Venezuela

Noruega confirma encontros entre Governo venezuelano e oposição

As autoridades norueguesas confirmaram hoje a sua mediação no sentido de iniciar o diálogo político entre "o Governo venezuelano e a oposição", para que seja alcançada uma solução para a crise na Venezuela.

"A Noruega informa que manteve contactos preliminares com representantes dos principais atores políticos da Venezuela, numa fase exploratória, com o objetivo de apoiar a busca de uma solução para a situação no país", refere uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Oslo.
A diplomacia norueguesa elogiou os "esforços" de ambas as partes e mostrou disposição para continuar a apoiá-las "na procura de uma solução pacífica".

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países, confirmou na quinta-feira os contactos que decorreram na Noruega.
"Sim, há uns enviados à Noruega [...]. Mas também o afirmo até me cansar que não nos vamos prestar a negociações falsas e que não nos conduzam a três coisas: fim da usurpação, governo de transição e eleições livres", afirmou Guaidó.

A televisão pública norueguesa NRK noticiou na quinta-feira que os contactos entre as duas partes começaram em Cuba, sendo que depois foram mantidas várias reuniões num local secreto em Oslo.


A delegação do Governo venezuelano foi constituída pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, e pelo governador de Miranda, Héctor Rodríguez, e a oposição foi representada pelo vice-presidente da Assembleia Nacional, Stalin González, pelo ex-deputado Gerardo Blyde e pelo ex-ministro Fernando Martínez Mottola.

Os nomes dos representantes da oposição foram mencionados por Guaidó, mas o Governo venezuelano não fez qualquer declaração oficial.

Guaidó, que há duas semanas encabeçou uma tentativa de levantamento militar em Caracas - encarada pelo Governo como golpe de Estado -, disse que "não há nenhum tipo de negociação" a não ser a resposta a uma proposta da Noruega, que se "esforçou" em iniciar "uma mediação".

Segundo o líder da oposição, a iniciativa procura um processo de saída para a crise e "parte de um país (Noruega) que quer colaborar".

Guaidó acrescentou que a mediação norueguesa é semelhante à que foi proposta por Espanha, pelo Canadá e pelo Grupo de Contacto formado por países da América Latina e da União Europeia, incluindo Portugal.

Entre setembro de 2017 e janeiro de 2018, Governo e oposição venezuelanos estabeleceram momentos de diálogo na República Dominicana, mas que não produziram resultados.

Ao contrário de outros países do continente europeu, a Noruega -- que não faz parte da União Europeia -- não reconhece Guaidó como presidente interino, apesar de o Governo de Oslo ter demonstrado apoio à oposição, pedindo diálogo e a realização de novas eleições.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Ine Eriksen Soreide, disse em janeiro que o país mantinha diálogo com as partes e que tinha oferecido ajuda para promover um novo processo político.

A Noruega desempenhou funções de mediação em mais de 20 processos de diálogo nas últimas décadas, destacando-se os acordos de Oslo entre israelitas e palestinianos ou as conversações entre o governo da Colômbia e as FARC.

Entretanto, o Presidente de facto da Venezuela, Nicolás Maduro, teve na quinta-feira uma reunião, no Palácio Presidencial em Caracas, com o Grupo de Contacto Internacional.

A missão conta com representantes de Portugal, Espanha, Alemanha, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia e, por parte da América Latina, com representantes da Costa Rica, Uruguai, Equador e Bolívia.

Maduro indicou através de uma mensagem transmitida pela rede social Twitter que a reunião serviu para informar acerca das "consequências do bloqueio e as sanções impostas pelos imperialistas dos Estados Unidos contra a Venezuela".

O Grupo de Contacto tinha também previstos encontros com a oposição venezuelana.

Notícias ao Minuto | Lusa | Foto: Reuters

 

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China entrega à Venezuela mais 64 toneladas de medicamentos

Chegou esta quinta-feira ao país caribenho um avião com assistência técnica humanitária proveniente da República Popular da China, com 64 toneladas de material médico. É o terceiro desde 29 de Março.

Esta quinta-feira, chegou à Venezuela a terceira remessa de medicamentos proveniente da China; a quarta deverá chegar em JunhoCréditos / VTV

Em declarações à imprensa proferidas no Aeroporto de Maiquetia, o ministro venezuelano da Saúde, Carlos Alvarado, informou que este novo lote consiste, sobretudo, em material médico-cirúrgico necessário aos hospitais públicos e do Instituto Venezuelano de Segurança Social.

Este fornecimento enquadra-se num acordo bilateral entre ambos países para fazer frente às consequências do bloqueio «ilegal e criminoso» imposto à Venezuela pela administração dos Estados Unidos e os seus «cúmplices internacionais», indica a VTV.

Carlos Alvarado disse ainda que este carregamento (em que se incluem gaze, medicamentos, material cirúrgico e material diverso) se vem juntar a outros anteriormente enviados por China, Rússia, Organização Pan-americana da Saúde, UNICEF e Cruz Vermelha Internacional, que perfazem 356 toneladas.

«Isto ajuda a aliviar a situação gerada pelo bloqueio. Não é tudo aquilo de que se necessita, mas ajuda muito», disse Alvarado, referindo-se ao facto de o seu país ter retidos milhões de dólares e euros em bancos europeus – o que tem impedido a compra directa de medicamentos –, bem como ao sequestro de material já comprado e retido em países aliados dos EUA.

De acordo com o ministro, a Venezuela já negociou, através do governo chinês, 104 milhões de dólares em compras directas de materiais médicos à China, que devem chegar em Junho. Com essa remessa, a Venezuela irá adquirir um valor superior ao requerido pelo país em termos de medicamentos, equipamentos e materiais de saúde, refere a VTV.

A segunda remessa chegou no dia 13

O segundo avião proveniente da China com assistência técnica humanitária chegou a Caracas na passada segunda-feira, contendo 71 toneladas de medicamentos e material cirúrgico. Carlos Alvarado sublinhou, então, que o objectivo é dar continuidade ao fortalecimento do Sistema Público Nacional de Saúde e, desse modo, continuar a dar resposta ao «bloqueio económico imposto pelo imperialismo norte-americano».

Caracas recebeu o primeiro carregamento com medicamentos da China – 75 toneladas – em 29 de Março último. Essa remessa era constituída por medicamentos para diabéticos, analgésicos e material cirúrgico, segundo informou, então, o vice-presidente pata a Área Económica, Tareck El Aissami.

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Portugal participa no confisco de bens à Venezuela

O que está a passar-se contra a Venezuela, com participação do governo de Portugal, é uma guerra avassaladora que envolve «crimes de lesa-humanidade» passíveis de cair sob a alçada do Tribunal Penal Internacional.
José Goulão | AbrilAbril | opinião
O governo da República Portuguesa está envolvido, directa e indirectamente, na apropriação ilegal de pelo menos três mil milhões de euros de bens públicos da Venezuela a que o Estado venezuelano está impedido de recorrer para comprar medicamentos, alimentos e outros produtos de primeira necessidade para a sobrevivência da população do país. Dessa verba, 1359 milhões de dólares correspondem ao valor do ouro de Caracas extorquido pelo Banco de Inglaterra, com anuência dos países da União Europeia; e 1543 milhões de euros é a fatia de dinheiro confiscada pelo Novo Banco, uma entidade nacional que foi salva com dinheiro extraído dos bolsos dos portugueses e depois oferecida a um fundo abutre norte-americano.
Até prova em contrário, o governo de Portugal é parte responsável por estes actos – além do reconhecimento do golpe terrorista através do qual os Estados Unidos designaram o seu agente Juan Guaidó como «presidente interino» da Venezuela. Os portugueses continuam à espera de respostas concretas a perguntas directas sobre estas actividades governamentais praticadas à revelia e contra os interesses dos portugueses, sobretudo dos que vivem emigrados na Venezuela. Até agora só o silêncio tem respondido aos pedidos de esclarecimento, o que também não parece perturbar a comunicação mainstream que, assim sendo, só tem o que merece. Mas o silêncio governamental vai valendo como uma confissão de cumplicidade de Lisboa com os crimes cometidos pela direcção fascista dos Estados Unidos da América contra a República soberana da Venezuela. Quem cala consente, sobretudo sendo este um governo que tem palavra fácil.


«A nossa estratégia funciona…»

E o que está a passar-se contra a Venezuela, com participação do governo de Portugal, é uma guerra avassaladora que envolve «crimes de lesa-humanidade» passíveis de cair sob a alçada do Tribunal Penal Internacional, de acordo com um relatório pedido pela ONU e em poder da Comissão de Direitos Humanos da organização.

A guerra que atinge a Venezuela não resulta de sanções pontuais, como poderá pensar-se. O que os Estados Unidos montaram, desde que o presidente Obama declarou o país como «uma ameaça à segurança nacional» norte-americana, em 2014, é um sistema organizado de punição colectiva que visa a falência e o desmantelamento do Estado venezuelano.
O Conselho de Relações Externas dos Estados Unidos, o mais pesado dos famosos think tanks deste país, confessa que «as sanções são alternativas visíveis e menos dispendiosas do que uma intervenção militar». Por outras palavras, as sanções são uma guerra, admite.

Mais claro ainda nos termos usados é um membro do Departamento de Estado norte-americano, que prestou declarações sob condição de anonimato a um conjunto de jornalistas, entre os quais Maria Molina, da Rádio Colômbia. «Estamos a assistir a um colapso económico total da Venezuela», disse. «Portanto, a nossa política funciona, a nossa estratégia funciona».

É a pessoas deste jaez e com esta consciência humanitária que o governo de Portugal está associado.

No passado dia 25 de Abril, dois economistas norte-americanos, Max Weibrot e Jeffrey Sachs, do Centro de Investigação Política e Económica1, em Washington, concluíram que o bloqueio económico e humanitário representa uma «punição colectiva» que provocou já a morte de pelo menos 40 mil pessoas na Venezuela. Se as sanções não existissem, revelam os autores, a economia do país não teria sido afectada, seguiria o seu caminho; por outras palavras, não haveria «crise humanitária», não existiria «colapso»2.

Uma teia imperial

As sanções nada têm de acumulação de decisões pontuais aleatórias. São aplicadas através de uma teia estruturada com o objectivo de asfixiar os mecanismos que permitem a vida de um Estado e de um país.

A sucessão de Ordens Executivas emanadas pelos Estados Unidos mas com impacto global, sobrepondo-se à ordem internacional vigente segundo o sistema da ONU, ilustram o funcionamento de um verdadeiro poder imperial.
As medidas estabelecidas por Washington contra a Caracas – do mesmo tipo das impostas ao Irão e a Cuba – pretendem fazer com que a Venezuela deixe de funcionar com a banca internacional e o sistema financeiro em geral, não possa comercializar os produtos que garantam a subsistência do Estado e das populações, como o petróleo e o ouro. Neste quadro a Venezuela fica inibida de exportar e importar, de se administrar, de se financiar e de honrar as suas dívidas. Esta asfixia induz um processo sádico de punição de milhões de pessoa forçando-as, no limite, a submeter-se à miséria ou a virar-se contra um governo que não é, de facto, responsável pela degradação constante da situação.

Mercê da complexa teia de procedimentos aplicada de forma arbitrária em termos políticos, económicos, financeiros, sociais e humanitários, a Venezuela não pode vender petróleo e ouro, não pode comprar medicamentos em geral e vacinas em particular, não pode contrair empréstimos junto da banca internacional, onde também não pode movimentar os seus activos depositados ou em circulação no estrangeiro; além de não lhe ser permitido pagar as dívidas, para que depois possa ser acusada de não honrar prazos de pagamento e cair em default. Levando assim, por arrastamento, os impérios internacionais de notificação de créditos, como a Standard & Poor’s, a colocar a Venezuela nos últimos lugares, muito abaixo de «lixo» – situação mais grave ainda do que as de países vítimas de guerras e agressões militares.

Trata-se de um sistema maquiavélico, sádico, repete-se, porque atinge os seres humanos onde eles são mais débeis, dependentes e indefesos como a saúde, a alimentação, os bens essenciais de consumo. Uma guerra imposta sem tropas mas também com mortos, feridos e famintos.

A componente portuguesa

E o governo de Portugal participa de forma sorrateira, sem o assumir perante os portugueses, nesta operação que provoca danos deliberados na economia e no sistema de saúde venezuelano, com a agravante de originar «diversos casos de morte – o que implica crimes de lesa-humanidade», segundo o relatório apresentado pelo perito independente da ONU, Alfred-Maurice de Zayas3, na última sessão da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Uma participação portuguesa que não acontece apenas por arrastamento, devido às «nossas alianças» ou às inerências da União Europeia. É uma opção deliberada.

Já em Agosto de 2016, por exemplo, o Novo Banco decidiu que estava impossibilitado de fazer operações em dólares com os bancos venezuelanos, invocando pressões de outras entidades bancárias com as quais se relaciona. Fê-lo numa conjuntura em que instituições como o Citibank se negaram a receber fundos venezuelanos para importar 300 mil doses de insulina, o Crédit Suisse proibiu os seus clientes de realizarem operações financeiras com a Venezuela e, só em Novembro de 2017, foram bloqueadas por bancos internacionais 23 operações de compra de alimentos, produtos básicos e medicamentos, no valor de 39 milhões de dólares.

Mais recentemente, em Janeiro e Fevereiro deste ano, coincidindo com a entronização golpista de Juan Guaidó, o Novo Banco travou uma operação de importação venezuelana de vacinas contra a meningite, rotavírus e gripe, atitude que afectou directamente 2,9 milhões de crianças venezuelanas.

Outro banco com grande representação em Portugal, o Santander, surge envolvido em actuações deste tipo. Rejeitou uma movimentação de fundos para reparação dos equipamentos hemodinâmicos da área cardiológica, o que atingiu directamente pelo menos 500 crianças com cardiopatia congénita. Exemplos deste tipo multiplicam-se em cadeia, associados a centenas de instituições financeiras internacionais e respectivos ramos.

Os fundos do Estado venezuelano confiscados pelo Novo Banco atingem os 1543 milhões de euros, verbas para serem prioritariamente utilizadas em produtos essenciais como medicamentos e alimentação.

Não consta que o governo de Portugal, depois de ter oferecido o antigo Banco Espírito Santo, resgatado pelos contribuintes portugueses, a um fundo abutre norte-americano, se tenha movimentado para evitar as consequências das decisões desumanas da instituição – afinal um banco português.

Porém, observando o comportamento do executivo de Lisboa nas questões venezuelanas, seria contra-natura que o fizesse.

Porque – até prova em contrário – o governo da República Portuguesa e o Banco de Portugal deram aval à extorsão de ouro no valor de 1359 milhões de dólares à República da Venezuela. O secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que todos os governos e bancos centrais da União Europeia foram consultados sobre a operação, concretizada pelo Banco de Inglaterra, onde o ouro fora depositado de boa-fé; e ainda não houve ninguém que o desmentisse.
Aliás, como já anteriormente ficou registado [ver artigo em caixa], o governo português fez-se representar, em 11 de Abril, numa reunião com o mesmo Mnuchin dedicada à asfixia financeira contra a Venezuela. É do secretário do Tesouro de Trump a seguinte declaração: «Continuaremos a utilizar todas as nossas ferramentas diplomáticas e económicas para apoiar o presidente interino Guaidó».

Fiel aos tiques de «bom aluno», o executivo de Lisboa não poderia deixar de obedecer também à Ordem Executiva 13850 do governo norte-americano, que bloqueia, entre muitas outras coisas, o comércio de ouro com a empresa estatal venezuelana Minerven.

Como o governo de Portugal continua a manter o silêncio sobre estes seus envolvimentos, e como não poderá alegar engano sobre as verdadeiras intenções «democráticas» de Trump ou Mnuchin, não existem dúvidas de que se identifica com o carácter agressivo, desumano e anti-democrático do lado onde se colocou.

Objectivos claros e terroristas

O ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, costuma citar um dos seus interlocutores oficiais norte-americanos que lhe disse um dia: «já que não podemos mudar o governo venezuelano vamos arruinar a vossa economia».

A declaração resume, sem dúvida, todo um programa terrorista de âmbito transnacional sob a batuta dos Estados Unidos.

Segundo o relatório de Alfred-Maurice de Zayas, o perito independente designado pela ONU para avaliar a situação, esse programa «além de obstruir o acesso ao financiamento externo e aos pagamentos internacionais, afecta o financiamento normal do aparelho produtivo nacional, criando uma redução da oferta de bens e serviços locais».

Ainda segundo Zayas, as sanções de Trump e Obama e as medidas unilaterais do Canadá e da União Europeia «agravam directa e indirectamente a escassez de medicamentos como insulina e antirretrovirais, acarretando demoras na distribuição e funcionando como agravante em diversos casos de morte – o que implica crimes lesa-humanidade»4.

O compromisso de Alfred-Maurice Zayas para apreciar a situação é com a ONU5, não com Nicolás Maduro.

Seria, portanto, bastante mais digno e humanista que o compromisso do governo de Portugal fosse com as Nações Unidas, não com Donald Trump e o seu farsante Guaidó.
Notas:
1.O Centro de Investigação Política e Económica (CEPR, de Center for Economic and Policy Research) foi fundado em 1999 por Dean Baker e Max Weibrot a fim de «promover o debate democrático sobre os mais importantes temas sociais e económicos» e permitir aos cidadãos «escolher sobre as diversas opções políticas» que se lhes colocam, fazendo-o «informadamente». A instituição, que conjuga «pesquisa profissional e educação pública» na sua actividade, funciona em Washington DC (EUA) e conta no seu quadro de consultores receptores do Nobel da Economia, como Robert Solow e Joseph Stiglitz; Janet Gornick, professora na CUNY Graduate School e directora do Luxembourg Income Study; e Richard Freeman, professor de Economia na universidade de Harvard. Ver «Sobre nós». Um detalhe pouco habitual, revelador do nível de consciência política dos trabalhadores do CEPR, é o facto de, na página de apresentação da instituição, mencionar-se que «os funcionários do CEPR são membros do sindicato de funcionários sem fins lucrativos IFPTE Local 70» – e remeter uma ligação para a página do sindicato.
2.O artigo em questão, Economic Sanctions as Collective Punishment: The Case of Venezuela, pode ser lido na íntegra aqui[ ]. A biografia de Max Weibrot pode ser conhecida na nota anterior e a de Jeffrey Sachs na presente nota.
3.Alfred-Maurice de Zayas é um advogado americano, escritor, historiador, especialista no campo dos direitos humanos e do direito internacional e ex-alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU). A sua reconhecida independência valeu-lhe, em 2012, ser nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU como Especialista Independente das Nações Unidas na Promoção de uma Ordem Internacional Democrática e Equitativa – cargo que mantém na actualidade. O leitor pode consultar a sua biografia na Wikipédia e aceder ao interessante sítio pessoal de Alfred-Maurice de Zayas, Alfred de Zayas' Human Rights Corner.
4.O relatório, intitulado «Report of the Independent Expert on the promotion of a democratic and equitable international order on his mission to the Bolivarian Republic of Venezuela and Ecuador», pode ser encontrado na íntegra aqui.
5.O programa «Enclave Político» da Telesur entrevistou Alfred-Maurice Zayas (Alfred de Zayas) em 31 de Janeiro de  2019. Um excerto da entrevista foi legendado em português e publicado no Diário Liberdade. Todo o excerto tem interesse, mas o leitor compreenderá a dificuldade que encontram opiniões independentes e sérias em exprimir-se sobre a Venezuela, no mainstream media, – como acontece com aquele respeitado perito em Direitos Humanos – atentando na parte da entrevista entre os 5’ 20” e o final do vídeo. A esse propósito, no sítio pessoal de Alfred de Zayas, o leitor pode encontrar o artigo «Essay on Venezuela», antecedido das dignas palavras dirigidas pelo autor à prestigiada revista Georgetown Journal of International Affairs. O artigo fora encomendado pela revista ao autor mas, depois de o terem recebido, declinaram-no, ferindo o princípio do debate de ideias que deve presidir a uma publicação científica. Por fim, se tiver tempo e paciência para ver a entrevista integral de Alfred de Zayas à Telesur (cerca de 32 minutos), pode fazê-lo aqui. Não perderá o seu tempo.
Na imagem: Encontro do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, e do Secretário de Estado norte-americano Michael Pompeo, em Washington, Junho de 2018. Créditos/ US Department of State

 

 

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Ex-chanceler chileno: Guaidó cruza linha vermelha ao buscar cooperação militar dos EUA

Heraldo Muñoz
© AFP 2019 / CRIS BOURONCLE

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, está cruzando a linha vermelha ao buscar a cooperação militar dos Estados Unidos, alertou o ex-ministro das Relações Exteriores do Chile e presidente do Partido da oposição para a democracia, Heraldo Muñoz.

Neste sábado, o autoproclamado "presidente encarregado" da Venezuela anunciou que ordenou ao seu representante nos EUA que se reunisse com o Comando Sul "para estabelecer uma relação de cooperação direta e de longo alcance".


"Isso já está na linha vermelha", twitou Muñoz, que serviu como chefe da diplomacia chilena durante o segundo mandato presidencial de Michelle Bachelet (2014-2018).

O político chileno exigiu ao governo de seu país e ao Grupo de Lima que se deve esclarecer se continuam apostando em uma solução pacífica para a Venezuela.

"Eles deveriam esclarecer se continuam em uma saída pacífica para a crise venezuelana, ou se agora apoiam Guaidó em uma intervenção militar expressa em uma declaração sobre 'todas as opções na mesa' e cooperação militar com os EUA", ele twittou.

Juan Guiadó já havia admitido que consideraria uma oferta de intervenção dos EUA, um país que o reconheceu como o "presidente encarregado" da nação caribenha.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019051213861349-chile-guaido-venezuela-eua/

Mais de 14 mil venezuelanos regressaram ao país com o «Plan Vuelta a la Patria»

No âmbito do programa criado por Nicolás Maduro, este sábado mais 170 venezuelanos regressam ao país, provenientes do Equador. Até ao momento, o «Plan Vuelta a la Patria» beneficiou 14 070 pessoas.

No Equador, sucederam-se as agressões e os ataques xenófobos contra cidadãos venezuelanos ali residentes; a Conviasa já realizou 30 voos com destino ao no país andino no âmbito do programa de repatriamento implementado por MaduroCréditos / mppre.gob.ve

A propósito do regresso a casa destes 170 compatriotas que se encontram no Equador, o Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros informou que 64% apontaram problemas económicos como motivo para voltarem, 54% referiram-se a questões de xenofobia e 21% a problemas de saúde.

Em Quito, capital do país andino, os beneficiados pelo Plano Regresso à Pátria partem da Embaixada venezuelana, acompanhados por funcionários da representação diplomática até ao Aeroporto Internacional Mariscal Sucre, de onde serão transportados num avião da Conviasa até ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, na Venezuela. Em simultâneo, um outro voo da companhia aérea estatal venezuelana parte da cidade equatoriana de Guayaquil, indicam a TeleSur e a VTV.

Em declarações à Prensa Latina, o responsável pelo processo de repatriamento dos venezuelanos a partir do Equador, Pedro Sassone, precisou que «se tratou de um processo sistemático, cujo cumprimento implicou, para a Venezuela, um grande esforço do ponto de vista económico e financeiro», uma vez que «é um programa de carácter social».

Ajudar compatriotas que emigraram, vítimas de xenofobia e exploração

O Plano Regresso à Pátria foi implementado em Agosto do ano passado pelo chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, tendo como objectivo apoiar os venezuelanos que emigraram para outros países da América Latina, onde pensavam encontrar novas oportunidades de trabalho e de melhorar as suas vidas, mas que acabaram por se deparar com uma realidade adversa, e expressaram a vontade de regressar à Venezuela.

De acordo com os próprios emigrantes, muitos manifestaram esse desejo depois de sofrerem acções de xenofobia, violência e discriminação, enfrentarem situações de desemprego, exploração e maus-tratos laborais, bem como problemas de saúde e dificuldades económicas existentes nos países de acolhimento.

De acordo com dados oficiais, divulgados pela VTV, o «Plan Vuelta a la Patria» beneficiou até ao momento 14 070 venezuelanos, possibilitando-lhes o regresso da Argentina (434), do Brasil (6965), do Chile (272), da Colômbia (764), do Equador (2797), do Panamá (1), do Peru (2561) e da República Dominicana (276).

Como explicaram as autoridades venezuelanas, não se trata de um simples programa de repatriamento de compatriotas em dificuldades, mas visa reintegrá-los na vida produtiva do país, «com a premissa de que estudem e trabalhem para a paz e a prosperidade socioeconómica» venezuelana.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

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Venezuela: como o SEBIN armadilhou a CIA

O fiasco do Golpe de Estado de Juan Guaidó e da CIA na Venezuela, em 30 de abril e 1 de Maio de 2019, só foi possível graças à infiltração das redes da Oposição pró-EUA. Esse paciente trabalho não foi realizado pelos 300 mil soldados cubanos, evocados por John Bolton, e que ninguém jamais viu, mas pelo SEBIN com conselheiros russos.

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Com a aquisição pela Venezuela de aviões Su-30, de sistemas anti-aéreos S-300, de tanques T-72, de baterias costeiras de Bastion russos, o Comando dos Estados Unidos para a América do Sul (UsSouthCom) colocou em acção meios de espionagem tecnológica (TechInt - Inteligência técnica) a fim de avaliar, de analisar e de interpretar as informações relativas ao material de combate do Exército venezuelano.

Trata-se de meios do tipo MasInt (Measurement and signature intelligence-Medição e assinatura de inteligência) que recebem à distância as vibrações, a pressão, a energia calórica produzida pelos sistemas de combate. Há igualmente outros meios (ElInt) relativos a emissões electrónicas de sistemas de radar e de rádio-navegação que equipam os mísseis terra-ar, os aviões e navios de guerra da Venezuela.

Mas a maior parte dos meios de espionagem foram utilizados para interceptar as redes de comunicação (ComInt). A Agência Nacional de Inteligência Electrónica (NSA) tem uma rede, chamada «Echelon», concebida para a interceptação e gravação de comunicações por telefone, fax, rádio e tráfego de dados graças aos satélites espiões norte-americanos.

O SouthCom foi capaz de avaliar, através do ComInt, o estado de espírito, a lealdade ou insatisfação dos comandantes do exército e dos chefes das autoridades políticas centrais e locais. A versão oficial da Rússia e da China, dificilmente crível, é que não enviaram peritos em espionagem e contra-espionagem para a Venezuela. Contrariamente a esta versão, desde Janeiro, quando os Estados Unidos introduziram o auto-proclamado presidente Juan Guaidó, a liderança da contra-espionagem da Venezuela parece ter sido tomada em mãos por um super James Bond. Uma das constatações do Pentágono foi a interrupção da colecta de dados pela NSA, através do processo ComInt. Ora, a Venezuela não tem tecnologia assim tão avançada que lhe permita bloquear a recepção de satélites da NSA.

Face a esta situação, a iniciativa na Venezuela foi retomada pela CIA, especializada em Humint (Inteligência Humana). Isto é, espionagem feita com agentes norte-americanos infiltrados, os quais por sua vez têm redes de informadores locais. Mas pouco tempo depois, o pequeno serviço de contra-espionagem venezuelano (SEBIN: Servicio Bolivariano de Inteligência Nacional) conseguiu humilhar a CIA. Só agora é que os Norte-americanos perceberam que todos os grupos da Oposição pró-EUA [1] ao regime de Caracas haviam sido infiltrados por agentes do SEBIN.

Graças a oficiais do SEBIN, infiltrados na imprensa financiada pelos Estados Unidos, houve uma operação com a seleção e a publicação das notícias mais miraculosas, mas pouco fiáveis, ligadas à evolução política na Venezuela. Houve assim várias «fugas» (vazamentos-br) que foram dadas à CIA, como, por exemplo, a intenção de certos generais da primeira força-tarefa venezuelana em trair o Presidente Nicolás Maduro e libertar os opositores políticos presos.

A fim de ganhar a confiança dos agentes da CIA, os membros do SEBIN até organizaram reuniões de conspiração com os generais venezuelanos, sob total controlo da Inteligência do SEBIN e da Contra-espionagem militar. A «deserção» do General Manuel Figuera, Chefe do SEBIN, a libertação de Leopoldo López [2] da sua prisão domiciliar, e a colocação à disposição, para Juan Guaidó, de um pelotão de soldados pertencendo ao SEBIN, para tomar a guarnição da Carlota, em Caracas, e mais de mil militares, faziam parte da operação de intoxicação dos agentes da CIA, a fim de convencer Washington do sucesso do Golpe de Estado.

Finalmente, a Casa Branca deu luz verde para a acção de 30 de Abril que se tornou o maior fracasso da CIA no decurso das últimas décadas. A Venezuela provou que lutar com patriotismo e profissionalismo, mesmo para um país sul-americano sob embargo, pode quebrar os planos da CIA.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Grandes roubos | Maduro reclama 1,54 mil milhões de euros retidos no Novo Banco

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou esta quinta-feira a reclamar os 28,35 mil milhões de euros retidos nos Estados Unidos e em Portugal, valor que disse estar destinado à importação de alimentos e medicamentos.

Segundo Nicolás Maduro, os Estados Unidos "roubaram à Venezuela" 30 mil milhões de dólares (26,81 mil milhões de euros) e em Portugal estão retidos 1,7 mil milhões de dólares (1,54 milhões de euros à taxa de câmbio atual).

"Há que aumentar (os esforços) para enfrentar o bloqueio económico que faz o Governo imperialista de Donald Trump. Uma sabotagem anormal, desumana. [O Governo norte-americano] sabota todas as importações que fazemos de matéria prima (...) Temos que inventar mil caminhos para comprar e para trazer o que o país precisa para fazer medicamentos", disse.

Nicolás Maduro falava no Forte de Tiuna, a principal base militar de Caracas, durante um ato que teve como tema central a saúde e que foi transmitido pela televisão estatal venezuelana.

"Continuo a denunciar. Não me cansarei de denunciar o roubo de mais de 30 mil milhões de dólares, pelo Governo dos EUA, contra a Venezuela", frisou.

"Em Portugal, por exemplo, num banco chamado Novo Banco, roubaram-nos 1.726 milhões de dólares que estavam destinados para trazer medicamentos (...) Assalto a plena luz do dia, por ordem do Governo 'gringo' americano", acusou.


"Temos de enfrentar e vamos continuar a enfrentar. Faça chuva, trovoada ou relâmpagos, ninguém nem nada deterá o rumo da revolução bolivariana na saúde e em todos os campos da nossa vida. Ninguém nos vai tirar o direito ao futuro, à felicidade e à paz, o direito à vida, não vou vão tirar", acrescentou.

Cerca de cinco dezenas de venezuelanos protestaram na quinta-feira junto ao Consulado-Geral de Portugal em Caracas, para exigir que o Governo português desbloqueie 1.543 milhões de euros que estão retidos no Novo Banco.

O protesto foi convocado pela Asobien, uma organização não governamental (ONG) dedicada a doentes com Parkinson e outras doenças, que insiste que esses recursos se destinam ao tratamento de doentes venezuelanos, no exterior.

Os manifestantes chegaram num autocarro do Governo venezuelano e, segundo fontes diplomáticas, entregaram uma carta a reclamar o desbloqueio do dinheiro.

No passado dia 2, 19 organizações de defesa dos direitos humanos e movimentos sociais venezuelanos tinham ido à Embaixada de Portugal em Caracas também para pedir que o Governo português interceda para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros retidos no Novo Banco.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela explicou na altura que foi entregue "uma carta onde solicitam os bons ofícios do Governo português para que sejam desbloqueados 1.543 milhões de euros que foram ilegalmente retidos na entidade financeira Novo Banco".

Na mesma nota, a diretora da Sures, uma associação dedicada ao estudo, educação e defesa dos Direitos Humanos, Lucrécia Hernández, denunciou que "o bloqueio destes ativos têm impedido o pagamento necessário para atender 26 pacientes venezuelanos que se encontram em Itália, à espera de receber tratamento oncológico".

Devido a esta situação, a diretora de Sures, Lucrécia Hernández, "apelou aos bons ofícios do Governo de Portugal para que, através das ações legais que correspondam, o Novo Banco consiga destravar os recursos".

"Não temos podido concretizar a compra de medicamentos, de uma série de materiais, como consequência do bloqueio imposto pelos EUA e que o Novo Banco continuou", disse a diretora da organização Rompendo a Norma Alexis Bolívar.

O comunicado conclui afirmando que a representação diplomática portuguesa mostrou-se "aberta à solicitação e manifestou a disposição de tramitar o requerimento".

Já em 17 de abril, o Presidente da Venezuela tinha exortado o Governo português a desbloquear os ativos do Estado venezuelano retidos no Novo Banco, sublinhando que o dinheiro será usado para comprar "todos os medicamentos e alimentos".

"Libertem os recursos [da Venezuela] sequestrados na Europa. Peço ao Governo de Portugal que desbloqueie os 1,7 mil milhões de dólares [cerca de 1,5 mil milhões de euros] que nos roubaram, que nos tiraram" e que estão retidos no Novo Banco.

Lusa | Expresso

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/grandes-roubos-maduro-reclama-154-mil.html

Marinha venezuelana expulsa navio de guerra norte-americano de suas águas (FOTOS)

Na sexta-feira (10), um navio de guerra norte-americano entrou em águas venezuelanas, mas as abandonou depois de ter comunicado com a Marinha venezuelana.

Segundo a Marinha da Venezuela, o navio da Guarda Costeira dos EUA USCGC James foi notado pela primeira vez pelas Forças Armadas venezuelanas na quarta-feira (8). Na quinta-feira, um navio de patrulha venezuelano se aproximou do navio americano e o convenceu a mudar de rumo.

"Depois de nossas comunicações por rádio, o USCGC James foi convencido da necessidade de mudar seu rumo e deixou nossas águas", afirmou a Marinha em um comunicado.

O USCGC James pertence à Guarda Costeira dos Estados Unidos. Alguns internautas rastrearam a suposta presença do navio dos EUA em águas venezuelanas.

O Comando Sul dos Estados Unidos (SOCOM) informou em um comunicado na terça-feira (7) que os EUA planejam enviar à região o navio de assistência hospitalar Comfort para prestar apoio aos países regionais em meio à crise na Venezuela.


Entretanto, o SOCOM não especificou quais seriam os países que o USNS Comfort visitaria, mas disse que os detalhes seriam anunciados mais tarde.

A Venezuela tem lidado com uma grave crise política, com o líder da oposição, Juan Guaidó, tendo se proclamado presidente interino do país em 23 de janeiro.

Os EUA e vários países da Europa e América Latina, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente interino do país.

A Rússia, China, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Turquia, México, Irã e muitos outros países manifestaram seu apoio a Maduro como presidente legítimo e exigiram que os outros países respeitem o princípio de não interferência nos assuntos internos venezuelanos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019051113857953-marinha-venezuelana-expulsa-navio-de-guerra-norte-americano-de-suas-aguas-fotos/

Guerra na Venezuela

– Os EUA já estão em guerra com a Venezuela. Uma guerra híbrida, não-convencional, mas uma guerra

por Marcelo Zero

A grande pergunta que todos se fazem no momento é se haverá ou não uma guerra na Venezuela.

Bom, em primeiro lugar, é preciso considerar que os EUA já estão em guerra com a Venezuela. Uma guerra híbrida, não-convencional, mas uma guerra.

Os EUA estão fazendo de tudo na Venezuela. Além do embargo comercial e financeiro , que já ocasionou a morte de pelo menos 40 mil pessoas, confiscaram ouro e outros ativos da Venezuela no exterior , promoveram atos de sabotagem que levaram a apagões , instituíram um títere ridículo (Guaidó) para tentar derrubar Maduro mediante um golpe , articularam o isolamento diplomático e político do nosso vizinho , fazem pressão para que os militares abandonem o governo constitucional , promovem uma grande campanha de desinformação sobre a Venezuela para criminalizar Maduro e o regime bolivariano, etc. etc.

A questão não é, portanto, se os EUA entrarão em guerra com a Venezuela, mas se a atual guerra híbrida escalará para uma guerra militar estrito senso.

Para tentar responder a essa pergunta, temos de levar em consideração dois grandes fatores.

O primeiro tange à nova geoestratégia dos EUA para América Latina. Eles querem implantar, a ferro e fogo, se necessário, a Nova Doutrina Monroe, segundo a qual a nossa região tem de ser, de novo, um espaço de influência exclusiva dos EUA. Um quintal. Um patio trasero, como dizem os hispânicos.

Nesse novo cenário, não haveria lugar para países que tenham políticas externas independentes e relações mais aprofundadas com China e Rússia, por exemplo, rivais geopolíticos e geoeconômicos dos EUA. Assim, a derrubada do governo Maduro é essencial para a agenda dos EUA na região, pois Caracas tem hoje relações bastante estreitas com esses rivais dos EUA e pratica uma política externa muito independente, embora jamais tenha deixado de prover seu petróleo para o gigante norte-americano. Diga-se de passagem, o governo brasileiro de Bolsonaro, bem-treinado que é, já ameaça sair do BRICS e abandonar programas sino-brasileiros .

O segundo fator diz respeito às divergências no governo dos EUA sobre o que e como fazer, em relação à Venezuela.

Como no Brasil, há dois grandes grupos no governo dos EUA que têm opiniões distintas sobre esse e outros assuntos.

Há o grupo dos ideólogos de extrema-direita, do qual fazem parte figuras sinistras como John Bolton (conselheiro de segurança nacional), Mike Pompeo (secretário de Estado), e o terrível Eliott Abrams (enviado especial para a Venezuela), entre outros. Embora mais sofisticados que o astrólogo da Virgínia [1] e os integrantes do Clã (qualquer coisa é), compõem um grupo extremado, um tanto delusional, gente que não tem contato muito estreito com a realidade.

Pois bem, esse pessoal, tutti buona gente, neocons de pura cepa, quer uma intervenção militar na Venezuela. Bolton, em particular, maior ideólogo da Nova Doutrina Monroe, já demandou ao Pentágono cenários variados para a intervenção, desde bombardeios localizados, até invasão com tropas em terra.

O problema, para ele, é que os militares do Pentágono, como os daqui, estão resistindo e advertindo Trump sobre os perigos de uma guerra na Venezuela, especialmente se esta envolver tropas em terra.

A Venezuela é duas vezes maior que o Iraque e tem um terreno extremamente difícil para operações em terra, com selvas impenetráveis, pântanos (llanos), montanhas, etc. Enfim, um terreno ideal para uma guerra defensiva de posições táticas e de guerrilhas. Além disso, como já escrevi anteriormente, a Venezuela vem se preparando para este cenário desde 2006, com o Nuevo Pensamiento Militar. Mesmo no caso de uma derrota completa das forças regulares venezuelanas, a Milícia Bolivariana, que poderia reunir até 500 mil membros, oporia feroz resistência por todo o território da Venezuela.

Não bastasse, os bolivarianos poderiam receber apoio logístico de China e Rússia, especialmente desta última, que desenvolveu cooperação militar estreita com a Venezuela.

Além dessas questões militares operacionais, pesam também contra uma intervenção militar, notadamente contra uma invasão por terra, a falta de apoio político internacional. O Grupo de Lima , que congrega a direita sul-americana e os satélites dos EUA na região, rejeita a escalada militar, embora apoie entusiasticamente a guerra híbrida contra a Venezuela. Os europeus também preferem apostar apenas na guerra híbrida.

Mas isso significa dizer que a transformação da guerra híbrida em guerra convencional está descartada?

Não, não está.

À medida que a “solução Guaidó” fracassa miseravelmente e não se investe numa solução negociada e pacífica, cresce a impaciência e o descontentamento dos neocons liderados por John Bolton. Há de se considerar que Bolton é um sujeito muito perigoso e influente, que tem um longo e inquietante histórico de manipulação de informações para fazer prevalecer suas teses.

Parte de grupos a ele ligados [propala] a cretina “informação” de que os generais venezuelanos seriam controlados por “agentes cubanos”, repetida por oligofrênicos da nossa imprensa conservadora. O alvo de Bolton é o lobby anticastrista, de enorme influência e Washington e decisivo no voto latino nos EUA.

Trump, embora reticente em aprovar qualquer intervenção militar, confia muito em Bolton e encarregou-o de cuidar do tema.

O presidente do America First e o resto que se dane não quer se envolver numa guerra que não poderia ganhar no curto prazo, mas também sabe que o atual cenário de fracasso e humilhação o está desgastando ante o eleitorado conservador.

Na persistência crônica desse cenário de impasse humilhante, é possível que se opte por uma intervenção militar restrita a alguns bombardeios punitivos contra alvos militares e políticos selecionados. [2]

Do ponto de vista logístico e militar, essa seria uma alternativa viável. A Venezuela está muito próxima dos EUA. Ademais, os EUA têm duas grandes bases militares bem próximas do território da Venezuela: Guantánamo (Cuba) e Soto Cano (Honduras). Os EUA também não teriam grandes dificuldades em usar instalações no Panamá, Colômbia ou, quem sabe, até no Brasil. O deslocamento de uma boa força naval até a costa da Venezuela também poderia se dar de forma muito rápida.

A capacidade de a Venezuela resistir a tal ataque é limitada, mesmo com seus Sukhois SU-30 e seus mísseis S-300. O poder dos mísseis Cruise e dos aviões com tecnologia stealth é avassalador. Ademais, a Venezuela não tem expertise em guerra eletrônica. Uma vez destruído o sistema de comunicação militar, pouca coisa poderá se fazer.

A decisão de se fazer ou não um ataque desse tipo dependerá da evolução das condições internas na Venezuela e dos efeitos esperados nos eleitores de Trump. Se o impasse político persistir, se abrirem fissuras nas forças venezuelanas e as condições econômicas continuarem a se deteriorar, e se os eleitores conservadores dos EUA começarem a ver com bons olhos uma ação mais firme, a hipótese de uma intervenção militar restrita, sem tropas em terra, pode não só se tornar factível, mas desejável.

Bastaria preparar o terreno com uma operação de falsa bandeira, que resultasse em mortos e feridos atribuíveis ao “ditador” Maduro, para que tal ação possa ser “justificada”. Outra hipótese, como esclarece o patético títere, seria o parlamento venezuelano convidar os americanos a destruírem a Venezuela.

Seria, de qualquer modo, uma aposta de alto risco. Porém, não se deve desprezar a crueldade e a truculência do Império e da direita venezuelana. Para assegurar seus interesses, o governo dos EUA não se importa em destruir países e matar milhões de pessoas, desde que não sejam vidas norte-americanas. Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria foram destruídos, milhões de vidas foram perdidas, ceifadas, direta ou indiretamente, pela guerra.

Alguns argumentam que, na América Latina, haveria maiores freios para ações como essas, dada à existência de uma grande população de origem latina nos EUA, mas, ante o total desprezo demonstrado por Trump ante o sofrimento de imigrantes latino-americanos, não é prudente supor que a atual administração dos EUA se guiará, no caso da Venezuela, por princípios humanistas e racionalidade.

O risco de uma escalada militar, que possa conduzir a Venezuela a uma guerra civil prolongada é, portanto, real.

Em outros tempos, o Brasil lideraria toda a América Latina contra essa loucura. Agora, no entanto, somos um paiseco submisso, que bate continência, até mesmo literalmente, para gente insana como Bolton.

Bolsonaro abriu os portões para a barbárie não apenas no Brasil, mas em toda a nossa região.

Oscar Wilde afirmou que os EUA eram o único país a passar da barbárie para a decadência sem passar pela fase histórica da civilização.

Já o Brasil dos capitães e astrólogos reúne, numa só fase histórica, decadência e barbárie.

06/Maio/2019

NR
[1] Refere-se a Olavo de Carvalho, um ex-astrlogo que reside em Virgnia (EUA) e inspira o presidente Jair Bolsonaro.
[2] A dita intervenção "restrita" poderia vir a ser realizada por mercenários. Ver Plano de utilização de mercenários para derrubar governo da Venezuela .

O original encontra-se em www.brasildefato.com.br/2019/05/06/artigo-or-guerra-na-venezuela/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/venezuela/mzero_06mai19.html

Guaidó declara que poderia aceitar intervenção militar dos EUA na Venezuela

Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana
© AP Photo / Fernando Llano

O opositor e o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, declarou que poderia aceitar uma intervenção militar dos EUA na Venezuela se isso ajudar a resolver a crise no país.

"Se os americanos propusessem uma intervenção militar, eu provavelmente aceitaria", disse Guaidó em uma entrevista ao jornal italiano La Stampa.

Guaidó não excluiu que as autoridades opositoras da Venezuela poderiam recorrer à norma constitucional que prevê a intervenção militar externa.

Segundo o opositor, atualmente as únicas subunidades militares estrangeiras que estão presentes na Venezuela são os militares de Cuba, que apoia o presidente legitimo Nicolás Maduro.

A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".


Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam sendo completamente fiéis às autoridades legítimas.

A Venezuela tem lidado com uma grave crise política, com o líder da oposição, Juan Guaidó, proclamando-se presidente interino do país em 23 de janeiro.

Os EUA e vários países da Europa e América Latina, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente interino do país.

A Rússia, China, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Turquia, México, Irã e muitos outros países manifestaram seu apoio a Maduro como presidente legítimo e exigiram que os outros países respeitem o princípio de não interferência nos assuntos internos venezuelanos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019051013855396-guaido-declara-que-poderia-aceitar-intervencao-militar-dos-eua-na-venezuela/

Trump estende a mão a Cuba

 

Depois de ter tentado, em vão, desestabilizar a Venezuela, o Presidente Donald Trump propôs, em 2 de Maio, na Fox Business, uma abertura económica em Cuba se ela retirasse as suas tropas da República Bolivariana.

Nos últimos cinco meses, a Administração Trump evoca a presença de 300.000 soldados cubanos na Venezuela, entre os quais 25.000 nos Serviços de Inteligência. É, sempre segundo a Administração Trump, esta pressão que impediria 90% dos militares venezuelanos de apoiar o autoproclamado presidente Juan Guaidó.

Na realidade, qualquer pessoa que tenha visitado o país pode constatar que apenas a proteção próxima do Presidente da República, ou seja, menos de cinquenta pessoas, está confiada a Cubanos. Jamais houve tropas cubanas na Venezuela, tal como Havana muitas vezes repetiu. Como sempre, por força da repetição, a propaganda torna-se tão evidente para todos que nos perguntamos se os Estados Unidos são ainda capazes de distinguir o que fingem da realidade.

No decurso dos últimos meses, os Estados Unidos limitaram as transferências de divisas entre os emigrantes cubanos e a ilha. Também anunciaram a entrada em vigor das sanções em relação a firmas do Canadá e da União Europeia, adoptadas em 1996, mas continuamente adiadas.

A abertura económica dos EUA permitiria encontrar um responsável pelo fracasso do golpe de Estado de Juan Guaidó e voltar à razão com Cuba.

Ver original na 'Rede Voltaire'



Maduro: Venezuela está se tornando livre do dólar americano

Quantos antes afirmaram essa intenção (Sadam, Gadaffi,...) acabaram assassinados.E Maduro ?)

Dólar norte-americano (imagem de arquivo)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou que seu país esta ficando livre do dólar, apesar das autoridades do país terem liberalizado recentemente o mercado de câmbio.

Na terça-feira, um documento divulgado pelo Banco Central da Venezuela revelou que Caracas manteve sua política de liberalizar seu mercado de câmbio desde que introduziu venda e compra absolutamente livres de moedas estrangeiras, incluindo o dólar, em bancos comerciais.


"Estamos nos libertando das cordas, das chantagens e do dólar como um mecanismo financeiro. Um grande processo histórico está em andamento com as pessoas dizendo ao mundo — sim, somos capazes de produzir, viver e funcionar sem o dólar e sem o sistema financeiro do gringo", disse Maduro ao vivo em um canal estatal de TV nesta quarta-feira.

O presidente classificou as mudanças em curso de um processo de libertação do bloqueio dos EUA.

O governo venezuelano estabeleceu controle sobre todas as operações em moeda estrangeira no país desde 2003. Como resultado, um mercado ilegal de operações cambiais tomou forma no país, com sua taxa de câmbio excedendo a taxa de câmbio oficial em dezenas de vezes.

A Venezuela liberalizou as operações do dólar em agosto de 2018. No entanto, o sistema de intercâmbio oficial, o DICOM, permaneceu em vigor. Sua taxa só recentemente se tornou igual à chamada taxa do mercado negro e até a superou.

Enquanto isso, os novos regulamentos dão aos bancos comerciais o direito de vender e comprar moedas estrangeiras com suas próprias taxas. O documento, divulgado pelo Banco Central, no entanto, não menciona o sistema DICOM.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050913839688-maduro-venezuela-dolar-americano-liberalizacao/

Venezuela e o que (não) se diz dela! - IX

PORTUGAL PARTICIPA NO CONFISCO DE BENS À VENEZUELA


«O governo da República Portuguesa está envolvido, directa e indirectamente, na apropriação ilegal de pelo menos três mil milhões de euros de bens públicos da Venezuela a que o Estado venezuelano está impedido de recorrer para comprar medicamentos, alimentos e outros produtos de primeira necessidade para a sobrevivência da população do país. Dessa verba, 1359 milhões de dólares correspondem ao valor do ouro de Caracas extorquido pelo Banco de Inglaterra, com anuência dos países da União Europeia; e 1543 milhões de euros é a fatia de dinheiro confiscada pelo Novo Banco, uma entidade nacional que foi salva com dinheiro extraído dos bolsos dos portugueses e depois oferecida a um fundo abutre norte-americano.»

«Até prova em contrário, o governo de Portugal é parte responsável por estes actos – além do reconhecimento do golpe terrorista através do qual os Estados Unidos designaram o seu agente Juan Guaidó como “presidente interino” da Venezuela. Os portugueses continuam à espera de respostas concretas a perguntas directas sobre estas actividades governamentais praticadas à revelia e contra os interesses dos portugueses, sobretudo dos que vivem emigrados na Venezuela. Até agora só o silêncio tem respondido aos pedidos de esclarecimento, o que também não parece perturbar a comunicação mainstream que, assim sendo, só tem o que merece. Mas o silêncio governamental vai valendo com uma confissão de cumplicidade de Lisboa com os crimes cometidos pela direcção fascista dos Estados Unidos da América contra a República soberana da Venezuela. Quem cala consente, sobretudo sendo este um governo que tem palavra fácil. “A nossa estratégia funciona…”
E o que está a passar-se contra a Venezuela, com participação do governo de Portugal, é uma guerra avassaladora que envolve “crimes de lesa humanidade” passíveis de cair sob a alçada do Tribunal Penal Internacional, de acordo com um relatório pedido pela ONU e em poder da Comissão de Direitos Humanos da organização.
A guerra que atinge a Venezuela não resulta de sanções pontuais, como poderá pensar-se. O que os Estados Unidos montaram, desde que o presidente Obama declarou o país como “uma ameaça à segurança nacional” norte-americana, em 2014, é um sistema organizado de punição colectiva que visa a falência e o desmantelamento do Estado venezuelano.
O Conselho de Relações Externas dos Estados Unidos, o mais pesado dos famosos think tanks deste país, confessa que “as sanções são alternativas visíveis e menos dispendiosas do que uma intervenção militar”. Por outras palavras, as sanções são uma guerra, admite.
Mais claro ainda nos termos usados é um membro do Departamento de Estado norte-americano que prestou declarações sob condição de anonimato a um conjunto de jornalistas, entre os quais Maria Molina, da Rádio Colômbia. “Estamos a assistir a um colapso económico total da Venezuela”, disse. “Portanto, a nossa política funciona, a nossa estratégia funciona”.
É a pessoas deste jaez e com esta consciência humanitária que o governo de Portugal está associado.
No passado dia 25 de Abril, dois economistas norte-americanos, Max Weibrot e Jeffrey Sachs, do Centro de Investigação Política e Económica dos Estados Unidos, concluíram que o bloqueio económico e humanitário representa uma “punição colectiva” que provocou já a morte de pelo menos 40 mil pessoas na Venezuela. Se as sanções não existissem, revelam os autores, a economia do país não teria sido afectada, seguiria o seu caminho; por outras palavras, não haveria “crise humanitária”, não existiria “colapso”. Uma teia imperial
As sanções nada têm de acumulação de decisões pontuais aleatórias. São aplicadas através de uma teia estruturada com o objectivo de asfixiar os mecanismos que permitem a vida de um Estado e de um país.
A sucessão de Ordens Executivas emanadas pelos Estados Unidos mas com impacto global, sobrepondo-se à ordem internacional vigente segundo o sistema da ONU, ilustram o funcionamento de um verdadeiro poder imperial.
As medidas estabelecidas por Washington contra a Caracas – do mesmo tipo das impostas ao Irão e a Cuba – pretendem fazer com que a Venezuela deixe de funcionar com a banca internacional e o sistema financeiro em geral, não possa comercializar os produtos que garantam a subsistência do Estado e das populações, como o petróleo e o ouro. Neste quadro a Venezuela fica inibida de exportar e importar, de se administrar, de se financiar e de honrar as suas dívidas. Esta asfixia induz um processo sádico de punição de milhões de pessoa forçando-as, no limite, a submeter-se à miséria ou a virar-se contra um governo que não é, de facto, responsável pela degradação constante da situação.
Mercê da complexa teia de procedimentos aplicada de forma arbitrária em termos políticos, económicos, financeiros, sociais e humanitários, a Venezuela não pode vender petróleo e ouro, não pode comprar medicamentos em geral e vacinas em particular, não pode contrair empréstimos junto da banca internacional, onde também não pode movimentar os seus activos depositados ou em circulação no estrangeiro; além de não lhe ser permitido pagar as dívidas, para que depois possa ser acusada de não honrar prazos de pagamento e cair em default. Levando assim, por arrastamento, os impérios internacionais de notificação de créditos, como a Standard and Poor’s a colocar a Venezuela nos últimos lugares, muito abaixo de “lixo” – situação mais grave ainda do que as de países vítimas de guerras e agressões militares.
Trata-se de um sistema maquiavélico, sádico, repete-se, porque atinge os seres humanos onde eles são mais débeis, dependentes e indefesos como a saúde, a alimentação, os bens essenciais de consumo. Uma guerra imposta sem tropas mas também com mortos, feridos e famintos. A componente portuguesa
E o governo de Portugal participa de forma sorrateira, sem o assumir perante os portugueses, nesta operação que provoca danos deliberados na economia e no sistema de saúde venezuelano, com a agravante de originar “diversos casos de morte – o que implica crimes de lesa humanidade”, segundo o relatório apresentado pelo perito independente da ONU, Alfred-Maurice de Zayas, na última sessão da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Uma participação portuguesa que não acontece apenas por arrastamento, devido às “nossas alianças” ou às inerências da União Europeia. É uma opção deliberada.
Já em Agosto de 2016, por exemplo, o Novo Banco decidiu que estava impossibilitado de fazer operações em dólares com os bancos venezuelanos, invocando pressões de outras entidades bancárias com as quais se relaciona. Fê-lo numa conjuntura em que instituições como o Citibank se negaram a receber fundos venezuelanos para importar 300 mil doses de insulina, o Crédit Suisse proibiu os seus clientes de realizarem operações financeiras com a Venezuela e, só em Novembro de 2017, foram bloqueadas por bancos internacionais 23 operações de compra de alimentos, produtos básicos e medicamentos, no valor de 39 milhões de dólares.
Mais recentemente, em Janeiro e Fevereiro deste ano, coincidindo com a entronização golpista de Juan Guaidó, o Novo Banco travou uma operação de importação venezuelana de vacinas contra a meningite, rotavírus e gripe, atitude que afectou directamente 2,9 milhões de crianças venezuelanas.
Outro banco com grande representação em Portugal, o Santander, surge envolvido em actuações deste tipo. Rejeitou uma movimentação de fundos para reparação dos equipamentos hemodinâmicos da área cardiológica, o que atingiu directamente pelo menos 500 crianças com cardiopatia congénita. Exemplos deste tipo multiplicam-se em cadeia, associados a centenas de instituições financeiras internacionais e respectivos ramos.
Os fundos do Estado venezuelano confiscados pelo Novo Banco atingem os 1543 milhões de euros, verbas para serem prioritariamente utilizadas em produtos essenciais como medicamentos e alimentação.
Não consta que o governo de Portugal, depois de ter oferecido o antigo Banco Espírito Santo, resgatado pelos contribuintes portugueses, a um fundo abutre norte-americano, se tenha movimentado para evitar as consequências das decisões desumanas da instituição – afinal um banco português.
Porém, observando o comportamento do executivo de Lisboa nas questões venezuelanas, seria contra-natura que o fizesse.
Porque – até prova em contrário – o governo da República Portuguesa e o Banco de Portugal deram aval à extorsão de ouro no valor de 1359 milhões de dólares à República da Venezuela. O secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que todos os governos e bancos centrais da União Europeia foram consultados sobre a operação, concretizada pelo Banco de Inglaterra, onde o ouro fora depositado de boa-fé; e ainda não houve ninguém que o desmentisse.
Aliás, como já anteriormente ficou registado, o governo português fez-se representar, em 11 de Abril, numa reunião com o mesmo Mnuchin dedicada à asfixia financeira contra a Venezuela. É do secretário do Tesouro de Trump a seguinte declaração: “Continuaremos a utilizar todas as nossas ferramentas diplomáticas e económicas para apoiar o presidente interino Guaidó”.
Fiel aos tiques de “bom aluno”, o executivo de Lisboa não poderia deixar de obedecer também à Ordem Executiva 13850 do governo norte-americano, que boqueia, entre muitas outras coisas, o comércio de ouro com a empresa estatal venezuelana Minerven.
Como o governo de Portugal continua a manter o silêncio sobre estes seus envolvimentos, e como não poderá alegar engano sobre as verdadeiras intenções “democráticas” de Trump ou Mnuchin, não existem dúvidas de que se identifica com o carácter agressivo, desumano e anti-democrático do lado onde se colocou. Objectivos claros e terroristas
O ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, costuma citar um dos seus interlocutores oficiais norte-americanos que lhe disse um dia: “já que não podemos mudar o governo venezuelano vamos arruinar a vossa economia”.
A declaração resume, sem dúvida, todo um programa terrorista de âmbito transnacional sob a batuta dos Estados Unidos.
Segundo o relatório de Alfred-Maurice de Zayas, o perito independente designado pela ONU para avaliar a situação, esse programa “além de obstruir o acesso ao financiamento externo e aos pagamentos internacionais afecta o financiamento normal do aparelho produtivo nacional, criando uma redução da oferta de bens e serviços locais”.
Ainda segundo Zayas, as sanções de Trump e Obama e as medidas unilaterais do Canadá e da União Europeia “agravam directa e indirectamente a escassez de medicamentos como insulina e antirretrovirais, acarretando demoras na distribuição e funcionando como agravante em diversos casos de morte – o que implica crimes lesa-humanidade”.
O compromisso de Alfred-Maurice Zayas para apreciar a situação é com a ONU, não com Nicolás Maduro.
Seria, portanto, bastante mais digno e humanista que o compromisso do governo de Portugal fosse com as Nações Unidas, não com Donald Trump e o seu farsante Guaidó. por José Goulão,
n´O LADO OCULTO

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Autoridades venezuelanas responsabilizam EUA por morte de criança hospitalizada

Delcy Rodríguez e Jorge Arreaga denunciaram que as acções ilegais impostas pelos EUA contra a Venezuela são responsáveis pela morte de uma criança que aguardava por um transplante de medula óssea.

O bloquieo económico imposto pelos EUA à Venezuela provocou a morte de uma criança, facto classificado por Jorge Arreaza como «acção criminosa e desumana»Créditos / chile.embajada.gob.ve

Além da administração norte-americana, a vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou ainda a extrema-direita venezuelana. No Twitter, Rodríguez escreveu esta terça-feira que «a administração dos EUA e os seus golpistas na Venezuela são responsáveis directos pela morte deste menino! Roubaram a CITGO [filial norte-americana da Petróleos de Venezuela (PDVSA)] para satisfazer os seus mesquinhos anseios imperiais e eliminaram nobres programas sociais para ajudar crianças no mundo concebidos no socialismo bolivariano».

Antes, pronunciou-se o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, que sublinhou o facto de as acções ilegais e unilaterais promovidas pelos Estados Unidos – através do bloqueio económico e financeiro imposto à Venezuela – estarem a provocar sofrimento ao povo venezuelano, sendo isso uma medida para concretizar uma mudança de governo no país.

O bloqueio económico e financeiro imposto pelos EUA à Venezuela tirou a vida a um menino de seis anos que necessitava de um trasplante de medula óssea, informou Arreaza, que classificou o facto como uma «acção criminosa e desumana».

«Andamos há semanas a denunciar que crianças como Giovanny podiam falecer devido ao bloqueio dos EUA. Reafirmo, sem descontextualizações jornalísticas: gerar sofrimento e dor através de um bloqueio económico para mudar um governo pela força é um acto criminoso e desumano», escreveu Arreaza na sua conta de Twitter.

Giovanny Figuera, o menino que morreu, fazia parte da lista de crianças venezuelanas que esperam por um trasplante e por medicamentos especializados, que são adquiridos através de um programa que é levado a cabo pela Petróleos de Venezuela, empresa estatal que é alvo das investidas do embargo económico decretado pela administração de Donald Trump.

Em meados de Abril, o governo da Venezuela alertou a comunidade internacional para o «impacto criminoso» gerado pelas sanções coercitivas e ilegais de Washington contra a empresa estatal PDVSA, que financia inúmeros programas sociais e acordos na área da saúde, que prestam atendimento aos seus trabalhadores e ao povo venezuelano.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/autoridades-venezuelanas-responsabilizam-eua-por-morte-de-crianca-hospitalizada

Pence mente para justificar agressão dos EUA, diz ex-vice-presidente venezuelano

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, gesticula durante o evento de criação da Força Espacial dos EUA.
© AP Photo / Evan Vucci

O ex-vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, acusou o governo dos Estados Unidos de construir falsas narrativas para justificar as agressões contra o país sul-americano.

A fala foi uma resposta ao vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que acusou El Aissami de lavar dinheiro, se associando com grupos terroristas.


"O imperialismo pretende construir matrizes falsas para justificar a escalada de agressões e violações do direito internacional, o senhor Pence mente porque eles nunca podem provar nada de suas infâmias, não importa o quanto eles nos ameacem, nossa resolução é vencer!!" o ministro em sua conta da rede social Twitter.

Aissami afirmou que a Venezuela rejeita "todas as ameaças e mentiras proferidas pelo Vice-Presidente Pence, elas não nos farão render, recuar ou quebrar nossa vontade de ser livre e soberano, ali imperialismo e suas mentiras, aqui nós com nossa moral e nossa história revolucionária".

Da mesma forma, El Aissami disse que as ameaças feitas pelo vice-presidente dos EUA demonstram o desespero dos Estados Unidos, após o fracasso da tentativa de golpe contra o presidente Nicolás Maduro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050813837077-pence-mente-agressao-eua-venezuela/

ODiario.info » Espanha, ao serviço do imperialismo dos EUA

Lidia Falcón 07.Maio.19 

A derrota da mais recente tentativa de golpe por parte do fantoche Guaidó não só não terá detido a ofensiva dos EUA como irá provavelmente irá fazê-la assumir contornos ainda mais agressivos. É isso que há a esperar de fascistas como Bolton, Pompeo ou Elliott Abrams. E os governos que alinham ao lado dos EUA na criminosa ofensiva contra a Venezuela bolivariana serão tão responsáveis pelo que venha ainda a acontecer como os delinquentes instalados na Casa Branca.



O nosso governo é o mais fiel servidor do Departamento de Estado dos EUA. Reconhecer o golpista venezuelano Guaidó como legítimo presidente da Venezuela, aceitar um enviado deste como seu representante diplomático e agora alojar Leopoldo López e sua família na embaixada espanhola em Caracas excede em muito aquilo de que eu acreditava serem capazes Pedro Sánchez e o seu governo para cumprirem as ordens de Donald Trump.
Nunca na história das nossas relações internacionais, especialmente com a América Latina, os governos espanhóis, nem sequer os da ditadura, mostraram um servilismo, uma entrega tão absoluta aos desejos e ordens do império norte-americano.

E Sanchez não só aceitou esse fantoche de Guaidó que se autoproclama presidente da Venezuela, cargo para que ninguém o escolheu nem existe legislação nacional ou internacional que o sustente, como a propaganda oficial, expressa em repetidas declarações do Primeiro-Ministro e do seu ilustre ministro dos Estrangeiros, Josep Borrell – o que nos explicou que os mísseis que enviamos para a Arábia Saudita são tão inteligentes que só matam quem têm que matar - se dedica a enganar o povo espanhol.
Nicolás Maduro foi eleito pelo povo venezuelano em eleições livres, absolutamente legais e legítimas. O governo bolivariano ganhou as eleições 19 vezes em 20! Os observadores internacionais que acompanharam as numerosas eleições realizadas no país, explicaram que o sistema de votação, distribuição dos círculos eleitorais e contagem de votos têm todas as garantias, com uma segurança bem acima da que existe nos EUA, cujas suspeitas de várias chapeladas se tornaram famosas.
A afirmação repetida de que o regime venezuelano é uma ditadura ficará escrita para a história como uma das grandes infâmias da propaganda política espanhola. Na Venezuela existem todos os tipos de partidos políticos, desde o Partido Comunista aos de extrema-direita como o que acolhe Guaidó e Leopoldo Lopez, que têm sedes abertas e fazem diariamente a sua propaganda, se apresentam a eleições que são convocadas cumprindo os prazos constitucionais, e realizam as campanhas sem qualquer obstáculo. No país publicam-se dezenas de jornais, revistas, panfletos e livros, são emitidos programas de rádio e televisão, celebram-se conferências, simpósios, debates, da oposição - fragmentada em vários partidos -, em que se critica acerbamente o regime bolivariano sem que ninguém o impeça. Quando hoje, 3 de Maio, Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, as associações de jornalistas nos dizem que no México 100 profissionais foram mortos desde 2006, quatro neste ano, o último ontem. Que inclusivamente na isso sucede Europa: Eslováquia e Malta, dois foram vítimas de tiroteios, um homem e uma mulher, sem que esses crimes fossem esclarecidos; em Espanha os grandes meios de comunicação ao serviço do capital, apenas balbuciam que na Venezuela se persegue a livre informação, sem que nenhum ofereça dados ou números concretos de tal perseguição.
Para os espanhóis deveria ser insultuoso que se afirme que o regime Maduro é uma ditadura, quando todos os dias da Televisão Espanhola nos apresenta imagens de comícios, manifestações, conferências de imprensa, públicas e multitudinárias que a oposição monta nas ruas, oposição que se levantou em rebelião tentando usurpar a presidência a Maduro. Para um país como a Espanha que sofreu uma das mais cruéis ditaduras do mundo durante quarenta anos, deveria ser motivo de indignação ouvir seu primeiro-ministro, eleito democraticamente, e os seus ministros declarar, declararem que na Venezuela se vive uma ditadura.
O governo venezuelano manifesta uma permissividade impensável em França ou na Alemanha ante as proclamações de políticos da oposição que incitam a população civil a sublevar-se e, o mais perigoso de tudo, o Exército. Nesses países, como em tantos outros democráticos, tais apelos seriam imediatamente reprimidos e aprisionados aqueles que o fizessem.
Leopoldo López foi condenado a quinze anos de prisão por incitar, ordenar e organizar, com outros sequazes dos partidos de direita, as “guarimbas”, distúrbios desencadeados por turbas de delinquentes e mercenários em 2014, durante vários meses, e que causaram dezenas de mortos, destruição de mobiliário público, incêndios de escolas e hospitais, assaltos e ferimentos à população civil e forças da ordem.
A oligarquia venezuelana, com a cumplicidade da burguesia e da classe média reaccionárias, vem sabotando o regime socialista bolivariano desde que este se implantou. Nenhuma delas quer abandonar os privilégios de serem os lacaios dos EUA e deixar de granjear os benefícios dos subornos e comissões que recebem pela entrega de petróleo às grandes empresas norte-americanas, enquanto o povo venezuelano vivia em barracas de papelão nas colinas, sem água, descalço, faminto e infestado de parasitas.
O governo bolivariano montou a saúde e a educação públicas, que não existiam; criou uma dúzia de universidades populares; construiu milhares de casas, com serviços de electricidade e água corrente, para os trabalhadores, e facilitou às mulheres a possibilidade de organizar um Movimento Feminista que se estende por todo o país. E tudo isso não pode ser tolerado pela burguesia que reinou na Venezuela durante duzentos anos, apropriando-se dos recursos naturais do país e afundando o povo na miséria.
Para cúmulo da tolerância que o presidente Maduro e seus ministros, o procurador-geral do Estado e a polícia responsável pela supressão dos motins estão mostrando, o criminoso Leopoldo Lopez, que rompeu a prisão domiciliar em que confortavelmente cumpria a sua sentença, apresenta-se ante a imprensa na entrada da embaixada espanhola e dedica-se durante mais de meia hora a fazer declarações subversivas que pretendem exaltar o ânimo da população e conseguir que o exército se subleve contra o presidente legítimo, sem que seja imediatamente detido. Seria bom recordar a reclusão que Julian Assange suportou durante sete anos por não poder sair nem à porta da embaixada equatoriana em Londres, e como foi detido e preso recentemente por actos muitíssimo menos perigosos do que aqueles que os políticos da direita venezuelana vêm há anos cometendo.
O embargo dos recursos financeiros e dos produtos de primeira necessidade, bem como a queda dos preços do petróleo, organizados pelos os EUA, levaram o país à situação de escassez econômica que agora denunciam Guaidó e seus comparsas, quando são eles os principais instigadores e cúmplices de semelhante situação. Porque a direita venezuelana, como a do mundo inteiro, antes mergulhará seu povo na miséria e o levará a um confronto armado em que será massacrado, do que aceitará que no seu país se construa o socialismo.
E não só a conduta dos EUA na Venezuela deveria ser motivo de condenação internacional, em vez das miseráveis ​​genuflexões que os governos europeus fazem a fim de servir o império, como a acção do governo daquele país durante quase duzentos anos teria de ser objecto de repúdio para qualquer político decente.
Desde 1846, o Exército dos EUA invadiu quase todos os países a sul do Rio Grande, começando com uma infame guerra em que arrebatou ao México o norte do seu território, incluindo os estados da Califórnia e do Texas. Em 1898, o governo dos EUA provocou a guerra contra a Espanha em Cuba e, com a sua derrota, o nosso país teve que ceder Porto Rico, Havaí, Guam e Filipinas. A partir desse momento o Panamá, República Dominicana, Honduras, Granada, El Salvador, Cuba, Guatemala, Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, Colômbia, Venezuela, foram ocupadas militarmente, bombardeadas, saqueadas, economicamente intervencionadas, impostos os seus governantes e falsificadas as sua eleições pelo Departamento de Estado dos EUA e pela CIA.
Esses acontecimentos fazem parte da história da América Latina, e não será o nosso governo quem possa fingir ignorância. Os recursos naturais das nações a sul do Rio Grande foram e são vítimas da ânsia predatória e imperialista do seu vizinho do norte, que todos temem. Apenas alguns lacaios ao serviço da indústria militar dos EUA e do Capital podem posicionar-se de acordo com os ditames de Trump, como fazem os governos europeus e o nosso, que estão a obedecer às ordens recebidas de Washington.
Certamente as genuflexões que o governo espanhol realiza diante de Marrocos e Arábia Saudita, aliados fervorosos dos EUA, para apoiar os seus desmandos, não permitiram esperar deste PSOE, tão socialista, uma posição de dignidade e independência contra o império norte-americano, mas o que está a fazer com a Venezuela excede em muito o que o povo espanhol merece e deve suportar. Porque o regime bolivariano há vinte anos tenta construir uma sociedade mais justa e solidária em paz, sem que as forças da oligarquia o tenham consentido. Para isso têm o enorme apoio do governo dos EUA.
Se esta operação derivar para uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, que o golpista Guaidó reclama todos os dias e que Trump parece encantado em realizar, e acontecem milhares de vítimas e a derrota do povo, o governo de Pedro Sánchez será tão culpado como Trump, e a Espanha escreverá uma das mais vergonhosas páginas da sua história.

Fonte: https://blogs.publico.es/lidia-falcon/2019/05/04/espana-al-servicio-del-imperialismo-estadounidense/[1]

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Analistas: Guaidó apoia intervenção dos EUA após perder credibilidade entre oposição

Líder da oposição venezuelana e presidente autoproclamado, Juan Guaidó, fala com os apoiadores perto da base aérea La Carlota, em Caracas
© AP Photo / Fernando Llano

Especialistas acreditam que, enquanto a administração Trump está pronta para explorar os recursos da Venezuela, o líder opositor venezuelano Juan Guaidó está desesperado pedindo a Washington que intervenha no país.

Steve Ellner, editor-chefe da revista Latin American Perspectives, disse à Sputnik Internacional que o golpe de Estado fracassado do dia 30 de abril forçou Guiado a tomar medidas mais drásticas.

"Três vezes neste ano - em 23 de janeiro, 23 de fevereiro e mais recentemente em 30 de abril - Guaidó assegurou aos seus seguidores que Maduro seria deposto em questão de dias. Como resultado dessas três derrotas, Guaidó perdeu credibilidade entre as fileiras da oposição. Seu apoio à intervenção militar norte-americana deve ser visto nesse contexto", disse Ellner.

Segundo pesquisas de opinião pública, a grande maioria dos venezuelanos se opõe à intervenção militar dos EUA na Venezuela.


O jornalista ressalta que o grupo de radicais oposicionistas incluem líderes como Antonio Ledezma, que usa o eufemismo "intervenção humanitária" para se referir à invasão militar, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que afirma que a intervenção militar norte-americana na Venezuela não violaria o direito internacional, Diego Arria, que afirma que uma intervenção norte-americana seria bem recebida pelo povo venezuelano, e, finalmente, o líder sindical exilado Carlos Ortega, que liderou duas tentativas de derrubar o então presidente Hugo Chávez em 2002-2003.

Na terça-feira (7), Maduro disse que os Estados Unidos querem intervir para assumir o controle dos recursos petrolíferos do país e de outras riquezas naturais, e convocou a comunidade internacional a condenar os planos de intervenção americana e "deter a loucura de Donald Trump".

A Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, e Guaidó prometeu deixar as corporações americanas explorarem-na, privatizando a indústria petrolífera.


O ex-presidente Hugo Chávez, que liderou a Venezuela de 1999 a 2013, nacionalizou a indústria petrolífera do país, tendo expulsado grandes produtores de petróleo americanos e internacionais, como a Exxon Mobil, Chevron e BP.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Pittsburgh, Michael Brenner, acredita que o único debate entre os formuladores de políticas de Washington relativamente a Caracas é se os EUA devem continuar apoiando um fantoche como Guaidó ou se devem lançar uma invasão militar completa.

"Os EUA estão voltando ao estilo imperialista do século 19, pela coerção.[...] Vejo a resposta como uma mistura de domínio global do neoliberalismo pelas elites plutocráticas e tropas armadas, sendo movimentos neofascistas que os EUA estão modelando", afirmou Brenner.

No dia 30 de abril, Guaidó noticiou em todo o mundo que uma insurreição militar estava em andamento para derrubar o presidente Nicolás Maduro, porém, a ação fracassou.

Os Estados Unidos e 54 outros países reconheceram Guaidó após a sua autoproclamação a presidente interino da Venezuela no dia 23 de janeiro. Rússia, China e vários outros países disseram que reconhecem Maduro, eleito constitucionalmente, como o único presidente legítimo do país latino-americano.

As opiniões expressas pelos analistas neste artigo não refletem necessariamente as da Sputnik.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019050813831728-analistas-guaido-apoia-intervencao-eua-apos-perder-credibilidade-oposicao/

Ex-relator da ONU: Maduro poderia ser morto para EUA aumentarem pressão sobre Venezuela

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na frente de apoiadores, 6 de abril de 2019
© REUTERS /

Especialistas compartilharam suas opiniões referentes à recente tentativa de golpe de Estado na Venezuela, apoiada pelo EUA, e sobre os esforços fracassados de Washington para depor Maduro.

Segundo Alfred de Zayas, advogado, historiador e ex-relator da ONU para a Venezuela, o fracasso de Washington em substituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo líder da oposição, Juan Guaidó, pode levar os EUA a tentar matar o presidente legítimo da Venezuela.


"Sei de fontes confiáveis que há vários meses os EUA vêm oferecendo grandes quantias de dinheiro e prometendo outras regalias a qualquer militar que desertar […] Sem dúvida, eles têm financiado toda e qualquer tentativa de golpe, incluindo tentativas fracassadas de assassinato de Maduro. Os EUA continuarão neste caminho, e talvez consigam ter Maduro assassinado", disse ele à Sputnik Internacional.

No entanto, para o advogado americano, os EUA não conseguirão alcançar seu objetivo mesmo que se livrem de Maduro.

"De acordo com o artigo 233 da Constituição venezuelana, a atual vice-presidente, Delcy Rodríguez, se tornaria presidente interina, e não Guaidó, que, de acordo com a Constituição venezuelana, tem legitimidade zero", ressaltou o historiador.

Poderia haver ainda outro cenário, uma operação de bandeira falsa, na qual a CIA mataria Guaidó e o usaria como pretexto para intervir, sugeriu o advogado.

"É claro que [seria] totalmente ilegal, mas quando é que o direito internacional dissuadiu Washington?", perguntou retoricamente.


Já para Julia Buxton, professora de política comparativa na Universidade da Europa Central (Budapeste), a comunidade internacional está cada vez mais preocupada com um possível cenário militar.

"Penso que neste momento há receio, há preocupação e há ameaça de que os EUA possam envolver-se em alguma forma de ataque militar ou de ação militar. Eu não descartaria isso. O governo dos EUA está muito imprevisível neste momento", apontou a analista.

Contudo, o presidente dos EUA Donald Trump apelou recentemente à prudência entre os seus conselheiros, alertando-os contra a retórica belicosa, aparentemente devido ao fato de que a revolta militar, em que Guaidó e Washington estavam depositando esperanças, não conseguiu ganhar força.

Referindo-se a relatos de que a administração Trump estava buscando uma maneira de apoiar financeiramente Guaidó", o ex-relator da ONU sugeriu que Washington não gastaria seu próprio dinheiro, mas usaria ativos venezuelanos congelados, adicionando que os EUA "já estão enviando quantidades substanciais de dinheiro para o movimento de oposição venezuelano há pelo menos duas décadas".

"Tem sido uma quantia considerável de dinheiro, têm financiado muitas atividades de oposição ao longo dos anos, e tem sido um problema real e totalmente contraproducente para a oposição, porque o que a oposição precisa fazer é reconectar-se com a maioria do povo venezuelano", explicou.

Zayas opina que, independentemente desses esforços, bem como do congelamento de ativos e das sanções unilaterais, o governo venezuelano continua resistindo à pressão de Washington, pois Trump e seus assessores "não entendem nada da mentalidade venezuelana".

"Alguns oficiais e militares venezuelanos se permitiram ser subornados. A corrupção existe e é avidamente promovida por Washington. Mas [Elliott] Abrams está se iludindo se acha que todos os venezuelanos podem ser comprados pela CIA", conclui o advogado.


Enquanto isso, as autoridades de Washington estão tentando atribuir a culpa pelo fracasso à Rússia, que continua a apoiar o governo legítimo da Venezuela, juntamente com a China, Turquia, Cuba, México e muitos outros atores internacionais.

No dia 6 de maio, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, condenou a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira na Venezuela, dizendo que Moscou é "contra as hostilidades em qualquer lugar em violação do direito internacional" e que o "uso da força só pode ser autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU".

A situação na Venezuela continua tensa desde janeiro, quando Guaidó se autoproclamou presidente interino. Os Estados Unidos e outros 54 países reconheceram o opositor e conclamaram Maduro a renunciar.

As opiniões expressas neste artigo não necessariamente se coincidem com as da Sputnik.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019050713824093-ex-relator-onu-maduro-morto-eua-aumentarem-pressao-venezuela/

Guaidó considera pedir aos EUA para intervirem na Venezuela

Líder da oposição venezuelana e presidente autoproclamado, Juan Guaidó, discursa em frente à base aérea La Carlota, em Caracas
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

Em entrevista à BBC, o autoproclamado líder venezuelano interino Juan Guaidó afirmou que é "responsável por avaliar" a possibilidade de intervenção internacional quando lhe foi perguntado se acolheria uma intervenção militar norte-americana.

Guaidó afirmou que acolherá com agrado o apoio dos EUA, qualificando-o como "decisivo".

"Eu, como presidente encarregado do parlamento nacional, avaliarei todas as opções se necessário […] Acho que a posição do presidente [Donald] Trump é muito firme, o que apreciamos, assim como a do mundo inteiro", disse à emissora britânica.


No domingo (5), o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarou à ABC que Donald Trump "possui toda a gama de competências do Artigo 2", referindo-se à possibilidade de uma intervenção militar americana na Venezuela sem a aprovação do Congresso.

Pompeo também ressaltou que os EUA ainda têm um "conjunto completo de opções", além de estar totalmente confiante de que "qualquer ação" que os EUA tomem na Venezuela será "legal".

Apesar de sua tentativa de golpe no dia 30 de abril ter fracassado, Guaidó afirmou que é "claramente visível que as Forças Armadas já não apoiam Maduro". Posteriormente, ele admitiu que a oposição tinha calculado mal seu apoio dentro das Forças Armadas durante a tentativa de golpe contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Em uma recente entrevista ao jornal Washington Post, o líder da oposição disse saudar as últimas discussões em Washington sobre opções militares, chamando-as de "excelentes notícias".

A situação na Venezuela vem se agravando desde o dia 23 de janeiro, quando Guaidó se autoproclamou ilegalmente presidente interino e foi imediatamente apoiado pelos EUA e seus aliados, enquanto Maduro recebeu o suporte de vários países, incluindo Rússia e China, e foi reconhecido como o único presidente legítimo da Venezuela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050613817128-guaido-considera-pedir-eua-intervirem-venezuela/

EUA irresponsavelmente agravam crise na Venezuela e caluniam a Rússia

por Strategic Culture Foundation

O t A ilegalidade do governo dos EUA, ou mais precisamente "regime", não tem limites, como se pode ver mais do que nunca na fracassada tentativa de golpe na Venezuela nesta semana.

O chamado "levantamento" inicial de um minúsculo grupo de militares venezuelanos – confirmadamente armados com fuzis de assalto dos EUA ao invés das armas de fogo padrão – foi flagrantemente incitada por altos funcionários da Casa Branca nos media durante o horário nobre. O mau comportamento abertamente empenhado dos EUA está em total violação do direito internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas de defender a soberania das nações.

Como se revelou, o lance do golpe foi um fracasso absoluto, degradando-se em farsa. Não foi a primeira vez nos últimos três meses que Washington tentou descaradamente instigar o caos na Venezuela – e fracassou.

No entanto, após a flagrante tentativa de Washington de desestabilizar aquele país sul-americano, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, teve a audácia de acusar a Rússia de interferência "ultrajante" na Venezuela. A administração Trump está temerariamente a escalar o conflito ao internacionalizar o que é um assunto político interno. Washington passou anos a fomentar dissensões na Venezuela a fim de derrubar o governo socialista legitimamente eleito de Caracas. Agora, os EUA tentam transformar a Venezuela num sítio para conflitos geopolíticos, com acusações ridículas contra a Rússia e Cuba por ousarem aliar-se ao presidente Nicolas Maduro e sua administração socialista naquele país rico em petróleo.

A política e a diplomacia americanas foram substituídas sem rodeios pelo gangsterismo, pela propaganda e pela desinformação.

A Casa Branca já declarou aberta e audaciosamente que está em busca de uma mudança de regime na Venezuela a fim de por as mãos na imensa riqueza petrolífera do país. Há motivos legais mais do que suficientes em termos legais para um processo a altos funcionários dos EUA, incluindo o presidente Trump, por crimes de agressão e guerra no estrangeiro.

A assim chamada oposição venezuelana, liderada por figuras apoiadas e orientadas pelos EUA como o auto-declarado "presidente interino", Juan Guaido, não tem mandato legal ou popular para exigir que Maduro se retire. Washington está a promover uma guerra civil no país pela sua imposição de sanções económicas para estrangular a economia dependente do petróleo. Altos funcionários dos EUA, como Pompeo e o conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, pediram repetidamente aos ministros e militares venezuelanos para actuar de forma traidora. Todos estes movimentos ultrajantes dos EUA exacerbaram as condições e tensões sociais na Venezuela, levando a violentos confrontos de rua, como se viu mais uma vez esta semana.

Como se a ilegalidade de Washington não fosse suficiente, nesta semana ela foi ainda mais longe na sua conduta ensandecida caluniando abertamente a Rússia e Cuba ao alegar estarem a apoiar a "ditadura de Maduro".

A Rússia e a maior parte (75%) dos estados membros da ONU continuam a reconhecer o governo venezuelano como autoridade legítima. Rússia, China, Cuba, México, Bolívia, Turquia, Irão, entre muitos outros, estão incontestavelmente do lado do direito internacional. São os EUA e certos estados latino-americanos pró-Washington, bem como estados europeus, que estão fora da lei, com seus esforços sem base para minar o governo venezuelano e ungir alguma figura menor de oposição como líder.

A mentira das afirmações de Washington quanto ao “apoio à democracia” na Venezuela é demonstrada pelo repetido fracasso em alcançar a mudança de regime. A maioria do povo venezuelano continua a apoiar o governo de Maduro, ou pelo menos é indiferente à solicitação de Washington de um levantamento. Crucialmente, os militares venezuelanos permanecem solidamente leais ao governo e à constituição do país. A farsa da tentativa de golpe esta semana é mais uma prova de que Washington está a tentar impor sua agenda ilegal ao país. Evidentemente, a administração Trump não está a ter êxito neste caminho vil – o que revela os limites do poder imperial americano no mundo de hoje. Mas na sua petulância sobre este fracasso embaraçoso, Washington parece estar a ultrapassar o limite da legalidade e a razão ao tentar envolver a Rússia, Cuba e outros aliados da Venezuela num conflito internacional.

Pompeo reiterou esta semana que os EUA estão preparados para utilizar a força militar contra a Venezuela. Tal retórica é um acto de agressão de tirar o fôlego numa longa linha de agressões. Não há absolutamente nenhum simulacro de os EUA terem qualquer desculpa de “segurança nacional” para lançar uma intervenção militar na Venezuela. Isto equivale a declarar terrorismo de estado, a par dos crimes condenados em Nuremberg pelos quais os líderes nazis foram enforcados.

Os EUA não têm o direito legal ou moral de ameaçar a Venezuela e intensificar a crise naquele país com a perda de vidas decorrente da violência e de privações. Certamente, nesta altura, os estados europeus devem perceber como erraram em grande estilo no seu apoio primitivo às exigências de Washington quanto à Venezuela.

O caminho americano é uma estrada para a perdição e os membros da União Europeia devem reverter sua cumplicidade nas criminosas maquinações de Washington de mudança de regime. O caminho americano para o desastre sobre a Venezuela emergiu à plena vista esta semana com o golpe fracassado, os confrontos mortais que provocou e, além disso, o modo pelo qual a administração Trump está a tentar orquestrar um conflito internacional com a Rússia que cumpre lei apoiando a Venezuela.

Após o fracasso da Baía dos Porcos em 1961, quando um golpe encoberto dos EUA em Cuba se transformou em desastre e ignomínia, pelo menos Washington teve por vergonha de demitir altos funcionários responsáveis por aquele desastre. Hoje, um fracasso semelhante na Venezuela resulta em funcionários dos EUA a redobrar a guerra. Washington é, portanto, um regime que está absolutamente fora de controle e para além de qualquer restrição.

03/Maio/2019

Ver também:

 

Este editorial encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/venezuela/editorial_sc_03mai19.html

Guaidó reconhece fracasso na tentativa de golpe contra Maduro

Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente interino, durante discurso em Caracas, Venezuela, em 19 de abril de 2019
© AFP 2019 / Yuri Cortez

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, reconheceu que foram cometidos erros na tentativa de iniciar uma revolta militar e que ele aceitaria qualquer oferta dos EUA para providenciar uma opção militar na Venezuela para votação.

No sábado (4), Guaidó admitiu que a oposição tinha calculado mal seu apoio dentro das Forças Armadas durante a tentativa de golpe contra o legítimo presidente venezuelano Nicolás Maduro no dia 30 de março.

O líder da oposição revelou em uma entrevista exclusiva ao jornal Washington Post que esperava que Maduro desistisse em meio a uma onda de desertores dentro das forças militares do país.

"Porque o fato de termos feito o que fizemos, e não termos conseguido na primeira vez, não significa que não seja válido […] Estamos enfrentando um muro que é uma ditadura absoluta. Reconhecemos nossos erros — o que não fizemos, e [o que] fizemos em demasia", disse.


O apelo de Guaidó para que as bases e os oficiais superiores dos militares abandonassem Maduro não produziu deserções em massa, observou o líder da oposição.

"Talvez porque ainda precisamos de mais soldados, e talvez precisemos de mais funcionários do regime para estarem dispostos a apoiá-lo, para apoiar a Constituição […] Acho que as variáveis são óbvias neste momento", continuou.

Ele também indicou que qualquer apoio militar americano deve estar ao lado das forças venezuelanas que se voltaram contra Maduro, mas não deu mais detalhes sobre o que seria aceitável.

O líder da oposição também disse que saudou as recentes discussões sobre opções militares em Washington, chamando-as de "excelentes notícias".

"Isso é uma excelente notícia para a Venezuela porque estamos avaliando todas as opções. É bom saber que aliados importantes como os EUA também estão avaliando a opção. Isso nos dá a possibilidade de que, se precisarmos de cooperação, sabemos que podemos obtê-la", afirmou, acrescentando que há soldados venezuelanos que querem "acabar com [as guerrilhas de esquerda] e ajudar o apoio humanitário a entrar, que ficariam felizes em obter cooperação para acabar com a usurpação."


Segundo o artigo, Guaidó revelou que não concordaria em se sentar e negociar com Maduro, a menos que ele se afastasse do seu posto como presidente da Venezuela.

"Sentar-se com Maduro não é uma opção […] Isso aconteceu em 2014, em 2016, em 2017… O fim da usurpação é uma pré-condição para qualquer diálogo possível", ressaltou.

Na sexta-feira (3), o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, e os generais do Pentágono deixaram claro que todas as opções para resolver o conflito venezuelano estão "sobre a mesa".

A crise em torno da Venezuela tem se intensificado desde 23 de janeiro, quando Guaidó se autoproclamou presidente interino e foi imediatamente apoiado pelos EUA e seus aliados, enquanto Maduro recebeu o suporte de vários países, incluindo Rússia e China, e foi reconhecido como o único presidente legítimo da Venezuela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050513811068-guaido-reconhece-fracasso-tentativa-golpe-contra-maduro/

Maduro: caso EUA ataquem Venezuela, militares devem estar prontos para defendê-la

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
© REUTERS / Miraflores Palace

Os militares devem estar preparados para defender o país com armas na mão de um possível ataque dos Estados Unidos, disse o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

A declaração foi feita pelo mandatário venezuelano em um discurso perante milhares de jovens cadetes durante manobras militares no estado de Cojedes transmitido pelo canal de televisão RT.

"Os militares devem estar prontos para defender o país com armas na mão se um dia o império norte-americano ousar atacar esta terra, essa terra sagrada", declarou.

Além disso, o presidente venezuelano apontou para a necessidade de usar o maior poder que o país possui.

"Nós não somos um país fraco ou impotente. Somos um país com uma poderosa Força Armada Nacional Bolivariana que deve estar mais unida e leal que nunca."

Mais cedo, a agência AP informou que as autoridades dos EUA poderiam ter conseguido o apoio de altas patentes militares venezuelanas se, em maio de 2017, Washington tivesse ajudado um dos generais que precisava de visto para os EUA por causa da planejada operação de um filho de três anos em Boston.


A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó apelou a uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam completamente fiéis às autoridades legítimas.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050513810753-maduro-venezuela-forca-armada-ataque-eua/

3 soldados e 2 policiais morrem em emboscada na Venezuela

Soldados durante uma parada militar na Venezuela
© AP Photo / Ariana Cubillos

Pelo menos três soldados e dois policiais foram mortos na Venezuela neste sábado (4) após uma emboscada na região de La Guacamaya, no estado de Aragua. A informação foi divulgada pela polícia local.

"Eles foram surpreendidos na subida de La Guacamaya, resultando na morte do general da brigada, Jackson Alexis Silva Zapata, sargento Robert León Castellano, sargento Anjo Brito […] e os funcionários da polícia de Aragua, Bruno Benavides e Jesús Arraiz", diz o relatório policial.


Além disso, outros três militares ficaram feridos e foram levados para o hospital da cidade. Eles se encontram em estado crítico.

O relatório da polícia revela que os funcionários foram emboscados quando saiam de La Guacamaya para a fazenda Agro-FAN para receber apoio, logo depois de foi registrado na região um ataque a oficiais militares, que não resultou em vítimas. 

Até o momento as autoridades não sabem dizer quem foram os responsáveis pelo incidente.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050413809446-venezuela-militares-mortes-emboscada/

Trump contradiz declarações de Pompeo e Bolton sobre Venezuela após conversa com Putin

Presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo russo, Vladimir Putin, durante a reunião em Helsinque, Finlândia
© Sputnik / Aleksei Nikolsky

O presidente dos EUA Donald Trump parece contradizer as declarações de seus altos funcionários sobre o "envolvimento" russo na Venezuela após uma conversa telefônica com o presidente russo Vladimir Putin realizada em 3 de maio.

"Conversamos sobre muitas coisas. A Venezuela foi um dos temas. E ele [Vladimir Putin] não tem interesse de modo algum em se envolver na Venezuela, além de querer ver algo positivo acontecer com a Venezuela. E eu sinto o mesmo", disse Trump falando com jornalistas em Washington na sexta-feira (3) durante uma reunião com o primeiro-ministro eslovaco.

Segundo Trump, os EUA queriam ajudar a Venezuela “em uma base humanitária", inclusive com a entrega de alimentos e água para a população "faminta" do país. "Acho que tive uma conversa muito positiva com o presidente Putin sobre a Venezuela", disse Trump.

As declarações de Trump parecem estar em desacordo com as alegações anteriores de vários de seus principais funcionários, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo e o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, sobre a alegada "interferência" russa na Venezuela.


Durante uma prolongada conversa telefônica nesta sexta-feira (3), presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega russo, Vladimir Putin, discutiram a situação na Venezuela, informou a Casa Branca.

Na quarta-feira (1), Pompeo falou por telefone com o chanceler russo, Sergei Lavrov, tendo dito que a Rússia não deveria "interferir" no país latino-americano. Lavrov chamou as acusações de envolvimento russo nos assuntos venezuelanos de "bastante surrealistas" e disse que a "posição de princípio" da Rússia era "nunca interferir nos assuntos dos outros países".

Bolton, por sua vez, avisou os países "de fora do Hemisfério Ocidental" para que não instalem forças militares na Venezuela e confirmou que a Doutrina Monroe, adotada por Washington no final do século XIX, continua a ser seguida pelos dirigentes do seu país.


A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam sendo completamente fiéis às autoridades legítimas.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050413809278-trump-contradiz-declaracoes-de-pompeo-e-bolton-sobre-venezuela-apos-conversa-com-putin/

Maduro: existe uma conspiração com muito dinheiro para dividir Forças Armadas venezuelanas

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, faz sinal com as mãos depois de chegar à base militar de Forte Tiuna, em Caracas, Venezuela, 30 de janeiro de 2019
© AP Photo / Marcelo Garcia

Durante sua visita ao Centro de Treinamento G/J José Laurencio Silva, para assistir os exercícios militares dos cadetes da Universidade Militar Bolivariana, o líder venezuelano comentou a situação e apelou aos militares para estarem prontos a repelir os ataques dos EUA.

"O Método Tático de Resistência Revolucionária corresponde ao nosso conceito estratégico de guerra anti-imperialista de todo o povo", declarou Maduro durante sua visita ao centro de treinamento localizado no estado de Cojedes, no norte do país.

Nicolás Maduro assegurou que existe uma conspiração “com muito dinheiro” para dividir as Forças Armadas de seu país.

"Há uma guerra de caráter não convencional, para enfraquecer o país e há uma conspiração com muito dinheiro para enfraquecer, dividir e destruir a Força Armada Bolivariana a partir de dentro", disse ele durante a supervisão das atividades do centro de treinamento militar.

O presidente destacou que o governo estadunidense pretende usar a Doutrina Monroe para "recolonizar" a América Latina. "Eles estão de olho nas riquezas da Venezuela", disse Maduro, apelando aos militares para estarem atentos "aos traidores".

"Mantenham os olhos abertos em relação àqueles que vendem a Pátria, traidores e quinta coluna, lealdade, sim, mas ativa, confio nas Forças Armadas, confio em vocês, mas de olhos abertos, um punhado de traidores não pode prejudicar a imagem e a coesão das nossas Forças Armadas no mundo", disse ele.


Em 30 de abril, o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam sendo completamente fiéis às autoridades legítimas.

A Venezuela tem lidado com uma grave crise política, com o líder da oposição, Juan Guaidó, proclamando-se presidente interino do país em 23 de janeiro.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050413809175-maduro-existe-uma-conspiracao-com-muito-dinheiro-para-dividir-forcas-armadas-venezuelanas/

Para isto serviu que a Espanha e a UE reconhecessem Guaidó como presidente

A intentona golpista de 30 de Abril na Venezuela fracassou. Ainda tardará até que sejam conhecidas todas as suas componentes e cumplicidades. Uma estava à partida adquirida: a do papel dirigente dos EUA, e a cumplicidade de países que agem como seus vassalos. O artigo foca-se em Espanha. Mas o papel do governo do PS em Portugal é igualmente vergonhoso. Veja-se a cínica e inqualificável declaração feita ontem: “total condenação de intervenções estrangeiras na Venezuela que visem manter artificialmente e contra a vontade da grande maioria da população uma situação política que impede a livre escolha pelos venezuelanos do seu futuro”.

No final do seu insólito “ultimato” de oito dias endereçado em 26 de Janeiro passado por Pedro Sanchez ao seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, para que convocasse imediatamente eleições gerais, a Espanha reconheceu Juan Guaidó como “presidente encarregado” da Venezuela.
A maioria dos países membros da União Europeia tinha esperado que a Espanha, o segundo maior investidor na Venezuela, desse esse passo para de imediato se pronunciar no mesmo sentido.
Na Venezuela e em outros países latino-americanos confiavam que Sanchez não se submeteria à pressão dos EUA e se distanciaria dos governos mais reaccionários oferecendo a Espanha como mediadora de negociações entre o Governo de Maduro e oposição.
Mas não foi assim. E mais, o reconhecimento de Guaidó por parte de Sanchez teve lugar dias depois de serem conhecidas as declarações do superfalcão Conselheiro de Segurança de Donald Trump, John Bolton, reconhecendo os verdadeiros interesses que moviam os Estados Unidos a substituir Nicolas Maduro no Palácio de Miraflores por um líder da oposição afim dos seus objectivos.

Objectivo: o petróleo venezuelano

“Faria economicamente uma grande diferença para os Estados Unidos “, declarava Bolton em entrevista à Fox Business “, se pudéssemos ter as empresas petroleiras norte-americanas investindo e produzindo petróleo na Venezuela. Temos muito em jogo, fazer com que isto aconteça da maneira correcta. ”
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo reconhecidas no mundo e exportava 500 mil barris de petróleo por dia para os EUA.
Alguns dias antes dessas declarações à Fox, Bolton anunciava um novo pacote de sanções contra a grande empresa estatal venezuelana (PDVSA). O influente conselheiro de Trump gabou-se então de que as novas sanções afectariam 7.000 milhões de dólares em activos PDVSA, e que causariam 11.000 milhões de dólares em perdas para a Venezuela em 2020.
Trata-se dos activos da empresa CITGO, filial da PDVSA com sede no Texas, e responsável pela refinação do petróleo venezuelano exportado para os EUA, empresa que conta também com mais de 6.000 estações de serviço em território norte-americano.
O governo Trump ofereceu a Guaidó transferir-lhe esses activos quando assuma o poder.
Esta medida e o anúncio de sanções para as empresas e países que se atrevam a comprar e/ou transportar petróleo venezuelano fazem parte do estrangulamento levado a cabo pelos EUA para impedir que o Governo obtenha fundos para comprar produtor de primeira necessidade e medicamentos para a povoação.
Seguem o mesmo modus operandi que os EUA utilizaram no início dos anos 70 com o governo de Salvador Allende antes golpe de Estado de Pinochet: asfixiar economicamente o governo, causar mal-estar social e desespero e, assim, o colapso do sistema.
A medida dos EUA obriga os compradores de petróleo venezuelano a pagar por ele em dinheiro vivo antes de os seus navios deixarem os portos venezuelanos, pois caso contrário os pagamentos que sejam feitos no exterior serão imediatamente congeladas pelos EUA, e a Venezuela não os poderá cobrar.
Isso fez já com que a maior empresa indiana de petróleo, Reliance Industries, um grande cliente da Venezuela, reduzisse drasticamente a compra de petróleo à PDVSA.
As empresas indianas compravam em média entre 500 mil e 600 mil barris de petróleo por dia à empresa petroleira venezuelana.
O Secretário de Estado, Mike Pompeo, reconhecia há um mês, após uma reunião com o ministro indiano dos Negócios Estrangeiro, Vijay Gokhale: “Estamos a pedir à Índia o mesmo que a todos os países, que não sejam a corda salva-vidas económica do regime de Maduro “.
Após essa reunião, a Reliance Industries decidiu não continuar vendendo à PDVSA o diluente necessário para comercializar o crude extra pesado.
Mas Nicolás Maduro continuou a resistir ao bloqueio. Passaram mais de três meses desde que Guaidó se autoproclamou “presidente encarregado” durante um protesto de rua, numa operação coordenada com os EUA e os países conservadores da América Latina, que o reconheceram minutos depois, mas o regime venezuelano não sucumbiu como esperavam.
Os Estados Unidos e os sectores mais duros da oposição venezuelana, agora representada pela Vontade Popular, o partido de López e Guaidó, teriam durante estes três meses tentado negociações secretas com sectores críticos das Forças Armadas e do Partido Socialista Unido governamental da Venezuela (PSUV ) a fim de encontrar apoios que permitissem forçar a queda de Maduro.
O deslize de Bolton
Embora Donald Trump tenha ameaçado que “todas as opções” estavam em aberto, parecia tentar evitar uma intervenção militar, pelo menos directa. A Rússia alertou que não permitiria uma operação militar na Venezuela, enquanto os EUA advertiam por sua vez Moscovo de que não tolerariam que continuasse a vender armas a Maduro e a treinar militarmente os seus oficiais.
Por seu lado, Jair Bolsonaro descartou publicamente que o Brasil fosse participar numa acção militar contra a sua vizinha Venezuela, embora a Colômbia tenha demonstrado ter maior disposição nesse sentido. De facto, grupos paramilitares ultradireitistas colombianos operam há anos tanto em zonas fronteiriças como no interior da Venezuela, com a permissão do governo colombiano, antes com Uribe e agora com Duque.
Na conferência de imprensa em que Bolton anunciou o congelamento dos activos da petroleira venezuelana nos EUA deixou acidentalmente à vista dos meios de comunicação um bloco de notas onde estava escrito a esferográfica negra: “5.000 militares para a Colômbia “, juntamente com uma anotação sobre as negociações de paz com os taliban. Jim Young, fotógrafo da agência Reuters, tirou uma foto do bloco que foi difundida aos assinantes do seu serviço.
Quando diferentes meios de comunicação questionaram posteriormente tanto o Pentágono como ao Governo da Colômbia sobre o assunto, ambos negaram que houvesse qualquer plano nesse sentido.
A mesma agência Reuters, pouco suspeita de apoiar a causa bolivariana, publicava por sua vez na segunda-feira 30 de Abril outra informação inquietante, que poderia estar relacionada com a anotação manuscrita de Bolton. Erik Prince, fundador da Blackwater, a poderosa e polémica empresa privada militar que forneceu milhares de mercenários à administração Bush para operações de alto risco no Iraque e no Afeganistão e esteve envolvida em várias matanças de civis de alto perfil, organizou um plano para enviar 5.000 homens em apoio de Juan Guaidó.
Citando quatro fontes diferentes, a poderosa agência de notícias britânica sustentou que o exército de mercenários seria recrutado na Colômbia e em outros países da América Latina.
“Ele (Prince) tem uma solução para a Venezuela, tal como tem uma solução para muitos outros lugares”, foi a única coisa que a Reuters conseguiu que Lital Leshem - director de relações com investidores do Frontier Resource Group, a nova empresa de Erik Prince com características semelhantes às da Blackwater - reconhecesse.
Este vendeu a Blackwater a um fundo de investimento em 2010 e agora chama-se Academi.
Segundo a agência Reuters o plano, para o qual Prince procuraria US $ 40 milhões de investidores privados, incluiria tanto recolha de informações, como operações de comando e de combate, e ainda de “estabilização” uma vez que Guaidó assumisse o cargo.
Prince doou US $ 250.000 para a campanha eleitoral de Trump - e este nomeou a sua irmã, Betsy DeVos, como secretária da Educação - e, segundo publicava o The Washington Post em 2017, teria desempenhado um papel fundamental de intermediação entre colaboradores de Putin e de Trump .
Nesta nova aventura golpista de Guaidó e López não pareceram ter conseguido arrastar nem o conjunto da oposição, nem a maior parte do grande patronato, nem aqueles amplos sectores da população que têm vindo nos últimos meses a participar nos seus comícios de rua.

Um inadmissível ingerência externa

Nesta nova intentona golpista, apoiada publicamente de forma inédita não só pela Administração Trump, mas também pelo Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, e pelos governos da Colômbia, Brasil, Argentina, Chile e outros países latino-americanos, não estava em jogo apenas a sobrevivência do regime de Nicolás Maduro, mas a soberania de um país. E muitos cidadãos comuns terão visto claramente para que fim era procurada a sua cumplicidade, e não secundaram o desesperado apelo de Guaidó para que saíssem à rua em massa.
Raramente foi vista fora das guerras internacionais uma ingerência tão directa nos assuntos internos de um país por parte dos máximos responsáveis de um numeroso grupo de países e dirigentes políticos.
O Governo de Nicolás Maduro cometeu graves erros políticos nos últimos quatro anos, especialmente desde que a oposição obteve maioria absoluta nas eleições legislativas.
Fez uma má gestão da crise económica e não enfrentou com firmeza casos muito graves de corrupção na Administração pública.
A revolução bolivariana perdeu fôlego não só pelas consequências da crise internacional e da inegável agressão externa de que foi e continua sendo vítima, mas também pelas suas próprias incoerências e erros, o que fez com que o processo estagnasse, fossem perdidas muitas das conquistas alcançadas, e se perdesse o apoio de uma parte considerável de sua base social.
No entanto, nenhuma dessas críticas que alguma esquerda faz mal em tentar ocultar podem servir seja a quem for para justificar nem a guerra económica que a Venezuela suporta desde há vinte anos, nem a sistemática e histórica política golpista do sector mais ultra da oposição que agora encabeçou esta nova intentona golpista com um nada oculto apoio externo.
Tal como fizeram em Janeiro após a autoproclamação de Guaidó como “presidente encarregado”, mostraram praticamente em uníssono seu apoio ao golpe os presidentes de EUA, Colômbia, Brasil, Argentina, Chile, Panamá e outros países da América Latina, enquanto Cuba e Bolívia mantiveram em todos os momentos o seu apoio a Nicolas Maduro, e México e Uruguai defenderam a sua postura de não-ingerência em outros países.
A União Europeia optou desta vez para uma postura expectante, defendendo uma saída pacífica, mas o italiano Antonio Tajani, Presidente do Parlamento Europeu, juntou-se aos apelos aos militares venezuelanos a que se associassem ao golpe de Guaidó.
Por sua parte, o ministro das Relações Exteriores espanhol, Josep Borrell, pareceu surpreso com a tentativa golpista de Guaidó, que três meses antes a Espanha reconhera como “presidente encarregado”, mas não foi senão mais tarde que Sanchez rejeitou claramente qualquer acção militar. Já então se sabia que Leopoldo López e sua família tinham entrado na Embaixada do Chile em Caracas. Depois mudaram-se para a de Espanha.
Era evidente que o golpe tinha fracassado. Ainda assim, a ministra porta-voz do Governo espanhol, Isabel Celaá, sustentou que Guaidó continuava a ser a pessoa “legitimada para levar por diante uma transformação democrática” na Venezuela, pelo que contava com o apoio de Espanha.
Será que o governo espanhol não conhecia há três meses as consequências que poderia ter o reconhecimento de Guaidó como presidente “encarregado”, sendo dirigente do Vontade Popular, o partido mais violento da oposição e sendo Leopoldo López - membro de uma das mais conhecidas famílias da oligarquia venezuelana - um dos 400 signatários do golpe de 2002?
Não se lembrava o governo Sanchez que a aposta tanto de Felipe González como de José María Aznar contra Hugo Chávez desde o início do seu mandato, em 1999, serviu para encorajar o golpe de Estado de Abril de 2002?
É previsível - e desejável - que Pedro Sánchez volte a curto prazo a formar governo. Terá a batata quente de López na sua embaixada em Caracas.
¿Irá López converter-se num novo Assange, mas neste caso para a peregrinação dos Albert Rivera - que imediatamente se solidarizou com o golpe de Guaidó - Gonzalez, Aznar, os enviados de Trump, Bolsonaro e reaccionários d todo o mundo?
Ou será que o novo governo que se constituirá proximamente dotará por fim a Espanha de uma política externa independente, soberana, progressista?

Fonte: https://blogs.publico.es/dominiopublico/28559/para-esto-sirvio-que-espana-y-europa-reconocieran-a-guaido-como-presidente/[1]

Divulga o endereço[2] deste texto e o de odiario.info[3] entre os teus amigos e conhecidos

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Golpe de Estado Hollywoodesco na Venezuela

 

Um Golpe de Estado, encenado à maneira de Hollywood, foi produzido este 30 de Abril de 2019 na Venezuela.

Os putschistas de salão, entre os quais o antigo presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, juntaram-se diante da Base militar de La Carlota. Eles posaram para fotografias com soldados que se lhes haviam juntado e anunciaram, nas redes sociais, ter tomado posse da Base. Depois, dirigiram-se ao centro da cidade para realizar aí uma reunião.

Segundo certas fontes, não confirmadas, o Chefe da Segurança ter-se-ia juntado a Juan Guaidó antes dos distúrbios.

Uma multidão numerosa reuniu-se em frente ao Palácio Presidencial de Miraflores para defender o Presidente caso uma unidade militar dissidente viesse atacá-lo.

Na realidade, os militares presentes, que se haviam juntado aos putschistas, não passavam de uma vintena. Descobriu-se em seguida que tinham recebido ordem de vir a este lugar, só que vários de entre eles, recusando ser envolvidos num Golpe de Estado, se juntaram definitivamente às Forças Armadas. Juan Guaidó tirou fotos numa junção elevada da autoestrada diante da Base militar, jamais se tendo aproximado da Base propriamente dita na qual estava o Chefe de operações do Exército. Da mesma forma, a manifestação no centro da cidade reuniu menos de 3.000 pessoas.

Durante todo o dia, circularam informações contraditórias. Segundo os canais de televisão, o Presidente Maduro tanto fazia preparar um avião para se refugiar em Cuba, como se mantinha em Miraflores e controlava a situação.

O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) apelou a todas as partes para renunciarem à violência e manter as suas reivindicações dentro do respeito pela Constituição e pela Carta da ONU. O que o Conselheiro de Segurança Nacional e o Secretário de Estado dos EUA, John Bolton e Mike Pompeo, num estilo muito «Guerra Fria», interpretaram como uma ordem de Moscovo para o Presidente Maduro permanecer no seu posto.

Durante a noite tudo regressou à ordem e deverá retomar a normalidade no dia seguinte. Parece que agindo assim, Juan Guaidó decepciona progressivamente os seus apoios no país.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Desclassificado como ditador!

image Os dois títeres

O ministro luso das negociatas estrangeiras, os comediantes que o rodeiam além da caterva de jornalistas que o apaparicam, a toda essa gente e mais alguma, digo-lhes: “este ditador não está maduro para exercer as funções de ditador”.
O autoproclamado presidente venezuelano apela à rebelião armada, contacta militares, vai para as barricadas, entra e sai do país, volta todo lampeiro e nada lhe acontece. A Reuters anuncia que a blackwater já recrutou cinco mil mercenários para levar pelas armas o Guaidó para Miraflores. Eu não contratava Nicolás Maduro como ditador ao meu serviço.
Nicolás Maduro protege o agressor, procura que nada lhe aconteça, que não se constipe ou apanhe algum resfriado… o que não seria. «Após a tentativa fracassada de derrubar o governo de Nicolás Maduro, o opositor venezuelano Juan Guaidó "agora vale mais morto que vivo não apenas para a CIA", mas também "para sua própria gente da oposição", disse o analista Daniel McAdams
Entretanto neste 1º de Maio em França foram presos e feridos mais manifestantes do que na tão badalada intentona na Venezuela.
Greve geral na Argentina, repressão no Chile, no Brasil o Coiso é apupado nas ruas e apodado de tudo e mais alguma coisa.

MAS HÁ PESSOAS QUE SE CONSIDERAM INTELIGENTES E NÃO CONSEGUEM VISLUMBRAR QUE SÃO CONDUZIDAS COMO REBANHO, BEBEM TUDO O QUE OS MEDIA VOMITAM.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Putin para Trump: Tentativas de derrubar Maduro dificultam a solução para a Venezuela

Presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte-americano, Donald Trump, durante o encontro no Palácio Presidencial em Helsinque, Finlândia
© Sputnik / Sergei Guneev

As tentativas de derrubar o governo legítimo da Venezuela minam as perspectivas de uma solução política para a crise no país caribenho, disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta sexta-feira, falando por telefone com seu colega americano, Donald Trump.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Kremlin, "durante a troca de opiniões sobre a situação em torno Venezuela, o presidente russo ressaltou que apenas o povo venezuelano para decidir o futuro do seu país".


"Interferência externa nos assuntos internos da Venezuela, tenta alcançar pela força uma mudança de governo em Caracas minar as perspectivas de uma solução política para a crise", declarou o presidente russo.

Além disso, Putin informou resultados trombeta de sua recente cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong-un, na cidade russa de Vladivostok, e sublinhou que "o cumprimento de boa fé por Pyongyang de compromissos deve ser acompanhado por um alívio de sanções contra a Coreia do Norte".

Ambas as partes "enfatizaram a importância de promover a desnuclearização da península coreana e alcançar uma normalização duradoura" da situação.

Durante a conversa, Putin também mencionou a situação na Ucrânia no contexto das recentes eleições presidenciais, onde Volodymyr Zelensky prevaleceram, e o presidente russo "sublinhou que a nova administração em Kiev deve tomar medidas reais para cumprir os acordos de Minsk, importante chave para resolver o conflito interno" no Donbass, cujo saldo é de cerca de 13.000 mortes, cinco anos após o início da crise.

Em relação à agenda bilateral, os dois líderes "analisaram a situação e as perspectivas das relações com ênfase na cooperação econômica".


"Os presidentes falaram sobre o desenvolvimento de contatos de negócios e investimentos mutuamente benéficos" e "disposição confirmada para promover o diálogo em vários campos, incluindo a questão da estabilidade estratégica", informou a declaração da Presidência russa.

Putin e Trump "expressaram sua satisfação com a conversa realizada que tinha um caráter construtivo e substancial" e "concordaram em continuar os contatos em diferentes níveis", acrescentou a nota.

A conversa foi conduzida por iniciativa de Washington, poucos dias depois de uma tentativa de golpe que falhou em Caracas em 30 de abril.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050313804213-putin-trump-gol-venezuela/

Os Estados-Unidos contribuíram para afundar a Venezuela no caos – e a política de mudança de regime de Trump garantirá a persistência desta situação. Por Mark Weisbrot

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Texto publicado originalmente por The Intercept, em 2 de fevereiro de 2019 (ver aqui)

O presente texto foi traduzido a partir da versão francesa publicada por Les Crisesem 22 de abril de 2019 (ver aqui)

 

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O presidente da Assembleia nacional da Venezuela, Juan Guaido, dirige-se aos muitos apoiantes da oposição num encontro público em Caracas em 16 de janeiro de 2019.Foto: Federico Parra/AFP/Getty Images

 

Washington tenta derrubar o governo da Venezuela desde há pelo menos 17 anos, mas a administração Trump mostra-se claramente mais agressiva que as anteriores administrações. Na semana passada, os responsáveis da administração aumentaram a velocidade ao darem o seu aval àquele que eles escolheram para suceder ao presidente venezuelano Nicolas Maduros Moros mesmo antes de qualquer golpe de Estado. Juan Guaidó, 35 anos, membro do congresso venezuelano proclamou-se presidente, e a administração Trump, como os governos aliados, reconheceram-no imediatamente como tal – segundo um plano pré-estabelecido.

É evidente que o Presidente Trump visa uma mudança de regime ; a sua administração nem sequer o esconde. E os seus aliados, como o vice presidente Mike Pence e o senador Marco Rubio, republicano do estado da Flórida, disseram-no claramente.

Seria lamentável continuar por este caminho. As políticas de Trump não só agravaram o sofrimento dos venezuelanos como também, além disso, tornaram quase impossível para o país sair da depressão económica e da hiperinflação.

 

É necessária uma resolução negociada do conflito político na Venezuela, mas a implicação da administração de Trump no derrube ilegal do atual regime exclui esta opção

É necessária uma resolução negociada do conflito político na Venezuela, mas a implicação da administração de Trump no derrube ilegal do atual regime exclui esta opção. Pior ainda, a estratégia manifesta de Trump é acentuar o sofrimento através das sanções – a maioria das quais só foram anunciadas – até que uma parte do exército inicie um golpe de força para instaurar um novo regime pro-Washington.

A regularidade das eleições presidenciais de 2018, boicotadas pela oposição, permanece por discutir, mas os principais problemas da estratégia de derrube do regime resultam de outras considerações. A Venezuela é um país dividido e derrubar o governo, mesmo que sem o envolvimento de Washington, não faria senão aumentar esta polarização e os riscos de violência ou mesmo de guerra civil.

Tomemos o exemplo da Nicarágua, onde em 1990 os Sandinistas de esquerda e os seus opositores apoiados pelos EUA aceitaram resolver as suas divergências através de uma eleição. Os partidos tiveram de aceitar determinadas condições para que os perdedores não fossem perseguidos: os Sandinistas mantiveram o exército sob controle depois do seu fracasso nas eleições, e a paz foi preservada.

Este tipo de compromisso seria impossível com a estratégia de mudança de regime praticada pela administração Trump.

A Venezuela está politicamente polarizada e está assim desde que Hugo Chavez foi eleito presidente em 1998 e lançou a sua Revolução bolivariana. A tentativa de golpe de estado militar pela oposição contra Chavez em 2002, apoiada e encorajada por responsáveis da administração Bush, bem como a vacilante vontade da oposição em aceitar os resultados de eleições democráticas nos anos seguintes prepararam o terreno para longos anos de desconfiança.

A polarização política da Venezuela interage com um cisma profundo que se encontra em praticamente todas as sociedades da América latina : uma divisão segundo as classes e as raças. Em quase todo o lado nas Américas, as duas estão correlacionadas. Nesta última década, foi fácil adivinhar, nas manifestações, olhando simplesmente para a roupa e para as nuances da tez dos participantes, se estes eram apoiantes ou opositores do governo. As multidões da oposição são visivelmente mais brancas e mais abastadas que as dos que apoiam o governo venezuelano. Durante as últimas manifestações, os pobres e os trabalhadores de Caracas intervieram mais que antigamente, mas não o suficiente para apagar a divisão de classe e de raça entre os Chavistas e a oposição.

Um outro vetor de polarização da Venezuela é a fé na soberania e na autodeterminação. Para os Chavistas, a independência vis-à-vis os EUA é uma questão central e o governo, quando tinha meios, aplicava políticas no seu hemisfério tendentes a mais independência para toda a região. A oposição e os inimigos dos Chavistas, pelo contrário, colaboraram estreitamente com os governos estado-unidenses durante as duas últimas décadas, como se pôde observar durante a última tentativa de golpe de estado. A intervenção de Washington agrava a polarização sobre a questão da soberania e torna a oposição suspeita de colaboração com um poder estrangeiro, um poder que teve historicamente um papel desastroso em toda a região. Para se poder fazer uma ideia da animosidade que isso criaria, basta pensar no que sucedeu nos EUA com a interferência russa nas eleições de 2016 e multiplicar isso várias vezes.

 

O impacto polarizador da operação de mudança de regime de Trump é o que a torna tão perigosa

O impacto polarizador da operação de mudança de regime de Trump é o que a torna tão perigosa. A inflação anual é provavelmente superior a um milhão por cento e a economia diminuiu provavelmente 50% nos cinco últimos anos. Milhões de pessoas deixaram o país para encontrarem trabalho. A oposição teria quase certamente ganho as últimas eleições presidenciais se nelas tivesse participado. (Note-se que os EUA terão ameaçado um candidato da oposição, Henri Falcon, com sanções financeiras pessoais se ele persistisse em apresentar a sua candidatura à presidência.)

Há que admitir que as políticas económicas governamentais desempenharam um papel nos males da Venezuela mas as sanções de Trump agravaram consideravelmente as coisas desde agosto de 2017 destruindo a indústria petrolífera e agravando a penúria de medicamentos, o que provocou a morte de muitos venezuelanos. Estas sanções tornaram o governo chavista praticamente incapaz de tomar medidas para sair da hiperinflação e da depressão.

Embora os meios de comunicação americanos mantenham o silêncio sobre esta questão, é importante sublinhar que as sanções de Trump são, simultaneamente, violentamente imorais – elas matam – e ilegais. Elas são uma violação da Carta da ’Organização dos Estados Americanos, da das Nações Unidas e de outras convenções internationais de que os EUA fazem parte. Estas sanções violam igualmente as leis dos Estados-Unidos pois, para poder impôr tais medidas, o presidente dos EUA deve afirmar, o que é um absurdo, que a Venezuela representa « uma ameaça inabitual e extraordinária para a segurança nacional » dos Estados-Unidos.

A Venezuela não poderá sair desta crise política com um dos lados esmagando o outro, como o assumem os promotores de uma mudança de regime. O Vaticano que desempenhou um papel de mediador em 2016, o Uruguai e o México, que se mantiveram neutrais no conflito político, ofereceram, esta semana, a sua mediação. A equipa de Trump, que tem uma enorme influência sobre a oposição, não mostrou até ao momento nenhum interesse numa solução pacífica.

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O autor: Mark Weisbrot (1954-), economista, doutorado pela Universidade de Michigan, é co-fundador e co-director do Center for Economic and Policy Research em Washington, D.C. e presidente de  Just Foreign Policy. Entre outros trabalhos é autor de Failed: What the “Experts” Got Wrong About the Global Economy (2015, Oxford University Press).

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/05/03/os-estados-unidos-contribuiram-para-afundar-a-venezuela-no-caos-e-a-politica-de-mudanca-de-regime-de-trump-garantira-a-persistencia-desta-situacao-por-mark-weisbrot/

Como Trump quer se apropriar da empresa estatal petrolífera da Venezuela nos EUA

Citgo Petroleum, filial estadunidense da Petróleos de Venezuela (PDVSA), está sob intervenção do governo estadunidense

Michele de Mello | Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)
Em janeiro deste ano, o deputado opositor Juan Guaidó se autoproclamou presidente da Venezuela, um ato que já sinalizava a intenção da oposição venezuelana de tomar o poder à força, o que se tornou explícito ao mundo com a fracassada tentativa de golpe de Estado liderada por Guaidó na última terça-feira (30).

Assim que foi divulgada a autoproclamação de Guaidó, o secretário de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, confirmou a intenção da Casa Branca com o “novo governo”. Em entrevista para a FOX News ele admitiu: "Estamos olhando para os ativos de petróleo. Esse é o fluxo de renda mais importante para o governo da Venezuela. Estamos olhando o que fazer com isso. Estamos conversando com grandes empresas americanas agora. Isso fará uma grande diferença para os Estados Unidos economicamente se pudermos ter companhias petrolíferas americanas realmente investindo e produzindo as capacidades petrolíferas na Venezuela".
A Venezuela é o país com maior reserva de petróleo do mundo: 309 bilhões de barris

 

O primeiro ataque do governo Donald Trump foi contra a Citgo Petroleum Corporation – filial da Petróleos de Venezuela (PDVSA) nos Estados Unidos. Os EUA bloquearam cerca de US$ 7 bilhões (R$ 28 bilhões) em ativos da estatal venezuelana e reconheceram uma nova diretoria, nomeada pelo opositor Juan Guaidó.

Mas a história não começa aí. As sanções contra a empresa estatal venezuelana iniciaram em 2017. Em agosto daquele ano, Donald Trump assinou um decreto proibindo a Citgo de enviar lucros à empresa matriz, em Caracas.


Entre 2015 e 2017, a Citgo teve um lucro de cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 10 bilhões). Ao total, a filial da PDVSA tem três refinarias (nos estados de Texas, Illinois e Lousiana), três pontos de abastecimento de combustível e vários postos de gasolina na costa leste dos EUA. É responsável por 4% do refino de petróleo no país e um dos principais provedores de combustível para a aviação civil.

A Citgo refina petróleo da Venezuela, do México e dos Estados Unidos e revende para esses mesmos países, totalizando cerca de 759 mil barris diários. Outra penalidade da sanção aprovada em 2017 é justamente o cancelamento das vendas de petróleo cru para ser refinado pela empresa, impedindo que suas atividades centrais fossem mantidas.

"Primeiro o bloqueio da compra de petróleo; depois o bloqueio dos seus fundos financeiros; e, por fim, o bloqueio das contas bancárias venezuelanas em solo estrangeiro são o conjunto de ações que deixaram clara a intenção e a tentativa dos EUA de se apropriar da Citgo”, analisa Franco Vielma, sociólogo e analista do portal venezuelano Misión Verdad.
PDVSA minada por dentro

Em novembro de 2017, seis diretores da Citgo foram presos em Caracas depois de uma denúncia do Ministério Público venezuelano que atribuía a eles a responsabilidade por negócios da filial da PDVSA nos EUA com financeiras que faziam uso de fundos de investimento de alto risco – os chamados "fundos abutres" – sem o consentimento da direção central da empresa.

No caso denunciado, os diretores haviam pedido um empréstimo de US$ 4 bilhões (R$ 16 bilhões) para o investimento nesses fundos. Como garantia, hipotecavam a própria sede da empresa.

Todos os funcionários tinham dupla nacionalidade, o que fez com que a Justiça estadunidense fosse acionada para defendê-los da prisão.

Para Vielma, esse episódio escancara a presença de infiltrados do Pentágono na empresa, com objetivo de desestabilizá-la por dentro.
Todas as últimas guerras iniciadas pelos Estados Unidos foram contra países grandes produtores de petróleo

 

Mesma tática, personagens diferentes

Ao contrário do que poderia esperar a oposição, a tentativa de endividar e hipotecar a Citgo fracassou. Mas, em 2019, aempresa volta a ser alvo de ataques.

Uma das primeiras ações de Carlos Vecchio, advogado nomeado como embaixador da Venezuela nos EUA pelo opositor Juan Guaidó, foi solicitar um novo financiamento, para endividar a empresa, dando as ações da Citgo-PDVSA na bolsa de valores como garantia.

A manobra só pôde ser realizada porque tanto o Executivo quanto o Legislativo dos Estados Unidos reconhecem Juan Guaidó e seus nomeados como representantes oficiais da Venezuela no país.

Enquanto isso, todos os ativos da Citgo-PDVSA estão sob intervenção do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, devido a outro decreto, aprovado em 2015, pelo presidente Barack Obama, definindo a Venezuela como uma “ameaça inusual e extraordinária à segurança dos Estados Unidos”. De acordo com o decreto, as propriedades venezuelanas dentro do território estadunidense devem receber o mesmo tratamento de qualquer tipo de propriedade de organizações consideradas terroristas pela Casa Branca, ou seja, podem ser confiscadas.
O consumo diário mundial de petróleo em 2018 foi de 98,82 milhões de barris, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)

 

"É muito difícil que a Venezuela possa retomar a Citgo diante das condições atuais. O mais provável é que a Citgo se converta em uma empresa de capital aberto nos Estados Unidos. Essa, provavelmente, será a ação dessa nova diretiva nomeada pelo Guaidó: vender as ações da empresa, impedindo que o Estado venezuelano as recupere", comenta o analista Vielma.
Histórico

Citgo Petroleum Corporation foi comprada pelo Estado venezuelano, nos anos 1980, como parte de um processo de internacionalização do petróleo da Venezuela. A expectativa era que a compra desse grupo de refinarias iria alavancar a indústria petroleira nacional. No entanto, desde aquela época, já se denunciava que as estruturas dessa empresa estariam obsoletas.

"Apesar de sua compra ter sido parte de um episódio de corrupção da antiga PDVSA, a Citgo serviu para comercializar petróleo refinado para o México e os Estados Unidos", explica Vielma.

Papel social

Desde 2006, o governo venezuelano provê diesel para abastecer o sistema de calefação de famílias de baixa renda dos Estados Unidos. O combustível é distribuído nos postos de gasolina e refinarias da Citgo e atende a centenas de famílias de Chicago e Nova York. Estima-se que são distribuídos cerca de 100 mil barris de diesel durante os quatro meses de inverno.

Edição: Rodrigo Chagas

 

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Venezuela: a extrema-direita perde mais uma

Além de Juan Guaidó, EUA e Bolsonaro – que cantaram vitória muito cedo – são os grandes derrotados no golpe que fracassou. Mas situação do país ainda é muito difícil
Antonio Martins | Outras Palavras
Talvez nem fosse preciso, mas as pegadas de Washington, na nova tentativa de golpe de Estado que a Venezuela sofreu sexta-feira (30/4), ficaram claras na fala que o Conselheiro Nacional de Segurança dos EUA, John Bolton, fez pela tarde, na Casa Branca. Ela beira o bizarro.
Conhecido por seu papel destacado entre a extrema-direita norte-americana, Bolton nomeou, um a um, os funcionários do governo venezuelano que, segundo ele, teriam participado da conspiração militar para entregar o poder a Juan Guaidó, “presidente” autoproclamado. “Figuras como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, o chefe da Suprema Corte, Maikel Moreno, o comandante da guarda presidencial, Rafael Hernandez Dala. Todos concordaram que Maduro tinha de ir embora. É muito importante que agora cumpram seus compromissos…”.
Bolton teria caído em cilada? Seus supostos interlocutores faltaram ao encontro. E às 19h de 30/4, quando se escreve esta nota, parece claro que, por hoje, o golpe fracassou. Guaidó estaria em busca de refúgio na embaixada da França. Outro político opositor, Leopoldo López, já rumou para a representação diplomática do Chile. Coube ao governo Bolsonaro um papel menor: oferecer alívio a 25 militares – todos de baixa patente – que se somaram à aventura fracassada.


A intentona começou pela manhã. Por volta das 9h, o autoproclamado Guaidó apareceu na Praça Altamira – zona nobre de Caracas – ladeado, segundo os jornais internacionais confiáveis, de alguns militares fortemente armados. Também o acompanhava Leopoldó Lópes, que escapara pouco antes de sua própria casa, onde cumpria prisão domiciliar. Guaidó garganteou contar com apoio militar e anunciou que começava, com suas palavras, a “Operação Liberdade”. Dessa vez, ele entraria, enfim, no Palácio Miraflores. Para isso, convocou a população a “ir às ruas”.

O apoio social foi escasso, como demonstram as múltiplas imagens da jornada de hoje. Mas alguma sustentação na caserna, o autoproclamado obteve – tanto que rumou para a Base Aérea de La Carlota, situada no coração da capital. Ainda é incerto que tenha conseguido adentrar. Pouco a pouco, o grosso dos comandantes militares manifestou seu apoio ao presidente Nicolás Maduro. Por volta do meio dia, o ministro da Defesa – o Vladimir Padriño com quem John Bolton contava – anunciou na TV estatal que a “violência de alguns membros das Forças Armadas” estava debelada.

A jornalista venezuelana Luz Mely Reyes, que o Guardian britânico considera fonte confiável, construiu, então, uma tantativa de explicação para o fiasco. Houve precipitação, segundo ela. Oputsch estava programado para mais adiante. Foi subitamente antecipado porque alguns opositores temiam que a informação vazasse e Gaidó fosse preso. Tratou-se, a crer nesta hipótese, de quartelada típica, sem adesão popular – e portanto sujeita tanto a nascer quanto a perecer na caserna.

Já nas primeiras horas da manhã, a Casa Branca apoiou a movimentação golpista – “pela democracia”, segundo informou em novilíngua… Mas os EUA não foram os únicos a se pendurar na brocha. Jair Bolsonaro apressou-se a fornecer seu apoio. Além de um tuíte matutino, em que chamou Nicolás Maduro de “ditador apoiado pelo PT, PSOL e alinhados ideológicos”, convocou reunião do Conselho de Defesa Nacional. É provável que, nela, tenha prevalecido a posição dos militares, muito menos delirante que a da família presidencial. Ao final do encontro, o general Augusto, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), apressou-se a dizer que considera Guaidó “fraco militarmente”; que o autoproclamado agiu provavelmente numa ação de “autopropaganda”; e que “eles sabem que não vamos intervir”.

A derrota do golpe merece ser celebrada – ainda mais numa conjuntura em que a direita latino-americana defronta-se com a crescente crise argentina, e pode ser tentada a resolver suas dificuldades pelo caminho da violência. Mas os problemas de fundo da Venezuela não terminaram. Continua atual o dossiê que Outras Palavras publicou a respeito, há dois meses. Entre os textos, destaca-se uma análise do cientista político Edgardo Lander, crítico do chavismo pela esquerda. Ele sustenta: o processo produziu reformas profundas, mas jamais libertou-se do extrativismo, este elemento crítico a herança colonial que marca a América Latina. Só o futuro dirá se ainda há tempo para sair da cilada — e manter a ultra-direita distante.
Na foto: Dois apressados: Juan Guadó, o “autoproclamado” discursa na Praça Altamira, zona nobre de Caracas. Ao fundo, Leopoldo López, “recém-libertado” pelos militares golpistas

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Sem bloqueio econômico dos EUA, Venezuela não estaria em crise

Sanções do governo Trump e queda do preço do barril de petróleo prejudicaram a economia venezuelana e parte do abastecimento.

De acordo com o jornalista e analista político Amauri Chamorro, o bloqueio econômico norte-americano é um dos principais vilões da crise econômica e política da Venezuela, sendo responsável em grande medida pelo problema de abastecimento e da hiperinflação na economia local.

Os Estados Unidos proibiram que qualquer instituição financeira que tenha sede em solo americano faça qualquer tipo de transação com o Estado, com alguma pessoa ou com uma empresa venezuelana. Se ela fizer, terá os bens bloqueados nos EUA. Então, os bancos do mundo inteiro não fazem mais transação com venezuelanos”.

Amauri, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas na Rádio Brasil Atual

 

Os embargos norte-americanos não são apenas para os bancos, e chegam até as transportadoras responsáveis pelo alimento que chega à Venezuela.

Os EUA têm um monitoramento de todos os barcos que atracam nos portos venezuelanos. (Se eles param lá) Essas embarcações estão proibidas de chegar na Europa, ou seja, as companhias de transporte naval não querem mais levar produtos à Venezuela, porque serão proibidas de atracarem nos Estados Unidos e Europa. Então, isso origina um processo de desabastecimento”.

Amauri Chamorro

 

O jornalista, que está em Caracas, relata que há comida para a população, o problema é o preço elevado, dificultando o acesso da população mais pobre. Para ele, fica evidente que, sem as sanções norte-americanas, não haveria a crise no país.

Na Venezuela tem uma crise econômica, por conta da hiperinflação. Eles importam tudo o que consomem, até o leite, porque só vivem da exportação de petróleo. Então, são vítimas da queda do preço do barril de petróleo, somada ao bloqueio econômico”.

Amauri Chamorro

 

Desde a última terça-feira (30), o presidente venezuelano Nicolás Maduro, enfrenta uma tentativa de golpe do autodeclarado presidente da Venezuela, Juan Guaidó. Entretanto, o líder eleito ainda obtém maior apoio popular. 

Chamorro explica também que o apoio a Maduro se dá pelo fato de o governo não ter abandonado a população em meio a crise.

O governo criou uma coordenação de abastecimento de remédios, comidas e higiene pessoal. Uma vez por semana, um caminhão entrega tudo que uma família precisa, com um preço fixo e acessível. Atualmente, quatro milhões de casas são atendidas”.

Amauri Chamorro

Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (RBA) / Tornado


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https://www.jornaltornado.pt/sem-bloqueio-economico-dos-eua-venezuela-nao-estaria-em-crise/

Alemanha e México se dizem contra intervenções militares na Venezuela

Manifestación en Caracas, Venezuela
© AP Photo / Natacha Pisarenko

O México e a Alemanha anunciaram que são contra quaisquer cenários de intervenção militar na Venezuela. A afirmação veio através dos ministros das Relações Exteriores dos dois países em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (2).

"O México condena qualquer tentativa de intervenção militar na Venezuela ou em qualquer outro país da América Latina. Será um desastre e um grande erro se acontecer", disse o secretário de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, durante a coletiva de imprensa realizada na Cidade do México.

Segundo Ebrard, o México defende uma solução pacífica para a crise venezuelana, uma postura que coincide com defendida por Berlim.


O chanceler alemão Heiko Maas, por sua vez, afirmou que a União Europeia se mantém aberta a facilitar o diálogo entre as partes na Venezuela, mas não descartou que o bloco possa reforçar sanções contra Venezuela.

Em 23 de janeiro a crise política na Venezuela se agravou devido à autoproclamação de Juan Guaidó, líder da oposição e da Assembleia Nacional, como presidente interino do país. A medida foi reconhecida por diversos países da União Europeia, como a Alemanha, além dos Estados Unidos.

Já Nicolás Maduro, reeleito presidente venezuelano em 2018, é considerado o líder legítimo por países como a Rússia, China e Turquia, além de outras dezenas de nações mundo afora.

Tanto México quanto Uruguai também se recusaram a reconhecer Guaidó, declarando-se neutros e promovendo a solução da crise por meio do diálogo.

Na terça-feira (30) o dia amanheceu com clima político tenso na Venezuela após uma tentativa de golpe promovida por Guaidó contra o governo Maduro. Caracas, no entanto, afirmou que a tentativa de golpe havia fracassado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050213798805-alemanha-mexico-intervencao-militar-venezuela-nicolas-maduro-juan-guaido/

Tal como a Líbia e a Síria, a Venezuela não é “só sobre petróleo”

(Por André Vltchek, 01/05/2019, Tradução de Luís Garcia)

Sim, a mais recente pesquisa confirma que a Venezuela é tão rica em recursos naturais que poderia sozinha satisfazer toda a procura mundial de petróleo durante mais de 30 anos. E tem muito mais do que petróleo para oferecer na sua bacia do Orinoco e noutras áreas do país.

Mas a questão aqui não é só “só sobre petróleo”. Longe disso!

 

Aqueles que acreditam que o que impulsiona a propagação do terror Ocidental pelo mundo afora são apenas alguns “interesses comerciais” e a lendária ganância Ocidental estão, do meu ponto de vista, a passar ao lado da questão.

Noto que tais indivíduos e analistas deveras acreditam que “o capitalismo é responsável por tudo” e que este cria a cultura da violência de que, quer vítimas quer agressores, já se tornaram todos reféns.

Depois de ter trabalhado em todas as partes do mundo, estou cada vez mais convencido de que, na realidade, o capitalismo é que é fruto da cultura ocidental, cultura essa que se baseia predominantemente no expansionismo, no excepcionalismo e na agressão. Esta cultura assenta também num desejo profundamente enraizado de controlar e de ditar. A ganância financeiro-monetária é apenas um subproduto desta cultura que elevou a sua superioridade a algo que poderia até ser definido como religioso ou mesmo religiosamente fundamentalista.

Por outras palavras, a crença na sua própria superioridade é, actualmente, a principal religião quer na Europa quer na América do Norte.

O que torna afinal tão semelhantes os cenários líbios, sírios e venezuelanos? Porque é que o Ocidente se mostra tão ansioso por atacar e destruir estes três países que, à primeira vista, parecem ser tão diferentes?

A resposta é simples, embora raramente seja pronunciada no Ocidente (pelo menos publicamente):

“Os três países estiveram na vanguarda da promoção e luta determinada por conceitos como o “pan-africanismo”, o “pan-arabismo” e a Patria Grande que, na sua essência, defende a independência e unidade Latino-Americana.”

Gaddafi, al-Assad e Chávez foram regional e internacionalmente reconhecidos como combatentes anti-imperialistas, inspirando e dando esperança a centenas de milhões de pessoas.

Gaddafi foi assassinado, Chávez provavelmente também foi morto e Al-Assad e sua nação têm vindo a lutar literalmente, e por vários anos, pela sua sobrevivência.

O actual presidente venezuelano Maduro, que é decididamente leal aos ideais revolucionários Bolivarianos, já sobreviveu a pelo menos uma tentativa de assassinato e, agora, enfrenta ameaças directas ao bom estilo mafioso provenientes do Ocidente. A qualquer momento, o seu país pode ser atacado, directamente ou através dos estados latino-americanos “vassalos” do Ocidente.

Assim é porque a África, o Médio Oriente e a América Latina foram durante séculos tratados como suas colónias. Assim é porque sempre que as pessoas se revoltavam, eram quase imediatamente esmagadas pelo punho de ferro do imperialismo ocidental. E aqueles que pensam que estão ao comando do planeta graças a algum divino desígnio, esses não querem que as coisas jamais mudem.

A Europa e a América do Norte estão obcecadas com a ideia de controlar os outros e, para o fazer, sentem que têm de se certificar que exterminam toda e qualquer oposição nas suas colónias e neo-colónias.

É um verdadeiro estado de enfermidade mental no qual o Ocidente se encontra; um estado que eu, em meus trabalhos anteriores, defini como Transtorno Sádico de Personalidade (TSD).

Para se obter um quadro completo, é preciso também recordar a Indonésia, que foi literalmente liquidada enquanto nação independente e progressista em 1965. O seu presidente internacionalista, Sukarno (pai do Movimento dos Países Não-Alinhados e aliado próximo do Partido Comunista da Indonésia, o PKI), foi derrubado pelo general Suharto escolhido a dedo pelo Ocidente, um intelectual traiçoeiro e moralmente perturbado, abrindo assim as portas ao turbo-capitalismo e à pilhagem desenfreada dos recursos naturais da sua nação. Outrora uma luz orientadora da luta pela independência de toda a Ásia, depois do horrífico genocídio orquestrado pelos EUA/Reino Unido/Austrália, a Indonésia foi reduzida a nada mais do que um estado “vassalo” do Ocidente, pobre e lobotomizado.

O Ocidente tem a incrível capacidade de identificar verdadeiros líderes independentistas regionais e os desacreditar e os tornar vulneráveis através da mentira para, em seguida, defender a assim chamada “oposição local” e, mais tarde, liquidá-los a eles e também aos seus países e até mesmo as suas regiões inteiras.

Às vezes, o Ocidente ataca países específicos, como foi o caso do Irão (1953), Iraque ou Nicarágua. Mas, mais frequentemente, ataca directamente o “peixe graúdo” (líderes de oposição a um nível regional), como na Líbia, na Indonésia, na Síria e agora na Venezuela.

Muitos indivíduos, desafiadores da ordem ocidental já foram literalmente assassinados: Gaddafi, Hussein, Lumumba e Chávez, para citar apenas alguns.

E claro, faça o que fizer, o Ocidente está tentado em destruir os maiores líderes da coligação anti-ocidental e anti-imperialista: Rússia e China.

A questão está bem longe de ser apenas sobre petróleo ou sobre lucros.

O Ocidente sente necessidade de governar. É obcecado com a ideia de controlar o mundo, de sentir-se superior e excepcional. É um jogo, um jogo mortal. Durante séculos, o Ocidente tem-se comportado como um fanático religioso fundamentalista, e o seu povo nunca sequer reparou que as suas perspectivas sobre o mundo se tornaram de facto sinónimos de excepcionalismo e de superioridade cultural. É por isso que o Ocidente é tão bem-sucedido em criar e injectar movimentos religiosos extremistas de todas as denominações em praticamente todas as partes do mundo: da Oceânia à Ásia, da África à América Latina e, claro, na China. Os líderes ocidentais sentem-se “em casa” com extremistas cristãos, muçulmanos ou até budistas.

Mas a Síria conseguiu sobreviver e até hoje mantém-se pé. A única razão pela qual as forças governamentais não estão tentando reconquistar o último bastião terrorista de Idlib é porque a população civil sofreria enormes perdas durante essa batalha.

A Venezuela também recusa se ajoelhar e render-se. E é claro que, se o Ocidente e seus aliados se se atreverem a atacar, a resistência, alguns milhões de pessoas, irão lutar pelas suas vilas e campos e, se necessário, retirar-se-ão para a selva e haverão de travar uma guerra de libertação de guerrilha contra os invasores e contra as traidoras elites.

Washington, Londres, Paris e Madrid estão claramente utilizando uma estratégia extremamente desactualizada: uma estratégia que funcionou contra a Líbia, mas que falhou completamente na Síria.

Recentemente, na Síria, perto da linha de frente de Idlib, dois comandantes de alta patente disseram-me que estão lutando “não só pela Síria, mas por todo o mundo oprimido, incluindo a Venezuela”. Eles perceberam com clareza que o Ocidente está usando contra Caracas exactamente a mesma estratégia que tentou usar contra Damasco.

Agora, também a Venezuela também está sofrendo e lutando em nome de todo o mundo oprimido.

Não tem “o direito de falhar”, tal como a Síria não teve o direito de se render.

A destruição da Líbia já havia causado um enorme impacto negativo em África. E abriu as portas à renovada e desenfreada pilhagem francesa do continente. A França prontamente juntou-se ao Reino Unido e aos Estados Unidos.

A Síria é o último bastião no Médio Oriente. É tudo o que sobra agora, resistindo ao controlo total do Médio Oriente pelo Ocidente. Síria e Irão. Mas o Irão ainda não é uma “frente”, embora muitas vezes pareça que em breve se possa tornar numa.

A Venezuela não pode cair, pelas mesmas razões. Está no extremo norte da América do Sul. Abaixo, há um continente inteiro aterrorizado pela Europa e pela América do Norte,  e que durante séculos e séculos foi brutalizado, pilhado e torturado. Uma América do Sul onde dezenas de milhões de pessoas costumavam ser exterminadas como animais, forçadas a se converter ao cristianismo, roubadas de tudo e obrigadas a seguir bizarros modelos políticos e económicos ocidentais.

No Brasil, o governo socialista progressista do PT já foi derrubado.

Se a Venezuela cair, tudo pode ser perdido, por décadas, talvez até séculos.

E por isso lutará. Juntamente com os outros poucos países de esquerda que ainda sobram nesse “hemisfério ocidental”; países que os ditadores em Washington D.C. abertamente descrevem como “o seu quintal”.

Caracas ergue-se e luta pelas vastas favelas do Peru, por milhões de carentes no Paraguai, pelas favelas brasileiras, por aquíferos privatizados e pela floresta tropical assassinada no Brasil.

Exactamente como a Síria tem lutado pela Palestina, pelas abandonadas minorias da Arábia Saudita e do Barém, pelo Iémene, pelo Iraque e pelo Afeganistão (estes últimos, dois países a quem a NATO roubou quase tudo).

A Rússia já mostrou o que pode fazer pelos seus irmãos árabes, e agora está a demonstrar a sua disponibilidade para apoiar o seu outro aliado chegado, a Venezuela.

A China está rapidamente juntando-se à coligação de combatentes anti-imperialistas. Outro exemplo é a África do Sul.

Não, a Venezuela não é só sobre petróleo.

É sobre o Ocidente ser capaz de impedir o acesso de navios chineses ao Canal do Panamá.

É sobre o controlo total do mundo: ideológica, política, económica e socialmente. Sobre liquidar toda a oposição no Hemisfério Ocidental.

Se a Venezuela cair, o Ocidente pode ousar atacar a Nicarágua e, em seguida, atacar o bastião do socialismo e do internacionalismo: Cuba.

É por isso que não se deverá nunca permitir que a Venezuela caia. 

A batalha pela Venezuela já está a ser travada, em todas as frentes, incluindo a ideológica. Na Venezuela não estamos apenas lutando por Caracas, Maracaibo ou Ciudad Bolivar. Estamos lutando por todo o mundo oprimido, como fizemos e estamos fazendo em Damasco, Aleppo, Homs e Idlib, como podemos ter que fazer em breve em muitas outras cidades do mundo inteiro. Enquanto o imperialismo Ocidental se mantiver vivo, enquanto não desistir dos seus sonhos de controlar e arruinar a totalidade do planeta, não podemos descansar, não podemos baixar a guarda, não podemos celebrar vitória final em nenhuma parte do mundo.

E portanto, tudo isto está longe de ser “apenas sobre petróleo”. É sobre a sobrevivência do nosso planeta inteiro.


Traduzido para o português por Luís Garcia

Versão original em inglês na NEO – New Eastern Outlook.

André Vltchek é um filósofo, romancista, cineasta e jornalista de investigação. Cobriu e cobre guerras e conflitos em dezenas de países. Três dos seus últimos livros são Revolutionary Optimism, Western Nihilism, o revolucionário romance Aurora e um trabalho best-seller de análise política: “Exposing Lies Of The Empire”. Em português, Vltchek vem de publicar o livro Por Lula: O Brasil de Bolsonaro – O Novo Tubarão Num Mar Infestado de Tubarões. Veja os seus outros livros aqui. Assista ao Rwanda Gambit, o seu documentário inovador sobre o Ruanda e a República Democrática do Congo, assim como ao seu filme/diálogo com Noam Chomsky On Western Terrorism. Pode contactar André Vltchek através do seu site ou da sua conta no Twitter.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Congressista americana culpa sanções dos EUA por 'devastação' na Venezuela

A deputada norte-americana Ilhan Omar, do Partido Democrata, responsabilizou em parte as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela pela situação de caos instalada no país sul-americano.

Em entrevista ao Democracy Now!, Omar, que representa os eleitores do estado do Minnesota, afirmou que tais medidas, além de prejudicar os venezuelanos, também não atendem aos interesses dos EUA. 

"Ilhan Omar fala contra as sanções dos EUA e apoio bipartidário para a mudança de regime na Venezuela."

​"Muitas das políticas que implementamos meio que ajudaram a levar a Venezuela à devastação", disse ela.

De acordo com a congressista, os norte-americanos prepararam o cenário ao qual "estamos chegando hoje", que, para ela, não traz benefícios a ninguém.

"Esse bullying em particular e o uso de sanções para eventualmente intervir e fazer mudanças de regime realmente não ajudam as pessoas de países como a Venezuela, e certamente não ajudam e não são do interesse dos Estados Unidos."

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050213797779-sancoes-americanas-venezuela/

Venezuela: Esmagar a conspiração desestabilizadora da ultra-direita

por PCV

O Partido Comunista da Venezuela (PCV) condena a nova acção desestabilizadora da ultra-direita encabeçada pelo títere Juan Guaidó e o reincidente fugitivo da justiça venezuelana Leopoldo López, os quais ao serviço do imperialismo estado-unidense continuam no desenvolvimento de golpe de Estado.

Perante esta nova escalada desestabilizadora, o PCV e a JCV activaram a movilização nacional e convocam todo o povo organizado a derrotar as acções terroristas que a oposição apátrida tenta realizar em cada rincão do país.

Hoje mais do que nunca cabe à Força Armada Nacional Bolivariana, em conjunto com todo o povo, manter sua unidade e coesão interna, avançar aprofundar a unidade cívico-militar em defesa da soberania, da independência da pátria e das conquistas alcançadas pelo povo trabalhador da cidade e do campo.

O PCV e a JCV apelam à organização e à mobilização activa do povo trabalhador rumo a Miraflores para rechaçar as acções terroristas de sectores da ultra-direita. Além disso, ratificam a convocação à maior mobilização operária, camponesa, comuneira e popular para amanhã 1 de Maio.

Pela Comissão Política do Comité Central do PCV:
Oscar Figuera
Secretário-geral

30/Abril/2019

O original encontra-se em prensapcv.wordpress.com/...

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/venezuela/declaracao_pcv_30abr19.html

Venezuela | O fracasso do senhorito Guaidó

Após o fracasso da tentativa de golpe de 23 de Fevereiro, em 30 de Abril o senhorito Guaidó fez uma nova tentativa e teve um novo fracasso. Isto revela muito acerca da inépcia dos agentes designados pelo império. 

Ao referido indivíduo fora ministrado um curso do NED, na ex-Juguslávia, acerca de técnicas para fazer revoluções coloridas. Mas hoje, diante deste novo flop, pode-se verificar que o seu aproveitamento foi pequeno. 

A tradição do imperialismo de arrebanhar lumpens, marginais e mercenários para promover tumultos e golpes – tal como fez a CIA em 1953 contra o governo iraniano, de Mossadegh – é inútil quando se depara com a coesão das Forças Armadas e a consciência anti-imperialista do seu povo. É o que acontece na Venezuela Bolivariana, apesar de todas as sabotagens e tentativas de desestabilização contra ela.

Registe-se o papel ridículo dos vassalos americanos da UE (governo português inclusive) que servilmente, cumprindo ordens de Washington, reconheceram o governo do supracitado senhorito. Registe-se ainda a actuação repugnante e histérica da TV portuguesa na cobertura dos acontecimentos na Venezuela.

Resistir.info

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/venezuela-o-fracasso-do-senhorito-guaido.html

Venezuela | O estranho "golpe" de que pouco se sabe

Era para ser esta quarta-feira a maior manifestação de sempre na Venezuela. O autoproclamado presidente interino antecipou-se, num vídeo filmado à porta da base aérea de La Carlota, rodeado de duas mãos cheias de militares.

"O 1.o de Maio, o fim definitivo de usurpação, começou hoje [terça-feira]", dizia Juan Guaidó, anunciando ter conquistado os militares, único garante da força do poder do presidente venezuelano que tenta há mais de três meses derrubar, Nicolás Maduro. Guaidó pediu ao povo que descesse à rua e chamou à sublevação "fase final da Operação Liberdade". Maduro desmentiu Guaidó e anunciou estar a debelar um golpe de Estado, as redes sociais e televisões foram limitadas e, ao final do dia, pouco se sabia. A não ser que a mobilização nas ruas não era tão massiva quanto o esperado e que, mais uma vez, sobraram imagens de confrontos que incluíram um blindado a avançar sobre manifestantes e 71 feridos ao final da tarde.

A questão permanecia a da tendência dos militares. O dia começara com a libertação de Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular de Guaidó, a cumprir em prisão domiciliária uma pena de 14 anos. Garantia ele que a libertação coube aos agentes do Serviço Bolivariano de Informações que o vigiavam, que não contrariaram o indulto decretado por Guaidó aos presos políticos. Ambos se encontrariam depois junto a La Carlota, com o dito punhado de militares que pareceu manter-se à sua roda ao longo do dia, até no comício promovido depois, com a já famosa imagem de um megafone brandido de cima do tejadilho de um carro.


Versão norte-americana

Mais adiante, López afirmaria aos jornalistas que tudo estava a ser feito em contacto com elites militares e, até, com membros do Governo de Maduro. Dos EUA, que apoiaram imediatamente a operação, o conselheiro para Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, garantiria pouco depois que o presidente do Tribunal Superior de Justiça, altas patentes militares e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, eram defensores da saída de Maduro. Ora, o próprio Padrino denunciaria "uma tentativa de golpe de Estado de magnitude medíocre" e republicava tweets alheios glorificando o presidente. E Maduro garantia ter falado com todas as hierarquias militares e obtido garantias de lealdade, aplaudindo "nervos de aço".

Já à noite, regressava a polémica vinda de Washington. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, completava a informação de Bolton, assegurando que o próprio Maduro estaria pronto a descolar para Cuba, mas foi convencido a ficar pela Rússia, apoiante fiel (e credor) do Governo de Caracas, apesar de, alegadamente, parte dos seus ministros defender essa partida.

Nas ruas, Guaidó mantinha consigo a mesma quantidade de militares e López refugiava-se com a família na Embaixada do Chile, enquanto 25 militares de baixa patente pediam asilo na Embaixada do Brasil. "Os levantamentos militares parciais não mobilizam a tropa", recorda o "El País". E Maduro - que não apareceu durante o dia - contava, logo às primeiras horas da "operação", com a mobilização da Guardia Nacional, das Forças de Ações Especiais e dos "motorizados, coletivos e milícias".

Guaidó antecipou-se ao 1.o de Maio para marchar até Miraflores. Esta quarta-feira, terá lá à sua espera esta barreira provavelmente impossível de vencer.

Ivete Carneiro | Jornal de Notícias | Foto: EPA/Miguel Gutierrez

 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/venezuela-o-estranho-golpe-de-que-pouco.html

Venezuela, o «Império» contra-ataca

O império tentou mais um ataque contra a soberania da Venezuela. Assim como fizeram em Cuba, a tal Operação Liberdade, buscou usurpar parte do exército junto com mercenários do próprio país treinados pela CIA, comandados por um fantoche da oposição, para um levante seguido de uma possível investida militar a fim de derrubar do poder quem não se alinha aos seus interesses econômicos.

A história se repete, os EUA não largam mão da política externa intervencionista, de estrangular economicamente os povos latino-americanos, de manipular as suas políticas internas, e até mesmo atentar militarmente contra os seus povos. Não conseguem enxergar que a política intervencionista só aflora ainda mais o nacionalismo e o sentimento anti-imperialista nos países. A desculpa de levar a democracia liberal, é na verdade a Doutrina Monroe, ninguém coloca a mão no meu quintal.

Após a primeira tentativa de golpe com a autoproclamação de Juan Guaidó a Presidente Interino em 23 de janeiro, a segunda tentativa golpista patrocinada pelo Departamento de Estado norte-americano fracassou. Guaidó não tinha nem o exército, nem as milícias populares, nem o povo ao seu lado, seu apoio vem da diplomacia norte-americana e de pequenos grupos possivelmente introduzidos pela própria CIA para dar caráter popular a operação.

A diplomacia brasileira que sempre preservou a política de não intervenção e de autodeterminação dos povos, que reconheceu a Revolução de Fidel Castro em Cuba, que liderou a solução diplomática para o equilíbrio e legitimidade do Governo Chávez diante da comunidade internacional, hoje é patrocinadora do golpismo e da interferência da Casa Branca em Caracas, uma posição vergonhosa para o Brasil e submissa a política imperialista. O Presidente Jair Bolsonaro quer de todo jeito algum protagonismo pela queda do Governo Maduro, mas não passa de um fantoche de Donald Trump. 

Juscelino Kubitschek em encontro com Fidel Castro certa vez afirmou: “a oportunidade de conhecer, em profundidade, seu pensamento”, dizendo que ele era “um idealista amargurado, que sofrera na carne as conseqüências do apoio dado pelos Estados Unidos às ditaduras na América Latina” concluindo que a acensão ao poder do líder nacionalista só foi possível devido a política intervencionista dos EUA, que financiaram ditaduras sangrentas alinhadas aos seus interesses.

O ex-presidente Lula em sua recente entrevista a Folha de São Paulo e ao El País comenta que intermediou a solução pacífica para a Venezuela de Hugo Chávez com a comunidade internacional após tentativas de golpes influenciados pela diplomacia dos EUA. Lula chegou a dizer que ligava para Bush para esse conter a interferência norte-americana nos assuntos internos de Caracas, quanto mais Bush abria a boca contra a Venezuela, mais aflorava o nacionalismo, as passeatas e a coesão do regime bolivariano.

Maduro poderá unificar mais ainda as suas bases de sustentação diante de uma intervenção militar, conta com apoio de China e da Russia, além de Cuba e Nicarágua. O Governo Bolivariano tem paradigma anti-imperialista do contrário que diz a guerra ideológica e o panfleto anti-comunista dos EUA. Enquanto o poder chavista não enxergar que a alternativa ao Maduro é a não intervenção dos yankees, eles não vão se render. Se a alternativa que se apresenta ao poder é alinhada a diplomacia e os interesses norte-americanos, terá resistência.

Se os EUA provocarem um derramamento de sangue na Venezuela poderão ascender a fagulha nacionalista em toda a América Latina, hoje é cada vez mais crescente o sentimento anti-imperialista em diversos países devido a volta da política agressiva dos EUA de controle e intervenção na AL principalmente sob o Governo Trump.

Os golpes de Estado recentes no Paraguai, Honduras, e no Brasil, os embargos econômicos criminosos contra Cuba e Nicarágua, e agora os avanços com todas as garras sobre a Venezuela deixam exposta a diplomacia norte-americana. Novo capítulo do imperialismo estadunidense sobre a América Latina, que foi nos últimos 20 anos a maior expressão de resistência ao neoliberalismo.

Uma intervenção militar aberta na Venezuela, mesmo que disfarçada de revolta popular porque é claramente financiada pelos americanos, pode desencadear um processo global de desintegração da América Latina assim como foi a primavera árabe. Tudo pela guerra do Petróleo, os EUA querem a expropriação das maiores reservas de petróleo mundias que se encontram hoje em território venezuelano.

Devido a polarização política mundial das novas potências econômicas que remontam o período da Guerra Fria, assistimos dois mundos: enquanto do lado de cá os EUA usam de intervenção, morte e expropriação do petróleo, do outro lado, sob a liderança da China, assistimos a implantação da nova rota da Seda, gerando livre comércio, desenvolvimento e integração.

 

  • BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. De Martí a Fidel: A Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998, 687 p.

por Bernardo Gomes, Estudante de Gestão Pública da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e membro do PCdoB | Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


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https://www.jornaltornado.pt/venezuela-o-imperio-contra-ataca/

A realidade continua a pôr em causa os desejos trumpianos

Perante a tentativa de golpe de Estado ontem verificada na Venezuela - que permitiu olhar para as nossas televisões como caricaturas do que deve ser uma Informação objetiva, baseada nos factos, e não nos preconceitos dos seus diretores e chefes de redação! -, podemos compreender melhor o afã com que, dias atrás, Trump andou a cuidar da significativa subida do preço do petróleo, invocando para o efeito um boicote mais ativo ao Irão.

 

A Casa Branca sabe que, se o golpe resultasse, teria de abrir os cordões à bolsa para permitir a Guaidó a liquidez bastante para importar os alimentos e os medicamentos de que o país tanto carece, e lhe tem faltado pela sua persistente ação de sabotagem económica. Como não poderá dispor de dinheiros federais, que nem estão orçamentados, nem provavelmente passariam no Congresso, Trump e os seus lobistas da industria do petróleo - que seriam os óbvios beneficiados com a pronta privatização das reservas existentes no solo venezuelano - cuidam de aumentar o preço do petróleo no mercado internacional facilitando afluxos rápidos de divisas aos cofres do regime saído do golpe. Esperariam assim que parte significativa do povo venezuelano, apoiante do bolivarismo, se deixasse iludir com efémero alívio dos apertos por que tem passado.

 

Se com Obama a estratégia passou por levar a Rússia, o Irão e a Venezuela à falência, mediante políticas, que impunham preços do barril abaixo dos custos de extração de petróleo nalguns dos seus poços mais inacessíveis, Trump joga agora diferentemente nos três tabuleiros: promove um draconiano boicote aos aiatolas, fomenta o golpe em Caracas e possibilita um alívio aos cofres de Putin, ajudando assim um aliado, que tanto o ajudou a ganhar as eleições de 2016. Dando aos amigos sauditas mais dinheiro para lhe comprarem mais aviões e outros engenhos militares.

 

O problema é que, nesta altura, o tal presidente, que nunca o chegou a ser, continua a dar passos em falso e a mostrar que não passa de mera marioneta de quem lhe tem financiado as arruaças.

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/05/a-realidade-continua-por-em-causa-os.html

Em discurso, Maduro diz que oposição e imperialismo querem levar país a uma guerra civil

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas
© Sputnik / Stringer

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse nesta quarta-feira (1º), em discurso para seus apoiadores, que o governo dos EUA e a oposição querem levar seu país a uma guerra civil para defender a intervenção.

"É isso que a oposição e o imperialismo querem nos levar a uma guerra civil (…) Se eu tivesse mandado tanques e tanques e todas as forças especiais que estávamos prontos para enfrentar esse punhado de líderes golpistas, o que teria acontecido?" disse o chefe de estado.


Maduro comentou também que as autoridades de segurança do país estão na trilha dos militares que se revoltaram contra seu governo na terça-feira.

"Todas as forças de segurança estão por trás da captura, na busca por esses golpistas que terminaram sozinhos e derrotados", disse o presidente da Venezuela em frente ao Palácio de Miraflores.

Maduro prometeu também que vai se reunir com a alta cúpula de seu governo para traçar um "grande plano de mudanças" no seu governo para corrigir erros.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050113793731-maduro-pais-guerra-civil-venezuela/

Militares dos EUA negam ter mobilizado tropas para ação contra a Venezuela

Soldado americano junto à bandeira dos EUA (arquivo)
© AP Photo / Hasan Jamali

Os militares dos EUA não foram ordenados por seus líderes a se preparar para qualquer tipo de ação militar na Venezuela, disse a secretária de Defesa Adjunta para Assuntos de Segurança Internacional, Kathryn Wheelbarger, durante uma audiência no Congresso nesta quarta-feira.

"Nós, é claro, sempre revisamos as opções disponíveis e planejamos as contingências", explicou Wheelbarger. "Mas neste caso não recebemos esse tipo de ordens que você está discutindo".


O almirante da Marinha dos EUA Craig Faller, comandante do Comando Sul dos EUA, que supervisiona as forças americanas na América Latina, declarou que o planejamento inclui preparação para evacuações não-combatentes e ajuda humanitária americana, mas ressaltou que seu principal foco na região é a construção de parcerias.

Quando perguntado se ele viu um papel para os militares americanos derrubando o governo de Maduro, Faller afirmou: "Nossa liderança tem sido clara: tem que ser, deve ser, principalmente, uma transição democrática".

"Estamos em total apoio à diplomacia e estamos prontos para apoiar esse esforço", acrescentou.

No início do dia, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alertou que a ação militar dos EUA na Venezuela é "possível", apesar de ele afirmar que os EUA ainda preferem uma transição pacífica de poder.

A Venezuela enfrenta uma crise política que começou em janeiro, quando o líder da oposição Juan Guaidó, apoiado pelos EUA, proclamou-se o presidente interino do país em uma tentativa de desafiar a reeleição do presidente Nicolás Maduro.


Maduro, apoiado pela China e pela Rússia, entre outros, acusou Guaidó de conspirar para derrubá-lo com a ajuda de Washington.

Guaidó e seus partidários fizeram outra tentativa de depor Maduro na terça-feira, reunindo-se em Caracas em uma estrada em frente à base militar de La Carlota. Guaidó pediu ao povo da Venezuela e ao Exército que saiam às ruas para concluir a operação para derrubar o presidente legítimo da Venezuela.

Em resposta, Maduro disse que os comandantes de todas as regiões e zonas de defesa integral haviam reiterado sua total lealdade ao povo, à constituição e à pátria. Segundo o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, as forças armadas do país continuam a apoiar firmemente a "Constituição e autoridades legítimas".

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050113792555-eua-tropas-venezuela/

Pressionada, Rússia alerta sobre 'consequências graves' por ações dos EUA na Venezuela

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante conversações com homólogo japonês Taro Kono (imagem de arquivo)
© Sputnik / Ramil Sitdikov

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, que mais "medidas agressivas" na Venezuela estariam repletas das consequências mais graves, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia nesta quarta-feira.

Lavrov também condenou o que chamou de "interferência" dos Estados Unidos nos assuntos internos da Venezuela como uma violação do direito internacional, acrescentando que o diálogo entre todas as forças políticas é necessário no país latino-americano.


O posicionamento acontece após a Casa Branca anunciar que planeja aumentar a pressão sobre a Rússia, em um esforço para impedir que o país apoie o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Em uma entrevista à Fox News, Pompeo insinuou que Moscou poderia ser alvo de novas sanções, caso mantenha o seu apoio ao governo de Maduro.

"Você viu o trabalho que já fizemos para aumentar o custo para os cubanos", declarou Pompeo. "Há mais que continuaremos a trabalhar. Faremos o mesmo com os russos".

Os Estados Unidos anunciaram em abril um conjunto abrangente de novas sanções contra Cuba por seu apoio a Maduro.
Pompeo reiterou a posição do presidente estadunidense Donald Trump de que a Rússia deve deixar a Venezuela.

"Eles precisam ir, e os russos precisam ter o custo disso aumentado", acrescentou.

A Venezuela enfrenta uma crise política que começou em janeiro, quando o líder da oposição Juan Guaidó, apoiado pelos Estados Unidos, proclamou-se o presidente interino do país em uma tentativa de desafiar a reeleição de Maduro.


Maduro, apoiado pela China e pela Rússia, entre outros, acusou Guaidó de conspirar para derrubá-lo com a ajuda de Washington.

Guaidó e seus partidários fizeram outra tentativa de depor Maduro na terça-feira, reunindo-se em Caracas em uma estrada em frente à base militar de La Carlota. Guaidó pediu ao povo da Venezuela e ao Exército que saiam às ruas para concluir a operação para derrubar o presidente legítimo da Venezuela.

Em resposta, Maduro disse que os comandantes de todas as regiões e zonas de defesa integral haviam reiterado sua total lealdade ao povo, à constituição e à pátria. Segundo o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas do país continuam a apoiar firmemente a "Constituição e autoridades legítimas".

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050113792184-russia-alerta-eua-venezuela/

Vêm à tona detalhes sobre tentativa de golpe de Estado na Venezuela

Militares venezuelanos perto de Palácio de Miraflores em Caracas
© Sputnik / Magda Gibelli

A Sputnik falou com a vice-presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, Tania Díaz, que revelou a verdade sobre as ações da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e como alguns chefes militares enganaram os soldados para "um cenário de confronto golpista".

Díaz disse à Sputnik Mundo o que aconteceu no dia 30 de abril na Venezuela, depois que Juan Guaidó publicou um vídeo com o oposicionista Leopoldo López, convidando a população e os militares a saírem às ruas para "recuperar a liberdade".

Anteriormente, havia sido relatado que o governo do presidente Nicolás Maduro reprimiu uma tentativa de golpe de "um pequeno grupo de militares traidores". Segundo Díaz, "esse grupo rebelde" de soldados foi orquestrado por "um par de comandantes" que "não tem nem tropas nem raízes, não tem liderança na FANB".


"Eles agarraram um grupo de rapazes a quem eles comandaram, e lhes disseram que eles iriam fazer uma operação X e os levaram enganados para o cenário de confronto de golpe de Estado na frente da base aérea militar La Carlota", revelou a vice-presidente. Díaz explicou que as ações da FANB se baseiam em "um dos pilares da revolução chavista […]: a união cívico-militar".

"Ao contrário do Chile e de outros países da região", continuou Díaz, "a FANB é formada por homens e mulheres do povo, da extração popular, de setores humildes. O comandante Hugo Chávez conseguiu que as esperanças destes homens do povo se somem às do povo civil, para a construção de um projeto que é próprio e tem como origem a participação popular".


Ao mesmo tempo, a vice-presidente recordou o artigo 5 da Constituição, que literalmente diz que "a soberania reside intransferivelmente no povo", que a exerce diretamente através da Constituição e das leis, e indiretamente através do voto.

"Isso marca a diferença do que é esse processo na Venezuela, que muitas democracias representativas tradicionais não entendem: não é uma democracia representativa, não é que votamos a cada cinco anos e deixamos que aqueles que elegemos decidam o que vai acontecer no país […] Foi o que vimos hoje nessa FANB que está cada vez mais imbricada nesses desejos, desejos da pátria do povo venezuelano", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050113790217-vem-tona-detalhes-tentativa-golpe-estado-venezuela/

Morales: Trump fracassou de novo em sua ofensiva golpista

“Trump fracassou de novo em sua ofensiva golpista. Lamentavelmente, alguns governos estão errados e o apoiam. Temos sempre que apostar na soberania e na paz ; o povo venezuelano demonstrou com firmeza que esse é seu caminho. Apoiaremos qualquer iniciativa de diálogo que possa surgir”, declarou o presidente boliviano na sua conta no Twitter

O presidente da Bolívia, Evo Morales, escreveu na sua conta no Twitter que o presidente dos EUA, Donald Trump, “fracassou de novo em sua ofensiva golpista”, comentando a tentativa fracassada de golpe de Estado na Venezuela, liderada pelo opositor Juan Guiadó.

Morales, que anteriormente repudiou a tentativa de golpe promovida pela direita venezuelana “submissa aos interesses estrangeiros”, declarou que a Bolívia sempre apostará “na soberania e paz” e apoiará “qualquer iniciativa de diálogo que possa surgir”.

Trump fracassou de novo em sua ofensiva golpista. Lamentavelmente, alguns governos estão errados e o apoiam. Temos sempre que apostar na soberania e na paz; o povo venezuelano demonstrou com firmeza que esse é seu caminho. Apoiaremos qualquer iniciativa de diálogo que possa surgir”.

Presidente da Bolívia, Evo Morales, na sua conta no Twitter

 

O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, por sua vez, rejeitou a tentativa de golpe da oposição venezuelana, que ele acusou de propiciar a violência na nação sul-americana. Outros países, como México, Rússia e Espanha, pediram a resolução pacífica do conflito, através do diálogo, para evitar o “derramamento de sangue”.

Em vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea militar La Carlota, em Caracas. Guaidó pede uma “luta não violenta”, diz ter os militares ao seu lado e afirma que “o momento é agora”.

A movimentação recebeu apoio dos Estados Unidos. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou no Twitter que “o governo dos EUA apoia totalmente o povo venezuelano em sua busca de liberdade e democracia. A democracia não pode ser derrotada”.

Já Maduro diz que os principais comandantes militares estão ao seu lado e pediu “máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz.”


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


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https://www.jornaltornado.pt/morales-trump-fracassou-de-novo-em-sua-ofensiva-golpista/

As inquietantes reuniões do governo português

Nada distingue a política externa do governo minoritário do PS da dos governos anteriores: o seu alinhamento com o que de pior se movimenta no plano internacional tem infelizmente ficado bem à vista. Surgem notícias sobre coisas que não estarão tanto à vista e que suscitam ainda maior condenação. A serem confirmadas, já não se trata apenas de actuar em flagrante violação da Constituição da República. Trata-se de actuar em violação de princípios elementares de conduta democrática.

No dia 11 de Abril, a duas escassas semanas das celebrações dos 45 anos da revolução que devolveu a Portugal as condições e o poder de ter voz na cena internacional, o governo português fez-se representar numa reunião em Washington tutelada pelo secretário das Finanças do presidente Donald Trump, precisamente Steven Mnuchin, alguém que fez a indispensável recruta no Goldman Sachs – o «banco que governa o mundo».

O leitor mais desatento às permanentes tropelias que o executivo de Lisboa comete em matéria de política externa pode interrogar-se sobre a relevância desta anotação. Tanto mais que se tornou um hábito, desde que Novembro se vingou, como sublinha o José Mário Branco, os consecutivos governos nacionais actuarem, sem excepção, sob vozes de comando externas, mesmo que a Constituição da República tenha vindo ditar exactamente o contrário.

A norma tem sido, de facto, o comportamento internacional de Portugal regular-se pelas instruções dos nossos «aliados», que quase sempre ordenam o contrário do espírito da Revolução de Abril e da letra da Constituição.

Que terá, pois, de especial esta reunião de Washington, em relação a tantas outras não referenciadas pela obediente comunicação mainstream, isto é, deliberadamente silenciadas pelo próprio governo?

Divulguemos contexto e conteúdos e cada um retirará as respectivas ilações.

Um passo para o abismo

Em termos vagos, a data de 11 de Abril pouco dirá. Mas corresponde ao dia seguinte àquele em que, na mesma cidade de Washington, várias figuras compondo uma associação de malfeitores se encontraram para preparar uma agressão militar contra a Venezuela patrocinada pelos Estados Unidos da América. Entre os participantes, como então se revelou, estiveram representantes no activo da administração de Donald Trump e sua corte fascista.

A reunião de dia 11, e para a qual Steven Mnuchin convocou ministros das Finanças e outros representantes dos «aliados», entre os quais Portugal, dedicou-se afinal a preparar o suporte financeiro dessa agressão – que já está em curso e viola as mais elementares normas do direito e do decoro internacional, às quais sucessivas autoridades portugueses se vincularam.

O objectivo do encontro não foi explicado bem assim. Tratou-se, segundo as fontes que divulgaram a sua realização, de reforçar o apoio que cerca de 50 países transmitiram ao projecto de golpe de Estado que os Estados Unidos puseram em andamento com o reconhecimento do «presidente interino» Juan Guaidó – e que suporia a destituição dos dirigentes da República Bolivariana da Venezuela, democraticamente eleitos.
Não se ficaram por aí os projectos. A reunião dedicou-se ao debate do «auxílio financeiro» que a chamada comunidade internacional prestará à Venezuela assim que se der o derrube do presidente Nicolás Maduro.
Algo que o fascista John Bolton, presidente do Conselho Nacional de Segurança de Trump, definiu como só ele sabe: «injectar o capital necessário na ineficiente indústria petrolífera venezuelana, estando as nossas empresas petrolíferas preparadas para restaurar a indústria de hidrocarbonetos da Venezuela em termos lucrativos».

Foi nesta manobra de financiamento do terrorismo e de preparação de uma rapina organizada1 que Portugal se fez supostamente representar. Em companhia dos seus «amigos e aliados» de sempre, como a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido, mas também de outros luminosos governos democráticos como são os do Brasil de Bolsonaro, da Argentina de Macri, do Equador que acaba de depositar Assange nas mãos dos seus algozes, da Guatemala, do Panamá e do executivo dessa democratíssima Colômbia, que foi o cenário do primeiro grande assalto golpista contra a Venezuela, e que teve condão «humanitário» como o mundo inteiro percebeu.

O que foi pouco divulgado na ocasião foram as diligências efectuadas pelo presidente do município de Cúcuta, a zona colombiana escolhida para a «acção humanitária», indagando do seu chefe de Estado se os bens alimentares a encaminhar à força para território venezuelano não poderiam antes ficar mesmo na área de Cúcuta, bem mais carenciada do que o país vizinho.
Nada feito: como a «ajuda» foi rejeitada pelo destinatários, a horda terrorista ao serviço das hostes humanitárias decidiu pura e simplesmente queimá-la, como ficou registado em imagens bem elucidativas.

Pois o governo português não terá evitado manter-se associado a esta gente. E como não revela aos portugueses o essencial destas suas actividades desconhece-se quem e a que nível esteve presente na conspiração agora presidida pelo secretário das Finanças de Trump.

Será elementar que os cidadãos do país que fez a Revolução de Abril fiquem a saber o que tem o governo a dizer sobre este assunto. É matéria fundamental para avaliação do nível de transparência democrática que consegue respeitar.

Nada a dizer sobre o ouro?

Tanto mais que não é a primeira vez que o nome de Portugal surge associado ao mesmo Steven Mnuchin enquanto este capitaneia uma operação financeira contra a Venezuela democrática.

Regressamos, por isso, ao episódio do roubo de 31 toneladas de ouro pertencentes ao Estado venezuelano e colocadas à guarda do Banco de Inglaterra. Caracas pediu a sua devolução e Londres rejeitou-a, deixando nas linhas e entrelinhas que estaria na disposição de remetê-las sim ao «interino» Guaidó. O qual, uma vez testado por actores que se fizeram passar pelo presidente da Suíça, não se coibiu de aceitar que os bens nacionais venezuelanos fossem sonegados a Caracas e acondicionados numa sua conta pessoal.

Segundo o secretário das Finanças de Trump, não foi o Banco de Inglaterra que assumiu isoladamente o acto de sonegar o ouro à Venezuela. Steven Mnuchin explicou que o desvio dos lingotes ficou assente depois de ele próprio ter contactado os governos e bancos centrais dos países da União Europeia, que terão concordado com a manobra.

PERGUNTAS AO GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

1) Fez-se o Governo da República Portuguesa representar na reunião de 11 de Abril, em Washington, tutelada pelo secretário de Estado das Finanças do presidente Donald Trump, Steven Mnuchin, durante a qual foram debatidos o reforço do apoio financeiro ao «presidente interino» da Venezuela, Juan Guaidó, e o financiamento da Venezuela quando Nicolás Maduro for derrubado?

2) Caso afirmativo, a que nível e por quem foi o Governo representado? Pelo Ministro das Finanças, como indica a «Declaração do secretário de Estado Mnuchin a seguir ao V Encontro de ministros das Finanças sobre a Venezuela», citamos: «Dou as boas-vindas aos ministros das Finanças, [presentes] no Departamento do Tesouro hoje para discutir a terrível situação económica e humanitária da Venezuela. Os participantes nesta conferência incluíram representantes da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, França, Alemanha, Guatemala, Guiana, Itália, Japão, México, Panamá, Portugal, Perú, Espanha, e o Reino Unido»? Pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, que a 11 de Abril se encontrava em Washington para as reuniões de Primavera do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, como indica um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros?

3) Foi o Governo da República Portuguesa contactado pelo secretário das Finanças dos Estados Unidos da América, Steven Mnuchin, sobre o confisco pelo Banco de Inglaterra de 31 toneladas de ouro do Estado venezuelano? E o Banco de Portugal foi igualmente accionado?

José Goulão, jornalista

Já anteriormente o governo de Portugal e o Banco de Portugal foram convidados a dar as suas versões dos acontecimentos: se os contactos e a anuência existiram mesmo ou foram delírios formalistas de Mnuchin. Nada foi dito.

Agora é altura de esclarecer de vez essa dúvida e a outra que entretanto surgiu, partindo ainda, em derradeira instância, da possibilidade de se tratar de uma reunião inventada por Mnuchin.

Não só é importante como essencial ficarmos a saber de viva voz a resposta do governo português a estas perguntas simples:

Fez-se representar na reunião de 11 de Abril em Washington durante a qual foram debatidos o reforço do apoio financeiro ao «presidente interino» da Venezuela, Juan Guaidó, e o financiamento da Venezuela quando Nicolás Maduro for derrubado?

Foi contactado pelo secretário das Finanças dos Estados Unidos da América, Sr. Steven Mnuchin, sobre o confisco pelo Banco de Inglaterra de 31 toneladas de ouro do Estado venezuelano? E o Banco de Portugal foi igualmente accionado?

Todos sabemos que as fake news andam aí, pelo que é aconselhável ficarmos esclarecidos sobre situações graves e delicadas como as que foram citadas.
Se formos informados que o governo português nada teve a ver com tais acontecimentos, isso será tranquilizador: é porque ainda houve quem tenha sabido parar na última fronteira da decência e da lei.

Se tal não acontecer, e o silêncio continuar a cobrir actividades como estas, ficaremos a saber que, havendo muitas maneiras de fechar as portas que Abril abriu, o governo em funções não se coibiu de recorrer a algumas das mais extremistas, como são as da conspiração internacional que fere a democracia e a do terrorismo contra uma população que pretende ser independente e soberana. Tal como desejaram os portugueses, quando fizeram o 25 de Abril. Mas sobre isso já lá vão 45 anos, foi há tanto tempo, não foi?

Fonte: https://www.abrilabril.pt/internacional/inquietantes-reunioes-do-governo-portugues

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

Relatório estima que sanções dos EUA contra Venezuela tenham causado mais de 40 mil mortos

Manifestantes em Caracas
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

As sanções dos EUA contra a Venezuela, introduzidas desde agosto de 2017, causaram a "morte de dezenas de milhares de pessoas e estão agravando a crise humanitária" no país, revelou o novo relatório do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (CEPR).

O estudo, realizado pelos economistas Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs, estima que as medidas aplicadas pelo governo de Donald Trump causaram a morte de cerca de 40 mil pessoas na Venezuela entre 2017 e 2018.

"As sanções reduziram a disponibilidade de alimentos e remédios, aumentando as doenças e a mortalidade", lê-se no relatório do CEPR, com sede em Washington.

Quanto a outras consequências, as sanções contribuíram para uma forte redução na produção de petróleo, que causou grande prejuízo à população civil venezuelana, porque as exportações de petróleo são responsáveis pela maioria das receitas orçamentárias do país.


As sanções aplicadas em agosto de 2017 proíbem que os investidores americanos comprem novas emissões de dívida de Caracas ou ações da petroleira estatal venezuelana PDVSA, bem como alguns outros títulos emitidos pelo setor público venezuelano.

Os autores do relatório sublinham que as novas medidas restritivas adotadas desde janeiro de 2019, após a autoproclamação do opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, "levaram quase certamente a dezenas de milhares de mortes evitáveis".

O estudo faz estimativas baseadas em "aproximadamente 80 mil pessoas com HIV que não receberam tratamento antirretroviral desde 2017, 16 mil pessoas que precisam de diálise, 16 mil pessoas com câncer e 4 milhões de pessoas com diabetes e hipertensão".

Segundo o estudo, desde janeiro desse ano, a produção de petróleo diminuiu devido às sanções, "o que acelerará em grande medida a crise humanitária".


Nos últimos três meses, os EUA congelaram cerca de sete bilhões de dólares de ativos da PDVSA. Além disso, eles entregaram a Guaidó o controle sobre os fundos do governo venezuelano depositados nos bancos em território americano e sancionaram o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela (BANDES) e suas subsidiárias no Uruguai e na Bolívia.

Jeffrey Sachs acredita que as medidas tomadas pelos EUA fazem parte de "uma política implacável, infrutífera, ilegal e fracassada, que causa sérios danos ao povo venezuelano".

O segundo autor do estudo, Mark Weisbrot, considera que "isso é ilegal segundo o direito americano e internacional e os tratados que os EUA assinaram" e, por isso, apela ao Congresso para suspender as sanções.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019042613758939-relatorio-estima-que-sancoes-dos-eua-contra-venezuela-tenham-causado-mais-de-40-mil-mortos/

É capaz de fazer jeito um banco para se sentarem

Devemos ao jornalista Max Blumenthal a divulgação de uma reunião em Washington, que deveria ficar secreta segundo a vontade dos seus promotores - a tripla Pence/ Pompeo/ Bolton que manda na política externa norte-americana - e destinada a promover a única alternativa, que lhes resta para derrubarem o governo bolivariano de Nicolás Maduro. 

 

Frustrada a entronização da sua marionete (Guaidó), que nem o lamentável apoio da maioria dos países da União Europeia, conseguiu fazer prevalecer, esgotada a campanha sobre a penúria por que passa o povo, falhada a possibilidade dos sucessivos apagões terem levado ao caos definitivo, os que, desde o início da crise a andam a fomentar, já não alimentam mais ilusões e apostam na força militar como alternativa, que lhes resta.

 

Não admira que, na reunião do dia 10 de abril tivesse estado presente Roger Noriega, sempre convidado para esse tipo de eventos, quando se trata de conspirar militarmente contra países, que resistam à sua condição de «quintal das traseiras» do arrogante vizinho.

 

Do que se sabe de quanto se passou naquela reunião, fica a convicção dos participantes quanto à severa punição por que deverão passar os venezuelanos ao escusarem-se a apoiar o «presidente», que nada conseguiu presidir, e o aviso aos chineses e aos russos para não se intrometerem nos assuntos, que julgam caber apenas aos que ainda mandam na Casa Branca.

 

Depois de ter estado por dias a «incontornável vitória» de Guaidó - com muitos ingénuos das redes sociais a congratularem-se com tal expetativa, exclusivamente do interesse norte-americanos relacionados com a extração do petróleo - será sempre curioso verificar por quanto tempo mais resistirá o regime chavista. É que, em tempos, quem igualmente se apressou a prever a rápida queda do castrismo em Cuba bem teve se se sentar, porque ele continua de pedra e cal...

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/04/e-capaz-de-fazer-jeito-um-banco-para-se.html

Venezuela prende 5 e pede extradição de outros 3 suspeitos por blecautes

Moradores se reúnem durante um apagão em Caracas, Venezuela.
© REUTERS / Ivan Alvarado

Autoridades venezuelanas prenderam 5 pessoas e tentaram extraditar outras 3 por acusações de sabotagem da rede elétrica venezuelana, que levou a blecautes a partir de 7 de março, segundo informou a Bloomberg, citando o ministro venezuelano da Informação, Jorge Rodriguez.

Os supostos ataques às linhas de energia e aos transformadores da usina hidrelétrica de Guri levaram a maior parte do país à escuridão, interrompendo o fornecimento de alimentos, água potável, combustível e remédios.

O governo da Venezuela identificou um total de 19 pessoas responsáveis ​​por 45 "ataques menores" à rede elétrica, incluindo a sabotagem direta da infraestrutura e a criação de incêndios florestais com o objetivo de danificar linhas de energia, disse Rodriguez em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (24).


O ministro também acrescentou que o governo está próximo de "estabilizar permanentemente o serviço de eletricidade".

"Este foi o ataque mais brutal e criminoso contra uma população", disse Rodriguez. "O governo de Maduro está enfrentando terroristas e os derrotando".

A Venezuela também buscará assistência da Interpol para encontrar outros suspeitos que estariam na Colômbia, na Espanha e nos EUA, acrescentou o ministro.

O líder da oposição, Juan Guaidó, utilizou a falta de energia para fins de agitação pública e derrubar o presidente legítimo venezuelano, Nicolás Maduro. O governo da Venezuela culpou a oposição e os EUA pelo ataque à hidrelétrica.

Os EUA e seus aliados reconhecem Guaidó como o presidente interino da Venezuela, enquanto Rússia, China, Turquia e vários outros países continuam a reconhecer Maduro como o líder legítimo do país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019042413746038-venezuela-nicolas-maduro-juan-guaido-blecaute/

'Batam palmas': Rússia pede que EUA sigam 'longe do gatilho' por guerra na Venezuela

Manifestante com a bandeira venezuelana
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

Respondendo ao Departamento de Estado dos EUA que estava "aplaudindo" os países que ficaram do lado dos esforços de mudança de regime de Washington na Venezuela, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia disse que aplaudir pelo menos manteve o dedo dos EUA fora do gatilho.

Aplaudindo a decisão de Malta de negar a passagem para aviões russos com destino a Caracas, a recém-indicada porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortagus, conclamou todos os países a "seguir o exemplo de Malta para impedir o apoio do Kremlin ao ditador", o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

"Aplaudimos o governo do #Malta por se recusar a permitir que os aviões russos usem seu espaço aéreo para abastecer o brutal regime anterior na Venezuela. Pedimos a todos os países que sigam o exemplo de Malta para impedir o apoio do Kremlin ao ditador Maduro. #EstamosUnidosVE @MFAMalta", escreveu a porta-voz norte-americana.

Respondendo a Ortagus no Twitter, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia destacou que os EUA deveriam continuar batendo palmas, já que isso a manteria ocupada o suficiente para não iniciar nenhuma guerra.

"Estamos nos esforçando para manter as mãos longe do gatilho. Então continue aplaudindo - pelo menos é inofensivo", rebateu.

O entendimento do Departamento de Estado dos EUA sobre "democracia" na Venezuela é apoiar o líder da oposição, Juan Guaidó, e impor sanções até que ele seja instalado no poder. As tentativas de Guaidó de reivindicar o título de "presidente interino" desde janeiro não conseguiram impressionar a polícia, os militares e a maior parte do povo venezuelano.


Lembrando aos EUA como as suas tentativas de "promover a democracia" em todo o mundo geralmente acabam, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou a repórteres na quinta-feira que a situação lamentável com o espaço aéreo de Malta não era novidade.

"Deixe-me lembrá-lo de que já passamos por isso antes", afirmou Zakharova. "Quando enviamos ajuda humanitária para a Síria, nossos aviões também tiveram negada a liberação do espaço aéreo. Lembre-se dos obstáculos que eles colocam antes dos voos russos".

Os mesmos países que buscavam impedir a ajuda russa à Síria estavam tentando realizar uma "mudança de regime" em Damasco, dando apoio ilegítimo a militantes "moderados", observou Zakharova.

"Todos nos lembramos de como isso terminou", completou ela.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041913719942-russia-gatilho-eua-venezuela/

Os EUA e a mudança de regime na Venezuela

A conspiração imperialista contra a Venezuela utiliza um amplo leque de meios: militares, económicos, mediáticos, políticos, culturais. É uma guerra de “quarta geração.” Criou e preparou os seus próprios fantoches. Inflige ao povo venezuelano todas as dificuldades e violências. Mas essa constante agressão, que teve início ainda Chávez não tinha assumido o poder, ainda não quebrou a resistência bolivariana, que exige e merece toda a solidariedade do mundo.

No quadro de uma guerra global de classes de expansionista e agressiva nos últimos 20 anos, durante quatro presidências sucessivas de democratas e republicanos na Casa Branca: William Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump, a diplomacia de guerra dos EUA tem vindo a impulsionar uma política de mudança de regime na Venezuela contra os governos constitucionais e legítimos de Hugo Chávez e Nicolas Maduro.

Acções abertas e clandestinas dos EUA inscrevem-se na dominação de espectro completo, um conceito concebido pelo Pentágono antes dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, que envolve uma política combinada, em que as componentes militar, política, económica, jurídica/para-institucional, mediática e cultural têm objectivos comuns e complementares. Uma vez que o âmbito é geográfico, espacial, social e cultural, para impor a dominação é necessário fabricar o consentimento. Ou seja, colocar na sociedade determinados sentidos comuns que, de tanto repetidos, se incorporam no imaginário colectivo e introduzem, como única, a visão de mundo do poder hegemónico. Isso implica o treino e manipulação ideológica (doutrinação) de um grupo e/ou uma opinião pública legitimadoras do modelo.

São chave para a fabricação de consenso as imagens e narrativa dos meios de comunicação de massa, com os seus mitos, meias verdades, mentiras e falsidades. Apelando à psicologia de massas e à propaganda negra impõem na sociedade a cultura do medo. A fabricação social do temor inclui a construção de inimigos internos.
Manuais do Pentágono atribuem grande importância à luta ideológica no campo da informação e ao papel dos meios de comunicação e redes sociais (Internet e telefones móveis) como armas estratégicas e políticas para gerar violência e caos planificado. Um desses documentos indica que as guerras modernas têm lugar em espaços que vão para além dos simples elementos físicos do campo de batalha. Um dos mais importantes são os meios nos quais ocorrerá a disputa da narrativa. A percepção é tão importante para o seu sucesso quanto o próprio evento. No final do dia, a percepção do que aconteceu é mais importante do que o que realmente aconteceu.

A percepção pode ser criada com base em uma notícia falsa e ser imposta às massas por meio de campanhas de operações psicológicas nos media e/ou nas redes de Internet (guerra social em rede), ou através de grupos de reflexão (Think-tank), centros académicos, fundações, ONGs e intelectuais orgânicos, a partir de matrizes de opinião elaboradas por especialistas em informações e militares. As campanhas de intoxicação (des)informativa exploram preconceitos e vulnerabilidades psicológicas, económicas e políticas da população de um país objectivo, e gerem um guião propagandístico desestabilizador, com eixo em denúncias de corrupção e repressão, rotulando o regime de turno como uma ditadura e acenando como bandeiras a defesa dos direitos humanos, a liberdade de imprensa e a ajuda humanitária.

Antes de Hugo Chávez chegar ao Governo em 2 de Fevereiro de 1999 já tinha sido começada a construir a sua lenda negra, e os meios de comunicação hegemónicos classistas e racistas venezuelanos referiam-se a ele como El Mono Chávez, Gorila rojo, um negro em Miraflores, e aos seus seguidores chamaram hordas chavistas.

Depois, e a par de a Agência Central de Inteligência (CIA) criar a organização sérvia Otpor (Resistência) e treinar os seus membros nas técnicas do golpe suave com o objectivo de derrubar Slobodan Milosevic na ex-Jugoslávia, foi sendo forjado o golpe de Estado de 2002 na Venezuela. Como parte de uma guerra não convencional e assimétrica de quarta de geração, utilizou a Internet e os meios de comunicação de massa (Venevision, Globovision, Rádio Caracas Televisión e entre outros os jornais Tal Cual, El Nacional e El universal), para promover matrizes de opinião antichavistas e projectar informação manipulada, distorcida e falsificada, com a intenção de desacreditar o governo bolivariano.

Fracassado o golpe, o lockout (bloqueio patronal) de corporações empresariais da Venezuela agrupados em Fedecámaras e Conindustria, e a sabotagem da gerontocracia da PDVSA (entidade petroleira estatal). Em 24 de Março de 2004, testemunhando perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes dos EUA, o general James T. Hill, chefe do Comando Sul do Pentágono, cunhou a designação de populismo radical em clara referência a Hugo Chávez. O termo foi de imediato usado com fins de propaganda maciça e foi adaptado no México a Andrés Manuel Lopez Obrador, o messias tropical (E. Krauze dixit).

Em Dezembro seguinte triunfava a revolução laranja de factura norte-americana na Ucrânia e, em 2005, com financiamento do Washington, eram enviados para o Centro de Acção e Estratégias Não Violentas Aplicadas (lona), da Universidade de Belgrado, na Sérvia, cinco líderes estudantis da Venezuela para formação nas políticas de mudança de regime segundo as técnicas insurreccionais das revoluções coloridas e golpes suaves de Gene Sharp. Entre eles figuravam Yon Goicoechea, Freddy Guevara e Juan Guaidó.

A combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou Venezuela numa guerra híbrida
Desde 2005, a partir da experiência acumulada após os erros tácticos cometidos no breve espaço de tempo decorrido desde a chegada de Hugo Chávez ao governo: golpe de Estado, lockout patronal, sabotagem petroleira, guerra mediática e outros ardis desestabilizadores para uma mudança de regime na Venezuela, a Agência Central de inteligência e o Pentágono tinham no terreno, não obstante, os recursos humanos necessários para desenvolver uma guerra híbrida contra a revolução bolivariana: a combinação de manifestações de massas estudantis para uma revolução colorida (golpe suave) com milícias armadas para uma guerra não convencional (golpe duro).

Dois anos mais tarde, Yon Goicoechea, Freddy Guevara, Carlos Graffe, David Smolansky e Juan Guaidó, os estudantes treinados na Sérvia e autonomeados de Geração de 2007, eram elogiados pelo então embaixador dos EUA em Caracas, William Brownfield, como líderes emergentes que desafiavam o chavismo.

Até então, os cinco activistas e outros estudantes também recrutados na Universidade Católica Andrés Bello - cujo reitor era o jesuíta Luis Ugalde, uma das principais fontes dos libelos antichavistas de Enrique Krauze - tinham assistido aos cursos de formação em mudança de regime de Gene Sharp no Instituto Fletcher na Universidade Tufts, em Boston, EUA.

O movimento estudantil tinha reunido fundos do Instituto Cato dos irmãos Koch em Washington, DC, do Institute for Open Society de George Soros, da Fundação Konrad Adenauer do partido democrata-cristão alemão (da senhora Merkel) e da Fundação FAES, do neofranquista José María Aznar, e eram os quadros que deviam impulsionar na Venezuela a chamada revolução calêndula, similar das revoluções rosa (Geórgia, 2003), laranja (Ucrânia, 2004) e tulipa (Quirguistão, 2005).

Com essa tarefa, Goicoechea, Guevara, Guaidó et al participaram em 2007 nas violentas manifestações de rua (guarimbas) antigovernamentais a pretexto da não-renovação da concessão de espaço radioeléctrico a Radio Caracas Television (RCTV), por esgotamento do seu prazo legal (essa estação privada tinha participado activamente no golpe de Estado de 2002, apelando inclusivamente ao assassínio de Hugo Chávez em clara violação da Constituição).

Nessa conjuntura o movimento estudantil mãos brancas levou às ruas venezuelanas as tácticas indirectas do paradoxal caos sistémico organizado e dirigido pelo Instituto Albert Einstein de Gene Sharp e o grupo Otpor usando mesmo um logotipo semelhante ao da organização sérvia, que incluía a palavra Resistência e uma mão (símbolo também usado por Felipe Calderon na sua campanha eleitoral de 2006 contra Andrés Manuel López Obrador, sob o lema AMLO, um perigo para o México).

Com outro elemento relacionado com todas as revoluções de cores: a guerra de quarta geração, que inclui como armas operacionais e estratégicas acções psicológicas clandestinas e campanhas de (des)informação televisionadas, bem como a guerra social em rede (via plataformas como Facebook e Twitter ) como a forma mais eficiente de disseminar e viralizar a mensagem para a administração das percepções e o controlo invisível da sociedade-alvo.

Perante os reiterados fracassos dos seus planos desestabilizadores, em Novembro de 2010, já com Barack Obama na Casa Branca e com a bênção do ex-embaixador dos EUA em Caracas, Otto Reich - perito do reaganismo em propaganda negra e implicado no tráfico de cocaína do escândalo Irangate para financiar a contra nicaraguense adversa ao governo sandinista -, círculos dos serviços de informações dos EUA organizaram uma reunião de activistas estudantis venezuelanos num hotel na Cidade do México.

Nesse encontro, denominado Fiesta Mexicana, participaram membros da Geração 2007 (Goicoechea, Guevara, Smolansky, Guaidó) e dirigentes estudantis como Gaby Arellano, Daniel Ceballos e Amilcar Fernandez, além de dois generais aposentados. Da reunião, que contou com o apoio político do ex-presidente do México, Vicente Fox, surgiu um plano para derrubar o presidente Chávez gerando o caos através de prolongados espasmos de violência de rua.

Com o objectivo de gerar um golpe suave na Venezuela, a conspiração Fiesta Mexicana seria combinada a partir de 2012 com o desenvolvimento de uma infraestrutura de apoio clandestino e toda formação de um grupo subversivo capaz de realizar uma guerra de guerrilha (rural e urbana), executar acções terroristas e sabotagens estratégicas contra as forças do governo e infraestruturas críticas, difundir propaganda, traficar contrabando e reunir informações, de acordo com o manual de guerra não convencional do Pentágono (Special Forces Unconventional Warfare, também conhecido como TC 18-01).

A partir de então a combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou a Venezuela numa guerra híbrida até aos dias de hoje, cujo objectivo é fragmentar o Estado e derrubar o governo constitucional e legítimo de Nicolás Maduro. Com a Casa Branca (primeiro Obama, depois Trump) exercendo a liderança velada.

Fonte: https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de
https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de-1

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

UE conivente com a propaganda de guerra contra Cuba e Venezuela

por Ramón Pedregal Casanova [*]

Não são artistas, não são pessoas de imaginação insuperável, não são construtores ou produtores: são assassinos: obscurecem o horizonte até fazê-lo desaparecer. Como é possível que haja alguém que lhes dê um palco para espalhar o seu obscurantismo aterrorizante entre as pessoas que, dia após dia, deixam suas casas para tentar obter o que necessitam? Só pode ser explicado por uma razão: partilham interesses. Pense-se nisto. Que tipo de relacionamento pode haver entre eles?

Em Bruxelas, num espaço que a Comunidade Europeia oferece como alto-falante, os bárbaros que compõem uma secção da liderança imperial, no dia 9 de abril vociferarem contra Cuba e Venezuela .

A tropa belicista é liderada por um indivíduo acusado de corrupção, tráfico de influências e outros vícios, que foi forçado a demitir-se do Congresso dos EUA em 2010, ao saírem do fundo das suas águas sujas e flutuarem à vista dos americanos, os seus "negócios" fora da lei, destacando-se os contratos com o complexo industrial-militar para promover destruição de países que não se deixam chantagear pelo império. Mas havia mais, e de grande calibre, que quando caiu na mão de outros congressistas detonaram perante o público, e isso não o puderam consentir tais personagens. Assim se foi a arrogância imperial deste golpista. Mas eu não disse o nome do abutre? Deixo aqui para que não seja esquecido: Lincoln Diaz Balart, um fascista anti-cubano. Podem ler sobre o seu caso em escandalosenmiami.wordpress.com/... e algo mais em escandalosenmiami.wordpress.com/...

Este Lincoln Díaz Balart é quem comanda o grupo.

Com ele, partilha informações Rosa Maria Paya, de quem temos informações em www.revistapueblos.org/... e em www.resumenlatinoamericano.org/... .

Outro membro escolhido para difundir o objetivo imperial é Pavel Telicka, eurodeputado da Aliança dos Democratas e Liberais Europeus, empresário e seguidor de Andrej Babis, o segundo mais rico da República Tcheca e fundador do partido de direita ANO 2011, e do "think tank" Instituto de Política e Sociedade, laboratório de estratégias para implantar o liberalismo, que poderia ser comparado ao FAES do Partido Popular na Espanha, fundação na qual se encaixam os ultraliberais e fascistas mais conhecidos.

Outro no esquadrão da direita com direito a palavra é Orlando Viera Blanco, nada mais nada menos do que o representante do fantoche egocêntrico que se auto-nomeou presidente – uma coisa nunca vista em nenhum terreno político, contra qualquer lei e toda a razão democrática – Guaidó, personagem escolhido por Trump, esse conhecido "democrata". Orlando Viera Blanco define-se na sua defesa do império com a afirmação de que as democracias mais fortes do mundo apoiam o líder golpista Guaidó, que pede aos seus pagadores para invadir o país de petróleo, diamantes, ouro e muitas outras riquezas naturais que o empório representado por Trump quer possuir. Trump, o "democrata" mais solvente, dele direi algo no fim da contagem dos ultras que utilizam a Comunidade Europeia em Bruxelas para atacar a Venezuela e Cuba.

Junto a estes, está o Comissário para os Direitos Humanos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, nomeado pela OEA, Francisco José Eguiguren Pradi. A OEA é aquele órgão que apodrece nas mãos da ultra-direita norte-americana porque não consegue por-se contra a Venezuela. Trata-se de um órgão presidido pelo conhecido mercenário Almagro, que na sua última tentativa tentou que a OEA expulsasse os representantes legítimos da Venezuela para dar lugar aos mercenários de Guaidó, a fim de que estes pedissem a invasão militar.

Mas vamos pormenorizar algo sobre o líder deste bando. Lincoln Díaz Balart foi padrinho do terrorista Guillermo Novo Sampoll, assassino de Orlanto Letelier, embaixador chileno em Washington no governo de Salvador Allende. Também patrocinou os terroristas Orlando Bosch e Posada Carriles, membros da CIA, assassinos que participaram da Operação Condor e deixaram a América Latina semeada de cadáveres de democratas a fim de impor ditaduras fascistas programadas pelos EUA. Mas se isto não bastasse, foram reconhecidos como autores da explosão durante o voo do avião da companhia aérea Cubana em 1976, causando a morte dos 73 passageiros.

Lincoln Díaz-Balart foi quem pressionou nos EUA a favor da libertação do terrorista Guillermo Novo, o assassino do embaixador socialista do Chile nos Estados Unidos, o qual foi posto em liberdade em 1989.

Ele também pressionou a presidente do Panamá, Mirella Moscoso, a libertar os terroristas Posada Carriles, Pedro Ramón Crispin, Gaspar Giménez Escobedo e Novo Sampoll, acusados e condenados por atentado contra o presidente Fidel Castro em 2003.

Continuando com a informação sobre o comandante do grupo, Lincoln Díaz Balart foi o protetor dos terroristas da organização CORU, relacionada com os ataques a Prats, Leighton e Letelier. O mais conhecido terrorista desta organização, Orlando Bosch, foi seu protegido perante o governo dos EUA para que fosse indultado. Num livro de Stella Calloni, a escritora explica como eles participaram na Operação Condor e, mais especificamente, no Chile de Pinochet.

Conhecem a história das galinhas cloradas? Nos Estados Unidos, submergem em cloro as galinhas mortas que serão colocadas à venda, e fazem isso para remover o mau cheiro e o sabor, devido à má conservação e falta de controle para a venda do produto. Lincoln Díaz Balart clorou os terroristas até que ele mesmo teve que colocar-se num caldeirão de cloro, tal a sujeira e a podridão que dele emana e o tornaram indesejável publicamente. Mas em Bruxelas, a Comunidade Europeia abre-lhe a porta.

Atrás dele está Trump, aquele que ameaça o mundo, aplica sanções, bloqueios, guerras a todos os níveis, rodeado de condenados por genocídio com apelidos como Furious Dog, golpista chefe, e outros semelhantes, como Trump que enche a boca de barbaridades, próprias de um selvagem. Acontece que ele tem uma história de covarde: aquele que tanto apela à guerra e a leva a tantos lugares do planeta para continuar o negócio da morte, quando foi convocado para ir para a Guerra do Vietname escapou-se por cinco vezes com falsas doenças, defeitos físicos e outros pretextos que foram descobertos como falsos.

Trump e seus comandos em Bruxelas fingem ser como o calor solar que produziu explosões de minas na costa vietnamita em 1972, na guerra do Vietname, da qual escapou. O calor excessivo activou as minas que os assassinos imperialistas colocavam. Eles querem produzir algo semelhante, desde longe, para fazer explodir suas minas europeias contra Cuba e Venezuela, para que a Europa seja usada contra o surgimento de um modelo social alternativo ao capitalismo em plena decadência.

Mas há outro dado sobre Trump como representante daquele sistema decrépito em que o império vive: segundo estudo realizado pela Universidade de North Texas que o Washington Post tornou público, naqueles territórios que deram mais votos a Trump devido ao seu discurso racista e xenófobo, os actos criminosos contra pessoas que não são brancas quadruplicaram. Por extensão, a nível internacional, podem-se ver os mesmos efeitos, a extrema direita cresce e, para esse fim, Trump apoia Lincoln Diaz Balart e seu grupo fascista na sua viagem a Bruxelas a fim de fazer a sua proposta estratégica de atacar a Venezuela e Cuba.

Estamos no 70º aniversário da criação da NATO, os celebrantes abrem o caminho para o bando de Lincoln Díaz Balart. Devemos dizer quem são e quais as suas intenções, trabalhar pela defesa dos povos que, conscientes de sua liberdade, não querem o império.

08/Abril/2019

[*] Autor dos livros: "Gaza 51 días", "Palestina. Crónicas de vida y Resistencia", "Dietario de Crisis", "Belver Yin en la perspectiva de género y Jesús Ferrero", y "Siete Novelas de la Memoria Histórica. Posfacios". É Presidente da Associação Europeia de Cooperação Internacional e Estudos Sociais AMANE, Membro da Comissão Europeia para o Apoio aos Presos Palestinos. Membro da Frente Anti-imperialista Internacionalista (FAI).

O original encontra-se em https://www.rebelion.org/noticia.php?id=254550

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/cuba/propaganda_de_guerra.html

Chomsky: Prisão de Assange é "escandalosa" e destaca o alcance extraterritorial dos EUA

Chomsky
Em entrevista ao Democracy Now, Noam Chomsky afirmou que “a prisão de Assange é escandalosa em vários aspetos”. Um deles é o papel de vários governos no sentido de silenciar o ciberativista. Outro é o controlo que os EUA têm sobre o que se passa noutras partes do mundo.
Países como os Estados Unidos da América, o Reino Unido, o Equador ou a Suécia uniram esforços para “silenciar um jornalista que estava a produzir materiais que as pessoas no poder” não queriam que fosse do conhecimento do público em geral, afirmou o ativista político norte-americano.

“Esse é o tipo de coisa, o tipo de escândalo, que acontece, infelizmente, de novo e de novo”, frisou.

Chomsky deu o exemplo também da prisão de Lula, condenado a um “confinamento solitário, essencialmente uma sentença de morte, 25 anos de prisão, proibido de ler jornais ou livros e, crucialmente, impedido de fazer uma declaração pública - ao contrário dos assassinos em massa no corredor da morte”.

“Isso, a fim de silenciar a pessoa que provavelmente venceria a eleição. Ele é o prisioneiro político mais importante do mundo. Ouvimos alguma coisa sobre isso?”, questionou.

De acordo com o linguista e filósofo, “Assange é um caso similar”, é alguém que tem de ser silenciado. Avançando ainda com o exemplo da prisão de Antonio Gramsci, pelo governo fascista de Mussolini, Chomsky assinalou que “Isso é Assange. Esse é o Lula. Existem outros casos. Esse é um escândalo”.

O que também é “chocante” no entender de Noam Chomsky é “o alcance extraterritorial dos Estados Unidos”, o controlo que o país tem sobre o que os outros estão a fazer noutras partes do mundo.

“É uma situação estranha” que acontece a todo o momento, realçou.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/chomsky-prisao-de-assange-e-escandalosa.html

Qual é a meta do centro estratégico dos EUA que convocou reunião secreta contra Venezuela?

Bandeiras da Venezuela e dos EUA
© AFP 2019 / Don Emmert

A reunião secreta convocada pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) dos EUA aconteceu em um contexto marcado pela ameaça de intervenção militar contra Venezuela. Mas o que é esse centro e quais seus reais objetivos?

Previamente, o CSIS organizou uma reunião privada denominada "Avaliação do uso da força militar na Venezuela", que alegadamente será submetida às autoridades políticas e judiciais internacionais por Caracas.

De acordo com o próprio site do centro, o CSIS é definido como uma organização de pesquisa "sem fins lucrativos" que se dedica a fornecer "ideias estratégicas e soluções políticas".


A instituição foi criada em 1962 por Ray S. Cline, o então diretor de pesquisa da Agência Central de Inteligência (CIA), e servia como lugar "preferido dos analistas da Guerra Fria", segundo escreve o portal Voltaire.

Já para o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, o instituto é um promotor das guerras americanas, que são financiadas por "corporações petrolíferas" e "produtores de armas" dos EUA.

Na página da web do CSIS há uma seção separada nomeada de "Iniciativa Venezuela", na qual propõe como os Estados Unidos, juntamente com a comunidade internacional, devem promover "ações mais eficazes e coordenadas" para o que chamam de "dia seguinte" no país caribenho.

Segundo o site, o centro estratégico disponibiliza essas "análises e recomendações" para a Venezuela, pois crê que uma vez que o país caribenho conta com "um governo legítimo e democraticamente eleito", a nação bolivariana enfrentará "uma variedade de desafios sociais, econômicos, de segurança, legais, institucionais e humanitários",

Sobre isso comentou o diplomata Moncada, que classifica o centro como um dos principais "órgãos de propaganda que promovem a guerra contra Caracas em Washington". Para o embaixador venezuelano, o CSIS é tão influente em setores opostos à revolução bolivariana que conseguiu que Gustavo Tarre fosse nomeado como representante permanente "designado" pelo parlamento venezuelano, liderado pelo oposicionista Juan Guaidó.


Moncada garantiu que Tarre, com o aval do CSIS, logo "pedirá uma invasão humanitária" na Venezuela, aludindo ao uso de meios militares para depor o governo do presidente Nicolás Maduro.

A polêmica notícia sobre o encontro foi publicada pelo jornalista investigativo norte-americano Max Blumenthal no site Grayzone, que confirmou que a reunião prova que "as opções militares estão sendo seriamente consideradas neste momento", depois que "todos os outros mecanismos que Trump colocou em jogo parecem ter falhado".

A crise política venezuelana se agravou depois da autoproclamação de Guaidó, em 23 de janeiro. O presidente Maduro classificou a ação como um "golpe de Estado" liderado pelos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041713697520-meta-centro-estrategico-eua-convocou-reuniao-secreta-venezuela/

Maduro exige que Portugal desbloqueie fundos da Venezuela no valor de US$ 1,7 bilhão

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (foto de arquivo)
© Sputnik / Sergei Guneev

O presidente venezuelano Nicolás Maduro exigiu que o governo de Portugal desbloqueie mias de 1,7 bilhão de dólares que o país europeu mantém retidos e que são destinados para comprar medicamentos e alimentos.

"Em um banco em Portugal nos sequestraram, de onde pagámos medicamentos e alimentos, nos sequestraram 1,726 bilhão de dólares […] Peço ao Governo de Portugal que desbloqueie os recursos. Por que nos tiram esse dinheiro? É o nosso!", declarou Maduro em uma transmissão na rádio e televisão.

O presidente também apelou ao presidente dos EUA Donald Trump e à chefe de política externa da UE, Federica Mogherini para libertarem dinheiro bloqueado no âmbito das sanções econômicas impostas contra Caracas.


Em 16 de abril na Venezuela começou a distribuição da ajuda humanitária da Cruz Vermelha Internacional, equiparada pela organização da entrega de ajuda humanitária na Síria da Síria.

"Chegamos a um acordo e eu disse sim por bem, tudo de bom, tudo constitucional, por nada coisas ruins, nada ilegal, assinamos um acordo e a Cruz Vermelha enviou hoje o primeiro lote de ajuda, legalmente", disse Maduro.

O presidente lembrou que existem acordos com a China, Rússia, Bielorrússia, Irã e Índia, e que toneladas de ajuda necessária para o país cchegam à Venezuela cada semana.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019041713696989-maduro-exige-portugal-desbloqueie-fundos-retidos-venezuelanos/

'Algo dramático': EUA saberiam o que devem fazer para conseguir algo na Venezuela?

Líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó, durante comício em San Mateo, Venezuela, em 22 de março de 2019
© REUTERS / Carlos Jasso

De acordo com relatório exclusivo do projeto Grayzone, 40 conselheiros militares e estrategistas de alto escalão se encontraram durante um evento no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, para discutir eventual intervenção militar norte-americana na Venezuela.

O encontro teria ocorrido no dia 10 de abril, contando com as pessoas mais influentes por trás da política do presidente Donald Trump na Venezuela. Havia também autoridades das embaixadas do Brasil e da Colômbia, assim como representantes da oposição venezuelana.

Durante entrevista à Sputnik Internacional, Francisco Dominguez, da Campanha de Solidariedade da Venezuela, afirmou acreditar que os EUA não pretendem encontrar uma saída alternativa a não ser a intervenção militar, já que os norte-americanos estão tentando de todas as maneiras fazer com que isso aconteça, inclusive através de um ataque sem precedentes ao sistema de eletricidade da Venezuela.

Além disso, Francisco Dominguez ressalta que todas as tentativas dos EUA em desestabilizar a política venezuelana falharam e estão sendo desvantajosas para os próprios EUA, já que a Venezuela está se reorganizando no mercado global, e é por isso que os norte-americanos não veem outras opções a não ser a intervenção militar.


Com relação aos envolvidos, o analista acredita que todos os envolvidos na reunião secreta participaram de ações anteriores para desestabilizar a nação bolivariana e que não há surpresa quanto aos nomes mencionados, entretanto, a maior surpresa é que os envolvidos sempre se dizem a favor da democracia e dos direitos humanos, como por exemplo, Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano.

O analista acredita que, depois do governo de Hugo Chávez, os EUA acreditavam ser capazes de retirar o governo venezuelano do poder, algo que os norte-americanos desejam desde 1999. É por isso que os norte-americanos lançaram imediatamente uma guerra econômica, porém, falharam todas as vezes que tentaram. E, mais uma vez, estão tentando através do líder da oposição venezuelana, considerado um novo tipo de presidente, estratégia que também não está funcionando.

Os EUA também tentaram alcançar objetivo através de uma possível tentativa de ajuda humanitária pela fronteira, sendo mais um fracasso norte-americano, reforça o analista, acrescentando que norte-americanos ainda tentaram ataque cibernético e ataque ao sistema elétrico venezuelano, fracassando em todas essas tentativas. Francisco Dominguez acredita que os EUA perceberam que terão que fazer algo dramático para derrubar o governo da Venezuela. "E o tempo, neste sentido, está do lado de Nicolás Maduro."

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https://br.sputniknews.com/opiniao/2019041613694162-dramatico-eua-conseguir-venezuela/

EUA x Venezuela – definição de insanidade

A hipocrisia dos liberais do establishment estadunidense beira à insanidade, como se vê entre os que defendem a intervenção de Trump contra Maduro, na Venezuela. 

Há oito anos, em março de 2011, estes liberais aplaudiram quando o governo Obama depôs um autocrata na Líbia. Prometiam um novo governo de paz e estabilidade, mas o resultado foi desordem e caos, a destruição do país. Agora querem fazer o mesmo na Venezuela.

Desde março de 2011 a intervenção militar dos EUA, sob o manto da Otan, agiu para derrubar aquilo que chamavam de tirania de Muamar Gaddafi. Foi uma intervenção violenta e sangrenta.

Entretanto, analistas do establishment liberal nos EUA a apoiaram, a pretexto de levar o país ao que chamam de democracia. 

Por algum tempo, a aventura ilegal de Obama na Líbia, em 2011, sem autorização do Congresso dos EUA, foi considerada um exemplo do conceito de “poder inteligente” do então presidente. Contudo, quase todas as notícias importantes sobre a Líbia após a invasão e a derrubada de Gaddafi – desde a maneira como o país se tornou um ponto de partida para a violência extremista em outros lugares da região, até o surgimento de mercados de escravos ou seu status de refúgio seguro para o Estado Islâmico – servem como lição de por que derrubar um governo estrangeiro faz mais mal do que bem.

A pior parte é que muitos dos que aplaudiram ou até mesmo orquestraram o apoio a esse desastre não parecem ter aprendido a lição – pelo menos é o que se vê por suas posições sobre a Venezuela.

Por exemplo, o âncora da CNN Fareed Zakaria, especialista em assuntos internacionais do establishment centrista. Em 2011, ele viu a intervenção de Obama na Líbia como uma “oportunidade poderosa” para mudar a imagem dos EUA no Oriente Médio. A sobrevivência de Gaddafi “seria uma humilhação para Washington”, argumentou. “Portanto, os EUA devem seguir seus esforços para tirar Gaddafi do poder”, escreveu. “Se os líbios solicitarem assistência militar, Washington deve seguir nessa direção.”

Os desdobramentos da ação militar dos EUA provaram que Zakaria estava completamente errado. A desventura na Líbia não fez nada para melhorar a posição dos EUA no Oriente Médio — de fato, grandes maiorias no mundo árabe não concordam que o país norte-americano contribuía para a paz e estabilidade na região, e por ampla margem viram a intervenção dos EUA como responsável pela desestabilização e por causar conflitos no país. 

Outras previsões de Zakaria também foram erradas. Longe de ser a “melhor maneira de impedir a Al-Qaeda de transformar a Líbia em uma área de força”, como ele previu, a derrubada e assassinato de Gaddafi trouxe extremistas violentos para a Líbia.

Mas Zakaria, menos de duas semanas atrás, manifestou seu apoio à tentativa de Trump de intervir militarmente na Venezuela. 

Depois de invocar a doutrina Monroe, Zakaria perguntou: “será que a Venezuela será o momento em que Trump finalmente termina seu apaziguamento?”, referindo-se às alegadas relações de Trump com o primeiro-ministro russo Vladimir Putin. 

Zakaria não é o único comentarista do establishment liberal que quer Maduro fora do poder. Tem a companhia de Lawrence Korb, que foi Secretário de Defesa de Reagan e membro sênior no supostamente liberal Center for American Progress. “Todos pensamos que o ditador deve ir”, disse; “a pergunta é qual é a melhor maneira de fazê-lo.” 

Korb não está discutindo a intervenção militar – ao contrário de Zakaria, para quem a negação de Trump de que Maduro seja o presidente da Venezuela é “uma declaração muito mais forte do que a linha vermelha Barack Obama desenhou em torno de Assad da Síria.” Mas sua visão é clara: Maduro tem que ser derrubado, havendo apenas a questão de encontrar a melhor maneira de fazê-lo.

A visão de Korb sobre Gaddafi na Líbia foi a mesma. “Os interesses estratégicos e o prestígio dos EUA poderão ser reforçados, mesmo que a Líbia se torne outro Líbano”, previu ele na época.

Dick Durbin, o democrata de Illinois que cedo e agressivamente defendeu a política beligerante de Trump contra a Venezuela, havia sido também um dos poucos membros de alto escalão do Congresso a favor de Obama, quando ele lançou os planos de intervenção na Líbia. Da mesma forma, a deputada pela Flórida, Debbie Wasserman-Schultz, liderou a acusação contra a Venezuela, provavelmente devido ao grande número de refugiados venezuelanos que há em seu estado. Ela também fez um ataque a Maduro, em fevereiro, chamando-o de presidente ilegítimo, não muito tempo depois do senador republicano Marco Rubio ter assumido o papel de ponta de lança de Trump a respeito da intervenção na Venezuela, e dizer que era apenas uma questão de saber “se será pacífica ou sangrenta.”

Debbie Wasserman-Schultz também havia defendido, no Congresso dos EUA, a agressão de Obama contra a Líbia há oito anos, na votação da resolução que proibia o presidente de enviar tropas para lá. 

A morte de Gaddafi, ela disse alguns meses depois, “marca o fim de uma era de terror e opressão na Líbia”, congratulando-se por que os EUA “estiveram com o povo lutando para expulsar a tirania”. Debbie também se juntou ao exemplo de Marco Rubio, que proclamou que “a justiça foi feita hoje” quando soube do assassinato de Gaddafi, em outubro de 2011. Falsidades evidentes, desmentidas pelos acontecimentos posteriores. 

Aqueles não são os únicos exemplos. A agressão à Líbia começou igualmente com previsões confiantes de que o autocrata terrível poderia ser trocado por algo infinitamente melhor. 

Menos de meio ano depois, os EUA haviam gasto 1 bilhão de dólares em operações secretas na Líbia. Como toda intervenção estrangeira, isso leva à pergunta: por que agora, e por que a Venezuela? Sempre há, em algum lugar do mundo, algum tirano que massacra ou reprime o povo, muitas vezes de forma pior do que se vê na Venezuela — em Ruanda, Filipinas ou Iêmen, onde a casa de Saudm da Arábia Saudita, travou uma guerra genocida. 

E têm o apoio de muitos dos que agora estão supostamente tão chocados com a situação da Venezuela. 


Texto em português do Brasil

Com informações do artigo The Definition of Insanity, de Branko Marcetic, no portal Jacobin.


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/eua-x-venezuela-definicao-de-insanidade/

Venezuela denuncia impacto do bloqueio norte-americano nos programas de saúde

As sanções impostas à Petróleos de Venezuela (PDVSA) estão a ter um «impacto criminoso» nos seus programas sociais e acordos na área da saúde, denunciou este domingo o executivo venezuelano.

Sanções impostas pelos EUA estão a impedir a PDVSA de cumprir os seus programas sociaisCréditos / eluniverso.com

O Governo da Venezuela alertou este domingo a comunidade internacional para o «impacto criminoso» gerado pelas sanções coercitivas e ilegais de Washington contra a empresa estatal PDVSA, que financia inúmeros programas sociais e acordos na área da saúde, que prestam atendimento aos seus trabalhadores e ao povo venezuelano.

Com as medidas recentes da administração norte-americana para endurecer o bloqueio à empresa estatal venezuelana, «ficaram em situação de extrema vulnerabilidade pacientes venezuelanos que viajaram para diversos países para receber tratamentos. Neste mesmo instante, correm perigo as vidas de 25 pacientes, na sua maioria crianças», alertou o Ministério dos Negócios Estrangeiros através de um comunicado.

Estes 25 casos dizem respeito a cidadãos venezuelanos que estão à espera de receber trasplantes de medula óssea. Jorge Arreaza, que divulgou o comunicado na sua conta de Twitter, afirma no documento que a sua «recuperação se encontra em grave risco, como consequência do bloqueio ilegal dos fundos para o pagamento de tratamentos, serviços médicos e manutenção durante a sua estadia no estrangeiro».

«Este tipo de sanções, promovidas por agentes políticos venezuelanos e decretadas pelo governo dos Estados Unidos, constituem uma violação flagrante dos Direitos Humanos dos pacientes afectados, e os seus efeitos são diametralmente opostos aos que proclamam sob a falsa bandeira da ajuda humanitária», lê-se ainda no texto divulgado este domingo.

O Governo da Venezuela revela que continua a tomar medidas para concretizar os recursos necessários aos tratamentos médicos no estrangeiro, «sem êxito até ao momemnto, razão pela qual denuncia perante o mundo os efeitos sociais nefastos da política imperialista de agressão» contra o país.

Diversos programas da PDVSA na área da saúde

As sanções impostas pelos EUA estão a impedir o cumprimento, por parte da empresa petrolífera estatal venezuelana, de vários programas que leva a cabo, no âmbito das «boas práticas em matéria de responsabilidade social e de compromisso com o desenvolvimento integral do país». Entre esses programas, de cáracter social e na área da saúde, têm especial ênfase o apoio a casos de risco que requerem medicamentos, tratamentos e intervenções de alto custo, revela a TeleSur.

Actualmente, as iniciativas da PDVSA beneficiam centenas de pacientes que estão a ser tratados em centros de saúde no estrangeiro e mais de 500 mil pacientes a nível nacional. No âmbito destes programas, recebem cuidados médicos doentes de patologias crónicas como HIV, cancro, síndrome de Parkinson e epilepsia.

Os convénios da estatal venezuelana promovem ainda o finaciamento de cirurgias e tratamentos associados a trasplantes do pâncreas, do fígado e da medula óssea.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/venezuela-denuncia-impacto-do-bloqueio-norte-americano-nos-programas-de-saude

Venezuela recebe auxílio humanitário «neutral, imparcial e independente»

A Cruz Vermelha confia nas autoridades venezuelanas para distribuir ajuda humanitária «neutral, imparcial e independente». É uma derrota para a falsa ajuda humanitária da oposição pró-EUA.

Peter Maurer, presidente da Cruz vermelha Internacional, durante a visita que efectuou à Venezuela, em Abril de 2019.Créditos / CVI

A Cruz Vermelha Internacional (CVI) chegou a acordo «com o governo de Nicolás Maduro para expandir as operações humanitárias naquele país andino, apoiando hospitais e centros de saúde e proporcionando cuidados de saúde vitais», segundo noticia brevemente a Reuters.

No final de uma visita de cinco dias ao país andino, Peter Maurer, presidente da CVI, declarou «estar satisfeito com a vontade das autoridades [legítimas] para trabalhar connosco para prover as necessidades humanitárias que identificámos de uma forma consensual», reporta a Reuters. A mesma agência refere que «Nicolás Maduro disse à televisão estatal, na quarta-feira, que tinha «alcançado um acordo com a ICRC [International Committee of the Red Cross] para que esta trabalhe» no país «em articulação com as Nações Unidas (ONU)».

Segundo afirma a própria organização humanitária, a CVI «triplicou o orçamento para as suas operações na Venezuela», o qual passa de 9 milhões para 24,6 milhões de dólares americanos (USD), a fim de expandir o seu trabalho em quatro vectores essenciais: «migração, saúde, água e saneamento básico, e prisões».

Recentemente a CVI «assinou com o Ministério da Saúde da Venezuela um protocolo para proporcionar aos venezuelanos assistência médica de emergência», assinala o comunicado da instituição, elencando de seguida algumas medidas concretas previstas: «vinte e oito hospitais e oito centros de cuidados de saúde primários na Venezuela beneficiarão de treino, água e saneamento básico, e materiais médicos fornecidos pela CVI».

A CVI mostra-se particularmente preocupada com «altos níveis de violência armada, afectando pessoas vulneráveis e impedindo o seu acesso a serviços básicos», afirmando que está a apoiar as comunidades atingidas por esse flagelo. Outra preocupação tem a ver com as pessoas «que estão a deixar o país em busca de uma vida melhor», devido aos problemas económicos agravados pelas sanções norte-americanas. A organização afirma ter «apoiado mais de seis mil famílias a retomarem contacto», desde o início do ano.

O governo da Venezuela tem estabelecido um programa para o regresso ao país dos migrantes que o desejarem fazer, programa que, curiosamente, tem sido dificultado por alguns aliados de Washington na região, como é o caso da Argentina.

Primeira visita em 24 anos coroada de êxito

Tudo indica que «a primeira visita de um presidente [da CVI] à Venezuela nos últimos 24 anos» – como sublinha a notícia da organização – tenha constituído um êxito para as actividades humanitárias no país.

Peter Maurer reuniu «com o presidente Nicolás Maduro, ministros do governo e da legislatura», a fim de discutir como pode a CVI «fortalecer a cooperação e responder às necessidades dos venezuelanos, dentro dos princípios do Movimento da Cruz Vermelha [Red Cross Movement]» de prover assistência humanitária neutral, imparcial e independente.  A CVI está presente no país «desde 1966» – há 54 anos.

As declarações não foram produzidas de ânimo leve. Antes das mesmas, Peter Maurer viajou pelo país, incluindo no seu roteiro as cidades de Táchira, na fronteira com a Colômbia, e Bolívar, na fronteira com o Brasil – localidades em que mais de uma vez foram registadas provocações fronteiriças por parte de grupos paramilitares. O comunicado da CVI revela que teve a oportunidade de falar com «membros das comunidades, migrantes, pessoas afectadas pela violência armada» e, «em três hospitais, pessoal médico e pacientes».

«Durante a minha visita falei com muitos venezuelanos e vi como enfrentam desafios diários devido à deterioração de serviços básicos, incluindo o acesso a cuidados de saúde», afirmou Maurer após aquele périplo, acrescentando que «os hospitais passam dificuldades para assegurar que têm água, electricidade, medicamentos e pessoal médico» e concluindo que «a nossa cooperação e apoio a instituições públicas será crucial para reverter esta tendência».

«Vim à Venezuela para ouvir o povo, para compreender as necessidades e assegurar que a nossa resposta é relevante», disse o presidente da CVI», prometendo que «mais será feito nas próximas semanas e meses» para «ajudar os venezuelanos a prosseguirem as suas vidas d euma forma sustentável.

A forma como decorreu a visita da CVI à Venezuela e os seus resultados positivos faz ressaltar a vantagem de uma postura institucional de respeito para com as autoridades legítimas do país, para a prestação de um auxílio humanitário efectivo, neutral e independente à população venezuelana.

Contraste com a posição portuguesa

A postura da CVI contrasta com a do grupo de contacto da UE, no qual se inclui Portugal, ao apoiar a oposição pró-EUA de Juan Guaidó e a tentativa deste de transformar uma falsa ajuda humanitária à Venezuela em instrumento político a seu favor.

O governo português tem sido acusado de precipitação e seguidismo nesta posição, desaproveitando o seu potencial de mediador no conflito que afecta aquele país sul-americano e deixando fragilizada uma importante comunidade portuguesa no estrangeiro.

Tem sido também objecto de crítica por desrespeitar os preceitos da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente o seu artigo 7.º, que afirma uma política externa de Portugal respeitadora «da solução pacífica dos conflitos internacionais» e «da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados».

Rússia ajuda Venezuela a investigar ataques contra instalações energéticas

Consequências de apagão na Venezuela (foto de arquivo)
© AP Photo / Natacha Pisarenko

A Rússia proporciona toda a ajuda necessária à Venezuela e os dois países estão investigando em conjunto os ataques contra o setor energético venezuelano, disse o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Oleg Siromolotov.

"Estamos proporcionando aos nossos amigos venezuelanos toda a ajuda necessária […]. Segundo os dados do governo legítimo do país, liderado por Nicolás Maduro, e de acordo com outras fontes fidedignas, o setor eletro-energético da Venezuela foi atacado no dia 7 de março deste ano a partir do estrangeiro", informou diplomata à Sputnik.

De acordo com o vice-ministro, tratou-se de uma interferência comandada à distância nos sistemas de controle das principais estações distribuidoras de energia elétrica, cujos equipamentos foram fabricados num dos países do Ocidente.


Para além disso, o diplomata adicionou que "os autores dos ataques às instalações energéticas conheciam bem suas vulnerabilidades''. 

No dia 7 desse mês a Venezuela sofreu um blecaute de quase uma semana após um acidente na Hidrelétrica de Guri, a principal do país que foi classificado como "sabotagem norte-americana'' pelo governo. O funcionamento de fábricas e instalações públicas foi suspenso em todo o país.

O outro blecaute massivo ocorreu no dia 25 de março e atingiu 16 dos 23 estados da Venezuela. O apagão deixou a capital sem eletricidade. O governo de Maduro atribuiu as falhas do serviço a um ataque organizado a partir dos EUA contra a Hidrelétrica de Guri.

No dia 28 conseguiu-se a recuperação parcial do serviço elétrico, mas Maduro informou que entre 29 e 30 de março se registraram novos ataques informáticos que deixaram outra vez o país sem luz.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019041513683551-russia-ajuda-venezuela-investigar-ataques/

Mídia revela reunião secreta nos EUA sobre Venezuela e mostra lista de participantes

Apoiadores pró-governo segurando a bandeira da Venezuela em protesto contra o presidente dos EUA, Donald Trump, em Caracas, 14 de agosto de 2017
© REUTERS / Ueslei Marcelino

Um grupo de analistas do think-tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, sigla em inglês) organizou uma reunião secreta sobre o "uso da força militar na Venezuela", escreveu nesse sábado (13) a edição The Gray Zone.

Da reunião informal chamada "Avaliação do Uso da Força Militar na Venezuela", participaram cerca de 40 figuras influentes, incluindo funcionários do Departamento de Estado dos EUA, do Conselho Nacional de Inteligência, do Conselho de Segurança Nacional, além do almirante Kurt Tidd, que recentemente deixou o cargo de chefe do Comando Sul dos EUA (SouthCom).


Vários funcionários de alto escalão das embaixadas do Brasil e da Colômbia, bem como representantes do líder da oposição venezuelana, Juan Guaido, também participaram da reunião.

A realização da reunião foi confirmada por dois participantes, mas outros detalhes estão indisponíveis, de acordo com a Gray Zone.

No entanto, a existência de uma reunião assim sugere que a administração Trump considera uma operação militar de forma mais séria do que antes, segundo o autor, acrescentando que tal passo poderia ter sido provocado pela frustração de que "todas as outras armas em seu arsenal falharam para derrubar o presidente [Nicolas] Maduro".

A edição divulgou uma lista vazada de participantes do encontro. Quando a The Grey Zone entrou em contato com uma das participantes, Sarah Baumunk, pesquisadora associada do Programa CSIS das Américas, ela confirmou que foram discutidas opções militares.

​"Nós conversamos sobre militares… uh… opções militares na Venezuela. Isso foi no início desta semana", disse, indicando que a reunião foi erradamente datada de 20 de abril no documento. No entanto, quando perguntada por mais detalhes, se recusou a falar.

Outro participante, Santiago Herdoiza, pesquisador associado da agência Hills & Company, também não comentou o conteúdo da reunião.


"Sinto muito, essa foi uma reunião fechada", disse Herdoiza após atender a chamada.

Em 13 de abril, o secretário de Estado Mike Pompeo confirmou que uma intervenção militar na Venezuela seria uma opção possível. Segundo ele, "qualquer ferramenta, qualquer opção continuam em cima da mesa".

A Venezuela sofre uma grave crise política desde janeiro. Junto com outros países ocidentais, os EUA apoiam Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela. Ao mesmo tempo, a Rússia, China e Turquia, entre outros, apoiaram o presidente constitucionalmente eleito, Nicolás Maduro, criticando o amplo apoio ocidental a Guaidó.

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Pompeo confirma intervenção militar na Venezuela como opção possível

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo
© AP Photo / Sait Serkan Gurbuz

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse à emissora chilena Mega TV que todas as opções para o que ele descreveu como "restauração da democracia" na Venezuela continuam na mesa, incluindo a intervenção militar.

De acordo com Pompeo, "qualquer ferramenta, qualquer opção continuam em cima da mesa", embora o Grupo de Lima de países latino-americanos tenha rejeitado tal cenário e os EUA não tenham apoio do Conselho de Segurança da ONU para tal medida.

"Deixamos claro que nosso objetivo é convencer Maduro de que é hora de partir. Vamos deixar todas as opções sobre a mesa para alcançar esse objetivo", disse ele, observando, no entanto, que "o trabalho é diligente para encontrar uma resolução diplomática e política para salvar o povo da Venezuela dos cubanos, dos russos e deste tirano Nicolás Maduro".


Quando lhe perguntaram se o final deste ano é o prazo de Washington para que Maduro se demita, ele expressou a esperança de que o legítimo presidente venezuelano saia "muito mais cedo do que isso". Ao mesmo tempo, ele admitiu que o apoio da China e da Rússia à Venezuela dificulta a saída de Maduro.

Ele insistiu que a Rússia "interveio sem autoridade" e sem o "consentimento do povo venezuelano" para apoiar Maduro, a quem ele chamou de "o ex-líder da Venezuela".

"Portanto, é uma hipocrisia quando nações como as da OEA e do Grupo de Lima são acusadas de intervir na Venezuela quando os russos têm tropas no terreno e, mais importante, quando você realmente tem um Estado que foi entregue como uma questão de segurança aos cubanos há muito tempo", afirmou Pompeo, criticando Moscou como "uma potência hostil".


Moscou anteriormente rejeitou as críticas, expressas pelos EUA e por vários outros países, à chegada de militares russos à Venezuela, argumentando que tinha agido "com uma base absolutamente legítima e legal".

A Venezuela está envolvida em uma grave crise política desde janeiro. Junto com outros países ocidentais, os EUA apoiam Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela. Ao mesmo tempo, numerosos países, incluindo a Rússia, China e Turquia, apoiaram o presidente constitucionalmente eleito, Nicolás Maduro, criticando o amplo apoio ocidental a Guaidó.

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Maduro rechaça 'ameaças de guerra e invasão' de Bolsonaro

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, faz sinal com as mãos depois de chegar à base militar de Forte Tiuna, em Caracas, Venezuela, 30 de janeiro de 2019
© AP Photo / Marcelo Garcia

O presidente venezuelano Nicolás Maduro rechaçou as declarações do líder brasileiro sobre uma possível intervenção militar na Venezula e pediu aos militares brasileiros que enfrentem "a loucura de Bolsonaro".

"A Venezuela rejeita de maneira absoluta as ameaças de guerra e invasão militar de Jair Bolsonaro contra o povo bolivariano nobre, pacífico e solidário", disse o presidente durante um evento em Caracas.

O presidente venezuelano também declarou que Jair Bolsonaro é um "filhote de fascista" e "imitador de Hitler".


Maduro pediu aos militares brasileiros que rejeitem as intenções do presidente Bolsonaro de invadir o país caribenho.

"Faço um apelo ao povo do Brasil, convoco todos os setores democráticos e peço à força militar do Brasil para enfrentar a loucura de Jair Bolsonaro e sua ameaça de guerra contra a Venezuela", disse o presidente.

Durante a semana, Jair Bolsonaro (PSL) teceu comentários sobre a atual crise na Venezuela, afirmando que, no caso de uma invasão militar contra Caracas, iria consultar o Congresso. A decisão final, no entanto, segundo o político, seria estritamente pessoal.

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Ex-chefe de inteligência militar da Venezuela é detido em Madri a pedido dos EUA

Polícia catalã em Barcelona, Espanha. (Arquivo)
© AP Photo / Emilio Morenatti

O ex-chefe da inteligência militar venezuelana e membro da Assembleia Nacional do país, Hugo Carvajal, foi preso em Madri nesta sexta-feira (12) a pedido dos Estados Unidos por acusação de narcotráfico, informou a Polícia Nacional da Espanha à Sputnik.

No início do dia, o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda informou que Carvajal fora preso e seria extraditado para os Estados Unidos, o que ainda não tem data prevista.


Carvajal foi um conselheiro de confiança do ex-líder venezuelano Hugo Chávez e serviu como chefe de inteligência militar em 2004-2011 e 2013-2014. Ele está na lista negra do Departamento do Tesouro dos EUA devido a acusações de tráfico de drogas e fornecimento de armas ao movimento rebelde das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Em 2014, Carvajal foi detido a pedido dos Estados Unidos em Aruba, a ilha holandesa no Caribe, onde trabalhava como cônsul-geral venezuelano. No entanto, logo foi libertado e voltou para casa. Carvajal é membro da Assembleia Nacional desde 2016 e apoia o líder da oposição Juan Guaidó.

A crise política na Venezuela entrou recentemente em seu terceiro mês, vindo desde janeiro, quando Guaidó, apoiado pelos EUA, se autoproclamou presidente interino da Venezuela. O atual presidente Nicolás Maduro, apoiado pela China e pela Rússia, entre outros, acusa Guaidó de conspirar para derrubá-lo com o apoio de Washington.

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EUA impõem novas sanções à Venezuela

Venezuela vai fazer paridade de um barril de petróleo por uma criptomoeda
Federico Parra/AFP

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (12) uma nova leva de sanções contra a Venezuela, atingindo 4 empresas do país além de nove navios.

Washington continua impondo sanções ao setor de de petróleo venezuelano. De acordo com relator especial da ONU, Idriss Jazairy, as sanções dos EUA exacerbaram a crise econômica venezuelana e podem levar à fome e falta de medicamentos no país.


De acordo com o site do Departamento de Tesouro norte-americano, três das empresas atingidas estão sediadas na Libéria e quarta fica na Itália.

O dano total causado pelas sanções contra a Venezuela já teria excedido os US$ 100 bilhões.

A administração de Donald Trump impôs uma séria de rodadas de sanções contra a Venezuela após o líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, apoiado pelos EUA, se autoproclamou presidente interino do país no final de janeiro.

Washington também bloqueou bilhões de dólares em ativos venezuelanos após reconhecer Guaidó como presidente.

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Maduro assegura que venezuelanos não permitirão golpe de Estado dos EUA como em 2002

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
© Sputnik / Sergey Guneev

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que seu país não vai permitir a repetição do golpe de Estado de 2002, promovido pelos Estados Unidos.

"Em 12 de abril de 2002, a oligarquia e o imperialismo, através do auto-proclamado Pedro Carmona, consumaram um golpe que dissolveu os poderes públicos. Como há 17 anos, as pessoas rejeitam os fantoches do imperialismo que ameaçam a paz da República", escreveu o Chefe de Estado na rede social Twitter.


O golpe de 2002 contra o presidente Hugo Chávez foi impulsionado pela Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela (FEDECAMARAS) e foi liderado por Pedro Carmona, que foi proclamado brevemente presidente, mas já no dia seguinte Chávez foi restaurado no poder.

O governo venezuelano acusou os EUA de promover um golpe semelhante contra Maduro.

Em 23 de janeiro, o deputado Juan Guaidó se autoproclamou presidente do país.

Maduro, que assumiu seu segundo mandato em 10 de janeiro, depois de uma eleição que a oposição boicotou, classificou as ações de Guaidó de tentativa de golpe e culpou os Estados Unidos por seu suporte.

Guaidó foi reconhecido imediatamente como presidente interino pela Colômbia, Estados Unidos, Brasil e mais 50 países. Rússia, China, Cuba, Bolívia, Irã e Turquia, entre outros, continuam a apoiar o governo de Maduro.

México e Uruguai, por sua vez, se recusam a reconhecer Guaidó, declaram-se neutros e propõem um diálogo entre as partes para superar a crise.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041213667716-maduro-venezuela-golpe-estado-eua/

Argentina impede regresso de 90 venezuelanos com o «Plan Vuelta a la Patria»

A Venezuela denunciou esta quinta-feira a atitude do governo de Mauricio Macri, por não autorizar o voo que deveria levar 90 venezuelanos de volta ao seu país, no âmbito do Plano Regresso à Pátria.

Desde a sua criação, em Agosto de 2018, até ao final do ano passado, o Plano Regresso à Pátria trouxe de volta à Venezuela quase 12 mil migrantesCréditos / @CancilleriaVE

Recorrendo à sua conta de Twitter, o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, acusou o governo argentino de ter violado os direitos humanos de 90 compatriotas que se encontram no país austral e se tinham inscrito no programa governamental venezuelano «Plan Vuelta a la Patria», ao não conceder a autorização para o voo, previsto para esta sexta-feira, que levaria esses cidadãos de volta ao seu país.

«Denunciamos que o governo da Argentina não tenha aprovado as autorizações necessárias para o voo humanitário do Plano Regresso à Pátria, programado para amanhã, 12 de Abril, violando os direitos humanos de 90 compatriotas que desejam regressar a casa, à sua terra: Venezuela», escreveu Arreaza, esta quinta-feira, na sua conta de Twitter.

De acordo com o diplomata, estão inscritos no programa mais de 9000 de venezuelanos que desejam regressar ao seu país de forma voluntária. Este fim-de-semana, a linha aérea nacional, Conviasa, levará a cabo uma nova jornada especial de repatriamento, segundo refere a Prensa Latina.

Desde que o governo de Nicolás Maduro lançou o programa, em Agosto de 2018, até ao final do ano passado, quase 12 mil venezuelanos regressaram ao seu país, provenientes de diversos países latino-americanos e das Caraíbas.

De acordo com as autoridades venezuelanas, os voos de repatriamento de compatriotas mantiveram-se inclusive durante os ataques ao Sistema Eléctrico Nacional, nomeadamente através da Central Hidroeléctrica Simón Bolívar (El Guri). Ao todo, refere a Prensa Latina, foram beneficiados pelo programa governamental, até ao momento, 13 380 pessoas.

No âmbito deste programa, no passado dia 22 de Janeiro realizaram-se três voos a partir do Equador, na sequência de agressões e ataques xenófobos contra vários cidadãos venezuelanos residentes no país andino, depois de um migrante venezuelano ter matado uma mulher equatoriana.

A TeleSur lembra que o governo equatoriano de Lenín Moreno fomentou essa atitude xenófoba e que o ministro venezuelano Jorge Arreaza interveio para exigir outra atitude às autoridades equatorianas, de modo a travar a perseguição movida contra cidadãos venezuelanos no país.

Ajudar compatriotas vítimas de xenofobia e exploração

O Plano Regresso à Pátria foi implementado em Agosto do ano passado pelo chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, tendo como objectivo apoiar os venezuelanos que emigraram para outros países da América Latina, onde pensavam encontrar novas oportunidades de trabalho e de melhorar as suas vidas, mas que acabaram por se deparar com uma realidade adversa, e expressaram a vontade de regressar à Venezuela.

De acordo com o governo bolivariano e com os relatos dos emigrantes, muitos manifestaram esse desejo depois de sofrerem acções de xenofobia, violência e discriminação, enfrentarem situações de desemprego, exploração e maus-tratos laborais, bem como problemas de saúde e dificuldades económicas existentes nos países de acolhimento.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/argentina-impede-regresso-de-90-venezuelanos-com-o-plan-vuelta-la-patria

Uma intervenção militar não pode derrubar o governo venezuelano

Uma intervenção militar não pode derrubar o governo venezuelano
Valentin Vasilescu [*]
Vários Estados latino-americanos e as Forças Especiais dos EUA parecem preparar-se para atacar a Venezuela. Entretanto, considerando a correlação de forças e a topografia, o autor deste artigo afirma que nenhuma forma de invasão poderia vencer este vasto país defendido por uma selva mais vasta do que a do Vietname. Portanto, conclui-se que qualquer intervenção militar só poderia ter o objectivo desestabilizar o país, não o de derrubar o seu governo.
Cenário de uma guerra sul-americana  A invasão estrangeira da Venezuela é possível através do Brasil, da Colômbia e da Guiana, três Estados vizinhos da Venezuela. Teoricamente, há pelo menos três eixos de invasão. 

 Uma invasão por Estados sul-americanos deve começar pela conquista de superioridade aérea sobre a Venezuela. Mas a maior parte dos objectivos político-militares da Venezuela estão fora do alcance da aviação brasileira, composta de F-5, A-4, de AMX-1A e A-29 Tucanos.

A Colômbia tem aviões Kfir, A-37 e A-29 Tucano que não têm nenhuma possibilidade perante os sistemas anti-aéreos Buk-M2, S-125, S-300 e os aparelhos venezuelanos F-16 e Su-30 da Venezuela. O mesmo se passa com os aviões brasileiros face à defesa anti-aérea de médio e longo alcance e face à aviação venezuelana. 


Por causa do seu limite de vôo de baixa altitude, os aviões turbo-propulsados A-29 Tucano voam constantemente ao alcance dos 5.000 mísseis anti-aéreos portáteis venezuelanos SA-24 (Igla-S). Os F-5, A-4, AMX-1A, Kfir e A-37 não dispõem de armas guiadas de precisão e atacam a altitudes de 2.000 a3.000 metros, o que os torna vulneráveis aos mesmos mísseis portáteis SA-24 (Igla-S). 

 Uma invasão terrestre a partir da Guiana é improvável. Este pequeno país não tem os meios, nem a capacidade física: não há estrada através do rio e do delta do Orinoco, nem sequer a possibilidade de mover tanques através da selva.

O Brasil é o menos susceptível de conseguir êxito. Porque antes de entrar em contacto com as principais forças venezuelanas, o Exército brasileiro deve ainda percorrer 500 quilómetros na selva. A seguir, o rio Orinoco é um obstáculo muito difícil para os brasileiros que não dispõem de pontes móveis nem de outros equipamentos de engenharia. Além disso, para a defesa anti-aérea das tropas terrestres, o Brasil e a Colômbia dispõem apenas de mísseis portáteis com um limite de 5.000 m, ao passo que os Su-30 venezuelanos podem lançar bombas guiadas a laser KAB-500 e KAB-1500 ou mísseis Kh-29 auma altitude de 10.000 m O mais provável eixo para a ofensiva é a Colômbia. No entanto, o relevo não favorece a ofensiva colombiana pois a direcção da ofensiva é obstada pelo Lago Maracaibo. Ele tem que ser contornado para leste e seguindo um corredor de 15 a20 km, facilmente defensável pelo Exército venezuelano. A melhor opção consistiria em abrir uma via de desvio, com uma força de base aérea colombiana equivalente a uma brigada, e de a lançar de pára-quedas pelo sudeste pela Cordilheira dos Andes. Mas esta opção é igualmente impossível porque a Colômbia só possui 5 C-130 e 8 C-295, com os quais apenas duas ou três companhias de infantaria podem lançadas de pára-quedas. A Colômbia possui igualmente uma força de combate muito inferior à da Venezuela já que ela se apoia numa infantaria com blindados ligeiros. Além disso, ela não dispõe de carros de combate, a sua artilharia está dispersa e depende de reboques por camiões. A título de comparação, a Venezuela dispõe de veículos de artilharia auto-propulsada 2S19 Msta, de carros de combate BM-30 Smerch, de BM-21 Grad, de LAR e de T-72s. 

 Uma expedição marítima brasileira da 1ª Brigada de Infantaria de Marinha a bordo de porta-helicópteros e de navios de desembarque poderia complicar a situação dos defensores da Venezuela. Mas a Venezuela poderia atacar o grupo de navios de desembarque numa faixa de 100 a200 km de costa com mísseis anti-navio Kh-31A1 e Kh-59ME lançados por Su-30.

O cenário de uma invasão norte-americana  Só uma invasão militar dos EUA poderia derrubar Nicolas Maduro, tal como foi o caso no Iraque e na Líbia. No entanto, a Rússia mudou de política externa e demonstrou na Síria que era capaz de defender os seus aliados. Devido a interesses económicos elevados na Venezuela, a Rússia e a China, mesmo que não enviem tropas, iriam fornecer-lhe tipos de armas de alto nível e de grande raio de acção a fim de impedir uma invasão estado-unidense. Os Estados Unidos são a maior potência naval do mundo e possuem dois corpos de infantaria naval (mariners). É por isso que o principal eixo ofensivo poderia ser aberto por um desembarque norte-americano. Mas o afundamento de um a dois porta-aviões e de alguns navios anfíbios de desembarque dos EUA significaria a impossibilidade de obter a supremacia aérea e hipóteses reduzidas de criar uma cabeça de ponte da infantaria naval na costa venezuelana. Este objectivo seria facilmente atingível com o míssil hipersónico russo Zircon, com um alcance de 1.000 km, e o míssil de cruzeiro Kalibr 3M-54 com um alcance de 1.400 km. Se a Venezuela dispuser destes mísseis poderá atingir o grupo de navios expedicionários norte-americanos a sul das Baamas, a 500 km de Miami. Mas não penso que a Rússia fornecesse aos venezuelanos mísseis Zircon e Kalibr. Ela poderia no entanto propor sistemas Bastion e mísseis ar-ar Kh-59MK2, com um alcance de 550 km, operacionais em aviões Su-30. Uma bateria do míssil costeiro terra-mar Bastion, usado pela Rússia, utiliza quatro lançadores de mísseis móveis P-800 Oniks. Este míssil tem uma massa de 3 toneladas, uma envergadura de 1,7 m e uma ogiva destrutiva de 250 kg. A propulsão é feita por um motor de cruzeiro "ramjet" (estato-reactor supersónico), similar ao do míssil Zircon. O alcance do míssil P-800 é de 350 a600 km, a sua velocidade é de Mach 2,5 (700 m/s). Na trajectória, no limite de voo de cruzeiro de 14.000 m, o míssil é guiado por satélite. À aproximação do alvo, o P-800 fixa-se no alvo, desce até 10 m de altura e executa manobras de mudança de direcção. Nesta situação, a Venezuela estaria à altura de fazer face ao grupo de um Corpo Expedicionário dos EUA que navegasse a sul das ilhas do Haiti e de Porto Rico. O erro provável na precisão do míssil Oniks P-800 é de 1,5 m, o que significa que o alvo é atingido a 100% no caso de um porta-aviões, de um porta-helicópteros, de um cruzador ou de um contratorpedeiro (destroyer), todos com um comprimento superior a 100 m. A única possibilidade seria um bombardeamento coordenado da NATO (EUA, França, Países Baixos, Reino Unido) e de Estados latino-americanos (Brasil, Colômbia, Guiana) sobre alvos seleccionados. Neste caso, não se trataria de uma invasão mas, antes, da destruição de estruturas venezuelanas. 

04/Março/2019

Ver também: 
 en.wikipedia.org/wiki/National_Bolivarian_Armed_Forces_of_Venezuela [*] Analista militar, romeno, antigo comandante-adjunto da base aérea militar de Otopeni. O original encontra-se em https://www.voltairenet.org/article205410.html Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/uma-intervencao-militar-nao-pode.html

Análise: Venezuela está resistindo eficazmente à expansão norte-americana

Militares venezuelanos fazem cordão de isolamento na ponte Simón Bolívar
© Sputnik / Mikhail Alaeddin

A Venezuela vai abandonar a Organização dos Estados Americanos (OEA) após a organização reconhecer nomeado por Guaidó como representante da Venezuela. O deputado Aleksandr Yuschenko comentou a situação.

Em comentário ao serviço russo da Rádio Sputnik, Aleksandr Yuschenko, vice-presidente do Comitê de Política Informativa da Duma Federal russa (câmara baixa do parlamento russo), destacou que as ações dos Estados Unidos e aliados contra Caracas não passam de violação do direito internacional.

"O que está acontecendo hoje com a Venezuela é uma violação do direito internacional e de todos os procedimentos. Hoje, está sendo realizada uma enorme pressão, e é completamente lógica a resistência da Venezuela. Se analisar os últimos 10 anos, violenta mudança de governo e interferência nos assuntos internos de outros países ocorreram em outras nações da América Latina."


Yuschenko adicionou que "tendo mudado governos e feito deles satélites, os EUA continuam expandindo interesses na região. Mas a Venezuela está resistindo eficazmente".

Depois da decisão do Conselho Permanente da OEA de reconhecer o representante do líder da oposição Juan Guaidó, o Ministério das Relações Exteriores do país latino-americano disse que "das mais infelizes decisões tomadas […] por esta organização e uma vulgar instrumentalização de chantagem e pressão contra países-membros para satisfazer os desejos da política neomonroísta de Washington".

Na Venezuela, protestos massivos a favor e contra o atual presidente Nicolás Maduro começaram em 21 de janeiro. Após o início dos tumultos, Juan Guaidó se declarou presidente interino. Vários países anunciaram reconhecer Guaidó como líder interino do país caribenho, dentre eles EUA e Brasil. Rússia, China e outras nações apoiam a presidência de Maduro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041013646863-analise-venezuela-resistindo-eficazmente-expansao-norte-americana/

A ordem executiva da Casa Branca sobre pulsos electromagnéticos

A ordem executiva da Casa Branca sobre pulsos electromagnéticos
"Ordem executiva para a coordenação da resiliência nacional a pulsos electromagnéticos" 

Executive Order on Coordinating National Resilience to Electromagnetic Pulses

A ordem executiva emitida por Donald Trump em 26 de Março de 2019 é reveladora das perversidades engendradas pelo império. Alem disso, revela que o império tem medo e procura precaver-se contra a própria arma que engendrou:   os pulsos electromagnéticos.
A nova arma tem um avanço tecnológico considerável pois já passou à fase de testes em condições reais:   acaba de ser lançada contra a República Bolivariana da Venezuela. Os apagões provocados por todo aquele país constituíram um novo tipo de acto de agressão.
O facto de o império ter utilizado uma arma inédita – que afecta sobretudo a população civil – mostra simultaneamente o seu desespero e covardia. Pelos meios habituais ele já não consegue efectuar a mudança de regime que anseia. Assim, o imperialismo recorre agora aos pulsos electromagnéticos.  -  resistir.info 
A ordem executiva da Casa Branca sobre pulsos electromagnéticos
por Donald Trump

Washington DC, 26 de março de 2019  Pela autoridade que me é conferida como Presidente pela Constituição e pelas leis dos Estados Unidos da América, ordena-se o seguinte:  Secção 1. Propósito. Um pulso electromagnético (electromagnetic pulse, EMP) tem o potencial de interromper, degradar e danificar a tecnologia e os sistemas de infraestrutura crítica. Os EMPs de origem humana ou natural podem afectar grandes áreas geográficas, interrompendo elementos críticos para a segurança e a prosperidade económica da Nação, e podem afectar adversamente o comércio global e a estabilidade. O governo federal deve promover abordagens sustentáveis, eficientes e económicas para melhorar a resiliência da nação aos efeitos dos EMPs. Sec. 2. Definições. Conforme usado nesta ordem: (a) " Infraestrutura crítica " significa sistemas e activos, físicos ou virtuais, tão vitais para os Estados Unidos que a incapacidade ou destruição de tais sistemas e activos teriam um impacto debilitante sobre a segurança, a segurança económica nacional, a saúde pública nacional ou qualquer combinação destas questões. (b) " Pulso electromagnético " é uma explosão (burst) de energia electromagnética. Os EMPs têm o potencial de afectar negativamente os sistemas de tecnologia na Terra e no espaço. Um EMP de alta altitude (HEMP) é um tipo de EMP feito pelo homem que ocorre quando um dispositivo nuclear é detonado a aproximadamente 40 quilómetros ou mais acima da superfície da Terra. Um distúrbio geomagnético ( geomagnetic disturbance, GMD) é um tipo de EMP natural accionado por uma perturbação temporária do campo magnético da Terra, resultante de interacções com erupções solares. Tanto os HEMPs quanto os GMDs podem afectar grandes áreas geográficas. (c) " Funções Críticas Nacionais " significa as funções do governo e do sector privado tão vitais para os Estados Unidos que a sua perturbação, corrupção ou disfunção teriam um efeito debilitante na segurança, segurança económica nacional, saúde pública nacional, ou qualquer combinação disso. (d) " Funções Essenciais Nacionais " significa as responsabilidades gerais do Governo Federal para liderar e sustentar a Nação antes, durante e depois de uma emergência catastrófica, como um EMP que afecte negativamente o desempenho do Governo. (e) " Preparar " e " preparativo " significa as acções tomadas para planear, organizar, equipar, treinar e exercitar a fim de construir e sustentar as capacidades necessárias destinadas a impedir, proteger, mitigar os efeitos de, responder e recuperar daquelas ameaças que representam os maiores riscos para a segurança da Nação. Estes termos incluem a previsão e notificação de EMPs iminentes. (f) Uma " Agência Específica do Sector " (SSA) é o departamento ou agência federal responsável por fornecer conhecimento institucional e perícia especializada, assim como liderar, facilitar ou apoiar os programas de segurança e resiliência e actividades associadas do seu sector designado de infraestrutura crítica em todos os riscos ambientais. As SSAs são aquelas identificadas na Directriz Presidencial 21, de 12/Fevereiro/2013 (Critical Infrastructure Security and Resilience). Sec. 3. Política. (a) É política dos Estados Unidos preparar-se para os efeitos dos EMPs por meio de abordagens direccionadas que coordenem as actividades de todo o governo e encorajem o empenhamento do sector privado. O governo federal deve fornecer aviso de um EMP iminente; proteger, responder e recuperar dos efeitos de um EMP através do empenhamento público e privado, planeamento e investimento; e prevenir eventos adversos através de esforços de dissuasão, defesa e não-proliferação nuclear. Para alcançar estas metas, o Governo Federal deve-se envolver no planeamento informado sobre riscos, dar prioridade à investigação e desenvolvimento (R&D) a fim de atender às necessidades dos intervenientes em infraestruturas críticas e, para ameaças adversárias, consultar avaliações da Comunidade de Inteligência. (b) Para implementar as acções direccionadas nesta ordem, o Governo Federal promoverá a colaboração e facilitará a partilha de informações, incluindo a partilha de avaliações de ameaças e vulnerabilidades entre departamentos executivos e agências, proprietários e operadores de infra-estruturas críticas; outras partes interessadas relevantes, conforme apropriado. O Governo Federal também fornecerá incentivos, conforme apropriado, a parceiros do sector privado para encorajar inovações que fortaleçam a infraestrutura crítica contra os efeitos dos EMPs através do desenvolvimento e implementação de melhores práticas, regulamentos e orientação apropriada. Sec. 4. Coordenação. (a) O Assistente do Presidente para Assuntos de Segurança Nacional (APNSA), através da equipe do Conselho de Segurança Nacional e em consulta com o Director do Escritório de Política Científica e Tecnológica (OSTP), coordenará o desenvolvimento e implementação de acções do poder executivo para avaliar, priorizar e gerenciar os riscos de EMPs. A APNSA deve, anualmente, apresentar um relatório ao Presidente resumindo os progressos na implementação desta ordem, identificando lacunas na capacidade, e recomendando como lidar com essas lacunas. (b) Para promover a R&D Federal necessária a fim de preparar a Nação para os efeitos dos PGEs, o Director do OSTP coordenará os esforços das agências por meio do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTC). O Director do OSTP, por meio do NSTC, reverá e avaliará anualmente as necessidades de R&D das agências que conduzem actividades de preparação para EMPs, consistentes com este pedido. Sec. 5. Papéis e Responsabilidades. a) O secretário de Estado deverá:
(i) liderar a coordenação de esforços diplomáticos com aliados dos Estados Unidos e parceiros internacionais no sentido de aumentar a resiliência aos efeitos dos EMPs; e
(ii) em coordenação com o secretário de Defesa e os chefes de outras agências relevantes, fortalecer os esforços de não-proliferação e dissuasão nucleares, o que reduziria a probabilidade de um ataque EMP aos Estados Unidos ou seus aliados e parceiros, limitando a disponibilidade de dispositivos nucleares. (b) O secretário de Defesa deverá:
(i) em cooperação com os chefes de agências relevantes e com aliados dos Estados Unidos, parceiros internacionais e entidades do sector privado, conforme apropriado, melhorar e desenvolver a capacidade de rapidamente caracterizar, atribuir e fornecer alerta aos EMPs, incluindo efeitos sobre sistemas espaciais. de interesse para os Estados Unidos;
(ii) fornecer observações operacionais oportunas, análises, previsões e outros produtos para EMPs que ocorrem naturalmente a fim de apoiar a missão do Departamento de Defesa junto com aliados dos Estados Unidos e parceiros internacionais, incluindo o fornecimento de alertas e advertências para EMPs naturais que possam afectar sistemas de armas, operações militares ou a defesa dos Estados Unidos;
(iii) conduzir R&D e testes para entender os efeitos dos EMPs nos sistemas e infraestrutura do Departamento de Defesa, melhorar as capacidades de modelar e simular os ambientes e efeitos dos EMPs e desenvolver tecnologias para proteger os sistemas e a infraestrutura do Departamento de Defesa dos efeitos dos EMPs assegurar a execução bem-sucedida das missões do Departamento de Defesa;
(iv) rever e actualizar os padrões existentes relacionados ao EMP para os sistemas e infraestrutura do Departamento de Defesa, conforme apropriado;
(v) compartilhar conhecimentos técnicos e dados sobre PGAs e seus possíveis efeitos com outras agências e com o sector privado, conforme apropriado;
(vi) incorporar ataques que incluam EMPs como um factor nos cenários de planeamento de defesa; e
(vii) defender a Nação de EMPs adversários originados fora dos Estados Unidos por meio de defesa e dissuasão, de acordo com a missão e a política de segurança nacional do Departamento de Defesa. (c) O secretário do Interior apoiará a investigação, o desenvolvimento, a implantação e a operação de capacidades que melhorem a compreensão das variações do campo magnético da Terra associadas aos PGAs. d) O secretário de Comércio deve:
(i) fornecer observações operacionais, análises, previsões e outros produtos oportunos e precisos para EMPs naturais, excluindo as responsabilidades do secretário de Defesa estabelecido na subsecção (b) (ii) desta secção; e
(ii) usar as capacidades do Departamento de Comércio, do sector privado, do sector académico e de organizações não-governamentais para melhorar continuamente os serviços de previsão operacional e o desenvolvimento de padrões para tecnologia EMP comercial.
(e) O secretário de Energia conduzirá R&D em estágio inicial, desenvolverá programas piloto e fará parcerias com outras agências e o sector privado, conforme apropriado, para caracterizar as fontes de EMPs e seus conexões com a rede elétrica e seus subcomponentes, potenciais modos de falha para o sector de energia, e coordenar medidas de preparação e mitigação com parceiros do sector de energia. f) O secretário da Segurança Interna deve:
(i) fornecer a distribuição oportuna de informações sobre EMPs e ameaças associadas críveis aos governos federal, estaduais e locais, proprietários e operadores de infraestruturas críticas e outras partes interessadas;
(ii) em coordenação com os chefes de quaisquer SSAs relevantes, usar os resultados das avaliações de risco para entender melhor e aumentar a resiliência aos efeitos de EMPs em todos os sectores de infra-estrutura crítica, incluindo a coordenação da identificação de funções críticas nacionais e a priorização de infra-estrutura de maior risco para os efeitos dos EMPs;
(iii) coordenar a resposta e a recuperação dos efeitos dos EMPs na infraestrutura crítica, em coordenação com os responsáveis das SSAs apropriadas;
(iv) incorporar eventos que incluam EMPs como um factor em cenários e exercícios de preparação;
(v) em coordenação com os chefes de SSAs relevantes, conduzir R&D para entender melhor e modelar de maneira mais eficaz os efeitos dos EMPs em funções críticas nacionais e infraestrutura crítica associada – excluindo os sistemas e infraestrutura do Departamento de Defesa – e desenvolver tecnologias e directrizes para melhorar esses funções e melhor proteger esta infra-estrutura;
(vi) manter meios de sobrevivência para fornecer informações de emergência necessárias ao público durante e após os EMPs; e
(vii) em coordenação com os secretários de Defesa e Energia e, com base em avaliações de ameaças baseadas em inteligência, desenvolver avaliações de risco quadrimestrais sobre EMPs, com a primeira avaliação de risco entregue dentro de um ano a partir da data deste pedido. g) O Director da Inteligência Nacional deve:
(i) coordenar a colecta, análise e promulgação, conforme apropriado, de avaliações baseadas em inteligência sobre a capacidade dos adversários de realizar um ataque utilizando um EMP e a probabilidade de tal ataque; e
(ii) fornecer avaliações de ameaças baseadas em inteligência para apoiar os responsáveis pelas SSAs relevantes no desenvolvimento de avaliações de risco quadrienais em EMPs.
(h) Os chefes de todas as SSAs, em coordenação com a Secretaria de Segurança Interna, deverão melhorar e facilitar o intercâmbio de informações com contrapartes do sector privado, conforme apropriado, para melhorar a preparação para os efeitos dos EMPs, identificar e compartilhar vulnerabilidades, e trabalhar de forma colaborativa para reduzir as vulnerabilidades.
(i) Os chefes de todas as agências que apoiam as Funções Essenciais Nacionais devem assegurar que seu planeamento de prontidão para todos os alvos seja suficiente para os EMPs, inclusive por meio de mitigação, resposta e recuperação, conforme orientado pela política nacional de preparação. Sec. 6. Implementação. (a) Identificar funções críticas nacionais e infra-estruturas críticas prioritárias associadas em maior risco, (i) Dentro de 90 dias da data deste pedido, o secretário de Segurança Interna, em coordenação com os chefes de SSAs e outras agências conforme apropriado, deve identificar e listar as funções críticas nacionais e sistemas de infra-estrutura críticos prioritários associados, redes e activos, incluindo activos baseados no espaço que, se interrompidos, poderiam resultar razoavelmente em efeitos nacionais ou regionais catastróficos sobre a saúde pública ou segurança, segurança económica ou segurança nacional. O secretário da Segurança Interna actualizará esta lista conforme necessário.
(ii) Dentro de um ano da identificação descrita na subsecção (a) (i) desta secção, o secretário de Segurança Interna, em coordenação com os chefes de outras agências conforme apropriado, deverá, usando padrões adequados do governo e do sector privado para EMPs, avaliar quais sistemas, redes e activos de infra-estrutura crítica identificados são mais vulneráveis aos efeitos dos EMPs. O secretário de Segurança Interna fornecerá esta lista ao Presidente, através da APNSA. O secretário de Segurança Interna actualizará esta lista usando os resultados produzidos de acordo com a subsecção (b) desta secção, e conforme necessário a partir de então. (b) Melhorar a compreensão dos efeitos dos EMPs.
(i) No prazo de 180 dias após a identificação descrita na subsecção (a) (ii) desta secção, o secretário da Segurança Interna, em coordenação com os chefes das SSAs e em consulta com o Director do OSTP e os chefes de outras agências apropriadas, deve rever os dados de teste – identificando quaisquer lacunas em tais dados – com relação aos efeitos de EMPs em sistemas de infraestrutura críticos, redes e activos representativos daqueles em toda a Nação.
(ii) No prazo de 180 dias a partir da identificação das lacunas nos dados de testes existentes, conforme orientado pela subsecção (b) (i) desta secção, o secretário de Segurança Interna, em coordenação com os directores das SSAs e em consulta com o Director do OSTP e os chefes de outras agências apropriadas, devem usar a estrutura de parceria do sector identificada no Plano Nacional de Protecção de Infra-estrutura para desenvolver um plano intersectorial integrado para abordar as lacunas identificadas. Os chefes das agências identificadas no plano devem implementar o plano em colaboração com o sector privado, conforme apropriado.
iii) No prazo de um ano a contar da data desta encomenda e, conforme adequado, o secretário de Energia, em consulta com os chefes de outras agências e do sector privado, conforme apropriado, deve rever as normas existentes para PGA e desenvolver ou actualizar, conforme necessário, referências (benchmarks) quantitativas que descrevam suficientemente as características físicas de EMPs, incluindo forma de onda e intensidade, de um modo que seja útil e possa ser compartilhado com proprietários e operadores de infraestrutura crítica.
(iv) Dentro de quatro anos a partir da data deste pedido, o secretário do Interior deverá completar um levantamento magneto telúrico dos Estados Unidos contíguos para ajudar proprietários e operadores de infraestruturas críticas a conduzir avaliações de vulnerabilidade EMP. (c) Avaliar abordagens para mitigar os efeitos dos EMPs.
i) No prazo de um ano a contar da data da presente ordem, e posteriormente de dois em dois anos, o secretário de Segurança Interna, em coordenação com os secretários de Defesa e Energia, e em consulta com o Director do OSTP, os chefes de outras agências apropriadas. e parceiros do sector privado, conforme apropriado, deverão apresentar ao Presidente, por meio da APNSA, um relatório que analise as opções tecnológicas disponíveis para melhorar a resiliência da infraestrutura crítica aos efeitos dos PGAs. As Secretarias de Defesa, Energia e Segurança Interna também devem identificar lacunas nas tecnologias disponíveis e oportunidades para desenvolvimentos tecnológicos futuros para informar as actividades de R&D.
(ii) No prazo de 180 dias após a conclusão das actividades direccionadas pelas subsecções (b) (iii) e (c) (i) desta secção, o secretário de Segurança Interna, em coordenação com os chefes de outras agências e em consulta com os o sector privado, conforme apropriado, desenvolverá e implementará um teste piloto para avaliar as abordagens de engenharia disponíveis para mitigar os efeitos dos EMPs nos sistemas, redes e activos de infraestrutura críticos mais vulneráveis, conforme identificado na subsecção (a) (ii) desta secção. .
(iii) Dentro de um ano da data deste pedido, o secretário de Segurança Interna, em coordenação com os chefes de SSAs relevantes, e em consulta com comissões reguladoras e de serviços públicos apropriados e outras partes interessadas, deve identificar mecanismos reguladores e não reguladores, incluindo medidas de recuperação de custos, que podem melhorar o envolvimento do sector privado para lidar com os efeitos dos EMPs. (d) Fortalecer a infra-estrutura crítica para suportar os efeitos dos EMPs.
(i) Dentro de 90 dias após completar as acções previstas na subsecção (c) (ii) desta secção, o secretário da Segurança Interna, em coordenação com os secretários da Defesa e Energia e em consulta com os chefes de outras agências apropriadas e com o sector privado, conforme apropriado, deve desenvolver um plano para mitigar os efeitos dos EMPs sobre os sistemas, redes e activos de infra-estrutura críticos prioritários e vulneráveis identificados na subsecção (a) (ii) desta secção. O plano deve alinhar-se e basear-se nas acções identificadas nos relatórios exigidos pela Ordem Executiva 13800 de 11 de Maio de 2017 (Reforço da segurança cibernética de redes federais e infra-estrutura crítica). O secretário ds Segurança Interna implementará os elementos do plano que sejam consistentes com as autoridades e recursos do Departamento de Segurança Interna e informará à APNSA sobre quaisquer autoridades adicionais e recursos necessários para concluir sua implementação. O secretário da Segurança Interna, em coordenação com as Secretarias de Defesa e Energia, actualizará o plano conforme necessário com base nos resultados das acções previstas nas subsecções (b) e (c) desta secção.
(ii) No prazo de 180 dias após a conclusão das acções identificadas na subsecção (c) (i) desta secção, o secretário da Defesa, em consulta com os secretários da Segurança Interna e Energia, conduzirá um teste piloto para avaliar abordagens de engenharia utilizadas para reforçar uma instalação militar estratégica, incluindo a infraestrutura que for fundamental para suportar essa instalação, contra os efeitos dos EMPs.
(iii) No prazo de 180 dias após a conclusão do teste-piloto descrito na subsecção (d) (ii) desta secção, o secretário da Defesa deverá reportar ao Presidente, por meio da APNSA, o custo e a eficácia das abordagens avaliadas. (e) Melhorar a resposta aos EMPs.
(i) Dentro de 180 dias da data deste pedido, o secretário da Segurança Interna, através do Administrador da Agência Federal de Administração de Emergências, em coordenação com os chefes das SSAs apropriadas, reverá e actualizará os planos, programas e procedimentos de resposta Federal para considerar os efeitos dos EMPs.
(ii) Dentro de 180 dias da conclusão das acções previstas na subsecção (e) (i) desta secção, as agências que apoiam as Funções Essenciais Nacionais actualizarão os planos operacionais documentando seus procedimentos e responsabilidades para preparar, proteger e mitigar os efeitos. de EMPs.
(iii) No prazo de 180 dias a partir da identificação de sistemas, redes e activos de infraestruturas críticas prioritárias vulneráveis conforme determinado pela subsecção (a) (ii) desta secção, o secretário da Segurança Interna, em consulta com os secretários da Defesa e Comércio, e o Presidente da Comissão Federal de Comunicações, fornecerá ao Assistente Adjunto do Presidente para Segurança Interna e Contra-terrorismo e ao Director do OSTP uma avaliação dos efeitos dos EMPs na infraestrutura de comunicações críticas, e recomendará mudanças nos planos operacionais para melhorar a resposta e os esforços de recuperação nacional após um EMP. Sec. 7. Disposições Gerais. (a) Nada neste pedido deve ser interpretado como prejudicial ou afectando:
(i) a autoridade concedida por lei a um departamento executivo ou agência, ou o seu responsável; ou
(ii) as funções do Director do Escritório de Administração e Orçamento em relação a propostas orçamentais, administrativas ou legislativas.
(b) Esta ordem deve ser implementada em conformidade com a lei aplicável e sujeita à disponibilidade de dotações.
(c) Esta ordem não pretende, e não cria, qualquer direito ou benefício, substantivo ou processual, exequível na lei ou em equidade por qualquer participante contra os Estados Unidos, seus departamentos, agências ou entidades, seus responsáveis, empregados, ou agentes, ou qualquer outra pessoa. 

26/Março/2019

O original encontra-se em www.whitehouse.gov/presidential-actions/... e emwww.voltairenet.org/article205857.html  Este diploma legal encontra-se em http://resistir.info/ 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/a-ordem-executiva-da-casa-branca-sobre.html

Venezuela | Fraude fiscal de Guaidó é “flagrante violação sistemática do dever”

Controladoria-Geral da Venezuela suspende por 15 anos direitos políticos de Juan Guaidó por fraude fiscal
Órgão diz que deputado opositor e autoproclamado presidente encarregado cometeu 'fraude fiscal' ao não declarar origem do dinheiro gasto com viagens; controlador fala em 'flagrante violação sistemática do dever'

A Controladoria-Geral da Venezuela decidiu suspender por 15 anos os direitos políticos do deputado opositor Juan Guaidó, que se autodeclarou presidente do país no fim de janeiro, além de determinar a perda do mandato parlamentar. A punição é prevista na Lei Anticorrupção da Venezuela.

“Juan Guaidó terá a pena máxima de 15 anos para desempenhar qualquer cargo público, por fraude fiscal, ao não declarar gastos com viagens e alojamentos dentro e fora do país”, afirmou o controlador-geral Elvis Amoroso.

Segundo Amoroso, Guaidó cometeu “flagrante violação sistemática do dever” dentro da Assembleia Nacional. “[O deputado] usurpou funções públicas e cometeu ações com governos estrangeiros que prejudicaram o povo da Venezuela e o patrimônio público”, disse Amoroso.


“Cada um dos deputados faz sua declaração juramentada. Todo veículo ou ingresso [financeiro] que possam ter deve ser declarada na CGR [Controladoria-Geral da República], por isso se aplicam estas sanções ao deputado em desacato Juan Guaidó”, afirmou.

Desde que tomou posse, de acordo com dados da imigração venezuelana, o deputado realizou mais de 91 viagens ao exterior, a um custo de mais de 310 milhões de bolívares, que não foram declarados.

Amoroso ainda afirmou que Guaidó esteve mais de oito meses fora do país com gastos em alojamento que excedem 260 milhões de bolívares, também sem comprovação da origem dos recursos.

A investigação contra Guaidó foi aberta no dia 11 de fevereiro. Na época, Amoroso disse que o deputado iria passar por uma “auditoria patrimonial” após denúncias de que "supostamente ocultou, falseou dados contidos na sua declaração juramentada de patrimônio e recebeu dinheiro proveniente de instâncias internacionais e nacionais sem nenhum tipo de justificativa”.

Em pronunciamento diante de estudantes de Engenharia em uma instituição de ensino em Caracas, Guaidó criticou a Controladoria e a Assembleia Nacional Constituinte, dizendo que ambas "não existem".

O deputado de direita ainda afirmou que a ANC "não fala de uma Constituição, motivo para o qual ela foi criada, mas somente utilizam a 'lei do ódio' e a figura de um homem que iria me inabilitar".

Opera Mundi* | Foto: Divulgação

(*) Com teleSUR

 Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/03/venezuela-fraude-fiscal-de-guaido-e.html

Especialista: algo deu errado no plano dos EUA e Guaidó de mudar o poder na Venezuela

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (imagem de arquivo)
© AP Photo / Ariana Cubillos

Os planos de Washington e do líder da oposição, Juan Guaidó, que ilegalmente se autodeclarou presidente interino da Venezuela, para mudar o governo na República Bolivariana estão falhando.

Tal afirmação foi feita pelo diretor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Dmitry Razumovsky, durante uma mesa redonda no Serviço Nacional de Notícias.

"Tenho certeza que quando essa "operação", vamos chamá-la assim, foi planejada na Venezuela, ela era uma tentativa de criar um novo esquema de mudança do regime. Isso falhou porque, com todos os dados que temos, os americanos tinham um plano [que previa] que o regime de Maduro cairia rapidamente", enfatizou.

"No entanto, esse confronto continua pelo segundo mês, e este é um estado de equilíbrio muito instável. Pois os principais objetivos que Guaidó estabeleceu para si mesmo são, principalmente, a atração do exército para o seu lado e um apoio social em massa. Mas por agora eles estão falhando", destacou.


Ao mesmo tempo, o especialista adicionou que o exército venezuelano continua apoiando o presidente atual, Nicolás Maduro.

A crise na Venezuela aumentou em janeiro, quando Juan Guaidó foi eleito presidente da Assembleia Nacional controlada pela oposição. Ele recebeu o apoio dos Estados Unidos e de outros 54 países.

Rússia, China, Cuba e vários outros países reafirmaram seu apoio a Nicolás Maduro como o único presidente legítimo da Venezuela e pediram a não interferência nos assuntos internos do país. Maduro, por sua vez, acusa Guaidó de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o governo legítimo do país, inclusive organizando a entrega de ajuda humanitária como parte de um plano para justificar a intervenção militar dos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019032813573649-plano-eua-guaido-muda-poder-venezuela/

Liquidando líder ou invadindo militarmente: possíveis cenários dos EUA na Venezuela

Militares americanos (imagem referencial)
© AP Photo / Marco Di Lauro

Uma invasão norte-americana à Venezuela é improvável, mas possíveis tentativas de eliminar o líder do país, Nicolás Maduro, são possíveis, afirmou Konstantin Blokhin, cientista político do Centro de Pesquisa dos Problemas de Segurança da Academia de Ciências da Rússia.

"Uma intervenção militar dos EUA na Venezuela é improvável. O próprio Donald Trump não é um apoiante da intervenção militar", disse Blokhin durante mesa redonda.


Além disso, o especialista observou que os Estados Unidos não querem organizar intervenção militar na Venezuela por temerem que se torne um conflito duradouro, como ocorreu no Vietnã.

"Em segundo lugar, há o risco de os americanos ficarem presos lá. E a Venezuela se transformaria para norte-americanos em um segundo Vietnã, sendo esse latino-americano. Não é fato que eles sejam capazes de agir efetivamente lá", acrescentou Blokhin.

Outra razão, segundo o especialista, é que uma invasão americana poderia consolidar todas as forças antiamericanas do país."Portanto, acredito que eles podem tentar alcançar seus objetivos por outras mãos, por exemplo, através da Colômbia, que é um país fortemente influenciado pelos EUA."


Ele também acredita que os EUA possam organizar uma operação especial limitada para eliminar Nicolás Maduro. "Esse cenário eu não deixaria de fora, por mais improvável que possa parecer. Como a história mostra, esse é o método de ação favorito dos EUA", disse o especialista.

Em 21 de janeiro, na Venezuela começaram protestos em massa contra o presidente Nicolás Maduro, logo após tomada de posse. Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Geral venezuelana, se declarou ilegalmente presidente interino do país. Vários países ocidentais, liderados pelos EUA, anunciaram o reconhecimento de Guaidó. Rússia, China e vários outros países apoiam Maduro como presidente legítimo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

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Qual é a tarefa principal da oposição venezuelana? Especialista indica

Juan Guaidó, opositor venezuelano
© REUTERS / Luisa Gonzalez

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, anunciou que as "ações táticas" que visam retirar o chefe de Estado, Nicolás Maduro, do poder começarão em 6 de abril. O especialista Lazar Jeifets sugeriu o que podem incluir essas ações concretamente.

Anteriormente, o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que autoproclamou presidente interino do país, anunciou que em 6 de abril começaria a Operação Liberdade, que tem como objetivo "colocar pressão máxima [sobre as autoridades venezuelanas] para a cessação final da usurpação, a formação de um governo de transição e eleições livres e justas". No entanto, a oposição não especificou de que passos concretos se trata.

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o professor da Universidade Estatal de São Petersburgo e especialista em assuntos americanos, Lazar Jeifets, comentou os passos dados pela oposição e indicou qual pode ser seu objetivo principal.

"Um golpe de Estado anunciado com antecedência é, na verdade, uma coisa rara. Mas neste caso foi anunciada a data exata. Ou seja, se fala de algumas ações destrutivas bastante sérias que visam retirar o presidente Maduro do poder", declarou.


Entretanto, ele destacou que não se trata de ações a realizar apenas em Caracas, "mas também de ações por todo o país", adicionando que agora a questão mais importante é "quanto o poder seria capaz de se opor a essas ações, até que ponto ele seria capaz de mobilizar seus apoiadores".

Nessa conexão, o especialista sugeriu quais poderiam ser as ações dos apoiantes da oposição.

"Foi declarado um confronto em larga escala entre vários grupos de cidadãos da Venezuela, e em qualquer caso este confronto levará a graves consequências — a perdas materiais ou, o que seria pior, de vidas humanas. Pois uma coisa são manifestações de apoiadores da oposição e manifestações de apoiantes das autoridades, que não se enfrentam diretamente nas ruas". indicou.

"Mas, neste caso, até onde podemos julgar, estamos falando de ações em grande escala para 'substituir' o governo. Pois Guaidó se declarou o atual líder do país. E ele tem a tarefa — ou, digamos, a recebeu — de realizar novas eleições presidenciais, esta é a principal cobertura legal para todas as ações da oposição. E agora, aparentemente, estão sendo tomadas determinadas medidas para criar um sistema alternativo para organizar tais eleições", concluiu.

A Venezuela enfrenta uma profunda crise política desde que o líder da oposição do país, Juan Guaidó, se declarou presidente interino em 23 de janeiro. Os Estados Unidos e 54 outros países, incluindo o Brasil, reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela. Rússia, China, Cuba, Bolívia, Irã e Turquia, entre outros, continuam apoiando o governo de Maduro.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019032813572752-juan-guaido-oposicao-venezuela-tarefa/

Maduro: ataque a principal hidrelétrica da Venezuela foi efetuado por franco-atirador

Apagão em Caracas, Venezuela
© Sputnik / Eva Mari Uskategi

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que o ataque à maior hidrelétrica do país, El Guri, que provocou o segundo maior apagão em um mês, foi cometido por um franco-atirador.

Em entrevista à televisão estatal, o líder da República Bolivariana especificou quem poderia ter atacado a principal hidroelétrica do país, que deixou muitos estados sem energia elétrica

"O ataque foi, sem dúvida, feito por um franco-atirador com um rifle de longo alcance. Esta direita perversa e o fantoche diabólico estão por trás desse ataque; que nenhum dos venezuelanos tenha dúvidas sobre isso", declarou Maduro em entrevista à televisão estatal.

O chefe de Estado acrescentou que, nas próximas horas, espera "boas notícias" sobre a restauração do fornecimento de eletricidade no país, mais uma vez apelando aos cidadãos para permanecerem calmos nas circunstâncias atuais e não cederem ao pânico.

"Peço a todos os venezuelanos que mostrem o máximo de compreensão devido aos ataques terroristas que incendiaram uma área vital para o fornecimento do serviço elétrico", disse Maduro, ressaltando que os danos à hidrelétrica são classificados como "muito sérios".


Na segunda-feira (25), um novo apagão atingiu 16 dos 23 estados da Venezuela. A capital, Caracas, e outras regiões densamente povoadas também ficaram no escuro. O incidente ocorre cerca de duas semanas depois de o país ter enfrentado o pior apagão de sua história.

No dia 7 de março, a Venezuela sofreu um blecaute de quase uma semana, após um acidente na Hidrelétrica de Guri, a principal do país. Dois sistemas secundários e a linha central de transmissão também foram afetados pelo acidente, que foi classificado como "sabotagem norte-americana" pelo governo.

Como resultado, 20 dos 23 estados venezuelanos ficaram sem energia elétrica. O funcionamento de fábricas e instalações públicas em todo o país foi suspenso por quase uma semana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019032813571171-nicolas-maduro-apagao-hidroeletrica-franco-atirador-venezuela/

Rússia nega interferência na Venezuela: 'EUA acham que América Latina é seu quintal'

Presidente russo, Vladimir Putin, com seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro
© Sputnik / Aleksei Nikolsky

Especialistas russos estão na Venezuela como parte do acordo de cooperação técnico-militar de 2001 com Caracas, que não precisa de mais aprovação, informou o Kremlin após relatos da chegada de dois aviões militares com tropas e cargas.

A Rússia desenvolve suas relações com a Venezuela "em estrita conformidade com a Constituição deste país e no pleno respeito de sua legislação", declarou a representante oficial do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova.


O acordo existente foi ratificado tanto pela Rússia quanto pela Venezuela, e "não exige aprovação adicional da Assembleia Nacional da Venezuela", ressaltou.

Zakharova estava respondendo a um pedido da mídia para comentar sobre a suposta "intromissão" russa nos assuntos venezuelanos.

Na sequência de relatos de que dois aviões militares russos transportando cerca de 100 tropas e cargas desembarcando fora de Caracas no sábado, a Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou como "um ato prejudicial à soberania venezuelana", enquanto o Departamento de Estado dos EUA insistiu que era "uma escalada imprudente do situação" no país.

Um dos mais fortes defensores da mudança de regime na Venezuela, o conselheiro de Segurança dos EUA, John Bolton, também ficou indignado ao escrever no Twitter que: "os EUA não tolerarão forças militares estrangeiras hostis se intrometendo nos objetivos comuns de democracia, segurança e democracia do Hemisfério Ocidental, e o estado de direito."

Washington reconheceu o líder da oposição, Juan Guaidó, como o presidente legítimo da Venezuela e chegou a ponderar a chamada "intervenção humanitária" para remover o governo indesejado de Nicolás Maduro do poder.

Zakharova respondeu a Bolton dizendo que suas palavras provam que os EUA ainda consideram "a América Latina uma área de seus interesses exclusivos; seu próprio 'quintal' e exige obediência inquestionável" como era nos tempos coloniais sob a Doutrina Monroe.


A Doutrina Monroe, nomeada em homenagem ao presidente dos Estados Unidos James Monroe, era uma política de oposição ao colonialismo europeu no hemisfério ocidental a partir de 1823, com Washington essencialmente reivindicando a administração das Américas. Ao mesmo tempo, a doutrina afirmava que os EUA não interfeririam nos assuntos internos dos países europeus.

Se os americanos negam a outros países o acesso ao Hemisfério Ocidental, ele levanta a questão "o que eles estão fazendo no Hemisfério Oriental?", questionou a oficial russa, referindo-se à forte presença militar dos EUA na Europa e seu envolvimento em "revoluções coloridas" nos Estados da antiga União Soviética e nos Balcãs.

"Talvez, eles acreditem que as pessoas desta parte do mundo ficarão agradecidas quando Washington mudar seus líderes intencionalmente e matar os indesejados. Ou os EUA ainda acreditam que as pessoas estão esperando que os americanos lhes tragam a democracia nas asas de seus bombardeiros. Pergunte aos iraquianos, líbios ou sérvios sobre isso", afirmou a representante do Ministério de Relações Exteriores russo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019032713567966-russia-interferencia-venezuela/

Uma centena de militares russos na Venezuela

Um Ilyushin IL-62 e um Antonov AN-124 do Exército russo chegaram, em 23 de Março de 2019, ao aeroporto Simon Bolivar de Caracas, transportando, respectivamente, cem soldados e 35 toneladas de material.

Os aviões eram provenientes do aeroporto militar russo Chkalovsky (Moscovo) e fizeram uma escala na base militar russa de Hmeimim (Latáquia) na Síria.

Segundo a Reuters, a delegação russa é comandada pelo Chefe do Estado-Maior do Exército terrestre, o General Vasily Tonkoshkurov.

Em Dezembro de 2018, a Rússia tinha enviado dois bombardeiros para uma escala na Venezuela.

A presença militar russa na Venezuela está em correspondência com os esforços dos EUA para montar um exército sul-americano contra este país.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Venezuela denuncia mais um 'ataque de magnitude' contra rede elétrica

Consequências de apagão na Venezuela (foto de arquivo)
© AP Photo / Natacha Pisarenko

O ministro da Comunicação e Informação da Venezuela, Jorge Rodríguez, denunciou mais um "ataque de magnitude" contra a rede elétrica nacional.

"Logo do ataque do meio dia desta segunda-feira [25], contra o Sistema Elétrico Nacional, quando conseguimos recuperar grande quantidade da carga, às 9h50 [às 10h50 em Brasília], ocorreu outro ataque de magnitude no território dos autotransformadores de Guri", afirmou Rodríguez na conta do ministério no Twitter.


Uma mulher caminha em frente a postes de eletricidade em Caracas, Venezuela (Arquivo)
© AFP 2019 / LEO RAMIREZ

O ministro indicou que estão sendo tomadas medidas para recuperar o fornecimento e insistiu que a população mantenha calma. 

"Todas as equipes nacionais […] estão trabalhando arduamente para recuperar e, assim, vencer esta guerra elétrica contra o povo. Queremos pedir ao povo venezuelano para que mantenha calma e a força que temos demonstrado esses dias, porque vamos conseguir vencer esta guerra elétrica. Estes ataques resultarão em uma maior proteção do nosso Sistema Elétrico Nacional", assegurou. 

Em meio ao "ataque", o governo venezuelano decidiu dar dia de folga a trabalhadores e estudantes, lê-se na conta oficial do governo no Twitter.

Anteriormente, surgiu notícia de que, nesta segunda-feira (26), um novo apagão massivo atingiu 16 dos 23 estados da Venezuela. Posteriormente, asautoridades afirmaram que conseguiram reestabelecer o fornecimento da energia elétrica quase em todo o território venezuelano.


No dia 7 de março, a Venezuela sofreu um blecaute de quase uma semana, após um acidente na Hidrelétrica de Guri, a principal do país. Dois sistemas secundários e a linha central de transmissão também firam afetados pelo acidente, que foi classificado como "sabotagem norte-americana" pelo governo.

Como resultado, 20 dos 23 estados venezuelanos ficaram sem energia elétrica. O funcionamento de fábricas e instalações públicas em todo o país foi suspenso por quase uma semana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019032613560100-venezuela-apagao-blackout-ataque-magnitude-eletricidade/

Braço-direito de Guaidó detido em desmantelamento de célula terrorista

Roberto Marrero, número dois do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, foi detido pelas forças de segurança do país, sendo acusado de planear uma série de ataques armados.

Imagens divulgadas pelo Ministério do Interior no TwitterCréditosMIJPVenezuela / twitter

A detenção de Roberto Marrero ocorreu na madrugada da quinta-feira passada, na sequência das acções desenvolvidas pelos serviços secretos venezuelanos, que desmantelaram uma célula terrorista responsável pelo planeamento de vários ataques armados.

Em declarações aos jornalistas, o ministro venezuelano do Interior, Justiça e Paz, Néstor Reverol, relatou que os serviço de inteligência obteram provas significativas do envolvimento de Roberto Marrero, chefe de gabinete de Juan Guaidó, com uma «célula terrorista» que planeava realizar «uma série de ataques selectivos».

O ministro do Interior venezuelano realçou que as agências de informações, com o Ministério Público, encontraram provas que evidenciam o braço-direito de Juan Guaidó como responsável directo da rede de elementos terroristas armados.

Segundo Néstor Reverol, a organização criminosa contratou «mercenários da Colômbia e da América Central», com o objectivo de realizar atentados contra líderes políticos, militares e magistrados do Tribunal Supremo de Justiça, assim como actos de sabotagem contra serviços e infraestruturas públicas com vista a semear o caos entre a população.

Durante a operação, os oficiais venezuelanos encontraram várias «armas de guerra e dinheiro em moeda estrangeira» que seria usado pelo grupo. Informam ainda que este é muito «maior» mas que estão «plenamente identificados» os restantes elementos, decorrendo de momento buscas pelas forças de segurança.

Estados Unidos e grupo de Lima retaliam

Na sequência da detenção do cabecinha, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou esta sexta-feira, em resposta ao suposto «sequestro», mais sanções económicas contra vários bancos venezuelanos.

Através do Twitter, o conhecido falcão de guerra e assessor de segurança da Casa Branca, John Bolton, afirmou que as sanções têm um objectivo claro, estrangular ainda mais o sistema financeiro venezuelano e «afectar gravemente» as tentativas de pagamentos e compra de bens por parte da Venezuela nos mercados internacionais

Por sua vez, o grupo de Lima, que integra vários países latino-americanos alinhados com o Washington, emitiu um comunicado a condenar a suposta «detenção ilegal». Em resposta, o governo Venezuelano voltou a acusar o Chile e a Colômbia de «ingerência» e de estarem abertamente a intervir nos seus assuntos internos.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/braco-direito-de-guaido-detido-em-desmantelamento-de-celula-terrorista

EUA adotam sanções contra banco estatal venezuelano

Edifício do Departamento do Tesouro dos EUA, em Washington, 24 de janeiro de 2017
© AFP 2019 / Paul J. Richards

O governo dos EUA aplicou sanções contra Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela (Bandes) e suas subsidiárias, informou o Departamento do Tesouro dos EUA em um comunicado.

"Hoje [22 de março] o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro Nacional designou o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela, ou Bandes, em conformidade com [a ordem executiva] 13850, conforme corrigido, por operar no setor financeiro da economia venezuelana, bem como outras quatro instituições financeiras de posse ou controladas por Bandes", informou o comunicado.


O comunicado acrescenta que a medida é adotada em resposta à prisão do chefe do gabinete do chefe do Parlamento venezuelano Juan Guaidó, Roberto Marrero, realizada em 21 de março pelo governo de Nicolás Maduro.

Guaidó proclamou-se presidente encarregado da Venezuela em janeiro, e desde então os Estados Unidos o reconheceram como o líder legítimo do país sul-americano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019032213543157-eua-sancoes-banco-desenvolvimento-venezuela/

Trump cogita 'uso da força' e Rússia e China não devem interferir na Venezuela, diz Bolton

John Bolton, consejero de Seguridad Nacional de EEUU
© AP Photo / Cliff Owen

O presidente dos EUA, Donald Trump, não está brincando quando diz que "todas as opções" para derrubar o líder venezuelano Nicolás Maduro estão abertas, garantiu o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, enquanto Caracas acusa um aliado do presidente autoproclamado Juan Guaidó de comandar uma célula terrorista.

"O próprio presidente Trump tem sido claro neste ponto em várias ocasiões, quando diz que todas as opções estão na mesa. Eu acho que as pessoas precisam entender e acreditar nisso. Ele fala muito sério sobre isso", disse Bolton ao site direitista Breitbart.


Apesar de se recusar a confirmar ou negar explicitamente se os EUA estão dispostos a armar a oposição ou está pensando em uma invasão total do país, Bolton realmente enfatizou que os EUA não têm "maior tarefa internacional" do que proteger até 50.000 americanos que vivem em uma Venezuela de "violência e intimidação".

Uma preocupação semelhante envolvendo cerca de 800 estudantes norte-americanos na Escola de Medicina da Universidade St. George, administrada pelos Estados Unidos em Granada, foi usada como desculpa para invadir a nação insular em 1983, para expulsar o governo esquerdista do país. O pequeno paraíso tropical está localizado a apenas 160 km ao norte da Venezuela.

Referindo-se novamente à notória Doutrina Monroe, Bolton basicamente admitiu os planos dos EUA de impor sua hegemonia à Venezuela e impedir que a Rússia e a China tentassem ajudar Caracas a superar sua crise econômica — que o governo socialista sustenta ter sido causada pelas sanções dos Estados Unidos, em um esforço global liderado por Washington para isolar o país financeiramente e politicamente.


O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro,
© Foto : Paola de Orte/Agência Brasil

"Nosso objetivo é garantir que essas influências estrangeiras não estejam controlando a Venezuela e afetando negativamente os Estados Unidos e nossos interesses em nosso hemisfério", declarou. "Então, estamos falando aqui sobre arrancar o controle de uma autocracia socialista e manter viva a Doutrina Monroe no Hemisfério Ocidental para que poderes fora do hemisfério não ditem o que acontece aqui".

Maduro cometeu outro "grande erro" ao prender Roberto Marrero, o assessor do autoproclamado presidente "interino" Juan Guaidó, afirmou Bolton na quinta-feira, ameaçando que a medida "não ficará sem resposta".

As forças de segurança venezuelanas disseram que pegaram Marrero em flagrante e acusaram-no de ser "diretamente responsável pela organização de grupos criminosos" e de conspirar para realizar ataques terroristas contra a população e altos funcionários do governo.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019032213542859-trump-intervencao-venezuela/

Eduardo Bolsonaro defende 'uso da força' contra Maduro

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro,
© Foto : Paola de Orte/Agência Brasil

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, declarou nesta sexta-feira (22) que "de alguma maneira" será necessário o uso da força contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

“Ninguém quer uma guerra, a guerra é ruim, se perde muitas vidas, há efeitos colaterais, mas Maduro não vai sair do poder de maneira pacífica”, disse Eduardo ao jornal La Tercera, do Chile, durante a visita oficial de Jair Bolsonaro ao país.


“De alguma maneira, em alguma medida, em algum momento, será necessário o uso da força, porque Maduro é um criminoso”, acrecentou o deputado. 

O filho do presidente Jair Bolsonaro também repetiu as palavras do presidente norte-americano Donald Trump ao se referir à situação da Venezuela, declarando que "todas as opções estão na mesa".

Eduardo Bolsonaro atua também como presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e tem exercido forte influência na política externa brasileira do novo governo. 

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https://br.sputniknews.com/brasil/2019032213541287-bolsonaro-chile-venezuela-maduro/

EUA avisam sobre 'consequências' após Venezuela prender assessor de Guaidó

Juan Guaidó, opositor venezuelano
© REUTERS / Luisa Gonzalez

Os Estados Unidos alertaram nesta quinta-feira (21) sobre as "consequências" contra os serviços de segurança do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, caso eles continuem com a repressão contra o líder da oposição Juan Guaidó e seus assessores

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA pediu a libertação do chefe de gabinete de Guaidó, Robert Marrero, que foi preso em uma operação realizada de madrugada. 

"As detenções mostram que Maduro está apostando na repressão para manter o poder. Isso não funcionará", disse o porta-voz. "Haverá consequências para uma repressão continuada."


O porta-voz disse que as prisões foram facilitadas pela juíza venezuelana Carol Padilla, os promotores Farid Mora Salcedo e Dinora Bustamante, e os funcionários do serviço de inteligência Danny Contreras e Angel Flores, acrescentando que os Estados Unidos e os parceiros regionais estão considerando os próximos passos.

Guaidó disse que "não será intimidado". 

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https://br.sputniknews.com/americas/2019032113538658-eua-consequencias-venezuela-guaido/

Banco americano Citigroup planeja vender ouro venezuelano em outro golpe contra Maduro

Barras de ouro
© Sputnik / Vitaliy Bezrukih

O banco Citigroup planeja vender várias toneladas de ouro dadas como garantia pelo Banco Central da Venezuela após Caracas não ter cumprido o prazo de pagamento de uma parcela do empréstimo, informou a Reuters.

Segundo o acordo de financiamento de 2015 entre o grupo financeiro americano Citibank, sediado em Nova York, e a Venezuela, se Caracas não tem dinheiro para pagar a dívida, uma parte de suas reservas de ouro é convertida em dinheiro; Caracas deveria pagar 1,1 bilhão de dólares do empréstimo em 11 de março de 2019 e o resto no próximo ano.

De acordo com fontes da agência Reuters, o banco americano vai vender parte do ouro da garantia no valor de 1,36 bilhões de dólares para recuperar a primeira parcela do empréstimo.

Além disso, o Citibank depositará o excesso de cerca de 258 milhões de dólares em uma conta bancária em Nova York que ficará fora do alcance do presidente Nicolás Maduro, afirmaram fontes.

"Foi dito ao Citibank que houve um evento de força maior na Venezuela, de modo que era necessário um período de carência, mas eles não o concederam", disse à Reuters uma das fontes, que pertence à equipe de Juan Guaidó.

Uma fonte no governo venezuelano adiantou à Reuters que o Banco Central venezuelano não transferiu o dinheiro ao Citibank neste mês. Nem o Citigroup nem o Banco Central da Venezuela ainda comentaram a informação.

A Reuters informou que essa situação representa mais um golpe contra o governo de Maduro e para a situação do país em geral, agravada pelas sanções impostas pelos EUA.

A tensão política na Venezuela aumentou desde que, em 23 de janeiro, o opositotor Juan Guaidó se declarou presidente interino do país.

Os EUA e vários países da Europa e América Latina, inclusive o Brasil, reconheceram Guaidó como chefe de Estado interino do país, enquanto a Rússia, China e muitos outros países manifestaram apoio a Maduro como presidente legítimo do país e exigiram que seja respeitado o princípio de não interferência nos assuntos internos do país latino-americano.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019032113532487-citigroup-planeja-vender-ouro-venezuelano-maduro/

DAS PALAVRAS AOS ACTOS

DAS PALAVRAS AOS ACTOS

1- Na Europa que continua a ser constante prova de ambiguidade, de cinismo e de hipocrisia, na Europa partícipe de ingerência e manipulação nos continentes a sul, na Europa que não reconhece sequer sua velada participação nas práticas de conspiração que tanto caos, terrorismo e desagregação têm disseminado nos Balcãs, no Cáucaso, no Médio Oriente Alargado e em África, particularmente  desde o início da década de noventa do século XX, na Europa cuja visão é a visão exclusivista de suas oligarquias económicas e financeiras, o multilateralismo é uma opção de dois pesos e duas medidas, sem coerência a não ser a identificada com os interesses que “democraticamente” se assumem sobre a cabeça dos povos!
O poder do mercado neoliberal usa os conceitos e as palavras nessa visão antropocêntrica que corresponde aos interesses exclusivistas das escalonadas oligarquias e das elites afins e, quando se estabelecem “parcerias” a sul, esbatem-se as prementes necessidades sejam elas quais forem, mas em particular as da solidariedade e justiça social reitoras do ambiente de paz social com que toda a humanidade se deveria reger, pondo em causa os equilíbrios em direcção aos quais é premente um constante impulso, a fim de melhor distribuir a riqueza e a fim de se alcançar maior felicidade e bem-estar para todos os povos da Terra.
O deus-mercado é uma barbaridade nesse sentido, mas os poderosos escolhem e medem bem as palavras e conceitos de sua própria conveniência para o mascarar, sabendo que os media de que são donos são-lhes de feição “global”, pelo que aqueles que possuem consciência crítica e estão mobilizados numa lógica com sentido de vida, devem-se obrigar sempre em contínuas radiografias sobre o estado dos relacionamentos internacionais em época de globalização, a medir a distância (e a coerência) entre o que está sobre a mesa: os conceitos, as palavras e os actos.
2- Vem esta introdução a propósito da longa entrevista que o presidente português deu ao Jornal de Angola, segundo a publicação de 6 de Março e sob o título “Relações seguem uma linha contínua que não vai parar para o futuro”, em particular no que diz respeito à interpretação e prática de multilateralismo e num momento em que se podem comparar as posições do estado português em relação aos países a sul, mais concretamente no que diz respeito a Angola e à Venezuela, com pano de fundo no Brasil e na CPLP.
O presidente português diz que há “convergência nos domínios do multilateralismo, valorização do direito internacional, dos direitos humanos, do papel das organizações internacionais, da importância das migrações, papel dos oceanos, da atenção às alterações climáticas”…
Os conceitos e as palavras que exprimiu, devem ser confrontadas com as práticas dum país que é fundador e activo participante da NATO, organização militar e de inteligência supranacional e desde a sua fundação sob comando do Pentágono, que agora se distende entre o Afeganistão e a Colômbia com todo o sul à mercê!
De facto Portugal tem obrigações perante a União Europeia da qual faz parte a partir do que passou a ser estimulado pelas suas oligarquia e elite nacional desde o 25 de Novembro de 1975 e tem obrigações perante a NATO transatlântica, no quadro da qual assume, além do mais, o asseguramento do seu próprio espaço marítimo e insular.
Essas obrigações estão por dentro das “filtragens” que faz nos seus relacionamentos a sul e por causa delas, expõe a graus de geometria variável em termos de ambiguidade, de cinismo e de hipocrisia, em especial quando elas obrigam a adoptar dois pesos e duas medidas conforme se demonstra comparativamente face à Venezuela e a Angola, por razões que se devem inventariar.
Quer na Venezuela, quer em Angola, há migrações portuguesas e luso-descendentes a ter em conta e, quando há radicalização dos processos políticos em resultado duma globalização tão inquinada como a posta em prática pelo poder que os Estados Unidos exercem particularmente sobre a NATO e seu sistema tentacular de vassalagens com correias de transmissão, as posições do regime da oligarquia portuguesa tendem a corresponder não levando em consideração os cuidados de respeito e solidariedade que deveriam garantir um relacionamento mais saudável com suas próprias comunidades migrantes e luso-descendentes, por tabela com os estados onde eles se situam, por via duma não ingerência garante de busca de consensos, de diálogo, de paz e de aprofundamento da democracia.
Isso acontece apesar de a nível internacional haver exemplos de não ingerência e rejeição de qualquer tipo de manipulação, como acontece com o México…
Ao invés disso, em consonância com os procedimentos históricos e antropológicos que se arrastam desde o passado, o regime oligárquico de Lisboa assume de facto e de forma contínua a defesa das oligarquias, a sua, aquelas que são parte integrante das opções que respondem à hegemonia unipolar contra os interesses e aspirações legítimas do povo bolivariano e em Angola a favor dum projecto de oligarquia que entendem estar em construção, conforme aos seus preceitos de “inteligência económica” que começam no “carácter modelar” dos tentáculos bancários que trouxeram para a latitude de Luanda sobretudo após Bicesse e 2002… que são parte da raiz dos problemas de corrupção que os angolanos estoicamente enfrentam, ainda que a maior parte deles não o reconheçam!...
3- O regime oligárquico de Lisboa começou por alinhar no reconhecimento do deputado Juan Guaidó como “presidente interino” da Venezuela no seguimento de sua auto proclamação instigada pela administração do presidente estado-unidense Donald Trump, alinhou em seguida no ultimato da União Europeia à Venezuela Bolivariana, que a obrigava a eleições segundo seu próprio “timing” e compulsivo critério, depois perante o espectro duma guerra de consequências tanto ou mais devastadoras da que ainda continua no Médio Oriente Alargado, recua em intimidade com o grupo de Lima mas sem baixar a pressão que caracteriza a estafa de sua ingerência em termos de inteligência, para a não-aceitação ambígua duma agressão militar… tudo isso em nome da democracia e pelos vistos do “multilateralismo” que vigora nas suas interesseiras cabeças, ao nível do que “promove” a Organização Não Governamental CANVAS, onde pelos vistos também aprendeu!...
Ao mesmo tempo, com a candura liberal que lhe é sob o ponto de vista sociopolítico “geneticamente” peculiar, a figura presidencial desse regime vem a Angola em pleno carnaval, dando previamente uma entrevista prévia ao Jornal de Angola cujo sentido geral e institucional é, com toda a ambiguidade dum aparentemente escrupuloso exercício, no sentido oposto, até nas apreciações emocionais que faz, não podendo contudo esconder os dois pesos e as duas medidas que na prática assume entre as palavras e os actos, ainda que face a dois países que em comum contam com uma expressiva comunidade portuguesa migrante e expressiva quantidade de luso-descendentes.
4- Perante esse tipo de evidências, entendo eu que em época de tão inquinada globalização neoliberal, ao assumir-se a advocacia dos povos do sul e tendo em conta o longo percurso do movimento de libertação nos dois lados do Atlântico Sul, essa ambiguidade cosmopolita deve ser colocado sob a mira de nossos olhos, por que pela sua natureza não deixa de ser a continuidade dum plasmado processo de há vários séculos a esta parte, desde quando sob o cândido rótulo da dilatação da fé e do império, afinal de facto se enveredava, em nome da “ocidental civilização” e em África, por uma cultura escravocrata e colonial, cujas consequências em muitas regiões, em especial onde a situação insular além do mais implica isolamento físico e geográfico, se fazem ainda sentir penosamente em múltiplos e traumáticos rescaldos até aos nossos dias.
É evidente que o “deus do mercado neoliberal” se preocupa, evocando a malabarística perfídia do “Fim da história”conforme Francis Fukuyama, não só em apagar todas pistas que puder, mas também na lavagem cerebral das multidões contemporâneas, em função dos interesses e conveniências da aristocracia financeira mundial e de suas agenciadas oligarquias e elites.
A legítima afirmação histórica e antropológica a que nos obriga o sul, não pode deixar passar em branco a lástima em relação àqueles que, investidos de poder representativo, em nome da democracia, não podem resistir à erosão, quando há dois pesos e duas medidas, ou seja tanta disparidade e incongruência entre suas próprias palavras e os seus actos!
Martinho Júnior - Luanda, 7 de Março de 2019
Imagem: presidente algum deveria ser malabarista…

 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/03/das-palavras-aos-actos.html

Napoleão I coroou-se, Guaidó I autoproclamou-se

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A 2 de dezembro de 1804 na catedral de Notre-Dame, Napoleão I retirou a coroa das mãos do Papa Pio VII, que viajara especialmente para a cerimónia, e ele mesmo se coroou. A 15 de outubro de 1815 foi preso e degredado pelos britânicos para a ilha de Santa Helena.
Juan Guaidó I, no dia 23 de janeiro de 2019 autoproclamou-se Presidente da Venezuela...
ESTAS VAIDADES NUNCA DERAM BONS RESULTADOS, QUE O DIGA TAMBÉM PIER GERLOFS DONIA em 1515

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Maduro pede renúncia do Governo para realizar reestruturação profunda

Nicolás Maduro, presidente da República Bolivariana da Venezuela, durante um discurso em Caracas (arquivo)
© REUTERS / Manaure Quintero

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu aos ministros para renunciarem aos seus cargos a fim de realizar uma profunda reestruturação do Governo, informou a vice-presidente Delcy Rodríguez.

"O presidente Nicolás Maduro pediu a todo o Gabinete Executivo para colocar seus cargos à disposição a fim de uma profunda reestruturação dos métodos e funcionamento do governo bolivariano, para proteger a Pátria de Bolívar e Chávez perante qualquer ameaça", escreveu Rodríguez na rede social Twitter

No passado dia 15 de março o presidente da república anunciou nas emissoras de rádio e televisão que iria realizar alterações no seu Governo nos próximos dias para aprofundar a aproximação das autoridades aos cidadãos.

"Anunciarei muito em breve novas e importantes alterações nos métodos de funcionamento do governo e tudo que é o Governo nacional, porque consigo perceber os sinais históricos, entendo que necessitamos de tornar mais estreito o governo da rua, o governo popular, governo mais profundo, o governo que caminha junto com o povo, governo que presta atenção ao serviço elétrico, ao serviço de saúde e serviço de educação".

Ele também pediu aos ministros, governadores e prefeitos que saiam às ruas para cumprir seu dever nas respectivas áreas, informando também que irá tornar mais estreita a união cívico-militar no país.


As redes elétricas venezuelanas sofreram um colapso no dia 7 de março após uma avaria na planta hidrelétrica de Guri, que é responsável por 80% de toda energia produzida em Venezuela, como consequência de um ataque informático ao sistema de controle automatizado na central. O apagão afetou 23 estados do país.

O presidente Nicolás Maduro acusou o imperialismo dos EUA de anunciar e conduzir uma guerra no setor elétrico contra a Venezuela.

Segundo declarações do ministro da Informação, Jorge Rodríguez, Washington sabia de antemão o que deveria acontecer com o sistema elétrico venezuelano, isso confirma a rapidez da reação nas redes do Secretário do Estado, Mike Pompeo, e do senador Marco Rubio.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019031813512440-governo-reestruturacao-venezuela-maduro/

Venezuela redireciona exportações de petróleo dos EUA para a Ásia

Poço de petróleo na Venezuela (foto de arquivo)
© AP Photo / Fernando Llano

A Venezuela conseguiu redirecionar as exportações de petróleo dos Estados Unidos para a Ásia e, assim, manter as vendas para o exterior acima de 1 milhão de barris por dia, segundo informou o ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, neste domingo.

"Temos observado uma redução nas exportações no Irã e na Venezuela… A Venezuela conseguiu, a partir dos dados que eu vi, manter as exportações de sua produção acima de um milhão de barris por dia. Há um redirecionamento de algumas de suas exportações, alguns desses barris estão indo para a Ásia em vez de irem para a Costa Oeste dos EUA. O mercado continua abastecido com barris venezuelanos", disse o ministro da Arábia Saudita, Estado que faz parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), junto com a Venezuela.


Comentando sobre o atual excesso de oferta, Falih disse que essa situação deve permanecer por mais algum tempo, pelo menos "para o resto do ano". Assim, segundo ele, é preciso que os países participantes do acordo de corte de produção de petróleo, tanto os membros como os não membros da OPEP, permaneçam cumprindo os seus compromissos.

"Minha avaliação é que o trabalho ainda está à nossa frente, não estamos nem um pouco completos em termos de restauração de fundamentos, ainda estamos vendo estoques na OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], certamente os EUA continuam significativamente acima dos níveis normais", afirmou em uma conferência de imprensa após reunião do Comitê Técnico Conjunto.

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https://br.sputniknews.com/economia/2019031713509615-producao-petrolifera-venezuelana/

Enviado especial dos EUA à Venezuela reconhece que Guaidó 'não está no poder'

Opositor venezuelano, Juan Guaidó
© AFP 2018 / Yuri Cortez

Em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (15) Elliott Abrams, enviado especial dos EUA à Venezuela, afirmou que os EUA veem o líder da oposição Juan Guaidó como o presidente, mas admitem que ele não tem poder real porque o presidente Nicolás Maduro não renunciou.

Abrams se referiu aos acontecimentos de 23 de janeiro, quando Guaidó foi declarado "presidente interino" pela Assembleia Nacional da Venezuela, de acordo com o artigo 233 da Constituição do país, que limita a autoridade do presidente interino a 30 dias.

Explicando o artigo sob o qual Guaidó se declarou presidente interino e que expirou no mês passado, Abrams citou a resolução da Assembleia Nacional que "afirma que esse período de 30 dias de presidência interina não começará a decorrer nem a contar até o dia em que Nicolás Maduro deixar o poder". "Portanto, os 30 dias não começam agora, começam depois de Maduro", adicionou ele.


"Nós consideramos a Assembleia Nacional como a única instituição democrática legítima que resta na Venezuela, e sua interpretação da Constituição, como você sabe, é que a partir da data do fim deste suposto mandato de Maduro, a presidência está vaga", disse Abrams.

Quando ele foi perguntado se Guaidó poderia ser considerado "o presidente interino de um período interino que ainda não existe", Abrams disse que o final dos 30 dias da presidência interina de Guaidó começa a contar e que o problema é que "ele não está no poder".

"Então eles decidiram que vão contar isso a partir de quando ele realmente estiver no poder e Maduro tiver ido embora. Eu acho que é lógico. Ele [Guaidó] é presidente interino, mas não é capaz de exercer os poderes do cargo porque Maduro ainda está lá", apontou Abrams.


Depois de ter sido solicitado a esclarecer a "interpretação" da Assembleia Nacional, Abrams reiterou que a Constituição da Venezuela "exige um período interino de 30 dias, mas esses 30 dias não devem ser contados enquanto Maduro ainda estiver lá exercendo os poderes de seu antigo cargo".

Guaidó se autoproclamou chefe de Estado interino da República Bolivariana em 23 de janeiro deste ano, sendo imediatamente reconhecido como tal pelos EUA e depois por vários outros países, incluindo o Brasil. No entanto, apesar da pressão internacional, Maduro, reconhecido pela China, Rússia, Cuba, Bolívia e outros países, tem conseguido se manter no poder com apoio da maior parte da população venezuelana e também das Forças Armadas.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019031613504574-enviado-especial-eua-venezuela-reconhece-guaido-poder/

Maduro afirma que ataques a sistema elétrico da Venezuela continuam

Manifestante com a bandeira venezuelana
© REUTERS / Carlos Garcia Rawlins

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os ataques ao sistema elétrico nacional continuam após o apagão do passado 7 de março.

"Os ataques continuaram e a operação militar Ana Karina Rote é para consolidar a vitória elétrica e para terminar de limpar de ataques fascistas o sistema elétrico para o nosso povo", declarou o chefe de Estado a uma rede de rádio e televisão.

Maduro realizou uma videoconferência com o alto comando militar e os representantes das Zonas de Defesa Integral de todo o país no Palácio de Miraflores (sede da Presidência da Venezuela).

"Na madrugada nos deram um ataque brutal no ocidente do país, nos defendemos respondemos e reconectamos aí mesmo em Zulia (oeste), Táchira (oeste), Mérida (oeste), Trujillo (oeste), estão nos atacando permanentemente, mas nós já temos capacidade de defesa", afirmou.


O presidente indicou que o seu país enfrentou "uma prova extrema" com o apagão nacional, em que a população demonstrou a sua organização. No entanto, Maduro destacou que as organizações comunais e os que distribuem os alimentos devem cooperar com os militares.

Além disso, Maduro alertou que pessoas pagas em dólares estão instaladas em zonas populares para gerar violência e caos nas ruas. Ele pediu aos grupos próximos ao Partido Socialista Unido da Venezuela a se manterem em alerta.

O presidente assinalou também que o objetivo dos exercícios militares que se realizarão no fim de semana é posicionar todas as forças civis e militares para assegurar o sistema elétrico nacional, assim como o fornecimento de água.


O colapso energético na Venezuela ocorreu no dia 7 de março após um acidente na Hidrelétrica de Guri, responsável pelo fornecimento de 80% da energia ao país, como resultado de um ataque cibernético ao sistema de controle da usina, segundo o governo. O apagão durou até quarta-feira (13), atingindo 23 estados do país.

Maduro responsabilizou os EUA pela guerra energética contra a Venezuela. Washington, por sua vez, negou qualquer tipo de participação. A Corpoelec, a companhia elétrica estatal venezuelana, considerou o incidente de "sabotagem" e episódio da guerra energética contra o país.

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Guaidó e os mastins

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“O títere Guaidó já está na Venezuela / Não foi detido”
Sem honras nem protocolos, Guaidó chegou à Venezuela às 12.22 esta segunda-feira no voo da ‘aerolínea Copa’ procedente do Panamá.
No aeroporto era aguardado por uma matilha de mastins que representavam os governos da Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Países Baixos, Portugal e Roménia; que lhe ofereceram um “cerco diplomático”.
Após breves palavras subiu para o carro que em caravana seguiu para Caracas, sem qualquer problema.
Portugal, sem o mínimo pudor, continua a servir de beleguim ao Imperador. O PS, na pessoa do seu ministro Augusto S. S. atenuou o discurso, mas contínua rasteiro.

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Uma intervenção militar não pode derrubar o governo venezuelano

Enquanto vários Estados latino-americanos e as Forças Especiais dos EUA parecem preparar-se para atacar a Venezuela, Valentin Vasilescu examina a relação de forças e a topografia. Segundo ele, nenhuma forma de invasão pode vencer este vasto país defendido por uma selva, muito mais vasta do que a do Vietname. Qualquer intervenção só pode ter como fim desestabilizar o país, não derrubar o seu governo.

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Cenário da guerra sul-americana

A invasão estrangeira da Venezuela apenas é possível através do Brasil, da Colômbia e da Guiana, três Estados vizinhos da Venezuela. Teoricamente, há, pelo menos, três eixos de invasão.

- Uma invasão por Estados sul-americanos deve começar pela conquista de superioridade aérea sobre a Venezuela. Mas a maior parte dos objectivos político-militares da Venezuela estão fora do alcance da aviação brasileira, composta de F-5, A-4, de AMX-1A e dos A-29 Tucanos.

A Colômbia tem aviões Kfir, A-37 e A-29 Tucano que não têm nenhuma chance perante os sistemas anti-aéreos Buk-M2, S-125, S-300 e os aparelhos venezuelanos F-16 e Su-30 da Venezuela. O mesmo se passa com os aviões brasileiros face à defesa anti-aérea de médio e longo alcance e face à aviação venezuelana.

Por causa do seu limite de vôo de baixa altitude, os aviões turbo-propulsados A-29 Tucano evoluem constantemente ao alcance dos 5. 000 mísseis anti-aéreos portáteis venezuelanos SA-24 (Igla-S). Os F-5, A-4, AMX-1A, Kfir e A-37 não dispõem de armas guiadas de precisão e atacam a altitudes de 2.000 a 3.000 m, o que os torna vulneráveis aos mesmos mísseis portáteis SA-24 (Igla-S).

- Uma invasão terrestre a partir da Guiana é improvável. Este pequeno país não tem os meios, nem a capacidade física: não há estrada através do rio e delta do Orinoco, nem sequer a possibilidade de mover tanques através da selva.

O Brasil é o menos susceptível de conseguir êxito. Porque antes de entrar em contacto com as principais forças venezuelanas, o Exército brasileiro deve também percorrer 500 quilómetros na selva.

A seguir, o rio Orinoco é um obstáculo muito difícil para os brasileiros que não dispõem de pontes móveis nem de outros equipamentos de engenharia. Além disso, para a defesa anti-aérea das tropas terrestres, o Brasil e a Colômbia dispõem apenas de mísseis portáteis com um limite de 5.000 m, ao mesmo tempo que os Su-30 venezuelanos lançam bombas guiadas a laser KAB-500 e KAB-1500 ou mísseis Kh-29 a uma altitude de 10.000 m

O mais provável eixo para a ofensiva é a Colômbia. No entanto, o relevo não favorece a ofensiva colombiana, a direcção da ofensiva é obstada pelo Lago Maracaibo. Ele tem que ser contornado para leste e seguindo um corredor de 15 a 20 km, facilmente defensável pelo Exército venezuelano.

A melhor opção consistiria em abrir uma via de desvio com uma força de base aérea colombiana equivalente a uma brigada, e de a lançar de pára-quedas pelo sudeste pela Cordilheira dos Andes. Mas esta opção é igualmente impossível porque a Colômbia só possui 5 C-130 e 8 C-295, com os quais apenas 2 ou 3 companhias de infantaria podem lançadas de pára-quedas.

A Colômbia possui igualmente uma força de combate muito inferior à da Venezuela já que ela se apoia numa infantaria com blindados ligeiros; além disso, ela não dispõe de carros de combate, a sua artilharia está dispersa e depende de reboques por camiões (caminhões-br). A título de comparação, a Venezuela dispõe de veículos de artilharia auto-propulsada 2S19 Msta, de carros de combate BM-30 Smerch, de BM-21 Grad, de LAR e de T-72s.

- Uma expedição marítima brasileira da 1ª Brigada de Infantaria de Marinha a bordo de porta-helicópteros e de navios de desembarque pode complicar a situação dos defensores da Venezuela. A Venezuela pode atacar o grupo de navios de desembarque numa extensão de 100 a 200 km de costa com mísseis anti-navio Kh-31A1 e Kh-59ME lançados por Su-30.

O cenário de uma invasão norte-americana

Só uma invasão militar dos EUA pode derrubar Nicolas Maduro, tal como foi o caso no Iraque e na Líbia. Mas no entretanto, a Rússia mudou de política externa e demonstrou na Síria que era capaz de defender os seus aliados.

Devido a interesses económicos elevados na Venezuela, a Rússia e a China, mesmo se não enviarão tropas, irão fornecer-lhe tipos de armas de alto nível e de grande raio de acção para impedir uma invasão dos EUA.

Os Estados Unidos são a maior potência naval do mundo e possuem 2 corpos de infantaria naval. É por isso que o principal eixo ofensivo poderia ser aberto por um desembarque norte-americano.

O naufrágio de 1 a 2 porta-aviões e de vários navios anfíbios de desembarque dos EUA significa a impossibilidade de obter a supremacia aérea e hipóteses reduzidas de criar uma cabeça de ponte da infantaria naval na costa venezuelana.

Este objectivo é facilmente atingido com o míssil hipersónico russo Zircon, com um alcance de 1.000 km, e o míssil de cruzeiro Kalibr 3M-54 com um alcance de 1.400 km. Se a Venezuela dispuser destes mísseis, poderá atingir o grupo de navios expedicionários norte-americanos a sul das Baamas, a 500 km de Miami.

No entanto, não penso que a Rússia forneceria aos Venezuelanos mísseis Zircon e Kalibr. Ela poderia, no entanto, propor sistemas Bastion e mísseis ar-ar Kh-59MK2, com um alcance de 550 km, operacionais em aviões Su-30.

Uma bateria do míssil costeiro terra-mar Bastion, usado pela Rússia, utiliza quatro lançadores de mísseis móveis P-800 Oniks. O míssil tem uma massa de 3 toneladas, uma envergadura de 1,7 m e uma ogiva destrutiva de 250 kg. A propulsão é feita por um motor de cruzeiro "ramjet" (estatoreactor supersónico), similar ao do míssil Zircon. O alcance do míssil P-800 é de 350 a 600 km, a sua velocidade é de Mach 2,5 (700 m/s). Na trajetória, no limite de vôo de cruzeiro de 14. 000 m, o míssil é guiado por satélite. À aproximação do alvo, o P-800 fixa-se no alvo, desce até 10 m de altura e executa manobras de mudança de direção.

Nesta situação, a Venezuela estaria à altura de fazer face ao grupo do Corpo Expedicionário dos EUA navegando a sul das ilhas do Haiti e de Porto Rico. O erro provável na precisão do míssil Oniks P-800 é de 1,5 m, o que significa que o alvo é atingido a 100% no caso de um porta-aviões, de um porta- helicópteros, de um cruzador ou de um destroyer (contratorpedeiro-ndT), todos com um comprimento superior a 100 m.

A única possibilidade é um bombardeamento coordenado da OTAN (EUA, França, Países Baixos, Reino Unido) e de Estados latino-americanos (Brasil, Colômbia, Guiana) sobre alvos seleccionados. Neste caso, não se trataria de uma invasão, mas, antes da destruição de certas estruturas venezuelanas.





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Não imaginavam que Maduro pudesse resistir, diz ministro espanhol

Nicolás Maduro, presidente de Venezuela
© REUTERS / Carlos Barria

Os organizadores dos distúrbios na Venezuela não conseguiram prever as consequências dessa situação e não esperavam que o presidente Nicolás Maduro pudesse mostrar resistência, disse o ministro do Exterior espanhol, Josep Borrell.

"Talvez, quando esse processo começou, alguém por trás dele não achasse que Maduro seria capaz de mostrar resistência", disse Borrell à emissora Sexsta.

Uma série de manifestações contra o governo começaram inicialmente na Venezuela no final de janeiro, após Maduro ter feito o juramento de posse após a vitória na eleição presidencial do ano passado, que havia sido boicotada por parte da oposição do país.


Em 5 de janeiro, o deputado Juan Guaidó foi eleito chefe da Assembleia Nacional, controlada pela oposição. A casa já não é reconhecida pelas outras áreas do governo desde 2016. Já em 23 de janeiro, dois dias depois de o Supremo Tribunal venezuelano ter anulado sua eleição, Guaidó se autoproclamou o "presidente interino" do país. Maduro qualificou o movimento de Guaidó como uma tentativa de golpe encenada por Washington.

Os Estados Unidos reconheceram imediatamente o mandato de Guaidó. Cerca de 50 outros países seguiram o exemplo. Rússia, China, Cuba, Bolívia e diversos outros países, no entanto, manifestaram o seu apoio ao governo de Nicolás Maduro.

A Espanha está entre os países que reconheceram o líder da oposição, Guaidó, apoiado pelos EUA, como presidente interino da Venezuela.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019030413430307-nicolas-maduro-venezuela-juan-guaido/

EUA buscam formar coalizão para derrubar governo da Venezuela, diz Bolton

trump bolton

EUA buscam formar coalizão para derrubar governo da Venezuela, diz Bolton.

Os EUA buscam criar uma coalizão para derrubar o governo atual na Venezuela, disse no domingo (3) o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton.

"Estamos tentando obter apoio para a transferência pacífica de poder do [presidente venezuelano] Nicolas Maduro para [o opositor] Juan Guaidó, que reconhecemos como presidente interino", disse Bolton em entrevista ao canal de televisão CNN.

Bolton sublinhou que esta coalizão deve ser "tão ampla quanto possível", e que seu objetivo será conseguir uma mudança de governo no país latino-americano.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019030313425592-eua-formar-coalizao-derrubar-governo-maduro/

Jogos de petróleo: por que PDVSA venezuelana troca Lisboa por Moscou?

Estatal de petróleo venezuelana PDVSA
© NASA . Ivan Alvarado

A petroleira estatal venezuelana PDVSA decidiu transferir seu escritório europeu de Lisboa para Moscou devido aos altos riscos que a potencial confiscação de suas receitas petrolíferas por parte de Washington representariam, opinou o chefe do Bosphorus Energy Club, Mehmet Ogutcu.

Segundo o especialista, a Venezuela está preocupada com as posssíveis confiscações de ativos da estatal PDVSA depois que os EUA impuseram sanções contra a empresa.


"Daí a decisão de transferir sua sede europeia para a Rússia, desta maneira os ativos não vão correr risco", revelou ao canal russo RT.

O especialista observou que o governo venezuelano está lutando para encontrar novos compradores para o petróleo bruto venezuelano que já havia sido vendido às refinarias americanas.

Os EUA adquiriam aproximadamente 500 mil barris de petróleo venezuelano diariamente antes de Washington introduzir sanções contra a PDVSA, congelando seus ativos no valor de sete bilhões de dólares.

Ogutcu disse que, nas atuais circunstâncias, as receitas venezuelanas provenientes das vendas de petróleo poderiam ser facilmente confiscadas pelos EUA.


Ao mesmo tempo, as empresas de energia da Rússia podem facilmente adquirir o petróleo venezuelano com o objetivo de revendê-lo mais tarde.

"A Rússia já estendeu seus créditos à Venezuela e está recebendo o petróleo para compensar o pagamento da dívida", acrescentou.

O analista russo Anton Pokatovich, do banco de investimentos BKS Premier, disse, por sua vez, que Moscou e Caracas poderiam estabelecer uma cooperação, trocando petróleo bruto por bens humanitários.

"A Rússia poderia desenvolver o mesmo mecanismo que a UE está atualmente tentando implantar com o Irã para não interromper o comércio com o setor de petróleo iraniano", disse ele.

No âmbito das recentes sanções, Washington bloqueou os pagamentos para a conta bancária da PDVSA, forçando os compradores de petróleo venezuelano a fazer todas as transações através de uma conta separada à qual a empresa não tem acesso.

Em 1 de março, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, declarou durante a sua visita a Moscou que o presidente Nicolás Maduro ordenou o fechamento do escritório da gigante estatal petroleira PDVSA em Lisboa e sua transferência para Moscou.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019030313423941-por-que-pdvsa-petroleia-transfere-escritorio-lisboa-moscou/

De Bagdade a Caracas

(Daniel Oliveira, in Expresso, 02/03/2019)

Daniel Oliveira

Corria 2003 e o debate fazia-se nos jornais. Os que se opunham à intervenção militar eram acusados de ser novos Chamberlain ou até aliados de Saddam, um terrível ditador (mesmo) que punha em causa a segurança do mundo com as suas armas de destruição em massa. Colin Powell foi à ONU mostrar as provas, Tony Blair garantiu que as tinha visto. Em Portugal, o então diretor do “Público”, agora no “Observador”, escrevia que tinha deixado cair uma lágrima furtiva à chegada dos tanques de Bush a Bagdade. Era o 25 de Abril iraquiano.

Sabemos o que aconteceu depois. O ISIS nasceu do caos do Iraque, a Síria foi devastada, centenas de milhares de refugiados chegaram à costa europeia do Mediterrâneo, aumentaram os atentados terroristas, a extrema-direita ganhou argumentos no Ocidente. O mais grave não foi a mentira, foi tantos terem decidido ignorar a evidência: que a única motivação dos EUA estava debaixo do solo iraquiano.

Das sucessivas intervenções norte-americanas no exterior, poucas terão sido motivadas pela defesa da democracia. Na América Latina, nenhuma. Do Chile de Allende às Honduras de Zelaya, Presidente democraticamente eleito e deposto há 10 anos por um golpe militar apoiado pela Casa Branca, passando pelo apoio a dezenas de ditadores amigos, a motivação nunca foi a defesa de valores democráticos. Nem a resolução de dramas humanitários como os que, nas Honduras, levaram a que de lá partisse a caravana de imigrantes que esbarrou com o muro entre os EUA e México. Sejam democratas ou ditadores, o que interessa é a sua lealdade e obediência. Se são, como Roosevelt terá dito sobre Somoza ou Trujillo, os seus “filhos da puta”. Nada mudou com Donald Trump.

Como no passado, a “ajuda humanitária” à Venezuela é apenas uma arma política. Desta vez, com o espalhafato hollywoodesco de vir acompanhada de espetáculos musicais na fronteira, abrilhantados pela presença do intrépido combatente pelos direitos humanos, Mike Pence. Nicolás Maduro não tem razão em coisa alguma, a começar em não ter reconhecido um parlamento eleito e a acabar na recusa em marcar eleições presidenciais que façam o país sair do impasse, passando pelo desastre económico e social que impõe ao seu povo. Mas tem razão quando aponta o cinismo desta ajuda “humanitária”. Como explicou a Amnistia Internacional, o levantamento do bloqueio à compra do petróleo e à venda de material de refinaria, assim como o descongelamento de contas do país, é a ajuda que a Venezuela precisa. Cercar economicamente um país para o obrigar a receber em esmola o que pode pagar com o que é seu é o oposto de uma ajuda humanitária. A ajuda oferecida pelos EUA e pela Europa é tão humanitária como a da Rússia. Como se vê pelo regresso do sinistro John Bolton, os que usam a fome dos venezuelanos para o seu cinismo “humanitário” são mais ou menos os mesmos que prometiam espalhar a democracia pelo Iraque e seus vizinhos. E o que os movia então é o que os move agora. Se desta vez chegarão à guerra, o futuro dirá. Que Trump está a sentir falta duma, não tenho dúvidas. Depois de Michael Cohen ainda mais. Como sempre, a propaganda fará o seu caminho, acusando os que não a engolem de cumplicidade com o ditador. Mas mal estaria o mundo se a democracia dependesse de um braço de ferro entre Maduro e Putin, de um lado, e Trump e Bolsonaro, do outro. O assunto é o de sempre. Em Bagdade ou em Caracas.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

O que ele disse e a resposta que mereceu

image Nicolás Maduro ordena mudança de escritório da companhia petrolífera Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) de Lisboa para Moscovo. "A Europa não dá garantias de respeito aos nossos ativos", disse DelcyRodríguez. A vice-presidente afirmou que os países capitalistas estão a violar as suas próprias leis ao congelar os bens da Venezuela em bancos ocidentais e qualificou de um "roubo à mão armada" o que está a acontecer atualmente com os recursos financeiros da Venezuela.
Augusto Santos Silva vai solicitar a Guaidó para manter o escritório em Lisboa, Guaidó foi reconhecido pelo governo português como legítimo presidente da Venezuela, caso contrário o PS boicota o envio de peças para o Magalhães do Sócrates. Se Guaidó congelar as remessas dos emigrantes portugueses para Portugal, o governo português deixa de reconhecer Guaidó e faz as pazes com Maduro.  image É mais coisa menos coisa, a atuação do patrão do Palácio das Necessidades, e face à coerência deste governo nas relações internacionais, creio haver necessidade de termos um Palácio das Necessidades de Dignidade.

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

ODiario.info » Cúcuta, um campo de concentração neoliberal

A operação contra a Venezuela do passado fim de semana teve por base a cidade colombiana de Cúcuta. Cidade paupérrima longamente abandonada pela oligarquia, tornou-se uma base operacional da guerra económica: contrabando de bens e de divisas, mecanismos criminosos de sabotagem e ruptura cambial. E o departamento em que se situa tem uma das mais elevadas taxas de assassínios de líderes sociais.

Cúcuta é a cidade dos sonhos para as elites neoliberais, e quando o digo não exagero. Aquilo que eles chamam neoliberalismo baseia-se em diluir o Estado para o converter em bilheteira do interesse para-económico, esse que exerce o poder de facto chamando “mão invisível” ao seu modo mais confortável de saquear tudo o que se mova. Seja força de trabalho, vida não-humana (ou natureza) ou recursos financeiros.

A cidade do abandono e do isolamento

Nenhum presidente colombiano tinha ido à capital do departamento Norte de Santander até que, em Agosto de 2015, o ex-presidente Juan Manuel Santos foi o primeiro, obrigado a isso pelo encerramento da fronteira ordenado pelo presidente Nicolas Maduro. É causalidade que nesta cidade de fronteira os mais graves índices de exclusão da Colômbia concorram com o papel de base operacional de uma guerra continuada e multiforme contra um processo que procura a inclusão como o venezuelano. Esta competição foi imposta pela oligarquia mais cruel da América Latina: a colombiana.

A exclusão em Cúcuta tornou-se mais evidente após terem fortemente aflorado as contradições entre o Comandante Chávez e Álvaro Uribe Velez, o abandono da população cucuteña por parte de uma elite híper-acumuladora intensificou-se até se tornar uma das cidades com o maior desemprego da Colômbia, e a realidade desta cidade é tão inocultável que até mesmo um órgão como o El Espectador a evidencia.

Com uma taxa de desemprego que não baixa de 14% desde 2009, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE) colombiano, a economia do departamento começou a depender única e exclusivamente “da situação do país.” Assim observou a empresária Lina Iscalá, do Observatório Económico da Câmara de Comércio de Cúcuta ao jornal La Opinion. Isso evidencia que, antes desse ano e com trânsito terrestre oficial, se vivia em Cúcuta o mel do cadivismo.

O DANE refere também que Cúcuta ocupa o primeiro posto nacional no que diz respeito à economia informal com 69,8%, acima da média nacional (48%) e de cidades com alta densidade populacional como Bogotá (41,3%), Medellín (40,6%) e Manizales (38,5 %).

Com a crise econômica venezuelana, em grande parte induzida pela sistemática sabotagem, bloqueio e boicote empresarial, tem sido importante o número de pessoas que emigraram para vários países latino-americanos procurando melhorar a sua situação. Segundo um sindicato, Caracol atribuiu o crescimento do desemprego em Cúcuta à emigração da Venezuela e não ao problema estrutural que essa cidade vive por causa do contrabando da Venezuela e da precariedade da rede viária.

Por outro lado, a Universidade de Pamplona estudou as causas da insegurança alimentar entre 2007 e 2011, e demonstrou como desde então os baixos rendimentos dos moradores os impediam de ter acesso a alimentação básica e a repercussão desse facto na nutrição da primeira infância, basicamente. Uma em cada cinco crianças dali sofre de desnutrição grave, que pode levar a um atraso no crescimento e aumenta o risco de contrair doenças, em especial as infecciosas,. Não é o “efeito Venezuela”, que leva a fome ao Norte de Santander, é o programa de testes neoliberais impulsionado por antichavistas raivosos como Andrés Pastrana, Uribe e Santos desde há mais de duas décadas.

As entrevistas com a população cucuteña mostram a sua “inquietação” perante uma guerra entre Venezuela e Colômbia, e pareceria que eles não sabem que essa guerra já vem acontecendo há algum tempo e que as baixas transitam nas suas ruas à procura de trabalho ou de emigrar para outros países onde a coisa seja ‘normal’ . Além disso, a guerra contra a Venezuela também eles próprios: em 2015 o departamento Norte de Santander já exportava para a Venezuela cerca de 95% menos do que em 2009.

Centro operacional da ilegalidade e da guerra contra a Venezuela

Um dia em Cúcuta é vivido na presença dos ensaios neoliberais contra a estabilidade venezuelana; a deformação da taxa de câmbio instrumentada para destruir o bolívar, o contrabando de extração e de dinheiro, bem como o tráfego de gasolina, são usuais e diários.

A cidade torna-se atraente para a economia delinquente colombiana conduzida por elites que impõem estado de sítio cada movimento financeiro, tanto dentro dela como no resto do país.

Para legalizar as casas de câmbio que atacam sistematicamente a moeda venezuelana baseiam-se na Resolução Externa Nº 8 do Banco da República aprovou sob a administração Pastrana em 2000, que estabelece no artigo 70º que: “Os intermediários poderão acordar em operações de compra e venda de moeda em espécie para execução dentro de três dias úteis imediatamente a seguir e anunciarão diariamente as taxas de compra e venda oferecidas ao público para as suas operações através de montra. ”

Não existe qualquer instrumento jurídico que obrigue as casas de câmbio cucuteñas a tomarem como referência a taxa oficial do Banco da República, contam com licenças e autoridades para desvalorizar o bolívar e promover o contrabando de notas e de produtos.

O contrabando e a híper-desvalorização funcionam sinergicamente e estão também inscritos na vida diária em ambos os lados da fronteira. Daquele lado existem mais de 50 casas de câmbio, em muitas das quais se lava dinheiro do narcotráfico associado a grupos paramilitares e o peso colombiano é indiscriminadamente cotado acima da moeda venezuelana, tal desequilíbrio monetário induz o desequilíbrio da taxa de câmbio. Esta flutua caprichosamente, embora não seja o mecanismo oficial na Venezuela, as máfias decretam a taxa “pelo dinamismo do dólar” ou por “acordos que o mercado de câmbio estabeleça,” conforme a quantidade de bolívares que entre na Colômbia.

Ao mesmo tempo, e de forma engrenada com o ataque cambiário, centenas de pessoas atravessam a fronteira para trocar bolívares em dinheiro e receber uma maior quantia de dinheiro, tendo como principal requisito o ter uma conta bancária na Venezuela, de preferência no “Banesco Banco Universal” para maiores ” benefícios “. O contrabando de bolívares acelerou a entrada da moeda venezuelana na Colômbia e, portanto, a taxa de câmbio diminui. Assim, as pessoas recebem mais bolívares quando trocam pesos.

A ilegalidade tomou conta da economia a tal ponto que alguns analistas sugerem que o contrabando e a fraude de câmbio mobilizam os dólares dez vezes mais do que o intercâmbio legal. Domina circuitos de produção, distribuição, consumo, rotas marítimas de extração, terrestre e até mesmo aéreo criando uma assimetria que se comporta como um vórtice que devora todos os produtos fabricados ou importados pela Venezuela e coloca-o para fora das suas fronteiras através de redes multiformes.

Algumas ações do governo venezuelano têm procurado diminuir o efeito dessa agressão, no entanto, o inimigos muda e procura reagir face a novos cenários, o que torna tudo mais complexo a cada vez.

Campo de experimentação de zombificação neoliberal

Uma cidade onde impor o caos ao país vizinho é a razão de ser da economia, é o modelo que a elite oligárquica colombiana vende, é onde eles desembarcaram líderes do Grupo de Lima para activar as suas baterias mediáticas de cerco e descrédito contra a Venezuela.

Daí induzem outra fase desta guerra já longa e desgastante, que também tem um teatro de operações local: Norte de Santander é um dos departamentos com alta taxa de assassínios de líderes sociais, até Dezembro de 2018 registavam-se 23 assassínios de activistas comunitários .

O governo colombiano insiste em que o seu interesse em resolver os problemas da Venezuela tem a ver com que assim a Colômbia estará melhor; como de costume não especifica muito sobre este tema porque tanto Uribe como Santos tiveram a oportunidade de integrar Cúcuta no resto do país e preferiram transformá-la num campo experimental de guerra e neoliberalismo, valha a redundância.

Fonte: http://www.granma.cu/mundo/2019-02-28/cucuta-un-campo-de-concentracion-neoliberal-28-02-2019-14-02-49

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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