Terrorismo

“Sob os nossos olhos” (4/25)Os Irmãos Muçulmanos como auxiliares do Pentágono

Prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sous nos yeux» (Sobos Nossos Olhos). Neste episódio, ele descreve como a organização terrorista dos Irmãos Muçulmanos foi integrada no Pentágono. Ela foi ligada às redes anti-Soviéticas constituídas com antigos nazis durante a Guerra Fria.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
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O Saudita Ousama Bin Laden e o seu médico pessoal, o Egípcio Ayman al-Zawahiri, publicam em 1998 «A Frente islâmica mundial contra os judeus e os cruzados». Este texto foi difundido pelo seu escritório no Londonistan ("Londristão"-ndT), o Advice and Reformation Committee. Al-Zawahiri organizou o assassínio do Presidente Sadate, depois trabalhou para os Serviços Secretos sudaneses de Hassan al-Turabi e Omar al-Bashir. Ele dirige agora a Alcaida.

5— Os islamistas nas mãos do Pentágono

No início dos anos 90, o Pentágono decide incorporar os islamistas —que até aí estavam unicamente na dependência da CIA— às suas operações. É a Operação Gládio B, em referência aos Serviços Secretos da OTAN na Europa (Gládio A [1]).

Durante uma década, todos os chefes islamistas —aí incluídos Osama Bin Laden e Ayman al-Zawahiri— se deslocam a bordo de aviões da US Air Force (Força Aérea americana). O Reino Unido, a Turquia e o Azerbaijão participam na operação [2]. Por conseguinte, os islamistas —que até aí eram combatentes da sombra— são agora «publicamente» integrados nas Forças da Otan.

A Arábia Saudita que é ao mesmo tempo um Estado e propriedade privada dos Saud— torna-se oficialmente a instituição responsável pela gestão do islamismo mundial. O Rei proclama uma Lei Fundamental, em 1992, segundo a qual «O Estado protege a fé islâmica e aplica a Charia. Impõe o Bem e combate o Mal. Cumpre os deveres do Islão (...) A defesa do islamismo, da sociedade e da pátria muçulmana é o dever de todo o súbdito do Rei».

Em 1993, Carlos, o Príncipe de Gales, coloca o Oxford Center for Islamic Studies sob o seu patrocínio, enquanto o Chefe dos Serviços Secretos sauditas, o Príncipe Turki, toma a direcção do mesmo.

Londres torna-se abertamente o centro nevrálgico da Gládio B, a tal ponto que se fala de «Londonistan» («Londristão»-ndT) [3]. Sob a égide da Liga Islâmica Mundial, os Irmãos Muçulmanos árabes e a Jamaat-i-Islami paquistanesa criam uma quantidade de associações culturais e religiosas ligadas à mesquita de Finsbury Park. Este dispositivo irá permitir recrutar inúmeros kamikazes, desde aqueles que irão atacar a escola russa de Beslan até Richard Reid, o «Shoe bomber». O Londristão inclui, em especial, inúmeros média, editoras, jornais (al-Hayat e Asharq al-Awsat —ambos dirigidos por filhos do actual Rei Salman da Arábia—) e televisões (o grupo MBC do Príncipe Walid bin Talal emite uma vintena de canais), que não são destinados à diáspora muçulmana no Reino Unido, mas, sim com emissões dirigidas ao mundo árabe; tendo o acordo entre os Islamistas e a Arábia Saudita sido estendido ao Reino Unido –-total liberdade de acção, mas interdição de ingerência na política interna. Este conglomerado emprega vários milhares de pessoas e movimenta gigantescas quantias de dinheiro. Ele irá permanecer aberto até aos atentados de 11 de Setembro de 2001, quando se tornará impossível aos Britânicos continuar a justificar a sua existência.

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Abu Mussab « o Sírio » (aqui com Osama Bin Laden) teorizou em termos islâmicos a «estratégia da tensão». Ele criou uma agência em Madrid e outra em Londres, às claras, para supervisionar os atentados na Europa.

Abu Mussab, «O Sírio» —um sobrevivente do golpe de Estado abortado de Hama, tornado agente de ligação entre Bin Laden e o Grupo Islâmico Armado (GIA) argelino— teoriza a «jiade descentralizada». No seu Appel à la résistance islamique mondiale, ele coloca em termos islâmicos a já bem conhecida doutrina da «estratégia da tensão». Trata-se de provocar as autoridades para suscitar uma terrível repressão que levará o povo a revoltar-se contra elas. Esta teoria fora já utilizada pelas redes Gládio da CIA /OTAN ao manipular a extrema-esquerda europeia nos anos 70-80 (Grupo Baader-Meinhof, Brigadas Vermelhas, Action Directe). É claro que estava fora de questão que esta estratégia vencesse e a CIA/OTAN sabiam que não havia nenhuma chance de êxito —ela jamais fora bem sucedida, fosse onde fosse—, pretendia sim utilizar a reacção repressiva do Estado para colocar os seus homens no Poder. «O Sírio» designa a Europa —e, claramente, nunca os Estados Unidos— como o próximo campo de batalha dos islamistas. Em 1995, ele foge de França após os atentados desse ano. Dois anos mais tarde, cria em Madrid e no Londristão o Islamic Conflict Studies Bureau, dentro do modelo da Aginter Press, que a CIA tinha criado em Lisboa durante os anos 60-70. As duas estruturas superam-se na organização de atentados de falsa-bandeira (desde o atribuído à extrema-esquerda na Piazza Fontana, em 1969, até aos atribuídos aos muçulmanos em Londres, em 2005).

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O assessor de comunicação dos Irmãos Muçulmanos, Mahmoud Jibril el-Warfally, treina os ditadores muçulmanos para falarem a linguagem democrática. Ele reorganizou a Al-Jazeera, depois tornou-se responsável da implantação das empresas dos EUA durante o regime Kadhafi na Líbia, e por fim dirige o derrube do próprio Kadhafi.

Simultaneamente, os Irmãos elaboram um vasto programa de formação de líderes árabes pró-EU. O Líbio Mahmoud Jibril El-Warfally, professor na Universidade de Pittsburg, ensina-os a falar de forma «politicamente correcta». Assim, ele forma emires e generais da Arábia Saudita, do Barém, do Egipto, dos Emirados, da Jordânia, do Kuwait, de Marrocos e da Tunísia (mas também de Singapura). Misturando princípios de Relações Públicas e estudo dos relatórios do Banco Mundial, os piores ditadores são agora capazes de falar, sem se rir, dos seus ideais democráticos bem como do seu profundo respeito pelos Direitos do Homem.

A guerra contra a Argélia transborda para a França. Jacques Chirac e o seu Ministro do Interior, Charles Pasqua, interrompem o apoio de Paris aos Irmãos Muçulmanos e tratam mesmo de interditar os livros de Yussef al-Qaradawi (o pregador da Irmandade). Para eles trata-se de manter a presença francesa no Magrebe que os Britânicos querem riscar do mapa. O Grupo Islâmico Armado (GIA) toma como reféns os passageiros do vôo da Air France Argel-Paris (1994), faz explodir bombas no RER, e em diversos pontos da capital (1995), e planeia um gigantesco atentado —que será impedido— aquando do Campeonato do Mundo de futebol (1998), incluindo a queda de um avião sobre uma central eléctrica nuclear. Em todos os episódios, os suspeitos, que conseguem escapar, encontram asilo no Londristão.

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Desfile da « Legião Árabe » de Osama Bin Laden para o Presidente Alija Izetbegovic na Bósnia-Herzegovina.

A guerra da Bósnia-Herzegovina começa em 1992 [4]. A ordens de Washington, os Serviços Secretos paquistaneses (ISI), sempre apoiados financeiramente pela Arábia Saudita, enviam 90.000 homens para participar nela contra os Sérvios (apoiados por Moscovo). Osama Bin Laden recebe um passaporte diplomático bósnio e torna-se conselheiro militar do Presidente Alija Izetbegović (de quem o Norte-americano Richard Perle é conselheiro diplomático e o Francês Bernard-Henri Lévy, conselheiro de imprensa). Ele monta a Legião Árabe com antigos combatentes do Afeganistão e arranja financiamento da Liga Islâmica Mundial. Por reflexo comunitário, ou em competição com a Arábia Saudita, a República Islâmica do Irão vai também em socorro dos muçulmanos da Bósnia. Em perfeita combinação com o Pentágono, ela envia várias centenas de Guardas da Revolução e uma unidade do Hezbolla libanês. Acima de tudo, fornece o essencial das armas utilizadas pelo Exército bósnio.

Os Serviços Secretos russos, que infiltraram o campo de Bin Laden, constatam que toda a burocracia da Legião Árabe é redigida em inglês e que a Legião recebe as suas ordens directamente da OTAN. Após a guerra, um Tribunal Internacional especial é criado. Este processou inúmeros combatentes por crimes de guerra, mas nenhum membro da Legião Árabe.

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O Egípcio Muhammad al-Zawahiri participou junto com o seu irmão, Ayman (actual chefe da Alcaida), no assassínio do Presidente Sadate. Também participou ao lado da OTAN nas guerras da Bósnia-Herzegovina e do Kosovo. Ele comandou também uma unidade do UÇK (Exército de Libertação do Kosovo).

Após três anos de calma, a guerra entre muçulmanos e ortodoxos reacende-se na ex-Jugoslávia, no Kosovo desta vez. O Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) é formado a partir de grupos mafiosos treinados em combate pelas Forças Especiais Alemãs (KSK) na base turca de Incirlik. Os Albaneses e os Jugoslavos muçulmanos têm uma cultura Naqchbandie. Hakan Fidan, o futuro chefe dos Serviços Secretos turcos, é o oficial de ligação entre a OTAN e a Turquia. Os veteranos da Legião Árabe integram o UÇK, do qual uma brigada é comandada por um dos irmãos de Ayman al-Zawahiri. Este destrói sistematicamente as igrejas e os mosteiros ortodoxos, e caça os cristãos.

Em 1995, revivendo a tradição dos assassinatos políticos, Osama Bin Laden tenta eliminar o Presidente egípcio, Hosni Mubarak. Ele volta a tentar no ano seguinte com o Guia líbio, Muammar Kaddafi. Este segundo atentado é financiado, pela soma de £ 100.000 libras, pelos Serviços Secretos britânicos que querem punir o apoio líbio à resistência irlandesa [5]. Azaradamente a operação falha. Vários oficiais líbios fogem para o Reino Unido. Entre eles, Ramadan Abidi, cujo filho será encarregado anos mais tarde, sempre pelos serviços britânicos, de realizar um atentado em Manchester. A Líbia transmite provas à Interpol e emite o primeiro mandato de prisão internacional contra o próprio Osama Bin Laden, o qual continua a manter um escritório de relações públicas no Londristão.

Em 1998, a Comissão Árabe dos Direitos Humanos é fundada em Paris. Ela é financiada pela NED. O seu presidente é o Tunisino Moncef Marzouki, e o seu porta-voz o Sírio Haytham Manna. O seu objectivo é defender os Irmãos Muçulmanos que foram presos nos diferentes países árabes, por causa das suas actividades terroristas. Marzouki é um médico de esquerda que trabalha com eles há longo tempo. Manna é um escritor que gere os investimentos de Hassan al-Turabi e dos Irmãos sudaneses na Europa. Quando Manna se retira, a sua companheira mantêm-se como directora da associação. Ele é substituído pelo Argelino Rachid Mesli, que é advogado e é, nomeadamente, o de Abassi Madani e dos Irmãos argelinos.

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Filho espiritual do islamista turco Necmettin Erbakan (ao centro), Recep Tayyip Erdogan (à direita) dirigiu o seu grupo de acção secreta, a Millî Görüs. Ele organizou o encaminhamento de armas para a Tchechénia e abrigou, em Istambul, os principais emires anti-Russos

Em 1999 (ou seja, após a guerra do Kosovo e a tomada do Poder pelos islamistas em Grozny), Zbigniew Brzeziński funda com uma coorte de neo-conservadores o American Committee for Peace in Chechnya (Comité americano para a paz na Tchechénia). Se a primeira guerra na Tchechénia fora um assunto interno russo, no qual alguns islamistas se tinham imiscuído, a segunda visa a criação do Emirado Islâmico da Ichquéria. Brzeziński, que preparava esta operação há vários anos, tenta reproduzir a experiência afegã.

Os jiadistas tchechenos, como Chamil Bassaïev, não foram treinados no Sudão por Bin Laden, mas, sim no Afeganistão pelos Talibã. Durante toda a guerra, beneficiam do apoio «humanitário» da Millî Görüş turca de Necmettin Erbakan e Recep Tayyip Erdoğan e da «IHH - Direitos do homem e Liberdades». Esta Associação turca foi criada na Alemanha sob o nome de Internationale Humanitäre Hilfe (IHH). Em seguida, estes jiadistas organizarão várias grandes operações : nomeadamente contra o Teatro de Moscovo (2002, 170 mortos, 700 feridos), contra uma escola de Beslan (2004, 385 mortos, 783 feridos) e contra a cidade de Naltchik (2005, 128 mortos e 115 feridos). Após o massacre de Beslan e a morte do líder jiadista Chamil Bassaïev, a Milli Görüş e a IHH organizam, na mesquita de Fatih de Istambul, enormes exéquias sem o corpo mas com dezenas de milhares de militantes.

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Apresentado como um atentado «anti-americano», a destruição da embaixada dos Estados Unidos em Dar es-Salaam (Tanzânia), em 7 de Agosto de 1998, fez 85 feridos e 11 mortos… mas nenhuma vítima norte-americana.

Durante este período, três atentados importantes são atribuídos à Alcaida. No entanto, por muito importantes que estas operações sejam, elas representam um falhanço para os islamistas, os quais, por um lado, são integrados no seio da OTAN e se veem simultaneamente despromovidos para o nível de terroristas anti-americanos.
- Em 1996, um camião armadilhado faz explodir uma torre de oito andares em Khobar, na Arábia Saudita, matando 19 soldados dos EUA. Primeiro atribuído à Alcaida, a responsabilidade do atentado é transferida para cima do Irão, depois finalmente para ninguém.
- Em 1998, duas bombas explodem diante das embaixadas norte-americanas em Nairobi (Quénia) e Dar-es-Salam (Tanzânia), matando 298 africanos —mas nenhum Norte-americano— e ferindo mais de 4.500 pessoas. Estes atentados são reivindicados por um misterioso Exército Islâmico de Libertação dos Lugares Santos. Segundo as autoridades dos EU, eles teriam sido cometidos por membros da Jiade Islâmica egípcia em retorsão pela extradição de quatro dos seus membros. Ora, as mesmas autoridades acusam Osama Bin Laden de ser o comanditário e o FBI emite —por fim— um mandado de prisão internacional contra ele.
- Em 2000, uma embarcação suicida explode contra o costado do destróier USS Cole fundeado em Áden (Iémene). O atentado é reivindicado pela Alcaida na Península Arábica (AQPA), mas um tribunal norte-americano tornará responsável o Sudão.

Estes atentados ocorrem enquanto a colaboração entre Washington e os Islamistas continua. Assim, Osama bin Laden, conservou o seu escritório no Londristão até 1999. Situado no bairro de Wembley, o Advice and Reformation Committee (ARC) visa, ao mesmo tempo, difundir as declarações de Bin Laden e cobrir as actividades logísticas da Alcaida, inclusive em matéria de recrutamento, de pagamentos e de aquisição de materiais. Entre os seus colaboradores em Londres encontra-se o saudita Khaled al-Fawwaz e os egípcios Adel Abdel Bary e Ibrahim Eidarous, três homens que são alvo de mandados de detenção internacionais, mas que, no entanto, receberam asilo político no Reino Unido. É na mais perfeita legalidade, em Londres, que o escritório de Bin Laden publicará, em Fevereiro de 1998, o seu célebre Apelo à Jiade contra os Judeus e os Cruzados. Gravemente doente dos rins, Bin Laden é hospitalizado, em Agosto de 2001, no hospital Americano do Dubai. Um chefe de Estado do Golfo confirmou-me tê-lo ido visitar ao seu quarto, onde a sua segurança era garantida pela CIA.

6— A fusão das duas « Gládio » e a preparação do Daesh

Dentro da mesma lógica, a Administração Bush torna os Islamistas responsáveis pelos brutais atentados que ocorrem a 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos. A versão oficial impõe-se embora ela comporte numerosas incoerências. O Secretário da Justiça assegura que os aviões foram sequestrados por islamistas, muito embora segundo as companhias de aviação nenhum dos suspeitos tenha estado a bordo. O Departamento da Defesa publicará um vídeo no qual Bin Laden reivindica os atentados, quando o próprio os tinha rejeitado publicamente e os peritos em reconhecimento facial e vocal afirmam que o homem do vídeo não é Bin Laden.

Seja como for, estes acontecimentos servem de pretexto a Washington e a Londres para lançar a «Guerra sem fim» e atacar os seus antigos aliados, os Talibã no Afeganistão, e o Iraque de Saddam Hussein.

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Em 11 de Setembro de 2001, Osama Bin Laden não estava em estado de dirigir a menor operação terrorista. Ele estava, à beira da morte, sob diálise no hospital militar de Rawalpindi (Paquistão).

Muito embora ele já sofresse de insuficiência renal crónica, Osama Bin Laden apenas sucumbe à sua doença a 15 de Dezembro de 2001 como resultado de um síndrome de Marfan. Um representante do MI6 assiste às suas exéquias no Afeganistão. Posteriormente, vários sósias, mais ou menos parecidos, irão manter o seu simulacro vivo, dos quais um será assassinado por Omar Sheikh, em 2005, segundo a Primeiro-ministro paquistanesa Benazir Bhuto.

Em Agosto de 2002, o MI6 organiza uma conferência da Irmandade Muçulmana sobre o tema «a Síria para todos». Aí, os oradores desenvolvem a ideia que a Síria estaria a ser oprimida pela seita dos Alauítas e que apenas os Irmãos Muçulmanos garantiriam uma genuína igualdade.

Após Sayyed Qutb e Abu Mussab, «o Sírio», os Islamistas dotam-se de um novo estratega, Abu Bakr Naji. Em 2004, este personagem, que parece nunca ter existido, publica um livro na Internet, A Gestão da Barbárie, uma teoria do caos [6]. Embora alguns autores tenham acreditado reconhecer o estilo de um autor egípcio, parece que a obra foi escrita em inglês, depois enriquecida com citações corânicas supérfluas e traduzido para árabe. A «Barbárie» no título do livro, não designa o recurso ao terror, mas, sim o retorno ao estado da natureza antes da civilização ter criado o Estado. Trata-se de fazer regressar a Humanidade ao ponto onde «o homem é um lobo do homem». A estratégia do caos desenrola-se em três fases:
- Primeira, desmoralizar e esgotar o Estado atacando nos seus flancos menos bem protegidos. Escolhem-se portanto alvos secundários, muitas vezes sem interesse, mas fáceis de destruir e separados. Tratar-se-á de dar a impressão de um levantamento generalizado, de uma revolução.
- Em segundo lugar, assim que o Estado se tiver retirado dos subúrbios e dos campos, conquistar certas zonas e administrá-las. Impor a Charia para marcar a passagem a uma nova forma de Estado. Durante este período, serão estabelecidas alianças com todos aqueles que se opõem ao Poder, e que não se deixará de armar. Irá conduzir-se então uma guerra de posições.
- Em terceiro lugar, proclamar o Estado Islâmico.

Este tratado transpira ciência militar contemporânea. Ele dá uma enorme importância às operações psicológicas, nomeadamente à utilização da violência mediática. Na prática, esta estratégia nada tem a ver com uma revolução, mas com a conquista de um país por potências exteriores, já que ela pressupõe um investimento maciço. Como sempre na literatura subversiva, o mais interessante reside naquilo que não é dito ou apenas é mencionado de passagem:
- a preparação das populações para que elas acolham os jiadistas supõe a construção prévia de uma rede de mesquitas e de obras sociais, tal como foi feito na Argélia antes da guerra «civil».
- para serem postas em marcha, as primeiras operações militares necessitam de armas que é preciso importar de antemão. Sobretudo, em seguida, os jiadistas não terão nenhum meio para obter armas e ainda menos munições. Portanto, eles terão que ser apoiados a partir do exterior.
- A administração das zonas conquistadas supõe que se disponha de quadros formados previamente, como os dos exércitos regulares encarregados de «reconstruir Estados».
- Finalmente a guerra de posições supõe a construção de vastíssimas infra-estruturas que necessitarão de uma grande quantidade de materiais, de engenheiros e de arquitectos.

De facto, o reclamar a autoria desta obra atesta que os islamistas entendem continuar a jogar um papel militar por conta de potências exteriores, só que desta vez em grandíssima escala.

Em 2006, os Britânicos pedem ao Emir Ahmad do Catar para colocar o seu canal de televisão pan-árabe, Al-Jazeera, ao serviço dos Irmãos Muçulmanos [7]. O Líbio Mahmoud Jibril, que treinou a família real a falar em linguagem democrática, é encarregue de introduzir, passo a passo, os seus Irmãos no canal e de criar canais em línguas estrangeiras (inglês e, a seguir, bósnio e turco), assim como um canal para as crianças. O pregador Yusuf al-Qaradawi torna-se «conselheiro religioso» da Al-Jazeera. É claro, o canal irá transmitir e validar as gravações de áudio ou os vídeos dos «Osama Bin Laden».

No mesmo período, as tropas dos EUA no Iraque tem que fazer face a uma revolta que se generaliza. Depois de terem sido derrotados pela rapidez e pela brutalidade da invasão (técnica do «choque e pavor»), os Iraquianos organizam a sua resistência. O Embaixador norte-americano em Bagdade, depois Director da Inteligência Nacional, John Negroponte, propõe-se vencê-los pela divisão e virando a sua raiva contra si próprios, quer dizer transformar a Resistência à ocupação em guerra civil. Perito em operações secretas, ele participou, nomeadamente, na Operação Fénix no Vietname, montando depois a guerra civil civil em El Salvador e a operação Irão-Contras na Nicarágua, e levou ao colapso a rebelião no Chiapas mexicano. Negroponte chama um dos homens em que se apoiou em El Salvador, o Coronel James Steele. Confia-lhe a tarefa de criar milícias iraquianas de xiitas contra os sunitas e sunitas contra os xiitas. Quanto à milícia sunita, Steele recorre aos Islamistas. A partir da Alcaida no Iraque, ele arma uma coligação tribal, o Emirado islâmico no Iraque (futuro Daesh) sob cobertura da polícia especial («Brigada dos Lobos»). Para aterrorizar as vítimas e as suas famílias, ele treina o Emirado na tortura, segundo os métodos da Escola das Américas (School of América) e da Political Warfare Cadres Academy de Taiwan, onde ensinou. Em poucos meses, um novo horror abate-se sobre os Iraquianos e divide-os segundo a sua confissão religiosa. Em seguida, assim que o General David Petraeus assumir o comando das tropas norte-americanas no país, irá designar o Coronel James H. Coffman para trabalhar com Steele e lhe fornecer relatórios sobre a operação, enquanto Brett H. McGurk dará conta directamente ao Presidente. Os principais chefes do Emirado Islâmico são recrutados no campo de concentração de Bucca, mas são objecto de preparação na prisão de Abu Ghraib, segundo os métodos de «lavagem ao cérebro» dos professores Albert D. Biderman e Martin Seligman [8]. Tudo é supervisionado desde Washington pelo Secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, de quem Steele depende directamente.

Em 2007, Washington informa a Irmandade que vai derrubar os regimes laicos do Médio-Oriente Alargado, incluindo os dos Estados aliados, e que ela se deve preparar para exercer o Poder. A CIA organiza alianças entre os Irmãos e partidos, ou personalidades laicas, de todos os Estados da região. Simultaneamente, ela liga os dois ramos da «Gládio» tecendo laços entre os grupos nazis ocidentais e os grupos islamistas orientais.

Estas iniciativas de aliança são às vezes inconclusivas, como, por exemplo, aquando da «Conferência Nacional da Oposição Líbia», em Londres, onde os Irmãos não conseguem federar à sua volta senão o Grupo Islâmico Combatente na Líbia (Alcaida na Líbia) e a Irmandade wahhabita Senussi. A plataforma programática prevê restabelecer a monarquia e fazer do Islão a religião do Estado. Mais convincente é a constituição da Frente da Salvação Nacional, em Berlim, que oficializa a união dos Irmãos com o antigo Vice-presidente baathista sírio Abdel Halim Khaddam.

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Dmytro Iarosh durante o Congresso da Frente anti-imperialista de Ternopol (2007). Ele vai realizar a junção entre os nazis da Gládio A e os islamistas da Gládio B, depois irá tornar-se Secretário-adjunto do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia após a «revolução colorida» do EuroMaidan (2014).

A 8 de Maio de 2007, em Ternopol (oeste da Ucrânia), grupúsculos nazis e islamistas criam uma Frente anti-imperialista para lutar contra a Rússia. Organizações da Lituânia, da Polónia, da Ucrânia e da Rússia participam nela, entre as quais os separatistas Islamistas da Crimeia, da Adigueia, do Daguestão, da Inguchia, da Cabardino-Balcária, da Carachai-Cerquéssia, da Ossétia, da Chechénia. Não podendo viajar para lá devido as sanções internacionais impostas contra ele, Dokou Umarov —que aboliu a República da Chechénia e proclamou o Emirado Islâmico da Ichquéria—, fez ler a sua proclamação. A Frente é presidida pelo nazi Dmytro Yarosh, o qual se tornará durante o golpe de Estado de Kiev, em Fevereiro de 2014, Secretário-adjunto do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia.

No Líbano, em Maio-Junho de 2007, o Exército nacional empreende o cerco do campo palestino de Nahr el-Bared depois de membros da Fatah al-Islam se terem lá entrincheirado. Os combates duram 32 dias e custam a vida a 76 soldados, dos quais uma trintena são decapitados.

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O Turco-Irlandês El Mehdi El Hamid El Hamdi dito «Mahdi Al-Harati», agente da CIA presente na Flotilha da Liberdade, abraçado pelo Presidente Erdogan que veio visitá-lo ao hospital. Em seguida, ele irá tornar-se o número 2 do Exército sírio livre.

Em 2010, a Irmandade organiza a Flotilha da Liberdade através da IHH. Oficialmente trata-se de desafiar o embargo israelita e de levar assistência humanitária aos habitantes de Gaza [9]. Na realidade, o principal barco desta frota muda de bandeira durante a travessia e prossegue sob pavilhão turco. Numerosos espiões misturam-se com os militantes não-violentos participando na expedição, entre os quais um agente irlandês da CIA, Mahdi al-Harati. Caindo na armadilha que lhe estende os Estados Unidos, o Primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordena o assalto aos barcos, em águas internacionais, provocando 10 mortos e 54 feridos. O mundo inteiro condena esse acto de pirataria sob o olhar sarcástico da Casa Branca. Israel, que fornecia armas aos jiadistas no Afeganistão e apoiou a criação do Hamas contra a OLP de Yasser Arafat, virara-se contra os Islamistas em 2008 e bombardeou-os, assim como à população de Gaza. Netanyahu paga assim, desta maneira, a operação «Chumbo Endurecido» que levou a cabo, junto com a Arábia Saudita, contra a opinião da Casa Branca. No fim, os passageiros da Flotilha são libertados por Israel. A imprensa turca mostra então o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan visitando Mahdi al-Harati num hospital.

(Continua …)


[1] NATO’s secret armies: operation Gladio and terrorism in Western Europe, Daniele Ganser, Foreword by Dr. John Prados, Frank Cass/Routledge (2005).

[2] Classified Woman: The Sibel Edmonds Story : A Memoir, Sibel Edmonds (2012).

[3] Londonistan, Melanie Phillips, Encounter Books (2006).

[4] Wie der Dschihad nach Europa kam, Jürgen Elsässer, NP Verlag (2005); Intelligence and the war in Bosnia 1992-1995: The role of the intelligence and security services, Nederlands Instituut voor Oologsdocumentatie (2010). Al-Qaida’s Jihad in Europe: The Afghan-Bosnian Network, Evan Kohlmann, Berg (2011).

[5] «David Shayler: «Dejé los servicios secretos británicos cuando el MI6 decidió financiar a los socios de Osama ben Laden»», Red Voltaire , 23 de noviembre de 2005.

[6] The Management of Savagery: The Most Critical Stage Through Which the Umma Will Pass, Abu Bakr Naji, Harvard University (2006).

[7] «Wadah Khanfar, Al-Jazeera y el triunfo de la propaganda televisiva », por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 27 de septiembre de 2011.

[8] “O Segredo de Guantanamo”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 10 de Setembro de 2014.

[9] «Flotilla de la Libertad: el detalle que Netanyahu no conocía», por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 11 de junio de 2010.



Ver original na 'Rede Voltaire'



“Sob os nossos olhos” (3/25)Os Irmão Muçulmanos como força de apoio do MI6 e da CIA

Prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sob os nossos Olhos». Neste episódio, ele descreve a maneira como o Presidente Jimmy Carter e o seu Conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, usaram as capacidades terroristas dos Irmãos Muçulmanos contra os Soviéticos.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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O Conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, imaginou utilizar os Irmãos Muçulmanos para operações terroristas contra o governo comunista afegão; o que provocou a intervenção da URSS.

3— A Irmandade ao serviço da estratégia Carter/Brzeziński

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Sir James Macqueen Craig, especialista sobre o Médio-Oriente, convenceu o Reino Unido a utilizar os Irmãos Muçulmanos para operações secretas fora do Egipto. Foi também ele quem concebeu o plano das «Primaveras Árabes» no modelo da operação realizada em 1915 por Lawrence da Arábia.

Em 1972-73, um responsável do Foreign Office —e provavelmente do MI6—, James Craig, e o embaixador britânico no Egipto, Sir Richard Beaumont, começam um intenso lóbing para que o seu país e os Estados Unidos se apoiem nos Irmãos Muçulmanos não apenas no Egipto, mas em todo o mundo muçulmano contra os Marxistas e os Nacionalistas. Sir Craig será em breve nomeado embaixador de sua Majestade na Síria, depois na Arábia, e terá ouvidos atentos na CIA. Muito mais tarde, ele será o ideólogo das «Primaveras Árabes».

Em 1977, nos Estados Unidos, Jimmy Carter é eleito Presidente. Ele designa Zbigniew Brzeziński como Conselheiro de Segurança Nacional. Este último decide utilizar o islamismo contra os Soviéticos. Dá luz verde aos Sauditas para aumentar os seus financiamentos à Liga Islâmica Mundial, organiza mudanças de regime no Paquistão, no Irão e na Síria, desestabiliza o Afeganistão e faz do acesso norte-americano ao petróleo do Médio Oriente um objectivo de segurança nacional. Finalmente, ele confia meios militares à Irmandade.

Esta estratégia é claramente explicada por Bernard Lewis aquando da reunião do Grupo de Bilderberg [1] que a OTAN organiza em Abril de 1979 na Áustria. O islamólogo anglo-israelo-americano assegura aí que os Irmãos Muçulmanos podem não só jogar um grande papel face aos Soviéticos, e provocar distúrbios internos na Ásia Central, mas, também balcanizar o Próximo-Oriente no interesse de Israel.

Contrariamente a uma ideia feita, os Irmãos não se limitaram apenas a seguir o plano Brzeziński, eles visaram mais longe e obtiveram a assistência de Riade e de Washington para formar outros ramos da Irmandade noutros países; ramos que irão dinamizar mais tarde o seu projecto. O rei da Arábia concede uma média de 5 mil milhões de dólares anuais à Liga Islâmica Mundial que estende as suas actividades a 120 países e financia guerras. A título indicativo, US $ 5 mil milhões de dólares era o equivalente ao orçamento militar da Coreia do Norte. A Liga obtém o Estatuto consultivo junto do Conselho Económico e Social da ONU e um estatuto de Observador junto da Unicef.

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O General Muhammad Zia-ul-Haq, primeiro Chefe de Estado membro dos Irmãos Muçulmanos fora do Egipto, permite aos combatentes da Irmandade dispor de uma base de retaguarda contra os comunistas afegãos.

No Paquistão, o General Muhammad Zia-ul-Haq, Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, formado em Forte Bragg nos Estados Unidos, derruba o Presidente Zulfikar Alî Bhutto e fá-lo enforcar. Membro da Jamaat-e-Islami, quer dizer da versão local da Irmandade Muçulmana, ele islamiza a sociedade. A Charia é progressivamente estabelecida –-incluindo a pena de morte por blasfémia--- e uma vasta rede de escolas islâmicas é instalada. É a primeira vez que a Irmandade está no Poder fora do Egipto.

No Irão, Brzeziński convence o Xá a sair e organiza o retorno do Imã Rouhollah Khomeini, o qual se define como um «islamista xiita». Na sua juventude, Khomeini tinha-se encontrado com Hasan el-Banna, no Cairo, em 1945, para o convencer a não alimentar o conflito sunitas/xiitas. Em seguida, ele traduziu dois livros de Sayyid Qutb. Os Irmãos e o Revolucionário iraniano concordam quanto a assuntos de sociedade, mas nada sobre as questões políticas. Brzeziński percebe o seu erro de cálculo no próprio dia da chegada do Aiatola a Teerão, porque este vai orar aos túmulos dos mártires do regime do Xá e apela ao exército para se revoltar contra o imperialismo. Brzeziński comete um segundo erro ao enviar a Força Delta socorrer os espiões norte-americanos que são feitos reféns na sua Embaixada em Teerão. Apesar de ter conseguido esconder aos olhos dos Ocidentais que os seus diplomatas eram falsos, ele mete os seus militares a ridículo com a falhada operação «Garra de Águia», e instala no Pentágono a ideia segundo a qual será preciso melhorar os meios para vencer os muçulmanos.

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O bilionário saudita Oussama Ben Laden, herói do Ocidente contra os Soviéticos.

No Afeganistão, Brzeziński põe de pé a «Operação Ciclone». Entre 17 a 35.000 Irmãos Muçulmanos, vindos de 40 países, irão bater-se contra a URSS que tinha vindo defender, a seu pedido, a República Democrática do Afeganistão do terrorismo dos Irmãos [2] –-jamais houve qualquer «invasão soviética» como alega a propaganda dos EUA---. Eles nunca ultrapassarão os 15. 000 à vez. Estes homens veem em reforço de uma Coligação de combatentes conservadores e de Irmãos Muçulmanos locais, entre os quais o pashtun Gulbuddin Hekmatyar e o tajique Ahmed Shah Massoud. Recebem o seu armamento essencialmente de Israel [3] –-oficialmente seu inimigo jurado, mas agora seu parceiro---. O conjunto destas forças é comandado a partir do Paquistão pelo General Muhammad Zia-ul-Haq, e financiado pelos Estados Unidos e Arábia Saudita. É a primeira vez que a Irmandade é usada pelos Anglo-Saxões para travar uma guerra.

Entre os combatentes presentes encontram-se os futuros responsáveis das guerras no Cáucaso, da Jamiat Islamyiah Indonésia, do grupo Abbou Sayaf nas Filipinas e, é claro, da Alcaida e do Daesh (EI). Nos Estados Unidos a operação anti-soviética é apoiada pelos Republicanos e um pequeno grupo de extrema-esquerda, os trotskistas do Social Democrats USA.

A estratégia Carter-Brzeziński representa uma mudança de escala [4]. A Arábia Saudita, que até aqui fora a financiadora dos grupos islamistas, vê-se encarregada de gerir os fundos da guerra contra os Soviéticos. O Director-geral da Inteligência saudita, o Príncipe Turki (filho do rei à época, Faisal), torna-se uma personalidade incontornável de todas as cimeiras ocidentais de Inteligência.

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O Palestino Abdallah Azzam e o Saudita Oussama Ben Laden foram treinados em Riade por Mohammad Qutb, o irmão de Sayyid Qutb. Eles dirigiram sucessivamente os combatentes dos Irmãos Muçulmanos no Afeganistão.

Sendo os problemas entre Árabes e Afegãos recorrentes, o Príncipe Turki envia primeiro o Palestino Abdullah Azzam, o «imã da Jiade», restaurar a ordem entre os Irmãos e administrar o escritório local da Liga Islâmica Mundial, depois o bilionário Ossama Bin Laden. Azzam e Bin Laden foram formados na Arábia Saudita pelo irmão de Sayyid Qutb.

Ainda durante o mandato de Carter, os Irmãos Muçulmanos empreendem uma longa campanha de terror na Síria, incluindo o assassínio de cadetes não-sunitas na Academia Militar de Alepo pela «Vanguarda Combatente». Dispõem de campos de treino na Jordânia, onde os Britânicos lhes dispensam uma formação militar. Durante estes anos de chumbo, a CIA consegue selar uma aliança entre os Irmãos Muçulmanos e o grupúsculo de ex-Comunistas de Ryad al-Turk. Este e os seus amigos, Georges Sabra e Michel Kilo, tinham rompido com Moscovo durante a guerra civil libanesa para apoiar o campo ocidental. Filiam-se no grupo trotskista norte-americano, Social Democrats USA. Os três homens redigem um manifesto no qual afirmam que os Irmãos Muçulmanos formam o novo proletariado, e que a Síria só poderá ser salva por uma intervenção militar norte-americana. Por fim, os Irmãos tentam um golpe de Estado em 1982, com o apoio do Baath iraquiano (o qual colaborava então com Washington contra o Irão) e da Arábia Saudita. Os combates que se seguiram em Hama fazem 2.000 mortos segundo o Pentágono, cerca de 40.000 segundo a Irmandade e a CIA. Posteriormente, centenas de prisioneiros são assassinados em Palmira pelo irmão do Presidente Hafez Al-Assad, Rifaat, que será demitido e forçado ao exílio em Paris quando ele tenta, por sua vez, um golpe de Estado contra o seu próprio irmão. Os trotskistas são presos, e a maioria dos Irmãos foge, quer para a Alemanha (onde reside já o antigo Guia sírio Issam al-Attar), quer para França (como Abu Mussab, o Sírio), onde o Chanceler Helmut Kohl e o Presidente François Mitterrand lhes dão asilo. Dois anos mais tarde, um escândalo rebenta no seio da Oposição, agora no exílio, no momento da partilha: 3 milhões de dólares desapareceram de um total de $ 10 milhões dados pela Liga Islâmica Mundial.

4— Para a constituição de uma Internacional da Jiade

Durante os anos 80, a Liga Islâmica Mundial recebe instruções de Washington para transformar a sociedade argelina. Durante um decénio, Riade oferece a construção de mesquitas nas aldeias. São-lhe acrescentadas sempre uma escola e um dispensário. As autoridades argelinas regozijam-se tanto mais com esta ajuda quanto elas já não conseguem garantir o acesso de todos à Saúde e à Educação. Progressivamente, as classes trabalhadoras argelinas distanciam-se de um Estado que não lhes vale de grande coisa e aproximam-se de tão generosas mesquitas.

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O Preidente Bush Sr, antigo director da CIA, toma-se de amizades pelo Embaixador saudita, o Príncipe Bandar ben Sultan ben Abdelaziz Al Saoud, que se tornará mais tarde seu homólogo, enquanto chefe dos Serviços de Inteligência do seu país. Ele considera-o como seu filho adoptivo, de onde lhe surge a alcunha de Bandar Bush.

Quando o Príncipe Fahd se torna rei da Arábia Saudita, em 1982, coloca o Príncipe Bandar (filho do Ministro da Defesa) como embaixador em Washington, cargo que ocupará durante todo o seu reinado. A sua função é dupla: por um lado, ele gere as relações saudo-americanas, por outro serve como uma interface entre o Director da Inteligência Turki e a CIA. Torna-se amigo do Vice-presidente e antigo chefe da CIA, George H. W. Bush, que o considera como seu «filho adoptivo»; depois com o Secretário da Defesa, Dick Cheney, e o futuro director da CIA, George Tenet. Ele insere-se na vida social das elites e integra tanto a seita cristã dos chefes de Estado-Maior do Pentágono, The Family, como o ultra-conservador Bohemian Club de San Francisco.

Bandar comanda os jiadistas a partir da Liga Islâmica Mundial. Ele negoceia com Londres, junto da British Aerospace, a compra de armamento para o seu Reino em troca de petróleo. Os contratos de «pato», (em árabe Al Yamamah), custarão entre 40 e 83 mil milhões de libras esterlinas a Riade, dos quais uma parte significativa será devolvida pelos Britânicos ao Príncipe.

Em 1983, o Presidente Ronald Reagan confia a Carl Gershman, o antigo líder dos Social Democrats USA, a direção da nova National Endowment for Democracy (NED) [5]. É uma agência dependente do acordo da «Cinco Olhos», camuflada em ONG. Ela é a fachada legal dos Serviços secretos australianos, britânicos, canadianos, norte-americanos e neo-zelandeses. Gershman já trabalhara com os seus camaradas trotskistas e os seus amigos dos Irmãos Muçulmanos no Líbano, na Síria e no Afeganistão. Ele põe a funcionar uma vasta rede de associações e de fundações que a CIA e o MI6 usam para apoiar a Irmandade, onde quer que seja possível. Ele reclama-se da «doutrina Kirkpatrick» : todas as alianças são correctas desde que sirvam o interesse dos Estados Unidos.

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Neste contexto, a CIA e o MI6 que haviam criado no mais aceso da Guerra Fria a Liga anti-comunista mundial (WACL), vão utilizá-la para encaminhar para o Afeganistão os fundos necessários à Jiade. Osama Bin Laden adere a esta organização que conta com vários chefes de Estado [6].

Em 1985, o Reino Unido, fiel à sua tradição de qualidade académica, dota-se de um Instituto encarregue de estudar as sociedades muçulmanas e a maneira pela qual os Irmãos as podem influenciar, o Oxford Center for Islamic Studies.

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Hassan al-Turabi e Omar al-Bashir impõem os Irmãos Muçulmanos no Sudão. No contexto particularmente sectário a atrasado do seu país, eles vão entrar em choque com a Irmandade antes de se destruírem mutuamente.

Em 1989, os Irmãos têm êxito num segundo Golpe de Estado, desta vez no Sudão em benefício do Coronel Omar al-Bashir. Ele não perde tempo a colocar o Guia local, Hassan al-Turabi, na presidência da Assembleia Nacional. Este último, numa conferência dada em Londres, anuncia que o seu país se vai tornar na base de retaguarda dos grupos islamistas do mundo inteiro.

Ainda em 1989, a Frente Islâmica da Salvação (FIS) surge na Argélia, em torno de Abassi Madani, enquanto o partido no Poder se afunda em diversos escândalos. A FIS é apoiada nas mesquitas «oferecidas» pelos Sauditas, e por conseguinte pelos Argelinos que as frequentam desde há uma década. Devido à rejeição aos dirigentes no Poder, e não por adesão à sua ideologia, ela ganha as eleições locais. Verificando o falhanço dos políticos e a impossibilidade ontológica de negociar com os islamistas, o exército dá um Golpe de Estado e anula as eleições. O país afunda-se numa longa e mortífera guerra civil da qual pouco se virá a saber. A guerrilha islamita fará mais de 150.000 vítimas. Os islamitas não hesitam em aplicar, ao mesmo tempo, punições a nível individual e colectivo, por exemplo, como quando massacram os habitantes de Ben Talha –-culpados de ter votado apesar da fátua a proibir--- e arrasam a aldeia. Como é evidente, a Argélia serve como laboratório para novas operações. Espalha-se o boato que é o exército e não os islamistas quem massacra os aldeões. Na realidade, vários altos responsáveis dos Serviços Secretos, que foram treinados nos Estados Unidos, juntam-se aos islamistas e semeiam a confusão.

Em 1991, Osama bin Laden, que voltou à Arábia Saudita como um herói da luta anti-comunista no fim da guerra do Afeganistão, oficialmente desentende-se com o Rei quando os «sururistas» se rebelam contra a monarquia. Esta insurreição, o «Despertar Islâmico», dura quatro anos e termina com a prisão dos principais líderes. Ela mostra à monarquia –-que supunha ter uma autoridade inquestionável--- que ao misturar religião e política, os Irmãos tinham criado as condições para uma revolta através das mesquitas.

É neste contexto que Osama bin Laden afirma ter proposto a ajuda de alguns milhares de veteranos combatentes do Afeganistão contra o Iraque de Saddam Husseini, mas, ó escândalo, o Rei preferira o milhão de soldados dos Estados Unidos e seus aliados. Ele parte «portanto» para o exílio, no Sudão, na realidade com a missão de retomar o controlo dos islamistas que escaparam à autoridade dos Irmãos e se tinham levantado contra a monarquia. Junto com Hassan al-Turabi, ele profere palestras populares pan-árabes e pan-islâmicas onde alicia os representantes dos movimentos islamistas e nacionalistas de cinquenta países. Trata-se de criar, ao nível dos partidos, o equivalente ao que a Arábia Saudita tinha feito com a Organização da Conferência Islâmica que reúne, essa, Estados. Os participantes ignoram que as reuniões são pagas pelos Sauditas e que os hotéis onde se realizam são monitorizados pela CIA. De Yasser Arafat ao Hezbolla libanês, todos participam nelas.

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O FBI consegue levar à condenação do BCCI, um gigantesco banco muçulmano que se tornara, com o decorrer do tempo, o banco utilizado pela CIA para as suas operações secretas, nomeadamente o financiamento da guerra no Afeganistão –-mas, também, o narcotráfico na América Latina [7]---. Quando a falência do banco é declarada, os seus pequenos clientes não são reembolsados, mas Osama bin Laden consegue recuperar $ 1,4 mil milhões de dólares para prosseguir o envolvimento dos Irmãos Muçulmanos ao serviço de Washington. A CIA movimenta então as suas actividades através do Faysal Islamic Bank e da sua filial Al-Baraka.

(Continua…)

 

[1] “O que Você ignora sobre o Grupo de Bilderberg”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Komsomolskaïa Pravda (Rússia) , Rede Voltaire, 23 de Setembro de 2012.

[2] « Brzezinski : "Oui, la CIA est entrée en Afghanistan avant les Russes …" », par Zbigniew Brzeziński, Nouvel Observateur (France) , Réseau Voltaire, 15 janvier 1998.

[3] Charlie Wilson’s War: The Extraordinary Story of How the Wildest Man in Congress and a Rogue CIA Agent Changed the History of Our Times, George Crile, Grove Press (2003).

[4] Les dollars de la terreur, Les États-Unis et les islamistes, Richard Labévière, Éditions Bernard Grasset (1999). English version: Dollars for Terror: The United States and Islam, Algora (2000).

[5] “A NED, vitrina legal da CIA”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2016.

[6] Inside the League: The Shocking Expose of How Terrorists, Nazis, and Latin American Death Squads Have Infiltrated the World Anti-Communist League, Scott & Jon Lee Anderson, Dodd Mead & Company éd. (1986). « La Ligue anti-communiste mondiale, une internationale du crime », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 12 mai 2004.

[7] The BCCI Affair, John Kerry & Hank Brown, US Senate (1992); Crimes of a President: New Revelations on the Conspiracy and Cover Up in the Bush and Reagan Administration, Joel Bainerman, SP Books (1992); From BCCI to ISI: The Saga of Entrapment Continues, Abid Ullah Jan, Pragmatic Publishing (2006).



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“Sob os nossos olhos” (1/25)De 11-de-Setembro a Donald Trump

Iniciamos a publicação por episódios do livro de Thierry Meyssan, «Sob os nossos Olhos». Trata-se de contar por escrito de forma ambiciosa a História dos dezoito últimos anos a partir da experiência do autor ao serviço de vários povos. Este livro não tem equivalente, e não pode ter, na medida em que nenhum outro homem participou nestes acontecimentos sucessivos na América Latina, em África e no Médio-Oriente ao lado dos governos postos em causa pelos Ocidentais.

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«Todos os Estados se devem abster de organizar, de ajudar, de fomentar, de financiar, de encorajar ou de tolerar actividades armadas subversivas ou terroristas destinadas a mudar pela violência o regime de um outro Estado, assim como de intervir nas lutas intestinas de um outro Estado» _ Resolução 2625, adoptada a 24 de Outubro de 1970 pela Assembleia Geral das Nações Unidas

Preâmbulo

Nenhum conhecimento é definitivo. A História, como qualquer outra ciência, é uma constante interrogação sobre o que se acreditava ser certo e o que, considerando novos elementos, se modifica, ou seja, é até mesmo desmentido.

Eu rejeito a escolha que nos é proposta entre o «limite da razão» e o «pensamento único» por um lado, e as emoções e a «post-verdade» por outro. Situo-me num outro plano : eu busco distinguir os factos das aparências, a verdade da propaganda. Acima de tudo, enquanto alguns homens tentarem explorar outros não creio que as relações internacionais possam ser totalmente democráticas e portanto transparentes. Por conseguinte, para lá da astúcia, por natureza é impossível interpretar com certeza os acontecimentos internacionais quando eles se dão. A verdade apenas pode vir à luz do dia com o tempo. Eu aceito a ideia de me poder enganar no imediato, mas jamais renuncio a questionar as minhas impressões e a refazê-las. Este exercício é tanto mais difícil quando o mundo experimenta guerras que nos obrigam a tomar posição sem demoras.

Pela minha parte, eu alinho no partido dos inocentes, os quais veem desconhecidos penetrar nas suas cidades e aí impor a sua lei, inocentes que ouvem as televisões internacionais repetir o mantra segundo o qual os seus dirigentes são tiranos e que devem ceder a posição aos Ocidentais, inocentes que se revoltam e são então esmagados pelas bombas da OTAN. Eu reivindico ser, ao mesmo tempo, um analista tentando analisar com objectividade e um homem que trás socorro, dentro dos seus meios, àqueles que sofrem.

Ao escrever este livro, pretendo ir ao fundo da documentação e dos testemunhos directos actuais. No entanto, ao contrário dos autores que me precederam, eu não procuro demonstrar a boa fé da política do meu país, mas antes compreender o encadear dos acontecimentos, a propósito dos quais acontece ter eu sido tanto um espectador como um interventor.

Alguns objectarão que, contrariamente a minha profissão de fé, eu busco, na realidade, justificar a minha acção e que, consciente ou inconscientemente, dou mostras de parcialidade. Espero que eles venham a participar no estabelecimento da verdade e me indiquem ou publiquem os documentos que eu ignoro.

Acontece, de facto, que o meu papel nestes acontecimentos me permitiu apreender, e verificar, numerosíssimos elementos desconhecidos do grande público, e bastantes vezes de muitos outros actores. Adquiri este conhecimento de maneira empírica. Só progressivamente é que eu compreendi a lógica dos acontecimentos.

Para permitir ao leitor seguir o meu percurso intelectual, eu não escrevi uma História Geral da Primavera Árabe, mas, sim três histórias parciais dos últimos dezoito anos, a partir de três pontos de vista diferentes : o dos Irmãos Muçulmanos, o dos sucessivos governos Franceses, e o das autoridades Norte-americanas. Para esta edição, inverti a ordem destas partes em relação às edições precedentes onde havia colocado a acção da França em primeiro lugar. Com efeito, trata-se aqui de abranger um público internacional.

Em busca do Poder, os Irmãos Muçulmanos colocaram-se ao serviço do Reino Unido e dos Estados Unidos, enquanto ponderavam sobre como atrair a França para a sua luta de domínio sobre os Povos. Perseguindo os seus próprios objectivos, os dirigentes franceses não procuraram compreender a lógica dos Irmãos Muçulmanos, nem a do seu suserano norte-americano, mas unicamente acertar nas vantagens da colonização e encher os bolsos. Apenas Washington e Londres tinham toda a informação sobre o que se passava e aquilo que preparavam.

O resultado assemelha-se pois ao das matrioskas russas: só com o desenrolar do tempo se percebe a organização dos acontecimentos que pareciam, à primeira vista, espontâneos, tais como as premissas e as conclusões de determinadas decisões.

O meu testemunho é de tal modo diferente do que os leitores terão lido ou ouvido sobre o mesmo assunto que alguns ficarão assustados com o que escrevo. Outros, pelo contrário, irão interrogar-se sobre esta gigantesca manipulação e do modo como lhe pôr um fim.

É provável que este livro, que expõe centenas de factos, inclua alguns erros que eu irei corrigindo no futuro. É possível que uma ou outra das correlações que eu saliento sejam apenas fruto do acaso, mas, seguramente, não a sua totalidade.

Inúmeras pequenas rectificações foram sendo incluídas em função de sucessivas revelações ulteriores sobre este período.

Que não restem dúvidas, os partidários do imperialismo não deixarão de me acusar de «conspiracionismo», de acordo com a sua expressão fetiche. É uma acusação gratuita que usam desde há 15 anos. Têm abusado dela desde que eu comecei a contestar a versão oficial dos atentados do 11-de-Setembro de 2001. Eles persistem na sua negação (ou mentira ?) e, claro, desmascaram-se quando apoiam publicamente a Alcaida na Líbia e na Síria ao mesmo tempo que a acusam de massacre nos Estados Unidos, na França, na Bélgica, etc.

O consenso de jornalistas e de políticos não tem mais valor do que o dos teólogos e dos astrónomos face às descobertas de Galileu. Jamais qualquer consenso permitiu estabelecer a verdade. Apenas a Razão aplicada às provas nos permite a sua aproximação.

Em última análise, uma vez os erros menores corrigidos, é a este somatório de factos que cada qual, sendo honesto, deverá responder propondo para tal uma explicação lógica e coerente.

(a continuar …)





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“Sob os nossos olhos” (2/25) - Os Irmãos Muçulmanos como assassinos

Prosseguimos a publicação do livro de Thierry Meyssan, «Sob os nossos olhos». Neste episódio, ele descreve a criação de uma sociedade secreta egípcia, os Irmãos Muçulmanos, depois a sua recriação após a Segunda Guerra Mundial pelos Serviços Secretos britânicos. Finalmente, a utilização deste grupo pelo MI6 para proceder a assassinatos políticos nesta antiga colónia da Coroa.

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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Hassan el-Banna, fundador da sociedade secreta dos Irmãos Muçulmanos. Sabe-se pouco sobre a sua história familiar, apenas que eram relojoeiros; um ofício reservado à comunidade judaica no Egipto.

As «Primaveras Árabes»,
vividas pelos Irmãos Muçulmanos

Em 1951, os Serviços Secretos anglo-saxónicos constituíram, a partir da antiga organização homónima, uma sociedade secreta política : os Irmãos Muçulmanos.
Utilizaram-nos, sucessivamente, para assassinar personalidades que lhes opunham resistência, depois, a partir de 1979, como mercenários contra os Soviéticos. No início dos anos 90, incorporaram-nos na OTAN e nos anos 2010 tentaram levá-los ao Poder nos países árabes. Os Irmãos Muçulmanos e a Ordem sufi dos Naqchbandis são financiados, à escala de 80 mil milhões de dólares anuais, pela família reinante saudita, o que os transforma num dos mais importantes exércitos do mundo. Todos os líderes jiadistas, aqui incluídos os do Daesh (E.I.), pertencem a este dispositivo militar.

1— Os Irmãos Muçulmanos Egípcios

Quatro impérios desaparecem durante a Primeira guerra mundial, o Reich alemão, o Império austro-húngaro, a Santa Rússia czarista e a Sublime Porta otomana. Os vencedores não têm o menor bom senso ao impor as suas condições aos vencidos. Assim, na Europa, o Tratado de Versalhes aplica condições terríveis à Alemanha, que torna como única responsável do conflito. No Oriente, o retalhar do Império Otomano dá para o torto : na Conferência de San Remo (1920), em conformidade com os acordos secretos de Sykes-Picot-Sazonov (1916), o Reino Unido é autorizado a estabelecer o lar judeu da Palestina, enquanto a França pode colonizar a Síria (incluindo à época o actual Líbano). No entanto, no que resta do Império Otomano, Mustafá Kemal revolta-se tanto contra o Sultão, que perdeu a guerra, como contra os Ocidentais que se apoderam do seu país. Na Conferência de Sèvres (1920), cortam o Império em pequenos pedaços para criar toda a espécie de novos Estados, entre os quais um Curdistão. A população turco-mongol da Trácia e da Anatólia revolta-se e leva Kemal ao Poder. No fim, a Conferência de Lausana (1923) traça as fronteiras actuais, renuncia a um Curdistão e organiza gigantescas transferências de população que provocam mais de meio milhão de mortos.

Mas, tal como na Alemanha onde Adolf Hitler irá contestar a sorte do seu país, do mesmo modo no Próximo-Oriente, um homem se levanta contra a nova divisão da região. Um professor egípcio funda um movimento para restaurar o Califado que os Ocidentais venceram. Este homem é Hassan el-Banna, e esta organização é a Irmandade Muçulmana (1928).

O Califa é, em princípio, o sucessor do Profeta, ao qual todos devem obediência; um título de facto muito cobiçado. Sucessivas grandes linhagens de Califas se sucederam, os Omíadas, os Abássidas, os Fatímidas e os Otomanos. O próximo Califa deveria ser aquele que se apoderasse do título, neste caso o «Guia Chefe» da Irmandade, que se veria seguramente como senhor do mundo muçulmano.

A sociedade secreta espalha-se muito rapidamente. Ela entende operar no interior do sistema para restaurar as instituições islâmicas. Os candidatos devem jurar fidelidade ao fundador sobre o Alcorão e sobre um sabre, ou sobre um revólver. O objectivo da Irmandade é exclusivamente político, mesmo se ela o expressa em termos religiosos. Jamais, Hassan el-Banna ou os seus sucessores falarão de Islão como de uma religião, ou evocarão uma espiritualidade muçulmana. Para eles, o Islão é unicamente um dogma, uma submissão a Deus, e um meio de exercício do Poder. É claro, os Egípcios que apoiam a Irmandade não o percebem assim. Eles seguem-na porque ela alega seguir a Deus.

Para Hassan el-Banna, a legitimidade de um governo não se mede pela sua representatividade tal como se estima a dos governos ocidentais, mas, antes pela sua capacidade de defender o «modo de vida islâmico», ou seja, o do Egipto otomano do século XIX. Os Irmãos jamais considerarão que o Islão tenha uma História, e que os modos de vida muçulmanos variem consideravelmente segundo as regiões e as épocas. Jamais considerarão, sequer, que o Profeta tenha revolucionado a sociedade beduína na qual vivia, e que o modo de vida descrito no Alcorão fosse apenas uma etapa fixada para estes homens. Para eles, as regras penais do Alcorão –—a Charia--- não correspondem, portanto, a uma dada situação, fixam, isso sim, leis imutáveis nas quais o Poder se pode apoiar.

O facto de a religião muçulmana ter sido muitas vezes difundida pela espada justifica para a Irmandade o uso da força. Jamais os Irmãos reconhecerão que o Islão tenha podido propagar-se também pelo exemplo. Isso não impede al-Banna e os seus Irmãos de se apresentarem a eleições –-e de perder---. Se eles condenam os partidos políticos, não é por oposição ao multipartidarismo, mas, antes porque separando a religião da política cairiam na corrupção.

A doutrina dos Irmãos Muçulmanos, é a ideologia do «islão político», em francês diz-se do «islamismo» ; uma palavra que vai levantar celeuma.

Em 1936, Hassan el-Banna, escreve ao Primeiro-ministro Mustafá el-Nahhass Pacha. Exige-lhe: - «uma reforma da legislação e a colocação de todos os tribunais sob a Charia;
- o recrutamento no seio do exército instituindo para tal um voluntariado sob a bandeira da jiade;
- a conexão dos países muçulmanos e a preparação da restauração do Califado, em aplicação da unidade exigida pelo Islão».

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Irmandade declara-se neutral. Na realidade, ela transforma-se num serviço de Inteligência do Reich. Mas a partir da entrada na guerra dos Estados Unidos, assim que a sorte das armas parece inverter-se, ela faz um jogo duplo e faz-se financiar pelos Britânicos para lhes fornecer informações sobre o seu primeiro empregador. Ao fazer isto, a Irmandade mostra a sua total ausência de princípios e o seu puro oportunismo político.

A 24 de Fevereiro de 1945, os Irmãos tentam a sua sorte e assassinam, em plena sessão parlamentar, o Primeiro-ministro egípcio. Segue-se uma escalada de violência: uma repressão contra eles e uma série de assassinatos políticos, indo até à do novo Primeiro-ministro, a 28 de Dezembro de 1948, e em retaliação a do próprio Hassan al-Banna, a 12 de Fevereiro de 1949. Pouco tempo depois, um tribunal estabelecido pela lei marcial condena a maior parte dos Irmãos a uma pena de detenção e dissolve a sua associação.

Esta organização secreta não era mais, no fundo, que um bando de assassinos que ambicionava apoderar-se do Poder, mascarando a sua cobiça atrás do Alcorão. A sua história deveria ter terminado por ali. Mas, não foi nada disso que aconteceu.

2— A Confraria reformada pelos Anglo-Saxões e a paz separada com Israel

A capacidade da Confraria em mobilizar as pessoas e em as transformar em assassinos não deixa de intrigar as Grandes Potências.

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Contrariamente aos seus desmentidos, Sayyid Qutb era franco-mação. Ele publicou um artigo intitulado «Porque me tornei franco-mação», aparecido na revista al-Taj al-Masri (a «Coroa do Egipto»), em 23 de Abril de 1943.

Dois anos e meio após a sua dissolução, uma nova organização é formada pelos Anglo-Saxões reutilizando, para isso, o nome dos «Irmãos Muçulmanos». Aproveitando-se da prisão dos dirigentes históricos, o antigo juiz Hassan al-Hodeibi é eleito Guia-chefe. Contrariamente a uma ideia muitas vezes aceite, não há nenhuma continuidade histórica entre a antiga e a nova Irmandade. Verifica-se que uma unidade da antiga sociedade secreta, o «Aparelho Secreto», tinha sido encarregado por Hassan el-Banna de perpetrar os atentados dos quais ele negava a paternidade. Esta organização dentro da organização era tão secreta que ela não foi tocada pela dissolução da Irmandade e coloca-se agora à disposição do seu sucessor. O Guia decide repudiá-la e declara querer atingir os seus objectivos apenas de forma pacífica. É difícil estabelecer o que se passou exactamente naquele momento preciso entre os Anglo-Saxões, que queriam recriar a antiga sociedade secreta, e o Guia, o qual apenas queria recuperar sua audiência junto das massas. Em qualquer caso, o Aparelho Secreto perdurou e a autoridade do Guia apagou-se em proveito da de outros responsáveis da Irmandade, abrindo uma verdadeira guerra interna. A CIA colocou na sua direcção o franço-mação Sayyid Qtub [1], o teórico da Jiade, que o guia condenou antes de concluir um acordo com o MI6.

É impossível especificar as relações de subordinação interna entre uns e outros, por um lado porque cada ramo estrangeiro tem a sua própria autonomia e, por outro lado, porque as unidades secretas no seio da organização não dependem mais, absolutamente, nem do Guia-chefe, nem do Guia local, mas, por vezes, directamente da CIA e do MI6.

Durante o período seguinte à Segunda Guerra mundial, os Britânicos tentam organizar o mundo de maneira a mantê-lo fora do alcance dos Soviéticos. Em Setembro de 1946, em Zurique, Winston Churchill lançou a ideia dos Estados Unidos da Europa. Dentro do mesmo princípio, ele lança a Liga Árabe. Em ambos os casos, trata-se de conseguir a unidade de uma região sem a Rússia. Desde o início da Guerra Fria, os Estados Unidos da América, por seu lado, criam associações encarregadas de acompanhar este movimento em proveito próprio, o American Committee on United Europe e os American Friends of the Middle East [2]. No mundo árabe, a CIA organiza dois golpes de Estado, primeiro em favor do General Hosni Zaim em Damasco (Março de 1949), depois com os Oficiais Livres no Cairo (Julho de 1952). Trata-se de apoiar os nacionalistas que se supõe serem hostis aos comunistas. É com este estado de espírito que Washington traz ao Egipto o General SS Otto Skorzeny e ao Irão o General nazi Fazlollah Zahédi, acompanhados de centenas de antigos responsáveis da Gestapo para dirigir a luta anti-comunista. Skorzeny infelizmente modelou a polícia egípcia numa tradição de violência. Em 1963, ele escolherá a CIA e a Mossad contra Nasser. Zahédi, quanto a ele, criará a SAVAK, a mais cruel polícia política da época.

Se Hassan el-Banna tinha fixado o objectivo —tomar o Poder manipulando a religião—, Qutb definiu o meio : a jiade. Uma vez tendo os adeptos admitido a superioridade do Alcorão, podemos apoiar-nos nele para os organizar em exército e enviá-los para o combate. Qutb desenvolve uma teoria maniqueísta diferenciando o que é islamista e o que é «tenebroso». Para a CIA e o MI6, esta lavagem cerebral permite utilizar os fiéis para controlar os governos nacionalistas árabes, depois para desestabilizar as regiões muçulmanas da União Soviética. A Irmandade torna-se um inesgotável reservatório de terroristas sob o slogan : «Alá é o nosso fim. O Profeta é o nosso chefe. O Alcorão é a nossa lei. A jiade é a nossa via. O martírio, o nosso voto».

O pensamento de Qutb é racional, mas não razoável. Desenvolve uma retórica invariável Alá/Profeta/Corão/Jiade/Martírio que não permite nunca qualquer possibilidade de debate. Ele coloca a superioridade da sua lógica acima da razão humana.

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Recepção de uma delegação da sociedade secreta pelo Presidente Eisenhower na Casa Branca (23 de Setembro de 1953).

A CIA organiza um colóquio na Universidade de Princeton sobre «A situação dos muçulmanos na União Soviética». É a ocasião de receber nos Estados Unidos uma delegação dos Irmãos Muçulmanos conduzida por um dos chefes do seu ramo armado, Saïd Ramadan. No seu relatório, o oficial da CIA encarregue do acompanhamento nota que Ramadan não é um extremista religioso, antes se parece mais com um fascista ; uma maneira de sublinhar o carácter exclusivamente político dos Irmãos Muçulmanos. O colóquio concluiu com uma recepção na Casa Branca pelo Presidente Eisenhower, a 23 de Setembro de 1953. A aliança entre Washington e o jiadismo está firmada.

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(Da esquerda para a direita) Hassan el-Banna casou a sua filha com Saïd Ramadan, fazendo dele o seu sucessor. O casal dará origem a Hani (director do Centro Islâmico de Genebra) e Tariq Ramadan (que será professor titular da cadeira de estudos islâmicos contemporâneos na universidade de Oxford).

A CIA, que tinha recriado a Irmandade contra os comunistas, primeiro utilizou-a para ajudar os nacionalistas. Nesta época a Agência era representada no Médio-Oriente por anti-sionistas, saídos da classe média. Rapidamente, eles foram afastados em proveito de altos-funcionários de origem anglo-saxónica e puritana, saídos das grandes universidades e favoráveis a Israel. Washington entrou em conflito com os nacionalistas e a CIA voltou a Irmandade contra eles.

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Said Ramadan e Abdul Ala Mawdudi animaram uma emissão semanal na Rádio Paquistão, uma estação criada pelo MI6 britânico.

Said Ramadan tinha comandado alguns combatentes da Irmandade durante a breve guerra contra Israel em 1948, depois tinha ajudado Sayyid Abul Ala Maududi a criar no Paquistão a organização para-militar da Jamaat-i-Islami. Tratava-se, então, de fabricar uma identidade islâmica para os Indianos muçulmanos de modo a que eles constituam um novo Estado, o Paquistão. A Jamaat-i-Islami redigirá, aliás, a constituição paquistanesa. Ramadan desposa a filha de Hassan al-Banna e torna-se o chefe do braço armado dos novos «Irmãos Muçulmanos».

Enquanto no Egipto, tendo os Irmãos participado no golpe de Estado dos Oficiais Livres do General Mohammed Naguib –-Sayyid Qutb era o seu agente de ligação--- eles são encarregues de eliminar um dos seus líderes, Gamal Abdel Nasser, o qual entrou em conflito com Naguib. Não apenas falham, a 26 de Outubro de 1954, como Nasser toma o Poder, reprime a Irmandade e coloca Naguib sob prisão domiciliar. Sayyid Qutb será enforcado alguns anos mais tarde.

Interditos no Egipto, os Irmãos recuam para os Estados wahhabitas (Arábia Saudita, Catar e emirado de Sharjah) e para a Europa (Alemanha, França e Reino Unido, mais a neutral Suíça). Em todas as ocasiões, são acolhidos sempre como agentes ocidentais lutando contra a nascente aliança entre os Nacionalistas árabes e a União Soviética. Saïd Ramadan recebe um passaporte diplomático jordano e instala-se em Genebra, em 1958, de onde ele dirige a desestabilização do Cáucaso e da Ásia Central (ou seja o Afeganistão-Paquistão e o vale soviético de Ferghana). Ele assume o controle da Comissão para a construção de uma mesquita em Munique, o que lhe permite supervisionar quase todos os muçulmanos da Europa Ocidental. Com a ajuda do American Committe for Liberation of the Peoples of Russia (AmComLib), quer dizer da CIA, ele dispõe da Radio Liberty/Radio Free Europe, uma estação directamente financiada pelo Congresso norte-americano para difundir a ideologia da Irmandade [3].

Após a crise do Canal de Suez e a espectacular reviravolta de Nasser para o lado soviético, Washington decide apoiar sem limites os Irmãos Muçulmanos contra os Nacionalistas árabes. Um alto quadro da CIA, Miles Copeland, é encarregado –-em vão--- de selecionar na Irmandade uma personalidade que possa desempenhar no mundo árabe um papel equivalente ao do Pastor Billy Graham nos Estados Unidos. Será preciso esperar pelos anos 80 para encontrar um pregador desta envergadura, o egípcio Youssef al-Qaradawi.

Em 1961, a Irmandade estabelece uma conexão com outra sociedade secreta, a Ordem dos Naqchbandis. Trata-se de uma espécie de franco-maçonaria muçulmana misturando iniciação Sufi e política. Um dos seus teóricos indianos, Abu al-Hasan Ali al-Nadwi, publica um artigo na revista dos Irmãos. A Ordem é antiga e está presente em inúmeros países. No Iraque, o grão-mestre não é outro senão o futuro Vice-presidente Ezzat Ibrahim al-Duri. Ele apoiará a tentativa de golpe de Estado dos Irmãos na Síria, em 1982, depois a «campanha de retorno à Fé» organizada pelo Presidente Saddam Hussein, para reforçar a identidade do seu país, após o estabelecimento da área de exclusão aérea pelos Ocidentais. Na Turquia, a Ordem jogará um papel mais complexo. Ela irá incluir como responsáveis tanto Fethullah Gullen (fundador do Hizmet), como o Presidente Turgut Özal (1989-93) e o Primeiro-ministro Necmettin Erbakan (1996-97), fundador do Partido da Justiça (1961) e da Millî Görüş (1969). No Afeganistão, o antigo presidente Sibghatullah Mujaddidi (1992) foi seu grão-mestre. Na Rússia, com a ajuda do Império Otomano, a Ordem havia revoltado a Crimeia, o Usbequistão, a Tchechénia e o Daguestão, no século XIX, contra o czar. Até à queda da União Soviética, não teremos notícias deste ramo; tal como no Xinjiang chinês. A proximidade entre os Irmãos e os Naqchbandis muito raramente é estudada tendo em conta a oposição de princípios dos Islamistas à mística e às ordens Sufis em geral.

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A sede saudita da Liga Islâmica Mundial. Em 2015, o seu orçamento era superior à do Ministério saudita da Defesa. Primeiro comprador mundial de armas, a Arábia Saudita adquire armas que a Liga distribui às organizações dos Irmãos Muçulmanos e Naqchbandis.

Em 1962, a CIA encoraja a Arábia Saudita a criar a Liga Islâmica Mundial e a financiar, ao mesmo tempo, a Irmandade e a Ordem contra os nacionalistas e os comunistas [4]. Esta organização é, a principio, financiada pela Aramco (Arabian-American Oil Company). Entre a vintena dos seus membros fundadores conta-se três teóricos islamitas de que já falamos : o egípcio Saïd Ramadan, o paquistanês, Sayyid Abul Ala Mawdudi e o indiano Abu al-Hasan Ali al-Nadwi.

De facto a Arábia, que dispõe subitamente de enorme liquidez graças ao comércio do petróleo, torna-se a madrinha dos Irmãos no mundo inteiro. Em casa, a monarquia confia-lhes o sistema de ensino escolar e universitário, num país onde quase ninguém sabe ler e escrever. Os Irmãos têm de se adaptar aos seus anfitriões. Com efeito, a sua vassalagem ao rei impede-os de prestar fidelidade ao Guia-chefe. Seja como for, eles organizam-se em torno de Mohamed Qutb, o irmão de Sayyid, em duas correntes : os Irmãos sauditas de um lado e os «Sururistas», de outro. Estes últimos, que são Sauditas, ensaiam uma síntese entre a ideologia política da Irmandade e a teologia Wahhabista. Esta seita, da qual a família real é parte, defende uma interpretação do Islão extraída do pensamento beduíno, iconoclasta e anti-histórica. Até Riade dispor de petro-dólares, ela lançava anátemas às escolas muçulmanas tradicionais que, por sua vez, a consideravam como herética.

Na realidade, a política dos Irmãos e a religião Wahhabista nada têm em comum, mas são compatíveis. Salvo, que o pacto que liga a família dos Saud aos pregadores wahhabistas não pode subsistir com a Irmandade : a ideia de uma monarquia de direito divino esbarra no apetite dos Irmãos pelo Poder. É pois acordado que os Saud apoiarão os Irmãos por todo o mundo, com a condição de estes se absterem de entrar em política na Arábia.

O apoio dos wahhabitas sauditas aos Irmãos provoca uma rivalidade suplementar entre a Arábia e os dois outros Estados wahhabitas que são o Catar e o Emirado de Sharjah.

De 1962 a 1970, os Irmãos Muçulmanos participam na guerra civil do Iémene do Norte e tentam restabelecer a monarquia, ao lado da Arábia Saudita e do Reino Unido, contra os Nacionalistas árabes, o Egipto e a URSS; um conflito que prefigura o que se vai seguir durante meio século.

Em 1970, Gamal Abdel Nasser consegue estabelecer um acordo entre as facções Palestinas e o rei Hussein da Jordânia que põe um fim ao «Setembro Negro». Na noite da Cimeira da Liga Árabe que ratifica o acordo ele morre, oficialmente de ataque cardíaco, muito mais provavelmente assassinado. Nasser tinha três vice-presidentes, um de esquerda –-extremamente popular---, um centrista –-muito famoso---, e um conservador escolhido a pedido dos Estados Unidos e da Arábia Saudita: Anwar al-Sadate. Sujeito a pressões, o vice-presidente de esquerda diz-se incapaz para o cargo. O vice-presidente centrista prefere abandonar a política. Sadate é designado como candidato dos Nasseristas. Este é o drama de muitos países: o Presidente seleciona um Vice-Presidente entre os seus rivais de maneira a alargar a sua base eleitoral, mas este substitui-o quando ele morre e arrasa o seu legado.

Sadate, que havia servido o Reich durante a Segunda Guerra mundial e professa uma grande admiração pelo Führer, é um militar ultra-conservador que servia de alter-ego a Sayyid Qutb como agente de ligação entre a Irmandade e os Oficiais Livres. Logo após a sua ascensão ao Poder, ele liberta os Irmãos presos por Nasser. O «Presidente crente» é um aliado da Irmandade quanto à islamização da sociedade (a «revolução da rectificação»), mas seu rival quando pretende um proveito político. Esta relação ambígua é ilustrada pela criação de três grupos armados, que não são cisões da Irmandade mas unidades externas que lhe obedecem : o Partido da libertação islâmica, a Jiade Islâmica (do Xeque Omar Abdul Rahman) e a Excomunicação e Imigração (o «Takfir»). Todos declarando aplicar as instruções de Sayyid Qutb. Armada pelos serviços secretos, a Jiade Islâmica lança ataques contra os Cristãos coptas. Longe de acalmar a situação, «o Presidente crente» acusa os coptas de sedição e prende o seu Papa e oito dos seus bispos. Por último, Sadate intervêm na condução da Irmandade e toma posição pela Jiade Islâmica contra o Guia-chefe, que ele manda prender [5].

A instruções do Secretário de Estado, Henry Kissinger, ele convence a Síria a juntar-se ao Egipto para atacar Israel e restaurar os direitos dos Palestinianos. Em 6 de Outubro de 1973, os dois exércitos envolvem o país hebreu num movimento de pinça durante a festa do Yom Kippur. O Exército egípcio atravessa o canal do Suez, enquanto o sírio ataca a partir do planalto do Golã. No entanto, Sadate apenas utiliza parcialmente a sua cobertura anti-aérea e manda parar o seu exército a 15 km a Leste do canal, enquanto os Israelitas se precipitam sobre os Sírios, que se veem armadilhados e gritam contra o complô. Só após os reservistas israelitas mobilizados e o Exército sírio cercado pelas tropas de Ariel Sharon, é que Sadate ordena ao seu exército para retomar a progressão, depois pará-lo para negociar um cessar-fogo. Assistindo à traição egípcia, os Soviéticos que já tinham perdido um aliado com a morte de Nasser, ameaçam os Estados Unidos e exigem a paragem imediata dos combates.

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Antigo agente de ligação com Sayyid Qutb entre os «Oficiais Livres» e a Confraria, o «Presidente crente» Anuar al-Sadate devia ser proclamado «sexto califa» pelo Parlamento egípcio. Aqui, este admirador de Adolf Hitler no Knesset ao lado dos seus parceiros Golda Meïr e Shimon Peres.

Quatro anos mais tarde –-prosseguindo o plano da CIA--- o Presidente Sadate vai a Jerusalém e decide assinar uma paz separada com Israel em detrimento dos Palestinianos. Agora, a aliança entre os Irmãos e Israel está selada. Todos os Povos árabes vaiam esta traição e o Egipto é excluído da Liga Árabe, cuja sede é passada para Tunes.

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Responsável do «Aparelho secreto» dos Irmãos Muçulmanos, Ayman al-Zawahiri (actual chefe da Alcaida) organiza o assassinato do Presidente Sadate (6 de Outubro de 1981).

Washington decide virar a página, em 1981. A Jiade Islâmica é encarregue de liquidar Sadate, agora sem interesse. Ele é assassinado durante uma parada militar, quando o Parlamento se aprestava para o proclamar «Sexto Califa». Na tribuna oficial 7 pessoas são mortas e 28 feridas, mas, sentado ao lado do Presidente, o seu Vice-presidente, o General Mubarak, escapa. Prevenido, era a única pessoa na tribuna oficial a usar um colete à prova de bala. Ele sucede ao «Presidente crente» e a Liga Árabe pode agora ser repatriada para o Cairo.

(Continua …)

 

[1] “Sayyid Qutb era franco-maçom”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 1 de Junho de 2018.

[2] America’s Great Game: The CIA’s Secret Arabists and the Shaping of the Modern Middle East, Hugh Wilford, Basic Books (2013).

[3] A Mosque in Munich: Nazis, the CIA, and the Rise of the Muslim Brotherhood in the West, Ian Johnson, Houghton Mifflin Harcourt (2010).

[4] Dr. Saoud et Mr. Djihad. La diplomatie religieuse de l’Arabie saoudite, Pierre Conesa, préface d’Hubert Védrine, Robert Laffont (2016). English version: The Saudi Terror Machine: The Truth About Radical Islam and Saudi Arabia Revealed, Skyhorse (2018).

[5] Histoire secrète des Frères musulmans, Chérif Amir, préface d’Alain Chouet, Ellipses (2015).



Ver original na 'Rede Voltaire'



Após derrota na Síria, terroristas fogem em direção à África e Afeganistão, diz UE

Flag of the Islamic State in the conflict zone
© Sputnik / Andrey Stenin

Após a derrota do "califado físico" na Síria e no Iraque, militantes que lutaram nesses países estão se mudando para o Afeganistão e também para o norte da África, disse neste sábado (11) o coordenador da luta antiterrorista da União Europeia, Gilles de Kerchove.

"O fim do califado físico [no Iraque e na Síria] não acaba com o problema. Muitos combatentes europeus ainda estão lá. Outros se mudaram para outras áreas de conflito, incluindo Afeganistão, Sahel [região], Sinai e norte da África", disse o representante europeu em entrevista para a emissora belga RTBF. Ele acrescentou que a África pode ser o próximo alvo dos terroristas.


Em abril, o vice-ministro da Defesa da Rússia, Alexander Fomin, disse que alguns membros do Daesh* chegaram ao sul da África após a derrota na Síria.

Declarações semelhantes foram feitas pelo ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu. Segundo ele, os militantes do Daesh estavam se mudando para a Ásia Central e o Sudeste Asiático depois de terem sido derrotados na Síria e no Iraque.

O conflito armado na Síria está em andamento desde 2011. A vitória sobre o Daesh no Iraque e na Síria foi anunciada no final de 2017. As operações contra os militantes continuam em algumas áreas na Síria, mas o foco mudou em direção a um acordo político.

* O Daesh é um grupo terrorista banido do território da Rússia e de diversos outros países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019051113860741-daesh-russia-siria-terrorismo-africa/

Os novos territórios do Daesh

Thierry Meyssan*

Muito embora já não haja mais razão de ser para a divisão dos jiadistas entre Alcaida e Daesh, as duas organizações perduram fazendo guerra no Médio-Oriente Alargado. Paradoxalmente, é agora a Alcaida quem gere um pseudo-Estado, na província de Idlib, e o Daesh quem organiza atentados fora dos campos de batalha, no Congo e no Sri Lanka.
A libertação da zona administrada pelo Daesh (E.I.), tal como se fosse um Estado, não significou o fim desta organização jiadista. Com efeito, se este é uma criação dos Serviços de Inteligência da OTAN, ele incarna uma ideologia que mobiliza os jiadistas e que pode sobreviver-lhe.

A Alcaida era um exército auxiliar da OTAN que vimos combater no Afeganistão, depois na Bósnia-Herzegovina, e por fim no Iraque, na Líbia e na Síria. As suas principais acções são actos de guerra (sob a denominação de «Mujahedins» ou de «Legião Árabe», ou outras ainda), e, subsidiariamente, mais abertamente de operações terroristas como em Londres ou em Madrid.

Osama Bin Laden, oficialmente considerado como o inimigo público número1, vivia, na realidade, no Azerbaijão sob protecção dos EUA, tal como testemunhou uma vigilante do FBI [1].

Recordemos que os atentados do 11-de-Setembro em Nova Iorque e Washington jamais foram reivindicados pela Alcaida, que Osama Bin Laden declarou que não estava envolvido neles, e que o vídeo onde ele se contradiz só foi autenticado pelo seu empregador, o Pentágono, mas foi julgado falso por todos os peritos independentes.


Enquanto Osama bin Laden teria morrido em Dezembro de 2001, segundo as autoridades paquistanesas, e o MI6 se teria feito representar no seu enterro, actores desempenharam o seu papel até 2011, data em que os Estados Unidos alegaram tê-lo assassinado, mas sem jamais terem mostrado o seu corpo [2].

A morte oficial de Osama Bin Laden permitiu reabilitar os seus combatentes extraviados pelo seu malvado líder, de tal modo que a OTAN pôde, na Líbia e na Síria, apoiar-se abertamente na Alcaida, tal como já o havia feito na Bósnia-Herzegovina [3].

O Daesh (EI), pelo contrário, é um projecto de administração de um território, o "Sunnistão" ou Califado, que devia separar o Iraque da Síria, tal como explicou, com mapas na mão, uma investigadora do Pentágono, Robin Wright, antes da criação desta organização [4]. Ele foi directamente financiado e armado pelos Estados Unidos durante a operação «Timber Sycamore» [5]. Ele chocou os espíritos ao estabelecer uma lei pronta-a-usar, a lei da Xaria.

Se os jiadistas da Alcaida e Daesh (EI) foram vencidos no Iraque e na Síria, foi primeiro graças à coragem do Exército Árabe Sírio, depois da Força Aérea Russa, que usou bombas penetrantes contra as instalações subterrâneas dos combatentes e, por fim, dos seus aliados. Mas, se a guerra militar [6] se fechou foi graças a Donald Trump, que impediu que se continuasse a trazer jiadistas dos quatro cantos do mundo, principalmente da Península Arábica, do Magrebe, da China, da Rússia e, finalmente, da União Europeia.

Tanto quanto a Alcaida é uma força paramilitar auxiliar da OTAN, assim o Daesh (EI) é um exército terrestre aliado.

Paradoxalmente, enquanto o Daesh (EI) perdeu o território para cuja posse havia sido preparado, é a Alcaida que agora administra um, quando antes se opunha a esse tipo de encargo. Os Sírios acabaram com os vários focos de jiadistas em casa e enquistaram a doença na província de Idlib. Incapazes de romper com este tipo de aliados de circunstância, a Alemanha e a França tomaram-nos a cargo, em termos humanitários de alimentação e saúde. Assim, quando os Europeus falam hoje sobre a ajuda que fornecem aos refugiados sírios, é preciso entendê-lo como o apoio aos membros da Alcaida que não são, geralmente, nem civis, nem sírios. No fundo, a retirada dos soldados norte-americanos da Síria não muda grande coisa enquanto eles mantiverem os seus mercenários da Alcaida em Idlib.

Tendo o Daesh sido privado do seu território, os seus sobreviventes já não podem desempenhar o papel que lhes era atribuído pelos Ocidentais, mas apenas uma função comparável à da Alcaida : a de uma milícia terrorista. Além disso, durante a sua existência o Estado Islâmico praticava já o terrorismo fora do campo de batalha como vimos na Europa desde 2016.

Os atentados que ele realizou recentemente, a 16 de Abril no Congo [7] ou a 21 de Abril no Sri Lanka [8], não foram antecipados por ninguém, inclusive nós. Eles teriam podido ser, por outro lado, atribuídos a uma ou a outra organização. A única vantagem do Daesh sobre a Alcaida é a sua imagem de barbárie, muito embora isso não possa durar.

Se o Daesh pôde subitamente surgir na República Democrática do Congo, foi confiando o seu estandarte aos combatentes das «Forças Democráticas Aliadas» do Uganda.

Se ele conseguiu agir de maneira espectacular no Sri Lanka, foi porque os Serviços de Inteligência estavam totalmente virados contra a minoria hindu e não vigiavam os muçulmanos. Foi também talvez assim porque estes serviços foram preparados por Londres e Telavive, ou, ainda, por causa da oposição entre o Presidente da República, Maithripala Sirisena, e o Primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, que entravava a circulação da Informação.

O Sri Lanka é particularmente vulnerável porque ele imagina-se muito refinado para poder produzir uma tal bestialidade. O que está errado: o país ainda não esclareceu o modo como mais de 2.000 Tigres Tamil foram executados, depois que foram derrotados e se haviam rendido, em 2009. Ora, toda a vez que alguém se recusa olhar de frente os seus próprios crimes, expõe-se a provocar novos crendo-se mais civilizado que os outros.

Seja como for, os dramas do Congo e do Sri Lanka atestam que os jiadistas não irão desarmar e que os Ocidentais os continuarão a utilizar fora do Médio-Oriente Alargado.
Thierry Meyssan | Voltaire.net.org | Tradução Alva
*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).
Notas:
[1] Classified Woman : The Sibel Edmonds Story: A Memoir, Sibel Edmonds, 2012
[2] “Reflexões sobre o anúncio oficial da morte de Osama Bin Laden”, Thierry Meyssan, Tradução David Lopes, Rede Voltaire, 4 de Junho de 2011.
[3Comment le Djihad est arrivé en Europe, Jürgen Elsässer, Préface de Jean-Pierre Chevènement, Xénia, 2006.
[4] “Imagining a Remapped Middle East”, Robin Wright, The New York Times Sunday Review, September 28, 2013.
[5] “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.
[6] O autor distingue a guerra pela via militar da que é conduzida hoje em dia pela via económica. NdR.
[7] «RDC : Daesh et les ADF se rapprochent au Nord-Kivu», Christophe Rigaud, Afrikarabia, 21 avril 2019.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/os-novos-territorios-do-daesh.html

Anistia: saída dos EUA do Tratado Internacional de Comércio de Armas ajuda terroristas

Armas do Daesh
© Sputnik / MORAD SAEED

O plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de se retirar do Tratado Internacional de Comércio de Armas ajuda terroristas e promoverá conflitos em partes distantes do globo, alertou a Anistia Internacional nesta sexta-feira.

"O tratado exige que os governos avaliem o risco de violações da lei internacional humanitária e de direitos humanos antes de autorizar um acordo de armas para evitar que armas sejam usadas irresponsavelmente em conflitos brutais, por crime organizado ou terroristas", diz o texto divulgado pela organização internacional.


Trump anunciou nesta sexta-feira que os Estados Unidos se retirariam do Tratado Internacional de Comércio de Armas, do qual o país é um dos 130 signatários desde 2013. O documento foi assinado pelo presidente Barack Obama (2009-2017), mas o Congresso nunca ratificou o acordo.

A decisão do presidente dos Estados Unidos provavelmente "reabrirá as portas para a venda de armas com critérios de direitos humanos enfraquecidos, o que poderia alimentar conflitos brutais e resultar em menos segurança para todos", alertou a Anistia Internacional.

O tratado, que entrou em vigor em dezembro de 2014, "regula o comércio internacional de armas convencionais, desde armas pequenas até tanques de guerra, aviões de combate e navios de guerra", segundo o documento das Nações Unidas.

O tratado será aberto para modificações no próximo ano e algumas das alterações que podem ser introduzidas não podem ser apoiadas pelos Estados Unidos, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

"O Acordo sobre Comércio de Armas não aborda o problema das transferências irresponsáveis ​​de armas, mas fornece uma plataforma para aqueles que buscam limitar nossa capacidade de vender armas para nossos aliados", disse a Casa Branca.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2019042613765094-anistia-eua-trump-comercio-armas/

3 explosões atingem o Sri Lanka

Ambulância tenta passar por multidão para prestar assistência às vítimas do atentado em Colombo, capital do Sri Lanka
© AP Photo / Eranga Jayawardena

Segundo a mídia local, as explosões foram registradas na cidade de Kalmunai, na região nordeste leste do Sri Lanka. As explosões acontecem apenas cinco dias após um ataque terrorista no país que deixou 359 mortos e mais de 500 feridos.

Ainda segundo a agência News 1st, suspeitos teriam explodido a si mesmos após o início de um tiroteio, após forças de segurança locais tentarem invadir um local supostamente utilizado para a construção de artefatos para ataques suicidas.


As forças de segurança apreenderam no local roupas e bandeiras ligadas ao grupo terrorista Daesh. Além disso, foram encontrados 150 bastões de nitroglicerina, 100 mil bolas do ferro, drones e pelo menos um traje alterado para ataques suicidas.

O porta-voz do Exército, Sumith Attapattu confirmou as informações, acrescentando que oficiais estavam aguardando mais informações.

De acordo com as informações mais recentes, a polícia do Sri Lanka prendeu mais de 70 pessoas após operações e busca em todo o país que ocorrem desde 21 de abril, quando os ataques a igrejas e hoteis atingiram o país, vitimando centenas de pessoas. A inteligência local acredita que a ameaça de novos ataques terroristas no país ainda é grande.

* O Daesh é um grupo terrorista banido da Rússia e de outros países.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019042613763673-sri-lanka-ataques-explosoes/

Sri Lanka, um país asiático nas mãos do terror islamista?

Atentados que mataram e feriram centenas chamam a atenção para tensões sociais e religiosas no país insular do Oceano Índico de maioria budista, onde há dez anos a violência comunal parecia relativamente sob controle.

O governo do Sri Lanka declarounesta segunda-feira (22/04) que o grupo fundamentalista islâmico local National Thowfeek Jamaath (NTJ) estaria por trás dos atentados fatais a bomba do Domingo de Páscoa, resultando em quase 300 mortos e outras centenas de feridos.

Segundo o porta-voz Rajitha Senaratne, que também integra o gabinete, o governo estaria examinando as ramificações do NTJ. "Não vemos como uma pequena organização como esta, neste país, pôde fazer tudo isso. Estamos agora investigando o apoio internacional a eles, suas outras conexões, como conseguiram os homens-bomba e bombas como essas."

Noticiou-se que em 11 de abril o chefe da polícia nacional divulgara uma advertência segundo a qual uma "agência internacional de inteligência" teria advertido que o grupo planejava atentados contra igrejas e contra a Alta Comissão Indiana. No domingo, as autoridades anunciaram a prisão de 13 cidadãos cingaleses suspeitos de ligação com os ataques.


"Não sabemos muito sobre o NTJ, mas ele parece semelhante a outros grupos terroristas ativos no Sul Asiático, como o Ansarullah Bangla Team (ABT) em Bangladesh. Ambossão aparentemente inspirados na Al Qaeda", explicou à DW Siegfried O. Wolf, especialista na região pelo Fórum Democrático do Sul Asiático, sediado em Bruxelas.

"Sua meta principal é espalhar uma ideologia jihadista e criar medo e ódio. Ele é também contra qualquer tipo de reconciliação nacional, e portanto trabalha para manter vivos os conflitos étnicos e religiosos."

Nos últimos anos, têm sido tensas as relações entre a comunidade budista majoritária do Sri Lanka e a minoria muçulmana. Em março de 2018 o governo declarou estado de emergência em nível nacional, a fim de coibir a violência comunitária entre muçulmanos e budistas. Segundo analistas, porém, apesar de devastado por décadas da insurgência separatista tâmil esmagada pelos militares em 2009, o estado insular tem pouco histórico de violência islamista.

A maioria da população cingalesa é budista, com apenas 10% de fé islâmica e 6% de cristãos. "Os grupos fundamentalistas islâmicos locais não são muito fortes. Mas também é verdade que a maioria dos suspeitos pelas detonações do domingo pertence à comunidade muçulmana", observa o ativista cingalês dos direitos humanos S.T. Nalini.

O analista Wolf observa que, assim como muitos grupos islamistas locais ativos no Sul da Ásia, também o NTJ quer alastrar o movimento jihadista por aquela ilha do Oceano Índico.

"Grupos terroristas internacionais estão cada vez mais se apoderando de conflitos locais para estender o jihad global a diferentes partes do mundo. O conflito dos uigures na província ocidental chinesa de Xinjiang e o dos rohingyas em Myanmar são dois exemplos. Em ambos os casos, as organizações globais procuram instrumentalizar problemáticas locais para ampliar sua influência."

As organizações tentam igualmente ganhar atenção internacional e adquirir novos recursos. "O Sri Lanka se tornou uma das mais populares destinações turísticas, nos últimos dez anos, através dos tremendos esforços do governo. Atentados como esses prometem atenção internacional", diz Wolf, segundo quem as igrejas da ilha são alvos fáceis para os terroristas.

Além disso, os grupos militantes cingaleses têm um longo histórico de se associar a organizações internacionais de terrorismo. "A necessidade de gerar fundos levou até mesmo grupos separatistas como os Tigres de Tâmil a procurarem ajuda externa."

Os atentados também suscitam temores de uma ressurgência da violência comunal que tem repetidamente afligido o país no Oceano Índico. No fim do domingo, a polícia informou que uma mesquita do noroeste sofrera um atentado a bomba de gasolina, e duas lojas de proprietários muçulmanos, no oeste, foram incendiadas.

As explosões representam, ainda, um forte golpe para as autoridades cingalesas, que nos últimos dez anos vinham, em parte, conseguindo manter sob controle a violência no país. As décadas de insurgência no norte do país mataram milhares, até que o ex-presidente Mahinda Rajapaksa derrotou o movimento separatista Liberation Tigers of Tamil Eelam (LTTE) numa operação militar, em 2009.

No entanto, a ausência de violência não significa que o Sri Lanka superara suas graves cisões sociais e políticas, alerta Siegfried Wolf. "O conflito étnico-religioso entre a maioria cingalesa budista e a minoria tâmil hindu terminou em 2009, mas o conflito ainda existe no país, pois não houve qualquer solução política para esse problema multifacetado."

Além disso as tensões econômicas e financeiras estariam crescendo devido à implementação da infraestrutura para a Iniciativa do Cinturão e Rota da China. "Apesar do incremento do turismo, o desenvolvimento desigual e as intervenções estrangeiras também estão funcionando como um catalizador para conflitos políticos no Sri Lanka", explica o analista do Fórum do Sul Asiático.
Shamil Shams (av) | Deutsche Welle

 

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Segundo Kurdistan24, um administrador do Daesh confessou o uso de morteiros de cloro

Um tribunal iraquiano condenou à morte por enforcamento o belga Bilal Abdul-Aziz al-Marshouhi (dito «Abu Fadhil al-Belgiki») pela sua pertença ao Daesh(E.I.).

«Eu nasci na Bélgica e tenho nacionalidade belga, apesar das minhas origens marroquinas (...) estudei engenharia na Universidade de Antuérpia. Tornei-me jiadista depois de ficar amigo de alguém que lia livros que apelavam a um islão radical», explicou ele.

Acusado de ter montado um site pornográfico, deixou a Frente Al-Nusra (Alcaida) depois de ter sido treinado no manejo de armas por ela. A seguir, juntou-se ao Daesh(EI) onde, primeiro, serviu na polícia (militar, criminal e de costumes) do Estado Islâmico em Alepo e, por fim, na administração geral na capital (Raqqa).

De acordo com o canal de televisão Kurdistan24, ele afirmou durante uma audiência que o seu grupo fazia uso de armas químicas, nomeadamente de morteiros de cloro, no distrito de Raqqa e num campo [1].

As Nações Unidas foram chamadas a intervir a respeito de 216 supostos ataques químicos na Síria. A República Árabe Síria e a Rússia acusaram os jiadistas, enquanto os Ocidentais atiravam a responsabilidade dos mesmos para o «regime de Bashar». Os inspetores da OPAQ (OPCW) confirmaram vários desses ataques sem poder determinar os autores. No entanto, o seu último relatório sobre o caso de Duma isenta de facto as autoridades de Damasco.




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Londres deliberadamente deixou uma rede criminosa financiar a jiade

Segundo o Sunday Times [1], as administrações britânicas deixaram uma rede criminosa desviar 8 bilhões (mil milhões-pt) de libras para financiar a jiade sem intervir.

O Sunday Times afirma que o MI5 não foi informado dessas atividades, mas não diz quem protegeu os financiadores da jiade.

Esta informação confirma a investigação de Thierry Meyssan sobre o apoio dado, por meio século, pela Coroa à Confraria dos Irmãos Muçulmanos e ao terrorismo islâmico [2].

O semanário menciona transferências de fundos observadas pela administração alfandegária para a Alcaida, bem como ligações com os autores dos atentados de Londres de 7 de Julho de 2005. Um funcionário garante até que viu um dos responsáveis da rede em conversação com o Primeiro-ministro Tony Blair durante a guerra contra o Iraque.


[1] “Taxman kept quiet while £8bn fraud helped fund Osama bin Laden”, Tom Harper, The Sunday Times, March 30, 2019.

[2] Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump, Thierry Meyssan, éditions Demi-Lune, 2017.



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Análise: o que está por trás das declarações dos EUA sobre a derrota do Daesh?

Forças dos EUA na Síria (foto de arquivo)
© AFP 2019 / DELIL SOULEIMAN

Os combatentes apoiados pelos EUA no leste da Síria declararam a vitória militar final sobre os terroristas do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia). A Agência Sputnik discutiu com especialistas o que pode estar por trás dessas declarações.

Na quinta-feira, a mídia curda informou que as Forças Democráticas da Síria (FDS) libertaram completamente Baghouz, a última cidade que o Daesh detinha no sudeste da Síria, mas depois desmentiram estes dados. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders declarou no dia seguinte que a Síria está 100% "limpa de terroristas do Daesh".

Boris Dolgov, especialista do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Academia de Ciências da Rússia, disse à Sputnik que os combates continuam. Dolgov explicou que as declarações dos EUA e das SDF têm um caráter de propaganda e autopromoção, pois a ideologia do grupo terrorista ainda persiste. O renascimento do Daesh, disse, é possível em algumas áreas.

"Tais declarações sobre a vitória completa sobre o Daesh são feitas pelos americanos e pelas FDS, mas é necessário dizer, em primeiro lugar, que o Daesh como estrutura político-militar terrorista foi suprimida e derrotada pelo exército do governo sírio com o apoio da Força Aeroespacial da Rússia", — disse Dolgov em uma entrevista com a Sputnik.


Ele explicou que agora algumas unidades do Daesh ainda existentes em diferentes partes da Síria foram derrotadas, é isso que as FDS e os EUA estão anunciando. "Mas dizer que Daesh está completamente derrotado na Síria ainda é prematuro, na minha opinião, porque ainda existem unidades "adormecidas" do Daesh.

Em segundo lugar, essas declarações são, em muitos aspetos, propagandísticas e têm um caráter de autopromoção, para apresentar o lado americano e as FDS como os principais vencedores do Daesh", acrescentou o especialista.

Ao mesmo tempo, Dolgov sublinhou que a ideologia do grupo ainda existe não só na Síria, mas também no Afeganistão e mesmo na Europa. Segundo ele, os ataques terroristas na Europa significam que as forças residuais do Daesh podem aparecer em algumas zonas da Síria se existirem as condições neсessárias.

Outro especialista, professor do Departamento de Ciência Política da Escola Superior de Economia da Rússia, Grigory Lukyanov, explicou que as recentes declarações são políticas e ajudam o líder americano Donald Trump a ganhar pontos para o seu programa eleitoral.

Lukyanov observou que hoje o Daesh está transformado em análogo da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia), com a qual o grupo rompeu relações em 2014. Segundo ele, é impossível lutar contra o Daesh somente "no campo de batalha", e dizer que o Daesh "foi 100% derrotado" significa apenas fazer declarações políticas.


"Isto é o que a administração Trump e o próprio presidente Trump estão realizando. Suas declarações quanto à vitória sobre o Daesh são os chamados "pontos" em seu programa eleitoral. Se ele não disser que obteve uma vitória convincente sobre o Daesh, ninguém acreditará que ele está cumprindo suas promessas eleitorais", disse ele.

Lukyanov observou que, depois do ataque terrorista na Nova Zelândia, depois de várias declarações, inclusive sobre Israel, esta é outra declaração que se encaixa na lógica de Trump, mas não na lógica da luta real contra o terrorismo.
Os EUA e seus aliados realizam uma operação contra o Daesh na Síria e no Iraque desde 2014, sem o consentimento das autoridades oficiais do país. Em dezembro passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada das tropas da Síria.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019032313546842-analise-esta-tras-declaracoes-eua-sobre-derrota-daesh/

A ISLAMOFOBIA E FANATISMO NÃO EXPLICAM TUDO...

                              

O atentado de Christ Church (Nova Zelândia) contra muçulmanos que estavam pacificamente a efectuar as suas devoções de sexta-feira, por um extremista de direita é analisado no contexto das movidas de extrema direita e da ideologia que os move. 

Muitas vezes a sociedade ocidental, exclusivamente focalizada do radicalismo djihadista, esquece a existência de grupos armados, que se têm disseminado por todo o lado, com ideologia racista, claramente de extrema-direita. A sua pseudo-justificação para tais massacres passa frequentemente pela defesa da teoria da grande substituição. 

A grande substituição seria o projecto de uma oligarquia financeira completamente mundializada, indiferente aos interesses dos seus países ocidentais (aos quais, porém, esses elementos pertencem, quase todos), no sentido de substituir as populações brancas autóctones, por populações de países em vias de desenvolvimento, tornando assim possível um controlo da população e de manterem a funcionar o sistema de governo global, favorável a essa mesma oligarquia. 

Como todos os arrazoados ideológicos, mistura elementos de verdade com fabricações, com meias-verdades e com mentiras, para fundamentar uma tese, um projecto, uma linha política, que se traduzem no ódio contra tudo o que não seja «branco» e «ocidental». 
A verdade é que as populações de países em desenvolvimento são forçadas a buscar a subsistência noutras paragens, ou por causa da guerra ou por causa da pobreza extrema, esta muitas vezes associada a guerras presentes ou passadas.

Aquilo que os pseudo analistas que pontificam nos media ocidentais nunca esclarecem, nem sequer mencionam ao de leve, é que as guerras e os desastres ecológicos estão muitas vezes influenciados pela irreflectida e gananciosa ambição dos poderosos do «Primeiro Mundo», quando não mesmo, são resultantes da intervenção directa desses mesmos poderes.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Terrorismo de direita e racista cresce nos EUA

Membro do grupo KKK
© Foto : ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Os Estados Unidos vivenciam um considerável aumento de crimes de ódio e atos de terrorismo associados aos grupos que defendem a supremacia branca e neonazistas durante a última década.

Após o ataque terrorista de um supremacista branco contra fiéis muçulmanos na Nova Zelândia, nesta sexta-feira, a imprensa dos EUA apontou o também para o aumento do terrorismo doméstico praticado por grupos racistas e nacionalistas na América do Norte, informou CBS News.


Em outubro de 2018, uma igreja em Pittsburgh, na Pensilvânia, foi alvo de um ataque que matou 11 pessoas. Em Charlottesville, Virgínia, um comício contra manifestações nacionalistas terminou com três mortos, depois que um supremacista branco avançou em seu carro contra a multidão. 

Após o incidente na Nova Zelânda, mesquitas em todos os EUA tiveram sua segurança reforçada. Embora oficiais e investigadores tenham notado que não houve uma ameaça direta, as forças de segurança do país afirmaram que o extremismo de direita e o terrorismo motivado por motivos raciais parece estar aumentando nos Estados Unidos.

"Estamos vendo um aumento na propaganda", observou o vice-chefe de contraterrorismo do estado de Nova York, John Miller.

"[Grupos de ódio de direita] estão tomando emprestadas técnicas de propaganda de outros grupos terroristas", acrescentou ele, citado pela Cbsnews.com.

Ataques de nacionalistas de extrema-direita contra imigrantes na Europa aumentaram em 43% entre 2016 e 2017, enquanto nos EUA os extremistas de direita foram ligados a um mínimo de 50 assassinatos em 2018, um aumento de 35% em relação ao ano anterior, segundo a CBS News.


"Eu diria que a maior responsável por isso é propagada online. Na verdade, esta manhã, depois dos ataques [da Nova Zelândia], eu estava vendo celebrações dos ataques online nos sites de ódio anti-muçulmanos. É realmente repugnante", observou, Ibrahim Hooper, porta-voz dos Conselho Muçulmano dos Estados Unidos, citado por Msn.com.

Em fevereiro deste ano, um tenente da Guarda Costeira da ativa foi preso depois de ser apurado que ele estava guardando grande quantidade de armas para iniciar o que a supremacia branca chama de uma "guerra racial".

"Todos esses caras estão observando", alertou Fran Townsend, ex-assessora de Segurança Interna da Casa Branca.

"Eles observam a reação, eles observam as táticas daqueles que vieram antes deles. E devemos reconhecer que há um aumento no […] nacionalismo em todo o mundo", acrescentou ela, citada por Cbsnews.com.

O FBI atualmente estima estar acompanhando cerca de 900 casos de terrorismo doméstico ativo, e muitos estão relacionados aos supremacistas brancos, segundo relatos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019031613506070-supremacismo-branco-eua-online-terrorismo/

Jiadismo e alta traição

Thierry Meyssan*

Os cidadãos europeus, encorajados a juntar-se à luta armada na Síria ao lado dos mercenários pró-Ocidentais, não podem ser processados por conivência com o inimigo e alta traição na medida em que podem argumentar ter tido o apoio da OTAN e dos seus Estados membros. Os Estados europeus não podem julgar sem primeiro examinar a responsabilidade dos seus próprios dirigentes na guerra contra a Síria.

O Presidente Donald Trump pediu aos seus aliados ocidentais que repatriassem os seus jiadistas prisioneiros das Forças democráticas sírias e para os julgar no seus respectivos países. O Reino Unido opôs-se a isso, enquanto a França encara os regressos apenas caso a caso.

Ao retirar-se do território sírio, os Estados Unidos admitem que as Forças democráticas sírias não são um Exército propriamente dito, mas apenas uma força auxiliar sob enquadramento dos EUA. Da mesma forma, admitem que não há Estado curdo na Síria, um «Rojava», senão o que era uma ficção criada pelos jornalistas. Por conseguinte, a «Justiça curda» não era mais que uma encenação e os meios para aplicar as suas decisões desaparecerão em poucas semanas. Os detidos islamistas deverão ser libertados, ou remetidos à República Árabe Síria que os julgará segundo as suas leis inspiradas no Direito francês. Ora, este Estado pratica a pena de morte à qual os Europeus actualmente se opõem.


Pelo Direito, os cidadãos dos países europeus que partiram para fazer a jiade na Síria mantiveram uma «colaboração com o inimigo» e, eventualmente, cometeram um crime de «alta traição» ao combater os interesses europeus. Mas, tendo em vista os actos dos Estados ocidentais nesta guerra, nenhum jiadista ocidental será condenado no seu próprio país por estas acusações mestras.

O fim desta guerra traz-nos de volta à realidade. Durante 8 anos, os Europeus alegaram descobrir, com surpresa, uma «revolução» popular contra uma «ditadura alauíta». Ora, as acções encetadas pelos Estados europeus são hoje fáceis de expor e de provar. Elas não correspondem de forma alguma a esta narrativa : desde 2003 que eles prepararam os acontecimentos que começaram em 2011, e organizaram-nos até aos dias de hoje [1]. Esta guerra durou tanto tempo que as suas mentiras foram postas a nu.

Se jiadistas europeus fossem julgados por colaboração com o inimigo, ou mesmo por alta traição, o tribunal apenas poderia manter contra eles a acusação das suas atrocidades contra os Sírios e, eventualmente, os seus crimes a nível interno contra os seus concidadãos —já que o fanatismo não é considerado um delito—. Ele acabaria concluindo que apenas os dirigentes ocidentais deveriam ser julgados por alta traição.

Antes de mais, precisemos que a objecção segundo a qual grupos jiadistas, tal como a Alcaida e o Daesh(E.I.), não são assimiláveis a Estados reconhecidos não é válida. De facto, é evidente que organizações dispondo de tais meios militares não podem existir sem o apoio de Estados.

A título de exemplo, eis como eu construiria, em França, uma argumentação para a defesa destes fanáticos:

Os jiadistas não são traidores, mas sim soldados

1. Os réus, ao terem ido bater-se contra a República Árabe Síria e o seu Presidente, Bashar al-Assad, não fizeram mais do que agir a pedido do governo francês. As autoridades francesas não cessaram de qualificar a República Árabe Síria de «ditadura alauíta» e apelaram para o assassínio do Presidente Bashar al-Assad.

Assim, o actual Presidente do Conselho Constitucional, Laurent Fabius, quando era Ministro dos Negócios Estrangeiros, declarou: «Após ter ouvido os testemunhos perturbadores de pessoas aqui (...) quando se ouve isso e eu estou ciente da importância daquilo que estou em vias de dizer : o Sr. Bashar al-Assad não deveria estar na face da Terra» ; uma tomada de posição particularmente chocante para um país que revogou a pena de morte.

De modo a que não haja nenhuma confusão, que se compreenda bem que este apelo ao assassínio não se dirigia apenas aos Sírios mas a todos os Franceses, a cidade de Paris, por iniciativa da sua Presidente da Câmara (Prefeita -br), Anne Hidalgo, organizou na Torre Eiffel um dia de solidariedade com a Oposição síria. Um gabinete de recrutamento foi então instalado no sopé da Torre do qual a imprensa se fez eco.

É certo que em seguida este apoio mostrou-se menos visível e a partir de 2016, ou seja, cinco anos após o início dos acontecimentos, as autoridades francesas tomaram medidas para impedir efectivamente as partidas para a Síria. Mas em momento algum, jamais contradisseram as suas declarações precedentes de modo a que os réus pudessem crer que a França tentava conformar-se com os compromissos internacionais, que ela, afinal, não mudara a sua posição sobre a legitimidade dessa ação.

2. Todos os réus beneficiaram da ajuda indirecta do governo francês durante a sua jiade. O conjunto de grupúsculos jiadistas foi financiado e armado a partir do estrangeiro. Os concursos de compras do Pentágono atestam que este estabeleceu redes permanentes para importar armas para a Síria [2]. Os inquéritos da imprensa não-alinhada permitiram estabelecer, com provas claras, que várias dezenas de milhar de toneladas de armas foram ilegalmente importadas para a Síria no decurso da Operação Timber Sycamore, primeiro controlada pela CIA, depois pelo fundo de investimento privado KKR [3]. Pelo menos 17 Estados, entre os quais a Alemanha e o Reino Unido, participaram nesse tráfico. Além disso, se não está provado que a França nele participou directamente, ela está implicada na repartição e na distribuição destas armas, via o LandCom (Comando das Forças Terrestres) da OTAN, no qual se juntara ao comando integrado.

3. Os réus, tendo feito parte de grupos que se reclamavam da Alcaida beneficiaram da ajuda directa do governo francês. É o que atesta uma carta remetida pelo Embaixador Bashar Jaafari ao Conselho de Segurança, a 14 de Julho de 2014. Datada de 17 de Janeiro do mesmo ano, e assinada pelo Comandante-em-Chefe do Exército Livre da Síria (ASL), ela expõe a repartição das munições oferecidas pela França aos jiadistas e especifica que um terço é atribuído por Paris ao Exército Livre da Síria e que os outros dois terços devem ser entregues à Alcaida (dita na Síria «Frente al-Nusra»). Não dizia já o Sr. Fabius que «al-Nusra faz o bom trabalho» [4]?

Tendo os réus obedecido às instruções do governo francês, e tendo recebido indirectamente armas e, directamente, munições do Estado francês, não poderiam ser acusados de colaboração com o inimigo e de alta traição.

Os dirigentes europeus é que são traidores aos seus países

Pelo contrário, os dirigentes franceses, que publicamente garantiram o seu respeito pelos Direitos do Homem e secretamente apoiaram os jiadistas, deveriam ter que responder perante os tribunais. Eles deveriam igualmente explicar em que é que a República Árabe Síria, que eles designam como o «inimigo» da França, prejudicou os interesses franceses.

No início do conflito, era costume lembrar que, em 1981, durante a guerra civil libanesa, a Síria havia feito assassinar o Embaixador da França, Louis Delamare. No entanto, para além de que trinta anos separam este acontecimento do início da guerra contra a Síria, em resposta ela havia já sido castigada com um atentado contra o gabinete nacional de alistamento militar, em Damasco, que fez 175 mortos; atentado posteriormente reivindicado pelo Director da DGSE à época, o Almirante Pierre Lacoste.

Foi igualmente dito que a República Árabe Síria havia atacado os interesses franceses ao assassinar o antigo Primeiro-ministro libanês Rafic Hariri. A França apoiou, e continua a apoiar, uma organização híbrida dita «Tribunal Especial para o Líbano» a fim de julgar os Presidentes libanês e sírio, Emile Lahoud e Bashar al-Assad. No entanto, esta organização (que desempenha ao mesmo tempo o papel de procurador e de juiz) retirou as suas acusações após os depoimentos, em que se baseavam, terem demonstrado ser falsificações da Acusação. Ninguém mais acredita nessa acusação mentirosa, salvo os funcionários desta organização e seus comanditários, nem sequer os filhos do falecido. Assim, Baha’a Hariri, o filho mais velho de Rafic Hariri, fez uma calorosa visita ao Presidente Bashar al-Assad, no mês passado.

Para dirigir uma guerra contra um país amigo, a Síria, os dirigentes franceses apoiaram sem hesitação jiadistas. Ao fazê-lo, eles não apenas prejudicaram a imagem da França no mundo, como também os interesses franceses: puseram fim a uma frutuosa colaboração antiterrorista e posicionaram-se deliberadamente do lado dos terroristas. Alguns dos seus protegidos regressaram em seguida à França, por iniciativa própria, para aí cometer atentados.

Esses dirigentes deveriam, pois, ser acusados perante a Justiça francesa por cumplicidade com organizações terroristas que cometeram crimes em França, por colaboração com o inimigo e por alta traição.

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Notas:
[1] Ver Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump («Sob os nossos olhos. Do 11-de-Setembro a Donald Trump»-ndT), éditions Demi-lune, 2017. Obra disponível em seis línguas : espanholfrancêsinglêsitalianorusso (esgotada) e turco. E proximamente em árabe.
[2] « De Camp Darby, des armes US pour la guerre contre la Syrie et le Yémen », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto(Italie), Réseau Voltaire, 18 avril 2017.
[3] “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.
[4] Citado em « Pression militaire et succès diplomatique pour les rebelles syriens », Isabelle Maudraud, Le Monde, 13 décembre 2012.

 

 

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Jiadismo e alta traição

Os cidadãos europeus, encorajados a juntar-se à luta armada na Síria ao lado dos mercenários pró-Ocidentais, não podem ser processados por conivência com o inimigo e alta traição na medida em que podem argumentar ter tido o apoio da OTAN e dos seus Estados membros. Os Estados europeus não podem julgar sem primeiro examinar a responsabilidade dos seus próprios dirigentes na guerra contra a Síria.

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Os Ocidentais que se juntaram aos jiadistas devem ser processados pelas atrocidades que cometeram, mas isso não faz deles traidores.

O Presidente Donald Trump pediu aos seus aliados ocidentais que repatriassem os seus jiadistas prisioneiros das Forças democráticas sírias e para os julgar no seus respectivos países. O Reino Unido opôs-se a isso, enquanto a França encara os regressos apenas caso a caso.

Ao retirar-se do território sírio, os Estados Unidos admitem que as Forças democráticas sírias não são um Exército propriamente dito, mas apenas uma força auxiliar sob enquadramento dos EUA. Da mesma forma, admitem que não há Estado curdo na Síria, um «Rojava», senão o que era uma ficção criada pelos jornalistas. Por conseguinte, a «Justiça curda» não era mais que uma encenação e os meios para aplicar as suas decisões desaparecerão em poucas semanas. Os detidos islamistas deverão ser libertados, ou remetidos à República Árabe Síria que os julgará segundo as suas leis inspiradas no Direito francês. Ora, este Estado pratica a pena de morte à qual os Europeus actualmente se opõem.

Pelo Direito, os cidadãos dos países europeus que partiram para fazer a jiade na Síria mantiveram uma «colaboração com o inimigo» e, eventualmente, cometeram um crime de «alta traição» ao combater os interesses europeus. Mas, tendo em vista os actos dos Estados ocidentais nesta guerra, nenhum jiadista ocidental será condenado no seu próprio país por estas acusações mestras.

O fim desta guerra traz-nos de volta à realidade. Durante 8 anos, os Europeus alegaram descobrir, com surpresa, uma «revolução» popular contra uma «ditadura alauíta». Ora, as acções encetadas pelos Estados europeus são hoje fáceis de expor e de provar. Elas não correspondem de forma alguma a esta narrativa : desde 2003 que eles prepararam os acontecimentos que começaram em 2011, e organizaram-nos até aos dias de hoje [1]. Esta guerra durou tanto tempo que as suas mentiras foram postas a nu.

Se jiadistas europeus fossem julgados por colaboração com o inimigo, ou mesmo por alta traição, o tribunal apenas poderia manter contra eles a acusação das suas atrocidades contra os Sírios e, eventualmente, os seus crimes a nível interno contra os seus concidadãos —já que o fanatismo não é considerado um delito—. Ele acabaria concluindo que apenas os dirigentes ocidentais deveriam ser julgados por alta traição.

Antes de mais, precisemos que a objecção segundo a qual grupos jiadistas, tal como a Alcaida e o Daesh(E.I.), não são assimiláveis a Estados reconhecidos não é válida. De facto, é evidente que organizações dispondo de tais meios militares não podem existir sem o apoio de Estados.

A título de exemplo, eis como eu construiria, em França, uma argumentação para a defesa destes fanáticos :

Os jiadistas não são traidores, mas sim soldados

- 1. Os réus, ao terem ido bater-se contra a República Árabe Síria e o seu Presidente, Bashar al-Assad, não fizeram mais do que agir a pedido do governo francês. As autoridades francesas não cessaram de qualificar a República Árabe Síria de «ditadura alauíta» e apelaram para o assassínio do Presidente Bashar al-Assad.

Assim, o actual Presidente do Conselho Constitucional, Laurent Fabius, quando era Ministro dos Negócios Estrangeiros, declarou : «Após ter ouvido os testemunhos perturbadores de pessoas aqui (...) quando se ouve isso e eu estou ciente da importância daquilo que estou em vias de dizer : o Sr. Bashar al-Assad não deveria estar na face da Terra» ; uma tomada de posição particularmente chocante para um país que revogou a pena de morte.

De modo a que não haja nenhuma confusão, que se compreenda bem que este apelo ao assassínio não se dirigia apenas aos Sírios mas a todos os Franceses, a cidade de Paris, por iniciativa da sua Presidente da Câmara (Prefeita -br), Anne Hidalgo, organizou na Torre Eiffel um dia de solidariedade com a Oposição síria. Um gabinete de recrutamento foi então instalado no sopé da Torre do qual a imprensa se fez eco.

É certo que em seguida este apoio mostrou-se menos visível e a partir de 2016, ou seja, cinco anos após o início dos acontecimentos, as autoridades francesas tomaram medidas para impedir efectivamente as partidas para a Síria. Mas em momento algum, jamais contradisseram as suas declarações precedentes de modo a que os réus pudessem crer que a França tentava conformar-se com os compromissos internacionais, que ela, afinal, não mudara a sua posição sobre a legitimidade dessa ação.

- 2. Todos os réus beneficiaram da ajuda indirecta do governo francês durante a sua jiade. O conjunto de grupúsculos jiadistas foi financiado e armado a partir do estrangeiro. Os concursos de compras do Pentágono atestam que este estabeleceu redes permanentes para importar armas para a Síria [2]. Os inquéritos da imprensa não-alinhada permitiram estabelecer, com provas claras, que várias dezenas de milhar de toneladas de armas foram ilegalmente importadas para a Síria no decurso da Operação Timber Sycamore, primeiro controlada pela CIA, depois pelo fundo de investimento privado KKR [3]. Pelo menos 17 Estados, entre os quais a Alemanha e o Reino Unido, participaram nesse tráfico. Além disso, se não está provado que a França nele participou directamente, ela está implicada na repartição e na distribuição destas armas, via o LandCom (Comando das Forças Terrestres) da OTAN, no qual se juntara ao comando integrado.

- 3. Os réus, tendo feito parte de grupos que se reclamavam da Alcaida beneficiaram da ajuda directa do governo francês. É o que atesta uma carta remetida pelo Embaixador Bashar Jaafari ao Conselho de Segurança, a 14 de Julho de 2014. Datada de 17 de Janeiro do mesmo ano, e assinada pelo Comandante-em-Chefe do Exército Livre da Síria (ASL), ela expõe a repartição das munições oferecidas pela França aos jiadistas e especifica que um terço é atribuído por Paris ao Exército Livre da Síria e que os outros dois terços devem ser entregues à Alcaida (dita na Síria «Frente al-Nusra»). Não dizia já o Sr. Fabius que «al-Nusra faz o bom trabalho» [4]?

Tendo os réus obedecido às instruções do governo francês, e tendo recebido indirectamente armas e, directamente, munições do Estado francês, não poderiam ser acusados de colaboração com o inimigo e de alta traição.

Os dirigentes europeus é que são traidores aos seus países

Pelo contrário, os dirigentes franceses, que publicamente garantiram o seu respeito pelos Direitos do Homem e secretamente apoiaram os jiadistas, deveriam ter que responder perante os tribunais. Eles deveriam igualmente explicar em que é que a República Árabe Síria, que eles designam como o «inimigo» da França, prejudicou os interesses franceses.

No início do conflito, era costume lembrar que, em 1981, durante a guerra civil libanesa, a Síria havia feito assassinar o Embaixador da França, Louis Delamare. No entanto, para além de que trinta anos separam este acontecimento do início da guerra contra a Síria, em resposta ela havia já sido castigada com um atentado contra o gabinete nacional de alistamento militar, em Damasco, que fez 175 mortos; atentado posteriormente reivindicado pelo Director da DGSE à época, o Almirante Pierre Lacoste.

Foi igualmente dito que a República Árabe Síria havia atacado os interesses franceses ao assassinar o antigo Primeiro-ministro libanês Rafic Hariri. A França apoiou, e continua a apoiar, uma organização híbrida dita «Tribunal Especial para o Líbano» a fim de julgar os Presidentes libanês e sírio, Emile Lahoud e Bashar al-Assad. No entanto, esta organização (que desempenha ao mesmo tempo o papel de procurador e de juiz) retirou as suas acusações após os depoimentos, em que se baseavam, terem demonstrado ser falsificações da Acusação. Ninguém mais acredita nessa acusação mentirosa, salvo os funcionários desta organização e seus comanditários, nem sequer os filhos do falecido. Assim, Baha’a Hariri, o filho mais velho de Rafic Hariri, fez uma calorosa visita ao Presidente Bashar al-Assad, no mês passado.

Para dirigir uma guerra contra um país amigo, a Síria, os dirigentes franceses apoiaram sem hesitação jiadistas. Ao fazê-lo, eles não apenas prejudicaram a imagem da França no mundo, como também os interesses franceses: puseram fim a uma frutuosa colaboração antiterrorista e posicionaram-se deliberadamente do lado dos terroristas. Alguns dos seus protegidos regressaram em seguida à França, por iniciativa própria, para aí cometer atentados.

Esses dirigentes deveriam, pois, ser acusados perante a Justiça francesa por cumplicidade com organizações terroristas que cometeram crimes em França, por colaboração com o inimigo e por alta traição.


[1] Ver Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump («Sob os nossos olhos. Do 11-de-Setembro a Donald Trump»-ndT), éditions Demi-lune, 2017. Obra disponível em seis línguas : espanhol, francês, inglês, italiano, russo (esgotada) e turco. E proximamente em árabe.

[2] « De Camp Darby, des armes US pour la guerre contre la Syrie et le Yémen », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 18 avril 2017.

[3] “Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.

[4] Citado em « Pression militaire et succès diplomatique pour les rebelles syriens », Isabelle Maudraud, Le Monde, 13 décembre 2012.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Hackers estão com arquivos para 'falar a verdade' sobre ataques de 11 de setembro

Um grupo internacional de hackers está ameaçando comprometer totalmente o governo dos EUA com informações sensacionalistas até então desconhecidas sobre os ataques de 11 de setembro às Torres Gêmeas.

O Dark Overlord, grupo de hackers que roubou arquivo de documentos ligados aos ataques de 11 de setembro, publicou chave de decodificação para um segundo cache de dados altamente confidenciais.


Pelo visto, os hackers estão sendo motivados por motivos econômicos, ao invés da busca da verdade, pois alegam que o governo americano pode comprar dados potencialmente comprometedores.

Ao culpar as agências de segurança dos EUA de impedi-los de "falar a verdade", o Dark Overlord desbloqueou o novo cache de dados depois de atingir necessários pagamentos de um público curioso.

"Não podemos permitir que a grande mídia guarde em segredo a verdade por mais tempo. Devemos garantir que a propaganda dela seja esmagada pelas verdades com as quais estamos lidando hoje", de acordo com comunicado dos hackers.


O "Layer 2", segundo pacote de dados, possui mais de 7.500 arquivos. Assim como a primeira remessa, que foi desbloqueada na semana passada, esse lote não forneceu nenhum material sensacional relacionado, por exemplo, a uma ocultação de informação sobre os ataques pelo governo dos EUA.

Os documentos recém-publicados correspondem, em grande parte, à correspondência entre seguradoras que estavam lidando com as reivindicações decorrentes da tragédia.

Trata-se de discussão sobre que danos deveriam ser considerados, analisando opções que vão de companhias aéreas à Autoridade de Aviação Federal dos EUA e terroristas. O Dark Overlord também especulou sobre se o então presidente George W. Bush ou a família real saudita tinha conhecimento prévio dos ataques, mas essa opinião não tem evidências de envolvimento do governo.


O grupo de hackers afirma ter obtido milhares de documentos de uma empresa de advocacia dos EUA. Eles dividiram todos os dados em cinco camadas, com informações mais sensíveis e confidenciais por camadas.

Eles ofereceram a todos os interessados a oportunidade de obter os documentos pagando com bitcoin, mas a quantia é desconhecida. O grupo foi banido do Twitter e do Reddit, bem como sua mais recente plataforma blockchain de código aberto Steemit.

O primeiro grupo de dados incluiu principalmente interrogatórios do FBI com funcionários da American Airlines e parentes de passageiros dos aviões sequestrados, bem como acordos de confidencialidade e pagamentos de seguro.

No entanto, os hackers afirmam ter uma terceira remessa, que contém até 8.279 arquivos, ameaçando "sepultar" o governo dos EUA e superar o "melhor trabalho de Snowden".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019011013080193-hackers-prometem-descobrir-sabia-bush-11-setembro-ataques/

Some interesting new information about 9/11

Some interesting new information about 9/11 - TruePublica

7th January 2019 / Global
Some interesting new information about 9/11

TruePublica Editor: We have published almost nothing about 9/11 on TruePublica. When independent news outlets do, they are immediately branded by the mainstream media and so-called ‘fact-checkers’ as conspiracy theorists. The BBC makes this point precisely in a 2018 article that starts like this – “On 11 September 2001, four passenger planes were hijacked by radical Islamist terrorists – almost 3,000 people were killed as the aircraft were flown into the World Trade Centre, the Pentagon and a Pennsylvania field. Just hours after the collapse of New York’s Twin Towers, a conspiracy theory surfaced online which persists more than 16 years later.”

The entire article is dedicated to all the ‘conspiracy theories’ involved in 9/11 and makes a mockery of anyone or anything that questions the official government line. They even heavily mock the brother of one man killed in 9/11 and frankly, true or not, the BBC’s report itself is rather sickening to read.

And yet, here we are, all these years later and it’s hardly surprising the theories of a conspiracy continue.

2016 study from Chapman University in California, found more than half of the American people believe the government is concealing information about the 9/11 attacks. This is in part because, large sections of the official US government report were redacted for years – and is still missing to this day.

The big problem is that the government is withholding crucial evidence. And then there’s other evidence the state and mainstream media refuse to even consider.

Paul Craig Roberts is an American economist and former United States Assistant Secretary of the Treasury for Economic Policy under President Reagan. Roberts was an associate editor and columnist for The Wall Street Journal and columnist for Business Week and has received the Warren Brookes Award for Excellence in Journalism. In 1993 the Forbes Media Guide ranked him as one of the top seven journalists in the United States.

Roberts wrote this really interesting piece of information just a few days ago that the mainstream media has been completely silent about: “Although the United States is allegedly a democracy with a rule of law, it has taken 17 years for public pressure to bring about the first grand jury investigation of 9/11. Based on the work of Architects & Engineers for 9/11 Truth led by Richard Gage, first responder and pilots organizations, books by David Ray Griffin and others, and eyewitness testimony, the Lawyers’ Committee for 9/11 Inquiry has presented enough hard facts to the US Attorney for the Southern District of New York to force his compliance with the provisions of federal law that require the convening of a federal grand jury to investigate for the first time the attacks of September 11, 2001. https://www.lawyerscommitteefor9-11inquiry.org

This puts the US Justice (sic) Department in an extraordinary position. There will be tremendous pressures on the US Attorney’s office to have the grand jury dismiss the evidence as an unpatriotic conspiracy theory or otherwise maneuver to discredit the evidence presented by the Lawyers’ Committee, or modify the official account without totally discrediting it.

“What the 9/11 truthers and the Lawyers’ Committee have achieved is the destruction of the designation of 9/11 skeptics as “conspiracy theorists.” No US Attorney would convene a grand jury on the basis of a conspiracy theory. Clearly, the evidence is compelling that has put the US Attorney in an unenviable position.”

If the Lawyers’ Committee and the 9/11 truthers trust the US Attorney to go entirely by the facts, little will come of the grand jury. If the United States had a rule of law, something as serious as 9/11 could not have gone for 17 years without investigation.”

Three weeks before Roberts’ made this statement a letter was published by Off-Guardian about a Huffington Post hit piece about an academic teaching journalism. Its first paragraph explains entirely its own position.

An academic teaching journalism students at one of the UK’s top universitieshas publicly supported long-discredited conspiracy theories about the 9/11 terror attack, HuffPost UK can reveal.

This entire article, like that of the BBC’s, vigorously attacks any individual or organisation that has the temerity to question the ‘official’ narrative on any major incident as offered up by the state, such as the Skripal poisonings, Syria’s chemical weapons, Iraq and Chilcot Report.

HuffPost even uses an unnamed former head of MI6 and an unnamed former Supreme Commander of Nato to dispel such challenges to this narrative and then attacks other sources of news such as RT as nothing more than Russian propaganda irrespective of the source. As a rule, TruePublica does not publish news sourced by RT but that does not make all of its content propaganda.

David Ray Griffin, a retired American professor and political writer who founded the Center for Process Studies which seeks to promote the common good by means of the relational approach found in process thought was the co-author of the book ‘9/11 Unmasked’ – part of the attack piece was centred on by the HuffPost hit piece.

The head of the 9/11 Consensus Panel, the other co-author, responded to the HuffPost.  For information, the goal of the Consensus Panel is to “provide a ready source of evidence-based research to any investigation that may be undertaken by the public, the media, academia, or any other investigative body or institution.”

That letter is as follows:

Jess Brammer, UK Huffington Post
Chris York, UK Huffington Post

Dear Ms. Brammar and Mr. York:

I was the head information specialist serving the Medical Health Officers of British Columbia, Canada, for 25 years.

Your attack piece on Professor Piers Robinson and on the scholarly work of Dr. David Ray Griffin is the least accurate and the lowest quality published article I have ever seen.

I have assisted Dr. Griffin with 10 of his investigative books into the events of 9/11. In 2011 we decided to create the international 9/11 Consensus Panel to review and evaluate the official claims relating to September 11, 2001. The Panel we formed has 23 members, including people from the fields of physics, chemistry, structural engineering, aeronautical engineering, piloting, airplane crash investigation, medicine, journalism, psychology, and religion (For the full list, see here).

In seeking a consensus methodology, I was advised by the former provincial epidemiologist of British Columbia to employ a leading model that is used in medicine to establish the best diagnostic and treatment evidence to guide the world’s doctors using medical consensus statements.

The Panel methodology has produced, seven years later, 51 refutations of the official claims, which were published as 911 Unmasked: An International Review Panel Investigation in September, 2018.

Each Consensus Point, now a chapter in this book, was given three rounds of review and feedback by the Panel members. The panelists were blind to one another throughout the process, providing strictly uninfluenced individual feedback. Any Points that did not receive 85% approval by the third round were set aside.

The Honorary Members of the Panel include the late British (and longest-serving) parliamentarian Michael Meacher, the late evolutionary biologist Lynn Margulis, and the late Honorary President of the Italian Supreme Court, Ferdinando Imposimato.

The Huffington Post drastically lowered its standards to publish this hit piece, and what influenced it to do so is a question worth pursuing.

Yours truly

Elizabeth Woodworth, Co-author with Dr. David Ray Griffin
9/11 Unmasked

It is over 18 years now since the world-changing event of 9/11. One wonders when the information held by the American government, that continues to anger so many people affected by it will ever emerge.

However, one reason why such questions persist is precisely that of the actions of the US government itself. One should not forget those so-called ‘conspiracy theories’ that actually came true that continues to pour petrol on the flames of doubt.

For example, the American government killed thousands by poisoning alcohol to prove its point that alcohol was bad for the general public during prohibition. This was a ‘conspiracy theory’ that went on for decades – until it was proven to be true.

Then, you can take your pick of the lies government tells when it comes to starting wars – how about the lie the Saddam Hussain and Iraq had WMD ready to fire at Western targets. Total deaths exceeded 1 million. Yet another classic American lie was the Gulf of Tonkin incident in August 1964, as a pretext for escalating the country’s involvement in the Vietnam War that killed 60,000 American soldiers. Total deaths racked up 1.35 million, all based on a lie. That incident only came about because of an unintentional declassification of an NSA file in 2005.

Edward Snowden proved with his revelations in 2013 that the government was spying on everyone when the government had denied they had ever done so. It took a whistleblower to let us all know. The UK government has been found by the highest courts in the land to have broken numerous privacy and surveillance laws as a result of mass civilian surveillance systems.

Operation Mockingbird was a US government operation where journalists were paid to publish CIA propaganda, only uncovered by the Watergate scandal. It took a thief to unknowingly capture secret documents and recordings for the public to find out.

The list goes on and on – just as 9/11 will, so it will be interesting to see how the US Attorney, presented with evidence from so many prominent professionals will bury yet more 9/11 evidence. Don’t hold your breath though, the same questions will, no doubt, still be being asked in another 18 years time.


Ver o original em "TruePublica" (clique aqui)

A OTAN prepara uma vaga de atentados na Europa

Várias fontes, situadas em diferentes países, indicam-nos que a OTAN prepara atentados em países da União Europeia.

Durante os «anos de chumbo» (isto é, do fim dos anos 60 até aos anos 80), os Serviços Secretos da OTAN lançaram a «estratégia da tensão». Tratava-se de organizar atentados sangrentos, atribuídos aos extremistas, a fim de instaurar um clima de medo e impedir a constituição de governos de aliança nacional incluindo os comunistas. Simultaneamente, a OTAN (pretensamente defensora da «democracia») organizou golpes de Estado ou tentativas de golpe na Grécia, na Itália e em Portugal.

Os Serviços Secretos da OTAN haviam sido montados pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido a partir do Gabinete de Coordenação Política da CIA. Eles apenas prestavam contas a Washington e a Berlim, e não aos outros membros da Aliança Atlântica. Estes serviços eram chamados stay-behind (forças de retaguarda- ndT), já que podiam actuar em caso de ocupação pela URSS, e integravam os melhores especialistas da luta anti-comunista do Reich nazi.

Serviços similares haviam sido criados pelos Anglo-Saxões em todo o mundo, seja como conselheiros de governos pró-EUA, seja clandestinamente na URSS e nos Estados que lhe estavam associados. Eram coordenados através da Liga Mundial Anti-Comunista. Em 1975, três comissões dos EUA levantaram o véu sobre essas práticas —a Comissão Church no Senado, Pike na Câmara e Rockfeller na Casa Branca—. Em 1977, o Presidente Jimmy Carter nomeou o Almirante Stansfield Turner como cabeça da CIA para limpar os Serviços Secretos. Em 1990, o Presidente do Conselho italiano, Giulio Andreotti, revelou a existência do ramo dos Serviços Secretos da OTAN em Itália, o Gladio. Seguiu-se uma gigantesca revelação e comissões de inquérito parlamentares na Alemanha, Bélgica e Itália. O conjunto teria então sido dissolvido.

No entanto, anos mais tarde encontramos indícios probatórios da responsabilidade da OTAN nos atentados de Madrid, de 11 de Março de 2004, e de Londres, de 7 de Julho de 2005.

É neste contexto que em França, um gendarme móvel, e antigo legionário, foi preso a 23 de Dezembro de 2018, na gare de Lyon (Paris), quando transportava explosivos. Após 96 horas sob custódia, foi indiciado.

Nós publicamos inúmeros documentos e estudos sobre o stay-behind, nomeadamente:
- « Stay-behind : les réseaux d’ingérence américains » (Stay-Behind: as redes da ingerência americanas»- ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 20 août 2001.
- Em 16 episódios, o livro do Professor Daniele Ganser Les Armées secrètes de l’OTAN, que é taxativo.
- «La Ligue anti-communiste mondiale, une internationale du crime» («A Liga Anti-comunista Mundial, uma internacional do crime»- ndT), par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 12 mai 2004.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Crimes que nunca se poderão esquecer

Horrível é o crime de que está a ser acusada uma alemã na casa dos trinta anos, por estes dias a ser julgada, e presumivelmente condenada a prisão perpétua.
Em agosto de 2014 juntou-se ao Daesh no califado sírio-iraquiano e não tardou a integrar a polícia dos costumes, que vigiava o vestuário e o comportamento das mulheres nos espaços públicos. Casando com um militante da causa, cuidou de comprar uma miúda de cinco anos no mercado de escravos alimentado pelas minorias religiosas subjugadas pela máquina de guerra da organização. A intenção era que a criança lhe fizesse os trabalhos domésticos, mas, decerto aterrorizada, a miúda urinava no colchão onde lhe permitiam descansar. Como castigo o casal acorrentou-a no quintal, deixando-a morrer à sede sob as elevadas temperaturas da região.
Aprisionada na Turquia, aonde se deslocara para renovar o passaporte, Jennifer foi devolvida à Alemanha, sendo-lhe inicialmente permitido que regressasse a casa na Baixa Saxónia, donde nunca desistiu de voltar a partir ao encontro dos antigos cúmplices.
Terá sido quando se acumularam provas do seu crime, que entrou no radar punitivo das autoridades. judiciárias. Mas será a prisão perpétua castigo merecido para quem demonstrou tanta falta de humanidade no seu fanatismo? Sou intransigente opositor da pena de morte, mas situações assim fazem-me vacilar a convicção.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/12/crimes-que-nunca-se-poderao-esquecer.html

Capacetes Brancos: «traficantes de órgãos, terroristas, saqueadores»

A Fundação para o Estudo da Democracia apresentou esta quinta-feira, na ONU, os resultados de uma investigação sobre a acção dos Capacetes Brancos na Síria, vincando a ligação do grupo ao terrorismo.

Os capacetes brancos e a Frente Al-Nusra, Alepo, Síria, 2016. Fonte: The Libertarian InstituteCréditosFonte: The Libertarian Institute

Embora sejam louvados pelas potências ocidentais pelo trabalho «voluntário de resgate humanitário», a acção dos Capacetes Brancos não fica assim tão bem vista após a investigação realizada pela Fundação para o Estudo da Democracia, sedeada na Rússia e cujos resultados foram ontem apresentados pelo seu director, Maxim Grigoriev, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.

De acordo com Grigoriev, os Capacetes Brancos trabalham com grupos terroristas na Síria, roubam órgãos às vítimas que fingem estar a evacuar, participam na encenação de falsos ataques com armas químicas e outro tipo de ataques, e saqueiam as casas dos sírios mortos e feridos na guerra.

Presente na audiência, o representante permanente da Rússia junto das Nações Unidas, Vassily Nebenzia, afirmou que as provas apresentadas mostram que o grupo – há muito denunciado pelas autoridades sírias – é «perigoso», e defendeu a sua inclusão na lista de grupos terroristas designada pelas Nações Unidas.

O relatório baseou-se em entrevistas a mais de 100 testemunhas oculares, incluindo 40 membros dos Capacetes Brancos, 50 residentes de bairros de cidades sírias onde eles actuaram e 15 antigos combatentes terroristas. Para além disso, indica a RT, foram consultados mais de 500 civis nas cidades de Alepo e Daraa.

Pagos, traficantes de órgãos, militantes de grupos terroristas

«Em vez de serem voluntários, quase todos os membros dos Capacetes Brancos eram pagos», explicou Grigoriev, acrescentando ter «provas irrefutáveis» de que recebiam ordens por escrito do grupo terrorista Jaysh al-Islam.

«As pessoas evacuadas pelos Capacetes Brancos muitas vezes não voltavam com vida; apareciam mortas e sem os órgãos internos», disse Grigoriev, referindo-se aos testemunhos de residentes entrevistados.

Um dos testemunhos sobre a matéria é um antigo membro do grupo terrorista Ahrar al-Sham, que disse o comandante da organização, Shadi Kadik, conhecido como Abu Adel al-Halabi (de Alepo), aceitou participar na colheita de órgãos. Só em Alepo, «há várias centenas» de casos envolvendo roubo de órgãos humanos, disse Grigoriev.

O director da Fundação destacou ainda a prática habitual da pilhagem de casas destruídas por parte dos membros dos Capacetes Brancos, bem como a sua participação «na falsificação de ataques químicos, que era uma parte essencial das suas actividades». Um ataque por eles encenado em Douma, nos arredores de Damasco, esteve na origem do ataque com mísseis contra instalações do Exército sírio por parte da França, do Reino Unido e dos EUA, em Abril deste ano.

A propósito da «especialização» na «criação de falsas notícias e organização de evacuações encenadas», Grigoriev lembrou o caso ocorrido em Jisr al-Haj (Alepo), onde militantes incendiaram lixo e, depois, trouxeram corpos da morgue local, para encenar uma «evacuação» – filmada – pelos Capacetes Brancos. De acordo com uma testemunha, cada membro desta organização recebeu 50 dólares a mais pelo trabalho.

Em Ghouta Oriental, a Fundação estima que entre 100 e 150 membros da organização alegadamente humanitária fossem também membros de grupos terroristas, vangloriando-se desse facto nas redes sociais, mas negando-o sempre que eram entrevistados por repórteres ocidentais.

Em Julho deste ano, em plena operação de libertação do Sudoeste do país por parte do Exército sírio, centenas de membros dos Capacetes Brancos foram «salvos» por Israel, que os evacuou para a Jordânia, cujo governo disse ter aceitado a operação na medida em que o Reino Unido, o Canadá e a Alemanha tinham aceitado acolhê-los como refugiados.

A este propósito, Vassily Nebenzia disse entender que os Capacetes Brancos sejam defendidos no Ocidente. «Tem lógica proteger um investimento», frisou.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/internacional/capacetes-brancos-traficantes-de-orgaos-terroristas-saqueadores

Da ilusão da segurança

«Estava, como habitualmente, nos trabalhos da sessão plenária de Estrasburgo quando soube, ainda antes de ser notícia, que estava a haver um tiroteio no centro da cidade. É impossível não sofrer quando há tragédias, quando há mortes e ferimentos graves de pessoas que se limitavam a viver a sua vida ou a fazer o seu trabalho. É também evidente que toca ainda mais fundo quando, entre as pessoas atingidas, estão pessoas de quem sabemos os nomes, conhecemos ou nos cruzámos, como o jornalista italiano que estava a fazer a cobertura do mercado de Natal ou o músico polaco que integrava o movimento da música pela paz.
Talvez pelo facto de estar a decorrer o mercado de Natal, que é dos mais visitados do mundo, e na sequência das manifestações dos coletes amarelos, à chegada para a esta sessão plenária esperava-nos um aparato de "segurança" muito superior ao habitual. Os acessos ao Parlamento com mais controlo, a ter de se mostrar identificação não apenas à entrada como antes de entrar no perímetro da instituição, e a verificação das carteiras e das mochilas em cada um dos acessos ao centro da cidade, mas alargando o perímetro do centro em relação ao ano anterior. Ainda assim, o tiroteio aconteceu.
Pensei bastante sobre isto. O tiroteio decorreu na altura do ano em que a cidade está mais vigiada e, teoricamente, mais protegida. Esta coisa de nos armarmo-nos até aos dentes e de com isso se promover uma ideia de suposta segurança não é mais do que isso, armarmo-nos até aos dentes e promover uma ideia de suposta segurança. Como? Com mais militares nas ruas, mais forças policiais, mais seguranças, mais armas. Vê-los cria a ilusão e essa imagem naturaliza-se como sendo "a segurança". Devo confessar que a mim sempre me pareceu um sinal de profunda insegurança e que não percebo a ideia de que mais armas na rua são sinónimo de mais segurança. Pergunte-se aos familiares e aos amigos dos milhares de pessoas que todos os anos perdem a vida nos Estados Unidos ou no Brasil como é que encher as ruas de armas lhes trouxe mais segurança. Pergunte-se aos familiares e amigos das mulheres assassinadas todos os anos em Portugal ou em Espanha se ter armas em casa lhes trouxe mais segurança.
Do mesmo modo, custam-me as leituras simples. Quer saber-se sempre qual a nacionalidade dos criminosos e das vítimas. Quando se confirma, como até hoje, que a nacionalidade de todos os criminosos é europeia, vai-se até à origem. A origem serve para confirmar que têm família não europeia, de preferência do Médio Oriente ou de África. Já quanto às vítimas, ficamo-nos pela referência restrita da nacionalidade, de preferência europeia. E de que serve isto? Serve para alimentar outra ilusão, a de que se acabarmos com as migrações acabamos com a insegurança.
Ambas as teses não são apenas falsas, são perigosas. Não resolvem nenhum dos problemas estruturais que vivemos e agravam-nos. Há algum tempo, eu escrevia que a UE até poderia sobreviver a uma crise social, mas não sobreviveria a uma crise identitária. Eis que estamos perante uma equação que as junta e não se vê solução à vista. As políticas que nos trouxeram aqui são as mesmas que vendem estas ilusões. Demos a volta à equação e comecemos por duas outras premissas: só a paz nos pode salvar da guerra, só a eliminação das desigualdades nos pode salvar da insegurança. Que tal ter antes estes pontos de partida?»
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Leia original aqui

Serguei Lavrov denuncia a manipulação do antiterrorismo

O Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, denunciou veementemente, em 7 de Novembro de 2018, a manipulação do conceito de antiterrorismo pelos Anglo-Saxões.

Segundo o Ministro, o novo conceito de «luta contra o extremismo opressivo» visa validar as ações dos terroristas quando eles servem a estratégia anglo-saxónica contra os governos que qualificam de «autoritários».

Lavrov lembrou que cada Estado é responsável, de acordo com as suas próprias leis, pelo modo como luta contra a ideologia extremista, enquanto a cooperação intergovernamental está sujeita à legislação universal das Nações Unidas.

Ele sublinhou que: «Os autores deste conceito [de «luta contra o extremismo opressivo»] estão sobretudo prontos a justificar os extremistas e a excluí-los de qualquer responsabilidade penal».

Sobre o mesmo assunto, leia-se: “Síria: a paz supõe a condenação internacional da ideologia dos Irmãos Muçulmanos”, por Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 6 de Novembro de 2018.





Ver original na 'Rede Voltaire'



A desenvoltura de Laurent Fabius

O Ministro dos Negócios dos Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, deu uma entrevista à Russia Today. Nesta, ele revela uma conversa telefónica com o seu homólogo francês, aquando da «Operação Serval» no Mali, Laurent Fabius.

«A França queria que o seu contingente no Mali obtivesse a aprovação do Conselho de Segurança da ONU para lutar contra essa ameaça terrorista. Laurent [Fabius] ligou-me e pediu-me para não nos opormos nele [...] Mas é preciso ter em mente, disse-lhe eu a ele, vocês vão reprimir as actividades de gente que armaram na Líbia. Ele riu-se e disse-me: «É a vida». E deve-se dizer, seja como for, que «é a vida» não é política. Evidentemente, é o princípio de dois pesos e duas medidas», declarou Serguei Lavrov.





Ver original na 'Rede Voltaire'



O anti-terrorismo versão Trump

Se a nova estratégia anti-terrorista dos Estados Unidos não muda grande coisa nessa luta, ela modifica em profundidade as regras de trabalho do Pentágono e da Secretaria da Segurança da Pátria. Não se trata tanto de uma racionalização daquilo que foi construído desde 2001, mas, mais, de uma redefinição de missões do Estado Federal.

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A Casa Branca publicou, a 4 de Outubro de 2018, a nova «Estratégia Nacional Contra-terrorista» (National Strategy for Counterterrorism) [1]. Este documento é apresentado como uma ruptura com o que a precedeu na matéria, o texto anterior datando da Administração Obama havia sido difundido em 2011. Na realidade, trata-se de um compromisso entre o Presidente Trump e o Pentágono.

Preâmbulo

O terrorismo é um método de combate ao qual todos os exércitos se reservam o direito de recorrer. As cinco potências permanentes do Conselho de Segurança fizeram um uso selectivo dele durante a Guerra Fria.

Nesse período, os actos terroristas eram, ou mensagens de Estado a Estado, ou operações secretas visando inibir um protagonista. Hoje em dia são generalizadas. Já não fazem parte do diálogo secreto entre Estados, antes visam enfraquecê-los.

A título de exemplo para os nossos leitores franceses, lembremos que durante a guerra civil do Líbano, o Presidente François Mitterrand comanditou o atentado contra o Gabinete da conscrição militar de Damasco, provocando 175 mortos, em retorsão pelo assassinato do Embaixador da França em Beirute, Louis Delamarre. Ou ainda, em 1985, o Presidente mandou explodir um barco da Greenpeace, o Rainbow Warrior, causando 1 morto, porque a sua presença impedia a continuação de ensaios nucleares no Pacífico.

Ambiguidades

Três ambiguidades permanecem constantes na retórica dos EUA desde 2001 :

  • - A noção de «Guerra Mundial contra o terrorismo» (GWOT), formulada por George Bush Jr., nunca teve o menor sentido. A palavra «terrorismo» não designa inimigos, mas um método de combate. A «guerra ao terrorismo» não tem, portanto, maior significado que a «guerra à guerra». Com efeito, tratava-se, antes, de anunciar aquilo que Donald Rumsfeld chamou a «guerra sem fim» : quer dizer a estratégia do Almirante Arthur Cebrowski de destruição das estruturas estatais dos países não-conectados à economia globalizada.
  • - O desenvolvimento das organizações muçulmanas que praticam o terrorismo apoia-se sobre uma ideologia, a do islão político, defendida e propagada pela Confraria dos Irmãos Muçulmanos. Simultaneamente, uma variante desta ideologia é propagada por certas correntes iranianas, mesmo se estes raramente fazem uso do terrorismo. Nada serve lutar contra o sintoma (a multiplicação de actos terroristas) sem lutar contra a doença (o islão político).
  • - A palavra «terrorismo» tornou-se pejorativa. Ela é muitas vezes empregue a propósito de organizações que só excepcionalmente praticam esse método de combate, mas que a Casa Branca deseja diabolizar (por exemplo o Hezbolla).

Evolução do anti-terrorismo

- Lançada pelo Presidente Bush Jr, após os atentados de 11 de Setembro de 2001, a guerra mundial contra o terrorismo não atingiu o seu anunciado objectivo. Muito pelo contrário, o número de actos terroristas no mundo não deixou de aumentar às dezenas. Toda ce tintamarre não passou de uma desculpa para instaurar uma vigilância generalizada sobre os cidadãos dos EUA (o Patriot Act e a criação do Secretariado para a Segurança da Pátria) e para justificar guerras de agressão (Afeganistão, Iraque).

- O Presidente Obama higienizou este sistema. Ele pôs fim a certas práticas (por exemplo a utilização da tortura) e não usou esta retórica para justificar as agressões contra a Líbia e a Síria. Ele enterrou a polémica sobre os atentados do 11-de-Setembro, manteve o Patriot Act (Lei Patriota-ndT) e desenvolveu as agência de vigilância da população. Só evocou a guerra ao terrorismo para criar um amplo esquema de assassinatos selectivos, a maior parte das vezes realizados através de drones. Simultaneamente, ele encenou a «morte» de Osama Bin Laden para reintegrar os seus companheiros no dispositivo inicial da CIA. Foi assim que se apoiou na Alcaida para as operações em terra na Líbia e na Síria. Finalmente, ele apoiou a criação de um Califado a cavalo sobre o Iraque e a Síria, fingindo, ao mesmo tempo, combater o Daesh (E.I.).

- O Presidente Trump, que havia previsto pôr fim ao uso do terrorismo pelos Aliados, foi forçado a modificar os seus objectivos após a demissão forçada do seu Conselheiro de Segurança Nacional, o General Michael T. Flynn. No fim, forçou os países do Golfo à cessar de financiar exércitos terroristas, pôs fim ao Califado enquanto Estado, e inscreveu a luta contra o terrorismo entre os objectivos da OTAN.

A nova estratégia anti-terrorista dos EUA

A nova doutrina dos EUA tenta conciliar o objectivo dos «Estados Unidos primeiro» (America first!) e as ferramentas do Estado Federal. Ela estabelece portanto que, agora, Washington apenas combaterá as organizações terroristas que ataquem os seus interesses. Ainda interpreta os «seus» interesses em sentido mais amplo, incluindo Israel.

Para justificar esta anexação estratégica, ela recicla a retórica de Bush Jr proclamando a necessidade de defender os Estados Unidos —e Israel incluído— porque eles são «a guarda avançada da liberdade, da democracia e da governança constitucional» (sic).

O Presidente Trump designa pois como organizações a combater:

- os grupos de tipo Alcaida, Daesh, Boko Haram, Tehrik-e-Taliban, Lashkar-e-Tayyiba na medida em que eles continuam a encorajar os seus combatentes a atacar os interesses dos EUA ;
- os grupos que resistem a Israel (Irão, Hezbolla, Hamas) ;
- outros extremistas (neo-nazis do Movimento de resistência nórdica e do National Action Group, siques de Babbar Khalsa, em resumo diferentes supremacistas).

Não escapa a ninguém que a designação de grupos muçulmanos e siques baseados no Paquistão prepara provavelmente uma operação de desestabilização desse país. Após o Daesh (EI) em Palmira, os nazis na Ucrânia e a «revolução» na Nicarágua, o Paquistão poderia ser o quarto sítio de perturbação do projecto chinês, «a Cintura e a Rota».

As prioridades

O que segue da nova estratégia, é o enunciado de ações a desenvolver. O Presidente Trump reconhece, prontamente, que os Estados Unidos não podem fazer tudo de uma vez e definem, portanto, as suas escolhas «prioritárias» ; uma maneira elegante de explicitar aquilo que não mais se deve fazer.

Note-se, de passagem, que o Presidente Trump valida a detenção de jiadistas em nome das leis da guerra; uma detenção que poderia ser perpétua tendo em conta a impossibilidade de acabar com esta guerra num prazo razoável.

As três grandes inovações são :

- O dispositivo, concebido internamente nos Estados Unidos, para vigiar as entradas no território e de rastreio de suspeitos, deverá ser estendido ao conjunto dos países Aliados. O lema dos «Estados Unidos primeiro» não significa os «Estados Unidos isoladamente». Quer a Casa Branca queira ou não, o Pentágono tentará restabelecer o «Império Americano» fingindo coordenar a luta anti-terrorista.

- Se existia até agora uma propaganda para lutar contra o alistamento de novos jiadistas, o Pentágono e o Secretariado para a Segurança da Pátria estão autorizados a fazer dela uma ideologia de Estado para mobilizar toda a sociedade. O anti-terrorismo é levado a tornar-se o que foi o anti-comunismo na época do Senador Joseph McCarthy.

- Ao mesmo tempo que combate os grupos qualificados de «terroristas», o Pentágono considerará, agora, que não pode prevenir todos os atentados no seu solo. Ele irá, portanto, desenvolver um programa de reparação de danos. É uma mudança completa de mentalidade. Até aqui, nunca nenhum inimigo atingiu o solo norte-americano e os exércitos dos EUA estão espalhados pelo mundo fora para impor a lei de Washington. O Pentágono começa a pensar em si como uma força de Defesa do território.

Em resumo, esta nova Estratégia Nacional anti-terrorista está muito distante das análises formuladas durante a campanha eleitoral por Donald Trump e Michael T. Flynn. Ela não terá mais que um reduzido impacto neste domínio. É para um outro lugar que devemos procurar entender a sua utilidade: o Presidente reformula passo a passo o aparelho de segurança do Estado Federal. Se for aplicado, este texto terá consequências profundas a longo prazo. Ele faz parte da vontade de transformar Forças Armadas imperialistas em órgãos de Defesa Nacional.


[1] National Strategy for Counterterrorism, The White House, October 2018.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Coalizão internacional evacua terroristas do Daesh de Deir ez-Zor

Edifícios destruidos em Deir ez-Zor
© REUTERS / Khalil Ashawi

A coalizão internacional liderada pelos EUA evacuou os terroristas do Daesh (proibido na Rússia e em vários outros países) da província síria de Deir ez-Zor, situada no nordeste da Síria, comunicou no domingo (7) a agência estatal síria SANA, citando moradores locais.

"No sábado [6] helicópteros da coalizão liderada pelos EUA pousaram perto da cidade de Al-Shafeh, uma bolsa no sudeste da província de Deir ez-Zor onde terroristas se encontram posicionados, e retiraram vários combatentes do Daesh de diferentes nacionalidades", informou a agência.


Exercícios de sistemas de mísseis Fateh, Irã (foto de arquivo)
© AFP 2018 / ARASH KHAMOUSHI / ISNA NEWS AGENCY

Em 22 de setembro a SANA informou que helicópteros da coalizão internacional evacuaram os líderes do Daesh do sudeste de Deir ez-Zor e voaram em direção desconhecida. De acordo com a nota da Operação Inherent Resolve (OIR), a coalizão não realizou quaisquer operações de evacuação de terroristas do Daesh.

 Os EUA e aliados realizam, desde 2014, ataques aéreos no Iraque e na Síria contra o Daesh. As operações na Síria são realizadas sem a autorização do governo do país. A Rússia deu início à missão antiterrorista na Síria em setembro de 2015 para dar suporte ao governo de seu aliado, o presidente Bashar Assad, e ajudou o governo sírio a retomar boa parte dos territórios que estavam sob comando de rebeldes.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018100712385512-coalizao-internacional-siria-evacua-terroristas-daesh-siria/

Analistas apontam para região que pode vir a ser novo 'ninho de vespas' do Daesh

Supostos militantes dos grupos terroristas Daesh e Talibã em uma delegacia no Afeganistão, 3 de outubro de 2017
© AFP 2018 / Noorullah Shirzada

Centro Antiterrorista da Comunidade dos Estados Independentes declarou que terroristas estão planejando criar um "califado" na Ásia Central. O cientista político Andrei Koshkin comentou a situação em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) quer criar um "califado" na Ásia Central, revelou Andrei Novikov, diretor do Centro Antiterrorista da Comunidade dos Estados Independentes, organização supranacional que engloba 11 repúblicas da antiga União Soviética.

De acordo com ele, terroristas estão tentando ativar células adormecidas na região.


O vice-primeiro-ministro do Quirguistão, Zhenish Razakov, sublinhou que ameaça terrorista na Ásia Central está aumentando cada vez mais e se tornando permanente. Maior preocupação é evidenciada nos terroristas que estão tentando invadir região do norte do Afeganistão para desestabilizar a situação, acrescentou.

Ainda em junho, o vice-diretor do Serviço Federal de Segurança e chefe do Comitê Nacional Antiterrorista da Rússia, Igor Sirotkin, declarou que o Daesh, apesar das perdas constantes, continua se espalhando pelo mundo como ameaça séria.

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o cientista político-militar e diretor do Departamento de Ciências Políticas e Sociologia da Plekhanov Universidade Russa de Economia, Andrei Koshkin, comentou a situação.

"É necessário lutar contra o terrorismo internacional em todo o mundo, e somente não em alguns países, que assumem a missão extremamente difícil, responsável e importante [de acabar com o terrorismo]", comentou ao serviço russo da Rádio Sputnik o cientista político-militar.


De acordo com Koshkin, o pseudocalifado do Daesh, destruído na Síria e no Iraque, seria reestabelecido em regiões do planeta onde há grandes problemas — acima de tudo — na esfera socioeconômica e onde há possibilidade de organizações terroristas desenvolverem seu trabalho obscuro.

"Hoje em dia, regiões deste tipo não são poucas, mas a Ásia central é o local, onde organizações terroristas se sentem muito seguras e, infelizmente, juntam forças e multiplicam possibilidades. E se nenhuma medida radical for posta em prática, então será formado um novo ‘ninho de vespas' do terrorismo internacional", concluiu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018092512289629-daesh-ninho-vespas-terroristas-regiao/

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