Alimentação

Wuhan proíbe oficialmente consumo, venda e caça de animais selvagens

 

Wuhan, o epicentro da pandemia do novo coronavírus (covid-19), proibiu oficialmente o consumo, venda e caça de animais selvagens durante os próximos cinco anos, anunciaram esta quarta-feira as autoridades da cidade chinesa.

 

A proibição tem efeito imediato e aplica-se ao consumo e venda de animais selvagens, sejam estes capturados da natureza ou criados em cativeiro, detalham as autoridades locais num comunicado citado pela revista Newsweek.

As autoridades de Wuhan, que tem cerca de 11 milhões de habitantes, frisam ainda que a proibição se aplica também à caça de animais selvagens, definindo toda a região que abrange a cidade chinesa como um “santuário da vida selvagem“.

As exceções são apenas para “pesquisa científica, regulação populacional, monitorização de doenças epidémicas e outras circunstâncias especiais”, explicaram as autoridades, frisando que o decreto inclui também o comércio online de animais selvagens e dos seus derivados.

https://twitter.com/PDChina/status/1263153103785902080?ref_src=twsrc%5Etfw
 
 

 

De acordo com a mesma nota, foi ainda criado um apoio financeiropara agricultores e produtores para que estes deixem de criar animais selvagens.

A medida, nota a imprensa internacional, surge num momento em que o país asiático está a ser pressionado internacionalmente para acabar com a venda e consumo de animais selvagens, apontados como possíveis transmissores do novo coronavírus, que já matou mais de 320 mil pessoas em todo o mundo.

Os primeiro casos de covid-19 surgiram na cidade de Wuhan e há vários os estudos que apontam que o SARS-CoV-2 surgiu do consumo de animais selvagens oriundos de mercados clandestinos chineses, como o de Wuhan. Pangolins, morcegos, cobras, crocodilos eram alguns dos animais vendidos neste tipo de comércio.

A pandemia do novo coronavírus já matou pelo menos 323.370 pessoas e infetou mais de 4,9 milhões em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP.

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A procura por sumo de laranja está a disparar (e a culpa é do coronavírus)

 

A procura por sumo de laranja tem disparado nos últimos tempos, muito devido à pandemia de covid-19. As pessoas querem reforçar o seu sistema imunitário.

Já quase ninguém está indiferente à ameaça da pandemia de covid-19, que já conta com quase um milhão de pessoas infetadas e já fez quase 50 mil vítimas mortais. De forma a reforçar o sistema imunitário, as pessoas estão a beber sumo de laranja como nunca antes.

O sumo concentrado de laranja é a mercadoria mais comercializada em Nova Iorque, este ano, de acordo com dados da Bloomberg. O Estado nova-iorquino é o mais afetado nos Estados Unidos, com o número de infetado a rondar os 83 mil.

“Há bastante sumo de laranja por aí, mas é um pouco como papel higiénico – não há escassez, mas as pessoas estão a correr para comprá-lo“, diz o especialista em agroeconomia Neil Murray, citado pelo OZY.

Os norte-americanos estão a apressar-se para comprar sumo de laranja também pelo facto de que os analistas preveem uma subida de preços gerada pela falta de mão-de-obra e de transportes. E a verdade é que já começaram a aumentar.

“Os comerciantes estão a questionar se os trabalhadores estão por perto para cuidar das fábricas na Flórida e no Brasil”, diz o corretor de mercados Jack Scoville.

A produção de laranjas tem aumentado tanto no Brasil como na Flórida, embora os mercados mundiais estejam a sentir as consequências do surto do novo coronavírus.

Isto numa altura em que a procura de sumo concentrado de laranja tinha vindo a decrescer ao longo dos anos, principalmente devido ao facto de que os consumidores começam a procurar alternativas com menor teor de açúcar.

ZAP //

 
 
 

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DGS lança manual para orientar consumo e compra de alimentos

 

A Direção-Geral da Saúde (DGS) lançou um manual que, além de reforçar a importância das “boas práticas de higiene e segurança” para prevenir a Covid-19, sugere várias orientações para o consumo, planeamento e compra de alimentos.

“Não existe propriamente uma relação entre a doença Covid-19 e a alimentação, contudo, há um conjunto de dúvidas que, quer a população, quer os profissionais de saúde têm colocado relativamente à alimentação”, afirmou Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS, esta sexta-feira.

Em declarações à agência Lusa, a responsável explicou que foi com o objetivo de responder a estas questões que decidiram lançar este manual de orientação para a área da alimentação.

Subdividido em temas, o documento, que esclarece que não existe transmissão através dos alimentos, sugere orientações para o planeamento e a compra de alimentos e seis passos para uma alimentação saudável em tempos de Covid-19.

 
 

De acordo com Maria João Gregório, a evidência científica indica que os alimentos “não são uma via de transmissão“, mas que são necessários reforços nas “boas práticas de higiene e de segurança”, especialmente no momento da compra dos alimentos.

“Não vamos ficar fechados em casa, portanto não temos de ter uma preocupação acrescida em fazer a compra de muitos alimentos e açambarcar, mas temos de modificar o nosso comportamento na compra”, afirmou, adiantando que o manual recomenda a redução “da frequência da ida às compras e um maior planeamento“.

“No momento da compra, devemos assegurar e ter em consideração algumas medidas de segurança, nomeadamente, etiqueta respiratória, cumprir as distâncias de segurança e evitar o manuseamento excessivo de alimentos. É isso que reforçamos neste manual”.

Nesse sentido, o manual sugere o cumprimento da lista de compras, a escolha de produtos e alimentos com um prazo de validade mais longo e a compra de produtos frescos.

Além destas medidas, o documento propõe ainda um kit, isto é, indica os alimentos e quantidades que são necessárias para assegurar a alimentação durante um período de 15 dias. Os alimentos seguem as orientações da roda dos alimentos e a quantidade é deixada à consideração da população, uma vez que depende da “capacidade de armazenamento” de cada família.

Paralelamente, o manual propõe “seis passos para uma alimentação saudável“, tendo por base a necessidade de a população “manter as rotinas e os horários das refeições”, bem como o aproveitamento do tempo.

Além destas duas orientações, o documento esclarece também se a alimentação pode reforçar o sistema imunitário e a questão do aleitamento materno.

Segundo Maria João Gregório, são várias as dúvidas que têm surgido quanto à importância da alimentação, especialmente, porque tem também existido “alguma desinformação”.

“Não podemos deixar de nos focar nas medidas que são importantes para prevenirmos a propagação deste vírus e da doença Covid-19”, afirmou a diretora, adiantando que as práticas de higiene “continuam a ser a melhor forma de prevenir a doença”.

Quanto ao aleitamento materno, face ao surto de Covid-19, a responsável adiantou que, apesar de ser “pouca a evidência científica”, um estudo realizado a nove mães aponta que “o leite materno não é uma via de transmissão”.

“A experiência que temos relativamente a outros vírus respiratórios também apontam nesse sentido, mas a verdade é que existe no momento da amamentação uma proximidade que pode colocar aqui alguns riscos. É necessário, mais uma vez, reforçar todas as precauções para que esta relação próxima possa acontecer com a maior das seguranças e as mães terão, naturalmente, de ser informadas sobre os riscos e benefícios e tomar uma decisão informada”, reforçou.

Nesse sentido, o documento sugere, por exemplo, a lavagem das mãos antes e depois de cada mamada, a utilização de uma máscara durante a amamentação e a desinfetação dos objetos e superfícies usados frequentemente.

O manual aborda ainda o estado nutricional dos idosos, que, tratando-se de um grupo de risco, são aconselhados a adotar “medidas” para reduzir o risco de contaminação.

“Sabemos que o estado nutricional dos idosos muita das vezes não é o mais adequado, portanto, neste manual colocamos um conjunto de orientações relativamente à sua alimentação”, concluiu Maria João Gregório.

Entre outras questões, o manual recomenda que este grupo etário, consuma duas a três porções de fruta por dia, que a sopa de hortícolas esteja presente nas duas refeições diárias e que devem consumir carne, pescado e ovos nas duas refeições.

Alimentos cozinhados ou crus não constituem risco de contaminação

A ingestão de alimentos cozinhados ou crus, como vegetais, não constitui um risco de contaminação pela Covid-19, uma vez que o vírus se transmite por via respiratória e conjuntival, através do contacto entre pessoas.

O alerta surge nas perguntas e respostas da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), e foi, esta semana, reforçado pelo Ministério da Agricultura, após ter sido registada a divulgação de mensagens falsas relacionadas com a segurança alimentar.

“A transmissão do novo coronavírus ocorre por via respiratória e conjuntival, mediante contacto entre pessoas”, não sendo, assim, possível a transmissão deste vírus através de alimentos, cozinhados ou crus, alerta o ministério liderado por Maria do Céu Albuquerque, num comunicado recentemente divulgado. Porém, este facto não dispensa as regras gerais de higiene na manipulação dos alimentos, ressalva o Executivo.

A DGS também já tinha disponibilizado esta informação num documento de perguntas e respostas, publicado ‘online’, no qual são citadas as conclusões da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), que revelam não existir, até ao momento, evidência de qualquer tipo de contaminação através do consumo de alimentos cozinhados ou crus.

Segundo a EFSA, “a experiência dos surtos anteriores com coronavírus” mostra que a transmissão não ocorreu através do consumo alimentar.

O mesmo documento refere, a este respeito, que o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) sublinha que a transmissão do vírus “ocorre pessoa a pessoa e por contacto próximo” com infetados pelo vírus ou superfícies e objetos contaminados.

Por sua vez, a ASAE também divulgou uma orientação que vai no mesmo sentido. “Tomando em consideração todos os estudos levados a cabo até ao momento, não existe evidência de qualquer tipo de contaminação através da ingestão de comida cozinhada ou crua”, destaca esta autoridade, numa publicação no site do Ministério da Economia.

ZAP // Lusa

 
 
 

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Quando a conservação da natureza dá cobertura às tecnociências mortíferas

Este artigo lança um muito importante alerta. As velhas multinacionais dos OGM e os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) empenham o seu imenso poder para fazer instalar em toda a parte a biologia sintética e se apossarem da terra e dos oceanos, “libertos” da agro-pecuária e da pesca. As implicações são enormes, gravosas e imprevisíveis. Mas as organizações de conservação da natureza, a começar pela IUCN, parecem já ter sido capturadas por esses potentados.

 Françoise Degert    06.Mar.20

Está confirmado: os conservacionistas, incluindo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), estendem o tapete vermelho à frente das piores tecnociências, em benefício das multinacionais e de investidores ricos

Conhecemos George Monbiot por seu amor pela natureza selvagem e pela sua aversão pela criação de animais, especialmente ovelhas, essa “praga lanosa que nos faz a gentileza de destruir o nosso campo” (). Este ex-jornalista da BBC escreve regularmente para o diário britânico The Guardian e continua a ser considerado um intelectual na comunidade da conservação da natureza. George Monbiot é um líder de opinião e seu artigo “Alimentos cultivados em laboratório vão em breve destruir a agricultura e salvar o planeta” () merece comentário.

Caldo de cultura transhumanista

Neste artigo, ele maravilha-se com alimentos sintéticos fabricados à base de terra, água e hidrogénio. Apreciou a espuma amarela, “esse caldo de cultura” que os técnicos de um laboratório de Helsínquia transformaram em crepe e que ele provou com prazer. “Tinha um gosto de crepe”, segundo ele. Graças às mais recentes descobertas da biologia, esta sopa primária serve também para fazer ovos, carne, peixe e pode mesmo extrair-se carboidratos dela. Aos seus olhos, este é o Santo Graal da alimentação humana. Não mais necessidade de agricultura e pecuária, a “comida sem terreno agrícola” salvará o planeta, a terra e os oceanos. A natureza selvagem poderá finalmente prosperar de novo na biosfera livre das actividades do mundo antigo. Enquanto espera que sejamos salvos pela tecnologia, ele recomenda prudentemente que os humanos se tornem vegetarianos (ou veganos, a coisa é algo imprecisa).

O seu artigo é interessante porque faz claramente a ligação entre a conservação da natureza e a ideologia transhumanista (a tecnologia transcenderá os humanos no sentido da sua imortalidade). Poderia também ter escrito o comunicado de imprensa da Technoprog (), uma associação francesa de transhumanistas, já que os dois escritos são muito semelhantes. Como George Monbiot, o Technoprog conclui pelos benefícios da alimentação sintética que “permitiriam limitar a criação e o abate de gado bovino, reduzir o sofrimento animal que lhe está associado, economizar água e áreas agrícolas ou reduzir o efeito de estufa”. Coincidência preocupante? Não, sabendo que essa ideologia, o transhumanismo, floresce nas start-up de Silicon Valley e nos GAFAM, que têm a ambição de mudar o mundo. O principal mérito de George Monbiot é dizer em voz alta o que está a ser tramado em voz baixa. E o que está a ser tramado entre os “Geeks” de Silicon Valley, as tecnociências, os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) e suas fundações é nada menos que o desaparecimento dos agricultores e criadores de gado.

Mão-baixa sobre os recursos

A razão é simples. Os provedores de recursos naturais são a terra e os oceanos. Chegou a hora, para os gigantes das indústrias do agroalimentar, da pesca e outras, de os explorar directamente. À escala planetária, os mercados de retalho de alimentos representaram US $ 3 milhões de milhões e um rendimento de US $ 2,6 milhares de milhões para os agricultores em 2004 (a herdade atomizada). É suficiente para aguçar o apetite. Para meter a mão nesses mercados, esses gigantes e esses investidores ricos dispõem de uma vantagem de peso: a investigação tecnológica dos actores de Silicon Valley e outras start-up que florescendo um pouco por toda a parte do mundo.

Acto 1: os gigantes do agroalimentar fabricarão alimentos sintéticos para os humanos, como já fazem para animais com a ração para cães, por exemplo.
Acto 2: os mesmos estão prestes a substituir os agricultores e os criadores de gado por mão-de-obra barata, guiada pela “inteligência artificial” e as tecnologias de ponta em comunicação.
Acto 3: graças à biologia sintética, cultivaremos plantas nos nossos campos que se transformarão em borracha, chocolate ou outros e substituirão as matérias-primas industriais outrora importadas. Também se fala em tornar produtivas as terras incultas.

Os três actos estão em desenvolvimento, de forma desordenada, por vezes simultaneamente.
A fabricação do consentimento havia já começado nos anos 2000. Lembramos o calhamaço de de 500 páginas da FAO intitulado “A sombra projectada pela pecuária” (), publicada em francês em 2012 (2006 em inglês). Concluindo pela necessidade de pôr um fim à criação extensiva de gado acusada de ocupar 30% das terras do planeta, ela beneficiou da assistência esclarecida da IUCN e de investigadores do CIRAD, CIRAD que faz parte da IUCN. O seu ponto de vista foi retomado e é ainda compartilhado pelos partidários do re-selvajamento, também chamado “rewild”. A proliferação de associações de conservação da fauna selvagem, em particular dos grandes predadores, os movimentos veganos amplamente financiados por fundações americanas, há décadas que vêm manipulando a opinião pública contra a criação de animais e, principalmente, contra a criação extensiva. As motivações são hoje melhor compreendidas: lançar a confusão na alimentação humana, libertar as terras da produção de animais e da agricultura de alimentos, desenvolver novas matérias-primas graças às novas tecnologias.

Carne falsa para as classes populares

Bill Gates, Richard Branson, grandes multinacionais como Tyson Giants e Cargill, contribuíram com umas quantas dezenas de milhões de dólares em alguns anos para favorecer a criação do primeiro bife à base de proteínas in vitro. Este tipo de proteína era de particular interesse para a NASA. Em 2013, Mark Post e sua equipa (Holanda) apresentaram este “Frankenburger” em Londres. A sua produção em massa ainda requer alguns ajustes, mas o “Frankenburger” deve vir associar-se à fast food nos próximos dois anos ().

Actualmente, os bifes à base de vegetais estão em vantagem. Existem inúmeras start-ups que se lançaram nessa produção e os bifes veganos Beyond Meat (start-up norte-americana) estão nas prateleiras dos supermercados franceses desde 3 de Fevereiro. Também se encontram nos restaurantes de fast food Burger King e Mac Do, porque o alvo desse tipo de produto é uma clientela jovem, de classe média ou baixa. Os novos hábitos alimentares são moldados passo a passo, privilegiando as classes populares. E ainda não acabou: start-ups californianas congeminam há alguns anos uma dieta baseada em insectos… Porque as proteínas (), “esses tijolos do corpo constituem o nosso envelope: ossos, músculos, cabelos, unhas, pele, mas também os nossos mensageiros internos, como as hormonas, as enzimas ou os anticorpos do sistema imunitário, que nos defendem contra infecções. São essenciais para o homem porque ele não as sabe fabricar a partir de outros nutrientes, ao contrário dos glúcidos, por exemplo. Devem portanto ser obrigatoriamente fornecidas pela alimentação. Daí o novo mercado para proteínas de substituição estimado pelo JP Morgan em US $ 100 milhões de milhões em 15 anos para bifes à base de vegetais e US $ 140 milhões de milhões em 10 anos pelo Barclays para carne gerada a partir de células animais ().

Sabemos que alimentos ultraprocessados ​​multiplicam o risco de cancro. Até ao momento, nenhum estudo independente foi realizado sobre a segurança alimentar de bifes falsos. Temos que nos contentar com as garantias de George Monbiot sobre seus benefícios para a saúde e com o entusiasmo do Technoprog, que os vê como uma próxima etapa na adaptação dos seres humanos à biologia sintética, tala como fizeram ao longo de toda a sua história. …
Por detrás da ideologia transhumanista perfilam-se os apetites financeiros dos gigantes do agroalimentar e dos investidores ricos. George Monbiot e os transhumanistas ignoram que a alta tecnologia é o campo de jogos das multinacionais?

Uma agricultura subserviente à indústria

A alimentação sintética libertará terras para as matérias-primas industriais. Pneus em erva-leão, portas de carros de fibra de cânhamo ou até botas de trigo e não de borracha”: é este o programa da Ministra da Agricultura da Alemanha, Julia Klöckner, aprovada em 15 de Janeiro pelo Conselho de ministros (). De resto, não se fala já de agricultura, mas de “bioeconomia” (), a nova palavra de ordem lançada pela OCDE no início dos anos 2000 e adoptada pela Comissão Europeia. “A bioeconomia pretende substituir o petróleo pelo uso de recursos naturais ou bio-recursos, a fim de produzir bioenergia (biocombustíveis ou biocombustíveis), biomateriais (madeira, materiais compósitos) ou produtos de origem bio (bioplásticos, solventes, cosméticos, etc.) “. Ela generalizou-se a 60 países, incluindo a França. Sempre na vanguarda, o grupo AVRIL, anteriormente conhecido como SOFIPROTEOL, associou-se à Royal DSM em Julho passado para criar proteínas a partir de colza. O prefixo bio sugere já a orientação das dotações da próxima PAC (política agrícola comum) 2021-2027 para a agricultura industrial repleta de tecnologias. Obviamente, as áreas utilizadas para culturas alimentares e a criação de gado serão limitadas …

Projectada por e para a indústria, essa bioeconomia pretende ser competitiva antecipando os preços das matérias-primas. É aqui que entra em jogo o Big Data desenvolvido pelos GAFAM para planear as culturas em função do mercado. A Monsanto já não se contenta com vender pesticidas e fertilizantes. A multinacional comprou em 2013 “The Climate Corporation”, uma start-up fundada por ex-funcionários do Google, que realiza simulações climáticas de muito alta resolução. Estimado em US $ 20 milhões de milhões, o mercado de dados meteorológicos agrícolas revela-se suculento, sendo vendido a agricultores e grandes comerciantes como CARGILL e ADM (). Esta perspectiva chamou também a atenção da FNSEA, que vem experimentando a “agricultura conectada” desde 2014 em cerca de vinte explorações agrícolas (). Varrendo algumas preocupações, a presidente da FNSEA, Christiane Lambert, declarou em 26 de Outubro de 2016, em Angers, que “é necessário aceitar que a tecnologia digital nos permite agir mais rapidamente, com respostas mais adequadas e com menor impacto” ().

A robotização extrema

Em termos de impacto, as multinacionais têm a solução graças às nanotecnologias e à biossíntese. Assim, os Países Baixos decidiram reduzir a utilização de pesticidas usando-os “de maneira direcionada” (). “Quando são necessários, preferiremos substâncias de baixo risco”, explicou o governo holandês em comunicado em Abril de 2019. Uma das soluções adoptadas pelo governo é selecionar sementes particularmente resistentes usando novas técnicas de melhoramento de plantas (NTSP) modificando seu DNA. Qualificadas como organismos geneticamente modificados (OGM) pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), essas sementes caem no âmbito da directiva OGM. Neste momento ferve o debate sobre este ponto no seio da UE. A outra solução é “usar pesticidas de maneira inteligente, a fim de limitar as emissões ambientais e garantir uma produção agrícola de baixo resíduo”, segundo o comunicado. As multinacionais, como Monsanto-Bayer, Syngenta-ChemChina, propõem já a distribuição de pesticidas em nano cápsulas.

Na herdade de um futuro muito próximo, o agricultor verá a partir do seu computador portátil onde se encontram as ervas daninhas a ser removidas, as necessidades de água, fertilizantes ou pesticidas, os preços mundiais e a meteorologia. Guiará à distância o seu tractor robótico ou enviará para o terreno a sua mal paga mão-de-obra. Acabou-se o saber-fazer e a inteligência humana: o computador, os sistemas de informação geográfica (SIG), os sensores capazes de analisar as necessidades, espalhados pelos campos e ligados a um GPS (às vezes nano-sensores até para formar uma poeira inteligente), substitui-los-ão. A convergência das Nanotecnologias, Biotecnologias, Ciências da Informação e Ciências Cognitivas (NBIC) não poupa nem a criação de gado nem a piscicultura. Os nano-chips implantados nos animais detectam doenças, analisam cada um a nível genético para os selecionar, possibilitam a vigilância à distância do gado, privando-o durante longos períodos dos cuidados prestados pelos humanos.
Ajustando as nanopartículas das plantas cultivadas, poderá também produzir-se substitutos para várias matérias-primas industriais anteriormente importadas, como a borracha ou o chocolate. O que inevitavelmente arrastará uma queda nos preços mundiais de matérias-primas e produtos agrícolas.

Forçamento genético, uma arma de destruição em massa

A balbúrdia tecnológica vai muito além. A IUCN vê na biologia sintética e nas tecnologias da informação o meio para recriar espécies extintas, salvar espécies ameaçadas de extinção, estudá-las à distância … A farsa do regresso à Terra do mamute-lanoso torna possível ocultar programas incontroláveis ​​de manipulação genética projectados pelo “Gene Drive” (GD), também dito “orientação genética” ou, como os falantes de francês lhe chamam, “forçamento genético”, enquanto a IUCN fala de “Impulso genético”. É obtido seccionando o DNA, uma técnica inventada em 2012 por duas investigadoras, uma francesa, Emmanuelle Charpentier e uma norte-americana, Jennifer Doudna. Sendo mais rápida, precisa e barata, a técnica da “tesoura de corte de DNA”, também chamada CRISPR Cas9, espalhou-se como um rastilho de pólvora. Graças ao forçamento genético, a modificação de um gene torna o indivíduo modificado reproduzível. Ele interage com organismos vivos não modificados. No entanto, “essa mutação auto-amplificadora auto-replica-se e espalha-se mais rapidamente do que pela genética habitual”. “Se com os OGM clássicos a dispersão dos genes modificados devia ser evitada (…), com esses novos organismos geneticamente modificados a dispersão tornar-se-á a estratégia desejada”. O Tarjet Malaria Project, que reúne um consórcio de universidades e centros de investigação financiados em grande parte pela Fundação Bill e Melinda Gates, ambiciona modificar geneticamente os anófelis (mosquitos) para que eles deixem de ser portadores da malária. Este projecto foi experimentado sem sucesso no Brasil e nas Ilhas Cayman, onde o governo lhe pôs fim. A Fundação obviamente voltou-se para África, em particular para Burkina Faso, onde o Tarjet Malaria Project foi muito mal recebido pelas populações envolvidas, a quem fora esquecido pedir consentimento.

Porque as consequências de tal manipulação são imprevisíveis. Se se elimina um mosquito vector da malária, uma outra espécie poderá substituí-lo. Além disso, esses organismos modificados podem ser usados ​​para fins militares ao dispersar-se. O primeiro a accionar o alarme foi o chefe da CIA, James Clapper (). Num relatório desclassificado de Fevereiro de 2016 ele coloca o CRISPR Cas9 na categoria das “armas de destruição em massa”, no mesmo plano do “programa nuclear norte-coreano, das armas químicas sírias e dos mísseis russos!” ”
Mas os projectos de forçamento genético são financiados pela Agência de investigação Militar do Governo dos Estados Unidos (DARPA, Defence Advanced Research Projects Agency), a Fundação Bill e Melinda Gates, The Tata Trusts e o Open Philanthropy Project, apoiado pelo Facebook.

O IUCN, cavalo de Troia do ultraliberalismo e dos GAFAM

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada de 13 a 29 de Novembro de 2018 em Sharm el Sheikh (COP 14), colocou a força genética na ordem do dia. Cento e cinquenta ONG’s reclamaram uma moratória. Foi-lhes recusada. A CDB contentou-se com apelar aos governos que avaliem eles próprios os riscos e obtenham o consentimento das populações locais antes de lançar organismos exterminadores. Deve dizer-se que a Fundação Gates investiu US $ 1,6 milhão numa agência de relações públicas, a Emerging Ag Inc, para exercer influência sobre a CDB. Essa agência recorreu a cientistas aderentes à causa e ao seu financiamento, cientistas cuja reputação e trabalho haviam empolados por agências de comunicação.

Bill Gates permanece empenhado em ver forçamento genético ratificado pela CBD, que se reunirá em Kunming (China) em Outubro próximo. Será a COP 15. A IUCN envolveu-se, sem que a agência de relações públicas tivesse de recorrer a cientistas amigos. Reuniu um grupo de trabalho para embelezar um relatório preparatório sobre a biologia sintética. Acontece que o grupo de trabalho que redigiu o relatório era maioritariamente composto por pessoas envolvidas no forçamento genético, muito frequentemente em evidentes conflitos de interesse. Obrigado aos canadenses do grupo ETC por alertarem o mundo sobre a composição deste grupo de trabalho. O seu documento, “Genetic Forcing Under Influence” (), fornece um histórico das decisões da IUCN e apresenta em ordem alfabética os autores favoráveis a esta nova tecnologia.
Deveríamos surpreender-nos? Não é a primeira vez que a IUCN, que prepara as convenções internacionais sobre o ambiente e os seus protocolos, estende o tapete vermelho diante das multinacionais e dos investidores ricos. Lembremos que a CDB criada em 1992, no Rio, inaugurou a privatização dos viventes por meio da propriedade intelectual estabelecida sobre a fauna, a flora e o know-how. Ou seja, dois anos antes do acordo sobre a propriedade intelectual (TRIPS), assinado em 1994 em Marrakech, com a criação da OMC (Organização Mundial do Comércio). Mais recentemente, a IUCN assinou em 2014 uma parceria com o grupo suíço Syngenta no momento em que publicava a sua avaliação sobre uma espécie de borboleta ameaçada por pesticidas. E, como por acaso, as soluções propostas pela IUCN eram idênticas às do grupo suíço. Grupo se tornou Syngenta-ChemChina desde a sua aquisição em 2017 por uma empresa chinesa.

No seu dossier temático sobre biologia sintética, datado de Maio de 2019 (), a IUCN contenta-se com propor, nas próximas negociações da CDB, “uma avaliação caso a caso”, por cientistas, governos, sociedade civil e organizações dos povos autóctones. A moratória não foi adoptada, Bill Gates está certamente aliviado. Essa proposta deveria contar com o apoio da China, onde será realizada a próxima conferência de Estados. Tanto mais que será apresentada pelo Presidente da IUCN, ZHANG Xinsheng, também chinês.

Este artigo não poderia ter sido feito sem o alerta dado pelo “Grupo ETC” sobre forçamento genético e o trabalho de investigação dessa associação canadiana. Fundado por Pat Mooney, o denunciante da geoengenharia, o grupo ETC é agora liderado por Jim Thomas. Aconselha-se vivamente a leitura dos seus relatórios, em particular “A herdade atomizada”

Site do Grupo ETC: https://www.etcgroup.org/fr

GLOSSÁRIO:
Biologia sintética: Enquanto a engenharia genética não envolve senão um ou alguns genes de cada vez, a biologia sintética cria organismos totalmente novos. Em 2003, J. Craig Venter e sua equipa de investigadores fabricou em duas semanas com sucesso um cromossoma totalmente sintético. Em 2008, o mesmo instituto anunciou a criação do primeiro genoma bacteriano dando um importante passo em direcção à vida artificial. A biologia sintética pode também apresentar sérios riscos imprevisíveis, como a criação de organismos nocivos. Uma nova arma, de algum modo. (de Conservation pour une ère nouvelle. Jeffrey A. McNeely, Susan A. Mainka, IUCN, 2009).

Conservacionistas: aqueles que querem conservar a natureza selvagem. As suas principais associações são a IUCN, o WWF, o ASPAS, a LPO etc …
Forçamento genético: a criação de organismos geneticamente modificados capazes de se reproduzir e interagir com o mundo real ou selvagem (GDO: Gene Drive Organism). Essa faculdade diferencia-os dos OGM. “Uma vez que o forçamento genético seja liberto da garrafa, ninguém descobriu realmente como voltar a introduzi-lo lá dentro”.

Nanotecnologias: manipulação da matéria à escala dos átomos e das moléculas (1 nanômetro, nm = 1 bilionésimo de metro). Não os vemos nos alimentos porque não são rotulados como tal (sumo de laranja, doces, etc …). Segundo Vyvian Howard, fundadora e redactora em chefe do Journal of nanotoxicology, o dimensão reduzida das nanopartículas aumenta sua toxicidade, porque os nanos se movem mais facilmente no organismo atravessando membranas protectoras (pele, barreira hematoencefálica, placenta).

Transhumanismo: um movimento cultural e intelectual internacional que defende o uso da ciência e da tecnologia para melhorar a condição humana, nomeadamente aumentando as capacidades físicas e mentais dos seres humanos (segundo a Wikipedia).

Para aprofundar:
- Silicon Valley a serviço do transhumanismo (por Cincinnatus) https: //cincivox.wordpress.com/2018/02/12/la-silicon-valley-au-service …
- A impostura do transhumanismo (de Danièle Tritsch e Jean Mariani)
- Google ou a revolução transhumanista via Big Data (por Eric Delbecque)
E, claro, o site da associação transhumanista francesa Technoprog

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Brasil tem importação recorde de agrotóxicos no governo Bolsonaro

 

 

247 - O Brasil nunca importou tantos agrotóxicos como em 2019. Quase 335 mil toneladas de inseticidas, herbicidas e fungicidas desembarcaram no país de janeiro a dezembro.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, O volume é 16% maior do que em 2018 e é recorde para a série histórica iniciada em 1997, de acordo com dados do Ministério da Economia.

O crescimento da importação segue a expansão das vendas dos agrotóxicos, desta a reportagem.

 

Dados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) mostram que em 2018, dado mais recente disponível, foram vendidas 549 mil toneladas de produtos em território nacional —um avanço de 1,8% em relação ao ano anterior.

Brasil importa volume recorde de agrotóxicos em 2019

Avião despeja agrotóxico em bananal de Miracatu (SP), região do Vale do Ribeira
© Folhapress / Lalo de Almeida

Ao longo do 1º ano do governo do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil bateu recorde de importação de agrotóxicos.

Segundo publicou o jornal Folha de São Paulo, o volume chegou a quase 335 mil toneladas, incluindo inseticidas, herbicidas e fungicidas.

Dados do Ministério da Economia mostram que a importação de agrotóxicos entre janeiro e dezembro de 2019 foi, no total, 16% maior do que no mesmo período do ano anterior.

Ainda segundo o jornal, a venda doméstica de agrotóxicos também cresceu, porém os dados mais recentes são de 2018.

O governo Bolsonaro também é recordista no número de agrotóxicos liberados para uso no país. Em 2019, foram 474 novos pesticidas no Brasil, índice mais elevado em 14 anos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2020030115280454-brasil-importa-volume-recorde-de-agrotoxicos-em-2019/

Dieta ocidental está a deixar as pessoas menos inteligentes

 

Uma dieta pouco saudável, à base de hambúrgueres e doces está literalmente a deixar as pessoas menos inteligentes apenas no espaço de uma semana. Esta foi a conclusão de um estudo de investigadores da Universidade Macquarie, em Sidney, na Austrália.

 

Além da dieta ocidental estar associada à obesidade, diabetes, tensão alta, doenças cardiovasculares, cancro e outros problemas de saúde, ela pode prejudicar subtilmente a função cerebral e encorajar as pessoas saudáveis a comer mais do que deveriam.

O que os investigadores apelidaram de dieta ocidental é basicamente aquilo mesmo que pode imaginar: uma dieta recheada de gordura, açúcar e sal, com abundância de carnes vermelhas e produtos processados como fast food, salsicha, bacon, comidas prontas, etc.

Este tipo de alimentação é diferente de dietas como a mediterrânea, composta principalmente por frutas e vegetais frescos, peixe, grãos integrais, legumes e gorduras monoinsaturadas como azeite.

 
 

Para este estudo, publicado esta quarta-feira na revista Royal Society Open Science, os investigadores separaram cerca de 100 estudantes magros e saudáveis entre os 20 e os 23 anos em dois grupos: um alimentou-se à base de uma dieta saudável, a mesma que já tinham, enquanto o outro pode comer aquilo que quiser, tipicamente como a dieta ocidental, durante sete dias.

No início e no fim da semana, os participantes tomaram o pequeno-almoço no laboratório. Antes e depois de cada refeição, realizaram testes de memória e responderam a questionários sobre o quanto desejavam e gostavam dos alimentos que estavam a comer.

Os investigadores descobriram que quanto mais as pessoas do grupo da dieta ocidental achavam a comida saborosa quando já estavam cheias, saíam-se pior no teste de memória, associado à função do hipocampo no cérebro.

Por outras palavras, comer uma dieta rica em açúcar piora a sua memória e faz com que ache toda aquela comida cada vez mais desejável imediatamente após comê-la, o que pode fazer com que coma em excesso.

“Depois de uma semana com uma dieta ao estilo ocidental, alimentos saborosos tornam-se mais desejáveis quando você está cheio. Isto torna mais difícil resistir-lhes, levando você a comer mais, o que, por sua vez, gera mais danos ao hipocampo”, explicou o coautor do estudo, Richard Stevenson, professor de psicologia da Universidade Macquarie.

Estudos anteriores com animais já haviam sugerido que uma dieta pouco saudável podia prejudicar o hipocampo, uma região do cérebro envolvida com a memória e o apetite.

Uma hipótese que pode explicar isto é que o hipocampo normalmente bloqueia ou “enfraquece” memórias sobre alimentos quando já estamos cheios, para não comermos em excesso.

Só que isso não acontece — não quando a dieta é rica em açúcar e gorduras. “Quando o hipocampo funciona de forma menos eficiente, você recebe essa enxurrada de lembranças e, portanto, a comida é mais apelativa”, afirma Stevenson.

 
 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/dieta-ocidental-menos-inteligentes-309709

Consumindo alimentos sob o capitalismo

No sistema econômico prevalente em nossa sociedade, os alimentos têm valor de troca, e não de uso, e o lucro reluz acima da saúde humana.

 

 

Sou filho da mãe. A minha, Maria Stella Libanio Christo, era mestra na arte de cozinhar. Autora de livros de culinária, pesquisou três séculos de receitas para publicar Fogão de Lenha – 300 Anos de Cozinha Mineira.

Ela nunca sofisticou o cardápio. Preferia o trivial: bolinho de feijão, canjiquinha com costelinha de porco, feijão tropeiro, inhame com melado, espera-marido. Assim como certas linhagens familiares se estabelecem pela audição, como na família Caymmi, no meu lado materno predomina o paladar. A mesa, ainda hoje, é o centro vital de minha família.

Minha avó materna, Maria, pilotava admiravelmente seu fogão de lenha, acolitada pela doce Bertula, cozinheira que fazia parte da família. Especialista em roscas-de-rainha e balas delícias, vovó preparava a massa das roscas em grandes tabuleiros negros, trançadas como em ninho de serpentes e, após assadas, a superfície se cobria de um brilho castanho, açucarado, como se envernizadas. Não se partia com a faca; arrancavam-se pedaços com as mãos, seguindo o contorno das tranças.

As balas delícias, brancas como neve, eram enroladas e cortadas à tesoura sobre a grande mesa de madeira da copa. Açucaradas, desmanchavam na boca. As receitas se transmitiam de mãe para filha em engordurados cadernos preenchidos com letras bordadas à mão.

Ter sido educado à mesa faz com que o paladar seja o mais apurado de meus cinco sentidos. Nunca fui de comer muito. O peso jamais me incomodou. Nem exijo comidas refinadas. Habituado à vida conventual, espartana, só em casa de amigos ou restaurantes faço da mesa uma liturgia de prazer. Ou quando cozinho.

Há tempos viajei à Suécia com um grupo de líderes sindicais. Submetidos à culinária escandinava, me confessaram sonharem com um bom bife. Os anfitriões nos levaram a um dos melhores restaurantes de Estocolmo, onde nos serviram filé mignon. O pior de toda a minha vida. A carne, dura, parecia ter passado imediatamente do freezer ao prato, após breve aquecimento. Porém, a vontade era tanta que não rejeitamos a gororoba. É melhor um bife no bucho que dois bois no pasto.

O ser humano é o único animal que manipula, tempera e cozinha o seu alimento. Comer é um ato cultural, litúrgico. Assim como falamos distintos idiomas, comemos pratos que outros povos abominam só de ouvir falar. Segundo o antropólogo Marvin Harris, no Camboja comem-se coleópteros, como besouros e joaninhas, baratas d’água, tarântulas, lagartixas e morcegos. No Vietnã, cobras e cães. Na Nova Guiné, vermes do saguzeiro, duros por fora e cremosos por dentro. Na China, miolo de macaco. No México, os escamoles são feitos com ovos de formigas. Vale lembrar o que dizia Montaigne, “cada qual denomina barbárie aquilo que não faz parte de seus costumes”.

Hoje o mundo produz mais alimentos do que consome e, no entanto, a fome atinge 820 milhões pessoas, que dispõem de menos de 1.500 calorias/dia, segundo a ONU (2019). Para uma vida saudável, o ser humano necessita ingerir 2 mil calorias/dia. No Ocidente, a média é de 2.900. Um terço da população mundial consome cerca de 2 mil. E um bilhão de pessoas têm peso acima do normal.

A ingestão de alimentos suscita, hoje, acalorados debates. Há argumentos para consumir ou não todo tipo de comida. Os vegetarianos se dividem em ovolactovegetarianos. (não consomem nenhum tipo de carne, frango, peixe ou frutos do mar), mas consomem laticínios e ovos; os lactovegetarianos; os vegetarianos estritos; e os veganos (que não consomem nada de origem animal).

Isso não isenta de riscos os ortoréxicos, obcecados por alimentos saudáveis, pois verduras contêm pesticidas; peixes, mercúrio e plásticos; açúcar causa diabetes; manteiga aumenta o colesterol etc. Ou seja, morre-se também pela boca. E no sistema econômico prevalente em nossa sociedade, os alimentos têm valor de troca, e não de uso, e o lucro reluz acima da saúde humana.


por Frei Betto, Frade dominicano e escritor, escreveuBatismo de Sangue eUm Deus Muito Humano  |  Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/consumindo-alimentos-sob-o-capitalismo/

Too Good To Go chegou a Cascais

 

Criada em 2016 na Dinamarca expandiu-se para mais de 13 países europeus onde, a Too Good to Go, já salvou mais de 23 milhões de refeições e evitou que cerca de 58 mil toneladas de CO2 fossem emitidas para a atmosfera.

Em Portugal chegou em Outubro deste ano com o conceito de combater o desperdício de comida através de uma app que permite a compra de refeições ou produtos prontos a consumir com 75% de desconto. O custo das refeições varia entre os 2,99 euros e os 5,99 euros.

A sua implementação em Portugal começou por Lisboa, Oeiras e em algumas zonas da Margem Sul.

A sua chegada ao concelho de Cascais abrange as localidades de Carcavelos, Parede e Estoril onde vários restaurantes se juntaram a este conceito através do uso da app.

As refeições são variadas e já englobam pratos que vão desde sushi, hambúrgueres, bolos de pastelaria e pães em espaços como o Fika Coffee, Niwa Sushi, Paco Bigotes, Roots Café, Terraza Cascais e Organifresh entre outros.

Para utilização deste serviço basta instalar a app da Too Good to Go, que se encontra disponível gratuitamente para o Android e o iOS, registar-se e aceder ao mapa de localização das lojas aderentes, escolher o que pretende e adicionar o meio de pagamento para o efeito. Depois é passar na loja escolhida e proceder ao levantamento da refeição.

Com uma perspectiva ecológica a visão da Too Good to Go “pretende um mundo com zero desperdícios alimentares”.

Todos os anos são desperdiçadas cerca de um milhão de toneladas de comida, 50 mil refeições diárias, que vão diretamente para o lixo. A intervenção da Too Good To Go passa por criar parcerias com restaurantes, hotéis e supermercados para comprar os excedentes.

E isto é possível através do seu serviço de marketplace online, que é o local onde os estabelecimentos aderentes colocam à venda os excedentes do final do turno ou do dia.

Desta forma os utilizadores da app podem beneficiar de refeições de qualidade a preços mais acessíveis.

 

Ver original em 'Portal CASCAIS' na seguinte ligação:

https://www.portalcascais.pt/sociedade/gadgets/too-good-to-go-chegou-a-cascais/

Produtor de presunto chinês lança carnes a partir em plantas

Hangzhou, 17 out (Xinhua) -- O produtor de presuntos Jinzi disse na quarta-feira que a empresa é capaz de produzir carne a partir de plantas com sabor e nutrientes similares ao da carne real.

Por extrair proteínas vegetais da soja, ervilha, trigo e outros vegetais e grãos, a "carne" é considerada isenta de colesterol e não contém nenhum hormônio animal ou antibióticos, segundo Ma Xiaozhong, CTO e engenheiro-chefe da empresa.

A empresa obteve licença de produção de alimentos para seu novo produto feito a partir de plantas, e um total de mil tortas com sabor de carne bovina se esgotou na internet em uma pré-venda de nove dias, acrescentou ele.

Localizada na cidade de Jinhua, Província de Zhejiang, leste da China, e conhecida como "terra natal do presunto chinês", Jinzi vem trabalhando desde julho com a DuPont Nutrition & Biosciences nas alternativas de carne.

A empresa é capaz de produzir por dia cinco toneladas de produtos de carne a partir de plantas e tem desenvolvido tortas e bolinhos de carne com o sabor de carne suína. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-10/17/c_138479755.htm

A religião, a carne de vaca e o Reitor da U. C.

 
Preservar o ambiente e tornar sustentável o Planeta é assunto demasiado sério, que não se compadece com ironias fáceis ou adiamentos em período de emergência, mas há um mínimo de bom senso aparentemente alheio ao Reitor da Universidade de Coimbra.

Todos sabemos que o modo de vida das sociedades atuais não é sustentável e que a sua perpetuação só abreviará o prazo de validade do Planeta para a vida humana. É urgente um novo paradigma que me leva a refletir sobre o aquecimento global e as tragédias que nos aguardam, mas há diferenças entre a ponderação exigida e o exibicionismo fácil.

Desconhecia a competência do Magnífico Reitor nas ementas das cantinas e a função de nutricionista-mor para proibir um alimento não proscrito pelas autoridades sanitárias.
A abolição inopinada da carne de vaca parece-me uma prepotência própria de um crente cujo proselitismo não aceita o contraditório. O atual reitor da UC, uma instituição laica, já surpreendeu na tomada de posse ‘antecedida de Missa Solene na Capela de S. Miguel, pelas 9 horas’, em 18 de fevereiro deste Ano da Graça.

Foi uma atitude pioneira de indignidade, de que pode não ter sido o responsável, mas a sua posse integrou uma missa para abrilhantar a cerimónia, missa cujo anúncio inédito mereceu a indignação de vários docentes. Foi a primeira vez que um reitor tomou posse com missa anunciada.

Se em 18 de maio foi o primeiro reitor a manifestar publicamente a preocupação com a salvação da alma, em 17 de setembro, sete meses depois, é pioneiro a salvar o Planeta. Espero que não pense que o pão ázimo, que alimenta a alma, transubstanciado em corpo e sangue, após os sinais cabalísticos, seja a fonte de proteínas para substituir a carne de vaca.

Para já, parece-me abuso de funções, à semelhança da Missa Solene, impor aos outros o direito individual que lhe assiste.

Como na missinha, volto agora a repudiar a prepotência do Magnífico Reitor, por não lhe reconhecer autoridade para a decisão que tomou.

 

Ver original em 'PONTE EUROPA' na seguinte ligação::

https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/09/a-religiao-carne-de-vaca-e-o-reitor-da.html

Sobre os rótulos dos alimentos: algumas reflexões sobre uma palestra pedagógica

O meu filho teve na escola uma palestra da DECO sobre como decifrar rótulos. Muito bem, pensei! Haver um rótulo é muito bom pois há imensas coisas que não têm rótulo e não sabemos o que está lá. Só não imaginava era que além de informações úteis também serviu para reforçar os lugares-comuns e mitos, uma boa parte inexactos ou mesmo errados, que circulam actualmente. Não sei se a palestra foi bem assim, mas o resultado prático foi esse. Dou alguns exemplos. O meu filho começou por referir os “truques”. Por exemplo usar vários nomes para açúcares, como dextrose, sacarose, fructose, etc. e assim parecer que os alimentos têm menos açúcar. Não se trata, em geral, de um truque: alguns alimentos têm mesmo vários tipos de açúcares, ou poderá ser um esforço para criarem produtos mais próximos da “composição natural.” Não vi o rótulo em causa, mas isso acontece naturalmente se o produto incluir cereais e frutas, por exemplo. Para contrariar esse “truque” penso que é obrigatório, actualmente, referir o teor total de hidratos de carbono e de açúcares. Outro “truque” será usarem doses irrealistas nos cálculos nutricionais. Por exemplo indicar 30 g como dose recomendada para cereais de pequeno-almoço ou batatas fritas, quando as pessoas em geral comem muito mais do que essa dose. Sem querer parecer cínico, não são os fabricantes que dizem às pessoas para comerem mais do que a dose recomendada, e, se comem a mais, podem re-calcular os valores nutricionais. É muito importante que se refira esta questão e que se eduquem as pessoas em relação a este aspecto fundamental, mas chamar-lhe um “truque” está ao nível da má-fé que se atribui aos fabricantes. E já agora: não existem aditivos “mágicos” especificamente para tornar os produtos alimentares viciantes e as pessoas comerem mais. O que se passa é que nos tornámos “doidos” por açúcares, gorduras e salgados, por proteínas ligeiramente tostadas e aromas específicos como o da carne assada ou fumada, baunilha e morango, etc. algo que os fabricantes, como a McDonalds, Burger King, Coca Cola, Pepsi, Nestlé, etc. exploram com sucesso, mas que, felizmente, vai tendo cada vez mais controlo e preocupação nutricional tanto pública como interna. Em seguida o meu filho referiu os “truques” dos “produtos light.” Podem ter menos uma das coisas problemáticas, por exemplo gorduras, mas nada impede que tenham mais das outras, como sal ou açúcares. Essa informação é relevante e deve ser ponderada pelos consumidores, claro. Entretanto, o principal “truque” dos produtos light é serem um excelente negócio. Por exemplo, vende-se manteiga com menos 30% de gordura e mais 30% de água, que é muito mais barata, por um preço que pode ser 30% mais alto! Finalmente, a cereja no cimo do bolo: contribuir para a desconfiança em relação aos aditivos E. “Mas não é mau ter És!?”, pergunta o meu filho. Não, digo eu, em geral são compostos que são adicionados para uma função útil, como conservar. “Mas de quem é o interesse disso? Da indústria!” Sim, mas os consumidores esperam que os produtos não se alterem ou deteriorem rapidamente e que não se tornem perigosos para a saúde. Todos esses És de que as pessoas desconfiam de forma desnecessária têm um controlo muito apertado e são, em geral, produtos naturais. A designação E está relacionada com ser adicionado e não com a origem ou a forma de produção. Por exemplo a vitamina C, ácido ascórbico, é o E-300 que e é um anti-oxidante, mas pode também aparecer com outras funções. Por exemplo no pão pode aparecer como "agente modificador da farinha." Podem dar-se muitos outros exemplos de aditivos fundamentais para a qualidade e valor nutricional dos alimentos. “Mas não há És desnecessários ou que causem alergias?” podemos perguntar. Sim, alguns, como os corantes e aromatizantes, poderiam não ser precisos e, outros, para um pequeno grupo de pessoas, são suspeitos de causar alergias. No primeiro caso são os consumidores que os preferem assim: coloridos e com sabor ou aroma a algo reconhecível. Por exemplo, uma gelatina ou um rebuçado coloridos com aroma de morango em vez de uma gelatina ou rebuçado sem cor e sem sabor. Embora atractivos, esses produtos podem perfeitamente ser evitados. Devemos educar os jovens para que os evitem e ninguém é obrigado a comprá-los. Quanto a poderem causar alergias: se for comprovado que as causam, os aditivos serão naturalmente retirados do mercado (como já aconteceu). De notar que essa possibilidade de alergias devidas a aditivos nada tem que ver em termos de risco potencial com aquelas alergias graves que algumas pessoas podem ter a alguns frutos secos, risco esse que deverá ser claramente indicado nos rótulos. Finalmente, não é saudável tratar a indústria alimentar como potenciais vigaristas que nos querem enganar. E se alguma indústria pode parecer assim, ou se já o foi no passado, não quer dizer que o seja agora, ou que não tenha mudado de atitude. Felizmente, actualmente, existe um conjunto de regras muito apertadas que a indústria tem que cumprir e a opinião pública, para a qual a DECO contribui, é muito forte e vigilante. Ser alvo de campanhas negativas ou de desconfiança é um dos grandes receios destas indústrias. Por isso, a indústria tem códigos de conduta e mecanismos de controlo interno muito estritos, quanto a segurança e qualidade, mas também em relação à transparência. O cepticismo é saudável e devemos ser críticos, mas passar da credulidade inconsciente para a confiança na desconfiança cega não é boa ideia. Devemos refectir sobre tudo o que nos dizem, tanto a indústria como os seus críticos, e, em particular, o mercado do "saudável" e do "sem químicos" deve ser alvo do nosso juizo crítico. Há alguma razão lógica para confiarmos mais em quem nos diz para desconfiarmos?

 

Ver original em 'De Rerum Natura' na seguinte ligação::

http://dererummundi.blogspot.com/2018/10/sobre-os-rotulos-dos-alimentos-algumas.html

A maioria dos adolescentes se alimenta mal

Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde apontam que, em 2017, 55% dos adolescentes acompanhados pela atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) consumiram produtos industrializados, como macarrão instantâneo, salgadinho de pacote ou biscoito salgado.

Além disso, 42% deles ingeriram hambúrguer e embutidos e 43%, biscoitos recheados, doces ou guloseimas. Os números foram divulgados em razão do Dia Mundial da Alimentação, lembrado dia 16 (terça-feira) e, segundo a pasta, servem de alerta.

De acordo com o ministério, jovens que apresentam quadro de obesidade aos 19 anos, por exemplo, apresentam 89% de chance de serem obesos aos 35 anos – daí a importância, segundo o próprio governo, de se investir em uma alimentação saudável e adequada ainda na infância e na adolescência.

Os dados revelam que o Sul é a região do país com a maior quantidade de jovens consumindo hambúrguer e embutidos e também macarrão instantâneo, salgadinho de pacote e biscoito salgado, com 54% e 59%, respectivamente. Já o Norte aparece com o menor percentual nesses dois grupos, com 33% e 47%, respectivamente. Em relação aos biscoitos recheados e guloseimas, o Sul segue na frente (46%), empatado com o Nordeste (46%).

Na análise por sexo, os percentuais, segundo a pasta, mostram que o consumo de industrializados, fast food, alimentos doces recheados e guloseimas não se diferencia muito, sendo um pouco maior entre os meninos. O primeiro grupo de alimentos, por exemplo, é consumido por 58% deles, enquanto as meninas representam 54%. Já o segundo grupo é consumido por 41% dos jovens do sexo masculino e por 38% do sexo feminino, enquanto os recheados são preferência de 42% deles e 41% delas.

“Os maus hábitos à mesa têm refletido na saúde e no excesso de peso dos adolescentes”, destacou o ministério, ao citar números da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar que mostram que 7,8% dos adolescentes nas escolas com idade entre 13 e 17 anos estão obesos. O problema é maior entre os meninos (8,3%) do que entre as meninas (7,3%). Os dados também apontam que 8,2% dos adolescentes com idade entre 10 e 19 anos atendidos na atenção básica em 2017 são obesos.

Adultos

Já os brasileiros adultos, segundo a pasta, demonstram hábitos alimentares mais saudáveis, conforme apontado pela Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2017. Os dados mostram que o consumo regular de frutas e hortaliças nesse grupo cresceu 4,8% (de 2008 a 2017) enquanto o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 52,8% (de 2007 a 2017).

O estudo também aponta que a ingestão regular – cinco ou mais dias na semana – de frutas e hortaliças aumentou em ambos os sexos enquanto o consumo recomendado – cinco ou mais porções por dia em cinco ou mais dias da semana – aumentou mais de 20% entre adultos de 18 a 24 anos e de 35 a 44 anos. Os dados revelam, entretanto, uma diminuição da ingestão de ingredientes considerados básicos e tradicionais na mesa do brasileiro. O consumo regular de feijão, por exemplo, caiu de 67,6% em 2011 para 59,5% em 2017.

Texto original em português do Brasil | Traduzido por Língua Geral

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

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Ver artigo original em "O TORNADO"

A construção social da obesidade

Uma investigação estatística sobre o grande aumento de peso das populações ocidentais, em 40 anos, revela: as causas essenciais são invasão dos ultraprocessados e a ideia de que engordar é culpa individual

Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho| Imagem: Fernando Botero

Quando vi a foto, mal pude acreditar que era o mesmo país. O retrato da praia de Brighton, em 1976, estampada pelo Guardian algumas semanas atrás, parecia mostrar uma raça alienígena. Quase todo mundo era magro. Mencionei isso nas mídias sociais, e saí de viagem nos feriados. Quando voltei, encontrei as pessoas ainda debatendo o assunto. A discussão estava quente e me levou a ler os comentários. Como teremos mudado tanto, tão rápido? Para meu espanto, quase todas as explicações propostas revelaram-se falsas.

Lamentavelmente, não há no Reino Unido dados consistentes sobre obesidade anteriores a 1988, quando a incidência já estava aumentando bastante. Mas nos EUA os dados foram levantados bem antes. Eles mostram que, por acaso, o ponto de inflexão foi mais ou menos 1976. De repente, por volta do momento em que a foto foi feita, as pessoas começaram a tornar-se mais gordas, e desde então a tendência se manteve. A explicação óbvia, insistiam muitas daquelas pessoas que comentaram a foto, é que estamos comendo mais. Vários apontaram, não sem razão, que nos anos 1970 a comida era geralmente muito ruim. Era também mais cara. Havia menos restaurantes de fast food e as lojas fechavam mais cedo, de modo que se você perdesse seu chá ficaria com fome. Mas eis aqui a primeira grande surpresa: nós comíamos mais em 1976.

Segundo cálculos do governo, atualmente consumimos uma média de 2131 kcals [quilocalorias] por dia, um número que parece incluir doces e álcool. Mas em 1976 consumíamos 2280 kcal, excluindo álcool e doces, ou 2590, quando os incluímos. Isso pode ser verdade? Não encontrei razão para duvidar desses números.

Outros insistiram que a causa é o declínio do trabalho manual. De novo, isso parece fazer sentido, mas, novamente, não pode ser sustentado pelos dados. Um artigo publicado no Jornal Internacional de Cirurgia afirma que “adultos trabalhando em serviços manuais não especializados têm probabilidade mais de 4 vezes maior de ser classificados como obesos mórbidos, quando comparados com profissionais especializados.

E quanto a exercícios voluntários? Um monte de gente argumentava que, como dirigimos, ao invés de caminhar ou andar de bicicleta, ficamos parados diante de nossas telas e fazemos nossas compras online, exercitamo-nos muito menos do que antes. Parece fazer sentido – e então, lá vai a próxima surpresa. Segundo um estudo de longo prazo da Universidade Plymouth, a atividade física das crianças é hoje a mesma de 50 anos atrás. Um artigo do Jornal Internacional de Epidemiologia revela que, corrigido o tamanho do corpo, não há diferença entre a quantidade de calorias queimadas pelas pessoas nos países ricos ou pobres, onde a norma continua a ser a agricultura de subsistência. Propõe não haver relação entre atividade física e ganho de peso. Vários outros estudos sugerem que exercitar-se, embora crucial para outros aspectos da saúde, é de longe menos importante que a dieta, para regular nosso peso. Alguns sugerem que não tem papel nenhum, uma vez que, quanto mais nos exercitamos, mais famintos ficamos.

Outras pessoas apontaram fatores mais obscuros: infecção por adenovirus-36, uso de antibiótico na infância e produtos químicos disruptivos do sistema endócrino. Embora haja evidências sugerindo que todos eles têm seu papel, e ainda que possam explicar algumas das variações no ganho de peso por pessoas diferentes com dietas semelhantes, nenhum deles parece ser suficientemente poderoso para explicar a tendência geral.

Então, o que aconteceu? A luz começa a surgir quando se olham os dados sobre nutrição mais detalhadamente. Sim, comíamos mais em 1976, mas comíamos de modo diferente. Hoje, compramos metade do leite fresco por pessoa que comprávamos; mas cinco vezes mais iogurte, três vezes mais sorvete e – veja só – 39 vezes mais sobremesas lácteas. Adquirimos metade dos ovos que adquiríamos em 1976, mas um terço a mais de cereais para o café da manhã e duas vezes mais cereais para o lanche; metade das batatas inteiras, mas três vezes mais batatas fritas. Embora nossa compra de açúcar tenha caído fortemente, o açúcar que consumimos em bebidas e doces provavelmente disparou (só há números sobre compra a partir de 1992, quando estava aumentando rapidamente. Talvez, já que em 1976 consumíamos apenas 9 kcal por dia em forma de bebida, ninguém imaginou que valesse a pena levantá-los). Em outras palavras, as oportunidades de sobrecarregar nossos alimentos com açúcar aumentaram. Como alguns especialistas propuseram há muito tempo, essa parece ser a questão.

A mudança não aconteceu por acaso. Como argumentou Jacques Peretti em seu filmeO homem que nos tornou gordos, temos sido goleados deliberada e sistematicamente. A indústria alimentícia investiu pesadamente na criação de produtos que usam açúcar para driblar nossos mecanismos de controle do apetite, embalando-os e promovendo-os de modo a romper o que resta de nossas defesas, inclusive pelo uso de odores subliminares. Emprega um exército de cientistas e psicólogos para nos levar a comer mais junk food (e portanto menos alimentos integrais) do que necessitamos, enquanto seus publicitários usam as últimas descobertas da neurociência para romper nossa resistência.

Ela contrata cientistas corruptos e thinktanks  para nos confundir a respeito das causas da obesidade. Sobretudo, assim como a indústria do tabaco fez com o cigarro, promove a ideia de que manter o peso é uma questão de “responsabilidade pessoal”. Depois de gastar bilhões para anular nossa força de vontade, culpa-nos por não queimar calorias fazendo exercícios.

A julgar pelo debate desencadeado pela foto, tudo isso funciona. “Não há desculpa. Assumam responsabilidade por sua própria vida, gente!”. “Ninguém te força a comer junk food, é uma escolha pessoal. Não somos ratos de laboratório.” “Às vezes penso que ter um sistema de saúde gratuito é um erro. Todo mundo poder ser preguiçoso e gordo, porque há uma sensação de que se tem o direito de ser cuidado.” A emoção da desaprovação coincide desastrosamente com a propaganda da indústria. Temos prazer em culpar as vítimas.

Ainda mais alarmante, de acordo com um artigo do Lancet, mais de 90% daqueles que elaboram políticas públicas acreditam que “motivação pessoal” é “uma influência forte ou muito forte no aumento da obesidade”. Essas pessoas não explicam quais os mecanismos que levaram 61% dos ingleses que estão acima do peso ou obesos a perder sua força de vontade. Mas essa explicação improvável parece imune a evidências.

Talvez isso aconteça porque a gordofobia é frequentemente uma forma disfarçada de esnobismo. Na maioria das nações ricas, as taxas de obesidade são muito mais altas na base da pirâmide socioeconômica. Elas estão fortemente relacionadas com a desigualdade, o que ajuda a explicar por que a incidência no Reino Unido é maior do que na maioria das nações da Europa e da OCDE. A literatura científica mostra como baixo poder aquisitivo, estresse, ansiedade e depressão associados com status social inferior torna as pessoas vulneráveis a más dietas.

Assim como as pessoas sem emprego são culpabilizadas pelo desemprego estrutural, e as pessoas endividadas são culpabilizadas pelos custos impossíveis da moradia, as pessoas gordas são culpabilizadas por um problema social. Sim, a força de vontade precisa ser praticada – pelos governos. Sim, precisamos de responsabilidade pessoal – por parte de quem elabora as políticas públicas. Sim, o controle necessita ser exercitado – sobre aqueles que descobriram nossas fraquezas e as exploram impiedosamente.

 

Ver o original em 'Outras Palavras' na seguinte ligação:

https://outraspalavras.net/capa/a-construcao-social-da-obesidade/

 

EUA escolhem o negócio sobre a saúde em reunião máxima da OMS

Os EUA assumiram a defesa dos produtores de leite artificial, que gastam milhões em campanhas políticas e lóbi, na Assembleia Mundial da Saúde realizada no final de Maio, em Genebra.

71.ª Assembleia Mundial da Saúde, que decorreu entre 21 e 26 de Maio em Genebra, SuíçaCréditos / Organização Mundial da Saúde

A última Assembleia Mundial da Saúde, o organismo deliberativo da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi palco de mais um episódio em que a diplomacia norte-americana procurou fazer valer a força.

A apresentação de uma resolução em defesa do aleitamento materno e impondo restrições à promoção do leite artificial pelo Equador foi recebida pelos EUA com a ameaça de sanções comerciais e do fim do apoio militar junto à fronteira com a Colômbia, noticiou o The New York Times(NYT) no passado dia 8.

Participantes no encontro internacional que pediram anonimato, com medo de represálias pelos EUA, descreveram ao jornal norte-americano as ameaças que se estenderam a outros países latino-americanos e africanos. O Equador acabou por retirar a sua proposta, que seria aprovada numa versão alterada e levada a discussão pela Federação Russa.

«Ficámos chocados porque não entendemos como é que uma questão como o aleitamento materno podia provocar uma reacção tão dramática», afirmou uma responsável da delegação do Equador, referindo-se às ameaças norte-americanas.

Em causa estavam recomendações para limitar a promoção das fórmulas de leite artificial e medidas de apoio técnico aos estados-membros nesse sentido.

Indústria de milhares de milhões

Três transnacionais monopolizam o mercado mundial de leite artificial: a Abbott, a Mead Johnson e a Nestlé. A primeira consta de várias listas de financiadores de campanhas eleitorais norte-americanas em 2016 – gastou cerca de 1,5 milhões de dólares, mais de 640 mil dos quais para campanhas de 339 candidatos a cargos federais. Já em 2017, deu 35 mil dólares ao comité para a tomada de posse do presidente Donald Trump.

A indústria, com um volume de negócios de 70 mil milhões de dólares e cujo crescimento se tem sustentado com campanhas agressivas em países e comunidades mais pobres, numa estratégia descrita numa reportagem do The Guardian nas Filipinas, tem um longo histórico de investimentos junto do poder.

Em 1982, a Abbott e a Bristol-Myers Squibb (que então detinha a Mead Johnson) deram uma contribuição generosa à Academia Americana de Pediatria. Entre 1984 e 1989, a taxa de mães a amamentar caiu oito pontos percentuais, notava então o NYT.

A Nestlé, por seu lado, tem um registo mais modesto de contribuições para campanhas políticas, o que não significa que tem estado ausente dos corredores do poder. O grupo económico baseado na Suíça gastou mais de 30 milhões de dólares em actividades de lóbi político nos EUA e tem, actualmente, cinco «facilitadores de contactos» junto da Comissão Europeia. O investimento declarado é de quase 500 mil euros anuais e já neste ano assegurou quatro encontros com altos funcionários da Comissão Europeia, entre eles o próprio comissário português, Carlos Moedas.

Salvar vidas ou engordar o negócio

AOrganizaçãoMundial deSaúderecomenda oaleitamentomaternoexclusivo até aosseismeses deidade e,pelomenos, até aosdoisanos em regimecomplementar. Deacordo com oFundo dasNaçõesUnidaspara aInfância (Unicef), emdoisanos deimplementação dainiciativa «Hospital Amigo dosBebés» no Hospital Central deLibreville, noGabão, amortalidade neonatalcaiu 8%.

Num artigo na publicação científica The Lancet, um conjunto de especialistas identificam a «promoção activa e agressiva de substitutos do leite materno» como um dos obstáculos à generalização do aleitamento materno, que descrevem como «nutricional, imunológica, neurológica, endocrinológica, económica e ecologicamente superior».

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

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