África

Descolonização mental é prova de vida e de amor pela humanidade!

 
 

AIIIª Guerra Mundial a todo o transe procura fazer subsistir a barbárie colonial!... Instrumentalizar mentalmente essa barbárie é um sustentáculo da afirmação da essência do império da hegemonia unipolar!


Por essa razão os parâmetros de guerra psicológica “soft power”, de “baixa intensidade” e com fluxos “transversais” que têm tudo a ver com os processos capitalistas de estratificação social, são mantidos numa tónica neoliberal constante, sempre sobre a mesa mental dos povos e promovendo a obediente reinterpretação da história segundo os cânones e os padrões do domínio, desde o dia 9 de Maio de 1945, precisamente desde a mesma data em que terminou a IIª Guerra Mundial e se iniciou a instalação do ECHELON!

 


A aristocracia financeira mundial nessa vocação, providenciou reaproveitamentos por que precisava de multiplicar as “correias de transmissão” avassaladas que garantem a contínua expansão capitalista global e por isso agenciou classes sociais (como por exemplo as oligarquias nacional-colonialistas da América) e apropriadas instituições inerentes ao “estado profundo” como o Pentágono, a CIA, a NATO, o ECHELON, o UKUSA, entre outros similares, assim como a panóplia de suas tentaculares conexões na base sociocultural típica das correntes anglo-saxónicas, em função do propositadamente desaparecido império colonial britânico! (https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Seguran%C3%A7a_UK-USA).

 


O Google, o Facebook e outros que foram surgindo após a instalação do ECHELON, exploram essas raízes na superestrutura comunicacional e os poderes de infraestrutura têm sido ampliados desde logo via Pentágono, em todos os continentes, graças às novas tecnologias à mão dos expedientes dominantes e a ele filiados!…

 


Aproveitando a pandemia em curso, o Facebook assalta agora África com o manancial dos seus estímulos condicionados de natureza emocional, em reforço naturalmente do papel do AFRICOM!... (https://www.voltairenet.org/article210246.html).

 


Em África, o AFRICOM tem preenchido uma rede de discretas iniciativas comunicacionais para além da tradicionalmente presente USAID, de forma a estabelecer pontes que são autênticas amarras na direcção de todos os estados do continente!

 


No outro lado do Atlântico, entre essas tentaculares conexões, ainda a título de exemplo, existe um “serviço” que “penetra”, com todo o impacto de consequências, na Presidência do Brasil (um ds els mais fágeis que, a par da África do Sul compõem os BRICS), por via da Agência Brasileira de Inteligência, ABIN: o Sistema de Vigilância da Amazónia, SIVAM, o que prova que os exercícios de Lula e Dilma, ao manterem “a raposa no galinheiro”, acabaram também por ser cúmplices do seu próprio derrube, como da “apropriada” instalação do Bolsonaro fascista-colonial no poder!... (https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_Vigil%C3%A2ncia_da_Amaz%C3%B4nia).

A coisa foi de tal ordem, que a Raytheon, a empresa estado-unidense que forneceu todos s equipamentos (“TECHINT”) para o SIVAM, tem simultaneamente a ver, a partir do nó de Miami, com alguns dos financiamentos, vínculos, acções e obras da Odebrecht! (https://www.odebrecht.com/pt-br/comunicacao/releases/odebrecht-consolida-sua-atuacao-nos-estados-unidoshttps://www.odebrecht.com/en/businesses).

 


O carácter endémico da própria Organização das Nações Unidas, sucessora da Sociedade das Nações (https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_das_Na%C3%A7%C3%B5es), tem sido mantido praticamente imutável, apesar das muitas vozes que se têm levantado na tentativa, até agora vã, de alterar a sua estrutura em proveito de toda a humanidade, ao invés de ficar presa ao labirinto próprio da barbárie do império da hegemonia unipolar!...

 


As alienações de toda a ordem (desde logo com impactos antropológico-culturais), as premeditadas ilusões (entre elas a visão dos Estados Unidos como se duma exclusivista “terra-prometida” se tratasse), a mentira (quantas vezes tocando as raias da vulgaridade para que mentalmente os cérebros permaneçam em estado de prostração-formatação-hibernação), o consumismo (que prende os recursos-migalhas da multidão aos pressupostos industriais e das novas tecnologias geradas pelo sistema de poder dominante do império), são recursos inestimáveis para o modelo da globalização imperial!

 


Em pleno século XXI, nada melhor que Franz Fanon para que alguma vez, ou duma vez por todas, haja civilização com descolonização mental enquanto prova de vida e de amor pela humanidade!

 


Outros se lhe podem seguir, a partir do seu exemplo mental!…

 


01-Franz Fanon visto com os olhos da civilização em pleno século XXI, é uma perspectiva mental extremamente sensível, a de novo contextualizar num tempo de globalização protagonizada pelos fluxos dominantes do âmbito do império da hegemonia unipolar! (https://www.youtube.com/watch?v=h1tP_CTywPM).
 
As suas intervenções em meados do século passado, foram feitas em função de constatações que abriram as portas ao campo científico na imensa área psico-social-cultural, sobre o que se passava (e passa) na cabeça e na formulação antropológica e social dos oprimidos de África, quando todo o processo de antropologia cultural era usado pelos opressores coloniais para ainda fazer valer o jugo! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2018/07/08/la-guerra-psicologica-del-imperio-de-la-hegemonia-unipolar-en-africa/).

 

 
Em época de opressão e repressão colonial, mas num momento em que se iniciava a luta armada de libertação nacional em África na saga de Argel ao Cabo da Boa Esperança, Franz Fanon foi preciso e precioso para o momento de relativa viragem!

 

 
O império da hegemonia unipolar aprendeu rapidamente a lição de Frantz Fanon (não é por acaso que projectou a descolonização, aproveitando-se do fim político-administrativo do império britânico) e, com a revolução das novas tecnologias, passou a “bombardear” África com as mensagens “soft pwer” de seu interesse e conveniência, a tal ponto que as mensagens com  selo “de referência” sobre os africanos, são numa quantidade infinitamente maior do que as mensagens dos africanos sobre si próprios, com a agravante de poder formatar com um conjunto cada vez mais alargado de ferramentas, as cabeças dos alvos africanos! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/10/20/reinterpretar-el-movimiento-de-liberacion-en-africa-i/).

 

 
Essas intervenções de Franz Fanon (“Peles negras, máscaras brancas” e “Os condenados da Terra”), são todavia um valioso antecedente para as constatações de Naomi Klein nas suas “No Logo”, “Doutrina de choque”, ou “Dizer não, não basta”, dissecando os comportamentos actuais ao sabor do império do capitalismo neoliberal globalizante, em especial o que caracteriza as suas acções fomentadoras de caos, de terrorismo, de deliberada desagregação e de colonização mental! (http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591022-por-que-ler-fanon-hoje-artigo-de-immanuel-wallersteinhttps://muhimu.es/economia/naomi-klein-capitalismo/https://www.instagram.com/p/BrfCJvrB1bH/?utm_source=ig_embed).

 

 
São também um antecedente temporalmente próximo, mas ideologicamente afastado, ao génio pacifista e por isso confinado de Martin Luther King Jr. enquanto afrodescendente, bem por dentro da barbárie dos contextos humanos do império da hegemonia unipolar!... (https://g1.globo.com/mundo/noticia/martin-luther-king-jr-veja-grandes-falas-do-lider-da-luta-contra-o-racismo-assassinado-ha-50-anos.ghtml).

 

 
Franz Fanon interessa-nos também por que antecipa as visões sobre os fenómenos “transversais” em curso em direcção aos alvos ultraperiféricos a subjugar (entre eles situa-se Angola)! (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/memoria-dum-expansionismo-embarcado-no.html).

 

 
Nesse sentido importa salientar, de acordo com os últimos acontecimentos nos Estados Unidos e de contradição em contradição nunca resolvida: quem “transversalmente” persistir, no topo da pirâmide humana (1% da humanidade), em semear ventos de caos, de terrorismo, de desagregação e de desastre, apesar de tudo corre o risco de “transversalmente” colher tempestades de caos, de terrorismo, de desagregação e de desastre! (http://www.patrialatina.com.br/em-plena-pandemia-o-povo-dos-eua-se-rebela-contra-a-desigualdade-social-a-barbarie-capitalista-e-a-opressao-racista/).

 

 
Conforme Frantz Fanon:

 

 
“O indígena é um ser aprisionado, o apartheid é apenas uma modalidade da compartimentação do mundo colonial. A primeira coisa que o indígena aprende é a manter-se em seu lugar, a não ultrapassar os limites.

 

 
É por isso que seus sonhos são musculares, de ação, agressivos – Sonho que salto, nado, corro, escalo.

 

 
Sonho que estou gargalhando, que atravesso o rio com um pulo, que sou perseguido por carros que nunca me alcançam.

 

 
Durante a colonização, o colonizado não pára de se libertar entre as nove horas da noite e as seis da manhã”… (https://diplomatique.org.br/frantz-fanon-uma-voz-dos-oprimidos/).

 

 
“Abandonemos essa Europa que não para de falar no homem, ao mesmo tempo que o massacra onde quer que o encontre, em todos os cantos de suas ruas limpas, em todos os cantos do mundo”… (https://operamundi.uol.com.br/super-revolucionarios/60099/franz-fanon-ator-e-pensador-da-luta-anticolonial).

 

 
Com isso Franz Fannon descobre, desde  seu contexto de observação, também a premente necessidade de descolonização mental a partir dos contraditórios socioculturais da complexa sociedade estado-unidense!

 

 
Com isso fica também a descoberto a “descolonização exemplar”, institucional e mental, preconizada pelos portugueses filtrados pelas correntes oportunistas ligadas a Frank Charles Carlucci, Henry Kissinger e a Everett Ellis Briggs, ou seja, um processo transitório, de geometria variável, apostado na transferência do domínio colonial, para o domínio neocolonial estado-unidense, tendo os governos do “arco de governação” como servis vassalos e “correias de transmissão”, reconvertendo a aspiração spinolista de “Portugal e o futuro”!... (https://for-umm.pt/threads/aterrador-sobre-m%C3%81rio-soares-%E2%80%8F.14552/http://revolucaoedemocracia.blogspot.com/2013/05/o-financiamento-da-cia-ao-ps-documento.html).

 

 
 
02-A maturação, em termos de consciência, por parte de Naomi Klein, aplica-se à crítica na profundidade aos termos do capitalismo neoliberal (https://muhimu.es/economia/naomi-klein-capitalismo/) que levou ao “Project of a New American Century” (PNAC), assente sobre a Doutrina de Rumsfeld e do Almirante Arthur K. Cebrowski, conforme explica por seu turno Thierry Meyssan!... (https://vermelho.org.br/2017/08/25/o-projeto-militar-dos-estados-unidos-pelo-mundo/;  https://www.voltairenet.org/article209821.html).

 

 
A “doutrina do choque” começou a ter rédea solta na década de 70, com o derrube do governo eleito de Salvador Allende e, desde então multiplicaram-se as iniciativas aninhadas ao império da hegemonia unipolar, por que à aristocracia financeira mundial, tutora dos dominantes “media de referência”, fabricar motivos para mais uma tensão, conflito ou guerra, para além das “motivações” decorrentes das catástrofes naturais, passou a ser o dia-a-dia mais lucrativo dos expedientes de natureza neoliberal, até por que os recursos da Terra estão em exaustão!

 

 
Caos, terrorismo, desagregação, desastre e colonialismo mental caíram sobre os países alvo, particularmente aqueles ricos em produtos energéticos da periferia, ou da ultraperiferia económica e financeira, sendo o caso da Venezuela, segundo essa lógica, o mais brutalmente apetitoso! (https://www.fort-russ.com/2020/06/mexico-defies-us-sanctions-offers-to-sell-gasoline-to-venezuela/).

 

 
A 4 de Setembro de 2008, por ocasião do lançamento do livro sobre o “capitalismo de choque” de Naomi Klein, o “Le Monde Diplomatique” sintetizava assim:

 

 
“O filósofo italiano Giorgio Agamben já demonstrou como a política trabalha secretamente na produção de emergências.

 

 
Só que faltava um ponto de vista jornalístico, apurado e certeiro, sobre a natureza e as dimensões do fenômeno.

 

 
Essa parece ser a proposta de Naomi Klein nesse livro. Logo no primeiro capítulo, ao entrevistar Gail Kastner, remanescente das experiências da CIA com eletrochoques nos anos 1950, Klein define a obra como um livro sobre o choque, ou, se preferirmos, sobre como o capitalismo lucra com a dor dos outros diante da desgraça.

 


O livro descreve inicialmente como os países ficam impactados por causa de guerras, ataques terroristas, golpes de Estado e desastres naturais, e, em seguida, são submetidos a novos choques políticos e econômicos, por meio de desregulamentações, privatizações e cortes dos programas sociais – doutrina neoliberal desenvolvida pelo economista Milton Friedman (1912-2006), professor da Escola de Economia de Chicago. E quem ousar resistir às medidas impostas corre o risco de ser torturado com novos choques (elétricos).

 

 
Como disse Eduardo Galeano, muito citado no livro, Friedman ganhou o Nobel e o Chile ganhou Pinochet”.

 


O complexo político-econômico gerado por esse estado de choque contínuo é o capitalismo de desastre, incapaz de distinguir entre destruição e criação, entre ferir e curar, conforme atestam os exemplos analisados no livro.

 

 
Parte-se do mito do milagre chileno, a primeira aventura dos Garotos de Chicago nos anos 1970, passando pela terapia de choque em vários países da América Latina na década de 1980

 

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Seguem-se crises na China, Polônia, África do Sul e Rússia; a pilhagem da Ásia nos anos 1990; a doutrina militar do choque e pavor no Iraque pós-11/9; o tsunami de 2004 no Oceano Índico e as privatizações que ocorreram no rastro do furacão Katrina, em 2005.

 


A doutrina do choque é altamente recomendável a todos que esbravejam contra os desmandos do regime chinês, sem se darem conta de que a Cisco, a General Electric, a Honeywell e o Google, entre outras empresas, vêm trabalhando de mãos dadas com os governos locais para permitir o monitoramento remoto da internet e fornecer a infraestrutura para um dos maiores complexos policiais do planeta”. (https://diplomatique.org.br/review/a-doutrina-do-choque/).

 

 
 
03-Desde o 31 de Maio de 1991, data em que foi assinado o Acordo de Bicesse, que a vulnerável Angola, em África o maior produtor de petróleo ao sul do Equador, sem remissão vem sendo triturada pelas engrenagens desse tipo de mecanismos: chegaram ao ponto de, filtrando os contendores (entre 1992 e 2002), alinharem uns ao petróleo, os outros aos diamantes e produzirem um choque em cadeia que durou 10 anos de sangrenta guerra, para depois continuar, de terapia em terapia, até ao caos da devassa, da corrupção e da continuidade da terapia, em função do “excremento do diabo”! (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/18-anos-de-excremento-do-diabo.html).

 

 
O choque em cadeia envolveu nessa altura, sobretudo as regiões da África Austral, da África Central e dos Grandes Lagos, com Angola e a RDC na charneira, a sofrerem os maiores impactos!... (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/01/07/africa-dilecto-alvo-neocolonial/).

 

 
Neste momento, em relação à gestão do coronavírus nos Estados Unidos, Naomi Klein considera que “a crise”, tendo um ente como Donald Trump à cabeça da administração de turno, é mesmo “o desastre perfeito”!... (https://www.vice.com/en_us/article/5dmqyk/naomi-klein-interview-on-coronavirus-and-disaster-capitalism-shock-doctrinehttps://tradutoresproletarios.wordpress.com/2020/04/18/o-desastre-perfeito-naomi-klein-e-o-coronavirus-como-doutrina-do-choque/https://theintercept.com/2017/01/26/prepare-se-para-o-capitalismo-do-desastre-de-trump/).  

 

 
A comprovar estão muitas das medidas contra organizações internacionais como a Organização Mundial da Saúde, ou o Tribunal Penal Internacional… O bárbaro “excepcionalismo” de Trump tem um objectivo em final de estação: aproveitar o torpor interno e global para pressionar indelevelmente no sentido do caos, do terrorismo, da desagregação, do colonialismo mental e do desastre!... (https://www.theguardian.com/us-news/2018/sep/10/trump-attack-on-icc-is-the-unacceptable-face-of-us-exceptionalism). 

 

O choque e a terapia sob controlo já se instalaram no planeta e nada pode ser mais bárbaro que o abismo que decorre sob nossos olhos e nos nossos dias! (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/angola-recessao-crise-e-imperio.html#more).

 

 
 
04-A aristocracia financeira mundial e seus processos de domínio mantêm de facto a colonização mental nos próprios Estados Unidos, conforme se pode atestar não só em relação à trajectória de opressão desde os genocídios dos povos autóctones, à conquista dos territórios do México (cujos povos eram de cultura latina e autóctone), às questões que se prendem ao estatuto social e cultural dos afrodescendentes, que originalmente haviam sido transportados à força como escravos para o seu território, como aliás para todos os territórios das Américas, do Caribe e, em muito menor número, da Europa! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/03/11/estado-do-mundo/).

 

 
É uma opressão condicionada nos constantes termos da repressão e por isso o instrumental papel policial!

 

 
Para o exterior, a subversão mental contemporânea dos Estados Unidos de natureza colonial decorre não só com os expedientes de cariz capitalista neoliberal (com sua panóplia de transnacionais vocacionadas para a moldagem das mentalidades que se querem afins como é neste caso o “tão eficiente” Facebook), mas também por via das doutrinas que reforçam as tensões conflituosas e as contradições inerentes à gestação das “revoluções coloridas” e das “primaveras árabes”! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/06/23/la-dialectica-como-arma-geoestrategica-del-imperio-de-la-hegemonia-unipolar/).

 

 
Um leque de “filósofos” e suas deliberadas filosofias “transversalmente” violentas socorrem essa acção premeditada, desde Milton Friedman e seus “Chicago boys” de ocasião, a Gene Sharp, a Leo Strauss, ao “filantropo” George Soros, ou a Francis Fukuyama!...

 

 
A nível interno, mesmo os afrodescendentes desconhecem Franz Fannon e, em relação a Naomi Klein, estão a ser franjas de sociedade urbana afrodescendente e uma parte da juventude mais cosmopolita que, veladamente filtradas pelos Democratas interessados na terapia neoliberal absorvente, estão a dar “o corpo ao manifesto” no sentimento de revolta contra o racismo que anima o actual choque cultural, perseverante desde o passado das origens da expansão e “conquista do oeste”!

 

 
Nesse aspecto, parece estar a prevalecer neste ano eleitoral a tipologia dos papeis e dos jogos que sustentam o corpo do poder dominante da aristocracia financeira mundial: o choque está inerente à acção para os Republicanos esgrimirem e a terapia à acção para os Democratas responderem e agilizarem, colocando no meio, sob pressão, a religiosidade pacifista onde se refugiam entre bênçãos os afrodescendentes, desde os tempos da escravatura!

 

 
A figura de Martin Luther King Jr. é nesse aspecto proverbial, por que se torna num obstáculo à descolonização mental dos próprios afrodescendentes, carentes duma outra energia e motivação, livres de tais amarras ideológicas! (https://law.jrank.org/pages/8988/Pacifism-Martin-Luther-King-Jr-Civil-Rights-Movement.html).

 

 
Jamais Martin Luther King Jr. se equiparou nos seus pronunciamentos em relação à colonização mental interna nos Estados Unidos, aos pronunciamentos de Franz Fannon em relação ao colonialismo e colonização mental em África! (https://legal-dictionary.thefreedictionary.com/Martin+Luther+King+Jr.+and+the+Civil+Rights+Movement).

 

 
Se Martin Kuther King Jr. tivesse assumido esse arrojo, teria no seu argumento colocado a visão dos afrodescendentes dos Estados Unidos num patamar evidente de dependência de tal modo opressiva e repressiva que inviabilizaria a via religiosa-pacifista dos “direitos cívicos”, um movimento que aliás também socorreu o exercício cívico contra a guerra no Vietname e socorre hoje ao que inibe ou enfraquece a intensidade da acção comum dos afrodescendentes nas Américas!

 

 
Assim ficou esbatida desde os tempos da escravatura e séculos adentro, a situação dos afrodescendentes dos Estados Unidos, pois o Norte vencedor da Guerra Civil, era o Norte dos capitalistas que eram já expoentes da revolução industrial, de onde emergiu a actual aristocracia financeira mundial redundante da concentração do capital na via das transnacionais, aproveitando os 12 velhos bancos de família oriundos da Europa que haviam tomado de assalto a Reserva Federal!

 

 
Os afrodescendentes, um grupo minoritário que merece das raízes socioculturais de origem ameríndia ou latino-americana flutuante entendimento, têm assumido tacitamente esse estado de minoria submersa, ou subjugada (apesar de algumas figuras que se destacam na luta) e isso impede a mais rápida ruptura dos estatutos previstos no quadro de sua geografia humana em relação aos outros ambientes socioculturais, impedindo ao mesmo tempo a sua ligação a outros afrodescendentes na América e Caribe, assim como inibindo qualquer tentativa de busca de interligação com os povos de África, com seus estados e com suas instituições! (https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/conheca-tres-livros-de-angela-davis-e-saiba-mais-sobre-os-panteras-negras/).

 

 
Os periféricos minoritários afrodescendentes nos Estados Unidos, dificilmente se conseguem aproximar, ou se associar (muito menos se unir) às ultraperiferias caribenhas e africanas!

 

 
De facto os problemas de descolonização mental inerentes à compressão sociocultural dos afrodescendentes dos Estados Unidos, nunca foram completamente resolvidos (graças aos seus próprios condicionalismos) desde os termos de sua dependência original de colonialismo mental, desde a escravatura, por que a sua continuidade tem sido garantida por via da religiosidade pacifista respeitadora dos “direitos cívicos” que tacitamente abona o pendor da pressão e da repressão sob jugo e domínio da aristocracia financeira mundial!

 

 
A ausência da possibilidade de ruptura malgrado o vulcão da luta de classes, mantém o largo cadinho dos parâmetros da mais ou menos velada opressão e repressão, demonstrável na análise do espectro da estratificação social e humana da complexa sociedade estado-unidense e da corrente de violência eminentemente anglo-saxónica, cuja expressão conjuntural e contextual acabaria aliás com a vida do próprio Martin Kuther King Jr.!... (https://www.youtube.com/watch?v=GLkeRNa_leE).

 

 
Num beco sem saída, a descolonização mental dos afrodescendentes estado-unidenses nas suas condicionantes internas continua em grande parte por fazer e é por isso que há tantos sintomas de letargia no movimento cívico pacifista potenciado por Martin Luther King Jr. num grau de tanta relatividade contraditória e de tão propositada ambiguidade! (https://kinginstitute.stanford.edu/king-papers/documents/war-and-pacifism).

 

 
De entre os reflexos desses sintomas evidenciam-se: por um lado, uma parte substancial do manancial humano das forças militares dos Estados Unidos destacado no “ultramar” é de mobilização afrodescendente, por outro, África, suas organizações continentais e seus governos (inclusive os emanados do movimento de libertação contra o colonialismo e o “apartheid”), jamais criaram laços fortes e contínuos com os afrodescendentes da América e por tabela também com os dos Estados Unidos!

 

 
 
05-Com o actual estado de coisas em ano eleitoral nos Estados Unidos, a dialética neoliberal controlada entre o choque tipicamente Republicano (de cristalizada raiz sociocultural anglo-saxónica) e a terapia Democrata (de raiz multi-sociocultural e absorvente de minorias), vai permitir que nos Estados Unidos não se possa avançar no sentido de se poder chegar a ameaçar a aristocracia financeira mundial garante do império da hegemonia unipolar, apesar do vulcão humano (https://www.voltairenet.org/article210181.html) que, integrando os componentes das sucessivas crises, está a entrar em actividade prolongada! (https://www.youtube.com/watch?v=fO7bqxdPBik&feature=push-sd&attr_tag=vasDrdZLTyiLEkNH%3A6).

 

 
Essa dialética de poder nos Estados Unidos, na sua essência procura perpetuar a barbaridade da existência do próprio império de hegemonia unipolar em época de tão omnipresente globalização neoliberal e os afrodescendentes dos Estados Unidos, por si sós ou de forma correlacionada, não poderão “transversalmente” ter a força de reverter a situação de opressão e repressão que sobre eles vai recaindo e continuará a recair!... (https://www.youtube.com/watch?v=eYi3W6vxqAY).

 

 
Não basta ter um sonho para se agir contra o poder avassalador do pesadelo! (https://www.youtube.com/watch?v=bgsjI7gzvpY).

 

 
Os desamparados (e relativamente isolados) afrodescendentes dos Estados Unidos, só com o aprofundamento das crises poderão conquistar alguns terrenos mais de conquista civilizacional dum correlativo novo estatuto social e cultural, mas o atavismo pacifista do movimento cívico-religioso terá de ser revisto, pois para a descolonização mental há que criar novas formas de luta, escapando ao jogo dialético entre os dois poderosos braços da superestrutura ideológica e infraestrutura correspondente, do poder dos Estados Unidos! (https://www.youtube.com/watch?v=1201RM4Bg50).

 

 
Os Estados Unidos jamais se comportaram como um atractivo paraíso, como a propaganda ainda hoje continua a fazer crer, (https://www.fort-russ.com/2020/06/report-30-of-americans-missed-their-housing-payments-in-june-due-to-lockdown/) erguendo muros na fronteira comum com o México e isto por que sem descolonização mental, haverá sempre garantia de sobrevivência do império de hegemonia unipolar! (https://www.fort-russ.com/2020/06/watch-malcolm-x-you-cant-be-a-negro-in-america-and-not-have-a-criminal-record/?utm_medium=ppc&utm_source=push&utm_campaign=push%notificationss&utm_content=varies).

 

 
DESCOLONIZAÇÃO MENTAL PASSA A SER ASSIM UM CONTÍNUO DESAFIO SOCIOCULTURAL DE TRANSFORMAÇÃO DE AMPLOS CORRELACIONAMENTOS, QUE É UMA ALARGADA PROVA DE VIDA E DE AMOR DA HUMANIDADE E PELA HUMANIDADE!...

 

 
Que nos lembremos humildemente sem mitos e tenhamos isso bem presente em nosso carácter e em nossa afirmação desde África, berço da humanidade e, por razões inerentes ao estágio de ultraperiferia em que África se encontra violentada, ávida de lógica com sentido de vida! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2020/02/15/2020-un-ano-radiografico/).

 

 
Martinho Júnior -- Luanda 22 de Junho de 2020
 
Imagens:

 

- Frases inspiradas e inspiradoras de Franz Fanon, Naomi Klein e Marthin Luther King Jr, contribundo para uma necessária radiografia do império de hegemonia unipolar;

 

- O Facebook, aproveitando o desastre da pandemia, decidiu-se a investir no laço de cabos em torno de África a fim de expandir o seu sinal de colonização mental – https://www.voltairenet.org/article210246.html.
- Acordo de Bicesse
- A chegada dos colonizadores europeus à América

À medida que o mundo olha para o lado, a morte espreita na República Democrática do Congo. Por Nick Turse

Guerra Iemen Congo mapa africa_ médio oriente

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Nick Turse Por Nick Turse

Publicado por Consortium News em 11/10/2019 (ver aqui)

Publicado originalmente em  (ver aqui)

 

Do leste da RDC, Nick Turse fala-nos de uma das mais duradouras catástrofes do mundo.

 

O rapaz sentava-se ao lado do pai, como fazia tantas vezes. Ele imitava o seu pai de todas as formas possíveis. Ele queria ser como ele, mas Muhindo Maronga Godfroid, então com 31 anos de idade, professor primário e agricultor, tinha planos maiores para o seu filho de dois anos e meio de idade. Um dia, ele iria para a universidade. Ele tornar-se-ia um “grande nome” – não só na sua aldeia de Kibirizi, mas também na província do Kivu Norte, talvez em toda a República Democrática do Congo. O rapaz era extremamente inteligente. Ele era, disse Godfroid, “incrível”. Ele poderia tornar-se um líder num país que precisa desesperadamente de um líder.

Kahindo Jeonnette estava a pôr o jantar na mesa quando alguém começou a bater à porta da frente. “Abram! Abra a porta! Abram! Abram! “gritou um homem em suaíli. Jeonnette estava assustado.

Esta mãe de duas crianças de 24 anos olhou para o seu marido. Godfrey abanou a cabeça. “Não posso abrir a porta se não disseres quem és”, gritou ela.

A resposta jorrou: “Estou à procura do seu marido. Eu sou seu amigo”.

“Agora é tarde demais. O meu marido não pode sair. Volte amanhã”, respondeu ela.

O homem gritou: “Então eu vou abri-la! “e disparou várias balas para a porta. Um delas arrancou a mão esquerda de Godfrey, deixando-lhe apenas um centímetro e dois dedos e meio. Por um momento, ele ficou atordoado. A dor ainda não o tinha atingido e ele não conseguia compreender o que tinha acontecido. Depois virou a cabeça e viu o seu rapazinho a cair no chão.

Os pais enlutados nem sequer conseguem pronunciar o nome do seu filho falecido. “Nunca me esquecerei de ver o meu bebé ali deitado”, diz-me Jeonnette, com os olhos vermelhos e vítreos, quando nos sentamos na cozinha da sua casa de duas assoalhadas, num bairro degradado de Goma, a capital da província do Kivu Norte. “Fecho os olhos e é só isso que vejo”.

Ninguém sabe quem exatamente matou o filho do Godfroid e do Jeonnette. Ninguém sabe exatamente porquê. A sua morte foi apenas mais um assassinato, numa história interminável; um assassinato ligado a uma guerra que começou décadas antes de ele respirar pela primeira vez; um homicídio encorajado por um acidente de nascença – o infortúnio de ter nascido numa região assolada por um conflito tão interminável quanto ignorado.

 

“A cidade mais perigosa do mundo”

Guerras esquecidas massacres ignorados Texto 5. À medida que o mundo olha para o lado a morte espreita na RDC 1

Mapa da República Democrática do Congo. (CIA, Wikimedia Commons)

 

O ataque à casa de Jeonnette e Godfroid, a violência que sofreram, não foi uma anomalia, mas mais um incidente doloroso numa das catástrofes mais persistentes do planeta. Um novo relatório, “Congo, Esquecido: Os números por detrás da mais longa crise humanitária em África“, da autoria da Human Rights Watch e do Grupo de Investigação do Congo, da Universidade de Nova Iorque, conclui que, entre 1 de Junho de 2017 e 26 de Junho de 2019, se registaram pelo menos 3.015 incidentes violentos – incluindo assassinatos, violações coletivas e raptos – envolvendo 6.555 vítimas nas províncias do Kivu Norte e do Kivu Sul.

Só nessas duas províncias, foram mortos, em média, 8,38 civis por 100.000 habitantes, um número que excede mesmo a taxa de mortalidade de 6,87 civis em Borno, Nigéria, o estado mais afetado pelo grupo terrorista Boko Haram. Isto é mais do dobro da taxa – 4,13 – para todo o Iémen dilacerado pela guerra civil, onde os rebeldes e os civis Huti têm sido implacavelmente atacados durante anos por uma coligação apoiada pelos EUA e liderada pela Arábia Saudita.

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Imagens do Iémen. Fonte: The Guardian

 

“Os combates dos últimos anos mostram que a paz e a estabilidade no leste do Congo são ilusórias”, afirmou Jason Stearns, diretor do Grupo de Investigação do Congo. “É necessária uma abordagem global, incluindo um programa de desmobilização revigorado e reformas profundas a todos os níveis de governo para combater a impunidade. “

No entanto, as hipóteses de isso acontecer num futuro próximo são muito remotas. A violência tem vindo a grassar no extremo oriente congolês desde pelo menos o século XIX, quando os caçadores de escravos se dedicavam ao seu comércio aqui e e os amotinados locais de uma expedição colonial belga se espalharam e saquearam a região. E, desde o final do século passado, o Kivu do Norte tem sido um epicentro de conflitos.

Por seu lado, Goma, com uma população de 2 milhões de habitantes, foi descrita como “amaldiçoada“, um “íman para a miséria” e identificada como “a cidade mais perigosa do mundo“. Embora possa não estar diretamente em cima do inferno, por baixo do vulcão que a domina, o Monte Nyiragongo é um lago de lava ardente, estimado em 10 mil milhões de litros. Ao mesmo tempo, o lago Kivu, um enorme lago de água em cujas margens se situa Goma, poderia asfixiar potencialmente milhões de pessoas em caso de terramoto, graças à acumulação de gás sob a sua superfície. Por outro lado, o próprio lago Kivu poderia simplesmente explodir – como acontece cerca de uma vez em cada mil anos.

Goma é, para não dizer pior, uma cidade dura e tem tido uma sorte verdadeiramente dura nos últimos tempos. Em 1977, o Monte Nyiragongo entrou em erupção, enviando lava para a periferia da cidade à velocidade mais rápida alguma vez registada, cerca de 100 km por hora, à velocidade de uma chita quando corre a toda a velocidade. Várias aldeias isoladas foram destruídas e quase 300 pessoas foram queimadas vivas.

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Lago de Lava do vulcão Nyiragongo no Parque Nacional de Virunga, no leste da RDC. (Cai Tjeenk Willink, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons)

Em 1994, após o derrube de um regime Hutu que tinha cometido um genocídio contra os Tutsis no vizinho Ruanda, mais de um milhão de refugiados, na sua maioria Hutus, invadiram Goma, o que levou as agências humanitárias a criar campos para eles. Estes campos, por sua vez, serviram de base para os genocidas expulsos lançarem rusgas transfronteiriças ao Ruanda. Além disso, a cólera assolou estes campos de refugiados e os Tutsis que também tinham fugido do genocídio foram atacados em Goma, tal como tinham sido no seu país natal, o Ruanda.

As consequências deste genocídio deram origem àquilo a que se tem chamado a Guerra Mundial de África, um conflito que grassou desde meados dos anos 90 até ao início dos anos 2000 e que viu Goma tornar-se uma capital rebelde controlada por uma elite militar, enquanto mais de 5 milhões de pessoas morreram na região em consequência da violência ou das suas consequências: fome, privação e doença. Depois, como se isso não bastasse, em 2002, o Monte Nyiragongo entrou novamente em erupção, enviando mais de 14 milhões de metros cúbicos de lava pelo seu flanco sul. Dois rios de rocha derretida atravessaram o centro de Goma, destruindo 15% da cidade, matando pelo menos 170 pessoas, deixando 120.000 desalojados e enviando outras 300.000 para o Ruanda.

Apesar de um acordo de paz regional no mesmo ano, Goma tornou-se alvo de um grupo Tutsi que ficou conhecido como o Movimento 23 de Março, ou M23, uma milícia que posteriormente combateu o exército congolês durante grande parte da década, resultando num novo afluxo de deslocados que se estabeleceram noutros campos e bairros de lata nos arredores de Goma. Pior ainda, em 2012, os rebeldes M23 apoiados pelo Ruanda apreenderam e saquearam num curto intervalo de tempo a cidade, enquanto realizavam uma campanha de assassinatos dentro e em redor da cidade.

Hoje, Goma está oficialmente em paz, mas nunca está realmente pacificada. “Desde o início de 2019, uma série de assassínios, roubos violentos e raptos têm tido lugar nas zonas periféricas de Goma”, segundo um relatório divulgado esta Primavera pelo Instituto Rift Valley, que investiga o conflito e os seus custos na República Democrática do Congo. Um assalto à mão armada descrito no relatório tem uma semelhança impressionante com o ataque a Jeonnette e ao Godfroid em Kibirizi. Uma das vítimas explicou como é que os bandidos levaram a cabo o assalto num bairro nos arredores de Goma:

“Eu estava a dormir lá em baixo com a minha mulher e o bebé. Eles entraram pela porta da frente e dispararam por ali. Saímos a correr do nosso quarto para irmos pelas escadas. Lá em baixo, obrigaram uma das nossas filhas a mostrar-lhes os quartos do andar de cima. Trancámo-nos na sala. Os bandidos dispararam através da porta, ferindo o nosso bebé, mesmo acima do olho e no braço. Fugimos para o chuveiro. O bebé estava a sangrar muito. Eles entraram e eu comecei a dar-lhes tudo o que queriam de nós… Foi muito traumático. A minha mulher, que estava grávida, deu à luz demasiado cedo, mas o bebé está mais ou menos bem. Trancado na casa de banho, chamei o chefe do bairro e o coronel que conheço, mas eles começaram a falar de combustível, [especificamente, da falta de combustível, que os impediu de intervir] por isso ninguém veio para nos ajudar”.

Face a esta violência, a maioria dos congoleses não tem outra alternativa senão sofrer ou fugir. No ano passado, 1,8 milhões de pessoas – mais de 2% dos 81 milhões de habitantes do Congo – foram deslocadas no interior do país, estando apenas a seguir à Etiópia. Um total de 5,6 milhões de congoleses estão atualmente deslocados, e estima-se que 99 por cento deles tenham ficado sem casa devido à violência.

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Goma com o Monte Nyiragongo como pano de fundo, em 2015. (MONUSCO Photos, CC BY-SA 2.0, Wikimedia Commons)

Os minerais de guerra são superados pelo próprio conflito.

Entre a década de 1990 e os primeiros anos deste século, cerca de 40 grupos armados operaram no leste do Congo. Atualmente, mais de 130 desses grupos estão ativos só nas províncias do Kivu Norte e do Kivu Sul.

Com pelo menos 24 mil milhões de dólares em ouro, diamantes, estanho, coltan, cobre, cobalto e outros recursos naturais subterrâneos, parte-se muitas vezes do princípio de que a violência do Congo está intimamente ligada ao desejo de controlar a sua riqueza mineral. Os dados do Kivu Security Tracker do Congo Research Group, contudo, indicam que “não existe uma correlação sistemática entre a violência e as zonas mineiras”. Em vez disso, os conflitos do país tornaram-se a sua própria fonte de rendimento. Uma “burguesia militar” tem utilizado o complexo conjunto de conflitos-dentro-dos-conflitos do país para a sua promoção profissional, financiando as suas guerras privadas através de raptos, tributação de bens e movimentação de pessoas, caça furtiva e extorsão para proteção de todo o tipo. A violência tornou-se apenas um recurso entre outros no leste do Congo, uma mercadoria cujo valor é medido tanto na dor como em francos congoleses.

Entre Junho de 2017 e Junho de 2019, cerca de 11% das mortes e 17% de todos os confrontos no Kivu ocorreram nos territórios de Fizi e Uvira, no Kivu Sul, mas o epicentro da violência na região continua a ser o território do Beni, no Kivu Norte (também um ponto quente da atual e crescente epidemia de Ébola que nem as poderosas vacinas conseguem conter). De acordo com o relatório da Human Rights Watch, “Congo, esquecido“, 31% de todos os assassínios de civis no Kivu tiveram lugar no Beni ou nos arredores, tendo a maior parte do derramamento de sangue sido atribuído ao conflito entre as forças armadas congolesas e as Forças Democráticas Aliadas, ou ADF, um grupo que surgiu há décadas e cujo nome acaba de se tornar uma franquia do Estado islâmico.

O território vizinho de Rutshuru registou 35% de todos os raptos nas duas províncias, segundo “Congo Esquecido“. Recentemente, Sylvestre Mudacumura, chefe das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda, um grupo armado fundado por genocidas hutus em 2000, foi ali morto pelo exército congolês. Rutshuru e o território vizinho de Lubero são também o lar de duas coligações de milícias opostas – os Nyatura e os Mai-Mai Mazembe – que provêm de diferentes grupos étnicos da região e os defendem em teoria.

E é assim que decorre um dos massacres mais persistentes do planeta, que provavelmente continuará a causar uma terrível devastação nos próximos anos, enquanto o mundo fecha os olhos.

 

Combustão lenta

Muhindo Maronga Godfroid e Kahindo Jeonnette, ambos da etnia Nande, são do grupo Rutshuru. Embora não saibam ao certo quem atacou a sua casa em 24 de novembro de 2017, suspeitam da Nyatura, uma milícia Hutu congolesa.

Quando o casal regressou do hospital após o tiroteio, encontrou a sua casa completamente saqueada. Temendo pelas suas vidas, fugiram para Goma, onde eu os conheci e à sua filha Éliane, de 5 anos. Os três vivem agora numa cabana de dois quartos numa zona difícil da cidade, onde a terra e a rocha vulcânica servem de chão para a maioria das casas.

Com a mão lesionada, o Godfroid não tem conseguido encontrar emprego. A família sobrevive com o dinheiro que Jeonnette ganha vendendo lotoko, um poderoso licor de contrabando local.

Usando calças de ganga azuis e uma camisola de futebol vermelha do Liverpool, Godfroid continuou a falar-me do filho deles até Jeonnette se aproximar de mim e acenar com a mão como se quisesse dizer: acabou! A conversa tinha-a deixado abalada e ela não queria ouvir mais nada sobre aquela noite horrível, nem falar sobre isso, nem pensar mais um segundo sobre o assunto. Jeonnette disse que precisava de uma bebida. Gostaria eu de me juntar a ela? Após uma hora de perguntas sobre a violência que virou o seu mundo do avesso, sobre a morte de um filho cujo nome ela não conseguia pronunciar, como poderia eu recusar?

Jeonnette não pode esquecer aquela noite, a imagem do seu filho, o momento em que a sua vida se desmoronou, mas o mundo esqueceu a crise humanitária no Congo – se é que alguma vez esteve consciente disso. Após várias décadas de conflito, após uma “guerra mundial de África”, a maioria das pessoas neste planeta nem sequer sabe o que aconteceu (já para não falar dos milhões de mortos), após ataques rebeldes e massacres de aldeias, após inúmeros ataques e assassinatos, a constelação de crises no Congo continua a ser largamente ignorada. É um reservatório ardente de dor para o qual, para além dos esforços incansáveis da Human Rights Watch e do Grupo de Investigação do Congo, não existe contabilidade nem responsabilização.

Retirando-se para a sala dos fundos, Jeonnette emergiu com uma lata metálica de licor cristalino e verteu um pouco para cada um de nós. Enquanto brindávamos em memória do seu filho e em que eu saboreava o lento ardor do lotoko, Jeonnette respirou fundo e inclinou-se para mim. “Este trauma vive no meu coração. Eu não consigo escapar-lhe”, disse ela, com os olhos cheios de lágrimas. “Este país continua a puxar-nos para trás. Não podemos avançar”.

 

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O autor: Nick Turse, é redator chefe em TomDispatch. É autor de « Next Time They’ll Come to Count the Dead : War and Survival in South Sudan » e de “Kill Anything That Moves: The Real American War in Vietnam”.

 

 

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2020/06/25/guerras-esquecidas-massacres-ignorados-texto-5-a-medida-que-o-mundo-olha-para-o-lado-a-morte-espreita-na-republica-democratica-do-congo-por-nick-turse/

Está na altura de África se livrar de relíquias coloniais racistas

 
 
Os protestos anti-racistas e a remoção de estátuas são sinais de que é preciso lidar com injustiças históricas. África tem de decidir se mantém os nomes da época colonial ou se os elimina, considera Chrispin Mwakideu.
 
Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong tornou-se o primeiro humano a pisar a lua. Mais tarde pronunciaria a agora famosa citação: "É um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a Humanidade." Nessa altura, o astronauta americano e o seu compatriota Buzz Aldrin fixaram uma bandeira americana na lua.

 


A bandeira, visível até hoje, não era apenas um símbolo de orgulho para os EUA, mas também de conquista.

 


Nessa altura, em 1969, muitos países africanos já se tinham libertado do domínio colonial. Porém, mais de cinco décadas depois, o continente africano continua repleto de relíquias coloniais.

 


Os países africanos continuam a ter marcos históricos, ruas, instituições de saúde, edifícios escolares e até, em alguns casos, quartéis militares com o nome de governos coloniais.

 


Apesar de todos os países africanos poderem agora afirmar com orgulho que são independentes e içar as suas próprias bandeiras, as "bandeiras coloniais" continuam firmemente enraizadas no continente, embora não tão visíveis como antes.

 


De que outra forma se pode explicar que o maior lago de água doce de África ainda tenha o nome da monarca britânica Rainha Vitória?

 


O mais irónico é que a população local da África Oriental que guiou o explorador inglês John Hanning Speke até ao lago se referia a este como Lago Nyanza.

 


No entanto, Speke, o primeiro europeu a ver o lago, decidiu dar-lhe o nome de Vitória. Ou não compreendia a língua ou simplesmente nem se quis dar ao trabalho porque estava numa "missão de conquista de Sua Majestade" - neste caso, encontrar a nascente do rio Nilo.

 


John Speke até tem uma rua com o seu nome no Uganda, mas isso poderá mudar em breve, uma vez que o país está a considerar eliminar os nomes de estradas com ligações à era colonial - que incluem ruas em honra do explorador Sir Henry Johnston, do comissário Henry Edward Colvile, , da Princesa Ana, do Príncipe Carlos e da atual monarca britânica, a Rainha Isabel II.

 


 
Derrubar estátuas

 


É encorajador ver o Reino Unido a questionar, pelo menos, o seu passado imperialista e colonialista em África. Mas não foi fácil chegar até aqui. Para o Reino Unido começar a ajustar contas com o seu passado, foram necessários os protestos #BlackLivesMatter, que começaram quando George Floyd, um americano de 46 anos, morreu depois de um agente da polícia o ter sufocado com o joelho durante uma detenção, por alegadamente utilizar uma nota falsa de 20 dólares (cerca de 18,00 euros).

 

 
Uma faculadde da Universidade de Oxford anunciou que quer derrubar a estátua de Cecil Rhodes - cujo apelido deu origem ao nome das antigas colónias da Rodésia do Sul, atual Zimbabué, e da Rodésia do Norte, atual Zâmbia.

 


Outra estátua de Edward Colston, que fez fortuna com o tráfico transatlântico de escravos, foi deitada abaixo por manifestantes e atirada ao rio. Entretanto, foi recuperada e será preservada num museu.

 


Em África, estátuas da Rainha Vitória, de Cecil Rhodes, do Rei Leopoldo da Bélgica e outras foram derrubadas ao longo dos anos. Algumas estátuas ou monumentos como o pilar de Vasco da Gama, erguido pelos portugueses em 1498 em Malindi (Melinde), no Quénia, para guiar os navios que seguiam a rota marítima para a Índia, tornaram-se parte da história da cidade.

 


Como o pilar é hoje uma atração turística e as pessoas têm de pagar para o ver, provavelmente não faria sentido destruí-lo, apesar de a rota marítima descoberta por Vasco da Gama ter posteriormente permitido aos portugueses estabelecer um império colonial na Índia.

 


Os africanos têm de decidir que relíquias coloniais ou dos tempos da escravatura querem manter e o que querem deitar fora.

 


Porquê Cataratas Vitória e não Cataratas de Mosi-Oa-Tunya?

 


O nome Cataratas do Iguaçu, na fronteira entre a Argentina e o Brasil, vem das línguas indígenas tupi-guarani e significa "águas grandes".

 

 
Em África, uma magnífica queda de água semelhante, entre a fronteira do Zimbabué e da Zâmbia, recebeu o nome de Cataratas Vitória. Porquê mais uma vez Vitória? Nas minhas aulas de História no Quénia, ensinaram-me que David Livingstone, o famoso missionário e explorador escocês, o primeiro homem branco a ver esta maravilha da natureza, lhe deu o nome da Rainha Vitória.

 


O que eu não aprendi, no entanto, foi que os zimbabueanos sempre tiveram um nome para as cataratas: "Mosi -Oa-Tunya", que significa "o fumo que troveja".

 


A Rainha Vitória morreu em 1901. Mais de um século depois, porque deveriam os quenianos, ugandeses, tanzanianos, zambianos e zambianos usar o seu nome, como referência aos grandes marcos e símbolos africanos que anteriormente tinham nomes africanos locais?

 


Recuperar nomes africanos de cidades

 


Muitas cidades africanas ainda estão demasiado presas aos nomes dados pelas administrações coloniais. Tomemos como exemplo Port Harcourt, na Nigéria. A cidade com mais de 3 milhões de habitantes foi batizada com esse nome em 1913 por Frederick Lugard, que quis homenagear Lewis Vernon Harcourt, então secretário de Estado das colónias.

 


Antes do governo imperial britânico, a cidade era conhecida como "Iguocha" na língua Ikwerre. O povo Igbo chamava à sua cidade portuária "Ugwu Ocha", que significa "linha do horizonte brilhante".

 


Lagos, a capital comercial da Nigéria, antigamente era conhecida como Eko até à chegada dos portugueses, que mudaram o nome. Aconteceu o mesmo com Joanesburgo, na África do Sul, Rabat, em Marrocos, Walvis Bay, na Namíbia, Winneba e Cape Coast, no Gana.

 


Até a Serra Leoa deve o seu nome ao explorador português Pedro de Sintra, que lhe chamou "Serra Lyoa", que significa a "Montanha do Leão". Reza a história que Sintra ouviu leões a rugir nas colinas que rodeavam o porto. Por mais criativo e poético que isso possa parecer (e devo admitir que também gosto do nome Serra Leoa), a população local deveria ter os seus próprios nomes para as suas terras. É a ela que cabe decidir se querem mudar ou se querem continuar com o nome Serra Leoa.

 


Mudar os nomes coloniais para os nomes africanos originais não é, de forma alguma, uma tentativa de reescrever a história: isso já foi feito por aqueles que invadiram África para escravizar e colonizar o continente.

 


Recuperar nomes africanos antigos é apenas um passo para recuperar o que foi tirado. E quando isso tiver acontecido, talvez possamos então começar a falar das fronteiras artificiais traçadas pelas potências ocidentais na conferência de Berlim de 1884, onde não estava presente nenhum africano.

 

 
Chrispin Mwakideu, ms | Deutsche Welle | opinião

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/06/esta-na-altura-de-africa-se-livrar-de.html

[Manlio Dinucci] O FACEBOOK CIRCUNDA A ÁFRICA

                        
Muitas indústrias e empresas de serviços estão a falhar ou a redimensionar-se devido ao ‘lockdown’ e à crise consequente. Ao contrário, existe quem ganhou com tudo isto. O Facebook, Google (proprietário do YouTube), Microsoft, Apple e Amazon - escreve o New York Times – “estão a fazer agressivamente novas apostas, visto que a pandemia do coronavírus os tornou serviços quase essenciais”.
 
Todos estes “Tech Giants” (Gigantes da Tecnologia) são dos Estados Unidos. O Facebook - não mais definido como rede social, mas como “ecossistema”, do qual fazem parte o WhatsApp, Instagram e Messenger - ultrapassou os 3 biliões de utilizadores mensais. Portanto, não é de admirar que, em plena crise do coronavírus, o Facebook lance o projecto de uma das maiores redes de cabos submarinos, a 2Africa: com 37.000 km de comprimento (quase a circunferência máxima da Terra), que rodeará todo o continente africano, ligando-o a norte à Europa e a leste ao Médio Oriente.
Os países interligados serão, inicialmente, 23. Partindo da Grã-Bretanha, a rede ligará Portugal antes de iniciar o seu círculo em volta de África através do Senegal, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Gabão, República do Congo, República Democrática do Congo, África do Sul, Moçambique, Madagascar, Tanzânia, Quénia, Somália, Djibuti, Sudão, Egipto. Nesta última secção, a rede será ligada a Omã e à Arábia Saudita. Então, através do Mediterrâneo, chegará a Itália e daqui a França e a Espanha.
Esta rede de grande capacidade - explica o Facebook - será “o pilar de uma enorme expansão da Internet em África: as economias florescerão quando houver uma Internet amplamente acessível para as empresas. A rede permitirá que centenas de milhões de pessoas acedam a banda larga até à 5G”. Esta é, em resumo, a motivação oficial do projecto. Para pô-la em dúvida, basta um facto: na África subsariana, cerca de 600 milhões de pessoas não têm acesso à electricidade, o equivalente a mais da metade da população. Então, para que servirá a rede de banda larga?
Para ligar mais estreitamente às empresas-mãe das multinacionais, as elites africanas que representam os seus interesses nos países mais ricos em matérias-primas, enquanto aumenta o confronto com a China, que está a reforçar a sua presença económica em África. A rede também serve outros propósitos.
Há dois anos, em Maio de 2018, o Facebook estabeleceu uma parceria com o Atlantic Council (Conselho Atlântico), uma influente “organização não partidária”, com sede em Washington, que “promove a liderança e o compromisso USA no mundo, juntamente com os aliados”. O objectivo específico da parceria é garantir “o uso correto do Facebook nas eleições em todo o mundo, monitorando a desinformação e a interferência estrangeira, ajudando a educar os cidadãos e a sociedade civil”.
Qual é a honestidade do Conselho Atlântico, particularmente activo em África, pode ser deduzido da lista oficial de doadores que o financiam: Pentágono e NATO, Lockheed Martin e outras indústrias de guerra (incluindo a italiana Leonardo), ExxonMobil e outras empresas multinacionais, o Bank of America e outros grupos financeiros, as Fundações de Rockefeller e Soros.
 
Ø A rede, que ligará 16 países africanos a 5 aliados europeus da NATO, sob comando USA e a 2 aliados USA no Médio Oriente, poderá desempenhar um papel não só económico, mas político e estratégico.
 
Ø O “Laboratório de Pesquisa Digital Forense” do Conselho Atlântico, através do Facebook, poderá comunicar diariamente à comunicação mediática e aos políticos africanos quais as notícias que são “falsas” e quais as “verdadeiras”.
 
Ø As informações pessoais e os sistemas de rastreio do Facebook podem ser usados ​​para controlar e atingir os movimentos da oposição.
 
Ø A banda larga, mesmo em 5G, pode ser usada pelas forças especiais USA e por outras, nas suas operações em África.
 
Ao anunciar o projecto, o Facebook sublinha que África é “o continente menos ligado” e que o problema será resolvido pelos seus 37.000 km de cabos. No entanto, podem ser usados como uma versão moderna das antigas correntes coloniais.
Manlio Dinucci
il manifesto, 16 de Junho de 2020
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
Webpage: NO GUERRA NO NATO
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Mais de 4.000 casos diários. Curva continua em trajetória ascendente em África

 

A curva epidémica da covid-19 continua a subir em África, com uma média de 4200 novos casos por dia, disse hoje o diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

 

“A curva continua a subir. Entre 21 e 27 de maio, houve 30 mil novos casos registados comparado com a semana anterior, em que tivemos registo de 21.700 novos casos. É um aumento de 1,4 vezes. Temos uma média de 4200 novos casos diários no continente”, disse o diretor do África CDC, John Nkengasong.

Nkengasong, que falava na conferência de imprensa semanal, a partir da sede da União Africana, em Adis Abeba, assinalou que parte deste crescimento é justificado pelo aumento do número de testes ao novo coronavírus realizados pelos países.

Quase um terço dos novos casos foi registado na África Austral (30%), seguida do Norte de África (24%), da África Ocidental (16%), África Central (15%) e África Oriental (13%).

Globalmente, o continente africano regista 124.482 casos acumulados de infecções pelo novo coronavírus e 3696 mortes, o que representa uma taxa de letalidade de 3%.

John Nkengasong sublinhou os progressos alcançados na realização de testes à covid-19, assinalando que o continente passou de menos 400 mil testes, no início de abril, para quase dois milhões atualmente.

“Desde abril, aumentámos significativamente o número de testes. Há países que hoje estão a fazer entre cinco mil e sete mil testes por dia. Até ao final desta semana, o África CDC terá distribuído 2,5 milhões de testes aos Estados-membros”, disse.

Apesar do progresso, o diretor do África CDC reconheceu que o continente está longe do nível ideal de testagem. “Com um continente de 1,2 mil milhões de pessoas, o nosso objetivo é testar 1% da população, ou seja, temos de fazer 12 milhões de testes. Estamos próximo dos dois milhões, ainda temos uma lacuna de dez milhões”, apontou.

Segundo o África CDC, o número de mortos subiu nas últimas 24 horas de 3589 para 3696 (+107), enquanto os casos de infeção aumentaram de 119.391 para 124.482 (+5091).

O número total de doentes recuperados subiu de 48.618 para 51.095 (+2477).

Norte de África é a região mais afetada

O Norte de África é a região mais afetada pela doença no continente, com 1708 mortos e 37.566 infectados. A África Ocidental regista 663 mortos e 31.279 infecções, enquanto a África Austral contabiliza 575 mortos e 27.858 casos, quase todos num único país, a África do Sul (25.937). A África Oriental regista 383 mortos e 13.850 casos registados e na África Central há 367 vítimas mortais em 13.939 casos.

Seis países – África do Sul, Argélia, Egito, Marrocos, Nigéria e Gana – concentram mais de metade (57%) das infeções no continente e mais de dois terços das mortes associadas à doença. O Egito é o país com mais mortos (816) e tem 19.666 infeções, seguindo-se a Argélia, com 623 vítimas mortais e 8857 infetados.

A África do Sul é o 3.º com mais mortos (552), continuando a ser o país do continente a registar mais casos de covid-19 (25.937). Marrocos tem 202 vítimas mortais e 7601 casos, a Nigéria regista 254 mortos e 8733 casos, enquanto o Gana tem 34 mortos e 7303 casos.

Macron pede “mais solidariedade” com África

Nesta quinta-feira, o Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a necessidade de se dar uma “resposta coletiva” à crise económica desencadeada pelo novo coronavírus e de se mostrar solidariedade com os países de África.

“Nunca como hoje necessitamos tanto de uma ação coletiva e solidária”, disse Macron numa mensagem em vídeo ouvida na cimeira virtual organizada pelas Nações Unidas para discutir o financiamento das políticas de desenvolvimento face à pandemia.

O Presidente francês admitiu que a crise chegou a um ponto tal que muitos põem em causa o multilateralismo e a cooperação internacional, mas sublinhou que nada poderá sair desta situação com uma resposta isolada.

Macron acrescentou que o Governo de Paris tem três grandes prioridades que visam combater a desigualdade, garantir a saúde a todos e dar apoio aos países mais vulneráveis, pelo que a saída da crise deve focar-se também na luta contra as alterações climáticas e a proteção do meio ambiente.

Sobre a assistência às nações mais vulneráveis, Macron insistiu que tem de se dar uma atenção especial a África e garantiu que se não houver essa solidariedade devida ao continente, “toda a estratégia de desenvolvimento mundial irá fracassar”.

ZAP // Lusa

 

Ver original em 'ZAP aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/curva-continua-trajetoria-ascendente-africa-327204

Covid-19 avança nos PALOP

 
 
Guiné-Bissau tem 64 novos casos. Doença chegou à província moçambicana de Nampula. Há mais infetados também em Angola e São Tomé e Príncipe. Cabo Verde realiza testes em massa na capital.
 
O número de infeções por Covid-19 na Guiné-Bissau aumentou para 1.178, este domingo (24.05), mantendo-se em seis o número de vítimas mortais, disse o Centro de Operações de Emergência de Saúde (COES) guineense.

"Nas últimas 48 horas foram detetados 64 novos casos de Covid-19 no país", afirmou o coordenador do COES, Dionísio Cumba, na conferência de imprensa diária sobre a evolução da pandemia no país, que não se realizou sábado devido a atrasos no trabalho do Laboratório Nacional de Saúde Pública.

O médico guineense disse também que o número de recuperados se mantém nos 42.

Em relação aos internamentos hospitalares, Dionísio Cumba confirmou que há 14 pessoas em estado grave.

"Há 12 em estado grave no Hospital Nacional Simão Mendes (em Bissau) a precisar de oxigénio, e dois em estado muito crítico no hospital de Cumura", disse.

Um dos internados no hospital de Cumura em estado crítico é um cidadão português que está infetado com o coronavírus e sofre de outras doenças.

 
Cabo Verde realiza testes em massa

Cabo Verde tem um acumulado de 371 casos de Covid-19 desde 19 de março, três óbitos e 142 doentes recuperados, mas apenas a ilha de Santiago apresenta ainda casos ativos da doença, num total de 236. No sábado (23.04), o Ministério da Saúde confirmou mais nove casos da doença.

Todos os 56 casos diagnosticados na ilha da Boa Vista já foram dados como recuperados, o mesmo acontecendo com os três casos em São Vicente.

A ilha de Santiago, a única do arquipélago em estado de emergência totaliza 312 casos (84% do total do país) diagnosticados da doença, dos quais 304 na Praia, o principal foco da pandemia no arquipélago.

Tendas instaladas nos bairros da capital estão a permitir a realização de testes rápidos em massa à presença do novo coronavírus.

"Estamos a fazer entre 100 a 150 testes por dia em cada bairro, dois ou três bairros por dia. É um teste rápido, 10 a 15 minutos", explicou à Lusa Evandro Lopes, do conselho local da Praia da Cruz Vermelha de Cabo Verde.

O teste é gratuito para a população, sendo o acesso prioritário aos que sabem que tiveram contato com pessoas infetadas.

Entretanto, os autocarros de transporte coletivo de passageiros voltam a circular a partir de segunda-feira (25.05) na cidade da Praia.
 
São Tomé e Príncipe regista 291 infetados

O número de pessoas com infeção pelo novo coronavírus em São Tomé e Príncipe aumentou para 291, depois que mais nove casos detetados em 30 testes rápidos realizados, anunciou o Ministério da Saúde no sábado (23.04).

De acordo com o boletim diário divulgado pela porta-voz do Ministério da Saúde, Isabel dos Santos, o país conta até agora com 291 casos de Covid-19, sendo que 16 estão internados.  

Na sexta-feira (22.05), o ministro da Saúde, Edgar Neves, tinha anunciado que das 603 amostras enviadas, há uma semana, para o Instituto Ricardo Jorge 176 deram positivos.

Moçambique anuncia 26 novos casos

Moçambique anunciou este domingo (24.05) mais 26 casos de infeção pelo novo coronavírus, o dia em que maior número foi acrescentado ao total acumulado, que ascende agora a 194 casos, referiu o diretor-geral do Instituto Nacional de Saúde (INS), Ilesh Jani.

"É a primeira vez que temos um número tão alto de casos num único dia. Houve semanas em que não tínhamos tantos casos", o que indica que a epidemia em Moçambique "está a entrar numa nova fase", com maior transmissão local, acrescentou.

O total acumulado subiu para 194, com 51 casos recuperados e sem mortes.

Dos 26 casos de hoje, nove pessoas não apresentam sintomas da doença e as restantes têm sinais leves a moderados.

Dos novos casos anunciados, 11 dizem respeito ainda ao foco de infeção no recinto de construção da zona industrial de processamento de gás natural, em Afungi, Cabo Delgado - nove devido a novos testes a trabalhadores essenciais e dois detetados em pessoas que já cumprem quarentena na capital provincial, Pemba.

Foram também anunciados os primeiros três casos na província de Nampula e mais um na província de Maputo.

Niassa, a norte, uma das províncias mais isoladas do país, e Zambézia, no centro, a segunda mais populosa do país, são as únicas que ainda não registaram oficialmente qualquer caso.

Angola regista 61 casos

No sábado (23.05), o secretário de Estado para a Saúde Pública de Angola, Franco Mufinda, anunciou mais um caso de infeção por Covid-19, de transmissão local, elevando o total para 61 e mais um óbito, somando quatro mortes.

O novo caso registado é de um cidadão angolano de 43 anos, morador em Luanda, relacionado com um doente ao qual estão associadas 19 infeções por transmissão local.

Foram recolhidas pouco mais de 10 mil amostras, das quais 61 positivas, 6.752 negativas e as restantes ainda em processamento.

Encontram-se internadas em quarentena institucional 1.156 pessoas e foi dada alta a 20, nas últimas 24 horas.

Em África, há 3.246 mortes confirmados em mais de 107 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.
 
Deutsche Welle | Lusa

Covid-19: Sobe o número de mortos em África e a situação nos PALOP

 
 
O número de mortos por causa da Covid-19 em África subiu para os 2.406, com quase 70 mil infetados em 53 países, segundo estatísticas mais recentes sobre a pandemia. Dos PALOP, a Guiné-Bissau é o país com mais vítimas. 
 
De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), nas últimas 24 horas, o número de mortos por causa da Covid-19 subiu de 2.336 para 2.406, enquanto os infetados passaram de 66.373 para 69.578. O número total de doentes recuperados aumentou de 23.095 para 23.978.

O norte de África mantém-se como a região mais afetada pela doença, com 1.297 mortos e 23.683 infetados pela Covid-19.

Na África Ocidental há 428 mortos e ultrapassou as 20 mil infeções (20.603), enquanto a África Austral contabiliza 225 mortos e regista 12.259 casos, quase todos concentrados num único país, a África do Sul (11.350).

Os mais afetados

A pandemia afeta 53 dos 55 países e territórios de África, com seis países -- África do Sul, Argélia, Egito, Marrocos, Nigéria e Gana - a concentrarem cerca de metade das infeções pelo novo coronavírus e mais de dois terços das mortes associadas à doença.
 
O Egito é o país com mais mortos (544) e ultrapassou esta quarta-feira (13.05.) os 10 mil casos (10.093), seguindo-se a Argélia, que tem 515 mortos e 6.067 infetados. 

A África do Sul tornou-se o terceiro com mais mortos (206), continuando a ser o país do continente com mais casos da covid-19, com 11.350 infetados.

Marrocos totaliza 188 vítimas mortais e 6.418 casos, a Nigéria tem 158 mortos e 4.787 casos, enquanto o Gana tem 22 mortos, mas ultrapassou esta quarta-feira (13.05.) os cinco mil casos (5.127). Apenas o Lesoto e a República Saarauí continuam sem notificar casos da Covid-19.

Os PALOP

Entre os países africanos de língua portuguesa, a Guiné-Bissau é o que tem mais infeções, com 820 casos, e regista três mortos.

Cabo Verde tem 267 infeções e dois mortos e São Tomé e Príncipe regista 231 casos, tendo anunciado na terça-feira (12.05.) a sétima vítima mortal.

Moçambique conta com 104 doentes infetados e Angola tem 45 casos confirmados de Covid-19 e dois mortos

A Guiné Equatorial, que integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mantém há mais de uma semana 439 casos positivos de infeção e quatro mortos, segundo o África CDC.

Mundo

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia já provocou mais de 290 mil mortos e infetou mais de 4,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios. 

Mais de 1,4 milhões de doentes foram considerados curados.
 
Deutsche Welle | Lusa

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China envia equipes médicas para Zimbábue, RDC e Argélia

Beijing, 12 mai (Xinhua) -- O governo chinês decidiu mandar equipes médicas para o Zimbábue, República Democrática do Congo (RDC) e Argélia para apoiar os países africanos na luta contra a pandemia da COVID-19, anunciou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, nesta segunda-feira.

As equipes, organizadas pela Comissão Nacional de Saúde, são compostas por especialistas selecionados pelos comitês de saúde da Província de Hunan, Província de Hebei e Município de Chongqing, respectivamente.

A equipe médica para o Zimbábue partiu na segunda-feira de manhã, e as equipes para a RDC e Argélia serão enviadas no futuro próximo, segundo Zhao.

Os países africanos deram um apoio valioso à China quando o país estava em um momento difícil na sua luta contra a epidemia, disse Zhao. No momento, a situação epidêmica na África ainda é grave e a China forneceu e continuará a fornecer várias formas de apoio e assistência aos países africanos dentro de suas capacidades.

O governo chinês ofereceu aos países africanos vários lotes de suprimentos médicos urgentemente necessários na luta contra a pandemia, e as localidades, empresas e organizações civis da China também ofereceram assistência, observou Zhao.

Além de enviar especialistas médicos para países africanos, a China realizou cerca de 30 reuniões de vídeo entre os especialistas médicos chineses e seus homólogos africanos, e as equipes chinesas realizaram cerca de 400 atividades de formação na África, com mais de 20.000 pessoas treinadas, acrescentou Zhao.

"A China continuará a fornecer mais materiais contra a epidemia aos países africanos de acordo com o desenvolvimento da pandemia e os desejos dos países africanos, fortalecer a cooperação em saúde pública e na prevenção e controle de doenças, e alcançar conjuntamente a vitória final na luta contra a epidemia", disse ele. Fim

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/12/c_139049766.htm

África: Um exemplo no combate a doenças infeciosas

 
 
O aumento de infeções pelo novo coronavírus em África eleva a preocupação com um possível desastre. Mas o continente tem experiência exemplar no combate a doenças infeciosas e tem muito a ensinar a países desenvolvidos.
 
A crise mundial do novo coronavírus paralisou as metrópoles africanas. Em Joanesburgo, o centro económico da África do Sul, as forças de segurança fazem o controlo do toque de recolher imposto pelo Governo. Na animada Kampala, a capital do Uganda, mercados e lojas estão fechados. Nas ruas, os mototaxistas não podem mais transportar os passageiros, mas estão a fazer serviços de entrega.
 
Ahmed Ogwell Ouma, vice-diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (CDC África), elogia a ação imediata dos governos africanos.
 
"De facto, aprendemos muito bem a lição de que é preciso agir rapidamente, durante a crise do ébola na África Ocidental em 2014", diz.
 
"Quando agimos imediatamente, usamos os instrumentos adequados de saúde pública, além do conhecimento científico que mostra-se efetivo. E isso contribuiu muito para os baixos números em África", acrescenta.
 
 
África, uma vítima vulnerável?
 
Gavin Churchyard, presidente do centro de saúde sul-africano Instituto Aurum, sublinha que o controlo de infeções em África não é algo novo para a população, dando o exemplo da longa luta do continente contra a tuberculose. Os materiais educacionais existentes sobre tuberculose e HIV/SIDA também podem ser levemente modificados para colaborar na luta contra a Covid-19.
 
"Ao contrário de alguns dos países desenvolvidos, vimos países africanos adotar soluções baseadas em evidências e vimos a liderança emergir nos países africanos, o que não vimos noutros sítios", disse.
 
Apesar deste sucesso inicial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a Covid-19 pode atingir África com mais força do que outras regiões do mundo. Mas a África não é uma vítima vulnerável da pandemia, na opinião de Robert Kappel, professor emérito do Instituto de Estudos Africanos da Universidade de Leipzig, na Alemanha.
 
"Temos uma lição a aprender. Apesar de termos a percepção de que o continente africano não é o continente das pandemias, as crises de saúde e da economia persistem", disse o economista em entrevista à DW. "É um continente que faz as coisas à sua maneira, mas de formas muito distintas", acrescenta.
 
Ideias inovadoras
 
Kappel enfatiza o compromisso local das pequenas e médias empresas de inovação. Estas empresas estão a ser atores-chave na produção de máscaras farmacêuticas e de produtos de desinfeção. "É possível aprender muito quando confiamos no conhecimento local que está disponível nos países africanos", diz. As startups também foram parcialmente apoiadas pelos Governos e estão a desempenhar um papel importante no abastecimento da população.
 
Os economistas acreditam que a luta bem sucedida de África contra o ébola e outras doenças mostra que o continente não depende essencialmente da ajuda internacional e de enormes somas de dinheiro. Isto seria necessário se o número de infeções aumentasse exponencialmente e a crise económica se acentuasse.
 
Mas na primeira fase da crise do ébola, comunidades locais, organizações da sociedade civil e autoridades locais conseguiram limitar a propagação da doença. Outra vantagem foi o facto de que o novo coronavírus chegou em África mais tarde do que noutros continentes, deixando mais tempo para o continente africano se preparar.
 
Em duas cartas abertas apresentadas recentemente, intelectuais africanos enfatizaram que África é tudo menos um continente desamparado. Entre outros, o escritor e músico senegalês Felwine Sarr, o cientista político camaronês Achille Mbembe e o Prêmio Nobel de Literatura na Nigéria Wole Soyinka exigiriam que África "forneça uma resposta fundamental, poderosa e sustentável a uma ameaça real e que não seja exagerada nem subestimada, mas enfrentada racionalmente".
 
Estes intelectuais exigem que os Governos usem a atual situação para emergir mais fortes desta crise. Os sistemas de saúde teriam de ser redesenhados, as matérias-primas deveriam finalmente ser processadas localmente e a economia tornar-se mais diversificada.
 
Martina Schwikowski, kg | Deutsche Welle

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Covid-19: Cuba envia 216 profissionais de saúde para a África do Sul

 
Um grupo de 216 profissionais de saúde partiu no sábado para África do Sul para ajudar na luta contra a covid-19, após um pedido de ajuda daquele país africano à ilha, segundo autoridades cubanas citadas pela EFE.
 
 
O grupo, composto por 85 médicos, 20 enfermeiros e 111 profissionais de várias áreas da saúde, viaja num voo especial da South African Airways, que deve chegar hoje a Joanesburgo.
 
A África do Sul é o quarto país africano a que acodem profissionais cubanos, devido à pandemia.
 
A brigada médica inclui especialistas de medicina geral, bioestatística, biotecnologia, técnicos e epidemiologistas, e faz parte do contingente internacional de emergências "Henry Reeve", que durante os últimos 15 anos prestou assistência em desastres naturais e crises sanitárias em cerca de 20 países.
 
Cada profissional foi cuidadosamente selecionado de acordo com a experiência e conhecimento na planificação, execução e gestão de casos clínicos, asseguraram as autoridades cubanas, citadas pela agência espanhola EFE.
 
Os profissionais cubanos seguirão para diversas províncias "segundo os planos estratégicos" do governo sul-africano, de acordo com a mesma fonte.
 
Cuba enviou pessoal médico para outros países africanos, como Cabo Verde ou Angola e Togo. No total, quase 1.500 especialistas cubanos saíram da ilha, desde o início da pandemia, para 21 nações da América Latina e Caribe, Europa, África e Médio Oriente, entre as quais Itália, Catar, México, Honduras, Venezuela, Haiti e Jamaica.
 
Segundo Havana, mais de 400.000 especialistas cubanos prestaram serviço em 164 países, até ao final de 2019.
 
Atualmente, há cerca ce 37.000 profissionais de saúde em 67 países, muitos deles com casos de covid-19.
 
O contingente médico internacional "Henry Reeve" foi criado pelo falecido presidente Fidel Castro em 2005 para ajudar o Estado de Nova Orleans (EUA), após a devastadora passagem do furacão Katrina, mas Washington recusou a ajuda.
 
Há cinco anos, a brigada "Henry Reeve" ajudou a controlar a epidemia de Ébola em África e o seu trabalho foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com um prémio em 2017.
 
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 200.000 mortos e infetou mais de 2,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.
 
Perto de 800.000 doentes foram considerados curados.
 
Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto:
 
 

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No meio de uma pandemia de coronavírus, a segunda onda de gafanhotos está destruindo a África (e é 20 vezes pior)

 

A segunda onda de gafanhotos chega em plena emergência de coronavírus. Gafanhotos do deserto estão devastando a África Oriental, destruindo colheitas e colocando em risco a segurança alimentar. O alarme foi acionado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), que explica que 20,2 milhões de pessoas no chifre da África, juntamente com outros 15 milhões de pessoas no Iêmen, precisam de assistência para evitar a fome.

Uma ameaça ‘alarmante e sem precedentes’ para a subsistência de toda a região, de acordo com a FAO. A segunda onda de gafanhotos do deserto, com estimativas vinte vezes mais severas do que as registradas em fevereiro, é motivo de preocupação. Um enxame de pouco mais de um terço de uma milha quadrada pode comer a mesma quantidade de comida em um dia de 35.000 pessoas. Esta segunda invasão da Somália inclui jovens adultos que são particularmente vorazes. Mas o sul do Sudão e Uganda também estão em risco, e há preocupação com a formação de novos enxames na Eritreia, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen.

“Os enxames de gafanhotos começaram a desovar e outra geração de reprodução aumentará o número de gafanhotos”, disse Keith Cressman, diretor sênior de previsão de gafanhotos da FAO no final de janeiro. “Esforços urgentes devem ser feitos para impedir que aumentem para proteger os meios de subsistência dos agricultores e proprietários de gado”.

Alors que le monde entier lutte contre la pandémie de #COVID19, l’Afrique de l’Est affronte une autre situation d’urgence.

Les #criquetspèlerins dévorent les récoltes et détruisent les moyens d’existence dans des proportions gigantesques 👉 https://t.co/bjRTKot7F6pic.twitter.com/rKuruBcFec

— FAO en français (@FAOenfrancais) April 14, 2020

Infelizmente, no entanto, o pior surto já visto na região há décadas está em andamento. Dezenas de milhares de hectares de terras e pastagens cultivadas já foram danificados na Etiópia, Quênia e Somália, com sérias conseqüências em uma região onde 11,9 milhões de pessoas já sofrem de insegurança alimentar. Hellen Adoa, ministro do departamento de agricultura de Uganda, disse: “O enxame é muito ativo, destrutivo. Estamos um pouco sobrecarregados. No momento em que chegam a um lugar, a primeira coisa que fazem é comer o que for verde. Eles destruíram alguns campos de cultivo e muita vegetação “.

Infelizmente, com o coronavírus, a situação piora, os esforços para conter a situação foram perdidos com o bloqueio das fronteiras. E a pulverização aérea de pesticidas causaria danos significativos ao gado e a outros insetos polinizadores. Uma situação que eclodiu em fevereiro, quando um surto se agravou em oito países do leste da África, agravado pelas mudanças climáticas e pela guerra no Iêmen. Gafanhotos do deserto acabam com tudo o que encontram, eles podem viajar até 140 quilômetros por dia. “As fortes chuvas no final de março criaram condições favoráveis ​​de reprodução para a décima terceira geração de gafanhotos no Chifre da África”, disse Antonio Querido, FAO Uganda.

Fonte: FAO / The Guardian / via GreenMe

 

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/no-meio-de-uma-pandemia-de-coronavirus-a-segunda-onda-de-gafanhotos/

A VULNERABILIDADE CRÓNICA E GEOESTRATÉGICA DA RDC

 
 
De há muito que venho chamando a atenção no sentido urgente dos africanos se voltarem sobre si próprios, redescobrirem o chão onde vivem e redescobrirem-se a si próprios de forma científica, pondo de lado o que foi sobre África imposto e convencionado por aqueles que desde o exterior só dimensionaram o continente em função do egoísmo, da ganância, do lucro, da corrupção e da especulação desenfreada sobre a escandalosa oferta de matérias-primas a partir dum corpo deliberadamente tornado inerte e à mercê dos abutres, na vigência da última palavra neocolonial!
 
O renascimento de África só o será se for conseguido numa via de civilização, de redescobrimento, de renascimento e de vida, jamais em função da secular barbárie, não só a endémica de natureza antropológica, mas a que outros fizeram recair sobre o continente-berço da humanidade só para melhor explorar, a baixo-preço e com mão-de-obra tanto quanto o possível escrava! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/04/28/africa-da-inercia-a-catastrofe/).
 
A lógica com sentido de vida inspirada no sentido histórico e antropológico do movimento de libertação em África, obrigou-me a assumir essa advocacia “sobre brasas e sobre o arame”, numa altura em que o neoliberalismo galopante votou ao desdém as minhas intervenções, como havia votado ao desdém enterrando-me em vida no seio duma comunidade temperada na luta mas deliberadamente votada à marginalização, ao ostracismo e a uma intestina guerra psicológica, que só por via da traição intestinal a corruptela de civilização tornada barbárie foi tentando enfraquecer, diluir, hostilizar e vencer!... (http://paginaglobal.blogspot.com/2017/02/angola-todos-os-saiagos-do-meu-pais.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.com/2017/02/angola-provas-de-vida-nao-reconhecidas.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.com/2018/04/angola-construir-paz-social.html).
 
Aquele MPLA que tanto significava de esperança entre 1961 e 1986, foi desde os últimos dias de Agostinho Neto tomado por dentro por vírus paridos de fora do continente que conduziram ao estado de prostração e putrefacção em que se encontra, de descaracterização em descaracterização… e se num movimento como o MPLA assim aconteceu, o que não vai por África fora, o que não vai pelo Congo, essa placa central subsaariana, uma autêntica âncora que impede o navio da vida alguma vez rebentar amarras e ver-se livre do porto de morte onde foi encalhado?
 
Desde a passagem do Che pelo Congo, o que tem sido essa placa central subsaariana, que tem fronteiras com 9 outros países quase tão transversalmente inertes como ela? (http://paginaglobal.blogspot.com/2012/05/ainda-o-sonho-africano-do-che.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.com/p/blog-page.html).
 
De crise em crise, mais cedo que tarde o peso das minhas intervenções haveria que se fazer sentir por que o ciclo de traumas se adivinhava do próprio apodrecimento da mente humana parida da inconsistência neoliberal, no estertor do vírus mortal do capitalismo… (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/angola-uma-mao-lava-outra.html).
 
Recomecemos de novo pelo Congo, pela República Democrática do Congo, porque todos os males de África foram sendo por lá semeados, geridos e levados exponencialmente até ao estado de exaustão, pelo império da hegemonia unipolar! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2016/08/os-conflitos-contemporaneos-na-africa.html).
 
 
 
01- No preciso momento em que se dava por fim a epidemia da ébola que custou tanto a vencer, chegava ao subdesenvolvido e extremamente vulnerável Congo a importada pandemia do Covid-19, envolvendo e esbatendo o abismo da crise global que não pode restaurar mais o capitalismo tal como ele foi concebido e orquestrado ao longo dos últimos séculos, desde o século XVI de tão má memória para África… (https://www.radiookapi.net/2020/04/02/actualite/revue-de-presse/mediacongonet-covid-19-vidiye-tshimanga-relate-limpreparation;  https://www.jeuneafrique.com/906301/societe/ebola-en-rdc-si-tout-se-passe-bien-nous-pourrons-declarer-la-fin-de-lepidemie-le-12-avril/).
 
A República Democrática do Congo jamais se preparou de forma suficiente para fazer frente a epidemias autóctones, quantas delas oficialmente desconhecidas ainda hoje e, em relação a uma pandemia como a Covid-19, a sua preparação corresponde ao lugar que ocupa na cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano, vulnerável, subdesenvolvido e minado pela miséria, pelas guerrilhas endémicas sem fim, pelo paludismo, pela subnutrição, pela fome e pela morte prematura, sem melhor perspectiva a prazo curto, ou seja, sem outra espectativa de vida humana para além da fasquia dos 45 anos! (https://www.medecinssansfrontieres.ca/r%C3%A9publique-d%C3%A9mocratique-du-congohttps://www.radiookapi.net/2020/04/02/actualite/revue-de-presse/mediacongonet-covid-19-vidiye-tshimanga-relate-limpreparation).
 
O ritmo da expansão do Novo Coronavírus é geometricamente superior à capacidade de resposta instalada em precária resistência ou defesa, pelo que em relação à placa central subsaariana da bacia de 3.700.000 km2 do poderoso rio Congo, há que esperar os cenários mais pessimistas, se não houver o recurso humanista próprio dos que de há décadas lutam heroicamente contra todas as adversidades contemporâneas e uma mudança radical de paradigma dos africanos para consigo próprios! (https://www.ft.com/content/c12a09c8-6db6-11ea-89df-41bea055720b).
 
Cuba tem uma palavra a dizer no Congo relembrando o humanismo do Che e por tabela também Angola, apesar da devassa neoliberal que tornou a saúde do país num mercenarismo selvagem em nome do mercado: não haverá resposta sobre a pandemia em Angola, se não houver uma acção comum recíproca ao longo da vasta fronteira, com um modelo para gerar! (http://www.afrique-asie.fr/muchas-gracias-cuba/;  https://www.digitalcongo.net/article/5e88944dea3f03000461ffe3/https://www.fort-russ.com/2020/03/cuba-leads-by-revolutionary-example-in-covid-19-fight/).
 
É que Angola tem 2.511 km de fronteira com a RDC e agora, tudo o que se fizer na trilha da lógica com sentido de vida dentro do seu próprio território, não há volta a dar, deve-se inexoravelmente fazer reflectir e esbater no outro lado em benefício do povo congolês, cuja vulnerabilidade é ainda maior do que a vulnerabilidade dos angolanos, um problema quase insolúvel perante este tipo de vírus! (https://www.digitalcongo.net/article/5b531f5b6fd5c000047d7b99/https://fr.wikipedia.org/wiki/Fronti%C3%A8res_de_la_R%C3%A9publique_d%C3%A9mocratique_du_Congohttps://www.radiookapi.net/actualite/2012/10/13/francois-hollande-les-frontieres-de-la-rdc-sont-intangibles-elles-doivent-etre-respectees;  https://www.congo-autrement.com/page/renseignements-rd-congo/rdc-liste-de-165-postes-frontieres-et-frontaliers-de-la-republique-democratique-du-congo.html).
 
Não é por acaso que a revista Jeune Afrique indica já em relação a Angola, um número de casos muito superior ao oficialmente confirmado!... – (https://www.jeuneafrique.com/910230/societe/coronavirus-en-afrique-une-carte-pour-suivre-au-jour-le-jour-lavancee-de-lepidemie/). 
 
 
02- Mudança de paradigma é o que se pede para uma crise que, desde o fim do socialismo na Europa (fim da URSS, colapso do socialismo leste da Europa e destruição da Jugoslávia) passou a ser existencialista por imposição do neoliberalismo por parte do exercício do império da hegemonia unipolar! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/12/angola-incontornavel-memoria-do-dia-11.html).
 
“Há uma espécie em perigo: o homem!”, apontava com clarividência Fidel na Conferência sobre o clima na cidade do Rio de Janeiro em 1992, mas enquanto Cuba acordava apesar dos terríveis constrangimentos, o resto da humanidade continuava a afundar-se na direcção da barbárie e do abismo! (https://www.youtube.com/watch?v=JF67BSRjTYchttp://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1992/esp/f120692e.html).
 
Como o que se continuou a fazer foi precisamente o contrário do alerta-recomendação de Fidel, Angola e RDC pouco a pouco foram engolidas pela infecta goela neoliberal! (http://pagina--um.blogspot.com/2010/10/congo-acabar-com-chaga-imensa-que.html;  http://www.afrique-asie.fr/pandemie-et-socialisme-une-magistrale-lecon-politique/).
 
Mesmo assim, a 22 de Agosto de 1998, através do relatório sob o título “A necessidade de definição dum bom plano táctico-operativo para a RDC, envolvendo várias componentes”, um dos muitos relatórios preparados em suporte do Estado-Maior das FAA na altura sob comando do general João de Matos, eu considerava no que dizia respeito a “CRITÉRIOS DE INTERVENÇÃO A ESTABELECER COM AS NOSSAS FROÇAS NA RDC” um conjunto de medidas adaptadas ao tempo de guerra, que relembro 21 anos depois dada a sua pertinência nesta emergência comum que impõe o controlo da pandemia Covid-19…
 
“As NOSSAS FORÇAS devem desencadear um conjunto de acções que prevêem na RDC, um desenvolvimento sincronizado de meios político-diplomáticos, de INTELIGÊNCIA e CONTRA INTELIGÊNCIA, bem como MILITARES, nas suas várias componentes.
 
Em relação à manobra político – diplomática, deverá privilegiar o quadro da nossa Embaixada em KINSHASA, de forma a estabelecer condições para a instalação de todos os nossos dispositivos, mantendo o melhor relacionamento possível com o mais ALTO NÍVEL do Governo de KABILA.
 
Deve também, em função das várias componentes e ajudas no quadro da SADC, privilegiar o relacionamento com as representações diplomáticas daqueles Países da SADC que estiverem motivados na ajuda ao Governo de KABILA.
 
Tendo em conta a vastidão das fronteiras comuns com a RDC e a tipologia dos problemas existentes, deve melhor preparar, num regime de reciprocidade nas afectações, a instalação de várias repartições Consulares Angolanas em povoações do CONGO, que possam simultaneamente influenciar na recolha de informação sobre os movimentos da UNITA, das FLEC, dos traficantes de fronteira (em particular de diamantes) e de outros movimentos clandestinos (por exemplo migratórios), como por exemplo: TSHELA, BOMA, MATADI ou INKISI (no BAS CONGO); KIKWIT, POPO KABACA ou KASSANDO LUNDA (no BANDUNDU); TCHIKAPA, KANANGA ou MBUGI MAYI (nos CASSAI); DILOLO, SANDOA, KAMINA ou KOLWEZI (no SHABA).
 
Esse esforço deverá criar todas as condições para a instalação das nossas possibilidades de INTELIGÊNCIA, com vista a filtrar toda a movimentação nas suas jurisdições, podendo sofrer adaptações e uma melhor definição das ORDENS DE MISSÃO, tendo em conta o meio e os objectivos que preconizamos em termos de INTELIGÊNCIA.
 
A implementação dessas medidas deve acompanhar a progressão das NOSSAS FORÇAS, após o início do seu movimento em direcção ao interior de ANGOLA, de acordo com a ORDEM DE MISSÃO militar para cada Unidade e/ou coluna, mas pode não ser totalmente determinante para as ORDENS DE MISSÃO de INTELIGÊNCIA, (há a possibilidade de se usarem outras coberturas para os nossos Oficiais e Agentes).
 
A nossa Representação Diplomática em BRAZZAVILLE deve estabelecer acordos em várias disciplinas com a de KINSHASA, tendo em conta a reciprocidade de movimentos e apoios, assim como as trocas de INFORMAÇÃO e coordenação das acções das várias componentes da nossa articulação na REGIÃO (não devemos esquecer que BRAZZAVILLE e KINSHASA são, à escala MUNDIAL, as duas Capitais de Países que ficam mais próximo uma da outra).
 
Em relação às componentes de INTELIGÊNCIA, há fundamentalmente duas linhas de interesse:
 
A que deve trabalhar na direcção do estreitamento das relações com a RDC, envolvendo os aspectos políticos, económicos, sociais e militares, entre outros, (principalmente na Capital e Províncias de maior representatividade).
 
A que deve trabalhar na direcção de detectar, de acompanhar e/ou de neutralizar as acções clandestinas e operativas de Organizações Armadas (como a UNITA, ou algumas das FLEC), que pode desdobrar-se em vários aspectos–sistemas logísticos de apoio desses agrupamentos, movimentos de pessoal (incluindo militares afectos), “bases”, coordenações e ligações com similares da RDC, traficantes de fronteira afectos (tendo em vista os diamantes principalmente), etc.
 
Os sistemas de INTELIGÊNCIA poderão ser desenvolvidos, na sua fase de instalação, tirando partido da ORDEM DE MISSÃO MILITAR, mas também poderão ser instalados à posteriori, se atendermos às várias formas de cobertura que se podem preparar, ou aos Acordos de reciprocidade de âmbito Consular.
 
A vantagem de eles tirarem partido da ORDEM DE MISSÃO MILITAR, está no facto de melhor podermos controlar o movimento de elementos afectos às Organizações Armadas Angolanas, imediatamente após a passagem das nossas colunas e Unidades militares e tendo em conta que elas não poderão permanecer nos lugares, em posição de quadrícula.
 
Em relação às componentes de CONTRA INTELIGÊNCIA, devem ser elaboradas ORDENS DE MISSÃO para todas as Províncias com limites com a RDC, tendo em conta as iniciativas de INTELIGÊNCIA, de forma a realizar, no interior do nosso território, um trabalho similar de detecção, acompanhamento e/ou neutralização, em relação aos elementos afectos às Organizações Armadas, tendo em conta os aspectos de interesse enumerados e o facto das operações militares gerarem movimentos adaptados às situações que se irão desenrolar.
 
Deve-se ter em conta que os nossos centros de CONTRA INTELIGÊNCIA devem ser agrupados, para dar resposta à clandestinidade típica dos dispositivos das Organizações Armadas Angolanas, assim como o ambiente com que eles contam nos dois lados da fronteira, por exemplo:
 
- O agrupamento dos meios de CI das Províncias de  CABINDA–ZAIRE, tendo em vista o empenhamento das Organizações Armadas principalmente a partir do BAS CONGO e a necessária ligação aos nossos meios de INTELIGÊNCIA, se for estabelecida a base legal dos Consulados, dentro da RDC.
 
- O agrupamento dos meios de CI, das Províncias de MALANGE – LUNDA NORTE – LUNDA SUL, tendo em conta o empenhamento da UNITA nos CASSAI, assim como os dispositivos de INTELIGÊNCIA naquelas zonas da RDC (dando especial relevo à situação corrente das migrações ilegais, devido aos tráficos de fronteira, principalmente o de diamantes).
 
Em relação às componentes militares, devem-se estabelecer fundamentalmente dois planos, para o curto prazo:
 
- A ORDEM DE MISSÃO inicial (1ª fase), de forma a proteger o Governo de KABILA e a cidade Capital, KINSHASA e garantir a preparação logística e táctico operativa das ORDENS DE MISSÃO posteriores, (incluindo com reconhecimentos em profundidade para averiguar não só os agrupamentos inimigos, mas melhor definir trajectos, obstáculos, ambiente natural e humano, etc.).
 
- A ORDEM DE MISSÃO de movimento e intervenção (2ª fase), de forma a que, ao mesmo tempo que se dá combate às Unidades rebeldes da FRENTE OESTE, se possa ajudar na instalação das Unidades das FAC nas localidades de quadrícula de destino e dar combate aos sectores de apoio, ou mesmo de agrupamentos, das Organizações Armadas Angolanas, da periferia para o interior do nosso País (principal objectivo para os reconhecimentos em profundidade, quando se der início à 2ª fase).
 
Publico esse extracto do Relatório por várias razões:
 
 
- O impacto neoliberal já se fazia sentir sobre o Estado-Maior Geral da época por via de portugueses que passaram a explorar os “bons ofícios” do Acordo de Bicesse (31 de Maio de 1991) como Jaime Nogueira Pinto, Nuno Rogeiro e outros (“Le Cercle” ou “Bilderbergers”), que vieram a Angola explorando nexos de inteligência e, cinicamente, “troca de experiências” (pode-se publicamente constatar no livro “Jogos Africanos” da autoria do 1º); (http://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/em-angola-ha-20-anos-ii.htmlhttps://www.publico.pt/2008/12/22/culturaipsilon/noticia/jaime-nogueira-pinto-no-teatro-africano-da-guerra-fria-219199);
 
- Por que apesar da emergência da guerra há 22/21/20 anos, todos os meus Relatórios terem sido votados ao desprezo desde Março de 2000, quando foi ordenado o abrupto fecho do mecanismo de apoio ao Estado-Maior das FAA, (contentor instalado na WAPO, próximo do Palácio Presidencial); essa é uma das razões que considero que fui “enterrado vivo” no quadro das medidas e impactos neoliberais que têm sido desde 1986 aplicadas sobre as instituições da Segurança do Estado de Angola, também com amplas responsabilidades dos que tomaram por dentro o MPLA, quantas vezes visando a sua formatação de modo mais que oportunista; (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/em-angola-ha-20-anos-iii.html);
 
- Por que essa ordem não levou em conta, muito pelo contrário, o patriotismo dos protagonistas do que foi aplicado em suporte das acções do camarada general Simeone Mukuni até à sua morte por accionamento duma mina antitanque na pista do Andulo, nem de muitas outras missões, entre elas o que se produziu para a formulação, conceito e prática da Operação Restauro, que acabou com a presença de Savimbi numa das suas posições mais decisivas na região central e fulcral das grandes nascentes; (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/em-angola-ha-20-anos-iv.html);
 
- Por que sendo necessário “honrar o passado e a nossa história”, é meu especial dever lembrar a memória de combatentes como os camaradas Simeone Mukuni, José Herculano Pires, “Revolução” e Alberto José Barros Antunes Baptista, “Kipaka”, para que a verdade histórica prevaleça sobre as estórias da conveniência e ocasião ultraneoliberal; (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/02/18-anos-de-excremento-do-diabo.html);
 
- Por finalmente trazer ensinamentos que podem ser reconvertidos para, em regime de reciprocidade, estabelecerem-se nexos a três níveis com a RDC – Ao Mais Alto Mando (Presidências dos dois países), ao nível de Províncias de fronteira (a RDC tem 7 Províncias nevrálgicas contíguas às fronteiras das Províncias angolanas como Cabinda, Zaire, Uíge, Malange, Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico); as 7 Províncias da RDC são o Kongo Central, Kinshasa (distrito capital), Kwango, Kassai, Kassai Central, Lualaba e Haut-Katanga), por fim ao nível das principais municipalidades de fronteira. (https://www.digitalcongo.net/article/5e89c5530bb92e00044a46c6/).
 
 
03- Foi nessa base que há poucos dias fiz propostas de acção, das quais realço: (https://www.digitalcongo.net/article/5e8b187e6a764500040f15eb/).
 
“A- Em regime de reciprocidade com cada um dos países vizinhos, devem ser criados pequenos postos consulares em locais estratégicos a definir, tendo em conta raios de acção de proximidade das fronteiras (50 km para cada um);
 
B- Esses postos consulares devem estar preparados para funções múltiplas, para além da gestão recíproca do controlo e gestão de fronteiras (seres humanos e mercadorias);
 
C- Entre as funções múltiplas e neste caso de emergência, devem ser instalados postos de acção fitossanitária que correspondam às medidas acordadas pelos dois países e aplicáveis entre os dois países mediante prévio acordo; 
 
D- A medida é aconselhável a fim de melhorar os relacionamentos em torno das fronteiras de Angola entre os governos centrais e provinciais e pode servir de modelo para os países do interior (por exemplo Congo, RDC e Zâmbia) aplicarem noutras suas fronteiras com outros países, de forma a melhorarem suas performances fitossanitárias e contribuírem para dispositivos de enfrentamento às ameaças na África Central, Grandes Lagos, Golfo da Guiné e África Austral;
 
E- É aconselhável o recurso a dispositivos fitossanitários das FAA, ou pelo menos inicialmente controlados pelos dispositivos militares, tendo em conta a necessidade de organização, disciplina, logística e mobilidade;
 
F- As razões fitossanitárias aconselham que na periferia externa das nossas fronteiras os SAMM (Serviços de Assistência Médica Militar) devam adoptar módulos instalados numa frota de camiões todo-o-terreno adaptados, com processamentos de energia adequados e apoiados por outra frota de camiões de apoio logístico afins ao que for instalado no terreno para o enfrentamento;
 
G- Desse modo é criado progressivamente um cordão de isolamento fitossanitário ao longo das fronteiras e numa profundidade abrangente a 50km de cada lado, capaz de contribuir para uma leitura comum de informações, contribuindo simultaneamente para a melhoria das leituras internas de cada um”…
 
O tema não se esgota aí, pois há considerações adicionais a fazer de alcance geoestratégico:
 
- Se houver aplicação do que proponho para a fronteira comum Angola-RDC há a possibilidade de criar um modelo a partir desse contencioso;
 
- Mesmo que isso não se venha a acontecer, em Angola deve ser criado um plantão especial de pesquisa de informação sobre a evolução do Covid-19 na RDC, recolhendo dados oficiais e públicos, a fim de melhorar o conhecimento da evolução da situação no outro lado dos 2.511 km de fronteira comum;
 
- O modelo que proponho deveria reverter em benefício da RDC nos relacionamentos com cada um dos 8 outros países vizinhos, com Angola a exercer, com base nessa experiência, toda a sua capacidade de influência no quadro das organizações dos Grandes Lagos, África Central e Golfo da Guiné, reforçando os mecanismos de paz já em curso;
 
- Um contencioso cada vez mais alargado dessa natureza, pode servir de campo experimental mais alargado em benefício de todo o continente e poderá providenciar a ajuda externa como a de Cuba, da República Popular da China e de outros estados solidários, para um outro patamar mais compatível para se fazer frente a desafios desta natureza em África;
 
- Para Angola, de acordo com as devidas trilhas de lógica com sentido de vida, deve-se ao longo do século XXI compendiar após o final de cada experiência traumática (estou-me também a lembrar da seca no sul do país) como os desafios foram enfrentados, o que foi alcançado, quais foram as insuficiências, onde não houve a hipótese de encontrar soluções (e por quê), que conclusões e propostas advêm dos “dossiers” acumulados, etc., pois as profundas alterações climático-ambientais trarão muito mais consequências em termos de ameaças, riscos e desafios para a humanidade, para todos os povos africanos e para com uma gestão planetária de respeito para com a Mãe Terra!
 
 
04- A luta numa trilha civilizacional de lógica com sentido de vida, tornou-se imperativa e inadiável, apanhando de forma premente toda a humanidade, numa multiplicidade de transversalidades que até agora eram manipuladas pela barbárie neoliberal ou proteccionista (“the americans first”)…
 
Guerras, bloqueios, sanções, medidas de busca de domínio de toda a ordem (o império da hegemonia unipolar não desarma) continuam a ocorrer quando uma ameaça como esta pandemia atinge a esmagadora maioria dos povos da Terra, sem que neste momento haja capacidade de acabar com o vírus.
 
A tantas outras barbaridades que decorrem desde o passado, o império não parou, mesmo com a pandemia, de fabricar ainda mais barbaridades, pelo que ao mesmo tempo que se combate o vírus, devem-se alargar inexoravelmente as frentes anti imperialistas, mobilizando as vocações saudáveis da racionalidade humana e não de sua irracionalidade feudal quase sem limites!
 
Isso é tanto mais importante, quanto em África com na América, como no Médio Oriente Alargado, (em África enquanto agravada ultraperiferia económica global), se continua a disseminar o domínio neocolonial expansionista, a concomitante jihad islâmica wahabita/sunita irracionalmente radicalizada, a miséria, a fome e a morte, ao invés de trazer outros horizontes para a paz, para a justiça social, para a lógica cm sentido de vida!... (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/onde-se-esvai-parte-do-caos-e-do.html;
 
Combater a pandemia na RDC e em toda a África, impõe outra consciência renascentista para África, pelo que os desafios que se colocam às lideranças vão muito para além da ameaça do Covid-19… (http://paginaglobal.blogspot.pt/2012/07/pelo-renascimento-africano-i.html;  http://paginaglobal.blogspot.com/2012/07/pelo-renascimento-africano-ii.html).
 
Estarão os lideres africanos ao nível de, numa via de lógica com sentido de vida, poder corresponder à mudança radical dos parâmetros da própria civilização humana, algo que já está em curso? (https://www.fort-russ.com/2020/04/the-political-economy-of-coronaviruscovid-19-in-africa/).
 
Constatem no que diz Daniel Estulin, um dos mas fundamentados críticos contemporâneos ao elitismo à Bilderberg: (http://novaresistencia.org/2020/03/30/coronavirus-estamos-diante-do-fim-da-classe-media/).
 
“O que está por vir é uma crise de uma magnitude que só vimos duas vezes nos últimos dois mil anos.
 
O primeiro foi entre os séculos IV e VI, quando surgiu o feudalismo.
 
E o segundo momento veio com o nascimento do capitalismo, a partir do século XVI.
 
O que estamos vivendo agora é o fim do capitalismo como o conhecemos, uma crise sistêmica planetária.
 
O capitalismo precisa de expansão contínua, abrindo novos mercados, porque sem novos mercados o capitalismo morre.
 
Isto é o que Karl Marx e Adam Smith disseram.
 
O coronavírus está sendo usado como desculpa para procurar uma explicação para o colapso dos mercados planetários, quando isto é algo que começou muito antes.
 
A Itália também é fácil de explicar.
 
114 bancos na Itália estão falidos.
 
Ter um coronavírus é fantástico porque eles podem parar de pagar e botar a culpa pela falência no vírus”…
 
Martinho Júnior -- Luanda, 6 de Abril de 2020
 
Imagens:
01- Divisão administrativa territorial da República Democrática do Congo; 
03- Le directeur général de l’OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus – https://www.digitalcongo.net/article/5e8c361a38d038000468a421/;   
04- Coronavirus en RDC : 180 contaminés, 18 décès et 9 malades guéris – https://www.digitalcongo.net/article/5e8c355a38d038000468a420/
05- COVID-19 en RDC – https://www.unicef.org/drcongo/coronavirus.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/a-vulnerabilidade-cronica-e.html

«Não deveríamos fazer um estudo em África, onde não têm máscaras e tratamentos?»

Jean Paul Mira 2020-04_1.jpg

Covid-19: Sugestão de experiências em África gera indignação:

Jean Paul Mira, clínico do Hospital Cochin de Paris, avançou no canal LCI a pergunta que sabia ser «provocatória»: «não deveríamos fazer um estudo em África, onde não têm máscaras e tratamentos?». Para o médico, é o facto de as populações africanas estarem desprotegidas que tornaria o estudo da vacina mais interessante, uma vez que «se fazem estudos no caso da SIDA, onde usam prostitutas para provar certas coisas, por estarem muito expostas e não terem protecção», justificou.

Em resposta, Camille Locht, director de investigação do Instituto francês da Saúde e Investigação Médica, deu-lhe razão: «Estamos a pensar num estudo paralelo em África. Creio que há uma petição que, se ainda não saiu, vai sair, e pensamos seriamente nisso. Também não rejeitamos um estudo na Europa ou na Austrália

Didier Drogba_(2019)_Wikp.jpg

Em reacção nas redes sociais, Didier Drogba, ex-futebolista marfinense, considerou a proposta «inconcebível». «África não é um laboratório. Estas declarações são realmente racistas. Ajudem a salvar África do coronavírus. Não queiram usar os africanos como cobaias. É asqueroso. Os líderes africanos têm a responsabilidade de proteger as suas populações de conspirações tão horrendas», afirmou.

Demba_Ba_Wikp.JPG

Também Demba ba, futebolista senegalês, rejeitou estas declarações: «Bem-vindos ao ocidente, onde o branco se acha tão superior que o racismo se converte numa banalidade. É hora de nos levantarmos».

As reacções de repúdio pelas ideias dos investigadores não se ficaram pelo desporto.

Várias personalidades da sociedade francesa, nomeadamente da cultura, manifestaram-se indignadas com tal sugestão por parte de dois membros da comunidade científica e lembraram que essa ideia foi praticada no passado pelas potências coloniais.

Vídeo de 41 s

Sublinhados meus

 

Via: O CASTENDO https://bit.ly/2UO5LEQ

 

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2020/04/06/nao-deveriamos-fazer-um-estudo-em-africa-onde-nao-tem-mascaras-e-tratamentos/

OMS alerta sobre "evolução gravíssima" da epidemia de coronavírus na África

 

 

247 - A situação da pandemia de coronavírus na África é muito grave, disse a diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África. Marshidiso Rebecca Moeti afirmou: "a situação é muito preocupante com uma evolução gravíssima: um aumento geográfico do número de países e, também, um aumento do número de casos infectados."

A reportagem do portal Uoldestaca mais um trecho da fala de Moeti: "há um mês, havia somente um país na região africana, ou seja, África subsariana e Argélia" [Duas semanas depois] "havia cinco países com 50 casos. Agora, há dois ou três dias, temos 39 países com cerca de 300 casos por dia."

A matéria ainda informa que "segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais, hoje às 11h (8h no horário de Brasília), foram registrados 3.300 casos e mais de 90 mortes na África. Mesmo com as medidas tomadas em cerca de 40 países africanos, de confinamento, isolamento de casos suspeitos, proibição de atos religiosos ou esportivos e do fechamento de escolas em 25 países, o continente continua mal equipado para enfrentar uma crise de saúde de grande alcance, reconheceu implicitamente Matshidiso Rebecca Moeti, que fez alusão a um "desafio" autêntico."

 

China continuará aumentando apoio aos países africanos no combate à COVID-19

 

Beijing, 23 mar (Xinhua) -- A China continuará a aumentar seu apoio aos esforços dos países africanos no combate à COVID-19, garantiu nesta segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang.

Geng disse em uma coletiva diária que a ajuda de emergência do governo chinês com materiais anti-epidemia será entregue à África em lotes. O país também continuará a coordenar e incentivar as empresas e instituições privadas chinesas a fornecerem ativamente apoio anti-epidemia aos países africanos.

Geng observou que a China e a África são bons amigos, parceiros e irmãos, e ambos os lados sempre apoiaram e ajudaram um ao outro. "Desde o início da COVID-19 na China, os países africanos e organizações regionais têm dado forte solidariedade e valioso apoio às ações anti-epidemia da China de diferentes maneiras."

"A China presta estreita atenção à situação da epidemia na África e fornece ativamente aos países africanos e à União Africana (UA) vários tipos de assistência material, incluindo testes de reagentes e produtos de proteção médica", destacou Geng, acrescentando que alguns materiais já chegaram.

O porta-voz indicou que a China também organizou especialistas chineses para realizar videoconferências sobre a troca de experiência anti-epidemia com seus homólogos africanos, e mobilizou equipes médicas chinesas na África a participarem ativamente das ações contra o coronavírus nos países africanos onde trabalham.

Muitas empresas, organizações não-governamentais e cidadãos chineses que vivem na África também prestaram assistência ao continente, acrescentou Geng.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/24/c_138911199.htm

Coronavírus se espalha pela África e países esperam pelo pior

Jovem experimenta máscara de proteção em farmácia na cidade de Kitwe, na Zâmbia
© AP Photo / Emmanuel Mwiche

Países africanos têm alta consistente no número de casos de coronavírus. Só neste domingo (15), cinco países confirmando seus primeiros casos. 24 dos 54 países do continente já foram afetados pela COVID-19.

Neste domingo (15), casos de coronavírus foram confirmados no Ruanda, Namíbia, Guiné Equatorial, Mauritânia e Suazilândia. Todos os casos foram importados de outros continentes, assim como a imensa maioria dos casos reportados na África até agora.

Os governos e autoridades de saúde se apressam a tomar medidas de controle no continente de 1,3 bilhão de habitantes. Caso a infecção se dissemine, países com sistemas de saúde pública frágil podem ter taxas de mortalidade elevadas.

A Namíbia, que confirmou dois casos de COVID-19 de cidadãos vindos da Espanha, cancelou as comemorações do Dia da Independência, previstas para 21 de março. O país irá redirecionar o orçamento das comemorações para fortalecer seu sistema de saúde, reportou o Washington Post.

A Mauritânia, localizada na região sul do deserto do Saara, decidiu fechar as escolas por uma semana, reduzir o tráfego nas fronteiras e cancelar eventos públicos. O governo solicitou ainda que pessoas que estiveram em áreas afetadas entrem em quarentena.

A África do Sul confirmou mais 14 novos casos neste sábado (14), atingindo um total de 38 pacientes confirmados no país.

Funcionárias atendem pacientes na entrada de hospital em Joanesburgo, África do Sul, em 11 de março de 2020

© AP Photo / Denis Farrell
Funcionárias atendem pacientes na entrada de hospital em Joanesburgo, África do Sul, em 11 de março de 2020

A Força Aérea sul-africana repatriou 121 estudantes que estavam em Wuhan, na China, epicentro do coronavírus. Apesar de todos os passageiros terem recebido testes negativos para a COVID-19, o governo solicitou que ficassem em quarentena durante 21 dias em um hospital próximo ao aeroporto de Polokwane.

A maioria dos pacientes se recupera da COVID-19 em cerca de duas semanas. Nos casos mais severos, pacientes podem levar até seis semanas para se recuperar.

Especialistas temem que hospitais de alguns países africanos podem carecer de condições para oferecer tratamento por tempo prolongado, além de não disporem de unidades de tratamento intensivo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031515332991-coronavirus-se-espalha-pela-africa-e-paises-esperam-pelo-pior/

China está disposta a apoiar luta dos países africanos contra COVID-19

Resultado de imagem para covid a África

Beijing, 11 mar (Xinhua) -- A China, enquanto reforça sua própria luta contra a epidemia do novo coronavírus, está disposta a fortalecer a solidariedade e a cooperação com os países africanos e apoiá-los e ajudá-los ao máximo de suas capacidades, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, nesta terça-feira.

Durante a luta da China contra o surto, os países africanos estiveram ao lado, apoiando de várias maneiras, disse Geng em uma entrevista coletiva.

Líderes de quase todos os países africanos que têm laços diplomáticos com a China e o presidente da Comissão da União Africana (UA) expressaram simpatia e apoio por telefone ou cartas, acrescentou.

Segundo o porta-voz, o Conselho de Ministros da UA, o Conselho de Paz e Segurança da UA, a Conferência dos Ministros da Saúde da África, a Reunião dos Ministros da Saúde da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental e a Reunião Extraordinária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral na segunda-feira, todos elogiaram a resposta da China à epidemia.

"Emocionamo-nos, em particular, ao ver alguns países africanos nos oferecendo fundos ou bens apesar de seus próprios recursos limitados. Esta é a melhor personificação da irmandade dos dois lados em todas as circunstâncias e dos esforços conjuntos para a construção de uma comunidade mais unida com um futuro compartilhado", disse o porta-voz.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/11/c_138865854.htm

As contradições dos EUA com África

 
 
Mike Pompeo tenta apresentar uma visão positiva para a cooperação dos EUA durante périplo por países africanos, mas analista considera que administração Trump sinaliza exatamente o contrário.
 
No último dia de vista a países africanos, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, fez um discurso político na Comissão Económica das Nações Unidas para África antes de voar para a Arábia Saudita.
 
"Os países devem ter cuidado com os regimes autoritários e os seus promessas vazias", disse Pompeo em seu discurso em Adis Abeba, na Etiópia. "Eles criam corrupção, dependência e instabilidade, não prosperidade, soberania e progresso", completou.
 
Na terça-feira (18.02), secretário de Estado encorajou a cooperação entre Etiópia, Sudão e Egito para um acordo sobre a barragem do Nilo Azul - que provocou uma crise diplomática de anos entre Cairo e Adis Abeba – mas advertiu que um acordo pode levar meses. "A nossa missão não é impor uma solução. É fazer com que os três países se unam em torno de uma solução que eles reconheçam e atenda as suas preocupações", disse.
 
A Etiópia diz que o projeto hidroelétrico é crucial para o seu desenvolvimento económico, mas o Egito considera que a barragem afetará o fluxo do Nilo, a sua principal fonte de água doce. O Governo etíope espera que a barragem do Nilo Azul torne o país no maior exportador de energia de África, produzindo mais de 6 mil megawatts.
 
 
Os EUA e a crise no Sahel
 
Os EUA estão atualmente a discutir cortes militares na região do Sahel, na África Ocidental. O analista de segurança do Gana Vladimir Antwi-Danso lembra que se está a tornar cada vez mais difícil sufocar a rebelião na área. "Os EUA perderam uma série de tropas no Níger e no Mali e perceberam que talvez esteja na hora de reorientar e reconstruir a sua relação com África", opina Antwi-Danso.
 
No final da sua estadia no Senegal, primeira paragem da sua viagem por África, Pompeu disse que os EUA trabalham para definir os recursos militares necessários para combater o aumento da violência extremista na África Ocidental.
 
Antwi-Danso diz, entretanto, que aumentar a presença militar norte-americana não é do interesse de África.
 
"A maioria dos problemas que estamos a ter no que diz respeito à segurança deve-se à política dos EUA em matéria de defesa em África. Expulsar e matar o ditador líbio Muammar Kadhafi, por exemplo, desencadeou eventos violentos em toda a zona do Sahel. Eles estão a criar problemas de tal forma que a maioria dos países africanos não sabe o que fazer. Quanto maior a presença dos EUA, maiores as rebeliões ou o terrorismo", diz.
 
O contrapeso chinês
 
Já na passagem por Angola, Pompeo não conteve os elogios à recente campanha anticorrupção de Luanda. Antwi-Danso afirma, no entanto, que este pode não ter sido o ponto mais importante para o norte-americano e sim os recursos naturais do país.
 
"Angola é um país rico e se os EUA ganharem Angola, estarão a ganhar um enorme país com enormes recursos. Para os EUA, Angola seria também um país estratégico para contrariar a influência da China", avalia.
 
O porta-voz do Departamento de Estado Morgan Ortagus confirmou que Pompeo e o Presidente João Lourenço discutiram o papel de Pequim em África. A China seria também uma das razões pelas quais Pompeo esteve na Etiópia.
 
"A Etiópia é a porta de entrada para o Corno de África. Se os Estados Unidos conseguirem se firmar na Etiópia, poderão também combater a influência da China na região", diz o analista ganense.
 
Os EUA perderam o status de principal parceiro comercial de África para a China há dez anos. Num esforço para fortalecer os laços económicos, Pompeo também se reuniu com líderes e empresários dos países que visitou.
 
Sem ganha-ganha
 
O secretário de Estado pareceu decidido a promover o programa americano "Prosper Africa" - concebido pelo ex-conselheiro de segurança John Bolton.
 
"As relações económicas de exploração, por causa do petróleo ou de outras matérias-primas, não são corretas, tanto com a China como com os EUA. Precisamos de uma relação económica que ajude a tirar a África do marasmo da pobreza e da estagnação. Então, o mundo será mais pacífico", adverte Antwi-Danso.
 
Há algumas semanas, a Nigéria, Eritreia, Sudão e Tanzânia juntaram-se à Líbia e Somália na lista de países cujos nacionais estão na sua maioria impedidos de entrar nos EUA por alegadas razões de segurança.
 
Cristina Krippahl, com agências, cvt | Deutsche Welle | opinião

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/as-contradicoes-dos-eua-com-africa.html

Há 30 anos, Nelson Mandela conquistava a liberdade

Após passar 27 anos como prisioneiro, Nelson Mandela, líder sul-africano deixava a prisão-fazenda de Victor Verster, ao lado da então mulher, Winnie, em 11 de fevereiro de 1990.

 

 

O mais famoso preso político do mundo conquistava a liberdade há três décadas. Após passar 27 anos como prisioneiro, Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013) deixava a prisão-fazenda de Victor Verster, na Cidade do Cabo (África do Sul), ao lado de sua então mulher, Winnie, às 11h15 (horário de Brasília) de 11 de fevereiro de 1990.

“Ergo-me diante de vocês não como um profeta, mas como um humilde servo do povo”, disse ele, aos 71 anos, em seu primeiro discurso, na praça Grand Parade, em frente à prefeitura. As comemorações pela libertação do líder deixaram 14 mortos e cem pessoas feridas, de acordo com a polícia sul-africana.

Condenado à prisão perpétua por traição e sabotagem, Mandela era o principal líder da luta contra o apartheid, regime de segregação racial que a minoria branca impôs à maioria negra na África do Sul. Segundo ele, a criação da Umkhonto We Sizwe (A Lança da Nação), braço armado do Congresso Nacional Africano, nos anos 60, foi ação “puramente defensiva contra a violência do apartheid”.

A soltura de Madiba, como era conhecido devido ao clã Thembu ao qual pertencia, foi parte das negociações iniciadas pelo presidente Frederik de Klerk, que tomara posse em setembro de 1989. E virou notícia no mundo todo. “Os fatores que nos obrigaram a optar pela luta armada ainda existem hoje. Não nos resta opção senão continuar neste caminho”, disse ele, que naquele momento manteve vivo o fantasma da luta armada para obter posição de força nas negociações com o governo sul-africano pelo fim do estado de emergência e pela libertação dos presos políticos.

Mandela passou a primeira noite fora da prisão na casa do arcebispo Desmond Tutu. O líder anti-apartheid foi enfático ao reconhecer o empenho da população pela sua libertação. “Seus incansáveis e heróicos sacrifícios tornaram possível eu estar aqui hoje. Coloco, portanto, os anos restantes de minha vida em suas mãos.”

E colocou. Tanto que, dois dias depois, com um inflamado discurso no estádio de Soweto – para 100 mil pessoas –, ele construiu caminho para a paz na África do Sul, o que lhe garantiu Nobel em 1993, ao lado de Le Klerk. Depois, tornou-se, em 1994, o primeiro presidente negro do país e governou por dois mandatos. Mandela morreu aos 95 anos, em 5 de dezembro de 2013.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ha-30-anos-nelson-mandela-conquistava-a-liberdade/

União Africana expressa solidariedade com China em sua luta contra epidemia

Vista exterior da sede da União Africana em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 28 de janeiro de 2015. (Xinhua/Zhai Jianlan)

Adis Abeba, 9 fev (Xinhua) -- A União Africana (UA) expressou no sábado sua solidariedade para com a China em sua luta contra o novo coronavírus.

"Com o espírito das sólidas relações existentes entre os Estados membros da UA e China, e conscientes dos laços e a cooperação historicamente fraternais entre ambas as partes, os ministros das Relações Exteriores dos países membros da UA expressaram sua solidariedade ao governo e povo da China em seus esforços para conter a propagação do novo coronavírus e abordar suas ramificações sanitárias", disse o Conselho Executivo da UA em um comunicado de imprensa divulgado no final de uma sessão realizada na sede da organização na capital etíope, Adis Abeba.

O comunicado afirmou a confiança dos países membros da UA na capacidade da China de conter a propagação do novo coronavírus. Os membros da UA "têm confiança na capacidade das autoridades chinesas de lidar com os desafios que esta epidemia representa e tomar medidas necessárias a respeito", disse.

"Eles estão convencidos de que as autoridades chinesas trabalharão em colaboração com todos os países por seu interesse comum na hora de enfrentar vários desafios humanitários, sociais e econômicos e conterão este novo vírus", acrescentou.

 

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2020-02/09/c_138768416.htm

O CÍRCULO 4F -- Martinho Júnior

 
 
 
 
Liberdade?
 
Conhecemos seu ponto de partida, que é um imprescindível e inequívoco ponto de ruptura e um primeiro passo no degrau em busca de vida…

Mas depois, de utopia em utopia, entremeada com tanta coisa que se vai conseguindo a pulso realizar, subindo a escada de degrau em degrau, há uma longa ascendência que nos transporta hoje à necessidade de paz, da sobrevivência das espécies, de respeito pelo planeta, à ampla necessidade de vida por que afinal também a espécie humana está em risco de desaparecer, à mercê da irracionalidade do próprio homem!...
 
 
01- … E então aconteceu aquele 4 de Fevereiro, em 1961, como um grito e uma telúrica chispa colectiva dum povo secularmente vilipendiado, oprimido, reprimido, mas ávido, por isso mesmo ávido, de amor, de solidariedade, de dignidade, de paz e de vida!
 
Naquele 4 de Fevereiro, até um imenso muro feito da argamassa do silêncio e da indiferença havia que romper, precisamente com o rebentar das grilhetas… e não havendo armas de fogo, tal a imensa miséria e marginalidade em que se encontravam os ousados, foi mesmo com os instrumentos de trabalho próprios da escravidão e do contrato, próprios dum indigenato que nem como número contava, que os homens se ergueram e saltaram resolutos para o primeiro movimento ascendente, autodeterminados em busca de vida e de liberdade!
 
Se um dia foi assim no Haiti, quando rebentou a poderosa revolução dos escravos que até Napoleão venceu no outro lado do Atlântico remoto, por que razão não haveria de ser assim, ainda que mais de século e meio depois, se a condição que a opressão e a repressão impunham, se o poder que instrumentalizava essa opressão e essa repressão, era invariavelmente o mesmo?
 
Naquele tempo, apesar do analfabetismo crónico, apesar da legítima revolta, apesar dos estômagos vazios, dum vazio que ia da alma às entranhas, alguns souberam identificar o inimigo que havia que vencer, olhos nos olhos, com a temperança dos justos: os que integravam e compunham os instrumentos do poder colonial opressor e repressor!
 
… Por isso havia que assaltar ali, nos covis onde agrilhoavam os sonhos alados, ou cair sobre os energúmenos, nos movimentos intestinos de seus labirintos quotidianos, numa esquina próxima onde a surpresa fosse ardil…
 
Aquele 4 de Fevereiro não foi contra um povo irmão, ainda que o poder da ocasião quisesse manipular no sentido desse choque, a obsessão do “choque entre civilizações” que queriam tornar em mais uma artificiosa manipulação… outros teriam essa opção sangrenta em nome da liberdade que afinal iludiram, iludindo-se!
 
A partir dali a luta armada de libertação nacional contra o colonial-fascismo definiu-se e definiu seus contornos: mesmo de armas na mão, a conjuntura em busca de autodeterminação e independência iluminava o caminho essencialmente político, por que após a hecatombe da IIª Guerra Mundial, a humanidade compreendia que chegava a hora da maioridade juvenil dos povos, de todos os povos do mundo que ainda não haviam alcançado sequer a utopia mínima, do primeiro degrau da ascendente escada da liberdade!
 
Agostinho Neto compreendeu-o com seu génio vanguardista, a sua sagrada esperança, a sua renúncia impossível e a sua vida foi uma dádiva para que se subisse essa penosa escada, vencendo colonialismo, “apartheid” e tantas das suas sequelas, à frente dum povo que para tal generalizou sua luta e levou-a avante em comunhão com outros povos, nos imensos espaços da África Central e Austral!
 
Sendo aquele 4 de Fevereiro um momento tático que foi sangrentamente sufocado, a utopia era realizável de Argel ao Cabo e também naquela praça-forte que o internacional fascismo desenhou: o quadrilátero do sudoeste africano que compunha Angola!
 
Do outro lado do Atlântico, uma revolução e um povo revolucionário haveria de se juntar à saga que então se iniciara, de Argel ao Cabo e honraria os escravos caídos no imenso campo de tão legítima luta, como aquela ignota Carlota de Cuba, nas vésperas da revolução no Haiti!
 
Vencer colonialismo e “apartheid” era uma utopia em 1961, mas com os olhos das novas gerações, a utopia tornou-se substantiva e a liberdade tornou-se emocionalmente repartida entre os povos irmãos de toda a África Central e Austral, a liberdade tornou-se palpável, está aí mesmo à mão, mesmo que haja tanta diversão e engano que nos chega de fora com a cumplicidade duns quantos de dentro, como as lantejoulas dum pungente negócio tão antigo que cheira a mofo… acabadinho de chegar através dos mares e dos céus deste século XXI…
 
 
2- … E então aconteceu aquele 4 de Fevereiro de 1992, quase duzentos anos após o romper das grilhetas coloniais nas Américas e honrando os que içaram, com a derrota colonial, suas bandeiras de liberdade!...
 
… Por que a liberdade não se cinge, nem se reduz a uma bandeira tornada pelo poder do império num símbolo fútil e fértil de enganos, subvertendo os mais suculentos sonhos ainda e sempre ávidos de vida, de paz e de liberdade, os degraus da ascendência em busca de vida no colectivo, foram-se sucedendo!
 
A longa escada das Américas há que subi-la a pulso e com os pulmões a rebentar numa atmosfera rarefeita, por vezes azotada, ou mesmo sulfúrica, uma escada tão íngreme como os vértebras colossais dos Andes… chegar às alturas de Machu Picchu, reflectir sobre a velha cidade abandonada e em ruínas, num ambiente de silêncio e verdes vertigens…
 
… Ainda que vencendo o colonialismo hispânico, a liberdade não se reduziu a subir um mero degrau!…
 
Nas Américas, nas suas veias abertas, há que contar como em nenhum outro continente, com o poderoso expansionismo que se abate sobre os povos do sul, o expansionismo imperador que avassala desde o norte e mobiliza correntes de sonhos em busca de cada vez mais desvirtuados e subvertidos enganos… e artificiosos brilhos que encobrem, cada vez mais, agónicos circuitos vazios que alucinadamente querem tornar perpétuos!
 
No corpo das Américas há que oxigenar o sangue das artérias quando as veias continuam abertas e uma redobrada utopia para além do içar das bandeiras, esvoaça desde os sonhos de Marti, de Sandino, de Bolivar, numa imenso espaço tornado numa incontornável e decisiva Pátria Grande!
 
Outra prova de amor fecundo, outra prova de dignidade há que dar às bandeiras da liberdade, porque a liberdade é uma cultura que se deve transmitir de geração em geração, num concerto de desafios tornados vida e paz, tornados respeito para com a Mãe Terra, conforme ensinavam os antepassados desaparecidos nas alturas de Machu Picchu e Marti e Sandino e Bolivar e os Comandantes vitais do século XX e XXI!...
 
“Por ora”, aquele momento tático ávido de vida, de futuro, de dignidade, de solidariedade e de paz, a 4 de Fevereiro de 1992, foi também vencido, mas ele deu azo à energia, à força predestinada para a ascensão, tal como aquele outro 4 de Fevereiro de 1961!
 
Numa prova de maturidade em prol das bandeiras: não basta chegar à emancipação da juventude, há que continuar as provas de vida maturidade adentro e tornar essas provas de vida na equação duma resistência equilibrada entre povo e armas, na continuada busca de liberdade, vencendo outra e outra vez os Andes, degrau a degrau!
 
… E então emerge Hugo Chavez, numa vanguarda feita duma harmonia resistente, duma argamassa cívica e militar, participativa e protagonista, por que nas Américas os sonhos correm o risco de se tornar em quimeras à mercê do poderoso Condor, como ocorreu num dia pelas amargas ruas de Santiago ensanguentado!… 
 
… Em Santiago identificou-se a injecção dum novo estigma que abria ainda mais as veias das Américas, com as transversais facas do neoliberalismo cortando o tecido dos povos, facas manejadas por mãos reitoras de novos modelos de opressão e repressão, facas que rompiam até com os tecidos ambientais dum planeta cada vez mais exangue, carente de respeito, de dedicação e de amor!
 
 
3- O círculo 4F completa-se e fecha-se nas duas margens do Atlântico Sul, por que a utopia da dignidade, da solidariedade, da paz, do amor, das bandeiras semeadas com o heroísmo dos povos, a da liberdade tão ansiada pelos povos, corre no oxigenado sangue das Américas e de África, apesar de todas as intemperanças e subversões semeadas desde o norte pelo mais renitente poder imperial que alguma vez recaiu sobre toda a humanidade!
 
É um Círculo 4F que emerge intemporal, transatlântico, imprescindível, por que os impérios, os decadentes impérios, um dia quiseram condenar “eternamente” os escravos à saga dos grilhões em paragens remotas onde se escondiam e se escondem, em caixas fechadas a cadeado todas as servidões, como se fazia aliás com os velhos baús de riquezas espoliadas pelos corsários e piratas… baús enterrados sordidamente nas areias de ilhas desconhecidas, perdidas entre brumas plasmadas em irrespiráveis ambientes de dor, de depredação e de sangue!
 
O Círculo 4F transatlântico toca ainda como um imenso sino, a rebate, por que afinal também a espécie humana sente-o, sobretudo aquela parte mais vilipendiada, oprimida, subjugada e deliberadamente saqueada!
 
A humanidade está em risco de desaparecer à mercê da irracionalidade do próprio homem tornado poder sobre os outros homens, daquele homem egoisticamente mesquinho que cultiva a avidez dum poder que se tornou contra toda a humanidade e até, irremediavelmente, contra o âmago do seu próprio ser!...
 
O transatlântico Círculo 4F, vencido colonialismo, vencido o “apartheid” e vencidas tantas das suas sequelas, corre no sangue oxigenado das artérias das Américas e de África, por que as veias abertas pelo neoliberalismo desde os anos 70 do século XX, trazem o sinal duma avassaladora servidão e por isso é preciso, com os homens que vão subindo a penosa escada da liberdade mesmo com os pulmões a rebentar, alcançar os cumes enevoados das utopias, nos Andes como no Quilimanjaro, pois as utopias estão aí mesmo à mão, feitas de democracia, participativa, protagonismo social, digna e solidária, nos horizontes que nos absorvem na esponja medular imensa de que é feito este século XXI!...
 
Martinho Júnior -- Luanda, 4 de fevereiro de2020
 
Imagens:
Quartel da Montanha, Mausoléu de Agostinho Neto, Sarcófago do Comandante Hugo Chavez e Sarcófago de Agostinho Neto; honra e glória aos alicerces do transatlântico Círculo 4F!

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Angela Merkel inicia visita oficial à África do Sul e Angola

 
 
A chanceler da Alemanha inicia hoje uma visita oficial à África do Sul e a Angola e, pela primeira vez, a migração não será o principal tema na agenda. Em Luanda, Angela Merkel espera reforçar os laços económicos.
 
Tradicionalmente, a África do Sul é o parceiro mais importante da Alemanha em África. Mas as relações azedaram durante a presidência de Jacob Zuma, que governou a África do Sul de 2009 a 2018. Desde a saída de Jacob Zuma da presidência, os dois países estão a desfrutar de uma segunda lua de mel.
 
"As relações entre a Alemanha e a África do Sul melhoraram consideravelmente desde que Cyril Ramaphosa se tornou Presidente. O número crescente de visitas mostra claramente isso", afirma a analista Melanie Müller, do Instituto Alemão de Política Internacional e de Segurança (SWP).
 
Cyril Ramaphosa veio a Berlim para uma visita de Estado em 2018 e o Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, foi ao país um mês depois. "A visita de Angela Merkel à África do Sul também é um reconhecimento de que o relacionamento melhorou", diz a especialista.
 
 
Crise económica na África do Sul
 
Na África do Sul, a chanceler Angela Merkel vai reunir-se com o Presidente Cyril Ramaphosa e as relações económicas entre os dois países devem ser o principal tema. Uma delegação de líderes empresariais alemães acompanha a chanceler nesta deslocação ao continente africano.
 
A África do Sul recebe a maior parte do investimento alemão em África. E o país - que está a enfrentar uma profunda crise económica - está à espera de mais.
 
"Uma das coisas que alimenta a desigualdade é o desemprego e a falta de acesso a oportunidades. É nesse espaço que a África do Sul deseja fomentar o envolvimento direto que realmente impulsiona ainda mais a economia", Ottilia Maunganidze, do Instituto de Estudos de Segurança, um grupo de reflexão sul-africano.
Angola quer aprofundar cooperação militar
 
Em Angola, Angela Merkel vai encontrar-se na sexta-feira (07.02) com o Presidente João Lourenço, que esteve em Berlim em 2018. O Presidente angolano afirmou repetidamente que seu Governo quer aprofundar a cooperação militar com a Alemanha. Enquanto o seu antecessor José Eduardo dos Santos esteve no poder, essa cooperação estava fora de questão para a Alemanha.
 
Durante 38 anos no poder, a família dos Santos beneficiou de muitos negócios questionáveis - como revelou recentemente a investigação jornalística "Luanda Leaks". Segundo esta investigação, Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, terá acumulado uma fortuna através de negócios duvidosos durante o Governo do seu pai. Como resultado, a empresária angolana teve contas e bens arrestados pela Justiça e vai enfrentar um processo no país.
 
Agora, a Alemanha está interessada em laços mais estreitos com Angola, diz Melanie Müller, do Instituto Alemão de Política Internacional e de Segurança. "O relacionamento melhorou desde que João Lourenco chegou ao poder há três anos. Ele tenta lutar contra a corrupção e privilégios. Por exemplo, lançou novas medidas para limitar a influência da poderosa família dos Santos. A Alemanha reagiu positivamente a isto."
 
Os investimentos privados alemães em Angola caíram nos últimos anos. No entanto, o Governo de Angola espera que a visita da chanceler possa ajudar a reverter essa tendência. Também espera estreitar a cooperação alemã no âmbito da defesa, incluindo a compra de barcos-patrulha da Alemanha – um tema que Berlim se escusou a comentar. 
 
A chanceler Angela Merkel deve regressar à Alemanha no próximo sábado (08.02).
 
Daniel Pelz, tms | Deutsche Welle

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O Sudão, Israel e Companhias Ldas

Em agosto de 2019 o líder do conselho de transição do Sudão, o tenente-general Abdel Fattah Abdelrahman Burhantomou posse como Chefe do recém-formado Conselho de transição no palácio presidencial em Cartum, Sudão.

 

 

Quatro meses de negociações difíceis entre o conselho militar no poder e o movimento pró-democracia, depois da deposição do autoritário e eterno Omar al-Bashir que esteve no poder de 1989 a 2019, poder ao qual se agarrava como lapa, tinham terminado nesta solução entre as partes.

Este acordo teve a pressão dos Estados Unidos e de seus aliados árabes, com preocupações crescentes de que a crise política pudesse desencadear uma guerra civil.

Em Dezembro último Omar al-Bashir, agora com 75 anos, foi condenado a dois anos de prisão numa prisão de reforma social por corrupção. O juiz argumentou que segundo a lei sudanesa, pessoas com mais de 70 anos de idade não podem cumprir pena de prisão. Bashir também enfrenta acusações relacionadas ao golpe de 1989 que o levou ao poder, com queixas de genocídio e assassinato de manifestantes antes de sua queda.

Abdel-Fattah Burhan

Após a dita tomada de posse previa-se que o general Abdel-Fattah Burhan, que fez juramento perante o principal juiz do país, liderasse o Conselho Soberano de 11 membros durante 21 meses, seguido por um líder civil nomeado pelo movimento pró-democracia nos 18 meses seguintes.

Ontem dia 3 de Fevereiro houve relatos no Jornal Haaretz de que pós especulações e anos de relatórios, Israel e o Sudão formalizaram novas relações que teriam a vantagem de ajudar Israel nos esforços para deportar requerentes de asilo. A reunião que reuniu os lideres israelita e sudanês foi feita na capital do Uganda, Entebe.

Uma fonte israelita disse que o desenvolvimento das relações entre os dois países vai afetar imediatamente a rota dos voos de Israel e permitir que os seus aviões sobrevoem o país africano.

Saeb Erekat, negociador palestiniano dos Acordos de Oslo, disse: “Condenamos agressivamente a reunião entre o presidente sudanês e Netanyahu. Esta é uma facada nas costas da nação palestiniana e um desvio do consenso árabe e da iniciativa da paz árabe. A administração Trump e o primeiro-ministro Netanyahu não ajudam em nada ao problema.

Em Agosto passado o governo israelita tinha pendente uma decisão sobre os pedidos mas interrompeu o examinar dos mesmos dizendo que eles deveriam ser adiados até que a situação no Sudão se estabilize.

Mapa Sudão

A decisão foi ordenada pelo ministro do Interior, Arye Dery, após a avaliação do Ministério das Relações Exteriores de que as manifestações exigindo o domínio civil quase três meses depois que o exército expulsou o autocrata Omar al-Bashir “criavam incertezas quanto à situação no Sudão”.

A Autoridade de População e Imigração há anos arrasta os 3.400 pedidos de asilo apresentados por cidadãos sudaneses.

Já em Abril passado analistas e chefes dos serviços secretos dos mais variados e suspeitos poderes em Washington, Moscovo, Pequim, Riad, Cairo e Israel tentavam perceber quem era quem na crise sudanesa. Havia rumores de que o chefe da Mossad, Yossi Cohen, se reunira com o general Salah Gosh, chefe dos serviços secretos sudaneses e com o ministro da Defesa Awad Ibn Aouf.

Bashir e as elites militar e serviços secretos eram uma base sólida através da qual esses países administravam seus interesses de segurança no leste da África. Os laços dos EUA com Cartum eram como uma roleta-russa. Por exemplo o golpe militar que Bashir planeou em 1989 contra o presidente democraticamente eleito Sadiq al-Mahdi foi corretamente considerado o início de uma era tormentosa. Uma aliança islâmica que o agora caído em desgraça Bashir e seus oficiais forjaram com o chefe da Frente Nacional Islâmica e da Irmandade Muçulmana Hassan Torabi ligou o Sudão a Osama Bin Laden, que viveu no Sudão de 1990 a 1996 até ser expulso sob pressão dos EUA.

A lei religiosa tornou-se a base da constituição do país, e os conselhos locais em todo o Sudão enviaram representantes ao parlamento, mais ou menos na linha do modelo construído pelo líder líbio Muammar Gadhafi.

O Ocidente temia que o Sudão estivesse a seguir o modelo e amizade com o Irão, e as sanções não estavam muito longe.

Mas a maioria das sanções foi levantada há dois anos e, lestamente a CIA abriu uma de suas maiores bases na região de Cartum. O Sudão afastou-se do Irão e juntou-se à coligação árabe na guerra da Arábia Saudita contra o Iemen, o que enriqueceu seus cofres estaduais em cerca de 2,2 biliões de dólares enviados pelos sauditas e pelos Emiratos Árabes Unidos, aproximando o Sudão dos estados do bloco árabe pró-ocidental.

Milhares de soldados sudaneses foram enviados para os campos de batalha do Iemen.

E Bashir, contra quem o Tribunal Mundial de Haia tinha emitido um mandado de prisão em 2009 por crimes de guerra em Darfur, começou muito aliviado a deixar seu palácio para viajar para países árabes e muçulmanos.

Bashir foi o primeiro líder árabe a visitar Damasco, marcando o início de uma brecha no boicote da Liga Árabe contra Bashar al-Assad.

A Rússia terá empurrado Bashir para Damasco em troca de alguma ajuda política e económica, com o objetivo de reconstruir a legitimidade de Assad no mundo árabe. Posteriormente, figuras importantes dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrein também visitaram a Síria.

Até 2011, o Sudão era o maior país da África e do Mundo árabe, quando o Sudão do Sul se separou e se tornou um país independente, após um referendo sobre a independência. O Sudão é hoje o terceiro maior país da África, a seguir à Argélia,e à República Democrática do Congo e também é o terceiro maior país do mundo árabe,depois da Argélia e da Arábia Saudita. 84% da população do Sudão é sunita.

A história da presença de famílias e de comunidades judaicas no Sudão é muito interessante e ficará para outra crónica.

E assim vai o jogo do empurra entre os países e os seus interesses económicos e políticos à revelia dos povos. Nas mesas destas conferências ninguém pensa na pessoa humana. Vivemos tempos de total desumanização.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-sudao-israel-e-companhias-ldas/

Patrice Lumumba: Assassinado por defender a liberdade do Congo

Em novembro de 2001, o parlamento da Bélgica reconheceu a responsabilidade do seu Estado pelo assassinato [1] de Lumumba e os EUA também confessaram a sua implicação nos factos.

 

 

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O herói nacional da República Democrática do Congo foi cobardemente assassinado por desenvolver uma

luta política e ideológica contra o jugo colonial e o imperialismo norte-americano. Foto: diario-octubre.com

 

Há 59 anos, as terras da África recolheram o sangue do líder congolês Patrício Lumumba, um dos mais fervorosos combatentes contra a colonização do Congo e primeiro chefe de governo do seu país depois de conquistar a independência da Bélgica.

O seu assassinato teve tudo a ver com o seu confronto com os poderes ocidentais que, durante anos, se apoderaram dos recursos naturais do Congo e mergulharam a sua população na pobreza extrema e na desigualdade.

Nenhuma brutalidade, abuso ou tortura me vergaram porque prefiro morrer de cabeça erguida, com fé inabalável e uma profunda confiança no futuro do meu país, a viver subjugado e espezinhando princípios sagrados”, escreveu Lumumba à esposa e aos filhos dias antes da sua morte.

Em 1958, o herói africano fundou o Movimento Nacional Congolês, defensor da criação de um Estado independente e laico, cujas estruturas políticas unitárias ajudaram a intensificar o sentimento nacional, o que o tornou Primeiro Ministro nas primeiras eleições livres, em 1960.

No entanto, a saída dos belgas do território causou mais instabilidade no território, pois se gerou um conflito político com pronunciamentos militares, ataques à população branca e distúrbios generalizados.

Além disso, a região de mineração do Katanga declarou-se independente sob a liderança de Tschombé, uma situação lucrativa para a sua antiga metrópole que tinha interesses na empresa mineira que também explorava as jazidas, pelo que igualmente empregou efetivos militares.

A liberdade traída

Embora Lumumba tenha reivindicado perante a Organização das Nações Unidas (ONU) os direitos de soberania e inviolabilidade do seu território e exigido a expulsão imediata das tropas belgas, a sua voz não foi ouvida, pelo que, para salvar a situação, procurou aliados na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

No contexto da Guerra Fria, essa ação envolveu um confronto direto com os Estados Unidos (EUA), que ativaram os seus efetivos da Agência Central de Inteligência (CIA) para eliminá-lo do panorama africano.

Ao mesmo tempo, deve-se notar que, nas condições da independência do Congo, a Bélgica deixou um país endividado e retirou todas os seus efetivos nos setores da saúde, da educação e da administração, entre outros, sem dar tempo à sua substituição. Esse abandono conspirou contra Lumumba e ele foi traído.

Primeiro, um golpe de Estado, em setembro de 1960, derrubou-o com todo o seu gabinete e, uma segunda facada nas costas do militar Joseph-Désiré Mobutu, que seguia as instruções das agências de inteligência americanas e belgas, causou a sua prisão e sequestro.

Embora existam versões diferentes do seu assassinato, que levou à instauração de uma ditadura de mais de três décadas, a verdade é que o agora Herói Nacional da República Democrática do Congo foi cobardemente assassinado por impulsionar uma luta política e ideológica contra os jugos coloniais e o imperialismo americano.

Em novembro de 2001, o parlamento da Bélgica reconheceu a responsabilidade do seu Estado pelo assassinato de Lumumba e os EUA também confessaram a sua implicação nos factos.

 

Notas

[1] Patrício Lumumba foi assassinado em 17 de janeiro de 1961. – NT

Fonte: https://www.telesurtv.net/news/asesinato-patricio-lumumba-congo-20200116-0032.html?utm_source=planisys&utm_medium=NewsletterEspa%C3%B1ol&utm_campaign=NewsletterEspa%C3%B1ol&utm_content=13, publicado e acedido em 2020/01/17

Tradução do castelhano de TAM

 

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/patrice-lumumba-assassinado-por-86488

Mais dívida e menos dinheiro para pagar, eis África 2020

 
 
2020 será um ano difícil para os países que vivem de matérias-primas e têm moedas frágeis porque a tendência macroeconómica vai aumentar a pressão. Angola e Moçambique são dois dos estados nos quais a tendência mais se verifica. A agência de notação Moody’s alerta para a pressão crescente de manter o pagamento da dívida pública. 
 
O aumento da dívida pública em função do Produto Interno Bruto (PIB) e o custo de servir essa dívida em moeda estrangeira enfraqueceram o perfil de crédito dos países da África subsaariana este ano, refere a agência. A maior parte dos créditos são em moeda estrangeira (euros ou dólares) ou a países como a China e a Índia cujas moedas de referência permanecem estáveis. Em compensação, as moedas africanas continuam a ceder, tornando mais caro o pagamento da dívida ao exterior.
 
“O aumento da dívida e o peso dos pagamentos desde 2015 têm vindo a enfraquecer os perfis de crédito dos países da África subsaariana”, escreve a Moody’s num relatório sobre o ‘rating’ da região este ano.
 
No documento, os analistas da Moody’s escrevem que antecipam “uma modesta consolidação orçamental na região, com a média do défice orçamental a melhorar para três por cento do PIB, o que compara com um desequilíbrio das contas públicas de 3,3 por cento em 2019”.
 
Na análise, a Moody’s explica que, “apesar de esta descida permitir uma melhoria no perfil da dívida, a dinâmica orçamental da média dos países desta região vai continuar fraca, no geral, e deixar estes emissores com, por um lado uma capacidade limitada para implementar medidas contracíclicas de política orçamental e, por outro, com elevados riscos de liquidez devido às elevadas necessidades de financiamento e eventuais derrapagens”.
 
 
Assim, continuam, o perfil de crédito continua negativo, “refletindo as expectativas de que as condições fundamentais de crédito vão continuar iguais nos próximos 12 a 18 meses, devido ao progresso limitado na redução de riscos relacionados com os elevados níveis de dívida pública e as necessidades de servir a dívida”, que cresceu a um ritmo elevado nos últimos anos.
 
A subida do nível médio da dívida, principalmente em países como Angola e Moçambique, tem sido uma das principais notas dos relatórios sobre África; com estes dois países lusófonos a exibirem níveis de dívida pública em função do PIB a rondar os 100 por cento, como aliás acontece com Cabo Verde (mas com a diferença de grande parte da dívida deste país ser concessional).
 
Em média, a África subsaariana teve quase 60 por cento da dívida em moeda estrangeira em 2019, devido ao aumento na emissão de títulos de dívida em moeda estrangeira (Eurobond) e à redução do montante de dívida financiada com recursos a bancos multilaterais de desenvolvimento (dívida concessional), o que fez com que “a estrutura da dívida se tenha tornado mais arriscada nalguns países como o Quénia, onde a percentagem de dívida concessional no total da dívida externa desceu de 65 por cento em 2013 para 39 por cento em 2018”.
 
A dívida pública na África subsaariana subiu exponencialmente desde a queda dos preços das matérias primas, no verão de 2014, e atirou vários países para situações de ‘debt distress’ segundo a classificação do Fundo Monetário Internacional (FMI).
 
Em 2014, a dívida pública média dos países da África subsaariana estava nos 40,4 por cento, mas desde então, fomentada pelas baixas taxas de juro a nível mundial, e pelo apetite dos investidores por retornos acima da média, bem como pelas dificuldades internas originadas pela descida das receitas fiscais das matérias-primas e necessidade de financiamento do desenvolvimento das infraestruturas, o rácio da dívida face ao PIB aumentou para 54,5 por cento no ano passado e deverá reduzir-se ligeiramente para 51 por cento este ano.
 
O crescimento económico, diz a Moody’s, “vai continuar sólido a nível global, mas não vai aumentar o rendimento médio das famílias ou aumentar a resiliência económica” dos países africanos, confrontados com um ambiente internacional menos previsível, o que agrava os muitos desafios atuais e torna o crédito soberano mais vulnerável a um evento de risco.
 
“Mesmo que a região não esteja altamente integrada na economia global através de ligações comerciais diretas, continua exposta porque é muito sensível a mudanças nos preços das matérias-primas e às condições financeiras internacionais”, por isso “a capacidade limitada da maior parte dos Governos para responderem a eventos negativos externos, ainda que de intensidade modesta, aumenta a sensibilidade a um ambiente global mais negativo”, realçam os analistas da Moody’s.
 
Os países, claro, têm situações diferentes, admitem, exemplificando que o nível de dívida no Botswana continua baixo, mas salientam que o principal problema é que “a tendência geral implica que os países emissores de dívida em África têm menos espaço orçamental para absorver os choques”.
 
O elo mais fraco
 
Angola, Gana e Quénia têm dos perfis orçamentais mais fracos, quando analisada a combinação entre a dívida elevada e o custo de servir essa dívida, e no caso de Angola, apontam, “a depreciação da moeda nacional, o kwanza, contribuiu para uma subida de 23 pontos percentuais no rácio da dívida apesar de um excedente orçamental razoável”.
 
O crescimento económico, ainda assim, deve “acelerar de forma modesta”, para 3,5 por cento este ano, o que representa um ligeiro crescimento face aos 3,1 por cento registados no ano passado, e a expansão não é ainda maior devido ao crescimento fraco das maiores economias da região, Nigéria e África do Sul.
 
Tirando estes dois países, o crescimento médio da região seria de 5,3 por cento, o que, conjugado com um crescimento populacional de 2,5 por cento, significa que o crescimento das economias não é suficiente para melhorar os níveis de rendimento de forma significativa, atrasando o desenvolvimento sustentável desta populosa região mundial.
 
Uma das respostas que pode desequilibrar a balança a favor de África é a implementação do African Continental Free Trade Area (AfCFTA), que tem “o potencial de aumentar as perspetivas de crescimento económico a médio prazo”, aumentando as receitas e reduzindo a volatilidade do crescimento da região.
 
No entanto, alerta a Moody’s, “os países com uma base de produção maior e com infraestruturas melhores, como a África do Sul, ou o Quénia, vão provavelmente beneficiar mais da integração comercial regional do que os países com infraestruturas subdesenvolvidas”.
 
Por outro lado, concluem, “as barreiras não tarifárias vão manter o custo da integração regional elevado, e vão assim limitar os benefícios gerais da implementação” deste acordo que as autoridades internacionais consideram ter uma importância fundamental para o crescimento económico sustentável em África. 
 
Mário Baptista | Plataforma Macau
 

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Nova moeda na região da África Ocidental

 
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) inicia o ano de 2020 reforçando metas estabelecidas em sua criação, em 1975, e buscando aprofundar objetivos comuns aos 15 Estados* que a compõem.
 
Com base nos princípios de desenvolvimento e integração económica, os Chefes de Estado e Governo da CEDEAO desenvolveram um documento em 2007, composto por metas gerais e diretrizes específicas para os Estados-membros. O documento, designado como Vision 2020, está pautado na construção de um espaço regional coeso, fundamentado na boa governação, em um mercado integrado, circulação de pessoas, entre outros fundamentos.
 
Em termos gerais, esta abordagem é definida como a transição de uma Organização centrada nos Estados, para uma CEDEAO desenvolvida para atender a população da região. Dentre todos os aspectos mencionados, a criação de um mercado unificado por uma moeda comum, com entrada em vigor em 2020, tem sido amplamente debatida.
 
A adesão de uma nova moeda, além das questões económicas, interage também com a vinculação ao passado colonial. Este é o caso das ex-colónias francesas no continente africano e da Guiné Bissau, que possuem o Franco CFA (Colonies Françaises de l’Afrique) como moeda comum.
 
Oito países que utilizam esta moeda darão início à transição dentro na Comunidade (Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo), uma vez que esta se dará no âmbito da União Monetária e Económica do Oeste Africano.
 
O anúncio ocorreu no final do mês de dezembro de 2019 e se deu concomitantemente com a visita oficial do Presidente da França, Emmanuel Macron, à Costa do Marfim e Níger. Historicamente, o Franco CFA foi uma reformulação da moeda colonial, desenvolvida em 1945, no contexto da ratificação do Tratado de Bretton Woods. Esta moeda é regulada pelas políticas monetárias do Banco Central Europeu em conjunto com o Banco Central dos Estados do Oeste Africano e o Tesouro Francês.
 
 
Desde então, a moeda passou por períodos de supervalorização relacionada ao crescimento da dívida pública, à dependência de importações e ao desequilíbrio fiscal. Ao mesmo tempo que, com a desvalorização em 1994, quando a moeda passou a ser atrelada ao Euro, ocorreram protestos em decorrência da elevação geral dos preços, congelamento de salários e demissões em massa.
 
Denominada ECO, a nova moeda da África ocidental pretende facilitar as trocas comerciais entre os Estados e contribuir para a estabilidade e desenvolvimento de forma independente. Contudo, aspectos específicos da sua adequação têm ampliado as discussões sobre uma mudança efetiva no sistema entre os Chefes de Estado e Governo, setor privado e Academia.
 
Apesar de o ECO nesta fase inicial manter-se atrelado ao Euro, as diretrizes fixadas no Franco CFA não serão aplicadas, tal como a manutenção de 50% das reservas dos Estados Africanos da Zona do Franco no Tesouro Francês. Do mesmo modo, a França, com estas alterações, não terá mais representação no Banco Central dos Estados da África Ocidental.
 
Cédulas de Euro
 
A manutenção da vinculação com o Euro gera opiniões controversas quando questionada a efetiva independência da economia do Oeste africano e a viabilidade de uma integração económica plena, livre de ingerências. O Governo de Gana, que considera a adesão da moeda um passo importante para a integração regional, advoga que uma taxa de câmbio flexível seria um sistema mais adequado que o atrelamento ao Euro. Cabo Verde, por sua vez, não emitiu oficialmente sua posição quanto a adesão ao ECO. Todavia, o arquipélago mantém estreitas relações com a União Europeia e utiliza o Dólar norte-americano e o Euro nas suas trocas comerciais sem significativos impactos.
 
Observa-se que, conceitualmente, a desvinculação com a moeda que remete ao passado colonial representa um passo significativo para a reafirmação da soberania regional, tendo em vista as relações históricas do continente africano com o continente europeu. Contudo, a projeção de adesão completa da nova moeda por todos os Estados da região ainda dependerá de uma série de adequações, além da disponibilidade política dos países em investir na construção de um sistema regional que favoreça a todos de forma equânime.
 
Lauriane Aguirre - Colaboradora Voluntária | em Ceiri News
 
Imagem: Banco Central dos Estados do Oeste Africano / Wikipedia
 
Nota:
* Estados-membros da CEDEAO: Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, República da Guiné, Serra Leoa, Senegal e Togo.
 

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EM 1965 PASSOU POR ÁFRICA UM METEÓRICO CHE!

 
 
 
“Che fue maestro y forjador de hombres como el, y consequente com sus actos, nunca dejó de hacer lo que predicaba, ni de exigirse a si mismo mas de lo que exigia a los demás” – Fidel sobre o Che, a 17 de Outubro de 1997, no livro “Cómo era el Che”, de José Mayo, que me foi oferecido em Julho de 2013, pelo saudoso camarada e amigo Jorge Silva, “Sapo”. (http://www.fidelcastro.cu/pt-pt/node/71958http://www.fidelcastro.cu/pt-pt/node/731).
 
Há 55 anos o encontro do Che com  o MPLA, em Brazzaville.
 
01- … E o Che foi fiel a si mesmo (http://www.cubadebate.cu/noticias/2018/10/08/soy-el-che-guevara/#.W7vCPCaNxjo), em relação à sua passagem por África:
 
Para lá das missões diplomáticas da nova diplomacia revolucionária cubana (http://www.granma.cu/mundo/2014-03-11/de-brazzaville-a-la-paz-definitiva) que desempenhou na 1ª metade da década de 60 do século passado, ele espreitou sempre a janela sobre como, no continente-berço, lutar de armas na mão contra os poderes mais opressivos na Terra, os poderes conjugados da opressão colonial, neocolonial e do “apartheid”!... (http://www.cubadebate.cu/especiales/2018/10/08/che-guevara-revolucion-y-diplomacia-1959-1965/#.W7vAzSaNxjo).
 
Com a doutrina do foco, ele quis que os revolucionários africanos se juntassem a ele no Congo em época da rebelião simba (1963-1965) pois considerava o Congo como fulcral para África travar a luta progressista contra a opressão, tendo em conta o facto do colonialismo ter levado o continente ao estado de prostração, próprio duma ultraperiferia económica subdesenvolvida e à mercê do poderio do império sincronizado com as suas transnacionais!... (https://www.rebelion.org/noticia.php?id=236502).
 
As características do subdesenvolvimento impediram na época os africanos de alcançar, sob o ponto de vista ideológico e prático, essa insuperável capacidade de altruísmo, solidariedade e internacionalismo do Che (http://www.cubadebate.cu/opinion/2017/10/02/che-guevara-un-hombre-muchos-ejemplos/#boletin20171002), de seus comandados e de sua intrínseca visão de paz global mas, apesar do Comandante ter considerado a sua passagem pelo Congo como “la historia de un fracasso”, Cuba Revolucionária não perdeu o ensejo de se aliar àqueles que, depois da Argélia, continuavam em África a legítima saga da luta armada contra o colonialismo, o neocolonialismo e o “apartheid”! (http://www.cubadebate.cu/especiales/2017/05/25/el-che-guevara-tambien-era-africano/#.XgoXJyZCdjo).
 
Ao instalar a guerrilha no sul do Kivu, num território dos Grandes Lagos imediatamente a oeste do Ruanda, do Burundi e da Tanzânia (nas montanhas próximas da margem ocidental do Lago Tanganika), reforçando os progressistas que haviam seguido e apoiado Patrice Lumumba (“simbas”), que na época se haviam juntado a Pierre Mulele, Antoine Gozenga e Laurent Kabila, o Che tinha já a noção antropológica e cultural de que os Grandes Lagos, enquanto nó hídrico garante de espaço vital e sedentarismo, era decisivo para o continente que possuía as maiores extensões de desertos quentes do globo e com isso deu-nos, apesar do fim de sua missão, desde logo a primeira grande lição que perdura até nossos dias! (http://www.cubadebate.cu/especiales/2015/04/05/un-medico-en-la-guerrilla-africana-en-el-congo-aprendi-mucho-con-el-che/#.XgoZNyZCdjo).
 
Os Grandes Lagos e a bacia do grande Congo, se houvesse uma guerrilha consequentemente irradiadora e com vontade de vencer, seria um ponto de partida para África a fim de sacudir uma a uma todas as cadeias que a amarravam ao passado e por isso Cuba Revolucionária, que acompanhou o sentido geoestratégico do Che sem desperdiçar os laços com o movimento de libertação em África, superou as espectativas na aproximação que passou a levar a cabo, desde o 1 de Janeiro de 1965, há 55 anos! (http://www.cubadebate.cu/opinion/2010/04/24/a-casi-medio-siglo-de-la-guerrilla-del-che-en-el-congo/#.XgoYnyZCdjo).
 
 
 
Quando prestei a minha modesta homenagem a Fidel, por altura do seu passamento físico, evocando essa saga “de Argel ao Cabo”, (http://paginaglobal.blogspot.com/2016/12/de-argel.html) também não perdia de vista essa meteórica passagem do Che pelo Congo, inaugurando a primeira linha da frente informal, entre Dar es Salam e Brazzaville, sem dúvida a primeira linha da frente contra a internacional colonial-fascista que dominava por meio escondida, meio envergonhada procuração do império, a África Austral, a África Central e a Oriental! (http://paginaglobal.blogspot.com/2016/12/de-argel.html).
 
Dar es Salam e Brazzaville eram duas capitais progressistas no meio da devassa colonial, neocolonial e do “apartheid” e por isso constituíam na década de 60, duas pequenas plataformas que mereciam o melhor dos aproveitamentos: estender em direcção a sul e contra o colonial-fascismo internacional, a luta armada de libertação em África, fluindo desde logo dos principais concentrados de água interior do continente (Grandes Lagos e Bacia do Congo)!...
 
… Por essa razão, sob a orientação de Fidel e aproveitando o sentido geoestratégico do Che, (https://www.counterpunch.org/2015/10/02/ches-economist-remembering-jorge-risquet/) Cuba Revolucionária reforçou com alguns dos seus melhores filhos (grande parte deles descendentes de escravos mobilizados sobretudo em Santiago de Cuba e nas administrações orientais da maior das Antilhas) as duas Colunas do Che: a Coluna Um no sul do Kivu e com rectaguarda de apoio na Tanzânia e a Coluna Dois, comandada por Jorge Risquet, instalada em Brazzaville e impedindo desde logo que o governo progressista de Massemba Debat fosse derrubado por qualquer tentativa de carácter neocolonial lançada da margem esquerda do arco crítico do Congo. (http://www.cubadebate.cu/opinion/2019/10/10/el-che-vive-en-africa/#boletin20191010).
 
 
02- O encontro do Comandante Che Guevara com os angolanos conforme testemunho dos militantes do MPLA em Brazzaville, (https://www.taylorfrancis.com/books/e/9780203009246/chapters/10.4324/9780203009246-6) levou à não adopção da proposta para combater no Congo no âmbito do foco irradiador de guerrilhas e a fim de levar a cabo a luta de libertação em África e isso tem além do mais uma justificação séria, para além da posição oficialmente anunciada: o MPLA havia sofrido amargas experiências em Leopoldville até 1964 (o ano em que Cuba estabeleceu relações diplomáticas com o Congo, Brazzaville) e isso estava bem fresco nas memórias e nas práticas de então. (https://books.google.co.ao/books?id=QHWGwG71hzMC&pg=PA82&lpg=PA82&dq=o+che+com+o+mpla+em+brazzaville&source=bl&ots=RBN-ywCDUM&sig=ACfU3U1R6eGVxwhAuQHI4UIJQx9Feoy85w&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwir79Gqt93mAhXMbsAKHTWYAMcQ6AEwA3oECAkQAQ#v=onepage&q=o%20che%20com%20o%20mpla%20em%20brazzaville&f=false).
 
Eram os tempos de “Vitória ou Morte” que não foi apenas o boletim quinzenal do MPLA: vitória atravessando o rio para Brazzaville, a fim de finalmente levar a luta armada para dentro de Angola sem empecilhos neocoloniais directos e morte continuando em Leopoldville, na armadilha tornada artificioso pântano pelo império, seus interesses e seus apaniguados locais (Kasavubu e Mobutu)!…(http://paginaglobal.blogspot.com/2016/11/uma-longa-luta-em-africa-i.html).
 
Depois a própria experiência do Comandante Che Guevara e sua Coluna Um no Kivu, “frente oriental”, mesmo sendo “la historia de un fracaso”, teve leituras que radiografaram os tempos, conforme esta da autoria do próprio Che no Epílogo do seu testemunho “Pasajes de la guerra revolucionaria: Congo”, página 347 (http://www.sanildefonso.org.mx/expos/elche/https://www.infobae.com/america/cultura-america/2018/01/08/tras-los-pasos-del-che-en-el-congo/):
 
“El único hombre que tiene autênticas condiciones de dirigente de masas me parece que es Kabila.
 
En mi critério, un revolucionário de completa pureza, si no tiene certas condiciones de conductor, no puede dirigir una Revolución, pero un hombre que tenga condiciones de dirigente no puede, por esse solo mérito, llevar una revolución adelante.
 
Es preciso tener seriedade revolucionaria, una ideologia que guie la acción, un espirito de sacrifício que acompanhe sus actos.
 
Hasta ahora Kabila no há demonstrado poseer nada de eso.
 
Es joven y pudiera ser que cambiara, pero me animo en dejar en un papel que verá la luz dentro de muchos años mis dudas muy grandes de que pueda superar sus defectos en el medio en que actua.
 
Los otros dirigentes conocidos serán casi todos barridos por los hechos.
 
Los nuevos probablemente estén hoy en el interior, empezando a escribir la verdadeira historia de la liberación del Congo.
 
Jenero de 1966.”
 
… Imaginem a radiografia que foi feita pelos revolucionários cubanos e por Jorge Risquet, sobre a personalidade dos principais dirigentes do MPLA, desde aquele encontro de há 55 anos em Brazzaville e no momento em que atravessar o caudaloso Congo entre duas capitais que socio-politicamente estavam tão distantes uma da outra, marcava a vitória da vida sobre a morte, marcava a lógica com sentido de vida do movimento de libertação em África, que tomo a liberdade de não me cansar de chamar a atenção!
 
No Iº Volume de “Agostinho Neto e a libertação de Angola – 1949 – 1974 – arquivos da PIDE-DGS” (http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2012/8/36/Fundacao-apresenta-obra-Agostinho-Neto-libertacao-Angola,a913ca69-123f-4549-8b57-1ca4a257cdc1.html), lembra-se assim a páginas 204 e 205 “a visita do Che Guevara”, a 2 de Janeiro de 1965 e as suas imediatas repercussões:
 
“Che Guevara visitou o Congo Brazzaville em 1.1.1965 encontrando-se com o MPLA e com Agostinho Neto. Agostinho Neto pediu instrutores militares para treinar os guerrilheiros em Cabinda e para preparar colunas para penetrarem até Nambuangongo e Dembos, na IªRegião.
 
Che Guevara visitou a base das Pacaças em Cabinda.
 
 
Che Guevara veio avaliar a possibilidade de criar um foco guerrilheiro no coração de África que irradiasse a luta revolucionária armada em todo o continente. O MPLA conhecedor das dificuldades de intensificar a luta armada no seu próprio país, não aderiu à estratégia de Che Guevara.
 
Cuba enviou em finais de 1965, uma esquadra de 6 instrutores que ficaram em Cabinda sob o comando do então capitão Rafael Moracen Limonta (mais conhecido por Quitafusil pelas suas façanhas na guerrilha em Cuba). Os instrutores cubanostreinaram 3 colunas que ficaram conhecidas por Camilo Cienfuegos e Camy, que reforçaram a Iª Região e a Ferraz Bomboko que fo abrir a IIIª Região na fronteira com a Zâmbia.
 
Nessa altura Jorge Risquet era chefe do Batalhão Patrice Lumumba com 260 homes, que ficou no Congo Brazzaville, durante 2 anos, para defender o governo de Massamba-Débat ante a ameaça de invasão das forças de Mobutu Seko e Moisés Tchombé e de mercenários que enfrentaram a rebelião lumumbista. Do lado dos lumumbistas de Laurent Kabila, nos confins orientais do Congo Leopoldville, estava a Coluna Um, com 120 homens , comandada por Che Guevara.
 
 Mais tarde Agostinho Neto enviar para Cuba, para estudarem e obterem formação militar, António dos Santos França (Ndalu), Henrique dos Santos (Onambwe), Rui de Matos, Saydi Vieira Dias Minfas e outros”.
 
Traumatizado com a expulsão do Congo-Leopoldville em tão dramáticas circunstâncias, teria sido no entanto importante para o MPLA ter acompanhado com algum representante a meteórica Coluna Um do Che no sul do Kivu, a fim de que essa experiência se pudesse juntar à sua própria experiência…
 
… Tem algumas vezes faltado a alguns dirigentes do movimento de libertação em África, ver para além das colinas que cercam a sua acção imediata e a médio prazo: falta acima de tudo a leitura e muito longo prazo e daí as vantagens que o neoliberalismo acabou por ganhar com tanta e tão nefasta expressão nos nossos dias!... (http://paginaglobal.blogspot.com/2017/03/aprender-com-historia.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/angola-nao-e-prova-do-choque-nem-da.html).
 
Essas são também razões para eu sublinhar a necessidade premente de mudança de paradigma, quando após mais de 40 anos de independência, se continua a pensar e a agir no âmbito da mentalidade e geoestratégia dos que chegaram pelo mar desde Diogo Cão, ao invés de garantir uma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável, (http://paginaglobal.blogspot.pt/2016/01/geoestrategia-para-um-desenvolvimento.html) com consciência crítica e alicerçando-a a partir da fulcral região central das grandes nascentes a fim de, combatendo gritantes assimetrias, se poder começar a actuar de forma programada e com projecções a muito longo prazo, introduzindo urgentes acções dentro dos rarefeitos triângulos do interior (com muito baixa densidade humana de ocupação), do enorme quadrilátero angolano! (http://paginaglobal.blogspot.com/2017/03/maturacao-da-amizade-afro-cubana.html).
 
 
03- As duas Colunas do Che em África contribuíram para a vocação do movimento de libertação na direcção sul, apesar de haver tanto por superar em relação ao objectivo de transformar o grosso dos combatentes em irredutíveis e consequentes revolucionários, passando mesmo assim da linha da frente informal entre Dar es Salam e Brazzaville, para a plataforma irradiante de outra linha da frente informal que a partir de 1964 começou a ser praticável na Zâmbia e a partir dela!
 
É evidente que houve insuperáveis excepções de comportamento entre os militantes do MPLA, particularmente os dirigentes da cúpula (entre eles, os que chegaram a Angola depois do 25 de Abril e foram tão importantes para a prossecução da República Popular de Angola, destaco entre como exemplos de marxismo-leninismo, Agostinho Neto, Lúcio Lara, Iko Carreira, Dibala… )… (http://www.angonoticias.com/Artigos/item/36034/neto-foi-uma-pessoa-extraordinaria-presidente-de-sao-tome-e-principe;https://www.theguardian.com/world/2016/feb/29/lucio-lara-obituary).
 
… Mas o comportamento liberal, estando escondido entre outras correntes e tendências dentro do próprio MPLA (algumas delas com firmes propósitos e princípios), pouco a pouco foi vindo ao de cima, particularmente após a morte física de António Agostinho Neto, a 17 de Setembro de 1979! (https://sites.google.com/site/tchiweka/Home/livros-editados-1/tchi80-testemunhos/contribuicao-para-o-album-fotografico).
 
Por isso creio que se está a perder na questão do amadurecimento das respostas que dão sequência ao movimento de libertação em África, ao sentido tão arguto quão sublimado da geoestratégia do Che no continente, ao considerar o Congo como fulcral espaço vital para irradiar os esforços progressistas em África e às exemplares provas de vida dos dirigentes que cito como excepcionais num rumo que tanto tem a preservar como a (re)criar! (https://paginaglobal.blogspot.com/2015/10/cuba-40-anos-com-operacao-carlota.html).
 
À medida que se consolidava essa vocação que unia os movimentos de libertação da África Austral, passando da luta contra o colonialismo para a luta contra o baluarte do “apartheid”, sem descurar a necessidade de luta contra os regimes neocoloniais (particularmente o de Mobutu no Zaíre), alicerçou-se a conjuntura dos Países da Linha da Frente e da própria SADC!
 
De facto não houve previsão para o crescimento e consequências das tendências liberais dentro do âmago do movimento de libertação em África (daí também muitas das interrogações do Che sobre a qualidade dos combatentes), por que foram aparentemente, sob o ponto de vista comportamental, insuficientes as radiografias que foram feitas sobre o “homem novo que veio das matas” (https://www.youtube.com/watch?v=7kBZZQ22V5s), que logo que chegou às cidades de então (meados da década de 70 do século passado), a primeira coisa que fez (em grande parte dos casos), foi procurar novas esposas e novas famílias, correndo o risco de, perdendo suas raízes revolucionárias com isso fortalecer as invisíveis linhas de velhas assimilações!…
 
Estou certo que, se revolucionário cubano algum levanta hoje esta questão como eu aqui a estou a levantar, é por que Cuba continua firmemente empenhada, ou mais empenhada ainda, honrando Fidel, o Che e os Comandantes de sua Revolução, a saldar sua dívida para com a humanidade! (http://www.cubadebate.cu/especiales/2019/05/25/contribucion-de-cuba-a-la-liberacion-de-africa-la-causa-mas-bella-de-la-humanidad/#.XgoE5SZCdjo).
 
Os revolucionários cubanos são as pessoas mais incomodadas, mais conscientemente incomodadas com o estado da humanidade e do planeta e é com a espectativa desse exemplo falar por si perante todos os demais, que os revolucionários cubanos, honrando a sua própria história feita de laços antropológicos, culturais e acontecimentos numa memória de séculos e a partir de tanta opressão, são por vezes tão parcos em críticas em relação aos que eles avaliam melhor que ninguém: o que significa o estado de subdesenvolvimento global e o que significa sobreviver nos países que compõem a cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano!
 
Martinho Júnior -- Luanda, 1 de Janeiro de 2020
 
Imagens:
01- “After the defeat of the Kwilu rebellion, rebel remnants continued to be active in certain parts of the country. These had little impact on the government, however, and were confined to rural areas. The rebellion had significant casualties. Those killed in ANC pacification operations have not been concretely established, with 60–70,000 killed by ANC operations to suppress the Kwilu Rebellion alone. In the next few years, small outbursts of violence continued around the Kwilu region, although without the planning and coordination of the rebellion itself. In 1968, president Mobutu lured Mulele out of exile with the promise of amnesty. However, when Mulele returned expecting safety, he was publicly tortured and execute” – https://www.wikiwand.com/en/Kwilu_Rebellion;
02- “El Che Guevara desembarca en el oriente de lo que hoy es la República Democrática del Congo con una docena de cubanos negros el 24 de abril de 1965. El pequeño cuerpo expedicionario cruza el lago Tanganica de este a oeste a partir del puerto de Kigoma, en Tanzania, y atraca en Kibamba”… “El Che Guevara y sus hombres abandonan el país el 21 de noviembre. Tres días más tarde, Mobutu toma el poder.” – https://www.taringa.net/+info/el-che-en-el-congo-la-historia-de-un-fracaso_xm7xd;
03- Route Lubonja - Lulimba, Secteur de Nganja, territoire de Fizi, Sud Kivu, Republique Democratique du Congo – foto de Stefan Roman, recolhida do Google Earth – https://lh5.googleusercontent.com/p/AF1QipMif4CnHVdhZNvMCspH-j6pLdge_s3FCoTHeTQz=h1440;
04- Agostinho Neto e militantes do MPLA recebem a visita de Che Guevara – http://m.mpla.ao/mpla/agostinho-neto;
05- Primeira visita de Fidel a Angola.  Foi recebido no aeroporto de Belas por Agostinho Neto . Angoleños e cubanos destacaram o humanismo do líder da Revolução cubana, Fidel Castro, em ocasião de cumprir-se 40 anos  de sua primeira visita a Angola  del 23 ao 27 de março de 1977. Para o general Antonio dois Santos Franza Ndalu, Fidel Castro mudou a história para melhor, marcou a história durante sua vida. Em opinião do general cubano Rafael Moracén, Fidel Castro sentia aos angoleños no sangue, no coração. Sempre lhes ofereceu o duplo ou o triplo das coisas que pediam em apoio primeiro para conseguir a independência e depois durante a guerra civil (1975-2002), explicou Moracén, quem foi agregado militar cubano em Luanda durante a década dos 90. – https://tudoparaminhacuba.wordpress.com/2017/03/24/primeira-visita-de-fidel-a-angola/
 
Em aditamento:
. Fidel hace 20 años: “¡Gracias, Che, por tu historia, tu vida y tu ejemplo!” (`Videos) – http://www.cubadebate.cu/especiales/2017/10/17/fidel-hace-20-anos-gracias-che-por-tu-historia-tu-vida-y-tu-ejemplo/#boletin20171017
. Falleció el Héroe de la República de Cuba Harry Villegas, el “Pombo” de la guerrilla del Che en Bolivia (+Video) – http://www.cubadebate.cu/noticias/2019/12/29/fallecio-el-heroe-de-la-republica-de-cuba-harry-villegas-el-pombo-de-la-guerrilla-del-che-en-bolivia/#.Xgo3TiZCdjo
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2020/01/em-1965-passou-por-africa-um-meteorico.html

Confrontos na República Centro-Africana deixam dezenas de mortos

Em 14 de dezembro, na cidade de Bangui, capital da República Centro-Africana, um soldado da ONU na frente de uma parede com a inscrição que diz Sim em francês
© AFP 2019 / MARCO LONGARI

Pelo menos 30 pessoas foram mortas em confrontos entre milicianos e comerciantes em um distrito de Bangui, capital da República Centro-Africana, disseram fontes locais nesta quinta-feira.

"Trinta corpos foram levados para a mesquita", disse, citado pela AFP, Awad Al Karim, o imã da mesquita Ali Babolo, no distrito de PK5, que se tornou um importante refúgio para muitos muçulmanos de Bangui no auge dos confrontos com cristãos.

Ainda de acordo com a agência, um membro das forças de segurança da capital também confirmou o número de mortos em torno dos 30, mas não quis dar mais detalhes sobre o caso. 

Os confrontos entre milicianos e comerciantes, quarta-feira e quinta-feira no bairro muçulmano de PK5 de Bangui, na República Centro-Africana, deixaram pelo menos trinta mortos, segundo uma fonte de segurança e o imã do bairro.​

Fontes ouvidas pela Agence France-Presse disseram que os combates, envolvendo troca de tiros e explosões, tiveram inínio na noite da última quarta-feira, quando comerciantes locais pegaram em armas para enfrentar grupos de milicianos encarregados de cobrar impostos da população.

Até o momento, não há informações sobre o balanço de feridos nesses combates.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019122614938570-confrontos-na-republica-centro-africana-deixam-dezenas-de-mortos/

Enviado da ONU diz que África Ocidental é "abalada por violência sem precedentes"

Nações Unidas, 16 dez (Xinhua) -- O enviado da ONU para a África Ocidental e a vasta região do Sahel disse ao Conselho de Segurança na segunda-feira que, nos últimos meses, a região foi "abalada por uma violência sem precedentes".

Um "terrível ataque ao campo militar de Inates, no Níger, ainda assombra a região", disse Mohamed Ibn Chambas, representante especial e chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental e o Saara (UNOWAS). "Ataques implacáveis ​​em alvos civis e militares abalaram a confiança do povo", acrescentou ele.

As forças internacionais na região também sofreram perdas significativas, observou Chambas.

Sobre o extremismo violento, ele disse que a estratégia e os objetivos dos grupos armados da região são "de domínio público" e citou os militantes da Al-Qaeda como usando a dinâmica local para espalhar o extremismo.

Nas áreas sob seu controle, os extremistas fornecem segurança, proteção e serviços sociais, explorando ainda mais as fraquezas do Estado.

E alguns dos conflitos locais mais violentos da região dizem respeito ao movimento sazonal de gado por parte de pastores, ou transumância, onde grupos extremistas conseguiram estabelecer pontos de apoio.

Enquanto a situação difere muito de um país ou região para outro, fatores artificiais, como inundar uma área com armas, combinados com um ambiente natural hostil, expandir desertos e mudanças climáticas, ampliam as tensões relacionadas à transumância.

Contra o pano de fundo que cerca de 70 por cento dos africanos ocidentais dependem da agricultura e da criação de animais, Chambas enfatizou que é imprescindível encontrar maneiras de garantir a convivência pacífica entre pastores e agricultores.

Outras formas de violência comunitária são desencadeadas pela natureza da luta contra o próprio terrorismo. Em alguns casos, não há pessoal de segurança suficiente para fornecer proteção adequada para uma área expansiva, resultando em forças de defesa ou vigilantes locais, que Chambas chamou de "faca de dois gumes".

O enviado da ONU sustentou que a UNOWAS vem advogando por melhores estruturas legais e abordagens de longo prazo para ajudar os governos sobrecarregados a lidar.

Em 2019, a violência religiosa foi excepcionalmente brutal, particularmente em Burkina Faso, que sofreu ataques anticristãos sem precedentes, disse ele, acrescentando que padrões semelhantes de violência religiosa direcionada ocorreram no Níger.

"A violência motivada ideologicamente pode se alimentar de conflitos que destroem comunidades por disputas de terra ou água", disse o chefe da ONU.

Ele sinalizou que as respostas e estruturas que tratam da violência multidimensional estão ancoradas na construção de parcerias e na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Além disso, o Conselho de Segurança pode desempenhar um papel decisivo no acompanhamento desses esforços, segundo Chambas.

Ele lembrou ao conselho que, além do apoio técnico e dos doadores, a assistência em questões relacionadas à segurança e à aplicação da lei permanece vital.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/17/c_138637732.htm

O Corno de África

Etiópia, Djibouti, Somália, Eritreia e um Prémio Nobel da Paz Africano

 

 

Quem é Abiy Ahmed, Primeiro Ministro da Etiópia e Nobel da Paz 2019

Filho de pai muçulmano e de mãe cristã ortodoxa. 43 anos.

Ex-oficial de inteligência do exército, desde que se tornou primeiro-ministro Abiy Ahmed, lançou um amplo programa de reformas políticas e económicas e trabalhou para intermediar acordos de paz na Eritreia, no Sudão do Sul, e um acordo de transição na República do Sudão.

Enquanto serviu na Força de Defesa Nacional da Etiópia, Abiy recebeu um diploma de bacharel em engenharia da computação pelo Microlink Information Technology College em Addis Abeba em 2001. Tem um curriculum académico impressionante e frequentou entre outras a Grenwitch University (Londres)

Em 2015, Abiy tornou-se uma das figuras pacificadoras centrais na luta violenta contra atividades ilegais de apropriação de terras na região de Oromia e, especialmente, em torno de Adis Abeba. Esse Plano Diretor de Adis Abeba, que estava no centro dos planos de apropriação de terras, tinha sido interrompido em 2016, mas as disputas continuaram por algum tempo, resultando em ferimentos e mortes. Foi essa luta contra a apropriação de terras que finalmente impulsionou a carreira política de Abiy, e o levou a ser o centro das atenções e permitiu que ele iniciasse uma clara carreira política.

Já em fins de Abril de 2018, o então recém eleito primeiro-ministro etíope , foi a Djibuti, na sua primeira viagem oficial, propor um novo mercado ao seu anfitrião, o presidente Ismaïl Omar Guelleh: participar na construção das infraestruturas portuária atual ou futura de Djibuti, em troca de participações na Ethiopian Airlines ou de parceria com operadores do setor de telecomunicações etíope.

O programa da visita foi intenso para Abiy Ahmed e para a forte delegação de funcionários que o acompanharam. Ambos os dirigentes decidiram”fortalecer a integração entre os dois países”.O porto de Djibouti, é hoje o único acesso marítimo da Etiópia com 105 milhões de habitantes.

Neste preciso momento e antecipando a abertura do sistema bancário etíope à concorrência estrangeira, finalmente ratificada este ano, o quinto maior banco do país, o Banco da Abissínia consolidou-se e melhorou sua rentabilidade. Aumentou sua participação de mercado, tornando-o um dos maiores bancos do continente BOA é o quinto maior banco da Etiópia. Um país de quase 105 milhões de pessoas cuja economia está entre as menos abertas do continente a investidores estrangeiros e com a utilização bancária limitada a apenas 35% da população adulta em 2017, segundo o Banco Mundial.

Saíram notícias questionando se Abiy Ahmed, da Etiópia, merece o Prémio Nobel da Paz.

Por mim congratulo-me. O primeiro-ministro etíope deve receber prémio na capital da Noruega.

Ao anunciar sua decisão em outubro, o Comité do Nobel da Noruega saudou o trabalho de Abiy nas reformas domésticas e esforços para alcançar a paz e a cooperação na região desde que assumiu o cargo em abril de 2018.

 

Etiópia

O Império Etíope ou Abissínia incluía os territórios da Etiópia e da Eritreia, existindo desde 1270 até 1974, quando a monarquia foi deposta por um golpe de estado. Foi na sua época o mais antigo estado do mundo, cuja independência resistiu com sucesso à tal Partilha de África pelas potências coloniais do século XIX. A Etiópia ficou com a Eritreia após o fim da Segunda Guerra Mundial, (período em que esteve ocupada pela Itália, uma das Forças do Eixo fascista) território que manteve até depois da dissolução da monarquia até à separação em 1993.

 

Quem é Ismaïl Omar Guelleh, Presidente do Djibouti

Ismaïl Omar Guelleh, 73 anos, presidente do Djibuti, está no cargo desde 1999. Ele é frequentemente referido na região por suas iniciais IOG. Guelleh foi eleito presidente em 1999 como sucessor escolhido pelo tio, Hassan Gouled Aptidon, que governava o Djibuti desde a independência em 1977.

Guelleh foi reeleito em 2005, 2011 e novamente em 2016. As eleições de 2011 foram boicotadas pela oposição e houve numerosas denúncias de irregularidades. Guelleh é considerado um ditador e seu governo é alvo de criticas pelos grupos de direitos humanos.

Depois da independência de Djibuti, foi chefe da polícia secreta e chefe do gabinete do governo de seu tio Hassan Gouled Aptidon. Teve treino no Serviço de Segurança Nacional da Somália e, em seguida, do Serviço Secreto Francês.

Djibuti

O Djibuti é um país localizado no Corno de África. (ver mapa) habitado por dois grupos étnicos, o somali, maioritário e o povo afar. 1 milhão de habitantes.

Nos últimos tempos, a China intensificou sua presença militar na África, com planos em andamento para garantir uma presença militar ainda maior em Djibuti, especificamente. A presença da China no Djibuti está ligada a portos estratégicos para garantir a segurança dos ativos chineses. A localização estratégica de Djibuti torna o país alvo privilegiado para uma maior presença militar. O país tem escassos recursos naturais.

Somália e Somalilândia

A situação política da Somália é confusa. Tem quase dez milhões de habitantes.

Vários senhores da guerra dominam diferentes zonas do país. Com o transcorrer da guerra civil, quatro estados autónomos surgiram na Somália após 1990, e destes apenas a Somalilândia, em 1991, proclamou a independência, os outros três reivindicam o estatuto da autonomia dentro de uma Somália unificada. Não é um estado reconhecido internacionalmente mas é um estado de facto.

A Somalilândia mantém uma existência estável, auxiliado pelo domínio de um governo forte e com a infraestrutura económica deixada por programas de auxílios militares ingleses, russos, e americanos.

Calcula-se que tenha uma população entre os dois milhões e meio e os três milhões e meio.

Desde o início da guerra civil, nos anos 90, que os somalis se tornaram famosos pela pirataria nas águas ao largo do Corno de África, sequestrando petroleiros e cargueiros navios e respetivas tripulações em alto mar, em troca de resgate, tornando a região uma ameaça à navegação internacional. As notícias sobre essa pirataria eram diárias.

Uma coligação internacional contra esta atividade pouco ortodoxa foi criada em 2018 sob a égide das Nações Unidas. A situação acalmou, mas os pescadores somalis, ex combatentes, transmutados em piratas ainda não se afastaram das águas do Golfo de Áden.

 

Eritreia

É outro dos países do Corno de África. Com 5 milhões de habitantes.

Após a decisão da A.G. das nações Unidas, em 1952, a Eritreia teve um governo com um parlamento local em formou uma federação a Etiópia durante 10 anos. Em 1962, o governo da Etiópia dissolveu o parlamento da Eritreia e anexou-a. Mas o povo Eritreu defendia a completa independência da Eritreia desde 1942, quando a Itália deixou de ser a potência colonial. A Frente de Libertação da Eritreia, fora fundada em 1960. Em 1991, após 30 anos de luta armada, a população do país votou pela independência da Etiópia num referendo supervisionado pela ONU, vencendo por uma grande maioria, fazendo com que a Eritreia declarasse oficialmente sua independência e ganhasse reconhecimento absoluto internacional em 24 de maio de 1993. Esta independência privou a Etiópia do acesso ao mar. E causou uma guerra sangrenta. Este conflito fez oitenta mil mortos.Terminado conflito em Junho de 2018 depois do Presidente, agora Nobel da Paz, ter decidido dar passos para a reconciliação entre os dois países.

 

Antecedentes Históricos

 

A Partilha de África foi a atomização da ganância europeia pelos ricos territórios africanos, o período de neo imperialismo, entre a década de 1880 e a I Guerra Mundial em 1914-1918.

França, Reino Unido, Itália, Bélgica, Alemanha,Portugal, Espanha tentaram apropriar-se dos territórios que lhes pareciam mais ricos e mais a talhe de foice.

Por volta de 1880 o”imperialismo informal” através da influência militar e do domínio económico transforma-se no desejo de domínio direto. De 1884 – 1885, na Conferência de Berlim, sentados à mesa o Reino Unido, A Alemanha e a França. Mesmo assim não foi possível clarificar os interesses de cada uma das três potências.

A ganância pelo continente africano foi mais um dos fatores na origem da I Guerra Mundial.

O atual Djibuti era a Somália Francesa. A Itália era dona da Eritreia e da Somália Italiana. A Somalilândia pertencia à Inglaterra.

Abiy Ahmed Primeiro Ministro da Etiópia e Nobel da Paz 2019 é recompensado “por seus esforços para alcançar a paz e pela cooperação internacional, especialmente por sua iniciativa decisiva para resolver o conflito de fronteira com a Eritreia”, disse o presidente do Comité do Nobel Norueguês.

 

Conclusão

Pode ser verdade que a África comece verdadeiramente a ser um continente cujos recursos beneficiem a sua população. E que o Nobel da Paz seja o símbolo dessa prosperidade.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-corno-de-africa/

Vozes de políticos africanos do Sahel

Ou
de mal agradecidos está o inferno cheio

 

 

Kemi Seba, Mamadou Koulibaly, Oumar Mariko, Oumar Sissoko são activistas africanos que denunciam a França

Kémi Séba, nascido em de dezembro de 1981, é escritor, ativista e líder político pan-africanista e franco-beninense. Desde abril de 2013, ele é analista geopolítico em várias televisões da África Ocidental e faz conferências sobre o pan-africanismo em muitas universidades africanas. Presidente da ONG Panfrican Urgences. Arauto do orgulho negro, ele sonha em desenraizar a África dos “tentáculos do polvo ocidental”.

Mamadou Koulibaly é um político da Costa do Marfim, presidente do LIDER, um partido político liberal clássico, fundado em julho de 2011. Foi presidente da Assembleia Nacional da Costa do Marfim de 2001 a 2011, ministro do Orçamento em 2000 e ministro de Finanças. Economia e Finanças de 2000 a 2001.

 
Kémi Séba

 

Mamadou Koulibaly

 

Oumar Mariko é um político do Mali, médico e conhecido ativista estudantil. Secretário-Geral da Solidariedade Africana para a Democracia e a Independência, um partido político de esquerda, concorreu três vezes ao Presidente do Mali, em 2002, 2007 e 2013.

Cheick Oumar Sissoko, nascido em 1945 no Mali. Estudante em Paris, obteve um DEA em História e Sociologia Africanas e um diploma em História e Cinema na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales. Estudou depois na Escola Nacional Louis Lumière. Quando regressou ao Mali natal  no Centro Nacional de Produção de Cinematográfica (CNPC), onde dirigiu “Seca e êxodo rural“.Em 1995, dirigiu o filme Guimba (O Tirano), que ganhou prémios especiais do júri no Festival Internacional de Cinema de Locarno, e Yennenga Stallion no Festival Pan-Africano de Televisão e Cinema de Ouagadougou). Em 1999, Genesisfoi lançado, o que deu a Sissoko outro prémio de Yennenga na FESPACO. Em 2000, dirigiu Battù, baseado em um romance de Aminata Sow Fall, que ganhou o Prémio RFI de Cinema na Fespaco em 2001. Criou uma empresa de produção chamada Kora Film.

Um outro dos seus filmes que se tornou famoso é “The Garbage Boys“.

Oumar Mariko

 

Cheick Oumar Sissoko

 

Sissoko e Oumar Marikofundaram um partido político, Solidariedade Africana para Democracia e Independência (SADI), em 1996 de que Sissoko é o presidente. Ele foi nomeado Ministro da Cultura no Governo do Primeiro Ministro Ahmed Mohamed Ag Hamani em 2002 [ e permaneceu Ministro da Cultura no Primeiro Ministro do Governo Issoufi Ousmane Maiga, nomeado em 2 de maio de 2004. ] Em 8 de agosto de 2007, após a morte do ministro da Educação Nacional Mamadou Lamine Traoré em julho, Sissoko foi nomeado ministro da Educação Nacional, enquanto permaneceu ministro da Cultura. Não foi incluído no governo nomeado em 3 de outubro de 2007.

Os sentimentos anti franceses e anti coloniais emergem na zona do Sahel.

A Operação Barkhane é uma operação anti-terrorismo em curso na região do Sahel, na África, iniciada em 1 de agosto de 2014. Consiste em uma força francesa de 4.500 soldados, com sede permanente em N’Djamena, capital do Chade.

Há cerca de uma semana Emmanuel Macron declara querer repensar Barkhane, com mais europeus ao seu lado.

E porquê?

Em 15 de novembro, na Praça da Independência, em Bamako, manifestações com fortíssimos slogans anti franceses. Organizada oficialmente para apoiar as Forças Armadas do Mali (Fama) atacadas de todos os lados no norte e no centro do país, a manifestação de alguns milhares de pessoas, tal como a da semana anterior, foi anti-francesa. No mesmo local em que, em fevereiro de 2013, poucas semanas após o início da Operação Serval,uma operação militar francesa no Mali. O objetivo da operação era expulsar militantes islâmicos do norte do Mali. François Hollande foi aclamado como salvador por uma multidão de habitantes de Bamako, portanto o símbolo é forte. Especialmente porque agora encontra eco além das fronteiras do Mali. No final de maio, uma demonstração semelhante ocorreu em Niamey, capital do Niger. Em meados de outubro, é desta vez em Ouagadougou, capital do Burkina Faso onde várias centenas de manifestantes exigem a saída da França.

Vagas de ressentimento difuso, às vezes confuso e anti-francês no Sahel. Mais intensas no Mali e no Burkina Faso, onde dezenas de soldados e civis são mortos todos os meses e regiões inteiras estão agora fora da autoridade do estado. Esses ressentimentos contra o antigo poder colonial certamente não são novos. E ainda estão longe da violência sofrida pelos franceses na Costa do Marfim.

Porque reagem mal estas populações tão apoiadas pelos franceses?

Um sonho de Macron não realizado? Em 2017 Macron reuniu-se com tropas francesas implicadas na Operação Barkhane. Esta foi sua primeira viagem fora da Europa como presidente da França

Conclusão: tire a sua!


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/vozes-de-politicos-africanos-do-sahel/

33 milhões de pessoas na África correm risco de passar fome devido mudanças climáticas, segundo organização Save the Children

Madri, 2 dez (Xinhua) -- O Fundo Save the Children alertou na segunda-feira que 33 milhões de pessoas de 10 países da África Oriental e Austral estão correndo risco de morrer de fome devido efeitos das mudanças climáticas.

A organização fez o anúncio no primeiro dia da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP25), aberta na segunda-feira.

Foi dito que em 2019 "partes da África Oriental e Austral foram devastadas por inundações, deslizamentos de terra, secas e ciclones, deixando pelo menos 33 milhões de pessoas em níveis emergenciais de insegurança alimentar ou algo pior".

Também foi dito que, como a área tem 162 milhões de pessoas com menos de 18 anos, mais de 16 milhões de crianças estão "em níveis de crise ou emergência alimentar".

"A África Austral está aquecendo duas vezes mais que a taxa global e muitos países foram atingidos por múltiplos choques climáticos, incluindo Moçambique, que viu dois ciclones fortes na mesma temporada pela primeira vez na história registrada", alertou.

Esses eventos climáticos extremos forçam milhões a sair de seus lares e se afastarem dos meios de produção de alimentos, enquanto o deslocamento das populações também deixa as crianças especialmente "vulneráveis ​​à exploração... e às doenças atribuíveis às mudanças climáticas", como malária e dengue.

"As conclusões desta análise são sombrias e mostram que a crise climática está piorando a desigualdade, a pobreza e o deslocamento no leste e no sul da África. A crise climática está acontecendo e está matando pessoas, forçando-as a saírem de suas casas e arruinando as chances das crianças de um futuro", disse Ian Vale, diretor regional da Save the Children para a África Oriental e Austral.

"Pedimos aos líderes mundiais que tomem medidas decisivas para redução do impacto das mudanças climáticas e garantias de que a vida e o futuro de nossos filhos sejam protegidos", acrescentou.

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/03/c_138602191.htm

Lançamento, terça-feira: «O Pesadelo de Obi»

«O Pesadelo de Obi é uma BD onde se narram, em tom humorístico, as desventuras de uma personagem, uma representação de Obiang, que uma manhã acorda convertido num guineense normal, vítima da miséria e da opressão da sua própria ditadura».
Elaborada por Ramón Esono Ebalé e dois companheiros sob pseudónimo (Tenso Tenso e Ramón Esono Ebalé), a sátira ao regime de Obiang, «apesar de proibida, correu a Guiné Equatorial de mão em mão e Esono Ebalé foi preso. A situação ganhou dimensão internacional e o autor foi libertado após longos meses numa das mais violentas prisões africanas». A obra foi traduzida para português e é agora publicada pela Tigre de Papel. Participam na apresentação e debate Ana Gomes, Bárbara Reis, Marisa Matias e Frederico Pinheiro. O autor, Ramón Esono Ebalé, participará na sessão via Skype. O lançamento realiza-se no próximo dia 3, às 18h30, no espaço TodoMundo (Av. Duque de Loulé, 3A, em Lisboa). Estão todos convidados, apareçam.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Quase 90 pessoas morreram durante protestos contra governo na Etiópia

Abiy Ahmed tomando posse como primeiro-ministro da Etiópia.
© AP Photo / Mulugeta Ayene

O número de mortos em protestos contra o governo na Etiópia chegou a 86. O primeiro-ministro Abiy Ahmed pediu aos cidadãos que enfrentem forças que ameaçam impedir o progresso do país.

De acordo com o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali, o governo está pronto para tomar as medidas necessárias contra os autores envolvidos na instigação à violência.

"Precisamos parar as forças que estão atrasando nossos passos, enquanto avançamos em direção a nossos objetivos", disse o primeiro-ministro, citado pela agência de notícias ENA neste domingo.

Na última quinta-feira, a mídia local informou que pelo menos 78 pessoas haviam sido vítimas fatais nos protestos na Etiópia e mais de 400 pessoas foram detidas por causa dos distúrbios.

Os protestos eclodiram na capital, Adis Abeba, e em grande parte da região de Oromia, na Etiópia, após uma postagem no Facebook do ativista Jawar Mohammed. Ele acusou as forças de segurança de tentar conspirar contra ele em sua casa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019110314726985-quase-90-pessoas-morreram-durante-protestos-contra-governo-na-etiopia/

Como África salva as suas florestas

 
 
Em África há um interesse crescente em proteger as florestas. Mas a pressão sobre o ecossistema mantém-se. Muitas empresas dependem da plantação de árvores que deem lucro imediato, sem respeitar a diversidade natural.
 
Os países africanos declararam guerra às alterações climáticas, reflorestando grandes áreas. No leste do continente, a Etiópia poderá ter estabelecido um recorde mundial em julho, quando foram plantadas num só dia 350 milhões de árvores. Mais ao centro, o Gabão é um dos primeiros países africanos a obter fundos estrangeiros direcionados à proteção das suas árvores. As florestas ocupam quase 90% da área do país. A Noruega prometeu pagar 150 milhões de dólares norte-americanos ao longo de dez anos para que não sejam destruídas.
 
No lado ocidental africano, a população do Senegal juntou-se à organização ambiental WWF para reflorestar mangais e estabeleceu regras para o seu uso sustentável. Aldeões e autoridades patrulham juntos as florestas para garantir que as regras são cumpridas. A Zâmbia tem uma grande variedade de projetos que envolvem as comunidades locais na proteção das suas florestas.
 
África precisa das florestas como proteção contra a erosão e as alterações climáticas e devido à diversidade única de espécies e plantas no continente. Mas a população crescente e a necessidade de ganhar mais terra para o cultivo destroem cada vez mais florestas.
 
Na Zâmbia, a taxa de desflorestação é tão elevada que o país é um dos maiores produtores de gases com efeito de estufa do mundo. O abate liberta para atmosfera o dióxido de carbono armazenado nas árvores.
 
 
 
Onde havia florestas, agora há milho
 
Todos os anos são desmatados cerca de 300 mil hectares de floresta na Zâmbia, para produzir carvão vegetal e ganhar novas terras de cultivo. Parte da madeira é exportada.
 
Em 2017, o Banco Mundial prometeu ao país assistência no valor de 200 milhões de dólares norte-americanos para preservar as florestas. O Governo zambiano está a colaborar com várias agências de proteção ambiental para reflorestar o país. Uma delas é a organização belga de conservação da natureza WeForest, ativa na província de Copperbelt, no centro do país.
 
Ali, na região de Luanshya, as grandes minas de cobre costumavam assegurar o rendimento da população. Mas, quando a exploração da matéria-prima deixou de ser lucrativa e as minas cessaram as operações, os ex-mineiros tentaram a sua sorte com a cultura do milho.
 
"Trata-se de uma das principais razões do desmatamento", diz Matthias De Beenhouwer, diretor da WeForest na Zâmbia. Além disso há a produção de carvão usado para cozinhar: "Esta continua a ser a maior fonte de combustível na África subsaariana", diz De Beenhouwer.
 
Plantar árvores autóctones
 
Desde 2014 que a WeForest tenta reforçar os laços entre os zambianos e as suas florestas: "Não podemos dizer-lhes para cuidarem das suas florestas se elas não lhes proporcionarem um redimento", disse De Beenhouwer em entrevista à DW.
 
Atualmente, a WeForest está a formar 1.500 pessoas em apicultura, colheita de cogumelos e cultivo de frutos silvestres para ganhar a vida. "Trabalhamos estreitamente com empresários locais para criar mercados para os produtos", diz o ecologista. Cada vez são plantadas mais espécies de árvores locais, anteriormente dizimadas por causa da exploração mineira e da exportação de madeiras para a China.
 
A meta da WeForest é capacitar as comunidades locais até 2022 a trabalhar de forma independente e com cobertura de custos. Nessa altura deixarão de receber financiamento externo.
 
"No passado, a abordagem era tornar as florestas acessíveis apenas aos visitantes, mas isso estava condenado ao fracasso. A comunidade desempenha um papel central na conservação da floresta", diz De Beenhouwer. As consequências das alterações climáticas contribuíram para a conscientização da população.
 
Estreita cooperação com a população
 
A WeForest também está envolvida na conservação florestal na Etiópia em estreita cooperação com a população local. Uma das áreas do projecto é Desa'a, no norte do país, onde existe uma das últimas florestas de montanha perenes da Etiópia. Antigamente, elas estavam permanentemente envolvidas em nevoeiro, causando chuva num país muito afetado pela seca. Mas as próprias florestas sofrem agora de seca por causa da mudança do clima, e apenas 10% estão relativamente intactas.
 
Também o Governo etíope conta com a participação dos cidadãos para realizar o seu plano de quatro milhares de milhões de árvores. No dia 29 de julho, de acordo com dados oficiais, particulares e representantes do Executivo plantaram 350 milhões de árvores por dia em cerca de mil locais. Muitos funcionários públicos tiveram folga para se juntarem à inciativa. Se os números estiverem corretos, então o país presidido pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed estabeleceu um recorde mundial não oficial - e, ao mesmo tempo, deu um exemplo de iniciativa contra os danos causados pela desflorestação.
 
Monoculturas só beneficiam o setor privado
 
Mas nem toda a reflorestação é sustentável. Rita Uwaka, uma especialista nigeriana da organização ambientalista Amigos da Terra, diz que as florestas autóctones do continente sofreram muito nos últimos anos.
 
"Um ditado africano diz: a floresta é a nossa vida", diz Uwaka. "Mas agora há quem considere plantações industriais com uma única espécie de árvore uma espécie de floresta". As monoculturas prejudicam frequentemente a qualidade do solo e servem sobretudo para gerar lucros privados.
 
Na Nigéria, a floresta de Ekuri, no estado de Cross River, é uma das últimas florestas tropicais intactas. "A comunidade gere sozinha e com sucesso 333 mil hectares. Os líderes locais estabeleceram diretrizes para o uso das florestas. Quem não as respeita é punido", explica Uwaka.
 
Ficou estabelecido quais são as áreas invioláveis, ou seja, onde a caça, a colheita ou a recolha não são permitidas. Outras áreas são abertas à colheita de frutas ou plantas medicinais tradicionais. "As empresas mineiras pressionaram a comunidade a dar-lhes a terra. Mas elas mantiveram-se firmes". E têm razão, diz Uwaka: "As florestas têm ecossistemas diversos e apoiam as sobrevivência das pessoas. Esta é a melhor solução para a devastadora crise climática".
 
Martina Schwikowski, ck | Deutsche Welle

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/como-africa-salva-as-suas-florestas.html

Rússia-África “Visão compartilhada 2030”: Alternativa à pilhagem neocolonial

Mesmo que não se subscrevam algumas das apreciações feitas neste texto, aquilo que ele valoriza é importante, na medida em que pesa numa alteração da correlação de forças mundial. A Rússia actual nada tem a ver com a URSS. Mas na sua relação com África transporta o crédito da longa solidariedade soviética com os povos em luta pela libertação nacional.


Matthew Ehret    31.Oct.19

Uma longa noite de sofrimento tem mantido há mais de um século um dos continentes mais ricos do mundo num estado de idade das trevas virtual. Embora a era da ciência tenha dado à humanidade os meios para aceder os mais altos padrões de vida da história mundial, 2019 viu 15.000 crianças morrerem todos os dias de mortes evitáveis ​​ (doenças, fome e assassínio), com metade das ocorrências na África Subsaariana. Num mundo de tecnologia energética avançada, apenas cinco dos 54 países africanos têm acesso a 100% de electrificação e todos eles são norte-africanos.
A situação sombria da África nunca foi devida a termos simplistas como “corrupção” ou “incompetência”, nem a África alguma vez foi “culturalmente incompatível” com a tecnologia ocidental, como alguns racistas têm ensinado em aulas de ciências sociais. A verdade é que nunca foi dada verdadeira independência a África, como vulgarmente se julga. Certamente que houve independência nominal, mas a independência económica necessária para se tornarem nações soberanas no continente nunca foi concedida pelo império.
É por isso que a presença crescente de países como China e Rússia no continente é cada vez mais vista como faróis de esperança para uma nova geração de africanos que reconhecem nesta aliança Eurasiana uma oportunidade de capturar o futuro que há mais de meio século lhes foi roubado.

A Cimeira Russo Africana em Sochi

Um momento decisivo nessa mudança sistêmica ocorreu com a primeira Cimeira Rússia-África de Economia e Segurança em Sochi (23 a 24 de Outubro), co-presidida pelo presidente Putin e pelo presidente do Egipto el-Sisi, com a presença de 50 chefes de Estado africanos ao lado de 3000 representantes de negócios, governo e finanças. Esta cimeira foi a primeira do género e ocorreu logo após a primeira Cimeira Económica e de Segurança China-África da China, realizada em Julho de 2019. Nos últimos dois anos, 40 Estados africanos subscreveram a Iniciativa Cinturão e Rota da China, que tem amedrontado muitos tecnocratas de mentalidade imperial no ocidente.
Numa entrevista que antecedeu a Cimeira, o Presidente Putin fez um belo eco da filosofia chinesa para a África, de desenvolvimento em que todos ganham (win-win): “Não vamos participar numa nova ‘repartição’ da riqueza do continente; pelo contrário, estamos prontos a participar de uma competição pela cooperação com África, desde que essa competição seja civilizada e se desenvolva em conformidade com a lei. Temos muito a oferecer aos nossos amigos africanos.”
Embora não tenha o mesmo nível de investimentos que a China (que lidera o mundo com US $ 200 milhares de milhões/ano), os investimentos da Rússia quadruplicaram desde 2009, agora com US $ 20 milhares de milhões / ano e vem crescendo com o foco em ferrovia, diplomacia energética, educação , partilha cultural e assistência militar. Actualmente, a Rússia está a construir o primeiro reactor nuclear do Egipto em El Dabaa e está a negociar com várias outras nações, como Etiópia, Nigéria e Quénia, que se tornem nucleares, o que acabará com a política de apartheid tecnológico imposto durante décadas a África. A Rússia anunciou a construção de um Centro de Excelência em África e Energia Nuclear na Etiópia e a Academia Russa de Ciências anunciou a abertura de secções em toda a África. Um factor vital para o desenvolvimento, a Russian Railways está a trabalhar para construir ferrovias transfronteiriças e intra-fronteiriças no Gana, Burkina Faso, Nigéria, Líbia, Egipto e África Oriental (para apenas citar alguns). Durante a cimeira, a Rússia anunciou o cancelamento de uma dívida africana de $20 milhares de milhões como um gesto de boa vontade.
O presidente Putin apontou o elefante na sala quando disse: “Vimos vários estados ocidentais recorrendo à pressão, intimidação e chantagem contra governos de países africanos soberanos. Esperam que isso os ajudará a recuperar a sua influência perdida e posições dominantes nas ex-colónias e procurar - desta vez com uma ‘nova embalagem’ - colher lucros excessivos e explorar os recursos do continente sem qualquer consideração pela sua população, riscos ambientais ou outros. Estão também a dificultar o estabelecimento de relações mais estreitas entre a Rússia e a África - aparentemente, para que ninguém interfira em seus planos ”
Ao contrário do ocidente, a Rússia tem a vantagem de ter incentivado o desenvolvimento africano durante os sombrios dias da Guerra Fria e, portanto, é infinitamente mais confiável do que o ocidente, cujas tentativas positivas de ajudar genuinamente a África a desenvolver-se (como sucedeu sob a liderança de John F. Kennedy , do industrial italiano Enrico Mattei ou do presidente de Gaulle) terminaram com assassínios ou golpes de Estado.
Alguns podem chamar às palavras de Putin uma hipérbole anti-ocidente, mas uma comparação da qualidade dos investimentos russos x americanos em África demonstra as duas intenções opostas referidas por Putin.

A armadilha das Condicionalidades

Onde o US Aid, o Banco Mundial e o FMI despejaram milhares de milhões de dólares em África durante décadas, os padrões de vida e a estabilidade dos países receptores apenas caiu a pique. É o resultado oposto do que se esperaria de um comportamento tão “generoso”. Por quê?
A resposta pode ser parcialmente encontrada na mudança para as condicionalidades do FMI / Banco Mundial, que emergiu de uma monstruosa mudança de paradigma que ocorreu nas décadas de 1950 a 1970. Onde líderes como Franklin Roosevelt e seu aliado Henry Wallace visionavam uma África industrializada liberta do colonialismo, os instrumentos de Bretton Woods que eles criaram para disponibilizar empréstimos de longo prazo a juros baixos foram limpos de líderes anticoloniais e substituídos por instrumentos do “Estado Profundo” no início da Guerra Fria garantindo que qualquer crédito emitido estaria vinculado a condicionalidades mortíferas, como John Perkins expôs no seu livro Confessions of a Economic Hitman.
Sob essa fórmula neocolonial, a África podia receber dinheiro. Mas não seria mais “permitido” que esses dólares fossem investidos em genuína construção nacional ou no progresso tecnológico avançado tal como Patrice Lumumba, Kwame Nkrumah ou Thomas Sankara pretendiam. Apenas eram permitidas “tecnologias apropriadas”, como moinhos de vento ou painéis solares. Pequenos poços estava bem, mas grandes projectos de água / energia, como barragens hidroelétricas ou grandes cursos fluviais de construção humana não eram permitidos. Certamente que nenhuma energia nuclear era permitida (a menos que fosse um Estado de apartheid dirigido por racistas brancos, é claro). Os investimentos em perfuração petroleira e mineração estavam bem, mas apenas se empresas estrangeiras como a Barrick Gold ou a Standard Oil fizessem o trabalho e nenhuma receita ou eletricidade beneficiasse o povo. Sem os meios de produzir riqueza real (definida como uma combinação de crescimento material, intelectual e espiritual), os poderes produtivos do trabalho em África entraram em colapso com sua soberania e as dívidas apenas cresceram.

Neocons histéricos lançam-se ao ataque

Não é segredo que a China começou em 2007 a ultrapassar os norte-americanos em investimentos africanos. Em vez de agir de maneira inteligente para aumentar genuíno financiamento em infraestrutura como os chineses haviam feito, o Deep State dos EUA não apenas prosseguiu com as suas ultrapassadas práticas de escravidão pela dívida, como criou o AFRICOM como um braço militar em todo o continente. Ironicamente, a presença do AFRICOM coincidiu com uma duplicação das actividades militantes islâmicas desde 2010, com 24 grupos agora identificados (com apenas 5 em 2010) e um aumento de 960% em ataques violentos entre 2009 e 2018. Tal como os empréstimos ocidentais causaram uma pandemia de escravidão, as forças de segurança ocidentais também apenas difundiram insegurança em massa.
O facto é que os neoconservadores que infestam o Complexo Militar Industrial identificaram abertamente os dois países como inimigos equivalentes para os EUA e entendem que essa aliança representa uma ameaça existencial à sua hegemonia. Falando na Heritage Foundation no ano passado, o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton disse (sem corar): “As práticas predatórias adoptadas pela China e pela Rússia impedem o crescimento económico em África; ameaçam a independência financeira das nações africanas; inibem oportunidades de investimento dos EUA … e representam uma ameaça aos interesses de segurança nacional dos EUA “.
As suas palavras foram reforçadas pelo chefe interino do AFRICOM Thomas Waldauser em Fevereiro de 2019: “Para frustrar os esforços exploratórios russos, o USA AFRICOM continua a trabalhar com vários parceiros para ser o parceiro militar preferencial em África”.
Felizmente para o mundo, Bolton e Waldauser foram desalojados dos seus cargos por um presidente norte-americano que optou por se aliar à Rússia e à China em vez de se arriscar a Terceira Guerra Mundial. No entanto, a ideologia perigosa e a estrutura de poder do Estado Profundo que eles representam não foram ainda derrotadas e, com a intenção de Trump de retirar tropas da Síria, essas forças psicóticas estão mais perigosas do que nunca.

Fonte: https://www.strategic-culture.org/news/2019/10/28/russia-africa-shared-vision-2030-alternative-to-neo-colonial-pillage/[1]

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References

  1. ^https://www.strategic-culture.org/news/2019/10/28/russia-africa-shared-vision-2030-alternative-to-neo-colonial-pillage/ (www.strategic-culture.org)
  2. ^endereço (www.odiario.info)
  3. ^odiario.info (odiario.info)

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Putin abre primeira "Cimeira Rússia-África". 4 países lusófonos presentes

 
 
O Presidente russo abre hoje a primeira "Cimeira Rússia-África", um sinal de uma ambição crescente da Rússia no continente africano, num encontro em que participam cerca de 30 líderes africanos, incluindo os de Angola, Moçambique e Cabo Verde.
 
Vladimir Putin recebe em Sochi, uma estância balnear no Mar Negro, onde Moscovo gosta de organizar as suas grandes incursões políticas, cerca de 30 líderes africanos e milhares de oradores a quem tentará deixar claro que a Rússia "tem muito a oferecer aos Estados africanos", na expressão divulgada pelo Kremlin
 
"Estamos a preparar e em vias de implementar projetos de investimento com participações russas na ordem dos milhares de milhões de dólares", afirmou Vladimir Putin, numa entrevista divulgada hoje pela agência de notícias estatal russa Tass.
 
O homólogo egípcio de Putin, Abdel Fattah al-Sisi, presidente em exercício da União Africana, foi o aliado estratégico escolhido pelo Presidente russo para coliderar a cimeira, numa fórmula diplomática que reproduz os "Fóruns de Cooperação Sino-Africana" que, desde 2000, têm permitido a Pequim tornar-se o principal parceiro do continente.
 
 
Em 20 anos no poder, Vladimir Putin apenas fez três viagens à região da África subsariana, sempre com a África do Sul no centro de cada um dos roteiros, mas chegou a altura de demonstrar que os interesses africanos ocupam uma parte importante das preocupações do Kremlin.
 
O chefe de Estado russo, numa entrevista divulgada no início da semana, cita como prova do compromisso de Moscovo com a região a "cooperação militar e de segurança", a ajuda no combate ao vírus Ébola, a formação de "quadros africanos" pelas universidades russas, garantindo que os projetos russos em África são caracterizados pela ausência de ingerência "política ou outra".
 
África é um "continente importante", com o qual Moscovo mantém "relações tradicionais, históricas e íntimas", sublinhou hoje, à comunicação social, Dmitry Peskov, porta-voz de Putin, numa referência à antiga União Soviética.
 
Entre os participantes, estão os presidentes de Angola, João Lourenço, de Moçambique, Filipe Nyusi, e Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, enquanto São Tomé e Príncipe se faz representar pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Elsa Pinto.
 
João Lourenço viaja pela segunda vez este ano para a Rússia, mais uma vez com vários acordos previstos na agenda. "Constam da missão presidencial em território russo a assinatura de acordos bilaterais em diversos domínios, como o da formação de quadros e a implementação de uma indústria de fertilizantes em Angola", adianta uma nota da Casa Civil do Presidente angolano.
 
Na Cimeira Rússia-África que vai decorrer em Sochi, João Lourenço vai intervir na sessão reservada às alocuções dos líderes convidados, na quarta-feira e, no dia seguinte, terá um encontro formal com Putin para avaliar "o estado das relações bilaterais" e debater "temas contemporâneos".
 
O chefe do executivo angolano vai ter também audiências com personalidades do universo político, social e económico da Rússia, incluindo dirigentes de bancos, de empresas industriais e agrícolas e produtoras de minérios preciosos como diamantes.
 
Em abril, João Lourenço deslocou-se a Moscovo para uma visita oficial de quatro dias, a convite do homólogo russo, com o objetivo de alargar a cooperação bilateral.
 
A acompanhar João Lourenço estarão os ministros da Economia e Planeamento; Relações Exteriores; Agricultura e Florestas; do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e dos Recursos Minerais e Petróleos.
 
Filipe Nyusi fez-se também acompanhar pelo chefe da diplomacia moçambicana, José Pacheco, assim como pelo ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, pelo vice-ministro dos Recursos Minerais e Energia, Augusto Fernando e por vários quadros da Casa Civil do Presidente e de outras instituições do Estado, de acordo com um comunicado da Presidência moçambicana.
 
Nyusi participará no Fórum de Negócios Rússia-África, que se realiza à margem da cimeira, e receberá em audiência vários empresários russos.
A Lusa tentou confirmar quem representa a Guiné-Bissau, mas não foi possível até ao momento.
 
O país está a viver um novo clima de instabilidade depois de o primeiro-ministro, Aristides Gomes, ter denunciado na segunda-feira uma alegada tentativa de golpe de Estado e ter acusado diretamente Umaro Sissoco Embaló, candidato às eleições presidenciais marcadas para 24 de novembro apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15).
 
O Presidente guineense, José Mário Vaz, cancelou a agenda prevista para esta terça-feira.
 
Notícias ao Minuto | Lusa
 
Leia em Notícias ao Minuto: 

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REINTERPRETAR O MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO EM ÁFRICA - I

 
 
 
SUBSÍDIOS EM SAUDAÇÃO AO 11 DE NOVEMBRO DE 2019
 
Uma das maiores deficiências de que sofrem os africanos duma forma geral e os angolanos em particular, é a ausência de reflexão própria sobre os fenómenos antropológicos e históricos afectos ao seu espaço físico, geográfico e ambiental.
 
Essa falta de vontade e de perspectiva abre espaço ao conhecimento que chega de fora, em prejuízo do conhecimento que tem oportunidade de florescer dentro, ou seja: subvaloriza o campo experimental próprio, quantas vezes para sobrevalorizar as teorias injectadas do exterior!
 
Isso permite que outros não abram o jogo sobre essas interpretações dialéticas em função de seus interesses, manipulações e ingerências, aplicando a África, por tabela a Angola, as interpretações estruturalistas de feição, de conveniência e de assimilação!
 
 
Esta série pretende reabrir dossiers que do passado iluminam o longo caminho da libertação dos povos da América Latina e Caribe, de África e por tabela de Angola, sabendo que é apenas um pequeno contributo para o muito que nesse sentido há que digna e corajosamente fazer!
 
Abrir os links permite complementar com fundamentos, muitas das (re)interpretações do autor.

 
 
01- O movimento de libertação em África comporta lições essenciais que no presente e no futuro não se podem alguma vez perder de vista, pois a sua própria génese e trajectória, tem que ver com a lógica com sentido de vida hoje ainda mais indispensável, pois é já a espécie humana que está em perigo. (http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1992/esp/f120692e.html).
 
A vida no espaço sul da humanidade é precária e sujeita a todo o tipo de riscos, vicissitudes, obstáculos e desafios, por que um grau elevado de subdesenvolvimento está por vencer e as capacidades exponenciais de África determinam, até agora irremediavelmente, que o continente preencha a cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano, conforme aos relatórios anuais da ONU! 
 
 
Uma parte dessa situação histórica e antropológica redunda das profundas alterações climático-ambientais em curso, provocadas essencialmente pelo homem desde os alvores da revolução industrial, que foi aliás fundamental para a formulação do expansionismo do império da hegemonia unipolar e seu esteio de aliados, num continente em que a dialética entre as vastidões dos maiores desertos quentes do globo em expansão, e as regiões tropicais ricas em água, obrigam à compressão dos espaços vitais! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/01/07/africa-dilecto-alvo-neocolonial/).
 
As milenares culturas de nomadização deslocam-se e disputam espaços vitais nas áreas onde são dominantes as culturas de sedentarização vocacionadas para a recolecção e a autossubsistência, um fenómeno agravado hoje pelas desenfreadas disputas pela detenção das riquezas naturais e minerais num planeta cada vez mais esgotado, respondendo a estímulos multiplicados (em função das necessidades das novas tecnologias), desde fora do continente. (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/africa-da-inercia-catastrofe-martinho.html).
 
De facto a luta pela água já se colocava há milhares de anos conforme à gestação e afirmação da civilização egípcia, que se estendia ao longo do fértil Nilo e era alvo de pressões a oeste, a sul e a leste, por parte de culturas nómadas ávidas de conquista de espaço vital. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Antigo_Egito).
 
Os estímulos de hoje provenientes de fora do continente por seu turno, mantêm África numa ultraperiferia dependente, reduzindo-a à “inerte” impotência estritamente vinculada à indústria extractivista e pouco mais, desde um tabuleiro arquitectado pela poderosa mão colonial da Conferência de Berlim que sem remissão não teve em conta as legítimas aspirações dos povos africanos, (secularmente explorados e subjugados), à vida, à liberdade, à independência, ao exercício de sua própria soberania, ao desenvolvimento abrangente! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/10/irracionalidade-humana.html).
 
 
02- A luta armada do movimento de libertação em África teve ética e moralmente que ocorrer por que o colonialismo foi renitente, retrógrado, repressivo e contra a vida dos povos africanos, mantendo a vontade de a todo o custo oprimir tal como aconteceu desde logo na afirmação da génese em Berlim, com reflexos nocivos até aos nossos dias! (https://www.dw.com/pt-002/confer%C3%AAncia-de-berlim-partilha-de-%C3%A1frica-decidiu-se-h%C3%A1-130-anos/a-18283420).
 
A escravatura dos africanos e afrodescendentes na América, arrancados à força do próprio berço da humanidade e transportados à força para o outro lado do Atlântico, deu azo apenas, a partir de Berlim, a métodos que aparentavam ser de refinamento, mas no fundo garantiram continuidade ao exercício do poder dominante sobre o próprio terreno-alvo desse exercício, instrumentalizando sobre o corpo inerte de África as motivações insaciáveis, inadiáveis e típicas das exigências da revolução industrial acrescida, de há algumas décadas a esta parte, pela revolução das novas tecnologias! (https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/9977/hoje-na-historia-1885-conferencia-de-berlim-da-fim-aos-conflitos-coloniais-na-africa).
 
O colonialismo (e a sequência neocolonial) continuou a recrutar muito mais músculo humano, a preço de subespécie, na devassa de África, do que a utilizar o requinte das máquinas nessa perversa devassa e esse quadro em muito pouco foi alterado com as independências de bandeira! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/06/vem-ai-mais-seculos-de-solidao.html).
 
A escravatura, o colonialismo e o “apartheid” não só reprimiam, mas ao não considerar os africanos como seres iguais, não lhes atribuía os mais elementares direitos, inclusive e desde logo o essencial direito à vida! (https://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2019/1/5/Hoje-celebra-aniversario-Inicio-Luta-Armada,8e6dd86a-2469-44ff-8f0c-69cd7d1a7e32.html).
 
A “civilização judaico-cristã ocidental” reduziu o homem africano à bestialidade e com isso assumia-se, por mais que cinicamente desse a entender o contrário, como barbárie, incapaz de ver no outro um igual e aceitá-lo como tal, algo que até hoje comporta imensas sequelas! (http://paginaglobal.blogspot.pt/2018/05/os-punhais-sangrentos-de-trotta-e.html).
 
A Igreja Católica Apostólica Romana com sede no Vaticano, mentora da “dilatação da fé e do império” e por essa via cúmplice de escravatura e colonialismo, até hoje só timidamente, com o Papa João Paulo II, pediu perdão pelos pecadores dessa bárbara trilha sem levar a cabo uma suficiente reflexão própria, frontal e vertical, acerca da opressão e de suas sequelas, protelando sine die um pedido de desculpas sério, inequívoco, digno e de boa-fé, aos povos africanos, aos afrodescendentes espalhados pelo mundo e também aos indígenas da América! (https://www.folhadelondrina.com.br/geral/joao-paulo-ii-e-o-papa-que-mais-pediu-perdao-264746.html).
 
A “abertura” foi marcada pela Encíclica “Pacem in Terris”, de João XXIII, de 11 de Abril de 1963, quando a luta de libertação em África recorrendo às armas, já levava anos… (http://w2.vatican.va/content/john-xxiii/pt/encyclicals/documents/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html).
 
Para a Igreja Católica, a culpa é dos homens e, quanto à instituição, recorre-se à milenar e proverbial figura de Pilatus mesmo que, Europa fora, os lugares de culto estejam cobertos de riquezas extraídas da exploração a ferro e fogo de África e da América! (https://www.veritatis.com.br/sobre-os-pedidos-de-perdao-do-papa-joao-paulo-ii/).
 
O Papa Paulo VI recebeu a 1 de Julho de 1970, os dirigentes da luta de libertação em África, (https://www.dw.com/pt-002/o-papel-fundamental-do-papa-paulo-vi-nas-independ%C3%AAncias/a-18305399), vincando a Encíclica “Populorum progressio” (http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum.html), que enterrou a Concordata do “Estado Novo”, fascista e colonial, de 7 de Maio de 1940, com o Vaticano sob a égide do papa Pio XII (https://pt.wikipedia.org/wiki/Concordata_entre_a_Santa_S%C3%A9_e_Portugal_de_1940https://pt.wikisource.org/wiki/Concordata_de_1940).
 
Além de João Paulo II, o Vaticano fica-se por partes para melhor se inviabilizar a compreensão do todo! (https://www.dw.com/pt-br/papa-pede-perd%C3%A3o-por-papel-da-igreja-no-genoc%C3%ADdio-em-ruanda/a-38036515).
 
O Papa Francisco apenas se cingiu em pedido de desculpas até agora, aos indígenas da América!... (https://www.publico.pt/2016/05/26/mundo/noticia/cinco-pedidos-de-desculpa-que-ficaram-na-historia-1733136).
 
Por essa razão continua por via das mais diversas alienações, ilusões, hipocrisias e cinismos inculcados nos povos e sociedades europeias, americanas e africanas até hoje, a ser quantas vezes e ainda parte do bárbaro problema e não da solução civilizada pela libertação e pela vida! (http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/um_holocausto_de_recordacao_permanente).
 
Paliativos como o reconhecimento do movimento de libertação em África a 1 de Julho de 1970 pelo Papa Paulo VI, não chegam face ao que hoje ainda em rescaldo continua a acontecer em África e na América em relação aos africanos, afrodescendentes e indígenas da América, pese o mérito dos líderes africanos da CONCP e da Fundação António Agostinho Neto! (http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/recordada_audiencia_do_papa_paulo_vi).
 
Uma das sequelas dos exercícios hipócritas e meios envergonhados, é por exemplo, a batalha do isolamento e das compensações devidas às pequenas nações insulares do CARICOM, assim como a África, que está inteiramente por concretizar! (https://www.saberesafricanos.net/escuela/talleres-seminarios/3310-conferencia-internacional-sobre-reparaciones.html).
 
Assim a luta armada de libertação em África, sequência da revolução dos escravos na América e das lutas pela independência que então ocorreram no “novo continente”, reclamava esses direitos fundamentais, reclamava vida e barricava-se na vida para enfrentar os monstros redundantes da Conferência de Berlim e toda a barbaridade de sua presunção nas duas margens do Atlântico! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/03/11/estado-do-mundo/http://paginaglobal.blogspot.com/2014/02/haiti-aposta-pela-vida.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.pt/2014/02/haiti-um-pais-invisivel.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.pt/2014/02/haiti-uma-contagiosa-revolucao.html).
 
Histórica e antropologicamente o movimento de libertação em África, na sua justa luta armada e tendo em conta seus antecedentes, era uma cultura que ao reclamar vida, barricava-se desde logo na vida que era negada e em muitos casos passou a ser uma luta pela própria sobrevivência, tal o grau de vulnerabilidade dos africanos oprimidos e subjugados que por via da luta procuravam alcançar o que a escravatura, o colonialismo e também o “apartheid” impediam: gerir o seu próprio destino em pé de igualdade com todos os povos do mundo! (http://paginaglobal.blogspot.com/2013/11/resgates-com-sentido-de-vida-i.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.com/2013/11/resgates-com-sentido-de-vida-ii.html).
 
 
03- A lógica com sentido de vida tem essas raízes e foi fecundada na ética e na moral daqueles que, levantando-se do chão dos oprimidos, não tiveram outra alternativa senão pegar em armas e lutar pela sua própria existência e dignidade! (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/a-transversal-de-paz-da-grande-rebeliao.html).
 
No caso angolano esse movimento explica a riqueza de sua própria mobilização: o MPLA logo em 1961, início da luta armada, conseguiu aglutinar e chamar a si muitos dos poucos médicos e enfermeiros angolanos de então, dispostos a lutar pela vida nas condições tão difíceis da luta armada, dos exilados, dos refugiados e da diáspora.
 
Em Kinshasa, a 21 de Agosto de 1961, o MPLA deu vida ao CVAAR, “Corpo Voluntário Angolano de Apoio aos Refugiados”, anos antes da chegada de António Agostinho Neto, ele próprio médico, à sua liderança! (http://www.buala.org/pt/a-ler/corpo-voluntario-angolano-de-assistencia-aos-refugiados).
 
Da fibra dos médicos que compunham do CVAAR, recordo o apontamento fundamentado e lúcido de Filipe Nzau, sobre Edmundo Vicente Melo Rocha (http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/um-freedom-fighter-nas-brumas-do-esquecimento):
 
“Em 1961, organizou, em Marrocos, o Congresso Constitutivo da União Geral dos Estudantes dos Países sob Domínio Colonial Português (UGEAN).
 
Em Setembro de 1961, participou da instalação do MPLA em Leopoldville (hoje Kinshasa, capital da República Democrática do Congo) e exerceu medicina no Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados (CVAAR).
 
Após a expulsão do MPLA e do próprio CVAAR de Leopoldville, parte para a Argélia, tendo regressado a Angola, com a independência, em 1975.”
 
… 
Recorde-se a propósito a vida heroica de Deolinda Rodrigues Francisco de Almeida “Langidila”, insigne membro do CVAAR! (http://m.mpla.ao/oma/deolinda-rodrigues).
 
Recorde-se ainda o exemplo insigne do médico Américo Boavida, morto pelas armas da NATO, a 25 de Setembro de 1968… (https://paginaglobal.blogspot.com/2011/11/ha-50-anos-avioes-da-nato-bombardeavam_16.html).
 
No Iº Volume da História do MPLA (1940/1966), (http://livrosultramarguerracolonial.blogspot.com/2014/09/angola-mpla-historia-do-mpla-1940-1976.html) a páginas 199 sintetiza-se sobre o CVAAR:
 
“O início das hostilidades em Angola e o carácter extraordinariamente mortífero da represália colonial determinou o êxodo maciço das populações limítrofes para além da fronteira com o Congo Léopoldville, sem meios de subsistência nem possibilidade de tranalho, a maioria velhos camponeses, mulheres e crianças, tinham necessidade de tudo para manter a sua sobrevivência.
 
Preocupado com a sorte de seus compatriotas, em Junho de 1961, o Comité Director do MPLA decidiu mobilizar os seus quadros essencialmente médicos, para fundar o Corpo Voluntário Angolano de Apoio aos Refugiados (CVAAR).
 
O CVAAR não era apenas uma organização filantrópica. Era acima de tudo uma organização política de ajuda médico-social com sede em Léopoldville.
 
O CVAAR era um organismo autónomo ligado ao MPLA com liberdade de acção no âmbito de sua actividade; pelos seus estatutos possuía a liberdade para agir livremente no seu domínio.
 
Dedicava-se não só aos problemas médicos, mas também de outros decorrentes das condições precárias em que viviam as populações refugiadas.
 
Em Outubro de 1961 chegaram a Léopoldville vários médicos que constituíram mais tarde o Corpo Médico do CVAAR, dirigido por Américo Boavida, Hugo de Menezes e Eduardo Macedo dos Santos.
 
A 7 de Novembro de 1961, na presença de Mário Pinto de Andrade e do vice-presidente do Governo Provincial de Léopoldiville, Gaston Diomi, foi finalmente inaugurado o primeiro dispensário hospital do CVAAR.
 
O MPLA dispunha na altura de mais médicos que todo o estado congolês e a actividade do CVAAR era uma ajuda para o governo congolês.
 
Embora a acção social constituísse o objectivo principal, interessava ao MPLA a vocação política do CVAAR.”
 
 
04- A vocação do MPLA e do movimento de libertação em África em defesa da vida e da liberdade dos povos, inscrita desde logo na iniciativa e prática do CVAAR em 1961 e nos três anos seguintes (enquanto o império e o neocolonialismo não expulsaram o MPLA do Congo que viria a ser Zaíre), inspirou muitos doadores na Europa e de outros pontos espalhados pelo mundo, constituindo uma das razões da aproximação das vocações da revolução cubana em África, desde logo quando projectou o seu apoio médico à luta de libertação na Argélia, a 24 de Maio de 1963, menos de dois anos antes do encontro do Comandante Che Guevara com a direcção do MPLA em Brazzaville, a 2 de Fevereiro de 1965. (https://www.dw.com/pt-002/da-ilha-de-cuba-para-o-mundo-os-m%C3%A9dicos-cubanos-no-estrangeiro/a-46804295https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/cuba/50275/a-medicina-cubana-na-argelia).
 
O Comandante Che Guevara, ele próprio médico, humanista e profundo conhecedor da miséria provocada pela opressão e pelo subdesenvolvimento dos povos na América e em África, trouxe a África não só um aporte imprescindível do diagnóstico da vida nas condições e conjunturas de então, mas também como a luta na barricada da vida, para se poder avançar na luta armada de libertação, para que fosse possível por fim a África, alcançar a plataforma mínima de vida e liberdade que jamais se havia alcançado! (http://pt.granma.cu/mundo/2019-06-20/o-que-fomos-procurar-os-cubanos-na-africa).
 
A luta de libertação em África e a luta da revolução cubana, solidária e internacionalista, têm tudo que ver com os resgates impostos por séculos de escravatura, de colonialismo e por fim de “apartheid”, bem como de suas sequelas, resgates sublimados de vida contra a morte, resgates autênticos de liberdade contra a opressão, resgates de inequívoca civilização contra a barbárie. (https://paginaglobal.blogspot.com/2015/08/50-anos-de-resgates-comuns.html).
 
Até hoje essa luta transparente sendo imprescindível em África e na América, aproxima os povos de todos os continentes, mas sobretudo desses dois, que mantêm viva essa vocação de lógica com sentido de vida, uma base incontornável de reinterpretação histórica e antropológica que se deve reflectir hoje e no futuro, em particular benefício das gerações vindouras! (https://paginaglobal.blogspot.com/2015/06/pedagogia-de-luta.html).
 
Nessa trilha, definir segurança vital é tão indispensável, ou ainda mais que antes!
 
Assim assumo, se me dão licença, modesta mas dignamente, essa inesgotável prova de vida e de amor por toda a humanidade!
 
Martinho Júnior -- Luanda, 15 de Outubro de 2019
 
As fotografias selecionadas do CVAAR, foram recolhidas aqui: http://www.buala.org/pt/a-ler/corpo-voluntario-angolano-de-assistencia-aos-refugiados
 
MEMÓRIA DA HEROICIDADE INTELECTUAL E HUMANA DE MÁRIO PINTO DE ANDRADE, FIGURA PIONEIRA DO MPLA E SEU PRIMEIRO PRESIDENTE (http://jornalcultura.sapo.ao/arte-poetica/poema-de-mario-pinto-de-andrade):
 
Monetu wa kasule Amutumisa ku S. Tomé Kexirie ni madukumentu Aiwe!
 
MÁRIO PINTO DE ANDRADE nasceu no Golungo Alto a 21 de Agosto de 1928, e faleceu a 26 de Agosto de 1990, em Londres. Estudou Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa. Foi um incansável lutador pela independência de Angola, o que o levou a primeiro presidente do MPLA. Publicou Antologia da Poesia Negra de Expressão Portuguesa (1958), Amilcar Cabral: Essai de Biographie Politique (1980), As origens do Nacionalismo Africano (1997), entre outros. Foi ainda Ministro da Cultura na Guiné-Bissau.
 
Monetu wa kasule
Amutumisa ku S. Tomé
Kexirie ni madukumentu
Aiwe!
Monetu wadidile
Mama wasalukile
Aiwe!
Amutumisa ku S. Tomé
Monetu wayi kya
Wayi mu pura ya
Aiwe!
Amutumisa ku S. Tomé
Monetu amubutu
Katena kumukuta
Aiwe!
Amutumisa ku S. Tomé
Monetu wolobanza
Oxiye onzo ye
Amutuma kukalakala
Olomutala, olomutala
— Mama, mwene wondovutuka
Ah! Ngongo yetu yondobiluka
Aiwe!
Amutumisa ku S. Tomé
Monetu kavutuke
Kalunga wamudye
Aiwe!
Amutumisa ku S. Tomé.
(Versão em kimbundo actualizada por Mário Pereira)
Canção de Sabalu
Nosso filho caçula/ Mandaram-no p'ra S.Tomé/ Não tinha documentos/ Aiué!// Nosso filho chorou/ Mamã enlouqueceu/ Aiué!/ Mandaram-no p'ra S.Tomé// Nosso filho já partiu/ Partiu no porão deles/ Aiué!/ Mandaram-no p'ra S.Tomé// Cortaram-lhe os cabelos// Não puderam amarrá-lo/ Aiué!/ Mandaram-no p'ra S.Tomé.// Nosso filho está a pensar/ Na sua terra, na sua casa/ Mandam-no trabalhar/ Estão a mirá-lo, a mirá-lo/ - Mamã, ele há-de voltar/ Ah! A nossa sorte há-de virar/ Aiué!/ Mandaram-no p'ra S.Tomé// Nosso filho não voltou/ A morte levou-o/ Aiué!/ Mandaram-no p'ra S.Tomé.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/10/reinterpretar-o-movimento-de-libertacao.html

TRUMP PROCURA NEUTRALIZAR CUBÁFRICA

 
 
1- As medidas de bloqueio a Cuba são muito mais extensivas do que as primeiras e muito legítimas leituras fazem, um pouco por todo o mundo progressista, o que aliás se vai poder fazer reflectir na 73ª Assembleia Geral da ONU. (https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/54457/apos-60-anos-cuba-e-um-pais-livre-independente-e-dono-do-seu-destino-diz-raul-em-aniversario-da-revolucao).
 
Se de facto é importante levar em consideração a insularidade de Cuba para avaliar os jogos que se prendem ao fomento do bloqueio físico, orgânico e institucional, (http://www.granma.cu/cuba/2019-09-11/en-vivo-presidente-de-cuba-anuncia-medidas-para-la-coyuntura-energetica-del-pais-video-11-09-2019-15-09-41) a brutal administração republicana de Donald Trump vai muito mais longe e começou a actuar ofensivamente, conforme os “ensinamentos recolhidos” sobre como o presidente eleito do Brasil tratou insultuosamente o Programa Mais Médicos! (https://www.youtube.com/watch?v=hXHLXg8PTbE).
 
Uma das primeiras grandes medidas no “laboratório brasileiro” foi neutralizar ou mesmo impedir por completo os expedientes que Cuba implementava no Brasil por comum acordo com os governos anteriores de Lula e Dilma, em benefício das camadas mais marginalizadas do povo brasileiro, sobretudo no âmbito da educação e da saúde! (https://www.hispantv.com/noticias/cuba/393490/mas-medicos-brasil-bolsonaro-relaciones).
 
Cuba tem vindo a implementar proactivamente, no âmbito da educação e da saúde e desde 1959, acções de pendor ético e moral em benefício dos povos que estão na cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano na América Latina, na imensa região Oceânica e Asiática e particularmente em África! (https://www.dw.com/pt-002/da-ilha-de-cuba-para-o-mundo-os-m%C3%A9dicos-cubanos-no-estrangeiro/a-46804295).
 
 
 
Os milhares de estudantes angolanos que estudaram em Cuba e são hoje conhecidos como “caimaneros” são uma das provas evidentes de todo esse processo que leva já largas décadas! (https://www.portaldeangola.com/2019/07/24/reinauguracao-do-monumento-angola-cuba-reforca-amizade/).
 
Essa luta vital de Cuba, que visa a superação humana sobre o crónico subdesenvolvimento do vasto sul Não-Alinhado, é um constante atentado ao poder dominante do império da hegemonia unipolar e se antes os democratas avançaram transversalmente num conjunto de medidas contra isso, a brutalidade “proteccionista” de Trump, inspirada no caso do Brasil, vai agora muito mais longe, por que visa que África seja cada vez mais aquele corpo inerte onde se poderá mais facilmente ir buscar os pedaços que esgotam em seis meses os recursos que a Mãe Terra poderia propiciar num ano, para que não seja irremediavelmente esvaída! (https://www.youtube.com/watch?v=_LGRrFUQL1o).
 
É esse o pendor da vocação protecionista da administração de Donald Trump que reduz tudo a uma desvairada competição ávida de poder em nome do “the americans first”, ávida de lucro, ainda que à custa de alienante inércia para a América Latina e África, ávida de impor as suas desvairadas razões, arrogantes razões e nunca consensuais razões! (https://www.publico.es/internacional/guerreros-vencieron-ebola.html).
 
O caso concreto de Bolsonaro inspirou Trump de modo a que, a para eles bem-sucedida operação de saída dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos no Brasil, fosse a base da instrumentalização de muitas das políticas de proximidade da USAID na América Latina e em África, no sentido de reforçar o papel desse organismo manipulador e de ingerência, a fim de dar luta à vitalidade cubana nos seus tão justos quão legítimos relacionamentos externos vocacionados para a luta em defesa da vida! (https://www.africom.mil/media-room/Article/30547/africom-hosts-first-ever-usaid-mc2-workshop).
 
A administração brutal de Donald Trump fica não só escandalizada com o exemplo de Cuba e duma das mais reconhecidas Brigadas Médicas (Contingente de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias) como a que leva o nome de Henry Reeves, um combatente internacionalista estado-unidense que lutou em benefício do povo cubano, mas também por que entende que o bloqueio a Cuba deve ser estendido a CubÁfrica! (https://www.novacultura.info/single-post/2016/09/01/Coopera%C3%A7%C3%A3o-M%C3%A9dica-Cubana-P%C3%A1tria-%C3%A9-Humanidade).
 
2- O AFRICOM garante a animação desse esforço de inteligência, ingerência e propaganda do lado leste do Atlântico Sul, pois dentro do AFRICOM, desde o projecto de sua constituição, são tidas como muito importantes as componentes operacionais civis, tendo em conta as imensas vulnerabilidades do continente africano e as imensas zonas consideradas de ausência de governo ou de ocupação sociopolítica e administrativa!... (https://fas.org/irp/congress/2007_hr/africom.html).
 
…A recolonização de África deveria ter um começo… (http://www.odiario.info/?p=1459).
 
Com um AFRICOM (https://www.africom.mil/) montado desse modo, a combinação dos esforços civis e militares vocaciona-se para moldar a paz à maneira não só dos interesses dominantes, mas também como um processo para, agenciando as elites africanas, incrementar acções que visem aumentar exponencialmente a sua própria esfera de influência, à custa de qualquer concorrência, mesmo aquela que tem sido advogada com ética e moral como a de Cuba em relação a África! (https://www.voltairenet.org/mot2299.html?lang=fr).
 
Os processos de assimilação que movem neste momento as acções de carácter capitalista neoliberal das antigas potências coloniais em direcção sobretudo a África, é uma vassalagem em estreita sintonia com os objectivos dessa “nova” acção da USAID, ou seja, dinamiza-se um reforço “partilhado”!
 
 
3- A USAID está instrumentalizada para lidar em campos como o da educação, o da saúde, o das culturas humanas mais marginalizadas, ou o das mais resistentes, de forma a aí neutralizar ou impedir, por tabela, a acção de outros e acima de tudo a acção da solidária e internacionalista Cuba, desde logo em benefício das comunidades mais desprotegidas.
 
A USAID ao combater as solidárias iniciativas cubanas na América Latina e em África, procura gerar e ocupar o espaço vazio sobre as cinzas que ficarem sobre a “terra queimada”! (https://www.usaid.gov/site-search/africa).
 
Um dos aspectos da guerra psicológica da brutal administração Trump em África vai nesse sentido “prático”, no fundo uma verdadeira prática de conspiração! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2018/07/08/la-guerra-psicologica-del-imperio-de-la-hegemonia-unipolar-en-africa/).
 
A base da doutrina (se é que assim se pode chamar) de Bolsonaro, (https://outraspalavras.net/outrasmidias/acordo-tripartite-que-abriu-caminho-para-bolsonaro/) é um fundamentalismo religioso capaz de radicalização dos processos de disputa nos campos da educação e da saúde, inibindo muitas das acções em benefício das comunidades mais pobres e marginalizadas do Brasil, alienando-as e subvertendo-as no seu carácter e significado substantivo e conduzindo tudo numa via de fragilização delas, algo que aliás é acompanhado pelas suas acções que estão a acontecer na Amazónia Verde, depois do que já aconteceu na Amazónia Azul! (https://www.globalresearch.ca/bolsonaro-o-falso-nacionalismo-e-a-destruicao-do-brasil/5688619).
 
Nunca um poder dominante foi dialeticamente tão longe em relação a Cuba e isso significa que a brutalidade de Trump é um velado poder efectivamente nazi, com fundamentalista capacidade motivadora que subverte e aliena a ética e a moral! (https://www.globalresearch.ca/americas-enemies-whos-on-the-list/5619763).
 
O bloqueio a Cuba é assim algo que ultrapassa o físico, o orgânico e o institucional: é também já a tentativa que começa a ser posta em prática dum bloqueio sociocultural em toda a linha nas imprescindíveis linhas de conduta CubÁfrica!
 
Para além da consciência do voto contra os bloqueios a Cuba e à Venezuela Bolivariana, os africanos devem imediatamente ficar em alerta em relação à subversão “da paz que estamos com ela”!
 
Martinho Júnior -- Luanda, 24 de Setembro de 2019
 
Imagens:
01- A cooperação médica cubana faz-se praticamente em toda a África por que Cuba, além de sua vocação solidária e internacionalista, consegue-a levar a cabo nas melhores condições para benefício dos países que compõem a cauda dos Índices de Desenvolvimento Humano;
02- Quando surgem inesperadas ameaças como a ébola, ou algum desastre natural com graves consequências humanas, a Brigada Médica Henry Reeves é destacada, reforçando quase sempre outros destacamentos médicos cubanos já antes instalados no terreno;
03- Estatística da capacidade de trabalho dos médicos cubanos n Programa Mais Médicos, durante os cinco anos em que actuaram no Brasil;
04- A Brigada Médica Henry Reeves, especializada em catástrofes ou ameaças especiais inesperadas, tem respondido com disponível prontidão em qualquer parte do mundo;
05- O bloqueio brutal da administração republicana protecionista de Donald Trump, é também um bloqueio a CubÁfrica.
___________________

HÁ DEZ ANOS, A 2 DE JANEIRO DE 2009, O PÁGINA UM PUBLICOU ESTA MINHA INTERVENÇÃO QUE REPORTA ALGUNS ASPECTOS RELEVANTES DO PAPEL DE “CUBA DIGNA PÁTRIA DA HUMANIDADE”
 
 
MARTINHO JÚNIOR – 28.12.08
No momento em que Cuba celebra meio século de sua revolução, padrão de dignidade e de solidariedade, há outros ricos acontecimentos que se devem associar a essa celebração, pela sua indelével inscrição humana.
 
Cuba acaba de perfazer 47 anos livre do analfabetismo, que demorou cerca de 3 anos a erradicar.
 
Neste momento há outro estado da América Latina, um dos estados mais subdesenvolvidos da América, a Bolívia, que se apresta a declarar-se livre do analfabetismo, identificando-se com a pista intelectual e humana do Che, que hoje é lembrado como um imprescindível desde La Higuera.
Tudo isso foi conseguido na trilha dessa revolução que teve de se constituir em “lobby” para que desse poder e do carácter de sua representatividade, fosse hoje possível a inovação da democracia participativa consubstanciada já nos altos níveis alcançados pela consciência do seu povo, pela via do esmerado nível de educação e dos padrões de saúde que foram conseguidos ao longo das últimas gerações.)
Quando perfaz 50 anos, a revolução cubana inventaria a formação de 78.000 médicos e sublinha a passagem do esforço guerrilheiro dos seus primeiros anos para o estágio prestigioso de sua solidariedade, semeando educação e saúde pelos quatro cantos do mundo, demonstrando as possibilidades duma outra globalização alternativa.
Alguns detractores da solidariedade que é possível, dizem que aqueles que beneficiam dela, pagam-na, nada é de graça, mas ainda que assim seja, não será humanamente melhor essa via (infelizmente “alternativa”), que pagar as armas, as munições e as hecatombes de desigualdade que são apanágio dos “grandes mercados” para perpetuar o domínio de uns quantos sobre o resto da humanidade?
Acusam ainda outros detractores de que a socialização da revolução é para “nivelar por baixo” os padrões da sociedade… fazem até lembrar a Albânia de Enver Hoxa…
A revolução cubana prova no entanto o contrário, por que os padrões de educação e saúde alcançados, permitem um equilíbrio de nível muito elevado que se reflecte na consciência política, social e humana existente, que só não é ainda mais avançada, por que a compressão do bloqueio Norte Americano com sua guarnição psicológica, não lhe permite fazer ainda desabrochar todas as suas enormes potencialidades.
As possibilidades que estão a ser inventariadas da existência de petróleo em Cuba e nas águas circundantes, tendo em conta a posição geo estratégica da ilha no Golfo do México (sensivelmente entre o Texas, o Iucatão e o Lago Maracaibo), irão dar um dia outra capacidade acrescida à revolução cubana, que para além do incremento do PETROCARIBE, tem encetado nos últimos anos contactos com empresas da Rússia, da China, da Venezuela e até com a SONANGOL de Angola, que na primeira metade de 2008 esteve presente com uma delegação ao mais alto nível, acompanhando a deslocação do então ministro dos Petróleos.
Não houve “nivelar por baixo” em Cuba: soube-se procurar um equilíbrio regenerador de tal ordem que ele e por que a revolução cubana não é “tímida” face ao bloqueio, está acessível às nações mais marginalizadas, oprimidas e subdesenvolvidas da Terra, substituindo de forma inultrapassável as armas dos guerrilheiros revolucionários e progressistas dos primeiros anos.
A presença cubana em Timor Loro Sae, do outro lado do planeta em relação à posição geográfica de Cuba, é disso um bom exemplo.
A presença cubana em Angola, mesmo com erros e desvios que alguns apontam, comprova essa identidade que dá prioridade ao homem e sublinha eticamente o seu esforço, promovendo-o socialmente e Angola é disso um claro exemplo:
Quando foi necessário lutar contra o colonialismo em África, foi o próprio Che que se deslocou e encetou contactos com o movimento de libertação, vai fazer a 2 de Janeiro de 2009 precisamente 44 anos, para unir esforços e impulsos;
Quando foi necessário lutar contra o “apartheid”, foram as Forças Armadas Revolucionárias de Cuba que em peso se transferiram para este lado do Atlântico, dando sua contribuição para que Angola fosse efectivamente “trincheira firme” e se tornasse possível dar continuidade à luta de libertação na Namíbia, no Zimbabwe e na própria África do Sul, apesar das bombas atómicas na posse dos racistas e de suas terríveis ameaças;
Quando hoje se assiste às marcas da ideologia e prática neo liberal típica dos “mercados” da globalização impondo oligarquias de pendor feudal em pleno século XXI, a presença cubana com padrões bem definidos esforça-se por semear equilíbrios resgatando milhões do abismo em que se encontravam por via do subdesenvolvimento crónico a que historicamente foram votados e por via das guerras injustas que dilaceraram e ainda dilaceram os tecidos humanos desta África vilipendiada de há séculos a esta parte, para que hoje o saque seja ainda possível.
Para aqueles que preconizam a harmonia, há que lembrar-lhes que ela só se pode efectivamente edificar pela via da solidariedade humana, pelo impulso e abertura ao conhecimento das humanidades, pela dialéctica busca de equilíbrio com justiça social e que esse critério nada tem a ver com o egoísmo daqueles que se revêem no “mercado”, como uma fórmula de satisfação de suas próprias necessidades e poder que só conduzem ao “apartheid” económico que desponta com cada vez mais evidência, na geografia humana de nossas próprias cidades…
Cinquenta anos depois do início da revolução Cuba é, além do mais, pátria digna da humanidade!
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/09/trump-procura-neutralizar-cubafrica.html

Faleceu Robert Mugabe, ex-presidente da República do Zimbabué

«Deixou o Zimbabué e a nossa região lugares melhores e mais bem preparados para recuperar a terra dos nossos antepassados que tinha sido destruída pelos colonos», lê-se em nota de Emmerson Mnangagwa.

Nelson Mandela e Robert MugabeCréditos / Reuters

Faleceu esta sexta-feira, aos 95 anos, Robert Gabriel Mugabe. Em nota do actual Presidente da República do Zimbabué, e líder da União Africana Nacional do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU – PF), na sua conta oficial do Twitter, lê-se que a memória é a de uma figura de grandes princípios e dedicação à causa Pan-Africana nacionalista.

Para Emmerson Mnangagwa, o momento é de luto para «o Governo e o povo do Zimbabué» perante o desaparecimento do antigo Presidente, «um homem notável e um grande político que dedicou muitos anos da sua vida à total libertação do seu povo e de África como um todo».

«O Comandante Mugabe foi um ícone da libertação, da causa Pan-Africana, que dedicou a sua vida à emancipação e auto-determinação do seu povo. O seu contributo para a história da nação e do continente nunca será esquecido», referiu ainda Emmerson Mnangagwa.

Mugabe teve um papel determinante na luta anti-colonialista da libertação da antiga Rodésia (anterior designação do Zimbabué), colónia britânica que assentava a sua organização social no racismo, num verdadeiro regime de apartheid.

A luta pela libertação desenvolveu-se uma década, até que em 1979 foi reconhecida a independência da Rodésia pelo governo britânico. No ano de 1981, Mugabe foi candidato ao Prémio Nobel da Paz em 1981. Liderou o seu país durante 37 anos, tendo desenvolvido políticas na devolução das terras ocupadas por colonos ao seu povo, assim como um conjunto de políticas económicas e sociais progressistas.

Os últimos anos da sua governação ficaram marcados por polémica, tendo sido afastado pelo seu próprio partido do governo, a ZANU – PF, em Novembro de 2017.

Na sua página oficial na rede social Facebook, Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique e líder da FRELIMO, afirmou sua profunda tristeza com a notícia.

João Lourenço, Presidente de Angola e líder do MPLA, escreveu ao Presidente do Zimbabué referindo que «África perdeu, assim, um grande filho, que conduziu com valentia e heroísmo a luta pela liberdade, pelo resgate da soberania nacional».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/faleceu-robert-mugabe-ex-presidente-da-republica-do-zimbabue

Angola | Ontem, em Luanda, uma lição

 
 
Angola ganha protagonismo na pacificação da região mais crucial e perigosa de África. Os presidentes do Uganda e do Rwanda assinam compromisso de diálogo na capital angolana.
 
Ontem, no salão nobre do palácio da Cidade Alta, em Luanda, sob três lustres enormes, um jovem de laço preto tocava piano às dez da manhã. Todas as segundas-feiras, à noite, no espaço cultural Chá de Caxinde, Miqueias Ramiro e a sua Banda Maravilha tocam velhos sons luandenses, de rebita e de semba. Ontem, Miqueias, sozinho, quis ir ainda mais longe e mais fundo, tocou uma e duas vezes, repetiu ainda, Mon"ami (Meu Filho), o êxito eterno dos Ngola Ritmos, pais da música angolana - em quimbundo, uma mãe chora o filho que morreu. Tudo a ver com a entrada no salão de cinco presidentes africanos.
 
À frente vinha Félix Tshisekedi, o presidente da RDC (República Democrática do Congo, antigo Zaire), a conversar com o presidente do Rwanda Paul Kagame. Eleito no princípio deste ano, Tshisekedi foi o primeiro chefe de Estado zairense a chegar ao poder pacificamente nos quase 60 anos de independência. Mas ainda não conseguiu formar um executivo e as suas províncias orientais são dominadas por grupos armados. Quanto a Kagame é o líder de um Rwanda onde ainda se vivem as consequências do genocídio perpetrado entre as etnias hutu e tutsi e foi acusado várias vezes pela vizinha RDC de instigar grupos armados no território dela.
 
 
Entretanto, o anfitrião João Lourenço encaminhou-se para a cadeira central. E a fechar o cortejo, um dos mais antigos líderes mundiais, o presidente do Congo-Brazzaville Denis Sassou-Nguesso, fato de fino corte - ele vem da Meca do vestir africano - falava com a exuberância de quem se habituou ao poder há quatro décadas, dirigindo-se ao ugandês Yoweri Museveni, de casaco modesto, próprio do antigo guerrilheiro que foi.
 
A reunião não era social, fazia-se pela tragédia que um grande pedaço de África vive há décadas, a região dos Grandes Lagos. A ela pertencem três dos países representados naquele salão: o Uganda, o Rwanda e a RDC. Genocídios, guerras de milhões de mortos, as mais longas intervenções da ONU como forças impotentes de paz, bandos armados de crianças, conflitos locais que logo saltam fronteiras e impedem o funcionamento de países com das maiores riquezas do mundo, com os minérios mais raros e bacias hidrográficas mais poderosas... Uma tristeza pegada, que só pode ser contada pela voz dorida de Lourdes Van Dúnem a cantar Mon'Amiou pelo discurso poderoso do congolês Denis Mukwege, médico ginecologista e Nobel da Paz 2019, denunciando um dos efeitos das guerras, as violações dos mais fracos.
 
Ontem, a guerra que se tentava suster era, depois de tantas na região dos Grandes Lagos, a que poderia vir a acontecer entre o Rwanda e o Uganda. Paul Kagame acusou recentemente Yoweri Museveni de tentar desestabilizar o seu regime, armando a oposição rwandesa e os rebeldes hutus. E Museveni acusa Kagame de espionagem... E, no entanto, eles já foram amigos. Paulo Kagame fugiu jovem do seu país nas vésperas do genocídio contra os tutsis e, no Uganda, aderiu à guerrilha que o ugandês Museveni travava contra o ditador Idi Amine. Ei-los, agora, chefes de governo, e prováveis iniciadores de um conflito entre eles. O que ali, sabe-se, logo que começa, transborda.
 
No mês passado, também em Luanda, realizara-se já uma cimeira presidencial quadripartida - Angola, RDC, Uganda e Rwanda -, e João Lourenço fez de "facilitador", como assim mesmo se chamou. Agora, o angolano convidara Sassou-Nguesso para partilhar essa influência - mais um sinal de adepto da negociação... Lourenço reuniu ambos os prováveis contendores, o ugandês e o ruandês, e mais a RDC, gigante pelo tamanho, população e posição estratégica - é o coração africano com mais fronteiras à volta - mas também o mais adiado e fraco dos países. E ontem assinou-se o Memorando de Entendimento de Luanda, em que Paul Kagame e Yoweri Museveni se comprometiam a abrir as fronteiras e a boa vontade. Assistiam representantes da ONU e da Organização da Unidade Africana.
 
"O ato de assinar não é o fim do problema, o que mais importa é honrar o que assinaram", disse João Lourenço, com o seu estilo de voz pausada e olhos semi-cerrados. No ano passado, na sua visita a França, ele ouvira do presidente Macron a afirmação de como o líder da francofonia veria com agrado a lusófona Angola liderar a pacificação da região dos Grandes Lagos, onde se fala maioritariamente francês. Não se tratou de diplomacia gratuita mas de um reconhecimento natural: afinal, Angola que travou também uma guerra civil longa e medonha, acabou-a em 2002. E tendo-a acabado, acabou-a mesmo: o partido rebelde, a Unita, concorreu ao Parlamento e participa na democracia angolana, e os rebeldes armados integraram os exércitos nacional até aos mais altos postos. De vez em quando Angola é um autêntico exemplo, começa-se agora dar conta...
 
Ontem, no salão onde se dedilhou em teclas um choro à paz, o ministro da Defesa estava à civil, apesar de Salviano de Jesus Sequeira, o general Kianda, ter sido um velho guerrilheiro da libertação nacional. E, chegado no dia anterior dos Estados Unidos, onde ouvira do secretário de Estado Mike Pompeo rasgados elogios às "reformas em curso em Angola", o ministro das Relações Exteriores Manuel Augusto aconselhava os jornalistas a serem diplomatas: "Porque é que vocês vão falar ao Presidente da RDC de problemas internos que não têm nada a ver com esta cimeira?" Mas um jornalista da Rádio Tocoísta, emissora luandense de uma corrente religiosa pacifista, perguntou mesmo a Félix Tshisekedi por que não tinha ele ainda conseguido fazer governo. Tshisekedi respondeu: "Peço indulgência, estou a negociar, a tentar o primeiro governo de compromisso da história do meu país..."
 
O tapete por onde saíram os cinco presidentes, no velho palácio, era vermelho, uma das cores do poder. Mas quem olhasse com mais atenção veria que esse tapete era debruado pela imagem da estatueta do pensador, da arte tchokwe - é só um velho que pensa. Às vezes, esse só é a distância que vai do negociar à guerra.
 
Ferreira Fernandes em Luanda | Jornal de Notícias
 
Na imagem: Da esquerda para a direita: o presidente do Uganda, Yoweri Museveni, o presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, o presidente de Angola, João Lourenço, o presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshissekedi, e o presidente do Rwanda, Paul Kagame | Foto: EPA/Ampe Rogério
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/angola-ontem-em-luanda-uma-licao.html

UM MAR DE MORTE! -- Martinho Júnior

 
 
… Enquanto os recursos da Terra são aceleradamente esgotados (para os níveis de consumo actual seria preciso um planeta com 1,75 vezes o tamanho da Terra – https://geomorfusjr.wixsite.com/geomorfusjr/blog-1/o-dia-que-o-ser-humano-passou-do-limite), a irracionalidade humana alcançada pela via dum capitalismo rampante e insaciável, encaminha o mundo para um alienante neofascismo, como se em pleno século XXI se regressasse aos fundamentalismos da época feudal, com um poder militar e de inteligência abissal, jamais antes alcançado pelo homem! (https://cubaporlapaz.wordpress.com/2018/12/12/neofascismo-global-o-fin-del-capitalismo/).
 
 
01- À medida que os recursos da Mãe Terra vão sendo aceleradamente consumidos e esgotados, (http://ceget.blogspot.com/2009/11/la-tierra-no-aguanta-mas.html) desde o início da década de 90 do século XX que o mundo está a assistir à deriva neofascista em ascensão por dentro dos mecanismos e instrumentos de poder da hegemonia unipolar e seus sistemas de vassalagem.
 
Essa tendência tem sido reforçada em função das novas tecnologias, elas mesmo aceleradoras do esgotamento de recursos e ingrediente incontornável para a modelagem do carácter do poder do capital que as impulsiona…
 
A combinação dos esforços tecnológicos, de inteligência e militares obriga a procurar no espaço a implantação de sistemas capazes de controlar, gerir e guiar as novas armas, impondo conceitos que implicam o poder do mando sobre todas as outras ramificadas capacidades de decisão (https://www.voltairenet.org/article207044.html).
 
Para o império da hegemonia unipolar tudo na Terra passou a estar sob o olho clínico do Echelon!... (https://www.globalresearch.ca/echelon-today-the-evolution-of-an-nsa-black-program/5342646).
 
 
 
02- Quer o carácter de muitos estados, quer as organizações militares internacionais (como as dependentes do Pentágono, a NATO e as que interconectam operativamente os países do Echelon – https://techcrunch.com/2015/08/03/uncovering-echelon-the-top-secret-nsa-program-that-has-been-watching-you-your-entire-life/?renderMode=ie11), estão por essas e mais razões em deriva neofascista, implicando-se na implantação de factores de caos, terrorismo, desagregação e vulnerabilização, tendo como alvo os países que procuram outras soluções para a humanidade, como os emergentes tendo à cabeça o multilateralismo russo e chinês, assim como os países do sul, em particular os que adoptaram capacidades antropológicas, históricas e sociopolíticas de resistência face ao crescendo internacional das ameaças concentradas na hegemonia unipolar eminentemente anglo-saxónica. (http://paginaglobal.blogspot.pt/2013/07/assim-se-faz-hegemonia.html).
 
O movimento neofascista é de tal maneira poderoso que tende a fraccionar os BRICS (
), arrebanhar regiões inteiras predispondo-as para a confrontação (como acontece por exemplo com os Países Bálticos, a Polónia e a Ucrânia na Europa do Leste – https://www.voltairenet.org/article207113.html), a reforçar os intestinos da NATO com correntes neofascistas no poder dos estados, ou a provocar sucessivos focos de pressão contra os recalcitrantes, ainda que estes se escudem com toda a legitimidade que os asiste na Carta da ONU… (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/08/14/no-mas-trump/).
 
Uma das áreas de maior tensão geradora de neofascismo tornou-se também o Mediterrâneo, por que os fundamentalismos de que se alimenta, têm vindo a incidir nessa região de fronteira europeia com o sul, concomitantemente às pressões que têm incidido sobre o Médio Oriente Alargado e África! (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/o-paralelo-do-choque-martinho-junior.html).
 
 
03- Na Itália, em consequência das agressões levadas a cabo no Médio Oriente Alargado e no Norte de África (com maior incidência na Líbia), o poder do estado tem vindo a ser paulatinamente tomado por correntes xenófobas, racistas e neofascistas, a coberto de nacionalismos exacerbados que utilizam a guerra psicológica com incidências no próprio eleitorado italiano, face ao incremento da migração de pessoas fugindo às hecatombes… (http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+WQ+E-2009-2194+0+DOC+XML+V0//PT).
 
Essas correntes nascidas a partir dos actos de agressão que partiram de solo italiano, são um efeito sociopolítico desses mesmos actos, ainda que façam tudo para publicamente desconhecer as relações causa-efeito de seu renascimento em pleno século XXI, a partir das redes “stay behind” do século passado!
 
Uma das entidades que é conhecida pelas suas posições neofascistas é o Ministro do Interior Matteo Salvini, da Liga, um produto europeu dos próprios desmandos neofascistas e neocoloniais aplicados massivamente com as agressões no Médio Oriente Alargado e em África… (https://www.clarin.com/mundo/italia-endurece-rechaza-recibir-629-inmigrantes-rescatados-mediterraneo_0_SywlV-se7.html).
 
A Itália é um dos vassalos da NATO que mais implicações directas têm na logística e na manobra na direcção do Médio Oriente Alargado e de África, conforme os dados que se vão coligindo em relação ao Camp Darby (https://www.globalsecurity.org/military/facility/camp-darby.htm) e outras unidades espalhadas pela península italiana. (https://www.voltairenet.org/article203071.html).
 
O fenómeno das migrações trans Mediterrâneo decorre dos bárbaros conflitos que estão a provocar fluxos de milhões de seres humanos desde as agressões ao Iraque e Afeganistão por parte das administrações de turno dos Estados Unidos e da NATO, agressões essas que disseminaram caos, terrorismo, desagregação e vulnerabilização de estados, nações e povos em toda a imensa região atingida! (https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XXI).
 
De solo italiota partem as agressões que cruzam o Mediterrâneo para o Médio Oriente Alargado e África e, no sentido inverso, a migração dos desgraçados que fogem às guerras e à miséria a sul dirige-se prioritariamente para a Itália!
 
Às migrações de refugiados de guerra oriundos da Líbia, desde a agressão do AFRICOM-NATO à Líbia em 2011, (http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/as_migracoes_africanas) juntam-se os refugiados de guerra, climáticos e de outros em busca de melhor situação de vida provenientes do Sahel, da África do Oeste, do Sudão, da Eritreia, da Etiópia e do Corno de África, Somália; é essa a viabilidade moderna que acaba por provocar neocolonialismo! (http://pagina--um.blogspot.com/2011/03/viabilidade-moderna-do-neo-colonialismo.html).
 
África, perante as clivagens fascistoides do império da hegemonia unipolar, está com esses circuitos de barbaridade, antecipadamente condenada à inércia e à catástrofe!... (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/04/28/africa-da-inercia-a-catastrofe/).
 
A Itália, campo de manobra das agressões do império da hegemonia unipolar em direcção do Médio Oriente Alargado e África, catapultou para o “poder civil”, mais do mesmo de sua enfeudada vassalagem militar! (http://www.voltairenet.org/article193555.html).
 
O mar de morte da IIIª Guerra Mundial, em que se tornou o Médio Oriente Alargado e África, inundou o Mediterrâneo tornando-o num outro mar de morte, agravado pela exclusão artificiosa implementada pelas correntes neofascistas e num momento em que sobretudo África é um completo pasto neocolonial!
 
Martinho Júnior -- Luanda, 18 de Agosto de 2019.
 
Imagens:
01- A morte oculta, com os aviões do AFRICOM e a NATO parte deles partindo de solo italiano, desabou em 2011 dos céus sobre Tripoli, capital da Líbia;
02- A morte oculta faz parte do quotidiano no calvário migratório em direcção ao norte de África;
03- A morte oculta instalou-se por todo o Sahel pela via da Al Qaeda do Magrebe Islâmico;
04- Matteo Salvini, a morte oculta por via da xenofobia e do racismo, enquanto ingredientes de guerra psicológica do “moderno” e instrumentalizado neofascismo europeu;
05- A morte visível no mar Mediterrâneo, o culminar de todas as outras mortes.
 
*************** 
 
"O Martinho Júnior não se tem coibido de com responsabilidade e consciência crítica assumir a posição própria da dignidade, da paz e respeitando a lógica da vida"
HÁ DEZ ANOS, NO PÁGINA UM, PRODUZI ESTE BALANÇO SOBRE A SITUAÇÃO DE ÁFRICA, UM BALANÇO QUE NOS SEUS TERMOS ESSENCIAIS SOFREU ALTERAÇÃO: DEPOIS DA AGRESSÃO À LÍBIA, O NEOCOLONIALISMO EM ÁFRICA TORNOU-SEAINDA MAIS INTENSO, COM TODO O SEU CORTEJO DE DESEQUILÍBRIOS, CONFLITOS, GUERRAS, FOME E MISÉRIA!
 
EM BALANÇO
 
Quarta-feira, Dezembro 23, 2009
 
Martinho Júnior, Luanda
Ao fechar 2009 e quando se entra no último ano da primeira década do século XXI, a tendência é para se fazer um sério balanço do que fomos, do que somos e para onde vamos, a nível colectivo (melhor considerando, global) e a todos os outros níveis, incluindo o individual, para que cada um aprenda enquanto cidadão do mundo e antes de mais a saber respeitar a sua própria consciência e dignidade no quadro honesto das limitações em que se encontram os indivíduos, as sociedades e a própria natureza, ou seja, num acto de amor, respeito e solidariedade para com o homem e indissociavelmente para com a natureza (a Mãe Terra), sem a qual é impossível nossa própria sobrevivência.
Uma das sínteses fundamentais é a constatação do quanto obsoleta é a lógica capitalista, não só pelo cortejo secular de desigualdades, injustiças, diversões, preconceitos, tensões, conflitos e guerras, mas também pelos prejuízos acumulados por dezenas de anos de imprudência no seguimento da sua “Revolução Industrial”, que resulta na condenação à morte lenta mas certa da Mãe Terra conforme o que se tem tornado evidente em Copenhaga e em praticamente todos os outros fóruns sobre o ambiente e o clima desde Seattle há dez anos. (1)
O exacerbar da lógica capitalista e a sua decadência ética e moral colocam todos e cada um de nós cidadãos do mundo numa encruzilhada: sabendo hoje o caminho que conduz à impraticabilidade da vida na Terra, salvaguardando o respeito que nos merecem as gerações que se nos seguirão e por isso mesmo a natureza, somos obrigados a escolher e não há outra alternativa senão optar e lutar pela paz e pela vida, mesmo que isso acarrete a contradição com aqueles “lobbies” ultra conservadores como o militarista que “sustenta” o Pentágono e todos os conflitos, tensões e principais guerras correntes. (2)
Honrar hoje a vida e dignificá-la com a consciência e a responsabilidade histórica tanto no norte quanto no sul implica mesmo nas conjunturas mais adversas saber encontrar a ponte entre o passado, o presente e o futuro e isso torna-se um imperativo para as opções de todos e de cada um. (3)
O movimento de libertação por essa via é uma emanação para toda a humanidade e mesmo que ele venha a ser esvaziado por aqueles que se deixaram contaminar pela lógica capitalista, é e será uma fonte de inspiração e uma reserva ética e moral. (4)
Em África isso é sobremodo crucial, pois pela primeira vez não vão os outros de fora do continente olhar para o saque das riquezas africanas como uma coisa lá longe, que nada diz respeito a toda a humanidade e ao planeta, evocada por intelectuais “de esquerda” e por conseguinte “radicais”: o saque das riquezas para o lucro duns quantos e sem levar em consideração os limites impostos pela natureza, começa a ser um assunto que diz tanto respeito ao sul quanto ao norte, com incalculáveis implicações no ambiente, no clima e no homem!
As elites africanas paridas da lógica capitalista apesar do que resta do movimento de libertação, têm demonstrado duma forma geral que não estão preparadas para fugir à lógica capitalista e assumir por inteiro a lógica da vida, o que ficou aliás patente em Copenhaga; isso acarreta maiores responsabilidades para aqueles que em nome da lógica da vida, se recusam a ser “representados” enquanto cidadãos do mundo fora desse quadro e não estão dispostos a “vender” princípios perante as evidências.
Isso é tanto mais grave quanto a lógica capitalista neoliberal em África tem vindo a neutralizar duma forma geral os movimentos sociais e duma forma muito específica aqueles que são alternativos.
Resta em muitos países as entidades individuais e é sobre esses homens de consciência e não de mentalidade que recai todo o peso das responsabilidades.
Esse é o quadro que tem definido Martinho Júnior em relação a si próprio, conforme toda a produção de 2009 aqui no Página Um.
Tenho procurado ser, cada vez mais crítico em relação a tudo o que nos conduz ao que se torna proibido e que advém da lógica capitalista, mesmo que isso choque com o egoísmo próprio de interesseiros, de oportunistas e de cegos ainda que com a mentalidade típica ou a arrogância dos “todo-poderosos”.
Durante a minha vida e desde que me assumi em consciência devotei-me em Angola à causa do movimento de libertação que não era nem é uma reivindicação simples, contra o colonialismo, contra o “apartheid” e pela independência dos povos deste continente.
A lógica capitalista tem vindo a esvaziar particularmente desde 1985 o sentido histórico do movimento de libertação e por dentro dum partido com as responsabilidades do MPLA aberta ou veladamente ela tem sido imposta num processo lento e corrosivo que tende a não respeitar a história e até mesmo a fazê-la contar à maneira das “novas”conveniências neoliberais…
Essa situação é feita pela via dum elitismo crescente que aliás não é apanágio de Angola, antes se estende como no início da afirmação imperialista em África, “do Cabo ao Cairo”! (5)
Houveram muitos que tendo empenhado uma parte de suas vidas no enquadramento do movimento de libertação, mesmo que tenham sofrido sacrifícios inauditos deixaram contudo de estudar, deixaram de vivenciar os compromissos originais, abandonaram a “trincheira firme da revolução em África” para se entregarem por inteiro e da forma mais insensata ao elitismo comprometedor que se nutre da lógica capitalista e acarreta compromissos no sentido do caminho proibido a que está a ser conduzida a humanidade e o planeta.
O Martinho Júnior não se tem coibido de com responsabilidade e consciência crítica assumir a posição própria da dignidade, da paz e respeitando a lógica da vida.
Em relação a muitos arrisco-me a não ser compreendido, mas julgo que esse é o tributo das vanguardas, em especial daquelas que souberam equacionar a ponte entre o passado e o presente e pretendem garantir para as gerações futuras ao menos um mundo sustentável sob os pontos de vista ambiental e humano. (6)
Tenho por exemplo sido crítico para com um homem com a dimensão de Nelson Mandela, pois em sinal de respeito para com o que foi em sua juventude e meia-idade, me parece justo assinalar o contraste no seu evidente apego a determinadas elites que tão mal se têm historicamente conduzido em relação ao continente africano, a começar para com a própria África do Sul. (7)
Será que essa posição é compreendida dentro de sua justeza e tendo em conta as referências às duas únicas alternativas possíveis?
A vida ainda não parou sobre a Terra e numa altura em que se torna inevitável optar e lutar por ela, que fazer?
Para o Martinho Júnior, em nome da vida, “a luta continua”!
 
Notas:
- (1) – Dois obstáculos no caminho de Copenhaga – Riccardo Petrella – Le Monde Diplomatique – Informação Alternativa – http://infoalternativa.org/spip.php?article1444
- (2) – Página Um – Construamos uma Arca de Noé que nos salve a todos! – http://pagina-um.blogspot.com/2009/09/construamos-uma-arca-de-noe-que-nos.html ; Du - o horror que o imperialismo espalha por todo o Planeta – David Randall – Resistir Info & Global Research – http://www.resistir.info/iraque/du_faluja_p.html ; http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16442 ; Pentagone’s role in global catastrophe: add climate havoc to war crimes – Sara Founders – Global Research – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16609
- (3) – Cobardemente no queremos tocar las causas de la destrucción del medioambiente – Discurso do Presidente Evo Morales da Bolívia em Copenhaga – http://www.bolpress.com/art.php?Cod=2009121802&PHPSESSID=edecc99e47c82ae ;
- (4) – Página Um – Evocando Neto – http://pagina-um.blogspot.com/2009/10/evocando-neto.html
- (5) – Estados Unidos – Angola: Trinta anos depois… o desembarque – I – http://pagina-um.blogspot.com/2009/06/estados-unidos-angola-trinta-anos.html ; II – http://pagina-um.blogspot.com/2009/08/estados-unidos-angola-trinta-anos.html ; III – http://pagina-um.blogspot.com/2009/12/estados-unidos-angola-trinta-anos.html
- (6) – Peace Parks Foundation – O engodo das elites para uma paz cheia de desequilíbrios – Página Um – http://pagina-um.blogspot.com/2009/11/peace-parks-foundation-o-engodo-das.html ; Cuito Cuanavale - A paz da grande solidão – Página Um – http://pagina-um.blogspot.com/2009/11/cuito-cuanavale-paz-da-grande-solidao.html ; A terceira fornada da “Peace Parks Foundation” – Página Um – http://pagina-um.blogspot.com/2009/12/terceira-fornada-da-peace-parks.html
- (7) – La Tierra no aguanta mas – CEGET Blogspot – Leonardo Boff – http://ceget.blogspot.com/2009/11/la-tierra-no-aguanta-mas.html
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/um-mar-de-morte-martinho-junior.html

Cientista político: Estados Unidos perderam oportunidade de influenciar África

Bandeiras dos EUA e do Níger são hasteadas lado a lado na Base Aérea 201 de Agadez, Níger
© AP Photo / Carley Petesch

O Pentágono está preocupado com a crescente influência da Rússia e da China na África, escreve The Intercept, citando documentos. O cientista político Vladimir Kireev falou sobre o assunto com o serviço russo da Rádio Sputnik.

Rússia e China estão expandindo influência na África, alertaram generais do Pentágono os legisladores americanos, relata The Intercept.

Em uma declaração escrita aos congressistas e falando em audiências do Comitê do Senado, o atual e o ex-chefe do Comando Africano dos EUA, Stephen Townsend e Thomas Waldhauser, respectivamente, destacaram que a Rússia e a China estão ativamente construindo laços econômicos, diplomáticos e culturais com pelo menos dez países africanos.

Os generais notaram o crescimento dos negócios da Rússia com países africanos, a execução de projetos nos setores de energia nuclear e de petróleo e gás, e o crescente comércio de armas. Na opinião dos generais, a China pretende construir uma série de bases militares no continente em breve.

Townsend e Waldhauser pediram aos EUA que cooperem com os países africanos para impedir que Rússia e China usem portos, bases ou espaço aéreo do continente, destacou o portal.

Influência perdida

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o cientista político Vladimir Kireev comentou as conclusões do Pentágono.

"Pentágono e EUA perderam a chance [de influenciar] o continente africano desta vez. Há 15 anos, a influência dos EUA, da Reino Unido e da França no continente era quase absoluta. E, literalmente, nos últimos anos, a China e a Rússia tiraram a África do caminho dos americanos e europeus", disse Kireev.

De acordo com o especialista, a China está ganhando influência no continente africano através de investimento direto, enquanto a Rússia foi ganhando a confiança em terras africanas de uma forma mais "elegante": "resolvendo problemas de países africanos" com especialistas militares, civis e técnicos.

"Agora a África é o continente que mais cresce em termos populacionais, possuindo grande quantidade de recursos e um mercado em crescimento. É um dos continentes, que com bases militares nele, de onde podem ser controlados os fluxos de tráfego para outras partes do mundo, e as ações estratégico-militares", concluiu Kireev.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019081614397158-cientista-politico-estados-unidos-perderam-oportunidade-de-influenciar-africa/

Activista Guy Marius Sagna detido arbitrariamente por publicações no Facebook

O activista senegalês Guy Marius Sagna foi arbitrariamente detido no dia 16 de Julho, em Dakar. A 05 de Agosto, foi acusado de “falso alerta de terrorismo”. Encontra-se detido na Prisão Central de Rebeuss em Dakar.

 

 

Inicialmente, foi interrogado sobre duas publicações no seu Facebook relacionadas com a falta de instalações médicas adequadas no Senegal, 59 anos após a independência. Posteriormente, foi questionado sobre uma publicação numa página de Facebook sobre a presença do exército francês em África. Encontra-se detido na Prisão Central de Rebeuss em Dakar.

Participe nesta acção

Envie um apelo escrito nas suas próprias palavras ou use este modelo de carta, até 17 de Setembro de 2019.

 

 

Ministro da Justiça
Me Malick Sall
Avenue Jean JAURES, ex ambassade des Etats unis
BP 4030
Dakar, Sénégal
Email: [email protected]

Exmo.Senhor Ministro,

Escrevo para expressar a minha preocupação pela prisão e detenção arbitrária do ativista Guy Marius Sagna.

Guy Marius Sagna é membro do movimento “Le Front pour une Révolution Anti-impérialiste Populaire et Panafricaine’’ (Frente por uma Revolução Anti-imperialista Popular e Pan-africana – FRAAP- France Degage).

Foi arbitrariamente detido no dia 16 de Julho, em Dakar, pela Divisão de Investigação da Gendarmaria. Inicialmente, foi interrogado por duas publicações que tinha feito no seu Facebook sobre a falta de instalações médicas adequadas no Senegal, 59 anos após a independência, e sobre o facto de muitos líderes políticos do Senegal procurarem melhores cuidados de saúde na Europa. Foi detido sem notificação de qualquer acusação. Três dias depois de ter sido detido, Guy Marius Sagna foi interrogado sobre uma outra publicação feita na página de Facebook da FRAAP sobre a presença do exército francês em África e sobre um atentado terrorista na região de Sahel. Tanto ele como o seu advogado afirmam que esta publicação não é da sua autoria e que não é coordenador da FRAAP- France Degage.

No dia 19 de Julho, foi acusado de “divulgar notícias falsas” e ficou detido na Prisão Central de Rebeuss em Dakar.

No dia 5 de Agosto, o Procurador alterou a acusação contra Guy para “falso alerta de terrorismo”.

Peço-lhe que garanta que:

  • Guy Marius Sagna é imediata e incondicionalmente libertado, uma vez que se encontra detido apenas por exercer pacificamente o seu direito à liberdade de expressão;
  • no Senegal, o direito à liberdade de expressão seja plenamente respeitado, protegido, promovido e exercido;
  • enquanto se aguarda a sua libertação, não seja sujeito a atos de tortura e outros tipos de maus-tratos e que tenha acesso ao seu advogado e à sua família.

Atentamente,

 

Guy Marius Sagna é um proeminente activista no Senegal. Foi coordenador da coligação nacional senegalesa “Não aos Acordos de Parceria Económica”, no âmbito de Acordos de Parceria Económica entre o Senegal e a União Europeia.

Como activista, fez campanha contra o que apelida de “negócios neocolonialistas” e é membro da “’ FRAPP-France Degage’’. Tem sido repetidamente detido simplesmente por exercer os seus direitos de reunião pacífica e de expressão, embora mais tarde seja libertado sem acusações.

Em Outubro de 2016, a Assembleia Nacional do Senegal aprovou alterações ao Código Penal e ao Código de Processo Penal, que podem ser usadas para reprimir a dissidência pacífica, com o argumento de serem medidas necessárias para combater o terrorismo e a cibercriminalidade. As alterações do Código Penal prevêem definições vagas e excessivamente gerais de crimes relacionados com o terrorismo e que expõem os activistas a duras sanções penais.

Vários artistas e jornalistas foram arbitrariamente presos e detidos durante vários dias apenas por exercerem os seus direitos à liberdade de expressão e reunião pacífica.

 


 
 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/activista-guy-marius-sagna-detido-arbitrariamente-por-publicacoes-no-facebook/

MEMÓRIA EM HONRA DE FIDEL

 
 
Em África, honrar Fidel é honrar a vida!... http://paginaglobal.blogspot.com/2016/12/de-argel.html     
 
Martinho Júnior, Luanda  
 
01- A 2 de Dezembro de 2005, dia das Forças Armadas Revolucionárias, Cuba comemorou os então 30 anos da Missão Militar Cubana em Angola e os 49 anos do desembarque do Granma.
 
Nesse dia escutou-se sobre esse tema mais um memorável discurso do Comandante Fidel!
 
Desse discurso recordem-se algumas palavras que hoje continuam a ser para todos os combatentes progressistas do mundo, um autêntico desafio:
 
…“Exatamente 19 anos após o desembarque do Granma, em novembro de 1975, um pequeno grupo de cubanos travava em Angola os primeiros combates de uma batalha que se prolongaria por muitos anos.
A história da pilhagem e do saqueio imperialista e neocolonial de Europa na África, com pleno apoio dos Estados Unidos e da NATO, bem como a heróica solidariedade de Cuba com os povos irmãos, não são suficientemente conhecidas, embora fosse apenas como merecido estímulo às centenas de milhar de homens e mulheres que escreveram aquela gloriosa página que para exemplo das presentes e futuras gerações não devemos esquecer jamais.
 
 
… Continuar a divulgar a luta levada a cabo pelo movimento de libertação em África em estreita irmandade internacionalista e solidária com a revolução cubana, tem implicações profundas ainda hoje por que a libertação não é um acto automático, pelo contrário, tem profundas implicações humanas e culturais, constituindo um longo, legítimo e justo processo que se distende desde o passado com tremendas responsabilidades no presente e na construção dum futuro feliz, aspiração para todos os povos africanos e para a própria humanidade!...
 
Quantas vezes há que reinterpretar os fenómenos que nos cercam por que lutar pela liberdade é um exigente acto de civilização face ao prevalecer da barbárie… (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/angola-aprender-reinterpretando.html).
 
 
 
02- Creio que os milhares de jovens angolanos que estudaram em Cuba, ao longo de quatro décadas, carinhosamente conhecidos por“Caimaneros”, compreendem melhor que ninguém essas implicações e esse longo processo e por isso são dos que melhor se situam para dar sequência à expressão do Comandante Fidel naquele dia de 2 de Dezembro de 2005…
 
Eles são das mais ricas provas humanas do quanto em Cuba se honrava e honra a vida e do quanto, com todo o saber histórico, com toda a consciência e com todas as mais saudáveis emoções, é justo honrar Fidel agora, quando se comemoram 93 anos do seu nascimento e sempre ao longo deste e dos próximos séculos!
 
Lembro-me em estreita sintonia com eles, quando eu no activo soube da decisão do Presidente Agostinho Neto, secundado pelos Comandantes das FAPLA, de fazer frente aos desafios nas mais decisivas trincheiras de luta enquanto jovens adolescentes das mais variadas origens, a maior parte deles oriundos dos mais pobres substractos sociais angolanos, partiam para ser formados no exterior, particularmente em Cuba, na URSS e em outros países socialistas!
 
Sabia eu que seriam esses jovens adolescentes de então que dariam a contribuição sequencial às nossas capacidades demonstradas em cada trincheira, capacidades essas assumidas desde antes dos primeiros anos de independência e exercício de soberania!
 
Os que ficavam, jovens também mas duma geração que já tinha saído da adolescência, regozijavam-se dessa decisão, num momento em que o povo angolano estava tão carente de quadros e ávido de construir o futuro com suas próprias mãos!
 
As imensas carências de então haviam paulatina mas garantidamente de ser superadas!
 
 
03- A 7 de Agosto, a convite do meu muito estimado camarada professor Fernando Jaime, associei-me à memória em honra de Fidel, por alturas do seu 93º aniversário natalício e à memória de cada um dos intervenientes e tantos outros camaradas presentes no auditório do Centro de Imprensa Aníbal de Melo, na baixa de Luanda.
 
Os adolescentes “Caimaneros” de então, hoje são quadros experimentados de meia-idade, responsáveis em muitas áreas de actividade e têm a oportunidade de colocar em prática o que aprenderam num cadinho fortalecido ética e moralmente enquanto foram estudantes em Cuba!
 
Muitos deles hoje ensinam, como se uma invisível cadeia de transmissão se prolongasse imparável desde o passado, chegando mesmo a atravessar os mares do hemisfério sul!
 
A Associação de Amizade Angola-Cuba e os “Caimaneros”, conjuntamente com membros do corpo diplomático de Cuba, da Venezuela e outras ilustres entidades, participaram na memória contribuindo com testemunhos, que se juntaram a preciosos registos em vídeo, às interpretações poéticas e musicais e a alguns momentos de saudável convivência animados pela vocação própria de quem está integrado na batalha das ideias que instruem civilização perante tanta barbárie em pleno século XXI! (https://noticias.sapo.ao/sociedade/artigos/pensamentos-de-fidel-castro-devem-ser-estudados-em-angola).
 
No Programa da actividade, tendo Cuba como referência, fez-se constar o que é essencial para a vitalidade da batalha das ideias pela civilização de que tanto carece a humanidade:
 
“La permanente enseñanza de Fidel es que si, se puede, que el hombre es capaz de sobreponerse a las mas duras condiciones si no desfallece su voluntad de vencer, hace una evaluación correcta de cada situación y no renuncia a sus justos e nobles princípios.
 
Fidel nunca perdió la fe en la victoria y citando el compañero Raul Castro Ruz, esse es el Fidel invicto que nos convoca com su exemplo y con la demonstración de que Si, se pudo, si se puede y se poderá superar cualquier obstáculo, amenaza o turbulência en nuestro firme empeño de construir el socialismo en Cuba, o lo que es lo mismo, garantizar la independencia y la soberania de la pátria!”
 
Sim pode-se e quaisquer que sejam as vicissitudes, os obstáculos, as dificuldades e até as incompreensões ou reveses, os que assumem em consciência civilizacional que a luta continua, honram Fidel e a sua memória, são parte integrante daquele rio de imprescindíveis de que tanto carece a humanidade e dos que se colocam na primeira linha do respeito inequívoca para com a Mãe Terra, no momento em que as alterações climático-ambientais e o desaparecimento de largos milhares de espécies estão em tão dramático curso!... (https://www.youtube.com/watch?v=JF67BSRjTYc).
 
A Associação de Amizade entre os povos de Angola e da Venezuela Bolivariana é apenas e ainda um embrião, todavia o húmus que foi lançado por via duma justa luta de há mais de seis décadas na África Austral, dar-lhe-á viçosa pujança, tal como a que fez progredir na experiência humana tão rica dos “Caimaneros”, a pujança de que tanto carece o relacionamento dos africanos com a diáspora afrodescendente da América e do Caribe, a pujança capaz de levar os africanos começar a descobrir-se num outro patamar de sabedoria a si próprios!
 
… “Cesen los egoísmos, cesen los hegemonismos, cesen la insensibilidad, la irresponsabilidad y el engaño.
 
Mañana será demasiado tarde para hacer lo que debimos haber hecho hace mucho tiempo.” (http://www.cuba.cu/gobierno/discursos/1992/esp/f120692e.html).
 
 
Martinho Júnior - Luanda, 9 de Agosto de 2019
 
Três imagens do acto em honra do Comandante Fidel, a 7 de Agosto de 2019, no auditório do Centro de Imprensa Aníbal de Melo.
 
Nota:
Meus esforços em prol da lógica com sentido de vida, por uma geoestratégia de desenvolvimento sustentável e uma cultura de inteligência patriótica em Angola, correspondem à clarividência do Comandante Fidel, no cadinho da batalha de ideias, quando tão urgentemente as ideias saudáveis têm de concorrer para a civilização que mais que nunca está em risco olhando o abismo, num clímax de intenso enfrentamento à barbárie!
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/memoria-em-honra-de-fidel.html

Guiné Equatorial projeta erguer um muro na fronteira com Camarões

 
 
A medida é contra a livre circulação de pessoas e bens na região aprovada, em 2017, pelos seis países membros da África Central, da qual também fazem parte os Camarões e a Guiné Equatorial, dizem fontes locais.
 
A Guiné Equatorial está a planear construir um muro na fronteira com os Camarões. O alerta foi dado pelo exército camaronês que garante que militares do país vizinho invadiram a cidade de Kyé Ossi, na fronteira, e colocaram marcos em várias terras, estendendo assim o seu território para além da fronteira estipulada atualmente. 
 
Segundo a imprensa camaronesa, o chefe do exército do país visitou, recentemente, o local para se inteirar do sucedido e garantiu, na altura, que os Camarões "não vão tolerar qualquer intrusão ilegal no seu território".
 
"Os camaroneses estão muito irritados porque eles olham para a Guiné Equatorial como um possível destino de negócios”, dizem fontes locais.
 
 
Destino preferencial dos camaroneses
 
A Guiné Equatorial é para juventude camaronesa o destino preferencial para arranjar emprego, por isso "há muitos camaroneses que acham que lá poderão ter emprego”, notam os analistas.
 
Uma jovem camaronesa ouvida pela DW África destaca o facto do país vizinho estar a registar um bom crescimento económico, e prevê que a construção do muro pode retardar a economia dos dois países.
 
"Há muitos camaroneses que fazem negócios na Guiné Equatorial. E [com esta medida] tornar-se-ia difícil para a importação de mercadorias”.
 
Várias fontes dão conta de que a Guiné Equatorial acusa os Camarões de deixarem entrar ilegalmente no seu território cidadãos da África Ocidental e que pode ser este o motivo por detrás da construção deste muro. O Governo de Yaoundé ainda não respondeu as acusações das autoridades de Malabo.
 
"Mancha" diplomática entre os dois países
 
Analistas não têm dúvidas que a medida "afetará as relações diplomáticas entre os dois países” e lembram que, para além disso, vai contra a livre circulação de pessoas e bens na região aprovada, em 2017, pelos seis países membros da África Central, da qual também fazem parte os Camarões e a Guiné Equatorial.
 
"É uma mancha no acordo, porque este acordo visa a melhoria das economias da região, sendo uma das medidas para tal a livre circulação de pessoas e bens. E se a Guiné Equatorial recusar [essa live circulação], não vai ser fácil. Vai afetar o comércio”, dizem analistas.
 
Confrontado pela agência AFP acerca dos seus planos, o governo de Malabo não quis pronunciar-se. No entanto, alguns moradores das cidades equato-guineenses localizadas na fronteira confirmaram a AFP que foram informados sobre a construção do muro.
 
A Guiné Equatorial, governada por Teodoro Obiang desde 1979, tem estado particularmente vigilante nesta fronteira, pois foi aqui que cerca de 30 homens armados foram presos e acusados de tentativa de golpe de Estado contra o regime de Malabo no final de dezembro de 2017. Um incidente que levou a Guiné Equatorial a encerrar a sua fronteira com os Camarões durante seis meses.
 
Raquel Loureiro, Amós Zacarias, AFP | em Deutsche Welle
 
 
 
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/08/guine-equatorial-projeta-erguer-um-muro.html

NEOCOLONIALISMO EUROPEU. UMA LANÇA EM ÁFRICA

 
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ARTIGO DE OPINIÃO DE ANTÓNIO PEREIRA (RETIRADO DE https://ogmfp.wordpress.com/ ) Um considerável contingente militar europeu tem vindo a ser concentrado nos últimos anos no Mali. Este enorme país africano, sem saída para o mar, faz fronteira com sete países vizinhos e tem uma posição geoestratégica privilegiada no acesso ao deserto do Sahara, uma das principais rotas migratórias da África subsariana e possui também importantes jazidas de ouro e urânio. Ultimamente vieram a público notícias sobre as intenções da União Europeia de reforçar ainda mais, o seu já enorme contingente militar na região.
Os britânicos anunciaram pela voz da primeira-ministra Teresa May que vão reforçar e prolongar a sua missão no território com novos meios aéreos. Os britânicos têm apoiado, desde 2014, os franceses nas operações militares Barkhane e Aconit. A França, antiga potência colonial, mantêm desde esta altura cerca de 3000 militares estacionados em N’Djamena, a capital do vizinho Chade e importantes meios militares na sua principal base em Gao, no centro do Mali. Os alemães além de estarem presentes no Mali inauguraram recentemente uma base militar no Niger.
Aos enormes contingentes já presentes no terreno vem agora juntar-se ainda mais militares da EstóniaDinamarcaIrlanda e até de Portugal. Aparentemente estas operações militares estão em preparação há já algum tempo. Importa recordar que a União Europeia tinha já anunciado em 2018 a intenção de gastar 10.5 milhões de euros em equipamento militar e armas nesta região que se somam aos 50 milhões de euros anunciados em 2017.
É caso para perguntar o que se esconde por detrás desta guerra, que se vai intensificar a curto prazo? Até porque para combater grupos terroristas não são necessários meios desta envergadura.      António Pereira
 

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Tunísia: morte do presidente abre a porta ao caos político

A morte do presidente Béji Caïd Essebsi, da Tunísia, aos 92 anos, ameaça desestabilizar ainda mais a África islâmica e mediterrânica. O velho berbére, primeiro presidente democraticamente eleito no país que iniciou o movimento das mal chamadas “primaveras árabes”, foi até agora o dique que susteve a vaga árabo-islamista.

 

 

Homem de confiança do presidente Bourguiba (o líder da independência da Tunísia), Béji Caïd Essebsi ocupou as pastas estratégicas dos ministérios do Interior, Defesa e Negócios Estrangeiros e foi ainda presidente do Parlamento.

 

Afastou-se, porém, em 1991, recusando a sua colaboração ao sucessor de Bourguiba, o presidente Ben Ali. Vinte anos depois, aquando da insurreição popular de 2011, regressou para organizar o ‘containment’ do assalto islamista ao Estado.

Primeiro-ministro durante o ano de 2011, cria em seguida um novo partido, o Nidaa Tounes, para se bater com o bem organizado, estruturado e financiado partido islamista Ennahdha.

Em Dezembro de 2014, Béji Caïd Essebsi é eleito, na segunda volta, com 56%, presidente da Tunísia. A 25 de Julho, na sequência de uma “indisposição súbita”, Essebsi terminou a sua missão de Estado, no hospital militar de Tunis.

Com 12 milhões de habitantes, em 163.000 Km2, entre o mar Mediterrâneo e o deserto do Sahara, a Tunísia está “entalada” entre uma Líbia em decomposição acelerada e uma Argélia a que só o peso da hierarquia militar impede de soçobrar no caos. O desaparecimento do presidente Essebsi acontece no pior momento, tanto para a Tunísia como para a região e mesmo para os vizinhos europeus, como Portugal…

Mapa: Tunísia e seu contexto


Exclusivo Tornado / IntelNomics


 

 
 
 
 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/tunisia-morte-do-presidente-abre-a-porta-ao-caos-politico/

IMPRESCINDÍVEL RESPEITO PELO BERÇO DA HUMANIDADE - Martinho Júnior

Martinho Júnior, Luanda  

Desde os primeiros dias de sua afirmação na condução dos destinos do povo cubano e plenamente identificada com ele, que a Revolução Cubana respeita, como muito poucos, o berço de toda a humanidade, não como uma figura de estilo conforme a emoção dum momento, mas por que humildemente reconheceu pela voz do Comandante Fidel, a dívida contraída em nome da civilização e contra a barbárie!...

A saga da luta de libertação contra o colonialismo e o “apartheid”, ali onde foi necessário pegar em armas, mobilizou Cuba de Argel ao Cabo da Boa Esperança, na forja duma entranhável e imprescindível irmandade que agora, geração após geração, os povos dos dois lados do Atlântico cultivam na essência da vida humana, que tanto carece de amor, de educação, de saúde e dum irrevogável respeito para com a Mãe Terra!...

01- Esta semana, o terceiro Presidente de Angola independente visita Cuba, em mais uma jornada memorável enquanto balanço da amizade entre Angola e Cuba, entre a América Latina e África!
Desse balanço há desde logo um tácito diapasão comum: há que diversificar os campos de relacionamento e há que melhorar no protagonismo recíproco nesse vivificante abraço transatlântico!
Angola tem em Cuba um irmão não só descomplexado e puro, mas um irmão capaz de interpretar como poucos as dores do mundo, capaz de luta contra a barbárie e por isso um irmão apto a solidariamente ajudar África a redescobrir-se e a respeitar-se…
Ter Cuba Revolucionária na gesta do embrião do renascimento africano, é o maior dos sinais que poderão haver de respeito para com o berço da humanidade, por que é um respeito substantivamente fundamentado, carregado de experiências comuns e uma autêntica sublimação nos relacionamentos internacionais ao nível das maiores exigências do século XXI!
Para Cuba Revolucionária há uma outra leitura da história, com os olhos dos oprimidos de séculos que também foram uma parte dos oprimidos em Cuba, os afrodescendentes dos escravos que à força foram transportados para as plantações da América enquanto a América foi colonizada!
O berço da humanidade merece que todos os povos se animem com essa sensibilidade sem equívocos, sem hipocrisias, sem ambiguidades e pronta a agir solidariamente com consciência civilizacional responsável perante África e toda a humanidade.
02- As relações de irmandade Angola-Cuba ultrapassam a fasquia da reciprocidade de interesses, situando-se ao nível dum respeito intemporal que advém dessa outra consciência civilizacional responsável animada de laços de sangue e de luta, algo que tem a ver com a essência dum patamar de relações imprescindíveis entre si, mas também imprescindíveis para toda a humanidade!
Nos campos de batalha em Angola e na África Austral, Cuba Revolucionária deu a sua contribuição inequívoca, quer para se vencer colonialismo e projecto neocolonial, em cima da hora da independência de Angola, quer para se vencer o “apartheid”, em cima da hora do seu estertor.
Cuba foi duma coerência e duma motivação exemplar, arrostando contra as tentações que o próprio império lhe estendeu quando alvitrou que Angola fosse uma mera “moeda de troca” para alterar suas posições de princípio, ou quando o espectro das bombas nucleares de posse do“apartheid” pendesse sobre o enorme campo de batalha do Cuito Cuanavale que se estendeu por toda a Frente Sul…
Em cima da hora da independência as Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, irmanadas às Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, saíram vitoriosas simultaneamente em Cabinda, em Quifangondo e no Ebo…
Em cima da hora do estertor do “apartheid”, Cuba esteve decididamente entre os vitoriosos do Cuito Cuanavale, esteve com todos os países da Linha da Frente, com a Namíbia independente e soberana, com o Zimbabwe independente e soberano e com a própria África do Sul finalmente livre do “apartheid”!
O fim da escravatura e do colonialismo tem a ver com tudo isso, nas duas margens do Atlântico, pelo que essa vitória do Não Alinhamento Activo, se tornou uma vitória para toda a humanidade e um manancial para que o Não Alinhamento, mesmo em condições desfavoráveis de capitalismo financeiro transnacional motivado em neoliberalismo, se afirme em emergente resistência civilizacional, em sentido respeito e benefício de todos os povos da Terra!
03- Para que essas vitórias não se tornassem efémeras, perdidos nas calendas da história, ou sujeitas ao esquecimento por obra e graça dos que afirmam com o neoliberalismo o “fim da história”, a Revolução Cubana está a ir mais longe na afirmação da irmandade para com África e de respeito pelo berço!...
Apesar da implosão socialista na URSS e no leste da Europa, apesar do penoso período especial que foi obrigada a digerir e enfrentar, apesar da afronta neoliberal que subverte a globalização propiciada pelas novas tecnologias, Cuba Revolucionária nem mesmo assim deixou de estar pronta para com o berço da humanidade e para com Angola e seu povo, integrando a luta daqueles que procuram um mundo melhor para seus povos e para todos os povos do Mundo!
Cuba Revolucionária, se na educação e na saúde tem sido exemplar para com África, para com Angola e para com os povos da América Latina, é também exemplar noutros ramos de actividade, sobretudo naqueles que são essenciais para a afirmação de identidade e respeito para com a Mãe Terra!
Dada a minha insistência para que Angola dê efectiva sequência ao movimento de libertação em África por via duma lógica com sentido de vida capaz de gerar uma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável e com vista à formação duma cultura de inteligência patriótica, considero que quer Cuba, quer a Venezuela, quer ainda a Bolívia, estão à altura de ajudar os irmãos do berço a superar as insuficiências crónicas em relação aos inadiáveis desafios face às mudanças climáticas e ambientais que a humanidade está a enfrentar!
Esse esforço que é necessário cientificar, pode galgar capacidades recorrendo às experiências de cada um desses estados e desses povos do outro lado do Atlântico!
Esse campo de experiências comuns em vias de processos científicos que são inadiáveis, podem vir a contribuir para uma maior amplitude ainda, em termos de relações internacionais, entre África e a América Latina, tendo em conta as implicações em termos de antropologia cultural e na premente necessidade de alimentação das políticas de paz e segurança num continente em que até as fronteiras foram desenhadas e impostas por outros há pouco mais de um século!...
Para Cuba e Angola, com toda a sensibilidade virada para o futuro, há muito mais a fazer e cultivar em termos de relacionamentos entre irmãos, do que o que foi feito nas horas mais decisivas da luta de libertação!
Martinho Júnior - Luanda, 2 de Julho de 2019

Imagens da recepção oficial do Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel Dìaz-Canel Bermúdez ao Presidente de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço.

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/07/imprescindivel-respeito-pelo-berco-da.html

A dialética como arma geoestratégica do império da hegemonia unipolar

África fornece um campo de visibilidade que prova a prática de conspiração
  
Em África, a contradição dialética entre as culturas dos povos nómadas e seminómadas, habitantes dos maiores e mais quentes desertos e savanas do globo e as culturas essencialmente sedentárias dos povos instalados nas regiões tropicais fulcrais em água para todo o continente, onde o espaço vital é alvo duma cada vez mais acirrada disputa, é um manancial de ingerência e manipulação do qual deriva toda a manobra da prática de conspiração nos termos que interessam, no absoluto e no detalhe, ao domínio hegemónico e unipolar da aristocracia financeira mundial.
É nesse plasma dialético injectado em África, tornado “globalização”, que as geoestratégias dominantes se vão distendendo com práticas de conspiração, evidenciando-se as acções que têm vindo a incidir sobre a Líbia, o Sahara, a África do Oeste e por todo o Sahel, por um lado, face às acções que por outro lado, têm vindo a incidir sobre o Uganda, o Ruanda, o Burundi e o este da RDC, ou seja, nos Grandes Lagos e nas regiões onde nascem as três principais bacias hidrográficas do continente, o Congo, o Nilo e Zambeze… (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/04/28/africa-da-inercia-a-catastrofe/).
Instalados os fulcros da contradição, a ingerência e a manipulação dominante espraiam-se em raios de distinta intensidade e de forma a que país africano algum seja desse “pendor” de manobra excluído!
Há um instrumento de medida e estatística: as capacidades de produção de mensagens dirigidas a África e as premissas de guerra psicológica de maior ou menor intensidade (“soft power”), correspondem a esse tipo de impulsos e são produzidas em quantidades tais que em muito superam as mensagens dos africanos em relação a si prórios!

 
1- O Instituto Para Estudos Estratégicos e Políticos Avançados (The Institute for Advanced Strategic & Political Studies, IASPS –http://www.iasps.org/mission.php), é um “think tank” inaugurado em 1984, sediado em Jerusalém e com delegação em Washington, vocacionado para estudos de natureza geoestratégica em suporte do império da hegemonia unipolar. (http://www.historycommons.org/entity.jsp?entity=institute_for_advanced_strategic_and_political_studies).
Desde o início do século XXI, que forjou a sua capacidade analítica relativa a assuntos do Médio Oriente Alargado e a África, adaptando-se ao capitalismo neoliberal que ocupou o espaço vazio dos países socialistas após a “implosão” da URSS…
Em 2002 duas significativas matérias estavam em debate nas mesas do IASPS, integrando o Projecto para o Novo Século Americano (https://plutocracia.com/projecto_para_o_novo_seculo_americano.html), um plano que hoje, tendo desaparecido da net, está a ser revigorado com a adm8nstração republicana do Presidente Donald Trump e seus falcões (https://actualidad.rt.com/opinion/luis-gonzalo-segura/306743-acuerdos-petroleros-internacionales-reflejan-debilidad-eeuu):
- A gestação do African Oil Policy Initiative Group, em suporte da administração republicana de George W. Bush e da panóplia de iniciativas a desenvolver em relação a África sub-sahariana ao nível do petróleo no Golfo da Guiné (que iria incluir os fundamentos para o surgimento do AFRICOM); (http://www.sourcewatch.org/index.php/African_Oil_Policy_Initiative_Group);
- O Projecto de Água e Energia GWEST (Global Water & Energy Strategy Team) desde logo relativo à Turquia e ao Mar Cáspio, que se implicou como elemento reitor das geoestratégias israelitas na direcção quer do Médio Oriente Alargado, quer na direcção de África, tendo sempre em conta a questão básica e essencial da escassez de água interior em Israel. (https://www.sourcewatch.org/index.php?title=Global_Water_%26_Energy_Strategy_Team).
As linhas de abordagem geoestratégica integradas nos temas energia e águas interiores em 2002 eram portanto já evidentes como linhas essenciais para o IASPS definir as opções e programas para o século XXI, podendo integrar múltiplas matérias subjacentes, entre elas as orientadoras para a conversão da indústria mineira, tornando-a apta a fornecer as indispensáveis matérias-primas para as novas tecnologias da contemporânea revolução tecnológica.
A sobrevivência de Israel está intimamente associada a essa abordagem geoestratégica.
O seu quadro humano da época espelhou a natureza dessas preocupações prioritárias.
É evidente que no mínimo o IASPS foi um “think tank” inspirador para os que, a partir da contradição fundamental inerente às culturas reitoras em África, desenvolverem todas as receitas e práticas conspirativas por todo o continente, não só na direcção daqueles que são alvo de caos, de terrorismo e de desagregação, como aqueles, alvo de ingerências, impactos e manipulações motivadoras de capitalismo neoliberal.
A guerra psicológica em curso sobre o continente, espelha também esse espectro geoestratégico! (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/a-guerra-psicologica-do-imperio-da.html).
Em todos os casos a ofensiva imperialista da hegemonia unipolar, provocou um novo paradigma de neocolonialismo em curso por toda a África, com uma intensidade nunca antes experimentada. (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/01/07/africa-dilecto-alvo-neocolonial/).
2- A gestação do AFRICOM correspondeu aos dois paradigmas essenciais do IASPS – energia e águas interiores: as pistas em termos do carácter e dos contactos dos personagens envolvidos vão todas nessa direcção, desde o berço de sua constituição.
Dissequei muitos dos contenciosos desse “berço” em 2015 e 2016, com a série “O Laboratório AFRICOM”, (https://paginaglobal.blogspot.com/2015/08/o-laboratorio-africom-i.html) mas hoje as práticas conspirativas em relação a África tornaram-se ainda mais amplas, intensivas e visíveis, num cenário completamente desfavorável aos interesses dos tão vulnerabilizados estados africanos e dos seus povos:
Se efectivamente compararmos estatisticamente a quantidade diária das mensagens produzidas pelos africanos sobre assuntos do seu próprio continente, com a quantidade de mensagens externas relativas a África, o saldo é esmagador, sobretudo a favor das mensagens das correntes dominantes dos Estados Unidos e da União Europeia, que invadem, impactam e moldam além do mais os meios de informação (?) pública no continente-berço!...
O nº X de “O Laboratório AFRICOM” foi propositadamente publicado agora (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/o-laboratorio-africom-x.html), tendo em conta o cômputo de nterpretações suscitadas em 2015 e 12016, de forma a poder inventariar com mais detalhe o tema em 2020!
O esforço “soft power” do império da hegemonia unipolar, começando a enfrentar tantas dificuldades no Médio Oriente Alargado, (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/05/imperio-da-hegemonia-unipolar-esta.html) intensificou-se em África nos termos duma nova“guerra fria” contra a República Popular da China e seus aliados emergentes, que em África vão procurando encontrar outros parâmetros de relacionamento internacional apostando em investimentos importantes na construção de infraestruturas e abrindo caminho à cultura da não ingerência nos assuntos africanos. (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/capitalismo-reconversao-e-continuidade.html).
A extensão da Nova Rota da Seda a África, (http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/portos-de-angola-e-mocambique-ligados-a-nova-rota-da-seda) particularmente concentrada na África Oriental e Corno de África (em torno de Djibouti), é um contencioso-alvo para os Estados Unidos na azáfama do que o império da hegemonia unipolar está a aplicar a África!
Nessa “nova guerra fria” as posições dos Estados Unidos e de vassalos neocoloniais e neocolonialistas como a França, a Espanha, a Itália e Portugal, têm assumido vantagens na África do Norte, na África do Oeste, no Sahel, na África Central (Grandes Lagos) e em franjas da África Austral como em Angola e em Moçambique. (https://tudoparaminhacuba.wordpress.com/2012/10/05/o-fardo-da-hegemonia/).
As práticas de conspiração em espiral e a partir de fulcros contraditórios como a Líbia e o Ruanda, estão a dar os seus frutos para o sistema do domínio de 1% sobre o resto da humanidade, sob um sanguinolento tapete de intermináveis tensões, conflitos e guerras que tendem em redesenhar o mapa decorrente da Conferência de Berlim, instaladas que estão as esferas de influência arquitectadas sobretudo pelos anglo-saxões e sionistas, explorando tutelas via AFRICOM. (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/04/28/africa-da-inercia-a-catastrofe/).
3- O esmagamento de Kadafi na Líbia (http://pagina--um.blogspot.com/2011/03/opcao-pelo-inferno.html) e a espiral de caos que se seguiu, afectou a imensa região dos desertos e savanas quentes do Sahara e do Sahel, com a disseminação dos impactos dos radicais islâmicos sunitas e wahabitas desde o Cabo Verde, no Senegal, até aos cabos do leste da ilha de Socotra, que pertencente ao Iémen e continua Índico Norte adentro o Corno de África! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/06/18/charla-debate-sobre-libia-y-africa-con-patrick-mbeko/).
O que Kadafi havia erigido na Líbia (https://www.voltairenet.org/article171767.html), em termos de independência, soberania, desenvolvimento e bem-estar para o seu povo e em benefício dos povos africanos e da OUA, eclipsou-se numa espiral de caos, de terrorismo e de desagregação que afectou a África do Oeste, a África Central e o Corno de África, envolvendo todo o Sahel até ao Lago Chade (Boko Haram), a bacia do Nilo (a artificiosa divisão e vulnerabilidade do Sudão) e a bacia do Congo (Grandes Lagos e República Centro Africana)… (http://paginaglobal.blogspot.pt/2018/04/pesadas-penas-neocoloniais-para-africa-i.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.pt/2018/04/pesadas-penas-neocoloniais-para-africa.html).
Em 2011 e nos anos que se lhe seguiram, acompanhei a evolução dessa disseminação que tacitamente tanto tem a ver com o persuasivo “soft power” insuflado no laboratório AFRICOM por via dos grandes falcões anglo-saxónicos e sionistas. (http://paginaglobal.blogspot.pt/2016/01/novo-desastre-programado-para-africa.html).
Um ponto de situação exaustivo é-nos lembrado aqui, espelhando a colecção informativa e analítica dos palestinos: (http://uprootedpalestinians.blogspot.com/2012/05/zionist-infestation-of-africa-revisited.html).
O movimento de nómadas e seminómadas, em direcção da África do Norte e Mediterrâneo, como em direcção à região vital das grandes Nascentes e Grandes Lagos do espaço continental africano (em direcção da África Central e Austral), está a ser oportunisticamente aproveitado para injectar ainda mais disputas (fundamentalismo radical islâmico de origem sunita/wahabita, caos, terrorismo e desagregação), numa manobra que aumenta exponencialmente o coque constante a que está sujeita a imensa região vital da África tropical rica em água interior, onde se encontra as culturas sedentarizadas do continente! (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/irracionalidade-humana-na-subversao-de.html).
4- A posição dominante do império da hegemonia unipolar nos Grandes Lagos e região das nascentes dos maiores rios africanos (repito o Nilo, o Congo e o Zambeze), a posição dominante na área de espaço vital equatorial, sobretudo enquadrado entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio, foi conquistado pelo lóbi dos minerais sob regência da administração democrata de Bill Clinton, com a ascensão de Paul Kagame ao poder no Ruanda, (https://blackagendareport.com/praise-blood-crimes-rwandan-patriotic-front-0) o que explica em parte os êxitos (em termos de capitalismo neoliberal) do próprio Ruanda!
As contradições internas do próprio Ruanda foram aproveitadas para o raio de expansão na Região dos Grandes Lagos e nascentes do Congo, Nilo e Zambeze! (http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/rwanda/etc/interview.html).
Quer dizer por outro lado, os impactos dos movimentos de pressão fundamentalista islâmica dirigem-se para uma região de culturas eminentemente sedentárias, previamente “preparadas”, (https://sfbayview.com/2017/09/bill-clintons-favorite-african-paul-kagame-wins-re-election-by-99-percent-arrests-opponent/) mas também ela sob controlo remoto dos interesses da hegemonia, ampliando assim o espectro controlado das contradições e jogando, com poucos obstáculos, com o injectado fundamentalismo, caos, terrorismo e desagregação! (https://umoya.org/2019/06/18/nueva-guerra-ruanda/).
Essa essência da ingerência em nome do império da hegemonia unipolar, ali onde não há Nova Rota da Seda, dilui até ver a emergência da influência da China e dos BRICS nas contradições transversais em África, inclusive nos Congos e República Centro Africana, onde apesar de tudo a Rússia se movimenta também mais à vontade!
O Ruanda como fulcro catalisador da manobra hegemónica nos Grandes Lagos, tendo em conta a água interior e os minerais que são matérias-primas para as novas tecnologias da Nova Revolução Tecnológica decorrente, beneficia de toda a propaganda e publicidade, como um factor gerador de influências e de mobilização no largo espectro dos Grandes Lagos e região das nascentes de três dos maiores grandes rios africanos!... (https://umoya.org/2019/05/07/marginacion-hutu-ruanda/).
5- Em jeito de conclusão:
Os Estados Unidos possuem ainda incomensuráveis capacidades geoestratégicas de ingerência e manipulação neocolonial em África, que recorrem a seus vassalos da NATO e “parcerias” agenciadas em muitas elites africanas afins, explorando os processos contraditórios entre as regiões de desertos e savanas quentes e pobres em água (onde proliferam as culturas nómadas e seminómadas), face às regiões equatoriais ricas em água e espaço vital (onde proliferam as culturas sedentárias ainda que em regimes de autossubsistência).
Ganhar consciência dialética dessa situação crítica relativa a África, é um primeiro passo de consciência crítica e rebelde, nos termos da lógica com sentido de vida, das possibilidades de desencadear uma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável como um processo de paz para todo o continente africano e desse modo, gerar a cultura de inteligência pan-africanista capaz de enfrentar os fenómenos climáticos e ambientais que estão a atirar os africanos, a própria humanidade, para o abismo!
Martinho Júnior - Luanda, 22 de Junho de 2019
Imagens:
01- Mapas de estudo sobre o relacionamento dos factores físico-geográfico-ambientais com os factores humanos;
02- Mapas sobre as migrações africanas contemporâneas;
03- Mapa relativo ao caos, terrorismo e desagregação injectados na Líbia;
04- O plano da CIA que acabou por ser aplicado na ascensão de Paul Kagame no Ruanda, Grandes Lagos e região das nascentes de três dos maiores rios africanos;
05- Paul Kagame com Netanyahu, uma vocação para os impactos da hegemonia unipolar em África, explorando processos contraditórios e disseminando expansão.
A consultar:
O LABORATÓRIO AFRICOM

 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/a-dialetica-como-arma-geoestrategica-do.html

Nelson Mandela – 10 de maio de 1994

Há um quarto de século, Nelson Mandela, ao tomar posse como presidente da África do Sul, declarou «Nunca, nunca e nunca de novo esta bela terra experimentará a opressão de um sobre o outro».

Esse dia ficou na História porque a história de uma vida singular o tornou possível. O pacifista que defendeu uma sociedade democrática e pluriétnica para um país livre é a maior referência ética africana e das maiores da Humanidade.

O velho prisioneiro e primeiro presidente da África do Sul livre, condenado a prisão perpétua, resistiu ao cativeiro 27 anos e ao ódio e à vingança o resto da sua vida. Foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz e foi maior o prestígio para o Prémio do que para o premiado.

O líder da resistência não-violenta da juventude, fora julgado por traição. Foragido, foi capturado pelo governo racista, em 1962, com apoio da CIA. O advogado dos direitos humanos entrou num cárcere do regime de segregação racial e esse prisioneiro, 46 664, tornou-se o símbolo dos que não desistem de transformar o Mundo e mudou o país que era coutada só de alguns.

Em 1987, o PM português, Cavaco Silva, mandou votar contra uma resolução da ONU que exigia a libertação incondicional de Mandela, apenas ao lado dos EUA, de Reagan, e do Reino Unido, de Thatcher, numa votação que registou 3 votos contra, 129 a favor e 23 abstenções. Foi a pequenez do mordomo na raiva comum ao Homem.

Um quarto de século é o pequeno lapso de tempo decorrido desde que Mandela entrou na História pela porta da honra e da glória, mas demasiado grande na vida de cada um de nós.

O seu exemplo na luta pelos direitos humanos e o despojamento com que renunciou ao poder criaram um paradigma de combatente dos direitos humanos e de governante, alterando o curso da história da alegada supremacia branca.

O Prémio Nobel da Paz de 1933 honrou a distinção com a dignidade com que exerceu o cargo e o desprendimento com que o deixou. A grandeza moral de quem perdoou aos carcereiros e aos países que foram cúmplices são a herança de um homem de exceção e patriota exemplar.

O prestigiado dirigente político (ANC), lutador incansável contra o apartheid e primeiro presidente negro da Africa do Sul não é apenas a figura ímpar da África do Sul e de todo o continente africano, é um excelso cidadão do mundo.

Há 23 anos, no firmamento negro, brilhou uma estrela de primeira grandeza.

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https://ponteeuropa.blogspot.com/2019/05/nelson-mandela-10-de-maio-de-1994.html

ÁFRICA, DA INÉRCIA À CATÁSTROFE - Martinho Júnior

PARA ÁFRICA, HOJE JÁ É TARDE DEMAIS!

Martinho Júnior, Luanda  

1- Todos os indicadores sobre África, ao invés de revelarem indício de algum renascimento, remetem-nos para leituras crónicas que muito têm a ver com a inércia, a catástrofe e a morte.
Os indicadores integrados, que abrangem sobretudo as questões de largo espectro relativas ao relacionamento do homem com o ambiente que o cerca no espaço físico-geográfico continental, são os mais críticos e conferem-nos uma certeza: África testemunha nas suas próprias entranhas vitais a aceleração da degradação da Mãe Terra e torna-se no mais incontrolável factor de desequilíbrio, à beira dum dramático abismo, onde o futuro é apenas uma garantida aridez que tem tudo a ver com uma incandescente catástrofe!
Vista a situação nesses termos, a hegemonia nos seus propósitos de domínio “promoveu” em África uma manipulada plataforma, que lhe permitirá garantir invulnerabilidade às suas incomensuráveis capacidades de ingerência neocolonial em curso!

De facto há duas questões de invulnerabilidade fundamentais a considerar entre outras nos termos gerais da responsabilidade humana nos processos correntes da hegemonia unipolar do império em África:
A primeira é que é o capitalismo o factor exclusivo que levou ao actual estado de degradação sem apelo nem agravo, pois após o colapso do campo socialista no princípio da década de 90 do século passado, não existe outro modo de vida nos relacionamentos internacionais e nas múltiplas implicações de seu tão desajustado “ordenamento”.
O segundo é que os Estados Unidos incrementaram seus vínculos em África numa escala sem precedentes, consumando o advento do seu comando regional desde o princípio do século XXI, preocupando-se com todo o tipo de ingerências e manipulações, mas pouco se preocupando com as questões que se prendem aos relacionamentos homem-ambiente no continente-berço.
Nesse sentido, conferiu ao AFRICOM um papel que levou à disseminação militar de pequenas unidades sobretudo no imenso Sahel (a maior região de expansão dos desertos quentes em África), mas também insuflou-lhe capacidades civis determinantes na sua presença em múltiplos sectores de actividade, inclusive em amplas áreas rurais afectadas.
África está incapaz por si só de vencer a inércia que leva a essa incineração em aridez, em termos da relação homem-ambiente, pelo que o agenciamento de suas elites pressionadas à assimilação com os ajustes implícitos nas políticas de “soft power” que respondem aos expedientes da hegemonia, é para elas uma espécie de garantia única de sobrevivência face aos enredos de caos e terrorismo que as cercam e agora têm inexoravelmente de enfrentar!
Na África do oeste, os expedientes neocoloniais típicos da “FrançAfrique” são por demais evidentes, impondo-se um Franco CFA responsável pela canalização anual de 440 mil milhões de euros para “engrandecimento” do território “metropolitano”!
Por essa razão as elites africanas tornaram-se tão “pródigas” nos termos social-democratas tanto na sua autodefinição como da interpretação que fazem dos fenómenos, ou seja, no que à superestrutura ideológica diz respeito.
Desse modo a expansão do radicalismo islâmico que conduz ao caos e ao terrorismo, conta com uma enorme capacidade de expansão que acompanha a expansão dos desertos quentes no norte do continente e a migração forçada de milhões de africanos.
A psicologia do terrorismo e do caos expandida em largos substractos humanos, provoca um medo que tem no próprio ambiente um fermento útil, expandindo-o numa espiral incontrolável.
A região do Sahel, embora o paliativo da construção dum “muro verde”, ao ser atingida em cheio pelos fenómenos de desertificação e de degradação dos solos, é onde o jihadismo do islão sunita-wahabita radical encontra seu terreno fértil de manobra pressionante, quer na direcção do Mediterrâneo, quer em direcção a sul, fluindo com a gravidade das migrações.
A guerra psicológica em África, conta com esse tipo de ingredientes, pelo que as alienações, ilusões e mentiras inerentes aos processos e expedientes dominantes podem por isso operar numa base de “soft power” aferida à superestrutura ideológica social-democrata das elites que dominam os tão vulneráveis estados, em especial desde que se provoque uma situação fulcral…
O que se provocou com o ataque dos Estados Unidos e da NATO à Líbia em 2011, permitiu a rápida expansão do caos e terrorismo por todo o Sahel em violentas ondas que não mais foram paradas, numa altura em que os desertos quentes estão em expansão em África e a água interior se vai reduzindo, provocando a migração da miséria nos vastos cenários do Sahel, em toda a transversal continental, entre o Atlântico e o Índico.
No momento em que o Lago Chade se reduz na sua superfície a cerca de 10% em apenas 40 anos, ganhou o Boko Haram na ardência dum desespero ilimitado, o seu santuário “natural”.
2- A consciência dos países de climas frios sobre a situação que está a prevalecer em África, ainda que fundamentada em conhecimento científico que cada vez mais se vai comprovando, está longe de associar as amplas e profundas razões causais, sendo incapaz de perceber que em África, os fenómenos que se implicam na barbárie e na guerra, têm tudo a ver com uma dialética entre contrários exclusiva ao continente africano.
Há um contraditório pungente entre as enormes regiões onde os maiores desertos quentes do globo inexoravelmente se expandem e as regiões ricas em biodiversidade debaixo de cada vez maior compressão, provocando que as tensões cresçam nas áreas propícias à biodiversidade, acelerando a degradação numa escala que se começa a aproximar, em termos de perdas, da ordem geométrica.
Milhares de espécies vegetais e animais desaparecem em África irreparavelmente, sem hipótese de se fazer parar esse catastrófico ciclo de morte.
Os impactos sobre os países pobres no que diz respeito ao aquecimento global é segundo alguns, 20 vezes mais degenerativo que nos outros, pelo que a ideia da passagem da inércia à catástrofe corresponde não só à sua própria impotência, mas também à impotência dos outros em socorrer África na escala que ela efectivamente necessita, ao nível dos desafios que tem imperativamente de vencer numa corrida contra o tempo que para tantas espécies já está perdida!
O ciclo interminável de guerras que afectam as regiões ricas em biodiversidade e onde o espaço vital dá outras garantias de sobrevivência ao homem tem razões causais, qualquer delas longe sequer de serem abordadas, apesar de elas serem tão determinantes e terem implicações tão fortes no futuro.

Tenho levantado como muito premente a necessidade de se introduzir uma geoestratégia para um desenvolvimento sustentável, com base no relacionamento do homem com o espaço ambiental e físico-geográfico, levando em conta a necessidade de preservação das fontes de água interior, todavia as ideologias social-democratas afeiçoadas aos processos neocoloniais em curso, ao sabor dos interesses da hegemonia, fogem ao tema, “como o diabo foge da cruz” e eu assemelho-me a um eremita a pregar no deserto!
Os Grandes Lagos africanos estão a ser contaminados, por via de processos de industrialização, alguns deles referentes à mineração de ouro, ao mesmo tempo que aumentou exponencialmente a pesca comercial ilegal, por abandono da pesca artesanal de subsistência.
Contaminação devido a mineração e a pesca comercial ilegal em enormes proporções, passaram a influenciar a vida desde os Grandes Lagos às águas do Nilo, Sudão e Egipto adentro…
A perca-do-Nilo ao ser introduzida, diminuiu as espécies autóctones e, por outro lado, as águas foram invadidas por tapetes de jacinto-de-água, uma espécie lacustre proveniente da América, que embora esteja a ser combatida, ainda é muito profusa, invadindo vastas extensões nas margens.
Por outro lado, devido às secas, os Grandes Lagos estão a diminuir a cubicagem de água.
A crescente população que se concentra em torno dos Lagos (sobretudo em torno do Lago Vitória), deixou de se dedicar à agricultura e pesca de subsistência para se dedicar à mineração, à pesca comercial, ao comércio e outras actividades afins, sem qualquer tipo de controlo.
Em 1960 a densidade demográfica era de cerca de 50 habitantes por quilómetro quadrado em torno do Lago Vitória e neste momento, é de 5 vezes mais…
Para África, hoje já é tarde demais!
Martinho Júnior - Luanda, 27 de Abril de 2019
Mapas:
Em África há a imparável expansão dos desertos quentes;
Adeus Lago Chade (em apenas 40 anos);
À volta do Lago Vitória, a densidade populacional é 5 vezes superior à registada em 1960.
Relacionamento entre alterações climático-ambientais, as migrações humanas e a diminuição ou aumento da densidade populacional em África;
Migrações humanas em África, numa escala sem precedentes.

 

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África do Sul | 25 anos após apartheid, sonho de Mandela ainda é "miragem"

Um quarto de século após o fim do "apartheid", a corrupção, a desigualdade social e o racismo ainda caracterizam a África do Sul. O sonho de igualdade de Nelson Mandela continua por cumprir.
Completam-se neste sábado (27.04) 25 anos desde o nascimento da nova África do Sul, a denominada "nação arco-íris", após meio século de "apartheid", o sistema de segregação racial.

As primeiras eleições da África do Sul verdadeiramente democráticas realizaram-se a 27 de abril de 1994. Todos os sul-africanos, registados numa lista eleitoral comum, puderam votar. Isso marcou o fim de uma longa e dura luta pela liberdade, assim como a separação entre brancos e negros. Como Presidente, o objetivo de Nelson Mandela era reconciliar a minoria branca com a maioria negra no país. A entrada para a democracia foi celebrada em todo o mundo.


Hoje, os desafios políticos e económicos são enormes. O sonho de Nelson Mandela mantém-se vivo? A bandeira colorida da África do Sul, içada há 25 anos, continua a ser um símbolo do momento da partida para uma nova era, o momento em que o então Presidente sul-africano Frederik Willem de Klerk e o lutador pela liberdade Nelson Mandela concordaram em acabar com o "apartheid".

Um quarto de século depois, a euforia diminuiu e os problemas são muitos, começando pelos altos índices de desemprego, criminalidade e iliteracia, a África do Sul está a lutar politica e economicamente em várias frentes.
Racismo em primeiro plano

Shenilla Mohamed, diretora executiva da Amnistia Internacional na África do Sul, recorda que "Mandela tinha um sonho muito romântico de uma nação onde todos são iguais, onde as pessoas têm acesso aos seus direitos básicos, económicos, sociais e culturais. Mas a África do Sul é um país onde a qualidade de vida não melhorou para a maioria da população em 25 anos, com questões como racismo ainda em primeiro plano."

"As pessoas ficaram dececionadas com um sistema que prometeu que tudo era possível", acrescenta.

De facto, o país é abalado pela corrupção dentro do próprio Governo. Milhões de rands sul-africanos terão sido desviados por funcionários do Executivo para uso privado, afirma o analista político Nickson Katembo em entrevista à DW África.

"A África do Sul atualmente ocupa o lugar 73 entre os 180 [países] do Índice de Percepção da Corrupção, publicado anualmente pela ONG Transparency International, mas a pobreza continua a ser o maior obstáculo do país. Um em cada quatro sul-africanos está desempregado e o número estimado de pessoas desalojadas é de cerca 200.000. O acesso à saúde e o fornecimento de eletricidade ainda não são assegurados a todos", refere.

Garantir justiça económica

A razão está na persistente desigualdade entre ricos e pobres, negros e brancos, indica ainda o analista Katembo. "Há uma lacuna entre os que têm e os que não têm. Cerca de 20% da população da economia sul-africana vive bem, enquanto 79% está abaixo do limiar da pobreza, o que representa um desafio à distribuição de recursos", afirma.
"O maior desafio para o Governo é garantir a justiça económica para a maioria das pessoas neste país", defende o analista.

"Alguns dizem que a ideia de Mandela de uma nação arco-íris deixou de ser um sonho para se transformar numa miragem", lembra Katembo. O problema decorre da falta de assertividade do Governo, segundo o analista. "Os líderes políticos esqueceram-se da sua missão principal: cuidar do povo. Agora, o Governo deve lembrar a ideia fundadora de Nelson Mandela e as propostas da Comissão de Verdade e Reconciliação", sugere.

A comissão, que pretendia rever os crimes do "apartheid" em numerosas audiências, apresentou ao Governo um relatório com propostas para melhorar a democracia jovem. Mas muitos consideraram  as propostas insuficientes para se obter progressos concretos.

Nova etapa?

A 8 de maio haverá novas eleições na África do Sul. Será eleito um novo Parlamento e, por conseguinte, um novo Presidente. 

A má-gestão dos sucessivos governos do Congresso Nacional Africano (ANC) nos últimos 25 anos é apontada por muitos como razão para o mau estado da economia.

O desemprego ainda é superior a 20%. Muitas pessoas vivem na pobreza e partes do país continuam sem eletricidade. Há 25 anos atrás, as expetativas eram muito maiores.
Silja Fröhlich, ac | Deutsche Welle

 

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União Africana faz ultimato a militares sudaneses

União Africana faz ultimato a militares sudaneses
Se dentro de 15 dias as Forças Armadas do Sudão não transferirem o poder para uma autoridade transitória liderada por civis, terão de enfrentrar a suspensão da União Africana. Órgão condena formação de Conselho Militar.
Em comunicado, o diretor do Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA), Admore Kabudzi, condenou a formação do Conselho Militar de Transição e a suspensão temporária da Constituição no Sudão. "Os militares sudaneses devem entregar o poder imediatamente", apelou.

O tenente-general Jalal al-Deen al-Sheikh, membro do Conselho Militar de Transição, encontrou-se esta segunda-feira (15.04) com o primeiro-ministro da Etiópia em Adis Abeba, onde está a sede da UA. Em conferência de imprensa garantiu que já está em curso o processo de escolha um primeiro-ministro para formar um governo civil.


"Iniciamos este processo antes mesmo desta sessão com a UA. Esta é a nossa convição e também um caminho para a paz. Mas também respeitamos e estamos comprometidos com a decisão do Conselho de Paz e Segurança da União Africana", afirmou Jalal al-Deen al-Sheikh.

Intenções suspeitas?

Em entrevista à DW África na capital alemã, Berlim, o ativista sudanês Adam Bahar diz que há motivos para suspeitar das intenções do Conselho Militar de Transição do Sudão. "Eles prometem, mas de facto não fazem nada. A estrutura do antigo regime continua lá", lembra.
"Não se sabe sobre os serviços secretos, que nos últimos meses mataram centenas de pessoas. Até agora também não sabemos sobre o ditador Omar al-Bashir. Dizem que ele está detido, mas não avançam mais informações para o público", sublinha ainda o ativista.
Na segunda-feira (15.04), durante um encontro com o chefe da Agência da ONU para os Refugiados, a chanceler alemã, Angela Merkel, demonstrou preocupação com a situação política e dos direitos humanos no Sudão. Angela Merkel também conversou por telefone com o Presidente do Egito, Abdel-Fattah el-Sissi, e afirmou que a Alemanha apoia as exigências do povo sudanês para a formação de um governo civil. 

Pressão nas ruas continua

O grupo que liderou os protestos contra o Presidente deposto Omar al-Bashir insiste na dissolução do conselho militar provisório, que tomou o poder na semana passada, e lançou um novo apelo para a formação de um governo civil. Em conferência de imprensa, horas depois de tropas do exército terem tendado intimidar os manifestantes, o líder da Associação de Profissionais do Sudão, Taha Osman, reiterou as principais reivindicações dos manifestantes, que desde 6 de abril estão acampados à porta do Ministério da Defesa em Cartum, a capital sudanesa.

"Uma das principais exigências do movimento de protesto é a formação de um conselho civil, soberano, com representação militar para proteger a revolução e garantir que as exigências sejam atendidas", declarou. Outras das revindicações é a criação de um governo civil, "com plenos poderes executivos".

Além da passagem do poder para as mãos do povo, a Associação de Profissionais do Sudão renovou os pedidos para que o chefe do judiciário e os seus representantes sejam demitidos. Também exigiram a dissolução do Partido do Congresso Nacional de Omar al-Bashir e pediram a apreensão dos bens do partido e a prisão de figuras proeminentes.

Outras exigências são a dissolução de grupos paramilitares leais ao antigo Governo e da autoridade de operações do Serviço Nacional de Inteligência e Segurança e o fim da lei de imprensa do Sudão e da lei de ordem pública, que os movimentos sociais dizem restringir as liberdades.
Deutsche Welle | tms, Abu-Bakarr Jalloh, AP, Reuters

 

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Arábia Saudita e Emirados Árabes saúdam 'governo militar de transição' no Sudão

Manifestantes sudaneses em Cartum comemoram do ministro da Defesa, Awad Ibn Auf, renunciar ao cargo de chefe do conselho militar de transição do país.
© Foto : Stringer

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos resolveram reconhecer o governo militar que depôs o presidente sudanês, Omar al-Bashir após 30 anos no poder e inúmeras denúncias de violação dos direitos humanos.

Os sauditas disseram apoiar "o povo sudanês" e pediu que cidadãos "priorizem o interesse nacional". Isso porque organizadores dos protestos que depuseram al-Bashir não aceitam o prazo de dois anos dado pelos militares para entrega "imediata e incondicional" do governo aos civis.


O rei saudita Salman ordenou o envio de um pacote de ajuda ao Sudão contendo produtos de petróleo, trigo e remédios. Já os Emirados Árabes Unidos solicitaram aos sudaneses que "trabalhem para proteger a legitimidade e garantir a transferência pacífica de poder". O país saudou a chegada do general Abdel-Fattah Burhan à chefia do conselho militar sudanês.

Al-Bashir caiu após quatro meses de protesto. Partidos ligados ao movimento divulgaram comunicado conjunto ontem em que convocam a população a permanecer nas ruas até que o governo civil seja estabelecido. Os militares que assumiram o poder alegam precisar de tempo para promover eleições transparentes no país.

Em fevereiro, al-Bashir proibiu reuniões públicas e concedeu amplos poderes de repressão à polícia, em uma última cartada para sufocar os protestos. Dezenas de pessoas foram mortas em confrontos entre policiais e manifestantes, e centenas foram julgadas em tribunais de emergência. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019041413681332-arabia-saudita-emirados-arabes-militares-sudao/

Mídia: сom golpe de Estado, exército derruba presidente do Sudão (FOTO, VÍDEO)

Manifestações no Sudão, 10 de abril de 2019
© REUTERS / Stringer

O Exército do Sudão derrubou o presidente Omar al-Bashir após várias semanas de protestos, informou hoje (11) o canal de televisão Al-Mayadeen.

O Exército do Sudão decidiu afastar o presidente Omar al-Bashir de todos os cargos e demitir o governo, informou o canal de televisão Al-Mayadeen, citando fontes. Segundo a mídia, o exército anunciará a criação de um comitê militar que liderará o país durante o período de transição.

O jornal Al Hadath também disse que suas fontes confirmaram a demissão de Omar al-Bashir.

Anteriormente, a agência Reuters informou, citando a televisão estatal, que o Exército do Sudão faria uma "declaração importante em breve", acrescentando que a rádio estatal sudanesa começou a tocar música patriótica.

Segundo a mídia local, um grupo de militares supostamente entrou no prédio da rádio sudanesa.

O Al Hadath informou que o presidente Omar al-Bashir foi detido.

Foram enviados unidades do exército e veículos blindados adicionais à capital do país, Cartum. A polícia desapareceu das ruas, informou a mídia local.

A Reuters informou, citando testemunhas, que as pessoas nas ruas estão cantando "Foi derrubado, vencemos!"


Milhares de pessoas foram às ruas da capital sudanesa no fim de semana, exigindo a demissão do presidente do país, Omar al-Bashir. Os comícios continuaram na segunda (9) e terça-feira (10). Segundo a organização não governamental Human Rights Watch, os confrontos entre manifestantes e forças de segurança resultaram em pelo menos oito mortes de sábado (6) a segunda-feira (8).

O Sudão está vivendo manifestações desde dezembro, causados pelo aumento dos preços dos bens de consumo. Os protestos em massa levaram Bashir, que está no poder há 30 anos, a dissolver o gabinete e a declarar o estado de emergência nacional por um ano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019041113652097-golpe-estado-sudao-exercito-derruba-presidente-foto-video/

A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019 (I)

O ano de 2018 reafirmou qual a geopolítica chinesa, no global, ou africana, no geral, e de certo modo reafirmou a angolana, em particular. Ou seja, a China reafirmou-se como uma potência global, não só a nível económico ou político. Também a nível militar e aeroespacial se avigorou.
A nível económico, no geral, não teve problemas em afrontar a potência mundial, os EUA, e a agressiva política económica de Trump e do “American First”. Uma situação que não se prevê possa diminuir de intensidade face aos compreensíveis interesses económicos de ambos.
A nível político, e aproveitando a “ausência” dos EUA no sistema internacional, baseado no asseverar do reforço económico e social das políticas internas da administração Trump e do afastamento deste, aliado a algumas ameaças de sanções económicas, de alguns os cenários mais importantes, principalmente para o Ocidente — leia-se, Europa — como são as políticas ambientais e a livre concorrência de produtos europeus de e para os EUA, assim como para outros países e que para o quais os EUA ameaçam com sanções; bem como uma agressiva política externa pró-israelita e anti- -establishment, em particular, anti- -iraniana e não-palestiniana, e numa política de um “não interesse” nas questões africanas — excepto e, na maioria dos casos, com razão, para criticar os líderes africanos — permitiram à China ter uma maior penetração na Europa, na Ásia e na América Latina como solidificar a sua influência em África.
E são estes factos que sinteticamente procurarei abordar.
Para a Europa criou uma “rota da seda” para a colocação dos seus produtos e de muito do seu excedente comercial e financeiro, e, em particular em Portugal, solidificou a sua presença a nível financeiro, estando presente nas principais empresas portuguesas, nomeadamente na energia e nas finanças. A recente visita do líder chinês, Xi Jinping, a Portugal, reforçou essa presença e esse influxo (a vontade de usar o porto de Sines — o maior e mais ocidental porto da Europa — e a sua prevista ligação ferroviária de alta velocidade de mercadorias ao heartland europeu são factores que alimentam ainda mais a atracção dos chineses a Portugal). A investigadora portuguesa Cátia Mirian Costa, especialista em temáticas chinesas, aborda estes temas, quer sobre as relações com Portugal, como sobre as ainda debilidades com que a China padece a nível ecológico, num recente artigo n’O Jornal Económico, «China, essa desconhecida» (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/china- -essa-desconhecida-391715).
Na Ásia e na América Latina mais do que emerge, reafirma- -se como um parceiro importante, seja a nível económico — é um comprador firme do petróleo venezuelano — seja a nível político, com a afirmação do BRICS. Mas na Ásia, e de certa forma, a nível global, a importância do seu poder sobre Pyongyang levaram a uma aproximação do líder norte- -coreano, Kim Jong-un, aos seus irmãos do Sul e a um melhor relacionamento com os EUA, em geral, e com Trump em particular, levando os dois líderes a se encontrarem em Singapura para um acordo de progressivo “desarmamento nuclear” na Península Coreana.
Xi Jinping, discretamente, e como é apanágio chinês — ver a minha “Teoria do Mahjong”, já aqui descrita no Novo Jornal, na edição 390, de 24 de Julho de 2015, ou no meu livro Of the An Instrumentality Power to the Mahjong Theory […], edição Lambert Academic Publishing, de 2015 —, acabou por ser o principal beneficiário desta aproximação. Como sempre tenho escrito, a Coreia do Norte não consegue subsistir sem o apoio político, económico, financeiro e científico dos chineses.
Mas é em África, em geral, e em Angola, em particular, que a China mais reafirmou a sua presença. Reafirmou e, mais que reafirmar, impôs-se.
Até há pouco anos, a China assentava o seu poder militar nas forças terrestres, sobretudo, e aéreas. Recentemente, e como todos os países oceânicos, percebeu que o poder naval era importante para se afirmar quer na área e na salvaguarda das suas costas e áreas marinhas e económicas, como um meio de projecção internacional.
No caso africano, em análise, a defesa das suas frotas de e para a China estavam a ser postas em causa com os actos de pirataria tanto na região malaia como, e principalmente, no Golfo da Áden e no Corno de África, com a pirataria somali. Actos que produziam elevados prejuízos aos chineses.
Por esse facto, a China começou a desenvolver uma flotilha naval com a construção, não só de barcos patrulhas e fragatas — que já tinham — como o fabrico de navios de guerra de grande porte (destróieres) e de porta-aviões (prevê, no final, ter cinco porta-aviões, incluindo dois de propulsão nuclear), sendo que o primeiro já está em fase final de testes (ver em https://www.naval.com.br/blog/tag/marinha- -chinesa/).
Mas a presença naval chinesa em África deixou ser só no mar. A China obteve permissão do Djibuti para criar um porto e estacionar parte da sua força naval no Golfo de Áden, neste país. Muito perto das forças francesas e norte-americanas. A China deixou de ser só uma potência economia e política em África, para ser uma potência global no continente africano.
Se a presença chinesa em África se tornou global, ainda é o poder económico e político que mais se faz sentir no nosso continente, em geral, e em Angola, em particular.
Uma das primeiras vistas do presidente João Lourenço ao exterior foi precisamente à China, onde a par do reforço das relações entre os dois países lhe permitiu não só “se apresentar” ao líder chinês como tentar — e conseguir, com algum custo — um novo empréstimo financeiro junto de Beijing. Sabe-se — pouco, é certo — que Xi Jinping fez depender este novo empréstimo de algumas condições prévias que, na realidade, estão guardadas nos cofres da diplomacia dos dois países.
Mas não são só estas condições que estão nos segredos dos deuses sino-angolano. Na realidade ninguém, de boa-fé, pode afirmar qual é a nossa dívida real à China. Nem o FMI, nem — muito menos — as empresas de rating o sabem. Cabe aos países relacionados informar estas entidades das suas dívidas e serviços de dívida (juros). E só elas, e quando o querem, informam os valores em causa. Ora, os nossos sucessivos Governos sempre consideraram não ser nem necessário divulgar estes valores. Puro erro. A comunidade nacional precisa de saber o que deve, a quem deve e quanto deve. Talvez isso permitisse aos angolanos não serem tão expansivos em algumas das suas despesas.
*Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) e investigação para Pós-Doutorado pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto
**Todos os textos por mim escritos só me responsabilizam a mim e não às entidades a que estou agregado.
Novo Jornal
*Eugénio Costa Almeida – Pululu - Página de um lusofónico angolano-português, licenciado e mestre  em Relações Internacionais e Doutorado  em Ciências Sociais - ramo Relações Internacionais - nele poderão aceder a ensaios académicos e artigos de opinião, relacionados com a actividade académica, social e associativa.

20.01.1973 - Amílcar Cabral

Foi nesse dia, há 46 anos, que Amílcar Cabral foi assassinado em Conacri. Tivesse a morte esperado um pouco mais e teria assistido ao 25 de Abril.
Nasceu na Guiné, em Bafatá, em 12 de Setembro de 1924, fez o liceu em Cabo Verde e veio mais tarde para Lisboa onde se licenciou em Agronomia. Em 1956 foi um dos fundadores do PAIGC, partido que, em Janeiro de 1963, declarou guerra contra o colonialismo de Portugal.
Está disponível online um riquíssimo arquivo, recuperado e tratado pela Fundação Mário Soares, a pedido das autoridades guineenses e cabo-verdianas e com o especial empenho de Aristides Pereira, Iva Cabral e Pedro Pires. Encontra-se na «Casa Comum», site criado por aquela Fundação, e pode ser consultado a partir daqui.
Um pouco de história e (boa) música com os Super Mama Djombo:

Leitura aconselhada: Diana Andringa, Conversas sobre Amílcar (Público, Janeiro de 1993)

Leia original aqui

O “grande jogo” das bases em África

Manlio Dinucci*
Criada em 2007, como resultado de um estudo israelita, o AfriCom (Comando dos Estados Unidos para África) nunca conseguiu instalar o seu quartel general no continente. A partir da Alemanha, esta estrutura leva - com a assistência da França na região do Sahel – operações anti-terroristas. Em troca, as multinacionais americanas e francesas detêm um acesso privilegiado às matérias primas africanas.
Os soldados italianos, em missão no Djibuti, doaram algumas máquinas de costura à organização humanitária que ajuda os refugiados neste pequeno país do Corno de África, situado em posição estratégica e localizado na rota comercial fundamental da Ásia-Europa, até à embocadura do Mar Vermelho, em frente ao Iémen. Aqui a Itália tem a sua própria base militar que, desde 2012, “fornece apoio logístico às operações militares italianas que se desenvolvem na região do Corno de África, no Golfo de Aden, na bacia da Somália e no Oceano Índico". Portanto, no Djibuti, os militares italianos não se ocupam, apenas, de máquinas de costura.
No exercício Barracuda 2018, realizado aqui, em Novembro passado, os atiradores escolhidos das Forças Especiais (cujo comando está em Pisa) treinaram em condições ambientais diversas, mesmo de noite, com armas de precisão altamente sofisticadas, capazes focar o objectivo a 1 ou 2 kmde distância. Não se sabe em que operações militares as Forças Especiais irão participar, visto que as suas missões são secretas; no entanto, é certo que elas ocorrem principalmente num âmbito multinacional, sob comando USA. Em Djibouti, existe Camp Lemonnier, a maior base USA na qual opera, desde 2001, a Task Force Conjunta - Corno de África, composta por 4.000 especialistas em missões altamente secretas, incluindo assassinatos por meio de comandos ou drones assassinos, em particular, no Iémen e na Somália. Enquanto os aviões e os helicópteros para as operações especiais partem de Camp Lemonnier, os drones têm estado concentrados no aeroporto Chabelley, a uma dezena de quilómetros da capital. Aqui estão a erguer-se outros hangares, cuja construção foi confiada pelo Pentágono a uma empresa de Catania, já contratada para outros trabalhos em Sigonella, a base principal dos drones USA/NATO para as operações em África e no Médio Oriente.
No Djibuti há também uma base japonesa e uma francesa, que abrigam tropas alemãs e espanholas. A estas foi adicionada, em 2017, uma base militar chinesa, a única fora do seu território nacional. Apesar de ter um objectivo logístico fundamental, como pousada para as tripulações dos navios militares que escoltam os navios mercantes e como depósito de suprimentos, ela representa um sinal significativo da crescente presença chinesa, em África. Presença essencialmente económica, à qual os Estados Unidos e outras potências ocidentais se opõem, contrapondo com uma presença militar crescente. Daí a intensificação das operações conduzidas pelo Comando África, que tem, em Itália, dois comandos subordinados importantes: o U.S. Naval Forces Europe-Africa, no quartel de Ederle, em Vicenza; as Forças Navais Europa-África (Forças Navais USA para a Europa e a África), cujo quartel general fica na base de Capodichino, em Nápoles, formada pelos navios de guerra da Sexta Frota, baseados em Gaeta.
No mesmo quadro estratégico, existe outra base norte-americana de drones armados, que está a ser construída em Agadez, no Níger, que o Pentágono já usa para drones - a base aérea 101, em Niamey. Prestaassistência às operações militares que os USA têm realizado há anos, juntamente com a França, na África do Sahel, especialmente no Mali, no Níger e no Chade. A estes dois últimos, chega amanhã o Presidente do Conselho, G. Conte. Estão entre os países mais pobres do mundo, mas riquíssimos em matérias-primas - coltan, urânio, ouro, petróleo e muitas outras - explorados pelas multinacionais americanas e francesas que, cada vez mais, temem a concorrência das empresas chinesas, que oferecem condições muito mais favoráveis aos países africanos.
A tentativa de impedir o avanço económico chinês, através de intervenções militares em África e noutros lugares, está a fracassar. Provavelmente, até as máquinas de costura doadas em Djibuti, pelos militares italianos aos refugiados, são "made in China".
Manlio Dinucci| Voltaire.net.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte Il Manifesto (Itália)
Na foto: Em Junho de 2018, Nancy Lindborg, Directora do Instituto da Paz dos EUA (USIP), visitou o quartel general da AfriCom em Estugarda. O USIP é o equivalente do NED para o Departamento de Defesa. Desenvolve acções “humanitárias” como a NED promove a “democracia”. Não se trata, obviamente, de uma fundação filantrópica do Pentágono, mas de um utensílio dos Serviços Secretos.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/o-grande-jogo-das-bases-em-africa.html

Absolvição de Laurent Gbagbo e Charles Blé Goudé

O Tribunal Penal Internacional pronunciou, a 15 de Janeiro de 2019, a absolvição de Laurent Gbagbo e Charles Blé Goudé, os antigos Presidente e Ministro da Juventude da Costa do Marfim.

Os dois homens foram processados por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Durante a crise pós-eleitoral de 2010-11, o Conselho de Segurança das Nações Unidas considerou que os dois homens se agarraram ao Poder pela força e submeteram-nos a sanções internacionais. Finalmente, eles foram detidos pelas Forças Especiais Francesas e transferidos para Haia. Após sete anos de prisão e dois anos de julgamento de grande espetáculo, os magistrados decidiram-se pela sua absolvição.

Para os partidários da colonização humanitária, este caso mostra a necessidade de reformar o TPI a fim de acabar com a impunidade dos criminosos africanos.

Pelo contrário, para os defensores da Justiça, o TPI não é um Tribunal conforme às normas dos tribunais de lei (por exemplo, é a mesma instituição que gere o Procurador e os Juízes residentes). Ele foi criado para justificar a posteriori as intervenções coloniais ocidentais, principalmente em África. Os juízes não podiam condenar Laurent Gbagbo e Charles Blé Goudé porque simplesmente estes não eram culpados dos factos (fatos-br) que lhes imputavam.

Aquando no Poder, o Presidente Laurent Gbagbo havia-se comportado primeiro como aliado exemplar do Pentágono, depois com o tempo tentara colocar os interesses de seu país em primeiro lugar. A França, então, suprimiu-lhe todos os meios financeiros, depois derrubou-o em favor de Alassane Ouattara, um amigo pessoal do Presidente Nicolas Sarkozy.

Ver original na 'Rede Voltaire'



Nova Guerra Económica em África Entre Europeus

A Alemanha lançou uma grande ofensiva em África, aproveitando a fraqueza francesa provocada pelo desgaste do violento embate com chineses, indianos e até turcos.


 

O nosso amigo Giuseppe Gagliano analisa esta nova guerra económica desencadeada pela Alemanha, assinala que a Itália não pode continuar a ser o “grande ausente” de África e que para tanto, para atingir este objectivo ambicioso, a Itália deve criar centros de inteligência económica, como os franceses , com o apoio das grandes empresas francesas, já fazem.

Ou seja, para a Itália, “a lição a ser aprendida consiste na consciência de que a inteligência constitui – como ensina Christian Harbulot – uma ferramenta indispensável no contexto da guerra económica”. 

Africa, la nuova guerra economica ha un solo grande assente: l’Italia

Giuseppe Gagliano | 30 dicembre 2018

Roma, 30 Dic. – Approfittando della attuale debolezza francese in Africa, la Germania sta attuando una postura politica offensiva con la creazione di un fondo di un miliardo di euro per promuovere gli investimenti delle pmi tedesche.

Questo nuovo interesse della Germania per il continente nero ha trovato una risposta quasi immediata con Macron che ha annunciato nel 2017, a Ouagadougou capitale del Burkina Faso, il lancio di un investimento di un miliardo di euro per le PMI che vogliono investire in Africa. Tuttavia, il vantaggio storico di Parigi rispetto alla Germania consiste nel fatto che la Francia è stata a lungo un giocatore chiave a livello economico nel continente, anche attraverso la Total, la Société Générale e la Peugeot.

La necessità di attuare una politica offensiva da parte francese nasce anche dalle analisi della Compagnia di Assicurazioni per il Commercio Estero (Coface) pubblicate nel giugno 2018, secondo le quali le quote di mercato delle esportazioni francesi in Africa si sono dimezzate poiché sono passate dall’11% nel 2001 al 5,5% nel 2107. Queste perdite hanno favorito la Cina e l’India, i cui prodotti economici hanno invaso il continente africano grazie a una strategia economica sempre più aggressiva. Ad esempio, nel settore farmaceutico i profitti francesi sono stati quasi dimezzati rispetto allo stesso periodo (dal 33% nel 2001 al 19% nel 2017) a favore dell’India che è passata dal 5% al ​​18% grazie ai farmaci generici a basso costo. Insomma cinesi, indiani ed anche turchi arrivano con prodotti più economici molto vicini alle esigenze del mercato africano.

Anche nel settore automobilistico la concorrenza di Pechino e Nuova Delhi (che è diventato il quarto fornitore africano in questo settore) ha danneggiato le imprese francesi che erano già alle prese con la fortissima concorrenza di giapponesi e coreani. Inoltre, la Francia ha perso importanti contratti in Africa a causa della Cina: l’assegnazione della costruzione di un megaprogetto idroelettrico in Nigeria alla CCEC cinese a scapito di Bouygues e Vinci e il progetto di diga idroelettrica faraonica Inga III nella Repubblica Democratica del Congo stimato in 80 miliardi di dollari, che è stato assegnato alla cinese China Three Gorges Corporation.

Questa situazione cambia profondamente a vantaggio delle imprese francesi se guardiamo al mercato sud africano che è il principale partner economico con un volume di scambi di 2,9 miliardi di euro nel 2017, mercato che è strutturato per assorbire l’economia delle grandi aziende.
In un contesto di spietata guerra economica come quello presente in Africa l’Italia deve approfittare delle debolezze dei concorrenti europei per inserirsi nel mercato e conquistarne quote investendo, proprio come sta facendo la Germania, nelle piccole e medie imprese che costituiscono la spina dorsale dell’economia italiana.

Per conseguire questo ambizioso obiettivo è necessario che anche l’Italia realizzi centri di intelligence economica come quelli francesi.

Si pensi, a tale proposito, sia a Guy Gweth – fondatore di Knowdys e presidente del Centre Africain de Veille et d’Intelligence Économique che ormai da diversi anni agisce con successo nel teatro africano – sia alla scuola panafricana di intelligence economica sorta dalla collaborazione tra il Centro di Studi diplomatici e strategici di Dakar (Ceds) e la Scuola di guerra economica di Parigi. 

Ancora una volta, la lezione da apprendere consiste nella consapevolezza che l’intelligence costituisce – come ha insegnato Christian Harbulot – uno strumento imprescindibile nel contesto della guerra economica.

Giuseppe Gagliano

Exclusivo Tornado / IntelNomics


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/nova-guerra-economica-em-africa-entre-europeus/

Quem é o predador? EUA fazem pouco, mas criticam investimentos de China e Rússia na África

Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton
© Sputnik / Aleksei Vitvitsky

Quando os EUA emprestam dinheiro para nações africanas ou investem no continente, tudo é justo e benéfico para todos os lados, mas quando outras nações o fazem, é praticamente colonialismo 2.0, segundo a nova Estratégia de África em Washington.

O conselheiro de segurança nacional do presidente estadunidense Donald Trump, John Bolton criticou a China e a Rússia por perseguir "práticas predatórias" na África, que "impedem o crescimento econômico" e "ameaçam a independência financeira das nações africanas".


A China usa "subornos, acordos opacos" para manter os países africanos "cativos aos desejos e demandas de Pequim", enquanto as façanhas de Moscou não são muito melhores, argumentou o funcionário. Mas aparentemente é uma história completamente diferente quando o dinheiro americano está envolvido.

"Pedimos apenas reciprocidade, nunca por subserviência", proclamou Bolton em um discurso sobre a Estratégia de Washington para a África na última quinta-feira, chamando os EUA de "a menor potência imperial na história do mundo".

No entanto, ao contrário do líder da China, Xi Jinping, que visitou a África nove vezes para promover grandes projetos de investimento, a Casa Branca parecia mais disposta a empregar seu Exército no continente — as tropas americanas estão estacionadas em 50 dos 54 Estados africanos.

O interesse renovado dos EUA na África é "uma estratégia geopolítica cínica" voltada mais para "tentar manter a supremacia contra a Rússia e a China" do que qualquer outra coisa, afirmou Lawrence Freeman, analista de assuntos africanos.

"A administração Trump não deseja realmente ajudar a África a se desenvolver. Eles veem a África como um peão em um tabuleiro de xadrez geopolítico", declarou ele em entrevista à RT.

Freeman argumentou ainda que, ao contrário das palavras de Bolton, os megaprojetos chineses como a Nova Rota da Seda não podem ser considerados "predatórios" porque ajudam os países africanos a construir infraestrutura crucial.


Durante décadas, a África foi apontada como "continente perdido" e "amortecida" principalmente porque "os EUA não estavam fornecendo dinheiro para infraestrutura nem fazendo nada para desenvolver a nação", avaliou Ann Lee, professora adjunta de economia e finanças da Universidade de Nova York.

"Agora que a China realmente transforma a África no continente de crescimento mais rápido, os EUA basicamente sentem que precisam recuperar o atraso", ponderou.

A professora Lee observou que os investimentos chineses tornam as nações africanas "mais ricas", dizendo que o tipo de "torção dos braços" que os EUA tendem a empregar "para obter concessões provavelmente não vai conquistar nenhum amigo".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018121412908652-eua-predador-africa/

Irracionalidade humana na subversão de África!


NA MATRIZ CAPITALISTA, POTENCIA-SE EXPONENCIALMENTE A BARBÁRIE SUBVERTENDO-SE A GRAVITAÇÃO DO ESPAÇO CIVILIZACIONAL!...
…Deste modo, a IIIª Guerra Mundial que está em curso, embora não seja assim sentida pela maior parte da humanidade graças aos impactos das alienações e da guerra psicológica no âmbito do “soft power” das potências alinhadas pela hegemonia unipolar, poderá vir a ser incrementada, subindo a fasquia do caos, do terrorismo e da desagregação!...
Essa indução provocará ondas, disseminadas em “conflitos de baixa intensidade e geometria variável”, por isso mesmo desgastantes em relação ao tecido social dos espaços-alvo, tirando partido da volatilidade das fronteiras onde existem menos ocupação político-administrativa, como acontece por exemplo à volta do Lago Chade.
Os instrumentos como Boko Haram, revelam quem atiça as brasas dessa fogueira de tão difícil extinção e os sangrentos impactos que isso propicia sobre as sociedades-alvo.

África é um dos “tabuleiros” preferenciais, também por causa das suas vulnerabilidades herdadas desde suas culturas e subculturas que ainda nem sequer substituíram o músculo humano pela máquina e muito menos têm acesso às novas tecnologias, África tornada exangue desde a escravatura nomundo antigo, do tempo dos faraós, desde o tráfico negreiro, o colonialismo arquitectado a partir da Conferência de Berlim e o "apartheid" enquanto resíduo de fascismo e nazismo, a que se veio juntar o contemporâneo capitalismo neoliberal, que abre espaço ao domínio do capitalismo financeiro transnacional!...
Os Grandes Lagos, a bacia do Congo e a África Austral verão aumentar inexoravelmente as pressões migratórias, parte delas com vínculos a este tipo de alianças em formação, com tentáculos instrumentalizados e sempre em expansão!...
Hoje esta aliança pode estabelecer nexos tácitos com a NATO, pode até ser tacitamente servil ou vulnerável aos agentes e aos falcões de Israel, mas se ela alcançar seus objectivos e crescer, amanhã pode ser que a própria NATO passe a ser seu alvo, um garante para quem domina, para quem pretende sempre dividir para melhor reinar, para quem recorre à barbárie, para fazer prevalecer os seus interesses, suas conveniências e suas exclusivas opções!
Esta aliança acompanha a radicalização da "civilização judaico-cristã ocidental", conforme ocorre na Europa e na América Latina, com os casos exponenciais da Ucrânia produto da Praça Maidan e do Brasil "evangélico" que levou à eleição de Bolsonaro!...

Essa radicalização fundamentalista dum lado e do outro, com barricadas que advêm do passado de séculos, está aberta à manipulação da "guerra entre civilizações", havendo como sintoma os termos e os métodos da guerra psicológica que o poder da hegemonia unipolar leva a cabo, num momento em que é já visível a redução da sua capacidade geoestratégica no enorme continente euro-asiático!
O império da hegemonia unipolar manipula entre contrários por si próprio estimulados, a fim de manter as condições de domínio, não reconhecendo as perdas geoestratégicas provocadas pelas opções emergentes de multilateralismo activo e profícuo!
O petróleo enquanto “excremento do diabo” e não como um factor de equilíbrio que possa permitir bem-estar nos e entre os povos, está a ser utilizado como a arma principal dos desígnios do poder dominante ávido das prerrogativas da hegemonia unipolar.
O fundamentalismo dito “cristão” está a crescer ao mesmo tempo que o fundamentalismo sunita-wahabita, cuja expressão maior é já, à nascença, esta aliança!
A hegemonia unipolar lança mão dessa manipulação entre latentes e potenciais contraditórios radicalizados, a fim de estabelecer os parâmetros duma “guerra entre civilizações”, ou seja, a intensificação da IIIª Guerra Mundial já em curso desde o início da década de 90 do século XX…
Quanto mais rapidamente os povos, as nações e os estados vulneráveis reconhecerem a opressiva “ciência” da manipulação contraditória estimulada pelo império da hegemonia unipolar, mais eles ficarão capacitados e abertos a medidas inteligentes de consequente prevenção e segurança!
Se assim for, esses povos, essas nações, e esses estados começam efectivamente a estabelecer uma plataforma apta a uma cultura de inteligência patriótica, intimamente associada aos seus próprios interesses em prol dum desenvolvimento sustentável em benefício de suas presentes e futuras gerações!
Martinho Júnior | Luanda, 1 de Dezembro de 2018
Ilustrações:
Mapa dos estados membros da aliança sunita filtrada pela influência wahabita;
Proclamação da aliança;
Trump o aliado que prolonga o Tratado Quincy, enquanto houver petróleo.

Violência de género, outra batalha na África do Sul

Pretoria, (Prensa Latina) A África do Sul concordou em responder com urgência, de forma unida e integral, à violência de género e o assassinato de mulheres, um problema catalogado de crise nacional que atinge mais da metade de sua população.

Este compromisso foi adotadopelos 2.200 delegados participantes em uma Cúpula Nacional para abordar o tema, com participação de representação do governo, da sociedade civil e sobreviventes dessa violência, e inaugurada pelo presidente Cyril Ramaphosa.

Em suas palavras neste encontro, um dos muitos que têm lugar no país para tratar desafios como pobreza, desigualdade e desemprego, Ramaphosa afirmou que o implacável assassinato de mulheres pela simples razão de seu sexo 'corroí a alma desta nação e é uma afronta a nossa humanidade compartilhada'.

Na África do Sul, onde a taxa de feminicídio foi fixada em 2016 pela Organização Mundial da Saúde em 12,1 para cada 100 mil mulheres -mais cinco vezes alta que a divulgada em nível mundial-, a polícia revelou que os crimes de mulheres aumentaram 11 por cento nos últimos dois anos e que 100 mil delas foram violadas em 2017.

Ramaphosa disse que a violência de género mundial afeta a 35 por cento das mulheres, ainda que admitiu que na África do Sul o problema é mais severo, já que o país tem 'relativamente altos níveis de violência e criminalidade' (no passado ano nesta nação da África Austral foram assassinadas mais de 20 mil pessoas, segundo dados oficiais).

Em sua intervenção, o Presidente chamou a analisar as raízes deste fenómeno que identificou como resultado do patriarcado e dos desiguais vínculos económicos das mulheres.

O patriarcado permite que os homens se sentam livres para exercer seu poder económico e de outro tipo contra as mulheres, o que conduz a esse setor da população a ser tolerante ante as injustiças a que é submetida 'porque singelamente não contam com os recursos económicos para abandonar uma relação abusiva', expressou o dirigente sul-africano.

O estadista declarou também que quando ocorrem feitos deste tipo em ambientes de confiança como dentro da família, igrejas, escolas ou outros meios supostamente seguros o sentimento de traição se intensifica e ainda que os efeitos físicos e sicológicos podem diminuir nunca desaparecem. 'Um momento de violência pode ter consequências permanentes', afirmou.

DECLARAÇÃO     
                                                        
No pronunciamento final desta Cúpula, o Presidente chamou a toda a população a responder ante a violência de gênero e o feminicídio, e amparar também pessoas deficientes, lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais.

Exortou o governo e todos os fatores principais da nação a estabelecer estruturas coordenadas e multissetoriais para responder a esse flagelo e traçar uma estratégia para enfrentar o assassinato de mulheres, ao mesmo tempo em que lhes escute e de resposta urgente a seus problemas.

Em seus 17 considerações finais, o encontro exorta líderes políticos e comunitários a respaldar a causa da erradicação da violência de gênero e o feminicídio.

Defende a criação em um período de seis meses de uma estrutura interina com o objetivo de estabelecer um Conselho Nacional integrado ao menos em 51 por cento pela sociedade civil e com nomeações transparentes.

Em um semestre, também, deverá ser apresentado um Plano Estratégico Nacional sobre violência de gênero e feminicídio, cujo trabalho deve ser favorecido com recursos, implementado, monitorado e avaliado regularmente.

A promoção de centros para o desenvolvimento econômico da mulher, assegurar o planejamento adequado de leis, políticas, programas e intervenções, custos e recursos aparecem assim nestes compromissos, que também incluem fortalecer a informação e as investigações vinculadas para adotar planos efetivos e coordenados.

A Cúpula decidiu por outra parte levar adiante programas para a mudança de comportamento frente aos valores e normas do patriarcado que comprometam a todos os setores, desde indivíduos, famílias, comunidades e empregados públicos até líderes tradicionais, religiosos, setor privado e os meios de comunicação.

O tema da violência contra mulheres e crianças é constante na África do Sul, e reflete-se em várias manifestações e protestos em toda a nação pela proteção contra este flagelo que ameaça a vida cotidiana.

*Correspondente na África do Sul


 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/violencia-de-genero-outra-batalha-na.html

Intolerância: Tanzânia lança esquadrão anti-gay para 'caçar comunidade LGBT'

Bandeira LGBT
© AP Photo / Esteban Felix

A comunidade gay da Tanzânia está em pânico depois que o governo de Dar es Salaam pediu aos cidadãos que denunciem os homossexuais e anunciou um esquadrão anti-gay que os perseguirá, rastreando as mídias sociais.

O líder do país, Paul Makonda, anunciou a equipe de 17 membros em uma coletiva de imprensa nesta semana, prometendo que iria "colocar as mãos neles".

"Esses homossexuais se orgulham de redes sociais", disse Makonda, segundo informações da Agência AFP. "Me dê seus nomes", acrescentou.

Na última terça-feira, Makonda afirmou ter recebido mais de 5.763 denúncias da população e mais de 100 nomes.


A Lei de Disposições Especiais de Ofensas Sexuais de 1998 da Tanzânia afirma que a homossexualidade é ilegal e qualquer pessoa que tenha "contato carnal de qualquer pessoa contra a ordem da natureza" é punível com 30 anos de prisão.

Tal legislação é baseada no Código Penal de 1945 criado sob o domínio britânico, que também considerou a homossexualidade contra a lei.

O presidente da Tanzânia, John Magufuli, reprimiu a comunidade LGBT desde sua eleição em 2015, chegando a alegar que "até vacas desaprovam" a homossexualidade.

Em 2017, 40 centros de testagem e tratamento de HIV foram fechados e vários advogados e ativistas foram presos por "promover a sexualidade".

O país também promove exames anais forçados. A prática desacreditada, que afirma detectar a homossexualidade, foi condenada por grupos de direitos humanos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018110212585336-tanzania-esquadrao-antigay/

A Chináfrica é uma realidade política incontornável?

A exemplo do sucedido no nosso país as ruas das grandes metrópoles africanas andam a ser invadidas por lojas de artigos chineses. Têxteis, telemóveis e outros artigos de consumo tornaram-se quase exclusivo de fornecedores e vendedores vindos do grande país asiático. Mas, em contraponto, o regime de Pequim vê a África como o novo Eldorado donde pode aprovisionar-se das muitas matérias-primas de que é fértil consumidor. O que justifica os receios de alguns ocidentais, temerosos de verem concretizar-se uma nova realidade geopolítica: a Chináfrica.
Olhando para o que está em questão temos um país de 9,6 milhões de km2 e 1,4 mil milhões de habitantes a interagir com um continente de 30,4 milhões de km2e 1,2 mil milhões de habitantes distribuídos por 54 países. Outros indicadores importantes são os do crescimento - 6,6% e um PIB de 14 000 biliões de dólares para a China e 3,8% e 2 400 biliões de dólares para o conjunto africano. É, pois, notório, o desequilíbrio entre a grande potência asiática e o fragmentado continente onde está a entrar economicamente de forma acelerada.
Se há indícios da presença chinesa em África no século XVI, foi com o regime de Mao, que se iniciou uma proclamada política de ajuda ao desenvolvimento, através do financiamento e construção de grandes infraestruturas.
A chegada do novo milénio trouxe um salto qualitativo no desenvolvimento da China, transformado num ávido importador de petróleo e outras matérias-primas. A África, pródiga em riquezas naturais, transforma-se num dos seus grandes fornecedores. O Sudão do Sul, o Gabão, o Congo e Angola fornecem-lhe os hidrocarbonetos. A Zâmbia e o Congo garantem-lhe o cobre, enquanto o alumínio provém da Guiné. Da Namíbia recebe a platina, enquanto a prata, os diamantes e o chumbo seguem da África do Sul. A madeira em estado bruto provém de Moçambique, a Guiné Equatorial e os Camarões.
Em apenas quinze anos as trocas comerciais entre a China e África explodiram passando de menos de uma dezena de mil milhões de dólares em 2002 para mais de 150 em 2017. A partir de 2009 a China transformou-se no principal parceiro de negócios com a Africa com 15% desse mercado, com destaque principal para as relações com a Argélia, o Egipto, a Nigéria, a Etiópia, o Quénia e Angola. Para facilitar essa penetração os chineses andam a construir linhas ferroviárias por onde melhor poderão movimentar as mercadorias. E os empréstimos bancários tornam-se um instrumento de influência política tão eficaz, que 1/3 da enorme dívida exterior angolana está subordinada a créditos chineses. Como o pagamento é feito em barris de petróleo a queda do preço dessa matéria-prima nos mercados internacionais obrigou o governo angolano a entregar à China quantidades significativamente mais elevadas dessa matéria-prima para corresponder aos compromissos anteriormente contraídos.
Olhando noutra perspetiva para a invasão de produtos chineses nos mercados africanos os preços baixos impedem o desenvolvimento de uma indústria local, mormente na área do vestuário, constituindo um travão ao desenvolvimento. Mas, por outro lado, a facilitação das comunicações pela expansão do recurso aos telemóveis age em sentido contrário, constituindo alavanca relevante no desenvolvimento de novos negócios.
Os chineses também beneficiam de uma mão-de-obra muito barata, que os leva a construir com custos mínimos e lucros maximizados as obras que estão a fazer no continente, nomeadamente a linha de caminho-de-ferro entre Adis Abeba e Djibuti ou o gasoduto entre a região somaliana do Ogaden e aquele mesmo porto no golfo de Áden, que se transformou num dos principais entrepostos por onde se escoam matérias-primas para os navios chineses.
Olhando, igualmente, para essa mão-de-obra barata e sem quaisquer direitos sindicais os chineses polvilharam o continente de grandes zonas industriais onde, em imensos hangares, milhares de operários e operárias fabricam os produtos destinados às tais lojas de grande consumo. Comandadas obviamente por capatazes chineses, essas fábricas remuneram os trabalhadores com ordenados que correspondem a 1/4 dos auferidos pelos chineses, que os produzem no seu país. A sinistra ditadura etíope está a ser transformada pelos chineses no grande aliado para converter o país numa das suas gigantescas fábricas à escala global.
Os 15% que a China preenche nas trocas comerciais com África não são, porém, tão significativas como as havidas com a União Europeia (36%) que, se potenciasse a sua identidade continental, conseguiria concorrer bastante mais eficazmente do que o consegue ao distribuir-se entre os 6% da França, os 4% da Alemanha e a importância ainda menor dos demais vinte cinco países que a integram. Poderá ser essa realidade diversificada na segmentação dos parceiros comerciais que sirvam à África para alcançar melhores condições de negociação autonomizando-se do garrote chinês, que se procura consolidar através da via marítima da Nova Rota da Seda - que faz dos portos de Mombaça e de Djibuti dois dos seus principais entrepostos estratégicos! -, do milhão de chineses já a viverem em África e dos 2500 soldados chineses que integram as missões da ONU no Mali, no Sudão, no Sudão do Sul e na Rep. Democrática do Congo. A divulgação da língua e da cultura chinesas também estão a ser difundidas em África através de 54 Institutos Confúcio, espalhados pelas maiores cidades co continente enquanto noutra vertente os estudantes africanos a estudarem na China ao abrigo de programas de cooperação passaram de dois mil em 2003 para os atuais 50 mil num crescimento exponencial, que tende a prosseguir. Concorrendo com os franceses e com os norte-americanos o regime de Pequim pretende ter uma influência determinante nas futuras elites africanas.
 
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/09/a-chinafrica-e-uma-realidade-politica.html

China - África | Xi reúne-se com a imprensa após Cúpula de Beijing do FOCAC

Beijing, 5 set (Xinhua) -- O presidente da China, Xi Jinping, reuniu-se na terça-feira com a imprensa junto com os copresidentes africanos do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC, em inglês), depois do encerramento da Cúpula de Beijing 2018 do FOCAC.

Xi foi acompanhado pelo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o presidente do Senegal, Macky Sall, o anterior e o novo copresidentes africanos do FOCAC.

Xi fez o anúncio de que a Cúpula de Beijing 2018 do FOCAC realizou um bem-sucedido encerramento.

A cúpula publicou a Declaração de Beijing sobre a Construção de uma Comunidade de Futuro Compartilhado China-África mais Sólida, que cristalizou o consenso da China e África sobre importantes assuntos internacionais e regionais atuais, e enviou ao mundo um forte sinal de que as duas partes avançam de mãos dadas, disse Xi.

O Plano de Ação de Beijing do FOCAC (2019-2021) também foi adotado na cúpula para confirmar que a China e a África fortalecerão de forma abrangente a cooperação pragmática focando na implementação das oito principais iniciativas, acrescentou Xi.

Todo os membros do FOCAC concordaram em construir juntos uma comunidade de futuro compartilhado China-África caracterizada pelo compartimento de responsabilidades, a cooperação de benefício mútuo, o bem-estar para todos, a prosperidade cultural conjunta, a segurança comum e a harmonia entre o homem e a natureza, o que estabelecerá um modelo para a construção de uma comunidade do futuro compartilhado para a humanidade, disse Xi.

Todos os membros do FOCAC concordaram que as relações China-África embarcaram em um caminho distintivo de cooperação de ganho mútuo e que estão em sua melhor etapa da história, de acordo com o presidente chinês.

A China e os países africanos estão dispostos a aumentar as junções estratégicas e a coordenação de políticas, impulsionar o desenvolvimento conjunto do Cinturão e Rota, e vincular estreitamente a Iniciativa do Cinturão e Rota com a Agenda 2063 da União Africana, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e as estratégias de desenvolvimento dos países africanos, assinalou Xi.

Todos os membros do FOCAC concordaram que as relações China-África demonstraram uma força coesiva, vitalidade e criatividade sem precedentes. A China continuará aderindo aos princípios de sinceridade, honestidade, afinidade e franqueza e persistirá na concepção correta da justiça e dos interesses, e impulsionará o desenvolvimento profundo, sólido, estável e duradouro da parceria estratégica integral de cooperação, disse Xi.

Todos os membros do FOCAC também concordaram que a cooperação China-África é parte da cooperação internacional com a África. Ao promover a cooperação com a África, todas as partes da comunidade internacional devem respeitar a soberania dos países africanos, escutar a voz da África, prestar importância a suas posições e cumprir os compromissos feitos ao continente, disse Xi.

O fórum foi estabelecido há 18 anos. A bem-sucedida celebração da Cúpula de Beijing levou a parceria estratégica integral de cooperação China-África a um novo ponto de partida histórico e iniciou uma nova expedição épica, disse Xi.

Liu Weibing |  Xinhua
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/09/china-africa-xi-reune-se-com-imprensa.html

China-África | Fórum arranca com promessas milionárias de investimento

Pequim acolhe esta segunda e terça-feira o Fórum de Cooperação China-África. A terceira edição do FOCAC junta dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano, incluindo dos países de língua portuguesa.

Para o chefe da diplomacia chinesa, Wand Yi, esta é a maior cimeira de sempre, "uma manifestação de importância mundial que a China aguarda com entusiasmo".

Há nove anos que o país é o principal parceiro comercial de África. E os números são impressionantes: segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, as trocas comerciais entre a China e o continente africano rondavam os 10 mil milhões de dólares no ano 2000. Dezassete anos mais tarde, o número chega quase aos 200 mil milhões. E, ao mesmo tempo, aumenta o investimento directo chinês nos países africanos.

"A China tem sido muito importante no âmbito do nosso novo programa de desenvolvimento", confirma o ministro da Economia e Finanças da Libéria, Augustus Flomo. "A Libéria precisa sobretudo de infraestruturas, de desenvolver a rede eléctrica, de modernizar o sistema de saúde", especifica.

Em entrevista à emissora estatal chinesa CGTN, o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, sublinha que o Fórum China-África significa grandes oportunidades: "Tem um enorme potencial para beneficiar todos os envolvidos. É por isso que estamos muito empenhados em criar uma parceria forte com a China nesta iniciativa."

Na mesma entrevista, Kenyatta apela à abertura dos mercados entre a China e África, frisando que as políticas proteccionistas terão um impacto negativo na vida dos africanos.

Chineses destruíram mercados africanos

Mas se os produtos chineses entram com facilidade no continente, o mesmo não se pode dizer dos produtos africanos no mercado chinês, lembra o economista da Universidade de Leipzig Robert Kappel.

"Na verdade, Uhuru Kenyatta teria de criticar a China, que subsidiou exportações de empresas estatais e multinacionais que destruíram os mercados africanos - com produtos baratos - desde bicicletas a lanternas, velas e frigoríficos", sublinha o especialista, lembrando ainda que o comércio livre com a China também prejudicou a industrialização dos países africanos.

Robert Kappel alerta ainda para a dependência dos Estados africanos em relação à China, devido aos empréstimos concedidos por Pequim para a realização de grandes projectos: "A China está a fazer grandes empréstimos para projectos de infraestruturas como as linhas ferroviárias Djibouti-Addis Abeba e entre Mombasa e Nairobi. Estas obras são muito caras e os Estados têm de as pagar, os chineses não estão a dar presentes". O problema, salienta, é que "muitos países africanos estão a cair na armadilha da dívida."

Cooperação com os PALOP

O Fórum de Cooperação China-África arranca com promessas de investimentos millionários de Pequim. Angola, por exemplo, espera o culminar das negociações para uma nova linha de crédito de 11 mil milhões de euros, para financiar vários projetos, entre eles, o novo aeroporto internacional de Luanda.

Em Pequim, onde a cooperação bilateral centrou o encontro que o Presidente de Angola, João Lourenço, manteve este domingo (02.09), com o homólogo da China, Xi Jiping, na véspera do III Fórum de Cooperação China-África. Segundo a agência noticiosa angolana Angop, que não adianta mais pormenores, o encontro decorreu no Palácio do Povo.

Entidades de Moçambique e da China já assinaram em Pequim oito memorandos de entendimento, nas áreas das infraestruturas, indústria, telecomunicações, agricultura e serviços financeiros, durante um fórum de negócios inaugurado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi. A construção de uma estrada entre a província do Niassa e a Tanzânia e parques industriais em Boane e Marracuene, na província de Maputo, são alguns dos projectos previstos nos memorandos.

São Tomé e Príncipe estreia-se nesta cimeira, juntamente com o Burkina Faso e a Gâmbia, que elevam assim para 53 o número de nações africanas com relações com a China. O primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, leva na bagagem um projeto para a construção de 300 apartamentos para funcionários públicos e espera conseguir investimento chinês.

António Cascais, mjp, Agência Lusa | em Deutsche Welle
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/09/china-africa-forum-arranca-com.html

Mali: eleições num país ocupado

Carlos Lopes PereiraUm contingente militar estónio veio juntar-se às outras tropas estrangeiras que na realidade ocupam militarmente o Mali. Tropas da antiga potência colonial, a França, tropas de missão da ONU oriundas de vários países, tropas de outros países africanos financiadas e armadas pelos EUA, UE e respectivos aliados como a Arábia Saudita. Esta enorme presença militar não impede que a segurança interior do país se agrave, o que não surpreende, uma vez que desse modo se justifica a manutenção e o incremento da ocupação estrangeira.

Chegou há dias a Bamako uma unidade de infantaria estónia com o objectivo de se juntar à Operação Barkhane, comandada pela França, na sua «missão antiterrorista» no Mali.

Os cerca de 50 soldados bálticos vão garantir a segurança de uma base militar francesa na cidade maliana de Gao, no Norte do país africano. O destacamento permanecerá ali durante um ano e de quatro em quatro meses será refrescado com novas tropas.

À partida de Tallinn dos expedicionários, o chefe do estado-maior do exército da Estónia, general Martin Herem, explicou a importância da missão para o seu país, membro da NATO: «A nossa segurança está ligada aos problemas que enfrentam os nossos aliados e por isso é importante que possamos ajudá-los aonde seja necessário».

A presença de tropas estónias no Mali é apenas mais um exemplo da ocupação militar estrangeira do país oeste-africano, desde há cinco anos.
A França, antiga potência colonial, mantém actualmente a Operação Barkhane com o objectivo de «apoiar o governo do Mali na sua luta contra os terroristas», assim como travar o tráfico ilegal de pessoas para a Europa. A missão teve início em meados de 2014 – antes, no início de 2013, Paris interveio militarmente para conter o avanço dos independentistas tuaregues – e integra três mil soldados, com o comando regional em N’Djamena, capital do Chade.

Mas há mais tropas estrangeiras em território maliano: a Minusma (Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização do Mali), com mais de 15 mil efectivos, e o G5 Sahel, com cinco mil soldados, a força conjunta de cinco países sahelianos constituída, financiada e armada pelos Estados Unidos, União Europeia e aliados como a Arábia Saudita.

Apesar deste enorme dispositivo securitário, nos primeiros seis meses de 2018 o Mali assistiu a um aumento de acções bélicas atribuídas a dois grupos ligados à Al-Qaida. Entre Janeiro e Julho deste ano, o número de ataques com engenhos explosivos improvisados duplicou em relação ao mesmo período de 2017.

As Nações Unidas já manifestaram a sua «preocupação» pela deterioração das condições de segurança no Mali, em especial no centro do país. A situação é caracterizada por mais ataques contra as tropas malianas, do G5 Sahel e da Minusma, que causam «um número excepcional» de vítimas civis e, também, pelo incremento dos conflitos intercomunitários.

«Ditadura da fraude»

Foi neste contexto que se realizou, no domingo, 12, a segunda volta das eleições presidenciais, disputada entre o presidente cessante, Ibrahim Bubakar Keita, e o líder oposicionista Soumaila Cissé.

Como se esperava, a votação, tal como acontecera na primeira volta, decorreu com baixíssima participação e repleta de incidentes – assaltos a assembleias de votos, violação de urnas e irregularidades várias –, apesar do forte dispositivo de segurança montado.

Na primeira volta, a 29 de Julho, em que concorreram duas dezenas de candidatos, Keita obteve quase 42 por cento dos votos e Cissé cerca de 18 por cento.
Agora, dois dias após o escrutínio e antes mesmo de se conhecerem os resultados eleitorais finais – há poucas dúvidas de que Keita será reeleito –, Cissé declarou que não os aceitará, acusou o governo de «ditadura da fraude» e apelou «a todos os malianos» a que se levantem e lutem para mudar a situação no país.

Leia original aqui

Mali: eleições num país ocupadoeleições num país ocupado_

Carlos Lopes PereiraUm contingente militar estónio veio juntar-se às outras tropas estrangeiras que na realidade ocupam militarmente o Mali. Tropas da antiga potência colonial, a França, tropas de missão da ONU oriundas de vários países, tropas de outros países africanos financiadas e armadas pelos EUA, UE e respectivos aliados como a Arábia Saudita. Esta enorme presença militar não impede que a segurança interior do país se agrave, o que não surpreende, uma vez que desse modo se justifica a manutenção e o incremento da ocupação estrangeira.

Chegou há dias a Bamako uma unidade de infantaria estónia com o objectivo de se juntar à Operação Barkhane, comandada pela França, na sua «missão antiterrorista» no Mali.

Os cerca de 50 soldados bálticos vão garantir a segurança de uma base militar francesa na cidade maliana de Gao, no Norte do país africano. O destacamento permanecerá ali durante um ano e de quatro em quatro meses será refrescado com novas tropas.

À partida de Tallinn dos expedicionários, o chefe do estado-maior do exército da Estónia, general Martin Herem, explicou a importância da missão para o seu país, membro da NATO: «A nossa segurança está ligada aos problemas que enfrentam os nossos aliados e por isso é importante que possamos ajudá-los aonde seja necessário».

A presença de tropas estónias no Mali é apenas mais um exemplo da ocupação militar estrangeira do país oeste-africano, desde há cinco anos.
A França, antiga potência colonial, mantém actualmente a Operação Barkhane com o objectivo de «apoiar o governo do Mali na sua luta contra os terroristas», assim como travar o tráfico ilegal de pessoas para a Europa. A missão teve início em meados de 2014 – antes, no início de 2013, Paris interveio militarmente para conter o avanço dos independentistas tuaregues – e integra três mil soldados, com o comando regional em N’Djamena, capital do Chade.

Mas há mais tropas estrangeiras em território maliano: a Minusma (Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização do Mali), com mais de 15 mil efectivos, e o G5 Sahel, com cinco mil soldados, a força conjunta de cinco países sahelianos constituída, financiada e armada pelos Estados Unidos, União Europeia e aliados como a Arábia Saudita.

Apesar deste enorme dispositivo securitário, nos primeiros seis meses de 2018 o Mali assistiu a um aumento de acções bélicas atribuídas a dois grupos ligados à Al-Qaida. Entre Janeiro e Julho deste ano, o número de ataques com engenhos explosivos improvisados duplicou em relação ao mesmo período de 2017.

As Nações Unidas já manifestaram a sua «preocupação» pela deterioração das condições de segurança no Mali, em especial no centro do país. A situação é caracterizada por mais ataques contra as tropas malianas, do G5 Sahel e da Minusma, que causam «um número excepcional» de vítimas civis e, também, pelo incremento dos conflitos intercomunitários.

«Ditadura da fraude»

Foi neste contexto que se realizou, no domingo, 12, a segunda volta das eleições presidenciais, disputada entre o presidente cessante, Ibrahim Bubakar Keita, e o líder oposicionista Soumaila Cissé.

Como se esperava, a votação, tal como acontecera na primeira volta, decorreu com baixíssima participação e repleta de incidentes – assaltos a assembleias de votos, violação de urnas e irregularidades várias –, apesar do forte dispositivo de segurança montado.

Na primeira volta, a 29 de Julho, em que concorreram duas dezenas de candidatos, Keita obteve quase 42 por cento dos votos e Cissé cerca de 18 por cento.
Agora, dois dias após o escrutínio e antes mesmo de se conhecerem os resultados eleitorais finais – há poucas dúvidas de que Keita será reeleito –, Cissé declarou que não os aceitará, acusou o governo de «ditadura da fraude» e apelou «a todos os malianos» a que se levantem e lutem para mudar a situação no país.

Leia original aqui

Argélia em risco de mergulhar no caos

Nas últimas semanas, quase toda ou mesmo toda a hierarquia dos serviços de informação, segurança e polícia foi substituída pelo presidente Bouteflika, da Argélia.

E dizer que tudo começou com uma inesperada, surpreendente e, pelo visto, providencial apreensão de 701 quilos de cocaína, no fim de Maio passado, no porto de Oran. Uma aprensão de droga de que resulta uma inesperada alteração dos equilíbrios político-securitários, a favor de um moribundo Bouteflika e em detrimento dos generais…

Dos 7 generais que, no início do actual mandato do Boutflika, integravam o top-10 do poder (e que haviam derrotado os islamistas na guerra civil argelina) não resta já nenhum, depois do presidente ter cortado ao seu “grande amigo” Gaid Salah (o CEMGFA berbére que durante anos lhe tem garantido a cadeira presidencial…) os seus serviços de informação e segurança…

E de também ter mandado dizer, há escassos dias, que prepara “reajustamentos” na alta hierarquia militar, no quadro dos preparativos da sua candidatura a novo mandato presidencial (já é o quinto…), nas eleições de Abril próximo.

É um autêntico golpe de Estado conduzido a partir do palácio da Presidência que poderia nem ter consequências de maior se não estivesse a Argélia confrontada com um cenário de caos em todas as suas fronteiras (excepto na marroquina, a oeste, mas nessa há uma fortíssima tensão político-militar…) e se não fossem os homens agora afastados os responsáveis pela segurança do país e, sobretudo, do regime.

A Argélia pode estar assim à beira de também ela mergulhar no caos que a envolve… Um cenário que, há anos, dá pesadelos aos responsáveis das grandes agências ocidentais de inteligência.

Exclusivo Tornado / IntelNomics

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A Rota da Seda e África

Tiago Bonucci Pereira | Hoje Macau | opinião

O primeiro aspecto a considerar no que diz respeito à iniciativa “Faixa e Rota” (BRI) é que não é definida como uma política, mas como uma iniciativa. Não é um plano detalhado, mas, em contraste, escrito em termos um tanto flexíveis e sujeito a várias interpretações. Uma definição rigorosa do BRI é um exercício fútil, embora os seus objectivos sejam claros. A iniciativa é global, e, portanto, interessa procurar interpretar as oportunidades que podem surgir da sua implementação.

Importa olhar para as implicações do BRI a nível interno. Os termos vagos em que está definida a iniciativa BRI, juntamente com os incentivos oferecidos às diferentes províncias da República Popular da China (RPC), convida os governos provinciais a procurarem projectos potenciais que se enquadrem na BRI. É um incentivo para as províncias chinesas investirem na diversificação da economia, maximizando as suas vantagens naturais e fomentando o desenvolvimento tecnológico e industrial que, tendo em conta o 13º Plano Quinquenal da RPC, deve centrar-se na prossecução do desenvolvimento económico e social, na maximização da qualidade e na promoção de políticas ambientalmente sustentáveis.

Isto deve ser visto à luz do funcionamento do sistema político Chinês, fortemente baseado na meritocracia. Os governos provinciais têm uma margem de manobra relativamente ampla no que concerne a definição de políticas, sendo certo, no entanto, que estas têm de estar enquadradas nos objectivos estabelecidos pelo governo central. Governadores provinciais, naturalmente, procuram promoção política, para a qual têm de mostrar resultados práticos.

A esperada desaceleração nos últimos anos do crescimento económico Chinês surge durante um processo de transformação economica, industrial e social. A deslocação de indústria Chinesa que se encontra saturada a nível interno para o Sudeste Asiático e para África, e a mudança para um modelo de exportação de produtos de valor acrescentado, são acompanhados pela tentativa de resolver o desequilíbrio interno entre zonas costeiras e o interior Chinês, e o acelerar do processo de internacionalização do seu tecido empresarial.

As “duas frentes” do BRI são a “Nova Faixa Económica da Rota da Seda” (componente terrestre do BRI) e a “Nova Rota da Seda Marítima” (componente marítima). A rota marítima será preponderante para as regiões costeiras, mais desenvolvidas, e lar de centros logísticos multimodais e centros financeiros, enquanto a “faixa” estimulará o desenvolvimento do hinterland Chinês, convidando a alocação do excesso de capacidade industrial da RPC, e consequente fluxo ao longo da “faixa e rota”.

Na frente internacional, a iniciativa consolida o que tem sido a política externa da China desde há vários anos, estabelecendo laços económicos em todo o mundo sob um rótulo de respeito e benefícios mútuos. A iniciativa BRI convida a participação dos diferentes governos estrangeiros e empresas privadas chinesas e estrangeiras, sob a premissa de amplos benefícios para todos os envolvidos.

A participação do sector privado é um aspecto de primordial importância para o sucesso da iniciativa, o que acaba por ser uma das razões pelas quais suscita tantas dúvidas. Assumidamente, o governo Chinês toma a dianteira no que concerne o financiamento de vários projectos em curso. Mas não se trata de uma política de longo prazo, mas sim uma forma de salvaguardar, numa fase inicial, as empresas Chinesas envolvidas contra os riscos associados a grandes projectos em países em vias de desenvolvimento e/ou instáveis quer ao nível de segurança, quer ao nível das suas instituições.

A expansão económica é um objectivo, ao mesmo tempo fortalecendo laços políticos e económicos – na verdade, expandindo a influência chinesa – e acompanhada pela internacionalização do Renminbi, uma política apoiada pelo estabelecimento de organizações multilaterais e mecanismos de financiamento, tais como o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (AIIB), o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e o Fundo da Rota da Seda.

Os projectos de infraestruturas de transportes estão no centro da cooperação China-África, como ilustrado em Janeiro de 2015 com a assinatura de um memorando de entendimento entre a China e a União Africana para o estabelecimento de uma rede para conectar 54 países africanos através de projectos de infraestruturas de transportes. Tais projectos podem ser incluídos no BRI, estando especificamente relacionados com a sua componente marítima. Um exemplo é o caminho-de-ferro construido entre a cidade portuária de Mombasa e Nairobi no Quénia, que constitui a primeira fase do Standard Gauge Railway Project (SGR), cuja segunda fase está actualmente em curso e se extenderá para o Uganda, Rwanda, e República Democrática do Congo. Nairobi é o vértice Africano da Nova Rota da Seda Marítima, embora não seja uma cidade portuária, o que em si é indicativo de que a sua inclusão no BRI só faz sentido acompanhado pelo investimento em infraestruturas num continente com sérias debilidades num sector que é fundamental para avalancar o seu desenvolvimento económico.

A China encara África como um mercado com enorme potencial. É desde 2009 o seu maior parceiro comercial e empresas Chinesas dos mais variados sectores têm-se instalado um pouco por todo o continente. A capacitação infraestrutural dos países Africanos é por isso encarada de forma estratégica pela RPC, com vista tanto à melhoria das condições ao nível logístico, como também para fomentar o desenvolvimento dos próprios países. Como mercado com grande potencial de crescimento, interessa à China que as projecções se venham a concretizar por forma a garantir o retorno do investimento já efectuado tanto pelo sector público como privado. A China, fruto de décadas de diplomacia e investimento contínuo, e livre de estigmas coloniais, tem já uma presença firme e priveligiada em África. O desenvolvimento do continente só irá premiar todo o esse esforço.

A táctica trotsquista de Pequim em África ou…

O “entrismo” chinês nos estados-maiores africanos.

O “entrismo” é uma táctica trotsquista, desenvolvida sobretudo pela facção lambertista, que alcançou grandes sucessos. O caso mais conhecido talvez seja o de terem conseguido colocar um militante lambertista, o “camarade Frisé”, como secretário-geral do PS francês…

O infiltrado soube desempenhar muito bem a missão e até conseguiu, depois de ser secretário-geral (e como tal ter o controlo total do “aparelho”…), ser presidente do partido. Só o eleitorado o derrotou quando o PSF o candidatou a presidente da República. Nome desse trotsquista? Lionel Jospin.

Os maoistas de Pequim adoptaram agora (mudando o que é necessário mudar…) esta táctica para ganharem uma influência decisiva nos aparelhos decisivos dos Estados de África (este duplo do adjectivo “decisivos” não acontece aqui por acaso). Ou seja, a China lançou-se à conquista dos aparelhos militares africanos.

Les officiers africains préfèrent Pékin…

Moins visible que l’activisme des groupes chinois dans le BTP, l’entrisme de Pékin dans les états-majors africains n’en est pas moins réel et inquiète au plus haut point Paris, qui voit l’un de ses traditionnels relais d’influence sur le continent menacé….

#TCHAD #Afrique #France #Chine : Macron à la remorque de la Chinafrique – Paris écrasé par les grands travaux de Pékin.

Exclusivo Tornado / IntelNomics

Ver artigo original em "O TORNADO"

Forças especiais dos EUA em África*

A presença militar dos EUA em África, com bases operacionais de grande dimensão e efectivos de forças de elite, não visa simplesmente o “treino e enquadramento” de forças militares locais. É, cada vez mais, de intervenção directa em acções de combate, como tropa de ocupação que é.

A participação directa de forças especiais estado-unidenses em acções de combate contra grupos «terroristas» em África é muito maior do que reconhece o Pentágono, de acordo com revelações de meios de imprensa norte-americanos.

Estas informações confirmam o aumento da intervenção militar dos EUA no continente africano, nos últimos anos.

Um artigo de Roberto García Hernández, da agência Prensa Latina, recolhe e divulga dados interessantes sobre a actividade das forças especiais dos EUA.
Essas unidades de elite são integradas por «boinas verdes» do exército, «seals» da marinha, fuzileiros navais e pára-quedistas e estão subordinadas ao Comando Conjunto de Operações Especiais, com sede na Florida. Em África, actuam em diferentes países, no quadro de um programa que até agora a Casa Branca manteve parcialmente secreto.

Em reiteradas ocasiões, porta-vozes militares dos EUA asseguraram que as suas tropas em solo africano se limitavam a tarefas de assessoria, mas a realidade é bem diferente. Em 2017, as forças especiais dos EUA realizaram uma centena de operações em 20 países, mantendo uma presença permanente de cerca de 1700 efectivos – o dobro dos que operavam em 2014.

Nesse contexto, teve lugar em Fevereiro e Março do ano passado o exercício Flintlock, dirigido pelo Africom, o maior realizado até agora, com a participação de 2000 militares de 24 países africanos e de potências aliadas de Washington.

Já depois disso, o presidente Donald Trump aprovou a eliminação de restrições impostas por Barack Obama visando a participação em combates das unidades de elite, o que lhes proporcionou mais flexibilidade e capacidade ofensiva, segundo peritos citados pelo sítio digital The Cipher Brief.

Desde há quase cinco anos que as unidades especiais norte-americanas «colaboram» com tropas dos países africanos, não hesitando em ser parte activa nas acções combativas. O general reformado Donald Bolduc, que até Junho de 2017 comandou essas forças de elite em África, admitiu numa entrevista ao sítio digital Político que «as forças especiais não só assessoram, apoiam e acompanham» as tropas africanas «como as dirigem em combate», factos que o Pentágono se recusava até há pouco a reconhecer.

Apesar do Africom não confirmar quais são as zonas onde actuam as forças especiais dos EUA, antigos membros dessas unidades identificaram oito países – Somália, Líbia, Quénia, Tunísia, Níger, Camarões, Mali e Mauritânia.

No seu artigo, Roberto García Hernández fornece mais dados interessantes, como a da «forte presença de conselheiros de unidades de elite estado-unidenses» na recém-criada Força G5 do Sahel. Refere também a profusão de bases militares norte-americanas em África – de Camp Lemonnier, no Djibuti, a maior delas, até à nova base para drones, em Agadez, no Níger, passando por uma outra do mesmo tipo criada, segundo o Washington Post, em 2016 na Tunísia. E sublinha o papel do Africom, responsável pelas relações militares dos EUA com 53 países africanos.

«De facto, este aumento da actividade militar dos EUA em África, a pretexto da luta contra o terrorismo, corresponde aos planos estratégicos norte-americanos de manter a sua hegemonia a nível mundial, em particular no continente africano, fonte importante de matérias-primas estratégicas», conclui o jornalista.

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        #TheJimmyDoreShow
        Homicidal Cops Caught On Police Radio
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        •05/06/2020
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