Fernanda Câncio - 10/07/2020
 

Direção da faculdade de Economia da Universidade Nova implica exclusividade mas Daniel Traça é administrador do Banco Santander, um dos mecenas da escola, tendo auferido 143 mil euros em 2019. Reitor permitiu acumulação, mas anuncia agora comissão para avaliar relação com patrocinadores.

“O cargo de diretor é exercido em regime de dedicação exclusiva, sem prejuízo dos cargos que exerça por inerência.” A norma consta do artigo 43º do Estatuto da Universidade Nova de Lisboa, mas o diretor da respetiva faculdade de Economia, denominada Nova SBE (School of Business and Economics), o economista Daniel Traça, é desde dezembro de 2018 administrador não executivo do banco Santander, um dos patrocinadores, ou “stakeholders” da escola. Aufere nessa qualidade um salário anual de 143 mil euros.

Isso mesmo está patente no relatório de contas de 2019 deste banco, na página 107, assim como o montante do crédito à habitação que tem contratado com a instituição, de 250 mil euros. Já na página 64 é possível consultar os cargos que detém nesta instituição bancária: aí o nome Daniel Abel Monteiro Palhares Traça consta, com a qualificação de “independente”, como vogal não só do referido conselho de administração como da Comissão de Auditoria e do Comité de Riscos e do Comité de Remunerações, sendo ainda presidente do Comité de Nomeações. Mais difícil de encontrar é a remuneração que o mesmo economista aufere como diretor desta faculdade pública. O DN solicitou a Daniel Traça essa informação, mas até à publicação deste texto este não a forneceu. Um professor catedrático – que Traça é – em exclusividade ganha no máximo 5417,74 euros/mês, ou seja 75 848,36 euros anuais. Se o valor do seu salário como diretor da Nova SBE for dessa ordem de grandeza, corresponde a pouco mais de metade do que recebe no banco.

De acordo com o que foi comunicado ao Diário de Notícias pela Nova SBE em abril de 2019, através da mediação de uma agência de comunicação, a acumulação por Traça do cargo de diretor com o de administrador foi autorizada “após pedido de pareceres jurídico e do Conselho de Ética da Universidade e tendo sido salvaguardada a não conflitualidade de interesses.” O teor do parecer ou pareceres, sobre o qual o jornal inquiriu, não foi revelado, nem a forma como se terá salvaguardado a “não conflitualidade”. A faculdade sublinha no entanto que “a competência para a autorização é do Reitor da Universidade Nova de Lisboa.”

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