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Brasil

Onze novos bilionários e 116 milhões sem almoço

Por Maria Regina Paiva Duarte

Em meio ao caos pandêmico e uma gestão desastrosa das crises sanitária e econômica, com mais de quatro mil mortes diárias pela covid-19, choca a notícia de que 11 novos brasileiros foram incluídos na lista de bilionários da Forbes. O ranking global dos bilionários de 2021, divulgado pela revista no dia 6 de abril inclui 30 brasileiros, sendo 11 novatos compondo este seleto grupo. No mesmo dia também foi notícia que metade da população do Brasil não tem garantia de comida na mesa.

É chocante, mas tínhamos sinais desse abismo. No ano passado, em plena pandemia, 42 bilionários brasileiros acumularam mais R$ 176 bilhões às suas fortunas, valor superior ao orçamento da saúde em 2020! Outra comparação mostra que estes bilionários lucraram mais que o valor do auxílio emergencial do ano passado.

Além de mitigar a fome e ajudar famílias mais necessitadas, este auxílio fez com que o PIB não tivesse uma caída ainda mais expressiva do que teve. Este recurso movimentou a economia, pois foi usado no consumo e sobrevivência de milhões de famílias.

Valores injetados na economia geram demanda, venda de produtos e serviços, agregando valor ao país. Bem ao contrário do efeito das fortunas acumuladas, que são improdutivas e estão estocadas, gerando riqueza apenas aos detentores, em valores e cifras que escapam à compreensão da imensa maioria da população. É o chamado capital vadio: vive de juros e  especulação, não gera nenhum emprego e nenhum movimento  produtivo para a nação.

Além de ser incompreensível do ponto de vista numérico, a acumulação da riqueza é absurda e revoltante quando se constata o aumento da miséria, da fome e da capacidade de sobrevivência desse imenso contingente de pessoas que passam dificuldades. Estima-se 116 milhões de pessoas com insegurança alimentar, 15 milhões de desempregados, cinco milhões de desalentados e mais de 40 milhões no trabalho informal, completamente precarizados.

No período pandêmico, a riqueza de 65 bilionários brasileiros quase dobrou: passou de US$ 127,1 bilhões ano passado para US$ 219,1 bilhões (cerca de R$ 1,2 trilhão).  Este dado contrasta fortemente com a insuficiência ou mesmo ausência de renda da maioria da população, com o aumento da fome e da situação de vulnerabilidade. Mas, ao mesmo tempo, nos indica a fonte de obtenção dos recursos para salvar vidas e combater a crise econômica: tributar os super-ricos!

Historicamente subtributadas, as grandes fortunas se acumulam cada vez mais. Estudo publicado pelo Instituto Justiça Fiscal (IJF) mostra que aproximadamente R$ 650 bilhões é o valor que as classes mais ricas deixaram de pagar de imposto, entre 2007 e 2018, por conta da regressividade das alíquotas efetivas sobre as altas rendas.

Neste período de 11 anos, os contribuintes com rendas maiores do que 30 salários-mínimos passaram a pagar cada vez menos impostos, enquanto os contribuintes com rendas mais baixas passaram a pagar mais imposto a cada ano. Em decorrência, os contribuintes mais ricos tiveram também um crescimento muito maior no valor das suas riquezas acumuladas neste período.

A injustiça tributária cavou um abismo ainda maior entre pobres e ricos, mantendo o Brasil na vergonhosa posição de país com a maior concentração de renda do mundo, perdendo apenas para o Catar.

O valor médio do patrimônio daqueles que estão entre os 0,01% da população mais rica do país é 610 vezes maior do que daqueles que ganham até cinco salários mínimos que representam quase 80% da população. A acumulação também se dá pela baixa tributação de heranças e doações, limitada em 8% e 6%, respectivamente, alíquotas muito baixas quando comparadas com outros países.

O Congresso Nacional precisa assumir a liderança neste processo de tributar os super-ricos. Em agosto de 2020, foram apresentadas oito propostas de leis que podem arrecadar cerca de R$ 300 bilhões ao ano, onerando apenas os 0,3% mais ricos do país.

O que significa para estes bilionários terem uma ínfima parte de sua riqueza tributada? Nada! O que vai significar para essas famílias necessitadas? Vida!

Justiça fiscal salva vidas. É disso que estamos falando.

A campanha “Tributar os Super-Ricos”, integrada e apoiada por mais de 70 entidades nacionais, visa a implementar este conjunto de oito medidas para enfrentar a crise econômica, agravada pela pandemia de covid-19, com o aumento dos tributos sobre as altas rendas, grandes patrimônios e redução para as baixas rendas e pequenas empresas. Na fase atual da campanha, as entidades pressionam por sua tramitação no Congresso Nacional.

Essas medidas reduzem a desigualdade, movem a economia e dignificam um país. Medidas que vários países já adotaram ou estão implementando, como Argentina, Bolívia, Chile, Peru, Equador e agora anunciadas nos EUA.

Um dos eixos principais da campanha é corrigir as distorções no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que livra as rendas do capital. O Brasil é praticamente o único país do mundo onde pessoas que recebem lucros, dividendos e rendimentos de aplicações financeiras são isentas do Imposto de Renda, diferentemente da imensa maioria dos trabalhadores, que são tributados na fonte e fazem o ajuste da declaração. Esta alteração, juntamente com elevação das faixas de alíquotas do IRPF, pode gerar em torno de R$ 160 bilhões.

Taxar grandes fortunas e riquezas é outra alternativa arrecadatória justa e necessária. O Imposto sobre as Grandes Fortunas (IGF) foi previsto na Constituição Federal em 1988, mas ainda não foi regulamentado em lei. Na proposta da campanha, só seriam tributados patrimônios que excederem R$ 10 milhões, abrangendo somente fortunas pessoais, sem afugentar nenhum investimento produtivo. Atingiria apenas 59 mil pessoas, equivalendo a 0,028% da população, arrecadando mais de R$ 40 bilhões por ano, valor equivalente ao total do recurso emergencial previsto para este ano.

Não são valores desprezíveis e são apenas duas medidas, entre as oito da campanha, fundamentais para salvar vidas e diminuir o desastre vivido em nosso país, onde 335 mil pessoas foram vitimadas pela covid-19. São medidas de fácil aprovação por não necessitarem alterar a Constituição Federal.  É urgente salvar vidas que estão agora sendo perdidas não apenas pela doença, mas fragilizadas pela fome.

Assim, as entidades participantes do movimento nacional para Tributar os Super-Ricos dirigem-se aos membros do poder Legislativo para que promovam a tramitação dos projetos de lei da campanha. É preciso vontade política, desejo de justiça fiscal e sentido humanitário diante de um flagelo que assusta o mundo e que pode ser revertido com saídas emergenciais que já estão disponíveis no Congresso Nacional.

Quem tem fome, tem pressa!

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Nota de solidariedade ao A Nova Democracia: não à perseguição contra a imprensa popular!

No Rio de Janeiro, no início deste mês, o jornal A Nova Democracia informou que membros de sua redação têm sido seguidos e filmados.

Por Revista Opera - Editorial

(Foto: Comitê de Apoio ao AND do Rio de Janeiro)

O Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2020, elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), dá conta de um dado preocupante: 2020 foi, desde que as medições da federação começaram, na década de 1990, o ano mais violento para os jornalistas brasileiros. Em relação a 2019, o relatório da FENAJ constatou um aumento de 105,77% nos casos de violência contra profissionais da imprensa. Estão incluídos no relatório casos de descredibilização da imprensa (152), impedimentos ao exercício profissional (14), censuras (85) e ataques cibernéticos (6). Mas também agressões verbais e ataques virtuais (76), agressões físicas (32), injúrias raciais e racismo (2), sequestro e cárcere privado (2), assassinatos (2) e ameaças e intimidações (34).

No Rio de Janeiro, no início deste mês, o jornal popularA Nova Democracia informou, por meio de seu site, que membros de sua redação têm sido seguidos e filmados, enquanto homens – alguns dos quais de porte atlético ou militar – rodeiam a sede do jornal e participam do que parece ser uma operação de “campana”.

A denúncia não é irrelevante, tendo em vista que o jornal é o principal órgão de imprensa a cobrir a atuação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), destacando-se as denúncias recentes sobre ocerco policial ao acampamento Tiago dos Santos, em Porto Velho (RO), zona de conflito que foi usada paraprovocações do presidente e teriamotivado uma viagem do senador Flávio Bolsonaro à região. Tem também uma trajetória na cobertura da violência policial contra a população das favelas do Rio de Janeiro, destacando-se a cobertura feita no Complexo da Maré em 2015, e a denúncia, nos últimos anos, da participação de militares no Governo Federal e na política nacional.

ARevista Opera se solidariza com o jornalA Nova Democracia e conclama as associações de jornalistas e imprensa, nomeadamente aAssociação Brasileira de Imprensa (ABI) e aFederação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a se atentarem às denúncias do jornal, prestando o apoio necessário aos jornalistas e à redação para evitar que os casos de intimidação se repitam ou se tornem ainda mais graves.

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Plenário do STF mantém anulações das condenações de Lula na Lava Jato

O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu manter nesta quinta-feira (15) para a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Lava Jato.

Um dia depois de o Supremo decidir que caberia ao plenário da corte votar sobre a decisão do ministro Edson Fachin, o tribunal realizou uma sessão nesta quinta-feira (15) para os demais ministros se posicionarem sobre o caso. Com o placar final de 8 a 3, está mantida a decisão de Fachin, que restabelece os direitos políticos do ex-chefe de Estado, habilitando-o, portanto, a disputar a corrida pela presidência da República em 2022.

No dia 8 de março, o ministro Fachin anunciou a anulação das condenações do ex-presidente na Lava Jato por considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba, então comandada pelo ex-juiz Sergio Moro, não tinha competência para julgar esses casos. A decisão foi uma resposta a uma ação impetrada pela defesa do ex-presidente no final do ano passado.

A votação de hoje (15) teve como base um recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para tentar reverter a anulação decretada por Fachin. Três ministros votaram pela aceitação desse recurso: Nunes Marques, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux. Rejeitaram o recurso os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso e o próprio Fachin.

 

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“A concentração do capital está cada vez maior no Brasil”, diz Alysson Mascaro

Para reverter o quadro de acentuada concentração de renda, o caminho “não é convencer o 0,001%” mais rico do planeta e nem a classe média, “que não entendeu ainda a realidade”. Segundo o professor, “qual é a única possibilidade? É convencer o povo”. Assista na TV 247

247 -O jurista e professor da USP Alysson Mascaro afirmou à TV 247 que há um movimento no Brasil e no mundo de maior concentração de riquezas, mesmo diante de toda a crise financeira decorrente da pandemia de Covid-19.

“O que está acontecendo no mundo é uma espécie de aceleração da acumulação em mãos ainda menores. Ou seja, a concentração de capital está se tornando ainda maior. Para esses que têm todo o capital e que estão ainda tomando mais sangue do nosso povo, está ótimo. Efetivamente, nós estamos aumentando o número de bilionários no Brasil no ano da pandemia”, falou.

Mascaro alertou que não se pode esperar dos mais ricos a proposta de uma mudança no cenário econômico. Para eles, segundo o professor, é melhor manter do jeito que está. “Se todos os maiores capitalistas do Brasil e do exterior estão lucrando extraordinariamente com a crise brasileira e mundial, se o lucro está extraordinário, esta classe não vai mudar a situação. Pelo contrário, vai lutar para manter do jeito que está”.

A classe média, por sua vez, “ainda não entendeu que está perdendo”, disse Mascaro. Portanto, “a única plataforma possível de ação” para reverter o quadro atual de concentração de renda, de acordo com o professor, “não é convencer o 0,001%” que detém a maior parte do capital do planeta “de que o mundo está mal embora eles estejam bem”. “Também não é convencer a classe média, que não entendeu ainda a realidade”, afirmou o professor. “Qual é a única possibilidade? É convencer o povo”, concluiu.

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“Bolsonaro está perdido. Já estou vendo sua queda”, afirma Boaventura de Sousa Santos

Para o sociólogo português, a CPI da Covid pode causar fortes efeitos na política nacional, inclusive forçando a renúncia de Bolsonaro. À TV 247, Boaventura Santos também falou do uso da pandemia como ferramenta de “controle social” no Brasil e da guerra comercial entre China e os EUA, que pode se tornar “uma guerra quente”. Assista

247 -O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, em entrevista à TV 247, afirmou que a CPI da Covid-19, criada pelo Senado na última semana, poderá sim ter fortes impactos na política nacional. Dentre eles, uma eventual renúncia de Jair Bolsonaro.

“Penso que a CPI é um instrumento que pode efetivamente levar a uma decisão, mas nessa CPI nós temos que saber qual é o Congresso que temos no Brasil. O Bolsonaro está refém do Centrão. A CPI pode ser a maneira que o Congresso tem de se libertar ou até de forçarem uma renúncia do Bolsonaro. Eu penso que o Bolsonaro está perdido”, falou o sociólogo.

Apesar de dizer que não gosta de praticar futurologia, Boaventura de Sousa Santos disse que já consegue ver a queda de Bolsonaro. “Não gosto de prever o futuro. Costumo dizer que os sociólogos só veem bem o passado; o futuro é muito complicado. Mas eu já estou vendo a queda [de Bolsonaro]”.

Pandemia de Covid-19

Boaventura Santos disse que, no Brasil, a pandemia tem sido utilizada como ferramenta de “controle social”. Ou seja, a classe política e as elites estão se utilizando das medidas restritivas de combate ao coronavírus para evitar que o povo saia às ruas para manifestar suas opiniões. “A pandemia está sendo usada no Brasil como uma forma de controle social, não tenho dúvida. É um controle demográfico, um darwinismo social. É ver-se livre de uma porcentagem significativa da população. É uma arma de destruição massiva. É uma forma de controle social porque eles sabem que, enquanto tiver pandemia, não há protestos massivos nas cidades brasileiras. Isso é muito importante”.

Para o sociólogo, “é possível e necessário” realizar protestos no Brasil, mesmo durante a crise sanitária. Ele afirmou que “falta imaginação” para pensar em diferentes maneiras de protestar que cumpram com o distanciamento social.

Geopolítica

Boaventura Sousa Santos afirmou que a China “é um império emergente” e que o “Brasil está no olho do furacão” da guerra comercial entre os chineses e os norte-americanos. Tal guerra, aliás, na visão do sociólogo, pode passar a ser “uma guerra quente, com uso de armas sobretudo no mar da China e no Pacífico”. "Nós estamos em uma situação de endurecimento, especialmente porque os Estados Unidos chegaram à conclusão de que é tarde demais para travar a China”, avaliou.

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Haddad comemora anulação das condenações de Lula pelo STF: "não há paz sem justiça"

Nesta quinta-feira o STF considerou, por maioria, a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar os processos contra o ex-presidente Lula

247 -O ex-ministro Fernando Haddad comemorou pelo Twitter nesta quinta-feira (15) o posicionamento da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de julgar a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar os processos contra o ex-presidente Lula.

"Não há paz sem justiça. Moro incompetente; Moro parcial", escreveu Haddad.

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BRASIL: ONDE TUDO COMEÇOU, ANTES DO “LAVA JATO”!

 

 

Martinho Júnior, Luanda 

NO CASO DO BRASIL (ACERCA DO PAPEL DO MINISTRO DAS FINANÇAS DE LULA, ARMÍNIO FRAGA NETO), A 6 DE DEZEMBRO DE 2003, NO ACTUAL Nº 374, SEMANÁRIO DE LUANDA, CONSIDEREI QUE HAVIA "RAPOSA NO GALINHEIRO"!... ATÉ PARECE QUE FUI BRUXO:

MULTIPLICARAM-SE AS RAPOSAS (TAMBÉM NO JUDICIÁRIO) E SOBRARAM PARA A DILMA!

JUNTO O TEXTO DE HÁ 18 ANOS:

O CASO DO BRASIL, OU LULA NA “CORDA BAMBA” DO “CIRCO GLOBAL”.

O IMPONDERÁVEL “DOMÍNIO SOBRE CONTRÁRIOS”, OU AS MIGALHAS QUE SOBRAM DA MESA DOS RICOS.

Em Junho de 2002, a candidatura de Lula da Silva à Presidência do Brasil, era vista como a favorita dos Brasileiros, mas não dos mercados financeiros, que apostavam abertamente em José Serra.

“No Império Romano, só os Romanos votam. No capitalismo global modern , só os Americanos     votam. Os Brasileiros não!”

Essa síntese, por mais paradoxal e surpreendente que possa parecer, veio dum “filósofo” , que melhor que ninguém no Mundo Contemporâneo, cultiva a maquiavélica “simbiose” que cataliza o “domínio sobre os contrários”, ao serviço da própria aristocracia financeira Mundial: George Soros.

Se essa opinião foi dada em Junho de 2002, a14 de Janeiro de 2003, segundo o “Folha on Line”, já George Soros dava outra opinião, numa “acrobacia” próxima dos 180º:

"Mudei de opinião. Estou optimista em relação ao Brasil, disse Soros, antes de sua palestra no simpósio Progresso e paradoxo: As realidades da globalização no século 21, realizado em Nova York nesta terça-feira”.

Em Junho de 2002, já o PT e Lula, tinham sensibilidade acrescida em relação a George Soros e não podiam deixar de levar em linha de conta o maquiavelismo próprio dum híbrido, meio “mega especulador” e meio “filósofo” (achamos que devemos esquecer em definitivo “o filantropo”):

- Puderam verificar, como poucos, os seus dispositivos e acções na Argentina e a sua voracidade antes, durante e depois da crise (George Soros é considerado actualmente, como o maior latifundiário e o maior criador de gado do País das Pampas).

- Puderam estudar os seus dispositivos e acções, além do Banco Central durante a governação de Fernando Henrique Cardoso, em Curitiba, a “Suiça Brasileira”, tendo em conta as experiências que se arrastaram por toda a década de 90, dos circuitos de relação Real – Dólar, desde o governo de Collor de Mello.

- Estavam previamente sensibilizados e precavidos em relação às “intervenções” de George Soros, em relação à Libra Esterlina, (1992 / 1993), em relação à crise no Sudeste Asiático (1997) e em relação à crise na Rússia (1998).

O Companheiro Lula, podia conscientemente preparar-se para o “grande circo global”: esta era a sua quarta tentativa de chegar à cadeira da Presidência do Brasil e, se ela soçobrasse, toda a estratégia do PT estaria em risco e, com ela, a “esperança” duma vida melhor para todo o Povo Brasileiro.

Por isso os analistas do PT verificaram desde logo, quanto o Real era atacado pelos especuladores, tendo George Soros na 1ª linha, sempre que Lula fazia os seus desassombrados pronunciamentos típicos da época eleitoral, assim como as penalizações e desvalorizações a que ficava sujeito o Real em relação ao Dólar, de acordo aliás com artigos que foram publicados em tempo oportuno pela “Folha de São Paulo”.

Por isso a “inteligência” do PT terá levado muito em consideração o papel de Armínio Fraga Neto, que sendo um dos “magos” incondicionais de George Soros, estava por dentro do Real desde a altura do seu parto, quando dirigiu as acções de liquidez que possibilitavam o seu projecto, até à instrumentalização do Banco Central, durante o governo imediatamente anterior de Fernando Henrique Cardoso, onde ele, mais que exercício, teve oportunidade de deixar a “casa bem arrumada”, para o que desse e viesse.

Armínio Fraga Neto continua a ser aparentemente na sombra, o gerente do “grande circo Brasileiro”, mesmo que não esteja presente para armar a sua “barraca”, beneficiando do “espectro” do mega especulador, que paira como um imenso e quase invisível “condor” sobre o Real e, por tabela, sobre o Brasil.

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Bolsonaro e a escada do caos

Observadores bem intencionados interpretam a onda de renúncias como sinal de idoneidade dos militares. Na verdade trata-se antes de consideração tática. E o bolsonarismo ainda sai lucrando, opina Philipp Lichterbeck.

Jair Bolsonaro se alimenta do caos. Ele precisa da confrontação, da provocação e da contradição. O conflito constante é seu motor. Já era assim durante o tempo dele como militar de baixo escalão, quando planejou detonar uma bomba na lavanderia de uma caserna para obter um soldo mais alto.

A coisa continuou quando, no começo dos anos 90, ele se tornou o deputado cuja marca registrada era insultar outros cidadãos, sobretudo da esquerda ou de minorias, desejar-lhes morte, violência e tortura. Repetidamente em sua carreira, Bolsonaro defendeu a ditadura militar brasileira e, sem inibições, expressou fantasias totalitárias.

Como presidente, aperfeiçoou o método da quebra de tabu. Desde a posse, em janeiro de 2019, ele e seus filhos, assim como um círculo de deputados, assessores e propagandistas fiéis, bombardeiam o país semanalmente com novos descalabros, mentiras, provocações e ameaças. Elas não são a exceção, mas sim a regra.

Esse método serve para criar uma sensação constante de estado de exceção. "O caos é uma escada", diz Petyr Baelish, o sinistro conselheiro dos poderosos da série Game of Thrones. Esse é o princípio do bolsonarismo: na escada do caos agitado por ele próprio, ele quer subir cada vez mais e ampliar seu poder.

A lenda dos bravos generais

É por essa ótica que se deve ver a renúncia forçada dos três chefes das Forças Armadas brasileiras. Como tantas vezes nos últimos anos, diversos observadores, sobretudo correspondentes estrangeiros, falam de "caos no Brasil" e perguntam como interpretar a coisa toda. Alguns já anunciam o breve fim da presidência Bolsonaro, tendo perdido o apoio dos militares.

A leitura mais costumeira afirma: generais corajosos se opuseram a Bolsonaro para protestar contra sua tentativa de instrumentalizar as Forças Armadas para seus fins políticos. Ele teria pretendido empregar o Exército contra os lockdowns antipandemia decretados pelos governadores, além de ter contado com mais cobertura na eterna luta com o Supremo Tribunal Federal, que barra alguns de seus intentos mais radicais.

Com a tomada de posição conjunta, os líderes do Exército, Marinha e Aeronáutica teriam agora demonstrado que as Forças Armadas não são um instrumento bolsonarista, mas sim do Estado, e que estão firmemente plantados no solo da Constituição democrática. Até mesmo a esquerda brasileira exultou diante dessa suposta sensatez dos generais.

Na verdade, por trás dos acontecimentos se oculta a lógica interna do bolsonarismo, a do agravamento constante da crise. Em meio à pior fase da pandemia – uma média de cerca de 3 mil brasileiros morre a cada dia de covid-19 – Bolsonaro invoca um conflito com os máximos escalões militares, por supostamente não serem suficientemente fiéis ao regime.

Não é uma ruptura com os militares, em si, mas sim com os velhos senhores do Supremo Comando. Ao mesmo tempo, é um sinal para que os escalões mais jovens, mais baixos e também mais politicamente radicais, se atrelem mais firme ao presidente. "Esta é a tua chance", é a mensagem aos oficiais cujo entusiasmo por Bolsonaro era, desde o início, maior do que o dos generais, para quem o capitão da reserva era antes um bizarro estranho no ninho.

 

Um bolsonarismo mais perigoso

O cancelamento dos três chefes de armas aponta, ao mesmo tempo, para uma radicalização ainda maior do bolsonarismo. Para ele, já não basta mais procurar seus inimigos do lado de fora, ou seja, na esquerda. Agora é excluído quem não seja suficientemente bolsonarista.

Já foi assim com diversos ex-ministros, sendo os exemplos mais notórios os ex-chefes de pasta da Justiça Sérgio Moro e da Saúde Henrique Mandetta. Hoje, eles são vistos no movimento bolsonarista como traidores e infiltrados pela esquerda.

A ação de faxina continua agora com os veteranos militares. Quem expresse crítica ou hesitação é isolado e condenado como herege pelos tribunais bolsonaristas nas redes sociais. Desse modo, o bolsonarismo se encurrala cada vez mais – o que não é o prenúnco de nada de bom: o movimento deve se tornar mais paranoico, mais incalculável e mais perigoso.

Do outro lado dos turbulentos acontecimentos da semana corrente, estão os militares, que são saudados de todos os lados com atestados de responsabilidade político-estatal, mesmo por parte das forças esquerdistas e moderadas. Mas a verdade é que as Forças Armadas até hoje fomentam o circo bolsonarista.

Segundo o Tribunal de Contas, mais de 6 mil militares têm cargos no governo – mais da metade do que sob o presidente Michel Temer, que começou com a nomeação em massa dos uniformizados. Outra estimativa chega a 342 militares nos postos mais altos e mais bem pagos da já gigantesca maquinaria governamental de Brasília.

Eles estão por toda parte, do palácio presidencial aos órgãos ambientais, passando pelo Ministério da Saúde, e comandam quase um terço das firmas estatais. Não é sem motivo que observadores comparam o quadro ao da Cuba ou da Venezuela, onde numerosas empresas estão nas mãos dos militares.

Subindo a escada até despencar

Por isso não se pode falar de um racha entre as Forças Armadas e Bolsonaro. Nos pontos políticos fundamentais, reina consenso: a interpretação da ditadura militar como revolução necessária para deter o comunismo; o total rechaço de um processamento judicial da ditadura; o prosseguimento da ocupação e exploração da Amazônia, também das reservas indígenas; e, claro, a entrega dos cargos lucrativos aos homens de uniforme.

Portanto a explicação das renúncias dos chefes militares é menos uma questão de diferenças de opinião fundamentais do que de considerações táticas. Os militares procuram se distanciar da catastrófica política de Bolsonaro na crise do coronavírus.

Até alguns dias atrás, essa política ainda era codefinida pelo general Eduardo Pazuello, enquanto ministro da Saúde. Agora os generais parecem ter notado que, em algum momento, poderão ser responsabilizados pelos cerca de 3 mil brasileiros mortos diariamente.

Sobretudo os conservadores queriam ver, até agora, os militares como força equilibradora no governo Bolsonaro. Ao contrário dos ideólogos (malucos) encabeçados pela ministra da Família Damares Alves, e do ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo (agora afastado), os uniformizados teriam um efeito moderador e procurariam soluções pragmáticas.

Essa lenda não é mais sustentável desde a pandemia de covid-19. O Brasil está diante de uma catástrofe do sistema de saúde pela qual é o próprio culpado. As Forças Armadas aparentemente agora querem fazer de conta que não têm qualquer responsabilidade por isso. Para Bolsonaro, a confusão resultante é a chance de ocupar com seus acólitos cargos importantes no aparato militar.

O caos é uma escada. Por ela se sobe, até que se despenca. A escada de Bolsonaro balança, mas ele ainda continua subindo.

Philipp Lichterbeck é colunista e correspondente da DW no Brasil. O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente da DW.

Philipp Lichterbeck | Deutsche Welle 

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STF decide sobre Lula e a democracia do Brasil hoje

Nesta quarta-feira (14/4/2021) o pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiráse prevalece a posição do ministro Edson Fachin proferida no dia 8/3 sobre o Habeas Corpus (HC) 193.726 que declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba; anulou as 4 ações penais contra o ex-presidente Lula; determinou o envio das ações penais para Brasília para recomeçar desde o recebimento da denúncia; extinguiu 14 ações no STF, entre elas o HC 164.493, que declarou Sérgio Moro suspeito na 2ª Turma.

Se os 11 ministros aceitarem integralmente a decisão de Fachin, Lula continua elegível, as ações penais recomeçam em Brasília em uma das duas varas federais, a 10ª ou 12ª, mas anula a decisão de suspeição de Sérgio Moro.

No entanto, se os 11 ministros rejeitarem integralmente a decisão de Fachin Lula volta a ficar inelegível, por causa da condenação no Sítio de Atibaia. Todas as ações, fora a do Triplex, voltam a ser consideradas válidas, voltam para Curitiba. A decisão do Triplex fica anulada por causa da decisão de suspeição.

A decisão justa é o Plenário aceitar a decisão do ministro Edson Fachin sobre a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, mas rejeitar a extinção do Habeas Corpus de suspeição de Sérgio Moro, respeitando a decisão da 2ª Turma o que restituiria os direitos políticos do presidente Lula de forma terminativa. A sessão inicia hoje às 14 horas e a expectativa é de que seja um longo debate devendo se estender a mais sessões, mas também pode encerrar hoje.

Com a democracia em colapso, quando todo o meio acadêmico do Brasil e do exterior está escandalizado com a agora provada através da revelação das mensagens hackeadas e periciadas e atestada a veracidade e integridade do material pelo Serviço de Perícias em Informática do Instituto Nacional de Criminalística da própria Polícia Federal onde explicita a participação de parte do Judiciário para interferir diretamente na alternância da Presidência da República em 2018, articulado com outros países com o objetivo de beneficiar os EUA e conglomerados empresariais transnacionais como reportou esta semana um dos mais relevantes jornais do mundo o francês Le Monde,o STF tem o poder nesta quarta-feira de restaurar o Estado Democrático de Direito e a democracia no Brasil.

A Lava Jato destruiu a economia do Brasil, o Estado brasileiro, proporcionou – conforme apontam cientistas políticos - a ascensão de um grupo neofascista ao governo central (embora ainda não estejamos em uma ditadura neofascista) e que de acordo com estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) a Lava Jato resultou na extinção de4,4 milhão de empregos e a queda de 3,6% do PIB, deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões de impostos e R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha, além de ter reduzido a massa salarial do país em R$ 85,8 bilhões, afetou diretamente setores como petróleo e gás e construção civil, mas também uma gama importante de outros segmentos (devido aos impactos indiretos e ao efeito renda).

Somado a isto temos já 360 mil mortos pela Covid-19 e que estudos da USP indicam que parte significativa destas vidas poderiam ter sido evitada se outra política de Saúde tivesse sido adotada pelo governo federal. Isto é grave, indica que houve uma política deliberada que resultou em centenas de milhares de brasileiros mortos, ou seja, resultado da política de Estado que através do voto o povo lhe outorgou a permissão de empregar recursos públicos e de produzir politicas públicas e executou desta forma cuja a consequência é um morticínio.

Não é responsável (para ser econômico com as palavras) alguém minimamente intelectivo – tal qual os 11 ministros do STF - que tem o poder de por um ponto final nisto, de restituir definitivamente os direitos políticos do presidente Lula, de proporcionar que o povo em 2022 tenha o livre direito de reverter isto através do sufrágio universal votando em quem quiser e o que todas as pesquisas de intenção de voto hoje apontam que o povo quer votar em Lula a presidente em 2022 (figuram em primeiro nas pesquisas de todos os institutos de maior credibilidade do país).

Na verdade originalmente o título deste artigo seria “Gilmar Mendes, STF, Lula e a restauração da democracia”. No entanto, alterei o título pelo atual devido a emergência da conjuntura, mas há dias me senti na obrigação de redigir um texto para registrar a nobreza e a proficiência das ações do ministro Gilmar Mendes em defesa da democracia nos últimos meses e em particular este ano. Redigirei um texto específico para tratar deste tema.

Não redigi antes este artigo para me referir ao ministro Gilmar Mendes logo após a sessão do dia 23/3 em que a 2ª Turma do STF julgou a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro porque estive concentrado nos últimos dias em minha pesquisa científica acadêmica na área de Economia Política Internacional objeto do meu mestrado na atualidade na universidade federal.

No entanto, preciso aqui fazer uma menção ao ministro Gilmar Mendes, mas antes de mencionar atuação do ministro Gilmar Mendes naquela sessão é fundamental registrar que Mendes nunca teve e não tem nenhuma aproximação com a esquerda brasileira, muito pelo contrário, em inúmeras ocasiões em passado recente proferiu sentenças atingindo de forma robusta quadros e a política da esquerda brasileira. O ministro Gilmar Mendes é alguém próximo a direita e ao programa neoliberal. Portanto, alguém insuspeito. Mas o ministro Gilmar Mendes é antes de tudo um democrata.

Se a direita do Brasil hoje fosse composta por homens e mulheres da estatura do ministro Gilmar Mendes o Brasil seria um país desenvolvido. Mendes natural de uma família de magistrados é alguém erudito, uma personalidade que mesmo quando discordamos se tem a satisfação de ouví-lo, se é desafiado intelectualmente. Oposto da atual extrema-direita que hoje ocupa o governo central que é degradante, profere palavras sem lógica, quase que irracional é deletéria, envergonha o Brasil aqui e no exterior.

Em recente entrevista ao Brasil 247 o ministro Gilmar Mendes assinalou que as conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato reveladas pela Operação Spoofing demonstram que o sistema político do Brasil foi comprometido na eleição de 2018 “houve uma interdição do debate político”, integrantes do Judiciário e do Ministério Público agiram como uma força política “queriam definir quem seria candidato, influir de forma inequívoca quem seria candidato”.

Sérgio Moro, lembra o ministro Gilmar Mendes, vazou no período eleitoral a delação do ex-ministro da Fazenda de Lula Antônio Palocci – delação que mais recentemente foi considerada inócua.

De acordo com o jurista, pós-doutor e professor de Direito Constitucional da PUC/SP Pedro Serrano o que se julga hoje não é a interpretação diferente da ordem jurídica, não é a disputa na linguagem de narrativas no interior da ordem de competências que é própria do Direito. “Estamos enfrentando uma linguagem mínima do Direito contra uma ação política tirânica. O que se quer realizar contra Lula são medidas de exceção, desconsiderá-lo como ser humano”, afirma Serrano.

Ainda de acordo com o jurista um processo de exceção não trata o cidadão não como réu, não como um réu que eventualmente errou, um processo de exceção tem uma aparência de cumprir o Direito e a Constituição, mas no seu conteúdo material é uma ação política, não jurídica, tirânica de combate ao inimigo, aquele que não tem uma proteção jurídica mínima do Estado, não tem uma proteção dos direitos.

O artigo 10 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que “ao ser julgado o ser humano sempre tem direito a um juiz imparcial em audiência púbica. “Lula nem a isto teve direito”, aponta Serrano.

A democracia constitucional, a legislação rígida serve para conter a violência do Estado. “Os procuradores agiram como advogados privados de acusação. Isto se confirma porque foram ao STF lutar contra a decisão do Fachin e principalmente contra a decisão da suspeição. E eles não foram como procuradores, não foram em nome da instituição, foram em nome próprio, em nome privado, os procuradores da Lava Jato foram em nome próprio lutar contra o Lula no STF. Isto é a prova que eles não atuaram enquanto representantes do Ministério Público, mas atuaram em nome particular. Agiram como advogados privados de acusação e não como procuradores públicos. Por tanto não é só o Moro é os procuradores também , agiram como militantes políticos, é uma fraude que se montou contra Lula”, acusa o pós-doutor em Direito Pedro Serrano.

De acordo com Serrano a decisão proferida pelo ministro Fachin que reconhece a incompetência de Sérgio Moro está correta, mas a suspeição precede no plano da defesa dos direitos de Lula porque a incompetência torna nulo os atos do processo, mas possibilita o juiz reaproveitar a instrução processual das provas, depoimentos. A suspeição de Moro torna tudo nulo, protege com mais intensidade os direitos fundamentais e os direitos humanos de Lula. Na dúvida se deve utilizar a decisão que protege com mais intensidade. “Uma decisão menos intensa não pode ter a prerrogativa de suspender uma decisão que protege mais intensamente. Isto é pacífico no plano Constitucional”, destaca Serrano.

O pós-doutor em Direito Pedro Serrano relata que quando observamos os grandes casos das injustiças como o caso Dreyfus (1894-1906), e o atual de Lulao Judiciário é sempre lento, complexo para reparar a injustiça grave, e uma das razões para isto é o envolvimento de setores sociais. “Ninguém pratica uma injustiça pública grave como esta contra Lula sem o envolvimento de amplos setores sociais e foi o que houve. Não foi somente os procuradores e o Moro, foi boa parte do sistema de Justiça dos Tribunais que estavam envolvidos nisto nesta fraude, a mídia participou ativamente da construção desta fraude, jornalistas amarraram suas biografias na fraude da Lava Jato, há uma tentativa é salvacionista”, dispara Serrano.

Isto significa que estes setores empresariais, sociais, setores da grande imprensa que recebiam informação do MP e do Judiciário (e não investigaram) querem que o STF proteja minimamente os procuradores e Moro para protegerem a si mesmos. Preferem sacrificarem a democracia do que suas próprias biografias.

“As conversas hackeadas revelam que MP articulava a imprensa para pressionar e coagir ministros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para afastar ministros do STJ”, lembra Serrano.

Nenhuma conduta é imune à crítica e ao escrutínio, mas falhas ou excessos, estes devem ser corrigidos tendo como parâmetros a própria Constituição da República, os princípios da legalidade, da ampla defesa e do contraditório.

O Supremo Tribunal Federal tem hoje o poder de autodefender institucionalmente o próprio Poder Judiciário e restaurar a democracia de forma terminativa. Alguém já afirmou que uma democracia só se faz pelas mãos de democratas.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/stf-decide-sobre-lula-e-a-democracia-do-brasil-hoje

Brasil: ser ou não ser uma democracia, eis a questão

"Um país, que incorre no mais escandaloso erro judiciário desde o caso Dreyfus (1894-1906) e que, apesar de o reconhecer, não é capaz de tirar todas as consequências, tanto na absolvição da vítima do erro como na condenação dos seus autores, não é uma democracia", escreve o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que cobra liberdade plena para Lula e punição para o ex-juiz Sérgio Moro
 

Um país, que destitui uma presidente por um simples crime fiscal e não é capaz de destituir um presidente responsável por boa parte de milhares de mortos por falta de assistência ou protecção perante a pandemia, não é uma democracia. Um país, que incorre no mais escandaloso erro judiciário desde o caso Dreyfus (1894-1906) e que, apesar de o reconhecer, não é capaz de tirar todas as consequências, tanto na absolvição da vítima do erro como na condenação dos seus autores, não é uma democracia. Um país, cujo presidente eleito democraticamente celebra a ditadura e elogia a tortura e se mantém no poder apesar de pôr à venda a Amazónia e de se acumularem queixas contra ele nos tribunais internacionais por crimes contra a humanidade, não é uma democracia. Um país, com uma notável capacidade científica e técnico-sanitária instalada que está impedido de a usar por simples obstrução por parte de quem tem o poder e a obsessão de matar e deixar morrer, não é uma democracia. Um país de desenvolvimento intermédio, que deixou capturar os processos eleitorais por uma das classes políticas mais retrógradas e ignorantes do mundo e por média corporativos consabidamente armadores de golpes antidemocráticos ao serviço das elites económicas e financeiras, não é uma democracia. Um país, onde uma mistura tóxica de milícias criminosas e magistrados desvairados perseguem jornalistas livres e independentes e os impedem de exercer a sua missão democrática de informar confiavelmente, não é uma democracia.

A ruína da democracia contém sempre a semente da democracia

As dificuldades

Um país com um regime supostamente democrático que não é uma democracia nunca está irremediavelmente condenado a tal contradição. As dificuldades e as possibilidades da reversão quase sempre se equivalem. No actual contexto brasileiro as dificuldades para que a semente da democracia volte a germinar são três. Primeiro, o país não foi capaz de condenar os golpistas de 1964 e muito menos o terrorismo de Estado de que foram autores. Enquanto não o fizer, quem beneficiou com os golpistas viverá sempre na esperança de que eles voltem para resolver os seus “problemas”. De algum modo, os militares já voltaram, mas, por agora, a realidade do seu regresso ainda não está à medida do fantasma do seu regresso. Segundo, por sua origem colonial o país vive minado por um racismo e por um sexismo classistas que degradam a humanidade dos que vivem excluídos e discriminados e os transforma em seres mais destinados a morrer do que a viver. Daí o fatalismo corrosivo que impede o oprimido de identificar facilmente o opressor. Finalmente, as forças políticas verdadeiramente democráticas – as que servem a democracia em vez de se servirem da democracia – são minoritárias e estão confinadas à esquerda e ao centro esquerda. Confiam demasiado nas instituições, dividem-se em lutas por poder mais ilusório que real e deixaram a mobilização popular nas ruas e nas praças à mercê dos fanáticos religiosos e dos empresários do ódio.

As possibilidades

 

As possibilidades são sempre mais difíceis de definir porque cada possibilidade, uma vez concretizada, gera outras novas. Vejo três possibilidades que são condições sine-qua-non da reversão. Primeira, a destituição ou renúncia forçada do presidente. Sem ela, a alma do país morrerá mais massivamente que a vida dos brasileiros condenados a morrer injusta e desnecessariamente. Segunda, o STF absolve definitivamente o ex-presidente Lula da Silva e o sistema judicial abandona a deriva autoritária de o neutralizar politicamente a todo o custo. Neste momento, é menos importante que Lula da Silva seja candidato ou seja eleito presidente do que tenha a possibilidade plena de o ser. Terceira, as forças verdadeiramente democráticas convencem-se de que os fascistas estão no patamar da porta e que, se eles entrarem, não distinguirão entre os diferentes partidos que compõem uma possível frente de esquerda. Todos serão proibidos e os seus dirigentes, muito provavelmente presos. É melhor unirem-se agora na defesa da democracia pois amanhã será demasiado tarde.

Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/brasil-ser-ou-nao-ser-uma-democracia-eis-a-questao

Líder, Brasil tem uma em cada quatro mortes por covid-19 no mundo, informa OMS

Nem mesmo a queda marginal nos números brasileiros entre a semana anterior e a semana examinada - de 3% - tiraram a liderança mundial do país
 

247 -Novos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil continua a somar o maior número de mortes por covid-19, na semana que terminou no dia 11 de abril, mesmo com uma queda no total de novos contaminados no período avaliado. Em seu informe semanal publicado nesta quarta-feira, a agência destaca como mais de 26% dos óbitos pela doença no mundo ocorreram no Brasil. A informação é do jornalista Jamil Chade, em sua coluna no portal UOL.

De acordo com a OMS, foram 20,5 mil mortes no pais, contra um número global de 76 mil. A taxa mundial sofreu um aumento de 7%. O total de mortes no Brasil foi ainda quatro vezes superior ao que os EUA registraram na semana, com 5,1 mil, e 4,6 mil na Índia.

Nem mesmo a queda marginal nos números brasileiros entre a semana anterior e a semana examinada - de 3% - tiraram a liderança mundial do país. Para a OMS, apenas a vacinação não conseguirá frear a pandemia nas cidades brasileiras.

 

Bolsonaro se sente derrotado por não conseguir impedir instalação da CPI do genocídio

"Ainda quer que eu sorria?", pergunta Bolsonaro pouco depois de CPI do genocídio ser criada
 
 

247 - Jair Bolsonaro se recusou a sorrir ao tirar uma foto com uma apoiadora na entrada do Palácio da Alvorada, nesta terça-feira (13). “O dia que eu passei e (você ainda) quer que eu sorria?” Bolsonaro não explicou sobre o que se referia, mas o semblante carregado e sisudo coincidiu com a instalação, no Senado, da Comissão Parlamentar de Inquieto (CPI) da Covid, que investigará a condução do governo no combate à pandemia.

Ao contrário do que desejava, o presidente não conseguiu segurar a instalação da CPI, destaca reportagem do Estado de S.Paulo. Além disso, Bolsonaro deve ter apenas quatro dos 11 titulares que compõem a comissão.

Brasil registra 3.687 mortes por COVID-19, e média móvel fica acima 3 mil pelo 4º dia seguido

 

Nesta terça-feira (13), o Brasil registrou 3.687 mortes por COVID-19 nas últimas 24 horas, totalizando 358.718 óbitos desde o início da pandemia. A média móvel de mortes nos últimos sete dias chegou a 3.051.

Este é o quarto dia seguido em que a média móvel de mortes pela doença fica acima da marca de 3 mil. Com relação à média de 14 dias atrás, a alta é de +3%, o que indica uma tendência de estabilidade nos óbitos pela doença.

Dez estados brasileiros, porém, estão com alta nas mortes: AC, AP, MA, MG, PE, PI, PR, RJ, RR, e SE.

Os números são do levantamento do consórcio de veículos de imprensa feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

Com 80.157 casos confirmados nas últimas 24 horas, o país chegou a um total de 13.601.566 de diagnósticos desde o começo da pandemia.

Já a média móvel do número de casos nos últimos sete dias é de 70.787. A variação é de -6% em relação aos registros de duas semanas atrás, indicando também uma tendência de estabilidade nos diagnósticos.

Pará aplica a primeira dose de vacina em agentes de segurança pública, em Belém, no dia 20 de março de 2021

Pará aplica a primeira dose de vacina em agentes de segurança pública, em Belém, no dia 20 de março de 2021

Vacinação

Nesta terça-feira (13), o país aplicou um total de 911.513 doses da vacina contra a COVID-19. A primeira dose foi aplicada em 585.272 pessoas, enquanto 326.241 receberam a segunda.

Ao todo, 24.433.064 de pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a COVID-19. O número representa 11,54% da população brasileira.

Já a segunda dose foi aplicada em 7.717.785 de pessoas, ou seja, 3,64% da população do país.

 

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021041317328436-brasil-registra-3687-mortes-por-covid-19-e-media-movel-fica-acima-3-mil-pelo-4-dia-seguido/

"No Brasil de Merval, juiz suspeito é coisa normal", diz o Grupo Prerrogativas sobre pressão no STF

Grupo de advogados e juristas progressistas rebate a pressão do colunista do Globo para que o STF reveja a decisão que anulou as condenações do ex-presidente Lula
 

247 - O Grupo Prerrogativas, coletivo de advogados, juristas e intelectuais que defendem as garantias fundamentais previstas na Constituição, rebateu o jornalista Merval Pereira, porta-voz dos interesses da família Marinho, da Globo.

Em nota, o Prerrô disse que que Merval é "useiro e vezeiro" em pressionar o Supremo Tribunal Federal, ao criticar a defesa do colunista do Globo de que a Suprema Corte reveja a decisão do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações do ex-juiz Sérgio Moro contra Lula e a declaração de parcialidade de Moro contra Lula, decidida pelo plenário da 2ª Turma do STF.

"No Brasil de Merval, juiz suspeito é coisa normal. No Brasil de Merval, não importam o direito e a Constituição. Afinal, no 'seu Brasil', os fins – que ele sabe muito bem quais são – justificam qualquer meio, mesmo a custo de condenações feitas por meio de uma coisa jamais vista na história: ao mesmo tempo o juiz foi incompetente e suspeito. Na verdade, incompetente porque sempre foi suspeito. É a escolha do dilema Tostines", escrevem os juristas.

 

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

Editorial Extraordinário do Grupo Prerrogativas

“ O Dilema Merval”

 

Merval, o jornalista que não tem espelho retrovisor

Nada surpreendente, Merval saiu da toca. Merval é previsível. Useiro e vezeiro de fazer pressão no Supremo Tribunal – lembremos que ele ficou meses dizendo que, se o STF julgasse a favor da presunção da inocência, mais de 160 mil bandidos seriam soltos – agora Merval acusa o Grupo Prerrogativas de fazer “pressão” sobre a Suprema Corte.

Ora, Merval “revelou” uma estratégia que estaria sendo feita por Fachin para dar uma reviravolta no julgamento da suspeição de Moro. Ao fazer isso, cria clima de forte pressão sobre a Corte e sobre o próprio Min. Fachin.

 

Agora que diversos integrantes deste Grupo denunciaram a manobra de Merval, ele busca se beneficiar de sua própria torpeza, naquilo que em direito (que não é a área de Merval) chamamos de venire contra factum proprium (comportamento contraditório). É como o sujeito que mata os pais e depois, no júri, pede clemência por ser órfão.

Definitivamente, o pressionador não tem espelho retrovisor. Tem espaço diário para lançar narrativas inverídicas e ficcionais. Merval é como o Navah do velho testamento: especialista em “dar existência a coisas que não existem”.

Constrangeu a sociedade e a comunidade jurídica – e a Suprema Corte – espalhando o pânico em relação à decisão sobre presunção da inocência. Nunca desmentiu. Nunca se arrependeu. Como Moro não se arrepende do que fez.

Mais. Tão logo a segunda Turma do STF decidiu pela suspeição de Moro, Merval e outros jornalistas espalharam a narrativa de que o STF teria usado prova ilícita para tal, quando, na verdade, o STF nem necessitou lançar mão dos diálogos arrasadores da promiscuidade entre Moro e Procuradores.

Agora volta suas baterias para salvar Moro e o que resta da lava jato. Para isso, retoma a operação “narrativa a qualquer custo”, invocando até mesmo “a consciência dos ministros”, como se um julgamento da Corte não dependesse da lei e da Constituição. Sem espelho retrovisor, aponta o seu dedo, esquecendo que quando Paulo fala de Pedro, está falando, mesmo, de Paulo. Ou melhor, quando Merval fala do Prerrô, está mesmo falando de Merval.

Aqui caberia um dilema – e não um paradoxo – do tipo Tostines: Merval quer salvar Moro porque cumpre uma missão de grupos interessados politicamente no deslinde da causa ou cumpre uma missão de grupos interessados para salvar Moro? A resposta é simples: Merval quer salvar Moro porque cumpre uma missão. Uma tarefa. Merval é um bom soldado.

Muito ilustrativo que os jornais de hoje, às vésperas da decisão do dia 14, noticiam que não há como autenticar os diálogos haqueados. Qual é a motivação da notícia, se a suspeição nada teve a ver com esses diálogos? Se “pressionar” tem algum conceito, basta que se leia as colunas de Merval e o noticiário sobre os diálogos. Simples assim.

No Brasil de Merval, juiz suspeito é coisa normal. No Brasil de Merval, não importam o direito e a Constituição. Afinal, no “seu Brasil”, os fins – que ele sabe muito bem quais são – justificam qualquer meio, mesmo a custo de condenações feitas por meio de uma coisa jamais vista na história: ao mesmo tempo o juiz foi incompetente e suspeito. Na verdade, incompetente porque sempre foi suspeito. É a escolha do dilema Tostines.

Ps:

Merval, na tarde de hoje, nos fez rir sem travas ao afirmar o que sempre denunciamos como uma verdadeira e afrontosa aberração.

Disse, em caixa alta, que o julgamento de Lula é político.

Ora, o que sempre pedimos, e ele sabe bem, é que o julgamento seja técnico.

Técnico como deve ser em relação a qualquer réu em um Estado de Direito.

Para o Lula, e para o Merval inclusive, desejamos que se cumpra a lei.

Nada muito sofisticado para se entender. Com um julgamento técnico, e mesmo sem formação jurídica, Merval há de reconhecer, Moro será inevitavelmente declarado incompetente exatamente por ter sido parcial.

Em um julgamento político, talvez, se feche os olhos para isso...

Eis a questão.

Como já disseram os Juristas Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, José Carlos Dias, Belisário dos Santos Jr e Alberto Toron, “todo mundo deve ter direito a um juiz competente e imparcial” .

Ou não?

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Filme de Anna Muylaert sobre o golpe contra Dilma estreia hoje; saiba como assistir

No documentário ‘Alvorada’, diretora de ‘Que horas ela volta?’ se une a Lô Politi para mostrar resistência de Dilma Rousseff ao fraudulento processo de impeachment
 

247 - O documentário Alvorada, que retrata o Golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff estreia nesta terça-feira (13) no festival É tudo verdade.

Dirigido por Anna Muylaert, do filme Que horas ela volta?, e Lô Politi, o filme foi rodado entre julho e setembro de 2016 e acompanha o dia a dia de Dilma enquanto ela resistia ao golpe, após a instalação do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados.

É o terceiro documentário sobre o tema, após O processo (2018), de Maria Augusta Ramos, e Democracia em vertigem (2019), de Petra Costa, indicado ao Oscar. É o terceiro também dirigido por mulheres, o que, na avaliação de Anna Muylaert, não aconteceu por acaso.

 

Alvorada (o título é uma referência ao palácio que serve de residência oficial dos presidentes da República) será exibido nesta terça-feira às 21h, com reprise na quarta-feira (14), às 15h. Para assistir, é necessário fazer o cadastro na plataforma Looke.

Como assistir ao documentário Alvorada:

 

1 . Faça seu cadastro no site www.looke.com.br.

2. Um código SMS será enviado para o seu celular para concluir o cadastro

3. Acesse o site www.etudoverdade.com.br e clique em PROGRAMAÇÃO

4. Clique no filme escolhido e você será direcionado para a página do É Tudo Verdade / Looke. Aperte o play e boa sessão!

 

O Império meteu a mão no Judiciário, revela jornal francês Le Monde

"Quando, na História, o Império preocupou-se em combater corrupção nas colônias?", questiona o deputado constituinte Vivaldo Barbosa, ao comentar a reportagem que disseca o papel dos Estados Unidos na operação Lava Jato
 
 

O jornal francês Le Monde, um dos mais respeitados do mundo, publicou magnífica reportagem neste final de semana que revela como os Estados Unidos atuaram no Brasil através do Judiciário. A matéria merece ser lida e encontra-se no link indicado ao final. Esta reportagem se junta a outras de jornalistas valorosos que têm trabalhado a questão. O seu valor é o foco na atuação dos Estados Unidos.

Mas antes de ler a matéria, é preciso relembrar que durante o governo FHC, Brasil e Estados Unidos firmaram acordo de cooperação em matéria de investigações na esfera do terrorismo, corrupção e crimes financeiros, inclusive de âmbito internacional. Passou a representar o Brasil o Ministério da Justiça. Mais adiante, já no governo Lula, o Ministro da Justiça transferiu esta representação para o Procurador Geral da República. Depois, o Procurador Rodrigo Janot transfere a representação para os procuradores da Lava Jato em Curitiba. Fechou-se o ciclo, estava feita a festa. A reportagem não puxou esta questão.

Os principais pontos da matéria merecem ser destacados.

 

I – Ainda no Governo Bush, os Estados Unidos sentiam grande desconforto com a falta de alinhamento do Brasil às políticas americanas com fortes preocupações, à beira da histeria, com as questões do terrorismo, e com o crescimento de empresas brasileiras que ampliavam sua presença na África e América Latina. O embaixador americano alerta seu governo para a necessidade de se fazer contato com gente que atuava no Judiciário e na Polícia para colocá-los a par dos métodos e dos interesses do seu governo. É formada rede no meio jurídico, entre advogados, magistrados, procuradores, policiais, sob coordenação da Embaixada.

II – Assim, e dentro do ambiente do acordo de cooperação, foi feito contato com o juiz federal Sérgio Moro. Eles o conheciam pela atuação no caso do Banestado, onde havia forte envolvimento do sistema financeiro americano, caso que Sergio Moro havia abafado e cooperado com as autoridades americanas. Sergio Moro viaja aos Estados Unidos e lá mantém contato com o Departamento de Justiça, FBI, o Departamento de Estado e outros organismos.

III – Foi deslocada para a Embaixada no Brasil, uma advogada vinculada ao Departamento de Justiça americano, Karine Moreno-Taxman, dita como especialista em lavagem de dinheiro e terrorismo, como “conselheira jurídica”. Procurou-se disseminar métodos utilizados nos estados Unidos, através de cursos de formação, seminários, viagens aos Estados Unidos, como criação de grupos de trabalho anticorrupção, aplicação de sua doutrina jurídica (principalmente o sistema de recompensa para as delações), e o compartilhamento "informal" de informações sobre os processos, ou seja, fora dos canais oficiais.

 

IV – Esta advogada é convidada a falar para agentes da Polícia Federal, em Fortaleza. Afirmou: "Em casos de corrupção, é preciso ir atrás do 'rei' de maneira sistemática e constante, para derrubá-lo." "Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa". "A sociedade deve sentir que ele realmente abusou de seu cargo e exigir sua condenação". Isto em 2009, em plena efervescência do mensalão pela mídia.

V - Moro foi levado para integrar o gabinete de Rosa Weber, (por quem, como?) recém nomeada para o Supremo Tribunal Federal, era da Justiça do Trabalho, precisava de auxiliares com expertise criminal para auxiliá-la no julgamento do mensalão. Daí surgiu o famoso e polêmico voto que justificava flexibilizar a necessidade de provas em casos de corrupção: "Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito. Esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação", está no voto da Ministra. (A reportagem não se referiu à igualmente famosa referência ao domínio do fato, utilizado pela justiça alemã para os criminosos nazistas. Só esqueceu de exigir provas do domínio, do conhecimento do fato).

VI - Em 2013, em meio a massivas manifestações populares, e com pressões internacionais, o Congresso elabora a lei anticorrupção. Adotam-se mecanismos previstos no Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), lei americana que permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países. Ato típico do poder econômico e político do Império. O diretor do FCPA viria ao Brasil instruir os procuradores barasileiros. Os próprios juristas americanos observaram que a lei anticorrupção traria efeitos deletérios para a Justiça brasileira, tinha caráter "imprevisível e contraditório", ausência de procedimentos de controle: "qualquer membro do Ministério Público pode abrir uma investigação em função de suas próprias convicções, com reduzidas possibilidades de ser impedido por uma autoridade superior".

 

(Anteriormente, havia sido votada a famosa Lei da Ficha Limpa, é preciso acrescentar à reportagem.)

VII - O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, criou a "força-tarefa" da "lava jato", em seguida. Desde seu surgimento, o grupo atraiu a atenção da imprensa, narra o jornal. "A orquestração das prisões e o ritmo da atuação do Ministério Público e de Moro transformaram a operação em uma verdadeira novela político-judicial sem precedentes", afirmam Bourcier e Estrada na reportagem.

VIII – Já com a lei anticorrupção em vigor, a procuradora-adjunta do Departamento de Justiça americano, Leslie Caldwell, afirmou em palestra: "A luta contra a corrupção estrangeira não é um serviço que nós prestamos à comunidade internacional, mas sim uma medida de fiscalização necessária para proteger nossos próprios interesses em questões de segurança nacional e o das nossas empresas, para que sejam competitivas globalmente."

Leslie Backshies, chefe da unidade internacional do FBI e encarregada, a partir de 2014, de ajudar a "lava jato" no país, afirmou que "os agentes devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, de como casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes e influenciar as eleições e cenário econômico".

Kenneth Blanco, então procurador-geral adjunto do DoJ, declarou que “Brasil e Estados Unidos trabalharam juntos para obter provas e construir negócios”. E diz: “É difícil imaginar uma cooperação tão intensa na história recente como a que ocorreu entre o DoJ e o Ministério Público brasileiro”.

O que mais preocupava os EUA, diz a reportagem, era a autonomia da política externa brasileira e a ascensão do país como uma potência econômica e geopolítica regional na América do Sul e na África, para onde empreiteiras brasileiras começavam a expandir seus negócios (impulsionadas pelo plano de criação dos "campeões nacionais" patrocinado pelo BNDES.O então embaixador americano diz que o projeto político brasileiro para a integração econômica da América do Sul suscita sérias preocupações no Departamento de Estado, que “considera o evolução da Odebrecht parte do projeto de poder do PT e da esquerda latino-americana”.

Um ex-membro do Departamento de Justiça, encarregado da relação com os latinos americanos, afirmou ao Le Mondeque tiveram muito trabalho para "endireitar os rumos” das coisas devido à deterioração das relações entre Obama e Lula. A tarefa ficou ainda mais difícil depois que Edward Snowden mostrou que a NSA (agência de segurança dos EUA) espionava a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras, o que esfriou ainda mais a relação entre Brasília e Washington.

IX – “Em 2015, os procuradores brasileiros, para dar mostras de boa vontade para com os norte-americanos, organizaram uma reunião secreta para colocá-los a par das investigações da "lava jato" no país. Cobraram um preço: parte do dinheiro recuperado pela aplicação do FCPA voltaria para o Brasil, especificamente para um fundo gerido pela própria "lava jato".

X - O acordo de “colaboração” entre as autoridades norte-americanas e a Odebrecht, em 2016, previa o reconhecimento de atos de corrupção não apenas no Brasil, mas em outros países nos quais a empresa tivesse negócios. Nas negociações, ressalta Le Monde, foi ordenado ao Citibank, que administrava o dinheiro da empresa nos EUA, que desse um prazo de 30 dias para encerrar as contas da Odebrecht, em caso de recusa do acordo: os valores depositados nessas contas seriam colocados em liquidação judicial. Isto é, falência, sublinha o Le Monde.

Reportagem memorável do Le Monde.

Tudo aconteceu em governos do campo popular, nas barbas do Ministério da Justiça.

Antes, em 1954, armou-se um complô para derrubar o presidente mais longevo da nossa história e até então o mais querido, sob acusações de corrupção, “mar de lama”; em 1964 deram o golpe para derrubar Jango sob as mesmas acusações, mais a de comunismo; agora, condenaram o presidente eleito e reeleito pelo povo brasileiro, e que havia eleito e reeleito sua sucessora, Dilma Roussef, o levaram à prisão e o impediram de se candidatar. Resultado: foi eleito Bolsonaro. Em todos os três episódios os Estados Unidos alegaram estar ajudando o Brasil livrar-se de corrupção.

É o caso de se indagar: quando, na História, o Império preocupou-se em combater corrupção nas colônias?

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Como os Estados Unidos usaram a Lava Jato para seus próprios fins

De acordo com o Le Monde, o objetivo central da operação Lava Jato era, desde o início, acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas brasileiras que punham em risco os interesses dos Estados Unidos.

 

O que começou como a “maior operação contra a corrupção do mundo” e degenerou no “maior escândalo judicial do planeta” não passou, na realidade, de uma estratégia bem-sucedida dos Estados Unidos para minar a autonomia geopolítica brasileira. É o que revela o jornal francês Le Monde publicada neste sábado (10) e assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris.

De acordo com o Le Monde, o objetivo central da operação Lava Jato era, desde o início, acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas brasileiras que punham em risco os interesses dos Estados Unidos. Tudo começou em 2007, durante o governo George W. Bush. As autoridades norte-americanas estavam incomodadas pela falta de cooperação dos diplomatas brasileiros com seu programa de combate ao terrorismo.

O Itamaraty, sob o governo Lula, não estava disposto a embarcar na histeria dos EUA. Para contornar o desinteresse oficial, a embaixada dos EUA no Brasil passou a investir na tentativa de criar um grupo de experts locais, simpáticos a seus interesses e dispostos a aprender seus métodos, “sem parecer peões” num jogo, conforme indica um telegrama do embaixador Clifford Sobel a que o Le Monde teve acesso.

Assim, naquele ano, Sergio Moro foi convidado a participar de um encontro, financiado pelo Departamento de Estado norte-americano – o equivalente a um Ministério das Relações Exteriores. O convite foi aceito – e Moro fez contato com diversos representantes do FBI, do Departament of Justice (DOJ) e do próprio Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Itamaraty).

Para aproveitar a dianteira obtida, os EUA foram além e criaram um posto de “conselheiro jurídico” na embaixada brasileira, que ficou a cargo de Karine Moreno-Taxman, especialista em combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo. Por meio do “projeto Pontes”, os EUA garantiram a disseminação de seus métodos.

Entre as iniciativas implantadas, há a criação de grupos de trabalho anticorrupção, a aplicação de sua doutrina jurídica (principalmente o sistema de recompensa para as delações) e o compartilhamento “informal” de informações sobre os processos – ou seja, fora dos canais oficiais. Qualquer semelhança com a Lava Jato não é mera coincidência.

Em 2009, dois anos depois, Moreno-Taxman foi convidada a falar na conferência anual dos agentes da Polícia Federal brasileira, em Fortaleza. Diante de mais de 500 profissionais, a norte-americana ensinou os brasileiros a fazer o que os EUA queriam: “Em casos de corrupção, é preciso ir atrás do ‘rei’ de maneira sistemática e constante, para derrubá-lo”.

“Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa”, afirmou depois, sendo mais explícita. “A sociedade deve sentir que ele realmente abusou de seu cargo e exigir sua condenação”, completou, para não deixar dúvidas. O nome de Lula não foi citado nenhuma vez, mas, segundo a reportagem, estava na cabeça de todos os presentes, já que o escândalo do “mensalão” ocupava os noticiários do País.

Segundo os autores, o PT não viu o monstro que estava sendo criado. As autoridades estrangeiras, com destaque para um grupo anticorrupção da OCDE, amplamente influenciado pelos EUA, começaram a pressionar o País por leis mais duras de combate à corrupção.

Nesse contexto, Moro foi nomeado, em 2012, para integrar o gabinete de Rosa Weber, recém-indicada para o Supremo Tribunal Federal. Oriunda da Justiça do Trabalho, a ministra precisava de auxiliares com expertise criminal para auxiliá-la no julgamento. Moro, então, foi um dos responsáveis pelo polêmico voto defendendo “flexibilizar” a necessidade de provas em casos de corrupção.

“Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito – esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação”, afirmou a ministra em seu voto. O precedente foi levado ao pé da letra pelo juiz e pelos procuradores da Lava Jato anos depois, para acusar e condenar Lula no caso (sem provas) do tríplex.

Em 2013, a pressão internacional fez efeito, e o Congresso brasileiro começou a votar a lei anticorrupção. Para não fazer feio diante da comunidade internacional, os parlamentares acabaram incorporando mecanismos previstos no Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) – uma lei que permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países. Para especialistas, essa legislação é instrumento de exercício de poder econômico e político dos norte-americanos no mundo.

Em novembro daquele mesmo ano de 2013, o procurador geral adjunto do DOJ norte-americano, James Cole, anunciou que o chefe da unidade do FCPA viria imediatamente para o Brasil, com o intuito de “instruir procuradores brasileiros” sobre as aplicações do FCPA. A nova norma preocupou juristas já na época.

Le Monde cita uma nota de Jones Day prevendo que a lei anticorrupção traria efeitos deletérios para a Justiça brasileira, devido a seu caráter “imprevisível e contraditório”, além da ausência de procedimentos de controle. Diz o documento, “qualquer membro do Ministério Público pode abrir investigações em função de suas próprias convicções, com reduzidas possibilidades de ser impedido por uma autoridade superior”.

Dilma Rousseff, já presidente à época, preferiu não dar razões para mais críticas ao seu governo, que só aumentavam, e sancionou a lei, apesar dos alertas. Em 29 de janeiro de 2014, a lei entrou em vigor. Em 17 de março, o procurador-geral da República da época, Rodrigo Janot, chancelou a criação da “força-tarefa” da Lava Jato.

Desde o surgimento, o grupo atraiu a atenção da imprensa, narra o jornal. “A orquestração das prisões e o ritmo da atuação do Ministério Público e de Moro transformaram a operação em uma verdadeira novela político-judicial sem precedentes”, afirmam Bourcier e Estrada.

No mesmo momento, a administração de Barack Obama nos EUA dava mostras de seu trabalho para ampliar a aplicação do FCPA e aumentar a jurisdição dos EUA no mundo. Leslie Caldwell, procuradora-adjunta do DOJ, afirmou em uma palestra em novembro de 2014: “A luta contra a corrupção estrangeira não é um serviço que prestamos à comunidade internacional – mas, sim, uma medida de fiscalização necessária para proteger nossos próprios interesses em questões de segurança nacional e o das nossas empresas, para que sejam competitivas globalmente”.

O que mais preocupava os EUA era a autonomia da política externa brasileira e a ascensão do país como uma potência econômica e geopolítica regional na América do Sul e na África. Era nesses continentes que as empreiteiras brasileiras Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS começavam a expandir seus negócios (impulsionadas pelo plano de criação dos “campeões nacionais”, patrocinado pelo BNDES, banco estatal de fomento).

“Se acrescentarmos a isso as relações entre Obama e Lula, que se deterioravam, e um aparelho do PT que desconfiava do vizinho norte-americano, podemos dizer que tivemos muito trabalho para endireitar os rumos”, afirmou ao Le Monde um ex-membro do DOJ encarregado da relação com os latino-americanos.

A tarefa ficou ainda mais difícil depois que Edward Snowden mostrou que a NSA (agência de segurança dos EUA) espionava a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras, o que esfriou ainda mais a relação entre Brasília e Washington. Vários dispositivos de influência foram então ativados.

Em 2015, os procuradores brasileiros, para dar mostras de boa vontade, organizaram uma reunião secreta com os norte-americanos, deixando-os a par das investigações da Lava Jato no País. Eles entregaram tudo o que os americanos precisavam para detonar os planos de autonomia geopolítica brasileiros, cobrando um preço vergonhoso: que parte do dinheiro recuperado pela aplicação do FCPA voltasse para o Brasil, especificamente para um fundo gerido pela própria Lava Jato. Os norte-americanos, obviamente, aceitaram a proposta.

Vendo seu apoio parlamentar derreter, em 2015 Dilma decidiu chamar Lula para compor seu governo, tentando salvar sua coalizão, conforme indica o jornal. Foi quando o escândalo explodiu: Moro autorizou a divulgação ilegal à TV Globo da interceptação (também ilegal) de um telefonema entre Lula e Dilma, no que veio a cimentar o clima político para a posterior deposição da presidenta, no golpe do impeachment.

Os EUA estavam de olho nas turbulências. Leslie Backshies, chefe da unidade internacional do FBI e encarregada, a partir de 2014, de ajudar a Lava Jato, afirmou que “os agentes devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, de como casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes e influenciar as eleições e cenário econômico”.

Segundo Leslie, “além de conversas regulares de negócios, os supervisores do FBI se reúnem trimestralmente com os advogados do DoJ para revisar possíveis processos judiciais e as possíveis consequências”. Assim, foi com conhecimento de causa que os EUA celebraram acordo de “colaboração” com a Odebrecht, em 2016.

O documento previa o reconhecimento de atos de corrupção não apenas no Brasil – mas em outros países nos quais a empresa tivesse negócios. Caso recusasse, a Odebrecht teria suas contas sequestradas – situação que excluiria o conglomerado do sistema financeiro internacional e poderia levá-lo à falência. A Odebrecht aceitou.

A Lava Jato estava confiante de sua vantagem, apesar de ter ascendido sem a menor consideração pelas normas do Direito. “Quando Lula foi condenado por ‘corrupção passiva e lavagem de dinheiro’, em 12 de julho de 2017, poucos relatos jornalísticos explicaram que a condenação teve base em ‘fatos indeterminados’”, destacou o jornal.

Após condenar Lula e tirá-lo de jogo nas eleições de 2018, Moro colheu os louros de seu trabalho ao aceitar ser ministro da Justiça do novo presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, os norte-americanos puderam se gabar de pôr fim aos esquemas de corrupção da Petrobras e da Odebrecht, além de conter a influência e a projeção do Brasil na América Latina e na África.

Enquanto isso, os procuradores da Lava Jato – Deltan Dallagnol à frente – foram devidamente recompensados. Eles passaram a administrar parte da multa imposta pelos EUA à Petrobras e à Odebrecht, na forma de fundações de Direito privado dirigida por eles próprios em parceria com a Transparência Internacional.

Para Moro, a recompensa foi o início do fim de seu processo de canonização. Depois da eleição de Bolsonaro, veio à tona o escândalo da criação do fundo da Petrobras. O ministro Alexandre de Moraes frustrou os planos dos procuradores ao determinar a dissolução do fundo e direcionar o dinheiro para outras finalidades.

Em maio de 2019, o The Intercept Brasil começou a divulgar conversas de Telegram entre procuradores e Moro, hackeadas por Walter Delgatti e apreendidas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Moro, já como ministro da Justiça. Entre outros escândalos, as conversas mostram como Moro orientou os procuradores – e como eles informaram EUA e Suíça sobre as investigações e combinaram a divisão do dinheiro.

Quando pediu demissão do ministério, Moro seguiu o mesmo caminho lucrativo de outros ex-agentes do DOJ e passou a trabalhar para o setor privado, valendo-se de seu conhecimento privilegiado sobre o sistema judiciário brasileiro. Seu trunfo é emitir consultorias para casos célebres – um posto normalmente bastante lucrativo. A Alvarez e Marsal, que o contratou, é administradora da recuperação judicial da Odebrecht.

 

 

Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/como-estados-unidos-usaram-a-lava-jato-para-seus-proprios-fins/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=como-estados-unidos-usaram-a-lava-jato-para-seus-proprios-fins

Denúncia do Le Monde de que Moro trabalhou para os Estados Unidos chega ao Uol e o ex-juiz decide não comentar

 
O ex-juiz Sergio Moro, condenado por parcialidade pelo Supremo Tribunal Federal, decidiu não comentar a reportagem do Le Monde que denuncia que ele trabalhou para os Estados Unidos, ao conduzir a Operação Lava Jato

 

 

247 – A reportagem do jornal francês Le Monde, que revela que o ex-juiz Sergio Moro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por parcialidade, trabalhou para os Estados Unidos, ao conduzir a Operação Lava Jato, que destruiu 4,4 milhões de empregos no Brasil, segundo o Dieese, ao quebrar construtoras e a indústria naval, chegou ao portal Uol, que procurou Moro para comentá-la. Questionado, Moro preferiu não comentar a acusação de que cometeu também o crime de traição nacional, ao defender interesses de um outro país.

"O jornal francês Le Monde publicou hoje uma longa reportagem, em que afirma que houve influência do governo dos Estados Unidos na criação da Operação Lava Jato, com conexão com ex-juiz Sergio Moro, um dos responsáveis por julgar os processos", aponta a reportagem do Uol. "A reportagem do Le Monde não indica se ouviu Moro nem se pediu seu posicionamento a respeito das afirmações feitas a respeito dele. O UOL procurou a assessoria do ex-juiz, mas ele ainda não se manifestou sobre a reportagem do veículo francês", aponta ainda o texto.

Brasil registra 1.803 mortes por Covid-19 no domingo mais letal da pandemia

País acumula um total de 353.137 óbitos desde o início da pandemia, segundo relatório do Conass divulgado neste domingo (11)

 

 

Sputnik -O Brasil registrou neste domingo (11) 1.803 mortes pela COVID-19 em 24 horas, o maior número para um domingo em toda a pandemia.

Além das 1.803 mortes, o país contabilizou também 37.017 novos casos confirmados da COVID-19, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Foi o domingo mais fatal desde o início da pandemia, tendo superado os números de 28 de março, quando 1.656 óbitos entraram na contagem. Ao todo, o país soma 353.137 vítimas da doença causada pelo novo coronavírus.

 

A taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes está em 168, a 14ª mais alta do mundo. Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo com mais infecções, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam mais de 31 milhões de casos.

O estado de São Paulo, que tem os maiores números de infecções e mortes confirmadas pela doença no país, registrou 510 vítimas nas últimas 24 horas.

 

Com relação à vacinação, foram aplicadas 30,1 milhões de doses, sendo 23,1 milhões referentes à primeira dose, e 6,9 milhões, à segunda. Os números correspondem a 10,9% e 3,2% da população, respectivamente.

Saiba mais informações de cada estado no relatório completo do Conselho.

Bolsonaro sem máscara é 'barrado' em tenda de venda de frango. Ora veja

Jair Bolsonaro viveu uma situação insólita, este sábado, ao tentar entrar numa tenda de venda de frango assado, na periferia de Brasília. Sem máscara e com a sua presença a criar grandes aglomerações, a dona do estabelecimento não o deixou entrar. 

 

"Pode não!" Foi esta a resposta que o Presidente do Brasil ouviu da proprietária, tendo o governante acabado por ser 'barrado'. Bolsonaro acabou a comer no lado de fora da tenda, contam (e mostram) os meios locais. 

As imagens, que pode ver abaixo, foram colocadas nas redes sociais e têm sido alvo de inúmeras visualizações e comentários. 

O Brasil, recorde-se, notificou, este sábado, mais 3.693 mortes associadas à Covid-19. O Ministério da Saúde reportou, ainda, 93.317 novos casos de infeção, naquele que é o segundo dia com mais casos pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. O país totaliza 348.718 óbitos e 13.373.174 milhões de casos de contágio acumulados.

https://twitter.com/SamPancher/status/1381007406289674241?ref_src=twsrc%5Etfw

 

Geograficamente, os Estados brasileiros que concentram maior número de infeções são São Paulo (2.618.067), Minas Gerais (1.208.529), Rio Grande do Sul (886.149) e Paraná (877.883).

São Paulo (81.750), Rio de Janeiro (39.038), Minas Gerais (27.250) e Rio Grande do Sul (21.779) são, por sua vez, as unidades federativas com mais vítimas mortais.

Leia Também: Covid-19 matou mais pessoas no Brasil em um ano que a SIDA em 40 anos

Ver a publicação original em 'Notícias ao Minuto' na seguinte ligação:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1729519/bolsonaro-sem-mascara-e-barrado-em-tenda-de-venda-de-frango-ora-veja?utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed

Leia a íntegra da reportagem que demonstra como Moro quebrou o Brasil e trabalhou para os Estados Unidos

Reportagem do Le Monde revela como o ex-juiz Sergio Moro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por parcialidade, trabalhou para empobrecer o Brasil

 

 

247 -Na edição de sábado (10), o jornal francês Le Monde destacoucomo a Operação Lava Jato, chefiada pelo procurador Deltan Dallagnol e orientada pelo ex-juiz Sergio Moro, declarado pelo Supremo Tribunal Federal como parcial, agiu para destruir o Brasil e beneficiar os Estados Unidos.

Lea a reportagem na íntegra:

No Brasil, o naufrágio da operação anticorrupção “Lava Jato”

 

INVESTIGAÇÃO Um magistrado considerado "tendencioso", às vezes ilegal e à sombra dos Estados Unidos: a maior operação anticorrupção da história do Brasil tornou-se seu maior escândalo jurídico. Meses de investigação foram necessários para que o "Le Monde" traçasse o outro lado dessa cena.

Por Gaspard Estrada e Nicolas Bourcier

Existe algo podre no Reino do Brasil. Todo o país é atingido por uma série de crises simultâneas, uma espécie de tempestade perfeita – recessão econômica, desastres ambientais, polarização extrema da vida política, Covid-19... A isso deve ser adicionado o naufrágio do sistema judicial. Um trovão adicional em um céu já pesado, mas carregado de esperança há sete anos, quando um jovem magistrado chamado Sergio Moro lançou, em 17 de março de 2014, uma vasta operação anticorrupção chamada “Lava Jato”, envolvendo a gigante do petróleo Petrobras, construtoras e um número expressivo de lideranças políticas.

 

De uma só tacada, dizia-se, o requerente e sua equipe de investigadores, apoiados pelo judiciário e pela mídia, iam limpar e salvar o Brasil, finalmente! Foram emitidos 1.450 mandados de prisão, apresentadas 533 denúncias e 174 pessoas foram condenadas. Nada menos que 12 chefes ou ex-chefes de Estado brasileiros, peruanos, salvadorenhos e panamenhos foram implicados. E a colossal soma de 4,3 bilhões de reais (610 milhões de euros) foi recuperada dos cofres públicos de Brasília. Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adorado pela maioria de opinião, não resistiu à onda, e foi parar atrás das grades.

E então, de repente, quase nada. Em menos de dois meses, a extensa investigação desmoronou como uma explosão. No início de fevereiro, o Ministério Público Federal deixou estourar o anúncio do fim do “Lava Jato” , desmontando-a com uma frieza que não se conhecia sequer a principal equipe de promotores. Em seguida, um juiz do Supremo Tribunal Federal ordenou a anulação das acusações contra Lula. Quinze dias depois, em 23 de março, foi a vez da mais alta corte brasileira decidir que o juiz Moro foi “tendencioso” durante sua investigação.

Irregularidades e confusões

 

A maior investigação anticorrupção do mundo, como a chamou um magistrado sênior, tornou-se o maior escândalo jurídico da história do país. Depois de mais de sete anos de processos, o próprio cerne da Justiça brasileira acaba de se retrair tanto na substância quanto na forma, abrindo um abismo de questionamentos sobre seus métodos, seus meios e suas escolhas.

É certo que o site de notícias The Intercept – criado por Glenn Greenwald, jornalista americano radicado no Rio de Janeiro e o bilionário do Vale do Silício Pierre Omidyar – não parou, nos últimos dois anos, de apontar irregularidades e equívocos à investigação. Cento e oito artigos publicados até o momento, por sua vez, levantaram o véu sobre as mensagens comprometedoras trocadas entre promotores e o juiz Moro, lançando luz sobre os vínculos mantidos, às vezes fora de qualquer quadro legal, por investigadores brasileiros com agentes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ), ou mesmo sublinhou o viés político de alguns integrantes da “Lava Jato”, obcecados com a ideia de bloquear o Partido dos Trabalhadores (PT).

A independente Agência Publica, agência de jornalismo investigativo, fundada em São Paulo por repórteres mulheres, também mostrou como o processo foi marcado por irregularidades e inúmeras confusões. Após essas revelações deslumbrantes, no entanto, permanece um forte gosto pelo inacabado, a sensação de um julgamento fracassado e uma bagunça ontológica para uma investigação que queria ser um modelo de seu tipo.

Para compreender essas voltas e reviravoltas sucessivas, temos que voltar às origens desta novela político-jurídica. Estabelecer o arcabouço e distinguir como seus principais atores encontraram subsídios e arcabouço jurídico com juristas e personalidades influentes, primeiro no Brasil, depois com agentes de uma administração norte-americana que desejam continuar seu trabalho de aproximação com seu grande vizinho do sul.

Quando assumiu a Presidência da República em 2003, Lula sabia que era esperado na virada, principalmente no combate à corrupção.

Meses de investigação, entrevistas e pesquisas foram necessários para que o Le Monde desenhasse o outro lado dessa cena. Se algumas áreas permanecem nas sombras, alguns episódios de Lava Jato evidenciam cumplicidades vergonhosas. Outros, ao contrário, revelam como certos juízes e investigadores têm por vezes aproveitado a sua independência – muito real – a serviço de um projeto político, embarcando numa corrida louca, estabelecendo os motivos, os meios e os desmentidos. “Foi como uma bola atirada em um jogo de boliche”, admite, em condição de anonimato, um ex-assessor próximo ao governo Obama, responsável por questões jurídicas em relação à América do Sul. Um “jogo” que virou armadilha.

Quando assumiu a Presidência da República em 2003, Lula sabia que era esperado que mudasse. Principalmente no que diz respeito ao combate à corrupção, antigo demônio da vida política brasileira e um de seus principais argumentos de campanha. Assim, confiou ao seu novo ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, a tarefa de reformar o sistema judiciário, aceitando a nomeação como chefe de acusação de um procurador nomeado pelos seus pares, enquanto os seus antecessores costumavam escolher quem fosse mais complacente com o poder.

Uma das primeiras traduções concretas desse compromisso é a criação de cursos dedicados ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado. Sergio Moro seria um dos primeiros juízes indicados para presidir esses tribunais. Ao mesmo tempo, uma estratégia nacional de luta contra a lavagem de dinheiro e a corrupção foi posta em prática com o objetivo assumido de “facilitar as trocas informais” dentro da administração, e tornar mais eficiente o exame dos casos.

O jovem magistrado radicado em Curitiba, responsável à época do caso Banestado, investigação sobre lavagem de dinheiro em banco público regional, está entre os mais fervorosos adeptos dessa estratégia, que permite obter com mais rapidez o fornecimento de impostos e ativos informações e compartilhá-las com várias autoridades, inclusive estrangeiras.

Medo do terrorismo

É verdade que, no mundo da cooperação judiciária internacional, a luta contra a corrupção, a lavagem de dinheiro e o terrorismo ocupa um lugar especial. Após os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos estavam procurando por todos os meios neutralizar ataques futuros, em particular visando as redes financeiras dessas organizações. Porém, no Brasil, a inteligência americana estava preocupada com a presença, na tríplice fronteira entre Argentina, Paraguai e Brasil, de possíveis células do Hezbollah, entidade apoiada pelo Irã e colocada por muito tempo na lista negra americana.

O governo Bush busca então aumentar a ação contraterrorista de Brasília que, na época, polidamente se recusa a fazê-lo. Para contornar a frieza das autoridades brasileiras – que consideram que o risco terrorista é deliberadamente exagerado pelos Estados Unidos – a embaixada americana em Brasília estava tentando criar uma rede de especialistas locais, capazes de defender as posições americanas “sem parecer peões” de Washington, para usar a frase do embaixador Clifford Sobel em um telegrama diplomático americano que o Le Monde pôde consultar.

Sergio Moro, que estava então colaborando ativamente com as autoridades americanas no caso Banestado, é então abordado para participar de um programa de relacionamento financiado pelo Departamento de Estado. Ele aceita. Foi organizada então uma viagem aos Estados Unidos em 2007, durante a qual fez uma série de contatos dentro do FBI, do DoJ e do Departamento de Estado, ou seja, relações exteriores.

Em dois anos, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília formou uma rede de magistrados e advogados convencidos da relevância do uso das técnicas americanas.

A Embaixada dos Estados Unidos está procurando aumentar sua vantagem. No desejo de estruturar uma rede alinhada às suas orientações no meio jurídico brasileiro, cria nela o cargo de assessor jurídico ou assessor jurídico residente. A escolha recaiu sobre Karine Moreno-Taxman, procuradora especializada na luta contra a lavagem de dinheiro e o terrorismo.

Desde 2008, esta especialista desenvolve um programa denominado “Projeto Pontes” que, a fim de apoiar as necessidades das autoridades judiciárias brasileiras, organiza cursos de formação que lhes permitem se apropriar dos métodos de trabalho americanos (grupos de trabalho anticorrupção) , a sua doutrina jurídica (as delações premiadas, em particular), bem como a sua vontade de partilhar informação de forma “informal”, isto é, fora dos tratados bilaterais de cooperação judiciária.

A embaixada passa então a aumentar o número de seminários e reuniões com juízes, promotores e altos funcionários especializados, com foco nos aspectos operacionais da luta contra a corrupção. Sergio Moro participa como palestrante. No espaço de dois anos, o trabalho de Karine Moreno-Taxman dá frutos: a embaixada constitui uma rede de magistrados e advogados convencidos da relevância do uso das técnicas americanas.

Em novembro de 2009, o assessor jurídico da embaixada é convidado a falar na conferência anual de policiais federais brasileiros. O encontro estava sendo realizado em Fortaleza, uma cidade litorânea e sem charme do Nordeste do Brasil, onde cerca de 500 profissionais da manutenção da ordem, da segurança e do direito são convidados a debater o tema “luta contra a impunidade”.

“Em um caso de corrupção, é preciso correr atrás do 'rei' de forma sistemática e constante para derrubá-lo”, afirma o assessor jurídico da embaixada dos Estados Unidos em Brasília

Sergio Moro está lá, presente desde a primeira hora do congresso. É ele mesmo quem abre os debates, pouco antes de passar a palavra ao deputado norte-americano. O juiz de Curitiba se lança citando o ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, depois ataca desordenadamente os crimes do colarinho branco, a ineficiência e as falhas de uma justiça brasileira doente, segundo ele, de um sistema de “recursos infinitos” muito favorável aos advogados de defesa. Ele defende a reforma do Código Penal, destacando que as discussões nessa direção estão ocorrendo paralelamente no Congresso de Brasília. Aplausos na sala.

Na frente da platéia, a senhora Moreno-Taxman está sentada. Ela fala em um tom muito menos seco e sério do que seu antecessor, mas tão direto: “Em um caso de corrupção” – ela diz – “você tem que correr atrás do ‘rei’ de uma maneira sistemática e constante para derrubá-lo”. E é mais explícita: “Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é necessário que o povo odeie essa pessoa”. Finalmente: “A empresa deve sentir que realmente abusou de sua posição e exigir sua condenação”. Mais uma vez aplausos do público.

O nome do presidente Lula, enredado no escândalo do “Mensalão”, caso de suborno e compra de votos no Congresso, revelado em 2005, não é citado em nenhum momento. Mesmo que ele esteja presente na mente de todos, ninguém imagina então que este se tornará o “rei” designado pela senhora Moreno-Taxman. No entanto, é isso que vai acontecer.

Espionagem ilegal

Por enquanto, o governo petista não vê nada chegando. Três meses depois da reunião de Fortaleza, em vez de fazer uma reforma política para acabar com o financiamento ilegal de campanhas eleitorais, o partido prefere fazer promessas à opinião pública apresentando um projeto de lei anticorrupção. Espera, assim, responder às críticas recorrentes desde que o PT assumiu o poder e ganhar influência na cena internacional ao cumprir, em particular, os padrões da OCDE, onde o grupo de trabalho contra a corrupção (Grupo de Trabalho da OCDE sobre Suborno em Transações Comerciais Internacionais), fortemente influenciada pelos Estados Unidos, está pressionando o Brasil a reformar sua legislação nessa área.

Sergio Moro, por sua vez, se posiciona publicamente no sentido de endurecer as penas previstas no projeto de lei e garantir a adoção das confissões premiadas como instrumento jurídico válido. Aquele que agora se tornou uma das figuras do debate brasileiro sobre questões de lavagem de dinheiro usa métodos que beiram a legalidade – usurpação das prerrogativas do Ministério Público, instrução de ordens preventivas de prisão apesar da oposição de autoridades superiores, escuta telefônica de advogados ou personalidades com parlamentares imunidade – e com isso desperta a desconfiança de alguns dos magistrados.

“Os crimes ligados ao poder são por natureza, tendo em vista a posição de seus autores, difíceis de comprovar por meio de provas diretas”, daí “a maior elasticidade na aceitação de provas por parte do Ministério Público”

O magistrado de Curitiba é, porém, nomeado, no início de 2012, desembargador assistente de Rosa Weber, recém-eleita juíza do Supremo Tribunal Federal. Esta última, especialista em direito do trabalho, pretendia ter um perito em direito penal que a pudesse apoiar no julgamento final do “Mensalao”. Sergio Moro escreverá assim em parte a polêmica decisão da juiza neste caso. “Os crimes ligados ao poder são por natureza, tendo em vista a posição de seus autores, difíceis de comprovar por meio de provas diretas”. Portanto, especifica o texto: “a maior elasticidade na aceitação de provas por parte da acusação”. Um precedente que será levado ao pé da letra pelo juiz e pelos promotores de “Lava Jato” à época da denúncia e condenação de Lula.

O processo foi iniciado em 2013. Os parlamentares brasileiros, que debatem o projeto de lei anticorrupção há três anos, decidiram votar em meados de abril. Para ficarem bem em relação ao grupo de trabalho da OCDE, eles incluem a maioria dos mecanismos previstos em uma lei americana, que está começando a ser falada no meio empresarial: a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA).

Criada em 1977 a partir de Watergate, o objetivo principal dessa lei era combater atos de corrupção de empresas americanas no exterior, impondo-lhes sanções financeiras. Até o final da Guerra Fria, isso raramente era aplicado. Tudo mudou na década de 1990. O governo Clinton começou a reformar a FCPA, o que iria acompanhar a adoção de uma convenção anticorrupção dentro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a fim de “multilateralizar os efeitos”, de acordo com um telegrama da embaixada americana.

É o critério de competência da lei que detona: qualquer empresa que tenha qualquer ligação com os Estados Unidos e que tenha pago um funcionário estrangeiro para fins de corrupção pode ser objeto de uma acusação. Qualquer vínculo é entendido como o trânsito de fundos por uma conta bancária americana, ou a transmissão de um e-mail cujo servidor esteja localizado em solo americano.

Na verdade, praticamente todas as empresas ao redor do mundo estão expostas à lei, incluindo aquelas que competem com empresas dos Estados Unidos por grandes contratos, como venda de armas e equipamentos, construção e serviços financeiros. Esse desenvolvimento levará a um aumento das penalidades vinculadas à implementação da FCPA: de alguns milhões de dólares na década de 1990, passamos a vários bilhões na década de 2010. E, neste contexto, a América Latina em geral e o Brasil em particular será de interesse para os promotores do DoJ.

Violações das regras de procedimento

Estes últimos, que dependem do poder executivo, embora sejam considerados “autônomos” do resto da administração americana, sabem que a próxima implementação da lei anticorrupção brasileira lhes permitirá sancionar as empresas brasileiras nos termos da lei FCPA. Em novembro de 2013, por ocasião da Conferência da FCPA, o encontro anual de personalidades do mundo jurídico americano, o procurador-geral adjunto do DoJ, James Cole, anunciou que o chefe da unidade da FCPA dos Estados Unidos faria uma viagem ao Brasil na esteira, com o objetivo de "treinar promotores brasileiros" no uso da lei.

Poucos meses antes, Sergio Moro retomou um antigo caso de lavagem de dinheiro, ligado ao “Mensalão”, que deixava de lado desde 2009. Diz respeito às relações de vários intermediários desonestos (Carlos Chater e Alberto Youssef), com José Janene, membro do Partido Progressista (partido de direita que apoia a coligação governamental). O juiz curitibano está interessado nos investimentos dos dois empresários na empresa Dunel Indústria, feitos por meio das contas bancárias de um posto de gasolina chamado “Posto da Torre”, em Brasília. A pedido do senhor Moro, Chater é grampeado de julho a dezembro de 2013: trata-se de saber se esses investimentos servem para mascarar possíveis atos de lavagem de dinheiro em favor do senhor Janene.

É fazendo a ligação entre a Dunel Indústria, com sede no Estado do Paraná, e o posto de abastecimento, por onde passam grandes somas, inclusive para determinados executivos da Petrobras, que Sergio Moro afirma sua competência para julgar o caso. Manipulação curiosa: a maior parte dos atos de lavagem de dinheiro e corrupção de MM. Chater e Youssef acontecem em São Paulo. De acordo com o processo penal brasileiro, isso deveria ter levado um juiz daquela jurisdição a tratar do caso – e não Sergio Moro. Mas o magistrado de Curitiba entendeu os meandros do judiciário brasileiro. Ele sabe que, ao ocultar a localização dessas empresas de fachada, poderá manter o controle da investigação. Desde que os tribunais superiores o permitam. E é isso que vai acontecer.

Seduza a opinião pública

A partir de agosto de 2013, alguns juristas viram o perigo decorrente da implementação da nova lei anticorrupção. Uma nota premonitória, publicada pelo escritório de advocacia americano Jones Day, prevê que terá efeitos deletérios para a justiça brasileira. Alerta contra seu funcionamento “imprevisível e contraditório” devido ao seu caráter de “influência” no plano político, bem como a ausência de procedimentos de “aprovação ou controle” . Segundo o documento, “cada membro do Ministério Público é livre para iniciar o processo segundo as suas próprias convicções, com reduzida possibilidade de ser prevenido por uma autoridade superior” .

Apesar dos alertas, o governo e seus aliados seguem em frente. A presidente Dilma Rousseff, sempre nessa vontade de acariciar uma opinião pública cada vez mais crítica, decide até endurecer seus critérios de aplicabilidade. Os parlamentares acreditam que esta lei não os afetará mais do que as anteriores.

Após seis meses de investigação, o juiz de Curitiba tem informações suficientes para expedir os primeiros mandados de prisão. Em 29 de janeiro de 2014, a lei anticorrupção entra em vigor. No dia 17 de março, o grupo de trabalho “Lava Jato” é formalmente criado pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. À sua cabeceira, ele nomeia o procurador Pedro Soares, que se opõe a que Sérgio Moro receba o tratamento do caso, uma vez que os supostos crimes de Alberto Youssef ocorreram fora de Curitiba. Sua abordagem falhará. Ele será substituído por outro procurador, Deltan Dallagnol, 34, que não só será favorável a Moro no caso, mas também se tornará o principal sustentáculo do magistrado.

Para os Estados Unidos, trata-se de reduzir a influência geopolítica do Brasil na América Latina, mas também na África

Desde o nascimento, a Lava Jato atrai a atenção da mídia. A orquestração das prisões e o ritmo das acusações do Ministério Público e de Moro transformam a operação em uma verdadeira novela política e judicial fora do comum. Enquanto o Brasil se prepara para embarcar em uma campanha presidencial e legislativa, a elite política e econômica do país de repente parece tomada de medo com a ideia de ser varrida por essa cascata interminável de revelações. E a lista continua.

Ao mesmo tempo, o governo de Barack Obama viu um aumento nos protestos de países aliados, destacando-se a França, preocupada com a proliferação de sanções impostas pelo DoJ, no âmbito do combate à corrupção, visando certas bandeiras nacionais, como o Grupo Alstom. Para sinalizar seu apoio político às ações anticorrupção empreendidas por seu governo, a Casa Branca publicou uma “agenda anticorrupção global” em setembro de 2014.

Lá está escrito que a luta contra a corrupção no exterior (por meio da FCPA) pode ser usado para fins de política externa, a fim de defender os interesses de segurança nacional. Um mês depois, Leslie Caldwell, então procurador-geral adjunto do DoJ, faz um discurso na Duke University: “A luta contra a corrupção estrangeira não é um serviço que prestamos à comunidade internacional, mas sim uma ação de fiscalização necessária para proteger nossos próprios interesses de segurança nacional e a capacidade de nossas empresas americanas de competir no futuro”.

No terreno sul-americano, as gigantes brasileiras da construção Odebrecht, OAS ou Camargo Correa, em plena expansão, entraram diretamente na linha de fogo das autoridades norte-americanas. Não só porque ganham mais contratos, mas também porque participam do fortalecimento da influência geopolítica do Brasil na América Latina e na África, ao financiar, ilegalmente na maioria das vezes, as campanhas eleitorais de personalidades próximas ao PT, lideradas pelo consultor de comunicação da legenda, João Santana. Só em 2012, o estrategista eleitoral, confortavelmente financiado pela Odebrecht, organizou três campanhas presidenciais na Venezuela, República Dominicana e Angola, sem falar no município de São Paulo. Todas vencidas pelos candidatos de Santana.

Promessas de boa vontade

Diante de diversos jornalistas que integram o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), Thomas Shannon, embaixador americano estacionado em Brasília de 2010 a 2013, disse que o projeto político brasileiro para a integração econômica da América do Sul suscita sérias preocupações no Departamento de Estado. Este último “considerou o desenvolvimento da Odebrecht parte do projeto de poder do PT e da esquerda latino-americana”, afirma o diplomata.

“Se somarmos a tudo isso as péssimas relações pessoais entre Barack Obama e Lula, e um aparato petista que ainda desconfia do vizinho norte-americano, podemos dizer que tínhamos trabalho a fazer para remediar a situação. Barre” , reconhece um ex-membro do DoJ encarregado de casos latino-americanos. A tarefa será ainda mais difícil a partir das revelações do informante Edward Snowden, em agosto de 2013, sobre a espionagem da Agência de Segurança Nacional Americana (NSA) contra Dilma Rousseff, que sucedeu Lula em 2011, e a Petrobras, ainda mais frias as relações entre Brasília e Washington.

Várias alavancas de influência são ativadas. Há a FCPA e as redes de promotores e magistrados treinados em técnicas de investigação implantadas nos últimos anos. Para atingir seus objetivos, o DoJ usa uma grande isca: o compartilhamento das multas que serão impostas pelas autoridades americanas às empresas brasileiras no âmbito da FCPA.

Para prestar garantias de boa vontade às autoridades americanas, os investigadores brasileiros estão organizando a visita confidencial a Curitiba, em 6 de outubro de 2015, de dezessete membros do DoJ, do FBI e do Ministério da Segurança Interna para que este receba um explicação detalhada dos procedimentos atuais. Eles dão acesso a advogados de empresários potencialmente chamados a “colaborar” com a justiça americana, sem que o Poder Executivo brasileiro seja informado. Mas isso tem um preço: cada uma das multas impostas às empresas brasileiras pela FCPA terá que incluir uma parcela destinada a Brasília, mas também à operação “Lava Jato”. Os americanos aceitam. Com o negócio fechado, os promotores brasileiros irão pescar empresas que possam estar sob o controle do DoJ.

“Os policiais devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, já que os casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes que influenciam as eleições e as economias”, disse um funcionário do FBI.

Enquanto sua maioria parlamentar derrete como neve ao sol diante da proliferação de negócios, a presidente Dilma Rousseff decide convidar seu mentor, Lula, para participar do governo. Uma manobra vista como a última tentativa de salvar sua coalizão. Ao mesmo tempo, membros da Polícia Federal, por ordem dos promotores, grampearam – fora de qualquer marco legal – os telefones dos advogados de Lula (vinte e cinco defensores no total), e até mesmo do próprio presidente. Sergio Moro vai, assim, monitorar uma conversa entre este e Dilma Rousseff. Uma troca de palavras enigmáticas sobre o futuro de Lula, que o magistrado envia prontamente à Rede Globo e que selará a demissão da presidenta poucos meses depois.

Durante este período conturbado, os promotores do DoJ estão monitorando de perto a situação política no Brasil. De acordo com Leslie Backshies, então chefe da unidade internacional do FBI, que desde 2014 tem a tarefa de ajudar os investigadores de Lava Jato, “os oficiais devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, porque os casos de corrupção internacional podem ter grandes efeitos que influenciam as eleições e as economias”. O especialista esclarece: “Além de conversas regulares de negócios, os supervisores do FBI se reúnem com os advogados do DoJ trimestralmente para analisar possíveis ações judiciais e possíveis consequências”.

É, portanto, com pleno conhecimento dos fatos que estes últimos encerram sua denúncia contra a Odebrecht nos Estados Unidos. No entanto, os líderes do grupo relutam em assinar o acordo de “colaboração” proposto pelas autoridades americanas, que inclui o reconhecimento de atos de corrupção não só no Brasil, mas em todos os países onde esta gigante da construção está instalada.

Para dobrá-los, os magistrados ordenam ao banco Citibank, responsável pelas contas da subsidiária americana da empresa, que dê à Odebrecht trinta dias para encerrá-los. Em caso de recusa, os valores depositados nessas contas serão colocados em liquidação judicial, situação que excluiria o conglomerado do sistema financeiro internacional e, portanto, o colocaria em falência.

A Odebrecht concorda em "colaborar", o que permite aos promotores de Curitiba, embora não tenham competência normativa para julgar atos de corrupção ocorridos fora do Brasil, para obter as confissões premiadas dos executivos da empresa. Confissões que irão posteriormente enriquecer a acusação do DoJ sob a FCPA.

O comunicado foi divulgado na véspera das festas de fim de ano de 2016. A Operação Lava Jato está na capa da mídia internacional. Sergio Moro é convidado para a lista das cem personalidades mais influentes da revista Time. O semanário New York Americas Quarterly dedica sua capa a ele. Por sua vez, os promotores do DoJ acolhem publicamente essa cooperação sem precedentes. Em conferência realizada nas instalações do Atlantic Council, em Washington, Kenneth Blanco, então procurador-geral adjunto do DoJ, declarou que “Brasil e Estados Unidos trabalharam juntos para obter provas e construir negócios” . E diz: “É difícil imaginar uma cooperação tão intensa na história recente como a que ocorreu entre o DoJ e o Ministério Público brasileiro”.

Moro e sua equipe começam 2017 com confiança. Não que tenham obtido provas contundentes contra Lula – suas conversas privadas via Telegram provam o contrário –, mas sim porque sua influência política e midiática é tal que eles vão tirar vantagem, às vezes desafiando a maioria dos princípios.

Ameaças do Exército

Quando Lula foi condenado por “corrupção passiva e lavagem de dinheiro” em 12 de julho de 2017, poucos jornalistas relataram que essas acusações foram pronunciadas “por fatos indeterminados”. O argumento é, no entanto, explicitamente declarado no documento de 238 páginas detalhando a decisão do Sr. Moro. Nos anexos à condenação, o magistrado esclarece que “nunca afirmou que os valores obtidos pela empresa OAS com os contratos com a Petrobras foram usados para pagar vantagens indevidas ao ex-presidente”.

Outra estranheza que revela o peso adquirido pela operação Lava Jato no judiciário brasileiro: a prisão do ex-presidente Lula, embora seja contrária à Constituição brasileira. O artigo 5 diz, de fato, que nenhum litigante pode ser preso antes do final do processo. No entanto, sob a intensa pressão da opinião pública conquistada pela operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal alterou sua jurisprudência na matéria, em 2016.

O pedido de habeas corpus dos advogados de Lula é rejeitado por seis votos contra cinco na sequência de um tweet de o comandante do Exército ameaçando a Suprema Corte de “assumir suas responsabilidades institucionais” no caso de esta decidir a favor do ex-presidente.

Poucas horas após a decisão dos juízes, Sergio Moro emite seu mandado de prisão: Lula é preso no dia 7 de abril. Ele não poderá participar da eleição presidencial de 2018. Enquanto o magistrado parece ter sido conquistado pela arrogância, a máquina infernal é lançada. Jair Bolsonaro vence a eleição presidencial com folga e nomeia aquele que eliminou Lula como chefe do Ministério da Justiça. Do lado americano, nos congratulamos por ter minado os sistemas de corrupção implantados pela Petrobras e pela Odebrecht, bem como suas capacidades de influência e projeção político-econômica na América Latina.

Para os procuradores de Curitiba, o DoJ planejou reembolsar 80% de todas as multas impostas ao grupo petrolífero pela FCPA, que eles podem administrar como entenderem. Uma fundação de direito privado deve ser criada para administrar 50% desse maná. Os membros da diretoria dessa fundação são nada menos que os próprios promotores da Lava Jato e vários líderes de ONGs, inclusive da seção brasileira da Transparência Internacional, que ao longo dos anos se tornou um dos principais guardiões. Dois procuradores da equipe, o senhor Dallagnol e Roberson Pozzobon, chegam a pensar em criar uma estrutura jurídica em nome de seus respectivos cônjuges, a fim de cobrar por serviços de consultoria na área de “anticorrupção”.

Um denunciante preso

Eleito Bolsonaro, a imprensa internacional não demora a se distanciar do “vigilante de Curitiba”. Vem sublinhar a sua inconsistência ética ao aliar-se, assim, a um presidente de extrema direita, membro, há décadas, de uma pequena formação especialmente conhecida por ter estado envolvida em inúmeros casos de corrupção.

Por sua vez, os juízes do STF não escondem o espanto ao tomarem conhecimento, em março de 2019, do conteúdo do acordo negociado em segredo entre os promotores de Lava Jato e seus congêneres do DoJ. O juiz Alexandre de Moraes decidirá suspender a criação da fundação da Lava Jato e colocará em liquidação as centenas de milhões de dólares em multas pagas pela Petrobras.

É neste contexto que a primeira revelação de The Intercept estoura. Em maio de 2019, o Sr. Greenwald recebeu de um denunciante, Walter Delgatti, 43,8 gigabytes de dados de conversas privadas, via Telegram, da equipe Lava Jato. Após verificação, três artigos são publicados em um domingo de junho. Moro e os promotores não reconhecem a veracidade das trocas. Eles afirmam não ter cometido ilegalidade, embora se recusem a entregar seus telefones para exame.

Várias semanas depois, quando o Sr. Greenwald decide oferecer acesso aos dados a vários meios de comunicação, ficamos sabendo de um comunicado à imprensa do governo que Sergio Moro foi aos Estados Unidos de 15 a 19 de julho. Aproveitou esta estadia para consultar os seus homólogos? As autoridades americanas, solicitadas pela Agência Publica, se recusarão a confirmar ou negar as informações. Mesmo assim, o Sr. Delgatti foi preso pouco tempo depois pela Polícia Federal.

Embora essas revelações não tenham afetado significativamente a popularidade do magistrado, a aura do juiz continua a se desgastar na imprensa internacional. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal acaba reconhecendo a inconstitucionalidade da prisão de Lula. Ele foi libertado em 8 de novembro de 2019. O ex-presidente foi absolvido de sete das onze acusações contra ele (a promotoria apelou em quatro casos). Lula ainda não foi julgado em quatro casos que os especialistas consideram menos importantes.

Sergio Moro acabou renunciando ao cargo em abril de 2020. A elite política de Brasília dá as costas e as pesquisas se invertem. Segue-se na ponta dos pés, rumo a Washington, onde reproduz o modelo das portas giratórias, esses gateways que permitem que ex-magistrados do DoJ que trabalharam em casos relacionados à FCPA revendam as informações privilegiadas obtidas durante suas investigações para grandes escritórios de advocacia e ganhem muito dinheiro.

O anúncio cai em novembro de 2020, em meio às eleições municipais no Brasil. Ficamos sabendo que o ex-juiz de Curitiba foi recrutado pelo escritório Alvarez & Marsal. Agência especializada em assessoria empresarial e contencioso com sede na capital federal em 15 Shet NW, em frente ao Tesouro dos Estados Unidos e a 200 metros da Casa Branca.

Brasil registra 3.693 mortes em 24 horas e se aproxima de 350 mil óbitos

No último dia foram contabilizados também 93.317 novos casos de coronavírus no país
 

247 -O Brasil registrou nas últimas 24 horas 3.693 mortes por Covid-19, totalizando 348.718 óbitos pela doença no país desde o início da pandemia, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgados nesta sexa-feira (9).

Foram contabilizados também no último dia 93.317 novos casos de coronavírus, totalizando 13.373.174 diagnósticos positivos.

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A catastrófica resposta brasileira à covid-19 pode representar crime contra a humanidade

 

Casos de covid-19 estão aumentando no Brasil, enquanto a variante mais transmissível P1 se espalha pelo país

No Brasil, a abordagem do governo federal à pandemia de covid-19 foi a de tentar alcançar a imunidade de rebanho por meio do contágio. Isso até agora levou a mortes evitáveis de centenas de milhares de cidadãos. Em 5 de março, publicamos um artigo explicando a estratégia de permissão da disseminação da covid-19, conduzida por Jair Bolsonaro, o próprio presidente brasileiro. [1] Desde então, como esperado, o Brasil mergulhou em uma catástrofe salutar sem precedentes. Na semana passada, quase um terço de todas as mortes diárias por covid-19 no mundo estava no Brasil, embora o país represente somente 2.7% da população mundial. Em 2 de abril, tivemos 12.8 milhões de casos e mais de 325 mil mortes. Nessa semana 21-27 de março, houve um aumento diário de 0.8% nos casos e de 1.9% nas mortes; a letalidade passou de 2% para 3.3% desde o final de 2020. [2] As novas variantes circulando no Brasil se tornaram uma séria preocupação para os países vizinhos. A catástrofe poderia ser muito pior se o país não tivesse o sistema público de saúde (SUS) que se baseia no acesso universal. Ainda assim, o sistema atingiu o colapso. Em 29 de março de 2021, 17 de 27 estados federais alcançaram a taxa de 90% de ocupação ou mais nas UTIs; entre as 27 capitais, 21 mostraram as mesmas taxas, e 7 delas chegaram à capacidade total ou estavam trabalhando acima dela. [4] Na maioria dos postos de saúde, o número de leitos disponíveis, embora insuficientes, é resultado de sucessivas expansões devido a alta demanda. Mesmo com esses esforços, em 25 de março, 6.371 pessoas estavam esperando por um leito na fila da UTI. [5] Em março, 496 pessoas perderam suas vidas enquanto esperavam na lista da UTI somente no estado de São Paulo. [6] Os estoques de medicamentos usados para intubações de pacientes estão quase esgotados. [7] A escassez de oxigênio, começando em janeiro no estado do Amazonas, afetou diversas outras cidades e ameaça o resto do país. O colapso do sistema de saúde está resultando em maiores taxas de mortalidade, tanto de covid-19 quanto de outras doenças, incluindo pela falta de assistência médica disponível. Em 2020, as taxas de mortalidade nos hospitais já estavam altas: 59% entre os pacientes de UTI e 80% entre as pessoas que precisaram de ventilação mecânica. Em 2020, 9.311 brasileiros morreram sem assistência em casa por causa da covid-19. [8,9] Contrário ao cenário, quase todos os estados federais adotaram medidas restritivas para conter a circulação da covid-19. Eles enfrentaram grande oposição do governo federal.

Bolsonaro até entrou com um processo no Supremo Tribunal Federal contra três governadores, que tinham temporariamente suspendido as atividades comerciais. [10] O caso foi descartado devido a inconsistências legais básicas. Ele ainda mantém uma falsa oposição entre a economia e a saúde e alega que as medidas de lockdown causariam fome, desemprego e caos social. A fome, no entanto, é o resultado da negligência do próprio governo federal. O apoio financeiro oferecido para famílias de baixa renda, permitindo que ficassem em casa durante a pandemia, acabou em dezembro de 2020, forçando milhões de brasileiros a voltarem a trabalhar. Um novo programa de auxílio foi anunciado, mas reduzido de 600 para 150 reais e, no pico da pandemia, ainda não foi implementado. O auxílio financeiro para pequenas e médias empresas é mísero, que levou alguns donos a se posicionarem contra o fechamento temporário dos seus negócios. Empregados foram incitados e participarem de manifestações nas ruas contra governadores e prefeitos que adotaram a quarentena, e quase sempre sem máscaras. Bolsonaro continua realizando encontros públicos, promovendo o negacionismo científico, e defendendo o uso precoce de remédios ineficazes contra a covid-19. O chamado “kit covid”, promovido pelo governo federal, inclui hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, e anticoagulantes, que podem causar hemorragia, arritmias e falência renal. Em São Paulo, ao menos cinco pacientes que receberam prescrições para o “tratamento precoce” entraram na fila de transplantes de fígado e três morreram de hepatite. [11] Em 23 de março de 2021, um novo ministro da Saúde foi empossado. O General Eduardo Pazzuelo, que deixou o posto, foi acusado de diversos crimes de acordo com o código penal brasileiro, entre eles estão o mal uso de dinheiro público e violação de medidas de saúde preventivas. [12] O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um médico, prometeu organizar a vacinação contra a covid-19. A implementação da vacinação permanece lenta, enquanto os presidentes da Câmara e do Senado aceitam a aquisição de vacinas pelo setor privado para imunizar donos de empresas, suas famílias e empregados. [13] Isso poderia prejudicar a eficácia do plano nacional de imunização ao subverter a ordem de prioridade e aumentar desigualdades e divisões de acesso à saúde. Bolsonaro, que se opôs à vacinação por meses, começou a apoiá-la, devido a aderência geral do povo às campanhas conduzidas por governos locais e ao agravamento da crise de covid-19. A resposta à pandemia entre os militares segue mais rigorosamente as recomendações da OMS, como o uso de máscaras e distanciamento físico, como descrito pelo atual Comandante do Exército, General Paulo Sérgio, em uma entrevista recente. [14] No final de março, uma suposta tentativa de “auto-golpe” por Bolsonaro contra a resistência das Forças Armadas, que se opuseram à intenção do Presidente de intervir militarmente nos estados que estão adotando medidas de quarentena, fracassou. [15] Mesmo assim, o presidente ainda engaja em guerras declaradas contra governadores e prefeitos, quem ele descreve como “ditadores” que violam os direitos dos cidadãos e prejudicam a economia. [16] Na nossa opinião, a posição do governo federal pode constituir crime contra a humanidade. De acordo com a jurisprudência criminal internacional, o uso massivo e sistemático de pressão para induzir o público a se comportar de uma certa maneira, de acordo com um plano pré-concebido, que faz uso considerável de meios públicos e privados, pode representar um ataque à população civil. O fato permanece que, se a decisão de tentar alcançar a imunidade de rebanho ao permitir a disseminação do contágio continuar sem punição, é provável que se torne um meio extraordinário para que futuros líderes prejudiquem populações vulneráveis negligenciando medidas de saúde pública. Referências: 1] https://blogs.bmj.com/bmj/2021/03/05/covid-19-in-brazil-the-government-has-failed-to-prevent-the-spread-of-covid-19/
2] https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/boletim_extraordinario_2021-marco-30-red.pdf
3] https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,descontrole-da-pandemia-no-brasil-assusta-america-do-sul,70003654733
4] https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/boletim_extraordinario_2021-marco-30-red.pdf
5] https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/26/brasil-tem-mais-de-6300-pessoas-na-fila-por-leitos-de-uti
6] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/04/01/quase-500-pessoas-com-covid-19-morreram-a-espera-de-um-leito-de-uti-em-marco-no-estado-de-sp.ghtml
7] https://saude.ig.com.br/2021-03-25/estoque-de-medicamentos-para-intubacao-da-rede-privada-deve-acabar-em-4-dias.html
8] https://www.thelancet.com/journals/lanres/article/PIIS2213-2600(20)30560-9/fulltext
9] http://www.arpenbrasil.org.br/sala_imprensa_materia.php?id=9
10] https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/03/19/bolsonaro-entra-com-acao-no-stf-contra-restricoes-de-governadores-do-df-ba-e-rs
11] https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,apos-uso-de-kit-covid-pacientes-vao-para-fila-de-transplante-ao-menos-3-morrem,70003656961
12] https://www.cartacapital.com.br/justica/oab-pede-a-pgr-que-pazuello-responda-por-crimes-contra-a-saude-e-prevaricacao/
13] https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/04/01/As-investidas-para-permitir-a-vacina%C3%A7%C3%A3o-privada-no-Brasil
14] https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/03/4914583-general-paulo-sergio-diz-que-exercito-ja-espera-3—onda-da-covid.html
15] https://www.theguardian.com/world/2021/mar/30/brazil-military-chiefs-resign-bolsonaro-fires-defense-minister
16] https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2021/03/18/bolsonaro-diz-que-entrou-com-acao-no-stf-contra-decretos-de-governadores.htm *Publicado originalmente em 'the bmj opinion' | Tradução de Isabela Palhares

 

Rossana Reis, Fernando Aith e Deisy Ventura | em Carta Maior | Imagem: Cemitério em Manaus (DPA)

CARTA MAIOR

 

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2021/04/a-catastrofica-resposta-brasileira.html

Enquanto Argentina reafirma luta por justiça...

 

 

Brasil de Bolsonaro vive tentativa de reafirmar golpe de 1964

É hora do STF se blindar contra o vírus negacionista e anticonstitucional. Só Lula pode ressuscitar o Estado. Para isso, é preciso derrotar o lawfare

Na Argentina, governada por Alberto Fernandez/Cristina Kirchner e a Frente de Todos, neste 24 de março, foi o 45o. ano das comemorações pela Memória, Justiça e Verdade sobre as 30 mil vítimas do maior genocídio na América Latina dos últimos tempos, produto do golpe cívico-militar. 

Realizaram-se mobilizações restringidas pela pandemia, mas pontuais em todo o país, desde a Praça de Maio (com fotos dos desaparecidos, representações teatrais, algumas presenças das heroínas, mães e avós dos lenços brancos, dos familiares das vítimas, Sindicatos e Associações pelos direitos humanos); grupos de vizinhança aglutinados em jardins municipais e escolas, famílias nas varandas e nas calçadas, plantaram árvores, rendendo, desta forma, a homenagem de um povo que não perde memória, reafirma o “Nunca Mais” e exige o julgamento de todas as causas pendentes de lesa humanidade. 

“Plantar Memória” foi o lema do dia. Tudo num contexto político em que avança uma promissora Reforma Judicial, e se desvenda um escandaloso esquema do “lawfare” onde juízes, procuradores e jornalistas seletos visitavam, repetidamente, o ex-presidente Macri, durante o seu governo, na residência oficial de Olivos, dias antes de que a mídia hegemônica (Clarín/ La Nación) publicasse acusações contra a ex-presidenta Cristina Kirchner e dirigentes do seu governo. A recente revelação sobre a chamada Operação Olivos, foi feita por jornalistas investigativos do El Destape e desencadeou uma severa atuação da Justiça. Veja no Café na Política.

 

 

Enquanto isso, no Brasil de Bolsonaro, antes do 31 de março, caem ministros de áreas estratégicas como Defesa, Relações Exteriores, Justiça, comandantes das três Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), numa tentativa de reafirmação dos objetivos reacionários do golpe de estado de 1964. Algo muito grave, da dimensão de um autogolpe de Estado, mas sem transparências, nem efeitos paupáveis para um povo sofredor que requer medidas concretas, vítimas de uma terrível crise sanitária com mais de 330 mil mortos pela pandemia. 

 

Entre vais e vens de especulações da grande mídia alegando um suposto laço de Bolsonaro à centro-direita, contrastando com flamejantes manchetes críticas e negativas que tendem a descartá-lo e a levá-lo ao impeachment; surgem declarações de generais (de fora e de dentro do governo) insinuando amor à institucionalidade e à democracia, contrapondo-se ao capitão-chefe. Se agrega aos fatos, o fracasso de suspeitas de quarteladas e mobilizações da extrema-direita nazi-bolsonaristas. 

Porém, ao mesmo tempo, não há nenhuma indicação evidente de que os novos generais delineiem propósitos por uma guinada rumo à democracia entendida como bem estar social, soberania nacional, ou um plano sanitário e econômico de urgência frente à catástrofe da pandemia produzida pelo governo genocida. Inútil falar em democracia, sem direitos à saúde, à vida e à sobrevivência frente à hecatombe provocada pela política privatizante e entreguista de Paulo Guedes, sem uma mudança de rota; sem um lockdown amplo e prolongado, um auxílio emergencial mínimo de 600 reais aos desempregados e despossuídos e vacinação anti-covid19 em massa. Mudar de máscara não é suficiente para enfrentar a Pandemia. 

Tudo indica que Bolsonaro já não serve ao “partido militar-midiático-judicial” da Lava Jato que o colocou na presidência para assegurar os interesses das corporações financeiras. Sobretudo agora que Lula está em campo e Gilmar Mendes, Levandovsky junto a outros juízes decidiram apitar o jogo segundo a constituição e não às ordens de qualquer general candidato a substituto de Villas Boas.

Enquanto isso, por ocasião do dia da Memória, Verdade e Justiça na Argentina, a vice-presidenta Cristina Kirchner, no município Las Flores disse referindo-se aos golpistas da ditadura cívico-militar dos anos 76: “Eles precisavam do desaparecimento e da tortura para impor um modelo econômico. 

Nada aconteceu com aqueles que nacionalizaram suas dívidas e apoiaram a ditadura. Eles ficaram mais ricos e nos deixaram esse presente. Entre eles, a família e o grupo econômico de quem já sabemos. Os otários se fizeram quando todos os argentinos tiveram que pagar suas dívidas”, disse em clara alusão ao ex-presidente Mauricio Macri e ao grupo econômico de sua família.

O lawfare é jurídico, midiático, mas é sobretudo econômico.  E este componente é o das corporações financeiras e extraterritoriais, com mãos no Departamento de Estado dos EUA. 

Há 45 anos na Argentina, e 57 anos no Brasil, esse poder se impôs através do Exército, através das armas, da repressão e da tortura física. Já vimos, porém, que nas últimas décadas a arquitetura do golpe de ocupação econômica neoliberal tomou outro formato: o do golpe suave, disfarçado no lawfare. A Lava Jato é a versão brasileira do lawfare. A ex-presidenta Dilma Rousseff foi vítima das duas formas de golpe. 

E o lawfare que contou na Argentina com o chamado “Partido Judicial-Midiático”, no Brasil contou com um componente militar (Partido Militar-Judicial-Midiático) que de forma “branda” ocupou ostensivamente ministérios e instituições políticas chaves, via eleições fraudulentas do Bolsonaro e do Moro, o juiz suspeito, parcial e lesa-pátria.

Este último golpe do lawfare no Brasil do ponto de vista econômico vai mais longe que o de 1964, no desmonte do Estado: privatização da Petrobrás, ameaças à Eletrobrás, Banco do Brasil e Central, redução dos direitos previdenciários e trabalhistas, dos ministérios da Saúde e Educação, etc… Tudo isso, somado ao negacionismo da Pandemia são ou não são um genocídio produzido pelo golpe “suave” do lawfare?

O último surto político antes deste 31 de março, com mudanças de ministros e comandos das Forças Armadas, e os recentes abalos no STF a favor de Lula, indicam que o lawfare (Lava Jato) que se serviu e colocou Bolsonaro e Moro no governo perde estabilidade e tentará mudar de porta-voz, enquanto o campo não for ocupado por uma força política de esquerda que o desmonte completamente. 

É hora do STF se blindar contra o vírus negacionista, evangélico e anticonstitucional. A política econômica neoliberal de Guedes, esse tanque de guerra que move a Lava Jato, desmontando o Estado, impondo PECs, cortes sanitários, privatizando e desempregando não só é incompatível com o ascenso da hecatombe da pandemia, mas é inadmissível. Continuar com isso, é um genocídio, pior que mil golpes militares do passado. O lawfare econômico, vacila entre impor-se na força – com militares apátridas e milicianos – forçando o negacionismo pandêmico, portanto, o genocídio, ou trocar de máscara. O Financial Times já está preferindo esta última opção.

Biden, o Mourão, e o centrão poderão ser a nova cara do lawfare das corporações tratando de descartar Bolsonaro e recompor-se para uma estratégia eleitoral. Já sabemos no que vai dar. Além disso, o país não poderá esperar o outubro de 2022. 

Lula não só representa o único candidato eleitoral das forças progressistas, nacionalistas e populares para reverter o país; mas é quem tem a experiência, o programa de emergência e de reconstrução nacional para tirar o país do atoleiro; tem a autoridade política para dialogar com todas as forças políticas progressistas nacionais e internacionais, e essencialmente com o povo, mobilizá-lo para dar-lhe protagonismo e poder. 

Nas entrevistas no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e na TV Bandeirantes ao jornalista Reinaldo Azevedo,  Lula deixa claro que não se atém à agenda midiática das eleições de 2022 e insiste na urgência nacional de um plano de produção e vacinação massiva para por um freio à pandemia já. E atenção! Como alertado por Dilma Rousseff nas suas recentes entrevistas: “a intervenção estrangeira não resolverá o nosso problema.”  

Os EUA, nem com Trump, nem com Biden, são um exemplo para ser um interventor de causas humanitárias e, menos ainda para preservar a soberania do Brasil, em terreno minado pelas milícias de Bolsonaro.

Não há como vencer a pandemia sem a união dos povos, governos populares e sem Estado

A retirada da Argentina do Grupo de Lima, alegando que as ações do mesmo não conduziam a nada e perseguiam o único objetivo de  “isolar o governo da Venezuela e seus representantes”, foi um grande golpe aos promotores do império do lawfare, do novo Plano Condor, e um impulso para relançar a retomada dos BRICs, da Unasul e consolidar um Mercosul para reintegrar a América Latina nos moldes da Pátria Grande ensaiada com Hugo Chávez e os governos progressistas do decênio inicial do século. Essa onda anti-imperialista se reativa na região. Nem López Obrador do México, nem Luís Arce da Bolívia (que entrou no Grupo na presidência da golpista Jeanine Añez) assinam os acordos do Grupo de Lima.

Apesar das barreiras sanitárias ao Brasil frente aos riscos pandêmicos produzidos pelo abandono do país por Bolsonaro, cresce a Frente político-econômica de governos progressistas e movimentos sociais da América Latina. A China é o parceiro e fornecedor de insumos para as vacinas CoronaVac do Instituto Butantã. A Venezuela, sob riscos de contaminação própria, levou oxigênio ao povo de Manaus. A vacina soberana II que a pequena Cuba, campeã no envio de médicos pelo mundo afora, produzirá em 100 milhões ao seu país e aos irmãos da América Latina, deverá chegar em breve à Argentina na fila da Sputnik-V, da Sinopharm e da Astrazenica-Oxford. O papa argentino, Francisco, na sua mensagem pascoal reitera sua aproximação com o campo progressista mundial: “que os países acelerem a distribuição de vacinas  contra a Covid-19, sobretudo aos pobres”, e criticou o “escândalo dos conflitos armados e os gastos militares durante a pandemia”.

Lula é um motor fundamental dessa Frente, oxigena o tecido solidário mundial, apela à coordenação urgente dos governos na guerra contra o vírus, conclama ao G20 e especificamente a Putin, presidente do país criador da vacina cientificamente mais reconhecida e disputada no mundo. Enfim, a guerra contra o vírus requer dois antídotos: a vacina e a política justa. Não há política justa sem Estado. No Brasil, só Lula pode ressuscitar o Estado. Para isso, é imprescindível derrotar o lawfare.

Helena Iono | Opera Mundi  - Buenos Aires (Argentina)

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2021/04/enquanto-argentina-reafirma-luta-por.html

O mea culpa que falta aos meios de comunicação

Apesar de citar os inaceitáveis ataques misóginos sofridos pela ex-presidenta Dilma Rousseff, a ex-senadora diz que editorial da Folha de S. Paulo peca profundamente quando ele próprio procura apresentar justificativas e razões para tais agressões

 

No editorial do jornal Folha de S. Paulo de sábado (3) com o título Mulheres para trás: baixa participação feminina na política derruba o Brasil em ranking de igualdade de gênero, o periódico procura enfrentar a questão das desigualdades de gênero no Brasil.

Reconhece acertadamente os retrocessos registrados em nosso país quanto à participação das mulheres nos espaços de poder, sobretudo na política. Reconhece, da mesma forma, os retrocessos institucionais quanto à busca da equidade entre os gêneros.

Reconhece finalmente que tais retrocessos ocorreram principalmente nos governos que sucederam Dilma Rousseff (PT), ou seja, nas gestões de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar de citar os inaceitáveis ataques misóginos sofridos pela presidenta Dilma, o editorial peca profundamente quando ele próprio procura apresentar justificativas e razões para tais agressões.

Como se fosse possível justificar qualquer forma de violência e de agressão contra quem quer que seja. Não! Não é possível!

O jornal, voluntariamente ou não, acabou por repetir aquela velha e lamentável máxima que prevalece nas sociedades machistas, onde a culpa é sempre da mulher, dizem “mas, o que ela estava fazendo sozinha na rua tão tarde da noite“ ou “quem mandou usar aquela saia curta”.

O periódico, de uma outra forma, faz o mesmo quando “justifica” que foi por conta da forma de governar de Dilma, por conta de sua política econômica, para qual se refere como uma “desastrosa condução econômica” (opinião da qual discordo profundamente) que Dilma sofreu os inúmeros e inaceitáveis ataques e violências.

Não! Não foi por sua forma de governar que a presidenta sofreu tantos ataques, foi pelo fato de ser mulher. Somente por ser mulher.

Quem não lembra das tantas capas das revistas de circulação nacional durante o golpe? Que estampavam as piores fotos de Dilma com os títulos mais ofensivos, como “As explosões nervosas da presidente” ou “Uma presidente fora de si”, entre tantos outros.

Tratavam a presidenta como uma pessoa “desequilibrada”. Um homem jamais sofrera ou sofrerá esse tipo de agressão, pelo contrário, sempre foram e serão vinculados à força, à coragem, ao poder e à determinação.

Quanto aos retrocessos impostos às mulheres no Brasil do pós-golpe, precisamos lembrar as duras críticas feitas, inclusive pelos meios de comunicação, tanto a Lula, quanto a Dilma, em relação às políticas afirmativas adotadas em seus governos, políticas que seguiam inclusive diretrizes de organismos internacionais, e que garantiram às negras e aos negros no Brasil ingressarem nas universidades, as mulheres acessarem mais direitos, incluindo o título da sua própria casa, aos ribeirinhos da Amazônia terem acesso à energia elétrica e aos municípios isolados contarem com universidades públicas.

Criticavam as cotas raciais e de gênero principalmente, e faziam, como fazem hoje, apologia à “meritocracia“.

O editorial, portanto, que se propôs a analisar dados concretos e objetivos, que retratam os retrocessos do Brasil diante do mundo, nas questões de gênero e no maior empobrecimento das mulheres, deveria, para ser honesto consigo mesmo e com seus eleitores, fazer como fez Becky S. Korich, em artigo publicado na última sexta-feira, dia 02, no próprio jornal Folha de São Paulo, cujo título era “Mea-culpa” e onde a autora faz uma profunda autocrítica sobre o voto em Bolsonaro nas eleições de 2018!

Quem sabe um dia ainda não veremos a mesma autocrítica por parte dos meios de comunicação? Inclusive em relação ao golpe de 2016? Quem sabe?

Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-mea-culpa-que-falta-aos-meios-de-comunicacao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-mea-culpa-que-falta-aos-meios-de-comunicacao

Por um Orçamento onde caibam vidas

Em Orçamento aprovado pela Câmara, reforço para combate à pandemia é de 1 bi – a moeda de troca de Bolsonaro com o “centrão” custará 26 bi.

Por Juliane Furno | Revista Opera

(Foto: Victor Idrogo / Banco Mundial)

No dia 25 de março a Câmara dos Deputados votou o Orçamento de 2021, que agora segue para vetos ou sanção presidencial. Diga-se de antemão, a descoordenação é tamanha que o orçamento deveria ter sido votado ainda no fim de 2020, logo após a votação das diretrizes mais gerais expressas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). 

O desenho do Orçamento vai, ano a ano, entrando em contradição com o emaranhado de regras fiscais brasileiras. Desde a aprovação do Teto de Gastos, as despesas primárias do governo – aquelas que excluem as despesas financeiras – precisam caber em um minguado nível de receitas. Como se não bastasse o conjunto de regras fiscais precedentes – teto de gastos, regra de ouro, Lei de Responsabilidade Fiscal e meta de Resultado Primário – o Governo Federal ainda colocou, de contrabando, em nome da necessidade de uma nova rodada de auxílio emergencial – a chamada PEC Emergencial –, o acionar de gatilhos automáticos para cortar gastos quando as despesas obrigatórias atingirem 95% das despesas totais.

A PEC Emergencial entra necessariamente em contradição com o Teto de Gastos porque, em função dessa regra, o conjunto da despesa obrigatória cresce, principalmente a despesa com Previdência Social. Assim, o total obrigatório vai espremendo a despesa discricionária, levando, necessariamente, a uma situação em que a despesa obrigatória, logo mais, chegará aos 95% da despesa total, em função do pequeno espaço fiscal existente em função do Teto.

Como se não bastasse seguir operando sob essas regras fiscais em meio à maior pandemia do século – algo que os países desenvolvidos abriram mão – o orçamento ainda veio com total inversão de prioridades, a começar pelo gasto com saúde, que terá redução em relação ao orçamento executado em 2020, justamente no momento mais grave da pandemia. Além disso, a suplementação ao Ministério da Saúde é apenas metade da suplementação aprovada para o Ministério do Desenvolvimento Regional, movimento em completa dissonância com relação a necessidade de ampliação dos gastos com saúde pública.

O salário mínimo, no ano de 2021, não irá nem repor a inflação. Isso é particularmente deletério à população brasileira em dois sentidos: o primeiro deles é o aumento expressivo do custo da Cesta Básica em função da concentrada inflação dos alimentos. Para que se tenha uma ideia, em 2014 o salário mínimo correspondia a 44% do custo da Cesta Básica; em fevereiro de 2021 esse mesmo salário corresponde a 60%. Ou seja, em termos reais, o poder de compra da população está caindo e comprometendo um direito humano básico que é o da alimentação. Em segundo lugar, o salário mínimo é um “farol” que atua como referência para o salário médio de pelo menos 50 milhões de trabalhadores. A sua correção com R$12 de defasagem com relação à inflação reduz um monte substantivo na massa salarial total. Gente com menos renda consome menos e isso significa mais obstáculos à recuperação econômica.

E não para por aí: a boiada está passando, e isso fica expresso no fato de que o Ministério do Meio Ambiente teve cortes orçamentários na ordem dos R$ 560 milhões. Caso a comparação seja com o valor total outrora recebido em 2013, o montante que consta em 2021 é três vezes menor. O IBAMA, a título de exemplo, terá uma redução de 25% nas suas receitas, justamente em um período em que avançam as queimadas e investida contra o meio ambiente.

A educação teve um leve aumento de recursos no Orçamento proposto em relação ao ano de 2020. No entanto, o montante é insuficiente para repor as perdas do setor. O orçamento para a educação em 2021 é apenas 70% do que foi gasto em 2015. O ensino superior é o mais atingido. A CAPES teve corte de 14% e gastará três vezes menos do que o montante gasto no ano de 2015. Falando nisso, a tesourada foi de 34% no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, justamente em um momento em que fica a necessidade de desenvolvimento de tecnologia e capacidade de inovação nacional ficou tão explícita.

Enquanto a destinação orçamentária para o reforço de recursos no combate à pandemia foi de apenas R$ 1 bilhão, a moeda de troca de Bolsonaro com o “centrão” fisiológico do Congresso Nacional – as emendas parlamentares – serão do montante de R$ 26 bilhões.

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Ver original em 'Ópera' na seguinte ligação:

https://revistaopera.com.br/2021/04/07/por-um-orcamento-onde-caibam-vidas/

Direita empresarial se refestela em jantar de irresponsáveis com o Bolsonaro e seus ministros - Lula é o centro

Enquanto o Brasil caminha para a morte por Covid-19 de 250 mil pessoas, sendo assim o epicentro da doença no mundo, banqueiros e grandes empresários realizaram, em São Paulo, a reunião da "elite" econômica escravocrata com o séquito de Jair Bolsonaro

 

 

Por Davis Sena Filho

Enquanto o Brasil caminha para a morte por Covid-19 de 250 mil pessoas, sendo assim o epicentro da doença no mundo, banqueiros e grandes empresários realizaram, em São Paulo, a reunião da "elite" econômica escravocrata com o séquito de Jair Bolsonaro, o presidente que sugere irresponsavelmente medicamentos à população, que, comprovadamente, não combatem o coronavírus, assim como sabota perversamente o isolamento apregoado pelos órgãos de saúde nacionais e internacionais.

Enfim, nove bilionários dos 65 que o Brasil tem, segundo publicações da revista Forbes, estavam presentes à comezaina ou patuscada, sendo que todos eles, menos outros dois que não compareceram por estarem no exterior, são reconhecidos como bolsonaristas, a ter como exceção Luciano Hang, dono da Havan, que não foi convidado, porque considerado por muitos como um bolsominion radical e rocambolesco, porque pleno de palhaçadas mil, como se vestir de verde e amarelo, dar opiniões políticas sem pé nem cabeça, bem como ficar muito parecido com periquitos e papagaios de tamanhos gigantescos, a exemplo de Zé Carioca, personagem de quadrinhos da Disney.

 

Trata-se realmente da "elite" econômica, volto a sublinhar, mais inconsequente e irresponsável do mundo ocidental, porque mantenedora do atraso e do retrocesso, da pobreza, da miséria e da ignorância, além de ser autora de golpes de estado, a ter sempre como referência para manter seus benefícios e privilégios intactos a concentração de renda e riqueza brutal, a efetivar como resultado desse processo dantesco as desigualdades sociais e regionais no Brasil, sendo elas iguais e próximas dos bolsões de pobreza e miséria de países da América Latina e África.

Enfim, lá estavam reunidos os golpistas de 2016 com o mandatário pária em termos mundiais, Jair Bolsonaro. O empresariado bilionário que transforma o Estado em instrumento para atender seus interesses patrimoniais e financeiros, que apoiaram a deposição de uma presidente honesta e a prisão injusta de um ex-presidente que não incorreu em crimes, como comprovam suas inúmeras vitórias na Justiça em todas as instâncias, bem como não deixam dúvidas a autoria de crimes graves contra o País e sua população por parte dos bandidos que se aboletaram no covil putrefato e mais do que insalubre da Lava Jato.

No entanto, 56 dos bilionários "brasileiros" restantes não participaram da reunião da direita com a extrema direita, assim como muitos deles consideram que o desgoverno militarista inconsequente e aloprado, que premeditadamente e propositalmente desmonta criminosamente o estado nacional e, com efeito, o País, a prejudicar de morte o mercado interno e os investimentos estatais e estrangeiros, já pensam em uma saída político-eleitoral que permita a retomada da economia e a reconquista de milhões de empregos extintos por causa de um golpe de estado que redundou no fim dos investimentos públicos, na quebra descomunal de empresas brasileiras gigantescas, assim como na extinção de centenas de milhões de micro, pequenas e médias empresas.

 

Para isso, tais bilionários que são protagonistas e cúmplices do golpe de estado de 2016, que permitiu que gente de baixo nível de comprometimento com o País e intelectualmente abaixo do nível do mar assumissem a Presidência da República no lugar de Dilma Rousseff, que não cometeu quaisquer crimes. Pilantras como Michel Temer, um golpista e traidor de carteirinha acusado de todo tipo de corrupção, com provas.

Tal figura infame e sórdida se tornou presidente do Brasil sem ter um único voto, sendo que no poder o usurpador imediatamente iniciou o desmonte das estatais, deu fim aos programas de inclusão social, aos códigos e estatutos de proteção ambiental e das minorias sociais, além de velozmente entregar o pré-sal à gringada pirata, malandra e esperta, que suga e rouba as riquezas de países com "elites" subalternas e colonizadas, a exemplo da brasileira, que jamais em todos os tempos pensou o Brasil e propôs algum projeto de País e programa de governo.

Enquanto isso, os bilionários golpistas estão a pensar em como sair desse buraco em que se meteram, a conviver e se dar mal com os resultados provenientes das políticas econômicas ultraliberais chicago boy Paulo Guedes, que matam as galinhas dos ovos de ouro, que são os empregos, o consumo no mercado interno, os créditos aos pequenos empreendedores e aos trabalhadores e servidores públicos, além de um política externa sem preconceitos e livre de ideologias, como o faz o desgoverno irresponsável e incompetente do pária mundial, Jair Bolsonaro.

 

O fim dos investimentos públicos e os 20 anos de congelamento de setores como a saúde e a educação, a destruição da indústria naval, das empreiteiras brasileiras multinacionais, o engessamento do setor nuclear e a paralisação criminosa de milhares e milhares de obras por todo o País são as consequências draconianas, que transformaram o Brasil uma seara de tristezas, desassossegos, desesperanças e mortes, a ter como resultado mais grave a violência, porque há muito tempo se tornou uma epidemia, que causa grandes dores ao povo brasileiro.

Não satisfeitos com toda degradação social e econômica imposta ao País, tais bilionários "brasileiros" que moram, na verdade, no exterior com suas famílias, porque o Brasil para essa gente não passa de um fazendão com mão de obra barata para explorar e enriquecer, os bilionários politicamente estúpidos resolvem ovacionar um dos principais causadores das crises sem fim que o País enfrenta, que é o presidente da República.

A verdade é que essa gente estúpida finge não perceber que o Brasil tem uma população completamente dividida há quase uma década, sendo que os milhões de eleitores que votam na esquerda e estão fartos de um desgoverno claudicante, instável e insensível para questões sérias como a pandemia do coronavírus, poderão agora contar com os votos das pessoas que votaram em Bolsonaro por muitos motivos que influenciaram o contexto das eleições de 2018.

A fatídica e mórbida eleição levou a extrema direita ao poder, mas que após um pouco mais de dois anos as realidades se modificaram tão radicalmente, que hoje o ex-presidente Lula lidera muitas pesquisas eleitorais, bem como se tornou uma referência moral por ter comprovado e vencido seus mais agressivos, mentirosos e perversos adversários nos campos da justiça e da política.

Lula agora, e como nunca, é o centro político e partidário, e caberá a ele decidir se será candidato, assim como influenciará profundamente no que diz respeito ao debate sobre o Brasil dos últimos tempos, pois a partir de 2022 este País completará nove anos de quando foram realizados os primeiros protestos de direita nas ruas, no ano de 2013, e hoje a nação vivencia uma País arrasado em todos os sentidos. Arrasado, literalmente, por suas "elites" econômicas de almas escravocratas e colonizadora do próprio povo.

O problema desses bilionários inconsequentes e também do desgoverno militarista e ultraliberal é como vencer as eleições que se aproximam se os números sociais e econômicos são terrivelmente negativos. Com inflação prevista para quase 5% em 2021 e taxa selic de também 5%, além da dura realidade de um PIB que regrediu 4,1%, em 2020, pois de sexta maior economia do mundo, o Brasil passou a ser a 12ª com previsão de ser a 14ª, em 2022, segundo a agência Austin Rating. Além disso, o Brasil entrou em recessão no primeiro trimestre de 2020, encerrando um ciclo de fraquíssimo crescimento dos três anos anteriores, que envergonharia qualquer economista estagiário.

É coincidência? Obviamente que não. A partir do desgoverno do sujeito abjeto e traiçoeiro Michel Temer, o Estado começou a ser desmontado e as políticas econômicas desenvolvimentistas deram lugar às políticas neoliberais implementadas pelo banqueiro Henrique Meirelles, na era Temer, para, posteriormente, radicalizarem-se com o igualmente banqueiro Paulo Guedes, agora no desgoverno do extremista de direita Jair Bolsonaro.

Por sua vez, nem todos os bilionários brasileiros com instintos de predadores do seu próprio País estão de acordo com a reunião mequetrefe e rastaquera entre os fundamentalista do desgoverno Bolsonaro e os nove bilionários bolsonaristas. Um punhado de outros bilionários que não foram à reunião em São Paulo recentemente realizou um manifesto que dispunha sobre medidas de combate à pandemia. Inclusive esses bilionários fizeram críticas contundentes ao desgoverno Bolsonaro.

A verdade é que os bilionários por enquanto não estão unidos. Enquanto a minoria dos com bilhões se encontra com o Bolsonaro para dar-lhe apoio e fazer o contraponto às críticas recebidas pelo presidente de extrema direita pela maioria dos com bilhões, o Brasil dos militares no poder desce ladeira abaixo como nunca visto antes na história desse País com vocação para o fracasso.

Por seu turno, Lula volta à tona para respirar e olhar o que está à sua volta, de forma a atrair grupos sociais e econômicos, a fim de construir e sedimentar alianças para que o Brasil dê fim à sua divisão que remonta a 2013 e com isso cicatrizar o tecido social, que precisa voltar a ficar interligado e, consequentemente, dar início à recuperação não somente econômica e social, mas sobretudo moral, porque quando uma sociedade complexa e diversificada como a do Brasil se divide, as consequências são incomensuráveis e, com efeito, é necessário fechar as feridas e dar sequência, aí sim, ao desenvolvimento de infraestrutura e à recuperação dos direitos sociais perdidos e dos programas de inclusão extintos, além da macroeconomia, evidentemente.

O problema maior é que a "elite" econômica e seu braço, a direita partidária e ideologicamente predadora, tem de ter discernimento e responsabilidade com o País e sua população. Do contrário, não será possível retomar o desenvolvimento e recuperar as perdas insofismáveis que o Brasil teve e seu povo foi vítima, a pagar pelo seu erro político e eleitoral com fome e desemprego.

Os bilionários estão aí, à espera de que alguma coisa aconteça para eles ganharem mais dinheiro. O desgoverno fascista está aí, à espera de dar um autogolpe ou que aconteça algum milagre que o permita vencer as eleições de 2022. O Lula está aí, em busca de alianças, porque Lula governou oito anos e ele é a única força política do momento que tem a possibilidade de aglutinar e abrir um diálogo nacional em prol do Brasil e de seu povo. Como já disse: Lula é o centro; e o centro é o Lula. É isso aí.

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Mais de 19 milhões de pessoas passam fome no Brasil com a pandemia

Segundo o estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, mais de metade dos domicílios brasileiros vivencia algum nível de insegurança alimentar.

A insegurança alimentar atinge mais de 166 milhões de brasileirosCréditosLeo Malafaia / Brasil de Fato

Cerca de 19 milhões de pessoas passam fome no contexto da pandemia do coronavírus no Brasil. Uma pesquisa realizada em Dezembro de 2020 mostra que, nos três meses anteriores à recolha de dados, mais de 116 milhões de pessoas conviveram com algum grau de insegurança alimentar, não tendo acesso pleno e permanente a alimentos.

Isto significa que mais de metade dos domicílios brasileiros sofreu algum tipo de privação. De acordo com o estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), a percentagem de famílias nesta situação era de 55,2%.

Destes, refere a pesquisa, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente (insegurança alimentar moderada ou grave) e 19,1 milhões (9% da população) estavam a passar fome (insegurança alimentar grave).

Um problema histórico, mas que chegou a ser combatido eficazmente

No relatório apresentado, afirma-se que «a fome no Brasil é um problema histórico, mas houve um momento em que fomos capazes de combatê-la. Entre 2004 e 2013, os resultados da estratégia Fome Zero, aliados a políticas públicas de combate à pobreza e à miséria, se tornaram visíveis».

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2004, 2009 e 2013, registou-se «uma importante redução da insegurança alimentar em todo o país», sendo que, em 2013, «a parcela da população em situação de fome havia caído para 4,2%» – levando a que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) excluísse o Brasil do Mapa da Fome que divulgava periodicamente.

 

Mas o êxito alcançado na «garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável foi anulado», revela o estudo. «Os números actuais são mais do que o dobro dos observados em 2009», precisa.

O retrocesso mais acentuado deu-se nos últimos dois anos. Entre 2013 e 2018, a insegurança alimentar grave teve um crescimento de 8% ao ano. Entre 2018 e 2020, a aceleração foi ainda mais intensa: a fome aumentou 27,6% ao ano.

De acordo com a pesquisa, que abrangeu 2180 domicílios nas cinco regiões do país, em áreas urbanas e rurais, a insegurança alimentar cresceu em todo o Brasil, com especial incidência nas regiões Norte e Nordeste, que registam índices de insegurança alimentar acima dos 60% e 70%, respectivamente. Já a insegurança alimentar grave (fome) esteve presente em 18,1% dos lares do Norte e em 13,8% do Nordeste.

Nada indica que a situação tenha melhorado

Renato Maluf, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, especialista em segurança alimentar e coordenador Rede PENSSAN, afirma não existirem indícios de que a situação melhorou este ano. «Temos todas as razões para achar que nesses primeiros meses do ano a situação se agravou», disse, em declarações ao Brasil de Fato.

Para o especialista, nenhum dos factores que influenciam a segurança alimentar das famílias melhorou nos últimos meses, nomeadamente a garantia de emprego e o rendimento, cada vez mais debilitados.

 

«Outro indicador indirecto é verificar como aumentaram as manifestações de preocupação em relação à fome e as acções de solidariedade. Então, seja pelo agravamento dos determinantes, seja pela maior presença do tema nos debates públicos, tudo nos leva a crer que a situação só fez piorar», frisou.

Para travar o aumento da fome no Brasil, Renato Maluf aponta que é preciso retomar de imediato o auxílio de emergência, com valor suficiente para que o apoio ao sustento das famílias seja efectivo. «Esse auxílio que o governo está retomando essa semana não vai dar para muita coisa», alertou.

Além disso, entende ser necessário trabalhar politicamente com vista à retomada do emprego e preservação dos pequenos negócios. A longo prazo, Maluf defende que serão precisas iniciativas mais fortes nas políticas de abastecimento.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/mais-de-19-milhoes-de-pessoas-passam-fome-no-brasil-com-pandemia

Lula é o centro e Ciro é o cavalo de Tróia da direita a sabotar a esquerda

 

 

Luiz Inácio Lula da Silva só não será candidato a presidente da República pelo Partido dos Trabalhadores se ele decidir não concorrer ao certame eleitoral ou se ocorrer algo fora de seu controle, bem como de seu partido e de seus milhões de eleitores, tanto os convictos quanto os não convictos, mas que perceberam com o passar do tempo que Lula é um político civilizado, que tem sincera preocupação social e que governa para todos os brasileiros de diferentes classes sociais, além de tratar a soberania do País e os interesses da população brasileira como política de Estado.

Outrossim, nota-se claramente que o País, após o trágico desgoverno de um político moralmente traidor e golpista, da laia de Michel Temer, para logo após ascender ao poder central o ex-deputado do baixo clero, Jair Bolsonaro, um político neofascista que implementa no País o fracassado neoliberalismo, que faz do Brasil terra de ninguém, com índices e números sociais e econômicos vergonhosos, além de ser o maior responsável pela mega crise sanitária que coloco o povo brasileiro de joelhos e para debaixo da terra, sendo o País atualmente o campeão mundial de mortes por Covid-19.

Dito isto, voltemos a Ciro Gomes, o político de direita que há duas décadas ou mais tenta disfarçar sobre suas origens burguesas e liderança de seus interesses, porque aliado do político tucano e grande empresário, Tasso Jereissati, além de ser cria do PDS, sigla partidária herdeira da Arena, dois partidos que foram a base da maioria que deu sustentação à ditadura militar, que torturou, matou e durou 21 longos anos, assim como sua vida partidária é uma tragédia, pois a trocar de partido como se troca de camisa, a demonstrar, sem sombra de dúvida, sua instabilidade política e ideológica.

 

Ciro Gomes foi do PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS e ultimamente está a dar uma de trabalhista, pois filiado ao PDT, partido fundado pelo trabalhista histórico Leonel Brizola, que se fosse vivo certamente entraria em conflito com Ciro, que jamais foi um político de esquerda como o foi Brizola, que pagou caro por isso, porque foi forçado a um exílio de 15 anos (1964/1979), o mais longo de todos os brasileiros que foram exilados para não morrer nas mãos do regime ditatorial implantado em 1964.

Ciro Gomes está agora a testar todos seus limites e contradições de seu passo a passo como político que há anos luta para ser o representante da maioria da esquerda se não fosse o PT de Lula, o mais importante político brasileiro desde a década de 1980 e o líder do maior partido de esquerda da América Latina e um dos maiores do mundo, assim como um dos fundadores da CUT e construtor de uma base social sólida, que ora está a enfrentar a violência e as irresponsabilidades do desgoverno de Bolsonaro.

Exatamente o PT, o partido umbilicalmente ligado aos movimentos sociais, sindicais, às classes trabalhadoras, ongs, minorias, CUT, sem teto e sem terra, bem como está inserido no mundo estudantil secundarista e universitário, além de sempre contar com o voto de parte da classe média, os setores que não foram às ruas para dar golpe de estado e nem pagar mico vestida de amarelo ou verde como se fosse papagaio ou periquito, a fim de ter "sua" doméstica de volta ao quartinho de empregada, como vi presencialmente em alguns cartazes expostos por "madames" estúpidas em Copacabana.

 

Ciro, na verdade e ao perceber que não terá o apoio da maioria da esquerda, bandeou-se de vez da onde jamais deveria ter saído, ou seja, o campo da direita. O problema é que ele mesmo, sendo filho da direita, a direita não confia nele, fato este que também ocorre nas fileiras da esquerda. Então Ciro se tornou um pária do mundo político, um franco atirador míope, com enormes dificuldades para dialogar com a sociedade em geral, bem como com os partidos em particular, o que o leva a não se tornar confiável aos milhões de eleitores brasileiros, tanto à direita quanto à esquerda. E ele sabe disso muito bem, assim como o status quo.

Ciro, meus camaradas, é o andrógino da política brasileira, pois ele não sabe se é de direita, de esquerda ou de centro, que é a direita metida a civilizada, mas que apoia golpes quando acontecem golpes neste País. Tais realidades, porém, forçam o Ciro Gomes ser um eterno migrante de seus próprios pensamentos, ideologias, valores e princípios, que possam formar um conjunto de propostas e práticas que o levassem a fundamentar um projeto de País e programa de governo.

A verdade é que Ciro ao ser extremamente agressivo ao PT e às suas principais lideranças, à frente o Lula, ele metodicamente e frontalmente se alia às forças mais atrasadas e retrógadas deste País de alma escravocrata, em um discurso belicista e altamente desrespeitoso ao ponto de uma pessoa que não conhece o Brasil ou não acompanha a política nacional pensar que Ciro Gomes é um membro fanático da Lava Jato ou pertence aos grupos de bolsominions que infestam o País por meio de seus venenos, a exemplo de pedir golpe militar para fechar o Congresso e o STF, dentre outros órgãos e instituições republicanas.

 

O problema de Ciro é o próprio Ciro com seu incomensurável ego e sua indescritível vaidade e agressividade, além de vocação para a derrota em âmbito nacional, pois um político que quando concorre às eleições por qualquer partido, pois pertenceu a sete deles, possui em média 10% ou um pouco mais do que esta porcentagem, o que, sobremaneira, não o coloca como candidato com fôlego suficiente para vencer as eleições.

Ciro sabe disso e por isso opta por um discurso contundente e pleno de violência contra um partido que melhorou as condições de vida do povo brasileiro, que é o caso do PT, além de ser injusto e ao mesmo tempo sórdido quando comete infâmias ao atacar Lula com palavras impróprias e completamente ausentes de veracidades, pois o propósito é desmontar e desconstruir o virtual candidato Lula nem que tenha de fazer um discurso odiento, vexatório e próximo ao que a extrema direita fez e faz para que o candidato do PT não concorresse às eleições de 2018, assim como impedi-lo de concorrer também ao pleito eleitoral de 2022.

Ciro tem como estratégia demonizar o PT e Lula para agradar o Centrão e setores reacionários da sociedade. Trata-se de políticos conservadores e de direita que são também considerados como representantes da direita tradicional, a tentar se descolar do bolsonarismo de extrema direita, xucro e tratado como algo inusitado, além de bizarro no mundo civilizado. O Centrão é a direita que golpeou a presidente Dilma Rousseff e que pavimentou o caminho para que Bolsonaro e os militares assumissem o poder central, mas a arrasar a economia do País e os interesses dos grandes empresários, ao ponto de os banqueiros já terem anunciado que desejam outra via que não seja o Bolsonaro com seus milicos elitistas, sectários e incompetentes, além de totalmente desprovidos de projeto de País e programa de governo.

A verdade é que essa gente inconsequente e irresponsável deu com os burros n'água e pariram uma sujeito que é isolado no mundo e que envergonha qualquer brasileiro que tenha um pouco de consciência política e sentimento de preservação moral. Trata-se de um verdadeiro desastre o que acontece desde 2013 no Brasil. E Ciro sabe disso, como tem a plena compreensão que cooperou, e muito, com a ascensão de Bolsonaro ao poder, quando resolveu fugir para Paris e abandonar as fileiras dos segmentos políticos e sociais democráticos que enfrentavam os fascistas no segundo turno das eleições de 2018.

Ciro pensa que engana a quem, se todos sabemos que ele é o cavalo de Tróia da direita a lutar para dividir a esquerda, além de desejar ser o candidato da direita tradicional, que apoiou e votou na extrema direita, que tem à frente o Partido dos Militares ou dos Generais, que não é oficial, mas está no poder da forma mais escancarada possível, após 30 anos sem encher o saco da sociedade brasileira, que hoje vê e percebe o quão esses milicos são antipovo e a favor dos interesses empresariais em forma, inclusive, de privatizações do patrimônio público. Surreal, os milicos do país de terceiro mundo praticante de golpes de estado são privatistas. Milicos privatistas! É isto mesmo. Ninguém merece.

A verdade é que Ciro Gomes não terá nenhuma coisa e nem outra, pois ninguém, volto a comentar, confia nele, tanto à esquerda quanto à direita. Entretanto, para ter o apoio de segmentos radicais de direita e de setores de esquerda infantilizados e malcriados como forma de se expressar quando são derrotados em seus interesses, Ciro apela de forma violenta quando ataca o Lula, a chamá-lo, inclusive de corrupto ou de responsável pela corrupção em seu governo, no governo da Dilma e, se bobear, nos governos entreguistas e contra os trabalhadores dos tucanos.

Lula foi acusado pela corrupta e criminosa Lava Jato de ser o responsável por decisões tomadas legalmente pelo governo Dilma, a exemplo dos aviões comprados junto à Suécia. Decisões legais consideradas pelo bando da Lava Jato como criminosas, quando a verdade é que Lula não participava do governo e não era o responsável por quaisquer decisões administrativas. Para quem não sabe, muitos outros casos juntados pelos bandidos da Lava Jato tiveram como procedimento essa mesma farsa e fraude, que se comprovaram com os julgamentos do Supremo a favor de Lula.

Por sua vez, Ciro sabe disso tudo, inclusive ele contestou duramente a Lava Jato e seu modo de operar digno de fascistas e cafajestes. Ciro aposta na divisão da esquerda, como sempre o fez, bem como tenta atrair o Centrão que no Congresso é porta-voz do empresariado, que busca desesperadamente um candidato palatável para a população que vota na direita e na extrema direita, mesmo sendo esta última mais refratária e fanática quando se trata de adorar seu ídolo, que se encontra com ela nas redes sociais e no curralzinho de gado amarelado próximo ao Palácio do Planalto.

A realidade é que o Brasil passa por uma luta de classe sem precedentes, a partir da hora que milhões de pessoas consideradas pela pequena burguesia e burguesia como massa que compõe o lumpesinato, que é o seguinte: proletariado e pobres, que tiveram o atrevimento e a ousadia de melhorar de vida, comer carne e comprar frios, ir a shopping e voar de avião, frequentar a universidade pública e ter reposição salarial com exigência de carteira assinada até para as empregadas domésticas.

Lula descentralizou o orçamento da União e combateu as desigualdades sociais e regionais. Isto mesmo, começou a mandar mais dinheiro para as regiões e estados mais pobres e incluiu as populações ou grupos sociais mais frágeis no orçamento da União. Deu voz às minorias e as recebeu no Palácio do Planalto, protegeu os índios e quilombolas, tentou melhorar a vida nas favelas e periferias, bem como abriu as universidades e escolas técnicas aos pobres e negros.

O político trabalhista e de esquerda criou centenas de programas de inclusão social, a concretizar um cinturão de proteção, inclusive alimentar. E tudo isto, cara pálida, causou ódio, muito ódio, que aflorou como se saísse dos infernos provenientes dos âmagos das próprias pessoas, que odiaram ver o pobre melhorar um pouco de vida. Ciro sabe disso, bem como a direita que o destemperado político camaleônico quer representar para concorrer às eleições de 2022.

O problema é que Lula é o centro e não o Ciro. Lula é o centro. Ponto! É a realidade do tabuleiro político que se apresenta para quem quiser ver e se certificar. O político com capacidade de diálogo e de negociação acima da média. Um gênio político raro, que somente aparece de tempos em tempos na história da humanidade.

Lula é o político que enfrentou o sistema, o establishment, o status quo, sem fugir da raia. A Justiça viu. A PF viu e o MPF mais do que viu, pois sentiu o golpe, que nocauteou e, com efeito, desmoralizou a Lava Jato, um covil de delinquentes e golpistas. Trata-se da liderança brasileira de grandeza mundial, que recebeu visitas e apoios de gente importante e famosa no Brasil e no mundo dentro da cadeia. Lula recebeu mais gente importante do que o Bolsonaro no poder. O Bozo fascista, que odeia o país e por isto o desmonta sem piedade e compaixão. O Bozo negacionista e irresponsável que o Ciro Gomes ajudou a colocar no poder.

Quando Ciro toma essa atitude nefasta, porém, premeditada e calculada, ele na verdade sinaliza que vai se bandear definitivamente para a direita e parar de fingir que é de esquerda, uma atitude muito boa para os brasileiros que não serão mais enganados quanto aos propósitos políticos de Ciro Gomes. Aliás, não apenas o Ciro preferiu o Bolsonaro em vez do candidato do PT, o professor Fernando Haddad. Nada disso. Além de Ciro, os possíveis candidatos, todos de direita, a presidente da República votaram em Jair Bolsonaro e anunciaram seus votos ao público, em 2018.

Vamos a eles. Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck (sem partido), além do Ciro Gomes, que não anunciou voto no Bolsonaro, mas o favoreceu ao ir a Paris, como já comentei anteriormente. Entretanto, o problema é o seguinte: Ciro se diz de "esquerda", mas evidentemente que não é, nunca foi e jamais será. Só quem acredita em mula sem cabeça, papai noel e saci pererê, dentre outros personagens de fábulas, levaria a sério que Ciro Gomes é de esquerda. Não é, camarada?

Contudo, não disse ainda o que queria perguntar para responder: o que tem em comum esses possíveis candidatos a presidente em 2021? Respondo: Todos eles, sem exceção, votaram em Bolsonaro e hoje são signatários de uma carta pró-democracia. Na carta, como disse, afirmam que defendem a democracia e que são, pasmem, anti-Bolsonaro. Só que o Ciro viajou a Paris, assim como os cinco signatários restantes apoiaram o golpe contra Dilma, a prisão de Lula e o desmonte do estado nacional.

Agora, pergunto: eles são cínicos, hipócritas e covardes ou eles são covardes, hipócritas e cínicos. Quanta infâmia e iniquidade, meu Deus! Lula é o centro, e a direita sabe disso, bem como ela precisa retomar seus negócios no Brasil e no exterior, e por causa disso necessita de estabilidade política e econômica, além de uma Itamaraty que volte a ser o Itamaraty, assim como precisa urgentemente de um mandatário que ponha a roda da economia girar.

Lula sempre diz: "Distribuí renda e riqueza para os pobres, mas os ricos nunca ganharam tanto dinheiro como em meu governo". O Centrão sabe disso. A direita sabe disso. Os empresários sabem disso. Os banqueiros sabem disso. Os juízes, muitos deles que se mostraram analfabetos políticos, sabem disso. O povão agora, na dor, está a aprender a saber disso. As donas de casa, os trabalhadores e os estudantes sabem disso.

Quem não sabe disso é a turma dos bolsominions, uma minoria radical e fanática de 15% dos eleitores, com problemas cognitivos e visão de mundo que não ultrapassa os limites de seus umbigos ou narizes. Porém, ratifico, eles serão minoria se os brasileiros resolverem tomar vergonha para colocar o fascista Jair Bolsonaro, seus milicos despreparados e arrivistas, assim como sua turma ministerial de celerados para fora da Presidência, dentro da legalidade, porque por intermédio do voto popular. Ciro não é confiável à esquerda e à direita, pois o Cavalo de Tróia. Lula é o centro. O centro é o Lula. É isso aí.

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‘Vacina salva, Bolsonaro não’: protestos marcam o Dia Mundial da Saúde

Considerado o Dia Mundial da Saúde ‘mais triste da história’, sindicatos, movimentos e profissionais defendem o impeachment de Bolsonaro como “urgência sanitária” e o fortalecimento do SUS para o enfrentamento da pandemia

 

 

Rede Brasil Atual -Neste Dia Mundial da Saúde (7), movimentos sociais, sindicatos e profissionais da área organizaram protestos em pelo menos 12 estados contra a inoperância do governo de Jair Bolsonaroà frente da pandemia. Com atos simbólicos, tuitaço e mais de 50 manifestações presenciais, as mobilizações também reforçaram que a saída da crise sanitária depende do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e cobraram um plano de vacinação pública, gratuita e em massa contra a covid-19.

Considerado o Dia Mundial da Saúde “mais triste da história“, a data é lembrada pelo luto diante das337 mil vidas perdidas desde o início da pandemia, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em boletim da terça-feira (6). Assim como pela derrota sofrida pelo SUS às vésperas da celebração, quando foi aprovado nesta terça-feira (6) o chamado “camarote da vacina”. O projeto, que ainda passará por aprovação pelo Senado, permitirá a vacinação privada, com empresários e quem lhes interessar sendo imunizados antes dos grupos prioritários.

Os atos públicos de hoje também denunciaram o sistema de saúde em colapso, com a ausência de leitos e medicamentos, além da exaustão dos profissionais das linhas de frente. Na avenida Paulista, na cidade de São Paulo, por volta das 11h, manifestantes ocuparam as faixas de pedestres em frente ao Masp. Com máscara e respeitando o distanciamento, exibiram faixas e cartazes reivindicando contratações e melhoras das condições de trabalho, reconhecimento e dignidade aos profissionais. Também lembraram a urgência de um auxílio emergencial justo para as populações vulneráveis.

 

“Projeto político de Bolsonaro é a morte”

Na mobilização de São Paulo, a Central de Movimentos Populares (CMP), bradou por “fora Bolsonaro! E fora projeto político da morte do povo brasileiro!”. Ainda durante a manhã, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) também realizou ação simbólica em frente ao Hospital Municipal Menino Jesus, em Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital paulista.

O MTST contesta que a unidade de saúde esteja fechada no momento em que a taxa de ocupação de leitos de UTI na cidade é 89,8%, segundo o Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi) do governo de São Paulo. “A abertura do hospital, que já existe, não é cogitada, mas a possibilidade de construir um cemitério vertical com capacidade para 26 mil urnas na mesma zona leste sim, está sendo avaliada”, critica o movimento.

Também na capital paulista, outros protestos – no Hospital Grajaú, na zona sul, e em frente à Catedral da Sé, região central –, em defesa do SUS, por mais vacinas e auxílio emergencial.

 

Atos simbólicos

Em Minas Gerais, militantes da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo também ocuparam a área interna do Hospital Regional, em Governador Valadares, para cobrar a abertura imediata do equipamento. Na cidade, que soma 791 mortes em decorrência da covid, a taxa de ocupação dos leitos em hospitais públicos e particulares já é de 100%. Por sua vez, profissionais da saúde de Belo Horizonte também foram às ruas para denunciar a situação da crise sanitária na capital. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindibel).

Em outro ato simbólico, A CUT Pernambuco, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e a Campanha Fora Bolsonaro também fixaram cruzes na praça Oswaldo Cruz, em Recife, em memória das vítimas da covid. Nas ruas de Porto Velho, capital de Rondônia, um carro de som circulou para alertar a população sobre a importância do serviço público e da vacinação imediata.

Também ocorreram atos em Florianópolis, Porto Alegre, João Pessoa, Teresina, Aracajú e Rio de Janeiro. A jornada de luta e luto pelo Dia Mundial da Saúde motivou ainda um protesto em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. Com jalecos e balões, os manifestantes estenderam o símbolo do SUS sobre o gramado. O protesto foi convocado pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Conselho de Saúde do Distrito Federal e os sindicatos dos Odontologistas e Enfermeiros do DF. De acordo com os organizadores o intuito da ação é ressaltar que ao defender a saúde pública, a vida de todas as pessoas também estão sendo defendidas.

 

Garantia de direitos

“As atividades pretendem mobilizar toda a sociedade e reafirmar a saúde como direito. Queremos a vacinação pelo sistema público de saúde para toda a população, orçamento adequado para o SUS, auxílio emergencial de no mínimo R$ 600, valorização dos profissionais de saúde e garantia de direitos para nosso povo”, frisou o presidente do CNS, Fernando Pigatto.

Em ações simultâneas, as entidades de saúde coletiva também realizaram lives para dialogar com a população sobre o cenário nefasto da pandemia no Brasil. Destaque para o Programa Brasil Popular, do canal da TV 247 no Youtube, sobre os desafios do SUS em meio à crise sanitária. Também o canal Ágora Abrascom discutindo sobre a saúde no Brasil. Mais tarde, a partir das 19h, a CUT Brasil também debate a proteção de empregos na pandemia.

Com as hashtags #VacinaSalvaBolsonaroNão, #VivaOSuS e #VacinaJá, internautas também protestaram pelas redes sociais.

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Governo pressiona Senado para desistir de quebrar patente de vacinas

O projeto de lei, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) e relatado por Nelsinho Trad (PSD-MS), tem amplo apoio em diferentes bancadas e está pautado para esta quarta-feira

 

 

247 - O governo de Jair Bolsonaro está pressionando o Senado Federal para que a Casa rejeite ou não vote a proposta de quebra de patentes das vacinas.

A atuação do governo, divulgada pelo jornal Valor, ocorre no momento em que o Brasil vive o pior momento da pandemia do novo coronvaírus, com mais de 4 mil mortos por dia.

O Plenário pode votar a matéria nesta quarta-feira (7). O PL 12/2021, do senador Paulo Paim (PT-RS), quebra a patente de vacinas e medicamentos para o enfrentamento do coronavírus.

 

Já o PL 1.171/2021, dos senadores Otto Alencar (PSD-BA), Esperidião Amin (PP-SC) e Kátia Abreu (PP-TO), prevê a licença compulsória do antiviral Remdesivir.

"A suspensão temporária de patentes das vacinas e dos medicamentos contra a covid-19 é urgente e essencial para conseguirmos vacinar toda a população. Temos que lembrar que, se não fizermos isso, no ano que vem ainda estaremos 'chorando' a nível internacional para ver se vamos ter vacinas. Não tem vacina. Precisamos salvar vidas, retomar as atividades, gerar empregos", disse o senador Paim sobre o assunto.

 

O PL 12/2021 dispensa o Brasil de cumprir — enquanto durar a situação de emergência provocada pelo coronavírus — algumas exigências adotadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). De acordo com o texto, os titulares de patentes ficam obrigados a ceder ao Poder Público todas as informações necessárias para a produção de vacinas e medicamentos para o enfrentamento à covid-19.

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Um dia após o recorde de mortes, Bolsonaro afirma: 'Não vamos aceitar a política do fique em casa'

 

O presidente Jair Bolsonaro voltou afirmar nesta quarta-feira (7) que não haverá um lockdown no Brasil para contar a pandemia de COVID-19.

A afirmação de Bolsonaro acontece um dia depois de o país alcançar mais um recorde no número diário de mortes causadas pela COVID-19: foram 4.195 óbitos registrados em 24 horas.

"Vamos buscar alternativas, não vamos aceitar a política do 'fique em casa, feche tudo', lockdown. O vírus não vai embora. Esse vírus, como outros, vieram pra ficar, e vão ficar a vida toda. É praticamente impossível erradicá-lo", disse o presidente.

A declaração de Bolsonaro foi feita em Chapecó (SC), onde o presidente visitou o Centro Avançado de Atendimento COVID-19. 

Elogiada por Bolsonaro como exemplo no combate à pandemia, Chapecó tem mortalidade pela COVID-19 maior que a média nacional e precisou transferir pacientes para o Espírito Santo. O município incentivou o chamado "tratamento precoce" contra a COVID-19 – que não tem qualquer eficácia comprovada.

"Exemplo a ser seguido, por isso estou indo para lá. Para exatamente não só ver, mas mostrar a todo o Brasil que o vírus é grave, mas seus efeitos têm como ser combatidos. Mais ainda, naquele município, com toda certeza em mais [cidades], em alguns estados também, o médico tem a liberdade total para trabalhar com o paciente, total. Esse é dever do médico, uma obrigação e direito dele. Não tem um remédio específico, ele trata da melhor maneira possível. Por isso, os índices foram lá para baixo", disse o presidente, segundo o G1.
Ministério da Saúde aprovou o protocolo para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento de pacientes diagnosticados com coronavírus
© Folhapress / Código19
Ministério da Saúde aprovou o protocolo para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento de pacientes diagnosticados com coronavírus

Jair Bolsonaro voltou a defender a "liberdade" para que os médicos receitem os medicamentos que quiserem aos pacientes. Segundo ele, "é um crime querer tolher a liberdade de um profissional de saúde".

"Não podemos admitir impor limites ao médico. Se o médico que receitar aquele medicamento, que não receite. Se outro cidadão qualquer acha que aquele medicamento não está errado, não está certo porque não tem comprovação científica que não use, é liberdade dele", declarou Bolsonaro.

Ainda nesta quarta-feira (7), Bolsonaro irá a Foz do Iguaçu, onde participará da inauguração de obras, e depois segue para São Paulo, onde terá um jantar com empresários. No fim do dia, o presidente retornará para Brasília.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021040717285816-um-dia-apos-o-recorde-de-mortes-bolsonaro-afirma-nao-vamos-aceitar-a-politica-do-fique-em-casa/

Ciro está a se afogar no pântano do bolsonarismo

"A tempestade perfeita que devasta tragicamente o Brasil e mata os brasileiros – com o vírus, de fome, de depressão, à mercê de uma rede de saúde depauperada – afoga no mesmo pântano tanto Bolsonaro quanto Ciro Gomes. São personagens diferentes, mas ambos acreditam nas próprias performances pérfidas e afundam abraçados a elas", afirma Luís Costa Pinto, do Jornalistas pela Democracia

 

 

Por Luis Costa Pinto, doJornalistas pela Democracia

– Senta aí me conta uma coisa – pediu-me Tasso Jereissati, indicando a cadeira diante de sua espaçosa mesa de trabalho no escritório da holding familiar Calila, em Fortaleza.
Passava um pouco das 15h do dia 7 de outubro de 2002. Tasso acabara de ser eleito senador para cumprir um primeiro mandato em Brasília. Encerrava um ciclo de três mandatos de governador do Ceará. Atendi ao pedido. Achei que ele seguiria com a conversa iniciada às 11h, quando aceitei fazer a campanha de 2º turno de Lúcio Alcântara (PSDB) ao governo do estado. Durante o almoço analisáramos os porquês da acachapante derrota de Ciro Gomes no 1º turno presidencial – terminou em quarto lugar, com 10 milhões e 880 mil votos, atrás até de Anhotny Garotinho, que concorria pelo PSB e obtivera 15 milhões de votos.
– Conte-me, depois desses meses de convívio intenso com Ciro… – seguiu Tasso – …vocês se conheciam desde quando mesmo?
– 1990 – respondi. – Foi você quem nos apresentou, quando ele era candidato à sua sucessão no primeiro mandato.
– Pois bem. Depois desse tempo de convívio tão próximo na campanha presidencial, você diria que Ciro é o homem mais inteligente que você já conheceu; ou é o político mais mentiroso com o qual você já conviveu?
Não esperava a pergunta. Ela veio acompanhada de um sorriso sarcástico que o senador tucano sabe dar nas conversas reservadas, quando quer analisar a fundo alguns problemas. Ganhei alguns segundos para pensar com o silêncio que impus. Deixava claro que estava pensando na melhor resposta e tentava adivinhar a intenção da pergunta.
– É o mentiroso mais inteligente com o qual já cruzei na vida – devolvi enquanto olhava direto nos olhos dele.
Rimos à larga. Depois, ele concordou:
– Também acho. É exatamente isso. Mas, é um homem de boa-fé – disse Tasso, pontuando o fim daquele tópico e abrindo nova agenda política.
Uma contextualização mais detalhada desse papo e outras considerações sobre o tema integram o volume 3 de “Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro” que estou a escrever. Entretanto, ante a proposta bizarra feita por Ciro Gomes, para que o ex-presidente Lula deixe a cena política atual e não seja candidato em 2022, ocorreu-me contá-lo na forma de diálogo romanceado e à guisa de introdução para o presente artigo que pretende falar de política.
Reabilitado para a disputa política – ao menos até o julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no plenário do Supremo Tribunal Federal, marcado para a quarta-feira 14 de abril – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rapidamente se converteu em polo da cena de pré-campanha presidencial. De certa forma, os fatos se impuseram até mais rapidamente do que a previsão. Isso foi antecipado aqui e aqui.
Em curto período, inferior a um mês, Lula deslocou o eixo do debate presidencial e passou a restaurar pontes com diversos setores da sociedade brasileira. O “centro liberal-democrático” no qual Ciro Gomes crê navegar passou a ter por única meta possível disputar votos e preferências eleitorais com um Jair Bolsonaro depauperado de popularidade e desacreditado em suas promessas. Caso, claro, ele permaneça na condição de elegível para um segundo mandato em 2022 depois de ter desempenho porco, trágico, aviltante e genocida no curso deste primeiro mandato que ora destrói o País. Hoje, o ex-presidente do PT lidera as intenções de voto já no primeiro turno em pesquisas divulgadas pelas empresas PoderData (Poder360), Ipespe (XP) e IPE (mbl). Em cenários de segundo turno, Lula derrota qualquer nome posto na cédula.
Nas últimas semanas, e olhando para o julgamento de 14 de abril no STF, o petista tratou de esmerilhar o florete de espadachim que usa para atingir com precisão todos os balões de ensaio lançados com o objetivo de tirar-lhe credibilidade eleitoral. Não à toa, luas-pretas do “mercado financeiro”, esta entidade que não tem exércitos, porém, financia mercenários, deixaram de economizar elogios ou argumentos airosos para definir ou relembrar a passagem de oito anos de Lula na Presidência. De Delfim Netto a Marcos Lisboa, passando por Armínio Fraga a Luís Stuhlberger, em artigos, entrevistas ou palestras por vídeo, foi uma sucessão de envergonhados mea-culpa ou explicações contextualizadas sobre como era bom o Brasil de 2003 a 2012 – ressalvada a lentidão para correções de rumo.
O “mercado financeiro” e seus porta-vozes distribuídos nas trincheiras da mídia tradicional, de alguns sites alternativos, da sociedade civil e dos conselhos de empresas médias e grandes, além do Parlamento e até do Judiciário, ajudam a formar opinião e a dissipar as nuvens cinzas-chumbo.
O drama de Ciro aumenta à medida que esses formadores de opinião da banca são chamados a dizer o que acham dele: detestam-no. E o detestam justamente pelos defeitos que ele começou a revelar em 2002: não é confiável. Além disso, é turrão.
Naquela campanha de 2002 que terminou por consagrar Lula, o ex-governador Tasso Jereissati havia mexido céus e terras entre seus amigos da banca para pôr o economista José Alexandre Scheinkman à frente da equipe que estruturava um programa de governo “cirista”.
À época, o brasileiro Scheinkman chefiava o Departamento de Economia da Universidade Princeton, onde lecionavam sete vencedores do Nobel de Economia. Ciro Gomes não escutava o acadêmico. Pior que isso: destratava-o em reuniões, evitava agendas com ele. Colocou Mangabeira Unger, professor de Harvard, para liderar as mesas de debates. Percebendo-se um estorvo, José Alexandre Scheinkman, certa tarde, marcou um voo de volta para Nova York e nem deu adeus ao candidato do PPS (ex-PCB) a presidente da República.
Nos últimos dias, todos os formadores de opinião da Avenida Faria Lima e alhures, além dos principais executivos de grandes corporações, passaram a lembrar as dificuldades de relacionamento que sempre tiveram com o ex-governador e ex-ministro cearense quando precisaram interagir com ele em algum momento específico. Ciro fez uma leitura errada da cena. Como adora ouvir a própria voz e despreza ponderações, convenceu-se de que seria o verniz “de esquerda” que asseguraria viabilidade eleitoral à direta liberal-democrática brasileira (DEM, MDB, Solidariedade, até PSDB). Não percebeu a tempo que a permanência de Lula no jogo de 2022 – confio piamente que assim se dará – deslocava o problema de competitividade para o espectro do centro à direita e extrema-direita.
Se fosse menos verborrágico e mais cerebral – ou seja, se gostasse de estudar mais e segurasse seu vezo performático – Ciro veria que Bolsonaro é quem tem de ir à luta para estar nas urnas de um eventual segundo turno. Logo, são os eleitores com viés ou cores explícitas de direita que estão em disputa. Do centro à esquerda (e é balela que exista extrema-esquerda no Brasil), os projetos eleitorais e de País estão começando a perfilar e a se alinhar com Lula e com o PT. Agora, a direita liberal-democrática não precisa de um verniz de esquerda para chegar ao eventual segundo turno de 2022. Precisa, isto sim, pescar nas águas turvas e pestilentas do bolsonarismo para extrair do pântano um percentual razoável de almas sebosas, mas arrependidas, capazes de manter aceso o discurso da direita.
Ciro jamais caberia nesse figurino. O ego dele é quadrado e não é gasoso. O tubo por onde passam as convicções gelatinosas da direita liberal-democrática é cilíndrico. João Doria também não se encaixa na maquete – desta feita, por outras razões. Bolsonaro tratou de desconstruir tão virulentamente o governador de São Paulo, que um eleitor bolsonarista dificilmente migraria para ele como nome do centro. O vice-presidente Hamilton Mourão, caso acorde invocado qualquer dia desses e, como general da “Turma de 1975” de Agulhas Negras resolva reivindicar o quepe do capitão da “Turma de 1977” sob o discurso de “união nacional” e de “manutenção da ordem e da paz social”, pode sê-lo. Outro militar, o general da reserva Santos Cruz, idem. O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta também. ACM Neto, igualmente, assim como o governador gaúcho Eduardo Leite, que não tem os desdouros acumulados por Doria. Ou outros nomes que surjam a partir de possível e provável convocação de Mourão a um “governo de unidade nacional”, com ele à proa.
Dando nome à hipótese: e se Mourão decide virar a mesa do Planalto ante as evidências que comprovam a tragédia brasileira e a participação direta de Bolsonaro no genocídio que ora se pratica por aqui, comprometer-se a levar o barco até 2022, convocar a sociedade – inclusive a oposição – para um governo de transição e união e convidar, por exemplo, um Rodrigo Maia para o Ministério da Fazenda? Caso use suas habilidades para o diálogo, e ele as tem, e seja uma espécie de reencarnação de Fernando Henrique Cardoso nessa especulação hipotética, Maia ou qualquer outro se torna competitivo do centro à direita. Composições de chapa estão abertas com esse cardápio de nomes.
Enquanto a paisagem que ornará a rinha eleitoral está sendo montada, é Bolsonaro quem afunda cada vez mais na lama do pântano no qual se criou politicamente. Ele ainda corre o risco de assistir impotente ao surgimento de um nome capaz de dividir consigo a extrema-direita, um outsider como o palhaço youtuber Danilo Gentili, por exemplo. Se isso ocorrer, a partir do traço, qualquer ponto percentual que tal extremista roubar de Bolsonaro navegando no bolsonarismo à deriva, será determinante para excluí-lo da disputa pela direita – isso, claro, sempre ressaltando a condicionante: se ele resistir até 2022 no cargo e como nome competitivo, pois a conta desumana dos crimes de genocídio que pratica pode chegar antes das urnas.
A tempestade perfeita que devasta tragicamente o Brasil e mata os brasileiros – com o vírus, de fome, de depressão, à mercê de uma rede de saúde depauperada – afoga no mesmo pântano tanto Bolsonaro quanto Ciro Gomes. São personagens diferentes, mas ambos acreditam nas próprias performances pérfidas e afundam abraçados a elas.

 

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Ver o original em 'Brasil24/7' na seguinte ligação:

https://www.brasil247.com/blog/ciro-esta-a-se-afogar-no-pantano-do-bolsonarismo

Celso Amorim: 'Biden não mudou a diplomacia dos EUA em relação à América Latina'

"Acho que a mudança que veio para os Estados Unidos, em muitos aspectos, ainda não veio para a diplomacia em relação à América Latina", disse o chanceler Celso Amorim sobre o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, em entrevista ao canal norte-americano Democracy Now

 

 

Democracy Now- No Brasil, o número de mortos por Covid-19 chegou a 325.000, com mais de 66.000 mortes no mês de março. Na quarta-feira, o Brasil registrou quase 3.900 novas mortes por Covid [o número chegou a 4.215 casos em 7 de abril], quebrando o recorde estabelecido um dia antes. Em São Paulo, a maior cidade do Brasil, coveiros têm acelerado os esforços para esvaziar antigas sepulturas para abrir espaço para o número crescente de mortos pelo novo coronavírus.

À medida que o número de casos por Covid dispara, o Brasil também enfrenta uma grande crise na frente política. No início desta semana, os comandantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea do Brasil renunciaram em um movimento sem precedentes, um dia depois que o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro demitiu seu ministro da Defesa como parte de uma ampla reformulação do seu gabinete.

Tais acontecimentos alarmaram muitos no Brasil que acreditam que Bolsonaro, um ex-capitão do Exército, vai instalar ultra-legalistas nos postos militares para consolidar seu poder antes da eleição do ano que vem, quando será desafiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores de esquerda.

 

Esperava-se que Lula derrotasse Bolsonaro em 2018, mas durante a campanha ele foi preso e encarcerado por quase 600 dias sob as acusações contestadas de um juiz, Sérgio Moro, que mais tarde se tornou ministro da Justiça de Bolsonaro.

Bem, no mês passado, um juiz brasileiro anulou todas as condenações contra Lula, abrindo caminho para que ele voltasse a concorrer. O Supremo Tribunal Federal também decidiu que Sérgio Moro foi tendencioso ao condenar Lula.

Vamos agora para o Rio de Janeiro, onde nos juntamos ao antigo diplomata brasileiro Celso Amorim. Ele serviu como ministro das Relações Exteriores do Brasil no governo Lula, bem como ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff.

 

Bolsonaro está tentando “mostrar sua autoridade” à medida que sua popularidade diminui, diz Celso Amorim, ex-chanceler brasileiro. “À medida que fica menor em termos de apoio, ele se torna mais perigoso”.

AMY GOODMAN | Sejam bem-vindos de volta ao Democracy Now! Muito obrigado por estar conosco. Se você pode começar falando sobre esses gêmeos – a turbulência no Brasil agora, a derrubada de vários chefes do Exército, da Força Aérea e a pandemia que está assolando o Brasil agora?

CELSO AMORIM | Bem, acho que você descreveu muito bem. A pandemia é a maior tragédia que o Brasil já enfrentou. Como você sabe, nunca estivemos envolvidos em grandes guerras. Quer dizer, enviamos tropas para a Europa contra o nazismo, mas isso foi no final da guerra. E nós tivemos – a última guerra que tivemos foi há mais de 150 anos aqui na região. Portanto, esta é realmente a maior tragédia que o Brasil já enfrentou.

 

Isso, é claro, afetou a popularidade do Bolsonaro. No mesmo dia em que demitiu o ministro da Defesa, o que acarretou a saída dos comandantes das Forças Armadas, naquele mesmo dia, já havia sido forçado, de certa forma, a demitir o chanceler, por causa do Senado que se revoltou contra o chanceler e suas ações que prejudicaram a busca de vacinas e coisas assim. Portanto, estamos enfrentando uma crise enorme. A popularidade de Bolsonaro está afundando, embora ele tenha algum tipo de apoio fanático, não muito diferente do que aconteceu com Trump, de certa forma.

Então, acho que ele fez isso porque, é claro, esses altos escalões militares não estavam dispostos a seguir algumas medidas autoritárias, como declarar estado de emergência ou estado de sítio, que poderia ser, digamos, o preâmbulo de alguns uma espécie de ditadura, a uma espécie de Golpe de Estado. Bem, eu acho que Bolsonaro queria mostrar sua autoridade. Ele fez isso. Mas aumentou a tensão com os militares.

Então, de certa forma, embora tenha ganhado algum tempo, em termos de oposição da opinião pública, o que pode até levar ao seu impeachment – não sabemos – mas embora ele tenha ganhado algum tempo, acho que está menor. Cada vez menor. Mas, ao mesmo tempo, à medida que fica menor em termos de apoio das classes amplas – claro, ele estava muito ligado a Trump também, então isso faz a diferença – ao mesmo tempo, ele se torna mais perigoso.

Essa é a situação que vivemos. E em contraste com isso, como foi apontado, temos a boa notícia de que o Supremo Tribunal Federal anulou, cancelou todas as acusações contra o presidente Lula, que está aparecendo como um papel não só nacional, mas internacional. E ele é, é claro, normalmente uma grande figura que ou se candidatará ou terá grande influência nas eleições do próximo ano. Então, essa é a situação que vivemos agora, em meio a alguma esperança no campo político e, claro, alguns medos, alguma tragédia muito grande na área da saúde e algum medo também por causa dessa turbulência, como você descreveu.

AMY GOODMAN | Então, você tem - o quê? - o quarto ministro da Saúde que Bolsonaro nomeou durante a pandemia, e também, claro, Bolsonaro, como você disse, muito visto como o “Trump dos Trópicos”, realmente empurrando hidroxicloriquina, atacando o uso de máscaras e chamando o Covid de “gripezinha”.

CELSO AMORIM | Sim, é verdade. E, é claro, no início, talvez algumas pessoas estivessem hesitando em ter certeza se isso funcionaria. Mas agora está absolutamente claro o que aconteceu. Ele negou a ciência, como Trump fez. Mas acho que ele o fez de uma forma mais militante, confrontando governantes, enfrentando – aliás, um dos possíveis motivos do desagrado de Bolsonaro com seus chefes militares foi justamente a resistência a algumas ações relacionadas aos governadores, porque alguns governadores declararam toque de recolher e tomaram outras medidas de distanciamento social, incluindo alguma forma de bloqueio. E Bolsonaro até falou publicamente sobre a possibilidade de haver um estado de sítio, como se estivesse em uma guerra externa, para enfrentar a autoridade dos governadores dos estados. E isso, claro, é um problema muito sério no Brasil de todos os pontos de vista, não só de esquerda. Quer dizer, alguns deles são de centro, de centro-direita… Mas ele está obcecado com a possibilidade de impeachment, por um lado, e com o declínio da popularidade em relação à sua possível reeleição, por outro.

AMY GOODMAN | Celso Amorim, gostaria de passar a palavra ao ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, sob o qual você serviu, falando no mês passado sobre a resposta do Bolsonaro à Covid-19.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA | Muitas das mortes por Covid poderiam ter sido evitadas, se houvesse um governo que fizesse o seu trabalho. Este país está desorganizado e está caindo aos pedaços porque não tem governo… Tem um presidente que inventa a cloroquina, um presidente que fala que quem tem medo do Covid é maricas, que o Covid é só uma gripezinha, que o Covid é coisa de covarde, que ele era um ex-atleta e isso não ia afetá-lo. Esse não é o papel de um presidente da República em um país civilizado.

AMY GOODMAN | Lula passou a dizer que o Brasil está “desmoronando” sob o governo de Bolsonaro.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA| Este país está desorganizado e caindo aos pedaços porque não tem governo. Vou repetir: este país não tem governo. E com as fake news, o mundo elegeu o ex-presidente Donald Trump. E com fake news, o mundo elegeu Bolsonaro.

AMY GOODMAN | Entrevistamos Lula pouco antes de ele ir para a prisão. Agora, um juiz cancelou as condenações contra ele. Ele ficou centenas de dias na prisão. Fale sobre o significado de Lula agora. Ele vai concorrer à Presidência? E o que isso significa, para onde você vê que o Brasil precisa ir agora?

CELSO AMORIM | Pois é, até o próprio Lula está concentrando sua atenção na situação atual, que você descreveu, do ponto de vista da saúde. Mas também é um grande desemprego. O Brasil é um país pobre, muito mais pobre que os Estados Unidos. Então você pode imaginar o que acontece com as pessoas que não têm emprego, que não sabem para onde ir. Portanto, a necessidade de socorro emergencial para os trabalhadores pobres, para os trabalhadores informais, é um dos principais pontos que Lula tem insistido.

Acho que se nós – 2022 ainda está um pouco longe, em alguns aspectos – talvez não cronologicamente, mas, quero dizer, os obstáculos que temos que superar este ano em termos da tragédia da saúde que estamos passando, em termos de desemprego, em termos de falta de renda para os pobres, todas essas são as prioridades de Lula agora.

Claro, é impossível escapar da realidade da política. E acho que, do nosso ponto de vista, eu diria, do ponto de vista das forças mais progressistas do Brasil, o fato de termos essa eleição e termos esse horizonte nos dá energia.

Mas devo dizer também que fiquei preocupado, como disse, com isso. É muito incomum no Brasil. Acho que nunca aconteceu de ter o ministro da Defesa e os três chefes do Exército demitidos no mesmo dia, no mesmo dia em que o chanceler também foi demitido. Você mencionou que foi uma reforma ministerial. Mas foi uma espécie de reforma do gabinete, porque, realmente, sua intenção – ele foi forçado a tirar. O chanceler era fanático da extrema direita. E ele decidiu demitir os três chefes das Forças Armadas. Então, eu acho que isso é, em si, uma crise.

Mas, aparentemente, o que eu acho que seu principal objetivo era ganhar tempo, mostrar autoridade, continuar na corrida. Qual será o seu próximo passo, nunca sabemos, porque Bolsonaro é realmente totalmente imprevisível. Um dia ele disse: “Bem, não, não quero lutar contra nada”. Outro dia, ele pediu ao seu general para criticar a decisão da Suprema Corte a que você se referiu. Então nunca sabemos. Nunca sabemos quanto – quero dizer, ele disse: “Estamos à beira do caos”. Qual presidente no mundo diz que estamos à beira do caos, exceto se ele mesmo quiser criar o caos?

Então, eu acho que essa é realmente a situação que estamos vivendo. É uma situação muito difícil. Mas há uma consciência mais ampla na sociedade, incluindo os setores econômicos, banqueiros e setores financeiros, que apoiaram o Bolsonaro, ou pelo menos alguns deles o apoiaram, mas alguns o toleraram. E agora são mais críticos. E ele sente isso, é claro. E sob essa pressão, nunca sabemos que tipo de ação ele pode tomar.

AMY GOODMAN | Então, Celso Amorim, você foi o ex-chanceler de Lula do Brasil. Você pode falar sobre o governo Biden, a abordagem de Joe Biden para a política externa na América Latina? Ele já parece estar acompanhando, no que diz respeito ao Brasil, muito, embora seja diferente em muitos aspectos, o mesmo caminho de Trump, promovendo uma forte intervenção dos EUA na região. Seu governo pediu – também apoiou o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó como presidente da Venezuela, em vez de Nicolás Maduro, eleito democraticamente. Qual sua resposta para isso?

CELSO AMORIM | Bem, deixe-me dizer uma coisa. Aceitamos a eleição de Biden, a eleição de Joe Biden, com um suspiro de alívio. Isso foi muito importante em muitos aspectos. E ainda acho, em muitos aspectos, que estou – não é sua pergunta, mas devo dizer isso, porque os Estados Unidos têm um tipo de influência que vai além do que realmente fazem na política externa.

Quer dizer, nas movimentações internas – na sociedade dos Estados Unidos em relação ao socorro econômico, em relação ao combate ao racismo, em relação a muitas dessas questões, a desigualdade, é muito o que a gente gostaria de ver acontecendo no Brasil. Então, esse é um sinal muito positivo, de certa forma, porque os Estados Unidos têm uma influência além do que realmente fazem em termos de política externa.

Mas em termos de política externa – não estou falando da Rússia, da Europa; isso é outro assunto – ou China, posso falar, mas isso é outra questão. Mas em relação à América Latina, devo dizer que estou um pouco decepcionado. Claro, os Estados Unidos têm outras coisas – o governo Biden talvez tenha outras coisas em que se concentrar.

Mas, por exemplo, fiquei particularmente decepcionado com a declaração do chanceler em relação à Bolívia, pois ele, de certa forma, questionou o sistema judiciário boliviano para defender uma senhora que era uma impostora, na verdade, que violava direitos humanos no maneira mais direta possível. Portanto, dá a impressão de que é o mesmo tipo de política.

E essa obsessão com a influência da China e da Rússia obscurece a visão do que é democracia e o que é – não estou dizendo que ele deva favorecer a Venezuela ou Cuba, mas pelo menos tomar alguma ação humanitária, algo que mostre que eles não estão seguindo a mesma linha de sanções ou ameaças de intervenção militar seria bom.

E essa afirmação, que foi só uma afirmação, mas uma afirmação do secretário de Estado dos Estados Unidos, pesa muito na América Latina. A declaração sobre a Bolívia foi realmente lamentável. Então, eu acho que a mudança que veio para os Estados Unidos, em muitos aspectos, ainda não veio para a diplomacia em relação à América Latina.

AMY GOODMAN | O que você quer vê-lo fazendo, seja em Cuba, na Bolívia, no Brasil, no seu próprio país?

CELSO AMORIM | Bem, o Brasil é um caso muito especial agora. É muito difícil. Acho que espero que ele possa apoiar os direitos humanos no Brasil, apoiar o desenvolvimento sustentável no Brasil. Mas do jeito que ele faz isso, é claro, também não queremos intervenção estrangeira. Mas acho importante que mostrem que, se o Brasil quiser ter um diálogo bom e construtivo com os Estados Unidos, também deve se comportar de acordo com as normas de civilização que se aplicam em todos os lugares.

AMY GOODMAN | E Blinken reconhecendo Juan Guaidó como o presidente, que não foi eleito?

CELSO AMORIM | Isso é lamentável. Isso é totalmente lamentável. Se você pode dizer, é tolo também, porque não tem futuro. Não tem futuro. Se não teve futuro com o Trump, com todo o apoio que teve, não terá futuro agora. Algum tipo de diálogo deve ser aberto com Maduro. Não sei. Você não precisa apoiar Maduro. Mas você tem que dialogar para – foi o que fizemos, na verdade, em 2003, com total apoio dos republicanos, com Colin Powell, que costumava falar comigo sobre o grupo de amigos da Venezuela, que interagem dessa forma.

E em relação a Cuba, as sanções são algo totalmente obscuro. Ainda é a mentalidade da Guerra Fria, que não tem nada a ver. Não precisa ser amigo de Cuba. Mas, quero dizer, apenas respeitar o direito internacional e não ter sanções e embargos unilaterais seria muito positivo.

E esta declaração sobre a Bolívia foi realmente muito, muito preocupante, porque aponta na direção errada.

Em vez de – então, o que ele deveria fazer em relação à América Latina? Bem, Obama em alguns aspectos, tentou trabalhar melhor em relação a Cuba. Mesmo com a Venezuela, eles tiveram diálogos indiretos. E certamente, por exemplo, ele pediu um diálogo com a organização que temos de países sul-americanos. Eu participei disso, então eu sei.

É preciso mais respeito. Acho que os Estados Unidos têm que entender, que existe diversidade na América Latina, e diversidade e pluralidade e, claro, um desejo de trabalhar de forma independente, de cooperar com os Estados Unidos, é claro.

Por exemplo, uma coisa que ele deveria fazer é mudar o presidente do Banco Interamericano, que é alguém que é um falcão, colocado ali por Trump. Eu não sei para quê. Ele é de extrema direita. Nunca tivemos. Sempre foi um latino-americano. Mas mais importante do que ser latino-americano ou cidadão americano é a questão de entender a América Latina, não fazer da América Latina o palco de uma nova guerra fria na qual não queremos nos envolver.

AMY GOODMAN | Finalmente, seu comentário sobre os Estados Unidos e outros membros ricos da Organização Mundial do Comércio, bloqueando uma pressão dos países em desenvolvimento para renunciar aos direitos de patente em um esforço para aumentar a capacidade de levar vacinas para o mundo?

CELSO AMORIM | Estive muito envolvido em uma situação semelhante há cerca de 15 anos. E era um governo republicano. E pudemos discutir a – é muito famosa – a Declaração de Doha sobre TRIPS e saúde, que faz parte até da agenda de 2030 das Nações Unidas, e assim por diante. Então, eu realmente lamento muito essa posição dos Estados Unidos.

Acho que não é – quer dizer, você não pode ser – buscar justiça social internamente e jogar egoisticamente no cenário internacional. Acho que a pandemia é um problema mundial. E eu acho que tem que facilitar o acesso aos medicamentos e às vacinas, acima de tudo, de forma eqüitativa.

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Alberto Fernández lembra três anos da prisão política de Lula e ex-presidente agradece

Lula agradeceu postagem nas redes sociais feita pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández, que relembrou que neste dia sete de abril, do ano de 2018, o petista foi preso arbitrariamente pela operação Lava Jato, com o objetivo de manipular processo eleitoral de 2018

 

 

247 - O ex-presidente Lula agradeceu postagem nas redes sociais feita pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández, que relembrou que neste dia sete de abril, do ano de 2018, Lula foi preso arbitrariamente pela operação Lava Jato, com o objetivo de manipular processo eleitoral, elegendo de forma fraudulenta Jair Bolsonaro.

“Faz 3 anos que @LulaOficial se entregou à polícia por uma causa armada e manipulada para impedi-lo de participar do processo eleitoral. Por isso teve e tem meu apoio e meu compromisso de acabar com a arbitrariedade judicial que condiciona as democracias da região”, disse o presidente.

Na sequência, Lula compartilhou a mensagem de apoio e agradeceu Fernández. “Obrigado, caro colega, pela sua solidariedade e pelo seu compromisso com a justiça e a verdade. Um grande abraço do Brasil”.

 

O político argentino visitou Lula na companhia do ex-chanceler e ministro da defesa, Celso Amorim, no dia 4 de julho de 2019,, quando o ex-presidente encontrava-se preso na sede da Polícia Federal de Curitiba.

 
 

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Jair Bolsonaro visto pelo Guardian: um perigo para o Brasil e para o mundo

 

 

O presidente de extrema direita deixou as rédeas soltas à Covid-19 e à destruição da Amazônia. Agora parece que ele planeja se apegar a tudo o que os eleitores disserem

Editorial do jornal The Guardian | em Carta Maior

O presidente de extrema direita deixou as rédeas soltas à Covid-19 e à destruição da Amazônia. Agora parece que ele planeja se apegar a tudo o que os eleitores disserem A perspectiva do extremista de direita, Jair Bolsonaro, se tornar presidente do Brasil sempre foi assustadora. Era um homem com histórico de aviltar mulheres, gays e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade. Ele não apenas usou uma lei de segurança nacional da época da ditadura para perseguir os críticos e conduziu a maior escalada de desmatamento na Amazônia em 12 anos, mas também permitiu que o coronavírus se alastrasse sem controle, atacando as restrições de movimento, máscaras e vacinas. Mais de 60.000 brasileiros morreram apenas em março. “Bolsonaro conseguiu transformar o Brasil em um gigantesco buraco do inferno”, tuitou recentemente o ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper. A disseminação da variante P1 mais contagiosa está colocando em perigo outros países. Com uma pesquisa na semana passada que mostra 59% de rejeição dos eleitores, Bolsonaro parece estar se preparando para um resultado desfavorável nas eleições do próximo ano. Na semana passada, ele demitiu o ministro da Defesa, um general aposentado e amigo de longa data que, no entanto, parece ter criticado as tentativas de Bolsonaro de usar as Forças Armadas como ferramenta política pessoal. Os comandantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea também foram demitidos - supostamente quando estavam prestes a renunciar.

O gatilho imediato para as demissões foi o retorno bombástico do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, no mês passado, depois que um juiz anulou suas condenações criminais - abrindo a porta para ele concorrer novamente no ano que vem. Os ataques veementes de Lula ao presidente são amplamente encarados como o prenúncio de uma nova candidatura ao poder de um político carismático que continua extremamente popular em alguns setores. É possível que, inspirado por Donald Trump, o Sr. Bolsonaro pense em se agarrar ao poder pelo uso da força? Não. É provável. As forças armadas já anularam a vontade do povo antes: o Brasil foi uma ditadura militar de 1964 a 1985. Quando a multidão invadiu o Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro, filho do presidente brasileiro se opôs não ao ataque, mas à ineficiência: “foi um movimento desorganizado. É uma pena ”, disse Eduardo Bolsonaro. “Se eles tivessem sido organizados, os invasores teriam se apoderado do Capitólio e feito demandas preestabelecidas. Eles teriam poder de fogo suficiente para garantir que nenhum deles morresse e para poder matar todos os policiais ou os congressistas que eles tanto desprezam”. Embora a saída dos chefes das forças armadas possa sugerir resistência a um plano de golpe, também permite ao presidente instalar aqueles que ele julga mais obedientes; os oficiais mais jovens sempre foram mais entusiasmados com Bolsonaro. Os políticos da oposição estão pressionando pelo impeachment, com um aviso: “há uma tentativa aqui do presidente de instaurar um golpe - já está em andamento.” Existe algum motivo para esperança. Ataques violentos do presidente e seus comparsas não conseguiram conter um ambiente vibrante de mídia, intimidar os tribunais ou silenciar os críticos da sociedade civil. O tratamento desastroso dado por ele à Covid-19 parece estar causando dúvidas entre a elite econômica que anteriormente o abraçava. Algumas parcelas dos militares aparentemente compartilham desse mal-estar. A possibilidade do retorno de Lula é suficiente para concentrar as mentes da direita em encontrar um candidato alternativo, menos extremista do que Bolsonaro. Pode ser bastante incômodo ver aqueles que ajudaram sua ascensão se posicionarem como os guardiões da democracia, ao invés de seus próprios interesses. Mas sua saída seria bem-vinda, pelo bem do Brasil e do planeta. *Publicado originalmente em The Guardian | Traduzido por César Locatelli

 

Na imagem: "É possível que, inspirado por Donald Trump, o Sr. Bolsonaro pense em se agarrar ao poder pelo uso da força? Não. É provável." Fotografia Joédson Alves / EPA

CARTA MAIOR

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2021/04/jair-bolsonaro-visto-pelo-guardian-um.html

Pandemia aumenta o número de trabalhadores informais e condições precárias

Especialista alerta para ausência de direitos trabalhistas, como regulamentação das funções e benefícios assistencialistas.

 

A advogada Thaluana Alves, especializada em Direito do Trabalho e Empresarial, alerta para o aumento significativo de subempregos causado pela crise econômica deflagrada pela pandemia do coronavírus. Porém, a especialista chama a tenção para as condições destas ocupações precárias, que não contam com uma regulamentação das funções, nem com benefícios assistencialistas.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 68% dos trabalhadores que ficaram sem trabalho no segundo trimestre de 2020 tinham postos informais. Levantamento do mesmo instituto mostra que, até o fim de 2019, essa categoria representava 38 milhões de pessoas e, em muitos estados, o número de informais supera a barreira de 50% do total de trabalhadores.

De acordo com a advogada, esta situação revela que os brasileiros informais que foram dispensados durante a pandemia não tiveram direito ao FGTS, ao seguro-desemprego, ao acerto pelo tempo trabalhado, ao pagamento de férias e 13º salário, nem a qualquer outro direito garantido, benefícios comuns a quem tem a carteira de trabalho assinada e que garantem algum período de estabilidade para quem acabou de perder o emprego.

Em sua análise, Thaluana Alves não ignora as vantagens que o trabalho informal pode mostrar – como ganhos imediatos com as vendas, muitas vezes mais altos do que o empregado formal, autonomia e flexibilidade nos horários –, mas também não deixa de elencar uma série de desvantagens, como a ausência dos direitos trabalhistas: férias remuneradas, 13º salário, FGTS, auxílios em caso de doenças ou acidentes do trabalho, ausência de contribuição previdenciária. “Além de não poder contar com uma renda fixa previsível, esta situação prejudica o planejamento para uma futura aposentadoria”, explica a especialista.

Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/pandemia-aumenta-o-numero-de-trabalhadores-informais-e-condicoes-precarias/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pandemia-aumenta-o-numero-de-trabalhadores-informais-e-condicoes-precarias

Brasil quebra novo recorde com 4.195 mortes em 24 horas

O Ministério da Saúde brasileiro notificou, esta terça-feira, mais 86.979 casos de infeção pelo novo coronavírus e mais 4.195 óbitos (um novo recorde). Estes números denotam uma subida acentuada em relação aos números registados ontem (28.645 infetados e 1.319 mortes).

 

O número acumulado de casos confirmados no país, desde 26 de fevereiro do ano passado, superou os 13 milhões (13.100.580) e o número acumulado de óbitos é de 336.947. 

De acordo com o site do Ministério da Saúde, a incidência do vírus é de 160 mortes e 6.234 casos por 100 mil habitantes.

Há ainda 11.558.784 recuperados e 1.204.849 em acompanhamento a registar.

O Brasil, recorde-se, atravessa a pior fase da crise pandémica, tendo registado, na semana passada, novos máximos diários de óbitos sucessivos.

Leia Também: Bolsonaro e Putin conversam por telefone sobre vacina Sputnik V

Ver a publicação original em 'Notícias ao Minuto' na seguinte ligação:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1726274/brasil-quebra-novo-recorde-com-4-195-mortes-em-24-horas?utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed

Lula cresce em pesquisa e aparece numericamente à frente de Bolsonaro

No cenário estimulado, ex-presidente aparece com 29% das intenções de voto no primeiro turno e 42% no segundo.

 

A decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou condenações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o tornou novamente elegível, mexeu com as intenções de votos do eleitorado brasileiro. Com apoio em alta, Lula aparece numericamente à frente do atual presidente Jair Bolsonaro na nova rodada da pesquisa XP/Ipespe, feita de 29 e 31 de março. O levantamento ouviu mil pessoas por telefone, em todo o Brasil.

A quase 18 meses das eleições presidenciais de 2022, o petista aparece com 21% no cenário espontâneo. Há 20 dias, ele tinha17%. Em janeiro, eram apenas 5%. Com isso, Lula se aproximou ainda mais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que aparece com 24% ‒ oscilação negativa de 1 p.p. ante meados de março. Como a margem máxima de erro da pesquisa é de 3,2 pontos percentuais (para mais ou para menos), Bolsonaro e Lula estão tecnicamente empatados nesse cenário.

A terceira posição é ocupada pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 3%. Na sequência, o ex-juiz federal Sergio Moro (sem partido); Guilherme Boulos (PSOL), líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST); e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), aparecem com 1% das intenções de voto cada.

No cenário estimulado de primeiro turno ‒ quando são apresentados ao eleitor possíveis nomes de candidatos –, houve uma reviravolta. Pela primeira vez desde setembro de 2019, Lula aparece numericamente à frente com 29% das intenções de voto, contra 28% de Bolsonaro. O petista saltou quatro pontos percentuais em 20 dias.

No segundo pelotão, aparecem Sergio Moro e Ciro Gomes, com apoio de 9% cada. O ex-juiz federal tem hoje metade das intenções de voto que tinha um ano atrás, quando deixou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública do governo. Na sequência, vem o apresentador de TV Luciano Huck (sem partido), com 5%. Já Boulos, Doria e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) têm, nesta simulação, 3% de intenções de voto cada um. Indecisos, votos em branco e nulos somam 12%.

Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro empata com Moro (30% a 30%) e Ciro (38% a 38%), além de estar em vantagem numérica contra Huck (35% a 32%) e à frente de Doria (37% a 30%). Já Lula aparece numericamente à frente de Moro (41% a 36%) e Bolsonaro (42% a 38%), mas tecnicamente em empate.

Ciro Gomes e a Farsa Tucana

Por Paulo Amaro Ferreira

Desde o golpe de 2016, após o desastroso e desmoralizado governo Temer, a direita tradicional brasileira, que erroneamente é chamada de centrão, viu seu apoio eleitoral, ao menos em um cenário de disputa nacional, desabar. Isso se explica por diversos fatores. Um deles é a enorme dificuldade de encontrar um candidato que tenha algum apelo eleitoral, o que claramente fracassou em 2018 e, pelas diversas pesquisas eleitorais que conjecturam cenários eleitorais para 2022, tende a fracassar novamente.

Porém, esse não é o fator principal ou central. A questão é que, após o golpe de 2016, o regime político brasileiro vive em crise permanente, impulsionado obviamente pela enorme crise econômica e social do capitalismo. A maior parte do caldo eleitoral da direita tradicional passou, desde o golpe, para os setores da extrema direita, liderada por Bolsonaro, em virtude da crescente polarização da luta de classes no país. No outro extremo social dessa luta, encontra-se o caldo eleitoral capitaneado pelo PT, que apesar de não possuir um programa radical, sendo o partido que mais possui enraizamento na classe trabalhadora brasileira, é também o partido que expressa, nas eleições, a polarização social da luta de classes. Dessa forma, nesse cenário de polarização, a direita tradicional encontra-se num vácuo político, pois trata-se de um agrupamento de forças que se identificam com a ordem estabelecida do sistema político e econômico do país, ao contrário do próprio Bolsonaro, que apesar de ser um importante sustentáculo desse mesmo regime, se apresenta como um político avesso ao status quo.

Essa polarização da luta de classes já se apresentou em 2018, quando as eleições apontaram claramente que a disputa política deste período está se dando entre as forças da extrema direita, lideradas por Bolsonaro, e o PT. Isso tudo apesar de o próprio PT ter feito enormes esforços para diminuir a polarização, trocando o candidato anti-regime que era Lula (que inclusive estava preso quando foi lançado como candidato a presidente em 2018), pelo candidato paz e amor Fernando Haddad.

Foi justamente em 2018 que o personagem principal deste nosso texto, Ciro Gomes, evidenciou por completo a sua posição de integrante do bloco da direita tradicional, fugindo para Paris durante o segundo turno das eleições para não tomar posição na luta política que se travou entre o PT e Bolsonaro. Aqui cabe um parêntese de como a comédia cirista se desenvolveu em 2018: o candidato do PDT acusou Lula de ter traído a sua candidatura, que, segundo o próprio Ciro e seu séquito, era a única com chances de derrotar Bolsonaro. E essa empáfia toda com apenas 12% dos votos alcançados. E mais, logo após as eleições, em entrevista à Folha de São Paulo, quando perguntado se essa postura de ataque ao PT não provocaria dificuldades de reagrupamento da esquerda, Ciro Gomes respondeu de forma direta: “não quero participar dessa aglutinação de esquerda”. Dessa forma, para aqueles que ainda tinham alguma ilusão de que Ciro era de esquerda, o próprio caudilho pedetista tratou de desfazer essa miragem.

De lá para cá, Ciro Gomes, com a ajuda de uma verdadeira máquina de propaganda nas redes sociais, que deve custar bastante caro, vem intensificando os ataques ao PT. Não faltam declarações acusatórias, onde o pedetista utiliza o mesmo discurso da corrupção para atacar Lula e seu partido. As semelhanças com setores bolsonaristas são muitas, e incluem também disseminação de notícias falsas e uma campanha de ódio contra o principal líder do PT, que não por acaso é também o político mais perseguido pela extrema-direita brasileira.

A questão Ciro Gomes deve ser entendida sob os aspectos político e eleitoral. No primeiro caso, está bastante evidente que Ciro Gomes é um autêntico representante da direita brasileira, o que pode ser inclusive corroborado por sua história político-partidária (todos sabemos que Ciro iniciou sua carreira no PDS, antigo ARENA, passando depois por PMDB, PSDB, entre outros). Somente os incautos poderiam se surpreender com as posturas e declarações de Ciro nos últimos anos. Portanto, é incoerente imaginar que, num cenário tão polarizado da luta política no país, Ciro pudesse tomar parte nessa disputa ao lado das forças de esquerda.

Já do ponto de vista eleitoral, parece de fato não restar outra alternativa para Ciro sustentar o seu carreirismo político que não seja como candidato das forças da direita tradicional, na medida em que não existe uma quarta via no Brasil. As forças políticas que encontram-se em luta no país são a esquerda, capitaneada eleitoralmente e socialmente por Lula e pelo PT, a extrema direita, liderada por Bolsonaro, e a direita tradicional, que corre por fora e precisa, para sobreviver, tirar uma das duas principais forças da disputa em 2022.

Após a sua postura em 2018, quando fugiu para Paris, contribuindo na prática para a vitória de Bolsonaro (da mesma forma que toda a direita brasileira), Ciro Gomes ficou completamente desmoralizado junto ao eleitorado de esquerda. As últimas pesquisas para presidente demonstram que, se em 2018 Ciro obteve 12% dos votos em virtude de um considerável apoio das bases nacionalistas do PDT brizolista, em 2022 este apoio do pedetista tende a migrar para o PT, principalmente se Lula for o candidato. Em pesquisa realizada no mês passado, após a devolução momentânea dos direitos políticos de Lula, Ciro Gomes aparece somente com 5% das intenções de voto, atrás inclusive do desmoralizado Sérgio Moro e praticamente empatado com o insignificante Luciano Huck.

Entretanto, não podemos subestimar o enorme poder de manobra, manipulação e, principalmente, capacidade de fraudar as eleições, que este campo político, ao qual pertence Ciro Gomes, possui. Recentemente, alguns possíveis candidatos a presidente da república deste bloco, lançaram uma carta, intitulada de Manifesto pela consciência democrática, em mais uma tentativa de se colocar como uma opção civilizada a Bolsonaro, se contraponto à polarização política da extrema direita contra a esquerda. O tal manifesto foi assinado por Eduardo Leite, João Amoedo, João Dória, Luciano Huck, Henrique Mandetta e, sem nenhuma surpresa, por Ciro Gomes. Não precisamos aqui lembrar que esses políticos representam forças que nunca tiveram compromisso nenhum com a democracia no país.

Assinando essa carta junto com notórios representantes da esquerda neoliberal brasileira, Ciro Gomes formaliza a sua adesão ao bloco golpista liderado pelo PSDB e pela Rede Globo. Nesse sentido, o pretenso discurso nacionalista de Ciro não passa de um jogo de cena para tentar ludibriar setores incautos ligados à esquerda ou até do próprio PDT que mantenham alguma relação com o brizolismo. Mas, como já dissemos antes, se a candidatura de Lula for mantida (o que não está garantido de forma alguma ainda), a tendência é que a candidatura de Ciro Gomes se desidrate de seus elementos populares e perca o pouco apoio que ainda possui nesses setores.

Na prática, Ciro Gomes não tem as mínimas condições de desempenhar um governo nacionalista, pois sua candidatura se apoia, desde já, nas forças mais neoliberais do país, inclusive mais neoliberais que o próprio governo Bolsonaro. Nesse sentido, Ciro Gomes representa a farsa tucana, após a tragédia desempenhada pelo PSDB na década de 1990. Uma saída previsível e um reencontro do oligarca do Ceará com as suas origens políticas. A classe trabalhadora não tem nada a ganhar apoiando uma candidatura dos algozes do povo brasileiro. A única saída para os trabalhadores brasileiros é apoiar a candidatura de Lula, como a única capaz de derrotar toda a direita e mobilizar os setores populares para lutar contra os ataques sofridos durante os governos Temer e Bolsonaro, avançando na luta por reformas estruturais no nosso país. Sem colocar a classe trabalhadora em marcha, não haverá qualquer possibilidade de construir um projeto realmente popular para o Brasil.

Ver a publicação original em 'Cotidiano' na seguinte ligação:

https://www.cotidiano.org/ciro-gomes-e-a-farsa-tucana/

Universidade de Washington: Brasil terá quase 100 mil mortes por COVID-19 em abril

 

Uma projeção realizada pela Universidade de Washington aponta que o Brasil pode ter quase 100 mil mortes por COVID-19 ao longo do mês de abril deste ano.

Conforme os dados no painel da universidade, que reúne projeções sobre diversas regiões do mundo, o Brasil deve bater novamente o recorde de mortes mensais. Em março, o pior mês até agora, foram 66,8 mil mortes.

A projeção do painel da Universidade de Washington aponta que o Brasil alcançará entre 422 mil e 425 mil mortes ao final do mês de abril. No melhor cenário seriam cerca de 99 mil mortes ao longo do mês.

O levantamento também se estende aos meses seguintes. Segundo os dados da universidade, no melhor cenário o Brasil deve terminar o mês de junho com cerca de 507 mil mortos por COVID-19. No pior cenário, o país pode chegar a quase 600 mil mortes.

 

Manifestantes prestam solidariedade às vítimas da COVID-19 durante ato em Salvador, na Bahia, neste sábado, 3 de abril de 2021

 

Manifestantes prestam solidariedade às vítimas da COVID-19 durante ato em Salvador, na Bahia, neste sábado, 3 de abril de 2021

O Brasil vive atualmente o pior momento da pandemia, com a média de mortes chegando a mais de três mil óbitos diários na última semana. Em todo o país, o sistema hospitalar tem dificuldades de atender o crescente número de internados. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, o Brasil vive um colapso hospitalar e sanitário.

Conforme dados da Universidade Johns Hopkins, o Brasil é atualmente o segundo país com mais casos e mortes confirmadas na pandemia, atrás apenas dos Estados Unidos. No Brasil, são quase 13 milhões de casos confirmados da COVID-19 e 330.193 mortes causadas pela doença.

A vacinação contra a COVID-19 no Brasil, segundo levantamento do consórcio dos veículos de imprensa, já vacinou cerca de 19,2 milhões de pessoas com pelo menos a primeira dose, o equivalente a 9% da população brasileira.

 

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021040417264127-universidade-de-washington-brasil-tera-quase-100-mil-mortes-por-covid-19-em-abril/

Banqueiro cobra 'mea-culpa' de elite empresarial: 'Ânsia de evitar PT' provocou 'desastre'

O banqueiro Ricardo Lacerda, sócio-fundador do BR Partners Banco de Investimento, disse que a elite empresarial deveria fazer um mea-culpa sobre apoio que deu para eleição de Jair Bolsonaro. 

Recentemente, um grupo de banqueiros, empresários e economistas escreveu carta aberta, que já reuniu mais de 1.500 assinaturas, contra o governo Bolsonaro e a favor da democracia. 

"Acho que foi um movimento genuíno, de pessoas perplexas com tanta incompetência, descaso e patifaria. É óbvio que a elite empresarial brasileira precisa fazer uma reflexão, um mea-culpa sobre o apoio que deu a alguém que, analisando de maneira simples e direta, não tem a menor qualificação para o cargo que ocupa. Isso, pra mim, sempre foi claro e agora está absolutamente comprovado", disse Lacerda em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. 

O banqueiro, um dos principais nomes do mercado financeiro do país, afirmou ainda que a "ânsia de evitar" um novo governo petista acabou prejudicando o país.

"Havia bons candidatos no primeiro turno em 2018. Mas, na ânsia de evitar o PT, muita gente séria acabou votando em Bolsonaro ainda no primeiro turno. Está aí a origem do desastre que vivemos hoje", argumentou. 

Lula: críticas e elogios

Sobre as eleições de 2022, Lacerda disse que considera o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "uma opção ruim", mas, ao mesmo tempo, elogiou seu primeiro mandato. Lacerda afirmou ainda que, "se voltar o Lula de 2002", "podemos ter um cenário benigno". 

"Acho Lula uma opção ruim. É um nome mais ligado ao passado do que ao futuro. Precisamos de uma liderança nova. Mas ele já foi presidente e fez um ótimo primeiro mandato. Se voltar o Lula de 2002, cercado de pessoas competentes, mantendo as alas ideológicas e fisiológicas do PT mais afastadas, abraçando uma agenda de equilíbrio fiscal, podemos ter um cenário benigno", avaliou.

O banqueiro disse também que um segundo turno entre Lula e Bolsonaro "seria péssimo para o país", mas, "se sobrarem essas duas opções, teremos que avaliar como terão chegado até lá, quais suas sinalizações, seus compromissos em direção ao centro". 

Mercado 'comprou discurso liberal'

Lacerda criticou Bolsonaro e disse que, em 2018, o mercado "comprou o discurso liberal" do então candidato. 

"O mercado sempre faz uma análise superficial, avalia as opções mais imediatas e cria sua narrativa. Comprou o discurso liberal do Bolsonaro, ainda que seu comportamento em três décadas de Congresso tenha sido exatamente o oposto. E, ao longo do seu mandato, Bolsonaro vem explodindo pontes, falando absurdos, promovendo insultos e cometendo erros grosseiros. Tudo isso reverbera mundo afora. Nunca tivemos nossa imagem internacional tão abalada", ponderou. 

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021040417264098-banqueiro-cobra-mea-culpa-de-elite-empresarial-ansia-de-evitar-pt-provocou-desastre/

Vida e morte de Jair Bolsonaro

Bolsonaro não é mais o que foi em 2018: uma passagem só de ida para o governo. Se banqueiros desembarcarem, o Partido Fardado também o fará.

Por Pedro Marin | Revista Opera

O ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da Repùblica, Jair Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Braga Neto, durante a cerimônia de assinatura da Medida Provisória que moderniza o ambiente de negócios no país (Índice Doing Business). ( Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Dentre seusEnsaios, Montaigne dedicou um específico à morte. “Entre senhoras e festas, imaginavam que eu andasse preocupado a remoer algum ciúme ou à espera inquieta de qualquer acontecimento, enquanto, na realidade, meu pensamento se orientava para não sei quem que, dias antes, ao sair de festa semelhante, entregue ao ócio, ao amor e às doces recordações, fora tomado de febre e morrera. E considerava que coisa análoga me aguardava de tocaia”, escreve em um trecho, citando, logo após, Lucrécio: “Em breve, o tempo presente já não será, e não poderemos lembrá-lo”.

Este pequeno trecho nos assombra com duas lições importantes para a política e para a crise que vivemos. A primeira, atribuível ao próprio Montaigne, quase constitui um poema maquiaveliano: as coisas tendem naturalmente à mudança e à ruína; até aquele que hoje deixa uma festa acompanhado, entregue ao amor e ao que há de doce, tomba em febre e morre amanhã. Quem hoje triunfa, amanhã amarga a derrota; assim afortuna faz com os homens que, para dela se abrigar, só podem contar com a própriavirtú. A segunda lição, essa de Lucrécio, estende o problema ao presente, queem breve não será. A lição se pronuncia a partir do presente, não a posteriori, como a de Montaigne sobre o homem que morreu.

Olhemos com a mente envenenada pelas duas lições ao inédito evento que vivemos na última semana em nosso país: a demissão ou renúncia simultânea de três comandantes das Forças Armadas, logo após a aparente demissão do ministro da Defesa. Quer tenhamos esse acontecimento como maior ou menor, ele gerou um desafio grande à análise – aquela que é passo primeiro davirtú – na medida em que foi envolto por uma dúzia de especulações e “furos” midiáticos contraditórios, e, igualmente, por ter sido tomado com tanto alarme que todas as lentes focaram nesse objeto, ignorando o passado que há pouco era presente; poucos parecem poder lembrá-lo. Com tantas peças faltando, sobrevalentes ou sobrepostas – Xerazade sobrevive de contar mil e uma histórias, e aparentemente em nossa época e País veste coturnos e cochicha – talvez o mais importante seja justamente tirar de foco o objeto, rememorando alguns outros acontecimentos importantes.

Adeus à Lava Jato

A essa altura já é um fato sancionado pelo Supremo Tribunal que a Operação Lava Jato consistiu em uma série de conchavos e ações ilegais, tomadas pelo Ministério Público e o juiz Sérgio Moro, com o evidente objetivo de acelerar a derrocada do governo petista e impedir um novo mandato de Lula.

Cá está a parte que o Tribunal não sancionará: a Lava Jato consistia também uma espécie de partido; o do caos, e suasestranhíssimas relações com o FBI norte-americano, os“cursos de liderança” recebidos pelo Departamento de Estado e asconversas com este para criar um “fundo Lava Jato” sugeriam, no mínimo, que a operação era o cavalo no qual Washington apostava. De fato, a dimensão continental que tomou o chamadolawfare e a prometida política do atual presidente norte-americano, Joe Biden,de promover cruzadas anticorrupção na América Latina, deixam muito mais do que impressões digitais no passado da operação brasileira.

No entanto, como argumentava a interlocutores quando escrevia o livro que dediquei ao Partido Fardado, a Lava Jato era, em termos militares, mais artilharia do que infantaria; o caos gerado pelo bombardeio teria necessariamente de levar a uma posterior ocupação e estabilização, e esta não poderia ser feita pelas mesmas táticas usadas pela operação e, provavelmente, não poderia triunfar por distorções dentro do sistema político, mas por um novo ordenamento. Para fundá-lo, como a todos, seria necessária a força.

Que já nos primeiros anos do governo Bolsonaro a Lava Jato tenha se esvaziado na medida em que os militares ganhavam cada vez mais posições não é um fato desprezível, nem casual, e só os ingênuos poderiam crer que este evento se deu pelo fim da corrupção no país, como sugere o presidente, ou pela iluminação de uns certos setores do sistema político, que descobriram, como por mágica, as irregularidades domodus operandida operação. Sobraria o argumento de que a Lava Jato chegou, com seus métodos, a uma miríade de agrupamentos poderosos que, agora, estavam tendo sua vingança; mas isto explicaria somente os atores da morte da Lava Jato, não a razão de seu sucesso nem porque foram bem sucedidos agora. A Lava Jato morreu por esgotamento; porque sua tarefa histórica foi cumprida e ela não tinha condições, pela sua própria natureza, de liderar o próximo momento.

De fato, seu efeito foi tão destruidor que essa novafortuna, que ela ajudou a gerar, não pôde sequer ser recebida pelos seus herdeiros naturais, é dizer, a velha direita neoliberal, que labutara por anos contra o petismo. O novo consórcio se formou com um deputado esquecido, de corte protofascista e carismático; o grande capital financeiro, representado por Paulo Guedes; a Lava Jato, em 2018 ainda colhendo certa popularidade, representada na figura de Sérgio Moro; e o Partido Fardado, que já desde 2016 saía da caserna para achar seu lugar ao sol.

Como venho insistindo já há muito tempo, Bolsonaro foi filho solitário dafortuna, e sua falta devirtú fica evidente quando, nos afastando dos alarmismos midiáticos, lembramos que o presidente rachou o partido pelo qual foi eleito e não conseguiu constituir o seu próprio; perdeu Sérgio Moro; se jogou nos braços do Centrão (movimento que sequer ele operacionalizou, e sim o agora ministro da Defesa, Braga Netto); amargou derrotas nas eleições municipais, enquanto ressurgia a força da direita tradicional; acumulou ao longo dos meses uma longa mancha de dúvidas sobre sua idoneidade e a de sua família; rusgou com governadores e com todos os Poderes da República – jogando inclusive alguns de seus cães, que terminaram presos ou com tornozeleiras, contra alguns deles –, e se tornou, com destaque, o líder mais imprestável do planeta em meio à pandemia da Covid-19. Não contente com isso, apostou todas suas fichas, de forma irresponsável, na reeleição de Donald Trump e acabou perdendo; como previ, “talvez seja precisamente por [Bolsonaro] manejar muito bem a política externa do Brasil (dentro de sua concepção, isto é, se alinhando aos ianques) que venha a ressurgir a força militar – talvez timidamente, talvez abertamente, esmagando-o. Porque, como sabemos, deste tipo de alinhamento pode surgir toda sorte de fagulhas, e, já que a tutelagem sobre nosso país é crucial ao império, ele pode, sem dúvidas, buscar outros príncipes, estes sim com ‘armas próprias’, para oprincipatibus brasileiro.”

Como um presidente tão inapto pôde se manter? A resposta é encontrada em três partes: primeiro, porque a força hegemônica da esquerda brasileira, o petismo, se manteve inerte, em parte por suas próprias confusões e derrotas, em parte porque tinha seus movimentos restritos pela perseguição; segundo, porque a fração liderada por Guedes até o momento se mantinha feliz, a despeito das dores sofridas pelo povo brasileiro (em grande parte por elas); terceiro, porque o Partido Fardado manteve-se na retaguarda, protegendo o presidente em troca de expandir seu poder pouco a pouco; quarto, porque o Centrão, câmara baixa da burguesia e sindicato de gatunos, pensou por bem manter o presidente e ir cobrando-lhe o apoio. Abutres, como se sabe, são leitores de Montaigne e Lucrécio, e por vezes preferem esperar a morte transformar o que é vivo do que alçar vôo em busca de comida; e mesmo quando há morte, não desprezam a carniça, antes dela se alimentam.

Tudo muda

A mudança de posição de qualquer um desses atores exporia a fragilidade do governo e forçaria uma mudança, ao menos em parte, na relação dos outros atores com Bolsonaro. É isso o que vimos ocorrer na última semana.

Primeiro, a derrota da Lava Jato trouxe a volta, ao menos por ora, de Lula. Sua elegibilidade ainda não é certa e também consistiria em uma ingenuidade crer que todos os esforços movidos contra ele cessarão, mas a própria especulação sobre sua candidatura já reordena a aceitabilidade de Bolsonaro, pela pressão da grande burguesia, pelo preço mais alto do Centrão, pela concorrência sobre quem disputará as eleições contra o Partido dos Trabalhadores.

Segundo, a inoperância do governo sobre a pandemia começou a cobrar seu preço entre o grande capital. Como sabem de cor o mantra “toda crise traz uma oportunidade”, aproveitaram a crise e o morticínio e com ele lucraram, expandindo a concentração de capital em meio à quebra dos médios e pequenos. No entanto,a aposta que fizeram partia do pressuposto de uma estabilização, mais cedo ou mais tarde. O anúncio da efetividade das vacinas era o sino que queriam ouvir depois de alguns meses se movimentando; o jantar estaria servido.

Mas não foi isso o que ocorreu no Brasil. Enquanto as mortes arrefeciam em outros países, e a vacinação avançava, no Brasil batíamos diariamente o recorde de mortos e a vacinação caminhava lentamente, sem perspectiva de melhora, e como reflexo direto da gestão do presidente. Punha-se em perspectiva dois perigos: o da instabilidade política e econômica, por um lado, causada pelas mortes em massa, ou a diminuição ou paralisação da produção e circulação de mercadorias.

A burguesia se movimentou. Primeiro, na “Carta dos 500”, algo consistente com o pedido por um copo de água em meio a um incêndio, mas depois emreuniões do grande empresariado com os presidentes da Câmara e do Senado, estas um tom acima da carta. O presidente da Câmara, Arthur Lira, eleito com o apoio de Bolsonaro, chegou a falar mais grosso do que seu antecessor, um suposto opositor do presidente, quandomencionou “remédios amargos, alguns fatais” caso o presidente não se aprumasse.

Esses movimentos levaram a uma das demandas dos banqueiros: a demissão do infame ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Como José Luís Fiori lembra, este fato, quase esquecido em meio à chamada crise militar, não é pequeno: já há muito tempo o presidente sustentava e protegia seu estulto ministro. Sua demissão mostra mais uma vez a fraqueza do capitão.

Evitar a morte

Remeto às lições do iníciopara repetir lições antigas: todo partido busca sobreviver e, garantindo-se, se expandir. “Na luta, se deve sempre prever a derrota, e a preparação dos próprios sucessores é tão importante quanto aquilo que se faz para obter a vitória”, como escreveu Gramsci. É aqui que surge verdadeiramente a importância de tudo o que foi escrito até o momento.

O Partido Fardado volta a quartelizar a política – o que éverdadeiramente seu objetivo, não “politizar os quartéis” – no governo de Michel Temer, não no de Bolsonaro. Essa observação é fundamental para que não caiamos na fabulação de que é Bolsonaro, o excepcional, quem traz de volta os militares. Antes o contrário. Se existiam antes de Bolsonaro, certamente podem existir depois, e garantir essa existência constitui seu primeiro impulso.

Neste aspecto, tudo é, por ora, só névoa e conjectura: até que ponto está no melhor interesse desse partido que busca um porvir sustentar o atual governo, e até que ponto seria mais útil descartá-lo? Por que via de ação optará o Partido Fardado no futuro; a “regular”, via acordos, cargos e chapas presidenciais, ou a excepcional? Nenhum desses cenários está ainda claro, mas que todos estejam abertos aos militares já nos diz muito.

Para a primeira pergunta, algumas questões. Efetivamente, Bolsonaro não é mais o que foi em 2018: uma passagem só de ida para o governo. Afortunajá não é a mesma e a ausência devirtú do líder já está plenamente demonstrada. Ainda que o presidente possa garantir alguma base eleitoral para 2022, seu encolhimento é previsível. Segundo, o fator Lula se apresenta.Como sinalizou e reforçou em entrevista a Reinaldo Azevedo, a lógica de uma nova candidatura sua seria tender ao centro, o que imporia a implosão de uma boa parte das candidaturas até aqui previstas e possivelmente criaria uma armadilha em que somente dois candidatos podem chegar ao segundo turno, mas ambos enfrentam enorme rejeição.

Aqueles que buscam uma terceira via fazem um cálculo simples: sem lançar mão de novas traquinagens judiciais, é mais fácil tirar Bolsonaro da corrida eleitoral e substituí-lo do que Lula. Uma candidatura Moro, Dória ou Huck teria mais sucesso se opondo a Lula se Bolsonaro não estivesse na disputa, e possivelmente seja mais de sua preferência concorrer contra o petista do que contra o capitão (o melhor, é certo, é não concorrer contra nenhum dos dois; criar uma via única de terceiras vias). Se for inevitável que Lula tome o lugar que pretendiam ocupar contra Bolsonaro – o “centro”, que por essas bandas anda bem destro – que passem à posição que Bolsonaro pretendia ocupar contra Lula.

É assim que as classes dominantes, seus defensores e representantes, vão ordenando uns aos outros mutuamente. Se esta for a via escolhida pela direita neoliberal, só será possível garantir um impeachment com a anuência dos militares. Os militares, por sua vez, buscariam assegurar a continuidade de seu partido não só com a subida de Mourão – que a essa altura não resultaria muito feliz –, mas em alguma composição para 2022 e, em caso de uma vitória de Lula, de certo poderiam ser convocados a “resolver o problema político”, talvez sob a alegação de alguma fraude, como tem sido o gosto da direita continental. O Centrão só abriria o processo tendo garantida a concordância dos militares e o apoio do grande capital. E o grande capital, para além dos cálculos econômicos do momento, de certo também já faz cálculos políticos para 2022; faria mais esta aposta no futuro se tivesse garantido que Mourão, substituindo Bolsonaro, não lhes seria trágico no presente. Se os banqueiros seguirem na atual toada, é certo: todos os outros seguirão, inclusive os militares. Não podemos estar seguros de que a demissão de Azevedo se tratou disso, mas estaria dado um sinal claro se, aos poucos, os militares desembarcassem – bastaria que um deles, Mourão, ficasse.

É sinistro: já superamos a marca dos 300 mil mortos por Covid-19, e para nossa elite, nossos generais, nossos deputados, nossos presidenciáveis, a forma pervertida de fazer o exercício de Montaigne, filosofando sobre a própria morte, é preparar os meios para se posicionarem da melhor forma em 2022 e, a partir de então, seguir provocando-a ao povo, senão da doença que potencialmente mata a todos, da que mata, como escreveu João Cabral de Melo Neto,

“de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).”

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Ver original em 'Ópera' na seguinte ligação:

https://revistaopera.com.br/2021/04/03/vida-e-morte-de-jair-bolsonaro/

BRASIL: O PAÍS (DES)AFINADO

 

 

O século XXI é talvez o momento da história em que as democracias liberais ocidentais devem lutar pela sua sobrevivência, em consequência da má governação a que estão expostas. Será o Brasil capaz de enfrentar a retórica autoritária de Bolsonaro e resistir a mais um capítulo caótico da sua existência?

Patrícia Freitas* | JUP | opinião

Se me dissessem, há uns anos, que o país que outrora esculpiu na nossa memória os encantos do tropicalismo se tornaria numa monumental nação à beira da rutura, não acreditaria. Não porque não fosse realizável, mas por achar que o destino deste paraíso tão distante de mim se concretizava já numa das democracias mais sólidas do continente. O Brasil é um “pequeno” mundo à parte. Para além da sua extensa área geográfica, ele inspira pela forma como encara diariamente uma multiplicidade de culturas, modos de vida, tradições e, sobretudo, pela sua capacidade de se conservar na História como um Estado sul-americano cuja soberania se executa sem grandes constrangimentos.

As suas origens remontam a um passado doloroso, física e espiritualmente, que permanece no nosso imaginário, ainda que muitas vezes ofuscado pelos seus sucessos num período mais recente. Desde cedo somos orientados, quer no panorama escolar, quer no enaltecimento geral feito ao capítulo das descobertas até pelos mais leigos, a conhecer o passado de Portugal enquanto Estado colonizador, fortemente influenciado por tendências de cariz nacionalista, imperialista e expansionista. Para alguns, motivo de orgulho e regozijo; para outros, apenas mais um extenso e malogrado episódio do que foi o passado colonial de Portugal.

 

Atendendo aos factos, quase nenhum país cuja história de vida se edifique em torno de regimes autoritários e antidemocráticos, consegue livrar-se facilmente das amarras de centenas de anos de opressão, intolerância e tirania. O Brasil, portanto, não é exceção. A sua mutabilidade no que toca a formas de governo é ilustrativa da sua adaptação tardia à democracia. Os tempos da República não foram tão prósperos como seria de esperar, apesar de ter sido decretado o fim do período imperial. Ao invés de dias mais claros, mergulha-se num aparatoso palco de conflitos, cuja essência se irá materializar na ascensão ao poder de Getúlio Vargas, de personalidade vincadamente autoritária.

Muitas das convulsões políticas ocorridas no Brasil deixam transparecer a ideia de que é um país socialmente agitado e com desigualdades profundamente enraizadas, mas com uma economia potencialmente inovadora, ainda que com limitações a nível de uma gestão eficaz por parte dos sucessivos governos que têm vindo a ser detentores do poder. Atualmente, parece-me que estamos a assistir novamente a um abalo prolongado das instituições democráticas que compõem o Estado.

A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, clarificou as tendências conservadoras do seu eleitorado, bem como a manipulação gratuita de que foram alvo durante a sua campanha. Grande parte do povo brasileiro escorregou na casca da banana: a comovente permeabilidade às ideias absurdas de Bolsonaro culminou numa política desgovernada, sem princípios nem ética, carente de sentido humanitário e justiça. A radicalização do seu discurso não passa despercebida. Face à pandemia que enfrentamos, Bolsonaro ditou a sentença de morte do Brasil e de milhões de pessoas, desprezando idioticamente a gravidade da situação, recorrendo ao seu negacionismo bárbaro.

Em 2022, os brasileiros vão às urnas. Pode ser uma boa oportunidade para demonstrarem que o seu nível de racionalismo está mais apurado, bem como para alertar as nações vizinhas sobre o perigo que as atuais democracias enfrentam por todo o mundo. A anulação da condenação de Lula da Silva, no âmbito do longo e demorado processo Lava Jato, atribui-lhe direitos políticos e volta a ter capacidade para se recandidatar, se assim o entender. No entender de alguns, será certamente uma luz ao fundo do túnel, um aceno ainda distante do que poderá vir a ser a renovação e a reforma do Brasil, o eterno país de Tom Jobim onde “no peito dos desafinados, também bate um coração”.

Artigo da autoria de Patrícia Freitas em Jornal Universitário do Porto – JUP - 26 Mar 2021 19:39

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2021/04/brasil-o-pais-desafinado.html

Brasil | O fim do capitão está mais próximo, avalia Fiori

 

 

“Bolsonaro abriu seu jogo com relação às FFAA, e com isso deverá precipitar um processo de separação entre a turma da farda e a turma do pijama. Decidiu agredir o comandante em chefe do Exército e o mais provável é que provoque um fechamento de posição da oficialidade das três Armas em torno da posição defendida pelo General Pujol. Ou seja, uma vez mais, o senhor Bolsonaro ficou sem pão nem pedaço, e agora deverá ser colocado na cadeirinha de castigo simultaneamente pelas FFFA e pelo Centrão.” Essa é a avaliação que faz o professor José Luís Fiori ao comentar os movimentos de Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 30.3, quando demitiu os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica –a primeira vez na história que isso acontece, na maior crise militar no país desde 1977. Professor de economia política internacional da UFRJ, Fiori concedeu entrevista por escrito, onde afirma: “Do jeito que as coisas estão e com a velocidade que está tomando a pandemia, a destruição econômica e a miséria da população, acho que muito mais cedo do que tarde o próprio Centrão abandonará o barco, e neste caso é muito provável que tomem o caminho do impeachment. Mas, se as coisas tomarem este caminho, acho que antes os próprios militares se encarregarão de retirar esse senhor da Presidência, obrigando-o a renunciar ou o levando para ser internado”. Acompanhe a seguir a entrevista: VER VÍDEOem Youtube - ou leia a seguir.

 

 

O que significam as mudanças ministeriais do governo Bolsonaro?

 

Uma grande derrota do senhor Bolsonaro, seguida de um erro de cálculo clamoroso e passo em falso. O pano de fundo dessas mudanças é conhecido, e quase não precisa ser relembrado: a soma da catástrofe sanitária com o descalabro econômico, o isolamento internacional e a desintegração moral da sociedade brasileira. Mas, do meu ponto de vista, a mudança ministerial propriamente dita teve como objetivo encobrir a grande derrota do governo, que foi a demissão imposta do ministro de Relações Exteriores, o senhor Ernesto Araújo. As pessoas talvez não avaliem a importância deste senhor para o governo Bolsonaro, e por isso também não consigam avaliar o tamanho do tombo que a saída do chanceler representou para o governo. Independentemente de tratar-se de um idiota quase inconcebível, o senhor Ernesto foi colocado onde estava para ter conexão direta com o governo de Donald Trump e como uma âncora capaz de assegurar o capitão contra as tempestades que ameaçariam seu governo, cuja ignorância e incompetência eram de pleno conhecimento do governo americano. Este contribuiu decisivamente para o golpe de Estado de 2016, e depois participou da operação de instalação do senhor Bolsonaro na Presidência do Brasil, mesmo sabendo que se tratava de uma pessoa inteiramente inepta e insana. Além disso, Ernesto era o membro mais “ilustrado” da extrema-direita bolsonarista. No meio desta militância, Ernesto fazia papel do sábio idiota capaz de formular as idiotices ideológicas da extrema-direita em linguagem de “clube literário”. Sua importância nesse grupo era tão grande que mesmo depois da derrota de Donald Trump, a decisão era mantê-lo no governo. Já o Salles não passa de um lobista e pode ser escanteado a qualquer momento sem maior custo para o governo; e o próprio senhor Guedes deve ser desembarcado em breve, trocado por qualquer outro desses “gênios do mercado” que pululam pelas esquinas da Faria Lima e pelas páginas da imprensa conservadora. A saída do “chanceler apocalíptico”, no entanto, teve, tem e terá um peso muito diferente na história deste governo. Por isso foi necessária uma pressão gigantesca de vários grupos de interesse e um golpe final do Senado brasileiro para enxotá-lo do governo contra a vontade do senhor Bolsonaro. E foi essa grande derrota que colocou Bolsonaro de joelhos e o levou a essa mudança ministerial, que não passaria de mais uma pantomima ridícula do capitão ofendido se não fosse o fato de que desta vez cometeu vários erros de cálculo estratégico que poderão ser definitivos para o futuro do seu governo. Que erros foram estes, e como o senhor avalia os novos ministros? O primeiro grande erro do senhor Bolsonaro foi ter “aberto o jogo” antes do tempo, deixando que todos vissem que não dispõe neste momento de mais do que um “par de setes’’, como se diria no jogo de pôquer. Sofreu uma grande derrota e tentou ocultá-la com uma grande ofensiva e acabou parindo um rato, e além disto todos viram que ele não dispõe de mais ninguém disposto a ir para seu governo que não sejam figuras inteiramente desconhecidas e despreparadas, saídas da roda íntima de sua família e de suas tertúlias e churrascos de quintal nos fins de semana tediosos de Brasília. O que ele fez foi um troca-troca com seus militares de pijama e de confiança, e trouxe três pessoas novas com quem pouco menos que tropeçou no corredor: um funcionário do cerimonial do palácio que foi alçado à condição de novo ministro de Relações Exteriores, sem nunca ter sido embaixador ou feito uma carreira diplomática. Numa escolha do tipo “se não tem outro, vai tu mesmo”, de uma pessoa que não tem currículo, abandonou a carreira diplomática e dedica-se a ensinar “boas maneiras’ ao pessoal do Palácio, além é óbvio de ser amigo de um dos “filhos presidenciais”, e de ser um pouco mais “diplomático” que o Ernesto. Para o Ministério da Justiça, trouxe um delegado de polícia de Brasília mesmo, da “bancada da bala” e obviamente amigo de mais um de seus filhos. E para a Secretaria de Governo, indicou uma deputada que está no seu primeiro mandato, também por Brasília e que foi indicada pelo presidente da Câmara, tendo sido eleita na vaga do seu marido que estava preso ou sob julgamento por ocasião das eleições. E seu principal título, segundo dizem, é saber organizar a distribuição dos recursos do Orçamento entre os pedidos e favores dos membros do Centrão, isto é, sem demérito de uma pessoa que não conheço, ser a secretária do presidente da Câmara junto ao Gabinete da Presidência e junto ao caixa do Orçamento da República. Como se pode ver, um grupo inteiramente mambembe, mas que deixa claro que neste momento a capacidade de convocação do senhor Bolsonaro é próxima de zero, no meio das elites políticas e econômicas da própria direita brasileira. Além disso, ao precipitar-se no seu movimento reativo e vingativo, acabou atingindo um grande amigo e velho seguidor, o ministro da Defesa, que foi defenestrado sem maior complacência exatamente por ser militar e ter que obedecer em silêncio. Mas com isto o senhor capitão deixou claro que não tem lealdade nem com seus amigos mais fiéis e leais, o que o deixa completamente só, uma vez que não tem partido político nem qualquer grupo de apoio que não sejam seus filhos e apaniguados de quintal. Por fim, Bolsonaro abriu seu jogo com relação às FFAA, e com isso deverá precipitar um processo de separação entre a turma da farda e a turma do pijama. Decidiu agredir o comandante em chefe do Exército e o mais provável é que provoque um fechamento de posição da oficialidade das três Armas em torno da posição defendida pelo General Pujol. Ou seja, uma vez mais, o senhor Bolsonaro ficou sem pão nem pedaço, e agora deverá ser colocado na cadeirinha de castigo simultaneamente pelas FFFA e pelo Centrão. Os novos ministros: o que significam, que força têm e trazem? Como já disse: não têm força nenhuma e não trazem nada de novo. Pelo contrário, sinalizam um ponto de inflexão negativo e o início de uma ladeira por onde deverão rolar daqui para frente, o capitão e seus poucos apaniguados, em meio à catástrofe sanitária, econômica e moral do país. E o Centrão, como fica nessa história e no futuro que o senhor está anunciando? A primeira questão é saber em que consiste exatamente esse grupo parlamentar que a imprensa apelidou de “Centrão”? E todo mundo sabe que se trata de um aglomerado de pessoas e siglas que ocupam em geral o submundo fisiológico do Congresso Nacional, representando interesses e demandas individuais ou grupais localizadas e heterogêneas. O grupo de onde saiu o senhor Bolsonaro depois de permanecer ali durante 28 anos sem dizer ou fazer coisa alguma. Este grupo parlamentar, ou a maior parte de seus membros atuais, já fez parte da “base de apoio” do governo de FHC, do governo Lula, do governo Dilma, do golpe do Temer e agora estão embarcando e tomando conta do governo do senhor Bolsonaro, que eles sabem que é uma “canoa furada”’ mas de onde desembarcarão correndo logo que percebam que está afundando definitivamente. Em síntese, esse grupo parlamentar sempre esteve e estará pendurado em qualquer governo que suas reivindicações locais e corporativas. O problema é que esse grupo não tem a menor condição, interesse ou capacidade autônoma de constituir ou sustentar um governo por sua própria conta, nem muito menos definir algum projeto coerente e nacional para o país. Sua mais completa heterogeneidade de interesses impede que dali nasça qualquer tipo de ideia mais inteligente e unitária, ou qualquer objetivo que envolva todo o país, para além de suas causas individuais ou corporativas. Qual o papel dos militares, como fica sua imagem e qual o futuro da relação do governo com as FFAA? Aqui é onde o erro do capitão trará consequências mais difíceis de serem administradas, porque, na prática, seu governo é um governo militar – ou pelo menos é um governo dos militares que tomaram conta da maioria de seus ministérios e cargos comissionados – que agora está procurando estabelecer uma aliança com o “Centrão”, que, como já vimos, é um amontoado de siglas que compõem um bloco parlamentar unificado pelo seu denominador comum, o “fisiologismo” que sempre foi objeto das críticas políticas e morais dos militares. A participação dos militares neste governo, e mais recentemente, a catastrófica gestão do general da ativa Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, vem atingindo pesadamente o prestigio das FFAA e sua fama de “salvadores da pátria”. Esse despreparo e incompetência vêm sendo demonstrados pelo capitão que ocupa a Presidência, pelo inominável ministro da Saúde que acaba de sair e por uma lista sem fim de personalidades que vão do hilário – como é o caso do ministro de Ciência e Tecnologia – ao absolutamente desastroso – como é o caso dos responsáveis pela segurança institucional do presidente, incapazes de localizar um pacote de 39 kgde cocaína dentro do avião presidencial. Imagina se fosse uma bomba, provavelmente atribuiriam a culpa aos comunistas… Mas, afinal, esta experiência governamental lamentável dos militares talvez possa ter alguma consequência positiva, porque está cada vez mais forte dentro da oficialidade brasileira a convicção de que cabe aos militares uma função de Estado e de defesa da nação, e não a função de governar ou sustentar um governo que carece inteiramente de quadros que não sejam os amigos dos filhos e da família em geral do senhor Bolsonaro. E na própria sociedade cresce cada vez a consciência de que os militares até podem ser homens de boa vontade e boas intenções, mas que foram treinados para tratar de canhões, navios, cavalos ou aviões de guerra, muito mais do que de ciência, educação, saúde, arte, infraestrutura, ou mesmo de tecnologias de ponta, para não falar do seu mais absoluto despreparo com relação à vida política dos partidos e dos demais poderes da República, com seus respectivos deveres e obrigações. Neste ponto é que muitos podem estar se equivocando, ao pensar que Bolsonaro tomou conta das FFAA ao deslocar seu amigo para o Ministério da Defesa e ejetar os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Do meu ponto de vista, ao contrário, o que ele conseguirá com sua desastrada movida é separar definitivamente as FFAA do seu governo, criando um fosso que deverá aumentar, deixando-o cada vez mais isolado. Mas, ao mesmo tempo, permitirá que talvez as FFAA aprendam de uma vez por todas que o melhor mesmo é manter-se nos quartéis e não voltar a se meter numa aventura como esta em que se envolveu o General Villas-Boas, levando atrás de si a maior parte do oficialato brasileiro. Esse deslocamento geológico que está em pleno curso talvez explique a distinta receptividade que tiveram o famoso tweet de Villas-Boas em 2018 e a nota apagada, antiquada e inteiramente deslocada que seu amigo de longa data e de larga tradição familiar golpista postou no dia 29 de março no site do Clube Militar. As coisas estão mudando, e talvez esteja chegando a hora da turma de pijama desfrutar as suas aposentadorias e deixar de escrever notas iradas nas redes sociais ou corporativas. Qual o cenário futuro que o senhor vê para a crise sanitária e econômica? E para o próprio presidente Bolsonaro, o senhor acredita na possibilidade de sua reeleição? Eu acho que discutir a eleição do ano de 2022 neste momento é uma completa insensatez. O país está inteiramente desgovernado em meio à maior crise sanitária de sua história, e está assistindo a paralisia e destruição de sua economia, e da própria infraestrutura física, com o fechamento de milhares de empresas, saída de capitais cada vez mais acelerada e tudo isto sobre o cadáver de mais de 300 mil brasileiros e cerca de um milhão e meio de brasileiros atingidos pela perda de seus entes queridos e muitas vezes responsáveis pelo sustento de famílias inteiras. Este é o grande desafio colocado hoje na frente dos brasileiros. Falar ou calcular a próxima eleição presidencial agora é no mínimo uma postura desumana, pouco solidária, pouco patriótica. E pior ainda, de um humor macabro é falar ou discutir a reeleição do grande responsável pelo morticínio que está acontecendo na frente de nossos olhos. Por isto me parece extraordinário que a imprensa e grande número de analistas gastem tempo com este tema; e pior, considerem que é possível reeleger esse senhor que está sentado em cima da própria tragédia do seu povo e e costuma debochar disto. Eu te diria, talvez na contramão de muito colegas, que não há a menor possibilidade de este senhor se reeleger depois dessa catástrofe. Deve se dar por satisfeito se conseguir chegar até o final do mandato, coisa que está ficando cada vez mais difícil, e por culpa dele próprio. As manifestações recentes de empresários, banqueiros, economistas e intelectuais do centro e da direita mais conservadora indicam que a velocidade da perda de apoio deste governo é cada vez maior. Bolsonaro pode sofrer impeachement ou ser forçado a renunciar? Do jeito que as coisas estão e com a velocidade que está tomando a pandemia, a destruição econômica e a miséria da população, acho que muito mais cedo do que tarde o próprio Centrão abandonará o barco, e neste caso é muito provável que tomem o caminho do impeachment. Mas, se as coisas tomarem este caminho, acho que antes os próprios militares se encarregarão de retirar esse senhor da Presidência, obrigando-o a renunciar ou o levando para ser internado. Como explicar o apoio popular que o capitão ainda tem e terá no futuro? Creio que Bolsonaro ou qualquer outra pessoa que encarne sua mensagem de ódio, ressentimento e destruição sempre haverá no Brasil e em outros países, algo em trono de 20% da população. Bolsonaro tinha algo em torno de 20% nas eleições de 2018, antes que tivesse início a operação nacional e internacional, política, jurídica, militar e midiática que o conduziu à Presidência. E hoje seu núcleo de apoiadores fiéis deve estar de novo na casa destes 15-20%. E não me parece provável que a velha direita conservadora possa voltar a apoiar esse senhor depois desta verdadeira tragédia que tem sido sua passagem pelo Palácio da Alvorada, onde ainda consegue debochar das vítimas da pandemia mesmo depois dos seus 320 mil mortos até o momento. Uma outra coisa é saber como ele mantém o apoio fanático desses 15-20% de brasileiros. Acho que esta questão é complexa e remete a várias linhas possíveis de explicação. Porque explicar a necrofilia do capitão não é difícil; difícil é explicar a adesão necrofílica de seus seguidores. Na verdade, este caso sempre me faz relembrar o famoso suicídio coletivo dos fiéis do Pastor Jones, na Guiana, em 18 de novembro de 1978. Também naquela ocasião foi mais fácil para jornalistas e psicanalistas explicarem o suicídio individual do pastor Jones, muito mais do que o suicídio coletivo de centenas de seguidores fanatizados que se mataram junto com seu líder num ritual macabro, no qual as crianças que resistiram foram mortas por seus próprios pais ou pelos ajudantes do pastor, antes de estes também se suicidarem. Que peso o senhor atribui à volta de Lula ao cenário brasileiro, com a recuperação dos seus direitos políticos? Enorme, por razões objetivas e também por razões psicológicas. Lembro de uma entrevista que fizemos há exatamente dois anos, na semana de posse do senhor Bolsonaro, e naquela ocasião eu disse para você que, do meu ponto de vista, Lula foi eliminado da vida política (e aqui cito a mim mesmo naquela entrevista de janeiro de 2019) “porque as forças que sustentaram o capitão, na fase final de sua campanha, sabiam que seria impossível elegê-lo se Lula estivesse livre. E agora, estas mesmas forças temem que o senhor Bolsonaro não consiga manter a compostura e interpretar o papel de governante, caso o ex-presidente apareça na sua frente livre, e de volta à liderança da oposição brasileira”. Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu dois anos depois, quando Lula fez seu discurso de reentrada na vida política legal do país. Tudo indica que o capitão perdeu inteiramente o que ainda lhe restava do pouco juízo que tem, e esta é uma das razões fundamentais por que demitiu seu amigo e ministro da Defesa, e resolveu demitir o General Pujol, porque estes decidiram não repetir o caminho do senhor Villas Boas, e não contestaram a recente decisão do STF que devolveu os direitos políticos aos ex-presidente Lula. Independentemente do que faça ou deixe de fazer no futuro imediato, a reentrada de Lula redefiniu os parâmetros da vida política nacional, e todas as forças em presença começaram a se manifestar e fazer suas opções. Por outro lado, a oposição voltou a ter uma referência comum e um vetor capaz de atingir em cheio o desgoverno do país. Lula é uma pessoa que tem uma inteligência estratégica, um carisma e uma relação afetuosa com a população brasileira, mesmo com seus opositores, que é uma coisa inalcançável para uma pessoa odiosa, odienta e inteiramente desprovida de empatia com seu próprio povo, como é o caso desse senhor Bolsonaro. Qual o peso da derrota de Trump no enfraquecimento do governo de Bolsonaro? Muito grande, porque atingiu em cheio a articulação da extrema-direita internacional que se utilizava do capitão através de seus filhos. Muitos até imaginaram que o capitão Bolsonaro poderia substituir Trump e tornar-se o novo líder da extrema-direita mundial. Mas o próprio Steve Bannon sabe perfeitamente que o capitão não tem estatura intelectual e política indispensável para desempenhar esse papel. E não haveria como sustentar esta ficção oficializando seu papel de marionete de seus filhos, até porque eles também não conseguem falar abertamente e se escondem sempre atrás de seus robôs. Qual o papel futuro das FFAA? Retomar e aceitar sua função constitucional e ajudar a encerrar esse episódio lamentável da história brasileira, antes de voltar definitivamente para os quartéis. Como irá a direita se relacionar com Bolsonaro nas próximas eleições? Não é improvável que se desfaça dele antes das eleições, para poder ocupar este espaço da direita, e mesmo da extrema-direita, com um candidato mais próximo da racionalidade cartesiana e de suas convicções liberal-cosmopolitas. Quais as tarefas mais urgentes da oposição neste momento? Ajudar o povo brasileiro a enfrentar e superar este momento terrível da sua história, propondo medidas parlamentares que possam atenuar o sofrimento da população, o desemprego e a morte de milhares de brasileiros ainda este ano e no próximo. Unir-se e fazer oposição ferrenha a esse governo, para impedir a desintegração completa das redes de sociabilidade que ainda mantém o Brasil unido, e somar forças para que nunca mais volte a acontecer no Brasil uma tragédia dessas proporções.

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena | em Carta Maior *Publicado originalmente em 'Tutaméia'

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Advogados de Lula pedem que STF declare suspeição de Moro em outras 2 ações

 

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram com um pedido de habeas corpus, que pretende estender o reconhecimento da parcialidade do ex-juiz Sergio Moro também para os casos do sítio de Atibaia e da sede do Instituto Lula.

O pedido foi direcionado nesta quinta-feira (1º) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, sob a justificativa de que, uma vez declarada a suspeição do ex-juiz no processo do tríplex, se faz necessária a revisão outros processos. As informações foram publicadas pelo portal G1.

"Torna-se imperiosa a extensão da ordem de habeas corpus às demais acusações lançadas contra o paciente [Lula] que estiveram sob a condução enviesada de Sergio Fernando Moro, decretando-se, por conseguinte, a nulidade de todos os atos pré-processuais e processuais perpetrados em tais feitos", escreveu a defesa.

​Segundo os advogados, os argumentos citados para declarar a parcialidade do ex-juiz também poderiam ser usados nos outros três processos.

"Mostra-se impossível dissociar-se a suspeição do ex-juiz federal Sergio Moro— já reconhecida por essa Colenda Segunda Turma desse Supremo Tribunal Federal, das outras duas ações penais", acrescenta.

A Segunda Turma do STF declarou, por 3 votos a 2, no dia 23 de março, que Sergio Moro foi parcial na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021040217258889-advogados-de-lula-pedem-que-stf-declare-suspeicao-de-moro-em-outras-2-acoes/

Por que o Brasil, grande produtor de comida no mundo, caminha para entrar no Mapa da Fome? (VÍDEO)

 

O prolongamento da pandemia do novo coronavírus, a ausência do auxílio emergencial e o aumento do desemprego formam um cenário propício para o crescimento da fome no Brasil.

ONGs dos mais variados setores estão tentando preencher o vazio deixado por governos sufocados economicamente e oprimidos pelo avanço do vírus, mas a queda "dramática" nas doações tem sido mais um obstáculo a ser transposto.

Brasil e o Mapa da Fome

O Brasil deixou o chamado Mapa da Fome em 2014 com o amplo alcance do programa Bolsa Família. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado em dados de 2001 a 2017, mostrou que, no decorrer de 15 anos, o programa reduziu a pobreza em 15% e a extrema pobreza em 25%. No entanto, o país deve voltar a figurar na geopolítica da miséria no balanço referente a 2020.

 

 

Distribuição de marmitas no centro da cidade de Curitiba. Devido a falta de auxílio emergencial e aumento da pandemia, muitos brasileiros passam fome nesse momento, em 1º de abril de 2021. .

© Folhapress / Luis Pedruco
Distribuição de marmitas no centro da cidade de Curitiba. Devido a falta de auxílio emergencial e aumento da pandemia, muitos brasileiros passam fome nesse momento, em 1º de abril de 2021.

E para piorar a situação, uma nova onda de demissões deve acontecer, e pessoas que não precisaram do auxílio no ano passado devem precisar agora, aumentando um drama para o qual não se vislumbra um fim no horizonte.

Daniel Balaban, representante do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas no Brasil e diretor do Centro de Excelência contra a Fome, falou com a Sputnik Brasil sobre o paradoxo de um país que é um dos maiores produtores mundiais de alimento e onde milhões de pessoas passam fome.

"Realmente é um contrassenso. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, na realidade é o terceiro maior produtor atrás apenas de Estados Unidos e China, produz uma quantidade enorme de alimentos e infelizmente nós estamos vendo o recrudescimento, a volta da fome ao país. Mais uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa", declarou Balaban.

Segundo ele, a exportação de alimentos do Brasil é extremamente importante, e hoje o agronegócio prefere — e é muito mais lucrativo — a exportação, porque US$ 1 vale quase R$ 6. "Então, nós estamos vivendo um problema econômico, porque as exportações elas são importantes para o agronegócio... A questão da fome no Brasil não tem relação com a falta de alimentos , nós temos alimentos suficientes para alimentar toda a população brasileira, mesmo depois da exportação".

"O problema é o acesso aos alimentos, por conta das crises econômicas, das crises políticas que nós vivemos e agora muito mais fortalecido por conta da pandemia. Então, hoje as pessoas não estão conseguindo mais ter acesso aos alimentos porque muitos estão desempregados, aqueles que fazem bico não estão conseguindo sair por conta dos lockdonws e a pandemia ainda fortaleceu tudo isso, as pessoas estão sentindo muito o aumento da fome no país", concluiu o representante do Programa Mundial de Alimentos

Ajuda mostra sinais de recuperação

A Sputnik Brasil também conversou com Rodrigo "Kiko" Afonso, diretor executivo da iniciativa conhecida como Ação da Cidadania. Ele falou que os níveis de doações tiveram uma quebra neste ano de 2021.

"Em 2021 a gente teve uma redução bastante significativa das doações que a gente vinha recebendo ao longo de 2020. Ano passado a gente teve uma média, por mês, de R$ 3,5 milhões em doações e este ano a gente começou o ano recebendo de R$ 200 mil a R$ 300 mil por mês, o que é obviamente muito pouco para uma atuação necessária nesse momento no Brasil", disse Rodrigo.

​Medidas para arrecadar alimentos se espalham pelo país vindas de poder público, empresas, igrejas e organizações da sociedade civil. A Prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, iniciou uma campanha de coleta nas filas de drive-thrus da vacinação contra a COVID-19, enquanto o time de futebol do São Paulo iniciou na última quarta-feira (31) a coleta de doações no estádio do Morumbi.

Junto com essas ações, o diretor executivo da Ação da Cidadania disse que em março, com o início da campanha Brasil sem Fome, as doações cresceram e já estão chegando a uma escala de alguns milhões de reais doados, devendo chegar esse mês a um montante em torno de R$ 20 milhões vindos de empresas e pessoas físicas.

"A gente entende que a causa da queda nas doações muito provavelmente foi porque as pessoas, a sociedade como um todo, entendiam que houve uma diminuição dos casos de COVID-19, que íamos viver em 2021 uma redução drástica na questão da contaminação da COVID-19 e com vacina. Infelizmente nada disso veio, a vacina obviamente não veio, está chegando muito tarde e em um ritmo muito devagar, e também obviamente a COVID-19, com isso, aumentou muito, afetando de uma forma significativa toda a economia do Brasil, especialmente as pessoas mais vulneráveis", avaliou Rodrigo.

Além desse sinal de aumento nas doações, outro alento foi o anúncio feito pelo governo federal na última quarta-feira (31) de que o novo auxílio emergencial deve beneficiar 45,6 milhões de famílias de baixa renda pelo país com aportes de R$ 44 bilhões e com início de pagamento agora em abril. Mas os valores e alcance estão longe de ser os mesmos do ano passado. Os valores pagos vão ficar entre R$ 150 e R$ 375, e vão alcançar menos famílias.

O auxílio emergencial pode ser um alívio, mas os mais necessitados já passaram três meses sem ele, em meio ao maior índice de desemprego no país desde 2012 — chegando à marca de 13,9 milhões de desempregados em 2020 —, o aumento sustentado dos preços e o pior momento da pandemia.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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https://br.sputniknews.com/brasil/2021040217257236-por-que-o-brasil-grande-produtor-de-comida-no-mundo-caminha-para-entrar-no-mapa-da-fome-video/

Lula da Silva em entrevista exclusiva na RTP

A Entrevista - Lula da Silva de 15 Out 2019 - RTP Play - RTP

O ex-presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, é entrevistado esta sexta (2) no Telejornalda RTP1. A entrevista, em exclusivo para o canal público, é a primeira conversa do político com um órgão de comunicação português desde que recuperou os direitos políticos.

O histórico líder do Partido dos Trabalhadores (PT) está novamente na ordem do dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter anulado todas as condenações do político relativas à Operação Lava Jato. Esta anulação permite a Lula voltar a exercer os seus direitos políticos e ser candidato às Presidenciais 2022, que deverão também contar com Jair Bolsonaro, atual presidente, como recandidato.

A entrevista, com o jornalista José Rodrigues dos Santos, focará a reviravolta nos processos judiciais, mas também a atual situação do país, que se vê a braços com um elevado número de mortes causadas pela pandemia de Covid-19, e os futuros desafios políticos de Lula da Silva.

Depois de ter retomado os seus direitos políticos, Lula da Silva vem ao Telejornal falar de si e da situação do Brasil.

Esta sexta-feira no Telejornal. pic.twitter.com/Uj7WCUwErC

— RTP (@rtppt) 1 de abril de 2021

O Telejornal vai para o ar às 20h, na RTP1, com a entrevista também disponível para os espectadores brasileiros, através da RTP Play e da RTP Internacional, às 16h do Rio de Janeiro.

Lê também: Com o fim do ‘Big Brother’, qual o futuro dos reality shows em Portugal?

O post Lula da Silva em entrevista exclusiva na RTP aparece primeiro no Espalha-Factos.

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https://espalhafactos.com/2021/04/02/lula-da-silva-em-entrevista-exclusiva-na-rtp/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=lula-da-silva-em-entrevista-exclusiva-na-rtp

A urgência do combate à pandemia e ao bolsonarismo

O cenário do combate à Covid-19 e aos seus efeitos pelo governo Bolsonaro é cada vez mais sombrio. Nem suas previsões de vacinação estão no campo das possíveis realizações. A inépcia se agrava com as notícias de que a oferta de vacinas no mundo são cada mais escassas, tendo em vista as prioridades dos países produtores. A irresponsabilidade segue o ritmo de sempre; a negação do problema desde as primeiras notificações de casos em território nacional.

 

A sequência de descasos é bem conhecida. Entre outras, a título de exemplo cabe lembrar a rejeição da oferta da Pfizer, a ruptura do contrato com o Butantan – que ofereceria 46 milhões de doses – e os próprios ataques infames de Bolsonaro à vacina de um modo geral. Há ainda as seguidas cobranças do STF de um plano de vacinação, que sempre foi postergado e modificado.

O mundo da ciência e da medicina tem recomendado a vacinação – há exemplos de sucesso no mundo -, mas o Brasil sequer consegue viabilizar a aquisição. Enquanto isso, bate recordes seguidos de contágio e mortes. Por essas e outras, é possível, sim, dizer que o governo Bolsonaro – em especial o presidente da República – é o grande responsável por essa tragédia social de enormes proporções.

A grande interrogação é a forma de enfrentar essa situação calamitosa. Por óbvio, ela passa por conter os desatinos do bolsonarismo. Urge a formação de um campo político com forças suficientes para vencer o negacionismo e a irresponsabilidade do governo, a começar pelas medidas de distanciamento social, seguidamente sabotada por Bolsonaro. Delas decorrem outras, como o socorro às emergências para evitar que o povo – especialmente os trabalhadores – sigam se expondo à contaminação.

O dilema passa pelo conceito de administração dos recursos públicos, que, diante da urgência da situação, devem estar prioritariamente a serviço do combate à pandemia a seus efeitos. É preciso prospectar possibilidades e concentrar esforços para viabilizá-las, o que implica somar forças políticas para quebrar as barreiras impostas por uma orientação macroeconômica contracionista e a serviço de uma ciranda financeira que, sobretudo diante dessa situação de tragédia social, não faz sentido.

A administração orçamentária deve obedecer às prioridades, que nesse caso salta à vista. Os dogmas do ministro da Economia, Paulo Guedes, seguidos à risca pelo governo Bolsonaro, já estão suficientemente desmontados teoricamente. Com base nessa premissa, o desafio é transformar essa constatação em ação política capaz de vencer os parâmetros ultraliberal e neocolonial da agenda bolsonarista para que o país possa enfrentar a sua emergência principal.

O grande problema está exatamente nesse ponto: somar forças, formular políticas urgentes e ampliar o leque de possiblidades para que as medidas sabidamente necessárias e reconhecidas como eficientes sejam adotadas. Não há como esperar por outra saída. O governo Bolsonaro tem dado demonstrações sistematicamente de que não seguirá pelo caminho da ciência, do bom senso e da responsabilidade social.

O povo brasileiro precisa, sem mais demora, de perspectiva principalmente de vacinação. É preciso a busca intensa e urgente de fontes para essa necessidade. Sem isso, a perspectiva do bolsonarismo é a de continuidade dessa insana escalada de mortes e contaminação. Todos os empenhados na busca de meios para conter essa tragédia têm a responsabilidade de somar forças, de forma unitária, e agir com a urgência cobrada pelos números decorrentes da pandemia.

Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-urgencia-do-combate-a-pandemia-e-ao-bolsonarismo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-urgencia-do-combate-a-pandemia-e-ao-bolsonarismo

Média móvel de mortes por COVID-19 no Brasil ultrapassa 3 mil pela 1ª vez e país soma 325.559 óbitos

 

O Brasil registrou 3.673 novas mortes pela COVID-19 e 89.459 novos casos da doença nesta quinta-feira (1º). Com isso, o país chegou a 325.559 óbitos e a 12.842.717 de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

De acordo com os dados coletados até as 20h, divulgados pelo consórcio de imprensa, a média móvel de mortes nos últimos sete dias é de 3.119. Essa foi a primeira vez desde o início da pandemia que o Brasil registrou média móvel acima de três mil. O valor da média representa um aumento de 43% em relação ao dado de 14 dias atrás.

Já a média móvel de casos nos últimos sete dias foi de 73.993 novos diagnósticos por dia. O número representa uma variação de +2% em relação aos casos registrados em duas semanas.

​O balanço da vacinação aponta que 18.584.301 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a COVID-19. O número representa 8,78% da população brasileira.

A segunda dose já foi aplicada em 5.223.544 pessoas (2,47% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal.

Os dados mostram que 16 estados e o Distrito Federal estão com alta nas mortes: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins, Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021040117250886-media-movel-de-mortes-por-covid-19-no-brasil-ultrapassa-3-mil-pela-1-vez-e-pais-soma-325559-obitos/

O Rato Ruge

 

Por Mauro Luis Iasi.

“Todo homem nasce original e morre plágio”
“Nunca tantos deveram tanto a tão porcos”
Millôr Fernandes

 

É inegável que o presidente miliciano sempre teve como intencionalidade a ruptura institucional, uma espécie de saudosismo do golpe de 1964 e da ditadura que se seguiu. Temos afirmado com certa insistência em nossas colunas que o bufão na presidência contava com certos recursos para, pelo menos, dar uma base aos seus arroubos, principalmente no suposto apoio de segmentos das forças armadas, sua base social apoiada nas milícias e nas organizações ditas religiosas, além da base eleitoral que lhe auferiu os mais de 57 milhões de votos. No entanto, devemos lembrar que tais recursos de nada serviriam se não houvesse uma certa condescendência do grande capital monopolista para com as visíveis trapalhadas do miliciano, uma vez que sua única função no cargo era dar sequência às reformas e medidas exigidas pelo capital e o deus mercado. Uma vez que tais medidas encontravam seu caminho, o suposto presidente ia se equilibrando no cargo apesar de tudo. Nesta direção foi realizado um pacto entre os militares, STF e parlamento para evitar a instabilidade de um possível impedimento do presidente, seja por qualquer motivo entre os inúmeros à escolha (irregularidades eleitorais na chapa Jair/Mourão, atentar contra as instituições com atos antidemocráticos que o dito presidente conclamou e participou, imiscuir-se na Polícia Federal para proteger sua família e amigos criminosos, etc.). No momento do pacto, o principal fator de instabilidade era a clara intenção que partia de um executivo doentio em acirrar os ânimos para justificar uma ruptura. No entanto, o desenvolvimento da pandemia mudou este cenário. O negacionista no maior cargo da República, ainda que tenha recuado em nome do pacto com o Parlamento e o Supremo, abençoado e tutelado pelos militares no governo, se demonstrou uma fábrica de instabilidade para dar respostas à sua base social e eleitoral ou por qualquer outro motivo. Relativizando a gravidade da doença, defendendo ilusórios e irracionais métodos de tratamento preventivo, recusando-se a um plano ordenado de isolamento social e medidas de proteção defendidas pela ciência, desdenhando a importância da vacina e de medidas logísticas adequadas para a imunização; acabou por jogar o país no caos pandêmico e suas dramáticas consequências sociais e econômicas. A troca de ministros da Saúde e, principalmente, os motivos de tais alterações, somado à atitude do mandatário maior da República, desmascaram a face grotesca do negacionismo, do irracionalismo e do total desprezo pela vida humana. Mas, o capital e seu amigo imaginário, o mercado, não ligam para isso. Rodrigo Maia, fiel zelador do pacto, não viu nenhum motivo para impedimento. O Supremo e suas inalcançáveis razões e fundamentos jurídicos, contentou-se com a gaveta profunda para onde enviou os processos em andamento que serviram de munição para o suposto pacto que deveria manter o ensandecido presidente no cercadinho.


O que ocorreu é que o desenvolvimento da pandemia, esperado e previsto pelos especialistas, mudou este cenário. O grande capital começa a traçar cenários menos idílicos para a retomada econômica e a montanha de mortes diárias atinge aquela marca que passa a gerar “preocupações” para os donos da riqueza e do destino da nação. Não se tratava mais de sete ou dez mil, que o desprezível dono da rede de lanchonetes estava disposto a aceitar como um custo aceitável, ou mesmo os cem mil que coexistiam com lucros aceitáveis e perspectivas de retomada que a assustada economista saudava a cada edição do telejornal para desmentir na próxima edição. É interessante o que o capital pode encarar como aceitável, o que há de diferente entre os cem mil e os trezentos mil mortos, além da contabilidade macabra de pessoas enterradas a cada dia? O capital e seus diferentes setores, refiro-me ao capital monopolista e não a malta de supostos empreendedores descartáveis que se julgam ideologicamente mais do que de fato são para a cadeia produtiva, lucraram muito nesta época tenebrosa. Não me refiro aqui à aparência enganosa dos setores mais visíveis, como as televendas, os serviços de entrega, cursos on-line (todo mundo descobriu que podia tocar piano e era fácil, assim como praticar a marcenaria, pintura em aquarela e aplicar no mercado financeiro), mas se tais setores da distribuição e de serviços cresceram é porque mercadorias seguiam sendo produzidas, bancos continuavam financiando e cobrando dívidas. É inegável o impacto para pequenos comerciantes e outros ramos que certamente sofreram com restrições de seus pequenos e médios negócios, mas houve crescimento de lucros e aumento da riqueza e da concentração de forma significativa. Nesta fase a preocupação com o distanciamento e as medidas de prevenção são seletivas. Fique em casa, lave as mãos, use máscaras, lógico, se você não é um operário, um entregador de aplicativo, uma faxineira, um profissional da saúde ou da segurança pública, por que se for o caso, você tem que sair de sua casa, pegar uma condução lotada e fazer as coisas funcionarem. Então, nesta faixa de mortandade, algo ali entre os cem e trezentos mil mortos, tudo ia bem. Tal sensação que o capital compartilhava com o negacionista com a faixa presidencial era que um dia a pandemia ia passar e tudo voltaria ao normal, quem morreu, morreu, quem lucrou lucrou. Como sempre, como em todos os anos ditos normais em que a sanha do capital mata milhares de trabalhadores. Em 2019 o número de acidentes de trabalho cresceu 5,45%, passando de 341.700 para 360.320 mil. Entre 2012 e 2019 a cada 49 segundos um trabalhador sofria um acidente de trabalho e a cada uma hora e três minutos um trabalhador morria em decorrência de um acidente. Sendo assim, por que da mudança de atitude do grande capital e seus serviçais togados ou investidos de mandatos parlamentares? Creio que o fato do negacionismo presidencial passa a produzir uma instabilidade em duas frentes. A total desorganização na logística das vacinas, acentua a gravidade da pandemia e, principalmente, incide sobre a perspectiva de saída da crise sanitária. A dimensão temporal aqui tem uma importância grande. Tanto a população como os agentes econômicos podem suportar catástrofes, desde que exista uma perspectiva de retomada mais adiante. A falha grave na produção, compra e logística de vacinação, torna nebulosa a dimensão temporal e materializa as previsões de colapso. Isso prejudica a almejada retomada da normalidade econômica e gera perigosos riscos de instabilidade política e social. Vejamos se está claro. Queimar florestas, matar índios, assassinar opositores, entregar imensas áreas urbanas para o controle de milícias, desmantelar universidades e centros de pesquisa, impor cortes orçamentários que sufocam as políticas públicas e sociais até a morte, desmontar a cultura nacional, desemprego em massa, mortes por falta de oxigênio ou UTIs lotadas, sucatear a capacidade produtiva do país e a infraestrutura pública, jogar milhares de famílias de volta à fome e à miserabilidade absoluta, pode ser aceitável, mas colocar em risco a estabilidade que permite continuar a acumulação de capitais é preocupante. Por esta razão era necessário um ajuste no pacto. Agora deve-se incluir nas normas pactuadas (que não sabemos quais são pois o pacto é secreto) que não basta não atentar contra as instituições visando uma ruptura institucional, mas deve-se penar também no enfrentamento adequado da pandemia e de uma política de vacinação eficiente. O operador desta linha de ação no parlamento é o chamado centrão. O executivo emplacou o presidente do Senado e da Câmara, mas estes senhores são operadores do pacto e não do presidente. Exigiram e conseguiram a troca do ministro da saúde e agora do chancelar, impuseram uma mudança ministerial e cobraram a fatura no orçamento desfigurado pelas emendas parlamentares e o cala boca ao setor militar em detrimento dos necessários investimentos e recursos para saúde, ciência e tecnologia, educação e outras áreas incômodas para os sanguessugas que nos governam. Quanto aos militares é cedo para afirmar. É necessário separar o jogo de cena da saída do Ministro da defesa e os chefes das forças armadas em solidariedade ao ministro. O (des)governo Bolsonaro não encontra apoio homogêneo nas forças armadas e sempre apresentou contradições, agora se soma mais esta. Mas a presença militar segue forte e expressiva no governo, isto quer dizer que não creio, como alguns imaginaram esta semana, em rompimento dos militares com o governo. Ficam e continuam validando o pacto do qual são um dos principais protagonistas. O que parece claro é que já buscam alternativas para o futuro e querem se desvencilhar da responsabilidade com um governo que parece estar destinado à lata de lixo (tóxico) da história. O presidente, desculpem pelo eufemismo, está isolado e na defensiva e foi obrigado a ceder. Ele não está em um pacto por convencimento, mas por força da ameaça de retirá-lo do cargo e sabemos que existem os meios e os motivos para tanto (só Rodrigo Maia não os via). Cedeu na carne, desde a saída de Weintraub até agora com a saída escorraçada de Araújo nas relações exteriores. Nos parece que os pontos de resistência de Bolsonaro são os pontos que são essenciais para ele, as posições que podem proteger seus filhos dos processos que fecham o cerco e que podem levá-los à prisão e a promessa de não apeá-lo do poder via impeachment. Nestas condições, como fica intenção miliciana de ruptura? Esta não é uma questão fácil de ser respondida. Estamos em uma disjuntiva que pode ser assim respondida. Quanto mais o presidente se vê acuado e perde a gestão efetiva de seu governo, maior é a tentação de golpe e menor as condições de efetivá-lo. Isso quer dizer que a possibilidade de golpe está longe de ser descartada, mas, caso ocorra, assumirá a forma de uma aventura sem base material de sustentação ou consolidação na ordem burguesa. Dito de outra forma, os recursos que o suposto presidente da república em exercício dispunha anteriormente se deterioraram (seja no apoio militar e corpos policiais, seja nas milícias e igrejas S/As, seja na base eleitoral), principalmente, a sua funcionalidade para os interesses da burguesia monopolista, mas o que lhe sobra é suficiente para uma reação desesperada. Isto lhe dá o cacife suficiente para tentar se garantir no cargo e protelar a ofensiva contra sua família criminosa, mas seus sonhos de ser a cópia farsesca de Luís Bonaparte, que foi a farsa de Napoleão, parecem distantes. Suas esperanças migram para 2022 e a esperança que o desgaste de sua imagem e o abandono de sua serventia para o capital não seja capaz de corroer seu potencial eleitoral para novamente ser a alternativa que resta à direita sem alternativas.
 
 

Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB

Via FOICEBOOK https://bit.ly/3wjjx2R

Ver original em 'Abril de Novo Magazine' na seguinte ligação:

https://abrildenovomagazineweb.blogspot.com/2021/04/o-rato-ruge.html

Brasil regista número recorde de desempregados

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Janeiro havia cerca de 14,3 milhões de pessoas desempregadas no Brasil, o que significa um aumento de 19,8% num ano.

O trabalho informal aumentou no Brasil, representando quase 40% da força de trabalho no trimestre encerrado em Janeiro de 2021CréditosRoberto Parizotti / FotosPublicas

O país sul-americano iniciou 2021 atingindo um número recorde de desempregados. No trimestre encerrado em Janeiro, eram 14,272 milhões, mais 211 mil em relação a Outubro de 2020, mas com um acréscimo de 2,35 milhões (19,8%) face a igual trimestre do ano anterior, quando o desemprego atingia 11,9 milhões de brasileiros, segundo o IBGE.

Os dados foram divulgados esta quarta-feira e fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do instituto referido. Embora a taxa de desemprego (14,2%) tenha ficado praticamente estável por comparação com o trimestre anterior, encerrado em Outubro, cresceu três pontos num ano e é a mais elevada para este período – um trimestre até Janeiro – alguma vez registada pelo Instituto.

O organismo responsável pelas estatísticas indicou igualmente que o contingente de pessoas com trabalho aumentou 2%, alcançando agora 86,025 milhões. Por comparação com o trimestre encerrado em Outubro, foram mais 1,725 milhão de pessoas integradas no mercado de trabalho, informa o Brasil de Fato.

Segundo a fonte, esse aumento verifica-se sobretudo em função da população com vínculo informal, ou seja, de pessoas que trabalham de forma autónoma ou sem contrato de trabalho.

O número de trabalhadores empregados nestas condições no sector privado cresceu 3,6% no trimestre encerrado em Janeiro face ao trimestre imediatamente anterior, o que representa um aumento de 339 mil pessoas. Já os trabalhadores por conta própria aumentaram 4,8% no mesmo período (mais 826 mil pessoas).

Assim, segundo os dados divulgados pelo IBGE, a taxa de trabalhadores informais no Brasil no trimestre encerrado em Janeiro foi de 39,7%.

Quase seis milhões de desencorajados

O número de desempregados desencorajados – trabalhadores que não procuraram trabalho, mas que estão disponíveis para trabalhar – foi estimado em 5,9 milhões, o maior número registado desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012.

Em relação a igual período do ano passado, registou-se um aumento de 25,6% de desempregados desencorajados (mais 1,2 milhão).

Ainda segundo o IBGE, os subutilizados (pessoas que gostariam de trabalhar mais) são agora 32,380 milhões. A taxa de subutilização é de 29%, face a 29,5% no trimestre anterior e a 23,2% há um ano.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/brasil-regista-numero-recorde-de-desempregados

Brasil registra 3.869 mortes por COVID-19 em 24 horas e bate novo recorde

O Brasil registrou 3.869 novas mortes pela COVID-19 e 90.638 novos casos da doença nesta quarta-feira (31). Com isso, o país chegou a 321.515 óbitos e a 12.748.747 de pessoas infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.

O número representa um recorde no número de óbitos registrados em um intervalo de um dia. As informações foram publicadas pelo painel do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

A média móvel de mortes nos últimos sete dias é de 2.977, a média móvel de casos no mesmo intervalo é de 75.616.

​Nesta quarta-feira (31), as atenções do país se voltaram para a reunião da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que decidiu pela aprovação do pedido de uso emergencial da vacina da Janssen, empresa do grupo Johnson & Johnson, contra a COVID-19.

Os diretores da agência também decidiram, de forma unânime, negar o pedido para importar e distribuir a vacina indiana Covaxin contra o novo coronavírus.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021033117243411-brasil-registra-3869-mortes-por-covid-19-em-24-horas-e-bate-novo-recorde/

Brasil foi cúmplice dos EUA na queda de Allende no Chile

Biblioteca del Congreso Nacional de Chile / wikimedia

Salvador Allende com Pablo Neruda

A ditadura brasileira agiu junto aos Estados Unidos para derrubar o governo de Salvador Allende no Chile, segundo documentos de inteligência divulgados esta quarta-feira pelo Centro de Arquivo de Segurança Nacional, com sede em Washington.

 

Vários documentos de inteligência dos Estados Unidos, Chile e Brasil apontam para o papel do regime brasileiro na sabotagem da democracia e no apoio ao golpe de Estado de Augusto Pinochet, em 11 de setembro de 1973, no Chile.

Um dos documentos em destaque é o memorando de uma reunião, em dezembro de 1971, entre o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, e o então líder da ditadura brasileira, general Emílio Garrastazu Médici,

Na reunião, que teve lugar na Casa Branca, foram discutidos esforços para derrubar Salvador Allende, que chegou ao poder no Chile após as eleições de setembro de 1970.

Durante a reunião, Médici disse a Nixon que Allende seria deposto “pela mesma razão que o presidente João Goulart foi deposto no Brasil”. Goulart foi derrubado por um golpe militar em 1964, que completa 57 anos esta quarta-feira, e que implantou no país uma ditadura que perdurou até 1985.

Outro documento de inteligência da CIA, citado pelo National Security Archive, cita uma reunião entre altos funcionários brasileiros, observando que um deles acreditava que “os Estados Unidos obviamente querem que o Brasil ‘faça o trabalho sujo’ na América do Sul”.

A organização cita também o trabalho do investigador brasileiro Roberto Simon, que pesquisou o tema e o abordou no seu livro “Brasil contra a democracia: ditadura, golpe no Chile e Guerra Fria na América do Sul” .

Segundo Simon, “o Brasil deu apoio direto e um modelo para a ditadura de Pinochet”. Além disso, sustenta o investigador, a imagem do regime militar brasileiro como um “fantoche de Washington totalmente alinhado com a superpotência regional é um mito, e relega o Brasil a um mero papel subsidiário na região“.

Para Simon, “a ditadura brasileira tinha motivações próprias, estratégicas, ideológicas, económicas e outras, para intervir no Chile”.

 

Ver a publicação original em 'ZAP.aeiou' na seguinte ligação:

https://zap.aeiou.pt/brasil-cumplice-eua-queda-allende-chile-391858

Nas cordas, Bolsonaro tenta a fuga para a frente

Isolado em seu labirinto,  soterrado por 300 mil mortos e um estrondoso fracasso econômico e gerencial, Bolsonaro empreendeu uma “fuga para a frente” com o sacolejão ministerial desta segunda-feira. Rendeu-se mais uma vez ao Centrão sem contentá-lo e semeou uma crise militar com a demissão do general Fernando Azevedo do Ministério da Defesa, que levará à trocas dos comandantes das três armas. Agora há uma trincadura em sua relação com os militares, e isso só fará aumentar as tensões.

O safanão que ele deu no tabuleiro para mostrar-se dono da agenda e da iniciativa não trará qualquer alívio para a grande agrura da população, que anseia por vacina, emprego e renda. Serviu, porém, para nos mostrar que ele não dispõe do conjunto das Forças Armadas para o autogolpe que continua desejando, embora elas também não tenham coesão para liderar ou somar-se a um movimento para encerrar o trágico experimento que é seu governo.

Entre as seis mudanças que Bolsonaro fez, obviamente a mais importante foi a demissão do ministro da Defesa, que embora tenha subido ao helicóptero com ele no ano passado para sobrevoar manifestação antidemocrática, nos últimos meses refugou pressões para subordinar as Forças Armadas a seus intentos autoritários, começando com a recusa em substituir o comandante do Exército, Edson Pujol. Teria se oposto a uma proposta de decretação de estado de sítio mas ainda faltam evidências de que isso teria ocorrido.

Azevedo, que foi assessor do ministro Toffoli, ligou ontem para o atual presidente do STF, Luis Fux, assegurando que as Forças Armadas não endossarão qualquer aventura golpista. Ainda que não fale por todos, deve saber por quem fala. E continuará sendo um general influente.

O novo ministro, Braga Neto, deve trocar os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.  Segundo fonte militar que ouvi, na reunião que tiveram eles estavam dispostos a fazer isso ontem mesmo, mas teria havido pactuação no sentido de ficarem nos cargos até que a substituição venha como decorrência normal da troca do ministro.

Até onde a vista alcança, no curto prazo não existem, portanto, condições nem para um “fechamento” do regime, via autogolpe, nem para acreditarmos que Bolsonaro vá cair logo, seja por impeachment ou qualquer via. Essa é a anomia que torna a situação brasileira tão desesperadora: nenhum bloco político tem força e organicidade para impor uma saída. Nem a oposição (para além da esquerda, englobando hoje também a elite econômica e direita liberal) tem força para derrubar o governo, nem o governo tem condições de sair do labirinto e passar a responder aos desafios, começando pela escandalosa perda de controle sobre a pandemia. Apesar do desastre, Bolsonaro ainda conta com o bolsão radical e com apoio popular não desprezível, embora minguante.

Se a demissão de Azevedo foi uma jogada arriscada para enquadrar e sujeitar os militares a seus desígnios, para intimidar o país e calar as instituições e os opositores, as outras trocas tiveram motivações diversas,  e de resultados incertos.

O Centrão, e particularmente o Senado,  foi contemplado com a cabeça do chanceler Ernesto Araújo, que já vai tarde. Já a nomeação da deputada Flávia Arruda para a Secretaria de Governo/articulação política agrada mais ao PL de Valdemar Costa Neto do que ao Centrão mesmo. Ademais, a pasta não tem verbas nem obras, e existe para atender a interesses do governo. Ocioso dizer que nada mais “velha política” do que essa escolha.

O general Ramos, que o Congresso não aguentava mais, vai para a vaga que se abre na Casa Civil com o deslocamento de Braga Neto para fazer o que sabe: servir ao velho amigo no que for preciso.

A demissão de José Levi fica na conta de uma das leis de Bolsonaro: auxiliar seu tem que dizer amém sempre. Levi vinha recusando algumas tarefas. Não assinou, por exemplo, aquela ação no STF contra governadores que adotaram o toque de recolher. Estado de sítio, segundo Bolsonaro. Volta ao cargo quem bem atende à exigência de servilismo, o ministro da Justiça André Mendonça, que se destacou no cargo pela perseguição a opositores do governo.

Uma incógnita é o desempenho do embaixador Carlos França no Itamaraty. É verdade que ele nunca chefiou embaixada e nem mesmo departamento. Mas havia alívio  ontem na casa. Muito pior teria sido a escolha do bolsonarista militante Luis Fernando Serra, o que se dedica em Paris a brigar com os jornais em defesa de Bolsonaro, ou a de um militar, o almirante Flavio Rocha. França hoje chefia o cerimonial do Planalto mas  é da carreira, conhece a casa, é moderado e inteligente o bastante para, pelo menos,  não seguir o itinerário destrutivo de Araújo. A ver.

Mas é para os quarteis que ficaremos todos olhando nesta semana de acontecimentos graves que coincidem com o aniversário do golpe de 1964.

Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

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Brasil | A perigosa cartada do desespero

 

 

Bolsonaro sofre nova derrota: fracassou sua tentativa de assumir, por baixo do pano, controle das PMs. Enfraquecido, isolado e impopular, presidente acena para a força bruta. Às vésperas de um 31 de março, é preciso alerta máximo

Gilberto Maringoni* | Outras Palavras |  Imagem: Gabriela Biló

1. A maior ameaça à democracia das últimas horas não partiu da Esplanada dos ministérios com sua frenética dança das cadeiras. O perigo morava nas imediações do Farol da Barra, em Salvador, e do uso que hordas bolsonaristas queriam fazer do delírio suicida do soldado Wesley Soares. Este abriu fogo de fuzil em praça pública na noite de domingo, depois de se paramentar como boina verde de filme da Marvel.

2. Qual era a ideia? A de Soares morreu com ele. A do bolsonarismo era previsível. A inacreditável Bia Kicis, com a habilidade de um capitão de mega cargueiro no canal de Suez, deu o tom. “Morreu porque se recusou a prender trabalhadores. Disse não às ordens ilegais do governador Rui Costa da Bahia. Esse soldado é um herói. Agora a PM da Bahia parou. Chega de cumprir ordem ilegal!”. Era a senha para um motim, logo engrossada pelo siderado Soldado Prisco, ex-PM e atual deputado estadual. Seriam imprevisíveis as repercussões nas forças policiais de outros estados, base fértil do bolsonarismo.

3. Deu tudo errado e o isolamento da crise foi imediato. Dezesseis governadores lançaram nota conjunta e até gente da direita – como Rodrigo Maia – foi para cima da infeliz presidenta da Comissão de Constituição e Justiça. A extrema-direita perdeu. Voltou à carga na tarde de terça-feira, novamente de modo velhaco e mais uma vez sem sucesso. A pretexto de enfrentar “emergências na Saúde”, o líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO) tentou entuchar na pauta de votações o projeto de um “estado de mobilização”. Era uma forma disfarçada de Estado de Defesa, para cuja decretação seria necessária apenas maioria simples no Congresso. Dava à governo federal comando sobre as Políticas Militares. A proposta foi repelida: o projeto não entrará em pauta. Mas a tática está revelada. Um Bolsonaro baixo, sem coragem para o debate público, tentará aprovar pela porta dos fundos projetos que lhe deem condições de constranger a população, os movimentos sociais e as oposições com base em força bruta.

 

4. Qual a segunda frente de ataque fascista? Transformar o 31 de março numa apoteose golpista em todas as guarnições militares do país. Vai dar certo? Não se sabe. É possível que não. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, foi demitido, após a ira do Genocida se voltar contra a entrevista do general Paulo Sérgio, responsável pelo setor de recursos humanos do Exército, ao Correio Braziliense. O oficial vê o perigo de uma terceira onda de covid no país, mas destaca as medidas de isolamento social nos quartéis, o que vem reduzindo as contaminações. O Genocida espumou por ver desrespeitadas suas diretrizes negacionistas.

5. Azevedo é um direitista radical, mas recusa-se a comer carne crua com as mãos. Não quer o Exército se desgastando ainda mais, após a desastrosa gestão Pazuello na Saúde. Vale dizer que o setor militar está visivelmente abalado diante da pregação do caos, como alertou Bolsonaro há alguns dias.

6. Boatos pululam no calor da hora. O comandante do Exército, Edson Pujol, que nunca foi bolsonarista-raiz, estaria demissionário e o alto comando estaria reunido, traçando alternativas imediatas.

7. Os acontecimentos da segunda-feira sucedem a trombada que o Senado em peso deu no ex-ministro de Relações Exteriores, após este insinuar em rede social que a senadora Katia Abreu, presidenta da Comissão de Relações Exteriores, faria lobby para empresas chinesas na disputa da tecnologia 5G. Na verdade, a trombada se deu contra a política externa alucinada do governo. Nem parece que há pouco mais de um mês, tudo pareciam ser flores entre o Genocida e o Congresso, após as vitórias de Artur Lira e Ricardo Pacheco para o comando das duas casas legislativas.

8. É esse Genocida, estremecido com a cúpula do Congresso, tendo problemas com o alto comando militar e frustrado com o motim baiano, que faz um troca-troca em seis ministérios, buscando se fortalecer.

9. O Genocida tenta um golpe? O Genocida tenta um golpe, sim. Só que à sua maneira, com guerra de posição e sem disputar hegemonia. Seu objetivo é elevar artificialmente as tensões sociais ao máximo – a não concessão do auxílio emergencial no auge da pandemia tem esse propósito – e insuflar o núcleo duro de seus apoiadores para uma Jihad contra o globalismo, a corrupção, a globolixo, a politicagem, esses governadores tiranos e mais alguns moinhos de vento.

10. Novamente a pergunta: dará certo? Ninguém sabe, mas a probabilidade não é alta, em meio a uma pandemia devastadora, Esse o fator central da conjuntura. As próximas horas até o aniversário do golpe de 1964 definirão muita coisa. Um sinal interessante a se levar em conta é que até agora ninguém da Faria Lima veio em seu socorro. A turma do dinheiro costuma ser cautelosa.

P. S. Para haver golpe, é preciso haver comando e direção política. Não parece haver isso no governo Bolsonaro, mas uma eterna tática-processo para fustigar os limites da institucionalidade. O genocida vai sempre metendo o pé na porta, experimentando o que cola e o que não cola e contando com a condescendência dos demais poderes. Em 1964 havia conspiração organizada nas Forças Armadas, no empresariado, articulações claras com a embaixada dos EUA etc. Era clara a existência de um comando golpista. Ou os bolsonaristas são muito bons de dissimulação, ou não há nada muito estruturado para dar curso a uma mudança de regime.

 

*Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da UFABC e diretor da Fundação Lauro Campos. Foi candidato do PSOL ao governo de São Paulo (2014).

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Oposição no Brasil fala de "golpe" após demissão dos chefes das Forças Armadas

 

 

Comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea saem em solidariedade com o ministro Azevedo e Silva, um general demitido na véspera por Bolsonaro por se recusar a apoiar estado de exceção no país.

m dia depois de ter demitido o ministro da defesa, Jair Bolsonaro busca agora substitutos para os comandantes dos três ramos das Forças Armadas, que saíram em solidariedade com o ministro Azevedo e Silva, um general considerado da "ala moderada".

Azevedo caíra por, entre outras razões, não ter acolhido a ideia de Bolsonaro de decretar estado de sítio no Brasil, que suspende garantias individuais e dá plenos poderes ao presidente.

 

presidente da República queria responder com esse estado de exceção às medidas de restrição à circulação promovidas por governadores de estados para fazer face ao pior momento da pandemia no Brasil, com mais de 300 mil mortos e em torno de 3000 óbitos diários.

Enquanto outro general, o vice-presidente Hamilton Mourão, garantia que não, que nada abalará o compromisso das Forças Armadas com a legalidade e com a segurança institucional, a oposição alerta para o desejo de Bolsonaro promover um golpe de estado.

"Bolsonaro continuar no poder é um risco para a democracia", disse Manuela D"Ávila, candidata a vice-presidente de Fernando Haddad nas últimas eleições.

Para Marcelo Freixo, do esquerdista PSOL, "a demissão de comandantes que defendem os limites constitucionais do papel das Forças Armadas é preocupante". "Nós da oposição", continua, "seguiremos firmes na defesa da Democracia".

No dia 21 de março, data do seu aniversário Bolsonaro, havia prometido num discurso a apoiantes que estes poderiam ter a certeza que o exército é dele e que o povo pode contar com as Forças Armadas contra "alguns tiranetes que tolhem a liberdade de muitos de vocês", referindo-se aos governadores e às medidas de isolamento social propostas por estes.

Reportagem no original 

João Almeida Moreira, correspondente da TSF em São Paulo

Brasil | Novo ministro da Defesa defende celebração do golpe de 1964

 

Em primeira manifestação pública no cargo, general Braga Netto diz que tomada do poder pelas Forças Armadas serviu para "pacificar o país", sem mencionar ditadura e repressão que se seguiram e distorcendo contexto.

O novo ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, divulgou nesta terça-feira (30/03) uma ordem do dia na qual defende que se compreenda e se celebre o golpe militar de 1964, que instaurou uma ditadura de 21 anos no país. A publicação do texto foi a primeira manifestação pública do general, que assumiu a pasta após Fernando Azevedo e Silva deixar o governo do presidente Jair Bolsonaro no dia anterior.

Sem fazer qualquer menção à ditadura que se instalou após o golpe e à dura repressão ocorrida neste período, onde reinou a censura e perseguição política, Braga Netto afirma no texto que o golpe de 1964 deve ser entendido "a partir do contexto da época".

O documento, no entanto, omite e distorce fatos. Ao alegar que "a Guerra Fria envolveu a América Latina, trazendo ao Brasil um cenário de inseguranças com grave instabilidade política, social e econômica" e que "havia ameaça real à paz e à democracia", Braga Netto ignora as ditaduras, apoiadas ou toleradas pelos Estados Unidos, que se instauram em vários países latino-americanos sob a alegação desta suposta ameaça.

O texto diz ainda que os brasileiros saíram às ruas, apoiados pela imprensa, lideranças políticas e empresariais e pela igreja, o que teria resultado no que ele chamou de "movimento de 31 de março de 1964". Braga Netto alega então que as Forças Armadas teriam supostamente assumido "a responsabilidade de pacificar o país" para "garantir as liberdades democráticas".

O texto pula de 1964 para 1979, ignorando o período entre essas duas datas, e ressalta a aprovação da Lei da Anistia, que teria consolidado um "amplo pacto de pacificação a partir das convergências próprias da democracia".

Braga Netto cita ainda como desafios atuais do país "questões ambientais, ameaças cibernéticas, segurança alimentar e pandemias" e alega que as Forças Armadas estariam "na linha de frente, protegendo a população".

"A Marinha, o Exército e a Força Aérea acompanham as mudanças, conscientes de sua missão constitucional de defender a Pátria, garantir os Poderes constitucionais, e seguros de que a harmonia e o equilíbrio entre esses Poderes preservarão a paz e a estabilidade em nosso país", acrescenta o general.

 

Terceira nota celebrando o golpe

A ordem do dia foi publicada após os comandantes das Forças Armadas deixarem os cargos, devido à demissão do ex-ministro da Defesa. Foi a primeira vez na história que os três comandantes das forças são substituídos ao mesmo tempo sem que isso ocorra em meio a uma troca de governo.

Nos bastidores, vários militares de alta-patente fizeram chegar à imprensa que não queriam se envolver em alguma aventura golpista ou iniciativa que contrariasse a Constituição. Apesar de ter se colocado contra novas investidas de Bolsonaro, o ex-ministro chegou a sobrevoar ao lado do presidente, em um helicóptero, uma manifestação de conteúdo antidemocrático na Praça dos Três Poderes em junho de 2020.

Desde o início da sua gestão, Bolsonaro tem se apoiado nos militares para preencher diversos cargos no governo. O presidente também faz elogios frequentes à atuação das Forças Armadas durante o regime militar e determinou a comemoração do golpe de 1964, que nesta quarta-feira faz 57 anos.

No ano passado, o então ministro Azevedo e Silva também havia divulgado uma nota semelhante em comemoração do golpe militar, alegando que "o movimento de 1964" seria "um marco para a democracia brasileira".

Após a publicação no ano passado, a juíza federal Moniky Mayara Costa acatou uma ação popular e concedeu uma liminar proibindo a manutenção da nota no ar e a publicação de anúncios comemorativos do golpe. A magistrada argumentou que a comemoração fere à Constituição.

Porém, em meados de março deste ano, a liminar foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que acatou um recurso pedido pela União.

A Ordem do Dia alusiva ao golpe de 1964 de Braga Netto já é a terceira manifestação do tipo publicada no governo Bolsonaro.

Deutsche Welle | cn/lf (ots)

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Brasil registra 1.969 mortes por COVID-19, e média móvel passa de 2.600 por dia

O Brasil contabilizou 1.969 mortes por COVID-19, nesta segunda-feira (29), chegando a um total de 314.268 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no país nos últimos sete dias subiu para 2.655, um novo recorde.

O novo número é 34% maior que a média de óbitos de 14 dias atrás, o que indica uma tendência de alta nas mortes pela doença.

Já é o terceiro dia consecutivo com a média acima da marca de 2,5 mil e o 13º dia acima de dois mil mortos.

Os dados são do consórcio de veículos de imprensa em levantamento feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

 

 

Equipe de resgate chega ao hospital com paciente com suspeita de COVID-19 em Brasília, 23 de março de 2021

© AP Photo / Eraldo Peres
Equipe de resgate chega ao hospital com paciente com suspeita de COVID-19 em Brasília, 23 de março de 2021

Dezoito estados e o Distrito Federal estão com alta na quantidade de mortes: Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Amapá, Rondônia, Tocantins, Alagoas, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

O estado de Roraima não entrou no levantamento desta segunda-feira (29), pois não conseguiu disponibilizar os dados devido a instabilidades na Internet, segundo informações da secretaria estadual de Saúde.

Número de casos

Em número de casos registrados, o país teve 44.720 diagnósticos nas últimas 24 horas. O total desde o início da pandemia chegou a 12.577.354.

Já a média móvel do número de casos nos últimos sete dias agora é de 75.105, uma variação de +8% em relação aos casos registrados há duas semanas, indicando uma tendência de estabilidade nos diagnósticos.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021032917229166-brasil-registra-1969-mortes-por-covid-19-e-media-movel-passa-de-2600-por-dia/

Bolsonaro troca o comando de 6 ministérios

O presidente Jair Bolsonaro trocou o comando de seis ministérios nesta segunda-feira (29). As mudanças são na Casa Civil, Secretaria de Governo, na Advocacia-Geral da União (AGU), no Ministério da Defesa, no Ministério da Justiça e Segurança Pública e no Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Na Casa Civil da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, assume o lugar do general Walter Souza Braga Netto.

O Ministério da Defesa passa a ser chefiado por Braga Netto após a demissão de Fernando Azevedo e Silva.

O novo chanceler brasileiro é o embaixador Carlos Alberto Franco França, diplomata de carreira que estava na assessoria especial da Presidência da República. França assume o lugar que era de Ernesto Araújo.

O novo ministro-chefe da AGU é André Mendonça, que passar a ocupar o lugar de José Levi. Mendonça já chefiou a AGU no início do governo Bolsonaro.

 

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021032917228386-bolsonaro-troca-o-comando-de-6-ministerios/

Azevedo desembarca?

Saída súbita de Fernando Azevedo e Silva do Ministério da Defesa, apesar do alarme, mostra Partido Fardado fortalecido.

Por Pedro Marin | Revista Opera

(Brasília - DF, 10/06/2019) Cerimônia comemorativa aos 20 anos de criação do Ministério da Defesa e imposição da Ordem do Mérito da Defesa. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Ainda é cedo para afirmar, e mais cedo ainda em um governo que se sustenta em trambiques e espetáculos, mas a saída do governo nesta segunda-feira (29) do ministro-general da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, cheirou para muitos analistas a desembarque.

Em encontro à tese vêm duas “matérias” (melhor dito:press releases) publicadas neste final de semana. A primeira delas, publicada n’O Globo,anuncia que “um grupo de militares que ajudou a eleger o presidente Jair Bolsonaro em 2018 tem defendido a construção de uma alternativa política para a disputa do Palácio do Planalto no próximo ano”. Sete generais e um coronel são citados na reportagem. Obviamente, dentre eles está Santos Cruz, que já há muito tornou-se um dito “opositor” de Bolsonaro (ainda que dificilmente possa ser considerado um democrata). Mas há também Maynard Santa Rosa, ex-Secretário de Assuntos Estratégicos, Francisco Mamede de Brito Filho, ex-chefe do gabinete do Inep, e o afamado Paulo Chagas, que foi candidato ao governo do Distrito Federal em 2018 e agora publica mensagens em que diz que “é preciso encontrar uma terceira via”.

O segundo é um comunicado de banqueiros e empresários que se reuniram com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, no final de semana. O jantar foi servido em São Paulo, e o tom da mensagem nos bastidores foi muito mais duro do que aquele utilizado na “carta dos ricos“, em que pediam que o presidente vacinasse a população e distribuísse máscaras: dessa vez, pediam a cabeça do chanceler Ernesto Araújo, demitido hoje, e de Ricardo Salles, até o momento ministro do Meio Ambiente.

Não seria de se espantar que esse tipo de tour pelas mansões paulistanas não fosse feito só por membros do Legislativo, mas também por fardados. E, havendo uma sucessão de desembarques fardados – claro, o único que não pode desembarcar é o general-vice-presidente Mourão –, a mensagem estaria dada: “pode empurrar, que aqui atrás ninguém segura”.

Não sairia nada mal para os fardados, que não só teriam, enfim, um general na presidência, como também sairiam da crise vistos como responsáveis e democratas. No caso de um esperneio por parte de Bolsonaro, poderiam até se mobilizar para garantir a constitucionalidade e as instituições; golpista seria o capitão, não eles.

Uma segunda hipótese para a saída de Azevedo seria a já costumeira dança das cadeiras que os militares parecem fazer no governo sempre que cai um ministro. Foi assim com a Secretaria de Governo (saiu Santos Cruz, entrou Luiz Eduardo Ramos); com a Secretaria-Geral da Presidência da República (saiu Floriano Peixoto para entrar Jorge Oliveira) e a Casa Civil (Walter Souza Braga Netto substituindo Onyx Lorenzoni, hoje titular da Secretaria-Geral). Seria espetacular, é certo, se quando a música parasse um milico ficasse com a chancelaria.

Por fim, uma última hipótese: Fernando Azevedo foi assessor do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli (seria este o general que, segundo Toffoli, ligou para ministros do STF para medir o terreno para um golpe?). É sabido que, apesar de alguma desconfiança por parte do Legislativo sobre os militares, a relação do STF com os fardados é baseada em maior confiança e unidade. Também não seria novo que o presidente, perdendo um dos “seus” (como era Araújo), tente impor uma derrota aos outros – nesse caso, aos militares e ao STF. Novo não seria; mas, de novo, inútil: melhor estariam os militares com o STF, e vice-versa, e o presidente simplesmente estaria reconhecendo o fato ao aproximá-los  mais.

Como não custa reiterar, em qualquer um dos casos a perspectiva de uma derrota para o Partido Fardado não está, nem de perto, à vista. Se o movimento de Bolsonaro constitui um desagrado aos militares, precisamente quando o presidente está em seu pior momento e perdendo até os acenos do Centrão, pressionado por banqueiros, não é muito difícil calcular os resultados. A suprema maquiaveliana sobre príncipes e ministros foi bem resumida por Fichte: “Fiel faz um príncipe o ministro, e o obriga intimamente a si, quando, segundo as palavras de Maquiavel, faz dele participante de encargos decisivos, isto é, quando não lhe permite tais reservas e subterfúgios, mas obriga-o a medidas e declarações sem rodeios, de tal modo que ele, se o inimigo vencesse, não teria a esperar dele nenhuma indulgência. O melhor ministro, em uma guerra encarada seriamente, é sempre aquele que com a vitória do inimigo perde tudo.” E quando os ministros derrotados são os mais fiéis ao príncipe, ao passo que os outros este não pode obrigar, e eles tudo têm a ganhar com sua ruína?

Cada vez fica mais distante aquela interpretação de que os fardados e o capitão constituem uma unidade sem contradições. “Oscontráriospodem ser e são habitualmente (e tornam-se) idênticos ao converterem-se um no outro”, anotou Lênin. “Não é tão morto, rígido, mas vivo, convencional, móvel, transformando-se um no outro.”

 

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Jornada de Lutas da Juventude mostra jovens ávidos de viver com respeito e dignidade

Já está nas redes sociais a Jornada de Lutas da Juventude 2021. O tema escolhido pelos jovens engajados em transformar o país já diz tudo. Vida, Pão, Vacina e Educação é um slogan autoexplicativo.

 

Quem deseja, porém, conhecer os anseios, os desejos, a educação, o país e a vida que a juventude brasileira quer para já, precisa ler esta entrevista com Rozana Barroso, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

Com a participação de inúmeros artistas, como as atrizes Taís Araújo e Dira Paes, a Jornada de Lutas da Juventude terá ações nesta terça-feira (30) pelas redes sociais. Além de projeções, outdoors, faixas e cartazes nas ruas com atos simbólicos, respeitando o distanciamento social, garante Rozana.

A Ubes representa os mais de 40 milhões de secundaristas de todo o país há quase 73 anos. A Jornada de Lutas da Juventude nasceu em 2013 para expressar a vontade dessa parcela significativa da população. A líder estudantil coloca a educação como tema central para o país vencer a miséria e a profunda desigualdade social.

A jovem de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, pretende cursar biomedicina e diz que “costumamos dizer que os jovens não são apenas o futuro, são também o presente do nosso país e nesse presente estamos lutando muito para chegarmos ainda mais fortes no ano que vem para derrotar esse governo genocida e construir com as nossas mãos um Brasil que garanta segurança às nossas vidas, que garanta acesso à educação, que nos dê acesso à saúde, que tenha serviços públicos valorizados e que dê total prioridade à educação” para “o país voltar a sorrir, e possa ser feliz”.

Para ela, o momento impossibilita essa felicidade porque “a juventude anda de cabeça baixa” e “queremos a juventude de cabeça erguida com acesso aos seus direitos como educação, emprego, alimentação adequada e com uma vida digna”.

Porque “estamos lutando no presente para chegar mais fortes no futuro”. Ela não se cansa de repetir o tema da jornada deste ano: Vida, Pão, Vacina e Educação. Tema que remete à superação das crises sanitária e econômica. Crises que ceifam vidas e sonhos por causa da falta de ação de um governo inimigo da vida, da ciência e da inteligência.

Rozana segura cartaz com o tema da Jornada de Lutas da Juventude 2021 (Ubes)

Leia a entrevista abaixo:

Como vocês chegaram a esse tema tão forte e representativo deste momento crucial para a vida do país e da humanidade: Vida, Pão, Vacina e Educação?

Rozana Barroso: O tema surgiu após a nota técnica da Ubes sobre os Direitos Humanos e a Educação em tempos de pandemia. Pensamos como elaborar um tema para apontar os caminhos e as soluções que os estudantes precisam para que continuem tendo acesso à educação e para que aqueles que perderam essa possibilidade por causa da pandemia voltem a ter acesso à educação. Aquelas e aqueles que infelizmente evadiram, abandonaram a escola por causa dessa conjuntura adversa.

Analisando o cenário de agravamento da desigualdade social, pudemos perceber que os problemas abrangem toda a população, principalmente as pessoas que dependem do trabalho para viver. E, para tristeza de todos, neste momento enfrentamos um governo que tira e quer diminuir o auxílio emergencial, essencial para milhões de famílias fugirem da fome.

Esse governo não está nem aí para a ciência e para a pesquisa. O presidente Jair Bolsonaro ignora o papel da vacina, ignora a importância da educação e isso tem colaborado para o número gigantesco de abandono e de evasão escolar. Impossibilitando os jovens da periferia de ter acesso à educação.

O ensino remoto à distância parece não ter dado certo em parte nenhuma, não é?

A partir do momento em que não se disponibiliza a internet, o computador, os estudantes ficam sem a possibilidade de estudar. A situação se agrava ainda mais com as famílias passando fome, passando por situações muito difíceis e, para piorar, os estudantes ficaram sem a merenda escolar. A desnutrição infantil aumentou nesse período.

Daí surgiram essa palavras tão marcantes como tema desta jornada?

Começamos a pensar quais eram as palavras que poderiam traduzir a nossa nota técnica para o povo brasileiro e também serem as nossas reivindicações mais urgentes. Assim surgiu coletivamente: Vida, Pão, Vacina e Educação, que são as palavras de ordem de todo o povo brasileiro neste momento.

Junto com as nossas entidades irmãs, a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos) transformamos essas palavras no lema da Jornada de Lutas da Juventude de 2021.

Quais as saídas apontadas pela juventude para o país vencer a crise?

O tema da jornada já indica as saídas para que se possa solucionar os principais problemas da pandemia, do agravamento da desigualdade social e de um governo, que na nossa opinião, colabora com todo esse caos.

Por isso, quando falamos vida, dizemos sobre a importância de defender a vida neste momento tão difícil, com tantas mortes, mais de 3 mil óbitos por dia, um absurdo gigantesco. Quando falamos pão, se trata do auxílio emergencial, da merenda escolar, da garantia constitucional de uma alimentação suficiente e saudável. O tema vacina se trata de defender mais investimentos na ciência e na pesquisa. Levar a sério a imunização do povo brasileiro. A educação porque é daí que saem meninas e meninos prontos para colaborar com o desenvolvimento social, econômico e tecnológico do nosso país.

O nosso tema já direciona para algumas saídas e aponta algumas decisões que precisam ser tomadas para que possamos sair desse buraco de desespero.

Rozana discursa em manifestação estudantil em 2019 (Ubes)

Dá para resolver com Bolsonaro na Presidência?

Com certeza o impeachment e a campanha Fora Bolsonaro estão na pauta do movimento estudantil e da juventude. A saída de Bolsonaro para nós é uma questão de saúde pública. Temos um governo genocida. Desde o início minimizou os efeitos da pandemia. Algo desse tamanho. Apontado por inúmeros estudos que a humanidade não vivia há mais de 100 anos.

Mesmo assim, Bolsonaro chamou de “gripezinha” e banalizou a perda de tantas vidas. O nosso tema deste ano, direciona para os problemas que precisam ser solucionados com a maior urgência para o país sair do buraco de morte que Bolsonaro nos levou.

Qual educação os jovens brasileiros querem?

Os estudantes brasileiros querem uma educação que acompanhe o desenvolvimento da tecnologia. E a pandemia escancarou a desigualdade educacional do país. Porque grande parte das escolas públicas se mantém ainda na base da lousa e do giz. Grande parte dessas escolas não têm laboratório de informática e quando têm o computador não funciona. A falta de estrutura das escolas públicas não responde aos anseios de professores e estudantes, evidenciado neste momento de distanciamento social.

Nós sonhamos com uma educação livre, democrática. Uma educação que forme meninas e meninos para contribuir com o desenvolvimento do nosso país. Uma educação que esteja sempre no centro do debate da soberania nacional. Uma educação levada a sério para que possamos ter um Brasil que não só transforme a vida desses estudantes no individual, como eu, por exemplo, que quero ser a primeira da minha família a estar na universidade. Queremos uma educação que transforme o nosso Brasil como um todo porque a luta por uma educação de qualidade no Brasil não é só uma luta individual, de sonhos individuais, de transformar nossas vidas e de nossas famílias, mas de transformar o Brasil. Porque quando a educação avança, ninguém retrocede.

Queremos uma educação que esteja sempre avançando, sempre acompanhando as novas tecnologias, sempre pautando a necessidade da liberdade de expressão, de arte, mas também da importância desses jovens brasileiros para a construção de um país desenvolvido e soberano.

Como disse antes, não há país que consiga andar para a frente se a valorização da educação não estiver no centro do debate. Essa é a educação dos nossos sonhos. Livre, baseada o diálogo, no conteúdo democrático e na capacidade de transformar o país num lugar bom para se viver para todas as pessoas.

Nesta atual conjuntura, é possível ter esse sonho?

O sonho permanece porque nos alimenta. Mas infelizmente não acreditamos que o Brasil esteja perto disso, como disse acima, neste momento. Temos um governo que não valoriza a educação, não entende o seu papel estratégico e não dá importância para os necessários investimentos nesse setor vital para qualquer nação.

Um governo que queria aprovar o novo e permanente Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) apenas em 2022. Um governo que acaba de vetar uma lei de conectividade, que ignora e orienta os seus ministros a não receber as entidades estudantis. Que defende sempre uma política de exclusão.

Porque para os ultraconservadores, a educação não podes ser uma ponte para o ensino superior. Para eles, o lugar dos jovens pobres, negros, da periferia é longe dos bancos escolares.

A educação brasileira retrocede?

Tudo o que conquistamos até aqui, o governo Bolsonaro tenta retroceder. Essa Jornada de Lutas da Juventude, portanto, é fundamental para reforçarmos a nossa resiliência e a resistência em defesa de uma educação pública, voltada para o diálogo, inclusiva e de qualidade.

A juventude sonha com o que?

As meninas e os meninos deste país querem viver em paz, em segurança e com perspectivas de futuro, de poder sonhar com uma vida digna, sem violência, sem discriminação, com justiça social, respeito à diversidade e aos direitos humanos.

Lutamos pelo Fora Bolsonaro para voltarmos a sonhar com um futuro construído com as nossas mãos. Queremos a juventude inserida na política, construindo a luta dos movimentos sociais, mas também entendendo a importância do voto, do seu papel de exercer a democracia. Assim iremos derrotar esse projeto de genocídio através das urnas. Um projeto que, mesmo em meio a uma pandemia, aumentou o número de jovens negros mortos.

Precisamos derrotar esse projeto que inclusive ignora o tanto de jovens que são violentados e mortos todos os dias, até dentro de casa com tiro na barriga, jovens mortos nas ruas. Jovens mortos pela fome, pelo subemprego, pela falta de escolas.

A presidenta da Ubes em protesto nas ruas em favor da vida, em 2020 (Ubes)

Dá para ter esperança?

A juventude está desesperada porque temos um governo que ignora o nosso papel para a contribuição, como disse anteriormente, na construção de um país soberano e desenvolvido.

Por isso, costumamos dizer que os jovens não são apenas o futuro, são também o presente do nosso país e nesse presente estamos lutando muito para chegarmos ainda mais fortes no ano que vem para derrotar esse governo genocida e construir com as nossas mãos um Brasil que garanta segurança às nossas vidas, que garanta acesso à educação, que nos dê acesso à saúde, que tenha serviços públicos valorizados e que dê total prioridade à educação” para “o país voltar a sorrir, e possa ser feliz.

Não é esse presente de mortes que desejamos e muito menos um futuro como esse que queremos legar para quem vier depois de nós. Queremos a juventude de cabeça erguida com acesso aos seus direitos como educação, emprego, alimentação adequada e com uma vida digna.

Estamos lutando no presente para chegar mais fortes no futuro e derrotar o medo, o ódio e a violência. Fora Bolsonaro. Vida, Pão, Vacina e Educação para tirarmos o Brasil do buraco e do cemitério.

Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

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Álvaro Lins, o embaixador brasileiro que enfrentou Salazar

por Álvaro Arranja [*]

 – "General, tenho a maior satisfação em fazer o seu conhecimento pessoal, lamentando apenas que seja nestas circunstâncias. Lamentando, naturalmente, pelo senhor e não por mim."

Estas foram as palavras do embaixador ao entrar na sua Chancelaria, de acordo com o seu livro de memórias Missão em Portugal, a melhor fonte para conhecer os seus três meses mais difíceis em Lisboa.

– "Vim à Embaixada do Brasil solicitar asilo político a Vossa Excelência porque me encontro sob ameaça iminente de prisão" – responde-lhe Humberto Delgado.

A 7 de janeiro, a ditadura tinha dado o último passo que permitia prender Delgado. Foi demitido, por motivos políticos, do exército português. Já não gozava da proteção do foro militar e podia ser preso como qualquer civil pela PIDE. A vingança pela sua oposição frontal a Salazar, nas eleições presidenciais de 1958, seria levada até ao fim…

Álvaro Lins enfrentava uma decisão difícil. Porém, embora não fosse diplomata de carreira, não era um novato nas atividades políticas. Pernambucano de Caruaru, formado em Direito no Recife, foi Secretário do Governo Estadual e, mais tarde, em 1956, Chefe da Casa Civil do Presidente Juscelino Kubitschek (cargo que, pela sua importância, se aproxima da figura de Primeiro-Ministro em Portugal), precisamente antes de vir para Lisboa como embaixador. Mas foi no jornalismo e na literatura que se distinguiu. Membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, é um profundo conhecedor da cultura e da literatura portuguesa. Autor de livros como História Literária de Eça de Queiroz, Poesia e Personalidade de Antero de Quental, Discurso sobre Camões e Portugal, foi professor na Faculdade de Letras de Lisboa.

 A primeira conversa com Delgado foi longa. Álvaro Lins tomou consciência das ameaças feitas ao seu interlocutor. Sublinhou no seu livro o caso da prisão dos apoiantes de Delgado, destacados intelectuais presos por terem promovido a vinda a Portugal do dirigente trabalhista inglês Aneurin Bevan. "Jaime Cortesão, António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes – foram imediatamente presos" e o mesmo não acontecera ao general devida à sua situação de militar, tendo o governo, em nota oficial emitida na ocasião, prometido dar a Delgado o mesmo tratamento assim que se concluisse o seu processo de afastamento das forças armadas.

– "General: em princípio, concedo o asilo que o senhor veio solicitar à Embaixada do Brasil. Darei a minha decisão definitiva ao voltar da audiência com o ministro dos Negócios Estrangeiros".

Lins foi recebido às 18h30 por Marcelo Matias, no Palácio das Necessidades. "Pude sentir, desde logo, que ele nada sabia ou suspeitava do assunto", regista o embaixador.

– "Vim comunicar-lhe que o General Humberto Delgado procurou-me hoje, faz apenas algumas horas, para solicitar asilo diplomático à Embaixada do Brasil. E lá se encontra neste momento."

Com a sua prosa de grande qualidade, Lins descreve a reação do ministro de Salazar. "Fixei e observei bem a reação de Matias: ficou pasmado. Teve um momento de sobressalto, num estado de espírito ainda mais visível pela maneira como suas mãos apertavam os braços da cadeira. Dominou-se, porém, com presteza."

Só então reage.

– "A sua comunicação, Embaixador, enche-me de surpresa. E de indignação contra o General Delgado. Nada existia contra ele, nenhum propósito de persegui-lo ou prendê-lo."

Álvaro Lins tem uma proposta face à esperada reação de Marcelo Matias.

–"Amanhã, em meu automóvel, indo diretamente da Embaixada ao aeroporto, eu levaria o General Delgado até um avião da Panair; depois de amanhã, o general desembarcaria no Rio de Janeiro (…) sem qualquer espécie de escândalo público."

Marcelo Matias hesita. Não aprova a proposta mas sente que a decisão já não é sua e interrompe o diálogo. Lins relata o sucedido.

– "Dê-me licença por alguns instantes. Estão a chamar-me ao telefone.

Fui eu, agora, que fiquei surpreso: não vira abrir-se nenhuma porta, nem notara secretário algum que lhe houvesse feito um gesto ou dirigido qualquer palavra; e pareceu-me extravagante aquela chamada telefónica em tal hora, já encerrado o expediente do Ministério. Presumi: Marcelo Matias foi à sala de junto consultar Salazar pelo telefone.

Demorou-se uns cinco ou seis minutos. Foi-me fácil perceber que voltara ainda mais intransigente."

Depois do telefonema, Marcelo Matias voltou com a posição ditada por Salazar.

– "Nós não reconheceremos jamais o asilo do General Humberto Delgado, por falta de motivos, e não poderemos permitir que o general venha a sair de Portugal sob a proteção de uma potência estrangeira."

 Álvaro Lins já esperava o endurecimento da posição de Marcelo Matias, depois de conversar com Salazar. Todos sabiam que Delgado era o inimigo número um de Salazar, desde o "obviamente demito-o" do café Chave de Ouro. Iria persegui-lo até às últimas consequências…

Todavia, o que mais feriu a sua sensibilidade de profundo conhecedor e amante da pátria lusitana, também sua pela cultura e pelo sangue, foi a expressão "potência estrangeira". Não se conteve e disse a Marcelo Matias, a propósito da insistência nas expressões "território estrangeiro" e "potência estrangeira" ao referir-se ao Brasil:

– "Esta insistência me está parecendo chocante.(…) Então o Brasil passa a ser visto e tratado em termos de uma potência estrangeira e território estrangeiro quanto a Noruega, o Egito ou a China?"

Lins concede asilo a Delgado

O diálogo tinha chegado a um impasse. A Álvaro Lins restava reafirmar a sua posição:

– "Então, ministro, cumpre-me comunicar ao Governo português, por seu intermédio, que eu concedo o asilo solicitado pelo General Humberto Delgado. E o asilo será mantido, a não ser que a minha decisão, o que não acredito, venha a ser desaprovada pelo Governo brasileiro, hipótese em que voltarei à sua presença apenas para apresentar-lhe as minhas despedidas."

Restava um problema. Delgado estava na Chancelaria (na Calçada dos Caetanos) e não na Embaixada (na rua António Maria Cardoso, o lado da PIDE). Lins avisou o ministro de que iria transferir o general no seu automóvel, sabendo que a PIDE já o estaria a seguir:

– "Coloquei o General à minha direita no automóvel; na frente um dos secretários, ao lado do chofer. Este pareceu-me um pouco nervoso e perturbado. Quis, para encurtar a viagem, mudar o itinerário – pelo Rossio e pelo Chiado – que eu seguia todos os dias."

Ao seu nervoso motorista português, sabendo-se seguido pela PIDE, Álvaro Lins recomenda que siga:

– "Nem muito devagar, para não dizerem que estou querendo irritar, nem muito depressa, para não dizerem que estou com medo."

Estavam finalmente na Embaixada. Emocionado, Delgado declara a Lins:

– "Agora, Embaixador, estou sentindo, realmente, a sensação de um homem que penetra no território de um país livre!"

Já pelas nove e meia da noite, ouviram o ardina apregoar a edição do Diário Popular, com a notícia do asilo, em tom oficioso e achincalhante para Delgado. Segundo Álvaro Lins, no "estilo do jornal de Palma Cavalão em Os Maias".

Mais do que qualquer análise da situação política, são as palavras de Maria Iva Delgado, mulher de Humberto Delgado, que lhe tiram todas as dúvidas sobre a sua opção:

– "Depois de alguns meses, ontem foi a primeira noite que pude dormir tranquila, por saber o meu marido em segurança na Embaixada do Brasil. Antes, de dia e de noite, vivia em sobressalto; ao toque da campainha, ao menor ruído, imaginava que já era a PIDE a entrar-nos pela porta adentro."

Tinha-lhe pedido para vir à embaixada para conversar sobre as condições de vida de Delgado na embaixada. Apenas a mulher e as filhas o podiam visitar e, todos os dias, apesar das buscas e deselegâncias dos agentes da PIDE, cumpriam pontualmente essa tarefa. A PIDE fazia questão de parar a esposa de Humberto Delgado, exigindo-lhe a revista do carro em todas as visitas.

A embaixatriz Heloísa era anfitriã solicita. Numa conversa com Maria Iva, revelou-lhe que os gritos vindos do edifício ao lado, a sede da PIDE, frequentemente a perturbavam de noite. Tinha mandado uma carta ao Cardeal Cerejeira a queixar-se e recebera em resposta que se tratava do chiar dos elétricos nas calhas da Rua António Maria Cardoso…

Obviamente assassinado com a autorização de Salazar

Mas Álvaro Lins revela outro pormenor da conversa com Iva Delgado que lhe transmite outra sua preocupação, o facto de o General andar sempre com o seu revólver, para resistir a qualquer tentativa da PIDE para o prender.

– "Ainda por cima, o Humberto sempre com o revólver à altura da mão, no seu propósito de não se deixar levar com vida pela polícia."

Este testemunho de Lins publicado em 1960, é muito importante para compreender o que se vai passar no assassinato de Delgado em 1965.

Era do conhecimento de todos que o General andava armado. A PIDE não ignorava esse facto. Salazar também sabia que o General sempre andava com um revólver, já que o conhecia pessoalmente há muitos anos. Por conseguinte, ao autorizar a operação da PIDE que iria levar Delgado a Badajoz, autorização confirmada pelo Diretor da PIDE no julgamento, Salazar não ignorava que o General não se deixaria apanhar vivo.

Obviamente sabia que o encontro preparado pela PIDE, junto à fronteira portuguesa, acabaria na morte de Humberto Delgado.

Intelectuais brasileiros apoiam Lins

Entretanto, a questão do asilo na Embaixada ganha repercussão internacional. No Brasil, no início de fevereiro, um grande grupo de intelectuais brasileiros lança em vários jornais um manifesto de apoio e solidariedade ao embaixador Álvaro Lins, o qual, segundo o texto, muito orgulhava os brasileiros com a sua atuação no caso do asilo.

Tratava-se de uma reação ao movimento encabeçado pela Federação das Associações Portuguesas, que entendia o asilo como uma afronta à Portugal, exigindo do Brasil o apoio a Salazar.

Assinavam o manifesto solidário com Álvaro Lins, grandes nomes da intelectualidade brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, Erico Veríssimo, Darcy Ribeiro e António Calado.

Em 19 de fevereiro, o escritor Érico Veríssimo chega a Lisboa.

Lins refere ser Érico "muito popular, muito lido em Portugal, onde conhecem bem as suas ideias antiditatoriais, anti-franquistas, anti-salazaristas, tudo isso, simultaneamente, com a sua coragem em exprimi-las."

A 21 de fevereiro, na receção da embaixada ao escritor, Lins responde no seu diário a quem o acusa de só convidar oposicionistas portugueses. Esclarece que "quanto aos escritores e professores, aos intelctuais que constituem a vida cultural portuguesa, a culpa não é minha que, em trezentos de uma lista, duzentos e noventa são democratas e anti-salazaristas." E quando o Adido Naval lhe sugere um convite ao Diretor da PIDE porque é oficial do Exército, recebe uma recusa formal:

– "Jamais o Diretor-Geral da PIDE recebera, nem receberia um convite meu, a facultar-lhe a entrada na Embaixada do Brasil."

Após estar alguns dias na embaixada e ter manifestado a Lins o seu apoio no caso Delgado e recusar convites de homenagens governamentais, Érico Veríssimo vai ao teatro D. Maria II debater literatura, a 2 de março.

Quando questionado pela audiência sobre o motivo da estagnação da literatura portuguesa, sua resposta é simples: "A censura", e acrescenta ser "desonestidade ou cobardia não falar claro numa hora como esta".

No final da conferência as ovações também alcançavam Álvaro Lins, que fora aconselhado pelos diplomatas a não reagir aos gritos de "viva o Brasil" vindos da plateia.

Segundo o jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, de 5 de abril de 1959, Veríssimo afirmaria que existia uma campanha para denegrir a embaixada brasileira e seu embaixador, que, segundo ele, desempenhavam um papel exemplar na questão.

Mas se Lins conta com o apoio de muitos intelectuais brasileiros, nos finais de fevereiro os seus receios quanto à solidariedade do Presidente e do ministro das Relações Exteriores do Brasil confirmam-se. Juscelino Kubitschek de Oliveira e Negrão de Lima aproximam-se das posições de Salazar.

A 27 de fevereiro de 1959, último dia do seu diário publicado no livro Missão em Portugal, Lins refere que lhe faz "saber o Itamarati de Kubitschek e Negrão que a ida do General Delgado para o Brasil, mesmo nas condições impostas pelo Governo português, seria um sucesso para a diplomacia brasileira; e me aconselham a ceder e transigir, com a aceitação da fórmula que seria uma degradação do princípio do asilo e uma vergonha internacional para o Brasil."

Nesse final de fevereiro sintetiza a sua situação:

– "Vejo-me como em estado de guerra, com a Embaixada cercada pela PIDE, com os telefones sob a censura, com vigilância da polícia política sobre os meus passos, por toda a parte."

Mais tarde, na sua "Carta de Rompimento Político e Pessoal com o Presidente Kubitschek", sublinharia que os seus compromissos eram "com a Nação portuguesa imperecível" e a "solidariedade e apoio ao movimento de restauração das liberdades públicas e dos direitos da pessoa humana para todos os portugueses."

Um Mercedes na noite de Lisboa

Na noite de 11 para 12 de março, a última esperança do General Sem Medo asilado por Álvaro Lins, esvaiu-se. A Revolta da Sé, assim designada porque os revolucionários se reuniam na Sé de Lisboa, com a ajuda do padre oposicionista Perestrelo de Vasconcelos (próximo de Manuel Serra, chefe civil do movimento), não teve êxito.

O regime acabou por aceitar a ida de Delgado para o Brasil. Porém pretendia impor-lhe condições humilhantes. Antes de entrar no avião, teria de sair do automóvel, fazer dois requerimentos e esperar pela sua concretização. Essa pretensão recebeu uma recusa inequívoca do General, apoiada pelo embaixador Álvaro Lins.

Terá sido João Dantas, diretor do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, então em Lisboa, a telefonar ao Ministro da Presidência de Salazar, Teotónio Pereira, conseguindo a mudança da posição do Governo português.

Os requerimentos foram enviados para a embaixada. Delgado assinou-os e, com o formal deferimento, foram devolvidos à embaixada, a 20 de abril.

Álvaro Lins e Humberto Delgado, sem palavras, despediram-se com um abraço.

A Missão em Lisboa de Álvaro Lins estava cumprida.

O Mercedes  preto partiu do interior da embaixada, conduzido pelo motorista António Madeira, acompanhado pelo primeiro-secretário da embaixada, Alarico de Oliveira. Atravessou a noite de Lisboa a alta velocidade, entrou na pista do aeroporto da Portela e travou junto ao voo 289 da Panair do Brasil. Ignorando os olhares ameaçadores dos agentes da PIDE, Humberto Delgado embarcou.

16/Março/2021

[*] Professor e historiador.

O original encontra-se em patrialatina.com.br/alvaro-lins-o-embaixador-brasileiro-que-enfrentou-salazar/

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

Ver a publicação original em 'Resistir.info' na seguinte ligação:

https://resistir.info/brasil/alvaro_lins.html

Brasil | A máquina mortífera

Raul Fitipaldi |Desacato.info. | opinião

O Brasil já infectou 4 vezes a população do Uruguai. O Brasil já matou dezenas inteiras de municípios do seu próprio território. O “Brasil governo” fez isso, é uma máquina de morte. Nenhum país do mundo teve um presidente incentivador da infecção em massa. Nenhum governo, em todos os continentes do planeta, teve a coragem, a perversa ousadia de convocar as pessoas para morticínio coletivo como o fez o governo genocida de Jair Bolsonaro.

Hoje, com a morte de outro amigo, comecei a contar em dois dígitos os amigos e conhecidos que morreram, especialmente depois da segunda onda da Covid no Brasil. Pessoas cuidadosas, cautelosas, mas, que tiveram familiares ou amizades irresponsáveis e seduzidas por um psicopata que destrói todos os dias a nação.

Converso com jornalistas de outros países, em particular do Cone Sul, semanalmente. Não tenho já palavras para descrever o que acontece no Brasil. É inexplicável que num país famoso no mundo todo pela capacidade e organização sanitária, com um exemplo reconhecido no mundo como o SUS, em apenas um ano aconteça esta obra macabra. Obra que se majoritariamente atinge às vítimas de sempre, pobres, negros, desempregados, também atinge senadores, empresários, dirigentes, desportistas e pessoal da saúde na vanguarda da luta contra o flagelo.

Como explicar aos colegas estrangeiros que aqui, já na iminência dos 300 mil cadáveres, o país supera, dia após dia, novos recordes de infecção e mortes? Que falta oxigênio, que faltam medicamentos para a intubação, que faltam leitos, que as pessoas morrem jogadas no chão dos hospitais ou dos postos de saúde?

Como explicar que só depois de um ano os banqueiros e os empresários mandem cartinhas ou façam campanhas em favor do distanciamento, do uso da máscara e da vacina? Justamente esses setores que mandaram, sem pestanejar, trabalhadores e trabalhadora ao matadouro para garantir seus lucros muitas vezes indecentes. Esses que alinhados a um governo desastrado que muito lhes serviu economicamente porque, como consequente office boy, garantiu aos ricos mais riquezas, mais flexibilidade laboral, mais privatização, mais roubo e destruição da riqueza nacional, agora pretendem tomar distância pública do monstro. Perversa cena de péssimos atores.

De que forma é possível explicar que esse presidente que persegue a quem, com justiça, lhe apelidar de genocida e seu gabinete de incapazes, ignorantes e tortuosas figuras medievais, transformaram em menos de mil dias uma nação em um cassino, numa roleta russa, onde tem mais balas o tambor do revólver do que nos filmes de ação.

Com qual narrativa se explica que um presidente minta ao seu povo dia e noite e nada aconteça, mesmo que a mentira conduza à morte centenas de milhares de compatriotas? Como desenhar que, ainda assim, milhões de apoiadores fanáticos que, se preciso for, entrariam em mortal combate para lhe defender, o louvem e o sacralizem, mesmo tendo familiares, amigos e colegas mortos. Como explicar tamanho embuste e tamanha negação?

Ninguém, em lugar nenhum da terra, nem os mais adoidados carniceiros contemporâneos, entendem o Brasil de Bolsonaro. Porque esse Brasil, que já não era um país para amadores, se tornou um país de milhões de pessoas transtornadas, alucinadas, ignorantes da sua própria realidade, onde um psicopata coloca o mágico paraíso a curta distância dos seguidores, mesmo que o passaporte seja o ódio, a terrível morte por asfixia, por fome ou violência extrema do estado.

Clamam tarde as elites empresariais e os banqueiros. Trama absurda e roteiro indigno. O fazem para esconder aos olhos dos explorados que são sócios deste genocídio e únicos detentores do bônus da maior carnificina coletiva da história. A máquina mortífera chamada governo precisará responder por seus atos, e deverá ser julgada dentro ou fora do Brasil. Com ela terão que ser julgados esses empresários e banqueiros que apertaram prefeitos e governadores para que a morte continuasse sua caminhada sem mais incômodos que pular as pilhas de cadáveres de trabalhadores, empregados ou não.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2021/03/brasil-maquina-mortifera.html

'Vizinhos temem muito': bloqueio da Argentina revela Brasil isolado e 'caótico', diz analista

 

Na sexta-feira (26), o governo argentino decidiu barrar todos os voos vindos do Brasil com o objetivo de conter o avanço da COVID-19. Para comentar o assunto, a Sputnik Brasil ouviu o cientista político Paulo Velasco, que aponta que a medida revela medo sanitário em relação ao Brasil.

A medida do governo argentino, que também barra voos de Chile e México, serve como forma de proteção contra variantes do vírus SARS-CoV-2 que têm circulado nos países, como a cepa brasileira, que é mais transmissível que a original. Até então, apenas voos do Reino Unido estavam proibidos na Argentina - também devido a uma cepa do novo coronavírus.

Apesar da existência de pelo menos 27 mil argentinos fora do país, Buenos Aires decidiu que não realizará voos de repatriação de seus nacionais. No ano passado, voos do tipo levaram cerca de 200 mil pessoas de volta à Argentina. Os argentinos que estão no exterior e quiserem regressar terão que realizar isolamento de 14 dias e apresentar testes negativos de COVID-19 - tudo custeado pelo próprio viajante.

 

Em Brasília, o saguão do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek aparece vazio em meio à pandemia da COVID-19, em 20 de março de 2020

 

© Foto / Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Em Brasília, o saguão do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek aparece vazio em meio à pandemia da COVID-19, em 20 de março de 2020

A atual situação da pandemia no Brasil é mais grave do que na Argentina. Segundo os dados da Universidade Johns Hopkins, a Argentina acumula 55 mil mortes e 2,7 milhões de casos confirmados de COVID-19, sendo hoje o 13º país com mais mortes causadas pela doença. Já o Brasil, que nos últimos dois meses bate recordes sucessivos de mortes, se aproxima de 311 mil óbitos pelo novo coronavírus e passa de 12,5 milhões de infecções detectadas - o segundo país mais impactado pela pandemia, atrás apenas dos Estados Unidos.

Impactos econômicos do bloqueio de voos do Brasil

Para o cientista político Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os impactos econômicos das restrições impostas pela Argentina serão maiores no turismo e no fluxo de pessoas, apesar de as relações comerciais entre os países já estarem recuando.

"A princípio, as restrições nas fronteiras, sejam terrestres, marítimas, e agora aéreas, elas impactam o dia a dia das pessoas, ou seja, impedem o fluxo de turistas entre os países. Lembrando que essas medidas não se aplicam só em relação ao Brasil. A restrição de chegada de voos também foi implementada em relação ao México, em relação ao Chile, mas afetam principalmente a vida das pessoas", afirma o professor em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo dados de 2019 do Ministério do Turismo e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a Argentina é o país que mais envia turistas ao Brasil, com um fluxo quase cinco vezes maior do que o segundo colocado, os Estados Unidos.

 

 

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, à esquerda, cumprimenta o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, durante a cerimônia de posse do presidente argentino.

© AP Photo / Daniel Jayo
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, à esquerda, cumprimenta o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, durante a cerimônia de posse do presidente argentino.

Velasco lembra que as medidas de restrição refletem a posição que o Brasil assumiu de preocupação para os outros países da região, mas explica que o comércio internacional com a Argentina, no entanto, deve sofrer menor impacto como consequência da proibição de voos.

"É claro que há impactos econômicos, até por conta da restrição ao turismo, que é sempre uma atividade importante quando pensamos entre Brasil e Argentina, na relação entre os dois, mas a princípio o fluxo de mercadorias não se vê diretamente afetado. É claro que pode haver impactos indiretos, mas não há um impedimento no fluxo de mercadorias entre os dois países", ressalta o cientista político.

Apesar disso, o comércio bilateral com a Argentina não vive seu melhor momento. Em 2020, a Argentina, chegou a perder o posto de terceiro maior destino das exportações brasileiras para os Países Baixos, atrás ainda de China e Estados Unidos. Conforme dados do Ministério da Economia brasileiro, o saldo comercial com a Argentina em 2020 ficou positivo em US$ 700 milhões (cerca de R$ 4 bilhões), sendo que no ano anterior recuou em US$ 760 milhões (cerca de R$ 4,3 bilhões). Em 2018, porém, o saldo foi mais de cinco vezes maior, com cerca de US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões) nas trocas entre os países.

Mesmo com a melhora da balança comercial do Brasil com a Argentina em 2020, os números de exportação e importação continuaram a tendência de queda que vinha desde o ano anterior. Se em 2018 as exportações para a Argentina eram de US$ 14,9 bilhões (cerca de R$ 85 bilhões), o número recuou para US$ 9,8 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões) em 2019 e depois para 8,5 bilhões em 2020. Já as importações do Brasil para com a Argentina também recuaram nos últimos três anos. Em 2018, somaram US$ 11 bilhões (cerca de R$ 63,3 bilhões); em 2019, US$ 10,5 bilhões (cerca de R$ 60,5 bilhões); e em 2020, US$ 7,8 bilhões (cerca de R$ 44,9 bilhões).

Relação bilateral já é ruim e não deve piorar com restrição de voos

Brasil e Argentina não estão no melhor momento de suas relações diplomáticas. As diferenças políticas entre as lideranças dos dois países têm distanciado as duas nações, historicamente parceiras na região, como explica o professor Paulo Velasco.

"É claro que existem os contatos técnicos em escalas inferiores, mas no que diz respeito ao diálogo de alto nível, tão importante para impulsionar a parceria bilateral - estamos falando de uma aliança estratégica entre Brasil e Argentina - esse diálogo de alto nível praticamente inexiste", avalia o professor.

Os dois presidentes, Alberto Fernández e Jair Bolsonaro (sem partido), trocam farpas desde a posse do argentino e dialogaram abertamente apenas em dezembro do ano passado, durante encontro virtual. Apesar disso, a situação continua complicada. Na reunião do Mercosul, realizada na sexta-feira (26), a Argentina se opôs às mudanças propostas por Paraguai, Uruguai e Brasil, por exemplo.

"Vimos mais uma vez na cúpula de ontem [na sexta-feira (26)] que celebrava aos 30 anos do Mercosul um clima de extrema frieza entre Fernández e Bolsonaro - Bolsonaro, inclusive, se retirou em antes do fim da do encontro virtual da cúpula virtual. Então, não é um bom momento para as relações bilaterais Brasil-Argentina", aponta.
O presidente argentino Alberto Fernández participa da cúpula virtual de 30 anos do Mercosul
© REUTERS / Esteban Collazo / Presidência da Argentina
O presidente argentino Alberto Fernández participa da cúpula virtual de 30 anos do Mercosul

Nesse sentido, para o analista político a restrição de voos não chega a piorar a relação entre os dois países, que já se encontra em um momento ruim. Para Velasco, essa deveria ser uma relação mais ativa, de diálogo permanente, lembrando que a Argentina é o maior parceiro comercial do Brasil na região.

"Eu nem acredito né que a restrição à entrada de brasileiros e aos voos entre os países seja um agravante ou piore a relação. Na verdade, a relação já é uma relação muito atrapalhada por esse clima de indiferença e às vezes até de hostilidade ideológica que temos visto entre os dois presidentes. Isso é muito pernicioso para uma relação tão importante", ressalta o professor.

Brasil, pária sanitário e político, perde espaço na região

O Brasil, acossado pela pandemia da COVID-19 e pela crise política, continua perdendo espaço como liderança regional na América do Sul. Segundo o professor Paulo Velasco, apesar do aprofundamento recente, esse quadro segue se deteriorando pelo menos desde a crise política que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

"O Brasil não tem se mostrado no espaço sul-americano como em outros tempos, aquela voz de liderança, aquele ator que de alguma maneira lançava as iniciativas, guiava as distintas iniciativas", aponta.

O cientista político vê o papel do Brasil no continente cada vez mais como de um ator coadjuvante, seja no campo diplomático, como na crise na Venezuela, ou mesmo em outras medidas alinhadas ao atual governo.

"O Brasil tem tido uma presença, por incrível que pareça, mais coadjuvante na América do Sul em iniciativas marcantes, como, por exemplo, o Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul, o chamado Prosul, lançado em 2019, que não teve o Brasil como um de seus realizadores, como um dos formuladores. Os países que guiaram aquele processo foram Colômbia Chile", lembra.
Manifestante coloca bandeira do Brasil em lençol hospitalar, simbolizando as mais de 300 mil vítimas da COVID-19 no país, Rio de Janeiro, 24 de março de 2021
© REUTERS / Pilar Olivares
Manifestante coloca bandeira do Brasil em lençol hospitalar, simbolizando as mais de 300 mil vítimas da COVID-19 no país, Rio de Janeiro, 24 de março de 2021

Velasco acredita que a forma como o atual governo lida com a crise sanitária deixa o Brasil ainda mais isolado na região.

"Já faz algum tempo que o Brasil de fato não goza de uma posição de líder na América do Sul e certamente a crise sanitária brutal que estamos vivendo e o absoluto descontrole da pandemia nos coloca numa situação ainda mais delicada. Os vizinhos temem muito Brasil", aponta Velasco.

O cientista político lembra que o Brasil é hoje visto como um disseminador de novas variantes da COVID-19, imagem agravada pelo histórico recente de ações e declarações do presidente brasileiro em relação à pandemia.

"[Essa situação se dá] muito pela própria postura do governo, a incompetência do presidente em lidar com a crise, em lidar com a pandemia, em declarações ao longo, enfim, de todo o último ano, para lá de controversas [...]. Então, certamente a nossa imagem será prejudicada sim, ainda mais nesse contexto tão caótico", conclui.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

Brasil | A criminosa estupidez de um boçal

 

''Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado.'' - JMB

 

O tenente Bolsonaro, dando vazão a mais uma de suas obsessões, ampliou de quatro para seis o número de armas que cada pessoa pode ter. Algumas categorias, como agentes das Forças Armadas, policiais, magistrados e membros do Ministério Público, entre outras, podem ter até oito armas. Com a inclusão destas duas últimas categoria o aumento do número de armamento em poder dos civis aumentou 65% em apenas dois anos. Segundo informação do jornal O Globo, civis agora podem comprar fuzis cujo uso era restrito às forças de segurança. O derrame entre a população nesse período foi de cerca de um milhão de armas e estas podem ser compradas pela internet para uso, teoricamente, em tiro esportivo e caça. Mas a liberalização não para por aí. Sempre através de decretos que descaracterizam a Lei do Desarmamento, o laudo de capacidade técnica foi substituído por um simples "atestado de habitualidade" que pode ser emitido por clubes de tiro. A situação é tão grave que as organizações Instituto Igarapé, Instituto Sou da Paz e Conectas Direitos Humanos se uniram para fazer uma denúncia, na última sexta-feira, 19 de março, junto ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça: “Apesar dos altos índices de violência armada, o governo brasileiro ampliou o acesso a armas e munições e reduziu a capacidade do Estado de controlar esses arsenais”.

Todas estas ações são condizentes com o dito na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 na qual, aquele que senta no Planalto, afirmou que era necessário armar a população para “impedir uma ditadura no país”. Nessa reunião exigiu que o então ministro da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro e o ministro da Defesa, General Azevedo e Silva, tomassem providências nesse sentido. “Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado.” Daniel Pereira Santos, comerciante de 24 anos, cuja família tem um supermercado em Itapema, cidade situada no litoral do norte de Santa Catarina, foi morto a tiros, no dia 22 de março, por um cliente. Motivo: ter se negado a atender três pessoas, entre as quais o assassino. Estes queriam entrar no supermercado sem máscara de proteção. O rapaz pediu também que se retirassem da porta do estabelecimento pois estavam provocando uma aglomeração. O caso ainda está sendo investigado para que se chegue à autoria. Bolsonaro, com sua boçalidade, seu negacionismo científico e ético, sua amoralidade cada vez mais vicejante, está disseminando pelo país, de forma consciente e deliberada, armamento para quem, como ele, sofre de uma deficiência que só se satisfaz através das armas.

 

Lygia Jobim | Carta Maior

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2021/03/brasil-criminosa-estupidez-de-um-bocal.html

Brasil registra 3.650 mortes por COVID-19 em 24 horas e bate novo recorde

O Brasil registrou 3.650 novas mortes pela COVID-19 e 84.245 novos casos da doença nesta quinta-feira (14). Com isso, o país chegou a 307.112 óbitos e a 12.404.414 de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

O número representa um recorde no número de óbitos registrados em um intervalo de um dia. Essa também foi a segunda vez que o Brasil registrou três mil mortes em um só dia, a primeira foi na última terça-feira (23). As informações foram publicadas pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Os números podem ser ainda maiores, já que os números do Ceará ainda não foram atualizados por problemas técnicos no acesso à base de dados.

​Nesta sexta-feira (26), as atenções do país se voltaram para o anúncio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de uma potencial vacina contra a COVID-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan, a ButanVac.

O instituto informou que vai pedir autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os estudos clínicos em voluntários.

Poucas horas depois, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, anunciou que também protocolou à Anvisa o pedido de testes de uma vacina financiada pelo governo federal, a Versamune-CoV-2F, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) em conjunto com a empresa brasileira Farmacore e a norte-americana PDS Biotechnology.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021032617215687-brasil-registra-3650-mortes-por-covid-19-em-24-horas-e-bate-novo-recorde/

 

Mortes por pandemia no Brasil são o “maior genocídio de nossa história”, afirma Lula

26/03/2021
 

As mais de 300.000 mortes por coronavírus no Brasil são “o maior genocídio” na história do país, denunciou ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel, na qual afirmou que o atual presidente, Jair Bolsonaro, deveria “pedir perdão”.

“Na terça-feira, 3.158 pessoas morreram por covid no Brasil. Este é o maior genocídio de nossa história. Nossa atenção não deve estar nas eleições do próximo ano, e sim na luta contra o vírus e na vacinação da população. Temos que salvar o Brasil do coronavírus”, disse Lula à revista.

O Brasil é o segundo país com mais mortes provocadas pela covid-19, depois dos Estados Unidos. Mais de 12 milhões de brasileiros foram infectados pelo coronavírus, incluindo Bolsonaro, presidente de extrema-direita e um cético que sempre minimizou os riscos do vírus.

Na quinta-feira, o país registrou pela primeira vez mais de 100.000 novos contágios em um dia.

“Um presidente não pode saber tudo, mas ele (Bolsonaro) deveria ter a humildade de consultar pessoas que sabem mais do que ele”, afirmou Lula, 75 anos, que pode ser candidato nas eleições de 2022. 

Ele recuperou os direitos políticos depois que as condenações por corrupção contra ele foram anuladas pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula sempre alegou inocência de todas as acusações.

De acordo com o ex-presidente, Bolsonaro deveria se reunir com cientistas, médicos, governadores e ministros de Saúde para traçar um plano para derrotar a covid”.

Bolsonaro, mesmo que agora use máscara, “não leva a covid a sério”, insistiu Lula.

“Ele não acredita nas vacinas, gastou uma fortuna em um mediamento chamado hidroxicloroquina, embora tenha sido demonstrado que não servia”, completou, sem poupar críticas a Bolsonaro.

“Durante um ano ele não levou o vírus a sério e nos contou mentiras. Durante um ano ele provocou todos os que não concordavam com ele”, acrescentou.

“Se tivesse um pouco de grandeza, ele deveria pedir perdão às famílias dos 300.000 mortos por covid e dos milhões de infectados”, disse.

Esta semana, Lula obteve uma nova vitória quando a segunda turma do STF concluiu que o ex-juiz Sergio Moro, responsável pelos processos do ex-presidente, foi “parcial”. 

“É nossa responsabilidade, como brasileiros, parar este homem e restaurar a democracia no país”, declarou Lula, para quem “nunca em nossa história tivemos um presidente tão irresponsável”.

Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

https://www.plataformamedia.com/2021/03/26/mortes-por-pandemia-no-brasil-sao-o-maior-genocidio-de-nossa-historia-afirma-lula/

Que a nossa fundada desconfiança não nos impeça de comemorar!

Uma decisão histórica! Celebremos!

 

O dia 23 de março de 2021, quando a 2ª Turma do STF reconheceu e sentenciou a parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro, deve ser considerado sinônimo de resistência aos abusos autoritários do sistema de justiça, o dia em que a legalidade venceu a barbárie jurídica, o dia em que o conjunto das forças políticas, sociais e populares, ao lado de exímia condução técnica dos processos movidos contra Lula, foi capaz de vencer a politização do direito travestido em sentenças e condenações seletivas.

O julgamento deve ser celebrado e nos inspirar a uma nova fase de luta pela democracia no Brasil. Isso é o que nos ensinam as lideranças políticas organizadas em torno da luta pelo “Lula Livre” e, neste ponto, da estratégia de organização para trilhar o longo caminho, não há que se hesitar em reconhecer a potência desse momento que, somado ao esplêndido discurso de Lula na semana anterior, nos renova a esperança.

Levantar “mas”, “porém” é vício de profissão. É também consequência do trauma vivido nesses longos cinco anos em que fomos acusados de ingênuos por acreditar na força da Constituição e da Justiça. É compreensível, portanto que, ao menos entre os juristas, persista o sentimento de alerta e desconfiança, mesmo quando a decisão da Corte seja definitiva e capaz de resolver uma questão estrutural da maior farsa jurídica da história do país.

Não se deve desprezar a contraofensiva. As forças midiáticas de apoio ao Sérgio Moro inventam indulgências e vênias ao comportamento suspeito do ex-juiz. Também prosseguem as movimentações anômalas na mesma 13ª Vara de Curitiba que, mesmo em mãos de outro magistrado, parece definitivamente contaminada pelo vício da suspeição. Recentemente veio a público uma carta de procuradores que envergonham o Ministério Público. A carta declarando apoio à Lava Jato, faz pouco caso dos desmandos dos colegas do MPF de Curitiba.

Nesse sentido, e mesmo com a potência da decisão, há sinais de que a luta será longa. A cultura lavajatista busca sobreviver e afirmar-se como paradigma: a usura das instituições, a malandragem jurídica para driblar garantias, o vale-tudo no ringue das audiências, toda essa farsa travestida de “combate à corrupção” ainda encontra defensores entre procuradores, juízes e jornalistas. Sinais de um tempo em que o judiciário autoritário respalda a austeridade econômica e o autoritarismo político.

Os efeitos da operação Lava Jato são desastrosos por afetarem o tecido empresarial e de empregos na construção civil e no setor de petróleo e gás sob o argumento legítimo do combate à corrupção. Os estudos do Dieese, encomendados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), comprovam a desestabilização econômica e o desinvestimento muito superior a qualquer argumento de “recuperação de ativos”.

Somos a favor do combate à corrupção, mas não com esses métodos, destruindo a economia e as opções de participação política de uma nação. É importante combater a corrupção com transparência, com autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público, mas sem violar tratados de cooperação penal que vulneram a soberania do país.

Haverá tempo para que as consequências da Lava Jato sejam efetivamente compreendidas e responsabilizadas, pouco a pouco, em cada espaço institucional. No futuro, e com o restabelecimento de regras do Estado Democrático de Direito, haverá tempo para a responsabilização dos crimes que foram cometidos contra os interesses nacionais e também poderemos trabalhar num modelo de combate “soberano” e “independente” à corrupção.

Por ora, celebremos. Não há dúvidas de que devemos nos alimentar das avaliações de lideranças políticas e da percepção clara de que Lula ressurge, pleno em seus direitos, no momento em que o Brasil mais precisa. O discurso entusiasmado, iluminado de otimismo e de vontade depois de tudo que passou nos serve de exemplo da postura que devemos ter para enfrentar o fascismo que assola o país pelas mãos de um criminoso de lesa humanidade.

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Brasil | 300 mil mortes marcadas pela omissão e pela incompetência

 

Enquanto o sistema de saúde está colapsado, a vacinação avança a passos lentos, apenas 6% da população recebeu a 1a dose

Luiz Fernando* | Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Há um ano o Brasil lamentava a primeira morte por covid-19. Doze meses depois chegamos à triste marca de 300 mil brasileiros e brasileiras que perderam a vida por conta de uma das piores pandemias de nossa história. Hoje, o país tem mais mortes do que todos os 27 países da União Europeia somados.

A tragédia, infelizmente, está longe de acabar. Enquanto o sistema de saúde está colapsado, a vacinação avança a passos lentos em todos os cantos do país: apenas 6% da população recebeu ao menos uma dose.

Há preocupação com o estoque de oxigênio nos hospitais e até mesmo com a possível falta de “kit intubação”. Governadores e prefeitos tentam conter o avanço do vírus com medidas mais duras de restrição, que são desrespeitadas em larga escala em todo o país.

Falta também presidente: Bolsonaro só abre a boca para falar besteiras e mentiras e se omite de suas responsabilidades. Pior: debochou diversas vezes de um vírus mortal e que já destruiu milhares de famílias: “Eu não sou coveiro”, “E daí, quer que eu faça o que?”, “País de maricas” e dezenas de outras frases infelizes marcaram sua (falta de) gestão na presidência.

Para piorar, a população passa por uma crise econômica sem precedentes e que já afeta as refeições diárias dos brasileiros. O fim do auxílio-emergencial, em dezembro, piorou a situação. Os comerciantes estão quebrados e a população sem poder de compra.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ano de 2021 começou com 27 milhões de brasileiros (12,8% da população) na miséria. Mais de 6,2 milhões estão vivendo com menos de R$ 157 por mês e mais de 10 milhões já não têm o que comer.

Bolsonaro e seus ministros precisam começar a trabalhar pelo país e agilizar a vacinação do nosso povo. O Brasil não tem mais espaço para amadores e que brincam com a vida da população.

* Luiz Fernando é deputado estadual (PT/SP)

** Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Rebeca Cavalcante

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Caso Marielle: três anos de um crime que chocou o Brasil

 

A pergunta "Quem mandou matar Marielle?" continua em aberto no caso que expôs os tentáculos da milícia no Rio. Investigações foram marcadas por tentativas de obstrução e provocaram constrangimento para o clã Bolsonaro.

O assassinato da vereadora Marielle Franco completa três anos neste domingo (14/03), ainda sem que investigadores tenham apontado os mandantes do crime e a motivação. Marcado por reviravoltas e perguntas sem resposta, o caso se tornou um símbolo da violência política no Brasil e escancarou os tentáculos do crime organizado no Rio de Janeiro. "Três anos são muito tempo [...] Está mais do que na hora de ter uma resposta", disse Marinete Silva, mãe de Marielle, em entrevista à DW Brasil nesta semana.

Até 2018, Marielle, então com 38 anos, ainda não era muito conhecida fora do Rio de Janeiro. Vereadora de primeiro mandato e atuante em causas sociais, especialmente na luta antirracista e na promoção de pautas feministas e LGBTQ, Marielle logo se transformaria tragicamente num símbolo da violência no Brasil.

Na noite de 14 de março daquele ano, Marielle deixou um debate na ONG Casa das Pretas, no centro do Rio. Pouco tempo depois, o veículo foi emboscado e alvo de tiros no bairro do Estácio, quando seguia para a casa da vereadora. Marielle e o motorista Anderson Gomes morreram na hora. Uma assessora da parlamentar, que também estava no automóvel, sobreviveu - ela deixaria o país posteriormente. O ataque, cuidadosamente planejado, tinha a marca de profissionais – e logo seria revelada a participação de ex-agentes do Estado.

Suspeitos presos, mas nada de um mandante

Desde então, uma das perguntas do caso parece já ter sido respondida: "Quem matou Marielle?" Dois suspeitos foram presos: o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz, acusados de envolvimento com milícia. A investigação apontou que Lessa teria efetuado os disparos, enquanto Queiroz teria conduzido o veículo que seguiu Marielle.

Em julho de 2019, Lessa foi preso no mesmo condomínio da Barra da Tijuca em que o presidente Jair Bolsonaro e seu filho Carlos possuem imóveis. Em outro endereço do policial, investigadores encontraram 117 fuzis de assalto incompletos. Além do homicídio, Lessa foi indiciado por tráfico internacional de armas. Os dois suspeitos ainda não foram julgados, três anos após o crime.

Em junho de 2020, veio uma nova rodada de prisões: desta vez um suspeito de ter atirado as armas de Lessa ao mar. Assim com outros envolvidos no caso, ele também usava uniforme: um sargento do Corpo de Bombeiros, que vivia numa mansão de luxo na Zona Oeste do Rio. Em outubro de 2019, outros quatro suspeitos, entre eles parentes de Lessa, já haviam sido presos. O carro e a arma usados pelos assassinos nunca foram encontrados.

 

 

Quem mandou matar Marielle?

 

Uma série de políticos do Rio de Janeiro figuraram como suspeitos de terem ordenado o crime. A lista chegou a incluir o vereador Marcelo Siciliano (PHS), o ex-vereador Cristiano Girão e o ex-deputado Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Todos negam qualquer envolvimento.

O caso de Siciliano também revelou tentativas de obstrução. Em 2019, aProcuradoria-Geral da República denunciou dois policiais federais, uma advogada e Domingos Brazão por tentativa de atrapalhar as investigações. Eles teriam plantado uma testemunha para implicar Siciliano e desviar o foco dos verdadeiros mandantes.

Uma das linhas de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público aponta que o assassinato de Marielle foi encomendado como uma forma de vingança contra o atual deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ), colega de partido de Marielle e que se notabilizou por sua atuação contra as milícias da cidade. Marielle trabalhou durante uma década no gabinete de Freixo antes de ser eleita vereadora. 

Em dezembro, uma reportagem da revista Veja apontou que milicianos ligados ao Escritório do Crime, uma organização de matadores do Rio, se filiaram ao Psol logo depois das eleições de 2016, provavelmente para monitorar as atividades de membros do partido.

 À época do crime, a segurança pública Rio de Janeiro também estava sob intervenção federal há apenas um mês. Num primeiro momento, houve especulações de que o assassinato poderia ter sido uma reação de grupos criminosos.

Em três anos, as investigações foram lideradas por três diferentes delegados. O primeiro, Giniton Lages, deixou o caso logo após a prisão dos dois executores. O segundo, Daniel Rosa, foi substituído por Moysés Santana em setembro de 2020, depois de mudanças no comando do governo do Rio. As investigações ainda foram objeto de uma disputa em 2019 envolvendo a discussão sobre uma possível federalização, com a mudança de alcançada da Polícia Civil para a Polícia Federal, mas a família da vereadora se opôs.

No início de março, o Ministério Público do Rio anunciou a criação de uma força-tarefa para investigar o caso. O grupo será chefiado pela promotora Simone Sibílio, que esteve à frente do caso no MP-RJ durante a maior parte do tempo. A promotora Letícia Emile, que atuava ao lado de Sibílio, integra a equipe. Anielle Franco, irmã da vereadora e diretora-executiva do Instituto Marielle Franco, avaliou positivamente a iniciativa.

Já a viúva do motorista Anderson Gomes, Ágatha Reis, reconheceu a importância da criação força-tarefa, mas criticou a demora para que houvesse esse avanço nas investigações. "Levou tempo demais. Marielle era uma parlamentar em exercício. Portanto, uma força-tarefa deveria ter sido criada já no início", disse Reis na sexta-feira, durante o lançamento de um dossiê com uma linha do tempo do caso e 14 questões consideradas essenciais para a investigação.

Sombra sobre o clã Bolsonaro

Os assassinatos de Marielle e Anderson ainda criaram constrangimento para o presidente Jair Bolsonaro. Além de um de seus vizinhos ter sido apontado como executor da vereadora, a família presidencial tinha ligações com outro nome que figurou entre suspeitos de envolvimento no crime, o ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, um notório miliciano do Rio.

Segundo o Ministério Público, a família de Adriano participava do esquema de desvio de dinheiro público do filho mais velho de Bolsonaro, o senador Flávio. Adriano foi morto num cerco policial na Bahia em fevereiro de 2020, quando estava foragido. O caso Marielle e a investigação das "rachadinhas" se entrelaçaram diversas vezes nos últimos dois anos.

Em 2019, um desdobramento das investigações da morte de Marielle que mirou a atuação de milícias na Zona Oeste do Rio resultou na apreensão do celular da ex-mulher de Adriano, Danielle Mendonça, que atuou como assessora de Flávio Bolsonaro. Mensagens de Danielle com Fabrício Queiroz, apontado como "operador" das rachadinhas, jogaram luz sobre detalhes do esquema.

Em outro lance estranho do caso, o porteiro do condomínio de Bolsonaro (e Lessa) apontou que na noite do crime, o então deputado e atual presidente autorizou a entrada Élcio de Queiroz, o motorista que dirigiu o carro usado na emboscada.

A versão foi logo apontada como falsa, já que Bolsonaro estava em Brasília naquela noite. O porteiro logo voltou atrás, mas o caso provocou a queda de uma das promotoras do caso, que desmentiu o porteiro e teve sua imparcialidade questionada após imagens das suas redes sociais mostrarem que ela fez campanha para Bolsonaro em 2018.

Além dessas ligações, a própria postura do clã Bolsonaro diante do crime e os elogios do presidente a milicianos em seus tempos de deputado também ficaram em evidência ao longo da investigação. Desde o assassinato de Marielle, os membros da família presidencial se dividiram entre silêncio, desprezo e em minimizar a importância do crime ao longo de três anos de investigações.

Bolsonaro até se viu na posição de ter que negar em 2019 qualquer relação com os homicídios em entrevista a uma rede de TV dos EUA, numa situação inédita para um chefe de Estado brasileiro. "Que motivo eu teria para encomendar um assassinato desses?", disse.

A memória da vereadora também costuma ser um alvo constante da extrema direita bolsonarista, que costuma espalhar mentiras sobre sua atuação e piadas macabras sobre sua morte nas redes sociais.

Legado

A forma como o crime escancarou a ousadia dos milicianos do Rio de Janeiro e as dificuldades nas investigações não têm demovido figuras que pretendem manter o legado de Marielle vivo. Nas eleições municipais de 2020, a viúva da vereadora, Mônica Benício, foi eleita para uma vaga na Câmara do Rio de Janeiro. À época, ela afirmou à DW Brasil que pretende reapresentar projetos da sua antiga companheira.

A família de Marielle também lançou um instituto que leva o nome da ex-vereadora. Em setembro de 2020, o Instituto Marielle Franco inaugurou o site Agenda Marielle, que contém compromissos e práticas elaborados a partir de discursos e projetos de lei da ex-parlamentar.

Ao todo, 81 candidatos que se comprometeram com a agenda foram eleitos em 54 cidades do Brasil nas eleições municipais de 2020. "Nós devolvemos nas urnas o que eles tentaram nos tirar na bala", disse a vereadora Benício em entrevista à DW Brasil.

A memória de Marielle também sido preservada e promovida no exterior. Em 2019, a prefeitura de Paris inaugurou um jardim em homenagem à ex-vereadora. Nesta semana, um enorme mural dedicado a Marielle foi inaugurado em Berlim.

Jean-Philip Struck | Deutsche Welle, em 14.03.2021

Leia em DW:

"Ligação de Bolsonaro com milícias é, acima de tudo, ideológica"

Para Bruno Paes Manso, autor de "A República das milícias: dos esquadrões da morte à era Bolsonaro", presidente sempre defendeu ideia de que leis atrapalham e de "restabelecer valores tradicionais" pela violência.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

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Brasil | Quando já não há palavras

 

João Almeida Moreira | Diário de Notícias | opinião

O que dizer do indizível? Como qualificar o inqualificável? Depois de cerca de dois anos e meio de Jair Bolsonaro, a crónica brasileira, a quem é pedido que o conte e interprete todos os dias, está esgotada - ou em burn out para usar uma expressão estrangeira mais na moda.

Os leitores também. Antonio Prata, cronista do jornal Folha de S. Paulo, partilhou no fim de semana passado a carta de um a pedir para o colunista não se referir mais "àquele assunto" nos seus artigos, de maneira a "deixar os leitores respirarem" nesta fase em que falta literalmente o ar a milhares de brasileiros, sendo que o "assunto" em causa é, logicamente, o presidente da República.

Prata prometeu então escrever apenas um de cada quatro textos mensais sobre o "assunto" - nos outros três, portanto, qual músico do Titanic, omitirá o naufrágio de um país que chocou contra um icebergue em forma de capitão na reserva.

Entretanto, há outro caminho, cada vez mais trilhado por cada vez mais articulistas, para driblar o burn out crónico da crónica: numa edição anterior do mesmo jornal, a colunista Mariliz Pereira Jorge usou o espaço à sua disposição para, em vez de denunciar a última canalhice ou a mais recente insanidade presidencial, listar centenas de adjetivos aplicáveis ao "assunto". Eis um trechinho aleatório: "Salafrário, imbecil, lunático, bufão, garganta, farofeiro, farsante, oportunista, indefensável, broxável, carniceiro, irresponsável, excrementíssimo."

Terminava, não por acaso, com "pequi roído" e "genocida".

 

 


 

Não por acaso porque Carlos Bolsonaro, o filho presidencial com a pasta da Propaganda, pedira dias antes a um juiz para intimar um youtuber que usou o "genocida" e o ministro da Justiça André Mendonça mandara a polícia investigar o sociólogo que instalou dois outdoors com uma foto do presidente e a frase "não vale um pequi roído" - uma expressão comum no estado de Tocantins para caracterizar um inútil, uma vez que, depois de roído o pequi, um fruto local, sobra apenas um caroço cheio de picos.

Inspirado pelo texto dos adjetivos, um advogado da Paraíba animou-se e escreveu uma versão só com insultos nordestinos: "abestalhado, otário da bocona, mané de bota, chupa-cabra, cri-cri, malassombro, mequetrefe, frouxo, rascunho do mapa do inferno, fi dum que ronca e fuça, fi da peste, orelha seca, pangaré, catingoso", foram alguns dos atributos escolhidos por Olímpio Rocha.

Mas um mês antes de Mariliz Pereira Jorge, no mesmo local do mesmo jornal, o cronista Ruy Castro já havia classificado o "assunto" de A a Z. Terminava com "tétrico, tirano, torpe, tosco, traíra, trambiqueiro, ultrajante, vândalo, vigarista, vulgar, xarope, zoilo" antes de pedir "perdão aos assassinos, necrófilos, bestas-feras e quaisquer categorias que se sintam ofendidas".

E em agosto de 2019, ou seja, antes mesmo de a pandemia ter revelado o pior do pior do pior do ainda inquilino do Planalto, o escritor e linguista Sérgio Rodrigues e a escritora e atriz Fernanda Torres, divertiam-se nas páginas dos jornais a sugerir neologismos para caracterizar o presidente.

"Mórtigo, brúmbio, escosso, bilinhento, vômil, peçoncôrnio, neféstilo, nojúnculo, cloástico, peidófilo", inventou ele. "Escombruloso, remelético, xonho, gosmorrúnculo, viborongo, pustulibundo, espanta-mulho, esfornedor de bóstola, górgulo, nucuz", respondeu ela.

Afinal, quando não há mais palavras para o indizível e inqualificável, sobram as palavras.

*Jornalista, correspondente em São Paulo

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Tudo o que Moro roubou

Não foi apenas uma vitória de Lula e de seus valorosos advogados contra a mentira e a injustiça. Não foi apenas o desmascaramento de quem o caluniou, espezinhou, humilhou e estigmatizou como corrupto, para bani-lo do coração do povo e da vida política.

 

Com o reconhecimento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro a Segunda Turma do STF fez história, homenageou a democracia e o direito de todos a um julgamento justo e a um juiz natural e imparcial, restaurando a crença na Justiça, mesmo que ela tarde.

Com seus votos, os ministros Gilmar Mendes,  Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia estabeleceram como intolerável o atropelo dos ritos e regras, a torção da lei e o uso do poder da toga para saciar apetites, sejam eles ideológicos ou materiais. Como inadmissível  a subtração de direitos e garantias individuais, inscritos na Constituição. Que assim seja, para todos, para sempre.

Se Gilmar foi grande em todo o processo, a Lewandowski não faltou coragem para garantir à defesa de Lula acessos importantes, tanto a acordos da Odebrecht como aos dados da Operação Spoofing. E à ministra Cármem Lúcia não se pode negar a dignidade de rever seu voto, à luz do que passou a conhecer.

Já o voto canhestro do  ministro Nunes Marques foi evidência do quanto Bolsonaro teme Lula. Seu voto foi de  vassalagem mas não precisava ter sido tão ruim. Foi de causar vergonha alheia nos estudantes de Direito que, no passado pré-pandêmico, assistiam às sessões do STF. Um voto que o ministro Gilmar Mendes estraçalhou com indignação sanguínea.

Agora é oficial,  Moro foi um juiz ladrão,  resumiu no calor da hora o deputado Glauber Braga.

De Lula, Moro roubou muito:  os 580 dias de liberdade; o respeito de milhões de pessoas que o admiravam e  passaram a acreditar nos contos da Lava Jato;   as humilhações sem fim, que começaram com a condução coercitiva para um depoimento que ele não fora chamado a prestar, pois chamado teria comparecido; a busca e apreensão por policiais armados de metralhadoras que reviraram até os colchões; a vida de dona Marisa, que somatizou a perseguição em um AVC; o tempo e a energia consumidos no esforço  para provar que nunca foi dono daquele apartamento.

Vimos pessoas festejarem a morte de Marisa e dizer que Lula quis ir ao enterro do neto para passear. Ao do irmão, não pode ir. O caixão é que teria de ir até ele dentro um quartel.

Mas Moro, juiz ladrão, roubou também de todos nós. Moro nos roubou a eleição de 2018, não apenas porque impediu que Lula fosse candidato e fosse eleito. Se outro tivesse sido eleito, num pleito limpo, não teria sido um roubo.

Moro nos roubou a eleição de 2018 porque, além de impedir Lula, à frente da Lava Jato ele demonizou a política, instilando a crença de que, se todos não prestavam, se todos eram  acusados ou suspeitos de corrupção, o jeito era votar naquele que se dizia contra tudo e todos. Foi Moro que nos impôs o genocida, o projeto de ditador, o ignorante, o desumano e insano Bolsonaro. E aqui estamos, num país desgovernado, que mal consegue enterrar seus mortos.

Não por acaso, embora hoje brigados, os dois voltarão a se unir, através do voto de Nunes Marques. Na semana passada Bolsonaro disse à sua turba na porta do Alvorada, depois de referir-se a Lula como o nove, o que não tem um dedo: “não ficará elegível”. Contava com o voto de seu indicado, mas não com o novo voto da ministra Cármem.

Moro, juiz ladrão, roubou-nos  também o Brasil que éramos. Os contos da Lava Jato destilaram o ódio, a intolerância para com o outro, o sectarismo que dividiu até famílias, e  tiraram do escuro de seus armários  os ressentidos  que se filiaram à extrema-direita.

A declaração de suspeição é muito pouco para Moro. Justiça mesmo haverá se ele pagar pelo que fez. Ele e o o genocida que ele nos impingiu.

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Genocídio de classe

por José Martins, da redação.

Na contramão do mundo capitalista e dos empresários endinheirados, os brasileiros que são obrigados a vender sua força de trabalho a estes patrões para viver terminaram a década 2011 a 2020 mais pobres. Muito mais pobres.

É o que se pode concluir de início com quase ilegíveis números e percentagens apresentadas em estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) com base em números do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nesta última década, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil recuou 0,2% ao ano, em média. Isso é muita coisa em um período tão longo.

Nesse mesmo período, o mesmo PIB mundial per capita teve crescimento anual de 0,4%, enquanto o das economias dominadas da periferia do sistema avançou 2,5%. O PIB per capita brasileiro já está abaixo do chinês.

O PIB per capital é a soma de tudo o que país produz dividido pela população e funciona como um importante termômetro para avaliar a vitalidade econômica de uma nação. O nível da produtividade ou da pobreza de uma nação.

O PIB per capita sobe quando produtividade do trabalho e atividade econômica avançam em ritmo mais rápido do que o crescimento populacional. No Brasil aconteceu exatamente o contrário. E isso não acontece impunimente para os trabalhadores.

Em 2010, os brasileiros em geral tinham uma renda anual média de US$ 14.931,10. Em 2020, ela caiu para US$ 13.777,44. Variação de 8% para baixo. Já está mais baixo que o chinês. Logo estará mais baixo até que o indiano.

Esse valor é uma média nacional. Em seu cálculo é considerada toda a população brasileira. Portanto, estão contabilizados, além da população trabalhadora, aproximadamente 15% da população composta de empresários endinheirados e demais classes improdutivas do país. Essa parte altamente minoritária da população brasileira é a corporificação do capital no Brasil.

A burguesia brasileira (proprietária dos meios de produção da economia) soma aproximadamente trinta milhões de cidadãos – parte mínima de uma população de duzentos e dez milhões.

Assim, no calculo do PIB per capita faz-se uma mistura estatística de capitalistas e trabalhadores assalariados. De improdutivos e produtivos. Afinal, na democracia os cidadãos não tem o mesmo peso? Cada cidadão um voto?

O fato importante a ser destacado nesta mistificação do processo é que para os 85% de estropiados trabalhadores produtivos do exército industrial de reserva no Brasil, a queda de seu miserável rendimento anual médio foi muito mais catastrófica que aquela média nacional de 8%.

O desastre produtivo da queda do PIB per capita no Brasil nos últimos dez anos pode ser mais bem visualizado com dados que pesquisamos no IBGE sobre a evolução dos investimentos e da produção per capita nos setores produtivos da economia.

Observa-se, inicialmente, uma queda anual média de 0.3% da Formação Bruta de Capital Fixo – quer dizer, do investimento agregado da economia em máquinas, equipamentos e estruturas. As forças produtivas do trabalho concreto se enfraqueceram.

Essa queda mostra como os empresários e demais classes parasitas – que monopolizam a propriedade da totalidade dos meios de produção social da nação – reduzem significativamente, nos últimos dez anos, os meios de trabalho necessários à expansão da produção de utilidades e da produtividade da classe trabalhadora.

Na Indústria de Transformação, núcleo regulador da produção nacional, a queda de 0.9 % ao ano foi ainda muito mais profunda que a da Formação Bruta de Capital Fixo.

E, nos ramos industriais da Construção Civil a queda de 2.7% ao ano foi ainda maior que na indústria como um todo. Isso é muito mais catastrófico, pois os diversos ramos da Construção Civil concentram e ao mesmo tempo espalham para todas as cidades e regiões do país as grandes massas de trabalhadores produtivos da economia.

Então, o que querem dizer todos esses números? Todas estas abstrações matemáticas aparentemente neutras de um processo social? Para os economistas e mídia do capital esta derrocada produtiva não passa de um acidente provocado por sucessivos governos incapazes de sanear as contas públicas e promover a estabilidade macroeconômica.

“Os culpados são os políticos”. Para eles, a incapacidade dos governos em promover as “reformas necessárias” e eliminar a permanente “instabilidade das contas públicas” é o fato que impediu a retomada dos investimentos na economia, do crescimento, e, consequentemente, é a culpada pela derrocada econômica dos últimos dez anos.

Se o problema se resume à má gestão dos governos, isso é muito conveniente para eles esconder sem remorso a responsabilidade dos empresários privados e demais classes proprietárias de capital. Estas não aparecem em nenhum momento das suas avaliações sobre a “década perdida”. A não ser como vítimas.

Para os economistas que avaliam os dados da FGV, os virtuosos e desprotegidos capitalistas são vítimas dos maus governos. Isso acontece porque eles estão sempre aguardando a prometida estabilidade das contas pública para voltarem a investir na produção e, em um ato de extrema magnitude e bondade, gerar renda e emprego para a sociedade necessitada dos seus serviços.

Mesmo que estes sucessivos governos não sejam nada mais, no mundo real, do que serviçais burocratas das classes dominantes, governos que são instalados por estas últimas para administrar seus interesses econômicos.

Ao contrário da narrativa dos economistas do capital, todos os governos (sem exceção até para confirmar a regra) são simplesmente comitês políticos armados do Estado de defesa da propriedade capitalista e de administração da luta de classes decorrente deste processo histórico.

Entretanto, a despeito da leviandade dos economistas do sistema e outros ideólogos das classes dominantes, a derrocada econômica brasileira dos últimos dez anos não foi apenas mais uma “década perdida”.

Ela teve enormes consequências sociais e políticas. Em primeiro lugar, na origem desta década a classe empresarial e demais classes proprietárias são responsáveis pelo desligamento da economia nacional do resto do mundo.

Não como empresários nacionalistas ou protecionistas, mas como incompetentes liberais. Fanáticos e incompetentes liberais. Não foram capazes de realizar seu projeto de liberalização e integração da produção às cadeias globais produtivas de valor.

A indústria brasileira meia-boca é totalmente incapaz de produzir e exportar competitivamente sua produção. Nem como maquiadoras. Mesmo em grandes zonas especiais de indústrias montadoras (maquiadoras), como a Zona Franca de Manaus, todas as mercadorias ali montadas são destinadas ao mercado interno.

Na China e no México, por exemplo – do mesmo modo que nas demais economias dominadas da periferia plenamente integradas às cadeias produtivas globais de valor – toda as mercadorias montadas nas zonas especiais são imediatamente exportadas para as economias centrais.

Os capitalistas chineses e mexicanos são mais espertos que os brasileiros.

Os dois únicos setores produtores de capital da economia brasileira que ainda se relacionam ativamente com o mercado mundial são dois enclaves primário- exportadores: a Agropecuária e a Indústria Mineradora.

O setor agropecuário (ou agronegócio), que produz a merreca de 6% do PIB apresentou crescimento médio anual de 2.7% ao ano. As mineradoras (Vale do Rio Doce, etc.) alcançaram 1,2% ao ano.

São os dois únicos setores industriais que cresceram nos últimos dez anos. Só aqui os empresários brasileiros foram “eficientes e inovadores”. Mas sem nenhuma consequência positiva para a expansão da totalidade da economia.

O problema é que, além do agronegócio e as mineradoras produzirem uma parcela muito pequena do PIB, também não proporcionam, enquanto enclaves primário-exportadores, nenhum “efeito multiplicador da renda” na produção interna. Ou seja, são estéreis para gerar desenvolvimento econômico.

É por isso que, enquanto a economia nacional afunda estes dois enclaves crescem. E os ideólogos do parasitismo capitalista nacional festejam esse fenômeno patológico do crescimento econômico na periferia.

O fato é que o desligamento dos setores industriais mais dinâmicos da economia nacional da globalização do capital – integrados às cadeias produtivas globais de valor apenas para a livre importação de máquinas, insumos e componentes do processo de produção – foi um fracasso histórico em que os empresários privados nacionais foram os principais responsáveis.

Nem para reproduzir o subdesenvolvimento econômico os empresários brasileiros servem mais. Tornaram-se apenas agentes irresponsáveis (e conscientes, como veremos a seguir) de uma criminosa arquitetura da destruição. O governo atual Boçalnaro/Guedes é a expressão política mais bem acabada deste genocídio de classe.

O fracasso dos empresários e demais classes improdutivas que dirigiram a economia para o travamento e à queda observada nos últimos dez anos provocou um brutal desemprego, queda dos rendimentos e, finalmente, uma explosão de pauperização e miséria jamais observada na história econômica brasileira.

Ao contrário do que os economistas do capital procura esconder, aqueles números acima observados não são neutros e muito menos desprovidos de efeitos devastadores sobre a reprodução física da população brasileira.

E não se trata de um mero desiquilíbrio de rendimentos entre ricos e pobres, uma mera desigualdade. Uma injustiça na “distribuição da renda” que pode ser resolvida com políticas públicas, governos populistas e outros amigos do povo.

Quando o sistema econômico não se move, afunda continuamente – como temos observado pari passu em dezenas e dezenas de boletins nestes últimos dez anos – desaparece também a função básica de qualquer modo de produção: garantir a reprodução física da população.

A incapacidade econômica dos empresários de garantir a reprodução física dos trabalhadores desprovidos de qualquer reserva ou propriedade – junto com a sua insistência em manter indefinidamente essa engenharia da destruição como política de governo – transforma-se em um inaceitável genocídio econômico.

Em nosso próximo boletim continuaremos com a análise deste processo. Como este genocídio econômico perpetrado pelos empresários brasileiros se reproduz agora como genocídio pandêmico e fatal ingovernabilidade política.

 

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Bolsonaro mente na TV quando Brasil supera 3.000 óbitos diários na pandemia

 

País ultrapassa os EUA em proporção de óbitos por covid-19 em 24 horas. Acossados por presidente, Estados titubeiam em decretar medidas mais duras de circulação. Presidente faz pronunciamento sem citar recorde

pandemia de coronavírus segue ganhando velocidade no Brasil, que superou nesta terça-feira, 23 de março, a marca de 3.000 mortes registradas diariamente por covid-19 enquanto a estratégia contra crise segue errática sob a liderança de Jair Bolsonaro, um negacionista da gravidade da doença. Em pronunciamento na noite desta terça, o presidente não mencionou o novo recorde nem anunciou novas medidas para retirar os hospitais do país do atual estado de colapso. Ignorando as falhas de sua gestão no combate ao vírus e na organização da campanha de vacinação, buscou passar uma mensagem otimista, contendo mentiras e omissões. “Em nenhum momento o Governo deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia”, afirmou o mandatário, que faz campanha explícita contra orientações de isolamento social, não priorizou a extensão do auxílio financeiro estatal aos mais vulneráveis e adiou a compra de vacinas contra a doença. O presidente ultradireitista foi alvo de panelaços em várias cidades do país.

Nesta terça-feira, em concreto, 3.251 mortes foram contabilizadas no Brasil nas últimas 24 horas, totalizando 298.676 óbitos desde o início da crise sanitária, segundo o boletim do Ministério da Saúde. Ainda que a cifra desta terça contenha dados represados durante o fim de semana, quando os laboratórios de diagnóstico fazem menos análise, trata-se de um novo recorde que reflete a pior fase da pandemia no país. O país não apenas é o segundo país com o maior número bruto de mortes —atrás apenas dos Estados Unidos, com 543.196 óbitos—, como também é o único que registra, atualmente, média superior a mil mortes diárias, segundo a plataforma Our World in Data.

 

Somente os Estados Unidos haviam superado, em dezembro do ano passado, a marca de 3.000 mortes por dia —o México também atingiu essa cifra, em 5 de fevereiro, mas isso porque no dia anterior não havia computado nenhum óbito. Quando os EUA, que possuem 333 milhões de habitantes, chegaram a 3.177 mortes em um dia, isso representou uma taxa de 9,6 óbitos por milhão de habitantes, ainda segundo o site Our World in Data. Ao atingir o recorde de 4.477 mortes em 12 de janeiro, poucos dias antes do republicado Donald Trump deixar o cargo, isso representou 13,53 mortes por milhão de habitantes. Já o Brasil, com cerca de 210 milhões de pessoas, atingiu proporção similar a essa na semana passada, em 16 de março, quando alcançou 2.841 óbitos. Com o novo recorde nesta terça-feira, de 3.251 mortes, a proporção chega a aproximadamente 15,5 óbitos por milhão de habitantes. Portanto, proporcionalmente o Brasil já registrou mais óbitos diários que os Estados Unidos.

O alerta de que o Brasil superaria mais uma marca fora dado mais cedo, com o Estado de São Paulo contabilizando 1.021 mortes em 24 horas, segundo o Governo João Doria (PSDB). O recorde anterior era de uma semana antes, 16 de março, dia em que 679 óbitos foram contados. No Estado mais rico do país, com a maior rede pública e privada de hospitais, praticamente não há vagas para novos pacientes —a taxa de ocupação de leitos de UTI é superior a 91%. A situação é similar —ou até mais dramática— nas demais unidades federativas. Na semana passada, os governadores que os remédios sedativos para a intubação de pacientes em UTIs estavam se esgotando em ao menos 18 Estados e que mais de uma centena de cidades já estavam registrando falta de oxigênio.

Os números do Brasil não colocam o país em uma situação inédita no mundo, uma vez que outras nações já atravessaram períodos similares ou até piores na pandemia, considerado o tamanho de suas populações. Ainda assim, enquanto os principais afetados pelo coronavírus apostaram em rígidas medidas de restrição à circulação, o Brasil segue na direção contrária do que recomendam os especialistas e titubeia ao fazer o mesmo.

Uma tentativa de reduzir danos

O presidente Jair Bolsonaro, que vem promovendo aglomerações e se voltando contra os governadores que tentam levar a cabo algumas —insuficientes— medidas restritivas, buscou retirar os holofotes do novo recorde durante seu pronunciamento na televisão. Ainda que seu tom tenha sido mais moderado que o habitual, tentando demonstrar calma para tranquilizar a população, não tratou do combate ao vírus nem mencionou a possibilidade de um lockdown nacional, medida considerada essencial por especialistas. Ao longo de mais de três minutos, buscou destacar ações relacionadas à compra, distribuição e produção de vacinas. “Não sabemos por quanto tempo teremos que enfrentar essa doença, mas a produção nacional vai garantir que possamos vacinar os brasileiros todos os anos, independentemente das variantes que possam surgir”, disse.

Bolsonaro também destacou que “hoje somos o quinto país que mais vacinou no mundo”, com “mais de 14 milhões de vacinados”, mas omitiu que o número total de imunizados representa pouco mais de 6% da população com ao menos a primeira dose da vacina. A campanha de vacinação avança lentamente e, em termos proporcionais, o Brasil se encontra atrás de mais de 70 países.

O presidente também destacou que seu Governo liberou 20 bilhões de reais para possibilitar “a aquisição da Coronavac, através do acordo com o Instituto Butantan”. Bolsonaro não disse, porém, que o acordo foi assinado pelo Governo Doria em junho e que, nos meses seguintes, promoveu o descrédito da Coronavac, feita em parceria com o laboratório chinês Sinovac, pejorativamente chamada por ele e seus seguidores de “vacina chinesa”.

O presidente também omitiu que ele próprio foi o principal responsável pela demora na aquisição dos imunizantes. Em setembro do ano passado, seu Ministério da Saúde ignorou uma oferta da Pfizer pela negociação antecipada de 70 milhões de doses de vacinas que já poderiam ser aplicadas em janeiro deste ano. Em sua tentativa de mudar a narrativa, Bolsonaro ainda disse que intercedeu pessoalmente nas conversas com Pfizer e Janssen, que planejam fornecer 138 milhões de doses neste ano. Outra vez, omitiu que ele era contrário à assinatura de contrato com a Pfizer por conta de cláusulas que tratavam de responsabilização por eventuais efeitos colaterais.

Poucos dias atrás, no último 18 de março, Bolsonaro voltou a questionar a segurança e a eficácia das vacinas diante de seguidores e pediu que apresentassem um exemplo de país que teve êxito no combate ao coronavírus. Mas aqueles que reduziram o número de casos e mortes são os que apostaram por medidas de restrição à circulação, já que, ao contrário da propaganda presidencial, não há medicamentos nem tratamentos precoces contra a covid-19. O exemplo mais recente é o do Reino Unido, que em 23 de janeiro atingiu o recorde de 18,46 mortes por milhão de habitantes. O país decretou naquele mês um duro lockdown ao mesmo tempo que promovia a vacinação em massa de sua população. Exatos dois meses depois, em 23 de março, o país chegou a 1,25 mortes por milhão de habitantes.

Entre os 10 países com os maiores números absolutos de mortes na pandemia —nesta ordem: Estados Unidos, Brasil, México, Índia, Reino Unido, Italia, Rússia, França, Alemanha e Espanha— o Brasil também lidera a maior taxa proporcional diária. Considerando o período de 16 de março a 22 de março, o país registrou, em média, 10,85 de óbitos por milhão de habitantes a cada dia. Está atrás de outros sete países: Hungria (20,23 mortes), República Tcheca (19,09), Montenegro (16,38), Bosnia e Herzegovina (15,41), Bulgária (14,72), Eslováquia (13,06) e Macedônia do Norte (11,18), segundo o Our World in Data.

Felipe Betim, São Paulo | El País

Leia em El País: Com medo e encurralado, Bolsonaro se refugia em Deus e no Exército

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2021/03/bolsonaro-mente-na-tv-quando-brasil.html

Supremo considera que Moro foi parcial ao condenar Lula no caso Tríplex

O Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) declarou esta terça-feira que antigo juiz do caso Lava-Jato, Sérgio Moro, foi parcial na condução do processo do tríplex do Guarujá, em São Paulo, que culminou na condenação de Lula da Silva, avança o jornal O Globo. 

 

A decisão do STF de declarar Moro parcial contou com três votos a favor e dois votos contra.

O voto da juíza Cármen Lúcia revelou-se decisivo e representou uma mudança face ao seu voto em 2018. Na altura, a magistrada votou para considerar Sérgio Moro imparcial, rejeitando o pedido da defesa de Lula. 

Desta feita, Cármen Lúcia observou que se verificou prejuízo ao direito de defesa. Entre os motivos que apresentou para justificar a sua decisão, a juíza falou em escutas em chamadas "ao arrepio da lei" antes de serem adotadas outras medidas e na divulgação seletiva dos áudios gravados. 

A decisão tomada hoje pelo STF vai implicar a anulação das provas do caso Tríplex, e até pode implicar outras anulações no âmbito do caso Lava-Jato. 

Há duas semanas, outra decisão do STF levou à anulação de todas as condenações do ex-presidente brasileiro pela Justiça Federal do Paraná. 

Lula fica assim com o caminho cada vez mais aberto para entrar na corrida às eleições do próximo ano.

Por outro lado, esta decisão mancha a imagem de Sérgio Moro, que chegou a ser ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, e de quem se diz ambicionar uma candidatura à presidência. 

[Notícia atualizada às 22h01]

Leia Também: Lula admite candidatar-se à Presidência caso PT e aliados concordem

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Brasil registra recorde de 3.251 mortes pela COVID-19 e óbitos se aproximam de 300 mil

Brasil registrou 3.251 mortes pela COVID-19 nas últimas 24 horas, fazendo total de óbitos chegar a 298.676, segundo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou nesta terça-feira (23).

De acordo com a entidade, foram contabilizados 82.493 novos casos de coronavírus no país. Ao todo, 12.130.019 pessoas já foram infectadas pelo vírus. 

O Brasil vem registrando recorde de mortes e casos da COVID-19 nas últimas semanas. De acordo com o Conass, é a segunda vez que o número de óbitos ultrapassa 3.000 em um único dia. No dia 17 de março, a entidade contabilizou 3.149 mortes. 

O estado de São Paulo registrou nesta terça-feira (23), de acordo com dados da Secretaria de Saúde, 1.021 mortes pela COVID-19, recorde em 24 horas desde o início da pandemia. 

Colapso do sistema de saúde

Com hospitais lotados e falta de insumos, Diversas cidades do país correm risco de colapso do sistema de saúde. Para tentar controlar a crise e diminuir a velocidade de disseminação do vírus, prefeitos e governadores voltaram a apertar as medidas de isolamento social.

Em São Paulo, o Centro de Contingência enviou proposta para estender as restrições por mais 15 dias. O colegiado diz que o sistema de saúde colapsou na semana passada e é importante que o isolamento tenha duração mínima de um mês. 

No Distrito Federal, há relatos de pessoas sendo atendidas na recepção de hospitais e corpos que permanecem nos chão das unidades esperando para serem removidos. 

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021032317190038-brasil-registra-3251-mortes-pela-covid-19-e-obitos-se-aproximam-de-300-mil/

Cármen Lúcia muda o voto e Moro é declarado suspeito no caso Lula

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou seu voto no julgamento da segunda turma da corte sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso tríplex do Guarujá.

Com isso, o placar final na turma ficou em 3 a 2 pela suspeição de Moro e este caso que envolve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, julgado na 13ª Vara Federal em Curitiba, foi anulado.

O julgamento desta terça-feira (23) foi referente a um habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente, que, neste caso, foi concedido pela corte.

Em sua primeira análise, em 2018, Cármen Lúcia havia acompanhado o relator, o ministro Edson Fachin, entendendo que o ex-juiz havia sido imparcial nos casos do ex-presidente.

Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes, presidente da segunda turma do STF, pediu vista para analisar o caso, que ficou paralisado até o início deste mês, quando o julgamento foi retomado no dia 9 de março.

Após os votos de Gilmar Mendes e de Ricardo Lewandowski para conceder o habeas corpus, ou seja, pela suspeição de Moro, houve nova paralisação do julgamento. Desta vez, quem pediu vista foi o ministro Nunes Marques, que alegou falta de conhecimento suficiente do caso para declarar seu voto.

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo.

© AP Photo / Andre Penner
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo.

Por fim, nesta terça-feira (23), Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), votou contra a concessão do habeas corpus.

O placar teoricamente, naquele momento, já era de 3 a 2 pela imparcialidade de Sergio Moro nos julgamentos de Lula. Porém, com base em novas provas juntadas ao processo, a ministra Cármen Lúcia mudou sua análise e acompanhou o voto de Mendes e Lewandowski.

"Tenho para mim que estamos julgando um habeas corpus de um paciente [Lula] que comprovou estar numa situação específica. Não acho que o procedimento se estenda a quem quer que seja, que a imparcialidade se estenda a quem quer que seja ou atinja outros procedimentos. Porque aqui estou tomando em consideração algo que foi comprovado pelo impetrante relativo a este paciente, nesta condição", disse a ministra.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021032317189978-carmen-lucia-muda-o-voto-e-moro-e-declarado-suspeito-no-caso-lula/

Brasil: militares terão reajuste e investimento maior que SUS no Orçamento de 2021

O relatório para o Orçamento de 2021, divulgado pelo senador Márcio Bittar, aliado do presidente Jair Bolsonaro, destina 22% das verbas federais para investimentos no Ministério da Defesa.

"Aos amigos tudo, aos inimigos, a lei", diz o velho ditado que poderia resumir o texto do relatório final do Orçamento do Brasil para 2021.

Os oficiais das Forças Armadas serão a única categoria que deve ser contemplada com reajuste salarial, já que o restante dos servidores está com o salário congelado até dezembro.

O montante destinado a investimentos pelos militares será de R$ 8,32 bilhões, caso o texto seja aprovado por deputados e senadores. O valor total de investimentos para todo o governo federal será de R$ 37,6 bilhões.

O Ministério da Saúde, responsável pela condução das políticas de combate à pandemia, terá incremento de R$ 1,2 bilhão em relação ao ano passado.

O texto traz uma meta de déficit de R$ 251,1 bilhões no ano e diz que 25,9% das despesas do Executivo estão condicionadas à aprovação de créditos suplementares pelo Congresso, escreve o site Poder 360.

 

 

Adestramento conjunto de salto livre operacional (SLOP) entre as Forças Singulares: Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira

© Foto / COpEsp
Adestramento conjunto de salto livre operacional (SLOP) entre as Forças Singulares: Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira

Ao contrário dos outros ministérios, que sofrerão cortes no orçamento, o da Defesa observou aumento de R$ 8,17 bilhões para R$ 8,32 bilhões de um total de R$ 37,6 bilhões previstos no parecer.

Bittar aumentou as projeções de receitas e despesas do Orçamento em R$ 32 bilhões. Antes, eram R$ 4,292 trilhões e agora passam para R$ 4,324 trilhões.

Desse total, R$ 1,6 trilhão é apenas para o refinanciamento da dívida pública. Sobram para serem gastos em programas de governo, obras, pessoal e aposentadorias, cerca de R$ 2,576 trilhões.

Educação

O relatório também traz quanto é o mínimo constitucional a ser investido na educação para 2021. De acordo com o relatório, o governo deveria investir pelo menos R$ 55,6 bilhões.

No texto, constam para manutenção e desenvolvimento do ensino R$ 100 bilhões contando todas as fontes de recursos. Serão R$ 19,6 bilhões só com o novo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). 

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021032317187674-brasil-militares-terao-reajuste-e-investimento-maior-que-sus-no-orcamento-de-2021/

Economistas do Brasil pedem medidas mais duras para travar pandemia

Os signatários da carta hoje publicada condenaram a "devastadora" situação económica e social na maior nação da América Latina. Os economistas também tentaram contrariar a afirmação do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de que confinamento obrigatório e restrições infligiriam mais sofrimento à população do que a doença.

"Esta recessão, assim como suas consequências sociais nefastas, foi causada pela pandemia e não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do Governo Federal", dizia a carta.

"Este [Governo Federal] subutiliza ou utiliza mal os recursos de que dispõe, inclusive por ignorar ou negligenciar a evidência científica no desenho das ações para lidar com a pandemia. Sabemos que a saída definitiva da crise requer a vacinação em massa da população. Infelizmente, estamos atrasados", acrescenta o texto, frisando a urgência na adoção de medidas drásticas de isolamento social.

O grupo contestou ainda os argumentos de Bolsonaro, de que o isolamento social provoca pobreza, e consequente morte.

"A controvérsia em torno dos impactos económicos do distanciamento social reflete o falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável. Na realidade, dados preliminares de óbitos e desempenho económico sugerem que os países com pior desempenho económico tiveram mais óbitos de covid-19", sustenta o texto.

"Estudos mostraram que diante da aceleração de novos casos, a população responde ficando mais avessa ao risco sanitário, aumentando o isolamento voluntário e levando à queda no consumo das famílias mesmo antes ou sem que medidas restritivas formais sejam adotadas. A recuperação económica, por sua vez, é lenta e depende da retomada de confiança e maior previsibilidade da situação de saúde no país", frisa a carta.

Jair Bolsonaro, um forte critico das medidas de isolamento social desde o início da pandemia, tem sido alvo de muitas críticas por defender que a população brasileira saia à rua em prol da economia, e "antevê problemas sérios" caso isso não aconteça.

O produto interno bruto do Brasil contraiu 4,1% em 2020, a maior recessão anual em décadas. Os economistas disseram que a queda da atividade custou sozinha ao Brasil uma perda de arrecadação de impostos de 6,9%, aproximadamente 58 mil milhões de reais (8,82 mil milhões de euros).

Após a carta dos economistas ter sido difundida, Bolsonaro insistiu hoje que a política de confinamento para impedir o avanço da covid-19 "empobrece os pobres" e também mata, porque leva muitas pessoas "à depressão e ao suicídio".

O Brasil, que atravessa agora o seu momento mais critico da pandemia, é o segundo país do mundo mais afetado pela covid-19, com quase 12 milhões de casos e 294.042 mortes, apenas atrás dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.716.035 mortos no mundo, resultantes de mais de 123 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Leia Também: Vacina de Oxford funciona contra a estirpe brasileira, diz fonte

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Três Exércitos na Guerra de Classes Brasileira

Ney Nunes

Por trás das aparências enganosas do jogo político burguês desenvolve-se no Brasil um confronto, cada vez mais radicalizado, entre as três vertentes políticas da guerra de classes sociais. […] Na verdade, toda essa aparente diversidade se resume basicamente em três eixos, eles constituem os três exércitos em confronto na guerra de classes brasileira.

 

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Por trás das aparências enganosas do jogo político burguês desenvolve-se no Brasil um confronto, cada vez mais radicalizado, entre as três vertentes políticas da guerra de classes sociais. Em meio a esse confronto, as diversas siglas partidárias, centrais sindicais, denominações religiosas, aparelhos de comunicação de massa e ONG’s formam um nevoeiro que pode nos turvar a visão. Na verdade, toda essa aparente diversidade se resume basicamente em três eixos, eles constituem os três exércitos em confronto na guerra de classes brasileira.

O primeiro exército, aquele que está no poder desde o fim da ditadura empresarial-militar de 1964, é o da Democracia Burguesa. Ele é dirigido pelo setor hegemônico da grande burguesia, essencialmente composto pelo setor financeiro, pelas megaempresas dos ramos de comunicação de massa, oligopólios industriais/comerciais, do agronegócio e da mineração. Estão umbilicalmente ligados às potências capitalistas, numa relação subalterna e oportunista que visa garantir seus lucros no processo em curso, há três décadas, de reprimarização da economia brasileira.    O seu arco político é bem amplo também, abarcando direita, centro e esquerda. Acomoda o neoliberalismo e o neodesenvolvimentismo na perspectiva do mercado e de uma suposta harmonia entre as classes sociais.

O segundo exército é a extrema-direita, neofascista, uma variante radical do primeiro exército. Emergiu da crise político-social da própria democracia burguesa que acumulou muitos desgastes, passando a ser questionada por amplos setores da população. Foi maturado na situação caótica e de pré-barbárie instalada nas periferias das grandes cidades brasileiras. Chegou à presidência nas eleições de 2018 graças a aliança com os evangélicos pentecostais (anteriormente aliados dos governos petistas), o que lhe conferiu um apoio de massas, conseguindo derrotar os candidatos preferenciais da grande burguesia, que por seu turno, fez do candidato neofascista seu plano B para impedir a volta do PT ao governo. Esse segundo exército é liderado por grandes e médios empresários dos mais variados setores econômicos e regiões do país, articulados com as seitas pentecostais, forças armadas, policiais e o banditismo miliciano. Seu projeto político de poder é uma ditadura empresarial-militar de cunho fascista, aprofundando a relação subalterna com o imperialismo, suprimindo oposições e reprimindo com violência qualquer tentativa de resistência das massas exploradas.

O terceiro exército ainda carece de um programa, organização, unidade e poder de fogo à altura da tarefa que tem pela frente. Podemos dizer que, nesse momento, dos três, ele é o mais fragmentado e desarticulado. Estamos falando do exército do proletariado. A sua debilidade atual nasceu justamente da enorme pressão exercida pelo primeiro exército (democracia burguesa) sobre todos os seus flancos, corrompendo e cooptando seus “oficiais” em todos os níveis, ao ponto de se conformar uma quinta coluna poderosa que se tornou hegemônica no seu interior pregando a doutrina da conciliação de classes e da humanização do capitalismo. Essa quinta coluna tem nome e sobrenome, trata-se da velha socialdemocracia, agora travestida com sua roupagem pós-moderna.

A guerra prossegue, as investidas da burguesia e do imperialismo contra o proletariado são cada vez mais incisivas e radicais, direitos elementares são retirados, necessidades básicas são negadas, tudo em função da maximização do lucro e da concentração de riquezas. O Bloco burguês-imperialista conta com dois exércitos experientes e bem armados: a democracia burguesa e o neofascismo. A história já nos ensinou através dos golpes de estado, intervenções militares e, principalmente, duas Guerras Mundiais, das barbaridades e genocídios de que são capazes esses dois exércitos.

Apesar das condições adversas, acreditamos que a possibilidade de uma vitória do exército proletário repousa em três pilares a serem cimentados por sua vanguarda (instruída e coesionada pelo seu partido revolucionário):

1- Resgatar o projeto histórico de poder da Comuna de Paris e da Revolução Soviética.

2- Desvencilhar-se da quinta coluna socialdemocrata, denunciando suas traições e seu oportunismo a serviço da gestão capitalista e do imperialismo.

3- Reconstruir suas organizações no calor dos combates, forjando o programa e a unidade necessários para derrotar os dois exércitos do inimigo de classe em todos os terrenos da luta.

Fonte: https://pagina1917.blogspot.com/2021/02/tres-exercitos-na-guerra-de-classes.html, publicado e acedido em 2021/02/08

 

Ver original em 'Pelo Socialismo' na seguinte ligação:

https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/tres-exercitos-na-guerra-de-classes-133643

Perto dos 12 milhões de contágios, Brasil somou mais 1.290 mortes em 24h

O Brasil registou, nas últimas 24 horas, mais 47.774 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, o que faz aumentar para 11.998.233 contágios desde o início da pandemia. 

 

De acordo com os dados revelados este domingo pelo Ministério da Saúde, morreram vítimas da Covid-19 mais 1.290 pessoas no Brasil. No total, o país lusófono mais afetado pela pandemia acumula 294042 óbitos

Os dados de hoje traduzem uma descida face aos números reportados no sábado ( 79.069 contágios e  2.438 mortes). Sabe-se, no entanto, que os dados sofrem quebras durante o fim de semana devido às falhas no reporte nestes dias.  

Segundo os dados do Governo brasileiro, mais de 10,4 milhões já recuperaram da doença e 1.254.258 estão em acompanhamento. 

O Brasil é o segundo país do mundo com mais infetados e mortes causadas pelo novo coronavírus, apenas atrás dos Estados Unidos, apesar de nos últimos dias se ter situado como a nação com os piores números diários.

O Governo brasileiro anunciou que o Brasil recebe este domingo o primeiro carregamento de mais de um milhão de doses de vacinas anti-covid-19através do programa Covax, que pretende assegurar uma distribuição equitativa de vacinas. 

 

Leia Também: AO MINUTO: "Superferiado" no Brasil; Uso de máscaras pode durar anos

Ver a publicação original em 'Notícias ao Minuto' na seguinte ligação:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1715050/quase-48-mil-novos-casos-e-1-290-mortos-no-brasil-nas-ultimas-24-horas?utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed

Brasil: centrais sindicais anunciam «lockdown da classe trabalhadora»

A proposta é «cruzar os braços por 24h» no dia 24 de Março, em defesa da vida, por vacinas, pela atribuição de um apoio de emergência, empregos e contra as privatizações.

Foto de arquivoCréditosAntonio Lacerda / Agência Lusa

O Fórum das Centrais Sindicais, que reúne dirigentes de todas as regiões do país, anunciou esta semana um «lockdown da classe trabalhadora» na próxima quarta-feira.

A convocatória ocorre no auge da pandemia de Covid-19 no Brasil, que ultrapassou a média de dois mil mortes por dia.

A ideia do protesto simbólico surgiu a partir do calendário da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que já previa um Dia Nacional de Lutas no próximo dia 24. A proposta foi acolhida pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e pelas demais centrais.

As entidades que convocam a paralisação preparam um manifesto nacional, que será divulgado nos próximos dias.

«O agravamento da pandemia exige uma resposta contundente ao desgoverno Bolsonaro e ficar em casa, sem trabalhar – mesmo se o trabalhador estiver em teletrabalho – é a acção que mais vai atingir o presidente, um negacionista que briga com os governadores que adoptam medidas de restrição de circulação para conter a propagação do vírus», pode ler-se no texto divulgado pela CUT.

«Um lockdown de, no mínimo, 24 horas é para ficar em casa, é um dia de reflexão sobre o que acontece no Brasil. É pela vida, pela vacina, é para que o país mude seu rumo. Estamos perto de chegar a 300 mil mortes e, segundo especialistas, se até o início do inverno 80% da população não estiver vacinada será o caos no Brasil», afirma o presidente da central, Sérgio Nobre.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/brasil-centrais-sindicais-anunciam-lockdown-da-classe-trabalhadora

Notas sobre a guerra de Bolsonaro contra o Brasil

 

A guerra não está clara quando aprendemos com Bolsonaro que “a economia” deve seguir com a disneylândia do agropop sendo adubada por corpos?

Por Pedro Marin | Revista Opera 

Três das grandes narrativas clássicas do mundo ocidental emergiram da Guerra de Troia: a Ilíada e a Odisseia, atribuídas a Homero, e a Eneida, escrita por Virgílio. São todos poemas épicos, que tratam de deuses e heróis com os destinos entrelaçados pela guerra. Ilíada conta a história da guerra em si; Aquiles, bom e bravo, destinado às batalhas, abandona seus homens, desmotivado pela captura de Criseida. Na Odisseia, o centro da narrativa é um Ulisses que, depois de convencer Aquiles a retornar à guerra e vencê-la, passa dez anos tentando o regresso à sua cidade natal, onde sua esposa é cortejada por centenas de homens e seu filho – agora um adulto – o aguarda. A Eneida, por fim, narra os feitos de Eneias, um troiano salvo da Guerra de Troia que parte para o Lácio, onde fundará um novo Estado.

Essas três obras tiveram grande importância na construção de estados – o grego e o romano – e para nortear o comportamento e a cultura de seus homens. No entanto, um aspecto histórico interessante é que, a despeito de todos os mitos, histórias, filmes e espetáculos, hádiscussão sobre a veracidade histórica da Guerra de Troia, com alguns autores argumentando que o conflito descrito na obra de Homero corresponderia na verdade a um agrupamento de conflitos ocorridos em diferentes locais e épocas. A discussão remete já a Tucídides, que anota no seuHistória da Guerra do Peloponeso algumas inconsistências e exageros na obra homérica. Ainda assim, escreve Tucídides que a guerra se estendeu “não tanto [pela] escassez de homens quanto à falta de recursos; por carência de provisões, levaram um exército reduzido e restrito ao número de homens que esperavam poder manter com recursos de lá mesmo, quando em luta; mas, depois que chegaram e venceram o combate […] vê-se que não usaram de todas as suas forças, mas que se dedicaram à cultura da terra do Quersoneso e à pirataria, por carência de provisões”.

Hoje vivemos nós uma guerra encarniçada, a nível global. A metáfora irrita alguns, mas não a uso como uma metáfora. É guerra de fato. Na época em que vivemos, não faltam provisões para o combate ao inimigo invisível que subitamente se apresentou. Há respiradores, hospitais, distanciamentos, máscaras, isolamentos,lockdowns, ciência, e o surgimento de vacinas sempre esteve no horizonte. Há recursos suficientes para que ninguém padeça por falta deles. Mas, ainda assim, vão-se às centenas de milhares.

A guerra contra o coronavírus não é uma guerra de fuzis e baionetas, mas ela coloca no centro da rotina dos povos uma interrogação: quanto custa impedir a morte? Quantos, quem, como e onde morrerão? Mao fixou que a política é guerra sem derramamento de sangue, e a guerra, política sangrenta. A economia assombra ambas perpetuamente; move-se na política em função dela, e a guerra costuma estalar quando as soluções sobre a distribuição dos recursos e riquezas não podem ser satisfeitas pela política. Não fica a relação perfeitamente clara quando, em Tucídides, aprendemos que uma guerra se prolongou pela falta de recursos, e quando, em Bolsonaro, aprendemos que “a economia” não pode parar nem quando a disneylândia doagropop é adubada por corpos? Não está cristalino do que se trata quando muitos são jogados à morte, por supostamente não poderem impedir sua marcha,enquanto poucos da marcha lucram? Não é guerra quando, sendo vacinas e insumos as ferramentas da vida, Estadostomam-nas para si enquanto as negam a outros povos?

***

Gauden Galea – que não é romano, mas suíço, e não é poeta, e sim representante da Organização Mundial da Saúde na China – traçou o prólogo da possível epopeia de nossa guerra global ao dizer que o isolamento realizado em Wuhan e Hubei foi “sem precedentes na história da saúde pública”. No panegírico sobre o primeiro campo de batalha, na qual não se combatia só um inimigo invisível, mas também desconhecido,se diria que dez mil voluntários se apresentaram em dez horas após a convocação; que mais de 42 mil trabalhadores da saúde foram mobilizados pelo Estado; que 34 mil funcionários e trabalhadores do governo trataram de procurar e atender infectados. E que, assim, somente 4.636 chineses morreram.

Haveria loas também a outros povos. Se mencionaria como uma nação de “rice-eaters”(comedores de arroz), décadas depois de se embrenharem nas florestas tropicais da Indochina e se tornarem arquitetos de esconderijos para combater os invasores, foi convocada pelos alto-falantes da guerra a se esconder mais uma vez –dessa vez dentro de suas casas – para impedir a invasão do vírus. E que, assim, somente 35 vietnamitas morreram.

O esforço de uma pequena ilha – de Cuba, não de Creta – também não passaria despercebido. As linhas da epopeia falariam de um povo que vive completamente isolado da economia global, mas é o mais solidário do planeta; ele voa longe para ajudar onde quer que seja chamado, inclusive nas terras de Virgílio. E, não contente, ainda em isolamento,mobiliza seus cientistas e médicos para a alquimia das vacinas. E assim deixaram de morrer muitos, em muitos lugares; e mortos em Cuba foram somente 384.

A epopeia, no entanto, não foi escrita. As grandes obras midiáticas de nosso tempo ignoram as ilhas e os camponeses, e falam da “ação sem precedentes na história da saúde pública” como um “tempo sem precedentes de autoritarismo e vigilância”, apontando seus dedos, do alto das pilhas de corpos, contra os “erros da China”, enquanto elogiam como defensores da liberdadeos mesmos tipos de demônios que, em nossas terras, invadem hospitais. Foram acompanhados, é bom que se diga, poralgumas dasmentes declaradamente mais esclarecidas desse mundo. Se fizeram dessas epopeias um bestiário, em que gênero descreverão Bolsonaro?

***

A despeito de não termos motivo para nenhum tipo de alegria, tomo de uma comédia – a Divina de Dante – um parágrafo apropriado para o que venho escrever: “Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais”.

O inferno é tão profundo que muitos dos que vinham vivendo no purgatório confundem-no hoje com o céu; no momento em que escrevo, mais de 287 mil caixões já compõem os degraus da escadaria, e as cornetas e gemidos anunciam todos os dias quase três mil escalões novos.

Há em tudo confusão. Confronta-se a economia com a saúde, a saúde com a economia, para que a guerra seja feita ostensiva, em um caso, ou dissimulada, em outro. Governadores como João Dória ostentam diplomas humanitários sem que tenham agido assertivamente para salvar vidas. Basta que se diferenciem de presidentes e ministros-militares que, assertivamente, trabalham para encerrá-las.

Suspeito que as grandes massas do povo tenham alguma clareza em meio à confusão, ou, melhor, alguma confusão em meio à própria clareza. Intuem que “e daí” deveria ser expressão proibida no léxico presidencial, que vírus não fazem “maricas” e que vacinas não metamorfoseiam jacarés. Mas intuem também que alguém haverá de pagar pela guerra, e desconfiam de decretos estaduais “pela vida” que instituem o telemarketing como uma atividade essencial. Estranham o ator que, na televisão, faz ioga para estimulá-los a ficar em casa, porque sabem quantas estações de metrô há entre Itaquera e a Consolação, e discutem a aglomeração desde que tomam trens; podem ensinar 29asanas singulares à Globo, aprendidas para manter o equilíbrio quando o ônibus, cheio, breca. Mais que a morte, que não conhecem, temem a fome, que conhecem. Tendem a entregar as próprias vidas àfortuna por não veremvirtú em líder algum.

***

A Guerra do Paraguai, uma guerra aberta feita no século 19, consistiu na matança de 300 mil paraguaios. Hoje o grande espetáculo de sangue com o qual conformamos nossa República se volta contra nós mesmos – para adoçar (ou amargar) mais a ironia, sob um governo em que pululam militares. Também há militares no Paraguai. Mario Abdo Benítez, o presidente, é um, e carrega o nome de seu pai, um assessor pessoal do militar e ditador Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai entre 1954 e 1989, deixando como rastro de sua ditadura – uma das mais longevas da história desse século – milhares de prisões, torturas, assassinatos e estupros.

O Paraguai tem cerca de 7 milhões de habitantes, e lá 3.620 pessoas morreram em decorrência da Covid-19. Em agosto do ano passado, ainda sob medidas de restrição, o país tinha somente 52 mortes. Em meio à flexibilização das restrições, no entanto, os paraguaios têm vivido nas últimas semanas uma alta nos casos, num cenário de falta de leitos de UTI, fortes indícios de corrupção e ausência de vacinas – menos de 0,1% da população foi vacinada. Por isso, os paraguaios decidiram sair às ruas, pedindo a cabeça de ministros e do presidente:três ministros se foram, mas Mario Abdo segura firme na cadeira. A sede do Partido Colorado, que domina a política do país há mais de 70 anos – o único presidente que não pertencia ao partido durante esse período, Fernando Lugo, foi golpeado em 2012 – foi incendiada.

Não temos nada disso aqui, até agora. Vamos perdendo uma batalha definitiva: a de demonstrar a esse povo receoso e desconfiado que há justiça na sua descrença, mas que também há saída no horizonte, denunciando a estratégia do caos que alimenta de sangue uns e outros. O paradoxo “gostaria de me proteger, mas preciso trabalhar” tem mediação; mas o campo popular não a ofereceu de maneira convincente, sendo encampado pela direita liberal, que mata com modos, em sua luta contra a protofascista, que urra ao matar. É certo que colaboraram para isso o silêncio e as distorções midiáticas sobre as realizações de outros países e povos. Epopeias podem mudar o mundo tanto quanto a sua ausência; escritas fazem guerras onde guerras não houve. Inexistindo, fazem paz onde paz não há.

Há razão portanto para mobilização, para a propaganda, para o aparecimento davirtú– mas nunca para o desespero. A maçã não cai longe da árvore – vale para Mario Abdo, o filho, em relação ao pai; vale para Bolsonaro em relação ao homólogo paraguaio; vale para o povo paraguaio que, como Ulisses regressando à casa, põem-se em guerra, nas ruas, para buscar a paz. Nós também hemos de achá-la. E se aqui a guerra não declarada tomar outros contornos,como um já sugerido Estado de Defesa, ecoarão em nós os versos da Ilíada: 

“Mas uma dor se apoderou do Pelida, cujo coração
no peito hirsuto se dividia no que haveria de pensar:
ou desembainhar de junto da coxa a espada afiada
e dispersar a assembleia matando o Atrida;
ou antes acalmar a ira e refrear o coração.”

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Ver original em 'Ópera' na seguinte ligação:

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Pela 1ª vez, Brasil tem mais de 15 mil mortes causadas pela COVID-19 em uma semana

 

O Brasil registrou nesta sexta-feira (19) 2.730 mortes causadas pela COVID-19 nas últimas 24 horas.

Com a atualização, o total de mortes causadas pela pandemia no país ultrapassa a marca de 290 mil. A contagem agora está em 290.525 óbitos. Além disso, o Brasil atingiu mais uma marca negativa: pela primeira vez, o país bateu a marca de 15 mil mortes em uma semana. 

A média móvel de mortes chegou a 2.178, e a variação foi de +50% em comparação com 14 dias atrás, indicando tendência de alta nos óbitos pela doença.

Quantos aos casos confirmados, 89.409 novas infecções foram registradas nas últimas 24 horas. Desde o começo da pandemia, já são 11.877.009 brasileiros que já tiveram ou têm o novo coronavírus.

Todos os números são do consórcio de imprensa, que divulgou também o balanço da vacinação no país. Ao todo,11.492.854 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a COVID-19, o que representa 5,43% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 4.122.203 pessoas – 1,95% da população do país.

 

 

Enfermeira aplica dose da CoronaVac, vacina contra a COVID-19, em idoso em São Gonçalo, no Rio de Janeiro

© REUTERS / Ricardo Moraes
Enfermeira aplica dose da CoronaVac, vacina contra a COVID-19, em idoso em São Gonçalo, no Rio de Janeiro

Nesta sexta-feira (19), um levantamento da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) indicou que o oxigênio para pacientes de COVID-19 está prestes a acabar em pelo menos 78 municípios de 22 estados do Brasil.

Também hoje (19), o governo federal assinou contratos nesta sexta-feira (19) com os laboratórios Pfizer/BioNTech e Janssen (a farmacêutica da Johnson & Johnson) para a aquisição de, no total, 138 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19.

Brasil atinge novo recorde trágico com 90.570 infeções em 24 horas

 

 

O anterior recorde casos de infeção no Brasil havia sido alcançado há apenas dois dias, quando o país sul-americano registou 90.303 diagnósticos positivos de covid-19.

Em relação ao número de óbitos, o dia de hoje apenas é ultrapassado pela última terça-feira, momento em que o Brasil perdeu 2.841 vidas devido à doença causada pelo novo coronavírus,

O país, com cerca de 212 milhões de habitantes, totaliza agora 290.314 vítimas mortais e 11.871.390 infeções desde o início da pandemia, ocupando a segunda posição mundial na lista de país mais afetados pela doença, atrás dos Estados Unidos.

A taxa de incidência da covid-19 em território brasileiro subiu hoje para 138 mortes e 5.649 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde.

São Paulo (2.280.033), Minas Gerais (1.014.079), Paraná (789.685) e Rio Grande do Sul (780.186) são os Estados que concentram o maior número total de casos. Por outro lado, a lista de Unidades Federativas com mais mortes é liderada por São Paulo (66.798), Rio de Janeiro (34.830), Minas Gerais (21.540) e Rio Grande do Sul (16.507).

No Brasil, que atravessa agora o seu momento mais critico da pandemia, foi ainda registada a recuperação de 10.383.460 casos, momento em que 1.197.616 pacientes infetados permanecem sob acompanhamento médico.

Além de sucessivos recordes diários de óbitos e infeções e de hospitais em colapso por todo o país, especialistas em saúde alertam que nas próximas semanas é esperado um forte aumento da curva pandémica na nação sul-americana, entre outros fatores devido à alta incidência de nova estirpe que detetada no Amazonas e que já se espalhou por todo o Brasil.

Até ao momento, apenas 5% de uma população de 212 milhões de habitantes está vacinada, numa campanha nacional de imunização que avança lentamente no país devido à falta de antecipação nas encomendas de doses de vacinas e atrasos nas entregas.

O Ministério da Saúde anunciou hoje que os contratos com as farmacêuticas Pfizer e Janssen foram concluídos e assinados.

Os acordos garantem mais 138 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 para o Brasil, sendo 100 milhões de doses do imunizante da Pfizer e outros 38 milhões da Janssen (subsidiária europeia da Johnson & Johnson).

De acordo com a tutela, o Brasil tem asseguradas mais de 562 milhões de doses de vacinas, contratadas a vários laboratórios, e que serão distribuídas por todo o país ainda este ano.

Com o agravamento da pandemia no país, o Brasil caiu nove posições no ranking global da felicidade, de acordo com o Relatório Mundial da Felicidade, elaborado pela empresa de sondagens Gallup em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Na lista hoje divulgada, o país sul-americano, presidido por Jair Bolsonaro, ocupa a 41ª posição entre 149 nações, face ao 32º lugar alcançado no ano passado.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.692.313 mortos no mundo, resultantes de mais de 121,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Leia Também: AO MINUTO: AstraZeneca? Sintomas a estar atento; As regras dos autotestes

 

Ver a publicação original em 'Notícias ao Minuto' na seguinte ligação:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1714215/brasil-atinge-novo-recorde-tragico-com-90-570-infecoes-em-24-horas?utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed

Lula pede ajuda a Macron e chama Bolsonaro de 'genocida' em entrevista

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a pedir, nesta sexta-feira (19), por uma reunião do G20 para discutir a distribuição igualitária de vacinas contra a COVID-19 e a criticar o combate à pandemia da COVID-19 no Brasil.

Lula disse, em entrevista ao jornal francês Le Monde, que a vacina não deveria ser um produto de mercado, mas "se tornar um bem comum da humanidade".

"Desde o início da pandemia, nem o G20, nem o G8 se encontraram para falar sobre o assunto. É urgente. Apelo ao presidente Emmanuel Macron [França]: chame o G20. Ligue para Joe Biden [EUA], Xi Jinping [China], Vladimir Putin [Rússia] e o resto. Estamos em guerra, é a Terceira Guerra Mundial e o inimigo é muito perigoso", afirmou o petista.

No meio da semana, Lula já havia dado uma entrevista para a jornalista Christiane Amanpour, da CNN norte-americana, em que pediu a convocação de uma reunião do G20.

Lula chamou o presidente Jair Bolsonaro de "ignorante" e "genocida" e defendeu a criação de um comitê de crise para cuidar da pandemia no Brasil.

"Bolsonaro acredita que, ao se recusar a admitir a gravidade da pandemia, a economia vai se recuperar novamente. A única cura é vacinar o povo brasileiro", declarou.

​Apesar de ter dado diversas entrevistas, Lula continua afirmando que não sabe se será candidato à Presidência da República nas eleições de 2022, mas que não vê problema nenhum em não concorrer.

"Eu tenho 75 anos. Em 2022, na época das eleições, terei 77. Se eu ainda estiver em plena forma, e for estabelecido um consenso entre os partidos progressistas deste país para que eu seja candidato, bem, não verei nenhum problema em ser. Mas já fui candidato antes, fui presidente e servi por 2 mandatos. Também posso apoiar alguém em boa posição. O mais importante é não deixar Jair Bolsonaro governar mais este país", disse.

O ex-presidente também aproveitou para defender que os brasileiros precisam de "empregos, livros e investimentos em cultura".

"Comecei na política nos anos 1970 e nunca vi meu povo sofrer como hoje. Pessoas morrendo nos portões dos hospitais, a fome voltou. E, diante disso, temos um presidente que prefere comprar armas de fogo ao invés de livros e vacinas. O Brasil é chefiado por um presidente genocida. É realmente muito triste", completou.

Ver a publicação original na seguinte ligação:

https://br.sputniknews.com/brasil/2021031917163717-lula-pede-ajuda-a-macron-e-chama-bolsonaro-de-genocida-em-entrevista/

"Não cair no desespero nem no imobilismo"

por PCB [*]

 A conjuntura brasileira é muito grave. Mesmo diante do aumento da pandemia, que já matou mais de 280 mil brasileiros, o governo Bolsonaro e Mourão mantém sua postura de parceiro da morte, sabotando o distanciamento social e dificultando ao máximo o processo de negociações para a compra de vacinas e de insumos para a sua produção no Brasil. Com sua postura criminosa e o discurso negacionista para manter mobilizada suas bases sociais mais fanatizadas, agrava o combate à pandemia e coloca o sistema de saúde à beira do colapso em todo o país, o que vem se traduzindo em centenas de milhares de brasileiros mortos. Com esse discurso, Bolsonaro consegue desviar a atenção dos escândalos de corrupção que envolvem sua família, como o da recente compra, por seu filho Flávio – já acusado por promover “rachadinhas” [1] em seu gabinete e de lavar dinheiro –, de uma mansão em Brasília por seis milhões de reais [€911.176], e da profunda incompetência que caracteriza a ação do Ministério da Saúde. Para reforçar seu governo e intimidar a população, Bolsonaro cerca-se cada vez mais de quadros militares, para passar a imagem de que tem poder junto às Forças Armadas, ao mesmo tempo em que atende a exigências do Centrão [2] para tentar evitar o impeachment, como demonstra a recente troca de titularidade no Ministério da Saúde. Na verdade, o Brasil se aproxima de uma catástrofe sanitária: a taxa de ocupação das UTIs [3] na maioria dos Estados se aproxima dos 100%, com centenas de pessoas morrendo nas filas de espera dos hospitais. É muito elevado o risco de que a tragédia de Manaus se repita nas grandes cidades e capitais e que haja um colapso absoluto em todo o país. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o descontrole sanitário no Brasil já ameaça a segurança sanitária da América do Sul e impõe risco de expansão do vírus para outros continentes. À crise sanitária se soma uma profunda crise social que já soma dezenas de milhões de trabalhadores desempregados, além de muitos milhões que se encontram nas filas da fome e morando em locais sem acesso a luz elétrica, água encanada e serviços de saúde. Com a inflação dos alimentos da cesta básica, aumenta a fome em todo o país. As medidas de combate à pandemia adotadas até agora são extremamente limitadas, e o anúncio da oferta de um auxílio emergencial de apenas 250 reais [€37,97] é claramente insuficiente e não dá para comprar nem a metade de uma cesta básica. Enquanto isso, a burguesia brasileira se aproveita do caos sanitário e da crise social para avançar a agenda neoliberal, com a redução dos investimentos públicos, a reforma administrativa e mais retrocessos quanto aos direitos dos trabalhadores, onde o objetivo é desmontar os serviços públicos, reduzir os salários e levar à informalidade a maioria dos trabalhadores, com a adoção da carteira verde e amarela. A burguesia aprovou recentemente a autonomia do Banco Central, o que deixa toda a política econômica nas mãos da oligarquia financeira. Além disso, passou um contrabando através da PEC 186 [4] , que reduz os investimentos nos serviços públicos e congela por até 15 anos os salários de diversos servidores, em especial nas áreas da saúde e educação. Além disso, acelera o processo de privatização dos Correios, da Eletrobras, da Petrobras e busca ainda a flexibilização das leis ambientais e dos direitos indígenas e quilombolas [5] para favorecer a mineração e a expansão do agronegócio. POSSÍVEL ELEGIBILIDADE DE LULA:
VITÓRIA PARCIAL DA LUTA PELAS LIBERDADES
É nesse contexto de acirramento da crise que ocorre a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulando a sentença do ex-juiz Sérgio Moro, resultante da Operação Lava a Jato, e o acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por considerar que o foro correto não é Curitiba. Se a decisão for confirmada e transitada em julgado, toda a instrução será enviada à primeira instância da Justiça Federal em Brasília, podendo inclusive manter a decisão anterior de condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. De qualquer forma, o ato de Fachin e toda a publicidade em torno dele voltaram a expor as evidências dos vícios processuais, a parcialidade e a conspiração entre o ex-juiz Sérgio Moro e membros do Ministério Público para efetuarem a condenação de Lula, fato que o afastou da condição de candidato nas eleições de 2018 quando estava na liderança de todas as pesquisas. Saudamos essa possibilidade como um fato relevante contra a manipulação jurídica e a ação golpista das autoridades judiciais, que utilizaram de meios escusos para promover perseguições, arbitrariedades e manipulação da opinião pública, interferindo diretamente no processo eleitoral de 2018 e abrindo espaço para a eleição de Jair Bolsonaro. Esse fato traz à tona a possibilidade de Luís Inácio Lula da Silva ser candidato às eleições presidenciais de 2022. Em seu pronunciamento público, Lula fez duras e acertadas críticas a todo o processo fraudulento que o levou a ficar preso em Curitiba por mais de 500 dias. Mas acenou, por sua vez, com a possibilidade de construção de um leque de alianças visando, uma vez mais, ensejar a retomada do pacto social liberal, em condições ainda mais rebaixadas, devido ao contexto de avanço da crise geral em que o Brasil está imerso. Tal acontecimento tem sido explorado por diversos setores do campo democrático e popular no sentido de antecipar o debate eleitoral e deixar em segundo plano a luta concreta contra esse governo e sua política de terra arrasada, no momento em que a conjuntura exige a intensificação da luta de classes contra as reformas neoliberais, os ataques aos trabalhadores(as) e a promoção do genocídio em curso. O aumento da pandemia em uma fase de crescimento do contágio e morte dificulta muito a mobilização das massas para o enfrentamento ao governo. Mas há um claro e crescente descontentamento com a situação na maior parte da população. É importante citar a realização de panelaços, carreatas, manifestações simbólicas, de reuniões plenárias e manifestações públicas de muitas organizações e movimentos sociais, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, incluindo o reconhecimento pela CUT [6] da necessidade de uma greve geral em defesa da vida para enfrentar essa situação. A nossa tarefa é contribuir para transformar esse descontentamento em luta organizada. Nós já vivemos momentos muito mais difíceis que esse e soubemos responder à altura dos acontecimentos. É hora de ampliar o trabalho de base e preparar as mobilizações populares, que virão em algum momento próximo, como já aconteceu na Bolívia, no Chile, nos Estados Unidos e, mais recentemente, no Paraguai. Não se pode cair no desespero, nem no imobilismo e muito menos depositar nossas energias agora nas eleições que só irão acontecer no final de 2022. O momento é de fortalecer a luta contra a tragédia que se abate sobre o povo brasileiro. ORGANIZAR A CLASSE TRABALHADORA PARA A LUTA CONTRA O GOVERNO E O CAPITAL! Devemos continuar apostando na pressão popular pela adoção de medidas emergenciais e na mobilização em favor do impeachment de Bolsonaro, organizando os trabalhadores e as trabalhadoras, a juventude e o povo pobre das periferias para a luta em defesa de um conjunto de medidas emergenciais que respondam às necessidades mais prementes de toda a população. Nesse sentido, propomos: 1) Vacina para todos já e lockdown já em defesa da vida em todas as regiões.
2) Em defesa do Sistema Único de Saúde 100% estatal.
3) Auxílio emergencial de no mínimo R$ 600,00 para todos os 67 milhões que receberam no primeiro momento.
4) Política de emprego com a criação de frentes de trabalho urbanas e rurais.
5) Transporte público gratuito para desempregados e maiores de 60 anos.
6) Revogação do teto dos gastos e das contrarreformas trabalhista e previdenciária.
7) Defesa dos serviços públicos e gratuitos e das empresas estatais. Para o PCB o resgate do social liberalismo e a política de conciliação de classes não podem ser as únicas alternativas ao projeto ultraliberal e autoritário de Bolsonaro e aliados. Defendemos uma alternativa popular pautada em um programa político que contemple medidas emergenciais diante da crise e da pandemia e resgate as demandas históricas do povo trabalhador brasileiro. Seguimos construindo a mais ampla unidade na luta contra a política genocida do Governo Bolsonaro e, no interior dessa ação unitária, buscamos organizar a frente anticapitalista e anti-imperialista, no rumo do Poder Popular e do Socialismo. Vamos participar ativamente de atos de rua, mesmo que simbólicos em virtude da pandemia, pregar cartazes e lambe-lambes [7] , incrementar as redes sociais; organizar, nas cidades ou nos bairros onde for possível, os Comitês Populares em Defesa da Vida e do Trabalho, nos incorporando a todo tipo de mobilização, na perspectiva de que só a luta popular é capaz de mudar a correlação de forças e abrir caminho para a derrota desse governo e sua política de terra arrasada. É preciso avançar na construção do Fórum Sindical, Popular e da Juventude nos estados e municípios, na perspectiva de reorganização das lutas da classe trabalhadora e para preparar a GREVE GERAL! FORA BOLSONARO-MOURÃO!
EM DEFESA DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA, DOS SERVIÇOS PÚBLICOS E DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!
ORGANIZAR A GREVE GERAL!
PELO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO! Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro

16/Março/2021
[1] Rachadinhas: Prática de políticos corruptos de se apropriarem dos salários pagos pelo Estado a assessores e colaboradores por eles próprios escolhidos. A família Bolsonaro locupletou-se com esta prática.
[2] Centrão: a maioria corrupta do parlamento que vende o seu voto em troca de benesses do governo central.
[3] UTIs: Unidades de tratamento intensivo, nos hospitais.
[4] PEC 186: Medida proposta pelo governo que prevê redução de até 25% dos salários do funcionalismo público
[5] Quilombolas: Comunidades de descendentes de escravos
[6] CUT: central sindical controlada pelo PT
[7] Lambe-lambes: cartazes artesanais afixados em espaços públicos.
 
 
Ver também:
  • A repercussão do discurso de Lula O original encontra-se em pcb.org.br/...
  •  
     
    Esta nota encontra-se em https://resistir.info/ .

    Ver a publicação original em 'Resistir.info' na seguinte ligação:

    https://resistir.info/brasil/nota_16mar21.html

    Com 2.724 óbitos, Brasil bate recorde com média móvel de 71.904 casos de COVID-19

     

    País também bateu outra triste marca: pelo segundo dia consecutivo, a média móvel de mortes por COVID-19 ficou acima de dois mil.

    Os dados do consórcio da imprensa, divulgados pelo portal UOL, apontam que, na última semana, 2.096 pessoas morreram em média diariamente no país por causa do coronavírus. 

    O cálculo está 47% maior do que o registrado duas semanas atrás. É o 20º dia consecutivo que a média móvel de mortes bate recorde. 

    Nesta quinta-feira (18), o Ministério da Saúde disse que o Brasil teve 2.724 mortes pela COVID-19. Para o consórcio, o país contabilizou 2.659 óbitos, elevando para 287.795 o total de vidas perdidas.

    A média móvel registrada foi de 71.904 diagnósticos positivos para coronavírus, 22% maior do que o cálculo de 14 dias atrás. Este foi o recorde desde o início da pandemia.

    Vale lembrar que ainda nesta quinta-feira (15), a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) enviou um ofício ao presidente Jair Bolsonaro e ao Ministério da Saúde pedindo "providências imediatas" do governo federal para suprir as faltas de oxigênio e medicamentos.

    O Brasil enfrenta uma crise na sedação de pacientes com a COVID-19 que precisam ser intubados.

     

    Em Brasília, paciente com COVID-19 chega de ambulância a um hospital público de referência, em 17 de março de 2021

    © Folhapress / Agif / Mateus Bonomi
    Em Brasília, paciente com COVID-19 chega de ambulância a um hospital público de referência, em 17 de março de 2021

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    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031817157766-com-2724-obitos-brasil-bate-recorde-com-media-movel-de-71904-casos-de-covid-19/

    Bolsonaro minimiza aumento de mortes: 'Em todo local está morrendo gente'

     

    Nesta quinta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro minimizou os frequentes recordes de mortes pela COVID-19 registrados no Brasil.

    Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro insinuou que nenhum país está se saindo bem no combate à pandemia.

    "A gente pergunta aí, qual país do mundo que está tratando bem a questão da COVID-19? Aponte um. Em todo local está morrendo gente. Agora, aqui virou uma guerra contra o presidente", afirmou o presidente a apoiadores, conforme publicado pelo UOL.

    O presidente respondeu também às críticas de que o governo federal não está comprando vacinas contra a COVID-19. Como já fez outras vezes, Bolsonaro disse que não há mais imunizantes a venda, por conta da alta demanda de compra em todo o mundo.

    "Quando eu digo me apresente um país onde está dando certo o combate à COVID-19: não tem. Esses caras que querem me derrubar o que fariam no meu lugar? 'Ah comprar vacina'. Onde é que tem vacina para vender? Onde é que tem?", questionou o presidente.
    Senhora observa seringa com vacina contra a COVID-19 em centro de vacinação no Pacaembu, São Paulo, 3 de março de 2021
    © AP Photo / Andre Penner
    Senhora observa seringa com vacina contra a COVID-19 em centro de vacinação no Pacaembu, São Paulo, 3 de março de 2021

    Nesta quinta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro assinou duas medidas provisórias que possibilitam o pagamento de nova rodada do auxílio emergencial para cerca de 40 milhões de brasileiros. 

    De acordo com o ministro da Economia Paulo Guedes, o valor médio do benefício será de R$ 250.

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    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031817157483-bolsonaro-minimiza-aumento-de-mortes-em-todo-local-esta-morrendo-gente/

    Lula e Ciro venceriam Bolsonaro em um 2º turno

    18/03/2021
     

    Com o cenário de Lula elegível a pouco mais de um ano e meio das eleições de 2022, a pesquisa PoderData/Band ouviu 3.500 pessoas em 545 municípios dos 27 Estados entre os dias 15 e 17 de março e traçou um cenário da disputa eleitoral que oporia o ex-presidente petista e o atual presidente Jair Bolsonaro. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (17) no Jornal da Band.

    Com todos os nomes apresentados em ordem alfabética aos pesquisados, Lula aparece em primeiro lugar (34%) e Jair Bolsonaro em segundo (30%), ambos com grande vantagem sobre os outros postulantes e praticamente empatados no limite da margem de erro, que é de 1,8 ponto percentual.

    Leia mais em Band

    Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

    https://www.plataformamedia.com/2021/03/18/lula-e-ciro-venceriam-bolsonaro-em-um-2o-turno/

    Brasil com mais 2.648 óbitos e 90 mil casos num único dia, um novo máximo

    Num momento em que os especialistas descrevem a situação da saúde no Brasil como "o maior colapso sanitário e hospitalar de sua história", o país sul-americano volta a apresentar números recorde nos principais indicadores da crise pandémica. Nas últimas 24 horas, foram registados mais 90.303 novos casos de infeção e 2.648 óbitos associados à doença causada pelo vírus SARS-CoV-2.

     

    O balanço de novos casos é o maior desde o início da pandemia no país, a 26 de fevereiro do ano passado, sendo que têm sido alcançados novos máximos sucessivos desde o início de março.

    O Ministério da Saúde brasileiro reportou, ainda, mais 2.648 mortes associadas à doença Covid-19, depois de ter sido anunciado um recorde de 2.841 mortes na véspera.

    Conforme estabelece a tutela, através do site oficial, o número de casos de contágio acumulados ultrapassa os 11,6 milhões. Já morreram 284.775 pessoas com coronavírus no país lusófono mais afetado pela pandemia.

    A incidência de óbitos é agora de 136 por cada 100 mil habitantes e a de contágios é de 5.565 por cada 100 mil habitantes.

    Recorde-se que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o maior centro de investigação da América Latina, considerou que o Brasil vive "o maior colapso sanitário e hospitalar de sua história" e pediu ao governo que endureça "com urgência" as medidas contra a pandemia.

    De acordo com o levantamento, divulgado na noite de terça-feira, o sistema público de saúde brasileiro de 25 dos 27 estados do país registou taxas de ocupação das camas de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), voltadas para o tratamento de pacientes graves, iguais ou superiores a 80%, e em 15 regiões já superaram 90% de sua capacidade, situação "absolutamente crítica".

    Leia Também: AO MINUTO: Vacinas? "Há muito que não sabemos"; Autotestes podem ajudar

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    https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1712336/brasil-com-mais-2-648-obitos-e-90-mil-casos-num-unico-dia-um-novo-maximo?utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed

    Justiça decide que governo Bolsonaro pode celebrar golpe que instaurou ditadura no Brasil

     

    O Tribunal Regional Federal da 5ª Região decidiu favoravelmente a um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) que defendia o direito do governo de fazer atividades comemorativas ao golpe militar de 1964.

    A AGU entrou com pedido após a 5ª Vara Federal do Rio Grande do Norte determinar, em 2020, a retirada de nota do Ministério da Defesa reproduzindo a Ordem do Dia de 31 de março de 2020, que exaltava o golpe de 1964, deflagrado em 31 de março de 1964. 

    A questão foi levada à Justiça após pedido da deputada Natália Bonavides (PT-RN) para retirada da Ordem do Dia do site. Em sua decisão, a magistrada responsável pelo caso argumentou que o texto era "nitidamente incompatível com os valores democráticos insertos na Constituição de 1998", segundo publicado pelo site Congresso em Foco. 

    Na nota, assinada pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e pelos comandantes da Marinha, Ilques Barbosa Junior; do Exército, Edson Pujol; e da Aeronáutica, Antonio Bermudez, o golpe, que instaurou uma ditadura que veio a cassar políticos, fechar o Congresso, estabelecer a censura e torturar e matar opositores, é descrito como um "marco para a democracia". 

    'Impor somente um tipo de projeto'

    Após a retirada do texto, a AGU recorreu da decisão. Em seu recurso, o órgão apresenta argumentos técnicos, afirmando que a publicação não causou lesão ai patrimônio e uma Ação Popular não era o instrumento jurídico adequado para o pedido. 

    Porém, a AGU também defende o direito do governo Bolsonaro exaltar o golpe de 1964, argumentando que impedir sua celebração é "negar a discussão sobre qualquer perspectiva da história do Brasil", além de imposição de "somente um tipo de projeto para a sociedade". 

    “Com efeito, o que a presente demanda procura fazer é negar a discussão sobre qualquer perspectiva da história do Brasil, o que seria um contrassenso em ambientes democráticos, visto que o Estado Democrático de Direito (art. 1º, caput, Constituição da República) pressupõe o pluralismo de ideais e projetos. Querer que não haja a efeméride para o dia 31 de março de 1964, representa impor somente um tipo de projeto para a sociedade brasileira, sem possibilitar a discussão das visões dos fatos do passado - ainda que para a sua refutação”, diz trecho do recurso, segundo o site Congresso em Foco.

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031717149263-justica-decide-que-governo-bolsonaro-pode-celebrar-golpe-que-instaurou-ditadura-no-brasil/

    Brasil regista máximo de óbitos diários. Morreram 2.841 pessoas em 24h

    A situação epidemiológica relacionada com a pandemia de coronavírus está a agravar-se cada vez mais no Brasil. Esta terça-feira, o país registou o número de óbitos diários mais elevado desde o início da pandemia. Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde morreram 2.841 pessoas nas últimas 24 horas. Este foi o quarto dia em que o Brasil reportou mais de duas mil mortes.

     

    O número de novas infeções também foi um dos mais elevados. Foram detetados 83.926 novos casos de infeção. 

    O Brasil acumula 11.603.535 casos confirmados e 282.127 vítimas mortais. Soma ainda 10,2 milhões de recuperados. 

    Os dados divulgados pelo governo brasileiro mostram que 1,1 milhões de pessoas estão a ser acompanhadas pelas autoridades de saúde. 

    O estado de São Paulo, o mais atingido pela pandemia, notificou 679 óbitos, um recorde diário. 

    #URGENTE Brasil registra pior dia da pandemia nesta terça-feira, com 2.841 mortes por Covid-19 nas últimas 24h, diz Ministério da Saúde No período, 83.926 casos da doença foram confirmados São 282.127 óbitos por coronavírus no país, e 11.603.535 infecções
    https://twitter.com/lucasnegrisoli/status/1371948125968072704?ref_src=twsrc%5Etfw

     

    [Notícia atualizada às 22h57]

    Leia Também: AO MINUTO: Recuperamos de pausa na vacinação "em cinco ou seis dias"

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    Bolsonaro escolhe Marcelo Queiroga para assumir Ministério da Saúde no lugar de Pazuello

    O presidente Jair Bolsonaro decidiu convidar nesta segunda-feira (15) o médico paraibano Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), para assumir o comando do Ministério da Saúde.

    Queiroga teve uma reunião com Bolsonaro na tarde desta segunda-feira (15) e foi convidado para assumir o lugar do ministro Eduardo Pazuello. A nomeação deve ser publicada na edição desta terça-feira (16) no Diário Oficial da União, de acordo com o presidente. As informações foram publicadas pelo portal G1.

    "Foi decidido agora à tarde a indicação do médico, doutor Marcelo Queiroga, para o Ministério da Saúde. Ele é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A conversa foi excelente, já conhecia há alguns anos, então não é uma pessoa que tomei conhecimento há poucos dias. Tem tudo no meu entender para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento em tudo que o Pazuello fez até hoje", disse Bolsonaro.

    Segundo Bolsonaro, haverá uma transição de "uma ou duas semanas" entre o novo ministro e a equipe de Pazuello.

    A troca no comando da pasta ocorre no período em que o Brasil passa pelo pior momento da pandemia.

    O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, concede entrevista coletiva em Brasília.
    © Folhapress / Wallace Martins/Futura Press
    O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, concede entrevista coletiva em Brasília.

    Antes de se reunir com o cardiologista, Bolsonaro chegou a convidar a médica Ludhmila Hajjar para assumir o ministério. Mas, segundo Hajjar, o convite foi declinado por uma falta de "convergência técnica" com o presidente.

     

    ​Queiroga será o quarto ministro a comandar o Ministério da Saúde durante a pandemia da COVID-19 no Brasil. Antes de Queiroga, comandaram o ministério, o médico e ex-deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS); o médico Nelson Teich; e o general do Exército Eduardo Pazuello.

    Marcelo Queiroga é graduado em medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). É especialista em cardiologia e tem doutorado em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal. Atualmente, dirige o departamento de hemodinâmica e cardiologia intervencionista (Cardiocenter) do Hospital Alberto Urquiza Wanderley (Unimed João Pessoa) e é médico cardiologista intervencionista no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, também na Paraíba.

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031517136079-bolsonaro-escolhe-marcelo-queiroga-para-assumir-ministerio-da-saude-no-lugar-de-pazuello/

    Brasil | Bolsonaro volta a atiçar aliança da morte

    Um dia depois de usar máscara e defender vacina, ele ataca governadores que protegem população com lockdows. No Congresso, Centrão bloqueia CPI sobre sabotagem sanitária. Negacionismo e velha política unem-se e fazem país refém

    Maíra Mathias e Raquel Torres* | Outras Palavras

    COMO ESTAMOS O Palácio do Planalto prevê que o Brasil vá passar as próximas seis semanas com média diária de óbitos por covid-19 acima de dois mil, segundo uma apuração do Valor. Mas, por aqui, imaginamos quanto tempo deve levar até chegarmos às três mil: ontem foram mais 2.207 e a média móvel bateu seu 13º recorde seguido, ficando em 1.705. Foram quase 12 mil mortes em apenas uma semana.

    A maior fila por leitos para covid-19 no país é a do Paraná, que tem mais de mil pessoas. Mas o governador Ratinho Jr. (PSD) anunciou o fim do lockdown de 12 dias, autorizando a volta do comércio e das escolas em modelo híbrido. O detalhe é que todos os indicadores estão piores do que quando o lockdown começou, o que claramente indica a necessidade de mais tempo. Na vizinha Santa Catarina, o Ministério Público e a Defensoria Pública precisaram ir à Justiça para pedir lockdown de pelo menos duas semanas no estado, que também tem a saúde em colapso. O governador Carlos Moisés (PSL) decretou que vai manter abertos shoppings, academias e piscinas de uso coletivo em dias úteis…

    No Ceará, o governador Camilo Santana (PT) estendeu o lockdown da capital para todo o estado. Começa a valer amanhã

    Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) decidiu colocar o estado em “fase emergencial” por duas semanas, a partir de segunda-feira. Finalmente vai ser suspensa a realização de missas e cultos, mas as igrejas podem ficar abertas para atendimento individual. Também ficam vetadas atividades esportivas, retirada de comida nos restaurantes e o funcionamento presencial de lojas de construção e de eletrônicos. O home office deve ser adotado para todas as atividades administrativas não-essenciais, e o comércio só pode funcionar por delivery. Quanto às escolas, seguem autorizadas, mas os recessos de abril e outubro vão ser antecipados, para que na prática elas fechem.

    Felizmente, as associações de empresas do comércio, serviços e alimentação desistiram de pressionar pela reabertura imediata. 

    Não foi o que aconteceu na capital do Rio, onde o Sindicato dos Bares e Restaurantes conseguiu reverter uma decisão do prefeito Eduardo Paes (DEM) de “só” mantê-los abertos até as 17h. Paes deu meia-volta. O horário desses lugares, que são sabidamente focos de superespalhamento, foi estendido para 21h. 

    Aliás, Doria e o governador do RJ, Claudio Castro, se estranharam ontem. O paulista criticou o chefe do Executivo fluminense por não assinar o pacto em que governadores se comprometem com medidas contra a covid-19. “Lamento que o Rio de Janeiro, onde vivi parte da minha vida e conheci a minha esposa e tenho tantos e tantos amigos, ao invés de ter medidas que restrinjam – e com isso protejam a sua população – façam exatamente o caminho oposto”, disse Doria. Castro respondeu pelo Twitter: Recomendo a ele um chá de camomila e que cuide de SP, porque, do Rio, cuido eu.”

    Enquanto isso… O presidente Jair Bolsonaro não só voltou a atacar os governadores pelas novas quarentenas como acusou os gestores de inflarem o número das mortes com o intuito de prejudicá-lo.

    PRESSÃO PELA CPI

     

    Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) acionaram o Supremo para obrigar o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a instaurar a CPI que tem o objetivo de investigar a condução do governo federal da crise sanitária. No mandado de segurança protocolado ontem, eles lembram que Pacheco, eleito com apoio do Planalto, já se manifestou contra a abertura da comissão, taxando-a de “contraproducente” em entrevista ao Roda Viva. Para os senadores, a fala evidencia a “resistência pessoal” do presidente do Senado em abrir a CPI. “Não há qualquer justificativa plausível para a não instalação da CPI”, criticam.

    O assunto tem aparecido com força na reunião de líderes do Senado há algumas semanas, segundo o Valor. E o senador Renan Calheiros (MDB-AL) é quem articula boa parte da pressão. Ele argumenta que o presidente do Senado não tem poderes para decidir se a comissão é válida ou não, apenas julga se o requerimento protocolado contém um “fato determinado” que justifique sua existência.

    No plenário, foi a vez de Tasso Jereissati (PSDB-CE) cobrar, usando como gancho a quinta revisão feita por Eduardo Pazuello no número de doses que chegará aos estados em março. “Já está falando de 22 milhões a 25 milhões de doses, ou seja, não há a mínima transparência ou confiabilidade nas informações prestadas pelo ministro. Eu queria fazer um apelo, novamente. Vamos fazer – não é nada de impeachment – uma CPI para que o ministro ou qualquer autoridade que venha aqui, seja de farmacêutica, seja do governo, tenha responsabilidade e juramento sobre o que diz porque o que está sendo dito aqui não é verdadeiro“, criticou. Para o senador, somente com a criação da CPI o Congresso terá condições de recomendar a punição de qualquer autoridade que “omita” ou “minta” sobre as doses contratadas. 

    Além de atuar pelo engavetamento da CPI, a base do governo quer emplacar um caminho alternativo, que retire do Ministério da Saúde a centralidade no combate à pandemia (e dilua sua responsabilidade). O vice-líder do governo no Congresso, senador Marcos Rogério (DEM-RO), elaborou um projeto para criar uma coordenação nacional de combate à pandemia, que teria liderança da União, mas contaria com a participação dos estados e municípios. Para nós, é difícil entender como isso seria diferente da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), fórum com esses mesmos atores responsável pela articulação interfederativa do SUS. 

    O requerimento que solicita a criação na CPI é assinado por 32 senadores, tendo cinco assinaturas a mais do que o mínimo necessário. Também pesa o clima na casa o fato de haver, no momento, três senadores internados com covid-19: Major Olimpio (PSL-SP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Lasier Martins (Pode-RS).

    CAIXA-PRETA

    Falando em falta de transparência e vacinas, uma pesquisa da Open Knowledge Brasil e outros parceiros concluiu que mais de 70% dos dados que saem do Ministério da Saúde a respeito deste assunto são incompletos, indisponíveis ou inconsistentes. Além da confusão sobre as doses em si, existem falhas no monitoramento dos estoques de insumos necessários para tirar a campanha nacional de vacinação do papel, como a quantidade de seringas e agulhas disponíveis nos estados, que não tem sido discriminada pelo governo federal.

    SUSPENSÃO POR EFEITOS

    Pelo menos nove países europeus – Itália, Dinamarca, Noruega, Islândia, Áustria, Estônia, Lituânia, Letônia e Luxemburgo – suspenderam temporariamente a aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a covid-19. O motivo é a suspeita de que o produto possa estar relacionado a eventos adversos graves. A Dinamarca decidiu suspender o uso do imunizante por 14 dias depois que coágulos sanguíneos levaram uma pessoa à morte. Já nos demais países, só foi interrompido um lote específico depois que três pessoas morreram com trombose – uma na Áustria e duas na Itália.

    A interrupção se dá por precaução, mas não há nada de concreto ligando os eventos ao uso desse imunizante. Segundo a EMA (a agência reguladora da União Europeia), até agora foram registrados 22 casos de trombose em mais de três milhões de vacinados nos países do Espaço Econômico Europeu. E essa incidência não é maior do que a normalmente observada na população em geral. 

    No Brasil, a Anvisa está acompanhado as investigações das autoridades internacionais, mas ressaltou que o lote usado na Áustria não veio para cá. Disse ainda que, “nas bases nacionais que reúnem os eventos ocorridos com vacinas não há registros de embolismo e trombose associados às vacinas para covid”. A França e o Canadá afirmaram que não pretendem suspender a aplicação do imunizante. 

    E no Japão é a Pfizer que anda preocupando. O ministro responsável pela campanha de imunização, Taro Kono, sinalizou que as taxas de anafilaxia (reação alérgica aguda) possivelmente ligadas à vacina estão mais altas do que as relatadas em outros países, como os Estados Unidos e os europeus. Foram 25 casos em cerca de 148 mil profissionais de saúde vacinados, enquanto nos EUA tem sido relatada uma reação do tipo a cada milhão de doses aplicadas. Se o problema se confirmar, é um baita azar para o país asiático, onde a rejeição às vacinas já era muito alta.

    POSSÍVEL TRATAMENTO

    As farmacêuticas Vir Biotechnology, dos Estados Unidos, e GSK, do Reino Unido, anunciaram ontem que seu tratamento contra a covid-19 reduziu em 85% as mortes e hospitalizações, segundo resultados provisórios de um estudo com 583 pessoas. A droga em questão é o anticorpo monoclonal VIR-7831. Como já estamos habituados, os números foram divulgados sem as informações completas do ensaio. As empresas pretendem pedir aprovação aos órgãos reguladores dos EUA e da União Europeia imediatamente. 

    Se as agências confirmarem os dados e derem sinal verde, a droga pode se tornar uma arma importante na pandemia – mas, a exemplo de outros tratamentos com anticorpos, talvez venha a ser cara demais.

    Com os resultados rápidos e animadores de tantas vacinas, a pesquisa de novos remédios anda meio fora do foco. Porém, pesquisadores continuam correndo atrás desse tipo de solução, e uma reportagem do site da Science detalha em que pé estão esses trabalhos, tratando especificamente das drogas antivirais. Hoje, cerca de 239 moléculas do tipo estão em desenvolvimento, para mirar várias partes do ciclo de vida viral. Mas talvez nenhum composto venha a conseguir “nocautear” o SARS-CoV-2, e especialistas apostam que a melhor estratégia seja aquela utilizada para combater o HIV e a hepatite C: misturar antivirais que miram proteínas diferentes do vírus. De todo modo, isso ainda vai levar muito tempo.

    ENFIM, O AUXÍLIO

    A Câmara dos Deputados aprovou a PEC Emergencial nessa madrugada. O resultado do segundo turno da votação ficou em 366 votos a favor e 127 contra, ultrapassando com margem confortável os 308 votos necessários para a proposta passar. 

    O texto que destrava o auxílio emergencial também traz alguns gatilhos de ajuste fiscal. Mas segundo um levantamento do Centro de Liderança Pública, a maior parte desse ajuste depende da redução de benefícios tributários. E de acordo com a Folha, essa revisão é “incerta”. De um total de R$ 120,6 bilhões em uma década, esses incentivos fiscais somam R$ 100 bi. O restante do ajuste é todo feito em cima dos servidores e do funcionamento da máquina pública. 

    A previsão é que a PEC não seja sancionada antes da semana que vem, o que vai atrasar o pagamento da primeira parcela do auxílio de março para abril. O governo planeja um grande evento para marcar a assinatura do texto.

    Depois da sanção, ainda será preciso editar uma medida provisória com as regras do novo auxílio, que deve abranger aproximadamente 40 milhões de pessoas com parcelas que podem variar entre R$ 175 e R$ 375.

    A equipe econômica já discute a possibilidade de ter que estender o período de pagamento do auxílio para além dos quatro meses previstos na PEC. Neste caso, o governo enviaria outra PEC ao Congresso, desta vez sem jabutis, só tratando do auxílio. Além do recrudescimento da pandemia no Brasil, há um outro motivo para esse debate ter surgido nas últimas reuniões do time de Paulo Guedes: 

    “Outra variável que entrou no radar foi a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Auxiliares próximos ao presidente avaliam que o benefício foi importante para elevar a aprovação de Bolsonaro no ano passado e uma nova rodada pode ser decisiva neste ano”, escreve o repórter Manoel Ventura n´O Globo.

    A ECONOMIA SEGUNDO GUEDES

    O ministro Paulo Guedes afirmou ontem que a economia do país “está começando a decolar de novo”. A variável que ele usou para sustentar essa afirmação é a arrecadação federal de fevereiro, que segundo ele alcançou um recorde para o período. “A economia voltou em V e está começando a decolar de novo”, disse a parlamentares.

    O que de fato decolou nos últimos 12 meses foi o preço dos alimentos. O IBGE divulgou ontem que a inflação da comida ficou em 15%, quase o triplo da taxa oficial de inflação do período, que ficou em 5,20%. A disparada foi puxada por itens como óleo de soja (87,89%), arroz (69,80%), batata (47,84%) e leite longa vida (20,52%). Com o fim do auxílio, alguns preços começaram a cair. Mas a reedição do benefício pode reforçar a tendência de alta.

     

    *Maíra Mathias e Raquel Torres são editoras do Outra Saúde

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    Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

    https://paginaglobal.blogspot.com/2021/03/brasil-bolsonaro-volta-aticar-alianca.html

    O julgamento dos crimes de Bolsonaro

     

    Celso Japiassu | Carta Maior

    A representação ao Tribunal Penal Internacional denuncia também o boicote do governo Bolsonaro ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a expulsão dos médicos cubanos, enfatizando a crise sanitária que tem desestabilizado o país. Além de não ter apresentado qualquer plano para enfrentar a pandemia, diz a denúncia, Bolsonaro impediu que o Congresso Nacional tomasse iniciativas nesse sentido. Caso o tribunal aceite a denúncia, Jair Bolsonaro poderá vir a fazer parte de uma nata de criminosos já julgados e sentenciados pelo Tribunal Penal Internacional. O Tribunal Penal Internacional (International Criminal Court) está em processo de análise da denúncia contra Jair Bolsonaro, acusado de incitar o genocídio e promover ataques sistemáticos contra os povos indígenas do Brasil, além da exposição dos cidadãos brasileiros à covid-19, estimulando o contágio e a proliferação do vírus. O tribunal, sediado em Haia, na Holanda, informou que está fazendo essa análise o mais rapidamente possível mas ainda levará algum tempo até a eventual decisão de abertura de julgamento. As penas previstas variam de até 30 anos de prisão a prisão perpétua em casos extremos. Há também a possibilidade de outras penas como multas e perda de bens.

    A denúncia contra o presidente brasileiro foi feita pela Comissão Arns e o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos(CADHu), ambos constituídos por personalidades importantes e representativas da sociedade brasileira. Outras 223 organizações civis, partidos políticos e movimentos sociais vieram juntar-se a essa iniciativa. A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos D. Paulo Evaristo Arns, criada em fevereiro de 2019, diz em seu manifesto de fundação que foi instaurada “para a proteção da integridade física, da liberdade e da dignidade humana dos que possam estar ameaçados neste novo período duro da história brasileira”. Já o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos é formado por advogados e advogadas de várias regiões do país e “procura promover os direitos humanos em ações estratégicas de grande impacto”. A ação com mais de setenta páginas enumera uma série de ações, pronunciamentos e omissões de Bolsonaro tanto em relação aos indígenas quanto ao meio ambiente, responsáveis pelo país bater novos recordes de desmatamento e por aumentar as ameaças contra povos originários. O Tribunal Penal Internacional foi criado por 106 países, entre eles o Brasil, para o julgamento de acusados de crimes de interesse internacional, como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. As acusações contra Bolsonaro inserem-se nos objetivos do tribunal.

     

     

    Outros julgamentos Caso o tribunal aceite a denúncia, Jair Bolsonaro poderá vir a fazer parte de uma nata de criminosos já julgados e sentenciados pelo Tribunal Penal Internacional. Augustin Bizimungu, de Ruanda, comandante do Estado Maior do Exército, foi considerado culpado pelo assassínio de 800 mil pessoas da etnia tutsi. Estimulou o genocídio com seus discursos radicais. Condenado a 30 anos de prisão. Ante Gotovina foi general do exército da Croácia e condenado a 24 anos de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade junto à população sérvia. Foi julgado responsável pela morte de civis e soldados que depuseram armas. Seu julgamento durou quase um ano.

     

    Gaspard Kanyarukiga, empresário e chefe de milícia de Ruanda, foi condenado a 30 anos de prisão por envolvimento no massacre de dois mil tutsis. Foi considerado culpado dos crimes de genocídio, extermínio e crimes contra a humanidade. O ex-tenente-coronel Vujadin Popovic e o ex-coronel Ljubisa Beara foram condenados a prisão perpétua pelos crimes de genocídio, extermínio, homicídios e perseguições durante a guerra da Bósnia, na ex-Iuguslávia. Outros cinco oficiais também foram condenados no mesmo processo. Radovan Karadzic foi presidente da autoproclamada República Sérvia. Capturado depois de passar doze anos como fugitivo, respondeu perante o Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade durante a Guerra da Bósnia e o cerco de Sarajevo. Foi sentenciado a 40 anos de prisão, recorreu e sua pena foi aumentada para prisão perpétua. Dragomir Milosevic, general servo-bósnio, condenado a 33 anos de prisão por terrorismo, crimes de guerra, assassinato, atos desumanos e crimes contra a humanidade. Responsável pelo ataque a um mercado de Sarajevo que causou a morte de 34 civis e outros 78 ficaram feridos. Existem outras dezenas de casos de genocidas numa galeria de criminosos condenados pelo Tribunal Penal Internacional da qual Bolsonaro poderá vir a fazer parte, se forem julgadas procedentes as alegações que deram motivo à denúncia apresentada pela Comissão Arns e o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos.

    Boicote A representação ao Tribunal Penal Internacional denuncia também o boicote do governo Bolsonaro ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a expulsão dos médicos cubanos, enfatizando a crise sanitária que tem desestabilizado o país. Além de não ter apresentado qualquer plano para enfrentar a pandemia, diz a denúncia, Bolsonaro impediu que o Congresso Nacional tomasse iniciativas nesse sentido. “Os vetos do presidente, diz o texto da denúncia, tiram o acesso a um tratamento de saúde digno neste momento de pandemia, tiram o acesso à água potável, à ajuda emergencial, a cestas básicas”. Um dos vetos impediu que populações indígenas tivessem possibilidade de água potável. As taxas de infecção e mortalidade desse grupo é duas vezes maior ao restante da população brasileira.

    Texto inserido em “O novo velho continente e suas contradições”, de Carta Maior

    Imagem: Antonio Lacerda/EFE

    Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

    https://paginaglobal.blogspot.com/2021/03/o-julgamento-dos-crimes-de-bolsonaro.html

    Departamento de Saúde dos EUA confirma que pressionou Brasil contra vacina russa Sputnik V

     

    O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês) confirmou publicamente que pressionou o Brasil contra a compra da vacina russa contra a COVID-19 Sputnik V.

    Para isso, o órgão usou suas relações diplomáticas na região das Américas para reduzir as negociações das nações.

    ​O Departamento de Saúde dos EUA confirmou publicamente que pressionou o Brasil contra a (compra da) vacina Sputnik V. Nós acreditamos que os países devem trabalhar juntos para salvar vidas. Esforços para prejudicar as vacinas não são éticas e estão custando vidas.

    As agências do governo norte-americano, com o objetivo de fortalecer os laços diplomáticos, ofereceram assistência médica e humanitária para dissuadir outros países na região a aceitar a ajuda desses "Estados mal-intencionados".

    Usando o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, os EUA pressionaram o Brasil a rejeitar a vacina russa contra COVID-19, segundo relatório do HHS. 

    Vacina no Brasil

    O Ministério da Saúde assinou nesta sexta-feira (12) um contrato para compra de dez milhões de doses da Sputnik V. A vacina ainda não possui aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial.

    Anteriormente, o Consórcio Nordeste, que reúne os governadores da região brasileira, também anunciou um acordo para adquirir o imunizante russo, garantindo a compra de 39,6 milhões de doses da vacina, que tem eficácia comprovada de 91,6%.

    Até o momento, o Brasil aplica doses de apenas duas vacinas, a CoronaVac, parceria do Instituto Butantan com a chinesa Sinovac, e a Covishield, parceria da Fiocruz com a AstraZeneca/Oxford.

    O Brasil registrou novamente mais de 1.000 mortos pela COVID-19 em 24 horas, segundo boletim do Ministério da Saúde divulgado neste domingo (14).

    De acordo com a pasta, 1.127 pessoas morreram nesse período, fazendo total de óbitos pelo coronavírus no país chegar a 278.229, sendo o segundo país do mundo tanto em número de óbitos como de casos, sendo apenas superado pelos Estados Unidos.

    O ministério contabilizou ainda 43.812 novos casos da COVID-19. Ao todo, o número de infectados é de 11.483.370.

    Sputnik V

    A Sputnik V foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya (Centro Gamaleya), na Rússia, com o apoio do Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo).

    A vacina foi aprovada na Rússia ainda em agosto de 2020, sendo a primeira a receber liberação de um órgão sanitário nacional. Em todo o mundo, ao menos 50 países já autorizaram o uso da vacina, a segunda mais aprovada por órgãos sanitários mundo afora.

    O imunizante russo ainda não foi liberado para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/americas/2021031517132211-departamento-de-saude-dos-eua-confirma-pressionou-brasil-contra-vacina-russa-sputnik-v/

    No Brasil e no mundo, pediu-se justiça para Marielle

    Exibição de faixas, projecções de imagens, plantações de árvores, concentrações foram algumas acções realizadas para evocar o legado da vereadora carioca e exigir respostas para o seu assassinato.

    A imagem de Marielle Franco foi projectada em edifícios de várias capitais brasileiras; no caso, São PauloCréditosAnnelize Tozetto / Brasil de Fato

    Eleita em 2016 à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, como quinta candidata mais votada, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Marielle Franco tinha acabado de participar no debate «Jovens negras movendo a estrutura», no Bairro da Lapa, e, ao passar perto da Câmara Municipal, a viatura em que seguia foi atingida por vários disparos efectuados a partir de outro carro, que se pôs imediatamente em fuga. Ocorreram os factos em 14 de Março de 2018.

    Além da vereadora, atingida com pelo menos quatro tiros, foi também morto o motorista, Anderson Pedro Gomes, atingido com três tiros, revelou então o Brasil de Fato.

     

    Marielle Franco, que se destacou pela sua intervenção como feminista e defensora dos direitos dos negros, e pela denúncia da actuação policial nas favelas, integrava a comissão que acompanhava a intervenção militar no Rio, decretada pelo governo golpista de Temer a 16 de Fevereiro de 2018 e que foi alvo de inúmeras críticas, nomeadamente da Associação Juízes para a Democracia, que a classificou como uma ruptura do Estado Democrático.

    Um ano depois, elementos da Polícia Civil e Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado prenderam o polícia militar reformado Ronnie Lessa – acusado de ter efectuado os disparos que mataram Marielle Franco – e o ex-polícia militar Élcio Vieira de Queiroz, suspeito de ser o condutor da viatura de onde partiram os tiros. Mas, três anos volvidos, o mandante continua «a monte».

    Dia de «luto e luta»

    Por isso, o 14 de Março, que se tornou um dia de «luto e luta» para as mulheres, é também sinónimo de exigência de Justiça. Deputados, movimentos sociais, amigos e familiares da vereadora do PSOL no Rio de Janeiro participaram ontem em acções de rua e nas redes sociais precisamente para exigor justiça para Marielle.

    A jornalista Simone Nascimento, que esteve a frente das acções do PSOL em São Paulo, disse ao Brasil de Fato: «Não podemos ficar caladas e precisávamos agir de alguma forma para seguir denunciando esse crime», acrescentando que «as mulheres do PSOL se uniram em todo o país para somar-se às acções nesse dia 14 de pressão para que o caso tenha celeridade».

    Por seu lado, a professora Rose Cipriano, ligada ao partido de Marielle no estado do Rio de Janeiro, sublinhou que as acções de ontem «são fundamentais diante do silêncio que perdura após três anos sem resolução das investigações».

    Mútiplas acções de homenagem a Marielle Franco

    Fora do país sul-americano, o Brasil de Fato dá conta de uma acção promovida por vários colectivos na ponte de Westminster, em Londres, e de uma concentração frente à sede da ONU levada a cabo pelo comité Lula Livre de Genebra, na Suíça.

    Em São Paulo, na zona da Avenida Paulista, mulheres deputadas do PSOL fizeram um acto simbólico para exigir justiça para Marielle e Anderson. No Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador (estado do Rio de Janeiro), foi inaugurado o Bosque Marielle Franco, para assinalar a morte da vereadora e a «esperança de que as suas sementes continuem florescendo».

    ​Acção das deputadas do PSOL em São Paulo, em memória a Marielle / Annelize Tozetto / Brasil de Fato

    À noite, em diversas capitais brasileiras houve projecções de imagens em edifícios para lembrar Marielle e os três anos de impunidade.

    O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou várias acções, pelo país fora, para exigir justiça para Marielle. No Alto Sertão de Alagoas, a Brigada José Elenilson «cobrou justiça pelo assassinato» e, igualmente no estado de Alagoas, mulheres do assentamento Fidel Castro, em Joaquim Gomes, também denunciaram o crime e celebraram o legado da parlamentar.

    Nos estados do Ceará e da Paraíba, as mulheres sem-terra plantaram árvores em homenagem a Marielle e reivindicaram respostas para acabar com a impunidade do caso. Em Governador Valadares (Minas Gerais), froam doados alimentos saudáveis e roupas no Residencial Sertão do Rio Doce. Na ocasião, revela o Brasil de Fato, foi ali debatida a história e o legado de Marielle.

    No assentamento Dandara dos Palmares, em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro), foram plantados ipês e outras árvores no Bosque Marielle Franco, construído neste domingo.

    Nos bairros Boqueirão e Jardim São Savério, na periferia de São Paulo, a Campanha de Solidariedade da Escola Nacional Paulo Freire, que reúne organizações como o MST e o Levante Popular da Juventude, entre outras, realizou um marmitaço «Por Marielle, pela vida, Mulheres contra a fome, Fora Bolsonaro», tendo ali distribuído 300 marmitas.

    Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

    https://www.abrilabril.pt/internacional/no-brasil-e-no-mundo-pediu-se-justica-para-marielle

    Brasil é celeiro de novas estirpes capazes de criar outro vírus

    Carolina de Ré - 14/03/2021
     

    O médico brasileiro Miguel Nicolelis avisou hoje que o Brasil constitui um celeiro de novas estirpes do vírus SARS-CoV-2, causador da covid-19, e poderá produzir um novo vírus se a doença não for controlada, um ‘SARS-CoV-3’.

    “O Brasil virou o foco, o epicentro da pandemia neste momento uma vez que nos Estados Unidos houve uma queda de mais de um terço dos óbitos (..) O Brasil é o foco [da doença] no mundo”, afirmou à Lusa neurocientista, que liderou por onze meses um grupo de especialistas responsáveis por orientar um consórcio de governadores no nordeste do país para o combate à pandemia.

    Médico e neurocientista, Miguel Nicolelis é também professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e já esteve numa lista dos maiores cientistas do mundo, realizada pela revista Scientific American.

    À Lusa, Nicolelis afirmou que a nova estirpe registada no país, conhecida como variante brasileira ou amazónica, é mais transmissível e, embora ainda não existam dados confiáveis sobre sua letalidade, ou seja, não há certeza se ela é ou não mais mortal do que outras variantes do SARS-CoV-2 em circulação no país, é um sinal de alerta já que uma transmissão pode provocar o surgimento de um novo tipo de coronavírus.

    “O perigo é que nós estamos dando chance para o coronavírus, aqui no Brasil, se replicar e [infetar] entre 70 mil e 80 mil pessoas por dia e, isto, gera um número incrível de mutações no vírus. Isto pode dar origem a novas variantes e inclusive, no limite, a mistura do material genético de diferentes variantes pode gerar um novo vírus, um SARS-Cov-3”, explicou.

    Nicolelis salientou que o aparecimento de um novo vírus ainda é uma possibilidade teórica, mas há uma probabilidade biológica de que este cenário se concretize.

    Dados divulgados pelo Imperial College de Londres em 05 de março indicam que a taxa de transmissão da covid-19 no Brasil estava em 1,1.

    “Estamos criando um reservatório gigantesco de pessoas infetadas gravemente. Estamos criando [novas estirpes], como esta variante amazónica. É muito provável que nós tenhamos outras variantes surgindo no Brasil, como esta ocorrendo nos Estados Unidos”, afirmou.

    “Quando você tem um reservatório humano muito grande de um vírus e o vírus se multiplica demais é inevitável que ocorram mutações por acidente na replicação do vírus. Nós estamos dando para a biologia [o vírus] o que ela necessita para gerar mutações e variantes”, acrescentou.

    O Brasil registou uma média acima de 60 mil nos últimos 14 dias, segundo dados do Ministério da Saúde.

    Mais de 11,2 milhões de pessoas já foram diagnosticadas com a doença desde que houve a confirmação do primeiro caso em território brasileiro, em 26 de fevereiro de 2020.

    Também foram registadas oficialmente mais de 275 mil mortes provocadas pela doença.

    Nicolelis também explicou que a taxa de crescimento e replicação do vírus muda constantemente, mas usando os valores médios dos últimos 14 dias para fazer uma estimativa, uma curva de crescimento de casos e óbitos, é possível prever que o Brasil vá superar a marca de 500 mil mortes por covid-19 em julho.

    “No caso [do Brasil] o valor está tão alto, há um crescimento ainda exponencial, que é possível fazer uma aritmética simples. Estamos com mais de 270 mil óbitos, se fizer [um cálculo] com 2 mil óbitos em média por dia, nos próximos 90 dias, haverá 180 mil óbitos. Em três meses batemos 450 mil óbitos. Se houver um colapso completo vai morrer gente e [muitos] nem vão chegar ao hospital”, explicou.

    “Se usar uma média de 2 mil a 3 mil [mortes diárias] chega nos quinhentos mil óbitos em 90 dias a partir do final de março. Três meses, entre abril até julho, não tem muito segredo, é aritmética”, avisou.

    Sócrates afirma que Lula está de regresso e ataca “manipulação” na escolha de juízes

    12/03/2021
     

    O antigo primeiro-ministro José Sócrates considera que o ex-presidente brasileiro Lula da Silva está de regresso “ao jogo” político, abrindo um novo ciclo, e defende que só as ditaduras manipulam para escolher os juízes dos processos.

    Estas posições foram assumidas pelo antigo líder do PS (2004/2011) num artigo publicado esta sexta-feira na revista brasileira “Carta Capital”, intitulado “Bom dia, Brasil”, na sequência da decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro no sentido de anular todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal no Paraná.

    "O Brasil tem agora a oportunidade de se reconciliar consigo próprio. Tem agora a oportunidade de fazer regressar a política ao terreno da disputa leal e do respeito pelos adversários", sustenta o antigo primeiro-ministro (2005/2011).

    Na perspetiva de José Sócrates, no Brasil, "vai ser preciso reconstruir as pontes que a violência, a brutalidade e o crime destruíram e que ameaçou a própria existência democrática" naquele país.

    José Sócrates considera que, a partir de agora, Lula da Silva, "um homem com passado e não um homem do passado", está de regresso "ao jogo - e isso muda tudo".

    "O Brasil ganhou [na segunda-feira] duas coisas: a primeira foi acabar com um certo mal estar nacional, a segunda foi ganhar um novo protagonista. Julgo ser inegável afirmar que, neste último ano, o povo brasileiro foi progressivamente tomando consciência da monstruosa injustiça judicial cometida contra o antigo Presidente. Não podia continuar", salienta o ex-primeiro-ministro, acrescentando que a decisão do STF do Brasil "abriu um novo ciclo".

    Para José Sócrates, a decisão do STF do Brasil "representou uma extraordinária vitória judicial", após "cinco anos de insistência, cinco anos de batalha, cinco anos de vontade e sentido do dever, cinco anos sem esmorecer".

    No seu texto, o antigo líder do executivo português aborda também a controvérsia em torno da questão "do juiz natural, um princípio constitucional universalmente consagrado".

    "O juiz do caso deve ser aquele que está previamente determinado na lei e não um juiz escolhido ad hoc, isto é, escolhido para aquele caso em especial. Todo o escândalo de Curitiba se baseou nessa manipulação inicial, na escolha da jurisdição. O que se passou, para ser mais direto, é que o Ministério Público, uma das partes, escolheu o juiz, o seu juiz. O jogo sempre teve as cartas marcadas", critica.

    Neste ponto, José Sócrates reforça a sua mensagem, dizendo que "só as ditaduras escolhem juízes" e que "as democracias não o fazem", e ataca o ex-ministro de Bolsonaro, o juiz Sérgio Moro.

    "Vejo também para aí espalhada a ideia de que se tratou de uma ação de desespero para salvar o antigo juiz Sérgio Moro do incidente de suspeição que estaria agendado para decisão do Supremo. Talvez. Mas gostaria de lembrar que não é próprio da política disparar sobre uma ambulância. O antigo juiz está, há muito, em coma político, vítima, aliás, de si próprio. Como juiz foi indigno, como político, medíocre", acrescenta.

    Ver o original em 'Plataforma Media' na seguinte ligação:

    https://www.plataformamedia.com/2021/03/12/socrates-afirma-que-lula-esta-de-regresso-e-ataca-manipulacao-na-escolha-de-juizes/

    O Brasil cara a cara com a morte

    No livro em que relata seus últimos dias de vida, após ter sido diagnosticado com um câncer esofágico devastador, o jornalista e escritor britânico Christopher Hitchens (1949-2011) lembra o momento em que, pela primeira vez, a sombra da morte realmente o assustou: “Mais de uma vez em minha vida, acordei com a sensação de estar morto.

     

    Mas nada me preparou para o começo da manhã de junho em que recobrei a consciência sentindo-me como que acorrentado a meu próprio cadáver”.

    É com esse sentimento angustiante de proximidade da morte que se encontra não um ou outro brasileiro – mas, sim, o conjunto da população. O Brasil se tornou, nesta semana, o epicentro mundial da pandemia do novo coronavírus, ao ultrapassar os Estados Unidos e despontar, tragicamente, como o país com a maior média diária de mortes por Covid-19. Só na terça-feira (9), a doença mais mortal no Planeta hoje ceifou a vida de 1.954 brasileiros e de 1.947 norte-americanos.

    Nos Estados Unidos, a mudança de estratégia no enfrentamento à pandemia foi fundamental para conter o avanço do vírus. É fruto direto da derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro passado – uma contundente reação do povo estadunidense à política negacionista de seu ex-presidente. Com a posse do novo titular da Casa Branca, o democrata Joe Biden, a média semanal de mortes no país – que estava em alta – caiu de 18 mil em dezembro para 14 mil em fevereiro.

    O Brasil, porém, continua a ser governado por um líder de extrema-direita que tenta impor uma política genocida ao povo. Jair Bolsonaro sabota o combate à pandemia, ridiculariza os cuidados mais básicos de prevenção (como o uso de máscara), estimula aglomerações, retarda a campanha de vacinação e condena milhares de brasileiros à morte.

    Com tamanha e tão criminosa irresponsabilidade, não é de surpreender que, infelizmente, o País tenha batido novamente, nesta quarta-feira (10), o recorde diário de contaminações e mortes por Covid-19. Nas últimas 24 horas, foram nada menos que 79.876 novos casos (mais do que um estádio do Maracanã lotado) e 2.286 óbitos. Um a cada três novos casos no mundo está no Brasil. Desde o início da pandemia, já são 270.917 mortes, para um total de 11,2 milhões de infecções.

    Enquanto isso, somente 4,26% da população foi vacinada – o que atrasa ainda mais o controle da pandemia no País. Para piorar, passado o drama da falta de oxigênio hospitalar que atingiu alguns estados – sobretudo na região Norte –, dissemina-se agora a crise da lotação de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva), que precipita o óbito de pacientes com Covid-19.

    Em 12 estados e no Distrito Federal, mais de 90% das vagas em UTIs estão ocupadas. Só no estado de São Paulo, 38 pessoas morreram neste mês à espera de leitos, sendo 12 delas na cidade de Taboão da Serra, na região metropolitana. Em Rondônia, a ocupação nas UTIs é de 100%. Capitais como Aracaju, Porto Alegre, Porto Velho e Rio Branco também já registram filas de pacientes.

    A omissão de Bolsonaro diante do descalabro tem levado gestores estaduais e municipais a articularem saídas alternativas. Nesta quarta-feira (10), 21 governadores assinaram um contundente documento que propõe o Pacto Nacional pela Vida e pela Saúde. A ação dos governantes tem três eixos: acelerar a vacinação, difundir medidas preventivas e ampliar os leitos hospitalares, com a integração dos sistemas hospitalares.

    “O coronavírus é hoje o maior adversário da nossa Nação. Precisamos evitar o total colapso dos sistemas hospitalares em todo o Brasil e melhorar o combate à pandemia. Só assim a nossa Pátria poderá encontrar um caminho de crescimento e de geração de empregos”, assinalam os governadores no documento.

    No país que virou epicentro da pandemia e que está cara a cara a morte, as bandeiras da “Vacina Já” e da retomada do auxílio emergencial são cada vez mais urgentes. Nada, porém, sobressai com mais clareza do que a necessidade de derrotar o bolsonarismo – para que tantos brasileiros deixem de se sentir “acorrentados ao próprio cadáver”.

    Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

    https://www.jornaltornado.pt/o-brasil-cara-a-cara-com-a-morte/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-brasil-cara-a-cara-com-a-morte

    Bolsonaro diz ser 'chefe supremo das Forças Armadas' e que é 'fácil impor ditadura' no Brasil

     

    O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (11) que "não é hora de criticar general" e que ele era o "chefe supremo das Forças Armadas". 

    A fala foi uma resposta à crítica feita no dia anterior pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao general Eduardo Villas Bôas, que, em abril de 2018, fez declaração pelo Twitter entendida como ameaça velada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que estava prestes a julgar habeas corpus pela soltura do petista. 

    "Eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. As Forças Armadas acompanham o que está acontecendo. Não é hora de fazer críticas a general", disse Bolsonaro em transmissão ao vivo pelas redes sociais. 

    Em seguida, o presidente se referiu à ditadura militar, regime ao qual ele demonstra simpatia

    "Nós vivemos um momento de 64 a 85, você pense o que aconteceu nesse período. A verdade incomoda muita gente. Não vou mudar minha maneira de ser, não vou fugir do meu papel', disse Bolsonaro. 

    'Como é fácil impor ditadura'

    O presidente também citou vídeo de reunião ministerial que teve conteúdo revelado por ordem de Celso de Mello, ex-ministro do STF. 

    "Lembram daquele vídeo nosso que vazou, que não era para ter vazado, mas o ministro Celso de Mello falou que tinha que botar para fora, que eu havia interferido para PF? Viram primeiro que não havia interferência nenhuma, e, em dado momento falei, aquilo é espontâneo: como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Vou repetir: como é fácil impor uma ditadura no Brasil", reforçou Bolsonaro.

    O presidente afirmou ainda que prevê "um problema sério" no Brasil, mas que não falaria qual é para não "estimular a violência". Segundo ele, a pandemia do coronavírus está sendo usada para "humilhar" o povo e "quebrar a economia".

    "Estou antevendo um problema sério no Brasil, não quero falar que problemas são esses porque não quero que digam que estou estimulando a violência, mas teremos problemas sérios pela frente", afirmou. "Eu tenho como garantir a nossa liberdade, eu sou o garantidor da democracia. Tendo em vista a situação que está acontecendo no Brasil, usam o vírus para que? Para te oprimir, humilhar, para tentar quebrar a economia", acrescentou. 

    'Faço o que vocês quiserem'

    Em outro momento, Bolsonaro disse que seu "Exército é o povo", a quem deve "lealdade absoluta". 

    "O meu Exército, com quem tenho falado o tempo todo, é o povo. Sempre digo que eu devo lealdade absoluta ao povo brasileiro, e esse povo está em toda sociedade, inclusive o Exército fardado. A vocês eu devo lealdade, eu faço o que vocês quiserem, porque essa é minha missão como chefe de estado", disse o presidente.

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031217115596-bolsonaro-diz-ser-chefe-supremo-das-forcas-armadas-e-que-e-facil-impor-ditadura-no-brasil/

    Brasil registra mais 2.207 mortes e total de vítimas da COVID-19 chega a 273.124

     

    Ao menos 2.207 novas mortes provocadas pela COVID-19 foram registradas no Brasil nas últimas 24 horas, elevando para 273.124 o total de vítimas fatais da doença desde o início da pandemia no país.

    De acordo com o consórcio de veículos de imprensa que acompanha o surto do novo coronavírus no território nacional com base em dados das secretarias estaduais de Saúde, a média móvel de mortes nos últimos sete dias voltou a bater recorde, ficando em 1.705. Com variação de 49% em relação à média de duas semanas atrás, se tem tendência de alta nos óbitos. 

    ​No que diz respeito ao número de casos, 78.297 novos diagnósticos foram confirmados ao longo do último dia. Agora, já são 11.284.269 pessoas que têm ou já tiveram a COVID-19 no Brasil desde o início da pandemia. E os casos também estão com tendência de alta, com variação de 30% na média em relação aos registros de 14 dias atrás. A média atual é de 69.680 novos diagnósticos por dia, também a maior desde o início do surto no país. 

    ​Ainda segundo o consórcio, 9.294.537 pessoas já receberam pelo menos a primeira dose de uma das vacinas que estão sendo usadas contra o novo coronavírus no Brasil, o que representa 4,39% da população brasileira. Desse total, 3.736.776 (1,76% da população) já receberam também a segunda dose, totalizando 13.031.313 doses aplicadas.

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031117114882-brasil-registra-mais-2207-mortes-e-total-de-vitimas-da-covid-19-chega-a-273124/

    Lula está de volta: o antigo pesadelo de Bolsonaro volta a assombrá-lo

     

     

     

    A surpreendente anulação das condenações por corrupção permite que o ex-presidente socialista concorra novamente

    [Nota de esclarecimento: Carta Maior não tem por hábito repercutir matérias do jornal Financial Times. Sua linha editorial é claramente orientada aos interesses dos mercados financeiros e das endinheiradas elites mundiais. Sua defesa do neoliberalismo mais cruel pode ser sentida mesmo nessa matéria que se segue. Entretanto, os editores de Carta Maior optaram por sua publicação para compartilhar com seus leitores o modo como a anulação da perseguição política a Lula repercute, mesmo pela via de um dos arautos do capitalismo financeiro de nossos tempos.]

    O destino de Luiz Inácio Lula da Silva dividiu amargamente, de um lado, os esquerdistas que o idolatravam por suas políticas de bem-estar, de outro, aqueles de direita que viam seu partido como a personificação da má administração e da corrupção.

    Com uma canetada, na segunda-feira (8/3), um juiz brasileiro derrubou não apenas as condenações criminais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a maioria das suposições sobre as chances do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais do próximo ano. Em decisão para a qual o adjetivo “surpreendente” parece ser o mais adequado, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, decidiu que o tribunal federal da região Sul do Brasil, que havia condenado e prendido o ícone da esquerda por corrupção em 2017, não tinha jurisdição para julgar o caso.

     

     

    As ondas de choque derivadas da decisão foram imensas: o destino de Lula polarizou a maior nação da América Latina durante anos, dividindo-a amargamente entre os esquerdistas que o idolatravam por suas generosas políticas de bem-estar daqueles da direita, que o viam e seu Partido dos Trabalhadores, ou PT, como a personificação de má gestão e da corrupção. Não importa que a questão da jurisdição do tribunal tenha sido decidida quatro anos depois que o caso se desenrolou e a sentença foi proferida: se todo o Supremo Tribunal confirmar a decisão, Lula estará livre para disputar a eleição presidencial do próximo ano contra Bolsonaro. Os casos de corrupção contra ele terião que começar do zero em um novo tribunal. “Isso mostra que tudo pode acontecer no Brasil”, comentou Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. “Essa decisão foi muito influenciada por tendências políticas, é um sinal acima de tudo de que os ventos políticos estão mudando neste exato momento, há muito descontentamento com o Bolsonaro.” O presidente foi rápido em descartar o risco de ser desafiado por seu rival socialista de 75 anos, que foi libertado no início de 2019, após uma decisão de que poderia ser libertado da prisão enquanto os recursos eram analisados. “Acredito que o povo brasileiro nem mesmo queira ter um candidato como esse em 2022, muito menos pensar em elegê-lo”, disse Bolsonaro. Nem todas as pesquisas de opinião concordam. Uma pesquisa do Ipec, publicada no domingo pelo jornal Estado de São Paulo, antes da decisão do juiz, mostrou que 50% das pessoas definitivamente ou provavelmente votariam em Lula contra 38% em Bolsonaro. Essapesquisa confirmou o que os brasileiros há muito suspeitavam: que mesmo uma década depois de o líder de dois mandatos deixar a presidência, nenhum outro candidato da oposição chega perto do magnetismo eleitoral de Lula, político outrora descrito por Barack Obama como “o cara”. Um mau agouro para Bolsonaro partiu do poderoso líder da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, eleito no mês passado com seu apoio. Lira tuitou, logo após a decisão, que Lula poderia “até merecer” ser absolvido. Essa avaliação é mais egoísta do que qualquer outra coisa: a condenação de Lula foi parte do enorme escândalo da operação “Lava Jato”, no qual dezenas de políticos e empresários brasileiros foram apanhados em investigações de corrupção que lembram o caso “Mãos Limpas” da Itália na década de 1990. Os políticos venais do Brasil sempre detestaram a investigação da “Lava Jato” e não esconderam sua alegria quando a força-tarefa que a liderava foi dissolvida no mês passado. Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Instituto Peterson em Washington, disse acreditar que a decisão surpresa que anula as condenações de Lula provavelmente será mantida, até porque Bolsonaro fez inúmeros inimigos no judiciário com seus constantes ataques aos juízes. “O que vejo acontecendo é um ajuste de contas com o fato de que o Bolsonaro é uma grande ameaça à estabilidade institucional”, disse ela. “O cálculo é assim: ‘O que é menos desestabilizador?’” Os mercados financeiros tiveram poucas dúvidas sobre a ameaça que um ressurgimento de Lula poderia representar: as ações caíram 4% e o real caiu perto de sua mínima recorde em relação ao dólar. As preocupações dos investidores refletiam não apenas o risco de uma vitória de Lula, mas também a preocupação de que, diante de um desafio eleitoral de seu antigo inimigo, Bolsonaro abandonasse qualquer pretensão remanescente de aprovar reformas amigáveis ao mercado e se inclinasse ainda mais, do que fez até o momento, para as dispendiosas ofertas populistas, prejudicando ainda mais as finanças difíceis do país. Mas mesmo que Lula consiga eliminar quaisquer obstáculos legais remanescentes para outra candidatura presidencial, não está claro se ele terá sucesso em derrotar um líder de extrema direita que já desafiou as previsões dos críticos em várias ocasiões. “A questão é como muitas pessoas no Brasil que são muito jovens para se lembrar de Lula vão reagir”, disse Stuenkel. “Depois, existe a teoria de que isso garante a reeleição de Bolsonaro porque, do ponto de vista estratégico, é muito mais confortável para ele concorrer contra o PT do que alguém do centro.” *Publicado originalmente em 'Financial Times' | Tradução de César Locatelli

     

    Carta Maior | Imagem: AFP

    Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

    https://paginaglobal.blogspot.com/2021/03/lula-esta-de-volta-o-antigo-pesadelo-de.html

    Bolsonaro substitui Wajngarten por militar na Secretaria de Comunicação

     

    O presidente Jair Bolsonaro exonerou Fábio Wajngarten da chefia da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), vinculado ao Ministério das Comunicações.

    Em seu lugar, Bolsonaro nomeou interinamente o almirante Flávio Augusto Viana Rocha, que agora acumula o posto com o comando da Secretaria Especial da Assuntos Estratégicos (SAE).

    O decreto foi publicado no Diário Oficial da União durante a madrugada desta quinta-feira (11), com data retroativa de quarta-feira (10).

     

     

    O presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores na rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, 13 de outubro de 2020

    © Folhapress / Pedro Ladeira
    O presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores na rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, 13 de outubro de 2020

    Wajngarten assumiu o comando da Comunicação do governo em abril de 2019.

    O empresário chegou a deixar o posto por cinco meses em 2020 para se tornar secretário-executivo no Ministério das Comunicações. Apesar de outras atribuições, ele continuou com ações ligadas à Secom no período em que exerceu a função de secretário-executivo.

    Wajngarten retornou à chefia da secretaria em novembro do ano passado.

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031117114084-bolsonaro-substitui-wajngarten-por-militar-na-secretaria-de-comunicacao/

    De volta à arena, Lula ataca Bolsonaro e a Lava Jato

    Entrevista ocorreu dois dias depois da anulação das decisões processuais contra o ex-presidente no âmbito da Lava Jato.

     

    Com críticas incisivas à operação Lava Jato, à grande mídia e ao governo Jair Bolsonaro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou nesta quarta-feira (10) ao centro da arena política nacional. Em “fala ao povo brasileiro” no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SP) – berço de sua vida pública –, Lula discursou por quase duas horas e respondeu a perguntas de jornalistas.

    “Este país está totalmente desordenado e desagregado porque não tem governo, não cuida da economia, do emprego, do salário, da saúde, do meio ambiente, da educação, do jovem, da meninada da periferia. Ou seja, do que eles cuidam?”, questionou Lula. Segundo ele, Bolsonaro diz que, no Brasil hoje, “é tudo por conta” do ministro Paulo Guedes (Economia). Porém, “o País está empobrecido, o PIB caiu, a massa salarial caiu, o comércio está enfraquecido, o comércio varejista caiu, a produção de comida das pessoas está ficando insustentável. E o presidente não se preocupa com isso”.

    Ao tratar dos impactos da pandemia de Covid-19, Lula se solidarizou com a família das vítimas e não poupou Bolsonaro. “O sofrimento que o povo brasileiro está passando é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim. É maior do que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal”, afirmou. “A dor que sinto não é nada diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas. É muito menor do que a dor que sofrem quase 270 mil pessoas que viram seus entes queridos morrerem (em decorrência do novo coronavírus).”

    Para o ex-presidente, é inaceitável a negligência do governo federal diante do avanço da crise sanitária. Lula criticou o ritmo lento da vacinação anti-Covid no País. “É uma questão de saber qual é o papel de um presidente da República no cuidado do seu povo. Ele não é eleito para falar bobagem, fake news.” Ao mencionar que tomará vacina na próxima semana, o ex-presidente fez um chamamento aos brasileiros: “Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina, porque é uma das coisas que pode livrar você do Covid”.

    Mesmo com as acusações a Bolsonaro, Lula tergiversou ao falar em uma possível candidatura presidencial em 2022. Na prática, não negou, nem tampouco descartou: “Tem momento para tudo. Não podemos ficar respondendo se vamos ter candidato agora ou não. Em 2022, o partido (o PT) vai pensar no momento das convenções; discutir se vai ter candidato, se vai de frente ampla”. A seu ver, quando a eleição se aproximar, “as coisas vão acontecendo”.

    A entrevista ocorreu dois dias depois da mais importante vitória de Lula na Justiça. Na segunda-feira (8), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou todas as decisões processuais contra o ex-presidente que partiram da Justiça Federal do Paraná, no âmbito da Lava Jato. Assim, a perseguição liderada pelo procurador Deltan Dallagnol e pelo ex-juiz Sergio Moro sofreu um revés contundente. Lula – que chegou a permanecer por 580 dias na prisão – está livre e voltou a ficar elegível a cargos públicos.

    “Fiquei muito feliz porque, depois da divulgação de tanta mentira contra mim, ontem eu acho que tivemos um Jornal Nacional épico. Quem assistiu televisão não estava acreditando no que estava vendo. Pela primeira vez, a verdade prevaleceu”, brincou Lula. “Eu tinha tanta confiança – e tanta consciência do que estava acontecendo no Brasil – que eu tinha certeza que esse dia chegaria. E ele chegou”, comemorou.

    Lula se disse “vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história”, mas afirmou não ter mágoas de ninguém. “Sou agradecido ao ministro Fachin, que cumpriu uma coisa que a gente reivindicava desde 2016. A decisão que ele tomou, tardiamente, cinco anos depois, ela foi colocada por nós desde 2016”, disse o ex-presidente.

    Segundo Lula, havia uma obsessão da “quadrilha de procuradores da Lava Jato” em atrelar seu nome a Petrobras: “Eu já tinha sido liberado em vários outros processos fora da Lava Jato, mas eles queriam criar um partido político para tentar me criminalizar”. O petista declarou que continuará “brigando para que o Moro seja considerado suspeito. Ídolos de barro não duram muito tempo”.

    Lula citou dados do impacto da Lava Jato na economia nacional. “Por conta da Lava Jato, o Brasil deixou de ter de investimento R$ 172 bilhões. Só por conta da Lava Jato, segundo estudo do Dieese, o país perdeu 4,4 milhões de empregos”. O ex-presidente condenou também a política da Petrobras, que tem provocado sucessivas altas no preço dos combustíveis. “Não é possível permitir que o preço do combustível brasileiro tenha que seguir o preço internacional se nós não somos importador de petróleo.”

    Lula cobrou urgência na liberação do novo auxílio emergencial, mas contestou os ataques que o governo lançou no benefício, reduzindo o valor-base de cada parcela e o número de favorecidos. “O Estado não tem que pagar R$ 600 a vida inteira, mas só pode deixar de pagar quando estiver gerando emprego e as pessoas estiverem gerando renda à custa de seu trabalho. Aí não precisa de salário emergencial, disse. “Enquanto o governo não cuida de emprego, de salário, de renda, em que ter o salário emergencial para que as pessoas não morram de fome.”

    Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

    https://www.jornaltornado.pt/de-volta-a-arena-lula-ataca-bolsonaro-e-a-lava-jato/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=de-volta-a-arena-lula-ataca-bolsonaro-e-a-lava-jato

    Sem condições de voltar ao Brasil, quase 100 brasileiros pedem ajuda a programa da ONU em Portugal

     

    Quase 100 brasileiros já se inscreveram em um programa da Organização das Nações Unidas neste ano pedindo ajuda para voltar de Portugal ao Brasil. Em entrevista à Sputnik Brasil, Vasco Malta, chefe da Missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Portugal, diz que a pandemia fez aumentar a procura.

    Ao mesmo tempo, as medidas de restrição de circulação em função da última onda de COVID-19 têm dificultado o regresso aos países de origem daqueles que pedem apoio à agência da ONU. Na oitava edição do Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (ARVoRe VIII), da OIM em Portugal, 110 pessoas já haviam se inscrito até esta quarta-feira (10), das quais 98 são cidadãos brasileiros.

    A oitava edição do programa da agência da ONU em Portugal terá capacidade para apoiar até 600 pessoas com o retorno voluntário e poderá acompanhar 70 migrantes retornados no seu processo de reintegração na chegada ao país de origem.

    Em média, o tempo de espera e preparação para o voo a partir da inscrição é de três meses, mas ainda não foram realizadas viagens em 2021 no âmbito do ARVoRe VIII. Os voos entre Portugal e Brasil estão suspensos desde o fim de janeiro, e é provável que a suspensão seja prorrogada por mais 15 dias no próximo decreto de estado de emergência, a ser renovado até o fim desta semana. 

    Na quarta-feira (10), a TAP realizou o segundo voo excepcional de Lisboa para Guarulhos, com 298 passageiros. Mas as passagens custaram até R$ 13 mil, assim como no primeiro voo, e também no próximo, anunciado para a próxima segunda-feira (15), todos autorizados pelo governo português em caráter extraordinário para repatriar cidadãos de ambos os países. 

     

    Avião da companhia aérea portuguesa TAP

     

    Avião da companhia aérea portuguesa TAP

    Na última edição, 97% dos beneficiados foram brasileiros

    No entanto, muitos brasileiros que já tinham passagens de outras companhias aéreas não têm dinheiro para pagar por um novo voo. Condições de vulnerabilidade social também estão entre os principais fatores dos inscritos no programa da OIM em Portugal. Os brasileiros representaram cerca de 97% das 501 pessoas que regressaram por meio do último programa (ARVoRe VII), que terminou em dezembro de 2020.

    Dos inscritos que se beneficiaram do retorno voluntário até o fim do ano passado, 94% estavam em situação irregular à data da entrevista. De acordo com Vasco Malta, a análise dos dados apresenta uma grande variedade de respostas quanto às principais dificuldades sentidas em Portugal. No entanto, a grande maioria refere os obstáculos de regularização (23,6%), a par com a situação econômica (21,2%), a falta de emprego (18,5%) e a habitação e aluguéis caros para o nível de vida no país (12%). (Leia a entrevista abaixo)

    "Aqui, as dificuldades não são isoladas e estão profundamente relacionadas com a situação de vulnerabilidade dos migrantes", resume Vasco Malta.

    Do total de pessoas que regressaram no ARVoRe VII (incluindo  brasileiros), 55% eram mulheres. Em 2020, verificou-se um aumento de agregados familiares inscritos (62%). Foram principalmente adultos (61,1% tinham a partir de 18 anos), mas com um número significativo de crianças (38,5%). O chefe da Missão da OIM destaca que os menores de idade que regressaram fizeram-no junto com suas famílias em sua grande maioria.

     

    Funcionária da Organização Internacional de Migrações (OIM), agência da ONU, em Portugal

     

    © Foto / Reprodução
    Funcionária da Organização Internacional de Migrações (OIM), agência da ONU, em Portugal

    No último ano do programa, também foram identificados 235 casos com pelo menos uma condição de vulnerabilidade associada: 47% apresentavam uma situação de vulnerabilidade relacionada com o agregado familiar; 20% eram casos com problemas de saúde; 12% estavam sem abrigo; 4% foram vítimas de alguma forma de violência; 5% correspondem a grávidas; 1%  a idosos; e 1% foi identificado como presumíveis vítimas de tráfico de seres humanos. 

    "A análise dos dados mostra, uma vez mais, o crescimento do número de agregados familiares apoiados em 2020, e o consequente aumento das vulnerabilidades e a urgência no apoio a estas situações, uma vez que existem menores envolvidos", ressalta Malta.

    A advogada baiana G.T., que pediu para ser identificada apenas pelas iniciais do seu nome, recorreu à OIM para tentar retornar ao Brasil. Ela mora em Braga, onde chegou em 2018 com os dois filhos, um de 15 anos e outro de 18. Desempregada e tendo que entregar o apartamento onde mora com eles até o dia 20 de março, ela se encaixa no perfil descrito pelo programa ARVoRe. 

    "Era um sonho da família, que virou um pesadelo. Um dos meus filhos tem asma crônica, e outro está com depressão. O pouco dinheiro que pego vendendo as coisas da casa estou usando para comprar comida. Estou ficando com depressão também e muito angustiada. Tenho crise de choro e não aguento mais ficar assim. Preciso de ajuda para voltar para o Brasil urgente, antes que não tenhamos onde ficar", relata G.T.
    A baiana G.T. recorreu ao programa ARVoRe para tentar voltar ao Brasil
    © Foto / Divulgação
    A baiana G.T. recorreu ao programa ARVoRe para tentar voltar ao Brasil

    Na quarta-feira (10), ela recebeu um e-mail do Consulado-Geral do Brasil no Porto depois de ter pedido ajuda ao Itamaraty e às representações diplomáticas brasileiras em Portugal há um mês. 

    "Tendo em vista o pedido que a senhora nos encaminhou em 11 de fevereiro e dando cumprimento a instruções do Ministério das Relações Exteriores, agradeceria enviar, em resposta a esta mensagem, fotos dos passaportes da senhora e de seus filhos", lê-se no e-mail ao qual Sputnik Brasil teve acesso. 

    Confira a entrevista com Vasco Malta, chefe da Missão da OIM em Portugal, abaixo:

    Sputnik: Quanto tempo, em média, os inscritos no programa ARVoRe precisam aguardar para retornar a seu país de origem desde a inscrição? 

    Vasco Malta: O tempo de análise do pedido de retorno e a preparação da viagem demoram em média cerca de três meses. Atualmente, este tempo de espera também está dependente das restrições de viagens. Não obstante, cada caso é analisado individualmente e procuramos responder e ajustar este tempo às necessidades de cada migrante que procura a OIM considerando também a vulnerabilidade associada.

    S: Enquanto aguardam os voos de retorno voluntário, os inscritos no programa ARVoRe recebem algum apoio da OIM em Portugal? Qual? 

    VM: A OIM encaminha os casos de vulnerabilidade para os serviços locais existentes. No âmbito do ARVoRe VIII, haverá uma parceria em Portugal para apoio psicossocial pré-partida, na qual estamos a trabalhar. O Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração propõe uma abordagem integrada, que começa com a informação e o aconselhamento em Portugal, e a monitorização do apoio à reintegração no país de origem. Preocupa-se também com a capacitação dos atores como forma de reforçar parcerias e na identificação e mapeamento de atores que possam complementar o apoio. É de reforçar que as parcerias são fundamentais na resposta: quer na fase pré-partida, antes da pessoa viajar para dar resposta a necessidades específicas, quer na fase pós-chegada para assegurar uma continuação de apoio e respectivo encaminhamento para serviços de apoio locais.

     

    Vasco Malta, chefe da Missão da OIM em Portugal

     

    © Foto / Divulgação
    Vasco Malta, chefe da Missão da OIM em Portugal

    S: Como é feita negociação com as companhias aéreas? Em que medida as restrições impostas ao tráfego aéreo por conta da pandemia têm dificultado esse trabalho? 

    VM: Na prática, as medidas de restrição afetam a mobilidade de uma forma global e não se esgotam no tráfego aéreo. Recordamos que as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha estão encerradas também, o que traz um grande desafio aos trabalhadores transfronteiriços, por exemplo. Os voos promovidos no âmbito do programa partem da utilização de voos comerciais, havendo uma restrição nesse sentido, torna-se mais difícil a organização destes voos.  

    S: Em muitos grupos nas redes sociais, brasileiros que ainda vivem no Brasil manifestam o desejo e o sonho de morar em Portugal. Contudo, não demonstram ter uma real noção das dificuldades por que passam imigrantes. O senhor acredita que as redes sociais contribuem para gerar uma imagem idílica e ilusória da vida em Portugal para estrangeiros? 

    VM: As redes sociais podem ser um fator, contudo, as migrações não são um fenômeno recente, sempre existiram. As pessoas não migram só porque viram no Facebook ou no Instagram. Existem também fatores/circunstâncias nos países de origem que puxam pessoas a migrar. As redes sociais têm tanto de negativo como de positivo: se, por um lado podem ajudar na preparação da viagem, aproximar os membros de uma determinada comunidade ou podem também ajudar a identificar respostas quando há necessidade de apoio; também podem ter um efeito perverso no sentido em que podem criar uma ilusão e levar ao engano quem pretende migrar. As redes sociais são uma das ferramentas usadas no recrutamento de vítimas de tráfico, por exemplo.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/sociedade/2021031117102088-sem-condicoes-de-voltar-ao-brasil-quase-100-brasileiros-pedem-ajuda-a-programa-da-onu-em-portugal/

    Covid-19: pandemia avança sem controle e Brasil tem recorde de mortes

    Foram registradas 1.972 mortes nesta terça (9); 268.370 pessoas morreram no país desde o início da crise sanitária.

     

    O surto de covid-19 segue descontrolado e em franca tendência de crescimento no Brasil. Nesta terça-feira (9), o país voltou a bater seu próprio recorde de mortos em um período de 24 horas, com 1.972 vítimas notificadas ao Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Com os novos números, o país chega 268.370 vidas ceifadas pelo coronavírus desde o início da pandemia, em março de 2020.

    O balanço desta terça-feira nos estados também identificou um total de 70.764 novos casos de infecção. Isso, sem contar a subnotificação, admitida por todas as autoridades sanitária envolvidas. Com isso, 11.122.429 brasileiros já foram contaminadas com a covid-19.

    As médias móveis diárias de novos casos e mortes, calculadas com base nos últimos sete dias, seguem em ascensão acelerada, e estão em seu ápice, superando o piro momento da pandemia, entre julho e agosto do ano passado.

     

    Colapso

    Os sistemas de saúde das cidades brasileiras seguem em colapso – ou já muito próximos dele – há mais de uma semana. A demanda não atendida por leitos hospitalares já faz com que brasileiros morram sem terem recebido nenhum atendimento médico.

    No Paraná, por exemplo, no fim de semana, 989 pessoas aguardavam na fila por uma vaga para tratar de covid-19, sendo 519 com necessidade imediata de UTI. O cenário dramático se repete em boa parte do restante do país. No Mato Grosso, quase 100 pessoas aguardam por um leito.

    O Brasil é, desde janeiro, o epicentro da pandemia de covid-19. Segundo com mais mortes, atrás apenas dos Estados Unidos, o país vive um cenário oposto ao mundo.

    Os demais países da comunidade internacional assistem a uma grande redução de casos e mortos desde o início do ano. Resultados expressivos foram observados na Europa, com a adoção de “lockdown” intensivo e também com o avanço das respectivas campanhas de vacinação.

    Ao defender que as pessoas saiam de casa o mínimo possível, o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino afirma que o esforço é necessário “para impedir o colapso do sistema de saúde e dar chance de quem está nessa fila crescente por UTI ter um tratamento digno”.

     

    Isolamento

    Diante do agravamento da crise, Atila insiste na necessidade de isolamento. “O combate é o mesmo. Distanciamento, máscaras, vacina, auxílio emergencial. Mas tudo precisa ser reforçado, já que um vírus mais transmissível aproveita melhor as brechas. Irreversíveis são as vidas perdidas, mas o controle da pandemia é dinâmico e responde ao nosso esforço”.

    “Um ano depois ainda insistimos em não aceitar o que funciona e insistimos em não descartar tratamento precoce. Não é uma escolha entre parar e não parar. É parar antes, de modo planejado, pra reabrir antes”, completa Iamarino.

    Mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que a falta de isolamento social no Brasil diante de grave crise possa ser prejudicial para as vacinas, já que o vírus circulando livre e com intensidade pode estimular mutações e novas cepas.

    Entretanto, as recomendações da ciência seguem desprezadas pelo presidente Jair Bolsonaro. O governo brasileiro é uma exceção diante do mundo ao atacar, deliberadamente, medidas comprovadamente eficazes como isolamento, máscaras e vacinas.

    Bolsonaro segue de forma irracional a indicar remédios comprovadamente ineficazes para tratar a doença, como a cloroquina e a ivermectina. A ciência é precisa neste caso: não existe tratamento precoce e Bolsonaro mente.

     

    Vacinas

    A boa notícia da semana ficou por conta dos laboratórios responsáveis pelas vacinas da AstraZeneca e da CoronaVac, desenvolvidas em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Butantan, respectivamente.

    De acordo com estudos preliminares, os dois imunizantes que estão sendo aplicados nos brasileiros são eficazes contra as cepas inglesa e de Manaus, que são mais contagiosas e agressivas e circulam no país.

    Até o momento foram vacinados 10,8 milhões de brasileiros, ou 3,83% da população. Apenas 1,26% da população nacional recebeu as duas doses. O último balanço dos estados foi divulgado no fim de semana.

    Existe a expectativa para abril de a Fiocruz e o Instituto Butantan ampliarem a produção. Também são esperadas 14 milhões de doses da Pfizer até julho. A após três recusas de negociação do governo Bolsonaro com a empresa.

    Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

    https://www.jornaltornado.pt/covid-19-pandemia-avanca-sem-controle-e-brasil-tem-recorde-de-mortes/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=covid-19-pandemia-avanca-sem-controle-e-brasil-tem-recorde-de-mortes

    Brasil supera pela primeira vez as 2.000 mortes diárias por COVID-19

    Rio de Janeiro, 10 mar (Xinhua) -- O Brasil atingiu um novo patamar no número de mortes causadas pelo novo coronavírus (COVID-19) em 24 horas, ao registrar 2.286 óbitos de ontem para hoje, segundo o balanço oficial divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde.

    De acordo com os dados, trata-se da primeira vez que o Brasil supera a marca diária e 2.000 mortos pela COVID-19. Na véspera, o país tinha registrado 1.972 mortos pelo vírus, recorde da pandemia até a divulgação dos números de hoje, que elevaram o total de óbitos desde o início da pandemia a 270.656.

    Segundo o consórcio de veículos de imprensa, a média de mortes nos últimos 7 dias é de 1.572, uma variação de mais de 43% em duas semanas

    Além disso, nas últimas 24 horas foram contabilizados 79.876 novos casos, terceira maior cifra desde o começo da pandemia, o que levou o total acumulado registrado no país a 11.202.305 pessoas. A média de novos casos diários nos últimos 7 dias é de 69.107 , uma variação de mais de 32% em 14 dias.

    O país completou nesta quarta-feira 49 dias seguidos com a média móvel diária de mortes acima da marca de 1.000, 12 dias acima de 1,100 e, pelo décimo dia, a marca aparece acima de 1,200.

    O Brasil é o segundo país do mundo com mais mortes causadas pela pandemia, atrás dos Estados Unidos e o terceiro em número de infectados, depois dos EUA e Índia.

    As cifras indicam que o Brasil vive seu pior momento desde o início da pandemia no país há um ano, o que levou ao colapso o sistema de saúde da maioria das capitais regionais e tem obrigado governadores e prefeitos a adotar medidas mais duras de restrição e isolamento social.

    O país iniciou oficialmente a vacinação contra a COVID-19 em 18 de janeiro e, segundo o balanço divulgado pelo consórcio dos veículos de imprensa, com dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde, até esta quarta-feira, 9.013.639 pessoas, ou seja, 4,26 % da população brasileira já receberam a primeira dose de vacina.

    A segunda dose já foi aplicada em 3.166.189 pessoas (1,50% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 12.179.828 doses foram aplicadas em todo o país.

    Ver a publicação original em 'Xinhua' na seguinte ligação:

    http://portuguese.xinhuanet.com/2021-03/11/c_139801910.htm

    Grupo de Puebla celebra Lula e diz que petista foi vítima de 'maior equívoco' da Justiça brasileira

     

    O Grupo de Puebla, que reúne principalmente representantes de esquerda da América Latina, celebrou a recuperação dos direitos políticos do ex-presidente Lula e disse que petista foi perseguido. 

    Segundo a organização, apontada como substituta do Foro de São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva foi vítima do "maior equívoco do sistema de Justiça brasileira". 

    "O Grupo de Puebla celebra com entusiasmo a notícia de que o ex-presidente Lula da Silva tenha recuperado seus direitos políticos, após seis longos anos de perseguição judicial e 580 dias de sequestro judicial, no contexto do que pode ser considerado o maior equívoco do sistema de Justiça brasileiro", disse a entidade.

    O grupo parabenizou as forças progressistas do Brasil por sua "extraordinária resistência frente à cruzada dos meios de comunicação que incentivaram esse processo de judicialização da política, restringindo o legítimo direito à defesa do ex-presidente e o pleno exercício de seus direitos políticos". 

    'Caso replicado na região'

    Segundo a organização, outros políticos da América Latina teriam sofrido perseguição semelhante. 

    "O caso do ex-presidente Lula está sendo replicado contra outros dirigentes progressistas da região. Trata-se da utilização da Justiça como arma de confrontação política por meio de guerras jurídicas (lawfare)", acrescentou o comunicado. 

    Na segunda-feira (8), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou os processos e condenações de Lula no âmbito da Lava-Jato. No dia seguinte, foi iniciado o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro. 

    Nesta quarta-feira (10), o ex-presidente fez discurso na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), no qual criticou os procuradores da Lava Jato e Moro, mas disse que não poderia sentir "mágoas", pois "o sofrimento que as pessoas pobres estão passando é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim".

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/americas/2021031017102231-grupo-de-puebla-celebra-lula-e-diz-que-petista-foi-vitima-de-maior-equivoco-da-justica-brasileira/

    Onde está ele?

    Há uma velha máxima caricatural do trabalho dos jornalistas em busca de notícias.  

     

     

    Notícia não é o cão morder no homem, mas sim o homem que morde no cão. 

    Há quase 30 anos, houve quem desse corpo a essa anedota (ver aqui). Mas há muito que o que se passa é o contrário. 

    Ainda agora se passou isso.  

    Ao fim de meses de prisão e de liberdade vigiada e de uma decisão judicial histórica que lhe limpa o cadastro, anula condenações e permite-lhe ganhar as eleições a Bolsonaro, Lula da Silva discursa! Pois, ao fim de uns minutos, a pivot da RTP Cristina Esteves passa a emissão - "Lula faz agradecimentos" -... para o jornalista Luís Baila para que explique o que se passou e, mais adiante, pergunta-lhe se a anulação das acusações foi "apenas processual" e se Lula pode, afinal, ainda vir a ser condenado e preso. Baila reitera que assim é e que até correm mais processos contra ele, além do Triplex. E pronto! A emissão vai para o noticiário das 15h que... repete o noticiário das 14h. Minutos depois, Cristina Esteves despede-se com a sensação de dever cumprido e passa a emissão para a pivot Dina Aguiar! A SIC notícias também andou pelo estado de emergência e a audição dos partidos pelo presidente da República. A TVI24 esteve mais uns minutos em directo com Lula do que a RTP para logo passar... aos números da pandemia e ao estado de emergência, um tema nunca abordado no último ano! A CMTV andou por todos os lados menos pelo Brasil. 

    Mas nos jornais também se passa o mesmo. O Público mantém na 1ª página online a pandemia e as vacinas. O Expresso idem...  

     

     

    Onde param, pois, os jornalistas que antes andavam atrás do homem que mordeu no cão?

     
     

    Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

    Brasil: Clube Militar fala em ponto de ruptura e prega intervenção no STF

     

    O site do Clube Militar está sendo utilizado nos últimos dias por generais da reserva que criticam a decisão do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações do ex-presidente Lula.

    "Em um conflito entre Poderes, a qual deles as FA [Forças Armadas] se submeterão? Com certeza, ficarão unidas e ao lado da Nação, única detentora de sua lealdade. Que a liderança nacional tenha isso em mente". É com estas palavras que o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva conclui seu texto publicado no site do Clube Militar.

    O fato chama atenção porque acontece um dia depois do general Eduardo José Barbosa, presidente do Clube Militar, criticar a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, de anular as condenações do ex-presidente Lula.

    O autor da nova mensagem, publicada na noite de ontem (9), é o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, alocado no ministério de Damares Alves, autor do prefácio da biografia de Carlos Alberto Brilhante Ustra.

    Luiz Eduardo Rocha fez diversas críticas ao STF e ao ex-presidente Lula, e disse que "o STF feriu de morte o equilíbrio dos Poderes, um dos pilares do regime democrático e da paz política e social".

    Segundo ele, "a continuar esse rumo, chegaremos ao ponto de ruptura institucional e, nessa hora, as Forças Armadas (FA) serão chamadas pelos próprios Poderes da União, como reza a Constituição".

    "A nefasta decisão do Ministro Fachin, livrando Lula de suas condenações foi uma bofetada na cara (desculpem a expressão) da nação brasileira", afirma o general, que é ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Ele também afirma que "a Alta Corte algemou o Executivo, comprometeu sua autoridade e vem colocando em risco a paz, a harmonia e a própria unidade nacional".

     

     

    Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fazem protesto em defesa do governo e contra o STF e o Congresso na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fazem protesto em defesa do governo e contra o STF e o Congresso na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

    Parlamentares reagiram à carta

    Com a repercussão do documento, diversos parlamentares foram às redes sociais condenar o teor intervencionista dos militares.

    ​Além da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o deputado do PSOL Glauber Braga também falou sobre o assunto.

    Ver a publicação original na seguinte ligação:

    https://br.sputniknews.com/brasil/2021031017099126-brasil-clube-militar-fala-em-ponto-de-ruptura-e-prega-intervencao-no-stf/

    Gilmar e Lewandowski declaram Sergio Moro suspeito para julgar Lula

    Logo após Gilmar enunciar seu voto, o ministro Nunes Marques, que votaria em seguida, pediu vista.

     

    Com pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) não concluiu nesta terça-feira (9) a votação da suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos processos da Lava Jato relacionados ao ex-presidente Lula. Nos dois votos proferidos, os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votaram pela suspeição do ex-ministro de Bolsonaro.

    “O combate à corrupção é fundamental, mas deve ser feito dentro dos moldes legais, observando o devido processo legal. Não se combate o crime praticando crime”. Com esse entendimento, o ministro Gilmar Mendes votou por declarar o ex-juiz suspeito para julgar o ex-presidente Lula e anular todo o processo do tríplex no Guarujá (SP).

    Logo após Gilmar enunciar seu voto, o ministro Nunes Marques, que votaria em seguida, pediu vista. A ministra Cármen Lúcia, por sua vez, afirmou que vai votar depois de Nunes Marques Ela já tinha votado neste processo em 2018; portanto, parece estar sinalizando mudança de entendimento.

    Em 4 de dezembro de 2018, os ministros Edson Fachin, relator, e Cármen Lúcia votaram por negar o Habeas Corpus da defesa de Lula alegando falta de imparcialidade de Moro. O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar.

    Na apresentação de seu voto-vista, Gilmar Mendes afirmou que, enquanto esteve à frente da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Sergio Moro interferiu na produção de provas contra acusados, dirigiu as investigações do Ministério Público Federal e juntou documentos de ofício, sem manifestação do órgão.

    “Diversas vezes, Moro não se conteve em ‘pular o balcão’. Ele gerenciou os efeitos da exposição midiática dos acusados. Estava na dianteira de uma narrativa que culminaria em um projeto de poder, que passava pela deslegitimação do PT, especialmente de Lula, para afastá-lo do jogo politico”, disse o ministro.

    Segundo ele, os atos praticados por Sergio Moro não permitem manter a percepção de que o julgamento de Lula foi feito por um juiz destituído de todo e qualquer preconceito quanto à sua culpabilidade.

    Lewandowski afirmou que os fatos supervenientes – quais sejam, os diálogos vazados – demonstram de forma clara “a incursão heterodoxa do então magistrado na seara político-partidária em detrimento dos cânones que regem a função jurisdicional”.

    O ministro considerou verdadeiras as mensagens vazadas que demonstram a relação entre Moro e a Lava Jato: “reputo não existirem maiores dúvidas sobre a fidedignidade do teor das mensagens divulgadas pela mídia, embora ilicitamente captadas”. Segundo o ministro, Lula não foi submetido a um julgamento justo, “mas a um verdadeiro simulacro de ação penal, cuja nulidade salta aos olhos”.

     

    Meio inadequado

    Em dezembro de 2018, Edson Fachin negou o Habeas Corpus alegando, entre outros fundamentos, que HC não seria o meio adequado para tratar de suspeição de Sergio Moro.

    “Suspeição é diferente do impedimento. E parcialidade, suspeição, exige que a parte acusada seja ouvida. Não se pode considerar um magistrado suspeito por decidir com base em tese jurídica que considera correta”, defendeu Fachin.

    Em seguida, a ministra Cármen Lúcia afirmou que todo mundo tem direito a um processo justo. “Nessa condição, o magistrado tem de estar acima de qualquer irregularidade. O fato de um ex-juiz ter aceito convite formulado para Executivo não pode ser considerado por si sua parcialidade”, disse Cármen.

    Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

    https://www.jornaltornado.pt/gilmar-e-lewandowski-declaram-sergio-moro-suspeito-para-julgar-lula/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=gilmar-e-lewandowski-declaram-sergio-moro-suspeito-para-julgar-lula

    Lula: Fachin “fez o que sempre pedimos, que se cumprisse a Constituição”

    Tereza Cruvinel conversou com Lula horas depois da decisão de Fachin. “Ele fez o que sempre pedimos, que se cumprisse a Constituição”. Quanto às eleições, “está candidatíssimo”

     

    O ex-presidente Lula guardou silêncio nesta segunda (8), enquanto o Brasil festejava (e uma parte se contorcia) com a anulação de todas as suas condenações,  a restauração de seus direitos políticos e de sua elegibilidade.  Na entrevista coletiva que dará nesta terça-feira, ele comentará a decisão do ministro Fachin mas falará muito mais da tenebrosa situação nacional.

    Conversei rapidamente com Lula  à noite, algumas horas depois da decisão,  e ele disse ter passado o dia desfrutando de enorme paz de espírito. Mesmo quando estava preso, nunca deixou de acreditar que a verdade acabaria prevalecendo, e isso começa a acontecer, embora ainda haja muito caminho pela frente. Ele conversou com poucas pessoas depois da explosão da notícia e preferiu o silêncio a qualquer declaração agitada, sob o calor do fato.

    Uma coisa ele já decidiu: Tendo ficado preso ilegal e injustamente por 580 dias, já que foi condenado por um juiz que não tinha competência para tal (noves fora todas as condutas ilegais que o tornam suspeito), Lula poderia pedir indenização mas ele não fará isso.

    Sobre Fachin e sua decisão, apenas uma frase curta: “Ele fez o que sempre pedimos, que se cumprisse a Constituição”.

    Perguntei sobre a entrevista de hoje e ele atalhou: “Vou falar muito mais do momento que vivemos. Estou mais preocupado com o Brasil do que comigo. Quero falar deste morticínio, da falta de vacinas, por absoluta imprevidência,  e da nossa  vergonhosa condição de ameaça à humanidade, porque falta empenho e competência do governo no combate à pandemia. Quero falar do atraso no auxílio emergencial por conta da crueldade deste governo.  Dos 14 milhões de desempregados e da volta da fome, quando houve o tempo em que todos faziam três refeições e podiam picanha. Carne hoje é para poucos. E deste tombo da economia nacional, que passou da sexta maior do mundo, em meu governo, para a 12ª posição.”

    “E quando vier a pergunta infalível, sobre sua candidatura a presidente em 2022?”, pergunto eu.

    “Direi o óbvio: as convenções partidárias para a escolha de candidatos será em junho de 2021. Falta mais de um ano”, respondeu ele.

    Obviamente esta é uma resposta de quem está candidatíssimo.

    E isso muda tudo na conjuntura.

    Ver a publicação original em 'Tornado' na seguinte ligação:

    https://www.jornaltornado.pt/lula-fachin-fez-o-que-sempre-pedimos-que-se-cumprisse-a-constituicao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=lula-fachin-fez-o-que-sempre-pedimos-que-se-cumprisse-a-constituicao

    Lava jato: o presente envenenado da CIA ao Brasil

    Las conversaciones recién reveladas muestran niveles escandalosos de intervención estadounidense en el caso de corrupción Lava Jato contra el expresidente brasileño Lula da Silva

     

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    Hoy voy a celebrarlo– Laura Tessler

    Un regalo de la CIA– Deltan Dallagnol

    Estas citas recién reveladas aluden a la detención y encarcelamiento del expresidente brasileño Lula da Silva en abril de 2018 que cambió el curso de la historia del país. Abrió la puerta al candidato de extrema derecha Jair Bolsonaro, que llegó al poder con el apoyo de Estados Unidos y de poderosos intereses empresariales.

    Aunque desde hace tiempo es conocida públicamente la participación de Estados Unidos en la anteriormente célebre investigación anti-corrupción Lava Jato, las conversaciones confidenciales entre sus fiscales, como Tessler y Dallagnol, y el juez Sergio Moro han revelado un nivel de connivencia que ha escandalizado incluso a lxs observadorxs más perspicaces.

    Una petición presentada ante el Supremo Tribunal Federal por el equipo de defensa de Lula aporta nuevas pruebas de que el exjuez Sergio Moro actuó en connivencia con autoridades extranjeras en la conducción del proceso que llevó a la detención del líder del Partido de lxs Trabajadorxs, y la consiguiente exclusión de su candidatura a la presidencia en 2018.

    En 2017, el fiscal general adjunto de Estados Unidos se jactó en un evento de la colaboración informal (ilegal) con lxs fiscales brasileñxs en el caso de Lula

    En las últimas conversaciones reveladas de Telegram, que ahora son documentos judiciales oficiales, el nivel de colaboración ilegal evidente entre el grupo de trabajo de Lava Jato y el juez de promoción internacional es el más flagrante hasta ahora, y más valioso para la defensa de Lula que los chats publicados inicialmente por The Intercept en 2019.

    Los últimos datos podrían dar lugar a la anulación de la demanda políticamente motivada contra Lula. 

    El exjuez Sergio Moro y el jefe del grupo de trabajo de Lava Jato, Deltan Dallagnol, han sido acusados de “traición” por su colusión ilegal con las autoridades estadounidenses. En 2017, el fiscal general adjunto de Estados Unidos, Kenneth Blanco, se jactó en un evento del Atlantic Council de la colaboración informal (ilegal) con lxs fiscales brasileñxs en el caso de Lula, contándolo como una historia de éxito. En 2019, el Departamento de Justicia de EE. UU. intentó pagar al grupo de trabajo de Lava Jato un soborno de $682 millones , supuestamente para que crearan una “fundación privada para luchar contra la corrupción”. 

    El 5 de abril de 2018, el día en que Lula fue detenido por Moro, la fiscal Isabel Grobba reveló la noticia: “Moro ordena la detención de Lula”, y Deltan Dallagnol respondió: “Antes de que MA (el ministro Marco Aurélio) arruine todo”. Dallagnol se refería a lo que Aurélio estaba preparando en ese momento: una votación del Tribunal Supremo que podría liberar a acusadxs como Lula de la cárcel a la espera de su segunda apelación.

    De haberse aprobado, habría permitido a Lula postularse a las elecciones presidenciales de 2018. Las encuestas en ese momento lo mostraban con 20 puntos de ventaja sobre su rival más cercano, el candidato de extrema derecha apoyado por Estados Unidos, Jair Bolsonaro. 

    Tras llegar al poder, Jair Bolsonaro y Sergio Moro –que había sido nombrado ministro de Justicia de Bolsonaro– realizaron una visita sin precedentes a la sede de la CIA en Langley, con el respaldo de Wall Street.

    Janot recorrió el mundo promocionando la Operación Lava Jato en eventos de inversionistas, tanto en Estados Unidos, como en el Foro Económico Mundial de Davos

    El FBI también ha aumentado masivamente sus actividades en Brasil desde las