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O petróleo, o Médio Oriente e a guerra civil imperialista

José Goulão

Um Médio Oriente em pé de guerra é uma alternativa cultivada para afectar regimes e governos que não sejam submissos a Washington ou que tenham a ousadia de negociar hidrocarbonetos em outras moedas que não seja o dólar.


Estimado leitor, se lhe disserem que os Estados Unidos são auto-suficientes em hidrocarbonetos e não precisam do petróleo do Médio Oriente, não acredite.

A guerra sem fim montada pelo Pentágono através de toda a região e algumas extensões geográficas tem a ver com fontes de energia, o controlo das suas reservas, produção e distribuição. Portanto, o que tem acontecido nas últimas semanas, por exemplo a simultaneidade da desestabilização do Iraque e do Irão e a nova fase da guerra na Líbia tem, e muito, a ver com isso.


Outra coisa em que o leitor não deve acreditar é nas promessas do poder globalizante de que vai reduzir o consumo de combustíveis fósseis para combater o aquecimento global e cumprir as metas da redução de emissões de dióxido de carbono. Nunca, como agora, esteve inventariada uma tão elevada quantidade de reservas de petróleo e gás natural. E serão para consumir enquanto existirem, até à última gota: o capitalismo alimenta-se delas. Quem as dominar controla o mundo – um conceito básico de qualquer geopolítica e geoestratégia bem actuais.


O que se passa no Médio Oriente tem, portanto, a ver também com hidrocarbonetos. Hoje como ontem.


A era do petróleo e do gás de xisto, caracterizada pela extracção através do método de fractura hidráulica (fracking) extremamente agressivo para o meio ambiente, alterou o ranking da produção de hidrocarbonetos e terá conduzido os Estados Unidos ao primeiro lugar entre os produtores. Segundo especialistas, porém, o período áureo dessa forma de exploração já terá sido ultrapassado na América do Norte, além de ser mais dispendiosa do que a efectuada a partir de reservas mais convencionais. Além disso, em termos norte-americanos, trata-se de mais um negócio com diferentes valências: o petróleo e o gás de xisto, mais caros, são para exportar – de preferência para os aliados europeus e de outras regiões – servindo para tentar combater produções rivais, sobretudo as russas, mesmo que através de manipulações grosseira das «leis do mercado»; e, por outro lado, os Estados Unidos importam hidrocarbonetos mais baratos de regiões onde mantêm domínio e controlo, entre elas o Médio Oriente.


Domínio e controlo não se exercem apenas sobre os...

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  • Ladrões de Bicicletas (José Gusmão)
  • Portugal

Quem aumentou os impostos sobre quem?

A direita e ultra-direita têm uma campanha montada há já alguns anos sobre o aumento dos impostos, que tem contado com o apoio de alguma comunicação social, poucas verdades, muitas mentiras e toda a manipulação. Há vários debates dentro dessa questão, que têm de ser feitos com dados fidedignos.
Todos os dados que aqui utilizarei são da Comissão Europeia e podem ser confirmados aqui: https://ec.europa.eu/economy_finance/ameco/user/serie/SelectSerie.cfm . Vamos, então, por partes:

1. O que é a carga fiscal?

A carga fiscal é um indicador relativo que resulta da racio entre receita fiscal e PIB. Este esclarecimento é importante porque a direita frequentemente utiliza a receita fiscal nominal para inflacionar (literalmente) o indicador. A relação com o PIB é fundamental porque a receita fiscal tem de ser obviamente relacionada com a dimensão da economia.

2. Quem aumentou a carga fiscal?
 
 
 
A carga fiscal aumentou continuamente entre 2010 e 2019 (gráfico 1), com excepção dos anos de 2012 (PSD-CDS) e 2016 (Geringonça), mas os ritmos e as causas foram muito diferentes. Em 2011, o orçamento retificativo apresentado por Passos Coelho representou o primeiro grande aumento de impostos, que veio a ser superado pelo famoso "enorme aumento de impostos" aprovado por Vítor Gaspar para 2013. Comparando os balanços gerais dos dois governos (gráfico 2), verificamos que o governo das direitas aumentou a carga fiscal em 4 pontos percentuais do PIB enquanto o governo do...

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A captura da ADSE pelos grandes grupos privados de saúde

A situação da ADSE, a transformação da ADSE em mútua como defende a Ministra Alexandra Leitão e a rápida captura da ADSE pelos grandes grupos privados de saúde

 

 

Respondendo o dever que sinto, como membro do Conselho diretivo da A DSE eleito pelos representantes dos beneficiários no Conselho Geral de Supervisão, de informar os beneficiários, elaborei esta informação onde analiso, por um lado, a situação atual da ADSE mostrando que as dificuldades importantes que enfrenta atualmente a ADSE, com consequências negativas para os beneficiários (elevados atrasos no pagamento dos reembolsos no Regime livre, falta de convenções com prestadores para tornar mais fácil o acesso a cuidados de saúde, etc.) não resultam da falta de dinheiro (a ADSE tem aplicados a prazo no IGCP 350 milhões €) mas sim de atos de gestão das representantes do governo no Conselho Diretivo da ADSE e do próprio governo.

E, por outro lado, procuro esclarecer o que aconteceria à ADSE se fosse transformada numa mútua como defende a ministra Alexandra Leitão do atual governo que, conjuntamente com o ministro Mário Centeno tutelam atualmente a ADSE, mostrando que ela seria rapidamente capturada pelos grandes grupos privados de saúde (LUZ, JMS, LUSÍADAS, TROFA, GRUPO HPA, SANFIL).

Mesmo que não seja trabalhador da Função Pública agradeço a sua ajuda para que esta informação chegue ao maior número de trabalhadores e aposentados das Administrações Públicas e aos seu...

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Assassínio de Soleimani: o que pode acontecer a seguir?

General Soleimani.
por The Saker

Primeiro, um rápido resumo da situação

Precisamos começar por resumir rapidamente o que acaba de acontecer:

1. O general Soleimani estava em Bagdad numa visita oficial para acompanhar o funeral dos iraquianos assassinados pelos EUA no dia 29
2. Os EUA agora assumiram oficialmente a responsabilidade por este assassinato
3. O Supremo Líder iraniano, aiatola Ali Khamenei declarou oficialmente que "Contudo, uma severa retaliação aguarda os criminosos que pintaram as suas mãos corruptas com o sangue dele e dos seus companheiros martirizados ontem à noite"

Os EUA colocam-se a si próprios – e ao Irão – em apuros

Os iranianos simplesmente não tiveram outra escolha senão declarar que haverá uma retaliação. Existem alguns problemas básicos com o que acontece a seguir. Vamos examiná-los um por um:

1. Primeiro, é bastante óbvio a partir dos disparates da agitação de bandeiras nos EUA que o Tio Shmuel [1] está "bloqueado e embriagado" por acções e reacções ainda mais machas. De facto, o secretário Esper basicamente descreveu os EUA no que eu chamaria de uma "super-reacção de encurralamento" ao declarar que "o jogo mudou" e que os EUA tomarão "acção antecipativa" sempre que se sintam ameaçados. Portanto, os iranianos têm de assumir que os EUA super-reagirão a qualquer coisas que mesmo remotamente se pareça a uma retaliação iraniana.

2. Não menos alarmante é que isto cria as condições absolutamente perfeitas para uma falsa bandeira como o "

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Os piratas que vestem Benetton: o Corso Liberal

A denominada crise da direita portuguesa tem possibilitado o esquecimento da crise da social-democracia em geral, designadamente da europeia e até da portuguesa. Na atualidade mediática assiste-se apenas ao folhetim das disputas de liderança no PSD/PPD e no CDS/PP quando o debate ideológico na sociedade deveria ser bem mais consistente, profundo e esclarecedor.

Teresa Gago - 29 Outubro, 2019

 

Se não quiserem falar de capitalismo,
nada terão a dizer sobre fascismo.

Horkheimer, 1938

A denominada crise da direita portuguesa tem possibilitado o esquecimento da crise da social-democracia em geral, designadamente da europeia e até da portuguesa. Na atualidade mediática assiste-se apenas ao folhetim das disputas de liderança no PSD/PPD e no CDS/PP quando o debate ideológico na sociedade deveria ser bem mais consistente, profundo e esclarecedor.

Se por um lado a eleição de André Ventura pelo Chega provocou uma perplexidade enojada que dominou as críticas dos comentadores políticos parece que, por outro lado, a eleição do deputado da Iniciativa Liberal gozou de um “branqueamento” conivente com uma “aceitação normalizadora”. Apesar de ser compreensível a exacerbação das reações ao programa da ultra-direita social protagonizada pelo Chega, é deveras preocupante que o mesmo não aconteça quando se “… franqueia[m] as portas à chegada” da ultra-direita económica da Iniciativa Liberal.

A atribuição dos lugares no Parlamento é um fait-divers...

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PPP’s custaram ao Estado 12 mil milhões entre 2011 e 2018

European Parliament / Flickr

Vitor Caldeira, presidente do Tribunal de Contas

As parcerias público-privadas (PPP) custaram ao Estado quase 12 mil milhões de euros entre 2011 e 2018, segundo o parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado de 2018, divulgado na sexta-feira.

 

No documento, o Tribunal de Contas indica que os encargos líquidos com as PPP’s pagos pelos parceiros públicos ascenderam a 11.960 milhões de euros de 2011 a 2018 e considera ainda que há falta de informação que explique a “desproporção” entre os encargos para o Estado e o investimento dos parceiros privados, noticiou a agência Lusa.

“Subsiste a falta de dados para contextualizar e explicar a desproporção entre os encargos líquidos das PPP pagos pelos parceiros públicos (11.960 milhões de euros, de 2011 a 2018, 1.678 milhões de euros em 2018) e o investimento realizado pelos parceiros privados (3.536 milhões de euros, de 2011 a 2018, 137 milhões de euros em 2018), já incluindo o investimento realizado no setor aeroportuário desde 2013”, lê-se no parecer.

O Tribunal de Contas diz ainda que estes encargos se referem a apenas a 35 parcerias, isto “apesar de a Unidade Técnica de Acompanhamento de Projetos divulgar informação sobre mais 58 contratos de natureza concessória”. O Estado tem parcerias com privados em áreas como a saúde (hospitais), rodovias (autoestradas), ferrovias ou aeroportos.

Na conferência de imprensa de apresentação do parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral...

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A campanha

(Daniel Oliveira, in Expresso, 13/12/2019)

Daniel Oliveira

 

Quem veja os telejornais conclui que temos o sistema de saúde do Burkina Faso. Quem leia o recente relatório da OCDE fica baralhado. Temos uma esperança de vida superior à média europeia, que aumentou, entre 2000 e 2017, cinco anos. Sobretudo por causa da redução da taxa de mortalidade por AVC e doenças cardíacas. Estamos melhor do que a média europeia na mortalidade por doenças evitáveis e tratáveis, temos uma baixa taxa de hospitalização evitável, excelentes taxas de vacinação e, ao contrário de verdades feitas, os tempos de espera para cirurgias programadas estão de novo a melhorar e continuam inferiores aos da média da OCDE.

Enquanto a economia nos deixa na cauda da Europa, temos um SNS de qualidade e com resultados acima da média e mais barato do que os outros. Fazemos melhor com menos. Mas o SNS é, com o sistema de pensões, demasiado apetitoso para se manter no público. É o último reduto do Estado social. O horizonte da campanha contra ele é o sistema que os EUA têm, onde a esperança média de vida caiu por três anos consecutivos.

As despesas de saúde per capita continuam 30% abaixo da média europeia, mas têm aumentado, o que demonstra que o sistema não é insustentável. Mas a despesa pública em saúde é menos de dois terços da média da OCDE, sendo o único país da UE em que é inferior a 2010. A comparticipação pública está abaixo da média europeia, o que tem sido compensado por...

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Portugal | Corrupção e democracia

 
 
João Ramos de Almeida [*]
 
Temos de ser claros. A corrupção medra com:

1) o financiamento privado dos partidos;

2) a existência, permanência e manutenção defendida de uma liberalização de movimentos de capitais, nomeadamente para offshores;

3) a ausência de mecanismos de transparência eficaz das decisões políticas;

4) a promiscuidade entre reguladores e regulados, nomeadamente pela manutenção legal de portas giratórias entre eles, que, nalguns casos, se pode traduzir, por uma sintonia de opiniões (veja-se o caso do ministro Siza Vieira) ou num comportamento que se assemelha a uma defesa superstrutural de quem, na realidade, governa ;

5) a opacidade do sistema financeiro, que obrigatoriamente participa na criação de soluções que agravam a opacidade das transferências financeiras.

6) a incapacidade dos organismos públicos de fiscalização e de acesso a informação útil ou mesmo acesso aos procedimentos de decisão política;

7) enfim, a opacidade das decisões políticas, sem os devidos estudos de impactos diversificados de que as PPP são um exemplo crucial (veja-se a recente decisão política de reduzir essa avaliação quanto às PPP);

 
8) a ausência de uma Função Pública consistentemente organizada na defesa e preservação do Bem Público e colectivo, com estruturas sólidas, com técnicos conhecedores e experimentados, devidamente remunerados e com meios eficazes, cuja ausência deixa o Estado desarmado;

9) o outsourcing legislativo, entregue a escritórios de advogados, em completo conflito de interesses com a defesa dos seus clientes e que constitui uma fonte integrada de litigância de má-fé, em que o produtor da legislação conhece em exclusivo os alçapões legais que ele próprio criou , beneficiando privadamente desse conhecimento;

10) a ausência de um sistema fiscal que seja eficazmente progressivo;

11) a ausência de solidariedade de todos os organismos públicos no combate aos crimes de fraude e evasão fiscais (veja-se a falta de solidariedade do Banco de Portugal na comunicação de crimes fiscais);

12) e, finalmente, a ausência de meios concedidos a quem investiga os crimes de colarinho branco.

Isto, entre outros elementos.

Leia-se de novo o livro escrito por Maria José Morgado e José Vegar – O inimigo sem rosto – ou o mais recente livro de Eduardo Dâmaso – Corrupção .

Enfim, tudo o que já se sabe sobre corrupção ficou a milhas, ao largo, do que deveria ser decidido e, sequer, de ser uma preocupação.

E agora, prefere-se preguiçosamente a delação premiada, com muitos elementos de duvidosa constitucionalidade e de extremamente perigosa utilização do ponto de vista político e do funcionamento da democracia. Se os organismos públicos não conseguem investigar a corrupção, como vão confirmar as delações? E como vão escapar à orientação da investigação sobre a corrupção feita pelos corruptos e não pelo olhar estratégico dos defensores da democracia?

Vai correr mal, muito mal. Até para o PS! Ou para o futuro do PS.

 
10/Dezembro/2019
 
[*] Economista.

O original encontra-se em ladroesdebicicletas.blogspot.com/2019/12/corrupcao-e-democracia.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/12/portugal-corrupcao-e-democracia.html

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Saúde.pt: O interlúdio punk da corrida ao ouro

O debate sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) encontra-se num interlúdio punk: ruidoso, agressivo, atonal e atordoador. Nesta fase confundem-se justas reivindicações sociais e profissionais com interesses individuais e sectorializados; misturam-se a filosofia e os objetivos do Serviço Público com a ideologia e o modus teórico-prático do mercado e amalgamam-se descontentamentos geradores de alarme social e de irritação profissional, convenientemente amplificados pelos media.

 

 

“Consolida filho, consolida, enfia-te a horas
certas no Casarão da Gabriela que o malmequer
vai-te tratando do Serviço Nacional de Saúde.”

(José Mário Branco em FMI)

 

O debate sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) encontra-se num interlúdio punk: ruidoso, agressivo, atonal e atordoador. Nesta fase confundem-se justas reivindicações sociais e profissionais com interesses individuais e sectorializados; misturam-se a filosofia e os objetivos do Serviço Público com a ideologia e o modus teórico-prático do mercado e amalgamam-se descontentamentos geradores de alarme social e de irritação profissional, convenientemente amplificados pelos media.

Este cenário de agitação sócio-política em torno do SNS foi exacerbado após a aprovação da nova Lei de Bases da Saúde (LBS) e encontra-se em fase aguda, agora, nas vésperas da discussão do Orçamento Geral de Estado (OGE) para 2020, o primeiro desta legislatura. De facto, o mero vislumbre da possibilidade de...

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