Autenticar
x
ou
x
x
Registar
x

ou
Search - Remove Shortcode
plg_search_kunena
Search - AcyMailing
Phoca Gallery Search
plg_search_docman
Search - Albums
plg_search_weblinks
Pesquisa - Categorias
Pesquisa - Contactos
Pesquisa - Artigos
Pesquisa - Sinais
Pesquisa - Etiquetas

farol002 

OUVIR MÚSICA

Clique aqui para abrir

uma janela de música

COMPLEXO DESENLACE DE UMA GUERRA DITA «CIVIL»

Authors: in Manuel Banet, ele próprio

                                   image

Após uma previsível derrota em toda a linha[1] dos objectivos estratégicos da coligação heterogénea comandada pelos EUA, resta a esta potência e a Israel fazerem guerra suja[2] (ainda mais suja) flagelando alvos russos, como se fossem «enganos», como se os bombardeamentos tivessem como alvo o «Estado Islâmico». A mesma «falta de pontaria» se nota, pelos americanos e israelitas, em relação às forças do Exército governamental sírio. 

Na frente norte, em Afrin, o exército turco invadiu um pedaço grande de território sírio, com o pretexto de combater os «terroristas»... mas estes são afinal as milícias curdas do YPG.

Felizmente, tanto do lado do YPG como do exército governamental sírio, houve bom senso suficiente para se entenderem de forma ao exército do governo de Damasco poder combater esta grosseira violação das fronteiras Sírias pelo seu vizinho do Norte. 

O governo turco está mais e mais apostado em fazer figura de grande potência regional. Os seus partidários já se atrevem a «considerar a hipótese» de invadir a Grécia. Sim, o partido de Erdogan[3] exibe ambições megalomaníacas!   

Em suma, os EUA deixam o Levante em muito pior estado do que estava antes, mas isso serve os seus interesses:  manter - a todo custo - sua hegemonia mundial. 

References

  1. ^ derrota em toda a linha (manuelbaneteleproprio.blogspot.pt)
  2. ^ fazerem guerra suja (thesaker.is)
  3. ^ partido de Erdogan (www.zerohedge.com)

Leia original aqui

Imprimir Email

  • Visualizações: 10

A CGD apresentou lucros, mas há motivos para preocupação

Authors: in ODIARIO.INFO

Como a CGD apresentou resultados positivos de 52 milhões € em 2017, os media e o próprio presidente da República vieram felicitar a administração presidida por Paulo Macedo pelo êxito alcançado. Mas os números não justificam tanta festa. As contas divulgadas pela CGD revelam que o resultado positivo foi conseguido fundamentalmente à custa: (1) De um corte muito significativo nos juros pagos aos depositantes; (2) Do aumento das comissões liquidas obtidas, o que determinou para muitos depositantes um corte no seu capital já que não recebem juros ou recebem quase zero pelos depósitos; (3) De um elevado montante de mais-valias obtidas com a venda de títulos, ou seja, receita aleatória; (4) De resultados líquidos positivos da actividade internacional (que a Comissão Europeia quer que se seja vendida). E a concessão de crédito e também os depósitos diminuíram em 2017, o que não pode deixar de causar legitimas preocupações.

Leia original aqui

Imprimir Email

  • Visualizações: 7

Um ostensivo cheiro a chantagem

O descaramento dos procuradores do Ministério Público já atingiu tal dimensão que não constitui propriamente uma surpresa a notícia de ter bastado Rui Rio anunciar a disponibilidade para acordos de regime sobre a Justiça, para que os apaniguados de Joana Marques Vidal logo anunciem uma investigação a Elina Fraga no dia seguinte a saberem-na designada vice-presidente do PSD.
A mensagem é óbvia: os responsáveis pela inaceitável politização do poder judicial, há quinze anos  - com a corrupta investigação sobre a  pedofilia na Casa Pia - a tentarem prejudicar continuamente o Partido Socialista de forma a perenizar a direita no poder, constituindo-se ela numa barriga de aluguer para a proclamada intenção de transformar a República portuguesa numa ditadura dos magistrados.
A História tem-nos ensinado - quer em Itália, quer no Brasil - que a judicialização da política tem criado as condições ideais para a emergência de um fascismo ordinário que empobrece os respetivos povos, os torna presa fácil dos demagogos mais insanos.
É só uma questão de comparar o investimento feito nestes últimos anos nas investigações (em tempo e em muito, mas mesmo muito dinheiro!) contra Armando Vara, José Sócrates, José Magalhães, Conde Rodrigues, ou mesmo Mário Centeno, com as avançadas contra o grupo cavaquista do BPN (incluindo Dias Loureiro), Duarte Lima e, sobretudo, Paulo Portas. Quantos dias de prisão, mesmo sem provas que os fundamentassem, para políticos socialistas e quantos para os dos partidos das direitas, esses sim com comprovativos indisfarçáveis das suas corruptas atividades?
Não surpreende que, nas direitas, se exija com tão intenso vigor a renovação do mandato da Procuradora Geral: ela tem sido o seguro de vida para que os interesses vinculados às direitas sejam acautelados sem que ninguém os belisque. Ainda este fim de semana a múmia de Boliqueime veio acrescentar gás (por certo fétido) a tal esforço.
O que o grupo que conspira ativamente contra a prevalência dos valores republicanos na Justiça não pode aceitar é que o seu braço político mais forte se vire contra si. A intenção manifestada por Rui Rio para alterar os desequilíbrios acumulados nos últimos anos e traduzidos em indignas violações do segredo de Justiça, foi oralmente expressa por Paula Teixeira da Cruz, que não hesitou em considera-la uma traição. Daí esta tentativa ostensiva de chantagear a nova direção do PSD instando-a a não se afastar do trilho dos últimos anos. Acaso o façam ficam sujeitos a também se verem na via sacra da devassa da vida privada devidamente transposta para o vómito matinal em forma de uma coisa que tentam considerar um jornal.
Resta saber se Rui Rio se acobarda ou se se juntará a quem, conhecendo bem por dentro o antro donde saiu para exercer as funções de Ministra, estará em condições de proceder ao devido saneamento.
Apesar das pressões de Marcelo em contrário, importará começar pela caducidade do mandato da testa-de-ferro do grupo em causa tão só termine o mandato daqui a nove meses, oferecendo ao sucessor uma boa barrela com que comece a tratar das manchas que conspurcam a instituição.

/n

Ver original aqui.

Imprimir Email

  • Visualizações: 11

Há razão para as universidades privadas? – I

A minha experiência pessoal e toda a informação de que disponho reforçam-me a ideia de que, em regra, não se justificam as universidades privadas (excluindo a Universidade Católica que tem outro estatuto).

Contrariam a ideia de universidade, têm baixa qualidade e fogem aos requisitos legais mínimos, não respeitam os padrões de enquadramento profissional de professores e investigadores, jogam com influências políticas ou de irmandades e servem interesses individuais ou de pequeno grupo.

A história das universidades privadas está longe de ser linear e tem tido sempre sobressaltos e episódios pouco edificantes. Na criação da primeira privada, a U. Livre, convergiram dois factores: o excesso de procura do ensino superior em relação às disponibilidades do sistema público, e, por outro lado, a reconquista de posição, após o refluxo revolucionário de 25 de Novembro, de muitos professores que tinham sido saneados, principalmente de Direito. Por isto, e por razões económicas, é que as privadas ganharam a imagem de universidades de papel e lápis, sem ensino e investigação laboratorial ou técnica.

Os anos seguintes viram surgir mais privadas, algumas vezes por saídas conflituosas de “professores” de umas universidades para irem criar ou tomar de conquista outras, numa luta pessoal e empresarial por vezes feroz, sem nada de académico.

Também este percurso foi frequentemente acidentado. A tomada de poder na Moderna por um grupo familiar-maçónico, o caso da licenciatura de Sócrates conduzindo à extinção forçada da Independente, o caso Relvas na Lusófona, até mesmo, indirectamente, o infeliz incidente praxístico do Meco, agora o julgamento do cacique da U. Fernando Pessoa por desvio de fundos, podem ser vistos como isolados mas são bem sintomáticos porque impossíveis, diz a experiência, nas universidades públicas.

Antes de avançarmos no tema, esclareça-se que é falacioso o argumento de que as melhores universidades do mundo são privadas. Não é verdade. As grandes universidades americanas e as principais inglesas não são públicas, no sentido de pertencerem ao aparelho do Estado, mas também não são privadas, isto é, propriedade de indivíduos ou empresas com lógica empresarial de lucro. São entidades fundacionais, de origem eclesiástica medieval ou comunitária (nas colónias americanas) ou mesmo que de criação estatal (ou real) sempre com um estatuto de autonomia e de serviço público sem intervenção de interesses privados.

Há cerca de 70 estabelecimentos de ensino superior privado em Portugal, mas a grande maioria consiste em escolas isoladas, institutos universitários ou institutos e escolas politécnicas. Universidades comparáveis às universidades públicas são sete: Lusíada, Autónoma, Lusófona, Atlântica, Fernando Pessoa, Portucalense e Europeia. No resto da Europa, as privadas têm expressão reduzida.

Escrevi “contrariam a ideia de universidade”. A expressão vem do título de um livro célebre do cardeal John Newman, o grande teorizador da universidade inglesa de alto nível, Oxford e Cambridge, conhecidas como “Oxbridge”, No essencial, aplica-se também às grandes universidades fundacionais-comunitárias americanas, como as da Ivy League (Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Pensilvânia, Princeton e Yale).

Muito sinteticamente, a universidade newmaniana caracteriza-se por:

  1. Alta qualidade e intensidade da investigação, indissociável do ensino;
  2. Cultura académica com ênfase no rigor intelectual, na formação da mente, na cultura geral, nas competência transversais, mais do que na simples formação técnica ou estritamente profissionalizante,
  3. Corpo docente e científico de alta qualidade, inteiramente profissionalizado, com condições de trabalho estimulantes e gratificantes;
  4. Equilíbrio entre a pré-graduação (entre nós ensino de licenciatura) e a pós-graduação (mestrado e doutoramento), ou mesmo predomínio da pós-graduação;
  5. Cultura de avaliação exigente e elevados padrões éticos e de conduta pessoal.

O equipamento e funcionamento de uma tal universidade custa uma fortuna. Mesmo com propinas altíssimas, com muitos contratos de investigação ou serviços e com alto rendimento de património mobiliário, não chega. Ou o Estado tem de financiar uma tal universidade, como se passa no continente europeu, ou a universidade obtém avultados recursos por mecenato, nomeadamente entre antigos alunos.

Como é que pode haver em Portugal uma universidade privada, um negócio forçosamente lucrativo ou pelo menos financeiramente equilibrado, que cumpra os padrões de qualidade, os da “ideia de universidade”? A lógica das nossas privadas é a do lucro, a distribuir com mais ou menos transparência por um reduzido número de pessoas, acobertadas por diversas figuras jurídicas. O problema é que uma universidade a sério não pode dar lucro!

A lei do ensino superior privado estabelece que qualquer pessoa colectiva pode criar uma universidade privada, ou seja empresas, fundações, associações ou cooperativas. Temos de todos os tipos, excepto associações. Propriedade de empresas são a Universidade Atlântica e a Europeia, a primeira com predomínio da Câmara de Oeiras e figuras políticas conhecidas do “bloco central” e a segunda de um grupo americano. As universidades Lusíada, Fernando Pessoa e Portucalenses são propriedade de fundações e as restantes, Lusófona e Autónoma, de cooperativas.

No entanto, nem as fundações nem as cooperativas obedecem a princípios essenciais e, na prática, foram a forma de obter vantagens administrativas e fiscais.

Uma fundação deve ter um património inicial que garanta a prossecução dos seus fins. E, em regra, é administrada por um conselho independente em grande parte dos instituidores da fundação, que apenas decidem, inicialmente, o processo de escolha dos administradores. Ora as duas fundações instituidoras de universidades foram criadas com capital ridículo e atribuem o poder aos próprios instituidores. A confusão entre fundação e fundadores é patente no caso agora em foco do julgamento do homem forte da Fundação Minerva e da Universidade Fernando Pessoa.

Por outro lado, o espírito cooperativo implica que uma cooperativa, em princípio, tem como membros todos os envolvidos na acção cooperativa. A legislação das cooperativas de ensino não obriga a que sejam todos, mas pelo menos que os membros sejam agentes efectivos de ensino. Isto não se passa na principal cooperativa, a COFAC do grupo Lusófona, com um número reduzido de membros, quase que só uma família, a prolongar-se no maior nepotismo por níveis variados da organização. Praticamente nenhum professor, aluno ou funcionário conhece a cooperativa, os seus membros, os seus estatutos e órgãos.

Anote-se que há um caso muito interessante de uma universidade verdadeiramente cooperativa, a espanhola Mondragon. Todos os membros da universidade, professores, estudantes e funcionários, são cooperantes, com poder de decisão sobre os assuntos da cooperativa/universidade, não havendo distinção entre proprietário e propriedade.

Fica ainda mais para dizer. Continuamos amanhã.

/n

Ver artigo original em "O TORNADO"

Imprimir Email

  • Visualizações: 26

O segundo capítulo de uma tragicomédia de fim-de-semana

No texto anterior já víramos como o congresso laranja tinha todas as condições para se converter numa tragicomédia em que poderiam coexistir as evidências de uma direita incapaz de ter uma ideia, mesmo que ténue, para  melhorar a vida dos portugueses, e, ao mesmo tempo, as cenas risíveis de uma coisa tida por séria, de súbito transformada em involuntário (pelo menos para os proclamados vencedores) gag burlesco.
Do lado da tragédia não pontifica apenas esse vazio ideológico, apenas cingido à fértil intriga de quem anda na política para cuidar o melhor possível da vidinha pessoal. Acrescem, igualmente, afirmações a roçarem o grotesco de tão descabidas, como a de se viver em clima de PREC ou a de António Costa ser o último dos moicanos de um Partido Socialista rendido aos encantos da «extrema-esquerda».  Que quem disse tais alarvidades o tenha conseguido fazer sem se escangalhar a rir, denotando acreditar na probabilidade de ser levado a sério, revela bem o grau zero a que chegou o principal partido da oposição. Mas entrou-se no reino da comédia, quando Rio convenceu Santana a formarem listas conjuntas para os principais órgãos do Partido, querendo assim demonstrar uma grande unidade interna, e não conseguiu sequer alcançar a maioria dos votos, ficando-se por 1/3 para o Conselho Nacional e por menos de metade para o Conselho de Jurisdição.
Percebia-se nesse conjunto de resultados a razão porque as televisões decidiram subalternizar as notícias do flop laranja no alinhamento das notícias, dando a primazia à vitória retumbante do émulo de Kim Jong-un em Alvalade. Paulo Dentinho, Ricardo Costa e Sérgio Figueiredo terão percebido que os tempos próximos não serão pródigos para quem gostariam de ver afirmar-se como alternativa viável à maioria de esquerda. E o primeiro sinal surgiu, logo, na sessão de abertura, quando se compararam as palmas atribuídas a Passos Coelho na despedida com as do agora chegado Rui Rio. Por muito que este fizesse profissão de fé no realinhamento do partido ao centro, os ali presentes reafirmavam a adesão plena à extrema-direita seja lá o que isso signifique para cada um deles. Qualquer observador de fora via claramente que o futuro prenuncia o PS a ocupar plenamente o centro político e muito mais próximo dos extremos situados à sua esquerda do que dos assumidos muito, mas mesmo muito, para a sua direita.
Passos Coelho saiu consolado do Centro de Congressos, porque, mesmo despejado para o caixote do lixo da História, teve direito a um suplemento de alma, que poderá dar-lhe melhor inspiração para o prometido livro com que imitará Cavaco no mistificado balanço quanto ao que julga ter feito (destruindo mais umas pobres árvores, que não têm culpa nenhuma da vaidade do presumido escrevinhador) e para as aulas  a lecionar nas universidades de que supostamente já terá recebido convites para mostrar a sua, até agora, desconhecida sapiência. Curiosa a dualidade de critérios da comunicação social, que tanto se insurgiu contra o currículo académico de José Sócrates e agora anuncia, sem levantar dúvidas, que um cábula com uma licenciatura arrancada a ferros, e a más horas, se arme agora em doutor!
O Congresso acabou por só ter algum interesse pela marcação do terreno dos que se assumem como querendo ser os senhores que se seguirão. Nesse sentido as apostas de Relvas e Marques Mendes ( Miguel Pinto Luz) ou de Marcelo Rebelo de Sousa (Carlos Moedas) passaram despercebidos face à prosápia de Montenegro, que talvez se engane na ideia de ganhar notoriedade mediática no comentário político para assaltar o arruinado castelo de que decidiu desertar. Será nessa vertente da história, que os próximos capítulos mais prometem ser palpitantes. Ou limitar-se-ão a ser igualmente entediantes?
Sentindo a fraqueza da nova liderança Nuno Morais Sarmento invocou a ajuda de Marcelo para que este a ajude com um comportamento mais impositivo face a António Costa. Há melhor confissão de impotência, que essa estratégia logo condicionada pelo facto de o narcísico recetor da mensagem estar bem mais preocupado consigo mesmo do que com o partido, que vê feito em cacos?
Indiferente a esse apelo Marcelo continua a ser Marcelo: elogia Passos Coelho  - para quando a distinção com a Grã-Cruz da Ordem dos me(r)díocres com palma e duas orelhas (de burro)? - e preocupa-se, sobretudo, com a sua tão querida brasileira de Pedrógão, que vê dela fugir a sete pés os que conseguira iludir para a Associação pensada para a sua afirmação pessoal e não para os fins inicialmente proclamados. A exemplo do universo laranja também as pequeninas cortes marcelistas vão dando sinais de se estarem a deslaçar.

/n

Ver original aqui.

Imprimir Email

  • Visualizações: 29

Como se faz um canalha

Authors:José Soeiro in ENTRE AS BRUMAS DA MEMÓRIA

«Há imagens que não se esquecem e que definem as pessoas. Uma delas é a de Rui Rio num barco, no Rio Douro, a abrir uma garrafa de champanhe com os seus convivas enquanto assiste à demolição de uma das torres do Bairro do Aleixo. No bairro – sei-o porque estava lá – o clima era de desespero, com um enorme aparato policial montado, mulheres que gritavam de raiva ao ver a sua casa ser implodida, homens a chorar junto ao gradeado enquanto o pó dos destroços se espalhava, crianças atónitas junto ao lugar onde até há poucos dias brincavam e que parecia, agora, um cenário de guerra. Se acaso a demolição daquelas torres tivesse sido negociada com a população, talvez um Presidente da Câmara estivesse junto aos moradores naquele momento, de consciência tranquila por ter cumprido o seu dever e garantido uma alternativa para a vida daquela gente. Se não fosse esse o caso, uma pessoa normal que tivesse tomado convictamente aquela decisão teria ao menos o pudor de se remeter ao silêncio perante o sofrimento dos outros. Rui Rio não fez uma coisa nem outra. Foi para a frente do bairro, no aconchego de um barco no meio do rio, juntou os amigos e celebrou, frente aos cidadãos desesperados da sua cidade, o momento em que as suas casas a vinham a baixo. Perante o sofrimento dos outros, Rui Rio sorriu e brindou.»
.

Leia original aqui

Imprimir Email

  • Visualizações: 41

Os recados do regedor da aldeia sem rio

Opinião

Um traço lastimável da política atual é o excesso de fulanização. Em vez de ideias, projetos e práticas discutem-se pessoas, promovem-se e dirimem-se os mediatismos pessoais.
Em Cascais, Carlos Carreiras erigiu-se ao centro do Mundo. Aqui, infelizmente, quase não nos é possível falar da vida pública sem referir a omnipresença do presidente camarário.
Em vésperas do Congresso do PSD Carlos Carreiras quis fazer-se ouvir. Foi à TVI24 marcar terreno e dar alguns recados.
É uma entrevista que vale a pena ver e refletir (aqui).
Como de costume, Carreiras constrói uma teia de ficções cuja ancoragem na realidade é muito ténue mas em que, convictamente, aparenta acreditar.
Na narrativa propagandística do autarca a 'sua' Câmara é um exemplo que todos admiram ("temos projetos que Municípios de outros países querem comprar"). Dir-se-ia, até, que pensa ser verdadeiro o seu discurso de que o PDM tem uma "estratégia de não expansão da malha urbana", que Cascais é um sucesso de mobilidade, que o concelho "foi pioneiro na Educação com excelentes resultados", que aqui se criam empregos com enorme competitividade ou que "as Conferências do Estoril são um exemplo a nível internacional".
Há que reconhecer que numa coisa Carlos Carreiras é notável: na construção de um imaginário que se impõe, não por ser verídico, antes por ser hábil e repetidamente propagandeado.
Mas o que é interessante neste seu recente desempenho televisivo é a incursão que faz na política nacional.
Não que tenha algo de novo ou de importante para propor, mas pelas mensagens sibilinas que quis comunicar ao PSD.
Como se sabe, a sua visão para o país é pobre e não vai além dos velhos lugares comuns. Se Portugal está a progredir (ainda que muito pouco, diz) isso deve-se, sobretudo, à política e à "honestidade intelectual" de Pedro Passos Coelho e, quanto ao futuro, basta seguir o receituário neoliberal ("é necessário menos Estado porque há um sufoco das empresas").
Todavia houve dois aspetos em que foi um pouco além das banalidades.
Um foi a acérrima defesa de que devem ser atribuídos mais poderes às Câmaras Municipais (coisa a que, erradamente, chama descentralização) indo ao ponto de explicitar que quer gerir os professores e o património. Nesta matéria fez um apelo matreiro a uma espécie de lobby de autarcas (sobretudo das grandes Câmaras porque as outras não podem querer o mesmo), com António Costa à cabeça e Marcelo como aliado, para dar combate ao que considera ser o bloqueio das esquerdas nesta matéria.
O outro foi a embaraçada defesa de que o PSD, preferencialmente ganhando as eleições, deve fazer pactos com o PS que garantam uma governação centrista por muitos anos. Nisso a única 'nuance' que o diferencia dos novos dirigentes do PSD é considerar que não vale a pena abordar o tema antes das eleições legislativas.
Mas o essencial da sua entrevista foi vir a público esclarecer que, nos próximos tempos, vai "ficar pela aldeia porque passar as portagens de S. Domingos de Rana só dá chatices" e, por cá, tem projetos que o "estão a realizar imenso e a divertir imenso".
Do varandim do seu palácio vai estar atento. Diz que, no PSD, "é uma exigência de todos ganharmos as eleições" mas que ele, Carlos Carreiras, não irá fazer ao novo líder o mesmo que Rui Rio e os seus apoiantes fizeram a Passos Coelho nos momentos difíceis.
O novo dirigente do PSD fica a saber que "se quiser dançar o tango" tem aqui em Cascais um parceiro disponível. Carreiras foi à televisão assegurar que tudo fará "para que não se prolongue este ambiente negativo de se estar a contestar o líder e a liderança com fundamentos que são inexistentes".
E, se a cenoura não funcionar fica insinuado o cacete: "por mim estou bem em Cascais. Cascais não tem rio, só mar"
Para bom entendedor…

/n

Ver o original no CASCAIS24 (aqui)

Imprimir Email

  • Visualizações: 31

O primeiro capítulo de uma tragicomédia de fim-de-semana

Há quem faça gala em dizer-se incapaz de ler o «Expresso», não só para escusar-se a contribuir para o negócio da família Balsemão, mas também por sempre nele adivinhar textos capazes de lhes suscitar justificada indignação ao situarem-se invariavelmente muito à direita.
Discordo claramente desse posicionamento, mais emotivo do que racional. Não constitui regra imprescindível das teorias militares que se procure saber o que se passa no outro lado da trincheira? Como se pode vir a ser eficaz no combate a quem nela se situa se não se lhe conhecerem as estratégias?
A publicação em papel desta semana traz muitas matérias a merecerem o nosso comentário e por isso serão tratadas em mais do que um texto.
A começar temos a colaboração regular, que mais costuma merecer a minha atenção: o cartoon de António, normalmente capaz de por si mesmo substituir mil palavras. É o caso do que se passa esta semana com o calvário de D. Manuel Clemente, subitamente confrontado com o quão disparatada terá sido a mediática opinião sobre o sexo entre recasados. Por isso arranjou forma de tentar corrigir o erro, fazendo-se entrevistar pelo próprio diretor do semanário. Afinal  não teria querido dizer propriamente o que terá saído da sua pena. Pelo contrário nós é que somos culpados da situação, porque o teremos interpretado mal. Pondo-se no papel de vítima incompreendida, o cardeal quer sair bem no filme, mas foi tão evidente o seu ultramontanismo, que nem pintando-se de que cor fosse, conseguiria apagar mais uma significativa mancha no seu já escuro currículo.
Chamado também para assunto de capa veio Cavaco Silva de quem se publica extensa entrevista na Revista. Sem prejuízo do que sobre ela virei a comentar fica já sublinhado o grande objetivo dos editores, que dela selecionaram como tema preferencial o da renovação do mandato de Joana Marques Vidal. O que vai ao encontro do que se tem ouvido a vários participantes no Congresso do PSD: para a direita será fundamental que as coisas continuem tal qual estão no reino corrupto do Ministério Público. Quanto temem que, com a saída da Procuradora-Geral, a Justiça se manifeste menos zarolha e, em vez de parecer cingir-se politicamente ao que lhes convirá explorar, se passe a dar maior atenção a casos até aqui desprezados como os dos submarinos ou o da Tecnoforma!
É igualmente curiosa a preocupação do principal órgão de comunicação enfeudado às direitas em dar voz à sinistra múmia, que tanto mal causou a milhões de portugueses, apesar de por eles ter sido sucessivamente guindado aos principais cargos da República (o que nos fez, amiúde, desconfiar da sua sageza!). Será que querem preparar-lhe um vistoso funeral de Estado, quando alguém for suficientemente persuasivo para o informar de estar há muito morto e ninguém lhe ter dito nada? Se o filho do gasolineiro ainda tem alguma ilusão quanto a ser homenageado na mesma dimensão em que o foram Mário Soares e, sobretudo, Álvaro Cunhal, bem pode tirar o cavalinho da chuva. Nem a persistência dos seus tenazes admiradores bastará para que a cerimónia venha a ser pouco mais do que privada.
Saindo dos assuntos trazidos para a capa do primeiro caderno entramos na segunda página e, finalmente, Martim Silva consegue pôr António Costa a encabeçar os Altos da sua coluna sobre quem está em evidência pelo que ele ajuíza serem bons ou maus motivos. Nem o esforçado Martim consegue ignorar “o maior crescimento real deste século (…) em convergência real com a Europa.” Tal reconhecimento confirma que, na redação do «Expresso», se adivinham tempos difíceis para quem lhes vai no coração, politicamente falando. E isso é óbvio no tom lastimoso de Pedro Santos Guerreiro, diretor do jornal, no seu editorial. Pressente-se-lhe a angústia de constatar um Congresso laranja marcado pelo cinismo de quem aplaude Rio “com as mãos moles e a ponta e mola no bolso.” E, logo identifica quem se apresta a conspirar contra o novo líder: “São os da corte ameaçada, são os patinadores no gelo que nunca passam das ameaças e são as máquinas de calcular futuros, os seus próprios futuros. Ouve-se o barulho do acelerador mas cheira a embraiagem. Para meter a próxima mudança.” Pode-se não apreciar o que lhe vai na alma, mas tem de se reconhecer o bom estilo!  E acaba com um apelo lancinante: “[Rio] ganhou o direito de ser apoiado pelo partido que, antes dele, já sofria de raquitismo político, intelectual - e eleitoral”.
Na mesma página outro dos jornalistas mais conotados com a direita no semanário (Filipe Santos Costa) alinha as áreas sobre as quais seriam desejáveis acordos do Bloco Central e a que insiste em chamar «reformas estruturais»: a Justiça (ou seja dar ainda mais força aos que querem dela servir-se para conseguirem que a vontade expressa pelos eleitores  possa impedir coisas esdrúxulas como foi exemplo a investigação a Mário Centeno), o sistema político (ou seja o favorecimento de condições para maiorias absolutas de direita e limitações engenhosas às que se possam formar à esquerda), a descentralização (ou seja a criação de muitos cavaquistões) e a Segurança Social (ou seja privatizando-a e cortando a eito na “peste grisalha”). Por muitas ilusões que as direitas tenham quanto à exequibilidade de tal projeto não contará com o beneplácito de um Partido Socialista que, pela voz de Pedro Nuno Santos já veio esta semana expressar outra interpretação para o que considera reformas necessárias para o país.
Ficámos ainda assim a saber que, nem sequer entre os seus, Rio consegue ter garantidos apoios para as armadilhas internas, que lhe estenderão passo a passo, contando, ainda assim, na sua equipa com um valete cavaquista do gabarito de Nunes Liberato, que em Belém terá assistido e quiçá participado em muitas inventonas contra José Sócrates. Tratando-se de um notório cortesão da já referida múmia podemos depreender que o sentido da expressão «diz-me com quem andas…» faz todo o sentido para quem da política se cola a ajudantes de caudilhos tão pouco recomendáveis…

Ver original aqui.

Imprimir Email

  • Visualizações: 35

A Igreja face aos escândalos pedófilos

Uma das curiosidades que assiste a quem da Igreja Católica portuguesa vai aumentando a desconfiança face às recentes intervenções da sua figura cimeira e da forma como no seu seio se contesta o papado de Francisco, é a de se saber porque, ao contrário do sucedido noutras paragens, não surgiram revelações sobre as tentações pedófilas dos seus pregadores. Lembramo-nos do crime perpetrado pelo foragido padre Frederico na Madeira e pouco mais se sabe. Porquê? Porque têm mais contenção nas hormonas ou por esconderem melhor os pecados sob um eficiente manto de silêncio?
Por agora acompanhemos o que se passa alhures através do documentário de Jesus Garces Lambert, que o canal ARTE exibirá na próxima terça-feira. Longa-metragem de produção italiana inicia-se com a promessa de “tolerância zero” prometida por Jorge Bergoglio em 2013, quando se  crismou de Papa Francisco. Antevia-se, então, a possibilidade de se encerrar um dos mais sombrios capítulos da história católica punindo-se severamente os autores dos abusos sexuais.
Cinco anos depois, apesar do avanço no reconhecimento das vítimas, a crise está longe de se considerar resolvida. Há padres indiciados como pedófilos que continuam em funções, tentativas de abafar certas histórias suspeitas, dignitários a pressionarem os queixosos para não prosseguirem com os casos na Justiça. Compreende-se que os próprios membros da comissão pontifícia para a proteção de menores, eles próprios antigas vítimas, tenham-se demitido em sinal de protesto.
Os costumes não se parecem ter alterado no seio de uma instituição habituada à cultura do segredo. O documentário procura questionar quais as resistências, que gangrenam a mínima tentativa de reforma e como o Vaticano ainda se pode arrogar da prerrogativa de se pensar acima da Justiça civil.
De Lyon à Pensilvânia, da Argentina à Itália, John Dickie e Jesus Garces Lambert abordam diversos casos de abusos sexuais em parte desconhecidos, mas protagonizados por padres que aproveitaram o ascendente espiritual para satisfazerem os desejos pedófilos nas crianças sob sua responsabilidade espiritual. Mas pretende-se ir mais além do que colecionar um conjunto de casos sórdidos: graças ao testemunho das vítimas, de padres dissidentes, de outros que confessaram os seus pecados e de psicólogos, sondam-se os mecanismos que levam a Igreja a esconder tais situações.
Olhando para os factos históricos, culturais, sistémicos e psicossexuais, os autores tecem um requisitório tenebroso concluindo que faz parte da essência das instituições essa quase inexpugnável cultura do silêncio.

Ver original aqui.

Imprimir Email

  • Visualizações: 22

O Exército da UE

Authors: in ODIARIO.INFO

O avanço da chamada Cooperação Estruturada Permanente (PESCO) da UE é mais um enorme passo no sentido da criação de um exército europeu. E, como o autor observa, esse exército UE, mais do que um pilar do federalismo é um pilar de um único estado “europeu”.

O actual presidente da Comissão Europeia quere-o. O mesmo acontecia com os seus antecessores. E agora toda a UE está a avançar no sentido da criação de um Exército europeu unificado, juntamente com um sistema unificado de investigação em defesa.

Desde que votámos pela saída [Brexit], o aparelho da UE tem-se movimentado rapidamente para a instalação de um exército UE com um único comando central, sem qualquer controlo nacional ou democrático. Tendo em conta as passadas agressões da UE – veja-se Kosovo, Ucrânia, e a belicosa atitude contra a Rússia – trata-se de uma perigosa evolução. Proporcionaria à UE, actuando como um bloco, as mãos livres para fazer soar os tambores da guerra onde quer que escolhesse em qualquer parte do mundo.

Também os nossos governos actuam agressivamente, está claro. Mas estão sujeitos a controlo por parte do povo, quando optamos por o fazer. O Brexit deveria trazer consigo uma consciencialização acrescida e o exercício do nosso poder de controlar.

Antes do referendo, os apoiantes da UE vieram dizer-nos que a afirmação por parte do lado favorável à saída de que existiam movimentações no sentido da unificação das forças armadas europeias “não passava de fantasia,” como a colunista do Guardian Jennifer Rankin.

Escreveu em 27 de Maio de 2016. O Lord Ashdown disse que a ideia de um exército UE era um “disparate”. No decurso da campanha, a Comissão Europeia nada disse sobre questões de defesa. Obedecia a instruções estritas no sentido nada fazer nem dizer que pudesse ser favorável ao voto pela saída. Uma vez consumada a votação, a UE mostrou-nos a sua verdadeira intenção.

A ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, aproveitou a oportunidade para deixar as coisas bem claras em Setembro de 2016, durante uma visita à Lituânia – que neste momento acolhe um grupo de combate alemão com cerca de 1.000 efectivos. “É tempo de avançarmos para uma união europeia de defesa, que basicamente é um ‘Schengen de defesa’,” disse.

Um mês mais tarde a Comissão Europeia revelou o seu Plano de Acção de Defesa UE. “Uma defesa europeia mais forte requer por parte dos Estados Membros a aquisição, desenvolvimento e reserva conjunta de um largo espectro de disponibilidades em terra, no ar, no espaço e no mar.”
A UE tem de há muito delineado um trajecto no sentido da união de defesa e criou uma ´serie de instrumentos com esse objectivo: um Plano de Desenvolvimento de Segurança e Defesa, a Agência de Defesa Europeia, um Plano de Acção de Defesa, o Programa de Desenvolvimento de Industria de Defesa, um Programa Europeu de Investigação em Defesa…e a lista prossegue.

Tudo isto é empreendido para expandir a “soberania da UE” – nas palavras do Presidente Juncker – em termos de defesa, o que constitui a ambição da UE desde o início. Problemas políticos, o menor dos quais não será certamente a recusa por parte da opinião pública britânica em aceitar a absorção das forças armadas britânicas num EuroExército, fizeram com que o processo se arrastasse por décadas. O Brexit veio clarificar essa objecção.

O nosso voto pela saída da UE constituiu um factor chave para o desencadear das iniciativas UE. Quatro dias depois, os ministros dos Negócios Estrangeiros francês e alemão pressionaram no sentido de uma União de Segurança Europeia. Os Planos vinham sempre embrulhados numa nuvem de desmentidos, mas o objectivo de longo prazo era claro, como Romano Prodi, então Presidente da Comissão Europeia, disse em 2000: “Quando falava de um exército europeu, não estava a brincar. Se não querem chamar-lhe exército Europeu, não lhe chamem exército Europeu. Podem chamar-lhe ‘Margarida’, podem chamar-lhe ‘Mariana’, podem chamar-lhe o que quiserem.”

A UE planeia integrar as tropas dos estados membros em unidades conjuntas UE através do desencadeamento de uma coisa chamada Cooperação Estruturada Permanente (Permanent Structured Cooperation, ou PESCO). Em Junho de 2017 o Conselho Europeu apelou a que ela fosse “inclusiva e ambiciosa”. A Comissão é franca acerca dos seus objectivos: “PESCO é ao mesmo tempo um enquadramento permanente para uma cooperação mais próxima e um processo estruturado no sentido de aprofundar gradualmente a cooperação de defesa no interior do quadro europeu.”

A Agência de Defesa Europeia, um braço da Comissão Europeia, vem pressionando no sentido de “um programa Europeu de investigação de defesa a iniciar-se quando termine, em 2020, o actual programa de financiamento”. Está a falar de um orçamento de alguns € 500 milhões o qual “…colocaria a UE entre os 4 maiores investidores em investigação & tecnologia de defesa na Europa” – omitindo que em resultado dessa medida muitos dos estados membros seriam forçados a abandonar a sua própria investigação em defesa.

O que é que tudo isto tem a ver connosco, uma vez que decidimos sair da UE? Para começar, a UE está desesperada por controlar os nossos activos militares. A Grã-Bretanha representa um quinto da despesa total em defesa da UE. A UE quer que nós paguemos por uma associação próxima com a defesa UE.

A despesa anual da Grã-Bretanha em investigação de defesa é de cerca de £1.8 milhares de milhões. Somos a principal potência europeia em investigação de defesa, com o mais alto nível de exportações relacionadas com investigação de defesa. Isto não é devido à Agência Europeia de Defesa, mas sim à nossa longa história de investigação em defesa, despesa militar e excelência científica. A ADE tem actualmente um orçamento de apenas £27 milhões, dos quais cabe à Grã-Bretanha a segunda maior fatia, mais de um décimo dos seu orçamento.

O Parlamento Europeu, no seu relatório de Novembro sobre a Defesa da União, disse que a Política Comum de Segurança e Defesa da UE “deveria conduzir, a seu tempo, ao estabelecimento das Forças Armadas Europeias”. Vários corpos estão a ser postos em acção para tornar isto em realidade. O Serviço de Acção Exterior da UE produziu também o seu próprio Plano de Desenvolvimento de Segurança e Defesa, com o objectivo de associar as capacidades de defesa da UE com a sua política externa.

A UE constata a ligação próxima entre capacidade de defesa e política de defesa – e deseja tornar essa ligação ainda mais próxima. O Plano Europeu de Acção de Defesa pretende tornar o Exército europeu realidade com um objectivo de €500 milhões para despesa em I&D militar, um mercado único para a defesa, racionalização da indústria de defesa, capacidades conjuntas detidas ao nível UE, e compromisso UE em segurança de abastecimento (o que implica intervenção no exterior).

O governo May aprovou estes dois planos em reuniões do Conselho da Europa nos finais de 2016. A Comissão Europeia disse ao governo que, uma vez que “as decisões relativas à União de Defesa da UE são tomadas por unanimidade”, se espera que a Grã-Bretanha “desempenhe o seu papel por inteiro enquanto permanecer como membro”.

O Foreign Office, na sua Revista de Estratégia de Defesa e Segurança de Dezembro de 2016, propôs “a manutenção do envolvimento na Política Comum de Segurança e Defesa da UE”. O ministro dos estrangeiros Alan Duncan disse a deputados no Comité de Escrutínio Europeu que existia “apoio por parte de outros estados UE no sentido da participação da Grã-Bretanha na política de defesa da UE depois do Brexit” e que não desejava “embaraçar tal cooperação futura”.

Mas tem havido por cá profunda oposição, e na reunião do Conselho da Europa de 13 de Novembro o governo realizou um dramático recuo em relação ao seu anterior consentimento aos esquemas militares UE ao recusar integrar o acordo de união militar UE, o PESCO.

O novo Fundo de Defesa UE será apoiado por milhares de milhões de euros do Banco Europeu de Investimento. A Grã-Bretanha é o maior accionista conjunto do banco, portanto a UE pretende oferecer o nosso próprio dinheiro a empresas britânicas para elas se associarem a projectos encomendados pela UE, dando a essas firmas um incentivo financeiro para solicitarem a participação no “mercado único de defesa” da UE.

O impulso UE pela integração tem um problema intrínseco. A participação em alguma parte da cooperação industrial, tecnológica ou estratégica envolve ficar vinculado ao planeamento militar para uma defesa comum UE, e comprometido a contribuir para fundos de defesa UE.

A integração militar UE, uma única política externa e de segurança, juntamente com um tesouro UE com um único orçamento e uma única moeda em toda a UE, tudo isso tem o significado de um único estado europeu.

Acontece que nós decidimos sair da UE, devemos permanecer fora dos seus esquemas de defesa, e certamente que não deveríamos comprometer-nos com eles como forma de adoçar as negociações.

No interesse da paz, devemos manter o controlo exclusivo das nossas forças armadas, e redirecciona-las não para a agressão mas para a defesa. Com as nossas zonas pesqueiras para proteger e deparando com novos inimigos no mundo porque decidimos marcar a nossa independência, não lhes falta trabalho de defesa.

Will Podmore é livreiro e escritor e vive em Londres. É o autor de The EU Bad for Britain – a Trade Union View, British Foreign Policy Since 1870 e The War Against the Working Class.

Leia original aqui

Imprimir Email

  • Visualizações: 11

- Plataforma Cascais no Facebook

Para estar informado(a)

Registo para receber a informação da Plataforma Cascais

captcha