O PANorama actual

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                                                                            10 JUNHO 2019

E assim de repente, o PAN começou a existir no léxico dos “opinion makers”. Bastou ter triplicado os votos, eleger um Eurodeputado e um “monstro” ganhou vida por estes “opinadeiros”, como um ser vivo orgânico criado unicamente para suprir as necessidades mais profundas de quem molda e tolda a opinião de outrem. Parece que ontem não existia partido e hoje, é uma ameaça para o país.” Pedro Neves - Porta voz Regional do PAN

 
Fizemos história em 2015 ao quebrar o jejum democrático de cerca de 20 anos da Assembleia da República, elegendo um deputado, e voltámos a fazê-la em 2019 com a entrada de um eurodeputado. Mas mais importante que a entrada é o feito de o fazermos integrando a família dos verdes europeus num período que urge declarar o estado de emergência climática não só em Portugal como na Europa. Somos assim a 4ª força política da Europa com reais capacidades de influenciar os próximos 5 anos da União Europeia isto porque as duas grandes famílias europeias, os Socialistas e os Sociais Democratas, não detêm a maioria necessária para governar a Europa.
Recordando, no dia 26 de maio, perto das 23:53, boa parte de Portugal acabou por reparar no PAN. Com quase 170.000 votos, ou seja 5,1% da votação nacional, cimentámo-nos como a sexta força política do país e em vários municípios ficámos mesmo à frente do CDS ou da CDU. Em Cascais, por exemplo, obtivemos 7,58% ou seja 5.199 dos votos.
Depois desta “surpresa” uma série de politólogos, jornalistas e comentadores não puderam ignorar mais o PAN. Porém algumas destas análises pecaram pela simplicidade, desconsideração ou mesmo indução em erro de modo pouco ético. Obviamente que o escrutínio é positivo, e dele não temos qualquer receio, mas as narrativas que se vão injectando na sociedade, baseadas em falsos pressupostos, a bem da verdade, vão sendo desmontadas com alguma facilidade como se pode verificar no polígrafo. Mas importa dizer que afirmações como “Quem vota no PAN são os urbano-depressivos que comem alface”, por um lado é desconsiderar um fenómeno social e psicológico grave, o da depressão, e por outro um desrespeito pelos eleitores e pela democracia. Outra incidência infeliz, para não qualificar de outro modo, é gozarem com a Língua Gestual Portuguesa, quando brincam com o gesto feito com os braços na noite da eleição porque o mesmo significa “PAN” para a comunidade de LGP. Este desrespeito, não por humoristas mas por politólogos do Status Quo, demonstra a seriedade com que se comenta a política, em alguns meios, no país. Como diz, e bem, o Jornalista Nuno  Aguiar ainda não existem dados sobre consumo de legumes para cruzar com os votos do PAN” mas os números e as sondagens à boca das urnas permitiram compreender que o PAN neste momento é já a terceira força política dos jovens votantes até aos 25 anos depois do PS e do PSD.
É natural que para os mais distraídos seja fácil e conveniente associar o PAN única e exclusivamente à causa animal (apesar do nome do partido ser PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA). Isto deve-se em grande parte aos meios de comunicação social tradicionais que relevam propostas sobre direitos dos animais, nomeadamente que englobem touradas, animais de companhia ou de pecuária, mas desconsideram quando se fala de direitos sociais, laborais e humanos, por exemplo. Isto verifica-se há quatro anos na generalidade dos debates quinzenais onde raramente somos mencionados e em várias propostas como foi o caso da apresentação de um estatuto de cuidador informal e de medidas para combater o desperdício alimentar (curiosamente chumbada por todos os restantes partidos). 
Apesar disso já há algum tempo que os meios de comunicação social davam alguma atenção às propostas ambientais do PAN que agora vários comentadores tentam, em vão, afirmar que ou não existem ou que não são relevantes, conotando o partido como mero animalista. Por outro lado, e justiça seja feita, outros tantos fazem investigação precisa e facilmente encontram informação. Falo, por exemplo do politólogo José Adelino Maltez que afirma e bem que A ação do PAN está longe de ser só sobre animais e isso provam-no as propostas que tem feito, umas aprovadas outras não. "O PAN é um partido europeísta, ecologista e de causas" e a sua chegada ao Parlamento Europeu era previsível.
 
Mais, é relevante também aplaudir a isenção da análise política dos resultados eleitorais do professor Freitas do Amaral, do sociólogo António Barreto, bem como o reconhecimento do Presidente da República da ascensão do PAN como um partido ecologista.
Uma coisa é certa o PAN não é uma moda e veio para ficar doa a quem doer.
Sabemos que a mudança de paradigma é sempre difícil e pouco aceite mas como disse Mahatma Gandhi: Primeiro ignoram-te, depois gozam-te, depois atacam-te, e então vencemos”.
*DEPUTADA MUNICIPAL DO PAN

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