programada.E o que é lá isso? Está tudo explicado no primeiro vídeo.
 
E se em Madrid não se falou disso, foi na Assembleia da República que disso se falou. E depois do que tanto se falou, temo que o PS chute para canto
 
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Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

É uma vergonha!

amiantoE não é por o deputado André Ventura o afirmar repetidas vezes que a acusação passa a ser menos válida ou pertinente.

É uma vergonha a farsa parlamentar que permite a todos os partidos mostrar ou fingir preocupação com o amianto presente em edifícios escolares, ao mesmo tempo que se revelam incapazes de responsabilizar o Governo nesta matéria, impondo-lhe prazos e condições para resolver de vez um sério problema de saúde pública que coloca em risco todos os que estudam e trabalham nas escolas públicas.

É uma vergonha o Governo recusar-se repetidamente a fornecer aos cidadãos, à comunicação social e ao próprio Parlamento uma relação actualizada das escolas onde existe amianto e do que está previsto relativamente à sua remoção.

É uma vergonha que um ministro da Educação tenha o descaramentode admitir o desconhecimento e o desinteresse pelo assunto e continue em funções, não se demitindo nem havendo quem o demita por incompetente para a função.

É esta realidade que nos deveria envergonhar a todos, e não as tiradas demagógicas do deputado do CHEGA, um partido que nem sequer inscreveu o problema do amianto no seu programa eleitoral.

Andou mal o presidente da Assembleia da República na sua tentativa de repreender André Ventura. Primeiro, porque o país lhe reconhece escassa legitimidade para dar lições de ética parlamentar ou de boas maneiras. Segundo, porque não esteve à altura da posição institucional que ocupa, revelando-se incapaz de assumir uma posição isenta perante o hemiciclo e, até, de manter a serenidade e o discernimento. Terceiro, porque a intervenção moralista, além de completamente desajustada, deu pretexto a André Ventura para fazer aquilo que melhor sabe, o exercício de vitimização e a exploração demagógica deste tipo de incidentes.

Mas claro que há, no meio das divergências, interesses claramente convergentes. Do CHEGA, que quer capitalizar politicamente em torno da ameaça à “liberdade de expressão” do seu único deputado. E do PS, mais interessado em que se discutam peripécias da chicana parlamentar do que o problema de fundo que esteve na base da discussão: a retirada urgente do amianto que continua a contaminar as escolas.

Greta Thunberg ou as omissões de Marcelo

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de hoje se ter sabido que Greta Thunberg foi eleita a “personalidade do ano” de 2019 pela revista Time, o chefe de Estado afirmou que a jovem ativista “representa não só o sentir das novas gerações em relação a um problema que é um problema essencial da vida de todo o mundo, como representa uma chamada de atenção para outras gerações mais velhas e que muitas vezes são menos atentas àquilo que preocupa os que vão viver mais tempo para além de nós”.

Um erro táctico de que provavelmente Marcelo Rebelo de Sousa se terá já arrependido.

Temendo “aproveitamentos políticos”, o campeão português das selfies rejeitou a possibilidade de se encontrar e, naturalmente, fotografar com a jovem activista ambiental. Inusitadamente, o presidente que tira fotos ao lado de toda a genterecusou ficar na fotografia com a “pessoa do ano”…

Greta Thunberg combate desmatadores e colhe o ódio de Bolsonaro

A jovem ambientalista sueca tem denunciado agressões ambientais e provocado a ira desmatadores, fazendeiros e gente retrógrada como Bolsonaro, que tentou intimidá-la nas redes sociais. Greta respondeu com ironia e “bombou”nas redes sociais.

 

 

Jair Bolsonaro tentou intimidar a pequena Greta Thunberg, ambientalista sueca de apenas 16 anos, chamando-a de “pirralha” ao responder à perguntas sobre o assassinato de dois indígenas no Maranhão. “A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí, pirralha”, vociferou ele.

Ele já tinha tentado culpar as ONGs pelas queimadas na Amazônia, tinha afirmado que o ator Leonardo DiCaprio estava financiando grupos de desmatadores e, para arrematar as insanidades, inventou que o óleo derramado nas costas do Brasil era obra do Greenpeace. Agora escolhe a pequena Greta para descarregar sua valentia. Enquanto isso, seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se reunia com cinco infratores ambientais, no dia 6 de novembro, e o resultado da reunião era a suspensão da fiscalização dentro da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes.

A garota, que tem enfrentado desmatadores como Bolsonaro e denunciado todos eles, inclusive na ONU (Organização das Nações Unidas), não se fez de rogada. Greta Thunberg deu uma resposta sarcástica à provocação de Bolsonaro. Ela alterou a descrição de seu perfil no Twitter para “pirralha”. Rapidamente, o termo “pirralha” foi parar no topo dos assuntos mais lidos do Twitter, tornando-se um dos assuntos mais comentados em todo o mundo.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) também comentou a declaração. “Uma pirralha que tem mais consciência política, ambiental e humanitária do que o atual presidente do Brasil”, destacou.

Já líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), aproveitou o assunto para mandar um recado a Jair Bolsonaro. “Não nos interessa o que você acha ou deixa de achar de Greta. Queremos saber o que você vai fazer para tirar 10 milhões de pessoas do desemprego. Para diminuir o preço da carne e o gás de cozinha. Para deixar jornalista ser jornalista. E artista fazer cultura”, declarou.

A deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) classificou bem o que representa esse comportamento agressivo de Bolsonaro contra a menininha que defende o meio ambiente. “Fala grosso com uma adolescente mulher. Fala fino com o presidente dos EUA. Não se trata apenas um sujeito asqueroso. É um asqueroso covarde”, disse ela.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/greta-thunberg-combate-desmatadores-e-colhe-o-odio-de-bolsonaro/

Os sinais que importa não ignorar

Uma das muitas injustiças relacionadas com as alterações climáticas tem a ver com o facto das consequências negativas acontecerem nas geografias periféricas em relação aquelas onde maior poluição se produz. Embora todos saibamos como os ursos polares andam a extinguir-se, esfomeados ou afogados por nadarem até à exaustão nos mares onde antes sabiam gelada a superfície, ou que populações ribeirinhas das ilhas do Pacífico ou do Bangladesh veem inundadas as terras e destruídas as culturas, tudo isso passa-se tão longe do ocidente que os seus líderes tardam em tomar as medidas exigidas pela emergência climática, arriscando a que, quando as tomem já seja tarde demais.

 

Talvez as tragédias causadas por incêndios descontrolados ou furacões violentíssimos deem para suscitar algum rebate de consciência. Ou que, mesmo no centro da Europa, populações tenham de ser transferidas dos vales férteis à beira dos Alpes, cujos glaciares vão derretendo e retirando ao frágilpermafrost a capacidade de manter coladas as escarpas que tenderão a colapsar sob a forma de perigosos aluimentos de terras e rochas. Quando a frouxidão dos governos perante os perigos iminentes passarem a traduzir-se em vítimas caucasianas e ricas talvez cresça a consciência de não ser possível adiar por mais tempo a revolução político-social, que substitua este modelo económico em roda livre, que a nada mais liga senão ao lucro dos que, à sua pala, acumulam obscenas fortunas.

 

Nesta mesma Europa outro fenómeno está a constatar-se no Mar Báltico: à conta da acidificação e da eutrofização das suas águas as populações de arenque, tão fundamentais para manterem o equilíbrio do ecossistema em que vivem, estão a reduzir-se aceleradamente, confrontando quem vive da sua pesca e das indústrias associadas a verem condenado o seu modo de vida.

 

E, cereja (podre) em cima do infecto bolo, pode constituir outra descoberta recente dos cientistas: sob o gelo milenar existem na região ocidental da Antártica cerca de cento e cinquenta vulcões cujo adormecimento se deve à intensa camada de gelo que os tem coberto e arrefecido. Ora, acaso o degelo prossiga ao ritmo que vem acontecendo, crescem as probabilidades de ver o continente austral replicar a Islândia na manifestação de erupções, que não só agravarão os efeitos das atividades humanas na atmosfera, mas também mais rapidamente promoverão a subida do nível dos oceanos pondo em causa muitas das megalópoles que, em todos os continentes, vivem à sua beira.

 

Quer queiram, quer não, os dirigentes políticos do futuro imediato confrontar-se-ão com a urgência de rapidamente tomarem as medidas, que melhorem as possibilidades de resiliência da espécie humana, nem que para tal atirem de vez para o lixo o capitalismo, substituindo-o por um ecossocialismo, que dê resposta aos constrangimentos, que só os cegos não quererão ver.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/12/os-sinais-que-importa-nao-ignorar.html

Três denúncias por dia de amianto nas escolas

Das 90 denúncias realizadas num mês, 87 são relativas a escolas públicas e 30 foram já motivo de queixa, «embora ainda sem qualquer resultado prático», refere a plataforma «Há Amianto na Escola».

CréditosNuno Veiga / Agência LUSA

A plataforma, criada há pouco mais de um mês, recebeu 90 denúncias até ao momento, anunciaram esta terça-feira a associação ambientalista Zero e o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA). A um ritmo de quase três denúncias por dia, a maioria das queixas vêm das áreas de Lisboa, Setúbal e Braga, e as escolas da Margem Sul do Tejo estão entre as que apresentam «piores condições», lê-se num comunicado emitido pelas duas organizações. 

Das 90 escolas apontadas nas denúncias, 87 são públicas e 30 foram já motivo de queixa, «embora ainda sem qualquer resultado prático», referem no documento.

«Acreditamos que a falta de denúncias no Norte e Sul do País significará que o número de escolas afectadas por presença de materiais contendo amianto será muito superior. Esta lista não comprova a existência de amianto nos materiais, identifica aqueles onde o mesmo poderá estar presente, pelas características e época de construção», precisam as organizações.

Pretende-se que o documento sirva de base a um inventário completo que deverá incluir análises aos materiais e vistoria aos espaços, mesmo nas escolas de onde já foi removido fibrocimento. «Temos denúncias de escolas onde foram executadas obras que apenas removeram uma parte dos materiais com amianto», lê-se no texto.

As organizações afirmam ainda que vão assistir, amanhã, na Assembleia da República, ao debate das iniciativas parlamentares de quase todos os partidos sobre a remoção do amianto das escolas, em particular, e dos edifícios públicos em geral.

«A perigosidade do amianto aumenta pela degradação e desgaste dos materiais [...] constituindo assim um risco para a saúde. [...] É necessário que exista um canal directo de comunicação entre as escolas e o Ministério de Educação para que as situações mais graves possam ser intervencionadas celeremente», defendeu, por seu turno, Íria Roriz Madeira, arquitecta que faz parte do movimento. 

Entre as patologias causadas pela exposição ao amianto figuram o cancro do pulmão e o cancro gastrointestinal. Em regra, as doenças associadas ao amianto demoram 20 anos ou mais a manifestarem-se. A Zero e o MESA recordam que a União Europeia definiu o ano 2032 como meta para a «erradicação total» do amianto de todos os estados-membros.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/tres-denuncias-por-dia-de-amianto-nas-escolas

Proteger o ambiente, aumentando o período de vida dos equipamentos

A protecção do ambiente passa também por dar combate à obsolescência programada, utilizada em grande escala pelas multinacionais, contrariando a redução do período de vida útil de bens e equipamentos.

Créditos / Vivagreen

A Assembleia da República vai debater esta tarde a introdução de medidas de promoção da durabilidade e garantia dos equipamentos, no sentido de dar combate à obsolescência programada dos bens de consumo corrente.

A discussão é em torno de um projecto de lei do PCP, que pretende acabar com a obsolescência programada de bens de consumo, como telemóveis ou electrodomésticos, e obter garantias dos fabricantes de grandes e pequenos electrodomésticos, viaturas e dispositivos electrónicos para que estes passem a ter a duração mínima de dez anos, proibindo também a utilização de letras em tamanho diferenciado num contrato de garantia.

De acordo com estudos realizados, que o projecto de lei cita, a aprovação de regras que estendessem a longevidade – apenas de alguns dos dispositivos – em cinco anos, no espaço da União Europeia, representaria a diminuição de 12 milhões de toneladas anuais de dióxido de carbono, o «equivalente a retirar quase 15 milhões de veículos movidos a combustíveis fósseis das estradas».

No preâmbulo desta iniciativa legislativa, o PCP defende que «o consumo predatório e não planificado democraticamente dos recursos naturais e a introdução [...] de uma carga poluente superior àquela que, em muitos casos, os ciclos naturais são capazes de absorver ou neutralizar, têm vindo a caracterizar o desenvolvimento do modo de produção actual».

Os comunistas sublinham ainda que a «investigação e desenvolvimento das grandes empresas, principalmente dos grandes grupos económicos, tem vindo a concentrar-se na obtenção de métodos visando a obsolescência de produtos, sem qualquer outro motivo senão o da oferta de um seu substituto, com custos para os consumidores e a Natureza, que se avolumam».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/proteger-o-ambiente-aumentando-o-periodo-de-vida-dos-equipamentos

Possibilidade de privatizar parque de Jericoacoara é assustadora, diz geógrafo

© Folhapress / Rubens Chaves

O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto na semana passada que inclui os parques nacionais dos Lençóis Maranhenses (MA), de Jericoacoara (CE) e do Iguaçu (PR) no Programa Nacional de Desestatização (PND).

O decreto é mais uma etapa para viabilizar a concessão dos três parques, que figuram entre os principais pontos turísticos do país.

A medida inclui os parques no programa de privatizações “para fins de concessão da prestação dos serviços públicos de apoio à visitação, com previsão do custeio de ações de apoio à conservação, à proteção e à gestão”.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Jeovah Meireles, professor do Departamento de Geografia da UFC (Universidade Federal do Ceará), estado onde fica localizado o Parque de Jericoacoara, criticou a iniciativa e disse que ela pode gerar consequências negativas para a região.

"É assustadora a possibilidade de um parque com as condições atuais de excesso de visitantes, de pisoteio, de fragmentação de sistemas ambientais que dão suporte a uma complexa biodiversidade possam ser simplesmente entregue para iniciativas privada", afirmou.

Jeovah Meireles explicou que já existe na lei dispositivos que permitem a gestão privada em unidades de preservação ambiental.

"O nosso Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o conjunto de leis que orientam as instituições e a sociedade para usar da forma mais adequada possível essas unidades, prevê a gestão privada, prevê que determinadas entidades privadas possam ter este controle de acesso de visitantes principalmente a essas unidades de proteção integral", disse.

Segundo Jeovah Meireles, é possível que a região enfrente problemas graves com a privatização.

"O cenário que está posto é de degradação, de especulação, de contaminação, de desmatamento dos sistemas ambientais é bastante grave e até em determinadas dimensões colapsando a qualidade da água, em uma região que já está enfrentando os extremos climáticos", completou.

O Parque Nacional de Jericoacoara fica no litoral cearense, foi criado em 2002, e tem área de 8,8 mil hectares. Já o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 1981 e tem 155 mil hectares, dos quais 90 mil correspondem a dunas livres e a lagoas.

O Parque Nacional do Iguaçu foi criado em 10 de janeiro de 1939. Em 1986, foi declarado pela Unesco patrimônio natural da humanidade. E, em 2011, uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019121014877240-possibilidade-de-privatizar-parque-de-jericoacoara-e-assustadora-diz-geografo/

Greta tira sarro de Bolsonaro após ser insultada e muda sua bio no Twitter: pirralha

Nesta manhã, Bolsonaro disparou ataques contra a ativista Greta Thunberg, chamando a jovem de apenas 16 anos de “pirralha”. Thunberg respondeu com ironia, mudando sua biografia no Twitter para “pirralha”.

 

 

Nesta manhã, Bolsonaro disparou ataques contra a ativista Greta Thunberg, chamando a jovem de apenas 16 anos de “pirralha”, por conta de Thunberg denunciar ao mundo a morte de dois índios da etnia Guajajara em um atentado no sábado (7) na BR-226.

Thunberg respondeu com ironia, mudando sua biografia no Twitter para “pirralha”.

https://twitter.com/MidiaNINJA/status/1204425919022149633?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Entenda:

Bolsonaro disparou novos ataques, dessa vez contra a ativista sueca Greta Thunberg, que com apenas 16 anos cobra ações concretas de autoridades contra a crise climática. A jovem vem criticando com veemência o desmonte do governo Bolsonaro com as políticas ambientais.

https://twitter.com/psol50/status/1204403187932958720?ref_src=twsrc%5Etfw

 

“A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí, pirralha”, disse Bolsonaro.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/greta-tira-sarro-de-bolsonaro-apos-ser-insultada-e-muda-sua-bio-no-twitter-pirralha/

FALSA CIÊNCIA CLIMÁTICA E FALSA CIÊNCIA ECONÓMICA

 
Qual a lógica comum que está subjacente à histeria do «Aquecimento Global», ao «Green New Deal» e à «Modern Monetary Theory» ou MMT?
 
Por muito que se tenha em conta a contribuição dos gases de efeito de estufa, o mais importante dos quais é - sem dúvida - o vapor de água, o certo é que o calor que mantém a temperatura da Terra é proveniente do Sol. A quantidade vinda do próprio interior da Terra, é considerada desprezível. As variações da atividade solar, as manchas solares e os seus ciclos de 11 anos, são da maior importância.
 
São igualmente importantes os ciclos de Milankovitch, um cientista sérvio, que descreveu as oscilações do eixo terrestre em relação ao plano de translação com ciclos da ordem de 40 mil anos, assim como outros movimentos relacionados com a excentricidade da órbita terrestre, que varia em ciclos da ordem de centenas de milhares de anos. O desencadear de uma fase glaciar é um fenómeno relativamente curto à escala geológica. Por contraste, a fase de reaquecimento (os períodos interglaciares) é muito mais progressiva.
 
Nós estamos num período interglaciar, que se iniciou por volta do final do paleolítico, há cerca de 15-14 mil anos. Não existe uma certeza matemática em relação aos inícios e fins das etapas dos ciclos climáticos de aquecimento e arrefecimento, mas sabe-se que são fenómenos periódicos que a Terra experimentou durante longuíssimos períodos de tempo. Sabemos isso, nomeadamente, pelos sedimentos e rochas sedimentares, que resultam da acumulação dos restos de seres vivos que se depositam no fundo dos oceanos. Logicamente, a composição dessas faunas planctónicas, assim como a sua abundância, vão variar em função da temperatura do oceano. Temos de ter em conta a existência de múltiplos factores, cuja escala e efeitos são muito difíceis de avaliar, até mesmo pelos especialistas. As pessoas leigas em climatologia – por muito que tenham uma formação científica de base – não estão conceptualmente equipadas para intervirem no debate científico.
Porém, ao nível da media social de massas e ao nível político, o que se observa é uma histeria com um propósito claro de empurrar para a «green new deal», a indústria de «energias renováveis» (as quais têm impactos ambientais muito sérios, pois estes não se limitam à «pegada-carbono»), sobretudo, um interesse muito grande em fazer avançar uma «taxa carbono» planetária, que seria gerida pelos grandes bancos, com a bênção da ONU e das instituições globalistas mundiais.
Com efeito, o ouro é uma matéria-prima rara, além de muito estável, tendo propriedades naturais adequadas para conservar o valor, ao longo de gerações (e mesmo, de milénios). A sua raridade é um factor importante de estabilidade para o sistema, pois é impossível, de um momento para o outro, inundar de ouro o mercado mundial, ao contrário das moedas-papel. A mineração aumenta o ouro existente, numa proporção mínima, anualmente.  Que interesse tem isso para a economia mundial?  - Se todas as moedas estiverem indexadas ao ouro (se foram convertíveis numa determinada quantidade deste metal) os governos não poderão gastar mais do que uma certa quantidade, não poderão entrar numa orgia de despesa pública. Sabemos que o fazem por demagogia, para serem reeleitos, ou numa corrida aos armamentos com potências rivais. Isto acontece, frequentemente, porque produzir divisas que não têm por detrás qualquer garantia, além da palavra do governo. Com efeito, as «moedas-fiat», «em papel» ou sua versão digital, têm, realmente, custo zero de fabricação. 
No famoso reset ou reforma monetária global, a grande questão será - no curto prazo - saber até que ponto a elite globalista conseguirá gerir a crise, que ela própria engendrou. Para obter ainda maior fatia de riqueza e poder, está disposta a tudo. No imediato, ela tem necessidade de desviar a atenção das pessoas, sobre o que está a ocorrer no presente: a grande transferência de activos financeiros (de riqueza e de poder), que essencialmente passa para as mãos privadas, sendo espoliados os cofres públicos, o dinheiro dos nossos impostos. É «a privatização dos lucros e da socialização dos prejuízos», mas que se quer acelerar e exacerbar, sob pretexto de «urgência climática». 
Por isso mesmo, a manipulação das mentes atinge um grau muito sofisticado. Poucas são as pessoas que resistem e guardam a cabeça fria e serena, de forma que não se deixam enganar por  políticos e financeiros corruptos e sedentos de poder. Os Clinton, os Bush, George Soros, os Rockefeller, os Rothchild etc, etc. são alguns dos políticos e multimilionários mais conhecidos.  Que é que nós -cidadãos normais- temos em comum com eles? Um bando de multimilionários ou bilionários, cuja agenda é de manter o controlo das suas imensas fortunas acumuladas. 
 
O problema é que muitas pessoas deixaram de pensar pela sua própria cabeça; cederam ao «politicamente correcto», ao «group think», ou seja, a pensar dentro do rebanho.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

A “Cruzada das crianças” de Greta aponta à privatização da natureza

Enquanto prossegue a grande movimentação (e encenação) “ambientalista” global cujo rosto mais visível é uma criança, importa observar que entidades e interesses a impulsionam, que objectivos procura atingir, e também a razão de procurar centrar-se na mobilização de adolescentes e crianças, a “Geração Z”. Duas coisas estão claras: não há um único problema global que não tenha no capitalismo um factor fundamental de agravamento, e não é nos termos do capitalismo que algum desses problemas terá solução.

Diz-se que, na Europa medieval, um garoto de 10 anos chamado Nicholas se apresentou como enviado de Deus, recrutando dezenas de milhares de crianças para conquistar a Palestina, a Terra Santa. Obviamente, nenhum lá chegou: morreram de fome, doença ou foram traficados pelos adultos. Os “jihadistas” também recrutam crianças, não apenas como sua carne para canhão ou para limpar campos minados antes que os adultos os cruzem, mas também para envergonhar homens que se recusam a ir matar outros.

Hoje, na era da globalização, uma tropa universal de menores, dirigida por Greta, a adolescente de rosto angelical, com o seu tom de pregador e com a segurança que dá ser apoiada por uma força sobrenatural que deixa mudos os poderosos dirigentes adultos do mundo, transmite-nos a mensagem sagrada do IPCC, o pseudónimo da nova divindade chamada Grupo Intergovernamental de Peritos em Mudanças Climáticas. O Fim do Mundo já tem data: será dentro de 11 anos (e alguns meses) se a humanidade incrédula não segue as suas instruções.

Na missão da nova super-heroína, cuja carreira meteórica a converteu na rival do próprio Trump para receber o Prémio Nobel da Paz (prémio que é um investimento em alguém para que desempenhe um papel no futuro; Donald já é passado), destacam-se duas questões: 1) o fenômeno da “Geração Z”, e 2) os interesses que ela ou Jamie Margolin, sua colega norte-americana, representam.

A Geração Z

Ser jovem, rico e bonito é uma virtude na sociedade capitalista. Na mente de Greta, “os mais velhos”, que são parte do problema do aquecimento global, não podem oferecer soluções. Mas como é que umas crianças que não terminaram a escola e que não são investigadores de nada se atrevem a dar lições ao mundo adulto e menosprezar o conhecimento e a sabedoria (que apenas se alcança com o passar dos anos) de milhões de peritos na luta de classes, do feminismo, da sociologia da pobreza ou do complexo funcionamento do poder? Se ela tivesse ouvido algo sobre a primeira cientista que falou do “efeito de estufa”, a feminista e mais velha Eunice Foote (1819-1888, EUA), por exemplo, teria feito um discurso algo humilde, além de coerente e lógico.

As “crianças digitais” ou a “Geração Z”, nome dado nos EUA aos nascidos entre 1995 e 2000, e cuja característica é o uso da tecnologia e da Internet, converteram-se em actores sociais por: serem 40% dos consumidores nas potências mundiais e 10% no resto do mundo, estando no centro das políticas de mercado das empresas; b) serem uma geração programada não para pensar mas para consumir e “seguir” alguém, e c) pela influência que exercem sobre os gastos da família, devido ao seu conhecimento digital, que também lhes confere um status de poder.

Ela equivoca-se ao afirmar que a alteração climática é o principal problema da humanidade: é apenas uma das consequências de um sistema económico-político chamado capitalismo que hoje e agora transformou num inferno a vida de metade dos habitantes da Terra, que sofrem de pobreza, morrem nas guerras de rapina ou nas minas de diamantes e coltán! As sondagens nos EUA mentem quando indicam que a alteração climática é já a principal preocupação dos cidadãos: que um país onde 45 milhões de pessoas vivem no limiar da pobreza, sofrem um profundo racismo contra a população não branca e uma violência social que é única entre os países ocidentais, onde meio milhão das suas mulheres são vítimas de agressão sexual e seqüestro, perdem o sono devido ao degelo do Ártico? A sério?

Condenar o consumismo sem o situar no lugar e no tempo é populismo: um norte-americano médio gasta quase 2.000 vezes mais água do que um residente no Senegal.

Thunberg censura aos políticos que a poluição “lhe roubou a infância”, não sabemos como, mas seu movimento elitista não fala das centenas de milhões de crianças a quem a infância é roubada ao serem exploradas nas oficinas escuras e húmidas, receber em troca apenas um prato de comida por dia; por serem vítima das guerras de rapina e suas consequências mais brutais[1]; serem traficados pela mega indústria da pornografia num capitalismo que transforma tudo, incluindo os fetos e as crianças, numa mercadoria.
[2]
As “soluções” da pequena Greta

“Nós já temos todos os factos e soluções - afirma a jovem - e tudo o que temos que fazer é despertar e mudar”.

Os defensores de Greta podem desmontar os argumentos da direita negacionista, mas não são capazes de responder às questões do ecologismo progressista.

As crianças como ela desconhecem que o capitalismo depende do crescimento, e este é alcançado através da redução de despesas, de explorar cada vez mais os seres humanos e a natureza e da destruição de ambos, aumentando os lucros. Tão pouco sabem que a acumulação de capital é o núcleo do sistema que pretendem reformar e que as empresas privadas para crescer e até para existir devem arredar e/ou devorar os seus concorrentes gastando cada vez mais os recursos públicos. Um sistema que feminilizou a pobreza ou que força milhões de pessoas a fugir das suas terras, porque umas empresas ou Estados querem roubar os seus recursos, gera graves desequilíbrios ambientais. É impossível salvar a Terra sem reduzir a pobreza e lutar contra a desigualdade, sem o empoderamento das mulheres, a protecção dos direitos dos animais ou sem impedir que o Sul Global se converta na lixeira tecnológica dos ricos caprichosos, aqueles jovens que trocam de telemóvel como de camisa, sem se interrogar de onde vem a bateria e para onde vai o aparelho que ainda não está obsoleto.

Obviamente, nenhum movimento desta magnitude chamado “Novo Poder” é espontâneo, nem há nada de novo neste outro perigoso movimento de massas.

Quem beneficia?

• Ao “imperialismo climático“: a “Quarta revolução industrial” do complexo industrial procura um New Deal Verde. E procura-o através do Instituto de Governança de Recursos Naturais, que pretende sacar 100.000 milhões de dólares dos cofres públicos de todos os países do mundo para salvar o capitalismo, tingindo-o de verde. E tem muita pressa, daí a “emergência”: pressiona para desregular o sector, obter autorização para explorar ainda mais os recursos naturais e a maior financeirização-privatização da natureza alguma vez realizada, e assim poder atrair investidores com fins especulativos E estão a apropriar-se de mais terras arborizadas e da água de todos os continentes, produzindo biomassa para energia, destruindo as selvas e a biodiversidade daqueles espaços. Ganhariam com o endividamento dos países pobres, que se verão forçados a comprar biotecnologia verde (viaturas eléctricos, turbinas eólicas, etc.).

• A indústria nuclear: Greta deseja “alinhar a Suécia com o Acordo de Paris”, quando este acordo atribui à energia nuclear o papel de “mitigar a alteração climática” e assim reduzir “em grande escala o CO2”.

• O Instituto Global de Captura e Armazenamento de Carbono (IGCAC), que promove a biotecnologia para lançar “emissões negativas”, operação para a qual consumirá uma enorme quantidade de combustível fóssil. Tem preparados cerca de 3.800 projectos que permitirão à indústria do petróleo, por exemplo, continuar a espalhar carbono pela atmosfera. A energia fóssil é tão lucrativa para os seus empresários que, para a obter, mataram milhões de pessoas, destruíram a vida animal, devastaram florestas, contaminaram águas. Segundo o ambientalista Ernest McKibben “Um barril de petróleo, actualmente de uns 70 dólares, fornece energia equivalente a cerca de 23.000 horas de trabalho humano”. A justiça climática é incompatível com um capitalismo que se baseia na vontade de lucrar e a qualquer preço.

• As mega-fundações de aparência filantrópica, corporações que controlavam os negócios de energia e políticos hipócritas. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, um entusiasta da jovem sueca, cujo governo comprou com dinheiro público o gasoduto Trans Mountain por 45.000 milhões de dólares, os governos europeus que continuam vendendo ilegalmente armas aos países em guerra, o Google que continua a investir nas empresas que negam a alteração climática, ou a indústria dos combustíveis fósseis, que dedica apenas 1% de seus investimentos à energia baixa em carbono, mas deposita US $ 50 milhares de milhões em novos projectos de exploração de petróleo e gás. O objectivo da MacArthur Fundation (2010) é, por exemplo, “acelerar a transição para a economia circular”. Além de doar dez milhões de dólares a Climate Nexus, é quem dirigiu, juntamente com outros lobbies do capitalismo verde (Avaaz, 350.org, Extinction Rebellion, etc.) a Popular Climate March de 21 de Setembro de 2014. Outras empresas como Ikea, promotora do “compre, deite fora e volte a comprar”, que converteu as suas lojas em local de passeio familiar, ou Avaaz, a rede que visa mudar mentes e corações em todo o mundo, ou a Johnson & Johnson - que teve de pagar mil milhões de dólares a vinte e duas mulheres pelo cancro dos ovários que os seus produtos causaram, ganham dinheiro e prestígio.

• A “ONGenização” da militância política dos jovens, neutralizando os movimentos ambientalistas autênticos e substituindo a consciência de classe por um “assunto cinzento de massas” alheio à causa comum da humanidade.

• O complexo militar-industrial, graças à omissão deste movimento que apaga o factor guerra das Marchas Verdes, nem menciona as cerca de 18.000 bombas nucleares que ameaçam a vida no planeta, nem o facto de Donald Trump depois de romper os dois históricos acordos nucleares com Irão e Rússia[3], não apenas ter sugerido ao Pentágono que aumentasse em até dez vezes o arsenal nuclear, mas ter também sugerido o uso destas bombas contra Irão e Afeganistão.[4]

Essas pessoas pretendem mudar tudo, para que tudo continue na mesma:[5] Malala Yousafzai, a garota paquistanesa, ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2014, depois ser atingida por vários disparos dos Taliban (grupo anticomunista armado pela CIA) quando tinha quatorze anos de idade por defender a alfabetização das meninas em seu país, o Paquistão. Hoje, o seu país continua sendo um dos piores do mundo nessa área.

Como se salva o planeta, realmente?

Quando Marx chamou “ruptura metabólica” à desconexão entre a humanidade e o resto da natureza gerada pela produção capitalista, e a “ruptura irreparável no processo interdependente do metabolismo social”, estava a apontar que a destruição da natureza é inerente ao capitalismo
Apenas um sistema de produção apontado a satisfazer as necessidades humanas, sempre em conexão com os direitos do resto da natureza e não com os lucros de uns poucos, pode impedir o apocalipse. E isso consegue-se com a propriedade pública sobre a terra, a indústria, os grandes bancos, corporações e serviços, e um controlo democrático sobre o poder que, em vez de promover viaturas eléctricas privadas proporcione, por exemplo, o transporte público gratuito, o uso da energia solar e eólica, entre outras medidas.

A justiça climática ou é anticapitalista ou não é justiça.

Fonte: https://blogs.publico.es/puntoyseguido/6142/la-cruzada-de-ninos-de-greta-dirigida-a-la-privatizacion-de-la-naturaleza/

Divulga o endereço[6] deste texto e o de odiario.info[7] entre os teus amigos e conhecidos

References

  1. ^consequências mais brutais (blogs.publico.es)
  2. ^incluindo os fetos e as crianças, numa mercadoria. (blogs.publico.es)
  3. ^acordos nucleares com Irão e Rússia (blogs.publico.es)
  4. ^uso destas bombas contra Irão e Afeganistão. (blogs.publico.es)
  5. ^mudar tudo, para que tudo continue na mesma: (blogs.publico.es)
  6. ^endereço (www.odiario.info)
  7. ^odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

VARIABILIDADE SOLAR E CLIMA

JOANNA D. HAIGH
 
PARA UMA INTRODUÇÃO GERAL SOBRE CLIMATOLOGIA PELA PROFª. JOANNA D. HAIGH (Física que estuda os registos de temperaturas, a circulação oceânica e o aquecimento global) consulta o video abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=YHC4RxqoHEc
A climatologia é uma ciência complexa, que tem beneficiado dos avanços em astronomia, geologia, em tecnologia de satélites artificiais e noutros domínios associados.
A professora Haigh, do Imperial College, apresenta o básico da sua ciência de modo claro e inteligível para  não iniciados. [Quem entende o inglês falado pode captar bem o que ela diz; a sua dicção é boa.]

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Brasil | Indígenas são assassinados a tiros no Maranhão

 
 
Pelo menos dois nativos foram vítimas de disparos partindo de um veículo não identificado. Vítimas são da mesma etnia que Paulino Guajajara, guardião da floresta assassinado em novembro numa emboscada.
 
Firmino Prexede Guajajara e Raimundo Benicio Guajajara morreram vítimas de um atentado a tiros na manhã deste sábado (07/12) no Maranhão. Eles saíam de uma reunião entre caciques e a empresa Eletronorte quando foram atingidos por disparos que, segundo relatos, vieram de um veículo branco, às margens da rodovia BR 226, entre as aldeias Boa Vista e El Betel.
 
Segundo informações do governo do Maranhão, houve mais feridos, que foram encaminhados para o hospital. Policiais militares isolaram a cena do crime e estão na área.
 
Magno Guajajara, cacique que estava no local no momento do atentado, disse que cinco pessoas estavam dentro do carro de onde partiram os disparos. "Eles passaram atirando e atingiram nosso parente. É muito preconceito, muita intolerância", disse à DW Brasil sobre o crime.
 
Um trecho da rodovia, entre os municípios de Barra do Corda e Grajau, foi interditado pelos indígenas. "É um protesto para chamar a atenção das autoridades e exigir justiça", justificou Magno.
 
 
Segundo o cacique, cerca de 60 pessoas participaram da reunião com a Eletronorte, estatal construtora das hidrelétricas Tucuruí (PA), Coaracy Nunes (AP), Samuel (RO) e Curuá-Una (PA), além de termelétricas em Rondônia, Acre, Roraima e Amapá. O tema da reunião seria ações de bem-estar voltadas para os habitantes da Terra Indígena (TI) Canabrava, no Maranhão.
 
"Nós nos sentimos vulneráveis. [O atentado] pode ter a ver com as denúncias que a gente faz das invasões dentro dos nossos territórios", explicou Magno Guajajara. Em nota, o governo do Maranhão afirmou que a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular acompanha o caso junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública e representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai). Um pedido de providências também foi enviado à Polícia Federal. Em seu twitter, o governador Flávio Dino lamentou o caso e a violência contra povos indígenas.
 
O aumento da violência contra ambientalistas e povos indígenas tem sido denunciado por diversas organizações no país. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) estima que, de janeiro a novembro, mais de 160 casos de ataques e invasões de territórios indígenas ocorreram em todo o Brasil.
 
Os indígenas assassinados são da mesma etnia que Paulino Guajajara, vítima de uma emboscada dentro da TI Arariboia (MA), em 1º de novembro. Ele era um dos guerreiros guardiões da floresta e organizava rondas pelo território para expulsar os invasores. A Polícia Federal segue investigando o crime.
 
Nádia Pontes | Deutsche Welle
 
Imagem: Um dos Guajajaras feridos no atentado às margens da BR 226

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/brasil-indigenas-sao-assassinados-tiros.html

Greta, a Apóstola do ambiente

O homem criou todas as religiões do mundo. Jainismo, Budismo, Hinduísmo, Islamismo, Cristianismo e outras. Todas estas religiões conseguem ter seguidores e crentes. O ambiente é uma nova religião e até tem uma porta-voz: Greta Thunberg.

 

Não sei se o título do meu artigo desagrada a poucos ou muitos. Se desagrada a alguns talvez tenham adquirido problemas de intolerância. Eu penso que o mundo não precisa de apóstolos, modelos ou heróis, ou seja, quem precisa de nós para sobreviver são as pessoas com aspirações messiânicas. Todos, ou enfim, quase todos, estamos preocupados com assuntos diversos e múltiplos, e algumas pessoas talvez estejam preocupadas com a sua sobrevivência, e ainda alguns tenham medo do “fim do mundo”.

Comecei a frequentar a escola primária em 1987. Desde 1990 o currículo da minha escola incorporava assuntos como a poluição, erosão do solo, desflorestação, invasão dos plásticos e outros como o esgotar de recursos naturais de cada país. Todos os alunos que seguiram atentamente as aulas ficaram com noções de que os recursos naturais se esgotam e isso vai trazer sofrimento. Eu e outros alunos e colegas que andaram comigo na escola do Estado do Kerala[1] e seguiram as aulas atentamente, não precisamos de Greta para acordar para os perigos da deterioração do ambiente.

Como a sobrevivência no Planeta é um assunto político e não exclusivamente ambiental, esta luta não é uma luta individual. O assunto precisa de uma solução política. Quem se manifesta na rua e nas redes sociais sem agir para corrigir, para alterar sistemas políticos e programas dos partidos políticos que os representam, porque neles votaram, vão perder a luta da defesa do ambiente.

Como o ambiente e os recursos naturais estão ligados com a economia, o emprego e a sobrevivência do cada país, este é um assunto político global. Entre pobreza, fome e sobrevivência, a população nunca iria demonizar um único aspeto chamado ambiente. A solução é participar e corrigir todas as atividades dos políticos e dos partidos, levando-os a apresentar programas para termos uma vida sustentável a longo prazo.

O apostolado do ambiente

Ouviu o discurso da Greta no ONU? Pode ouvi-lo aqui:

 

Foi um discurso assustador. O conteúdo não é novo, todos nós sabemos o recheio, mas a maneira como ela apresentou o tema “chocou o mundo” diz a imprensa. A imprensa refere os lábios trémulos, o olhar fixo, as lágrimas de Greta. Há quem diga que isto é um rigoroso trabalho da agência de relações públicas[2] que trabalha com ela, um trabalho “bem feito”. Mas também pode ser o facies de uma criança com Síndrome de Asperger a fazer um discurso emotivo.

Acho que esta nova onda de luta pelo ambiente é sensacionalista e é uma fantasia de “urban intellectuals”. A grande maioria das populações do mundo estão preocupadas com ambiente mas de outra perspetiva. Agricultores e pescadores queixam-se e atiram a culpa para as alterações climáticas. Agricultores vêm as suas produções destruídas por secas e/ou por chuvas torrenciais. Mas, na verdade não é o povo que produz plásticos, papel ou gasolina. Eles só os utilizam. Eles não produzem venenos que contaminam terras agrícolas ou lagos interiores. Eles só são utilizadores e não têm escolhas porque são obrigados a utilizar os produtos que cada governo permite vender.

No entanto, em muitos países as pessoas empenham-se a separar o lixo, convencidas de que será bem reciclado e sem riscos para o ambiente que as rodeia. Quer dizer que em nome das necessidades da população, grandes empresas produzem plásticos, exploram carvão, produtos petrolíferos, constroem gigantescas explorações agropecuárias. E todos os governos do mundo os deixam em paz para poluir. Ou seja, os governos não procuram outras soluções ou recursos para combater a pobreza e/ou a sobrevivência do seu próprio povo.

Greta Thunberg nunca conseguirá resolver isso sozinha e com os seus seguidores. Ela tem de entender que a sua luta é um assunto político e precisa de soluções políticas para as quais Greta poderia eventualmente chamar a atenção. Aí sim, os jovens que a apoiam poderiam ter a oportunidade de se aperceberem da importância da luta política.

O ambiente tem sido uma grande oportunidade para os governos criarem mais taxas e impostos

Nunca vi tanto entusiasmo da parte dos governos europeus a apoiarem movimento de Greta.

Talvez sonhem com o que vão arrecadar em taxas e impostos para “defenderem” o ambiente.

Estas taxas sofreram aumentos de 10% na França, 11% em Portugal , 8% na Irlanda e a lista continua. Em sumo, os utilizadores têm que pagar e os produtores de produtos nocivos sempre fogem aos impostos. O que nunca saberemos é quanto destas taxas e impostos foi realmente investido em medidas para melhorar o ambiente, porque nada disto é transparente.

Os governos utilizam a oportunidade que Greta lhes oferece. E extraem mais em impostos em nome de ambiente. Em sumo, nem governos, nem muitos ativistas, nem as grandes companhias produtoras de sistemas alternativos de produção de energia querem que se alerte para o fulcro político ambiente, porque rendem imensas homenagens a Greta Thunberg.

Em sumo, problemas ambientais, tal como outros problemas complexos do mundo precisam de atenção e tratamento político. Celebridades podem chamar a atenção, mas não podem ser usadas como cortina de fumo para esconder incapacidades políticas.

Nenhum país do mundo pode sobreviver e crescer sem explorar os seus recursos naturais. Todos os partidos políticos têm medo no tocar neste assunto pois é muito sensível para os trabalhadores dessas áreas. Os ambientalistas (urban naturalists) não podem resolver isso sozinhos.

 
 

[1] Kerala govt schools among top 10 in Education World India School Rankings

[2] The PR guru behind the rise of Greta Thunberg


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/greta-thunberg-a-apostola-do-ambiente/

Mar de Cascais, Esgoto, Limpeza e Arribas

 

Os esgotos:

Assistimos este ano à interdição de praias em Cascais, pelo menos duas praias no dia 24 de Setembro, as Praias da Duquesa e Azarujinha estiveram interditas, detectando-se manchas de poluição espalhadas pelo mar e cheiro a esgoto. No dia 19 de Outubro em vários pontos da costa, nomeadamente Praia da Duquesa, Praia do Tamariz, Praia da Poça e na Ribeira junto à praia dos Pescadores corria para o mar água suja com cheiro nauseabundo, cheiro a esgoto.

Na Ribeira, junto à Praia dos Pescadores, é recorrente mesmo em pleno Verão correr para o mar água suja com forte cheiro a esgoto.

A Ribeira de Sassoeiros desagua no meio da praia de Carcavelos e em pleno Verão tem muitas vezes as águas sustidas por uma barragem de areia na saída junto ao paredão, água essa que se infiltra na areia. Pode-se esconder a água suja que vem da ribeira mas não se trata a poluição que daí possa advir.

Acabar com estes atentados ambientais é da inteira responsabilidade da Câmara Municipal de Cascais, compete-lhe averiguar a proveniência das descargas de esgoto e proceder em conformidade para que este flagelo ambiental termine de uma vez por todas.

A Limpeza:

Cascais não tem uma constante e eficaz limpeza da costa, quando digo costa não me refiro às praias mas antes a toda a costa de Carcavelos ao Abano. Como é sabido o aumento massivo de turismo em Cascais nos últimos anos, levou ao aumento da frequência de zonas costeiras que não sendo praias tem interesse turístico pelas paisagens marítimas que se avistam, o aumento de turismo que refiro é claramente responsável por uma considerável parte do lixo que é abandonado junto à orla costeira.

A pesca lúdica apeada que tem na costa de Cascais um considerável número de praticantes, com maior incidência ao fim de semana, é também responsável por uma substancial quantidade de lixo que fica nas arribas, lixo esse que devido á agitação marítima ou a chuvas fortes escorre directamente para o mar.

Podemos entender que tal se deve à falta de civismo de alguns turistas, quer nacionais quer estrangeiros, e de alguns pescadores lúdicos, mas não chega identificar o problema, há que tomar as medidas adequadas para que se resolva este problema ambiental e o lixo deixar de poluir as arribas e consequentemente o mar.

É necessário que a Câmara Municipal de Cascais crie uma brigada de limpeza da orla costeira, a recolha do lixo que se acumula nas rochas não pode depender só dos cidadãos que ao fim de semana e voluntariamente, recolhem o lixo em alguns locais da costa de Cascais.

É também necessário que a Câmara Municipal de Cascais crie mecanismos didáticos e de informação aos cidadãos chamando a atenção para a responsabilidade que têm em preservar a limpeza e o ambiente no seu todo na orla costeira de Cascais.

As Arribas:

No dia 18 de Novembro assistimos à interdição de uma faixa de rodagem na Estrada Marginal, entre a praia da Parede e a praia de S. Pedro do Estoril, devido a derrocadas do paredão que sustenta as arribas, nada que não fosse esperado. São visíveis derrocadas há vários anos em locais da orla costeira entre a Parede e São Pedro do Estoril, nomeadamente na Área Marinha Protegida da Avencas, onde a praia da Bafureira se encontra há mais de um ano com uso condicionado devido a uma derrocada que só por sorte não atingiu ninguém.

Têm sido vários os cidadãos de Cascais que através das redes sociais têm alertado a Câmara Municipal de Cascais para os riscos de derrocadas eminentes, é real o perigo de colapso de algumas partes das arribas entre a Praia da Parede e a Praia de São Pedro do Estoril, foram anos sem intervenção de consolidação e manutenção das arribas, a responsabilidade é em primeira instância da Agência Portuguesa do Ambiente e em segunda instância da Câmara Municipal de Cascais que tem a responsabilidade de zelar pela segurança dos cidadãos que habitam, trabalham e visitam Cascais. São estas duas entidades que têm a obrigação de resolver os problemas ambientais que afectam o Mar de Cascais, ontem já era tarde.

Termino citando o título de um livro de Hans Hass, “A Vida Começou no Mar”, eu costumo acrescentar, “Sem Mar não há Vida”.

António Lemos

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/comentadores-tematicos/ambiente/mar-de-cascais-esgoto-limpeza-e-arribas/

A luta em torno das alterações climáticas não pode reduzir-se ao combate entre gerações

A grande manifestação de Madrid em defesa de uma ação mais firme dos governos em prol da defesa da vida humana no planeta indicia, uma vez mais, a mudança de paradigma em curso nas nossas sociedades ocidentais, prenunciando o iminente óbito do individualismo puro e duro e a sua substituição pela valorização do esforço coletivo em prol do bem comum.

 

De súbito os conceitos de liberdade individual, que justificaram as invocações do «mérito» ou da «ganância» pura e dura para justificar a extrema riqueza de uns em desfavor de todos os outros, perdem força e deverão ser os fundos financeiros, e os que neles acobertam as comprometedoras identidades, a sentirem algo de novo a perfilar-se no horizonte e não propriamente ao seu gosto.

 

Nesse sentido entende-se que as autoridades espanholas tenham posto a jovem Greta Thunberg a recato da confusão em que se viu mergulhada, porque não faltarão os interessados em calar-lhe a indignação. Muito embora seja de repudiar que, sendo o alvo de uma ruidosa turba de contestatários, que invocam a sua imaturidade para dar conselhos aos mais velhos, também ela incorra no argumento contrário como se todos os governos fossem iguais na sua obsolescência e devessem ser os mais novos a ditarem-lhes o que devem fazer.

 

Ninguém duvida que importa ouvir os cientistas e auscultar-lhes as alternativas para evitar o possível apocalipse climático. Mas não se trata aqui de colocar as gerações a digladiarem-se entre si. Porque se o voluntarismo de uns pode ser importante, maior relevância assume o saber e a experiência dos que já muito tendo vivido usam a razão para conter os injustificados excessos da emoção.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/12/a-luta-em-torno-das-alteracoes.html

Maior poluidora em Espanha patrocinou cimeira da ONU sobre o clima em Madrid


 
A empresa que mais polui em Espanha é patrocinadora da cimeira da ONU sobre o clima em Madrid

A elétrica Endesa, a empresa que mais poluiu em Espanha durante 2018, é patrocinadora diamante da Cimeira das Nações Unidas sobre o clima (COP25), que arrancou esta segunda-feira (2/12) em Madrid.
 
Em 2018, as empresas que mais contribuíram para as mudanças climáticas em Espanha foram a Endesa, Repsol, Naturgy, EDP, ArcelorMittal, Cepsa, Viesgo, Iberdrola, Cemex, Lafarge -Holcim e Cementos Portland, de acordo com o relatório “Emergência Climática em Espanha 2019”, elaborado pelo Observatório de Sustentabilidade, um projeto idependente sediado na Universidade de Alcalá, na capital espanhola.
 
O documento frisa que a maior parte destas empresas opera no campo energético.
 
Entre as empresas elencadas, a Endesa é apontada como a que mais polui em Espanha: a elétrica é responsável pela libertação de 23% das emissões industriais e 9% das totais no país. Em 2018, terá libertado cerca de 30 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa, de acordo com o mesmo observatório espanhol.
 
A empresa pagou dois milhões de euros para ser “patrocinadora diamante” da COP25, podendo parte deste valor ser recuperado através de incentivos e deducões fiscais, tal como observa a Russia Today.
 
 
Nesta segunda-feira, dia em que arrancou a cimeira da ONU, a Endesa comprou uma página completa de publicidade na maioria dos jornais espanhóis – quatro diário nacionais e um local, segundo detalha a imprensa espanhola.
 
“No dia em que é inaugurada a #COP25, a Endesa, a empresa que mais causa emissões [para a atmosfera] em Espanha, compra a capa da maioria dos jornais. [Esta é] uma imagem devastadora do descrédito mais do que justificado do atual sistema político, económico e dos média”, escreveu a presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau, numa publicação na sua conta oficial no Twitter.
 
A COP25 começa esta segunda-feira em Madrid, com a presença de 50 líderes mundiais, incluindo o primeiro-ministro português, António Costa.
 
Durante a 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que se prolonga até 13 de dezembro, são esperadas delegações de 196 países, assim como os mais altos representantes da União Europeia e várias instituições internacionais, o que pressupõe “a totalidade dos países do mundo”, de acordo com um comunicado do Governo espanhol.
 
ZAP

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/maior-poluidora-em-espanha-patrocinou.html

(Multimídia) Pandas gigantes serão soltos na natureza fora de Sichuan pela primeira vez

 

Um panda gigante é visto que se alimenta no recém-aberto Parque de Conservação e Pesquisa para Panda Gigante de Jiawuhai, no distrito de Jiuzhaigou, na Província de Sichuan, no sudoeste da China, em 7 de novembro de 2019. (Xinhua/Li Mengxin)

Chengdu, 7 dez (Xinhua) -- A China planeja soltar um ou dois pandas gigantes na natureza em uma reserva natural na Província de Jiangxi, leste do país, anunciou na quinta-feira o Centro Chinês de Conservação e Pesquisa para Pandas Gigantes (CCCPPG).

Será a primeira vez que um panda gigante é solto na natureza fora da Província de Sichuan, sudoeste da China, onde 13 tinham sido soltos até o final do ano passado.

Segundo o CCCPPG, uma reunião de especialistas foi realizada em Jiangxi, onde foi decidido que um ou dois pandas serão soltos na Reserva Natural Nacional de Guanshan de Jiangxi.

A reserva natural tem um clima moderado e um ecossistema bastante intacto, com abundantes recursos de bambu e pequena interferência humana, o que permite que pandas gigantes e outros animais selvagens vivam e se reproduzam.

Os pesquisadores do CCCPPG introduziram aos especialistas o treinamento selvagem de três pandas chamados Panwang, Ranran e Yuner, respectivamente. Todos os três pandas têm dois anos. Panwang e Ranran são fêmeas e Yuner, macho.

Em Madrid o negócio verde é altamente lucrativo

Percebem por que é que muitas autarquias nas mãos do Centrão ,optaram pela privatização da recolha e tratamento do lixo e pela privatização da agua ? Percebem por que é que o negócio do lixo é disputado pela Camorra e máfias em Nápoles ? Estas questões não estiveram no palco do circo mediático da cimeira do clima que decorre em Madrid .Por isso sublinhamos esta noticia de ontem :

La constructora controlada por el mexicano Carlos Slim(FCC) em dificuldades sérias desde a crise ha constituido  agora en forma de holding su nueva filial de Medio Ambiente en virtud de la reestructuración que ha realizado en este negocio 

De esta forma, del nuevo holding dependerán las distintas actividades que engloba esta división, primera por ingresos del grupo, como son la limpieza viaria, la recogida de basuras o el tratamiento de residuos.
Assim FCC ha liquidado anticipadamente 1.200 millones de euros de deuda (50% da dívida) con los fondos captadoscon la reciente doble emisión de bonos verdes colocada por su nueva filial FCC Medio Ambiente, según informó la compañía.
En aquella ocasión, el recorte de pasivo permitió al grupo cumplir con los parámetros de apalancamientoque los bancos le habían marcado para volver a pagar dividendo, con lo que este año retomó la remuneración al accionista que tenía suspendida desde 2013
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Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2RoXIgi

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/07/em-madrid-o-negocio-verde-e-altamente-lucrativo/

Não há jovens globais, não há política global

(Comentário:

Um excelente artigo que deveria ajudar alguns que ainda não terão percebido que aquilo que foi aclamado como "a globalização" não passou de uma máscara equívoca que serviu essencialmente para encobrir dinâmicas neoliberais e que nesta matéria (ambiente) como em muitas outras o espaço nacional continua a ser o principal terreno de luta útil.
De facto a continuada ilusão numa União Europeia que já não existe (se é que alguma vez foi mais do que um 'desejo') obstaculiza uma leitura crítica da realidade)

A propósito de Greta Thunberg, Rui Tavares (RT) escreveu hoje no Público que toda a política é global. Mas está errado. Na política, como em toda a realidade, há diferentes escalas, e interdependências entre elas com intensidade variável. A política é multinível (local, regional, nacional). O que existe de político acima do nacional é do domínio das relações inter-nacionais.
 
Uma coisa é o activismo de Greta que, sendo actividade política, tomou uma dimensão internacional. Outra coisa é a deliberação, legislação e execução das políticas e, essas, são nacionais porque é a esse nível que estão institucionalizadas. RT mistura tudo, de tão deslumbrado que está com a campanha de Greta (e da equipa que tem por trás) que, é preciso reconhecer, acelerou a consciencialização dos cidadãos quanto à urgência da mudança, embora de uma forma muito vaga, recuperável pelos interesses instalados enquanto “capitalismo verde” que é a lógica da UE. 
Na segurança que lhe dá o credo cosmopolita, RT afirma que os argumentos dos soberanistas de esquerda, no meu caso portanto, “são repetições de um dogma que não se preocupavam em demonstrar, requentando teses direitistas do período de entre-guerras”. Não sei a que dogma e teses RT se refere, mas parece-me que a sua fé cosmopolita lhe filtra a realidade e o impede de ver algo bem concreto, algo que os soberanistas de esquerda tomam a sério: não há – e nunca houve – democracia sem soberania. Quando os povos colonizados lutaram pela sua independência, lutaram pela condição básica de poderem decidir livremente da sua organização social, lutaram e morreram pelo direito de exercerem a soberania, pelo direito de poderem fazer escolhas autónomas, e de assumirem as suas consequências, boas ou más. Pelo contrário, RT não tem nenhuma base histórica para dar força ao seu argumento de que à escala nacional “pouco se poderia fazer”. A fé de RT na escala global é tão grande que nem se dá conta (ou dá, mas recalca) da impotência da ONU e do seu Secretário-Geral para acelerar o processo da transição energética. Nem dá conta de que o que pouco, e demasiado lentamente, se vai decidindo resulta de compromissos ao nível inter-nacional (por este dias em Madrid), exactamente àquele nível que RT apaga com a palavra “global”. Aliás, a campanha de Greta não terá sido mais do que espectáculo mediático – onde os interesses dominantes gostariam de a aprisionar – se não houver uma pressão muito maior dos cidadãos nacionais – só na cabeça de um globalista é que há cidadãos globais – sobre os seus governos. Sim, há interdependências entre escalas. Portanto, quanto maior for o número de jovens por todo o mundo a manifestar-se, maior é a expressão mediática da pressão política e, esperemos, mais mobilizáveis serão os jovens portugueses para a concretizarem em Portugal. Mas RT tem a obrigação de perceber que as manifestações que se fazem fora de Portugal não exercem pressão significativa sobre o nosso governo. Essa pressão vem/virá dos portugueses (na rua e nas redes sociais), dos nossos partidos (na Assembleia da República e nos media tradicionais) e, eventualmente, de alguma diplomacia europeia. Em última análise, será na escala nacional que as políticas de resposta à emergência climática se concretizarão, melhor ou pior. Quando RT nos diz neste artigo que, no caso de Greta (como no de Malala com a educação das meninas), estamos perante uma “política global”, está a usar o termo “política” num sentido que omite a natureza institucional da política; o termo “global” oculta o enraizamento da política em sistemas socioculturais concretos, aí onde se joga a eficácia de toda esta mobilização. Os jovens de que fala RT, “já nascidos numa cultura e numa esfera de comunicação muito integrada”, quando emigram, ainda têm saudades da família, da terra onde cresceram e dos amigos que deixaram para trás. Pelos testemunhos que tenho lido e ouvido, incluindo o de familiares, percebo que não lhes é indiferente a sorte da comunidade que foram obrigados a abandonar. São jovens abertos a outras culturas, com vontade de conhecer mais mundo, mas são jovens com raízes. Não são “jovens globais” porque isso não existe. Eu, enquanto soberanista de esquerda, vejo esse activismo como algo positivo, algo que dá força aos que lutam pelos mesmos valores nas comunidades onde vivem, onde elegem quem os representa e que, eventualmente, executarão as políticas que respondem aos seus anseios. É simplesmente isto que RT desvaloriza: a soberania do povo exercida democraticamente. Em nome de uma "política global" sem povo, sem parlamento e sem governo, vem dizer-nos que o problema só pode ser resolvido à escala “da humanidade inteira”. À escala de um todo, “do único auditório que o pode resolver”.
Nisto, RT assume com muita clareza o seu ‘holismo’, aquilo que, em filosofia das ciências, é uma forma de reducionismo: as partes ficam subsumidas no todo (neste caso, imaginário). Um reducionismo pós-moderno, típico de neoliberais progressistas que, dizendo-se de esquerda, analiticamente depreciam a única fonte que pode legitimar o poder político, um povo que vive num território delimitado.
A “política global” de RT é uma ilusão. E uma lástima.
Jorge Bateira

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Se o clima fosse um banco

 
 
Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião
 
Começou em Madrid a 25.a Conferência da ONU sobre o clima, a COP25, que tem lugar 25 anos depois da COP1, no Brasil. Desde então, as emissões de CO2, o principal gás com efeito de estufa, aumentaram cerca de 60%; os fenómenos climáticos extremos intensificaram-se causando milhões de refugiados; há milhares de espécies em risco e estamos muito perto de atingir um ponto de não retorno com a subida dos oceanos provocada pelo derretimento dos glaciares.
 
As consequências são inimagináveis se pensadas à escala do tempo da nossa vida, ou mesmo da Humanidade, mas não são inéditas num planeta onde, ao longo de milhares de milhões de anos, a sobrevivência das espécies sempre dependeu de profundas transformações climáticas.
 
Não há nada de conspiração nestas constatações. A ciência pode discordar quanto à previsão exata do "quanto" e "quando" deste fenómeno, mas negar as alterações climáticas é como achar que o tabaco não prejudica a saúde. A disputa não está por isso entre negacionistas e todos os outros, mas entre diferentes visões da estratégia a seguir.
 
Há, por um lado, quem ache que o sistema económico atual será capaz de lidar com o problema. Os adeptos do "capitalismo verde" apostam no negócio das renováveis e dos carros elétricos, na alteração individual dos comportamentos e em paliativos na produção e venda de produtos (cada vez mais as empresas publicitam produtos reciclados ou "verdes"). Querem uma transformação que não ponha em causa a produção e o tipo de consumo de massas, que não afete os mercados que especulam sobre recursos naturais ou os lucros das empresas que exploram recursos fósseis ou utilizam energias poluentes. Esta visão, que dominou até hoje, foi bem sucedida a criar novas áreas de negócio, mas falhou na proteção do planeta. E que não se diga que tudo foi feito em nome do progresso e bem-estar da Humanidade, porque sabemos como este progresso viveu da exploração dos países mais pobres que hoje são os primeiros a sofrer com as alterações climáticas; e sabemos como a finança e as grandes multinacionais ajudaram à concentração de riqueza e ao aprofundamento das desigualdades. O sistema desenfreado que está a destruir o clima é o mesmo que produziu a crise financeira, que se alimenta da precariedade, que preda os serviços públicos e que não tem pejo em financiar e beneficiar da economia da guerra sem fim.
 
É contra este sistema hipócrita, que diz querer saber do clima enquanto protege as petrolíferas, que cresce um movimento, apoiado nas greves climáticas estudantis, que sabe que a mudança é urgente e para valer: limitar os combustíveis fósseis e as indústrias poluentes, reduzir os consumos supérfluos, mudar a produção e o trabalho, investir nos transportes públicos e na eficiência energética do edificado. Mas não se enganem. Estas mudanças não vão acontecer enquanto todos os outros aspetos da nossa sociedade forem subjugados à proteção da finança e das grandes empresas, dos seus lucros, e à obtenção de um excedente orçamental que lhes agrade.
O clima tem de ser a prioridade, em vez da proteção da Banca: se o clima fosse um banco, já estaria salvo.
 
*Deputada do BE

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/se-o-clima-fosse-um-banco.html

Greta Thunberg, as agressões ao Planeta e João Miguel Tavares

Nem todas as evidências têm as causas que se apontam, mas as agressões ao Planeta são a certeza de que só os tolos e os malfeitores duvidam.

Vale a pena ler o que tem escrito a esse respeito o Prof. António Galopim de Carvalho, um sábio, de notável sensibilidade humana e inexcedível espírito pedagógico, e reparar na ternura com que se refere a Greta Thunberg, adolescente com síndrome de Asperger, refletido na obsessão, agressividade e desadequação social que, numa adulta normal, a tornaria inaceitável.

Não se pede um julgamento de carácter de quem, inteligente e obsessivamente dedicada a uma causa, se tornou uma referência mundial na luta contra as agressões ecológicas que ameaçam a sobrevivência humana. É a bondade da causa em que se empenha que está em causa. É a enorme capacidade de irritar que a tornou uma figura planetária ao serviço da mais urgente e assustadora das causas, quando dirigentes políticos de grandes países, manifestam a mais aterradora indiferença e afrontosa insensibilidade.

A forma boçal e indigna como a referiu o adulto pouco recomendável que o PR alugou para os discursos do último 10 de Junho, e as acusações soezes que lhe fez no Público de 26 de setembro p.p., sob o título “O sacrifício de Santa Greta no altar do Deus Verde”, marcam a diferença entre uma adolescente obstinada por uma causa justa e um obstinado brejeiro que acusa o s-g da ONU de “continuar a confundir pateticamente razão e coração” e que “já devia saber distinguir uma retórica totalitária quando a ouve».

O plumitivo rasca considera que as palavras iradas de Greta Thunberg “poderiam estar impressas, sem tirar nem pôr, no manual de um qualquer grupúsculo de extrema-esquerda dos anos 70 que procurava impor as suas ideias à bomba”. J. M. Tavares é um anacronismo da extrema-direita que o Público acoita e o PR contratou para animar o dia em que a ditadura distribuía veneras às mães de filhos mortos na guerra colonial. Ontem, insatisfeito com a prosa de 26 de setembro, coproprietário da última página do Público, escreveu aí «A minha carta para Greta Thunberg», numa prosa onde os ataques à esquerda e o paternalismo insuportável para com a visada definem a sua insanidade e reacionarismo primário.

Perante imbecis de diversas origens e posições, a jovem sueca marca a agenda climática e transmite a noção de emergência à opinião pública mundial, capaz de intimidar os capatazes da poluição e os políticos a quem apenas interessa a próxima eleição.

Os insultos à jovem são provenientes de adultos mais autistas do que ela, quase sempre com menos conhecimentos e mais raiva, e sem o carisma e a eficácia com que ela nos convoca para a tarefa urgente de defender o ar, a água e o solo para os filhos e netos.

Por mais que uivem, ululem e crocitem de raiva os adversários da jovem que tem apenas a palavra e a deficiência como armas, prefiro as suas mensagens, que me interpelam, às diatribes de quem vocifera em papel impresso diatribes contra a mensageira.

Obrigado, Greta Thunberg, pela consciência crítica que nos obriga a formar e o remorso que nos faz sentir cada vez que deixamos a luz acesa, usamos o carro, sem precisão, ou devastamos a natureza com pilhas, plásticos, metais pesados e outros poluentes letais.

Marcelo, a preparar cínica e metodicamente a recandidatura, produziu a mais hilariante declaração, não a vai cumprimentar para «evitar aproveitamentos políticos».

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/12/greta-thunberg-as-agressoes-ao-planeta.html

Líderes mundiais querem ampliar luta contra aquecimento global

Líderes mundiais prometeram ampliar a luta contra o aquecimento global no primeiro dia da COP25, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que está sendo realizada em Madri, na Espanha.

 

 

Ela reúne líderes de mais de 30 países. Os participantes se comprometeram a agir nos termos do Acordo de Paris, que deverá ser implementado no ano que vem.

No entanto, os líderes dos maiores emissores dos gases causadores do efeito estufa, incluindo os Estados Unidos, a China, a Índia e o Japão, não participam do encontro.

Os EUA, o segundo maior emissor desses gases no mundo, anunciou oficialmente a sua retirada do Acordo de Paris em novembro.

Na sessão de abertura da conferência, António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), reforçou que a única forma de conter o aumento das temperaturas globais abaixo de 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais é visar a neutralização das emissões de carbono até 2050.

Guterres pediu que as pessoas “entrem no caminho correto hoje, não amanhã” e disse que a conferência vai oferecer a oportunidade para que isso seja feito.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil (Agência Brasil) / Tornado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/lideres-mundiais-querem-ampliar-luta-contra-aquecimento-global/

Os paradimas de crescimento que a realidade põe em causa

Decorre nesta altura o segundo dia da Cimeira do Clima em Madrid e a passagem de Greta Thunberg por Lisboa. De tais notícias pouco há a acrescentar ao que tem sido dito e escrito, quer quanto á importância do evento, quer ao papel desempenhado pela jovem ativista sueca na criação de uma crescente implicação da juventude na contestação ao atual estado das coisas por esse mundo fora.

 

Daí que valha a pena focarmo-nos noutra constatação agora feita pelo site The Conversation, segundo o qual as alterações climáticas começaram a ser inicialmente identificadas e conceptualizadas como uma «externalidade», um problema ambiental clássico a ser gerido da forma do costume, ou seja, sem pôr em causa os modos de produção, de consumir e de modelos de desenvolvimento.. Daí que, ao analisarem-se 77 mil artigos publicados pelas nove mais importantes revistas de ciências económicas desde a sua criação, apenas 57 versaram o tema. Pior ainda comprova-se que o Quartely Journal of Economics, que costuma ser a mais citado nas análises económicas, nem sequer uma vez dedicou atenção ao problema.

 

Compreende-se esse alheamento autista sobre a profunda transformação ambiental vivida atualmente no planeta e que tantas e tão justificadas apreensões suscitam transversalmente em todas as latitudes. É que a formação das sucessivas gerações de economistas pressupõe a incontornável preocupação em assegurar as melhores estratégias para o crescimento económico, produzindo-se e consumindo-se sempre mais e com a população mundial sempre a aumentar. Ora as circunstâncias estão a exigir urgentes alterações nos paradigmas tidos como axiomáticos: não só virá a impreterível necessidade de cumprir um decrescimento planificado das economias, que acautele uma mais justa distribuição de rendimentos, como as legislações a nível global deverão conter os crescimentos populacionais através de políticas ativas de planeamento familiar.

 

Tais estratégias colidem com as cristalizadas conceções de diversos papas: quer os desfasados gurus da economia, que insistem no seu credo ultraliberal, quer os das várias religiões, que continuam a pugnar para que as mulheres continuem a gerar os filhos que os seus supostos deuses lhes estariam a «oferecer», independentemente deles virem a morrer precocemente de doenças ou nos perigosos trajetos para a emigração até sociedade julgadas ricas aonde são indesejados e dificilmente encontrarão melhor sustento que o negado pelas infaustas geografias donde provém.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/12/os-paradimas-de-crescimento-que.html

China impulsionará ainda mais vendas de veículos elétricos e inteligentes

 

Um veículo movido a nova energia está em exibição na Conferência Mundial de Veículos Conectados Inteligentes 2019 em Beijing, capital da China, em 22 de outubro de 2019.(Xinhua/Ren Chao)

Beijing, 3 dez (Xinhua) -- A China planeja impulsionar ainda mais as vendas de veículos movidos a nova energia (NEVs) e veículos conectados inteligentes (ICVs) para incentivar o crescimento verde e inteligente do maior mercado automobilístico do mundo.

Um projeto de plano do Ministério da Indústria e Informatização prevê que as vendas de NEVs representem cerca de 25% das vendas totais de carros novos até 2025.

A competitividade do setor deve ser aprimorada através de importantes avanços tecnológicos em bateria, motor e sistema de operação a bordo, bem como outros campos, segundo o projeto.

A partir de 2021, os carros novos que circularem nas zonas piloto de conservação ecológica e nas áreas públicas das regiões que têm tarefas de combater a poluição atmosférica devem de ser NEVs, exige o texto.

Apesar de uma retração do mercado automobilístico, as vendas de NEVs do país registraram um aumento de dois dígitos nos primeiros dez meses de 2019, correspondendo por quase 5% do total de vendas de carros novos durante o período.

A China também pretende promover os ICVs, elevando a participação de suas vendas no total de automóveis para cerca de 30% até 2025.

Os ICVs, com alto nível de autonomia, podem alcançar uso comercial em determinados âmbitos e cenários, destaca o documento.

O plano surge à medida que o governo intensifica os esforços para revigorar o setor automobilístico, que perdeu força em 2018 com as vendas de carros caindo pela primeira vez em mais de duas décadas.

Um visitante experimenta um veículo elétrico Lixiang One durante a 18ª Exposição Internacional da Indústria Automobilística de Shanghai, em Shanghai, leste da China, em 17 de abril de 2019.(Xinhua/Fang Zhe)

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/03/c_138602821.htm

33 milhões de pessoas na África correm risco de passar fome devido mudanças climáticas, segundo organização Save the Children

Madri, 2 dez (Xinhua) -- O Fundo Save the Children alertou na segunda-feira que 33 milhões de pessoas de 10 países da África Oriental e Austral estão correndo risco de morrer de fome devido efeitos das mudanças climáticas.

A organização fez o anúncio no primeiro dia da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP25), aberta na segunda-feira.

Foi dito que em 2019 "partes da África Oriental e Austral foram devastadas por inundações, deslizamentos de terra, secas e ciclones, deixando pelo menos 33 milhões de pessoas em níveis emergenciais de insegurança alimentar ou algo pior".

Também foi dito que, como a área tem 162 milhões de pessoas com menos de 18 anos, mais de 16 milhões de crianças estão "em níveis de crise ou emergência alimentar".

"A África Austral está aquecendo duas vezes mais que a taxa global e muitos países foram atingidos por múltiplos choques climáticos, incluindo Moçambique, que viu dois ciclones fortes na mesma temporada pela primeira vez na história registrada", alertou.

Esses eventos climáticos extremos forçam milhões a sair de seus lares e se afastarem dos meios de produção de alimentos, enquanto o deslocamento das populações também deixa as crianças especialmente "vulneráveis ​​à exploração... e às doenças atribuíveis às mudanças climáticas", como malária e dengue.

"As conclusões desta análise são sombrias e mostram que a crise climática está piorando a desigualdade, a pobreza e o deslocamento no leste e no sul da África. A crise climática está acontecendo e está matando pessoas, forçando-as a saírem de suas casas e arruinando as chances das crianças de um futuro", disse Ian Vale, diretor regional da Save the Children para a África Oriental e Austral.

"Pedimos aos líderes mundiais que tomem medidas decisivas para redução do impacto das mudanças climáticas e garantias de que a vida e o futuro de nossos filhos sejam protegidos", acrescentou.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/03/c_138602191.htm

“Onda verde” sem pobres: O caso do Extinction Rebellion

Em 2019, a chamada “onda verde” tomou as ruas das principais cidades na Europa. Um de seus principais agitadores foi oExtinction Rebellion (XR), movimento “global” idealizado por dois britânicos em 2018. Rapidamente eles tomaram as manchetes dos principais veículos de comunicação do mundo, justamente por fazerem ações que, segundo o grupo, seguem o princípio da “resistência pacífica” e da “holacracia”. Por trás do comportamento paz e amor, no entanto, existe uma multitude de doações financeiras sombrias.

Corporações

Desde sua fundação, em outubro de 2018, o movimento angariou mais de£2,5 milhões (13,6 milhões de reais) em doações. Muitas dessas doações vieram de corporações e filantropos bilionários diretamente ligados com indústrias. 

Um dos homens mais ricos do Reino Unido é um dos principais financiadores doExtinction Rebellion. Sir Christopher Hohn, que vale 1,2 bilhão de libras (cerca de 6,5 bilhões de reais), deu 50 mil libras ao grupo. A instituição de caridade que Hohn co-fundou, aChildren’s Fund Investment Foundation, também doou mais de 150 mil libras ao grupo. Outros doadores importantes incluem oClimate Emergency Fund, um grupo de filantropos americanos que inclui a herdeira da gigante de petróleo Getty, Aileen Getty.

O grupo, apesar de em tese fazer ações cobrando “posições verdes” de corporações, tem mantido um posicionamento mais do que amigável com as mesmas. Um dos subgrupos deles é o Suits & Ties XR(algo como “XR de terno e gravata” em tradução livre), que é formado por empresários que acreditam que a “crise climática é crise nos negócios”. Esse posicionamento supostamente apolítico do grupo se dá, segundo eles, pelo fato de que “um discurso muito à esquerda pode assustar parceiros liberais e conservadores.” É importante notar que, apesar dos montantes, nenhum dinheiro do grupo foi gasto pagando fiança dos ativistas presos em atos de desobediência civil.

Polícia

OXR incentiva a prisão dos seus apoiadores. Em um agora famoso vídeo de um bloqueio da ponte de Londres em novembro de 2018, que lançou oXR como grupo público, o co-fundador do grupo Roger Hallam pode ser visto ajudando um oficial de polícia a organizar a prisão de manifestantes. 

A estratégia consiste em trazer as forças de segurança do estado como uma “facilitadora antagônica”, e não como inimiga da luta. Hallam alega que a Polícia Metropolitana “é provavelmente uma das forças mais civilizadas do mundo”, empregando uma “equipe profissional de homens que vão a protestos sociais.” Não é incomum que durante protestos os manifestantes inclusive cantem para a polícia e até elogiem a maneira “sensível” como são tratados na prisão.

Um caso curioso foi o de um rapaz que foi libertado da detenção policial em Brixton. Manifestante doExtinction Rebellion, ele se encarregou de enviar flores e uma nota de agradecimento “para todas as almas amáveis da delegacia de Brixton, por todo o trabalho que vocês fizeram com decência e profissionalismo”. Esse ato foi especialmente criticado por grupos de direitos negros, já que esse centro de detenção está marcado na história da Grã-Bretanha pela morte de negros sob custódia policial, sendo o caso mais famoso o de Sean Rigg, músico britânico negro de 40 anos e produtor musical que sofria de esquizofrenia paranóica. Ele morreu após uma parada cardíaca em 21 de agosto de 2008 enquanto estava sob custódia policial na entrada da delegacia de Brixton.

Esse episódio foi só um dos inúmeros em que o grupo tomou abordagens estranhas aos movimentos de direitos raciais e minorias. Rupert Read, acadêmico ativista do Partido Verde da Inglaterra e um dos porta-vozes mais proeminentes doXR, por exemplo,culpa a “imigração em larga escala” como causa de “perigosas mudanças climáticas”.

Golpe na Bolívia

Uma das principais ativista doExtinction Rebellion, Claire Wordley, publicou recentemente um artigo intitulado “Não são apenas as florestas do Brasil que estão queimando, a Bolívia também está pegando fogo“. A essência do artigo de Wordley é a afirmação de que o presidente boliviano Evo Morales é o culpado pelos incêndios na floresta de Chiquitania; que ele é tão “prejudicial quanto os capitalistas que Morales afirma odiar”, e que o mandatário não respondeu efetivamente aos incêndios; mas que enfim fora forçado a contratar umBoeing 747 Supertanker no combate aos incêndios pela ação de “cidadãos voluntários.”

O artigo de Wordley é respaldado pela ativista boliviana Jhanisse Vaca-Daza, ex- aluna na Escola Kennedy dos EUA, que articulou internacionalmente a narrativa da necessidade de um golpe na Bolívia. Fortemente financiada pelo governo dos EUA, Vaca-Daza liderou os ataques de propaganda contra Morales e lançou a hashtag#SOSBolivia para implorar às nações imperialistas por uma intervenção, explorando os incêndios florestais para esse fim. Jhanisse é membro daHuman Rights Foundation, grupo financiado pela infameAtlas Network, cujos membros principais são bancados obscuramente para fomentar a interferência política na América Latina. Em suas redes sociais, Daza se vangloria de ser descendente direta de Hilárion Daza, ex-ditador militar boliviano que governou o país depois de liderar um golpe entre 1876 e 1879.

OExtinction Rebellion não apenas deu voz às ideias de Jhanisse Vaca-Daza, como também organizou uma série de protestos em frente às embaixadas bolivianas na Europa, vendendo a narrativa de que Morales e Bolsonaro estão no mesmo patamar eco-político. Mesmo com todas as notícias apontando à violência e truculência do golpe na Bolívia, Claire Wordley se mantém impassível, e em suas redes sociais continua apoiando o golpe e culpando os apoiadores de Morales e oMovimiento Al Socialismo (MAS) pela situação caótica do país.

Desde a década de 80, o ambientalismo no hemisfério norte tem sido criticado pelas suas posturas “apolíticas”, por ser demasiadamente ligado a corporações, por pouca atenção dar aos interesses da classe trabalhadora e às questões raciais e de imigração. Afinal de contas, a chamada indústria verde se tornou um mercado altamentelucrativo e apático à realidade de que o dano ambiental segue nas linhas existentes de pobreza e raça. 

Não se espera que nenhuma organização surja perfeitamente formada, especialmente levando em consideração o contexto europeu, de pouca memória histórica da ação direta como luta coletiva. Contudo, a gravidade do caso doExtinction Rebellion está em seu programa: na luta pelo clima, é global o suficiente para abarcar engravatados e a polícia, mas não o sul global e os pobres.

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Ver original em 'Revista Opera' (aqui)

Ser ativista ambiental é mais perigoso em alguns países do que noutros

EA / Pexels

Colômbia

Nos países desenvolvidos, são vários os ambientalistas a pedir ação em caso de emergência planetária. Mas quando os ambientalistas são corajosos o suficiente para se fazerem ouvir em lugares como Barrancabermeja, na Colômbia, protestam normalmente contra problemas locais. 

 

A falta de saneamento, a água contaminada e a desflorestação são três dos problemas que degradam o ambiente local, representando também uma ameaça direta à saúde humana.

Barrancabermeja, na Colômbia, alberga a maior refinaria de petróleo da Colômbia.A refinaria opera há cerca de 100 anos e, durante esse período de tempo, as indústrias locais poluíram os cursos de água natural com metais pesados, que foram absorvidos pelo solo e pela vegetação com que o gado se alimenta.

A água potável não chega a todas as áreas de Barrancabermeja, fazendo com que alguns lugares não tenham água corrente, uma situação que já motivou vários protestos ambientais.

A poluição e o acesso a água potável são dois dos principais problemas da cidade, que motivam greves e protestos. Mesmo durante o pior conflito colombiano, entre os anos 1980 e o início dos anos 2000, a população de Barrancabermeja foi suficientemente corajosa para protestar pelo direito à água potável. E ainda hoje o fazem.

Segundo o The Conversation, no coração da indústria pesada da Colômbia, o ambientalismo tem raízes antigas e passou por duras décadas de violência e intimidação. A população colombiana mantém a preocupação com o ambiente há muitos anos, mas sempre sob pressão.

Os protestos ambientais em países em desenvolvimento da Ásia, América Latina, África ou Caraíbas podem ser perigosos. Estas regiões são, coletivamente, conhecidas como Global South.

Dos 20 países com mais assassinatos de ativistas ambientais em 2018, 19 são considerados parte do Global South. A única exceção é a Ucrânia, que ocupa a 10ª posição com três mortes. As Filipinas registaram mais assassinatos do que qualquer outro país, com 30 mortos no ano passado, seguida da Colômbia, com 24 mortes.

Em Barrancabermeja, os líderes ambientais são caluniados, intimidados e ameaçados. Muitos viram-se obrigados a abandonar as suas casas e procurar asilo político no exterior.

O movimento ambiental ganhou o apoio de milhões de pessoas em 2019. No entanto, manter a solidariedade para com as pessoas menos afortunadas dos países em vias de desenvolvimento e exigir uma ação coordenada e global é essencial.

A comunicação social assume um papel importante nesta missão, mas é importante que as experiências das pessoas que protestam em locais como Barrancabermeja sejam ouvidas, defende Fatima Garcia Elena, professora na Faculdade de Ciências Sociais, Nottingham Trent University, no Reino Unido.

É inegável a existência de diferenças nas lutas ambientais em todo o mundo. Aumentar a consciencialização sobre o aumento da temperatura é importante, dado que a crise climática é um problema global. No entanto, os riscos não são distribuídos de maneira uniforme e os efeitos são mais localizados e prementes apenas para alguns.

ZAP //

 
 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/ativista-ambiental-perigoso-294697

Sede da COP25 em 2020, Portugal destaca capital verde e avanço das energias renováveis

Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante a assinatura de um acordo com a transportadora aérea TAP, em 6 de fevereiro de 2016
© AFP 2019 / PATRICIA DE MELO MOREIRA

O primeiro-ministro português, António Costa, considerou que Portugal está à frente nas políticas ambientais e destacou a escolha de Lisboa para capital verde europeia.

Além disso, o primeiro-ministro enfatizou a realização da conferência mundial sobre oceanos em Portugal, que ocorrerá em 2020.

"É a primeira vez que uma cidade do sul da Europa será a capital verde. Entretanto, uma das grandes prioridades da política externa portuguesa é organizar a conferência mundial sobre os oceanos no quadro das Nações Unidas", afirmou.

Nesta segunda-feira (2), António Costa deve participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP25), que ocorre em Madrid, com o objetivo de debater planos e metas no combate à poluição, segundo o portal Observador. 

De acordo com António Costa, o país há anos que está investindo e trabalhando na incorporação de energias renováveis, sendo que uma das provas disso é o leilão de energias renováveis realizado em junho, onde Portugal bateu o recorde mundial da energia mais baixa.

A COP25 será presidida pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e pelo secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, contando com delegações de 196 países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019120214843153-sede-da-cop25-em-2020-portugal-destaca-capital-verde-e-avanco-das-energias-renovaveis/

O desafio da economia diante das mudanças climáticas

 
 
Apesar de crescimento econômico ameaçar o clima, ele é necessário, sobretudo em países mais pobres. Perante este impasse, especialistas defendem que o capitalismo passe a priorizar investimentos sustentáveis.
 
Em seu romance de ficção científica de 2012 News From Gardenia (Notícias de Gardênia, em tradução livre), o autor Robert Llewellyn observa um mundo que acaba ficando bem. Os seres humanos vivem harmoniosamente com o ambiente natural ao seu redor. O capitalismo de mão pesada parece ter entrado em colapso, substituído por uma troca local de bens e serviços. As comunidades parecem mais saudáveis ​​e felizes, mas é uma catástrofe global inespecífica na história que forçou a mudança.
 
O arco narrativo é tal que Greta Thunberg também concordaria com ele. O crescimento econômico é um "conto de fadas" que mata o planeta, disse a jovem ativista em setembro. "Desacelerem por opção agora", pediu ela aos líderes da Cúpula da Ação Climática da ONU, "ou as mudanças climáticas nos forçarão a fazê-lo – talvez mais cedo do que mais tarde".
 
Sublinhando seu ponto de vista, o movimento Greve pelo Futuro (nome internacional: Fridays For Future) de Thunberg convoca um Dia sem Compras nesta sexta-feira (29/11), em plena Black Friday, uma tradição comercial dos EUA que se segue ao Dia de Ação de Graças e dá a largada para a temporada de compras de Natal.
 
Para a maioria dos economistas, no entanto, uma solução de baixo ou nenhum crescimento para as mudanças climáticas não é algo a ser levado a sério e certamente não pode ser aplicado em escala global. "O campo da Greta é mais um fenômeno econômico avançado", diz à DW Adam Tooze, professor de história da economia na Universidade de Columbia. "Está no domínio da política razoável para economias avançadas dizer que não precisamos de mais crescimento."
 
 
 
Ele acrescenta, entretanto, que isso não se aplica às economias mais pobres e em desenvolvimento, que enfrentam uma "genuína escolha difícil" entre atender às "necessidades humanas existenciais" – como água potável, saneamento e assistência médica – e buscar a rápida descarbonização necessária para atender às metas do Acordo de Paris sobre o aquecimento global.
 
"Isso coloca a maior parte do ônus da descarbonização nos países ricos", frisa Tooze. "Neles, o desafio é menor, mas de modo algum é uma questão fácil em termos de tecnologia e política". Economistas como Tooze defendem, ao invés de uma escolha radical por um não crescimento, puxar as alavancas existentes do capitalismo global para alcançar o crescimento sem pegada de carbono.
 
Uma dessas alavancas são os bancos centrais, que, segundo Tooze, poderiam projetar políticas monetárias que favoreçam soluções climáticas como energias renováveis, tecnologia de baterias e captura de carbono em larga escala, além de tornar menos atraentes os investimentos sujos.
 
Com a flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês) de volta à caixa de ferramentas do banco central para estimular as economias estagnadas, Tooze quer que o Banco Central Europeu "se comprometa a comprar tantos títulos verdes quanto puder, sem excluir investidores privados".
 
"Não há realmente nenhum caso para bancos centrais ou gestores de reservas cambiais estrangeiras ainda continuarem subscrevendo um status quo de combustíveis fósseis, que sabemos que não é sustentável", afirma o especialista.
 
A ideia causa arrepio a alguns bancos centrais, especialmente ao Bundesbank, o Banco Central alemão, que se opõe à QE de maneira mais ampla e é "muito crítico" à chamada QE verde. "Nossa missão é a estabilidade de preços, e a neutralidade do mercado é fundamental para nossa política monetária", disse o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, no mês passado em Frankfurt.
 
Capital verde
 
Em outras palavras, é trabalho dos políticos, não dos bancos centrais, colocar o dedo na balança, despejando trilhões de dólares de capital em prol da desaceleração do aquecimento global.
 
Outras instituições financeiras são menos nervosas. No início deste mês, o Banco Europeu de Investimento (BEI) anunciou que deixaria de apoiar projetos de combustíveis fósseis até o final de 2021. Isso retiraria de hidrocarbonetos cerca de 2 bilhões de euros em financiamento anual proveniente da União Europeia (EU).
 
Os analistas de financiamento climático saudaram a decisão do BEI, observando que ainda há muito mais a ser feito. O financiamento climático global total atingiu 612 bilhões de dólares em 2017, um recorde, antes de cair para 546 bilhões de dólares em 2018, de acordo com um relatório anual divulgado neste mês pela Iniciativa de Política Climática (CPI), think tank ambientalista que presta consultoria sobre investimentos verdes.
 
A entidade calcula que sejam necessários 3,8 trilhões de dólares a cada ano para atingir as metas climáticas de Paris.
 
"A verba não basta", diz Barbara Buchner, diretora de finanças climáticas da CPI. "Mas reservar apenas alguns pontos percentuais do investimento total para a ação climática nos levaria muito mais longe."
 
Buchner quer ver uma "transformação econômica total", que, antes de mais nada, significa acabar com o carvão, eletrificar o transporte, além de produzir e distribuir energia renovável suficiente para assegurar que a eletricidade seja livre de carbono. "A tecnologia existe", diz. "Ou pode existir em breve, caso sejam dados incentivos suficientes para pesquisa e desenvolvimento em larga escala."
 
Revolução Industrial como exemplo
 
"Esse tipo de transformação já aconteceu anteriormente", afirma Ashoka Mody, economista da Universidade de Princeton. Ele deposita suas esperanças de crescimento econômico climaticamente neutro em parte, e talvez ironicamente, no ponto de virada histórico que iniciou a mudança climática: a Revolução Industrial. Naquela época, como agora, o sistema econômico global mudou fundamentalmente; e então, como agora, a transição produziu vencedores que lucraram e perdedores que precisaram de compensação.
 
A comparação de Mody, no entanto, vem com uma ressalva: sem uma ameaça iminente, a revolução industrial do século 19 foi se desenvolvendo à medida que a tecnologia e as práticas de negócios evoluíam. A adoção foi mais orgânica.
 
O rápido aumento da temperatura global, como previsto no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de 2018, significa que "não podemos esperar", diz ele. "A intervenção governamental precisa ser muito mais agressiva", alerta.
 
Embora exista um amplo consenso de que tanto uma taxação séria sobre o carbono quanto uma regulamentação forte são necessárias, Mody defende principalmente a última. "Normas funcionam. Restrições levam à inovação", afirma, citando como exemplo o Clean Water Act (lei da água limpa) de 1972, que forçou a indústria dos EUA a encontrar modos de limitar a poluição da água e continuar lucrativa.
 
Para Mody, a questão não é se a economia pode crescer, mas como. "Tantas pessoas ainda são desesperadamente pobres", observa. "Em seu nível mais básico, o crescimento econômico é o que permite que as crianças se saiam melhor que seus pais", diz. "Sem crescimento, as pessoas vão perder o incentivo para participar da vida cívica."
 
William Noah Glucroft (md) | Deutsche Welle

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/o-desafio-da-economia-diante-das.html

Protestos pedem mais ações para conter mudanças climáticas

 
 
Nova mobilização do movimento Greve pelo Futuro reuniu milhares de pessoas em Berlim, Varsóvia, Lisboa, Tóquio e Johanesburgo. Na França, manifestantes tentaram bloquear depósito do site Amazon.
 
Milhares de manifestantes pelo mundo saíram às ruas nesta sexta-feira (29/11) para exigir que líderes políticos adotem medidas concretas para combater o aquecimento global. O movimento ocorre três dias antes do início da Conferência sobre as Mudanças Climática (COP25) em Madri.  A mobilização mundial foi iniciada pelo movimento Greve pelo Futuro (Fridays for Future) e, segundo os organizadores, ocorreu em 2.400 cidades em 157 países.
 
Na Alemanha, o movimento levou às ruas habitantes de 500 cidades. Os organizadores calcularam que 100 mil pessoas aderiram aos protestos. Dezenas de milhares de estudantes concentraram-se em frente do Portão de Brandemburgo, em Berlim.
 
Ainda na capital alemã, cerca de duas dúzias de ativistas ambientais saltaram para as águas geladas do rio Spree em frente à sede do Bundestag (Câmara baixa do Parlamento) para protestar contra o pacote climático do governo alemão. Eles afirmaram que o conjunto de medidas não é suficiente para reduzir os gases que provocam o efeito de estufa no país. Parte do pacote foi bloqueado hoje pelo Bundesrat (Câmara alta do parlamento), que representa os 16 estados do país, por divergências sobre quem vai financiar algumas das medidas.
 
 
 
Os primeiros protestos do dia foram registrados na Austrália, onde pessoas afetadas recentemente pelos devastadores incêndios florestais que atingiram o país se juntaram a grupos de ambientalistas para protestar contra o governo, que é acusado de favorecer a energia fóssil.
 
A jovem ativista Greta Thunberg, que deu início ao movimento em 2018, não participou diretamente hoje. Ela ainda está atravessando o Atlântico num veleiro para participar da Conferência em Madri. A COP25 estava prevista para ocorrer originalmente no Chile, mas foi transferidapara a Espanha depois da eclosão de protestos no país sul-americano. Ela esperava chegar a tempo de participar dos protestos em Lisboa, mas a viagem foi atrasada pelo mau tempo no oceano.
 
À distância, Greta publicou uma mensagem de apoio aos manifestantes. "Todos são necessários. Todos são bem-vindos. Junte-se a nós", escreveu no Twitter.
 
Outras manifestações foram registradas na Coreia do Sul, na Polônia, na Inglaterra, na Turquia, na Itália, na Espanha, na França e em Portugal. Na África do Sul, manifestantes empunharam cartazes a com frases como "parem a poluição agora" em frente à bolsa de valores Johanesburgo.
 
No Japão, centenas de pessoas protestaram no distrito de Shinjuku, em Tóquio, para demonstrar seu apoio ao movimento. Em Varsóvia, na Polônia, ativistas, alguns usando máscaras de gás, estenderam faixas com os dizeres: "Salve nosso planeta" e "Polônia sem carvão em 2030".
 
Já na França, ativistas protestaram em sedes da empresa Amazon para protestar contra o mega evento anual de compras da Black Friday, que foi acusado de agravar o consumismo desenfreado e aumentar a pressão sobre os recursos do planeta.
 
Algumas dezenas de manifestantes fizeram uma manifestação ao amanhecer em frente a um prédio administrativo da Amazon em Paris, segurando placas como "Não à Amazon e ao seu mundo". Outros ativistas em Lyon foram mais longe e tentaram bloquear o acesso a um centro de logística da empresa nos arredores da cidade. A polícia agarrou e arrastou vários manifestantes para liberar o acesso.
 
Na Nigéria, vários jovens marcharam em Lagos com mensagens como "Não há Planeta B" e "Parem de negar que a Terra está morrendo" enquanto veículos que passavam buzinavam, em apoio.
 
JPS/lusa/ap/dpa
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/protestos-pedem-mais-acoes-para-conter.html

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