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Portugal | Atenção aos vírus que nos desrespeitam, consomem e matam

 
 
Coronavírus é a “vedeta” da atualidade. Também no PG encontra algo sobre essa “vedeta”. Neste Expresso Curto que pode ler a seguir o dito vírus tem uma boa cota parte de dedicação de Germano Oliveira, jornalista recompensado no final dos meses pelo tio Balsemão/Impresa. Chama-se ordenado, vencimento, paga pelo trabalho executado. Falta saber se este profissional está encalhado num contrato a termo ou se é efetivo lá no burgo. Vamos pela primeira hipótese. Atualmente o mercado de trabalho anda assim. Os grandes empregadores – até os pequenos - comem tudo e não deixam nada. É o vírus da soberba.
 
Vamos aos vários vírus. Além do tal corona existem outros vírus… que matam. No SNS português é um ver se te despachas a morrer. O contágio desse vírus provém dos governos anteriores e do atual. Agora até existe um vírus aeroporto do Montijo. A arrogância da turma de António Costa está a sair da casca. Ali há negociata ou aquilo a que vulgarmente se chama marração. Embicaram para o Montijo e catrapuz. Tem de ser.
 
Ah, porque não temos orçamento para essas loucuras de aeroportos e os privados é que vão pagar o do Montijo. Olhem lá: então e já ouviram falar de Beja? É que lá existe um aeroporto às moscas! Não serve? Porquê? Porque é longe de Lisboa, e tal… Longe? Está a um pulo de Lisboa. Menos de 180 quilómetros. Boas estradas – A2 e IP 8. Uma hora e vinte a uma hora e quarenta. A verba a gastar no Montijo dava para fazer maravilhas no aeroporto de Beja. Pois, mas o vírus é Montijo. É o que querem, é onde se fixaram com o olhar e com o cérebro. Um aeroporto pequenino para aviões parvos e pássaros inteligentes… Adiante.
 
Pegando nas vaca frias que preenchem o Curto de hoje abordemos o tão raro desporto que é a presença do futebol por aqui pelo PG. Pouco a dizer. Ontem tivemos a prova de que o futebol português está em decadência. Três equipas portuguesas foram excluídas dos dezasseis avos de final da Liga Europa. O FC Porto, o Sporting CP e o CF Benfica. Antes o Braga também foi eliminado. 
 
Portugal tem bons jogadores mas vão para o estrangeiro. Temos boas equipas domésticas que andam cansadas devido a tanto jogarem por força das competições de calendário. Depois dá no que aconteceu hoje. Aliás, o Benfica é mostra de quanto cansados estão os jogadores daquela equipa. E o Porto também. Do Sporting nem é só o cansaço mas sim a rebaldaria que tristemente acontece naquele clube lisboeta. A tal ponto que já nem sabemos quem tem razão. Adágio: "Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão." 
 
Fiquemos pelo futebol doméstico. Pois. Aí até parece que somos muito bons. País pequenino… Como o aeroporto projetado no Montijo. Governos pequeninos, como os cérebros e a visão dos que nos governam – ou governam-se? Sim. Na verdade as vidas dos políticos e outros das elites vai sempre de vento em popa. Mesmos nos períodos de crises financeiras esses mantêm as boas vidas que conseguiram. Amiguismos e tachos não lhes faltam. Para milhões de portugueses talvez não lhes faltem tachos para cozinharem mas géneros alimentares é que quase não os vêem ou não os vêem mesmo. É então que passam a pertencer ao imenso grupo dos carenciados dos famintos de alimentos e de uma vida condigna. Outro vírus que nos assola. Para uma minoria tudo, para a maioria migalhas… fora de tempo de crise, claro. Porque em tempo de crise nicles, zero, muito bá-blá de faz de conta é fartura. De resto nada ou quase nada.
 
Assuntos não faltam para abordar. Sem prazer referem-se aqui tristes panoramas. Consolem-se e lembrem-se que não é só o coronavírus que mata, muitos outros vírus matam os portugueses. A lástima do SNS é um deles. Um vírus pernicioso q.b.. Quantos acham que existem mais, sem que os governantes e as elites económico-financeiras desistam das suas soberbas e de adorarem os seus umbigos e contas bancárias imorais? Pensem nisso. A solução está nas mentes e nas mãos dos portugueses. Resistir, resistir sempre. Lutar pela vida decente, justa e humana a que temos direito – constitucionalmente – e que nos negam. Eles são talvez 10 por cento da população lusa ativos e em detrimento da maioria dos lusos que estão divididos, adormecidos, apalermados…
 
Passem um bom dia. Façam por isso. Fiquem atentos aos vírus que nos acossam, consomem e matam depois de uma sobrevivência de merda.
 
O Curto já a seguir. Bom. Curto asseado. Curta.
 

MM | PG


 
 
 
Bom dia, este é o seu Expresso Curto
 
Coronavírus: mais prudência e menos pânico (e vemo-nos no céu, Rámon)
 
Germano Oliveira | Expresso
 
Mais tarde ou mais cedo haverá algum caso positivo” de coronavírus em Portugal mas até à hora deste Expresso Curto é assim: 52 situações suspeitas, 27 das quais num só dia, 36 testes deram negativo e 16 aguardam resultados - e lá fora há um segundo português infetado. Este vírus está a tornar-se alucinante e por isso há que falar sobre pânico e prudência: o dicionário define que pânico é o “terror súbito e violento causado por uma ameaça de perigo que desencadeia reações e comportamentos pouco racionais e por vezes perigosos” e que prudência é a “atitude de quem não quer correr riscos desnecessários” e a “qualidade daquele que, atento ao alcance das suas palavras e dos seus atos, procura evitar consequências desagradáveis”. Portanto: ser prudente é fazer como Marcelo e acautelar eventuais deslocações ao estrangeiro, entrar em pânico é acreditar que o coronavírus pode ser transmitido por picadas de mosquitos, ser prudente é saber que morreram mais de 2800 pessoas mas que cerca de 36 mil infetados já recuperaram, entrar em pânico é acreditar que apanhar o vírus é uma sentença de morte, ser prudente é seguir as recomendações da Direção-Geral da Saúde, entrar em pânico é não estar informado. O coronavírus pode então ser transmitido por picadas de mosquito? “Não, o Covid-19 é transmitido principalmente pelo contacto com uma pessoa infetada, através de gotículas expelidas quando a pessoa doente tosse ou espirra”, lê-se no Expresso. Pode ser transmitido através do manuseamento de notas e moedas? “O risco de alguém ficar infetado pelo contacto com objetos é muito baixo.” O frio e a neve matam o vírus? “Não há razão para acreditar que o frio possa matar o novo coronavírus ou acabar com outras doenças.” A cocaína oferece proteção contra o novo coronavírus (é um disparate de pergunta mas é um disparate viral)? Não. Pode ser destruído em 30 segundos com um secador de mãos? Não. Mais: os animais de companhia podem transmitir a doença?, as vacinas contra a pneumonia protegem-nos do coronavírus?, pode reutilizar-se uma máscara?, é aconselhável lavar o nariz com uma solução salina?, o vírus pode alcançar até oito metros de distância com um espirro?, comer alho ajuda a prevenir a infeção?, aplicar óleo de sésamo na pele ajuda? As respostas estão neste artigo do Expresso: Quinze mitos sobre o novo coronavírus. Para não se deixar enganar. Partilhe, é prudente.
 
A ÚNICA COISA BOA DO FUTEBOL MAU DE ONTEM: A TRIBUNA
Toda a gente já sabe os resultados dos jogos de ontem, está tudo eliminado da Liga Europa, mas não sei se toda a gente sabe o resultado das prosas de ontem, há textos iluminados na Tribuna Expresso - o que faltou futebolisticamente a FC Porto, Sporting e Benfica foi compensado intelectualmente pelas palavras entre linhas e frases em profundidade dos nossos jornalistas. Este é um resumo certeiro de uma eliminatória falhada: “Um de cada vez, Braga, FC Porto e enfim Sporting foram progressivamente eliminados por adversários de valias diferentes e por resultados diferentes - as gradações de escandaleira foram obviamente diferentes também. Assim, pois, o Benfica iria entrar em campo na Luz com o Shakhtar Donetsk da Ucrânia como o último resistente do contingente português na Liga Europa. (...) Acabou por ser uma questão de tempo até estar nenhum: em 24 horas, o futebol português dos múltiplos milhões em vendas de jogadores, do Ronaldo, do Euro2016, da Liga über profissional e da Federação altamente sofisticada (e bem relacionada) - e, vá, dos pequenitos probleminhas das alegadas corrupções, violências verbais e físicas - bateu de frente com o espelho. E partiu-se em bocadinhos”. Está na crónica do Benfica-Shakhtar, o título é espirituoso: Benfica, apresento-te a terceira divisão europeia. Acho que se vão dar bem. A crónica do FC Porto tem intervenção farmacêutica - como piorar uma dor de cabeça com uma aspirina - e o Sporting é visto assim: Um desastre que pediu para acontecer. (se quiser ler sobre futebol puro e bruto não perca isto AQUI) OUTRAS NOTÍCIAS
Não precisa de pagar comissões para ler estas duas notícias: Bancos vão mesmo ter travão em algumas comissões. Falta definir como e quando e PS e Bloco acusam banca de chantagear clientes e Parlamento sobre corte nas comissões bancárias Os socialistas têm uma pergunta-provocação para os sociais-democratas: vocês são mais populistas do que Passistas ou vice-versa? PS acusa PSD de “vertigem populista” e recorda que foi Passos que decidiu aeroporto no Montijo (não deixe de ler mais estas duas: Tribunal chumba ampliação da pista de Heathrow por “impacto climático”. Decisão põe Montijo em xeque, dizem ambientalistas e Aeroporto do Montijo. Constitucionalistas divididos sobre alteração à lei) ⚠ As raspadinhas estão a tornar-se uma patologia preocupante em Portugal e, “apesar disso, nenhuma das entidades responsáveis empreendeu qualquer esforço visível para compreender e conter o fenómeno”: Consumo de raspadinhas em Portugal – é tempo de atuar (sugiro ainda mais duas leituras que contextualizam a gravidade do vício: Estudo revela que raspadinhas estão a tornar-se vício preocupante em Portugal e apela a nova regulamentação e Recebia €500 de ordenado mas gastava entre €2000 a €3000 por mês em raspadinhas: histórias de dependência) Querida, o Governo quer que mudemos de casa: Quer mudar de vida e ir para o interior? O Governo paga-lhe 4.827 euros Ricardo Araújo Pereira vai gozar com quem trabalha, é já a partir deste domingo na SIC, e o Expresso esteve na preparação do programa: “A comédia é um animal delicado. Se entra uma bactéria, morre” Veja com atenção a foto deste artigo e depois sugiro que o leia todo: Rivoleaks. Artistas escrevem a Marcelo e Costa enquanto “Lápis Azul” risca o Porto “Não reúne os requisitos constitucionais” para ser discutido no Parlamento: Deputados rejeitam debate sobre castração química Surprise, surprise: Portugal é o país europeu onde os preços das telecomunicações são mais caros e mais sobem Veja e leia isto, não se vai arrepender: Unidade W+ Podcast Expresso com Jorge Nascimento Rodrigues, João Duque, João Silvestre e João Vieira Pereira: Money, Money, Money #22: O coronavírus pode provocar uma crise mundial? Outro podcast Expresso, aqui com Luís Guerra, Mário Rui Vieira, Tomás Wallenstein e Domingos Coimbra: Posto Emissor #6: BLITZ convida Capitão Fausto. Do concerto com orquestra em Lisboa à revelação Filipe Sambado FRASES
Não me incomoda que Vitalino Canas tenha sido porta-voz do governo Sócrates, incomoda-me que tenha sido sempre coisa nenhuma e acabe premiado no Tribunal Constitucional, onde além disso só podemos esperar que seja o que sempre foi, homem d’ “o partido”. (...) Ser juiz do TC não é um tacho, é dispor de um poder último depois da cozinha do poder legislativo e do forno do poder judicial. Basta recordar a força nuclear que o TC teve no tempo da troika. Se os seus juízes são vitalinos, então o TC vira uma anedota, figura de cera de pavio perigoso. Pedro Santos Guerreiro, no Expresso Diário Vitalino Canas acumulou o cargo de provedor das empresas de trabalho temporário com o de deputado e isso não o inibiu de tomar posições no Parlamento sobre legislação que afetava quem lhe pagava. A indicação do seu nome para o Tribunal Constitucional é uma provocação. Daniel Oliveira, no Expresso Diário Portugal é o país que mais pode entender a luta da Catalunha. Quim Torra, presidente do Governo autonómico catalão, para ler no Expresso Segundo as autoridades federais, só nos EUA já morrerem neste inverno entre 16 mil e 41 mil americanos devido à gripe normal de todos os anos. Porque é que estamos a fazer este patético escândalo por causa de um vírus gripal que matou 3 mil no mundo inteiro? Que absurdo é este? Ainda por cima, é um absurdo que faz o jogo de todos os nacionalistas. É o que eles mais precisam, é o que eles adoram: sociedades hipocondríacas a exigir medidas draconianas como o encerramento de fronteiras, a expulsão de estrangeiros, os boicotes a lojas de estrangeiros. Henrique Raposo, no Expresso Diário O QUE EU ANDO A LER
Se eu partisse a espinha e ficasse paralisado para sempre sentiria falta das coisas óbvias e de outras simples como esta: preparar um jantar em casa, chamar gente para comer dourada pescada no Atlântico e beber garrafas feitas de uvas do Douro para no fim acabarmos todos com os lábios pintados de vinho tinto, aquele roxo-ébrio que aparece depois de muito álcool e que sinaliza à entrada da boca a energia e a intimidade da amizade - é o batom da felicidade, não há maneira mais bonita de colorir os lábios de homens e mulheres que trazem cor às nossas vidas. Ou como esta: caminhar descalço em casa, sentir a serenidade dos alicerces da minha privacidade a elevarem-se do chão até ao cume de mim onde o cérebro processa a informação que lhe chega dos pés e a seguir transmite ao resto do corpo as palavras certas para definir o instante - adjetivos sobre a temperatura da casa, “frio” ou “quente” ou demais termos atmosféricos, e depois substantivos sobre a conjuntura da casa, “conforto” ou “segurança” ou outros termos sentimentais, o primeiro Homem que acreditou na existência de Deus devia estar descalço porque não havia ainda cientistas que lhe explicassem aquele prazer de ter sensações mas também emoções ao sentir a pulsão do mundo nos seus pés. Ou esta: pegar na guitarra que comprei por dez contos quando tinha 16 anos, já mudei de cidades e ainda mais vezes de apartamentos e ela tornou-se a única presença constante, se calhar a minha casa de verdade é esta guitarra mas não andarei descalço sobre ela, dizia então que se eu partisse a espinha e ficasse paralisado para sempre sentiria falta de pegar na guitarra e fazer acordes com a mão esquerda e dedilhados com a mão direita enquanto usava toda essa simplicidade de movimentos para manifestar toda a complexidade de sentimentos em mim - eu escrevo melhor do que faço canções, o que não faz de mim nem bom prosador nem péssimo compositor, mas qualquer má canção minha revela mais sobre quem sou do que qualquer bom texto meu, o primeiro Homem que compôs uma canção devia estar cansado de escrever porque as palavras provocam as emoções mas não as sensações todas para que vibremos devidamente com a pulsão do mundo. A liberdade de me mexer permite-me a possibilidade de sentir plenamente os acontecimentos maiores e os detalhes menores da vida que deixaria de ser a vida que entendo merecer se o corpo me parasse, ando a refletir no horror disso porque se eu partisse mesmo a espinha e ficasse paralisado para sempre nunca teria as capacidades do homem que ando a ler: Ramón Sampedro, espanhol que ficou tetraplégico aos 25 anos e passou quase 30 a pedir para morrer, sobre isso escreveu prosa e às vezes poemas que titulou “Cartas do Inferno” - inspiraram um filme vencedor de Óscar, tornaram-se livro porque ele aprendeu a escrever com uma caneta na boca à falta do resto do corpo e procurei estas cartas não com a pretensão de me definir diante da eutanásia, tinha opinião antes e continua igual depois de o ler, nem para saber por que razões ele queria morrer, só com muito cinismo não se entenderá a depressão infinita dele (o que não implica concordar com a morte medicamente assistida), procurei sim estas cartas para compreender como é que ele enfrentou sem enlouquecer uma vida que considerava castigo: “Dizem os técnicos da medicina, e confirmam-no os políticos, juízes, juristas e demais castas associadas para formar o desumano estado do direito e do bem-estar - seria mais coerente dizer do revés e do mal-estar - que um tetraplégico é um doente crónico. Se a linguagem fosse utilizada com precisão, seria menos enganador afirmar que um tetraplégico é um morto crónico. Não gosto de desempenhar o papel de morto crónico nesta comédia do viver para sobreviver em função da hipocrisia da linguagem técnica! Considero que um tetraplégico é um morto crónico que tem a sua residência no Inferno. Aí - com o fim de evitar a loucura - há quem se entretenha a pintar, a rezar, a ler, a respirar ou a fazer qualquer coisa pelos outros. Há gostos para tudo! Eu dediquei-me a escrever cartas. Cartas do Inferno”. Neste exercício de sanidade há considerações comoventes sobre o amor e outras previsíveis mas não por isso menos literariamente relevantes em defesa da eutanásia - os argumentos humanamente exaltados e juridicamente revoltados de Ramón Sampedro dificilmente convertem as opiniões de quem é contra como certamente fortalecem as convicções de quem é a favor da eutanásia, mas o desespero absoluto de quem é obrigado a viver quando deseja furiosamente morrer não se trata de uma questão de se estar contra ou a favor, é uma constatação: “E como falar de amor se estou morto? Se nós mortos não temos paixões, nem de humanos afetos sentimentos, somente dos vivos somos o espanto. Tudo é incoerência e contradição para um morto entre os mortais. Não o excitam a lua, nem a flor, nem a fêmea, porque não tem carne para se reproduzir. Há coisa mais absurda do que escutar um cadáver falar apaixonadamente como um humano se não pode sentir nem o calor nem o frio nem o prazer nem a dor nem o pranto? É horrível ser um morto entre os humanos”. (e sobre a desumanidade de lhe pedirem para se deixar morrer à fome, ele que não tinha liberdade de movimentos para outra forma de suicídio: “Afirmam que quem deseja morrer de verdade pode fazê-lo de fome e de sede, por exemplo. Ao que parece, esta irresponsabilidade psicológica, esta ideia simplista, está a dar bom resultado, pois mais de um amigo meu se lhes juntou”.) E depois estas cartas ensinam como o inferno é abundante de amor, daquele que arde precisamente porque só se vê: “Vejo-te em sonhos mas coro ao acariciar-te com a palavra e não compreendo bem porquê. Só por isso, só por isso quero morrer, porque me faz corar sonhar contigo, e sei porquê: porque sou homem e tu mulher”; “Sei que não vou voltar a ter outra oportunidade de ouvir a vida dizer que me ama com todo o ser de uma mulher”; “Porque me haveis condenado a esta morte em vida que é olhar para o céu, da cama, olhar para o mar, da cama, ver os seres humanos, da cama, e sentir que se me acabou a possibilidade de demonstrar o amor? Eu, que tanto amei as mulheres, tive de renunciar a isso há vinte e sete anos. Achava que era a forma de sofrer menos - e ainda continuo a achar; vinte seis anos depois voltei a provar a doçura de uns lábios. Já quase havia esquecido essa ternura. Regressou com eles o amor da mão de uma mulher a quem adoro, mas também regressou o inferno, porque também retorna o desejo de sentir o meu corpo a abraçar o dela mas a impotência nem sequer me permite acariciá–lo com a mão”; “Continuo no inferno porque não posso exprimir o amor à mulher como deseja o meu cérebro. Ela diz que com a minha boca lhe basta. Que lhe basta a minha forma de ser para se sentir satisfeita e plena. Contudo, sinto que tem saudades do meu sexo, da forma que ele tinha, da minha maneira de interpretá-lo e de vivê-lo com outras mulheres, que ela diz continuar a imaginar. Assegura-me que a minha ternura lhe basta para se sentir mulher. Mas a mim não. Sentimos como mulheres e homens através dos nossos corpos. Não é capaz de entender o que significa não sentir nada sexualmente”; “Mulher, enquanto o teu nome existir, o céu está seguro pois és a certeza que derrota a dor e o temor. Enquanto o teu nome existir, o céu está seguro porque estará seguro para sempre o amor”; “Eu também estou apaixonado pelo amor, e assino com um beijo”. Ramón Sampedro tinha o fantasma do amor pintado nos lábios, aquele vermelho-vida que aparece na prosa de um homem paralisado que escreve com a boca e respira com o coração - é o batom da ressurreição possível para um morto crónico que não podia exercer inteiramente a sua vontade de vida: “Creio e penso que a liberdade é a única coisa que dá sentido à vida. A liberdade é o anseio mais forte de todo o ser com capacidade de movimento. Pode renunciar-se a grande parte desse movimento e uma pessoa sentir-se ainda livre. E haverá quem se resigne a sobreviver sem qualquer liberdade de movimento. Eu não. Não aceito a vida sem a liberdade mínima de movimento que o corpo me dê para sobreviver por mim próprio. Sem essa liberdade mínima não há possibilidade de sentir felicidade ou alegria. Há animais que sem liberdade nem sequer se reproduzem. Outros morrem de tristeza e de melancolia se os privarem da sua liberdade”. Eu não sei que lei ou raciocínio dos homens resolve com dignidade e lucidez as circunstâncias de quem vive contra a vontade mas sei a que lei do universo aspirava Ramón Sampedro: “O céu existe sempre depois da morte para quem amou a vida. (...) Dizia-te no início que se pode ter amor à vida e desejar, ao mesmo tempo, a morte quando se tem amor à vida inteira”. Vemo-nos no céu, Ramón. EXPRESSO
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