Afeganistão

Torpedo bipartidário contra o Acordo para o Afganistão, Manlio Dinucci

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Centenas de milhares de vítimas civis, mais de 2.400 soldados americanos mortos (e mais um número desconhecido de feridos), cerca de 1 trilião de dólares gastos: este é, em síntese, o orçamento dos 19 anos da guerra USA no Afeganistão, ao qual se acrescenta o custo para os aliados NATO (incluindo a Itália) e outros que se juntaram aos EUA na guerra.

O orçamento de falências para os EUA também do ponto de vista político-militar: a maior parte do território está agora controlada pelos Taliban ou disputada entre eles e as forças do governo apoiadas pela NATO.

Neste contexto, após longas negociações, a Administração Trump concluiu um acordo com os Taliban, em Fevereiro passado, que prevê em troca de garantias, a redução do número de tropas USA no Afeganistão de 8.600 para 4.500. O mesmo não significa o fim da intervenção militar dos EUA no Afeganistão, que continua com forças especiais, drones e bombardeiros. No entanto, o acordo abriria o caminho para uma diminuição do conflito armado.

No entanto, foi revogado alguns meses após a assinatura - não pelos talibãs afegãos, mas pelos democratas dos EUA. Aprovaram no Congresso uma emenda à Lei de Permissão, que destina 740,5 biliões de dólares para o orçamento do Pentágono no ano fiscal de 2021. A emenda, aprovada em 2 de Julho pela Comissão de Serviços Armados pela grande maioria com o voto dos Democratas, estabelece “limitar o uso de fundos para reduzir o número de forças armadas estacionadas no Afeganistão”.

Proíbe o Pentágono de gastar os fundos na sua posse para qualquer actividade que reduza o número de soldados dos EUA no Afeganistão, abaixo de 8.000: o acordo, que envolve a redução de tropas dos EUA no Afeganistão, está efectivamente bloqueado. É significativo que a emenda tenha sido apresentada não só pelo democrata Jason Crow, mas também pela republicana Liz Cheney, que fornece o seu aval em perfeito estilo bipartidário. [1] Liz é filha de Dick Cheney, Vice Presidente dos Estados Unidos de 2001 a 2009, durante a Administração de George W. Bush, que decidiu a favor da invasão e da ocupação do Afeganistão (oficialmente para dar caça a Osama bin Laden [2])).

A emenda condena explicitamente o acordo, argumentando que prejudica “os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos”, “não representa uma solução diplomática realista” e “não fornece protecção às populações vulneráveis”. Para ser autorizado a reduzir as tropas no Afeganistão, o Pentágono deverá certificar que essa medida “não comprometerá a missão antiterrorista dos Estados Unidos”.

Não é por acaso que o ‘New York Times’ publicou um artigo [3], em 26 de Junho que, de acordo com as informações fornecidas (sem apresentar nenhuma prova) dos agentes de inteligência USA, acusa “uma unidade de inteligência militar russa de oferecer aos militantes Taliban um engenho militar para matar soldados da Coligação no Afeganistão, visando principalmente os americanos”. As notícias foram divulgadas pela grande media americana, sem que nenhum caçador de fake news questionasse a sua veracidade.

Após uma semana, foi aprovada a emenda que impede a redução de tropas USA no Afeganistão. O que confirma o verdadeiro objectivo da intervenção militar USA/NATO no Afeganistão - o controlo dessa área de importância estratégica da maior importância. O Afeganistão está na encruzilhada do Médio Oriente, do centro, sul e leste da Ásia.

Nesta área (no Golfo e no Cáspio) existem grandes reservas de petróleo. Existem a Rússia e a China, cuja força está a crescer e afectar as estruturas globais. Como o Pentágono alertou num relatório de 30 de Setembro de 2001 [4], uma semana antes da invasão americana do Afeganistão, “existe a possibilidade de surgir na Ásia, um rival com uma formidável base de recursos”. Possibilidade que agora se está a materializar.

Os “interesses da segurança nacional dos Estados Unidos” impõem que fiquemos no Afeganistão, custe o que custar.

Manlio Dinucci il manifesto, 07 de Julho de 2020

[1] [2] L’Effroyable Imposture suivie du Pentagate, Thierry Meyssan, reedição Demi-Lune. [3] “Russia Offered Afghans Bounty To Kill U.S. Troops, Officials Say”, Charlie Savage, Eric Schmitt and Michael Schwirtz, The New York Times, June 27, 2020. [4] Quadrennial Defense Review Report, p.12, Department of Defense, September 30, 2001.



[1] Na realidade, é a antiga Conselheira da Segurança Nacional, Susan Rice, que lidera o lado democrata. Como ela não é parlamentar, foi o deputado Jason Crow quem apresentou a emenda. Ele estava implicado no processo de remoção do Presidente Trump. A acusação de que a Rússia está a financiar o assassinato dos GI’s não faz sentido, pois o número de mortes dos EUA no Afeganistão não cessa de diminuir. “Trump Puts Russia First”, by Susan Rice, New York Times (United States) , Voltaire Network, 1 July 2020.

[2] Portugal : 11 de Setembro, 2001. A Terrível impostura, Thierry Meyssan, Frenesi 2002. Brasil : 11 de setembro de 2001. Uma terrível farsa, Thierry Meyssan, Usina do livro, 2002.

[3] “Russia Offered Afghans Bounty To Kill U.S. Troops, Officials Say”, Charlie Savage, Eric Schmitt and Michael Schwirtz, The New York Times, June 27, 2020.

[4] Quadrennial Defense Review Report, p.12, Department of Defense, September 30, 2001.

Original em 'Rede Voltaire' na seguinte ligação:

https://www.voltairenet.org/article210487.html

A vitória de Malala contra o obscurantismo

Malala Yousafzai, atacada pelo talibã, se forma em filosofia na Universidade de Oxford.

 

 

Ao comemorar seu 16º aniversário, em 12 de julho de 2013, a jovem mulher Malala Yousafzai foi convidada a pronunciar um discurso perante a Assembleia da Juventude, na ONU, onde afirmou: “Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas mais poderosas armas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”.

Malala, protagonista deste esforço para mudar o mundo e vencer o obscurantismo e a ignorância, acaba de se formar – aos 22 anos de idade – na Universidade de Oxford (Reino Unido), como anunciou em uma mensagem nas redes sociais nesta sexta-feira (19):

 

Difícil expressar minha alegria e gratidão agora, ao concluir meu curso de Filosofia, Política e Economia em Oxford. Não sei o que está por vir. Por enquanto, serão filmes na televisão, ler e dormir.”

 

 
 
 

Nascida no Paquistão, em 12 de julho de 1997, Malala ficou conhecida depois que, em 9 de outubro de 2012 foi baleada na cabeça, por um miliciano talibã, dentro de um ônibus escolar – juntamente com outras duas colegas. O talibã, que dominou o Paquistão naquela época, havia proibido que meninas frequentassem a escola.

Desde então Malala se destacou na luta pelo direito à educação, contra a opressão da mulher e contra o obscurantismo fundamentalista religioso. Sua militância foi reconhecida e, em 2014, tornou-se a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

A trajetória de Malala, em sua formatura comemorada nesta sexta-feira, é um símbolo da luta da juventude e da mulher, pelo direito do acesso de todos, meninas e meninos, à educação e ao desenvolvimento das potencialidades humanas de cada um dos seres humanos. Como disse a astronauta dos EUA, em resposta ao anúncio feito por Malala nas redes sociais, Anne McClain, “o mundo tem sorte de ter você nele”.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV  / Tornado


 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ver original no jornal 'TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-vitoria-de-malala-contra-o-obscurantismo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-vitoria-de-malala-contra-o-obscurantismo

De um formal a um informal império americano no Afeganistão

A guerra quase esquecida

por B. Arjun

Mapa do Afeganistão. Em 21 de Fevereiro, iniciou-se o plano de sete dias de redução da violência no Afeganistão, negociado pelos EUA com os Talibãs. Posteriormente, as duas partes em guerra assinaram em 28 de Fevereiro um acordo para trazer a paz ao Afeganistão. Os Estados Unidos prometeram a retirada gradual das suas forças militares no Afeganistão. Espera-se que isto marque o princípio do fim do envolvimento americano da guerra no Afeganistão, com quase duas décadas, após os ataques de 11 de Setembro de 2001.

O ambíguo acordo entre os EUA e os Talibãs assinado em Doha, no Qatar, foi negociado durante mais de um ano. O governo do Afeganistão, apoiado pelos EUA, foi excluído destas negociações. Tratou-se de um acordo directo entre o império norte-americano e uma organização não governamental, o Emirado Islâmico do Afeganistão ou os Talibãs.

Este chamado acordo de paz é bastante ambicioso. O objectivo é atingir a redução do nível actual de tropas dos EUA e coligação de 12 a 13 mil para 8600 e é "baseado em condições". Segundo o acordo, espera-se que os Talibãs abandonem o movimento de rebelião e não estabeleçam contactos com grupos terroristas como a Al Qaeda.

Apesar de alguns sinais de despeito dentro da elite política afegã, o desejo de paz e do fim do domínio estrangeiro dos EUA é esmagador entre o povo do Afeganistão. O povo afegão está ansioso por um amplo diálogo intra-afegão para alcançar um cessar-fogo e uma paz duradoura no seu país.

Casa construída com mísseis. No dia seguinte à assinatura do acordo de Doha, os Talibãs lançaram um ataque contra forças do governo afegão. O ataque chocou a comunidade internacional que esperava que o acordo inaugurasse uma nova era em Cabul. Porém, após o choque inicial, as coisas parecem estar a voltar ao normal.

Os Talibãs reivindicam o acordo como uma vitória da sua luta nacionalista. No entanto, é tolice imaginar que os Estados Unidos estão a deixar o Afeganistão para sempre. O crescente envolvimento de Washington no Irão e na Ásia Central, para combater a aliança sino-russa simplesmente não permite que os norte-americanos voltem para casa.

É provável que o carácter do império dos EUA no Afeganistão possa sofrer uma mudança. De colónia formal, Cabul pode tornar-se uma colónia informal dos EUA. As autoridades militares americanas presentes em Cabul podem chegar a 1 000 ou até menos, mas os EUA continuarão a governar o Afeganistão.

Para muitos norte-americanos, o acordo de Doha é, em vários sentidos, um amargo de boca. Pouco faz para resolver as diferenças entre os vários senhores da guerra afegãos e o governo central em Cabul, há muitos anos um fantoche dos EUA.

Plantação de papoula. Andar de mãos dadas com os Talibãs, é uma proposta difícil para os liberais dos EUA. Nas mentes dos norte-americanos a rebelião dos Talibãs enquadra-se na categoria de "guerras injustas". São considerados uma organização terrorista, em torno da qual a narrativa de "guerra ao terror" foi construída nos últimos 20 anos.

Por outro lado, para os afegãos, é igualmente perturbador aceitar um acordo com a América que se dedica sem piedade a bombardear as suas cidades e arruinar o seu país.

Os EUA conseguiram superar a sua aversão aos Talibãs por razões pragmáticas. Como afirma um professor: "Sair do Médio Oriente pode realmente significar mais violência, em vez de menos, a curto prazo. Também pode significar que organizações como os Talibãs afegãos acabem detendo o poder nos seus próprios países, em vez dos liberais que os americanos preferem. Mas se alguém leva a sério o fim de uma guerra sem fim, essas são as trocas, às vezes dolorosas, que devem ser levadas em consideração."

Quem diz que os Estados Unidos saem porque não conseguiram vencer a guerra, recusa-se a entender que os EUA nunca ocuparam Cabul para construí-la nem conquistar os corações e mentes do povo afegão. Os Estados Unidos basicamente entraram em Cabul para alcançar os seus estritos objectivos geopolíticos, reforçar sua hegemonia e engordar o complexo industrial militar (CMI).

Esta prolongada guerra não é necessária aos interesses de segurança dos EUA, nem a oposição foi grande, continuou principalmente porque as elites políticas e económicas dos EUA precisam de violência contínua para justificar o seu imenso orçamento anual de defesa de 700 mil milhões de dólares.

A política internacional do pós-Guerra Fria deu a Washington um amplo espaço para se envolver em guerras ilusórias para apaziguar o CMI.

Dado que apenas 3 500 militares americanos e da coligação foram perdidos no Afeganistão, a elite americana usufruiu desta "guerra sem fim" na qual foram gastos cerca de 2 milhões de milhões de dólares e mortos dezenas de milhares de afegãos.

A questão é: por que desejam os Estados Unidos negociar com o seu inimigo das últimas duas décadas? Por que desejam os EUA considerar os Talibãs guardiões dos seus interesses no Afeganistão?

Uma razão clara é que a posição financeira americana está apertada. Nos EUA agora repensa-se nos custos envolvidos numa guerra prolongada, especialmente quando é difícil manter os interesses dos aliados. Além disso, à medida que o desafio sino-russo cresce, os EUA pretendem alcançar muito mais com muito menos e preservar os seus recursos para outras batalhas.

A assinatura do pacto de paz no Qatar foi testemunhada pelo embaixador indiano no Qatar, P. Kumaran. No entanto, foi um revés para a diplomacia indiana que trabalhou duramente para garantir que os Talibãs, apoiados pelo Paquistão, permanecessem na periferia de Cabul.

Agora, a Índia não tem escolha a não ser aceitar que os Talibãs não são mais um pária para os Estados Unidos, que pouco se importa com os interesses nacionais indianos.

O Paquistão certamente está feliz com a evolução, porque terá um regime que trabalhará para reduzir o envolvimento da Índia no Afeganistão.

Além disso, a elite diplomática paquistanesa congratula-se por ter desempenhado um papel crucial ao ajudar o governo de Trump a fazer um acordo com os Talibãs.

Olhando para o estado actual da geopolítica, é difícil ser optimista quanto às perspectivas de paz na região. Os Talibãs prometeram cuidar dos interesses de segurança de Washington no país, impedindo qualquer outra força estatal ou não estatal de usar o solo afegão para ameaçar os interesses dos EUA.

A questão é: como se comportará um regime dominado pelos Talibãs na Organização de Cooperação de Xangai e como reagirá às propostas da China e da Rússia para investimentos em infraestruturas. Os EUA permitirão que se aproximem da China e do Irão? Por quanto tempo os Talibãs continuarão a servir aos interesses americanos na região?

E, mais importante, por quanto tempo o CMI dos EUA continuará sem uma guerra? O desenvolvimento de novas armas exigirá novos campos de tiro real como o Afeganistão e a estratégia americana continuará a identificar novos locais para novas guerras.

17/Maio/2020

 

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/asia/afeganistao_17mai20.html

EUA iniciam retirada parcial de tropas do Afeganistão

Soldados dos EUA se dirigem à avião para deslocamento no Iraque (foto de arquivo)
© AP Photo / Hubert Delany III

Os EUA começaram a a retirar parte de suas tropas do Afeganistão, no quadro do acordo para reduzir a 8.600 o número de soldados em 135 dias.

O porta-voz das forças norte-americanas, coronel Sonny Leggett, afirmou que as Forças dos EUA no Afeganistão "mantêm todos os meios militares e a autoridade" para alcançar seus objetivos, inclusive "a realização de operações antiterroristas" contra a Al Qaeda e o Estado Islâmico, bem como o apoio às Forças de Defesa e Segurança Nacional do Afeganistão.

Além disso, ele especificou que a medida foi tomada em conformidade com a declaração conjunta dos EUA e da República Islâmica do Afeganistão, bem como no marco do acordo em vigor entre os EUA e o movimento radical Talibã, segundo o The Hill.

 

O acordo foi firmado no dia 29 de fevereiro pelo representante norte-americano para a Reconciliação do Afeganistão, Zalmay Khalilzad, e o cofundador do movimento radical Talibã, o mulá Abdul Ghani Baradar, com o objetivo de pôr fim à guerra de quase duas décadas no país, mediante um processo de paz, resultado das negociações que Khalilzad manteve com o Talibã desde outubro de 2018.

O acordo prevê que os EUA reduzam suas tropas no Afeganistão até 8.600 efetivos em um período de 135 dias depois da assinatura, enquanto a saída completa de todas as forças da OTAN deve ser concluída em 14 meses.

Atualmente, estão destacados no país 13.000 efetivos norte-americanos.

Vale ressaltar que o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, advertiu que, caso as "condições no território se deteriorem" e o Talibã não cumpra com o acordo, os EUA podem aumentar novamente sua presença militar no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020031015313027-eua-iniciam-retirada-parcial-de-tropas-do-afeganistao/

EUA estão deixando Afeganistão depois de 19 anos de humilhação, diz chanceler do Irã

Chanceler do Irã Mohammad Javad Zarif
© AP Photo / Petr David Josek

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, afirmou que os EUA estão retirando as tropas do Afeganistão depois de 19 anos de "humilhação", deixando "muita desordem para trás".

"Ocupantes dos EUA nunca deviam ter invadido Afeganistão. Mas eles o fizeram culpando todos os outros pelas consequências. Agora, depois de 19 anos de humilhação, os EUA se renderam. Seja no Afeganistão, na Síria, Iraque ou Iêmen, os EUA são o problema. Eles vão embora deixando muita desordem para trás", escreveu nesta segunda-feira (2) o chanceler iraniano no Twitter.

A declaração do chanceler iraniano surge depois de os EUA e o Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países) terem assinado no sábado (29) um acordo de paz para pôr fim à guerra mais longa de Washington, sediada no Afeganistão.

Poucas horas após o documento ter sido assinado, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou plano de retirada imediata das tropas norte-americanas do Afeganistão.

"Todo mundo está cansado de guerra", afirmou Trump em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, realizada na tarde de sábado (29), acrescentando que o conflito no Afeganistão "tem sido particularmente um tanto longo e terrível", reportou a agência de notícias Tasnim.

O acordo estipula que os EUA, assumindo que os talibãs façam jus à sua parte do acordo, reduzam o número de tropas no Afeganistão para 8.600 nos primeiros 135 dias. Washington, aliados e parceiros de coalizão devem retirar as restantes forças militares em 14 meses.

No domingo (1º), o ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que o pacto é uma tentativa de Washington de justificar sua presença ilegal no Afeganistão.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020030315285827-eua-estao-deixando-afeganistao-depois-de-19-anos-de-humilhacao-diz-chanceler-do-ira/

O enigma do “acordo de paz” do Afeganistão

Por Pepe Escobar, para oAsia Times

Tradução de Patricia Zimbres para o 247

Quase duas décadas depois da invasão e ocupação do Afeganistão na esteira do 11 de setembro, e após uma guerra interminável que custou mais de dois trilhões de dólares, há muito pouco de "histórico" no possível acordo de paz entre Washington e o Talibã, que talvez seja assinado em Doha no próximo sábado.

Para começar, devemos ressaltar três pontos:

1- O Talibã queria a retirada da totalidade das tropas dos Estados Unidos. Washington recusou.

2- O possível acordo apenas reduz as tropas norte-americanas de 13.000 para 8.600, que já era o número de antes do governo Trump.

 

3- A redução só irá acontecer daqui a um ano e meio - supondo-se que isso que está sendo descrito como uma trégua consiga se sustentar.

Para que não haja mal-entendidos, o Segundo em Comando do Talibã, Sirajuddin Haqqani, em um artigo assinado que certamente foi lido por todo o Beltway, detalhou sua inequívoca linha vermelha: a retirada total das tropas dos Estados Unidos.E Haqqani é enfático: não haverá acordo de paz se as tropas americanas permanecerem. Entretanto, um acordo ainda paira no ar. Como? É simples: entra em cena uma série de "anexos" secretos.

O principal negociador norte-americano, o aparentemente eterno Zalmay Khalilzad, um remanescente das eras Clinton e Bush, passou meses codificando esses anexos - como confirmado por uma fonte de Cabul, atualmente fora do governo, mas bem informada sobre as negociações.

 

Vamos subdividir esses anexos em quatro pontos.

1- As forças de contra-terrorismo dos Estados Unidos teriam permissão para permanecer. Mesmo se conseguir a aprovação das lideranças do Talibã, isso seria anátema para as massas de combatentes talibanis.

2- O Talibã teria que denunciar o terrorismo e o extremismo violento. Trata-se apenas de retórica, e não seria um problema.

3- Haverá um esquema montado para monitorar a suposta trégua enquanto as diferentes facções afegãs que guerreiam entre si discutem o futuro, no que o Departamento de Estado dos Estados Unidos descreve como "negociações intra-afegãs". Em termos culturais, como veremos a seguir, afegãos de diferentes origens étnicas terão tremenda dificuldade para monitorar suas próprias guerras.

4- A CIA teria permissão para fazer negócios nas áreas controladas pelo Talibã. Esse é um anátema ainda mais pesado. Qualquer um que esteja familiarizado com o Afeganistão do pós 11 de setembro sabe que a principal razão para a CIA manter negócios no país são as rotas de contrabando (ratlines) de heroína que financiam as operações clandestinas (black-ops) da Langley, como revelado em 2017.

Fora isso, todos os outros aspectos desse acordo "histórico" permanecem bastante vagos. Até mesmo o Secretário de Defesa Mark Esper foi forçado a admitir que a guerra no Afeganistão estava "ainda" em um estado de impasse estratégico.

Quanto ao nada estratégico desastre financeiro, temos apenas que examinar o último relatório SIGAR. SIGAR é a sigla para Special Inspector General for Afghanistan Reconstruction (Inspetor Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão). Na verdade, praticamente nada foi "reconstruído" no Afeganistão.

Nenhum acordo sem o Irã

A confusão "intra-afegã" começa com o fato de que Ashraf Ghani acabou por ser declarado vencedor nas eleições presidenciais realizadas em setembro do ano passado. Mas ele não é reconhecido praticamente por ninguém.

O Talibã não conversa com Ghani. Apenas com algumas pessoas que fazem parte do governo de Cabul. E eles descrevem essas conversas, na melhor das hipóteses, como sendo "entre afegãos comuns".

Qualquer um que tenha algum conhecimento da estratégia do Talibã sabe que as tropas dos Estados Unidos/OTAN jamais terão permissão para permanecer. O que talvez aconteça é o Talibã permitir algum tipo de expediente salva-face, como a permanência de um contingente por alguns meses, e a partir daí apenas um contingente bem reduzido para fazer a segurança da embaixada dos Estados Unidos em Cabul.

Washington, obviamente, irá rejeitar essa possibilidade. A suposta "trégua" será quebrada. Trump, pressionado pelo Pentágono, enviará novas tropas. E a espiral dos infernos voltará a girar.

Uma outra falha importante do possível acordo é os americanos terem ignorado por completo o Irã em suas negociações em Doha.

Isso é patentemente absurdo. Teerã é um parceiro estratégico da maior importância para Cabul. Além das milenares conexões histórico-culturais-sociais, há no mínimo 3,5 milhões de refugiados afegãos no Irã.

Posteriormente ao 11 de setembro, Teerã, de forma lenta mas segura, começou a cultivar relações com o Talibã - mas não de nível militar-armamentista, segundo os diplomatas iranianos. Em Beirute, em setembro, e em Nur-Sultan em novembro do ano passado, obtive um panorama claro da situação atual das discussões sobre o Afeganistão.

A conexão russa com o Talibã passa por Teerã. As lideranças talibani mantêm contatos frequentes com o Corpo dos Guardas Revolucionários Islâmicos. Apenas no ano passado, a Rússia realizou duas conferências em Moscou entre as lideranças políticas do talibã e os mujahideen. Os russos estavam interessados em trazer os uzbeques para as negociações. Ao mesmo tempo, algumas lideranças do Talibã, por quatro vezes, se reuniram secretamente com agentes do Serviço Federal de Segurança russo em Teerã.

O ponto central dessas discussões foi "chegar a uma resolução de conflitos fora dos padrões ocidentais", nas palavras de um diplomata iraniano. O objetivo era algum tipo de federalismo: o Talibã mais os mujahideen no comando da administração de alguns vilayets.

A verdade é que o Irã tem melhores contatos no Afeganistão do que a Rússia ou a China. E tudo isso se encaixa no contexto muito mais amplo da Organização da Cooperação de Xangai (OCX). A parceria estratégica Rússia-China quer uma solução para a questão afegã vinda da interior da OCX, da qual tanto o Irã quanto o Afeganistão são observadores. O Irã pode vir a se tornar membro pleno caso o país permaneça no acordo nuclear - o Plano de Ação Conjunto Global - até outubro, não ficando portanto sujeito a sanções da ONU.

Todos esses atores querem a saída - definitiva - das tropas dos Estados Unidos. A solução, portanto, aponta para uma federação descentralizada. Segundo um diplomata afegão, o Talibã parece estar pronto para dividir o poder com a Aliança do Norte. Quem atrapalha tudo, entretanto, é o Hezb-e-Islami, com um tal de Jome Khan Hamdard, um comandante aliado ao notório mujahid Gulbudiin Hekmatyar, baseado em Mazar-i-Sharif e apoiado pela Arábia Saudita e pelo Paquistão, que estão mais interessados em recomeçar a guerra civil.

Para entender o Pashtunistão

Aqui vai uma explosão de tempos passados, uma recordação do contexto da visita do Talibã a Houston, que mostra como as coisas não mudaram muito desde o primeiro mandato de Clinton. Trata-se sempre da questão de os Talibãs receberem sua parte - naquela época, o assunto era o Oleodutistão, e agora, sua reafirmação do que pode ser descrito como o Pashunistão. Nem todo pashtun é um talibani, mas a maioria esmagadora dos talibanis são pashtun.

O establishment de Washington nunca seguiu a recomendação de "conhece teu inimigo", para tentar entender como pashtuns de grupos extremamente diversos são ligados por um sistema de valores em comum, que estabelece sua base étnica e as regras sociais necessárias. Essa é a essência de seu código de conduta - o fascinante e complexo Pashtunwali. Embora incorporando inúmeros elementos islâmicos, o Pashtunwali, em muitos pontos, está em contradição direta com a lei islâmica.

O Islã introduziu elementos de moralidade de importância fundamental para a sociedade pashtun. Mas há também normas jurídicas, impostas por uma nobreza hereditária, que dão sustentação a todo o edifício, e que são de origem turco-mongol.

Os pashtuns - uma sociedade tribal - têm uma profunda aversão ao conceito ocidental de estado. O poder centralizado só tem uma única maneira de tentar neutralizá-los: o suborno. É isso que passa por uma espécie de sistema de governo no Afeganistão. O que coloca a questão de com quanto - e com quê - os Estados Unidos estão agora subornando o Talibã.

A vida política afegã, na prática, opera com atores que são facções, sub-tribos, "coalizões islâmicas" ou grupos regionais.

De 1996 até o 11 de setembro, o Talibã encarnou o retorno legítimo dos pashtuns como elemento dominante do Afeganistão. Foi por essa razão que eles instauraram um emirado, e não uma república, o que era mais apropriado a uma comunidade muçulmana governada apenas por legislação religiosa. A desconfiança com relação às cidades, particularmente Cabul, expressa também o sentimento de que os pashtuns são superiores aos demais grupos étnicos afegãos.

O Talibã representa um processo de superar a identidade tribal e a afirmação do Pashtunistão. O Beltway nunca entendeu essa poderosa dinâmica - e essa é uma das razões cruciais da derrocada americana.

O corredor do Lápis Lázuli

O Afeganistão está no centro da nova estratégia americana para a Ásia Central, que é a de "expandir e manter o apoio à estabilidade no Afeganistão", acoplada à ênfase em "incentivar a conectividade entre a Ásia Central e o Afeganistão".

Na prática, o governo Trump quer que os cinco "istãos" da Ásia Central apostem em projetos de integração tais como o projeto de eletricidade CASA-1000 e o corredor comercial do Lápis Lázuli, que de fato é uma tentativa de reinicializar a Antiga Rota da Seda, ligando o Afeganistão ao Turcomenistão, ao Azerbaijão e à Geórgia, antes de cruzar o Mar Negro até a Turquia, e então seguindo até a União Europeia.

Mas o problema é que o Lápis Lázuli fatalmente irá se integrar ao Corredor Médio da Turquia, que faz parte das Novas Rotas da Seda, ou Iniciativa do Cinturão e Rota, e também do Corredor Econômico China-Paquistão Plus, que também faz parte da Cinturão e Rota. Pequim planejou essa integração muito antes de Washington.

O governo Trump está apenas enfatizando o óbvio: um Afeganistão pacífico é de importância essencial para o processo de integração.

Andrew Korybko está correto ao afirmar que "a Rússia e a China, a essa época, poderiam avançar mais na construção do Anel de Ouro unindo os dois países ao Paquistão, ao Irã e à Turquia, "abraçando" assim a Ásia Central, com oportunidades potencialmente ilimitadas que superariam em muito a perspectiva estratégica de soma-zero dos Estados Unidos, 'forçando' sua expulsão".

O desejo otimista do falecido Zbigniew "Grande Tabuleiro" Brzezinski talvez esteja morto, mas as miríades de jogadas de dividir-para-governar impostas à Ásia Central agora se transmutaram em guerra híbrida dirigida explicitamente contra a China, a Rússia e o Irã - os três grandes nós da integração da Eurásia.

E isso significa que, no que se trata do Afeganistão da realpolitik, com ou sem acordo, as forças armadas dos Estados Unidos não têm a menor intenção de ir embora. Elas querem ficar - a qualquer custo. O Afeganistão é uma valiosíssima base do Grande Oriente Médio, a partir da qual os Estados Unidos poderão empregar suas técnicas de guerra híbrida.

Os pashtuns, certamente, entenderam a mensagem enviada pelos principais atores da Organização de Cooperação de Xangai. A questão é como eles planejam ganhar de lavada o jogo contra a Equipe Trump.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/o-enigma-do-acordo-de-paz-do-afeganistao

Kennedy: No Afeganistão, EUA perdem a guerra mais longa que já travaram

247 - O jornalista Kennedy Alencar, em sua coluna no IG, afirma que "Os Estados Unidos perderam a mais longa guerra que já travaram. O tratado de paz com o Taleban é uma saída americana pela porta dos fundos, como no Vietnã. Saldo para os afegãos: um país destruído durante duas décadas".

"O Taleban, que em 2001 seria exterminado em semanas, é o único lado que pode declarar vitória. A linguagem corporal do aperto de mãos dado hoje entre os dois lados deixou isso evidente", diz ele.

"Sem dúvida, o tratado de paz é importante para a tentativa de reconstrução do Afeganistão. O Taleban, considerado um grupo pária em 2001, quando estive no país, emerge agora como uma força política incontestada. Assinar o acordo com os EUA sem a participação do governo afegão mostra a força do Taleban, que ganha reconhecimento internacional do seu maior inimigo", acrescenta.

 

'Não cabe aos EUA decidir': presidente do Afeganistão rejeita liberação de prisioneiros do Talibã

Membros de uma facção dissidente dos combatentes do Talibã durante uma patrulha no distrito de Shindand na província de Herat, Afeganistão (foto de arquivo)
© AP Photo / Allauddin Khan

O presidente afegão, Ashraf Ghani, rejeitou a demanda do Talibã, incluída no acordo firmado entre o grupo e os EUA, da liberação de 5.000 membros do grupo mantidos como prisioneiros.

Neste domingo (1º), o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, negou que o governo de Cabul reconhecesse o compromisso, de liberar 5.000 prisioneiros, assumido pelos EUA durante as negociações de paz com o Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e demais países).

"O governo do Afeganistão não se comprometeu a liberar 5.000 prisioneiros do Talibã", disse Ghani a repórteres em Cabul, um dia após os EUA e o Talibã assinarem o acordo político no Qatar.

As declarações do presidente afegão confirmam as especulações de diplomatas ocidentais, que previram que os EUA teriam dificuldades em convencer o governo de Cabul a acatar o acordo assinado com o grupo terrorista, reportou a Reuters.

O acordo estipula que os Estados Unidos e o Talibã se comprometeriam a trabalhar pela liberação, tanto de prisioneiros de guerra, como de presos políticos, como uma medida para fortalecer a confiança entre as partes.Presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, durante conferência de imprensa em Cabul, em 1º de março de 2020

© REUTERS / Omar Sobhani
Presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, durante conferência de imprensa em Cabul, em 1º de março de 2020

O documento prevê a troca de até 5.000 prisioneiros ligados ao Talibã por cerca de 1.000 presos ligados ao governo de Cabul. As liberações deveriam ocorrer até o dia 10 de março.

No entanto, para o presidente afegão a questão dos prisioneiros "não é da competência dos Estados Unidos decidir, eles são apenas um facilitador".
O acordo firmado no Qatar neste sábado (29) foi assinado pelo enviado especial dos EUA, Zalmay Khalilzad, e pelo chefe político do Talibã, mulá Abdul Ghani Baradar, e testemunhado pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.

Após a cerimônia, Baradar teria se reunido com os ministros das Relações Exteriores da Noruega, Turquia e Uzbequistão em Doha, assim como com diplomatas da Rússia, Indonésia e nações vizinhas, em uma medida que sinalizou a determinação do Talibã em garantir sua legitimidade internacional, informou o grupo.

"Os dignitários que se reuniram com o mulá Baradar expressaram seu compromisso em relação à reconstrução e ao desenvolvimento do Afeganistão [...] o acordo firmado entre os EUA e o Talibã é histórico", disse o porta-voz do grupo, Zabiullah Mujahid.

O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou as críticas em relação ao acordo e declarou estar disposto a se reunir com líderes do Talibã em um futuro próximo.

Os assessores de Ghani, por sua vez, disseram que a decisão de Trump de se encontrar com o Talibã pode representar um desafio para o governo no momento em que a retirada de tropas dos EUA se torna iminente.

Retirada de tropas

O acordo também estipula que Washington reduza sua presença militar no Afeganistão de 13.000 tropas para 8.600 dentro de 135 dias após a sua assinatura.
Washington também se comprometeu a trabalhar com seus aliados para reduzir o número de tropas da coalizão estacionadas no Afeganistão durante o mesmo período, caso o Talibã cumpra suas obrigações e garanta a imposição de um cessar-fogo.O líder da delegação Talibã, Abdul Ghani Baradar assinando o acordo de paz com o emissário dos EUA para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, no Qatar, em 29 de fevereiro de 2020

© REUTERS / IBRAHEEM AL OMARI
O líder da delegação Talibã, Abdul Ghani Baradar assinando o acordo de paz com o emissário dos EUA para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, no Qatar

A retirada total de todas as forças dos EUA e da coalizão ocorrerá dentro de 14 meses, diz o comunicado conjunto.

A guerra no Afeganistão se extende por mais de 18 anos, desde que os EUA invadirem o país como retaliação pela realização dos ataques de 11 de setembro. O conflito encontra-se em uma situação de impasse, na qual o Talibã retoma controle de diversos territórios, mas não consegue capturar e manter os grandes centros urbanos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020030115279725-nao-cabe-aos-eua-decidir-presidente-do-afeganistao-rejeita-liberacao-de-prisioneiros-do-taliba/

Trump anuncia encontro com líderes do Talibã

Reuters - - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exaltou neste sábado um acordo que os EUA assinaram com os insurgentes do Taliban no Afeganistão e disse que se encontraria pessoalmente com os líderes do grupo em um futuro próximo.

Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, Trump disse que os vizinhos do Afeganistão devem ajudar a manter a estabilidade após o acordo, que pode abrir caminho para uma retirada total de soldados estrangeiros do país e representar um passo em direção ao fim da guerra de 18 anos na nação.

Muitos esperam que as próximas negociações entre os lados afegãos sejam mais complicadas do que o acordo inicial. Mas Trump disse achar que as negociações serão bem-sucedidas porque “todo mundo está cansado da guerra”.

 

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/mundo/trump-anuncia-encontro-com-lideres-do-taliba

Estados Unidos e Talibã assinam acordo de paz no Qatar

O líder da delegação Talibã, Abdul Ghani Baradar assinando o acordo de paz com o emissário dos EUA para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, no Qatar, em 29 de fevereiro de 2020
© REUTERS / IBRAHEEM AL OMARI

Os representantes dos Estados Unidos e os afegãos do movimento Talibã assinaram um acordo de paz hoje (29) em Doha, na capital do Qatar, após 18 meses de negociações.

O acordo foi assinado pelo emissário de paz dos EUA para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, e pelo co-fundador do movimento Talibã Mullah Abdul Ghani Baradar.

O referido acordo foi assinado depois de um período bem-sucedido de redução da violência, que durou uma semana, que tinha sido anunciado no dia 22 de fevereiro.

Anteriormente os governos dos EUA e Afeganistão divulgaram uma declaração conjunta de acordo com a qual Washington irá retirar todas as suas tropas do Afeganistão dentro de 14 meses.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, enumerou as condições-chave do acordo entre os EUA e o Talibã.

"Cumpram as suas promessas, cortem os laços com a Al-Qaeda*, continuem lutando contra o Daesh*," disse Pompeo se dirigindo ao movimento Talibã*.

Além disso, Washington também deverá "reduzir inicialmente seu contingente militar no país para 8.600 homens e implementar outros compromissos do acordo com o Talibã no prazo de de 135 dias" a partir do anúncio da declaração.Ex-militantes afegãos do movimento Talibã segurando armas (foto de arquivo)

© AFP 2019 / Noorullah Shirzada
Ex-militantes afegãos do movimento Talibã segurando armas (foto de arquivo)

O chefe do gabinete político do grupo militante no Qatar disse que o Talibã vai aderir ao acordo de paz assinado hoje em Doha.

"Os EUA e o movimento Talibã concluíram com êxito as conversações no Qatar. Quero parabenizar a todos por este feito. Vamos cumprir com o acordo e, como força política, queremos que ele seja implementado pelos países vizinhos", disse Abdul Ghani Baradar.

De acordo com a mídia "este passo reflete o sério desejo" dos EUA e do Talibã de superar os obstáculos e avançar para alcançar a paz, uma vez que os "esforços do Qatar ajudaram a aproximar os pontos de vista e a construir confiança".

"Graças aos esforços do Qatar, que durante o ano passado acolheu conversações de paz entre o Talibã e a delegação dos EUA, este ano pode se tornar um ano de paz para o Afeganistão e satisfazer as esperanças do povo afegão de alcançar um acordo de paz abrangente que acabe com a violência e prepare a retirada das tropas dos EUA", aponta o jornal.

*(A Al-Qaeda, o Daesh e o Talibã são grupos terroristas proibidos na Rússia e em outros países).

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2020022915278247-estados-unidos-e-taliba-assinam-acordo-de-paz-no-qatar/

Afeganistão é o maior erro estratégico na história militar dos EUA, diz analista

Soldados afegãos recém-formados em cerimônia de graduação na Academia Militar de Cabul, no Afeganistão, em 24 de fevereiro de 2020
© AP Photo / Rahmat Gul

Esforços de Mike Pompeo para selar acordo de paz no Afeganistão fornecem legitimidade e devolvem o poder ao grupo Talibã, com quem os EUA lutam há dezenove anos.

Nesta sexta-feira (21), o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, publicou na sua conta no Twitter que os EUA "chegaram a um acordo com o Talibã para reduzir significativamente a violência no Afeganistão" e anunciou que um acordo de paz poderia estar próximo.

 

"Após décadas de conflito, nós chegamos a um acordo com o Talibã para reduzir significativamente a violência no Afeganistão. Este é um passo importante em uma longa jornada rumo à paz, e eu peço a todos os afegãos que aproveitem esta oportunidade."

O analista Michael Hirsh, da revista norte-americana Foreign Policy, lamenta que "ninguém reclamou da relegitimação do Talibã, que agora terá uma voz poderosa no comando do país". Segundo ele, o Talibã estaria inclusive em posição de "retomar o controle" do Afeganistão.

Para Hirsh, os EUA cometeram um erro estratégico grave ao invadir o Iraque enquanto os ganhos militares da operação no Afeganistão não estavam consolidados. A insurgência que se seguiu à invasão do Iraque, que teria pego a administração George W. Bush de surpresa, reduziu a capacidade dos EUA de influenciar o campo de batalha no Afeganistão.

Nesse contexto, o então secretário de Defesa de Bush, David Rumsfeld, teria "decidido manter o que ele chamou de 'pequena marca' no Afeganistão porque ele não gostava da ideia de construção nacional", que consistiria no investimento dos EUA na construção e consolidação de novas instituições no Afeganistão.

O Talibã, que teria recebido um golpe muito forte durante as primeiras operações dos EUA no Afeganistão, gradualmente se reconstruiu, a partir de bases no Paquistão, e utilizou o vácuo de poder deixado pelos EUA para retomar sua influência na política interna do país asiático.

Cerimônia de transporte do caixão de um militar norte-americano morto no Afeganistão, em 14 de fevereiro de 2020
© AP Photo / Steve Ruark
Cerimônia de transporte do caixão de um militar norte-americano morto no Afeganistão, em 14 de fevereiro de 2020

Quando o retorno do Talibã já era uma realidade, a administração Obama debateu qual seria a melhor estratégia para conter o avanço do grupo, "que havia tomado a cidade de Kunduz em 2015 e voltado a representar uma ameaça a áreas urbanas e ao próprio governo de Cabul".

"A administração Bush cometeu três erros fundamentais logo no início [da guerra] no Afeganistão", disse James Dobbins, que serviu como enviado especial da administração Bush para o Afeganistão.

"O primeiro foi acreditar que um país devastado, sem exército ou polícia, poderia garantir a segurança de seu território ou da sua população sem ajuda", disse Dobbins ao analista. "O segundo foi a incapacidade de atrair os membros do Talibã que estavam preparados para entregar as armas, inclusive os de alto escalão", acrescentou.

"O terceiro foi não entender que, mesmo que o Paquistão tivesse deixado de fornecer apoio ao governo do Talibã após [os ataques terroristas de] 11 de setembro, não deixou de apoiar o movimento Talibã", explicou.

Esses erros teriam levado o Talibã a "se reagrupar, rearmar e [voltar a] operar" do território paquistanês, "projetando uma insurgência de larga escala de volta para o Afeganistão", concluiu.

Por ter compreendido que Washington deixaria um vácuo de poder no Afeganistão, o Paquistão teria retomado seu apoio ao Talibã, considerando-o como um aliado islâmico.

Crianças refugiadas afegãs no campo de Kabobayan, em Peshawar, no Paquistão, em 13 de fevereiro de 2020
© AP Photo / Muhammad Sajjad
Crianças refugiadas afegãs no campo de Kabobayan, em Peshawar, no Paquistão, em 13 de fevereiro de 2020

Hirsh relata que o ex-embaixador do Paquistão nos EUA, Mahmud Ali Durrani, em entrevista concedida ao analista no início dos anos 2000, havia relatado que, pouco antes de Bush invadir o Iraque, "a Al-Qaeda [organização terrorista proibida na Rússia e demais países] estava praticamente destruída, no sentido operacional. Mas depois eles pegaram o vácuo deixado no Afeganistão. E encontraram a sua motivação no Iraque. A Al-Qaeda estava rejuvenescida".

O historiador militar David Kilcullen acredita que a "guerra contra o terror", iniciada por Washington após os ataques terroristas de 11 de setembro, pode ter resultado no "maior erro estratégico feito por um líder de relevância desde que Adolf Hitler decidiu [...] invadir a União Soviética".

Em contexto favorável a seu Exército na Europa, o líder nazista decidiu iniciar uma campanha militar de larga escala contra Moscou, decisão apontada por muitos historiadores como o motivo da derrota alemã na 2ª Guerra Mundial.

"Hitler achou que o Reino Unido iria cair sozinha, e que ele iniciaria uma campanha que achava que seria mamão com açúcar" contra a União Soviética, disse Kilcullen.

"Isso é literalmente o que aconteceu com o Afeganistão e o Iraque. Enquanto a batalha de Tora Bora [montanhas nas quais se dizia que bin Laden estaria escondido] ainda estava em curso, a administração Bush começou a fazer planos para [invadir] o Iraque", explicou.

Enquanto as consequências desse erro são multifacetadas, o analista lembra que, nestes dezenove anos de guerra, os grupo armados aprenderam a lutar contra os EUA, em condições de guerra assimétrica.

Fronteira entre Paquistão e Afeganistão, na cidade paquistanesa de Angore Adda
© AP Photo / Mohammad Yousaf
Fronteira entre Paquistão e Afeganistão, na cidade paquistanesa de Angore Adda

"Se na Guerra do Golfo, em 1991, mostramos a todos como não se deveria lutar conosco, na invasão do Iraque em 2003 mostramos para todos como se deve lutar conosco", concluiu Kilcullen.

Desde dezembro de 2019, o jornal norte-americano Washington Post vem publicando uma série de reportagens que demonstraram que, apesar das autoridades dos EUA estarem cientes dos erros cometidos no conflito afegão, elas continuaram a solicitar financiamento e declarar apoio à manutenção das tropas dos EUA no país asiático.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2020022415254831-afeganistao-e-o-maior-erro-estrategico-na-historia-militar-dos-eua-diz-analista/

Os EUA e o desaire na segunda guerra do Afeganistão, por António Abreu

No passado dia 9 de dezembro, o Washington Post revelou um conjunto de documentos confidenciais do governo norte-americano que revela que mais altas autoridades deste país mentiram sobre a guerra no Afeganistão durante a campanha que durou 18 anos, fazendo declarações positivas que sabiam serem falsas e escondendo evidências inconfundíveis de que a guerra não era susceptível de ser ganha. Estes elementos referem-se à segunda guerra no país, depois da primeira guerra (1). 
 
Os documentos foram produzidos por um projeto federal que examinava as falhas fundamentais do conflito armado mais longo da história dos EUA.  Incluem mais de 2.000 páginas de notas de entrevistas inéditas com pessoas que desempenharam um papel directo na guerra, de generais e diplomatas a trabalhadores auxiliares e autoridades afegãs.  

 

O jornal revela que o governo dos EUA tentou proteger as identidades da grande maioria dos entrevistados para o projeto e ocultar quase todas as suas observações. 
 
O Post ganhou a causa para serem libertados os documentos após uma batalha legal de três anos.
 
 “Faltava-nos uma compreensão fundamental do Afeganistão – não sabíamos o que estávamos a fazer”, disse em 2015 Douglas Lute, um general do Exército de três estrelas – que serviu como pivot da Casa Branca na guerra conduzida neste país durante as administrações de Bush e Obama. E acrescentou: “O que estamos a fazer aqui? Não tínhamos a menor noção do que estávamos a fazer. ” E Lute acrescentava “Se o povo americano soubesse a dimensão dessa disfunção com a perda de 2.400 vidas ”, referindo-se apenas as perdas de militares norte-americanos, culpando, por isso os colapsos burocráticos entre o Congresso, o Pentágono e o Departamento de Estado. “Quem poderia dizer que isso foi em vão?” Desde 2001, mais de 775.000 soldados dos EUA foram enviados para o Afeganistão, muitos por várias vezes. Desses, 2.300 morreram lá e 20.589 foram feridos em ação, segundo dados do Departamento de Defesa. 
As entrevistas realizadas no âmbito daquele projecto, através de uma extensa variedade de vozes, revelam as principais falhas da guerra que persistem até hoje. Eles ressaltam como três presidentes – George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump – e os seus comandantes militares foram incapazes de cumprir as suas promessas relativas à permanência no Afeganistão. 
 

Com a maioria dos entrevistados a pensar que as suas declarações não se tornariam públicas, as autoridades americanas reconheceram que as suas estratégias de combate tinham falido e que Washington estavam a desperdiçar enormes somas de dinheiro tentando reconstruir o Afeganistão num país moderno. 

As entrevistas também destacam as tentativas frustradas do governo dos EUA de reduzir a corrupção descontrolada, formar um exército afegão e uma força policial competentes e acabar com o próspero comércio de ópio do Afeganistão.  
 
 
O governo dos EUA não realizou uma contabilidade global sobre quanto gastou a guerra no Afeganistão, mas os custos são surpreendentes. Desde 2001, o Departamento de Defesa, o Departamento de Estado e a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (2) gastaram ou apropriaram-se de entre 934 mil milhões e 978 mil milhões de dólares, de acordo com uma estimativa corrigida pela inflação calculada por Neta Crawford, professora de ciências políticas e codiretora dos custos de Projeto de Guerra na Universidade Brown. Esses números não incluem o dinheiro gasto por outras agências, como a CIA e o Departamento de Assuntos dos Veteranos que era responsável pelos cuidados médicos aos veteranos feridos. 
 
“O que recebemos por esse esforço 1 trilião (3) de dólares? O que nos valeu esse 1 trilião? (3)”, perguntou Jeffrey Eggers, aposentado dos Navy SEAL e da Casa Branca de Bush e Obama, aos entrevistadores do governo. E acrescentava: “Após o assassinato de Osama bin Laden, eu disse que Osama provavelmente estaria a rir-se na sua cova aquática, ao olhar o quanto gastamos no Afeganistão”… 
 
Os documentos também contradizem um longo coro de declarações públicas de presidentes, comandantes militares e diplomatas dos EUA, que garantiam aos americanos, ano após ano, que estavam progredindo no Afeganistão e que valia a pena lutar nesta guerra.
 
  
(1) A primeira guerra no Afeganistão iniciou-se com os combates de diversos grupos fundamentalistas islâmicos contra o governo saído da revolução de Saur, em 1978, de carácter socialista, com apoio da maior parte das forças armadas e amplo apoio popular. Este governo promoveu um estado laico e moderno, a educação e a emancipação das mulheres, o ensino da língua e das tradições culturais.  As relações de cooperação militar com a União Soviética já se davam com carácter permanente desde 1919, depois da Revolução de Outubro na Rússia. Mas começaram, em efetiva e larga escala, apenas em 1956. Novos acordos foram assinados nos anos 70, com os soviéticos a enviar conselheiros militares e especialistas. A União Soviética financiou várias obras de infraestruturas diversas, deu assistência na construção da Universidade de Cabul, do Instituto Politécnico e também de hospitais, fábricas produtoras de energia e escolas. Nos anos 80, os soviéticos também financiaram a construção de universidades em Blakhe, Herate, Takhar, Nangarhar e Fariyab. Professores russos foram enviados para dar aulas no Afeganistão. Os combatentes mujahidins, vindos de vários países, tinham as suas bases no território vizinho do Paquistão. Um deles era dirigido pelo saudita Osama Bin Laden que criaria o grupo terrorista Al Qaeda. Os norte-americanos viam o Afeganistão como uma parte integrante da Guerra Fria e a CIA enviou ajuda às forças antissoviéticas através dos serviços de inteligência paquistaneses, num programa chamado Operação Ciclone. Estima-se que entre 850 000 e 1 500 000 afegãos morreram neste conflito. Os militares e agentes do KGB mortos foram cerca de 15 000.   Desde a intervenção a pedido do governo em 1979, os soviéticos concluíram a sua retirada em 1989. Foi a primeira guerra do Afeganistão.  
 
Os EUA, depois dos ataques às Torres Gémeas em 1 set 2001, lançaram, de imediato um ataque sobre o Iraque, invocando ter este armas de destruição maciça o que se revelou mais tarde ser uma ameaça inventada pelos EUA e seus aliados para “justificar” a agressão. 
Foram duas décadas de guerra, que ainda se mantem hoje com uma tentativa dos talibans reverterem a situação a seu favor e afastar o governo actual. 
 
(2) A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, mais conhecida pelo seu acrónimo em inglês USAID, é um organismo do governo dos Estados Unidos encarregado de distribuir a maior parte da “ajuda externa de carácter civil”, mas que de facto se traduz na entrega a instituições, que são a capa de organizações terroristas ou destinadas a organizar insurreições, de meios e agentes da CIA. Os EUA mantêm uma grande multiplicidade destas organizações em todo o mundo (alguns dos exemplos mais recentes as “insurreições” na Venezuela, Bolívia, Hong-Kong e em bolsas terroristas na Síria). 
 
(3) O número um seguido de 18 zeros.

Via: antreus http://bit.ly/2suuwKL

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/27/os-eua-e-o-desaire-na-segunda-guerra-do-afeganistao-por-antonio-abreu/

Vassalagem ao império

As mais altas figuras do Estado foram ao Afeganistão prestar homenagem às tropas portuguesas e vassalagem ao Império no exacto momento em que os Afghanistan  Papers revelavam o colossal fracasso da intervenção.

The Big Reveal for the Washington Post was the release of the Afghanistan Papers. A series of interviews and documents “compiled in secret” and then the subject of a “legal challenge” from the US government. The WaPo baldly calls it“A secret history of the war”. But there’s nothing here that’s really secret, and very little actual history. What do they tell us? Absolutely nothing, except what we’re supposed to believe.” ( Kit Knightly, December 20, 2019)

War is Good for Business and Organized Crime: Afghanistan’s Multibillion Dollar Opium Trade. Rising Heroin Addiction in the US By Prof Michel Chossudovsky

Via: FOICEBOOK http://bit.ly/2QlYl82

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazine.wordpress.com/2019/12/25/vassalagem-ao-imperio/

Três triliões de dólares no poço sem fundo afegão

 
 
Manlio Dinucci*
 
Os documentos que o Washington Post conseguiu tornar públicos sobre a guerra contra o Afeganistão, não atestam que os Estados Unidos conseguiram pacificar este país. Pelo contrário, mostram que o Pentágono segue, fielmente, a estratégia da “guerra sem fim”, elaborada por Donald Rumsfeld e pelo Almirante Arthur Cebrowski. A operação militar, que duraria algumas semanas, prossegue há 18 anos.
 
Na Declaração de Londres [1], os 29 países da NATO reafirmaram “o empenho na segurança e na estabilidade, a longo prazo, do Afeganistão”. Uma semana depois, de acordo com a “Lei da Liberdade de Informação” (usada para esvaziar, depois de vários anos, alguns esqueletos dos armários, de acordo com a conveniência política), o Washington Post tornou públicas 2.000 páginas de documentos que “revelam que as autoridades americanas enganaram o público sobre a guerra do Afeganistão” [2]. Essencialmente, ocultaram os efeitos desastrosos e também as implicações económicas, de uma guerra em curso há 18 anos.
 
Os dados mais interessantes que surgem são os dos custos económicos:
 
Para as operações militares, foram desembolsados 1.5 triliões de dólares, cifra que “permanece opaca” - por outras palavras, subestimada - ninguém sabe quanto despenderam na guerra os serviços secretos ou quanto custaram, realmente, as empresas militares privadas, os mercenários recrutados para a guerra (actualmente, cerca de 6 mil).
 
Visto que “a guerra foi financiada com dinheiro tomado de empréstimo”, os juros atingiram 500 biliões, o que eleva a despesa para 2 triliões de dólares.
 
Acrescentam-se a esta verba, outros custos: 87 biliões para treinar as Forças afegãs e 54 biliões para a “reconstrução”, grande parte dos quais “foram perdidos devido à corrupção e aos projectos fracassados”.
 
Pelo menos, outros 10 biliões foram gastos na “luta contra o tráfico de drogas”, com o bom resultado de que a produção de ópio aumentou fortemente: hoje o Afeganistão fornece 80% da heroína aos traficantes de drogas do mundo.
 
Com os juros que continuam a acumular-se (em 2023, chegarão a 600 biliões) e o custo das operações em curso, a despesa supera, amplamente, os 2 triliões.
 
Também é preciso considerar o custo da assistência médica aos veteranos, saídos da guerra com ferimentos graves ou inválidos. Até agora, para os que combateram no Afeganistão e no Iraque, foram despendidos 350 biliões que, nos próximos 40 anos, subirão para 1.4 triliões de dólares.
 
Visto que mais da metade dessa verba, é gasta com os veteranos do Afeganistão, o custo da guerra, para os EUA, sobe para cerca de 3 triliões de dólares.
 
 
Após 18 anos de guerra e um número não quantificável de vítimas entre os civis, ao nível militar, o resultado é que “os Taliban controlam grande parte do país e o Afeganistão permanece uma das principais áreas de proveniência de refugiados e migrantes”.
 
Portanto, o Washington Post conclui que, dos documentos vindos a público, surge “a dura realidade dos passos falsos e dos fracassos do esforço americano em pacificar e reconstruir o Afeganistão”. Desta maneira, o prestigioso jornal, que demonstra como as autoridades americanas “enganaram o público”, por sua vez engana o público, ao apresentar a guerra como “um esforço americano para pacificar e reconstruir o Afeganistão”.
 
O verdadeiro objectivo da guerra conduzida pelos EUA no Afeganistão, na qual a NATO participa, desde 2003, é o controlo dessa área de importância estratégica fundamental na encruzilhada entre o Médio Oriente, a Ásia Central, Meridional e Oriental, sobretudo, na periferia da Rússia e da China.
 
Nesta guerra participa a Itália, sob o comando USA, desde que o Parlamento autorizou, em Outubro de 2002, o envio do primeiro contingente militar, a partir de Março de 2003. A despesa italiana, subtraída ao erário público, tal como a dos EUA, é estimada em cerca de 8 biliões de euros, à qual se junta vários custos indirectos.
 
Para convencer os cidadãos, atingidos pelos cortes nas despesas sociais, de que são necessários outros fundos para o Afeganistão, diz-se que eles servem para trazer melhores condições de vida ao povo afegão. E os Frades do Sagrado Convento de Assis deram ao Presidente Mattarella, a “Lâmpada da Paz, de São Francisco”, reconhecendo assim, que “a Itália, com as missões dos seus militares, colabora activamente para promover a paz em todas as partes do mundo.”
 
Manlio Dinucci* | Voltaire.net.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte Il Manifesto (Itália)
 
 
Notas:
[1] « Déclaration de Londres », Réseau Voltaire, 4 décembre 2019.
[2] “The Afghanistan Papers. A secret history of the war. At war with the truth”, Craig Whitlock, The Washington Post, December 9, 2019.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/tres-trilioes-de-dolares-no-poco-sem.html

No Afeganistão, 9 crianças são mortas ou mutiladas diariamente

Num relatório publicado esta terça-feira, a Unicef sublinha que o número médio de crianças mortas ou mutiladas, no país asiático, até final de Setembro aumentou 11% por comparação com igual período de 2018.

A Unicef revela que as crianças estão a sofrer mais a violência da guerra no AfeganistãoCréditos / The New Humanitarian

Aboubacar Kampo, representante no Afeganistão do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla inglesa), precisou que, até ao final de Setembro de 2019, 631 crianças morreram e 1830 ficaram feridas em diferentes acções de guerra, o que representa um aumento de 11% relativamente aos primeiros nove meses de 2018.

Em declarações à TV local Tolo News, recolhidas pela Prensa Latina, o responsável afirmou que este registo de vítimas menores está relacionado com o aumento de ataques suicidas e com os combates frequentes entre o Exército local e as tropas da NATO, lideradas pelos Estados Unidos, e grupos armados talibãs, sobretudo.

 

Kampo lamentou que, em média, nove crianças sejam mortas ou mutiladas diariamente no país asiático e que, também devido à guerra, milhares de crianças fiquem sem acesso a direitos fundamentais, como habitação, família, educação de qualidade, cuidados de saúde, segurança e protecção.

O documento da Unicef revela ainda que, entre 2009 e 2018, foram mortas em território afegão 6500 crianças e 15 mil ficaram feridas, transformando «na zona de guerra mais letal do mundo» este país, que os EUA invadiram em 2001 – oficialmente para combater o «terrorismo» dos seus antigos aliados mujahidin – e para o qual, acusam Rússia e Irão, Washington anda agora a transportar combatentes do Daesh.

Outros números sobre Afeganistão

Os números divulgados pela agência das Nações Unidas são bem ilucidativos da realidade que as crianças vivem actualmente no país da Ásia Central.

De acordo com a Unicef, 3,8 milhões de crianças necessitam de ajuda humanitária; 3,7 milhões estão em idade escolar mas não vão à escola; 600 mil crianças com menos de cinco anos sofrem de má-nutrição severa; 30% das crianças trabalham.

O organismo revelou ainda que precisa de 323 milhões de dólares para prosseguir as suas actividades em 2020 no Afeganistão, sendo que, até ao momento, apenas tem garantidos 25% dessa verba.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/no-afeganistao-9-criancas-sao-mortas-ou-mutiladas-diariamente

[Manlio Dinucci] 3 triliões de dólares no poço sem fundo afegão

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A Arte da guerra:  Três Triliões de Dólares no Poço Sem Fundo Afegão Manlio Dinucci

Na Declaração de Londres (3 de Dezembro de 2019), os 29 países da NATO reafirmaram “o empenho na segurança e na estabilidade, a longo prazo, do Afeganistão”. Uma semana depois, de acordo com a “Lei da Liberdade de Informação” (usada para esvaziar, depois de vários anos, alguns esqueletos dos armários, de acordo com a conveniência política), o Washington Post tornou públicas 2.000 páginas de documentos que “revelam que as autoridades americanas enganaram o público sobre a guerra do Afeganistão”. Essencialmente, ocultaram os efeitos desastrosos e também as implicações económicas, de uma guerra em curso há 18 anos.
Os dados mais interessantes que surgem são os dos custos económicos:
Ø Para as operações militares, foram desembolsados 1.5 triliões de dólares, cifra que “permanece opaca” - por outras palavras, subestimada - ninguém sabe quanto despenderam na guerra os serviços secretos ou quanto custaram, realmente, as empresas militares privadas, os mercenários recrutados para a guerra (actualmente, cerca de 6 mil).
Ø Visto que “a guerra foi financiada com dinheiro tomado de empréstimo”, os juros atingiram 500 biliões, o que eleva a despesa para 2 triliões de dólares.
Ø Acrescentam-se a esta verba, outros custos: 87 biliões para treinar as Forças afegãs e 54 biliões para a “reconstrução”, grande parte dos quais “foram perdidos devido à corrupção e aos projectos fracassados”.
Ø Pelo menos, outros 10 biliões foram gastos na “luta contra o tráfico de drogas”, com o bom resultado de que a produção de ópio aumentou fortemente: hoje o Afeganistão fornece 80% da heroína aos traficantes de drogas do mundo.
Ø Com os juros que continuam a acumular-se (em 2023, chegarão a 600 biliões) e o custo das operações em curso, a despesa supera, amplamente, os 2 triliões.
Ø Também é preciso considerar o custo da assistência médica aos veteranos, saídos da guerra com ferimentos graves ou inválidos. Até agora, para os que combateram no Afeganistão e no Iraque, foram despendidos 350 biliões que, nos próximos 40 anos, subirão para 1.4 triliões de dólares.
Visto que mais da metade dessa verba, é gasta com os veteranos do Afeganistão, o custo da guerra, para os EUA, sobe para cerca de 3 triliões de dólares.
Após 18 anos de guerra e um número não quantificável de vítimas entre os civis, ao nível militar, o resultado é que “os Taliban controlam grande parte do país e o Afeganistão permanece uma das principais áreas de proveniência de refugiados e migrantes”.
Portanto, o Washington Post conclui que, dos documentos vindos a público, surge “a dura realidade dos passos falsos e dos fracassos do esforço americano em pacificar e reconstruir o Afeganistão”. Desta maneira, o prestigioso jornal, que demonstra como as autoridades americanas “enganaram o público”, por sua vez engana o público, ao apresentar a guerra como “um esforço americano para pacificar e reconstruir o Afeganistão”.
O verdadeiro objectivo da guerra conduzida pelos EUA no Afeganistão, na qual a NATO participa, desde 2003, é o controlo dessa área de importância estratégica fundamental na encruzilhada entre o Médio Oriente, a Ásia Central, Meridional e Oriental, sobretudo, na periferia da Rússia e da China.
Nesta guerra participa a Itália, sob o comando USA, desde que o Parlamento autorizou, em Outubro de 2002, o envio do primeiro contingente militar, a partir de Março de 2003. A despesa italiana, subtraída ao erário público, tal como a dos EUA, é estimada em cerca de 8 biliões de euros, à qual se junta vários custos indirectos.
Para convencer os cidadãos, atingidos pelos cortes nas despesas sociais, de que são necessários outros fundos para o Afeganistão, diz-se que eles servem para trazer melhores condições de vida ao povo afegão. E os Frades do Sagrado Convento de Assis deram ao Presidente Mattarella, a “Lâmpada da Paz, de São Francisco”, reconhecendo assim, que “a Itália, com as missões dos seus militares, colabora activamente para promover a paz em todas as partes do mundo.”
il manifesto, 17 de Dezembro de 2019
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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO


Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.

Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Afegãos denunciam violações dos direitos humanos por militantes e tropas estrangeiras

Cabul, 10 dez (Xinhua) - Os afegãos, cansados ​​de guerra, expressaram raiva por repetidos abusos dos direitos humanos por militantes e tropas estrangeiras, pedindo justiça contra os autores e violadores.

 

"Os militantes do Talibã e do Estado Islâmico (EI) e as tropas dos EUA se envolveram em violações dos direitos humanos nos últimos 18 anos. Eles haviam cometido várias violações dos direitos afegãos comuns, mas nenhum dos autores havia sido levado à justiça", um morador de Cabul, Ahmad Fahim, disse à Xinhua devido ocasião do Dia dos Direitos Humanos, que ocorre no dia 10 de dezembro.

 

"Os militantes bombardearam as cidades com atentados suicidas e ataques terroristas, matando civis inocentes e as forças americanas bombardearam vilarejos matando mulheres e crianças", disse ele.

 

"As forças dos EUA e da OTAN afirmam que são pessoas civilizadas, alegam que são defensoras dos direitos humanos, mas não agem conforme o que dizem. Estão matando pessoas sob o pretexto de guerra ao terror", acrescentou Fahim.

 

"Os militantes do Talibã e do EI estão visando festas de casamento e até em cerimônias fúnebres. As forças dos EUA estão fazendo o mesmo, realizando ataques aéreos no campo".

 

Na terça-feira, a Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão (AIHRC) realizou uma cerimônia para marcar o dia, onde os participantes pediram mais esforços para defender os direitos humanos dos afegãos no país asiático atingido pela guerra.

 

"Grandes conquistas foram alcançadas na defesa dos direitos humanos no Afeganistão nos últimos 18 anos. No entanto, são necessários mais esforços e o governo, em coordenação com todas as organizações nacionais e internacionais, deve trabalhar mais nesse campo", disse no evento o segundo vice-presidente afegão, Sarwar Danish.

 

Ele observou que "os conflitos emergentes de ideias religiosas e étnicas foram os principais desafios para garantir os direitos humanos no Afeganistão".

 

"Comemoramos hoje o Dia dos Direitos Humanos e o Dia Nacional de Recordação das vítimas de guerra. Nossa necessidade atual é ser realista sobre falhas e deficiências, protegendo os direitos humanos no Afeganistão, precisamos fazer trabalhos mais eficazes para garantir que nossas realizações e ganhos sejam protegidos, baseados nas lições aprendidas no passado", disse Shaharzad Akbar, presidente do AIHRC, na cerimônia de terça-feira.

 

"O trabalho do AIHRC e seus órgãos de coordenação na prevenção da tortura, os direitos das pessoas com deficiência, os direitos e demandas das vítimas de guerra, o combate à violência contra mulheres e crianças são etapas essenciais para redução do escopo de conflito e criação de uma paz duradoura no Afeganistão", observou ela.

 

Baryali Khan, morador da província de Paktia, ao leste, disse à Xinhua que além dos militantes, as forças de segurança e as forças estrangeiras também foram responsáveis ​​por dezenas de incidentes de baixas civis nos últimos anos.

 

"Um ataque de drone nos EUA matou uma mãe com um recém-nascido junto com pessoas que os acompanhavam de um hospital para uma vila na província de Paktia há apenas algumas semanas. Mas nenhuma investigação foi iniciada e as pessoas não foram notificadas sobre os detalhes do ataque".

 

Em meados de novembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, concedeu perdão para dois oficiais do exército americano acusados ​​ou condenados por crimes de guerra no Afeganistão, disse ele.

 

"Depois de ouvir esta notícia, pensei, a ação de Trump minará o sistema de justiça militar. E a ação minará a confiança dos afegãos no sistema de justiça, seja no governo ou na justiça militar estrangeira", ele opinou.

 

"Moralmente, os parentes das vítimas devem decidir o destino dos soldados dos EUA ou de qualquer outra pessoa envolvida na morte de afegãos inocentes, mas não o presidente dos EUA", disse ele.

 

Khan disse na província vizinha de Nangarhar "que a força de coalizão liderada pelos EUA realizou ataques aéreos em setembro deste ano, matando 30 agricultores e trabalhadores diários que estavam colhendo pinhões em uma montanha", mas nenhuma ação legal foi tomada até agora.

 

"É uma violação dos direitos humanos e está escapando da responsabilidade", disse Khan.

 

Um aldeão da província de Logar, ao leste, disse à Xinhua que as forças americanas também realizaram dezenas de ataques aéreos errôneos contra tropas afegãs no terreno.

 

"As forças dos EUA e da OTAN também mataram dezenas dos nossos soldados por ataques aéreos que eles chamaram de incidentes de fogo amigáveis", disse Zaman Ahmadi.

 

"Os incidentes de fogo amigo causados por erros e equívocos humanos se repetiram muitas vezes. Quatro soldados do exército foram mortos e seis outros feridos por um incêndio amigável em Logar no início de novembro, mas nenhum membro do serviço de força dos EUA ou da OTAN foi levado à justiça por esse incidente", disse ele.

 

Mais de 2.560 civis foram mortos e mais de 5.670 ficaram feridos em incidentes relacionados aos conflitos nos primeiros nove meses deste ano, segundo dados divulgados pela missão da Organização das Nações Unidas no país.

 

A Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA) atribuiu 62 por cento das vítimas civis ao Talibã e outros grupos militantes, 20 por cento às forças de segurança afegãs e 8 por cento às forças estrangeiras no período, enquanto 10 por cento foram atribuídos para ambos os lados.

 

"A Organização das Nações Unidas continua trabalhando com as instituições do Afeganistão, incluindo a Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão (AIHRC), no apoio à implementação das obrigações internacionais de direitos humanos do país, sua estrutura constitucional e leis domésticas relevantes", afirmou um comunicado divulgado na terça-feira pela agência UNAMA.

 

A declaração observou que o Dia dos Direitos Humanos era uma oportunidade distinta "para elogiar todos os indivíduos, organizações da sociedade civil e grupos envolvidos ativamente na promoção dos direitos humanos para todos, muitas vezes correndo o risco de sua própria segurança".

Ver original em "XINHUA Português" na ligação seguinte:

http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/11/c_138623136.htm

Trump aparece de surpresa no Afeganistão e retoma negociação com Talibã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa com as tropas norte-americanas de um jantar de Ação de Graças durante sua visita surpresa à base aérea de Bagram, no Afeganistão no dia 28 de novembro de 2019.
© REUTERS / Tom Brenner

Nesta quinta-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou de surpresa a uma base norte-americana no Afeganistão.

A visita inesperada está relacionada à comemoração do dia de Ação de Graças, importante data do calendário dos EUA.

Essa foi a primeira viagem de Donald Trump ao Afeganistão desde que se tornou presidente dos EUA.

A viagem acontece uma semana após uma troca de prisioneiros entre Washington e Cabul. A negociação bem-sucedida entre os países aumentou a esperança do renascimento de negociações de paz para a região, suspensas recentemente. As esperanças foram atendidas durante a visita de Trump, que aproveitou a oportunidade para anunciar a retomada das conversas com os Talibã.

O avião presidencial, o Força Aérea Um, aterrou em Bagram Airfield após um voo noturno de Washington com o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca Robert O'Brien. Além dele, um grupo de assessores, agentes do Serviço Secreto, e um grupo de repórteres também participaram da viagem.

Trump se encontrou com o presidente afegão, Ashraf Ghani, e logo após se dirigiu às tropas dos EUA no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019112814830347-trump-aparece-de-surpresa-no-afeganistao/

Moscou pretende incluir Irã no diálogo com EUA sobre Afeganistão

Pôster Talibã no Afeganistão
© REUTERS / Jim Hollander

A Rússia tem interesse de que o Irã se junte ao formato Rússia-China-EUA para as negociações no Afeganistão, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, nesta sexta-feira.

O governo afegão continua o combate contra os militantes do movimento radical Talibã, que já chegou a conquistar um território significativo nas áreas rurais do país e lançou ataques às grandes cidades. O Daesh também aumentou sua influência no Afeganistão. As forças nacionais de defesa e segurança afegãs estão realizando operações conjuntas de combate ao terrorismo em todo o país.

"Temos um diálogo com eles [Estados Unidos] no Afeganistão. Existe um formato Rússia-China-EUA ao qual o Paquistão aderiu. Há interesse em conectar o Irã a esse formato. Pode ser promissor", declarou Lavrov nesta sexta-feira.

O estabelecimento de um diálogo pacífico direto entre as forças em conflito no Afeganistão está sendo discutido por diversos fóruns, inclusive em Moscou, onde em novembro do ano passado foi realizada uma reunião privada sobre o Afeganistão, com a participação de representantes de estados regionais. Pela primeira vez, uma delegação do Talibã participou da reunião. O Conselho Supremo de Paz, que se posiciona como mediador entre o governo e o Talibã, também participou da reunião.

Nos últimos meses, os EUA negociaram com o Talibã um acordo no Afeganistão. No início de setembro, o Representante Especial dos EUA para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, anunciou que a versão preliminar do acordo previa a retirada inicial de 5 mil dos cerca de 14 mil militares dos EUA no Afeganistão nos próximos 135 dias. No entanto, a assinatura do acordo acabou sendo suspensa, por iniciativa da administração dos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019110114721995-moscou-pretende-incluir-ira-no-dialogo-com-eua-sobre-afeganistao/

Pentágono estaria planejando retirada do Afeganistão em caso de decisão repentina de Trump

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos está elaborando planos para uma rápida retirada de tropas norte-americanas do Afeganistão, prevenindo-se de uma eventual ordem repentina do presidente americano nesse sentido, reportou a mídia.

O Pentágono está elaborando planos de contingência para uma rápida diminuição da presença norte-americana no Afeganistão, reportou o canal norte-americano NBC citando fontes governamentais.

O comportamento precavido do Pentágono seria uma resposta à decisão abrupta de Donald Trump de retirar tropas da Síria. A retirada foi classificada como "abatalhoada" por críticos, após os EUA ter bombardeado suas próprias munições deixadas para trás.

Estruturas de madeira e ferro abandonadas na base de coordenação aérea do Exército dos EUA, em Dadat, nos arredores de Manbij, nordeste da Síria
© Sputnik / Mikhail Alaeddin
Estruturas de madeira e ferro abandonadas na base de coordenação aérea do Exército dos EUA, em Dadat, nos arredores de Manbij, nordeste da Síria

As fontes enfatizaram que ainda não houve ordem explícita da Casa Branca sente sentido, segundo a reportagem.

Nesta segunda-feira (22), o comandante da missão dos EUA no Afeganistão, general Austin Scott Miller, disse que a presença militar norte-americana no país asiático já havia sido reduzida em 2.000 tropas no último ano.

No dia 6 de Outubro, o presidente Donald Trump anunciou a retirada de tropas norte-americanas da região nordeste da Síria. No dia 9, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, confirmou que a retirada de mais 1.000 tropas do país árabe.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019102214672293-afeganistao-pentagono-estaria-planejando-retirada-de-tropas-caso-de-decisao-repentina-de-trump--/

Explosão em mesquita no Afeganistão deixa dezenas de mortos

Ferido em explosão de mesquisa na província de Nangarhar, no Afeganistão, é carregado por voluntários
© AFP 2019 / Noorullah Shirzada

Um ataque contra uma mesquita na província de Nangarhar, no Afeganistão, deixou pelo menos 62 pessoas mortas e cerca de 60 feridos nesta sexta-feira (18).

"Attaullah Khogyani, porta-voz do governador de Nangarhar, confirma que 62 pessoas morreram e quase 60 ficaram feridas durante a oração de sexta-feira por causa das explosões de hoje em uma mesquita na região de Jaw Dara, no distrito de Haska Meyna de Nangarhar", segundo publicou pelo Twitter o canal Tolo News.  

A agência Pajhworf informou que as explosões foram causadas pelo lançamento de foguetes. O impacto no templo provocou a derrubada do teto da mesquita, que acabou atingindo os fiéis. Há crianças e mulheres entre as vítimas. 

Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria do atentado. No entanto, um porta-voz do grupo Talibã condenou o ataque desta sexta-feira. 

Afeganistão vive período de turbulência

Apesar da forte presença militar dos Estados Unidos e aliados, o Afeganistão vive um período instável devido aos ataques realizados pelos talibãs e, desde 2015, pelo Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e vários outros países). 

Até o momento, os talibãs condicionam o processo de paz à retirada das tropas estrangeiras. O movimento insiste em formalizar o calendário de negociações com os EUA, e não com o governo afegão. 

A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) registrou entre janeiro e setembro deste ano 8.239 vítimas civis em ataques, sendo 2.563 mortos e 5.676 feridos. 

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (17), a ONU afirmou que o conflito no país está provocando um número recorde de vítimas fatais, e que em julho morreram mais civis do que em qualquer outro mês desde que as estatísticas começaram a ser contabilizadas. 

"As cifras recorde de baixas civis mostram claramente a necessidade de que todas as partes prestem muito mais atenção à proteção da população civil, o que inclui um exame exaustivo das condutas em combate", afirmou Tadamichi Yamamoto, representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, segundo publicado pela agência AP.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019101814661726-explosao-em-mesquita-no-afeganistao-deixa-dezenas-de-mortos-/

Guerra do Afeganistão completa 18 anos: 'a paz é como um sonho'

A Guerra do Afeganistão custou a educação do engraxador de sapatos Hameedullah. A pobreza obrigou Sabir, 11 anos, a fugir de casa e vender frutas secas nas ruas. Niyamathullah, 9 anos, fica em um parque procurando trabalho.

Esta é a situação de muitas crianças no Afeganistão, que esta semana ultrapassa outra marca sombria. Na segunda-feira, o conflito completou 18 anos, o que significa que toda criança afegã agora conhece apenas a guerra.

"A paz é como um sonho para nós no Afeganistão", diz Mohammad Mobin, um estudante de 17 anos de Cabul. "O Afeganistão só pode se desenvolver se tivermos paz".

Em 7 de outubro de 2001, os Estados Unidos bombardearam o Afeganistão. O incidente ocorreu após os ataques de 11 de setembro, conduzidos pela Al-Qaeda e que mataram quase 3 mil pessoas nos EUA.

O Talibã, que se recusou a entregar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi derrubado em semanas, mas o conflito insurgente ainda persiste e tornou-se a guerra mais longa da história dos EUA.

A violência só piorou nos últimos anos, impactando desproporcionalmente as crianças.

"Desde que nascemos, não tivemos paz em nosso país, apenas houve brigas e conflitos", analisa Sayed Ibrahim, estudante de medicina de 18 anos em Cabul.

A ONU publicou um relatório na semana passada dizendo que de 2015 a 2018 foram registradas mais de 14 mil violações graves contra crianças em todo o país, marcando um forte aumento em relação aos quatro anos anteriores.

"Imagine completar 18 anos sem conhecer nada além de conflito e guerra durante toda a sua infância e anos de formação", disse Onno van Manen, diretor nacional da Save the Children no Afeganistão. "Viver no Afeganistão significa viver diariamente com medo de explosões, faltar na escola porque é muito perigoso e não saber se seus pais ou irmãos vão chegar em casa".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019101114621537-guerra-do-afeganistao-completa-18-anos-a-paz-e-como-um-sonho/

Alemanha adverte contra retirada de tropas da OTAN do Afeganistão

Annegret Kramp-Karrenbauer (CDU)
© AP Photo / Michael Sohn

Neste sábado (14), a ministra da Defesa da Alemanha, Annegret Kramp-Karrebauer, alertou contra retirada de tropas da OTAN do Afeganistão.

Conforme publicado pela agência Reuters, Kramp-Karrenbauer acredita que a retirada antecipada das forças da OTAN pode fazer com o Afeganistão recue para um regime controlado pelo Talibã.

Kramp-Karrenbauer, que também lidera o partido dos democratas-cristãos, da chanceler e é vista como a próxima a se tornar chanceler do país, disse que uma retirada de tropas estrangeiras seria particularmente difícil para as mulheres afegãs.

"Estou preocupada que, se abandonarmos nossa responsabilidade [no Afeganistão], enfrentaremos imagens horríveis de mulheres sendo apedrejadas e enforcadas e de meninas que não poderão frequentar a escola e se casar", disse Kramp-Karrenbauer em uma reunião de mulheres da CDU.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou este mês uma reunião secreta que iria ocorrer com líderes do Talibã, que tinham o objetivo de dar prosseguimento às negociações para encerrar o conflito de quase 18 anos no país islâmico.

Os EUA disseram que retirariam quase 5 mil soldados do Afeganistão e fechariam cinco bases militares sob um projeto de acordo com o Talibã.

Trump cancelou as negociações depois que os insurgentes assumiram a responsabilidade por um ataque em Cabul que matou um soldado dos EUA e outras 11 pessoas.

A Alemanha tem cerca de 1,3 mil soldados no Afeganistão. Já os EUA têm cerca de 14 mil soldados no país.

Trump tem pressionado a Alemanha a cumprir um orçamento de despesa militar exigido pela OTAN de 2% da produção econômica.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse no mês passado que estava levando o compromisso de seu governo a cumprir esse objetivo com seriedade. De acordo com os planos orçamentários atuais, a Alemanha empenha pouco mais de 1,4% da produção em defesa.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019091414517112-alemanha-adverte-contra-retirada-tropas-da-otan-do-afeganistao/

Talibã diz que EUA 'vão sofrer como ninguém' após Trump largar negociações

Membros do grupo radical Talibã (foto de arquivo).
© AP Photo / Allauddin Khan

Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) diz que Estados Unidos irão perder vidas e "sofrer como ninguém" após Trump cancelar encontro e pôr fim às negociações.

O grupo terrorista Talibã direcionou ameaças aos Estados Unidos após o presidente Donald Trump decidir cancelar as negociações entre o grupo e dirigentes afegãos.

"Os americanos vão sofrer mais do que todos os outros por terem cancelado as conversações", disse o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid.

Decisão de Trump

Até a decisão de Trump, encontros secretos estavam programados entre o presidente afegão Ashraf Ghani e líderes do Talibã. A princípio, Trump também estaria planejando um encontro em Camp David, nos Estados Unidos.

A decisão de Trump de colocar fim às conversações e cancelar o encontro teria sido a resposta a um ataque terrorista promovido pelo Talibã na capital do Afeganistão, Cabul. O ataque resultou na morte de doze pessoas, incluindo um militar americano. Trump também acusou o Talibã de realizar ataques para obter poder de barganha.

Um funcionário do serviço de segurança afegão reza em um subúrbio de Cabul após ataque do Talibã contra cadetes recém-graduados, em 30 de junho de 2016
© AFP 2019 / Wakil Kohsar
Um funcionário do serviço de segurança afegão reza em um subúrbio de Cabul após ataque do Talibã contra cadetes recém-graduados, em 30 de junho de 2016

Forças estrangeiras

A organização terrorista disse que cedo ou tarde os Estados Unidos terão que voltar às negociações. O Talibã reafirmou que lutará até a retirada total das forças estrangeiras do Afeganistão. Atualmente os EUA e países membros da OTAN têm milhares de soldados no país asiático.

Por sua vez, o governo afegão expressa esperança nas negociações. Sediq Sediqqi, um dos porta-vozes de Cabul, ressaltou que as negociações poderiam trazer o Talibã ao círculo político do país, publicou a Reuters.

"As negociações de paz deram uma oportunidade ao Talibã de abraçar a vida política", disse Sediqqi.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019090814493544-taliba-diz-que-eua-vao-perder-vidas-e-sofrer-como-ninguem-apos-trump-largar-negociacoes/

Trump anuncia retirada de 5 mil soldados dos EUA do Afeganistão

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada de 5 mil soldados norte-americanos do Afeganistão.

O anúncio de Donald Trump vem após a realização da nona rodada de negociações com o Talibã para encontrar uma solução para o conflito afegão, que já faz quase 18 anos, o que a torna a guerra mais longa da história dos Estados Unidos.

No momento, Trump não deu detalhes dos planos de retirada. O presidente disse que os Estados Unidos "estavam se aproximando" de um acordo, mas que o resultado era incerto.

"Vamos manter 8 mil e 600 [soldados] e depois tomaremos uma decisão mais tarde", disse Trump, acrescentando que os Estados Unidos terão uma "forte presença de inteligência" no Afeganistão daqui para frente.

A redução do total de soldados para 8 mil e 600 seria aproximadamente equivalente ao número total de tropas no país na época que Trump assumiu a presidência, em janeiro de 2017.

Trump descreveu o Afeganistão como "Universidade de Harvard do terrorismo".

O presidente norte-americano acrescentou que, se grupos terroristas atacassem os Estados Unidos a partir do Afeganistão, os EUA revidariam "com uma força nunca vista antes". No entanto, Trump acrescentou esperar que isso não aconteça.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019082914448796-trump-anuncia-retirada-de-5-mil-soldados-dos-eua-do-afeganistao/

O apelo de Samarcanda

Palco e resultado de múltiplas disputas imperiais ao longo dos tempos, o Afeganistão chegou ao nosso século como um Estado Islâmico, dominado por um grupo criado no Paquistão, os talibã, que, entre outras coisas, abrigou o comando da Al Qaeda responsável pelo 11 de Setembro.

 

A comunidade internacional, e nomeadamente as suas principais potências, nunca entenderam a necessidade de encarar o Jihadismo moderno como uma ideologia com ambições planetárias contrárias aos seus mais elementares interesses.

O 11 de Setembro levou a que a NATO accionasse pela primeira vez o seu artigo 5.° (assistência militar a um aliado sob ataque) e a afastar os talibã de Cabul, mas foi incapaz de levar ao entendimento da dimensão dos erros que o Ocidente tinha cometido no passado e em consequência, alterar a sua estratégia.

Em frontal oposição ao relatório nacional do 11 de Setembro, que tinha determinado que o Iraque nada tinha a ver com o 11 de Setembro e desaconselhando frontalmente qualquer operação militar contra esse país, os EUA invadiram o Iraque e apoiaram antes os dois principais países que abrigaram a Al Qaeda e o jihadismo afegão (o Irão e o Paquistão), em vez de os responsabilizarem pelos seus actos.

Este desastre estratégico nunca seria possível de compensar pela pura força das armas no dificílimo terreno afegão e foi acompanhado no essencial por todo o Ocidente, e em primeiro lugar pela Alemanha, que procurou através do Afeganistão recuperar um lugar cimeiro na diplomacia internacional sem nunca ter uma visão à altura das suas ambições.

O Ocidente, julgou mais fácil utilizar os grupos armados – jihadistas na sua maior parte – que tinham rivalizado com os talibã como ossatura de um novo Afeganistão em vez de começar pela base, e criou assim um Estado que nunca foi funcional e capaz de se opor ao jihadismo talibã.

Quase duas décadas depois, os afegãos estão naturalmente cansados, não acreditam na capacidade da comunidade internacional e das autoridades para conseguir a normalização e querem tentar a paz sem dar o poder ao fanatismo islâmico, tentativa que de resto fizeram já nos anos noventa com desastrosos resultados.

A Rússia e a China estão mais preocupados em fazer desaparecer a influência ocidental do Afeganistão do que em combater o jihadismo. A China tem desse ponto de vista uma política deveras peculiar. Baseada na brutal erradicação de qualquer símbolo religioso da sua maior comunidade muçulmana, a Uyghur, achando no entanto perfeitamente normal dar o poder a esse mesmo jihadismo do outro lado da fronteira, pressupostamente confiando na inviolabilidade da sua muralha ditatorial.

Os EUA, com Obama, tinham já querido sair do Afeganistão a qualquer preço, e só não o fizeram porque Obama sempre teve o cuidado de não hostilizar os poderes fáticos em presença, preocupação que não é a do seu sucessor, que se guia aqui exclusivamente pelo calendário eleitoral e pouco liga aos poderes fáticos.

Foi assim que se chegou à cimeira de Doha de 7 de Julho. Apadrinhada pelo Emir do Qatar – capital da grande família da Irmandade Muçulmana – com a cooperação da diplomacia alemã, a cimeira ‘intra-afegã’ foi apoiada pela troika dos EUA, da Rússia e da China, e contou com o convidado surpresa do ‘Paquistão’, que sendo o principal fautor da guerra afegã foi promovido uma vez mais a principal instrumento da paz.

Na cimeira, os representantes das autoridades de Cabul tiveram de se auto-deslegitimar apresentando-se apenas como indivíduos e não como governantes e terminou com conclusões diferentes nos pontos essenciais nas diferentes versões linguísticas (eleições, direitos das mulheres, substituição das autoridades por comissões de transição).

Vendida intensamente como um grande sucesso pela máquina de propaganda da Irmandade Muçulmana – para além do seu canal oficioso, Al Jazeera, as redes sociais foram bombardeadas por uma intensa campanha qatari sobre o seu sucesso – o encontro serviu apenas para diluir o que resta da legitimidade das autoridades e adocicar a imagem dos fanáticos jihadistas para ocidental ver.

A confrangedora nulidade da diplomacia alemã não é um caso isolado e apenas se pode compreender pela profunda letargia da opinião pública ocidental que deixou planar a ficção de que estaríamos perto de encontrar uma solução para o Afeganistão, falando mesmo na continuação a breve trecho ‘na Europa’ da reunião de 7 de Julho (não ficaria surpreendido se se voltasse a Bona).

No meio de tudo isto, a diplomacia uzbeque, empenhada num dos inúmeros processos diplomáticos de ‘paz para o Afeganistão’ lembrou a sua disponibilidade para uma cimeira em Samarcanda, tendo a semana passada desencadeado algumas iniciativas diplomáticas, que passaram por Bruxelas e envolveram a diplomacia afegã.

Pela minha parte, sendo responsável pelo grupo de reflexão que mais actuante se tem mostrado no debate do cenário afegão, (SADF, Fórum democrático da Ásia do Sul) tenho exercido a minha escassa margem de manobra para manter o Uzbequistão em particular e a Ásia Central em geral no centro do diálogo afegão.

As razões são várias, mas há uma mais importante do que qualquer outra: ninguém melhor que o Uzbequistão compreendeu os efeitos em cadeia que um renovado Emirato afegão poderá ter sobre as frágeis construções políticas da região.

Por enquanto, contudo, não vejo condições para que a iniciativa diplomática centrada em Samarcanda possa vir a resultar.

 

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Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-apelo-de-samarcanda/

Pompeo define data para a retirada de tropas do Afeganistão

Pompeo durante visita a El Salvador
© AFP 2019 / MARVIN RECINOS

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou o prazo para a retirada das tropas americanas do Afeganistão.

De acordo com o chefe da diplomacia americana, o atual governo planeja retornar a seus soldados antes das eleições presidenciais de novembro de 2020.

O presidente dos EUA, Donald Trump, foi quem ordenou que os soldados retornassem, disse Pompeo durante uma reunião do Clube Econômico em Washington.

"Ele deixou bem claro: 'Pare com essa guerra sem fim, aperte o gatilho'".

As declarações do ministro das Relações Exteriores são feitas justamente quando os EUA se preparam para as negociações de paz que buscam pôr fim a quase duas décadas de conflito armado no país da Ásia Central.

Enquanto isso, o governo afegão anunciou que em duas semanas iniciarão conversações de paz "face a face" com o Talibã em um país europeu.

No início de julho, Trump anunciou que os Estados Unidos reduziriam o número de suas tropas no Afeganistão, mas deixariam as unidades de inteligência. Segundo fontes oficiais, Washington mantém cerca de 14 mil militares em solo afegão.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019072914300942-pompeo-define-data-para-a-retirada-de-tropas-do-afeganistao/

Afeganistão planeja iniciar negociações diretas com Talibã em duas semanas

Membros de uma facção dissidente dos combatentes do Talibã durante uma patrulha no distrito de Shindand na província de Herat, Afeganistão (Arquivo)
© AP Photo / Allauddin Khan

As negociações entre Cabul e Talibã terão início em duas semanas, informou o chefe da equipe de negociação do governo afegão, Abdul Salam Rahimi.

O alto funcionário, citado pelo canal 1TV, informou que as negociações devem ocorrer "em uma capital européia".

Rahimi indicou que as consultas estão sendo realizadas para formar uma delegação composta por 15 pessoas representando Cabul nessas negociações.

O Afeganistão vive mais uma vez uma situação de instabilidade após contínuos ataques do Talibã, realizados desde 2015. Além disso, o grupo terrorista Daesh está atuando na região, apesar da forte presença militar dos EUA e seus aliados.

Até agora, os talibãs condicionaram o processo de paz no Afeganistão à retirada das tropas estrangeiras do país.

O início do diálogo direto entre as partes do conflito no Afeganistão foi negociado em diversos formatos, incluindo o de Moscou, onde, em 9 de novembro de 2018, uma reunião sobre o Afeganistão foi realizada a portas fechadas com a participação de representantes dos países da região.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019072714284167-afeganistao-planeja-iniciar-negociacoes-diretas-com-taliba-em-duas-semanas/

Paz com o Talibã? Trump é avisado de riscos de tirar tropas do Afeganistão

Afegão xiita no santuário Karti Sakhi em Cabul, Afeganistão, 30 de outubro de 2018
© AP Photo / Rahmat Gul

As alegações da administração Trump de progresso nas negociações com o Talibã provocaram temores, mesmo entre os aliados do presidente, de que sua impaciência com a guerra no Afeganistão o levaria a retirar tropas cedo demais, deixando o país sob risco de retornar à mesma condição volátil que levou à invasão.

As discussões entre um enviado dos EUA e o Talibã estão avançando semanas após o governo ter dito que pretende começar a retirar suas tropas do Afeganistão. Isso levou alguns críticos a notar que o presidente Donald Trump está telegrafando uma retirada — a mesma coisa que ele acusou o então presidente Barack Obama de fazer em 2014.

"É um esforço para colocar batom no que será uma retirada dos EUA", disse Ryan Crocker, um ex-embaixador dos EUA em Cabul sob Obama.

Um acordo negociado para a mais longa guerra da América representa um dilema para Trump. Ele sempre declarou que quer acabar com as complicações militares no exterior, algo que ele deixou claro em dezembro ao declarar que o Daesh foi derrotado na Síria e anunciar que estava retirando 2.000 soldados americanos do país por causa das objeções de seus principais assessores de política externa.

As apostas são mais altas no Afeganistão, um conflito que custou 2.400 vidas americanas e centenas de bilhões de dólares dos contribuintes. Os EUA invadiram o país para expulsar o Talibã e a Al-Qaeda em outubro de 2001 em resposta aos ataques terroristas de 11 de setembro.

Mas agora até os republicanos se preocupam com o fato de que relatos de progresso vão encorajar Trump a retirar tropas do Afeganistão antes que a região esteja estável e reintroduzirá as condições que primeiro enredaram os Estados Unidos no conflito. O Talibã agora controla quase metade do país e realiza ataques quase diários.


Especialistas em política externa temem que qualquer progresso na proteção de mulheres e minorias no país possa ser perdido se o grupo terrorista fizer novamente parte do governo.

O principal republicano no Congresso, o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, advertiu o presidente contra uma saída precipitada da guerra.

"Embora seja tentador recuar para o conforto e segurança de nossas própria região, ainda há muito trabalho a ser feito", disse McConnell na terça-feira. "E sabemos que isso não foi feito, esses conflitos vão reverberar em nossas próprias cidades."

James Dobbins, representante especial para o Afeganistão e Paquistão durante o governo Obama, disse que Trump "parece ter abandonado" a estratégia baseada em condições que ele adotou em 2017. O futuro das tropas no Afeganistão não é do conhecimento de ninguém, disse ele.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, disse na terça-feira que a prioridade do governo é "acabar com a guerra no Afeganistão e garantir que nunca haja uma base para o terrorismo no Afeganistão". Autoridades afegãs esperam que Trump explique suas intenções com mais detalhes durante seu discurso sobre o Estado da União na semana que vem.

Autoridades do Talibã, que falaram à Associated Press sob condição de anonimato porque não tinham autorização para falar à mídia, disseram que os dois lados chegaram a um entendimento sobre a retirada das tropas dos EUA e da OTAN e que o grupo havia garantido que o solo afegão não seria usado novamente para ataques contra os Estados Unidos ou outros.

Do lado dos EUA, o enviado de Trump no Afeganistão, Zalmay Khalilzad, disse: "Nada é acordado até que tudo esteja acordado, e 'tudo' deve incluir um diálogo intra-afegão e um abrangente cessar-fogo".

Isso é algo que o Talibã se recusou a fazer, embora tenham dito na quarta-feira que não está buscando o monopólio do poder em uma futura administração afegã, mas está procurando maneiras de coexistir com as instituições — "tolerar uns aos outros e começar a vida como irmãos".

Se o Talibã concordar em conversar com o governo afegão e parar de lutar enquanto o fizer, as negociações poderiam ser um "passo significativo", disse Dobbins. Se eles não concordarem, "então a coisa toda é nula e vazia".


Além disso, disse ele, os EUA devem permanecer até que um acordo de paz entre o Talibã e o governo do presidente afegão Ashraf Ghani seja implementado.

"Se os EUA partirem quando os afegãos começarem a conversar entre si, essas conversas terminarão e a guerra recomeçará", disse Dobbins. "Se os EUA partirem depois de chegarem a um acordo, mas antes de serem implementados, esse acordo nunca será implementado e a guerra será retomada."

Nicholas Burns, um oficial de serviço de carreira e ex-subsecretário de Estado durante o governo de George W. Bush, disse que acha que Trump está certo em encontrar uma maneira de trazer para casa as tropas norte-americanas no Afeganistão. Mas ele também acha que a impaciência do presidente é a força motriz por trás das negociações atuais com o Talibã.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

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Conselheiro de segurança nacional do Afeganistão visita China em busca de cooperação

O conselheiro de segurança nacional do Afeganistão, Hamdullah Mohib, e o ministro de relações exteriores da China, Wang Yi, em reunião em Pequim.
© AP Photo / Andy Wong

O conselheiro de segurança nacional do Afeganistão esteve em Pequim nesta quinta-feira (10) para buscar cooperação e encerrar sua guerra de 17 anos com o Talibã.

Hamdullah Mohib encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e disse que o Afeganistão está buscando "trazer alguma estabilidade de longo prazo para a nossa região".

A China e o Afeganistão compartilham uma fronteira estreita e cooperaram na segurança das fronteiras. A China também é um aliado próximo do Paquistão, acusado pelo Afeganistão e pelos EUA de fornecer abrigo seguro para o Talibã e outros grupos que se opõem ao governo em Cabul.

Wang enfatizou a "compreensão mútua e apoio mútuo" que os países ofereceram uns aos outros e o apoio da China aos esforços para "promover a paz doméstica e a reconciliação política no Afeganistão".

"Em um momento tão importante, sabemos que você foi encarregado pelo presidente Ashraf Ghani de fazer essa visita para melhorar a compreensão e a coordenação mútua. Acreditamos que isso seja extremamente oportuno e necessário", disse Wang.


Na quarta-feira, o enviado especial do presidente afegão, Mohammad Omer Daudzai, expressou sua esperança de que a guerra que custou aos Estados Unidos cerca de US$ 1 trilhão termine em 2019.

"Estamos nomeando 2019 como um ano de paz para o Afeganistão", disse Daudzai em entrevista à Associated Press.

O enviado especial de paz de Washington, Zalmay Khalilzad, também está em um tour pela região, visitando a Índia, a China, o Paquistão e o Afeganistão.

O Talibã recusou um diálogo direto com Cabul, apesar da pressão da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e até do Paquistão.

Em resposta, Washington suspendeu centenas de milhões de dólares em reembolsos ao Paquistão. O Paquistão afirma que sua influência sobre o Talibã é exagerada.

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Guerra dos EUA no Afeganistão está perdida, conclui National Interest

A retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, é a decisão certa uma vez que a guerra neste país "está perdida" e a política de Washington chegou a um beco sem saída, escreve a revista The National Interest.


 

Trump pretende retirar as tropas do Afeganistão, em um esforço para pôr fim a esta "guerra perdida", mas os EUA não devem ter ilusões sobre os possíveis resultados da retirada de suas tropas do país, disse a publicação.


Conforme observa o autor do artigo, a política de Washington não progrediu na "pacificação" do Afeganistão: o movimento Talibã controla mais território do que nunca desde 2002 — quase 60% —, enquanto o nível de segurança pode ser avaliado por um incidente recente, quando, em resultado de um ataque, o comandante das forças dos EUA no Afeganistão, general Austin Scott Miller, quase morreu.

A "apregoada" nova estratégia do governo Trump só fez aumentar um indicador: o número de bombas lançadas no Afeganistão, observa o jornal. Mesmo os defensores dessa guerra admitem que os Estados Unidos estão, na melhor das hipóteses, "em um beco sem saída". O general americano Joe Dunford, presidente do Joint Chiefs of Staff, disse que "não há qualquer solução militar" no Afeganistão, continua a publicação.


Cem mil soldados americanos só foram capazes de "pacificar" temporariamente as áreas mais perigosas do Afeganistão, mas depois da partida da maioria deles, o Talibã começou a recuperar o território novamente, lembra o autor.

No caso da retirada completa das forças dos EUA, os aliados de Washington na OTAN farão o mesmo. A maioria destes países não ficou particularmente entusiasmada em participar de operações no Afeganistão, escreve o jornal The National Interest. Neste caso, o governo afegão será forçado a lutar sozinho, o que, de acordo com a publicação, "não vai acabar bem", já que as autoridades do país não sobreviverão sem os "generosos auxílio e aconselhamento ocidentais".

Os Estados Unidos estão gastando enormes quantias de dinheiro no Afeganistão, e ainda assim Washington está perdendo a guerra que vem sendo travada há 17 anos, afirma o autor.

Em sua opinião, existem outras maneiras de evitar que o Afeganistão se torne um refúgio potencial para os terroristas. Assim, se pode conseguir o apoio dos países vizinhos, mas isso exigirá compromissos com a Rússia e a China, acredita a revista.


Se o enviado especial dos EUA para o Afeganistão puder concluir um acordo com o Talibã para salvar o prestígio de Washington, então as autoridades dos EUA precisam "aceitá-lo e sair", acredita The National Interest.

No entanto, os Estados Unidos não devem ter nenhuma ilusão sobre o que vai acontecer após a retirada do exército americano do Afeganistão, argumenta o autor. Assim, o regime do líder pró-soviético do país, Mohammed Najibullah, que "ainda é carinhosamente lembrado por alguns afegãos", caiu menos de três anos após a retirada da URSS, lembra ele.

"Teremos sorte se nossos clientes afegãos conseguirem sobreviver por mais tempo", conclui The National Interest.

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Trump explica por que a União Soviética acabou

Presidente dos EUA Donald Trump durante a campanha eleitoral em 2015 com a Bíblia nas mãos
© REUTERS / Brian C. Frank

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na quarta-feira (2), em uma reunião com jornalistas, que a antiga URSS se desintegrou devido à intervenção no Afeganistão.

"A Rússia era a União Soviética. O Afeganistão a fez Rússia, porque eles quebraram lutando no Afeganistão", afirmou. Ao mesmo tempo, disse Trump, os soviéticos "tinham o direito de estar no Afeganistão". "A razão pela qual a Rússia esteve no Afeganistão foi porque os terroristas estavam se preparando para ir à Rússia", acrescentou.


Segundo o presidente dos EUA, o maior problema foi que se tratava de uma "luta muito dura" que "literalmente" quebrou a URSS. Trump ainda disse que "muitos desses lugares sobre os quais se lê agora já não são mais parte da Rússia por causa do Afeganistão".

Para o líder norte-americano, os que devem lutar no Afeganistão hoje não são os Estados Unidos e sim seus vizinhos, como o Paquistão, a Índia ou a Rússia. Ele acrescentou que seu país gastou bilhões de dólares em operações no Afeganistão.

A posição não é novidade, uma vez que Donald Trump se opõe desde há muitos anos à guerra dos EUA com o Afeganistão.

A intervenção da URSS no Afeganistão durou entre 1979 e 1989. O país lutou ao lado do governo contra insurgentes muyahidines. As mortes de soviéticos no conflito superam o número de 15 mil, além de mais de 50 mil feridos em consequência do conflito.

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https://br.sputniknews.com/russia/2019010313038785-donald-trump-uniao-sovietica-eua-afeganistao-russia/

Após 17 anos de guerra, Talibã não pode ser derrotado, admite general dos EUA

Membros do grupo radical Talibã (foto de arquivo).
© AP Photo / Allauddin Khan

A guerra no Afeganistão não pode ser vencida militarmente e a paz só será alcançada por meio de uma resolução política com o Talibã, admitiu o general americano recém-nomeado encarregado das operações dos EUA e da OTAN, Austin Scott Miller.

Em sua primeira entrevista desde que assumiu o comando da missão Suporte Resoluto da OTAN em setembro, Miller forneceu à NBC News uma avaliação surpreendentemente franca do conflito aparentemente interminável, que começou com a invasão do Afeganistão pelos EUA em outubro de 2001.


"Isso não vai ser vencido militarmente. Isso está indo para uma solução política", disse Miller.

Ele ponderou que o Talibã também está cansado de lutar e pode estar interessado em começar a "trabalhar com a peça política" da guerra de 17 anos.

Mas não está claro se o Talibã está aberto a negociações. No mês passado, um importante comandante da organização disse à rede RT, em uma rara entrevista, que os líderes do grupo não tinham vontade de negociar com os americanos.

Descrito há anos como um impasse, o conflito tem sido uma inclinação a favor do Talibã nos últimos meses. Mesmo por estimativas militares dos EUA, o governo afegão controla ou influencia pouco mais da metade dos 407 distritos do país — um recorde baixo desde que o Inspetor-Geral Especial para Reconstrução do Afeganistão (SIGAR), começou a monitorar o controle distrital em novembro de 2015.


Para piorar a situação, as baixas entre as forças do governo afegão dispararam nos últimos meses. As forças de segurança afegãs sofreram 1.000 mortes em agosto e setembro, segundo o Pentágono.

O desejo de Miller por um acordo político foi retomado anteriormente pelo Departamento de Estado, que disse em agosto que os EUA estavam fazendo todo o possível para facilitar as negociações de paz entre o Talibã e o governo afegão.

O novo comandante dos EUA enfrentou a deterioração da situação de segurança no Afeganistão em primeira mão. Em outubro, Miller sobreviveu a um ataque do Talibã em Kandahar, que deixou um proeminente chefe de guerra afegão e um chefe de inteligência local mortos.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018110212584125-taliba-derrota-general-eua/

UE paga 100 milhões a mercenários em país ocupado pela NATO

A União Europeia vai pagar pelo menos 100 milhões de euros a uma empresa de mercenários pela segurança das suas instalações em Cabul, Afeganistão, um país ocupado pela NATO. Os principais grupos mundiais ditos de "segurança privada", instrumentos cada vez mais influentes no processo de privatização da guerra, candidatam-se ao bolo. Mais uma dupla tributação para os contribuintes europeus: além de financiarem a NATO são obrigados a pagar pelo que a NATO deve fazer e não faz.
Para visualizar a notícia em O LADO OCULTO:

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Foto: Mercenários em viagem para o Afeganistão
 
 

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China inicia construção de base de treinamento no Afeganistão

A China teria começado a construir um campo de treinamento no Corredor de Wakhan, no Afeganistão, uma área estreita que separa o Tajiquistão do Paquistão, em esforços para melhorar os esforços de combate ao terrorismo no país devastado pela guerra.

Fontes com conhecimento do assunto disseram ao South China Morning Postque assim que a base estiver completa, Pequim enviará centenas de soldados, totalizando pelo menos um batalhão. Um batalhão pode consistir em mais de 500 soldados, de acordo com o Post.

"A construção da base começou e a China enviará pelo menos um batalhão de tropas, além de armas e equipamentos, para serem alocados lá e dar treinamento aos seus colegas afegãos", disse uma fonte à publicação.
A fonte disse ainda que a data de conclusão da base ainda não estava determinada e que a base provavelmente teria um papel um pouco diferente do da primeira base militar de Pequim em Djibuti.

À época da inauguração em 2017 da base do Djibuti, a Xinhua informou que o local era "destinada a missões de abastecimento" e não era de forma alguma um "posto avançado militar construído para reforçar a presença militar do país e desempenhar papéis de dissuasão na região".

"A base do Djibuti não tem nada a ver com uma corrida armamentista ou expansão militar e a China não tem intenção de transformar o centro de logística em uma base militar", acrescentou a agência.
Song Zhongping, um analista militar baseado em Hong Kong, diz que a nova base poderia servir como base de treinamento para ajudar a "fortalecer a cooperação antiterrorista e os intercâmbios militares entre Pequim e Cabul".

"O Afeganistão é muito fraco no combate ao terrorismo", disse Song ao Post. "E as autoridades de lá estão preocupadas com o ressurgimento do Talibã, mas não podem fazer nada a respeito sem a ajuda dos EUA, da China e de outros países".
Sputnik | Imagem: PLA Navy

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Paraíso da heroína floresce sob a tutela da NATO

A operação Liberdade Duradoura lançada em 2001 pela NATO no Afeganistão, sob o comando dos Estados Unidos, permitiu multiplicar por 4000 a produção de ópio neste país, origem da maioria esmagadora da heroína e outras drogas perigosas que circulam pelo mundo. Um boom que gera lucros superiores a um bilião de dólares por ano e terá provocado a morte de mais de um milhão de pessoas em 15 anos, segundo fontes concordantes de várias organizações internacionais. Um cenário que funciona sob a tutela da Aliança Atlântica, enquanto os Estados Unidos afirmam que investiram 8500 milhões de dólares na luta contra a droga no Afeganistão.
José Goulão; com Edward Barnes, Cabul | O Lado Oculto
Desde o início da operação Liberdade Duradoura, isto é, a invasão do Afeganistão pela NATO, em Outubro de 2001, a produção anual de ópio para fabrico de heroína e outras drogas ilícitas neste país cresceu entre 4000 a 4500%, alimentando um tráfico com lucros de um bilião de dólares que terá provocado a morte de mais de um milhão de pessoas. Os dados são de várias organizações internacionais, entre elas a United Nations Office Drugs and Crime, agência da ONU para a droga e o crime.

Os dados de várias fontes sobre o cultivo e tráfico de ópio na Afeganistão convergem na demonstração da existência de uma relação de causa e efeito entre a ocupação militar atlantista e o boom de um colossal negócio ilícito que torna o país responsável por mais de 90% do comércio total de heroína no mundo.

Os Estados Unidos afirmam ter investido mais de 8500 milhões de dólares no combate ao tráfico de droga no Afeganistão, mas vários meios de comunicação norte-americanos, entre eles o New York Times e o Huffington Post, admitem que se perdeu o rasto de uma verba tão importante, no caso de ter sido usada com o objectivo declarado.

“Segundo todas as perspectivas de avaliação possíveis, falhámos”, reconhece John Sopko, um dos inspectores-gerais que avalia os resultados dos programas norte-americanos para o Afeganistão. “A produção e o cultivo estão em alta, a interdição e erradicação estão em baixa, o apoio financeiro a grupos armados está em alta, a dependência e o consumo atingem níveis sem precedentes no próprio Afeganistão”, acrescenta. Neste país, há agora mais de 100 mil crianças toxicodependentes com menos de dez anos.

Em 2000, ano anterior ao início da invasão da NATO, a produção de ópio no Afeganistão foi apenas de 180 toneladas. Este valor resulta do facto de governo talibã ter aplicado uma violenta repressão contra os produtores de ópio, à luz de uma suposta política de reconversão dos objectivos agrícolas do país, dominados tradicionalmente pelo cultivo da papoila do ópio – fonte de sobrevivência de grande parte da população rural.

A partir da operação Liberdade Duradoura, lançada para “estabelecer a democracia no Afeganistão”, a produção aumentou exponencialmente e, em 2007, atingiu um pico de sete mil toneladas, isto é, registou um aumento de quase 4000%. Depois disso, segundo os relatórios da agência da ONU, a produção estabilizou em torno de média de sete mil toneladas ano, com alguns aumentos e uma redução para metade em 2015, não por causa de incidências da ocupação mas devido a uma praga que afectou duramente a produção de papoila. Uma contrariedade remediada com notável eficácia, uma vez que a safra do ano seguinte voltou aos valores médios.

NATO embolsa os lucros? (continua)

Na foto: Soldado da NATO entre papoilas de ópio no Afeganistão

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/paraiso-da-heroina-floresce-sob-tutela.html

«FOOD NOT BOMBS» E A GUERRA SEM FIM NO AFEGANISTÃO

               
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Nathan Pim, membro do colectivo «Food Not Bombs» e outros, foram inocentados num processo movido contra eles pelas autoridades camarárias, por estarem a alimentar gratuitamente os sem-abrigo em Fort Lauderdale.

Veja a notícia completa em:

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Entretanto, o negócio do ópio para financiar as operações secretas da CIA e a venda de triliões de dólares em armamento têm sido as razões pelas quais os EUA continuam a mais longa intervenção militar em toda a sua História. 

O governo dos EUA revelou-se no seu cinismo, ao rejeitar uma proposta de participação na conferência de paz, que irá ter lugar em Moscovo no próximo mês, com participação do governo afegão e dos taliban. 

A lógica das guerras imperiais é que elas se destinam a servir um punhado de grandes corporações, à custa dos interesses dos americanos comuns, para não falar das 30 milhões de vítimas das guerras imperialistas, desencadeadas após a IIª Guerra Mundial, que se podem atribuir às intervenções dos EUA. 

Veja:

Podia fazer uma lista infindável de contrastes chocantes que ocorrem no país onde 40% da população está no limiar ou abaixo do limiar de pobreza, que - no entanto - tem a veleidade de ditar a sua lei e moral ao resto do Mundo. 

As contradições entre os discursos, a imagem que pretendem vender internacionalmente e a realidade, explicam porque os EUA se tornou a potência mais odiada no mundo. 

Os que fazem a apologia deste império não têm desculpa. Nenhum império pode ser uma coisa positiva à priori para os povos, em geral; mas isto não pode ser invocado como pretexto para relativizar e aceitar passivamente os crimes da classe dirigente dos EUA.



Leia original aqui

Ataque em Cabul falha palácio presidencial

O ataque deu-se no início das tréguas propostas pelo presidente afegão, rejeitadas pelo Daesh e por parte dos talibãs. A guerra prossegue neste estratégico país da Ásia.

Imagens do bombardeamento por helicanhões dos dois edifícios de onde partiu o ataque ao palácio presidencial em Cabul, Afeganistão, 21 de Agosto de 2018.CréditosFonte: youtube/Rahmat Gul/AP

Às 9h da manhã (hora local, 5h30 em Lisboa) foi desencadeado em Cabul um ataque com rockets dirigido ao palácio presidencial, no momento em que o presidente Ashraf Ghani pronunciava um discurso a favor da paz, por ocasião das celebrações do feriado islâmico Eid al-Adha (Festa do Sacrifício).

Segundo declarações de um oficial da missão da NATO em Cabul, nove atacantes dispararam 30 salvas de morteiro a partir de dois diferentes locais na capital do Afeganistão. As granadas caíram próximo mas não atingiram o palácio presidencial, que se encontra no interior da chamada «zona diplomática» – a mais protegida da cidade, rodeada por altos muros de cimento e redes de arame farpado. Se o tivessem feito poderiam «ter morto ou ferido o presidente», afirmou à Al-Jazeera o analista Nazar Sarmachar, acrescentando que o ataque punha a descoberto evidentes fraquezas no sistema de defesa da capital.

A polícia efectuou buscas no centro de Cabul, onde apinhados mercados ao ar livre se cruzam com os bairros velhos da cidade, com casas de tijolo e lama. Após terem sido determinados os locais de origem dos ataques, a polícia estabeleceu cordões de segurança em torno dos dois edifícios, os quais em seguida foram destruídos por fogo de helicanhões. Ao fim de seis horas de combate, «quatro dos atacantes foram mortos e cinco foram feitos prisioneiros», afirmou o porta-voz das forças armadas dos EUA no Afeganistão, tenente-coronel Martin O'Donnell. Segundo a Agência Lusa, registaram-se seis feridos, entre militares e civis, do lado oficial.

Ainda é cedo para determinar com rigor a origem dos atacantes. Inicialmente a polícia acusou os talibãs. Mais tarde, a agência noticiosa do Daesh (Estado Islâmico) reivindicou o atentado, mas continua a não haver comentários da parte dos talibãs. Tendo o Daesh, frequentemente, reivindicado ataques que não eram os seus, será prudente aguardar o resultado do interrogatório dos atacantes que sobreviveram.

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Presidente afegão oferece tréguas, EUA negoceiam com talibãs

Dez dias após o começo do cerco à cidade de Ghazni, com enormes baixas humanas, o presidente afegão propõe tréguas aos talibãs, entre notícias de negociações directas entre os EUA e aqueles.

Um bombeiro afegão espalha água sobre lojas incendiadas durante o ataque talibã a Ghazni, Afeganistão, em Agosto de 2018.CréditosFonte: DNA (Mumbai)

O presidente afegão, Ashraf Ghani, anunciou hoje um cessar-fogo com os talibãs, a partir de segunda-feira e durante três meses, «contando que os talibãs façam o mesmo», segundo a Agência Lusa. «Anuncio um novo cessar-fogo até ao aniversário do profeta (21 de Novembro)», terá afirmado o presidente afegão, durante um discurso televisivo.

O último cessar fogo entre o Governo do Afeganistão e os talibãs ocorreu em Junho, para celebrar o final do Ramadão, mas os talibãs emergiram do mesmo mais fortes, como prova o recente ataque à cidade de Ghazni, o qual põe em cheque o governo pró-ocidental afegão antes do começo da campanha eleitoral para as eleições parlamentares, agendadas para 20 de Outubro próximo.

A batalha por Ghazni

Em 09 de Agosto os talibãs lançaram um ataque à cidade de Ghazni, situada no norte do Afeganistão, a cerca de 100 quilómetros da capital do país, Cabul, «provocando a morte de pelo menos 100 membros das forças de segurança» e levando «à morte de de entre 100 a 150 civis», segundo o representante especial da Organização das Nações Unidas (ONU) no Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, citado pela mesma agência.

Declarações contraditórias sucederam-se durante a batalha pela cidade, nos últimos 10 dias. Os talibãs atacaram «quartéis de polícia e outros edifícios governamentais» e chegaram a «ameaçar tomar a cidade», segundo deputados e residentes locais citados pelo DNA (Mumbai, Índia), naquele que é o maior ataque desencadeado desde Maio, quando assaltaram a cidade de Farah, no oeste do país.

Segundo a mesma notícia, as autoridades locais teriam avisado «há meses» que esta estratégica cidade, situada na principal auto-estrada que liga Cabul ao sul do país, se encontraria «sob ameaça», com os talibãs a «controlarem a maior parte da província» de Ghazni.

Mohammad Sharif Yaftali, chefe do estado-maior do exército afegão, terá afirmado, em conferência de imprensa, que a cidade «não se encontrava à beira do colapso» e que «decorriam fortes combates para empurrar os talibãs para fora dos limites» daquela capital provincial do Afeganistão. A situação militar, segundo a mesma fonte, caracterizar-se-ia por se manterem nas mãos das forças governamentais «os pontos estratégicos e o centro da cidade», com os talibãs a ocuparem e resistirem em «residências e lojas».

Porém, um deputados de Ghazni que conseguiu falar com residentes na cidade, Chaman Shah Ehtemadi, afirmou que o ataque inicial deixou nas mãos dos talibãs «grande parte da cidade» e que apenas «a sede do governo provincial, esquadras de polícia e o complexo dos serviços secretos» estavam nas mãos do governo. Também Mohammad Rahim Hasanyar, membro do Conselho Provincial de Ghazni, afirmou estarem a decorrer «pesados combates nas áreas residenciais da cidade, com as forças governamentais à defesa», nos primeiros dias do assalto.

Civis em fuga de Ghazni (excepto pela auto-estrada que se encontra «fortemente minada») afirmam ter visto «corpos espalhados por toda a cidade».

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