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Quando a conservação da natureza dá cobertura às tecnociências mortíferas

Este artigo lança um muito importante alerta. As velhas multinacionais dos OGM e os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) empenham o seu imenso poder para fazer instalar em toda a parte a biologia sintética e se apossarem da terra e dos oceanos, “libertos” da agro-pecuária e da pesca. As implicações são enormes, gravosas e imprevisíveis. Mas as organizações de conservação da natureza, a começar pela IUCN, parecem já ter sido capturadas por esses potentados.

 Françoise Degert    06.Mar.20

Está confirmado: os conservacionistas, incluindo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), estendem o tapete vermelho à frente das piores tecnociências, em benefício das multinacionais e de investidores ricos

Conhecemos George Monbiot por seu amor pela natureza selvagem e pela sua aversão pela criação de animais, especialmente ovelhas, essa “praga lanosa que nos faz a gentileza de destruir o nosso campo” (). Este ex-jornalista da BBC escreve regularmente para o diário britânico The Guardian e continua a ser considerado um intelectual na comunidade da conservação da natureza. George Monbiot é um líder de opinião e seu artigo “Alimentos cultivados em laboratório vão em breve destruir a agricultura e salvar o planeta” () merece comentário.

Caldo de cultura transhumanista

Neste artigo, ele maravilha-se com alimentos sintéticos fabricados à base de terra, água e hidrogénio. Apreciou a espuma amarela, “esse caldo de cultura” que os técnicos de um laboratório de Helsínquia transformaram em crepe e que ele provou com prazer. “Tinha um gosto de crepe”, segundo ele. Graças às mais recentes descobertas da biologia, esta sopa primária serve também para fazer ovos, carne, peixe e pode mesmo extrair-se carboidratos dela. Aos seus olhos, este é o Santo Graal da alimentação humana. Não mais necessidade de agricultura e pecuária, a “comida sem terreno agrícola” salvará o planeta, a terra e os oceanos. A natureza selvagem poderá finalmente prosperar de novo na biosfera livre das actividades do mundo antigo. Enquanto espera que sejamos salvos pela tecnologia, ele recomenda prudentemente que os humanos se tornem vegetarianos (ou veganos, a coisa é algo imprecisa).

O seu artigo é interessante porque faz claramente a ligação entre a conservação da natureza e a ideologia transhumanista (a tecnologia transcenderá os humanos no sentido da sua imortalidade). Poderia também ter escrito o comunicado de imprensa da Technoprog (), uma associação francesa de transhumanistas, já que os dois escritos são muito semelhantes. Como George Monbiot, o Technoprog conclui pelos benefícios da alimentação sintética que “permitiriam limitar a criação e o abate de gado bovino, reduzir o sofrimento animal que lhe está associado, economizar água e áreas agrícolas ou reduzir o efeito de estufa”. Coincidência preocupante? Não, sabendo que essa ideologia, o transhumanismo, floresce nas start-up de Silicon Valley e nos GAFAM, que têm a ambição de mudar o mundo. O principal mérito de George Monbiot é dizer em voz alta o que está a ser tramado em voz baixa. E o que está a ser tramado entre os “Geeks” de Silicon Valley, as tecnociências, os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft) e suas fundações é nada menos que o desaparecimento dos agricultores e criadores de gado.

Mão-baixa sobre os recursos

A razão é simples. Os provedores de recursos naturais são a terra e os oceanos. Chegou a hora, para os gigantes das indústrias do agroalimentar, da pesca e outras, de os explorar directamente. À escala planetária, os mercados de retalho de alimentos representaram US $ 3 milhões de milhões e um rendimento de US $ 2,6 milhares de milhões para os agricultores em 2004 (a herdade atomizada). É suficiente para aguçar o apetite. Para meter a mão nesses mercados, esses gigantes e esses investidores ricos dispõem de uma vantagem de peso: a investigação tecnológica dos actores de Silicon Valley e outras start-up que florescendo um pouco por toda a parte do mundo.

Acto 1: os gigantes do agroalimentar fabricarão alimentos sintéticos para os humanos, como já fazem para animais com a ração para cães, por exemplo.
Acto 2: os mesmos estão prestes a substituir os agricultores e os criadores de gado por mão-de-obra barata, guiada pela “inteligência artificial” e as tecnologias de ponta em comunicação.
Acto 3: graças à biologia sintética, cultivaremos plantas nos nossos campos que se transformarão em borracha, chocolate ou outros e substituirão as matérias-primas industriais outrora importadas. Também se fala em tornar produtivas as terras incultas.

Os três actos estão em desenvolvimento, de forma desordenada, por vezes simultaneamente.
A fabricação do consentimento havia já começado nos anos 2000. Lembramos o calhamaço de de 500 páginas da FAO intitulado “A sombra projectada pela pecuária” (), publicada em francês em 2012 (2006 em inglês). Concluindo pela necessidade de pôr um fim à criação extensiva de gado acusada de ocupar 30% das terras do planeta, ela beneficiou da assistência esclarecida da IUCN e de investigadores do CIRAD, CIRAD que faz parte da IUCN. O seu ponto de vista foi retomado e é ainda compartilhado pelos partidários do re-selvajamento, também chamado “rewild”. A proliferação de associações de conservação da fauna selvagem, em particular dos grandes predadores, os movimentos veganos amplamente financiados por fundações americanas, há décadas que vêm manipulando a opinião pública contra a criação de animais e, principalmente, contra a criação extensiva. As motivações são hoje melhor compreendidas: lançar a confusão na alimentação humana, libertar as terras da produção de animais e da agricultura de alimentos, desenvolver novas matérias-primas graças às novas tecnologias.

Carne falsa para as classes populares

Bill Gates, Richard Branson, grandes multinacionais como Tyson Giants e Cargill, contribuíram com umas quantas dezenas de milhões de dólares em alguns anos para favorecer a criação do primeiro bife à base de proteínas in vitro. Este tipo de proteína era de particular interesse para a NASA. Em 2013, Mark Post e sua equipa (Holanda) apresentaram este “Frankenburger” em Londres. A sua produção em massa ainda requer alguns ajustes, mas o “Frankenburger” deve vir associar-se à fast food nos próximos dois anos ().

Actualmente, os bifes à base de vegetais estão em vantagem. Existem inúmeras start-ups que se lançaram nessa produção e os bifes veganos Beyond Meat (start-up norte-americana) estão nas prateleiras dos supermercados franceses desde 3 de Fevereiro. Também se encontram nos restaurantes de fast food Burger King e Mac Do, porque o alvo desse tipo de produto é uma clientela jovem, de classe média ou baixa. Os novos hábitos alimentares são moldados passo a passo, privilegiando as classes populares. E ainda não acabou: start-ups californianas congeminam há alguns anos uma dieta baseada em insectos… Porque as proteínas (), “esses tijolos do corpo constituem o nosso envelope: ossos, músculos, cabelos, unhas, pele, mas também os nossos mensageiros internos, como as hormonas, as enzimas ou os anticorpos do sistema imunitário, que nos defendem contra infecções. São essenciais para o homem porque ele não as sabe fabricar a partir de outros nutrientes, ao contrário dos glúcidos, por exemplo. Devem portanto ser obrigatoriamente fornecidas pela alimentação. Daí o novo mercado para proteínas de substituição estimado pelo JP Morgan em US $ 100 milhões de milhões em 15 anos para bifes à base de vegetais e US $ 140 milhões de milhões em 10 anos pelo Barclays para carne gerada a partir de células animais ().

Sabemos que alimentos ultraprocessados ​​multiplicam o risco de cancro. Até ao momento, nenhum estudo independente foi realizado sobre a segurança alimentar de bifes falsos. Temos que nos contentar com as garantias de George Monbiot sobre seus benefícios para a saúde e com o entusiasmo do Technoprog, que os vê como uma próxima etapa na adaptação dos seres humanos à biologia sintética, tala como fizeram ao longo de toda a sua história. …
Por detrás da ideologia transhumanista perfilam-se os apetites financeiros dos gigantes do agroalimentar e dos investidores ricos. George Monbiot e os transhumanistas ignoram que a alta tecnologia é o campo de jogos das multinacionais?

Uma agricultura subserviente à indústria

A alimentação sintética libertará terras para as matérias-primas industriais. Pneus em erva-leão, portas de carros de fibra de cânhamo ou até botas de trigo e não de borracha”: é este o programa da Ministra da Agricultura da Alemanha, Julia Klöckner, aprovada em 15 de Janeiro pelo Conselho de ministros (). De resto, não se fala já de agricultura, mas de “bioeconomia” (), a nova palavra de ordem lançada pela OCDE no início dos anos 2000 e adoptada pela Comissão Europeia. “A bioeconomia pretende substituir o petróleo pelo uso de recursos naturais ou bio-recursos, a fim de produzir bioenergia (biocombustíveis ou biocombustíveis), biomateriais (madeira, materiais compósitos) ou produtos de origem bio (bioplásticos, solventes, cosméticos, etc.) “. Ela generalizou-se a 60 países, incluindo a França. Sempre na vanguarda, o grupo AVRIL, anteriormente conhecido como SOFIPROTEOL, associou-se à Royal DSM em Julho passado para criar proteínas a partir de colza. O prefixo bio sugere já a orientação das dotações da próxima PAC (política agrícola comum) 2021-2027 para a agricultura industrial repleta de tecnologias. Obviamente, as áreas utilizadas para culturas alimentares e a criação de gado serão limitadas …

Projectada por e para a indústria, essa bioeconomia pretende ser competitiva antecipando os preços das matérias-primas. É aqui que entra em jogo o Big Data desenvolvido pelos GAFAM para planear as culturas em função do mercado. A Monsanto já não se contenta com vender pesticidas e fertilizantes. A multinacional comprou em 2013 “The Climate Corporation”, uma start-up fundada por ex-funcionários do Google, que realiza simulações climáticas de muito alta resolução. Estimado em US $ 20 milhões de milhões, o mercado de dados meteorológicos agrícolas revela-se suculento, sendo vendido a agricultores e grandes comerciantes como CARGILL e ADM (). Esta perspectiva chamou também a atenção da FNSEA, que vem experimentando a “agricultura conectada” desde 2014 em cerca de vinte explorações agrícolas (). Varrendo algumas preocupações, a presidente da FNSEA, Christiane Lambert, declarou em 26 de Outubro de 2016, em Angers, que “é necessário aceitar que a tecnologia digital nos permite agir mais rapidamente, com respostas mais adequadas e com menor impacto” ().

A robotização extrema

Em termos de impacto, as multinacionais têm a solução graças às nanotecnologias e à biossíntese. Assim, os Países Baixos decidiram reduzir a utilização de pesticidas usando-os “de maneira direcionada” (). “Quando são necessários, preferiremos substâncias de baixo risco”, explicou o governo holandês em comunicado em Abril de 2019. Uma das soluções adoptadas pelo governo é selecionar sementes particularmente resistentes usando novas técnicas de melhoramento de plantas (NTSP) modificando seu DNA. Qualificadas como organismos geneticamente modificados (OGM) pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), essas sementes caem no âmbito da directiva OGM. Neste momento ferve o debate sobre este ponto no seio da UE. A outra solução é “usar pesticidas de maneira inteligente, a fim de limitar as emissões ambientais e garantir uma produção agrícola de baixo resíduo”, segundo o comunicado. As multinacionais, como Monsanto-Bayer, Syngenta-ChemChina, propõem já a distribuição de pesticidas em nano cápsulas.

Na herdade de um futuro muito próximo, o agricultor verá a partir do seu computador portátil onde se encontram as ervas daninhas a ser removidas, as necessidades de água, fertilizantes ou pesticidas, os preços mundiais e a meteorologia. Guiará à distância o seu tractor robótico ou enviará para o terreno a sua mal paga mão-de-obra. Acabou-se o saber-fazer e a inteligência humana: o computador, os sistemas de informação geográfica (SIG), os sensores capazes de analisar as necessidades, espalhados pelos campos e ligados a um GPS (às vezes nano-sensores até para formar uma poeira inteligente), substitui-los-ão. A convergência das Nanotecnologias, Biotecnologias, Ciências da Informação e Ciências Cognitivas (NBIC) não poupa nem a criação de gado nem a piscicultura. Os nano-chips implantados nos animais detectam doenças, analisam cada um a nível genético para os selecionar, possibilitam a vigilância à distância do gado, privando-o durante longos períodos dos cuidados prestados pelos humanos.
Ajustando as nanopartículas das plantas cultivadas, poderá também produzir-se substitutos para várias matérias-primas industriais anteriormente importadas, como a borracha ou o chocolate. O que inevitavelmente arrastará uma queda nos preços mundiais de matérias-primas e produtos agrícolas.

Forçamento genético, uma arma de destruição em massa

A balbúrdia tecnológica vai muito além. A IUCN vê na biologia sintética e nas tecnologias da informação o meio para recriar espécies extintas, salvar espécies ameaçadas de extinção, estudá-las à distância … A farsa do regresso à Terra do mamute-lanoso torna possível ocultar programas incontroláveis ​​de manipulação genética projectados pelo “Gene Drive” (GD), também dito “orientação genética” ou, como os falantes de francês lhe chamam, “forçamento genético”, enquanto a IUCN fala de “Impulso genético”. É obtido seccionando o DNA, uma técnica inventada em 2012 por duas investigadoras, uma francesa, Emmanuelle Charpentier e uma norte-americana, Jennifer Doudna. Sendo mais rápida, precisa e barata, a técnica da “tesoura de corte de DNA”, também chamada CRISPR Cas9, espalhou-se como um rastilho de pólvora. Graças ao forçamento genético, a modificação de um gene torna o indivíduo modificado reproduzível. Ele interage com organismos vivos não modificados. No entanto, “essa mutação auto-amplificadora auto-replica-se e espalha-se mais rapidamente do que pela genética habitual”. “Se com os OGM clássicos a dispersão dos genes modificados devia ser evitada (…), com esses novos organismos geneticamente modificados a dispersão tornar-se-á a estratégia desejada”. O Tarjet Malaria Project, que reúne um consórcio de universidades e centros de investigação financiados em grande parte pela Fundação Bill e Melinda Gates, ambiciona modificar geneticamente os anófelis (mosquitos) para que eles deixem de ser portadores da malária. Este projecto foi experimentado sem sucesso no Brasil e nas Ilhas Cayman, onde o governo lhe pôs fim. A Fundação obviamente voltou-se para África, em particular para Burkina Faso, onde o Tarjet Malaria Project foi muito mal recebido pelas populações envolvidas, a quem fora esquecido pedir consentimento.

Porque as consequências de tal manipulação são imprevisíveis. Se se elimina um mosquito vector da malária, uma outra espécie poderá substituí-lo. Além disso, esses organismos modificados podem ser usados ​​para fins militares ao dispersar-se. O primeiro a accionar o alarme foi o chefe da CIA, James Clapper (). Num relatório desclassificado de Fevereiro de 2016 ele coloca o CRISPR Cas9 na categoria das “armas de destruição em massa”, no mesmo plano do “programa nuclear norte-coreano, das armas químicas sírias e dos mísseis russos!” ”
Mas os projectos de forçamento genético são financiados pela Agência de investigação Militar do Governo dos Estados Unidos (DARPA, Defence Advanced Research Projects Agency), a Fundação Bill e Melinda Gates, The Tata Trusts e o Open Philanthropy Project, apoiado pelo Facebook.

O IUCN, cavalo de Troia do ultraliberalismo e dos GAFAM

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada de 13 a 29 de Novembro de 2018 em Sharm el Sheikh (COP 14), colocou a força genética na ordem do dia. Cento e cinquenta ONG’s reclamaram uma moratória. Foi-lhes recusada. A CDB contentou-se com apelar aos governos que avaliem eles próprios os riscos e obtenham o consentimento das populações locais antes de lançar organismos exterminadores. Deve dizer-se que a Fundação Gates investiu US $ 1,6 milhão numa agência de relações públicas, a Emerging Ag Inc, para exercer influência sobre a CDB. Essa agência recorreu a cientistas aderentes à causa e ao seu financiamento, cientistas cuja reputação e trabalho haviam empolados por agências de comunicação.

Bill Gates permanece empenhado em ver forçamento genético ratificado pela CBD, que se reunirá em Kunming (China) em Outubro próximo. Será a COP 15. A IUCN envolveu-se, sem que a agência de relações públicas tivesse de recorrer a cientistas amigos. Reuniu um grupo de trabalho para embelezar um relatório preparatório sobre a biologia sintética. Acontece que o grupo de trabalho que redigiu o relatório era maioritariamente composto por pessoas envolvidas no forçamento genético, muito frequentemente em evidentes conflitos de interesse. Obrigado aos canadenses do grupo ETC por alertarem o mundo sobre a composição deste grupo de trabalho. O seu documento, “Genetic Forcing Under Influence” (), fornece um histórico das decisões da IUCN e apresenta em ordem alfabética os autores favoráveis a esta nova tecnologia.
Deveríamos surpreender-nos? Não é a primeira vez que a IUCN, que prepara as convenções internacionais sobre o ambiente e os seus protocolos, estende o tapete vermelho diante das multinacionais e dos investidores ricos. Lembremos que a CDB criada em 1992, no Rio, inaugurou a privatização dos viventes por meio da propriedade intelectual estabelecida sobre a fauna, a flora e o know-how. Ou seja, dois anos antes do acordo sobre a propriedade intelectual (TRIPS), assinado em 1994 em Marrakech, com a criação da OMC (Organização Mundial do Comércio). Mais recentemente, a IUCN assinou em 2014 uma parceria com o grupo suíço Syngenta no momento em que publicava a sua avaliação sobre uma espécie de borboleta ameaçada por pesticidas. E, como por acaso, as soluções propostas pela IUCN eram idênticas às do grupo suíço. Grupo se tornou Syngenta-ChemChina desde a sua aquisição em 2017 por uma empresa chinesa.

No seu dossier temático sobre biologia sintética, datado de Maio de 2019 (), a IUCN contenta-se com propor, nas próximas negociações da CDB, “uma avaliação caso a caso”, por cientistas, governos, sociedade civil e organizações dos povos autóctones. A moratória não foi adoptada, Bill Gates está certamente aliviado. Essa proposta deveria contar com o apoio da China, onde será realizada a próxima conferência de Estados. Tanto mais que será apresentada pelo Presidente da IUCN, ZHANG Xinsheng, também chinês.

Este artigo não poderia ter sido feito sem o alerta dado pelo “Grupo ETC” sobre forçamento genético e o trabalho de investigação dessa associação canadiana. Fundado por Pat Mooney, o denunciante da geoengenharia, o grupo ETC é agora liderado por Jim Thomas. Aconselha-se vivamente a leitura dos seus relatórios, em particular “A herdade atomizada”

Site do Grupo ETC: https://www.etcgroup.org/fr

GLOSSÁRIO:
Biologia sintética: Enquanto a engenharia genética não envolve senão um ou alguns genes de cada vez, a biologia sintética cria organismos totalmente novos. Em 2003, J. Craig Venter e sua equipa de investigadores fabricou em duas semanas com sucesso um cromossoma totalmente sintético. Em 2008, o mesmo instituto anunciou a criação do primeiro genoma bacteriano dando um importante passo em direcção à vida artificial. A biologia sintética pode também apresentar sérios riscos imprevisíveis, como a criação de organismos nocivos. Uma nova arma, de algum modo. (de Conservation pour une ère nouvelle. Jeffrey A. McNeely, Susan A. Mainka, IUCN, 2009).

Conservacionistas: aqueles que querem conservar a natureza selvagem. As suas principais associações são a IUCN, o WWF, o ASPAS, a LPO etc …
Forçamento genético: a criação de organismos geneticamente modificados capazes de se reproduzir e interagir com o mundo real ou selvagem (GDO: Gene Drive Organism). Essa faculdade diferencia-os dos OGM. “Uma vez que o forçamento genético seja liberto da garrafa, ninguém descobriu realmente como voltar a introduzi-lo lá dentro”.

Nanotecnologias: manipulação da matéria à escala dos átomos e das moléculas (1 nanômetro, nm = 1 bilionésimo de metro). Não os vemos nos alimentos porque não são rotulados como tal (sumo de laranja, doces, etc …). Segundo Vyvian Howard, fundadora e redactora em chefe do Journal of nanotoxicology, o dimensão reduzida das nanopartículas aumenta sua toxicidade, porque os nanos se movem mais facilmente no organismo atravessando membranas protectoras (pele, barreira hematoencefálica, placenta).

Transhumanismo: um movimento cultural e intelectual internacional que defende o uso da ciência e da tecnologia para melhorar a condição humana, nomeadamente aumentando as capacidades físicas e mentais dos seres humanos (segundo a Wikipedia).

Para aprofundar:
- Silicon Valley a serviço do transhumanismo (por Cincinnatus) https: //cincivox.wordpress.com/2018/02/12/la-silicon-valley-au-service …
- A impostura do transhumanismo (de Danièle Tritsch e Jean Mariani)
- Google ou a revolução transhumanista via Big Data (por Eric Delbecque)
E, claro, o site da associação transhumanista francesa Technoprog

 

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

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Ambiente, Alimentação, TIC

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