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Sobre as razões que estão na base dos focos de tensão entre a China e os Estados Unidos – 18. Um saco de correspondência picante sobre a China. Por John Mauldin

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Tensão EUA China 0

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

18. Um saco de correspondência picante sobre a China

john mauldin Por John Mauldin

Publicado por mauldin economics logo em 12 de outubro de 2018 (texto original aqui)

18 Um saco de correspondência picante sobre a China 1

Um aspeto estranho de quem escreve é de que nunca sabemos antecipadamente o que vai excitar os leitores. Já escrevi textos que eu pensava serem muito provocadores e tive principalmente como reação leves bocejos.

O texto da semana passada sobre défice comercial gerou algumas reações bem acesas. A resposta foi imediata e, em muitos casos, bastante apaixonada em ambas as direções. Recebi emails de velhos amigos e leitores de longa data dizendo-me que era o meu melhor texto desde há anos para cá. Outros diziam que eu tinha perdido o sentido das coisas e me tinha passado para o mundo do não sentido. De facto, a minha inteira série da China gerou muitas respostas. Evidentemente, passei por cima das menos relevantes.

Eu sempre apreciei que haja reações aos meus textos mesmo quando são negativas. A nossa equipa recolhe as reações dos media sociais, os tópicos dos comentários no nosso site, nos e-mails, e provavelmente por outras vias igualmente que desconheço. Eles produzem um curto relatório com estas informações e distribuem-no pela equipa. Quando esses textos são recebidos na meu e-mail dou-lhes a prioridade máxima e leio-os todos. Aprendo sempre bastante. Há um número surpreendente de pessoas inteligentes e de exposições bem articuladas que leem os meus textos. Por isso, hoje, vou apresentar alguns comentários dos meus leitores que me foram enviados desde semanas recentes e, a partir daí, tentarei explicar alguns dos meus pontos de vista que não tenham ficado claros.

Sendo certo que é quase sempre perigoso fazer associações apressadas, as respostas geralmente dividem-se em “John, o senhor disse-o claramente e eu desejo que muita gente leia este seu texto,” e em “John, o senhor simplesmente não compreende o perigo que a China representa, seja geopoliticamente seja em termos comerciais, e temos que parar com a batota que eles fazem”.

Como eu leio as respostas, percebi que o meu texto não tinha todas os matizes que eu pensava ter colocado. Além disso, eu precisava de afinar algumas das minhas ideias. Para não nos alongarmos muito, vou ignorar os comentários positivos e concentrar-me apenas em alguns (de muitos) que são contra as ideias por mim expostas. Eu escolhi alguns (poucos) exemplos, porque uma visita correta sobre as tarifas daria para escrever um livro completo.

Devo aqui referir que apresentamos mais ligeiramente alguns destes textos por uma questão de maior clareza. Posta esta nota, avancemos pois.

Práticas predatórias

Aqui está Lawrence Brady respondendo ao texto sobre O défice comercial não é o bicho-papão.

Em termos puramente económicos, eu não poderia estar mais de acordo consigo. No entanto, há um jogo muito mais importante que está aqui a decorrer e que substitui a discussão posta somente em termos de PIB.

Em condições equitativas de concorrência, a especialização é a maneira mais eficaz de criar oportunidades e de minimizar custos. Neste caso, o desafio é tanto mais importante quanto não existe nenhuma lei internacional antitrust Sherman que impeça a monopolização e o controle eventual de todos os aspetos da cadeia global de abastecimento.

As práticas predatórias da China com padrões de produção não regulamentados/espionagem industrial e violação de protocolos de segurança dos Estados Unidos são indicativos de guerra económica. Evidentemente, melhor do que a alternativa de ações nucleares ou de armas convencionais, os resultados podem ser os mesmos, se se deixasse de verificar esta situação.

Assim, eu penso que nós precisamos de olhar para além das relações da importação/exportação e das reservas em divisas. Trata-se de uma guerra fria por outros meios ditando um novo paradigma na análise.

John: A nota de Lawrence representa a de muitas outras pessoas que disseram compreender os défices comerciais, mas pensam que a China é uma ameaça única que merece uma resposta mais forte.

Como já disse muitas vezes, eu concordo com isso. Não disse que a China é irrepreensível, nem disse que os Estados Unidos devem ignorar as práticas comerciais desleais da China. Eu disse que as tarifas não são a resposta certa para o défice comercial, pois que este não é um grande problema e seria um ainda um problema muito menor se resolvêssemos as outras questões que Lawrence menciona. A questão é como fazer isso.

Permitam-me reformular e realçar o seguinte: a utilização de tarifas para reduzir o défice comercial é economicamente irracional. Não vai funcionar. As tarifas têm as suas utilizações, uma vez ou outra, mas são perigosas se utilizadas de forma fortuita ou em circunstâncias erradas. Eu não sou contra as tarifas enquanto tais, mas sou contra as tarifas como uma arma contra “o défice comercial.” O que não é um problema, pelo menos se estamos a falar dos Estados Unidos e se a moeda de referência ou de reserva é a nossa. Especialmente para nós se temos o dólar como a moeda de reserva no mundo.

Suponho que as tarifas cuidadosamente orientadas poderiam ser parte da resposta aos problemas que Lawrence descreve, mas isso não é o que os EUA estão a fazer. Estamos, na verdade, a atirar munições de artilharia {pesada] em alvos de papel. É peça pesada e emocionalmente satisfatória, mas não atinge o alvo real. Também atinge muitos transeuntes inocentes que por acaso se encontram na área.

Parte do problema real que está aqui em jogo é que China começa a utilizar um livro de regras diferente. A Organização Mundial do Comércio permite que os Estados membros se definam a si-mesmos como países “em desenvolvimento”. É um pouco como um teste de livro aberto onde se sabe as perguntas de antemão, mas que alguns outros estudantes têm que estudar. As regras da OMC dão aos países em desenvolvimento, como a China se considera, certos direitos adicionais. (Explicar-vos isto levar-nos-ia longe e para terrenos muito áridos: se quer saber mais consulte aqui.)

Será a China um país em desenvolvimento? Isso é complicado. Muito do seu vasto e empobrecido interior e do seu extremo ocidente, seguramente não são “desenvolvidos”. Mas a costa oriental rica e algumas centenas de milhas para o interior é tão desenvolvida como muitos países ocidentais. Então, a China é realmente as duas coisas.

O leitor poderia dizer o mesmo sobre os EUA, já agora. Nova York e San Francisco (e Dallas!) são cidades de classe mundial, enquanto partes de Appalachia, Maine, e do Sul rural são relativamente tão pouco desenvolvidas quanto algumas das regiões mais pobres da China. Os EUA deveriam considerar-se a si-mesmo um país em desenvolvimento e reivindicar uma proteção da OMC? Talvez devesse ser o caso se usarmos o padrão chinês. Por esse padrão, cada país é um país em desenvolvimento uma vez que a distribuição de rendimento varia de região para região.

O que realmente precisamos é que a China admita que já não merece as mesmas proteções que outros países verdadeiramente em desenvolvimento recebem da OMC. Pequim quer ser uma grande potência? Bem. Vista-se como adulto e pode ter um lugar na mesa dos adultos.

Na minha opinião, as tarifas não são o caminho para forçar a China a tomar este rumo. As tarifas são um instrumento grosseiro numa situação que precisa de mais subtileza. A estratégia americana parece dirigida a fazer Xi Jinping sentir-se tão duramente atacado que se vai render e fazer o que Trump lhe diz para fazer. Isso nunca vai acontecer. Xi pode ser Presidente até ao fim da sua vida, mas há ainda restrições políticas que ele tem de respeitar.

Se as tarifas não funcionarem, o que é que irá funcionar? Negociações pacientes, metódicas e privadas em aliança com os outros países aos quais as práticas da China estão a prejudicar. A Europa e o resto do mundo têm as mesmas questões. Isso levaria tempo, mas acho que se tem uma probabilidade muito melhor de sucesso. As tarifas só devem ser utilizadas como último recurso.

Melhor ainda, evitaria o dano que as tarifas já estão a começar a impor. O que nos leva à próxima carta…

Discurso de guerra

Joann Middlestead escreve:

O problema não é económico. O problema com a China é o roubo da propriedade intelectual – e o facto de que SE a guerra rebentar nós poderíamos encontrarmo-nos como os Estados do Sul contra os do Norte, que tinham todas as instalações da indústria transformadora que lhe permitira de ganhar a guerra.

Como a China se torna mais e mais modernizada e mais e mais competitiva, eles irão tentar ser a superpotência do Mundo (e que não haja aqui nenhuma dúvida). Assim, os EUA precisam de fazer regressar a casa os empregos que deslocalizaram, ou seja, precisam de relocalizar as indústrias entretanto externalizadas, com a capacidade industrial que nos permita ganhar a guerra utilizando os nossos recursos e a capacidade de alimentar e vestir o população quando a guerra estiver a decorrer.

John: Como disse acima, eu concordo com Joann no que se refere à propriedade intelectual. No entanto, quero delicadamente discutir o discurso sobre a guerra.

Primeiramente, a China não tem nenhum interesse em começar uma guerra com os Estados Unidos. Se por algum azar as coisas correrem mal, esta guerra não se pareceria em nada com a Guerra da Secessão nos EUA ou mesmo com a Segunda Guerra mundial. Aconteceria principalmente no ciberespaço e no espaço sideral. A nossa base da indústria transformadora interna não estaria tão em vantagem como estava há um ou dois séculos. Aqueles que pensam assim são parecidos com aqueles generais que estão a fazer a sua última guerra.

Alimentar a população também não é problema. Os Estados Unidos são um exportador líquido de bens alimentares. Podemos ter que viver sem alguns manjares (embora não me ocorra o que é que me poderia vir a faltar), mas não vamos morrer de fome sem importações.

Mas o que realmente me incomoda sobre a nota de Joann (e muitos outros como ele) é essa vontade casual de ir para a guerra – seja guerra comercial ou um conflito militar. A guerra destrói as pessoas de ambos os lados. Devemos fazer tudo o que pudermos para a evitar.

Uma guerra comercial completa com a China não significaria simplesmente que teríamos de apertar os nossos cintos. Estaríamos a sacrificar grandes partes de nossa própria economia e população, estaríamos a paralisar empresas inteiras e até mesmo indústrias.

Está aqui uma carta de Gavekal que mostra a dependência das empresas dos semicondutores dos Estados Unidos das vendas da China.

18 Um saco de correspondência picante sobre a China 2

Algumas destas companhias morrerão se nós cortarmos o comércio com a China ou se a China aplicar tarifas similares. A maioria dessas empresas tem concorrentes muito sofisticados em outros países. Estas nossas empresas vão perder as suas posições nos mercados abertos e eventualmente deixarem a sua atividade, os seus trabalhadores vão perder os seus empregos e o valor das suas ações vai cair a pique podendo cair até zero. Inúmeras pequenas empresas que as abastecem de produtos intermediários irão à falência.

Só esse choque pode forçar a nossa economia para uma situação de recessão e os preços das ações para uma situação de mercado de tendência à baixa, mas haverá muitos outros setores que seriam igualmente muito atingidos.

Muitos falcões comerciais que querem correr esse risco parecem ignorar os seus custos. Eles estão errados e, dadas as nossas outras tensões sociais, temo uma catástrofe se escolhermos assumir isso por nós mesmos.

Se o leitor discordar, deixe-me perguntar-lhe isto: o que é que está disposto a perder? Será que a China vale a pena perder o seu emprego ou passar a ter os seus impostos a subirem e os seus rendimentos a descerem? Se você possui uma atividade empresarial, acha que será capaz de encontrar fontes internas para tudo o que precisa para a sua atividade? E ter de pagar preços mais elevados que não pode transpor para os seus clientes, porque eles vão estar também em graves dificuldades?

Tudo isso é desnecessário. Nós podemos obter o que nós queremos da China sem impor uma tal destruição e sofrimento. Mas exigirá uma estratégia de negociação diferente da que temos vimos a fazer até agora.

Controlo de qualidade

David Oldham escreve:

A China parece estar a inundar o mundo com produtos que têm uma qualidade de lixo, ou então será que só enviam esse lixo para o Reino Unido? Quase tudo o que está marcado como “Made in China” é de extrema baixa qualidade, com exceção dos produtos da Apple, que eu suponho estarem sujeitos aos inspetores de controle de qualidade da Apple. Este é um problema real no Reino Unido, especialmente onde a segurança é um importante fator- barcos e peças de montagem, por exemplo.

Eu creio que uma grande parte dos bens chineses exportados para o Reino Unido acabam por ser reenviados para a China para reciclagem. Eu questiono-me se todo o plástico destinado a tratamento de reciclagem não acabe ele por ser colocado nos nossos oceanos. Eu tenho uma visão muito diferente da China do que o senhor, John Maudling. Para mim, eles são uma gigantesca praga pública.

John: Eu concordo em parte com o que diz, David. Certamente, muitas das exportações da China para o Ocidente são de baixa qualidade ou até mesmo falsificadas. Isso faz parte das reformas da propriedade intelectual que o governo Trump está a exigir. É um problema sério, como diz.

Eu discordaria que “quase tudo” que são exportações de China é de baixa qualidade. O governo tem estado agressivamente a forçar as empresas (estatais ou equivalentes) a fabricarem produtos mais sofisticados. Eles têm pouca escolha, na verdade. Outros países asiáticos e africanos estão rapidamente a tomar parte do mercado nos segmentos de fabrico relativamente simples, porque os seus custos de trabalho são muito mais baixos do que a China. Isso irá continuar.

Isso leva-me a uma questão que o meu amigo Andy Kessler levantou tão bem no Wall Street Journal na semana passada. Não é realmente desejável estar a querer produzir todos os produtos de baixo valor acrescentado nos EUA. Como ele disse:

Essa é a falácia da guerra tarifária de hoje com a China: destina-se a salvar empregos, mas acaba por destruir os melhores. Até agora, sente-se que todas as importações chinesas com exceção dos iPhones, é sujeita a tarifas em virtude do seção 301. Como o Presidente Trump disse em fevereiro, “Eu quero trazer a indústria siderúrgica de volta para o nosso país. Se para isso é necessário aplicar tarifas, apliquem-se então tarifas, de acordo? Talvez isso vá custar um pouco mais, mas vamos ter empregos”.

Mas nem todos os empregos são igualmente desejáveis. São os lucros, não as vendas, que criam riqueza. Devemos investir ao longo do tecido de produtividade. Empregos em nome do emprego, destrói a riqueza. Salvar Detroit foi um erro. Devem as sapatilhas Nike realmente serem fabricadas em Oregon?

Devíamos ler uma página do livro do PlayBook para Singapura de Lee Kuan Yew e pensar sobre que trabalhos e empresas servem melhor os interesses americanos. Singapura foi uma vez uma nação de cadeias de montagem e de fabricantes de T-shirt. Mas ao longo do tempo, Singapura avançou na cadeia alimentar das atividades empresariais e agora está entre os mais avançados.

Ironicamente, algum trabalho têxtil está a regressar aos EUA, mas é automatizado e traz relativamente poucos empregos. Formalmente, trabalhos de montagem e de fabrico de mão-de-obra intensiva estão a voltar para os EUA, mas os empregos, salários e lucros estão mais acima na escala.

Destino manifesto

Jeffrey Ho escreve:

Acabei o meu período de férias de um mês a viajar pela China. Foram 2500 quilómetros de viagem através da China ocidental. Os sinais de um boom económico estão visíveis por todo o lado. Embora ainda não haja cidades de nível 1 ou 2 na zona ocidental (somente duas cidades ocidentais, Lanzhou e Urumqi, são consideradas de nível 3), até mesmo as cidades pequenas de um milhão ou menos contam agora com estações de comboio ou de autocarros modernas e aeroportos que rivalizam ou ultrapassam mesmo o melhor do que há na América.

Uma fortíssima expansão da construção é evidente através da clássica Rota da seda. As cidades pequenas que não tinham visto a construção de um edifício novo desde há 50 a 100 anos estão agora a ser reconstruídas com os elevados condomínios modernos exatamente ao lado da parte velha de cada uma dessas cidades. O que eles mais têm nas províncias de Gansu, Qinghai, e Xinjiang é espaço. Xinjiang, a província mais ocidental, é 3 vezes a área da França.

Gansu, outrora uma zona muito atrasada e empobrecida, que era na sua maior parte deserto, é agora parte de uma China profunda verdejante com técnicas modernas de irrigação, com uma agricultura modernizada e em que se conseguiu regular e controlar as águas do Rio Amarelo. Para se ter uma melhor perspetiva, Lanzhou, a capital da província de Gansu, é o centro geográfico da China. Isto significa que com a engenharia moderna e o progresso na agricultura se transformou grande parte do deserto em terra produtiva, e que a China está agora a começar a concretizar o seu Destino Manifesto.

A viagem em comboio de alta velocidade foi quase uma monótona. Como passageiro não se poderia sentir que se estava a viajar a mais de 200 kms hora através do deserto exceto se olharmos para o indicador LED dentro da carruagem. Os outros passageiros estavam todos sentados nos seus lugares marcados sem ninguém deitado nos corredores, sem nenhum produto agrícola ou animais vivos, e o único incómodo talvez tenha sido o facto do condutor incessantemente vir certificar-se que a bagagem colocada na bagageira acima de nós estava perfeitamente no lugar. Se há um sinal de que a China alcançou a sua maior aspiração de ser uma Nação do Primeiro Mundo, é este indicador.

John: Obrigado Jeffrey pelo seu relato feito a partir da própria China. Primeiro deixe-me dizer que fiquei invejoso da sua viagem. Quem me dera poder ter um mês para poder fazer o mesmo. Ou talvez eu deva tomar a decisão e ter um mês para fazer o mesmo. Eu gosto especialmente do que diz sobre sobre as “pequenas” cidades de um milhão ou menos! Embora não tenha viajado nos comboios chineses, eu andei por toda a Europa de comboio. A velocidade e o conforto são quase inimagináveis para a maioria dos americanos. Não compreendo porque é que insistimos em andar de avião ou de automóvel para todo o lado. Eu prefiro, de longe, os comboios quando temos essa possibilidade disponível.

Mais interessante, talvez, é a ideia de que o desenvolvimento de Leste a Oeste da China espelha o “destino manifesto”, ideia que levou os Estados Unidos a expandir-se no mesmo sentido e por razões similares: terra abundante, barata e recursos naturais. Uma diferença é que nós tínhamos um oceano a esperar-nos do outro lado, enquanto a China tem montanhas e desertos. No entanto, os projetos inseridos no Projeto Uma Cintura, uma Estrada (One Belt, One Road) estão a abrir o lado ocidental da China de uma forma que é muito parecida com o facto de que o Pacífico deu os EUA novos mercados de exportação.

E como o Projeto Uma Cintura, uma Estrada se estende para os mercados europeus e, literalmente, para todo o continente eurasiano, este irá inevitavelmente atrair investimento, talentos empreendedores, e ainda mais construção e infraestruturas. O potencial de crescimento é assombroso.

__________________________

O autor: John Mauldin: reputado especialista financeiro, com mais de 30 anos de experiência em informação sobre risco financeiro. Editor da e-newsletter Thoughts from the Frontline, um dos primeiros boletins informativos semanais proporcionando aos investidores informação e orientação livre e imparcial. É presidente da Millennium Wave Advisors, empresa de consultoria de investimentos. É também presidente de Mauldin Economics. Autor de Bull’s Eye Investing: Targeting Real Returns in a Smoke and Mirrors Market, Endgame: The End of the Debt Supercycle and How It Changes Everything, Code Red: How to Protect Your Savings from the Coming Crisis, A Great Leap Forward?: Making Sense of China’s Cooling Credit Boom, Technological Transformation, High Stakes Rebalancing, Geopolitical Rise, & Reserve Currency Dream, Just One Thing: Twelve of the World’s Best Investors Reveal the One Strategy You Can’t Overlook e The Little Book of Bull’s Eye Investing: Finding Value, Generating Absolute Returns and Controlling Risk in Turbulent Markets.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/06/12/sobre-as-razoes-que-estao-na-base-dos-focos-de-tensao-entre-a-china-e-os-estados-unidos-18-um-saco-de-correspondencia-picante-sobre-a-china-por-john-mauldin/

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