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Salvar o SNS – Estamos do lado da solução

Manifesto Salvar o SNS Estamos do lado da solução

Entendemos estar a viver o tempo em que se decide a sobrevivência do SNS – ou o defendemos, valorizamos e reforçamos ou, no embate e “desnatação” para os privados, vai-se tornar um sistema minimalista de cuidados de Saúde, de tratamento da patologia não rentável, desvalorizado pelos cidadãos com rendimentos médios e altos e com missão assistencialista e residual para os cidadãos mais desfavorecidos. É agora ou nunca.

 
Vivemos tempos de pandemia que põem à prova a opção política adotada para a enfrentar, a vitalidade e o desgaste do SNS e o posicionamento dos prestadores privados. Apesar de terem decorrido apenas alguns meses desde o seu início, e de não existir uma avaliação definitiva, é já possível confrontar as políticas seguidas e o desempenho dos serviços de saúde de vários países com os seus resultados. As políticas neoliberais de desmantelamento dos serviços públicos de saúde ou a adoção da estratégia de não combate ao contágio para atingir rapidamente a imunidade de grupo acarretam enormes riscos para as pessoas mais fragilizadas e têm levado a maior mortalidade, desorientação e sofrimento das populações, com a inevitável afetação da economia em paralelo. Pelo contrário, como no caso português, estratégias de combate ao contágio, apostando na prevenção e no confinamento, apoiadas por serviços de saúde estruturados, articulados e coesos, têm conduzido a melhores resultados.
 
Neste contexto, a resposta do SNS à covid-19 foi completa, não podendo ser ignoradas as medidas de reconfiguração de serviços, desde a saúde pública aos hospitais. Quem apregoava o “caos” que se ia viver no SNS, quem tentou ser alarmista em tempo de ser sereno, perdeu a causa. Já os prestadores privados de serviços de saúde, ao fugirem a receber doentes contaminados no âmbito da sua atividade corrente, não sofreram o desgaste que a pandemia inflige no SNS e encontram-se agora disponíveis para “recuperar as listas de espera do SNS”. O SNS, fustigado por políticas de contenção, em particular desde a crise de 2010, tem apesar disso demonstrado a sua capacidade e importância como elemento de coesão e até de soberania...

Saúde, Política de saúde

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O vírus, a razão e a emoção

Isabel do Carmo
Isabel do Carmo *
9 de Julho de 2020
 
 

O vírus anda por aí e as pessoas também. A prevenção com as medidas indicadas e que neste momento mereciam nova campanha é o melhor produto da razão.

 
 

 

 

O vírus é tudo o que há de mais parecido com as primeiras formas de vida em cima da terra, há milhares de milhões de anos. Faz o que sabe, hospedar-se e multiplicar-se. Todavia, o ser humano, há uns escassos 300 mil anos, possui um cérebro que dá para raciocinar, transmitir aos outros e sobretudo usar para actuar sobre a realidade. Esta é a razão. Mas como não há razão pura, é acompanhada de emoção. E o medo pode chegar ao alarme e ao pânico. É a condição humana. Porém, usá-lo como arma de arremesso e manobra política excede o campo da luta de ideias para pertencer à área da moral. E é feio.

O medo é o que permite aos animais em geral e ao ser humano sobreviver. Mas há um momento em que a emoção pode transformar o medo em alarme e este conduzir ao pânico. O raciocínio fica bloqueado, a acção descontrola-se e a doença deixa de ser acompanhada da serenidade necessária. Agrava-se. Ora neste momento precisamos: pensar com clareza, aplicar prevenção e ter esperança. Após o terramoto de 1755, o padre Malagrida percorria as ruas proclamando que era a consequência dos pecados da população e do poder político da altura, o Marquês. Este respondeu cruelmente, mas construiu uma nova cidade. Há sempre Malagridas que esperam por...

Saúde, Covid-19

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A pressa e o descontrolo

Manuel Loff

Saúde, Covid-19

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Pandemia e luta de classes

Covid-19: "A Europa reagiu como devia ter reagido" à crise económica

ANTÓNIO AVELÃS NUNES

1.Em 2008, a Sr.ª Merkel defendeu que a origem da crise estava nosexcessos do mercado. Agora, a pandemia veio mostrar que o mundo depende da aspirina que (quase só) se produz na Índia e que a Europa e os EUA dependiam da China no que toca à produção de máscaras de protecção individual e de ventiladores utilizados nas unidades de cuidados intensivos. Há quem fale dosexcessos da deslocalizaçãode empresas industriais e até da necessidade de salvaguardar a «soberania farmacêutica e sanitária.» Tudo bem. Mas é ainda mais importante garantir aos povos a soberania alimentar, energética, financeira, a soberania no que toca ao controlo dos portos e aeroportos e das empresas de telecomunicações, das empresas de transporte aéreo e de todo o conjunto das empresas estratégicas, aquelas em que assenta a verdadeira soberania.
Em nome daliberdade de circulação do capital(a mãe de todas as liberdades do capital), inventou-se ainternacionalização, adeslocalização de empresas industriaispara osparaísos laborais, em busca de mão-de-obra barata e sem direitos. Os países emergentes seriama fábrica do mundo, ficando as ‘metrópoles’ com os serviços ‘nobres’ (estratégicos) da investigação e concepção, os serviços financeiros e o turismo. Tudo para permitir ao grande capital aumentar a taxa de exploração (nas ‘metrópoles’ e nas novas ‘colónias’) e contrariar atendência para a baixa da taxa média de lucroque as chamadas

Saúde

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A crise económica de 2020: Pobreza global, desemprego e desespero

por Michel Chossudovsky

 Estamos indubitavelmente a viver uma das mais graves crises económicas e sociais da história moderna. De certo modo, estamos a viver história e somos incapazes de compreender a lógica da pandemia do coronavírus.

O que está em causa é o pretexto e a justificação para o encerramento de economias nacionais à escala mundial com base em preocupações de saúde pública.

Temos de entender as causalidades. Encerrar uma economia, nacionalmente e globalmente não resolver a pandemia. De facto, isto cria uma situação de instabilidade institucional.

Isto resulta também em desemprego maciço, confinamento de pessoas nas suas casas, sem emprego, sem alimento... Que é o que estamos a viver.

Não há nenhuma justificação para o encerramento de economias nacionais na base de preocupações de saúde pública, as quais podem ser resolvidas e deveriam ser resolvidas!

Há um processo de tomada de decisão muito complexo, o qual foi planeado bem antecipadamente. A partir da "autoridade central", governos são instruídos a encerrarem suas economias e então, por sua vez, os governos instruem pessoas a implementarem engenharia social, a não se reunirem, a não terem reuniões familiares...

Essencialmente, o que não entendemos, e que é fundamental, é que a actividade económica é a base para a reprodução da vida real. Com isso quero dizer instituições, poder de compra das famílias, toda uma série de actividades, as quais tem-se desenvolvido no decorrer da história –

Crise 2020

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  • Ladrões de Bicicletas (João Rodrigues)
  • Portugal

Old new economics

NOVA04

Quem conheça a história da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (actual Nova School of Business and Economics), sabe que esta instituição pública esteve sempre na vanguarda da americanização do ensino e da investigação em Portugal, incluindo ao nível do entrelaçamento entre dinheiro público e dinheiro dito privado. Este último não pode ser separado da orientação político-ideológica dominante numa faculdade onde se elaboraram muitas das ideias económicas subjacentes ao cavaquismo e que esteve assumidamente na primeira linha do apoio à troika.

A FEUNL teve sempre uma orientação favorável à economia convencional de matriz neoclássica desde a sua fundação em 1978. Na altura, contrastava com uma paisagem mais diversificada na ciência económica.

Convém entretanto lembrar, como sublinhou um grande historiador do pensamento económico chamado Philip Mirowski, que nem todos os economistas neoclássicos são neoliberais e que nem todos os economistas neoliberais são neoclássicos. No primeiro caso, olhem para Joseph Stiglitz e no segundo para Friedrich Hayek.Atente-se nos 'curiosos' nomes das instalações desta neoliberal Faculdade

Na Nova Economia os economistas neoclássicos têm sido neoliberais, o que aliás tendeu a ser norma dos anos setenta em diante, em linha com o enviesamento de um quadro analítico atreito a demasiadas idealizações mercantis. Nos anos oitenta, por exemplo, os economistas desta faculdade tiveram uma coluna no jornal Semanário...

Educação

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  • Ladrões de Bicicletas (João Rodrigues)
  • Mundo

A injustiça social mata


O Financial Times considera que o assassinato de George Floyd “expõe as ligações entre a injustiça racial e a desigualdade económica”.  Não sou eu que vou contrariar os editorialistas do FT, embora note como têm sempre uma palavra meiga para os herdeiros dos novos democratas, precisamente os que romperam com a herança do New Deal e da promessa de transformação aberta pelas lutas dos direitos cívicos, cuja componente de aspiração à igualdade socioeconómica geral não deve ser subestimada. Todo um sonho, todo um arco da justiça, tem sido derrotado na economia política.

A desigualdade socioeconómica crescente nos EUA, desde os anos oitenta, está bem documentada. As suas origens nas transformações institucionais de matriz neoliberal. A abissal queda da taxa marginal de IRC e do imposto sucessório são só dois mecanismos fiscais expostos de forma detalhada por Thomas Piketty. Há muitos outros mecanismos político-institucionais, incluindo o enfraquecimento deliberado do movimento sindical, um dos veículos para contrariar a desigualdade económica e a injustiça racial nos EUA.

Barack Obama, herdeiro dos novos democratas de Clinton, não foi, infelizmente, diferente no essencial, apesar de uma crise só com paralelo na Grande Depressão. O padrão de brutal desigualdade não foi revertido e o hipertrofiado Estado penal, o outro lado de um Estado social minguado, só foi ligeiramente reduzido. O crescimento desmesurado do Estado penal, traduzido no encarceramento em massa de...

USA, Desigualdade

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  • Pedro Pezarat Correia in 'A Viagem dos Argonautas'
  • Portugal

CADA QUAL VÊ A TELEVISÃO QUE QUER (?!)

Technology is NOT 'Neutral' | Intellectual Takeout

(Comentário:

Comentar para quê? É tão óbvio!)

Pedro Pezarat Correia
 

Total de presenças nas três estações: PSD 11;  PS 9;  CDS 4;  BE 3;  Livre 2;  PCP 1;  IL 1.

Liberdade de informação?  O telespectador, tem razões para se sentir manipulado.

A informação na comunicação social é hoje dominada pelos telejornais, isto é. a informação televisiva (aparte as redes sociais mas esse é outro universo). A que acresce, com tempo de antena alargado, a chamada grande informação na RTP 3, SIC N e TYI 24, em horário nobre posterior ao noticiário das 20h00. Aí pontificam os comentadores, os opinion makers, em painel, frente-a-frente ou com tribuna pessoal, em geral convidados por critério partidário. Têm estatuto de residentes com lugar cativo no programa e, quando não podem comparecer, o substituto é alguém do mesmo partido. Penso que a ninguém escapará a tendenciosa seleção dos convidados, longe de refletir o mosaico partidário nacional e que, dado o seu peso na formação da opinião pública, viola um valor essencial da democracia, o direito a uma informação isenta.
Fiz um apanhado semanal, não exaustivo mas que penso revelador, do horário nobre daqueles três canais e distingo três tipos de programas: debate em painel (DP) normalmente três convidados além do moderador: frente-a-frente (FF) com dois participantes; comentador de cátedra (CC) com presença individual e sem contraditório.
Nesta análise não entram programas cujos analistas sejam...

Comunicação, Liberdade, Censura

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"A epidemia mostrou que o público é superior ao privado"

Entrevista a João Oliveira
25.05.2020 07:00 por Lucília Galha in 'Sábado'
 
No IPO de Lisboa, nenhum tratamento ficou por fazer, mas o mesmo não aconteceu com os exames. Em abril, fizeram-se menos de metade. À SÁBADO, o presidente João Oliveira admite que será preciso trabalharem mais para recuperar o que não foi feito durante o pico da pandemia.
 
 

Passado o pico da pandemia, o presidente do IPO de Lisboa considera que a retoma será a fase mais difícil. Explica: "Como diminuímos o número de pessoas que vinham ao hospital, conseguimos cumprir bem todos os procedimentos de proteção. Agora temos de manter isso, mas com muito mais gente a circular no hospital", diz à SÁBADO.

Durante duas horas, no seu gabinete, que fica nas traseiras do edifício principal – com distanciamento higiénico dos jornalistas e janela aberta –, João Oliveira falou, pela primeira vez, de como o Instituto se adaptou às contingências da pandemia, do número de exames cancelados e das escolhas feitas em relação aos doentes a operar – admitindo, mesmo, que possa haver consequências.

Terminou, enaltecendo o Serviço Nacional de Saúde. "Os serviços privados não deram resposta a nada, encerraram pelas razões mais diversas, mantiveram uma atividade vestigial e a resposta foi dada pelos serviços públicos", diz.

 

Saúde, Política de saúde

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  • Ladrões de Bicicletas (Nuno Serra)
  • Portugal

O SNS não fecha a porta

«O Serviço Nacional de Saúde não fecha a porta. E muitos privados puderam fazê-lo. Puderam exercer o mecanismo do lay-off. Os vales cirúrgicos, que puderam continuar a ser emitidos - e para os quais teria sido tão útil que o setor privado e social continuasse a garantir resposta - não tiveram utilização por duas ordens de razões. A primeira é porque as pessoas naturalmente tiveram receio e não os quiseram utilizar. A segunda é porque muitos convencionados, e poderemos fornecer-lhe a lista nominativa, disseram que queriam suspender as suas convenções. Disseram que não estavam lá, que não podiam. Que não era o momento, que também tinham medo. Que não estavam disponíveis para prestar serviços. E portanto isso fica agarrado à pele e não desaparece.»

Resposta da ministra Marta Temido (ver aqui, a partir dos 5' e 37'') à deputada Ana Rita Bessa (CDS-PP), que quis saber porque é que o Estado não recorreu mais aos privados da saúde no contexto da pandemia. Como se estes tivessem dado sinais, nos últimos meses (uma história ainda por sistematizar com o devido detalhe), de que se pode contar com eles quando as coisas se complicam.

Sabemos bem que a ideia de um «sistema único de saúde», que indiferencie prestadores públicos e privados (cabendo ao Estado financiar estes últimos), é um velho sonho da direita. Mas se há noção que a pandemia veio reforçar é a de estamos perante dois universos que priorizam objetivos claramente distintos - vidas salvas e lucros gerados - como bem

Saúde

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  • Ladrões de Bicicletas (João Rodrigues)
  • Portugal

Da agilidade


No caso das empresas públicas de transporte, as decisões puderam ser tomadas de forma mais imediata, porque, por exemplo, não houve recurso a layoffs. No caso das empresas privadas, o problema é mais delicado porque muitas delas recorreram a esse mecanismo de suspensão de actividade e, mesmo que lhes fosse solicitado, teriam dificuldade em reforçar a oferta, por exemplo, por falta de motoristas.

Esta notícia do Público, da autoria de Luísa Pinto, assinala um problema que não está circunscrito a este sector tão crucial para a vida da comunidade: quando as empresas privadas estão envolvidas em áreas estratégicas há mais entraves a uma resposta pública pronta e coordenada e o interesse público corre sempre mais riscos. O Estado, nas suas várias escalas, torna-se menos ágil e capaz. E o povo é que paga.

Desde a década de noventa, quando assumiu funções governativas, que António Costa aceitou o essencial do discurso fraudulento da Terceira Via, o que dizia que o Estado social-democrata não tinha de controlar sectores estratégicos. Era a metáfora do peso, do Estado pesado.

O Primeiro-Ministro tem agora pateticamente de apelar ao “sentido de interesse nacional” das empresas privadas, perante transportes sobrelotados em plena pandemia. As empresas buscam o lucro não o interesse nacional. E este é só um exemplo de um processo mais vasto de erosão da governação, dado que cresce o sentimento de impotência.

Em contexto de incerteza radical, o controlo público de bens e serviços...

Governação, Privatização

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