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Ensaio sobre o desespero da classe média – I e II

Teorias sobre as Origens da Classe Média – I

A classe média é uma distinção social que surge em consequência da necessidade em mediar as rivalidades existentes entre tribos na disputa e defesa de territórios ao tempo da sedentarização, estabelecer a ordem no povoado e o cumprimento dos deveres acordados pelas comunidades, comercializar os produtos excedentes entre os diversos povoados, entre outras funções de intermediação, condição que a torna em uma classe abastada de condição nómada mas possuidora do conhecimento necessário no tempo, o que lhe transmitia capacidade de influência nas chefias tribais e por essa via o poder de mediar.

Esta é uma das várias teorias sobre a origem da classe média primitiva.

Outra teoria é a de que a classe média surge por alturas da idade média, entre a nobreza proprietária das terras e os camponeses que trabalhavam essas terras, para que gerisse o seu património e assim ficar, a nobreza, mais liberta para as parcimónias sociais, mas também, para de se distanciar os famintos e demais miseráveis. A classe média beneficiou desse exercício de poder intermédio e de gestão dos conflitos travando, ou promovendo, a sua eclosão, sendo remunerada de acordo com a função exercida.

A teoria corrente, curiosamente, é a teoria Marxista, de pendor sociopolítico, em que a classe média assume o perfil da pequena burguesia detentora de todos os serviços no burgo, numa sociedade organizada em moldes de “exploração do Homem pelo Homem” caraterística das sociedades capitalistas, mas também, do exercício das atividades intermédias entre o patrão e o assalariado, industrial ou rural. O proletariado.

Ou seja; nas cidades, nas indústrias, no campo, na organização política e social dos povos, é a classe média que determina as regras, sempre submissa e subserviente aos interesses da classe dominante. A Nobreza e o do Poder Financeiro. Ao longo de séculos!

O seu desempenho político na organização social garante-lhe privilégios e assegura-lhe continuidade e diferenciação de estatuto no ciclo dos interesses económicos.

É a classe média que controla todo o aparelho do Estado com predominância para o já referido setor económico, tanto no setor privado como no setor publico, em todos os domínios, ao longo dos tempos, sendo que a educação é o seu nicho de poder oculto que gere com mestria.

A Classe Média é subserviente – II

Desde sempre a classe dominante: a nobreza; a burguesia; o poder financeiro; se escudou por detrás de linhas avançadas para se proteger. Política, económica e militarmente. A classe média foi sempre essa linha avançada.

Alias, essa foi sempre a sua estratégia de controlo do poder económico, pela via da imposição da força, desde os primórdios em que a sedentarização como forma de vida se acentuou e a sua organização em sociedades o exigiu.

Na era dos grupos nómadas, mais tarde constituídos em tribos, o processo de combate entre grupos foi similar. Valia tudo. Imperava a “Lei da Selva”.

O chefe nunca era o “batedor”. O chefe estava sempre por detrás dos seus subordinados que comandavam os guerreiros de então, consoante os tempos. Esses sim, eram a frente que dava o corpo nas batalhas.

A classe média emerge neste contexto de poder oligárquico de comando territorial num segmento intermédio com várias classificações, tipificadas consoante a era. Situa-se entre a nobreza e os camponeses configurando uma “nova burguesia”.

Por alturas da “idade média”, era em que alicerça a sua influência de intermediação social, embora essa sua capacidade de intermediação social seja anterior e posterior a esse tempo de poderes diversos, acantonados territorialmente e de forma ditatorial.

A classe dominante apropriou-se ao longo dos séculos de todos os fluxos da riqueza mundial usando os camponeses mais os artesãos, ainda na era em que o trabalho era manual e a que sucedem os operários – proletariado industrial e rural – e o trabalho por espécie, a manufatura: o trabalho manual organizado em unidades fabris e grandes explorações agrárias, assumindo a classe média toda a área de serviços internos e periféricos. Tanto nos serviços administrativos e de articulação da produção como do comércio e transportes periféricos.

É a classe média que assume, após a revolução industrial, a liderança política global, com raras exceções, servindo também nesta vertente, de “rosto” do novo interesse internacional conjugado. O interesse financeiro.

Com o desenrolar dos acontecimentos ocorridos ao longo da História em que as alterações na organização social foram profundas, em todos os domínios, na senda da evolução e do progresso que se conjuga na modernidade da vida em comunidades que se fixaram nas cidades e também da elevação dos modelos políticos da organização social dos Estados, há avanço incomensurável na investigação cientifica que se traduz na melhoria significativa da qualidade de vida das pessoas, com custos e riscos.

Custos e riscos que já são quantificáveis naquilo que concerne aos impactos ambientais negativos, provocados, assim como as evidências e os riscos a advir:

  • aquecimento global;
  • inundações;
  • erosão;
  • chuvas acidas;
  • escassez dos recursos naturais;
  • contaminação dos recursos naturais indispensáveis à vida;
  • poluição;
  • poluição radioativa;
  • redução da biodiversidade;
  • entre muitas outras consequências.

Também nesta componente essencial para a vida a classe média, alojada no poder político e cargos de destaque na cadeia produtiva e de serviços, não preveniu, mesmo quando alertada pela comunidade científica, em permanência, e foi a principal responsável pelo descalabro nos desequilíbrios naturais ao não ter em conta os danos diretos, indiretos e colaterais causados, limitando-se a servir, com um único objetivo. O de que os seus subalternos gerassem o lucro possível.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ensaio-sobre-o-desespero-da-classe-media-i-e-ii/

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