Incêndios

Fogos em Portugal: Desastre terreno e aéreo que custa muitos milhões

Se vem aqui rebuscando apontamentos e acontecimentos relacionados com as ditas Eleições Europeias desiluda-se, não daremos para esse “peditório”. Haverá os que argumentarão que decidimos mal porque a direita avança por toda a UE e também em Portugal. Não analisamos assim. 

Ao longo de décadas vimos a direita fascizante representada na Europa e também em Portugal, só que de ano para ano estão mais descarados(as) e dão asas à sua ideologia porque nem sequer os consideram fascistas mas sim neoliberais. Mas fascistas é o que eles(as) são e é aquilo que perseguem e tudo fazem para impor. Na Europa e no mundo. Pronto, lamentamos que não o possamos servir mas sobre “europeia” de campanha rasca, subterrânea e de esgoto não faremos nem uma referência a partir de agora, nem sabemos se votaremos nessas (mal)ditas cujas alcateias de políticos do tipo chulos do Cais do Sodré de antanho demonstram com garbo as suas baixezas e trampas que comportam nos cérebros e nas línguas…
Fogos. Temos de referenciar algo muito mais importante para Portugal e para os portugueses. A hecatombe de Pedrógão e lugares próximos e semelhantes, assim como a serra algarvia de Monchique, por exemplo, estão vivas nas nossas memórias. Foram e são os fogos. Também a maioria de semblantes espantados cabem neste cardápio de catástrofes quando assistimos à “guerra” de políticos sabujos que fizeram cortes cegos na segurança contra fogos e que agora se armam em prostitutas sérias e descascam no atual governo, deixando para trás as responsabilidades que têm em imensas falhas que deram e darão lugar a catástrofes maiores e menores. 


Não que o atual governo seja exemplar nesse e noutros setores, não é. Perito na impecabilidade foi e é a entregar milhares de milhões à banca. Nisso é que todos os governos do bloco central e ilhargas apostaram e têm sido competentíssimos. O de Costa também aplica a mesma “escola”… mas diz-se de esquerda. E existem imensos papalvos a acreditar nisso. Provavelmente até Costa acredita nisso quando se olha pela manhã ao espelho, apesar de sabermos que quem se governa em Portugal são as grandes corporações e certos e incertos “filhotes” do espectro político-partidário que mantém vivaço o tal bloco central, amigo de uns quantos a fazerem fortunas, em prejuízos das populações, dos trabalhadores, do povo ou ralé que é a sustentação deste país e desses tais dignos personagens do tipo chulos do Cais do Sodré.
E é disso que a talhe de foice vamos pôr a lavrar seguidamente. Notícia da Lusa na TSF, sobre meios aéreos… Falta dizer que aquilo é um grande negócio e que amiúde se ouve palrar sobre incêndios inesperados que surgem após passagens de aviões e outras “aves” que voam. Não custa acreditar se olharmos para o panorama de vigaristas e criminosos que nos assolam com esquemas que só depois de desmascarados nos permite cair de quatro na realidade…
As elites em Portugal e pela UE estão podres, purificá-las só se arderem. Como as matas, como as florestas, como os animais apanhados nos fogos, as casas, as pessoas.
Fogos em Portugal pela canícula são um permanente desastre terreno e aéreo… mas a alguns dará milhões. Pelo menos milhares, se forem muitos os “premiados”. Que ardam também. E neste termo "arder" queremos dizer realmente que desapareçam.
Redação PG
Incêndios: Só 21 dos 38 meios aéreos previstos estão disponíveis este mês
No dia em que o risco de incêndioaumenta consideravelmente, o Governo assumiu não ter todos os meios aéreos que estavam planeados. O número total de aeronaves previstas estará apenas preparado em junho, segundo estimativas do Governo
O dispositivo de combate a incêndios deste ano prevê 38 meios aéreos disponíveis a partir desta quarta-feira, mas só 21 vão estar operacionais. O Governo estima que em junho todos os meios aéreos estarão aptos para utilização.
À TSF, o Ministério da Defesa assumiu que há 35 meios aéreos adicionais e ainda três helicópteros do Estado, que dependem do aval do Tribunal de Contas. No entanto, o Executivo salientou que, de 15 de maio de 2018 para o mesmo dia deste ano, há mais 13 aeronaves à disposição.

A Diretiva Operacional Nacional, que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano, indicava que a fase de reforço de meios "nível II", que decorre até 31 de maio, teria disponível 38 meios aéreos, inclusive um helicóptero da Força Aérea, que será ativado em caso de necessidade para coordenação aérea.

No entanto, faltam 17 aeronaves, cuja disponibilização "depende do cumprimento do Código dos Contratos Públicos e da emissão do visto prévio do Tribunal de Contas para cada um dos contratos", disse à agência Lusa fonte do Ministério da Defesa Nacional (MDN), e sustentou que existe "a expectativa de que os meios aéreos possam estar disponíveis o mais rapidamente possível".

A mesma fonte precisou que a partir desta quarta-feira estão disponíveis 20 meios aéreos, cujos contratos de aluguer foram feitos em 2018, pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, e que se prolongam até este ano, a que se adiciona o helicóptero da Força Aérea, num total de 21.

A fonte do MDN adiantou que estão ainda operacionais outros dois meios aéreos alocados em 2018, mas o contrato só permite que fiquem disponíveis a partir de 1 de junho.

Os meios aéreos que estão dependentes do cumprimento do Código dos Contratos Públicos e da emissão do visto prévio do Tribunal de Contas são os três helicópteros ligeiros do Estado e as 35 aeronaves adicionais alugadas este ano.

Segundo o MDN, o contrato plurianual (2019-2022) relativo aos três helicópteros do Estado foi assinado a 16 de abril, e enviado ao Tribunal de Contas a 22 do mesmo mês, quando se iniciou a execução do contrato "logo após a emissão do visto, estimando-se que aconteça em junho".

O Ministério da Defesa Nacional adianta que os contratos dos 35 meios aéreos alugados este ano, cujo contrato se estende até 2021, e que vão integrar o DECIR, devem ser enviados esta quarta-feira para o Tribunal de Contas.

A mesma fonte esclareceu que os procedimentos para a locação dos 35 meios aéreos adicionais terminaram dentro dos prazos inicialmente previstos, sendo que nenhum dos nove lotes a concurso ficou deserto.

"De acordo com o Código dos Contratos Públicos, terminou na semana passada o período para a apresentação dos documentos de habilitação e o envio das garantias bancárias para os contratos referentes a cada um dos noves lotes", referiu.

O MDN frisou que "a execução dos contratos inicia-se logo após a emissão de cada um dos vistos, estimando-se que estejam igualmente disponíveis em junho".

O Governo espera que, "gradualmente, e, a partir de junho, estejam disponíveis e operacionais todos os meios aéreos previstos no DECIR 2019", além de garantir que "tomará todas as medidas ao seu alcance para que haja meios suficientes e prontos para atuar quando necessário".

O dispositivo de combate a incêndios conta este ano com 61 meios aéreos, inclusive um helicóptero para Madeira, mais cinco do que em 2018.

Este ano, a Força Aérea assume pela primeira vez a gestão e o comando dos meios aéreos de combate a incêndios rurais.

O Ministério da Defesa Nacional referiu ainda que a locação dos meios aéreos adicionais para o DECIR de 2019 corresponde, na íntegra, à proposta apresentada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, e que é o ano com "o maior dispositivo" de aeronaves de combate a incêndios".

TSF com Lusa

 

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Portugal | Governo rejeita indemnização a família de vítima dos incêndios de 2017

Avelino Ferreira morreu no dia 7 de outubro enquanto manejava uma máquina de combate a incêndios. Secretário de Estado das Autarquias Locais diz que só podem ser indemnizadas as pessoas que morreram a 15 e 16 de outubro, ou entre 17 e 24 do mesmo mês.
Avelino Mateus Ferreira morreu aos 49 anos, em outubro de 2017, num acidente com uma máquina de arrasto que manejava no combate a um incêndio no concelho de Oleiros, num ano muito dramático, em que os fogos fizeram mais de uma centena de vítimas em Portugal.
Contudo, a família do funcionário da Câmara de Oleiros não vai receber indemnização. Isto porque, apesar de ter morrido a combater um incêndio, Avelino morreu no dia 7 de outubro e não nos dias 15 e 16 ou entre 17 a24 do mesmo mês.


Conta a SIC Notícias que, logo em junho de 2018, a Provedoria de Justiça notificou a família da vítima, dizendo que nada podia fazer porque as resoluções do Conselho de Ministros não abrangiam o dia 7 de outubro. Mesmo assim, o caso foi enviado para o gabinete do primeiro-ministro.

Já em janeiro deste ano, António Costa informou o município de Oleiros que a situação estava a ser analisada pelo secretário de Estado das Autarquias Locais. Só que, dois meses mais tarde, chegou a notícia que afinal, não havia mesmo tratamento de exceção.

A resposta do Governo gerou indignação e até o presidente da Câmara de Oleiros ficou revoltado com a situação.

“Envergonho-me de ser português com um primeiro-ministro que faz uma discriminação negativa com uma família pobre como ele fez. A carta veio de um chefe de gabinete do primeiro-ministro e diz que se a família entender, que recorra à via judicial e que ponha o Estado português em tribunal se entender que tem razão. Esta é a coisa mais vergonhosa que já vi. Do ponto de vista político, nunca tinha visto nada assim”, disse Fernando Marques Jorge num comunicado citado pelo antigo canal de Carnaxide.

Entretanto, a Câmara aprovou a iniciativa de apoiar financeiramente a família da vítima, nomeadamente, os dois filhos, um dos quais a estudar na Universidade de Coimbra. A autarquia prevê pagar a alimentação, propinas, alojamento e material escolar enquanto ambos estudarem.

Natacha Nunes Costa | Notícias ao Minuto | Foto: Global Imagens

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"Estamos a morrer aos poucos." Seis meses após o fogo, ainda nenhuma casa foi reconstruída

Passados seis meses do incêndio que durante mais de uma semana destruiu casas e floresta no concelho de Monchique, ainda não foi reconstruída qualquer habitação. E também não chegaram apoios para a agricultura.
 
Vitorino Inácio mostra a casa. "A sala é o lugar pior de todos. Já está a pingar aqui." Lá dentro é um frio de rachar. O fogo destruiu o telhado e agora chove dentro da habitação. As paredes estão cheias de bolor. Vitorino é proprietário de uma das 52 casas afetadas pelo incêndio de Monchique.
Queixa-se do abandono a que tem sido votado. Vitorino, bem como Olívia Costa, mora numa casas alugada desde o incêndio de agosto do ano passado.
Até agora, não começou a reconstrução de qualquer habitação ardida. As pessoas debatem-se com burocracias. Nalguns casos têm que apresentar um projeto ao Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e sempre três orçamentos para a obra. "Não sei qual vai ser o meu futuro, não dão a certeza de nada, isto não é viver. Estamos a morrer aos poucos", lamenta Olívia Costa.
O desânimo, passados seis meses após o incêndio, é muito.
Paula David mora no sítio do Alto, em Alferce. Aobalcão desta junta de freguesia, onde é funcionária, relata os momentos de pânico quando a aldeia ficou cercada pelo fogo, sem comunicações. Tal como muitos moradores da zona, critica a falta de organização da Proteção Civil e a atitude da GNR, que quis evacuar a população para S. Marcos da Serra, durante o incêndio. Recorda que fez frente à Guarda Nacional Republicana porque a estrada para S. Marcos estava na frente de fogo. Se tivesse seguido as ordens, "tinha sido pior que Pedrógão".
Se na reconstrução das habitações ainda nada avançou, nos apoios agrícolas também nada foi atribuído. Foram apresentadas 281 candidaturas que são apoiadas no âmbito do PDR 2020, o Programa de Desenvolvimento Rural. Mas a situação só traz complicações.
"Se nos queriam ajudar, que tivessem criado uma medida especial para os incêndios", revolta-se Paula. Porque, segundo explica, a burocracia num programa comunitário é muita - começando pela exigências às pessoas, na sua maioria idosas que vivem de uma agricultura de subsistência, a obrigação de se inscreverem nas Finanças como agricultores.
Além do mais, para reporem o seu potencial agrícola, os habitantes de Monchique têm que adiantar o dinheiro e só depois são ressarcidos. Ou então pedir às empresas onde compram as árvores ou as alfaias agrícolas que passem antecipadamente uma fatura pró-forma.
No sitio dos Pardieiros, José Albano vai todos os dias ver o armazém e o trator em cinzas. Estimaprejuízos para cima de 30 mil euros. Ainda não recebeu um tostão. "Até agora não me disseram nada, ninguém dá nada a ninguém", lamenta.
Paula David é perentória: "Os governantes deviam vir aqui, falar com as pessoas e ver que aquilo que nos prometeram não chegou cá nada."
Maria Augusta Casaca | TSF
Foto: Orlando Almeida / Global Imagens

 

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http://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/estamos-morrer-aos-poucos-seis-meses.html

Orgulho ou vidas humanas: por que EUA não compram aviões russos para lidar com incêndios?

Todos os anos, os EUA sofrem múltiplos incêndios florestais, mas os aviões usados para extingui-los deixam muito a desejar. De acordo com Stephen Bryen, repórter do Asia Times, a aeronave russa Altair Be-200 é a melhor para lidar com esses desastres. A sua compra ou aluguer seria economicamente benéfica para os EUA e não iria contra as sanções.

Os Estados Unidos nunca construíram aviões para extinguir incêndios, apesar de estes desastres afetarem grandes áreas do país, escreve o jornal.


Atualmente, os incêndios florestais estão devastando várias localidades da Califórnia. Em 2017, houve 9.827 incêndios no Texas, 9.560 na Califórnia, 5.125 na Carolina do Norte e 3.929 na Geórgia. Mas isso é apenas parte de um quadro maior: muitos outros estados também sofrem frequentes incêndios.

Enquanto isso, os países líderes em combate a incêndios com a ajuda de aviões são o Canadá, a Rússia e o Japão, escreve especialista.

Além de reativos refratários especiais, os incêndios são geralmente extinguidos com água. As aeronaves comuns devem ser carregadas com produtos químicos ou água após cada descarga, o que faz perder muito tempo. Uma opção alternativa são as aeronaves que podem coletar água de reservatórios próximos — lagos, baías, grandes rios — e voltar rapidamente à área afetada. Esta opção economiza muito tempo, valioso quando se trata de um incêndio.

O Canadá produz aviões CL-415 capazes de transportar até 6.100 litros de água ou produtos químicos. Essas aeronaves foram criadas especialmente para extinguir incêndios e já provaram sua eficiência em todo o mundo.


A aeronave japonesa multifuncional US-2 pode coletar água de reservatórios. Mas, ao mesmo tempo, esses veículos aéreos cumprem outras missões, incluindo busca, resgate e reconhecimento.

Ao mesmo tempo, a China copiou o US-2 e criou sua aeronave AG-600, indica o jornalista. Mas a China tem seus próprios planos para esses aviões, então não está claro se eles serão usados para extinguir incêndios, acrescentou.

Além disso, os aviões japoneses são significativamente mais caros: US$ 113 milhões (R$ 422 milhões) contra US$ 26 milhões (R$ 97 milhões) do canadense CL-415 e cerca de US$ 20 milhões (R$ 74,7 milhões) do russo Be-200, segundo o autor.

O Be-200 Altair russo é uma aeronave multifuncional anfíbia construída especificamente para apagar incêndios, realizar missões de busca e salvamento e transportar passageiros e cargas. É capaz de transportar 12 toneladas de água em oito compartimentos separados. Além disso, seis compartimentos são destinados a carregar produtos químicos.


As aeronaves russas são usadas na Europa e na Ásia, inclusive em tais países como a Itália, Portugal, Grécia, Azerbaijão, Israel e Indonésia.

O russo Be-200 voa à velocidade de 700 km/h, em comparação com a velocidade máxima do US-2 japonês de 580 km/h e de 359 km/h do canadense CL-415. Uma maior velocidade permite economizar tempo, o que é muito importante em situações de emergência.

No entanto, apesar de todas essas vantagens, os Estados Unidos não aceitam o Be-200, lamenta o jornalista. Embora tenha um certificado de aprovação europeu, é usado apenas no aeroporto de Santa Maria, na Califórnia.

As autoridades dos EUA geralmente recorrem a 1.000 aeronaves, arrendadas ou próprias, em cada época de incêndios, gastando mais de US$ 250 milhões (933,7 milhões) por ano.


A maioria dos aviões alugados pelo governo foi originalmente projetada para transportar passageiros. Os aviões transformados são caros de manter e geralmente seu estado deixa muito a desejar. Como resultado, ocorrem atrasos, falhas e acidentes.

Não obstante, os Estados Unidos poderiam alugar aeronaves russas. Primeiro, de acordo com o autor do artigo, elas mostraram sua eficiência e a Rússia está disposta a alugá-las. Ademais, esse contrato não contradiria as atuais sanções dos EUA contra a Rússia.

Segundo, existem razões práticas, porque salvar vidas e bens é o objetivo de qualquer combate a incêndios. E, segundo, o avião russo Be-200 é uma das melhores opções em termos de preço e qualidade, portanto não afetaria muito o orçamento dos EUA.

Stephen Bryen acredita que o presidente estadunidense, Donald Trump deveria discutir esse assunto com seu homólogo russo Vladimir Putin.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2018111212653398-eua-extinguir-incendios-florestais-avioes-russos/

Promotores imobiliários explicam ação contra Cascais, Estado e ...

Claro, às vezes há coincidências...

Afinal o  que querem é que a Câmara (com os nossos impostos) exproprie «com cabeça» (significa bem pago) os terrenos.
Sabendo-se da estreita ligação de Rodrigo Moreira Rato ao Clube Naval de Cascais e a vários outros eventos sempre bem apoiados pela Câmara parece haver boas expectativas para estes diligentes empresários do turismo.

Pois se eles até se oferecem para «a reconstrução daquela zona natural» (seria isso que pretendiam fazer com o betão e o campo de golfe?). Provavelmente vão integrar-se no "voluntariado" a que a Câmara fez apelo.

Não há como um incêndio para fazer despontar tantas convicções ecológicas !

Comentário à seguinte notícia:


 

Os dois promotores imobiliários, que apresentaram uma ação em tribunal contra a Câmara Municipal de Cascais (CMC), o Estado Português e o Turismo de Portugal, explicam que a mesma não foi colocada na sequência do incêndio do fim de semana que atingiu Sintra e Cascais e que destruiu quase 500 hectares do parque natural. "Foi uma enorme e infeliz coincidência", garantiu ao DN Rodrigo Moreira Rato, gestor da Prontohotel e a Quinta do Guincho,

Segundo soube o DN, a Prontohotel e a Quinta do Guincho colocaram a ação antes do incêndio de dia 6 de outubro, mas o município só foi notificado dia 9 da mesma, três dias após os incêndios. As duas empresas pedem uma indemnização de 13 milhões de euros por danos causados, visto que queriam construir um hotel de 4 estrelas e um campo de golfe em terreno de 40 hectares entre Guincho e Malveira da Serra, precisamente na zona afetada pelos incêndios.

"Metemos a ação antes dos incêndios, foi uma enorme e infeliz coincidência a área ter sido afetada pelos incêndios. Foi uma decisão tomada depois de a Câmara nos comunicar a caducidade das licenças de construção, foi por isso, não foi por causa dos incêndios", explicou ao DN Rodrigo Moreira Rato, garantindo que pretende fazer parte da reconstrução da área ardida: "Tenho imensa pena e tristeza em ver o estado em que ficaram os terrenos, quero mais é participar na reconstrução e ser solução para esta tragédia que aconteceu."

O gestor das empresas garantiu mesmo que já disse isso mesmo a mesmo ao presidente da CMC, mas é preciso entender que as empresas que representa saíram prejudicadas num processo que se arrasta desde 1996:"Falei hoje mesmo com Carlos Carreira e expliquei-lhe o contexto e o timingda ação. Se Cascais considera que neste momento aquele não é um empreendimento turístico que faça sentido, tudo bem, mas é preciso entender que as empresas saíram prejudicadas em todo o processo. "

Rodrigo Moreira Rato mostrou assim abertura para chegar a um acordo e resolver um caso com mais de 22 anos. "A Câmara está a fazer o que acredita ser melhor para proteger os valores para os quais foram eleitos. Quero que se sentem connosco. A expropriação não é algo que me faça confusão, mas tem de ser feita com cabeça. Eu gostava de fazer parte da reconstrução daquela zona natural."

Ver o original aqui

Dois promotores imobiliários põem ação contra Cascais e Turismo ...

Tão estranho?!

Mas estes terrenos não estavam protegidos da construção ? Então agora querem que paguemos por ter ardido um terreno onde não podiam construir ?
São estes terrenos que o Presidente da Câmara se apressou a dizer que ia comprar para reflorestar ?

Já estão a transformar o incêndio em mais um grande negócio à custa dos contribuintes de Cascais?

Tudo isto cheira, de facto, a esturro...

Comentário à seguinte notícia:


Dois promotores imobiliários apresentaram uma ação em tribunal contra a Câmara Municipal de Cascais, o Estado Português e o Turismo de Portugal, na sequência do incêndio do fim de semana que atingiu Sintra e Cascais e que destruiu quase 500 hectares do parque natural.

Segundo soube o DN, a Prontohotel e a Quinta do Guincho pedem uma indemnização de 13 milhões de euros por danos causados, visto que queriam construir hotel de 4 estrelas, campo de golfe e 235 habitações em terreno de 40 hectares entre Guincho e Malveira da Serra, zona afetada pelos incêndios de 6 de outubro.

Ao DN, Carlos Carreiras disse desconhecer os fundamentos e quem desencadeou a ação, mas confirmou que o município foi notificado da mesma, lembrando que já deu "aval" a um conjunto de medidas que visam evitar a especulação imobiliária nas áreas ardidas.

Em causa o facto de alguns terrenos terem sido colocados à venda logo após o incêndio, como o DN noticiou. "Temos dito e redito: connosco o Parque Natural não está para negociações. Construção zero significa construção zero. O que nós pretendemos é evitar que isso [especulação] venha a acontecer e para isso há um conjunto de medidas complementares. Fiz um despacho em que não ficam autorizadas construções", revelou o autarca.

Leia a notícia na íntegra no Diário de Notícias.

Ver o original aqui

Terrenos à venda horas após ser apagado o incêndio de Cascais

Estranho!
A proibição de construção em terrenos ardidos existe há muitos anos em Cascais. Será que tinha caducado para que o atual presidente venha agora dizer que fez um 'despacho'?
Como se sabe a Câmara tem, ela própria, dado o infeliz exemplo de desafetar terrenos protegidos para aí construir ou deixar construir. Vem, neste caso, anunciar que pode vir a expropriar terrenos. Isso seria para os defender de construção ou para depois os ceder a outros com esse fim?
Se a Câmara se propõe preservar a florestação dos terrenos faz bem e deve-o fazer. Mas há razões de sobra para achar tudo isto muito estranho.
Comentário à seguinte notícia:
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in  PTJornal

No passado domingo, horas após os bombeiros terem extinto o fogo que durante a noite avançara desde o concelho vizinho de Sintra, já havia “placas novas” a sinalizar a venda de terrenos florestais em Cascais.

O incidente foi relatado pelo próprio presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras.

“Temos evidências que nos mostram que, desde domingo, já há placas a indicar a intenção de venda de terrenos ardidos”, adiantou, em declarações ao Diário de Notícias.

Horas antes, tinha sido extinto o incêndio que consumiu 485 hectares do Parque Natural Sintra-Cascais.

“As placas são novas e estão colocadas em árvores ardidas”, frisou ainda o autarca.

Carlos Carreiras deixou o alerta: a autarquia está disposta a “evoluir para expropriações” se tal for a única forma de evitar a venda de terrenos florestais por quem não os queira reflorestar.

“Mesmo tendo em conta o Plano de Ordenamento do Parque e o Plano Diretor Municipal”, o presidente da Câmara de Cascais assinou já um despacho para proibir a construção durante dez anos nos terrenos atingidos pelo incêndio de domingo.

Caso os proprietários contornem as medidas delineadas para a reflorestação da área consumida pelo incêndio, a autarquia avançará para expropriações.

“Será feita posse administrativa da mesma maneira que se faz quando um edifício não é mantido pelos seus proprietários”, prometeu Carlos Carreiras.

O incêndio na serra de Sintra, o mais grave nos últimos 52 anos, deflagrou pelas 23h00 de sábado e foi dado como dominado pelas 11h00 de domingo.

Ver o original aqui

FOGO POSTO À NOITE – Negligência Judicial

(Dieter Dellinger, 07/10/2018)

FOGOX

O fogo que lavra no Parque Natural da Serra de Sintra onde não há EUCALIPTOS e o Sousa Tavares não pode acusar essas árvores começou pelas 11H da noite.

Na zona não se faz agricultura, pelo que não deve ter havido queima de sobrantes e não é provável que estivessem pessoas a fazer um pic nic nem consta a existência de trânsito automóvel na zona da Penina perto do antigo palacete construído pelo ex-vice Rei da Índia D. João de Castro.

Só há uma explicação: FOGO POSTO por razões políticas, tal como foi o roubo das armas em que a PGR chega à loucura de prender a direção da PJM que organizou a devolução dos explosivos. Se não tivessem sido devolvidos os explosivos estariam a atear dezenas de fogos por todo o País.

Até agora não é do conhecimento geral que alguém tenha sido condenado pelos quase 20 mil fogos postos em dois anos. Com isso, a Joana Marques Vidal e todos os delegados da PGR criaram um sentimento nacional de IMPUNIDADE que leva muita gente a provocar ignições em locais de difícil acesso e em dias de vento que torna quase impossível ao combate ao fogo.

Se houvesse gente condenada a 10 a 20 anos de prisão, talvez o respeito pela autoridade e pela PÁTRIA aliado ao medo ainda existisse.

No ano passado, por esta altura, foi preso pela GNR um homem de 78 anos que tinha acabado de atear um fogo no Parque Natural Sintra Cascais. Depois confessou ter ateado já cinco fogos e antes tentou subornar os guardas da GNR com 230 euros. Pelo que se saiba, nada lhe aconteceu e parece não ter sido levado a tribunal pelos procuradores delegados do Tribunal de Sintra e respetivo juiz de instrução.

A magistratura portuguesa é INCENDIÁRIA por negligência com dolo provocada por ódio político.

No PSD, Rui Rio prometeu fogo para deitar o governo abaixo e como não estava a conseguir, outros militantes preparavam-se para o abater e colocar de novo Passos Coelho ou outro que pudesse criar as condições para destruir a PÁTRIA, a fim de chegarem ao poder.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Cascais foi a mais flagelada pelo fogo

Segurança

                                                                                                                                                  (Foto Filipe Pedro /Facebook)
Por Redação
07/10/2018
O concelho de Cascais foi o mais flagelado pelo gigantesco incêndio, que deflagrou este sábado, à noite, na Peninha, reconheceu este domingo o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, ao qual o Primeiro-Ministro António Costa agradeceu a "forma serena como lidou com a situação".
 
Não está só em causa a área ardida, ainda a ser contabilizada, mas também os estragos materiais, os acidentes pessoais e o pânico causado pelas chamas que desceram a encosta da serra a uma velocidade tão ciclónica como o vento, que dificultou o seu combate e obrigaram à evacuação de algumas povoações.
 
Com ignição suspeita pelas 22h50 na Peninha, o fogo desceu vertiginosamente a encosta, entrando no concelho de Cascais. Rajadas de quase 100 km/hora colocaram o incêndio fora de controlo.
 
Durante toda a madrugada, centenas de habitantes de povoações de Cascais viveram horas de grande aflição, de desespero e, também, de muita expetativa. Perante o avanço das chamas, foram muitos os que recearam perder as suas casas e haveres.
 
Por precaução, foram evacuados quase meia centena de habitantes das povoações de Almoinhas Velhas, Biscaia e Figueira do Guincho. A coletividade da Malveira da Serra acolheu 17 pessoas deslocadas e o Dramático de Cascais cerca de 30.
 
Na evacuação, os militares da GNR de Alcabideche e de Sintra  desempenharam um papel extremamente importante, aconselhando e canalizando as pessoas para aqueles dois centros de apoio temporários, disponibilizados em tempo recorde graças aos esforços da Junta de Freguesia de Alcabideche.
 
Também cerca de 300 pessoas foram evacuadas do Parque de Campismo da Areia.
 
Para além de 21 feridos, entre bombeiros e civis, na sua maioria por intoxicação, as chamas destruíram um veículo ligeiro e um anexo em madeira na Figueira do Guincho, e uma habitação e dois anexos na Biscaia.
 
Depois de uma noite infernal, quer para os 728 operacionais, entre Bombeiros, Força Especial de Bombeiros e GIPS da GNR, apoiados por 218 veículos, quer para as populações, pelas 6h00 o vento abrandou significativamente de intensidade, facilitando o combate terrestre, reforçado com o apoio de seis meios aéreos, os quais acabaram por ser decisivos para travar as chamas este domingo, ao final da manhã- mais de 12 horas depois de terem deflagrado e deixado um impressionante rasto de destruição.
 

Rescaldo

A presença "musculada" dos Bombeiros em toda a área vai ser mantida, quer durante as operações de rescaldo, iniciadas ao início da tarde, quer nos próximos dias por forma a prevenir qualquer eventual reativação do incêndio, assegurou André Fernandes, comandante Distrital de Operações de Socorro da Proteção Civil de Lisboa.
Segundo André Fernandes, "não podemos baixar a guarda".
 
Foi, também, ao princípio da tarde, que calma e serenamente os habitantes começaram a regressar às suas povoações.

Suspeitas

O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, considerou "uma hora muito estranha para nascer um incêndio com esta dimensão", referindo-se à deflagração do fogo perto do Convento da Peninha que, encosta abaixo, e até entrar nos domínios de Cascais, foi devastando em área rochosa mato e acácias com grande intensidade.
As suspeitas de fogo posto são, igualmente, partilhadas pela generalidade das populações, até porque, nos últimos dias, em outros locais do Parque Natural, tinham deflagrado incêndios, um deles no mesmo sábado, entre Murches e o Zambujeiro, conforme Cascais24 noticiou.
Uma brigada da Secção de Incêndios da Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa e Vale do Tejo, apoiada por peritos do Laboratório de Polícia Científica, esteve nos locais a recolher vestígios tendentes a determinar as causas dos incêndios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Porque está a arder a Serra de Sintra?

                                                                                  07 OUTUBRO 2018
Para prevenir a eclosão de fogos na área do Parque Natural de Sintra e Cascais que lhe compete administrar, a Câmara de Cascais dispõe de um corpo de Sapadores Florestais profissional, considerado dos melhores em todo o País, e equipado com o que de melhor existe para o cumprimento das tarefas.
Apesar da reconhecida competência, aos nossos Sapadores -por razões que a razão conhece- nos últimos anos tem-lhes vindo a ser drasticamente reduzida a acção, substituídos por empresas de serviços contratadas pela mesma Câmara e que, para serem mais eficazes no lucro, utilizam pessoal sem a necessária formação, nomeadamente para o manuseio de fitofármacos aplicados no meio ambiente e para a utilização de meios mecânicos de trabalho.
Nas áreas à sua responsabilidade, as empresas fazem o corte de matos rasteiros e abatem árvores, cujos troncos com interesse comercial aproveitam para seu benefício, deixando na berma dos caminhos e das estradas toda a espécie de ramagens e material lenhoso acumulado em pilhas, como autênticos festins oferecidos a dementes incendiários.
Constituindo a vigilância contra os incêndios uma das tarefas principais do trabalho dos Sapadores Florestais também esta lhes tem vindo a ser "proibida" e, neste caso, "deixada por conta de ninguém", permanecendo sem uso e pendurados nos cabides os caros equipamentos pagos pelos munícipes de Cascais.
E a Serra de Sintra está posta a arder, com populações a terem que sair das suas casas a meio da noite.
É do tempo que faz, ou dos tempos que correm?

FOGO na SERRA. Povoações de Cascais vivem noite de pesadelo

Segurança

Por Redação
07/10/2018
Última atualização: 10h53
Algumas povoações de Cascais viveram uma madrugada de pesadelo, depois do incêndio que deflagrou, este sábado, à noite, na Peninha, na Serra de Sintra, ter-se propagado assustadoramente, devido às fortes rajadas de vento.  Almoinhas, Biscaia, Malveira da Serra e Charneca foram povoações que recearam o cerco das chamas e onde, em alguns casos, houve necessidade, por precaução, de evacuar habitantes. Durante a madrugada, as chamas desceram a encosta, transpuseram a Estrada Nacional 247, que continua cortada ao trânsito a Malveira da Serra e o Cabo da Roca e entraram no concelho de Cascais.
 
Quarenta e sete pessoas foram evacuadas, e 300 outras, por precaução, forçadas a abandonar o Parque de Campismo da Areia.
 
Cerca de 18 pessoas, entre bombeiros e civis, também tiveram necessidade de ser assistidos, sobretudo devido à inalação de fumos. Um veículo ligeiro, uma habitação e três anexos terão ardido.
 
Pelas 4h30, nos Paços do Concelho, em Cascais, Carlos Carreiras, acompanhado pelo comandante Distrital de Operações de Socorro de Lisboa, André Fernandes, fez um primeiro ponto da situação, durante o qual assegurou que Cascais "continuará a apoiar as populações e, em especial, as que forem deslocadas".
 
Pelas 6h00, o vento abrandou significativamente de intensidade, facilitando o combate terrestre, a cargo de 728 operacionais, entre Bombeiros, Força Especial de Bombeiros e GIPS da GNR,apoiados por 218 veículos.
Em ação entraram, igualmente, seis meios aéreos.
Já num segundo ponto da situação, este domingo de manhã, foi anunciado que o fogo está controlado, mas não extinto, lavrando em duas frentes, uma na Charneca, que é a mais preocupante, e outra na área da Malveira da Serra.
Entretanto, continua a desconhecer-se a origem do fogo, que começou num casebre perto do Convento da Peninha, embora tudo aponte para fogo posto. No terreno, a investigar, está igualmente uma brigada da Secção de Incêndios da Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa e Vale do Tejo.

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

http://www.cascais24.pt/p/blog-page_698.html

Judiciária investiga terceiro incêndio em poucos dias na área do Parque Natural

Segurança

Esta tarde, em Murches, Bombeiros contaram com apoio aéreo no combate ao fogo (Foto DR/CASCAIS24)

Por Redação

06/10/2018

Um incêndio, que deflagrou este sábado, à tarde, em Murches, na área do Parque Natural e destruiu cerca de 3.000m2 de mato e pinheiros dispersos, vai ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa e Vale do Tejo, apurou Cascais24.

Este foi o terceiro incêndio, em poucos dias, que deflagrou na área do Parque Natural e, felizmente, rapidamente debelado graças ao ataque "musculado" dos corpos de Bombeiros.
Mais uma vez, neste sábado as chamas só não atingiram maiores proporções graças à intervenção de 99 operacionais, apoiados por 26 veículos, dos corpos de Bombeiros dos concelhos de Cascais, Sintra e Oeiras e 4 meios aéreos, um deles de monotorização.
 
Palha Gomes que coordenou as operações
Foi o terceiro incêndio na área do Parque Natural em poucos dias e rapidamente debelado pelos Bombeiros, confirmou, a Cascais24, José Palha Gomes, comandante dos Bombeiros de Alcabideche, que coordenou as operações.
 
Tradicionalmente cauteloso, José Palha Gomes escusou-se a avançar com qualquer hipótese para a origem do incêndio. "É uma questão que compete às autoridades averiguar", disse.
Este sábado, o fogo deflagrou pouco antes das quatro horas da tarde, entre Murches e Zambujeiro.
 
Foi dominado menos de uma hora depois, confirmou, por sua vez, a Cascais24, André Fernandes, comandante Distrital de Operações de Socorro de Lisboa.
 
Entretanto, soube, ainda, Cascais24, para prevenir uma qualquer reativação, cerca de 20 bombeiros, apoiados por 4 veículos, vão permanecer em vigilância na área nas próximas horas.
 
 

Foguetes e um rali. Associação denuncia “negligência” do parque ...

Associação Salvar Sintra diz que este sábado, dia em que o incêndio deflagrou na serra de Sintra, foram lançados de forma “ilegal” dezenas de foguetes no âmbito das festas de Almoçageme.

in jornal "Público"

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A Associação Salvar Sintra, uma instituição de defesa ambiental, acusa em comunicado a direcção do Parque Natural Sintra-Cascais de “total negligência e de sistemática demissão das suas responsabilidades” na área da prevenção dos incêndios florestais, lamentando que o fogo que deflagrou este sábado à noite e se encontra em fase de rescaldo tenha consumido“?uma parte importante” daquele parque.

“Durante todo o Verão o abate de árvores na serra continuou ininterrupto, com os madeireiros a deixarem no local ramos secos, lixo vegetal, desperdício”, denuncia a associação.

Numa nota, assinada pelo presidente da associação, Agostinho Pereira de Miranda, critica-se igualmente as câmaras de Sintra e de Cascais por licenciarem “actividades turísticas, imobiliárias e comerciais incompatíveis com o estatuto de parque natural e os respectivos regulamento e plano de ordenamento”. A Salvar Sintra foi criada no rescaldo do grande incêndio de 1993 e diz que desde então “aumentou em provavelmente mais de 400% a utilização comercial da serra, através de operadores e empreendimentos turísticos de acesso remunerado”.

A associação dá como exemplo da negligência da direcção do parque o facto de esta ter permitido, na passada sexta-feira à noite, a realização do Rally de Portugal Histórico. “O que levou milhares de pessoas a acorrerem à serra — aliás exactamente à área onde eclodiram as chamas — aumentando exponencialmente o risco de incêndio, designadamente por acção negligente dos particulares, através de piqueniques e beatas de cigarros”, argumenta-se na nota.

Este sábado, garante a associação, desde as 8h que foram lançados de forma “ilegal” dezenas de foguetes no âmbito das comemorações das festas da aldeia sintrense de Almoçageme.

A associação garante que tem alertado para o “contínuo crescimento do risco de incêndio na Serra de Sintra” e que não deixará de "responsabilizar as entidades que, pela sua negligência", contribuíram para o que chama de tragédia ambiental.

Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério do Ambiente, uma das tutelas do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, responsável pela gestão das áreas protegidas, ainda não reagiu. O PÚBLICO tentou igualmente contactar, sem sucesso, os presidentes das câmaras de Sintra e Cascais.

 

Centenas de ligações continuam cortadas após incêndios

Cem clientes ainda aguardam a reposição das comunicações destruídas nos incêndios do ano passado, em Pedrógão Grande e na zona Centro, anunciou hoje o Governo. Em Monchique, são mais de 300.

CréditosPaulo Novais / Agência LUSA

«O regulador informa-nos de mais de 500 mil famílias afectadas e indica-nos que a generalidade dos processos estão concluídos», disse o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, que está a ser ouvido na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

De acordo com o governante, dados da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) de 7 de Setembro mostram que, nesta data, ainda existiam «100 clientes, famílias, sem a reposição das comunicações», isto mais de um ano depois dos fogos em Pedrógão Grande (distrito de Leiria) e quase um ano após os incêndios de 15 de Outubro, na região Centro.

Destas 100 pessoas, «20 têm reposições agendadas, 40 pessoas recusaram as propostas das operadoras e as outras 40 não se conseguiram contactar», precisou Pedro Marques, que falava numa intervenção inicial sobre a reposição das ligações telefónicas destruídas pelos incêndios no seguimento de um requerimento do PCP.

O ministro indicou ainda que «algumas centenas de ligações» foram destruídas ou danificadas pelo incêndio que deflagrou no concelho algarvio de Monchique e que decorreu entre 3 e 10 de Agosto. O governante precisou que, «de acordo com a informação disponibilizada pelo regulador, 5673 famílias foram afectadas». Neste momento, contam-se «307 acessos por repor», um mês depois do fogo.

Operadoras querem cobrar por ligações cortadas

Em relação aos incêndios florestais do ano passado, Pedro Marques foi questionado sobre erros na cobrança das facturas, já que algumas operadoras continuaram a enviar dados para pagamento aos clientes apesar de as ligações estarem suspensas devido aos fogos.

Pedro Marques escusou-se a assumir responsabilidades e remeteu mais informações para a Anacom: «Têm de perguntar ao regulador. Nós não temos como obrigar a alterar facturas, é um sector privado.»

Com Agência Lusa

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Nos idos do verão

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 08/09/2018)

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(O Miguel vem em grande forma. O bronze da Meia Praia fez-lhe bem. Eucaliptos e pedófilos, a mesma corja, é o tema. Denominador comum entre ambas as pragas? O fogo do inferno: os infernos de fogo que os eucaliptos alimentam e onde merece ser incinerada a cáfila abusadora das crianças e jovens à sua guarda.

Comentário da Estátua, 08/09/2018) 


Das areias da Meia Praia, vi o fogo começar na Serra de Monchique. Já se tornou um hábito estar sempre a olhar para a serra com medo que um fogo comece. Porém, não me assustou muito, pois, apesar do calor intenso, estava vento sul e com vento sul não mexe uma palha lá em cima. Isso, mais a avalanche de meios terrestres e aéreos imediatamente lançados no ataque ao incêndio, logo elogiados pelo Presidente e que há meses nos vinham sendo cantados em ladainha pelo ministro Eduardo Cabrita como estando disponíveis até para os conhecidos incêndios de Natal, fazia prever que, no máximo de 24 horas o fogo estaria extinto. Mas, não: foram três dias seguidos sem vento desaproveitados, até que aquilo que todos os que conhecem a zona temiam que acontecesse, aconteceu: entrou o vento norte e tudo fugiu de controlo. Monchique ardeu até ao fim, durante oito dias e 26 mil hectares. Outra vez. Um habitual rigoroso inquérito vai apurar como é que tal foi possível e eu, que não percebo nada do assunto, não posso ajudar às conclusões. Excepto numa coisa: por favor, não concluam que não houve incompetência no comando.

Por favor, também não concluam que aquele braseiro demencial não foi tragicamente potenciado pela caixa de fósforos gigantesca em que transformaram a outrora deslumbrante Serra de Monchique. 74% da área florestal do concelho de Monchique são ocupados pelos queridos eucaliptos: lá em cima não corre um fio de água, não se avista um animal bravio, não se escuta um pássaro. Dentro de oito anos serão 84% de eucaliptal e voltará a arder tudo outra vez. É um jogo de roleta: se por acaso não arder, é fortuna garantida para quem os plantou; se arder, o prejuízo é todo dos contribuintes e o lucro é dos que fornecem os meios de combate aos incêndios. Em Maio passado, porém, o presidente da Câmara de Monchique, Rui André, mostrava-se tranquilo com a situação: as plantações de eucaliptos estavam “ordenadas e vigiadas”, os caminhos limpos e os aceiros feitos. “Já são muitos anos a apagar fogos!”, concluía ele, com um optimismo cínico que se viria a revelar mórbido e que num país onde a responsabilidade política não fosse uma palavra vã o deveria ter levado a demitir-se no dia seguinte ao fogo ter sido extinto.


2Em Monchique, ardeu sobretudo o eucaliptal da Navigator/Soporcel. E, enquanto os eucaliptos alastravam o fogo à serra, destruíam casas e só por sorte e arte dos bombeiros não mataram ninguém, o seu dono passava férias em Ibiza, a bordo do seu iate, onde viria a morrer de ataque cardíaco. O mesmo Presidente Marcelo, que passou o Verão a lembrar e a homenagear as vítimas dos incêndios de 2017 e a preocupar-se com o incêndio de Monchique, apressou-se a lamentar a morte de um “grande industrial português”. E o jornal “Público” dedicou-lhe a capa e as primeiras quatro páginas, em homenagem ao “presidente do maior grupo industrial de base nacional” e “o homem que não se deixou enganar por Ricardo Salgado” (duas verdades inquestionáveis). Porém, nem uma linha para informar os leitores distraídos ou recordar aos outros que o tal “maior grupo industrial português”, além da Secil e daquela fábrica de cimento que é uma ferida terceiro-mundista na Serra da Arrábida, assenta basicamente na fileira predadora das celuloses — responsável pela infertilidade das terras, pelo despovoamento do interior, pela dimensão dos incêndios, pela poluição dos rios e pela destruição inacreditável da paisagem de Portugal a um ritmo avassalador. E cujas árvores, num processo já incontrolável, renascem das cinzas e espalham as suas sementes mesmo para onde ninguém as planta e ninguém as deseja. Não fosse um texto de elogio a Pedro Queiroz Pereira da autoria do engenheiro João Soares, um crónico defensor do eucaliptal, e nem se saberia a que actividade se dedicava aquele. Desse texto, aliás, retive uma passagem em que João Soares relata uma conversa que terá tido com Queiroz Pereira e em que este terá desabafado que quando abria um jornal e se via “acusado de crimes ambientais”, lhe dava “vontade de vender tudo e ir-me embora desta terra”. O problema está em que não há muitos países — aliás, nenhum país do primeiro mundo, que tenha, sequer em termos absolutos, a quantidade de eucaliptos que Portugal tem e consente. Talvez por isso, a Navigator/Soporcel procure outras paragens longe do primeiro mundo. Uma arrepiante reportagem da autoria de Sofia da Palma Rodrigues, curiosamente publicada no mesmo jornal “Público” no dia da morte de Pedro Queiroz Pereira, revelava como é que, ao abrigo de um programa lançado pelo G7 para desenvolver a agricultura tradicional em África, e através de um processo no mínimo nebuloso, a Navigator/Soporcel se apoderou de 356 mil hectares (três vezes a área que explora em Portugal) das terras agrícolas mais férteis das províncias de Manica e Zambézia, em Moçambique, para as forrar de eucaliptos, afastando delas os agricultores locais. Pois é, as coisas são como são. Não se consegue ter sol no eucaliptal e gente nos campos e chuva nos incêndios.


3  Em directo na rádio France-Inter, o ministro do Ambiente francês, Nicholas Hulot, demitiu-se sem aviso prévio, dizendo não conseguir mentir mais a si mesmo. Não, nem Macron consegue fazer cumprir em França as metas da Cimeira de Paris sobre as emissões de CO2: as pressões da indústria são mais fortes do que quaisquer promessas. Na Alemanha, uma comissão independente concluiu aquilo que qualquer condutor já sabia: que os números de consumo dos carros são notavelmente desinflacionados pelos construtores. Na Austrália, um dos países do mundo mais expostos às alterações climáticas, de ano para ano, o país vive incêndios dantescos, viu a Grande Barreira de Coral diminuir para metade e atravessa actualmente a maior seca de que há registos. Signatária do Acordo de Paris, a Austrália é o 4º maior produtor de carvão do mundo e o 16º maior poluente da atmosfera. Na terceira semana de Agosto, o primeiro-ministro, Malcolm Turnbull, foi derrubado por um golpe interno do seu partido, quando ensaiou uma tímida reforma destinada a controlar a emissão de gazes com efeito de estufa, dando cumprimento aos Acordos de Paris. Por trás do golpe estavam as grandes empresas produtoras de carvão, de petróleo e de gás e a maioria da imprensa, dominada pelo império de Rupert Murdoch.

As lições a extrair daqui são simples e assustadoras. A indústria, as grandes empresas, nunca sacrificarão os lucros dos accionistas a causas que tenham que ver com o bem comum. Pouco lhes importam os acordos ou tratados que os governos assinem ou as leis que aprovem: elas têm os governantes nas mãos, sem precisarem sequer de chegar ao extremo de os corromperem; basta assustá-los com a deslocalização, com a perda de impostos, com as consequências económicas, reflectidas em eleições. Restaria a imprensa independente para actuar em nome do interesse dos cidadãos. Mas, para se manter independente, para subsistir, a imprensa precisa de leitores e de anunciantes. Desgraçadamente, porém, os leitores estão a fugir para as redes sociais (alimentadas, irresponsável ou deliberadamente, pelos próprios políticos), e os anunciantes são as mesmas grandes empresas, interessadas em que certas notícias não existam. Num futuro não muito longínquo, alguém contará como é que sucessivas e coincidentes mortes desaguaram numa tragédia global.

4  É provável que o arcebispo Vigano tenha razão na acusação que faz ao Papa Francisco de ter encoberto os abusos sexuais do cardeal americano McCarrick. Mas é provável também que ao pedir a renúncia do Papa, Vigano, ligado aos sectores mais conservadores da Igreja, não seja movido por boas, mas por más razões. E que Francisco se tenha calado porque percebeu que a dimensão do escândalo era de tal forma que toda a Igreja Católica poderia desabar se a verdade inteira fosse conhecida. Mas agora é tarde demais.

O que os novos escândalos da Pensilvânia e da Irlanda puseram a nu de forma cristalina é que durante décadas ou séculos — talvez desde sempre — os homens de Deus se dedicaram à pedofilia sobre as crianças e os jovens que lhes eram confiados, com total impunidade e conivência dos seus superiores. Que Satanás tomou conta do proclamado Reino de Deus e que todas as virtudes santas pregadas pelos seus pastores se traduziram na mais suja e cobarde hipocrisia muros adentro. Não há perdão algum, só nojo.


Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Os fósforos

“Cada vez que alguém me fala de cultura tenho vontade de pegar numa pistola” Goebbels
No dia em que assumiu a presidência da República, Michel Temer publicou no Diário Oficial a medida que extingue os Ministérios da Cultura, das Comunicações, das Mulheres, Igualdade racial e Direitos humanos e o Ministério de Desenvolvimento Agrárioe Controladoria-Geral da União.
Foi o riscar do fósforo!
Quanto ao Ministério da Cultura, Temer retrocedeu face à pressão de intelectuais progressistas entre os quais Raduan Nassar, mas retirou-lhe as verbas o que veio dar ao mesmo.
«O Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos criado pelo governo petista desaparece, se incorporando ao Ministério da Justiça e Cidadania,sob o comando do carniceiro ex-secretário de Segurança Pública de Alckmin, Alexandre de Moraes
Quando o lobofascista chega ao poder, a cultura é a presa que melhor o sacia.
E a autodenominada ‘União’ Europeia continuou e continua a exigir democracia na Venezuela, Cuba ou onde quer que se afirme. E surgem também os lamentos dos que alijam para Dilma e Lula tudo o que de mal vem acontecendo a este povo que, graças a estes dois governantes, teve acesso ao conhecimento e à universidade.

Leia original em

“Quando ouço a palavra Cultura, procuro meu revólver”

Incêndio do Museu Nacional é resultado de uma lógica que vai além de Bolsonaro. Implica cortar todo o gasto público — exceto o que favorece ou protege diretamente o grande poder econômico

Por Paulo Kliass

A tragédia criminosa envolvendo o Museu Nacional no Rio de Janeiro nos entristece e nos revolta a todos. Muito já foi dito, ainda sob o impacto da emoção e da tristeza, a respeito da irresponsabilidade com que os dirigentes políticos trataram a questão ao longo dos últimos anos. No entanto, é necessário que se faça um balanço sério e rigoroso a respeito das condições que levaram a tal calamidade. Esse é o único caminho que pode evitar a repetição desse tipo de evento, ainda mais com as consequências terríveis para o futuro de nosso País.

A cultura é um dos pilares fundamentais das chamadas políticas sociais do Estado brasileiro. Tanto é assim que o Título VIII da Constituição Federal trata da Ordem Social e inclui também a questão cultural. Ali dentro, a Seção II do Capítulo III possui 4 artigos tratando especificamente do assunto. Assim, promover a preservação do patrimônio cultural faz parte explícita das políticas públicas obrigatórias para qualquer governo.

O problema é que as décadas todas sob a vigência absoluta da dominação ideológica do neoliberalismo constituíram um processo de isolamento e discriminação contra as políticas sociais. A supremacia do financismo foi vitoriosa a ponto de converter em política de governo a ideia de que o essencial é assegurar os recursos do Estado para os setores hegemônicos no interior das classes dominantes. A incorporação do conceito do superávit primário para dentro da Lei de Reponsabilidade e para o próprio texto constitucional é exemplo cabal desse movimento.

Assim, o conjunto das políticas públicas não-financeiras têm sofrido um processo sistemático de estrangulamento de seus recursos orçamentários. Para além dessa estratégia de sucateamento de áreas vitais como educação, saúde, previdência social, esportes, cultura, saneamento, segurança pública, assistência social, entre outras, a narrativa oficial do establishment propõe a retirada do Estado dessas atividades. Para esse pessoal, pouco importa se existe determinação constitucional assegurando a obrigatoriedade dos serviços públicos a serem oferecidos a toda a população. Pouco importa se a legislação também obriga o fornecimento de um conjunto de direitos de cidadania. Para o pensamento ortodoxo e conservador, o importante a considerar é a abordagem simplista de que o orçamento atual não dá mais conta das atribuições previstas na Constituição. E ponto final.

Ora, a compressão relativa ou absoluta dos recursos destinados a tais áreas da administração pública compromete de forma substancial a qualidade e a quantidade dos serviços oferecidos. A prioridade número um do servilismo tecnocrata sempre foi a garantia das despesas necessárias para o pagamento de juros e demais serviços financeiros da dívida pública. Em seguida, meio a contragosto dos prepostos do financismo, surgem os gastos associados a mandamento constitucional, as tais “despesas obrigatórias”, das quais eles sempre se lamentam diante das câmeras de televisão. Estão aí gastos com previdência, saúde, educação e pessoal.

As demais rubricas da área social estão pouco seguras por falta de exigência legal. Assim, as áreas econômicas do governo têm por tradição apelar para expedientes como a política de contingenciamento, de forma a não questionar de forma explícita o valor previsto, mas simplesmente não realizando o gasto tal como definido na própria lei do orçamento. Não é por outra razão que os fundos constitucionais estão com dinheiro sobrando em caixa, uma vez que a prioridade do Ministério da Fazenda é usar tais saldos para gerar superávit primário e não gastar o dinheiro com a área legalmente definida.

Ora, frente a esse quadro não é difícil imaginar o que veio ocorrendo com o setor da cultura. Esse tipo de atividade não é considerado relevante por parte considerável do povo das finanças, uma vez que consideram o retorno meramente econômico desse tipo de investimento pouco significativo. Uma loucura! Isso me faz lembra a conhecida frase de um escritor alemão e simpatizante do nazismo, Hanns Johst. A passagem foi durante muito tempo erroneamente atribuída aos colaboradores diretos de Hitler – como Goebbels ou Göering, mas dizia o seguinte:

(…) “Quando eu ouço a palavra cultura, eu procuro pelo meu revólver” (…)

Aqui no nosso quintal tupiniquim, a política do austericídio radicalizou a pouca importância historicamente atribuída ao orçamento da cultura. Ao longo dos últimos 3 anos, em particular, a situação tornou-se ainda mais dramática com as políticas do governo Temer destinadas à cultura. Houve a tentativa inicial de extinguir o ministério, um vai-e-vem de nomeações e demissões de responsáveis pela área, seguido das agora divulgadas reduções de verbas. O incêndio no Museu Nacional revelou-se como “apenas” mais uma etapa previsível dessa verdadeira crônica da desgraça anunciada.

Nestes tristes tempos em que a campanha de Jair Bolsonaro consegue ainda empolgar parcela da população brasileira, a intolerância e o apelo à violência armada fazem todo o sentido com a frase de Johst. “Essa coisa de cultura eu resolvo é na bala mesmo!”. Gastos desnecessários, espaços que costumam abrir caminho para pensamento crítico, manifestações que tendem a superar o convencional e questionar a ordem natural das coisas. Assim, essa prioridade vai para o final da fila, quando não é simplesmente excluída da lista.

Pois agora, depois da desgraça concluída, restam os balanços das perdas irreparáveis. E os eternos liberaloides, sempre de plantão para conceder suas entrevistas para os grandes meios de comunicação, voltam a deitar falação sobre os equívocos que teriam levado ao desastre. Do alto de sua instrução elevada, saem com suas panaceias como a suposta incompetência estrutural do Estado e que a solução seria apelar para a iniciativa privada, sempre tão eficiente em suas ações. E dá-lhe blá-blá-blá sugerindo até mesmo a privatização dos museus públicos como solução para o setor. Uma insanidade sem fim!

De acordo com a tão louvada imagem do Estado mínimo, imaginemos como o capital privado teria que se adaptar com o tratamento a ser conferido aos esqueletos de dinossauros, aos vestígios da presença humana com Luzia, aos exemplares raríssimos de bíblias e às dezenas de milhões de objetos ainda por serem catalogados em acervo. Uma tarefa tipicamente atribuída ao setor público. Mas isso não é problema na cabeça desse povo, pois tudo seria muito bem equacionado por meio da livre ação das forças de oferta e de demanda.

Não, definitivamente não! A cultura não deve ser tratada a bala, nem muito como mera mercadoria pelo capital.

Cultura é patrimônio material e imaterial. Cultura é bem público. Cultura deve receber apoio, carinho e recurso do Estado.

Ver o original em 'Outras Palavras' na seguinte ligação:

https://outraspalavras.net/brasil/quando-ouco-a-palavra-cultura-procuro-meu-revolver/

 

As direitas e os seus tiques fascizantes nos media

Vai por aí uma campanha intensa, fundamentada numa reportagem da TVI, sobre a má aplicação de dinheiros públicos e donativos para os prejudicados com o incêndio de Pedrógão Grande no ano transato. As direitas, de que o antigo canal da Igreja, se faz porta-voz entusiasta, continua sem digerir bem que uma Câmara anteriormente enfeudada ao seu lado da trincheira política, tenha virado à esquerda, de nada tendo valido então, que muitos dos donativos tenham sido entregues então à Santa Casa da Misericórdia local comandada pelo cabeça-de-lista do PSD às mais recentes autárquicas. E que a brasileira do CDS continue a falar para os poucos, que ainda a aturam, não constituindo mais-valia, que se veja para os que a julgavam fadada a papel de relevo nos anos que virão.
Como António Costa já desmascarou apenas duas denúncias dizem respeito a dinheiros supervisionados pela sua tutela. E as situações ilícitas em curso de investigação pelo Ministério Público muito deverão à pressa imposta por vozes insensatas, que, no calor dos acontecimentos, exigiam pronta resolução dos problemas rastreados. Ora, como diz um ditado bastante sensato,“depressa e bem, não há quem!”.
Culpe-se, pois, Marcelo, a referida brasileira e todos quantos patrocinaram a histeria verbal de então e que obrigou a avançar com verbas sem as devidas cautelas, que só investigação criteriosa e demorada poderia consolidar. Curiosamente o próprio Marcelo mostra-se agora cuidadoso em evitar conclusões precipitadas desalinhando-se dos que, agindo mentalmente com fundamentos fascizantes, se apressam agora a agarrar no caso para mais uma campanha antipolíticos, numa imitação de tantas outras, que levaram às sinistras governabilidades atualmente sofridas por húngaros, polacos, italianos.
A realidade demonstra que os oportunistas imitam os ladrões: quando a ocasião se proporciona aí estão eles a aproveitarem-se. E esse comportamento nada tem a ver com a «corrupção» dos políticos. Veja-se o caso das fraudes nas matrículas das escolas públicas de Lisboa e do Porto, que levava muitos alunos a não terem cabimento das áreas em que residiam, por provirem de outras, quem lhes ocupava o lugar. Identificada a situação, mudada a regulamentação de tais matrículas e o problema desapareceu, naquele que é um merecido sucesso da equipa do Ministério da Educação.

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/08/as-direitas-e-os-seus-tiques.html

Gestão vs Regra no combate aos incêndios florestais

No combate aos incêndios florestais nem tudo pode ficar previsto e regulado por via legislativa. A Gestão tem de ter também o seu espaço. E avaliar não é necessariamente punir.

Como escolher os titulares dos comandos operacionais?

A controvérsia em torno do combate aos grandes incêndios florestais de Junho e de Outubro de 2017 abrangeu também a definição dos comandantes operacionais de protecção civil – nacional,  distritais, e de agrupamento – que teriam sido objecto de remodelação pouco tempo antes da “época de incêndios” em resultado de compadrios políticos, envolvendo alegadamente a integração de elementos com fracas capacidades de comando operacional.

Chegou a ser exigido que os comandos fossem preenchidos por concurso público e houve quem chegasse a prometê-lo. Felizmente, tal não se concretizou. Todos estaremos de acordo em que os lugares dirigentes da Administração Pública – para não falar de todos os postos de trabalho (!) – deverão ser preenchidos por critérios de competência – o que não é o mesmo que preenchê-los por concurso público, havendo sim que estabelecer um conjunto de requisitos a cumprir e exigir de quem escolhe uma procura honesta, que necessariamente deve excluir o compadrio político, das melhores soluções, articuladas entre si. Por maioria de razão quando estão em causa comandos operacionais não faz sentido abrir concursos para lugares concretos de comandantes e segundos comandantes de cada um dos distritos ou agrupamentos da organização da protecção civil, assim como não se abrem concursos para o comando de unidades do exército ou de navios na Armada.

As Forças Armadas atribuem funções de comando a oficiais, aderentes a determinados valores, e treinados, mais ou menos adequadamente, para exercer essas funções, cuja capacidade de exercício efectivo vai sendo bem ou mal posta à prova. Sendo certo que só em situações de conflito[i] se podem tirar conclusões definitivas sobre a adequação do treino, a capacidade de exercício e até sobre a doutrina de intervenção.

A protecção civil, mais jovem, também precisa de dispor de um poolde gente preparada, exercendo já ou não funções na sua estrutura, dentro do qual se possam recrutar comandantes operacionais, com experiência de intervenção se não na área, pelo menos em áreas conexas, formação[ii] e capacidades adequadas. Aqui ao menos as “situações de conflito” ocorrem todos os anos e as insuficiências e falhas de comportamento são mais facilmente identificáveis e devem levar, doa a quem doer, a remodelações.

Defendendo que haja flexibilidade na nomeação de comandantes operacionais, insisto na necessidade de haver a posteriori avaliação das escolhas feitas. Quem cometeu erros de apreciação nas escolhas deve ser confrontado com eles e esses erros têm de ser aferidos numa óptica de gestão, com base num apuramento de factos pela própria administração, e não numa óptica de legalidade, pelas autoridades judiciais.[iii]

Deixar trabalhar os comandos operacionais

Segui com alguma atenção os acontecimentos relacionados com o incêndio de Monchique em 2018 e fiquei impressionado pela forma como o Público “filou” a Autoridade Nacional de Protecção Civil por o comando nacional ter assumido directamente o combate ao incêndio de Monchique dias depois do que a doutrina construída internamente prescrevia. Respondia Patrícia Gaspar estar-se perante meras recomendações, insistia o jornal que se tratava de uma “regra” que tinha sido violada.

A discussão faz-me lembrar o início da discussão sobre o carácter vinculativo ou não das recomendações do Tribunal de Contas aprovadas com os seus relatórios de auditoria. Numa primeira abordagem[iv] foi sustentado que, pelo menos, o Tribunal, em futuros acontecimentos relativos ao organismo auditado, não deixaria de tomar em conta se para eles tinha ou não concorrido o desprezo pelas recomendações formuladas, mas não se pugnava pelo carácter estritamente vinculativo das recomendações. Pessoalmente, tendo a olhar para estas “regras” da protecção civil da mesma forma.

Já no Correio da Manhãa assunção da direcção das operações pelo comando nacional, todavia prevista, era tratada como uma decisão de afastamento do comandante operacional distrital, que já teria “falhado” muitos anos antes no combate a outro incêndio. Quem terá encomendado o recado?

Articular esforços com as populações

A legislação sobre protecção civil dá um grande relevo à intervenção dos presidentes da câmara e às comissões municipais de protecção civil e durante os fogos do Verão de 2017 diversos presidentes da Câmara (refiro por todos o de Mação, com base em planos, muito pormenorizados previamente aprovados) tiveram grande protagonismo no terreno, não deixando de criticar a alocação de meios quando entenderam justo fazê-lo. No recente incêndio de Monchique registo também a presença do presidente da Câmara, cuja residência esteve, segundo ele próprio indicou, em risco de ser consumida pelo fogo. Não é muito claro se a possibilidade de criação de unidades locais de protecção civil, sob a orientação dos presidentes de junta de freguesia, tem sido ou não aproveitada e se a agregação forçada de freguesias imposta pela Lei Relvas facilitou ou surgiu como um obstáculo.

Na generalidade das notícias sobre incêndios florestais tem sido dado relevo à participação das populações no combate aos incêndios para defesa das aldeias e lugares, muitos deles relativamente despovoados, ou até de bens próprios ou dos vizinhos. No recente episódio de Monchique, tal sucedeu também, com a particularidade de a certa altura ter sido dada uma ordem de retirada das populações consideradas em risco que fez correr muita tinta – com n juristas a explicar, correctamente, que por força de n leis as pessoas podem ser mandadas retirar mesmo contra vontade e até inculpadas por desobediência se não cumprirem[v] – mas sem que percebesse bem se se tratava de uma ordem genérica para redução de riscos ou se visava situações concretamente identificadas e se foram enviados com a GNR elementos que conhecessem os locais e as pessoas.

Situações houve em que as populações se queixaram de a GNR, mal orientada, pretender lançá-las por caminhos mais perigosos. Um amigo economista escreveu a propósito: 

Ah e tal, não houve mortes mas chatearam as pessoas. Como não houve mortes impediram que a malta do cds partisse em peregrinação como o fizeram em Pedrógão. Já agora, para muitos políticos, jornalistas e até economistas, que usam e abusam da “eficácia” e “eficiência” sem saberem o significado têm aqui um bom exemplo: a GNR foi eficaz (objetivo cumprido) mas não foi eficiente (custos, pessoas retiradas das casas, excessivos).[vi] 

A peça mais impressionante que sobre o assunto vi publicada foi um trabalho sobre a tentativa de evacuação de Marmelete, terra que já tinha defendido as suas casas no grande incêndio de 2003, e talvez o conseguisse fazer de novo quinze anos depois, se o fogo chegasse a aproximar-se, o que não se verificava [vii]. Quem teve de sair de Marmelete, numa humilhação escusada, foram os guardas entrados inopinadamente às quatro e meia da manhã. No site da Câmara esta “aldeia” figura como sede da freguesia. Não havia ligação com a protecção civil municipal?

Gerir as compensações e reparações

Não posso deixar de admirar a forma como tantas entidades públicas e privadas se envolveram após os incêndios de 2017 na recolha ou na promessa de ajudas, como as seguradoras contabilizaram as suas responsabilidades que cobriam apenas, como aliás se confirma no caso de Monchique, uma parte dos prejuízos, e como o Governo conseguiu por via legislativa pôr alguma ordem no assunto.

O que não me parece evidente é a orientação que os poderes públicos seguem nestas compensações e reparações:

  • são arbitradas apenas no caso de grandes catástrofes?
  • constituem o reconhecimento de que a função protecção civil não conseguiu proteger os habitantes?
  • visam assistir famílias e empresas que não têm meios para reconstruir as suas casas ou as suas instalações?

ou, de forma mais geral

  • visam repor o património das pequenas comunidades atingidas, evitando o seu esvaziamento?

É que, sem prejuízo da justiça das múltiplas acções judiciais que se anunciam sobre os abusos, etc., algumas destas razões poderiam, por exemplo, levar a ajudar à reconstrução de segundas ou terceiras habitações de pessoas ligadas às “terras” de origem que mantêm o seu “número fiscal” nas cidades e cuja ligação importaria manter[viii].

Não vejamos estas questões a branco e preto: alguns dos sinistrados de Pedrógão Grande e concelhos próximos e da “estrada da morte” eram habitantes dos distritos de Lisboa e Setúbal em férias na sua terra.

[i]Refiro-me sobretudo às situações de guerra entre Estados, em que, por exemplo nas Guerras Mundiais, foram por várias vezes postas a nu falhas de comandantes com curriculae antiguidades que os tinham levado ao exercício de elevadas responsabilidades, quando não também erros de organização e até inadequação de doutrinas militares adoptadas pelos altos comandos, supervenientemente constatada.
[ii] Os “acontecimentos” conexos com os incêndios de 2017 não podem deixar de fazer reflectir sobre os requisitos exigidos: quando se postula a necessidade de licenciatura pretende-se garantir um requisito cultural ou profissional? O comandante operacional nacional de então, recordamos, obtivera uma licenciatura criada por uma escola politécnica pública com base numa creditação “tipo Relvas” da sua experiência. Era isso que se pretendia?
[iii] A circunstância de o anterior comandante operacional nacional de protecção civil ter sido detectado numa situação de incompatibilidade – gestão de um aeródromo – não deveria ter sido impeditiva da avaliação do seu trabalho, a não ser que tivesse relação directa com falhas de comando. Parece ter fornecido um bom pretexto para o substituir sem que tal avaliação fosse feita ou tornada pública.
[iv] Deliberadamente, não me irei, para este artigo, actualizar sobre o “estado da arte” nesta questão das recomendações do TC.
[v] Ver por exemplo a peça de Valentina Marcelino no DN de 9 de Agosto de 2018. “Por que são as pessoas obrigadas a sair das casas? “O valor da vida sobrepõe-se a todos os direitos” “Um constitucionalista e dois juízes explicam como a lei está do lado das autoridades quando estas obrigam as pessoas a abandonar as suas casas”.

Com grande sentido de oportunidade e isenção partidária, dizia, segundo a peça, o juiz conselheiro Mário Mendes “Admitir que uma pessoa tem direito a ficar em sua casa e, eventualmente, morrer, seria uma forma de eutanásia que nem o BE permite”.

[vi] Doutor Mário Bairrada, Facebook, em 11 de Agosto de 2018.
[vii] Mafalda Gomes, “Marmelete. A aldeia que se levantou contra os guardas da GNR”, jornal i, em 9 de Agosto de 2018.
[viii] Eventualmente com  uma hipoteca garantindo que o Estado fosse ressarcido da ajuda em caso de decisão de venda da habitação reconstruída.

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Ver artigo original em "O TORNADO"

Portugal | Pedrógão, uma vergonha coletiva

Inês Cardoso | Jornal de Notícias | opinião

Há um estranho desconforto que se apodera de nós perante os crescentes pormenores de irregularidades no processo de reconstrução de Pedrógão Grande. Podemos apontar o dedo e alegar que felizmente nunca seríamos aquilo, mas nas trapalhadas e denúncias a que vimos assistindo está um pouco do país espelhado.

Poderes e serviços que deviam ser garante do cumprimento da lei e da boa gestão dos bens públicos encolhem os ombros e tentam minimizar as falhas cometidas. Pessoas que abusaram da sua condição de vítimas justificam-se com os erros dos outros e elaboram desculpas para transformar o puro oportunismo num direito. Contratações e subcontratações feitas sem transparência resultam em obras sem qualidade e sem sentido das prioridades. À distância, uma sociedade inicialmente solidária e presente demarca-se, generaliza os abusos e admite desconfiar de tudo.

A tragédia de Pedrógão Grande foi única na dimensão dos estragos e na exposição da vulnerabilidade do interior. Mas foi igualmente única na enorme mobilização de apoios, nas demonstrações de solidariedade, na quantidade de instituições e respostas no terreno. Se, por uma vez, fomos obrigados a olhar para as nossas maiores fragilidades de país desequilibrado, exigia-se que com isso tivéssemos aprendido alguma coisa. E que a tragédia de Pedrógão se transformasse em oportunidade - dolorosa, sempre, mas ainda assim uma oportunidade.

O que vemos, pelo contrário, é uma tragédia transformada em vergonha. Uma vergonha apenas possível porque ao longo dos anos fomos normalizando comportamentos abusivos nos poderes políticos, nos serviços públicos e na intolerável tendência para procurar ou condescender os "favorzinhos". Que ninguém desvie o olhar de Pedrógão. Do que foi e do que é urgente conseguirmos ser.

* Subdiretora do JN

Carta aberta ao Sr. Presidente da Câmara, a Sra. Vice-Presidente da Câmara de Pedrógão Grande

(Vasco Esquina, 22/08/2018)

vergonha1

(Parece que em Pedrógão o presidente da câmara está a sair “chamuscado” e não é por causa das labaredas. Este munícipe insurge-se, pede explicações a todos os que o queiram ouvir e diz que tem vergonha. Pudera. Parece que, para os políticos da direita não se passou nada. O “selfie made man”, não pede explicações e bota faladura? A Dona Cristas não pede explicações, senão ao Governo, pelo menos à sua amiga “brasileira”?

O único que tem desculpa por não falar no asssunto é o Rui Rio que está de férias até ao fim do mês e que, por tal, não fala sobre coisa nenhuma. Homem coerente, portanto. ?

Comentário da Estátua, 26/08/2018)


 Sr. Presidente Valdemar Alves (Senhor por quem eu tinha uma grande admiração), você que aqui há uns meses atrás foi um dos principais ajudantes a descobrir a corrupção de que a nossa Câmara estava a ser alvo, hoje vou para jantar e nisto olho para a minha televisão, e reparo que estava o Senhor Presidente, e outros seus colegas a dar uma entrevista. A darem não, a serem ”encostados” a uma parede durante uma entrevista.

Pouco sei e sinceramente nem quero saber de política, mas o Senhor como a pessoa que está lá no ponto mais alto, diga-me ou tente-me explicar o porquê disto tudo.. Como é que o Senhor deixou/permitiu que coisas destas fossem possível? Espero que um dia tente explicar a toda a gente, mas sem mentir como fez na entrevista, tanto você como os seus colegas a única verdade que devem ter dito para a equipa da TVI foi qual era o vosso nome.

Somos uma vila pequena, mas bonita, com poucos poderes financeiros, mas sempre prontos ajudar o próximo (de maneira LEGAL). Os milhões eram muitos, a fortuna era grande, o tacho era lindo e recheado, até que dentro dessa Câmara todos pegaram nos seus talheres e começaram a comer.

Vocês todos que fizeram isso, só olharam para o vosso umbigo, os velhotes, as outras pessoas que também perderam tudo, eles que se lixem, né? Eles que durmam, que vivam ao frio, sem luz, sem água, sem um frigorífico se for preciso.. O importante é vocês encher a vossa barriga, estou certo Senhor Presidente? Ou mais uma vez vai e vão todos mentir?

Era dinheiro suficiente, até mais do que suficiente para ajudar todas as pessoas que ficaram mal neste incêndio, e até dinheiro suficiente para dar ao próximo (aqueles que também sofreram como nós em Outubro), mas não Senhor Presidente, você e os seus preferiram encher os bolsos e usar o dinheiro em coisas benéficas para vocês, e mais uma vez, quem precisa verdadeiramente que se lixe.

 A sua sorte e dos seus, é que os que menos têm calam-se e continuam a viver a vida deles com o pouco têm.. Mas há outros que mesmo tendo pouco ainda conseguem reagir, foi o caso.. E graças à TVI todo o nosso povo ficou a saber verdadeiramente do que se passa aqui na nossa terra, mas pior do que isso Senhor Presidente sabe o que é? Se calhar você não sabe mas eu vou-lhe dizer, mas sendo verdadeiro, claro, se o Senhor Presidente souber o que isso é.

A TVI, a reportagem, não passou só nas televisões do nosso povo de Pedrógão Grande.. Passou em TODO o País, passou nas televisões dos emigrantes, alguns deles cá da terra, e outros que mesmo não sendo da terra vão ver na mesma.. E o Senhor Presidente consegue perceber o que isto quer dizer? Eu vou-lhe então tentar explicar o meu ponto de vista.

O incêndio que nos afetou, fez-nos perder pessoas (familiares e amigos), muitos dos nossos bens, foi um inferno resumindo.. Infelizmente mesmo que eu não queira e não goste, ficamos com o ” rótulo ” de coitadinhos. Todos quiseram ajudar, uns doaram dinheiro, outros doaram bens para nos irmos aguentando.. O pior é que uns receberam alguma coisa disso, outros não.. Mas enfim, já aí começou a ” palhaçada ” a que começamos assistir.. Mas já de alguns meses para cá, já antes desta entrevista, muitas pessoas que ajudaram questionam-se ” O que foi feito do dinheiro que doei para ajudar? ”, outras ” Será que os bens essenciais que doei, foram bem entregues a quem precisa? ”, muitas outras já diziam ”Jamais doarei dinheiro enquanto não souber o que foi feito ao que doei para Pedrógão Grande ”, pois bem Senhor Presidente, apostando eu quase tudo o que tenho que todas as pessoas que doaram o quer que seja para o nosso povo viram esta reportagem. Responda-me com sinceridade, do ”rótulo” de coitadinhos vamos passar ao ”rótulo” de ladrões/aproveitadores/corruptos, não sei Senhor Presidente responda-me você, mas com sinceridade, claro.. Se quiser ajuda para responder peça aos que comeram do tacho consigo, mas claro, peça-lhes sinceridade a cima de tudo se forem capaz de responder com ela.

Agora, agora eu quero ver Senhor Presidente, o que você vai dizer para todas essas pessoas, espero que seja verdadeiro, espero que corrija os enormes erros que fez. Por fim, digo-lhe com orgulho e com raiva misturados, apesar de tudo isto, não tenho vergonha da nossa vila, na vila onde moro, tenho sim, vergonha de quem a governa. Fico à espera que venha a público explicar tudo ao nosso povo e a todos os portugueses… Um agradecimento especial à TVI por abrir os olhos e mostrar a realidade tanto a mim, como ao resto do povo que ainda não se tinha apercebido.

P.s. Vejam se ainda vão a tempo de ajudar quem realmente precisa e deixam de comer do tacho.Mesmo depois de todas as visitas do Senhor Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, ainda foram capaz de fazer esta vergonha!

Quem vinha cá para nos visitar e ajudar, agora nem querem ouvir falar de nós!

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Monchique e «a excepção»*

Agostinho LopesTodo o discurso do 1.º Ministro e do Ministro da Administração Interna é uma encenação e a melhor demonstração do que não fizeram nem vão fazer. O Governo não está a responder aos problemas cruciais da floresta portuguesa. E não é a questão de que não se pode fazer tudo num ano. Ninguém de bom senso o exige. Mas pelo caminho encetado nem daqui a 50 ou 100 anos estará feito.

Monchique era um caso programado, depois do Incêndio Florestal (lF) de 2003. Passados alguns anos, só não via quem não visitava Monchique ou não queria ver. A operação do 1º Ministro em Monchique, integrada na operação «limpa valetas», só evidencia a fraude propagandística encenada em 2018 pelo Governo. Como o PCP denunciou. Terá havido no IF de Monchique problemas no combate, que a seu tempo se analisarão. Mas tudo indica que nesta vertente foram, também, mais as vozes que as nozes.

Mas há coisas a dizer sobre o que se tem dito. Falar da «excepção» de Monchique, é esquecer todas as «excepções» que foram sendo invocadas depois de 2003 e 2005. Gerês, Serra da Estrela, Planalto Mirandês/Nordeste Transmontano, Caramulo, Tavira/S.Brás de Alportel, Boticas/Ribeira de Pena, etc. É esquecer as dramáticas «excepções» de 2017 de Pedrogão e de Outubro nas Beiras. Falar das alterações climáticas para provar a excepcionalidade de Monchique é uma tentativa de fugir ao facto de essa área não estar preparada, prevenida, ordenada, para a excepção climática!

É como tentar justificar o IF do Pinhal de Leiria como uma conspiração de madeireiros - mesmo se a houve (1). Sem nunca se assumir as responsabilidades políticas pela situação dessa Mata Nacional, por única e irrecusável opção de sucessivos governos PS, PSD e CDS.

Todo o discurso do 1.º Ministro e do Ministro da Administração Interna é uma encenação e a melhor demonstração do que não fizeram nem vão fazer. O Governo não está a responder aos problemas cruciais da floresta portuguesa. E não é a questão de que não se pode fazer tudo num ano. Ninguém de bom senso o exige. Mas pelo caminho encetado, nem daqui a 50 ou 100 anos, estará feito. É continuar a falar de uma reforma florestal que não existe. É invocar mudanças não verificadas nem comprovadas no terreno. No ordenamento. Na prevenção. Nos recursos humanos. É não querer assumir o problema da dimensão do investimento e dos ritmos necessários da intervenção pública. Em Agosto de 2018, o 1º Ministro fala de que «a lei orgânica da ANPC e do Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta estão também para aprovação» e que «o processo de recrutamento de peritos está em curso»! O problema começa logo, pela ausência de balanço rigoroso, concreto e atempado do que foi ou não feito, decorrente de alterações legislativas e das medidas aprovadas no OE/2018! Esse escrutínio não foi feito na Assembleia da República. Julga-se que nem o Governo saiba…

Mas o Governo não está sozinho na sua cruzada de desresponsabilização, antes bem acompanhado por PSD e CDS, que continuam a botar faladura, como se não tivessem nada a ver com o que acontece na floresta portuguesa, pelo que fizeram e sobretudo pelo que não fizeram quando governaram. É particularmente hipócrita a posição de A. Cristas, que Ministra da Agricultura, fez o maior corte alguma vez feito no investimento público na floresta (desvio para o agronegócio) para além de outras e vastas malfeitorias.

E a questão não é a da «lamentável querela que os partidos alimentam em torno do fogo» como refere um dos participantes profissionais nas querelas mediáticas de apoio à política de direita que conduziu a floresta e o mundo rural à complexa e frágil situação, de que os IF são uma expressão (). O problema é da responsabilização político-partidária pelos IF. É, em linguagem chã, pôr os nomes aos bois.

O busílis é a que as declarações de A. Costa e E. Cabrita são a prova provada de que as coisas não endireitaram. Pior, como eles estão, pelo que dizem, convencidos de que vão com o passo certo, tarde ou nunca se endireitam. O resultado só pode ser em cada ano, o desastre. No seu linguajar: «a excepção»!

Nota:
1- Ainda se espera que a PGR diga alguma coisa sobre esse e outros IF de 2017;

Leia original aqui

 

Os fogos e o tratamento superficial de uma coisa séria

(Pacheco Pereira, in Sábado, 19/08/2018)

JPP

Pacheco Pereira

Não pretendo nem um átomo desculpar o que o Governo faz mal, mas o modo como se procura com enorme ligeireza encontrar culpados ainda os fogos estão a arder é pouco sadio numa democracia.


Eu não sei qual a responsabilidade do Governo, mas terá certamente muita. É o Governo que está em funções e, por isso, tudo o que se passa no País é de sua responsabilidade directa ou indirecta. Não pretendo nem um átomo desculpar o que o governo faz mal, mas o modo como se procura com enorme ligeireza encontrar culpados ainda os fogos estão a arder, é pouco sadio numa democracia. A comunicação social, cujo tratamento de tudo é cada vez mais estereotipado, tem muita responsabilidade no incremento da superficialidade.

A política é deixar arder as matas e concentrar a defesa nas casas? Parece que é uma opção, mas se fosse ao contrário, não haveria um enorme clamor? A política foi, à luz do que aconteceu no ano anterior, não dar margem nenhuma a que houvesse pessoas no caminho do fogo? Sim, com o inevitável forçar da GNR dos recalcitrantes em sair, contrariando a sensação de que se estivessem perto de suas casas podiam salv -las. Mas se alguém tivesse morrido queimado porque no combate aos fogos se tinha descurado a segurança das populações e se permitira a tentativa muitas vezes quixotesca para salvar as casas, o que é que se diria?

No entanto, neste caso, gostaria de saber mais, saber até que ponto um número significativo de casas foram salvas sem os bombeiros e como. É um dado relevante, até para se disseminar esse conhecimento, mas também aqui é preciso esperar para saber mais, e não dar palpites imediatos por jornalistas ou pelas pessoas aflitas em casos que podem ser pontuais ou ter outra explicação. É um facto que existe muita pressão política sobre o Governo e ainda bem. Mas a pressão política sem o conhecimento dá sempre para o torto.


Um País pobre
Quando, muitas vezes de forma folclórica e afrontosa, as televisões vão buscar aqueles que lhes parecem mais “típicos” para entrevistar, naquelas conversas de nulo conteúdo informativo, mas que servem para encher espaço nos noticiários quando há desgraças, há um aspecto de Portugal que muita gente quer ignorar: o País e o seu povo são pobres, ainda muito pobres. Entre outras coisas vejam o número de pessoas que não têm dentes, que se percebe que nunca tiveram cuidados dentários. É um sinal de que não somos o País que desejamos ser, ou que nos dizem que somos.


A censura feita pelo Facebook, Google, etc.
Não me sinto confortável com aquilo que a maioria das pessoas acha bem: os donos das principais “redes sociais” (com excepção do Twitter) estão a fazer censura a páginas de notícias falsas, páginas individuais e de grupo consideradas promotoras de ódio, racismo, teorias conspirativas, etc. Parece-me um caminho perigoso, alimentado por uma espécie de complexo de culpa pelo que permitiram no passado. Agora querem lavar as mãos prometendo que apenas passam no crivo dos novos censores, páginas limpas, sanitárias e sem mácula. Aliás o zelo censor é muito mais fácil do que o zelo na protecção da privacidade, visto que estas redes sociais são negócios que vivem da informação privada que as pessoas irresponsavelmente e por ignorância lhes dão. O caso da Cambridge Analytica e da utilização de big data para fazer perfis eleitorais e depois orientar a propaganda, as provocações, os boatos e as falsidades é muito mais grave do que as conspirações do InfoWar.

É um caminho muito perigoso e institucionaliza como normal a censura, daquilo que não gostamos nem concordamos, aquilo mesmo que na Constituição americana era o pilar básico da liberdade de expressão. A liberdade de expressão não é para o que consideramos conveniente, com que aceitamos e concordamos, para exactamente aquilo que, dito de forma directa, nos mete nojo. Começar a separar o que se pode dizer daquilo que não se pode dizer acaba por caminhar para a cabeça das pessoas e mata a liberdade. Claro que eu sei que o problema não está apenas nos conteúdos, mas na utilização das “redes sociais” como máquinas de guerra, manipuladas por especialistas na desinformação que em vários pontos do mundo, e não só Moscovo, há muito perceberam o potencial de controlo na Internet.

Mas há outras formas sem ser a censura. O que é crime deve ser tratado como crime, e a defesa face a boatos, falsidades, e insultos deve permitir e facilitar as condenações, mesmo que isso implique diminuir drasticamente o anonimato. O anonimato profundo, protegido, justifica-se nalguns casos, mas não para 90% dos frequentadores das redes sociais. Podem usar pseudónimos, mas o nome deve ser detectável caso haja delitos de opinião e abusos. Mas a principal arma é a educação, desde o jardim-de-infância que as crianças, assim como os adultos, devem conhecer o jogo perigoso em que estão metidos. Não é fácil, porque muito do que acontece nas redes sociais é impulsionado por tendências de fundo da sociedade, mas parece-me bem melhor do que a censura.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Portugal | Os fogos e a mercantilização da terra

Tiago Mota Saraiva | jornal i | opinião

O conhecimento que fui adquirindo sobre questões relacionadas com os incêndios florestais faz-me escrever com mais dúvidas e pudor sobre o tema. Arrepia-me ouvir o tempo de antena que é dado a disparatadas intervenções de especialistas em “tudismo”, mas não haverá muito a fazer quando um dos canais de informação líder de audiências televisivas tem como diretor adjunto de informação José Gomes Ferreira, um dos gurus do “tudismo” luso por proferir as mais ignóbeis afirmações.

Não haverá quem tenha mais conhecimento para falar sobre o assunto? Certamente que sim. O que tenderá é a demarcar-se de uma narrativa de respostas fáceis: a culpa é do governo, dos incendiários, da Proteção Civil, dos bombeiros...

Pela parte que me toca, consigo identificar com toda a certeza um culpado: o ordenamento do território. Falta-nos desenho, planeamento e inteligência o que sobra em mercantilização da terra. Mas esta será uma ideia demasiado abstrata e que contraria a narrativa de respostas fáceis dos “tudistas”.

Também o território não urbano sofreu um processo agressivo de mercantilização. A sua função principal deixou de ser a de produzir de acordo com as necessidades do país para passar a ser a de criar receita ao seu proprietário. Não me entenda mal o leitor, entendo e defendo que mais gente deva poder viver e retirar rendimentos do solo não urbano, gerando consequentemente mais trabalho. O problema é que as políticas do Estado deviam servir para equilibrar rendimentos por forma a garantir uma paisagem de diversidade de culturas, para que a escolha dos proprietários não recaia sobre o que dá uma receita mais rápida com menos encargos. Não podemos pedir a quem vive da terra que plante algo que só lhe dará uma renda daqui a 50 anos - provavelmente fora do seu período de vida - sem lhe garantir um rendimento que lhe permita viver.

Desde os governos de Cavaco Silva que o país faz exatamente o oposto, apoiando as plantações de eucalipto. À receita rápida pela velocidade de crescimento juntou-se a subvenção. Naquele primarismo boçal que tão bem caracteriza aquela geração de governantes, fica sempre a dúvida se estariam mesmo convencidos de estar a descobrir o “petróleo verde” (como Mira Amaral lhe chamou) que os demais europeus não tinham vislumbrado.

Entendamo-nos, esta não é uma declaração contra esta ou aquela cultura, mas contra a monocultura e contra um Estado que abdica de planear a produção do país em função do seu território para permitir que o mercado use e abuse da sua terra.
*Escreve à segunda-feira

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/tiago-mota-saraiva-i-opiniao.html

Sinais de mudança?

De acordo com o mais recente relatório do ICNF, com dados até 31 de julho, o número de incêndios rurais registados em 2018 representa 64% da média do último decénio (cerca de dez mil, no mesmo período). Um ano particularmente favorável em termos meteorológicos, até ao momento, ajuda a compreender esta diferença, a que não é também certamente estranho o esforço inaudito, ao longo do último ano, nos domínios da prevenção e do combate. Um dos dados mais interessantes deste relatório provisório diz contudo respeito à redução, muito significativa, do número de incêndios registado em julho. Com efeito, se nos meses anteriores não se observam discrepâncias assinaláveis entre os valores de 2018 e da média do decénio (2008-2017), apesar das oscilações verificadas, o número de incêndios rurais registados no mês passado representa apenas 10% da média do decénio relativa a esse mês.
A hipótese que se coloca, neste sentido, é de poder estar em curso uma mudança muito relevante ao nível dos comportamentos, com a diminuição do número de «queimadas» (a principal causa de incêndios, ao contrário do que muitas vezes se pensa) para um patamar historicamente baixo, assim que começa a «época de fogos», com a entrada do verão. De facto, se o peso relativo dos incêndios registados em junho e julho (no total dos primeiros sete meses do ano) é de 53% na média do decénio (2008-2017), esse valor reduz-se para 23% em 2018.
A confirmar-se esta hipótese, num ano metereologicamente menos severo (apesar da recente onda de calor), poderemos estar perante um dos reflexos mais relevantes que os terríveis incêndios de 2017 nos deixaram: o reforço muito claro da consciência dos riscos e da devastação que os grandes incêndios podem causar, desincentivando práticas negligentes e irresponsáveis no uso do fogo.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Comando especializado nos megaincêndios

Vai sendo tempo de se reconhecer que há uma nova geração de incêndios, designados megaincêndios, que exige uma doutrina especifica e formação especializada na função de comando estratégico das mesmas.

Estado da floresta após a passagem de um incêndio florestal na zona da Ribeira da Perna da Negra, na Serra de Monchique, no distrito de Faro, 4 de Agosto de 2018. Estão envolvidos no combate ao incêndio mais de 735 bombeiros, 196 meios terrestres, e 9 meios aéreosCréditosFilipe Farinha / Agência LUSA

Sabemos que cada vez com mais frequência teremos de enfrentar incêndios florestais severos, atendendo a todos os fatores que os potenciam, uns que não controlamos e outros que resultam de erros e omissões com muitos anos. Por isso e apesar da catástrofe dos incêndios de junho e outubro do ano passado, este ano não fomos surpreendidos pelos incêndios florestais que há muitos anos fazem parte do verão português.

Porém o que não se esperava é que depois de todas as medidas adotadas e os meios afetos este ano ao dispositivo de combate, ocorresse um incêndio que durasse sete dias, do qual resultou a perda de 27 mil hectares de floresta, trinta e nove feridos (um deles grave), 74 casas afetadas (33 de primeira habitação) e muitos outros prejuízos materiais.

A feliz circunstância de não se terem registado vítimas mortais, primeiro objetivo de qualquer sistema de proteção civil quando confrontado com eventos extremos, merece o devido destaque tendo em consideração a velocidade e intensidade com que o fogo percorreu os municípios de Monchique, Portimão e Silves, do dia 3 ao dia 10 de agosto.

Mas seria irresponsável não refletirmos sobre mais este evento e adotarmos uma perspetiva triunfalista e redutora da gravidade do que se passou.

27 mil

hectares de floresta foram consumidos pelo fogo, na serra de Monchique

Em 2003 a Serra de Monchique ardeu quase na totalidade. Entretanto e desde então muito pouco ou nada foi feito.

Estava identificado o risco que a serra registava, liderando a lista dos 20 concelhos classificados em maio deste ano pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA) como de risco mais elevado.

Entretanto as medidas adotadas para enfrentar esta ameaça revelaram-se (sem surpresa) ineficazes.

Na perspetiva da análise das operações de combate, muitas perguntas estão por responder. Uma delas é incontornável: tendo falhado a primeira intervenção (uma vez mais) e sabendo-se que, nestas circunstâncias, os incêndios ganham grande aceleração na sua propagação, não será de refletir sobre a estratégia em vigor no Sistema de Gestão de Operações (SGO) para enfrentar esta fase precoce dos incêndios?

Ainda no ponto de vista do combate, vai sendo tempo de se reconhecer que há uma nova geração de incêndios, designados megaincêndios.

O combate a um megaincêndio pressupõe uma abordagem estratégica multidisciplinar, muito alicerçada no conhecimento sobre variáveis determinantes (meteorologia, coberto florestal, geografia do território e outras).

«Aforma mais eficaz de combater um incêndio é evitá-lo. (…) Porém, não haja ilusões. O potencial de risco instalado é de tal modo elevado que pode ser dramático descurar a defesa de pessoas e bens»

Estes incêndios não são operações de Bombeiros. Este tipo de operações exige uma doutrina especifica e formação especializada na função de comando estratégico das mesmas.

Quando defendo a necessidade desta formação, considero indispensável que ela seja reconhecida e certificada por uma parceria de instituições de ensino superior, agrupadas num Centro Protocolar, na qual participe obrigatoriamente a Escola Nacional de Bombeiros.

Urge olhar para esta matéria com coragem e inovação. Urge concluir sobre como contribuir para melhorar o combate a este tipo de ameaça que, todas as fontes confirmam, terá tendência a agravar-se nos anos mais próximos.

A forma mais eficaz de combater um incêndio é evitá-lo, nomeadamente através de políticas racionais de ordenamento e de valorização económica e social do território florestal.

Porém, não haja ilusões. O potencial de risco instalado é de tal modo elevado que pode ser dramático descurar a defesa de pessoas e bens.

Deste modo é necessário reforçar continuamente as competências do combate, enquanto condição para garantir o cumprimento desta obrigação constitucional do Estado.

O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AE90)

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Portugal |Sozinhos em casa

Miguel Guedes | Jornal de Notícias | opinião

A retórica dos fogos ganhou este ano um novo apontamento vigoroso, o supremo valor da propriedade face à protecção da vida humana. É inquestionável que a defesa das casas, bens e haveres é obrigação de todos e, naturalmente, incumbência maior de todas as forças no terreno. Não se pode, de resto, ignorar ou diminuir o conhecimento de pessoas, anónimas, que saberão acrescentar algo mais ao plano estrutural de combate aos fogos e à organização dos meios no terreno. Se tempo houvesse. Terá havido excessos. Mas independentemente do desastre de Pedrógão e da falta de confiança dos cidadãos na capacidade do Estado, é espantoso ver tantas pessoas a valorizar mais a vida humana em feto (contra a interrupção voluntária da gravidez) ou a vida desumana em sofrimento atroz (contra a eutanásia), do que a vida de quem teima, por natural desespero, em ficar sozinha em casa a defender a sua propriedade para, possivelmente, nela morrer. A falta de confiança neste Estado não o extingue pelo fogo.

Os especialistas em incêndios viveram uma relação de amor e ódio com o indomável fogo de Monchique. Afinidade com a cotação do bitaite a subir, dias a fio, ao nível das altas temperaturas e com o estigma da comparação com o passado recente de Pedrógão, como se dente por dente fosse lume por lume, como se dois fogos houvesse que se sintetizassem num só, à vista desarmada, por apropriação de identidade ou fogo de vista. É chocante a nossa incapacidade em fazer frente ao que todos os anos parece ser inevitável, hectares e hectares de terra ardida sob os olhares-faísca de gente desesperada ou em pânico, uma imensa tristeza que se abate e galopa como certa, inferno de luz, na sua direcção. Tudo o que sabemos porque temos memória. Mas não podemos escurecer à sua luz: a memória de Pedrógão não nos autoriza ao descaramento de olhar para Monchique lendo sucessos ou insucessos pelos números do desastre, à comparação. Continuamos a olhar para trás para não ver o que está à ilharga.

António Costa congratulou-se pelo facto de ninguém ter morrido em Monchique mas esteve mal ao puxar pela comparação gratuita com Pedrógão. Friendly-fire. A ponte Morandi em Génova foi construída com betão leve nos anos 60 e vinha com um prazo: durabilidade máxima de 30 anos. Contavam-se cerca de 20 pontes como esta em todo o Mundo. Todas elas foram demolidas e reconstruídas. Todas, excepto a que ontem caiu, vitimando dezenas de pessoas. O caso único, a única comparação que faz sentido.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

*Músico e jurista

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/08/portugal-sozinhos-em-casa.html

Quem não tem Pedrógão caça com Monchique

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 14/08/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

O número de vítimas mortais, mais do que qualquer outra coisa, tornou os fogos de Pedrógão e de outubro na principal notícia de 2017. Foi um acontecimento traumático que, apesar de se dispensar a orgia de sensacionalismo telegénico, merecia um tratamento prolongado. Tentando ser simpático, talvez alguns excessos mediáticos até fizessem parte do luto. Com Monchique as coisas são diferentes. Percebemos que havia um batalhão de televisões em crise de audiências e de políticos em crise de votos, mortinhos para que houvesse um incêndio. Não tendo havido mortes (não por milagre mas por ação das autoridades, que até por isso foram criticadas), restou, para além do espanto com o facto de ainda haver incêndios depois de Pedrógão, a frase maldita de António Costa: Monchique foi “a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação que decorreu ao longo de todos estes dias”.

Depois da indignação forçada, o primeiro-ministro veio dizer que a frase foi descontextualizada. O que ele disse foi isto: “Porque é que o incêndio não foi apagado no primeiro minuto? De facto este incêndio poderia ter sido apagado como os outros 25. Como poderia ter ocorrido como com as 581 outras ignições que aconteceram. Mas por circunstâncias próprias, que têm a ver com a dificuldade do terreno, com as condições climatéricas específicas, com a composição da floresta que temos no local e certamente por outros fatores que no final desta ocorrência poderão ser apurados, foi a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação que decorreu ao longo de todos estes dias”.

A frase não foi descontextualizada. E, com ou sem contexto, está certa.

Todo o debate que se fez depois disto, da acusação de “saloiíce” no tempo de antena partidário de Marques Mendes à conferência de imprensa do PSD, apenas demonstra que o que aconteceu em Monchique é a menor das preocupações da oposição. O que interessa é manter o assunto vivo e o primeiro-ministro envolvido. Quem não tem Pedrógão caça com Monchique.

A frase de Costa é objetivamente verdadeira porque assistimos a um dos verões com temperaturas mais altas desde que há registo. Porque houve incêndios de enormes dimensões em várias partes da Europa, em países menos secos e que chegaram a temperaturas mais baixas. Porque qualquer pessoa razoável esperou, naqueles dias, notícias de muitos incêndios. Porque 25 incêndios foram travados antes de ganharem dimensões mais perigosas. Porque se evitou que 580 ignições se transformassem em incêndios. E nenhuma das coisas aconteceu por força da natureza. Porque, tirando todos estes factos, houve uma ignição que se transformou em incêndio e ganhou grandes proporções. Na análise fria dos factos, temos um padrão em que a prevenção e o combate resultaram e uma exceção em que tal não aconteceu. Perante essa exceção, num país que tem os mesmos problemas de desordenamento do território e da floresta e as mesmas debilidades estruturais que tinha há um ano, conseguiu-se evitar a perda de qualquer vida humana.

Pode falar-se de “vitória”? Tendo em conta que houve um enorme fogo com perdas materiais e na floresta, não. Havendo incêndios, como sempre haverá, nunca se poderá fazer um balanço positivo. O que torna toda esta conversa um pouco absurda. Certo é que nada do que Costa disse é mentira. Resta a insensibilidade de o ter dito. Do que se conclui que, apesar de todos dizerem que o Governo deve fazer balanços rigorosos do que se fez e falta fazer, ninguém quer realmente balanços rigorosos. O que se quer é uma comunicação política mais polida.

Concordo que a sensibilidade com que se transmite um facto não é um pormenor em política. Mas não deixa de ser interessante ver os mesmos que se queixaram de um excesso de preocupação com as vidas humanas lamentarem a insensibilidade do primeiro-ministro. Eu diria que a maior das insensibilidades é usar o sofrimento das pessoas para horas de diretos emocionais que garantam boas audiências. Mas isto sou seu, que acho que as qualidades humanas e morais não têm de ser um exclusivo da classe política.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Comissões há muitas!

«Como Portugal não descobriu os Gremlins, inventou as comissões. Estas não se multiplicam com a água. Florescem como soja geneticamente modificada. São viçosas. Há, como nos supermercados, para todos os gostos e preços: de inquérito, de análise, de prevenção, de estudo. Há quem diga que já foram propostas entidades como a Comissão para a Tributação do Tremoço e a Comissão Consultiva da Comissão Eventual para a Criação de uma Unidade de Missão para as Missões a Criar. Algumas até têm nomes divertidos como a CADA (Comissão de Acesso aos Dados Administrativos), que funciona junto do Parlamento. Umas aparentam ser úteis. Outras são claramente inúteis. Todos, em Portugal, querem ter uma comissão. Não se entende porque este desiderato não está na Constituição da República. A maior parte das comissões são criadas por uma única razão: porque é necessário criar algo para ofuscar a incompetência de tudo o que tinha sido feito. Assim investiga-se e arquiva-se. E todos dormem descansados.
Agora Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu a criação de uma comissão independente que ajude o Governo a analisar se as formas de prevenção e respostas resultaram no combate aos incêndios. Há já um Observatório Técnico Independente, que aparentemente serve para a mesma coisa. O absurdo é que o país está farto de comissões sobre incêndios. E estes não acabam. Em 1990, foi criada a Comissão Eventual para a Análise e Reflexão da Problemática dos Incêndios em Portugal, a que se seguiu em 2003 a Comissão Eventual para as Incêndios Florestais e publicado o Livro Branco dos Incêndios Florestais. Em 2005, foi anunciada a Comissão Eventual de Acompanhamento e Avaliação das Medidas para a Prevenção, Vigilância e Combate aos Fogos Florestais e de Reestruturação do Ordenamento Florestal e em 2007 mais uma: a Comissão de Acompanhamento e Avaliação da Política Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios. E em 2013 foi constituído o Grupo de Trabalho para Análise da Problemática dos Incêndios Florestais. Comissões há muitas. Serviram para quê?»
Fernando Sobral
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A polícia não serve para salvar vidas?

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 13/08/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

É interessante verificar que foi dos que mais violentamente costumam reagir a qualquer critica às forças policiais que vieram as reações mais indignadas com o comportamento da GNR em Monchique. Uma parte desta reação tem motivações políticas. A morte de uma única pessoa nos incêndios teria, depois de Pedrógão e de outubro, enormes efeitos políticos.

Há quem ache que terá sido o receio por esses efeitos a principal motivação para o Governo ter dado toda a prioridade à preservação de vidas humanas, mesmo que isso correspondesse a perderem-se casas e terras. Ainda que isso fosse verdade, ela não deixa de estar certa por isso. E parece haver entre alguns dos críticos uma indisfarçável amargura por essa opção lhes ter retirado um fortíssimo instrumento de oposição ao Governo. Uma amargura que é, convenhamos, um pouco sinistra.

Mas há outra razão para quem não hesita em defender a polícia sempre que há um espancamento numa esquadra ou na rua, uma carga sobre uma manifestação ou um tiro sobre uma viatura que não pára numa “operação stop” a rasgar agora as vestes pelos direitos dos cidadãos. A divisão que fazem do mundo é entre bandidos, moradores de bairros sociais, arruaceiros e todos os suspeitos do costume, por um lado, e cidadãos comuns, “como todos nós”, por outro. E é com base nesta dicotomia entre normalidade e margens que avaliam a atuação policial. Só por isso se chocaram, aliás, com o espancamento de um adepto do Benfica, em Guimarães, em 2015. E os donos das propriedades de Monchique eram “pessoas como nós”, que apenas queriam salvar o que tinham.

Nas avaliação da ação policial, estas pessoas não aplicam os critérios relevantes para um Estado de Direito ou de necessidade no uso da força, mas critérios que dividem as vítimas da violência policial entre bons e maus, culpados ou inocentes. Pois eu acho que o uso da força pela polícia se mede pela sua necessidade e proporcionalidade. Porque o uso da força não serve para punir – isso só os tribunais podem fazer –, serve para proteger um bem maior do que aquele que, com a sua utilização, é posto em causa.

O uso da força dentro de uma esquadra perante alguém que, mesmo que seja um criminoso, não representa um perigo iminente para si e para os outros é inaceitável e tem de ser tratado como um crime. O uso da força para retirar alguém de uma situação de perigo de vida é não só aceitável como um dever de qualquer força policial.

Estranho é haver quem defenda que a polícia pode pôr em perigo a vida de alguém para defender um bem material mas não deve usar a força para salvar quem, num momento de desespero, se está a entregar à morte para defender a sua casa ou a sua terra. É uma inversão total de valores.

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Portugal | O país que não o é

Marisa Matias* | Diário de Notícias | opinião
Cresci e tornei-me adulta sabendo que era do interior. A 40 quilómetros da costa, não podia ser outra coisa senão interior. Faltava tudo: transportes, educação, saúde, saneamento, água, meios. Lembro-me, contudo, do dia em que me senti mais do interior do que nunca. Foi o dia em que tudo à volta da minha aldeia ardeu e uma boa parte da aldeia, crianças excluídas, teve de fazer o que se podia fazer para apagar o fogo. Ir à fonte, encher tudo o que havia para encher, subir o monte, cobrir o rosto e apagar o fogo por onde podia. Tinha, creio eu, 6 anos, quando pensei que ia ser o último dia das nossas vidas. Essa foi a sensação mais profunda que tive do que era ser-se do interior. Era o abandono.
Ninguém se deu conta nem as contas foram feitas. Foi há bem mais de 30 anos e não havia estatísticas nem gráficos a saltar ao segundo, não havia telemóveis, não havia redes sociais porque nem sequer havia internet, não havia meios tecnológicos de ponta. Havia a esperança de que tudo iria melhorar. O país estava a mudar, a democracia a instalar-se, havíamos de ser todos mais iguais. No entanto, vieram os telemóveis, a internet, a tecnologia de ponta e o abandono ficou.
Há um ano assistimos aos incêndios mais trágicos de que temos memória. Assistimos todos os dias a análises, a relatos, à identificação dos problemas humanos e técnicos, à avaliação das responsabilidades políticas. Revejo-me nas opiniões que sublinham o problema estrutural que é o abandono do interior, hoje como há mais de trinta anos, em detrimento do exército de dedos apontados debaixo de telhados de vidro.
Na década de 1990 parecia que a coesão estava a vir para ficar, mas os serviços públicos, os transportes, a qualidade de vida que foram chegando ao interior não ficaram por muito tempo. Desinvestiu-se o pouco que se tinha investido e acentuou-se mais ainda essa fratura que teima em não ser preenchida. O interior não é uma categoria geográfica apenas, é também uma opção política, faz parte de uma ideia de país. O abandono de hoje não é igual ao de há 30 anos, mas não deixa de o ser por isso. Muitos dos recursos e das propriedades foram sendo expropriados. Isso passou-se tanto com a agricultura como com a floresta. Os poderes públicos abandonaram, as celuloses não.
Nas últimas três décadas, a história do interior do país passou por uma promessa e acabou numa tragédia. O país inclinado a litoral ficou cada vez mais desigual e a enorme cobertura mediática aos incêndios apenas o confirma. A forma como se transforma a tragédia em espetáculo, o desespero em entretenimento, as vítimas em custos políticos, é a expressão dessa desigualdade, da desumanização das pessoas. Só assim se compreende os termos e os propósitos da polémica obscena acerca da legitimidade da evacuação de povoações em perigo, que protege as vidas quando os bens estão perdidos.
Ou se assume o país todo como uma prioridade, os direitos por igual e a qualidade de vida como variável independente do lugar onde se nasce, ou vamos ver esta triste história muitas vezes repetida. Agora com imagens e a cores, mas nem por isso mais feliz.
*Eurodeputada do BE

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A Realidade dos Meios Aéreos

(Dieter Dellinger, 11/08/2018)

canadair

Foto: Um C-130 a lançar água com retardante a título experimental.

Muito se falou nos anos 70 a respeito da utilização dos meios aéreos da Força Aérea no combate a incêndios.

Chegou-se a comprar kits especiais (Modular Airborne System for Fighting Fires) para reconverter os C-130 nessa função em que utilizariam também retardadores e chegou a ser utilizado um helicóptero Aluette III com 2 sapadores florestais equipados com um extintor de 6kg de pó cada um.

Durante anos discutiu-se o assunto até que a FAP chegou à conclusão que os C-130 eram demasiado valiosos para serem utilizados no combate aos incêndios e não poderiam reabastecer-se em qualquer albufeira ou no mar como fazem os T-Roc, Canadair e Kamov, além da dificuldade em ter dois ou mais C-130 a trabalharem ao mesmo tempo que teriam sempre de aterrar na sua base para se reabastecer, o que significava uma enorme perda de tempo.

Portugal é um país com mais de 50 barragens de norte a sul, pelo que há sempre uma albufeira ou um rio a poucos quilómetros de algum incêndio e os dois modelos de aviões anfíbios enchem os depósitos sem pararem, limitando-se a amarar e quando em contacto com água enchem os depósitos. Até podem reabastecer-se no mar como fizeram recentemente no combate ao incêndio de Monchique. Os Kamov podem encher um balde de 500 litros até numa piscina, tendo duas hélices de sustentação que dá um impulso suficiente mesmo numa atmosfera muito quente e pouco densa.

O avião ideal para combater o fogo continua a ser o Canadair que é, de resto, o único avião do mundo construído para essa missão.

Posteriormente, quando foram adquiridos os 12 helicópteros E-101 alvitrou-se a hipótese de serem utilizados no combate a incêndios. Sucede que estes helicópteros vieram no âmbito dos planos estratégicos da Nato e um desses helicópteros custou tanto como 6 Kamovs além de que a formação dos pilotos da FAP é caríssima em comparação com os civis.

Os Kamov russos foram fornecidos a um preço especial, parece que em segunda mão, mas a sua manutenção é bastante cara. Mesmo assim, inferior à dos helicópteros E-101 que fazem revisões globais no fabricante.

A FAP é extremamente cara. Os seus pilotos voam em média pouco mais de 6 anos e levam 2 a 4 a serem instruídos, passando depois a oficiais do Estado Maior, algo que não sucede com os civis das empresas a quem se alugam os meios aéreos ou se contratam os trabalhos de manutenção e pilotagem com um custo elevado por hora que não dura todo o ano.

Segundo um estudo publicado na revista alemã “Der Spiegel” acerca dos incêndios em todo o Mundo, Portugal passou de um mês de grande seca e calor a sul e 2 meses no centro e norte entre 1971 e 2000 a 3 a 4 meses nos anos mais recentes. Isto em consequência de um aumento médio da temperatura global na Europa da ordem dos 2ºC.

Muitas foram as comissões que estudaram o problema dos meios aéreos, tendo a FAP descartado a possibilidade de participar no combate aos incêndios. A compra de 4 Canadair com apoio da União Europeia foi posta de lado devido aos custos de manutenção e instalação de infraestruturas adequadas. Acabou-se por recorrer ao aluguer periódico que feitas as contas por todos os governos ainda é a solução mais económica apesar dos seus elevados custos.

No âmbito destas questões dos fogos apanhámos a RDP2 a mentir quando colocou uma tímida engenheira do ambiente a dizer que Portugal é o país da Europa que possui a maior percentagem de floresta. A senhora esqueceu-se da Suécia, Finlândia e Noruega, países quase sem uma agricultura normal e cobertos a mais de 80% por florestas. A Rússia também tem uma gigantesca Sibéria toda florestada e sem grande agricultura por causa do frio.

A senhora confirmou indiretamente que Portugal é vítima dos incendiários quando disse que os vários estudos da sua universidade mostram que os incêndios variam de ano para ano entre o sul, centro e norte. Ora, na generalidade, acontece como este ano, o calor e a seca abrangem todo o país e não há uma explicação para a concentração dos incêndios em zonas diferenciadas por anos. Simplesmente, os interesses dos incendiários não abrangiam sempre a totalidade da Nação.

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Portugal/Incêndios | "A questão principal continua a ser o ordenamento florestal"

Presidente da Comissão Técnica Independente dos incêndios de 2017 garante que o problema da falta de gestão da floresta mantém-se em todo o território nacional.
O presidente da Comissão Técnica independente que investigou os incêndios de 2017, João Guerreiro, diz que continuam a faltar as políticas de ordenamento rural e florestal no território nacional.
"A questão principal continua a ser o ordenamento rural e florestal. Todas as questões relacionadas com o combate e a ANPC, há sempre fragilidades. O essencial é ordenamento rural, ordenamento florestal!, explicou à TSF João Guerreiro, que durante vários anos foi reitor da Universidade do Algarve.
O incêndio que começou em Monchique há uma semana foi o maior registado este ano a nível nacional e europeu. O destruiu mais de 27 mil hectares de floresta, provocando centenas de desalojados e dezenas de feridos.
Este sábado, o Presidente da República chegou ao terreno, tendo sido recebido pelos autarcas dos concelhos afetados. Durante a manhã, Marcelo Rebelo de Sousa ouviu ainda as críticas dos populares à organização do combate ao incêndio que deixou a Serra de Monchique reduzida a cinzas.
Guilherme de Sousa | TSF | Foto: Lusa

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De Pedrógão a Monchique

Repetiu-se e repete-se o que aconteceu depois de 2003 e 2005. Os governos, PS e PSD/CDS, que se seguiram legislaram, alteraram sobretudo legislação, e deixaram tudo na mesma na Floresta até que chegamos a 2017. Não ter nos anos que se seguiram incêndios florestais com as dimensões de 2003 e 2005 servia para louvar a acção governativa. Até que chegou a prova do algodão, isto é as tragédias de Pedrogão e das Beiras. O mais grave não é a falsidade da imagem que se pretende vender. É que tal posicionamento é o principal bloqueio à tomada das medidas necessárias. Esconde as enormes falhas e problemas da floresta. Disfarça as fragilidades do sistema de combate. Impede que se tomem as medidas necessárias. Oculta a impotência, auto-assumida por opção política, de sucessivos governos. E do actual também.


 

 

As chamas cercam a vila de Monchique, num incêndio que dura há mais de 48 horas. O seu «sucesso» estava programado desde 2003.
Depois de Pedrogão e das Beiras era de esperar que alguma coisa mudasse. Nada. Nada mudou de fundamental.

Continuem a falar de vagas de calor. Das alterações climáticas. Da conjura dos madeireiros e de outros inconfessáveis interesses. Do eucalipto. Dos incendiários. Dos bombeiros e meios aéreos.

Continuem a fazer Conselhos de Ministros lá onde arde ou ardeu. Continuem a produzir legislação: leis, decretos-leis, despachos regulamentares e não regulamentares. Criem-se novas comissões de inquérito, temporárias e permanentes, técnicas e políticas. Novos relatórios vão ser produzidos. Constituam-se observatórios dos fogos rurais e florestais. Mudem-se os nomes aos organismos. Baralhem tudo, desencantem um D. Dinis e diga-se, que se fez uma «Reforma da Floresta».

Continuem a fazer propaganda. Continuem a criar a ficção de que se está a responder aos problemas nas matas e zonas rurais do país. Continuem a falar de utilizar desempregados, cidadãos com o RSI (Rendimento Social de Inserção) e de presos nos trabalhos florestais. Não se fazem omeletas sem ovos. Há que investir, e muito. E o Governo (este como os anteriores) pensa que ao contrário dos «incêndios» dos bancos, se vai lá com uns euritos. Que os problemas se resolvem sem meios, sem recursos humanos, sem intervenção pública em força. Sem uma efectiva declaração de guerra à situação da floresta portuguesa, e a tomada de todas as medidas necessárias. Que se vai lá com remendos. E propaganda. Muita propaganda.

Sobre o que consta da legislação e não se concretizou. Sobre o que se exige ao pequeno agricultor e não se impõe à Brisa, CP/IP, EDP e companhia.
Continuem a falar da responsabilidade da pequena propriedade florestal, sem avançar um cêntimo no investimento nas bouças e matas da pequena propriedade. Continuem a fazer alterações sobre alterações nos PROF – Planos Regionais de Ordenamento Florestal. Façam de conta que não existe o ICNF, Áreas Protegidas, secretarias de Estado e um Ministério da Agricultura e um Ministério do Ambiente.

Alguma coisa de novo. Não. Tudo velho. Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

Repetiu-se e repete-se o que aconteceu depois de 2003 e 2005. Os governos, PS e PSD/CDS, que se seguiram legislaram, alteraram sobretudo legislação, melhoraram um ou outro aspecto do combate, e deixaram tudo na mesma, na Floresta, até que chegamos a 2017! Não ter nos anos que se seguiram incêndios florestais com as dimensões de 2003 e 2005, servia para louvar a acção governativa! Até que chegou a prova do algodão, isto é as tragédias de Pedrogão e das Beiras.

O mais grave não é a falsidade da imagem que se pretende vender! É que tal posicionamento é o principal bloqueio à tomada das medidas necessárias! Esconde as enormes falhas e problemas da floresta! Disfarça as fragilidades do sistema de combate! Impede que se tomem as medidas necessárias. Oculta a impotência, auto-assumida por opção política, de sucessivos governos. E do actual também.

Impede que se assuma com clareza o que não foi feito! Que se diga com total transparência o que falta fazer! Que se assuma que este é um trabalho para anos, e não se compagina com umas limpezas de valetas e a remoção de alguma vegetação junto das habitações – a fraude de uma campanha, que a não se emendar a mão, amanhã vamos todos pagar muito caro! Há que assumir que o balanço desse trabalho tem que ser rigoroso, exacto, concreto, de pormenor! Ora ninguém sabe com rigor o que foi feito. Julga-se que nem o Governo sabe. E que se vão enganando com as lérias que contam uns aos outros e sobretudo às televisões jornais e rádios!

Até que Monchique chegou. Outro nome para Pedrogão. O não morrer gente permite respirarmos de alívio. Algumas mortes já tinham acontecido. Mas foi depois de muitos incêndios sem mortes, que chegou Pedrogão. E depois o 15 de Outubro nas Beiras.

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O Sr. Curto sabia que Monchique ia Arder

(Dieter Dellinger, 07/08/2018)

bombeiros1

Esta manhã, a RDP noticiou que o Presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Sr. Curto, terá avisado há muitos meses atrás que iria haver fogo em Monchique. Alguns jornais dizem o mesmo. Ora façamos um raciocínio porque pensar não é ofensivo nem faz mal a alguém:

1) O Sr. Curto sabia que a Serra de Monchique iria arder este ano quando não ardeu no ano passado apesar de meio milhão de hectares terem sido pasto do fogo e em Monchique as condições para o mesmo não eram piores que no ano passado em que houve um ano de seca, o que não aconteceu este ano.

2) Se sabia, não foi por ser adivinho ou ter alguma informação técnica especial, mas porque sabe que os incêndios são ateados por INCENDIÁRIOS que os bombeiros devem conhecer por estarem em contacto com as populações e saberem o que as pessoas dizem e viram.

3) No ano passado ardeu o centro e o norte, talvez no raciocínio do Sr. Curto teria chegado este ano o momento para a zona sul, até por saber que o turismo injeta 30 milhões de euros por dia na economia da nossa PÁTRIA e em várias declarações, incluindo na AR, o Sr. Curto deu a entender que é inimigo da atual solução governamental. Para ele PÁTRIA é o País mais um governo do seu agrado. A oposição anda louca de RAIVA com os 30 milhões por dia que os turistas trazem e daí atacarem o Algarve. Sim, se o fenómeno do fogo fosse natural como disse o cientista que fez um relatório sobre Pedrógão Grande, Monchique teria ardido no ano passado.

4) De qualquer forma, o Sr. Curto deverá ser ouvido pela PJ e Procuradores da Justiça a fim de revelar o que sabe sobre os incendiários e o que havia de especial na zona de Perna Negra onde começou o grande incêndio de Monchique.

5) Consta que na Perna Negra não há padarias com fornos a lenha e parece que nem passa o cabo de alta tensão da EDP, mas é o local ideal para os INCENDIÁRIOS atearem o fogo dada a sua relativa inacessibilidade.

6) Neste preciso momento estou a ouvir o Sr. Curto na SIC a POLITIZAR o incêndio de Monchique, criticando o Governo e chegou a afirmar que precisa de ter uma entrevista com o ministro Eduardo Cabrita.

7) Um gajo qualquer está agora a dizer que o fogo não se combate com mais meios, mas com capacidade técnica e inteligência, está a completar o objectivo dos INCENDIÁRIOS que é POLITIZAR o fogo de modo a que se possa cumprir a vontade de RUI RIO quando disse que os fogos deste ano deverão levar à demissão do governo e, mais, ele deveria ir a Primeiro Ministro com o apoio do PS. Que grande patriota? Um político quer ver a PÁTRIA a arder e em compensação ser eleito Primeiro Ministro.

É sabido que Rui Rio é um economista que nunca deve ter pegado numa mangueira e sabe tanto de incêndios como qualquer drogado arrumador de carros.

8) A SIC diz que foi detido na zona do Porto um INCENDIÁRIO que tentou provocar 7 incêndios em Crestelo e Silvares. O homem não teria antecedentes criminais, o que quer dizer que a justiça nunca se preocupou com ele, mesmo que tenha incendiado muita coisa nos anos anteriores.

9) Por último não posso deixar de denunciar a SIC ao mostrar a Serra da Arrábida e filmar sítios recônditos insuscetíveis de serem atingidos por viaturas de bombeiros. Aquilo é a mais rica zona florestal da Europa em termos de espécies raras. Os filhos de Balsemão, pelos vistos, querem aquilo ardido para conseguirem que Rui Rio expulse António Costa do Governo. Não podemos baixar os braços e temos de partilhar estes e outros textos sempre a atacar os INCENDIÁRIOS e a magistratura sem PÁTRIA e dizermos: VIVA PORTUGAL.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Mais de 1400 operacionais no combate às chamas em Monchique

Mais de 1400 operacionais estavam pelas 8h de hoje a combater as chamas do incêndio na zona de Monchique, que entra no seu sexto dia de actividade, segundo informação da Protecção Civil.

Bombeiros combatem o incêndio que lavra desde sexta-feira em Monchique na zona de Rasmalho, em direção a Porto de Lagos, Portimão. 7 de Agosto de 2018CréditosMiguel A. Lopes / Agência LUSA

De acordo com a página da Protecção Civil na internet, mais de 1400 operacionais estão no terreno, apoiados por quase 450 viaturas e por 12 meios aéreos.

O ponto da situação disponível na página da Protecção Civil indica que se regista «em todo o perímetro» do fogo fortes reactivações que, associadas à intensidade do vento, «tomam de imediato grandes proporções».

Numa conferência de imprensa realizada em Monchique, no distrito de Faro, a 2.ª comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Patrícia Gaspar, informou que durante a noite foi possível «fazer bons progressos» no combate, estando as operações «mais estabilizadas no terreno» comparativamente à tarde de terça-feira.

Contudo, para hoje prevêem-se ventos que poderão chegar aos 40 quilómetros por hora e uma temperatura máxima de 35 graus, além de uma humidade relativa que poderá chegar aos 50%, o que configura um cenário semelhante ao de terça-feira, durante o dia.

Patrícia Gaspar referiu que as zonas mais críticas são a Fóia, na frente oeste do incêndio, e Silves, a leste do concelho de Monchique.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, no fogo que começou em Perna da Negra (Monchique) arderam até hoje 21 305 hectares, metade dos 41 mil que o fogo tinha destruído na mesma região em 2003 nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Tendo começado na sexta-feira, o fogo de Monchique já destruiu quatro vezes mais do que a área ardida este ano até 15 de Julho (5327 hectares) e provocou, pelo menos, 32 feridos, um dos quais com gravidade.

Com Agência Lusa

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Motivar os Incendiários

(Dieter Dellinger, 05/08/2018)

marcelo_nada

(Já tivemos de tudo. Um Presidente fixe, um presidente múmia, agora temos um empedernido presidente nadador-salvador. Enquanto o país arde, a sul, ele toma banhos a norte para que os portugueses – e a comunicação social, sobretudo -, não esqueçam os fogos já apagados do ano passado. Quando se apagarem os fogos actuais lá irá ele rumar a sul para dar mais umas braçadas salvíficas.  

Em suma, o rei do reality show: leva sempre a toalha, os calções azul-turquesa, e claro, as televisões…

Comentário da Estátua, 06/08/2018)


 

Marcelo anda a visitar as zonas ardidas no ano passado e a elogiar as populações sem nada dizer sobre os esforços dos bombeiros hoje e no ano passado. As populações foram vítimas dos INCENDIÁRIOS, mas nada puderam fazer de concreto para apagar os 16450 incêndios de 2017. Marcelo, apesar de jurista e conhecedor do crime, nada disse sobre os incendiários nem os quis desmotivar para este ano.

Marcelo anda a motivar as pessoas para queimarem a Pátria e os esforços dele estão a dar resultados: um empreiteiro atirou pedras a um helicóptero e tentou esvaziar o local perto do incêndio em que deveria abastecer-se de água; outro ou outros incendiários quiseram resolver o problema da direita antes de tempo e tentaram incendiar um quartel de bombeiros e queimaram três viaturas especializadas que foram bem caras para os contribuintes..

A comunicação social e, em particular, um comentador da SIC criticou o Governo por terem vindo viaturas para os sapadores florestais em que as bombas de água não tinham potência suficiente. Mas, os cobardes da SIC e dos restantes órgãos da comunicação social não tiveram a CORAGEM de dizer quais as marcas dos carros defeituosos e quem fez a venda. O comentador da SIC deu a entender que as viaturas e bombas não foram inspecionadas quando esse tipo de material não sofre uma inspeção por parte do gabinete do ministro, mas sim pelos utilizadores que devem inteirar-se do respetivo funcionamento e verificar se está tudo bem e foi nessa inspeção que detetaram que algumas bombas não eram suficientes.

Todos sabemos que a maior parte do material de combate a incêndios é representado por uma empresa do “filho” do Marta Soares, nomeadamente as únicas empresas alemãs que fabricam e exportam em grande quantidade, pelo que são quase as únicas no Mundo que podem fornecer muito material com a celeridade necessária.

Marta Soares, através do filho, convenceu os fabricantes alemães e outros que era o único a dominar o mercado e a conhecer as condições em que o material seria utilizado em Portugal. De qualquer modo o fabricante deverá substituir rapidamente as bombas por outras mais potentes, o que parece que foi feito em parte e está em vias de ser completado

Se não o fizesse deveria pagar uma multa.

De resto, quando o Estado faz aquisições vultuosas paga um sinal de compromisso de compra a quem ganhar o concurso, geralmente da ordem dos 10 a 20% e paga o restante contra entrega ou a prazo se for isso combinado.

Se o pagamento foi feito contra entrega, fica sempre uma garantia 10 a 20% por pagar para ver se o material vem sem defeitos.
Assim o fornecedor ou substitui as bombas ou não lhe é paga a referida garantia.

Só os patrões da Comunicação Social é que fingem que desconhecem estes procedimentos que devem praticar quando compram material para as suas televisões.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Chamas em Monchique provocam 24 feridos, um em estado grave

Vinte e quatro pessoas ficaram feridas no incêndio que lavra desde sexta-feira no concelho de Monchique e que já obrigou a evacuar diversas localidades e pelo menos uma unidade hoteleira.

O fogo passou por zonas florestais próximas de núcleos habitacionais em Monchique, nomeadamente na sede do concelho. 5 de Agosto de 2018CréditosFilipe Farinha / Agência LUSA

Em declarações à agência Lusa, fonte da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) disse que um dos feridos, uma senhora de 72 anos, estava em estado grave e teve de ser transportada de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Segundo Manuel Cordeiro, adjunto de operações nacional da ANPC, até às 5h45, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) tinha registado 64 ocorrências, com 40 pessoas assistidas (12 civis e 28 agentes da Protecção Civil).

O responsável explicou que, ao início da manhã, o incêndio progredia em duas frentes: uma em direcção a Caldas de Monchique, Podalgais e Vale do Boi, e outra a avançar em direcção à freguesia de São Marcos da Serra.

A mesma fonte explicou que o fogo ladeou durante a noite a barragem de Odelouca, que ao início da manhã de hoje progredia em direcção à Estrada Nacional 124 (Sul) e que foram colocadas no terreno diversas máquinas de rastro para tentar travar o avanço das chamas.

O responsável da ANPC disse ainda que houve durante a «noite várias projecções» deste incêndio, sobretudo em Caldas de Monchique, e que as chamas obrigaram a evacuar as localidades de Caldas de Monchique, Rasmalho, Monchicão, Barranco do Banho e Montinho.

Manuel Cordeiro sublinhou ainda o «importante papel» do pelotão de militares no apoio à GNR na evacuação destes aglomerados populacionais.

Pelas 7h30, estavam no terreno 1017 operacionais, apoiados por 307 viaturas e um meio aéreo estava já a caminho. Os helicópteros aguardavam para poder levantar voo e ajudar nas operações, uma vez que o intenso fumo do incêndio lhes retirava visibilidade.

Este incêndio deflagrou cerca das 13h30 de sexta-feira, em Perna da Negra, no concelho de Monchique.

Agência Lusa

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Das causas dos fogos

Persiste na opinião pública a noção de que a generalidade dos incêndios tem origem criminosa, sendo este contudo «um mito profusamente difundido pela comunicação social» e que contribui para uma «desresponsabilização da sociedade» (como assinalou em momento oportuno o relatório da Comissão Técnica Independente que analisou os fogos de junho de 2017). Aliás, uma recente reportagem sobre o incêndio do Pinhal de Leiria empenhou-se em potenciar esta ideia, explorando de forma fantasiosa (como demonstraria um exercício de desconstrução dessa tese) o achismo de que a maioria dos incêndios resulta de «fogo posto». Deve sublinhar-se, desde logo, que a investigação das causas dos incêndios tem melhorado de modo muito significativo nos últimos anos. De facto, não só aumentou de forma exponencial a percentagem de ocorrências averiguadas no total de ocorrências registadas (de valores inferiores a 10%, até 2007, passa-se para níveis a rondar os 76%, no triénio 2013/15), como o peso percentual de incêndios averiguados e com causa apurada denota um incremento semelhante (se até 2007 apenas era identificada a causa de 3% dos incêndios ocorridos, em 2013/15 esse valor ascende a quase metade do total de ocorrências registadas).
Assim, de acordo com os dados do ICNF para os anos entre 2001 e 2015 - e considerando apenas o universo de incêndios com causa apurada (excluindo portanto as ocorrências não averiguadas e as ocorrências com causa indeterminada) - constata-se que as queimadas (45%) e queimas de lixo (1%) constituem no seu conjunto a principal causa dos incêndios (explicando 46% das ocorrências com causa apurada), situando-se os casos de «incendiarismo» (nas situações de imputabilidade) em apenas 30% do total de ocorrências. Globalmente, estas duas causas explicam 75% do total de incêndios com causa apurada, registados nos últimos quinze anos.
Por último, e mesmo admitindo que a melhoria da capacidade técnica e científica de investigação dos incêndios possa interferir na quantificação das diferentes causas, não deixa de ser interessante constatar a estabilidade, em termos relativos, da preponderância que estes dois fatores (queimadas e «fogo posto») assumem ao longo do período considerado. Ou seja, sim é verdade que a maior parte das ignições têm origem humana. Contudo, uma coisa é reconhecer que se trata, fundamentalmente, de negligência e irresponsabilidade e outra, bem diferente, é apontar o dedo ao «fogo posto» (esvaindo-se assim a converseta de senso comum em torno da «mão criminosa» que supostamente está por detrás dos incêndios).

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

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