Comunicação

É assim deste tempos imemoriais

Muito gostam eles de
meter todos no mesmo saco
«(...)Esperava-se que candidatos com a craveira intelectual de Paulo Rangel, a experiência de Pedro Marques, a aprendizagem de Marisa Matias ou de João Ferreira os levasse a sair da maré politiqueira e se dedicassem, ao menos, a fazer a apologia da ansiedade e asensação de emergência que atravessa o continente (...)»

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Chernobil mediático

Desde que Donald Trumnp foi eleito que a elite jornalística mundial propaga uma teoria da conspiração segundo a qual o Kremlin controla a Casa Branca. Um inquérito destruiu esta elucubração. Será que o círculo da razão se tornou paranóico?

24 de Março de 2019: um dia que deveria entrar na história como o domingo negro dos grandes meios de comunicação social. Em quatro páginas lapidares, o ministro norte-americano da Justiça acaba de resumir as conclusões do procurador especial Robert Mueller. Este investiga há mais de dois anos, com meios consideráveis, o suposto entendimento – coordenação, conluio ou conspiração – entre Donald Trump e o seu homólogo russo Vladimir Putin para falsear as eleições presidenciais americanas de 2016 em benefício do primeiro. Veredicto: «Definitivamente, as investigações não provaram que a equipa de campanha [de Trump] estivesse coordenada ou tivesse conspirado com o governo russo no quadro de actividades destinadas a interferir nas eleições» (ler o artigo de Aaron Maté na edição de Maio).

Robert Mueller, insuspeito de complacência com o multimilionário nova-iorquino, ao ponto de os democratas lhe votarem um verdadeiro culto (um sítio na Internet comercializa mesmo círios com a efígie de «Santo Robert Mueller», a 12,85 euros), acabava de desmentir, com a rapidez de um clique na tecla «enviar», as mais extraordinárias fake news da década, segundo as quais o presidente dos Estados Unidos estaria submetido à chantagem do Kremlin, ou mesmo ter-se-ia tornado a «marioneta de Putin», graças a registos comprometedores das suas extravagâncias sexuais num hotel de luxo em Moscovo, em 2013 – os jornais de prestígio repetiam sem parar, encantados, o termo russo «kompromat». Desde o início de 2017, este pretenso «Russiagate» coloca em ebulição as caldeiras editoriais das publicações mais prestigiadas do planeta [1].

«Não se pode excluir que o presidente dos Estados Unidos seja o agente, consciente ou não, de uma potência estrangeira hostil», explica por exemplo Michael Fuchs no US News and World Report (28 de Dezembro de 2017). Passados seis meses, a New York Magazine (9 de Julho de 2018) descreve a Cimeira Trump-Pequim de Helsínquia como o «reencontro entre um recruta dos serviços secretos russos e o seu chefe».

No canal «de esquerda» MSNBC, a muito popular Rachel Maddow interpreta cada decisão de Trump – o anúncio da retirada das tropas do Afeganistão ou da Síria, as conversações com a Coreia do Norte, etc. – como mais uma prova da sua submissão às ordens do Kremlin. Pouco depois da Cimeira de Helsínquia, ela convida mesmo a que se considere «a possibilidade de alguém ter acedido à presidência dos Estados Unidos para servir os interesses de outro país que não o nosso» (16 de Julho de 2018).

A revista Time, com uma imaginação transbordante, dedica a capa a um jogo de bonecas russas que, através de encaixes sucessivos, conduz do presidente americano ao seu homólogo do Kremlin: «Todos homens do czar: como os oligarcas de Putin se infiltraram na equipa de Trump» (1 de Outubro de 2018). E, no canal ABC (12 de Abril de 2018), o antigo director do Federal Bureau of Investigation (FBI) demitido por Trump, James Comey, avança uma hipótese que faz tremer de alegria a intelligentsia americana: «Não sei se o actual presidente dos Estados Unidos se encontrava em 2013 em Moscovo com prostitutas que urinavam umas sobre as outras; é possível, mas não sei». Numa reviravolta carnavalesca, os representantes de uma instituição policial que assassinou dezenas de militantes anti-racistas nas décadas de 1960 e 1970 pavoneiam-se em canais progressistas para dar lições de comportamento democrático. (…)

LEIA O ARTIGO COMPLETO DA EDIÇÃO DE MAIO


[1] Ler Serge Halimi, «Marionetas russas», e Aaron Maté, «Ingerência russa: da obsessão à paranóia», Le Monde diplomatique – edição portuguesa, respectivamente, Janeiro de 2017 e Dezembro de 2017.

Ver o original em Le Monde Diplomatique PT (clique aqui)

Os milhares de censores oficiais e as dezenas de milhares oficiosos

(Pacheco Pereira, in Público, 04/05/2019)

O tempo está mau para as liberdades. Não na China onde está péssimo, mas nos EUA, na Europa, em Portugal, onde um crescendo de censura é muito preocupante. Mesmo muito. E a censura sob todas as formas, a começar pela clássica que conhecemos bem em Portugal, está a crescer. E o clamor censório também. À esquerda e à direita.

 

O caso do cartoon de António é exemplar. Criticar a política actual do Estado de Israel não é ser anti-semita. Ser anti-sionista não é ser anti-semita. Criticar o par Trump-Netanyahu – uma das maiores ameaças pela sua política beligerante, anti-Palestina e anti-xiita ao serviço do príncipe assassino da Arábia Saudita, ao próprio Estado de Israel – não é ser anti-semita. Estava lá a estrela de David e a kipah na cabeça de Trump? Estava. Mas se fosse uma representação de um muçulmano não estaria o turbante, ou as barbas longas, ou algures o Crescente ou um minarete?

Pelos vistos, o New York Times, como aliás muitos políticos democratas, comporta-se face ao poderoso lóbi judaico americano como os republicanos diante do lóbi das armas, e tem um medo pânico de ficar em qualquer lista negra. As explicações do jornal são indignas de um órgão de comunicação de tradição liberal, no sentido americano. E é confundir tudo misturar o efectivo anti-semitismo que existe nos EUA e na Europa e que ataca sinagogas e vandaliza cemitérios judaicos como podendo ser fortalecido pela imagem caricatural, que bem podia ter os papéis invertidos, com Trump a fazer de cãozinho, e, neste caso, não podia ser um “salsicha”, e Netanyahu a trazê-lo pela trela. Trump podia ter um símbolo qualquer das igrejas evangélicas que o apoiam com hipocrisia absoluta e Netanyahu de kipah. E tenho que ter cuidado, a mais sinistra interiorização do actual policiamento de linguagem, para não parecer ser anti-semita.

Ainda se fosse apenas o cartoon do cego e do cão “salsicha”, mas não é. Todas as semanas a nova polícia de costumes e o seu cortejo de censores indignam-se enchendo as ondas e o papel de “casos”, seja a dupla patetice do CDS de querer fazer em Arroios passadeiras LGBT e depois, no mesmo CDS, achar-se que isso é o fim do mundo ocidental; seja uma partida de mau gosto de uma espécie de situacionistas fora de época contra os brasileiros na Faculdade de Direito. Duplicidade de critérios: quantos exemplos de machismo, racismo, e outros ismos, proliferam na praxe? Vão às moribundas repúblicas de Coimbra e ver as practical jokes, cem anos de tudo o que é politicamente incorrecto. E para muitos que vivem só nas “redes sociais” – e apetece dizer “é bem feito!” – há cada vez maior censura no Facebook a tudo o que pareça ser de extrema-direita como o Info-Wars. Hoje é à direita, depois será à esquerda. Admirem-se, mas eu acho que o Info-Wars é mil vezes mais inócuo do que o Twitter permitir a Trump aquilo que não permite a um cidadão comum. A ele, que todos os dias insulta pessoas, ameaça-as de prisão ou despedimento, e divulga fake news como quem respira, ninguém censura.

Se se querem cometer abusos que são crimes, aumentem-se as penas e acelerem-se os processos. Obrigue-se a que o anonimato seja a excepção muito fundamentada, e proíba-se que Facebooks e outros não tenham identidade registada e verificada na empresa, mesmo que assinem com pseudónimo. Nada tenho a objectar que indivíduos, empresas, Estados e partidos possam ter que pensar duas vezes antes de escrever certas coisas no domínio da calúnia, do abuso da liberdade de expressão, do incitamento ao ódio e à violência, do recrutamento terrorista, da desinformação profissional de serviços de informação estrangeiros, que já são crimes e deviam ter penas, principalmente pecuniárias e de prisão, maiores do que as que já existem. Mas isso não se aplica a quem divulga teorias conspirativas, a quem tem ideias anti-democráticas, sejam fascistas ou comunistas, ou a quem acha que as mulheres são inferiores aos homens ou os brancos superiores aos negros e vice-versa.

Pode ser muito repelente, mas repetirei pela enésima vez que o direito dos outros à liberdade de se expressarem tem muito mais sentido quando se detesta o que eles fazem com esse direito. Têm essas ideias efeitos e consequências? Têm certamente e devem ser combatidas. Mas a censura é pior. Não é eficaz para impedir os malefícios do racismo ou do machismo, mas mata mais coisas à volta.

Por isso mesmo, não acho normal que, por todo o mundo, haja umas centenas de censores numa sala diante de ecrãs, tão anónimos e tão ignorantes como eram os antigos censores, com instruções vagas e discricionárias dadas pelo Facebook, pelo Google, pelo YouTube, pelas várias “redes sociais”, para adequar as “redes” ao politicamente correcto dos dias de hoje. Sabe-se pouco sobre estes homens e mulheres sem experiência da vida e sem conhecimentos, mão-de-obra quase tão barata como a dos call centers e que apagam sites, apagam imagens, apagam textos, punem com a expulsão das redes pessoas que podem ser as piores do mundo e terem as ideias mais nefastas, mas que têm também direito à livre expressão. Estas censuras e exclusões não têm recurso, embora agora o Facebook prometa que isso possa acontecer.

Mas parece uma cena do 1984 de Orwell e é. Estas empresas fizeram o mal e agora fazem a caramunha. A razão é simples, a liberdade nunca foi o seu objectivo, mas sim enriquecer.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, para que ninguém esqueça...

Se não fosse a CGTP nem me ocorreria que pudesse haver tal dia. No título, figura um apelo ao não esquecimento. Um só, pois o «lápis azul» da censura salazarenta hoje não incomoda. A não memória, aquilo que preocupa, a memória que se perde, é recente. A imagem é deste ano e reporta a omissão como forma subliminar de censurar.
Quanto ao vídeo (também recente), montei-o eu, estava guardado para este dia. Veja-o e responda:
Hoje há liberdade de imprensa?
Também pode assistir à versão longa.. e, então responda:
Há?

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

td teclas da maquinaA CGTP-IN associa-se à celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, uma data que evoca a liberdade de expressão e enaltece a ética profissional, o pluralismo, a independência e diversidade da comunicação social.

Hoje, dia 3 de Maio, saudamos o esforço de muitos jornalistas e de outros profissionais da comunicação social que, fiéis aos princípios éticos e deontológicos, não se deixam enveredar por outros interesses que não sejam os do jornalismo livre, isento, plural e objectivo, contribuindo para a elevação da consciência crítica e política dos cidadãos.

Hoje homenageamos também os profissionais da comunicação social que perderam a vida ou foram vítimas de violência no exercício da sua missão.

Hoje valorizamos a luta dos profissionais da comunicação social que resistem às perseguições, detenções e múltiplos ataques em defesa da Democracia, da Liberdade e da Paz, para que os direitos de informar e de ser informado sejam garantidos a todos e em plenitude, em países onde o direito à informação livre é cada vez mais atacado.

Hoje, o combate à desinformação, às fake news representa um dos grandes desafios para a Democracia.

Na campanha em curso contra a precariedade laboral, a CGTP-IN continuará a denunciar os contratos a prazo ou de prestação de serviços, falsos recibos verdes, a utilização consecutiva de estagiários para ocupação de postos de trabalho permanentes. Prosseguirá a defesa da contratação colectiva de trabalho e a luta pela revogação da legislação laboral, com vista à melhoria das condições de vida e de trabalho para todos.

Unidos pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, como o reafirmámos no 1º de Maio, continuaremos a luta contra o trabalho precário e a exigir que a um posto de trabalho permanente corresponda um vínculo de trabalho efectivo.

A melhoria das condições de vida e de trabalho trará melhores condições às redacções e reforçará a cobertura necessária à coesão social, territorial e nacional que urge refazer.

DIF/CGTP-IN
Lisboa, 03.05.2019

Ver original aqui

O peso da responsabilidade e o anonimato

O título desta crónica parafraseia o de um livro do historiador Tony Judt sobre três intelectuais franceses – Léon Blum, Albert Camus e Raymond Aron – com personalidades singulares e percursos muito diversos, mas que coincidiram no sentido exigente da sua responsabilidade perante o mundo. Encararam-na num duplo sentido. Por um lado, sob a perspetiva de quem o observa de maneira informada, razoavelmente liberta dos filtros impostos pelas ideologias, dos modismos e dos lugares-comuns. Por outro, agindo, escrevendo e falando em função das suas próprias conclusões, obtidas através da reflexão e da crítica, e assumindo-as de uma forma pública, ainda que tal os tenha colocado por vezes contra a maioria dos que pertenciam ao seu campo político.

Na verdade, essa é a missão, e ao mesmo tempo o pesado fardo, de quem pensa a realidade e sobre ela se pronuncia convictamente a partir dos seus próprios pontos de vista e da sua sensibilidade, questionando, se necessário, as formas de pensamento dominantes, ainda que tal lhes cause incómodos ou problemas. Esse é o lugar do pensador livre e crítico que em boa parte tem estimulado, nos últimos dois séculos, o combate às iniquidades e a procura de novas formas de sociedade. Muitos foram os e as que por ele sacrificaram a liberdade, o sossego, o bem-estar ou mesmo a vida. Contrária a essa escolha é a do indiferente, ou a do carreirista, que se cala ou se esconde temendo acima de tudo que a menor palavra o possa lesar. No fundo, a diferença crucial entre a audácia e a cobardia, entre ser-se assertivo ou indiferente.

Atualmente, esta distinção confronta-se com um problema novo. O surgimento da Internet e das redes sociais tem permitido a extensão de um tipo híbrido, que sempre existiu de forma marginal, mas tem agora um habitat favorável. Refiro-me ao que fala sem contrangimentos, mas sob anonimato ou usando falsas identidades, o que lhe permite escrever o que lhe ocorrer sem se responsabilizar pela justeza ou pelo sentido do que diz. Naturalmente, isto inquina qualquer debate, banalizando muitas vezes a mentira, a calúnia, o embuste, a insensibilidade ou a simples tolice, apresentados como «opinião pessoal» ou uma expressão de «liberdade».

Alguns dos que assim procedem invocam mesmo o direito a dizer o que lhes vier à cabeça – incluindo a defesa de valores antidemocráticos ou a negação de crimes contra a humanidade – com o rosto coberto por uma máscara ou a identificação adulterada. A propósito, perdoem a imodéstia, refiro o meu próprio exemplo. Sempre dei o nome e a cara, desde que, muito jovem, em 1970 comecei a escrever em jornais, tendo logo o primeiro artigo cortado pela censura. Mesmo sob o anterior regime, como militante antifascista, o que me levou à prisão, ou depois em condição subalterna – como estudante, operário, militar ou jovem professor – jamais deixei de assumir a responsabilidade pelo que disse ou escrevi, ainda que nem sempre o tivesse feito bem ou de forma justa. Apenas usei um pseudónimo conspirativo antes do 25 de Abril e depois um outro, literário, inteiramente assumido. Como norte, sempre uma noção dever social e um imperativo ético que exclui a hipótese do anonimato.

Em democracia, esconder a cara não pode ser senão uma forma de desresponsabilização e uma marca de vergonhosa cobardia. Não é de uma, ou de outra, por certo, que precisamos para construir uma sociedade melhor governada e mais justa. Retornando ao título de Tony Judt referido no início, a responsabilidade pelas escolhas pessoais carrega um peso consigo, sempre vinculado a quem as assume. Resta saber se quem o faz se expõe à luz da vida coletiva ou prefere viver sob as pedras e na sombra,  como os répteis.

Rui Bebiano

Fotografia de Bragi Thor
Publicado no Diário As Beiras de 4/5/2019

Ver original em 'A Terceira Noite' na seguinte ligação:

http://www.aterceiranoite.org/2019/05/04/o-peso-da-responsabilidade-e-o-anonimato/

O matutino da Sonae na vanguarda da criação de casos contra os socialistas

Folheando o matutino da Sonae pode-se ir percebendo como ele constitui ferramenta persistente e insidiosa contra tudo quanto o governo socialista possa ir fazendo de bom pela melhoria da vida dos portugueses, insistindo na ideia de tratar-se de uma realidade contra a qual haverá que deitar abaixo a qualquer preço. Nem que para tal recorra a um contrato firmado entre a autarquia lisboeta e os organizadores de um dos maiores eventos anuais organizados entre nós.

 

No seu editorial o diretor do jornal, Manuel Carvalho, insurge-se contra o seu desconhecimento dos termos do contrato com a Web Summit e que tornam Lisboa no entroncamento em que se encontram, durante vários dias, os que contribuem para os maiores avanços tecnológicos das próximas décadas.

 

Se a iniciativa do irlandês Paddy Cosgrave tivesse debandado para outras paragens não faltariam vozes iracundas a acusar o governo de crime de lesa-Pátria. Agora, como sucedeu o contrário, com a obrigatoriedade do respeito de sigilo por algumas cláusulas contratuais, que todos os vereadores lisboetas poderão consultar, a estratégia antigoverno passa a ser outra: a de ocultar dos portugueses o que eles deveriam ter pleno conhecimento sem quaisquer reservas, como se o mundo dos negócios não estivesse recheado de exemplos assim, em que a proteção contra a concorrência, tem de ser salvaguardada.

 

O que importará mais para Manuel Carvalho e para os donos da Sonae, que lhe pagam para cumprir o seu triste papel? Que Portugal continue a ser conhecido pela capacidade de assegurar tal organização, e surja como símbolo maior da economia digital, ou que outra grande metrópole europeia lhe espolie o mérito e o proveito? Sim! O proveito, porque são muitos os milhões de euros que o país atrai nesses dias e, nos que se seguem, como benefício de tal evento!

 

Manuel Carvalho surge como exemplo maior daquele tipo de gente incapaz de fazer, mas pródigo em esforços para impedir que outros o façam.

 

Mas não se fica por aí: nessa mesma página escolhe como «Cartas ao Diretor» as que lhe secundem o objetivo. Duas versam o lamentável episódio dos arruaceiros, que tentaram interromper o discurso de António Costa na Festa do 46º aniversário do PS - quem pode aceitar o comportamento ignóbil dos referidos «ativistas» e cometa o insulto de o querer equiparar ao de Alberto Martins, há 50 anos quando, em pleno fascismo, pediu a palavra ao fascista Américo Thomaz. Acaso estamos em ditadura para que essa provocação seja a única forma desse tal movimento se fazer ouvir? Ou, pelo contrário, e a exemplo do sucedido há quatro anos, quando a campanha eleitoral foi recheada de casos preparados para minimizar a derrota do PAF, estamos perante a mesma lógica em que se minimizem as qualidades efetivas dos socialistas para melhorarem a vida dos portugueses e se dê deles ideia contrária, que possibilite o regresso ao governo de quem tanto os maltratou?

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/04/o-matutino-da-sonae-na-vanguarda-da.html

O «Público» nos 45 anos do 25 de Abril

E depois queixem-se
de que estão a perder leitores
Como muitas dezenas de milhar de pessoas sabem e viveram, a tradicional manifestação do 25 de Abril na Avenida da Liberdade constituiu uma imensa, poderosa e exaltante expressão da vitalidade dos valores de Abril. Passadas duas horas e meia do seu arranque, às 18 hs. nos Restauradores, ainda faltava passar muita manifestação. Pois bem, no «Público de hoje, nem uma foto com uma legenda, nem uma linha, zero, nada. nicles.
Não esquecemos nem perdoamos.

( o mesmo aconteceu com a inauguração
do memorial na Baixa Chiado e com os
actos em Peniche de inauguração de
primeiros elementos do novo Museu.
E palpita-me que o mesmo vai acontecer
com a grande jornada democrática
de amanhã também Peniche.)

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

As redes sociais decidem!

As redes sociais, como tudo, tem aspetos positivos e negativos. Sendo que, os negativos, como em tudo na vida, tem sempre um maior realce, na nossa cultura.

  • Um aspeto positivo: a facilidade em comunicar;
  • Um aspeto negativo: a facilidade em manipular as fontes que veiculam a comunicação.

Ora, as notícias falsas, veiculadas por fontes especializadas, tem assumido ser assunto dominante desde a massificação das redes sociais tal e qual as conhecemos em suporte informático com maior uso na rede de telecomunicações móveis, uma vez que influenciam e, muitas vezes determinam, o rumo de acontecimentos vitais para a organização social, política, económica, religiosa e outras, dos cidadãos, em sociedades mais ou menos civilizadas consoante o interesse geopolítico e geoestratégico territorial ou económico, entre outros fatores relevantes para o que estiver em causa no tempo e, no momento preciso.

As notícias falsas sempre foram uma conduta do poder nos mais diversos cenários: políticos; militares; sociais e outros.

Nesse sentido, os agentes políticos tem de ter consciência de que as diretrizes politicas legais que emanam devem ser catalisadoras de justiça social e nunca o contrário como vem acontecendo e que, as eleições a que se submetem se devem ganhar com esclarecimentos diretos, o que não é fácil nos tempos que correm em que há quem já tenha ganho eleições sem sair de casa, e em que o cidadão também tem a sua cota parte de culpa porque colabora ativamente com esta nova dinâmica por mero comodismo.

As redes sociais são o resultado da organização política e social existente que se tem vindo a ajustar a mudanças constantes em função das necessidades emergentes e da sua satisfação por Governos liderados por agentes políticos moldados por forças externas ao poder político, mas detentoras daquele que é o poder efetivo.

O agente político, passivos como sempre no que toca ao desenvolvimento do conhecimento, condição que lhe passa completamente ao lado, fica à mercê de quem possui e domina esse mesmo conhecimento. As Academias, nichos de tecnocratas.

Circunstância que vicia as regras da disputa do poder uma vez que uns sempre o tiveram e outros se sujeitam a eleições legitimando um engenho de modelo político dominado por tecnocratas e por todos os seus preconceitos, em uma democracia onde o agente político se presume ser um cidadão comum conhecedor das realidades conjunturais dos demais cidadãos comuns em que a articulação entre a necessidade e a solução não tem soluções de “régua e esquadro” por necessidade da convergência de sensibilidade apurada. O que não é, de todo, algo que fascine os tecnocratas.

Os partidos políticos atravessam por diversos motivos a sua maior crise existencial, tal qual o sindicalismo e demais estruturas da organização social popular, de forma que a sua existência começa a ser questionada um pouco por todo o mundo.

Talvez por isso o populismo ganhe adeptos passado que foi o tempo em que os académicos detinham a dianteira. Simplesmente, com o evoluir dos tempos, num tempo em que a vulgaridade também atingiu essa suposta elite social, o populismo sub-reptício alicerçou domínio que havia adormecido e alavancou força de sempre com uma nova forma e, pelos canais de sempre: a comunicação nas suas diversas formas conjugadas. No caso, as redes sociais.

Algo que foi estrategicamente criando para defesa dos seus interesses determinantes.

Assim sendo, as redes sociais não trouxeram nada de novo a não ser a forma, naquilo que sempre foi a contra informação estratégica que os interesses internacionais desde sempre fomentaram.

Um fenómeno rotineiramente ajustado através de uma articulação precisa entre todos os interesses em presença, mas em que, os maiores interesses são sempre os que mais beneficiam. Ou, não fossem esses que dominam as regras. Porque, quem financia toda a engrenagem da História foi sempre quem até hoje despendeu a sua força de trabalho na extração, transformação e consumo das matérias primas e seus derivados. Objetivando o presente: todos nós!


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/as-redes-sociais-decidem/

The Mainstream Media – The good, bad and downright ugly

24th April 2019 / United Kingdom
The Mainstream Media - The good, bad and downright ugly

By TruePublica: While the European media is generally known to be mostly objective in its reporting, the highly partisan nature of British coverage into the events that shape our world view is, without any doubt deepening the political and social divide.

 

Broadsheets and broadcasters are typically consumed by the middle to upper class, whereas the tabloids are generally aimed at the working class. And as 60 per cent of Britons identifies themselves as working class, it is hardly any surprise that the tabloids are popular.

It is also known that a right-wing ideology and bias dominates British news. This was confirmed by a YouGov survey, that to be fair, only stated the obvious – The Mail, Express, Sun, Telegraph and Times were all identified as right-wing, but that is also outnumbered the leftist thinking of the Daily Mirror and The Guardian. The Independent was seen as slightly left of centre.

It is true to say then that the sensationalist ‘tabloids’ hold considerable political clout and sway over public opinion.

In the most recent example of analysis of this right-wing bias dominating our world view, one only has to look at a Reuters Institute for the Study of Journalism analysis, which found that in the run-up to the Brexit vote, 41 per cent of articles about the Referendum was pro-Brexit, while only 27 per cent advocated remaining in the EU.

As expected, the UK’s leading newspapers – The Sun, the Daily Mail, The Daily Telegraph and the Daily Express – published a steady stream of anti-EU reporting – also known as to most of us as propaganda or fake news.

This distortion of the national narrative ought to be taken very seriously as we form our own opinions around what we see, read and experience and the mainstream media are very much a part of that.

One way of looking at this distortion is to analyse the number of complaints received by The Independent Press Standards Organisation or IPSO. It was established in September 2014 following the windup of the Press Complaints Commission, which had been the main industry regulator of the press in the United Kingdom since 1990.

It exists, so they say, to promote and uphold the highest professional standards of journalism in the UK, which given the record and type of complaints, is very hard to believe. It also states it is there to support members of the public in seeking redress where they believe that the Editors’ Code of Practice has been breached.

IPSO is a self-regulator paid for by its member publishers, therefore, it is hard not to see where a conflict of interests can arise.

The “Hacked Off” campaign that emerged as a result of the phone-hacking revelations and the Levison report, which campaigns for a free and accountable press for the public has described IPSO as a “sham” and “the illusion of reform.”

We analysed the last 800 complaints made by all manner of people. From distressed families suffering from the intrusion of the press to complaints of blatant lies, harassment, reporting inaccuracies and the like.

Each complaint is categorised by IPSO as either a ‘Breach, No Breach or Resolved – IPSO Mediation

 

In the period analysed we looked at the last 800 complaints listed:

95 were ruled as breaches of the code of conduct (12 per cent)

272 were ‘resolved’ through IPSP mediation (34 per cent)

433 complaints were dismissed after investigation (54 per cent)

 

For the analysis of breaches, we have grouped those outlets that are of the same entity such as The Times and Sunday Times, and only national newspapers – and excluded the likes of regional or local papers.  Of those complaints that were upheld as ‘breaches’:

 

Daily Mail/Mail online/Mail on Sunday – 27

Express/Sunday Express – 18

The Sun – 18

The Times/Sunday Times  16

Daily Telegraph – 7

The Mirror – 7

Daily Star – 2

It should be noted that the Financial TimesThe Independent and The Guardian newspapers do not subscribe to IPSO.

 

By no means do the numbers above give an indication of the total number of complaints received by IPSO.

For instance, in 2017 a large number of ‘multiple’ complaints, where more than one similar complaint was made about the same article, contributed to a high number of complaints received. The Sun topped the list with 4,847 complaints, followed by the Daily Mail at 4,176, Mail Online at 3,536, the Metro at 1,500 and The Mail on Sunday at 1,452. Here the Daily Mail, Mail Online and Mail on Sunday racked up well over 9,000 complaints between them.

In 2018, the Daily Mail was identified as by far the biggest offender of the year out of the publications monitored by IPSO. The Express, Sun, Telegraph and Times respectively limped on behind. In this year, the Daily Mail was found after a full investigation to have breached the code of practice on no less than 37 occasions – just for accuracy alone.

The Daily Mail is the most popular daily paper in the UK in terms of online readership but its awful record of breaching basic guidelines that it subscribes to is the reason why Wikipedia made the decision to classify it as an unreliable reference source in 2017.

 

In terms of circulation, the national papers continue to see a year-on-year sliding of performance. The 2019 Press Gazette reports (Feb 2019) those numbers as follows:

 

Metro FREE 1,426,050 -3%
The Sun 1,410,896 -9%
Daily Mail 1,246,568 -7%
The Sun on Sunday 1,178,687 -8%
The Mail on Sunday 1,032,870 -7%
London Evening Standard 864,620 -3%
The Sunday Times 712,291 -4%
Daily Mirror 508,705 -13%
Sunday Mirror 431,419 -15%
The Times 417,298 -5%
The Daily Telegraph 360,345 -6%
Daily Star 329,971 -16%
Daily Express 321,146 -12%
Sunday Express 280,684 -9%
The Sunday Telegraph 278,558 -7%
The i 233,868 -9%
Daily Star – Sunday 201,969 -15%
Financial Times 180,053 -5%
The Observer 163,694 -7%
Sunday People 159,836 -18%
The Guardian 141,460 -7%
Sunday Mail 123,755 -12%
Daily Record 119,328 -11%
Sunday Post 107,336 -13%
 

 

The domination by the Mail Online is clear to see.

Website Daily average unique browsers – Jan 2019 Year-on-year % change
Mail Online 13,173,163 -4%
The Sun 5,131,010 -3%
Metro 1,627,955 -36%

 

In 2014, The Daily Mail was officially the UK’s most complained about newspaper, according to an analysis put out by the Press Complaints Commission. In 2019 under the guidance of a different regulator, nothing has changed. At the time, Hacked Off describes the PCC’s failure to publish a full list of complaints as a ‘cover-up’. Its biggest financial supporters were the Daily Mail group, Telegraph Media Group and News UK – did not come well out of the analysis.

In 2013, the Daily Mail managed to clock up 1,214 complaints alone, followed by The Sun with 638, Daily Telegraph with 300, Daily Mirror on 242, Mail on Sunday with 168 and so on. In total, nearly 3,000 complaints were received in just that one year. And that year was after, not before the Levison report and the very public scandals of press intrusion and tactics.

The Daily Mail also seems to garner the most amount of criticism racked up by ‘click-baiting’ consumers over health claims. The NHS publishes guidance on what consumers should know as facts through science, not the sensationalised claims made by the newspapers. The Daily Mail features prominently when it comes to correcting their headlines and claims.

 

Just four months ago The Guardian was found to be the most trusted newspaper in Britain as well as being the most read quality news outlet, according to industry figures produced by the Publishers Audience Measurement Company.

In the end, we would recommend that you read news through a mix of sources but steer clear from the click-baiters and propagators of fake news and propaganda like the Daily Mail, Express and Sun.

 

The Top Ten Independent News Sources In The UK

 

 

 


 

Ver o original em "TruePublica" (clique aqui)

Escutem, Zés Ninguém!

Porque não na Páscoa católica, apostólica e romana, pespegar com a verdade frente aos nossos olhos? Verdade dita por um Francisco que é papa. Dita e sentida por via das corporações e dos profissionais rastejantes que as sustentam com seu labor.
São muitos milhões os que sentem aquele colonialismo ideológico que todos os dias nos invade as casas via um ecrã e uns jornalistas com outros que obedecem às vozes dos donos tal qual cachorros amestrados, dóceis, servis, sem a a merecida consideração e respeito pela profissão que uns quantos ainda exercem com rigor e deviam ser modelos a gerar mais e melhor jornalismo por parte dos que encaram aquela profissão como mercenários, numa busca incessante por quem lhes dê mais e pague melhor. E depois argumentam que também têm família para sustentar... E antes? Quando não a tinham? Porque tão jovens se venderam ao galopante colonialismo ideológico  disseminado, que já nem o diferenciam da pesquisa obrigatória e luta pela verdade de factos e respetiva divulgação pública sem sofismas?

Páscoa feliz, mesmo assim. Até aos imensos servis mendicantes a quem também se destina este pascal apontamento... Afinal é muito provável que tudo não passe de tosca reação a verdades contidas no escrito por Wilhelm Reich em "Escuta, Zé Ninguém!", com  muito provável adenda de Francisco - que muito precisam e merecem. Na esperança de que se libertem do sonolento percurso rastejante e imensamente servil.
Aos que desconhecem o referido autor não será estulto deixar aqui o breve escrito sobre ele que consta na Wikipedia:
"Wilhelm Reich foi um médico, psicanalista e cientista natural. Ex-colaborador de Sigmund Freud, rompeu com este para dar prosseguimento à elaboração de suas próprias ideias no campo da psicanálise"
E sobre o referido livro, retirado de Google Books:
"Nesta obra, Reich mostra o que o homem comum faz a si mesmo - como sofre, como se revolta, como homenageia seus inimigos e mata seus amigos, como sempre que conquista o poder em 'nome do povo' ele o utiliza mal e transforma em algo mais cruel do que a tirania à qual estava subjugado anteriormente, nas mãos da elite."

Haja páscoas!

Mário Motta | Redação PG

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/escutem-zes-ninguem.html

Eu, um desinformado confesso, me confesso

(Joaquim Vassalo Abreu, 15/04/2019)

Eu
Vassalo Abreu

E desinformado confesso enquanto indivíduo que, de há muito tempo a esta parte, tem vindo a desistir de ler jornais (apenas leio as primeiras páginas e pouco mais), de ver televisão (apenas desporto de alto nível e pouco mais) e de querer saber de “fofocas” e de “diz que diz”…

 

Por isso, seguindo o velho princípio do “o jornalista dá a notícia mas quem a interpreta sou eu”, também me tornei avesso a ler interpretações de outrem, especialmente dos pagos, os tais que se deveriam limitar a dar as notícias, mas principalmente dos avençados, os que escrevem por obrigação da remuneração, os que dizem tudo o que lhes vem à cabeça, na convicção de estarem sempre certos, mas nunca pensando ou imaginando que a margem do politicamente correcto é demasiado ténue para impedir o inevitável contraditório!

Não lhes nego nem a habilidade nem o conhecimento e muito menos a sabedoria! Apenas lhes nego a intenção e a liberdade! Sim, a liberdade. Se sendo remunerado se escreve para um jornal não se ousa escrever contra o seu editorial. Não é isto certo? Se alguém escreve num Observador poderá ser livre de escrever o que lhe aprouver? E num Correio da Manhã, poderá?

Nestes e noutros como esses nunca poderá! Mas perguntar-me-ão: e nos outros, nomeadamente no Público e no Expresso, podem? Eu nestes casos respondo facilmente: até podem, desde que respeitem o editorial! Falem de tudo, menos dos princípios editoriais, isto é, do que vem na primeira página…E voltamos, claro, ao mesmo!

Também um desinformado confesso me confesso porque devo ser de entre todos aquelas e aqueles que eu conheço um dos poucos que até hoje se recusou a ler ou ouvir qualquer escuta, fosse ela proibida! Fosse eu, ou quisesse eu ser, um tipo informado e tê-las-ia ouvido! Mas sei o seu essencial? Claro que sei! Mas esse saber mudou a minha opinião? Não?

Mas porquê, perguntarão? Porque não é um facto isolado, nunca será uma avulsa acusação, nunca será até um desvio comportamental, um pecado ou um deslumbramento ocasional que me farão mudar a minha fundamentada opinião ou admiração em relação a alguém que, por todo um passado, eu me habituei a considerar. Por isso nunca caí em cima de quem, de entre esses todos, me defraudou deixando de pensar como eu, e porquê? Porque em devido tempo, nesses tempos agrestes e perigosos, estando eu cómodo, eles deram o corpo às balas e o couro às adversidades! E isso nunca se pode  apagar!

Não é isso que me revolta nem nunca o será. Revolta-me é muitos desses esquecerem-se do que foram, do que pensaram e de como agiram e sejam hoje o oposto do que foram, pensarem agora o contrário do que antes pensavam e actuarem hoje precisamente contra aqueles com quem antes combateram…Disto eu não me esqueço e isto, sim, revolta-me!

Estes são a pior escória e os seres mais desprezíveis que conheço. E não preciso de os ler…Que me ensinam? E por outro lado, precisarei eu de ouvir quem fala ou escreve contra tudo o que eu penso, tendo voz nos Midia, se tudo o que eles dizem (Marques Mendes e quejandos) só me fazem ficar mais mal disposto e nada de útil me aportam?

Prefiro ser desinformado se ser informado isso for! Aos meus quase 66 anos (em Julho os atingirei), tendo vivido o antes 25 de Abril (20 anos), o pós e o depois do pós, tendo nascido na raia da pobreza, tendo mesmo assim estudado, tendo casado, trabalhado, progredido, regredido, novamente progredido, sofrendo percalços e mesmo assim estabilizando, pensando, dando opiniões e escrevendo-as mesmo ( quase 500 textos neste Blog para além de opiniões avulsas no Facebook), não facilmente aceitarei que seja um qualquer mercenário da escrita que molde as minhas opiniões…Prefiro continuar um “ desinformado” confesso e afastado de todos esses quantos que com “fakes”, com mentiras e com desinformação vão moldando as opiniões de muitos… mas a minha, NÃO!

Confesso!


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Hacker Rui Pinto vence prémio europeu para denunciantes

Os outros premiados foram Julian Assange e Yasmine Motarjemi

Rui Pinto é um dos vencedores do GUE/NGL Award, um prémio europeu para 'Jornalistas, Denunciantes e Defensores do Direito à Informação'. Segundo o site dos eurodeputados da Esquerda do Parlamento Europeu, o hacker português partilha o prémio de vencedor com Julian Assange, o fundador do Wikileaks, e Yasmine Motarjemi, ex-vice-presidente da Nestlé, que denunciou os lapsos de segurança alimentar da empresa.
Os vencedores foram anunciados esta terça-feira no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e vão receber cinco mil euros pelo trabalho desenvolvido. 

Dos três vencedores, apenas Yasmine Motarjemi está em liberdade. Rui Pintoencontra-se atualmente detido em Portugal e aguarda julgamento, enquanto que Julian Assange foi detido pelas autoridades britânicas na embaixada do Equador em Londres na passada quinta-feira.


No ano passado, foram distinguidos o jornalista eslovaco de investigação Ján Kuciak, que foi assassinado, e ainda o denunciante da LuxLeaks, Raphaël Halet.

Hoje foi, inclusive, aprovada no Parlamento Europeu a primeira lei europeia para os 'whistleblowers' (em português, denunciantes). O objetivo é criar um enquadramento legal de proteção uniforme em toda a UE, já que, atualmente, isso varia consoante o Estado-membro.

No caso de Rui Pinto, não irá beneficiar diretamente da nova lei, sendo que não agiu no seio de uma organização, como prevê a diretiva, mas pode ser, ainda assim, abrangido pela ação em prol do interesse público, desde logo quando esta legislação é relacionada com outras existentes.

Rui Pinto terá acedido, em setembro de 2015, ao sistema informático da Doyen Sports Investments Limited, com sede em Malta, que celebra contratos com clubes de futebol e Sociedades Anónimas Desportivas (SAD).

É também suspeito de aceder ao email de elementos do conselho de administração e do departamento jurídico do Sporting e, consequentemente, ao sistema informático da SAD 'leonina'.
Rui Pinto está indiciado de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de extorsão na forma tentada.

Fábio Nunes, com Lusa | em Notícias ao Minuto

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/hacker-rui-pinto-vence-premio-europeu.html

Informação e desinformação na era digital

A minha comunicação na Conferência Parlamentar

vdfinalissimoBoa tarde a todos. Queria naturalmente começar agradecendo à Comissão de Cultura na figura da sua  Presidente o convite para participar nesta oportuna e importante iniciativa.

 

Manda a verdade das coisas que diga que, ao contrário de oradores antecedentes, quem vos fala agora não tem quaisquer pergaminhos académicos nesta ou em qualquer outra matéria, tratando-se apenas de um cidadão que, com vossa benevolência, apenas se pode apresentar como acompanhando há quatro décadas com interesse e com projeções no papel impresso e num blogue as questões e práticas da comunicação social portuguesa.

 

Assim sendo, com pedido de desculpas por prováveis repetições em relação ao que hoje já outros disseram melhor, aqui ficam quatro modestos apontamentos:

 

Uma reflexão ligeiraO primeiro destina-se a afirmar que os dados resultantes de um meritório trabalho do jornalista Paulo Pena no DN (mais de 20 páginas online dedicadas à desinformação com 2 milhões de seguidores) são profundamente inquietantes e não deixam nenhuma margem para dúvidas quanto à sua potencial e provável influência nas eleições nacionais deste ano.

 

Por outro lado, temo seriamente que até cidadãos muito informados e dotados de um elevado espírito critico face às operações de desinformação sejam atingidos por um sentimento de impotência (a Cambridge Analytica obtevem do Facebook dados de 80 milhões de pessoas e julgo que ninguém foi preso ou condenado). E que esse cidadão se sintam um pouco como se estivessem a lutar contra um dragão tendo apenas como única arma um canivete. Mas, por isso mesmo, sempre longe de quaisquer obcessões securitárias e no intransigente respeito pelas liberdades democráticas, creio que tudo o que puder ser feito para contrariar ou atenuar este perverso fenómeno é bem-vindo, é necessário e é urgente.

 

Creio entretanto que não nos devemos deixar hipnotizar apenas pelo que é novo e, nesse sentido, permito-me observar que nada nos deve distrair dos princípios e regras (isenção das entidades públicas, pluralismo, proibição da publicidade comercial dos partidos e tudo o mais que sabe) que já estão instituídos na legislação sobre campanhas eleitorais. E, nesse domínio, de um ponto de vista pessoal, permito-me formular o voto de que «os critérios editoriais» a que a lei se refere não sirvam de biombo para encobrir práticas discriminatórias ou preconceituosas e também o voto de que, nas próximas eleições legislativas, colhendo a devida e cristalina lição do desfecho das eleições de 4 de Outubro de 2015, os meios de comunicação social tradicionais resistam melhor ao velhíssimo sofisma das «eleições para primeiro-ministro».

 

Só para ilustrar a importância das regras já assentes, permitam-me um pequeno exemplo : há três semanas, consultando a página que o Parlamento Europeu criou especificamente para eleições europeias de Maio próximo (e onde há uma agregação de sondagens) encontrei uma secção intituilada «Os desafios da Europa» com um conteúdo perfeitamente alinhado pela ideologia mainstream do P.E. Era como se a AR criasse uma páginas especifica sobre as próximas legislativas e lá pusesse uma secção denominada «Os desafios de Portugal». Essa secção foi entretanto felizmente retirada mas ficou lá outrs intitulada «O que a Europa faz por mim» com o conteúdo que se pode calcular.

 

Ao mesmo tempo, sublinho com sinceridade a importância do papel que podem desempenhar as acções e iniciativas de «fact cheking» tanto em sites especializados como nos próprios órgãos de informação tradicionais.

 

A par disto, partilho da ideia, certamente não consensual, de que seria vantajoso para o enriquecimento do debate democrático que existissem variados sites de reflexão e crítica sobre os meios de comunicação tradicionais (como, por exemplo o ACRIMED francês) e que nas direcções e chefias desses órgãos se evitassem reacções de perfil corporativo ou pretensões de intocabilidade perante os exercícios de crítica aos media.

 

Mas se falamos de combate à manipulação, à desinformação e às «fake news», a para da contribuição indispensável dos órgãos de serviço público, então entendo salientar que como ponto nodal desse combate tem de estar a justa ideia de que cabe aos profissionais da informação um papel essencial na defesa dos melhores valores da profissão, o que a meu ver é inseparável de mudanças significativas nas suas ásperas e inseguras condições de trabalho e do pleno respeito pelos seus direitos, tudo acompanhado da rejeição de uma visão puramente mercantilista da informação e da notória pulsão para o sensacionalismo e tudo tendo em vista a reabilitação e reafirmação da noção, hoje em dia muito posta na obscuridade, da «responsabilidade social dos jornalistas e dos órgão de informação».

 

Um segundo apontamento destina-se a sublinhar um óbvio que, apesar de o ser, por vezes parece bastante esquecido embora hoje já aqui tenha sido lembrado várias vezes : é que as «fake news» que hoje defrontamos (exceptuando a capacidade de penetração que as novas tecnologias lhe ofereceram) não nasceram com a internet e o facebook.

 

Num exercício de memória histórica obviamente selectiva que viaja ao de leve por acontecimentos do século passado, lembraria que mentiras ou«fake news» houve:

 

–    em Fevereiro de 1898 quando os EUA responsabilizaram a Espanha pela explosão (que depois se veio a considerar ter sido interna e espontânea) do seu cargueiro Maine no Porto de Havana, largamente explorada pela imprensa de Randolph Hearts e criando um fervor patriótico que que levou à guerra hispano-americana;

 

–    em Fevereiro de 1933, quando Hitler e os nazis acusaram G. Dimitrov de estar ligado ao incêndio do Reichstag;

 

- em Agosto de 1964 quando os EUA acusaram a marinha norte-vietnamita de ter disparado sobre o destroyer Maddox e que a National Secuirity Agence veio a declarar depois que não houve qualquer ataque mas que serviu a Johnson para desencadear a intervenção no Vietname do Sul.

 

– Em Fevereiro de 2003 quando Colin Powell exibiu na ONU as supostas provas da existência no Iraque de armas de destruição maciças;

 

E num plano distinto e à nossa pequenina escala escala, falando de notícias falsas, alarmistas e irresponsáveis em Portugal, talvez não seja de esquecer quantos milhões de euros custou ao Estado português uma célebre noticia da TVI sobre o BANIF.

 

É certo que talvez possa haver quem argumente que, no caso destas operações de desinformação que estiveram ligadas a sangrentos conflitos militares e alcançaram uma escala planetária, como há autores e responsáveis bem identificados, isso permite um maior debate escrutínio. Ainda que assim fosse, creio que as suas consequências sobre o curso da história e em termos de danos humanos são muito superiores às operações de desinformação que hoje nascem em alfurjas subterrâneas com rostos falsos.

 

Um terceiro apontamento visa sublinhar que, como todos sabemos, um dos casos mais falados da influência das fake news veiculadas por redes sociais nos processos eleitorais é última eleição presidencial nos EUA.

 

Creio não existirem dúvidas de que as campanhas de desinformação movidas pela candidatura de Trump ou por outros em seu favor atingiram muitas dezenas de milhões de norte- americanos.

 

Mas já sobre os seus reais efeitos sobre os resultados eleitorais parece haver opiniões diferentes.

 

Ponderando a diversidade dessas opiniões, por mim tendo a pensar que, no caso de essas campanhas se terem especialmente concentrado nos chamados Estados «oscilantes», então é bem provável que tenham contribuído para a inesperada vitória de Trump nesses três Estados e, por essa via, assegurado a sua maioria no Colégio Eleitoral.

 

Mas observo ao mesmo tempo que essas campanhas não impediram Hilary Clinton de ter mais 3 milhões de votos do que Trump.

 

Ora acontece que esta diferença é igual ou mesmo superior às registadas em outras eleições presidenciais nos EUA no decurso do Século XXI, sobretudo quando se trata de uma primeira eleição. Na verdade, em 2000 Gore perde mas obtem mais 300 mil votos que Bush, em 2004 Bush ganha a John Kerry com mais 300 mil votos e em 2008 Obama ganha a Mitt Romney com mais 3 milhões de votos.

 

Nestes tempos incertos e inquietantes, em jeito de consolação talvez possamos concluir que, ao menos por enquanto, as fake news não são omnipotentes.

 

E, por fim com diz o nome, um último apontamento para vos dizer que tenho a ideia de que o pós-guerra do século passado foi uma época em que o grau de sindicalização era incomparavelmente maior do que é hoje, em que as correntes, forças ou famílias políticas tinham um grau de coesão e de base social de apoio muito mais nítidas e sólidas, tudo conduzindo, com outros elementos, para laços de solidariedade e sociabilidade social mais fortes.

 

Digo isto mas sei que isso não impediu que logo em 1946 tivesse surgido na Itália o «qualunquismo» (protagonizado pela Frente do Homem Comum) que logo obetve 5,3% dos votos para a Assembleia Constituinte, recebendo 1.200.000 votos. E que, em 1956, na França surgiu o «poujadismo» que obteve 12% dos votos e 2 milhões de votos.

 

Ainda assim, mas sem prejuizo de um intrincado complexo de outras causas e factores ( em que entram problemas económicos e sociais, as migrações e a erosão das soberanias nacionais), não consigo deixar de pensar que a preocupante e inusitada vaga de populismos fascizantes que varre a Europa e não só é inseparável der um processo social e político em que cresceu o individualismo, em que se construiu uma cultura do efémero e em que se esbateram os laços de solidariedade social e de pertença política, o que encaixa também na crise e anestesia da noção de processo histórico e numa avassaladora perda de memória colectiva favorecida pelo sensacionalismo e pela extrema volatilidade de opiniões e humores no corpo social.

 

E, por maiores que sejam as dificuldades, não vejo outro caminho digno se não o de continuar a lutar contra estes factores que vejo como elementos de de degenerescência da vida democrática.

 

Obrigado pela atenção e desculpem qualquer coisinha.

 

15.4.2019

Vitor Dias

Ver original em "Os papéis de Alexandria" (aqui)

Vinte anos

Neste mês de Abril completam-se 20 anos desde que, em Abril de 1999, começou a ser publicada de forma regular uma edição portuguesa deste jornal (existente em França desde 1954). Tinha havido antes uma experiência efémera de publicação do mensário O Mundo diplomático, pela Dom Quixote e com direcção de Snu Abecassis, iniciada em Janeiro de 1976 e que durou cerca de um ano. Mas o período pós-revolucionário ia já bem longe quando em 1999, coincidindo com os vinte e cinco anos do 25 de Abril, a equipa dirigida por António Borges Coelho, com Jorge Araújo e depois Edgar Coreia como editores, deu início a 20 anos de publicação regular de uma edição portuguesa, a partir de 2006 publicada pela cooperativa cultural Outro Modo, com mais componente redactorial portuguesa e já no quadro de um vasto conjunto de edições internacionais pelo mundo fora (em 2018 eram vinte e nove, publicadas em dezoito línguas) (...) Não nos escondemos atrás de uma concepção neoliberal dos media, nem da democracia, para achar que as nossas páginas são meros espaços onde cabe tudo, sejam opiniões infundadas ou comentários ofensivos e discriminatórios (racistas ou sexistas, mas também classistas…), sejam formas de corrosão da racionalidade pela arbitrariedade. Não somos um espaço, muito menos neutro. Somos um projecto, exigente com a verdade e respeitador do jornalismo como garante da democracia. É neste projecto que queremos continuar a contar os com nossos leitores. Sandra Monteiro, A nossa informação, as vossas escolhas, Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Abril de 2019. Para lá de excertos do editorial da grande responsável pela longevidade deste projecto cooperativo, deixo-vos também o resumo de um número muito especial: “Neste Abril assinalamos 20 anos de edição portuguesa do Le Monde diplomatique e oferecemos, na compra do jornal, um suplemento com artigos sobre Portugal que foram publicados antes de haver esta edição. Nas décadas de 70, 80 e 90 o jornal tratou, entre outros, os temas da Revolução de Abril, das duas intervenções do FMI, da adesão à CEE e da integração na globalização neoliberal. Um suplemento que começa a revelar um arquivo fundamental para compreender o mundo. Na componente portuguesa, destaque para um outro balanço de 20 anos, os de Portugal na moeda única, entre o sonho e o pesadelo (Vicente Ferreira). Ana Jara analisa transformações em Lisboa, uma cidade cada vez mais retalhada e com novas lógicas para o espaço público. José Aranda da Silva reflecte sobre a importância de uma nova Lei de Bases da Saúde para inverter o rumo da anterior e João Luís Lisboa sobre o que nos dizem dos sentidos do presente as polémicas recentes em torno das comemorações da viagem de Fernão de Magalhães. O escritor José Luís Peixoto traz-nos, num conto, as ‘Vozes submersas’ dos mergulhadores-apanhadores de algas no concelho de Odemira. No internacional, acompanhamos a contestação social na Argélia, as eleições em Espanha e a escalada repressiva em França. Procuramos compreender a geopolítica internacional presente na concorrência entre os Estados Unidos e a China, potência cada vez mais importante e mais apresentada como ameaça, bem como nos movimentos de negociação, separada, entre norte-americanos e russos com os talibãs, sobre o futuro do Afeganistão. A subcontratação da política de asilo e de refugiados na Austrália ou, noutro ‘continente’, a sociologia dos sítios de encontros na Internet ou a relação do digital com o espaço público, são também temas de destaque. E prossegue a série sobre as ‘fake news’.”

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Os Milhões da Alegre Vidinha do ‘Comentariato’…

Em Portugal, o importante não é ser ministro, é tê-lo sido. O dito corre por aí há muito e já ganhou foros de provérbio.

Antes, as coisas passavam-se de certos modos, agora, na era mediática, passam-se nos écrans dos media. É o tempo do “comentariato” pago a peso de ouro, tempo de uma espécie de fidalguia político-mediática. Para, frequentemente, vender gato por lebre.

Os canais de televisão constituíram os seus “partidos” com a cooptação de um “barão” aqui e de outro visconde ali… Um visconde mais à esquerda para compensar os dois barões à direita, compondo assim o ramalhete. Marcelo, (de certo modo o criador desta “fidalguia”…) foi, em tempos, a estrela mais brilhante do universo do “comentariato”, à frente do “partido TVI”.

A sua saída para o palácio de Belém provocou uma recomposição da coisa e um novo (des)equilíbrio nos “partidos” televisivos. Um processo de recomposição que, aliás, continuará enquanto o lugar que era o de Marcelo – uma espécie de Rei-Sol das pantalhas – continuar por ocupar… Apesar dos esforços inglórios (até agora…) dos Portas, Marques Mendes e outros “fidalgos”.

Revista Sábado

Pagos ao preço do ouro, os políticos do “comentariato” ficam assim ligados por sólidos laços àqueles que lhes pagam… Os milhões correm-lhes para os bolsos e eles querem que continuem a correr. Quem lhes paga pode querer não só bons números de audiências mas também ter ao seu lado o peso das influências que tais “fidalgos” tenham acumulado. Criou-se assim um universo de (pelo menos..) equívocos…

Dirigida por Eduardo Dâmaso, a revista “Sábado” fez um assinalável trabalho (finalmente, alguém ousou tocar no assunto!) sobre esta trama que, apesar de se desenvolver (em parte, só em parte…) debaixo da luz dos projectores, é coisa bastante obscura.


Exclusivo Tornado / IntelNomics


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/os-milhoes-da-alegre-vidinha-do-comentariato/

Agora torna-se definitiva a decisão: o «Expresso» já era...

Oito dias depois de ter despedido Pedro Santos Guerreiro da direção do «Expresso», o clã Balsemão demonstra o verdadeiro fito dessa decisão ao nomear para seu substituto o tenebroso João Vieira Pereira. Ora, apesar, de um e outro, serem ideologicamente de direita, existe uma diferença muito grande na cultura, que possuem e, sobretudo, na forma de fazerem jornalismo. Guerreiro sempre revelou uma bagagem intelectual, que tornava desafiante a leitura dos seus textos, mesmo com ele quase sempre discordando. Ao contrário Pereira tem sido sempre umhooligan das direitas, enviesando o bastante os argumentos para dizer o pior possível do governo socialista e das esquerdas em geral. O seu fanatismo neoliberal aproxima-o da tal alt-right que, espicaçada por Steve Bannon, também pretende avançar pelas nossas fronteiras adentro.
Falido economicamente, o grupo Impresa não desiste de levar até ao derradeiro suspiro a porfiada tentativa de devolver às direitas a condução governativa do país. Daí que, em ano eleitoral, quando o futuro se definirá para os próximos anos, o clã Balsemão não se contente com um jornalista inteligente para lhe cumprir os desígnios. Em vez de um diretor dado a floreados poéticos, exige a raiva aguda de umrottweiller da estirpe do agora indigitado responsável. Mas para não revelar tibiezas na missão de que se vê revestido, acolitam-no com David Dinis para que a horda bárbara do «Observador» encontre expansão mais alargada no semanário, até agora adquirido por alguns resistentes, progressivamente desagradados com os seus conteúdos, mas carecidos de alternativa mais digerível.
Adivinhamos que os próximos meses não serão fáceis para as esquerdas tendo em conta o avassalador domínio que as direitas possuem nas televisões, nos jornais e nas rádios. E os exemplos estão à vista com a repetição insana de argumentos risíveis como o do suposto nepotismo socialista, da degradação dos serviços públicos ou dos muitos incêndios, que Marcelo, com afirmações perversas, mandou começar a atear, como forma de estabelecerem uma densa barreira de fumo capaz de iludir o eleitorado quanto aos benefícios colhidos com a governação destes últimos quatro anos.
Em definitivo, o «Expresso» acaba de perder um dos seus mais antigos leitores...

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/03/agora-torna-se-definitiva-decisao-o.html

Facebook amplia proibição de discurso de ódio para enquadrar 'nacionalistas brancos'

Mark Zuckerberg
© AP Photo / Steven Senne

O Facebook está ampliando sua definição de discurso de ódio para enquadrar "nacionalistas brancos" e "separatistas brancos."

Anteriormente, a empresa permitia postagens desses grupos, apesar de proibir há muito tempo a "supremacia branca".


Em uma publicação nesta quarta-feira (27), a rede social disse que anteriormente ligava expressões do nacionalismo branco a conceitos mais amplos de nacionalismo e separatismo — como o orgulho americano ou o separatismo basco, ambos ainda permitidos.

Mas grupos de defesa dos direitos civis e acadêmicos chamaram essa visão de "equivocada" e há muito pressionam a empresa a mudar sua postura. O Facebook diz que concluiu após meses de "conversas" com eles que o nacionalismo e o separatismo branco não podem ser significativamente separados da supremacia branca e dos grupos de ódio organizados.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2019032713569415-facebook-discurso-odio-nacionalistas-brancos/

O grande editor do Mundo

(Daniel Oliveira, in Expresso, 23/03/2019)

Daniel Oliveira

Delete… ignore… delete… delete… ignore…” Numa sala escura de Manila, dezenas de moderadores decidem que imagens, vídeos e textos denunciados por violarem as regras do Facebook devem ser apagados. Cada um vê 25 mil por dia, a maioria com origem na Europa e nos EUA. Enforcamentos, decapitações, pedofilia, mensagens de terroristas e ciberbullying, mas também cartoons de sátira política ou trabalhos de fotojornalistas.

Contratados pelo Facebook em regime de outsourcing, sem escrutínio público e mal pagos, sem formação e a léguas das referências culturais e políticas que lhes permitem decifrar as milhares de imagens que lhes passam pelos olhos, estes jovens filipinos decidem em segundos se a fotografia de um repórter de guerra ou um cartoon contra Trump cumprem as regras da aplicação. Sabem que um corpo nu é mais grave do que um apelo ao genocídio. O que significa que a foto icónica da guerra do Vietname é censurada, porque aparecem os genitais de uma menina nua a correr na estrada. Assim como um cartoon em que Erdogan está a sodomizar o símbolo do Twitter, porque a bestialidade não é permitida. Mas passam todos os apelos ao ódio, porque são só opiniões. “The Cleaners”, um extraordinário e opressivo documentário da PBS sobre estes censores industriais, é indispensável para perceber a perigosa fragilidade do monstro que deixámos criar.

A opção por deixar publicar primeiro para editar depois, oposta ao que acontece nos órgãos de comunicação social tradicionais, não se fez em nome da liberdade de expressão. Foi uma escolha empresarial a que a dimensão destas aplicações obrigou. Uma escolha que explica como foi possível o assassino de Christchurch transmitir o seu crime em direto, durante 17 minutos. Quem abriu as comportas não pode salvar as vítimas da inundação. Mesmo que o quisesse fazer, não haveria cleaners que chegassem para a lixeira que diariamente se amontoa nas redes. Em Myanmar, onde o Facebook é a única forma de aceder à internet, tem servido para dizimar a minoria rohingya. Mas a empresa de Mark Zuckerberg faz escolhas. Em países livres, o algoritmo do ódio favorece o discurso polarizado, ajudando Trump, Bolsonaro ou Le Pen a rebentarem com os consensos de que depende a democracia. Mas as balelas otimistas sobre a liberdade de expressão evaporam-se quando a Turquia impõe condições para a empresa aceder aos seus milhões de clientes. Aí, o Facebook e a Google bloqueiam, a pedido, mensagens subversivas. Implacável com a democracia, dócil com a tirania.

Ao contrário do que diz Miguel Sousa Tavares no texto da semana passada, a questão não é como a elite sobreviverá ao povo à solta. Isso é como os populistas querem apresentar as coisas. O debate não é sobre o excesso de poder do povo, que nunca foi tão ilusório. É sobre a substituição de estruturas de intermediação minimamente escrutináveis pela empresa com mais poder que a história já conheceu. É sobre outro Murdoch, mas a multiplicar por milhões. É sobre o dilema da modernidade: como sobreviverá a humanidade ao que supera as suas capacidades de controlo? Sejam monstros financeiros demasiado grandes para cair sejam empresas que controlam os principais instrumentos de comunicação. A questão não é como travar a luta de classes, é como compartimentar, reduzir, mediar e até desglobalizar algumas coisas. Soa perigoso para a democracia? Vejam em “The Cleaners” o que é perigoso para a democracia.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

As três ignorâncias contra a democracia

(Boaventura Sousa Santos, in Outras Palavras, 15/03/2019)

Escrevi há muito que qualquer sistema de conhecimentos é igualmente um sistema de desconhecimentos. Para onde quer que se orientem os objetivos, os instrumentos e as metodologias para conhecer uma dada realidade, nunca se conhece tudo a respeito dela e fica igualmente por conhecer qualquer outra realidade distinta da que tivemos por objetivo conhecer. Por isso, e como bem viu Nicolau de Cusa, quanto mais sabemos mais sabemos que não sabemos. Mas mesmo o conhecimento que temos da realidade que julgamos conhecer não é o único existente e pode rivalizar com muitos outros, eventualmente mais correntes ou difundidos. Dois exemplos ajudam. Numa escola diversa em termos étnico-culturais, o professor ensina que a terra urbana ou rural é um bem imóvel que pertence ao seu proprietário e que este, em geral, pode dispor dela como quiser.

Uma jovem indígena levanta o braço, perplexa, e exclama: “professor, na minha comunidade a terra não nos pertence, nós é que pertencemos à terra”. Para esta jovem, a terra é Mãe Terra, fonte de vida, origem de tudo o que somos. É, por isso, indisponível. Durante um processo eleitoral numa dada circunscrição de uma cidade europeia, onde é majoritária a população roma (vulgo, cigana), as seções de voto identificam individualmente os eleitores recenseados. No dia das eleições, a comunidade roma apresenta-se em bloco nos lugares de votação reivindicando que o seu voto é coletivo porque coletiva foi a deliberação de votar num certo sentido ou candidato. Para os roma não existem vontades políticas individuais autônomas em relação às do clã ou família. Estes dois exemplos mostram que estamos em presença de duas concepções de natureza (e propriedade), num caso, e de duas concepções de democracia, no outro.

O primeiro modo de produção de ignorância (chamemos-lhe Modo 1) reside precisamente em atribuir exclusivamente a um modo de conhecimento o monopólio do conhecimento verdadeiro e rigoroso e desprezar todos os outros como variantes de ignorância, quer se trate de opiniões subjetivas, superstições ou atavismos. Este modo de produção de ignorância continua a ser o mais importante, sobretudo desde que a cultura eurocêntrica (um certo entendimento dela) tomou contato aprofundado com culturas extra-europeias, especialmente a partir da expansão colonial moderna. A partir do século XVII, a ciência moderna consolidou-se como tendo o monopólio do conhecimento rigoroso. Tudo o que está para além ou fora dele é ignorância. Não é este o lugar para voltar a um tema que tanto me tem ocupado. Direi apenas que o Modo 1produz um tipo de ignorância: a ignorância arrogante, a ignorância de quem não sabe que há outros modos de conhecimento com outros critérios de rigor e tem poder para impor a sua ignorância como a única verdade.

O segundo modo de produção de ignorância (Modo 2) consiste na produção coletiva de amnésia, de esquecimento. Este modo de produção tem sido frequentemente ativado nos últimos cinquenta anos, sobretudo em países que passaram por longos períodos de conflito social violento. Esses conflitos tiveram causas profundas: gravíssima desigualdade socioeconômica; apartheid baseado em discriminação étnico-racial, cultural, religiosa; concentração de terra e consequente luta pela reforma agrária; reivindicação do direito à autodeterminação de territórios ancestrais ou com forte identidade social e cultural, etc. Estes conflitos, que muitas vezes se traduziriam em guerras prolongadas, civis ou outras, produziram milhões de vítimas – entre mortos, desaparecidos, exilados e internamente deslocados. Para além das partes em conflito, houve sempre outros atores internacionais presentes e interessados no desenrolar do conflito; a sua intervenção tanto conduziu ao agravamento do conflito como (menos frequentemente) ao seu término. Em alguns poucos casos houve um vencedor e um vencido inequívocos. Foi esse o caso do conflito entre o nazismo e os países democráticos. Na maioria dos casos, porém, tende a ser questionável se houve ou não vencedores e vencidos, sobretudo quando a parte supostamente vencida impôs condições mais ou menos drásticas para aceitar o fim do conflito (veja-se o caso da ditadura brasileira que dominou o país entre 1964 e 1985).

Em ambos os casos, terminado o conflito, inicia-se o pós-conflito, um período que visa reconstruir o país e consolidar a paz. Nesse processo participam com destaque as comissões de verdade, justiça e reconciliação, muitas vezes como componentes de um sistema mais amplo que inclui a justiça transicional e a identificação e apoio às vítimas. São disso exemplo a Coreia do Sul, Argentina, Guatemala, África do Sul, ex-Iugoslávia, Timor-Leste, Peru, Ruanda, Serra Leoa, Colômbia, Chile, Guatemala, Brasil. Na maioria dos processos pós-conflito, forças diferentes militaram por razões diferentes para que a verdade não fosse plenamente conhecida. Quer porque a verdade era demasiado dolorosa, quer porque obrigaria a uma profunda mudança do sistema econômico ou político (desde a redistribuição de terra ao reconhecimento da autonomia territorial e a um novo sistema jurídico-administrativo e político). Por qualquer destas razões, preferiu-se a paz (podre?) à justiça, a amnésia e o esquecimento à memória, à história e à dignidade. Assim se produziu uma ignorância indolente.

Modo 3 de produção de ignorância consiste na produção ativa e consciente de ignorância por via da produção massiva de conhecimentos de cuja falsidade os produtores estão plenamente conscientes.Modo 3 produz conhecimento falso para bloquear a emergência do conhecimento verdadeiro a partir do qual seria possível superar a ignorância. É este o domínio das fake news. Ao contrário dos Modos 1 e 2, a ignorância não é aqui um subproduto da produção. É o produto principal e a sua razão de ser. Os exemplos, infelizmente, não faltam: a negação do aquecimento global; os imigrantes e refugiados como agentes de crime organizado e ameaça à segurança da Europa ou dos EUA; a distribuição de armas à população civil como o melhor meio de combater a criminalidade; as políticas de proteção social das classes mais vulneráveis como forma de comunismo; a conspiração gay para destruir os bons costumes; a Venezuela ou Cuba como ameaças à segurança dos EUA; etc., etc.

Os três modos de produção produzem três tipos diferentes de ignorância, estão articulados e acarretam consequências distintas para a democracias. O Modo 1 produz uma ignorância arrogante, abissal, que é simultaneamente radical e invisível na medida em que o monopólio do conhecimento dominante é generalizadamente aceito. As verdades que não cabem na verdade monopolista não existem e tão-pouco existem as populações que as subscrevem. Abre-se assim um campo imenso para a sociologia das ausências. Foi por isso que o genocídio dos povos indígenas e o epistemicídio dos seus conhecimentos (passe o pleonasmo) andaram de mãos dadas. O Modo 2 produz a ignorância indolente que se satisfaz superficialmente e que, por isso, permanece como ferida que arde sem se ver. É a ignorância-frustração que sucede à verdade-expectativa. Uma ignorância que bloqueia uma possibilidade e uma oportunidade emancipadoras que estiveram próximas, que eram realistas e, que, além disso, eram merecidas, pelo menos na opinião de vastos setores da população. Esta ignorância sugere uma sociologia das emergências, da emergência de uma sociedade que se afirma reconciliada consigo mesma, com base em justiça social, histórica, étnico-cultural, sexual. O Modo 3 cria uma ignorância malévola, corrosiva e, tal como um cancro, dificilmente controlável, na medida em que as redes sociais têm um papel crucial na sua proliferação. Esta ignorância está para além da ausência e da emergência. Esta ignorância é a prefiguração da estase, a imobilidade que estrutura a vertigem do tempo imediato.

Os três modos de produção e as respectivas ignorâncias que produzem não existem na sociedade de modo isolado. Articulam-se e potenciam-se por via das articulações que os tornam mais eficazes. Assim, a ignorância arrogante produzida pelo Modo 1 (monopólio da verdade) facilita paradoxalmente a proliferação da arrogância malévola produzida pelo Modo 3 (falsidade como verdade alternativa).

É que uma sociedade saturada pela fé no monopólio da verdade científica torna-se mais vulnerável a qualquer falsidade que se apresente como verdade alternativa usando os mesmos mecanismos da fé.

Por sua vez, a ignorância indolente produzida pelo Modo 2(amnésia, esquecimento) desarma vastos setores da população para combater a ignorância produzida quer pelo Modo 1, quer pelo Modo 3.

A ignorância arrogante é uma das principais causas da ignorância indolente, ou seja, da facilidade com que se esquece, normaliza e banaliza um passado de morte de inocentes, de sofrimento injusto, de pilhagens convertidas em exercícios de propriedade, de corpos de mulheres e de crianças violentados como objetos de guerra. Quando a ignorância arrogante se complementa com a ignorância malévola, a ignorância indolente torna-se tão invisível que é praticamente impossível de erradicar.

O impacto destes três tipos principais de ignorância nas democracias do nosso tempo é convergente, embora diferenciado. Todas estas ignorâncias contribuem para produzir democracia de baixa intensidade. A ignorância arrogante torna impossível a democracia intercultural e plurinacional, na medida em que outros saberes e modos de vida e de deliberação são impedidos de contribuir para o aprofundamento democrático; e faz com que vastos setores da população não se sintam representados pelos seus representantes e nem sequer participem nos processos eleitorais de raiz liberal. A ignorância indolente retira da deliberação democrática decisões sobre justiça social histórica, sexual, e descolonizadora, sem as quais a prática democrática é vista por vastas camadas da população como um jogo de elites, uma disputa interna entre os vencedores dos conflitos históricos. Mas a ignorância malévola é a mais antidemocrática de todas. Sabemos que as deliberações democráticas são tomadas com base em fatos, percepções e opiniões. Ora a ignorância malévola priva a democracia dos fatos e, ao fazê-lo, converte a boa fé dos que dela são vítimas em figurantes ou jogadores ingênuos num jogo perverso onde sempre perdem e, mais do que isso, se auto-infligem a derrota.


Fonte aqui.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Dormir bem é condição fundamental para potenciar a nossa lucidez

Dormimos cada vez menos, sendo raros os que conseguem dormir oito horas seguidas.
O capitalismo encontrou uma renovada forma de se perenizar ao captar-nos a atenção para as redes sociais, que nos prendem a atenção submetendo-nos a um comportamento passivo perante mensagens manipuladoras. Nem precisam de recorrer àsfake newspara induzirem valores e preconceitos quantas vezes associados a uma cultura retrógrada, que julgávamos superada.
Privando-nos do desejável distanciamento entre a mensagem e a sua absorção crítica, esse novo tipo de conduta desabitua-nos dos hábitos de reflexão, que permitiriam uma vigilância criteriosa sobre as informações, que pressupõe transmitir.
Dormir bem para facilitar a lucidez dos neurónios e recuperar o tempo de qualidade dedicado à meditação constitui uma boa estratégia para frustrar os intentos de um sistema de organização económica e social, que já dura há tempo demais.

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/03/dormir-bem-e-condicao-fundamental-para.html

Miguel Sousa Tavares e as redes sociais – a crítica da Estátua de Sal

(Por Estátua de Sal, 16/03/2019)

Miguel Sousa Tavares e as redes sociais – a crítica da Estátua de Sal

 

Na sua coluna de opinião, no Expresso desta semana, 16/03/2019, Miguel Sousa Tavares publica um artigo com o sugestivo título “De como a luta de classes vai matar a democracia”, (https://estatuadesalnova.com/2019/03/16/de-como-a-luta-de-classes-vai-matar-a-democracia/ ), o qual reputo da pior peça que eu tenha lido assinada pelo conhecido colunista.

O tema é as redes sociais que são para o MST uma espécie de diabo furibundo, responsáveis por todos os males do mundo actual. Assim, as redes estão a matar o jornalismo, a colocar no poder os políticos populistas de que o Miguel não gosta (eu também não), Trump, Bolsonaro, Matteo Salvini, originaram o Brexit, e irão liquidar, segundo ele, a democracia – suponho que se estará a referir à democracia parlamentar.

Mas vai mais longe. MST pinta os frequentadores das redes sociais como uma turba de trogloditas a espumar ódio pela boca, violência, boçalidade alarve, exibicionismo impante e voyeurismo vicioso e viciante, uns cobardolas seguidistas que se acoitam no anonimato para expandir as suas opiniões primárias.

  1. Pois bem, caro MST, eu frequento as redes sociais, coisa que tu não fazes, e por isso opinas com base naquilo que tens ouvido dizer, ou então frequentas disfarçado de Pai Natal, para que não te topem, o que ainda é pior.
  2. E nas redes sociais vejo de tudo, o que é uma verdade elementar já que as redes não passam de um espelho, cada vez mais realista, da sociedade em geral. Se existem lá os trogloditas que tu vês, não é o Facebook que os fabrica: eles existem no dia-a-dia das nossas vidas. Poderás dizer que, atrás do teclado do computador, poderão esses tais alarves exprimir opiniões e ataques que de outro modo não fariam e, nesse ponto, talvez tenhas razão. Mas, estará o mal na opinião que se expressa ou na existência do sentimento íntimo que a motiva? Adiante, fica para refletires.
  3. O mais grave da tua argumentação, e de muitos fazedores de opinião que pululam no espaço público, é acharem que as redes sociais são as responsáveis pelo populismo, pelos Trumps e companhia.
  4. Se o capitalismo não estivesse numa fase de refluxo das conquistas sociais da humanidade, se a desigualdade não fosse cada vez mais gritante, se o desemprego não fosse uma realidade para muitos e uma ameaça para muitos mais, se as políticas neoliberais de gestão da economia e de ataque aos Estados Sociais do pós Guerra não fossem cada vez mais acutilantes, achas mesmo que o populismo e a ascensão da direita teria sucesso só porque a direita faz publicarfake-news no Facebook atacando os seus “bem-comportados” adversários políticos? Se a tua resposta for positiva eu direi que é uma idiotice completa.
  5. O que acontece é que, durante décadas, foi possível aos políticos do sistema gerir as opiniões das multidões e condicionar os resultados eleitorais através do controle da comunicação social, a tal que tu dizes ser “de referência” e que está a morrer. E sabes porque está a morrer? Porque, em grande parte, as redes sociais permitindo uma disseminação da informação num nível que não existia em décadas anteriores, vieram pôr a nu o papel de subserviência e venalidade de muitos dos ditos jornais de referência em relação a determinados sectores e/ou partidos políticos. Já há muito que não eram isentos, só que agora, tal falta de isenção tornou-se gritante e os leitores fogem. Em Portugal, o caso do Expresso, onde tu escreves, é paradigmático deste fenómeno.
  6. Ou seja, a comunicação social mainstream, durante décadas teve o monopólio das fake-news (lembras-te das armas químicas do Saddam? Todos os respeitáveis jornalistas as tinham visto!), e agora tem que repartir tal missão com os clientes do Zuckerberg e companhia. É, de facto, um grande aborrecimento. Na verdade, os defensores do capitalismo passam a vida a louvar os mercados, mas na hora da verdade todos querem mesmo é ser monopolistas.
  7. E chegámos à parte final da tua prosa que é a maior parvoíce que alguma vez escreveste. A parte em que dizes que a luta de classes vai liquidar a democracia. Poder-se-ia pensar que estavas a referir-te ao conceito marxista de classe, conceito estribado nos diversos níveis económicos de acesso à propriedade (capitalistas versus proletariado, burguesia versus rentistas, etc), mas não. Tu descobriste uma nova categorização. A luta de classes dos tempos modernos é a luta entre aqueles que exprimem opiniões canhestras e primárias no Facebook, que não estudam os assuntos mas que acham que tem o direito a dissertar, em oposição àqueles eruditos como tu (suponho que te consideres inserido neste grupo) que fazem os trabalhos de casa e emitem opiniões abalizadas.
  8. Pois bem, neste caso das redes sociais, cometeste exatamente o mesmo pecado de que acusas os opinantes do Facebook e afins. É que não fizeste mesmo os trabalhos de casa. Se os tivesses feito, ficarias espantado com a qualidade de muitos textos que são publicados nos murais dos seus autores no Facebook, e que não ficam em nada a dever aos que tu publicas. Eu, no meu blog, publico muitos desses textos e também escrevo para as redes sociais.
  9. Sabes, há muita gente a escrever nas redes e nos blogs porque nem todos somos privilegiados como tu, com os ascendentes de família que tiveste e que te permitiram ter acesso fácil à publicação nos jornais e à opinião nas televisões. Eu,se fosse convidado a escrever no Expresso, por exemplo, achas que ficaria atrapalhado por não saber o que escrever? E como eu, muitos outros.
  10. É por isso que te digo que nada sabes de redes sociais, as quais permitiram a muitos publicar os seus pontos de vista e debatê-los. É lamentável que te tenhas colocado numa posição de “comentador iluminado”, uma espécie de representante da aristocracia dos jornalistas portugueses, em oposição á plebe ignara e ululante que OUSA querer ter opinião. Sinceramente, deve ser mal da época, mas deves ter sido também atacado pelo vírus da supremacia, no teu caso a supremacia das luzes e da erudição. Há outros que cultivam a supremacia da cor da pele, do sexo ou outras características físicas.
  11. Assim, concluis que a democracia está em perigo porque o jornalismo de referência está em perigo e a turba está nas mãos das redes sociais e tu não vês como se pode resolver isso.
  12. Pois eu explico-te. Talvez seja preciso que os iluminados como tu venham para as redes sociais fazer pedagogia e deixarem o pedestal onde se colocam, pondo de lado o distanciamento e sobranceria com que tratam aqueles que os leem, combatendo assim aquilo que dizes ser o “obscurantismo organizado das massas” (sic).
  13. Esse é um tipo de ação para o qual tenho dado o meu contributo, divulgando textos de carácter político e económico, nomeadamente os teus.
  14. Já agora, em jeito de consolação, para que percebas que as massas não são tão estúpidas como apregoas, dir-te-ei que o segundo texto mais lido neste blog, desde a sua fundação, é da tua autoria, “Cavaco Silva: vinte anos perdidos”,
    https://estatuadesalnova.com/2016/03/12/cavaco-silva-vinte-anos-perdidos/ e teve até ao momento, 39256 leituras. É este poder das redes sociais que te escapa e este número de leitores deveria levar-te a refletir sobre aquilo que se está, de facto, a passar neste admirável mundo novo da sociedade da informação e sobre as consequências que daí irão advir no plano da política e da organização das sociedades.
  15. No fundo, ninguém sabe para onde este trajeto e este uso da tecnologia irá conduzir as sociedades humanas. Mas não é pôr – como a avestruz e como tu -, a cabeça na areia que nos irá desvendar o fim do percurso que estamos a trilhar.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

A Justiça australiana censura todos os artigos no caso Pell

A Justiça Australiana emitiu uma proibição de publicação do que quer que seja (gag order) sobre o caso de George Pell.

O Cardeal Pell, antigo arcebispo de Sidney e depois prefeito do Secretariado para a Economia da Santa Sé (isto é, Ministro das Finanças do Estado da Cidade do Vaticano e da Igreja Católica), foi julgado em Melbourne, em Dezembro de 2018 e condenado por pedofilia. Ele deveria estar encarcerado.

Uma centena de médias receberam uma carta de Kerri Judd, Chefe de acusação do Estado de Victoria, proibindo-os de difundir a notícia.

A censura dos média é comum na Austrália, nos Estados Unidos, em Israel e mais ainda no Reino Unido. Ela pode ser decidida pelo Judiciário para proteger certas vítimas, mas também pelo Executivo sem ter que dar explicações.

Neste caso, num país onde os católicos são muito minoritários, ignora-se as razões para esta obrigação de silêncio após o julgamento.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Desinformação, redes sociais, fake news, manipulação, cibersegurança…

“PS preocupado com campanhas de desinformação nas eleições” titula o ‘Público’, a toda a largura da sua primeira página (suspeitamos que se mais largura houvesse…).

O desenvolvimento, nas páginas interiores (ilustrado com uma foto muito prafrentex do deputado socialista José Magalhães) pratica uma completa amálgama entre coisas tão diversas como cibersegurança e manipulação, redes sociais e desinformação, as inevitáveis fake news e… sabe-se lá que conspirações mais.

Desinformação

Poder-se-ia argumentar que a manipulação (que como o nome indica é “manual” e não “digital”…) é velha como o mundo e que já a Bíblia (que um tristemente famoso juiz tanto precisa de citar…) nos oferece vários casos exemplares. Ou que a prática corrente da “dezinformatsiya” é várias guerras anterior às recentes (e insípidas) “fake news”. Ou que redes sociais e cibersegurança têm tanto que ver entre si como o rabo e as calças. Ou que… mas não vale a pena.

Basta dizer que, depois das últimas presidenciais nos EUA, se gerou à volta de alguns factos e outros argumentos uma confusão monumental que em nada ajuda a esclarecer coisa alguma e, pelo contrário, só ajuda à criação de uma situação caótica geradora de desconfiança no sistema político-eleitoral e na própria democracia.

Foi, aliás, nesse quadro que Trump criou o neologismo “fake news” para se referir a velhas práticas nos media tradicionais e a notícias que o atacavam.

Desinformação

Amalgamar “conteúdos” com “continentes” e acrescentar-lhe ainda mais umas questões de segurança da informação só pode dar maus resultados… Tão maus que, ao serem geradores de desconfiança nos resultados dos sistemas político-eleitorais democráticos, ultrapassam as mais loucas esperanças que poderia acalentar qualquer teoria da conspiração “made in Russia” ou “made in China”.

Ameaças e riscos existem, um desenvolvimento tecnológico adoptado sem preocupações da necessária segurança criou um ambiente de medo (as facilidades no desvio dos emails da Clinton são assustadoras…), a própria NSA se revelou, a dada altura, tão capaz de guardar os seus segredos como um vulgar passador, tudo isto pode e deve ser tratado e debatido mas é conveniente que o seja com… algum conhecimento das matérias em questão, começando pelo esclarecimento dos conceitos.


Exclusivo Tornado / IntelNomics


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/desinformacao-redes-sociais-fake-news-manipulacao-ciberseguranca/

O regulamento terrorista que tramita no Parlamento Europeu

(In Resistir, 27/02/2019)

(Mais um assunto omitido pela nossa comunicação social. O Parlamento Europeu prepara-se para impor e legalizar a censura na comunicação social e na internet, páginas, blogues, Facebook, sem qualquer controlo dos tribunais, desde que as publicações sejam consideradas “terroristas” pelas polícias! Como na definição de “terrorismo” pode caber tudo e mais alguma coisa, tal é a porta aberta para o livre arbítrio e para calar as vozes politicamente incómodas.

Será que a minha página no Facebook e o meu blog já estão a ser alvo, em antecipação, de tal legislação? Será que censuram a Estátua de Sal por a considerarem uma voz “terrorista”? Se é isso, ficam a nu os perigos que ameaçam a liberdade de expressão, na “democrática” União Europeia.

Estátua de Sal, 27/02/2019)


 
Em Setembro de 2018, sob a influência da França e da Alemanha, a Comissão Europeia propôs um regulamento “relativo à prevenção da difusão on line de conteúdos de carácter terrorista. 

Este novo regulamento imporá a todo actor da Web (alojadores de blogues ou de vídeos, sítios da imprensa, pequenos fóruns ou grandes redes sociais:

  • Bloquear na mesma hora qualquer conteúdo assinalado como “terrorista” pela polícia (sem autorização prévia de um juiz) e portanto ficar à sua disposição 24 horas por dia 7 dias por semana.

  • Adiantar-se aos pedidos da polícia detectando por si mesmo os conteúdos ilícitos com a ajuda de ferramentas de filtragem automática.

Se um sítio web não respeitar estas regras ele se arrisca a uma multa de até 4% do seu volume de negócios. 

Delegação da censura aos gigantes da web 

De um ponto de vista técnico, económico e humano, só um punhado de actores – os gigantes da web – poderão respeitar obrigações tão estritas. 

Os outros actores (comerciais ou não) não terão outra opção senão cessarem suas actividades ou submeterem-se às ferramentas de moderação (filtragem automática e listas de bloqueio) desenvolvidas pelo Facebook e Google desde 2015 com o apoio da Comissão Europeia. 

Estas multinacionais tornar-se-ão portanto os juízes do que pode ser dito na Internet. A estrutura rica, variada e descentralizada da web é destinada a desaparecer. 

Censura dos discursos políticos 

No direito da União Europeia, a noção de infracção “terrorista” é voluntariamente ampla, cobrindo os actos de pirataria ou de destruição maciça de bens (ou a simples ameaça de fazê-lo) cometidos para influenciar uma decisão política ou desestabilizar instituições. 

Deixar à polícia e não ao juiz o poder de decidir o que é um conteúdo “terrorista” poderia levar à censura de opositores políticos e de movimentos sociais. 

A obrigação de por em vigor medidas proactivas, com a ameaça de multas pesadas, terá como efeito motivar os actores da web a adoptar uma definição do terrorismo o mais ampla possível a fim de não serem sancionados. 

Uma lei inútil 

Este regulamento “anti-terrorista” não permitirá sequer atingir seu objectivo ostensivo: impedir que o Daesh ou a Al Qaeda difundam sua propaganda junto a pessoas já seduzidas pelos seus discursos. 

Parece absurdo precisar ainda repetir:   na Internet, não importa qual a lei de bloqueio pois ela pode ser contornada pelas pessoas que desejam aceder às informações censuradas. Os únicos efeitos desta lei serão seus danos colaterais: o grande público certamente não terá mais de sofrer os conteúdos terroristas, mas tão pouco terá conhecimento das informações censuradas abusivamente. 

Exijamos a rejeição do texto 

Sob a cobertura do solucionismo tecnológico, este regulamento joga com o medo do terrorismo para melhor enquadrar a expressão na Internet e limitar as oposições. 

Devemos pedir a rejeição deste texto

  • A censura de Estado não deve poder ser determinada senão por um juiz. 
  • Nenhuma censura automatizada deve ser imposta aos actores da web. 
  • A luta contra o terrorismo jamais deverá ser um pretexto para censuras as oposições políticas.

No dia 21 de Março de 2019 será a primeira votação sobre este texto, na comissão de “liberdades civis” do Parlamento Europeu (60 deputados). As eleições europeias vindo logo após, tratar-se-á provavelmente da nossaúltima oportunidade de fazer com que este texto seja rejeitado. 

Apelemos aos deputados europeus 

Pode telefonar aos deputados de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 18h00. Se tiver um assistente ao telefone, não hesite em lhe falar, pedindo-lhe para partilhar vossa opinião com o seu deputado. 

Entre os 60 deputados da comissão “liberdades civis”, só oito vêem de países de língua francesa [1] . Todos os outros compreenderão o inglês: mesmo que o vosso nível de inglês não seja muito bom, não se sinta envergonhado de lhes falar. 

Basta uma discussão bastante simples, do tipo: “Hello, my name is […]. I am calling about the Anti-Terrorism Regulation. I think it will destroy freedom of speech. There must be no censorship without the authorization of a judge. Internet censorship must not be outsourced to Internet giants. Reject this text. I will watch your decision”. 

Para ir mais longe 

Convidamos a ler nossa análise pormenorizada do futuro regulamento, mostrando sua génese, suas implicações técnicas e políticas assim como o estado do seu debate no Parlamento Europeu. 

Notas 
[1] E apenas um de língua portuguesa:   a deputada Ana Gomes (PS), tel. +32.228.45.824, anamaria.gomes@europarl.europa.eu, @AnaGomesMEP 

Ver também: 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

UMA GUERRA QUE TERMINAVA, OUTRA QUE SE ADIVINHAVA

UMA GUERRA QUE TERMINAVA
27 de Fevereiro de 1939. Esta página do Diário de Lisboa de há oitenta anos sintetizava a transição de mau para pior que a situação política na Europa prognosticava. A Guerra Civil de Espanha estava virtualmente no fim: Franco aguardava o reconhecimento do regime nacionalista pela França e pelo Reino Unido, que permaneciam os últimos obstáculos da admissão dos rebeldes espanhóis na ordem internacional. Ordem internacional essa que se mostrava ameaçada de uma perspectiva mais global, já que a notícia do lado antecipava o envio de um novo corpo expedicionário britânico para França (à semelhança do que acontecera em 1914), na eventualidade da eclosão de uma nova Grande Guerra na Europa. Ainda não se sabia mas, chegado o momento, que ocorreria dali por seis meses, os britânicos iriam superar as promessas, enviando não os 100 mil homens anunciados pela notícia, mas 152 mil soldados, e isso logo no primeiro mês de guerra (Setembro de 1939), acompanhados de mais de 21 mil viaturas, equipamentos de combate e munições. Na grande ordem das coisas, porém, hoje é patente que o feito ir-se-ia revelar irrelevante em Maio/Junho de 1940.

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/02/uma-guerra-que-terminava-outra-que-se.html

Desmanipulando - V

Desmanipulando - V
A mentira leva sempre dianteira relativamente a quem desmente e é mais eficaz a mentira que o desmentido. Não só porque a mentira chega primeiro, como também foi preparada cuidadosamente para entrar na mente.
Gobbels sabia da poda e a sua cartilha não só está disponível como pode ser seguida e melhorada. A tecnologia o permite e permite-o também a segurança e impunidade a quem promove violações grosseiras de critérios e princípios deontológicos a que os jornalistas estão (deviam estar) obrigados.
Vem isto a propósito do protesto enviado pelo PCP à ERC.
Pessoalmente tenho as expectativas baixas quanto ao encaminhamento que levará tal protesto. Tenho a nítida impressão que a entidade reguladora é regulada pelos detentores proprietários dos regulados.
Fica a matéria que a ERC terá de apreciar:

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

No fundo, bem lá no fundo da fossa

image

(ver aqui) Só vendo se acredita

Como é possível que um órgão de comunicação estatal se permita transmitir uma entrevista a marginais, como se de contestatários de um governo se tratasse. Como é possível que tenhamos que pagar uma televisão que propaga e alimenta a guerra em vez de contribuir para a paz que todos os povos anseiam. Como é possível a um governo que por dever deve  respeitar a verdade se deixe ir à trela dos pretensos senhores disto tudo.
Uma reportagem de tão baixo nível, tão degradante como esta, levaria a que qualquer administração decente demitisse os responsáveis que a permitiram se é que não encomendaram.

image Este nem teve o cuidado de mudar de boné

Ver o original em As palavras são armas (clique aqui)

Desmanipulando - IV

A "bolinha", situa a Guardia Nacional Bolivariana (GNB)quietinha, lá onde deve estar. A azul se assinala a fumaça e as chamas da encenação orquestrada. A manipulação é primária, mas a provocação pode ainda servir para dividir a opinião pública, levar parte dela a aceitar a escalada e esta culminar na intervenção armada. 
À nossa imprensa, bastaria mostrar esta imagem e comentá-la, referindo que o recurso à manipulação é prática antiga, como aqui, neste meu espaço, venho denunciando, desde a imagem de Rocky Balboa que era feito passar por um estudante venezuelano vitima de tortura, até à mistificação de imagens trazidas da Síria.
À nossa imprensa, bastaria fazer passar o comunicado da Cruz Vermelha condenando activistas da oposição por, em tal encenação, se terem disfarçado de trabalhadores da Cruz Vermelha – uma violação flagrante dos protocolos humanitários. 
À nossa imprensa, bastaria citar o Relatório do Desenvolvimento Humano (PNUD), relativo a 2016 , onde a Venezuela se mantinha como um dos países com um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no ranking de 188 países e onde a Venezuela aparece com uma pontuação de 0,767 acima do Brasil (0,754), Peru (0,740) e Colômbia (0,727). 
À nossa imprensa, bastaria anunciar que até lhe ser montado o cerco, a Venezuela era o quarto país com melhor IDH na América do Sul. 
À nossa imprensa bastaria apenas dar uma só dessas noticias e convidar comentadores não encartados. Não o tendo feito será conivente com mais um crime perpetrado por quem já cometeu tantos...  

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

A influência pró-globalização de Pierre Omidyar nos Média

Há cinco anos atrás, chamamos a atenção contra o jogo duplo do bilionário iraniano-franco-americano, Pierre Omidyar, para validar a ideologia da globalização político-económica [1].

Hoje, a Mint Press revela a amplitude das ONGs financiadas pelo fundador da e-Bay. O que vai da revista apoiando Edward Snowden (The Intercept) à nova revista dos neo-conservadores (The Bulwark), passando pela luta contra as Fake News, da International Fact-Checking Network (Rede Internacional de Verificação de Factos- ndT), e contra a Rússia pela News Integrity Initiative.

- Committee to Protect Journalists (Comité para Proteger Jornalistas)
- Democracy Fund (Alliance for Securing Democracy, Center for Public Integrity, Defending Digital Democracy) (Fundo da Democracia (Aliança para Proteger a Democracia, Centro de Integridade Pública, Defesa da Democracia Digital))
- First Look Media (Os Média de Primeira Abordagem)
- Hopelab (Laboratório Esperança)
- Humanity United (Humanidade Unida)
- International Fact-Checking Network (IFCN) (Rede Internacional de Verificação de Factos-
- Luminate
- News Integrity Initiative (Iniciativa para a Integridade das Notícias)
- Omidyar Network (Hromadske, Magambe Network, Rappler)- (Rede Omydar-
- The Intercept
- The Bulwark
- Ulupono Initiative

How One of America’s Premier Data Monarchs is Funding a Global Information War and Shaping the Media Landscape” («Como Um dos Reis Principais de Dados da América está a Financiar uma Guerra de Informação global e Marcando a Paisagem Mediática»- ndT), Alexander Rubinstein & Max Blumenthal, Mint Press, February 18th, 2019


[1] « Le double jeu du milliardaire Pierre Omidyar », « La CIA investit dans le journalisme », Réseau Voltaire, 3 mars 2014 et 22 septembre 2015.



Ver original na 'Rede Voltaire'



Contas oficiais dos CTT revelam saque e destruição

Contrário à propaganda da administração, os dados oficiais das contas de 2018 dos CTT revelam um futuro sombio para a ex-empresa pública: lucros em queda, condições de trabalho piores e a destruição do serviço público postal.

Protestos de utentes e de trabalhadores um pouco por todo o País têm exigido o retorno dos CTT à esfera públicaCréditos

Depois da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) ter, no passado dia 19 de Fevereiro, acusado a administração dos CTT de divulgarem «informação enganosa» sobre o número de reclamações pelos consumidores, um olhar mais cuidados sobre as contas não deixam a gestão privada em bons lençois.

Nos documentos, a administração dos CTT apresenta resultados líquidos de 19,6 milhões de euros, inferiores aos de de 2017 (27,3 milhões). Um resultado que está muito aquém dos lucros que a empresa tinha sob alçada do Estado, sobretudo tendo em conta que só foi possível graças à alienação de património (cerca de 10 milhões).

A justificação da empresa para tal são os «custos avultados com indemnizações» a trabalhadores, decorrente das «saídas amigáveis» promovidas pela administração ao longo dos anos, que já levaram à saída de centenas de funcionários dos correiros.

Actualmente, cinco anos após ter sido privatizada pelo governo PSD e CDS-PP, o Banco CTT continua a carregar as contas, fazendo crescer o prejuízo após este ter incorporado o lucrativo PayPal, que foram retirados aos serviços financeiros da empresa de correios (representavam 18,1 milhões de euros).

No plano laboral, os CTT gastam cada vez menos com os trabalhadores (tirando as indemnizações das saídas), com as despesas recorrentes com os funcionários a baixarem de 340,1 para 332,9 milhões de euros. Por outro lado, a precariedade tem crescido substancialmente, sendo que, em 2018, a empresa tem menos 238 trabalhadores efectivos e mais 172 trabalhadores com vínculos precários.

Já os rendimentos operacionais estruturantes da empresa continuam a ser o Correio (531,9 milhões, mais 4,4 que em 2017) e o Expresso e Encomendas (151,2 milhões, mais 16,6 que em 2017), que foram apoiadas pelo aumento dos preços para utentes, justificada pela empresa com uma suposta perda de fiabilidade do serviço postal.

Nesse sentido, conforme têm denunciado trabalhadores e comissões de utentes, a gestão privada dos CTT não é positiva. Está a destruir o serviço público postal, ao mesmo tempo que distribuí dividendos avultados aos accionistas e aposta na criação de um mais um banco. 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/contas-oficiais-dos-ctt-revelam-saque-e-destruicao

OUTRA VEZ A CENSURA

Estátua de Sal, 24/02/2019

censura3

Mais uma vez este blog foi alvo da censura do Facebook. Tudo o que publiquei aqui recentemente e que tinha sido partilhado na minha página do Facebook foi de lá banido sem qualquer explicação cabal, dizem eles porque “não está de acordo com os padrões da Comunidade”

Mas, afinal o que são tais padrões?

Atacar a direita e os seus epígonos vai contra os padrões da comunidade? Publicar e remeter para autores que escrevem em publicações ditas de referência (Expresso, DN, Público, etc), vai contra os padrões da Comunidade?!

Publicar textos oriundos do próprio Facebook e que lá não foram censurados, se os publicar aqui passam a atentar contra os padrões da Comunidade?! Ó santa hipocrisia.

Na verdade, o que se passa, é que este blog está a ser perseguido e há quem o queira calar por o considerar demasiado incómodo tendo em conta a audiência que já atinge.

É lamentável que, num país democrático, as vozes da esquerda estejam sujeitas a censura, já sem qualquer vergonha.

É a Inquisição dos tempos modernos.

Mas a Estátua não se vai calar e vai continuar a persistir no seu combate e conta com todos vocês, todos os que prezam a verdade, a justiça e a liberdade de expressão.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Portugal | O inimigo principal

Álvaro Figueiredo | Manifesto 74| opinião
Quais as razões da descabelada e acintosa ofensiva de deturpações, calúnias, mentiras e meias verdades contra o PCP? Os deputados do PCP trabalham com afinco e responsabilidade. Sobre eles não há casos de moradas falsas, viagens fantasma, subsídios indevidos, marcações de presença por terceiros.
No entanto, as «investigações», para tentarem encontrar uma falta, sucedem-se.
Há alguns anos atrás chegou a noticiar-se uma viagem de avião em que os deputados iam em primeira e contrapunha-se isto às dificuldades do povo e dos outros utentes do avião. Na notícia era sublinhado que também um deputado do PCP, o deputado António Filipe, fazia parte do grupo. Apesar de ser perfeitamente legal e costume na Assembleia da República, azar dos azares, o único deputado que tinha prescindido da viagem em primeira era o deputado António Filipe.

Em relação ao PCP, volta, meia volta, falam do seu património imobiliário para tentarem lançar a suspeita, embora saibam muito bem que muito desse património o PCP recebeu-o por herança de generosos comunistas, e o restante foi comprado com fundos do PCP e a subscrição dos militantes e de amigos, como é o caso do terreno da Festa do Avante!.
Quanto ao financiamento do PCP os caluniadores também sabem que o PCP segue um princípio para os seus eleitos que é o de nenhum deve ser prejudicado ou beneficiado, e como a larga maioria recebe nas instituições mais do que recebia na sua ocupação anterior a diferença reverte para o PCP. Sabem ainda, basta ver no Tribunal Constitucional que o montante destas verbas é muito significativo. Como é o único que segue este princípio, e como as verbas são substanciais, nunca referem este facto. Sobre a Festa do Avante!, a sua contestação começou à bomba logo na primeira edição. Ciclicamente inventam casos. Favores da Câmara de Lisboa, quando se realizava em Lisboa, da Câmara de Loures, quando se realizou em Loures, e agora Câmara do Seixal. O artigo de Miguel Esteves Cardoso sobre a Festa resumiu todas estas ofensivas.: nenhum outro partido seria capaz de fazer uma festa como a do Avante!, designadamente com a sua dimensão de trabalho voluntário, de solidariedade e humanismo. Voltemos então à questão inicial. Quais as razões de intensificação desta ofensiva anti comunista, e agora centrada nas questões de pseudo "corrupção e de tráfico de influências"?
O bloco central das negociatas (PSD, PS, CDS) está atolado em casos que o desacreditam. Negociatas, bancos, autarquias com presidentes condenados ou a contas com a justiça...
Na Assembleia da República tivemos recentemente os casos das viagens, moradas falsas, subsídios indevidos. Todos comprometidos, menos o PCP. Precisavam de encontrar algo que pudesse "entalar" o PCP para poderem dizer que são todos iguais. E mesmo que a questão congeminada fosse de pouca monta, ela seria ampliada pelos seus meios de informação e comentadores de serviço. Depois, mesmo que os casos fossem de "pulgas", seriam óptimos para deixar passar os "elefantes da corrupção". Dava-lhes jeito. Mas nem a inventona de Loures, nem a do Seixal, nem a dos Inválidos do Comércio, nem a da rede vermelha das empresas, designadas por um jornalista ex-UDP como uma "avalanche" de empresas, conseguiram demonstrar a ilegalidade ou a ilegitimidade dos casos propalados. Dificilmente, nos distritos onde o Partido tem mais influência, não haveriam empresários comunistas. Mas, mesmo nos de menor influência, o PCP conta com pequenos e médios empresários, filiados ou simpatizantes, que inclusivamente têm, também, em tal ou tal autarquia, até do PSD, contratos obtidos por adjudicação directa. Não faltava mais nada que autarquias em que a CDU tem maioria não contratasse empresas lideradas por comunistas ou simpatizantes , só por serem comunistas...
Por muito que lhes custe, o PCP é diferente, tem princípios, e não abdica deles. Se os casos são ilegais, como disse uma jornalista cretina, carreirista, em ar inquisitorial e de juíza (ver gravação feita pela Câmara do Seixal), porque razão não é movido aos respectivos presidentes das câmaras um processo, porque razão o Ministério da Administração Interna ou o Ministério Público não intervêm? Será porque estão nas mãos dos comunistas? Certamente que uma operação mãos limpas não só atingiria em cheio os partidos do centrão, mas também várias empresas jornalísticas e jornalistas. Bastava até que o saco azul do BES falasse... Eles sabem que uma mentira várias vezes repetida em grandes meios de informação pode convencer muita gente, designadamente os que já há muito estão tocados pelos preconceitos. Pode confundir e "convencer", mas não deixa de ser mentira. E quem tem a consciência tranquila, está certo da sua razão e da justiça da sua luta, não se intimida com tais falsificações e provocações. Diz o nosso povo que a verdade vem sempre ao de cima, como o azeite. E, mais tarde ou mais cedo, é que acontece, para vergonha dos mercenários da informação, que se prestaram a este sujo trabalho, autênticos «cães de guarda do grande capital». Quanto à particular sanha da TVI, neste momento, ela não está desligada do caso Goucha – entrevista fascista, que o PCP contestou e criticou com veemência e levou o caso à Assembleia da República.
A luta pelas audiências com a SIC e a presença de históricos e fanáticos anti comunistas na Estação desde logo com o casal Moniz, explicam o desvario desta ex-estação da igreja.

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/portugal-o-inimigo-principal.html

Crimes que não têm reparação

(Francisco Louçã, in Expresso, 23/02/2019)

LOUCA3

A Igreja não pode continuar misógina nem machista. Onde é que está que as mulheres não podem presidir à Eucaristia?


Se alguma das leitoras ou leitores desta coluna alguma vez abriu um livro de David Lodge, e até adivinho que muitas pessoas o fizeram com gosto, terá encontrado a amarga ironia de um casal de católicos ingleses a quem era proibido o uso de contracetivos nos anos de 1950 e de 1960, pelos dizeres das suas autoridades religiosas, aliás contra o que já era norma para a maioria da população, menos exposta a poderes tão fanatizados. A ginástica do registo das temperaturas para tentar adivinhar o ciclo da mulher e a restrição sexual adivinhatória deram a Lodge algumas das suas melhores páginas, mas certamente também muitas frustrações ao longo da vida do casal. Com bonomia e um humor avassalador, o escritor descreve esse mundo de voyeurismo dos padres sobre a sua vida, com as punições, confissões e castigos contra a prevaricação, e de proibição terminante do maior de todos os males, o princípio da tentação, a contraceção.

Ao concentrar tanta da sua energia no controlo estrito sobre a sexualidade dos seus paroquianos, a Igreja Católica chamou sobre si a atenção que agora revela a dupla hipocrisia do crime e da proteção ao crime contra as crianças (e freiras, acrescenta o papa Francisco) que foram sendo vítimas de abusos sistemáticos ao longo de gerações e porventura em todos os países. É para responder a esse manto de crime e de vergonha que se reúnem por estes dias, em Roma, os presidentes das conferências episcopais, forçados a encarar as vítimas.

AI DE QUEM

Citando palavras da Bíblia, o teólogo Anselmo Borges lembra a condenação por Jesus: “Ai de quem escandalizar uma criança. Era preferível atar-lhe a mó de um moinho ao pescoço e lançá-lo ao fundo do mar”. O hediondo destes crimes não é só o acontecimento em si ou a sua repetição, com o cortejo de vítimas que foi deixando pelo caminho. É também o encobrimento que permitiu a sua banalização, ou até o fechamento que manteve o poder de instituições em que a prática do crime era liberalizada. Por isso, é de facto a Igreja Católica que está em julgamento e Francisco assume-o com honestidade.

E é aqui que entra a tristeza escondida no humor de David Lodge. Ele não escreve sobre crimes e abusos. Escreve sobre o mal-estar, sobre a prepotência, sobre a vigilância sexual, um exercício que as regras da Igreja foram indicando aos seus sacerdotes, que as impuseram com devoção aos paroquianos. Ou seja, milhões de pessoas conheceram este tormento da confissão sobre a sua vida sexual e perceberam a obsessão de tantos sacerdotes com esses pecados. Há portanto duas razões poderosas que atualmente multiplicam o escândalo, além do crime contra as crianças e mulheres: a prosápia de pureza que protegia a abominação e a forma como a instituição salvaguardou os seus da acusação de abuso, se é que não criou mesmo uma cultura de culpa para calar as vítimas.

NÃO ESTÁ RELACIONADO?

Com essa cultura, o crime estendeu-se a muitos casos e serão bastantes os padres da Igreja Católica no banco dos réus, até se adivinhando que muitos mais virão a lá chegar. Em Portugal, só duas condenações, incluindo a do ex-vice-reitor do seminário do Fundão, a dez anos de prisão por abuso sexual, em 2013. Mas a pergunta que se impõe é esta: eram só as regras da inquisição no confessionário ou da punição da vida sexual como pecado que levavam a este sentimento de poder por parte de tantos padres?

Anselmo Borges responde que não. Diz ele, numa entrevista desta semana ao “Público”: “Já escrevi, citando um grande sociólogo, Javier Elzo, professor numa universidade jesuíta, que 80% ou mais do clero, padres e bispos em África estão a ter uma vida sexual aberta. Não esqueçamos que Jesus entregou o celibato a uma opção, à liberdade; portanto, a Igreja não pode impor isso como lei. E o abuso das freiras que agora o Papa também denunciou é a prova de que o celibato leva a vidas duplas. (…) Como a recusa da ordenação das mulheres, o celibato não faz sentido. Jesus tinha discípulos e discípulas. A Igreja não pode continuar misógina nem machista. Onde é que está que as mulheres não podem presidir à Eucaristia? O cardeal D. José Policarpo chegou a dizer isto, simplesmente foi chamado ao Vaticano”. Se assim for, o celibato e a assunção de um poder social que considera as mulheres como subordinadas contribuirá, em muitos casos, para projetar uma vida tormentosa, incapaz de lidar com a pulsão sexual.

Olhando para trás, percebe-se o absurdo destas proibições, como a do celibato, só proclamada mil anos depois de Jesus, no Concílio de Latrão, em 1123, e reafirmada no século XVI no de Trento (mas tinha havido pelo menos um Papa casado entre as duas reuniões). No caso do sacerdócio das mulheres, é “sentença definitiva”, determinava João Paulo II (e Francisco repete-o), é mesmo um dos “delitos mais graves” segundo a lista da Congregação para a Doutrina da Fé.

Bem sei que um ateu que se mete nestes assuntos será maltratado por isto ser exclusivo de quem professa obediência. Mas até onde é que levou a obediência a estas regras?


 O sortilégio da eu-sociedade

O Facebook já inclui 2200 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos, 72% da população entre os 30 e 44 anos usa-o todos os dias (a menor percentagem é dos mais de 65 anos, ainda assim 54%). No mundo, o YouTube é usado por um pouco menos, 1900 milhões, o WhatsApp por 1500 milhões. Em Portugal, usam o Facebook mais de 50% dos residentes entre os 15 e os 64 anos. Ou seja, não é para amanhã, o modo de comunicação entre as pessoas já mudou. Mudou para a política, como se descobriu com o sucesso das campanhas de Trump e de Boslonaro, ou como ainda só começa a ser ensaiado em Portugal, mudou com a Cambridge Analytica a capturar e a usar 90 milhões de perfis em promoções eleitorais, mudou com o uso de exércitos de robôs que criam a ilusão de consenso em torno de notícias e de argumentos, policiando a internet com palavras-chave e tiros de canhão, mudou com a sensação de que, no mundo da mentira, todo o sucesso é possível. A isto alguns têm chamado a eu-conomia, atentos às suas potencialidades para a publicidade, mas é mais a eu-sociedade que se está a construir — só que sem o eu.

Segundo as análises da Common Social Media, a maioria dos adolescentes diz ter sido assediada no FB. Mas do que não se dão conta é do que acontece quando não são ameaçados: vivem uma sociabilidade intensa mas sem relação face a face com outros (em 2012 metade dos jovens entre os 13-17 anos dos EUA preferia a interação direta, agora só 32% a desejam). O que significa que perdem a capacidade de aprendizagem emocional em circunstâncias diversas e perante pessoas, mesmo que comuniquem com perfis, que podem ser verdadeiros ou falsos. Esta é uma sociedade virtual no rigoroso sentido da palavra. Mas há ainda outra consequência: é que estes adolescentes, e mesmo os outros adultos ou idosos que mergulham neste meandro, e são muitos, passam a aceder exclusivamente a um mundo de informações sem qualquer intermediação que não seja a da tecnologia de criar emoção e, portanto, de efabular. Se, em Portugal, um youtuber de sucesso já tem mais visualizações do que o telejornal mais visto, aqui está um incentivo poderoso a multiplicar a emotividade de cada prestação: ela deve chocar e impressionar. Para que esse youtuber mantenha a sua carreira de sucesso, tem de ser espampanante e criar hábito de consumo. Um dos efeitos deste sucesso, aliás, é que alguma comunicação social está a imitar o modelo, e já temos até um programa em canal de grande audiência que segue precisamente este padrão, a que alguns antiquados chamariam populista.

Assim, talvez sem darmos conta, se vai formando uma nova sociedade. Dentro de cinco anos, haverá jovens a chegar à universidade que nunca abriram um jornal nem olharam um telejornal. Mas terão muita comunicação, a do boato, a da intriga, a dos ódios e dos amores de fulano de tal (a coisa é ainda mais complicada, dado não ser seguro que, se costumarem ver alguma comunicação social tradicional, não alcancem o mesmo hábito). Para a economia de mercado, é uma oportunidade de ouro e adivinho que a publicidade vá mudar para narrativas tremendas que formem clãs em torno de produtos. Para a política, é a ameaça da feudalização dos sentimentos. Para a vida, que ainda importa mais, esta economia da solidão é uma fantasia viciante e perigosa. Chama-se mundo novo.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

AS ROUPAS NOVAS DO REI E O NOVO MACCARTISMO

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No chamado mundo «Ocidental», os media corporativos estão todos basicamente sob controlo, no mais completo sentido da expressão: financeiro, ideológico, de propaganda... Todos eles se põem em bicos dos pés para reproduzir a visão completamente distorcida do que são, hoje em dia, a Rússia e China, assim como outros países que se têm aliado em vários continentes a estas duas potências.  O mais grotesco nestes media é que eles se assumem como cães de fila dos globalistas ocidentais, acusando quaisquer indivíduos ou organizações de «fazerem o jogo» dos russos. Antes, era a mesma coisa, na era do Maccartismo, quem fosse acusado de ter simpatias pela «Rússia soviética» era logo banido e excluído. Assim, um número enorme de jornalistas, actores, professores, investigadores, ou outros profissionais, tiveram as suas carreiras completamente destruídas, quando não mesmo as suas vidas, pois muitos se suicidaram.  Hoje em dia, está-se a criar um mito de que pessoas dissidentes do globalismo capitalista ocidental, ao terem uma análise que coincide com a posição da Rússia ou da China sobre determinado assunto, estão necessariamente «a soldo» destas potências.  Esta «presunção de culpa» é grave, na medida em que, não apenas atacam de forma vil e falsa muitas pessoas pelas suas opiniões (perfeitamente legítimas), como instituem uma forma de exclusão, de censura, de toda uma parte do espectro político ideológico, que eu situo sobretudo na esquerda não capitulacionista, na esquerda que não foi comprada pelos Soros e Cia. Alguns elementos conservadores, curiosamente, também se têm posicionado de forma muito crítica ao imperialismo americano e à vassalagem dos países da NATO.
Compreendo que o controlo da narrativa se revista de  importância estratégica para os defensores do Império. Sem dúvida, existe uma lógica subjacente a isso: evitar que surja e se afirme uma corrente forte na opinião pública, que não se deixe manipular pela propaganda corporativa.    Tal como a criança, que no conto de Andersen, gritou «o Rei vai nu», aquelas personalidades podem ter um papel catalizador e clarificador das consciências confusas, adormecidas. Daí que os media ao serviço do Império façam «black-out» de tudo o que lhes diga respeito, ou deformem até à caricatura suas posições e pontos de vista. Isto está a tornar-se, nos últimos anos, um processo corriqueiro dentro do «mainstream». Acredito que apesar das suas técnicas sofisticadas de guerra psicológica, eles não possam moldar as consciências totalmente (embora o desejassem): é que a realidade encarrega-se de contradizer, mais e mais, essas construções ideológicas. 
As mulheres e os homens inteligentes vêem as contradições e adoptam uma postura crítica.   

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Três anos sem aprender

«Proverbial
hipocrisia», disse ele


No editorial do «Público» de hoje, Manuel Carvalho, referindo-se à moção de censura do CDS sublinha que«era um dado morto, já se sabia por causa da proverbial hipocrisia da esquerda que diz horrores do Governo mas que lhe dá a mão sempre que o Governo quer aprovar orçamentos ou está em apuros».

Por falta de pachorra não vou repetir aqui os esclarecimentos que, em todas as semanas dos últimos três anos, o PCP tem feito sobre a natureza da actual solução governativa e respectivas vantagens e limites.

Proponho apenas que os leitores imaginem que editorial teria hoje publicado Manuel Carvalho caso PCP, BE e Verdes tivessem ontem votado a favor da moção de censura do CDS.

E talvez assim se descubra melhor onde estaria verdadeiramente a hipocrisia.

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Parlamento discute recuperação dos CTT

A privatização dos Correios pelo governo do PSD e do CDS-PP levou à degradação dos serviços e ao fecho de balcões em 33 concelhos até 2018. A necessária recuperação do controlo público vai hoje ao Parlamento.

O contrato de concessão termina em 31 de Dezembro de 2020Créditos / União dos Sindicatos de Évora (CGTP-IN)

São do BE, do PCP e do PEV os projectos de lei que serão discutidos esta tarde na Assembleia da República pela devolução da empresa à esfera pública face ao incumprimento da concessão do serviço postal universal. 

De acordo com o diploma do BE, que procede à nacionalização dos Correios, «a estratégia da administração dos CTT é centrar a actividade nos negócios lucrativos», transformando a rede de distribuição postal «numa rede de agências do Banco CTT». 

Os bloquistas entendem que «decidir a nacionalização» dos Correios até ao final da presente legislatura é «o único caminho de, nas condições actuais, ainda ser possível resgatar para o Estado a propriedade e a gestão do serviço público universal dos correios».

Por sua vez, o PCP considera que «é imperioso e urgente que o Estado adquira a capacidade e a responsabilidade pela gestão da empresa, para garantir a sua viabilidade futura e para que volte a ter condições para prestar um serviço que o País, as populações e os seus trabalhadores exigem».

Por motivo de «salvaguarda do interesse público», o projecto de lei do PCP «estabelece o regime de recuperação do controlo público da empresa CTT», ficando o Governo obrigado a criar as condições necessárias para que a recuperação do controlo público dos CTT seja realizada livre de ónus e encargos, sem prejuízo do direito de regresso quando a ele haja lugar», refere o PCP, sublinhando a necessidade de suspender a negociação de acções dos Correios. 

«É criada uma unidade de missão, a funcionar junto do Governo, com a responsabilidade de identificar os procedimentos legislativos, administrativos ou outros que se revelem necessários ao cumprimento das disposições da presente lei, dotada dos necessários recursos humanos e técnicos», lê-se no documento.

Para o PEV, é tempo de «assumir o enorme erro» que foi privatizar os Correios e «reverter a situação». Os Verdes sublinham que, «mesmo com a evolução a que assistimos nos últimos anos, os CTT não perderam a sua importância, continuando a ser um factor de promoção da coesão territorial e de combate às desigualdades». 

«Tem sido por demais evidente a degradação da qualidade do serviço de correios, em benefício do Banco CTT. Não se estranha, por isso, que durante todo este processo tenhamos assistido a uma incansável luta por parte das populações e dos trabalhadores no sentido de reinvindicar um serviço de correios à medida das necessidades do País», lê-se no documento.

Subcontratação a preços reduzidos

No passado mês de Janeiro, a Anacom indicou que era «expectável» que o número de concelhos sem estações de correio suba para 48 no curto prazo, contra 33 no final de 2018. Sendo de notar que, até 2017, e desde 2013, «existiam apenas dois concelhos sem estações de correios». 

Termina esta quinta-feira a consulta pública sobre a decisão da Anacom, que quer obrigar os CTT a garantir o funcionamento em cada município de pelo menos uma estação ou um posto de correio equivalente. A fasquia do regulador fica-se pela garantia de que a transferência dos serviços para estabelecimentos comerciais, como cafés ou papelarias, atenda aos critérios previstos no contrato de concessão. 

Ouvido ontem na Comissão Parlamentar de Economia, e citado pelo Público, o presidente da Anacom, João Cadete de Matos, afiançou no entanto que tal não será possível, atendendo aos valores «muito baixos» que os CTT se dispõem a pagar pela subconcessão. Segundo Cadete de Matos, a empresa está a entregar o trabalho das estações por «13 vezes menos» do que o custo que tinham com uma estação de correio só com um trabalhador e sem Banco CTT. 

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/parlamento-discute-recuperacao-dos-ctt

Notícias malabaristas e os protagonistas...

 .
Recebo, volta não volta, notícias do Grupo Marktest. 
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Hoje chegou-me mais uma, nada surpreendente, sobre os protagonistas que preenchem as notícias. Em análise, estão os programas: Jornal da Tarde, TeleJornal e Portugal em Directo (RTP1); 24: Sumário (RTP2); Primeiro Jornal e Jornal da Noite (SIC); Jornal das 8 e Jornal da Uma (TVI).  Não há detalhe, canal a canal, mas suspeito que a ordem do ranking é igual, assim como é comum a omissão.  Afinam todos pelo mesmo diapasão... 
(no mês anterior foi pior)

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Há «camisas verdes» nas redacções

O que determinados órgãos de comunicação social estão a fazer ao PCP é miserável, mas ninguém pode achar que seja propriamente «incompreensível». E isso compreende-se da seguinte forma: todos sabem o que é que o PCP combate. O PCP é um partido histórico, fundador da democracia, com provas dadas, com quase um século de existência. O PCP levou com os estalos dessa Primeira República acossada e turbulenta. Essa República onde a direita liberal (essa dita tradicional, do «centro», institucional, moderada) foi a primeira a ser olímpica e tristemente seduzida, engolida, passivamente possuída – dando todo o consentimento – à aparição e efectivação do fascismo. Essa mesma «direita centrona» e «liberal», «modernaça», «futurista», que existe, mas que está hoje num outro patamar. Perante a passividade quase geral, está a ser não seduzida, mas ela própria a seduzir voluntariamente xenófobos, neo-nazis, fascistas, «populóides», fanáticos do capital, imperialistas.

Toda a gente sabe, pois, qual é a luta do PCP, quem faz a luta do PCP, quais são os rostos do PCP, onde e quando o PCP está para atingir os seus bem definidos e transparentes objectivos! E se o PCP luta com democratas, se luta com anti-fascistas, se os seus rostos não têm cara tapada, e se aponta a objectivos assumidos às claras, quem o ataca coloca-se diametralmente do lado oposto. E essa é a escolha que alguns meios de comunicação e seus jornalistas estão a fazer. Os que atacam o PCP são os que promovem anti-democratas destruindo a democracia, os que omitem e truncam intervenções do PCP mas entrevistam fascistas branqueando o fascismo, os que se movem ou são movidos pelos interesses instalados, os que apontam a finalidades obscuras, com processos obscuros e tudo sob a guarda do “Espírito Santo” (Ou será do Banif?).

Da mesma forma que todos são capazes de conhecer e reconhecer o que o PCP quer e o que o PCP faz, ainda que disso possam discordar, todos são capazes de perceber de igual forma o que é que combate, na realidade, aqueles que dizem que «nunca combatem ninguém», que são sempre «muito neutros», que só querem «informar», mas que cerram dentes e punhos com mentiras, insinuações e falsidades que acabam por ser desmentidas ponto por ponto. Aqueles que acham que o perigoso mundo das “fake news” – fenómeno tão antigo quanto o da própria imprensa - se resume ou se confina à abstracção das redes sociais, estando os meios ditos “tradicionais” (televisão, rádio, jornais) isentos de controlo por parte de quem quer, por sua vez, também “controlar” a opinião pública e subjugar as massas, vive ingenuamente e já é, em si mesmo, vítima da armadilha dos grandes interesses.

Ainda que no seu processo normal a História não se repita, a verdade é que não falta quem a queira repetir. E tudo a coberto dos partidos institucionais, como palco ou como rampa. É vê-los aí nas parangonas: ontem «liberais», «centrões», «moderados» candidatos a Câmaras, hoje fundadores de partidos xenófobos, homofóbicos, racistas, nazis. E se essa direita partidária já não engole porque foi há muito engolida, os que hoje são, apesar de algumas heróicas excepções, seduzidos e engolidos pela nova emergência da extrema-direita já institucionalizada e sob patrocínio «liberal», são precisamente aqueles que um dia juraram «informar» e «esclarecer» com «neutralidade» e de forma «imparcial» a opinião pública. Depois do 25 de Abril de 1974, nunca como agora o fascismo esteve tão perto de controlar a comunicação social portuguesa. Nunca.

Ver original em 'Manifesto 74' na seguinte ligação:

http://manifesto74.blogspot.com/2019/02/ha-camisas-verdes-nas-redaccoes.html

Sindicato reafirma necessidade da renacionalização dos CTT

O SNTCT voltou a defender esta terça-feira a necessidade urgente de reverter a privatização do CTT, acusando a gestão privada de estar «a dar cabo de 500 anos de correios em Portugal», com a complacência do Governo.

Os CTT foram totalmente privatizados em 2014, pelo governo do PSD e do CDS-PPCréditosManuel Almeida / Agência LUSA

«A maioria dos portugueses sabe que a privatização dos CTT foi um erro, sabem que a solução para haver um serviço postal de qualidade e universal é a reversão da privatização dos CTT», afirma o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN).

Em comunicado, a maior estrutura sindical do sector realça que a outrora lucrativa empresa do Estado, que prestava «um serviço público de qualidade» e arrecadava milhões para as contas públicas, está a ser lapidada desde da privatização, em 2015. 

«O Estado deixou de receber 311 milhões de euros, os CTT já só valem 466 milhões de euros e o serviço postal está completamente degradado e cada vez menos universal», reitera o sindicato, acrescentando ainda que a eventual renacionalização só «custaria 10% do que o Estado suporta com o BES/Novo Banco».

O sindicato realça também que «no último ano foram destruídas (encerradas) 84 estações de correios», ficaram «38 municípios sem estações de correios» e que os novos donos dos CTT querem agora alargar «este número para 48», o que vai privar ainda mais as populações do interior, sobretudo as mais idosas.

«Todos, populações, comércio e empresas, têm denunciado a falta de qualidade e o atraso com que o serviço de correios é prestado», lembra o SNTCT, que denuncia que a «a passagem das estações de correio para as Juntas de Freguesia» não é mais que uma transferência de encargos suportada pelas autarquias.

Perante isto, os representantes dos trabalhadores reafirmam a necessidade urgente da renacionalição dos CTT e reiteram que «quem tem o dever e o poder para resolver a situação é o Governo». Porém, «estão a arranjar desculpas, a empatar, a “chutar” para o Regulador, a enganar os portugueses, com medo de afrontar os interesses financeiros», denuncia.

Anacom acusa CTT de divulgarem «informação enganosa»

A Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) acusou ontem os CTT de divulgarem «informação enganosa» quanto à evolução do número de reclamações apresentadas pelos consumidores em 2018.

Em comunicado, o regulador garantiu que «solicitou esclarecimentos aos CTT sobre a informação que suportou o seu comunicado, tendo os elementos recebidos no dia 18 de Fevereiro permitido confirmar que os CTT divulgaram informação enganosa».

Em causa está uma nota de imprensa, divulgada pela empresa, que dava conta de que «as reclamações totais de serviços postais recebidas pelos CTT caíram 7% em 2018, face a 2017», quando a Anacom, no mesmo dia, tinha revelado que «as reclamações sobre o sector postal aumentaram 43,3% em 2018, passando de 16 mil em 2017 para 22,9 mil em 2018».

Com agência Lusa

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/sindicato-reafirma-necessidade-da-renacionalizacao-dos-ctt

Armando Vara e as algemas

(Por Carlos Esperança, 05/02/2019)

algemas

Estou tão habituado, desde sempre, a ser minoritário nas posições que tomo e princípios que defendo, que me surpreendo quando encontro unanimidade nas opiniões que emito.

A prisão de Armando Vara, condenado a cinco anos de prisão efetiva, não me admirou, tal como não me admiraria se fosse o dobro ou metade. Penso que os juízes, salvo raras exceções, são competentes e aplicam penas adequadas. Tenho, aliás, boa impressão dos magistrados portugueses, que nunca confundi com os sindicalistas que os representam, de quem tenho opinião inversa.

Armando Vara é, felizmente, para poder condenar as algemas com que as televisões se deleitaram, uma pessoa que me é completamente indiferente, e as algemas um ato que pode ser legal, mas, na minha opinião e sensibilidade, manifestamente indigno.

Desconheço a legislação e quero escrever este texto sem ser influenciado pela lei. O que me repugna é a humilhação gratuita de um ser humano. Os crimes económicos não são menos reprováveis do que os crimes de violência física ou mesmo de homicídio, mas a perigosidade dos autores, para os guardas e transeuntes, em termos de integridade física, é substancialmente diferente da dos assassinos.

Recordo-me dos castigos medievais e sei que o nosso Código Penal não admite a tortura e outras formas de violência física sobre os presos. Sei também que as polícias devem usar a força adequada às necessidades e, jamais, agredir um indivíduo depois de preso.

Armando Vara pode ser o mais execrável dos criminosos, mas não teria medo de passar por ele, durante a noite, numa rua escura. Ricardo Salgado é provavelmente, se vierem a provar-se os crimes de que é suspeito, o maior dos criminosos, e não gostarei de o saber algemado a caminho da prisão, com fotos nos jornais e filmagens para as televisões.

Um preso não pode ser espoliado de todos os direitos humanos nem ser amarrado a um pelourinho. Repugna-me mais a exibição gratuita de uma humilhação do que a incúria que tem poupado à prisão os autores de delitos fiscais e económicos.

Se há alguma lei que exija algemas aos presos, nas suas deslocações, sem uma entidade que previamente verifique a perigosidade e perigo de fuga do delinquente, é uma lei que envergonha um país civilizado. A pena é a restrição da liberdade, não é a humilhação pública. Se há lei que o permite discricionariamente ou por sistema, deve ser revogada.

Penso que a alegria dos que se regozijam com a humilhação alheia, que não se confunde com a pena para punir o crime, por mais hediondo que seja, é porque certamente já foi vítima de humilhações.

As fotografias na imprensa são a obscenidade feita informação. Qualquer dia os presos são apresentados ao juiz acorrentados, algemados e amordaçados.

Voltamos à Idade Média.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Sobre como (realmente) vai o Mundo, ler tudo no "LADO OCULTO" - 22

CONHEÇA O GOLPISTA DA VENEZUELA

O Lado Ocultodá hoje a conhecer em pormenor quem é o golpista Juan Guaidóque se autoproclamou presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e Chefe de Estado sem ter sido eleito para nenhum dos cargos. É uma resenha de 15 anos de conspiração sustentados pelo governo dos Estados Unidos, desde a formação em terrorismo e "revoluções coloridas" na Sérvia aos "estágios" nas arruaças sangrentas designadas "guarimbas", à manipulação de lugares em órgãos institucionais até chegar à "presidência", depois de receber um presidente do vice-presidente dos Estados Unidos. 
Conheça assim o indivíduo que recebeu do governo português o reconhecimento da "legitimidade" da usurpação.
Estão disponíveis mais textos sobre a situação na Venezuela, desde a história do telefonema do vice-presidente Pencedando ordem para Guaidó avançar, a carreira sangrenta e criminosa de Elliot Abrams, o enviado de Trump para o golpe e a evocação do humanista e cientista europeu Alexander von Humboldt, um homem que há mais de 100 anos conhecia melhor a América Latina que os sociopatas que estão a conseguir governá-la.
Falamos também de guerra, mesmo de guerra nuclear, que poderá ser o caminho por onde vão os Estados Unidos ao abandonarem o Tratado INF, sobre proibição de mísseis de médio alcance.
Guerra também para continuar no Médio Oriente, onde a recente criação da Missão da NATO no Iraquepode conter a unificação de um conflito neste país e na Síria, ameaçando o Irão.
Guerra ainda quando os Estados Unidos dão fuga a terroristas do Daeshque estavam em poder dos Talibã, no Afeganistão; ou quando Emmanuel Macron decide enviar tropas e armas para a Síriapara compensar os meios militares que os Estados anunciaram retirar, sem o concretizar.
Não perca também os antecedentes e a realidade do rebentamento da barragem de Brumadinho, no Brasil, um país, de facto, atolado na lama do seu aparelho de gestão.

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

Lapidar

jornalismo01

«O jornalismo editorialista, governado pelos editocratas (um neologismo surgido em França há alguns anos e que serviu de título a um livro colectivo), anula a função crítica do jornalismo e funciona segundo a lógica do entretenimento: promove a encenação de polémicas e debates que funcionam em circuito fechado, segundo uma tendência endogâmica, tautológica e mimética que atinge os cumes da exasperação quando há um acontecimento ou um assunto actual que polariza as atenções. Nesses momentos, impera um espírito de rebanho e o espaço mediático é varrido por uma onda avassaladora que cresce e desaparece. O jornalismo torna-se então uma caricatura, uma engrenagem autotélica que funciona para se alimentar a si própria, como o homeostato de Ashby. Alguém chamou a isto “comunicação autística”. Cria-se assim a ilusão — uma das maiores ilusões do nosso tempo — de que este jornalismo cria um espaço público alargado, próprio de uma sociedade transparente, quando na verdade a reduz na sua amplitude e no seu alcance.

[…]

A dança e circulação frenética de directores e editores, nas principais empresas de comunicação social (em todo o mundo e não apenas em Portugal), devem-se em grande parte ao facto de as funções directivas na esfera editorial terem perdido autonomia em relação aos órgãos de gestão administrativa. E isto não é um facto sem consequências: perante um público esclarecido e atento, o jornalismo entrou num processo de perda de legitimidade e tornou-se permeável a interesses que não são apenas político-ideológicos. O triunfo de um pragmatismo estrito — e afinal sem grandes resultados — em resposta aos desafios que os antigos media de massa hoje enfrentam e a obediência a um modelo que projecta o jornalismo, no sentido mais lato, ao serviço do cliente (e daí a deriva culturalmente populista dos media, mesmo daqueles que têm uma vocação mais elitista, e a cumplicidade com a indústria do entretenimento), retirou ao jornalismo a sua dimensão de projecto cultural. E é por esta ausência que ele se desmorona por todos os lados e se torna um instrumento de implosão e asfixia — e não de vitalidade — da chamada sociedade civil.»

Rezar pelo jornalismo

Leia o original em "Aspirina B" (clique aqui)

Recordações da Casa Amarela

Por causa da especificidade da sua função, é comum confundir os jornalistas com os meios de transmissão impessoais que utilizam, e esquecer que cada intrépido repórter coexiste no mesmo corpo com um ser humano, muitos deles com sentimentos. É portanto de louvar o profissionalismo exibido nesta semana por toda a equipa de informação da SIC, que, mesmo ocupadíssimos com a sua mudança de instalações, conseguiram manter-nos permanentemente informados sobre a grande notícia da semana: a sua mudança de instalações. Enquanto o resto da imprensa se distraía com Venezuelas, debates parlamentares e outros flocos de espuma, a SIC soube focar-se no essencial - um grupo de pessoas ia sair de um edifício e entrar num edifício diferente, a sensivelmente nove quilómetros de distância.
Violinos. Imagens de arquivo. "A SIC mudou... saiu da zona de conforto... e arriscou." Rodrigo Guedes de Carvalho, não deixando que o tumulto deteriorasse o seu sentido de rigor, apresentou os factos cronológicos, geográficos, arquitectónicos e cromáticos em apreço: "Durante 26 anos, a SIC morou aqui, na Estrada da Outurela, número 119. O edifício conhecido pelas paredes... de tijolos. Uma casa... amarela."
O Jornal da Noite apresentou uma montagem subordinada ao tema "dias de agitação". Drones mostravam panorâmicas de um palácio de cristal nas terras exóticas de Paço de Arcos. Um operador de câmara interrompeu o que parecia ser uma acção de formação sobre o funcionamento de edifícios. Perante uma plateia atenta e curiosa, um perito em portas apontou para uma porta e explicou que se tratava de uma porta. Depois veio o esclarecimento adicional, através da qual o esclarecimento anterior foi semanticamente enriquecido: "É apenas uma das portas. Há outras."
O sentido de turbulência histórica foi transmitido através de imagens de pessoas a transportar caixotes de um lado para o outro, como decerto acontecia na Fortaleza de Sagres antes de partirem as primeiras naus. Mas questões logísticas importantíssimas eram resolvidas recorrendo a princípios científicos de vanguarda. "Venho eu... o computador... os dossiês... o bloco e as canetas...?" "E a cadeira." "A cadeira também?" Raramente o grande público tem acesso aos bastidores da História com "H" grande, mas aqui estava ela a acontecer à nossa frente: na imagem seguinte, uma cadeira foi de facto empurrada ao longo de um corredor. Nada é deixado ao acaso em operações desta natureza.
Numa visita guiada às novas instalações, Clara de Sousa serviu de cicerone a Cristina Ferreira, que se auto-impôs a nobre tarefa de enumerar os aspectos da realidade sobre os quais as pessoas comuns não têm noção: o mundo das régies ("A régie é um mundo que as pessoas não têm noção do que é"), a seriedade do jornalismo ("Eu acho que as pessoas às vezes não têm noção de que o jornalismo é muito sério"), etc.
No dia seguinte, Bento Rodrigues conseguiu a proeza fisiológica de aplicar maiúsculas à palavra "FUTURO" apenas com o seu timbre de voz. Nos tons ofegantes de quem testemunha o módulo lunar a aproximar-se do mar da Tranquilidade, falou de uma "redacção nova, mais tecnológica, e ainda com mais talento". Seguiu-se um directo a partir da tecnológica e talentosa redacção. "Como se vive aí o ambiente, Joana?" O ambiente vivia-se com uma produtora a agachar-se diante de uma máquina de café e a explicar à Joana que tinha desenvolvido um sistema revolucionário de armazenamento de víveres. "Trouxe três caixas. Uma para o café, uma para o chá e outra para o açúcar."
"Tu estás muito emocionada, não estás?"
"Sim, porque isto é... isto é o futuro."
Eram 13.21. O olho da História fitava-nos.
João Moleira foi incumbido de resgatar às paredes abandonadas de Carnaxide um documento simbólico. "Esta... é a primeira licença de emissão da SIC... E Bento... vou levá-la até ti, porque é aí que ela faz falta agora."
"Que bela ideia, João. Porque a vida é feita de símbolos... como esse que tu nos vais trazer. Além do mais, esse papel que autorizou a SIC a ir para o ar remete-nos para o espírito fundador... uma televisão que revolucionou a própria televisão... um sopro de democracia no país..."
Tolhido pela emoção, mas com o documento mais importante desde a Magna Carta devidamente aconchegado na axila, João Moleira encaminhou-se para a saída. "Costuma dizer-se que o último a sair apaga a luz. Aqui as luzes já foram apagadas, resta-me sair uma última vez por esta porta", anunciou solenemente, deixando atrás de si vários funcionários atarefados e uma recepcionista rodeada de luzes acesas. No novo estúdio, Bento Rodrigues continuava a executar empolgantes acrobacias silábicas com o vocábulo "futuro": "O fU-tU-Ro é agora... em Paço de Arcos."
O futuro assemelhou-se muito ao passado recente, permitindo que instrumentos tecnológicos de última geração fossem aplicados à missão tradicional do jornalismo televisivo: acompanhar em directo o percurso de veículos automóveis, enquanto alguém relata com precisão científica aquilo que estamos a ver.
13.37: "O João está já na recta final... a nova morada da primeira televisão privada em Portugal... Está a chegar a Paço d"Arcos, como podem testemunhar nestas imagens... fazendo a rotunda que permitirá depois entrar nas novas instalações da SIC.... Uma vida nova... num dos mais fortes grupos de comunicação do país... que tem sobretudo a independência e a isenção, além da criatividade, como marcas principais.... o carro já está a chegar..."
Chegado ao destino, o portador do documento foi recebido à entrada pelo pivô: dois homens abraçados nos degraus de um novo mundo, com o sentido do dever cumprido, como Lewis e Clark, como Ivens e Capelo. A licença de emissão foi colocada num tripé. "É um papel... mas é muito mais do que um papel." Cabeças acenaram vigorosamente. O país, exaustivamente informado, podia respirar fundo e descansar.
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Marques Mendes?

Notícia importantíssima que me teria escapado se não estivesse a ler o Expresso de hoje. Ai se o Alexandre O’Neill ainda por cá andasse…
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Notícias feitas à pressa?

Recorrendo a dados do Eurostat, o JN destacou na capa da edição do passado domingo que «os contratos precários aumentaram 1,8 pontos percentuais entre 2008 e 2017» em Portugal, sendo que à escala europeia «só a Croácia apresenta um valor superior», com «um aumento de 3,6 pontos percentuais», no mesmo período. Reproduzida por outros jornais (por exemplo aqui, aqui, aqui ou aqui) e nos noticiários do dia, a peça do JN tem contudo dois problemas. Por um lado, porque mesmo fazendo referência a esse facto, não retira as devidas ilações da quebra de série estatística verificada em 2011, que inviabiliza a interpretação dos dados feita pelo periódico. Por outro lado, porque não sendo essa quebra de série nada irrelevante (os valores para Portugal mais que triplicam de um ano para o outro), é dispensada na notícia a referência à redução do peso relativo do trabalho precário - e não o seu aumento - entre 2011 e 2017. Ou seja, uma diminuição em cerca de -0,7 pp nos anos que compõem a série estatística mais recente.
De facto, a aproximação dos critérios utilizados pelo INE aos critérios utilizados a nível europeu, a partir de 2011, mostra que este indicador da precariedade laboral estava subavaliado até essa data, em termos comparativos (passando Portugal a posicionar-se acima da UE, ao contrário do que sucedia até 2010). Mas mostra também que, desde então, essa forma de precariedade tem vindo a diminuir (e a aproximar-se da média europeia, que se mantém em torno dos 2,3% entre 2011 e 2017), passando de 3,6 para 2,9%. O que permite uma leitura bem distinta (e distante) dos títulos que povoaram os jornais no início da semana, a apresentar Portugal como um «dos países europeus onde o trabalho precário mais subiu», ou como um país onde os «contratos precários aumentam 1,8 pontos percentuais entre 2008 e 2017».

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

João Miguel Tavares

Quando num semanário como o Expresso, que se diz de referência, se lê isto, julgo que estamos conversados quanto ao que nos espera em tempos «popularuchos» que se avizinham.
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Marques Mendes (MM) e os seus paradoxos

(Carlos Esperança, 25/01/2019)

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O ex-líder partidário que faz do tráfico de informações privilegiadas um modo de vida, que compromete o Conselho de Estado, para onde foi nomeado pelo PR, pelas opiniões que emite, que faz da sua tribuna televisiva um instrumento de combate ao Governo, na defesa das teses da direita, esqueceu-se de que já tutelou a RTP onde foi constante a sua interferência no alinhamento dos noticiários e influência nos conteúdos. Talvez, por isso, tema nos outros aquilo de que foi capaz no consulado cavaquista.

Marques Mendes, ex-líder do PSD, foi corajoso quando retirou a confiança partidária a Isaltino Morais e Valentim Loureiro, timorato na Câmara de Lisboa e cobarde perante Alberto João Jardim, cujos desmandos não teve coragem de afrontar, mas, antes de se dedicar aos negócios e à intriga aparentava grande honestidade e uma coluna vertebral direita, independentemente das opções partidárias.

Hoje, ignora-se se MM é a vuvuzela de Belém, intriguista por conta própria ou acumula.

Na penúltima homilia televisiva, o bruxo de Fafe, cujas diatribes têm eco na imprensa escrita, rádio e redes sociais, ou não refletisse ele os interesses de quem lhe paga, levou a baixeza ética de comentador ao nível do arruaceiro partidário, e disse:

1 – “Armando Vara é apenas uma ponta do icebergue de uma rede muito poderosa que durante 20 anos, ou mais, existiu em Portugal” .

2 – “Armando Vara, para ajudar a destruir a CGD e o BCP, não teve apenas o aval de Sócrates. Teve também a aprovação do Banco de Portugal”.

a – Ninguém ignora a lepra da corrupção e a necessidade de ser investigada e punida e, no que diz respeito a Armando Vara já está preso, contrariamente a governantes do PSD e CDS que não passaram os últimos 20 anos fora do poder. Nem agora, na oposição.

b – A denúncia da corrupção é um dever, e que bom seria que a corrupção fosse apenas de militantes do PS e o denunciante, em vez da intriga, apresentasse factos e não tivesse cadastro!

Ignora que foi o atual Governo que pediu a auditoria à CGD, que o governador do BP, reconduzido por Passos Coelho, sem consulta ao PS, como era tradição, recusou pedir? Ignora que foram os seus correligionários os arguidos do BPN? Em questão de Bancos MM mostrou o que sabia quando disse em 12 de julho de 2014 (SIC-N): «O banco [BES] é sólido, não há perigo nenhum para as pessoas», acompanhando o seu medíocre mentor, ao tempo PR.

Deve ter frequentado aulas de ética com um ex-vice-presidente do PSD, o Sr. Joaquim Coimbra, que o empregou em uma ou várias das suas numerosas empresas e adquirido os princípios éticos com que foi gerido por um seu colega de governo o BPN. O próprio BCP foi criado a convite do PM Cavaco Silva por um proeminente membro do Opus Dei, Jardim Gonçalves, e a sua gestão continuou com outro membro do PSD e do Opus Dei, Teixeira Pinto. Quanto à CGD, repito, foi este governo que pediu a auditoria e que procura apurar responsabilidades e entregar eventuais delinquentes à Justiça.

E quanto à sua honorabilidade, de quem se esqueceu dos submarinos, dos sobreiros, do condomínio do BPN na praia da Coelha, das privatizações da ANA, CTT, EDP, Galp, PT e outras, das mais valias de ações das SLN, não cotadas em Bolsa, e tantas outras tropelias, vale a pena recordar o seu próprio caso:

«O Fisco detetou vendas ilegais de ações da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra, em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As ações foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões.» (aqui).

É difícil ser paquete de Belém sem comprometer o inquilino, mas não é saudável para o País a guerrilha feita através de fauna necrófaga, com propaganda sob o pseudónimo de ‘opinião’. Marques Mendes, vuvuzela da direita, é um dos muitos avençados pagos para a intriga e ataques à esquerda, este em equilíbrio difícil entre divergências que corroem os partidos de direita e os recados de Belém.

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Os CTT, as privatizações e a destruição de um país

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 24/01/2019)

Daniel

Daniel Oliveira

No ano passado, já eram 33 os municípios que não tinham uma única estação de correios. Este ano, segundo a administração dos CTT, passarão a ser 48. Concelhos do interior envelhecidos onde os cidadãos mais dependem deste serviço. São mais de 15% dos municípios onde residem mais de 400 mil portugueses. Estas estações foram substituídas por postos de correio que funcionam em estabelecimentos comerciais, como mercearias ou postos de turismo. Apesar da administração que tem sido responsável pela descredibilização de uma das empresas que melhor funcionava em Portugal pôr as mãos no fogo pela qualidade dos seus “parceiros”, a Anacom diz que da substituição de estações por estes postos resultou, “particularmente ao logo dos últimos meses, uma situação de degradação na forma como o serviço postal está disponível para os utilizadores”.

No país que vive noutro país a privatização dos CTT não foi um problema. Mas o país que não acorda para o interior quando ele, deserto, sem massa crítica e abandonado, é consumido pelas chamas, esta privatização foi mais um crime contra a soberania no território, que depende da existência física de serviços públicos e do Estado.

A grande promessa da segunda vaga de privatizações (depois das que eram mais ou menos óbvias) foi a de que elas corresponderiam a ganhos de concorrência, redução de custos para os cidadãos e fortalecimento da economia portuguesa. Tudo foi esmagadoramente desmentido. Tirando uma malta que embolsou algum com estes negócios e a entrada de capital que rapidamente se esfumou, tudo o resto foram perdas. Genericamente, os serviços são mais caros; várias destas empresas funcionam, na prática, em regime de monopólio privado; e a economia portuguesa foi estripada de quase todas as suas empresas de referência. Resta-nos a patega fé no milagre das startups.

A Cimpor e PT são uma sombra do passado. A EDP foi nacionalizada através da sua entrega a outro Estado. A REN e ANA são, como não podiam deixar de ser, monopólios privados. E os CTT degradam-se a olhos vistos.

A Cimpor e PT, que foram potentes empresas nacionais, com contribuições fundamentais para a economia do país e para a sua internacionalização, são uma sombra do passado. No caso da Cimpor, podemos mesmo falar de um crime contra a economia nacional. A EDP foi nacionalizada através da sua entrega a outro Estado. A REN e ANA são, como não podiam deixar de ser, monopólios que usam o poder desse seu estatuto e que limitam dramaticamente as grandes escolhas que podíamos fazer. E os CTT degradam-se a olhos vistos, apostando tudo na construção de mais um pequeno banco – que deveria ter sido feito em conjunto com a CGD quando as duas empresas eram do Estado e isso poderia corresponder a um ganho para os cidadãos.

Hoje, qualquer pessoa que defenda estas privatizações tem de se refugiar em dogmas ideológicos. Independentemente da posição política que cada um tenha, a privatização ou nacionalização de empresas depende da realidade económica de cada país e de cada momento, da escala em que essas empresas operam e das condições políticas e regulatórias a que estão sujeitas. Claro que há quem ache que o interesse económico nacional é uma fantasia e que a destruição do tecido empresarial de um país deve ser encarada como um fenómeno natural e até regenerador. Que entre mortos e feridos, o importante é que nada trave a purificadora livre-concorrência. Nas economias fortes não se costuma dar ouvidos às fantasias destes liberais dogmáticos. É uma das razões para serem fortes: tratam, com pragmatismo, dos seus interesses.

 

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Os CTT, as privatizações e a destruição de um país

«No ano passado, já eram 33 os municípios que não tinham uma única estação de correios. Este ano, segundo a administração dos CTT, passarão a ser 48. Concelhos do interior envelhecidos onde os cidadãos mais dependem deste serviço. São mais de 15% dos municípios onde residem mais de 400 mil portugueses. Estas estações foram substituídas por postos de correio que funcionam em estabelecimentos comerciais, como mercearias ou postos de turismo. Apesar da administração que tem sido responsável pela descredibilização de uma das empresas que melhor funcionava em Portugal pôr as mãos no fogo pela qualidade dos seus “parceiros”, a Anacom diz que da substituição de estações por estes postos resultou, “particularmente ao logo dos últimos meses, uma situação de degradação na forma como o serviço postal está disponível para os utilizadores”.
No país que vive noutro país a privatização dos CTT não foi um problema. Mas o país que não acorda para o interior quando ele, deserto, sem massa crítica e abandonado, é consumido pelas chamas, esta privatização foi mais um crime contra a soberania no território, que depende da existência física de serviços públicos e do Estado.
A grande promessa da segunda vaga de privatizações (depois das que eram mais ou menos óbvias) foi a de que elas corresponderiam a ganhos de concorrência, redução de custos para os cidadãos e fortalecimento da economia portuguesa. Tudo foi esmagadoramente desmentido. Tirando uma malta que embolsou algum com estes negócios e a entrada de capital que rapidamente se esfumou, tudo o resto foram perdas. Genericamente, os serviços são mais caros; várias destas empresas funcionam, na prática, em regime de monopólio privado; e a economia portuguesa foi estripada de quase todas as suas empresas de referência. Resta-nos a patega fé no milagre das startups.
A Cimpor e PT, que foram potentes empresas nacionais, com contribuições fundamentais para a economia do país e para a sua internacionalização, são uma sombra do passado. No caso da Cimpor, podemos mesmo falar de um crime contra a economia nacional. A EDP foi nacionalizada através da sua entrega a outro Estado. A REN e ANA são, como não podiam deixar de ser, monopólios que usam o poder desse seu estatuto e que limitam dramaticamente as grandes escolhas que podíamos fazer. E os CTT degradam-se a olhos vistos, apostando tudo na construção de mais um pequeno banco – que deveria ter sido feito em conjunto com a CGD quando as duas empresas eram do Estado e isso poderia corresponder a um ganho para os cidadãos.
Hoje, qualquer pessoa que defenda estas privatizações tem de se refugiar em dogmas ideológicos. Independentemente da posição política que cada um tenha, a privatização ou nacionalização de empresas depende da realidade económica de cada país e de cada momento, da escala em que essas empresas operam e das condições políticas e regulatórias a que estão sujeitas. Claro que há quem ache que o interesse económico nacional é uma fantasia e que a destruição do tecido empresarial de um país deve ser encarada como um fenómeno natural e até regenerador. Que entre mortos e feridos, o importante é que nada trave a purificadora livre-concorrência. Nas economias fortes não se costuma dar ouvidos às fantasias destes liberais dogmáticos. É uma das razões para serem fortes: tratam, com pragmatismo, dos seus interesses.»
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AINDA SE LEMBRA COMO ERA IMPORTANTE A GRÉCIA DE HÁ QUATRO ANOS?

25 de Janeiro de 2015. Realizam-se eleições legislativas na Grécia em que, pela primeira vez, o Syriza, além de as ter vencido, quase alcançou a maioria absoluta da representação parlamentar (149 em 300 lugares), vindo posteriormente a formar governo em coligação com uma formação política nacionalista de direita. Mas a data precisa das eleições é apenas pretexto para evocar e relembrar o que aconteceu nas semanas que se seguiram entre certos círculos político-informativos portugueses, que desencadearam uma ferocíssima barragem opinativa sobre o que acabara de acontecer no outro canto da Europa. A razão de tal afã é hoje perfeitamente evidente: combater o efeito de contágio, nem que para isso, e por algum tempo e de uma forma que a distância temporal tornou ridícula, quisessem tornar a Grécia um dos países europeus mais importantes do panorama noticioso nacional. Hoje, que já se conhecem os desenvolvimentos da história (além do Syriza ter tornado a vencer outras eleições em Setembro seguinte, foi encerrado o procedimento por défice excessivo, a economia do país está a gerar excedentes primários - e tudo isso sob a égide do Syriza!), é de toda a justiça evocar quem então se prestou a emitir tais opiniões... para sobretudo compreender a quantos deles lhes assaltou, a respeito do tema, aquele sentimento - sempre nobre - da contrição. É que entre as figuras abaixo está Paulo Almeida Sande, que Pedro Santana Lopes escolheu para cabeça de lista do seu partido às próximas europeias. É para nós não nos esquecermos, apesar de só se terem passado quatro anos...
Como nota de rodapé e ainda a respeito da Grécia de há quatro anos, gostaria de relembrar que, se a cobertura do enviado especial da RTP a essas eleições (José Rodrigues dos Santos) se tornou famosa e caricata pelo seu facciosismo, e por isso escolhi uma das suas intervenções para encabeçar este poste, a da SIC (de que não se fala), não lhe fica atrás em incompetência. Logo no primeiro minuto da reportagem abaixo o enviado especial Pedro Cruz consegue enganar-se consecutivamente dizendo que em Portugal há 260 deputados (não: são 230) e que na Grécia são 500 deputados (não: são 300). A partir daí, Pedro Cruz entusiasma-se com uma diatribe baseada no facto do «parlamento grego ter perto do dobro do número de deputados em Portugal» (0:50s). Por acaso, é mentira. Olhem se isto fosse discutido como o são os erros de arbitragem ou como se no Bloco de Esquerda se tivesse verdadeiro interesse em denunciar as incompetências dos repórteres de televisão...

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/01/ainda-se-lembra-como-era-importante.html

Que riscos para a privacidade pode provocar integração de Facebook, WhatsApp e Instagram?

Logotipos do WhatsApp e Facebook
© AP Photo / Patrick Sison

Os políticos e especialistas estão muito preocupados com o projeto do presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, de interligar os mensageiros Messenger, WhatsApp e Instagram até o fim de 2019 ou início de 2020.

O Facebook não deve ser autorizado de realizar o plano de integrar suas plataformas com o WhatsApp e o Instagram, já que o gigante das redes sociais violou inúmeras vezes as suas obrigações sobre a privacidade no passado e não se poder confiar no futuro, avisou o senador norte-americano Jeff Merkley durante a coletiva de imprensa.

"Agora que o Facebook planeja integrar seus serviços de mensagens, nós precisamos de mais do que meras garantias da companhia de que essa mudança não prejudicará a privacidade de dados e segurança dos usuários. Não podemos permitir que a integração da plataforma se transforme em desintegração da privacidade."", declarou Merkley na sexta-feira (25).


O senador assinalou que a Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, da sigla em inglês) confirmou em março de 2018 que a política de privacidade de Facebook estava sendo investigada e que a companhia eventualmente infringiu uma decisão relativa a um acordo com a FTC.

Marc Rotenberg, o presidente executivo do Centro de Informação sobre a Privacidade Eletrônica, disse que a integração teria um "efeito terrível para os usuários" e solicitou à FTC agir para proteger a privacidade e preservar a concorrência", segundo o jornal New York Times.

A preocupação está crescendo não só nos EUA, mas também no Reino Unido, que incentivou a investigação sobre a quantidade de dados compartilhados entre o WhatsApp e o Facebook.

Segundo o jornal, Zuckerberg quer a integração para criar um trio de serviços mais eficaz, fazendo "o envio de mensagens mais rápido, simples, seguro e privado".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sociedade/2019012613186364-facebook-whatsapp-instagram-privacidade-integracao/

Venezuela | Que golpe! Que palhaçada! Que desespero!

Venezuela pela manhã, à tarde, à noite e de madrugada. Sempre Venezuela. Os média do imenso cartel da comunicação social segue o que sabemos e António Aleixo nos deixou em verso, com sabedoria: ”Para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade”.
É constante a omissão evidente de que os EUA estão a submeter à manipulação os povos da América Latina, instalando democracias de fachada com uns quantos seus servidores escolhidos, de modo a que a soberania ianque prevaleça naquela parte do globo. Como era antes e assim foi durante muitas dezenas de anos. Os sul-americanos não podem ser senhores dos seus destinos. Foi e é a palavra de ordem das administrações dos EUA.
Os EUA, o ocidente e os mais ricos do mundo querem o petróleo da Venezuela – o terceiro país do mundo possuidor de petróleo explorado e a explorar. Como menciona a Deutsche Welle: “De acordo com cifras de 2015 da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, com mais de 300 milhões de barris. Isso coloca o país à frente de Arábia Saudita (266 milhões de barris), Irã (158 milhões de barris) e Iraque (142 milhões de barris).”
A contra-revolução ao regime de Chávez teve sempre por inimigo o grande capital mundial, principalmente personificado e centrado nas administrações dos EUA e da UE. Esta última menos afoita e a dar menos nas vistas. Cinismo europeu q.b. A CIA norte-americana há anos que recruta na Venezuela e noutros países limítrofes agentes sul-americanos que forma e os lança no terreno do país bolivariano, como noutros da América Latina, Os seus agentes ianques não chegavam em quantidade e operacionalidade para os EUA reaverem a posse dos bens dos países latino-americanos, principalmente o petróleo que era explorado e roubado por companhias privadas adstritas à potência do norte, os EUA. Todos os países da região sul do continente americano têm sofrido os ataques sistemáticos e pungentes das técnicas da CIA para a nova fase de submissão aos EUA e ao grande capital explorador da humanidade e fomentador das guerras e instabilidades por todo o mundo. O fito é sempre o mesmo: roubar. Colocar nos poderes de cada país políticos e outros servidores domados de acordo com os interesses que permitam apossarem-se da soberania de praticamente toda a América Latina. Aliás, como  consta no manual da CIA para todos os países que possuam no menu mais valias nas riquezas de subsolos, geoestratégicas, etc.
Por esta hora há Venezuela a alimentar os cardápios das redações. Assim como nos dias que se seguem. Bastantes. Jornalistas domados e carentes dos seus ordenados ao final do mês, assim como jornalistas cujos ideais se coadunam com as políticas e métodos dos EUA intoxicam a opinião pública – como tem vindo a acontecer de acordo com os manuais da CIA de há anos a esta parte. Evidentemente que não é toda a classe daqueles profissionais, mas são bastantes por esse mundo.
Que o regime da Venezuela, a situação política, social e na generalidade, está virada do avesso. Sim, existem erros e desvios na revolução bolivariana por via das pressões externas. Sim, o povo venezuelano está a sofrer carências imensuráveis. Não restam dúvidas. Mas o que está a acontecer deve-se aos planos e cumprimento da contra-revolução da autoria da CIA e administrações norte-americanas. Não só na Venezuela mas em todo o continente sul-americano. Golpes sobre golpes é o que tem acontecido. Já faltam muito poucos países daquele continente a abdicarem da sua soberania e a renderem-se à submissão aos EUA e a todos os muito mais ricos que preponderam no diretório global – aqueles que são habitualmente definidos por “Os 1%”.
Desta feita o Curto do Expresso deu azo a uma apreciação e retórica prolongada mais que evidente. Claro que o Expresso também se alimenta dos acontecimentos na Venezuela, a seu modo. A modo dos ditames da imprensa do mundo dos tais 1%... e dos ‘dótores’ ao seu serviço. Nada de especial, é de ler.
Como nos deixou o mesmo António Aleixo: “Uma mosca sem valor poisa, com a mesma alegria, na careca de um doutor como em qualquer porcaria”.
"A Venezuela tem dois presidentes". Que golpe. Que palhaçada, no pior sentido. Que desespero!  Devagar, devagarinho, é que o macaco...
Bom dia, se conseguir e o deixarem usufruir dele. Parece difícil, mas… (MM | PG)
Bom dia este é o seu Expresso Curto
Venezuela na miséria tem dois presidentes
Miguel Cadete | Expresso
Ontem à tarde, no centro de Caracas, quando se celebrava mais um aniversário da queda do regime militar de 1958, o Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, declarou perante uma multidão de manifestantes: “Hoje, 23 de janeiro de 2019, juro assumir formalmente a responsabilidade do governo nacional enquanto Presidente da Venezuela”. (Quem é este engenheiro de 35 anos?) A revolução chavista, que há 20 anos domina o poder, nunca tinha conhecido tal afronta. Nicolás Maduro, o Presidente da Venezuela tinha tomado posse para um mandato de mais seis anos há duas semanas, após um sufrágio que levantou dúvidas junto da comunidade internacional, reagiria de imediato, assumindo que a declaração de Guaidó (veja aqui as imagens do pronunciamento) se tratava de uma manobra conspirativa dos Estados Unidos da América para o demover. Como demonstração de força, assinou, na varanda do palácio presidencial, a ordem para que todos os diplomatas dos EUA abandonassem o país no prazo de 72 horas. (O Expresso seguiu em direto os acontecimentos, acompanhe aqui o desenrolar da situação) Desde ontem, a Venezuela tem dois presidentes. O insurgente Guaidó foi prontamente apoiado por Donald Trump. Em Washington um responsável da administração Trump, avisou que os EUA iriam impor sanções económicas à Venezuela caso Maduro, o presidente contestado, usasse a força contra os seus opositores não deixando de fora a possibilidade de uma intervenção militar. O “New York Times acrescenta ainda que Mike Pompeo, o Secretário de Estados, assumiu que “os EUA trabalhariam de perto com o legitimamente eleito Presidente da Assembleia Nacional de modo a facilitar a transição da Venezuela para a democracia e o estado de direito” Seguiu-se o apoio do Canadá e de quase todos os países da América Latina, com vários Chefes de Estado a anunciar o seu apoio via Twitter: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Honduras, Panamá, Paraguai, Perú, Equador e a Guatemala reconheceram Guaidó enquanto Presidente. De fora ficaram o México e a Bolívia, estando também ao lado de Maduro Cuba, Nicarágua e a Rússia. No mesmo sentido foram as reações de Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu (também no Twitter), e Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia que disse “apoiar plenamente “a Assembleia Nacional da Venezuela. No mesmo sentido, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, assumiu, em declarações à Lusa, que “o tempo de Maduro acabou”. Na Venezuela residem cerca de 400 mil portugueses mas estima-se que os luso-descendentes possam triplicar esse número. Muitos regressaram nos últimos meses, mais de cinco mil à ilha da Madeira, quando deixou de haver comida, medicamentos e a inflação chegou aos 1 000 000 por cento em 2018, um valor similar ao da Alemanha em 1923. Segundo o FMI, o PIB terá caído, nos últimos doze meses, 18 por cento, sendo este o terceiro ano consecutivo em que a descida do Produto Interno Bruto é de dois dígitos. O número de venezuelanos de saída, nos últimos anos, chega aos três milhões (dados do Alto Comissariado para os Refugiados das Nações Unidas) e as mortes devidas à crise estão na ordem das dezenas de milhar (dados do Observatório Venezuelano de Violência). Ontem, nas ruas de Caracas e das principais cidades venezuelanas, confrontos entre manifestantes e com as forças da ordem terão provocado sete mortos. Como conta Daniel Lozano, o correspondente do Expresso na Venezuela, o país está exausto mas os próximos dias não serão certamente de paz. Juan Guaidó promete “eleições livres”.
OUTRAS NOTÍCIAS Sporting na final da Taça da Liga. O Sporting precisou de ir até às grandes penalidades para vencer a meia final da Taça da Liga contra o Sporting de Braga. Renan, o seu guarda-redes, defendeu três penáltis. Vai encontrar, sábado, na final, o FC Porto. Na Tribuna está tudo sobre um jogo em que o árbitro e o VARvoltaram a ser muito criticados pelo presidente e treinador da equipa derrotada. Sete créditos da CGD dados como totalmente perdidos. O relatório preliminar da auditoria da EY aponta imparidades de 100% do valor em dívida em relação a sete devedores, segundo o Expresso Diário: Investifino, Júpiter SGPS, Always Special, Soil SGPS, Fundação Horácio Roque, FDO e Fercal. O “Público” nota, na edição de hoje, que Santos Ferreira, um dos presidentes do banco público mais visados no relatório, foi chefe de grande parte dos mais altos quadros que atualmente se encontram no Banco de Portugal, BCP, Novo Banco e na própria CGD. Já Teresa Leal Coelho, a deputada que preside à Comissão de Finanças, assegura que esta versão preliminar do relatório que foi conhecida é “diferente” da final. Durante 20 horas não existiram rondas em Tancos. O responsável pela segurança dos paióis, coronel João Paulo Almeida, admitiu ontem na Comissão Parlamentar que não existiu vigilância durante aquele período de tempo. O deputado Jorge Machado questionou-se: “como é possível que as punições tenham ficado pelo sargento e pela praça”. Marcelo quer manter condecorações de Ronaldo. O PR está a averiguar a possibilidade de CR7 não ser obrigado a devolver as altas condecorações com que foi agraciado pelo Estado português depois de ter sido condenado em Espanha por fraude fiscal. Cristiano Ronaldo foi condecorado em 2014 por Cavaco Silva com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. E em 2016 por Marcelo Rebelo de Sousa com a Grã Cruz da Ordem de Mérito. De acordo com a lei, o cidadão perde automaticamente os títulos após condenado a mais de três anos. Vistos Gold na mira da Comissão Europeia. A comissária europeia com a pasta da Justiça, Consumidores e Igualdade de Género considera injusto que a cidadania seja atribuída mais facilmente a quem tem dinheiro do que a alguém que está integrado num determinado país. No caso português e dos Vistos Gold de residência, defende que deve haver transparência e ligações genuínas da pessoa em causa ao país. Věra Jourová exige mais transparência. Macron em presidência aberta. O Presidente de França reuniu-se com 600 autarcas do sul do país e discursou, sem notas, durante horas a fio abordando temas como a saúde pública e a habitação. As sondagens refletem uma subida da popularidade de Macron enquanto os distúrbios dos coletes amarelos vão diminuindo. Anti-globalização em Davos. Numa intervenção por vídeo, o Secretário de Estados dos EUA associou a administração Trump ao Brexit e ao governo de Itália, segundo um certo “padrão de disrupção”. Giuseppe Conte, primeiro-ministro de Itália, gostou e repetiu. Angela Merkel defendeu as democracias liberais o multilateralismo. Realizador de filme dos Queen acusado de abuso sexual de menores. Um dos filmes que revitalizou o musical enquanto género dilecto de Hollywood tem o seu realizador sob suspeita. Bryan Singer, o realizador de "Bohemian Rhapsody", é acusado de abuso sexual por quatro homens. As situações na base destas alegações surgem descritas na “The Atlantic”, resultado de uma investigação levada a cabo ao longo de doze meses pela revista norte-americana. FRASES “Tivemos de encontrar uma nova identidade para os Xutos”. Entrevista do grupo português que celebra 40 anos, ao “DN” “O PT foi o único partido a sair desta eleição de pé. Machucado, mas de pé”. Fernando Haddad, ex-candidato a Presidente do Brasil pelo PT, em entrevista ao jornal “i” “O que me preocupa é ouvir um presidente criticar um árbitro e vê-lo pedir dispensa”. Frederico Varandas, presidente do Sporting, após os jogos das meias-finais da Taça da Liga “A inovação é a única arma para criar mais empregos”. Carlos Moedas, comissário europeu, em entrevista ao “Jornal de Negócios” O QUE ANDO A LER A gastronomia, está bom de ver, é um ato de cultura. Para Nuno Diniz, cozinheiro, gastrónomo, professor, antigo parceiro de António Sérgio nas ondas da rádio e agitador, é ainda amais do que isso. É economia e, sobretudo, política. Radical. O livro que acaba de publicar, “Entre Ventos e Fumos”(Bertrand Editora), codifica os fumeiros e enchidos de Portugal como nunca havia sido feito. Nos tempos mais recentes, só Edgardo Pacheco com “Os 100 Melhores Azeites de Portugal” havia tentado algo semelhante capaz de ombrear com a obra magna de Maria de Lourdes Modesto, “Cozinha Tradicional Portuguesa”, onde se encontra codificado o receituário português. Mas o livro de Nuno Diniz que agora chega aos escapares é radical porque, além de publicar informação preciosa sobre os mais recônditos enchidos do país, dá início a uma batalha contra o segredo provinciano costume nestas ocasiões: em cada entrada são revelados sempre que possível os contactos dos produtores - pequenos e nada industrializados - de chouriços, farinheiras, morcelas, alheiras, maranhos, cacholeiras, paios, buchose outros que tais, pouco ou nada conhecidos. Mas é essencialmente radical por ser um grito contra a industrialização e, muito claramente, contra o capitalismo, mas também em firme oposição ao vegetarianismo e a todas as práticas que desvirtuam um mundo que se ainda não desapareceu está à beira disso mesmo. Qual Giacometti dos fumeiros de Portugal, Nuno Diniz pugna pela utopia de um mundo que só existe devido ao isolamento e, nalguns casos, a condições de vida muito difíceis senão mesmo miseráveis; mas onde resiste uma ancestralidade fundada no mais profundo dos humanismos. Logo a abrir, uma escorreita e detalhada descrição do que é uma matança do porco dá o tiro de partida. No caso, a facada. Obrigatório para quem quiser entender o que é algo tão primitivo ou sofisticado como a alimentação. Tenha boas refeições. Siga toda a informação atualizada em permanência no Expresso online, na BLITZTribuna e Vida Extra.

A nomeação

(José Gabriel, 23/01/2019)

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(Portugal, e Camões mereciam melhor sorte, não sendo entregues a um charlatão, a um caluniador direitola sem qualquer currículo digno de louvor. Mas, para Marcelo, este é o tipo de escriba que o país precisa e deve ser destacado.

Mais uma vergonhosa mancha no percurso do “selfie made man”. Já não chegava o beija-mão ao Bolsonaro, agora acrescenta uma vénia a este sacripanta. A Estátua aposta que, não tarda muito,  Marcelo ainda vai tirar uma selfie com o André Ventura, senão mesmo com o Mário Machado.

Comentário da Estátua, 24/01/2019)


Então Marcelo Rebelo de Sousa nomeou João Miguel Tavares para presidir às comemorações do 10 de Junho (Ver notícia aqui).

Acidentalmente, ao tentar confirmar esta notícia – na qual não queria acreditar – topei com o sorridente agraciado ao lado de Rui Ramos, historiador (à sua muito particular maneira). Pensei que, com o popular Emplastro ao lado estaria completa uma boa equipa. Depois, com algum embaraço, admito, achei que estava a ser injusto para este último o qual, para lá das suas obsessivas aparições televisivas, nunca fez mal a ninguém. Marcelo, com esta nomeação, leva a cabo o seu propósito de não deixar vazios espaços que o populismo possa preencher. Ele, – e os seus amigos -, tratam disso. Preenchem que se fartam.

O Dia de Camões tem sido presidido por ilustres figuras. Nem sempre consensuais, mas todas com inquestionáveis habilitações – designadamente académicas. Todos nos lembramos de Jorge de Sena, João Caraça, Sobrinho Simões, Onésimo Almeida e outros.

Finalmente – e, quiçá, pela primeira vez – as comemorações serão presididas por alguém que poderá não fazer ideia de quem são e o que fazem ou fizeram estes seus antecessores.

É o triunfo do comentadorismo rasca, do lixo televisivo e jornalístico! Parece que a intenção de Marcelo é trazer para a ordem do dia os problemas da comunicação social. A escolha de João Miguel Tavares evidencia o que o presidente dela espera.

Aguardamos agora, com natural ansiedade, dados sobre quem se encarregará da animação cultural. Quim Barreiros, Tony Carreira ou o Avô Cantigas? E, espero, nas artes plásticas não serão esquecidos os trabalhos em cerâmica produzidos nas Caldas da Rainha. É preciso manter o nível!

Adenda (com o perdão do nosso Luís Vaz…):

Busque Marcelo novas artes, novo engenho,
para lixar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

10 de Junho? Vai ser assim

Marcelo a exceder todas as nossas possíveis expectativas. E fica aqui um recorte da página da Presidência para não se pensar que é Imprensa Falsa ou notícia do Inimigo Público.
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Leia original aqui

Exigida reabertura dos CTT de Xabregas

A 24 de Dezembro, na véspera de Natal, a Estação dos Correios de Xabregas foi encerrada e a freguesia do Beato perdeu aquele serviço público. Na Assembleia Municipal de Lisboa exige-se a sua reposição.

Os CTT, uma empresa pública rentável para as contas do Estado, foram privatizados em 2013 e 2014 pelo governo do PSD e CDS-PP.Créditos

A Assembleia Municipal (AM) de Lisboa aprovou esta semana, em sessão plenária, uma proposta exigindo a reposição da estação dos correios de Xabregas e manifestando o seu apoio à população e aos comerciantes do Beato em todas as acções que acharem por bem desenvolver no sentido da recuperação da Estação dos Correios de Xabregas, no seu actual local.

A Estação de Correios de Xabregas, a única existente na Freguesia do Beato, foi encerrada pela Administração dos CTT, sem qualquer aviso prévio, a 24 de Dezembro de 2018, aproveitando a quadra natalícia.

O encerramento contribui para a degradação dos serviços de interesse público nesta freguesia de Lisboa, prejudicando uma população maioritariamente idosa e o pequeno comércio local.

A notícia, em 2017, da possibilidade de desaparecimento da Estação de Correios de Xabregas levara moradores e comerciantes da Freguesia do Beato a recolher e entregar um abaixo-assinado com mais de 800 assinaturas contra o encerramento da estação e exigindo a melhoria do serviço prestado à população. A data escolhida, a ausência de aviso prévio e a falta de resposta àquele abaixo-assinado configuram o desinteresse da Administração dos CTT pelo interesse público.

Controlo público sobre os CTT com oposição ideológica da direita

A proposta, que esteve em discussão em sessão plenária da AM, partiu dos eleitos do PCP e foi aprovada por esmagadora maioria, contando apenas com a oposição do PSD. Outros pontos da proposta foram aprovados por unanimidade, nomeadamente a solicitação à Câmara Municipal de Lisboa de uma posição pública e firme em defesa da reposição da Estação dos Correios de Xabregas, e a exigência de de uma também firme intervenção da ANACOM relativamente a mais este atropelo por parte da Administração dos CTT.

Já a exigência de que o Governo trave a contínua destruição dos CTT, dando início a um processo de recuperação de controlo público desta empresa, foi aprovada por maioria mas com os votos contra do CDS, MPT e PPM, e a abstenção do PSD, revelando que a direita continua, por motivos ideológicos, cega à quebra de serviço verificada com a privatização do serviço público de correios e à necessidade de recuperação do controlo público sobre os CTT.

Entre 2009 e 2016, e com o processo de privatização da empresa, encerraram de 564 estações e postos dos CTT, números que continuaram a aumentar ao longo de 2017/2018, privando as populações de um serviço de proximidade.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/local/exigida-reabertura-dos-ctt-de-xabregas

Uma investigação mal feita sobre o PCP não é anticomunismo, é mau jornalismo

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 22/01/2019)

Daniel

Daniel Oliveira

Uma autarquia dirigida pelo PCP pode contratar os serviços do genro do secretário-geral do partido? Qual é a fronteira entre o nepotismo e o direito de familiares de políticos manterem relações com instituições públicas? O genro de um primeiro-ministro não se pode relacionar com o Estado? E o do Presidente da República? Tendo em conta que a CDU não dirige assim tantas câmaras e que Jorge Bernardino não parece, pelo seu currículo, ser um fornecedor incontornável, talvez o bom senso mandasse que não se candidatasse a trabalhar com uma autarquia dirigida pelo partido que o sogro lidera. E se ele próprio for militante do PCP, a cautela deveria ser ainda maior. Se não for pela defesa da imagem do Estado, que seja para não prejudicar o seu partido.

Ainda assim, é bom ser rigoroso. Antes de tudo, a comparação que o PS local fez com uma velha acusação ao seu mandato em Loures é, para dizer o mínimo, forçada. Uma autarquia ter negócios com um familiar de um dirigente do partido que tem a presidência da câmara, quando esse dirigente nem sequer tem qualquer função nessa entidade pública, não é a mesma coisa que um presidente da câmara contratar a mulher, a filha, dois cunhados e a nora. Haja um bocadinho de decoro.

Também seria importante a TVI ter algumas informações importantes que, na realidade, fragilizam a relevância da história. Que Jorge Bernardino foi escolhido depois de uma consulta prévia a mais duas empresas, como a lei exige, tendo sido ele quem apresentou os preços mais baixos. Que aquilo que na peça é resumido a mudar umas lâmpadas, uns casquilhos e uns cartazes corresponde a garantir a manutenção permanente de 438 abrigos de paragem, incluindo a substituição de publicidade institucional. Não é pago à peça. Que recebe pelos 438 abrigos menos do que outra empresa recebia por 271 (quando Jorge Bernardino apenas garantia a manutenção de 153). Que o aumento do valor pago a Jorge Bernardino, apresentado como suspeito, resulta desta passagem de 153 para 438 abrigos. E, acima de tudo, que não estamos a falar de um salário ou de uma avença para um biscateiro mas da contratação de um serviço externo, o que inclui todas as despesas associadas e não apenas a mão de obra. A comparação com o salário do presidente da câmara é idiota. A ninguém passaria pela cabeça comparar o salário do primeiro-ministro com o que o Estado paga a um fornecedor pelos seus serviços.

Descontado o que a peça da TVI não nos quis contar, que esvaziaria parte do assunto, e parecendo que todos os procedimentos legais foram cumpridos, restava o incómodo ético de um familiar do líder de um partido manter relações comerciais com uma câmara dirigida por esse partido. Cada um decidirá até onde leva os seus pruridos, mas seguramente isto não permite o escândalo que se instalou. Pelo menos não me lembro de igual reação perante as relações que o genro do ex-Presidente Cavaco Silva foi mantendo com o Estado, seguramente bem mais relevantes (nos valores e no impacto) do que a manutenção de uns abrigos.

A melhor forma de combater a mentira (ou a meia-verdade) é a verdade. Foi o que fez o comunicado da Câmara Municipal de Loures. A pior forma é apelar a uma excecionalidade vitimizadora para cerrar fileiras, sem gastar uma linha a esclarecer os factos. Foi o que fez o PCP. Esteve bem Bernardino Soares, esteve mal o PCP, esteve péssima a TVI

Sendo altamente improvável que o presidente da câmara não tenha dado todos estes esclarecimentos ao jornalista (eles estão no site da autarquia), fica a dúvida: porque ficámos sem saber estes “pormenores” sobre a relação contratual entre o genro de Jerónimo de Sousa e a Câmara Municipal de Loures? Porque se eles tivessem sido apresentados a coisa não se ia vender tão bem. E este é um dos problemas do jornalismo mercantilizado: quanto melhor for o produto menor o seu valor comercial.

Dito tudo isto, a reação do PCP não podia ter sido pior. Em vez de remeter para os esclarecimentos da Câmara de Loures, que me parecem rigorosos, preferiu antecipar-se e vir com a velha acusação de “anticomunismo”, num comunicado carregado de adjetivos, onde até o combate ao fascismo vem à baila, banalizando-o da pior forma. Infelizmente, esta reação não é nova. Já aconteceu em circunstâncias em que o PCP não tinha razão. Ela não resulta apenas do sentimento momentâneo de injustiça (que outros partidos já sofreram), mas da ideia instalada na Soeiro Pereira Gomes de que pôr em causa a seriedade de um comunista é um crime de lesa-majestade.

O PCP está tão sujeito ao escrutínio democrático como qualquer outro partido. Não goza de maior presunção de inocência que todos os outros, nem tem de ser visto como se fosse tributário de algum tipo de superioridade moral. Os dirigentes do PCP são tão honestos e tão desonestos como os de qualquer outro partido. Quem conhece as autarquias dirigidas pelo PCP sabe que lá pode encontrar tantos casos de favorecimentos e irregularidades como em qualquer outro lado. Assim sendo, o PCP não tem de reagir a notícias que considera injustas como se elas tivessem uma natureza diferente de qualquer outra investigação pouco rigorosa. Não há qualquer razão para imensas notícias mal feitas sobre o PS, o PSD, o CDS ou o BE serem apenas mau jornalismo e uma notícia injusta sobre o PCP ser anticomunista feito “a par da conhecida promoção da extrema-direita e da reabilitação de Salazar e do regime fascista”. E a vitimização é absurda. Na realidade, pela discrição pública que mantêm e o mito de que são mais sérios do que os outros, os autarcas e dirigentes do PCP até são menos escrutinados do que os dos outros partidos.

A melhor forma de combater a mentira (ou a meia-verdade) é a verdade. Foi o que fez o comunicado da Câmara Municipal de Loures. A pior é apelar a uma excecionalidade vitimizadora para cerrar fileiras, sem gastar uma linha a esclarecer os factos relevantes. Foi o que fez o PCP. É uma falta de respeito pelos seus eleitores. Como se a expressão “anticomunismo” chegasse para que não haja mais perguntas. Esteve bem Bernardino Soares, esteve mal o PCP, esteve péssima a TVI.


NOTA: Sim, tenciono escrever sobre o que aconteceu no Bairro da Jamaica e na Avenida da Liberdade. Não, não o tenciono fazer sem perceber o que realmente aconteceu num e noutro lado. E comunicados da PSP não me chegam – não acredito no jornalismo oficioso. Um vídeo viral também não. Não, não parto do princípio de que a população do bairro teve razão. Não, também não parto do princípio de que a polícia agiu bem. E não, não acho que este debate, para ser mais do que uma crónica sobre um episódio, possa passar ao lado do que é o Bairro da Jamaica e porque é que ele existe num país do primeiro mundo. Nunca me colocarei no lugar do burguês assustado com a invasão dos bárbaros. Que ignora a revolta para exigir o sossego que quem vive no Jamaica nunca teve. Mesmo que eu seja um burguês e até me assuste às vezes. Porque ver os invisíveis que se amontoam em lugares por onde nem sequer alguma vez passámos é o dever de quem quer ser justo. Para os ver não precisamos de dividir o mundo entre bons e maus. Basta desejar mais do que a popularidade fácil. Por isso, cheira-me que esse texto vai esperar pelo fim de semana.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Presidente da RTP só confirma integração de 130 trabalhadores

O presidente da RTP afirmou esta quarta-feira aos deputados da Assembleia da República que só 130 trabalhadores, entre quase 400, serão integrados pelo programa de regularização de vínculos precários.

Trabalhadores da RTP em dia de greve exigem integração nos quadros da empresa. 5 de Novembro de 2018CréditosNUNO FOX / LUSA

As declarações de Gonçalo Reis surgiram esta manhã, no âmbito da Comissão de Trabalho e Segurança Social, a pedido do BE, a propósito da situação dos trabalhadores com vínculos precários na RTP.

O presidente da estação pública garantiu aos deputados que os cerca de 130 trabalhadores, cujos processos foram homologados no âmbito do​​​​ Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública (PREVPAP), «estão a ser integrados» até ao final deste mês.

Gonçalo Reis rejubilou-se ainda ao afirmar que «a RTP está na linha da frente das empresas públicas em termos de integração». Todavia, as declarações do presidente da RTP mereceram fortes critícas por parte da deputada Diana Ferreira (PCP).

«É evidente que os trabalhadores que tiveram parecer negativo, em bloco, (...) correspondem a necessidades permanentes. O que é um facto é que a RTP não funcionava sem estes trabalhadores, não há emissão na rádio nem na televisão. Os postos de trabalho estão lá e têm de ser ocupados com um vínculo efectivo», reiterou a Diana Ferreira.

Segundo a deputada, o «PCP não se contenta com a abordagem às percentagens de que a RTP não está fora de médias europeias», tendo reiterado que a RTP não pode, nem deve «ter um único trabalhador com vínculo precário», até porque «a valorização do serviço público passa também pela valorização dos trabalhadores e profissionais que ocupam diariamente estas funções».

Nos últimos meses, os trabalhadores com vínculos precários da RTP em Lisboa e no Porto realizaram várias acções de protesto contra o facto de apenas 130 trabalhadores terem tido luz verde, num universo de quase 400 inscritos no âmbito do PREVPAP.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/trabalho/presidente-da-rtp-so-confirma-integracao-de-130-trabalhadores

Desacatos, imigração e direita

Atenção, cidadãos. Os órgãos de comunicação social portuguesa parecem querer arranjar rapidamente um caso semelhante aos vividos em países europeus onde a extrema-direita surge impante. E nem é preciso ver isso num programa televisivo de informação - como foi o caso do programa SOS TVI - em que o pivotapresenta um  líder convidado como Mário Machado dizendo algo como: "Dizem que a extrema-direita é xenófoba, racista e violenta. O que tem a responder a essas pessoas?"O convidado rebate a ideia, mas finaliza dizendo - sem que o pivotconteste - que, quando esteve na cadeia, quem lá estava em maioria era a raça negra e que isso se deve talvez porque "essa raça tem um problema com o crime".  Nem é preciso ir tão longe. Face aos "desacatos" - palavra muito repetida pelos jornalistas que estão a cobrir o que se passou nos últimos dias no bairro Jamaica, no centro da cidade de Lisboa, e esta noite em Odivelas - a Sic passou uma peça com excertos de uma entrevista ao presidente da Cáritas em que ele frisava que era preciso afastar este ambiente de criação de uma insegurança que levava a um esforço securitário porque, ao longo da História, se provou que não respondeu aos problemas. A nota de rodapé frisava: "Presidente da Cáritas diz que casos acabam por criar relutância à imigração". 

Ao arrepio desses cuidados e aproveitando os "desacatos", a sic Notícias decidiu escolher para tema de debate da manhã: 
"Estamos ou não num momento particular de tensão entre as populações mais desfavoracidas e as forças de segurança? Olhamos também para a investigação SIC, revelada ontem, sobre a falta de meios na PSP e na GNR. Parece-lhe que fica em causa a capacidade de resposta das forças de segurança? Que medidas são necessárias para fazer face às necessidades tanto da PSP como da GNR?"
A primeira senhora que falou no fórum acabou por dizer: "Eu não era racista, mas agora sou. (...) Queremos uma polícia com a devida segurança".  A pivot rematou no final: "Esta senhora quer se sentir segura e reclama mais meios para a polícia". Um condutor de meios de Loures disse: "O racismo não passa de um mito que estes senhores utilizam para se desculpar, é hábito neles usarem - julgam que são donos e senhores destes bairros e não respeitam ninguém, nem nada nem ninguém e quando as forças da ordem são chamadas por norma a intervir nestes bairros, facilmente acusam as autoridades de xonofobia, racismo, perseguição. Infelizmente, não passam de uns cobardes, escondem-se atrás de umas associações, pagas e ajudadas pelos contribuintes." A pivot: "É a opinião do António... a falar aqui dos problemas de racismo que existem no país". A palavra passa para a Fátima em Genebra, que é porteira. A sua opinião é contra os políticos que "desrespeitam a polícia que combate os bandidos". Outro cidadão disse: "Esses senhores da raça negra é que são racistas. Cometem o crime e depois culpam a polícia de certas situações". A pivot: "Vivemos de facto tempos específicos. Estamos num momento particular da discussão... Mas os números dizem que Portugal é um país seguro. Como se justifica? (...) O racismo é o principal problema da polícia?" Mas o porta-voz da PSP, convidado e presente em estúdio, não se demarcou suficientemente. Frisou que na maioria das vezes, a PSP "é confrontada com situações que nada têm a ver com racismo". Palavras que, mesmo sem o desejar e porque não contestou as intervenções do fórum, acabaram por encaixar com o racismo demonstrado pelos cidadãos: "A PSP não é uma instituição racista (..) mas muitas vezes somos conotados com racismo quando intervimos (...)é uma capa, uma desculpa, para desvalorizar aquilo que é uma actuação da polícia". 
 
E a pivotmais nada disse. Pôs ponto final ao programa.  Há uma frase irónica que diz: "Errar é humano, repetir o erro é jornalismo". Mas esta ideia diz pouco sobre os mecanismos comportamentais dos jornalistas que os levam a insistir no erro. Por que razão, os jornalistas insistem em criar um ambiente de tensão entre "as populações mais desfavorecidas e as forças de segurança"? Primeiro, poder-se-ia frisar as palavras usadas e o posto de visão em que o jornalista se coloca. O termo "classes mais desfavorecidas" pressupõe que o jornalista se coloca acima delas, e é verdade: Quem está à frente das câmaras, geralmente já não sabe o que é ser desfavorecido. E já nem se está a falar da palavra favorecidaque merecia todo um comentário.
Segundo, parece correr o pensamento de que, mais tarde ou mais cedo, a extrema-direita será dominante na Europa e que, por isso, o mesmo acontecerá em Portugal. E isso é notícia ou vai ser. E tudo o que possa cheirar a isso entronca no que vai ser notícia e torna-se notícia já hoje. Um movimento como os coletes amarelos foi promovido pelas televisões, com uma certa ajuda da PSP, apesar de ter sido um fracasso.
Terceiro, existe o fenómeno de mimetismo:se todos fazem, eu vou fazer o mesmo, porque se não o fizer, o espectador muda para o concorrente.
Quarto, sabe-se lá se os jornalistas não pensem mesmo que algo como a extrema-direita - anti-política, autoritária e anti-comunista - seja necessária em Portugal. Tudo isto faz esperar o pior. Resta saber qual vai ser a força política que, aos olhos das televisões, assumirá essa forma.
  

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

O TESTE DOS OITOCENTOS FUNCIONÁRIOS QUE NÃO RECEBEM SALÁRIO

A notícia é de hoje já tem algumas horas, a sua origem é indisputável, a agência Lusa, e o tópico são as iniciativas desencadeadas por alguns congressistas norte-americanos para desbloquear o impasse que por lá se verifica desde há um mês. Ah, e a notícia contém uma gralha óbvia bem logo no início do texto, quando refere a existência de 800 funcionários públicos que não estão a receber salários... Num país com mais de trezentos milhões de habitantes tal pormenor dificilmente seria relevante. O número correcto, porém, aliás repetido exaustivamente ao longo deste último mês, são oitocentos milos funcionários que não têm recebido os seus ordenados. Pois bem, tente-se descobrir, pela amostra abaixo, quantas publicações não se deram ao incómodo de rever minimamente a notícia que haviam recebido da Lusa e o publicaram, com gralha e tudo...
Atendendo à hora a que este poste está a ser redigido (11H00 da manhã), deito-me a imaginar quantos se disporiam a tolerar um bolo de arroz amaçarocado ou uma bola de Berlim de creme azedo a acompanhar o café que a esta hora tanta falta faz. Mesmo que aquele bolo não se revista da importância de ser o momento gastronómico do dia, convinha que, ao menos, estivesse em condições. Não será caso para reclamar com o dono da pastelaria, para que ele reclamasse com o fornecedor, senão éramos nós que mudávamos de pastelaria? Mas, então, porque é que parece rebuscado fazer-se com a informação aquilo que não o parece quando feito a propósito de bolos de pastelaria?...

 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/01/o-teste-dos-oitocentos-funcionarios-que.html

A Plataforma NÓNIO e o "nó górdio"

Segundo reza a wikipédia o nó górdio é uma lenda. É comumente usada como metáfora e eu recorro a ela para afirmar que a NÓNIO é o nó górdio da liberdade de imprensa. Ou dito de outra forma, aliás já por mim escrita, cinco grupos, Global Media, Público, Media Capital, Renascença, Impresa e Cofina, podem passar a fornecer-lhe conteúdos personalizados. Talvez não ao seu gosto, mas certamente ao gosto daquilo que deverá passar a gostar.
 
De facto, TVI e SIC (que integram a Plataforma NÓNIO) deixam a léguas de distância quase todos os outros canais. Juntos somam mais de 16 milhões de visitas às sua páginas da net... e é sabido que a net é uma extensão dos canais de televisão...

Em meu juízo, ninguém desata isto! E a próxima Assembleia da República terá, em Outubro, a composição que a NÓNIO quiser...
Fonte: Grupo MARKTEST

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

AQUILO QUE LHES INTERESSA «CHECKAR»

Começo por avisar que esta notícia abaixo, com a pretensa checkagem dos resultados da execução orçamental portuguesa é uma montagem: escusam de a ir procurar ao Observador porque a notícia não está lá. Mas atenção: a primeira parte da notícia, os resultados da execução orçamental, são mesmos verdadeiros, o que eu forjei foi esta pretensa iniciativa daquele mesmo jornal em checkar o apuramento de contas feito pelo Eurostat. A habilidade da utilização destas rúbricas de fact check para fins políticos consiste precisamente no critério com que se elegem os factos a serem checkados. E este caso não presta para o Observador: não só a confirmação (muito provável) da sua veracidade representaria um bónus ao governo, como o carácter neutro do seu autor (o Eurostat) nem sequer lhes permitiria inseminar a dúvida quanto à objectividade de quem fez as contas. A ironia da situação é que o trimestre em questão parece ter sido atípico - já o diziam as conclusões apresentadas a semana passada pelo Conselho das Finanças Públicas. E nesse âmbito e por causa disso, faria todo o sentido checkarem-se os factos do que terá acontecido/estará a acontecer. Mas como qualquer conclusão a que se chegasse nunca afectaria negativamente a imagem governamental, não será coisacom que o Observador perca tempo. Sim, porque se a preocupação aparente do jornal é com os factos, o que ele quer concluir com os factos tem sido sempre de natureza política, não tem nada a ver com o que lhe está associado, neste caso, finanças públicas.

 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/01/aquilo-que-lhes-interessa-checkar.html

Eles pulam e avançam

(Pode-se ler numa página do 'Observador', órgão de comunicação criado pela direita económico-política, para promover o neoliberalismo e... O salazarismo!!)
Estes discursos estão a ir mais longe, e mais depressa, do que talvez suspeitássemos..
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Leia original aqui

Censura | Facebook removeu mais de 500 perfis ligados à Rússia

Sputnik qualifica como censura a remoção de suas contas no Facebook
As ações do Facebook, que removeu mais de 500 perfis ligados à Rússia, incluindo sete contas da agência Sputnik, têm motivos políticos e, de fato, correspondem à censura, informou a assessoria de imprensa da agência.
A assessoria de empresa informou que foram também bloqueadas sete páginas das redações da Sputnik nos países vizinhos da Rússia e considera tais ações “claramente políticas” e "de censura".
"As redações da Sputnik se dedicam às notícias, e fazem isso bem. E se o bloqueio é a única reação do Facebook ao trabalho de qualidade da mídia, não temos perguntas – tudo é evidente. Mas há a esperança de que o bom senso vença, leia a Sputnik", comentou a assessoria de imprensa.
Na quinta-feira (17), Nathaniel Gleicher, diretor do departamento de política de segurança cibernética do Facebook, informou que a empresa “removeu 364 páginas do Facebook envolvidas na coordenação do comportamento inautêntico como parte de uma rede que se originou na Rússia e opera nos países Bálticos, Ásia Central, Cáucaso, Europa Central e do Leste”.
Além disso, a empresa removeu 107 páginas no Facebook e 41 contas no Instagram, porque “os indivíduos por trás dessas contas se passaram primeiramente por ucranianos e operaram uma série de contas falsas para divulgação notícias de tópicos diversos, tais como previsão do tempo, protestos, OTAN e condições sanitárias nas escolas”. Segundo a declaração da empresa essas contas também estão ligadas à Rússia.
A conta da Sputnik Brasil no Facebook não funciona desde 14 de dezembro.
Sputnik

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/censura-facebook-removeu-mais-de-500.html

O que fazem juntos os principais grupos de media de Portugal?

«NONIO é uma plataforma tecnológica única criada pelos maiores grupos de comunicação do país, para lhe oferecer conteúdos personalizados com mais segurança e qualidade. Para continuar a aceder aos mais 70 principais sites portugueses que fazem parte desta plataforma basta fazer o seu registo. Fique por dentro. Pode registar-se lá ou em qualquer um dos mais de 70 sites da plataforma.
Para fazer o seu registo vamos pedir-lhe o seu nome, e-mail, data de nascimento e género.
Esta informação vai-nos permitir oferecer-lhe conteúdos personalizados para si.»

Segundo a noticia, cinco grupos, Global Media, Público, Media Capital, Renascença, Impresa e Cofina, podem passar a fornecer-lhe conteúdos personalizados.
Talvez não ao seu gosto, mas certamente ao gosto daquilo que deverá passar a gostar. 

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)

A verdade sobre a campanha da TVI

O AbrilAbrilpartiu da reportagem que a TVIproduziu e das informações entretanto divulgadas pela autarquia, recolheu esclarecimentos junto do seu presidente e da entidade prestadora do serviço, e juntou tudo.

Foto de arquivo.CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

A propósito da peça da TVI, envolvendo o secretário geral do PCP e a Câmara Municipal de Loures (CML), o AbrilAbrilpartiu do que a TVIproduziu e das informações entretanto divulgadas pela autarquia de Loures, recolheu elementos de esclarecimento junto do presidente da Câmara e da entidade prestadora do serviço, e juntou tudo.

São factos reais:

1. A CML tem contratado empresas por ajuste directo e consulta prévia nos últimos anos para assegurar manutenção e reparação de abrigos de paragem, bem como colocação de publicidade institucional, entre outras tarefas;

2. Uma dessas entidades empresariais é a de Jorge Bernardino, empresário em nome individual;

3. Jorge Bernardino é casado com a filha de Jerónimo de Sousa.

A partir destes factos, a TVI desenvolveu um conjunto de especulações e insinuações que procurámos esclarecer. Em nenhum momento a TVI pôde afirmar a existência de qualquer ilegalidade ou irregularidade por manifestamente não ter encontrado nenhum facto, como o AbrilAbril também não conseguiu, que permitisse sugerir que isso teria acontecido.

O uso de ajuste directo em vez de concurso público

Ao contrário do que se pretende fazer crer (e será até convicção da maioria das pessoas), o ajuste directo é, não só um procedimento legalmente consagrado, como o mais utilizado quer pelas autarquias locais quer por outras instituições públicas. Não é um recurso excepcional apenas para matérias urgentes. É o procedimento previsto no Código dos Contratos Públicos para a contratação de serviços até 75 mil euros e de empreitadas de obra até 150 mil euros nos seguintes termos:

«A escolha dos procedimentos de ajuste directo, de consulta prévia, de concurso público ou de concurso limitado por prévia qualificação deve ser feita tendo por base o valor do contrato a celebrar.»

Sem ajustes directos nenhuma instituição pública poderia funcionar, porque os processos de concursos públicos demoram, em regra, entre quatro a seis meses até um ano e meio, e por isso são exigíveis apenas para montantes contratuais mais elevados. A título de exemplo, e de acordo com a informação de um responsável da autarquia, de Janeiro a Setembro de 2018, a CML, na sua área de aquisição de bens e serviços (excluindo obras) realizou 183 contratos por ajuste directo e 1508 compras por ajuste directo em regime simplificado (abaixo de 5 mil euros).

O ajuste directo não é uma forma nem excepcional nem menos transparente de contratar. Tem exigências legais e de transparência e limites de contratação por contrato e por entidade. É apenas mais simples do que um concurso público.

As empresas e entidades a contratar são, em todas as autarquias, propostas pelos serviços municipais e sendo os procedimentos aprovados pela administração da Câmara. Não há em Loures, neste caso ou noutros, pressão da administração para esta ou aquela contratação. A sugestão de que poderia haver conivência dos serviços com qualquer procedimento menos claro «sugerido» pela administração é desmentida pelo facto, que é do conhecimento público, de que a divisão e o departamento da Câmara responsáveis por esta área têm os mesmos dirigentes que a CDU encontrou quando tomou posse em 2013, tendo sido, portanto nomeados inicialmente pelo executivo anterior.

Os contratos com Jorge Bernardino

A contratação desta prestação de serviços corresponde obviamente a uma necessidade do Município, por não dispor de meios próprios para efectuar este trabalho.

Os cinco primeiros contratos, para tratamento de 153 abrigos, foram feitos por ajuste directo, sendo que em três deles foram consultadas outras duas empresas, apesar de isso não ser obrigatório. Nos dois últimos destes cinco foi proposta pelos serviços consulta à mesma empresa, por necessidade de continuidade imediata do trabalho e no respeito pelos critérios e limites legais.

A par destes existiram contratos com outras empresas para os restantes abrigos da CML, como a própria Câmara já divulgou.

O último contrato foi adjudicado pelo procedimento de consulta prévia a três empresas, que só existe na lei desde 1 de Janeiro de 2018, razão porque antes não foi utilizado. Neste processo, adjudicado pelo preço mais baixo, e com a duração de quatro meses, não há registo de qualquer contestação das outras empresas consultadas.

A evolução do valor dos contratos

Os cinco contratos de ajuste directo anteriores (desde 2015) tiveram preços que oscilaram entre cerca de 14 mil e cerca de 21 mil euros, sendo contratos com diferentes durações (entre 120 e 180 dias). Todos versavam sobre um universo de 153 abrigos, com as tarefas que abaixo se referem.

Conforme explica a nota divulgada pela CML, a passagem para 64 mil euros no último contrato deve-se ao facto de este ter vindo substituir dois contratos anteriores: um, já referido, com Jorge Bernardino, para 153 abrigos, no valor de 21 510 euros; e outro, com uma outra empresa, a Cabena, para 271 abrigos, no valor de 74 892,50 euros.

No total custavam cerca de 96 mil euros para cinco meses, enquanto o contrato que os substituiu custou 64 mil euros para quatro meses (cerca de 30 mil euros para manutenção correctiva, que acabaram por não ser utilizados como adiante se refere, e o restante – 34 mil euros - para o resto das tarefas correntes a desempenhar).

Com esta agregação, a CML obteve uma poupança de cerca de 15%; aliás a comparação dos dois contratos anteriores evidencia que o preço cobrado pela outra empresa era, sensivelmente, o dobro por cada abrigo, ou seja, muito menos vantajoso para a CML.

A peça da TVIomite deliberadamente que o aumento do valor do contrato está diretamente ligado ao número de abrigos abrangidos – antes 153 e depois 438, dispersos por todo o concelho de Loures.

A questão do tipo de entidade empresarial

A peça procura cimentar a ideia de que se tratou de uma «contratação individual» e não de uma entidade empresarial, procurando com a fulanização aproximar-se da ideia do favorecimento pessoal. Há várias formas empresariais previstas na legislação, sendo duas delas a de empresário em nome individual e a de empresa unipessoal. Sendo diferentes, sobre elas não há qualquer diferença de tratamento pelas regras da contratação pública. O factor determinante é a actividade económica, não a forma jurídica.

A ideia da contratação individual é desmentida pelo facto de o empresário em nome individual Jorge Bernardino ter contratado dois trabalhadores para participar no desempenho das tarefas previstas no contrato.

Jorge Bernardino ganhou 11 mil euros por mês?

O que se pode concluir é que não. A parte efectivamente paga do valor do contrato (excluindo a manutenção correctiva que correspondia a cerca de 30 mil euros, a qual só seria paga se fossem realizadas reparações estruturais dos abrigos no decurso do contrato, que não existiram), dividida pelos quatro meses da sua duração, corresponde efectivamente a um valor de cerca de 8500 euros por mês.

Este valor tem de suportar todos os custos com materiais (designadamente o material eléctrico de substituição, água e materiais de limpeza, entre outros), ferramentas, viaturas e respectivo combustível, seguros, impostos e contribuições para a Segurança Social, vencimentos dos trabalhadores e, naturalmente, também a remuneração do próprio.

A TVIprocura dar a entender que este valor mensal é excessivo quando o valor de um dos contratos anteriores, com a empresa Cabena, correspondia a um valor mensal de cerca de 15 mil euros para 271 abrigos (menos 167 abrigos e mais 6 500 euro por mês).

O trabalho efectivamente realizado – só foram mudadas lâmpadas e casquilhos?

O conjunto de tarefas a realizar no âmbito destes contratos foi efectivamente realizado e confirmado pelos serviços do município. Sem essa confirmação, que responsabiliza os técnicos que a fazem, não é possível fazer qualquer pagamento, neste ou noutro contrato de prestação de serviços. Esse é o elemento essencial e não qualquer relatório do prestador, que não é exigível à face da lei.

A referência a lâmpadas e casquilhos mudados num mês como a justificação para o recebimento de 11 mil euros, que afinal são 8 500 euros como já se referiu, omite que o trabalho implica realizar a manutenção preventiva, reparação regular, limpeza periódica, inspecção técnica – incluindo da instalação eléctrica –, manutenção correctiva e substituição de publicidade institucional de todos os 438 abrigos de paragem, dispersos por 170 quilómetros quadrados.

Nos quatro meses do contrato foram colocados centenas de cartazes «mupi», de várias campanhas de publicidade institucional, em todo o concelho.

A situação laboral anterior de Jorge Bernardino

Foi também referida uma suposta situação de desemprego de Jorge Bernardino e a sua inexperiência na área em causa para insinuar que só teria sido contratado por razões de proximidade familiar. O próprio esclareceu que tem 15 anos de experiência na área da electricidade e electromecânica.

Não estava também desempregado à altura, mas sim empregado num supermercado e, no passado mais próximo, trabalhou na área de construção e manutenção de jardins e arranjos de exteriores, e num talho.

A forma como a TVI procedeu

A TVIcontactou pela primeira vez a CML cerca de 15 dias antes da primeira emissão da peça e terá ainda convidado o presidente da CML para ir ao Jornal das 8 na passada sexta-feira… às 19h30!

Primeiro foi questionado o valor do contrato em relação a contratos anteriores com a mesma empresa. Depois disso foi sugerida a ilegitimidade de uma suposta remuneração ou salário a uma pessoa individualmente considerada, procurando confundir essa situação com a de um empresário em nome individual. Esclarecida essa questão, passou-se para a indagação sobre o cumprimento do contrato.

Para a autarquia, ficou evidente neste processo que o trabalho jornalístico tinha desde sempre uma conclusão já definida, o que se comprovou pelo sucessivo acrescentar de novas linhas de questionamento à medida que a Câmara Municipal de Loures esclarecia os anteriores. O que sempre se manteve foi a intenção de especular sobre a ligação familiar com o secretário-geral do PCP.

No decurso deste processo, o jornalista da TVI, na entrevista com o presidente da CML, colocou a questão da relação familiar do empresário com Jerónimo de Sousa, sobre a qual nunca tinha pedido qualquer esclarecimento e que revelou ser o verdadeiro tema da peça. Confrontou depois Jerónimo de Sousa com o mesmo método, o que repetiu, já no dia seguinte à primeira emissão da peça.

Tudo o que foi dito por ambos foi cortado e truncado, tendo sido omitidos dados essenciais dos esclarecimentos efetuados pela CML. Em nenhum momento se refere o número e a dispersão de abrigos – 438 espalhados por cerca de 170 quilómetros quadrados –; omite-se que a diferença de preço entre o penúltimo e o último contrato se deve ao triplicar do número de abrigos e que este foi atribuído pelo preço mais baixo; reduz-se o trabalho feito à substituição de lâmpadas e casquilhos quando o âmbito é vasto e complexo.

Os contratos profusamente exibidos pela TVI, dando a entender que estariam a ser escondidos pela CML, foram efectivamente disponibilizados pela Câmara, bem como as informações internas dos serviços comprovando a realização dos trabalhos do prestador, essas nunca referidas.

A peça em causa foi emitida na abertura do Jornal das 8, precisamente num dia em que não faltaram notícias (das verdadeiras): da convulsão interna no PSD aos desenvolvimentos em torno do Brexit, assim como a apresentação pública de João Ferreira como cabeça-de-lista da CDU ao Parlamento Europeu.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/verdade-sobre-campanha-da-tvi

Jornalismo a meia-haste

tv e telespectador
 
«Temi que algum jornalista se oferecesse para partilhar a cadeia com Armando Vara, só para ver como este se sentia “já lá dentro”. (…) 
Para cúmulo, esta semana a mesma TV reincide e, a propósito da defesa da qualificação como vitimas de violência doméstica de duas crianças, devassa-lhes a vida, volta a agredi-las de forma inadmissível. Revela os seus nomes e recorda-lhes as agressões que sofreram e que foram praticadas entre os seus progenitores, repete inclusivamente os insultos proferidos pelo pai contra a mãe, mas, como se isto não bastasse, permite ao agressor utilizar um dos menores, manipulando-o uma vez mais, para assumir a sua defesa em direto, no debate que se seguia na TV. E ninguém diz nada. E ninguém diz "Chega".»
 
Graça Franco
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Leia original aqui

Municípios algarvios lutam contra encerramento de estações dos CTT

Os municípios de Aljezur, Lagoa, Lagos e Vila do Bispo avançaram com uma providência cautelar contra o fecho de estações. O PCP questionou o Governo sobre Aljezur e a «degradação do serviço postal».

CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

A Associação de Municípios Terras do Infante (Aljezur, Lagos e Vila do Bispo) avançou com uma providência cautelar para travar o encerramento das estações de Correios de Aljezur, Praia da Luz e Sagres. A decisão foi tomada pelo Conselho Directivo da associação após a reunião mantida com a Administração dos CTT no passado dia 14.

O Município de Lagoa, que não integra esta associação, também se fez representar na reunião e irá proceder como os demais, tendo em conta que os CTT pretendem fechar a estação de Carvoeiro, revela o diário Região Sul.

A delegação de autarcas que se dirigiu a Lisboa concluiu que o processo em curso «tem como finalidade primeira o encerramento» das estações referidas «ou a sua transformação em postos».

São concessionados a privados, «o que levará consequentemente à destruição, degradação e desqualificação de um Serviço Público que penalizará as populações, as pequenas e médias empresas, os turistas e comunidade estrangeira residente», denuncia a Terras do Infante.

CDU apresenta moção em Aljezur

No Munícipio de Aljezur, o vereador eleito pela CDU apresentou esta semana uma moção contra o encerramento da estação de Correios no concelho, que será debatida na próxima terça-feira.

Numa nota à imprensa, a Comissão Concelhia de Aljezur do PCP sublinha «a grande importância que a estação dos CTT», única existente no concelho, tem «para a população local que serve, nomeadamente a mais idosa, o comércio, os serviços e o turismo»

A decisão de encerrar a estação «não serve os interesses das populações» do concelho, porque vai aprofundar «a degradação dos serviços públicos num território interior», sendo que «a estação mais próxima passa a ser a de Lagos, que fica a mais de 30 quilómetros de distância», denunciam os comunistas.

PCP questiona Governo

A situação foi também denunciada, esta sexta-feira, na Assembleia da República, onde o deputado do PCP Paulo Sá, eleito pelo Algarve, questionou o ministro do Planeamento e das Infraestruturas. Sublinhando que «a privatização dos CTT, concretizada pelo anterior governo do PSD/CDS, está a conduzir, em todo o País, ao encerramento de estações de correios e à degradação do serviço postal», o texto refere o caso de Aljezur e as consequências negativas decorrentes de uma eventual concretização do encerramento da estação local dos CTT.

Os comunistas, que questionam o Executivo sobre o caso de Aljezur e as diligências que tomará para garantir que o concelho algarvio continuará a ter a sua estação de Correios, afirmam não ser «admissível que o Governo assista impávido e sereno à destruição do serviço postal, ao abandono das populações, à destruição de instrumentos de coesão territorial e social como é o serviço de correios, tudo em nome do lucro da empresa privada que tomou conta dos CTT».

Neste sentido, defendem que o Governo deve travar «o encerramento de estações de Correios e a degradação do serviço prestado às populações». Deve, de igual modo, garantir «o investimento no serviço público postal correspondente à sua importância como alavanca de desenvolvimento», iniciando «o processo de recuperação do controlo público dos CTT».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/municipios-algarvios-lutam-contra-encerramento-de-estacoes-dos-ctt

Portugal | As televisões e os jornais andam num afã a contratarem mais opinadores de direita

Jorge Rocha | opinião
Se Ricardo Costa, Sérgio Figueiredo ou Manuel de Carvalho, respetivamente responsáveis pela falta de qualidade da SIC, da TVI ou do Público, andam a despedir comentadores e a contratar outros, não têm apenas a rentabilidade como objetivo: os seus patrões - donos dos meios de (des)informação em causa - já compreenderam que o desgaste do governo e dos demais partidos da maioria parlamentar não será conseguido apenas com o concurso da Cofina ou do Observador. Apesar da má imprensa e do concurso de muitas greves motivadas por mesquinhos interesses corporativistas, António Costa e os partidos, com que pretenderá prosseguir coligado depois de outubro, vão, de acordo com as sondagens, mantendo uma média de 20 pontos acima da soma dos que se lhes opõem à direita.
Razão para quererem tornar constante um discurso direitista fiando-se nos pressupostos de Goebbels a propósito dos «méritos» das mentiras mil vezes repetidas. Como a que Marques Mendes emitiu sobre a redução da despesa no Serviço Nacional de Saúde, destinada a ser retomada pela Cavaca da Ordem dos grevistas cirúrgicos e seus concertados altifalantes, mas que é rigorosamente falsa, como o demonstrou o comunicado dos Ministérios das Finanças e da Saúde, que enalteceu o ter-se ultrapassado pela primeira vez os 10 mil milhões deeuros no setor em 2018, ou seja mais de mil milhões acima do que se gastava em 2015. No entanto as televisões e os jornais darão sempre maior relevo às mentiras do anão da SIC do que ao esclarecimento fundamentado do governo.
Ao contratarem gente da estirpe de António Barreto ou Paula Teixeira Pinto para se juntarem ao casal Moniz e a outros figurões e figuronas dignos de autêntica galeria de horrores, o que os manipuladores da realidade pretendem é multiplicar essa disseminação de mentiras de forma a ocultarem o mais possível os números indesmentíveis do Instituto Nacional de Estatística e outras instituições mais ou menos independentes. Mas convirá, igualmente, estar atento ao que delas provirá, porque até mesmo o Banco Mundial veio agora desculpar-se por ter falsificado os indicadores chilenos, agravando-os quando estava Michelle Michelet na presidência e empolando-os quando era o seu rival de direita, Piñera.
Às vezes lamento a excessiva passividade com que as esquerdas reagem a tudo isto não arregaçando as mangas para contrariar ativamente o presente estado das coisas na comunicação social. O escândalo já é tão evidente, que deixá-lo tal qual está é um convite para ver piorado o que já é suficientemente mau...
Nota PG: Também nas rádios se constata o pendor favorecido de presenças e “peças” da direita portuguesa, dos conservadores e dos mais radicais, em detrimento de presenças de esquerda.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/portugal-as-televisoes-e-os-jornais.html

As televisões e os jornais andam num afã a contratarem mais opinadores de direita

Se Ricardo Costa, Sérgio Figueiredo ou Manuel de Carvalho, respetivamente responsáveis pela falta de qualidade da SIC, da TVI ou do Público, andam a despedir comentadores e a contratar outros, não têm apenas a rentabilidade como objetivo: os seus patrões - donos dos meios de (des)informação em causa - já compreenderam que o desgaste do governo e dos demais partidos da maioria parlamentar não será conseguido apenas com o concurso da Cofina ou do Observador. Apesar da má imprensa e do concurso de muitas greves motivadas por mesquinhos interesses corporativistas, António Costa e os partidos, com que pretenderá prosseguir coligado depois de outubro, vão, de acordo com as sondagens, mantendo uma média de 20 pontos acima da soma dos que se lhes opõem à direita.
Razão para quererem tornar constante um discurso direitista fiando-se nos pressupostos de Goebbels a propósito dos «méritos» das mentiras mil vezes repetidas. Como a que Marques Mendes emitiu sobre a redução da despesa no Serviço Nacional de Saúde, destinada a ser retomada pela Cavaca da Ordem dos grevistas cirúrgicos e seus concertados altifalantes, mas que é rigorosamente falsa, como o demonstrou o comunicado dos Ministérios das Finanças e da Saúde, que enalteceu o ter-se ultrapassado pela primeira vez os 10 mil milhões deeuros no setor em 2018, ou seja mais de mil milhões acima do que se gastava em 2015. No entanto as televisões e os jornais darão sempre maior relevo às mentiras do anão da SIC do que ao esclarecimento fundamentado do governo.
Ao contratarem gente da estirpe de António Barreto ou Paula Teixeira Pinto para se juntarem ao casal Moniz e a outros figurões e figuronas dignos de autêntica galeria de horrores, o que os manipuladores da realidade pretendem é multiplicar essa disseminação de mentiras de forma a ocultarem o mais possível os números indesmentíveis do Instituto Nacional de Estatística e outras instituições mais ou menos independentes. Mas convirá, igualmente, estar atento ao que delas provirá, porque até mesmo o Banco Mundial veio agora desculpar-se por ter falsificado os indicadores chilenos, agravando-os quando estava Michelle Michelet na presidência e empolando-os quando era o seu rival de direita, Piñera.
Às vezes lamento a excessiva passividade com que as esquerdas reagem a tudo isto não arregaçando as mangas para contrariar ativamente o presente estado das coisas na comunicação social. O escândalo já é tão evidente, que deixá-lo tal qual está é um convite para ver piorado o que já é suficientemente mau...
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/01/as-televisoes-e-os-jornais-andam-num.html

Câmara de Loures acusa a TVI: «despudorada manipulação»

Truncagem de declarações, omissão de factos, manipulação. A TVI emitiu uma peça em que levanta suspeitas sobre o município de Loures. A resposta da autarquia desmonta os argumentos do canal.

Créditos / Câmara Municipal de Loures

A Câmara Municipal de Loures respondeu hoje às acusações da TVI com um comunicado em que refuta ponto por ponto as acusações daquela estação televisiva, transmitidas quinta-feira à noite.

A peça apresenta os resultados de uma investigação levada a cabo pela equipa do programa de Ana Leal. São levantadas suspeitas sobre a eventual contratação privilegiada de Jorge Bernardino, genro de Jerónimo de Sousa, pela autarquia comunista dirigida por Bernardino Soares.

Os esclarecimentos produzidos pela Câmara Municipal de Loures conduzem-nos a uma realidade diferente. O contrato, depois de uma «consulta prévia a três empresas», foi adjudicado «à empresa com a proposta de preço mais baixa».

O objecto do contrato é definido em detalhe na resposta da Câmara Municipal de Loures (CML): o mesmo «visou assegurar a manutenção preventiva, reparação regular, limpeza, inspecção técnica, incluindo da instalação eléctrica, manutenção correctiva e substituição de publicidade institucional, num total de 438 abrigos de paragem, propriedade do Município e não concessionados».

Trata-se, segundo o município, «de um conjunto de funções de grande amplitude e extensão em nada comparáveis à referência acintosa da peça à mera mudança de lâmpadas e casquilhos», aproveitando para chamar a atenção para a «omissão cirúrgica», na peça, do número de abrigos, «fundamental para a caracterização da dimensão do serviço a prestar».

A CML acusa a TVI de esconder, na sua reportagem, que o novo procedimento contratual, estabelecido em Agosto de 2018, pretende substituir «dois contratos anteriores, ambos por ajuste directo». Um deles com «a empresa visada na reportagem, para 153 abrigos, no valor de 21 510€; e outro, com uma outra empresa, para 271 abrigos, no valor de 74 892,5€». Com esta agregação o município terá obtido «uma poupança de cerca de 15 por cento».

Quanto ao aumento do valor contratual, também aí a peça da TVI escamoteia que o aumento de valor se deve «ao número de abrigos abrangidos, antes 153 e depois 438, dispersos por todo o concelho de Loures».

PCP acusa comando editorial da TVI de «gratuita provocação»

«O Partido Comunista Português (PCP) acusa a TVI de ter promovido uma "gratuita provocação" ao partido e ao seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa, através de uma reportagem emitida na noite desta quinta-feira, na abertura do Jornal das 8», pode ler-se em notícia da TSF.

A reacção do PCP refere-se, segundo a mesma fonte, a uma peça em que aquele canal televisivo denuncia a existência de vários contratos celebrados entre «a Câmara Municipal de Loures, uma autarquia com liderança comunista», e uma «empresa unipessoal que pertence ao genro do secretário-geral do PCP».

No comunicado citado pela TSF, o PCP defende que a estação de televisão transforma, «sem escrúpulos», «um contrato publicamente escrutinável a uma empresa unipessoal» na «escolha de uma pessoa». «O trabalho desta empresa», segundo a TSF, «consiste na manutenção de equipamentos municipais como paragens de autocarros e troca de cartazes publicitários».

Os comunistas consideram que «a peça da TVI e os interesses que a comandam revelam até que ponto pode chegar a mercenarização do papel jornalístico e o atrevimento inqualificável de uma estação televisiva».

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/camara-de-loures-acusa-tvi-despudorada-manipulacao

O massacre na TVI

TVI03 copyNão façam de conta que não leram
 
"Esclarecimento da Câmara Municipal de Loures
Sobre a peça ontem emitida ontem pela TVI são relevantes os seguintes esclarecimentos:
Todos os contratos referidos na reportagem cumpriram escrupulosamente as regras legais da contratação pública. A peça emitida não consegue apontar qualquer ilegalidade ou irregularidadeem relação aos factos em análise, preferindo por isso centrar-se em especulações abusivas, com referência parcial e truncada das declarações do Presidente Câmara Municipal de Loures bem como em relação aos dados que lhe foram disponibilizados.
– Ambos os procedimentos referidos (ajuste direto e consulta prévia) estão previstos no Código dos Contratos Públicos, sendo o ajuste direto uma ferramenta comum e aliás indispensável para a gestão corrente das autarquias locais nas suas múltiplas funções.
– No último contrato, que terminou no final do ano de 2018, o procedimento adotado foi o de consulta prévia a três empresas,conforme previsto no art.º 20º n.º 1 alínea c) do Código da Contratação Pública, tendo sido a prestação de serviços adjudicada à empresa com proposta de preço mais baixa (64.330,20€), facto omitido pela peça;
– O contrato visou assegurar a manutenção preventiva, reparação regular, limpeza, inspeção técnica incluindo da instalação elétrica, manutenção corretiva e substituição de publicidade institucional num total de 438 abrigos de paragem propriedade do Município e não concessionados. Trata-se de um conjunto de funções de grande amplitude e extensão em nada comparáveis à referência acintosa da peça à mera mudança de lâmpadas e casquilhos. O número de abrigos é aliás cirurgicamente omitido em toda a peça, sendo um elemento fundamental para a caracterização da dimensão do serviço a prestar;
– O procedimento contratual em causa veio substituir dois contratos anteriores vigentes até agosto de 2018, ambos por ajuste direto: um com a empresa visada na reportagem, para 153 abrigos, no valor de 21 510€; e outro, com uma outra empresa, para 271 abrigos, no valor de 74 892,5€. Com esta agregação obteve-se uma poupança de cerca de 15%;
– A peça omite também deliberadamente que o aumento do valor dos contratos com a empresa em nome individual visada, está diretamente ligado ao número de abrigos abrangidos – antes 153 e depois 438, dispersos por todo o concelho de Loures.
Éuma despudorada manipulação procurar comparar estes contratos a uma remuneração salarial, usando uma ardilosa comparação com o salário do presidente da Câmara, quando a verdade é que o valor contratual tem de incorporar os custos a assumir pelo prestador com a execução do serviço designadamente de materiais de limpeza e substituição e reparação correntes, mão de obra, deslocações e combustíveis, obrigações legais, fiscais e contributivas entre outros.
– O contrato deu lugar a pagamentos na medida em que os serviços municipais comprovaram a execução do serviço contratado, sem o que isso não poderia obviamente acontecer.
Ficou evidente neste processo que a peça jornalística tinha desde o início uma conclusão já definida, o que se comprovou pelo sucessivo acrescentar de novas linhas de questionamento, à medida que a Câmara Municipal de Loures esclarecia cabalmente os anteriores.
A Câmara Municipal de Loures repudia veementemente as insinuações/afirmações, presentes na notícia da TVI, de eventuais situações de promiscuidade, que não têm qualquer correspondência com a realidade e são desmentidas pelos factos.
A Câmara Municipal de Loures repudia também a tentativa da peça da TVI de envolver o Município numa estratégia de generalização da atribuição de comportamentos ética e legalmente censuráveis à generalidade dos intervenientes políticos e instituições públicas.
Neste Município continuaremos a respeitar o povo que nos elegeu a lei e o interesse público em todas as decisões."
 
 
E só acrescento que
gatas apressadas
parem os filhos mortos

Ver original em "O Tempo das Cerejas" (aqui)

Até passou na televisão…

224229 209840205707123 161331373891340 741583 7864026 nAideologia que vai ganhando terreno por todo o mundo tem tanto medo das suas próprias ideias que as esconde, declarando-se vazia de ideias, assetica.
Em suma, para esta desideologia, o que conta é o que cada um possui, pois todos podem ter o que quiserem, na base da nova doutrina liberal. Só os fracos, os que se excluem, os incapazes não alcançam o que pretendem.
As ideologias que se preocupam com a sociedade no seu conjunto são perniciosas. É preciso eliminá-las, tal como vêm proclamando Trump, Balsonaro, Orban e outros tantos.
A saúde, a educação, a justiça têm de obedecer ao primado dos mercados e serem entregues a quem souber tirar lucro.. O Estado é apenas uma grande empresa.
A beneficência dos poderosos, o seu deixar escorrer do topo da pirâmide para a base são a esmola que invocam, servindo-se dos Evangelhos.
O Estado mínimo é, por exemplo, no caso do Brasil, a atribuição aos cidadãos de umas quantas armas para que se possam defender. O cidadão é inimigo do cidadão, todos contra todos, ficando o Estado a intervir para proporcionar negócios aos que podem com o seu poder económico fazer o país andar.
Esta conceção ideológica passa também pela utilização da televisão para veicular doses cavalares de ingredientes de anestesia da consciência social, da pertença a uma profissão, a um território e até a uma identidade.
Para tanto o importante é absorver tudo que impeça de pensar o futuro em conjunto com os seus concidadãos. O que interessa é ingerir o que o rodeia, sem compreender a razão dos problemas.
Pela televisão entra tudo: fogos, desastres, corrupção, futebol, telenovela, noticiários, pesca, caça, touradas, o que for, sem ser preciso mergulhar no mundo podre circundante. Esse é o mundo das ideologias. O que conta é a realidade sem filtros, sem ideologias, dizem.
A televisão analisa o caso jurídico e dá a sua sentença; não perde tempo, como nos tribunais. Os tribunais buscam a verdade material, a televisão audiências e lucro.
Quando se diz que o “caso” até passou na televisão está claramente a assumir-se (consciente ou inconscientemente) que o que não passa na televisão, não existe.
Passa a desgraça das pedreiras de Borba, dos fogos, os meninos encerrados numa gruta da Tailândia, a queda de um avião e a explosão que o futebol proporciona.
Pode saber-se o que aconteceu à família de Ronaldo ou de Messi. Que interessam as desgraças do vizinho ou do companheiro de trabalho. Isso não releva. São os que têm uma “vidaça” que fazem inveja a qualquer um. Essas são vidas que passam na televisão.
É esta a ideologia que levou Trump a desfazer o pacote de saúde que nos EUA permitiam aos cidadãos fazerem seguros de saúde para acederem aos hospitais. Com Trump só entra no hospital quem puder. O Estado tem de ajudar os mais fortes, os que sabem dirigir a sociedade, tal como dirigem as suas companhias.
Paradoxalmente os corifeus da desideologia prosseguem a sua campanha ideológica. Para que não se pense. Para que se absorva. Para que os cidadãos não passem de lorpas. Pensar é que nunca.

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2019/01/18/ate-passou-na-televisao/

Marcelo telefona, Cristas cozinha

Já deve haver inscrições de muitos outros políticos, agora que as eleições se aproximam. E como a SIC acabou com a «Quadratura do Círculo», talvez convença os seus membros a discutirem com a Cristina os amanhãs que não cantarão.
Hoje, marido uma filha e o cão de Cristas também estiveram no programa. E falando de Marcelo, ela confessou: «Já me ligou em momentos improváveis». Ui!... Em quais, em quais?
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Leia original aqui

Prisão de jornalista iraniana nos EUA viola liberdade de imprensa

Em comunicado divulgado na quarta-feira (16), a União de Rádios e TVs Islâmicas condenou o “tratamento discriminatório e o assédio” a que foi submetida Marzie Hashemi, apresentadora de TV e documentarista da rede de notícias iraniana em Inglês Press TV, desde que foi presa no último domingo (13) nos Estados Unidos.

Hashemi, nascida nos Estados Unidos, foi detida sem acusação na chegada ao Aeroporto Internacional de Saint Louis-Lambert, na cidade de Saint Louis (Estado do Missouri). A jornalista, que viveu vários anos no Irão e se converteu ao islamismo, viajou para os Estados Unidos para visitar seu irmão doente e outros parentes.

No comunicado, a União de Rádios e TVs Islâmicas denunciou a prisão da jornalista, destacando que isto “viola a liberdade de imprensa” e culpou as autoridades dos EUA pelas consequências desse comportamento “discriminatório”.

O sindicato exigiu que os EUA liberassem imediatamente a jornalista e que respeitem seus direitos humanos e profissionais.

O sindicato pediu que os meios de comunicação e organizações internacionais expressem sua solidariedade com a jornalista.

O ministro iraniano do Exterior, Mohammad Javad Zarif, disse que foi um “jogo político inaceitável” a prisão da jornalista e ressaltou que a medida viola a liberdade de expressão.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 (com Hispan TV)/ Tornado


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/prisao-marzie-hashemi-jornalista-iraniana-nos-eua-viola-liberdade-de-imprensa/

Sputnik qualifica como censura a remoção de suas contas no Facebook

Agência Sputnik
© Sputnik /

As ações do Facebook, que removeu mais de 500 perfis ligados à Rússia, incluindo sete contas da agência Sputnik, têm motivos políticos e, de fato, correspondem à censura, informou a assessoria de imprensa da agência.

A assessoria de empresa informou que foram também bloqueadas sete páginas das redações da Sputnik nos países vizinhos da Rússia e considera tais ações “claramente políticas” e "de censura".

"As redações da Sputnik se dedicam às notícias, e fazem isso bem. E se o bloqueio é a única reação do Facebook ao trabalho de qualidade da mídia, não temos perguntas – tudo é evidente. Mas há a esperança de que o bom senso vença, leia a Sputnik", comentou a assessoria de imprensa.


Na quinta-feira (17), Nathaniel Gleicher, diretor do departamento de política de segurança cibernética do Facebook, informou que a empresa “removeu 364 páginas do Facebook envolvidas na coordenação do comportamento inautêntico como parte de uma rede que se originou na Rússia e opera nos países Bálticos, Ásia Central, Cáucaso, Europa Central e do Leste”.

Além disso, a empresa removeu 107 páginas no Facebook e 41 contas no Instagram, porque “os indivíduos por trás dessas contas se passaram primeiramente por ucranianos e operaram uma série de contas falsas para divulgação notícias de tópicos diversos, tais como previsão do tempo, protestos, OTAN e condições sanitárias nas escolas”. Segundo a declaração da empresa essas contas também estão ligadas à Rússia.

A conta da Sputnik Brasil no Facebook não funciona desde 14 de dezembro.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019011713127743-sputnik-facebook-conta-remove-censura/

A recusa a defender Assange mostra a verdadeira natureza dos média corporativos

Caitlin Johnstone [*]
Na terça-feira, um advogado de topo do New York Times, David McCraw, advertiu uma sala cheia de juízes que o processo de Julian Assange pelas publicações do WikiLeaks estabeleceria um precedente perigoso que acabaria por prejudicar os principais meios de comunicação, como o NYT, o Washington Post e outros media que publicam documentos secretos do governo. "Acho que a ação contra ele seria um precedente muito, muito mau para as editoras", disse McCraw. "Neste caso, segundo sei, ele vê-se na posição de uma editor clássico e acho que a lei teria muita dificuldade em distinguir entre o New York Times e o WikiLeaks." Sabem onde li isto? Não no New York Times. "Curiosamente, no momento em que escrevo, as palavras de McCraw não encontraram nenhum eco no próprioTimes", escreveu o ativista Ray McGovern, em entrevista ao media alternativo Consortium News. "Nos últimos anos, o jornal mostrou uma tendência marcante para evitar imprimir qualquer coisa que pudesse pôr em risco o seu lugar de favorito no colo do governo". Então vamos examinar um pouco tudo isto. É agora do conhecimento público que o governo equatoriano procura ativamente entregar Assange para ser preso pelo governo britânico. Isto foi relatado primeiro por RT e depoisconfirmado de maneira independente por The Intercept , agora é conhecido do público em geral e relatado pelos media convencionais como a CNN . É também do conhecimento público que o asilo de Assange foi concedido pelo governo equatoriano devido ao medo de uma extradição para os EUA e de acusações pelas publicações do WikiLeaks . Todos, do presidente Donald Trump ao ministro da Justiça Jeff Sessions , passando pelo secretário de Estado Mike Pompeo , Adam Schiff , membro do Comissão de serviços de Informação Câmara de Representantes, até aos membros democratas do Senado , fizeram declarações públicas afirmando claramente que o governo dos EUA quer tirar Assange do seu asilo político e prendê-lo. O New York Times está consciente disto, como testemunham os comentários de McCraw, está também consciente do perigoso precedente que tal processo criaria para todos os meios de comunicação. A redação do New York Timesestá ciente de que o governo dos EUA, ao processar um editor por publicar documentos importantes que haviam sido ocultados do público, tornaria impossível para o Times publicar o mesmo tipo de material sem temer as mesmas repercussões legais. Está ciente de que as manobras contra Assange representam uma ameaça existencial muito real para a possibilidade de jornalismo real e prestação de contas do poder. Poderíamos esperar uma avalanche de análises e artigos de opinião do New York Times condenando veementemente qualquer ação contra Julian Assange. Seria de esperar que em todos os media dos Estados Unidos soasse o alarme; tanto mais que a ameaça vem da administração Trump, sobre a qual os media como o New York Times fazem de boa vontade circular alertas alarmantes. Seria de esperar que todos os comentadores da CNN e da NBC pudessem referir-se a Assange como o caso mais claro e mais óbvio da famosa "guerra contra a imprensa livre" de Trump. Mesmo deixando de lado as questões de moralidade, compaixão e direitos humanos em torno do caso Assange, poder-se-ia pensar que eles o defenderiam bem alto e com força, só pela simples razão do interesse próprio. E no entanto, não é o caso. Este facto faz com que revelem a sua verdadeira natureza. Teoricamente, o jornalismo tem como objetivo ajudar a informar a população e responsabilizar as autoridades. Por isso é a única profissão explicitamente nomeada na Constituição dos EUA, e é por isso que a liberdade de imprensa beneficiou de tais proteções constitucionais ao longo da história dos Estados Unidos. A imprensa [corporativa] de hoje não protege Julian Assange porque não tem intenção de criar uma população informada ou de responsabilizar os poderes públicos. Não se trata de sugerir a existência de uma grande conspiração secreta entre os jornalistas americanos. É o simples facto de os plutocratas possuírem a maior parte dos meios de comunicação e contratarem as pessoas que os dirigem, o que naturalmente cria um ambiente onde a melhor maneira de avançar na carreira é permanecer perpetuamente inofensivo para o establishment sobre o qual os plutocratas construíram os respectivos impérios. É por isso que se veem jornalistas ambiciosos no Twitter a esforçarem-se por serem os primeiros a usar uma frase concisa favorável ao programa da elite cada vez que a actualidade lhes dá essa oportunidade. Eles estão cientes de que sua presença nos media sociais é avaliada por potenciais empregadores e seus aliados a fim de medir o seu nível de lealdade. É também essa a razão pela qual tantos que pretendem tornar-se jornalistas atacam Assange e WikiLeaks sempre que possível. "Qualquer um que deseje entrar na elite cultural deve agora ter cuidado nos seus media sociais para evitar controvérsias", declarou recentemente o jornalista Michael Tracey. "Eles acabam por interiorizar que evitar a controvérsia é uma virtude e não uma imposição da sociedade. O resultado é uma cultura de elite conformista e entediante". Um excelente meio de um candidato a jornalista evitar controvérsias é nunca, nunca defender Assange ou o WikiLeaks nos media sociais ou de algum modo sugerir que nunca publicará documentos das mesmas origens como os do WikiLeaks. Uma excelente maneira de dar provas na profissão é juntar-se a todos aqueles que escrevem numerosos artigos de difamação sobre Assange e WikiLeaks. Os media de grande público e aqueles que se expandem não pretendem sacudir a árvore e perder os privilégios e acesso que adquiriram arduamente. Os media conservadores continuarão a defender o presidente dos EUA e os media liberais a defender a CIA e o FBI. Ambos ajudarão a promover a guerra, o ecocídio, o expansionismo militar, a vigilância e a militarização da polícia, e nenhum divulgará nada que possa minar as estruturas de poder que aprenderam a servir. Eles permanecerão em todas as circunstâncias os defensores inofensivos e indiscutíveis dos ricos e poderosos. Enquanto isso, os media alternativos defendem ferozmente Assange [nem todos, nem todos, NT) [NR] . Hoje, vi artigos do Consortium News , World Socialist Website , Disobedient Media , Antiwar e Common Dreams a denunciarem a perseguição ao mais importante activista da transparência governamental actualmente vivo. Media alternativa e escritores independentes não estão sujeitos a servidões ao establishment, assim a importância do WikiLeaks é clara como a água pura da nascente. Nunca se é tão cego aos comportamentos perniciosos do poder como quando é o poder que assina o cheque do seu salário. Os mass media nos EUA e no mundo inteiro desacreditaram-se totalmente ao não defenderem uma editora que tem o poder de fazer o governo prestar contas e lançar luz sobre a verdade, para criar um público informado. Cada dia que passa em que eles não condenam inequivocamente as tentativas de processar Assange é mais uma prova, entre muitas, de que os media corporativos estão ao serviço do poder e não da verdade. O seu silêncio é uma admissão tácita de que não são nada mais que estenógrafos e propagandistas das forças mais poderosas da Terra. 
01/Janeiro/2019
[NR] Resistir.info procurou no sítio web do Sindicato dos Jornalistas alguma manifestação em defesa de Julian Assange, ou pelo menos uma menção à sanha persecutória do império contra o fundador da WikiLeaks.   No entanto, nada encontrou.   Aparentemente as ameaças que pesam sobre Assange e a liberdade de imprensa não preocupam este sindicato. [*] Jornalista.  O original encontra-se em medium.com/...   e a versão em francês em www.legrandsoir.info/...  Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/a-recusa-defender-assange-mostra.html

A guerra de audiências é tão feia

«Percebe-se bem a zanga que lavra nesta guerra pelas audiências: nas vésperas da estreia do programa da Cristina Ferreira, Goucha convidou um nazi, a coisa parecia ter corrido bem, falou-se do caso, mas acabou por dar bernarda, perdeu logo a liderança das audiências, e daí encontrou um santo remédio, anunciou um fascista para a semana seguinte, Alexandre Frota. É uma galeria de horrores? Que nada, é uma feroz guerra pela audiência e pela publicidade, é dinheirinho. E, se o Presidente telefona à Cristina, a resposta é convocar a coleção dos energúmenos que parece que Goucha quer adotar. Se uma chora de comoção pela honraria, o outro promete o ator porno que se vangloria de uma violação, agora justificada como uma comédia stand up, entre muitas outras aleivosias (e depois o homem não vem no dia aprazado, malcriado). O sujo é mesmo sujo.
O convite de Goucha a Mário Machado foi interpretado como um gesto político e o convite a Frota logo de seguida só reforçou essa ideia. Mas continua a ser errada uma grelha de leitura política ou a teoria sobre a invasão fascista na comunicação social (já nem me refiro à pretensão de que um programa com um delinquente é uma restituição do pluralismo que falta). O único motivo de Goucha é a guerra das audiências, o que não desvaloriza o convite a um delinquente condenado a uma soma de 19 anos de prisão, e nazi declarado, ou vontade de promover o porradismo de Bolsonaro. Aliás, Goucha tentou apresentar Machado como um homem de “ideias” e o convite como uma forma de democracia, ou até de higiene preventiva, mas recuou logo e suspendeu a rubrica. Insistiu depois convidando Frota porque os números foram constrangedores: estava a valer metade do programa concorrente. A bolsa das audiências é que ativa o disparatómetro em que se tornou esta novela. Pode-se por isso temer que o programa passe a incluir, depois das receitas de cozinha, uma secção para ouvir os simpáticos milicianos que depois da emissão tiram a maquilhagem, dizem boa-noite e vão organizar a caça aos negros ou aos homossexuais, ou espancar mulheres pelas ruas fora. Se der audiências, pode estar certo que vai ser proposto.
De tudo, o que verdadeiramente me incomoda é que esta questiúncula, provocada por uma escolha publicitária que mostra como, na luta por umas receitas de bilheteira, um programador até pode utilizar a promoção da indiferença perante as violências racista e fascista e outras barbaridades, oculta o que é verdadeiramente perigoso. É mesmo essa guerra sem freio pelas audiências. Esse é o vale tudo. E esse vale tudo até já está entre nós em modo ambicioso, num canal perto de si, e tem estaminé no sofisticado populismo de gravata, que carimba as opiniões, que exibe a pretensão de falar com o povo, se não mesmo em nome do povo. Essa é a televisão de grande audiência que pode vir a ajudar um futuro partido de extrema-direita ou simplesmente a transformação de alguns dos partidos atuais. Deixemos o Machado na cela que escolheu, há por aí gente mais perigosa e que parece mansa, mas que, como diria o Aleixo, não sendo o que parece, parece o que não é.»
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Leia original aqui

No jornalismo o mais importante é a informação

(José Pacheco Pereira, in Público, 12/01/2019)

JPP

Pacheco Pereira

Um dos problemas do jornalismo contemporâneo português é a sua pouca atenção à informação e a sua substituição pela opinião. A opinião é um elemento importante do tecido democrático que estende pelo espaço público o debate, mas não substitui a informação, o velho programa do jornalismo de “quem, o quê, quando, onde, porquê e como”. Ora o que se está a passar é uma contínua degradação da informação e, pior do que isso, da “vontade de informar”, em detrimento de uma informação opinativa, uma forma de “narrativa” que envolve subjectivamente o seu autor naquilo que relata, e o prende a uma sucessão de opiniões e a uma escassez ou deturpação de informações.

Já tenho várias vezes denunciado esse processo que se tem acentuado à medida que as redacções se tornam mais desertificadas, mais hierarquizadas e mais feudalizadas. E é um processo mais grave na imprensa de referência. Quem cobre um partido, ou uma área da cultura, ou do espectáculo, ou uma manifestação de rua, é hoje pouco mais do que um jornalista ou dois, e muito menos uma equipa, mesmo nos grandes jornais. Esse(s) jornalista(s) é (são) “especializado(s)” num assunto, o que em si é positivo, mas detêm o controlo da “narrativa” sobre esse assunto, o que é mau. Isto soma-se ao efeito do “jornalismo de rebanho” que isola as opiniões solitárias e tende a uniformizar o produto final, e a diminuir o pluralismo.

São eles também que falam com as “fontes”, muitas delas abusivamente anónimas, e com todos os problemas que essa relação tem, havendo quase sempre uma espécie de tradoffentre jornalista e “fonte”. E não adianta rasgar as vestes porque toda a gente sabe que é assim, a que acresce a relação muito menos transparente com as agências de comunicação. Ainda me estão por explicar por que razão quando uma empresa, um escritório de advogados, uma consultora, paga a uma agência de comunicação consegue “colocar” as sua notícias e quem não tem ou não paga o serviço, não consegue publicar nada, independentemente do seu valor informativo. Os casos mais evidentes são as páginas especializadas, por exemplo, do jornalismo económico.

Existe jornalismo tendencioso por simpatia política, mas nem sequer é disso que estou a falar, embora o produto final possa caber nessa categoria. Um exemplo, do falhanço de informação, que neste caso não cumpriu a obrigação de informar, foi o completo desconhecimento na campanha eleitoral brasileira para as presidenciais em Portugal, de que havia uma forte simpatia a favor de Bolsonaro, que depois se revelou nas urnas. Os nossos jornais dedicaram muito mais atenção ao PT, nem sequer se interessando por um fenómeno também nacional.

Mas voltando à feudalização crescente nos jornais – o jornalista A “manda” no que se publica sobre a Europa, o B sobre a crítica de livros, o C sobre o PS, etc. – e condiciona a “narrativa” sobre essa matéria, e nesse caso acaba por ser envolvido no que escreve. Se diz que um autor ou um artista são muito bons, muito dificilmente dirá que são maus, mesmo que as suas obras futuras sejam de inferior qualidade. O mesmo se passa com a apreciação das pessoas em que factores de simpatia ou antipatia são inevitáveis e acabam por condicionar a “narrativa”.

O que acontece é que se algum facto ou actuação colocar em causa a apreciação jornalística, quem fica em causa é também o jornalista, porque algures cometeu um erro de julgamento ou de apreciação, ou porque se envolveu tanto com uma opinião pessoal ou de grupo, que não pode, consegue ou deseja sair desse casulo em que se meteu. E é por isso que as “narrativas” não mudam, porque há uma resistência psicológica à mudança, quando ela põe em causa todo um perfil, toda uma série de apreciações, toda uma sucessão de opiniões. É por isso quando alguém é bom, ou esperto, ou hábil, ou responsável, fica sempre assim, porque não são os factos que mandam, mas o julgamento opinativo do jornalista. E quem é mau, ignorante, desleixado, incompetente, fica também sempre assim, pelas mesmas razões.

Com a solidificação da “narrativa”, os factos deixam de contar porque ou são híper-valorizados para acentuar uma opinião, ou são ignorados se se tornam “factos incómodos”, porque colocam em causa a apreciação que o jornalista tem feito, nalguns casos de há muito tempo para cá.

Não é difícil fazer uma lista de amizades, ódios, gostos e desgostos, em que se percebe bem demais a simpatia ou a antipatia em todas as áreas do jornalismo. Com a escassez de pessoas e o pouco trabalho de equipa, a feudalização e o mandarinato, os jornais são sucessões de opiniões com muito pouca informação por trás. No caso dos jornalistas individuais, isto pode ser psicologicamente compreensível, mas é mau jornalismo.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Polícias eleitorais ou as duas faces da mesma moeda

As fake news e as novelas das supostas ingerências externas em actos eleitorais são o pretexto para a criação de corpos transnacionais de polícia eleitoral e o reforço do neoliberalismo como fascismo social.
José Goulão | AbrilAbril | opinião
A par da convergência dos populismos e neofascismos para as muitas campanhas eleitorais que aí vêm no plano internacional, está também em campo uma variante aglutinadora que contribui para replicar, mais coisa menos coisa, as eleições presidenciais norte-americanas de 2016. Incluindo aquilo a que o mainstream parece reduzir a política de hoje: as fake news e as novelas das supostas ingerências externas em actos eleitorais. Tudo a funcionar como nevoeiro para disfarçar o grande objectivo em jogo: reforçar o neoliberalismo como fascismo social – com mais ou menos fascismo político.
Chama-se Comissão Transatlântica para a Integridade Eleitoral, funciona no âmbito de uma denominada Aliança para as Democracias, com sede em Copenhaga e, entre muitas outras coisas, afirma dedicar-se a combater as informações falsas e as interferências externas em eleições; para isso, parte do princípio de que nenhum dos lados do Atlântico está verdadeiramente preparado para os riscos que ameaçam os cerca de 20 actos eleitorais que se realizam até 2020. Entre as notáveis e recomendáveis figuras que desempenham estas missões estão membros das administrações Bush e Obama, um ex-secretário geral da NATO e um organizador de esquadrões da morte na América Latina, além de José María Aznar e Tony Blair.
A Comissão Transatlântica para a Integridade Eleitoral diz que nasceu para acabar com a desinformação e as interferências estrangeiras em actos eleitorais norte-americanos, latino-americanos e europeus. Junta políticos no activo, ex-presidentes, vice-presidentes e vários ministros de vários países, jornalistas, apresentadores e editores de alto gabarito, algumas fundações, homens de negócios e também figuras de proa de impérios tecnológicos globais como o Facebook e a Microsoft, além de instituições indubitavelmente sintonizadas pela CIA, como o Conselho do Atlântico.
Esta comissão define-se a si mesma como «bi-partidária», entendendo-se por isso não apenas a formatação política norte-americana mas também o tradicional «arco da governação» do regime globalista neoliberal, isto é, os sociais-democratas liberais e a direita da área do Partido Republicano/Partido Popular Europeu.
O seu objectivo central está plasmado na panóplia de discursos e declarações proferidos e aprovadas na primeira «Cimeira das Democracias», realizada em 22 de Junho de 2018 em Copenhaga: combater tudo o que perturbe «o livre desenvolvimento das democracias em todo o mundo e a instauração de mercados livres». A cimeira nasceu das iniciativas do ex-secretário geral da NATO Anders Fogh Rasmussen e do vice-presidente de Obama, Joseph Biden. As notas finais do encontro foram redigidas por Tony Blair, acusado no seu país de ter mentido para provocar a invasão do Iraque; e que já discursara anteriormente, tal como o ex-chefe do governo espanhol, o neofranquista José María Aznar, que participou na encenação da mesma mentira feita em Março de 2003 na Cimeira das Lages, nos Açores.
Combater a interferência interferindo
Monitorar os riscos eleitorais que vão sendo detectados, de modo a ajudar os países a identificar as vulnerabilidades que facilitam as ingerências eleitorais externas, é uma das linhas de acção da Comissão Transatlântica, que promete disponibilizar soluções tecnológicas «contra a desinformação» e ferramentas baseadas em inteligência artificial que sejam «destrutivas em relação a conteúdos falsos», além de reduzirem as possibilidades de intromissão externa.
Segundo os apuramentos feitos pela Cimeira das Democracias, na sequência de actividades de monitorização, 80% das intromissões externas em eleições são de origem russa, como ficou provado, segundo a Comissão Transatlântica, nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016, nos Balcãs e também no México, em 2018.
Embora não haja qualquer alusão ao que se passou no Brasil de Bolsonaro, sabe a Comissão Transatlântica que as eleições mexicanas ganhas pelo progressista e anti-neoliberal Lopez Obrador foram alvo de ingerências do Irão, da Venezuela e, claro, da Rússia.
E sabe ainda que, nos Balcãs, casos graves envolvendo igualmente Moscovo foram detectados no referendo sobre a mudança de nome na Antiga República Jugoslava da Macedónia e que abriu a porta às futuras integrações do território na União Europeia e na NATO.
Ora o que também está absolutamente comprovado – mas fora do âmbito de acção da Comissão Transatlântica – é que tanto o referendo macedónio como as recentes eleições gerais da Bósnia-Herzegovina decorreram sob comando directo dos embaixadores dos Estados Unidos e dos representantes locais da União Europeia, passando inclusivamente pela compra de votos de deputados para obtenção, por via parlamentar, do que não foi possível pelo caminho referendário. Terão sido estas acções inseridas já no âmbito da «monitorização» montada pela Comissão Transatlântica? Nada obsta, tanto mais que um dos objectivos expresso por esta é estar «um passo à frente dos acontecimentos», onde cabe perfeitamente o princípio de combater a interferência interferindo por antecipação.
Convergência no fascismo ucraniano
«Trabalhar com empresas tecnológicas na criação de ferramentas inovadoras para combater a desinformação e os conteúdos falsos» é um dos mandamentos de topo da Comissão Transatlântica para a Integridade Territorial, no âmbito da Aliança das Democracias.
Por isso, na lista de nomes sonantes que dão corpo a estas novas instituições supranacionais é possível encontrar, a par de famosos leitores de telepontos na ABC e na CNN e da editora do Bild, o expoente dos tablóides europeus, um dos mais graduados directores da Microsoft na Europa, John Frank, e também Richard Allan, vice-presidente da divisão de Soluções Políticas Globais do Facebook. Tendo já sido detectadas actividades desta catedral das redes sociais pouco compatíveis com a liberdade de expressão, a democracia e o equilíbrio eleitoral, não será difícil prever agora uma dinâmica reforçada no combate às chamadas fake news, tendo no horizonte as eleições até 2020, a começar pelas europeias de Maio próximo. Chegados a este ponto fica a faltar saber como vão as novas ferramentas distinguir entre conteúdos falsos ou aqueles que apenas contradizem democraticamente quem as manipula. Os famosos algoritmos estarão fiavelmente ensinados para distinguir o que é verdadeiro do que é falso ou é apenas contraditório?
Sabemos que a extrema-direita e o neofascismo, arrebanhados atrás da figura carismática de Steve Bannon, o homem que fez de Trump presidente dos Estados Unidos e de Bolsonaro presidente do Brasil, trabalham activamente nas estratégias para próximas eleições na Europa e Américas.
A Comissão Transatlântica, dentro da Aliança das Democracias, surge igualmente a marcar terreno na área do neoliberalismo, parecendo contrapor o globalismo do chamado «Partido de Davos» – o classicismo neoliberal que tem prevalecido – a uma ortodoxia do regime que vai beber às suas raízes em Pinochet e ao fascismo chileno.
Mas se este pode ser confundido com a figura de Steve Bannon, não é difícil encontrar almas gémeas na Comissão Transatlântica como Michael Churtoff, secretário para a segurança interna na administração de George W. Bush e, sobretudo, o inigualável John Negroponte, há muito defendendo a democracia com Reagan, Bush pai e filho, Clinton, Obama, Trump e até como embaixador na ONU. Esteve na saga dos «combatentes da liberdade» apoiando terroristas como os da Unita, somozistas na Nicarágua, Mujahidines e al-Qaida, sem esquecer os métodos de falsificação de eleições, designadamente nas Honduras, de que houve novo exemplo bem recentemente. O mesmo Negroponte que não hesitou em coordenar a formação e actuação de esquadrões da morte na América Latina, enquanto embaixador dos Estados Unidos, quando a sua «democracia» estava supostamente em perigo, mesmo que fosse através de eleições livres e democráticas. Agora reencontramo-lo disponibilizando inesgotáveis recursos à Comissão Transatlântica para a Integridade Eleitoral, sendo legítimo supor que a sua cartilha democrática, tão testada e aplicada, apenas se reforçou, não se alterou.
Pelo que não é surpresa observar as hostes de Bannon e Biden, Rasmussen e Negroponte – erigidas em polícias eleitorais – convergindo na figura de Porochenko nesta nova fase para reforço da institucionalização do fascismo ucraniano, nas eleições presidenciais de Março.
Será talvez difícil apurar qual das polícias, ou se foram ambas, recorreu à ferramenta nada inovadora da provocação no Estreito de Kerch, no passado dia 25 de Novembro, que permitiu ao presidente Porochenko declarar a lei marcial para se posicionar como favorito inquestionável. Ele que não passava dos 8% antes do conveniente «incidente». Não tenhamos dúvidas, porém, de que as próximas eleições ucranianas, decorrentes de um estado de excepção e organizados por metade de um país que impõe o terror militar fascista a outra metade, encaixa tanto no figurino «democrático» do «Partido dos Populistas» de Steve Bannon como no do «Partido de Davos» de Blair, Aznar, Biden e Negroponte, mais esquadrão da morte, menos esquadrão da morte. Donde não nos será difícil ter uma ideia dos critérios que vão seleccionar a informação expurgada de toda a desinformação e falsidade a servir aos eleitores envolvidos na escolha de duas dezenas de governos, parlamentos e presidentes em pouco mais de 12 meses.
Para estes corpos transnacionais de polícia eleitoral, com as suas divergências, que não são de fundo – longe disso – o que vai jogar-se é somente a manutenção do sistema de exploração garantido pelo capitalismo selvagem, o neoliberalismo económico, o fascismo social. Mais ou menos fascismo político, isso depende apenas do doseamento de meios para obter o mesmo fim.
Na verdade, estes campos são fáceis de identificar. Assim as pessoas queiram vê-los e combatê-los.

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/policias-eleitorais-ou-as-duas-faces-da.html

Marcelo surfista na crista do canhão da TVI bateu Macnamara

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Na mensagem de Ano Novo Marcelo convocou os portugueses a participarem nas eleições que se vão realizar este ano, destacando o seu significado mais profundo em termos de escolhas para o futuro.
De facto, em 2019 realizar-se-ão três atos eleitorais. Seria adequado, dado que as próximas são já em maio, que os partidos políticos, os media e os portugueses estivessem minimamente interessados nos programas e ou propostas dos que serão candidatos. Ainda mais incentivados pelo vibrante apelo do PR.
Os portugueses, no início deste ano, já tinham sido sacudidos da sua letargia decorrente das festas natalícias por uma tempestade de ideias que jorraram da entrevista da TVI a Mário Machado, especialista em mecenato, e da esperada e desesperada estreia na SIC do programa da Cristina Ferreira, após as suas férias de sumptuoso luxo nas Maldivas.
A nossa Lady Di escolheu para a glamorosa estreia o inebriante Luís Filipe Vieira que se apresentou bem-disposto a jogar à bisca com a senhora.
E para que ninguém tivesse dúvidas acerca da importância daquele conclave a dois, juntou-se via telefone Marcelo que intervalou no meio de uma reunião para desejar as maiores felicidades à fugitiva da TVI.
Em boa verdade qualquer reunião (salvo se outros forem os regulamentos) é passível de um intervalo.
Aceita-se assim que Marcelo intervale. Como não fuma, dado o seu frenesim, aceita-se também, em ano com três eleições, que ele, na esteira da sua mensagem de Ano Novo, entre nas discussões relevantes, não tivesse deixado sozinhos os dois grandes pensadores da manhã da SIC.
O programa foi marcado por uma revelação totalmente inesperada – a promessa de Luís Filipe Vieira de ter um novo treinador que poderia ser Mourinho que só o soube pela imprensa. Explicou a mágoa pelos lenços brancos e, qual adivinho, augurou que os benfiquistas ainda se vão arrepender de ele (Vieira) ter mandado o Vitória para as areias quentes da Arábia Saudita. E deixou implícita a sua recusa em tornar definitiva a escolha provisória.
No outro canal Luís Goucha bem se tinha esfarrapado para passar a perna à Cristina ,tendo levado para o seu “programa” Mário Machado, conhecida personalidade do mundo da bondade, repleto de condecorações conferidas nas prisões por onde passou dada as opiniões controversas de sua autoria.
O ano tinha terminado (lembram-se?) com Marcelo a alertar para os perigos das disputas eleitoralistas e populistas, e começou o novo com o apelo ao debate sereno e cívico para defender o regime democrático.
Ora aqui estamos nós entre a SIC, TVI, RTP e CMTV ungidos por grandes debates acerca das condições em que os portugueses vivem, a importância do Parlamento europeu, as consequências do Brexit, o futuro da geringonça e as escolhas da Madeira.
O que vale o anúncio de três ou quatro novas estações de metro em comparação com a nova cláusula de rescisão de Eder Militão? Ainda se António Costa seguisse o conselho de Assunção Cristas e mandasse abrir vinte novas estações de metro…Resta-nos a saga da luta mortal entre Montenegro(nome de espadachim) e Rio, o conciliador.
Razão tinha Marcelo na sua mensagem…“Debatam tudo, com liberdade… Podemos e devemos ter a ambição de dar mais credibilidade, mais transparência, mais verdade às nossas instituições políticas. Para que a confiança tenha razões acrescidas para se afirmar… “Et voilá, os grandes debates em curso, animados pelo mais alto magistrado da nação, mostram que a SIC, a TVI, a RTP e a CMTV, estão atentas. E daí esperar que continuem a levar grandes figuras aos seus écrans, muito futebol, a vida sexual e luxuosa dos famosos e seus escândalos, a explicação dos crimes, e muitos beijinhos de felicidades. Sem televisão os portugueses não saberiam escolher. Sem Marcelo que seria do surf? Bem hajam no país de tantos basbaques.

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Ciúmes

(Por Estátua de Sal, 10/01/2018)

ciumes na presidencia

Imagem in Blog 77 Colinas

Se pensavam que as afirmações mais polémicas e  virais dos últimos dias terão sido proferidas pelo Trump, pelo Bolsonaro ou por outro qualquer lunático no poder, desenganem-se. Vieram de um escritor francês que ousou dizer-se incapaz de gostar das  mulheres de cinquenta anos, preferindo as mais novas (ver entrevista aqui).

Não sendo tal opinião inédita ao longo da História, nem sequer inédita ao nível da literatura, não percebi muito bem qual a razão para tanta polémica. Afinal, eu até tinha um amigo – psiquiatra de profissão, já falecido -, que dizia, meio jocoso, meio cínico, que depois dos dezasseis anos as mulheres são todas velhas, e tentava fundamentar a blague,para espanto dos auditores, com uma lista de dados fisiológicos que debitava do alto da sua autoridade médica. Para já não falar da atracção que muitos sentem pelas muito jovenstendência retratada por Vladmir Nabokov no polémico romance, Lolita, envolto durante muitos anos numa névoa de escândalo e por isso censurado.

Mas que relação haverá entre o desassombrado escritor e o Professor Marcelo, além do facto de Marcelo ter também, nos últimos dias, sido o centro de uma polémica aguda, depois de ter entrado em directo, via telefone, no novo programa de Cristina Ferreira na SIC?

É que, Marcelo trocou a Tia Judite já cinquentona  – mas com quem mantinha uma evidente cumplicidade, criada ao longo de anos de convívio dominical no seu espaço de comentário na TVI -, pela Cristina Ferreira, agora na SIC, muito mais viçosa e apelativa.

A Tia Judite deve estar mesmo despeitada, ciúme à flor da pele, e o despeito e o ciúme são coisa grave nos humanos, e nas mulheres, talvez ainda, coisa mais séria.

Escusam, pois, de tentar encontrar fundamentos políticos, enredos maquiavélicos, amizades reatadas com o Dr. Balsemão, ou outras quaisquer outras motivações arrevesadas para explicar o telefonema de Marcelo para a Cristina.

A explicação é mais prosaica. Contrariamente ao Macron – que se baba pelas cinquentonas -, o Marcelo é da escola do Yann Moix, o tal escritor francês e são as mais novas que o desinquietam.

Isto é, a Judite já está entradota, demasiado pintalgada, a tentar esconder que está a perder o viço, enquanto a Cristina está esplendorosa e criativa propondo-se aumentar com denodo a sua conta bancária e de passagem a do Dr. Balsemão.  É a vida.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Número de concelhos sem CTT pode aumentar

O regulador diz ser «expectável» que suba de 33 para 48 o número de concelhos sem CTT. São mais de 400 mil pessoas que podem vir a perder o serviço postal.

CréditosAntónio Cotrim / Agência Lusa

Num comunicado citado pela agência Lusa, a ANACOM revela que, de acordo com informação recebida dos CTT em Novembro, «é expectável que o número de concelhos sem estações de correio suba para 48 no curto prazo, o que significa que 15,6% do número total de concelhos, onde residem mais de 411 mil habitantes, ficarão sem uma estação de Correios». 

De Norte a Sul, os encerramentos registados em 2018, contestados pelos utentes, levaram a que tenham subido para 33 os concelhos em Portugal que já não têm estações de Correios, sendo que, atesta o regulador, até 2017, e desde 2013, «apenas existiam dois concelhos sem estações de Correios».

A ANACOM confirma que o aumento do número de concelhos sem estações de Correios, localizados esmagadoramente no interior do País, «veio condicionar de forma drástica» a possibilidade de as populações e as empresas satisfazerem as suas necessidades de serviços postais. 

Adverte que o serviço postal universal «deve assegurar a satisfação de padrões adequados de qualidade», nomeadamente no que se refere a prazos de entrega, e informa que deu ontem aos CTT um prazo de 20 dias úteis para apresentarem uma proposta que permita a existência em cada concelho de, pelo menos, uma estação de Correios ou um posto. 

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/numero-de-concelhos-sem-ctt-pode-aumentar

ERC, Mário Machado e TVI

Comunicado de imprensa do Movimento SOS Racismo sobre a deliberação da ERC relativamente ao convite de Mário Machado pela TVI.

COMUNICADO

Deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) legitima o branqueamento de Mário Machado pela TVI

  1. De acordo com a Deliberação que a ERC proferiu, no que respeita às participações recebidas a propósito da emissão de 03/01/2019, do programa “Você na TV” – entrevista a Mário Machado, da TVI, foram efectuadas as seguintes recomendações genéricas:
  1. A necessidade de garantir a exposição dos diversos pontos de vista possíveis;
  2. A necessidade de garantir a efectiva representatividade dos intervenientes;
  3. A necessidade de garantir, pela escolha dos intervenientes, a qualidade da informação a transmitir;
  4. A necessidade de garantir o rigor no tratamento concedido ao tema, designadamente em matéria de contextualização, precisão e escrutínio da informação.”
  1. Não deixa de ser curioso que, deliberando que “no caso vertente, dos mesmos não se extraem factos que indiciam a prática de qualquer contra ordenação ou de crime por violação da Constituição da República Portuguesa ou de qualquer normativo em vigor.” a ERC ainda se dá ao trabalho de fazer as recomendações acima referidas.
  1. Sobre as várias questões levantadas nas participações que foram efectuadas, nos comunicados e posições assumidas por dezenas de entidades, incluindo o Sindicato dos Jornalistas e associações, a ERC entendeu que não há motivo para qualquer outra intervenção da sua parte, tecendo considerandos jurídicos quer sobre a liberdade de imprensa, quer sobre a liberdade de pessoas que já cumpriram penas pela prática de crimes e o facto de não poderem ser limitadas na sua liberdade de expressão.
  1. A este propósito, o SOS Racismo dá por reproduzido tudo quanto consta do comunicado emitido sobre esta matéria no passado dia 03 do corrente. Mas importa ainda dizer o seguinte:
  1. É óbvio que, do ponto de vista estritamentejurídico, qualquer pessoa que tenha sido condenada pela prática de crimes e que tenha cumprido a pena que lhe for aplicada, não fica, em princípio, diminuída no exercício dos seus direitos fundamentais.
  1. Mas, mantendo o dever como qualquer outro cidadão, fica obrigado a cumprir a Lei – nomeadamente, a não produzir discursos de ódio e discriminação racial.
  1. Por outro lado, a TVI, enquanto órgão de comunicação social, deve assumir, respeitar e veicular os princípios fundamentais do exercício da sua actividade, em especial, não veicular notícias falsas, não branquear crimes e não dar palco a que outros crimes sejam cometidos.
  1. Para anunciar a entrevista em causa, a TVI e os seus profissionais apresentaram Mário Machado como “autor de declarações polémicas”. Ora, Mário Machado não é apenas o “autor de declarações polémicas”; Mário Machado é o autor, condenado em Tribunal, pela prática de vários e violentos crimes, tais como discriminação racial, ofensas à integridade física, coação, sequestro, posse ilegal de armas, difamação agravada, tentativa de extorsão, entre outros. A TVI ocultou informação relevante sobre a personagem que escolheu para os seus programas.
  1. Mesmo durante os dois programas em que Mário Machado foi entrevistado, a TVI permitiu que vários dos seus crimes e condenações fossem branqueadas mostrando apenas a versão do entrevistado: Mário Machado alegou ter sido vítima de erro judicial e ter sido condenado apenas porque escreveu uns textos. Não é verdade – Mário Machado cumpriu pena de prisão pelos crimes descritos e foi libertado quando terminou de cumprir as penas de prisão a que foi condenado, crimes, esses, que não se limitam a uns “textos” que o próprio escreveu. A TVI permitiu, assim, que informação relevante sobre a personagem que escolheu para “entrevistar”, por duas vezes, mentisse sobre as suas condenações, transmitindo a ideia de que o sistema judicial e democrático português perseguiram, injustamente, um cidadão.
  1. Na rubrica “Você na TV”, Mário Machado foi entrevistado por Luís Goucha e por Bruno Caetano, que é apresentado como “repórter”. Não sabe o SOS se estes dois profissionais cumprem todos os requisitos legalmente definidos para exercerem funções de jornalistas. Contudo, quer cumpram ou não tais requisitos, não podem, nem devem promover através de uma pretensa liberdade de informação a apologia de ideais e regimes fascistas.
  1. Note-se que veio a público informação segundo a qual o Ministério Público estaria a investigar Bruno Caetano, o apelidado “repórter” das manhãs da TVI, por alegadas práticas de crimes de discriminação e de incitamento ao ódio.
  1. No programa “Você na TV”, Mário Machado afirmou que ““Há uma falta de respeito pela autoridade e pelos mais velhos de hoje em dia, em comparação com o tempo do Estado Novo (…) há uma criminalidade galopante.” O dito “repórter” Bruno Caetano corrobora a opinião de Mário Machado sobre a necessidade de um novo “Salazar” para resolver o problema de autoridade.
  1. São conhecidas as formas utilizadas pelo Fascismo para resolver problemas de “autoridade” – PIDE, censura, tortura, privação da liberdade, assassinatos. Essa era a política de Salazar, do fascismo e do Estado Novo. A TVI voltou a servir de meio para branquear, de forma activa a violência do fascismo.
  1. Acresce ainda que, considerando os últimos dados publicamente disponíveis sobre a taxa de criminalidade referentes ao ano de 2018, anunciados pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, no Parlamento, Portugal é um dos países mais seguros do mundo.
  1. A 1 de Junho, as estatísticas já confirmadas apontavam para uma descida de 9,7% na criminalidade em Portugal. Apesar de os dados ainda estarem a ser sujeitos a comparações e validações, a avaliação das polícias aponta para um reforço dessa tendência de descida a atingir os 10% nos primeiros seis meses deste ano, comparativamente com igual período de 2017.
  1. O Relatório Anual de Segurança Interna de 2017, que reúne os dados referentes à criminalidade participada por oito órgãos de polícia criminal, conclui que entre 2008 e 2017 a criminalidade geral e a criminalidade violenta e grave diminuíram significativamente. A TVI, por intermédio do seu “repórter” Bruno Caetano, ao corroborar a opinião de Mário Machado sobre a “falta de autoridade”, serviu de veículo para transmitir a ideia falsa que há um problema de autoridade e criminalidade em Portugal.
  1. Perante o exposto, a questão que se coloca é se a ERC se deve ou não pronunciar sobre estes aspectos – e, do nosso ponto devista, deveria. Numa sociedade democrática, não é admissível que um órgão de comunicação social possa ser um veículo de mentiras e de branqueamento de violência, da História, do fascismo, do nazismo e do racismo.

Pelo SOS Racismo
Mamadou Ba
Joana Santos

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/erc-mario-machado-e-tvi/

Portugal | Se o crime cabe na liberdade de expressão...

Ana Alexandra Gonçalves* | opinião
A propósito do convite da TVI de um criminoso, racista e fascista, não forçosamente por esta ordem, algumas vozes gritam "liberdade de expressão" e "politicamente correcto". Se o crime cabe no conceito de liberdade expressão, então o que é que não cabe? Racismo, homofobia e fascismo não são admitidos pela lei, importa lembrar o óbvio.
O canal de televisão, na pessoa do seu director de informação e do apresentador do programa, defende o convite enquadrando-o no aparentemente espaço infinito da liberdade de expressão. A defesa não só é desesperada como perigosa. O reconhecimento do erro e um pedido de desculpas, com destaque para aqueles que foram vítimas do criminoso em questão, colocaria um ponto final sobre o assunto. Mas não é isso que a TVI quer, certo? Afinal de contas, até má publicidade não deixa de ser publicidade e, pelo menos para alguns, esta nem sequer é má publicidade, desde logo "porque nem só a extrema-esquerda tem direito a tempo de antena", a "extrema-esquerda que está no Governo" - como se essa "extrema-esquerda" apregoasse a perseguição a minorias, a misoginia, a homofobia ou o racismo mais escabroso.
A TVI ainda vai a tempo de se retractar e de enterrar o assunto, aprendendo a lição e não mais voltando a sucumbir ao desespero em nome das audiências.
*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/01/portugal-se-o-crime-cabe-na-liberdade.html

Entre o indignarmo-nos e o calarmos a indignação

Não concordando com o essencial do conteúdo da crónica de Daniel Oliveira no «Expresso» de ontem em que acaba a dar o benefício da dúvida à estratégia do irmão luso do jagunço brasileiro contra o mau populismo, tenho de convir na sua razão, quando escreve: “Vivemos um tempo difícil em que lidamos com um paradoxo: quando mais nos indignamos com o indefensável mais ajudamos o indefensável.”
De facto, quando se trata de coisas inaceitáveis como o episódio ocorrido no programa do Goucha, justifica-se que nos questionemos se valerá a pena dar-lhe a importância verificada nas redes sociais, porquanto ter-se-á aqui verificado uma lógica da regra de não haver má publicidade, apenas publicidade. Ou como dizia um colaborador meu há uns bons anos: “não importa que digam bem ou que digam mal. O que importa é que de nós falem!”.
Os tempos atuais não se coadunam com o que nos dizia a experiência passada, que encontrava valimento em desprezar o que se revelava desprezível. É que as redes sociais tendem a favorecer o que é crapuloso em detrimento do ético, se não dermos particular enfoque a esta última dimensão.
 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/01/entre-o-indignarmo-nos-e-o-calarmos.html

ERC conivente com promoção do fascismo na TVI

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social, numa resposta-relâmpago às queixas sobre as entrevistas a Mário Machado na TVI, considerou que a promoção do fascismo é matéria de «opinião».

Créditos / Jornal de Negócios

Numa das mais céleres decisões de que há memória, a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) considerou que não lhe cabe pronunciar-se sobre os convidados que as estações de televisão escolhem para entrevistar e que a defesa de «um novo Salazar» feita por Mário Machado no espaço dado pela TVI «traduz a sua opinião».

Numa declaração de voto, o vice-presidente Mário Mesquita – o único que votou de vencido – nota precisamente a pressa com que a decisão foi tomada, em contraste com os procedimentos habituais da ERC. Mas mais: considera que o regulador se refugiou «em formalismos jurídicos». As liberdades de expressão e programação não podem, sustenta, «ser invocadas para justificar o acolhimento de actos mediáticos ofensivos dos princípios fundadores da democracia portuguesa».

Recorde-se que o requerimento do PCP para que a ERC seja ouvida no Parlamento a propósito deste caso foi aprovado hoje, com a abstenção do PSD e do CDS-PP.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/erc-conivente-com-promocao-do-fascismo-na-tvi

O falso jornalismo de Der Spiegel e a campanha contra “fake news”

Peter SchwarzA recente confissão do Der Spiegel de que publicara dezenas de reportagens inventadas levantou importantes questões sobre a informação veiculada por meios de comunicação que se auto-designam como “de referência”. Parte integrante do sistema de dominação capitalista que são, se reproduzem as mentiras dos dirigentes, porque não haveriam de publicar mentiras da sua própria lavra? Ao mesmo tempo, a censura está instalada. Haverá apenas que referir que o autor do artigo exagera manifestamente ao considerar que o alvo principal dessa censura é um sítio da IV Internacional. Há certamente outros alvos que incomodam mais o grande capital.


As revelações sobre a fraude jornalística no semanário alemão Der Spiegel lançaram luz sobre a manipulação da opinião pública pelos chamados “meios de referência”. Enquanto o Facebook, o Google, o Twitter e outras redes sociais censuram sistematicamente publicações tidas por inadequadas, verifica-se que as informações pretensamente “confiáveis” e “objetivas” dos media tradicionais não passam de propaganda, produzida em cooperação com o Estado e visando promover os interesses da classe dominante.

Em nome da luta contra as “fake news”, a liberdade de imprensa e a liberdade de opinião estão a ser destruídas.

Na semana passada, chefes de redacção da Spiegel, a maior tiragem das revistas de notícias alemãs, admitiram ter publicado 55 artigos “total ou parcialmente inventados, falsificados, contrafações” do jornalista Claas Relotius.

Relotius escreveu também numerosos artigos para outras publicações alemãs.

Desde essa confissão pública dos chefes de redacção da Spiegel, a redacção da revista procurou apresentar o escândalo Relotius como um caso único em que se tinham associado o génio, o desejo de prestígio, a energia niilista e a instabilidade psicológica. Segundo a imprensa, o Spiegel teria prestado assistência psicológica e um advogado ao falsificador, que se demitiu de livre e espontânea vontade após ser desmascarado.

Relotius pode ser uma excepção pelo descaramento das suas falsificações, mas a questão muito mais importante é saber porque foram publicadas as suas fabricações pela Spiegel e outros órgãos de imprensa e por que recebeu ele numerosos prémios jornalísticos. Com a tenra idade de 33 anos, Relotius recebeu quase uma dúzia de prémios de prestígio, concedidos não apenas a jornalistas, mas também a personalidades da vida política e pública.

As suas falsificações eram, no fim de contas, bastante transparentes. Os editores da Spiegel ignoraram repetidamente anomalias e avisos. Agora admitem com desarmante franqueza que as reportagens de Relotius “eram boas demais para serem verdade”.

Qual é o significado desse escândalo? Segundo os comentaristas, embora as reportagens de Relotius fossem falsas, eles permaneciam “belas”, isto é, correspondiam à narrativa que os chefes de redacção e os jurados de prémios jornalísticos desejariam divulgar. Nos seus escritos, “o presente está concentrado num formato legível, as grandes linhas da história contemporânea tornam-se compreensíveis e, de repente, o todo o conjunto se torna absoluta e humanamente compreensível”, disse Ullrich Fichtner, editor-chefe da revista. Spiegel. Enquanto as falsificações não fossem descobertas, eram bem-vindas.

Muitos dos artigos de Relotius tratam de assuntos particularmente sensíveis do ponto de vista da propaganda burguesa, tais como o contexto da ascensão de Trump nos Estados Unidos e as guerras no Iraque e na Síria.

Para justificar as intervenções militares ocidentais no Médio Oriente, um conto de fadas de Relotius sobre dois jovens irmãos (jovens “filhotes de leão”) sequestrados, torturados e treinados pelo Estado Islâmico para se tornarem homens-bomba mostrou-se muito mais eficaz que um artigo cuidadosamente investigado mostrando os verdadeiros bastidores dessas guerras. Tal artigo deveria admitir - se fosse honesto - que o grupo do Estado Islâmico e outras milícias islâmicas são antes de mais produtos das intrigas dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO e no Médio Oriente.

As fabricações de Relotius estão perfeitamente alinhadas com o fluxo de desinformação que dura há quase 16 anos - desde que o Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, proferiu na ONU o seu infame discurso sobre as armas de destruição massiva iraquianas. Embora todo o discurso se tenha baseado em mentiras e falsidades, foi amplamente aceite sem qualquer escrutínio pelos media internacionais e serviu de justificação para a guerra mais sangrenta do século XXI, que prossegue ainda nos dias de hoje.

A liberdade de imprensa é uma realização da revolução burguesa. A burguesia manteve-a enquanto lutou contra a aristocracia e depois inscreveu-a nas suas constituições. Enquanto o capitalismo foi capaz de compromisso social, tais liberdades mantiveram uma centelha de vida. Mas a liberdade de imprensa não é compatível com a guerra, o militarismo e uma sociedade baseada em desigualdades sociais intoleráveis.

Na década de 1970, Bob Woodward e Carl Bernstein ainda eram celebrados e honrados por revelarem o escândalo de Watergate. Hoje, Julian Assange e Edward Snowden, que revelaram crimes incomparavelmente mais graves do imperialismo dos EUA, estão isolados, vivem em exílio forçado e devem temer pelas suas vidas. Em contrapartida, falsificadores revoltantes como Relotius recebem prémios.

A relação incestuosa entre o mundo político e os media tomou medidas desafiando qualquer descrição. Conglomerados de media que pesam milhares de milhões de dólares dominam a imprensa. Os jornalistas e os políticos mais destacados conhecem-se, reúnem-se nos mesmos bares e acotovelam-se com de estrelas de cinema e outras celebridades nas galas anuais da imprensa.

Tal como acontece com os partidos no establishment político, os termos “esquerda” e “direita” perderam completamente o seu significado no que diz respeito aos media. Stefan Aust, antigo chefe de redacção do Spiegel, que começou sua carreira em 1966 na publicação de esquerda konkret, é agora editor do Die Welt, o principal jornal da editora de direita Springer.

Nikolaus Blome, editor-adjunto da Springer’s Tea Towel, Bild, já trabalhou para o editor-chefe da Spiegel. Outros jornalistas influentes também se deslocam regularmente de uma publicação para outra, e é o jornal taz pro-Verts quem se revela o terreno mais fértil para futuros jornalistas burgueses.

Relotius também publicou os seus artigos no conjunto dos media alemães - de taz a Die Welt de Springer via Die Zeit, Süddeutsche Zeitung e Frankfurter Allgemeine Zeitung. Em segundo lugar, atrás do Spiegel, no número de artigos publicados por Relotius, encontramos, com 28 artigos, o Swiss Weltwoche, porta-voz do Partido Popular suíço de extrema-direita.

A realidade social, os sentimentos e as necessidades das massas não existem, por assim dizer, no ambiente fechado dos partidos políticos, dos meios de comunicação e dos super-ricos. Os media tornaram-se um instrumento de propaganda de Estado. É por isso que Claas Relotius - uma versão contemporânea de Felix Krull, o impostor de Thomas Mann - poderia tornar-se um jornalista vedeta.

Os trabalhadores e os jovens há muito desconfiam dos media oficiais e procuram na Internet fontes de informação alternativas e mais objetivas. É esta a razão da histérica campanha contra as “fake news” que serve de pretexto para a censura na Internet, dirigida em particular contra publicações de esquerda, anticapitalistas. Tanto a União Europeia como o governo alemão promulgaram leis de censura da Internet sob a fraudulenta bandeira da luta contra as “fake news”. O Facebook emprega só por si 30.000 pessoas para censurar comentários indesejados. Termos como “camarada” e “irmão” são suficientes para excluir um comentário.

Essa censura, especialmente dirigida contra o World Socialist Web Site, mostra a que ponto é importante fortalecer e disseminar o sítio wsws.org. Enquanto órgão central do Comité Internacional da Quarta Internacional, é totalmente independente de doadores burgueses e da influência dos governos. Chama as coisas pelo nome, analisa os factos com implacável objetividade e luta por armar a classe operária de uma compreensão da crise capitalista e de uma perspectiva socialista.

Fonte: https://www.legrandsoir.info/le-faux-journalisme-du-spiegel-et-la-campagne-contre-les-fausses-nouvelles.html

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References

  1. ^ endereço (www.odiario.info)
  2. ^ odiario.info (odiario.info)

Leia original aqui

Ele não

«Manuel Luís Goucha processou o "Cinco para a meia-noite", um programa da RTP, porque num sketch humorístico o chamaram de "apresentadora". Agora, ao entrevistar um criminoso, sem informar quem era a quem estava a ver, veio dizer que a ideologia do politicamente correto era muito perigosa. Não é o único, há muita gente que gosta do mundo quando o mundo protege da discriminação, mas só quando o protege a si. E acha que gosta do politicamente correto quando é ofendido, mas não é sensível a esse sentimento, do politicamente correto, quando os ofendidos são outros. Já não falo de mim, que fui há uns anos ao lado da minha rua abordado por Mário Machado, ameaçando-me de morte, dizendo que me cortava a cabeça. (...) Mas eu provavelmente serei, da lista que vou dizer, o menos ofendido de todos.
Acho que a família de Alcino Monteiro, que foi morto no Bairro Alto na situação em que ele esteve envolvido, mas acima de tudo as cinco pessoas que espancou nessa noite - no que ele diz ter sido "um erro judicial" - são capazes de estar um pouco ofendidas. Acho que a vítima que foi sequestrada, agredida ao soco e ao pontapé, amarrada - estou a fazer a descrição como vem no processo - pendurada numa cruz, enfiada numa banheira, queimada com cera de velas acesas, cortada em várias partes do corpo com um serrote (incluindo, se não me engano, no pénis), e torturada durante três horas e meia por Mário Machado e mais alguns, é capaz de ter ficado também um bocadinho ofendida. Como acho que ficou ofendido o outro sequestrado, dos vários que teve, que foi espancado e abandonado, em Monsanto, por Mário Machado. Como é capaz de ter ficado também ofendida aquela senhora que teria ajudado a Justiça a apanhá-lo, quando ele escreveu uma carta que dizia "Vou sair em liberdade em breve e juro pelos meus filhos que és a pessoa que mais odeio e vão-te matar à frente dos teus filhos. Juro, sua informadora de merda, que se não entregares 30 mil euros ao Joãozinho, vais pelo cano". Ou talvez a Procuradora Cândida Vilar, que foi ameaçada dentro da prisão, onde aliás Mário Machado espancou uma pessoa (o homem esteve sempre em reabilitação, sempre a ser reabilitado pela sociedade), quando ele escreveu uma carta pública, aberta (acho que nunca ninguém se tinha atrevido a tanto), a dizer aos nacionalistas para não se esquecerem do nome de Cândida Vilar para agir (e também foi condenado por isso).
Para que as pessoas possam ficar com o quadro completo sobre quem é esta pessoa "com opiniões polémicas" e que "tem direito à sua liberdade de expressão", eu vou ler o excerto de um texto que lhe é atribuído, a Mário Machado, e que está em vários sites como sendo dele, o que até hoje nunca desmentiu. (...) O texto será de 2006 ou 2007, em que diz: "O ódio é um sentimento tão nobre quanto o amor. Faz parte da nossa natureza e tudo o que vai contra a natureza é que tem que ser combatido. Vejo os nossos políticos e a comunicação social, por exemplo, mais preocupados em combater o ódio que em censurar os paneleiros, os pedófilos e afins. Adoro a confrontação física. Agarrar na escumalha e dar-lhes pontapés na cabeça, socos, sentir a adrenalina a disparar, a emoção ao fugir à polícia. Um dos anos mais felizes que tive foi o ano em que esfaqueei onze pessoas - recorde absoluto - e o sentir da faca a entrar, o inimigo a desfalecer, o seu olhar de pânico. Tudo isto em conjunto dá-me vida, recarrega-me as baterias. Adoro bater em pessoas". Este texto é-lhe atribuído até hoje, desde há bastantes anos, e ele nunca o desmentiu. Não é politicamente correto e perigoso. O que é perigoso é ignorantes, na televisão, a baterem-se por audiências e a destruir a nossa democracia. Essas pessoas é que são perigosas.
» (Daniel Oliveira, no Eixo do Mal). Na linha da análise no Eixo do Mal (que vale a pena ver na íntegra), é também de reter o editorial de Manuel Carvalho no Público de ontem (com o sugestivo título «Liberdade de expressão com chancela criminal»), onde se refere que «o problema principal da entrevista de Mário Machado à TVI é o próprio Mário Machado e o que Mário Machado pensa, o que acredita ou o que propõe é apenas um arrazoado de ideias daninhas que cabem nos limites da estupidez humana. É por isso que o que merece ser discutido em primeiro lugar nessa entrevista é o facto de alguém se ter lembrado de um homem com aquele passado criminal para dizer o que quer que seja às pessoas deste país. Se a liberdade de expressão existe para podermos ouvir o que nos incomoda ou ofende, como muito bem lembrou José Pacheco Pereira na edição de ontem, a liberdade de escolha de uma televisão existe para separar opiniões qualificadas de bestialidades, para destrinçar as virtudes republicanas dos comportamentos criminosos, para distinguir pessoas de bem de arruaceiros. (...) Ao ceder os seus ecrãs a Mário Machado, a TVI ultrapassou o risco vermelho que nos mostra o limite da tolerância em relação ao pluralismo e à liberdade de opiniões. Mário Machado tem direito à saudade do salazarismo e, desde que se abstenha de fazer a apologia da violência ou da violação da lei, pode defender a sua sinistra opinião. Mas uma televisão que professa a responsabilidade de informar e os princípios que dão forma a uma sociedade aberta e democrática não lhe deve dar palco a pretexto da liberdade de expressão para que possa amplificar o seu reles exemplo. E muito menos sem ter o cuidado de expor com toda a crueza o género de pessoa que é, o tipo de crimes que o levou à cadeia e o género de ideário extremista que propõe.»

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Quem é mais famoso: A Cristina ou o Marcelo?

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Todo o mundo sabe o quanto Marcelo se sente atraído pelos famosos, talvez porque tenha aceite o desfio introspectivo de se considerar o mais famosos de todos os famosos.
Tem parecenças com a Cristina Ferreira nos pinchos que dão; nos guinchos ganha ela.Nos pinchos ganha ele, apesar da idade.Ele está em todo olado a toda hora. Omnipresente.Cristina é mais de ir para paraísos de luxo e que ela entende deverem ser mostrado na suas contas. No fundo ela pensa que se não os mostrar ela não esteve lá. Só esteve porque os exibiu…É um modo de ser.
Uma famosa para o ser tem de exibir e exibir.
Pensemos em grande e interroguemo-nos: Que seria dos portugueses se a famosa da Malveira não mostrasse o luxuoso quarto onde dormiu nas Malvinas? Uma pasmaceira.
Marcelo não pode competir a esse nível. Já teve uns tiques com o Tio Ricardo Salgado a caminho das terras de Vera Cruz. Agora o mundo da presidência requer outra arte. Tem de ganhar nos afetos, nas preocupações e nas surpresas.
Quem havia de imaginar que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, ligaria de cima da sua “potestas” para dizer:- Olá Cristina, sabe quem fala? É o Marcelo, o Presidente, não me esqueci de si, e para que o Goucha não pense que o mar é só água, aqui estou eu a ligar para a SIC. Para mim SIC e TVI sempre. Aliás já avisei o país que lhe liguei, esteja descansadinha. Eu bem vejo a sua emoção; dê um abraço ao Filipe Vieira e já agora transmita-lhe se faz favor que um dia destes apareço na Catedral para lhe dar um abraço e ao barbas.Beijinhos, olhe diga-lhe que é melhor ao pé da Estátua do King.
Marcelo é quem é e não se imagina noutro lugar que não seja na primeira fila à frente, o mais famoso.Congemina a cada instante o instante que se segue; não falha.Ninguém o segura. Nada o detém. Nem o lado escuro da Lua. Já se ofereceu ao Presidente chinês para tripular a próxima nave.

Ver original em ' O Chocalho' na seguinte ligação:

https://ochocalho.com/2019/01/07/quem-e-mais-famoso-a-cristina-ou-o-marcelo/

PREVISÕES FALHADAS... OU APENAS TÍTULOS BOMBÁSTICOS

Para nos recordar o quanto a relação do jornalismo com o Rigor e a Verdade sempre se revestiu de alguma controvérsia, destaquemos nesta primeira página de há cinquenta anos, aquela "previsão" da NASA que o Homem chegaria a Marte dentro de dez anos que, no momento em que era publicada, era potenciada pelo facto de "o Homem" ainda não havia sequer chegado à Lua, feito que só viria a acontecer dali por seis meses.
Mas, o leitor que se desse ao trabalho de ler o conteúdo da notícia que era desenvolvida numa página interior, aperceber-se-ia das condicionantes que eram levantadas pelos dirigentes da própria agência espacial norte-americana, numa passagem final que estava, aliás, destacada a bold. «Os dirigentes da NASA admitem, por outro lado, a possibilidade de um desembarque humano em Marte dentro de uns dez anos. No entanto, acentuam que este programa exigiria tais créditos que a sua realização terá que se subordinar a considerações de carácter político, tais como o regresso à paz e a solução do problema da pobreza nos grandes centros urbanos dos Estados Unidos
Ou seja, a chegada do Homem a Marte dependeria das prioridades políticas da alocação de recursos, antes de se colocarem as questões técnicas a respeito dos voos espaciais tripulados. E isso era uma ressalva que no jornal se considerava que não interessaria nem captaria a atenção do leitor mediano. O tempo, e agora as redes sociais, apenas acentuaram essa diferença entre uma maioria que só quer ler as gordas e aqueles que porfiam e se dispõem a ler tudo até ao fim.

 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/01/previsoes-falhadas-ou-apenas-titulos.html

Como branquear um nazi na TV(I)

(Fernanda Câncio, in Diário de Notícias, 05/01/2019)

cancio

Quinta-feira foi um grande dia para Mário Machado. Esteve em dois programas da TVI, um de entretenimento – o de Manuel Luís Goucha – e outro de alegada informação (SOS24), e correu-lhe muito bem. Na página de Facebook do seu movimento, escrevia-se:“Objectivo n.º 1 – Atingido! “Chegar às pessoas!'”.

Porque, como deveria ser óbvio, o simples facto de convidar um nazi condenado a uma infinidade de anos de prisão – em 2012, as penas consecutivas somavam mais de 19, que resultaram num cúmulo jurídico de dez -, na sua maioria por crimes violentos, para o sofá de um programa de entretenimento, entre uma rubrica que ensina a fazer pastéis e outra em que se impinge vendas aos idosos, é uma forma de o embalar como pessoa “normal”, aceitável, até “simpática”. Machado sabe isso, claro. Dá para acreditar que Goucha e a TVI não saibam?

Aliás, como ninguém convida um nazi criminoso para um programa destes para dizer: “Caros telespectadores, aqui temos este grandessíssimo nazi criminoso para ficarem cheios de nojo dele e de nós por o termos trazido”, Machado foi apresentado, no programa como no Facebook de Goucha – que depois apagou o post, supõe-se que pela enxurrada de críticas (a liberdade de expressão é muito boa, mas) -, como um mero “autor de declarações polémicas.” Transformando um criminoso que professa uma ideologia violenta numa pessoa “controversa”, que pode e deve, como aliás defende Goucha, ser “contraditada com argumentos”: “Ele tem os dele e nós temos os nossos.”

Por irresponsabilidade, soberba e ingenuidade, Goucha caiu na armadilha de achar que poderia fazer um brilharete “desmontando” Machado sem sequer saber quem tinha na frente.

 

Essa é a armadilha em que o apresentador, por irresponsabilidade, soberba e ingenuidade, caiu: a de achar que poderia fazer um brilharete “desmontando” Machado sem sequer saber quem tem na frente, e portanto induzindo os seus espectadores no mesmo erro. É certo que o convidado foi questionado sobre os seus crimes. Mas quem o fez, apresentando-se como “repórter”, limitou-se a ouvi-lo afirmar que tinha sido preso preventivamente – e injustamente – em 1995 por suspeitas de envolvimento na morte do português negro Alcindo Monteiro, assassinado à pancada por um grupo de skinheads no 10 de Junho desse ano, e que fora solto em 1997 por ser “absolvido”. Deixou-o queixar-se: “É um fardo que carrego, pesadíssimo para mim e a minha família.”

Pobre Mário Machado. De facto não foi condenado por essa morte; foi condenado em 1997, pelo Supremo – no mesmo processo em que outros membros do grupo foram condenados pelo homicídio qualificado de Alcindo -, a dois anos e seis meses de prisão, em cúmulo jurídico, por fazer parte desse gangue que foi ao centro de Lisboa com o objetivo de agredir negros e pela autoria material de cinco dessas agressões, duas delas resultando em traumatismos cranianos. Estaria a espancar outros negros quando os amigos mataram Alcindo.

“Denota completa ausência de arrependimento”, escreveu o tribunal em 1997. 23 anos depois, Machado apresenta-se como vítima da justiça e repete as mentiras de 1995: que se tratou de “um confronto entre nacionalistas e africanos”, quando se provou que foram, armados de soqueiras, tacos e botas de ponta de aço, à caça de negros para agredir.

 

“Denota completa ausência de arrependimento”, lê-se no acórdãoAusência de arrependimento evidente 23 anos depois ao apresentar-se como vítima do “falhanço da nossa justiça” e repetir a mentira que o grupo apresentou desde o primeiro momento: que se tratou de “um confronto entre nacionalistas e africanos no Bairro Alto”, quando, deu-se como provado, Machado e amigos iam armados com soqueiras, tacos e botas de ponta de aço à caça de negros para agredir, querendo “com essa atuação, integrada nos objetivos do grupo de skins, contribuir para a expulsão de Portugal daquele grupo racial.”

Nada disso Goucha ou o seu “repórter” souberam ou quiseram evidenciar. Como os escritos racistas e nazis muito mais recentes de Machado, as fotos a fazer a saudação nazi, as tatuagens nazis, a informação sobre as suas condenações, a última das quais, a sete anos e dois meses por roubo, sequestro, coação e posse ilegal de arma, é de 2010 – esteve preso até 2017, quando saiu em condicional. É de resto tal a profusão e a gravidade das condenações que talvez nem o próprio se lembre de todas, quanto mais Goucha. Daí que tenha podido dar-se ao desplante de se dizer “a primeira pessoa em Portugal a ser presa dois anos e nove meses por um texto escrito na internet”, coisa que, comentou, “no tempo de Salazar não aconteceu a ninguém” – referindo-se à condenação, em 2016, por uma carta escrita em 2014 a partir da prisão, na qual afiançava a uma mulher, que acusava de o ter “tramado”, que se não lhe pagasse 30 mil euros iria ser morta “à frente dos teus filhos”, e “encomendava” agressões a outras pessoas.

Após tal performance no programa de Goucha, Machado seguiu para o inominável SOS24 , onde debitou a sua cartilha racista e odienta, falando de “africanos”, “portugueses brancos” e “da nossa cultura” (para quem precise de um desenho: portugueses são brancos, os não brancos não são portugueses) e afirmando que “hoje em dia o racismo vem sobretudo dos negros contra os próprios brancos, (…) desses grupos de marginais que espalham o terror nas nossas cidades, que perseguem os nossos miúdos nas escolas, que violam as raparigas sempre que têm uma oportunidade, porque o fazem movidos por ódio racial”. Também aí, ninguém lhe pediu que apresentasse provas do que disse, ninguém o contraditou com o mínimo de eficácia.

A TVI quis dar “respeitabilidade” e “seriedade” a um criminoso cúmplice de assassinos permitindo-lhe intoxicar milhões com as suas mentiras. E tanto que o conseguiu que está tudo, para variar, a falar de “liberdade de expressão”. Parabéns a todos.

 

Não sei se Machado e a TVI violaram alguma lei; não sei se faz sentido “resolver” isto com queixas à ERC, alimentando a sua estratégia de vitimização. Não se trata, para mim, de o impedir de ser o nazi e o racista repelente que é e de defender essas “ideias” – direito que lhe reconheço, desde que sem apelar à violência (se bem que ser nazi sem apelar à violência seja difícil); sequer de querer impedir alguém de o entrevistar. Trata-se de tornar claro o que a TVI fez: branqueou uma carreira de duas décadas de crime (no programa de Goucha) para a seguir dar tempo de antena, no SOS24, ao discurso de ódio que enforma essas duas décadas de crimes. Quis dar “respeitabilidade” e “seriedade” a um criminoso cúmplice de assassinos permitindo-lhe intoxicar milhões com as suas mentiras. E tanto que o conseguiu que está tudo, para variar, a falar de “liberdade de expressão”. Parabéns a todos.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

TVI promove fascismo, jornalistas e URAP apresentam queixa na ERC

O Sindicato dos Jornalistas e a União dos Resistentes Antifascistas Portugueses apresentaram queixa contra a promoção dada pela TVI ao fascismo luso. PCP chama ERC ao Parlamento.

CréditosAntónio Cotrim / Agência LUSA

A presença de Mário Machado na TVI, em horário nobre, para promover o fascismo e defender o regime de Salazar, despertou indignação generalizada. O dirigente neo-nazi foi convidado para ir ao programa da manhã “Você na TV”, de Manuel Luís Goucha, no âmbito da rubrica “Diga-me de sua (In)Justiça”, da responsabilidade de Bruno Caetano. Mas a TVI não se ficou por aí. Bruno Caetano afirmou em directo que «faz falta» um novo Salazar, «nomeadamente no que diz respeito à autoridade». Manuel Luís Goucha, embora contestando a afirmação, decidiu lançar um inquérito aos espectadores, no Facebook: «faz falta um Salazar»?

O Sindicato dos Jornalistas emitiu um indignado comunicado sobre o comportamento do canal televisivo e apresentou queixa contra a TVI na Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), no que foi seguida pela União dos Resistentes Antifascistas (URAP). Em comunicado, esta organização antifascista afirma ter apresentado «queixa contra o canal de televisão TVI» por esta «ter difundido concepções fascizantes contrárias ao texto da Constituição da República Portuguesa».

A ERC emitiu um lacónico comunicado confirmando a recepção de «participações que visam o programa “Você na TV” emitido, no dia 3 de Janeiro de 2019, no serviço de programas TVI» queixas e que as mesmas «serão apreciadas pelos serviços [...] nos trâmites habituais», mas o grupo parlamentar do PCP anunciou já que pretende ouvir a entidade reguladora na Assembleia da República.

Os protestos continuaram, de diversos quadrantes. O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, classificou o comportamento da TVI como irresponsável, afirmando que «é preciso ter a noção que uma atitude destas por parte da estação em causa não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver as labaredas».

Jornalistas protestam à ERC e apelam ao Parlamento

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) não só se demarcou, em nome dos profissionais de comunicação, do comportamento da TVI, como participou da estação emissora à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC). Em comunicado intitulado «Em nosso nome não!», publicado hoje na sua página o SJ considerou «inqualificável o tempo e o espaço concedido pelo canal de televisão TVI a Mário Machado, conhecido líder da extrema-direita, várias vezes condenado e preso por diversos crimes».

«Os programas “Você na TV!” e “SOS 24”, nos canais TVI e TVI24, respectivamente, deram voz a um racista explícito e um salazarista assumido, que defende o regresso de Portugal à ditadura e a quem foi dada a oportunidade de se dedicar ao branqueamento histórico, em sinal aberto e para um grande público, com pouco ou nenhum contraditório», sublinhou o SJ, acrescentando que «é fundamental que o jornalismo se exerça em defesa da democracia, sem a qual a liberdade de expressão não existiria».

No actual contexto europeu, «de crescimento da extrema-direita, do populismo e do nacionalismo, impõe que os jornalistas – a título individual, mas também os órgãos de informação, suas direcções e administrações – reflictam sobre o papel que desempenham na eliminação do racismo, da xenofobia e da discriminação – e, sobretudo, ajam em conformidade», lê-se no texto.

O SJ classifica a opção da TVI como «irresponsável» e insta o canal a parar de usar indevidamente o termo «repórter» –, dando a entender que Bruno Caetano não é jornalista com carteira profissional. O sindicato indica ir apresentar queixa contra a TVI junto do regulador, a ERC, e do legislador, a Assembleia da República, bem como pedir à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista que avalie eventuais procedimentos disciplinares e esclareça a TVI sobre a indevida utilização da palavra «repórter».

A nota do SJ põe em relevo a a necessidade de o «entretenimento […] respeitar a Constituição da República Portuguesa». E que o facto de todos os cidadãos «terem a mesma dignidade social» e serem «iguais perante a lei», com «o direito a expor ideias», não impede o dever de «respeito pelos valores democráticos e pelos direitos humanos universalmente consagrados» o qual também deve «ser obedecido por todos». O SJ, lembra o artigo 46.º da Constituição, que não consente «organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista». Por isso apela à Assembleia da República para que se pronuncie, à luz deste artigo, sobre o carácter da Nova Ordem Social, o movimento político liderado por Mário Machado, que se apresenta como «nacionalista e patriota» mas não é efectivamente, outra coisa senão uma organização neo-nazi.

«A comunicação social – os jornalistas e as direcções e administrações dos órgãos de informação – tem o dever de saber que a democracia também tem linhas vermelhas – as da sua própria preservação. Não vale tudo em busca das audiências. Muito menos usurpar e desrespeitar toda uma classe e uma ética profissionais. Em nome nosso, não!», concluiu o SJ.

PCP quer ERC no Parlamento

O grupo parlamentar do PCP quer ouvir o Conselho Regulador da ERC sobre a presença de Mário Machado na TVI, clarificando que o mesmo «pertence a uma organização criminosa que assume a sua natureza fascista e racista e que foi inclusivamente condenado a uma pena de prisão pelo homicídio de um cidadão cabo-verdiano». Os comunistas destacam a particular responsabilidade da ERC enquanto regulador da comunicação social e chamam a atenção para o facto de não ser «a primeira vez que a apologia do fascismo, de concepções racistas e de práticas criminosas tem lugar nas televisões portuguesas».

«A Assembleia da República, enquanto órgão de soberania representativo da democracia portuguesa, não deve permanecer indiferente perante estes atentados aos valores democráticos e humanistas e a ERC, enquanto entidade reguladora da comunicação, assume também particulares responsabilidades nesta matéria», escreve o PCP.

Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

https://www.abrilabril.pt/nacional/tvi-promove-fascismo-jornalistas-e-urap-apresentam-queixa-na-erc

A ignorância de Bruno Caetano

Confesso que, até ontem, não sabia quem era Bruno Caetano. Continuo sem saber porque não acompanhei a TVI nem a TVI24 num dia que foi inteiramente dedicado à promoção do fascismo, com palco dado a um criminoso condenado, envolvido num homicídio resultante de crime de ódio. Fui, no entanto, acompanhando as redes sociais ao longo do dia. Hoje, deparo-me com um comunicado do Bruno Cateano, jornalista, ainda que, ao que parece, sem carteira profissional. O repórter do programa da manhã da TVI começa por afirmar, num comunicado, que apenas visava ouvir Mário Machado e as suas convicções sobre Salazar. Ora, caro Bruno, as convicções de Mário Machado são conhecidas de todos, há muitos anos. É um neo-nazi assumido. Deixa-me então ir, ponto por ponto, onde é que o teu comunicado é estúpido e ignorante. E, repara, faço isto partindo do princípio, benéfico para ti, que és de facto ignorante e não o fizeste de forma premeditada para agora vires fazer este papel tão ao mais triste do que aquele que fizeste ontem.
"Para que fique bem esclarecido, quando convidei o cidadão Mário Machado ficou sempre evidente que se tratava pura e simplesmente de uma entrevista que falava das convicções deste acerca de Salazar. Mário Machado criou um movimento que se chama Nova Ordem Social e vão em breve realizar uma manifestação onde dizem que vão celebrar Salazar. Tema que me levantou muitas dúvidas."

O enquadramento da entrevista na manifestação que se vai realizar é estúpido, porque todos os anos há centenas de manifestações de trabalhadores que lutam pelos seus direitos e não têm 1/100 da cobertura que, durante o dia de ontem, a TVI e a TVI24 deram a esta. Poderemos argumentar que é uma manifestação fora do comum por celebrar um ditador que deixou um legado de 48 anos de miséria, fome, guerra, assassinatos, torturas, enfim, aquelas coisas que, à partida, ninguém gosta muito, porque, parecendo que não, torna-se aborrecido uma pessoa querer comer e não ter nada, ser explorado, ser torturado e, por fim, ser assassinado. É daquelas coisas que não dá jeito nenhum. É por isso que é estúpido promovê-la, percebes?


"Não me interessa aqui responder a quem quer que seja mas sim demonstrar que não excluo ninguém. Vivemos num estado democrata e todos temos opinião. Se concordamos uns com os outros, isso já é outro assunto. Disse que fazia falta mais autoridade, sim verdade! Provavelmente exagerei quando disse que seria a autoridade do Salazar".
Vivemos numa democracia em que toda a gente tem opinião, por mais estúpida que seja. Como é o caso da tua. Estúpida e ignorante, já te explico o motivo. É estúpido, porque a liberdade de expressão não é um valor supremo e acima de todos os outros. Colide com outros direitos quando, por exemplo, contraria a Constituição da República, que proíbe, no ponto 4 do Artigo 46.º as "associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista". Ora, Bruno, o teu entrevistado pertenceu e pertence a organizações armadas, paramilitares e fascistas, como é o caso dos Hammerskins. Logo, o direito de ele ser ouvido não pode colidir com o direito à vida e à liberdade de culto, por exemplo, nem se sobrepõe aos princípios da não discriminação em função da raça, credo, género e orientação sexual. A liberdade de expressão, repito, não é um valor supremo quando colide com o único que o é de facto, que é o direito à vida.

"A verdade é que estou cansado de tanto crime. Fui mal interpretado. Ainda assim nada vos dá o direito de me ameaçar de morte ou mesmo ofender a minha pessoa e a minha família".
 
No seguimento disto, deixa-me explicar-te o seguinte. Se estás farto de tanto crime, não faz muito sentido convidares um criminoso para explicar o que quer que seja. Mário Machado é um criminoso condenado por discriminação racial, coação agravada, detenção de arma ilegal, danos e ofensa à integridade física qualificada; de difamação, ameaça e coacção a uma procuradora da República; e de posse de arma de fogo. Anteriormente, já fora condenado pelo envolvimento no assassinato de Alcino Monteiro, cidadão português de origem cabo-verdiana, espancado até à morte, em 1995, no Bairro Alto, em Lisboa. Percebes a tua estupidez? Percebes que ofender, ameaçar de morte e envolver-se em assassinatos é algo que o teu convidado já fez? Que tal é sentir na pele o mesmo que sentiram as vítimas de Mário Machado?
Convidaste um criminoso porque estás farto de tanto crime. Vamos, então à ignorância. És ignorante porque não sabes que, por exemplo, em Portugal, em 1994 havia 143 crimes de homicídio intencional, em 2016, 66. Portugal é considerado o quarto país mais pacífico do Mundo no Global Peace Index. Em 2018, o insuspeito Departamento de Estado dos EUA coloca Portugal no nível 1 de insegurança. O mais baixo. A criminalidade violenta e grave desceu 8,7% em 2017, tendo a criminalidade geral aumentado 3% devido a um aumento dos crimes de moeda falsa, incêndio florestal e burlas. Diminuíram os furtos em residência (menos 14%), em veículo motorizado (-11%), das ocorrências em meio escolar (-6,4) e da criminalidade grupal (-8.8%). Percebes a tua ignorância?
Mário Machado foi entrevistado por Manuel Luís Goucha e a maneira como o apresentador debateu é um dos exemplos de como se deve lidar com este tipo de tema. Debatendo! O contraditório é importante sempre! Porque todas as pessoas devem ter opinião, viva a democracia!
Sabes quem é que não teve direito a opinião, nem democracia, nem debate, nem contraditório? Alcindo Monteiro. Resumindo, és um imbecil ignorante. A tua sorte é que o segundo adjetivo tem remédio. O filósofo Karl Popper explica toda a imbecilidade contida nas tua afirmações de ontem e no teu post de hoje.

Ver original em 'Manifesto 74' na seguinte ligação:

http://manifesto74.blogspot.com/2019/01/a-ignorancia-de-bruno-caetano.html

A incompatibilidade do capitalismo com este planeta azul

Há um par de semanas tive de me deslocar a Lisboa por duas vezes para sítio onde arrumar o carro costuma ser tarefa ciclópica. Recorri assim ao comboio entre a estação dos Foros da Amora e Entrecampos constatando em ambas ocasiões o mesmo facto: quando dantes era comum ver parte significativa dos passageiros a lerem livros ou jornais, encontrei-os agora focalizados nos ecrãs dos telemóveis.
Associando a essa observação a de quão longínquo vão os tempos em que o proletariado sentia uma urgente vontade em se informar e ganhar novos conhecimentos - o notável trabalho das Universidades Populares ou da Voz do Operário - começa a intuírem-se as razões para a normalização de um discurso fascista no nosso quotidiano. Porque quem trabalha por conta de outrem foi manipulado para se perder em mil e uma distrações e perder a vontade de melhor se instruir para compreender o funcionamento deste mundo, que tende a frustrar-lhe o direito à felicidade. O regresso de ideologias criminosas, que comprovaram ser fonte de infelicidade para a grande maioria dos que as padeceram, só se explica pela crescente ignorância dos que delas se fazem porta-vozes.
Nesse sentido o capitalismo tem sido muito hábil a impedir os que explora de lhe abreviarem o merecido desiderato. Começou por lhes prometer uma sociedade de bem estar, pervertendo o verdadeiro significado da social-democracia (onde até passaram a caber partidos assumidamente de direita!). Iludiu-os com uma sociedade de consumo em que até o mais miserável poderia converter-se em bem sucedido acionista das sempre florescentes bolsas de valores.
Quando as crises do petróleo ou a falência dos bancos deram sinal de existir uma riqueza finita em que os mais abonados operam para abocanhar bolo sempre maior, criaram novos meios de alienação, quer sob a forma de centenas de canais televisivos impossíveis de a todos acompanhar, ou com a promoção do futebol à condição de uma espécie de circo romano eivado de paixões irracionais. O que poderia ser utilizado positivamente em prol do bem coletivo - o audiovisual como escola permanente ou o desporto como instrumento ao serviço da saúde e do bem estar individual - foi prostituído ao serviço do anseio dos donos disto tudo para assim se eternizarem.
Neste milénio essa mesma prostituição de ferramenta potencialmente benigna em maligna vem ocorrendo com a internet e as suas redes sociais. A possibilidade de uma maior rapidez na difusão de ideias progressistas e de se terem infinitas enciclopédias sempre à mão, foi substituída pela disseminação de fake news, de fofocas idiotas ou de ocos entretenimentos. O resultado é o da criação de conveniente desorientação dos imaginários coletivos. Mantem-se o desejo de encontrar a porta franqueadora da felicidade plena, mas o corredor tornou-se tão longo e as hipóteses de erro tão infinitas, que os confusos cidadãos acreditam nas mensagens mais sonoras, que os instam a abrir este ou aquele caminho. E, infelizmente, os tais donos disto tudo têm os recursos para fazerem sobressair as vozes dos que lhes servem de marionetas e sugerem soluções à medida da estratégia de as coisas continuarem a ser como são.
Mesmo quando algo parece transformar-se no sentido da História - e ele é o da maior justiça e igualdade, que o iluminismo setecentista canonizou! - tem havido a habilidade dos poderosos replicarem o intento do príncipe Salinas, favorecendo a aparência de algo mudar para que tudo fique na mesma.
O maior falhanço das esquerdas nas últimas décadas tem sido o de permitirem ao campo contrário o uso e abuso das ferramentas, que deveriam ser prioritariamente suas . Um audiovisual que forme e informe em vez de embrutecer, um universo cibernético dominado pelas suas discussões e propostas em prol de um mundo melhor. E, em complemento, um consumo mais regrado dos recursos não sustentáveis, acelerando o advento de uma sociedade que faça do decrescimento económico e populacional a matriz para um planeta perenemente azul.

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/01/ha-um-par-de-semanas-tive-de-me.html

Manuel Goucha Salazar, para que saibas: o fascismo e o racismo não passarão

Não vi o programa, não vou ver. MM participou na execução de um negro - Alcindo Monteiro, (na foto, morto por causa da cor da sua pele, com 27 anos, em junho de 1995, espancado até à morte) - esteve detido por posse ilegal de armas, apela repetidamente ao ódio e ao racismo. De quando em vez, lá vem um órgão de comunicação social dar-lhe palco. Li uma vez uma entrevista sua e bastou-me. Bastou-me a suástica que enverga para imediatamente me reportar à célebre cena de American History X, em que um nazi (com uma estética bem parecida ao dito cujo) esmaga o crânio de um negro no lancil de um passeio. E vejam-na com atenção porque foi isto que se passou na TVI.

A cada momento há sempre alguém que tenta reabilitar a imagem deste nazi, que cria partidos atrás de partidos e de movimentos, organiza contramanifestações ilegais e se passeia como se não fosse um ser absolutamente desprezível que pratica actos que à luz da lei são ilegais. Como é ilegal dar cobertura à propagação de ideologias fascistas e nazis.

Querem ver como não estou a inventar?

Artigo 240.º - Discriminação e incitamento ao ódio e à violência

       1 - Quem:
              a) Fundar ou constituir organização ou desenvolver atividades de propaganda organizada que incitem à discriminação, ao ódio ou à violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica, ou que a encorajem; ou
              b)...
             ...
       2 - Quem, publicamente, por qualquer meio destinado a divulgação, nomeadamente através da apologia, negação ou banalização grosseira de crimes de genocídio, guerra ou contra a paz e a humanidade:

              a) Provocar atos de violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica;
              b) Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica;
              c) Ameaçar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica; ou
              d) Incitar à violência ou ao ódio contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica;
é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos.»

Eu repito: "é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos."
Manuel Luis Goucha não foi de modas. Levou um nazi ao seu programa, visto por milhares de pessoas, lavou-lhe a alma e ainda fez isto:
Afirma que este nazi tem ideias polémicas - ideias que levaram à execução bárbara de Alcindo Monteiro - e faz uma sondagem sobre o regresso do fascismo que matou centenas de democratas, comunistas, que mandou para o exílio socialistas, comunistas e outros democratas, que torturou outras tantas centenas, que condenou o nosso país, durante décadas, à discriminação, pobreza e à escravização colonial.
Manuel Luis Goucha, também ele, cometeu um crime -   publicamente, divulgou a apologia, negação ou banalização grosseira de crimes de genocídio, guerra ou contra a paz e a humanidade.Banalizou o racismo. Banalizou o fascismo. Relativizou a execução de um negro às mãos do nazi MM, banalizou as suas posições xenófobas e bárbaras.
A ERC já informou que estaria a investigar. E desengane-se quem acreditar que isto é um hino à liberdade de expressão. É criminoso. E não passará. 

Ver original em 'Manifesto 74' na seguinte ligação:

http://manifesto74.blogspot.com/2019/01/manuel-goucha-salazar-para-que-saibas-o.html

«O que quer a TVI? São saudades de Salazar ou fome de audiências?»

A este propósito recebemos o comunicado do SOS Racismo que transcrevemos, na integra, abaixo.

frase ninguem nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele por sua origem ou ainda por sua nelson mandela 141335

Mário Machado na TVI é branquear a violência e normalizar o racismo

A TVI decidiu branquear o criminoso Mário Machado, ao convidá-lo para o seu programa matinal “Você na TV”. E, aparentemente, prepara-se para o convidar para jornal da noite.

A TVI argumenta com a liberdade de expressão para justificar o convite a quem esteve mais de 12 anos presos ao longo da sua vida por vários crimes, alguns envolvendo crimes de ódio racial. Mário Machado foi condenado em 1997 a uma pena de quatro anos e três meses de prisão por envolvimento na morte de Alcino Monteiro – assassinado em 1995, no Bairro Alto. Mário Machado voltou, depois disso, a ser outra vez condenado por vários crimes de violência, sequestro, posse de arma e discriminação racial.

Mário Machado liderou durante muito tempo os “Hammerskins Portugal”, um bando criminoso nazi, cujo ritual de iniciação se baseia no crime de sangue, como efectivamente esteve Mário Machado envolvido.

Num país cuja Constituição proíbe e bem organizações que professam o fascismo, o nazismo e o racismo, a TVI decidiu estender o tapete a um dos chefes de fila da extrema-direita portuguesa, sobejamente conhecido por defender o fascismo e o racismo e a violência a eles associada.

A decisão da TVI de convidar Mário Machado é muito mais do que uma estratégia de branqueamento do passado criminoso e nazi-racista de Mário Machado. É mais grave ainda porque denota sobretudo um inqualificável desejo de fascismo, de normalização e legitimação política e social da extrema-direita, como tem acontecido um pouco por toda a parte, no mundo em geral e, na Europa, em particular.

Como bem lembrou Pedro Bacelar Vasconcelos, eminente constitucionalista e presidente da 1.ª Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, num recente artigo de opinião, “o problema é que a utilização da liberdade de expressão como instrumento de propaganda da doutrina identitária de uma nova minoria, “branca, europeia e cristã”, faz o seu caminho na Europa e na América.”

Dar palco à ideologia fascista e racista seja em que circunstância for, não é nenhum exercício de liberdade de expressão é, antes pelo contrário, contribuir para perigar os alicerces do Estado de Direito Democrático e constituiu uma afronta aos valores de liberdade, dignidade e igualdade.

O cardápio de figuras publicas com posições racistas nos programas da TVI é guarnecido por personagens como Barra da Costa, Quintino Aires, Susana Garcia ou André Ventura. Todos estes  foram já motivo de queixas e/ou processos na Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) por declarações racistas. Se é uma estratégia empresarial para alcançar mais audiência, ele revela-se torpe e imoral. Se for uma estratégia de identificação com a saudade do fascismo é ainda mais grave e vergonhoso e eticamente inaceitável. Portanto, a direcção editorial da TVI e os seus responsáveis não se podem esconder por detrás do biombo da liberdade de expressão para branquear os crimes racistas nem para legitimar o regresso do nazi-fascismo.

E não se trata de escolher entre liberdade de expressão e censura, mas sim, entre a democracia e o ódio racial. O racismo não é uma opinião, mas sim um crime. O fascismo não é pormenor, mas sim um perigo para a democracia. Face ao exposto, o SOS Racismo condena o convite a Mário Machado sem hipótese de contraditório e ao arrepio de todas as regras da ética jornalística. A manobra que agora inventaram para supostamente suprir a primeira falha relativamente ao contraditório no programada manhã, convidando um suposto antigo membro da direcção do SOS Racismo é uma grosseira falta de honestidade e uma inaceitável manipulação.

O SOS Racismo informa desde já que em nada se reconhece nas posições do tal sujeito (fora do SOS Racismo há quase 20 anos) que pretendem convidar e as suas declarações nada têm a ver com as nossas posições. O SOS Racismo exige às entidades responsáveis pela supervisão da comunicação social, bem como à tutela, que tomem as medidas necessárias para impedir que a comunicação social se transforme numa caixa de ressonância da ideologia racista no país. 

Pelo SOS Racismo
Mamadou Ba
José Falcão

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/o-que-quer-a-tvi-sao-saudades-de-salazar-ou-fome-de-audiencias%EF%BB%BF/

Sobre como (realmente) vai o Mundo, ler tudo no "LADO OCULTO" - 17

 A GUERRA E OS VOTOS DE PAZ

Não faltarão, dentro de horas, os piedosos votos de paz e de entendimento entre as nações trocados a propósito da entrada de um novo ano. O primeiro de Janeiro é até "o dia mundial da paz". Infelizmente não passa tudo de um ritual, porque o ano que chega vem carregado de ameaças - como se percebe através da leitura do Nº17 de O Lado Oculto, já online. Guerra que amadurece na América Latina, não apenas pela acumulação de presidentes fascistas mas porque está a ser operacionalmente preparada. Mercenários treinam-se na Colômbia na montagem de uma provocação que poderá desembocar numa agressão contra a Venezuela.
Além da Venezuela, a Nicarágua e alguns outros países, entre os quais Cuba, estão também sob mira. Cuba que celebra os 60 anos da sua revolução resistindo heroicamente ao cerco, ao criminoso bloqueio, dando provas de capacidade, engenho e criatividade só ao alcance dos revolucionários. Por exemplo na afirmação tecnológica, apesar do desumano boicote do acesso a meios elementares que a outros são oferecidos.
Também os diferendos entre os Estados Unidos e a China ultrapassam em muito a tão falada "guerra comercial". Por detrás de tudo espreita o desespero militarista norte-americano quando supõe que alguma potência pretende por em causa a sua hegemonia planetária. Certamente essa é uma das razões pelas quais Washington tem tolerado o renascimento do militarismo nipónico, que vem somar-se à afirmação crescente de correntes nacionalistas e fascistas.
A vertigem de guerra é tal que atropela princípios, ética, leis, a seriedade dos Estados. Soube-se agora que as contas do Pentágono registam um buraco astronómico, biliões e biliões de dólares de despesas militares sem rasto que deram origem a uma auditoria fracassada. E que seria a primeira do Departamento, em mais de setenta anos. O maior roubo da históriaque, muito além de lesar os contribuintes norte-americanos significa a chacina de milhões e milhões de pessoas em todo o mundo.
Não pensem, porém, os europeus enconchados na sua UE e na sua NATO que estão a salvo desta sanha. O aviso vindo de Washington torna-se cada vez mais sonoro: ou a Alemanha e os seus parceiros cancelam o projecto de gasoduto Nord Stream 2, que permitirá energia mais barata em todo o continente, ou...
Verdade seja dita que a Europa pouco ou nada se tem dado ao respeito, ao menos perante os seus cidadãos. Basta conhecer a saga de Martin Selmyr, o secretário-geral da Comissão Europeia, aliás "O Monstro", aliás "O Rasputine de Bruxelas" para se perceber como as coisas funcionam no tão apregoado reino da democracia e dos direitos humanos. O alinhamento de Bruxelas pelas guerras dos Estados Unidos é tão óbvio e a corrupção burocrática e financeira é de tal ordem que não há dinheiro que chegue para o ensino, por exemplo. Por isso as universidades portuguesas vegetamem divisões mundiais muito secundárias qualquer que seja o ranking através do qual sejam apreciadas.
Portanto, por muito bem intencionados que sejam os votos para 2019, haja consciência de que o fascismo é cada vez mais o trunfo que o neoliberalismo joga em desespero, e não apenas abocanhando o Brasil. O imperialismo norte-americano tem múltiplas e insidiosas formas de ataque, por exemplo não perdendo de vista as infiltrações em organizações secretas e também nas de índole religiosa.
Por muito que sejam negras as nuvens e sombria a realidade - e exactamente por isso - que 2019 seja um ano de persistente luta e combate incansável pelo progresso e a paz, e também de reforço da informação livre e independente, uma arma imprescindível na ofensiva por pequenas e grandes conquistas para toda a Humanidade.

Ver original em 'Conversa Avinagrada' (aqui)