Irão

Seriam precisos apenas 2 ataques para vencer guerra contra Irã, diz senador dos EUA

Porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln (imagen referencial)
© AFP 2019 / Marinha dos EUA

Os Estados Unidos poderiam atingir vitória sobre o Irã não em um ataque, mas em dois, afirmou a jornalistas o senador republicano de Arkansas, Thomas Cotton.

O senador republicano de Arkansas, Thomas Cotton, disse que os Estados Unidos poderiam vencer uma guerra contra o Irã com "dois ataques", nem ao menos hesitando ao responder pergunta de jornalistas sobre possível conflito entre os países.


"Dois ataques, o primeiro ataque e o último ataque", disse com segurança Cotton, acrescentando que "bem, se o Irã atacar militarmente os Estados Unidos ou nossos aliados na região então eu certamente esperarei uma resposta devastadora."

O senador republicano sublinhou não ser a favor de ações militares contra o Irã, estando simplesmente explicando o que Washington faria se o conflito piorar.

A declaração do senador republicano sucede um recente envio norte-americano de um grupo de porta-aviões para perto da costa iraniana e bombardeiros B-52 para patrulharem o golfo Pérsico, mesmo o secretário de Estados dos EUA, Mike Pompeo, ter assegurado que a movimentação não ter nada a ver com preparo para guerra com iranianos.

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Bolton diz EUA que podem lançar ataque próximo ao Irã

John Bolton, consejero de Seguridad Nacional de EEUU
© AP Photo / Cliff Owen

Os Estados Unidos estão enviando seu grupo de porta-aviões para perto do Irã com o objetivo de enviar uma mensagem a Teerã, disse o assessor de segurança nacional dos EUA, John Bolton.

"Em resposta a várias advertências e alertas preocupantes, os Estados Unidos estão enviando o porta-aviões USS Abraham Lincolne uma força-tarefa de bombardeiros à região do Comando Central dos EUA para enviar uma mensagem clara e inequívoca ao regime iraniano de que qualquer ataque aos interesses dos Estados Unidos ou dos nossos aliados será recebido com força implacável", disse o comunicado.


A força militar dos Estados Unidos está presente no Oriente Médio, incluindo o Egito na África e a Ásia Central, especialmente no Afeganistão e no Iraque. Suas forças são participam de campanhas militares na região.

Bolton acrescentou que Washington não está "buscando a guerra" com o Irã, mas está totalmente preparado "para responder a qualquer ataque, seja por procuração, pela Guarda Revolucionária Islâmica ou por forças iranianas".

As tensões entre Irã e Estados Unidos cresceram desde maio de 2018, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou o acordo nuclear iraniano. Em menos de um ano, Washington lançou diversas sanções contra a República Islâmica, visando as esferas financeira, de transporte, militar e outras do país.

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EUA-Irão: um passo à frente, um passo atrás

 

Em 8 de Abril de 2019, o Departamento de Estado designou como «Organização Terrorista Estrangeira» (Foreign terrorist organization — FTO) o Corpo dos Guardas da Revolução iraniano. Esta é a primeira vez que ele qualifica assim um braço de um Estado.

O Guia da Revolução, o Aiatola Ali Khamenei, nomeou, no dia 21 de Abril, o Brigadeiro-general Hossein Salami Comandante-em-chefe dos Guardas da Revolução.

O Departamento de Estado reconheceu, a 23 de Abril, ter instaurado excepções à designação dos Guardas da Revolução como organização terrorista. Essas excepções são particularmente opacas.

Os Guardas da Revolução controlam a exploração do petróleo iraniano.

A Casa Branca pôs fim, a 22 de Abril, às excepções da interdição para comprar hidrocarbonetos iranianos. Tinham sido autorizados a negociar por seis meses 8 Estados: a China, a Coreia do Sul, a Grécia, a Índia, a Itália, o Japão, Taiwan e a Turquia.

Os Estados Unidos irão punir toda e qualquer compra a partir de 1 de Maio. Sabendo que o petróleo é pago na entrega e que o tempo de transporte é, em princípio, de várias semanas, o embargo dos EUA irá também aplicar-se às cargas já em trânsito.

O General Alireza Tangsiri, dos Guardas da Revolução, declarou que se os Estados Unidos impedissem os petroleiros iranianos de circular no estreito internacional de Ormuz ele fecharia esta passagem, provocando uma crise mundial de abastecimento.

O porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Geng Shuang, declarou que o seu país considerava que o embargo dos EUA não lhe dizia respeito, sendo nulo segundo o Direito Internacional.

A Coreia do Norte continuaria em vias de negociar com Washington uma prorrogação da sua excepção.

Tendo os preços do Brent aumentado ligeiramente, o Departamento de Estado garante coordenar-se com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos para aprovisionar o mercado mundial.

Segundo o Barclays, a ausência do Irão (Irã-br) do mercado internacional deverá causar poucas perturbações. Segundo a Goldman Sachs, os preços deverão oscilar entre US $ 70 e US $ 75 dólares por barril.





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Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes devem sua existência ao Irã, diz Rouhani

Hassan Rouhani, presidente do Irã
© AP Photo / Vahid Salemi

A Arábia Saudita, ao lado dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, não existiria hoje se o Irã tivesse apoiado os planos do líder iraquiano Saddam Hussein de ocupar esses Estados, afirmou o presidente iraniano Hassan Rouhani.

"Se não fosse a decisão racional do Irã de não cooperar com Saddam, não haveria vestígios desses países hoje", declarou Rouhani na quarta-feira.

"Eles devem sua existência hoje ao Irã", acrescentou.

Saddam Hussein invadiu o vizinho Kuwait em 1990, mas foi expulso vários meses depois pela coalizão liderada pelos EUA durante a Guerra do Golfo.

De acordo com Rouhani, Hussein "repetidamente enviou pedidos e mensagens", dizendo que o Iraque e o Irã dividiriam uma fronteira de 800 quilômetros no Golfo Pérsico.


"Isso mostra que Saddam estava procurando ocupar a Arábia Saudita, Omã, os Emirados e o Qatar, além do Kuwait", relembrou o presidente iraniano, acrescentando que Hussein ofereceu "cooperação" nesses esforços.

Teerã recusou a proposta de Saddam e foi um dos primeiros a condenar seu ataque ao Kuwait, garantiu Rouhani, enfatizando que, ao fazê-lo, Teerã "salvou" Riad junto com outras nações do Golfo.

Aliada importante de Washington e grande compradora de armas fabricadas nos EUA, a Arábia Saudita é uma das principais rivais do Irã na região. Riad diz que o Irã ameaça sua segurança travando uma "guerra por procuração" no Iêmen e fornecendo mísseis que são lançados pelos rebeldes na Arábia Saudita.

O Irã nega todas as acusações e acusa os sauditas de cometer crimes de guerra durante a campanha de bombardeios que dura anos no Iêmen.

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China avisa sobre aumento de 'turbulência' com jogada dos EUA contra petróleo do Irã

Petroleiro no porto de Bandar Abbas, no sul do Irã (foto de arquivo)
© AFP 2019 / ATTA KENARE

O fim da isenção de sanções norte-americanas para compra de petróleo iraniano não agradou a grandes compradores do hidrocarboneto do Irã, dentre eles, a China.

Pequim criticou mais uma vez a decisão da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, de sancionar a importação do petróleo iraniano, alertando sobre a possibilidade de consequências para a segurança do Oriente Médio.

"A China se opõe firmemente à execução norte-americana de sanções unilaterais e à chamada jurisdição armada duradoura", afirmou o porta-voz do MRE chinês, Geng Shuang, a repórteres, na terça-feira (23).


"A jogada relevante dos Estados Unidos vai intensificar a turbulência no Oriente Médio e a turbulência no mercado energético internacional", reforçou o porta-voz chinês.

Mais interiormente nesta semana, Shuang declarou que a China faria o que for necessário para proteger seus interesses comerciais que poderiam ser afetados pela recente decisão norte-americana de isentar as sanções contra petróleo iraniano.

Na segunda (22), Washington anunciou que vai pôr fim, em maio, à isenção das sanções sobre a importação de petróleo proveniente do Irã.

A isenção foi dada por um prazo de 180 dias pelos EUA para os oito principais compradores – China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Turquia, Itália e Grécia, com o prazo terminado no dia 2 de maio.

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'Levante as sanções e peça desculpas se quiser conversar', diz líder iraniano aos EUA

Hassan Rouhani, presidente do Irã
© AP Photo / Vahid Salemi

Os EUA devem primeiro suspender as sanções e pedir desculpas, se quiserem se sentar para as negociações, afirmou o presidente do Irã, Hassan Rouhani, depois que Washington intensificou a "pressão máxima" sobre Teerã.

"A negociação só é possível se todas as sanções forem levantadas, eles peçam desculpas por suas ações ilegais e exista respeito mútuo", disse Rouhani nesta quarta-feira.


Ele afirmou que Teerã está aberto a negociações com Washington, mas os EUA simplesmente "não estão prontos para qualquer diálogo" e só procuram "subjugar o povo do Irã".

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, declarou que o país vai impedir qualquer tentativa dos EUA de bloquear seu comércio de petróleo.

"Os esforços dos EUA para boicotar a venda do petróleo do Irã não os levarão a lugar nenhum. Vamos exportar nosso petróleo tanto quanto precisamos e pretendemos. Eles devem saber que sua medida hostil não ficará sem resposta. A nação não fica ociosa diante de animosidades", escreveu no Twitter.

A advertência veio depois que o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou que Washington deixaria de emitir uma isenção de sanções para os compradores de petróleo iraniano. Isso foi feito como parte da campanha para aplicar "pressão máxima" sobre Teerã, disse ele.

"A pressão máxima sobre o regime iraniano significa pressão máxima. É por isso que os EUA não farão exceções aos importadores de petróleo iraniano. O mercado global de petróleo continua bem abastecido. Estamos confiantes de que permanecerá estável à medida que as jurisdições se afastarem do petróleo iraniano", comentou.

Os dois Estados permanecem em um impasse diplomático depois que o presidente Donald Trump retirou unilateralmente os EUA do Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA) no programa nuclear iraniano no ano passado. Os EUA então re-impuseram sanções aos setores energético e bancário do Irã.

O Irã criticou as sanções como ilegais segundo a lei internacional e prometeu retaliar se Washington tomar medidas para atacar seu carregamento de petróleo.

No início deste mês, os EUA listaram o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã como uma "organização terrorista". Teerã respondeu do mesmo modo fazendo o mesmo com o Comando Central dos EUA (Centcom).

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EUA impõem novas sanções contra Irã

As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
© AP Photo / Carlos Barria

Os Estados Unidos sancionaram 31 pessoas e entidades por causa da suposta proliferação de armas de destruição em massa do Irã. A informação foi diculgada nesta sexta-feira (22) por funcionário de alto escalão da administração norte-americana.

"Hoje o Departamento do Tesouro e o Departamento de Estado estão anunciando que estamos designando 14 indivíduos e 17 entidades sob sanções contra os proliferadores de armas de destruição em massa e seus apoiadores", disse a fonte. 


"Essas 31 entidades estão ligadas à Organização para a Inovação e Pesquisa de Defesa do Irã", acrescentou. 

Washington impôs sanções a Teerã depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu em maio abandonar o acordo nuclear de 2015 com o Irã. A decisão de Trump de desistir do acordo — que foi negociado com outras cinco potências mundiais — tem dificultado as relações entre Washington e seus aliados europeus, que agora estão tentando evitar as sanções impostas pelos Estados Unidos.

Em fevereiro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que, apesar da retirada dos EUA do acordo de 2015, o Irã ainda estava em total conformidade com seus compromissos com a não-proliferação.

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EUA querem guerra em todos os lugares do mundo, diz líder iraniano Khamenei

Aiatolá Ali Khamenei.
© Sputnik / Sergey Guneev

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse nesta quarta-feira considerar os Estados Unidos um país indigno de confiança e belicista, e pediu à vizinha Armênia que amplie seus laços com Teerã, apesar das pressões norte-americanas.

O Irã está lutando com as sanções impostas por Washington depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou um acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis grandes potências no ano passado, chamando-o de profundamente falho.

Washington disse a empresas internacionais que elas serão impedidas de entrar no sistema financeiro norte-americano se violarem suas sanções aos setores energético e bancário iranianos. O alerta deixou muitos países preocupados em fazer negócios com o Irã.


"Os americanos são totalmente indignos de confiança e querem sedição, corrupção, desacordo e guerra em todos os lugares. Eles são contra as relações entre o Irã e a Armênia", informou o site oficial de Khamenei durante uma reunião com o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, em Teerã.

"Estamos comprometidos com boas relações com nossos vizinhos, mas autoridades norte-americanas como [o conselheiro de segurança nacional] John Bolton não compreendem as questões e relações humanas", declarou Khamenei. Bolton tem uma visão particularmente belicista do Irã na administração Trump.

O presidente Hassan Rouhani revelou anteriormente que o Irã está pronto para exportar mais gás para a Armênia.

O Irã acusou os Estados Unidos de iniciar uma "guerra econômica" contra ele, dizendo que as sanções estão impedindo o acesso dos iranianos a recursos vitais. O Tesouro dos EUA diz que as importações de remédios e alimentos estão isentas de sanções.

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Agência da ONU contradiz EUA e diz que Irã segue acordo nuclear descartado por Trump

A usina nuclear Bushehr no Irã (foto de arquivo)
© Sputnik / Valery Melnikov

O Irã permanece dentro dos limites-chave de suas atividades nucleares impostas por seu acordo de 2015 com grandes potências, apesar da crescente pressão das sanções recém-reimpostas dos EUA, informou nesta sexta-feira um relatório da agência nuclear da ONU.

Segundo a Agência Reuters, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que está policiando essas restrições nucleares, disse em um relatório trimestral confidencial que o Irã permaneceu dentro dos limites do nível ao qual pode enriquecer urânio, bem como seu estoque de urânio enriquecido.


A AIEA também repetiu sua declaração usual de que realizava as chamadas inspeções de acesso complementares — que muitas vezes são de curto prazo — em todos os locais no Irã que precisava visitar.

O presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã em maio passado, reimpondo as sanções dos EUA à economia do Irã e à indústria do petróleo que foram suspensas sob o acordo de 2015 nos meses que se seguiram.

As potências europeias que assinaram o acordo — França, Grã-Bretanha e Alemanha — tentaram acalmar os ataques contra Irã diante dessas sanções. Eles estão criando um novo canal para o comércio não-dólar com Teerã, mas diplomatas dizem que ele não será capaz de lidar com as grandes transações que o Irã diz que precisa para manter o negócio funcionando.

A criação desse canal, no entanto, irritou Washington por minar seus esforços para sufocar a economia do Irã em resposta ao programa de mísseis balísticos de Teerã e sua influência nas guerras na Síria e no Iêmen.


Na semana passada, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, convocou as potências europeias a seguir Washington na retirada do acordo, apesar de sua posição de longa data de que vale a pena manter o acordo enquanto o Irã mantiver o acordo.

O acordo suspendeu as sanções contra Teerã em troca de restrições às atividades nucleares de Teerã, com o objetivo de aumentar o tempo de que o Irã precisaria para fabricar uma bomba atômica, se quisesse fazê-lo. A República Islâmica disse há muito tempo que quer energia nuclear apenas para fins de energia civil.

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif declarou nesta semana que os Estados Unidos têm uma "obsessão doentia" e "patológica" com o Irã, e acusou Pence de tentar intimidar seus aliados.

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O Irã fabricaria mísseis de precisão na Síria

 

De acordo com o 12º canal de televisão israelense, o Irã (Irão-pt) teria construído uma usina (fábrica-pt) de mísseis de precisão em Safita, distrito de Latáquia, na Síria.

A imprensa israelense (israelita-pt) supõe que esses mísseis —se a informação for precisa— sejam destinados à Resistência Libanesa, que os usaria para ameaçar Telavive (que vem atacando repetidamente o Líbano e continua violando seu espaço aéreo e marítimo quotidianamente).

Essa notícia surge quando os Guardas Revolucionários iranianos anunciaram dispor agora de mísseis de cruzeiro Hoveizeh, de um alcance de 1.350 km.

De acordo com o Anexo B da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, o Irã não deve conduzir nenhuma «atividade ligada aos mísseis balísticos projetados para poder transportar ogivas nucleares, incluindo o uso de fogo recorrendo à tecnologia de mísseis balísticos». Os Ocidentais interpretam este texto como proibindo o desenho de qualquer míssil balístico, enquanto o Irã e inúmeros Estados acham que, em seu contexto, esta frase não é sobre mísseis em geral, mas sobre o uso de mísseis como vetores (vectores-pt) de ogivas nucleares [1].


[1] «Les tirs balistiques iraniens ne violent pas la résolution 2231», par Eshag Al Habib, Réseau Voltaire, 14 janvier 2019.



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Irã acusa EUA de apoiarem 'ditadores e carniceiros' que levaram ruína ao Oriente Médio

Mulher iraniana segura bandeira nacional enquanto passa por um muro representando a Estátua da Liberdade na parede da antiga embaixada dos EUA em Teerã (foto de arquivo)
© AFP 2018 / BEHROUZ MEHRI

O chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, escreveu em sua conta do Twitter sobre as novas acusações americanas em relação ao Irã e acusou os EUA de apoiarem "ditadores e extremistas" na região do Oriente Médio.

"Os iranianos — incluindo os nossos compatriotas judeus — estão comemorando 40 anos de progresso apesar da pressão dos EUA, assim como Donald Trump acabou de fazer novamente acusações contra nós. A hostilidade dos EUA levou-os a apoiar ditadores, carniceiros e extremistas, que apenas trouxeram a ruína à nossa região", escreveu Mohammad Zarif.

​A declaração do chefe da diplomacia iraniana, feita no dia 5 de fevereiro, veio um dia após o comunicado do presidente dos EUA, Donald Trump, de que as  forças dos EUA irão permanecer no Iraque para monitorar o Irã.

O presidente iraniano Hassan Rouhani afirmou em resposta que esse comunicado (onde o Irã é mencionado) mostra as "mentiras americanas" relativamente ao combate ao terrorismo.  Anteriormente, o líder norte-americano havia culpado a República Islâmica de desempenhar um papel desestabilizador na região.


"No outono passado, implementámos as sanções mais duras impostas por nós a um país. Não vamos tirar os olhos de um regime que grita 'morte à América' e ameaça o povo judeu com genocídio. Nunca devemos ignorar o veneno do antissemitismo ou aqueles que propagam essa crença venenosa", disse Trump ao falar diante de ambas as câmeras do Congresso dos EUA no dia 5 de fevereiro.

Após a retirada de Washington do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) em 2018, os EUA restabeleceram as sanções contra o Irã, visando atingir especificamente as exportações de petróleo de Teerã, as operações portuárias e as companhias de navegação iranianas, bem como as transações das instituições financeiras com o Banco Central do país árabe.

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Líder supremo do Irã ataca funcionários dos EUA: 'idiotas de primeira classe'

Aiatolá Ali Khamenei.
© Sputnik / Sergey Guneev

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, atacou políticos dos Estados Unidos, chamando-os de palhaços e idiotas não confiáveis, acrescentando ainda que a política norte-americana para Teerã só fez o país florescer.

Algumas autoridades americanas "fingem que estão loucas" e são "idiotas de primeira classe", afirmou Khamenei em um discurso na cidade de Qom, no centro-oeste do Irã, na última quarta-feira. Os comentários foram publicados posteriormente em sua conta no Twitter.

"Alguns funcionários dos EUA fingem que estão loucos. Claro que não concordo com isso, mas eles são idiotas de primeira classe".

"Às vezes o inimigo fala como um palhaço", continuou, observando que "uma autoridade dos EUA" disse recentemente que Teerã deveria aprender sobre a observação dos direitos humanos na Arábia Saudita.

"Como podemos chamá-lo, mas um palhaço?", prosseguiu.

Khamenei também escreveu que as sanções impostas ao Irã no passado permitiram à nação "florescer" e que o país "sairia desta fase".


No início desta semana, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alertou que Washington estará "redobrando" os esforços diplomáticos e comerciais para colocar "uma pressão real sobre o Irã" no futuro próximo.

Teerã e Washington estão presos em uma disputa diplomática desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se retirou unilateralmente do Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA) sobre o programa nuclear iraniano. Ele chamou o acordo de "defeituoso em seu núcleo" e citou a desconfiança em relação ao Irã.

A ação de Trump foi criticada pela União Europeia (UE), Rússia e China, que também são signatários do acordo. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), encarregada de monitorar o programa nuclear do Irã, informou que o país está cumprindo o acordo.

A Casa Branca reativou sanções contra a energia iraniana e o setor bancário, com funcionários indicando que as restrições visam a eliminar o comércio de petróleo de Teerã. A liderança da República Islâmica criticou as sanções como não provocadas e ilegais sob a lei internacional e prometeu retaliar.

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Irã não respeitará 'sanções ilegais' dos EUA, diz ministro do Petróleo

As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
© AP Photo / Carlos Barria

O ministro iraniano do Petróleo, Bijan Zanganeh, declarou nesta quinta-feira (10) que as sanções dos EUA contra seu país são "completamente ilegais" e que Teerã não irá cumprir com as restrições.

Durante uma coletiva de imprensa conjunta em Bagdá com seu colega iraquiano, Thamer al-Ghadhban, o ministro iraniano disse que o Irã não discutirá o volume ou o destino de suas exportações de petróleo enquanto permanecer sob as sanções dos EUA.


Ghadhban disse que o Iraque ainda não chegou a um acordo com o Irã para desenvolver campos de petróleo conjuntos. Ele também afirmou que o declínio nos preços globais do petróleo parou e que ele espera que os preços melhorem gradualmente.

Em meados de 2018, os EUA anunciaram sua saída de forma unilateral do acordo nuclear iraniano, seguido da reimposição das sanções aliviadas no acordo.

Em agosto e em novembro, dois pacotes de sanções dos EUA contra Teerã passaram a ter efeito de forma a forçar a negociação de um novo acordo. 

As restrições incluem medidas que tentam conter a indústria iraniana de petróleo. Apenas oito países — China, Grécia, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Turquia — receberam exceções temporárias das sanções sobre a importação de petróleo do Irã.

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Sanções dos EUA contra Teerã são 'terrorismo econômico', afirma presidente do Irã

Vista de Teerã
© Fotolia / Borna_Mir

As sanções dos EUA contra o Irã são exemplos flagrantes de "terrorismo econômico" e, ao perturbar a capacidade de Teerã de combater ataques terroristas, Washington coloca sua própria segurança em risco, disse o presidente iraniano Hassan Rouhani.

Ele observou ainda que as restrições impostas novamente por Washington visam "aterrorizar a economia" do Irã e ameaçar outras nações para cortarem o comércio e o investimento no país, segundo a mídia local.

Falando em uma conferência sobre segurança no sábado (8), Rouhani observou que as sanções podem fazer o tiro sair pela culatra, uma vez que minam os esforços de Teerã para combater o tráfico de drogas e os ataques terroristas.

"Eu aviso aqueles que impõem sanções que, se a capacidade do Irã de combater as drogas e o terrorismo for afetada […] vocês não estarão a salvo de um dilúvio de drogas, buscadores de asilo, bombas e terrorismo", advertiu o presidente iraniano.

Nas margens do evento, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, acusou os EUA de inundarem a região com armas, transformando-a em um "barril de pólvora".

"O nível de vendas de armas pelos norte-americanos é inacreditável e muito além das necessidades regionais", alertou Zarif, acrescentando que isso constitui uma política "muito perigosa" conduzida por Washington na região.


O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs novamente sanções ao setor petroleiro e ao setor bancário de Teerã no início deste ano, depois de retirar seu país do Plano de Ação Conjunto (JCPOA, sigla em inglês) sobre o programa nuclear iraniano. Trump criticou o acordo como "inadequado em sua essência" e acusou Teerã de violá-lo secretamente.

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou o Irã de testar um míssil balístico de alcance intermediário capaz de transportar ogivas nucleares. Sem confirmar ou negar o teste em si, os militares iranianos alegaram que todos os testes de mísseis visam fortalecer a defesa nacional. O chanceler Zarif criticou além disso as declarações de Pompeo como "hipocrisia", acrescentando que Washington violou a mesma resolução ao abandonar o acordo nuclear.

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Here we go again: US accuses Iran of hiding chemical weapons

30th November 2018 / United States
Here we go again: US accuses Iran of hiding chemical weapons

CNN reports last week that: “The Trump administration is set to accuse Iran of violating the international treaty that bars the use of chemical weapons.

The White House notified lawmakers on Friday that it would declare Iran is violating the 1997 Chemical Weapons Convention because it has kept the equipment and facilities needed to produce them, not because it is actively making or using such weapons.

Two senior US officials tell CNN that the charge will not trigger immediate penalties, but could be used as justification to file claims against Iran with international organizations going forward.”

P News Washington also reports that the announcement: “is part of the administration’s effort to isolate Iran after withdrawing from the landmark 2015 nuclear deal in May and earlier this month re-imposing all U.S. sanctions that had been eased under the accord. President Donald Trump and his top national security aides have vowed to impose a “maximum pressure” campaign against Iran to force it to halt destabilizing activities in the Middle East and beyond.”

For those of you that have read the newspapers and watched the horrors of America’s middle east slaughter, this comes straight out of the standard Washington regime change playbook.

Like Iraq and Syria before it, first comes the outraged human rights violations rhetoric we have become so used to, then the debilitating sanctions and international “pariah status” afforded to them – absolutely free of charge. For the final push comes unfounded chemical attack claims, a charge now being formally prepped and set in motion against Tehran by America and the West.

We have heard all this before, haven’t we?  There is no doubt that Iran is attempting to assert itself in the Middle East. There should be no doubt it has used some terrible strategies and tactics in its aims to do so, but still, don’t most countries do that?

After the AP first revealed a week ago that the U.S. is set to accuse Iran of violating international bans on chemical weapons, an American diplomat has told the global chemical weapons agency in The Hague that Tehran has not declared all of its chemical weapons capabilities.

In Britain, we had the highly publicised Chilcot report. Sir John Chilcot said (rather charitably): “We have concluded that the UK chose to join the invasion of Iraq before the peaceful options for disarmament had been exhausted. Military action at that time was not a last resort.”

The report criticised the way in which Tony Blair made the case for Britain to go to war. It was a false case, based on lies and the deception that Iraq had chemical weapons. It did not.

For ravaged, riven, destroyed Iraq, the Chilcot report did nothing. Lessons were not learned. We then enthusiastically engaged in Syria and in cold blood, willfully attacked Libya. Since then, British foreign policy and diplomacy in such matters has all but been destroyed by the Brexit debate.

Tony Blair, aided by the security services (on both sides of the Atlantic) and a totally complaint mainstream media took Britain into a catastrophic war which later led to the unleashing of al-Qaeda and Islamic State and killed hundreds of thousands of innocent civilians along the way. It also led to slaughter on the streets of Britain – our compensation being the crushing of civil liberties and a 360-degree surveillance state in the name of ‘national security’.

The Chilcot report also said Blair presented a dossier to the House of Commons that did not support his claim that Iraq had a growing programme of chemical and biological weapons. In other words, Blair lied. The action of the security services and compliance of the so-called ‘free-press’ were just as guilty of this maniacal cry for the culling of the innocent.

The population of Iraq is about 38 million. America’s attack was a human catastrophe, can you imagine what the same attack would look like with Iran’s population of 82 million who posses a real army and defences. It would literally be a bloodbath.

Ver o original em "TruePublica" (clique aqui)

'Temos guerra econômica entre EUA e Irã': especialista comenta últimas sanções

Técnico de petróleo iraniano verifica as instalações do separador de óleo no campo petrolífero de Azadegan, perto de Ahvaz, Irã (foto de arquivo)
© AP Photo / Vahid Salemi

Segundo o secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo, Washington vai continuar a pressionar Teerã até que o Irã abandone seu "rumo revolucionário". O especialista Andreas Schweitzer deu sua opinião sobre as consequências das medidas restritivas dos EUA contra o Irã e empresários estrangeiros.

Segundo Andreas Schweitzer, diretor executivo da Arjan Capital, uma consultoria para empresas que planejam entrar no mercado iraniano, hoje em dia "temos uma guerra econômica entre os EUA e o Irã" e as sanções econômicas são uma arma dos EUA nessa guerra.

"A situação, sem dúvidas, é dramática para a economia iraniana e especialmente para o povo iraniano", disse Schweitzer à Sputnik Internacional.

Despois da introdução das sanções, as empresas multinacionais que têm grandes negócios nos EUA são obrigadas a reduzir a zero seus negócios com o Irã. Pelos termos estabelecidos pelos EUA, empresas e países que negociem com Teerã em qualquer nível estariam sujeitos a sanções americanas. Ao mesmo tempo, essa situação dá grandes oportunidades às empresas que não estão ligadas aos EUA.


Entretanto, os EUA concederão permissão temporária a oito países que querem continuar a importar petróleo iraniano.

"Os EUA acreditam que eles [esses oito países] vão negociar com ele [o Irã] de qualquer maneira, por isso possivelmente seja melhor aceitar isso em vez de iniciar mais uma nova luta com eles. A China não vai deixar de importar; os EUA precisam da China, que compra um terço do petróleo iraniano", explicou o especialista.

Quanto a possíveis medidas de retaliação do Irã, Schweitzer opina que o fechamento do estreito de Ormuz seria uma medida extrema.

"Um dos resultados, do ponto de vista dos EUA, é que a economia [do Irã] está sofrendo e a moeda iraniana desvalorizou cerca de 70%. Para ilustrar isto, em 2009 por um euro você recebia 10 mil riais, no ano passado você recebia 50 mil riais e hoje você recebe 150 mil riais; assim, todas suas importações são de três a quatro vezes mais caras que no ano passado, isso mata os negócios. Isso mata os negócios não apenas para os iranianos, mas também para os estrangeiros", revelou o analista.


Em maio, o presidente estadunidense Donald Trump anunciou que Washington sairia do acordo nuclear com o Irã, assinado mais cedo pelo seu antecessor Barack Obama. O mandatário também falou sobre a restauração de todas as sanções contra o país, inclusive as secundárias, ou seja, contra os países que negociam com o Irã. O primeiro pacote de medidas restritivas entrou em vigor a partir de 7 de agosto, enquanto o segundo, o mais vasto e referente às exportações do petróleo, entrou em vigor em 5 de novembro.

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EUA atingem Irã com novas sanções: saiba tudo sobre o mais recente pacote de restrições

As bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
© AP Photo / Carlos Barria

Os Estados Unidos incluíram mais de 700 indivíduos e entidades, incluindo bancos, empresas aéreas e embarcações, na lista de sanções contra o Irã. A informação foi divulgada pelo Departamento do Tesouro em comunicado nesta segunda-feira.

"Hoje, em sua maior ação de um dia contra o regime iraniano, o Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA sancionou mais de 700 indivíduos, entidades, aeronaves e embarcações", disse o comunicado.


Foi acrescentado que as sanções vão impor "uma pressão financeira sem precedentes sobre o regime iraniano", que permitirá "chegar a um acordo abrangente que impedirá permanentemente o Irã de adquirir armas nucleares e deter o desenvolvimento de mísseis balísticos".

Já o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em uma entrevista coletiva, informou que os projetos civis de energia nuclear receberam isenções sob as novas sanções ao Irã, incluindo a usina de Bushehr.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, Pompeo foi questionado perguntado sobre as três isenções emitidas para projetos de energia nuclear civil e se Bushehr era uma delas. 

"Há três, Bushehr é uma das três, mas vamos publicar um relatório ficha completa na próxima hora, que todos você poderão ver", disse ele.


Pompeo disse ainda que mais de 20 países já reduziram suas importações de petróleo do Irã, reduzindo as compras em mais de 1 milhão de barris por dia.

O secretário de Estado ressaltou que a continuação dos negócios com o Irã, contornando as sanções, acabará por ser uma decisão "muito mais dolorosa" do que a retirada do mercado iraniano.

“Mais de 20 países reduziram as importações de petróleo bruto a zero [do Irã]. O regime perdeu mais de 2,5 bilhões de dólares em receitas de petróleo desde maio”, acrescentou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em maio que Washington estava se retirando do acordo sobre o programa nuclear com o Irã. Ele também informou sobre a restauração de todas as sanções contra o Irã, incluindo as secundárias, isto é, contra outros países que fazem negócios com o Irã.
 

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Volume sem precedentes de petróleo iraniano desafia sanções e chega à China

Produção de petróleo
© AP Photo / Hasan Jamali

Um volume de petróleo iraniano sem precedentes vai chegar ao porto chinês de Dalian neste mês e no início de novembro, informou uma fonte iraniana citada pela Reuters.

O petróleo deve chegar à China antes de as sanções dos EUA contra o Irã entrarem em vigor.

Uma fonte na Companhia Nacional Iraniana de Petróleo informou que mais de 20 milhões de barris de petróleo estão sendo enviados a Dalian.

"Como nossos líderes disseram, será impossível impedir que o Irã venda seu petróleo. Temos várias formas de vendê-lo e quando os navios-tanque chegarem a Dalian, decidiremos se o vendemos a outros compradores ou à China", afirmou a fonte à Reuters.


Até agora, espera-se que um total de 22 milhões de barris de petróleo iraniano transportados em navios-tanque cheguem a Dalian entre outubro e novembro. Dalian normalmente recebe entre um e três milhões de barris de petróleo iraniano cada mês, segundo dados de janeiro de 2015.

O Irã é o terceiro maior produtor da OPEP. De momento, o número de compradores do petróleo iraniano está baixando devido à ameaça de sanções dos EUA contra suas exportações de petróleo, que entrarão em vigor em 4 de novembro. Teerã já armazenou petróleo em Dalian durante a última rodada de sanções em 2014. O combustível foi vendido à Coreia do Sul e à Índia. Algumas das maiores refinarias e instalações comerciais de armazenamento de petróleo chinesas estão localizadas em Dalian.

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UE convencerá EUA a não desligar Irã do sistema global de transações financeiras?

Bandeiras da União Europeia em frente à sede da Comissão Europeia em Bruxelas
© Sputnik / Aleksei Vitvitsky

O jornal Financial Times, informou que os ministros das Finanças da UE tentarão convencer a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, a não privar o Irã do acesso ao sistema de pagamentos SWIFT.

A Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais, ou SWIFT (na sigla em inglês), é uma sociedade cooperativa internacional criada em 1973 por 248 bancos de 19 países e tem como principal objetivo padronizar as transações financeiras internacionais e criar um canal de comunicação entre os participantes.

O pedido de não afastamento do Irã do sistema de cooperação está planejado para ser feito durante as reuniões com o secretário do Tesouro dos EUA, Stephen Mnuchin, na sessão do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bali (Indonésia) nesta semana, segundo o jornal.


"Nossa pergunta é a seguinte: por que retirar todos os cabos elétricos de um prédio se você pode desligar as luzes", indagou um dos diplomatas europeus que participará da reunião. "Se você puder definir o banco [para sanções], então não há necessidade de forçar a SWIFT a desligar o Irã", disse ele.

A edição observa que "alguns funcionários e pessoas próximas à situação acreditam que Mnuchin vai querer agir em apoio ao SWIFT a fim de preservar o papel dos EUA no sistema global de transações".

Em agosto, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, avisou que a União Europeia precisava criar um sistema equivalente ao SWIFT para proteger suas empresas das sanções impostas ao Irã pelos Estados Unidos.

Enquanto isso, o Teerã não exclui a possibilidade de elaborar um sistema paralelo ao SWIFT, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

 

 

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EUROPA UNE-SE À RÚSSIA E À CHINA PARA CONTRARIAR AS SANÇÕES DOS EUA CONTRA O IRÃO

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A União Europeia, a Rússia, a China e o Irão anunciaram[1],  na ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas, que vão criar um Veículo de Propósito Especial, um canal soberano financeiramente independente, para contornar as sanções americanas contra Teerão[2] e permitir que o acordo «JCPOA» (Joint Comprehensive Plan Of Action) possa sustentar-se. Isto é um marco histórico[3], na medida em que a aliança dos EUA com a Europa está directamente a ser posta em causa. 

Há demasiados pontos de divergência objectiva entre os membros da NATO, relativamente a um número crescente de assuntos. Apenas alguns exemplos, do que recentemente tem acontecido:

- A Turquia, estrategicamente importante, firmou acordos com a Rússia, inclusive no plano de fornecimento de armamentos. 

- A China não tem qualquer problema comercial com a UE e seus estados-membros pelo que, nas sanções e guerra comercial  contra a China, os EUA estão à partida isolados; também estão isolados na sabotagem dos acordos firmados no seio da OMC. 

- Quanto à Rússia e as sanções causadas pelo conflito ucraniano e a Crimeia, cada vez mais existem vozes governamentais (Hungria, Itália...) a propor o levantamento das sanções. Igualmente a Alemanha, que precisa do gás natural russo e não cedeu à tentativa de intimidação americana de interromper o gasoduto pelo Báltico, projecto Russo-Alemão de grande significado. 

No entanto, nem tudo são rosas para o regime de Teerão. 
O rial já perdeu dois terços[4] do seu valor desde Maio, quando as primeiras sanções dos EUA foram accionadas. 
Várias grandes empresas ocidentais [Total, Peugeot, Allianz, Renault, Siemens, Daimler, Volvo...], apesar de terem negócios chorudos no Irão, foram obrigadas - pela pressão das sanções americanas - a retirar-se. Ficariam proibidas de actuar no mercado dos EUA se continuassem neste país.   No fundo, trata-se de uma corrida de velocidade, para as autoridades iranianas: quanto mais depressa cortarem os laços de dependência em relação ao Ocidente, mais as sanções dos EUA[5] e eventuais outros países serão ineficientes.

Nestes últimos anos temos visto o Irão aproximar-se da Organização de Cooperação de Xangai (uma espécie de embrião de «NATO euro-asiática»), tem participado na formação da zona de comércio livre euro-asiática e promovido a utilização das moedas respectivas dos países, nas trocas comerciais bilaterais (por exemplo, entre o Irão e a Índia). 

References

  1. ^ anunciaram (eeas.europa.eu)
  2. ^ sanções americanas contra Teerão (manuelbaneteleproprio.blogspot.com)
  3. ^ um marco histórico (www.zerohedge.com)
  4. ^ rial já perdeu dois terços (manuelbaneteleproprio.blogspot.com)
  5. ^ mais as sanções dos EUA (manuelbaneteleproprio.blogspot.com)

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Os Emirados reivindicam o atentado em Ahvaz

Um atentado matou 24 pessoas e feriu 60 outras aquando de um desfile militar, a 22 de Setembro, em Ahvaz (Irão).

Ahvaz é a capital da região árabe do Khuzestão. Em 22 de Setembro de 1980, o Presidente Saddam Hussein tentou anexar esta população ao Iraque provocando a guerra Iraque-Irão. À época, a imensa maioria dos árabes iranianos resistiram à agressão estrangeira. O desfile militar de 22 de Setembro de 2018 marcava o aniversário dessa terrível guerra, financiada pelos Ocidentais contra a Revolução khomeinista.

Vários grupos organizam regularmente protestos e atentados no Khuzestão : O Partido da Solidariedade Democrática de Ahvaz (apoiado pela CIA e pelo MI6, tenta coligar as diversas minorias não-persas do Irão) A Organização de Libertação Ahvaz (apoiada pelos seguidores do falecido Saddam Hussein).

O atentado desta semana foi reivindicado tanto pela Frente Popular e Democrática dos Árabes de Ahvaz (suposta de agrupar diversas organizações pró-Iraquianas) como pelo Daesh (que publicou um vídeo dos kamikaze antes de sua actuação).

Lembremos que o regime de Saddam Hussein no Iraque abandonara o laicismo no quadro do seu programa de «Retorno à Fé». Durante a invasão dos EUA, os membros do Partido Baath foram banidos da política e o exército nacional foi dissolvido, enquanto o país era governado por xiitas ligados ao Irão. Sendo o antigo Vice-presidente Ezzat Ibrahim Al-Douri o grande mestre da Ordem de Nachqbandis (uma irmandade sufi), formou uma aliança com a CIA e o MI6 para integrar o Daesh (E.I.) com os seus homens e obter a sua revanche contra os xiitas. Por conseguinte, as duas reivindicações do atentado reenviam, por caminhos diferentes, para Washington e para Londres. É por isso que a República Islâmica do Irão acusou imediatamente os Ocidentais e os Estados do Golfo patrocinadores do terrorismo.

Ora, um dos conselheiros do Príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, declarou que o seu país acabara de conseguir levar a guerra ao Irão, reivindicando, assim, publicamente o papel do país no atentado. Este tipo de declaração não é muito surpreendente no Médio-Oriente. Em 2015, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, havia-se felicitado publicamente pelos atentados que tinha comanditado na Europa.

A posição dos Emirados Árabes Unidos mudou bruscamente, não por causa da guerra no Iémene (onde combatem contra os Hutis apoiados pelo Irão), mas por causa da ruptura do acordo EUA-Irão (JCPoA). No decurso das duas últimas décadas, a riqueza dos Emirados baseou-se na fuga às sanções dos EUA pelo Irão. O porto de Dubai tornara-se o centro desse tráfico. Agora, os dois países são inimigos e a questão da soberania de uma ilhota do Golfo ressurgiu.

O Presidente iraniano, o Xeque Hassan Rohani, prometeu uma «resposta terrível» aos Emirados, forçando o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Anwar Gargash, a recuar e a desmentir as declarações precedentes do seu governo.





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Erdogan: Turquia continuará comprando gás iraniano apesar das sanções dos EUA

Recep Tayyip Erdogan, presidente de Turquia (foto de arquivo)
© REUTERS / Osman Orsal

Ancara continuará comprando gás natural iraniano apesar das sanções dos EUA contra Teerã, declarou o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Em sua entrevista exclusiva à agência Reuters, o presidente turco afirmou que a Turquia continuará comprando gás ao Irã não obstante as sanções de Washington.


Além disso, Erdogan disse que é impossível que os esforços de paz na Síria continuem enquanto o presidente atual sírio, Bashar Assad, estiver no poder, acrescentando que a retirada de "grupos radicais" já começou de uma nova zona desmilitarizada na região síria de Idlib.

O presidente turco comentou também a prisão do pastor norte-americano Andrew Brunson, suspeito de ter estado envolvido no golpe de Estado fracassado em 2016 na Turquia. Segundo ele, será a justiça turca e não os políticos que decidirá o destino do pastor.

Anteriormente, durante seu discurso perante a 73ª Assembleia geral da ONU, em Nova York, Erdogan afirmou que o uso de sanções econômicas como arma é inaceitável. Ele criticou duramente as guerras comerciais e afirmou que a Turquia defende o livre comércio e a livre circulação de pessoas e mercadorias.

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Irão: Esfandiar Rahim Mashaei condenado a 6 anos e meio de prisão

O antigo Director de gabinete de Mahmoud Ahmadinejad, Esfandiar Rahim Mashaei, acaba de ser condenado a cinco anos de prisão por complô contra a República Islâmica do Irão, um ano por propaganda contra o regime e seis meses por insultos aos depositários da autoridade pública. Ou seja, seis anos e meio no total.

Esfandiar Rahim Mashaei (à esquerda na foto) fora apresentado por Mahmoud Ahmadinejad (à direita) afim de lhe suceder, em 2013. No entanto, o Conselho dos Guardiões da Constituição rejeitara a sua candidatura qualificando-o de «mau muçulmano».

A filha de Mashaei desposou o filho mais velho de Ahmadinejad.

Ahmadinejad e Mashaei reclamam-se da Revolução anti-imperialista do Imã Khomeini e entraram, como ele, em conflito com o clero xiita (antes do seu retorno triunfal, o Aiatola fora rejeitado pelo alto clero que tinha apoiado o seu banimento pelo Xá Reza Pahlevi ).

O antigo Vice-presidente de Ahmadinejad, Hamid Baghaie, esse, fora já condenado a 15 anos de prisão, em Março de 2018, por acusações secretas e no seguimento de um julgamento secreto. Em 2017, ele tinha, por sua vez, tentado em vão apresentar candidatura à presidência da República com o apoio de Ahmadinejad. A sua candidatura fora igualmente rejeitada pelo Conselho dos Guardiões da Constituição.

O antigo Presidente Ahmadinejad foi colocado em residência vigiada após os motins anti-governamentais de Dezembro de 2017.

É todo o movimento laico —quer dizer favorável à separação das instituições políticas e religiosas—, que é assim decapitado pela Administração e pelos aliados do Xeque Hassan Rohani.





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A espetacular reviravolta do Xeque Hassan Rohani

Durante sua campanha eleitoral, o Presidente iraniano, Xeque Hassan Rohani, se havia comprometido a parar de apoiar a Síria. Efectivamente, desde o início de seu mandato, em Agosto de 2013, ele se havia abstido de enviar membros de seu governo à Síria e deixou o posto de embaixador em Damasco vazio por quase dois anos.

O apoio do Irã (Irão-pt) à Síria passou exclusivamente pelo Guia da Revolução, o Aiatola Ali Khamenei, que enviou regularmente seus assessores a Damasco, e pelos Guardiões da Revolução, que assessoram o Exército Árabe Sírio.

Ora, em 5 de Novembro de 2018, as sanções dos EUA contra os setores bancários e petrolíferos iranianos entrarão em vigor. Toda a política de aliança de Hassan Rohani com a Administração Obama será varrida. Constatando a recusa do Presidente Trump a qualquer compromisso e a incapacidade europeia para agir, o Xeque Hassan Rohani se resignou a mudar de política.

Em poucos dias, vários altos funcionários do governo iraniano viajaram a Damasco para levar seu apoio à República, entre os quais o Ministro da Defesa, o General Amir Hatami, em 26 de Agosto, e o Ministro das Relações Exteriores (Negócios Estrangeiros -pt), Mohammad-Javad Zarif, em 3 de Setembro

Agora, os dois ramos do poder iraniano apoiam Damasco.





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A máquina de guerra iraniana contra o Ocidente

O clero iraniano, que controla o Irão há quase quatro décadas, conseguiu juntar à sua tradicional capacidade de manipulação da informação ambas as tradições dos serviços secretos ocidentais e soviéticos, reconvertendo o aparelho dos serviços secretos do Xá, a SAVAK, e juntando-lhe a tradição dos do KGB, através da sua cooperação inicial com o partido comunista local Tudeh, antes de o extinguir.

  1. “Acção coordenada inautêntica”

Criando um novo termo típico do “newspeak” contemporâneo, “acção coordenada inautêntica” socialmente correcto, eufemístico e tortuoso, o Facebook – seguido de outras redes sociais – procedeu finalmente à desmontagem de centenas de “páginas fantasma” das suas redes sociais geridas pelas autoridades iranianas, algumas, como tornou público, datando de 2011, ou seja, que estiveram em serviço sem ser incomodadas durante pelo menos sete anos.

O mundo informativo tinha até aqui agido na presunção de que a Rússia era quase exclusivamente a única potência mundial que procedia à manipulação industrial da informação pública, quando era notório que o Irão é o principal protagonista nessa matéria.

Pela longevidade, pelo número e pela diversidade das formas assumidas pelas centrais de desinformação agora desmontadas, ficou claro que o Irão ultrapassa a Rússia nesta matéria, ficando também claro que os métodos das agências de ambos os países são semelhantes mas a acção não é necessariamente coordenada entre os dois países, embora seja esse o caso da guerra da Síria.

O clero iraniano, que controla o Irão há quase quatro décadas, conseguiu juntar à sua tradicional capacidade de manipulação da informação ambas as tradições dos serviços secretos ocidentais e soviéticos, reconvertendo o aparelho dos serviços secretos do Xá, a SAVAK, e juntando-lhe a tradição dos do KGB, através da sua cooperação inicial com o partido comunista local Tudeh, antes de o extinguir.

Durante estas décadas, as autoridades iranianas não mudaram essencialmente de táctica, juntando à violência organizada – de assassinatos dirigidos até à formação de verdadeiros exércitos paralelos como o faz no Líbano, Iraque, Síria e Iémen – a uma poderosa guerra de informação assente na compra de intelectuais, jornalistas e políticos e numa máquina sofisticada de desinformação que prossegue objectivos gerais de desestabilização e de expansionismo e específicos de destruição dos seus inimigos.

As redes sociais são apenas mais um palco onde as autoridades iranianas desenvolvem a sua política de desinformação. As ligações entre a principal central agora identificada, a “Liberty Front Press”, e vários jornais e fundações onde se apoiou o esforço de propaganda pelo acordo nuclear com o Irão, por exemplo, são por demais evidentes.

Por outro lado, não é possível separar a “guerra de informação” dos outros instrumentos de guerra que passam pela violência, como seja o terrorismo.

  1. O atentado terrorista de 30 de Junho

No dia 30 de Junho, as autoridades policiais alemãs, belgas e francesas desmontaram um atentado terrorista preparado pelas autoridades iranianas para Paris por ocasião da maior reunião anual da oposição iraniana. O atentado foi coordenado por um diplomata iraniano colocado na Áustria, contava com uma célula de apoio em Paris e foi protagonizado por dois iranianos residentes na Bélgica.

O atentado estava coordenado com uma campanha de desinformação que pretendia culpar as vítimas pelo atentado, apresentando os dois autores executantes como “dissidentes” da oposição iraniana, argumento que é de resto recorrente na actividade terrorista de Teerão. Esse mesmo argumento foi publicamente sugerido pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano e repetido pela imprensa europeia que costuma reproduzir o argumentário de Teerão.

Que as autoridades iranianas e os seus papagaios ocidentais tenham tido o desplante de argumentar dessa forma sem nunca retirarem a confiança ao seu diplomata e apesar de este ter sido apanhado em flagrante a fornecer o material para o atentado, diz muito sobre o à vontade com que as autoridades iranianas se movimentam na Europa.

Passados praticamente dois meses depois dos factos, e apesar do pedido de extradição feito pelas autoridades belgas às autoridades francesas e alemãs, apesar de muitas das vítimas potenciais do atentado se terem constituído como parte civil no processo, continua a não existir uma acusação e, sobretudo, não foram tomadas pela União Europeia quaisquer medidas de retaliação contra o regime iraniano.

  1. O apaziguamento europeu

A diplomacia europeia não só fez um total silêncio perante este atentado como, pior ainda, multiplicou os seus actos de apaziguamento em relação a Teerão.

A posição tomada pela União Europeia um mês após o atentado perante o acordo nuclear assenta numa monstruosa falsidade: que o objectivo da União Europeia é “assegurar que o programa iraniano permanece pacífico, como confirmado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) em onze relatórios sucessivos.”

Como explicou o finlandês Olli Heinonen, que foi 27 anos funcionário da  AIEA e que trabalha hoje para a Fundação de Defesa da Democracia, a agência nunca declarou tal coisa. Na verdade, o que a agência constatou durante numerosos anos foi mesmo o contrário.

Mas para estes dirigentes europeus, tudo é válido para satisfazer os desejos de Teerão, inclusivamente pôr em marcha um programa de subvenção ao Irão, não dar qualquer resposta às acusações públicas de que o regime subornou dirigentes europeus para que estes apoiassem o acordo nuclear.

De acordo com algumas fontes citadas pelo “Maghreb Intelligence” é o departamento 157 dos serviços secretos iranianos que dirige as operações no interior da diplomacia europeia.

Indepentemente de saber quais os departamentos dos serviços secretos iranianos encarregados das várias operações de guerra antiocidental, creio que sem levarmos a sério a guerra que nos é feita pelo fanatismo islâmico orgânico da teocracia iraniana não é possível defender de forma eficaz os interesses europeus.

Ver artigo original em "O TORNADO"

Iranianos chocados com o nível de vida dos seus dirigentes

O antigo Presidente do Banco Central iraniano, Mahmood Bahmani, (próximo do antigo Presidente Mahmoud Ahmadinejad) lançou uma campanha contra a corrupção.

Ele revelou que 5.000 crianças filhas de personalidades vivem no estrangeiro e detêm mais nas suas contas pessoais que o Banco central tem em reservas monetárias (US $ 148 mil milhões). Notou, então, que apenas 300 estão registados (registrados-br) como estudantes e fingem ignorar porquê os outros se exilaram.

O hastag «Onde está seu filho?» apareceu então, perseguindo inúmeros funcionários da Administração Rohani. O caso desenvolveu-se com a divulgação de fotografias do casamento quase principesco do filho do Embaixador iraniano na Dinamarca e de uma designer (foto), sugerindo um nível de vida sumptuoso, muito longe da frugalidade defendida pelo governo e clero.

Enquanto o acordo JCPoA, assinado entre as Administrações Obama e do Xeque Rohani, enriqueceu os apoios deste último, o nível de vida do povo iraniano continuou a degradar-se.

Além disso, desde a retirada dos Estados Unidos do JCPoA pelo Presidente Trump, a moeda iraniana afundou-se 60% em relação ao dólar e a taxa de desemprego aproxima-se dos 40%; uma realidade extremamente dura para o povo iraniano, mas que aproveita aos filhos da classe dominante.





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A Administração Trump e o Irão

Thierry Meyssan*

Tal como o Presidente Reagan, o Presidente Trump parece anti-iraniano. Mas talvez só na aparência. Se o primeiro tinha estabelecido uma aliança secreta com o Imã Khomeiny, o segundo poderá agir da mesma forma com o partido do antigo Presidente Ahmadinejad. É a heterodoxa tese de Thierry Meyssan.

O Secretário de Estado Mike Pompeo anunciou, a 16 de Agosto de 2018, a criação de um «Grupo de Acção para o Irão» (Iran Action Group) encarregue de coordenar a política dos Estados-Unidos após a sua retirada do acordo dos 5+1 sobre o nuclear (JCPoA) [1].
Este anúncio acontece quando o Presidente Trump decidiu, por seu lado, adiar sine die a implementação do seu plano para o Médio-Oriente (the deal of the century). Ora, ninguém poderá alterar a situação na Palestina sem o apoio do Irão.
Lembremos por outro lado que o Tratado JCPoA, de Barack Obama, não foi concebido unicamente para garantir que o Irão não fabrique a bomba atómica. Isso é apenas um pretexto. O seu verdadeiro fim é o de impedir este país de dispôr de cientistas de alto nível e de conceber técnicas de ponta [2]. Aliás, ele obrigou o Irão a fechar várias faculdades de Ciências.
Para a oposição Democrata dos EUA, a Administração Trump estaria a retomar a política de mudança de regime dos neo-conservadores, como indicaria a escolha da data do anúncio: o 65º aniversário do golpe de Estado anglo-americano contra o Primeiro-ministro iraniano Mohammad Mosaddegh. No entanto, se a «Operação Ajax» de 1953 realmente inspirou os neo-conservadores, ela é anterior ao seu movimento e não tem nenhuma relação com eles. Além disso, os neo-conservadores serviram, é certo, o Partido Republicano, mas igualmente o Partido Democrata.
Durante a sua campanha eleitoral e os seus primeiros dias na Casa Branca, Donald Trump nunca deixou de estigmatizar o pensamento globalista dos neo-conservadores e de jurar que os Estados Unidos nunca mais tentariam mudar pela força regimes em países estrangeiros. A secretaria de Estado afirma, por seu lado, que a coincidência de datas é puramente fortuita.
Chama-se «neo-conservadores» a um grupo de intelectuais trotskistas (portanto opostos ao conceito de Estado-nação), militantes do Social Democrats USA, que se aproximou da CIA e do MI6 para lutar contra a União Soviética. Acabaram associados ao Poder por Ronald Reagan, depois seguiram todas as alternâncias políticas norte-americanas, ficando no Poder com Bush pai, Clinton, Bush filho e Obama. Eles conservam, hoje em dia, o controle de uma agência de Inteligência conjunta aos «Cinco Olhos» (Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido, EUA), a National Endowment for Democracy (NED) [3]. Partidários da «revolução mundial», popularizaram a ideia de «democratizar» regimes por «revoluções coloridas», ou mesmo directamente por guerras.

Em 2006, criaram um Grupo para a Política e as Operações no Irão e na Síria (Iran Syria Policy and Operations Group) no seio da Administração Bush Jr. Que foi dirigido por Elizabeth Cheney, a filha do Vice-presidente Dick Cheney. Inicialmente, ele foi alojado na Secretaria de Defesa, depois transferido para as instalações do Vice-presidente. Compreendia cinco secções.

 A transferência de armas para o Irão e a Síria a partir do Barein, Emirados Árabes Unidos e Omã ;
O apoio aos trotzkistas e aliados, no Irão (os Mujahideens do Povo) e na Síria (Riad al-Türk, Georges Sabra e Michel Kilo) ;
A espionagem das redes bancárias iranianas e sírias ;
 A infiltração de grupos pró-iranianos e pró-sírios no «Médio-Oriente Alargado» ;
 A penetração dos média (mídia-br) da região para aí instilar a propaganda dos EUA.

Em 2007, este grupo foi oficialmente dissolvido. Na realidade, ele acabou absorvido por uma estrutura ainda mais secreta encarregue da estratégia para a democracia global (Global Democracy Strategy). Essa, sob o comando do neo-conservador Elliott Abrams (o mesmo do «escândalo Irão-Contras») e de James Jeffrey, estendeu este tipo de acção a outras regiões do mundo.
Foi este Grupo quem supervisionou a planificação da guerra contra a Síria.
A imprensa dos EUA, que é violentamente anti-Trump, apresentara Elliott Abrams como o primeiro possível Secretário de Estado da Administração Trump, quando o novo Presidente o recebeu demoradamente na Casa Branca. Ora, não se passou evidentemente nada disso.
O que torna, no entanto, credível a acusação feita contra a Administração Trump de querer ressuscitar essa estratégia é que o Embaixador James Jeffrey acaba de ser nomeado Representante Especial para a Síria.
Jeffrey é um «diplomata» de carreira. Ele colocou em marcha a aplicação dos Acordos de Dayton, na Bósnia-Herzegovina. Estava em funções no Kuweit aquando da invasão iraquiana. Em 2004, supervisionou, sob as ordens de John Negroponte, a transição entre a Autoridade Provisória da Coligação (Coalizão-br) no Iraque (que era uma empresa privada [4]) e o governo iraquiano post-Saddam Hussein. Depois juntou-se ao gabinete de Condolleezza Rice em Washington e participou no Grupo para a Política e as Operações no Irão e na Síria. Ele foi um dos teorizadores da reorientação militar dos EUA no Iraque (the surge) posto em prática pelo General Petraeus. Foi também adjunto do Conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley, aquando da guerra na Geórgia, depois embaixador de Bush Jr na Turquia e de Obama no Iraque.
Se observarmos mais de perto, toda a sua carreira desde a dissolução da URSS gira em torno do Irão, mas não necessariamente contra ele. Por exemplo, durante a guerra na Bósnia-Herzegovina, o Irão bateu-se, sob comando do Pentágono, ao lado da Arábia Saudita. Em contraste, no Iraque, Jeffrey opôs-se à influência de Teerão. Mas quando a Geórgia atacou a Ossétia do Sul e a Abecásia, ele não defendeu o Presidente Saakashvili, sabendo que este acabara de alugar dois aeroportos a Israel para atacar o Irão.
Mike Pompeo nomeou Brian Hook para cabeça do Grupo de Ação para o Irão. É um intervencionista que foi assistente de Condoleezza Rice, encarregado de organizações internacionais. Ele estava, até agora, encarregado de elaborar as estratégias do Departamento de Estado.
Segundo Pompeo, o objectivo deste novo grupo não é mudar o regime, mas forçar o Irão a mudar de política. Esta estratégia surge quando a República Islâmica passa por uma grande crise económica e política. Enquanto o clero (duplamente representado pelo Xeque Presidente e pelo Aiatola, o Guia da Revolução) se agarra ao Poder, manifestações contra ele varrem o país. Contrariamente à visão que se tem no Ocidente, a revolução do Aiatola Khomeini não era clerical, mas, sim anti-imperialista. Os protestos podem portanto desaguar quer numa mudança de regime, quer numa continuação da Revolução khomeinista, mas sem o clero. É esta segunda opção que é representada pelo antigo Presidente Ahmadinejad (colocado actualmente em residência vigiada) e pelo seu antigo Vice-presidente Baghaie (condenado a 15 anos de prisão e mantido incomunicável).
A 21 de Maio passado, Mike Pompeo apresentava perante a Fundação Heritage [5] os seus 12 objectivos para o Irão [6]. À primeira vista, tratava-se de uma longa lista de exigências impossíveis de satisfazer. No entanto, numa observação mais atenta, os pontos de 1 a 3 relativos ao nuclear ficam aquém do JCPoA. O ponto 4 sobre os mísseis balísticos é inaceitável. Os pontos 5 a12 visam convencer o Irão a renunciar a exportar a sua revolução pelas armas.
Em 15 de Agosto, quer dizer na véspera do anúncio de Pompeo (sobre o Grupo de Acção- ndT), o Guia da Revolução, o Aiatola Ali Khamenei, reconheceu ter-se enganado ao ter autorizado a equipe do Xeque Hassan Rohani a negociar o acordo JCPoA com a Administração Obama [7]. É preciso notar que o Guia havia autorizado estas negociações antes da eleição de Rohani e que esta —tal como o afastamento do movimento de Ahmadinejad— havia constituído matéria das negociações.
Mahmoud Ahmadinejad, que estabelece uma distinção entre as políticas dos Presidentes Obama e Trump, escrevera ao novo Presidente logo após a sua eleição [8]. Aí, ele mostrou que compartilhava a análise de Donald Trump face ao sistema global de Obama-Clinton e das suas duras consequências tanto para o resto do mundo como para os cidadãos norte-americanos.
Quando as manifestações começaram, em Dezembro de 2017, o governo Rohani acusou Ahmadinejad de ser o responsável. Em Março de 2018, o antigo Presidente consumou a sua ruptura com o Guia da Revolução, revelando que o seu gabinete tinha desviado 80 mil milhões (bilhões-br) de rials de fundações beneficentes e religiosas [9]. Duas semanas antes do anúncio de Pompeo, muito embora estando em prisão domiciliar, ele apelou à demissão do Presidente Rohani [10].
Tudo leva a pensar que, se a Administração Obama apoiava Rohani, a de Trump apoia o partido de Ahmadinejad. Da mesma maneira como no passado o Presidente Carter e o seu conselheiro Brzeziński lançavam a «Operação Eagle Claw» contra a Revolução, enquanto o Presidente Reagan apoiava o Imã Khomeini (October Surprise).
Por outras palavras, a Casa Branca poderá contentar-se com um retorno ao Poder do partido de Ahmadinejad, sob a condição de que ele se comprometa a que a exportação da Revolução prossiga unicamente através do debate de ideias.

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

O autor passou seis meses no Irão. Ele aconselhou o Presidente Ahmadinejad aquando do seu discurso de 2010 na ONU.
Notas:
[1] “Remarks on the Creation of the Iran Action Group” (« Notas sobre a Criação do Grupo de Acção para o Irão»- ndT), by Michael R. Pompeo; “Briefing on the Creation of the Iran Action Group”, by Brian Hooks, State Department, August 16, 2018.
[2] “Quem tem medo do programa nuclear civil do Irã?”, Thierry Meyssan, Tradução Luis Nassif, Rede Voltaire, 2 de Janeiro de 2011.
[3] « La NED, nébuleuse de l’ingérence "démocratique" », “A NED, vitrina legal da CIA”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2016.
[4] « Qui gouverne l’Iraq ? », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 13 mai 2004.
[5] « Le prêt-à-penser de la Fondation Heritage » ( «O pronto-a-pensar da Fundação Heritage»- ndT), Réseau Voltaire, 8 juin 2004.
[6] “Mike Pompeo at The Heritage Foundation”, by Mike Pompeo, Voltaire Network, 21 May 2018.
[7] « Le Guide de la Révolution iranienne rectifie son point de vue », Réseau Voltaire, 17 août 2018.
[8] “Letter by Mahmoud Ahmadinejad to Donald Trump” («Carta de M Ahmadinejad a D. Trump»- ndT), by Mahmoud Ahmadinejad, Voltaire Network, 26 February 2017.
[9] “Ahmadinejad acusa o Aiatolá Khamenei de desvio de fundos”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 24 de Março de 2018.
[10] “Irão: Ahmadinejad apela à demissão do Presidente Rohani”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 14 de Agosto de 2018.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/thierrymeyssan-talcomo-o-presidente.html

A Administração Trump e o Irão

Mike Pompeo anuncia a criação do «Grupo de Acção para o Irão»

Tal como o Presidente Reagan, o Presidente Trump parece anti-iraniano. Mas talvez só na aparência. Se o primeiro tinha estabelecido uma aliança secreta com o Imã Khomeiny, o segundo poderá agir da mesma forma com o partido do antigo Presidente Ahmadinejad. É a heterodoxa tese de Thierry Meyssan.

O Secretário de Estado Mike Pompeo anunciou, a 16 de Agosto de 2018, a criação de um «Grupo de Acção para o Irão» (Iran Action Group) encarregue de coordenar a política dos Estados-Unidos após a sua retirada do acordo dos 5+1 sobre o nuclear (JCPoA) [1].

Este anúncio acontece quando o Presidente Trump decidiu, por seu lado, adiar sine die a implementação do seu plano para o Médio-Oriente (the deal of the century). Ora, ninguém poderá alterar a situação na Palestina sem o apoio do Irão.

Lembremos por outro lado que o Tratado JCPoA, de Barack Obama, não foi concebido unicamente para garantir que o Irão não fabrique a bomba atómica. Isso é apenas um pretexto. O seu verdadeiro fim é o de impedir este país de dispôr de cientistas de alto nível e de conceber técnicas de ponta [2]. Aliás, ele obrigou o Irão a fechar várias faculdades de Ciências.

Para a oposição Democrata dos EUA, a Administração Trump estaria a retomar a política de mudança de regime dos neo-conservadores, como indicaria a escolha da data do anúncio: o 65º aniversário do golpe de Estado anglo-americano contra o Primeiro-ministro iraniano Mohammad Mosaddegh. No entanto, se a «Operação Ajax» de 1953 realmente inspirou os neo-conservadores, ela é anterior ao seu movimento e não tem nenhuma relação com eles. Além disso, os neo-conservadores serviram, é certo, o Partido Republicano, mas igualmente o Partido Democrata.

Durante a sua campanha eleitoral e os seus primeiros dias na Casa Branca, Donald Trump nunca deixou de estigmatizar o pensamento globalista dos neo-conservadores e de jurar que os Estados Unidos nunca mais tentariam mudar pela força regimes em países estrangeiros. A secretaria de Estado afirma, por seu lado, que a coincidência de datas é puramente fortuita.

Chama-se «neo-conservadores» a um grupo de intelectuais trotskistas (portanto opostos ao conceito de Estado-nação), militantes do Social Democrats USA, que se aproximou da CIA e do MI6 para lutar contra a União Soviética. Acabaram associados ao Poder por Ronald Reagan, depois seguiram todas as alternâncias políticas norte-americanas, ficando no Poder com Bush pai, Clinton, Bush filho e Obama. Eles conservam, hoje em dia, o controle de uma agência de Inteligência conjunta aos «Cinco Olhos» (Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido, EUA), a National Endowment for Democracy (NED) [3]. Partidários da «revolução mundial», popularizaram a ideia de «democratizar» regimes por «revoluções coloridas», ou mesmo directamente por guerras.

Em 2006, criaram um Grupo para a Política e as Operações no Irão e na Síria (Iran Syria Policy and Operations Group) no seio da Administração Bush Jr. Que foi dirigido por Elizabeth Cheney, a filha do Vice-presidente Dick Cheney. Inicialmente, ele foi alojado na Secretaria de Defesa, depois transferido para as instalações do Vice-presidente. Compreendia cinco secções.
-A transferência de armas para o Irão e a Síria a partir do Barein, Emirados Árabes Unidos e Omã ;
-O apoio aos trotzkistas e aliados, no Irão (os Mujahideens do Povo) e na Síria (Riad al-Türk, Georges Sabra e Michel Kilo) ;
-A espionagem das redes bancárias iranianas e sírias ;
-A infiltração de grupos pró-iranianos e pró-sírios no «Médio-Oriente Alargado» ;
-A penetração dos média (mídia-br) da região para aí instilar a propaganda dos EUA.

Em 2007, este grupo foi oficialmente dissolvido. Na realidade, ele acabou absorvido por uma estrutura ainda mais secreta encarregue da estratégia para a democracia global (Global Democracy Strategy). Essa, sob o comando do neo-conservador Elliott Abrams (o mesmo do «escândalo Irão-Contras») e de James Jeffrey, estendeu este tipo de acção a outras regiões do mundo.

Foi este Grupo quem supervisionou a planificação da guerra contra a Síria.

A imprensa dos EUA, que é violentamente anti-Trump, apresentara Elliott Abrams como o primeiro possível Secretário de Estado da Administração Trump, quando o novo Presidente o recebeu demoradamente na Casa Branca. Ora, não se passou evidentemente nada disso.

O que torna, no entanto, credível a acusação feita contra a Administração Trump de querer ressuscitar essa estratégia é que o Embaixador James Jeffrey acaba de ser nomeado Representante Especial para a Síria.

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O representante especial para a Síria, James Jeffrey, presta juramento perante Mike Pompeo

Jeffrey é um «diplomata» de carreira. Ele colocou em marcha a aplicação dos Acordos de Dayton, na Bósnia-Herzegovina. Estava em funções no Kuweit aquando da invasão iraquiana. Em 2004, supervisionou, sob as ordens de John Negroponte, a transição entre a Autoridade Provisória da Coligação (Coalizão-br) no Iraque (que era uma empresa privada [4]) e o governo iraquiano post-Saddam Hussein. Depois juntou-se ao gabinete de Condolleezza Rice em Washington e participou no Grupo para a Política e as Operações no Irão e na Síria. Ele foi um dos teorizadores da reorientação militar dos EUA no Iraque (the surge) posto em prática pelo General Petraeus. Foi também adjunto do Conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley, aquando da guerra na Geórgia, depois embaixador de Bush Jr na Turquia e de Obama no Iraque.

Se observarmos mais de perto, toda a sua carreira desde a dissolução da URSS gira em torno do Irão, mas não necessariamente contra ele. Por exemplo, durante a guerra na Bósnia-Herzegovina, o Irão bateu-se, sob comando do Pentágono, ao lado da Arábia Saudita. Em contraste, no Iraque, Jeffrey opôs-se à influência de Teerão. Mas quando a Geórgia atacou a Ossétia do Sul e a Abecásia, ele não defendeu o Presidente Saakashvili, sabendo que este acabara de alugar dois aeroportos a Israel para atacar o Irão.

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Brian Hook

Mike Pompeo nomeou Brian Hook para cabeça do Grupo de Ação para o Irão. É um intervencionista que foi assistente de Condoleezza Rice, encarregado de organizações internacionais. Ele estava, até agora, encarregado de elaborar as estratégias do Departamento de Estado.

Segundo Pompeo, o objectivo deste novo grupo não é mudar o regime, mas forçar o Irão a mudar de política. Esta estratégia surge quando a República Islâmica passa por uma grande crise económica e política. Enquanto o clero (duplamente representado pelo Xeque Presidente e pelo Aiatola, o Guia da Revolução) se agarra ao Poder, manifestações contra ele varrem o país. Contrariamente à visão que se tem no Ocidente, a revolução do Aiatola Khomeini não era clerical, mas, sim anti-imperialista. Os protestos podem portanto desaguar quer numa mudança de regime, quer numa continuação da Revolução khomeinista, mas sem o clero. É esta segunda opção que é representada pelo antigo Presidente Ahmadinejad (colocado actualmente em residência vigiada) e pelo seu antigo Vice-presidente Baghaie (condenado a 15 anos de prisão e mantido incomunicável).

A 21 de Maio passado, Mike Pompeo apresentava perante a Fundação Heritage [5] os seus 12 objectivos para o Irão [6]. À primeira vista, tratava-se de uma longa lista de exigências impossíveis de satisfazer. No entanto, numa observação mais atenta, os pontos de 1 a 3 relativos ao nuclear ficam aquém do JCPoA. O ponto 4 sobre os mísseis balísticos é inaceitável. Os pontos 5 a 12 visam convencer o Irão a renunciar a exportar a sua revolução pelas armas.

Em 15 de Agosto, quer dizer na véspera do anúncio de Pompeo (sobre o Grupo de Acção- ndT), o Guia da Revolução, o Aiatola Ali Khamenei, reconheceu ter-se enganado ao ter autorizado a equipe do Xeque Hassan Rohani a negociar o acordo JCPoA com a Administração Obama [7]. É preciso notar que o Guia havia autorizado estas negociações antes da eleição de Rohani e que esta —tal como o afastamento do movimento de Ahmadinejad— havia constituído matéria das negociações.

Mahmoud Ahmadinejad, que estabelece uma distinção entre as políticas dos Presidentes Obama e Trump, escrevera ao novo Presidente logo após a sua eleição [8]. Aí, ele mostrou que compartilhava a análise de Donald Trump face ao sistema global de Obama-Clinton e das suas duras consequências tanto para o resto do mundo como para os cidadãos norte-americanos.

Quando as manifestações começaram, em Dezembro de 2017, o governo Rohani acusou Ahmadinejad de ser o responsável. Em Março de 2018, o antigo Presidente consumou a sua ruptura com o Guia da Revolução, revelando que o seu gabinete tinha desviado 80 mil milhões (bilhões-br) de rials de fundações beneficentes e religiosas [9]. Duas semanas antes do anúncio de Pompeo, muito embora estando em prisão domiciliar, ele apelou à demissão do Presidente Rohani [10].

Tudo leva a pensar que, se a Administração Obama apoiava Rohani, a de Trump apoia o partido de Ahmadinejad. Da mesma maneira como no passado o Presidente Carter e o seu conselheiro Brzeziński lançavam a «Operação Eagle Claw» contra a Revolução, enquanto o Presidente Reagan apoiava o Imã Khomeini (October Surprise).

Por outras palavras, a Casa Branca poderá contentar-se com um retorno ao Poder do partido de Ahmadinejad, sob a condição de que ele se comprometa a que a exportação da Revolução prossiga unicamente através do debate de ideias.

[1] “Remarks on the Creation of the Iran Action Group” (« Notas sobre a Criação do Grupo de Acção para o Irão»- ndT), by Michael R. Pompeo; “Briefing on the Creation of the Iran Action Group”, by Brian Hooks, State Department, August 16, 2018.

[2] “Quem tem medo do programa nuclear civil do Irã?”, Thierry Meyssan, Tradução Luis Nassif, Rede Voltaire, 2 de Janeiro de 2011.

[3] « La NED, nébuleuse de l’ingérence "démocratique" », “A NED, vitrina legal da CIA”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2016.

[4] « Qui gouverne l’Iraq ? », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 13 mai 2004.

[5] « Le prêt-à-penser de la Fondation Heritage » ( «O pronto-a-pensar da Fundação Heritage»- ndT), Réseau Voltaire, 8 juin 2004.

[6] “Mike Pompeo at The Heritage Foundation”, by Mike Pompeo, Voltaire Network, 21 May 2018.

[7] « Le Guide de la Révolution iranienne rectifie son point de vue », Réseau Voltaire, 17 août 2018.

[8] “Letter by Mahmoud Ahmadinejad to Donald Trump” («Carta de M Ahmadinejad a D. Trump»- ndT), by Mahmoud Ahmadinejad, Voltaire Network, 26 February 2017.

[9] “Ahmadinejad acusa o Aiatolá Khamenei de desvio de fundos”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 24 de Março de 2018.

[10] “Irão: Ahmadinejad apela à demissão do Presidente Rohani”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 14 de Agosto de 2018.



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O Guia da Revolução iraniana retifica o seu ponto de vista

O Aiatola Ali Khamenei, Guia da Revolução iraniana, mudou profundamente o seu ponto de vista:

-Em 13 de Agosto de 2018, ele declarava que o efeito das sanções dos EUA sobre o país era imputável a causas internas e não externas, quer dizer, à gestão económica do governo Rohani.

-A 15 de Agosto, ele reconhecia ter-se enganado ao autorizar o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Mohammad Javad Zarif, a negociar o acordo nuclear dos 5 + 1 (JCPoA) com os Estados Unidos.

Em Março de 2013, quer dizer, nos últimos meses da presidência de Mahmoud Ahmadinejad, o Guia autorizara a equipe do futuro presidente Rohani a conduzir contactos informais, em Omã, com emissários do Presidente Obama, Jake Sullivan e William Burns. Então, havíamos escrito :
«A partir dessas conversações, pelo menos duas decisões foram tomadas. Primeiro, o Guia da Revolução, o Aiatola Ali Khamenei, garantiria a exclusão de Esfandiar Rahim Mashaie –- antigo responsável da Inteligência dos Guardiões da Revolução que se tornou chefe de gabinete e parente por casamento de Mahmoud Ahmadinejad --- da corrida à presidência. Desta forma, o Irão suavizaria o tom nos fóruns internacionais. Em seguida, os Estados Unidos buscariam também diminuir o tom dos seus aliados anti-Iranianos e desbloqueariam as negociações dos 5 + 1 sobre o nuclear de maneira a por fim às sanções [[“O que vocês ignoram sobre os acordos americano-iranianos]».
Na altura fomos fortemente criticados no Irão, acusados de atribuir ao Guia actos pelos quais ele não era responsável.

Como havíamos previsto, a equipe do Presidente, Xeque Hassan Rohani, não tentou defender os interesses iranianos durante as negociações, aceitando por exemplo fechar todo o seu programa universitário de física atómica, tornando-se, assim, um estado sub-instruído novamente. Revelamos então o pagamento de subornos pela Áustria, durante as negociações que discretamente se seguiram sobre a construção de um “pipe-line” para a Europa. O rescaldo dos acontecimentos tem sido o do enriquecimento de uma parte da classe dirigente às custas do povo iraniano.

O Guia, que esteve extremamente doente, talvez não tenha podido avaliar a amplitude do desastre quando ele se produziu. Hoje em dia, ele tenta remediar as coisas.





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Guerra económica ao Irão é guerra à integração euro-asiática

As sanções ao Irão deveriam ser interpretadas como uma peça num tabuleiro de xadrez muito mais vasto

Pepe Escobar[*]
A histeria reinou suprema depois de a primeira rodada de sanções dos EUA contra o Irão ter sido restabelecida na semana passada. Os cenários de guerra abundam e ainda assim o aspecto chave da guerra económica desencadeada pela administração Trump foi passado por alto: o Irão é uma peça importante num tabuleiro de xadrez muito mais vasto. A ofensiva de sanções dos EUA, lançada após a retirada unilateral de Washington do acordo nuclear com o Irão, deveria ser interpretada como uma aposta antecipada no Novo Grande Jogo em cujo centro está a Nova Estrada da Seda da China – sem dúvida o mais importante projecto de infraestrutura do século XXI – para a integração geral euro-asiática. As manobras da administração Trump são um testemunho de como a Nova Estrada da Seda, ou Belt and Road Initiative (BRI), ameaça o establishment dos EUA. Integração euro-asiática em ascensão A integração euro-asiática está na ordem-do-dia em Astana, onde Rússia, Irão e Turquia decidem o destino da Síria, em coordenação com Damasco. A profundidade estratégica do Irão na Síria do pós-guerra não vai simplesmente esvanecer-se. O desafio da reconstrução da Síria será em grande medida atendido pelos aliados de Bashar al-Assad: China, Rússia e Irão. Reflectindo a Antiga Estrada da Seda, a Síria será reconfigurada como um nó importante da BRI, chave para a integração euro-asiática. Em paralelo, a parceria estratégica Rússia-China – desde a intersecção entre a BRI e a Eurasia Economic Union (EAEU) até a expansão da Shanghai Cooperation Organization (SCO) e a consolidação do BRICS Plus – tem apostas imensas na estabilidade do Irão. A complexa interconexão do Irão tanto com a Rússia (via a EAEU e o International North-South Transportation Corridor) e a China (via BRI e fornecimentos de petróleo/gas) é ainda mais estreita do que no caso da Síria nos últimos sete anos de guerra civil. O Irão é absolutamente essencial para a Rússia-China pois esta parceria permite qualquer "ataque cirúrgico" – como verificado na Síria – ou pior, no caso de uma guerra quente iniciada por Washington. Pode-se argumentar que, com sua recente abertura ao presidente Putin, o presidente Trump está a tentar negociar alguma espécie de congelamento na configuração actual – um [acordo] Sykes-Picot reencenado no século XXI. Mas isso implica que a tomada de decisão de Trump não esteja a ser ditada ou cooptada pela cabala neocon dos EUA que pressionou pela guerra de 2003 no Iraque. Coreia do Norte dois? Se a situação se tornar vulcânica quando as sanções petrolíferas dos EUA contra o Irão começarem, no princípio de Novembro, uma reencenação real do recente cenário norte-coreano seria previsível. Washington enviou simultaneamente três grupos de batalha com porta-aviões para aterrorizar a Coreia do Norte. Isso fracassou – e Trump acabou por ter de conversar com Kim Jong-un. Apesar do registo dos EUA por todo o mundo – ameaças intermináveis de invasão da Venezuela, com o único resultado tangível de um fracassado ataque amador com drones amadores; 17 anos de guerra infindável no Afeganistão, com os Taliban ainda tão imóveis quanto os picos do Hindu Kush; os "4 + 1" – Rússia, Síria, Irão, Iraque, mais o Hezbollah a vencerem a odiosa guerra por procuração na Síria – os neocons dos EUA gritam e berram acerca do ataque ao Irão. Tal como com a Coreia do Norte, a Rússia e a China transmitirão sinais inequívocos de que o Irão está na sua estreitamente coordenada esfera de influência euro-asiática e que qualquer ataque ao Irão será considerado como um ataque a toda a esfera euro-asiática. As coisas mais estranhas aconteceram, mas é difícil ver quaisquer actores racionais em Washington, Tel Aviv e Riad desejosos de terem Beijing e Moscovo – simultaneamente – como inimigos letais. Por todo o Sudeste asiático não há duvidas de que a política dos responsáveis da administração Trump – e, de facto, de toda a Beltway – é a mudança de regime no Irão. Assim, a partir de agora, no limiar da guerra quente, as novas regras do jogo indicam a ciber-guerra agravada. Do ponto de vista de Washington, em termos de retorno sobre o investimento, isso é um negócio razoável. A ciber-guerra mantém a parceria Rússia-China longe do envolvimento directo enquanto, em teoria, escava mais profundamente o colapso económico do Irão, fortemente anunciado como iminente por responsáveis da administração Trump. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês não podia ser mais explícito acerca do esforço estado-unidense para impor novamente sanções globais ao Irão. "A cooperação comercial da China com o Irão é aberta e transparente, razoável, justa e legal, não viola qualquer das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas", disse ele. Isso reflecte o ministro russo dos Negócios Estrangeiros quanto às sanções: "Isto é um exemplo gráfico da contínua violação de Washington da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, atropelando as normas do direito internacional". O presidente Trump, pelo seu lado, também tem sido explícito: qualquer país que viole as sanções contra o Irão não fará negócios com os EUA. Boa sorte com o apoio da Turquia ou do Qatar – completamente dependente do Irão para alimentação, utilização do espaço aéreo civil e compartilhamento da exploração de gás natural em South Pars. Sem mencionar a Rússia-China garantindo as costas de Teerão em todas as frentes. Como não fazer negócios com a China O dado está lançado. A China não só continuará como também aumentará suas compras de petróleo e gás iranianos. A indústria automobilística chinesa – actualmente com 10% do mercado iraniano – simplesmente irá substituir a França quando esta abandonar o Irão. Empresas chinesas já são responsáveis por 50% das peças automobilísticas importadas pelo Irão. A Rússia pelo seu lado prometeu investir até US$50 mil milhões no petróleo e gás natural iranianos. Moscovo está muito consciente do próximo possível passo da administração Trump: impor sanções a companhias russas que invistam no Irão. Washington simplesmente não pode "não fazer negócios" com a China. Toda a indústria de defesa dos EUA está dependente de materiais como as terras raras da China. Desde a década de 1980, as multinacionais dos EUA estabeleceram na China suas cadeias produtivas para exportação, com o encorajamento directo do governo estado-unidense. A UE, por sua vez, aplicou um Estatuto de Bloqueio – nunca antes utilizado, embora já existisse há duas décadas – a fim de proteger as empresas europeias, chegando ao ponto de impor multas às empresas que sairem do Irão simplesmente devido ao medo. Em teoria, isso mostra alguma coragem. No entanto, como disseram diplomatas da UE em Bruxelas ao Asia Times,há uma grande condicional: os sátrapas / vassalos dos EUA abundam por toda a UE. Assim, algumas empresas baseadas na UE, como no caso da Total e da Renault, simplesmente irão embora. Enquanto isso, aquilo que o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, disse acerca dos unilateralismo dos EUA – o mundo "está doente e cansado" disto – mantém-se a ecoar por todo o Sul Global. A mãe de todos os furacões financeiros
Aqueles que clamam pela guerra com o Irão possivelmente não podem entender que o cenário de pesadelo de um encerramento do trânsito de energia no Estreito de Ormuz / Golfo Pérsico – o ponto de estrangulamento por onde passam 22 milhões de barris por dia – representaria, em última análise, a morte do petrodólar. O Estreito de Ormuz pode ser considerado como o calcanhar de Aquiles do poder económico ocidental/EUA; um encerramento detonaria a mãe de todos os furacões no mercado de derivativos de quadriliões de dólares. A menos que a China não compre a energia iraniana, as sanções dos EUA – como ferramenta geo-económica – são basicamente sem significado. Não certamente, é claro, para o "povo iraniano" tão estimado pela Beltway, uma vez que mais sofrimento financeiro já está a instalar-se, a par de um sentimento de coesão nacional face a, mais uma vez, uma ameaça externa. A China e a Rússia já se comprometeram a continuar a implementar o JFPOA, juntamente com a UE-3. Afinal de contas, este é um tratado multilateral endossado pela ONU. Beijing já informou Washington em termos inequívocos de que continuará a fazer negócios com o Irão. Então a bola está agora na quadra de Washington. Caberá à administração Trump decidir se sancionará a China por sua relutância em parar de comerciar com o Irão. Não é exactamente um movimento sábio ameaçar a China – especialmente com Beijing numa ascensão histórica irresistível. Nehru ameaçou a China e perdeu um grande bocado do Arunachal Pradesh para o presidente Mao. Brezhnev ameaçou a China e enfrentou a ira do EPL nas margens do Rio Ussuri. A China é capaz em um minuto de cortar os EUA das suas exportações de terras raras, criando-lhe uma catástrofe de segurança nacional. Nessa altura uma guerra comercial entrará em território realmente incandescente.

14/Agosto/2018

 

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Nasrallah: «Resistência libanesa é hoje mais forte»

No discurso a propósito do 12.º aniversário do fim da guerra dos 33 dias no Líbano, Hassan Nasrallah sublinhou o «fracasso» das políticas levadas a cabo pelos EUA na Palestina, na Síria e no Irão.

Tropas do HezbollahCréditos / wisozk.info

Falando num canal de televisão libanês, o secretário-geral do Hezbollah repudiou o chamado «acordo do século» que a actual administração norte-americana quer implementar na Palestina, sublinhando que nenhuma facção política palestiniana lhe declarou o seu apoio.

Apresentado como um plano para alcançar a paz entre Israel e a Palestina, o acordo referido foi proposto o ano passado e, apesar de permanecer em grande medida na penumbra, foi rejeitado pelos palestinianos, que sublinham, entre outras questões, que a sua adopção implicará o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a anexação dos grandes colonatos construídos na Margem Ocidental ocupada.

Relativamente à guerra ainda em curso na Síria, Sayyed Hassan Nasrallah denunciou a aliança entre Israel, a Arábia Saudita, os EUA e outras potências ocidentais para derrubar o governo de Bashar al-Assad. No entanto, o líder do movimento de resistência libanês considera que esse plano «já fracassou», sendo a prova disso a disposição expressa por vários países para retomar os laços diplomáticos com a Síria.

«Tal como vencemos a guerra em 2006, também venceremos a guerra contra o terrorismo na Síria», frisou, citado pela HispanTV.

«O Irão vai resistir»

O secretário-geral do Hezbollah afirmou que, «como eles [o Ocidente] não podem entrar em guerra com o Irão, então impõem-lhe sanções, para pressionar o cidadão comum com a queda da moeda e da economia».

Mostrou-se, no entanto, confiante quanto à capacidade de resistência do país persa face à mais recente agressão, o pacote de sanções repostas em 6 de Agosto último pelo presidente norte-americano, Donald Trump, depois de, em 8 de Maio, os EUA terem concretizado a saída do Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês).

Este acordo nuclear foi subscrito em 2015 pelo Irão e pelo Grupo 5+1 (os cinco membros com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas – EUA, Reino Unido, França, Rússia e China – e a Alemanha).

«O Irão tem enfrentado sanções desde a vitória da Revolução Islâmica, em 1979. Ele [Trump] está a reforçá-las, mas elas tem estado lá desde 1979 e o Irão persistiu, e há-de celebrar o 40.º aniversário da vitória da sua revolução», sublinhou, citado pela PressTV.

A 12 anos da vitória contra Israel

Estas declarações foram proferidas no contexto do 12.º aniversário da retirada das tropas israelitas do Líbano, no final da guerra dos 33 dias. A este propósito, Nasrallah agradeceu o apoio que a o Irão e a Síria deram à resistência libanesa.

Sobre o actual contexto, disse que o Hezbollah não receia uma eventual guerra com Israel e que ninguém deve «usar a ameaça» ou «tentar assustar» a resistência libanesa com a guerra.

Justificou esta asserção dizendo que o Hezbollah é hoje mais forte do que alguma vez foi, possuindo melhor equipamento militar, mais capacidade e melhores quadros do que quando expulsou Israel do Líbano, em 2006.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Irão: Ahmadinejad apela à demissão do Presidente Rohani


O antigo Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, actualmente em prisão domiciliar, apelou num vídeo —emitido através da sua conta do Telegram— à demissão do seu sucessor, Xeque Hassan Rohani.

O Presidente Rohani reagira à retirada dos EUA do Acordo dos 5 + 1 (JCPoA) assegurando que controlava plenamente a situação. Mas, o que se passou foi o contrário : o seu governo apostou tudo numa aproximação económica com Washington e liquidou o sistema de contorno às sanções posto em prática pelo Presidente Ahmadinejad.

Desde o início do ano, a moeda iraniana afundou-se 60% em relação ao dólar e a taxa de desemprego aproxima-se dos 40%. Vários serviços públicos já não funcionam : em muitas partes do país, a água tornou-se imprópria para consumo, etc.

Manifestações anti-governamentais começaram há oito meses, em Dezembro de 2017, e estenderam-se progressivamente a quase todo o país. As palavras de ordem (eslogans-br) são, primeiramente, dirigidas contra o apoio financeiro ao Hamas e a algumas milícias iraquianas, por vezes, mas muito mais raramente, contra o apoio à Síria e ao Hezbolla. Os manifestantes exigem a partida não só do Presidente Hassan Rohani, mas também, e é uma novidade, do Guia da Revolução, Ali Khamenei.

O Aiatola Ali Khamenei entrara em confronto com Mahmoud Ahmadinejad no fim do seu segundo mandato. Tinha-o qualificado de «mau muçulmano»; razão pela qual não fora autorizado a concorrer à sua sucessão o seu candidato à eleição presidencial.

Ora, Mahmoud Ahmadinejad entende prosseguir a revolução anti-imperialista do Imã Khomeini, mas sem o clero.

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Ordem executiva de Trump repõe sanções contra o Irão

Três meses depois de abandonar o acordo nuclear com o Irão, o presidente norte-americano repôs as sanções levantadas há três anos, por entre ameaças e a declaração de que está «a pedir a paz mundial».

Mural no edifício da antiga Embaixada dos Estados Unidos em TeerãoCréditos / usni.org

Na sua conta de Twitter, Donald Trump, classificou esta terça-feira as sanções ontem repostas ao Irão como «as mais dolorosas alguma vez impostas», avisando que em Novembro elas passam para «outro nível».

«Quem quer que faça negócios com o Irão não fará negócios com os Estados Unidos. Estou a pedir a paz mundial, nada menos!», escreveu ainda o chefe de Estado a propósito das restrições que haviam sido levantadas pelos EUA na sequência da assinatura do acordo nuclear de 2015 e que entraram em vigor novamente.

As sanções afectam sobretudo as exportações do sector automóvel e o comércio de ouro e de outros metais preciosos do país persa. Para além disso, as empresas norte-americanas deixam de ser autorizadas a importar tapetes e alimentos do Irão, segundo referem a Prensa Latina e a HispanTV.

Pressionar para vergar

Já depois de concretizada a saída dos EUA, no dia 8 de Maio, do Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que foi subscrito em 2015 pelo Irão e pelo Grupo 5+1 (os cinco membros com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas – EUA, Reino Unido, França, Rússia e China – e a Alemanha), o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, deixou clara a abordagem do seu país relativamente ao Irão: aumentar a pressão financeira e impor-lhe as «sanções mais fortes de sempre», caso Teerão se recuse a aceitar as exigências feitas ao nível da sua política interna e externa.

De acordo com Pompeo, Teerão terá de abandonar a título definitivo qualquer programa relacionado com actividade nuclear, renegociando o acordo como Washington entende, e terá de alterar a política externa regional, na medida em que os EUA – e o seu amigo Israel – considera o Irão uma amaeaça aos seus interesses no Médio Oriente.

Nos termos do acordo firmado em Julho de 2015, o Irão pode desenvolver o seu projecto nuclear com fins pacíficos e enriquecer urânio até 3,67%, sendo o excedente enviado para a Rússia.

Em pelo menos dez ocasiões, especialistas da Organização Internacional de Energia Atómica confirmaram que Teerão respeita o que está estipulado no acordo. No entanto, Donald Trump ameaçou sair do acordo praticamente desde que chegou à Casa Branca, considerando que subscrever o JCPOA foi «o pior que os EUA podiam ter feito».

Rouhani destaca apoio da Rússia e da China

Em declarações transmitidas pela TV iraniana, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, sublinhou o apoio da China e da Rússia face à reposição sanções por parte dos EUA.

A China, um dos signatários do acordo, tornou-se o maior parceiro comercial do Irão, enquanto a Rússia reafirmou os compromissos que tem com o país, disse Rouhani, que considera o diálogo com Washington não tem sentido enquanto as sanções forem aplicadas.

Entretanto, a União Europeia (UE) anunciou ontem a entrada em vigor de nova legislação para proteger as empresas europeias no Irão, de modo a diminuir o efeito das sanções norte-americanas contra o país.

Num comunicado conjunto, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, e os ministros dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, da França e da Alemanha afirmaram estar «determinados a proteger os operadores económicos europeus envolvidos em negócios legítimos com o Irão», indica a Prensa Latina.

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Está no campo de Trump a bola para aliciar o Irão

M K Bhadrakumar
Tal como escrevi na semana passada, uma conversação de má qualidade tem estado a decorrer entre Washington e Teerão. O alto-falante não é mais utilizado, a conversação é em tom civil a partir de plataformas públicas ou, mais significativamente, através do Twitter. Tornou-se uma ocorrência quase diária. Falando na generalidade, a comunicação é entre o presidente Donald Trump do lado americano, com o ministro dos N. Estrangeiros Javad Zarif a interpor-se activamente por conta do presidente Hassan Rouhani quase em tempo real. Certamente o líder supremo, Ali Khamenei, está a ouvi-los. O dueto chegou a isto de modo gradual. Trump está desejoso de encontrar-se com Rouhani "em qualquer momento... sem condições prévias". Ultimamente ele tem um pressentimento de que isto poderia acontecer "muito em breve". (Quando Trump coloca um prazo como este em traços gerais, isto aponta para algum canal de rectaguarda.) Mas a seguir, Teerão diz que não conversará sob coação, com o orgulho e a honra ofendidos. Os EUA devem primeiro mostrar "respeito" e cessar actividades hostis. Por outro lado, Trump afirma perceber mudanças no comportamento do Irão. (Isto pode ser interpretado como um sinal ou um reconhecimento.) De modo interessante, Teerão nem contesta nem confirma a afirmação de Trump. De facto, há alguma "mudança" discernível no comportamento do Irão – Moscovo revelou que forças iranianas e "formações xiitas" retiraram seu armamento pesado na Síria para uma distância de 85 km das Alturas de Golan ocupadas por Israel e que "não há unidades com equipamento e armamento pesado que pudessem apresentar uma ameaça a Israel a uma distância de 85 km da linha de demarcação". Claramente, esta "mudança" no comportamento do Irão tornou-se possível no pano de fundo da reunião Trump-Putin em Helsínquia, em 16 de Julho. O facto importante é que Rouhani (leia-se Khamenei) anuiu ao conselho de Putin (a pedido de Trump). Naturalmente, o primeiro-ministro israelense, Netanyahu, tal como o Oliver Twist de Dickens, continua a dizer: "Por favor, senhor, quero algo mais" – nomeadamente que o Irão deveria deixar também o solo sírio, mas isso é um pedido "irrealista", como ponderou Moscovo . (Putin teria dito isso a Trump, também.) Isso equivale a dizer que Moscovo não tem inclinação para aconselhar Teerão a fazer diferente. No entanto, esta "mudança" do comportamento iraniano no próprio Golan é uma boa coisa no que respeita aos CBMs (Conventional Ballistic Missiles]. E quanto às expectativas de Teerão? O primeiro lote das sanções de Trump supostamente entra em vigor na próxima semana. Serão elas revertidas? Enquanto isso, Zarif, o secretário de Estado Mike Pompeo, os ministros dos N. Estrangeiros russo Sergey Lavrov e chinês Wang Yi bem como a chefe da política externa da UE Federica Mogherini estão a convergir para Singapura no contexto da reunião de ministros de N. Estrangeiros da ASEAN em 4 de Agosto. A caminho de Singapura, Zarif emitiu um tweet: "O Irão & os EUA tiveram dois anos de conversações. Com a UE/E3+Rússia+China, produzimos um acordo multilateral único – o JCPOA. Ele tem funcionado. Os EUA podem culpar-se apenas a si próprios por saírem & abandonarem a mesa. Ameaças, sanções & truques de RP não funcionarão. Tentem o respeito pelos iranianos & pelos compromissos internacionais". Isto foi em resposta à observação de Trump de que está pronto a encontrar-se com Rouhani sem estabelecer qualquer condição prévia. "É bom para o país, bom para eles, bom para nós e bom para o mundo. Nenhumas condições prévias. Se eles quiserem reunir-se, eu reunirei", havia dito Trump. As coisas na verdade limitaram-se dramaticamente. Hamid Aboutalebi, ajudante do presidente Rouhani, esclarecer que o retorno ao acordo nuclear é a maior condição prévia para possíveis conversações – "Respeitar os direitos da nação iraniana, reduzir hostilidades e retornar ao acordo nuclear são passos que podem ser dados para abrir a estrada acidentada de conversações entre o Irão e a América", tuitou Aboutalebi. Mas então, será que Trump realmente rasgou o acordo de 2015? Ele disse querer melhorar o acordo de 2015 (o qual não era suficientemente bom no seu julgamento). Trump está determinado a entrar para os livros de história como um negociador mais hábil do que Barack Obama – seja em relação à alteração climática, ao TPP ou ao acordo com o Irão. Em geral, esses são estímulos positivos. Significativamente, sentindo que "uma reunião pode não estar para além do reino da possibilidade", o jornal governamental China Daily sugeriu num editorial em 31 de Julho que "as outras partes do acordo nuclear de 2015 deveriam encorajar Washington e Teerão a se unirem pois realmente seria bom conversar". Sem dúvida, a China é uma das principais partes interessadas. Além de ser o destino de mais de um terço de todas as exportações do petróleo iraniano, o que inevitavelmente a torna um alvo de danos colaterais devido às sanções dos EUA, a China também está lidando com uma das disposições mais complicadas do acordo de 2015 – nomeadamente, o re-desenho do reactor nuclear de água pesada de Arak, no Irão, para torná-lo incapaz de fabricar plutónio de grau militar sob operação normal. Este assunto constou na reunião entre Rouhani e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, em Junho, à margem da cimeira da SCO. Sobre Arak, o acordo de 2015 especifica que o novo desenho terá como objectivo minimizar a produção de plutónio e impedir a produção de plutónio com grau militar na sua operação normal. Também especifica o combustível que o Arak deve utilizar e diz que o combustível gasto durante a vida útil do reactor deve ser despachado para fora do Irão. Os EUA inicialmente lideraram o grupo de trabalho para redesenhar o reactor de Arak com a China, mas o Reino Unido agora o substituiu. Pense-se simplesmente em toda a confusão criada por Trump.
02/Agosto/2018
O original encontra-se em blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/... Este artigo encontra-se em https://resistir.info/

Ver o original em 'Página Global':   http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/esta-no-campo-de-trump-bola-para.html

O Irão rejeita a proposta de cimeira com os EUA

A Administração do Xeque Hassan Rohani, que concluíra o Acordo dos 5 + 1, desmantelou depois o sistema de evasão das sanções elaborado pelo governo Ahmadinejad. Após ter conseguido libertar (liberar-br) US $ 400 milhões de dólares bloqueados nos EUA, contava com a aplicação do Acordo para relançar as trocas comerciais a nível internacional. A retirada dos EUA do Acordo e o anúncio de novas sanções provocaram um pânico no país e a queda da economia.

As sanções dos EUA, nomeadamente, sobre os metais, a moeda, a dívida e os produtos automóveis iranianos serão aplicadas a partir de 7 de Agosto. As referentes aos sectores bancário e petrolífero serão aplicadas a partir de 5 de Novembro.

A economia iraniana não pára de afundar à medida que esses prazos se aproximam. O rial, que era negociado a 42.000 por 1 dólar no final de 2017, passou para 110.000 no fim do mês de Julho de 2018. Durante sete meses, o país foi sacudido por manifestações contra a corrupção e a má gestão do Governo Rohani. O antigo Presidente Ahmadinejad foi colocado em residência vigiada e o seu Vice-presidente foi condenado a 15 anos de prisão na sequência de um processo secreto.

Passando de insultos e ameaças à negociação, como havia feito fez com o Presidente Kim Jong-un, o Presidente norte-americano, Donald Trump, propôs, a 30 de Julho, uma reunião Cimeira sem condições prévias ao seu homólogo iraniano, Hassan Rohani.

A Administração Rohani respondeu imediatamente que só aceitaria esta iniciativa quando os Estados Unidos voltassem ao Acordo nuclear dos 5 + 1 (JCPoA).

O Presidente da Assembleia Nacional iraniana, Ali Larijani, apelou ao governo para que não fechasse as portas às negociações.

O ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Mohammad Javad Zarif, viajou discretamente para Omã onde as negociações secretas sobre o Acordo dos 5 +1 e a eleição de Rohani se haviam iniciado em 2011. Depois, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Yusuf bin Alawi, partiu para Washington para se encontrar com o seu homólogo Mike Pompeo.





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Irã apresenta queixa contra os EUA no Tribunal Internacional de Justiça

A República Islâmica do Irã apresentou, em 16 de Julho de 2018, uma queixa contra os Estados Unidos da América junto ao Tribunal Internacional de Justiça.

Este Tribunal é o órgão judicial interno das Nações Unidas capaz de decidir os litígios entre os Estados-Membros.

Teerã (Teerão-pt) estima que as sanções impostas por Washington, após sua retirada do Acordo dos 5 + 1 (JCPoA), infringem os Artigos IV (1), VII (1), VIII (1), VIII (2), IX (2) e X 1 ) do Tratado Bilateral sobre a Amizade, as Relações Econômicas e os Direitos Consulares, de 15 de Agosto de 1955.

Em Inglês :
-Moção para instaurar o processo (Pdf)
-Pedido de indicação de medidas provisórias (Pdf)
-Texto do Tratado de 1955 (Pdf)





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Tensões no Estreito de Ormuz

Em 3 de Julho de 2018, o Presidente iraniano, Xeque Hassan Rohani, evocou a possibilidade de bloquear o Estreito de Ormuz em caso de aplicação das sanções norte-americanas. Ou seja, qualquer um pode usar o estreito, ou ninguém, afirmou ele.

O Comandante dos Guardiões da Revolução iranianos, Mohammad Ali Jafari, disse, em 5 de julho, que estava pronto a bloquear o Estreito de Ormuz.

Se as sanções norte-americanas sobre metais, moeda, dívida e produtos automóveis entrarão em vigor em 7 de Agosto, as lançadas contra os setores bancário e petrolífero serão aplicadas a partir de 5 de Novembro.

A possibilidade de bloquear o Estreito havia já sido considerada pelo Irã (Irão-pt), em 2012. As ameaças atuais se seguem ao fracasso das negociações que o Presidente Rohani acaba de realizar com os Europeus.

Um terço das exportações globais de hidrocarbonetos passa pelo Estreito de Ormuz.

Durante o mandato de George Bush Jr., o Pentágono mantinha dois porta-aviões em permanência no Golfo. Não há lá nenhum de momento. A 5ª Frota, com sede no Barein, é responsável por garantir a livre circulação no Golfo, em aplicação da «doutrina Carter», segundo a qual o acesso dos Estados Unidos aos hidrocarbonetos do Golfo é uma questão de Segurança Nacional.

O porta-voz do CentralCommand confirmou à Reuters que o Pentágono estava tomando providências a propósito.





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Tensões entre EUA e Irã podem acarretar bloqueio em rota de petróleo

Resultado de imagem para ormuz oilA Marinha dos Estados Unidos está pronta para garantir navegação livre e o fluxo de comércio, informou nesta quinta-feira (5) o Comando Central das forças militares dos EUA, reagindo a um alerta da Guarda Revolucionária do Irã de que o país persa irá, se necessário, bloquear carregamentos de petróleo através do Estreito de Ormuz.

O estreito é o canal de trânsito de petróleo mais importante do mundo, com cerca de um quinto do consumo global de petróleo passando por ele todos os dias.

Perguntado sobre qual será a reação naval dos EUA se o Irã bloquear o estreito, ele disse: “Juntos, nós estamos prontos para garantir a liberdade de navegação e o fluxo livre de comércio onde a lei internacional permite”.

O braço naval da Guarda não possui uma forte frota convencional. No entanto, possui muitos barcos de velocidade e lançadores de mísseis antinavio portáteis, e pode colocar minas.

Imagem relacionada

Um líder militar sênior dos EUA disse em 2012 que a Guarda possui a habilidade de bloquear o estreito “por um período de tempo”, mas que os EUA irão tomar ações para reabri-lo em caso de tal evento.

Acordo com União Europeia

A União Europeia, grande importadora de petróleo do Irã, prometeu manter o acordo nuclear de 2015 vivo sem os EUA, ao tentar manter petróleo e os investimentos fluindo. O Ministro das Relações Exteriores dos cinco signatários remanescentes irão discutir a proposta europeia com autoridades iranianas nesta sexta-feira (6), em Viena.

No entanto, Rouhani disse ao presidente da França, Emmanuel Macron, por telefone nesta quinta-feira que o pacto de medidas econômicas fracassou em compensar suficientemente os efeitos da saída norte-americana e sua reimposição de sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.

“O pacote proposto pela Europa para continuação de cooperação no acordo nuclear não atende todas as nossas demandas”, disse Rouhani segundo seu site oficial. “Nós esperamos um plano de ação claro da Europa, com um cronograma para que possamos compensar a saída dos EUA do acordo”.

Ele enviou uma mensagem similar em telefonema com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, relatou o site do presidente. O pacote proposto “só inclui algumas promessas gerais, como afirmações prévias da UE”, disse Rouhani.

Fonte: Resistência 

 

Leia o original em CEBRAPAZ (clique aqui)

Os Mujahedins do Povo apelam a derrubada do regime iraniano

Cerca de 4.000 pessoas, principalmente vindas da Europa Oriental, participaram com todas as despesas pagas na reunião anual dos Mujahedins do Povo em Paris.

Comandados por Maryam Rajavi, os Mujahedins do Povo foram, sucessivamente, um partido político marxista iraniano, um exército privado iraquiano servindo a Saddam Hussein, uma «organização terrorista» de acordo com os Estados Unidos e a União Europeia e, agora, «combatentes da Liberdade» [1].

Eles reivindicam um número incalculável de atentados mortíferos no Irã (Irão-pt).

Disponde de um apoio sem falhas da CIA, desde os anos 80, eles convidam anualmente a Paris-Villepinte algumas personalidades internacionais, habitualmente generosamente remuneradas. Os oradores deste ano, apresentados por jornalistas como Alex Taylor, incluíam: Rudy Giuliani, advogado de Donald Trump e antigo Prefeito de Nova Iorque Newt Gingrich, antigo porta-voz da Câmara dos Representantes dos EUA Bill Richardson, antigo Embaixador dos EUA nas Nações Unidas Michael Mukasey, antigo Procurador Geral dos Estados Unidos Louis Freeh, antigo Diretor do FBI e membro do Opus Dei General George Casey, antigo Chefe do Estado-Maior dos EUA Stephen Harper, antigo Primeiro-ministro canadense (canadiano-pt)Philippe Douste-Blazy, antigo Secretário-geral adjunto das Nações Unidas e ministro francês Rama Yade, antiga Ministra francesa Bernard Kouchner, antigo Ministro francês e cofundador dos Médicos Sem Fronteiras e Médicos do Mundo.

Numerosas personalidades representavam igualmente a Arábia Saudita, a Jordânia e os jiadistas sírios.

Aproveitando a concomitância com os protestos antigovernamentais no Irã, os oradores apelaram a «derrubar o regime».

Se é certo que os Mujahedins do Povo participam de toda a ação antigovernamental no Irã, eles não estão na origem dos protestos atuais. Estes são, antes de mais, uma reação contra o colapso do padrão de vida e, em alguns casos, contra as restrições à água ou ainda por questões de segurança.


[1] « Les Moudjahidin perdus » («Os Mujahedins perdidos»- ndT), par Paul Labarique, Réseau Voltaire, 17 février 2004.



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Índia não reconhece sanções dos EUA e continuará relações com Irão

Eliminando dúvidas sobre o futuro do seu comércio bilateral com o Irão, Rússia e países latino-americanos na mira das sanções dos EUA, a Índia declarou que só cumpre as sanções impostas pelas Nações Unidas e não as impostas por países unilateralmente.

A Ministra das Relações Exteriores da Índia, Sushma Swaraj, esteve em reunião com seu homologo iraniano, Javad Zarif, e anunciou que só reconhece sanções a países aprovadas pela ONU; ela afirmou que seu país continuará a relação comercial com o Irão.

Isso significa que a Índia continuará a comprar óleo do Irã. Em seu artigo, o articulista Pepe Escobar cita que a Índia pode crescer 7% em 2018 e alcançou um PIB maior do que da França, Itália, Brasil e Rússia, portanto precisa muito de energia; nesse cenário, comprar energia iraniana é questão de segurança nacional. A relação entre Irão e Índia também desafia os Estados Unidos por ser feita através de rúpias e rials, sem passar pelo dólar americano.

A ministra disse a repórteres durante uma coletiva de imprensa anual em Nova Déli que o país continuará a negociar também com a Rússia, apesar das sanções anunciadas pelo governo Trump. “Nossa política externa não é direcionada para apaziguar ou sofrer qualquer tipo de pressão de qualquer país e também não é reacionária”, disse a ministra durante a coletiva de imprensa.

Swaraj também enfatizou que Nova Déli vem dando importância aos países da América Latina, incluindo a Venezuela, como nunca antes, e continuará a fazê-lo no futuro também.

O Banco de Reservas da Índia proíbe o comércio de criptomoeda, portanto não negociaremos com criptomoeda. Estamos descobrindo um mecanismo pelo qual o comércio continuará com a Venezuela no petróleo”

Disse Swaraj, respondendo a uma pergunta sobre se a Índia negociaria em criptomoedas com os países da América Latina que enfrentam sanções dos EUA.

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

Ver artigo original em "O TORNADO"

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