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China diz que negociações com os EUA não acabaram e aponta 3 pontos de discórdia

Presidente dos EUA, Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, durante negociações entre EUA e China no G20, na Argentina
© REUTERS / Kevin Lamarque

O principal negociador comercial da China, Liu He, disse nesta sexta-feira em Washington que as negociações comerciais com os EUA continuariam em Pequim após dois dias de negociações e um aumento de tarifa nos EUA.

"As negociações não foram interrompidas, mas, ao contrário, isso é apenas uma reviravolta normal nas negociações entre os dois países", declarou Liu à mídia chinesa.

"Ambos os lados concordam que se reunirão novamente em Pequim no futuro e continuarão impulsionando as negociações", prosseguiu ele, sem dar uma data.


Embora Liu tenha considerado os dois dias de conversações nos EUA "produtivos", ele destacou que as diferenças continuam existindo.

"Temos um consenso em muitas áreas, mas para falar francamente, há áreas em que temos diferenças e acreditamos que elas dizem respeito a grandes princípios", explicou. "Todo país tem princípios importantes e não faremos concessões em questões de princípio".

De acordo com a mídia estatal chinesa, três principais diferenças permanecem nas negociações comerciais entre Pequim e Washington.

O Diário Oficial do Povo do Partido Comunista e a agência de notícias oficial Xinhua disseram que, além do aumento das tarifas adicionais, as diferenças se concentraram nas compras comerciais e em um texto "equilibrado" para qualquer acordo comercial.

"A China nunca cederá à pressão máxima do lado dos EUA e não comprometerá as questões de princípio. A China deixou claro a necessidade de eliminar todas as tarifas adicionais para retomar o comércio bilateral normal", informou o Diário do Povo.

"A China claramente exige que os números das aquisições comerciais sejam realistas. O texto deve ser equilibrado e expresso em termos aceitáveis para o povo chinês e não prejudicar a soberania e a dignidade do país", acrescentou.


A Xinhua, que relatou as mesmas três diferenças, disse que remover todas as tarifas adicionais era a "demanda comum" dos negócios e da agricultura dos EUA, e que ambos os países precisavam demonstrar mais paciência e perseverança para superar as dificuldades.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou nesta sexta-feira ao representante comercial dos EUA que inicie o processo de aumento de tarifas sobre todas as importações remanescentes da China, com o valor dos produtos sujeitos a nova rodada de tarifas em aproximadamente US$ 300 bilhões.

Os EUA já intensificaram sua guerra tarifária com a China na sexta-feira, aumentando as arrecadações de US$ 200 bilhões em mercadorias chinesas em meio a conversas de última hora para resgatar um acordo comercial.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019051113857814-china-pontos-negociacao-eua/

Trump ordena aumento de tarifas contra a China e valor chega a US$ 300 bilhões

Bandeiras dos EUA e China (imagem de arquivo)
© AP Photo / Andy Wong

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que as tarifas sejam cobradas em todas as importações remanescentes da China, que somam cerca de US$ 300 bilhões, disse o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, em comunicado.

"O presidente também ordenou que começássemos o processo de aumentar as tarifas de praticamente todas as importações remanescentes sobre produtos da China, que são avaliadas em aproximadamente US$ 300 bilhões", disse Lighthizer nesta sexta-feira (10).


No começo do dia, ele acrescentou, os Estados Unidos aumentaram as tarifas de 10% para 25% em cerca de US$ 200 bilhões em importações chinesas.

O vice-premiê chinês, Liu He, que lidera a comissão chinesa na negociação comercial com os Estados Unidos, afirmou em entrevista à CCTV nesta sexta-feira (10) que a China responderá às ações dos EUA.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019051013857370-donald-trump-china-comercio-tarifas-importacao/

China se diz forçada a retaliar aumento de tarifas dos EUA

O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, afirmou nesta-sexta-feira (10) que Pequim será forçada a retaliar o aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos. Liu He é responsável por lideras as negociações bilaterais de comércio entre os países.

Mais cedo nesta mesma data, uma nova rodada de tarifas de comércio foi efetivada pelos EUA. Com isso, um total de US$ 200 bilhões em produtos chineses foi tarifado, aumentando de 10% para 25%.


"Se os Estados Unidos aumentarem suas tarifas, nós teremos que responder a isso também. Claro, esperamos que os Estados Unidos barrem a medida. Então, a China também irá aderir a essa posição. Um dos lados não pode demonstrar indefinidamente", disse o político chinês em uma entrevista para a emissora chinesa CCTV após as negociações em Washington.

O vice-premiê insistiu que a China era contra o aumento de tarifas de comércio entre os países.

Nós acreditamos que [o aumento de tarifas] não é benéfico nem para os Estados Unidos nem para a China nem para ninguém. Ainda, isso não ajuda a resolver questões comerciais e econômicas", ressaltou Liu.

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Nova espiral da guerra comercial sino-americana: após tarifas, Pequim promete retaliar

Notas yuan e dólares dos EUA são vistos em uma mesa em Yichang, província de Hubei, na China central em 14 de agosto de 2015
© AFP 2019 / STR

A partir de 10 de maio as tarifas norte-americanas sobre uma série de produtos chineses foram elevadas de 10% para 25%, em um valor de 200 bilhões de dólares. O especialista Pavel Kudryavtsev explica como o conflito comercial entre as duas maiores economias pode afetar a economia global.

As autoridades americanas decidiram aumentar as tarifas sobre uma série de produtos chineses no valor de 200 bilhões de dólares (R$ 890 bilhões) de 10% para 25%, incluindo produtos químicos, materiais de construção, mobiliário e alguns artigos eletrônicos. A medida entrou em vigor hoje (10).


O Ministério do Comércio da China sublinhou que "lamenta profundamente" o aumento das tarifas sobre as suas exportações e que não tem outro remédio senão tomar contramedidas a esse respeito.

"A China lamenta-o profundamente. Temos que tomar contramedidas necessárias", lê-se no comunicado do Ministério.

Ao mesmo tempo, o ministério expressou sua esperança de que ambos países trabalhem juntos para resolver os problemas existentes através da "cooperação e consultas".

É de assinalar que, há dez dias, Washington e Pequim anunciaram um “progresso significativo”, mas na quinta-feira (10) os EUA decidiram aumentar as tarifas em resposta à alegada violação de compromissos pela China.

"Desde 2017, a China e os EUA estão tentando resolver disputas econômicas, tendo desde então sido introduzidas diversas novas tarifas, bem como anunciados preparativos e fracassos das negociações. É evidente que notícias desse tipo sempre causam volatilidade nos mercados e discussões massivas", sublinhou o representante da Câmara de Comércio e Indústria da Rússia na Ásia Oriental, Pavel Kudryavtsev, acrescentando que não espera que o conflito possa levar a uma catástrofe econômica global.


Segundo Kudryavtsev, "na prática a cooperação econômica se baseia em laços comerciais e de investimentos de longo prazo e é bastante difícil os destruir".

Em meados de abril, a mídia informou que os EUA e a China planejavam realizar uma nova rodada de negociações e esperavam fechar um acordo comercial final no fim de maio ou no início de junho.

Pequim e Washington se envolveram em uma disputa comercial desde março de 2018 quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA imporiam tarifas de 25% sobre uma série de produtos chineses, em uma tentativa de reduzir o déficit comercial entre EUA e China. Desde então, os dois países adotaram uma série de tarifas protecionistas.

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A Arte da Guerra A locomotiva USA da despesa militar mundial

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz, de Estocolmo (SIPRI), em cada mês do ano passado, os Estados Unidos desperdiçaram 250 dólares por cada cidadão.

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A despesa militar mundial – segundo as estimativas publicadas pelo SIPRI [1], em 29 de Abril - ultrapassaram os 1.800 biliões de dólares, em 2018, com um aumento em termos reais de 76% em relação a 1998. De acordo com esta estimativa, a cada minuto gasta-se cerca de 3,5 milhões de dólares em armas e exércitos em todo o mundo. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos com uma despesa, em 2018, de 649 biliões. Este número representa o orçamento do Pentágono, incluindo operações militares no estrangeiro, mas não a totalidade da despesa militar dos EUA.

De facto, juntam-se outros elementos de carácter militar.
- O Departamento dos Assuntos dos Veteranos, que é responsável pelo pessoal militar aposentado, teve um orçamento de 180 biliões de dólares, em 2018.
- A comunidade dos Serviços Secretos, composta de 17 agências (entre as quais a mais famosa é a CIA), declara um orçamento de 81,5 biliões, que, no entanto, é só a ponta do iceberg dos gastos reais para operações secretas.
- O Departamento de Segurança Interna gastou 70 biliões em 2018, sobretudo para “proteger, com o serviço secreto, a nossa infraestrutura financeira e os nossos dirigentes mais destacados”.
- O Departamento de Energia gastou 14 biliões, correspondendo a metade de seu orçamento, para manter e modernizar o arsenal nuclear.

Tendo em conta estes e outros assuntos, a despesa militar dos EUA, em 2018, chega a cerca de 1 trilião de dólares. Como despesa per capita, é equivalente a 3.000 (três mil) dólares por habitante dos Estados Unidos.

A despesa militar é a causa primordial do déficit federal, que subiu para 1 trilião e em aumento acentuado. Juntamente com outros factores, ela faz crescer a dívida pública dos EUA, que em 2019, subiu para mais de 22 biliões de dólares, com juros anuais de 390 biliões, que dobrarão em 2025. Esse sistema é baseado na hegemonia do dólar, cujo valor é determinado não pela capacidade económica real dos EUA, mas, pelo facto de que é a principal moeda das reservas cambiais e dos preços das matérias primas internacionais. Isto permite que a Federal Reserve imprima milhares de biliões de dólares com os quais a colossal dívida pública dos EUA é financiada através de obrigações e outros títulos emitidos pelo Tesouro.

Visto que a China, a Rússia e outros países questionam a hegemonia do dólar - e com ela, a ordem económica e política dominada pelo Ocidente - os Estados Unidos jogam cada vez mais a carta da guerra, investindo 25% de seu orçamento federal na máquina de guerra mais cara do mundo. A despesa militar dos Estados Unidos têm um efeito impulsionador sobre as dos outros países, que, no entanto, permanecem em níveis muito mais baixos.

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- A despesa da China é estimada pelo SIPRI em 250 biliões de dólares, em 2018, embora o número oficial fornecido por Pequim seja de 175.
- A despesa da Rússia é estimada em 61 biliões, mais de 10 vezes menor do que nos EUA (comparada apenas com o orçamento do Pentágono).
- De acordo com as mesmas regras, sete países da NATO - EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Canadá e Turquia - respondem juntos por cerca de metade das despesas militares do mundo.
- A despesa militar italiana, que subiu em 2018 de 13º para o 11º lugar no mundo, é estimada pelo SIPRI em 27,8 biliões de dólares.

Assim, a estimativa é substancialmente confirmada, incluindo outros assuntos além do orçamento da Defesa, que os gastos militares italianos totalizam 25 biliões de euros por ano, em alta. Isto significa que, num ano, se gasta já hoje o equivalente (de acordo com as previsões) a quatro anos de renda da cidadania. .Seguindo as pegadas dos EUA, foi decidido agora um forte aumento posterior. Agora, a maior “renda da cidadania” é a da guerra.


[1] Trends in world military expenditure, 2018, Nan Tian, Aude Fleurant, Alexandra Kuimova, Pieter D. Wezeman, Siemon T. Wezeman, Stockholm International Peace Research Institute, April 29, 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Trump estende a mão a Cuba

 

Depois de ter tentado, em vão, desestabilizar a Venezuela, o Presidente Donald Trump propôs, em 2 de Maio, na Fox Business, uma abertura económica em Cuba se ela retirasse as suas tropas da República Bolivariana.

Nos últimos cinco meses, a Administração Trump evoca a presença de 300.000 soldados cubanos na Venezuela, entre os quais 25.000 nos Serviços de Inteligência. É, sempre segundo a Administração Trump, esta pressão que impediria 90% dos militares venezuelanos de apoiar o autoproclamado presidente Juan Guaidó.

Na realidade, qualquer pessoa que tenha visitado o país pode constatar que apenas a proteção próxima do Presidente da República, ou seja, menos de cinquenta pessoas, está confiada a Cubanos. Jamais houve tropas cubanas na Venezuela, tal como Havana muitas vezes repetiu. Como sempre, por força da repetição, a propaganda torna-se tão evidente para todos que nos perguntamos se os Estados Unidos são ainda capazes de distinguir o que fingem da realidade.

No decurso dos últimos meses, os Estados Unidos limitaram as transferências de divisas entre os emigrantes cubanos e a ilha. Também anunciaram a entrada em vigor das sanções em relação a firmas do Canadá e da União Europeia, adoptadas em 1996, mas continuamente adiadas.

A abertura económica dos EUA permitiria encontrar um responsável pelo fracasso do golpe de Estado de Juan Guaidó e voltar à razão com Cuba.

Ver original na 'Rede Voltaire'



Autoridades venezuelanas responsabilizam EUA por morte de criança hospitalizada

Delcy Rodríguez e Jorge Arreaga denunciaram que as acções ilegais impostas pelos EUA contra a Venezuela são responsáveis pela morte de uma criança que aguardava por um transplante de medula óssea.

O bloquieo económico imposto pelos EUA à Venezuela provocou a morte de uma criança, facto classificado por Jorge Arreaza como «acção criminosa e desumana»Créditos / chile.embajada.gob.ve

Além da administração norte-americana, a vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou ainda a extrema-direita venezuelana. No Twitter, Rodríguez escreveu esta terça-feira que «a administração dos EUA e os seus golpistas na Venezuela são responsáveis directos pela morte deste menino! Roubaram a CITGO [filial norte-americana da Petróleos de Venezuela (PDVSA)] para satisfazer os seus mesquinhos anseios imperiais e eliminaram nobres programas sociais para ajudar crianças no mundo concebidos no socialismo bolivariano».

Antes, pronunciou-se o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, que sublinhou o facto de as acções ilegais e unilaterais promovidas pelos Estados Unidos – através do bloqueio económico e financeiro imposto à Venezuela – estarem a provocar sofrimento ao povo venezuelano, sendo isso uma medida para concretizar uma mudança de governo no país.

O bloqueio económico e financeiro imposto pelos EUA à Venezuela tirou a vida a um menino de seis anos que necessitava de um trasplante de medula óssea, informou Arreaza, que classificou o facto como uma «acção criminosa e desumana».

«Andamos há semanas a denunciar que crianças como Giovanny podiam falecer devido ao bloqueio dos EUA. Reafirmo, sem descontextualizações jornalísticas: gerar sofrimento e dor através de um bloqueio económico para mudar um governo pela força é um acto criminoso e desumano», escreveu Arreaza na sua conta de Twitter.

Giovanny Figuera, o menino que morreu, fazia parte da lista de crianças venezuelanas que esperam por um trasplante e por medicamentos especializados, que são adquiridos através de um programa que é levado a cabo pela Petróleos de Venezuela, empresa estatal que é alvo das investidas do embargo económico decretado pela administração de Donald Trump.

Em meados de Abril, o governo da Venezuela alertou a comunidade internacional para o «impacto criminoso» gerado pelas sanções coercitivas e ilegais de Washington contra a empresa estatal PDVSA, que financia inúmeros programas sociais e acordos na área da saúde, que prestam atendimento aos seus trabalhadores e ao povo venezuelano.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/autoridades-venezuelanas-responsabilizam-eua-por-morte-de-crianca-hospitalizada

Museu de Auschwitz acha peças com estampa de campo de concentração em site americano

Foto da placa no portão principal do antigo campo de concentração e extermínio nazista alemão Auschwitz
© REUTERS / Pawel Ulatowski

O Museu de Auschwitz-Birkenau, que fica na Polônia, onde antes de encontrava o campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial, ficou indignado com o fato de um site americano vender minissaias e almofadas com estampa de uma época macabra.

Dentre os produtos oferecidos pelo site americano Redbubble, havia, por exemplo, uma minissaia com estampa de um crematório e uma almofada com estampa das vias férreas que levavam os prisioneiros para Auschwitz.

Você realmente acredita que vender produtos como almofadas, minissaias e bolsas com imagens de Auschwitz, um local de enorme tragédia humana onde mais de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas, é aceitável? Isso é bastante assustador e desrespeitoso

Redbubble também explicou no Twitter que os usuários independentes podem usar seu serviço para oferecer produtos com suas fotos. No entanto, a empresa concordou que tais produtos não deveriam aparecer em suas páginas.

"Obrigado por trazer isso para nossa atenção. A natureza deste conteúdo é inaceitável e não está alinhada às nossas Orientações comunitárias. Estamos tomando medidas urgentes para remover esses e outros itens semelhantes."


Alguns dos produtos que causaram ressentimento no museu foram retirados do site. No entanto, o Museu de Auschwitz chamou a atenção para outro produto, uma camiseta com a inscrição "O Doutor Holocausto quer que você tenha barba".

Auschwitz-Birkenau (na cidade polonesa de Auschwitz) era o maior e mais antigo campo de concentração nazista, por isso se tornou um dos principais símbolos do Holocausto. Cerca de 1,4 milhões de pessoas, das quais cerca de 1,1 milhão eram judeus, morreram em Auschwitz entre 1941 e 1945. O campo foi libertado em 27 de Janeiro de 1945 pelo Exército da União Soviética. Em 1947, um museu foi criado no local do antigo campo de concentração nazista Auschwitz-Birkenau.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo_insolito/2019050813836139-museu-auschwitz-acha-pecas-estampa-campo-concentracao-site-americano-fotos/

PARECE QUE NEM O PASSADO É COMO NOS QUEREM CONTAR QUE FOI

Há poucos dias foi notícia que a taxa de desemprego nos Estados Unidos havia descido para índices como não havia noticia desde 1969. A satisfação da Administração Trump é compreensível e notória. Mas a questão aqui são as suas queixas recorrentes de que a comunicação social não dá valor a esses sucessos da sua governação, o que, sendo verdadeiro, não é nada de novo. Se regressarmos a 1969, o tal ano de referência da taxa de desemprego, aquilo que podemos encontrar de referências noticiosas sobre os Estados Unidos na edição de há precisamente 50 anos do Diário de Lisboa é um «acentuar da contestação», apesar de naquele país se estarem a registar taxas de emprego como nunca mais se voltariam a ocorrer nos 50 anos seguintes... Parece que o passado não é como nos querem contar que foi... Ou então, está-se a fechar o ciclo da moda que, há cerca de 25 anos, estabeleceu que tudo em política tinha a ver com economia («It's the economy, stupid!»). Não tem. Nunca teve. E com os tempos que se vivem na América de Trump é  facílimo perceber isso.  

 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/05/parece-que-nem-o-passado-e-como-nos.html

Os EUA precisam desesperadamente de um novo secretário de Estado

por Paul Craig Roberts

O instigador da guerra ignorante, disfarçado de secretário de Estado americano, deveria ser preso pela sua imitação de funcionário do governo americano. Mike Pompeo não pode ser secretário de Estado dos EUA, porque nem mesmo Donald Trump nomearia um idiota para essa alta posição, visto que ele pensa que o Artigo 2 da Constituição dá ao presidente, autoridade para declarar a guerra e invadir outros países.

Eis o que disse, o estúpido impostor Pompeo: "O Presidente tem toda a autoridade que lhe é conferida pelo Artigo 2 e estou muito confiante de que qualquer acção que tomemos na Venezuela será legítima”. Foi a resposta dada por Pompeo quando inquirido sobre a possibilidade de o Presidente Trump intervir na luta pelo poder desse país sem a aprovação do Congresso. www.rt.com/usa/458433-venezuela-military-invasion-lawful-pompeo/ É claro que não é "a luta pelo poder desse país". É o esforço de Washington para derrubar a Revolução Bolivariana e recuperar o controlo sobre os recursos da Venezuela.

Pompeo é duplamente idiota. A Constituição dos EUA dá o poder de declarar guerra apenas ao Congresso. Além do mais, de acordo com as leis de Nuremberg estabelecidas pelo governo dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, é crime de guerra cometer agressão, que é o que seria a intervenção militar dos EUA na Venezuela.

Eu deveria ter dito que Pompeo é triplamente idiota, porque afirma que os países que defendem diplomaticamente o governo democraticamente eleito da Venezuela estão "a interferir no direito do povo venezuelano de restaurar a sua própria democracia". Alguém deveria dizer ao idiota Pompeo que foram o povo venezuelano e as forças armadas venezuelanas, que recusaram o suborno e as ameaças financeiras de Washington, que estão a apoiar a democracia venezuelana, e não Washington, cujo golpe fracassado pode ser secundado por outra invasão que será outro crime de guerra levado a cabo por Washington.

Lavrov e Putin, no passado, consideraram ser difícil usar a sua autoridade para impedir mais agressões ilegais de crimes de guerra de Washington. Lavrov é demasiado civilizado para dialogar com um neonazi como Pompeo.

Putin deveria enviar Shoigu para lidar com Pompeo. O tempo para conversas educadas e que aceitam tudo, já passou. O que está em jogo, é um país e o seu povo.

Esperemos que a Rússia e a China não permitam outra Líbia.

Alguém precisa informar a RT sobre o conteúdo a Constituição dos EUA. A RT informou incorrectamente que: "O Artigo 2 da Constituição dos Estados Unidos concede ao Presidente o direito de declarar a guerra e agir como Comandante Chefe das Forças Armadas do país". Um disparate absoluto!

05/Maio/2019

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/... e a tradução de Maria Luísa de Vasconcellos em paulcraigrobertstranslations.blogspot.com/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ver original em 'RESISTIR.INFO' na seguinte ligação:

https://resistir.info/eua/roberts_05mai19.html

UM EX-PRESIDENTE (JIMMY CARTER) DOS ESTADOS-UNIDOS VAI CONTRA TODA A ELITE DO PAÍS – de SPUTNIK NEWS – enviado por CAMILO JOSEPH

OBRIGADO A SPUTNIK NEWS E A CAMILO JOSEPH

 

https://mundo.sputniknews.com/america_del_norte/201904201086821080-jimmy-carter-critica-politica-belica-de-eeuu/

Un expresidente de EEUU va contra toda la élite del país – Sputnik Mundo – mundo.sputniknews.com El único presidente de Estados Unidos en completar su mandato sin guerras, ataques militares u ocupaciones ha llamado a su país “la nación más guerrera de la historia del mundo”. mundo.sputniknews.com

 

El único presidente de Estados Unidos en completar su mandato sin guerras, ataques militares u ocupaciones ha llamado a su país “la nación más guerrera de la historia del mundo”.

Durante un discurso en la escuela dominical de la Iglesia Bautista Maranatha en Plains, Georgia, Jimmy Carter, el 39º presidente de Estados Unidos, habló sobre una reciente conversación que ha tenido con Donald Trump, el actual mandatario del país, sobre China. De acuerdo con Carter, Trump le dijo que estaba particularmente preocupado por cómo el país asiático se está “adelantando” a EEUU.

 

Clique no link abaixo para ler a continuação:

https://mundo.sputniknews.com/america_del_norte/201904201086821080-jimmy-carter-critica-politica-belica-de-eeuu/

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/05/07/um-ex-presidente-jimmy-carter-dos-estados-unidos-vai-contra-toda-a-elite-do-pais-de-sputnik-news-enviado-por-camilo-joseph/

Trump diz que apoia '100%' as ações de Israel na Faixa de Gaza

File Photo of Rockets Exploding Over Israel
© AP Photo / Adel Hana

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo (5) que apoia totalmente as ações de Israel na Faixa de Gaza em meio ao aumento da tensão entre Israel e Hamas na região.

"Mais uma vez, Israel enfrenta uma série de ataques com foguetes pelos grupos terroristas Hamas e Jihad Islâmica. Apoiamos Israel 100% em sua defesa de seus cidadãos […]", disse o presidente dos EUA no Twitter.

Trump também se dirigiu ao povo da Faixa de Gaza.

"Para o povo de Gaza — esses atos terroristas contra Israel não lhe trarão nada além de mais miséria. Acabem com a violência e trabalhem em prol da paz — isso pode acontecer!", escreveu Trump.

A tensão regional na Faixa de Gaza aumentou a partir do sábado (4), após Israel ter detectado lançamentos de foguetes contra seu território. Alegando que os ataques foram lançados de a Faixa de Gaza, Israel realizou ataques de retaliação.

​De acordo com informações da mídia, ao menos 24 palestinos foram mortos no final de semana, incluindo uma mulher grávida e seu bebê, enquanto 4 israelenses também morreram no mesmo período.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019050613815904-donald-trump-faixa-de-gaza-acoes-israel-palestina/

A expansão armamentista e a derrocada da paz

Gasto militar dos EUA volta a crescer e já é semelhante ao PIB da Holanda ou Suíça. Alta deflagra corrida global às armas. Para completar, tratados de paz estão ameaçados de extinção

Carlos Torralba, no El País Brasil | Outras Palavras | Imagem: Ted Aljib (AFP)
O gasto militar dos EUA subiu no ano passado pela primeira vez desde 2010. A Administração de Donald Trump elevou o investimento em Defesa em 4,6% com relação ao ano anterior, chegando a 649 milhões de dólares (2,56 bilhões de reais), ou 36% do total mundial, que cresceu até seu máximo histórico. Washington e seu rival estratégico, a China, somam pela primeira vez mais de metade do investimento global em Defesa, segundo os dados publicados nesta segunda-feira pelo Instituto Internacional de Estocolmo para a Pesquisa da Paz (SIPRI).

Desde sua chegada à Casa Branca, em 2016, Donald Trump nunca ocultou sua intenção de fortalecer ainda mais a supremacia militar dos Estados Unidos sobre seus dois principais rivais geoestratégicos, a China e a Rússia. Os drásticos cortes do republicano em meio ambiente, cooperação internacional e ajudas contra a pobreza energética lhe permitiram reforçar sua musculatura militar, com 39 bilhões de dólares a mais que no ano anterior.

Apesar do incremento, o gasto de Washington em Defesa ainda é 19% inferior ao que era em 2010, embora o contexto na época fosse diferente: os Estados Unidos estavam totalmente envolvidos nas guerras do Afeganistão e Iraque, com dezenas de milhares de soldados mobilizados. Hoje contam com um contingente muito reduzido no Afeganistão e várias centenas de assessores militares na Síria e Iraque. Trump reiterou seu interesse em reduzir ao mínimo a presença de tropas norte-americanas nessas zonas de conflito.

“O aumento do gasto dos EUA responde mais a uma estratégia de dissuasão do que às exigências atuais de suas operações no exterior”, diz por telefone Aude Fleurant, pesquisadora do SIPRI. A especialista prognostica que, salvo em caso de “catástrofe financeira”, Trump aumentará o gasto em Defesa a cada ano de sua presidência, apesar dos obstáculos representados pelo déficit público e a perda do controle da Câmara de Deputados, que voltou em novembro às mãos democratas após oito anos de domínio republicano.


A aquisição de armamento de fabricação nacional é a principal explicação para o aumento do orçamento de Defesa dos EUA. Com um Exército de quase 1,4 milhão de homens e mulheres, uma ligeira alta salarial também repercutiu no custo anual. A maior potência mundial mantém mais de 800 bases militares no exterior, distribuídas por mais de 40 países aliados.

Trump ordenou também que seja criado “o quanto antes” um ramo do Exército dedicado ao espaço — “Que garanta o domínio norte-americano do cosmos” —, que deverá receber dezenas de bilhões de dólares desde seu primeiro ano. O republicano também herdou da Administração de Barack Obama a ideia de modernizar o arsenal atômico, um projeto que segundo os especialistas custaria cerca de três trilhões de dólares em um prazo de 30 anos.

Washington se retirou em fevereiro do Tratado de Forças Nucleares Intermediárias (INF, na sigla em inglês), um acordo de desarmamento alcançado durante a Guerra Fria. Moscou respondeu de maneira simétrica no dia seguinte. Na corda-bamba ficou o New START, outro tratado bilateral crucial que limita o número de ogivas nucleares da Rússia e Estados Unidos. O pacto termina em 2021 e, por enquanto, não há reflexos de que nenhum dos dois países planeje ampliá-lo.

Fleurant considera que a perda de mecanismos de controle armamentista entre as grandes potências provocará o aumento do gasto para desenvolver novos armamentos.

Além da acentuada desconfiança entre os EUA e a Rússia, cabe acrescentar que a China nunca participou desses tratados de controle armamentista, o que provocava receios tanto em Washington como em Moscou. O gigante asiático multiplicou por 15 seu gasto militar desde os anos oitenta, com aumentos anuais há 25 anos consecutivos. Em 2018, elevou-o em 5%, chegando a um quarto de trilhão de dólares. E desde que se converteu, em 2008, no segundo maior investidor mundial em Defesa, Pequim atribuiu a cada ano em torno de 2% de seu PIB ao reforço da sua capacidade militar.

Os Estados Unidos, a Rússia e a China competem pelo desenvolvimento de novos armamentos como os mísseis hipersônicos, que tornariam ineficientes os atuais sistemas de defesa. Diferentemente de Washington e Pequim, Moscou reduziu no ano passado seu gasto militar em 3,5%, embora Fleurant explique a redução pelo investimento extraordinário feito entre 2010 e 2015 para modernizar seu armamento. Por isso, a especialista acredita que o investimento russo crescerá em curto prazo, apesar das dificuldades econômicas que arrasta há anos por causa da queda do preço dos hidrocarbonetos e das sanções ocidentais.

Arábia Saudita, por sua vez, se manteve como o terceiro maior investidor mundial em Defesa, além de ser o principal importador mundial de armamentos. O Reino do Deserto — que lidera a intervenção militar no Iêmen — destinou no ano passado 8,8% de seu PIB à Defesa, a percentagem mais alta entre todos os países analisados.

Em termos gerais, o gasto militar mundial cresceu 2,6% e superou 1,8 trilhão de dólares, atingindo o máximo histórico desde que existem cifras consideradas confiáveis (1988). Os dados do SIPRI não incluem alguns Estados com investimentos notáveis em Defesa, como a Coreia do Norte, a Síria, a Eritreia e os Emirados Árabes Unidos.

Aumentos na OTAN refletem receio com a Rússia

Os 29 membros da OTAN aumentaram conjuntamente seu gasto militar em 7% (249 bilhões de reais) em 2018 com relação ao ano anterior. França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha tornaram a elevar moderadamente seu gasto nos últimos anos depois dos fortes cortes que se seguiram à crise financeira de 2008.

Entretanto, são alguns dos membros mais recentes os que mais incrementaram seu investimento. Romênia, Bulgária, Lituânia e Letônia aumentaram seu gasto militar em torno de 20%; a Polônia, em 10%. “Não há um fator único, mas a inquietação que a Rússia provoca nesta zona é o principal”, diz por e-mail Nan Tian, pesquisador do SIPRI. Nan considera que a pressão que Trump exerce para que os sócios europeus elevem seu gasto em Defesa não foi determinante.

A Turquia também aumentou o gasto, 24%. “Está em plena modernização do Exército, e suas operações militares contra os curdos implicam um custo extra muito elevado”, afirma Nan.
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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/a-expansao-armamentista-e-derrocada-da.html

Trump contradiz declarações de Pompeo e Bolton sobre Venezuela após conversa com Putin

Presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo russo, Vladimir Putin, durante a reunião em Helsinque, Finlândia
© Sputnik / Aleksei Nikolsky

O presidente dos EUA Donald Trump parece contradizer as declarações de seus altos funcionários sobre o "envolvimento" russo na Venezuela após uma conversa telefônica com o presidente russo Vladimir Putin realizada em 3 de maio.

"Conversamos sobre muitas coisas. A Venezuela foi um dos temas. E ele [Vladimir Putin] não tem interesse de modo algum em se envolver na Venezuela, além de querer ver algo positivo acontecer com a Venezuela. E eu sinto o mesmo", disse Trump falando com jornalistas em Washington na sexta-feira (3) durante uma reunião com o primeiro-ministro eslovaco.

Segundo Trump, os EUA queriam ajudar a Venezuela “em uma base humanitária", inclusive com a entrega de alimentos e água para a população "faminta" do país. "Acho que tive uma conversa muito positiva com o presidente Putin sobre a Venezuela", disse Trump.

As declarações de Trump parecem estar em desacordo com as alegações anteriores de vários de seus principais funcionários, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo e o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, sobre a alegada "interferência" russa na Venezuela.


Durante uma prolongada conversa telefônica nesta sexta-feira (3), presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega russo, Vladimir Putin, discutiram a situação na Venezuela, informou a Casa Branca.

Na quarta-feira (1), Pompeo falou por telefone com o chanceler russo, Sergei Lavrov, tendo dito que a Rússia não deveria "interferir" no país latino-americano. Lavrov chamou as acusações de envolvimento russo nos assuntos venezuelanos de "bastante surrealistas" e disse que a "posição de princípio" da Rússia era "nunca interferir nos assuntos dos outros países".

Bolton, por sua vez, avisou os países "de fora do Hemisfério Ocidental" para que não instalem forças militares na Venezuela e confirmou que a Doutrina Monroe, adotada por Washington no final do século XIX, continua a ser seguida pelos dirigentes do seu país.


A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam sendo completamente fiéis às autoridades legítimas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050413809278-trump-contradiz-declaracoes-de-pompeo-e-bolton-sobre-venezuela-apos-conversa-com-putin/

Deputados dos EUA aprovam acordo de Paris, mas Trump prepara veto

Congresso dos EUA
© East News / UPI Photo/eyevine

A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou nesta quinta-feira (2) um projeto de lei para anular a ação do presidente Donald Trump e manter os Estados Unidos no Acordo de Paris, ao que a Casa Branca já emitiu uma ameaça de veto.

A Câmara aprovou a lei de Ação climática Imediata com 231 votos a favor e 190 contra, determinando que o presidente "desenvolva um plano para os Estados Unidos cumprirem sua contribuição determinada nacionalmente sob o Acordo de Paris", por uma votação de 231 a 190.


"Hoje enviamos uma mensagem ao presidente, ao povo americano e ao mundo de que reconhecemos a seriedade da crise climática e que pretendemos fazer a nossa parte para enfrentá-la. Hoje enviamos a mensagem: ainda estamos dentro [do acordo]", disse o congressista Frank Palone, presidente do Comitê de Energia da Câmara, após a aprovação do projeto na.

A nova lei estipula que nenhum fundo federal pode ser gasto ou alocado de qualquer forma para promover a retirada dos EUA do Acordo de Paris.

O projeto agora vai Senado e enfrenta uma maioria republicana hostil. A expectativa é de que o projeto não consiga atingir uma maioria de dois terços nas duas câmaras do Congresso, a quantidade de votos exigida para anular um veto presidencial.

No dia 1º de junho de 2017, o presidente Donald Trump anunciou sua intenção de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Sob os termos desse tratado, os EUA devem deixar o acordo a partir de 4 de novembro de 2020.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019050213798416-acordo-paris-eua-trump-aquecimento-global-acordo-de-paris/

Congressista americana culpa sanções dos EUA por 'devastação' na Venezuela

A deputada norte-americana Ilhan Omar, do Partido Democrata, responsabilizou em parte as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela pela situação de caos instalada no país sul-americano.

Em entrevista ao Democracy Now!, Omar, que representa os eleitores do estado do Minnesota, afirmou que tais medidas, além de prejudicar os venezuelanos, também não atendem aos interesses dos EUA. 

"Ilhan Omar fala contra as sanções dos EUA e apoio bipartidário para a mudança de regime na Venezuela."

​"Muitas das políticas que implementamos meio que ajudaram a levar a Venezuela à devastação", disse ela.

De acordo com a congressista, os norte-americanos prepararam o cenário ao qual "estamos chegando hoje", que, para ela, não traz benefícios a ninguém.

"Esse bullying em particular e o uso de sanções para eventualmente intervir e fazer mudanças de regime realmente não ajudam as pessoas de países como a Venezuela, e certamente não ajudam e não são do interesse dos Estados Unidos."

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https://br.sputniknews.com/americas/2019050213797779-sancoes-americanas-venezuela/

EUA enfrentarão país 'duro de matar' na América Latina, diz americanista

A operação dos EUA na América Latina poderia ter uma "chance histórica" de aumentar a aprovação do presidente norte-americano Donald Trump na véspera das eleições, escreveu The Wall Street Journal.

Recentemente, o colunista do The Wall Street Journal, Walter Russell Mead, escreveu que a derrota do presidente da Venezuela Nicolás Maduro teria sido um grande sucesso para os EUA, mas o apoio da Rússia à Venezuela atrapalhou o plano estadunidense.


O cientista político americanista da Academia de Ciência da Rússia, Konstantin Blokhin, em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, disse acreditar que a derrota de Maduro poderia ter sido apresentada pela administração Trump como sua maior conquista da política externa, recordando que houve "vitórias hipotéticas" dos EUA sobre Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em uma série de países) ou a última cúpula com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.

"Golpe na Venezuela seria recebido pelos Estados Unidos como um 'princípio dominó', vindo a ser esperada uma sequência com Cuba, Nicarágua etc. Mas dificilmente isso aconteceria, porque, mesmo não falando sobre Venezuela, os cubanos, por exemplo, pode-se dizer que, a um nível genético, já se acostumaram com uma vida de sanções e de pressão inacreditável dos EUA. Cuba é [um país] 'duro de matar' para EUA."

O americanista reforça que as nações da "América latina, veem que a Rússia e a China se mostram interessadas no continente e concluem que não estão 'abandonadas' à mercê dos EUA e que elas não são mais 'quintal' dos Estados Unidos".


O que, para o cientista político, significa apoio moral da Rússia. Blokhin sublinhou que a "política de ultimatos" norte-americana vai somente afastar América Latrina dos EUA.

Na quarta-feira (17), o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou que, a partir do dia 2 de maio, vai ser anulada uma antiga proibição a ações civis de cidadãos norte-americanos contra empresas estrangeiras que usam propriedades confiscadas pelo governo cubano desde a revolução de 1959 de Fidel castro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019042513755519-eua-enfrenta-pais-duro-matar-amrica-latina/

'Levante as sanções e peça desculpas se quiser conversar', diz líder iraniano aos EUA

Hassan Rouhani, presidente do Irã
© AP Photo / Vahid Salemi

Os EUA devem primeiro suspender as sanções e pedir desculpas, se quiserem se sentar para as negociações, afirmou o presidente do Irã, Hassan Rouhani, depois que Washington intensificou a "pressão máxima" sobre Teerã.

"A negociação só é possível se todas as sanções forem levantadas, eles peçam desculpas por suas ações ilegais e exista respeito mútuo", disse Rouhani nesta quarta-feira.


Ele afirmou que Teerã está aberto a negociações com Washington, mas os EUA simplesmente "não estão prontos para qualquer diálogo" e só procuram "subjugar o povo do Irã".

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, declarou que o país vai impedir qualquer tentativa dos EUA de bloquear seu comércio de petróleo.

"Os esforços dos EUA para boicotar a venda do petróleo do Irã não os levarão a lugar nenhum. Vamos exportar nosso petróleo tanto quanto precisamos e pretendemos. Eles devem saber que sua medida hostil não ficará sem resposta. A nação não fica ociosa diante de animosidades", escreveu no Twitter.

A advertência veio depois que o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou que Washington deixaria de emitir uma isenção de sanções para os compradores de petróleo iraniano. Isso foi feito como parte da campanha para aplicar "pressão máxima" sobre Teerã, disse ele.

"A pressão máxima sobre o regime iraniano significa pressão máxima. É por isso que os EUA não farão exceções aos importadores de petróleo iraniano. O mercado global de petróleo continua bem abastecido. Estamos confiantes de que permanecerá estável à medida que as jurisdições se afastarem do petróleo iraniano", comentou.

Os dois Estados permanecem em um impasse diplomático depois que o presidente Donald Trump retirou unilateralmente os EUA do Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA) no programa nuclear iraniano no ano passado. Os EUA então re-impuseram sanções aos setores energético e bancário do Irã.

O Irã criticou as sanções como ilegais segundo a lei internacional e prometeu retaliar se Washington tomar medidas para atacar seu carregamento de petróleo.

No início deste mês, os EUA listaram o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã como uma "organização terrorista". Teerã respondeu do mesmo modo fazendo o mesmo com o Comando Central dos EUA (Centcom).

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019042413749577-ira-negociacao-eua/

Construindo diplomacia com porta-aviões

Construindo diplomacia com porta-aviões

O embaixador dos EUA na Rússia, John Huntsman, ameaçou Moscou com dois porta-aviões norte-americanos posicionados no mar Mediterrâneo.

Segundo ele, cada embarcação representa "cem mil toneladas de diplomacia internacional" e "demonstra para a Rússia que, se ela realmente espera melhorar a relação com os EUA, tem que parar com as atividades desestabilizadoras em todo o mundo".

Dois grupos de porta-aviões da Marinha dos EUA iniciaram operações conjuntas na região em 23 de abril. No total, das manobras participam 130 aviões, dez navios, inclusive porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS John C. Stennis.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2019042413749420-diplomacia-porta-avioes-russia-eua-huntsman/

Raríssimo: Quando a “Patroa” da CIA Fala em Público…

É um acontecimento que só pela sua raridade já merece destaque.

CIA Director Gina Haspel Speaks at Auburn University:

“(…) Over the past year, our leadership team has taken steps to improve CIA’s ability to tackle the many challenges we face. And our efforts are beginning to pay off.

For starters, we’ve devoted more time, money, and creativity to our effort against some our nation’s toughest adversaries.

Our Russia and Iran investment has been strengthened after years of falling behind our justifiably heavy emphasis on counterterrorism in the wake of 9/11. Groups like ISIS and al-Qa‘ida remain squarely in our sights, but we’re honing our focus and resources on nation-state rivals.

Additionally, we’re applying cutting-edge technologies and tradecraft to allow us to react more quickly to global developments—like targeting a terrorist organization wherever it arises and before it spreads.

We’re making great strides with our foreign partners—those ties are stronger than ever. And let me tell you ….”

 

Here’s a link to her written comments posted by the CIA:

CIA Director Gina Haspel Speaks at Auburn University

 


Exclusivo Tornado / IntelNomics


Julian Assange e a agenda para a Guerra Global

A perseguição dos EUA a Julian Assange tem uma justificação fundamental: a prática política, económica e militar da maior potência imperialista só pode ser defendida mentindo, silenciando e falsificando toda a informação. O que Wikileaks fez e continua a fazer é desmascarar essa colossal ocultação de sucessivos crimes contra a humanidade.

Introdução

Durante quase uma década Washington tentou silenciar, prender e eliminar o mais destacado jornalista de investigação do mundo, Julian Assange (JA) e a sua equipa de colaboradores no Wilkileaks (WL).

Nunca os media de massa foram tão desacreditados por documentos oficiais que contradizem directamente a propaganda oficial, verbalizada por líderes políticos e papagueada por “líderes” jornalísticos.

Washington está particularmente empenhado em capturar JA porque as suas revelações tiveram um impacto particularmente poderoso sobre o público dos EUA, os críticos políticos, os media alternativos e grupos de direitos humanos, operando a sua viragem contra as guerras dos EUA no Médio Oriente, Sul da Ásia, África e América Latina.

Discutiremos o que JA e WL realizaram e porquê o gume particularmente afiado da sua reportagem perturbou o governo.

Vamos depois discutir os conflitos “em curso” e o fracasso da Casa Branca em conseguir uma vitória decisiva, como factores que levaram Washington a intensificar os seus esforços para fazer de JA um “exemplo” para outros jornalistas - exigindo que eles se “moldem” ou paguem as consequências, incluindo a prisão.

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Contexto para as revelações públicas (Whistleblowing)

No final de uma década de guerra, a oposição ao envolvimento dos EUA no Iraque e no Afeganistão tinha-se alargado a sectores do establishment militar e civil. Foram divulgados documentos e os críticos foram encorajados a disponibilizar relatórios revelando crimes de guerra e o custo em vidas humanas. WL, sob a liderança de Assange, foram os destinatários de centenas de milhares de documentos que provinham de analistas militares, empreiteiros e detentores de cargos civis desgostados das mentiras oficiais e dos media de massas que perpetravam e davam cobertura a crimes de guerra.

Como as guerras se arrastavam, e novas guerras foram lançadas na Líbia e na Síria e os congressistas liberais estavam impotentes e não estavam dispostos a expor as mentiras dos regimes Obama/Clinton e as falsificações que acompanharam o assassínio do Presidente Kadhafi, Wilkileaks e JA divulgaram documentos que revelaram como os EUA planearam, implementaram e fabricaram Guerras Humanitárias para “salvar as pessoas”… bombardeando-as!

As principais redes de comunicação e a imprensa de prestígio seguiam a linha oficial, mas os documentos WL desacreditaram-nos.

O Pentágono, a CIA, a Presidência e os seus apoiantes no Congresso entraram em pânico – à medida que as suas atividades secretas vinham à tona.

Recorreram a várias acções desesperadas, todas direccionadas a silenciar a liberdade de expressão. Acusaram de “espionagem” os jornalistas de investigação – “que trabalhavam para a Rússia ou para os terroristas islâmicos” ou que eram simplesmente “traidores por dinheiro”.

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À medida que a mensagem WL ganhava legitimidade, Washington voltou-se para o sistema judiciário em busca de sentenças para amordaçar os seus críticos. A liberdade de expressão foi criminalizada. Mas WL continuou. Novos e mais críticos denunciantes entraram em cena; Chelsea Manning, Edward Snowden, William Binney e outros disponibilizaram novas evidências devastadoras das grosseiras distorções e fabricações sobre mortes de civis por parte de Washington.

Aos olhos do Pentágono Julian Assange era O Inimigo porque se recusou a ser comprado ou intimidado. WL despertou com sucesso a desconfiança nos meios de comunicação de massa e a desconfiança nas notícias de guerra oficiais difundidas entre o público.

O Pentágono, a Casa Branca e o aparelho dos serviços de informações procuraram os espiões “internos” que disponibilizavam documentos a WL. A prisão de Julian Assange foi colocada na crença de que a “decapitação” do líder intimidaria outros jornalistas de investigação. JA fugiu para salvar a vida, e procurou e recebeu asilo na Embaixada do Equador no Reino Unido.

Depois de sete anos de pressão, os EUA conseguiram que o Presidente equatoriano Lenin Moreno violasse a constituição do seu próprio país e permitisse que a polícia britânica detivesse JS, o prendesse e preparasse a sua extradição para Washington, onde o regime encontrará o quadro judicial apropriado para o condenar à prisão perpétua ou … pior.

Conclusão

Os crimes de guerra cometidos por Washington são de tal dimensão que corroeram o passivo e submisso ethos dos seus funcionários públicos; tendo perdido a confiança, o governo sustenta-se em ameaças, expulsões e processos crime.

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Os jornalistas de investigação estão sob pressão por parte do coro de prostitutas de imprensa e enfrentam processos crime
Liberdade de expressão hoje significa “liberdade” para obedecer ao Estado.

O julgamento que se segue de Julian Assange é mais do que sobre a liberdade de expressão. É sobre a capacidade de Washington de prosseguir guerras globais, aplicar sanções ilegais contra países independentes e recrutar Estados vassalos sem oposição. Washington, sem a consciência do público, poderá iniciar guerras comerciais e difamar impunemente os concorrentes .

Uma vez silenciados e/ou presos os delatores, vale tudo.
No período actual muitos jornalistas perderam a capacidade de falar a verdade ao poder, e jovens redactores que buscam oportunidades e modelos a seguir enfrentam a ameaça da censura hierarquicamente imposta por meio de punições. A Casa Branca procura converter o país numa câmara de eco das mentiras das guerras “humanitárias” e golpes “democráticos”.

O governo dos EUA prossegue hoje uma guerra contra a Venezuela. O Tesouro rapina os seus recursos e riquezas e o Estado nomeia o seu presidente em nome de “valores democráticos”.

O regime de Trump está a matar à fome o povo da Venezuela para o submeter, em nome de uma missão humanitária, enredo que apenas é contestado por poucos jornalistas nos meios de comunicação alternativos.

Washington prende JA para garantir que os crimes contra a Venezuela prosseguirão impunemente.

Fonte: https://petras.lahaine.org/julian-assange-and-the-agenda-for/

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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Sim, houve colaboração com os russos. Sim, houve obstrução à Justiça

(Pacheco Pereira, in Público, 20/04/2019)

Pacheco Pereira

 

Já me queixei disto e vou-me queixar outra vez: eu sou vítima do Trump. Sou vítima do Trump, porque a política americana desde 2016 é a mais interessante do mundo, a mais importante de seguir, a mais perigosa do mundo. Aquela em que melhor se pode perceber o que é o carisma, o que é a política pós-pós-moderna, a criatividade perversa, a degeneração interior da democracia, os mecanismos científicos de manipulação das massas na época das “redes sociais”, a autodestruição de um grande partido nacional pelo medo e pela gula, a tentativa de governar em autocracia, sem respeito pela separação de poderes, sem limites do “executivo”, a hipocrisia religiosa dos zelotas face ao poder, o ódio e o ridículo como instrumentos para rebaixar o adversário, o papel da violência sugerida e incentivada para destruir os laços sociais de vida em comum, a arregimentação dos “nossos” contra os “deles”, a relativização absoluta da verdade, a mentira e o abandono dos factos numa linguagem ficcional de slogans e propaganda. George Orwell deveria conhecer Trump para escrever um segundo 1984.

Eis o catálogo. Como é que se pode esperar que eu encontre qualquer forma de interesse nas vicissitudes políticas caseiras, feitas de palha e nada, este disse, aquele não disse, este fez um inuendo, aquele fez um contra-inuendo, esta fez um ataque a coisa nenhuma, aquele defendeu-se com uma mão-cheia de nada e por aí adiante? Não devia, mas não consigo. Chega Trump e o seu reino do mal e, com a diferença de horas, lá se vai a noite e a madrugada.

Agora, é esse documento fabuloso que é o relatório Mueller, pelo menos na parte que foi divulgada, com páginas cheias de linhas grossas a negro. Por detrás dessas linhas podem ter a certeza que há muito mais e mais importantes coisas que virão a ser conhecidas. Estamos mais no princípio do que no fim. Mas vale a pena ler tudo, é mesmo daqueles documentos que prendem a atenção e a leitura sem parar, muito melhor do que qualquer ficção política.

Com a mesma pressa e ligeireza analítica com que nos primeiros dias se desvalorizou a vitória democrática no Congresso, antes de se perceber que tudo mudara, agora ficamos umas semanas com a síntese mentirosa do procurador Barr a desvalorizar o relatório e as salvas de vitória com o mantra de Trump do “no collusion, no obstruction”, nenhuma das coisas confirmadas pelo relatório nestes termos propagandísticos. Pelo contrário, houve extensa colaboração com os russos, aquilo a que hoje se chama “sinergias”, mas não houve provas suficientes para a acusação de um crime. No entanto, vários colaboradores próximos de Trump vão para a cadeia exactamente por terem mentido sobre os seus contactos com os russos. Coincidências. É só esperar que um dia se abra o arquivo do GRU e do FSB, para então as partes encaixarem entre si. E se Trump lhes escapar, os russos são meninos para fazer “fugas” selectivamente. Nós sabemos e Trump também sabe.

E houve obstrução, que Mueller atira para cima do Congresso, sabendo muito bem que já será o novo Congresso democrático a decidir. O elo fraco da resistência a Trump é o Partido Democrático, e não é certo o que vai acontecer. Mas basta ler o relatório para se perceber a continuada tentativa de Trump de impedir as investigações, e Mueller escreve, preto no branco, que não pode exonerar o Presidente dessa acusação.

Depois, há os detalhes, imensos detalhes. Os detalhes são onde habita o Diabo, e aqui é uma confraria de diabos inteira que fica à solta. O relatório Mueller será sempre, por isso, um documento singular para um tratado que precisa de ser escrito nos nossos dias intitulado “Como Se Destrói Uma Democracia por Dentro”. Claro que há muito precedentes, havia inconsistências legais, definições do poder executivo ambíguas, contradições, patologias da democracia americana, que são todas anteriores a Trump. Mas Trump usou-as todas em seu proveito para instituir uma presidência autocrática, acolitada por uma espécie de grand guignol, uma administração de gnomos maldosos, dirigida, moldada, dominada, por uma personagem carismática completamente amoral, capaz de fazer tudo o que acha que pode fazer sem pensar duas vezes.

É um erro considerar que Trump é um epifenómeno que passará depressa, uma anomalia que o “sistema” engolirá nas próximas eleições. A palavra carisma é muito mal usada por cá, mas é mesmo isso que Trump é, carismático, um tipo intuitivo, criador, poiético, que revelou mais do que ninguém as fragilidades da democracia no século XXI.

Mas o relatório Mueller faz-lhe muita mossa. Não era preciso ser um génio da análise para se perceber que vinha aí uma gigantesca pedra feita de detalhes e contexto que caía em cima de Trump, de Barr, de Pence, de Jared, de Ivanka, dos “trumpinhos”, de Sarah Sanders, de Kellyanne, e dos propagandistas da Fox News, Hannity, Tucker, e do partido da vergonha, os republicanos. Eles vivem na lama, e se calhar gostam dos salpicos, mas a pedra vem a caminho e é grande.

E a pedra vai-se dissolver aos poucos, com cada detalhe fazendo o seu caminho “revelador”, viral, moldando a cabeça das pessoas, umas (talvez poucas) mudando-lhes a opinião, outras mobilizando-as para a necessidade da “resistência”, e outras, talvez a maioria, dando-lhes consciência do perigo por que o país está a passar com este homem à frente. Por isso mesmo, Trump tinha razão quando disse sobre esta investigação: “I’m fucked.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

EUA | A geração millennial renova os sindicatos

Sindicalismo dá mostras de vitalidade no centro do sistema. Jovens que ficaram de fora do “sonho de consumo” impulsionam onda de protestos e greves, desde 2018. Eles já não querem apenas salários melhores — querem voz na política

Rôney Rodrigues | Outras Palavras
Trump propagandeia que é o responsável por um boom económico “sem precedentes” nos EUA. O problema é que muitas trabalhadoras e trabalhadores não estão recebendo nenhum pedaço desse grande “bolo de prosperidade” – se é que ele existe. Decidiram, então, lutar por seus direitos, um fato insólito dado o frágil sistema de direitos trabalhistas estadunidense. Por isso, o ano passado foi histórico para os EUA, representando uma efervescência sindical depois de um refluxo de quase cinco décadas.

Afinal, desde a metade dos anos 1970, começou-se uma fase de implantação de políticas neoliberais: além de privatizações e desregulamentações, uma nova organização do trabalho: fragmentação e terceirizações, acompanhadas da transferência de fábricas para regiões com menos sindicatos e legislação trabalhista. Cresceram, também, os macjobs: empregos temporários e precários, sem direitos e sem benefícios e mal remunerados que exploram a força de trabalho principalmente de jovens, mulheres e imigrantes.


Mas vamos recapitular esse intenso 2018 trabalhista dos EUA. Professores de dez estados paralisaram suas atividades reivindicando melhorias na educação pública. Em Los Angeles, foram 300 mil, numa mobilização ruidosa, que tomou as ruas por várias semanas e repercutiu em todo o país. O movimento Fight for $15, que exige que o salário mínimo federal seja aumentado para 15 dólares por hora, ganhou força nas ruas. Milhares de funcionários do Google entraram em greve contra o comportamento inadequado de alguns executivos, acusados de assédio sexual. Funcionários da rede hoteleira Marriott realizaram, conjuntamente, greve em vários estados por melhores salários e condições de trabalho. O Black Lives Matter, movimento organizado contra a violência sofrida pela população negra, também está fortalecido e participou de vários atos pelos direitos civis. A Amazon desistiu de construir uma sede em Nova York, fato motivado, em grande parte, por uma série de denúncias contra suas práticas antissindicais.

As grandes empresas parecem estrangular os trabalhadores – e apesar, ou justamente por isso, cresce o apoio ao movimento sindical. E quem está liderando essa aparente mudança no cenário político dos EUA é justamente uma das faixas mais exploradas em trabalhos estilo macjobs: jovens com menos de 35 anos, a conhecida Geração Millennials.

A nova cara dos sindicatos

Essa “juventude sindicalista” é composta, geralmente, por trabalhadores recém-ingressados no mercado com dívidas estudantis, empregos instáveis e com alugueis caríssimos para pagar no final do mês. Eles não veem outra opção a não ser buscar ferramentas institucionais, como os sindicatos, para reivindicar melhores condições de trabalho e de vida. De acordo com o Bureau of Labor Statistics dos EUA, de 2016 para 2017, aumentou em 400 mil o número de novos sindicalizados com menos de 35 anos, enquanto na faixa etária superior a essa se manteve estável. No entanto, a taxa geral de adesão aos sindicatos estadunidenses está caindo com o passar dos anos.

De acordo com Steven Pitts, professor de trabalho da Universidade da Califórnia, em entrevista para o Quartz at Work, três fatores podem explicar essa mudança na composição dos sindicatos.

1-Algumas indústrias dos EUA com forte taxa de sindicalização, como de empresas manufatureiras e de mineração, estão se contraindo. “Se uma fábrica de aço for desligada”, afirma Pitts, “não são apenas os empregos perdidos. Você também perde muitos sindicalistas ” — alguns com décadas de ação e experiência.

2- Os jovens não se lembram das décadas de 1970 e 1980, quando os sindicatos foram demonizados na imprensa pelas grandes empresas e pelos políticos, acusados de “matar empregos”, “fachada para gângsters” ou “antro de imigrantes”. Logo, não se contaminaram por esse discurso conservador. O professor também vê um paralelo entre a ascensão dos sindicatos e o ressurgimento do socialismo.

3-Trabalhadores de setores não tradicionais, principalmente de serviços ligados a tecnologia, começam a formar seus próprios sindicatos. Promovem comunicação direta com os jovens, por meio de encontros presenciais e mídias digitais. Junto com a perda do poder de compra, nos últimos anos, este diálogo amplia a adesão sindical.

O professor Pitts acredita, no entanto, que o aumento da filiação sindical também é motivado pelo aumento da oferta de empregos: em 2018, os EUA tiveram uma das mais baixas taxas de desemprego em 50 anos, ao mesmo tempo em que não houve um significativo aumento do salário real – e os custos de vida, como em saúde, educação e habitação, aumentaram muito. Ou seja: mais pessoas empregadas com baixos salários resulta em uma maior taxa de sindicalização.

Quais as estratégias de luta dos sindicatos?

Quando Trump paralisou as atividades do setor público estadunidense como chantagem para que o Congresso aprovasse um financiamento para a construção de um muro na fronteira com o México, Sara Nelson, presidente da Associação de Comissários de Bordo, uma das mais conhecidas lideranças trabalhistas do país, defendeu arduamente que se realizasse uma greve geral contra a política orçamentária do presidente, o que agitou a militância sindical e os funcionários públicos federais. A Associação de Educação de Professores de Milwaukee (MTEA) – que sempre se manteve distante dos sindicatos e, muitas vezes, até entrando em choques com a população negra estadunidense que atendia – recentemente reinventou-se. Quando o ex-governador de Wisconsin, Soctt Walker, lançou um violento ataque às negociações coletivas dos professores, aproximou-se da comunidade para promover uma visão igualitária e uma educação inclusiva, inspirando outros professores em todo o país.

O que há em comum entre esses dois episódios, e os vários protestos de 2018, é a aposta que a luta sindical deveria ser feita também na esfera política, com negociações em setores mais amplos da economia (ao contrário de antes, onde eram limitadas e fragmentadas por estado, cidade ou empresa).

Nelson Lichtenstein, professor de história da Universidade da Califórnia, entrevistado para um especial da revista Dissent, analisa: os trabalhadores entenderam que, se o capital está articulado sem fronteiras, eles também deveriam fazer o mesmo. O desafio de agora, segundo ele, é construir um poder opositivo e ativo em uma sociedade dominada pelo capital. Afinal, a cada dia, é consenso entre os lideres sindicais que uma reforma da legislação trabalhista estadunidenses é fundamental não somente para corrigir o regime de trabalho e emprego precários, mas também como forma de combater a desigualdade econômica e política no país.

Há um crescente consenso entre os líderes sindicais de esquerda, acadêmicos e especialistas em políticas públicas: a reforma da lei trabalhista fundamental é necessária não apenas para corrigir um regime de trabalho e emprego quebrado, mas também para lidar com a desigualdade econômica e política.

Ruth Milkman, socióloga do trabalho, também em entrevista ao Dissent, destaca que durante muitos anos era recorrente culpar os imigrantes pela precarização do trabalho nos EUA – uma estratégia diversionista já sacada pelo movimento sindical, com exceções na construção civil. Segundo ela, mesmo relativamente enfraquecidos, os sindicatos continuam como o maior contrapeso organizacional ao poder do capital – e essa renovação promovida pelos jovens millennials pode ser um componente crucial para a própria renovação da esquerda estadunidense.

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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/eua-geracao-millennial-renova-os.html

“Collapse”, análise da crise estrutural

Escrito por um colaborador de Bill Clinton, homem há várias décadas ligado Partido Democrata, embora bastante crítico de Obama, o acabado de publicar “Collapse” defende a tese de que só um “assertive democratic idealism” pode salvar o mundo de um colapso total.

Douglas E. Schoen começa por estabelecer que as elites de governo deram a primazia aos seus próprios interesses em detrimento do interesse colectivo. Em resultado, a presidência de Obama foi uma “downward spiral”, incapaz de responder aos desafios que a situação colocava, tanto no plano interno como no externo.

Exemplo dessa incapacidade de Obama é o “ruinous nuclear deal with Iran” que “has all but guaranteed Tehran will become a nuclear power”. No plano interno, Schoen destaca a “growing income inequality” e as “failing schools”… Em consequência, “the public has grown increasingly disgusted with elite institutions, especially government, but also business and the media”.

É esta perda de confiança na elite política reinante, nos seus media e nas instituições em geral que leva à ascensão e triunfo de Trump: “the problems and trends that led to Trump’s shock emergence have been festering for years…”. Mais explícito ainda: “Trump’s rise would not have been possible without the loss of trust in government and institutions.”

E pergunta final, será Trump, então, o homem certo no lugar e no tempo certos? Poderá Trump proporcionar a liderança que a América tanto precisa? Schoen tem dúvidas e dá uma resposta ambígua: “Pelo menos por enquanto, tudo se resume a Donald Trump. Ele está pronto para isso? Quererá ele sê-lo? As respostas a estas perguntas dir-nos-ão muita coisa.”

“Collapse: A World in Crisis and the Urgency of American Leadership”,

by Douglas E. Schoen – March, 2019

“Collapse” takes stock of a volatile and threatening international environment by looking at some of the underlying causes and flashpoints―the principal one being the failure of institutions and elites to respond to their constituencies and address the problems of our age.

This is a problem spanning the increased polarization that bred nationalist and populist movements, the continued failure of Western leaders to come up with effective strategies for combating authoritarian rivals like Russia and China, and the ongoing Islamist threat. 

Schoen makes clear that the indispensable ingredient for any constructive path forward is effective, engaged, and committed American leadership. This is discussed through the lens of the failed models of President Trump’s two recent predecessors, which reflected, respectively, an uncritical embrace of American power―lacking strategic insight and proportion―and an uncritical abandonment of American leadership that suggested an abject view of the U.S. moral example in the world. Instead, Schoen posits assertive democratic idealism―an embrace of U.S. moral leadership around the world but in ways that remain leavened by realism and a guiding understanding of our national interest. Whether President Trump can deliver on such a vision remains to be seen.

Editorial Reviews

At a moment when chaos and disequilibrium seem to define politics and statecraft around the globe, Schoen has given us not only a way to understand how we got here, but also a prescription for how we find our way back to a more perfect union and a calmer world. A seasoned veteran of political combat, he has advised presidents, prime ministers, governors, and mayors for decades. In his newest book, Collapse, he gives us a roadmap for a new north star for global stability.

During these anxious times, Schoen helps us imagine a path toward a more hopeful future. Part professor, part hardnosed political adviser, Schoen is the perfect tutor at the perfect time.”

 

Richard Plepler, Chairman and Chief Executive Officer of HBO

 

This is a bracing, authoritative, and lucid account of the geopolitical crisis that is now afoot in the world and the need for clear-sighted, moral American leadership on the world stage. Schoen explains in an engaging, highly readable manner how the twentieth-century international alliances and pillars of Western democracy have been eroded―and surveys the rising threats posed by authoritarianism, extremist Islam, and other challenges.

However, he does not succumb to defeatism; instead he appeals for a new type of American leadership known as ‘assertive democratic idealism,’ arguing that this could and should be supported by Democrats and Republicans alike. At a time when so much of the debate about domestic and global politics is deeply polarized, this vision of ‘assertive democratic idealism’ offers a welcome bipartisan call to arms, in the cause of common-sense policy making―and is precisely the type of sensible, clear-headed analysis which is so badly needed in Washington today.”

 

Gillian Tett, U.S. Managing Editor, the Financial Times

 

A remarkably comprehensive analysis of the challenges―internal and external―that we face today. Schoen is able to write intelligently about domestic and international issues alike, weaving them into one worrisome picture of the world. But Schoen ends up, like the man he worked for, Bill Clinton, optimistic about America’s ability to help the world out of the gloom and into broader sunlit uplands. Well worth reading.”

 

Fareed Zakaria, author of The Post-American World

 

Douglas E. Schoen has been one of the most influential Democratic campaign consultants for more than 40 years. A founding partner and principal strategist for Penn, Schoen & Berland, he is widely recognized as one of the co-inventors of overnight polling. His political clients include former New York City mayor Michael Bloomberg and President Bill Clinton, and his corporate clients include AOL Time Warner, Procter & Gamble, and AT&T. Internationally, he has worked for the heads of state of over 15 countries.

He is the author of multiple books; his newest, America in the Age of Trump, was published in the summer of 2017. Schoen is a regular contributor to the Wall Street Journal, the Washington Post, and various other newspaper and online publications, as well as Fox News. He is based in New York City.


Exclusivo Tornado / IntelNomics


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/collapse-analise-da-crise-estrutural/

A União Europeia ameaça acionar a OMC contra os Estados Unidos

 

Os Estados Unidos se preparam para aplicar o título III da Lei Helms-Burton (Cuban Liberty and Democratic Solidarity (Libertad) Act of 1996) autorizando os cidadãos dos EUA a reivindicar propriedades apreendidas em Cuba aquando da Revolução de 1959, 60 anos atrás.

Este dispositivo poderia declarar 200.000 reclamações como admissíveis.

Na realidade, as apreensões feitas por Cuba foram todas indenizadas (indemnizadas-pt) quando os proprietários apresentaram o pedido. No entanto, as grandes famílias que se haviam exilado nos Estados Unidos não aceitaram a Revolução, tentaram derrubar as novas autoridades e não reclamaram, em consequência, suas indenizações.

Se este dispositivo (validado pelo Presidente Bill Clinton) entrar em vigor, ele afetaria particularmente as cadeias de hotéis espanholas que possuem dois terços dos quartos em Cuba. Os antigos proprietários, que obtiveram a cidadania dos EUA, poderiam processar perante a Justiça dos EUA os investidores europeus e eventualmente confiscar seus bens em compensação.

Em 1996, a União Europeia e o domínio britânico do Canadá negociaram com o Presidente Clinton uma isenção da Lei Burton-Helms. Ela era renovada a cada seis meses desde então. A Administração Trump anunciou, em Janeiro, encurtar este período para 45 dias renováveis. Ela se prepara hoje para revogar definitivamente esta derrogação.

Segundo o El País, que teve acesso ao documento, a Alta Representante da União Europeia, Federica Mogerhini, escreveu ao governo dos Estados Unidos para indicar-lhe que, se isso acontecesse, ela acionaria a Organização Mundial do Comércio (OMC) [1]. Essa atuação, por seu turno, provocaria eventos em cascata, nomeadamente a apreensão, por recíproca, de ativos norte-americanos na União.

A entrada de uma queixa da União Europeia contra os Estados Unidos perante a OMC poderia, além disso, abrir reivindicações de todas as sociedades que sofreram bloqueios unilaterais de Washington com relação a terceiros países (o Irã, por exemplo).

Por sua vez, o Canadá realizou várias reuniões com o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, para expressar-lhe suas preocupações.


[1] «Bruselas amenaza a EE UU con represalias si reactiva el castigo a los inversores europeos en Cuba», Bernardo de Miguel y Amanda Mars, El País, 17 de Abril de 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Eles matam em nome de Washington

Rio, Cabul, Manila, Soweto, Chicago: “guerra às drogas” foi imposta em toda a parte, apesar de seu notável fracasso. EUA usam redes de tráfico para golpes e assassinatos. Felizmente, cresce oposição ao proibicionismo. Vencerá, no Brasil?

Alfred W. McCoy | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho e Simone Paz
Vivemos num tempo de mudanças, em que as pessoas questionam velhos pressupostos e buscando novas direções. Contudo, há no debate atual sobre cuidados de saúde, justiça social e segurança nas fronteiras uma questão negligenciada que deve estar no topo da agenda de todos, dos Socialistas Democráticos aos republicanos ultra-liberais: a mais longa guerra dos Estados Unidos. Não é a feita contra Afeganistão – é a “guerra às drogas”.

Por mais de um século, os EUA têm trabalhado por meio da ONU (e sua predecessora, a Liga das Nações) para construir um duro regime de proibição global às drogas. Ele tem como base leis draconianas, aplicadas por meio de policiamento generalizado, e resulta em encarceramento em massa. Nos últimos cinquenta anos, os EUA também travaram sua própria “guerra às drogas”, que complicou sua política externa, comprometeu sua democracia eleitoral e contribuiu para a desigualdade social. Talvez tenha finalmente chegado a hora de avaliar os danos que tudo isso causou e considerar alternativas.


Embora eu tenha sinalizado pela primeira vez, num livro de 1972, que a CIA tentou abafar o comércio de heroína no Sudeste Asiático, custou a maior parte da minha vida compreender como os complexos caminhos da guerra às drogas deste país, do Afeganistão à Colômbia, da fronteira com o México ao centro de Chicago, moldaram a sociedade norte-americana. No verão passado, o diretor francês de um documentário me entrevistou durante sete horas sobre a história das drogas ilícitas. Conforme íamos do século XVII até o presente, e da Ásia até a América, vi-me tentando responder a pergunta que não quer calar: o que, de fato, me ensinaram 50 anos de observação, além de alguns fatos aleatórios, sobre o caráter do tráfico ilícito de drogas?

Num sentido mais amplo, o último meio século acabou por me ensinar que as drogas não são apenas “tóxicos”; os traficantes não são apenas “bandidos”, e os usuários não são apenas “viciados” (isto é, outsiders inconsequentes). As drogas ilícitas são grandes commodities globais que continuam a influenciar a política dos EUA, nacional e internacionalmente. E as guerras contra as drogas criam lucrativos submundos secretos, nos quais essas mesmas substâncias florescem e se tornam ainda mais lucrativas. A ONU estimou uma vez que o tráfego transnacional, que fornecia drogas a 4,2% da população adulta do mundo, era uma indústria de US$ 400 bilhões, o equivalente a 8% do comércio global.

Por vias que poucos parecem entender, as drogas ilícitas tiveram uma profunda influência nos Estados Unidos modernos, moldando sua política internacional, suas eleições nacionais e suas relações sociais domésticas. No entanto, o sentimento de que as drogas ilícitas pertencem a um baixo mundo marginalizado tornou a política de drogas dos EUA algo relacionado apenas à aplicação da lei – não à saúde, à educação ou ao desenvolvimento urbano.

Durante esse processo de reflexão, voltei a três conversas que tive lá atrás, em 1971, quando era um estudante de graduação de 26 anos pesquisando meu primeiro livro,The Politics of Heroin: CIA Complicity in the Global Drug Trade (A política da heroína: cumplicidade da CIA no comércio global de drogas). No decorrer de uma odisseia de 18 meses em torno do planeta, encontrei três homens, profundamente envolvidos nas guerras às drogas, cujas palavras eu era então muito jovem para compreender completamente.

O primeiro é Lucien Conein, um “lendário” agente da CIA cuja carreira secreta ia de paraquedista no Vietnã do Norte, em 1945, para treinar guerrilheiros comunistas com Ho Chi Minh, até a organização do golpe da CIA que matou o presidente vietnamita do Sul Ngo Dinh Diem, em 1963. No curso de nossa entrevista, em sua modesta casa perto da sede da CIA em Langley, Virginia (EUA), ele expôs exatamente como os agentes da CIA, assim como tantos mafiosos da Córsega, praticavam as “artes clandestinas” de conduzir operações complexas fora dos limites da sociedade civil, e como essas “artes” eram, na verdade, o coração e a alma das operações secretas – assim como do tráfico de drogas.

O segundo é o coronel Roger Trinquier, cuja vida no submundo de drogas da França foi desde o comando de paraquedistas nas montanhas de cultivo de ópio do Vietnã, durante a primeira guerra da Indochina, no início dos anos 50, até servir como representante do general Jacques Massu em sua campanha de assassinato e tortura na Batalha de Argel, em 1957. Durante a entrevista em seu elegante apartamento em Paris, Trinquier explicou como ajudou a financiar suas próprias operações de paraquedista por meio do tráfico ilícito de ópio na Indochina. Ao sair daquela entrevista, senti-me quase esmagado pela aura de onipotência nietzscheana que Trinquier claramente adquirira em seus muitos anos nesse reino sombrio de drogas e morte.

Meu último mentor no tema das drogas foi Tom Tripodi, um agente secreto que treinou exilados cubanos na Flórida para a invasão da Baía dos Porcos pela CIA em 1961 e, no final dos anos 1970, infiltrou-se nas redes mafiosas da Sicília para a Agência de Repressão às Drogas dos EUA. Em 1971, ele apareceu na frente da porta da minha casa em New Haven, Connecticut, identificou-se como agente sênior da secretaria de Narcóticos do departamento do Tesouro e insistiu que a secretaria estava preocupada com o meu futuro livro. Bastante hesitante, mostrei-lhe apenas algumas páginas de rascunho do meu manuscrito de A política da heroína (The Politics of Heroin) e ele prontamente ofereceu-se a me ajudar a torná-lo o mais preciso possível. Nas visitas seguintes, eu lhe passaria os capítulos e ele se sentaria numa cadeira de balanço, mangas da camisa arregaçadas, o revólver no coldre de ombro, rabiscando correções e contando histórias notáveis sobre o tráfico de drogas. Como aquela, do tempo em que a secretaria descobriu que a inteligência francesa estava protegendo os cartéis da Córsega que contrabandeavam heroína para a cidade de Nova York. Muito mais importante, porém, através dele compreendi como alianças ad hoc entre traficantes criminosos e a CIA ajudaram a agência e o tráfico de drogas a prosperar, regularmente.

Olhando pra trás, posso agora ver como cada um daqueles agentes veteranos descreviam-me um universo político clandestino, um submundo secreto no qual agentes governamentais, militares e traficantes de drogas estavam livres dos limites da sociedade civil e empoderados para formar exércitos secretos, derrubar governos e até mesmo, talvez, assassinar um presidente estrangeiro.

Em seu núcleo duro, esse submundo era então, e continua sendo hoje, um reino político invisível habitado por atores criminosos e praticantes das “artes clandestinas” de Conein. Para dar uma noção de escala desse meio social, em 1997 as Nações Unidas informaram que cartéis transnacionais do crime tinham 3,3 milhões de membros, que traficavam drogas, armas, seres humanos e espécies animais em risco de extinção, em todo o mundo. Entretanto, durante a Guerra Fria todo os grandes poderes – Grã Bretanha, França, União Soviética e Estados Unidos – implantaram serviços clandestinos expandidos no mundo inteiro, tornando as operações secretas uma faceta central do poder geopolítico. O fim da Guerra Fria não mudou em nada essa realidade.

Por mais de um século, Estados e Impérios usaram seus poderes expandidos para campanhas morais de proibição que transformaram, de tempos em tempos, o álcool, o jogo, o tabaco e, acima de tudo, as drogas num comércio ilícito que gera dinheiro suficiente para sustentar esses mundos inferiores secretos.

Drogas e política externa norte-americana

A influência das drogas ilícitas na política externa dos EUA esteve evidente, entre 1979 e 2019, no fracasso abissal de suas infindáveis guerras no Afeganistão. Durante um período de 40 anos, duas intervenções norte-americanas naquele país criaram todas as condições para esse tipo de submundo secreto. Enquanto mobilizava fundamentalistas islâmicos para combater a ocupação soviética daquele país, nos anos 80, aCIA tolerava o tráfico de ópio por seus aliados mujahedinafegãos, ao mesmo tempo em que os armava para uma guerra de guerrilha que devastaria o campo, destruindo a agricultura convencional e o pastoreio.

Na década seguinte ao fim da intervenção das superpotências, em 1989, uma guerra civil devastadora e o governo do Talibã aumentaram a dependência do país em relação às drogas, ampliando a produção de ópio de 250 toneladas em 1979 a 4.600 toneladas em 1999. Esse aumento dramático transformou o Afeganistão de um país de economia agrícola diversificada no primeiro do mundo em monocultura de ópio – isto é, completamente dependente de drogas ilícitas para exportação, emprego e impostos. Essa dependência ficou demonstrada em 2000, quando o Talibã baniu o ópio, numa tentativa de reconhecimento diplomático, e reduziu a produção para 185 toneladas. A economia rural implodiu e seu regime entrou em colapso quando, em outubro de 2001, caíram as primeiras bombas dos EUA.

Para dizer o mínimo, a invasão e ocupação dos EUA em 2001-2002 falhou completamente ao lidar com a situação das drogas no país. De início, para tomar a capital — Kabul, controlada pelos Talibãs, a CIA mobilizou os líderes da Aliança do Norte, que há muito dominavam o comércio de drogas no nordeste do Afeganistão, bem como os senhores da guerra pashtuns,ativos como contrabandistas de drogas, na parte sudeste do país. No processo, criaram uma política pós-guerra ideal para a expansão do cultivo de ópio.

Embora a produção tenha aumentado nos três primeiros anos da ocupação dos EUA, Washington permaneceu de olhos fechados, resistindo a qualquer coisa que pudesse enfraquecer as operações militares contra os guerrilheiros do Talibã. Testemunha do fracasso desta política, a Pesquisa do Ópio no Afeganistão da ONU, de 2007, informou que a colheita naquele ano atingira um recorde de 8,2 mil toneladas, gerando 53% do produto interno bruto do país e representando 93% do suprimento desta droga do mundo.

Quando uma única commodity representa mais da metade da economia de uma nação, todo mundo – funcionários, rebeldes, comerciantes e traficantes – está direta ou indiretamente implicado. Em 2016, o New York Times informou que tanto rebeldes Talibãs quanto funcionários provinciais que se opunham a eles estavam envolvidos na luta pelo controle do lucrativo tráfico de drogas na província de Helmand, fonte de quase metade do ópio do país. Um ano depois, a colheita atingiu um recorde de 9 mil toneladas, o que, de acordo com o comando dos EUA, forneceu 60% dos recursos necessários ao sustento do Talibã. Desesperados para cortar esse financiamento, os comandantes norte-americanos enviaram caças F-22 e B-52 para destruir os laboratórios de heroína da insurgência em Helmand – causando danos irrelevantes a um punhado de laboratórios e revelando a impotência, mesmo dos armamentos mais poderosos, contra o poder social do submundo secreto das drogas.

Com a produção descontrolada de ópio sustentando a resistência talibã nos últimos 17 anos, e capaz de fazê-lo por mais 17, aúnica estratégia de saída dos EUA parece agora restaurar os rebeldes no poder, num governo de coalizão – uma política equivalente a admitir a derrota em suas longas intervenções militares e em sua ainda menos bem sucedida guerra às drogas.

Os Sumos Sacerdotes da proibição

Na última metade de século, a sempre mal-sucedida guerra às drogas dos Estados Unidos encontrou um servo cúmplice nas Nações Unidas, cuja postura duvidosa quando se trata de políticas sobre drogas, contrasta drasticamente com o seu trabalho auspicioso em questões como mudança climática e manutenção da paz.

Em 1997, o diretor de Controle de Drogas das Nações Unidas, Pino Arlacchi, decretou um programa de dez anos de duração, para erradicar todas as plantações ilícitas de coca e ópio do planeta, começando pelo Afeganistão. Um década depois, seu sucessor, Antonio Maria Costa, encobrindo essa derrota, anunciou no Relatório Mundial de Drogas da ONU de 2007, que “o controle das drogas está funcionando e que o problema mundial das drogas está sendo reprimido”. Enquanto líderes das Nações Unidas faziam promessas pomposas sobre a proibição das drogas, a produção mundial do ópio ilegal cresceu 10 vezes, de 1,2 mil toneladas em 1971 – ano em que começou oficialmente a guerra estadunidense às drogas – para um recorde de 10,5 mil toneladas em 2017.

Esse abismo entre uma retórica triunfal e a triste realidade, pede a gritos uma explicação. O crescimento da produção do ópio ilícito em 10 vezes é resultado de uma dinâmica de mercado que eu chamo de “o estímulo da proibição”. Basicamente, a proibição é a pré-condição necessária para a existência de um comércio global de narcóticos, gerando tanto senhores das drogas regionais, como cartéis transnacionais que controlam este vasto comércio. É evidente que a proibição garante a existência e o conforto desses cartéis criminosos, os quais, para evitar uma interdição, estão sempre mudando e desenvolvendo suas rotas de contrabando, hierarquias e mecanismos, estimulando uma proliferação mundial do tráfico e do consumo, enquanto asseguram que o submundo das drogas continue a crescer.

Procurando proibir drogas viciantes, os combatentes às drogas dos Estados Unidos e das Nações Unidas agem como se a mobilização por uma repressão forçada pudesse, de fato, reduzir o tráfico de drogas, graças a uma suposta inelasticidade ou aos limites da produção global de narcóticos. Entretanto, na prática, quando a proibição reduz as produções de ópio de alguma região (Burma ou Tailândia), os preços mundiais sobem, levando traficantes e produtores a vender seus estoques, antigos agricultores a plantar mais, e novas áreas (Colômbia) a se iniciar na produção. Resumindo: tal repressão, geralmente, só faz o consumo crescer. Por exemplo, se apreensões de drogas fazem os preços na rua aumentarem, os consumidores viciados irão manter seus hábitos cortando outras despesas (alimentação, aluguel) ou aumentando sua renda, vendendo drogas a novos usuários, e assim expandindo o comércio.

Em vez de reduzir o tráfico, na realidade, a guerra às drogas ajudou a estimular esse crescimento de dez vezes da produção mundial de ópio e o surto paralelo de usuários de heroína – de apenas 68 mil, no ano de 1970, para 886 mil, em 2017.

Ao atacar o fornecimento, evitando sempre enfrentar o consumo, a guerra às drogas dos EUA e das Nações Unidas, vem procurando uma “solução” que desafia a inabalável lei de oferta e demanda. O resultado: Washington e sua guerra às drogas foram da derrota ao desastre, nos últimos 50 anos.

A repressão doméstica às drogas “ilícitas”

Todavia, esta guerra às drogas possui um inacreditável poder de permanência. Tem persistido apesar de décadas de fracassos, devido a uma lógica partidária subjacente. Em 1973, quando o presidente Richard Nixon ainda combatia as drogas na Turquia e na Tailândia, o governador republicano de Nova York, Nelson Rockefeller, promulgou as infames “Leis de Drogas Rockefeller” (Rockefeller Drug Laws), as quais incluíam sanções obrigatórias – desde 15 anos de cadeia até prisão perpétua, a partir da posse de apenas pouco mais de 100 gramas de narcóticos.

Enquanto a polícia varria as ruas do centro da cidade de infratores de menor nível, as sentenças anuais de prisões em Nova York, por crimes relacionados com drogas, passaram de apenas 470, em 1970, para um pico de 8.500, em 1999. Os negros correspondiam a 90% dos encarcerados. As prisões estaduais de Nova York passaram a concentrar um número nunca antes imaginável, de 73 mil pessoas. Nos anos 80, o presidente Ronald Reagan, um republicano conservador, tirou a poeira da campanha antidrogas de Rockefeller, aplicando-a de forma interna intensamente, chamando-a de uma “cruzada nacional” contra as drogas e acrescentando penas federais draconianas para o uso pessoal das substâncias e o tráfico de pequena escala.

Nos 50 anos anteriores, a população carcerária dos EUA permaneceu extraordinariamente estável, apenas 110 presos para cada 100 mil pessoas. Porém, a nova guerra às drogas dobrou o número de presidiários, de 370 mil em 1981, para 713 mil em 1989. Com as leis antidrogas da era Reagan e a legislação estadual paralela, o número de presos chegou a 2,3 milhões em 2008, elevando a taxa de encarceramento do país para o assustador número de 751 prisioneiros em cada 100 mil cidadãos. Vale lembrar: 51% dos que se encontram em penitenciárias federais foram detidos por infrações ligadas a drogas.

Tal encarceramento em massa levou também a uma significativa perda de direitos, dando início a uma tendência que faria com que, em 2012, 6 milhões de pessoas tivessem seu voto negado, incluindo 8% de toda a população de afro-americanos em idade de votar, um eleitorado que havia se tornado majoritariamente democrata há mais de meio século. Somado a isso, este regime carcerário concentrou suas populações prisionais, incluindo guardas e outros trabalhadores penitenciários, nos distritos rurais conservadores do país, criando algo semelhante aos recentes “distritos podres” do Partido Republicano.

Por exemplo, consideremos o 21º Distrito de Nova York,, que abarca a região das Adirondacks e, ao norte, o enclave entre estados, com uma ampla floresta. O distrito abriga 14 prisões estaduais, que englobam 16 mil presidiários, 5 mil empregados e 8 mil membros de suas famílias — fazendo deles, coletivamente, o distrito que mais emprega gente e a presença política mais decisiva. Acrescentando as 13 mil pessoas (aproximadamente) das tropas nas proximidades de Fort Drum, temos um sólido bloco conservador de 26 mil votantes (e 16 mil não-votantes), ou a maior força política, num distrito onde apenas 240 mil residentes realmente votam. Não é de surpreender que a congressista republicana em exercício tenha sobrevivido à onda democrata de 2018, ganhando facilmente, com 56% dos votos. (Por isso, nunca diga que a guerra às drogas não teve efeito).

Os republicanos de Reagan tiveram tanto sucesso na concepção dessa política partidária de drogas como um dever moral, que dois de seus sucessores liberais democratas, Bill Clinton e Barack Obama, evitaram qualquer tipo de reforma séria da mesma. Em vez de uma mudança sistêmica, Obama absolveu cerca de 1.700 condenados, um punhado insignificante entre os milhares de prisioneiros ainda encarcerados por crimes não-violentos, relacionados a drogas.

Enquanto a paralisia partidária continua barrando as mudanças no plano federalo, os estados — obrigados a lidar com os crescentes custos do encarceramento — têm começado lentamente a reduzir suas populações prisionais. Numa enquete de votação, em novembro de 2018, por exemplo, a Flórida, onde as eleições presidenciais de 2000 foram decididas por apenas 537 cédulas, votou a favor da restituição dos direitos eleitorais dos 1,4 milhões de criminosos, que incluem 400 mil afro-americanos. No entanto, assim que o plebiscito passou, os legisladores republicanos da Flórida tentaram desesperadamente inverter essa derrota, exigindo que os mesmos criminosos pagassem suas multas e custos judiciais, antes de ver restituídos seus direitos eleitorais.

A guerra às drogas não só influencia as políticas estadunidenses de várias maneiras negativas, mas também vem reformulando a sociedade americana — e não pra melhor. O papel surpreendente da distribuição ilícita de drogas no que se refere à organização da vida, dentro de algumas das maiores cidades do país, veio à tona num cuidadoso estudo feito por um pesquisador da Universidade de Chicago, que teve acesso aos registros financeiros de uma quadrilha que atua nos bairros empobrecidos de moradia popular de Southside, em Chicago. Eledescobriu que, em 2005, a Black Ganster Discipline Nation (em tradução livre, “Nação da Disciplina do Gânster Negro”), conhecida como GD, tinha cerca de 120 chefes, que empregavam 5.300 homens jovens, predominantemente como traficantes de rua. Ainda reunia outros 20 mil membros aspirantes a esses cargos. Enquanto o chefe de cada uma das centenas de equipes da gangue ganhava cerca de 100 mil dólares por ano, seus três oficiais ganhavam apenas US$7 por hora; seus 50 traficantes de rua, somente US$ 3,30 por hora, e seus milhares de outros integrantes trabalhavam como aprendizes não-remunerados, disputando os espaços de estreia cada vez que um traficante de rua era morto — um destino ao qual um em cada quatro está fadado.

O que isso tudo significa? No empobrecido centro das cidades, com oportunidades de emprego limitadas, esta gangue fornecia empregos com alto risco de mortalidade, por uma remuneração próxima à do salário mínimo (na época, US$5,15 por hora), sendo que, em bairros mais ricos, seus iguais ganhariam o mesmo, em trabalhos muito mais seguros — no McDonald’s, por exemplo.

Ademais, com aproximadamente 25 mil membros em Southside Chicago, o GD proporcionava estrutura social para os jovens na instável faixa de idade entre os 16 e os 30 anos. Minimizava a violência casual, os pequenos delitos, e ajudava Chicago a manter o seu brilho de centro de negócios de classe mundial. Enquanto não existirem educação e empregos suficientes nas cidades, o mercado de drogas ilegal continuará a preencher as lacunas, com trabalhos que envolvem um alto custo de violência, adição, encarceramento e mais vidas arruinadas de modo geral.

O fim da proibição das drogas

Enquanto o esforço global pela proibição entra em seu segundo século, testemunhamos duas tendências opostas. A própria ideia de um regime de proibição alcançou um crescendo de violência, não apenas no Afeganistão mas também, mais recentemente, no Sudeste da Ásia. Isso demonstrou o fracasso da estratégia de guerra e repressão às drogas. Em 2003, o primeiro ministro da Tailândia, Thaksin Shinawatra, lançou uma campanha contra o abuso de metanfetaminas que levou a polícia a praticar 2,275 assassinatos extrajudiciais em apenas três meses. Levando esta lógica coercitiva a suas últimas instâncias, Rodrigo Duterte ordenou, em seu primeiro dia como presidente das Filipinas, um ataque contra o tráfico de drogas que desde então provocou 1,3 milhão de detenções de comerciantes e usuários, 86 mil prisões e cerca de20,000 corpos atirados às ruas das cidades em todo o país. Ainda assim, o uso de drogas segue profundamente enraizado nas favelas de Bangkok e Manila

No outro lado da balança, o movimento de redução de danos, liderado por médicos e ativistas da comunidade está trabalhando lentamente, em todo o mundo, para desafiar o regime proibicionista. Com um plebiscito, em 1996, os eleitores da Califórnia, por exemplo, iniciaram uma trilha, legalizando as vendas de marijuana médica. Em 2018, Oklahoma tornava-se o 30º estado norte-americano a fazê-lo. Após iniciativas de Colorado e Washington em 2012, oito outros estados já descriminalizaram o uso recreativo da droga, a mais difundida de todas as substâncias “ilícitas”.

Atingido por uma disparada no abuso de heroína, nos anos 1980, o governo de Portugal primeiro reagiu com repressão — a qual, com em qualquer parte do planeta, foi incapaz de estancar o processo, tanto crime quanto disseminação do consumo. Aos poucos, uma rede de médicos em todo o país adotou medidas de redução de riscos que resultaram num êxito avassalador e comprovados. Depois de duas décadas de tentativas, Portugal descriminalizou, em 2001, a posse de todas as drogas ilegais, substituindo o encarceramento pelo aconselhamento e alcançando uma queda sustentada nas infecções por HIV e hepatite.

Projetando esta experiência no futuro, parece provável que medidas de redução de danos serão adotadas pouco a pouco, nacional ou localmente, em todo o planeta, enquanto diversas guerras contra as drogas, infinitas e sem êxito, serão interrompidas ou abandonadas. Talvez algum dia, uma cúpula de legisladores do Partido Republicano dos EUA, em alguma sala de conferências revestida de carvalho, em Washington, e uma renca de burocratas da ONU, em seu quartel-general envidraçado em Viena, serão os únicos apóstolos rezando o desacreditado mantra da proibição às drogas.

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Política externa em tempos de submissão

Por que as relações internacionais são decisivas também para superar nossas fragilidades internas. Como o atrelamento aos EUA, proposto por Bolsonaro, fere o país. Qual o caminho para alternativas | por Samuel Pinheiro Guimarães

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/eles-matam-em-nome-de-washington.html

Política dos EUA sobre propriedades em Cuba ameaça laços com UE

Governo Trump decide ativar dispositivo de lei que permite ações contra empresas estrangeiras que usam propriedades confiscadas em Cuba. Medida abre caminho para novas tensões com aliados europeus.
O governo do presidente americano Donald Trump decidiu aumentar a pressão contra Cuba ao permitir que cidadãos dos Estados Unidos processem empresas europeias que usam propriedades confiscadas durante a Revolução Cubana.
A grande mudança política prepara o terreno para novas disputas econômicas entre EUA e a Europa e marca um novo endurecimento na política de Washington para pressionar Havana devido ao apoio ao cubano ao governo de Nicolás Maduro, da Venezuela.

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, anunciará a mudança política durante um discurso nesta quarta-feira (17/04) em Miami, onde residem milhares de exilados e imigrantes cubanos. No discurso, Bolton também anunciará novas sanções contra Venezuela e Nicarágua, dois aliados esquerdistas da Cuba comunista.


Lei Helms-Burton

A decisão dos EUA de encerrar duas décadas de isenção – parte da Lei Helms-Burton, de 1996 – pode expor empresas americanas, europeias e canadenses a bilhões de dólares em ações judiciais e minar as tentativas de Cuba de atrair mais investimentos estrangeiros. O país caribenho passa por uma crise econômica, em parte devido a cortes acentuados nos subsídios de petróleo venezuelano.

O Título 3º da Lei Helms-Burton deu a americanos que fugiram de Cuba o direito de entrar com ações legais nos tribunais americanos contra empresas, em sua maioria europeias, que estariam operando a partir de propriedades que Cuba nacionalizou após a revolução de 1959.

Além de suspender a isenção, o governo Trump decidiu começar a aplicar o Título 4º da Lei Helms-Burton, que exige a recusa de visto americano para aqueles que "confiscarem ou 'traficarem' bens confiscados em Cuba reivindicados por cidadãos americanos".

Desde Bill Clinton, todos os presidentes dos EUA adiaram a ativação do Título 3º por preocupações de que a legislação provocaria disputas comerciais com aliados e uma série de ações judiciais em tribunais americanos que poderiam impedir qualquer acordo futuro com Havana sobre as propriedades nacionalizadas.

Cuba afirmou que reembolsaria os donos das propriedades nacionalizadas, mas somente se fosse ressarcida em bilhões de dólares em danos causados por um embargo comercial de seis décadas dos Estados Unidos.

UE alerta para disputa comercial

A União Europeia (UE), o maior parceiro comercial de Cuba, alertou para a possibilidade de desafiar os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), caso Washington tente interferir nos laços comerciais entre Estados soberanos.

O enviado da União Europeia a Havana, Alberto Navarro, disse a repórteres que o bloco comunitário europeu "condena veementemente" a medida adotada pelo governo Trump. "Isso criará ainda mais confusão para os investimentos estrangeiros, que estão ajudando a criar empregos e prosperidade em Cuba", afirmou.

Em meio a disputas comerciais entre Washington e Bruxelas, o anúncio do governo Trump representa o mais novo atrito entre os EUA e seus aliados europeus, após a saída americana do acordo climático de Paris e do acordo nuclear com o Irã de 2015.

A Europa apoiou os Estados Unidos na pressão ao governo Maduro, mas iniciar uma batalha comercial e atingir a frágil economia cubana pode levar Washington a perder o apoio de importantes aliados europeus, como a Espanha.

Americanos linha-dura ignoram aliados

William LeoGrande, especialista em América Latina e professor da Universidade Americana em Washington, disse que os intervencionistas linha-dura do governo Trump adotaram uma política de mudança de regime para a Venezuela e Cuba.

"Eles esperam que, ao derrubar o governo venezuelano e cortar as exportações de petróleo para Cuba, eles possam provocar uma crise econômica em Cuba, que também causaria um colapso político", afirmou LeoGrande em entrevista à DW.

Segundo o especialista, a política do governo Trump tem como objetivo "afugentar empreiteiros e investidores estrangeiros, deixando Cuba sem capital necessário para o crescimento de sua economia e agravando sua crise econômica".

A Europa pressionou Washington a não suspender as isenções à Lei Helms-Burton, o que exporia empresas estrangeiras a processos judiciais em solo americano.

"Aparentemente, as preocupações da UE serão ignoradas, apesar dos esforços do bloco para ajudar a resolver a crise na Venezuela", disse LeoGrande. "É mais um exemplo do unilateralismo e desprezo do governo Trump pelos aliados tradicionais."

As relações entre Estados Unidos e Cuba se deterioram no governo Trump, após uma reaproximação histórica sob o governo de Barack Obama, quando os dois países restabeleceram relações diplomáticas, no fim de 2014.
Chase Winter (pv) | Deutsche Welle
Memória: Cuba, bordel dos EUA
Antes da revolução, Cuba era, para muitos americanos, sinónimo de jogos de azar, casas noturnas e outros tipos de entretenimento – como um jantar no Havana Yacht Club (foto). "Cuba era o bordel dos EUA", definiu mais tarde o cientista político americano Karl E. Meyer. Para a população, a ditadura de Fulgencio Batista, no entanto, significava principalmente estagnação, desemprego e pobreza.


 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/politica-dos-eua-sobre-propriedades-em.html

Cuba reafirma soberania e independência face à «mentira e ameaças» dos EUA

O governo de Cuba pediu à comunidade internacional e aos norte-americanos que travem a escalada agressiva da Casa Branca, que aposta no recrudescimento do bloqueio económico imposto ao país caribenho.

Cartaz em Cuba contra o bloqueio imposto ao país pelos EUACréditos / RT

Numa declaração emitida ontem à noite pelo Governo Revolucionário, Cuba qualificou como «irracional» a política de hostilidade da administração de Donald Trump, tendo lembrado o isolamento internacional dos Estados Unidos no que respeita ao cerco que impõe à maior das ilhas das Antilhas há quase seis décadas.

«Os estados-membros das Nações Unidas, com toda razão ano após ano, reclamam de forma quase unânime o fim desta guerra económica», lê-se no documento com que o governo de Cuba respondeu às novas medidas de Washington, ontem anunciadas, para vergar Havana.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou a activação do Título III da Lei Helms-Burton – uma iniciativa aprovada em 1996 e que visa levar à mudança de regime em Cuba, sobretudo por via da asfixia económica, colocando-o baixo tutela colonial.

Com a activação anunciada, os EUA autorizam a apresentação de processos judiciais em tribunais norte-americanos contra entidades cubanas e estrangeiras fora da jurisdicção dos EUA. Nno Twitter, Pompeo escreveu que, a partir de 2 de Maio, cidadãos norte-americanos podem abrir processos judiciais contra pessoas que negoceiem em «bens confiscados pelo regime cubano» – entenda-se «nacionalizados» pelo governo revolucionário de Cuba –, numa tentativa de travar o investimentoi estrangeiro no país caribenho.

O anúncio da activação desta «cláusula» gerou o repúdio quase imediato do Canadá e da União Europeia (UE), uma vez que parte substancial do investimento estrangeiro em Cuba é proveniente do país norte-americano e de estados-membros da UE.

Para além disso, o Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, divulgou outras medidas restritivas para enfraquecer a economia de Cuba, voltando a limitar o envio de remessas dos cubanos residentes nos Estados Unidos para os seus familiares na Ilha, restringindo ainda mais as viagens de cidadãos norte-americanos a Cuba e anunciando mais sanções financeiras. A Nicarágua e a Venezuela também foram alvo do endurecimento das sanções impostas pelos EUA.

Recurso «à mentira e à chantagem», como de costume

Na declaração divulgada pelo Granma, o governo cubano acusa a administração norte-americana de pretender «justificar as suas acções, como já é hábito, com a mentira e a chantagem», nomeadamente no que respeita às relações bilaterais entre a Ilha e a República Bolivariana da Venezuela.

A este propósito, o documento afirma que «deve ficar claro que as calúnias dos EUA se apoiam numa completa e deliberada mentira», e que o país que «mantém mais de 250 mil soldados em 800 bases militares no estrangeiro» tem «provas mais que suficientes para saber que Cuba não tem tropas nem participa em operações militares de segurança na Venezuela».

O governo cubano sublinha que «nenhuma ameaça de represália», nenhum «ultimato ou chatangem» irão «alterar a conduta internacionalista» do país, do mesmo modo que não fizeram quando «Cuba apoiava os movimentos de libertação em África» e «os EUA apoiavam o ignominioso regime do apartheid».

Quando passam 58 anos sobre a Invasão da Baía dos Porcos e sobre «a primeira derrota do imperialismo na América», Cuba reafirma que «a sua soberania, independência e compromisso com a causa dos povos da América Latina e das Caraíbas não são negociáveis».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/cuba-reafirma-soberania-e-independencia-face-mentira-e-ameacas-dos-eua

Mueller: 'Encontros entre equipe de Trump e Rússia são insuficientes para provar conluio'

O ex-diretor do FBI Robert Mueller, o conselheiro especial sondando a interferência russa na eleição de 2016, deixa o Capitólio após uma reunião a portas fechadas em Washington. (Arquivo)
© AP Photo / Andrew Harnik

O Departamento de Justiça dos EUA divulgou há pouco o relatório da investigação conduzida pelo procurador especial Robert Mueller sobre suposto conluio entre Trumo e a Rússia. Documento tem quase 450 páginas divididas em dois volumes.

De acordo com o relatório redigido por Mueller, investigadores "identificaram numerosos contatos entre conselheiros de campanha e nacionais russos afiliados ao governo durante a campanha e após a eleição", conforme citou o The New York Times. 


Nem todos os encontros tiveram natureza política, porém. Segundo Mueller, conforme citado pelo jornal, russos também procuraram representantes do presidente para lidar com assuntos comerciais. O procurador se disse incapaz de determinar que tais contatos configuram algum tipo de conluio ou conspiração ilegal.

Mueller detalha no documento alguns destes encontros. O texto detalha que o contato de Trump com a Rússia começou antes do início oficial da campanha, quando Trump assinou uma carta de intenções que previa a construção de uma Trump Tower em Moscou. O então advogado pessoal do bilionário, Michael Cohen, teria enviado um e-mail para tratar do assunto com o hoje secretário de imprensa do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov.

Um advogado russo também teria se encontrado com membros da equipe de campanha do republicano — incluindo o genro de Trump, Jared Kushner, o filho Trump Jr. e o coordenador de campanha, Paul Manafort, e ofereceu "documentos e informações oficiais que incriminariam Hillary". O caso já havia sido noticiado pela imprensa americana e Mueller não encontrou evidências de que o suposto advogado agia em nome do governo russo.


O texto também traz relatos de esforços empreendidos pela equipe de Donald Trump em atrasar, atacar ou atrapalhar a investigação de Mueller. O procurador especial, porém, se disse incapaz de decidir se o presidente atuou para obstruir a justiça, já que atos como a demissão do ex-diretor do FBI, James Comey, fazia parte de suas atribuições presidenciais.

Autoridades russas contestam as alegações desde 2016, acusando a classe política e a imprensa norte-americana de justificar a derrota de Hillary Clinton com uma mentira, além de usar o caso para  desviar a atenção do público de casos reais de fraude eleitoral e corrupção.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041813710416-russia-trump-encontros-mueller/

Os EUA e a mudança de regime na Venezuela

A conspiração imperialista contra a Venezuela utiliza um amplo leque de meios: militares, económicos, mediáticos, políticos, culturais. É uma guerra de “quarta geração.” Criou e preparou os seus próprios fantoches. Inflige ao povo venezuelano todas as dificuldades e violências. Mas essa constante agressão, que teve início ainda Chávez não tinha assumido o poder, ainda não quebrou a resistência bolivariana, que exige e merece toda a solidariedade do mundo.

No quadro de uma guerra global de classes de expansionista e agressiva nos últimos 20 anos, durante quatro presidências sucessivas de democratas e republicanos na Casa Branca: William Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump, a diplomacia de guerra dos EUA tem vindo a impulsionar uma política de mudança de regime na Venezuela contra os governos constitucionais e legítimos de Hugo Chávez e Nicolas Maduro.

Acções abertas e clandestinas dos EUA inscrevem-se na dominação de espectro completo, um conceito concebido pelo Pentágono antes dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, que envolve uma política combinada, em que as componentes militar, política, económica, jurídica/para-institucional, mediática e cultural têm objectivos comuns e complementares. Uma vez que o âmbito é geográfico, espacial, social e cultural, para impor a dominação é necessário fabricar o consentimento. Ou seja, colocar na sociedade determinados sentidos comuns que, de tanto repetidos, se incorporam no imaginário colectivo e introduzem, como única, a visão de mundo do poder hegemónico. Isso implica o treino e manipulação ideológica (doutrinação) de um grupo e/ou uma opinião pública legitimadoras do modelo.

São chave para a fabricação de consenso as imagens e narrativa dos meios de comunicação de massa, com os seus mitos, meias verdades, mentiras e falsidades. Apelando à psicologia de massas e à propaganda negra impõem na sociedade a cultura do medo. A fabricação social do temor inclui a construção de inimigos internos.
Manuais do Pentágono atribuem grande importância à luta ideológica no campo da informação e ao papel dos meios de comunicação e redes sociais (Internet e telefones móveis) como armas estratégicas e políticas para gerar violência e caos planificado. Um desses documentos indica que as guerras modernas têm lugar em espaços que vão para além dos simples elementos físicos do campo de batalha. Um dos mais importantes são os meios nos quais ocorrerá a disputa da narrativa. A percepção é tão importante para o seu sucesso quanto o próprio evento. No final do dia, a percepção do que aconteceu é mais importante do que o que realmente aconteceu.

A percepção pode ser criada com base em uma notícia falsa e ser imposta às massas por meio de campanhas de operações psicológicas nos media e/ou nas redes de Internet (guerra social em rede), ou através de grupos de reflexão (Think-tank), centros académicos, fundações, ONGs e intelectuais orgânicos, a partir de matrizes de opinião elaboradas por especialistas em informações e militares. As campanhas de intoxicação (des)informativa exploram preconceitos e vulnerabilidades psicológicas, económicas e políticas da população de um país objectivo, e gerem um guião propagandístico desestabilizador, com eixo em denúncias de corrupção e repressão, rotulando o regime de turno como uma ditadura e acenando como bandeiras a defesa dos direitos humanos, a liberdade de imprensa e a ajuda humanitária.

Antes de Hugo Chávez chegar ao Governo em 2 de Fevereiro de 1999 já tinha sido começada a construir a sua lenda negra, e os meios de comunicação hegemónicos classistas e racistas venezuelanos referiam-se a ele como El Mono Chávez, Gorila rojo, um negro em Miraflores, e aos seus seguidores chamaram hordas chavistas.

Depois, e a par de a Agência Central de Inteligência (CIA) criar a organização sérvia Otpor (Resistência) e treinar os seus membros nas técnicas do golpe suave com o objectivo de derrubar Slobodan Milosevic na ex-Jugoslávia, foi sendo forjado o golpe de Estado de 2002 na Venezuela. Como parte de uma guerra não convencional e assimétrica de quarta de geração, utilizou a Internet e os meios de comunicação de massa (Venevision, Globovision, Rádio Caracas Televisión e entre outros os jornais Tal Cual, El Nacional e El universal), para promover matrizes de opinião antichavistas e projectar informação manipulada, distorcida e falsificada, com a intenção de desacreditar o governo bolivariano.

Fracassado o golpe, o lockout (bloqueio patronal) de corporações empresariais da Venezuela agrupados em Fedecámaras e Conindustria, e a sabotagem da gerontocracia da PDVSA (entidade petroleira estatal). Em 24 de Março de 2004, testemunhando perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes dos EUA, o general James T. Hill, chefe do Comando Sul do Pentágono, cunhou a designação de populismo radical em clara referência a Hugo Chávez. O termo foi de imediato usado com fins de propaganda maciça e foi adaptado no México a Andrés Manuel Lopez Obrador, o messias tropical (E. Krauze dixit).

Em Dezembro seguinte triunfava a revolução laranja de factura norte-americana na Ucrânia e, em 2005, com financiamento do Washington, eram enviados para o Centro de Acção e Estratégias Não Violentas Aplicadas (lona), da Universidade de Belgrado, na Sérvia, cinco líderes estudantis da Venezuela para formação nas políticas de mudança de regime segundo as técnicas insurreccionais das revoluções coloridas e golpes suaves de Gene Sharp. Entre eles figuravam Yon Goicoechea, Freddy Guevara e Juan Guaidó.

A combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou Venezuela numa guerra híbrida
Desde 2005, a partir da experiência acumulada após os erros tácticos cometidos no breve espaço de tempo decorrido desde a chegada de Hugo Chávez ao governo: golpe de Estado, lockout patronal, sabotagem petroleira, guerra mediática e outros ardis desestabilizadores para uma mudança de regime na Venezuela, a Agência Central de inteligência e o Pentágono tinham no terreno, não obstante, os recursos humanos necessários para desenvolver uma guerra híbrida contra a revolução bolivariana: a combinação de manifestações de massas estudantis para uma revolução colorida (golpe suave) com milícias armadas para uma guerra não convencional (golpe duro).

Dois anos mais tarde, Yon Goicoechea, Freddy Guevara, Carlos Graffe, David Smolansky e Juan Guaidó, os estudantes treinados na Sérvia e autonomeados de Geração de 2007, eram elogiados pelo então embaixador dos EUA em Caracas, William Brownfield, como líderes emergentes que desafiavam o chavismo.

Até então, os cinco activistas e outros estudantes também recrutados na Universidade Católica Andrés Bello - cujo reitor era o jesuíta Luis Ugalde, uma das principais fontes dos libelos antichavistas de Enrique Krauze - tinham assistido aos cursos de formação em mudança de regime de Gene Sharp no Instituto Fletcher na Universidade Tufts, em Boston, EUA.

O movimento estudantil tinha reunido fundos do Instituto Cato dos irmãos Koch em Washington, DC, do Institute for Open Society de George Soros, da Fundação Konrad Adenauer do partido democrata-cristão alemão (da senhora Merkel) e da Fundação FAES, do neofranquista José María Aznar, e eram os quadros que deviam impulsionar na Venezuela a chamada revolução calêndula, similar das revoluções rosa (Geórgia, 2003), laranja (Ucrânia, 2004) e tulipa (Quirguistão, 2005).

Com essa tarefa, Goicoechea, Guevara, Guaidó et al participaram em 2007 nas violentas manifestações de rua (guarimbas) antigovernamentais a pretexto da não-renovação da concessão de espaço radioeléctrico a Radio Caracas Television (RCTV), por esgotamento do seu prazo legal (essa estação privada tinha participado activamente no golpe de Estado de 2002, apelando inclusivamente ao assassínio de Hugo Chávez em clara violação da Constituição).

Nessa conjuntura o movimento estudantil mãos brancas levou às ruas venezuelanas as tácticas indirectas do paradoxal caos sistémico organizado e dirigido pelo Instituto Albert Einstein de Gene Sharp e o grupo Otpor usando mesmo um logotipo semelhante ao da organização sérvia, que incluía a palavra Resistência e uma mão (símbolo também usado por Felipe Calderon na sua campanha eleitoral de 2006 contra Andrés Manuel López Obrador, sob o lema AMLO, um perigo para o México).

Com outro elemento relacionado com todas as revoluções de cores: a guerra de quarta geração, que inclui como armas operacionais e estratégicas acções psicológicas clandestinas e campanhas de (des)informação televisionadas, bem como a guerra social em rede (via plataformas como Facebook e Twitter ) como a forma mais eficiente de disseminar e viralizar a mensagem para a administração das percepções e o controlo invisível da sociedade-alvo.

Perante os reiterados fracassos dos seus planos desestabilizadores, em Novembro de 2010, já com Barack Obama na Casa Branca e com a bênção do ex-embaixador dos EUA em Caracas, Otto Reich - perito do reaganismo em propaganda negra e implicado no tráfico de cocaína do escândalo Irangate para financiar a contra nicaraguense adversa ao governo sandinista -, círculos dos serviços de informações dos EUA organizaram uma reunião de activistas estudantis venezuelanos num hotel na Cidade do México.

Nesse encontro, denominado Fiesta Mexicana, participaram membros da Geração 2007 (Goicoechea, Guevara, Smolansky, Guaidó) e dirigentes estudantis como Gaby Arellano, Daniel Ceballos e Amilcar Fernandez, além de dois generais aposentados. Da reunião, que contou com o apoio político do ex-presidente do México, Vicente Fox, surgiu um plano para derrubar o presidente Chávez gerando o caos através de prolongados espasmos de violência de rua.

Com o objectivo de gerar um golpe suave na Venezuela, a conspiração Fiesta Mexicana seria combinada a partir de 2012 com o desenvolvimento de uma infraestrutura de apoio clandestino e toda formação de um grupo subversivo capaz de realizar uma guerra de guerrilha (rural e urbana), executar acções terroristas e sabotagens estratégicas contra as forças do governo e infraestruturas críticas, difundir propaganda, traficar contrabando e reunir informações, de acordo com o manual de guerra não convencional do Pentágono (Special Forces Unconventional Warfare, também conhecido como TC 18-01).

A partir de então a combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou a Venezuela numa guerra híbrida até aos dias de hoje, cujo objectivo é fragmentar o Estado e derrubar o governo constitucional e legítimo de Nicolás Maduro. Com a Casa Branca (primeiro Obama, depois Trump) exercendo a liderança velada.

Fonte: https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de
https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de-1

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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Guerra comercial entre EUA e China pode estar chegando ao fim

Bandeiras chinesas e norte-americanas
© AP Photo / Ng Han Guan, Pool

Estados Unidos e China planejam realizar uma nova rodada de negociações ainda este mês e esperam fechar um acordo no final de maio ou no início de junho, informou a imprensa dos EUA nesta quarta-feira.

Os dois lados criaram um cronograma de reuniões que esperam concluir com uma cerimônia formal de assinatura em 27 de maio, informou o The Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com o assunto.


O plano é que o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, viaje a Pequim na semana de 29 de abril, antes da visita do vice-primeiro-ministro da China, Liu He, a Washington em 6 de maio.

As negociações visam refinar a redação de um acordo comercial final que seria assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo presidente chinês, Xi Jinping.

O jornal observou, no entanto, que as autoridades americanas e chinesas já haviam perdido os próprios prazos para a conclusão de um acordo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em 4 de abril, após se reunir com Liu He na Casa Branca, disse que esperava fechar um acordo comercial com a China dentro de quatro semanas.

Pequim e Washington se envolveram em uma disputa comercial desde junho, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA imporiam tarifas de 25 por cento sobre produtos chineses, no valor de US $ 50 bilhões, numa tentativa de reduzir o déficit comercial entre EUA e China. Desde então, os dois países adotaram uma série de tarifas protecionistas e conduzem uma verdadeira "guerra comercial" que, aparentemente, pode estar chegando ao fim.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019041713703998-guerra-comercial-eua-china-fim/

Trump veta resolução do Congresso que determina a saída dos EUA da guerra do Iêmen

O presidente dos EUA, Donald Trump, com o rei saudita Salman bin Abdulaziz Al Saud em Riad, Arábia Saudita, em 21 de maio de 2017
© REUTERS / Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em uma carta ao Senado que vetou medida aprovada pelo Congresso para acabar com o envolvimento americano na guerra liderada pelos sauditas no Iêmen.

"Estou devolvendo sem minha aprovação, a S.J. Res. 7, uma resolução conjunta que pretende obrigar o presidente a retirar as Forças Armadas dos Estados Unidos do conflito ou de ações contra a República do Iêmen", escreveu Trump na terça-feira. "Esta resolução é uma tentativa desnecessária e perigosa de enfraquecer minhas autoridades constitucionais, pondo em risco a vida dos cidadãos americanos e bravos membros em serviço, tanto hoje como no futuro", completa o texto.

Esta foi a segunda vez desde o início do mandato em 2017 em que Trump usou o poder de veto para rejeitar uma resolução do Congresso. Anteriormente, ele barrou uma medida que revogava sua declaração de emergência nacional na fronteira dos EUA com o México. A questão acabou judicializada.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita está envolvida na guerra civil no Iêmen desde março de 2015, quando começou a realizar ataques aéreos contra os rebeldes armados Houthi a pedido do então presidente iemenita Abd Rabbuh Mansur Hadi.


Os combates contavam com apoio aéreo e contratos armamentistas com os EUA, mas congressistas republicanos e democratas decidiram encerrar a ajuda após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi na embaixada saudita em Ancara. A Inteligência dos EUA e a relatoria especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias acusam o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman de encomendar a morte de Khashoggi. Riad nega.

A guerra civil do Iêmen já matou mais de 7 mil mortes e deixou 20 milhões de pessoas no Iêmen em estado de urgente assistência humanitária, de acordo com estimativas da ONU.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041613696457-eua-guerra-iemen-arabia-saudita/

Prefeito de NY agradece cancelamento de Museu e diz que Bolsonaro é racista e perigoso

Prefeito de Nova York Bill de Blasio
© REUTERS / Carlo Allegri

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, comentou nesta terça-feira a decisão do Museu de História Natural de Nova York de cancelar jantar em homenagem ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL).

"Jair Bolsonaro é um homem perigoso. Seu racismo visível, homofobia e decisões destrutivas terão um impacto devastador no futuro do nosso planeta. Em nome da nossa cidade, obrigado Museu de História Natural de Nova York por cancelar este evento", escreveu Blasio no Twitter.


O Museu recusou sediar o jantar Câmara de Comercio Brasil-EUA em homenagem a Bolsonaro e disse que o evento foi anunciado sem que a instituição soubesse quem seria o homenageado. O Museu de História Natural afirmou que o evento não "reflete a posição do museu de que há uma necessidade urgente de conservar a Amazônia, que tem profundas implicações para a diversidade biológica, as comunidades indígenas, mudança climática e o futuro da saúde do nosso planeta."

Já o prefeito de Nova York havia criticado Bolsonaro antes do Museu definir que o jantar seria cancelado e voltou a carga nesta terça.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2019041613695870-prefeito-nova-york-museu-jantar-bolsonaro-racista/

EXEMPLO DE UMA NOTÍCIA PERFEITAMENTE INÚTIL

O que torna esta notícia acima merdosa não tem nada a ver com o facto de ela se mostrar favorável à candidatura de Donald Trump. Tem a ver com o facto de ser publicada sem que haja qualquer esforço do(s) autor(es) em lhe dar um contexto, já que é óbvio que o leitor médio não tem qualquer ideia de grandeza do que será uma capacidade de arrecadação de fundos bem sucedida numa campanha presidencial.E já agora, ele(s) também não.
Vai daí, o que é publicado é apenas a ressonância da propaganda da campanha para a reeleição do presidente. Por acaso, o tema da capacidade para a angariação de fundos até tem sido promovido na América, como se vê pela notícia abaixo, datada do princípio deste mês, em que o New York Timesse dedica ao mesmo exercício do que acima faz o SAPO24, só que, nesse caso, o jornal americano o faz em prol do candidato democrata Bernie Sanders (no mesmo estilo opaco e merdoso, acentue-se).
Tudo o que se lê a tal respeito tem que ser visto em perspectiva, a tal perspectiva que os jornalistas se esquecem sempre de adicionar. No caso, o primeiro aspecto é que os 18 milhões angariados por Sanders têm que ser comparados com os 30 milhões de Trump depois de tomar em conta que Sanders é apenas um dos mais de vinte candidatos presidenciais do lado do partido democrata, enquanto que, até agora e como é tradicional, ninguém a sério se apresentou do lado republicano para disputar as primárias com o inquilino da Casa Branca.
Ou seja, Sanders é apenas um dos receptores de fundos de um dos lados, enquanto do outro existe um monopólio e é sabendo disso que se percebe que a diferença não é assim tão grande. O SAPO24 não se esqueceu de nos explicar isso - porque não foi à procura de contexto, nem falou de Sanders sequer!
Como também se esqueceu de explicar de como os milhões que refere são apenas uma gota de água no que vai ser gasto nas campanhas: há quase quatro anos, em Agosto de 2015 e ainda a eleição presidencial estava a mais de um ano de distância, e o número de que se falava já nessa altura era de 250 milhões!
E aí, por sinal, Donald Trump nem aparecia em lugar de destaque entre os candidatos, numa demonstração que, apesar do dinheiro dar sempre jeito, o desfecho desta competição vai ser entre votos nas urnas e não entre notas de dólar nas carteiras. Teria ficado bem ao SAPO24 enfatizar isso. Enfim, que tal teria sido pegar na peça de propaganda da candidatura de Donald Trump e, em vez de só a traduzir, aproveitá-la para escrever uma verdadeira notícia?...

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/04/exemplo-de-uma-noticia-perfeitamente.html

EUA x Venezuela – definição de insanidade

A hipocrisia dos liberais do establishment estadunidense beira à insanidade, como se vê entre os que defendem a intervenção de Trump contra Maduro, na Venezuela. 

Há oito anos, em março de 2011, estes liberais aplaudiram quando o governo Obama depôs um autocrata na Líbia. Prometiam um novo governo de paz e estabilidade, mas o resultado foi desordem e caos, a destruição do país. Agora querem fazer o mesmo na Venezuela.

Desde março de 2011 a intervenção militar dos EUA, sob o manto da Otan, agiu para derrubar aquilo que chamavam de tirania de Muamar Gaddafi. Foi uma intervenção violenta e sangrenta.

Entretanto, analistas do establishment liberal nos EUA a apoiaram, a pretexto de levar o país ao que chamam de democracia. 

Por algum tempo, a aventura ilegal de Obama na Líbia, em 2011, sem autorização do Congresso dos EUA, foi considerada um exemplo do conceito de “poder inteligente” do então presidente. Contudo, quase todas as notícias importantes sobre a Líbia após a invasão e a derrubada de Gaddafi – desde a maneira como o país se tornou um ponto de partida para a violência extremista em outros lugares da região, até o surgimento de mercados de escravos ou seu status de refúgio seguro para o Estado Islâmico – servem como lição de por que derrubar um governo estrangeiro faz mais mal do que bem.

A pior parte é que muitos dos que aplaudiram ou até mesmo orquestraram o apoio a esse desastre não parecem ter aprendido a lição – pelo menos é o que se vê por suas posições sobre a Venezuela.

Por exemplo, o âncora da CNN Fareed Zakaria, especialista em assuntos internacionais do establishment centrista. Em 2011, ele viu a intervenção de Obama na Líbia como uma “oportunidade poderosa” para mudar a imagem dos EUA no Oriente Médio. A sobrevivência de Gaddafi “seria uma humilhação para Washington”, argumentou. “Portanto, os EUA devem seguir seus esforços para tirar Gaddafi do poder”, escreveu. “Se os líbios solicitarem assistência militar, Washington deve seguir nessa direção.”

Os desdobramentos da ação militar dos EUA provaram que Zakaria estava completamente errado. A desventura na Líbia não fez nada para melhorar a posição dos EUA no Oriente Médio — de fato, grandes maiorias no mundo árabe não concordam que o país norte-americano contribuía para a paz e estabilidade na região, e por ampla margem viram a intervenção dos EUA como responsável pela desestabilização e por causar conflitos no país. 

Outras previsões de Zakaria também foram erradas. Longe de ser a “melhor maneira de impedir a Al-Qaeda de transformar a Líbia em uma área de força”, como ele previu, a derrubada e assassinato de Gaddafi trouxe extremistas violentos para a Líbia.

Mas Zakaria, menos de duas semanas atrás, manifestou seu apoio à tentativa de Trump de intervir militarmente na Venezuela. 

Depois de invocar a doutrina Monroe, Zakaria perguntou: “será que a Venezuela será o momento em que Trump finalmente termina seu apaziguamento?”, referindo-se às alegadas relações de Trump com o primeiro-ministro russo Vladimir Putin. 

Zakaria não é o único comentarista do establishment liberal que quer Maduro fora do poder. Tem a companhia de Lawrence Korb, que foi Secretário de Defesa de Reagan e membro sênior no supostamente liberal Center for American Progress. “Todos pensamos que o ditador deve ir”, disse; “a pergunta é qual é a melhor maneira de fazê-lo.” 

Korb não está discutindo a intervenção militar – ao contrário de Zakaria, para quem a negação de Trump de que Maduro seja o presidente da Venezuela é “uma declaração muito mais forte do que a linha vermelha Barack Obama desenhou em torno de Assad da Síria.” Mas sua visão é clara: Maduro tem que ser derrubado, havendo apenas a questão de encontrar a melhor maneira de fazê-lo.

A visão de Korb sobre Gaddafi na Líbia foi a mesma. “Os interesses estratégicos e o prestígio dos EUA poderão ser reforçados, mesmo que a Líbia se torne outro Líbano”, previu ele na época.

Dick Durbin, o democrata de Illinois que cedo e agressivamente defendeu a política beligerante de Trump contra a Venezuela, havia sido também um dos poucos membros de alto escalão do Congresso a favor de Obama, quando ele lançou os planos de intervenção na Líbia. Da mesma forma, a deputada pela Flórida, Debbie Wasserman-Schultz, liderou a acusação contra a Venezuela, provavelmente devido ao grande número de refugiados venezuelanos que há em seu estado. Ela também fez um ataque a Maduro, em fevereiro, chamando-o de presidente ilegítimo, não muito tempo depois do senador republicano Marco Rubio ter assumido o papel de ponta de lança de Trump a respeito da intervenção na Venezuela, e dizer que era apenas uma questão de saber “se será pacífica ou sangrenta.”

Debbie Wasserman-Schultz também havia defendido, no Congresso dos EUA, a agressão de Obama contra a Líbia há oito anos, na votação da resolução que proibia o presidente de enviar tropas para lá. 

A morte de Gaddafi, ela disse alguns meses depois, “marca o fim de uma era de terror e opressão na Líbia”, congratulando-se por que os EUA “estiveram com o povo lutando para expulsar a tirania”. Debbie também se juntou ao exemplo de Marco Rubio, que proclamou que “a justiça foi feita hoje” quando soube do assassinato de Gaddafi, em outubro de 2011. Falsidades evidentes, desmentidas pelos acontecimentos posteriores. 

Aqueles não são os únicos exemplos. A agressão à Líbia começou igualmente com previsões confiantes de que o autocrata terrível poderia ser trocado por algo infinitamente melhor. 

Menos de meio ano depois, os EUA haviam gasto 1 bilhão de dólares em operações secretas na Líbia. Como toda intervenção estrangeira, isso leva à pergunta: por que agora, e por que a Venezuela? Sempre há, em algum lugar do mundo, algum tirano que massacra ou reprime o povo, muitas vezes de forma pior do que se vê na Venezuela — em Ruanda, Filipinas ou Iêmen, onde a casa de Saudm da Arábia Saudita, travou uma guerra genocida. 

E têm o apoio de muitos dos que agora estão supostamente tão chocados com a situação da Venezuela. 


Texto em português do Brasil

Com informações do artigo The Definition of Insanity, de Branko Marcetic, no portal Jacobin.


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/eua-x-venezuela-definicao-de-insanidade/

Líder da Coreia do Norte dá ultimato aos EUA e cobra postura de Trump

U.S. President Donald Trump shakes hands with North Korea leader Kim Jong Un at the Capella resort on Sentosa Island Tuesday, June 12, 2018 in Singapore.
© AP Photo / Evan Vucci

As fracassadas conversas frente a frente com o presidente Donald Trump levantam dúvidas sobre se os EUA estão realmente comprometidos em melhorar as relações com a Coreia do Norte, disse o líder Kim Jong-un, prometendo reforçar a defesa do país.

Pyongyang dará aos Estados Unidos até o final do ano para abandonar "seu atual método de cálculo" em relação às negociações bilaterais e chegar a uma "postura correta", declarou Kim, citado pela agência de notícias estatal KCNA no sábado.

Nesse caso, a Coreia do Norte considerará realizar uma terceira cúpula com o presidente Trump em algum momento no futuro, explicou o líder norte-coreano – em Washington, o discurso a favor de um novo encontro também já foi externado.


Dirigindo-se ao Parlamento da nação, Kim afirmou que suas conversas com Trump em fevereiro levantaram "uma forte questão" se o país estava certo em fazer concessões. O encontro, que foi interrompido pela Casa Branca e terminou sem um acordo, também colocou em dúvida a "verdadeira disposição" de Washington para melhorar as relações com a Coréia do Norte.

De acordo com Kim, o problema estava no "tipo de diálogo ao estilo americano", que equivalia a fazer demandas "unilaterais", sem estar pronto para "sentar-se frente a frente connosco e resolver o problema".

Como Pyongyang espera que os EUA mudem sua postura, "continuará aumentando as capacidades de defesa", enfatizou o líder norte-coreano. Ele não especificou quais ramos das Forças Armadas serão fortalecidos e como.

Trump, por sua vez, escreveu no Twitter que outra reunião com Kim "seria boa, pois entendemos perfeitamente onde cada um está". A relação entre os líderes "continua muito boa, talvez o termo excelente seja ainda mais preciso", adicionou.

O tom do presidente contrastava com a postura mais rígida do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que disse antes que queria "deixar um pouco de espaço" para aliviar as sanções a Pyongyang, mas afirmou que as restrições permanecerão em vigor por muito tempo, uma vez que os EUA consideram a Coreia do Norte uma ameaça nuclear.

Trump e Kim se conheceram pela primeira vez em Singapura no ano passado. Eles concordaram em buscar a paz e a Coreia do Norte se comprometeu a trabalhar em prol da "completa desnuclearização" da península coreana. Nos meses que antecederam as negociações, Pyongyang congelou seus testes de mísseis nucleares e balísticos e demoliu o único local de testes nucleares conhecido.


A próxima rodada de negociações, realizada em Hanói, no Vietnã, rapidamente se desfez. Os EUA rejeitaram categoricamente a proposta de suspender parcialmente as sanções contra a Coreia do Norte, em troca de garantias adicionais de que Pyongyang não reiniciaria os testes nucleares e de mísseis balísticos.

O Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, mais tarde esclareceu que a Casa Branca achava a ideia de Kim Jong-un de uma "desnuclearização passo a passo" inaceitável também.

Autoridades norte-coreanas já manifestaram prontidão para retomar o programa de mísseis balísticos e nucleares se os EUA continuarem com sua política agressiva em relação à nação.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019041513686852-kim-ultimato-eua/

Por mil palavras

A fotografia de John Moore, vencedora do World Press Photo 2019, com uma criança hondurenha (Yanela Sanzhez, dois anos) a chorar enquanto a mãe (Sandra Sanchez) é revistada e detida perto da fronteira dos Estados Unidos com o México. Captada a 12 de junho de 2018 e capa da «Time», a foto - «Menina a chorar na fronteira» - correria mundo e seria crucial para o surgimento da contestação ao programa de separação das famílias de imigrantes, de Donald Trump, que afetou cerca de dois mil menores. «Ainda não tinha a fotografia que mostrasse o impacto emocional da separação das famílias», disse John Moore, considerando que a «imagem tocou os corações de muitas pessoas» ao «humanizar uma história maior». Para Alice Martins, fotojornalista brasileira e membro do júri, a imagem captada por Moore mostra «uma violência diferente, que é psicológica». Richard Cohen, do Washington Post, considerou que a foto não deixa de ser também de Donald Trump e «da sua cruel política, do seu coração gélido, da sua falta de empatia».

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Trump considera criar cidades especiais para imigrantes ilegais

Um muro de Trump de cartolina foi montado na Cidade do México para protestar contra o presidente norte-americano
© REUTERS / Edgard Garrido

No começo do dia, o presidente dos EUA, Donald Trump, twittou que até mesmo os democratas estavam dizendo que a fronteira sul dos EUA era "uma crise e uma emergência nacional".

Trump voltou ao Twitter mais uma vez nesta sexta-feira para dizer que estava pensando em colocar imigrantes ilegais em "cidades-santuários", pois, segundo o presidente dos EUA, os democratas não estavam dispostos a mudar as "as perigosas leis de imigração" dos EUA.

​Mais cedo na sexta-feira, o secretário interino da Defesa, Patrick Shanahan, disse aos jornalistas que o Departamento de Defesa não recebeu nenhum pedido para que os militares dos EUA forneçam mais apoio à fronteira dos Estados Unidos com o México, mas ele teria antecipado esse problema e já estaria preparado.

Em março, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou estado de emergência nacional e exigiu o valor de US$ 32,5 bilhões em fundos para a segurança das fronteiras no ano fiscal de 2020, incluindo US $ 8,6 bilhões para a construção de um muro na fronteira com o México. Trump insistiu que o muro seria necessário para impedir que criminosos e terroristas entrem nos Estados Unidos.

Mais recentemente, Trump ameaçou impor tarifas sobre carros mexicanos importados para os Estados Unidos, se o México não dissuadir os imigrantes ilegais que atravessam seus territórios, e também ameaçou fechar a fronteira sul.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019041213669255-trump-cidades-especiais-imigrantes-ilegais/

EUA detêm mais de 100 mil imigrantes na fronteira com México em um mês

Agente do serviço de imigração dos EUA em um centro de detenção de Raymondville, Texas (arquivo)
© AFP 2019 / Jose CABEZAS

As autoridades de imigração dos EUA detiveram 103.492 pessoas na fronteira com o México neste mês março, mais do que o dobro do mesmo mês em 2018, informou o Escritório de Proteção e Controle de Fronteiras (CBP).

Em março, "92.607 pessoas foram detidas nos postos na fronteira sudoeste, enquanto outras 10.885 pessoas, também nos postos de fronteira, foram classificadas como inadmissíveis", informou CBP em seu site.


Em março do ano passado, as autoridades prenderam 50.347 pessoas na fronteira sudoeste. No entanto,em outubro do ano passado, caravanas da região da América Central começaram tentar a cruzar a fronteira dos EUA em busca de asilo e em fuga da pobreza e da violência de suas respectivas regiões.

Desde outubro passado, quando o ano fiscal de 2019 começou, 422.334 pessoas foram presas na fronteira sudoeste dos EUA, das quais 38.362 são menores desacompanhados.

A maioria dos menores detidos vem de Guatemala, assim como a maioria das famílias. Já a maioria de imigrantes desacompanhados adultos vêm do México.

As autoridades dos EUA dizem que o sistema de imigração como um todo entrou em colapso devido ao grande número de imigrantes detidos desde outubro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou estado de emergência nacional em fevereiro deste ano, com objetivo de arrecadar US$ 8 bilhões de fundos para a construção de um muro na fronteira com o México.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019040913644936-eua-detem-imigrantes-fronteira-mexico/

Os EUA inventam a «reciprocidade de acesso»

O Congresso adoptou a Lei sobre reciprocidade de acesso ao Tibete (Reciprocal Access to Tibet Act — H.R.1872 ), que o Presidente Trump promulgou em 19 de Dezembro de 2018.

Este texto foi apresentado pelo membro dos Representantes James McGovern (Democrata), no seguimento de uma campanha do actor Richard Gere e da International Campaign for Tibet (ICT). Ela prevê interditar o acesso aos Estados Unidos de funcionários chineses que teriam recusado o acesso ao território tibetano a cidadãos norte-americanos.

Os próprios Estados Unidos praticam uma política muito restritiva de acesso ao seu território e dão-se ao direito de devolver à sua fronteira qualquer estrangeiro, mesmo dispondo de um visto.

O porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Geng Shuang (foto) declarou, a 26 de Março de 2019, que este texto era uma má mensagem na medida em que os Estados Unidos não devem interferir na vida de uma província chinesa. Ele lembrou que tendo em conta as particularidades geográficas desse território era indispensável regular a entrada de estrangeiros.

Os Estados Unidos entendem estender progressivamente este mecanismo de «reciprocidade de acesso» a outras regiões do mundo, de modo que qualquer cidadão dos EUA possa viajar seja para que parte do mundo for.

 

Ver original na 'Rede Voltaire'



Washington está a travar uma Guerra de Nova Dimensão contra a China e irá amargamente perdê-la

Prosseguem em todo o lado as agressões militares EUA. Mas a guerra (as guerras) que Washington tem em curso trava-se em grande medida também no plano económico. A dimensão económica que assume é o indício de um poder em acelerado declínio, cujo desespero o torna ainda mais perigoso.

Gostaste do que leste?

Divulga o endereço[1] deste texto e o de odiario.info[2] entre os teus amigos e conhecidos

                

References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Ver o original em ODiario.info (clique aqui)

NÃO ESPIES POR MIM, ARGENTINA

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WAYNE MADSEN | 20.03.2019 https://www.strategic-culture.org/news/2019/03/20/dont-spy-for-me-argentina.html

Quando um presidente dos EUA incompetente contrata como seu enviado «especial» para mudança de regime na Venezuela o mesmo bufão que nas suas trapalhadas ajudou a que o escândalo Irão-Contras rebentasse, pode-se esperar tudo. Abrams, ao ajudar a canalizar por engano fundos que solicitara ao Sultão de Brunei, que, em vez disso, acabaram por ir parar à conta suíça de um rico armador, chamou a atenção e despoletou a investigação sobre o esquema de cobertura Irão-Contras pelas autoridades bancárias suíças.

A descoberta recente, pelo juíz argentino Alejo Ramos Padilla de que a administração de Trump cooptara o regime direitista argentino do presidente Mauricio Macri para atingir a companhia petrolífera estatal da Venezuela e o regime de esquerda do Uruguai, numa enorme operação de extorsão, exibe todos os sinais do enviado imbecil de Trump para a Venezuela, Elliott Abrams. Quando era Secretário de Estado Adjunto para os assuntos do Hemisfério Ocidental, durante a administração de Ronald Reagan, Abrams, foi indiciado pelo seu papel num comércio ilegal de armas para o Irão em troca dos reféns americanos mantidos pelas milícias xiitas pró-iranianas no Líbano. Agora foi repescado da reforma pelo seu colega neo-conservador John Bolton para levar a cabo o derrube do governo do presidente Nicolas Maduro na Venezuela. Durante o episódio Irão-Contras, o nefasto Abrams, que se auto-denomina perito sobre a América Latina, ajudou a usar os fundos obtidos da venda ilegal de armas ao Irão para comprar, no mercado negro, armas para os Contras da Nicarágua. Ele levou a cabo a operação com a assistência do cartel de droga de Madellin na Colômbia e com o líder panamiano Manuel Noriega. Abrams teria provavelmente cumprido uma longa sentença de prisão pelos seus crimes, caso o presidente George H. W. Bush não o tivesse perdoado, assim como a outros condenados pelo caso Irão-Contras, na véspera de Natal de 1992. As impressões digitais de Abrams, de Bolton, do secretário de Estado Mike Pompeo e do Senador membro do Comité para as Relações com o Hemisfério Ocidental, Marco Rubio estão por todo lado neste escândalo de extorsão, que agora abala a Argentina.

O juiz Padilla está direccionando o processo contra o regime de Macri, que envolve milhões de dólares, que têm sido extorquidos por aliados de Macri contra alvos de oposição política, assim como coerção de falso testemunho contra esses alvos. Padilla disse ao Comité de Liberdade de Expressão da Câmara dos Deputados Argentina que aquilo que ele descobriu foi «uma rede para-estatal de espionagem de grande magnitude, ideológica, política e judicial», acrescentando que se tratava de “uma teia de operações de espionagem ilegais envolvendo forças judiciais, do governo, da segurança, dos poderes políticos e dos media”. Macri esteve associado como sócio do negócio do imobiliário com a Organização Trump, para construir na baixa de Buenos Aires uma Torre Trump. Embora o projecto não tenha vingado, as relações de negócio entre Macri e o seu pai, o italo-argentino milionário Francesco Macri, com a Organização Trump estendem-se, no passado, aos dias em que o pai de Donald Trump, Fred Trump, dirigia a empresa e são famosas. Elas incluíram colaborações para construção de imobiliário em Manhattan e em Buenos Aires. Companhias de fachada, off-shore da empresa Trump Organization e da empresa da família de Macri, o conglomerado Socma, estão presentes em documentos da agora defunta firma de advogados da cidade de Panamá, Mossacka-Fonseca.

O juíz Padilla foi recentemente convidado a testemunhar sobre o escândalo de extorsão pelo presidente do Comité para a Liberdade de Expressão, Leopoldo Moreau. O convite surge depois do presidente do Comité de Contra-Espionagem, o senador Juan Carlos Marino, um fiel adepto de Macri ter recusado convidar Padilla a testemunhar em frente do Comité a que preside. Moreau classificou o escândolo de extorsão «o mais grave escândalo institucional desde que a democracia regressou à Argentina [em 1983],” acrescentando que é “uma máfia dedicando-se a entalar os oponentes, forçando a testemunhos falsos e espionagem.” Padilla nomeou como executantes da operação de extorsão, o Delegado Público Federal Carlos Stornelli, o seu próximo associado, Marcelo d’Alessio, assim como os serviços secretos argentinos “Agencia Federal de Inteligencia”(AFI), o chefe da AFI Gustavo Arribas, duas mulheres-congressistas de direita — Elisa Carrió e Paula Olivetto da Coalição Cívica pró-Macri — e o diário de direita, “Clarín”. D’Alessio foi preso a 15 de Fevereiro deste ano. Nas 22 horas de gravações audio e video incriminadoras de d’Alessio, este ter recoltado $12 milhões em subornos dos indivíduos que tinham sido ilegalmente sujeitos a chantagem, desde Agosto de 2018. Stornelli, pensa-se ter conduzido a operação de extorsão com conhecimento e encorajamento da Ministra da Segurança Patricia Bullrich. Stornelli recusou compareccer diante do juíz Padilla ou entregar os seus telemóveis segundo um ordem judicial. O que seria o presumido «colector» na operação, Salta Mayor Gustavo Sáen, um próximo aliado de Macri, forneceu os seus telemóveis pessoais a Padilla. Padilla, que tem estado sob intensa crítica dos media pró-Macri, tem sido descrito por alguns como o equivalente na Argentina de Robert Mueller, o Conselheiro Especial dos EUA investigando Trump. Padilla revelou como d’Alessio trabalhou para a CIA e que tinha na sua posse documentos da embaixada dos EUA em Buenos Aires, manuais da CIA sobre agentes encobertos da Argentina e da Venezuela, e armas licenciadas nos EUA. Os textos de mensagens usando WhatsApp, extraídas do smart-phone de d’Alessio, tinham a ver com assuntos como espionagem contro o Uruguai, a chantagem para fazer falso testemunho contra o governo de Maduro de Venezuela por um advogado da “Petróleos de Venezuela, S.A.” (PdVSA), a companhia estatal venezuelana de petróleos – cujos activos foram tomados pela administração Trump – e de ter enviado relatórios, via mala diplomática, a um centro de espionagem dos EUA situado no Estado do Maine, que está situado no «US Navy’s Very-Low Frequency Navy Communications Station» na cidade de Cutler. Padilla disse que na busca a casa de d’Alessio’s na cidade de Esteban Echeverría, “Encontrámos documentos, ficheiros de serviços secretos, blocos de apontamentos com dados detalhados sobre filhos, esposas, parentes daqueles que estavam a ser alvo de chantagem, elementos de espionagem como câmaras ocultas, drones, uma arma que chamou a a atenção de todos” Padilla estava obviamente a referir-se à tentativa de assassinato falhada contra o presidente venezuelano Nicolas Maduro no Agosto passado, uma operação relacionada com os operativos da CIA baseados na Colômbia. A operação visando a PdVSA era uma tentativa, em parte, de falsamente ligar a empresa a tráfico de drogas e de armas e a outras operações ilícitas e de acusar o presidente Maduro e seu antecessor, Hugo Chavez, de envolvimento com tais operações. Padilla descobriu que a operação para denegrir Maduro e Chavez envolvia não apenas d’Alessio e a CIA, mas igualmente a DEA, a agência dos EUA de combate à droga. A operação, com o nome de código “OPERATION BRUSA DOVAT,” envolvia o anterior director da PdVSA, Gonzalo Brusa Dovat, um cidadão uruguaio, e enquadrava-se no plano global da administração Trump para congelar os bens da companhia de petróleos venezuelana no estrangeiro. Outras mensagens de texto de d’Alessio revelavam uma armadilha para comprometer o ministro das obras públicas Julio de Vido e seu secretário, Roberto Baratta, utilizando dados roubados por um operacional da NSA (National Security Agency dos EUA) David Cohen, que trabalhava para “Energía Argentina SA” (ENARSA), a agência estatal argentina da energia. Cohen foi constituído arguido pelas autoridades argentinas a 8 de Março. Padilla também descobriu o envolvimento da espionagem de Israel na operação para-estatal de extorsão. Padilla revelou que a operação de extorsão também visava também a actual senadora da oposição e ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner e vários proeminentes jornalistas anti-Macri. Também se descubriu no telemóvel de d’Alessio mensagens de texto de membros da equipa de Trump na Casa Branca, oferecendo o fornecimento a Macri de «apoio mediático» (“media coaching”) para a sua campanha de re-eleição de 2019. O ex-estratega principal de Trump, Steve Bannon deu assistência efectiva ao presidente neo-nazi brasileiro Jair Bolsonaro durante a sua campanha vitoriosa de 2018. Em Fevereiro deste ano, Bannon designou o filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, um senador brasileiro, como o chefe para a América Latina da organização mundial fascista, chamada «O Movimento». A operação conjunta de Argentina/CIA/Israel centrava-se numa tentativa de comprometer o governo de esquerda de “Frente Amplio de Uruguay” do presidente Tabaré Vázquez numa ligação falsa a uma missão comercial iraniana operando no Uruguay. D’Alessio tinha, segundo foi revelado, correspondência com cabeçalho da embaixada dos EUA em Buenos Aires e com cabeçalho do ministério da defesa de Israel. A ligação forjada ao Irão foi usada como justificação para lançar uma operação ilegal de vigilância dos políticos da Frente Amplio, incluíndo o presidente Vázquez, o antigo presidente José “Pepe” Mujica e a esposa de Mujica, a actual vice-presidente Lucía Topolansky.
Havia alegações falsas nos ficheiros guardados por d’Alessio de que a missão comercial iraniana no Uruguay estava fazendo negócios com a Argentina através de uma companhia russa de fachada. A informação forjada terá sido fornecida aparentemente pelos serviços secretos de Israel, o MOSSAD. D’Alessio foi identificado por Padilla como fazendo parte de uma operação visando o Hezbollah libanês. Sem surpresa, d’Alessio estava em ligação com o presidente da câmara de comércio Argentina-Israel em Buenos Aires.
As revelações de Padilla levaram o juiz de instrução uruguaio dos crimes organizados, Luis Pacheco a afirmar que poderá procurar mais informação sobre o escândalo das etorsões ao governo da Argentina.

Está-se perante a possibilidade de uma tentativa de golpe contra o presidente President Vázquez, ajudada e avalizada pela CIA e a Casa Branca de Trump. A 13 de março Vázquez demitiu o comandante-chefe do exército, General Guido Manini Ríos, por este ter criticado julgamentos de oficiais que cometeram violações dos direitos humanos a ditadura militar uruguaia, tendo-se encontrado com políticos direitistas de oposição, e mais grave ainda, visitando Bolsonaro, do Brasil, que elogiou as ditaduras militares passadas do Brasil e de outras nações latino-americanas, incluindo o Uruguay, a Argentina e o Chile.
A CIA dirigida pela defensora da tortura, Gina Haspel, tornou-se a infantaria do exército que serve os desejos de Trumps e as escuras políticas neo-conservadoras de Bolton e de Pompeo. É claro que Abrams, Bolton, Pompeo, Rubio, Bannon, e seus protegidos, incluindo Macri e Bolsonaro, estão a tentar recriar a OPERAÇÃO CONDOR dos anos 1960, 70 e 80, uma aliança dos serviços secretos das ditaduras de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, que eram membros titulares, enquanto o Equador e o Peru eram membros associados. Dezenas de milhares de militantes de esquerda foram perseguidos e executados durante essa época do CONDOR, que operava com plena concordância e participação da CIA.

O regime de Macri respondeu às revelações de Padilla perante a câmara dos deputados da Argentina iniciando o processo de impugnação contra o juíz. O ministro da justiça requereu formalmente o Conselho da Magistratura, que tem autoridade sobre os juízes, para abrir uma investigação formal a Padilla. Padilla foi sujeito a uma campanha perversa de difamação nos media argentinos pró-Macri, com alguns críticos questionando mesmo o seu serviço militar durante a guerra das Malvinas contra os britânicos. Padilla, neste ponto, não difere de Robert Mueller, cujo serviço no Corpo de Marines no VIetnam também foi questionado pelos aliados de Trump. TRADUÇÃO DE MANUEL BAPTISTA PARA OBSERVATÓRIO DA GUERRA E MILITARISMO

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Pombas da paz já não aguentam

Pombas da paz já não aguentam

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou o decreto, reconhecendo a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, consideradas por grande parte da comunidade internacional como parte do território sírio.

De acordo com o deputado russo, Leonid Slutsky, assim, os EUA "colocaram uma mina no processo de regulamentação da situação no Oriente Médio", ignorando completamente o consenso internacional sobre o assunto.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/charges/2019032613562432-eua-israel-soberania-colinas-gola-reconhecimento-trump/

Trump demoliu lei internacional para favorecer Israel, aponta Human Rights Watch

A organização não-governamental Human Rights Watch criticou a administração Trump de prometer reconhecer a soberania israelense sobre as Colinas de Golã.

A organização não-governamental Human Rights Watch criticou a administração Trump de prometer reconhecer a soberania israelense sobre as Colinas de Golã, descrevendo-a como o envio de uma “bola de demolição” através dos direitos dos sírios que vivem lá.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve visitar a Casa Branca nesta segunda-feira, onde o presidente estadunidense Donald Trump deve ratificar uma diretiva que reconhece a reivindicação territorial israelense, apesar do clamor internacional que vai contra o direito internacional.

O presidente Trump parece pronto para conduzir uma bola de demolição pela lei internacional que protege a população das colinas ocupadas de Golã”.

Eric Goldstein, vice-diretor da HRW no Oriente Médio e Norte da África

Ele acrescentou que se o presidente dos EUA seguir com o reconhecimento, ele pode encorajar outros a “dobrar” suas próprias apropriações de terras.

O território sírio tem sido ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, com os vizinhos árabes de Israel. Cerca de 27.000 sírios ainda vivem na terra anexada.

Em 1981, Tel Aviv estendeu suas próprias leis para a região, mas estas foram declaradas “nulas e sem efeito” pelo Conselho de Segurança da ONU.

No entanto, isso não impediu o presidente Trump de escrever em seu Twitter, na semana passada, que era hora de “reconhecer plenamente” a soberania de Israel sobre a terra ocupada, dizendo que é de “importância estratégica e de segurança”.

No entanto, seus apelos não conseguiram reunir o apoio de aliados internacionais, com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, dizendo que levaria a questão à ONU. Os membros da União Europeia (UE) também apoiaram a resolução da ONU, com o ministro de Relações Exteriores da Alemanha dizendo que a ocupação das Colinas de Golã ainda é “status quo de acordo com a lei internacional”.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/trump-demoliu-lei-internacional-para-favorecer-israel-aponta-human-rights-watch/

EUA dizem que 'não vão tolerar a intervenção de poderes hostis' no Ocidente

John Bolton na OTAN.
© Sputnik / Alexey Vitvitsky

Os Estados Unidos "não tolerarão a intervenção de poderes hostis" no Hemisfério Ocidental. A declaração é do assessor de segurança nacional dos EUA, John Bolton, ao comentar a situação na Venezuela.

"Os Estados Unidos não vão tolerar a intervenção de forças militares estrangeiras hostis nos objetivos comuns do hemisfério ocidental — democracia, segurança e o estado de direito. Os militares venezuelanos devem apoiar o povo da Venezuela", escreveu Bolton no Twitter.


O assessor do presidente dos Estados Unidos não especificou quais países considera como "hostis", mas sugeriu anteriormente que a Rússia enviasse à Venezuela "não aeronaves militares, mas assistência humanitária".

Anteriormente, uma fonte diplomática em Caracas disse à Sputnik que dois aviões russos haviam chegado neste sábado no Aeroporto Internacional de Maiquetia, perto de Caracas, com um grupo de militares russos que realizaria consultas com representantes de cooperação técnico-militar da Venezuela.

De acordo com a grande mídia venezuelana, incluindo o canal de televisão NTN, 99 soldados russos chegaram a Caracas, e os aviões também entregaram 35 toneladas de carga.

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https://br.sputniknews.com/brasil/2019032613558820-eua-ocidente-intervencao-hostil/

EUA adotam sanções contra banco estatal venezuelano

Edifício do Departamento do Tesouro dos EUA, em Washington, 24 de janeiro de 2017
© AFP 2019 / Paul J. Richards

O governo dos EUA aplicou sanções contra Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela (Bandes) e suas subsidiárias, informou o Departamento do Tesouro dos EUA em um comunicado.

"Hoje [22 de março] o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro Nacional designou o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela, ou Bandes, em conformidade com [a ordem executiva] 13850, conforme corrigido, por operar no setor financeiro da economia venezuelana, bem como outras quatro instituições financeiras de posse ou controladas por Bandes", informou o comunicado.


O comunicado acrescenta que a medida é adotada em resposta à prisão do chefe do gabinete do chefe do Parlamento venezuelano Juan Guaidó, Roberto Marrero, realizada em 21 de março pelo governo de Nicolás Maduro.

Guaidó proclamou-se presidente encarregado da Venezuela em janeiro, e desde então os Estados Unidos o reconheceram como o líder legítimo do país sul-americano.

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Trump cogita 'uso da força' e Rússia e China não devem interferir na Venezuela, diz Bolton

John Bolton, consejero de Seguridad Nacional de EEUU
© AP Photo / Cliff Owen

O presidente dos EUA, Donald Trump, não está brincando quando diz que "todas as opções" para derrubar o líder venezuelano Nicolás Maduro estão abertas, garantiu o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, enquanto Caracas acusa um aliado do presidente autoproclamado Juan Guaidó de comandar uma célula terrorista.

"O próprio presidente Trump tem sido claro neste ponto em várias ocasiões, quando diz que todas as opções estão na mesa. Eu acho que as pessoas precisam entender e acreditar nisso. Ele fala muito sério sobre isso", disse Bolton ao site direitista Breitbart.


Apesar de se recusar a confirmar ou negar explicitamente se os EUA estão dispostos a armar a oposição ou está pensando em uma invasão total do país, Bolton realmente enfatizou que os EUA não têm "maior tarefa internacional" do que proteger até 50.000 americanos que vivem em uma Venezuela de "violência e intimidação".

Uma preocupação semelhante envolvendo cerca de 800 estudantes norte-americanos na Escola de Medicina da Universidade St. George, administrada pelos Estados Unidos em Granada, foi usada como desculpa para invadir a nação insular em 1983, para expulsar o governo esquerdista do país. O pequeno paraíso tropical está localizado a apenas 160 km ao norte da Venezuela.

Referindo-se novamente à notória Doutrina Monroe, Bolton basicamente admitiu os planos dos EUA de impor sua hegemonia à Venezuela e impedir que a Rússia e a China tentassem ajudar Caracas a superar sua crise econômica — que o governo socialista sustenta ter sido causada pelas sanções dos Estados Unidos, em um esforço global liderado por Washington para isolar o país financeiramente e politicamente.


O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro,
© Foto : Paola de Orte/Agência Brasil

"Nosso objetivo é garantir que essas influências estrangeiras não estejam controlando a Venezuela e afetando negativamente os Estados Unidos e nossos interesses em nosso hemisfério", declarou. "Então, estamos falando aqui sobre arrancar o controle de uma autocracia socialista e manter viva a Doutrina Monroe no Hemisfério Ocidental para que poderes fora do hemisfério não ditem o que acontece aqui".

Maduro cometeu outro "grande erro" ao prender Roberto Marrero, o assessor do autoproclamado presidente "interino" Juan Guaidó, afirmou Bolton na quinta-feira, ameaçando que a medida "não ficará sem resposta".

As forças de segurança venezuelanas disseram que pegaram Marrero em flagrante e acusaram-no de ser "diretamente responsável pela organização de grupos criminosos" e de conspirar para realizar ataques terroristas contra a população e altos funcionários do governo.

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EUA impõem novas sanções contra Irã

As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
© AP Photo / Carlos Barria

Os Estados Unidos sancionaram 31 pessoas e entidades por causa da suposta proliferação de armas de destruição em massa do Irã. A informação foi diculgada nesta sexta-feira (22) por funcionário de alto escalão da administração norte-americana.

"Hoje o Departamento do Tesouro e o Departamento de Estado estão anunciando que estamos designando 14 indivíduos e 17 entidades sob sanções contra os proliferadores de armas de destruição em massa e seus apoiadores", disse a fonte. 


"Essas 31 entidades estão ligadas à Organização para a Inovação e Pesquisa de Defesa do Irã", acrescentou. 

Washington impôs sanções a Teerã depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu em maio abandonar o acordo nuclear de 2015 com o Irã. A decisão de Trump de desistir do acordo — que foi negociado com outras cinco potências mundiais — tem dificultado as relações entre Washington e seus aliados europeus, que agora estão tentando evitar as sanções impostas pelos Estados Unidos.

Em fevereiro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que, apesar da retirada dos EUA do acordo de 2015, o Irã ainda estava em total conformidade com seus compromissos com a não-proliferação.

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Análise: palavras de Trump sobre Golã visam fazer Rússia e Israel se enfrentarem na Síria

Bandeira israelense no Monte Bental, nas Colinas de Golã, que são controladas por Israel (foto de arquivo)
© AFP 2019 / Jalaa Marey

A declaração do presidente dos EUA sobre as Colinas de Golã visa fazer com que a Rússia e Israel entrem em choque na Síria, podendo levar ao agravamento da tensão entre Damasco e Tel Aviv, disse o analista político Aleksei Fenenko.

Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que, para os EUA, chegou a hora de reconhecer a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã. De acordo com ele, qualquer reconhecimento da soberania israelense sobre o território não o torna obrigatório para outras partes. 

A declaração de Trump veio à tona na véspera da visita do premiê de Israel Benjamin Netanyahu aos EUA, que ocorrerá na semana que vem.

"A afirmação de Trump é muito séria. O objetivo de Trump é fazer a Rússia e Israel entrarem em choque na Síria. É para isso que Trump dá estes 'presentes' a Israel. Primeiro, ao reconhecer Jerusalém como a capital israelense. Agora, chegou a vez das Colinas de Golã", disse Fenenko à Sputnik. 


De acordo com o analista, o objetivo do presidente dos EUA é fazer com que "Israel enfrente outra coalizão na Síria".

Ele acrescentou que as palavras do presidente norte-americano podem levar ao agravamento das tensões entre Israel e a Síria. 

"Claro que podem. É o que os EUA querem", disse Fenenko, respondendo à pergunta. 

Segundo ele, a reação da Rússia demonstrará contenção, tentando não contribuir para a deterioração da situação. 

O Ministério das Relações Exteriores da Síria condenou a declaração "irresponsável" de Donald Trump em relação às Colinas de Golã, ao assinalar que os EUA estão agravando a situação na região e violando o direito internacional, em particular, a Resolução 497 da ONU de 1981, segundo qual a decisão de Israel de estabelecer suas leis no território foi considerada como inválida e ilegítima. 

O Kremlin reagiu de forma negativa à declaração de Donald Trump. De acordo com o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, "os apelos deste tipo podem desestabilizar significativamente a situação no Oriente Médio, que já é tensa". Ele acrescentou que Moscou espera que as palavras do presidente dos EUA “não passem de um apelo".

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Trump: Chegou a hora dos EUA reconhecerem soberania de Israel sobre as Colinas de Golã

Militares israelenses sobre as Colinas de Golã
© AFP 2019 / JALAA MAREY

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que chegou o momento dos Estados Unidos reconhecerem plenamente a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã.

"Depois de 52 anos, é hora dos Estados Unidos reconhecerem plenamente a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, que é de importância estratégica e de segurança para o Estado de Israel e para a estabilidade regional", disse Trump via Twitter.


O tweetsegue uma visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, a Jerusalém. No entanto, o secretário se recusou a comentar a declaração quando perguntado por repórteres.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi rápido em responder à declaração de Trump e agradeceu o apoio do presidente dos EUA, destacando que o mandatário americano o faz em uma "época em que o Irã usa a Síria como plataforma para destruir Israel". Netanyahu também classifica a decisão como "corajosa".

​Recentemente, falando sobre o disputado território das Colinas de Golã, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu acusou o Irã, rival de longo prazo de Israel na região, de estabelecer uma rede terrorista na área. Ao expressar essas afirmações, Netanyahu mais uma vez convocou a comunidade internacional a reconhecer as Colinas de Golã como território israelense.

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EUA estão à beira da falência devido a gastos militares, diz mídia

Militares do Exército dos EUA ao lado do sistema Patriot na base aérea de Siauliai, na Lituânia (foto de arquivo)
© AP Photo / Mindaugas Kulbis

O complexo militar-industrial dos EUA, junto com um governo corrupto e funcionários pouco competentes, faz o país mergulhar cada vez mais no buraco da dívida, escreve a edição CounterPunch.

Segundo a edição, os crescentes gastos militares estão levando os EUA à falência. O governo e altos funcionários enganam a população, exigindo cada vez mais dinheiro para o Exército.

Na qualidade de exemplo a CounterPunch cita os resultados da investigação da organização Open the Government, segundo a qual os militares estadunidenses gastam somas enormes com compras não ligadas ao serviço militar, em particular, uma poltrona por 9.241 dólares (R$ 35.200), talheres de porcelana por 53 mil dólares (R$ 202 mil), bebidas alcoólicas por 308 mil dólares (R$ 1,2 milhões), bem como mariscos de luxo por 4,6 milhões de dólares (R$ 17,5 milhões).


Membro do grupo KKK
© Foto : ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Além disso, o governo norte-americano gasta muito mais do que recebe dos impostos e, por isso, é obrigado a pedir emprestado a outros países. Esse dinheiro é usado para financiamento das instituições estatais e guerras incessantes por todo o mundo, enquanto a educação, a saúde pública e a infraestrutura se encontram em decadência, ressaltou a edição.

"Finalmente, os impérios militares inevitavelmente colapsam, ao se expandirem e gastarem tudo até ao último cêntimo. O mesmo aconteceu com Roma e agora se repete de novo. O império americano já está se destruindo. Estamos nos aproximando da massa crítica", afirma a CounterPunch.

Os EUA se atolam cada vez mais em dívidas, sendo todas as decisões ligadas ao financiamento tomadas pelo complexo militar-industrial do país. Segundo a edição, desde 2001 os EUA gastaram 4,7 trilhões de dólares com as guerras no exterior. A dívida pública aumenta 32 milhões de dólares por hora, mas o governo gasta a cada cinco segundos no Iraque mais de que um americano médio recebe em um ano inteiro.


No entanto, Washington não tornou o mundo mais seguro. De acordo com as avaliações de investigadores, os militares estadunidenses lançam bombas a cada 12 minutos em algum ponto do mundo, mas desde 2001 a morte de 500 mil pessoas está ligada às ações dos EUA.

A edição concluiu que os EUA estão caminhando para a falência total e no país já estão visíveis vestígios da falência da sociedade praticamente em todas as esferas, mas o governo americano está pronto a reprimir quaisquer manifestações de descontentamento.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019031713506670-eua-falencia-gastos-militares-divida-publica-dolar/

Terrorismo de direita e racista cresce nos EUA

Membro do grupo KKK
© Foto : ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Os Estados Unidos vivenciam um considerável aumento de crimes de ódio e atos de terrorismo associados aos grupos que defendem a supremacia branca e neonazistas durante a última década.

Após o ataque terrorista de um supremacista branco contra fiéis muçulmanos na Nova Zelândia, nesta sexta-feira, a imprensa dos EUA apontou o também para o aumento do terrorismo doméstico praticado por grupos racistas e nacionalistas na América do Norte, informou CBS News.


Em outubro de 2018, uma igreja em Pittsburgh, na Pensilvânia, foi alvo de um ataque que matou 11 pessoas. Em Charlottesville, Virgínia, um comício contra manifestações nacionalistas terminou com três mortos, depois que um supremacista branco avançou em seu carro contra a multidão. 

Após o incidente na Nova Zelânda, mesquitas em todos os EUA tiveram sua segurança reforçada. Embora oficiais e investigadores tenham notado que não houve uma ameaça direta, as forças de segurança do país afirmaram que o extremismo de direita e o terrorismo motivado por motivos raciais parece estar aumentando nos Estados Unidos.

"Estamos vendo um aumento na propaganda", observou o vice-chefe de contraterrorismo do estado de Nova York, John Miller.

"[Grupos de ódio de direita] estão tomando emprestadas técnicas de propaganda de outros grupos terroristas", acrescentou ele, citado pela Cbsnews.com.

Ataques de nacionalistas de extrema-direita contra imigrantes na Europa aumentaram em 43% entre 2016 e 2017, enquanto nos EUA os extremistas de direita foram ligados a um mínimo de 50 assassinatos em 2018, um aumento de 35% em relação ao ano anterior, segundo a CBS News.


"Eu diria que a maior responsável por isso é propagada online. Na verdade, esta manhã, depois dos ataques [da Nova Zelândia], eu estava vendo celebrações dos ataques online nos sites de ódio anti-muçulmanos. É realmente repugnante", observou, Ibrahim Hooper, porta-voz dos Conselho Muçulmano dos Estados Unidos, citado por Msn.com.

Em fevereiro deste ano, um tenente da Guarda Costeira da ativa foi preso depois de ser apurado que ele estava guardando grande quantidade de armas para iniciar o que a supremacia branca chama de uma "guerra racial".

"Todos esses caras estão observando", alertou Fran Townsend, ex-assessora de Segurança Interna da Casa Branca.

"Eles observam a reação, eles observam as táticas daqueles que vieram antes deles. E devemos reconhecer que há um aumento no […] nacionalismo em todo o mundo", acrescentou ela, citada por Cbsnews.com.

O FBI atualmente estima estar acompanhando cerca de 900 casos de terrorismo doméstico ativo, e muitos estão relacionados aos supremacistas brancos, segundo relatos.

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https://br.sputniknews.com/opiniao/2019031613506070-supremacismo-branco-eua-online-terrorismo/

Maldição do dólar: por que 'doença holandesa' ameaça economia americana?

Segundo analistas, o fenômeno de "doença holandesa", geralmente enfrentado pelos países com economia subdesenvolvida, está ameaçando os EUA. O colunista da Sputnik, Ivan Danilov, explica porque o país com a maior economia do mundo poderia estar sofrendo desse fenômeno inerente aos países com economia mais pobre.

Os jornalistas do Financial Times encontraram na economia dos EUA vestígios da chamada "doença holandesa" — um fenômeno econômico que se refere à relação entre o aumento da exportação de recursos naturais e a queda do setor industrial, o que afeta o desenvolvimento econômico e pode levar mesmo à desindustrialização.

O termo "doença holandesa" surgiu na década de 1960 após a descoberta de uma das maiores jazidas de gás na Holanda. Em meio ao aumento dos preços do gás, a Holanda conseguiu aumentar significativamente as receitas da exportação de gás, o que levou à sobrevalorização da moeda holandesa.


Como consequência, os preços dos produtos de outros setores da economia holandesa se tornaram menos competitivos no âmbito internacional, causando prejuízos e declínio da indústria.

Hoje em dia, são os países em desenvolvimento cuja economia se baseia nas exportações de recursos naturais que geralmente enfrentam esse problema. Entretanto, sublinha o colunista da Sputnik, Ivan Danilov, os EUA também enfrentam esse problema, mas de uma forma mais incomum. Segundo o Financial Times, o dólar americano se tornou a causa da "doença holandesa na economia dos EUA".

"De mesma forma que os holandeses descobriram gás natural, os EUA descobriram os dólares. Eles encontraram um jorro de dólares […] De fato, em cerca de 1980 eles descobriram que os EUA são uma Arábia Saudita com dólares em vez do petróleo", revelou a edição. O jornal The New York times também declarou que "os dólares são o produto-chave de exportação dos EUA".


Entretanto, sublinhou Danilov, os EUA parecem ter descoberto "essa máquina de movimento perpétuo financeira" enquanto o dólar continuar sendo a moeda amplamente usada a nível global.

A "doença holandesa" já causa danos na economia americana: os EUA estão se tornando "um país-impressora" que em vez de produzir bens imprime dinheiro. Por exemplo, o setor da defesa dos EUA depende de peças chinesas e de outros países, o que representa um risco para a segurança do país.

Mais de 300 elementos-chave necessários para o funcionamento das Forças Armadas e da indústria de defesa dos EUA estão ameaçados: os produtores americanos ou estão à beira da falência ou já foram substituídos por fornecedores chineses ou de outros países devido à desindustrialização da economia nacional e à transferência da produção ao Sudeste Asiático, opinou Andy Home.


Há outros sintomas da "doença holandesa" na economia dos EUA, entre elas o aumento da desigualdade social, a falta de investimentos em educação e os problemas na previdência social.

"Se a economia dos EUA continuar dependendo da 'exportação de dólares', os esforços conjuntos da China, UE, Rússia, Irã, Venezuela e outros países que planejam uma desdolarização gradual do comércio global levarão a economia da hegemonia global até uma crise gravíssima", concluiu Danilov.

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OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

“Em nenhuma circunstância os chineses vão controlar o que a EDP tem nos Estados Unidos, o terceiro maior produtor de energia renovável”, revelou George Glass, o embaixador norte-americano em Lisboa, em entrevista ao Jornal Económico, de 15 de Março. 

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

O porto de Sines foi também objecto de um alerta do embaixador que destacou ainda que os EUA estão abertos à cooperação económica com empresas portuguesas, “desde a agricultura até à tecnologia”. O “Jornal Económico” bateu absolutamente toda a concorrência na mais pesada, tanto em termos económicos como estratégicos, das questões empresariais em curso: a OPA dos chineses à EDP. No passado dia 8, o jornal revelava que a OPA “estava nas mãos de Trump”. Uma semana depois, faz manchete com a “nega” americana que vem acompanhada de uma crítica ao neo-liberalismo pacóvio de Passos Coelho que entregou o controlo do estratégico sector português da energia ao Estado chinês… 

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

“Opomo-nos absolutamente a esse negócio”, garantiu George Glass. O embaixador acrescentou ainda que, em situações idênticas, as autoridades norte-americanas vetaram o negócio. 

“O que posso dizer é que quando situações idênticas ocorreram no passado, a essas entidades não lhes foi permitido concluir o negócio”, esclareceu George Glass que considerou ainda uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos observar as negociações da OPA, e assegurou que o país está a fazê-lo. 

O embaixador manifestou-se ainda contra o atual panorama do mercado energético português. “A EDP controla 80% da energia elétrica em Portugal. Do ponto de vista dos Estados Unidos, do ponto de vista de negócios, como do meu ponto de vista pessoal, não deve haver uma entidade estrangeira a deter a vossa energia elétrica. Deve ser controlada pela nação ou pelos privados sob regulação nacional. Não é o caso do que está a acontecer com a EDP”, considerou George Glass.

Contactada pela Lusa, fonte da EDP escusou-se a comentar as declarações do embaixador dos Estados Unidos. Pudera…! 

O embaixador também destacou a importância do Porto de Sines (em que a China se tem mostrado muito interessada…), explicando que pode ser o ponto de entrada do gás natural norte-americano na Europa. Passo necessário para combater interesses semelhantes da Rússia por via dos seus contactos privilegiados com o governo alemão. 


Embaixador dos Estados Unidos revela que Trump vai bloquear OPA chinesa à EDP


Exclusivo Tornado / IntelNomics


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https://www.jornaltornado.pt/opa-chinesa-a-edp-morre-as-maos-de-trump/

Trump prolonga sanções contra a Rússia

President Donald Trump, accompanied by Treasury Secretary Steven Mnuchin, speaks to the media in the lobby of Trump Tower in New York, Tuesday, Aug. 15, 2017
© AP Photo / Pablo Martinez Monsivais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (4) o prolongamento das sanções econômicas dos EUA sobre a Rússia.

As sanções já haviam sido expandidas em janeiro de 2018, quando 21 indivíduos e 12 entidades foram adicionadas à Lista Setorial de Identificação de Sanções. Um projeto de lei introduzido em fevereiro de 2019 por um grupo de senadores dos EUA também sugere o sancionamento de empresas dos EUA e cidadãos que comprei títulos da dívida soberana russa.


Donald Trump estendeu as sanções devido ao suposto envolvimento na crise da Ucrânia. Em seu pronunciamento, Trump disse que a a extensão está acontecendo devido às supostas ações e políticas da Rússia.

As sanções também afetam pessoas e organizações que ponham em risco os processos democráticos e as instituições na Ucrânia ou que coloque em risco sua soberania, integridade territorial e que ajude no apropriação indevida de seus ativos.

Os EUA impuseram sanções contra a Rússia após o inícios da crise ucraniana, em 2014. As sanções, desde então, forma expandidas diversas vezes para incluir mais indivíduos, entidades e setores econômicos inteiros. A última dessas expansões aconteceu em janeiro de 2018, quando 21 indivíduos e 12 entidades foram colocadas sob sanções.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019030413433628-trump-sancoes-economicas-russia-eua/

Trump e Kim em Hanoi a mangar?

DomingosLopes

Domingos Lopes

Por muito que o multibilionário Trump, atual Presidente dos EUA, tenha uma visão errática da política, navegando consoante os seus impulsos, é de crer que para fazer a viagem a Hanoi para se encontrar com Kim Jong Un, o suserano da Coreia, neto do grande líder e filho do querido dirigente, tenha ouvido opiniões de outros dirigentes, a começar por Michael Pompeo, atual Secretário de Estado e ex-chefe da CIA.
Ao que parece todos concordaram que Trump não podia estar no país no momento em que o Cohen lhe chamou “vigarista”, “racista” e “mentiroso”. Nada que se pudesse imaginar…
Por essa razão apostaram numa Cimeira que captasse a atenção dos media por uma excelente razão – um acordo com a Coreia do Norte.
Embalado por esse cenário Trump aterrou no “Air Force One” em Hanoi, a capital do arqui-inimigo de outrora, o país que infligiu aos EUA a mais humilhante derrota; talvez, por isso, escolheu o Vietnam para mostrar a Kim a face da reconciliação.
Trump tinha para oferecer a Kim investimentos para fazer da Coreia do Norte uma potência única e, em troca, receberia o único poder negocial que o negociador tinha, a destruição do seu arsenal nuclear.
Trump, o promitente vendedor de uma quimera, pretendia que o promitente-comprador dessa quimera em troca lhe entregasse tudo o que tinha para fazer valer a sua força negocial.
Trump, um habilidoso vendedor de campos de golf, de resorts, de torres, na linha do nosso Xavier de Lima, enquanto Presidente dos EUA, imaginou que se prometesse a Kim Jong Un o céu, ele lhe daria em troca tudo oque ele queria.
Tratava-se, na verdade, de uma conceção muito própria de um homem de grandes negócios, mas pouco consentânea com uma negociação diplomática em que do outro lado está o representante de um povo milenar que cultiva e exacerba o nacionalismo coreano.
O problema da península coreana é bem mais complexo que o raciocínio da Trump. Do lado sul da Coreia, os EUA continuariam carregados de armas nucleares e de tropas e o norte ficaria a vê-las e à espera que chegasse a carrada de notas para investir no país das manhãs serenas …
Trump foi a Hanoi à procura de algo que muito dificilmente obteria, nem que passasse a vida a elogiar o homem de quem tão mal disse.
Kim, que tinha ameaçado afundar os EUA num mar de fogo, aceitou ir ao encontro do homem mais poderoso do mundo e ficar lado a lado para a posteridade.
Não era o bastante para ele largar o arsenal nuclear. Mas era o suficiente para ajudar o homem que tanto o elogia e aceitar aquela data, muito longe do depoimento de Cohen. A mangar parece que se entenderam os dois.

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2019/03/04/trump-e-kim-em-hanoi-a-mangar/

Hollywood, a máquina de refletir preconceitos e manipular mentes

A 91ª edição do Oscar, em Los Angeles (EUA), premiou como nunca as “minorias” de Hollywood, como negros, latinos e mulheres. Mas as críticas ao racismo e ao sexismo da indústria cinematográfica – que crescerem nos últimos anos – não tendem a diminuir, nem tampouco são problemas recentes.

O preconceito está profundamente enraizado e pode ser percebido nos atores diante das câmeras, nas pessoas que comandam o setor e também na representação de grupos sociais em filmes.

Para mostrar como os estereótipos evoluíram em Hollywood, a agência alemã Deutsche Welle examinou clichês recorrentes em mais de 6 mil filmes que concorreram ao Oscar desde 1928. Há muitos exemplos de caricaturas racistas ao longo da história de Hollywood. Negros e asiáticos são os alvos mais comuns. Um exemplo é Breakfast at Tiffany’s, com Audrey Hepburn, no qual o vizinho Mr. Yunioshi, com seus dentes tortos e sotaque típico, parodia um japonês.

Racismo, na forma de exclusão do mercado de trabalho e de papéis estereotipados, marca a indústria cinematográfica de Hollywood já desde os seus primórdios, no início dos anos 1900”.

Nancy Wang Yuen, sociólog, no livro Reel Inequality: Hollywood Actors and Racism

De fato, nos primeiros anos, personagens asiáticos – quando existiam – apareciam sempre como clichês ofensivos: ou eram vilões misteriosos e ameaçadores ou caricaturas, como Mr. Yunioshi. Para completar, Mr. Yunioshi ainda é interpretado pelo americano Mickey Rooney, ou seja, é um exemplo de yellowface, um não asiático que é maquiado de forma caricata para se parecer com um asiático.

A prática era comum em Hollywood. Produtores relutavam em contratar atores de minorias. Em vez disso, eles colocavam brancos para interpretarem os papéis. O processo acabou se retroalimentando: preconceitos perdem força à medida que pessoas de diferentes grupos étnicos passam a ter mais contato entre si.

“Só que os asiáticos eram historicamente segregados nos Estados Unidos. Ainda hoje, a maioria dos papéis de asiáticos e americanos de origem asiática não é interpretada por eles mesmos – mas por pessoas que não sabem muito sobre eles”, comenta o pesquisador Kent Ono (Universidade de Utah), que estuda a representação de etnias na mídia.

Entre as pessoas que não conhecem nenhum asiático, essa situação cria uma ideia curiosa sobre como os asiáticos são. E os asiáticos nos EUA frequentemente não consegue se identificar com as representações bizarras deles mesmos”.

Kent Ono (Universidade de Utah)

Clichês do tipo estão reunidos no site Wiki TVTropes.org. Nele, usuários podem documentar todos os clichês que observam na mídia. Quais séries de TV sustentam que Elvis ainda está vivo? Quais games têm uma criança assustadora? E quais filmes têm personagens asiáticos interpretados por brancos?

Clichês sobre asiáticos

Yellowface ainda é muito comum. Em 2012, o filme A Viagem foi criticado porque muitos dos atores não asiáticos foram fantasiados de asiáticos numa parte da narrativa. A representação não pretendia ser uma caricatura, mas os críticos argumentaram que atores asiáticos poderiam ter desempenhado os papéis. O argumento era de que, como já há poucos papéis para atores asiáticos, e menos ainda para representações não estereotipadas, atores brancos não deveriam interpretar asiáticos.

O debate surgiu também quando Scarlett Johansson ganhou o papel principal no filme de ação da série japonesa Ghost in the Shell. Ou quando Tilda Swinton interpretou um personagem que originalmente era asiático em Doctor Strange.

Muitos dos piores clichês sobre asiáticos dos anos 1960 e 1970 sumiram dos cinemas. Um que se mantém irredutível, porém, é a dupla “branco forte, asiática suave”: um personagem branco e forte com uma parceira asiática submissa. Essa combinação alcançou seu auge mais tarde, já que, antes dos anos 1950, regras de censura rígidas impediam pares românticos de etnias diferentes nos EUA. Quando essa censura perdeu força, o estereótipo avançou.

Muitos dos antigos estereótipos deram lugar a outras representações na segunda metade do século 20. Nos anos 1970 e 1980, o sucesso dos filmes de Bruce Lee e de artes marciais fez surgir o estereótipo “todos os asiáticos sabem lutas marciais”. Só que, hoje em dia, a representação mais comum de um asiático é o chamado Model minority.

“São cientistas, médicos ou alguma profissão técnica. São os bons alunos que nasceram numa família rica e não costumam ter dificuldades econômicas”, explica Ono. Essa tendência não está registrada como clichê no Wiki TVTropes, mas encontra sua melhor representação no estereótipo do nerd asiático, que ganhou espaço nos últimos anos.

Negros

Segundo o Hollywood Diversity Report, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), Hollywood ainda tem um longo caminho pela frente. Apesar de os asiáticos serem 6% da população americana, eles ocuparam apenas 3% dos papéis em 2017 e 2018. Os negros ocupam 12,5% dos papéis, o que é quase o mesmo percentual de sua representação na população dos Estados Unidos. Porém, em muitos casos os personagens negros não aparecem bem na tela. 

Nos primórdios de Hollywood, personagens negros frequentemente não eram interpretados por atores negros. Na verdade, eles quase não apareciam, salvo como representações caricaturescas, interpretados por brancos, o chamado blackface. Essa prática vem da tradição teatral americana, que é cheia de estereótipos racistas de negros.

Hoje, o blackface é inaceitável, mais ainda do que yellowface. Ele praticamente não é mais usado em filmes, salvo para criticar essa prática. Em Dear White People, por exemplo, membros de uma fraternidade organizam uma festa blackface na universidade. O filme, assim como a série da Netflix a que ele deu origem, usou essa cena como base para um debate sobre racismo nas universidades dos Estados Unidos.

Mas, à medida que o número de caracteres e personagens negros em Hollywood aumentava, outros estereótipos inevitavelmente foram surgindo. Até hoje, homens negros costumam ser apresentados como amedrontadores ou bravos, e mulheres negras, como barulhentas e atrevidas. Quando um filme tem um personagem negro, muitas vezes ele é o melhor amigo negro. E quando pessoas morrem num filme, muitas vezes o personagem negro é o primeiro. Nada disso mudou nos últimos anos, apesar de uma maior consciência sobre estereótipos.

Latinos

Os latino-americanos são, com cerca de 18% da população, a maior minoria étnica nos Estado Unidos. Assim, não surpreende que eles também representem uma boa porção dos estereótipos que aparecem nos filmes de Hollywood. Uma olhada em 2.682 filmes desde o ano de 2000 mostra que o suposto sex appeal é a característica mais associada aos latinos.

A mulher latino-americana frequentemente aparece como a spicy latina: temperamental, sedutora, atraente, que sabe se defender sem perder a imagem de sensualidade. Já os homens muitas vezes desempenham o papel do amante latino, com um visual pré-definido (pele morena, cabelo escuro) que serve como generalização de todos os homens latino-americanos.

Estereótipos que se apoiam em acontecimentos históricos podem ser especialmente dolorosos. Para os alemães, que reconhecem sua culpa pelos crimes cometidos no regime nazista, ver frequentemente personagens alemães nazistas não é nada agradável. E, considerando os filmes de 2000 para cá, este ainda é o estereótipo mais comum: o de que todos os alemães são nazistas.

Logo em seguida vem outro clichê difícil de ser enterrado: o do cientista alemão. Esse, pelo menos, é um estereótipo positivo e que encontra sua origem em cientistas verdadeiros, que fugiram do regime nazista para os Estados Unidos. O mais famoso deles é Albert Einstein.

Russos: beberrões e grosseiros

Até hoje, as representações de russos em filmes de Hollywood são marcadas pelas imagens criadas na Guerra Fria. O estereótipo mais comum é o personagem beberrão, machão e grosseiro. Nos filmes, esses caracteres precisam suportar de tudo, são os que mais se machucam e costumam viver vidas duras e de grandes privações.

É também muito comum que russos sejam interpretados por atores que não são russos. Em Rocky 4, por exemplo, o sueco Dolph Lundgren interpreta o boxeador Ivan Drago. O mesmo ocorre com Arnold Schwarzenegger em Fogo contra Fogo e com Viggo Mortensen em Senhores do Crime. Durante a Guerra Fria, havia uma compreensível carência de atores russos em Hollywood. Mas, mesmo hoje em dia é essa uma das características mais comuns dos personagens russos.

O elenco dos filmes de Hollywood ainda está longe de representar a diversidade da população mundial – e até mesmo da população dos Estados Unidos. Tanto diante da câmera quanto atrás dela, os brancos têm presença dominante. Isso também influencia na maneira como representações cinematográficas reproduzem estereótipos.

Apesar disso, há motivos de esperança: em 2017, Viola Davis foi a primeira mulher negra a vencer tanto o prêmio Tony quanto o Emmy e o Oscar por sua atuação em Um Limite entre Nós. Em 2018, a comédia romântica Podres de Ricos, com elenco quase exclusivamente asiático, foi um sucesso de bilheterias. Também no ano passado, a atriz de origem vietnamita Lara Condor estrelou o filme de romance adolescente A Todos os Rapazes que Amei, exibido pelo Netflix, no papel principal.

Como mostram os números do Diversity Report, a indústria cinematográfica está se movendo lentamente em direção a um modelo de representação mais igualitária. “Ainda existem grandes barreiras”, diz Ono.

e sempre haverá pessoas que são representadas conforme estereótipos. Mas hoje tenho mais esperança do que há dois anos. Há grandes diretores independentes que trabalham para obter mais representação. E, de vez em quando, até mesmo Hollywood escuta”.

Ono

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/hollywood-a-maquina-de-refletir-preconceitos-e-manipular-mentes/

Soldados americanos levaram 50 toneladas de ouro roubado da Síria, relata mídia

Forças dos EUA acompanhadas por combatentes das Unidades de Proteção Popular (YPG), na Síria, em 18 de abril de 2017
© AFP 2018 / Delil Souleiman

O Exército dos EUA levou do território sírio cerca de 50 toneladas de ouro roubado por terroristas, comunicou a mídia local citada pela agência de notícias síria SANA.

De acordo com a agência, foram os rebeldes sírios que entregaram o metal precioso aos soldados americanos em troca de estes garantirem sua segurança.

A edição reporta que os terroristas armazenavam o ouro roubado perto da cidade de Baghuz, na província síria de Deir ez-Zor, área que é um dos últimos bastiões dos jihadistas e está rodeada por tropas americanas.


Fontes revelaram que os militares dos EUA obtiveram dessa forma cerca de 40 toneladas do metal, além de outras 10 toneladas que haviam descoberto anteriormente em armazéns secretos.

A mídia síria indica que os soldados levaram o ouro do país em helicópteros durante o período noturno.

A informação foi divulgada em meados de fevereiro pela agência síria e confirmada por relatórios recentes, em que várias fontes locais confirmaram o ocorrido.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019030113414119-soldados-americanos-levaram-cinquenta-toneladas-ouro-roubado-siria-midia/

«Trump é racista, bandido e trapaceiro», diz Michael Cohen

Donald Trump “é um racista, um bandido, um trapaceiro”, disse Michael Cohen, o ex-advogado pessoal do presidente norte-americano, ao dar início ao seu testemunho na Comissão.

Donald Trump “é um racista, um bandido, um trapaceiro”, disse Michael Cohen, o ex-advogado pessoal do presidente norte-americano, Donald Trump, ao dar início a seu testemunho explosivo nesta quarta-feira (27) diante do Congresso dos Estados Unidos. As acusações foram feitas ao comitê de inquérito da Câmara dos Representantes, em Washington D.C..

A longa declaração do advogado traça um retrato devastador do 45º Presidente dos Estados Unidos, para quem Michael Cohen, de 52 anos, começou a trabalhar em 2007. Com a voz trêmula, Cohen falou aos parlamentares norte-americanos de sua família, se desculpando por ter agido mal, a serviço de Donald Trump.

Em tom austero, Michael Cohen afirmou que Donald Trump sabia com antecedência das revelações do WikiLeaks sobre a rival democrata Hillary Clinton, durante a campanha presidencial norte-americana.

Me perguntaram se eu sabia de alguma evidência direta de que Trump, ou sua equipe de campanha, havia tramado com a Rússia nesta época. Quero ser claro, não tenho provas, mas tenho suspeitas”.

Michael Cohen

Ele também explicou como foi instruído por seu ex-chefe a mentir sobre um projeto imobiliário na Rússia, no meio da campanha presidencial de 2016 nos Estados Unidos. Sinal das tensões políticas em torno de todo o caso, a abertura dos debates, transmitido ao vivo, foi marcada por uma grande discussão entre os republicanos, aliados de Donald Trump, e o presidente democrata da comissão, Elijah Cummings.

Mentiras

Michael Cohen deve falar durante várias horas às dezenas de membros da comissão de inquérito sobre detalhes de assuntos particulares do presidente norte-americano, e de seus laços com a Rússia, fatos que poderiam ter influenciado a vitória de Trump na eleição presidencial.

Desde terça-feira (26), a Casa Branca e o próprio Donald Trump, que está no Vietnã para sua segunda cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong-un, atacam a credibilidade do ex-advogado, sentenciado em dezembro a três anos de prisão por evasão fiscal, perjúrio e violação do código eleitoral. Proibido de atuar como advogado, ele será preso no dia 6 de maio.

“Michael Cohen foi um dos muitos advogados que me representaram, infelizmente”, tuitou Donald Trump na quarta-feira. “Ele está mentindo para reduzir sua sentença”, disse o presidente norte-americano.

Impeachment?

Jackie Speier, um parlamentar democrata que participa da comissão de investigação no Congresso, chegou a mencionar a palavra “impeachment” em uma entrevista na rádio pública NPR, dizendo que se o depoimento de Cohen fosse “tão explosivo quanto parece”, isso poderia fornecer a base para o “início do processo de impeachment” do presidente norte-americano.

Na terça-feira, Michael Cohen deu início aos três dias de audiências perante o Comitê de Inteligência do Senado. Ele forneceu explicações sobre suas mentiras iniciais durante uma primeira audiência em 2017, incluindo contatos com funcionários russos sobre o projeto imobiliário em Moscou de Trump, em 2016.

Nesta quarta-feira, durante o comitê de inquérito da Câmara, algumas personalidades do Partido Democrata, como Alexandria Ocasio-Cortez e Rashida Tlaib, devem interrogá-lo sobre as finanças da Organização Trump, as contas duvidosas da Fundação Trump e o projeto de construção em Moscou. Sem mencionar os US$ 280 mil que ele pagou durante a campanha para duas mulheres, a ex-atriz pornô, Stormy Daniels, e a playmate Karen McDougal, para comprar seu silêncio sobre supostas ligações com o magnata norte-americano.

Racista

Sobre o tema do racismo, Michael Cohen disse que Donald Trump “é muito pior” do que ele parece. “Uma vez, ele me perguntou se eu poderia nomear um país administrado por uma pessoa negra que não seja um ‘país de merda’. Na época, Barack Obama era presidente dos Estados Unidos”. Cohen acrescentou que “Trump me disse que os negros nunca votariam nele porque eram burros demais”.

Nesta quinta-feira (28), Michael Cohen irá testemunhar diante do Comitê de Inteligência da Câmara.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/trump-e-racista-bandido-e-trapaceiro-diz-ex-advogado-de-presidente-dos-eua-a-parlamentares/

EUA querem guerra em todos os lugares do mundo, diz líder iraniano Khamenei

Aiatolá Ali Khamenei.
© Sputnik / Sergey Guneev

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse nesta quarta-feira considerar os Estados Unidos um país indigno de confiança e belicista, e pediu à vizinha Armênia que amplie seus laços com Teerã, apesar das pressões norte-americanas.

O Irã está lutando com as sanções impostas por Washington depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou um acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis grandes potências no ano passado, chamando-o de profundamente falho.

Washington disse a empresas internacionais que elas serão impedidas de entrar no sistema financeiro norte-americano se violarem suas sanções aos setores energético e bancário iranianos. O alerta deixou muitos países preocupados em fazer negócios com o Irã.


"Os americanos são totalmente indignos de confiança e querem sedição, corrupção, desacordo e guerra em todos os lugares. Eles são contra as relações entre o Irã e a Armênia", informou o site oficial de Khamenei durante uma reunião com o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, em Teerã.

"Estamos comprometidos com boas relações com nossos vizinhos, mas autoridades norte-americanas como [o conselheiro de segurança nacional] John Bolton não compreendem as questões e relações humanas", declarou Khamenei. Bolton tem uma visão particularmente belicista do Irã na administração Trump.

O presidente Hassan Rouhani revelou anteriormente que o Irã está pronto para exportar mais gás para a Armênia.

O Irã acusou os Estados Unidos de iniciar uma "guerra econômica" contra ele, dizendo que as sanções estão impedindo o acesso dos iranianos a recursos vitais. O Tesouro dos EUA diz que as importações de remédios e alimentos estão isentas de sanções.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019022713400780-eua-guerra-khamenei/

A era Clinton-Obama termina, uma vez que os democratas americanos procuram uma nova voz radical

texto 2 são os russos os culpados pela eleição do monstro político donald trump 6

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

9. A era Clinton-Obama termina, uma vez que os democratas americanos procuram uma nova voz radical

O partido tem uma dívida de gratidão para com Donald Trump, pois afasta para longe uma mentalidade cautelosa e calculista.

Edward Luce Por Edward Luce

Publicado por Financial Times em 13 de janeiro de 2019

Republicado por Gonzallo Raffo InfoNews em 22 de janeiro de 2019

 

Ouçam com atenção e poderão ouvir a recuo do establishment democrata. O incrementalismo serviu os seus objetivos: tornou os democratas novamente elegíveis e seguros para Wall Street. Mas isto já teve a sua época. A geração de democratas que minimizou as preocupações com a desigualdade e defendeu os mercados globais está a ser substituída por uma voz política muito mais ousada. Independentemente de quem assuma a nomeação democrata em 2020, eles falarão por um partido radicalizado em busca do novo New Deal.

Eles têm uma dívida de gratidão para com Donald Trump. Por mais que muitos renascidos liberais detestem o 45º presidente dos Estados Unidos, eles podem agradecer-lhe pelo facto de os ter levado a eliminar a mentalidade de cautela e de calculismo sistemático que tem hipnotizado os líderes democratas de toda uma geração.

Este tipo de comportamento agora sacudido começou com os Novos Democratas de Bill Clinton no final da década de 1980. Terminou em 2016, quando Hillary Clinton perdeu para Donald Trump. Entre eles, Al Gore, o candidato perdedor de 2000, John Kerry, que perdeu em 2004, e Barack Obama, cujo legado de oito anos está agora a ser destruído por Trump.

Donald Trump serviu tanto como um apelo às armas como um exemplo de como os establishments podem ser derrotados. No primeiro caso, Trump demoliu tudo o que restava da ideia de que os Democratas têm de se preparar para sempre para uma terra prometida de amizade bipartidária. Na prática, muitos pensavam que essa posição já tinha sido desacreditada por Newt Gingrich, o implacável Presidente Republicano da Câmara dos Representantes da época de Clinton. Outros pensavam que a capacidade demolidora que o Tea Party trouxe face aos planos orçamentais de Obama tinha finalmente resolvido o argumento.

Por muito que os democratas se tenham virado para o centro, as recompensas por esta virtude nunca chegaram. Os republicanos simplesmente deslocaram-se sempre mais para a direita. Os presidentes democratas, como Clinton, criaram excedentes orçamentais. Os republicanos, como George W. Bush, gastaram-nos completamente em reduções de impostos. A desigualdade é hoje muito pior do que em 1992, apesar de os democratas terem detido a Casa Branca durante mais de metade desse tempo. Entretanto, os rendimentos médios mal se alteraram. A raiva inicial pela crise financeira de 2008 foi captada pelo Tea Party. No entanto, é difícil acreditar que o autoproclamado socialista Bernie Sanders alguma vez teria quase derrotado a Sra. Clinton se esta não tivesse desenvolvido fortes laços financeiros com Wall Street.

Mas foi Trump que mudou o tempo. Ele mostrou que qualquer um de nós poderia enganar um establishment hostil e ainda ganhar-lhe uma eleição. Depois, ele trocou de cavalo e prosseguiu uma agenda republicana agressiva. Desde cortes de impostos e desregulamentação financeira até aos direitos de posse de armas e juízes anti-aborto, Donald Trump agora tem legisladores republicanos a virem comer à sua mão. Aqueles que ainda acreditavam que seria possível trabalhar com as pessoas politicamente do outro lado – e que esperavam ainda pelos dias dos republicanos de Rockefeller – foram privados animicamente de toda e qualquer disponibilidade que ainda lhes restava. Donald Trump prestou um bom serviço à esquerda americana.

A realidade também lhe deu uma ajuda. Independentemente da sua ideologia, os números de hoje pintam um quadro austero. Dez anos após a recuperação dos EUA, os rendimentos médios das famílias são, em termos reais, muito semelhantes ao que eram em 1999. O grupo dos 1% dos agregados familiares de topo possui mais riqueza do que os 90 por cento de base. A esperança média de vida na América começou a diminuir.

Donald Trump agravou a desigualdade. Mas não é ele o seu autor. Os números eram quase tão sombrios no final dos dois mandatos de Obama. Por isso, remendar já não é muito apelativo.

Muita da atenção está em quem deve ser o candidato democrata para desafiar Donald Trump. Isso é obviamente importante. Mas o importante é que o centro de gravidade do partido mudou. Seja quem for o candidato, seja Joe Biden, o antigo vice-presidente, Elizabeth Warren, a populista em economia, Beto O’Rourke, o optimista solarengo, ou Sanders, a sua plataforma terá de refletir essa mudança. Posições como “Medicare for all”, ou um “Green New Deal”, e o financiamento de eleições públicas terão de fazer parte do pacote. Assim também irão aumentar os impostos.

Também foi dada atenção a Alexandria Ocasio-Cortez, a democrata socialista de 29 anos e o elemento mais jovem do Congresso. Mais notável é o respeito que as suas ideias, nomeadamente uma taxa máxima de imposto de 70 por cento, inspiram nos democratas estabelecidos. “A congressista tem razão”, disse Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro de Clinton, na semana passada. Lawrence Summers personificou o consenso de Washington da década de 1990. Como Keynes, porém, ele diz que muda de ideias quando os factos mudam. Elas não se encaixam mais no arco de história que os democratas costumavam narrar. “As falsas doutrinas do sacerdócio neoliberal estão a perder o seu domínio”, escreve Nick Hanauer, o empresário que fez fortuna com a Amazon.

A esquerda americana está a transformar-se numa fábrica de novas ideias. Algumas delas, como um rendimento básico universal, podem ser questionáveis. Outras, como o desmantelamento dos monopólios, são mais promissoras. De qualquer forma, pela primeira vez em décadas, a energia intelectual da América está agora à esquerda. Alguns comparam o fermento à “ousada experimentação persistente” de Franklin Roosevelt, autor do New Deal dos anos de 1930. Os céticos comparam a atual situação com o falso amanhecer de George McGovern, que perdeu por esmagadora maioria em 1972 a favor de Richard Nixon. Qualquer que seja o ponto de vista que se revele correto, a era Clinton-Obama está a chegar ao fim. Uma nova era está apenas a começar.

Ver aqui o texto original.

O autor: Edward Luce (1968-), é um jornalista inglês e comentador chefe para os EUA do Financial Times, sediado em Washington D.C. Licenciado em Filosofia, Política e Economia pelo New College, Oxford. É autor dos seguintes livros: In Spite of the Gods: The Strange Rise of Modern India (Little, Brown, 2006,); Time To Start Thinking: America and the Spectre of Decline (Little, Brown, 2012, publicado com título diferente na América do Norte: Time to Start Thinking: America in the Age of Descent);The Retreat of Western Liberalism, (Little, Brown, 2017.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/02/25/a-responsabilidade-da-esquerda-na-trajetoria-de-ascensao-do-neoliberalismo-algumas-grelhas-de-leitura-9-a-leitura-de-edward-luce-a-era-clinton-obama-termina-uma-vez-que-os-democratas-americanos/

EUA endurecem ameaças contra a Venezuela

Perante o fracasso da iniciativa de ontem, o secretário de Estado dos EUA afirmou que «todas as opções estão sobre a mesa» para «garantir que a democracia prevalece» e que Maduro tem os dias «contados».

Retrato de graffiti com mulher. Caracas, Venezuela, 9 de Março de 2015. Os EUA tinham acabado de emitir sanções contra a Venezuela, a pretexto de que o país seria uma «ameaça à sua Segurança Nacional".CréditosJorge Silva / Reuters

«Todas as opções estão sobre a mesa. Vamos fazer o que for necessário para garantir que a democracia prevalece e que há um futuro melhor para o povo venezuelano», referiu Mike Pompeo durante uma entrevista à cadeia de televisão Fox, em que foi questionado sobre a possibilidade de haver uma intervenção militar.

«Os dias de Maduro estão contados», precisou Mike Pompeo citado pela agência Efe. Perante o fracasso da iniciativa de ontem, dia em que a Venezuela resistiu à entrada da «ajuda humanitária», violando a Carta das Nações Unidas, o responsável da Administração Trump afirmou que Washington «vai tomar medidas» e que «há mais sanções que podem ser aplicadas». 

Mike Pompeo assinalou que o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, participa na segunda-feira numa reunião do Grupo de Lima, que vai decorrer em Bogotá (Colômbia), onde os EUA vão reafirmar o seu apoio a Juan Guaidó como o presidente legítimo da Venezuela.

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/eua-endurecem-ameacas-contra-venezuela

A responsabilidade da esquerda na trajetória de ascensão do neoliberalismo – algumas grelhas de leitura – 8. A leitura de Nelson Lichtenstein – Um fabuloso fracasso: A década de 1990 de Clinton e a origem dos nossos tempos de agora (2/2)

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Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

8. Um fabuloso fracasso: A década de 1990 de Clinton e a origem dos nossos tempos de agora (2/2)

Nelson Lichtenstein Por Nelson Lichtenstein

Publicado por The American Prospect em 29 de janeiro de 2018

 

(conclusão)

Subestimando o Capital: fracasso das reformas da saúde e da lei do trabalho

Embora a esquerda de Clinton tenha sido derrotada quando se tratou de um estímulo keynesiano da economia ou da construção de um regime de comércio regulamentado com o México e com outras nações, eles acreditavam que a reforma do imenso sistema de saúde, bem como do regime de relações de trabalho cada vez mais calcificado ainda era possível. Em ambos os casos, responsáveis políticos como Ira Magaziner, Robert Reich e Hillary Clinton pensavam que o capitalismo americano tinha sido debilitado pelo declínio da produtividade e por ineficiências incorporadas que exigiam uma ação estatal para corrigir a situação. Ambas as iniciativas constituíam uma versão atualizada do corporativismo do New Deal. Ambas falharam em parte porque o governo Clinton subestimou o poder e a visão de setores-chave da indústria americana, especialmente dos florescentes setores de retalho, de refeições rápidas, da finança e da alta tecnologia, todos hostis ao sindicalismo e à regulação estatal.

Os seus arquitetos consideraram o plano de saúde Clinton um híbrido engenhoso de concorrência e regulação do mercado. As chamadas “health alliances ” regionais – grandes grupos de compra de consumidores classificados pela comunidade – teriam limites globais de gastos com seguros e custos hospitalares, aproximando-se de algumas das eficiências de um sistema de pagamento único, mas preservando a concorrência entre companhias de seguros privadas. Todos os grandes empregadores teriam que oferecer seguro de saúde, seja diretamente ou através das “health aliances”. Outros trabalhadores e cidadãos receberiam um seguro subsidiado através de alianças, de seguradoras bem reguladas.

Os patrocinadores fizeram dois erros de cálculo graves. Primeiro, eles não envolveram os principais atores legislativos na concepção inicial do complexo e híbrido projeto de lei, que se mostrou demasiado dirigido pelo governo para alguns e muito distante do pagador único para outros. Em segundo lugar, eles subestimaram a oposição ideológica das empresas organizadas contra uma grande expansão do papel do Estado federal, mesmo que as empresas pudessem economizar algum dinheiro.

Os Clintons contavam com o apoio de setores empresariais que já forneciam seguros de saúde: O novo mandato do empregador reduziria as suas despesas, espalhando os custos do seguro entre todos os empregadores. As empresas americanas de automóveis pagavam mais pelo seguro saúde do que pelas compras de aço, mas Walmart, Marriott e milhares de outras empresas do setor de serviços de baixos salários transferiam os custos de saúde dos seus empregados para o Estado, para a caridade ou para as folhas de pagamento de outras empresas. A empresa Walmart, com quase um milhão de trabalhadores no final do século 20, forneceu um pacote de seguro de saúde tão oneroso e inadequado que menos de 50% dos seus funcionários o assinaram. “Neste momento, as grandes empresas pagam os custos de saúde das pequenas empresas que não estão a fornecer seguro de saúde”, argumentou um empresário pró-reforma. “É uma outra forma de imposto.”

Mas o capitalismo americano tinha-se transformado dramaticamente desde a última era da reforma da saúde, na década de 1960, e as empresas de baixos salários e baixos benefícios do inchado setor de serviços, especialmente restaurantes e retalhistas, resistiram amargamente aos mandatos dos empregadores. Uma revolta no setor de serviços gerou algo próximo a um golpe de Estado dentro da Câmara de Comércio dos EUA, que inicialmente havia favorecido a reforma de Clinton a pedido de muitas grandes empresas tradicionais de fabricação como a Chrysler e a Bethlehem Steel.

Da mesma forma, um conjunto de seguradoras mais pequenas, que ganhavam dinheiro “escolhendo” os clientes mais saudáveis e lucrativos, temiam que o sistema de “concorrência regulada” defendido pelos Clintons os colocasse em desvantagem na luta por uma quota de mercado com as cinco grandes seguradoras da época, que estavam dispostas a transformar-se em algo próximo de uma empresa de serviços públicos em troca de milhões de novos clientes mandatados pelo governo. Organizadas na Associação Americana de Seguros de Saúde, essas empresas pequenas patrocinaram o infame mas altamente influente conjunto de anúncios de TV “Harry e Louise” de 1993 e 1994, que equipavam os mandatos dos empregadores e os controles de custos a um governo federal pesado e intrusivo.

Os conflitos  ideológicos nesta luta foram postos claramente em evidência  no final de 1993, quando o jornalista e conselheiro republicano Bill Kristol escreveu um memorando aos legisladores e ativistas do Partido Republicano que talvez continue a ser o documento mais importante que expõe as razões da oposição conservadora à reforma da saúde, tanto no início dos anos 1990 como nos anos desde 2009. Kristol argumentou que qualquer compromisso republicano com Clinton não só “tornaria permanente uma intrusão federal sem precedentes na economia americana e uma rutura na mesma”, mas também promoveria as perspetivas eleitorais democratas, porque um plano Clinton bem-sucedido “reavivará a reputação do partido que gasta e regula, o Partido Democrata, como generoso protetor dos interesses da classe média”. Os republicanos tinham, pois, que “adotar uma contra-estratégia agressiva e intransigente” para “deslegitimar” o plano Clinton e provocar a sua “derrota política incondicional”.

No final do verão de 1994, quando o plano de saúde de Clinton expirou no Congresso, esse fracasso revelou-se uma vitória ideológica para pessoas como Bill Kristol e estabeleceu a base para a vitória republicana na Câmara dos Representantes pela primeira vez desde 1946. Uma longa era de agitado partidarismo tinha chegado.

Um esforço para assegurar as direitas do trabalhador, não através do reforço do direito à sindicalização garantido pela frequentemente violada lei Wagner, mas promovendo uma maior colaboração entre os trabalhadores e o patronato, transformou-se no coração da política sindical da Administração Clinton. Uma comissão sobre o futuro das relações trabalhador-gerenciamento, presidida por John Dunlop, foi a primeira iniciativa assinada. Uma colaboração mais vasta geraria presumivelmente ganhos da produtividade e ganhos melhorados para emparelhar não apenas com o setor sindicalizado, mas com a força de trabalho em geral. Mas em 1993, a negociação social ao estilo Dunlop já era uma relíquia de uma época anterior. A maioria das grandes empresas não queria diálogo com a mão-de-obra, muito menos com os sindicatos. Queriam controlo.

O acordo chave que Dunlop e outros, incluindo alguns no próprio movimento operário, esperavam obter era uma troca: as empresas teriam o direito de criar organizações de produtividade e compromisso nos locais de trabalho, suavizando a proibição da Lei Wagner de sindicatos de empresas, enquanto os sindicatos reais teriam algumas reformas na legislação do trabalho que poderiam ter facilitado a organização. Mas esse acordo estava condenado desde o início. Ele não ganhou força nenhuma do lado da comunidade patronal, nem da velha linha da indústria manufatureira, que então estava a ser atingida pelas importações, nem do lado de Silicon Valley, nem mesmo de empresas de alta tecnologia sindicalizadas como a Xerox, cujo CEO liberal, Paul Allaire, serviu como membro da Comissão Dunlop. E, claro, os mesmos empregadores do setor de serviços trabalho-intensivos que sabotaram a reforma dos cuidados de saúde de Clinton foram ainda mais hostis a qualquer acordo de lei do trabalho que sugerisse dar mais voz aos empregados. No setor de serviços, a maior produtividade dos funcionários estava a caminho, não através de uma nova era de cooperação na gestão do trabalho, mas à medida que novas e mais intrusivas versões do Taylorismo eletrónico chegavam às caixas, aos hospitais, restaurantes e centros logísticos que estavam as liderar o aumento do emprego nos EUA.

Quando a iniciativa de saúde colapsou e os republicanos obtiveram uma vitória decisiva no Congresso em 1994, os empregadores sabiam que estavam em vantagem. Jeff McGuiness, presidente da Associação de Política do Trabalho pelo lado patronal, que na verdade era um dos grupos de empregadores mais moderados para se empenhar e envolver na comissão, disse à imprensa: “Todos os acordos estão cancelados, todas as contrapartidas, todas as trocas de opiniões, quaisquer acordos que poderiam ser concluídos estão agora cancelados”.

 

Desregulamentação financeira

Embora a reforma do Sistema de Saúde tenha permanecido paralisada durante a década de 1990, desenvolveu-se uma reestruturação radical das finanças americanas e com pouca oposição. Em meados da década de 1990, quase todos os assessores de Clinton (com as notáveis exceções de Joseph Stiglitz e Brooksley Born [1] [2]) reiteradamente lhe asseguravam que a decisão de deixar Wall Street desmantelar as proteções regulatórias erguidas durante a Grande Depressão representava simplesmente uma modernização inevitável. Como John Podesta, que logo se tornaria o chefe de gabinete de Clinton, disse num memorando de 1995: “O argumento para a reforma é que a separação entre bancos e outros serviços financeiros mandatados pela Glass-Steagall está ultrapassada num mundo onde bancos, empresas de títulos e seguradoras oferecem produtos similares e onde as empresas fora dos EUA não enfrentam tais restrições”. [3]

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A notável influência do Secretário do Tesouro Robert Rubin simbolizava a reestruturação radical da finança americana pelo governo Clinton. Chatham House/Creative Commons

A notável influência de Robert Rubin, tanto na Casa Branca como em Wall Street, simbolizou e encapsulou essa perspetiva, à qual o termo “neoliberalismo” estava agora firmemente ligado. Ao contrário de Greenspan, um discípulo de Ayn Rand, Rubin era uma personalidade atraente e sedutora – um democrata cujo charme, liberalismo social e intelecto persuasivo o protegia da crítica e aumentou a sua influência, não apenas em termos desta política ou aquela, mas como líder ideológico de uma espécie de neoliberalismo, chamada de “Rubinomics”. Ele foi mentor de uma geração de formuladores de políticas da era Clinton, mais tarde com ecos nos nomeados de Obama, criando um establishment político democrata que já não se inspirava nos sindicatos e nas organizações de defesa dos  consumidores, mas tinha uma perspetiva convergente com Wall Street como sinónimo de bem-estar geral. E o longo boom da década de 1990, quaisquer que fossem as suas origens reais, pareciam ratificar a sabedoria de tal perspetiva e o aparato estatal que lhe deu substância legislativa.

Embora a Lei Glass-Steagall não tenha sido formalmente revogada até 1999, a separação entre a banca comercial e a banca de investimento já tinha sido gravemente enfraquecida pelas decisões da Reserva Federal, que aumentaram a dimensão dos bancos e permitiram que os bancos comerciais, através de filiais, subscrevessem muitos tipos de títulos. Em 1994, com os Democratas ainda no controle do Congresso, Clinton assinou o Riegle-Neal Interstate Banking and Branching Efficiency Act que eliminou as restrições sobre as sucursais dos bancos e, assim, aumentou a influência dos grandes bancos. Depois, em 1996, o Fed permitiu que as subsidiárias dos bancos obtivessem 25% das suas receitas com operações de títulos, contra 10% anteriormente. E nesse mesmo ano, o Fed reformulou os seus regulamentos para facilitar a aprovação da expansão dos bancos para novas atividades. A administração Clinton nada fez para impedir esta deterioração das regulamentações bancárias; em vez disso, o Tesouro de Rubin pressionou a Casa Branca a formalizar o novo regime de investimento bancário, apoiando os esforços de desregulamentação feitos pelo Partido Republicano no Congresso.

A revogação da Glass-Steagall no final de 1999 estimulou uma onda de fusões de megabancos e permitiu que estes se lançassem de cabeça na atividade de compra, de titularização, de venda e negociação de hipotecas e títulos garantidos por hipotecas. De facto, uma dessas fusões já havia sido realizada bem antes da aprovação da legislação, o acordo de US$ 72 mil milhões que reuniu o Citibank, o maior banco de Nova York, e o Travelers Group Inc., a enorme empresa de seguros, corretagem e serviços financeiros. A fusão foi uma clara violação da Glass-Steagall, mas tal era a confiança de Wall Street de que o Congresso revogaria a antiga lei que o patrão da Travelers, Sanford Weill, e o CEO do Citibank, John Reed, não hesitaram em concluir as negociações. A revogação da Glass-Steagall em novembro de 1999 foi chamada de “Lei de Autorização do Citigroup” em alguns círculos. Rubin, que havia deixado o cargo de secretário do Tesouro em julho do mesmo ano, tornou-se presidente do comité executivo do Citi em outubro.

O único alto funcionário da regulação na Administração Clinton que se opôs frontalmente no caminho foi Brooksley Born, presidente da Commodity Futures Trading Commission. A sua derrota e demissão são reveladoras. Born alertou que a explosão de derivados ocorrida na década de 1990 criou um gigantesco risco moral que era difícil de ser medido tanto pelos reguladores governamentais como pelos próprios bancos. Ao contrário das ações, obrigações e opções, não existia qualquer câmara de compensação para transações de instrumentos derivados; sem um registo transparente, essas transações poderiam tornar-se uma fonte de litígios, incerteza, conflitos de interesses e fraude. Era um mercado “negro”. Mas a advertência de Born, como a Cassandra, foi veementemente combatida po Greenspan, presidente do Fed, por Rubin e pelo vice-secretário do Tesouro, Larry Summers. Quando se soube que Born propôs a emissão de um “documento de reflexão” defendendo a regulamentação da negociação sobre produtos derivados, , Summers fez uma chamada telefónica furioso: “Eu tenho 13 banqueiros no meu gabinete e eles dizem-me que se você avançar com a ideia desse documento você vai causar a pior crise financeira desde a Segunda Guerra Mundial.”

Quatro meses depois, em setembro de 1998, o colapso da Long-Term Capital Management, que detinha um milhão de milhões de dólares em derivados, parece ter confirmado as apreensões de Born, mas mesmo assim ela permaneceu um pária junto do Congresso, junto do Fed e junto dos homens do Presidente. A pedido de Rubin e Greenspan, o Congresso aprovou uma moratória proibindo a sua Agência de regular a maioria dos produtos derivados e no final do seu mandato Clinton assinou o Commodity Futures Modernization Act, que isentava da regulamentação federal os derivados financeiramente mais importantes. O fusível tinha sido acendido para a implosão que envolveria Wall Street e o mundo apenas uma década depois.

 

A tragédia da Administração Clinton é que nada disso era inevitável. Bill Clinton e a maioria dos “Amigos de Bill” não eram neoliberais, mas acabaram estar a presidir a uma economia política que fez avançar no plano ideológico e financeiro o projeto neoliberal. As suas primeiras intuições exigiam uma nova forma de capitalismo regulado, não pelos mercados, para revitalizar a economia interna, reformar o sistema de saúde e as relações de trabalho e melhorar os disfuncionamentos sociais gerados pelo comércio globalizado. Mas eles cederam diante daqueles que, dentro e fora da administração, tinham um conjunto mais firme de prescrições ideológicas. Isso foi sobretudo mais notável na ênfase quanto à redução do défice, na decisão aparentemente gratuita de empurrar o NAFTA pela goela abaixo de uma maioria de democratas resistentes no Congresso e na desregulamentação radical dos mercados financeiros.

Os Clintons presidiram uma mudança geracional no governo, mas não a emergência de um novo movimento social ou a revitalização de um antigo. Eles pensavam que a solução para os problemas sociais e económicos dos EUA poderia ser um corporativismo em que todos ganham, quando na realidade foi uma solução muito mais próxima de “soma zero”. A prosperidade que viria na segunda metade da década dos anos de 90 foi, portanto, construída sobre um conjunto de circunstâncias fortuitas, sem a necessária base institucional para tornar essa meia-década de aumento dos padrões de vida capaz de resistir aos choques externos e às repercussões políticas que certamente se verificariam no novo século.

 

Notas

[1] N.T. Curiosamente, assinale-se que muitos dos mesmos homens que bloquearam Born, ocuparam posições chaves na administração Obama. Por isso, o filme The Warning revela as políticas complicadas que levaram a esta crise e o que se pode dizer sobre as tentativas atuais de evitar a próxima.

[2] N.T. Para percebermos a importância de Brooksley Born, sublinhe-se que foi premiada com John F. Kennedy Profiles in Courage Award em reconhecimento da “coragem política demonstrada ao lançar precocemente sucessivos alertas sobre as condições que contribuíram para a atual crise financeira global”. Ainda segundo Carolina Kennedy “Brooksley Born reconheceu que a segurança financeira de todos os americanos estava a ser posta em risco pela ganância, negligência e oposição de interesses poderosos e bem interligados”. Brooksley Born dirigiu a CFTC de 1996 a 1999. Quando propôs a regulamentação dos produtos derivados, foi literalmente arrasada por uma coligação composta por Alan Greenspan, então Presidente do Federal Reserve, Summers e Rubin. Ofendida, demitiu-se. Num quadro regulado, os CDO sintéticos (Collateralized Debt Obligations), por exemplo, que precipitaram o colapso financeiro do outono de 2008, teriam sido proibidos.

[3] N.T. Veja ofilme sobre o Grande Colapso, sobre Brooksley Born que lhe dedica Frontline, através da câmara de Michael Kirk, aqui

 

Texto disponível em https://prospect.org/article/fabulous-failure-clinton%E2%80%99s-1990s-and-origins-our-times

O autor: Nelson Lichtenstein (1944-) é professor de História na Universidade de Califórnia, Santa Barbara, e diretor do Centro de Estudos de Trabalho, Mão de Obra e Democracia. É historiador de trabalho, tendo escrito sobre política económica americana do século XX, nomeadamente indústria automativa e Wal-Mart. Outras obras:

  • Walter Reuther, The Most Dangerous Man in Detroit.Urbana, Ill.: University of Illinois Press, 1997.
  • Labor’s War at Home: The CIO in World War II.Philadelphia: Temple University Press, 2003.
  • State of the Union: A Century of American Labor.New edition. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 2003.
  • The Retail Revolution: How Wal-Mart Created a Brave New World of Business.New York: Henry Holt and Company, 2009.
  • Who Built America? Vol. 2: 1865 to the Present,with Roy Rosenzweig and Joshua Brown. Boston: Bedford Books, 2007. (em co-autoria)
  • Industrial Democracy in America, co-edited with Harris Howell John. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
  • Major Problems in the History of American Workers, with Eileen Boris. Houghton Mifflin, 2002.
  • American Capitalism: Social Thought and Political Economy in the Twentieth Century.Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2006.
  • Wal-Mart: The Face of Twenty-First-Century Capitalism.New York: The New Press, 2005.
  • The Right and Labor in America: Politics, Ideology, and Imagination, co-edited with Elizabeth Tandy Shermer. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2012.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/02/24/a-responsabilidade-da-esquerda-na-trajetoria-de-ascensao-do-neoliberalismo-algumas-grelhas-de-leitura-8-a-leitura-de-nelson-lichtenstein-um-fabuloso-fracasso-a-decada-de-1990-de-clinton-e-a-or-2/

De “vitória” em “vitória” até ao fracasso final?

Há sessenta anos que os EUA atacam Cuba. O desequilíbrio de forças é enorme. Mas não conseguiram uma única vitória, por muito que procurem proclamá-las. A actual contraofensiva reaccionária na América Latina tem diferentes objectivos parcelares, nomeadamente a riquezas naturais e a recuperação das parcelas de dominação perdidas pelos EUA. Mas o seu alvo principal continua a ser a Ilha Heróica.

Os últimos dez, doze anos, foram testemunhas de sucessivos naufrágios de amplamente difundidos presságios sobre Cuba.

A cessação da chefia do Estado por Fidel, a sua morte, a assunção do governo por uma nova geração que não é a que fez triunfar a Revolução, as dificuldades económicas da Venezuela, têm sido motivo para que os media dominantes repetidamente prognostiquem o fim da Revolução Cubana.
Apoliticismo generalizado, grande quebra dos valores de solidariedade, economia subsidiada pelo chavismo, são algumas das coisas sobre Cuba que foram ditas e repetidas neste último período para estabelecer uma vez mais como prognóstico académico ou jornalístico os desejos pelos quais tem durante sessenta anos trabalhado o governo dos Estados Unidos.

Os factos têm afirmado algo de diferente: A saída de Fidel da chefia do Estado cubano não significou o colapso da Revolução e a sua morte trouxe para a primeira linha centenas de milhares de jovens que proclamavam “Eu sou Fidel”; desde Abril de 2018 há em Cuba um governo encabeçado por alguém nascido depois de 1959, cujo consenso entre o povo é cada vez maior; apesar da agressão dos EUA contra a Venezuela e o recrudescimento do bloqueio à ilha, não voltaram - como prognosticou a análise mediática – os apagões massivos e as carências do Período Especial que se seguiu ao colapso da União Soviética; o recente debate sobre uma nova Constituição para o socialismo cubano revelou um interesse e participação política que deveriam suscitar a inveja das democracias ocidentais, enquanto o impacto de um tornado que atingiu duramente bairros densamente povoados de Havana evidenciou uma grande vocação solidária na cidadania.

O que está agora a acontecer na envolvente geográfica cubana não é um sucesso da administração Trump. A contraofensiva conservadora na América Latina contou com os erros da esquerda, com a sua incapacidade de converter o governo em poder popular, e alterar os poderes fácticos que têm sido fundamentais para fazer regressar ao “equilíbrio” um sistema onde o poder mediático, judicial e económico todos os dias votam contra os interesses da maioria, mas qualquer análise de como se chegou à situação actual não pode ignorar o papel da estratégia de Washington na mesma. Começada com o golpe contra o presidente Zelaya em Honduras, passando pela guerra económica contra a Venezuela e a declaração do governo de Caracas como “ameaça incomum e extraordinária” para a Segurança Nacional dos EUA, a nomeação de Luis Almagro à frente da OEA e os processos de lawfare contra líderes progressistas na região, executados com juízes, promotores e jornalistas locais, mas formados nos Estados Unidos, teve a sua génese e articulação sob a presidência de Barack Obama.

Aqueles que, a partir de Miami, dirigem a política da Casa Branca para a América Latina, Marco Rubio e Mauricio Claver Carone, concertavam em Março de 2012 na ultraconservadora Heritage Foundation com o Gabinete «Cuba Broadcasting» de Barack Obama, e com um dos impulsionadores da sua nova política cubana, Carlos Saladrigas, como usar a internet para “descongelar uma ilha congelada no tempo”. Talvez tenhamos visto os resultados desta concertação acordo na enxurrada de Fake News que acompanhou a última parte do debate sobre a reforma constitucional cubana e mais proximamente o impacto do tornado que atingiu a capital cubana em 27 de Janeiro, o primeiro fenómeno climatológico extraordinário que chega a Cuba com serviço de internet 3G no telefones celulares.

Depois de conseguir reduzir os rendimentos pela colaboração médica no Brasil com as impopulares decisões de Jair Bolsonaro, de impactar negativamente as viagens de norte-americanos e canadianos por novas sanções ou “ataques sónicos” nunca provados, diminuir os fornecimentos de petróleo de Caracas a Havana como efeito da guerra económica anti-chavista e desencorajar o investimento estrangeiro directo com a ameaça da entrada em vigor do capítulo III da Lei Helms Burton, para os otimistas do “já está a chegar”, é muito fácil para quem não conheça Cuba supor que um fenómeno natural imprevisível e devastador geraria uma crise humanitária com milhares de pessoas em estado de fome e sede dormindo expostos à intempérie, pintando o quadro ideal para aqueles que, como The Wall Street Journal publicou, pretendem “romper os laços que unem a Venezuela com Ilha e afundar os regimes em ambos os países,” mas mais uma vez os desejos avançaram à frente das notícias: a tantas vezes insultada burocracia cubana conseguiu responder com mais eficácia do que a idealizada gestão do país com mais recursos do mundo que vimos em Porto Rico após o furacão Maria e em Nova Orleãs depois do Katrina.

Faltando poucos dias para o referendo constitucional de 24 de Fevereiro, alguém duvida que nesse período tão curto a mesma maquinaria tentará novas “vitórias,” sob a forma de “greve de fome”, “crise de imigração” ou “atentado à liberdade de expressão” E alguém duvida, além disso, que no dia 25 de Fevereiro eles estarão tentando justificar o seu enésimo fracasso?

Fonte: https://lapupilainsomne.wordpress.com/2019/02/15/usa-vs-cuba-de-victoria-en-victoria-hasta-el-fracaso-final-por-iroel-sanchez/

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

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A responsabilidade da esquerda na trajetória de ascensão do neoliberalismo – algumas grelhas de leitura – 8. A leitura de Nelson Lichtenstein – Um fabuloso fracasso: A década de 1990 de Clinton e a origem dos nossos tempos de agora (1/2)

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Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

8. Um fabuloso fracasso: A década de 1990 de Clinton e a origem dos nossos tempos de agora (1/2)

Nelson Lichtenstein Por Nelson Lichtenstein

Publicado por The American Prospect em 29 de janeiro de 2018

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A derrota de Hillary Clinton no Midwest industrial contra Donald Trump selou o seu destino no dia das Eleições de 2016. Essa derrota, tanto estreita quanto catastrófica, teve muitos arquitetos, mas um dos mais consequentes ocupou a Casa Branca quase 25 anos antes, quando o seu marido assumiu a direção de uma América cuja economia estava em estagnação, com uma  desindustrialização desenfreada e um défice comercial gigante, de uma América que clamava por reformas estruturais para romper decisivamente com o laissez-faire estilo Reagan e para renovar a lealdade dos eleitores em dificuldade ao partido de Roosevelt, Truman e Johnson. Mas isso foi precisamente o que Bill Clinton não fez.

Muitos recordam a década de 1990 como um momento de triunfo económico com o desemprego cada vez mais baixo, crescimento económico anual de 4%, um mercado de ações em expansão e até mesmo um orçamento federal equilibrado no final do milénio. Os economistas Alan Blinder e Janet Yellen chamaram a esses anos a “Década Fabulosa” em 2001, enquanto um artigo de opinião de 2015 no The New York Times tinha o título “A Melhor Década de Sempre? A década de 1990, obviamente”. Embora os republicanos tenham conquistado o controlo do Congresso em 1994, vale a pena aqui lembrar que o vice-presidente de Ronald Reagan, George H.W. Bush, obteve apenas 37% dos votos em 1992, enquanto o robusto republicano, Robert Dole, teve 40% em 1996. A política estava claramente em movimento. Os Clintons, portanto, dispuseram de um momento histórico de reformular não apenas as políticas de comércio, investimento e saúde, mas também os regulamentos, normas e expectativas que poderiam reger uma versão do capitalismo dos EUA no pós-guerra fria.

O seu fracasso em aproveitar essas circunstâncias fortuitas condenou qualquer esforço para construir uma economia mais equitativa ou uma ordem política suficientemente poderosa para sustentar um liberalismo dominante, um fracasso que Donald Trump um dia aproveitaria. Como este disse a uma audiência numa siderúrgica em Monesson, Pensilvânia, em 28 de junho de 2016: “A globalização tornou muito rica a elite financeira que oferece donativos aos políticos. Mas deixou milhões dos nossos trabalhadores sem nada além de pobreza e sofrimento. A América tornou-se a economia dominante do mundo ao tornar-se o produtor dominante do mundo… criando a maior classe média que o mundo já conheceu. Mas depois a América mudou a sua política. … Permitimos que países estrangeiros subsidiassem os seus bens, desvalorizassem as suas moedas, violassem os seus acordos e trapaceassem de todas as formas imagináveis“.

A retórica de Trump nunca pode ser tomada a sério pelo que ele diz, mas durante a campanha de 2016 ele teve uma incrível capacidade de capturar a angústia e a identidade desses cidadãos e trabalhadores, muitos deles antes eram sólidos eleitores democratas, agora vitimados e marginalizados pelas transformações financeiras e económicas aparentemente incontroláveis das últimas décadas. Com alguma justificação, ele apelidou o Acordo de Livre Comércio da era Clinton de ser “o pior acordo comercial” da história, e opôs-se à entrada da China na Organização Mundial do Comércio. Trump foi o primeiro candidato presidencial real de um dos dois maiores partidos – Ross Perot concorreu como candidato de um terceiro partido – a afirmar que a política comercial era a causa e o símbolo do mal-estar dos trabalhadores de colarinho azul.

 

Bill Clinton e o seu momento

Embora o pensamento histórico e jornalístico convencional coloque Ronald Reagan no centro da viragem conservadora da política comercial e orçamental americana, sabemos que a ratificação de tal viragem política só se verifica quando o partido de oposição ostensivamente hostil se acomoda e depois avança com a realização dessa transformação. E isso é o que a administração de Bill Clinton fez – normalizou aspetos-chave da cosmovisão económica de Reagan. Como disse Clinton no seu discurso de 1996 sobre o Estado da União, “A era do grande governo acabou”. Essa declaração foi feita depois da derrota dos Democratas nas eleições do Congresso de 1994, mas grande parte dessa mudança de política para a direita veio mais cedo, mesmo antes de o Partido Republicano conseguir o poder de veto legislativo.

Esta capitulação de Clinton não era inevitável. O manifesto da campanha, “Putting People First”, foi largamente baseado nos trabalhos recentes de Robert Reich, Ira Magaziner e outros “Amigos de Bill” que claramente se situavam à esquerda. Muitos dos conselheiros de Clinton admiravam o modelo económico praticado na Alemanha, nos países escandinavos, na Itália do Norte, no Japão, e nos “Tigres” do leste asiático. Por exemplo, a economista Laura D’Andrea Tyson tinha estudado planeamento económico da Jugoslávia no MIT e tinha acabado de publicar o livro Who’s Bashing Whom? Trade Conflict in High-Technology Industries, um livro em que a autora se posicionava a favor de uma política comercial dura se os Estados Unidos queriam impedir a eliminação pela parte do Japão daquelas indústrias em que os Estados Unidos tinham sido um pioneiro inovador mas em que se atrasaram na utilização de técnicas de produção industrial de baixo custo.

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Da esquerda para a direita: Secretário do Tesouro Lloyd Bentsen, Presidente Clinton e Secretário do Trabalho Robert Reich. AP Photo/Marcy Nighswander

 

Todos os conselheiros do Clinton concordaram com a frase de James Carville: “É a economia, oh estúpido.” Doravante, e nesta base, o governo poderia oferecer um conjunto vigoroso de intervenções tanto para impulsionar a procura agregada, como no keynesianismo tradicional, como para utilizar as políticas estruturais para aumentar a produtividade do capital e do trabalho, proteger os setores centrais da indústria e desenvolver a equidade na vida dos americanos. Ou assim parecia.

 

O grupo do círculo de Clinton confronta-se com os mercados financeiros e recua

Mas uma renovação e modernização do liberalismo ao estilo New Deal nasceu no alvorecer da era Clinton. Assim como o republicano Dwight Eisenhower legitimou o New Deal ao aceitar muitas das suas conquistas, Bill Clinton ratificou muitas políticas neoliberais muito antes de Newt Gingrich levar o Partido Republicano à vitória com a derrota dos Democratas para o Congresso em 1994 ou de Clinton tentar triangular com os seus adversários em 1995 e depois.

Os principais conselheiros económicos nomeados durante a transição, nomeadamente Robert Rubin, Larry Summers, Lloyd Bentsen, Leon Panetta e Alice Rivlin, apresentaram um conjunto de prioridades económicas muito mais ortodoxas do que a “política industrial” da esquerda de Clinton. Este grupo, de que se salientam Rubin, Summers, Bentsen e Panetta passaram a dominar na determinação das políticas a seguir. Apesar da sua própria oposição inicial, o presidente eleito Clinton foi persuadido a desistir de um importante pacote de estímulo económico, incluindo investimentos direcionados, em troca das baixas taxas de juros que estes seus assessores pensavam que o mercado de títulos sustentaria se apenas o déficit fosse domesticado por uma combinação de limitação de despesas sociais e de impostos mais altos.

Era tradição os Presidentes Democratas nomearem Secretários do Tesouro (Ministros das Finanças) com ligações amistosas a Wall Street para dar confiança aos mercados. Mas, na presidência de Roosevelt, Truman e Johnson, aos nomeados para este cargo faltou-lhes o poder (ou o desejo, como no caso do Secretário do Tesouro de Roosevelt, Henry Morgenthau) para eliminar o resto do programa do Progressive Party. Rubin, ao contrário dos outros, tinha iniciado a sua carreira nos Democratas como dador e angariador de fundos.

Clinton viu-se frente a frente com o poder ideológico em torno da redução do déficit em 7 de janeiro de 1993, reunido na mansão do governador em Little Rock. Aí, Rubin, recém-selecionado para dirigir o Conselho Económico Nacional (NEC) de Clinton, e Panetta, o novo chefe do Departamento de Gestão e Orçamento, defenderam a redução do défice, deixando de lado as propostas para o grande e inovador estímulo que Clinton havia defendido durante a campanha. O défice que a administração Bush legou a Clinton foi cerca de 40% maior do que a estimativa apresentada apenas alguns meses antes. Mais importante ainda, as taxas de juro de longo prazo teimosamente altas convenceram os homens ligados a Wall Street Wall, incluindo Rubin, de que um enorme reservatório de dinheiro para investimento ficaria congelado e por explorar. As taxas de juros dos títulos de longo prazo estavam agora acima de 7%. As taxas de juros mais baixas levariam sem dúvida a investimentos e despesas muito além do programa de estímulo de US$ 50 mil milhões proposto por Robert Reich [Secretário do Trabalho].

Mas cortar no orçamento significava eliminar grande parte da razão de ser do investimento social prometido durante a campanha. Os estrategas da campanha de Clinton, como James Carville, Paul Begala, Stan Greenberg e Mandy Grunwald, bem como Hillary Clinton e Ira Magaziner, estavam incrédulos. Não havia garantias de que meter na gaveta as promessas da campanha iria gerar uma resposta positiva do mercado de títulos, mesmo que o presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, tivesse uma política monetária mais fácil em troca da redução do défice. Um Clinton apavorado, confrontado com a realidade segundo Rubin, disse à sua equipa económica: “Quer-me dizer que o sucesso do meu programa e a minha reeleição depende do Federal Reserve e de um bando de especuladores sobre títulos?” Carville mais tarde comentaria que se ele nascesse de novo, ele quereria reencarnar-se na coisa mais poderosa do mundo, o mercado de títulos.

Mas tinha sido o próprio Clinton quem tinha nomeado os falcões do défice como Rubin e Bentsen, o novo secretário do Tesouro, que por sua vez escolheu o ortodoxo Summers como assistente principal, e mais tarde a suceder a Bentsen no cargo de Secretário do Tesouro. Nem todos na Casa Branca de Clinton aceitaram esta lógica. Escrevendo a Rubin e a Clinton no início de fevereiro, tanto a presidente do Conselho de Assessores Económicos, Laura Tyson, quanto o membro do conselho, Alan Blinder, argumentaram que “a redução do défice à custa do investimento público é autodestrutiva”. Blinder e Tyson queriam um programa gradual e plurianual para reduzir o défice, combinado com “uma mudança nas despesas públicas a favor de programas de investimento público”. Importante, Tyson e Blinder argumentavam que “qualquer plano para reduzir o défice em montantes significativamente grandes – e mantê-los depois – no final da década de 1990 e no próximo século exigiria mudanças no nosso sistema de saúde”. Magaziner esperava que os limites de gastos em saúde e a introdução de um sistema de gestão da concorrência teriam, de facto, um impacto de longo prazo sobre os gastos federais, possivelmente em 1996, colocando a necessidade de outros cortes de despesas.

Mas a esquerda de Clinton foi ultrapassada pelo grupo das pessoas ligadas a Wall Street. Rivlin, no Office of Management and Budget, assim como Bentsen e Roger no Tesouro, temiam que um plano de redução do défice insuficientemente duro enviasse o sinal político e orçamental errado para Wall Street. A direção de Office of Management and Budget argumentou que “é necessário um plano de redução do défice mais vigoroso” do que o proposto pela CEA “porque acredita que o Fed e os mercados de títulos responderão muito favoravelmente se formos suficientemente agressivos no nosso plano de redução do défice”

Tudo isso foi uma aposta sofisticada que dependia fortemente da mentalidade de alguns milhares de especuladores em Nova York, Tóquio, Frankfurt e Londres. Face a esta posição austeritária, Joseph Stiglitz, membro do Comité de Assessores Económicos de Clinton, replicou nas suas memórias de 2003 relativamente à década de 1990: “Estou convencido de que o argumento da confiança é o último refúgio daqueles que não conseguem encontrar melhores argumentos“. Os mercados financeiros, é claro, estão muitas vezes enganados, como provaria o colapso de 2000. Mas, no início do seu governo, Clinton optou por confiar mais nos mercados do que num governo de militantes políticos, de ativistas. Esta linha austeritária daria o tom para as decisões posteriores que definem Clinton como um neoliberal e não como o herdeiro de Roosevelt e de Johnson.

Seja qual for a sua fonte, as baixas taxas de juro, por si só, não poderiam incentivar ou orientar o investimento da forma mais produtiva. A partir do final da década de 1990, o fracasso em encontrar oportunidades de investimento lucrativas e produtivas distorceu a economia política. O aumento de milhões de milhões de dólares nas recompras de ações das grandes empresas, juntamente com a manutenção de uma grande quantidade de lucros das empresas nos paraísos fiscais, constitui uma admissão de que as oportunidades de investimento interno produtivo simplesmente não estão presentes ou pressionam para que se crie um ambiente de livre comércio desregulamentado.

Na sua ausência, o capital fluiu para paraísos fiscais ou para uma variedade de bolhas especulativas, encorajado pela revogação da Lei Glass-Steagall em 1999 e pela financeirização de uma parcela cada vez maior da economia. E, de facto, grande parte do boom do final da década de 1990 acabou por ser uma bolha. Daí o rebentar da crise dita das dot-com de 2001, a bolha imobiliária da primeira década do século 21 e o subsequente colapso financeiro e a Grande Recessão de 2008 a 2009. O triplicar do mercado de ações desde esse colapso sugere que essa especulação não foi eliminada. Mas o custo real – económico e político – desse défice de investimento não recaiu em Wall Street, mas em toda a nação, e não apenas na velha zona da ferrugem [n.t. a designada Rust Belt, região dos EUA que abrange estados do nordeste, dos Grandes Lagos e do meio-oeste atingidos pela desindustrialização], mas na governança municipal, no ensino superior, nos serviços de saúde e nas infraestruturas.

 

Política Comercial e Política Económica

A política comercial constitui uma versão da política industrial. O Acordo de Livre Comércio da América do Norte tinha muito menos a ver com comércio do que com política de investimento, assegurando que, no México, as empresas e bancos dos EUA pudessem repatriar os seus lucros, estender as proteções de patentes e de direitos de autor dos EUA e, de uma vez por todas, acabar com qualquer tentação do governo mexicano de expropriar as suas propriedades.

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Clinton promove o NAFTA, para desgosto da maioria dos democratas. AP Photo/Joe Marquette

Inicialmente, Clinton havia tentado ultrapassar os seus constrangimentos com um pacto comercial visto com ceticismo pelas organizações sindicais e pela maioria dos democratas do Congresso. O Tratado NAFTA tinha sido negociado durante a administração Bush, mas exigia a sua aprovação legislativa para entrar em vigor. A campanha de Clinton defendeu e aprovou este Tratado em outubro 1992 mas esforçou-se por torna-lo aceitável pela inclusão de normas de proteção laboral e ambientais. Estas melhorias provaram ser extremamente fracas, o que virou a AFL-CIO e grande parte da base do Partido Democrata contra o acordo. Para além das consequências a longo prazo sobre o emprego – o “som da gigante sucção “, tornado célebre por Ross Perot – Clinton cometeu um desastroso erro de cálculo político quando o seu governo decidiu minar a unidade trabalhistas-liberais e baralhar a paisagem partidária, levando o NAFTA a ser aprovado no Congresso com mais votos republicanos do que democratas.

Este foi o tipo de erro que Reagan nunca tinha cometido. Embora o comércio livre fosse a ideologia oficial de Reagan, a sua Administração, na verdade, orquestrou uma política industrial ad hoc que apaziguou os principais círculos políticos e económicos. Muitas queixas vieram de indústrias mais antigas, como têxteis, aço, automóveis e motocicletas, grandes bastiões dos Republicanos ou dos membros da linha conservadora da Região Sul dos Estados Unidos. Os Estados Unidos estavam a ser inundados por importações do Leste Asiático e especialmente de produtos japonesas. O Secretário de Comércio de Reagan, Malcolm Baldrige, e o seu vice, Clyde Prestowitz, desafiaram a ortodoxia do livre comércio ainda defendida pelo Departamento de Estado, que estava disposto a sacrificar as indústrias americanas para sustentar os aliados da Guerra Fria na Ásia.Inicialmente, Clinton havia tentado ultrapassar os seus constrangimentos com um pacto comercial visto com ceticismo pelas organizações sindicais e pela maioria dos democratas do Congresso. O Tratado NAFTA tinha sido negociado durante a administração Bush, mas exigia a sua aprovação legislativa para entrar em vigor. A campanha de Clinton defendeu e aprovou este Tratado em outubro 1992 mas esforçou-se por torna-lo aceitável pela inclusão de normas de proteção laboral e ambientais. Estas melhorias provaram ser extremamente fracas, o que virou a AFL-CIO e grande parte da base do Partido Democrata contra o acordo. Para além das consequências a longo prazo sobre o emprego – o “som da gigante sucção”, tornado célebre por Ross Perot –  Clinton cometeu um desastroso erro de cálculo político quando o seu governo decidiu minar a unidade trabalhistas-liberais e baralhar a paisagem partidária, levando o NAFTA a ser aprovado no Congresso com mais votos republicanos do que democratas.

Durante o primeiro mandato, o governo Reagan impôs uma quota às motocicletas japonesas, o que muito contribuiu para salvar Harley-Davidson, depois do que o secretário do Tesouro, James Baker, negociou uma desvalorização do dólar em 1985, o chamado Acordo Plaza, que tornou mais competitivas todas as exportações americanas de produtos manufaturados. Os negociadores comerciais de Reagan também foram pioneiros num dos setores industriais mais estratégicos do mundo. Os americanos tinham inventado os semicondutores, mas uma estratégia de inovação contínua não levou à competitividade deste setor industrial. Os fabricantes de chips americanos eram empresas autónomas, enquanto no Japão, grandes empresas ricas em capital investiram em chips de computador como apenas uma parte de um empreendimento bem maior de alta tecnologia. No início da década de 1980, as empresas japonesas tinham entrado no mercado dos EUA com resultados devastadores. Robert Noyce, da Intel, estimou que, entre 1984 e 1986, os fabricantes de chips perderam US$ 2 mil milhões e despediram 27 mil trabalhadores. Em resposta, o Departamento de Defesa levantou no mercado 500 milhões para financiar um novo consórcio de pesquisa, a Sematech, na verdade um cartel patrocinado pelo governo que travou a concorrência interna e colocou a tónica sobre as proezas da indústria manufatureira.  Enquanto isso, Prestowitz e outros negociadores comerciais adotaram uma postura de negociação dura que pôs fim ao dumping japonês dos seus chips no mercado dos EUA e exigiu que as empresas japonesas teriam de comprar 20% dos seus  chips a  produtores estrangeiros, a maioria nos Estados Unidos.

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Dezenas de democratas da região Rush Belt foram derrotados nas eleições de 1994, arrastando consigo outros, incluindo o Presidente da Câmara Tom Foley, que tinha apoiado a administração sobre o NAFTA.

Clinton mostrou-se reticente em apoiar-se neste precedente da era Reagan. Embora a sua administração tenha tentado abrir o Japão aos produtos americanos, em particular os agrícolas, este esforço encontrou uma resistência feroz daqueles interesses agrícolas rurais que intimidaram o Partido Liberal Democrata (ou seja, conservador) do Japão. Clinton falhou. Mas o México era outra história. Ao contrário do Japão, que era então a segunda maior economia industrial do mundo, o PIB do México era apenas 4% do dos Estados Unidos. Os EUA tinham aí mais liberdade de ação e a ratificação do pacto comercial no final de 1993 deu origem a um modelo a aplicar nas abordagens americanas à globalização e à incorporação de muitas nações em desenvolvimento nessa nova ordem.

Os Democratas estavam profundamente divididos sobre o NAFTA. Muitos na administração, até mesmo liberais como Reich, pensavam que a globalização era inevitável e que a melhor defesa dos padrões de vida americanos viria por meio do investimento interno numa força de trabalho altamente qualificada, num conjunto de indústrias hiperprodutivas e nas infraestruturas sociais físicas de apoio. Reich acreditava que a fabricação de têxteis e vestuário com mão-de-obra intensiva deixaria inevitavelmente os Estados Unidos. Em seu lugar surgiriam indústrias na indústria manufatureira e na criação de serviços de alta produtividade e altos salários, porque “a linha divisória fundamental que atravessa a força de trabalho de hoje é baseada na educação e nas competências”. O problema com esta perspetiva era que, embora a produtividade, bem como a educação, fosse realmente baixa na maior parte das empresas mexicanas – e asiáticas – na indústria manufatureira, as principais empresas orientadas para a exportação no mundo em desenvolvimento tinham demonstrado a capacidade de produzir bens de alta qualidade com salários baixos e trabalhadores pouco instruídos. Devido a uma desvalorização do peso no início da década de 1980, os salários mexicanos em termos de poder de compra real tinham diminuído cerca de 30% no final da década. “Porque é que as empresas deveriam investir numa estratégia de alta qualificação e altos salários nos Estados Unidos“, perguntou o especialista em relações industriais Harley Shaiken, amplamente citado, em 1993, “quando uma estratégia de alta qualificação e baixos salários está disponível no México“?

Richard Gephardt, Líder da Maioria da Câmara dos Deputados, partilhou essa perspetiva. Gephardt vinha de St. Louis, região industrial e altamente sindicalizada, e ele abrigava algumas ambições presidenciais – uma das razões pelas quais, nos últimos anos da administração George H.W. Bush, apoiou, com relutância e cautela, a autoridade chamada “Fast Track”, esperando que uma outra administração e mais liberal pudesse incluir negociações sobre mudanças significativas sobre o Direito do Trabalho e sobre regras relativas ao meio ambiente. Bill Clinton manteve tais esperanças vivas quando em 4 de outubro de 1992, quando apoiou o NAFTA, mas insistindo que o Acordo Comercial teria que ser parte de uma “estratégia económica mais vasta” projetada para fazer subir os salários dos trabalhadores americanos e proteger as suas regalias assim como o meio ambiente. Durante o ano seguinte, Gephardt trabalhou muito próximo com o AFL-CIO para fazer das cláusulas sobre o trabalho no Acordo NAFTA algo mais do que uma afirmação que cada nação deve reforçar as suas próprias, frequentemente inadequadas, leis do trabalho.

“O Acordo NAFTA, com a adoção do acordo suplementar, é um acordo inovador”, disse o representante comercial dos EUA, Mickey Kantor, ao anunciar a conclusão de um acordo NAFTA, a 13 de agosto de 1993. “Pela primeira vez, um acordo de livre comércio cobre os direitos dos trabalhadores e o meio ambiente”. Mas o diabo estava nos detalhes. Os Estados Unidos terão alcançado um compromisso não vinculativo com o governo mexicano para vincular a sua estrutura de salários mínimos aos aumentos de produtividade e crescimento da economia mexicana. As multas para a violação das direitas laborais eram possíveis no fim de um longo processo de consulta, mas o tribunal estabelecido no âmbito do NAFTA não teria nenhum poder obrigar um governo a pagar ou a penalizar um empregador particular. Horas depois do anúncio de Kantor, uma coligação de líderes sindicais, de advogados das organizações de defesa do consumidor, e de grupos ambientais tinham denunciado o acordo.

Gephardt também considerou os acordos paralelos de “não suportáveis”, e num discurso no National Press Club em 21 de setembro de 1993, ele anunciou que iria votar contra o Acordo.  Gephardt argumentou que o comércio justo era uma contradição nos seus termos quando aplicado a nações cujas estruturas sociais e de políticas económicas eram incompatíveis; a diferença salarial no Rio Grande era de 8 para 1. Na ausência de despesas significativas para formação e criação de empregos, Gephardt alertou para a “pressão à descida sobre os acordos salariais, reduzindo os nossos padrões de vida”. E os americanos enfrentam esse argumento não só face ao México, mas também face à China e outros países no mundo”.

A oposição trabalhista-liberal ao NAFTA seria, portanto, firme no Congresso, apoiada por sondagens que mostravam que a maioria dos americanos se opunha ao acordo. Mais importante ainda, a administração Clinton estava, no mínimo, dividida no tempo, com Hillary Clinton, entre outros, a pressionarem para um um adiamento da  aprovação  do acordo NAFTA para depois da batalha sobre o Sistema de Saúde  no Congresso. Mas Bill Clinton avançou e seguiu em frente. A Casa Branca montou um gabinete de guerra, chefiada por William Daley, um banqueiro e filho mais novo do lendário prefeito de Chicago. A administração tentou de tudo, fazendo acordos paralelos para obter os votos de representantes dos produtores de citrinos, da indústria vidreira, dos produtores de vinho e de outros interesses que poderiam ser prejudicados pela concorrência do México. E quando o extravagante e errático Ross Perot se tornou no rosto da oposição ao NAFTA, a Casa Branca não ficou nada descontente.

A Câmara aprovou o acordo NAFTA por uma votação de 234 a 200 em 17 de novembro e o Senado seguiu-se-lhe três dias depois com 61 a favor e 38 contra. Em ambas as Câmaras, foram mais os republicanos a votarem a favor do acordo comercial do que os democratas, uma fratura de mau augúrio nas fileiras liberais. Edward Kennedy apoiou Clinton, declarando: “Todos os problemas que as famílias trabalhadoras enfrentam… serão ainda piores se o NAFTA for derrotado”. Mas outros liberais como o senador Don Riegle de Michigan votaram não, concluindo, “Este é um programa de empregos para o México, e meu Deus, precisamos de um programa de empregos para a América”. Clinton pensou que tinha assegurado uma vitória bipartidária maravilhosa, mas os eleitores do Rust Belt e os seus representantes eleitos rejeitaram o pacto comercial. Clinton “dividiu gravemente a base eleitoral do Partido Democrata e alienou os eleitores indecisos”, concluiu Lawrence Mishel e Ruy Teixeira do progressista Economic Policy Institute. Mais de duas décadas depois, o NAFTA ainda era um símbolo ressonante e impopular para Trump poder utilizar contra os Clintons.

Dezenas de democratas da região chamada Rush Belt foram derrotados nas eleições de 1994, arrastando consigo outros, incluindo Tom Foley, o Presidente da Câmara, que tinha apoiado a Casa Branca sobre o NAFTA. Ganhando a Câmara pela primeira vez em 40 anos, os conservadores do Partido Republicano entraram no vazio político gerado pela desordem liberal. Newt Gingrich e um novo grupo de novos membros do Congresso levaram o Partido Republicano decisivamente para a direita, Perot candidatou-se mais uma vez à presidência e, na extrema direita, Pat Buchanan ofereceu uma amostra de Donald Trump quando empregou retórica de guerra cultural para denunciar uma “Nova Ordem Mundial” Bush-Clinton que significava a globalização, o multiculturalismo e uma desvalorização da nacionalidade americana.

(continua)

Texto disponível em https://prospect.org/article/fabulous-failure-clinton%E2%80%99s-1990s-and-origins-our-times

O autor: Nelson Lichtenstein (1944-) é professor de História na Universidade de Califórnia, Santa Barbara, e diretor do Centro de Estudos de Trabalho, Mão de Obra e Democracia. É historiador de trabalho, tendo escrito sobre política económica americana do século XX, nomeadamente indústria automativa e Wal-Mart. Outras obras:

  • Walter Reuther, The Most Dangerous Man in Detroit.Urbana, Ill.: University of Illinois Press, 1997.
  • Labor’s War at Home: The CIO in World War II.Philadelphia: Temple University Press, 2003.
  • State of the Union: A Century of American Labor.New edition. Princeton, N.J.: Princeton University Press, 2003.
  • The Retail Revolution: How Wal-Mart Created a Brave New World of Business.New York: Henry Holt and Company, 2009.
  • Who Built America? Vol. 2: 1865 to the Present,with Roy Rosenzweig and Joshua Brown. Boston: Bedford Books, 2007. (em co-autoria)
  • Industrial Democracy in America, co-edited with Harris Howell John. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
  • Major Problems in the History of American Workers, with Eileen Boris. Houghton Mifflin, 2002.
  • American Capitalism: Social Thought and Political Economy in the Twentieth Century.Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2006.
  • Wal-Mart: The Face of Twenty-First-Century Capitalism.New York: The New Press, 2005.
  • The Right and Labor in America: Politics, Ideology, and Imagination, co-edited with Elizabeth Tandy Shermer. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2012.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/02/23/a-responsabilidade-da-esquerda-na-trajetoria-de-ascensao-do-neoliberalismo-algumas-grelhas-de-leitura-8-a-leitura-de-nelson-lichtenstein-um-fabuloso-fracasso-a-decada-de-1990-de-clinton-e-a-or/

Tensões comerciais e Brexit são riscos para economia dos EUA, diz Fed

Sede do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos
© AP Photo / Andrew Harnik

As contínuas tensões comerciais e o Brexit são os principais riscos que a economia dos EUA enfrenta e podem minar a estabilidade financeira, alertou o Federal Reserve nesta sexta-feira (22).

"Riscos potenciais para a estabilidade financeira internacional incluem a desaceleração do crescimento mundial, as incertezas políticas e o aumento das tensões comerciais", disse o Federal Reserve(Fed, o Banco Central americano).

As informações são do relatório semestral de política monetária do órgão.


A atual conjuntura fez com que o Fed não reajustasse a taxa de juros em sua última reunião — em 2018 ela foi aumentada quatro vezes.

Ao se referir à saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o Banco Central dos EUA acha que "sem um acordo de retirada, não haverá um período de transição para as interações comerciais e financeiras entre o Reino Unido e a UE".

"Uma ampla gama de atividades financeiras e econômicas poderiam ser interrompidas" em caso de Brexit sem acordo, diz o Fed.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019022213368663-tensao-comercial-brexit-risco-economia-fed/

Proclamar o orgulho de se ser Socialista

Nas vinte e quatro horas subsequentes à decisão de Bernie Sanders em apresentar-se ao próximo ato eleitoral para a Casa Branca as doações para financiamento da sua campanha eleitoral ascenderam a seis milhões de dólares, superando em muito o que outros candidatos democratas conseguiram garantir até agora. Pode-se, pois, constatar a existência de um grande entusiasmo no eleitorado que, há dois anos e meio tudo fez para fazer dele ochallenger de Donald Trump, e só não o conseguiu porque Nancy Pelosi e outros dirigentes democratas sabotaram-lhes as intenções para imporem a incompetente Hillary Clinton.
Importa, igualmente, considerar que os milhões recolhidos nesse curto espaço de tempo provieram de um elevado número de doadores, que garantiram a média de 27 dólares por cabeça, teto máximo pedido por Sanders nas eleições anteriores, por visar pequeno apoio financeiro de muitos libertando-se  dos riscos de se ver manietado pelos elevados contributos de poucos, que não tardariam a apresentar-lhe as óbvias faturas acaso tivesse sido eleito.
Um par formado por Sanders e pela senadora Elizabeth Warren, que já manifestara, ela própria, a intenção de concorrer ao cargo, poderá constituir avassaladora vaga de fundo, que afogue Trump e todos quantos o vêm suportando. Com uma vantagem adicional: qualquer dos dois assume orgulhosamente a sua filiação num ideário socialista, que se traduza na melhoria significativa da vida de milhões de compatriotas empobrecidos e com exíguos direitos quanto ao que à saúde e à educação dizem respeito.
Estamos precisados deste tipo de políticos honestos, que não tenham pejo em dizer ao que vêm, recuperando a verdadeira dimensão da via socialista para a criação de uma sociedade mais justa e igualitária. Já é tempo de ser assumido que o prazo de validade da “social-democracia” acabou tão só se esgotaram os efeitos dos Trinta Gloriosos Anos e se constatou a trapaça crismada de Terceira Via. Hoje é tempo de proclamar, em alto e bom som, o orgulho de se ser Socialista.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/02/proclamar-o-orgulho-de-se-ser-socialista.html

Washington leva toneladas de ouro da Síria, em acordo com o Daesh

Helicópteros dos EUA levaram cerca de 40 toneladas de ouro da província síria de Hasaka, no âmbito de um acordo com o grupo terrorista que envolveu a evacuação dos seus militantes, refere a agência SANA.

A Síria acusa as tropas norte-americanas de mais uma «cooperação» com os terroristas do Daesh, desta vez envolvendo «ouro roubado»Créditos / Sputnik News

«Quando tenta convencer o mundo da sua vitória imaginária sobre o Daesh [também conhecido como Estado Islâmico], Washington está ainda a cooperar com a organização terrorista», afirma a agência SANA numa peça publicada este sábado, acrescentando que esta parte da cooperação envolve «ouro roubado».

Tendo por base fontes locais, a agência estatal síria refere que as «forças norte-americanas, presentes na Síria de forma ilegal, usaram helicópteros para transportar grandes caixas cheias de "despojos" dos terroristas do Daesh da região de al-Dashisha, no Sul da província de Hasaka».

As mesmas fontes referem que as caixas continham grandes quantidades de ouro que o grupo terrorista tinha armazenado a leste da cidade de al-Shadadi – uma informação que, sublinha a SANA, vem confirmar informações prévias que davam conta de que o Daesh tinha transportado para al-Dashisha cerca de 40 toneladas em barras de ouro roubadas na cidade iraquina de Mossul e em várias partes da Síria.

Ainda de acordo com as fontes locais, helicópteros dos EUA aterraram anteriormente em Hajjin, na província de Deir ez-Zor, e al-Dashisha, na de Hasaka, de onde levaram terroristas do Daesh que se tinham entregado às tropas norte-americanas, voando depois em direcção ao local onde se encontrava o ouro e fechando assim um «negócio» que, alegadamente, terá envolvido a evacuação de centenas de militantes do Daesh – a Prensa Latina refere-se a 440.

Colaborações frequentes

Washington ainda não comentou estas informações. Recorde-se que as tropas norte-americanas e a chamada «coligação internacional» liderada pelos EUA têm sido reiteramente acusadas de transportar militantes do Daesh, «salvado-lhes a pele» em situações de aperto e dando-lhes, inclusive «novo uso».

O Irão acusou os EUA de transportar «um grande número de terroristas do Daesh» para o Afeganistão a partir da Síria, sublinhando a desestabilização que tal poderá provocar na região da Ásia Central, lembra a Al-Masdar News.

Por seu lado, em 22 de Setembro de 2018, a agência SANA reportou a existência de uma operação, por parte da «coligação internacional», de transporte aéreo de terroristas do Daesh, que foram levados dos arredores de al-Marashida, na província de Deir ez-Zor, para parte incerta.

Um ano antes, em Setembro de 2017, diversas fontes disseram à RIA Novosti que os militares norte-americanos tinham transportado membros do Daesh da região de al-Mayadin, em Deir ez-Zor, para parte incerta, quando o cerco do Exército Árabe Sírio apertava.

Numa reportagem publicada em Novembro de 2017, a BBC revelou vários detalhes de um acordo secreto que permitiu que centenas de combatentes do Daesh e as suas famílias saíssem da cidade Raqqa, em meados de Outubro desse ano, acompanhados e protegidos pela coligação liderada pelos EUA, pouco antes de as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS) terem decretado a libertação da cidade.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/washington-leva-toneladas-de-ouro-da-siria-em-acordo-com-o-daesh

O verdadeiro Trump está no Twitter

Ao apelar à unidade e ao consenso em discurso sobre estado da União, presidente americano parece ter finalmente adotado um tom presidencial. Mas tal postura deve durar apenas até seu próximo tuíte, opina Michael Knigge.
Como em seus dois discursos anteriores numa sessão conjunta do Congresso, o presidente americano, Donald Trump, optou por se ater ao manuscrito nesta terça-feira (05/02). Como resultado, ele apresentou o que pode ser descrito como um discurso sobre o estado da União bastante tradicional, em vez do típico fluxo presidencial de pensamentos que normalmente caracteriza seus pronunciamentos.
Durante o seu primeiro discurso para um Congresso dividido, Trump não insultou ou ridicularizou ninguém, não ameaçou aniquilar um país estrangeiro e nem mesmo declarou uma emergência nacional para construir seu prometido muro ao longo da fronteira com o México. Na verdade, ele nem sequer chegou a proferir seus slogans de campanha "Tornar os EUA grandes novamente" e "EUA em primeiro lugar".
Em vez disso, o discurso de Trump foi um longo apelo – interrompido por uma passagem assustadora e obscura sobre imigração ilegal, alguns ataques ao Irã, breves repreensões a aliados mesquinhos da Otan acompanhadas de vanglória em fazê-los pagar – para superar desavenças partidárias em prol de uma nova unidade nacional.
Trump pediu ao Congresso que rompa o "impasse político", "supere antigas divisões", "cure velhas feridas" e "adote um espírito de consenso e cooperação". Apenas juntos, argumentou Trump diante do Congresso, os EUA podem acabar com as divisões profundas que os estão destruindo.
Somente juntos, apontou Trump, podem-se resolver os problemas de longa data que afligem milhões de americanos, como a disponibilidade de serviços de saúde acessíveis ou empregos com salário digno.
E sabe uma coisa? Trump está certo. Ele tem razão em dizer que apenas cooperação e consenso podem superar as divisões políticas no país. Ele tem razão em apontar soluções duradouras para problemas como a infraestrutura decrépita dos EUA, cuidados de saúde caros e inacessíveis, seu sistema de imigração e muitos outros pontos só podem ser alcançados por meio de ações e consensos bipartidários.
O problema é que Trump, como mostra seu histórico, é a última pessoa interessada e capaz de alcançar um verdadeiro consenso. Se há algo que o mundo aprendeu em seus mais de dois anos no cargo é que a real harmonia e o bipartidarismo são um anátema para Trump. Na verdade, ele fez mais para dividir o país do que qualquer um de seus recentes predecessores.
Pouco antes do discurso, o jornal The New York Times informou que Trump organizou um almoço particular para âncoras de televisão e fez um ataque violento e às vezes pessoal contra democratas de peso, como Chuck Schumer, Joe Biden e Elizabeth Warren. Isso dificilmente é uma receita para a harmonia bipartidária.
Um exemplo mais consequente da falta de vontade de Trump para alcançar consensos ocorreu há algumas semanas. Tentando forçar os democratas a financiar seu "grande e belo muro", Trump provocou a mais longa paralisação do governo na história dos EUA, sem falar das consequências que sua postura intransigente teve para milhões de americanos.
Trump sempre defendeu a abordagem do "é do meu jeito ou não tem jeito" – tanto durante a sua carreira como empreendedor imobiliário quanto atualmente em seu mandato como presidente. Ele disse repetidamente que para ele tudo gira em torno de vencer a qualquer custo.
De fato, as palavras que Trump falou durante seu discurso sobre o estado da União evocaram bipartidarismo, unidade e compromisso. E para dar o devido crédito, os redatores dos discursos de Trump criaram algumas passagens bipartidárias inteligentes e contundentes, por exemplo, quando o presidente se referiu ao fato de que nunca antes tantas mulheres haviam servido no Congresso.
Como resultado, alguns observadores provavelmente concluirão que Trump finalmente adotou um tom presidencial e que talvez esse discurso possa marcar uma guinada em seu mandato.
A esperança é a última que morre. Mas não nos deixemos levar por um discurso formal. Segundo tudo o que vimos do magnata até agora, as palavras proferidas durante o discurso sobre o estado da União não revelam o verdadeiro Trump.
O verdadeiro Trump se revela diariamente no Twitter e por suas ações, não semestralmente num pronunciamento lido de teleprompter. Consequentemente, o seu apelo ao bipartidarismo e ao consenso pode durar apenas até o seu próximo tuíte.     
Michael Knigge | Deutsche Welle | opinião

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/o-verdadeiro-trump-esta-no-twitter.html

A «Trilha das Lágrimas»: um capítulo vergonhoso na história dos EUA

Uma mera entrevista, concedida por um dos chefes indígenas da tribo dos Choctaw, permitiu que um repórter do jornal “Arkansas Gazette” registrasse uma expressão que viria a entrar – de modo nada honroso – para a história dos Estados Unidos. 

Ao ser questionado sobre o processo de remoção de seus pares para a região de Little Rock, em conformidade à política imposta pelo governo norte-americano em 1830, o “pele vermelha” (de nome incerto) respondeu que o deslocamento havia sido uma “trilha de lágrimas e morte”.

É sabido que o processo de expansão territorial dos Estados Unidos, especialmente o período correspondente à conquista do Oeste, no século 19, foi marcado pela grande violência sofrida por populações indígenas que habitavam as regiões cobiçadas pelos brancos. Nesse contexto, a trilha a que o chefe Choctaw se referiu foi apenas um dos atos de extrema crueldade impingidos pelo governo federal, em nome da “democracia” desejada por aqueles que se consideravam superiores e com autoridade para cometer tais atrocidades.

Depois de removidas, “As Cinco Nações Civilizadas” foram submetidas a nevascas, escassez de alimentos e doenças desconhecidas

Movido por essa causa, coube ao governo federal criar o artifício legal para que a permanência de tribos indígenas em locais estratégicos fosse passível de algum tipo de transferência. Assim, em 1830 o presidente Andrew Jackson foi o responsável por promulgar a chamada “Lei de Remoção dos Índios”, meio pelo qual se estabelecia a criação de uma grande reserva indígena na região que hoje corresponde ao estado de Oklahoma. Do dia para a noite, milhares de homens e mulheres, das mais diferentes idades e culturas, se viram obrigados a realizar um deslocamento de mais de 1.500 quilômetros, rumo a um futuro completamente incerto.

Entre o começo do século 18 e os primeiros anos do 20, praticamente toda a posse das terras dos Estados Unidos foi transferida dos índios para os brancos. Esse processo, ao longo da história, foi compreendido de duas formas: a primeira pressupõe que essa mudança se deu a partir de transações consensuais; a outra atribui o trâmite a uma conquista violenta.

Entre 1828 e 1838, mais de 80 mil indígenas foram removidos do Leste para o Oeste. Segundo Banner, a palavra “remoção”, em inglês, não consegue traduzir, nos dias atuais, seu significado de quase 200 anos atrás – em português isso também ocorre. Hoje ela soa mal, como se fosse parte de um processo de “mudança não voluntária”, mas naqueles idos seu uso era associado a processos mais amenos. A denominação da lei de Jackson foi cuidadosamente batizada para que seu real significado não viesse à tona. Coube ao tempo demonstrar que o nome era perfeito, para a desgraça das tribos indígenas.

Um homem do povo

Até 1819, os Estados Unidos viveram uma fase de grande desenvolvimento e pujança. No entanto, naquele ano o preço do algodão caiu vertiginosamente no mercado internacional. Como consequência, uma grave crise econômica atingiu em cheio a nação, criando em poucos meses um clima de tensão social e fazendo com que ressurgissem em maior proporção velhos entraves regionais, especialmente entre o Norte e o Sul do país.

Essa mesma fase é marcada pela intensificação do processo de colonização dos territórios conquistados no Oeste. Algumas dessas grandes áreas se transformaram em estados, tornando-se motivo de disputa entre políticos do Sul (escravistas) e do Norte (não escravistas).

Nesse cenário de crise econômica, expansão para o Oeste e desentendimento entre forças políticas do Norte e do Sul, os Estados Unidos viram surgir certos efeitos delicados a partir da tensão social. A classe política foi em grande parte responsabilizada pela crise e pelos desentendimentos, permitindo que novas lideranças emergissem. Entre elas, a de Andrew Jackson.

Ainda criança, com menos de 12 anos, Andrew Jackson participou de batalhas da Revolução Americana, quando viu dois de seus irmãos morrerem – fato que instilou no futuro presidente, pelo resto de sua vida, um sentimento de desconfiança em relação aos ingleses. Adulto, tornou-se advogado, plantador e comerciante de regiões fronteiriças, mas ficou conhecido nacionalmente em 1815, quando foi figura de destaque na Batalha de New Orleans.

Alguns admiradores consideravam Jackson o maior soldado vivo em todo o país em meados da década de 1820. Era um homem de fala simples e identificado com a população mais humilde. Alguns o definiam como alguém carismático e combativo. O presidente John Quincy Adams (seu antecessor e adversário político), por sua vez, qualificou Jackson como “um bárbaro incapaz de escrever uma sentença gramatical e tampouco soletrar o próprio nome”.

Em sua trajetória política, Jackson conquistou o apoio de eleitores de regiões agrárias dos Estados Unidos, pioneiros, fazendeiros, pequenos plantadores e lojistas do interior. Nos discursos, sempre criticava o status quo da política norte-americana, no qual os louros da vida pública estiveram sempre reservados para os ricos, os bem-nascidos e os cultos. O povo via em Jackson alguém semelhante – e concedeu ao “Old Hickory” uma vertiginosa e brilhante carreira política.

Depois de se tornar governador militar e senador, Jackson virou o sétimo presidente norte-americano. Sua posse foi considerada por muitos como uma nova era na Casa Branca. Apesar de ser um homem de posses, dono de escravos, fazendas e considerável fortuna, sua imagem continuou associada à de um cidadão simples, alguém preparado pelo Exército, pela vida e pelo contato direto junto à população.

A resistência

A questão da remoção de tribos indígenas originárias no Oeste do país foi um tema bastante presente na campanha presidencial de 1828. Ao ser eleito, Jackson pôde colocar em prática suas propostas de ocupar rapidamente novas áreas. Em teoria, sua tática para conseguir levar a cabo sua política seria o diálogo com os índios, mas desde o princípio havia sinais de que ele não hesitaria em fazer uso da força militar para alcançar os objetivos de grande parte dos grupos que formavam sua base eleitoral.

Em 1830, as tribos Cherokee, Chickasaw, Choctaw, Creek e Seminole, que viriam a ser chamadas no futuro de “As Cinco Nações Civilizadas”, viviam com autonomia política e, dentro de suas características, aos poucos procuravam se integrar aos novos tempos em suas terras. A ideia de remover essas tribos para outras regiões do país não era nova – Thomas Jefferson chegou a mencioná-la, décadas antes – e Jackson tratou de oferecer a cada membro das cinco tribos um lote do Território Indígena para onde seus povos seriam deslocados. Tal qual um Godfather de tempos remotos, o presidente fez “uma proposta que não podia ser recusada”.

Contudo, a princípio a proposta do governo federal não foi bem recebida pelas tribos. Em 1831, os Choctaw inauguraram a série de mudanças rumo às reservas determinadas pelos homens brancos. Um ano depois, foi a vez dos Seminole. Os Creeks (1834), os Chickasaw (1837) e os Cherokee (1838) acabariam por seguir seus pares, mas não sem antes resistirem ou negociarem condições mais favoráveis. Não por acaso: esses povos se viram obrigados a deixar regiões úmidas e arborizadas em que estavam instalados para se adaptar às planícies secas e abertas da região que hoje faz parte do estado de Oklahoma.

Entre as tribos que resistiram à remoção, destacam-se os Seminole e os Cherokee – estes pelo fato de suas terras serem consideradas, à época, muito mais valorizadas do que as de seus pares. Além disso, os Cherokee já se mostravam muito mais inseridos na sociedade norte-americana do que as outras tribos, muito embora tal fato não alterasse sua condição desigual perante os brancos. Cerca de dez anos antes de Jackson chegar ao poder, os Cherokee já tinham conhecimento do interesse de remoção e, diante disso, trataram de se preparar, construindo casas de madeira e se inserindo no comércio da região, por meio da plantação de produtos como algodão, abóbora, feijão e outras culturas cultiváveis.

A remoção dos Cherokee acabou ocorrendo por meio da força do Exército, mesmo com o ganho de causa concedido pela Suprema Corte aos que já habitavam as terras originalmente. Calcula-se que cerca de 4 mil indígenas (em um total de 25 mil homens, mulheres e crianças) foram assassinados durante o processo, que culminou com a aceitação da lei promulgada por Jackson. “Eu lutei nas guerras entre alguns países e atirei em muitos homens, mas a remoção Cherokee foi o trabalho mais cruel que conheci”, afirmou um dos soldados envolvidos no trabalho de “convencimento” do governo federal.

Home, sweet home?

Enquanto as tribos se viam obrigadas a transformar por completo suas vidas, os Estados Unidos acompanhavam calorosos debates sobre a política do presidente Jackson. Representantes dos indígenas conseguiram dar destaque ao ponto de vista de seus povos – e venceram o debate em muitas ocasiões, contrariando os interesses dos brancos que, inicialmente se recusavam ao uso da força para alcançar seus propósitos.

A tensão social no país e a necessidade criar estímulos à economia acabaram elevando a discussão da remoção indígena a novos patamares. Banner, com ironia, diz que, “ao lembrar o histórico de aquisição das terras indígenas na America, a decisão de usar o Exército para essa finalidade não foi nenhuma surpresa”.

Sem alternativa, coube aos indígenas iniciar a trajetória que viria a ser conhecida como “Trilha das Lágrimas” e partir em busca das terras que seriam o seu novo lar. Durante a longa e forçada marcha, as “Cinco Tribos Civilizadas” tiveram que se deparar com nevascas, escassez de alimentos e doenças desconhecidas, com a companhia nem sempre amistosa de militares e uma completa falta de estrutura. O apoio logístico e financeiro garantido pelo governo federal nunca sairia do papel.

Em menos de um século, as tribos removidas veriam suas terras serem parcialmente abertas para a colonização. No início do século 20, as Cinco Nações Civilizadas já não formavam grupos coesos em termos de organização e suas gerações seguintes abandonariam as próprias origens. A fraude entraria para a história como o principal artifício utilizado nas negociações entre o governo federal e as tribos, em nome dos ideais e da construção de uma jovem democracia.

Ao impor seu projeto de país às tribos indígenas que viriam a percorrer a “Trilha das Lágrimas”, o presidente Jackson demonstrou ignorar o conteúdo do documento que livrou os cidadãos de seu país das amarras inglesas, mesmo tendo passado apenas cinco décadas de sua publicação. “Todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade”, dizia o texto em questão. Faltou à “Declaração de Independência dos Estados Unidos” esclarecer com mais precisão que nem todos os homens nascidos em território norte-americano seriam contemplados…


por Fernando Damasceno, Jornalista e historiador | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/a-trilha-das-lagrimas-um-capitulo-vergonhoso-na-historia-dos-eua/

Trump indica subsecretário do Tesouro dos EUA para presidência do Banco Mundial

O presidente Donald Trump, durante uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, anunciou a nomeação do subsecretário do Departamento do Tesouro, David Malpass, para ser o próximo presidente do Banco Mundial.

"Hoje tenho o prazer de anunciar minha escolha para o próximo presidente do Banco Mundial, o Sr. David Malpass", disse Trump.

Malpass atua hoje como subsecretário do Tesouro para Assuntos Internacionais.


World Bank President Jim Yong Kim speaks during a news conference at the World Bank/IMF Spring Meetings, in Washington, Thursday, April 19, 2018.
© AP Photo / Jose Luis Magana

O conselho executivo ainda está para votar a nomeação.

Anteriormente, o Banco Mundial anunciou que Kristalina Georgieva assumiria o papel de presidente interina em 1º de fevereiro. A organização também confirmou que Jim Yong Kim havia declarado sua intenção de renunciar na mesma data.

A razão oficial anunciada por Jim Yong Kim para deixar seu cargo antes do término de seu mandato em 2022 foi o seu desejo de voltar a trabalhar no setor privado.

Existem 188 países que detêm ações no banco. Os EUA, no entanto, são os maiores acionistas com 16% do poder de voto e costumam escolher o presidente do banco.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019020613265233-eua-trump-teseouro-banco-mundial/

Irã acusa EUA de apoiarem 'ditadores e carniceiros' que levaram ruína ao Oriente Médio

Mulher iraniana segura bandeira nacional enquanto passa por um muro representando a Estátua da Liberdade na parede da antiga embaixada dos EUA em Teerã (foto de arquivo)
© AFP 2018 / BEHROUZ MEHRI

O chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, escreveu em sua conta do Twitter sobre as novas acusações americanas em relação ao Irã e acusou os EUA de apoiarem "ditadores e extremistas" na região do Oriente Médio.

"Os iranianos — incluindo os nossos compatriotas judeus — estão comemorando 40 anos de progresso apesar da pressão dos EUA, assim como Donald Trump acabou de fazer novamente acusações contra nós. A hostilidade dos EUA levou-os a apoiar ditadores, carniceiros e extremistas, que apenas trouxeram a ruína à nossa região", escreveu Mohammad Zarif.

​A declaração do chefe da diplomacia iraniana, feita no dia 5 de fevereiro, veio um dia após o comunicado do presidente dos EUA, Donald Trump, de que as  forças dos EUA irão permanecer no Iraque para monitorar o Irã.

O presidente iraniano Hassan Rouhani afirmou em resposta que esse comunicado (onde o Irã é mencionado) mostra as "mentiras americanas" relativamente ao combate ao terrorismo.  Anteriormente, o líder norte-americano havia culpado a República Islâmica de desempenhar um papel desestabilizador na região.


"No outono passado, implementámos as sanções mais duras impostas por nós a um país. Não vamos tirar os olhos de um regime que grita 'morte à América' e ameaça o povo judeu com genocídio. Nunca devemos ignorar o veneno do antissemitismo ou aqueles que propagam essa crença venenosa", disse Trump ao falar diante de ambas as câmeras do Congresso dos EUA no dia 5 de fevereiro.

Após a retirada de Washington do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) em 2018, os EUA restabeleceram as sanções contra o Irã, visando atingir especificamente as exportações de petróleo de Teerã, as operações portuárias e as companhias de navegação iranianas, bem como as transações das instituições financeiras com o Banco Central do país árabe.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019020613259969-ira-acusa-eua-ditadores-carniceiros-ruina-oriente-medio/

A vida de um dos lados do Muro: A vida difícil para muitos americanos

imagem série escada

 

Devemos aqui precisar que a ideia da globalização feliz não era, mal seria se assim fosse, partilhada por todos os lideres democráticos. Como exemplo, cito aqui o que nos escreveu Sandra Polaski, em 2009, quando era Subsecretária de Estado de Obama, uma das exceções que enquanto tal, confirma a regra:

Esperamos que sob a administração de Obama seremos capazes de orientar a política económica mundial em melhor direção, que tenha em conta as necessidades e os meios de subsistência dos milhares de milhões de pessoas que atualmente não beneficiam com a integração económica global.

Em cada dia, trabalho duramente com esse objetivo!”

Bem, destes milhares de milhões que não apanharam os barcos levantados pela maré da globalização feliz, alguns milhões estão do lado do México, a quem o Muro é imposto, outros milhões estão do lado dos Estados Unidos, entre os quais uma parte a desejar a construção do muro, e o Muro é expressão dramática deste mesmo fenómeno, o de muitos barcos que se afundaram enquanto outros subiram. “ (em “São os Russos os culpados pela eleição do monstro político Donald Trump? Comentários a propósito do texto Tijolos no Muro”, por Júlio M. Mota, publicado ontem)

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

3. A vida de um dos lados do Muro: A vida difícil para muitos americanos – Porque é que a América tem 13 milhões de lares que não têm comida em quantidade suficiente para se alimentarem?

Por Michael Snyder

Publicado por End Of The American Dream.com em 18 de novembro de 2018. Ver aqui

 

Já imaginou ter um dia em que os seus filhos estivessem a chorar por terem fome mas os seus armários estarem completamente vazios e a sua conta bancária estava a zero ?

Se nunca lhe aconteceu, deve considerar-se extremamente abençoado, porque é assim a vida real sentida por milhões e milhões de americanos em 2018.

Como se poderá ver abaixo, um terço de todos os americanos não pode sequer pagar “o básico” cada mês, e 13 milhões de famílias estão oficialmente consideradas “inseguras do ponto de vista alimentar”. Por outras palavras, estas famílias não têm o suficiente para comer. Muitos pais escolhem saltar uma refeição (ou mesmo duas) por dia para que os seus filhos possam ter o estômago cheio. Mas às vezes o dinheiro acaba totalmente e é aí que as coisas ficam realmente difíceis.

texto 3 a vida difícil para muitos americanos 1

Nos últimos anos, os ricos têm- se saído muito bem, e muitos deles têm muito pouca simpatia pelas lutas dos pobres.

Mas a fria e dura realidade da questão é que o fosso entre ricos e pobres é agora o maior desde 1920, e aproximadamente um terço de toda a nação não pode sequer pagar as suas despesas básicas ….

Considere as seguintes estatísticas.

O americano médio não consegue arranjar $500 para responder a uma emergência.

Sobre isto diz-nos a CBS News:

Cinquenta e sete por cento dos americanos não têm dinheiro suficiente para cobrir uma despesa inesperada de US$ 500, de acordo com um novo inquérito de Bankrate, que entrevistou 1.003 adultos no início deste mês. Embora isso possa parecer terrível, reflete uma ligeira melhoria em relação a 2016, quando 63% dos residentes dos EUA disseram que não seriam capazes de lidar com essa despesa. A melhora reflete a economia mais forte dos EUA, mas ainda está longe do ideal, disse Bankrate.com.

Os resultados obtidos lançaram uma outra luz sobre quantas famílias continuam a lutar com muita dificuldade para responder às necessidades básicas mais de sete anos após o fim oficial da recessão. Apesar do crescimento constante do emprego durante a administração Obama, os salários têm- se recuperado lentamente, com a família típica americana ainda a ganhar 2,4% abaixo do que trouxeram para casa em 1999, quando o rendimento atingiu o seu valor de pico. Ao mesmo tempo, os custos de bens essenciais como habitação e cuidados infantis subiram mais rapidamente do que a taxa de inflação, colocando pressão sobre os orçamentos familiares.Ver aqui

Um terço dos americanos não tem dinheiro suficiente para pagar a comida, abrigo e saúde.

Sobre isto diz-nos Market Watch

Mais de um terço das famílias americanas lutam contra dificuldades como a falta de alimentos, de acordo com um novo inquérito às famílias do Consumer Financial Protection Bureau.

Quase metade dos americanos tem dificuldades em pagar as suas contas, e mais de um terço já enfrentou dificuldades como ficar sem comida, não conseguir pagar um local para morar ou não ter dinheiro suficiente para pagar um tratamento médico.

Esses são alguns dos resultados sombrios da primeira pesquisa federal do Consumer Financial Protection Bureau sobre bem-estar financeiro, divulgada na terça-feira- 26 de setembro de 2017.Ver aqui

Os cuidados de saúde para uma família custam atualmente US$ 28 mil – cerca de metade do rendimento médio, que é de 60 mil dólares.

Sobre isto diz-nos The Fiscal Times:

O custo anual dos cuidados de saúde para uma família americana típica – dois pais e dois filhos cobertos por uma organização de cuidados de saúde é de US$ 28.166 este ano, de acordo com o Milliman Medical Index de 2018, divulgado na terça-feira.

Os custos de saúde têm aumentado anualmente desde que Milliman começou a rastreá-los em 2001, mas a taxa de aumento tem caído nos últimos anos. Mesmo assim, o aumento relativamente pequeno de 4,5 por cento em 2018 traduz-se num aumento de preços de mais de US$ 1.200 por ano.

“Por um lado, é animador ver a taxa de aumento dos custos de saúde a permanecer baixa”, disse Chris Girod, um dos autores do relatório. “Por outro lado, ainda estamos a falar de mais de US$ 28 mil dólares em custos totais de saúde para a típica família americana.Ver aqui

Estes números são muito decepcionantes, e você não os ouvirá muitas vezes repetidos pelos principais media.

Por um momento, eu gostaria que o leitor considerasse três perguntas….

-Já alguma vez evitou levar um familiar ao hospital porque tinha medo de como é que seria a conta?

-Já alguma vez desligou o seu telefone porque estava cansado de receber telefonemas a pedirem-lhe que pagasse as suas contas ?

-Já alguma vez ficou acordado à noite com uma sensação de ter um aperto de estômago porque não sabia como ia pagar as contas no final do mês?

Se assim for, você certamente tem muita companhia. A verdade é que a maioria das famílias americanas estão a lutar profundamente, e aquelas que estão “a portar-se bem” constituem apenas uma percentagem muito pequena da população total.

Não há muito tempo, a CNN traçou o perfil de um rapaz de dois anos chamado Ryder Pfaffly e do resto da sua família . Infelizmente, eles são um dos 13,1 milhões de agregados familiares na América que não têm comida suficiente para se alimentarem….

A família Ryder’s representa os 13,1 milhões de famílias americanas com crianças que muitas vezes ficam sem comida: “famílias com insegurança alimentar”.

“A comida é às vezes uma enorme dificuldade “, disse a mãe de Ryder, Kelly Ann Pfaffly, que também está a criar um menino recém-nascido.

Pfaffly, de 23 anos, e o seu marido de 24 anos, Justin, estão casados há cinco anos. Eles – juntamente com Ryder, a sua irmã de 7 anos e o seu irmão mais novo – vivem num pequeno quarto no hotel. “Já estamos em dificuldade desde há algum tempo”, disse ela. “Mas nós sempre encontramos uma ou outra maneira de nos sairmos da situação.” Ver aqui

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Claro que Ryder e a sua família estão longe de estar sozinhos. Nesse ponto, mais de metade de todas as famílias americanas com crianças recebem assistência do governo todos os meses. A classe média está em constante erosão, e as fileiras dos “trabalhadores pobres” tem estado a crescer rapidamente.

Muitos dos trabalhadores pobres são pais solteiros, e muitas vezes sofrem em silêncio porque não querem que as pessoas ao seu redor os desprezem. Aqui está um trecho da história comovente de uma mãe sozinha …

Eu olhei fixamente para os proprietários potenciais, tendo ao meu lado um miúdo de sete anos e um bebé ao meu colo sobre o quadril, pedindo para me candidatar a um apartamento de estúdio minúsculo que eu mal podia pagar. Falei com uma dúzia de secretárias em igrejas locais, perguntando-lhes se tinham fundos para me ajudar a pagar a guarda das crianças. Passei fome e passei cheques sem cobertura para pedir uma pizza para o jantar.

Debatendo-me em mil e uma dificuldades para cuidar sozinha da minha filha, precisava de assistência governamental para a qual tinha direito – algumas centenas de dólares por mês em vales-alimentação, almoços escolares gratuitos, vales-creche e cupões para leite e queijo – enquanto eu simultaneamente trabalhava como empregada doméstica, fazendo malabarismo com 10 clientes entre ir às aulas para pagar os meus estudos. Muito poucos dos meus amigos sabiam. Eles não sabiam o trabalho que eu tinha para conseguir esses recursos – horas ao telefone, ficar na fila, entregar grandes pacotes para provar as minhas necessidades. Ver aqui

Pode ser absolutamente esmagador trabalhar tão duramente quanto possível, dia após dia, e mesmo assim ainda não ser suficiente para o pão de cada dia.

Foi dito que o dinheiro não pode comprar a felicidade, e isso é verdade, mas pode certamente tornar as coisas mais fáceis.

De acordo com um inquérito Gallup muito surpreendente, aqueles que estão a viver em situação de pobreza são cerca de duas vezes mais propensos a debaterem-se com a depressão do que aqueles que não estão….

Os americanos em situação de pobreza são mais propensos do que aqueles que não a defrontarem-se com uma ampla gama de problemas de saúde crónicos, e a depressão afeta desproporcionalmente os mais pobres. Cerca de 31% dos americanos em situação de pobreza dizem ter sido diagnosticados com depressão em algum momento das suas vidas, em comparação com 15,8% dos que não estão em situação de pobreza. Os americanos empobrecidos também são mais propensos a sofrer de asma, diabetes, pressão alta e ataques cardíacos – que estão provavelmente relacionados com o maior nível de obesidade encontrado neste grupo – 31,8% vs. 26% para adultos que não estão em situação de pobreza.

Depois de digerir estes números, algumas das coisas que vimos acontecer politicamente neste país começam a ganhar sentido. Os americanos estão a procurar a esperança, e assim muitos deles continuam a ir e voltar de um partido ao outro, na esperança que um deles possa encontrar algumas soluções que comecem a melhorar as suas condições de vida.

Infelizmente, o nosso sistema não foi corrigido e vivemos num momento em que a economia está a começar a abrandar de novo. Durante a última recessão, milhares de empresas sucumbiram, milhões de pessoas perderam os seus empregos e uma multidão de americanos já não podiam pagar as suas hipotecas. O mesmo irá novamente acontecer e isso será muito doloroso para a nossa sociedade.

Uma tendência que vai continuar a aumentar é a de diferentes gerações a viverem todas juntas sob o mesmo teto. Embora a economia dos EUA se tenha supostamente “recuperado” após a última recessão, essa é uma tendência que tem estado a crescer constantemente…

Um estudo realizado em 2014 pelo Pew Research Center constatou que 52% dos residentes dos EUA na casa dos seus 60 anos – 17,4 milhões de habitantes – estão a apoiar financeiramente um pai ou um jovem adulto, contra 45% em 2005. Entre eles, cerca de 1,2 milhões apoiam tanto um pai quanto um jovem, mais do que o dobro do número da década anterior, de acordo com uma análise dos resultados de Pew Research e dos dados do censo.

A pressão vem de ambos os lados. Com o aumento da esperança de vida, o número de pessoas na casa dos 60 anos com pais vivos mais do que dobrou desde 1998, para cerca de 10 milhões, de acordo com uma análise do Urban Institute da Universidade de Michigan, e os cuidados de saúde na velhice são cada vez mais caros. Ao mesmo tempo, muitos dos babyboomers estão a ajudar os seus filhos a lidar com problemas de carreira ou de saúde, ou estão a partilhar o pesado fardo dos empréstimos estudantis.

Por fim, temos de fazer o que temos de fazer para sobreviver, mês após mês.

Houve um tempo em que a “prosperidade sem fim” dos Estados Unidos parecia que iria continuar indefinidamente, mas agora entrámos numa era diferente.

O ritmo a que as coisas estão a mudar é chocante para os peritos. Apenas alguns meses atrás, muitos dos especialistas ainda estavam a falar sobre como a economia dos EUA estava “em forte expansão”, mas desde então terá occ uma grande mudança ocorreu. A maioria das principais notícias nos media tem sido sobre as enormes quedas no mercado de ações que temos testemunhado, mas as coisas também não estão a ir bem para a economia real. As vendas de casas estão em queda, as vendas de automóveis estão caindo, o apocalipse do mercado retalhista está a aumentar, a classe média continua a diminuir e o otimismo económico está rapidamente a evaporar-se. Não vimos nada como isto desde 2008, e muitos acreditam que a recessão económica que está agora sobre nós será ainda pior do que a que vivemos há uma década atrás.”

As coisas vão ser difíceis durante os dias que aí vêm e todos nós vamos precisar de mais flexibilidade do que nunca.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/02/03/o-muro-estados-unidos-mexico-mostre-me-um-muro-de-cinquenta-pes-e-eu-mostrar-lhe-ei-uma-escada-de-cinquenta-e-um-pes-3-a-vida-de-um-dos-lados-do-muro-a-vida-dificil-para-muitos-americanos/

Isto vai ser bem pior do que poderemos pensar

O início de um novo ano é suposto ser só esperança, não é assim?  E eu certamente gostaria de dizer a  todos os que me lêem que 2019 será o melhor ano da América de todos os tempos e que todo mundo vai receber uma porção dupla de bênção, prosperidade e felicidade, mas isso simplesmente não seria verdade. 

2019: Isto vai ser bem pior do que poderemos pensar

(Michael Snyder, Janeiro de 2019)

 

20191

O início de um novo ano é suposto ser só esperança, não é assim?  E eu certamente gostaria de dizer a  todos os que me lêem que 2019 será o melhor ano da América de todos os tempos e que todo mundo vai receber uma porção dupla de bênção, prosperidade e felicidade, mas isso simplesmente não seria verdade.

Infelizmente, a verdade é que os elementos para uma “tempestade perfeita” estão rapidamente a juntar-se  e 2019 vai ser um ano extremamente desafiador.  É claro que 2018 também não foi exatamente um ano maravilhoso.  Eu realmente gosto da forma como Dave Barry escreveu sobre esta questão no seu  mais recente artigo….

Podemos resumir 2018 em duas palavras: Será  lixado .

Não temos 100% de certeza do que é “será lixado”, apesar de essa mesma questão ter sido discutida numa audiência do Comité Judicial  do Senado dos Estados Unidos. Tudo o que sabemos com certeza sobre o que pode significar “muito lixado” é que  é coisa desagradável e estúpida. Como em  2018.

Mas sendo verdade que o ano de 2018 foi muito mau , o ano que acaba de começar ameaça ultrapassá-lo em muito.

Comecemos por falar de política.  De acordo com Axios, Donald Trump é atualmente objeto de 17 investigações diferentes. Sim, está a ler corretamente. Nós nunca vimos nada como isso na história americana.  Mesmo durante a era Nixon houve alguma medida de contenção, mas neste momento está-se a tentar chegar a todo e qualquer ângulo a partir do qual se possam provavelmente livrar de Donald Trump.

E a esquerda realmente acredita que este é o ano que eles vão se livrar dele.  Na verdade, o Hill acaba de publicar um artigo contendo 30 previsões para 2019, e estas foram as três primeiras ….

A presidência de Donald J. Trump não sobreviverá a 2019;

A trajetória descendente de cada um aspeto do  seu mandato indica que estamos a caminhar  para uma espetacular explosão no plano político – e muito em breve;

O seu comportamento cada vez mais errático e irado, o seu auto-imposto isolamento,  a  sua incapacidade e recusa em ouvir os conselheiros inteligentes que  contratou, tudo isso está a levá-lo  a um precipício;

Por agora,  vamos assumir que a esquerda é bem sucedida e que se livra de Trump.  Será que tudo voltará ao normal?

Não, o Mike Pence vai tornar-se presidente e vão começar a investigá-lo imediatamente.  E então, se um democrata vencer em 2020, os republicanos à procura de vingança investigarão sobre a vida  de quem entrar na Casa Branca.

Pessoalmente, não consigo entender porque é que  tantos democratas estão a fazer fila para concorrer à presidência.  Eles são absolutamente loucos?  Depois do que foi feito a Trump, à sua família, a Brett Kavanaugh e muitos outros, já nem conto,  porque é que alguém iria querer  submeter-se  a essa tortura pública sem fim?

Estamos a chegar rapidamente ao ponto em que a América será ingovernável.  Não importa quem esteja no poder, haverá raiva, conflito, discórdia e ressentimento.  Dezenas de milhões de americanos odiavam Barack Obama e não o consideravam o seu presidente, e agora dezenas de milhões de americanos odeiam Donald Trump e não o consideram  o seu presidente.  As nossas instituições políticas estão a desfazer-se   e a fé no sistema está num mínimo histórico.

Mas pelo menos as condições económicas têm sido relativamente estáveis, e isso tem feito muito para pacificar a maioria dos americanos nos últimos anos.

Infelizmente, as condições económicas estão de facto a começar  a desacelerar, e as grandes empresas  estão agora a começar  a anunciar despedimentos  em grande escala.  Assim como vimos durante a última recessão, eventualmente haverá milhões de americanos que perderão os seus empregos, e os incumprimentos sobre as hipotecas  voltarão a disparar dramaticamente.

E, tal como em 2008, a bolsa de valores está a começar a cair de forma significativa.

2018 foi o pior ano para o mercado de ações desde há  uma década, apenas acabámos de testemunhar o pior mês de dezembro para Wall Street desde a Grande Depressão, e neste ponto, aproximadamente 12 milhões de milhões de dólares de riqueza do mercado de ações global foi eliminado.

 E a notícia realmente má é que as coisas tendem a piorar ainda mais em 2019.

A história tem mostrado que condições económicas difíceis tornam os conflitos militares mais prováveis, e o mundo continua à beira da guerra.

No Médio Oriente, os tanques turcos têm-se alinhado ao longo da fronteira síria em antecipação a uma possível invasão, e as forças sírias têm-se reunido para se defenderem contra um potencial ataque.  Por outro lado, o Hezbollah e o Hamas parecem estar numa corrida para ver quem pode começar primeiro uma guerra com Israel.  Se a guerra eclodir, Israel pode encontrar-se a lutar simultaneamente contra ambos.

Quanto aos Estados Unidos, as nossas relações com a Rússia e a China estão a deteriorar-se rapidamente.  Os russos continuam a preparar-se para um futuro conflito militar com os Estados Unidos e o Pentágono está oficialmente assustado com os novos mísseis hipersónicos que os russos acabam de desenvolver.  Enquanto isso, a guerra comercial com a China continua a aumentar e um general chinês acaba de sugerir  que os militares chineses não deveriam ter medo de “afundar dois porta-aviões americanos”.

E não esqueçamos o Irão, a Coreia do Norte e o potencial para uma invasão russa da Ucrânia. Infelizmente, tenho a sensação de que haverá muito menos “paz na Terra” por esta altura no próximo ano.

Para além de tudo o mais, a crosta do nosso planeta parece estar a tornar-se cada vez mais instável e as condições climáticas estão a mudar a um ritmo muito rápido.  Dezenas de vulcões estão atualmente em erupção, e um especialista tem estado a alertar  que cerca de 100 outros podem estar à beira da erupção. Grandes terramotos têm sido devastadores ao longo do Anel de Fogo com crescente regularidade, e as grandes tempestades continuam a ficar cada vez maiores e mais intensas.

Nós poderíamos continuar se fosse necessário.  Eu nem sequer mencionei o potencial para uma pandemia global, o colapso iminente da União Europeia, a agitação civil, o terrorismo, a morte dos nossos oceanos ou a terrível seca na metade ocidental do país.

Sim, as pessoas precisam desesperadamente de esperança, mas dar-lhes falsas esperanças dizendo-lhes que tudo vai ser maravilhoso em 2019 não é  uma posição honesta.

O  nosso mundo está em turbulência, e vai piorar ainda mais em 2019.  Por isso, coloquem os cintos de segurança e preparem-se, porque vai ser uma viagem bem turbulenta.


Artigo original aqui


Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/02/03/sobre-o-que-foi-o-ano-de-2018-sobre-os-perigos-que-nos-ameacam-em-2019-uma-pequena-serie-de-textos-11-isto-vai-ser-bem-pior-do-que-poderemos-pensar/

ição do monstro polSão os Russos os culpados pela eleítico Donald Trump? 2/2

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2. São os Russos os culpados pela eleição do monstro político Donald Trump? Comentário a propósito da introdução ao texto Tijolos no Muro (2/2)

julio-marques-motaPor Júlio Marques Mota

Coimbra, 27 de janeiro de 2019

(continuação)

Este foi o caminho que abriu as portas à ascensão de Donald Trump, um caminho em que os interesses do povo americano não estiveram presentes, um caminho de “erros” que Hilary Cliinton não quis reconhecer. O seu combate e de grande parte do Partido Democrata contra Bernie Sanders é exemplo disso mesmo. Não reconhecer este caminho é, na minha opinião e como já disse aquando da apresentação do texto sobre o Muro, manter a porta aberta à renovação do mandato de Trump ou à ascensão de um outro populista qualquer. Nesta trajetória, o drama do povo mexicano é a consequência da lógica imperial americana, vista internamente como a obtenção do fornecimento de bens e serviços não negociados internacionalmente a preços de uma deslocalização no local, ou seja, fornecimentos a nível local americano mas ao preço do que seriam fornecidos no estrangeiro, no México, e vista externamente como a deslocalização industrial para a fronteira com o México, a famosa maquilhadora mexicana, uma extensa zona de fronteira com fábricas de montagem exclusivamente a trabalhar para os Estados Unidos. O México transformado em oficina dos Estados Unidos sob pressão de baixos salários e de uma concorrência internacional cada vez mais aguerrida, baseada no mesmo argumento: os baixos salários. O povo mexicano serviu assim de bode expiatório para a direita racista americana, com esta no poder, para o que não ia bem nos Estados Unidos, e como instrumento de politica económica interna para os democratas tanto quanto esta servia para sustentar uma classe média a pauperizar-se, com o fornecimento de bens e serviços fornecidos ou produzidos pelos mexicanos a preços mais baixos e adicionalmente também como escapatória para o que não ia bem com as suas políticas.

Ao chegar ao fim do texto recebo a informação do sítio Seeking Alfa, um sitio ligado, creio eu, ao Financial Times, de um artigo claramente ideológico a favor da globalização sem limites. Vale a pena colocá-lo aqui, uma vez que este pode ser lido de forma completamente diferente da do seu autor, Mark J. Perry.

Uma visão demagógica da globalização:

Durante o período dos últimos 21 anos, de Janeiro de 1998 a Dezembro de 2018, o IPC para todas as rubricas de despesa aumentou exatamente 56.0% e o gráfico abaixo apresenta os aumentos dos preços relativos ao longo desse período para 14 bens de consumo e serviços selecionados e para a média dos ganhos horários (salários).

Várias observações têm sido feitas acerca da enorme divergência nos padrões de preços ao longo das últimas décadas incluem:

Quanto maior (menor) for o grau de envolvimento do governo no fornecimento de um bem ou serviço, maior (menor) será o aumento (diminuição) dos preços ao longo do tempo.[ O sublinhado é nosso]

Os preços dos bens manufaturados registaram grandes descidas de preços ao longo do tempo em relação à inflação global, salários e preços dos serviços.

Quanto maior for o grau de concorrência internacional por bens transacionáveis, maior será a diminuição dos preços ao longo do tempo.

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Sete desses bens e serviços aqui incluídos aumentaram mais do que a média da inflação, liderados pelos serviços hospitalares (+211%), ensino superior (+183.8%) e livros escolares (+183.6%). Os salários médios também aumentaram mais do que a inflação média desde janeiro de 1998, em 80,2%, indicando um aumento nos salários reais nas últimas décadas.

As outras sete séries de preços diminuíram desde janeiro de 1998, tendo a maior descida sido constatada nas TVs (-97%), nos brinquedos (-74%), em software (-68%) e no serviço de telemóvel (-53%). As séries do IPC para automóveis novos, mobiliário doméstico (mobiliário, eletrodomésticos, persianas para janelas, lâmpadas, pratos, etc.) e vestuário permaneceram relativamente estáveis nos últimos 21 anos, enquanto os preços médios aumentaram 56% e os salários aumentaram 80,2%. Várias observações que foram feitas sobre a enorme divergência nos padrões de preços ao longo das últimas décadas incluem:

a. Quanto maior (menor) for o grau de envolvimento do governo no fornecimento de um bem ou serviço, maior (menor) será o aumento (redução) dos preços ao longo do tempo, por exemplo, custos hospitalares e médicos, mensalidades escolares, cuidados infantis com grandes graus de financiamento/regulamentação governamental e grandes aumentos de preços em comparação com software, eletrónica, brinquedos, automóveis e vestuário com relativamente menos financiamento/regulamentação governamental e preços em queda. Alguém no Tweeter comentou:

Linhas azuis = preços sujeitos às forças do mercado livre. Linhas vermelhas = preços sujeitos a captura regulatória pelo governo. Alimentos e bebidas são discutíveis em ambos os sentidos. Conclusão: lembrem-me porque é que o socialismo é novamente tão grande .

b. Os preços dos bens manufaturados (carros, roupas, eletrodomésticos, móveis, bens eletrónicos, brinquedos) sofreram grandes quedas de preços ao longo do tempo em relação à inflação geral, salários e preços de serviços (educação, assistência médica e cuidados infantis).

c. Quanto maior for o grau de concorrência internacional pelos bens transacionáveis, maior será a diminuição dos preços ao longo do tempo, por exemplo, brinquedos, vestuário, televisões, eletrodomésticos, mobiliário, calçado, etc.”

A este texto, segue-se um comentário que julgo bem oportuno publicar:

“custos hospitalares e médicos, propinas universitárias, cuidados infantis com grandes graus de financiamento/regulamentação governamental e grandes aumentos de preços versus software, eletrónica, brinquedos, automóveis e vestuário com relativamente menos”

O senhor está a comparar serviços, que não podem ser deslocalizados globalmente, com bens que foram deslocalizados globalmente para lugares onde há uma estrutura salarial mais baixa. A partir daqui o senhor erroneamente responsabiliza o financiamento/regulamentação governamental pelos preços mais altos desses serviços, em vez de responsabilizar por tal o facto óbvio de que esses serviços (ao contrário da fabricação de bens) NÃO PODEM SER DESLOCALIZADOS PARA AS REGIÕES DE BAIXOS SALÁRIOS .

Se fosse possível para todos nós sermos hospitalizados e educados em países de baixos salários, então o custo destes serviços teria o mesmo perfil de inflação que os bens que o senhor cita. Mas nós não podemos, o senhor não pode.

Se o senhor incluir canalizadores e eletricistas no gráfico, verá que os seus serviços também estão inflacionados nos seus custos (porque eles também não podem ser deslocalizados. Mas então o senhor não poderia culpar o governo…ou será que poderia?

Este é um excelente gráfico, mas com uma análise terrível (especialmente vinda de um professor de economia). A sua errada conclusão parece ser ideologicamente orientada e tendenciosa, em vez de baseada nos factos óbvios

https://seekingalpha.com/article/4232964-chart-day-century

Quanto ao texto aqui reproduzido, o comentário é suficiente e dispensa mais comentários, relembrando aqui apenas o peso dos mexicanos na guarda das crianças, nos serviços de jardinagem, nos serviços de casa, tudo a baixos salários

Ora a globalização, e nesta o México foi uma peça central até meados da década dos anos 2000, teve portanto esta função, a de baixar os preços dos bens e serviços negociados internacionalmente, como se ilustra no gráfico. Portanto à medida que o sistema se financeirizava, apertava-se a pressão do sistema financeiro sobre o sistema produtivo, acelerava-se então a deslocalização da produção e aqui sim, baixando o nível de emprego baixavam os níveis salariais. Entretanto ia baixando o nível de preços como o gráfico bem ilustra. Mas contra o autor do artigo, vale a pena relembrar Paul Samuelson no seu último artigo sobre Ricardo: mais vale um emprego condigno que uma baixa dos preços em WalMart e estar sem emprego. Vale também a pena reler a reportagem sobre a cidade Warren. Entretanto, no lado de lá, no México, a pressão à baixa salarial processava-se de forma mais forte ainda, os direitos do trabalho eram ainda menores, a concorrência internacional depois da entrada da China na OMC, complicava ainda mais a situação dos trabalhadores mexicanos e, necessariamente, aumentava a pressão dos fluxos migratórios. A globalização não foi aqui a maré que levantou todos os barcos, até porque afundou muitos deles. Esta é a consequência da política dos Republicanos e dos Democratas, gerando, pois, sentimentos que foram emocionalmente muito bem explorados por Donald Trump na campanha eleitoral. Os democratas estiveram mais interessados em vencer Bernie Sanders!

Devemos aqui precisar que a ideia da globalização feliz não era, mal seria se assim fosse, partilhada por todos os lideres democráticos. Como exemplo, cito aqui o que nos escreveu Sandra Polaski, em 2009, quando era Subsecretária de Estado de Obama, uma das exceções que enquanto tal, confirma a regra:

We hope that in the Obama Administration will be able to steer global economic policy in a better direction that takes into account the needs and livelihoods of the billions of people who are currently not benefitting from global economic integration.

I work very hard at that goal every day!”

Bem, destes milhares de milhões que não apanharam os barcos levantados pela maré da globalização feliz, alguns milhões estão do lado do México, a quem o Muro é imposto, outros milhões estão do lado dos Estados Unidos, entre os quais uma parte a desejar a construção do muro, e o Muro é expressão dramática deste mesmo fenómeno, o de muitos barcos que se afundaram enquanto outros subiram.

Dada a importância que o acordo NAFTA assume no presente texto, deixemos aqui alguns excertos de textos publicados por especialistas nesta matéria, Gabriela Bensusan, Sandra Polaski, hoje alto quadro da OIT, James M. Cypher, Raúl Delgado Wise, Henrique Dussel Peters e Kevin P. Gallagher, onde, em síntese, se faz um balanço dos feitos da política comercial neoliberal de Clinton relativamente ao México.

“O modelo de exportação da força de trabalho e suas consequências3

1. Gabriela Bensusan

O México e os Estados Unidos tornaram-se parceiros comerciais quinze anos antes da entrada em vigor do NAFTA, um instrumento que institucionalizou um processo de integração regional de mais longa duração e que levou à convergência das suas políticas económicas no âmbito da expansão das políticas neoliberais de Consenso de Washington. Em vez de se incluir nas negociações a livre circulação de mão-de-obra, o México concordou com as restrições à imigração e optou por incentivar o fluxo de investimentos e de outros bens, se bem que a liberalização do comércio tivesse começado já em 1986 com a entrada no GATT — com a expectativa de criação de postos de trabalho necessários para reduzir a migração para o Norte. No entanto, segundo Delgado Wise e Márquez (2007, p. 130), o NAFTA estabeleceu o quadro do modelo de exportação de mão-de-obra barata apoiado em três mecanismos complementares: a indústria maquiladora, mal integrada na economia mexicana (entre 80 e 90% do valor das exportações é importado), que é um caso de “exportação indirecta de mão-de-obra”; a maquila encoberta (fábricas que incluem processos de fabricação mais complexos, mas que operam sob o regime de maquiladoras) e a migração de trabalho ou de exportação directa do trabalho, que teve origem no mercado de trabalho restrito e precário mexicano, como resultado da reestruturação económica, que fornece mão-de-obra barata para os Estados Unidos. Tendo em conta os três segmentos, estima-se que haja 16 milhões de mexicanos envolvidos no modelo de exportação. Cabe assinalar que, por seu lado, o mercado de trabalho dos Estados Unidos teve várias mudanças significativas desde a década de oitenta, o que levou à segmentação dos postos de trabalho, consoante se trate de actividades prévias a este processo de pré-reestruturação, como a agricultura, os serviços domésticos e de limpeza, ou resultem de sectores importantes da economia, nas indústrias de produção de bens salariais e indústrias maduras que estão em processo de resgate. Em ambos os segmentos predominam os empregos precários, de baixo nível de qualificação, os mais baixos salários e com benefícios sociais limitados ou inexistentes e é onde encontram emprego os imigrantes mexicanos.

2. O modelo de exportação de mão-de-obra barata no México

James M. Cypher e Raúl Delgado Wise

A nossa análise da economia mexicana sob a estrutura neoliberal do NAFTA abrange um conjunto enorme e complexo de elementos. Entre estes, incluem-se algumas considerações teóricas e empíricas que contrastam fortemente com a imagem positiva do desempenho do modelo exportador mexicano.

Em primeiro lugar, este modelo não representa um caso bem sucedido de industrialização orientada para o exterior, antes pelo contrário, caracteriza-se por configurar uma forma regressiva de “sub-primarização” das exportações. Se muitas nações da América Latina deram um passo para trás, ao especializarem-se na exportação de bens de baixo valor acrescentado, bens industriais ou indiferenciados baseados em recursos naturais (principalmente a Argentina), o México, esse, deu dois passos para trás. Na verdade, o modelo de exportação de mão-de-obra barata implica um retrocesso ainda maior ao oferecer como vantagem absoluta o trabalho barato, geralmente não qualificado, num contexto institucional em que o trabalho pode ser usado com poucas restrições em termos de benefícios e direitos sociais, direitos do trabalho, sindicais, condições de trabalho insalubres ou ainda de protecção contra os despedimentos.

Em segundo lugar, o México está a sofrer um processo de desacumulação: a força de trabalho empregada recebe salários de subsistência em condições de trabalho que frequentemente envolvem danos relacionados com o trabalho e com a forte insegurança económica, que se adicionam ao fracasso de um modelo incapaz de criar um excedente económico que poderia ser usado no país. Em vez disso, esse excedente é transferido para os Estados Unidos e serve para expandir a sua base produtiva e contribuir para a reestruturação da sua economia.

Em terceiro lugar, ficou demonstrado que o processo do NAFTA não foi, na sua essência, uma política baseada no comércio, de que resulte um processo mutuamente benéfico de especialização económica através da concorrência entre o México e os Estados Unidos, como o apregoam os modelos mais considerados de “livre comércio “. Em vez de estimular o comércio, já para não falar de “livre comércio” ou de comércio baseado na concorrência, o programa neoliberal foi criado para servir os fins do poder de oligopólio, ou seja, o controlo dos mercados, integrando de várias maneiras o trabalho mexicano barato, não qualificado, no processo de produção e de reestruturação da indústria americana. Por outras palavras, o NAFTA foi e continua a ser um acordo de investimento e de reestruturação da produção – versus um acordo estritamente comercial – o que permite que as empresas americanas deslocalizem a sua produção para o México, sem uma legislação local que as limite quanto a quotas de exportação, restrições sobre o repatriamento de lucros, acordos para partilhar tecnologias ou outro tipo de restrições.

Para a América, os impactos dinâmicos do modelo de exportação de mão-de-obra barata tem ajudado a reduzir os custos de produção no México e nos Estados Unidos através da incorporação de mão-de- obra barata no processo de produção.

Se a diminuição dos custos de produção no México e nos Estados Unidos se transmite parcialmente aos consumidores norte-americanos através de preços mais baixos, como aliás tem acontecido, então o modelo de exportação de mão-de-obra barata permite menores custos de reprodução dos trabalhadores americanos. Isso, juntamente com a baixa salarial por efeito directo da substituição dos trabalhadores na indústria transformadora e noutros sectores contribui para o estabelecimento de salários mais baixos nos Estados Unidos do que os que se estabeleceriam fora destas condições, melhorando assim a competitividade do sistema produtivo e aumentando as margens de lucro.

Obviamente, esta nova forma de integração assimétrica e subordinada, restringe as oportunidades de desenvolvimento económico no México. Isso limita a criação de empregos formais no país, amplia e aprofunda a pobreza e a exclusão social e aumenta o potencial de migração em massa de milhões de mexicanos. intermediários na matriz das relações produtivas, etc, – trata-se de um modelo insustentável, de uma situação que exige mudanças amplas e profundas na estratégia de desenvolvimento vigente, de modo a mudar radicalmente a forma como foi concebida e orquestrada a integração.

3. Um gráfico apresentado por Sandra Polaski

O México transformou-se numa maquilhadora enorme, pouco mais que isso, em nome exatamente do NAFTA, em nome dos americanos, ou melhor, das multinacionais americanas, corrija-se. Deixem-me colocar aqui, em jeito de memória, um gráfico sobre a evolução dos salários no México publicado por Sandra Polaski, que assumiu o cargo de subsecretária de Estado na Administração Obama num texto editado em 2005, intitulado NAFTA’s Promise and Reality: lessons from Mexico for the hemisphere:

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4. Um gráfico apresentado por Dussel e Gallagher e a importância do hóspede não convidado, a China

Mas se NAFTA se constituiu como um problema para o México, este problema foi ainda agravado pela entrada da China na OMC que, pela via da globalização, se tornou o hóspede não convidado do acordo NAFTA, expressão feliz que se deve a Henrique Dussel Peters e a Kevin P. Gallagher, no seu trabalho para a CEPAL, NAFTA’s uninvited guest: China and the disintegration of North American trade. Deste estudo veja-se então as consequências da estada do hóspede não convidado nas relações económicas no interior da área do acordo NAFTA:

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Conclusão final

De uma maneira ou de outra o que sabemos é que democratas e republicanos nestas últimas décadas têm tomado como referência o mesmo modelo, o modelo neoliberal, mesmo que aplicado de forma relativamente diferente, com tonalidades diferentes, mas com objetivos iguais. O Muro comum é disso um bom exemplo. O resultado político desta convergência é pois este, os eleitores deambulam de um partido ao outro à espera de encontrarem a solução para os problemas com que se debatem quotidianamente. Por esta razão de fundo, os resultados eleitorais passam a constituir uma verdadeira incógnita e uma porta a aberta para aquele que mais prometer. Neste caso, não estamos seguramente a falar de Democracia, mas antes de Demacracia, como diria o meu amigo Joaquim Feio.

Mas as coisas podem mudar de figura e caminharem no sentido inverso, dado que se sente que o Partido Democrata está a ser abalado por fortes sinais de profundo sentimento democrático. É o que anuncia o Financial Times no seu editorial de hoje. [ Ver aqui]

Mas as coisas podem também não ser bem assim. Aquando da vitória de Trump li um texto de um politólogo francês que afirmava ser a vitória de Trump uma rutura do sistema político americano e mais, que dentro de oito anos teríamos uma nova geração de políticos capazes de contestar o sistema atual e possivelmente não serem controláveis pelas máquinas oficiais dos dois grandes partidos e, por isso mesmo, antissistema! Alguns deles, previa o dito politólogo, seriam de terceira geração de hispânicos. O Público de hoje traz já uma crónica nesse sentido, sobre a democrata Ocásio-Cortez que vai nesse sentido.

Com uma ilustração que tem o seu quê de curioso, de muito curioso, diz-nos o editorial acima referido do Financial Times num texto assinado por Edward Luce com o título: “A era Clinton-Obama termina, uma vez que os democratas americanos procuram uma nova voz radical” –e em subtítulo: O partido tem uma dívida de gratidão para com Donald Trump, pois afasta para longe uma mentalidade cautelosa e calculista:”

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Ouçam com atenção e podem ouvir a recuo do establishment democrata. O incrementalismo serviu os seus objetivos: tornou os democratas novamente elegíveis e seguros para Wall Street. Mas isto já teve a sua época. A geração de democratas que minimizou as preocupações com a desigualdade e defendeu os mercados globais está sendo substituída por uma voz política muito mais ousada. Não importa quem assume a nomeação democrata em 2020, eles falarão por um partido radicalizado em busca do novo New Deal.

Eles têm uma dívida de gratidão para com Donald Trump. Por mais que muitos renascidos liberais detestem o 45º presidente dos Estados Unidos, eles podem agradecer-lhe pelo facto de os ter levado a eliminar a mentalidade de cautela e de calculismo sistemático que tem hipnotizado os líderes democratas de toda uma geração.

Este tipo de comportamento agora sacudido começou com os Novos Democratas de Bill Clinton no final da década de 1980. Terminou em 2016, quando Hillary Clinton perdeu para Donald Trump. Entre eles, Al Gore, o candidato perdedor de 2000, John Kerry, que perdeu em 2004, e Barack Obama, cujo legado de oito anos está agora a ser destruído por Trump.

Donald Trump serviu tanto como um apelo às armas como um exemplo de como os establishments podem ser derrotados. No primeiro caso, Trump demoliu tudo o que restava da ideia de que os Democratas têm de se preparar para sempre para uma terra prometida de amizade bipartidária” (…)

Por muito que os democratas se tenham virado para o centro, as recompensas por esta virtude nunca chegaram. Os republicanos simplesmente deslocaram-se sempre mais para a direita. Os presidentes democratas, como Clinton, criaram excedentes orçamentais. Os republicanos, como George W. Bush, gastaram-nos completamente em reduções de impostos. A desigualdade é hoje muito pior do que em 1992, apesar de os democratas terem detido a Casa Branca durante mais de metade desse tempo. (…)

Donald Trump agravou a desigualdade. Mas não é ele o seu autor. Os números eram quase tão sombrios como no final dos dois mandatos de Obama. Por isso, o remendo já não é muito apelativo.

Muita da atenção está em quem deve ser o candidato democrata para desafiar Donald Trump. Isso é obviamente importante. Mas o importante é que o centro de gravidade do partido mudou. Seja quem for o adversário, seja Joe Biden, o antigo vice-presidente, Elizabeth Warren, a populista em econonomia, Beto O’Rourke, o optimista solarengo, ou Sanders, a sua plataforma terá de refletir essa mudança. Posições como “Medicare for all”, ou um “Green New Deal”, e o financiamento de eleições públicas terão de fazer parte do pacote. Assim também irão aumentar os impostos.

(…)

A esquerda americana está a transformar-se numa fábrica de novas ideias. Algumas delas, como um rendimento básico universal, podem ser questionáveis. Outras, como o desmantelamento dos monopólios, são mais promissoras. De qualquer forma, pela primeira vez em décadas, a energia intelectual da América está agora à esquerda. Alguns comparam o fermento à “ousada experimentação persistente” de Franklin Roosevelt, autor do New Deal dos anos de 1930. Os céticos comparam a atual situação com o falso amanhecer de George McGovern, que perdeu num deslizamento de terreno em 1972 a favor de Richard Nixon. Qualquer que seja o ponto de vista que se revele correto, a era Clinton-Obama está a chegar ao fim. Uma nova era está apenas a começar.

Tudo isto não tem nada a ver com a afirmação de Obama e de Clinton, de que os culpados pela eleição do monstro político Donald Trump foram os Russos.

Estes são, pois, os meus comentários ao texto do meu antigo professor.

Nota

3 Trata-se aqui de excertos de textos pulicados por Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes no âmbito da Iniciativa Ciclo Integrado de Cinema, Colóquios e Debates na FEUC, em 2009.

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/02/02/o-muro-estados-unidos-mexico-mostre-me-um-muro-de-cinquenta-pes-e-eu-mostrar-lhe-ei-uma-escada-de-cinquenta-e-um-pes-2-sao-os-russos-os-culpados-pela-eleicao-do-monstro-politico-donald-tru-2/

Americanos não devem esquecer crueldade gratuita de Trump

É tentador tripudiar por o suposto "mestre negociador" ter desistido temporariamente de seu muro. Considerando-se o sofrimento causado pelo "shutdown" parcial, porém, ninguém está saindo vencedor, opina Michael Knigge.
O presidente americano, Donald Trump, precisou de 35 dias para assinar um projeto de lei que poderia ter tido desde antes do Natal. Antes que ele se retirasse da mesa de negociações, em dezembro último, já fora proposto um acerto similar para se financiar temporariamente o governo, mas não o triturador de verbas públicas predileto de Trump, o muro na fronteira com o México.
Na época, o negociador-chefe gabou-se, numa reunião no Salão Oval, de que estaria "orgulhoso de fechar o governo" se não obtivesse verbas para seu muro. Por fim, após mais de um mês de shutdown, ele anunciou um acordo que os democratas estavam oferecendo desde o início: dissociar por um breve período os financiamentos do governo e do muro, enquanto se negocia sobre a segurança de fronteiras. O republicano se opunha consistentemente à ideia – até que parou de se opor e de repente, na sexta-feira (25/01), capitulou.
Alguns de seus detratores podem sentir-se tentados a tripudiar sobre "o melhor negociador do mundo" e seu fracasso em obter financiamento para seu muro de fronteira. Mas tal seria altamente impróprio diante do sofrimento desnecessário que ele causou a tantos, durante a mais longa paralisação na história dos Estados Unidos.
O inconsequente anúncio do shutdown  parcial por ele, logo antes do Natal, significou para 800 mil funcionários públicos e suas famílias terem que se virar sem salário por mais de um mês. Para não falar dos mais de 1 milhão de contratados pelo governo e que, ao contrário dos funcionários, não receberão qualquer pagamento retroativo.
Até hoje Trump e membros de gabinete bilionários como o secretário do Comércio  Wilbur Ross não foram capazes de compreender quão devastador foi seu frívolo para os muitos baixos assalariados, tanto funcionários como contratados, e suas famílias. deles tiveram que recorrer a cantinas para comer e procurar trabalho paralelo, enquanto muitas vezes eram forçados a se apresentar no emprego sem pagamento.
Quanto mais se estendeu, mais a paralisação trumpista colocou em perigo milhões de cidadãos, em numerosos aspectos da vida quotidiana. Para mencionar uns poucos: abastecimento e segurança alimentar, inspeções alfandegárias, segurança nas viagens aéreas, e portanto segurança nacional como um todo – exatamente aquilo que Trump afirmava estar promovendo com sua obstinada insistência na construção de um muro de fronteira.
Lembremos, ainda, que a palhaçada do shutdown  foi mais um severo golpe na já abalada noção de que um posto público, embora pagando menos do que um emprego no setor privado, ao menos representa uma fonte de renda mais confiável.
Assim, os milhões que foram afetados se deparam com uma solução temporária, tendo a ameaça do possível próximo shutdown  apenas três semanas adiante. Mas isso não é nada de novo para Donald Trump, um homem que, ao longo de sua carreira, jogou com o dinheiro e o bem-estar alheio sem o menor problema, contanto se fosse para engordar os próprios lucros.
Agora se pode especular o que levou Trump a se render: se o cancelamento do discurso sobre o Estado da União; o iminente colapso das viagens aéreas em algumas cidades-chave dos EUA; se foi simplesmente uma manobra para desviar a atenção do indiciamento de seu camarada Roger Stone; se sua quota de aprovação minguante; a pressão dos parlamentares republicanos – ou se tudo isso junto.
Mas trata-se de um exercício de futilidade: ninguém sabe o que se passa realmente na mente de Trump. Em vez disso, aproveitemos esta breve trégua para agradecer a todos os funcionários do governo que, ao longo de toda essa paralisação, sofreram em nome de sua dedicação a manter o país em funcionamento, apesar dos caprichos presidenciais.
Vamos torcer – se é para esse shutdown  ter qualquer consequência de longo prazo – que os americanos, sobretudo os diretamente afetados, lembrem quem se gabou de que teria orgulho de paralisar o governo. Torçamos para que os americanos lembrem do impiedoso e cruel presidente, disposto a jogar com as vidas e a subsistência alheia por um inútil muro que, no fim das contas, ele não conseguiu. Haverá uma prova de mau caráter mais condenadora do que essa?
Michael Knigge | Deutsche Welle

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/americanos-nao-devem-esquecer-crueldade.html

Donald Trump: EUA iniciarão saída do Tratado INF em 2 de fevereiro

Míssil modernizado 9М729 apresentado pelo Ministério da Defesa russo no pavilhão de exibição Patriot, nos arredores de Moscou (foto de arquivo)
© Sputnik / Vladimir Astapkovich

Nesta sexta-feira (1°), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA iniciam a saída do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês) com a Rússia.

"Há muito tempo, a Rússia vem violando impunemente o Tratado INF, desenvolvendo e dominando às escondidas um sistema de mísseis proibido, que representa uma ameaça direta aos nossos aliados e às tropas no exterior".

Donald Trump afirmou que os EUA vão parar de cumprir o tratado a partir do dia 2 de fevereiro.

"Amanhã [2 de fevereiro], os EUA irão suspender suas obrigações do Tratado INF, e iniciarão o processo de saída, que será concluída daqui a 6 meses, se a Rússia não voltar a cumprir [o tratado], destruindo todos os seus mísseis, lançadores e equipamentos relacionado, que violam o tratado", disse.


Donald Trump assinalou que os EUA estão dispostos a elaborar opções de resposta militar às alegadas violações da Rússia do cumprimento do tratado para não aceitar qualquer supremacia militar de Moscou.

"Nós nos moveremos rumo ao desenvolvimento de nossas opções de resposta militar e vamos trabalhar com a OTAN e com outros aliados e parceiros para não aceitar qualquer supremacia militar da Rússia pela sua conduta ilegal", afirmou.

De acordo com Franz Klintsevich, vice-chefe do Comitê de Defesa e Segurança do Senado russo, caso os EUA saiam do tratado a Rússia não vai continuar a cumpri-lo unilateralmente, e "irá reagir".

"Claro, nem vale a pena mencionar que, em caso de saída dos EUA do tratado, a Rússia continue cumprindo-o unilateralmente. Nós iremos certamente reagir, ao mesmo tempo sem entrar em uma corrida armamentista, por mais que os norte-americanos o desejem, que querem esgotar a Rússia economicamente", apontou o senador.


Segundo ele, parece que os EUA não tomam em conta que a Rússia, "ainda desde a época soviética, possui muitos projetos congelados relacionados ao uso de mísseis de curto e médio alcance, cuja realização não exigirá grandes investimentos".

"Pelo visto, será necessário reativá-los, modernizando-os seriamente", ressaltou.

O chefe do Comitê de Relações Exteriores do senado russo, Konstantin Kosachev, afirmou que os EUA, ao tomarem a decisão de sair do Tratado INF, estão destruindo mais um mecanismo de prevenção de um conflito nuclear. Washington optou pela linguagem de ultimatos, e não pretende uma reconciliação.

"Os EUA reafirmaram sua intenção de 'acabar' com mais um pilar importante na área de controle sobre armamentos", comentou Kosachev.

"O fato de os EUA terem desde o início optado pela linguagem de ultimatos, sabendo perfeitamente que a Rússia não iria tolerar tal atitude, especialmente na área de segurança, confirma que lá ninguém tencionava sequer chegar a um acordo", acrescentou. 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019020113231065-russia-eua-tratado-inf-donald-trump-saida/

Trump diz que não haverá acordo com China sem reunião com Xi Jinping

Presidente dos EUA, Donald Trump, acena ao lado do presidente chinês, Xi Jinping, após coletiva de imprensa em Pequim, 9 de novembro de 2017
© AP Photo / Andy Wong

O presidente dos EUA, Donald Trump, informou que as negociações comerciais com a China estão indo bem, mas ele alertou que um acordo final não será alcançado até que ele se encontre com seu Xi Jinping em um "futuro próximo".

"Negociadores chineses de alto escalão estão reunidos nos EUA com nossos representantes, as reuniões estão indo bem, com boas intenções e bom humor de ambos os lados", disse Trump em sua conta no Twitter.

"Não haverá acordo final até meu amigo, o presidente Xi, e eu nos reuniremos em breve para discutir e concordar com alguns dos pontos mais longos e mais difíceis", acrescentou. 


Trump fez este comentário antes da chegada de uma delegação chinesa em Washington chefiada pelo vice-primeiro-ministro Lui He para uma rodada de negociações.

Washington e Pequim estão presos em uma guerra comercial desde que o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciou em junho um imposto de 25% sobre o valor de US$ 50 bilhões em importações chinesas, em uma tentativa de consertar o déficit comercial entre EUA e China.

Desde então, os dois países trocaram várias rodadas de tarifas comerciais, cobrando taxas de centenas de bilhões de dólares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, pediram, no mês passado, uma trégua na escalada da guerra comercial depois de se reunirem nos bastidores do encontro do G20 em Buenos Aires, mas os dois países ainda não chegaram a um acordo final.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019013113223065-eua-china-trump-acordo/

Donald Trump foi forçado a desistir ?

Renunciou o Presidente Donald Trump a mudar a política norte-americana? Submeteu-se ele à anterior classe dirigente do seu país? No decurso dos dois últimos meses, a sua Administração parece ter reorientado o AfriCom, o CentCom e o SouthCom. O primeiro comando militar do Pentágono teria sido autorizado a dar batalha aos projectos chineses no continente africano; o segundo teria sido envolvido na via da divisão do Médio-Oriente Alargado entre árabes e persas, e o terceiro no da destruição das estruturas estatais da Bacia das Caraíbas.

Desde já estas novas missões acompanham-se de um retorno dos neoconservadores.

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Desde as eleições intercalares, a 6 de Novembro de 2018, o Presidente Trump enfrenta uma pressão extremamente forte. As administrações federais foram fechadas a 22 de Dezembro (shutdown), por causa da oposição parlamentar ao projecto de orçamento que incluísse o financiamento de um Muro na fronteira mexicana. A crise só chegou ao seu final 35 dias mais tarde, a 25 de Janeiro de 2019. O Presidente Trump inclinou-se temporariamente perante as exigências do Partido Democrata. Segundo a S & P Global Ratings, o “shutdown” teria custado mais US $ 6 mil milhões (bilhões-br), ou seja um custo mais pesado que o Muro que seria suposto ter poupado [1].

Durante este período, a Administração Trump multiplicou os sinais de abandono da sua política Externa e de Defesa e apoio ao imperialismo norte-americano. Dado o modo de governança do promotor imobiliário, é possível que essa reviravolta completa seja apenas aparente e destinada a ser posta em causa a 15 de Fevereiro, a data do fim do acordo sobre o orçamento. Seja como for, de momento, inúmeros elementos levam a pensar que Donald Trump teria renunciado a promover a mudança que havia prometido.

- A 13 de Dezembro de 2018, na Heritage Foundation, o Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, expôs a nova estratégia dos EUA em África [2] :
• (1) desenvolver o comércio,
• (2) lutar contra o terrorismo islâmico,
• (3) vigiar a utilização da ajuda norte-americana.

Nada de muito novo, salvo que os objectivos comerciais foram longamente expostos já não como uma rivalidade face às antigas potências coloniais (França e Reino Unido), mas, antes, como um violento combate contra a China e a Rússia.

- A 20 de Dezembro, o Secretário de Defesa, o General James Mattis, enviou uma carta pública de demissão ao Presidente Trump [3]. Contrariamente ao que dizia a imprensa, ele concordava com a retirada de tropas da Síria, mas inquietava-se com a mensagem dada aos Aliados da Coligação anti-Daesh e, partindo daí, do possível fim da liderança norte-americana [4]. Considerando que não havia lição a receber em público, Trump demitiu imediatamente Mattis sem o deixar manter o exercício das suas funções durante o tempo de lhe encontrar um sucessor.

Todavia, cedendo aos seus críticos, o Presidente Trump voltou atrás e admitia que a retirada das tropas seria mais longa que o previsto.

- A 3 de Janeiro de 2019, na abertura da 116ª sessão do Congresso, o representante Democrata Eliot Engels, e o Senador Republicano Marco Rubio apresentavam duas propostas de lei (H.R. 31 [5] e S. 1 [6]) incluindo uma passagem quase idêntica visando lançar sanções que impedem a reconstrução da Síria. Em seguida, Engels (já autor do Syria Accountability Act de 2003) foi eleito Presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) da Câmara, enquanto James Rich foi eleito para a Comissão equivalente do Senado. Este último juntou-se imediatamente à proposta de lei contra a Síria.

Os dois textos argumentam que a República Árabe da Síria, e não os jiadistas, teria torturado as vítimas fotografadas no «relatório César», o que justificaria o bloqueio à reconstrução do país. O texto do Senado vai mais longe apoiando, por isso, a ajuda militar a Israel, na altura em que o Estado Hebreu admitiu conduzir uma intensa campanha de bombardeamentos à Síria.

- A 10 de Janeiro de 2019, o Secretário de Estado Mike Pompeo apresentava a nova estratégia para o Médio-Oriente Alargado durante uma conferência na Universidade americana do Cairo [7]. Tratava-se :
• (1) de lutar contra o terrorismo islâmico,
• (2) de lutar contra o Irão e seus aliados,
• (3) de se retirar militarmente da região em proveito de uma «OTAN» israelo-árabe.

No entanto, para além de que dividir a região entre árabes e persas é ainda mais perigoso do que a situação actual, parece improvável conseguir criar uma aliança militar israelo-árabe apoiando-se em governos que já colaboram secretamente, é certo, mas contra a opinião das populações. Simultaneamente, o Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, punha de pé uma organização terrorista internacional contra o Irão, incluindo elementos árabes sunitas do Daesh (E.I.) e de Mujaideens do Povo [8].

- No mesmo dia, 10 de Janeiro, o Secretário de Estado, Mike Pompeo, tornava pública uma declaração contra a Venezuela dando o sinal a Juan Guaido para se autoproclamar presidente interino [9]. Seguia-se a crise constitucional que se conhece.

Enquanto a imprensa ocidental e os Venezuelanos interpretavam o conflito como pondo em questão o governo bolivariano, nós anunciamos, um pouco antes dos acontecimentos, que o Pentágono ia aplicar à Bacia do Caraíbas a mesma estratégia que aplicou anteriormente aos Grandes Lagos Africanos e depois ao Médio-Oriente Alargado [10]. Após longos debates em privado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo adoptava a mesma posição [11]. Nomeadamente, Moscovo declarava : «A criação deliberada, e claramente bem orquestrada, de um duplo Poder e de um centro de decisão alternativo na Venezuela abre a via para o caos e a erosão do Estado venezuelano».

- A 22 de Janeiro, o Partido Democrata fez adoptar pela Câmara dos Representantes uma lei interditando o Presidente Trump de se retirar da OTAN [12]. O texto fora redigido em co-autoria por Eliot Engels.

Muito embora esta lei não tenha sido discutida durante a campanha para as eleições intercalares, ela foi considerada pelo Partido Democrata como sendo prioritária em relação aos seus compromissos com o Obamacare. Eliot Engels havia co-redigido, com o Secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, uma coluna de opinião, em Julho de 2018, em prol da Aliança [13].

- A 26 de Janeiro, Mike Pompeo anunciou que o neoconservador Elliott Abrams seria o seu enviado especial para a Venezuela. Ora, Abrams foi o candidato dos imperialistas à Secretaria de Estado há dois anos atrás. O seu nome permanece associado às piores acções secretas dos Estados Unidos na América Latina durante a Guerra Fria.

O neoconservadorismo é uma forma de trotskismo, portanto ideologicamente de extrema-esquerda, que se aliou ao aparelho de Estado dos EUA durante a Administração Reagan. Os seus partidários não cessaram de bascular da esquerda para a direita e vice-versa a cada alternância política. Contudo, eles opuseram-se à eleição de Donald Trump, ao qual agora, no entanto, se juntam.

Houve, pois, um reenquadramento do Africom, do CentCom e do SouthCom, autorizando-os, aos três, a defender já não os interesses do Povo norte-americano, mas, sim os das corporações transnacionais e de Israel. Sempre associados a esta política, os neoconservadores, ou pelo menos um dos mais ilustres de entre eles, estão de volta.

Estes elementos tendem a atestar que o Partido Republicano e a Administração Trump mudam de política radicalmente e regressam —à excepção da recusa em deixar organizações terroristas administrar Estados— à política do Partido Democrata, do Presidente Barack Obama e de Hillary Clinton: o imperialismo militar ao serviço das corporações transnacionais.

Esta renúncia parece ter sido anotada pelos principais doadores do Partido Republicano. Assim, os irmãos Koch acabam de anunciar que não apoiarão a reeleição de Donald Trump [14].


[1] “US economy lost at least $6 billion to government shutdown: S&P”, Reuters, January 26, 2019.

[2] “Remarks by John R. Bolton on the The Trump Administration’s New Africa Strategy”, by John Bolton, Voltaire Network, 13 December 2018.

[3] “Resignation letter from James Mattis”, by James Mattis, Voltaire Network, 20 December 2018.

[4] “Os Estados Unidos recusam bater-se para os financeiros transnacionais”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 25 de Dezembro de 2018.

[5] “Caesar Syria Civilian Protection Act of 2019”, Eliot Engels, US House of Representatives, January 3, 2019.

[6] “Strengthening America’s Security in the Middle East Act of 2019”, Marco Rubio, US Senate, January 3, 2019.

[7] “Mike Pompeo’s Remarks at the American University in Cairo”, by Mike Pompeo, Voltaire Network, 10 January 2019. .

[8] “A utilização do terrorismo segundo John Bolton”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Janeiro de 2019.

[9] “US Actions Against Venezuela’s Corrupt Regime”, by Mike Pompeo, Voltaire Network, 10 January 2019.

[10] “Os Estados Unidos preparam uma guerra entre Latino-americanos”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Dezembro de 2018.

[11] “Russian Foreign Ministry statement on the developments in Venezuela”, Voltaire Network, 24 January 2019.

[12] “House aims to prevent Trump from withdrawing from NATO”, Karoun Demirjian, Washington Post, January 22, 2019.

[13] “President Trump, you need NATO more than ever”, Eliot L. Engel & Anders Fogh Rasmussen, CNN, July 10, 2018.

[14] “Koch network tells donors it plans to stay out of 2020 race, once again declining to back Trump”, Josh Dawsey and Michelle Ye Hee Lee, The Washington Post, January 24, 2019.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Alexandria Ocasio-Cortez: a nova voz progressista na política norte-americana

Não é só o conservadorismo que tem ditado a agenda política norte-americana nos últimos anos e o maior símbolo da renovação do pensamento progressista nos EUA vem do Bronx, em Nova York: Alexandria Ocasio-Cortez.


 

Não é só o conservadorismo que tem ditado a agenda política norte-americana nos últimos anos. O maior símbolo da renovação do pensamento progressista nos EUA vem do Bronx, em Nova York: Alexandria Ocasio-Cortez, 29, elegeu-se deputada federal americana numa ascensão meteórica dentro dos Democratic Socialists of America, a ala socialista do Partido Democrata Norte-Americano.

Criada numa região com um dos maiores índices de pobreza dos EUA, Cortez teve uma trajetória difícil até alcançar o Congresso Americano.

Minha mãe limpava casas e dirigia ônibus escolares, e quando minha família estava à beira de perder nossa casa, comecei a trabalhar como bartender e garçonete”.

Cortez ao The Guardian

A política e o debate social sempre tiveram espaço na vida de Alexandria Cortez. Segundo sua mãe, Blanca Ocasio-Cortez, era impossível impedi-la de tecer críticas sociais e políticas, mesmo na mesa de jantar. “Eu pude ver suas tendências políticas desde muito, muito cedo”, afirmou em entrevista o NY Times.

No entanto, as dificuldades não a impediram de cursar o ensino superior. Formou-se em Economia e Relações Internacionais na Boston University, na cidade de Boston, Massachusetts. As dificuldades econômicas durante sua formação também a fizeram trabalhar em restaurantes durante sua vida estudantil. Seu grande entusiasmo pela política apenas se consolidou ao trabalhar com o então senador democrata Edward M. Kennedy, de Massachusetts. Naquele momento, Cortez afirma que compreendeu seu possível lugar no cenário político norte-americano.

Depois de sua gradação, voltou ao Bronx para defender melhores condições para a educação básica e, principalmente, alfabetização de crianças pobres em seu bairro. Tal trabalho rendera poucos frutos econômicos para a jovem – para completar sua renda, Cortez ainda trabalhava como garçonete em restaurantes de seu bairro.

Sua rápida ascensão no cenário político nacional começou, no entanto, em 2016. Cortez foi uma das organizadoras da histórica campanha do senador norte-americano Bernie Sanders à presidência dos EUA. O senador, considerado um dos maiores quadros políticos da esquerda americana, propôs medidas consideradas revolucionárias num país de raízes liberais: propôs o início da construção de um sistema público de saúde, bem como a gratuidade das universidades públicas do país. Sanders ganhou grande apoio de jovens e da classe estudantil durante as eleições primárias do Partido Democrata. No entanto, em controversa eleição interna, Hillary Clinton foi designada a disputar as eleições nacionais.

A experiência em uma campanha de tamanha grandeza sedimentou o desejo de Cortez a concorrer a um cargo na disputa de novembro de 2018, quando seriam eleitos certos cargos do Executivo e Legislativo, como governadores estaduais, deputados federais e senadores.

Sua campanha foi simples. Sem extravagâncias, Cortez e sua equipe focaram no uso de mídias sociais, assim como um trabalho de porta a porta.

Eu gastei toda a primeira parte da campanha apenas indo à sala-de-estar das pessoas, tomando café com elas, por quase seis ou sete meses. Foi assim que, de fato, aconteceu a campanha”.

Alexandria Ocasio-Cortez, em entrevista para o NY Times

Cortez levantou bandeiras políticas muito semelhantes às de Bernie Sanders em 2016, como universalização no acesso à saúde pública e ao ensino superior público. Tais pautas se mostraram populares na campanha presidencial e garantiram sua eleição: as primárias de Junho de 2018 mostraram a força de campanha simples e efetiva.

No dia três de janeiro, Cortez assumiu oficialmente o cargo, se tornando a mais jovem congressista feminina da história americana. Em suas falas oficiais, tal qual nas mídias sociais, Cortez segue afirmando seu compromisso com o estado de bem-estar social para os mais pobres nos EUA.


por Luís Mauro Queiroz | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/alexandria-ocasio-cortez-a-nova-voz-progressista-na-politica-norte-americana/

Trump não descarta uso de força militar na Venezuela, diz senador

Soldados do Exército dos EUA pertencentes ao 1º Pelotão, Able Troop 3-71 Cavalry Squadron e membros da Guarda Nacional da Carolina do Sul. (Arquivo)
© AP Photo / Dario Lopez-Mills

O senador Lindsey Graham, membro do Partido Republicano, afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, discutiu com ele a possibilidade de usar a força militar na Venezuela há algumas semanas.

A Venezuela está passando por uma crise política, e o atual presidente do país, Nicolás Maduro, tem acusado reiteradamente Washington de orquestrar um golpe de Estado no seu país.

"Ele [Trump] disse: 'O que você acha de usar a força militar?' e eu disse: 'Bem, você precisa ir devagar, isso pode ser problemático'. E ele disse: 'Bem, estou surpreso, você quer invadir todo mundo', afirmou Graham ao site de notícias Axios sobre sua conversa com o presidente dos EUA, que aconteceu há algum tempo.

Segundo Graham, a força militar deve ser usada apenas quando os interesses de segurança nacional dos EUA forem comprometidos. O senador acrescentou que Trump era "muito agressivo" em relação à Venezuela. 

Citando altos funcionários do governo de Trump, o site de notícias informou que não houve sinais de que Washington realmente planejasse invadir a Venezuela, uma vez que o presidente norte-americano apenas queria acelerar a mudança de regime no país latino-americano devido a motivos econômicos e diplomáticos.


Em 23 de janeiro, o conflito entre o governo e a oposição na Venezuela se agravou, quando o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino do país. Os EUA e vários outros países reconheceram Guaidó. Por sua vez, Maduro acusou Washington de organizar um golpe e disse que Caracas está rompendo relações diplomáticas com os EUA. 

As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela têm sido tensas desde há muito tempo. Em agosto de 2017, Trump comentou que não descartaria uma "opção militar" para acabar com o caos na Venezuela.

A Rússia apoiou Maduro como presidente legítimo da Venezuela e demonstrou sua disposição de se tornar mediadora no estabelecimento de relações entre as autoridades e a oposição na Venezuela, se tais esforços forem considerados necessários.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019012813196662-trump-nao-descarta-uso-forca-militar-senador/

Por que Maduro (ainda) não caiu

Rússia e China bloquearam uma intervenção que os EUA preparavam há muito. Mas governo agora está por um fio – e depende dos militares. O chavismo ainda pode reinventar-se. Saberá?
Antonio Martins ! Outras Palavras
Tardará um pouco para que a velha mídia brasileira se dê conta – mas um movimento geopolítico maior está se desenrolando, diante de nossos olhos, nestes dias. Tem como fulcro a América do Sul. Implica o Brasil.
Há alguns dias, os Estados Unidos articularam-se para dar o empurrão final que defenestraria, na Venezuela, o governo de Nicolas Maduro – e liquidaria o chavismo, que, com todas as suas insuficiências e contradições, inaugurou a primeira tentativa conjunta de livrar a América do Sul da submissão colonial. O script foi montado nos mínimos detalhes, como anteciparam, dias antes dos fatos cruciais, The Economist, o Wall Street Journal e até anúncios publicitáriosgigantes, nos painéis de Nova York…
Na quarta-feira (23/1), a Assembleia Nacional empossaria o jovem deputado Juan Guaidó como “presidente”. Uma vasta marcha nas ruas tiraria proveito da impopularidade do governo e emprestaria legitimidade ao ato. Os Estados Unidos inaugurariam, de imediato, uma onda de “reconhecimento internacional” a Guaidó. Ela seria claramente majoritáia, na nova configuração política da região. Mas – componente indispensável – jogou-se no tabuleiro a carta militar. Washington anunciaria que “ todas as opções estão sobre a mesa” para afastar Maduro do poder.
O script foi seguido à risca, ao longo de toda a quarta-feira, até ser interrompido esta manhã (24/1), por um ator que entrou em cena sem convite. Nas primeiras horas do dia, o vice-ministro do Exterior da Rússia, Sergei Ryabkov fez uma declaração enfática, que ele próprio qualificou de alerta [“we warn you against that”] e cujas palavras quase feriam o linguajar diplomático: qualquer tentativa de interevenção de Washingnton teria consequências “catastróficas”. Horas depois, o contrapeso à pressão dos EUA seria reforçado pela China e por um telefonema de Vladimir Putin a Nicolas Maduro.
Nem nos tempos da União Soviética o poder dos EUA sobre a América Latina foi tão abertamente desafiado. No Brasil, o golpe de 1964 recebeu respaldo decisivo de porta-aviões norte-americanos, estacionados junto à costa brasileira. Executavam a Operação Brother Sam. Os tempos são outros, a geopolítica também. Como mostra José Luís Fiori, a operação de dissuasão que Rússia e China executaram agora tem precedentes. Em dezembro de 2018, dois bombardeiros russos, com capacidade nuclear, participaram – também pela primeira vez, na história da região – de um exercício conjunto com as Forças Armadas da Venezuela. Os EUA protestaram, mas nada puderam fazer. É provável que os termos “alerta” e “catastróficas” estejam relacionados a isso…
E no entanto, agora, até mesmo o apoio da Rússia e da China pode ser insuficiente para salvar o governo Maduro e o chavismo, às voltas com suas enormes contradições.
As ruas de Caracas e da Venezuela já não estão com o governo, como mostra, ainda que com eufemismos, a cobertura da própria Telesur sobre a jornada de ontem. Das duas manifestações que tomaram a capital, a da oposição era, claramente, maior. Talvez pela primeira vez, não era composta apenas pela elite branca. Por que o chavismo, que se caracterizou por enorme apoio popular; que venceu nove das dez primeiras eleições nacionais de que participou; que instituiu mecanismos inovadores de reforma política, como os “referendos revogatórios”, encontra-se agora nas cordas?
Três textos publicados hoje por Outras Palavras, num “Dossiê Venezuela” ajudam a compreender o que se passou. O primeiro, uma análise de longo prazo, é de autoria de Edgardo Lander, um intelectual que se aliou ao chavismo em sua primeira hora mas se tornou, há mais de uma década, dissidente à esquerda.
texto de Lander é fundamental porque aborda algo que transcende a Venezuela. Fala da insuficiência da “onda rosa”, da maré de governos semi-reformistas que desafiou pela primeira vez, na América do Sul, o domínio colonial de 500 anos. Todos tiveram apoio popular notável e alcançaram êxitos inéditos, num primeiro momento – em especial, no combate à pobreza extrema e em certa redução das desigualdades. Há muitas nuances [e a Bolívia talvez seja um caso à parte], mas nenhum foi capaz de desafiar as estruturas essenciais que mantêm o poder das elites.
Na Venezuela, mostra Lander, o desafio consistia em livrá-la da dependência secular do petróleo. Detentor das maiores reservas do planeta (e por isso, alvo de tanta cobiça), o país jamais desenvolveu uma estrutura produtiva autônoma. Preferiu repousar sobre o dinheiro fácil que o mercado mundial lhe oferecia pelo presente que ganhou da natureza. O chavismo distribuiu a riqueza petroleira – seus “programas sociais” superam muito, em alcance, profundidade e resultados, os do Brasil de Lula. Mas nunca deixou de se pendurar no petróleo. Há razões profundas, mostra Lander. A riqueza petroleira é concentrada, facilmente controlável – tanto pela direita quanto pela esquerda. Permite constituir uma elite hierarquizada e obediente – ainda que muitas vezes corrupta. Ir além e estimular uma economia múltipla (algo que a Venezuela nunca teve) era mais difícil e arriscado.
Tudo parecia bem até 2014, quando, em consequência de uma conjuntura internacional peculiar, o barril de petróleo chegou a valer 100 dólares. Apenas um ano e meio depois, cairia a US$ 30. Como sobreviveria uma economia cujas exportações dependem em 95% deste único produto? Como lidar, além disso, com sanções decretadas por Washington, que comprometeram, a partir de 2017, boa parte da capacidade de investimento da PDVSA, a empresa nacional de petróleo?
segundo texto, de Temir Porras Ponceleón, um ex-assessor de Chávez e Maduro (até 2013), aponta os ziguezagues sem rumo do presidente, diante da ameaça. Num primeiro momento, ele negou-se a enxergar a realidade. A Venezuela não imprime dólares e outras moedas fortes. Porém, estas são necessárias para comprar, no exterior, o que não produz – medicamentos, comida, bens industriais básicos e sofisticados. A queda da capacidade de adquirir divisas obrigava a restringir seu uso, tornando-as mais caras. Até 2018, isso nunca foi feito – talvez devido ao temor, do governo, de admitir as fragilidades do modelo que seguia. A cotação do dólar (no mercado oficial) foi mantida fixa. Num caso de suprema demagogia (e rendição à ditadura do automóvel), o litro da gasolina chegou a custar, em Caracas, o equivalente a R$ 0,04. Era possível encher um tanque com o que se paga por uma garrafinha de água.
Sem base produtiva alguma e sem moeda forte para satisfazer às necessidades de consumo, um país com esta política só poderia mergulhar em escassez, inflação descontrolada, mercado paralelo, corrupção endêmica. As fotos que mostram prateleiras vazias nos supermercados são reais – e decorrem de erros políticos gravíssimos. O governo preferia, porém, atribuir os fatos à sabotagem dos grandes empresários.
Em 2018, veio uma primeira correção de rumos – ainda muito insuficiente. Nosso terceiro texto, do cientista político norte-americano Mark Weisbrot, sugere um caminho a seguir. O primeiro passo, diz ele, seria adequar o preço do dólar à realidade e eliminar os subsídios ligados ao consumo perdulário. Haverá forte queda do poder aquisitivo dos mais pobres. Mas isso pode ser enfrentado com uma regra que corrija automaticamente o valor real dos salários (ausente hoje) e – em especial – por um sistema tributário que promova distribuição de renda sem dependência direta do governo. Sim, acredite: além de não ter feito uma Reforma Tributária, a Venezuela convive com um sistema de arrecadação arcaico e sujeito a todo tipo de fraudes.
É possível que, por seu caráter explícito, o esforço de Washington para derrubar Maduro e entronizar Guaidó revele-se um tiro no pé. Não seria o primeiro grande fracasso da política externa dos EUA nos últimos anos… Mas, sem uma mudança de rumos corajosa e real, o governo chavista ficará inteiramente nas mãos dos militares.
Isso está explícito num fato desta tarde. O ministro da Defesa de Maduro, Vladimir Padrino, apareceu em rede nacional de TV para confirmar o apoio das Forças Armadas ao presidente constitucional. Acusou a oposição – e em especial Guaidó, os EUA e “seus aliados regionais, como o Brasil” — de tentar planejar um golpe. Advertiu que este esforço produziria “caos e anarquia” e que o caminho para enfrentar os problemas do país “é o diálogo, não a guerra civil”. Estava ladeado por toda a cúpula militar.
Talvez sejam precisos vários anos para compreender a dimensão exata dos acontecimentos das últimas horas. A interrupção de um golpe de Estado, no quintal dos EUA, após ação explícita de dois países que nunca tiveram antes ação relevante na região, é uma enorme novidade. We warn you… O fato de Washington não dar as cartas como antes merece ser celebrado.
Mas ainda mais importante é enxergar que o projeto iniciado na América do Sul na virada do século está esgotado. Nem potências estrangeiras, nem os militares, poderão salvá-lo. Maduro ganhou algum tempo. Sem mudanças reais, sucumbirá como Lula, Cristina, Lugo, Rafael Correa, Zelaya.
As saudades e a melancolia não trarão de volta os bons tempos. Por onde iniciar o novo passo necessário? Como disse Bertort Brecht, em tempos igualmente difíceis, “não espere outras respostas, senão as suas”.
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Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/por-que-maduro-ainda-nao-caiu.html

Donald Trump devolve o mundo à situação de 1983

Valentin Vasilescu*
Ao retirar a assinatura do seu país do Tratado INF, o Presidente Trump recoloca-o na situação onde se encontrava antes da Iniciativa de Defesa Estratégica de Ronald Reagan. Ou seja, na altura em que os EUA não estavam em condições de rivalizar com a Defesa Soviética e combatiam-na, mais eficazmente, sabotando o seu complexo militar-industrial.
Os Estados Unidos e a URSS assinaram o Tratado Salt-2 a18 de Junho de 1979. Ele diz respeito a mísseis balísticos intercontinentais, excluindo, pois, os mísseis de médio alcance e de alcance intermédio. Dois países membros da OTAN, que não estavam envolvidos neste acordo, o Reino Unido e a França, dispunham de mísseis nucleares de médio alcance apontando para alvos na URSS. Todavia, os Estados Unidos adiaram a aplicação do acordo com o pretexto de intervenção da URSS no Afeganistão. Além disso, a 12 de Dezembro de 1979, aOTAN toma a decisão de instalar 572 mísseis nucleares norte-americanos (108 Pershing II e 464 Tomahawk) na Inglaterra, na Bélgica, nos Países Baixos, na Itália e na República Federal da Alemã.
A resposta soviética foi a de colocar novos mísseis balísticos RSD-10 Pioneer nas montanhas dos Urais ocidentais e perto de Moscovo. O míssil RSD-10 pesava 37 t, tinha uma precisão com um desvio provável de 150 m, podia carregar uma cabeça nuclear de 1 Mt (ou 3 ogivas independentes de 150 kt) e tinha um alcance de 5.000 km. O RSD-10 era superior aos mísseis norte-americanos e podia atingir qualquer alvo na Europa.
À sua chegada ao Poder, o Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, mudou de orientação, executando uma viragem de 180 graus em relação à política da Administração Carter. Ele aprovou o plano da CIA para sabotar o complexo militar-industrial soviético. Graças ao Coronel da KGB, Vladimir Vetrov, responsável pelo roubo de informações e tecnologia ocidentais, que se tornara seu agente, os Serviços Secretos Franceses dispunham da lista de equipamentos vitais que os Soviéticos procuravam obter (operação «Farewell»). Tratava-se principalmente de bombas turbo e válvulas usadas em mísseis balísticos e redes de distribuição de gás natural. Estes equipamentos foram secretamente fornecidos pela CIA à URSS, via países terceiros. Tinham sido concebidos para sofrer falhas após um certo tempo. O que criou uma onda de falhanços durante o lançamento de mísseis balísticos russos.
Sempre sob proposta da CIA, Reagan aprovou o plano de intoxicação do KGB e do GRU com falsas pistas sobre o iminente lançamento de um ataque nuclear. O plano foi sugerido pelas informações fornecidas pelo Coronel da KGB, Oleg Gordievsky, após a sua deserção para a Inglaterra. A operação «Ryan» criou uma verdadeira psicose no Kremlin. Em 26 de Setembro de 1983, o Centro de Alerta Espacial Serpukhov 15, situado a sul de Moscovo, recebeu de um satélite de vigilância por infravermelhos o «alerta de lançamento vermelho», assinalando mísseis balísticos dos EUA, orbitando a 30.000 km de altitude. O que veio a provar-se ser um falso alerta.
Sob proposta da Casa Branca, a 20 de Novembro de 1983, o canal de televisão ABC transmitiu pela primeira vez o “thriller” The Day After (O Dia Seguinte), o qual descreve o resultado de um ataque nuclear da URSS contra os Estados Unidos. A sua produção custou US $ 7 milhões de dólares. É preciso lembrar que Leonid Brezhnev morreu em 1982, foi substituído por Yuri Andropov que, durante os 15 meses em que esteve no poder, passou a maior parte do tempo no hospital. Finalmente, Reagan propôs um acordo a Andropov, a saber : em troca da não-colocação de mísseis americanos na Europa os Soviéticos destruiriam todos os mísseis RSD-10. Andropov recusou e, em Dezembro de 1983, o Presidente Ronald Reagan pôs em serviço os seus mísseis nucleares na Europa. Até Reagan, a estratégia de guerra nuclear entre as duas grandes potências repousava na destruição mútua (a AMD-ndT), por vagas sucessivas de mísseis nucleares. Reagan estava convencido que a superioridade tecnológica dos EUA poderia mudar as regras do jogo. Então, porque é que esses mísseis foram colocados em posição na Europa pelo Presidente dos Estados Unidos?
Anteriormente, em 23 de Março de 1983, Reagan lançara a Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI), conhecida sob o pseudónimo de Star Wars. O seu objectivo era o de criar armas para neutralizar todos os mísseis balísticos soviéticos imediatamente após o seu lançamento. As instalações científicas da SDI foram criadas pelo programa espacial norte-americano Apollo, o que levou ao surgimento de computadores de grande potência capazes de calcular a trajectória de um míssil balístico em alguns segundos. O programa Apollo introduziu também os equipamentos CCD (Charge Coupled Device) utilizados nas câmaras de televisão digital. Os CCDs criaram sistemas ópticos de alta resolução para interceptores anti-balísticos autoguiados.
A SDI (Guerra das Estrelas) teve que abandonar o seu plano original que consistia em colocar centenas, se não milhares, de mísseis anti-míssil balísticos em órbita sobre todo o território da URSS. Da mesma forma, a utilização de energia direcionada de um laser nuclear de raios X não se revelou viável. Hoje, só restam escudos anti-balísticos baseados em terra ou em navios, cujo alcance não excede 500 km. Com a saída unilateral dos Estados Unidos do Tratado INF, o Presidente Donald Trump regressa à situação de 1983. Com a diferença de que a Rússia dispõe agora de mísseis hipersónicos manobráveis, dos quais os Estados Unidos não poderão calcular a trajectória, e que, portanto, não poderão interceptar. E, além disso, Vladimir Putin não é Yuri Andropov.
* Perito militar. Antigo comandante-adjunto da base aérea militar de Otopeni

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/donald-trump-devolve-o-mundo-situacao.html

EUA consideram manter tropas em base na Síria para combater Irã, diz mídia

Forças dos EUA patrulham arredores da cidade síria de Manbij, em 7 de março de 2017
© AP Photo / Arab 24 network

Apesar da recente declaração do presidente norte-americano Donald Trump sobre a retirada de tropas da Síria, Washington está pensando manter algumas tropas na base militar em Al-Tanf, situada no sudeste da Síria e utilizada pelas forças da coalizão liderada pelos EUA, a fim de combater o poder do Irã na região, comunicou a revista Foreign Policy.

Anteriormente, uma fonte anônima disse à agência AFP que os EUA tinham começado a retirar equipamentos não essenciais da Síria, enquanto o pessoal militar norte-americano ainda permanece no país.

"Al-Tanf é um elemento crucial no esforço de prevenir que o Irã estabeleça um canal terrestre de comunicação desde o Irã através do território iraquiano e sírio até ao sul do Líbano a fim de apoiar o Hezbollah libanês", declarou um alto representante militar dos EUA.

O Irã foi acusado repetidamente de ter forças militares na Síria, bem como de tentativas de construir uma base lá. Porém, Teerã desmentiu veementemente essas acusações, insistindo que a sua presença militar no país se limita a conselheiros militares enviados a Damasco para ajudar na luta contra os terroristas.


A revista citou também um alto funcionário dos EUA, segundo o qual a permanência em Al-Tanf pode levantar questões jurídicas para a administração Trump.

Primeiro, a Autorização de Uso de Força Militar de 2001 estipula que o uso da força contra militantes, mas não contra nações como o Irã, por mais crítica que a situação seja. Segundo, aqui surgem dúvidas sobre se Trump aprovaria um plano que mantenha as forças dos EUA na Síria no meio da atual retirada de tropas deste país.

Anteriormente, Hilal Hilal, o vice-secretário-geral do partido governista Baath, disse que Damasco iria continuar exigindo a saída das tropas norte-americanas da base em Al-Tanf.

"A Síria tem o direito natural de defender cada pedaço de sua terra de uma ocupação estrangeira. Isso foi sempre dito pelo presidente sírio, Bashar Assad. E nós acreditamos que qualquer base militar criada em terra síria sem autorização do presidente e do governo sírio é uma presença de forças invasoras e de ocupação", afirmou.

Em 19 de dezembro, Donald Trump declarou a vitória dos EUA contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em vários outros países) na Síria, destacando que o grupo terrorista era o único motivo pelo qual as tropas americanas se encontravam no país árabe. Posteriormente, a porta-voz da Casa Branca afirmou que os EUA iniciaram a retirada das forças da Síria, observando que isso não significaria "o fim da luta da coalizão internacional liderada pelos EUA contra o Daesh".

Desde 2014, os EUA e seus aliados têm realizado uma operação contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países) no Iraque e na Síria. Os norte-americanos operam sem a permissão das autoridades sírias, que consideram essas ações como ocupação. Havia cerca de dois mil militares dos EUA no país que, junto com as Forças Democráticas da Síria, controlavam territórios no leste e no nordeste, ricos em recursos naturais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019012613189049-eua-siria-base-manter-tropas-combater-ira/

BIG BROTHER QUER O TEU ADN

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https://www.zerohedge.com/news/2019-01-23/uncle-sam-wants-your-dna-fbis-diabolical-plan-create-nation-suspects[1]

Segundo nova lei em vigor nos EUA (ver ligação a artigo, acima), a polícia pode recolher ADN de meros suspeitos e estes dados ficarem arquivados numa base de dados de ADN. 

Os kits portáteis de análise do ADN cabem numa mala com o tamanho de um computador portátil, sendo possível obter os dados de ADN, a partir de uma amostra, num tempo reduzido.

Porém, a recolha e tratamento destes dados não estão isentos de erros, havendo sempre a possibilidade de um perfil de ADN - supostamente de um criminoso procurado pela justiça - ser afinal de uma pessoa inocente. 

Pior ainda é a certeza de que tal base de dados possa ser pirateada, pois as informações podem valer muito dinheiro, quer para vender a diversas entidades, quer para exercer chantagem sobre determinadas pessoas. 

A ligação de uma tal base de dados sobre ADN dos indivíduos às bases que analisam perfis de utilizadores de Internet e de redes sociais, poderá significar o controlo totalitário das pessoas e da sociedade em geral, por governos. 

Estes não precisarão de prestar contas a ninguém sobre aquilo que fazem realmente com estes dados, usando o pretexto de que estão somente a perseguir e a vigiar criminosos...ou suspeitos de crimes.

Leia original aqui

Sanders diz que EUA não devem apoiar golpe na Venezuela

Bernie Sanders, candidato democrata à presidência dos EUA
© REUTERS / Rick Wilking

O governo dos EUA deve evitar se envolver em esforços para montar um golpe ou apoiar a mudança de regime na Venezuela, disse o senador Bernie Sanders em comunicado à imprensa.

"Os Estados Unidos deveriam apoiar o estado de direito, eleições justas e a autodeterminação para o povo venezuelano", disse Sanders nesta quinta-feira (25). "No entanto, devemos aprender as lições do passado e não estar no negócio de mudança de regime ou de apoio a golpes — como fizemos no Chile, Guatemala, Brasil e República Dominicana. Os Estados Unidos têm uma longa história de intervenções inapropriadas na América Latina, não devemos voltar a ter essa postura"


A administração Trump reconheceu o chefe da Assembléia Nacional, Juan Guiadó, como presidente interino da Venezuela e pediu a Nicolás Maduro que renunciasse. Maduro rompeu formalmente as relações com os Estados Unidos e deu ao pessoal diplomático dos EUA 72 horas para deixar a Venezuela.

O Observatório Venezuelano de Conflito Social disse que o número de mortos em protestos no país nos últimos dias subiu para 26.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019012513179546-sanders-golpe-venezuela-eua-senador/

Venezuela ameaça deixar diplomatas dos EUA sem luz e gás

Bandeira norte-americana sobre a Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, Venezuela
© REUTERS / Marco Bello

Os funcionários da Embaixada dos EUA em Caracas arriscam ficar sem serviços básicos se recusarem abandonar o país, declarou o líder da Assembleia Constituinte da Venezuela, Diosdado Cabello.

Anteriormente, o presidente venezuelano Nicolás Maduro rompeu as relações diplomáticas com os EUA após Donald Trump ter reconhecido o oposicionista Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Maduro deu 72 horas à equipe diplomática dos EUA para deixar o país, em um anúncio feito quando se dirigia a seus partidários de uma varanda do palácio do governo.

"Eles disseram que não saem porque não reconhecem Nicolás [Maduro]. É possível que desapareça a luz na área [da Embaixada] e não chegue o gás, com tantos problemas que há nesse país", declarou Diosdado Cabello.


Segundo ele, "se não há relações diplomáticas, não há nenhum tipo de privilégios".

Antes, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou que o país tomaria todas as medidas necessárias para responsabilizar qualquer pessoa que ameace a segurança dos diplomatas norte-americanos.

Crise política na Venezuela

A situação na Venezuela piorou consideravelmente após a posse de Nicolás Maduro, reconduzido ao poder em 10 de janeiro último. Os EUA, a União Europeia e um grupo de países da América Latina se pronunciaram contra o segundo mandato de Maduro, qualificando-o como "usurpador", pois afirmam que ele foi eleito de maneira "fraudulenta".

Em 23 de janeiro, o oposicionista Juan Guaidó fez um pronunciamento durante uma manifestação contra o governo de Nicolás Maduro e se auto-proclamou presidente interino da Venezuela. Os EUA, União Europeia e uma série de países da América Latina manifestaram apoio a Guaidó e à oposição venezuelana.

A Rússia declarou que a sua posição sobre o reconhecimento de Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela não mudaria, assinalando que a posição dos países ocidentais mostra a forma como eles encaram o direito internacional, a soberania e a não interferência nos assuntos internos dos países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019012413171978-venezuela-embaixada-eua-luz-gas-ameaca/

Democratas aceleram investigações que podem levar ao impeachment de Trump

A bancada do Partido Democrata na Câmara dos Deputados dos EUA promoveu um ajuste nas regras sobre a realização de depoimentos secretos que deve alavancar suas investigações contra o presidente norte-americano, Donald Trump, suas finanças pessoais e seu governo, e apressar o processo de impeachment

A mudança, feita desde que os democratas assumiram o controle da Câmara dos Deputados no início deste mês, permitirá que integrantes dos comitês da Casa ouçam o depoimento de testemunhas intimadas sem a presença de um parlamentar.

Ao eliminar a complicação das agendas parlamentares, a mudança permitirá que colaboradores trabalhem mais rápido e de forma mais ampla, disseram ex-funcionários e fontes de dentro dos comitês que estão abrindo diversos inquéritos contra Trump e sua Presidência.

A importância da mudança foi destacada, quando o indicado à Procuradoria-Geral dos EUA, William Barr, sugeriu na semana passada que provavelmente não divulgará aos parlamentares o relatório final do procurador especial Robert Mueller em seu formato original.

Mueller está há diversos meses investigando a interferência russa na eleição presidencial de 2016, qualquer conspiração entre Moscovo e a campanha de Trump ou qualquer obstrução de Justiça. Se Barr for confirmado como procurador-geral e impedir o acesso ao relatório de Mueller, a mudança pode ajudar investigadores da Câmara dos Deputados a rapidamente replicar o trabalho do procurador especial.

“Eliminar a exigência de um membro dará muito mais poder aos investigadores colaboradores em diferentes comitês, o que levará a uma autoridade cada vez mais dispersa e agora sem supervisão para investigações”, disse Kristina Moore, diretora executiva da companhia FTI Consulting e ex-investigadora do Comitê de Fiscalização da Câmara, quando ele era liderado pelo republicano Darrell Issa.

Essa mudança nas regras da Câmara dos Deputados representa uma expansão adicional das metas de investigações e de fiscalização da maioria, para a qual todos no setor privado precisam se preparar”.

Kristina Moore, diretora executiva da companhia FTI Consulting e ex-investigadora do Comitê de Fiscalização da Câmara

A paralisação do governo causada por um impasse entre Trump e os democratas devido à proposta do presidente de construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México tem assumido papel de destaque em Washington há semanas, mas, enquanto isso, democratas têm avançado com seus planos para investigar Trump e seu governo.

No dia 7 de fevereiro, o ex-advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, deve testemunhar frente ao Comitê de Fiscalização da Câmara, agora presidido pelo democrata Elijah Cummings. No dia seguinte, está previsto um depoimento do procurador-geral dos EUA em exercício, Matthew Whitaker, frente ao Comitê Judiciário da Câmara.

Quando os republicanos controlavam a Câmara dos Deputados, até o início de janeiro, um parlamentar do comitê que emitiu a intimação precisava estar presente durante o depoimento da testemunha. Essa regra costumava representar obstáculos, disseram atuais e ex-colaboradores.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 (com Reuters) / Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/democratas-aceleram-investigacoes-que-podem-levar-ao-impeachment-de-trump/

Negociações secretas em Estocolmo

Diplomatas estado-unidenses e norte-coreanos estão reunidos há dois dias na capital sueca, em encontro mediado pelo governo daquele país nórdico.

Polícias vigiam instalações, nos arredores de Estocolmo, Suécia, onde representantes dos EUA, Coreia do Norte e Coreia do Sul se enconran reunidos, a 20 de Janeiro de 2019.CréditosEPA/ANDERS WIKLUND SWEDEN OUT / LUSA

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Diana Kudhaib, declarou que as delegações incluíam o enviado especial dos EUA para a Coreia do Norte, Steven Biegun, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Chue Son Hui, e a própria ministra dos Negócios Estrangeiros sueco, Margot Wallstrom.

A Suécia tem relações diplomáticas com Pyongyang desde 1973 e é um dos poucos países ocidentais a aí manter uma embaixada, a qual presta serviços consulares aos EUA, segundo a Associated Press (AP). Foi Margot Wallstrom que, em Março de 2018, reuniu em Estocolmo com o ministro dos Negócios Estrangeiros da RPDC, Ri Yong Ho, num encontro preparatório da cimeira de Singapura entre Donald Trump e Kim Jong Un, em Junho.

A reunião que está a decorrer em Estocolmo segue-se à entrega ao presidente King Jong Hun, em mão própria, de uma carta do presidente Donald Trump, e sugere que os EUA e a RPDC estão mais próximos de um compromisso, depois de um impasse que se prolongou ao longo de muitos meses.

Recentemente o presidente Kim fez uma visita surpresa a Pequim para se reencontrar com o presidente chinês Xi, sugerindo um papel importante para a China em qualquer plano de desnuclearização da península coreana.

A Coreia do Sul tem vindo a discutir com os EUA a necessária correspondência aos passos de desnuclearização da RPDC, nomeadamente o desmantelamento do complexo de mísseis intercontinentais (ICBM) dos EUA em Yongbyon, na Coreia do Sul, afirma a Reuters, citando fontes oficiais sul-coreanas.

Cheong Seong-chang, investigador do Instituto Sejong (Coreia do Sul) referiu àquela agência noticiosa que, num segundo encontro entre os presidentes dos EUA e da RPDC, teria de se encontrar um equivalente para a abolição por Pyongyang disponível dos seus mísseis ICBM», o qual seria, na opinião do investigador, «desmantelar o complexo de Yongbyon».

Na terça-feira passada Pyong Yang e Seul deram um passo mais na aproximação registada após a histórica cimeira de Panmunjom, de Abril de 2018, e da cimeira de Pyong Yang, em Setembro: a Coreia do Sul concordou em deixar de chamar «inimigo» à Coreia do Norte no seu documento bienal de Defesa, reporta a AP.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/negociacoes-secretas-em-estocolmo