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Santa Maria encerra consulta de interrupção da gravidez

A consulta de interrupção da gravidez no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, está suspensa por tempo indeterminado devido à falta de enfermeiros especialistas. Utentes são reencaminhadas para a Clínica dos Arcos.

O Hospital de Santa Maria foi o primeiro hospital de ensino universitário em obstetrícia e ginecologia no País
O Hospital de Santa Maria foi o primeiro hospital de ensino universitário em obstetrícia e ginecologia no PaísCréditos / CC-BY-SA-3.0

A notícia avançada pelo DN, na edição desta sexta-feira, revela que o Hospital de Santa Maria (HSM) suspendeu, no início do ano e por «tempo indeterminado», a consulta de interrupção de gravidez, alegando diminuição no número de enfermeiros especialistas. Isto apesar das diligências efectuadas pelos três médicos responsáveis pela consulta, com o objectivo de impedir o encerramento.

Na carta que enviaram àdirecçãoclínica, propuseramencarregar-se, por agora, das tarefas antes asseguradaspelosenfermeirosespecialistas mas, revela o matutino, «não receberamresposta e a consultafechoumesmo»,sendo, de acordo com a directora de enfermagem de Santa Maria, a únicavalênciaencerrada com estajustificação.

A enfermeira directora do HSM, Catarina Batuca, assume que a posição destes médicos «nunca foi colocada à direcção clínica nem à direcção de enfermagem», embora aproveite para recordar que, «de acordo com a lei, tem que estar sempre presente um enfermeiro e um médico nesta consulta», e o enfermeiro deve ser especialista em saúde materna e obstétrica.

Carlos Calhaz Jorge, director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HSM, disse ao diárioque «a suspensão da consulta de interrupção voluntária da gravidez deve-se a uma restrição grave no corpo de enfermeiros especializados de obstetrícia e saúde materna. Mas continua a haver resposta: as novas doentes estão a ser encaminhadas para uma clínica privada [a Clínica dos Arcos].»

O DN acrescenta que o protocolo estabelecido pelo hospital com a Clínica dos Arcos, em Lisboa, «implica que seja o primeiro a assegurar o pagamento das interrupções de gravidez levadas a cabo naquela unidade privada, que são todas cirúrgicas e mais caras que as medicamentosas. A cerca de 500 euros por intervenção, a decisão deverá implicar ao HSM uma despesa à volta de 250 mil euros/ano».

Para a obstetra e directora-adjunta da Maternidade Alfredo da Costa, Ana Campos, reconhecida pela luta em defesa dalegalização do aborto, a decisão adoptada pelo Santa Maria é «lamentável e muito mau sinal, não augurando nada de bom».

A consulta de interrupção da gravidez funcionava no HSM desde a alteração da lei do aborto por referendo, há dez anos. Em 2017, foram atendidas 450 mulheres, o que corresponde a cerca de 1350 consultas (três por paciente).

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