Indivíduo

A velhice começa quando perdemos nossa curiosidade

Se há uma coisa que nos faz continuar na vida é a curiosidade: o desejo de aprender sobre coisas, experiências e novos mundos. A curiosidade nasce conosco e permanece conosco ao longo de nossas vidas. Quando sentimos que não há nada que nos leve a descobrir coisas novas, isso significa que temos um problema.

Por esta razão, o escritor português Saramago disse que “a velhice começa quando perdemos a nossa curiosidade “. Em outras palavras, ligamos o conceito de juventude à vitalidade e o desejo de desfrutar o mundo sem limites; enquanto a ideia de velhice está ligada à empatia pela vida e à perda de apetite que nos leva a querer descobrir algo mais sobre o nosso entorno.

“Eu nunca poderia, em qualquer idade, ser feliz sentada perto de uma lareira, apenas observando. A vida é para ser vivida. A curiosidade deve sempre permanecer viva. Ninguém deveria, por qualquer razão no mundo, virar as costas para a vida “.

-E. Roosevelt-

A curiosidade é o traço distintivo das crianças

Certamente você notou que as crianças, especialmente quando são pequenas, têm um desejo incrível de saber. Elas estão cheias de energia que as empurra para fazer perguntas sobre tudo, querer tudo, tocar em tudo que atravessam. É normal, porque elas estão crescendo e querem entender onde estão e o que a vida pode oferecer a elas.

De certa forma, este é o primeiro passo em sua aprendizagem como pessoas, e nós, adultos, somos responsáveis por alimentar essa curiosidade e desenvolvê-la de maneira positiva e intelectual. Nós também aprendemos dessa maneira a manter sempre nossa curiosidade viva, o que nos guia e nos impele a nos superar. É isso que nos faz sentir jovens e ainda um pouco crianças: não envelhecer.

“Acredito que, se perdêssemos nossa curiosidade, não restaria nada. Não haveria reflexão e, portanto, não haveria conhecimento, nem possibilidade de saber, para chegar ao fundo de algo. Sem curiosidade, não estamos vivos “.

-Luis Eduardo Aute-

O reverso da curiosidade.

Precisamente porque a curiosidade nos impele a explorar o mundo, alguns estudos também foram realizados para descobrir por que somos curiosos. A pesquisa levou à conclusão, em suma, de que somos mais curiosos quando já sabemos algo sobre um assunto e queremos aprender mais.

A curiosidade nesses casos pode ser representada como um U inverso, em que o ponto de partida desperta em nós a curiosidade de saber para onde vai esse U. Este fator está relacionado a outros estudos que demonstraram que a curiosidade está ligada à memória e à aprendizagem: a curiosidade nos ajuda a reter na memória o que poderíamos chamar de “aprendizado motivado”, como se fosse uma recompensa.

Como alimentar a curiosidade

Tendo dito isso, você entenderá bem por que relacionamos a velhice à falta de curiosidade: parar de querer aprender significa privar a vida de seu significado. É importante manter a curiosidade viva, aquela que nos levou a ouvir uma conversa atrás de uma porta para descobrir a América além do oceano. Graças à curiosidade, os estudos em todos os campos do conhecimento fizeram enormes progressos.

A melhor maneira de alimentar a curiosidade é estimulá-la de maneira positiva, e é assim que você tem a ver com as crianças. Aqui estão algumas maneiras de fazer isso:

• Desenvolver a imaginação: experimente e deixe-as experimentar, tente transformar atividades cotidianas em novas aventuras nas quais você aprende algo novo todos os dias.

• Dê o exemplo: se você quer que uma criança aprenda algo, acompanhe suas palavras com um exemplo. Se ela perceber que você também é curioso, mesmo diante de pequenas coisas, ela também será.

• Responda às suas perguntas: não adianta dizer a uma criança “por que eu digo” ou “por que é”. Desta forma, você só será capaz de silenciá-la. Tente sempre dar uma explicação coerente, essas explicações vão lhe trazer mais perguntas.

• Deixe-as fazer as coisas por conta própria: as crianças devem descobrir que erros podem ser cometidos e que são necessários para o aprendizado. Se você der a ela a oportunidade de aprender, estará ajudando-a a aprender como lidar com situações difíceis e, ao mesmo tempo, aumentar sua criatividade.

“Felizmente, a natureza me deu uma curiosidade irracional, mesmo pelas coisas mais insignificantes. Isso é o que me salva. A curiosidade é a única coisa que me mantém à tona. Tudo o resto me faz afundar “.

-Pedro Almodóvar-

Artigo extraído e traduzido de La Mente è Meravigliosa

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/a-velhice-comeca-quando-perdemos-nossa-curiosidade/

Ser ou não ser feliz

Se é verdade que o ser feliz passa também por uma questão de atitude perante a vida, e que há quem seja feliz com pouco, havendo quem tenha tudo e esteja sempre insatisfeito, certo também é que ser/estar feliz depende igualmente de fatores e circunstâncias externas que interferem diretamente com o estado da nossa alma e do nosso bem estar, físico e emocional.

 

As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer os outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza. O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto. Essa é a razão por que a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz. Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de factos ou circunstâncias externas.”

 

Frases de Clarice Lispector

Clarice Lispector

 

Se é verdade que o ser feliz passa também por uma questão de atitude perante a vida, e que há quem seja feliz com pouco, havendo quem tenha tudo e esteja sempre insatisfeito, certo também é que ser/estar feliz depende igualmente de fatores e circunstâncias externas que interferem diretamente com o estado da nossa alma e do nosso bem estar, físico e emocional.

Uma doença que surge, um ente querido que parte, um filho problemático, um desemprego que chega sem avisar, são circunstâncias concretas, reais, que levam à infelicidade, e muitas das vezes ao desespero de não vislumbrar uma réstia de luz de esperança. Nem sempre, pois, a felicidade é estado de alma ou atmosfera que independem de factos externos, parafraseando Clarice. Ao contrário, ela está ligada a esses fatores externos que conduzem a um estado geral de ventura e de bem-aventurança.

Contudo, há pessoas que não tendo por que se lamentar, fazem do sofrimento o seu estado natural, infernizando a vida de quem as rodeia ou com elas convivem, e mal podem com uma vida alegre e de boa disposição. Vivem amarfanhadas na sua amargura e no seu mau humor, e ninguém consegue passar brilho e beleza quem assim vive. Quando se está feliz, há brilho no olhar, há beleza na alma que se espelha no corpo. Cultivar a infelicidade, é, ao contrário, cavar – voluntariamente – uma sepultura para si mesma.

A vida passa, e passa rapidamente para todos. Um esforço para se ser feliz e essa felicidade se refletir em todo o ser, é um esforço a valer a pena. Que trará e atrairá o melhor que a vida e os outros têm para nos oferecer. Bastará estarmos dispostos. E disponíveis.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


 

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/ser-ou-nao-ser-feliz/

O perigo das altas expectativas: Quando se espera demais dos outros

Traduzido e adaptado de verkenjegeest

Às vezes temos expectativas extremamente altas de certas pessoas. É inevitável, é algo que todos fazemos regularmente: Esperar que seu parceiro vai apoiá-lo de todas as formas sem discordar de você, esperar que seus amigos ou familiares resolvam todos os seus problemas, esperar que eles estejam sempre lá quando você precisar deles …

Passamos pela vida com uma série de expectativas, enquanto esperamos que certas coisas aconteçam e esperamos que os outros se comportem da maneira que queremos. Mas nem sempre estamos cientes de que “esperar” às vezes é sinônimo de “querer” e isso implica alguma manipulação.

É sempre melhor que as pessoas em nossas vidas possam ser completamente livres e possam viver da maneira que quiserem. Se eles fazem algo por nós, é porque eles realmente querem fazer isso do fundo do coração e então nós os agradecemos por isso. Mas se eles não fizer, só será uma grande decepção se você tiver criado expectativas e, nesse caso, a culpa não é deles, mas sua.

Você é a pessoa de quem você pode esperar coisas. Você sempre terá que ser capaz de resolver seus próprios problemas sem dar essa responsabilidade a outra pessoa, confrontar seus próprios medos e não projetá-los nos outros.

O poder perigoso das expectativas

Não espere nada de outra pessoa, espere tudo de você. Essa afirmação pode parecer dura, mas temos certeza de que você pode chegar a uma situação em que essa ideia é exatamente o que acontece. As pessoas esperam coisas todos os dias e isso é muitas vezes acompanhado por uma certa quantidade de ilusão.

O que a gente quer nem sempre bate com o que o outro quer. O modo como faríamos determinada ação pode não ser o modo como o outro faria. Às vezes é preciso haver negociação, renúncias, acordos… Se o outro não quiser a mesma coisa que nós em determinado momento, não significa que o que queremos não têm importância para ele, significa apenas que naquele momento ele pensou e quis outra coisa. Normal.

As vontades comunicadas e não atendidas criam um desapontamento, mas a coisa piora muito quando não houve uma comunicação e a pessoa apenas intuiu que a outra fosse agir de determinada maneira, baseando-se, logicamente, no seu próprio modo de agir, na sua visão do que seria o mais correto a se fazer, sem levar em conta que o outro tem também sua liberdade de pensar e agir de acordo com sua ótica e jeito de ser.

Uma data esquecida, as flores não dadas, uma mensagem que não veio na hora que queríamos ou aquele momento que achávamos que seria bom que estivéssemos juntos, mas que foi trocado pela companhia dos amigos, tudo o que faríamos se estivéssemos no lugar da outra pessoa, porque partimos da nossa própria suposição de que isso seria o mais certo a fazer, podem ser a causa de grandes frustrações.

Isso significa que seu parceiro não te ama? Claro que não. Significa simplesmente que as expectativas que você construiu são muito idealistas. Você previu que certas coisas aconteceriam, mas elas não aconteceram.

Nós tendemos a prever o futuro e a fazer suposições sobre as pessoas com base em como queremos que elas sejam. E se isso falhar, nos sentimos desapontados.

Se não esperarmos muito dos outros, experimentaremos menos decepções e seremos mais felizes quando formos surpreendidos com atitudes que se encaixem com aquilo que seja exatamente o que faríamos se estivéssemos no lugar do outro.

Aceite o inesperado
Sabemos que é preciso muito, que não é fácil aceitar a vida com suas muitas mudanças, que a pessoa de que você precisa hoje não é a pessoa de que você precisa amanhã, que a pessoa que você apoia pode mudar sua mente dentro de uma hora. . Mas como você lida com essas incertezas diárias?

Permanecendo em equilíbrio e assumindo o controle de sua própria vida. Você é o único em quem pode confiar e é você quem deve enfrentar seus medos e garantir que não se sinta vazio. Não deixe essa obrigação para ninguém ou force-a a encontrar soluções para você. Não seja escravo das suas expectativas, porque você tem medo de que elas o desapontem a qualquer momento.

Deixe-os amar você livremente , sem forçá-los a agir de acordo com sua vontade. Deixe-os fazer coisas por você, porque eles querem e, se não quiserem, não os castiguem e não se queixem disso. Deixe-os ser quem eles querem ser. E seja quem você quer ser você mesmo. Aprenda a passar pela vida com certeza e maturidade e crie sua própria felicidade. Espere muito de si mesmo e viva em harmonia com os outros.

–Imagem de Viccolatte–

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Aqueles que destroem os sonhos de outras pessoas, é porque não conseguiram alcançar seus próprios sonhos.

Do site  Rincón de la Psicología

De onde você tirou essa ideia ?!

Não sonhe tanto, coloque os pés no chão.

Você está louco!

Eu não acho que é possível, mas se você quiser falhar, vá em frente.

Você está brincando?

Pare de bobagens!

Se alguma destas frases é familiar para você, é provável que você conheça um destruidor de sonhos. São pessoas que parecem ter abraçado um único objetivo na vida: destruir os sonhos dos outros. Estas são pessoas que têm um problema para cada solução e que parecem encontrar prazer em derrotar os sonhos dos outros.

Essas pessoas se esforçam para tentar mostrar que suas metas não têm futuro, que tudo a que você se propõe, é ilusão; e lhe darão mil e uma razões para desistir desse sonho. Seus argumentos contra geralmente não são sólidos ou vêm de uma análise objetiva e meticulosa da situação, são apenas dardos contaminados com a negatividade dirigida contra a sua auto-estima.

Os 3 tipos de destruidores de sonhos

1 – O crítico

Essa pessoa é fácil de detectar, uma vez que sua fala costuma ser tingida de raiva e críticas. Ele listará todas as razões pelas quais seu sonho é irracional, irreal, indisponível e / ou impossível. Você provavelmente já conhece todos esses obstáculos e riscos, mas essa pessoa irá exagerá-los para desmotivá-lo. É a típica pessoa que espalha sua negatividade a golpe de crítica. Se não consegue te convencer com estas razões, é provável que em seu “último assalto” seu discurso se torne ofensivo e ataque você pessoalmente para fazê-lo duvidar de suas habilidades, recursos e motivação.

2 – O silencioso

Essa pessoa recorre ao silêncio para expressar sua insatisfação. É um verdadeiro especialista em colocar um elefante na sala. Quando você fala sobre seu novo projeto, ele provavelmente não diz nada, embora também seja provável que seu silêncio seja acompanhado por um olhar de reprovação. Com essa atitude, permite-lhe compreender que a sua ideia é terrível ou que não vale a pena perseguir o seu sonho. Ignorando seus objetivos e evitando falar sobre o assunto, está deixando entrever a sua insatisfação, porém assumindo o papel de vítima resignada, o que geralmente gera um sentimento de culpa. Na verdade, sua estratégia geralmente é muito eficaz, pois gera enormes dúvidas em você.

3 – O desinteressado

Se você tem um sonho, é provável que você esteja cheio de energia, motivação e paixão. E te encantaria que pessoas significativas para você compartilhassem esses sentimentos. O desinteressado, no entanto, faz exatamente o oposto. Te nega a validação emocional de que você precisa: ouve você, mas sem prestar atenção, sem emoção. E ele faz isso de propósito, porque quer mostrar seu desinteresse. Também é comum tentar minimizar seus sonhos ou tirar sarro de você por aspirar a tanto. No final, essa pessoa tenta minar sua auto-estima para que você desista do seu objetivo.

Uma profunda amargura interior

As pessoas que se dedicam a destruir os sonhos dos outros muitas vezes experimentam uma profunda amargura, desapontamento e frustração, mas nem sempre demonstram isso. Na verdade, muitas vezes tentam fingir uma vida plena e satisfatória, embora no fundo sofram um vácuo emocional.

Muitas vezes essa visão pessimista do mundo vem do fracasso em alcançar seus próprios sonhos. Se uma pessoa não teve sorte em seus relacionamentos, desenvolve uma visão negativa sobre isso e procura desmotivar os outros a manter um relacionamento. Se não conseguiu um projeto de negócios, desmotiva aqueles que tentam iniciar um novo projeto afirmando que é uma tarefa impossível ou inútil.

Outras vezes sua atitude vem da falta de coragem, temperada com uma dose de inveja. São pessoas que não se atrevem a sair da zona de conforto e que não querem que os outros o façam, porque lhes incomoda o sucesso. Neste caso, eles são pessoas invejosas que não querem que os outros superem ou tenham uma vida mais plena.

Em outras ocasiões, essa atitude vem da hiper proteção. É comum em pais com filhos ou entre casais. Com boas intenções, querem cortar suas asas porque temem sofrer um fracasso ou, pior ainda, quebrar o cordão umbilical que mantém você preso a elas.

Como lidar com pessoas que destroem sonhos?

Ouça-os. Pode parecer uma contradição, mas às vezes o melhor conselho pode vir de onde menos esperamos. Ouvir é sábio, embora isso não signifique que você tenha que concordar com o que eles dizem e muito menos que você baseará suas decisões em suas opiniões. No entanto, talvez por trás de sua negatividade, você pode encontrar algum risco que não tinha previsto, para que você possa se preparar melhor para enfrentá-lo. A chave está em usar essa negatividade a seu favor, como uma arma para se preparar contra eventos imprevistos.

Agradeça por sua opinião. Em vez de ficar na defensiva, apenas agradeça sua opinião. É comum que essa atitude o desarme. As pessoas não esperam receber palavras gentis e respeitosas quando se comportam de maneira crítica ou pejorativa ou tentam destruir os sonhos dos outros. Diga: “Eu aprecio sua opinião, mas vou seguir em frente.”

Siga adiante. Se você tem um sonho e um objetivo claro, não desista. É muito fácil cair na negatividade. Não há dúvida de que você encontrará obstáculos e contratempos, mas isso é parte do caminho. Certifique-se de não tornar impossível o possível.

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A empatia é frequentemente evitada por causa do esforço mental

As pessoas não querem sentir empatia a menos que achem que são boas nisso, diz estudo

Mesmo quando sentir empatia pelos outros não é financeiramente caro ou emocionalmente desgastante, as pessoas ainda irão evitá-la, porque elas acham que a empatia requer muito esforço mental, de acordo com uma nova pesquisa publicada pela American Psychological Association.

A empatia, a capacidade de compreender os sentimentos de outra pessoa, é muitas vezes vista como uma virtude que encoraja comportamentos de ajuda. Mas as pessoas geralmente não querem sentir empatia.

“Há uma suposição comum de que as pessoas sufocam sentimentos de empatia porque podem ser deprimentes ou caras, como fazer doações para caridade”, disse o pesquisador C. Daryl Cameron, PhD. “Mas descobrimos que as pessoas basicamente não querem fazer o esforço mental para sentir empatia em relação aos outros, mesmo quando isso envolve sentir emoções positivas.”

O estudo, que foi publicado online no Journal of Experimental Psychology: General®, incluiu 11 experimentos com mais de 1.200 participantes. Cameron liderou uma equipe de pesquisadores da Penn State University, onde ele é professor assistente de psicologia e da Universidade de Toronto.

Os pesquisadores projetaram uma “Tarefa de Seleção de Empatia” para testar se os custos cognitivos, ou o esforço mental, poderiam deter a empatia. Durante uma série de testes, os pesquisadores usaram dois baralhos de cartas, cada um com fotos sombrias de crianças refugiadas. Em um baralho, os participantes foram orientados apenas a descrever as características físicas da pessoa na carta. Para o outro baralho, elas foram orientadas a tentar sentir empatia pela pessoa na foto e pensar sobre o que essa pessoa estava sentindo. Os participantes foram orientados a escolher livremente de qualquer baralho em cada tentativa.

Em alguns experimentos adicionais, os pesquisadores usaram baralhos que apresentavam imagens de pessoas tristes ou sorridentes. Quando dada a escolha de escolher entre os baralhos, os participantes escolhiam constantemente os que não exigiam sentir empatia, mesmo pelas fotos de pessoas felizes.

“Vimos uma forte preferência para evitar a empatia, mesmo quando alguém estava expressando alegria”, disse Cameron.

Em todos os experimentos, os participantes em média escolheram o empatia em 35% do tempo, mostrando uma forte preferência pelo baralho que não exigia empatia.

Também não havia nenhum custo financeiro para sentir empatia no estudo, porque ninguém foi convidado a doar tempo ou dinheiro para apoiar crianças refugiadas ou qualquer outra pessoa incluída nas fotos.

Em questões de pesquisa após cada experimento, a maioria dos participantes relatou que a empatia se sentia mais desafiadora cognitivamente, dizendo que exigia mais esforço e que eles se sentiam menos bem nisso do que descreviam as características físicas de outras pessoas. Participantes que relataram que sentir empatia era mentalmente exigente ou os fazia se sentir inseguros, irritados ou angustiados eram mais propensos a ter evitado o empatia durante os experimentos.

As pessoas podem ser encorajadas a sentir empatia se acham que são boas nisso? Em dois experimentos, metade dos participantes foram informados de que eram melhores que 95% dos outros no baralho de empatia e 50% melhor para o baralho de características físicas objetivas, enquanto o outro grupo foi informado do contrário. Os participantes que foram informados de que eram bons em sentir empatia tinham maior probabilidade de selecionar cartas do baralho de empatia e relatar que a empatia exigia menos esforço mental.

Os custos cognitivos da empatia podem levar as pessoas a evitá-la, mas pode ser possível aumentar a empatia incentivando as pessoas a fazê-la bem, disse Cameron.

“Se podemos mudar as motivações das pessoas para se engajar em empatia, então isso pode ser uma boa notícia para a sociedade como um todo”, disse Cameron. “Isso poderia incentivar as pessoas a chegarem a grupos que precisam de ajuda, como imigrantes, refugiados e vítimas de desastres naturais.”

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Anorexia e bulimia: o preço da intransigência emocional

Traduzido e adaptado de La mente è meravigliosa

Transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, representam um desafio para a  sociedade. Embora sejam mais comuns entre as adolescentes, a verdade é que nem os meninos nem as mulheres que passaram a adolescência são imunes a ela.

O termo “boa menina” é frequentemente associado a uma imagem de rigidez, pureza, doçura, controle emocional e uma infinidade de necessidades que limitam o desenvolvimento natural e espontâneo de qualquer ser humano. Esse estereótipo, por trás do qual inúmeras pressões são ocultadas, é frequentemente uma condenação para os adolescentes aos quais exigimos que sejam “boas garotas”.

Uma maneira fácil de controlar seu peso, corpo e imagem é, portanto, através de sacrifícios alimentares. Renúncias voluntárias que na maioria dos casos são feitas sem primeiro se informar, que são superficialmente gerenciadas e que, portanto, levam a um alto nível de frustração. Essa maneira de se relacionar com a comida é, afinal de contas, sua maneira pessoal e trágica de administrar e desviar o sofrimento. O desejo de ser uma pessoa que você não é, o desprezo que sentem quando olham no espelho.

Anorexia e bulimia

Muitas vezes associamos a palavra anorexia à privação de alimentos e à bulimia com expurgos, vômitos ou comportamentos que se destinam a “vazios” após a alimentação. No entanto, estas não são regras rígidas e fixas, elas podem mudar de acordo com a pessoa que sofre deste distúrbio.

Na realidade, existem dois tipos diferentes de anorexia, a restritiva e a purgativa (com o termo “purga”, indicamos qualquer comportamento compensatório que vise eliminar os alimentos ingeridos). A anorexia restritiva está associada ao perfeccionismo, rigidez, hiper-responsabilidade e sentimentos de inferioridade. Esse purgante (em que além da restrição completa de alimentos, as pessoas que sofrem com isso tentam se purificar) está associado a problemas familiares de obesidade ou excesso de peso, impulsividade, reações distímicas, labilidade emocional e hábitos de dependência.

No caso da bulimia nervosa, no entanto, expurgos ou comportamentos compensatórios são comuns. Na bulimia nervosa prototípica, onde ocorrem os expurgos, há maior distorção da imagem corporal, maior número de hábitos alimentares anormais e maiores problemas psicológicos associados.

O caso de bulimia não purgativa (compulsão alimentar sem comportamento compensatório) pode assemelhar-se a um transtorno da compulsão alimentar compulsiva, mas não é porque também existe uma imagem supervalorizada do peso e da forma física. Este subtipo está associado a outros problemas, como pensamentos suicidas, vícios e transtornos de controle de impulsos.

O que elas têm em comum?

A base comum de todos esses transtornos é seu componente emocional: os pacientes se consideram incapazes de administrar suas emoções. Emoções que, em alguns casos, não conseguiam expressar-se satisfatoriamente por causa de um ambiente familiar que não era estimulante, restritivo, que reclamava demais deles em nível comportamental ou que não respondia adequadamente ao seu alto nível intelectual ou à sua precisa de carinho.

Uma vez que o distúrbio tenha sido claramente diagnosticado e outras doenças, como diabetes mellitus, neoplasia, caquexia hipofisária ou outras desordens psicológicas, como transtorno obsessivo-compulsivo ou psicose, tenham sido descartadas, podemos alegar estar diante de um problema. distúrbio alimentar.

Esses distúrbios costumam aparecer entre as idades de 10 e 30 anos e, em 95% dos casos, são mulheres que compartilham uma ideia excessivamente positiva de magreza. Elas compartilham a extrema preocupação com o peso e o corpo, distorções cognitivas, sintomas depressivos e ansiosos, bem como comportamento social problemático.

Por que surge nessa idade?

Se levarmos em conta que muitas das vítimas são adolescentes, uma das prováveis causas desses distúrbios é o fato das mulheres jovens terem dificuldade em gerenciar a transição de criança para mulher. Seu sistema de comunicação infantil ainda é limitado e se sentem sob pressão, encontram-se em um contexto em que se sentem emocionalmente inibidas e, nessa idade, tornam-se mais conscientes da imagem que, pelo menos na aparência, se impõe ao sexo feminino : magreza, beleza, pureza e submissão.

Se fosse um mero problema de imagem, as pessoas que sofrem de anorexia encontrariam seu equilíbrio alimentar depois de terem atingido uma forma de peso adequada. A necessidade de perfeição, o medo de recuperar o peso e a distorção perceptiva de seu corpo, no entanto, faz com que esse comportamento alimentar incorreto persista ao longo do tempo. Estes são modelos comportamentais que encontram uma recompensa apenas em sua própria repetição.

Mitos sobre anorexia e bulimia

A personalidade das mulheres que sofrem deste distúrbio é frequentemente associada a uma desorganização geral na vida, fraqueza, falta de inteligência, altos níveis de influência contra os comentários dos outros. Mas essas não são as características pessoais que encontramos nos pacientes quando avaliamos sua situação.

Não é sequer uma questão de pessoas delirantes que são incapazes de distinguir a realidade da imaginação. No caso da anorexia, os pacientes não são histéricos e, segundo alguns estudos, não é nem uma alteração de percepção, mas de comparação com modelos cada vez mais exigentes que resultam em comportamento restritivo.

Este é o modo deles de se relacionar com o mundo, de enterrar o que eles nunca foram capazes de expressar; não comer é a melhor maneira que eles encontraram para controlar o que acontece com eles. Por isso, quando não conseguem, punem sem pena.

Eles não são histéricos, eles se sentem solitários

Por outro lado, concentrar sua atenção nesse objetivo permite evitar enfrentar outros problemas, que sempre serão secundários e podem ser adiados até que resolvam o real problema para eles: seu peso.

A maioria deles está ciente de estar dentro de um processo destrutivo, mas uma vez que você entra nesse vórtice, você cria um sistema de punições e reforços tão poderosos que é muito difícil para eles sair dele. Eles programaram seus cérebros de tal maneira que sua inércia prejudicial é realmente poderosa.

Muitas das meninas e meninos que sofrem desses distúrbios são capazes de ter uma vida normal novamente. É um caminho difícil e caro, que requer paciência e em que muitas vezes há recaídas. No entanto, para ter sucesso em vencer a batalha, você precisa do apoio das pessoas que os amam. Seu apoio é a confiança é essencial para poder sair do túnel.

Isso acontece porque os transtornos alimentares afetam diretamente a autoestima da pessoa que sofre, faz com que ela se sinta inferior, porque sempre se compara a modelos que acredita serem superiores, mais perfeitos, mais desejáveis. Por essa razão, a pessoa sempre se sente inferior e aspira a se tornar outra coisa, constantemente.

É comum que pessoas que sofreram algum tipo de transtorno alimentar, como anorexia ou bulimia, também tenham dependência excessiva, medo de abandono, hipersensibilidade a críticas, alexitimia, etc. De certa forma, esses distúrbios podem ser superados, mas resultarão em um desafio constante ao longo da vida para evitar recaídas.

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Síndrome do avô escravo

O surgimento do fenômeno do avô escravo deve-se, em grande parte, às mudanças que a estrutura familiar sofreu nas últimas décadas.

Você pode nunca ter ouvido falar disso. E, no entanto, o surgimento do fenômeno do avô escravo deve-se, em grande parte, às mudanças que a estrutura familiar sofreu nas últimas décadas . Com a integração das mulheres no mundo do trabalho e o aumento da expectativa de vida, mais e mais idosos cuidam de seus netos. Eles costumam fazer isso em tempo integral, como uma espécie de “profissão”. Isso, em parte, facilita muito a famosa reconciliação entre trabalho e vida familiar.

Mas onde estão os limites? Os casais devem questionar o verdadeiro papel de seus pais idosos e se esforçar para respeitar seu espaço. Os avós já suportaram o peso das experiências de vida, casamentos, lares, empregos, filhos nos ombros. Para eles, a terceira idade deve ser sinônimo de tranquilidade, paz e relaxamento. O que, então, é a síndrome do avô escravo ?

A aposentadoria é um momento experimentado como uma libertação. Um momento de descanso e diversão. Assim, depois de uma vida dedicada ao trabalho, finalmente chega o tão esperado período de despreocupação. O de tempo livre para dedicar-se a paixões e hobbies reservados para dar prioridade às obrigações e responsabilidades. No entanto, situações de estresse, ansiedade, dor física e mental podem surgir.

Segundo Colubi e Sancho (2016), a síndrome do avô escravo provoca uma série de sintomas psicológicos e físicos que os idosos sofrem por causa de fortes mudanças sociais. Esse conjunto de sintomas inevitavelmente produz conseqüências físicas e mentais.

Conciliação familiar nos ombros dos avós

Quão importante é o papel dos avós nas famílias hoje em dia? Considerando os tempos turbulentos e de crise que marcaram os últimos anos, o apoio dos idosos tem sido e é um pilar fundamental para permitir aos jovens casais sobreviver e seguir em frente.

Esse suporte foi fornecido de várias maneiras:

• Apoio financeiro: muitos dos avós foram “forçados” a apoiar filhos e netos. Nesses tempos de crise, muitos assumiram as despesas e as necessidades da família com suas pensões e algumas economias.

• Apoio para o cuidado dos netos: os avós passaram a cuidar dos netos, pois os pais dos pequenos trabalham fora de casa por muitas horas. Atividades extracurriculares, visitas ao médico, esportes, tempo livre … Sem o apoio dos avós, muitas vezes não seria possível fazer tudo. Isso permitiu que os filhos cuidassem de suas famílias sem abrir mão de suas vidas profissionais.

• Ajuda nas tarefas domésticas: limpeza doméstica, compras de supermercado, culinária …

Tudo isso, em muitas ocasiões, desencadeou uma dinâmica que pressionou a saúde e a resistência desses idosos. Isso resulta na síndrome do avô escravo. Portanto, é necessário saber dizer “basta” e estabelecer limites para evitar abusos.

Sintomas do avô escravo

“O que, a priori, poderia representar uma fórmula eficaz e terapêutica de enriquecimento para os idosos e pais, em muitos casos assume a forma de uma escravidão moderna. Onde fortes laços emocionais são usados em vez de cadeias “(Soldevilla, 2008).

Por outro lado, a síndrome do avô escravo não aborda a ideia de que o cuidado dos netos e o vínculo estabelecido têm efeitos positivos. Em princípio, uma pessoa mais velha que começa a oferecer esse trabalho de suporte pode obter vários benefícios:

• Ele se sente útil e menos sozinho

• Intensifica relacionamentos

• Sente-se feliz

• Realiza atividades dinâmicas e novas

• Ele recebe afeição de seus netos

No entanto, se esse relacionamento for mal encaminhado e se tornar mais o resultado de uma obrigação tácita, inevitavelmente ele deixará até conseqüências decisivamente negativas. Como no caso de:

• Fadiga e exaustão

• Agravamento da saúde

• Stress

• Sensação excessiva de apego

• Redução da vida social

• Pouco tempo livre

• Mais possibilidades para discussões familiares

Não escravize os avós!

Você deve ter em mente que os avós não têm a mesma energia e habilidade de quando eram apenas pais. Na velhice, limitações físicas e cognitivas podem surgir. Portanto, é necessário estabelecer limites e organizar uma rotina na qual haja espaço para os idosos administrarem independentemente de seus netos.

Os avós têm seus próprios interesses e necessidades. Eles não podem, de forma alguma, ser relegados ao papel de “escravos”, aproveitando-se da desculpa do tempo livre e do profundo sentimento de pertencer à família. É um jogo egoísta que mostra todos os elementos da exploração.

Suas aspirações, suas expectativas, seus desejos devem ser respeitados e levados em consideração: eles não podem ser anulados! Sua opinião, embora possa não parecer relevante, será sempre apoiada pelo valor da experiência. Especialmente em relação aos valores humanos, onde talvez o ser humano não tenha mudado tanto.

De qualquer forma, repetimos, ajudar a família a não deve significar qualquer renúncia por parte dos avós. Tome suas decisões com sensibilidade e a medida certa.

Para evitar cair na síndrome do escravo-avô, dois elementos são essenciais: boa organização e distribuição adequada das tarefas. Em resumo, um planejamento que permita aos pais se organizarem confiando em seus avós somente quando for estritamente necessário.

Traduzido de La Mente è Meravigliosa

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Como não se importar com o que os outros pensam | 5 passos para a liberdade

 

O conteúdo que apresentamos aqui está disponível no canal Epifania Experiência e traz dicas e sugestões que valem à pena parar para dar uma atenção e fazer as devidas reflexões sobre.

Você se importa com o julgamento que as outras pessoas fazem sobre você? Te incomoda o que vão dizer sobre suas ações ou comportamento? Caso seja sim a sua resposta, assista ao vídeo ou leia a transcrição logo abaixo deste e reflita sobre seus posicionamentos.

 

Existe uma grande chance que você esteja fazendo o contrário de tudo o que eu vou falar aqui. Antes de mais nada, entenda isso:
“Quando você para de se importar com o que os outros pensam, é que os outros começam a se importar com o que você pensa.”

O único caminho saudável para atrair pessoas interessantes para a sua vida e ser respeitado, é respeitando a si mesmo; e o único caminho para respeitar a si mesmo é parando de se importar com o que os outros pensam.

O problema é que a maioria das pessoas focam mais nos outros do que em si, mais em fazer do que em ser. Tudo aquilo que você faz para agradar alguém,, é descartável, pois qualquer outra pessoa pode fazer o mesmo assim que você sair dali. Tudo aquilo que você é te torna único, insubstituível.

O conhecimento te dar poder, mas o caráter te dar respeito.

Então existem 5 passos para alcançar essa liberdade, para que você foque mais em ser do que em fazer, para que você seja quem você deveria ser de verdade, sem filtros, sem medo e sem se preocupar com o julgamento dos outros:

1 – Tenha uma vida interessante

Não só porque é atraente, mas porque é a sua vida. Você prefere que ela seja entediante ou interessante? o melhor jeito de fazer com que as pessoas se interessem por você é sendo inevitavelmente interessante. Trabalhe com algo que você ama, tenha paixões e hobbies genuínos, que você goste de verdade, construa uma vida pela qual você possa se apaixonar.

Quando você é genuinamente apaixonado, você se torna inevitavelmente apaixonante. A maioria das pessoas vive a vida em modo automático, num transe hipnótico, da casa para o trabalho e do trabalho para a casa, televisão, jantar e dormir. A vida começa no final da sua zona de conforto. Aprenda coisas novas, enfrente desafios, leia, explore, descubra. Seja a diferença e as pessoas vão querer fazer parte disso.

2 – Seja firme nos seus precipícios e posicionamentos.

Se você não tem princípios e posicionamentos, você deveria ter. E se você já tem, seja firme,defenda o que você acredita.

A mentalidade é mais ou menos essa: eu penso assim, goste você ou não. A maioria das pessoas evita isso para não se tornar polarizante, para não dividir opiniões. Algumas pessoas vão te amar, e outras podem te odiar. Isso não é só inevitável, é desejável, quando você tem personalidade é impossível agradar a todos, e quem não consegue respeitar os seus princípios e posicionamentos, não deve ser foco da sua preocupação.

E não seja aquela pessoa que defende alguma coisa com unhas e dentes quando está discutindo com seus amigos e muda completamente na frente de um grupo de desconhecido ou de alguém específico… ou como é mais comum: alguém nada específico do sexo oposto. E é bom deixar claro que isso não significa que você não pode mudar a sua forma de pensar nunca e que nenhum argumento pode convencer de que você está errado. Se você errou, assuma o erro. Isso simplesmente significa que você não deve mudar como você pensa exclusivamente para agradar alguém. As pessoas respeitam bem mais quem é fiel a si próprio do que quem concorda com tudo que os outros dizem.

3 – Não tenha medo de ser vulnerável 

Isso não significa que você tenha que contar todos os seus segredos e sair choramingando para qualquer um, mas sim aceitar a sua condição humana da maneira mais natural possível.

Existe um forte condicionamento social que associa vulnerabilidade à fraqueza e é justamente por isso que é preciso muita coragem para demonstrar vulnerabilidade.

Quando você se sente confortável o suficiente para mostrar o seu lado vulnerável sem medo de ser julgado pelos outros, você mostra confiança. Todo mundo tem sentimentos, todo mundo já sofreu, todo mundo tem pontos fracos, mas as pessoas tentam esconder isso. Quando você quebra essa convenção social, você deixa claro que não tem medo que enxerguem quem você é de verdade. As pessoas conseguem se relacionar com você no nível mais profundo e humano e sentem mais à vontade para compartilhar suas próprias vulnerabilidades, criando uma conexão muito mais forte e confiável.

Ninguém se importa com os seus pontos fracos. As pessoas só se importam se você mesmo estiver inseguro sobre eles.

4 – Não seja reativo

Especialmente em relação às opiniões e ações dos outros. Esse passo traz o equilíbrio necessário para o passo número três. Se você mostra um ponto vulnerável, muitas pessoas vão admirar, mas qualquer pessoa mal intencionada pode atacar justamente esse ponto e é a não reação que reafirma sua confiança.

Quando você está confortável com a sua vulnerabilidade, não importa o que os outros pensam ou digam sobre ela. Muitas pessoas vão te testar, tentar fazer com que você se qualifique, que mostre do que é capaz. Se você entender que não tem que provar nada a ninguém, você simplesmente deixa que elas descubram por conta própria.

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Mas, vamos além: isso também serve para elogios. A mesma segurança que você deve ter para não reagir quando alguém te insulta é a que você deve ter quando alguém te elogia. Por que seria tão importante ouvir de outra pessoa que você tem uma qualidade se você tiver autoconhecimento e consciência sobre essa qualidade?

Claro, isso não significa que você não pode ficar feliz e principalmente responder educadamente um elogio, ainda mais se vem de alguém que você admira por razões fundamentadas. Só não demonstre entusiasmo exagerado ou até vergonha e principalmente entenda que as opiniões dos outros não moldam quem você é, sejam elas boas ou ruins.

5 – Seja imprevisível

Seja aquela pessoa que ninguém sabe definir direito, não tente se encaixar nos moldes pre estabelecidos da sociedade. O que mais vemos hoje em dia é gente tentando fazer parte de um grupinho específico, um pacote de ideologia e regras definidas, demonizando tudo que vem do lado oposto, repetindo frases prontas sem nem parar para refletir sobre elas, fazendo qualquer coisa para não se sentir sozinho e deslocado, para sentir que faz parte de algo, sem nem saber exatamente todo pacote que está comprando quando se define dessa forma.

Fuja dessas classificações rasas e pense por si próprio. Quanto mais você expande seus conhecimentos, mais difícil fica se encaixar nos formatos pre-estabelecidos e quase ninguém tem coragem de fazer isso. E ser imprevisível é o que conecta todos os passos

Esse conteúdo pertence ao canal Epifania Experiência

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Perdemos a capacidade de pensar?

Por Carolina Michelini / via: Coletivo Leitor

 

Santo Agostinho diria que sim. Nunca se teve tanta informação e tão acessível. Sabe-se tudo sobre tudo. Eu me pergunto: Será isso um novo tipo de inteligência? Ou a consagração da superficialidade?

Me parece que as informações vêm sendo replicadas de forma indiscriminada. Isto é, sem reflexão ou filtro, gerando uma dificuldade de interpretação e entendimento.

Talvez o conceito de pensar tenha sido sempre nebuloso, confundido, sobretudo, com a capacidade de armazenar informações. O fato de uma pessoa ser informada, não significa que ela pense, reflita e tenha discernimento. Ela é simplesmente informada. Pensar é outra coisa. Isso porque o ato de pensar é livre de julgamento e referências culturais ou morais. É um ato de verdadeira liberdade.

Faço um exemplo: ao conhecer uma pessoa, qual a primeira coisa que tendemos fazer? Julgar. Buscamos nosso repertório cultural para “adivinhar” sobre o recém-conhecido. E a partir daí desfiamos nossos pré-conceitos para julgar o novo.

E como seria se conseguíssemos substituir o julgar pelo pensar?

Em primeiro lugar, nos aproximaríamos com empatia e sem buscar padrões em nosso repertório já conhecido. Dessa forma, tentaríamos compreender, com o máximo de generosidade, a realidade circunstancial e essencial do sujeito julgado.

Esta é a essência do pensar: Procurar entender o imenso espectro que envolve cada pequena realidade. Refletir a respeito. Doar-se de coração e alma. Porque ninguém, nenhum de nós existe isoladamente. Somos seres dentro de uma contingência. Somos observadores e observados, todos nós. E o modo como somos percebidos ou percebemos o outro interfere, e muito, em nossas vidas.

Evidentemente não é tarefa fácil. Pensar desestabiliza muito. É preciso um arsenal de qualidades humanas para ter a coragem de pensar e mudar o já pensado. Requer generosidade, inteligência, capacidade de reflexão, empatia, introspecção, abertura cultural, maturidade, segurança pessoal, coragem.

Pensar não produz verdades absolutas ou regras a serem seguidas. Tampouco é lucrativo ou produtivo no sentido utilitário destas palavras. Pensar te faz conhecer, entender, compreender. Para que serve? Nada. Ou tudo. Serve para perceber a essência da vida.

A segurança do repertório

A defesa da rigorosidade comportamental é um dos indícios mais claros de insegurança pessoal. Frente ao desconhecido, fogo! Antes de parar para pensar, refletir, analisar, dispara-se um repertório amplamente conhecido e estabelecido, portanto, garantido. Pronto, tudo resolvido. Não se muda nada. Ninguém entra, ninguém sai.

Por isso é tão difícil sair do próprio umbigo cultural. Ir até o outro, compreender a cultura do outro, respeitá-la (mesmo não querendo fazer parte dela). Dialogar. A cultura é uma piscina sem bordas na qual estamos mergulhados até o pescoço. Sair disso seria perder todas as referências. Ficar só. Então, o que fazer?

Transcender

Para transcender tudo isso, se elaborar intelectualmente e espiritualmente, construir relações verdadeiras, de respeito mútuo, tomar decisões conscientes (inclusive consciente do preço a se pagar a cada decisão tomada), o único caminho é por meio desse difícil ato de pensar. Não existe outro jeito para a construção de si mesmo e de um mundo melhor em todos os sentidos.

Pensar exige, inclusive, abandonar completamente o mundo das aparências, com o qual estamos tão familiarizados e no qual nos sentimos em casa e adentrar em um mundo mais abstrato. É uma atividade, digamos, do espírito, invisível e muda. Mas que tem a força transformadora mais potente em absoluto.

Para encerrar, repito Santo Agostinho: Pensar é um ato de amor. Consigo mesmo e com o próximo. Pensem…

                                                             *  *  *

Carolina Michelini nasceu em Joinville (SC), mas hoje divide sua vida entre o Brasil e a Itália.

Formou-se em Psicologia, especializou-se em Psicopedagogia e estudou Filosofia. Além de autora premiada, Carolina é também musicista e toca violoncelo.

É autora de vários livros para crianças, como Pense bem – descobrindo a Filosofia, A carta, O violino, entre outros.

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Síndrome da superioridade ilusória: quando a ignorância se disfarça de conhecimento

A superioridade é um conceito ilusório, estamos todos juntos na jornada da vida e, independentemente do nível de instrução, salário ou treinamento, você sempre pode aprender com qualquer pessoa, mesmo daqueles que considera “inferiores”.

De Sócrates a Darwin, muitos estudos foram realizados para determinar o que desperta o comportamento de superioridade nas pessoas, o que quase sempre resulta de um grande sentimento de falta interior.

Uma das teorias mais aceitas sobre o assunto é conhecida como o efeito Dunning-Kruger. Preparado pelos psicólogos David Dunning e Justin Kruger e unning pela Cornell University, o efeito Dunning-Kruger tem um distúrbio cognitivo, no qual as pessoas que são ignorantes em um determinado assunto acreditam que sabem mais do que aquelas que são estudadas e experimentadas, sem reconhecer sua própria ignorância e limitações.

Essas pessoas vivem em um estado de superioridade ilusória, acreditando serem muito sábias, mas na realidade estão muito atrás daquelas que as cercam.

As pessoas que têm essa síndrome acreditam que suas habilidades são muito mais altas que a média, mesmo quando elas claramente não entendem o que estão falando. Elas não têm a humildade de reconhecer sua necessidade de melhoria. Elas também não reconhecem o potencial daqueles que as rodeiam, pois seu egoísmo os impede.

Você provavelmente conhece alguém assim, que vive preso em sua própria ignorância, que não faz sua parte para melhorar e ainda acredita que está acima do bem e do mal, e tem o direito de julgar todos ao seu redor.

Essas pessoas, que não sabem nada de um assunto, comportam-se como se fossem mestres e tentam reverter os argumentos bem planejados de estudiosos e especialistas, isso é realmente desagradável.

Para que possamos evoluir como pessoas e sociedade, devemos nos engajar em um diálogo saudável no qual ambas as partes têm o mesmo direito de expressar suas opiniões e de serem ouvidas. Aprender uns com os outros é uma habilidade muito importante, que deve ser encorajada, afinal, não fazemos nada por nós mesmos neste mundo. Sempre podemos usar a experiência de alguém para simplificar nossas vidas.

As pessoas estão se tornando mais convencidas e menos dispostas a crescer coletivamente. Acreditamos que um diploma nos torna imbatíveis, infalíveis. Isso está longe da verdade, e somente quando aprendemos a reconhecer nossas limitações e nos associamos a pessoas que podem nos oferecer o que nos falta, podemos realmente evoluir.

A superioridade é um conceito indescritível, estamos todos juntos na jornada da vida e, independentemente do nível de instrução, salário ou educação, sempre podemos aprender com qualquer pessoa, mesmo a que consideramos “inferior”.

Devemos trabalhar para controlar o sentimento de superioridade dentro de nós mesmos e nos abrir para todas as oportunidades de crescimento que surgem quando somos humildes.

Fonte: Emozioni Feed

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A Humildade

Humildade. Confundida quase sempre com servidão e subserviência, ela é, ao contrário e sobretudo, independência e liberdade interior que nasce das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente e incessante renovação para o bem.

Sempre que genuína e sincera, ela reflete, diariamente, e no contacto com os outros, o rumo e a essência das nossas próprias ações. Sem que nos apercebamos, quando nos dirigimos aos outros, mesmo que para simples opiniões, em torno de sucedidos triviais do quotidiano, estamos colocando o nosso modo de ser no que dizemos; ao proferirmos frase superficial que seja e sem importância, estamos a derramar o conteúdo moral e ético do nosso coração naquilo que dizemos; em qualquer referência determinada, estamos a apontar o rumo das nossas inclinações e demonstrarmos os interesses que nos regem a vida íntima.

Todas as nossas ideias e comentários, atos e diretrizes, partem de nós ao encontro do outro, como sementes lançadas em direção aos demais, e tudo quanto sentimos, falemos e realizemos, é substância real da nossa passagem e mensagem deixada aos outros, sendo que é pelo que fazemos que a lei de causa e efeito, seja na Terra ou noutros mundos, nos responde na exata medida.

É no cultivar da justiça e do amor, na compreensão e na bondade, que se faz sentir e revestir as boas ações e as soluções que nem sempre são as mais fáceis ou as mais agradáveis. E nos perigosos e escorregadios deslizes do oportunismo e dos fingimentos, exige de nós um esforço maior de nossa melhoria interior, de modo a que a segurança, o equilíbrio, a saúde e a estabilidade façam parte integrante da nossa personalidade e do nosso íntimo, sem permitir a ambiguidade nas palavras ou nas atitudes.

Se assim agirmos, conscientes e responsáveis, a noção de justiça e de retidão nos regerá o comportamento, apontando-nos o dever para connosco e para com todos os que nos rodeiam, na edificação da harmonia comum de que nós e cada um fazemos parte.

Além do mais, e na verdade, se assim agirmos, aprendemos que a felicidade, para ser verdadeira, há-de guardar essência eterna. Pois de que nos servirá o compromisso com as exterioridades humanas, se essas mesmas exterioridades não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem dos outros, se a morte não poupa a ninguém? Nas realidades que norteiam a vida espiritual é que receberemos o retorno de tudo o que durante a jornada terrena emitimos para os outros; e se emitimos para os outros, emitimos para nós mesmos.

Não basta, pois, para nenhum de nós o imediatismo de apenas do hoje. É preciso saber que se estamos pensando, sentindo, falando ou agindo para o contentamento de agora, seja também para o contentamento depois.

Assim, na humildade, jamais alardeemos o que possuímos, de material ou outro, pois que nada, no fundo, nos pertence, e à falta dela, negamos o evidente, que é a nossa pequenez diante do Universo e das realidades fundamentais da vida, dando origem a doentias cristalizações de sentimento, quais sejam o orgulho e a vaidade, o egoísmo e a discórdia em todas as direções.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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Pensar é difícil, é por isso que as pessoas preferem julgar

Do site Rincón de la Psicología

“Pensar é difícil, é por isso que as pessoas preferem julgar “, escreveu Carl Gustav Jung. Na época da opinião, onde tudo é julgado e criticado, muitas vezes sem uma base sólida, sem uma análise prévia e sem um profundo conhecimento da situação, as palavras de Jung assumem maior destaque, tornando-se quase proféticas.

Julgar nos empobrece

Identificar o ato de pensar com o ato de julgar pode nos levar a viver em um mundo distópico mais típico dos cenários imaginados por George Orwell do que da realidade. Quando os julgamentos suplantam o pensamento, qualquer indício se torna evidência, a interpretação subjetiva torna-se uma explicação objetiva e a mera conjectura adquire uma categoria de evidência.

À medida que nos afastamos da realidade e entramos na subjetividade, corremos o risco de confundir nossas opiniões com os fatos, tornando-nos juízes incontestáveis – e bastante parciais – de outros. Essa atitude empobrece o que julgamos e empobrecemos como pessoas.

Quando estamos muito focados em nós mesmos, quando deixamos de acalmar o ego, e ele adquire proporções excessivas, ou simplesmente temos muita pressa para nos impedir de pensar, preferimos julgar. Adicionamos rótulos duplos para catalogar coisas, eventos e pessoas em um espectro limitado de “bom” ou “ruim”, tomando como medida de comparação nossos desejos e expectativas.

Agir como juízes não apenas nos afasta da realidade, mas também nos impede de conhecê-la – e desfrutá-la – em sua riqueza e complexidade, transformando-nos em pessoas hostis – e não muito empáticos. Toda vez que julgamos algo, simplificamos a expressão mínima e fechamos uma porta para o conhecimento. Nós nos tornamos mero animalis iudicantis.

Pensar é um ato enriquecedor

Na sociedade líquida em que vivemos, é muito mais fácil julgar, criticar rapidamente e passar para o próximo julgamento. O que não ressoa em nosso sistema de crenças nós julgamos como inútil ou estúpido e passamos para o seguinte. Na era da gratificação instantânea, o pensamento exige um esforço que muitos não estão dispostos – ou não querem – a assumir.

O problema é que os juízos são tarefas interpretativas que damos a eventos, coisas ou pessoas. Cada julgamento é um rótulo que usamos para atribuir um valor – profundamente tendencioso – já que é um ato subjetivo baseado em nossos preconceitos, crenças e paradigmas. Julgamos com base em nossas experiências pessoais, o que significa que muitas críticas são um ato mais emocional que racional, a expressão de um desejo ou uma decepção.

Pensar, pelo contrário, exija reflexão e análise. Mais uma dose de empatia com o que foi pensado. É necessário separar o emocional dos fatos, lançar luz sobre a subjetividade adotando uma distância psicológica essencial.

Para Platão, o homem sábio é aquele que é capaz de observar tanto o fenômeno quanto sua essência. Uma pessoa sábia é aquela que não apenas analisa as circunstâncias contingentes, que geralmente são mutáveis, mas é capaz de rasgar o véu da superficialidade para alcançar o mais universal e essencial.

Portanto, o ato de pensar tem um enorme potencial enriquecedor. Através do pensamento, tentamos chegar à essência dos fenômenos e das coisas. Vamos além do percebido, superamos essa primeira impressão para mergulhar nas causas, efeitos e relacionamentos mais profundos. Isso exige uma árdua atividade intelectual através da qual crescemos como pessoas e expandimos nossa visão de mundo.

Pensar significa parar. Fazer silêncio. Prestar atenção. Controle o impulso de julgar precipitadamente. Pesar as possibilidades. Aprofundar nas coisas, com racionalidade e da empatia.

O segredo está em “ser curioso, não crítico”, como disse Walt Whitman.

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Quem é a vítima ideal do narcisista? Seu exato oposto, o empático

Do site Psicoadvisor

Em geral, o narcisista escolhe uma pessoa sensível e empática como vítima. Esse é exatamente o oposto, porque um narcisista é incapaz de empatia.

O narciso é atraído por uma pessoa empática porque ele é invejoso?

Por que ele é fascinado pelas qualidades que ele sente falta e tenta imitar desesperadamente? Por que percebe que todos admiram e apreciam a sensibilidade e gentileza das pessoas com empatia? Ou porque uma pessoa empática é fácil de manipular e, uma vez escravizada, estará espontaneamente inclinada a dar ao narcisista o alimento emocional de que tanto necessita? As três coisas.

Uma pessoa empática é uma pessoa comum, mas com uma capacidade de percepção e instinto superior à média. Os pesquisadores têm ligado a empatia à inteligência emocional desde os anos 90: os empatas têm a capacidade de ouvir suas emoções, ouvir as outras pessoas e sentir as emoções dos outros, expressar emoções de maneira produtiva. e gerenciá-las de maneira saudável e proativa.

As pessoas são atraídas por pessoas empáticas (que são cerca de 40% da população, felizmente) porque são compassivas; Infelizmente, isso também significa que os empáticos têm grande dificuldade em conceber que existem pessoas diferentes deles ou incapazes de se relacionar com as emoções dos outros.

Às vezes, aqueles que são empáticos se vêem excessivamente explorados pelos outros e acham difícil encontrar um equilíbrio entre sua capacidade de dar aos outros e a necessidade de se proteger e dizer não. Em geral, os empates são honestos e aderem aos seus princípios, apesar das pressões sociais, para que possam ser vistos como potenciais pessoas problemáticas em um grupo.

Um líder narciso, em qualquer grupo de pessoas, sente à primeira vista quando se depara com um empático que não poderá incorporar-se às fileiras de seus “escravos”! Mas por causa dos bons sentimentos do empata, ele será intimidado e assediado, apenas para garantir que essa pessoa honesta e independente não atrapalhe seus planos de poder.

Muitas vezes, até mesmo pessoas não narcisistas, mas simplesmente apáticas, invejam e tentam prejudicar as pessoas empáticas, percebendo-as como uma ameaça à sua vida tranquila ou ao seu ingresso a um líder narcisista, de quem elas se beneficiam.

Em geral, os líderes narcisos não atacam diretamente a pessoa empática quando têm uma série de “escravos” apáticos disponíveis; eles apenas orquestram o bullying por trás dos bastidores. No entanto, quando se trata de um caso de amor ou amizade ou colaboração, o narcisista realiza uma série de ações destinadas a ligar a pessoa com empatia a si mesmo e, em seguida, a vampirizá-la.

Em um contexto de 1 para 1, na verdade, para o narcisista é muito melhor ter uma empático como vítima do que uma pessoa comum. Isso ocorre porque a pessoa empática está naturalmente inclinada a enfrentar os problemas de outras pessoas e tentará fazer com que o narcisista se sinta bem, fazendo de tudo para satisfazê-lo.

Inicialmente, portanto, o narcisista vende muito bem o empático, fingindo ser uma vítima, pedindo ajuda e apoio emocional, ou mostrando-se admirável e corajoso. O empático pode se apaixonar ou simplesmente sentir afeição e compaixão pelo caráter recitado pelo narciso, e então usar suas energias no que lhe parece uma causa justa, tornando-se a principal fonte de alimento narcísico, mesmo depois que o narcisista parou de agir O maravilhoso personagem inicial.

Quando o empático se torna vítima do narciso, ele é reduzido ao status de co-dependente.

O empata é basicamente ingênuo e faz um incrível esforço para entender o fato de que existem pessoas sem escrúpulos, ética, bons sentimentos e moral. Então, ele tentará de todas as maneiras manter os olhos vendados e não perceber as discrepâncias entre o fabuloso personagem recitado pelo narciso e o ser real e horrível que transparece aqui e ali à medida que a relação com o narciso prossegue.

O empata tenta desesperadamente continuar a acreditar na existência dessa pessoa maravilhosa, caso contrário, todas as suas crenças se mostrarão erradas e o mundo entrará em colapso sobre ele.

Enquanto isso, o narciso culpa seus próprios erros empáticos, que ele acredita não lhe proporcionam amor e adoração suficientes e quem sabe o que mais: caso contrário, diz ele, o narciso seria sereno e continuaria a ser a pessoa maravilhosa dos primeiros dias.

O empático acredita nele e assume toda a culpa pelos problemas do narciso e do relacionamento. Ele então se convence de que para remediar a situação, ele ou ela deve dar, dar mais e mais, até que ele esteja totalmente esgotado.

Nesse ponto, o empata geralmente acaba à beira do suicídio ou do comportamento autodestrutivo, e o narciso se livra dele assim que encontra uma nova vítima nova e “suculenta”.

Moral: se você é um empata, fique longe dos narcisos. Ainda mais se você tem um histórico de codependência ou pais narcisos. Leia, aprenda, aprenda a reconhecê-los e a administrá-los, aprenda a cuidar de si e, acima de tudo, dedique sua empatia a causas dignas.

Enquanto isso, o narciso culpa o empático pelo seus próprios erros, que ele acredita não lhe proporcionam amor e adoração suficientes e quem sabe o que mais: caso contrário, diz ele, o narciso seria sereno e continuaria a ser a pessoa maravilhosa dos primeiros dias.

O empata acredita nele e assume a responsabilidade pelos problemas do narciso e do relacionamento. Então ele se convence de que, para remediar a situação, ele deve dar, dar mais e mais, até que esteja totalmente exausto.

Nesse ponto, a empata geralmente acaba à beira do suicídio ou do comportamento autodestrutivo, e o narciso se livra dele assim que encontra uma nova vítima “suculenta”.

Moral: se você é um empata, afaste-se de pessoas narcisistas. Mais ainda, se você tem um histórico de co-dependência ou pais narcisos. Leia, aprenda a reconhecê-los e a lidar com eles, aprenda a cuidar de si e, acima de tudo, dedique sua empatia a causas valiosas.

Nem tudo e todos devem ser ajudados; canalize seu dom de sensibilidade e compaixão para um trabalho adequado ou um voluntário. E pratique discernir e dizer não.

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Meditação aumenta a massa cinzenta

Num estudo de praticantes de longo prazo, neurocientistas descobriram que meditadores experientes tinham mais massa cinzenta no córtex frontal.

O córtex frontal está ligado à tomada de decisão e à memória pratica. A maioria dos córtices encolhe à medida que envelhecem, mas meditadores de 50 anos de idade no estudo tinham a mesma quantidade de massa cinzenta que aqueles com metade de sua idade.

Em um segundo estudo, a equipe liderada por Sara Lazar, da Mass General e da Harvard Medical School, observou pessoas sem experiência em um programa de oito semanas de atenção plena (mindfulness). Os participantes meditaram por uma média de 27 minutos por dia.

Estudos anteriores sugerem que resultados significativos podem ser alcançados meditando de 15 a 20 minutos por dia. Os pesquisadores observaram espessamento em várias regiões do cérebro, incluindo o hipocampo esquerdo (envolvido no aprendizado, na memória e na regulação emocional); a temporoparietal junction (envolvido na empatia e na capacidade de ter múltiplas perspectivas); e uma parte do tronco cerebral chamada ponte (onde neurotransmissores reguladores são gerados).

Houve também o encolhimento da amígdala, uma região do cérebro associada ao medo, ansiedade e agressão. Essa redução no tamanho da amígdala se correlacionou com níveis reduzidos de estresse nesses participantes.

A redução em stress pode contribuir não só para uma melhor qualidade de vida mas também pode prevenir doenças crónicas e diminuir sensações de dor, devido à redução da inflamação. Além de reduzir os custos de saúde, podem reduzir o uso medicamentos que podem criar dependência. A melhora da capacidade decisória e criativa assim como a empatia com clientes e colaboradores são mais valias na nova economia. Finalmente, as experiências meditativas podem facilitar mudanças de perspectiva profundas que podem resolver dificuldades pessoais e até revelar novos paradigmas para uma coexistência melhor no trabalho, em casa, na comunidade e no Planeta.


Foto e vídeos: Harvard University


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Buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas de inteligência

Buscar ajuda não é um sinal de fraqueza

Por: Sara Espejo – canto do Tibete

Certamente, a maioria de nós é capaz de resolver as situações complicadas que surgem em nosso caminho. No entanto, pedir ajuda não está excluído do leque de opções que podemos usar como recursos para superar qualquer inconveniente.

Pedir ajuda, para aqueles que não estão acostumados a depender de alguma forma dos outros, pode ser um pouco difícil, uma vez que muitas idéias em torno do fato são frequentemente:

• Nós não somos capazes de resolver nossos conflitos.
• Vão nos ver como perdedores.
• Os outros não nos levarão a sério mais tarde.
• Podemos passar a imagem de irresponsável.
• Podem nos rotular como fraco ou folgado.
• Podem pensar que procuramos saídas simples.

Enfim … Podemos nos afogar em uma quantidade enorme de sabotadores, que só refletem a importância que damos ao que os outros pensam de nós, em vez de abrir espaço para deixar entrar o que o outro pode nos adicionar em um determinado momento.

Embora seja verdade que algumas pessoas não perdem tempo para julgar e criticar a vida dos outros e realmente gostam quando alguém ao seu redor tropeça ou, melhor ainda, que caía, também é necessário destacar que muitas pessoas estão dispostas a ajudar, incluindo de maneira desinteressada.

Pedir ajuda não deve ser visto como um sinal de fraqueza, mas como demonstração de inteligência, onde estamos reconhecendo que precisamos da intervenção de alguém para avançar e isso é totalmente válido.

O único reconhecimento de que algo escapa à nossa possibilidade de resolução, pelo menos neste momento, fala de humildade. Quantas pessoas não vemos quem prefere afundar em uma situação, antes de pedir ajuda? Certamente há situações em que não precisamos dizer nada para receber ajuda ou apoio, no entanto, em muitas ocasiões, teremos que declarar claramente o que achamos que precisamos.

Não perderemos nada com ela, pelo contrário, ganharemos recursos valiosos, tempo e energia, que podemos dedicar a uma fase mais avançada do processo, o que seria difícil para nós chegarmos se não solicitássemos ajuda em tempo hábil.

Muitas vezes vemos até que alguém se recusa a ir à terapia, a conselhos personalizados, argumentando que ninguém conhece melhor suas vidas do que eles, que não são malucos, que não precisam de alguém que não consiga administrar a própria vida para lhes dizer o que fazer Sem levar em consideração que talvez eles só precisem de alguém para emprestar seus olhos para se ver de outra perspectiva, talvez só precisem de alguém para ajudá-los a remover um véu simples ou mostrá-los onde têm todas as ferramentas necessárias para resolver um conflito

Não subestime a ajuda de outras pessoas, de pessoas mais próximas, àquelas que foram treinadas para ajudar e inspirar outras pessoas. Recorrer a essa ajuda não nos enfraquecerá, ao contrário, geralmente nos faz sair fortalecidos e sabendo que nunca, em qualquer caso, estamos realmente sozinhos.

Créditos da imagem de capa: Cyril Rolando

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Medo derivativo: os medos que arruinam nossas vidas, de acordo com Zygmunt Bauman

Rincón de la Psicología

O medo é um sentimento universal. Embora não seja agradável sentir medo, isso pode salvar nossas vidas, pois desencadeia uma reação de alerta, tanto psicológica quanto fisiológica, que nos permite reagir prontamente e a salvo do perigo.

O medo é, então, uma emoção ativadora positiva. O problema começa quando esse medo não nos deixa e nos faz acreditar que estamos constantemente em perigo. Então ele nos condena a viver com nervos à superfície, esperando por uma agressão a qualquer momento. O problema começa quando sofremos um “medo derivado”. Um problema que, de acordo com Zygmunt Bauman, é endêmico para nossa sociedade e pode infectar a todos nós.

O que é medo derivativo?

O medo derivativo é uma espécie de medo “reciclado”, de natureza social e cultural. “É um quadro fixo da mente que podemos descrever como a sensação de sermos suscetíveis ao perigo: uma sensação de insegurança (o mundo está cheio de perigos que podem cair sobre nós e se materializar a qualquer momento sem um prévio aviso) e vulnerabilidade ( se o perigo nos ameaça, haverá pouca ou nenhuma chance de escapar dele ou de lidar com uma defesa eficaz, a suposição de nossa vulnerabilidade aos perigos depende não tanto do volume ou da natureza das ameaças reais quanto da ausência de ameaças. confiança nas defesas disponíveis) “, nas palavras de Bauman.

Como surge o medo derivativo?

O medo derivativo surge como resultado de experiências negativas do passado, é o “efeito secundário” da exposição a um perigo que vivemos em nossa própria carne, que testemunhamos ou de que ouvimos falar.

Bauman explica que “o medo derivativo é o sedimento de uma experiência passada de confronto direto com a ameaça: um sedimento que sobrevive a esse encontro e que se torna um fator importante na formação do comportamento humano quando não há mais nenhuma ameaça direta a vida ou a integridade da pessoa ”

É o medo que continua a nos agarrar depois do medo. Se perdermos alguém querido, é o medo residual que nos resta à perda. Se perdermos o nosso trabalho, é o medo de perder o emprego atual. Se sofrermos um desmaio ou ataque de pânico, é o medo de passar por essa experiência novamente.

O medo derivativo é estabelecido porque é facilmente dissociado da consciência; isto é, a sensação de medo permanece, embora o perigo tenha desaparecido. Dissociamos o medo do fator que causou isso.

 

A experiência angustiada que experimentamos foi tão intensa que fez a nossa imaginação voar, fazendo-nos ver perigos por toda parte. Assim, o medo acaba permeando nossa visão do mundo. Começamos a pensar que o mundo é um lugar hostil e perigoso.

Os longos tentáculos do medo derivativo

“O medo derivativo reorienta o comportamento depois de mudar a percepção do mundo e as expectativas que guiam o comportamento, se existe uma ameaça ou não […] Uma pessoa que internalizou tal visão do mundo, que inclui a ameaça insegurança e vulnerabilidade, rotineiramente recorrerão a respostas típicas de um encontro face a face com o perigo, mesmo na ausência de uma ameaça autêntica. O medo derivativo adquire assim uma capacidade de autopropulsão “, disse Bauman.

As pessoas que quase nunca saem à noite, por exemplo, tendem a pensar que o mundo exterior é um lugar perigoso que convém evitar. E dado que durante a noite os perigos se tornam mais aterrorizantes, elas preferem ficar seguras em suas casas. Assim, o medo derivativo cria um círculo vicioso que se alimenta. O medo leva essas pessoas à reclusão, e quanto mais elas são isoladas e protegidas, mais assustador o mundo será.

Se perdermos alguém querido, o medo residual nos levará a assumir comportamentos super protetores com as pessoas que ainda temos ao nosso redor. Se perdermos um emprego, o medo derivado nos deixará tensos no emprego atual por medo de cometer erros e sermos demitidos de novo. Se sofrermos um ataque de pânico, adotaremos uma atitude hiper vigilante em que qualquer mudança provocará ansiedade novamente. Assim, o medo derivativo gera as situações que mais tememos.

Aqueles que sofrem um medo derivado perderam sua autoconfiança. Eles não confiam em sua força e recursos para enfrentar as ameaças, eles desenvolveram uma espécie de desamparo aprendido. O problema é que viver imaginando perigos e ameaças em todos os lugares não é viver.

Esse estado de alerta constante acaba desgastando muito, tanto em nível psicológico quanto físico. Quando a amígdala detecta uma situação de perigo, real ou imaginária, ativa o hipotálamo e a glândula pituitária, que secreta o hormônio adrenocorticotrófico. Quase ao mesmo tempo a glândula adrenal é ativada, o que libera epinefrina. Ambas as substâncias geram cortisol, um hormônio que aumenta a pressão arterial e o açúcar no sangue e suprime o sistema imunológico. Com isso, temos mais energia para reagir, mas se permanecermos nesse estado por muito tempo, nossa saúde acabará sofrendo e estaremos continuamente à beira de um colapso nervoso.

Nós vivemos em uma sociedade que alimenta os medos derivados

Bauman sugere que vivemos em uma sociedade que alimenta medos desproporcionais. “Mais preocupante é a onipresença dos medos: eles podem filtrar através de qualquer canto e recanto de nossas casas e do nosso planeta. Eles podem vir da escuridão das ruas ou dos flashes de telas de televisão, nossos quartos e nossas cozinhas, nossos locais de trabalho e carro do metrô em que voltamos para nossas casas, das pessoas que encontramos e daqueles que nos passam despercebidos, de algo que ingerimos e de algo com que nossos corpos tiveram contato, do que nós chamamos a natureza ou outras pessoas […]

“Dia após dia, percebemos que o inventário de perigos que temos está longe de estar completo: novos perigos são descobertos e anunciados quase que diariamente e não se sabe quantos, de que tipo são, onde eles estão sendo criados e quando surgirão para nos atingir. ”

O medo líquido, como ele também o chama, escorrega por toda parte e é alimentado por diferentes canais porque “a economia consumista depende da produção de consumidores e consumidores que devem ser produzidos para o consumo de ‘produtos contra o medo'”. , enquanto esperamos que os perigos que eles tanto temem possam ser forçados a recuar, com a ajuda do bolso, é claro “.

Não podemos esquecer que o medo é uma ferramenta útil, não só para as multinacionais que vendem seus produtos, mas também para os políticos que pedem nosso voto e até mesmo para o Estado que se apresenta como nosso “protetor e salvaguarda”. O medo é capitalizado muito bem porque desativa nossa mente racional, desencadeia um seqüestro emocional completo que nos impede de pensar em outra coisa senão ficar a salvo. Através desse mecanismo doentio, quem desencadeia o medo também nos oferece uma “solução paliativa”.

Assim, “a luta contra os medos tornou-se uma tarefa para toda a vida, enquanto os perigos que desencadeiam esses medos tornaram-se companheiros permanentes e inseparáveis da vida humana”.

O que fazer? Como escapar desse mecanismo?

Destrua os medos derivados para viver mais plenamente

1. Coloque medos no contexto. Primeiro de tudo, devemos estar cientes de que “há muito mais golpes que continuam a ser anunciados como iminentes do que aqueles que finalmente atingiram”, de acordo com Bauman. Isso significa que a sociedade ou nossa imaginação produzem situações mais assustadoras do que aquelas que realmente acontecem. Adotar essa perspectiva nos permite assumir uma distância psicológica daquilo que nos assusta ao perceber que as probabilidades de realmente ocorrer são menores do que imaginamos.

2. O que aconteceu, não precisa acontecer novamente. Há experiências de vida ruins que são difíceis de superar. Não há duvidas. No entanto, embora o medo derivativo que geram seja compreensível, não é sustentável. Isso significa que o passado deve ser uma fonte de sabedoria, resiliência e força para enfrentar o futuro, não uma desculpa paralisante que limite nosso potencial.

3. A vida é uma aventura ousada, ou não é nada. Fugir do medo é se render. Nossa extraordinária capacidade de nos projetar no futuro também nos faz temer os incertos, imaginando monstros assustadores que nos perseguem. É o dilema humano. Para fugir disso, precisamos fazer nossa maravilhosa mensagem de Bauman: “saber que esse mundo em que vivemos é temível não significa que vivamos com medo”. Alguns perigos existem, não podemos ignorá-los, mas não podemos deixá-los condicionar nossas decisões e nos impedir de viver plenamente. Afinal, “a vida é uma aventura ousada ou não é nada”, segundo Hellen Keller.

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/medo-derivativo-os-medos-que-arruinam-nossas-vidas/

Para ser ouvido, às vezes você tem que fechar a boca

Do Rincón de la Psicología

Há um momento para falar e outro para ficar em silêncio, um momento para dar razões e outro para refletir, um momento para reivindicar firmemente nossos direitos e outro para esperar pacientemente. Falar mais nem sempre é melhor. Às vezes, para ser ouvido, é necessário aprender a calar-se, a saber manejar o silêncio, conscientizar-se de que a comunicação está na transmissão de uma mensagem e que, às vezes, dizer nada pode expressar mais de mil palavras.

O papel ativo do silêncio na comunicação

Georges Clemenceau disse que ” gerenciar o silêncio é mais difícil do que lidar com a palavra “. O silêncio é uma poderosa ferramenta de comunicação que pode desempenhar um papel mais ativo do que as palavras, desde que seja conhecido por ser usado de maneira inteligente e no momento certo.

Quando você aprende a lidar com o silêncio:

– Comunique-se melhor. Muitos de nós falam demais. Todos, de vez em quando, somos culpados de monopolizar uma conversa com palavreado desnecessário e, às vezes, até contraproducente, especialmente quando queremos convencer alguém. No entanto, embora possa ser paradoxal, recorrer mais ao silêncio permitirá que você torne sua mensagem mais clara e contundente.

– Você vai realmente ouvir. Em nossa sociedade, o silêncio pode ser embaraçoso, especialmente em alguns contextos, por isso queremos evitá-lo a todo custo. Desta forma, em vez de ouvir o que o nosso interlocutor expressa, grande parte do nosso cérebro já pensa na resposta que damos a seguir. Em vez disso, o silêncio permitirá que você realmente se concentre no que a outra pessoa está dizendo, além de prestar atenção à sua comunicação não verbal, o que lhe permitirá extrair mais informações e entender melhor o que está acontecendo.

– Você alcançará seu objetivo mais rapidamente. O objetivo final da comunicação deve ser compartilhar informações e tomar uma decisão, e não vencer. Nesse caso, o silêncio não é útil apenas para minimizar o ruído que as palavras vãs podem gerar, mas também pode acelerar a resolução do conflito.

– Você mostrará mais empatia e respeito. Uma vez que você apresente seus argumentos, a coisa mais inteligente a fazer é calar a boca e deixar a outra pessoa expressar suas opiniões. Manter silêncio é um sinal de respeito e demonstração de empatia.

– Você vai promover a reflexão. Não é necessário responder imediatamente. É melhor ficar quieto para pensar na sua resposta. De fato, um provérbio hindu afirma que “quando você falar, procure tornar suas palavras melhores que o silêncio”. O silêncio também serve para indicar à outra pessoa que você não tem mais nada a dizer, o que pode fazer você refletir sobre seus argumentos, enquanto continuar a argumentar só poderia levá-lo a um beco sem saída.

Em que situações é conveniente usar o silêncio?

Miles Davis disse que “o silêncio é o mais alto ruído, talvez o mais alto dos ruídos”. É por isso que, em certas situações, o mais inteligente é não continuar falando, mas simplesmente ficar quieto e deixar que cumpra sua missão.

– Quando você não tem mais argumentos interessantes para contribuir, para que o silêncio permita que a outra pessoa reflita sobre o que você já disse. Às vezes, adicionar mais palavras serve apenas para criar caos e confusão na mensagem que você deseja transmitir.

– Quando a outra pessoa assume a conversa como uma batalha e pensa em termos de vencedor e perdedor, de modo que esteja por trás de seus argumentos.

– Quando a outra pessoa não mostra uma atitude receptiva às suas palavras, mas fecha a mente, porque ele realmente não se importa com o que você pensa ou sente. Nesse caso, as palavras mais sábias simplesmente cairão em ouvidos surdos.

– Quando você quer transmitir uma mensagem forte, caso em que é melhor ser breve e conciso, evitando divagações. Nesses casos, as pessoas costumam interpretar o silêncio como sinal de confiança e segurança.

– Quando você quer que a outra pessoa expresse o que ela sente ou pensa, para que seu silêncio seja um convite para falar, isso lhe diz que você está ouvindo.

– Quando a discussão se esparrama para outros lados, desviando do argumento central. Nesse caso, o silêncio pode ser usado para redirecionar a conversa ou finalizá-la, se não fizer sentido avançar nesse momento.

Claro, há casos em que o silêncio não é positivo, por exemplo, quando é usado como uma arma de desprezo para ferir os outros. Nesse caso, o silêncio não acrescenta nada ao relacionamento, porque o outro permanece sem saber o que você pensa ou deseja e cria uma atmosfera de hostilidade. De fato, esse silêncio pode ser interpretado como uma atitude agressiva ou humilhante e não ajudará a resolver a disputa.

Concluindo, todos queremos falar e criticar, mas poucos se pretsam a ouvir e entender. Portanto, não cometa o erro de confundir palavreado com informações úteis, facilidade de expressão com inteligência e número de argumentos com razão. Uma bela frase budista diz: “Quando me lanças espinhos, caindo no meu silêncio eles se tornam flores” 🙂

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Contar ou não contar, eis a questão

Ninguém gosta de ouvir o outro se queixando o tempo todo, se lamuriando dos filhos, do trabalho, das mazelas do corpo, da vida toda, como se nada houvesse de positivo ou de bom.

Há pessoas assim, que vivem se lamentando de tudo, mesmo de pequenas coisas, mas que para elas é o suficiente para a vida ser uma desgraça só, ou uma tragédia só. A queixa e a lamentação são o seu dia a dia. Não que não haja vidas de muita infelicidade. E quando assim é, fica difícil sorrir para o mundo e fazer um esforço que seja para se mostrar um pouco feliz.

Para pessoas assim, que vivem com o mínimo dos mínimos, o marido sem trabalho, um filho problemático, um teto mal amanhado em que habitam, como contar que se está feliz, que se acabou de marcar aquela viagem que tanto se queria, que o filho nos deu alegrias, que se está a pensar em mudar para uma casa maior e melhor porque o marido fora promovido, ou se recebeu um bom dinheiro extra que não se esperava? Convenhamos, fica até desumano, e não é humanamente possível essa pessoa ficar feliz por nós, por mais que ela goste de nós, ela que nada tem e vive com tantos problemas. O melhor mesmo é nada dizer, guardar os nossos sucessos só para nós, pois as nossas vitórias podem ferir e provocar sofrimento maior. E do que de nós depender, torcer e ajudar para minimizar os desaires com que ela diariamente se depara. 

Marcus Tullius Cícero

Para pessoas de bem com a vida, se sentirmos que há alegria com os nossos êxitos, a partilha deles nos faz até bem. Ou com aqueles que nem tudo corre tão bem assim, mas ficam felizes por nós. Há amigos e amizades assim. E quando tal acontece, nada é mais gratificante. Marcus Tullius Cícero, o grande estadista, orador e um dos maiores filósofos da Antiga Roma (106 – 43 a.C.), a propósito de amizade e de partilhas de vida, resumiu assim:

Que há de mais agradável do que ter alguém a quem se ousa contar tudo como a si mesmo? De que seria feita a graça de nossos sucessos, sem um ser para se alegrar com eles tanto quanto nós? E em relação aos nossos reveses, seriam mais difíceis de suportar sem essa pessoa, para quem eles são ainda mais penosos do que para nós.”


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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https://www.jornaltornado.pt/contar-ou-nao-contar-eis-a-questao/

Ataques de ansiedade: o que os outros não entendem

Embora os ataques de ansiedade sejam difíceis e exaustivos de controlar, acabarão por passar, mesmo que pareçam durar para sempre.

Experimentar ansiedade ocasional é uma parte normal da vida. No entanto, as pessoas com transtornos de ansiedade frequentemente têm preocupação e medo intensos, excessivos e persistentes sobre as situações cotidianas. Muitas vezes, os transtornos de ansiedade envolvem episódios repetidos de sentimentos repentinos de intensa ansiedade e medo ou terror que atingem um pico em questão de minutos (ataques de pânico).

Esses ataques podem atingir você a qualquer momento. O fato de não ser bem compreendido pela maioria das pessoas piora a situação para aqueles que sofrem com isso.

Esses distúrbios podem ocorrer repentinamente e também podem ocorrer em um estado recorrente.

É uma sensação das piores possíveis, como se um abismo estivesse se abrindo e engolindo a pessoa, num mergulho às cegas nesse buraco sem fundo. Por fora o ar pesa, a atmosfera faz uma pressão que parece que vai te esmagar. Por dentro, tudo se expande como se estivesse a ponto de explodir.

O comum é que as pessoas que te rodeiam rejam da pior maneira possível e substimem o seu momento de aflição. Quem nunca sofreu um ataque parecido não consegue mesmo dimensionar a coisa e até acha que a vítima do ataque esteja exagerando. Mas não está. Todo mundo, em alguma ocasião, passou por um momento normal de ansiedade aguardando o resultado de algum evento que poderia ser ruim. Agora multiplique essa sensação por mil, por dez mil, e terá a noção aproximada do que é um ataque de ansiedade.

Sintomas do ataque

• Batimento cardíaco acelerado

• Pressão no peito

• Dificuldade em respirar

• Tensão muscular

• Suores frios

• Insônias

• Tremores

• Dores físicas

Causas

As causas dos transtornos de ansiedade não são totalmente compreendidas. Experiências de vida, como eventos traumáticos, parecem desencadear transtornos de ansiedade em pessoas que já são propensas à ansiedade. Traços herdados também podem ser um fator.

Hoje queremos contar algumas estratégias simples que ajudarão você a lidar com esse problema.

Ataques de ansiedade: quando seu coração parece que vai explodir

Primeiro, temos que esclarecer algo: a ansiedade serve a um propósito em humanos.

• Ansiedade nos adverte para escapar ou lidar com a situação em caso de perigo.

• A ansiedade bem administrada pode ser uma maneira eficaz de nos motivar em nossas vidas diárias.

• O problema começa quando o nível de ansiedade aumenta para níveis incontroláveis.

• O cérebro percebe a ansiedade crescente como muito realista e uma ameaça súbita a ser evitada e responde da seguinte forma: acelerando a freqüência cardíaca, pressão alta, aumento dos níveis de adrenalina no sangue

Enquanto nosso cérebro e corpo nos dizem para escapar, nossa mente está lidando com um pensamento negativo e destrutivo, o que torna a situação ainda pior.

Ataques de ansiedade estão associados à depressão

Se os ataques de ansiedade são comuns, a pessoa que sofre com isso é, provavelmente, profundamente deprimida.

• Ansiedade e depressão geralmente derivam da mesma coisa: desespero. Isso pode acontecer conosco em situações extremamente estressantes, quando perdemos o controle das coisas.

• Uma coisa deve ficar clara: ansiedade e depressão são duas coisas muito desconfortáveis. Mas como dissemos antes, uma pode ser o sintoma da outra. Para ter certeza, você deve consultar seu médico.

Lidando com ataques de ansiedade

Para lidar com os ataques de ansiedade, a primeira coisa que precisamos fazer é lidar com os sintomas emocionais, tentar encarar a ameaça, o medo ou a situação estressante com uma perspectiva lógica.

Tente evitar tudo o que o deixa aborrecido. Procure se acomodar em algum lugar que lhe seja mais propício para lidar com a situação de um ataque repentino.

Ajudando alguém que está exposto a um ataque de ansiedade

Entenda a situação. Essas pessoas não estão ficando loucas: elas precisam da sua ajuda e, acima de tudo, da sua calma e compreensão.

• Pergunte a elas o que elas sentem e leve-as para um lugar onde possam respirar.

• Afrouxe os cintos e as roupas aderentes.

• Repita “Você não está tendo um ataque cardíaco, estou aqui para ajudá-lo e tudo vai ficar bem”. Mas seja muito calmo e gentil quando você diz.

• Diga-lhes para colocar uma mão no estômago e a outra no coração. Eles precisam controlar sua respiração.

O tratamento mais usado para a Ansiedade, ainda é o farmacológico, com recurso a medicamentos que atuam apenas nos seus sintomas. A toma de calmantes, para além de causar dependência e potenciar o aparecimento de vários efeitos secundários, para muitas pessoas não é a solução.

Na grande maioria dos casos, trabalhar nas causas da Ansiedade é a solução mais adequada. A Psicoterapia é a ciência que trabalha as causas das perturbações mentais e o Modelo Psicoterapêutico HBM está indicado paras as perturbações de Ansiedade mais graves.

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Gikovate: O maior obstáculo que devemos superar para sermos livres

Via Rincón de la Pasicología

Ser livre é uma das nossas maiores aspirações. É também uma das nossas principais frustrações. É difícil resistir ao impacto quando atingimos a parede de uma sociedade que leva à normalização e padronização. Então vivemos a contradição do indivíduo que busca sua liberdade e a sociedade que se encarrega de delimitar as fronteiras dessa liberdade. Podemos escapar desse paradoxo?

De acordo com Flávio Gikovate, um psicólogo brasileiro que foi dedicada a analisar os problemas que enfrentamos em nossa vida social, que estaria incidindo coisa ruim, porque ” ao invés de fatores externos, são os conflitos interiores que nos impedem de ser livre “. O segredo, portanto, estaria dentro de nós. Mas, para descobrir isso, precisamos mudar radicalmente nossa perspectiva e modo de pensar.

A projeção de nossos conflitos internos

“Há uma velha tendência a tentar atribuir a fatores externos a impossibilidade de alcançar nossos maiores desejos. Sempre foi mais fácil e mais atraente pensar dessa maneira do que assumir seriamente a existência de obstáculos internos.

“É muito mais fácil manter essa atitude e projetar nos outros (pessoas ou instituições) aquela atitude que nos opõe, em vez de assumir o fato de que ambos nos pertencem. Desta forma, uma contradição interna é transformada em um conflito externo através da projeção em outra pessoa de um dos componentes do dilema “.

Gikovate ressalta que um dos primeiros obstáculos que devemos superar para sermos livres é parar de projetar nossas inseguranças no mundo exterior. A maioria das pessoas mostra uma tendência a fugir de sua intimidade, elas têm medo de ficar sozinhas consigo mesmas.

O medo de ficar sozinho com nós mesmos

“O homem, por não coexistir com sua própria condição – que também inclui suas contradições – tenta lidar tanto quanto possível com coisas externas. Esta é uma maneira eficaz de esquecer a si mesmo.

” É sempre difícil lidar com dúvidas, dilemas e contradições, e isso leva a conclusões precipitadas, muitas vezes covardes, que geralmente são atribuídas às pressões exercidas pelo ambiente externo. Essas pressões, obviamente, existem. […] O que precisa ser discutido é se o seu peso decisivo é tão grande quanto o que se pretende atribuir “.

A sociedade tenta impor suas normas e regras, as pessoas ao nosso redor nos pressionam e nossos passos aparecem continuamente obstáculos. Ninguém duvida disso. No entanto, esses obstáculos são realmente a principal causa da limitação de nossa liberdade ou são uma desculpa para não ousar ir além? O fato de a estrada ser mais difícil não significa que ela não possa ser percorrida.

O autoconhecimento como forma de alcançar a liberdade

Gikovate afirma que ” são as dúvidas e contradições que impedem uma atitude efetiva em relação ao caminho da liberdade, o que equivale a uma falta de convicção em seus conceitos. Essa convicção só pode existir naqueles que assumem completamente suas contradições, sem recorrer ao fácil expediente de projetar um de seus componentes “.

Portanto, a liberdade, que para Gikovate ” significa essencialmente coerência entre idéias, conceitos e comportamento objetivo “, deve ser buscada através de um exercício de profunda introspecção. Somente se nos conhecermos e soubermos o que queremos, teremos força suficiente para escolher a liberdade.

“Todas as pessoas precisam saber até que ponto estão fascinadas pelas coisas materiais que a nossa sociedade oferece para o consumo e que preço estão dispostas a pagar para acessá-las. Negar o fascínio que estas exercem pode levar a incríveis desentendimentos e causar grandes frustrações. […] Pagar qualquer preço por elas pode levar a um equívoco ainda mais sério: uma pessoa poderia perceber que está morrendo de tédio apesar de estar cercado por tudo o que quer. “

“Nossas reflexões oscilam entre o hedonismo e o ascetismo, e será necessário chegar firmemente a uma convicção antes que possamos pensar em uma ação livre e consistente. Só então poderemos nos fortalecer intimamente para resistir às pressões do ambiente e abrir nosso caminho. Se não formos capazes disso, será inútil acusar a estrutura social de escravização e opressão. Nós apenas nos justificaremos por não assumirmos nossa própria incompetência “.

Portanto, o principal inimigo da nossa liberdade é a nós mesmos. E só podemos superar esse “obstáculo” fazendo as pazes com o nosso “eu”, tomando decisões conscientes que nos permitem perseguir nossos sonhos, independentemente dos obstáculos que aparecem em nosso caminho, que serão muitos.

Quando realizamos esse exercício de autoconhecimento, quando realmente nos conectamos com nossas necessidades, o milagre acontece porque, de repente, as pressões sociais perdem muito do seu peso. Afinal, a sociedade nos liga apenas na medida em que permitimos que ela nos vincule.

Gikovate encerra suas reflexões com uma mensagem otimista: ” se as pessoas que vivem de modo coerente e consistente fossem mais felizes e se sentissem mais realizadas, isso poderia ter conseqüências sociais insuspeitadas “.

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Crónica: Dizer mentiras é feio

“Dizer mentiras é feio!” - ensinamento incontornável dos adultos às crianças pequenas, tentativa de reprodução dum parâmetro moral nas mentes dos mais pequenos. Contudo, fá-lo em simultâneo com a instalação de uma série de mentirinhas aparentemente inofensivas, a bem de um imaginário fantasioso comum, ditado pelos costumes de narrativas vagamente educativas, como a existência de um Pai Natal que premeia crianças bem comportadas (mas que no fundo premeia as privilegiadas), fadas dos dentes e bichos papões. De seguida ensina-se as crianças a não dizer todas as verdades, que podem ser incómodas, embaraçar os adultos ou chocar os interlocutores: “isso não se diz!”, “mostra respeito!”

Portanto, sob o escudo da retórica moralista defensora da verdade, desde pequenas as crianças são ensinadas, pelo exemplo e pelas inúmeras mensagens contraditórias, que devem omitir e mentir para se encaixarem na norma, para não serem malcriadas, para não serem confrontativas e como sinal de respeito.

A mentira é uma constante da vida. É mais cómoda do que verdades inconvenientes, evita diferendos e atritos, faz promessas impossíveis, ganha eleições. Como uma capa de camuflagem que esconde a verdade feia e protege das verdades alheias.

Mais do que uma arma, a verdade desarma os outros. Incomoda, porque é, muitas vezes, inesperada. Outras vezes, demasiadas, porque magoa, e magoa os mais próximos, os que mais se deseja proteger. Ser brutalmente honesto pode ser uma maldição. Ser adepto da verdade absoluta a todos os momentos pode entrar em contradição com o conceito útil, que se vai adquirindo com as tareias da vida, deverdades desnecessárias. Opiniões que ninguém pediu, informações supérfluas, se só vão servir para magoar ou perturbar alguém, ou considerações que não trazem nada de positivo, são mais benéficas mantidas em silêncio.

Mas as mentiras, essas são corrosivas, qualquer que seja a sua envergadura. Fétidas e de pernas curtas, vão arrastando pelo caminho os que se aproximam, vão-se encrustando cumulativamente, camada sobre camada, como sujidade que se acumula ao longo do tempo, de tal forma que já não se consegue ver a superfície real. Uma mentira fininha por educação, outra mais espessa para não ficarem com a ideia errada, outra pequenina porque nos pediram segredo, outra camada mínima para evitar o confronto…

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Mesmo sem má índole ou segundas intenções, a verdade torna-se tão distante e inverosímil que chega a ser divertido que tantas pessoas tenham dificuldade em acreditar nas verdades que lhes são atiradas a sangue frio. As verdades inesperadas, que chocam, aquelas que são frequentemente maquilhadas com mentiras, são tantas vezes recebidas com gargalhadas nervosas, inseguras, incrédulas, como piadas e como falsidades. Quando se reforça e assegura que não há nada de falso nas inéditas afirmações, assume o lugar o espanto, o receio, eventualmente a consternação. E fica a verdade como um incómodo que é preciso explicar, justificar a fundo. Fosse uma qualquer balela evidente e seria aceitável com tranquilidade.

No fundo, o que falta não é só a exposição da verdade sem tabus. O que falta acima de tudo é capacidade de encaixe, de lidar com o confronto com algumas verdades, com a distância entre as expectativas e a realidade. Não somos (especialmente os povos latinos) formatados para lidar com a frustração ou para reagir racional e friamente, mas antes a evitar causar frustrações aos socialmente próximos. Mesmo que para isso seja necessário suavizar a verdade com as universalmente aceitáveislittle white lies, aparentemente inofensivas, mas que contribuem para uma realidade assente numa pilha de máscaras globais.

O desconforto da mentira fica só com quem mente para não ofender os restantes, que se sentem ofendidos com a dívida de verdades. Será a mentira um gesto de sacrifício, abnegação ou indulgência? Ou talvez seja o comodismo que faz perpetuar as mentiras e a aceitação social das mesmas. Talvez seja demasiado difícil, exigente, cansativo, penoso ser sempre inteiramente fiel à verdade absoluta. Mas para quem? Para quem fala verdade ou para quem prefere viver num mundo de faz-de-conta a lidar com verdades que magoam e desarranjam os lugares das coisas?

As verdades, mesmo as mais difíceis, só doem uma vez. As mentiras são matreiras, mas sempre descobertas. E aí doem múltiplas vezes: pela mentira em si, pelo acto de quem mentiu, porventura por todos os cúmplices que assentiram, e torna a doer de cada vez que se confronta o que se sabia como verdade e deixou de ser. Dizer mentiras é feio, viver mentiras é indigno.

Aceita-se traições, duas caras e cenários idílicos de paredes falsas a troco de uma paz superficial, de uma aparência esquizofrenicamente divergente do que é real. Aceita-se tolher quem somos e queremos a bem de manter longe os limites de normas que ajudamos a definir. O que temos a perder vale assim tanto a pena? Para que se quer um mundo, relações ou quotidianos impregnados de floreados inúteis e sorrisos falsos, apenas para colher uma ou outra facada nas costas, uma ou outra desilusão e tempo perdido? Tenhamos a coragem de ser objectivos, de ser assertivos, de abrir à luz os lugares de sombras e de enganos.

Qual é o custo da mentira e, mais importante, qual é o custo da verdade?

 

Crónica publicada originalmente no Repórter Sombra, a 03/04.

Ver original em 'Ventania' na seguinte ligação:

https://ventania.blogs.sapo.pt/cronica-dizer-mentiras-e-feio-1321703

Por que a passividade gera mediocridade e doença mental?

“Este é um dos problemas mais urgentes para o homem civilizado. Ele criou a civilização para se dar segurança. Segurança para quê? Por tédio? Seu principal problema parece ser que a maioria dos seres humanos precisa de uma certa quantidade de desafio, de estímulo externo, para impedi-los de mergulhar no olhar vazio e na consciência vazia do idiota. ”( Colin Wilson, New Pathways in Psychology )

Durante a maior parte da história da humanidade, o lazer era um luxo raro. Labutando do amanhecer ao anoitecer apenas para sobreviver era a sina de quase todos os homens, mulheres e crianças até algumas centenas de anos atrás.

O geólogo inglês Sir Charles Lyell escreveu que, na década de 1840, a América era um “país onde todos, ricos ou pobres, trabalhavam de manhã à noite, sem nunca se entregar a férias”. Com a Revolução Industrial no final do século 19 e a rápida intensificação da divisão do trabalho que a acompanhava, ocorreu uma “Revolução do Lazer”. Esse período de rápido desenvolvimento industrial não só levou muita gente das fazendas às grandes cidades em busca de trabalho, mas as horas regimentadas associadas ao trabalho industrial deixaram as massas – pela primeira vez na era moderna – com tempo livre programado para direcionar suas atividades. próprias atividades.

Bem mais de 100 anos se passaram desde essa revolução do lazer, e os frutos da civilização se tornaram mais abundantes, e o lazer, mais abundante. Talvez mais do que em qualquer ponto da história da civilização, hoje o indivíduo médio está livre da luta diária pela sobrevivência. Mas com essa nova liberdade, uma questão crucial confronta cada um de nós: para o que somos livres? Em outras palavras, como vamos usar o tempo que temos que não é dedicado às necessidades da vida?

Poucos contemplam essa questão. Em vez disso, assim como em muitas questões importantes sobre como viver, a maioria das pessoas afunda na conformidade e pressupõe implicitamente que seu tempo livre é melhor gasto descansando, relaxando e consumindo passivamente. E como resultado, tais vidas assumem um molde comum e seguem um curso análogo ao descrito pelo filósofo do século 20, Richard Taylor.

“A maioria das pessoas é, no sentido mais comum, muito limitada. Elas passam o tempo, dia após dia, em atividades ociosas e passivas, apenas olhando para as coisas – em jogos, televisão, qualquer coisa. Ou preenchem as horas conversando, principalmente sobre nada de significante – de idas e vindas, de quem está fazendo o que, do tempo, das coisas esquecidas quase tão logo são mencionadas. Elas não têm aspirações para si mesmas além de passarem outro dia fazendo mais ou menos o que fizeram ontem. Elas atravessam o estágio da vida, deixando tudo como estava quando entraram, não conseguindo nada, aspirando a nada, nunca tendo um pensamento profundo ou mesmo original … Isso é o que é comum, usual, típico, de fato normal. Relativamente poucos se elevam acima de uma existência tão árdua. ”(Richard Taylor, Restoring Pride)

Alguns podem argumentar que não há nada de errado com este tipo de existência “normal”. A vida moderna pode ser alta e estressante, e com problemas de saúde mental em ascensão, talvez o que seja necessário seja mais tempo gasto descansando e relaxando. O prolífico escritor inglês do século XX, Colin Wilson, no entanto, discordou desse sentimento. Demasiada inatividade, em vez de promover a saúde mental, tende a gerar infelicidade e uma infinidade de problemas psicológicos.

chegou a essa conclusão no começo de sua vida. Em sua autobiografia “Sonhando com algum propósito”, ele observa que, na adolescência, lutava com crises de depressão e simpatizava com a “sabedoria” contida no livro de Eclesiastes: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. Wilson, no entanto, tinha uma mente astuta e estava decidido a descobrir por que ele sempre se sentia tão sombrio. Ele começou a observar que suas crises de depressão eram tipicamente precedidas por períodos prolongados de passividade. Quando ele não ocupava seus dias com tarefas interessantes, desafios e problemas para resolver, ele descobriu que o humor depressivo logo o inundaria, embaçaria suas percepções e faria com que ele se tornasse um pessimista da condição humana. A mente ociosa é a oficina do diabo. Ou como Wilson escreve:

“Tédio, passividade, estagnação: estes são o começo da doença mental, que se propaga como a espuma em um lago estagnado.” (Colin Wilson, New Pathways in Psychology)

Se a descoberta de Wilson da conexão entre passividade e doença mental tiver mérito, então nos confrontaremos com as seguintes opções. Podemos desperdiçar nosso lazer em atividades ociosas, deixar intocados nossos potenciais inexplorados e nos tornar propensos a doenças mentais. Ou podemos nos esforçar para passar a maior parte do nosso tempo livre criando, explorando, aprendendo, fazendo – desafiando nossas capacidades e aprimorando nossos talentos. Enquanto a última opção envolve perseverança, luta e o sacrifício de prazeres e conforto de curto prazo, vale a pena o pagamento – saúde mental e crescimento pessoal -.

“O indivíduo mentalmente saudável”, escreve Wilson. “É ele quem habitualmente pede níveis razoavelmente profundos de reservas vitais. Um indivíduo cuja mente pode ficar adormecida – de modo que apenas a superfície é perturbada – começa a sofrer de “problemas de circulação”. Neurose é a sensação de estar separado de seus próprios poderes. ”(Colin Wilson, New Pathways in Psychology)

Mas e se a descoberta de Wilson da conexão entre passividade e depressão não for aplicável a todos, mas apenas a uma minoria que, como Wilson, possui um desejo criativo extraordinariamente forte? Talvez para algumas pessoas a passividade não gere o sofrimento que causou a Wilson. Isso significaria que a luta para gastar nosso tempo livre envolvido em atividades criativas é um desperdício de tempo e energia?

Em seu livro Restoring Pride, Richard Taylor fornece um argumento convincente sobre por que a luta para produzir e criar vale sempre o esforço, pois, como ele explica, aumenta nossas possibilidades de sermos capazes de alcançar o raro estado de orgulho. Taylor define o orgulho como “o amor justificado de si mesmo” e observa que, embora muitas pessoas afirmem amar a si mesmas, na maioria das vezes, seu “amor próprio” não é orgulho, mas narcisismo ou um escudo arrogante para proteger sua insegurança e autopercepção subjacentes. ódio. Para ser verdadeiramente orgulhoso, Taylor explica, é preciso “ter o tipo de amor que é justificado pelo tipo de pessoa que você é.” (Richard Taylor, Restoring Pride) Ou seja, você deve cultivar uma habilidade extraordinária em um domínio específico e assim alcançar excelência pessoal do tipo que o diferencia dos outros.

A ideia de que algumas pessoas são superiores a outras ofende o gosto moderno, pois, como aponta Taylor, muitos confundem direitos iguais com igual valor. Só porque todo indivíduo tem direitos naturais e deve ser tratado igualmente perante a lei, isso não significa que cada indivíduo possua o mesmo valor. Para os gregos antigos isso era evidente. Eles reconheciam que, embora a maioria dedique sua vida a adaptar-se ao rebanho, um parente menor cultiva uma virtude ou habilidade incomum, produz uma obra de valor excepcional ou segue um caminho na busca da grandeza pessoal, independentemente dos aplausos ou opiniões de outros. E, como Taylor observa, são esses últimos indivíduos – os superiores – que só podem se amar de uma maneira que não se baseia em falsos pretextos.

Portanto, na próxima vez em que nos encontrarmos com o lazer e a liberdade de dirigir nossas próprias atividades, em vez de buscar o controle remoto, engajar-nos em atividades passivas na internet ou socializar sobre assuntos superficiais, devemos nos perguntar se o conforto e o prazer que estas atividades fornecem vale a pena o custo. Pois mesmo que a nossa passividade não plante dentro de nós as sementes do pessimismo e da depressão, então certamente está diminuindo o nosso valor como ser humano, e minimizando as nossas chances de sermos capazes de alcançar o amor próprio que acompanha o orgulho genuíno. Ou como Taylor explica:

“Algumas pessoas, sem dúvida, nascem e destinam-se a ser comuns, a viver suas vidas sem nenhum propósito significativo, mas isso é relativamente raro … A maioria das pessoas tem o poder de ser criativas, e algumas têm um poder divino. como grau … Mas muitas pessoas – talvez até mesmo a maioria – estão contentes com os prazeres e satisfações passageiras do lado animal de nossa natureza.

De fato, muitas pessoas irão contabilizar suas vidas para serem bem-sucedidas se passarem por elas apenas com o mínimo de dor, com agradáveis ​​divergências de momento a momento e do dia-a-dia, e a aprovação geral das pessoas ao seu redor. E isto, apesar de muitas vezes possuírem dentro de si a capacidade de fazer algo que talvez nenhum outro ser humano jamais tenha feito. Simplesmente fazer o que os outros fizeram é muitas vezes seguro e confortável; mas fazer algo verdadeiramente original, e fazê-lo bem, quer seja apreciado pelos outros ou não – é disso que ser humano realmente é, e é só o que justifica o amor-próprio que é o orgulho. ”(Richard Taylor, Restaurando o orgulho)

Esse artigo foi transcrito e traduzido a partir do vídeo (Em Inglês) Why Passivity Breeds Mediocrity and Mental Illness

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Aos que já não estão, aos que dormem em nossos corações

Do site La Mente es Maravillosa

Se há algo para o qual a vida não nos prepara, é para a morte . Nosso coração está acostumado a aspirar respirações de energia, vitalidade, lembranças felizes e algum outro desapontamento.

Agora, como assumir o vazio, a ausência, a não companhia daqueles que eram tão significativos no nosso dia a dia? É algo pelo qual ninguém nos instrui, algo que quase ninguém assume que acontecerá.

A morte é um vazio no coração, uma ferida aberta no dia a dia. Ele se interrompe repentinamente e sem o direito de demitir; quando na realidade, deveria ser como uma despedida serena na plataforma de um trem. Lá onde uma última conversa e um longo abraço é permitido.

Estamos seguros de que hoje tem mais de uma ausência em sua mente, vazios em sua alma pela qual anseia todos os dias. Existe um caminho certo para assumir a perda de um ente querido?

A resposta é não. Cada um de nós, dentro de nossas particularidades, temos algumas estratégias que não serão mais úteis do que outras. No entanto, existem algumas diretrizes essenciais que convidamos você a conhecer conosco. Só esperamos que te ajude, porque lembre-se: quem se vai, nunca se vai de tudo, pois segue existindo em suas memórias e dormindo em seu coração.

Formas de dizer adeus em seu coração, maneiras de assumir a ausência

Existem vários tipos de perdas. Uma longa doença nos permite, de alguma forma, nos preparar para o adeus. Infelizmente, há também aquelas perdas imprevisíveis, cruéis e incompreensíveis que são tão difíceis de aceitar.

Você se foi sem se despedir, sem me dar a oportunidade de fechar as feridas, para dizer-lhe palavras que nunca lhe disse em voz alta. Mesmo assim, sua memória é aquela chama indelével que não se apaga e que ilumina meu presente, me acompanhando, me envolvendo …

Poucas experiências como perder um ente querido despertam em nós tanto sofrimento emocional. Sentimo-nos tão sobrecarregados que o mais comum é ficar paralisado. O mundo se obstina em continuar avançando, quando para nós, tudo parou abruptamente.

Tampouco surpreenderá você saber que as perdas são concebidas como instantes vitais, onde muitas outras dimensões são incluídas, além das emocionais. Há sofrimento físico, uma desorientação cognitiva e até mesmo uma crise de valores, especialmente se seguirmos algum tipo de filosofia ou religião.

Fomos atingidos por essa dor, mas precisamos seguir nossa caminhada, concluir o nosso percurso, de alguma forma, “nos reconstruir”. Esse processo, como você sabe, envolve luto, que geralmente dura alguns meses. Viver é algo necessário, nunca esqueceremos o ente querido, mas aprenderemos a viver com essa ausência.

Vamos ver agora as fases mais comuns do luto:

• Fase de Negação: não queremos assumir o que aconteceu. Nós lutamos contra a realidade e negamos isso.

• Fase da revolta, ira e raiva: é muito comum estar com raiva de todos e com tudo, procuramos um motivo, uma razão pela qual essa perda aconteceu. É algo normal que pode durar alguns dias ou semanas.

• Fase de Negociação: esta etapa é vital para superar a perda. Depois da incompreensão, surge uma pequena lucidez da realidade. Nós aceitamos e conversamos com outras pessoas e até com nós mesmos. Nós vemos tudo com um pouco mais de calma.

• Fase da dor emocional: imprescindível, catártica e essencial. Cada um fará do seu jeito, alguns encontrarão alívio em lágrimas, outros procurarão a solidão para irem devagar … É necessário.

• Fase de aceitação: depois da raiva, depois da primeira aproximação à realidade e da subsequente liberação emocional, a aceitação vem com calma.

A necessidade de cada um de nós vivamos o luto é tão necessária quanto nos deixarmos ser ajudados. Quem não aceita, quem não liberta e aprende a deixar a pessoa partir, fica preso numa dor que o impedirá de avançar.

Aceite a não-permanência, aprenda a “deixar ir”

Poderíamos falar sobre a necessidade de estar preparado para a adversidade, mas, na realidade, é algo muito mais simples: assumir que não somos eternos, que a vida é um tempo para viver intensamente porque ninguém tem uma cota permanente neste mundo.

Aceitar a perda não é esquecer, e as futuras risadas ou felicidade não significará menos amor para aqueles que não estão conosco. Tra-se de integrá-los em nosso coração, em harmonia, em paz … Eles são parte de quem você é, pensa e faz.

Sabemos também que, para muitos, algumas dessas palavras não servirão muito. Há perdas não naturais, nenhum pai deveria perder um filho, e ninguém deveria perder qualquer ser amado, aquela parte de seu coração que dá vida, força e coragem.

Não é fácil, ninguém nos avisou que a vida nos traria esses momentos de dor. E, no entanto, somos obrigados a viver, porque este mundo é implacável, flui rapidamente e quase sem alento e nos força a continuar respirando e batendo.

E não hesite, você deve fazê-lo. Por aqueles que não estão mais aqui e por ti, porque viver é honrar a pessoa que você amou, levá-los com você todos os dias, sorrindo por eles, caminhando por eles. Abra seu coração e dê a si mesmo permissão para seguir em frente, para brilhar eles.

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A ignorância motivada: não nascemos ignorantes, aprendemos a ser ignorantes

Young businessman hiding head in the sand

do Rincón de la Psicología

Nós sempre pensamos que ignorar é um verbo passivo. Ignorância é a falta de conhecimento, um estado de desinformação ou falta de compreensão. Portanto, qualificamos uma pessoa como “ignorante” quando ela não sabe ou não entende alguma coisa.

Esse caráter passivo implica que, de certa forma, essa pessoa não é responsável por sua ignorância, ele simplesmente carrega consigo aquela “falta”. É curioso, no entanto, que não se aplique a qualificação de ignorantes às crianças, mesmo que elas geralmente não dominem o mesmo conhecimento dos adultos.

Isso significa que a ignorância começa com um pressuposto: algo que devemos saber, mas não sabemos, um caminho pelo qual deveríamos ter percorrido, mas não o fizemos. Então a ignorância abandona seu significado passivo para ter um significado ativo que implica não reconhecer algo ou agir como se não fosse conhecido. Nós caímos no que é conhecido como “ignorância motivada”.

O que é ignorância motivada?

A ignorância motivada é quando escolhemos, mais ou menos conscientemente, não saber mais, não nos aprofundar, não entender. Essa ignorância é terrivelmente perigosa porque tende a levar a posições extremas e reduz nossa capacidade de continuar crescendo e amadurecendo. Quando decidimos ser ignorantes, alguém decidirá em nosso lugar. Nós nos tornamos manipuláveis.

Goethe já havia dito: “não há nada mais terrível que a ignorância ativa”. O filósofo Karl Popper pensava o mesmo: “A verdadeira ignorância não é a ausência de conhecimento, mas a recusa em adquiri-lo”.

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Essa ignorância motivada pode ocorrer em todas as áreas de nossas vidas. Algumas pessoas começam a se sentir mal, mas ao invés de ir ao médico para receber um diagnóstico, elas preferem se refugiar na ignorância assumindo que está tudo bem. Outras pessoas suspeitam que seu parceiro é infiel, mas, em vez de esclarecer suas dúvidas, escolhem permanecer ignorantes. O mesmo acontece no nível político ou social: quando já temos uma ideia formada, optamos por não escutar ou valorizar os argumentos contrários.

Por que escolhemos a ignorância motivada?

Um experimento realizado na Universidade de Winnipeg e na Universidade de Illinois mostrou quão forte e irracional nossa tendência para a ignorância motivada pode ser. Esses psicólogos recrutaram 200 pessoas e deram a elas duas opções: ler e responder perguntas sobre uma opinião (casamento gay) com as quais concordavam ou ler um ponto de vista oposto.

Aqueles que decidiram ler a opinião com a qual concordaram ganhariam $ 7; mas se eles escolhessem a opinião contrária, ganhariam 10 dólares. Surpreendentemente, 63% das pessoas preferiram ler a opinião com a qual concordaram, rejeitando a possibilidade de ganhar mais dinheiro.

Nesse caso, escolhemos ser ignorantes para evitar a dissonância cognitiva. Nós desenvolvemos uma concepção do mundo que manipula nossas idéias e crenças, e tememos que opiniões contrárias possam desestabilizar aquele castelo de cartas. É por isso que preferimos ignorar tudo o que não corresponde à nossa visão. E isso significa que, no fundo, a ignorância motivada é uma expressão de medo.

Como nós instilamos esse medo?

“O medo da nossa ignorância é uma sensação de que fomos sistematicamente inculcados durante o período escolar. É sobre a sensação de que não sabemos algo que muitos conhecem, por isso é melhor ficar quieto e se acomodar ”, disse o filólogo Igor Sibaldi.

Na escola, a ignorância é revestida com um halo negativo. Começa a apontar o dedo para o ignorante. E isso gera um paradoxo porque, para superar a ignorância, devemos primeiro reconhecê-la, mas não podemos reconhecê-la por medo de ser rotulado como ignorante. O escritor Baltasar Gracian disse que “o primeiro passo da ignorância é presumir saber”.

Livrar-se da ignorância não é realmente difícil, basta informar-se, “mas esse comportamento é impossível para a grande maioria das pessoas porque o hábito de se sentir ignorante se tornou algo mais forte do que o desejo de aprender”, segundo Sibaldi.

A ignorância se torna uma zona de conforto em que nos sentimos muito à vontade para sair. Ou talvez nem nos sintamos tão confortáveis, mas o medo do que está fora, tudo o que desafia nossas crenças, é tão forte que nos mantém paralisados naquela zona de conforto. Assim escolhemos a ignorância.

Escolha saber

O ignorante não é aquele que não conhece, mas aquele que não quer saber. Portanto, o primeiro passo para expulsar a ignorância é desenvolver uma mentalidade de crescimento, uma mente aberta que nos permita explorar o maior número de possibilidades.

Não podemos nos livrar de nossos estereótipos e crenças da noite para o dia, mas podemos questioná-los e olhar além do que sempre consideramos garantido. Deveria nos deixar mais receosos de morrer todos os dias em uma zona de conforto que se estreitará mais e mais do que sair para descobrir o mundo, por mais diferente ou incerta que seja.

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O meu nome não é Sofia ou A Falácia da Monogamia

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Olá. O meu nome não é Sofia e eu sou poliamorosa.

Não sou uma extraterrestre, não sou uma pervertida ou tarada sexual. Sou só alguém que, como provavelmente a maior parte das outras pessoas, ama mais do que uma pessoa mas, ao contrário da maior parte das outras pessoas, vive várias relações afectivas e sexuais com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos. Está dito. De seguida, vou explicar um pouco mais. Vamos por partes.

Poliquê?

O poliamor é uma das formas relacionais que se enquadram na não monogamia ética e distingue-se por existirem sentimentos românticos por mais do que uma pessoa em simultâneo. Uma imensa panóplia de outros formatos existem, desde as relações abertas à anarquia relacional. A diversidade é tanta que se torna complexo atribuir definições estanques e rótulos. O ponto fulcral de todas as não monogamias éticas é o desejo de manter relações afectivas ou sexuais com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, em que existe consentimento de todas as partes. Podem existir parceiros preferenciais numa hierarquia clara, ou não, parceiros ocasionais, tríades, diferentes graus de envolvimento emocional, com ou sem co-habitação, com ou sem co-parentalidade.

O meu percurso

Durante muito tempo achei que era monógama. Não conseguia conceber que tivesse espaço emocional para mais do que um Amor profundo, denso, absorvente, ou acreditava que pelo menos um seria sempre mais importante, mais bonito, mais pesado e, em comparação, a existirem sentimentos por outra pessoa, não podia ser amor, pelo que teria de fazer uma escolha e manter-mefiel ao “amor verdadeiro”. Quer dizer, não concebia isto especificamente para mim, já sabia o que era o poliamor, já apoiava desde sempre todos os formatos de relações abertas e de não monogamia ética, mas apesar do interesse político e social que me despertava, não me via a mim em tal situação. Até que aconteceu. De repente e sem pré-aviso, entrou na minha vida alguém que me abalou uma série de certezas, que me suscitou sentimentos muito fortes e impossíveis de ignorar, e isto sem colocar em causa ou alterar os sentimentos que existiam pela pessoa com quem já mantinha uma sólida relação íntima, a quem nunca escondi rigorosamente nada em nenhum ponto e que, sendo a pessoa absolutamente extraordinária que é, apoiou que explorasse livremente os meus sentimentos e desejos, num processo cheio de dificuldades e complicações particulares que superámos e com o qual aprendemos e crescemos muitíssimo.

Ao longo das contínuas incursões analíticas de auto-conhecimento, fui percebendo que já me tinham surgido vários outros interesses amorosos que não os meus parceiros durante o curso de todas as relações em que tinha estado, e que sempre tinha reprimido esses interesses, cortando qualquer hipótese de aprofundar o conhecimento da outra pessoa, porque isso se afigurava como um “risco”, um potencial atentado contra a estabilidade da relação. Tinha condicionado a minha liberdade sentimental a escolhas sucessivas, porque estava profundamente convencida que apenas uma pessoa poderia merecer o meu amor, todo o meu amor, como se de um recurso finito e escasso se tratasse.

Percebi finalmente o quão ridículo era deixar passar a oportunidade de deixar entrar na vida pessoas fantásticas, com o potencial de se tornarem muito importantes, por receio de gostar delas e, ao mesmo tempo, depositar toda a pressão de encontrar em todos os momentos o que se necessita de dar e extrair de uma relação emocional em apenas um outro ser humano, com personalidade, gostos e ritmos próprios, com falhas, erros e momentos complicados, e toda a miríade de particularidades individuais que têm direito a existir muito para além, e por vezes em contradição, da esfera da relação entre duas pessoas. Percebi que não só os modelos relacionais não-monógamos fazem muito mais sentido, como as próprias relações, cada uma delas, se torna muito mais saudável, com expectativas mais realistas, com comunicação mais fluida, com mais partilha e, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, muito mais segurança. Percebi enfim que, tendo percebido tudo isto, não havia a menor hipótese de voltar a conceber plausível para mim a monogamia, que agora se afigura como restritiva e desadequada.

Como se gere?

Na não monogamia ética todas as relações (emocionais e/ou sexuais) são consentidas entre todos e existe um grau variável de liberdade para explorar afectos e desejos com outras pessoas. Isto é ponto assente. Depois, cada relação tem as suas dinâmicas, regras e hábitos próprios, que os intervenientes vão construindo e desconstruindo, ajustando, desejavelmente na óptica da confiança e transparência e com muita comunicação. Os formatos são múltiplos, não existem conceitos de relações “certos” ou “errados”. Há relações abertas (em que os intervenientes têm liberdade de explorar outros interesses afectivos ou apenas sexuais), há relações poliamorosas (em que as ligações implicam um envolvimento sentimental), podem existir relações com hierarquia distinta (com parceiros primários distintos dos secundários), ou no caso da anarquia relacional, sem regras estanques, e mais uma panóplia de variações. Há quem faça “contratos” ou estabeleça regras vinculativas e há quem vá acordando e decidindo o que é melhor e mais confortável para todos à medida que as situações e desafios surgem. As pessoas e as relações não são estanques, evoluem e adaptam-se. E acontecem problemas, crises, zangas e rompimentos, bem como fases excelentes e momentos fabulosos, como em todas as relações.

E o ciúme?

Na minha perspectiva, o ciúme é apenas um reflexo da insegurança ou do desajuste de expectativas. Não posso dizer que nas relações não monógamas não há ciúme. É claro que pode haver, porque a insegurança pessoal não se ultrapassa com passes de mágica, mas é vivido de outra forma. A comunicação aberta e constante é um imperativo, pelo que o cenário mais provável é que as pessoas inseguras deixem claras as suas inseguranças ou expectativas frustradas, e os seus parceiros façam o melhor que sabem e podem para as aplacar. Além disso, omindset de uma pessoa não monógama é, à partida, capaz de resolver grande parte do problema na sua génese. A liberdade é a maior prova de amor. Se temos e damos aos nossos parceiros liberdade para estar com quem escolhermos, sem amarras ou condições, sabemos que quem está connosco só está porque quer e enquanto quer, e não para manter uma promessa ou contrato de fidelidade exclusiva.

O próprio oposto do ciúme é sentido frequentemente pelos poliamorosos. Chama-se compersão à alegria e felicidade que se sente quando um dos nossos parceiros encontra uma nova pessoa que o faça feliz - e não, asseguro que não é um mito.

Porque é que a monogamia é a norma?

A monogamia é o tipo de relação exclusiva (normalmente, em termos emocionais, sexuais, estruturais e sociais) entre duas pessoas. É a norma cultural vigente, dado que a presunção implantada colectivamente é a de que a relação romântica ocorre apenas entre duas pessoas. O conceito de monogamia está intrinsecamente ligado ao conceito de propriedade privada - e mais concretamente à ideia de, numa relação heterossexual, a mulher ser propriedade privada do homem. Na família monogâmica patriarcal, surgida com o advento da agricultura e do sedentarismo das populações, o homem é o centro do poder e tem um direito inquestionado de “ser infiel” (nos machos a líbido é apenas uma manifestação de virilidade, como é sabido), mas uma vez que precisa de garantir que os seus herdeiros são filhos legítimos, a mulher não aufere do mesmo direito. A (o)pressão acrescida que se atribui às mulheres verifica-se em todo um código de conduta subentendido que as obriga à monogamia e à fidelidade. Uma transgressão da mulher ao elo do matrimónio monógamo é, ainda hoje, vista como "um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem", citando o célebre – pelos piores motivos – acórdão do juiz Neto de Moura.

Como resultado desta opressão histórica propagada de forma quase universal, e reforçada pelo clero, as normas sociais vigentes impõem sobre o amor romântico uma série de regras e mitos sem fundamentos plausíveis.

A mononormatividade é incutida e reforçada socialmente de forma transversal. A ideia de que só se ama uma pessoa, de cada vez ou na vida toda, que quando se encontra “aquele alguém especial” se sabe, porque esse amor é tão único e irrepetível que só há um cartucho para gastar durante toda a vida, a noção de que ter sentimentos por outra pessoa além do parceiro já existente é uma espécie de falha ou poluição que invalida a veracidade do amor, está presente em todas as facetas da vida no mundo actual. Está presente nas narrativas romantizadas do amor idílico em filmes, romances e demais ficções em que os triângulos amorosos e outras alterntivas à ideia de amor perfeito único são apresentadas como obstáculo a superar, dilema a resolver. Está presente em toda a lógica dos mercados orientados para a vida a dois, em casal (e, já agora, em casal heterossexual e binário). Está presente na religião, na lei, na justiça, e está presente nos casamentos e ainda em grande parte das famílias divididas.

Quantas relações monógamas actuais são destruídas porque alguém sente interesse, atracção, amor por outro alguém e o reprime, causando desconfortos e desequilíbrios em si e na dinâmica relacional, ou persegue um novo interesse de forma escondida, sem assumir a verdade perante a relação já existente, como se a atracção ou o amor fossem algo de feio, sujo ou ilícito? Onde está escrito que só se pode ter uma relação, um amor, um companheiro?

Curiosamente, muito pouca gente parece parar para questionar esta ideia tosca e tão pouco sensata do amor romântico único. Em mais nenhuma relação emocional a sociedade interfere de forma a limitar a um o objecto de afecto. Não tem cabimento para ninguémobrigaras pessoas a escolher apenas um filho para amar, apenas um irmão, ou o pai ou a mãe, que os dois é demais. Ninguém fica boquiaberto perante o facto de alguém ter mais do que um(a) amigo(a) com quem gosta de passar tempo. O moralismo pequeno-burguês marca a natureza distinta das relações pela presença de intimidade carnal. Novamente, é a ideia fundada nas raízes da cultura judaico-cristã e reforçada pelo feudalismo de que o sexo é uma coisa pecaminosa (sobretudo para as fêmeas, já sabemos) a destrinçar o que é aceitável do que é um atentado aos bons costumes.

A monogamia enquanto norma social é, assim, uma opressão difícil de contornar.

Falar da não monogamia a pessoas monógamas

Não é fácil assumir e viver publicamente sem vínculos às expectativas do que é a norma social. O que existe em contra-regra é olhado como estranho, como anormal, é caricaturado e conotado com uma série de ideias pré-concebidas sem qualquer fundamento. No caso das não monogamias, a desinformação abunda e a desconfiança e o preconceito também. Falar da não monogamia a pessoas monógamas é um desafio e muitas vezes torna-se frustrante. Dizer e viver a verdade parece ser mais estranho do que encobrir com mentiras que tornam tudo muito mais normalizado. Na sociedade actual, em que o adultério é perfeitamente normalizado e até, em certa medida, expectável porque não só não questiona a norma da monogamia, como a reforça e reproduz, são as vivências amorosas e sexuais múltiplas com consentimento de todas as partes que são percepcionadas como transgressões sociais e morais. É curioso, não é, que a transparência e a verdade sejam consideradas imorais, mas que as opressões, mentiras e traições sejam corriqueiras e banalizadas?

Fazer uma saída do armário (“coming out”) pode ou não fazer sentido, consoante o contexto social e familiar, a personalidade e estrutura mental e emocional de cada pessoa. Não estando a fazer nada de errado ou que seja motivo de vergonha, pode ser esquisito fazer esforços para esconder o modo de vida; contudo, assumir perante o mundo formatado para a visão oposta e informar inusitadamente os outros pode também significar abrir a porta a preconceitos, a incompreensão, a tensões e a lutas que, muito francamente, podem aportar muito pouco além de desgaste emocional e turbulências desnecessárias.

Não pretendo fazer a apologia da não monogamia éticaversusa ridicularização da monogamia. Não há certos ou errados no que diz respeito às relações pessoais íntimas. Cada qual sabe de si e o que funciona bem para uns não tem de funcionar para outros. Pretendo, sim, desmistificar as construções fictícias em torno da monogamia como modelo desejável, recomendável e caminho único para a felicidade amorosa. Pretendo, sim, fazer a apologia da liberdade, da aceitação, da tolerância. Acima de tudo, quero evidenciar aquilo que toda a gente, no fundo, já sabe. O amor não é um bem precioso que se deva guardar num cofre e dar a um receptor único. O amor é infinito, é plural, contagioso. O amor não se divide, multiplica-se.

Ver original em 'Ventania' na seguinte ligação:

https://ventania.blogs.sapo.pt/o-meu-nome-nao-e-sofia-ou-a-falacia-da-1320183

Pessoas muito inteligentes e sua curiosa relação com a depressão

Traduzido do site La Mente è Maravigliosa

Pessoas muito inteligentes nem sempre são as que tomam as melhores
decisões. Um alto coeficiente intelectual não garante sucesso ou certeza de
felicidade . Em muitos casos, essas pessoas ficam presas no emaranhado de
suas preocupações, no abismo da ansiedade existencial, naquele desconforto
que consome reservas de otimismo.

Há uma tendência geral de ver os gênios da arte, da matemática ou da ciência
como criaturas taciturnas, pessoas de algum modo particular e muito ligadas
às suas peculiaridades. Entre essas pessoas são Hemingway, Emily
Dickinson, Virginia Woolf, Edgar Allan Poe, ou mesmo a mesma Amadeus
Mozart … Todas as mentes brilhantes, criativas e excepcional que trouxram sua
angústia para a beira do precipício que prenunciava a tragédia.

“A inteligência de um indivíduo é medida pela quantidade de incerteza que ele
é capaz de suportar”

-Immanuel Kant-

Mas o que é verdade em tudo isso? Existe uma relação direta entre um QI alto
e depressão? Em primeiro lugar, é necessário salientar que uma inteligência
elevada não contribui para o desenvolvimento de qualquer tipo de transtorno
mental .

Há, no entanto, um risco e uma predisposição para a preocupação excessiva ,
a autocrítica, para ter uma percepção muito falsa do mundo tendendo à
negatividade . Todos os fatores que em muitos casos criam as condições
necessárias para dar origem a um quadro depressivo. Claramente há
exceções, isso deve ser dito. Em nossa sociedade, temos pessoas brilhantes
que sabem aproveitar ao máximo seu potencial, investindo não apenas em sua
qualidade de vida, mas também em sua própria sociedade.

No entanto, existem numerosos estudos, análises e publicações que revelam
essa tendência singular. Especialmente em pessoas que têm um QI acima de
170.

A personalidade das pessoas mais inteligentes

“O cérebro criativo” é um livro muito útil para entender como a mente e o
cérebro das pessoas mais inteligentes e criativas trabalham. Nele, o
neurocientista Nancy Andreasen desempenha uma análise meticulosa o que
mostra que há uma tendência bastante significativa dos gênios de nossa
sociedade para desenvolver várias doenças: em particular, distúrbios
bipolares, depressão, ataques de ansiedade, ataques de pânico.

O próprio Aristóteles, em seu tempo, já sustentava que a inteligência anda de
mãos dadas com a melancolia. Genes como Sir Isaac Newton, Arthur
Schopenhauer ou Charles Darwin experimentaram períodos de neurose e
psicose. Virginia Woolf, Ernest Hemingway e Vincent Van Gogh acabaram
fazendo o último ato de tirar suas próprias vidas.

São pessoas famosas, mas em nossa sociedade sempre existiram gênios
silenciosos, incompreendidos e solitários que viveram em seu universo
pessoal, profundamente desconectados de uma realidade que para eles era
muito caótica, sem sentido e decepcionante.

Estudos sobre pessoas muito inteligentes

Sigmund Freud, juntamente com sua filha Anna Freud, estudou o
desenvolvimento de um grupo de crianças com QI acima de 130. Este estudo
revelou que quase 60% das crianças acabaram desenvolvendo um maior
transtorno depressivo.

Os estudos de Lewis Terman, pioneiro da psicologia educacional no início do
século 20, também são bem conhecidos. Nos anos 60, um longo estudo
começou em crianças com altas habilidades que tinham um QI maior que 170,
que participaram de um dos mais famosos experimentos da história da
psicologia. Essas crianças foram chamadas de “terminiti” e foi apenas no início
dos anos 90 que foram tiradas conclusões importantes.

Inteligência: uma carga muito pesada

Os “terminitis”, a crianças de Lewis Terman que são adultos de idade
avançada hoje, confirmaram que a alta inteligência está ligada a uma menor
satisfação vital. Embora alguns deles tenham ganhado fama e uma posição de
destaque na sociedade, muitos tentaram cometer suicídio em mais de uma
ocasião ou caíram em vícios como o alcoolismo.

Outro aspecto significativo que emerge desse grupo de pessoas, que também
pode ser visto em pessoas com altas habilidades intelectuais, é que elas são
muito sensíveis aos problemas do mundo. Eles não se preocupam apenas com
a desigualdade, a fome ou a guerra. Pessoas muito inteligentes sentem-se
desagradáveis ao comportamento egoísta, irracional ou livre de lógica.

Lastro emocional e pontos cegos em pessoas muito inteligentes

Especialistas nos dizem que pessoas muito inteligentes às vezes sofrem com o
que poderia ser chamado de transtorno de personalidade dissociativa. Isso
significa que elas vêem suas vidas de fora, como um narrador que usa uma voz
de terceira pessoa para ver sua realidade com objetividade meticulosa, mas
sem se sentir totalmente envolvida nela.

Essa abordagem faz com que elas frequentemente tenham “pontos cegos”, um
conceito intimamente relacionado à Inteligência Emocional que Daniel
Goleman desenvolveu em um livro interessante com o mesmo título. Trata-se de
auto-engano, sérios erros em nossa percepção quando temos que escolher o
que focar e o que evitar para não assumir a responsabilidade por isso.

Assim, o que muitas pessoas inteligentes fazem é concentrar-se
exclusivamente na falta de seu ambiente, nesta humanidade desafinada, nesse
mundo estrangeiro e egoísta por natureza, no qual é impossível encaixá-lo. Elas
muitas vezes não têm as habilidades emocionais apropriadas para se
relativizar, para se encaixarem melhor, para encontrar a calma nessa floresta
externa e nessa disparidade que tanto os confunde.

Outra coisa que podemos indubitavelmente inferir sobre pessoas muito
inteligentes é que elas freqüentemente apresentam fortes deficiências no
campo emocional. Isso, por sua vez, nos leva a outra conclusão: ao realizar
testes psicométricos, outro fator deve ser adicionado ao QI sempre
superestimado.

Referimos-nos à “sabedoria”, este conhecimento vital para desenvolver uma
autêntica satisfação diária, para moldar um bom conceito de self, boa auto-
estima e todas aquelas habilidades adequadas para investir em coexistência e
construir uma felicidade real, simples mas tangível.

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/pessoas-muito-inteligentes-e-sua-curiosa-relacao-com-a-depressao/

Depressão Sorridente: Quando a tristeza está escondida atrás de um sorriso

Originalmente publicado em Rincón de la Psicología

Você encontra um amigo que não está passando pelo seu melhor momento, pergunta como ele está e ele diz “bem” enquanto esboça um sorriso. No entanto, você sabe que ele não está legal, que tem problemas e que muitas preocupações rondam sua mente. Você percebe que o sorriso dele é falso mas, ainda assim, você aceita e muda o discurso.

Infelizmente, esta situação é bastante comum. Na verdade, até nós mesmos tentamos em algum momento esconder a tristeza, o estresse e as preocupações por trás de um sorriso. No entanto, quando nos escondemos atrás de uma máscara de tranquilidade e satisfação, impedimos que as pessoas nos ajudem e é mais fácil para nós cairmos no poço profundo da depressão.

Quando a depressão sorri …

Nós tendemos a pensar que a pessoa deprimida não pode levar uma vida normal, que ela vai se enfiar na cama e sequer comparecerá ao trabalho, que chora com facilidade e se arrasta ao caminhar, assumindo uma postura curvada que denota sua tristeza. No entanto, esta imagem é um simples clichê, cada pessoa é um mundo e lida com a depressão de forma diferente. De fato, você sabia que aproximadamente 71% daqueles que sofrem de depressão tentam escondê-la?

Alguns estão deprimidos, mas conseguem ser funcionais e até mesmo brincalhões em suas vidas diárias. São pessoas que carregam sua dor por dentro, não a exteriorizam e vão se consumindo lentamente, até que há um momento em que elas se desfazem porque não suportam o peso da máscara que construíram e usaram durante meses ou mesmo anos.

De fato, no campo da psicologia há o que é conhecido como “depressão sorridente”. Essa pessoa dá uma aparência de normalidade e até felicidade, porque ela vive os sintomas da depressão dentro delas, não exterioriza e até se esforçam para ocultá-la. Como resultado, os outros podem pensar que ela tem uma vida perfeita.

Por que a pessoa esconde sua depressão?

As causas são diversas, mas, em geral, o sorriso é equivalente a um mecanismo de defesa, é uma máscara que serve para esconder um estado.

– Ela tem vergonha do seu problema. Não podemos esquecer que a maioria dos problemas mentais ainda está coberta por um estigma social, então muitas pessoas não querem que os outros saibam que estão deprimidas. De fato, a depressão em particular é considerada por alguns como falta de força de vontade e caráter, então é compreensível que, se você tiver esse preconceito, tente escondê-lo, considerando que é um “defeito”.

– A pessoa não quer reconhecer a depressão. Em alguns casos, a pessoa não quer reconhecer sua condição e se esconde por trás de uma aparência de normalidade, talvez esperando que a depressão desapareça por conta própria. Nesses casos, ocorre uma negação e o sorriso é um mecanismo de auto-afirmação pelo qual ela diz a si mesma que não é para tanto, que ele realmente se sente bem.

– A pessoa não quer preocupar os outros. Algumas pessoas tendem a manter problemas para si mesmas, são introvertidas pela natureza e não querem preocupar seus entes queridos com suas dificuldades. Nesses casos, elas fingem estar bem para não se tornar um fardo ou uma preocupação para os outros.

– Ela está muito preocupado com sua imagem. Há pessoas que pensam que os outros a valorizam e a estimam apenas por causa da imagem que transmitem. Por isso, tentam fingir que está tudo bem, esconder a depressão e o seu verdadeiro “eu”, tornando-se personagens que sobem todos os dias para um palco de teatro.

Quem é mais propenso a sofrer de depressão sorridente?

– Pessoas introvertidas, que têm tendência a guardar seus problemas ou têm dificuldade em falar sobre suas emoções.

– Pessoas perfeccionistas, que exigem muito de si e acreditam que não podem falhar em nenhuma área da vida.

– As pessoas hiper-responsáveis, que acreditam que carregam o mundo nos ombros e pensam que, se entrarem em colapso, um cataclismo de proporções épicas ocorreria.

Os perigos da depressão sorridente

A pessoa deprimida que escolhe sorrir sofre, mas tenta viver como se não sofresse. No entanto, emoções e sentimentos nunca devem ser ignorados ou ocultos porque não os farão desaparecer. Como resultado, aquela pessoa que talvez finja escapar da depressão, na realidade o que ela está fazendo é alimentá-la. A longo prazo, essa atitude terá seu preço. De fato, há muitos casos de tentativas de suicídio que tomam os amigos e até mesmo membros da família completamente inconscientes.

Por outro lado, a pessoa que tenta esconder a depressão é geralmente responsável por preencher sua agenda, de modo que acaba levando a um ritmo de vida frenético que provoca grande desgaste. Essa necessidade de se sobrecarregar todos os dias, acaba fazendo com que se desmoronem emocionalmente, porque não é possível dar uma boa cara todos os dias. Mais cedo ou mais tarde, a irritabilidade, o cansaço, a tristeza e a tensão encontram um espaço para vir à luz.

O problema é que, neste momento, a pessoa se vê cara a cara com sua realidade e sente que está em um beco sem saída e sem ninguém que possa ajudá-la. Por essa razão, pode até tentar contra a sua vida.

Fingir sorriso não é a solução

Um estudo particularmente interessante realizado na Michigan State University analisou o impacto de um falso sorriso no humor. Esses psicólogos seguiram um grupo de motoristas por duas semanas e descobriram que, quanto mais sorrisos fingiam, pior ficava o humor quando voltavam para casa, um clima marcado por irritabilidade, raiva e tristeza.

Portanto, é importante estar ciente de que as emoções negativas não desaparecem por si mesmas, elas devem ser abordadas. Esconder ou evitar o problema não fará com que seja resolvido. Além disso, você também deve saber que a depressão não é apenas resolvida dentro das paredes de uma prática de psicologia. A família e os amigos podem desempenhar um papel importante, desde que assumam uma atitude de apoio e o apoiem.

Por outro lado, se você conhece alguém que está tentando esconder a depressão por trás de um sorriso, fale com essa pessoa. Não pressione-a para lhe contar a situação dela, pois dessa maneira é provável que ela se feche ainda mais. Em vez disso, mostre sua vulnerabilidade e conte seus problemas. Desta forma, você será capaz de se conectar emocionalmente e será mais fácil que, ao sentir-se identificada com suas dificuldfades, acabe falando de si também.

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/depressao-sorridente-quando-a-tristeza-esta-escondida-atras-de-um-sorriso/

Há um juiz chamado tempo que coloca tudo em seu lugar

Do site A Mente es Maravillosa

Todos nós somos livres para praticar as nossas ações, mas somos responsáveis pelas conseqüências . Um gesto, uma palavra ou uma má ação causam sempre um impacto mais ou menos perceptível e, embora não acreditemos, o tempo é um juiz muito sábio. Apesar de não dar uma sentença imediata, sempre vai dar razão a quem a tem.

O famoso psicólogo e pesquisador Howard Gardner , por exemplo , surpreendeu-nos recentemente com um de seus raciocínios: “uma pessoa má nunca se torna um bom profissional” . Para o “pai das múltiplas inteligências”, alguém guiado exclusivamente pelo interesse próprio nunca alcança a excelência, e essa é uma realidade que também se revela muitas vezes no espelho do tempo.

O tempo funciona no sistema de ação e reação, ou seja, tudo que se promove hoje, terá consequências um dia, seja coisas boas ou ruins. O tempo julga e sentencia, portanto uma atitude desprezível que se pratica hoje, pode retornar como algo muito ruim no futuro. Talvez, quando chegar a conta, a pessoa sequer consiga fazer ligação e entender que o que está acontecendo seja a consequência de uma ação sua praticada tempos atrás.

Nós convidamos você a refletir sobre isso:

Tempo, o sábio juiz

Vamos dar um exemplo: vamos visualizar um pai educando seus filhos com severidade e ausência de afeto . Sabemos que esse estilo de paternidade e educação trará conseqüências, porém, o pior de tudo, é que esse pai busca com essas ações oferecer ao mundo pessoas fortes e com certo estilo de comportamento. No entanto, o que você provavelmente vai conseguir é algo muito diferente do que você pretendia: infelicidade, medo e baixa auto-estima.

Com o tempo, essas crianças se transformam em adultos, ditarão a sentença: fugir ou evitar esse pai, algo que talvez, essa pessoa não consiga entender. A razão para isto é que muitas vezes a pessoa que prejudica “não se sente responsável por suas ações”, carece de uma proximidade emocional adequada e prefere usar a culpa (meus filhos são ingratos, meus filhos não me amam).

Uma maneira básica e essencial para levar em conta que qualquer ato, por menor que seja, tenha consequências, é fazer uso do que é conhecido como “responsabilidade plena”. Ser responsável não significa apenas assumir a responsabilidade por nossas ações, é entender que temos ter jeito no trato com os demais, que a maturidade humana começa por nos tornar responsáveis por cada uma de nossas palavras, ações ou pensamentos que geramos para promover nosso bem-estar e dos demais.

Responsabilidade, um ato de coragem

Entendam que, por exemplo, a solidão do agora pode ser a resposta do tempo de uma ação passada, e é sem dúvida um bom passo para descobrir, que estamos todos unidos por um fio fino onde um movimento negativo ou disruptivo, traz como conseqüência a um nó ou a ruptura desse fio. A partir desse vínculo.

Certifique-se de que suas ações falam mais que suas palavras, que sua responsabilidade é o reflexo de uma alma; Para isso, tente sempre ter bons pensamentos. Então, tenha certeza de que o tempo vai te tratar como você merece

É necessário ter em mente que somos “donos” de grande parte de nossas circunstâncias vitais, e que uma maneira de promover nosso bem-estar e aqueles que nos rodeiam é através da responsabilidade pessoal: um ato de coragem que o convidamos a colocar em prática através destes princípios simples.

Chaves para se tornar consciente da nossa responsabilidade

O primeiro passo para tomar consciência da “responsabilidade plena” é abandonar nossas ilhas de recolhimento, nas quais focalizamos muito do que acontece no exterior com base em nossas necessidades. Portanto, esta série de construções também é adequada para crianças.

• O que você pensa, o que você expressa, o que você faz, o que cala. Toda a nossa pessoa gera um tipo de linguagem e um impacto sobre os outros, a ponto de criar uma emotividade positiva ou negativa. Devemos ser capazes de intuir e, acima de tudo, ter empatia com quem temos diante de nós.

• Antecipe as conseqüências de suas ações: seja seu próprio juiz. Com esta chave não estamos nos referindo a cair em uma espécie de “autocontrole” pelo qual nos tornaremos nossos próprios executores antes de termos dito ou feito qualquer coisa. Trata-se apenas de tentar antecipar o impacto que uma determinada ação pode ter sobre os outros e, consequentemente, sobre nós mesmos também.

• Ser responsável implica entender que não somos “livres”. A pessoa que não vê limite em suas ações, seus desejos e necessidades, pratica aquela devassidão que, mais cedo ou mais tarde, também tem consequências. A frase recorrente “minha liberdade termina onde começa a sua” adquire aqui o seu significado. No entanto, também é interessante tentar promover a liberdade e o crescimento de outros, a fim de alimentar um círculo de enriquecimento mútuo.

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Os pais que querem filhos felizes terão escravos adultos de outros – Adverte filósofo espanhol

Para o filósofo Gregorio Luri , é muito mais sensato ensinar nossos filhos a superar as frustrações inevitáveis do que fazê-los acreditar na possibilidade de um mundo sem frustrações.

Luri, além disso, é especialmente crítico daqueles que querem filhos felizes. “Primeiro, acho que o que você tem que fazer é amar a vida, não a felicidade. E você não pode amar os dois ao mesmo tempo. Porque a felicidade só pode ser alcançada trazendo vida à vida. Isto é, através da idiotice. Além disso, não creio que existam crianças felizes ».

Assim assegura o ensaísta Navarro, para quem a infância não só não é feliz, como também é uma fase “terrível”.

«A vida é muito complexa. Outra coisa é que pode haver momentos de grande alegria na infância, o que não quer dizer nada, pois também pode haver dez minutos antes da sua morte “, adverte. “Assim, também deixando claro que não queremos filhos infelizes e que o oposto da felicidade não é infelicidade”, esclarece.

-Qualquer pai que for perguntado responderá que ele quer um filho feliz. E é esmagador o excesso de oferta de trabalhos de psicologia e notícias que indicam o caminho mais curto para alcançar a felicidade.

-Para esses pais eu pediria para que eles abrissem os olhos e me dissessem o que vêem. A vida é complexa, cheia de incertezas e com uma terrível sujeição ao acaso.

Estou começando a pensar que há um setor de educadores pós-modernos que se tornaram o mais fiel aliado da barbárie, que o que eles fazem é esconder a realidade e substituí-la com um buenista, ideologia Taffy e um mundo de “Teletubbies”.

Pessoalmente acho que a bravura e a coragem são mais atrativas para afirmar a vida. Tenha um filho feliz e terá um adulto escravo, ou de seus desejos não realizados ou de suas frustrações, ou de alguém que vai mandar nele no futuro.

Pessoalmente, encontro valentia e coragem para afirmar a vida, acho muito mais atraente. Algo que tem sido, por outro lado, a grande tradição ocidental desde Homero até dois dias atrás:

Querer a vida apesar desta ser injusta, mesquinha, austera, não porque achamos uma maneira de nos diluir em um caramelo. Agora a felicidade se entende como um recorte de aspirações.

– Tampouco queremos crianças infelizes.

“Não, em absoluto. Deve ficar claro que o oposto da felicidade não é a infelicidade, é a realidade. Devemos assumir a complexidade do mundo.

Como seres humanos, nosso dever não é ser feliz, é desenvolver nossas maiores habilidades. E a felicidade é uma ideologia que milita contra isso. Por quê?

Pela simplicidade de nossos teóricos, que nos levam a uma felicidade em cursivas. Tome cuidado para que seus filhos não fiquem infelizes, e então ensine-os a realidade, para lidar com suas frustrações, para lidar com um não.

Estamos criando filhos muito frágeis e caprichosos, sem resistência à frustração, e também convencidos de que alguém tem que garantir-lhes a felicidade. E se alguém não garante isso, eles se deparam com um infortúnio metafísico.

Porque quando nossos filhos saírem para o mercado, a sociedade não os medirá pelo seu grau de felicidade, mas pelo que sabem fazer, que é exatamente o que é pedido às pessoas com quem nos relacionamos.

Quando vamos ao dentista, não nos importamos que ele seja feliz, mas que ele seja profissional naquilo que faz. Se precisarmos de um encanador, queremos que ele seja eficiente, rápido e barato, se possível.

Mas é claro que não vamos avaliar se ele é um encanador feliz. Além disso, parece muito saudável que nossas relações sociais, especialmente com estranhos, sejam mediadas apenas por seu profissionalismo, sem necessidade de estar atento à emotividade.

-Em seu livro «melhor educados» tem um capítulo que diz: «Cuidado com o professor que quer fazer seu filho feliz». Também da escola?

– Aqueles que prometem “experiências”. Uma escola o que ela tem a oferecer é a possibilidade de realizar trajetórias, não experiências.

E no caso específico das crianças pobres, a possibilidade de mudar a trajetória, de se libertar e de abrir portas.

Se seus filhos frequentam uma dessas escolas onde Jorge Bucay é o intelectual de referência, competir é proibido, quando jogam, todos ganham e ninguém perde, se considera mais importante educar emocionalmente do que ensinar álgebra, então fiquemos atentos.

O mundo, seja o que for, não é fruto do nosso desejo. E é muito bom que não seja assim, porque, senão cada um de nós teria o nosso. E a realidade é o que um escritor catalão costumava dizer: “Diante da realidade, sempre se está na primeira fila”.

Isso deve ser entendido. E de qualquer maneira, você toma alguns sopapos na vida. A verdade é que você tem que estar pronto para isso. Mas … o que estamos preparando para nossos filhos?

Para ser feliz, as mães chinesas”, por exemplo, treinam seus filhos para poderem ir a qualquer universidade do mundo.

Podemos pensar que elas são muito rígidas, mas a realidade dos resultados de seus filhos exige que não as descriminemos, porque existe a possibilidade de que no futuro eles sejam nossos chefes.

Conclusão? Queremos filhos felizes, teremos que ir com nosso currículo de felicidade procurar trabalho em empresas chinesas.

De ABC / Via El Club de los Libros Perdidos

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Resiliência: ser forte apesar da tempestade

Existem pessoas caracterizadas pela sua grande capacidade de resistência. Elas têm a capacidade de permanecer em pé apesar das adversidades e o princípio no qual elas se baseiam é a ideia de dificuldades como ensinamentos.

Elas sabem que é impossível estar imune ao sofrimento e entendem que as tempestades que escurecem sua vida cotidiana também são oportunidades a serem afirmadas. Armam-se, portanto, com coragem e vão em frente, seu mantra é “continuar a crescer, apesar das adversidades”.

Resiliência na vida cotidiana

A resiliência é um conceito que adquiriu grande importância nos últimos anos. Especialmente em correntes, como a psicologia positiva, interessada em entender as características que permitem superar as adversidades; essas correntes dão menos peso a fatores que aumentam a probabilidade de desconforto mental.

Na psicologia, ser resiliente significa ser capaz de enfrentar a adversidade e sair mais forte.

Quando falamos em resiliência, tendemos a pensar em fatos traumáticos, como a perda de um ente querido, a sobrevivência em um acidente ou maus tratos; na realidade, mesmo em nossa vida diária, há situações complexas que temos que enfrentar. Não é necessário ter uma catástrofe: mesmo superando as dificuldades diárias, como enfrentar as críticas, melhorar ou começar o dia com um sorriso durante um período triste significa ser resiliente.

Características de pessoas resilientes

Há pessoas resilientes porque elas tiveram um exemplo de resiliência a ser seguido pelos pais ou irmãos. Há outras que tiveram que lutar sozinhas com as pedras de sua jornada: elas aprenderam através do método da “tentativa e erro”, e se tornaram fortes graças às suas cicatrizes.

Isso nos mostra que a resiliência é uma habilidade que todos podem desenvolver e, portanto, treinar. Para isso, é necessário gerenciar adequadamente os próprios pensamentos e emoções: é essencial inseri-los no canal correto para controlá-los.

Agora vamos falar sobre as principais características das pessoas resilientes; Desta forma, você pode começar a treinar.

Elas sabem como se adaptar às mudanças

Pessoas resilientes são como juncos: elas são flexíveis quando o vento bate forte nelas. Elas sabem que ir contra as circunstâncias fará com que percam sua energia e preferem manter a mente aberta diante de diferentes opiniões e situações.

Distancia-se das crenças, preconceitos e inseguranças do passado, vestem-se com roupas novas que os acompanham em momentos de mudança. Não servem para resignação, mas porque sabem que existem outros mundos distintos, que não se confundem apenas com sua diversidade.

Elas giram em torno de seus pontos fortes

Pessoas resilientes se conhecem. Elas sabem o que dói e incomoda e entendem que seu bem-estar depende de quanto elas cuidam de si mesmas.

Pessoas resilientes podem identificar suas fraquezas e pontos fortes e usá-las quando necessário.

Elas usam seu desejo de lutar, sua motivação, suas habilidades e seu esforço como um motor para seguir em frente. Mas acima de tudo elas se respeitam e cuidam de si mesmas, porque sabem que o conhecimento mútuo é o passo fundamental para crescer e construir relacionamentos saudáveis com os outros.

Elas sabem que é necessário aceitar seguir em frente

Pessoas resilientes sabem que aceitar é sinônimo de progresso e mudança. Porque somente quando aceitamos o que acontece conosco podemos começar a trabalhar para melhorá-lo; se, por outro lado, nós a negarmos, não fazemos nada além de dar mais vigor.

Pessoas resilientes sabem que aceitar significa entender, encarar e não desistir.

Elas acreditam que ninguém é imune ao sofrimento

Ser resiliente não significa não ter feridas, significa que, apesar de sua presença na alma, a situação adversa tem sido um tanto instrutiva. A pessoa resiliente é capaz de aceitar a dor e, em vez de se sentir oprimida por ela, opta por aprender.

Essas pessoas sabem que construir um escudo e proteger-se da dor nem sempre funciona, porque fugir os tiraria da possibilidade de entender o que está acontecendo e de crescer.

Como você pode ver, a resiliência é uma qualidade que pode ser aprendida e treinada. Na verdade, deveria ser um assunto oficial nas escolas. Vale sempre a pena aprender novas estratégias para melhorar e continuar a crescer, e resiliência é a capacidade que nos permite ser fortes apesar da violência com que o vento nos bate, de se adaptar melhor às lacunas causadas por perdas, decepções, traumas e falhas.

Você também é resiliente, não se esqueça disso, ou acha que não superou nenhuma dificuldade em sua vida? Reflita e tente lembrar daquela época em que você foi corajoso e, apesar do medo, mergulhou no mar …

Originalmente publicada em lamenteemeravigliosa

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Quando você se permite o que merece, você atrai o que precisa

La mente es maravillosa

Vamos começar por propor uma pequena reflexão… O que você acha que você merece hoje? Talvez você tenha pensado em um merecido descanso. Em permitir que o tempo corra um pouco mais devagar, a fim de poder apreciar tudo ao seu redor. Aproveite o “aqui e agora”, sem stress, sem ansiedade.

É possível que também tenha pensado que merece “alguém que te ame”, que te aceite e te valorize. Talvez você esteja querendo apenas reconhecimento da parte daqueles por quem você fez e faz tanto.

Todos, no nosso interior, sabemos o que merecemos. No entanto, reconhecer isso é algo que às vezes nos custa porque achamos que pode se chegar a ser uma atitude egoísta.

Como dizer em voz alta coisas como “eu preciso de você para me amar”, “eu mereço ser respeitado”, “eu mereço ter liberdade e ter as rédeas da minha vida”? Na verdade, apenas nos diga.

Não devemos nos equivocar, porque priorizar a si um pouco mais não é uma atitude egoísta, é uma necessidade vital, é poder crescer internamente para ser feliz. Nós convidamos você a refletir conosco.

Quando você está ciente do que você merece e, finalmente, você se concede isso, e aprende a priorizar-se um pouco mais, chegará a ti o que necessitas na realidade. Não é mágica, nem o universo tecendo suas leis de atração. É nossa vontade de ser feliz, de tomar conta de nossas vidas …

Atitudes limitantes

Muitos de nós tendem a desenvolver muitas atitudes limitantes ao longo da vida. São crenças por vezes inculcadas durante a nossa infância, ou até mais tarde desenvolvidas com base em certas experiências. São aqueles pensamentos expressos em frases como “Não valho nada”, “Não sou capaz de fazer isso, vou falhar”, “Por que tentar se as coisas sempre derem errado?” …

Uma infância complicada com pais que nunca nos deram segurança, ou mesmo relações emocionais baseadas na manipulação emocional, geralmente nos limitam quase de maneira decisiva. Nós nos tornamos frágeis por dentro e vamos pouco a pouco, desgastando nossa auto-estima.

Reestruture suas crenças. Você é mais do que suas experiências, você não é o único que te machucou ou que levantou muros para privá-lo de sua liberdade. Você merece avançar, você merece ler em seu interior e reconhecer seu valor, sua capacidade de estar “apto” na vida e acima de tudo, feliz …

O que você merece, o que você precisa

O que nós merecemos e o que precisamos está tão perto quanto o elo de uma corrente. Vamos dar um exemplo: “Eu preciso de alguém que me ame”. É um desejo comum. No entanto, começaremos alterando a palavra “PRECISO” para “MEREÇO”.

Você merece alguém que possa ler suas tristezas, alguém que ouça suas palavras, que saiba decifrar seus medos e seja o eco de suas risadas. Por que não? Ao mudar a palavra precisar por merecer, eliminamos esse laço de apego tóxico que às vezes desenvolvemos em nossos relacionamentos afetivos.

“Se precisamos de algo para ser feliz nos tornamos cativos das nossas próprias emoções”

Comece com você mesmo Seja a pessoa que você gostaria de ter ao seu lado … A que merece seguir os passos da sua vida. No final, chegará esse alguém se refletirá em você. No entanto, também começa com estas dimensões importantes:

• Liberte-se dos seus medos.

• Aprecie sua solidão, aprenda a ler por dentro, tenha mais empatia com você mesmo e com os outros.

• Cultive seu crescimento pessoal , aproveite seu presente, o que você é e como você é.

• Aprenda a ser feliz com a humildade, desativando o ego, amadurecendo emocionalmente.

“Assim que você se der tudo que merece, tornando-se a melhor versão de você , virá o que você precisa.”

Priorizar-se não é ser egoísta

Muitas vezes ainda somos prisioneiros daqueles pensamentos limitantes explicados no começo. Há quem encontre a felicidade dando tudo pelos outros: cuidando, atendendo, renunciando a certas coisas para os outros. É possível que tenhamos sido educados assim. Porém, sempre chega um momento em que fazemos um balanço e algo falha. Vazio, frustração, dor emocional aparecem …

Como tudo nesta vida, há harmonia, a conjunção de seu espaço e meu espaço, suas necessidades e nossas necessidades. A vida em família, como casal ou em qualquer contexto social, deve ser construída através de um equilíbrio adequado, onde todos ganham e ninguém perde.

No momento em que há perdas, deixamos de ter controle de nossa vida, deixamos de ser protagonistas para nos tornarmos atores secundários.

Reflita por um momento sobre estas breves ideias:

• Eu mereço um dia de descanso para mim, em solidão. Isso vai me oferecer o que eu preciso: pensar, me libertar do estresse e relativizar as coisas.

• Eu mereço ser feliz, talvez seja hora de “deixar ir” certas pessoas, ou aspectos da minha vida. Isso me permitirá obter o que preciso: uma nova oportunidade.

Todos nós merecemos deixar de ser cativos do sofrimento, das nossas próprias atitudes limitadoras. Abra seus olhos para o seu interior, decifre suas necessidades, ouça sua voz. No momento em que você se permite o que você merece, o que você precisa chegará até você.

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A vida começa onde o medo acaba

Sentir medo é uma das sábias reações que a natureza nos deu. O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Esse estado condiciona o nosso corpo a uma reação, a uma decisão urgente, entre essas: lutar ou fugir.

Porém, muitas vezes a angústia é gerada em nossa cabeça em situações que só ocorrem em nossa mente … Então esse medo, reação necessária para nossa sobrevivência, se volta contra nós, gerando todos os seus efeitos, que em uma situação real poderia nos salvar a vida, mas ante à poderosa criação da nossa mente, eles se tornam limitantes.

Os medos são nossos principais obstáculos para desfrutar a vida que queremos e podemos ter, medos são essas pequenas vozes que nos dizem que é melhor não fazer algo, é melhor não assumir um desafio, é melhor colocar-se em uma situação porque a mudança pode ser pior … O medo pode tomar nosso poder de decisão e interferir de maneira negativa em tudo que podemos fazer com nossas vidas.

Viver com o senso comum, evitando perigos iminentes, usando a nossa análise para tomar uma decisão, é perfeitamente válido, mas viver com medo é bastante limitante, é a coisa mais próxima de cortar as asas de um pássaro, que é viver sem ser capaz de demonstrar o potencial que temos.

Nossa mente é uma ferramenta maravilhosa, extremamente complexa, precisamos saber como controlá-la e não permitir que ela controle a nós, entender que somos um só corpo e nossa mente é parte do nosso corpo, mas nós somos mais do que isso, há uma Consciência mais elevada, somos seres espirituais que procuram usar a nossa vida neste plano para expandir as nossas experiências e nos aproximarmos da união e da totalidade da qual nos distanciamos apenas na nossa mente.

Medos não nos permitirá aproveitar ao máximo a nossa experiência aqui, vai fazer uma barreira entre o que queremos e podemos fazer, e quanto mais poder  dermos ao medo, mais interferirá em nosso desenvolvimento em qualquer um dos planos em que lidamos.

Nós viemos aqui com a melhor disposição e os medos nos fazem esquecer nossa grandeza, nossa conexão com tudo o que conhecemos, não há necessidade de temer. Quando nos preocupamos demais com o futuro ou com coisas que são incertas, quando sentimos que podemos perder algo de que precisamos, nossa mente diante da incerteza e pouca tolerância à frustração sente medo, sente angústia, isso desaparece quando vivemos aqui e agora, em nosso momento presente, onde eles estão como têm que estar e devemos vivê-los agora mesmo, sem nos preocuparmos com os momentos e situações futuras.

Se vamos perder nossas mentes para o futuro, procuraremos que os pensamentos sejam positivos, para nos ajudar a visualizar da melhor maneira, que os resultados sejam como esperamos, não deixemos que os pensamentos catastróficos invadam nossas mentes, que os pensamentos negativos tomem nossas decisões, pense positivo, sem medo e viva o presente.

“Desapego significa não sentir nenhum remorso pelo passado ou medo do futuro; deixe a vida seguir seu curso sem tentar interferir em seu movimento e mudança, sem tentar prolongar coisas prazerosas ou causar o desaparecimento de coisas desagradáveis. Agir desta forma é se mover para o ritmo da vida, estar em perfeita harmonia com sua música em mudança, isso é chamado de iluminação.” – Alan Watts

Sara Espejo do site Rincon del Tibet

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A inveja de um amigo é pior que o ódio de um inimigo

Por: Sara Espejo – Rincón del Tibet

A inveja se manifesta como um sentimento de ressentimento, antipatia ou ciúme pelo que outra pessoa tenha conseguido ou mesmo pelo que essa pessoa representa, quando o outro se ver limitado para conseguir alcançar ser o que a pessoa é ou ter o que ela tem.

A inveja que parte de um amigo é uma das mais tóxicas, porque raramente será identificável, ninguém se sente orgulhoso de sentir inveja e, desde que ele possa evitar ser descoberto, melhor. Mas no caso de amigos, eles geralmente têm um grau de influência sobre nós, são livres para dizer ou “nos” ajudar a resolver algumas coisas, e conscientemente ou inconscientemente, poderiam estar sabotando nossas ações por seus desejos ocultos.

São poucas as pessoas que sentem satisfação real com as conquistas dos outros e até mesmo muitos podem até se alegrar com nossos problemas, incluindo nossos amigos e inimigos, pois, ser bem sucedido é uma coisa que incomoda… Embora todos estejam razoavelmente nivelados, as coisas fluirão melhor para a maioria, de acordo com percepções egoístas.

Quando alguém começa a se destacar em qualquer uma de suas áreas, aqueles que olham ao seu redor, a menos que coloquem um benefício associado a essa decolagem, normalmente estarão desejando que os que o rodeiam estejam bem, mas não melhor que eles. São poucos os que, honestamente, de coração aberto, podem mostrar alegria pelo bem que os outros recebem.

É por isso que quando ouvimos nossos amigos, precisamos colocar muitos filtros, porque suas recomendações podem ser alinhadas apenas com o que os faz se sentir melhor ou se adequam de alguma forma.

A inveja é muito frequente e se manifesta de mil maneiras, sua energia é sempre negativa e muitas vezes quem sente não se sente capaz de reconhecê-la. A maioria deles vive de alguma forma comparando suas vidas com as dos outros e sentindo-se superior a alguns e inferior aos outros. Se investissem essas energias no crescimento, em se apaixonar por suas vidas, não precisariam estar tão conscientes dos eventos da vida de outra pessoa e, provavelmente, sua qualidade de vida melhoraria consideravelmente.

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Ser bom não é o mesmo que ser bobo

Fátima Servián Franco do site La Mente es Maravilloosa

Ser bom não é sinônimo de ser bobo . De acordo com um estudo da Sociedade Asturiana de Psiquiatria , ser bom é lucrativo porque proporciona bem-estar emocional. Valores humanos atuam neste caso como fatores de proteção.

Existem dez valores aplicáveis ​​a todas as culturas consideradas boas . Elas são bondade, universalismo, independência de pensamento, levando uma vida emocionante, hedonismo , realização ou sucesso pessoal, o poder mais tradicional e valores como segurança, conformidade e tradição.

Levar uma vida de acordo com os bons valores nos oferece proteção contra uma sociedade que mostra cada vez mais um limiar menor de tolerância aos problemas. Existem mais e mais problemas adaptativos que acabam gerando patologias, como depressão, ansiedade, estresse, etc.

Buscando o bem de nossos semelhantes, encontramos o nosso

A energia que vibramos e que lançamos nas outras pessoas, funciona como um bumerangue, ela bate lá e volta para quem a enviou. Quando buscamos o bem para os nossos semelhantes, seja através de um pensamento, de um sentimento ou de uma ação, potencializarmos conexões com os demais. Conexões que nos reportam emoções confortáveis, protagonistas de nosso bem estar emocional.

A maior parte do que damos nos é devolvida em algum momento ou circunstância da vida, muitas vezes multiplicada. Então, se é sobre ajudar, através do amor, devemos saber que, dando-lhe, estamos automaticamente nos abrindo para preencher em nós aquela lei natural através da qual o sentimento é reciclado.

A construção do bem comum é o trabalho de todos. Atualmente, há um sentimento de indiferença na sociedade, as pessoas estão cansadas e a desconfiança é estabelecida. Todos nós temos a sensação de que em muitos aspectos a vida nos enganou. Além do diagnóstico da situação, a questão fundamental é como sair dela.

A sociedade precisa de um comportamento exemplar de cada um dos indivíduos que a compõem: independentemente de julgar as pessoas que fizeram algo errado no passado, essa é a única forma honesta de garantir um futuro melhor.

O único símbolo de superioridade é ser bom

Todo ato de bondade é uma demonstração de poder . Ser bom não significa aumentar a tolerância em relação à média, ou ter conformidade com o inepto, mas sim ter a vontade de fazer o bem. Lembre-se de que você é tão bom quanto a melhor coisa que fez em sua vida.

Para Buda Gautama , acima de tudo, está a bondade afetuosa. Assim como a luz da lua ilumina sessenta vezes mais do que a das estrelas, a bondade carinhosa libera o coração de uma maneira sessenta vezes mais eficaz do que todas as outras realizações juntas. Se nos alimentarmos da bondade, medos e tristezas morrerão rapidamente de fome.

A paciência é a virtude que melhor descreve boas pessoas . Ele molda a capacidade de dar liberdade e margem de erro às pessoas que amamos. A arte da bondade parece ser uma mercadoria escassa, mas talvez seja mais comum do que pensamos.

A melhor maneira como a vida recompensa as pessoas boas é através da gratidão. Um elogio significa que eles reconhecem nosso trabalho. Afeição significa que nossa companhia é agradável para os outros. Gratidão significa que somos capazes de ser úteis a outras pessoas, seja com nossas palavras, atitudes ou comportamentos.

Os três elementos de uma só vez (lisonja, carinho e gratidão) nos permitem ter relacionamentos mais estreitos e próximos.

“As pessoas boas são sábias porque, consciente ou inconscientemente, elas entendem o que elas são; o que fazemos para os outros, fazemos por nós mesmos “

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Uma mãe não é uma melhor amiga, ela é uma mãe

Do site lamenteemeravigliosa

Há pessoas que acreditam que o melhor relacionamento entre mãe e filha é o de “melhores amigas”. No entanto, esta situação arrisca, com o passar do tempo, favorecer o surgimento de uma rivalidade mútua, a perda de respeito, a confusão de papéis e a invasão de privacidade.

As crianças precisam de um adulto para dar-lhes um exemplo, para ser um ponto de referência em termos de autoridade e respeito, que os orientem e lhes ofereçam proteção e apoio; Dessa forma, elas podem ser emocionalmente estáveis e desfrutar de boa saúde mental, elementos que trazem ordem à sua existência.

Quando se vê a mãe como melhor amiga, a fronteira direita do relacionamento mãe-filha desaparece. Esse elo deve ser de acompanhamento e educação; uma amizade aparente o transforma em um elo de controle e hiper-proteção com sua filha. Consequentemente, não é mais possível construir um modelo de respeito e autoridade, porque a mãe é considerada igual a um par.

Em relacionamentos desse tipo, insalubres e confusos, cria-se um nível elevado de insegurança na filha, já que suas decisões estão sujeitas à supervisão e aprovação da mãe, que de outra forma se sentiria traída. Essa sensação de hiper-proteção é totalmente prejudicial para o desenvolvimento da personalidade da menina, uma vez que, entre elas, é criada uma dependência tóxica.

As diferentes maneiras de ser mãe

Quando a figura da autoridade não é clara para sua filha, ela se sentirá vulnerável. A confiança em si será afetada. Quando ela tiver que tomar decisões, sempre estará insegura e isso impedirá sua aspiração à independência.

O fato da relação mãe-filha não ser de amizade não significa, de modo algum, que não seja íntima e enriquecedora para ambas. No entanto, uma coisa é ser amiga e outra ser mãe e filha; são conceitos muito diferentes. Sem dúvida, uma mãe sempre desejará o melhor para sua filha, mas isso não lhe dá o direito de violar sua privacidade com a desculpa de estar perto dela como um amiga.

É essencial entender a origem desse fenômeno. Na maioria dos casos, esse comportamento materno destaca os conflitos emocionais relacionados ao vício. Às vezes, esses conflitos são acompanhados de depressão e do medo de que a filha repita os mesmos erros cometidos por sua mãe. Neste caso, a mãe deve necessariamente resolver esses problemas internos sozinha ou com a ajuda de um especialista.

Como melhorar esse relacionamento?

As filhas sabem que não precisam obedecer aos amigos. Por essa razão, a mãe deve mostrar-se amorosa, mas também determinada. Além disso, uma filha não precisa necessariamente conhecer os problemas íntimos de sua mãe: isso causaria medos infundados, tristeza e confusão sobre seu relacionamento com os pais.

Aconselhamos que você torne esses relatórios transparentes; É importante que a confiança seja construída espontaneamente e não como uma imposição. Caso contrário, será criado um estado permanente de angústia e desconfiança, que degenerará em um desperdício inútil de emoções.

Se a mãe ou filha identifica os aspectos negativos na outra, a melhor coisa a fazer é manifestar-lo: não é saudável calar o que pode incomodar. É necessário expressar-se em uma atmosfera de sinceridade e respeito; Desta forma, a relação será saudável e livre.

O que elas têm que aprender

A filha, especialmente se for menor de idade, deve entender que existem decisões de sua vida que devem ser tomadas por sua mãe. Imagine a loucura que surgiria se essas decisões fossem tomadas por uma amiga. O que é perdoado por uma mãe pode não ser justificável para um amiga.

Mal-entendidos entre mãe e filha sempre podem ser resolvidos; escolher o momento certo para fazer isso é essencial. Afeição e confiança são os ingredientes básicos; depois disso, será suficiente adicionar algum senso comum para corrigir as diferenças ou tensões que possam ter surgido entre as duas.

É importante que a filha aprenda a resolver seus problemas e, ao fazê-lo, ganhe independência. É certo que ela saiba que sua mãe sempre estará lá para apoiá-la e dar-lhe conselhos, como apenas uma mãe é capaz de fazer. A menina também deve entender que existem aspectos da vida que podem permanecer privados, que não devem ser exagerados em termos de confiança, porque todos têm sua história pessoal e seu caminho para viajar.

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As 5 manifestações do ego

Por: Sara Espejo – rincón del Tibet

O Ego é uma parte de nós composta principalmente por aquilo que pensamos ou acreditamos que somos. Quando acreditamos que somos o que pensamos, nós estamos nos identificando com o ego e esse está tomando o controle da nossa vida, isolando e deixando sem possibilidade de ação o nosso Eu superior, aquele que sempre está presente, que é nossa verdadeira essência, mas que somente podemos sentir quando paramos de nos conectar com nossa mente.

Vamos mencionar as 5 manifestações mais comuns do ego:

Medo-ansiedade-preocupação: gerado pela falta de controle, a necessidade de que tudo saia de acordo com um plano específico, falta de confiança na vida, centrar nossos pensamentos em um futuro gerado pela nossa mente, perdendo a atenção do presente e fazendo-nos reagir de maneira apreensiva a qualquer situação que não possamos controlar.

Ira-Raiva-Soberba: manifestado quando as coisas vão além das expectativas que temos de como deve ser alguma circunstância, nos faz sentir frustrados porque algo não é como está em nossa mente e nos faz comportar-se de uma maneira raivosa e agressiva.

Julgamento: Quando nos sentimos superiores aos outros, quando criticamos as formas e os modos dos outros, quando classificamos e emitimos nossa opinião por objetividade e apenas a partir do cristal de nossos critérios.

Orgulho: Sentir-se ofendido, merecedor de algo superior, sentir que nosso braço não será torcido sem recompensa, muitas vezes confundido com dignidade, mas é o ego em sua manifestação de orgulho, que complica nossas vidas carregando nosso coração de ressentimentos e tristezas. Quando temos autorrespeito suficiente, a dignidade estará sempre presente e o orgulho desaparecerá.

Ódio-Ressentimento-Vingança: Estes são os sentimentos mais nocivos para o nosso ser que podemos abrigar, eles ofuscam a nossa vida. Se não aceitarmos, perdoarmos e liberarmos todo esse fardo, estaremos enchendo cada vez mais de amargura e nos conectando cada vez mais com o nosso ego.

Você já sabe que todas essas emoções danosas não são mais do que o seu ego dominando o seu ser, identificando cada uma dessas manifestações e observando-as, tentando não reagir, gerando cada vez menos respostas às quais sua mente se acostumou e desmascarando o ego, dará momentos de paz à sua mente, nesses momentos de tranquilidade em termos de pensamento, o seu Eu Superior pode agir a seu favor, gerando um bem-estar que se tornará cada vez mais presente em sua vida.

Por: Sara Espejo – rincón del Tibet

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Há momentos em que ignorar é a resposta mais inteligente

do site La Mente es Maravillosa

Às vezes, ignorar é responder com inteligência. É uma sabedoria que se adquire ao longo do tempo e com experiências e que, sem dúvida alguma, é adaptativa. Por quê? Porque é bem sabido que nossos relacionamentos nem sempre nos trazem coisas positivas, mesmo que a desejemos e tenhamos esperança.

Então, às vezes ignorar é mais uma questão de saúde emocional e proteção do nosso equilíbrio mental do que uma decisão consciente e ponderada sobre nosso desempenho e nossa abordagem de relacionamentos com certas pessoas.

Mas normalmente não percebemos facilmente que alimentamos trocas tóxicas por uma recompensa emocional que não virá. Em outras palavras, sacrificamos nosso bem-estar através de relacionamentos insanos que não nos dão boas emoções.

Você tem que aprender a ignorar para começar a viver tranquilamente

É por isso que devemos ignorar situações que nos incomodam e doar nossa ausência quando nossa presença não é valorizada. Então, para palavras tolas, ouvidos inteligentes. Mas quando?

• Quando as críticas não são construtivas e não pedimos uma opinião.

• Quando notamos que nas ações ou comentários dos outros há más intenções.

• Quando o próximo a nós se esforça para criar inseguranças e frustrações em nosso plano de vida.

• Quando nos fazem se preocupar com coisas que não podemos controlar.

• Quando os outros excedem sua autoconsciência com clara intenção de esfregar seus sucessos e nos diminuir.

• Quando nos impedem de crescer e se desenvolver como resultado de interesses estrangeiros ou egoísmo.

Desconsidere o que você pretende anular

Palavras, comentários, atos, sentimentos, emoções … Há situações que, por causa de sua hostilidade ou por causa de sua toxicidade, podem ser altamente prejudiciais para nós. Às vezes, até mesmo o equilíbrio emocional pode ser inclinado para o lado do nosso bem-estar e o sofrimento pode ser inevitável.

No entanto, temos que administrar as distâncias, dar a nossa mente e ao nosso corpo a oportunidade de descarregar e não anular a si mesmo. Podemos escapar se trabalharmos nosso diálogo interior do que nos bloqueia.

Perdão para “explosões” das pessoas

É difícil perdoar palavras ofensivas que são ditas em momentos de raiva ou calor, como geralmente acontece. Há momentos de euforia que fazem com que nossa linguagem saia do controle e acabe tendo consequências terríveis.

É bem conhecida a história em que um pai pede aseu filho, ante à incredulidade deste último, para pregar alguns pregos em uma bela madeira lisa, porque ele precisa ensinar-lhe alguma coisa. O pai, pacientemente, espera que o menino complete a tarefa para fazê-lo remover cada uma dos pregos e expressar a moral.

O tabuleiro nunca retornará ao seu estado original, mesmo que tentemos reparar o dano e removendo os pregos. É por isso que é essencial que façamos um esforço para evitar causar dor aos outros com nossas más ações ou maus comportamentos.

Devemos ter cuidado com o perdão e deixar bem claro que o perdão não dá direito a ninguém de nos prejudicar novamente. É importante enfatizar isso, porque habitualmente “nos acostumamos” a perdoar quem nos machuca, da mesma forma que podemos nos acostumar a ser perdoados por quem machucamos, e, assim, continuarmos, por descuido, tanto a magoar, como a ser magoado.

Também temos que saber perdoar a nós mesmos porque causamos desconforto, conflito e dor àqueles que queremos bem. Precisamos reconhecer nossos erros e aceitar o que não podemos mudar e o que podemos aprender com as diferenças e viver sem remorso, culpa e ódio.

Quando não perdoamos a alegria e a paz, elas desaparecem de nossas vidas e nos tornamos escravos do ressentimento e dos sentimentos ruins, nos irritando facilmente e promovendo rivalidades. Algo que certamente podemos escapar se nos atrevermos a ignorar e perdoar quando apropriado.

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Maturidade significa buscar soluções e não o culpado

Traduzido e adaptado de lamenteemeravigliosa

“Não há nenhum problema tão terrível que você não pode adicionar um pouco de culpa e torná-lo ainda pior.”
(Bill Watterson)

Lembra quando você era criança? A infância é um momento maravilhoso, e é por isso que sempre queremos voltar e sempre sentimos nostalgia por essa fase. É o momento em que descobrimos o mundo e, ao mesmo tempo, nos sentimos protegidos pelos adultos.

Na infância e adolescência, são os nossos pais ou responsáveis que têm o dever de nos proteger, satisfazer nossas necessidades e, mais importante, tomar decisões por nós. É por isso que crescer é uma experiência agridoce; perdemos conforto e segurança, mas ganhamos algo extremamente importante: a liberdade.

Com o passar dos anos, gradualmente assumimos as rédeas de nossas vidas. A primeira coisa que fazemos é trabalhar para nos encarregar de nossas necessidades básicas; mas há outros aspectos dos quais devemos assumir a responsabilidade: nossos laços emocionais, por exemplo, ou nossa saúde mental.

É a maneira como administramos essa responsabilidade que marca a diferença entre crescer e amadurecer. O tempo passa inexoravelmente e todos crescemos, mas a maneira pela qual assumimos a responsabilidade por nossas emoções nos permitirá afirmar que, além de crescer, amadurecemos.

Amadurecer é aprender a encontrar a solução e não o culpado

Tomar decisões envolve experimentar emoções relacionadas ao medo de cometer erros e incertezas. Tanto é assim que às vezes ficamos presos e é muito difícil escolher uma estrada em vez de outra.

O que é certo é que todos cometemos erros, isso é parte do processo de aprendizagem. Lembra quando você estava aprendendo a contar na escola? Inicialmente foi complicado e você cometeu muitos erros, mas com a prática isso se torna uma habilidade básica.

Assumir a responsabilidade de estar errado envolve um processo complexo de reflexão e análise dos fatos e, por esse motivo, às vezes é mais fácil procurar motivações externas que justifiquem nossos erros . É precisamente aqui que a culpa entra em jogo. Quando temos um problema, nossa mente está se aquecendo na busca por um culpado.

Às vezes, por exemplo, quando batemos contra qualquer objeto, culpamos por estar no trajeto de nossos pés. Isso nunca aconteceu com você? Caminhe distraidamente pelo corredor e de repente bata em um objeto que não estava lá, machucando seu pé. Sem pensar, você dirá “objeto maldito”, não deveria estar aí.

É natural, a frustração precisa de um culpado.

No entanto, o que acontece com os obstáculos que encontramos em nosso caminho, quando eles são algo muito mais importante do que um objeto esquecido por engano no corredor?

No entanto, o que acontece com os obstáculos que encontramos em nosso caminho, quando eles são algo muito mais importante do que um objeto esquecido por engano no corredor? Pode ser um exame que você se preparou para fazer, mas não fez, ou que não tenha renovado seu contrato de trabalho, que tem problemas para se comunicar com seu parceiro ou que seu pai fica zangado com você quando expressa sua opinião.

Se não refletimos, se nos deixamos levar pelas emoções, a culpa é uma espécie de neon, que de repente se acende em nossa mente.

Quando culpamos alguém ou a nós mesmos pelo que acontece, estamos nos concentrando em nossas emoções e atitudes negativas: somos invadidos pela raiva e pela frustração, sentimos tristeza ou rancor, e não avançamos. Em suma, somos infelizes.

No entanto, se superarmos essas emoções negativas e seguirmos em frente, perceberemos que, em vez de procurar um culpado, há algo muito mais útil: tomar medidas que nos ajudem a mudar a situação. Se procurarmos soluções, enviaremos a nós mesmos uma mensagem de que, se algo der errado, poderemos tentar remediar e trabalhar para resolver a situação.

“Vamos nos preocupar mais em ser pais do nosso futuro do que filhos do nosso passado.” – (Miguel de Unamuno)

É natural se responsabilizar por um resultado que não foi bem o que esperávamos que fosse, detectar onde falhamos e tentar corrigir para obter o resultado planejado na próxima vez. O que não se deve é se martirizar por isso. Se você não passou num exame por não ter se preparado o suficiente, reconhecer onde falhou é o jeito mais fácil de não repetir o fracasso, mas nutrir um sentimento de culpa é dar a si uma punição psicológica que não vai ajudar em nada.

Culpar-se é uma forma de se punir, atribuir a culpa a terceiros é uma forma de se isentar do resultado negativo e, tanto uma quanto a outra é um meio de nutrir sentimentos negativos que, enquanto perdurarem, não permitirão que se conserte o que deu errado.

No entanto, se você mudar sua sintonia e aceitar que erros acontecem, que toda e qualquer ação está sujeita a falhas, suas emoções também mudarão e você não mais vai se culpar e tampouco apontar culpados. Ao invés disso, vai se concentrar em reparar o erro.

As emoções negativas são inevitáveis, mas se procurarmos soluções em vez de culpados, perceberemos que elas são coisas passadas e que devemos continuar avançando para alcançar nossos objetivos.

Traduzido e adaptado de lamenteemeravigliosa

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Pessoas conflituosas: não é algo pessoal, estão em guerra consigo mesmas

Do site A Mente é Maravilhosa
Pessoas conflituosas, pessoas negativas, pessoas tóxicas. Pessoas que nos prejudicam e que afetam a nossa paz com muita facilidade e, provavelmente, com extrema frequência. Em geral, não queremos essas pessoas nas nossas vidas, mas topar com elas é inevitável.

Elas possuem uma habilidade especial para o confronto e parece que procuram uma explosão sem cortesia entre seus pensamentos, opiniões, emoções e comportamentos e os nossos. Seu conflito gera um grande mal-estar e interfere em nosso próprio conceito.

Provavelmente não é algo pessoal contra nós, mas é possível que estejam lidando com uma grande batalha consigo mesmas. No fim das contas, como disse Gandhi, uma pessoa em guerra consigo mesma é uma pessoa em guerra com o mundo todo.

Todos temos luzes e sombras, todos podemos ser pessoas conflituosas

Quem já não passou por momentos de dificuldade psicológica na sua vida? Da mesma forma, quem nunca se comportou de forma injusta com alguém, prejudicou sem pudor e ofuscou sentimentos, desejos ou motivações de outras pessoas?

Ou seja, todos queremos evitar algo que, em maior ou menor grau, já fizemos de alguma forma ao longo da vida. Contudo, se pararmos para pensar, talvez quando falamos em primeira pessoa conseguimos compreender melhor.

Seja como for, é cansativo ter ao lado uma pessoa que critica em excesso, que conta fofocas, que procura brigar, que vive se queixando de forma automática e que distorce a realidade quando lhe convém, gerando discussões onde antes reinava a paz.

Mas, precisamente por isso, é fundamental tomar distância emocional, não deixar que o seu negativismo nos absorva, não internalizar os seus ataques e não assumir os seus xingamentos, os quais podem chegar a penetrar muito fundo e fazer marcas em nossa autoestima.

Administrar os problemas gerados pelas pessoas conflituosas

Dicas para detectar as pessoas tóxicas, características destas, estratégias para se defender… Talvez a melhor forma de identificar uma pessoa conflituosa seja compreender que ela está em guerra consigo mesma e que não é um saco sem fundo de maldade.

Para isso é preciso entender que:

• O nosso jeito de catalogar as pessoas será determinante na hora de nos relacionarmos com elas. Para viver à margem destas pessoas, é importante não deixar que isto se transforme em um círculo vicioso de perguntas ruins e respostas piores ainda.

• Existem pessoas conflituosas, sim, mas basicamente a nossa ideia muda se pensarmos que estas pessoas têm problemas que estão gerando guerras emocionais em seu interior.

• Todos somos conflituosos em algum momento e em determinados ambientes. Também uma pessoa que amamos profundamente pode se comportar como um guerreiro ávido por vingança, mas não por isso vamos deixar de gostar dela, seja nosso companheiro, irmão, filho, amigo ou pai.

• Outra chave para lidar com isto é tomar distância e evitar cair na ideia de que existe algo que fizemos de errado. Se você o internalizar, estará se arrastando para dentro das tempestades do outro.

Não permita que os outros o arrastem para suas tempestades

Não devemos permitir que os outros nos arrastem para as suas tempestades. Por quê? Vamos entender isto melhor com este exemplo:

– Se alguém chega até vocês com um presente e vocês não o aceitam. A quem pertence então o obséquio?

– A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos alunos.

– O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos, disse o professor. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os levava consigo.

Cada pessoa dá aos outros o que possui por dentro, seja ou não agradável. Isso não quer dizer que sejam eles os que nos machucam, e sim que somos nós os que validamos as suas opiniões e ações. Em outras palavras, não existem as ofensas, mas sim os ofendidos.

A nossa arquitetura interior tem armas para se defender dos ataques, e três das mais poderosas são estas: criar distância, compreender e saber ignorar o irrelevante.

Mesmo assim, não é quem nos prejudica e sim quem replica esse mal milhares de vezes. Podemos deixar que as palavras sejam levadas pelo vento ou que, ao contrário, permaneçam conosco.

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5 Passos para a felicidade | Claudia Feitosa-Santana

É possível ser feliz, desde que saibamos de antemão: é impossível ser feliz o tempo inteiro. A pós-doutora em neurociências integradas Claudia Feitosa-Santana conta pra gente quais os cinco passos para ser feliz, segundo a neurociência.

Assista ao vídeo ou leia a transcrição logo abaixo 

Por quê?

Nosso mundo é feito de contrastes. Quando o contraste é muito pequenino,
nosso cérebro não é capa de perceber. O nosso cérebro passa a perceber
quando o contraste é grande o suficiente.

E o que significa isso? É preciso ver o escuro para poder ver o claro, assim
como é preciso experimentar o frio para poder valorizar o calor ou vice versa.
Então, não existe felicidade para quem nunca sentiu tristeza. É muito difícil
conseguir valorizar o amor se nós nunca vivenciamos o desamor. E aí fica fácil
da gente entender porque não existe o filme “foram felizes para sempre”. Por
quê? Esse filme deveria se feito de contrastes e felizes para sempre não tem
contrastes e a felicidade está justamente na valorização das diferenças dos
contrastes.

Dito isso, então, nós temos o primeiro passo para sermos mais felizes, que é ser
resiliente. A tal resiliência, o que é? Ela é a nossa capacidade de passar por
momentos difíceis, sem negá-los, mas como o olho no futuro. É isso que nos leva
a sermos mais felizes.

A felicidade tem o aqui e agora e o futuro, tudo junto. A felicidade contém o
benefício presente e o benefício futuro. Quem vive só no futuro, não consegue ser
feliz agora e quem vive só no presente, dificilmente consegue ser feliz amanhã.

A melhor analogia é a comida. Comer algo saboroso e não saudável, garante a
felicidade hoje, mas dificilmente amanhã. E comer algo que é saudável, mas não
é saboroso, traz a felicidade amanhã, mas não hoje, ou seja, a melhor comida é
a que é saborosa e saudável, porque ela contém dentro dela o benefício
presente e o benefício futuro. E junto com comer bem vem dormir bem, porque
quando dormimos mal o que acontece? Nós aumentamos a nossa chance de ter
depressão e problemas com ansiedade. E quando dormimos bem, nós
aumentamos a chance de fazermos melhores escolhas, tanto no presente quanto
no futuro.

Então, esse é o segundo passo para sermos mais felizes, que é comer e dormir
bem. O que acontece? Quando a gente come bem e a gente dorme bem, nós
alimentamos o nosso corpo e o nosso cérebro. Nosso cérebro fica muito mais
equilibrado e nos devolve bem estar.

Ao contrário do que muitos pensam, o stress não é um problema para
felicidade. O problema para ser feliz é não se recuperar do stress, e esse é um
dos fatores pelos quais dormir é tão necessário. Descansar é essencial e por
isso que é tão importante para nos ajudar a sermos mais felizes. Comer e
dormir bem ajuda a estarmos mais focados e esse é o terceiro passo para
sermos mais felizes: Estar focado.

Foco nas pessoas com as quais nos encontramos é sinônimo de tempo de
qualidade. Para estar focado vale a regra menos é mais:

Nós devemos fazer menos coisas, simplificando a vida para poder ser mais
produtivos e mais felizes. Foco anda junto com gratidão. Dividir atenção é
quase sempre o mais que é menos. Estar focado ajuda a não procrastinar.
Porque a procrastinação anda junto com a infelicidade. Então, quanto mais
focado, menos procrastinação e maior é a chance de ser feliz. Estar focado
também nos ajuda a identificar tudo que de bom a gente tem.

Então, junto com comer bem e dormir bem, uma outra coisa que ajuda a ficar
focado é a meditação. Ela pode nos ajudar a estarmos mais focados, ou seja,
termos mais atenção ao presente, termos mais consciência.

E aí vem o quarto passo que também ajuda a estar mais focado que é fazer
exercício. Por que fazer exercício? Porque nosso corpo precisa produzir uma
série de substâncias que também ajuda alimentar o nosso cérebro, e o nosso
cérebro mais equilibrado é o que nos dá bem estar. E fazer exercício trinta
minutos, três vezes por semana, já traz mais felicidade. E, fazer exercício na
companhia de outras pessoas nos faz mais feliz ainda.

E esse é o quinto passo, buscar boas experiências. Por quê?
O nosso cérebro mede experiência diferente de outras coisas. Nós precisamos
experimentar mais e comprar menos. O nosso cérebro mede as experiências de
forma diferente do que mede a aquisição de coisas. Então o que acontece?
quando a gente compra algo, essa nossa felicidade é muito passageira e logo
ela perde o valor. Já as experiências, não importa se é uma experiência muito
curta ou se é uma experiência muito mais longa, ela perdura, essa felicidade que
ela nos traz dura a longo prazo, ela dura muito mais tempo. Então, é muito mais
fácil ser feliz com experiência do que com coisas. E mais: escolher boas
experiências, em boa companhia, nos faz mais feliz ainda, essa é a experiência
compartilhada. Precisamos privilegiar as boas companhias e evitar as más
companhias.

Então, sentimentos positivos nos ajuda tanto a nos recuperar de stress quanto
aumenta as chances de sermos mais felizes. Então, o que acontece? dois
exemplos: por exemplo, sorrir. Sorrir faz bem para a saúde. O interessante é
passar o seguinte: mesmo quando a gente tá mais ou menos triste, se a gente
fizer um esforço e sorrir, a gente consegue enganar o nosso cérebro, que passa
a achar que a gente já está menos triste e acaba nos dando uma sensação de
mais bem estar, nos fazendo ficar literalmente mais felizes.

Uma outra coisa que ajuda nessas experiências positivas, por exemplo, se você
não tá muito legal e você escuta músicas de épocas muito felizes da sua vida,
faz com que você se sinta melhor e te ajuda a ser feliz.

Em dois milhões de anos, nós triplicamos o nosso cérebro, não em tamanho,
mas em peso. Isso significa que aumentamos as nossas conexões,
principalmente das regiões frontais. E o que isso trouxe? a possibilidade da gente
imaginar e experimentar dentro d nossa mente, tanto o presente quanto o futuro.
E aí a gente pode fazer escolhas do que a gente realmente quer buscar viver. E
assim nós vamos fazendo escolhas. Escolhas que quando são feitas com
prudência e com cuidado, normalmente nos trazem felicidade. Mas quando
guiadas por uma ambição ilimitada, geralmente ela vem acompanhada de roubo,
desonestidade, traição, imprudência, covardia, geralmente trazendo infelicidade
para nós mesmos e para aqueles que nos cercam.

Portanto, as nossas preocupações são um bem necessário… e que exige
equilíbrio para fazermos escolhas pensando no futuro. Enfim, ser resiliente,
comer e dormir bem, estar focado, fazer exercício e buscar boas experiências,
não precisa de muito dinheiro e nos ajuda a sentir a tão desejada felicidade.

Vídeo produzido pelo canalCasa do saber

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Hermann Hesse sobre a esperança, a arte difícil de assumir responsabilidade e a sabedoria da voz interior

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“Se agora você está se perguntando onde procurar consolo, onde buscar um novo e melhor Deus … ele não nos vem dos livros, ele vive dentro de nós … Esse Deus está em você também. Ele está particularmente em você, desanimado e desesperado.

“Caráter – a disposição de aceitar a responsabilidade pela própria vida – é a fonte da auto-estima que brota”, escreveu Joan Didion em seu ensaio atemporal sobre auto-respeito . E, no entanto, essa disposição não vem naturalmente para o animal humano. Nós olhamos para a esquerda e para a direita, nós olhamos para cima e para baixo, colocando a responsabilidade pelo nosso sofrimento em todos os lugares, mas no centro do nosso próprio ser. Nós tratamos as conseqüências inconvenientes de nossas ações como algo que nos acontece, em nós, por alguma causalidade externa miserável. No processo, o tique-taque da nossa justiça aumenta mais e mais gordura em culpa sanguinária.

O grande poeta, romancista e pintor alemão Hermann Hesse (2 de julho de 1877 – 9 de agosto de 1962) ofereceu um antídoto para essa tendência demasiadamente humana em uma de suas obras menos conhecidas, composta enquanto o mundo estava voltando à consciência depois da Primeira Guerra Mundial.

A guerra havia expulsado violentamente Hesse das exultações de sua juventude. Mas ele nunca perdeu seu idealismo – ele se tornou um defensor apaixonado do pacifismo e sua fonte na atenção plena dos indivíduos. Nas três décadas seguintes, depois de uma guerra devastadora e da angustiante atualidade de outro, Hesse compôs uma série de ensaios, cartas e panfletos notáveis, claros e de grande coração, condenando seus compatriotas pela mentalidade irrefletida de rebanho que permitira a Hitler subir ao poder e convidar o que ele viu como a única salvação para eles: um novo ethos de responsabilidade, começando no nível pessoal sobre o qual o político descansa. Ele estava especialmente empenhado em revigorar os jovens – as gerações seguintes que herdaram um fardo que não era deles e sobre cujos ombros a tarefa da redenção caiu com um peso esmagador de espírito.

Estas peças foram finalmente recolhidas em 1946 – o ano em que Hesse recebeu o Prémio Nobel – e mais tarde publicado como If the War Goes On… ( biblioteca pública ). Entre eles, a agitada “Carta a um jovem alemão”, escrita a um jovem desanimado em 1919 – uma década antes da publicação do clássico quase espiritual de Rilke, Cartas a um jovem poeta.e transbordando de consolação afim para os traumas transcendentes da vida. Este foi um ano importante para Hesse.

Tendo recentemente perdido o casamento com as consequências da aguda doença mental de sua esposa, ele acabara de deixar Berlim para se instalar sozinho em uma pequena fazenda na Suíça. A Primeira Guerra Mundial tinha acabado de terminar, tendo começado como “a guerra para acabar com todas as guerras”, em vez de compensar milhões de mortes e estabelecer as terríveis bases para futuros genocídios. Naquele ano, Hesse assinou a Declaração da Independência da Mente de Romain Rolland – o extraordinário manifesto pelo pensamento crítico e pacifismo, co-assinado por figuras como Albert Einstein, Bertrand Russell, Rabindranath Tagore, Jane Addams e Upton Sinclair.

Hesse se dirige a seu jovem e desesperado correspondente, empoleirado nesse precipício entre otimismo e desespero. Três anos antes de Bertrand Russell fazer seu caso intemporal para o que ele chamou de “a vontade de duvidar”, Hesse escreve:

“Você me escreve que está desesperado e não sabe em que acreditar, o que esperar. Você não sabe se existe ou não um Deus. Você não sabe se a vida tem ou não algum significado, se o amor ao país tem ou não significado, se, na péssima condição do mundo, é melhor lutar por bens espirituais ou simplesmente encher sua barriga.

Eu acredito que seu estado de espírito e alma seja o correto. Não saber se existe um Deus, não saber se existe bem e mal é melhor do que saber com certeza.”

Mais de meio século antes de Jacob Bronowski admoestar o lado sombrio da certeza , Hesse oferece um antídoto para a autocrítica destrutiva em que nossas certezas nos iludem:

Cinco anos atrás, se você lembrar, eu diria que você estava muito convencido de que havia um Deus e, acima de tudo, você não tinha dúvidas sobre o que era bom e o que era mal. Naturalmente você fez o que achou bom e marchou para a guerra. Há cinco anos, nos melhores anos de sua juventude, você continua fazendo o “bem”: você disparou uma arma, passou por cima, ficou em barracas e buracos de barro, enterrou camaradas ou enfaixou suas feridas. E pouco a pouco você começou a duvidar do bem, a suspeitar que a boa e gloriosa ocupação em que estava envolvido era fundamentalmente má ou, no mínimo, estúpida e absurda.

E assim foi. Evidentemente, o bem de que você tinha tanta certeza na época não era o bem certo, o bem que é indestrutível e atemporal; e evidentemente o Deus que você conhecia naqueles dias não era o Deus correto … Centenas de milhares de sacrifícios sangrentos de batalha foram oferecidos a ele, e em sua honra centenas de milhares de barrigas foram abertas, centenas de milhares de pulmões partidos em pedaços; ele era mais sanguinário e brutal do que qualquer ídolo …

Com um olho para a trágica tendência humana em perpetrar o mal sob o transe da autojustificação – uma tendência tão devastadora no reino pessoal quanto no político – ele sustenta um espelho desconcertante para o farisaico:

Alguém parou para considerar, e para se perguntar o fato, que nesses quatro anos de guerra nossos teólogos enterraram sua própria religião, seu próprio cristianismo? Comprometidos com o serviço do amor, eles pregaram o ódio; comprometidos com o serviço da humanidade, eles confundiram a humanidade com as autoridades que os pagavam.

Décadas antes de James Baldwin observou que “sempre foi muito mais fácil (porque sempre pareceu muito mais seguro) dar um nome ao mal sem a localização do terror interior” e um século antes de Anne Lamott admoestar contra como os senhores da autojustificação auto-respeito , Hesse contempla “a arte desastrosa de colocar a culpa nos outros quando estamos em apuros” e exorta a responsabilidade pessoal sobre a auto-justa culpa:

Somos todos nós igualmente culpados e inocentes do fato de que nossa fé era tão fraca e nosso Deus oficialmente patenteado tão implacável, que éramos tão incapazes de distinguir guerra e paz, bem e mal. Você e eu, o Kaiser e o padre, todos participamos; nós não temos nenhum chamado para nos acusarmos uns aos outros.

[…]

É infantil e estúpido perguntar se este ou aquele é culpado. Proponho que, por uma breve hora, nos perguntemos: “E eu mesmo? Qual tem sido a minha parte da culpa? Quando estive muito falante, arrogante demais, crédulo demais, arrogante demais? O que há em mim que pode ter ajudado … todas as ilusões que de repente desmoronaram?

Ecoando as idéias fundamentais de Emerson sobre não-conformidade e autoconfiança – “Confie em si mesmo: todo coração vibra com essa corda de ferro” , escreveu o Sábio da Concórdia, que Hesse leu e admirava muito, no século anterior – Hesse oferece ao jovem correspondente Fonte real e confiável de conforto:

Se você está agora querendo saber onde buscar consolo, onde buscar um novo e melhor Deus, uma nova e melhor fé, você certamente perceberá, em sua presente solidão e desespero, que desta vez você não deve procurar fontes oficiais externas. , para Bíblias, púlpitos ou tronos, para a iluminação. Nem para mim. Você pode encontrá-lo apenas em si mesmo. E lá está ele, habita o Deus que é mais elevado e mais altruísta … Os sábios de todos os tempos o proclamaram, mas ele não vem até nós dos livros, ele vive dentro de nós, e todo o nosso conhecimento dele é inútil a menos que ele abre nosso olho interior. Este Deus está em você também. Ele é mais particularmente em você, o abatido e desesperado … Procure onde você pode, nenhum profeta ou professor pode aliviar você da necessidade de olhar para dentro … Não se limita … a qualquer outro profeta ou guia. Nossa missão não é instruir você, Para facilitar as coisas para você, para mostrar o caminho. Nossa missão é apenas lembrar a você que existe um Deus e somente um Deus; ele habita em seus corações, e é aí que você deve procurá-lo e falar com ele.

Ouvir e ouvir a voz interior – o pensamento crítico sincero, puro de coração, não abafado pelo grito da autojustificação, isolado pela mentalidade de rebanho, imaculado pela manipulação externa ou auto-ilusão interna – é talvez o desafio mais consistente que enfrentamos. ao longo de nossas vidas, jogando em inúmeras formas em todos os domínios da existência.

Traduzido e adaptado do site brainpickings

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Perda de memória por estresse: o que é isso?

A perda de memória por estresse é muito mais comum do que pensamos. Essa deficiência cognitiva é muitas vezes sentida com grande preocupação e ansiedade: esquecemos compromissos, conversas, nomes e até mesmo aquela coisa importante que deveríamos comprar. É difícil manter as informações e até mesmo recuperar as memórias já estabelecidas.

Costuma-se dizer que a memória é um tesouro que devemos guardar com cuidado e delicadeza, no entanto, quando não precisamos mais dela, ela é perdida. Acontece com todos. Quando sofremos com essas perdas de memória momentâneas, às vezes desconcertantes, muitas vezes as experimentamos com certo medo: será esse o primeiro sinal de demência?

Mas não cheguemos a conclusões precipitadas! Antes de pensar no comprometimento cognitivo, precisamos saber que cerca de 80% das pequenas perdas diárias de memória são causadas pelo estresse. No entanto, longe de soltar um suspiro de alívio após a exclusão da demência prematura, é importante considerar um fato: o estresse crônico e os transtornos de ansiedade mantidos ao longo do tempo alteram o funcionamento do cérebro e muitas de suas estruturas.

O cérebro é muito vulnerável ao nosso estilo de vida e, em particular, à forma como administramos nossas preocupações e tensões cotidianas.

Perda de memória por estresse: por que isso acontece?

Às vezes fazemos isso, saímos do trabalho e voltamos para casa com o “piloto automático” inserido. Quando cruzamos o limiar da casa, colocamos nossas mãos em nossas cabeças para a mais absoluta raiva e espanto: como poderíamos esquecer de levar nosso filho ao curso de inglês? Nós corremos para baixo e quando chegamos ao carro, percebemos que não temos as chaves.

Esses pequenos lapsos de memória ocorrem aleatoriamente, tendo estado ou não a pessoa sob forte tensão recente, porque o corpo está respondendo a um acúmulo do estresse e não necessariamente a um pico de tensão exclusivo. Assim, de repente podemos nos dar conta que deixamos passar em branco a execução de alguma tarefa que já estava no “piloto automático”, como levar um filho à aula de idiomas ou esquecer as chaves do carro.

O círculo exaustivo ao qual o estresse e a ansiedade nos afetam é imenso. Situações surreais como essa são comuns, assim como a sensação de que você perde o controle de sua vida. Afinal, poucas coisas podem ser mais angustiantes do que esquecer coisas importantes da vida cotidiana, decisivas para se sentirem competentes e responsáveis em todas as áreas da nossa vida cotidiana.

Para entender o que está por trás da perda de memória do estresse, precisamos mencionar um velho conhecido, o cortisol. Esse glicocorticoide secretado pela glândula adrenal é liberado em resposta ao estresse. Níveis excessivos de cortisol a qualquer momento não apresentam nenhum problema, na verdade, eles podem melhorar a formação de novas memórias.

O problema é quando a liberação de glicocorticoides ocorre constantemente e por semanas ou meses. Nesse ponto, teremos dificuldade em lembrar os dados e recuperar outros existentes.

Vamos ver o impacto que isso pode ter no cérebro.

Efeitos do cortisol no cérebro

• Ele age como um agente tóxico.

• O hipocampo , associado à memória e às emoções, perde volume.

• A perda de memória por estresse também está associada ao fato de que o cortisol impede a circulação adequada do sangue no cérebro. Ele recebe menos nutrientes e menos oxigênio, tudo isso nos leva a correr um risco maior de exaustão, derrame, etc. É um fato que devemos levar em conta.

• Se a liberação de cortisol for constante, perceberemos outro efeito: produziremos menos endorfinas e isso resultará em maior desconforto, nítida incapacidade de desfrutar daquelas atividades que antes gostávamos: esporte, risos e bons momentos com nossos entes queridos, a comida …

• Deve-se notar que o cortisol também afeta os ciclos de sono-vigília: sofremos períodos de insônia ou noites com despertares contínuos.

O estresse libera o hormônio glicocorticoide, que altera a função celular e também faz com que a adrenalina apareça.

O que fazer para reduzir a perda de memória do estresse?

Se descobrirmos que sofremos de uma perda de memória incomum nas últimas semanas ou meses, é melhor consultar seu médico. Às vezes, essas deficiências podem estar associadas a uma dieta pobre (deficiência de vitamina B12 ou vitamina D). O hipotireoidismo também pode determinar essas deficiências cognitivas. Portanto, para evitá-lo, é aconselhável falar com profissionais especializados.

Uma vez excluídos os problemas orgânicos, resolveremos o problema da maneira mais apropriada: administrar o estresse. Vamos ver algumas estratégias.

• Identifique os fatores de estresse. Perceba como nosso corpo reage: tensão muscular, rigidez no pescoço, ombros, mandíbula, palpitações cardíacas …

• O estresse não pode ser gerenciado evitando os pontos focais que nos acalmam Ele é gerenciado pelo enfrentamento de estímulos ameaçadores face a face, estabelecendo prioridades, decidindo, assumindo o controle da própria realidade.

• Técnicas de respiração adequadas.

• Relendo nossa realidade : tomando consciência do que é realmente importante em nossa vida, desacelerando, apreciando o presente de uma maneira mais relaxada.

• Alimentação saudável : frutas e vegetais frescos, muita água, aveia, infusões de valeriana, camomila …

• Suplementos à base de magnésio são excelentes para proteger o cérebro dos efeitos do estresse.

• Faça uma caminhada diária por meia hora: vamos limpar nossas ideias, encarar novas perspectivas e melhorar a circulação sanguínea para que o cérebro receba um suprimento maior de oxigênio e nutrientes.

Para concluir, a perda de memória pelo estresse pode alterar completamente nossas vidas. Se não resolvermos o problema na raiz, o estresse acentuará ainda mais o problema para alcançar mais áreas: nosso humor piorará, nossa motivação diminuirá … Devemos aprender a desacelerar, nem sempre tentando ir mais rápido que a vida. Nada é mais importante que a nossa saúde.

Originalmente publicado em lamenteemeravigliosa

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5 maneiras de complicar a vida desnecessariamente

originalmente do site Rincón de la Psicología

Há pessoas que sabem fluir, que enfrentam problemas assim que aparecem e encontram soluções rapidamente. Não é que a vida lhes sorria ou que tenham mais sorte do que o resto dos mortais, são apenas proativos e não deixam para amanhã o que podem fazer hoje.

Ao contrário, outros complicam as suas vidas desnecessariamente, ficam parados analisando o problema ou procurando soluções. Eles têm dificuldade em sair do buraco quando caem porque têm o que poderíamos chamar de “excesso de peso mental”. Essas pessoas dão voltas demais nos problemas, analisam ao milímetro as possíveis soluções e adiam indefinidamente a decisão até que estejam contra a espada e a parede. Isso gera uma sobrecarga emocional e cognitiva que pode se tornar extenuante.

Tipos de pensamento que complicam nossas vidas

1. Planejar tarefas pendentes que você realmente não precisa fazer

Muitas vezes estamos sobrecarregados com compromissos ou tarefas que não são realmente necessárias. O problema é que quando começamos nosso diálogo interno com a palavra “eu preciso”, o alarme é ativado para dar prioridade àquela necessidade presumida. Isso pode nos fazer priorizar coisas que não são necessárias e adiar aquelas que realmente são essenciais. Desta forma, nos mantemos ocupados em tarefas mais ou menos insignificantes, enquanto as coisas importantes ficam em segundo plano e se acumulam. Como resultado, não é estranho que acabemos exaustos e estressados, com a sensação de que não aproveitamos o dia.

Solução? Se você não quer complicar sua vida por gosto, certifique-se de ter apenas aquelas que são verdadeiras prioridades em sua lista de tarefas. Analise todo o seu “eu preciso”. Talvez você possa alterá-los por palavras como “eu quero”, “eu gostaria” ou “eu prefiro”. Esta mudança semântica irá ajudá-lo a trazer outras coisas que são realmente importantes e que valem a pena gastar seu tempo e energia.

2. Você procura a solução perfeita

Encontrar a solução perfeita é um dos erros mais comuns que nos mantém presos no círculo vicioso que criou o problema ao nosso redor. Em nossa mente, exploramos diferentes alternativas, mas não decidimos sobre nenhuma delas porque vemos falhas ou riscos possíveis. O medo de errar alimenta um fluxo constante de idéias que acaba nos confundindo e nos paralisando. Então, em vez de procurar soluções para o problema, encontramos problemas para as soluções. Para cada ideia, encontramos uma falha. Essa situação nos sobrecarrega cognitivamente e acaba nos deixando exaustos.

Solução? Você deve assumir que existem dezenas de soluções, muitas das quais são perfeitamente válidas. Refletir antes de tomar uma decisão é inteligente, permanecer nas decisões não é. É apenas uma maneira de complicar sua vida. Portanto, internalize que não há soluções perfeitas, garantidas e 100% livres de risco.

3. Você encontrou uma boa solução, mas não a implementa

Por mais improvável que possa parecer, às vezes podemos ficar presos na “fase teórica”, sem entrar em ação. Muitas vezes acontece com pessoas que sofrem de depressão ou procrastinadores. Essas pessoas podem saber qual é o caminho a seguir, elas encontraram a solução para o problema, mas não o implementam. Como resultado, elas são pegas no problema, que os desgasta cada vez mais. Esse comportamento pode ser devido a múltiplas causas, mas geralmente é explicado pelo medo de sair da zona de conforto, uma área em que podemos não nos sentir bem, mas nos traz a segurança do conhecido.

Solução? Suponha que o primeiro passo não o levará aonde você quer ir, mas pelo menos ele o levará para fora de onde você está. Se você tem medo de tomar uma decisão, basta dar pequenos passos. Você sempre tem a opção de voltar e tomar outro caminho. Lembre-se de que, às vezes, a estrada não é reta, mas cheia de curvas e contratempos. Mesmo assim, é melhor se mover do que ficar paralisado sofrendo uma situação que está prejudicando você.

4. Você se torna obcecado com as consequências das decisões e com o que os outros vão pensar

O pensamento é uma ferramenta muito poderosa que nos permite projetar-nos para o futuro para evitar possíveis danos. No entanto, é também uma faca de dois gumes que gera preocupações incessantes que tiram a nossa paz de espírito. Um dos principais erros que nos mantêm presos e complicam nossas vidas é pensar continuamente nas implicações de nossas decisões, quase sempre prevendo as consequências mais negativas que podemos imaginar. De fato, muitos temem como os outros reagirão ou o que pensarão deles. O medo do julgamento social os mantém presos.

Solução? Tomar decisões é a arte de escolher caminhos e lidar com a incerteza. Isso significa que, como só podemos percorrer uma estrada, devemos esquecer o resto. Todas as decisões que você toma sempre terão consequências. Você sempre terá que desistir de algo e nunca poderá ter certeza absoluta das implicações dos passos dados. Ainda assim, se você quiser continuar crescendo, você deve se mover. E isso significa tomar decisões. Suponha que você não pode controlar as reações dos outros e que é provável que sua decisão não agrade a todos. Ainda assim, é sua decisão. É a sua vida e você decide.

5. Inventos obstáculos

Pode parecer uma contradição, mas muitas vezes inventamos obstáculos em nosso caminho para evitar tomar uma decisão que nos assusta. Na verdade, é a estratégia mais comum para complicar a vida desnecessariamente. Por exemplo, dizemos que não podemos tomar a decisão sem antes consultar uma pessoa que não está disponível ou com quem temos um relacionamento ruim. Ou dizemos que não podemos decidir até que tenhamos mais informações, sabendo que isso nunca será suficiente, porque é impossível minimizar a incerteza. Nesses casos, em vez de dedicar nosso tempo e energia para encontrar soluções, nos dedicamos a colocar obstáculos. Como resultado, nos sentiremos presos em um labirinto sem saída que construímos.

Solução? Não é necessário que você crie mais obstáculos do que a vida coloca em você. Se você se sentir preso mesmo que já tenha encontrado uma solução, pergunte a si mesmo do que tem medo. Há a resposta para os obstáculos que você está criando para não dar o próximo passo. Você pode aproveitar essa situação para crescer diante de seus medos.

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A armadilha da moralidade: o problema de ter uma identidade forte

Não há um bom rótulo para descrever Jiddu Krishnamurti, e talvez seja assim que deve ser.

Em sua juventude, ele foi preparado pela Sociedade Teosófica (um movimento religioso) para se tornar o que eles chamavam de Professor do Mundo. Ao amadurecer, no entanto, Krishnamurti devolveu todas as doações e dissolveu o grupo para se afastar de todas e quaisquer afiliações ideológicas.

Durante décadas, ele viajou pelo mundo dando palestras sobre psicologia humana, mudança social e a importância de entender a mente como indivíduos, em vez de autoridade.

Algumas pessoas o consideram um líder religioso, mas dada a conotação moderna do termo, isso não é exato. Outros se referem a ele como um místico, que talvez seja um rótulo melhor, mas, mesmo assim, não parece completo. Chamá-lo de filósofo natural seria o mais apropriado.

A coisa sobre Krishnamurti é que ele tinha uma maneira de comunicar o abstrato de uma forma tão penetrante que o chocaria em repensar algo que você achava que sabia.

Ele tinha muito a dizer sobre a natureza da mente humana e sua relação com o mundo, mas acima de tudo, deixou bem claro que não importa o que dissesse, não deveria ser tomado como verdade. Só você, o indivíduo, pode chegar a essa conclusão com base em sua própria investigação.

Da mesma forma, como sua abordagem indica, ele desconfiava de todos os rótulos e distinções entre as pessoas. E, como sempre, ele mostrou o raciocínio disso com algo que compartilhou em uma palestra:

“Quando você se chama de indiano, muçulmano, cristão, europeu ou qualquer outra coisa, você está sendo violento. Você vê porque é violento? Porque você está se separando do resto da humanidade. Quando você se separa pela crença, pela nacionalidade, pela tradição, gera violência. Assim, um homem que procura entender a violência não pertence a nenhum país, a nenhuma religião, a nenhum partido político ou sistema parcial; ele está preocupado com a compreensão total da humanidade. ”

O paradoxo de viver ideologicamente

Há duas maneiras razoáveis ​​de responder a essa afirmação de Krishnamurti: a primeira é juntar as peças e ver que, sim, em um nível central, a identidade e a violência estão conectadas; a segunda é, novamente, ver isso, mas argumentar, mesmo que seja verdade, essas separações são necessárias.

O que você não pode dizer, no entanto, é que essa afirmação é falsa, porque para ter violência, você precisa de distinções, e a maior parte da violência nasce das distinções ideológicas que criamos.

Se você adotar uma visão de longo prazo da história, ao longo de milhares e milhares de anos, todo grande conflito pode ser reduzido a uma batalha ideológica contra nós. Mais interessante? Quase todos os lados alegaram que o seu lado está fazendo a coisa certa.

Todo mundo pensa que está contra algo – algo ruim – seja esse o mal manifestado pelo diabo ou a injustiça que eles vêem cometidos por outros no mundo.

O que começa como nobre, no entanto, fica obscurecido por rótulos e afiliações tribais irracionais que começamos a tratar como fatos, algo que implicitamente supomos estar ligado a alguma parte objetiva da realidade, um processo que nos dá então a base moral para cometer atrocidades.

É fácil argumentar – em teoria – que é inofensivo associar uma forte afiliação nacional a quem você é, ou usar orgulhosa e ousadamente seu sistema de crenças como um distintivo de honra, e no seu caso, pode ser inofensivo, mas o fenômenos mais amplos – na prática – nunca são inofensivos.

No final do dia, os humanos são animais; animais altamente evoluídos, mas animais, no entanto. Isso significa que essas identidades (derivadas de nossas afiliações tribais) fazem parte de nossa natureza.

Mas negar que você não está participando da violência, por mais indireta que seja, devido à sua associação ideológica, é absolver-se quando você não tem o direito de se absolver.

Você pode até tentar reivindicar uma moral elevada e dizer que esse nível de violência é necessário porque o outro lado é ruim, mas se você olhar mais de perto a história, verá que a mera rotulagem de pessoas, independente de bem e mal, levou a mais sofrimento no mundo do que o mal real cometido pelas pessoas contra quem você é tão fervorosamente.

Uma compreensão mais integrada

Esse raciocínio pode parecer cínico e pode levar a um conceito deformado de coisas como justiça e moralidade, mas há uma solução; pelo menos um parcial, se isso for sua preocupação.

Essa solução se esconde em alguns termos emprestados do estudo da teoria dos jogos: jogos de soma negativa e jogos de soma positiva. Os primeiros são competitivos, enquanto os segundos são cooperativos.

Em um mundo de etiquetas de identidade, você não pode deixar de jogar um jogo de soma negativa, onde o objetivo é ganhar e perder o outro lado; onde você é o cara bom, derrotando o cara mau.

Se você acabar com rótulos que definem sua identidade, no entanto, e em vez disso entender que pessoas diferentes têm histórias de vida diferentes, moldadas por diferentes fatores genéticos e ambientais, você pode tentar alinhar seus dois mundos subjetivos diferentes jogando um jogo de soma positiva.

Pode ser verdade que é da nossa natureza ser tribal, portanto, distinções de identidade, de certa forma, não são algo de que possamos nos livrar completamente, mas ao mesmo tempo, evoluímos também para cooperar, e se mudarmos a fronteira de quem nós incluímos em nossa tribo de apenas “nós” contra “eles” para simplesmente todos, não é inconcebível que encontremos soluções duradouras.

Quando pensamos em identidades, criamos um mundo unidimensional. Nós reduzimos a complexidade do universo a algo que podemos facilmente envolver. Isso tem seu uso, mas leva a falsas dicotomias de bom e mau, nós e eles, e certo e errado.

A realidade, é claro, tem mais dimensões do que apenas uma e, ao lidar com isso, não podemos pensar em dicotomias, porque essas dicotomias não existem. Não há separação rígida.

Quando você está discutindo na internet, a melhor maneira de descrever com quem você está falando neste mundo unidimensional pode ser liberal ou conservador, americano ou chinês, mas, na realidade, eles são exatamente como você; pessoas com famílias, amigos, fazendo o melhor que podem para sobreviver.

Um mundo em que jogamos apenas jogos de soma positiva, onde cada jogador ganha alguma coisa, pode ainda não ser um mundo ao nosso alcance, mas pelo menos uma compreensão mais integrada de diferentes pessoas e suas realidades é certamente uma solução melhor que a violência.

O Takeaway

Não há maneira fácil de resumir o que Krishnamurti viu no mundo ou qual era sua visão do futuro, mas uma coisa é clara: ele sabia que a mudança social começa com um indivíduo.

Antes de você ser um rótulo, você é uma pessoa, assim como quem é que atua como um antagonista de seu rótulo escolhido. Qualquer grupo ou ideologia que inverta essa distinção cria violência.

Quase todo mundo tem algum tipo de ligação com algum tipo de identidade que esteja em conformidade com regras de operação generalizadas. Mesmo quando não explicitamente afirmamos, vivemos muitas vezes.

Na maior parte, essas identidades e anexos são inofensivos, mas isso não significa que estamos absolvidos dos efeitos de segunda e terceira ordem que vêm ao mundo porque gostamos do conforto e do orgulho e da comunidade que vem criando distinções.

E, embora seja tentador pensar que a sua ideologia é a certa, aquela que deveria ser imposta aos outros, as chances são de que essa crença é suportada mais por um egocentrismo do qual você nem está ciente do que pelo fato de ter uma objetivo moral alto.

Não há como sair desse jogo de soma zero se você começar a partir de uma posição de estabelecer dicotomias. A única maneira de realmente vencer é entender: O que faz os outros se diferenciarem de você? Quais forças culturais você não está representando? Como podemos integrar melhor cada lado?

Nada disso é para dizer que diferenças, hierarquias e distinções de algum tipo não existam no mundo real. Tampouco é possível sugerir que é totalmente possível abandonar todas as nacionalidades, religiões e fronteiras tribais amanhã para que possamos viver de repente em um mundo de paz.

A questão é que sempre temos uma escolha: continuamos a tomar o caminho mais fácil, jogando jogos de soma zero, ou fazemos um esforço honesto para criar jogos de soma positiva?

Originalmente publicado em Medium

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“Há pessoas cruéis disfarçadas de boas pessoas e você deve prestar atenção”, adverte um professor

Há pessoas cruéis disfarçadas de boas pessoas. São seres que prejudicam, que agridem mediante chantagens emocionais maquiavélicas baseadas em medo, agressão e culpa. Elas podem aparentar ser amáveis e bondosas, mas por trás dessa aparência, às vezes escondem interesses escusos e profundas frustrações.

Muitas vezes é dito que “aquele que fere é porque em algum momento de sua vida ele também foi ferido”. Aquele que foi machucado, machuca. No entanto, embora exista uma base verdadeira para essas idéias, há outro aspecto que nem sempre gostamos de admitir. O mal existe. Pessoas cruéis às vezes têm certos componentes biológicos que as inclinam para certos comportamentos agressivos.

“Não há maldade mais cruel do que aquela nascida das sementes do bem”
-Baldassare Castiglione-

O cientista e divulgador Marcelino Cereijido nos conta algo interessante. “Não há gene maligno, mas existem certas circunstâncias biológicas e culturais que podem causar isso.” O mais complexo deste tópico é que, muitas vezes, tendemos a procurar rótulos e patologias para comportamentos que, simplesmente, não se enquadram nos manuais de psicodiagnóstico.

Os atos maus podem ocorrer sem a necessidade de uma doença psicológica subjacente. Todos nós, em algum momento, encontramos uma pessoa com esse tipo de perfil. Seres que nos dão elogios e cortesias. Pessoas que caem bem, com sucesso social, mas em particular, delineiam uma sombra escura e muito longa. No abismo de seus corações respira crueldade, falta de empatia e até agressividade.

Propomos refletir sobre isso.

Pessoas cruéis e a molécula moral

Como apontamos, até hoje ninguém foi capaz de identificar a existência do gene do mal. No entanto, nos últimos anos, os estudos aumentaram em um aspecto fascinante: a chamada “molécula moral”. Para entender melhor o que é essa estrutura, nos colocaremos no contexto com uma história real. Uma história terrível, que, infelizmente, acontece com muita frequência.

Hans Reiser é um programador americano famoso por ter criado os arquivos do ReiserFS. Atualmente, e desde 2008, ele está na prisão de Mule Creek por assassinar sua esposa. Ele não tinha escrúpulos em se declarar culpado e revelador onde havia enterrado o corpo de Nina Reiser. Como um fato curioso, vale a pena mencionar que este especialista em programação possui uma inteligência prodigiosa, a ponto de iniciar seus estudos universitários ainda na adolescência.

Hans Reiser é um programador americano famoso por ter criado os arquivos do ReiserFS. Atualmente, e desde 2008, ele está na prisão de Mule Creek por assassinar sua esposa. Ele não tinha escrúpulos em se declarar culpado e revelar onde havia enterrado o corpo de Nina Reiser. Como um fato curioso, vale a pena mencionar que este especialista em programação possui uma inteligência prodigiosa, a ponto de iniciar seus estudos universitários ainda na adolescência.

Depois de um julgamento rápido e de ser ingressado na prisão de San Quentin, ele decidiu preparar o seu próprio recurso. Através de 5 folhas manuscritas, ele argumentou que seu cérebro funcionava de maneira diferente. Reiser estava familiarizado com os estudos que estavam sendo realizados com a ocitocina e usou-a como argumento. Segundo ele, havia nascido com esse problema: seu cérebro não produzia a chamada molécula da moralidade. Ele não tinha empatia.

Obviamente, e como era de se esperar, este argumento não o impediu de cumprir a pena perpétua. No entanto, o tema sobre a origem da maldade voltou a entrar em debate. Nos dias de hoje, dá-se pleno valor ao fato de que a oxitocina é o hormônio que faz de nós seres “humanos” na sua vertente mais autêntica. Pessoas educadas e preocupadas em ajudar, cuidar e empatizar com os nossos semelhantes.

Como nos defender da crueldade camuflada

Em nossas vidas diárias, nem sempre nos relacionamos com pessoas tão cruéis quanto a mencionada acima. No entanto, somos vítimas de outros tipos de interações: a da falsa bondade, da agressividade encoberta, da manipulação, do egoísmo sutil, da ironia mais danosa, etc.

“O mundo não é ameaçado por pessoas más, mas por aqueles que permitem o
mal”
-Albert Einstein-

Esses comportamentos podem resultar de vários aspectos. Falta de Inteligência Emocional, um ambiente não afetivo em que a pessoa cresceu ou até mesmo por que não, um déficit na liberação de ocitocina. Tudo isso determinaria, talvez, que a agressividade fosse mais ou menos disfarçada. Seja como for, não podemos esquecer que, agressivamente, não nos referimos exclusivamente ao abuso físico.

Agressões emocionais, lesões agravadas instrumentais ou verbais são menos denunciadas pela necessidade de experimentá-las, mas mais todos os dias em que devemos nos defender. Nós explicamos como.

Pessoas cruéis: Como reconhecê-las e evitá-las

Todos nós podemos ser vítimas de pessoas cruéis. Não importa a idade, o status ou nossas experiências anteriores. Esses perfis vivem no núcleo da família, em ambientes de trabalho e em qualquer cenário. No entanto, podemos identificá-los de maneiras diferentes. A pessoa de coração ruim vai nos cativar com a mentira. Vestir-se-ão com belas palavras e nobres ações, mas pouco a pouco a chantagem surgirá. Mais tarde, a geração de medo, culpa e violência mental.

-Nesses mecanismos existe apenas uma opção: a não tolerância. Não importa se é nossa irmã, nosso parceiro ou aquele colega de trabalho. A perturbação da calma e do equilíbrio só busca uma coisa: desligar a nossa auto-estima para ter controle.

-Temos a sensação clara de que não há saída. Que eles nos têm sob suas redes. No entanto, devemos lembrar de algo ” é mais poderoso aquele que é dono de si mesmo” . Então, devemos romper o jogo de dominação e agressão com contundência.

Os jogos de dominação e agressão encoberta são muito intrincados. No entanto, é necessário agir rapidamente desmontando armadilhas e reagindo a ameaças veladas. No momento em que sentimos desconforto ou preocupação com determinados comportamentos, há apenas uma opção sensata: a distância.

Do site despiertacultura

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Do silêncio ao grito: o dramático pêndulo emocional

Edith Sánchez – la mente é meravigliosa

Não é exagero dizer que somos um pouco analfabetos em termos de emoções. O habitual é que nos eduquem em conhecimento e valores, mas não em emoções. A moral e a ética devem nos guiar e, assim, tudo é resolvido. É por isso que às vezes chegamos à idade adulta sem sermos muito claros sobre como administrar o que sentimos. É o que acontece no chamado pêndulo emocional.

A questão tem a ver com o processamento da raiva, uma das emoções mais incompreendidas. O pêndulo emocional é configurado quando uma pessoa decide engolir as queixas que recebe ou silencia o desconforto que sente diante de alguém. Depois de um tempo, tudo isso se acumula e explode como uma panela de pressão. Há então uma oscilação entre dois extremos: silêncio e o grito.

“Custa mais responder com graça e mansidão do que ficar em silêncio com desprezo. O silêncio às vezes é uma má resposta, uma resposta amarga “. -Gar Mar-

O pêndulo emocional é típico daqueles que temem seus próprios sentimentos, particularmente a raiva. Da mesma forma, eles não têm uma ideia clara de como limitar o tratamento que recebem dos outros. É isso que os leva a debater entre dois extremos e a administrar inadequadamente seus sentimentos agressivos. Não é nada sério: você sempre pode aprender a lidar com tudo isso de uma maneira diferente.

O pêndulo emocional e o autocontrole

A questão do autocontrole nem sempre é entendida da maneira correta. Facilmente acaba confundindo autocontrole com repressão e são duas realidades muito diferentes. Em um caso, é o fruto da consciência; no outro, de condicionamento ou medo.

A primeira grande diferença entre um e outro é que a pessoa que mantém o autocontrole desenvolve essa atitude antes de qualquer situação de alta intensidade emocional. Em outras palavras, há todo um trabalho em torno do objetivo de manter um estado de serenidade. É um estilo de vida, que é o resultado de uma consciência de autocuidado. Caracteriza-se porque é difícil para uma situação se livrar daqueles que vivem dessa maneira.

Na repressão, no entanto, o que existe é um esforço de contenção. Os sentimentos são experimentados com intensidade profunda, porém se evita expressá-los. Nesse caso, há uma ruptura entre o interno e o externo.

É verdade que às vezes temos que usar essa repressão para evitar que uma situação assuma proporções maiores. No entanto, naqueles que geralmente reprimem isso vai além. Na verdade, gostaria de expressar totalmente o que você sente, mas por algum motivo você não pode fazê-lo.

O ciclo do pêndulo emocional

As pessoas que se reprimem são as que mais frequentemente apresentam aquele pêndulo emocional que as conduz do silêncio absoluto ao choro estridente. O normal é que eles sentem que não sabem expressar o que os incomoda. Eles têm a ideia de que não há maneira de expressar divergências ou discordâncias, mas é com raiva. E, como conseqüência, tudo isso leva necessariamente a um conflito quando precisamente é isso que eles querem evitar.

Também ocorre comumente que eles não se sentem no direito de expressar discordâncias ou desconforto. De um modo ou de outro, eles acreditam que seus sentimentos não são suficientemente valiosos ou legítimos para serem expressos e levados em conta pelos outros. Eles se calam e se reprimem porque algo ou alguém os fez acreditar que não deveriam dizer o que sentem.

Todo esse desconforto acumulado sempre atinge um pico. É o momento em que o sentimento rompe abruptamente e acaba tomando conta da pessoa. O que ele guardou é na verdade uma bomba-relógio que, mais cedo ou mais tarde, explode. As consequências podem ser tão desastrosas que mais tarde se tornam outra razão para se inibirem e voltarem ao ciclo.

Menos repressão, mais assertividade

Há praticamente apenas uma solução para evitar cair no pêndulo emocional dos extremos. Essa solução é óbvia: dizer as coisas assim que as sentimos. Não espere pela melhor hora para fazê-lo, ou espere para preencher as razões. Ao liberar imediatamente o que temos a dizer, a carga emocional é muito menor do que se esperarmos e incutirmos mais raiva.

Manter as coisas por nós mesmos é preparar uma armadilha para nós mesmos. Chega um ponto em que é materialmente impossível ser assertivo, porque há muitas emoções acumuladas. Assertividade é a capacidade de dizer as coisas de tal maneira que o outro possa compreendê-las corretamente. Seja claro e respeitoso ao mesmo tempo. Acima de tudo, seja consistente: diga exatamente o que pensa ou sente.

Quando há muita raiva acumulada e essas situações explosivas ocorrem, é basicamente impossível ser assertivo. Raiva e ressentimento nos cegam. Eles não nos permitem comunicar, mas a injunção para devolver as ofensas recebidas e salvas será instalada. Repressão nunca funciona. Pelo contrário, nos envenena internamente e acaba prejudicando os outros também.

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O que é um “eu forte” e como desenvolvê-lo, segundo Freud

Do site Rincón de la Psicología

Nós vivemos na época da alienação dos desejos. E isso não é uma boa notícia. Se perguntarmos à maioria das pessoas o que elas querem, elas provavelmente não sabem responder. As pessoas estão tão ocupadas e preocupadas, vivem com tanta pressa, perdem a conexão com o mais profundo “eu” e simplesmente querem o que os outros querem.

Parece que o exercício do desejo exigi muita energia, uma energia que preferimos dedicar a tarefas mais inconsequentes, mas que nos mantêm mentalmente ocupados, de modo que nem sequer suspeitamos que não somos capazes de desejar por nossa conta e risco.

No entanto, como uma pessoa pode fazer o que quiser, se não conhecer seus desejos? Se não sabemos o que queremos, corremos o risco de nos tornarmos uma engrenagem que alimenta uma sociedade de consumo onde só valorizamos o que temos e não o que somos.

Noam Chomsky havia nos avisado: “O sistema perfeito seria uma sociedade baseada em uma díade, em um par, esse par é você e sua televisão, ou talvez agora, você e a Internet. Um lugar onde se apresentasse o que deveria ser a vida apropriada, o tipo de equipamento que você deve ter. Lembrando que você deve gastar seu tempo e esforço para conseguir aquelas coisas que você não precisa e não quer e que você provavelmente acabará largando. Mas isso é o que é necessário para uma vida decente “.

Freud também vislumbrou esse risco em seu tempo. Ele afirmou que “o preço que pagamos por nossa avançada civilização é a perda de felicidade através da intensificação da culpa”, porque não temos o que devemos ter, ou porque não alcançamos o sucesso esperado, por não poder com todos os compromissos e até por desejar o que os outros não desejam, caso nos atrevamos a fazê-lo.

Uma maneira de sair desse labirinto, ser mais autêntico e, ao mesmo tempo, viver de maneira mais completa e equilibrada, é desenvolver o “eu forte” que Freud propôs.

O “eu forte” de Freud

Essa ideia é encontrada em uma de suas obras póstumas, “Scheme of psychoanalysis”. Ele a analisou aos 82 anos, depois de fugir do regime nazista, mas a deixou inacabada, pois precisou passar por uma operação importante devido ao câncer que sofria.

Entretanto, antes de mergulhar no conceito de “eu forte”, é necessário entender como o aparato psíquico funciona a partir da perspectiva freudiana:

Id – O Id é o componente nato dos indivíduos, ou seja, as pessoas nascem com ele. Consiste nos desejos, vontades e pulsões primitivas, formado principalmente pelos instintos e desejos orgânicos pelo prazer. A partir do Id se desenvolvem as outras partes que compõem a personalidade humana: Ego e Superego.

– Ego. É a parte do id que se desenvolveu devido à relação com o mundo, que acaba por mediar entre o id e o mundo exterior. Seria sobre a nossa identidade, sobre a imagem que temos de nós mesmos.

– Superego. É uma instância dentro do “eu” que seria o prolongamento da dependência em relação aos pais. É sobre todas as regras, normas, leis e valores que internalizamos e que, de certa forma, controlamos o id. Freud indica que “na medida em que este superego se separa do ego ou se opõe a ele, é um terceiro poder que o ego deve levar em conta”.

Assim, em nosso “eu” vivemos duas forças que podem não apenas ser contraditórias, mas até mesmo mutuamente exclusivas. Por um lado, o id procura satisfazer as necessidades básicas com urgência, sem se preocupar com planos de longo prazo, porque não conhece nem o amanhã nem a angústia. Por outro lado, o superego restringe o “fazer” os cálculos e leva em conta a sociedade, porque sempre tem sua visão voltada para o futuro.

Como resultado das forças e do seu desequilíbrio, não é estranho que muitas pessoas se sintam divididas ou fragmentadas e acabem com um “eu enfraquecido”.

O “eu forte”, ao contrário, é aquele que “cumpre ao mesmo tempo as exigências do id, do superego e da realidade objetiva, isto é, sabe conciliar suas demandas”. É um eu equilibrado.

Esse eu não está mais à mercê do id ou do superego, das necessidades básicas ou da repressão, mas é um eu capaz de crescer sem se sentir sujeito aos seus instintos ou cultura.

Como desenvolver um “eu forte”?

“Nosso caminho para fortalecer o eu enfraquecido é parte da ampliação de sua autoconsciência. Sabemos que isso não é tudo, mas é o primeiro passo. A perda do autoconhecimento implica para o ego uma perda de poder e influência, é o primeiro sinal tangível de que é inibido e coagido pelas exigências do id e do superego ” , escreveu Freud,

É um trabalho árduo, pois envolve equilibrar os instintos, as regras e as exigências do meio ambiente.

Primeiro devemos entender que ” o eu aspira ao prazer e quer evitar o desprazer. Diante de um aumento do descontentamento, respondemos com angústia “. Isso significa que temos que entender como costumamos reagir , os mecanismos que são automaticamente desencadeados em nosso interior quando nos deparamos com certas situações no ambiente. Implica tornar-se consciente de nossas respostas automáticas de nervosismo quando temos que fazer um discurso, por exemplo, ou de nossa raiva quando as coisas não saem de acordo com o planejado.

Em segundo lugar, devemos superar a resistência que o superego representa para nós . Esse é outro desafio importante porque, apesar de sermos “independentes” de nossos pais, na realidade ainda mantemos uma relação de dependência, sujeição e repressão em relação à sua autoridade. De fato, é provável que a voz repressiva que você ouve em sua mente seja uma frase que seus pais ou outras figuras de poder em sua infância lhe disseram.

O superego nos submete a essas regras e regulamentos para ganhar aceitação e amor, não apenas de nossos pais, mas também da sociedade. Portanto, para desenvolver um “eu forte” precisamos superar esse medo, ousar ser nós mesmos, ainda que correndo o risco de perder a aprovação de algumas pessoas próximas a nós.

Não devemos esquecer que “quanto mais o ego é assediado, mais tenazmente se apegará, quase aterrorizado, a antichexia, a fim de proteger sua existência precária contra novas erupções”, segundo Freud. Isso significa que quando nos sentimos atacados, por qualquer razão, ativamos uma resistência, que exige uma grande dose de energia.

Quando alocamos tanta energia para lutar contra o id ou o superego, nosso ego enfraquece. Só podemos superar essas resistências quando nos conhecemos e aceitamos uns aos outros. Nesse momento, o id e o superego deixam de ser obstáculos e trabalham em harmonia com um “eu forte”.

Então, um autêntico milagre ocorre: redescobrimos nossa capacidade de desejar e amar. E é no exercício de buscar a autenticidade que nosso eu é fortalecido e alcançamos a liberdade em todos os sentidos.

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CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – SETARTEAP

O pitch.
O pitch. pois claro. No pitch ê que está a virtude, não é no meio. como em tempos se chegou a pensar.
Nada como “captar" - uma espécie de captitalismo (perdoe-se-me o neologismo) também ele neo-jovem, simultaneamente assertivo e amaneirado. mas mais bem vestido e penteado que os cinzentões capitalistas do passado (sem knowhow. apenas ganância simples; sem graça nem complexidade, apenas conta bancária) isto para não falar num passado ainda mais passado e mais longínquo, aquele dos chapéus altos, charuto cm riste c cheios de fábricas, dos princípios do século (XX. pois claro) hoje mortos e enterrados sob mausoléus ou lápides soturnas a que nem a família acorre já a visitar nos novembros de S. Martinho. água-pé e jeropiga.

Não. Os tempos são outros, felizmente.
O homem faz-se a si próprio, pois claro, mas o espertalhão também. Aparece em websummits anuais, sai do seu torpor e frustração de não ser ainda suficientemente rico. aplaudido e facturado (sim. porque trabalhar comó zoutros é uma chatice e dá imenso trabalho, tira-nos o tempo pra noitadas. vernissages e restaurantes de chefs) insinua-se cm grupos mais idosos c menos descontraídos, plenos de cacau e tédio c tenta convencê-los a setarteapar-se.
Que têm uma empresa na ideia e na manga, uma coisa do caraças, prodigaliza-lhes terminologia americano-saxónica q.b.. mostra desenhos e desdobra esquemas ao longo de whiskies ou jantaradas. sorri, confiante e colgueitico - sem no entanto chegar à palmada nas costas - vestibula. enfim, por entre a classe onde vem implorar carinho e propor conceitos, esperançoso e dinâmico como só a juventude (mesmo retardada) consegue ser.

(Entretanto. ou em vez de - se acaso nào se safar - dã umas aulitas de piteche e de marquetingue com slaides e gráficos, a esperançosos mais novos. daqueles do Cais do Sodré ou tertúlias similares, onde normalmente se discute física quântica e os destinos da civilização em larga escala, de peito aberto e bolsos preenchidos com o cacau-para-pequenas-despesas dos papás. etc.).

Toda esta cegada, tudo isto. todo este carnaval me dá vontade de rir - enfim, sorrir - pois nada tem assim de tão novo.
Quem alguma vez trabalhou em grandes empresas ou multinacionais de medicamentos, alimentos, publicidade, etc., levou com cursilhos e conceitos destes, incluindo gráficos, esquemas, targets (alvo. cm inglês) marketings e afirmações peremptório persuasivas destinadas a futuro eventuais compradores de alguma coisa, clientes indecisos ou ingénuos - com o fim último (ou penúltimo) de descobrir necessidades, refazer tendências, apropriar conceitos.
Impingir em linguagem corrente de esperanto.
Vender, vender, vender.
Convencer portanto c enfim os palermas a comprar.
A comprar, mesmo algo em que nunca tivessem pensado ou necessidade sentissem.
Porque tudo se resume a vender e a comprar, nesta excitante e galopante evolução da humanidade, cada vez mais dividida entre crápulas tccnocratas e vivaços e palonços provincianos, uma lenta mas inexorável americanização dessa mesma humanidade.
Carlos

 

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Não se lamente por envelhecer, é um privilégio negado a muitos!

Envelhecer é um privilégio, uma arte, um presente. Somar cabelos brancos, arrancar folhas no calendário e fazer aniversário deveria ser sempre um motivo de alegria. De alegria pela vida e pelo que estar aqui representa.

Todas as nossas mudanças físicas são reflexo da vida, algo do que nos podemos sentir muito orgulhosos.

Temos que agradecer pela oportunidade de fazer aniversário, pois graças a ele, cada dia podemos compartilhar momentos com aquelas pessoas que mais gostamos, podemos desfrutar dos prazeres da vida, desenhar sorrisos e construir com nossa presença um mundo melhor…

As rugas nos fazem lembrar onde estiveram os sorrisos

As rugas são um sincero e bonito reflexo da idade, contada com os sorrisos dos nossos rostos. Mas quando começam a aparecer, nos fazem perceber quão efêmera e fugaz é a vida.

Como consequência, frequentemente isso nos faz sentir desajustados e incômodos quando, na verdade, deveria ser um motivo de alegria. Como é possível que nos entristeça ter a oportunidade de fazer aniversário?

Porque temos medo de que, ao envelhecermos, percamos capacidades. Porque pensamos na velhice como um castigo, de maneira pejorativa e humilhante. Do mesmo modo, fazer aniversário nos faz olhar para trás e nos expõe ao que fizemos durante nossa vida.

Dizer obrigado por cada ano completo

Deveríamos agradecer à vida pela oportunidade de permanecer e de ter a capacidade e a consciência de desfrutar. Que sentido tem nos lamentarmos e nos queixarmos por termos possibilidades? Não é verdade que daríamos o que fosse para ter aqueles que perdemos do nosso lado? Por que não colocamos vontade na vida e deixamos de dissimular nosso caminhar?

Fazer aniversário deveria ser um motivo de alegria. Cada dia conta com 1440 minutos de novas opções, de maravilhosos pensamentos, de centenas de matizes em nossos sentimentos. Cada segundo nos faz mais capazes de experimentar e de aproveitar todas as opções que surgem ao nosso redor.

Cada ano é uma medalha, uma oportunidade para acumular lembranças, para fazer nossos os instantes, para soprar as velas com força e orgulho. Deseje continuar cumprindo sonhos, segundos, minutos, horas, dias, meses e anos… E, sobretudo, poder celebrá-los com a vida e com as pessoas que o rodeiam.

QUANTOS ANOS TENHO?

Tenho a idade em que as coisas se olham com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam a se acariciar com os dedos e as ilusões se tornam esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma louca labareda, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E outras, é um remanso de paz, como o entardecer na praia.

Quantos anos tenho? Não preciso de um número marcar, pois meus desejos alcançados, as lágrimas que pelo caminho derramei ao ver minhas ilusões quebradas…
Valem muito mais do que isso.

O que importa se fizer vinte, quarenta, ou sessenta!
O que importa é a idade que sinto.

Tenho os anos que preciso para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pelo atalho, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus desejos.

Quantos anos tenho? Isso a quem importa!
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto.

– José Saramago –

Entre a infância e a velhice há um instante chamado vida

Não se lamente por envelhecer. A vida é um presente que nem todos temos o privilégio de desfrutar. É um frasco de suspiros, de tropeços, de aprendizagens, de prazeres e de sofrimentos. Por isso, em si mesma, é maravilhosa.

E também por isso é imprescindível aproveitar cada momento, fazê-lo nosso, nos sentirmos afortunados. Acumular juventude é uma arte que consiste em fazer com que seja mais importante a vida dos anos do que os anos de vida.

Não é tão importante se somamos cabelos brancos, rugas ou se nosso corpo nos pede trégua a cada manhã. O que verdadeiramente é relevante é crescer, porque no final das contas, fazer aniversário é inevitável, mas envelhecer é opcional.

do site A Mente es Maravilhosa

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O que você nunca deve fazer pelos outros

Rincon de la Psicología

“Um homem encontrou um casulo de borboleta deitado na estrada e levou para
casa para protegê-lo. Ele o colocou em boa proteção, mas no dia seguinte
percebeu que havia um pequeno buraco, notou melhor e viu que a pequena
borboleta estava lutando para sair do casulo.

Ele ficou assim por várias horas, observando a luta da borboleta para fazer seu
corpo passar por aquele pequeno buraco. No entanto, de repente, ela parou de
lutar, parecia que havia se rendido. O homem lamentou muito e, com grande
delicadeza, ampliou o espaço para que a borboleta pudesse sair.

Finalmente, a borboleta saiu, mas seu corpo estava inchado e suas asas eram
muito pequenas e curvadas. O homem achou que isso era normal e continuou a
observando, esperando que o inchaço diminuísse e que a borboleta abrisse as
asas e voasse para longe. Mas não foi assim, a pobre borboleta apenas se
arrastava em círculos. Ela nunca chegou a voar “.

Às vezes, para ajudar, devemos ficar à margem

Essa fábula nos diz que alguns obstáculos às vezes são necessários porque nos
ajudam a tornar-nos pessoas resilientes. Ao longo da vida, todos devem cometer
seus próprios erros para aprender com eles e amadurecer. Se intervirmos e
resolvermos problemas em seu lugar, estaremos tirando uma oportunidade de
aprendizado que pode ser muito valiosa mais tarde. Portanto, em algumas
circunstâncias, a melhor ajuda é ficar de fora.

Como regra geral, a vida apresenta diferentes rumos que desafiam nossas
capacidades atuais, mas, ao mesmo tempo, nos forçam a crescer e desenvolver
nosso potencial. Cada estágio de nossa existência apresenta diferentes
desafios que nos preparam para a próxima fase. No entanto, se sempre tivermos
alguém para resolver os problemas para nós, corremos o risco de que,
permanecendo sozinhos, sem esse controle, não tenhamos os recursos
necessários para lidar com um determinado problema e isso acabe nos
envolvendo.

Por exemplo, a mãe que sempre sai em defesa de seu filho quando tem
problemas com outras crianças, está lhe fazendo um favor a curto prazo, mas a
longo prazo o impede de desenvolver suas habilidades sociais, de modo que
quando crescer, ele será um adulto com uma Inteligência Emocional pobre e com
dificuldades de se relacionar com os outros.

Da mesma forma, há situações que não exigem nossa intervenção direta, mas
simplesmente nosso apoio emocional. Há problemas que não podemos resolver
para os outros, mas podemos apoiá-los, deixando-os saber que estamos ao
lado deles. De fato, não importa o quanto amamos uma pessoa, não podemos
suportar seu sofrimento ou resolver seus problemas em seu lugar, isso é algo
que eles devem fazer por si mesmos.

Quando é necessário intervir?

Se uma pessoa sempre tiver alguém que resolva problemas em seu lugar, ela se
tornará emocionalmente incapacitada. Uma vida sem obstáculos não permite
que você cresça, na verdade, nem sequer permite que você se conheça bem,
pois descobrimos quem realmente somos e até onde podemos chegar quando
estamos em situações extremas. Pegar um atalho, deixando os outros
resolverem nossos problemas, quase nunca é o melhor caminho. É verdade que
chegaremos mais cedo, mas se a próxima corrida for mais intensa, sairemos do
meio porque não estaremos prontos.

Portanto, não faça para os outros o que eles podem fazer sozinhos. Se você se
comportar de uma maneira super protetora, ajudará essa pessoa a nunca
estender suas asas e roubará um de seus tesouros mais valiosos: conhecer e
testar seu potencial. Além disso, estar sempre pronto para os outros e resolver
seus problemas mesmo às custas de nossas próprias necessidades pode ser
uma faca de dois gumes, uma vez que contribuímos para criar pessoas egoístas
que esperam que estejamos sempre à sua disposição. Portanto, é provável que
eles nem saibam apreciar os grandes sacrifícios que fizemos.

O segredo está em ajudar quando alguém realmente precisa dessa ajuda,
quando seus recursos psicológicos ou físicos não permitem que eles avancem.
E, mesmo assim, a ajuda quase nunca deveria resolver o problema, mas sim
fornecer as ferramentas para resolvê-lo ou ajudá-lo a encontrar o caminho.
Lembre-se que se você der um peixe a um homem, você mata a fome dele por
um dia, mas se você o ensinar a pescar, ele nunca ficará com fome novamente.

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Sigmund Freud: a libido é mais do que apenas sexo

Muitos de nós temos uma ideia muito reducionista da libido: limitada à sua interpretação sexual. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, tratou esse termo de maneira muito diferente. Quando Freud falou sobre a libido, ele falou sobre um conceito que vai muito além do que conhecemos hoje.

Freud descreveu a libido como a energia que vem de impulsos ou instintos que direcionam nosso comportamento. Aqui ele distinguiu entre dois tipos de impulsos: a paixão pela vida e o instinto de morte.

A pulsão de vida refere-se a impulsos que têm a ver com afeição ou emoções. Os sentimentos que nos convidam a se apaixonar e se multiplicar e se conectar com outras pessoas. Freud disse que isso poderia estar associado ao que ele definiu como “id” ou “ego”. Dois termos que vamos explicar depois.

Por outro lado, temos o instinto de morte. Isso é contra a vida e envolve algum desgaste. Aqui encontramos repetições que nos convidam a tropeçar na mesma pedra. Por exemplo, se nos apaixonarmos pelo mesmo tipo de pessoa que nos magoou.

Os dois tipos de impulsos que Freud estabeleceu são conhecidos como “pulsão de vida” ou “Eros” e “instinto de morte” ou “Thanatos”.

Libido em Genot

Embora associemos imediatamente a libido e o prazer sexual, o prazer de Freud vai além disso. Por exemplo, não nos divertimos quando bebemos água quando estamos com muita sede? Não sentimos prazer quando provamos uma deliciosa sobremesa? E se nos aquecermos junto ao fogo num dia frio de inverno?

Para Freud, isso confirmou sua idéia de que a libido está presente no que ele definiu como “id”, “ego” e “superego”. O id é onde o princípio do prazer é encontrado, aquilo que consideramos prazer direto. É a parte de nossa psique que inconscientemente nos leva à alegria. Por exemplo: estou com sede, vou arranjar uma cerveja para mim.

O ego, por outro lado, limita a energia da libido. É responsável por obter prazer, mas ao mesmo tempo leva em conta a realidade. Nesse ponto, nosso meio ambiente entra em jogo, assim como as regras da sociedade. Continuando com o exemplo anterior: eu posso querer uma cerveja, mas talvez seja melhor eu escolher uma bebida sem álcool porque eu tenho que dirigir.

O superego, em conclusão, é semelhante ao ego, mas atribui grande importância à moralidade. Ele internalizou as normas e valores da sociedade. As regras que aprendemos através do contato e interação com os outros.

Voltando ao nosso exemplo: às vezes me sinto culpado por beber uma cerveja, beber álcool fora de um contexto social é finalmente rejeitado pela sociedade. Eu me sinto culpado por causa da visão internalizada.

Sigmund Freud estabeleceu uma certa estrutura da mente para explicar o funcionamento humano básico. Essa estrutura consiste em três elementos: o id, o ego e o superego.

Estágios do desenvolvimento psicossexual

Para Freud, a libido também está presente nos diferentes estágios do desenvolvimento humano. No entanto, é diferente em todas as etapas. Ou seja, a libido é expressa de maneiras diferentes, dependendo de onde alguém está em seu desenvolvimento.

Fase oral: o prazer é obtido pela boca

Fase anal: esfíncter e fezes são controlados, atividade ligada ao prazer e sexualidade

Fase fálica / fase edipiana: o prazer é obtido ao urinar, graças à sensação agradável que produz

Fase latente: modéstia e vergonha, relacionadas à sexualidade

Fase genital: a chegada da puberdade e maturidade sexual

De acordo com Freud, entretanto, a libido às vezes fica estagnada. Ou seja, não combina com o fluxo natural. Isso acontece quando há uma fixação que impede o progresso.

Por exemplo, se nos apegamos ao prazer que recebemos pela boca na fase oral, será difícil deixá-lo para trás e nos aprofundar completamente na próxima fase.

“A transformação da libido objetal em uma libido narcisista que assim ocorre claramente implica uma rejeição de objetivos sexuais, uma dessexualização – uma espécie de sublimação”. -Sigmund Freud-

Como vimos, Sigmund Freud não pensou o mesmo sobre a libido como fazemos hoje. Para ele, não era apenas um desejo de obter prazer sexual, mas esse prazer era algo que está implícito em outras áreas de nossas vidas e que também se desenvolve à medida que passamos pelos estágios de nosso desenvolvimento psicossexual.

verkenjegeest

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“O ambiente digital está alterando nosso cérebro de forma inédita”, diz neurologista britânica

As facilidades e inovações trazidas pela era digital conquistaram adeptos de diversa gerações.

Mas, talvez haja numa proporção semelhante um grande número de críticos da internet, apontando os problemas da vida em rede.

Entre entusiastas e opositores da internet, no entanto, nem sempre há embasamento científico para o que é defendido.

Susan Greenfield, neurocientista britânica e pesquisadora sênior da Universidade de Oxford, estuda a psicologia do cérebro por um viés multidisciplinar.

Para ela, as tecnologias digitais afetaram nosso cérebro da mesma forma que qualquer elemento de interação que faça parte do nosso cotidiano.

O que a pesquisadora aponta de mais crítico é a forma como nossa vida em rede mudou a formação de nossa identidade, tornando-a dependente da visão das outras pessoas.

Segundo Greenfield, isso altera a forma como nos relacionamos com os outros e a distribuição do nosso tempo para determinadas atividades.

A internet afeta o cérebro?

Todos estão interessados em saber como as tecnologias digitais, especialmente a internet, afetam o cérebro. A primeira coisa a saber é que viver afeta o cérebro. O cérebro muda a todo instante de nossas vidas.

Tudo que é feito durante o dia vai afetar o cérebro. A razão disso é que o cérebro humano se desenvolveu para se adaptar ao ambiente, não importando qual fosse esse ambiente. É interessante notar que agora o ambiente é muito diferente, de maneira sem precedentes.

Como a imersão num ambiente virtual pode afetar o cérebro?

Há várias perguntas diferentes a serem respondidas. Eu acho que há três grupos abrangentes.

O primeiro é o impacto das redes sociais na identidade e nos relacionamentos.

O segundo é o impacto dos videogames na atenção, agressividade e dependência. E o terceiro é sobre o impacto dos programas de busca no modo como diferenciamos informação de conhecimento, como aprendemos de verdade. É claro que há muitos estudos que ainda precisam ser feitos, mas certamente há cada vez mais evidências sobre aspectos positivos e negativos.

Por exemplo, já foi demonstrado que jogar videogames pode ser similar a fazer um teste de QI. Pode ser que o aumento de QI visto em alguns testes aconteça graças à repetição de uma certa habilidade ao jogar videogames.

Agora, só porque vemos um aumento de QI em quem joga videogames não quer dizer que haja um aumento de criatividade ou capacidade de escrita. Também se sabe, por alguns estudos, e por exames de imagem, que os videogames aumentam áreas do cérebro que liberam dopamina. Também sabemos que, em casos extremos, nos quais as pessoas gastam até 10 horas por dia na frente da tela, existe uma forte correlação com anormalidades em exames cerebrais.

Como costumamos dizer, uma andorinha só não faz verão. Então é importante fazer mais estudos. Isto não é definitivo, em se tratando de ciência nada é definitivo, por isso é importante começar a fazer pesquisa básica porque, até agora, está claro que coisas boas e coisas ruins estão acontecendo de um modo que não haviam acontecido em gerações passadas.

Existe um limite de tempo seguro para navegar na internet?

É claro que muitos pais já me perguntaram: ‘com que frequência meus filhos devem usar a internet? Até quando é seguro?’

O que acontece na Inglaterra, acho que aqui também, é que alguns pais falam para os filhos ‘façam uma pausa a cada 10 minutos’. Mas eu não conheço ninguém que no meio do jogo pensa ‘está na hora da minha pausa de 10 minutos’.

Minha sugestão é agradar as crianças, em vez de dizer ‘você só vai jogar por uma ou duas horas, ou você simplesmente não pode jogar.’ Não seria melhor se a criança decidisse sozinha que não quer jogar? E por que eles fariam isso? Porque o que você vai oferecer a ele é muito mais excitante, muito mais agradável, muito mais interessante do que esse jogo.

É um desafio, mas o que temos que fazer é tentar pensar em maneiras, não tentar negar a tecnologia. Nós podemos, na nossa sociedade maravilhosa, com toda essa tecnologia, com todas as oportunidades que temos, dar aos nossos filhos um mundo tridimensional interessante para viver.

Há quem associe o aumento da incidência do transtorno de déficit de atenção e da hiperatividade (TDAH) ao uso da internet pelas crianças. Essa ligação faz sentido?

Está havendo um crescimento alarmante de TDAH. Sabemos que a prescrição de drogas como ritalina, usadas para TDAH, triplicaram, quadruplicaram nos últimos 10 anos.

É claro que isso é muito. A condição pode estar sendo mais diagnosticada ou pode ser que os médicos estejam prescrevendo mais os remédios. Há, porém, outro fator importante: a causa pode ser as tecnologias digitais.

Por que culpar a internet e não a TV, por exemplo?

Algumas pessoas dizem que a TV é a mesma coisa que a internet. Mas já se mostrou que não é o caso. Há uma grande diferença para o que fazemos na internet, que é altamente interativa e também tende a ser mais estimulante.

Nós também sabemos que, quando se joga videogame, uma substância química no cérebro relacionada com o estímulo, chamada dopamina , é liberada. O que é interessante é que, quando se toma ritalina, a dopamina também é liberada.

Então, agora as pessoas estão pensando que talvez as crianças estejam viciadas em videogames. E estão medicando essas crianças porque elas teriam TDAH, e estão fazendo, embora não façam ideia, com que haja mais dopamina no cérebro.

Então, certamente há uma ligação entre TDAH e videogames, mas precisamos entender mais sobre os mecanismos cerebrais para entender como isso funciona.

Como a senhora acha que a geração atual será no futuro?

É interessante pensar no caráter, nas aptidões da próxima geração, os cidadãos da metade do século 21. Eu acho que haverá coisas boas e coisas ruins. Imagino que talvez eles tenham um QI maior e uma boa memória.

Acho também que eles correrão menos riscos que nossa geração – isso pode ser tanto bom quanto ruim. Por um lado, ninguém quer pessoas que nunca se arriscam, que são excessivamente precavidas, mas, por outro lado, também não queremos pessoas inconsequentes.

Infelizmente, também acho que essa geração terá um senso de identidade mais frágil, menos empatia, menos concentração, e podem ser mais dependentes ao viver o “aqui e agora” em vez de ter um passado, presente e futuro. Talvez eles fiquem mais presos ao presente.

Por que o senso de identidade seria menor?

Até recentemente, em muitas partes do mundo, os seres humanos tinham preocupações mais imediatas, como sobreviver, se manter aquecido, não ter dor, não viver com medo e ter onde se abrigar.

Essas questões eram as mais importantes quando se era um adulto. Mas agora a tecnologia, em sociedades mais privilegiadas, como o Brasil e a Grã-Bretanha, está permitindo que a população, pela primeira vez na história, viva muito mais e tenha uma vida saudável.

Uma criança tem, agora, uma em três chances de viver mais de 100 anos. Então o que fazer com esse tempo? Essa é uma pergunta que não se fazia no passado porque as pessoas morriam de doenças ou estavam preocupadas com outras coisas. Mas agora é factível presumir que as pessoas não saberão o que fazer com a segunda metade de suas vidas, após seus filhos estarem criados. Se elas estiverem saudáveis, em forma, mentalmente ágeis, não poderão simplesmente jogar golfe todo dia, ou sudoku.

Acho que uma das grandes questões para eles será fazer perguntas que tradicionalmente apenas adolescentes fazem: “Quem sou eu? Qual é o sentido da vida? Para onde estou indo? Qual o propósito disso tudo?” Na minha opinião, isto pode ajudar a explicar por que, de uma maneira engraçada, Facebook e Twitter são tão populares.

Por quê?

As pessoas têm um senso integral de identidade. De repente elas se sentem importantes porque gente ao redor do mundo está se comunicando com elas, comentando o que elas disseram.

Então, este tipo de pessoa, que no passado vivia em uma comunidade local, e tinha uma identidade dentro daquela cultura, dentro daquele país, agora tem uma presença global, mas que é construída externamente.

Não é real. É como em uma ocasião na qual estava em um café da manhã com Nick Clegg (vice-primeiro-ministro da Grã-Bretanha) e tinha uma mulher perto de mim tão ocupada contando a todo mundo que ela estava tendo um café da manhã com Nick Clegg que nem conseguiu prestar atenção ao que ele estava dizendo. Ela só ficava tuitando o tempo todo: “café da manhã com Nick Clegg”.

Eu vi um filme com duas meninas conversando dentro de um carro e uma pergunta para a outra: “Como você se sente dentro deste carro?” Ela não responde “estou triste” ou feliz ou animada, nada disso. Ela diz: “o carro é digno de um post no Facebook.”

Por que isso é preocupante?

A partir disso eu infiro que as pessoas estão construindo uma identidade no ciberespaço que em boa parte é formada pela visão das outras pessoas. Existe um site chamado KLOUT. Se você entrar nesse site, ele te diz o quão importante você é, te dá um número chamado Klout Score. Klout, em inglês, significa importante. As pessoas pagam para ver qual é a sua pontuação e para aumentá-la.

Eu acho interessante essa tendência de que mesmo que você sinta-se muito importante, muito conectada, você se sente insegura, tenha baixa autoestima, sinta-se constantemente inadequada.

Existe um livro muito bom escrito por Sherry Turkle chamado Alone Together – Why We Expect More From Technology and Less From Each Other (algo como “Juntos sozinhos – Por que esperamos mais da tecnologia e menos de cada um de nós”, lançado em janeiro, ainda sem editora no Brasil). Ela disse: “bizarramente, quanto mais conectado você está, mais você está isolado.”

Hoje, entretanto, a maior parte das pessoas continua levando suas vidas normalmente, fora do ciberespaço, e apenas uma pequena parte dentro dele. Isso se inverterá no futuro?

A maioria das pessoas dirá que, se tirarmos um instantâneo da sociedade hoje, um monte de pessoas está vivendo normalmente e feliz em três dimensões. Elas têm amizades saudáveis e gostam de estar no Facebook e no Twitter.

Com certeza, é apenas uma minoria de pessoas que gastam até 10 horas por dia em frente do computador. Porém eu acho esse tipo de argumento problemático porque é solipsista – você está argumentando a partir do seu ponto de vista. Já falei várias vezes com jornalistas, que geralmente são de meia-idade e de classe média, e dizem que usam isso e aquilo e é fantástico.

Às vezes, sou criticada porque não estou no Facebook, não estou no Twitter, e mesmo assim estou comentando a respeito. Eu respondo que, mesmo se eu estivesse me divertindo muito no Facebook, isso não quer dizer que todos sejam como eu ou que vão usar do mesmo modo que eu uso, ou que vão ter o mesmo tipo de amizades que eu tenho.

O uso então é exagerado?

Eu acho que precisamos olhar para as estatísticas em vez de apenas levar em conta as impressões pessoais ou os meios de comunicação.

De acordo com as estatísticas, os chamados nativos digitais, gente que nasceu após 1990, apresentam níveis de uso alarmantes.

Por exemplo, um estudo americano, de 2010, mostrou que mais da metade dos adolescentes entre 13 e 17 anos estavam gastando mais de 30 horas por semana na internet.

O que me chama atenção não são as 30 horas, mas o que vai além disso. Isso significa pelo menos quatro ou cinco horas por dia em frente ao computador.

O problema com isso é que, não importando o quão fantásticas ou benéficas sejam as redes sociais – vamos dizer que sejam 100% maravilhosas – ainda são quatro ou cinco horas por dia não andando na praia, não dando um abraço em alguém, não sentindo o sol no rosto, não subindo em uma árvore, não fazendo todas as coisas que as crianças costumavam fazer.

Acho que devemos prestar atenção a essa questão. Acho também que podemos comparar o que acontece hoje com o momento dos anos 50 quando as pessoas começaram a mostrar uma relação entre o câncer e o cigarro.

A indústria do tabaco foi hostil a essa descoberta, tentou negar e insistir que fumar não era viciante. E se você tem um grupo de pessoas se divertindo e outro grupo fazendo dinheiro com isso, esse é um círculo perfeito. A primeira coisa a fazer quando pensamos na relação entre os jovens e a internet é reconhecer que talvez aí exista um problema.

Não se trata de excesso de zelo?

Existem outras questões também. Há uma grande diferença entre os chamados “imigrantes digitais”, pessoas como eu e possivelmente pessoas como as que estão lendo essa entrevista e que tiveram uma educação convencional, cresceram lendo livros, tendo relações apropriadas, em três dimensões, e as crianças que estão crescendo agora, recebendo um comando evolucionário para se adaptar ao meio ambiente.

Se esse ambiente é incessantemente o ciberespaço, elas não vão aprender como olhar alguém nos olhos, elas não vão aprender a interpretar tons de voz ou a linguagem corporal.

Elas não vão aprender como é quando se toca alguém, se tem um contato físico. O que significa que, se alguém ficar cara a cara com alguém no mundo real será mais desagradável, mais agressivo, então as pessoas vão preferir se comunicar por meio das telas.

Já é o caso da Grã-Bretanha, não sei como é aqui no Brasil. Escritórios se tornaram locais bastante silenciosos, porque, em vez de conversarem entre si, as pessoas preferem enviar mensagens.

Outro problema que, acho eu, mostra uma tendência, é um fantástico aplicativo – é fantástico que as pessoas paguem por isso. São dois, na verdade. Um deles se chama Self Control (Auto controle). O outro se chama Freedom (Liberdade). Você paga para que eles não o deixem usar a internet obsessivamente. Eles desligam seu computador a cada 50 minutos ou a cada hora.

Por que as pessoas deveriam pagar por algo que elas mesmas poderiam fazer facilmente, a menos que estejam obcecadas ou tenham se tornado dependentes?

Eu posso chegar para você e dizer que tenho uma maneira brilhante de ganhar dinheiro: você me paga para eu desligar seu computador para você. Você vai me dizer que estou louca.

(de Veja via Fronteira do Pensamento)

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Estamos num ponto em que precisamos de menos Whatsapp e mais abraços

Certamente a tecnologia, as redes sociais, as mensagens instantâneas se
tornaram um excelente recurso para nos manter conectados com o mundo,
especialmente com as pessoas de nossa afeição, aqueles que não temos
disponibilidade para ter perto quando as necessitamos expressamente, no
entanto, isso não deve ser, em nenhum caso, algo para nos isolar em um mundo
cibernético e nos fazer esquecer as coisas importantes e detalhes que nos
alimentam a alma.

As visitas inesperadas, os abraços, os olhares expressivos … a presença,
devem ser as coisas que sigam mantendo valor, não devemos nos contentar com
emoticons e rótulos em fotos como mecanismos de contato e proximidade. As
redes sociais estão tendo um boom tão grande que, assim como nos aproximam
dos que estão longe, incluindo pessoas que nunca vimos, além de algumas fotos,
elas também nos afastam das pessoas que estão ao nosso lado.

É cada vez mais comum ver pessoas em lugares públicos que não se
comunicam, que não se olham nos olhos, que estão concentradas em uma tela
de um telefone celular. Devemos voltar ao hábito de dar carinho de maneira
presencial, prestando atenção em quem fala conosco, sem fazer intervalos para
checar o celular.

É necessário viver cada momento e realmente desfrutar dele, além de estar
ciente de capturar uma foto de algo que provavelmente nem exista, apenas para
compartilhá-lo com pessoas que não estão necessariamente interessadas em
nossas vidas. Devemos aprender a amar e aceitar a nós mesmos para além de
um número de gostos, não devemos viver buscando a aprovação dos outros
para nos sentirmos bem conosco e menos dispostos a transmitir algo que muitas
vezes não somos parados.

A tecnologia e tudo o que ela traz de mãos dadas é muito benéfica, quando
sabemos como usá-la, limitá-la e abrir espaço para ela em nossas vidas até
certo ponto, sem que ela se torne o centro de nossa atenção.

Não devemos negligenciar nossos relacionamentos pessoais, não podemos
substituir beijos, abraços, carícias, nada que recebemos por meio de um
dispositivo eletrônico, aproveitemos a tecnologia e usemos-a em nosso favor,
não contra nós, porque quando nos acostumamos a sentir através de uma tela,
perderemos o gosto pela magia que só a presença pode nos oferecer.

Abrace, beije, sinta, sussurre em seu ouvido, delicie-se com uma conversa, perca-se rapidamente, enrosque seus pés com a pessoa que você ama, observe seus gestos, ouça sua voz, sinta, se alimente do contato que nutre e usa o resto os recursos quando você não tem outra opção, não o contrário.

Por: Sara Espejo – Rincón del Tibet

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Vivemos uma epidemia da solidão fruto do narcisismo – Luiz Felipe Pondé

A era tecnológica tornou ainda mais complexas as discussões sobre a forma de se relacionar do ser humano. Com a internet, ter contato dá menos trabalho, a distância não parece intransponível, e é possível até mesmo o cultivo de laços com pessoas que nem sequer conhecemos pessoalmente. Mas até que ponto o contato propiciado pela tecnologia supre, de fato, as necessidades afetivas do homem? Qual é a medida para não se deixar adoecer pelas relações estabelecidas on-line?

O questionamento – comum, considerando o aprofundamento de contradições nas relações sociais da atualidade – é um dos pontos tocados pelo filósofo Luiz Felipe Pondé em entrevista à Deutsche Welle Brasil. Sem fazer ataques ferrenhos à interação das pessoas nas redes sociais, Pondé reflete sobre o sentimento generalizado de solidão da sociedade contemporânea, e critica a dificuldade encontrada pelos jovens em desenvolver a generosidade e realizar concessões ao se relacionar.

Luiz Felipe Pondé e psicanalista, filósofo, Ph.D em Epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, e trabalha hoje como professor na Pontifícia Universidade de São Paulo e na Fundação Armando Álvares Penteado. O pensador brasileiro escreve semanalmente para a Folha de S.Paulo e já publicou diversas obras, como O homem insuficiente, Crítica e profecia, Conhecimento na Desgraça e Ensaios de filosofia da religião. 

Ser solteiro ou, como diz o termo vigente, ser single está na moda? Por quê?

Toda hora inventam uma modinha para dar um nome a um comportamento. Por exemplo, à dificuldade de partilhar a vida com uma pessoa, agora se dá o nome de single; não é mais solteiro ou sozinho, é single. E tem tanta gente single no mundo hoje porque as pessoas estão exigentes demais, insatisfeitas, e porque a vida sozinho é mais possível, mais barata. Para viver com uma pessoa, você tem de fazer concessões, precisa ser corajoso, tem de investir na pessoa com todos os riscos que o “investimento” traz. A vida single está na moda porque há um ônus enorme na vida partilhada.

Quem é sozinho acaba cada vez mais solitário?

Quanto mais sozinha, mais viciada na solidão a pessoa fica. E aí é mais difícil fazer concessões. Não estou falando só de amor romântico, mas de amizade, de vínculos. Hoje se tem todo um equipamento urbano pra viver sozinho. A pessoa pode falar com amigos que estão longe – ou mesmo que não existem – pode comprar comida sozinha, pode ter um cachorro, para brincar de parceria com ele. O cachorro tem sempre amor incondicional, por isso é mais fácil do que gente.

Então viver sozinho é um caminho sem volta?

Quando alguém fica sozinho, não precisa se submeter às vontades, taras, desejos e dificuldades do outro. À medida que você vai ficando sozinho porque está bom, uma hora tenta ficar com alguém e não consegue. Está acostumado.

Mas há quem queira encontrar alguém e não consegue.

Não consegue porque ninguém quer mais saber de ninguém. Os jovens estão cada vez mais narcisistas. Quando uma pessoa fala que quer alguém, ela quer alguém pra preencher o vazio que sente. Mas esse alguém não é real, que vem com os problemas de alguém real.

E mais: as pessoas estão cansadas do cotidiano. Elas têm de trabalhar muito, têm que investir muito na carreira. Às vezes, é mais seguro investir na carreira e na grana do que numa parceria. Os mais jovens têm cada vez mais medo da vida, e ficam cada vez mais cansados. Porque viver com medo cansa.

Você sente uma inquietação na sociedade para mudar isso?

Existe, sim, a inquietação. Mas acho que isso é fruto da estrutura capitalista. O capitalismo – e não sou marxista -, mas, analisando o contexto histórico, o capitalismo produz pessoas sozinhas e produtivas. Claro que eles continuam fazendo propaganda para família porque família consome. É uma contradição. Porque ao mesmo tempo que o capitalismo gera como efeito colateral o narcisismo, a solidão, o egoísmo, essa autonomia do ser single produz sofrimento.

As mídias sociais têm alguma responsabilidade nesse cenário?

Elas não criaram isso, mas têm responsabilidade no sentido de que são uma mensagem de solidão. Como o conceito da Teoria da Comunicação, de que o meio é a mensagem. As mídias sociais são uma mensagem no seguinte sentido: você pode ter vínculos com as pessoas desde que não sejam “sujos”. “Sujos” no sentido de que sejam reais. É mais ou menos como você ter uma vida mergulhada no álcool-gel. As mídias sociais são uma ferramenta da solidão. Claro que ela também faz você encontrar pessoas, fazer networking, mas observo que as pessoas mais jovens – dou aula e trabalho com jovens – têm cada vez mais uma alienação da vida real.

Nós estaríamos mais felizes hoje se vivêssemos mais o afeto em relações duradouras?

A vida afetiva faz parte da experiência humana ancestral. Na hora em que você não tem vida afetiva, isso causa sofrimento. Mas quando uma pessoa opta por ter uma vida afetiva porque está infeliz não dá certo. Não vai adiantar fazer uma fórmula: você está infeliz porque está sozinho. Procura um parceiro que você vai ser feliz. Não vai funcionar. Você vai procurar um parceiro porque quer que ele te faça feliz.

O que falta para revertermos esse cenário?

Não é só uma coisa que falta, mas uma seguramente é a generosidade. Ninguém é mais generoso, todo mundo só quer ser feliz. Uma vida afetiva pode deixar a pessoa mais equilibrada, com capacidade melhor de convívio, menos egoísta, mais tolerante.

Mas então você defende que as pessoas são mais felizes com alguém?

Eu acredito que tem pessoas que vivem bem sozinhas. E são mais felizes assim. Assim como acho que tem pessoas que são mais felizes não tendo filhos. A questão é outra. A questão é que existe hoje uma epidemia de solidão por fruto de narcisismo, egoísmo, falta de generosidade, entropia afetiva. Sempre existiram pessoas que viviam melhor sozinhas, mas é a minoria.

(Via Deutsche Welle)

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Como as emoções afetam a dor nas costas?

É muito importante cuidar da nossa postura corporal e não sobrecarregar o eixo do nosso corpo, pois isso pode causar dores de cabeça e problemas gástricos, bem como dores nas costas.

Como você sabe, fatores como desgaste ósseo e articular, bem como posturas ruins repetidas, podem causar dor crônica nas costas.

Apesar de todos esses fatores físicos, não devemos negligenciar o impacto que nossas emoções podem ter em todo o nosso corpo.

De fato, estresse, preocupações e ansiedade crônica podem causar uma sobrecarga em nossas costas.

A influência de nossas emoções negativas, tensões e estresse acumulado tem um impacto direto em nossa dor nas costas.

O peso das emoções na dor nas costas

Em muitos casos, longos períodos de estresse, medos reprimidos e ansiedades que não conseguimos administrar levam a distúrbios fisiológicos, como síndrome do intestino irritável ou disfunção da coluna vertebral.

Você certamente está se perguntando como essa relação é possível. É preciso saber que o cérebro tem um impacto considerável em nossa espinha, esse eixo que representa nosso busto.

A noção de coluna refere-se a um suporte vertical que suporta um peso, enquanto o termo vertebral engloba este conjunto incrivelmente complexo de pequenos ossos e articulações, que formam a espinha dorsal que todos os vertebrados têm.

Nossas costas é, na verdade, o eixo mais importante do nosso corpo. É uma espécie de pilar ósseo e muscular, que nos dá vitalidade e resistência.

No entanto, às vezes nós pesamos sobre ele o peso de todas as nossas emoções negativas.

Emoções negativas produzem alterações metabólicas . Isso é algo que temos que levar em conta.

Eles alteram nossos hormônios e a ação de nossos neurotransmissores, aceleram a produção de cortisol no sangue, aumentam nossa freqüência cardíaca e geram mudanças em todos os nossos órgãos.

Esta aceleração geral produzida por emoções negativas, resulta em uma forte tensão muscular, que altera o funcionamento de nossos nervos e nossos ligamentos.

A coluna sofre todas essas variações. Por isso, é muito comum que a dor emocional resulte em dor cervical ou lombar.

No restante deste artigo, veremos como esses problemas emocionais podem afetar nossas costas.

Dor cervical

Dor nas costas não está concentrada apenas na área lombar. De fato, as dores mais frequentes localizam-se nos cervicais.

• Os cervicais vão das vértebras C1 até C7. O primeiro deles é chamado Atlas porque suporta o peso da cabeça e nos dá um bom equilíbrio.

• Para que esta área seja saudável, deve haver equilíbrio e movimentos harmoniosos.
É uma região do nosso corpo que precisa de grande flexibilidade muscular, para não se tornar dolorosa.

• Esta área é a mais afetada pelo estresse no trabalho e preocupações diárias.
É uma estrutura músculo-esquelética superior, que é muito afetada pelo trabalho e pelas ansiedades de baixa intensidade que ocorrem ao longo do dia.

• Para combater essas dores, você tem que fazer trabalho mental todas as manhãs , para que você possa encarar o dia com mais calma e equilíbrio.

• Você também pode realizar exercícios leves e harmoniosos, desenhando círculos com o pescoço. É uma prática que também trabalha com os ombros.

Dor no peito

Isso é mais precisamente chamado de zona dorsal, localizada entre as vértebras D1 e D12.

Representa uma grande parte de nossas costas, nossas costelas e nosso coração. É uma área intimamente conectada com nossas emoções.

Como nossas emoções afetam essa parte de nossas costas?

É muito fácil de entender, e certamente você já ouviu falar disso antes:

• Uma pessoa que é fraca, tem um mau estado mental ou se sente triste, é mais provável que olhe para baixo e tenha um eixo do corpo inclinado.

• Quando uma pessoa sofre dos males mencionados anteriormente, ela não faz nenhuma atividade física.
Ela passa muito tempo sentada com o pescoço inclinado para a frente e o diafragma que não tem a agilidade que deveria ter.

• Tudo parece pesado para ele, sua respiração fica mais lenta, sua circulação sanguínea diminui e é possível que ela sinta dores de cabeça, problemas no estômago ou pressão no peito.

• Tudo isso deriva de um eixo postural incorreto e de uma sobrecarga da região dorsal.
Portanto, é essencial gerar movimento em nosso corpo, caminhando ou nos expondo à luz do sol.

• Trazer o equilíbrio para as costas e se livrar de nossos pensamentos negativos são os dois principais fatores que ajudam a combater a dor nas costas.

Dor lombar

A região lombar das costas se estende da vértebra L1 até a vértebra L5.

Isso é muito propenso à inflamação, que pode resultar em dor ciática, ou até mesmo disfunção de órgãos importantes, como a bexiga ou os rins.

• Além de estar relacionada ao desgaste ósseo e posturas ruins, essa parte do nosso corpo também está conectada a emoções como medo, ansiedade e depressão.

• As pessoas afetadas por essas dores têm a impressão de ter o dorso cortado em dois pedaços.

Este é um problema que precisa ser abordado através de uma vida mais relaxada, auto-priorização e consulta com médicos especializados.

Se você sofre com esses males, tente encontrar um equilíbrio em seu mundo emocional.

Não se esqueça de fazer exercícios leves e harmoniosos todos os dias.

Consulte também um profissional de saúde para evitar que sua dor nas costas afete sua qualidade de vida.

Do site amelioretasante

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O problema da raiva – Como usar o poder do seu lado obscuro

De todos os poderes que moldam nossas vidas, nossas emoções destacam-se tanto em sua capacidade de influenciar drasticamente nosso bem-estar e nas formas misteriosas em que eles o fazem.

Por estarmos presos a uma forte emoção, muitas vezes perdemos a capacidade de distinguir entre racional e irracional, certo e errado e, em casos extremos, entre o real e o imaginado. As emoções podem nos levar a fazer coisas que mal pensávamos ser capaz – às vezes para o bem, mas muitas vezes para o mal. E de todas as emoções, a raiva se destaca como uma das mais poderosas e certamente as mais destrutivas.

Fúria, ressentimento, hostilidade e ódio crônicos são todas formas de raiva que, se persistirem, podem resultar em sofrimento pessoal intenso, danos a pessoas próximas a nós e até mesmo a morte em massa. No século XX, centenas de milhões de pessoas morreram nas mãos de movimentos políticos que se alimentaram do ressentimento das massas, fato que deve nos despertar para o perigo de ignorar nossa raiva.

No entanto, nem toda raiva é patológica e destrutiva. Às vezes, a raiva é uma resposta justificada a maus tratos e até mesmo a raiva pode ser em nosso benefício, se a nossa vida estiver em perigo.

“Aqueles que não demonstram raiva das coisas que deveriam provocar a ira são considerados tolos” (Aristóteles)

A raiva também pode nos fornecer a energia e a auto-afirmação necessárias para transformar nosso eu, atingir nossas metas e nos engajar em atividades construtivas. A raiva é um sinal de que algo dentro de nós quer viver e se afirmar, enquanto sua antítese, apatia, significa que uma vontade de morte nos superou. Mas o problema que todos enfrentamos é como aproveitar o lado construtivo da raiva, evitando suas tendências destrutivas. O objetivo deste artigo é examinar como podemos fazer isso e começar a examinar a conexão entre impotência e raiva.

“De fato, nenhuma emoção social é mais difundida hoje do que a convicção de impotência pessoal, a sensação de estar sendo assediado, sitiado e perseguido.” (Arthur M. Sclesinger, Jr.)

Enquanto Lorde Acton estava certo em afirmar que “o poder absoluto corrompe absolutamente” (Lord Acton), o inverso também é verdadeiro. A impotência absoluta corrompe absolutamente. Quando sentimos que nossas vidas contam por pouco; quando nossa apatia leva à estagnação em uma forma de trabalho que produz apenas um salário e um vazio na alma; quando estamos cercados de governos e corporações cujo poder excede em muito qualquer coisa da qual somos capazes; e quando nos encontramos perdidos em um mar de “Pessoas sem rosto” (WH Auden), não podemos nos conectar, impactar ou alcançar, primeiro a impotência e depois a raiva e a raiva, parece ser o resultado.

“Nosso problema particular … neste ponto da história”, escreveu Rollo May, “é a perda generalizada do senso de significado individual, uma perda que é percebida interiormente como impotência … Muitas pessoas sentem que não têm e não podem ter poder, que mesmo a auto-afirmação lhes é negada, que eles não têm mais nada a afirmar e, portanto, que não há solução para uma violenta explosão ”.

Mas, além das forças sociais, a própria vida, ou os encargos existenciais que todos enfrentamos, também podem desencadear os sentimentos de impotência que geram raiva. No nascimento, somos lançados em uma realidade que pode ser hostil, frustrante e hostil aos nossos desejos. O desamparo que sentimos diante da fria indiferença da realidade é agravado pelo fato de que, embora façamos o nosso melhor para negá-lo desesperadamente, no fundo sabemos que nosso desejo primordial de nos perpetuar está fadado ao fracasso. A morte está esperando por todos nós. “Não seja gentil nessa noite boa”, escreveu o poeta Dylan Thomas. “Raiva, raiva contra a morte da luz.” (Dylan Thomas)

No entanto, apesar de a raiva ser uma resposta natural e às vezes saudável aos sentimentos de impotência, a maioria de nós tem sido condicionada culturalmente a suprimir nossa raiva. Criamos intrincados rituais sociais para manter uma auto-imagem altruísta comum, por trás da qual escondemos a raiva e o ressentimento que habitam dentro de nós. E, ao fazê-lo, nos tornamos psicologicamente instáveis, fracos e propensos a distúrbios psicossomáticos e tempestades de raiva que podem surgir de nosso inconsciente aparentemente não provocado. Dado o quão impotente e propenso a raiva, muitos estão nos dias de hoje, devemos encontrar uma maneira construtiva de lidar com a presença da raiva, e para nos ajudar a fazer isso, vamos nos voltar para o conceito de daimônico.

O daimônico é um termo grego antigo que foi originalmente usado para se referir a um poder que veio sobre o homem de fora – um espírito ou intermediário entre os deuses e os seres humanos. Rollo May reconceitualizou o daimônico em termos psicológicos modernos e definiu-o como “qualquer função natural que tenha o poder de dominar toda a pessoa”. (Rollo May, Love and Will)

Sexo, amor, raiva, raiva e desejo Por poder, todas as paixões daimônicas têm o poder de nos possuir e sobrepujar nossas faculdades conscientes. Eles são poderosos impulsos instintivos que empurram amoralmente para a sua realização e, portanto, podem potencialmente nos animar ou nos prejudicar. Embora os benefícios das paixões daimônicas como sexo e amor sejam óbvios, como resultado do condicionamento cultural, a maioria das pessoas não tem consciência do lado construtivo da raiva. “Nossa cultura”, escreve May, “exige que reprimimos a maior parte de nossa raiva e, portanto, estamos reprimindo a maior parte de nossa criatividade.” (Rollo May, Rollo May: Man and Philosopher)

A necessidade de ser criativo não se limita a artistas ou a certos tipos de personalidade, mas a necessidade de ser criativo é despertada em todos nós sempre que conflitos internos ou externos se manifestam em nossa vida. A presença de conflito e caos significa a necessidade de algum tipo de mudança em nossa visão de mundo ou mudança em nosso caráter ou ambiente.

Quando somos criativos, em vez de reagir ao caos e entrar em conflito com a passividade e impotência, reagimos de maneira proativa transformando nossa mente ou dando forma a algum componente no mundo externo para nos ajudar a entender o caos, lidar com isso, e, finalmente, transcendê-lo. “O processo criativo”, escreve o poeta Brewster Ghiselin, “é um processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução, na organização da vida subjetiva” (Brewster Ghiselin, The Creative Process).

Dado o papel da criatividade na transformação do caos e do conflito em ordem, forma e sentimentos de impotência no poder, a falta de uma saída criativa suficiente em nossa vida é a principal culpada por muitos dos nossos problemas pessoais.

No entanto, como disse Pablo Picasso, “todo ato de criação é antes de tudo um ato de destruição”. (Pablo Picasso) Quer estejamos criando um estado de espírito mais poderoso ou algo de extremo valor no mundo externo, precisamos primeiro afastar o velho e obsoleto, a fim de abrir caminho para o novo. “Você deve querer se queimar em sua própria chama”, escreveu Nietzsche. “Como você pode querer se tornar novo a menos que você tenha se tornado cinzas!” (Nietzsche, Assim falou Zaratustra)

E para nos ajudar a nos dedicarmos a essa destruição criativa, a coragem, a assertividade e a energia que acompanham a raiva podem ser indispensáveis. Enquanto estamos condicionados a negar a raiva dentro de nós, muitos grandes pensadores, personalidades e artistas ao longo dos tempos têm enfatizado a necessidade de explorar e utilizar essa paixão demoníaca como um estímulo para a criatividade e a autotransformação; por isso, em O Casamento do Céu e do Inferno de William Blake “Satanás é o símbolo da criatividade, atividade e energia lutando para ser livre.” (Jeffrey Russell, O Príncipe das Trevas) A raiva pode ser a paixão demoníaca da destruição necessária para qualquer forma de criação duradoura e significativa.

“… Criar, concretizar as possibilidades, sempre envolve aspectos destrutivos e construtivos. Sempre envolve destruir o status quo, destruir velhos padrões dentro de si mesmo, destruir progressivamente o que se apegou desde a infância e criar formas e modos de vida novos e originais … Toda experiência de criatividade tem sua potencialidade de agressão ou negação em relação a outras pessoas. no ambiente ou em padrões estabelecidos dentro de si mesmo. ”(Rollo May, The Meaning of Anxiety)

Dado que a raiva é uma resposta natural a sentimentos de impotência e a supressão da raiva perigosa, precisamos reconhecer nossa raiva e não permitir que ela inconscientemente cause estragos em nossa vida e no mundo ao nosso redor. Pois, se pudermos nos tornar mais conscientes e aceitar a raiva dentro de nós, podemos usá-la para nos revigorar, nos impulsionar criativamente para objetivos distantes e nos transformar em um indivíduo mais auto-afirmativo e decisivo. Mas se nos conformamos com nosso condicionamento cultural e ignoramos ou suprimimos sua presença, nossa raiva acabará por se transformar de uma paixão demoníaca em um poder demoníaco, com resultados potencialmente devastadores.

“Aprender a viver criativamente com o daimônico ou ser violentamente devorado por ele. Nós decidiremos nosso próprio destino. Vamos escolher com sabedoria. ”(Raiva, Loucura e o Daimônico, Stephen Diamond)

Esse artigo foi transcrito e traduzido a partir do vídeo (Em Inglês) The Problem of Anger – How to Use the Power of Your Dark Side(https://www.youtube.com/watch?v=cViZ6wVysKk)

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/o-problema-da-raiva-como-usar-o-poder-do-seu-lado-obscuro/

O pai que cuida do bebê não “ajuda”, apenas exerce a paternidade

Do site La Mente es Maravillosa

O pai que acalma o choro do bebê, que o balança no colo, que troca as fraldas e que lhe ensina as primeiras palavras não está “ajudando” a mãe, está exercendo o papel mais maravilhoso e responsável de sua vida: o da paternidade. Essa é, sem dúvida, uma armadilha escondida da linguagem em que muitas vezes caímos e que é necessário transformar.

Nos dias de hoje, e para a nossa surpresa, continuamos a ouvir muitas pessoas dizendo em voz alta a clássica frase “meu parceiro me ajuda com as tarefas de casa” ou “eu ajudo a minha mulher a cuidar das crianças”. É como se as tarefas e as responsabilidades de uma casa e de uma família tivessem patrimônio, uma característica associada ao gênero e que ainda não evoluiu nada nos nossos padrões de pensamento.

“Pai não é aquele que dá a vida, pai é quem nos educa com amor.”

A figura do pai é igualmente relevante à de uma mãe. Contudo, é claro que o primeiro vínculo de apego do recém-nascido durante os primeiros meses se centra na figura materna. No entanto, atualmente a clássica imagem do progenitor cujo foco é a férrea autoridade e o sustento básico do lar deixou de ser sustentável e deve ser invalidada.

Precisamos colocar um fim no sistema patriarcal ultrapassado em que as tarefas são sexualizadas em rosa e azul para provocar mudanças reais na nossa sociedade. Para isso, devemos semear a mudança no âmbito privado de nossos lares e, acima de tudo, em nossa linguagem.

Porque o pai não “ajuda”, não é alguém que passa pela casa e facilita o trabalho de sua parceira de vez em quando. Um pai é alguém que sabe estar presente, que ama, que cuida e que se responsabiliza por aquilo que dá sentido à sua vida: sua família.

O cérebro dos homens durante a criação

Algo que todos nós sabemos é que o cérebro das mães passa por mudanças assombrosas durante a criação de um bebê. A própria gravidez, a amamentação, assim como a tarefa de cuidar da criança todos os dias favorecem uma reestruturação cerebral com fins adaptativos. É algo impressionante. Além de a oxitocina aumentar, as sinapses neuronais mudam para aumentar a sensibilidade e a percepção para que a mulher possa reconhecer o estado emocional de seu bebê.

Mas o que acontece com o pai? Será que ele é um mero espectador biologicamente imune a tal acontecimento? Nada disso. O cérebro dos homens também muda, e faz isso de uma forma simplesmente espetacular. Segundo um estudo realizado pelo “Centro de Ciências do Cérebro Gonda da Universidade de Bar-Ilan”, se um homem exerce um papel primário ao cuidar de seu bebê, ele experimenta a mesma mudança neuronal que uma mulher.

Através de várias imagens do cérebro, retiradas em estudos realizados tanto em pais heterossexuais como homossexuais, foi possível ver que a atividade de suas amígdalas era 5 vezes mais intensa do que o normal. Esta estrutura está relacionada com a advertência do perigo e com uma maior sensibilidade ao mundo emocional dos bebês.

Desta forma, e este dado pode surpreender a qualquer um, o nível de oxitocina secretada por um pai que exerce o papel de cuidador primário é igual ao de uma mulher que também cumpre seu papel como mãe. Tudo isso nos revela algo que já sabíamos: um pai pode se relacionar com seus filhos no mesmo nível emocional que a mãe.

A paternidade e a maternidade responsável

Existem pais que não sabem estar presentes. Existem mães tóxicas, pais maravilhosos que criam seus filhos sozinhos, e mães extraordinárias que deixam marcas inapagáveis no coração de seus filhos. Criar um filho é um desafio e tanto, algo para o qual nem todos estão preparados e que muitos outros enfrentam como o desafio mais enriquecedor de suas vidas.

“Homens e mulheres devem se sentir livres para serem fortes. É hora de vermos os gêneros como um conjunto, não como um jogo de polos opostos. Temos que parar de desafiarmos uns aos outros.”
-Discurso de Emma Watson na ONU-

Com isso, queremos deixar claro uma coisa: a boa paternidade e a boa maternidade não têm a ver com gêneros, mas com pessoas. Além disso, cada parceiro tem consciência de suas próprias necessidades e irá realizar suas tarefas de criação e atenção com base em suas características. Ou seja, são os próprios membros do casal que estabelecem a partilha e as responsabilidades do lar com base na disponibilidade de cada um.

Chegar a acordos, ser cúmplices um do outro e deixar claro que o cuidado dos filhos é responsabilidade mútua e não exclusividade de um só irá criar uma harmonia favorecedora em que a criança irá crescer com felicidade, pois terá acima de tudo um ótimo exemplo.

Da mesma forma, e além dos grandes esforços que cada família realiza no seio de seu próprio lar, é necessário que a sociedade também seja sensível a esse tipo de linguagem que alimenta os rótulos sexistas e os estereótipos.

As mães que continuam com sua carreira profissional e que lutam para ter uma posição na sociedade não são “mães ruins”, e nem estão deixando de cuidar de seus filhos. Por outro lado, os pais que dão a mamadeira, que buscam remédios para as cólicas de seus bebês, que vão comprar fraldas ou que dão banho nas crianças todas as noites não estão ajudando: estão exercendo sua paternidade.

Do site La Mente es Maravillosa

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Cinco dicas para melhorar sua inteligência emocional

Muitos estudiosos do comportamento humano consideram que a inteligência
emocional é mais importante que a inteligência mental (o conhecido QI), no
tocante a alcançar a satisfação em termos gerais.

O indivíduo dotado de inteligência emocional possui um melhor conhecimento de
si mesmo, auto controle e domínio de suas emoções, além de muito jeito e
habilidade para compreender e lidar com as respostas das emoções dos outros.

Entre as características da inteligência emocional está a capacidade de
controlar impulsos, canalizar emoções para situações adequadas, praticar a
gratidão e motivar as pessoas, além de outras qualidades que possam ajudar a
encorajar outros indivíduos.

A inteligência emocional pode ser subdivida em cinco habilidades específicas:

► Autoconhecimento emocional
► Controle emocional
► Automotivação
► Empatia
► Desenvolver relacionamentos interpessoais (habilidades sociais)

1. Conheça a si mesmo

Conhecer a si mesmo é um processo que durará toda a sua vida. A cada dia
podemos descobrir coisas novas sobre nós mesmos, mas para isso é preciso
estar atento. Faça a si mesmo questionamentos como:

• Por que eu sempre faço tal coisa desse jeito e não daquele outro?

• Todo mundo tem sua própria verdade; se a verdade do outro não é superior a
minha, por que devo achar que a minha é superior a dele?

• Aquilo que eu acredito é questionável? minha fé, minhas crenças, meus valores
são questionáveis? Por que eu tenho o privilégio de fazer parte do grupo de
humanos que detém a verdade absoluta?

• Serei mais fraco se eu engolir um desaforo, um insulto ou uma provocação
qualquer, ou estarei assim me assumindo como forte?

• Demonstro facilmente meus sentimentos? O que isso tem de bom ou de ruim?

• Como encaro a solidão?

• Sou uma pessoa otimista ou pessimista?

• O que eu criticaria em mim se eu fosse outra pessoa me avaliando?

• Dou muita importância a opinião alheia a meu respeito?

São infinitas as perguntas que você pode se fazer todos os dias para começar
um processo de autoconhecimento, aqui demos apenas uma pequena direção.
É necessário se questionar e refletir sobre o questionamento, não para tentar
justificar suas ações e comportamento, mas para entender porque suas
emoções se revelam assim e não de outra forma, e procurar melhorar se achar
que deve.

2. Equilíbrio emocional

Antes de tudo é preciso diferenciar EMOÇÕES de SENTIMENTOS.

Embora as duas palavras sejam usadas de forma intercambiável, existem
diferenças distintas entre sentimentos e emoções.

Entender a diferença entre as duas pode ajudá-lo a mudar comportamentos
inadequados e a encontrar mais felicidade e paz em sua vida. Sentimentos e
emoções são dois lados da mesma moeda e altamente interligados, mas são
duas coisas muito diferentes.

Emoções

Emoções são respostas que despertam reações internas, e pode ter diversas
naturezas. Por exemplo, algumas emoções são: euforia, alegria, raiva, tristeza,
susto etc. As reações emocionais são codificadas em nossos genes e, embora
variem um pouco individualmente e dependendo das circunstâncias, são
geralmente semelhantes em todos os seres humanos e até mesmo em outras
espécies. Por exemplo, você sorri e seu cachorro abana o rabo.

Sentimentos

Os sentimentos são associações mentais e reações às emoções e são
subjetivos, sendo influenciados pela experiência pessoal, crenças e memórias.
Um sentimento é um retrato mental do que está acontecendo em seu corpo
quando você tem uma emoção, é o subproduto do seu cérebro percebendo e
atribuindo significado à emoção. Sentimentos são a próxima coisa que acontece
depois de ter uma emoção, envolve input cognitivo, geralmente subconsciente, e
não pode ser medido com precisão.

Uma emoção não “tratada” pode se tornar em um sentimento, aí temos exemplos
como a raiva, o ódio, o rancor ou ressentimento, que podem surgir
instantaneamente como uma resposta, uma reação do corpo e permanecer
como um sentimento causando mal a quem o nutre.

Não há como não sentir emoção, mas há como treinar para que ela não se torne
um sentimento consumindo a gente por dentro. Primeiro é preciso entender o
que você está sentindo e tentar identificar as justificativas que a nossa mente cria
para continuarmos alimentando o sentimento ruim. Muitas dessas justificativas
são falsas ou, se existem, nós exageramos no valor que elas têm. As
justificativas funcionam como o combustível para o sentimento se manter vivo.
Porém, sabemos que existem “justificativas” comprovadamente reais e, nesses
casos, se a pessoa não consegue trabalhar o que sente, o mais indicado é
procurar orientação profissional.

Como controlar as emoções explosivas

Respirar . Técnicas simples de mindfulness podem ser sua melhor aliada em
situações tensas e nenhuma é mais direta e acessível do que usar a respiração.
Então, quando você começar a perceber que está ficando tenso, tente se
concentrar na respiração. Observe a sensação de ar entrando e saindo de seus
pulmões. Sinta-o passar pelas narinas ou pelo fundo da garganta. Isso tirará sua
atenção dos sinais físicos de pânico e manterá você centrado. Alguns
especialistas em mindfulness sugerem contar sua respiração – inspirando e
expirando por uma contagem de 6, por exemplo, ou apenas contando cada
expiração até chegar a 10 e então começar de novo.

Concentre-se no seu corpo . Ficar sentado quando você está tendo uma
conversa difícil pode fazer as emoções se acumularem ao invés de se
dissiparem. Especialistas dizem que ficar de pé e andando ajuda a ativar a parte
pensante do seu cérebro. Se você e seu colega estão sentados em uma mesa,
você pode hesitar em se levantar de repente. Justo. Em vez disso, você pode
dizer: “Eu sinto que preciso esticar um pouco. Importa-se se eu andar um pouco?
”Se isso ainda não parecer confortável, você pode fazer pequenas coisas físicas,
como cruzar dois dedos ou colocar os pés firmemente no chão e perceber como
é o chão na parte inferior de seus sapatos. Especialistas em atenção chamam
isso de ” ancoragem. ”Isso pode funcionar em todos os tipos de situações
estressantes.

3. Empatia

A empatia é um conceito que todos nós conhecemos e apreciamos. Nós
simplesmente não a colocamos em prática tão freqüentemente quanto
deveríamos. É mais fácil ter empatia pelas pessoas que nos dão
sentimentos mais positivos. Nós nos identificamos melhor com elas e o nível de
compreensão é mais intenso.

Mas e se um dia tentarmos viver com alguém que nos faça sentir
desconfortáveis? Considere, por exemplo, seu chefe, que não respeita você, ou
aquele colega que sempre fofoca sobre os outros. Tente se colocar no lugar
deles e talvez descubra o que está por trás desse comportamento: incerteza,
pouca autoconfiança, por exemplo. Experimente, pode ser uma boa experiência
de aprendizado.

4. Auto-motivação

Aqui partimos de um princípio óbvio de que todo problema tem uma solução,
sempre existe uma saída. A desmotivação acontece quando você esbarra na
barreira e acha que ela é intransponível. Se tiver que recuar, recue. Se tiver que
recomeçar do zero, recomece. Fazer algo esperando reconhecimento ou
valorização de terceiros é o primeiro passo para se frustrar e desanimar.

As críticas e a falta de incentivos, se forem encaradas como desafio, podem
surtir efeito contrário, como um combustível para impulsionar a vontade de
realizar de fato o que os outros duvidam que você seja capaz. É assim que as
pessoas dotadas de inteligência emocional interpretam. E o que não tem
remédio, remediado está! Se não há o que fazer, melhor esquecer e deixar a vida
seguir; se há ainda o que possa ser feito, melhor focar nessa possibilidade.

Tenha um plano B para tudo, mesmo que um segundo plano não seja a solução ideal, ainda émelhor que não ter solução nenhuma.

A vida sem esperança não é vida. Vá em busca de motivação todos os dias.

5. habilidades sociais

Você pode se comportar como uma criatura mais social, mesmo que não se
sinta assim. Não permita que a ansiedade e a timidez retenham você. Tome a
decisão de conversar com novas pessoas e de entrar em conversas mesmo
quando estiver nervoso com essa possibilidade.

Com o tempo, ficará mais fácil e você começará a melhorar rapidamente suas
habilidades sociais.

Trate as pessoas pelo nome, isso transmite simpatia e respeito ao outro.

Num embate de ideias, respeite os pontos de vista do outro, mesmo que
discorde. Aponte nos argumentos dele alguma coisa que você concorda quando
for contra argumentar. Se não houver nada que você compartilhe nos argumentos
do outro, procure discordar de maneira gentil, sem ofender ou desmerecer o
ponto de vista dele. Apenas apresente as falhas que você considera existir e que
as tornam frágil a argumentação do oponente. Mas deixe espaço para dúvida,
porque, lembre-se, as suas é que podem conter falhas.

Procure emoções positivas e mostre-as. Tente ouvir melhor a pessoa à sua
frente e olhe através do olhar dela. Você encontrará mais do que palavras
simples. Coloque-o em prática, desenvolva a inteligência emocional e lembre-se
de que, ao ser mais feliz, você também tornará os outros mais felizes.

Ver original em 'Pensar Contemporâneo' na seguinte ligação::

https://www.pensarcontemporaneo.com/cinco-dicas-para-melhorar-sua-inteligencia-emocional/

5 dicas para melhorar sua inteligência emocional

Muitos estudiosos do comportamento humano consideram que a inteligência
emocional é mais importante que a inteligência mental (o conhecido QI), no
tocante a alcançar a satisfação em termos gerais.

O indivíduo dotado de inteligência emocional possui um melhor conhecimento de
si mesmo, auto controle e domínio de suas emoções, além de muito jeito e
habilidade para compreender e lidar com as respostas das emoções dos outros.

Entre as características da inteligência emocional está a capacidade de
controlar impulsos, canalizar emoções para situações adequadas, praticar a
gratidão e motivar as pessoas, além de outras qualidades que possam ajudar a
encorajar outros indivíduos.

A inteligência emocional pode ser subdivida em cinco habilidades específicas:

► Autoconhecimento emocional
► Controle emocional
► Automotivação
► Empatia
► Desenvolver relacionamentos interpessoais (habilidades sociais)

1. Conheça a si mesmo

Conhecer a si mesmo é um processo que durará toda a sua vida. A cada dia
podemos descobrir coisas novas sobre nós mesmos, mas para isso é preciso
estar atento. Faça a si mesmo questionamentos como:

• Por que eu sempre faço tal coisa desse jeito e não daquele outro?

• Todo mundo tem sua própria verdade; se a verdade do outro não é superior a
minha, por que devo achar que a minha é superior a dele?

• Aquilo que eu acredito é questionável? minha fé, minhas crenças, meus valores
são questionáveis? Por que eu tenho o privilégio de fazer parte do grupo de
humanos que detém a verdade absoluta?

• Serei mais fraco se eu engolir um desaforo, um insulto ou uma provocação
qualquer, ou estarei assim me assumindo como forte?

• Demonstro facilmente meus sentimentos? O que isso tem de bom ou de ruim?

• Como encaro a solidão?

• Sou uma pessoa otimista ou pessimista?

• O que eu criticaria em mim se eu fosse outra pessoa me avaliando?

• Dou muita importância a opinião alheia a meu respeito?

São infinitas as perguntas que você pode se fazer todos os dias para começar
um processo de autoconhecimento, aqui demos apenas uma pequena direção.
É necessário se questionar e refletir sobre o questionamento, não para tentar
justificar suas ações e comportamento, mas para entender porque suas
emoções se revelam assim e não de outra forma, e procurar melhorar se achar
que deve.

2. Equilíbrio emocional

Antes de tudo é preciso diferenciar EMOÇÕES de SENTIMENTOS.

Embora as duas palavras sejam usadas de forma intercambiável, existem
diferenças distintas entre sentimentos e emoções.

Entender a diferença entre as duas pode ajudá-lo a mudar comportamentos
inadequados e a encontrar mais felicidade e paz em sua vida. Sentimentos e
emoções são dois lados da mesma moeda e altamente interligados, mas são
duas coisas muito diferentes.

Emoções

Emoções são respostas que despertam reações internas, e pode ter diversas
naturezas. Por exemplo, algumas emoções são: euforia, alegria, raiva, tristeza,
susto etc. As reações emocionais são codificadas em nossos genes e, embora
variem um pouco individualmente e dependendo das circunstâncias, são
geralmente semelhantes em todos os seres humanos e até mesmo em outras
espécies. Por exemplo, você sorri e seu cachorro abana o rabo.

Sentimentos

Os sentimentos são associações mentais e reações às emoções e são
subjetivos, sendo influenciados pela experiência pessoal, crenças e memórias.
Um sentimento é um retrato mental do que está acontecendo em seu corpo
quando você tem uma emoção, é o subproduto do seu cérebro percebendo e
atribuindo significado à emoção. Sentimentos são a próxima coisa que acontece
depois de ter uma emoção, envolve input cognitivo, geralmente subconsciente, e
não pode ser medido com precisão.

Uma emoção não “tratada” pode se tornar em um sentimento, aí temos exemplos
como a raiva, o ódio, o rancor ou ressentimento, que podem surgir
instantaneamente como uma resposta, uma reação do corpo e permanecer
como um sentimento causando mal a quem o nutre.

Não há como não sentir emoção, mas há como treinar para que ela não se torne
um sentimento consumindo a gente por dentro. Primeiro é preciso entender o
que você está sentindo e tentar identificar as justificativas que a nossa mente cria
para continuarmos alimentando o sentimento ruim. Muitas dessas justificativas
são falsas ou, se existem, nós exageramos no valor que elas têm. As
justificativas funcionam como o combustível para o sentimento se manter vivo.
Porém, sabemos que existem “justificativas” comprovadamente reais e, nesses
casos, se a pessoa não consegue trabalhar o que sente, o mais indicado é
procurar orientação profissional.

Como controlar as emoções explosivas

Respirar . Técnicas simples de mindfulness podem ser sua melhor aliada em
situações tensas e nenhuma é mais direta e acessível do que usar a respiração.
Então, quando você começar a perceber que está ficando tenso, tente se
concentrar na respiração. Observe a sensação de ar entrando e saindo de seus
pulmões. Sinta-o passar pelas narinas ou pelo fundo da garganta. Isso tirará sua
atenção dos sinais físicos de pânico e manterá você centrado. Alguns
especialistas em mindfulness sugerem contar sua respiração – inspirando e
expirando por uma contagem de 6, por exemplo, ou apenas contando cada
expiração até chegar a 10 e então começar de novo.

Concentre-se no seu corpo . Ficar sentado quando você está tendo uma
conversa difícil pode fazer as emoções se acumularem ao invés de se
dissiparem. Especialistas dizem que ficar de pé e andando ajuda a ativar a parte
pensante do seu cérebro. Se você e seu colega estão sentados em uma mesa,
você pode hesitar em se levantar de repente. Justo. Em vez disso, você pode
dizer: “Eu sinto que preciso esticar um pouco. Importa-se se eu andar um pouco?
”Se isso ainda não parecer confortável, você pode fazer pequenas coisas físicas,
como cruzar dois dedos ou colocar os pés firmemente no chão e perceber como
é o chão na parte inferior de seus sapatos. Especialistas em atenção chamam
isso de ” ancoragem. ”Isso pode funcionar em todos os tipos de situações
estressantes.

3. Empatia

A empatia é um conceito que todos nós conhecemos e apreciamos. Nós
simplesmente não a colocamos em prática tão freqüentemente quanto
deveríamos. É mais fácil ter empatia pelas pessoas que nos dão
sentimentos mais positivos. Nós nos identificamos melhor com elas e o nível de
compreensão é mais intenso.

Mas e se um dia tentarmos viver com alguém que nos faça sentir
desconfortáveis? Considere, por exemplo, seu chefe, que não respeita você, ou
aquele colega que sempre fofoca sobre os outros. Tente se colocar no lugar
deles e talvez descubra o que está por trás desse comportamento: incerteza,
pouca autoconfiança, por exemplo. Experimente, pode ser uma boa experiência
de aprendizado.

4. Auto-motivação

Aqui partimos de um princípio óbvio de que todo problema tem uma solução,
sempre existe uma saída. A desmotivação acontece quando você esbarra na
barreira e acha que ela é intransponível. Se tiver que recuar, recue. Se tiver que
recomeçar do zero, recomece. Fazer algo esperando reconhecimento ou
valorização de terceiros é o primeiro passo para se frustrar e desanimar.

As críticas e a falta de incentivos, se forem encaradas como desafio, podem
surtir efeito contrário, como um combustível para impulsionar a vontade de
realizar de fato o que os outros duvidam que você seja capaz. É assim que as
pessoas dotadas de inteligência emocional interpretam. E o que não tem
remédio, remediado está! Se não há o que fazer, melhor esquecer e deixar a vida
seguir; se há ainda o que possa ser feito, melhor focar nessa possibilidade.

Tenha um plano B para tudo, mesmo que um segundo plano não seja a solução ideal, ainda émelhor que não ter solução nenhuma.

A vida sem esperança não é vida. Vá em busca de motivação todos os dias.

5. habilidades sociais

Você pode se comportar como uma criatura mais social, mesmo que não se
sinta assim. Não permita que a ansiedade e a timidez retenham você. Tome a
decisão de conversar com novas pessoas e de entrar em conversas mesmo
quando estiver nervoso com essa possibilidade.

Com o tempo, ficará mais fácil e você começará a melhorar rapidamente suas
habilidades sociais.

Trate as pessoas pelo nome, isso transmite simpatia e respeito ao outro.

Num embate de ideias, respeite os pontos de vista do outro, mesmo que
discorde. Aponte nos argumentos dele alguma coisa que você concorda quando
for contra argumentar. Se não houver nada que você compartilhe nos argumentos
do outro, procure discordar de maneira gentil, sem ofender ou desmerecer o
ponto de vista dele. Apenas apresente as falhas que você considera existir e que
as tornam frágil a argumentação do oponente. Mas deixe espaço para dúvida,
porque, lembre-se, as suas é que podem conter falhas.

Procure emoções positivas e mostre-as. Tente ouvir melhor a pessoa à sua
frente e olhe através do olhar dela. Você encontrará mais do que palavras
simples. Coloque-o em prática, desenvolva a inteligência emocional e lembre-se
de que, ao ser mais feliz, você também tornará os outros mais felizes.

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