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Rui Frade Ribeiro | A Mobilidade, Prioridade ou Moda?

(...) "Não é difícil perceber que se a oferta de transportes coletivos aumentar e se o preço diminuir, é bem possível que se assista a um regresso ao transporte público!"

 

Rui Frade Ribeiro A mobilidade tem estado no centro das atenções especialmente na zona da grande Lisboa onde o início de uma revolução foi efetuada ao mexer no preço e na tipologia dos passes sociais de transporte.

A área metropolitana de Lisboa é um caos em termos de mobilidade.

Movimentos pendulares diários dos concelhos periféricos para Lisboa envolvendo mais de 2 milhões de pessoas, feito em grande medida de carro, tem custos brutais para a economia, a qualidade de vida dos munícipes e a qualidade ambiental.

É verdade que as opções tomadas nos idos anos 90 de desinvestir no caminho de ferro e investir na rodovia, ao ponto de hoje sermos apontados como um dos países europeus com melhor sistema rodoviário, foi uma péssima opção que hoje todos pagamos. Pagamos nas filas intermináveis de carros para e de Lisboa, pagamos a dependência do carro e do elevado custo dos combustíveis, pagamos com um contributo negativo para a qualidade ambiental nas áreas metropolitanas com a emissão de gases com efeito de estufa.

Este desinvestimento na ferrovia retirou milhares de utentes dos comboios, retirou dezenas de comboios aumentando os tempos de viagem, nomeadamente na linha de Cascais onde esta realidade é gritante, ou o exemplo da linha do Oeste.

Mas o problema não se confinou à tipologia do transporte. As concessionárias dos transportes coletivos rodoviários são, em geral, pouco preocupadas com o serviço público limitando-se a gerir o negócio do transporte como se de mercadorias se tratasse.

O exemplo da Scotturb é um exemplo paradigmático do que acabo de afirmar.

Cascais e Sintra têm um concessionário, a Scotturb, que se está nas tintas para a qualidade de serviço que presta, e como ninguém manda, entendem que podem fazer o que quiserem e como quiserem. Se um utente fica à espera duas horas de um transporte, assistindo à passagem de vários autocarros repletos que não param, este parece ser um problema exclusivo do utente…

Mas não devia ser!

Mas finalmente tudo isto está a mudar. Abertura de novos concursos para a concessão de transportes coletivos, o estudo de novos meios e processos, como assistimos em Sintra e em Cascais, podem alterar significativamente a mobilidade dos cidadãos…ou não!

Porquê a dúvida?

Mantendo-me a olhar especialmente para Cascais (onde nasci e onde sempre desenvolvi a minha cidadania) e Sintra (onde trabalho) vejo dois pesos e muitas medidas que importa escalpelizar.

Sintra está mais atrasada em termos de implementação de novidades, mas deu já alguns sinais que são prometedores. Percebeu que o problema estacionamento gratuito junto às estações de caminho de ferro é preponderante para a otimização do recurso a este transporte.

O munícipe, depois de ter sido “obrigado” a utilizar o carro, vai querer sempre comparar o custo e o benefício de cada uma das opções disponíveis…

Não é difícil perceber que se a oferta de transportes coletivos aumentar e se o preço diminuir, é bem possível que se assista a um regresso ao transporte público!

Fala-se em criar sistemas de transporte adaptados às necessidades das pessoas e à dimensão das localidades. No fundo, parece que a mobilidade em Sintra está a ser pensada e planeada colocando o utente e as suas necessidades no centro da questão.

Já Cascais é um caso bem diferente.

Sem estudos que identificassem as necessidades reais, a Câmara avançou à pressa, imediatamente antes das últimas eleições autárquicas, para a criação do Mobicascais, um serviço de transporte, a funcionar com minibus que continuam a circular completamente às moscas.

Ora tal pode ter uma de duas justificações: ou a oferta tem pouco a haver com a procura de transporte, ou o preço implementado não é suficientemente atrativo para fazer mudar as opções dos munícipes.

Com uma mega operação de marketing associada, há muito gato vendido por lebre.

Um exemplo caricato é a oferta de estacionamento junto às estações para quem adira ao Mobicascais. Infelizmente nem em letras pequeninas aparece que, no caso da estação de Cascais, são 8 ou nove lugares disponíveis para este efeito. Desconfio que há 8 munícipes de Cascais que dormem dentro do carro no parque de estacionamento para não perderem o lugar…

Porque se aproximam novas eleições, e porque avançou a revolução dos preços dos passes sociais metropolitanos, Cascais e o seu Presidente já vieram anunciar que o Mobicascais vai passar a ser gratuito… Se o resultado final for semelhante ao estacionamento grátis em Cascais…

Se olharmos para as grandes e médias cidades europeias, todas têm sistemas de transporte coletivos bem organizados e com capacidade para responder às necessidades dos cidadãos que ali trabalham. Lisboa, e a sua área metropolitana é paupérrima nesta matéria.

Fica-nos uma dúvida – este passo agora dado de reajustar e tornar atrativo o preço dos transportes não pode estar dissociado de uma efetiva melhoria dos transportes disponibilizados, em número e em conforto, e o pior que pode acontecer é aumentar-se a procura e a oferta não acompanhar esse aumento.

O exemplo de Cascais, pretende alardear um vanguardismo que é bom para fazer notícias e participações em seminários, mas que continua desajustado da vontade do cidadão e, portanto, pouco utilizado.

Sobre Sintra, o futuro próximo dirá se são confirmadas as boas expectativas que parecem existir.

Estejamos atentos aos próximos desenvolvimentos.

Rui Frade Ribeiro

Ver o original na seguinte ligação::

https://www.google.com/url?rct=j&sa=t&url=https://sintranoticias.pt/2019/04/16/rui-frade-ribeiro-a-mobilidade-prioridade-ou-moda/&ct=ga&cd=CAIyHGU4YTY4OWNjMDUwODQ5NGI6Y29tOnB0OlBUOlI&usg=AFQjCNHBeqpX28E8I7ZPBQoidm3mB2L3xA

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