China

A dívida da China e a próxima crise financeira internacional

O colapso inesperado do Baoshang, um pequeno banco chinês da Mongólia Interior, focou subitamente a atenção na fragilidade do maior e menos conhecido sistema bancário do mundo e nos «bancos-sombra».

António Abreu | AbarilAbril | opinião

A China no centro da próxima crise das dívidas?

Em alguns meios tem circulado a ideia (para não dizer palpite) de que a elevada dívida da China em todos os sectores, no estado e governos regionais, no governo, família, etc., apontaria para que a China fosse o centro da próxima crise das dívidas mundiais.

Porém, a grandeza desta dívida não constitui o quadro completo de condições das quebras de activos. O serviço da dívida é fundamental e, por sua vez, também o são os níveis de preços e a receita das vendas de produtos que geram a receita com a qual a dívida é paga. A China demonstrou disposição e tem recursos para absorver o não cumprimento de contratos ou de obrigações dentro dos respectivos prazos.

Isto é, não é o peso da dívida que é, por si só, fundamental. É verdade que a quantidade de dívida e a qualidade dessa dívida são importantes. Mas a capacidade de «pagar» a dívida (pagando também os juros quando devidos) é igualmente crítica. E essa capacidade de «serviço» depende, por sua vez, dos activos de caixa próximos disponíveis, o que depende da manutenção dos níveis de preços e níveis de vendas (ou seja, receita) e retornos de activos de caixa próximos para efectuar os pagamentos. Os vários termos e condições associados ao serviço também podem ser críticos.

O norte-americano Dr. Jack Rasmus desenvolveu três equações em anexo no seu livro Fragilidade Sistémica na Economia Global, escrito em 2016. Elas consideram o papel da dívida em relação à capacidade de pagar a mesma e os vários termos, condições e cláusulas que podem estar associados ao serviço da dívida1.

Rasmus continua a desenvolver e a actualizar essas equações, usando a análise de dados na rede para encontrar as verdadeiras relações múltiplas entre governo, famílias, empresas, dívidas bancárias, dentro de cada um desses sectores da economia (governo, família, negócios), e o grau de causalidade entre os níveis da dívida, a qualidade da dívida, o rendimento disponível para o serviço da dívida e os termos e condições do financiamento da dívida.

Se a dívida da China é muito elevada, a da Europa é ainda superior. A dívida da China pode ser maior em termos absolutos, mas a capacidade de serviço da dívida da Europa, após oito anos de recessão dupla e crescimento quase estagnado, continua mais fraca do que a capacidade da China de garantir o serviço da dívida. E há que ter em conta também países emergentes como a Argentina, a Turquia, o Paquistão ou a Índia, que tem um problema muito sério com os seus «bancos-sombra», termo atribuído ao economista Paul McCulley2 para descrever um grande segmento de intermediação financeira, que é conduzido fora dos balanços dos bancos comerciais regulados e outras instituições depositárias, definindo os bancos-sombra como «intermediários financeiros» que realizam funções de banca «sem acesso à liquidez do banco central ou garantias de crédito do sector público».

Este mercado também prospera no ambiente financeiro de baixas taxas de juros nos grandes países industrializados, que leva os investidores a buscar rendimentos mais elevados. As capacidades do serviço da dívida podem ser ainda mais fracas do que a da Europa.

O Baoshang Bank e as causas da crise bancária na China

O colapso inesperado, no final de Maio, de um pequeno banco chinês da Mongólia Interior, o Baoshang, ocorrido de surpresa, focou subitamente a atenção na fragilidade do maior e menos conhecido sistema bancário do mundo, o da República Popular da China (RPC). Então, pela primeira vez em três décadas, o Banco Popular da China (BPC) e os reguladores bancários do Estado tomaram conta de um banco insolvente. Fizeram-no aparentemente para enviar uma mensagem aos outros bancos para que eles passassem a controlar melhor os riscos dos empréstimos que realizavam. Ao fazê-lo podem ter detonado o colapso de um dos maiores e mais obscuros sistemas bancários do mundo – os bancos regionais e locais mal regulamentados da China, às vezes chamados de bancos-sombra. Tratam-se de bancos pequenos e médios, pouco regulados, que não fazem parte da grande banca estatal.

Os activos totais dos bancos-sombra pequenos e médios da China foram estimados como aproximadamente iguais aos dos quatro grandes bancos estatais regulados, o que poderia arrastar-se numa crise generalizada. Por isso Pequim entrou tão rapidamente para conter o Baoshang. O Banco Baoshang parecia saudável, mas o choque da insolvência criou uma crescente crise de risco nos mercados de empréstimos interbancários da China, não muito diferente das fases iniciais da crise interbancária de hipotecas subprime de 2007 nos Estados Unidos. E isso forçou o BPC, o banco nacional, a injectar milhares de milhões de yuans, até este momento equivalentes a 125 milhares de milhões de dólares, e a emitir uma garantia de todos os depósitos bancários para conter os receios.

O problema é que a China assumiu um dos mais impressionantes esforços de construção e modernização da história humana em apenas mais de três décadas. Cidades inteiras, dezenas de milhares de quilómetros de via férrea de alta velocidade, portos de contentores mecanizados, como nenhuma outra nação tinha feito na sua história. E tudo em dívida. O serviço dessa dívida dependeu de uma economia cujos lucros cresceram continuamente. Se a contracção da economia começasse, as consequências seriam incalculáveis.

Agora, como a economia está claramente a desacelerar, há investimentos arriscados em todo o país que entram subitamente em insolvência e os credores olham novamente para os riscos de novos empréstimos. O sector automobilístico está em queda acentuada nos últimos meses, o mesmo acontecendo com outras indústrias. Para piorar, uma grave epidemia de Febre Suína Africana está a dizimar o elevado número de porcos da China, levando a uma inflação alimentar de quase 8%. Neste quadro, o BPC está tentando, corajosamente, evitar imprimir mais dinheiro, o que criaria mais inflação e enfraqueceria o Renminbi, podendo provocar uma nova bolha financeira.

Neste quadro não é positiva a dependência da China dos mercados financeiros globais do dólar em milhões de milhões de dólares de dívida num momento em que as receitas de exportação em dólar estão a cair mesmo antes das tarifas da guerra comercial dos EUA. Se a China estivesse isolada da economia global como na década de 1970, o Estado poderia simplesmente lidar com os problemas internamente, acabar com os empréstimos insolventes e reorganizar os bancos.

Os riscos interbancários são pouco claros. O problema com os empréstimos que estão implícitos nesses números é que os créditos emitidos pelos bancos-sombra são mal controlados e agora enfrentam o não cumprimento de contratos generalizado e falências de empréstimos de alto risco que fizeram. O colapso do Baoshang Bank subitamente voltou todos os olhos para esses riscos.

Os grandes bancos hesitam em continuar a emprestar aos pequenos bancos através do mercado interbancário, forçando as taxas de empréstimo a subir. As garantias do BPC de que o caso do Baoshang é «isolado» não são susceptíveis de tranquilizar. A Bloomberg estima que, nos primeiros quatro meses de 2019, as empresas chinesas não pagaram cerca de 5,8 milhares de milhões em títulos domésticos, mais de três vezes o valor do ano anterior3.

As autoridades de Pequim, incluindo o BPC, deixaram claro, ao longo destes meses, que querem reduzir os empréstimos arriscados emitidos por bancos-sombra locais e outros países, para controlar a situação. No entanto, não será fácil restringir os empréstimos bancários locais de risco sem provocar uma onda de falências na economia chinesa em desaceleração.

Como resultado do inesperado colapso do Baoshang, o mercado de empréstimos interbancários da China está subitamente em crise.

Dificuldade em prever a crescente instabilidade da economia global

Tal como a economia contemporânea não conseguiu prever o crash de 2008-09 e sobrestimou a breve recuperação subsequente, os economistas de hoje não estão a conseguir prever com precisão a desaceleração do crescimento económico global, a fragilidade crescente e, portanto, a crescente instabilidade na economia global. O livro de Jack Rasmus oferece uma explicação alternativa, porque a economia global está a desacelerar a longo prazo e a tornar-se mais instável.

As políticas até agora fracassaram e a próxima crise pode ser ainda pior que a de  2008-09. A fragilidade sistémica «está enraizada em nove principais tendências empíricas: desaceleração do investimento real; desvio em direcção à deflação; explosão de dinheiro, crédito e liquidez; níveis crescentes de dívida global; mudança para o investimento financeiro especulativo; reestruturação dos mercados financeiros para recompensar os rendimentos do capital; restrição dos mercados de trabalho a menores rendimentos salariais; o fracasso das políticas monetárias do Banco Central; e ineficácia das políticas fiscais».

Tudo isto resulta de fragilidades nos balanços financeiros, do consumidor e do governo, exacerbando-se mutuamente – criando uma força maciça centrípeta que desagrega e rasga o todo. Este livro esclarece como o sistema de preços em geral, e os preços dos activos financeiros em particular, se transformam em forças fundamentalmente desestabilizadoras sob condições de «fragilidade sistémica». Por isso, o sistema global, tornou-se, nas últimas décadas, dependente e até viciado em injecções maciças de liquidez, com políticas fiscais contraproducentes, exacerbando a fragilidade e a instabilidade sistémica. A incapacidade dos autores dessas políticas em compreender como mudanças fundamentais na estrutura da economia capitalista global do século XXI, em particular nas estruturas financeiras e do mercado de trabalho, tornam a economia global mais frágil sistemicamente, só podem impulsioná-la para instabilidades e crises mais profundas.

Notas:
1.Jack Rasmus, Systemic Fragility in the Global Economy, Clarity Press (2016). Rasmos é autor de outros livros sobre os EUA e a economia global, incluindo Epic Recession: Prelude to Global Depression (2010) e Obama's Economy: Recovery for the Few(2012), ambos da Pluto Press, e de um programa alternativo para a recuperação económica: An Alternative Program for Economic Recovery, Edição do autor (2011). Tem um programa semanal de rádio, Alternative Visions, na Progressive Radio Network. Jack Rasmus é conselheiro económico de Jill Stein, candidata presidencial do Partido Verde dos EUA, e integra o seu ministério «sombra» (Green Shadow Cabinet) como «presidente da Reserva Federal dos EUA». Escreve quinzenalmente para a teleSUR TV da América Latina, para a Z Magazine, Znet e outras publicações impressas e electrónicas. O seu sítio na rede é https://jackrasmus.com/.
2.Paul Allen McCulley é um economista americano e ex-director da financeira PIMCO, empresa que deixou em 2010 para aderir ao Global Interdependence Center, um think tank destinado a promover o desenvolvimento global e o comércio livre. Criou os termos «momento Minsky» e «sistema bancário paralelo», que ficaram famosos durante a crise financeira de 2007-2009. É um convidado habitual da CNBC e da Bloomberg para comentários sobre investimentos. Para os «bancos-sombra» e «sistema bancário sombra» ver as ligações em «Shadow Banking», na Bloomberg, e na entrada «Sistema bancário sombra», na Wikipédia.
3.«Banking in the Shadows», Bloomberg.

OTAN asiática: poderia China criar uma aliança militar com seus vizinhos ?

Militares chineses durante a cerimônia de abertura da competição internacional Copa do Mar-2017 em Vladivostok
© Sputnik / Vitaliy Ankov

O medo de que a China venha a criar um bloco militar na Ásia já existe há vários anos.

No contexto das tentativas dos EUA de fazer frente ao gigante asiático em diferentes áreas, a colunista Sofia Melnichuk da edição russa da Sputnik analisa se Pequim estará realmente disposto a criar uma aliança militar com países vizinhos.

No passado mês de junho, o presidente da China, Xi Jinping, sugeriu pensar em uma "estrutura de segurança" na região durante uma reunião com seus parceiros euroasiáticos no âmbito da Conferência sobre Interação e Medidas de Confiança na Ásia, que decorreu em Duchambe (Uzbequistão).

Aliança asiática

Alguns especialistas qualificaram esta iniciativa como um desejo de criar uma aliança em oposição à Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma espécie de OTAN asiática.

No entanto, se unir contra o Ocidente em um bloco asiático será bastante problemático, nota a colunista.

A proposta do presidente chinês surge após a publicação do relatório do Departamento de Defesa dos EUA que critica as atividades da Rússia, Coreia do Norte e, sobretudo, da China.

"A China utiliza incentivos e sanções econômicas, influencia as operações, usa ameaças militares para persuadir outros Estados a seguirem o seu programa", diz o relatório.

Embora o relatório não mencione a possibilidade de Pequim poder vir a criar um bloco militar na região, verifica-se que os EUA já estão trabalhando com os países vizinhos para conter a China.

De fato, parece que o círculo de aliados estadunidenses está se apertando em volta da China: o Japão, a Austrália e a Índia fazem parte do Diálogo de Segurança Quadrilateral, e para além disso, EUA têm parceiros de confiança no Sudeste Asiático.

"Há desafios na região e aquilo que Xi Jinping diz não representa planos agressivos, mas sim uma reação forçada", comentou à Sputnik Sergei Sanakoyev, Chefe do Departamento Analítico Russo-Chinês do Centro de Investigação da Ásia-Pacífico.

O importante para Pequim agora é ter a oportunidade de se reunir com os parceiros, debater determinados problemas e pensar em conjunto sobre a sua solução.

Para tratar disso podem ser utilizados o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, o grupo BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai, sendo esta última a estrutura principal em termos de segurança na Ásia. Nesta plataforma Pequim apresenta suas iniciativas, aumenta a confiança e propõe todo o tipo de eventos, explica a autora do artigo.

Política asiática

A China simplesmente não tem razões para se transformar em um adversário aberto dos EUA nem criar um bloco militar. Os acordos a as declarações que Pequim assina com outros países não podem ser qualificados como alianças.
"[ A criação] da OTAN asiática é simplesmente impossível", disse à Sputnik Vasiliy Kashin, especialista principal do Centro de Estudos Europeus e Internacionais da Escola Superior de Economia.

Todos estes países são maiores que os ocidentais e têm suas próprias obrigações e interesses.

"A ideia de que a China irá criar sua própria OTAN se deve a uma falta de compreensão de como funciona a política na Ásia. As pessoas usam estereótipos, fazem paralelos como Guerra Fria, coisas que simplesmente não funcionam na região asiática", destacou Kashin.

O especialista explicou que a ordem mundial asiática é mais complexa que a europeia, por isso aplicar o mesmo padrão aqui não faz muito sentido.

Soldados do Exército da Libertação Popular da China
© REUTERS / Damir Sagolj
Soldados do Exército da Libertação Popular da China

Na Ásia não existe uma aliança única, o que limita consideravelmente as capacidades dos EUA na região.

"Os americanos não conseguiram unir os parceiros asiáticos. Inclusive, é difícil fazer cooperar o Japão com a Coreia do Sul, por exemplo", salientou Kashin.

Ao mesmo tempo, o pilar de segurança de Tóquio é a sua aliança com os Estados Unidos. A Austrália é também um aliado dos EUA. Qualquer documento relativo à defesa que se assine com os chineses se discute com Washington

A formação de uma rede de alianças político-militares não está entre os planos dos líderes chineses.

Reconhecer tal necessidade significaria uma revisão de todo o conceito de política exterior do seu país, formado desde os tempos de Deng Xiaoping.

A retórica pacífica continua sendo parte da imagem da China no âmbito internacional, mas o país também não esconde a necessidade de fortalecer as suas Forças Armadas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019071614221225-otan-asiatica-sera-que-a-china-ira-criar-uma-alianca-militar-com-seus-vizinhos/

Ainda sobre as razões que estão na base dos focos de tensão entre a China e os Estados Unidos – “O iminente conflito de 100 anos entre os EUA e a China”, por Martin Wolf

Tensão Import Export

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

O iminente conflito de 100 anos entre os EUA e a China

A luta inútil de Donald Trump pela dominação está cada vez mais a ser enquadrado como um jogo de soma nula

 

Martin Wolf 2 Por Martin Wolf

The looming 100-year US-China conflict, publicado por FTimes em 4 de junho de 2019 (aqui)

Reeditado por Gonzallo Rafo (aqui)

Ainda China EUA 1 O iminente conflito de 100 anos entre os EUA e a China 1

 

O desaparecimento da União Soviética deixou um grande vazio. A “guerra do terror” foi um substituto inadequado. Mas a China marca todas as casas. Para os EUA, pode ser o inimigo ideológico, militar e económico de que muitos precisam. Aqui está finalmente um oponente que vale a pena. Essa foi a principal conclusão que retirei das reuniões de Bilderberg deste ano. A rivalidade generalizada com a China está a tornar-se um princípio organizador das políticas económica, externa e de segurança dos EUA.

Que este seja o princípio organizador de Donald Trump é uma questão menos importante. O Presidente dos EUA tem os instintos de um nacionalista e protecionista. Outros fornecem tanto o enquadramento como os pormenores. O objetivo é o domínio dos EUA. O meio é o controle sobre a China, ou a separação da China. Quem acredita que uma ordem multilateral baseada em regras, a nossa economia globalizada, ou mesmo relações internacionais harmoniosas, são suscetíveis de sobreviver a este conflito está iludido.

O espantoso livro branco sobre o conflito comercial, publicado no domingo pela China, é uma prova disso mesmo. O facto – para mim, deprimente – é que, em muitos pontos, as posições chinesas são corretas. O foco dos EUA nos desequilíbrios bilaterais é economicamente analfabetismo puro. A opinião de que o roubo de propriedade intelectual causou enormes prejuízos aos EUA é questionável. A proposta de que a China violou grosseiramente os seus compromissos ao abrigo do seu acordo de adesão de 2001 à Organização Mundial do Comércio é extremamente exagerada.

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Acusar a China de fazer batota é hipócrita quando quase todas as medidas de política comercial tomadas pela administração Trump violam as regras da OMC, facto implicitamente reconhecido pela sua determinação em destruir o sistema de resolução de litígios. A posição negocial dos EUA em relação à China é a de que “o poder faz o correto”. Isto é particularmente verdadeiro quando se insiste que os chineses aceitam o papel dos EUA como juiz, júri e executor do acordo.

Um litígio sobre as condições de abertura do mercado ou de proteção da propriedade intelectual pode ser resolvido através de uma negociação cuidadosa. Tal solução poderia até mesmo ajudar a China, uma vez que aliviaria a mão pesada do Estado e promoveria uma reforma orientada para o mercado. Mas as questões são agora demasiado incómodas para uma tal resolução. Isso deve-se, em parte, ao amargo fracasso das negociações. Ainda mais porque o debate nos Estados Unidos se centra cada vez mais na questão de saber se a integração com a economia chinesa dirigida pelo Estado chinês é desejável. O receio em relação à Huawei centra-se na segurança nacional e na autonomia tecnológica. O comércio liberal é cada vez mais visto como “comércio com o inimigo”.

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Está a emergir um enquadramento das relações com a China como um conflito de soma zero. Comentários recentes de Kiron Skinner, diretor de planeamento de políticas do Departamento de Estado dos EUA (um cargo que já foi ocupado pelo estratega da guerra fria George Kennan) são reveladores. A rivalidade com Pequim, sugeriu ela num fórum organizado pela New America, é “uma luta com uma civilização realmente diferente e uma ideologia diferente, e os Estados Unidos nunca tiveram isso antes”. Acrescentou que esta seria “a primeira vez que teríamos uma grande potência concorrente que não é caucasiana”. A guerra com o Japão está esquecida. Mas a grande questão é o facto de ela enquadrar este conflito como uma guerra civilizacional e racial e, portanto, como um conflito insolúvel. Isto pode não ser acidental. Ela continua no seu posto.

Outros apresentam o conflito como um conflito sobre a ideologia e o poder. Aqueles que dão relevo à questão da ideologia, destacam a retórica marxista do presidente Xi Jinping e o papel reforçado do partido comunista. Aqueles que dão relevo à questão do poder destacam o crescente poder económico da China. Ambas as perspetivas sugerem um conflito perpétuo.

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Este é o desenvolvimento geopolítico mais importante da nossa era. Não menos importante, forçará cada vez mais todos os outros a tomar partido ou a lutar arduamente pela neutralidade. Mas não é apenas importante. É perigoso. Arrisca-se a transformar uma relação gerível, embora controversa, num conflito abrangente, sem qualquer razão válida.

A ideologia da China não é uma ameaça à democracia liberal como a da União Soviética. Os demagogos de direita são muito mais perigosos. É quase certo que um esforço para travar a ascensão económica e tecnológica da China fracassará. Pior ainda, fomentará uma hostilidade profunda no povo chinês. A longo prazo, as exigências de um povo cada vez mais próspero e instruído no que respeita ao controlo das suas vidas poderão ainda vir a ganhar. Mas isso é muito menos provável se a ascensão natural da China for ameaçada. Além disso, a ascensão da China não é uma causa importante de mal-estar ocidental. Isso reflete muito mais a indiferença e a incompetência das elites a Ocidente. O que é visto como roubo de propriedade intelectual reflete, em grande parte, a inevitável tentativa de uma economia em ascensão de dominar as tecnologias da atualidade. Acima de tudo, uma tentativa de preservar a dominação de 4% da humanidade sobre o resto é ilegítima.

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Isto não significa, certamente, aceitar tudo o que a China faz ou diz. Pelo contrário, a melhor maneira de o Ocidente lidar com a China é insistir nos valores respeitadores da liberdade, da democracia, do multilateralismo baseado em regras e da cooperação global. No passado, estas ideias fizeram com que muitos em todo o mundo apoiassem os EUA. Ainda hoje cativam muitos chineses. É perfeitamente possível defender estas ideias, insistir muito mais fortemente nelas, ao mesmo tempo que se coopera com uma China em ascensão onde isso é essencial, como na proteção do ambiente natural, do comércio e da paz.

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Uma mistura de concorrência e cooperação é o caminho certo a seguir. Uma tal abordagem na gestão da ascensão da China deve incluir uma cooperação estreita com os aliados que partilham das mesmas ideias e um tratamento respeitoso da China. A tragédia do que está a acontecer agora é que a administração está simultaneamente a lançar um conflito entre as duas potências, atacando os seus aliados e destruindo as instituições da ordem liderada pelos EUA no pós-guerra. O ataque de hoje à China é a guerra errada, travada da forma errada, no terreno errado. Infelizmente, é aqui que estamos agora.

 

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/07/15/ainda-sobre-as-razoes-que-estao-na-base-dos-focos-de-tensao-entre-a-china-e-os-estados-unidos-o-iminente-conflito-de-100-anos-entre-os-eua-e-a-china-por-martin-wolf/

O papel dos EUA nos protestos em Honk Kong

trump pompeo boltonOs meios de comunicação têm enchido páginas e ecrãs com os protestos de massas em Hong Kong, realmente gigantescos. O alvo, quer dos manifestantes, quer da propaganda dominante, é obviamente a China. Na origem, está uma alteração legal que permitiria a extradição para a China continental de pessoas acusadas de crimes. O clamor levantado a pretexto dos “direitos humanos” mascara a tentativa, por parte do Ocidente, com relevo para os EUA e o Reino Unido, de manter Hong Kong quanto possível fora da soberania chinesa. A isto não é alheia a guerra política e económica que os EUA desencadearam contra a China. É o que denuncia a seguinte declaração do International Action Centre (EUA).

Ajudas ou intervenções dos EUA nunca protegeram direitos humanos ou democracia

O imperialismo norte-americano é o maior inimigo dos povos que lutam por um futuro com dignidade, soberania e plenos direitos humanos. Wall Street e o capital financeiro mantêm o seu domínio no mundo através da ameaça de mais de 800 bases militares em territórios estrangeiros, porta-aviões, golpes constantes, assassinatos, ataques de drones e fome causada por sanções impostas a mais de 30 países ao redor do mundo.

Wall Street também usa o poder “suave” do National Endowment for Democracy (NED, Dotação Nacional para a Democracia) para financiar milhares de organizações não-governamentais, partidos políticos reaccionários e alianças com ditadores corruptos em todo o mundo.

Lembremos que, por meio do NED, os EUA financiaram tentativas de golpe, muitas vezes envolvendo componentes de protesto de massas, nas Honduras, Nicarágua, Venezuela, Haiti, Ucrânia e Síria. Qualquer movimento tem o potencial de atrair muitas pessoas progressistas bem-intencionadas, muitas vezes com queixas legítimas cujos interesses não são os da liderança do movimento. Mas a ajuda e as intervenções dos EUA nunca protegeram os direitos humanos ou a democracia.

Os recentes protestos de massas que abalam Hong Kong— contra uma proposta de modificação das leis de extradição — obrigam a olhar mais fundo, e a perguntar que forças estão por trás do movimento e quem dele beneficia.

Antecedentes

A Grã-Bretanha roubou Hong Kong à China no final da primeira Guerra do Ópio em 1842. As Guerras do Ópio impuseram o tráfico de ópio, tratados desiguais e ocupação colonial. Cem anos de pilhagem imperialista, empobreceram e mantiveram a China subdesenvolvida.

A vitória da revolução em 1949 mudou radicalmente a China e iniciou os esforços para construir o socialismo. Mas durante 30 anos, de 1949 a 1979, a China foi completamente cercada, bloqueada e sancionada pelos EUA e pelos países imperialistas ocidentais.

Em 1979, a partir da “reforma e abertura” iniciada com Deng Xiaoping, a China fez concessões ao mercado capitalista. Isso deu à China acesso a alguma tecnologia e capitais do mundo industrializado, mas foi um acordo com o diabo, fortalecendo a classe capitalista na China.

Hong Kong foi devolvida à China em 1997 sob o princípio “um país, dois sistemas” que preservou grande parte do sistema legal/judicial colonial britânico.

Hong Kong é um centro do capital financeiro mundial. É profundamente hostil às medidas sociais que, na China continental, tiraram centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema e proporcionaram altos padrões de cuidados de saúde, educação e infra-estruturas modernas.

O capital financeiro fez fortes incursões na China. Hong Kong é a base de operações do Ocidente, incentivando o crescimento de uma classe capitalista na China que ameaça as bases do socialismo. Hoje a China é uma sociedade profundamente contraditória, caracterizada pela luta entre uma classe capitalista renascida e as aspirações dos trabalhadores e camponeses chineses de manter e expandir a economia planificada.

É no contexto dessa luta, bem como do crescente cerco militar dos EUA e da guerra comercial contra a China, que os actuais protestos em Hong Kong devem ser compreendidos. As forças do capital financeiro em Hong Kong e os seus aliados nos EUA e na Europa querem afastar Hong Kong da China para que possa funcionar como um posto avançado económico e político na região.

Isso significa limitar a integração legal e política com a China, tanto quanto possível. Para esse fim, os EUA forneceram amplo apoio político, financeiro e propagandístico aos protestos.

Factos sobre os protestos

Várias organizações membros da Frente Civil de Direitos Humanos, a coligação por trás dos recentes protestos, recebem ou receberam financiamento do NED. Entre elas, o Instituto de Gestão de Recursos Humanos de Hong Kong, a Confederação de Sindicatos de Hong Kong, a Associação de Jornalistas de Hong Kong, o Partido Cívico, o Partido Trabalhista e o Partido Democrático.

Mais de 37.000 ONGs, com dezenas de milhares de funcionários, estão registadas em Hong Kong, muitas das quais recebem financiamento dos EUA e da Europa.

Martin Lee, fundador do Partido Democrata, que faz parte da Frente Civil de Direitos Humanos, reuniu-se com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, durante os protestos, e recebeu deste o pleno apoio aos protestos. Se os protestos tivessem de facto uma finalidade progressista, não seriam apoiados pela liderança reaccionária do imperialismo norte-americano — a mesma força que tenta levar a cabo um golpe na Venezuela, ameaça a Coreia do Norte e procura iniciar uma guerra com o Irão.

O sistema legal/judicial independente de Hong Kong é uma relíquia do colonialismo britânico. Em nenhum outro lugar do mundo uma cidade tem leis independentes de extradição, com autoridade acima da de um país soberano. (**)

Apesar de décadas de financiamento multimilionário do Ocidente, Hong Kong tem uma taxa de pobreza de 20% (23,1% para crianças), comparada com menos de 1% na China continental. Nos últimos 20 anos, a pobreza em Hong Kong permaneceu alta, enquanto a China continental tirou incontáveis milhões de pessoas da pobreza.

Os recentes protestos, tal como os de 2014, não levantaram essa questão. Os protestos foram dirigidos contra a liderança de Hong Kong, ligada à China continental, ignorando as ligações aos EUA dos bancos e dos capitalistas ultra-ricos sediados em Hong Kong, que claramente não demonstram interesse em responder aos problemas da pobreza ou outras necessidades de primeira importância.

Os EUA afirmam estar preocupados com a liberdade de expressão e extradições com motivações políticas, enquanto pressionam para a extradição de Julian Assange por expor os crimes do imperialismo norte-americano.

Os meios de comunicação nos EUA e na Europa têm divulgado entusiasticamente os protestos em Hong Kong, em contraste com a escassa cobertura, muitas vezes negativa, dos protestos de massas em Gaza, Honduras, Sudão, Iémen, França ou a recente greve geral no Brasil. A diferença na cobertura mediática revela a diferença das forças que estão por trás dos protestos e que deles beneficiam.

O imperialismo norte-americano tem uma longa história de “revoluções coloridas”, em que protestos com um verniz progressista e até revolucionário são usados como cobertura para uma agenda reaccionária pró-EUA. É o caso da aliança entre o imperialismo norte-americano e as forças do capital financeiro mundial em Hong Kong, contra a liderança política e a soberania chinesa.

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(*) O International Action Center (iacenter.org) é um associação de activistas fundada em 1992 pelo antigo Procurador-Geral dos EUA Ramsey Clark. Apoia movimentos anti-imperialistas em todo o mundo e opõe-se às intervenções militares dos EUA em quaisquer circunstâncias. Texto traduzido e adaptado pelo MV.

(**) A questão não se põe apenas em relação à China. Também Taiwan tem um contencioso recente com Hong Kong a este respeito, a propósito de um indivíduo que assassinou uma mulher em Taiwan e se refugiou em Hong Kong para escapar à Justiça. Um dos argumentos da alteração legal pretendida pela China é precisamente evitar que a legislação actual faça da ex-colónia uma espécie de off-shore do crime.

Ver o original em 'Mudar de Vida' (clique aqui)

China avisa que irá impor sanções a empresas dos EUA que venderem armas a Taiwan

Tanques M1 Abrams. (fodo do arquivo)
© Sputnik / Sergey Melkonov

O Ministério das Relações Exteriores da China informou em um comunicado que Pequim pode vir a impor sanções às empresas estadunidenses que vendem armas a Taiwan.

Pequim expressou seu descontentamento pela visita da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, aos EUA na quinta-feira (11).

A declaração surge na sequência de um aviso feito pelo ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi aos Estados Unidos esta sexta-feira (12), dizendo que os EUA deveriam se abster de manter relações com Taiwan, o que ele descreveu como "brincando com o fogo".

Durante a sua visita à Hungria, Wang disse que nenhuma força estrangeira poderia travar a reunificação da China e que nenhuma força estrangeira deveria tentar fazê-lo.

"Nós instamos os EUA a reconhecerem a gravidade da questão de Taiwan […] e a não brincarem com o fogo na questão de Taiwan", disse o diplomata (através de um intérprete) em uma entrevista coletiva, escreve  jornal The New York Times. 

Pequim informou hoje que irá introduzir sanções contra as empresas dos EUA que vendam armas a Taiwan, após Washington ter aprovado a venda a este país de tanques, mísseis e outro equipamento militar no valor de US$ 2,2 bilhões (R$ 8,3 bilhões).

O Ministério de Relações Exteriores chinês afirmou em um comunicado que a venda de armas estadunidenses a Taiwan afeta a soberania da China e a sua segurança nacional.

Pequim já havia antes demonstrado preocupação quanto à transação, e pedido que o princípio da "China Única" seja respeitado.

Taiwan é governada separadamente da China desde 1949, porém as autoridades chinesas encaram a ilha como província rebelde e parte do território chinês.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019071214195449-china-avisa-que-ira-impor-sancoes-a-empresas-dos-eua-que-venderem-armas-a-taiwan/

China pede que os EUA abandonem os planos de vender armas para Taiwan

O Ministério da Defesa da China pediu nesta quinta-feira aos EUA que abandonem imediatamente seus planos de vender armas para Taiwan.

"Taiwan é uma parte inalienável da China, a posição da China, que se opõe fortemente à venda de armas americanas a Taiwan, é clara e constante", declarou Wu Qian, porta-voz do ministério.

Ele insistiu que "a China exorta os EUA a cumprir suas obrigações, observar estritamente o princípio de uma só China e as estipulações dos três comunicados conjuntos entre EUA e China, e abandonar imediatamente os planos anteriores de vender armas para Taiwan".

Wu acrescentou que, com suas ações, os EUA interferem nos assuntos internos da China, além de prejudicar as relações militares entre os dois países e a estabilidade da região do estreito de Taiwan.

A Agência de Cooperação de Defesa e Segurança do Pentágono (DSCA) anunciou na terça-feira que o Departamento de Estado dos EUA autorizou a venda de armas por mais de US$ 2 milhões para Taiwan e afirmou que a transação não alteraria o equilíbrio militar na região.

Taiwan solicitou o fornecimento dos EUA de 108 tanques M1A2T Abrams, 250 mísseis antiaéreos Stinger e equipamentos relacionados.

Caça F-16 da Força Aérea de Taiwan  (foto de arquivo)
© AFP 2019 / Chiang Ying-ying
Caça F-16 da Força Aérea de Taiwan (foto de arquivo)

Na semana passada, Pequim instou Washington a cessar os contatos oficiais e militares com Taipei, bem como "parar de interferir nos assuntos internos da China" para não prejudicar as relações bilaterais, a paz e a estabilidade na região.

Em março passado, Taiwan pediu aos EUA a venda de caças F-16, e neste mesmo mês Pequim enviou uma nota de protesto a Washington para o possível acordo a esse respeito.

As relações oficiais entre Pequim e Taipei foram suspensas em 1949, depois que as forças do Partido Nacionalista Chinês (Kuomintang), chefiadas por Chiang Kai-shek, sofreram uma derrota na guerra civil contra o Partido Comunista da China e se mudaram para Taiwan.

Os laços entre os dois territórios chineses só foram restaurados nos níveis comercial e informal no final dos anos 1980, sem nenhum contato oficial entre as autoridades no momento.

Pequim considera Taiwan como sua província rebelde e se recusa a manter relações diplomáticas com qualquer país que as mantenha com Taipei.

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China encontra nova 'arma' para contra-atacar norte-americanos

Bandeira americana e chinesa
© AFP 2019 / Wang Zhao

As autoridades chinesas alertam seus cidadãos que pretendem viajar aos EUA para avaliarem os prós e contras antes de tomar a decisão.

O Ministério das Relações Exteriores da China, em conjunto com o da Cultura e Turismo, publicaram recentemente advertências sobre os perigos que os chineses podem enfrentar nos EUA, como violência e roubos nas ruas, entre outras coisas.

Além disso, emitiu uma advertência semelhante àqueles que pretendem estudar nas universidades norte-americanas.

Com o início da guerra comercial entre os dois países, os estudantes chineses reclamaram das dificuldades em obter o visto norte-americano, sendo que alguns foram até impedidos de completar o curso, pois não conseguiram renovar seus vistos.

Isso porque, em outubro do ano passado, a Administração de Trump emitiu instruções às embaixadas norte-americanas para endurecerem a política de vistos para os estudantes chineses, principalmente para aqueles que estudam tecnologias.

No entanto, recentemente, em Osaka, o líder norte-americano assegurou que os EUA querem mais estudantes chineses em suas universidades, afirmando que ele ainda espera que os chineses permaneçam nos EUA após concluírem seus estudos.

Bandeiras na praça da Paz Celestial (Tiananmen). Foto de arquivo.
© AFP 2019 / WANG ZHAO
A praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, é a principal praça da China e a terceira maior praça no mundo.

Isso poderia significar um degelo nas relações entre os dois países. Por outro lado, Trump é movido por ideias puramente pragmáticas. A China é o maior provedor de estudantes estrangeiros para as universidades norte-americanas, que cobram valores altos. Sendo assim, perder uma fonte de ingressos estáveis terá um grande impacto, comentou Wang Xiaofeng, do Centro de Investigação dos EUA da Universidade de Fudan, com sede em Xangai.

"Primeiramente, a América é um ponto de atração para os estudantes da China. (....) Nos últimos anos, o número de chineses que vão aos Estados Unidos para estudar tem vindo a aumentar progressivamente", disse Wang Xiaofeng.

"Uma pessoa que vai a um acampamento de verão por um período curto paga vários milhares ou mesmo dezenas de milhares de dólares; e aqueles que vão para estudar por um período longo, pagam entre 50.000 e 80.000 dólares por ano. Há muitos destes estudantes", ressalta o especialista.

"Sendo assim, nesta área, os EUA possuem um claro superávit no comércio com a China. Depois da advertência emitida pelas autoridades chinesas, a indústria turística norte-americana, supostamente receberá muito menos ingressos", alertou.

Para muitos países, os turistas chineses são o motor mais potente do crescimento econômico. É estimado que o fluxo turístico proveniente da China possa chegar a 200 milhões de pessoas até 2020.

Bandeira dos EUA junto a emblema nacional da China (foto de arquivo)
© AP Photo / Andy Wong
Bandeira dos EUA junto a emblema nacional da China (foto de arquivo)

"A China é um grande mercado para os EUA. No entanto, a indústria turística dos EUA não depende tanto da China [...]. Além disso, alguns cidadãos chineses planejaram suas vidas para estudar nos EUA, e não mudarão tudo agora. De fato, houve casos de ataques armados nos EUA, inclusive nos campus universitários. Além disso, foram os EUA que reforçaram os controles para os cidadãos chineses, então, a advertência é como uma represália", opinou o especialista.

Segundo o Escritório Nacional de Turismo e Viagens dos EUA, em 2018, o número de turistas chineses no país caiu 5,7 %.

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EUA confirmam venda de armas a Taiwan diante de 'preocupação' da China

Dançarinos se apresentam durante cerimônia de posse da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, em Taipé, 20 de maio de 2016
© AP Photo / Chiang Ying-ying

O Departamento de Estado dos Estados Unidos assinou o pedido de compra de armas de Taiwan avaliado em mais de US$ 2 bilhões.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (8) pela Agência de Cooperação de Segurança (DSCA) através de um comunicado.

A transação inclui 100 tanques M1A2T Abrams e uma lista de equipamentos relacionados, o que inclui mísseis Stinger.

"Esta proposta de venda de [108] tanques M1A2 contribuirá para a modernização da frota de tanques de batalha do destinatário, aumentando sua capacidade de enfrentar as ameaças regionais atuais e futuras e fortalecer sua defesa interna", afirmou o texto, que também estimou o valor da transação em US$ 2 bilhões.

Além disso, os Estados Unidos concordaram em vender mísseis antiaéreos Stinger para Taiwan no valor de US$ 224 milhões, disse a DSCA em um comunicado à parte.

Anteriormente, o anúncio da compra de armas por parte do Ministério da Defesa de Taipei, gerou comentários do governo chinês.

Na quinta-feira (6), o Ministério das Relações Exteriores da China demonstrou preocupação diante da transação, e pediu que o princípio da "China Única" seja respeitado. Oficialmente, os EUA reconhecem o princípio desde 1979.

Taiwan é governada separadamente desde 1949, porém a China compreende a ilha como parte do território chinês.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019070814179279-eua-anunciam-venda-de-armas-a-taiwan-e-china-demonstra-preocupacao/

A construção da hegemonia chinesa no “Mediterrâneo Asiático”

A China, na prossecução dos seus interesses geopolíticos próprios, tem como objectivo conquistar a hegemonia mundial. Toda a sua política, tanto a económica como a externa, tem sido definida e executada em função desse (ainda longínquo…) objectivo.

O nosso amigo Giuseppe Gagliano equaciona aqui, em breve síntese, o problema da construção dessa hegemonia global da China.

L’edificazione dell’egemonia cinese nel Mediterraneo asiatico

Giuseppe Gagliano – 06/07/2019

A Grã-Bretanha era, até 1914, a principal potência marítima do mundo. Hoje, a China está tentando alcançar uma hegemonia similar, ameaçando a americana.

A reversão da política externa chinesa permitiu a construção de sete dos maiores portos de contentores do mundo. Tianjin (a 140 km de Pequim) é um dos portos mais activos do mundo.

Além disso, as empresas chinesas já contribuíram, como parte das “Rota da Seda”, para a construção ou ampliação de 42 portos em 34 países diferentes.

Mais da metade da riqueza nacional concentra-se nas regiões costeiras chinesas, que, no entanto, representam apenas uma pequena parte do território. Sua frota é agora responsável pela defesa das costas, mas também pelos corredores marítimos pelos quais passa 85% do comércio da República Popular.

Não há dúvida de que a China colocou em prática uma política de hegemonia marítima por razões puramente geopolíticas: a China, na verdade, não está geograficamente bem posicionada e, ao contrário dos EUA, compartilha fronteiras terrestres com 14 países.

De 1430 à era da política maoísta, a China concentrou-se quase exclusivamente em sua dimensão terrestre; no entanto, quando confrontada com a globalização, a protecção das rotas comerciais tornou-se uma prioridade-chave para a China.

Mesmo a sua morfologia geográfica – aludimos à cadeia de ilhas que se situam à frente das suas costas controladas por países que certamente não são a favor da China como o Japão, as Filipinas, o Vietname, a Malásia e sobretudo Taiwan – induziu-a a reorientar política externa.

Basta pensar na centralidade que Taiwan possui para Pequim. De facto, não apenas a considera como integrante do seu território, como desempenha um papel fundamental pois o seu controlo pela China privaria os Estados Unidos de um porta-aviões natural e permitiria que Pequim controlasse o chamado “Mar da China”, abrindo assim as portas para o Pacífico.

Usando a reflexão de Nicholas Spykmann, Taiwan é, em certo sentido, a chave para alcançar a hegemonia do Mediterrâneo Asiático. Por outro lado, Spykmann, em 1942, entendera completamente como a China, se controlasse o Mediterrâneo Asiático, teria sido capaz de ameaçar não apenas o Japão, mas todas as potências ocidentais.

Sobre as ilhas, como Taiwan, Okinawa e Diego Garcia, é necessário sublinhar que estas permitem a capacidade de projecção para defender os interesses nacionais de uma nação.

De fato, a capacidade de projectar é um factor que está longe de ser insignificante dentro de um conflito tradicional e a manutenção de bases navais ou aéreas permite que um país tenha uma espécie de extensão de sua política de potência.

Não é por acaso que os EUA sempre atribuíram grande importância ao fortalecimento de uma rede de bases, uma vez que também facilitam as capacidades logísticas. De um ponto de vista estritamente histórico, a doutrina Carter certamente deu um impulso significativo com a realização da Força de Implantação Rápida.

Neste contexto, não há dúvida de que o papel dos porta-aviões é importante, porque se trata de uma ferramenta de projecção rápida de potência.

A este respeito, pensemos na guerra do Pacífico em que os porta-aviões foram fundamentais para permitir aos Estados Unidos alcançar significativos êxitos militares.

 

Original em italiano, aqui: L’edificazione dell’egemonia cinese nel Mediterraneo asiatico

Bibliografia


Exclusivo Tornado / IntelNomics


 

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https://www.jornaltornado.pt/a-construcao-da-hegemonia-chinesa-no-mediterraneo-asiatico/

China não vai desvalorizar yuan para dar um basta à guerra comercial com EUA

Yuan chinês
© Sputnik / Aleksandr Demyanchuk

A China não pretende desvalorizar sua moeda para resolver guerra comercial com os Estados Unidos, declarou nesta quinta-feira (4) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang.

Comentando as recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a alegada "grande manipulação de moeda" de Pequim, Geng Shuang afirmou em um briefing que "como um país grande e responsável, a China não está desvalorizando [sua moeda] para melhorar sua competitividade, e não vamos usar isso como uma ferramenta para enfrentar as tensões comerciais".

O porta-voz também ressaltou que o Departamento do Tesouro dos EUA não pôs há anos a China na lista de países que manipulam as taxas de câmbio.

Anteriormente, Trump escreveu no Twitter que a China e a Europa estavam manipulando suas moedas e "bombeando dinheiro" em suas economias para competir com sucesso com os EUA.

Guerra comercial

Os EUA e a China têm tentado superar desacordos que surgiram com a decisão de Trump em junho passado de impor tarifas de 25% sobre US$ 50 bilhões em bens chineses em uma tentativa de corrigir o déficit comercial. Desde então, os dois lados trocaram várias rodadas de tarifas.

Em maio, os EUA intensificaram a guerra comercial impondo tarifa de 25% sobre outros US$ 200 bilhões em produtos chineses. A China, por sua vez, se comprometeu a retaliar, aumentando as tarifas sobre US$ 60 bilhões em importações dos EUA em junho.

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EUA devem retomar negociações com a China na próxima semana

Reuters - Representantes dos Estados Unidos e da China estão organizando para a próxima semana a retomada das negociações para resolver a guerra comercial entre duas maiores economias do mundo, disseram autoridades norte-americanas na quarta-feira.

“Essas discussões continuarão com seriedade nessa próxima semana”, disse o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, a repórteres.

Um funcionário do Gabinete do Representante de Comércio dos EUA afirmou depois que os dois lados estão em processo de marcar uma teleconferência com autoridades chinesas para a próxima semana.

Os dois lados têm se comunicado por telefone desde o fim de semana passado, quando os presidentes dos EUA, Donaldo Trump, e da China, Xi Jinping, concordaram em retomar as discussões que haviam estagnado em maio.

Kudlow não foi claro sobre o cronograma para relançar discussões presenciais, dizendo que elas podem começar “em breve” e que um anúncio estaria por vir.

“Eu não sei precisamente quando. Eles estão no telefone. Eles estarão ao telefone nesta próxima semana e vão marcar reuniões presenciais”, disse ele.

Trump recua: tecnológicas americanas podem vender à Huawei

A cimeira dos G20 no Japão foi o cenário escolhido pelo presidente dos EUA para anunciar o que já se previa: as empresas americanas podem continuar a vender produtos à Huawei, como exigiram a Trump.

Logótipo da Huawei num edifício de Kuala Lumpur, Malásia, a 17 de Junho de 2019. A maioria dos países do Sudeste Asiático, como a Malásia, Singapura ou a Tailândia, ignoraram a chamada «Guerra Fria 5G» dos EUA contra a Huawei.CréditosEPA/FAZRY ISMAIL / LUSA

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https://www.abrilabril.pt/internacional/trump-recua-tecnologicas-americanas-podem-vender-huawei

Rússia e China teriam acordado pagamentos em rublo e yuan ao invés de dólar

Rublo e yuan
© Sputnik / Aleksandr Demyanchuk

O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, e o governador do Banco Popular Chinês, Yi Gang, assinaram no dia 5 de junho um acordo intergovernamental para utilização de rublo e yuan em pagamentos mútuos.

A informação foi publicada pelo jornal Izvestiya nesta sexta-feira (28), citando uma carta do Ministério das Finanças da Rússia. Segundo o jornal, a informação sobre o acordo está em uma carta do vice-ministro das Finanças, Sergei Storchak, para o presidente do Comitê de Mercado Financeiro da Câmara Baixa do parlamento russo, Anatoly Aksakov.

A carta foi uma resposta à solicitação de Aksakov sobre a intensificação do ministério em acordos com parceiros econômicos quanto ao uso das moedas nacionais em transações, para "fortalecimento da segurança econômica do país". A carta também observa que novos mecanismos para pagamentos em moedas nacionais entre a Rússia e as empresas chinesas já estavam em desenvolvimento.

Sistemas de pagamento

Aksakov, por sua vez, disse ao jornal que uma das opções poderia ser criar análogos russo e chinês do sistema de pagamentos SWIFT. Um aumento nos pagamentos em moedas nacionais, no entanto, também exigiria a criação de um mercado de instrumentos financeiros de rublo e yuan, sublinhou o legislador sênior.

Isso, de acordo com Aksakov, permitiria que as duas nações cubram os riscos de flutuações da taxa de câmbio no comércio bilateral. Como resultado, a parcela de pagamentos de rublo com a China pode aumentar dos atuais 10% para 50% nos próximos anos, estima o legislador.

Três fontes próximas ao Banco Central da Rússia, por sua vez, disseram ao jornal que o banco russo VTB e o Banco Comercial da China estariam autorizados a pagar com moedas nacionais.

Posição de Moscou

Moscou tem estimulado parceiros comerciais em várias ocasiões a abandonarem as transações em dólares, tendo em conta que os EUA usam a moeda para pressionar outros países visando alinhamento da agenda com Washington.

Em 2018, a Rússia se livrou de grande parte dos títulos da dívida pública dos EUA em meio a uma das ondas de sanções, concentrando-se na compra de ouro. Nos últimos anos, Moscou tem promovido ativamente a ideia de pagar usando moedas nacionais com parceiros estrangeiros.

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China ignora sanções dos EUA e 'abre porta' para petróleo iraniano, indica mídia

Petroleiro no porto de Bandar Abbas, no sul do Irã (foto de arquivo)
© AFP 2019 / ATTA KENARE

Anteriormente, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que não haveria uma extensão das isenções envolvendo o petróleo iraniano.

Isso envolveria o fornecimento do petróleo iraniano para a China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Turquia, ameaçando esses países com sanções, caso comprem o produto iraniano.

O petroleiro iraniano Salina atracou no Complexo de Refino e Química Jinxi, China, perto de Pequim, aparentemente desafiando as sanções norte-americanas sobre exportações de Teerã, segundo o The Washington Times.

Trump mostra a ordem executiva assinada que aumenta sanções contra o Irã, 24 de junho
© AP Photo / Alex Brandon
Trump mostra a ordem executiva assinada que aumenta sanções contra o Irã, 24 de junho

O portal Bourse & Bazaar, que acompanha a economia iraniana, relatou que o navio de médio porte Suezmax, pertencente à empresa estatal iraniana de petroleiros, deixou o terminal iraniano em maio e chegou ao porto de Jinzhou no dia 20 de junho.

Espera-se que diversos outros petroleiros iranianos transportem petróleo para a China nas próximas semanas, entretanto, autoridades do país asiático não comentaram o assunto.

O petroleiro iraniano teria iniciado o transporte de petróleo para a China no dia 2 de maio, mesmo dia em que as isenções para os compradores de petróleo iraniano estavam prestes a expirar.

Anteriormente, Donald Trump anunciou que a isenção não seria prorrogada e que sanções seriam aplicadas aos países que comprassem o petróleo iraniano.

Um encontro entre os líderes norte-americano e chinês deve ocorrer na cúpula do G20 no Japão, onde discutirão diversos assuntos, como Irã e a guerra comercial entre os dois países.

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EUA não estariam dispostos a assinar acordo comercial 'justo' com China, segundo relatos

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping (foto de arquivo)
© REUTERS / Carlos Barria

A China espera que as negociações do G20, que ocorre nesta semana, resultem em um acordo comercial justo, entretanto, isso pode não acontecer.

Isso devido ao fato de que os EUA não apresentaram qualquer interesse em formar um acordo justo com a China. O representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, havia afirmado durante conversas com a contraparte chinesa, que não haverá um acordo "justo", segundo fonte ligada ao assunto.

Donald Trump e Xi Jinping durante a reunião bilateral na cimeira do G20 em Buenos Aires
© AP Photo / Pablo Martinez Monsivais
Donald Trump e Xi Jinping durante a reunião bilateral na cimeira do G20 em Buenos Aires

Outras duas fontes informaram à CNBC que Lighthizer rejeitou a proposta chinesa de que qualquer acordo comercial deveria ser "justo".

"O texto deve se justo e expressar termos aceitáveis pelo povo chinês e não minar a soberania e dignidade do país", afirmou o vice-primeiro-ministro chinês.

As autoridades do país asiático esperam resolver algumas questões pendentes durante a cúpula do G20. Entre as prioridades estará o assunto relacionado à proibição da venda de tecnologia norte-americana para a Huawei, além da retirada de todas as tarifas atuais e a aceitação de um menor volume de compras de produtos norte-americanos, segundo relatos de pessoas conhecedoras da situação.

Na quarta-feira (28), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que gostaria de assinar um acordo, mas com os mesmos termos atuais.

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EUA difamarem a China com infundadas acusações não resolverá problemas

Beijing, 25 jun (Xinhua) -- Nas vésperas do encontro entre os líderes da China e dos Estados Unidos na cúpula do G20 em Osaka no Japão, alguns funcionários dos EUA vêm adotando uma atitude equivocada ao abordar de forma exagerada a "ameaça da China," postura que não ajuda em nada a resolver os assuntos comerciais.

Em uma entrevista à Fox Business, o conselheiro de comércio da Casa Branca, Peter Navarro, culpou injustificadamente a China por "forçar a transferência de tecnologias" e "hackear nossos computadores."

Navarro também disse que "o roubo de propriedade intelectual e segredos comerciais" é a principal razão pela qual os EUA terem adotado uma postura mais agressiva contra o desequilíbrio comercial com a China.

Já não é de hoje que alguns funcionários dos EUA difamam a China com infundadas acusações. Ao sustentar uma mentalidade de jogo de soma zero, eles negligenciam os grandes êxitos da China no fortalecimento da proteção dos direitos de propriedade intelectual (DPI).

A China estabeleceu um sistema legal de DPIs que cumpre com as regras internacionais e ao mesmo tempo se adapta às suas condições nacionais. Em 2018, a China recebeu mais de 1,5 milhão de solicitações de patentes de invenção, mantendo-se no topo do ranking mundial por oito anos consecutivos.

Além disso, o valor dos direitos autorais pago pela China aos proprietários de direitos estrangeiros tem aumentado significativamente, sendo que quase um quarto do valor total foi pago aos proprietários de direitos dos EUA.

Os êxitos chineses em inovação científica e tecnológica não é algo roubado. Pelo contrário, eles foram conquistados pela autossuficiência e árduo trabalho da China.

A China criou um sistema de propriedade intelectual de classe mundial, disse Francis Gurry, chefe da Organização Mundial de Propriedade Intelectual em uma entrevista à Xinhua no ano passado, acrescentando que por atrás do sucesso da China há uma estratégia cuidadosamente planejada pela liderança chinesa para colocar a inovação como núcleo da economia do país.

Com base nos esforços e êxitos da China, é claramente perceptível que as acusações de Navarro e outros funcionários dos EUA são apenas exageros que pretendem fazer a caveira da China perante a comunidade internacional.

No entanto, eles devem se dar conta que não é apenas injusto negligenciar o árduo trabalho da China na proteção dos interesses dos proprietários de DPI estrangeiros, mas também uma atitude insensata e perigosa, que não contribuirá em nada para um diálogo igualitário entre os dois países.

Xinhua, com título PG

 

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https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/eua-difamarem-china-com-infundadas.html

Insistência dos EUA em fechar portas estaria aumentando independência chinesa?

Presidente norte-americano Donald Trump e presidente chinês Xi Jinping
© REUTERS / Carlos Barria

A guerra comercial afeta o setor tecnológico de ambos os países, mas também leva a China a depender cada vez menos dos EUA.

Como sabemos, a guerra comercial entre a China e os EUA se intensificou quando os norte-americanos decidiram elevar as taxas sobre os produtos chineses, além de incluir a empresa chinesa Huawei em sua lista negra, impedindo a compra, por parte da empresa, de peças e componentes de fabricantes norte-americanos.

Essa guerra comercial afeta diretamente o setor tecnológico de ambos os países, mas também mostra que a China depende cada vez menos dos EUA, afirma o portal Bloomberg.

Os fabricantes chineses de produtos tecnológicos dependiam dos EUA no que se refere à produção de processadores, chips e semicondutores. As empresas norte-americanas Intel e Nvidia dominam o mercado de processadores.

O fabrico de chips para a tecnologia de celulares é outro setor em que a China utiliza tecnologias dos EUA. Os produtores de smartphones como Xiaomi, Lenovo, Oppo e Vivo dependem dos produtos da Qualcomm californiana.

Por sua vez, a Huawei apresentou seu próprio chip baseado no projeto da empresa ARM Holdings, sediada no Reino Unido. No entanto, o fabricante britânico anunciou que seus produtos faziam parte da lista norte-americana e que os chineses não os poderiam utilizar.

Um logotipo da Huawei é exibido em uma loja de eletrônicos em Hong Kong.
Um logotipo da Huawei é exibido em uma loja de eletrônicos em Hong Kong.

Perante as dificuldades, a Huawei está cada vez mais independente e já produz ao menos 68% de seus próprios processadores e modens. Mesmo assim, a Huawei tem sido um comprador ativo de chips norte-americanos para computadores.

Além disso, os computadores com o sistema operacional Windows da Microsoft continuam sendo os mais populares entre os chineses.
Já com relação aos smartphones, nem todos os serviços da Apple funcionam na China, Entretanto, a empresa norte-americana oferece muito empregos, pois fabrica grande parte de seus produtos no país asiático.

Por outro lado, os fabricantes chineses não dependem muito do sistema operacional Android, desenvolvido pela Google, já que na própria China utilizam o sistema sem os serviços da empresa norte-americana, necessitando do suporte da Google apenas para o resto do mundo.

Com relação aos outros setores, pode-se dizer que a China é praticamente independente, já que tem seus próprios serviços de nuvem, buscadores, redes sociais e serviços de comércio eletrônico.

No caso dos serviços de e-commerce, a norte-americana Amazon não chega a 1% do mercado chinês, setor que é dominado pela chinesa Alibaba e JD.com.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019062514115488-insistencia-dos-eua-em-fechar-portas-estaria-aumentando-independencia-chinesa/

China confirma encontro trilateral de Xi, Putin e Modi durante cúpula do G20

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, presidente de China, Xi jinping, e primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi
© REUTERS / Mark Schiefelbein

A próxima cúpula do Grupo dos 20 será realizada na cidade de Osaka, no Japão, nos dias 28 e 29 de junho, em meio às tensões no Oriente Médio.

O presidente chinês, Xi Jinping, se reunirá em formato trilateral com seu colega russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante a próxima cúpula do G20 em Osaka, informou o vice-ministro chinês de Relações Exteriores, Zhang Jun.

"O presidente Xi Jinping, durante a cúpula do G20, vai participar de uma reunião dos líderes no formato trilateral Rússia-Índia-China", disse o diplomata durante uma entrevista coletiva.

Zhang Jun não especificou a data da reunião. Por outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, informou que o líder chinês permanecerá no Japão entre os dias 27 e 29 de junho.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também estará presente durante a reunião do G20 e, mais cedo, afirmou pretender realizar uma série de reuniões bilaterais. Segundo o político, ele e o presidente da Argentina, Mauricio Macri, tentarão realizar uma reunião conjunta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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https://br.sputniknews.com/mundo/2019062414107495-xi-jinping-putin-modi-g20/

Made in Vietnam ou Made in China? Gigante asiático arruma maneira de contornar sanções dos EUA

Contêineres no porto de águas profundas de Yangshan, parte da Zona Franca de Xangai.
© REUTERS / Aly Song

Em 2015, a China lançou o projeto ambicioso Made in China 2025, que visa mudar a imagem do país como fabricante de produtos baratos e de baixa qualidade, bem como transformar o rótulo em um símbolo de orgulho nacional até 2025.

No entanto, a guerra comercial com os EUA forçou alguns exportadores do país asiático a se livrarem da marca com a indicação de origem para evitar serem taxados ao atravessar a fronteira dos EUA, de acordo com a edição Observer.

O governo vietnamita identificou dezenas de certificados falsos de Made in Vietnam em diferentes setores, da agricultura ao aço, produzidos por empresas chinesas, na tentativa de contornar as tarifas dos EUA.

Da mesma forma, Hanói afirmou que alguns exportadores chineses haviam desviado ilegalmente encomendas para o Vietnã depois de a administração Trump ter aumentado as tarifas sobre os produtos chineses de 10% para 25%. De acordo com os dados da alfândega, o contraplacado chinês tem sido enviado para os Estados Unidos através de uma empresa vietnamita.

Segundo o governo do Vietnã, os funcionários da alfândega estão reforçando a supervisão e a inspeção dos bens para reprimir a prática. Além disso, foram aumentadas as sanções pelas fraudes comerciais.

"O Vietnã está preocupado com a possibilidade de ser punido pelos EUA por permitir que os produtos chineses rotulados erradamente cruzem a fronteira dos Estados Unidos", disse Do Van Sinh, representante do comitê econômico da Assembleia Nacional do Vietnã.

O porquê do aumento das exportações

Acredita-se que a mudança de rota dos exportadores chineses e a falsa rotulagem são responsáveis por um aumento drástico nas exportações do Vietnã para os EUA.

No primeiro trimestre de 2019, as exportações vietnamitas para os Estados Unidos aumentaram 40%, enquanto as da China diminuíram 14%, segundo os dados do Escritório de Censos dos EUA.

Porém, as remessas questionáveis provavelmente representam uma parte "relativamente pequena" das exportações totais da China para os EUA, apontou Rahul Kapoor, analista da Bloomberg Intelligence em Singapura. "Sempre haverá fugas e trabalho para evitar as tarifas, mas não vemos isso como um fenômeno generalizado", acrescentou.

Inicialmente, Washington elevou para 25% as tarifas sobre produtos importados chineses no valor de US$ 200 bilhões, a fim de reduzir o déficit comercial. Em resposta, a China elevou igualmente as suas tarifas para 25%, aplicadas a 5.000 produtos dos EUA, no valor de US$ 60 bilhões.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019062314104167-vietna-china-contornar-sancoes-eua/

China, o país que não fracassou (2/2). Por Philip P. Pan

Tensão EUA China 0

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Este texto constitui a parte 1 de uma série de textos editados pelo New York Times sob o título de “Regras da China, Eles não gostaram do livro de regras do Ocidente. Assim, escreveram o seu próprio livro.” Dada a sua extensão será editado em 2 partes.

JM

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20. China, o país que não fracassou (2/2)

Philip P PanPor Philip P. Pan, fotografias de Bryan Denton

Publicado por New York Times, em 18 de novembro de 2018 (aqui)

Republicado por Gonzallo Rafo, em 28 de novembro de 2018 (aqui)

 

20 China o país que não fracassou 1

 

O Ocidente tinha a certeza de que a via seguida pelos Chineses nas últimas décadas iria falhar. Bastava esperar. E o Ocidente continua à espera.

 

(conclusão)

‘Abertura’

Em dezembro, o partido comunista celebrará o 40 º aniversário das políticas de “reforma e abertura” que transformaram a China. A propaganda triunfante já começou, com o Sr. Xi a colocar-se em primeiro plano e ao centro, como se estivesse a dar a volta de vitória para a nação.

Ele é o líder mais poderoso do partido desde Deng e é filho de um alto funcionário  que serviu Deng, mas mesmo quando ele se envolve no legado de Deng, o senhor Xi fá-lo distinguindo-se dele de uma forma muito importante: Deng incentivou o partido a procurar ajuda e experiência no exterior mas o Sr. Xi defende a autossuficiência e adverte contra as ameaças colocadas por “forças estrangeiras hostis”.

Por outras palavras, ele parece fazer menos uso da ideia de “abertura” que fazia parte da palavra de ordem de Deng.

Dos muitos riscos que o partido assumiu na sua obsessão pelo crescimento, talvez o mais importante fosse deixar entrar o investimento estrangeiro, o comércio e as ideias. Era um jogo excecional por um país que estava tão isolado como está agora a Coreia do Norte, e isso foi pago de uma maneira excecional: a China entrou numa onda de globalização que varreu o mundo e dela emergiu como a fábrica do mundo. A China abraçou a Internet, dentro de limites, e isso ajudou a torná-la líder em tecnologia. E os conselhos estrangeiros terão ajudado a China a remodelar os seus bancos, a construir um sistema jurídico e a criar empresas modernas.

O Partido prefere atualmente uma narrativa diferente, apresentando o forte crescimento económico como “saído de dentro da China” e primeiramente como resultado da sua liderança política. Mas isto esconde uma das grandes ironias da ascensão de China – que foram os antigos inimigos de Pequim que ajudaram a torná-la possível.

20 China o país que não fracassou 13

Observação a partir da Torre de Shangai, o Segundo edifício mais alto do mundo: O presidente Xi Jinping não mostrou nenhum sinal de abandonar o que ele chama de “o grande rejuvenescimento da nação chinesa”.

 

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Um Congresso do partido comunista. O Presidente parece acreditar que a China tem sido tão bem sucedida que o partido pode regressar ao seu passado autoritário.

 

20 China o país que não fracassou 15

A China entrou numa onda da globalização e dela emergiu como a fábrica do mundo. Cartazes do dia do Trabalhador em Shenzhen.

 

20 China o país que não fracassou 16

Um desenhador de roupa numa exposição de vestidos de noiva em Pequim pode ter aproveitado a ocasião para descansar, mas já ninguém considera a China um gigante adormecido.

 

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Instalação de painéis solares num prédio de 47 andares. A China teve êxito ao deixar intacta uma economia planificada e permitir em simultâneo que uma economia de mercado prospere e a ultrapasse.

 

Os Estados Unidos e o Japão, ambos rotineiramente denegridos pelos propagandistas do partido, tornaram-se em principais parceiros comerciais e eram importantes fontes de ajuda, de investimento e de criação de competências. Mas são pessoas como Tony Lin, um dirigente fabril que fez a sua primeira viagem ao continente em 1988, que são os verdadeiros agentes da mudança.

O Sr. Lin nasceu e cresceu em Taiwan, a ilha autónoma para onde aqueles que perderam a guerra civil chinesa fugiram após a revolução comunista. Enquanto aluno foi-lhe ensinado que a China continental era o inimigo.

Mas no final dos anos 1980, a fábrica de sapatilhas que ele geria no centro de Taiwan estava a ter dificuldades em encontrar trabalhadores, e o seu maior cliente, a Nike, sugeriu deslocar alguma produção para a China. O Sr. Lin deixou de lado os seus medos e fez a viagem. O que ele encontrou surpreendeu-o extraordinariamente: uma grande força de trabalho disposta a trabalhar e autoridades tão ansiosas por capital e know-how que lhe ofereceram a utilização gratuita de uma fábrica do Estado e uma redução de cinco anos dos impostos.

O Sr. Lin passou a década seguinte num vaivém para e do Sul da China, passando meses inteiros fora de casa onde voltava apenas por curtas pausas para ver a esposa e os filhos. Ele construiu e dirigiu cinco fábricas de sapatilhas, sendo o maior fornecedor chinês da Nike.

“As políticas da China foram tremendas”, lembrou. “Eles eram como uma esponja absorvendo água, dinheiro, tecnologia, tudo.”

O Sr. Lin era parte de uma corrente de investimento dos enclaves chineses étnicos em Hong Kong, Formosa, Singapura e outros lugares que veio para a China e que levou este país a ultrapassar outros países em vias de desenvolvimento. Sem esta diáspora, argumentam alguns economistas, a transformação do continente podia ter ficado ao nível de um país como a Indonésia ou o México.

Tinha chegado o momento para a China que se abriu ao mundo numa altura em que a Formosa estava a aumentar a sua importância na corrente global da indústria transformadora. A China beneficiou do dinheiro da Formosa, mas igualmente da sua experiência em gestão, em tecnologia e em relações dentro da cadeia global de produção. Na verdade, Taiwan relançou o capitalismo na China e colocou este país no centro da economia global.

Pouco tempo depois, o governo em Formosa começou a preocupar-se de se estar a confiar muito no seu antigo inimigo e tentou mudar o investimento para outras regiões. Mas o continente era muito barato, demasiado perto e, com uma língua e uma herança comuns, era pois muito familiar. O Sr. Lin tentou abrir fábricas na Tailândia, Vietname e Indonésia, mas regressou sempre à China.

Agora Taiwan encontra-se cada vez mais dependente de uma China muito mais poderosa, que está a forçá-la cada vez mais para a unificação e o futuro da ilha é incerto.

Há ecos da situação da Formosa por todo o mundo, onde muitas pessoas estão a ter dúvidas sobre a forma como se ligaram a Pequim com o comércio e investimento.

O remorso pode ser mais forte nos Estados Unidos, que trouxe a China para a Organização Mundial do Comércio, que se tornou o maior cliente da China e agora acusa-a de roubo de tecnologia em grande escala -o que uma autoridade americana chama de “a maior transferência de riqueza na história.”

Muitos em Washington previram que o comércio traria uma mudança política. Foi assim, mas não na China. “A abertura” acabou por fortalecer o poder do Partido em vez de enfraquecê-lo. O choque da ascensão da China como um colosso exportador foi, entretanto, sentido nas cidades fabris em todo o mundo.

Nos Estados Unidos, os economistas dizem que pelo menos 2 milhões de empregos desapareceram como consequência, muitos deles nos distritos que acabaram por votar no Presidente Trump.

Repressão seletiva

Durante o almoço num luxuoso clube privado no 50 º andar de uma torre de apartamentos no centro de Pequim, um dos magnatas mais bem sucedidos da China no imobiliário explicou porque razão é que tinha deixado o seu trabalho num centro de investigação governamental após a repressão sobre o movimento democrático estudantil na Praça Tiananmen.

“Foi muito fácil”, disse Feng Lun, o Presidente da Vantone Holdings, que gere um portfólio multibilionário de propriedades em todo o mundo. “Um dia, acordei e todos tinham fugido. Então eu fugi, também.”

Até ao momento em que os soldados abriram fogo, disse ele, tinha planeado passar toda a sua carreira na função pública. Em vez disso, como o partido estava a expulsar aqueles que tinham simpatizado com os estudantes, então juntou-se ao êxodo de funcionários que recomeçaram as suas vidas como empresários na década de 1990.

“Na época, se alguém participasse numa reunião e nos dissessem para ir para o setor privado, não teríamos ido”, lembrou ele. “Então, este incidente, não intencionalmente, terá contribuído para colocar sementes na economia de mercado.”

Este tem sido o modelo da mudança para o sucesso do partido.

O movimento pró-democracia em 1989 foi o mais perto que o partido esteve da liberalização política depois da morte de Mao, e a repressão que se lhe seguiu foi mais longe noutra direção, para a repressão e o controlo. Após o massacre, a economia estagnou e a contenção parecia ser um dado. No entanto, três anos mais tarde, Deng aproveitou uma viagem pelo Sul da China para levar o partido de volta para “a reforma e a abertura”, uma vez mais.

Muitos dos que tinham deixado o governo, como o Sr. Feng, de repente, encontraram-se à frente do movimento que estava a transformar a China, por fora da função pública, como a sua primeira geração de empresários privados.

Agora o Presidente Xi está novamente a dirigir o partido para a repressão, aumentando o seu poder sobre a sociedade, concentrando o poder nas suas próprias mãos e preparando-se para governar para a vida, abolindo o limite do mandato presidencial. Será que o partido se irá flexibilizar novamente, como fez alguns anos depois de Tiananmen, ou trata-se agora de uma viragem mais duradoura? Se for este o caso, que consequências trará para o milagre económico chinês?

O receio é que o Presidente Xi esteja a tentar reescrever a receita por trás da ascensão da China, substituindo a repressão seletiva por algo mais severo.

20 China o país que não fracassou 18

Durante décadas, a China oscilou entre a abertura e a repressão, incluindo a da minoria étnica Uighur.

 

20 China o país que não fracassou 19

Desde o movimento Tiananmen, o governo tem sido vigilante no esmagamento de ameaças potenciais. Câmaras de vigilância em Pequim.

 

20 China o país que não fracassou 20

A rede de comboios de alta velocidade da China, a maior do mundo, mudou a forma como os chineses se deslocam. Em Hangzhou, os passageiros à espera fora da estação de caminhos-de-ferro.

 

20 China o país que não fracassou 21

Com a abertura da China, os agricultores foram autorizados a cultivar e vender as suas próprias culturas, enquanto o Estado mantém a posse da terra. Estufas cheias de couves chinesas e de repolhos amarelos junto a propriedades de investimento e de campos de golfe.

 

20 China o país que não fracassou 22

Sob o regime de Mao, muitos chineses de alta formação foram enviados para “as escolas de quadros” onde fizeram trabalhos manuais. Em maio, os empregados da agência imobiliária foram correr numa manhã como exercício de coesão de equipa da empresa.

 

O Partido sempre foi vigilante no esmagamento de ameaças potenciais – um partido da oposição incipiente, um movimento espiritual popular, mesmo um escritor dissidente premiado com o prémio Nobel da Paz. Mas com algumas grandes exceções, o Partido também geralmente não interferia na vida pessoal das pessoas e dava-lhes liberdade suficiente para manter a economia a crescer.

A Internet é um exemplo de como a economia beneficiou ao procurar uma posição de equilíbrio. O partido deixou que a nação se ligasse à Internet sem uma ideia clara do que isso poderia significar, a seguir colheu os benefícios económicos ao controlar a difusão da informação que o poderia prejudicar.

Em 2011, confrontou-se com uma crise. Depois de um acidente de comboio de alta velocidade no leste da China, mais de 30 milhões de mensagens criticaram a manipulação do partido sobre o acidente fatal inundando os media sociais -mais rapidamente do que censores as poderiam conter.

As autoridades em pânico consideraram a hipótese de encerrar o serviço mais popular, Weibo, o equivalente chinês do Twitter, mas as autoridades estavam com medo de como é que o público iria responder. No final, eles deixaram a Weibo ficar aberta, mas investiu muito mais em apertar os controlos e ordenaram que as empresas fizessem o mesmo.

O compromisso funcionou. Agora, muitas companhias atribuem centenas de empregados a tarefas de censura – e a China transformou-se num gigante na paisagem global do Internet.

“O custo da censura é bastante limitado em comparação com o grande valor criado pela Internet”, disse Chen Tong, um pioneiro da indústria. “Ainda assim, continuamos a ter a informação que precisamos para o progresso económico.”

Uma ‘Nova Era’

China não é o único país a ter conciliado as exigências de um regime autoritário com as necessidades do mercado livre. Mas tem-no feito por mais tempo, em maior escala e com resultados mais convincentes do que qualquer outro.

A questão agora é se a China consegue manter este modelo com os Estados Unidos como adversário e não como parceiro.

A guerra comercial ainda só começou. E não é apenas uma guerra comercial. Os navios de guerra e os aviões americanos desafiam cada vez mais frequentemente as exigências chinesas relativamente às águas disputadas, ao mesmo tempo que a China aumenta as suas despesas militares. E Washington está a manobrar para contrariar a crescente influência de Pequim em todo o mundo, avisando que um frenesim de despesa chinesa na infraestrutura global está cheia de condições subjacentes.

As duas nações ainda podem chegar a algum compromisso.  Mas tanto a esquerda como a direita americana retrataram a China como o campeão de uma ordem global alternativa, uma ordem que abraça valores autocráticos e mina a concorrência equitativa. É um consenso raro para os Estados Unidos, que está profundamente dividido sobre tantos outros temas, incluindo a forma como tem exercido o poder no exterior nas últimas décadas-e como é que o deve agora fazer.

O Presidente Xi, por outro lado, não demonstrou nenhum sinal de abandonar o que ele chama de “o grande rejuvenescimento da nação chinesa.” Outros chineses estão impacientes por enfrentar os Estados Unidos desde a crise financeira de 2008 e veem as políticas da Administração Trump como a prova do que sempre suspeitaram – que a América está determinada a manter a China na mó de baixo.

Ao mesmo tempo, há também uma inquietação generalizada sobre a nova acrimónia, porque os Estados Unidos há muito que inspiraram admiração e inveja na China., e porque se tem o sentimento de que a fórmula do partido para o sucesso pode vacilar.

A prosperidade trouxe expectativas crescentes na China; as pessoas querem mais do que apenas o crescimento económico. Querem ar mais limpo, alimentos e medicamentos mais seguros, melhores cuidados de saúde e escolas, menos corrupção e maior igualdade. O partido está a ter dificuldade em responder a estes anseios e os ajustamentos aos boletins que utiliza para medir o desempenho dos funcionários não parecem ser suficientes.

“O problema básico é, crescimento económico para quem?”, disse o Sr. Xu, o funcionário aposentado que escreveu o relatório Moganshan. “Nós não resolvemos este problema.”

O crescimento começou a abrandar, o que pode ser melhor para a economia a longo prazo, mas pode abalar a confiança das pessoas. O partido está a investir cada vez mais na censura para controlar a discussão dos desafios que a nação enfrenta: o alargamento das desigualdades, perigosos níveis de dívida, uma população a envelhecer.

O próprio Presidente Xi reconheceu que o partido deve-se adaptar, declarando que a nação está a entrar numa “nova era” exigindo novos métodos. Mas a sua prescrição é em grande parte um regresso à repressão, incluindo vastos campos de internamento visando minorias étnicas muçulmanas. “A abertura” foi substituída por um avanço para o exterior, com enormes créditos que os críticos descrevem como predatórios e outros esforços para ganhar influência – ou interferirem – na política de outros países. Internamente, a experimentação está fora de moda enquanto a ortodoxia e a disciplina políticas estão na ordem do dia.

Na verdade, o Presidente Xi parece acreditar que a China tem sido tão bem sucedida que o partido pode voltar a uma postura mais convencionalmente autoritária – e que esta é necessária para sobreviver e ultrapassar os Estados Unidos.

Certamente, esta linha política tem o apoio do partido. Ao longo das últimas quatro décadas, o crescimento económico na China tem sido 10 vezes mais rápido do que nos Estados Unidos, e ainda é mais do que duas vezes mais rápido. O partido parece desfrutar de amplo apoio público, e muita gente à escala mundial está convencida de que o Presidente Trump e a América estão em retirada, enquanto o momento da China está apenas a começar.

Então, de novo, a China tem uma maneira de desafiar as expectativas.

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O autor: Philip P. Pan, licenciado pela Universidade de Harvard, vive em Hong-Kong, é editor do Ásia New York Times e autor de “Out of Mao’s Shadow: The Struggle for the Soul of a New China.” Viveu e fez reportagem sobre as China durante quase duas décadas. Anteriormente, foi correspondente do Washington Post para a China e a Rússia durante mais de uma década.

Jonathan Ansfield e Keith Bradsher contribuiram para este texto com relatos desde Pequim. Claire Fu, Zoe Mou e Iris Zhao deram contributos de investigação desde Pequim, e Carolyn Zhang desde Xangai.

Desenho: Matt Ruby, Rumsey Taylor, Quoctrung Bui. Edição: Tess Felder, Eric Nagourney, David Schmidt. Edição de fotografia: Craig Allen, Meghan Petersen, Mikko Takkunen. Ilustrações: Sergio Peçanha

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/06/15/sobre-as-razoes-que-estao-na-base-dos-focos-de-tensao-entre-a-china-e-os-estados-unidos-20-china-o-pais-que-nao-fracassou-2-2-por-philip-p-pan/

Rússia-China: a Cimeira que não faz notícia

Manlio Dinucci*

O Fórum Económico Internacional, em São Petersburgo, mostrou a realização a grande velocidade da “Parceria da Eurásia Alargada”, mencionada pelo Presidente Putin no Fórum Valdai, em 2016, e anunciada pelo Ministro Lavrov na Assembleia Geral da ONU, em 2018. Agora incorporam-se os projectos chineses da "Rota da Seda" e russo da rede de comunicação da “União Económica Euroasiática”. Ao contrário das declarações oficiais, esta cimeira foi seguida por uma considerável delegação dos Estados Unidos.

A comunicação social mediática concentrou-se, em 5 de Junho, no Presidente Trump e nos dirigentes europeus da NATO que, no aniversário do Dia D, celebraram em Portsmouth “a paz, a liberdade e a democracia asseguradas na Europa”, comprometendo-se a “defendê-las quando ameaçadas”. Referência clara à Rússia.

Os grandes meios da comunicação mediática ignoraram ou relegaram para segundo plano, às vezes em tons sarcásticos, o encontro ocorrido no mesmo dia em Moscovo, entre os Presidentes da Rússia e da China. Vladimir Putin e Xi Jinping, quase no trigésimo encontro em seis anos, apresentaram conceitos não retóricos, mas uma série de factos. O intercâmbio entre os dois países, que ultrapassou 100 biliões de dólares no ano passado, aumentou cerca de 30 novos projectos de investimento chineses na Rússia, particularmente no sector energético, num total de 22 biliões. A Rússia tornou-se o maior exportador de petróleo da China e prepara-se também a sê-lo para o gás natural: em Dezembro entrará em função o grande gasoduto oriental, ao qual se juntará outro da Sibéria, mais duas grandes indústrias de exportação de gás natural liquefeito.

Assim, o plano USA para isolar a Rússia com sanções, também concretizadas pela UE, juntamente com o corte nas exportações russas de energia para a Europa, vai fracassar.

A cooperação russo-chinesa não se limita ao sector energético. Foram divulgados projectos conjuntos no sector aeroespacial e noutros sectores de alta tecnologia. Estão a ser incrementadas vias de comunição ferroviárias, rodoviárias, fluviais e marítimas entre os dois países. Existe um forte aumento também nos intercâmbios culturais e nos fluxos turísticos. Uma cooperação em todos os campos, cuja visão estratégica emerge de duas decisões anunciadas no final do encontro: a assinatura de um acordo intergovernamental para expandir o uso de moedas nacionais, o rublo e o yuan, nas transações comerciais e financeiras, como alternativa ao dólar ainda dominante; a intensificação dos esforços para integrar a Nova Rota da Seda, promovida pela China, e a União Económica Euroasiática, promovida pela Rússia, com “a visão de formar, no futuro, uma parceria euroasiática mais alargada”.

Que esta visão não é simplesmente um projecto económico, confirma-o a “Declaração Conjunta sobre o Fortalecimento da Estabilidade Estratégica Global”, assinada no final da reunião. A Rússia e a China têm “posições idênticas ou muito próximas”, de facto, contrárias às posições USA/NATO, relativas à Síria, Irão, Venezuela e Coreia do Norte.

Advertem que a retirada dos EUA do Tratado INF (a fim de instalar mísseis nucleares de alcance intermédio perto da Rússia e da China) pode acelerar a corrida armamentista e aumentar a possibilidade de um conflito nuclear. Denunciam a decisão dos EUA de não ratificar o Tratado de Proibição de Testes Nucleares e preparar o local para possíveis testes nucleares. Declaram “irresponsáveis” o facto de alguns Estados, ao mesmo tempo que aderem ao Tratado de Não Proliferação, concretizarem “missões nucleares conjuntas” e exigirem que “devolvam aos territórios nacionais todas as armas nucleares instaladas fora das fronteiras”. Um pedido que diz respeito directamente à Itália e outros países europeus onde, violando o Tratado de Não-Proliferação, os Estados Unidos enviaram armas nucleares que também podem ser usadas pelos países anfitriões sob comando USA: bombas nucleares B-61 que serão substituídas a partir de 2020 pelas bombas nucleares B61-12, ainda mais perigosas.

De tudo isto não falou a comunicação mediática de destaque que, em 5 de Junho, estava ocupada a descrever os trajes deslumbrantes da First Lady, Melania Trump, nas cerimónias do Dia D.

Manlio Dinucci* | Voltaire.net.org | Tradução Maria Luísa de Vasconcellos | Fonte Il Manifesto (Itália)

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/russia-china-cimeira-que-nao-faz-noticia.html

Porque razão os Estados Unidos perderiam uma guerra comercial com a China. Por Anatole Kaletsky

Tensão EUA China 0

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

19. Porque razão os Estados Unidos perderiam uma guerra comercial com a China

Anatole Kaletsky Por Anatole Kaletsky

Publicado por Project syndicate, em 21 de setembro de 2018 (aqui)

Republicado por Gonzallo Rafo em 16 de outubro de 2018 (aqui)

19 Porque razão os Estados Unidos perderiam uma guerra comercial com a China 1

A gestão keynesiana da procura é um melhor guia do que a vantagem comparativa para neutralizar o conflito entre os Estados Unidos e a China. Em princípio, a China pode evitar qualquer dano causado pelas tarifas aduaneiras dos Estados Unidos simplesmente respondendo com um estímulo keynesiano em grande escala.

 

Londres- Os Estados Unidos não podem ganhar a sua guerra das tarifas aduaneiras contra a China, diga ou faça o que quer que seja o Presidente Trump nos meses que se seguem. Trump pensa que tem a vantagem neste conflito, porque a economia americana é forte e porque os políticos de ambos os partidos – republicano e democrata – apoiam o objetivo estratégico de frustrar a ascensão da China e preservar o domínio global dos EUA.

Mas, ironicamente, esta aparente fortaleza é a fraqueza fatal de Trump. Aplicando o princípio das artes marciais de redirecionar a força que o opositor coloca sobre ela, a China pode facilmente ganhar a guerra das tarifas, ou pelo menos impor a Trump um empate.

Desde os tempos de Ricardo que os economistas argumentam que restringir as importações reduz o bem-estar dos consumidores e dificulta o crescimento da produtividade. Mas não é essa a principal razão pela qual Trump será forçado a ceder na guerra comercial. Para avaliar as respetivas forças no conflito entre estas duas potências, há um outro princípio económico – pouco invocado para explicar a futilidade da ameaça das tarifas de Trump – muito mais importante do que o conceito ricardiano de vantagens comparativas: a gestão keynesiana da procura.

Embora não haja dúvida de que as vantagens comparadas influenciam o bem-estar económico a longo prazo, o que determinará qual dos dois países se verá mais pressionado a pedir a paz comercial nos próximos meses serão as condições da procura. E de acordo com este critério, as tarifas de Trump são claramente prejudiciais aos Estados Unidos, mas não farão nenhuma mossa na China.

De um ponto de vista keynesiano, o resultado de uma guerra comercial depende principalmente de se os concorrentes estão em recessão ou se estão perante uma procura agregada relativamente elevada. Numa recessão, as tarifas podem estimular a atividade económica e o emprego, embora ao preço de uma menor eficiência a longo prazo. Mas numa economia que opera ao nível do seu PIB potencial ou próximo, como é claramente o caso dos EUA agora, as tarifas só vão aumentar os preços e adicionar pressão ascendente sobre as taxas de juros.

Ao nível agregado, as empresas americanas não conseguirão encontrar trabalhadores dispostos a trabalhar por salários baixos para substituir os bens importados chineses; e mesmo aquelas poucas empresas que encontram nas tarifas uma força motriz para concorrerem contra as importações vindas da China teriam que aumentar os salários e construir mais fábricas, que contribuiriam para a pressão ascendente na inflação e nas taxas de juro. Dado a falta de capacidade excedentária, os investimentos novos e a contratação necessários para substituir os bens chineses seriam prejudiciais a outras decisões empresariais que eram mais rentáveis antes da guerra das tarifas com a China. Assim, a menos que as empresas americanas tenham a certeza de que as tarifas continuarão por muitos anos, elas não vão investir ou contratar mais trabalhadores para concorrerem com os produtos chineses.

Assumindo que as empresas chinesas estão bem informadas e conscientes disso, elas não vão reduzir os seus preços de exportação para absorver o custo das tarifas dos EUA. Isso vai forçar os importadores a pagar tarifas e a deslocarem o custo para os consumidores (o que irá acrescentar pressão sobre a inflação) ou para os acionistas, reduzindo os lucros.

Assim, as tarifas não serão uma “punição” para a China, como Trump parece acreditar, mas prejudicará primeiramente os consumidores e empresários americanos, como se fosse um aumento de imposto sobre as vendas.

Mas suponhamos que as tarifas podem excluir alguns produtos chineses do mercado americano. De onde é que viriam os substitutos importados ao preço que vêm da China?

Na maioria dos casos, a resposta é: de outras economias emergentes. Alguns bens de gama baixa, tais como sapatos e brinquedos, serão comprados no Vietnam ou na Índia. A montagem final de alguns equipamentos eletrónicos e industriais pode ser deslocada para a Coreia do Sul ou México. Alguns fornecedores japoneses e europeus podem substituir os fabricantes chineses de produtos de alta qualidade. Assim, numa medida muito limitada em que as tarifas possam ser “punitivas” para a China, o efeito sobre os outros mercados emergentes e sobre a economia global não será um “contágio” nocivo, mas sim um ligeiro estímulo à procura, resultante da substituição das exportações chinesas para os Estados Unidos.

É verdade que os exportadores chineses podem sofrer perdas ligeiras quando outros produtores se aproveitarem das nossas tarifas para substituí-los no nosso mercado. Mas utilizando a gestão da procura para compensar a perda de exportações para os EUA, a China pode anular qualquer efeito sobre o crescimento, o emprego e sobre os lucros das empresas. Nesse sentido, o governo já começou a estimular o consumo local e o investimento através da expansão monetária e da redução de impostos.

Mas as medidas de estímulo da China foram até agora cautelosas, tendo em conta o impacto negligenciável que as tarifas dos EUA têm sobre as exportações chinesas. Entretanto, se os sinais de um enfraquecimento das exportações começarem a aparecer, a China pode e deve compensar a perda com medidas adicionais para estimular a procura interna; em princípio, bastaria aplicar um estímulo keynesiano em larga escala para evitar qualquer dano decorrente de tarifas. Mas será que o governo chinês quer fazê-lo?

É neste ponto onde, paradoxalmente, o apoio bipartidário nos Estados Unidos a uma “política de contenção” em relação à China se vira contra Trump. Até agora, os dirigentes chineses têm sido relutantes em recorrer abertamente à aplicação de estímulos sobre a procura como uma arma na guerra comercial, devido ao forte compromisso assumido pelo presidente Xi Jinping de limitar o crescimento da dívida da China e de reformar o setor bancário.

Mas não há qualquer dúvida que esses argumentos da política financeira contra a implementação de uma política keynesiana são irrelevantes agora, uma vez que os Estados Unidos apresentaram a batalha tarifária de Trump como a primeira escaramuça de uma guerra fria geopolítica. É simplesmente impensável que Xi venha a dar mais prioridade à gestão dos problemas do crédito do que ganhar a guerra das tarifas e assim demonstrar a futilidade da estratégia americana de contenção da China.

Isto levanta a questão de saber como é que Trump reagirá quando as suas tarifas começarem a prejudicar as empresas e os eleitores americanos, enquanto que a China e o resto do mundo não estarão a ser atingidos por elas. A resposta provável é que Trump seguirá o precedente dos seus conflitos com a Coreia do Norte, a União Europeia e o México: proporá um “acordo” que não consegue alcançar os seus declarados objetivos, mas que lhe permitirá vangloriar-se de uma “vitória” e justificar a beligerância verbal que excita os seus apoiantes.

A técnica retórica surpreendentemente bem-sucedida de Trump de “começar a gritar e acabar a mostrar a bandeira branca” ajuda a explicar a coerente incoerência da sua política externa. A guerra comercial EUA-China é suscetível de nos oferecer o próximo exemplo disso mesmo.

 

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O autor: Anatole Kaletsky é economista-chefe e co-presidente da Gavekal Dragonomics. Ex-colunista do Times of London, do International New York Times e do Financial Times, é o autor de Capitalism 4.0, The Birth of a New Economy, que antecipou muitas das transformações pós-crise da economia global. O seu livro de 1985, Costs of Default, tornou-se uma cartilha influente para os governos latino-americanos e asiáticos negociando incumprimentos e reestruturações com os bancos e o FMI.

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/06/13/sobre-as-razoes-que-estao-na-base-dos-focos-de-tensao-entre-a-china-e-os-estados-unidos-19-porque-razao-os-estados-unidos-perderiam-uma-guerra-comercial-com-a-china-por-anatole-kaletsky/

Sobre as razões que estão na base dos focos de tensão entre a China e os Estados Unidos – 18. Um saco de correspondência picante sobre a China. Por John Mauldin

Tensão EUA China 0

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

18. Um saco de correspondência picante sobre a China

john mauldin Por John Mauldin

Publicado por mauldin economics logo em 12 de outubro de 2018 (texto original aqui)

18 Um saco de correspondência picante sobre a China 1

Um aspeto estranho de quem escreve é de que nunca sabemos antecipadamente o que vai excitar os leitores. Já escrevi textos que eu pensava serem muito provocadores e tive principalmente como reação leves bocejos.

O texto da semana passada sobre défice comercial gerou algumas reações bem acesas. A resposta foi imediata e, em muitos casos, bastante apaixonada em ambas as direções. Recebi emails de velhos amigos e leitores de longa data dizendo-me que era o meu melhor texto desde há anos para cá. Outros diziam que eu tinha perdido o sentido das coisas e me tinha passado para o mundo do não sentido. De facto, a minha inteira série da China gerou muitas respostas. Evidentemente, passei por cima das menos relevantes.

Eu sempre apreciei que haja reações aos meus textos mesmo quando são negativas. A nossa equipa recolhe as reações dos media sociais, os tópicos dos comentários no nosso site, nos e-mails, e provavelmente por outras vias igualmente que desconheço. Eles produzem um curto relatório com estas informações e distribuem-no pela equipa. Quando esses textos são recebidos na meu e-mail dou-lhes a prioridade máxima e leio-os todos. Aprendo sempre bastante. Há um número surpreendente de pessoas inteligentes e de exposições bem articuladas que leem os meus textos. Por isso, hoje, vou apresentar alguns comentários dos meus leitores que me foram enviados desde semanas recentes e, a partir daí, tentarei explicar alguns dos meus pontos de vista que não tenham ficado claros.

Sendo certo que é quase sempre perigoso fazer associações apressadas, as respostas geralmente dividem-se em “John, o senhor disse-o claramente e eu desejo que muita gente leia este seu texto,” e em “John, o senhor simplesmente não compreende o perigo que a China representa, seja geopoliticamente seja em termos comerciais, e temos que parar com a batota que eles fazem”.

Como eu leio as respostas, percebi que o meu texto não tinha todas os matizes que eu pensava ter colocado. Além disso, eu precisava de afinar algumas das minhas ideias. Para não nos alongarmos muito, vou ignorar os comentários positivos e concentrar-me apenas em alguns (de muitos) que são contra as ideias por mim expostas. Eu escolhi alguns (poucos) exemplos, porque uma visita correta sobre as tarifas daria para escrever um livro completo.

Devo aqui referir que apresentamos mais ligeiramente alguns destes textos por uma questão de maior clareza. Posta esta nota, avancemos pois.

Práticas predatórias

Aqui está Lawrence Brady respondendo ao texto sobre O défice comercial não é o bicho-papão.

Em termos puramente económicos, eu não poderia estar mais de acordo consigo. No entanto, há um jogo muito mais importante que está aqui a decorrer e que substitui a discussão posta somente em termos de PIB.

Em condições equitativas de concorrência, a especialização é a maneira mais eficaz de criar oportunidades e de minimizar custos. Neste caso, o desafio é tanto mais importante quanto não existe nenhuma lei internacional antitrust Sherman que impeça a monopolização e o controle eventual de todos os aspetos da cadeia global de abastecimento.

As práticas predatórias da China com padrões de produção não regulamentados/espionagem industrial e violação de protocolos de segurança dos Estados Unidos são indicativos de guerra económica. Evidentemente, melhor do que a alternativa de ações nucleares ou de armas convencionais, os resultados podem ser os mesmos, se se deixasse de verificar esta situação.

Assim, eu penso que nós precisamos de olhar para além das relações da importação/exportação e das reservas em divisas. Trata-se de uma guerra fria por outros meios ditando um novo paradigma na análise.

John: A nota de Lawrence representa a de muitas outras pessoas que disseram compreender os défices comerciais, mas pensam que a China é uma ameaça única que merece uma resposta mais forte.

Como já disse muitas vezes, eu concordo com isso. Não disse que a China é irrepreensível, nem disse que os Estados Unidos devem ignorar as práticas comerciais desleais da China. Eu disse que as tarifas não são a resposta certa para o défice comercial, pois que este não é um grande problema e seria um ainda um problema muito menor se resolvêssemos as outras questões que Lawrence menciona. A questão é como fazer isso.

Permitam-me reformular e realçar o seguinte: a utilização de tarifas para reduzir o défice comercial é economicamente irracional. Não vai funcionar. As tarifas têm as suas utilizações, uma vez ou outra, mas são perigosas se utilizadas de forma fortuita ou em circunstâncias erradas. Eu não sou contra as tarifas enquanto tais, mas sou contra as tarifas como uma arma contra “o défice comercial.” O que não é um problema, pelo menos se estamos a falar dos Estados Unidos e se a moeda de referência ou de reserva é a nossa. Especialmente para nós se temos o dólar como a moeda de reserva no mundo.

Suponho que as tarifas cuidadosamente orientadas poderiam ser parte da resposta aos problemas que Lawrence descreve, mas isso não é o que os EUA estão a fazer. Estamos, na verdade, a atirar munições de artilharia {pesada] em alvos de papel. É peça pesada e emocionalmente satisfatória, mas não atinge o alvo real. Também atinge muitos transeuntes inocentes que por acaso se encontram na área.

Parte do problema real que está aqui em jogo é que China começa a utilizar um livro de regras diferente. A Organização Mundial do Comércio permite que os Estados membros se definam a si-mesmos como países “em desenvolvimento”. É um pouco como um teste de livro aberto onde se sabe as perguntas de antemão, mas que alguns outros estudantes têm que estudar. As regras da OMC dão aos países em desenvolvimento, como a China se considera, certos direitos adicionais. (Explicar-vos isto levar-nos-ia longe e para terrenos muito áridos: se quer saber mais consulte aqui.)

Será a China um país em desenvolvimento? Isso é complicado. Muito do seu vasto e empobrecido interior e do seu extremo ocidente, seguramente não são “desenvolvidos”. Mas a costa oriental rica e algumas centenas de milhas para o interior é tão desenvolvida como muitos países ocidentais. Então, a China é realmente as duas coisas.

O leitor poderia dizer o mesmo sobre os EUA, já agora. Nova York e San Francisco (e Dallas!) são cidades de classe mundial, enquanto partes de Appalachia, Maine, e do Sul rural são relativamente tão pouco desenvolvidas quanto algumas das regiões mais pobres da China. Os EUA deveriam considerar-se a si-mesmo um país em desenvolvimento e reivindicar uma proteção da OMC? Talvez devesse ser o caso se usarmos o padrão chinês. Por esse padrão, cada país é um país em desenvolvimento uma vez que a distribuição de rendimento varia de região para região.

O que realmente precisamos é que a China admita que já não merece as mesmas proteções que outros países verdadeiramente em desenvolvimento recebem da OMC. Pequim quer ser uma grande potência? Bem. Vista-se como adulto e pode ter um lugar na mesa dos adultos.

Na minha opinião, as tarifas não são o caminho para forçar a China a tomar este rumo. As tarifas são um instrumento grosseiro numa situação que precisa de mais subtileza. A estratégia americana parece dirigida a fazer Xi Jinping sentir-se tão duramente atacado que se vai render e fazer o que Trump lhe diz para fazer. Isso nunca vai acontecer. Xi pode ser Presidente até ao fim da sua vida, mas há ainda restrições políticas que ele tem de respeitar.

Se as tarifas não funcionarem, o que é que irá funcionar? Negociações pacientes, metódicas e privadas em aliança com os outros países aos quais as práticas da China estão a prejudicar. A Europa e o resto do mundo têm as mesmas questões. Isso levaria tempo, mas acho que se tem uma probabilidade muito melhor de sucesso. As tarifas só devem ser utilizadas como último recurso.

Melhor ainda, evitaria o dano que as tarifas já estão a começar a impor. O que nos leva à próxima carta…

Discurso de guerra

Joann Middlestead escreve:

O problema não é económico. O problema com a China é o roubo da propriedade intelectual – e o facto de que SE a guerra rebentar nós poderíamos encontrarmo-nos como os Estados do Sul contra os do Norte, que tinham todas as instalações da indústria transformadora que lhe permitira de ganhar a guerra.

Como a China se torna mais e mais modernizada e mais e mais competitiva, eles irão tentar ser a superpotência do Mundo (e que não haja aqui nenhuma dúvida). Assim, os EUA precisam de fazer regressar a casa os empregos que deslocalizaram, ou seja, precisam de relocalizar as indústrias entretanto externalizadas, com a capacidade industrial que nos permita ganhar a guerra utilizando os nossos recursos e a capacidade de alimentar e vestir o população quando a guerra estiver a decorrer.

John: Como disse acima, eu concordo com Joann no que se refere à propriedade intelectual. No entanto, quero delicadamente discutir o discurso sobre a guerra.

Primeiramente, a China não tem nenhum interesse em começar uma guerra com os Estados Unidos. Se por algum azar as coisas correrem mal, esta guerra não se pareceria em nada com a Guerra da Secessão nos EUA ou mesmo com a Segunda Guerra mundial. Aconteceria principalmente no ciberespaço e no espaço sideral. A nossa base da indústria transformadora interna não estaria tão em vantagem como estava há um ou dois séculos. Aqueles que pensam assim são parecidos com aqueles generais que estão a fazer a sua última guerra.

Alimentar a população também não é problema. Os Estados Unidos são um exportador líquido de bens alimentares. Podemos ter que viver sem alguns manjares (embora não me ocorra o que é que me poderia vir a faltar), mas não vamos morrer de fome sem importações.

Mas o que realmente me incomoda sobre a nota de Joann (e muitos outros como ele) é essa vontade casual de ir para a guerra – seja guerra comercial ou um conflito militar. A guerra destrói as pessoas de ambos os lados. Devemos fazer tudo o que pudermos para a evitar.

Uma guerra comercial completa com a China não significaria simplesmente que teríamos de apertar os nossos cintos. Estaríamos a sacrificar grandes partes de nossa própria economia e população, estaríamos a paralisar empresas inteiras e até mesmo indústrias.

Está aqui uma carta de Gavekal que mostra a dependência das empresas dos semicondutores dos Estados Unidos das vendas da China.

18 Um saco de correspondência picante sobre a China 2

Algumas destas companhias morrerão se nós cortarmos o comércio com a China ou se a China aplicar tarifas similares. A maioria dessas empresas tem concorrentes muito sofisticados em outros países. Estas nossas empresas vão perder as suas posições nos mercados abertos e eventualmente deixarem a sua atividade, os seus trabalhadores vão perder os seus empregos e o valor das suas ações vai cair a pique podendo cair até zero. Inúmeras pequenas empresas que as abastecem de produtos intermediários irão à falência.

Só esse choque pode forçar a nossa economia para uma situação de recessão e os preços das ações para uma situação de mercado de tendência à baixa, mas haverá muitos outros setores que seriam igualmente muito atingidos.

Muitos falcões comerciais que querem correr esse risco parecem ignorar os seus custos. Eles estão errados e, dadas as nossas outras tensões sociais, temo uma catástrofe se escolhermos assumir isso por nós mesmos.

Se o leitor discordar, deixe-me perguntar-lhe isto: o que é que está disposto a perder? Será que a China vale a pena perder o seu emprego ou passar a ter os seus impostos a subirem e os seus rendimentos a descerem? Se você possui uma atividade empresarial, acha que será capaz de encontrar fontes internas para tudo o que precisa para a sua atividade? E ter de pagar preços mais elevados que não pode transpor para os seus clientes, porque eles vão estar também em graves dificuldades?

Tudo isso é desnecessário. Nós podemos obter o que nós queremos da China sem impor uma tal destruição e sofrimento. Mas exigirá uma estratégia de negociação diferente da que temos vimos a fazer até agora.

Controlo de qualidade

David Oldham escreve:

A China parece estar a inundar o mundo com produtos que têm uma qualidade de lixo, ou então será que só enviam esse lixo para o Reino Unido? Quase tudo o que está marcado como “Made in China” é de extrema baixa qualidade, com exceção dos produtos da Apple, que eu suponho estarem sujeitos aos inspetores de controle de qualidade da Apple. Este é um problema real no Reino Unido, especialmente onde a segurança é um importante fator- barcos e peças de montagem, por exemplo.

Eu creio que uma grande parte dos bens chineses exportados para o Reino Unido acabam por ser reenviados para a China para reciclagem. Eu questiono-me se todo o plástico destinado a tratamento de reciclagem não acabe ele por ser colocado nos nossos oceanos. Eu tenho uma visão muito diferente da China do que o senhor, John Maudling. Para mim, eles são uma gigantesca praga pública.

John: Eu concordo em parte com o que diz, David. Certamente, muitas das exportações da China para o Ocidente são de baixa qualidade ou até mesmo falsificadas. Isso faz parte das reformas da propriedade intelectual que o governo Trump está a exigir. É um problema sério, como diz.

Eu discordaria que “quase tudo” que são exportações de China é de baixa qualidade. O governo tem estado agressivamente a forçar as empresas (estatais ou equivalentes) a fabricarem produtos mais sofisticados. Eles têm pouca escolha, na verdade. Outros países asiáticos e africanos estão rapidamente a tomar parte do mercado nos segmentos de fabrico relativamente simples, porque os seus custos de trabalho são muito mais baixos do que a China. Isso irá continuar.

Isso leva-me a uma questão que o meu amigo Andy Kessler levantou tão bem no Wall Street Journal na semana passada. Não é realmente desejável estar a querer produzir todos os produtos de baixo valor acrescentado nos EUA. Como ele disse:

Essa é a falácia da guerra tarifária de hoje com a China: destina-se a salvar empregos, mas acaba por destruir os melhores. Até agora, sente-se que todas as importações chinesas com exceção dos iPhones, é sujeita a tarifas em virtude do seção 301. Como o Presidente Trump disse em fevereiro, “Eu quero trazer a indústria siderúrgica de volta para o nosso país. Se para isso é necessário aplicar tarifas, apliquem-se então tarifas, de acordo? Talvez isso vá custar um pouco mais, mas vamos ter empregos”.

Mas nem todos os empregos são igualmente desejáveis. São os lucros, não as vendas, que criam riqueza. Devemos investir ao longo do tecido de produtividade. Empregos em nome do emprego, destrói a riqueza. Salvar Detroit foi um erro. Devem as sapatilhas Nike realmente serem fabricadas em Oregon?

Devíamos ler uma página do livro do PlayBook para Singapura de Lee Kuan Yew e pensar sobre que trabalhos e empresas servem melhor os interesses americanos. Singapura foi uma vez uma nação de cadeias de montagem e de fabricantes de T-shirt. Mas ao longo do tempo, Singapura avançou na cadeia alimentar das atividades empresariais e agora está entre os mais avançados.

Ironicamente, algum trabalho têxtil está a regressar aos EUA, mas é automatizado e traz relativamente poucos empregos. Formalmente, trabalhos de montagem e de fabrico de mão-de-obra intensiva estão a voltar para os EUA, mas os empregos, salários e lucros estão mais acima na escala.

Destino manifesto

Jeffrey Ho escreve:

Acabei o meu período de férias de um mês a viajar pela China. Foram 2500 quilómetros de viagem através da China ocidental. Os sinais de um boom económico estão visíveis por todo o lado. Embora ainda não haja cidades de nível 1 ou 2 na zona ocidental (somente duas cidades ocidentais, Lanzhou e Urumqi, são consideradas de nível 3), até mesmo as cidades pequenas de um milhão ou menos contam agora com estações de comboio ou de autocarros modernas e aeroportos que rivalizam ou ultrapassam mesmo o melhor do que há na América.

Uma fortíssima expansão da construção é evidente através da clássica Rota da seda. As cidades pequenas que não tinham visto a construção de um edifício novo desde há 50 a 100 anos estão agora a ser reconstruídas com os elevados condomínios modernos exatamente ao lado da parte velha de cada uma dessas cidades. O que eles mais têm nas províncias de Gansu, Qinghai, e Xinjiang é espaço. Xinjiang, a província mais ocidental, é 3 vezes a área da França.

Gansu, outrora uma zona muito atrasada e empobrecida, que era na sua maior parte deserto, é agora parte de uma China profunda verdejante com técnicas modernas de irrigação, com uma agricultura modernizada e em que se conseguiu regular e controlar as águas do Rio Amarelo. Para se ter uma melhor perspetiva, Lanzhou, a capital da província de Gansu, é o centro geográfico da China. Isto significa que com a engenharia moderna e o progresso na agricultura se transformou grande parte do deserto em terra produtiva, e que a China está agora a começar a concretizar o seu Destino Manifesto.

A viagem em comboio de alta velocidade foi quase uma monótona. Como passageiro não se poderia sentir que se estava a viajar a mais de 200 kms hora através do deserto exceto se olharmos para o indicador LED dentro da carruagem. Os outros passageiros estavam todos sentados nos seus lugares marcados sem ninguém deitado nos corredores, sem nenhum produto agrícola ou animais vivos, e o único incómodo talvez tenha sido o facto do condutor incessantemente vir certificar-se que a bagagem colocada na bagageira acima de nós estava perfeitamente no lugar. Se há um sinal de que a China alcançou a sua maior aspiração de ser uma Nação do Primeiro Mundo, é este indicador.

John: Obrigado Jeffrey pelo seu relato feito a partir da própria China. Primeiro deixe-me dizer que fiquei invejoso da sua viagem. Quem me dera poder ter um mês para poder fazer o mesmo. Ou talvez eu deva tomar a decisão e ter um mês para fazer o mesmo. Eu gosto especialmente do que diz sobre sobre as “pequenas” cidades de um milhão ou menos! Embora não tenha viajado nos comboios chineses, eu andei por toda a Europa de comboio. A velocidade e o conforto são quase inimagináveis para a maioria dos americanos. Não compreendo porque é que insistimos em andar de avião ou de automóvel para todo o lado. Eu prefiro, de longe, os comboios quando temos essa possibilidade disponível.

Mais interessante, talvez, é a ideia de que o desenvolvimento de Leste a Oeste da China espelha o “destino manifesto”, ideia que levou os Estados Unidos a expandir-se no mesmo sentido e por razões similares: terra abundante, barata e recursos naturais. Uma diferença é que nós tínhamos um oceano a esperar-nos do outro lado, enquanto a China tem montanhas e desertos. No entanto, os projetos inseridos no Projeto Uma Cintura, uma Estrada (One Belt, One Road) estão a abrir o lado ocidental da China de uma forma que é muito parecida com o facto de que o Pacífico deu os EUA novos mercados de exportação.

E como o Projeto Uma Cintura, uma Estrada se estende para os mercados europeus e, literalmente, para todo o continente eurasiano, este irá inevitavelmente atrair investimento, talentos empreendedores, e ainda mais construção e infraestruturas. O potencial de crescimento é assombroso.

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O autor: John Mauldin: reputado especialista financeiro, com mais de 30 anos de experiência em informação sobre risco financeiro. Editor da e-newsletter Thoughts from the Frontline, um dos primeiros boletins informativos semanais proporcionando aos investidores informação e orientação livre e imparcial. É presidente da Millennium Wave Advisors, empresa de consultoria de investimentos. É também presidente de Mauldin Economics. Autor de Bull’s Eye Investing: Targeting Real Returns in a Smoke and Mirrors Market, Endgame: The End of the Debt Supercycle and How It Changes Everything, Code Red: How to Protect Your Savings from the Coming Crisis, A Great Leap Forward?: Making Sense of China’s Cooling Credit Boom, Technological Transformation, High Stakes Rebalancing, Geopolitical Rise, & Reserve Currency Dream, Just One Thing: Twelve of the World’s Best Investors Reveal the One Strategy You Can’t Overlook e The Little Book of Bull’s Eye Investing: Finding Value, Generating Absolute Returns and Controlling Risk in Turbulent Markets.

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/06/12/sobre-as-razoes-que-estao-na-base-dos-focos-de-tensao-entre-a-china-e-os-estados-unidos-18-um-saco-de-correspondencia-picante-sobre-a-china-por-john-mauldin/

Trump contra China e a loucura de uma guerra comercial

Mais uma vez Washington e Pequim se castigam mutuamente com sobretaxas. Para os chineses, porém, não há muito mais opções de retaliação, e no fim das contas o mundo todo pagará o prejuízo, opina Henrik Böhme.
Preservativos, perfume, vinho, pianos, violinos e tequila: a lista das mercadorias americanas a que os chineses querem impor sobretaxas já deixa claro que eles estão em desvantagem. Mais uma vez, eles estudaram tudo o que podem tarifar, chegando a um total de 60 bilhões de dólares.

Para Donald Trump é fácil retaliar, pois as últimas tarifas impostas por ele chegaram a 200 bilhões de dólares. E a Casa Branca já está considerando encarecer drasticamente todas as demais importações da China. Pequim não tem mais como reagir, a não ser aumentando as sobretaxas, mas não com novas sanções. Então, o que está por vir?

De início, os chineses endureceram o tom em relação aos Estados Unidos: "Depois não digam que não avisamos vocês", foi a manchete de um artigo do jornal do Partido Comunista sobre a possível falta de terras raras, matéria-prima sem a qual não há indústria de alta tecnologia, smartphones, nem automóveis. Nesse ponto, os EUA são extremamente dependentes da China, pois de lá vem 80% das terras raras que utilizam.

A agência de notícias estatal Xinhua adotou o tom belicoso: em sua história, a República Popular da China "nunca abaixou a cabeça nem temeu ninguém". Sua nova resposta é uma "lista negra" própria, com as firmas estrangeiras "não confiáveis". Soa tudo muito drástico, a questão é se será capaz de amedrontar um Donald Trump.

E no entanto, o presidente chinês, Xi Jinping, é seu melhor amigo, assim como o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Só que no momento o conflito está tão avançado, que será difícil tirar a carroça do atoleiro. Para tal, dificilmente bastará o encontro planejado para o fim de junho, no âmbito da cúpula do G20 em Osaka, Japão.

Pois o homem forte da China jamais concederá o que se exige dele – uma verdadeira abertura de mercado, renúncia ao roubo de know-how econômico, etc.: isso colocaria em risco a meta declarada de Xi, de transformar seu país na potência mundial número um.

Então será que a China vai tirar sua próxima arma do armário? Afinal, ela é a maior credora dos EUA, nos cofres de seu banco central estão mais de 1 trilhão de dólares em títulos públicos americanos. Pois aquela que ainda é a maior economia do mundo vive de empréstimos e dependendo de que outros financiem sua prosperidade.

Será que a China vai parar de comprar os títulos americanos? Ou até mesmo colocar no mercado o seu contingente? Isso seria concebível, mas não inteligente. Embora recentemente ela tenha por várias vezes vendido títulos americanos, foi sempre com a finalidade de respaldar a economia doméstica, que sem dúvida sofre mais com a guerra comercial do que os Estados Unidos.

Se o banco central chinês colocasse no mercado um grande volume de títulos americanos, o valor destes cairia drasticamente, e o maior afetado seria quem detém o maior número dos papéis – que é, justamente, a própria China.

Restaria a guerra monetária. Há muito irrita os chineses o fato de o dólar ser a moeda de referência mundial. Os americanos, por sua vez, acusam-nos de debilitar artificialmente a própria moeda, o yuan. Embora isso não seja fácil de provar, tampouco é fácil alterar a questão da moeda de referência. Aqui há outras partes interessadas, já que 60% das reservas do mundo são em dólar, em grande parte graças à China, com suas compras de enormes quantidades de títulos públicos dos EUA.

No momento, pelo menos, os únicos capazes de enfraquecer o dólar são os próprios americanos. Quando a conjuntura do país começar a sofrer, quando o efeito dos benefícios fiscais de Trump se esgotar, aí o banco central americano terá que imprimir mais dinheiro, enfraquecendo o dólar.

O resultado é uma situação complicada, sem solução à vista, até porque Trump acaba de reacender com o México um conflito comercial que se acreditava estar pacificado. No fim das contas, os danos com que a economia mundial já arca deverão afetar a todos. No fim, quem paga o pato, como sempre, são os trabalhadores e funcionários, consumidores e contribuintes.
Henrik Böhme | Deutsche Welle | opinião

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/trump-contra-china-e-loucura-de-uma.html

Sobre as razões que estão na base dos focos de tensão entre a China e os Estados Unidos – 17. O défice comercial não é o bicho-papão. Por John Mauldin

Tensão EUA China 0

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Sem com isso retirar a importância e a excelência da análise de John Mauldin, não podemos deixar de chamar a atenção do leitor para a questão de que para baixarem o seu défice comercial seria necessário os americanos pouparem mais, porque consomem demasiado. Michael Pettis em texto editado neste blog em 5 e 6 de novembro de 2018, intitulado O défice comercial dos EUA não é provocado pelo baixo nível de poupança nos EUA (aqui e aqui) analisa criticamente, e muito lucidamente, o erro de perspetiva a que pode conduzir uma análise mecanicista da aritmética de base da balança de pagamentos. Como diz Michael Pettis, em jeito de conclusão,

“Se tenho razão, então não é certo que os Estados Unidos tenham um défice da balança corrente porque os americanos poupam muito pouco. É exatamente o contrário: os americanos economizam muito pouco porque os Estados Unidos têm um défice de balança corrente ou porque têm um excedente na balança de capital: as entradas de capital estrangeiro deprimem automaticamente a poupança americana.”

JM

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17. O défice comercial não é o bicho-papão

john mauldin Por John Mauldin

Publicado por mauldin economics logo em 5 de outubro de 2018 (texto original aqui)

17 O défice comercial não é o bichopapão 1

Tenho que confessar uma coisa: eu tenho um enorme défice comercial. Não é com a China nem com o México, mas com a Amazon. Eu compro todo o tipo de bens à Amazon e Jeff Bezos [fundador e presidente da Amazon] ainda tem que gastar um cêntimo comigo. Não é justo.

Parece ridículo? Isso é exatamente o que é. Totalmente absurdo. Eu gosto da Amazon. Estou feliz com os itens que a empresa me envia vindos do estrangeiro e (eu presumo) a Amazon está feliz por receber o meu dinheiro. Ganhamos ambos com isso.

O mesmo tipo de relacionamento existe entre os EUA e a China, embora com algumas reviravoltas que discutiremos abaixo. Isso não quer dizer que a China seja um menino de coro da política comercial, mas o défice comercial não é o problema-chave. Tentar “consertá-lo” não vai levar a conseguir o que queremos e pode ter sérios efeitos colaterais.

Os défices comerciais ou excedentes não são maus nem bons. São uma característica natural das economias que já largaram a troca direta e que estão situadas no quadro da chamada divisão internacional do trabalho… por outras palavras, um sinal do sucesso. Para certos países, há momentos em que os défices comerciais simplesmente não fazem nenhuma diferença. E há momentos em que podem ser devastadores. Tudo depende do excedente da balança corrente, um conceito de que iremos falar mais abaixo, e/ou se a moeda do país tem estatuto de moeda de reserva. Não é difícil de entender, então vamos avançar.

Nada a temer

O Presidente Trump parece pensar que o país com um défice comercial automaticamente está a “perder” a favor do país que tem um excedente. Eu suspeito que esta sua visão das relações económicas internacionais vem da forma como ele dirigiu os seus negócios e da sua compreensão da dívida, mas as duas coisas não são idênticas, e até que ele compreenda que vamos falar sobre conceitos estúpidos como guerras comerciais e tarifas. Gostaria que os assessores dele o ensinassem.

Uma coisa que os leitores parecem apreciar nos meus textos é que eu tento tornar a informação complexa em informação simples, acessível. Hoje, vou tentar tornar mais simples uma coisa já de si bem simples.

Primeiro, simplesmente usar a palavra “défice” em conjunto com a expressão comércio internacional soa a má coisa para a grande maioria das pessoas. Todos nós sabemos que um défice nas nossas finanças pessoais significa que gastamos mais do que ganhamos, o que é mau.  E assim nós igualamos esse tipo de défice com a ideia de défice comercial. Isto faz um grande tema político e uma maravilhosa demagogia. Os défices comerciais e o populismo andaram sempre juntos durante séculos.

 

O que é um défice comercial?

Vamos fazer uma pausa aqui e definir os nossos termos. Um défice comercial ocorre quando a nação X compra mais bens e serviços (em valor) à nação Y do que Y compra à nação X. Neste exemplo, X tem um défice comercial com Y e Y tem um idêntico excedente comercial com X.

E isto funciona para com todos os outros países com os quais temos um défice comercial com ou excedente comercial. Nós compramos os bens deles e eles ficam com os nossos dólares.

Isto não é mal nenhum. Na verdade, é indiscutivelmente melhor para o lado dos EUA, porque a China (e todos os outros) aceitam a nossa moeda como pagamento, em vez de exigirem que obtenhamos renminbis para pagar a fatura. Os EUA podem fazer isso porque temos a moeda de reserva do mundo. É o que o ministro das Finanças francês (e mais tarde presidente) Valéry Giscard d’Estaing qualificou com desprezo de “privilégio exorbitante” na década de 1960, quando a França exigiu ouro em troca dos seus dólares. Isso levou Nixon a fechar a janela de ouro e terminou com o sistema de Bretton Woods. Isto parecia dramático, mas o dólar ainda era a moeda de reserva do mundo. Toda a gente ainda o queria.

D’Estaing e o seu presidente De Gaulle estavam certos: ser a moeda de reserva do mundo é um privilégio exorbitante. Pode-se argumentar que mais tarde o Japão teve privilégios semelhantes. A Europa e a zona euro e, até certo ponto, o Reino Unido também o têm, não na medida dos EUA, mas basicamente pelas mesmas razões. Eles também têm excedentes da balança corrente, o que significa que o dinheiro está a fluir de retorno para os seus países.

Isto remonta à doutrina da “vantagem comparativa” de David Ricardo que ele publicou em 1817. Tal como as pessoas, as nações têm talento assim como fraquezas. Todos estarão em melhor situação se todos fizermos as coisas que sabemos fazer melhor. Se China pode produzir algo a um custo mais baixo do que nós o podemos produzir nós mesmos, então ambos os países ganham se nós deixarmos que o façam.

Reconhecidamente, surgem problemas quando as vantagens relativas mudam. Talvez o vosso país seja realmente bom a produzir um determinado produto que uma nova tecnologia importada torna obsoleto. Isso não é bom para os trabalhadores cujos empregos desaparecem, embora os consumidores tenham agora acesso a um produto melhor e a um preço mais baixo. Mas, isso não é uma razão para aplicar tarifas ou medidas de proteção. Isto significa simplesmente que o país importador precisa de requalificar os seus trabalhadores e ajudá-los na transição para um trabalho diferente.

Matemática do Comércio Internacional

Agora vamos rever algumas matemáticas simples. Quase todos os economistas do mundo aceitam esta equação básica que expressa o PIB de cada país: Y = C + I + G + (X – M). Nesta igualdade Y representa o PIB do país, C representa o consumo, I representa os investimentos, G representa as despesas públicas e (X-M) representa as exportações menos importações, ou seja, (X-M) representa a balança comercial (exportações menos importações). Esta igualdade é chamada de identidade contabilística. Da mesma forma que 2 + 2 = 4, uma identidade contabilística é sempre e em toda a parte verdadeira.

Se o objetivo é reduzir ou eliminar o défice comercial dos EUA com a China (ou com qualquer outro país), serão as tarifas uma boa ferramenta para alcançar esse objetivo? Não, porque tarifas não afetam as causas subjacentes ao referido défice. Os défices comerciais não existem porque as importações dos EUA sejam demasiadas, mas porque os americanos consomem muito e economizam muito pouco.

Agora, se aceitarmos que a equação acima está correta, com algum rearranjo dos símbolos podemos apresentar a mesma equação de uma forma diferente. Continua ainda a ser uma identidade contabilística, como explica Steve Hanke. (O leitor pode ter que ler isto duas ou três vezes.)

Na contabilidade do rendimento nacional, podemos derivar da identidade anterior uma outra expressão que continua também a ser uma identidade. E esta é a chave para a compreensão do défice comercial.

(Importações – Exportações)≡ (Investimento – Poupança) + (Despesa pública – Impostos)

Tendo em conta esta identidade, que se mantém como identidade, o défice comercial é igual à diferença entre investimento do setor privado menos as poupanças, mais a diferença entre despesa pública e receitas fiscais. Assim, a contrapartida do défice comercial é a soma do défice do setor privado e do défice público l (federal + estadual e administração local). O défice comercial dos EUA, portanto, é apenas a imagem espelhada do que está a acontecer na economia nacional dos EUA. Se a despesa nos EUA ultrapassa os rendimentos criados, o que é o caso, as despesas adicionais serão constituídas, materializadas por um excesso de importações sobre as exportações (leia-se: por um défice comercial).

Isto é simplesmente matemática. Uma vez que os americanos consomem coletivamente mais do que produzem ou investem, a diferença deve vir de algures e essa diferença não cai do ar. (Contrair um empréstimo não ajuda em nada a resolver o problema porque o dinheiro emprestado em si-mesmo tem que vir de poupanças.) A única maneira de resolver a equação é importar o excesso de despesa, ou seja, ter um défice comercial.

Além disso, o défice comercial necessita de um excedente igual e de compensação na balança corrente. Tal como um indivíduo tem que receber o seu dinheiro de algures para poder gastar. Isto funciona da mesma forma para os países e significa que os estrangeiros têm de comprar coisas nos EUA, como seja bens imobiliários ou ações de empresas, ou as empresas dos EUA. investem o seu dinheiro no exterior e transferem os lucros para os Estados Unidos. Isto torna o défice comercial igual ao excedente da balança corrente.

Se o leitor não gosta deste resultado, pode modificá-lo por alguma combinação de redução do consumo e de poupanças mais elevadas. As recessões têm esse efeito, por isso são uma boa maneira de reduzir o défice comercial. A correlação inversa entre desemprego e défices comerciais é muito elevada. Mas penso que ninguém iria querer uma recessão apenas para se livrar do défice comercial. (Por favor, note a ironia.)

Ora, existem meios através dos quais o governo poderia incentivar um mais baixo consumo e poupanças mais elevadas, mas isso significaria uma mudança dramática do estilo de vida para muitos, se não para a maioria dos americanos. Teríamos que nos tornar mais como o Japão, por exemplo, onde as pessoas tendem a economizar uma parcela maior dos seus rendimentos e a viver mais frugalmente.

Uma vez que, como sabemos, milhões de americanos têm pouco excedente de rendimento para pouparem e já levam uma vida bastante frugal, é difícil ver que possa dar-se por aqui qualquer mudança, pelo menos por estes tempos mais próximos. Então a matemática diz-nos que vamos ter um défice comercial com alguém. Não tem que ser necessariamente com a China, mas a nossa economia não está feita para ser um exportador líquido. Nós podemos comprar as nossas T-shirt ao Vietnam ou no Paquistão em vez da China mas isso é, ainda assim, um défice comercial.

Porque é não podemos fazer T-shirts nos EUA? Porque elas nos vão custar mais, o que significa que os consumidores vão comprar menos, o que significa uma economia menor, com menos empregos. Eu sei que isto é contraintuitivo, mas isto é apenas a realidade de um mundo que Ricardo descreveu.

Mas a existência de um défice comercial, quando se pode viver com ele, também tem vantagens. Esta é a razão pela qual o dólar americano é a moeda de reserva do mundo. Nós “exportamos” enormes quantidades de “verdinhas” [notas de dólar] ao exterior para pagar todas as coisas que importamos. Os nossos parceiros comerciais têm de aceitá-los (em oposição a qualquer outra moeda), porque os EUA são um grande cliente. Nós temos na mão o grande bastão.

Melhor ainda, todos esses dólares, em última análise, voltam para os Estados Unidos porque eles são de uso limitado para os estrangeiros a quem nós os impomos. Os investidores chineses utilizam-nos para comprarem os nossos títulos do Tesouro ou outras compras. O dinheiro flui para outros países e empresas e, finalmente, volta para os EUA. A sua adicional procura leva o nosso Tesouro a ir aos mercados obter fundos a taxas mais baixas do que de outra maneira o poderia conseguir. Na verdade, o défice comercial subsidia a nossa dívida pública (que é muito alta, mas isso é outro assunto).

Assim, vemos que os défices comerciais não são necessariamente maus, mas isso não é tudo. Mesmo que nos quiséssemos livrar do défice comercial, não é claro que o pudéssemos fazer – sem que pelo menos se criem alguns efeitos colaterais sérios. Martin Wolf disse-o muito bem no Financial Times na semana passada.

Os economistas sérios, voltando a Adam Smith, insistiriam que procurar um excedente com todo e qualquer parceiro comercial não é “ganhar”. É um absurdo. Isto não é sequer mercantilismo inteligente, que se concentraria no saldo global. No entanto, particularmente com o livre movimento de capitais, o equilíbrio global é um objetivo tolo e que a política comercial nunca pode alcançar. É incrível que essas tão primitivas ideias determinem o comportamento do país mais sofisticado da terra.

A posição de Martin Wolf é bem vista. Se o equilíbrio da balança comercial de um país é uma coisa boa, isso depende muito das circunstâncias. Eles não são automaticamente bons ou maus. O défice comercial dos EUA é útil, como já descrevi, mas na Grécia, há alguns anos, foi altamente desastroso. O défice comercial interno dos países do Sul da zona euro para com a Alemanha (e com outros países europeus altamente produtivos) permitiu a estes países da periferia da zona euro acumular uma enorme dívida governamental, privada e de empresas, dívida esta que estes países não poderiam pagar. A Grécia foi apenas o primeiro país e a Itália está a preparar-se para ser agora o próximo.

Num mundo normal, quando a Grécia usava os dracmas, o valor da sua moeda teria descido e teria levado a que os cidadãos gregos fizessem menos importações. O que realmente aconteceu foi que toda a dívida se tornou exigível, forçando a imposição de uma fortíssima austeridade como uma espécie de desvalorização-sombra. Isto foi simplesmente brutal.

O excedente comercial correspondente da Alemanha com outros países da UE também não é necessariamente uma coisa excelente. Observe que no gráfico abaixo, a Alemanha é o terceiro maior exportador do mundo. A Alemanha não poderia fazê-lo com uma moeda forte como o Franco suíço. Isso funciona apenas porque está na zona euro com economias mais fracas. Um Volkswagen ou Mercedes-Benz valorizado em marcos alemães que custaria 50% mais não seria competitivo a uma escala global. A Alemanha vai aprender isso de maneira bem mais difícil antes de tudo isto acabar.

 

A criar uma crise

O que é curioso é que as mesmas pessoas que querem reduzir o défice comercial, muitas vezes se preocupam com a hipótese de o dólar perder o seu estatuto de moeda de reserva. Isso pode muito bem acontecer de qualquer maneira em algum momento de um futuro ainda distante, mas procurar reduzir o défice comercial só irá acelerá-lo.

O facto é que ao concordar em ser a moeda de reserva do mundo, e essencialmente fazendo com que a Reserva Federal seja o Banco central do mundo, nós concordamos em fornecer dólares para o resto do mundo para que eles possam funcionar como moeda internacional. Os Estados Unidos fizeram um trabalho notável ao terem funcionado com défices comerciais e fornecerem liquidez ao mundo. É o que meu amigo Paul McCulley chama de “responsavelmente irresponsável”. Se nós não tivéssemos fornecido esses dólares, o mundo encontraria uma outra moeda para poder com ela negociar e os EUA perderiam o privilégio exorbitante e as suas vantagens.

Já vimos as fases iniciais deste processo. Entre as tarifas relativamente pequenas que já estão em vigor e o medo do que mais está para vir, o dólar americano tem-se estado a valorizar contra outras moedas. (A política de contenção do FED tem algo a ver com isso, também.) Isto é exatamente uma questão de oferta e procura. A oferta de dólares fora dos EUA está a reduzir-se, tornando cada dólar mais valioso.

As consequências não são boas para os EUA. Por um lado, um dólar mais forte torna as exportações mais caras e incentiva os estrangeiros a procurarem alternativas aos bens produzidos nos Estados Unidos. Esse é o caso, mesmo sem as tarifas de retaliação que governos estrangeiros estão a colocar sobre muitas exportações americanas. Pior, o dólar mais forte penaliza todos os exportadores americanos, não apenas aqueles que são suficientemente azarados para serem atingidos pela aplicação das tarifas.

A outra consequência é ainda mais assustadora. Os governos e as empresas estrangeiras, particularmente as dos países emergentes de economia de mercado, devem milhões de milhões em dívida expressa em dólares. O dólar a aumentar de valor está a tornar mais caro pagar essas dívidas. Os governos e os bancos centrais estão a tomar medidas heroicas para os ajudar, mas não podem fazer grande coisa. Eventualmente, alguns entrarão em incumprimento. Então teremos uma crise monetária à moda antiga num mundo muito mais interligado e alavancado do que era em 1998.

Exatamente como é que isso se vai desenrolar, ou quando, não é claro. Mas há a possibilidade muito real de que isso pode acontecer. O génio está fora da garrafa e rodopiando por aí enquanto decide onde deve atacar. Nós vamos conseguir o que desejamos e não vamos gostar.

O fim do jogo, como eu escrevi, será o grande Recomeço, onde a dívida dos governos de todo o mundo, além de todos os seus passivos do governo não financiados e as pensões prometidas e os cuidados de saúde supostamente garantidos vão ser “resolvidos”, e, infelizmente, isso irá acontecer no meio de uma crise.

Conflito intensificado

O acordo da semana passada para rever e renomear o NAFTA, embora positivo, está a ser erroneamente interpretado como uma redução das tensões comerciais. Não vejo as coisas dessa forma, de modo nenhum. O novo acordo ainda necessita de aprovação legislativa por todos os três países o que corre o risco de não se verificar. As forças de oposição já estão a entrar em ação, agora que estas têm um texto real contra o qual podem atacar.

Mas o problema mais importante é que isto permite que Trump concentre as baterias sobre a China. Se o leitor se recorda, as minhas fontes de Camp Kotok dizem-me que as revisões do NAFTA, uma vez terminadas, permitiriam a Trump forçar a China para se chegar a um acordo antes das eleições intercalares. Isso parece ser o que está a acontecer.

Arthur Kroeber da Gavekal assinalou num seu texto desta semana que “as forças que no terreno estão disponíveis para lutar contra a China são, de longe, muito mais fortes, e as rédeas sobre elas muito mais fracas, do que no caso no NAFTA e das escaramuças transatlânticas”. Igualmente indica que as empresas americanas. com exposição à China são apanhadas no meio e não tentam lutar contra a Casa Branca. Kroeber também destacou a informação dada no relatório de Axios de que a administração Trump está a planear uma grande campanha contra a China nas próximas semanas. Isso significa que a calma que os mercados estão atualmente a sentir pode não durar muito tempo.

Falando de Gavekal, eu tenho que dizer que a sua investigação tem sido um dos meus melhores recursos durante anos para estar ao corrente de tudo isto. Ninguém conhece a Asia como a equipe Gavekal. Todas as manhãs recebo um, dois ou três e-mails com todas os seus últimos trabalhos sobre a economia mundial, China, divisas, bancos centrais, taxas de juros, e muito mais. É tudo espantosamente útil. Eu gostaria de poder partilhar tudo com os meus leitores, mas é um serviço muito caro que se destina a instituições e a gabinetes de estudo.

Contudo, eu partilho algumas das melhores análises de Gavekal com os meus leitores de Over My Shoulder. Ultimamente, têm-me enviado tanta e tão boa informação que eu perguntei a Louis se podíamos dispor de um especial “Gavekal Week” e trabalhar o material disponível diariamente.  Ele concordou graciosamente e faremos isso na próxima semana, de 8 a 12 de Outubro.

Por exemplo, no nosso blog na área Over My Shoulder iremos ter o Gavekal Dragonomics China Inc., o relatório anual de 2018. Este surpreendente Chartbook esboça tendências chaves no setor empresarial da China. Aí aprofunda-se as diferenças entre empresas estatais e empresas cotadas privadas, descendo ao detalhe da análise setorial para mostrar os diferentes impactos da guerra comercial e de outras políticas. É inestimável se queremos compreender o que é que está a acontecer realmente em China.

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O autor: John Mauldin: reputado especialista financeiro, com mais de 30 anos de experiência em informação sobre risco financeiro. Editor da e-newsletter Thoughts from the Frontline, um dos primeiros boletins informativos semanais proporcionando aos investidores informação e orientação livre e imparcial. É presidente da Millennium Wave Advisors, empresa de consultoria de investimentos. É também presidente de Mauldin Economics. Autor de Bull’s Eye Investing: Targeting Real Returns in a Smoke and Mirrors Market, Endgame: The End of the Debt Supercycle and How It Changes Everything, Code Red: How to Protect Your Savings from the Coming Crisis, A Great Leap Forward?: Making Sense of China’s Cooling Credit Boom, Technological Transformation, High Stakes Rebalancing, Geopolitical Rise, & Reserve Currency Dream, Just One Thing: Twelve of the World’s Best Investors Reveal the One Strategy You Can’t Overlook e The Little Book of Bull’s Eye Investing: Finding Value, Generating Absolute Returns and Controlling Risk in Turbulent Markets.

 

 

 

Ver original em 'A viagem dos Argonautas' na seguinte ligação:

https://aviagemdosargonautas.net/2019/06/11/sobre-as-razoes-que-estao-na-base-dos-focos-de-tensao-entre-a-china-e-os-estados-unidos-17-o-defice-comercial-nao-e-o-bicho-papao-por-john-mauldin/

Quais são as consequências da proibição da gigante chinesa Huawei para os EUA?

Logotipo da empresa chinesa Huawei (imagem de arquivo)
© Sputnik / Kirill Kallinikov

Uma série de consequências está avançando a todo o vapor devido à proibição implementada pela Administração Trump contra a gigante chinesa das telecomunicações Huawei, alertam analistas.

Após a proibição pelo presidente dos EUA, Donald Trump, do uso de equipamentos de telecomunicações fabricados por empresas consideradas "uma ameaça à segurança nacional", um relatório indica que o Google, que já vetou o Android para a Huawei, alertou o governo que a proibição desta empresa chinesa efetivamente coloca a segurança do país em perigo, pois a obriga a desenvolver seu próprio software que poderia ser mais suscetível a invasões.

Na opinião do colunista John Detrixhe da Quartz, a proibição por parte do Facebook da pré-instalação de seus aplicativos, incluindo o WhatsApp e o Instagram, em celulares Huawei, resultaria em prejuízo, pois isso privaria as empresas americanas de usar os dispositivos chineses para coletar dados e vender publicidade em todo o mundo.


Huawei
© AP Photo / Mark Schiefelbein, File

Além disso, Detrixhe destaca que essa medida americana se traduziria em perdas para os fabricantes de semicondutores dos EUA devido ao veto contra a segunda maior empresa a nível mundial no mercado móvel, uma vez que essa proibição afetaria o fornecimento de hardware para a Huawei, forçando-a armazenar chips e outros componentes e a aumentar o desenvolvimento de alternativas.

Para o analista Jeremy Horwitz, do site Venture Beat, as empresas americanas não só perderiam receita da gigante chinesa, mas também de outras empresas estrangeiras.

O jornalista explica que, se a Huawei vier a produzir os componentes de que precisa por conta própria, a empresa poderia vendê-los a terceiros a preços mais acessíveis em comparação com as empresas americanas.

Uma ampla gama de empresas sofreria globalmente com o precedente da Huawei, incluindo a Apple, que depende de empresas chinesas como a FoxConn para fabricar seus dispositivos.


Como exemplo, o especialista Talha bin Hamid refere que, se a empresa chinesa deixar de fabricar componentes para o iPhone, mudar a produção para qualquer outro local do planeta resultaria em custos mais elevados para a Apple.

A retaliação à gigante chinesa também abrandaria a implementação da nova tecnologia 5G em todo o mundo, o que poderia se refletir na suspensão do desenvolvimento de veículos de condução automática, que dependem da implementação dessa tecnologia, na qual a Huawei está atualmente na vanguarda, de acordo com os analistas.

Horwitz acredita que Washington "ataca empresas individuais para forçar resultados políticos", afirmando que a situação em torno de Huawei se tornará uma "enorme mina terrestre" para a diplomacia norte-americana.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2019060914030362-quais-consequencias-proibicao-da-gigante-chinesa-huawei-para-eua/

China pede aos EUA que parem com ataques contra a Huawei

Pequim, 16 mai 2019 (Lusa) - A China instou hoje os Estados Unidos a pararem com as suas práticas contra empresas chinesas, depois de o Presidente norte-americano ter proibido firmas dos Estados Unidos de usarem equipamento da Huawei.

"Ninguém vê essa medida como construtiva ou amigável e pedimos aos EUA que parem com essas práticas", disse o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lu Kang, em conferência de imprensa.

Kang disse que Pequim "se opõe a países que criam obstáculos usando a questão da segurança nacional como desculpa" e assegurou que empresas estrangeiras a operar no país asiático "não precisam de se preocupar desde que cumpram as leis".

O Governo norte-americano emitiu hoje uma ordem executiva que proíbe as empresas dos EUA de usarem qualquer equipamento de telecomunicações fabricado pela Huawei.

Uma outra ordem exige às empresas do país que obtenham licença para vender tecnologia à Huawei, num golpe que se pode revelar fatal para a gigante chinesa das telecomunicações.

A medida pode cortar o acesso da Huawei aos semicondutores fabricados nos Estados Unidos e cruciais para a produção do seu equipamento.


As ordens assinadas por Trump declaram mesmo uma "emergência nacional" face às ameaças contra as telecomunicações dos EUA, uma decisão que autoriza o Departamento de Comércio a "proibir transações que colocam um risco inaceitável" à segurança nacional.

Colocar a Huawei na lista "negra" teria "efeitos em cascata" em todo o mundo, considerou Samm Sacks, especialista em cibersegurança da unidade de investigação New America, com sede em Washington, citado pelo jornal Financial Times.

"As redes na Europa, África e Ásia que dependem dos equipamentos da Huawei sentirão o impacto, porque a Huawei depende de componentes fornecidos pelos EUA", disse.

Paul Triolo, especialista em políticas de tecnologia do Eurasia Group, considerou a decisão um "grande passo", que não prejudicará apenas a empresa chinesa, mas terá também um "impacto" nas cadeias globais de fornecimento, envolvendo empresas as norte-americanas Intel, Microsoft, Oracle ou Qualcomm.

"Os EUA declararam abertamente uma guerra tecnológica contra a China", afirmou.

A Huawei fornece dezenas de operadoras líderes em todo o mundo.

Em dezembro do ano passado, durante a visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado entre a portuguesa Altice e a empresa chinesa um acordo para o desenvolvimento da próxima geração da rede móvel no mercado português.

Washington tem pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei da construção de infraestruturas para redes de quinta geração (5G), a Internet do futuro, acusando a empresa de estar sujeita a cooperar com os serviços de informação chineses.

Austrália, Nova Zelândia e Japão aderiram já aos apelos de Washington e restringiram a participação da Huawei.

Pequim e Washington travam, desde o verão passado, uma guerra comercial, que se agravou na última semana, com os governos das duas maiores economias do mundo a imporem taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.

No cerne das disputas está a política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Washington vê aquele plano como uma ameaça ao seu domínio industrial e considera uma violação dos compromissos da China de abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da concorrência externa.

JPI // FPA

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/china-pede-aos-eua-que-parem-com.html

China diz que negociações com os EUA não acabaram e aponta 3 pontos de discórdia

Presidente dos EUA, Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, durante negociações entre EUA e China no G20, na Argentina
© REUTERS / Kevin Lamarque

O principal negociador comercial da China, Liu He, disse nesta sexta-feira em Washington que as negociações comerciais com os EUA continuariam em Pequim após dois dias de negociações e um aumento de tarifa nos EUA.

"As negociações não foram interrompidas, mas, ao contrário, isso é apenas uma reviravolta normal nas negociações entre os dois países", declarou Liu à mídia chinesa.

"Ambos os lados concordam que se reunirão novamente em Pequim no futuro e continuarão impulsionando as negociações", prosseguiu ele, sem dar uma data.


Embora Liu tenha considerado os dois dias de conversações nos EUA "produtivos", ele destacou que as diferenças continuam existindo.

"Temos um consenso em muitas áreas, mas para falar francamente, há áreas em que temos diferenças e acreditamos que elas dizem respeito a grandes princípios", explicou. "Todo país tem princípios importantes e não faremos concessões em questões de princípio".

De acordo com a mídia estatal chinesa, três principais diferenças permanecem nas negociações comerciais entre Pequim e Washington.

O Diário Oficial do Povo do Partido Comunista e a agência de notícias oficial Xinhua disseram que, além do aumento das tarifas adicionais, as diferenças se concentraram nas compras comerciais e em um texto "equilibrado" para qualquer acordo comercial.

"A China nunca cederá à pressão máxima do lado dos EUA e não comprometerá as questões de princípio. A China deixou claro a necessidade de eliminar todas as tarifas adicionais para retomar o comércio bilateral normal", informou o Diário do Povo.

"A China claramente exige que os números das aquisições comerciais sejam realistas. O texto deve ser equilibrado e expresso em termos aceitáveis para o povo chinês e não prejudicar a soberania e a dignidade do país", acrescentou.


A Xinhua, que relatou as mesmas três diferenças, disse que remover todas as tarifas adicionais era a "demanda comum" dos negócios e da agricultura dos EUA, e que ambos os países precisavam demonstrar mais paciência e perseverança para superar as dificuldades.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou nesta sexta-feira ao representante comercial dos EUA que inicie o processo de aumento de tarifas sobre todas as importações remanescentes da China, com o valor dos produtos sujeitos a nova rodada de tarifas em aproximadamente US$ 300 bilhões.

Os EUA já intensificaram sua guerra tarifária com a China na sexta-feira, aumentando as arrecadações de US$ 200 bilhões em mercadorias chinesas em meio a conversas de última hora para resgatar um acordo comercial.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019051113857814-china-pontos-negociacao-eua/

Trump ordena aumento de tarifas contra a China e valor chega a US$ 300 bilhões

Bandeiras dos EUA e China (imagem de arquivo)
© AP Photo / Andy Wong

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que as tarifas sejam cobradas em todas as importações remanescentes da China, que somam cerca de US$ 300 bilhões, disse o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, em comunicado.

"O presidente também ordenou que começássemos o processo de aumentar as tarifas de praticamente todas as importações remanescentes sobre produtos da China, que são avaliadas em aproximadamente US$ 300 bilhões", disse Lighthizer nesta sexta-feira (10).


No começo do dia, ele acrescentou, os Estados Unidos aumentaram as tarifas de 10% para 25% em cerca de US$ 200 bilhões em importações chinesas.

O vice-premiê chinês, Liu He, que lidera a comissão chinesa na negociação comercial com os Estados Unidos, afirmou em entrevista à CCTV nesta sexta-feira (10) que a China responderá às ações dos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019051013857370-donald-trump-china-comercio-tarifas-importacao/

China se diz forçada a retaliar aumento de tarifas dos EUA

O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, afirmou nesta-sexta-feira (10) que Pequim será forçada a retaliar o aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos. Liu He é responsável por lideras as negociações bilaterais de comércio entre os países.

Mais cedo nesta mesma data, uma nova rodada de tarifas de comércio foi efetivada pelos EUA. Com isso, um total de US$ 200 bilhões em produtos chineses foi tarifado, aumentando de 10% para 25%.


"Se os Estados Unidos aumentarem suas tarifas, nós teremos que responder a isso também. Claro, esperamos que os Estados Unidos barrem a medida. Então, a China também irá aderir a essa posição. Um dos lados não pode demonstrar indefinidamente", disse o político chinês em uma entrevista para a emissora chinesa CCTV após as negociações em Washington.

O vice-premiê insistiu que a China era contra o aumento de tarifas de comércio entre os países.

Nós acreditamos que [o aumento de tarifas] não é benéfico nem para os Estados Unidos nem para a China nem para ninguém. Ainda, isso não ajuda a resolver questões comerciais e econômicas", ressaltou Liu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019051013857327-china-eua-comercio-tarifas/

Nova espiral da guerra comercial sino-americana: após tarifas, Pequim promete retaliar

Notas yuan e dólares dos EUA são vistos em uma mesa em Yichang, província de Hubei, na China central em 14 de agosto de 2015
© AFP 2019 / STR

A partir de 10 de maio as tarifas norte-americanas sobre uma série de produtos chineses foram elevadas de 10% para 25%, em um valor de 200 bilhões de dólares. O especialista Pavel Kudryavtsev explica como o conflito comercial entre as duas maiores economias pode afetar a economia global.

As autoridades americanas decidiram aumentar as tarifas sobre uma série de produtos chineses no valor de 200 bilhões de dólares (R$ 890 bilhões) de 10% para 25%, incluindo produtos químicos, materiais de construção, mobiliário e alguns artigos eletrônicos. A medida entrou em vigor hoje (10).


O Ministério do Comércio da China sublinhou que "lamenta profundamente" o aumento das tarifas sobre as suas exportações e que não tem outro remédio senão tomar contramedidas a esse respeito.

"A China lamenta-o profundamente. Temos que tomar contramedidas necessárias", lê-se no comunicado do Ministério.

Ao mesmo tempo, o ministério expressou sua esperança de que ambos países trabalhem juntos para resolver os problemas existentes através da "cooperação e consultas".

É de assinalar que, há dez dias, Washington e Pequim anunciaram um “progresso significativo”, mas na quinta-feira (10) os EUA decidiram aumentar as tarifas em resposta à alegada violação de compromissos pela China.

"Desde 2017, a China e os EUA estão tentando resolver disputas econômicas, tendo desde então sido introduzidas diversas novas tarifas, bem como anunciados preparativos e fracassos das negociações. É evidente que notícias desse tipo sempre causam volatilidade nos mercados e discussões massivas", sublinhou o representante da Câmara de Comércio e Indústria da Rússia na Ásia Oriental, Pavel Kudryavtsev, acrescentando que não espera que o conflito possa levar a uma catástrofe econômica global.


Segundo Kudryavtsev, "na prática a cooperação econômica se baseia em laços comerciais e de investimentos de longo prazo e é bastante difícil os destruir".

Em meados de abril, a mídia informou que os EUA e a China planejavam realizar uma nova rodada de negociações e esperavam fechar um acordo comercial final no fim de maio ou no início de junho.

Pequim e Washington se envolveram em uma disputa comercial desde março de 2018 quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA imporiam tarifas de 25% sobre uma série de produtos chineses, em uma tentativa de reduzir o déficit comercial entre EUA e China. Desde então, os dois países adotaram uma série de tarifas protecionistas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019051013852332-nova-espiral-da-guerra-comercial-sino-americana-apos-tarifas-pequim-promete-retaliar/

Que papel pode desempenhar Portugal na iniciativa chinesa Nova Rota da Seda?

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, encerrou nesta quarta-feira (1º) uma visita à China, onde participou da segunda edição do Fórum "Faixa e Rota". Especialistas indicaram à Sputnik Brasil o que está por trás do interesse de Portugal em ser parceiro estratégico nesse plano global do governo chinês.

O relacionamento não é de hoje e 2019 marca duas datas importantes para Portugal e China. São 40 anos desde o estabelecimento de relações diplomáticas oficiais e 20 anos da transferência da região administrativa de Macau do governo português para o chinês. No último mês de dezembro, o presidente Xi Jinping esteve em Lisboa pela primeira vez. A agenda resultou na assinatura de 17 acordos de cooperação bilateral e na promessa de elevar a parceria entre os dois países para um novo patamar.


A viagem de Marcelo Rebelo de Sousa teve como pano de fundo a participação na segunda edição do Fórum "Faixa e Rota", programa do governo сhinês que pretende criar infraestruturas terrestres e marítimas para ampliar o fluxo de comércio da China com o mundo. No entanto, o presidente português também atuou como "garoto-propaganda" para atrair mais investimentos chineses.

"Esta oportunidade é magnífica para vos deixar duas mensagens. Uma é de agradecimento por terem apostado em Portugal em um momento de crise, que era um momento importante e difícil para a economia portuguesa. Estiveram presentes quando outros, que poderiam estar, não estiveram. A segunda palavra é virada para o futuro. Nós queremos que não fiquem por aqui. Queremos que, da vossa parte e da parte de outros investidores chineses, continue a haver a compreensão da importância de estarem presentes em Portugal", afirmou o presidente português durante um jantar com diretores das maiores empresas chinesas investidoras no país.

Para os especialistas, a estratégia é necessária. "Tem que ser feita uma política externa para mostrar aos chineses aquilo que eles não veem e que os pode interessar. Acho que essa visita se insere nessa lógica", analisa para a Sputnik Brasil o professor e presidente do Instituto do Oriente, unidade de pesquisa da Universidade de Lisboa, Nuno Canas Mendes.

"Chegou um momento em que a relação que Portugal tinha com a China estava condicionada pela questão de Macau, mas nesta fase em que o país está em uma outra posição no plano mundial, de grande destaque, a competir claramente com os gigantes, numa fase em que os Estados Unidos estão em conflito aberto com a própria China, Portugal deve se posicionar nesse jogo", complementa o professor.

Atualmente, Portugal concentra o segundo maior montante de investimentos chineses na União Europeia, atrás apenas da Finlândia. A entrada significativa de capital da China veio logo depois da crise de 2008, quando Portugal se viu obrigado a pedir um resgate financeiro à chamada Troika para sobreviver.


"A China aproveitou essa oportunidade para entrar de uma forma muito assertiva na economia portuguesa, com investimentos em áreas como aviação, saúde, setor financeiro, energia. Apesar dos receios de vários analistas, isto acabou por ser uma relação positiva para os dois. Portugal precisava de investimentos e a China tem uma estratégia geopolítica de longo prazo", avalia para a Sputnik Brasil a professora catedrática do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Carla Guapo Costa.

Faixa e Rota

Durante a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal e China assinaram um memorando de entendimento para o estabelecimento de um diálogo estratégico, confirmando a promessa de Xi Jinping de subir o patamar do relacionamento entre os dois países. "Essa abertura, no fundo, faz parte de uma abordagem global. A China percebe que Portugal tem uma posição interessante, porque, estando na Europa, pode abrir portas para outras partes", explica o professor Nuno Canas Mendes.

Uma das portas que Portugal pode facilitar para a China vai ser no âmbito do programa "Faixa e Rota", que reforça as infraestruturas terrestres e marítimas para ligar a região ocidental do país à Europa e ao oceano Índico. O programa também é conhecido como a "Nova Rota da Seda", alusão ao período histórico em que as trocas comerciais entre a Ásia, Mediterrâneo e África eram realizadas por caminhos desbravados por mercadores chineses.

A iniciativa foi lançada em 2013 e prevê o incremento de ferrovias e autoestradas, que vão cruzar a Rússia e a Ásia Central, e o estabelecimento de uma rede de portos no Mediterrâneo e na África. "A 'Faixa e Rota' nasce originalmente como forma de resolver uma série de problemas internos que a China atravessa. Apesar de ser a segunda maior economia do mundo, é a maior potência comercial do mundo, mas tem debilidades estruturais muito grandes. Por exemplo, a questão das disparidades regionais. Algumas regiões menos desenvolvidas são também atravessadas por tensões políticas e independentistas muito significativas. Portanto, 'Faixa e Rota' preenche aquela necessidade muito grande por parte de China de tentar disseminar os frutos do crescimento econômico por todo o seu território", avalia a professora Carla Guapo Costa.


A professora ressalta ainda a necessidade de a China querer diversificar o seu modelo econômico, internacionalizar a moeda e ter acesso a recursos naturais. No programa, um dos pontos de interesse em Portugal passa pela utilização dos portos. "O porto de Sines e o porto de Leixões geograficamente estão em uma posição favorável, ligando o Mediterrâneo e o Atlântico. Se conseguirmos construir, como está previsto, ligações ferroviárias desses portos com o interior da Espanha, serão um dos pontos de chegada da Nova Rota da Seda e depois de partida para outros destinos", analisa a professora.

O chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, declarou, durante o último dia da visita do presidente português, ter "plena confiança de que Portugal se tornará no eixo europeu desse projeto".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019050213794574-que-papel-pode-desempenhar-portugal-na-iniciativa-chinesa-nova-rota-da-seda/

BRI: UMA GEOESTRATÉGIA QUE UNE OU JOGADAS MAQUIAVÉLICAS?

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A algazarra da media no Ocidente, lacaia do poderio americano, não impede que o desenvolvimento pacífico entre nações (incluindo Portugal) ocorra, através das «Novas Rotas da Seda» (ou BRI = Belt and Road Initiative).
No momento da segunda cimeira da BRI, assiste-se a uma grande berraria, da parte dos que se consideram árbitros do mundo, sobre uma suposta armadilha da dívida, em que a China teria encerrado várias economias em desenvolvimento. Esta suposta «armadilha» da dívida, é apenas a fantasia maquiavélica, a projecção do que, realmente, o «Ocidente» fez. As suas políticas neo-coloniais, implementadas em grande escala, com a colaboração do FMI e Banco Mundial, têm levado a situações onde muitos países mais frágeis são vítimas de extorsão.   Agora, os países outrora sujeitos à exploração neo-colonial, têm oportunidades de desenvolvimento, através de acordos mutuamente vantajosos, com projectos de infra-estrutura que - por sua vez - permitirão o alargamento e diversificação do comércio e produção.
Se cerca de 120 países, com os mais diversos níveis económicos e regimes políticos, apostam nestas oportunidades, qual é o sentido de se dar ouvidos à campanha de «think-tanks» neo-conservadores, com base nos EUA ou nestes inspirados, que apenas se especializam em fazem «análises» destituídas objectividade?  - A China não está a fazer «ajuda», ao firmar acordos com outros países; está a fazer algo que corresponde a seu interesse também, obviamente. É de todo o interesse de ambas as partes, que os projectos sejam bem dimensionados, para que não existam situações de incumprimento, de falta de pagamento dos projectos acordados. Isto é normal em negócio.  Não existem cláusulas mais ou menos ocultas, de submissão a um dado modelo como, aliás, era vulgar nos acordos produzidos durante a era neo-colonial, entre ex-colónias e respectivas potências coloniais, principalmente em África.  Os «críticos» da BRI nem sequer o são, pois para se criticar, tem de se avaliar, com objectividade, os pontos fortes e os fracos. É realmente estranho «que não vejam» que existe uma grande diversidade de países a colaborar em projectos da BRI, desde a muito avançada e rica Suiça, até aos países deixados exaustos e abandonados, depois de séculos de rapina colonial e neo-colonial. 
Para mim e para qualquer pessoa com realismo, a dimensão e alargamento contínuo dos acordos firmados no âmbito da BRI é um sinal de sucesso. É evidente que os países e seus dirigentes sabem perfeitamente defender seus interesses e  aproveitam oportunidades.  Por contraste, como eu dizia em crónica anterior, os EUA apenas sabem ameaçar, coagir, exercer chantagem de toda a ordem e, sobretudo, intervir militarmente, destruindo vidas e infra-estruturas, deixando países em ruptura de tudo no rescaldo das suas aventuras bélicas. Que tal país, que se auto-classifica de «indispensável», se arrogue o papel de «avaliador» de projectos económicos de desenvolvimento... seria cómico, se não fosse acompanhado com o trágico espectáculo do rasto de caos que deixa por onde passa.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Portugal | Marcelo e Governo reforçam alinhamento com a China

Com uma representação do mais alto nível no Fórum da nova Rota da Seda, Portugal assume o interesse em atrair ainda mais investimento chinês. Independentemente das desconfianças diplomáticas de Bruxelas

Presidente da República chega esta sexta-feira a Pequim, com três membros do Governo, para uma visita que será uma afirmação política da vontade de alinhamento com a China, sinalizando a abertura de Portugal para mais e maiores investimentos chineses no nosso país.

Principal sinal disso mesmo é a presença e participação de Marcelo Rebelo de Sousa no 2.º Fórum da Iniciativa Faixa e Rota (Belt and Road Iniciative; BRI), o maior e mais ambicioso plano alguma vez delineado por Pequim para investimentos no estrangeiro, inspirado na velha Rota da Seda, que ligou (e quer voltar a ligar) a Ásia, a Europa e África.

Depois da participação no Fórum BRI, que junta chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países (e onde as estrelas são o anfitrião, Xi Jinping, e o Presidente russo, Vladimir Putin), Marcelo faz uma visita de Estado à China, que em quatro dias o levará, para além de Pequim, a Xangai e a Macau.


Este ano celebram-se duas décadas sobre a devolução de Macau à soberania chinesa, e passam quarenta anos sobre o reatar de relações diplomáticas entre os dois países. Apesar das relações bilaterais existirem há quinhentos anos (os primeiros navegadores portugueses chegaram à China em 1513), foram interrompidas durante o Estado Novo, e retomadas apenas em fevereiro de 1979, após o PREC. Uma decisão a que, então, o PCP se opôs fortemente, estando à época alinhado com Moscovo e em ruptura com o comunismo em versão maoista.

NOVO CONSENSO NACIONAL

Passados todos estes anos, a China tornou-se um improvável consenso nacional. O PCP tornou-se um dos maiores defensores do regime de Pequim, mas essa defesa tornou-se transversal, da esquerda à direita. Foi o Governo PSD-CDS que abriu caminho, nos anos da troika, aos fortes investimentos chineses em sectores estratégicos da economia nacional (da EDP à REN, passando pela banca, pelo sector dos seguros e da saúde, entre outros), uma atitude de abertura ao capital chinês que se mantém viva com o atual Governo, e a que Marcelo Rebelo de Sousa pretende dar o seu incentivo durante esta viagem, em que estará acompanhado dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do Ambiente e Transição Energética, Matos Fernandes, para além do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

O consenso português sobre a abertura ao reforço do capital chinês no nosso país contrasta com as dúvidas que a União Europeia, enquanto tal, tem levantado em relação a esta penetração de Pequim em sectores sensíveis da economia de Estados-membros da União. Resistências que tem sido lideradas sobretudo por Berlim e Paris, que não veem com bons olhos a aproximação de vinte países da UE à Belt and Road Iniciative. Porém, ao mesmo tempo que têm protagonizado um discurso centrado na importância da UE encontrar os seus próprios mecanismos de articulação com a China e a Ásia, em vez de ir atrás do plano lançado por Xi Jinping em 2013, Angela Merkel e François Macron tudo têm feito para captar capital chinês para os seus países - assim como todos os restantes Estados-membros, incluindo o que está de saída, Reino Unido.

PORTUGAL APRESENTA-SE COM O SUPREMO MAGISTRADO

Pelo meio destas subtilezas diplomáticas, a presença de Marcelo Rebelo de Sousa no segundo Fórum da BRI dá um sinal político inequívoco - apesar de Portugal não se ter associado formalmente ao projeto da Faixa e Rota, faz-se representar em Pequim pelo mais alto magistrado da Nação, o que não coincide com o seu estatuto de país com um mero memorando de cooperação, assinado apenas em dezembro, durante a visita de Xi a Lisboa e Porto.

Na União Europeia há dezassete países que são membros da BRI - essencialmente da Europa de Leste e Central, o que tem reforçado o caráter euro-asiático desta iniciativa. Outros três têm acordos de cooperação, como o que foi assinado por Portugal em dezembro, e por Espanha em novembro. Aliás, o primeiro-ministro espanhol era esperado em Pequim este fim-de-semana, plano que só não se concretizou porque o seu Governo caiu, havendo eleições em Espanha este domingo.

Foi na visita de Xi a Portugal, em dezembro, que este convidou o seu homólogo a estar presente no Fórum que decorre este sábado, o que Marcelo prontamente aceitou. De acordo com fontes diplomáticas portuguesas, Lisboa só não esteve representado a este nível no primeiro Fórum da Iniciativa Faixa e Rota, em 2017, porque coincidiu com as comemorações do 13 de maio, quando o Papá Francisco visitou Portugal.

Vários países da Europa de Leste fazem-se representar pelo presidente ou pelo primeiro-ministro, mas capitais como Paris e Madrid enviaram o ministro dos Negócios Estrangeiros, enquanto de Berlim chega o ministro da Economia.

Se a diplomacia se faz destes sinais protocolares, o sinal dado por Portugal é claro na aposta em associar-se à Nova Rota da Seda, que através de investimentos em infraestruturas e conectividade visa, entre outros objetivos, ligar Pequim a África e à Europa através de uma faixa terrestre de estradas e caminhos de ferro com investimento chinês, e de uma rota marítima passando por portos financiados ou explorados também por capitais oriundos da China. A hipótese de ficar em mãos chinesas o segundo terminal do Porto de Sines está em cima da mesa e não deixará de ser abordada nos contactos destes dias.

Marcelo falará na sessão de sábado à tarde, sobre a agenda de desenvolvimento verde e sustentável 2030, lançada pela ONU, e à qual a BRI se associou, fazendo da promoção da sustentabilidade ambiental uma das traves-mestras do seu programa (ou, na perspetiva dos mais céticos, usando a agenda verde como um slogan que ajuda a vender melhor a marca Belt and Road).

UMA VISITA DE ESTADO HABITUAL

Ainda antes da participação na cimeira Belt and Road - e da foto de família ao lado de chefes de Estado como Putin ou o moçambicano Filipe Nyusi, mas também de líderes de instituições internacionais, como António Guterres e Christine Lagarde - Marcelo Rebelo de Sousa visita esta sexta-feira a Grande Muralha da China. Será um arranque em grande para uma viagem inédita: Marcelo já conhece Macau, mas nunca esteve em Pequim ou em qualquer outra parte do território continental chinês.

O Presidente vai visitar também a Cidade Proibida, o outro grande bilhete postal da capital chinesa, e deverá ir ainda a um templo budista e dar um passeio pelo bairro boémio de Sa Li Tun, perto do hotel onde fica hospedado. Esta é a componente turística da visita; as que mais importam são as componentes política e económica.

Na vertente política haverá encontros bilaterais com o Presidente e o primeiro-ministro chineses, e na agenda económica, para além da BRI, constam encontros com os principais investidores chineses em Portugal, e com os maiores exportadores portugueses para a China. Em Xangai e Macau, será acentuada uma outra componente das relações bilaterais: a língua e a cultura.

No fundo, os ingredientes que se tornaram tradicionais nas relações entre os dois países. Desse ponto de vista, esta será uma visita de Estado habitual, se tivermos em conta que, desde que os dois países reataram relações diplomáticas, todos os Presidentes portugueses visitaram a China, e todos os chefes de Estado chineses estiveram em Portugal. E, agora que esta relação tem milhões de euros de investimento a dar-lhe cola (foram mais de dez mil milhões só desde os anos da troika), os dois países parecem mais próximos do que nunca.
Felipe Santos Costa, em Pequim | Expresso | Foto: How Hwee Young/EPA

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/portugal-marcelo-e-governo-reforcam.html

O NONO CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

25 de Abril de 1969. Terminava o 9º Congresso do Partido Comunista Chinês que viera a decorrer desde o princípio do mês. Haviam comparecido 1.512 delegados e as sessões haviam-se prolongado por mais de três semanas. Entre as decisões principais, havia sido eleito o Comité Central de 170 membros efectivos e 109 suplentes. Desses 279 membros, os sinólogos haviam encontrado apenas 53 nomes que haviam transitado do Comité Central precedente, que fora eleito em 1956. Esta renovação de 81% dos membros do mais importante órgão dirigente na China eram sintoma e consequência da Revolução Cultural iniciada em 1966. Na prosa bombástica tão característica do comunismo chinês, a declaração final do Congresso incluía uma passagem em que se assegurava que "O Exército (chinês) esmagará o imperialismo americano e o revisionismo soviético". Mas o discurso inaugural de Mao, o relatório apresentado por Lin Biao e a nova constituição do partido (aprovada por unanimidade dos 1.512 delegados), não haviam sido divulgados, abrindo caminho para as especulações dedutivas dos sinólogos ocidentais. Pelo que se observava, a ascendência de Lin Bao confirmava-se (nas imagens acima ele aparecia sentado à direita de Mao), mas também a perenidade da presença de Zhou Enlai (que está sentado no lado oposto). Mas a sinologia, especialmente se aplicada ao quem é quem nas estruturas do PC chinês era uma disciplina não apenas exigente, como também capaz de intimidar qualquer leigo: bastava pronunciar com desenvoltura o nome dos membros do Bando dos Quatro! E quem é que não se maravilhava perante aqueles que faziam a distinção cristalina entre Yao Wenyuan e Wang Hongwen?!

 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/04/o-nono-congresso-do-partido-comunista.html

China avisa sobre aumento de 'turbulência' com jogada dos EUA contra petróleo do Irã

Petroleiro no porto de Bandar Abbas, no sul do Irã (foto de arquivo)
© AFP 2019 / ATTA KENARE

O fim da isenção de sanções norte-americanas para compra de petróleo iraniano não agradou a grandes compradores do hidrocarboneto do Irã, dentre eles, a China.

Pequim criticou mais uma vez a decisão da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, de sancionar a importação do petróleo iraniano, alertando sobre a possibilidade de consequências para a segurança do Oriente Médio.

"A China se opõe firmemente à execução norte-americana de sanções unilaterais e à chamada jurisdição armada duradoura", afirmou o porta-voz do MRE chinês, Geng Shuang, a repórteres, na terça-feira (23).


"A jogada relevante dos Estados Unidos vai intensificar a turbulência no Oriente Médio e a turbulência no mercado energético internacional", reforçou o porta-voz chinês.

Mais interiormente nesta semana, Shuang declarou que a China faria o que for necessário para proteger seus interesses comerciais que poderiam ser afetados pela recente decisão norte-americana de isentar as sanções contra petróleo iraniano.

Na segunda (22), Washington anunciou que vai pôr fim, em maio, à isenção das sanções sobre a importação de petróleo proveniente do Irã.

A isenção foi dada por um prazo de 180 dias pelos EUA para os oito principais compradores – China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Turquia, Itália e Grécia, com o prazo terminado no dia 2 de maio.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019042413749724-china-avisa-aumento-turbulencia-jogada-eua-contra-petroleo/

China exibe crescente poder naval com maior parada militar marítima de sempre

Pequim, 22 abr 2019 (Lusa) - A China vai exibir, na terça-feira, o rápido crescimento do seu poderio naval, com a maior parada militar marítima da sua história, reforçando laços com os exércitos de países vizinhos e estimulando o patriotismo doméstico.

A parada, que marca o 70.º aniversário das forças navais do Exército de Libertação Popular, realiza-se nas águas de Qingdao, nordeste do país, e deve servir para apresentar o Destroyer 55, o mais recente contratorpedeiro de mísseis guiados a integrar as forças navais chinesas.

Depois de mais de duas décadas de sucessivos aumentos dos gastos militares, a China está a converter a sua marinha, até então limitada à defesa costeira, numa força capaz de patrulhar os mares próximos do país e de se aventurar no alto mar global.

Pequim considera este avanço crucial para proteger os seus interesses nacionais, mas suscita preocupação em Washington, que vê agora em causa a sua hegemonia militar no Pacífico, mantida desde a Segunda Guerra Mundial.


As forças navais do Exército de Libertação Popular querem "acelerar a construção de uma força naval compatível com o estatuto do país" e "capaz de responder às ameaças à segurança marítima e dissuadir e equilibrar forças com o principal adversário", lê-se num editorial assinado pelo vice-almirante Shen Jinlong e o vice-almirante e diretor político das forças navais chinesas, Qin Shengxiang.

Os responsáveis consideraram a construção de ilhas artificiais capazes de receber instalações militares no Mar do Sul da China - um avanço que aumentou as tensões com países vizinhos e os Estados Unidos - como um feito para as forças navais chinesas.

O mesmo editorial destaca ainda a retirada de cidadãos chineses durante o conflito no Iémen, em 2015, a conclusão, no ano passado, do Destroyer 55 - o primeiro porta-aviões de construção chinesa -, e o estabelecimento da primeira base militar do país além-fronteiras, em Djibuti, no Corno de África.

Segundo especialistas, o Destroyer 55 é a primeira embarcação de guerra da China que está ao nível do norte-americano Ticonderoga.

Com mais de 10.000 toneladas, a embarcação está dotada de 112 unidades com sistema de lançamento vertical (VLS, na sigla em inglês), usadas para disparar mísseis contra aviões adversários.

O país continua, ainda assim, a ter menos de um décimo do total de 8.720 unidades VLS que dotam a marinha norte-americana, embora as suas capacidades estejam a aumentar rapidamente.

Segundo o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, a frota de navios de guerra antiaérea dos EUA aumentou de 51 para 87, nos últimos 20 anos, enquanto a China passou de nenhum para 15.

Oficiais de mais de 60 países assistirão à parada militar de terça-feira, a maior de sempre do país, segundo a imprensa chinesa.

Quase metade dos países, alguns aliados dos Estados Unidos, vão enviar navios para participar do desfile.

Uma fragata de Singapura foi a primeira a chegar a Qingdao, na quinta-feira. As Filipinas e o Vietname, que reclamam territórios no Mar do Sul da China, trouxeram também embarcações militares.

O Japão, que abriga o maior número de bases militares norte-americanas próximas da China, participará com um contratorpedeiro, ilustrando o reaproximar entre Tóquio e Pequim.

Os EUA não enviarão qualquer navio.

Washington esteve representado pelo seu chefe de operações navais, no 60º aniversário das forças navais do Exército de Libertação Popular, em 2009, mas desta vez enviou apenas o adido de Defesa da embaixada em Pequim.

A decisão ilustra um declínio nos contactos entre os exércitos das duas potências, enquanto o Pentágono enfatiza a necessidade de conter a ascensão da China.

JPI // FPA // LUSA

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/china-exibe-crescente-poder-naval-com.html

Sabem o que é o BREXIT! E o BRI?

Com quase todas as atenções mediáticas centradas na questão do Brexit, pouco relevo mereceu a cimeira UE-China, que teve lugar na véspera do Conselho Europeu que votou uma nova prorrogação para a data de saída do Reino Unido.

A cimeira foi invariavelmente apresentada como uma iniciativa votada ao fracasso, mesmo após a Itália ter firmado acordos que poderão incluir os seus portos de Trieste e Génova na chamada Nova Rota da Seda – projecto chinês que também designam por Belt Road Iniciative (BRI) e prevê a construção de uma rede global de comércio através de infra-estruturas como caminhos-de-ferro, portos, auto-estradas e túneis ligando a Ásia, o Médio Oriente, a África e a Europa – no que parece ser um estratégico desenvolvimento geopolítico que dará à China a capacidade de possuir ou controlar os portos mais vitais da Ásia, da África, de grande parte da América Latina e agora, também, da UE.

A Nova Rota da Seda

A Nova Rota da Seda

Esta incursão chinesa tem merecido a oposição de Washington e de Bruxelas, especialmente do eixo Paris-Berlin, sob o argumento que aqueles acordos bilaterais Itália-China para o desenvolvimento de portos e infra-estruturas são contrários às estratégias de transporte da UE, embora a verdadeira razão deva estar no receio de uma possível transferência do comércio marítimo dos portos do norte da Europa (Hamburgo, Roterdão e Antuérpia) para o sul, onde a China, ao expandir a sua presença portuária da Grécia para a Itália, obtém potencialmente uma enorme vantagem de infra-estrutura comercial em termos de comércio com a UE através do sul da Europa.

Recorde-se que em 2016 e aproveitando a frágil situação financeira da Grécia, a empresa chinesa China Ocean Shipping Company (COSCO que é a quarta maior empresa de transporte de contentores do mundo e a segunda maior operadora de portos) comprou o porto de Pireu, como parte do plano da Rota da Seda Marítima. O acordo então firmado incluiu a construção de um novo cais, equipado com novos guindastes o que aumentou substancialmente o tráfego anual de contentores, pois desde 2009 que o volume de carga do terminal de contentores do Pireu aumentou cinco vezes e triplicou a actividade comercial geral.

Há anos que a China está a investir discretamente em portos importantes em todo o mundo como parte de sua vasta estratégia de infraestruturas a ponto de, segundo dados do Ministério dos Transportes da China, as empresas chinesas terem participado da construção e operação de um total de 42 portos em 34 países. Foi assim que além dos substanciais investimentos no porto grego de Pireu, a COSCO se tornou em 2018 num grande investidor no segundo maior porto belga de contentores (Zeebrugge que é o segundo maior porto de contentores depois de Antuérpia, o sexto na região do Canal do Mar do Norte e o principal porto europeu para o transporte de automóveis).

Desde o anúncio oficial do BRI que a China tem investido em projectos portuários em toda a África, da Tanzânia à África do Sul e a Marrocos, mas a pedra angular é o seu investimento no Canal de Suez (a China é o principal investidor na Zona Conjunta de Cooperação Económica e Comercial China-Egipto, no Suez), que pretenderá converter na sua passagem estratégica via Oceano Índico e Mar Vermelho para o Mediterrâneo e para os mercados da UE.

A China já tem hoje sete dos maiores portos de contentores do mundo, todos modernizados e com automação de ponta, sendo o porto de Xangai o maior do mundo em volume, muito maior que Roterdão, Antuérpia ou Hamburgo; é que enquanto as redes ferroviárias de alta velocidade capturam a imaginação em torno das ligações terrestres entre a China e a Eurásia (como previsto no projecto BRI), o transporte marítimo é de longe o mais importante para o comércio da China, pois na actualidade cerca de 90% de todo o comércio mundial é feito por via marítima.

A reacção da Comissão Europeia perante este claro interesse chinês parece estar sintetizada num documento que intitulou “UE-China – Uma visão estratégica”, onde entre outros pontos afirma que a:

«China é simultaneamente, em diferentes domínios de intervenção, um parceiro de cooperação com o qual a UE tem objectivos estreitamente alinhados, um parceiro de negociação com o qual a UE tem de encontrar um equilíbrio de interesses, um rival económico na corrida para a liderança tecnológica e um adversário sistémico que promove modelos alternativos de governação»

E assinala a primeira vez que a UE classificou a China como um “rival sistémico”.

Nele se recomenda ainda um reforço da OMC para forçar a China a eliminar os subsídios da indústria estatal, o desenvolvimento de uma política industrial europeia que permita às empresas da UE competirem melhor com as grandes empresas estatais da China, quando já é sabido que a Alemanha, numa clara inversão da sua política comercial desde o pós-guerra e após uma empresa estatal chinesa ter comprado o fabricante de máquinas-ferramentas automáticas Kuka e um dos principais fornecedores mundiais de robótica e pioneiro na Indústria 4.0, planeia agora introduzir novas leis que possam bloquear a aquisição por estrangeiros de empresas consideradas estratégicas.

Embora a China apenas seja o segundo maior parceiro comercial da UE, as transacções diárias ultrapassam os mil milhões de euros mas já começam a ficar distantes os tempos em que a indústria alemã exportava carros de qualidade e máquinas-ferramenta em troca de têxteis de massa e bens de consumo baratos de produção chinesa, pois agora já há empresas chinesas a concorrer directamente no sector automóvel (como é o caso da chinesa Geely que além de proprietária da Volvo é a maior accionista do grupo Mercedes-Daimler) e até no sector químico, onde a empresa estatal chinesa ChemChina comprou em 2016 a Swiss Syngenta, um peso-pesado no “negócio” das sementes patenteadas e dos OGM.

União Europeia e a China

Por estas e outras razões, a França e a Alemanha têm resistido até agora a qualquer cooperação formal da UE com a Nova Rota da Seda enquanto pressionam outros membros da UE, como a Itália, a não fazer acordos bilaterais com a China, como se a realidade europeia não fosse em grande parte disfuncional em termos de estratégia industrial moderna.

O quadro que mostra a UE e a China como parceiros comerciais estratégicos não inviabiliza a situação onde uma e outra realidade são confirmadas quer pelo teor das conclusões da Cimeira UE-China, onde a China terá assumido o compromisso de abrir o seu mercado interno a investidores europeus, quer pelas reuniões em seguida mantidas com vários países da região dos Balcãs, bem reveladoras de quanto aquele país tem uma arreigada convicção da vulnerabilidade da Europa e quer aproveitar as profundas divergências estratégicas que há muito a dividem.


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/sabem-o-que-e-o-brexit-e-o-bri-nova-rota-da-china/

Nova Rota da Seda: 17 países árabes se unem à iniciativa comercial da China

Workers install wires on a 'Golden Bridge of Silk Road' structure on a platform outside the National Convention Center, the venue which will hold the Belt and Road Forum for International Cooperation, in Beijing
© AP Photo / Andy Wong

A China assinou acordos de cooperação com a Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (BRI, na sigla em inglês), com 17 países árabes, informou a agência estatal de notícias Xinhua, citando os resultados de um fórum sino-árabe.

O 2º Fórum China-Árabe sobre Reforma e Desenvolvimento, realizado em Xangai na última terça-feira, atraiu mais de 100 empresários, políticos e acadêmicos da China e de países árabes, incluindo Egito, Líbano, Djibuti e Omã.


A reunião deste ano, apelidada de "Construir o cinturão e a rota, o desenvolvimento de ações e a prosperidade", foi dedicada a impulsionar o projeto, também conhecido como Nova Rota da Seda.

Os países árabes demonstraram grande interesse na cooperação com Pequim. Além de ingressar na iniciativa, 12 Estados árabes estabeleceram parcerias estratégicas, incluindo abrangentes, com a China.

"Os representantes árabes disseram que a cooperação da BRI com a China traz imensas oportunidades para os países árabes avançarem na reforma e acelerarem o crescimento", declarou o porta-voz da chancelaria chinesa, Lu Kang, a jornalistas em entrevista coletiva na quarta-feira.

A cooperação sino-árabe no projeto deve receber outro "forte impulso", já que muitos líderes árabes devem participar do segundo Fórum de Cooperação Internacional, que será realizado em Pequim no final deste mês, segundo o diplomata.

A China é o segundo maior parceiro comercial do mundo árabe, com volume de negócios de US$ 190 bilhões a partir de 2017, de acordo com o secretário-geral adjunto da Liga Árabe, Khalil Thawadi, citado pelo jornal Jordan Times. O funcionário observou que 21 Estados árabes assinaram memorandos de entendimento sobre a nova Rota da Seda em 2018.

O ambicioso projeto de infraestrutura comercial global da China está se expandindo globalmente. Esta semana, a Suíça mostrou sua intenção de se inscrever para a BRI. Em março, a Itália enfrentou críticas de seus aliados europeus ao se tornar oficialmente a primeira nação do G7 a aderir à iniciativa.

Pouco depois, o Luxemburgo assinou um memorando de entendimento sobre a participação no projeto. Os memorandos de entendimento também foram assinados pela Grécia e Portugal em agosto e dezembro do ano passado, respectivamente.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019041813708653-arabes-rota-seda-china/

O Banco Mundial e o modelo de crescimento da China

David Malpass, o novo presidente da instituição, apontou a China como responsável pela elevada dívida mundial. Esqueceu ter sido a China a  sustentar a economia mundial após a recessão de 2007/2008.
António Abreu | AbrilAbril | opinião
Em entrevista a Sara Eisen, da cadeia televisiva norte-americana CNBC, o novo presidente do Banco Mundial(World Bank Group), David Malpass, advertiu que há muita dívida no mundo e que a culpa disso é da China e não dos EUA.

«Existem desafios, que o mundo enfrenta, em termos de como ter projectos transparentes e de alta qualidade, onde a dívida seja transparente. A China moveu-se tão rapidamente que em algumas partes do mundo existe muita dívida», afirmou Malpass naquela que foi a sua primeira entrevista após ter entrado em funções. «Isso é algo que podemos trabalhar com a China», acrescentou.

A China, de facto, emprestou milhões de milhões de dólares a outros países, incluindo aos EUA. Desde Janeiro de 2019 aChina é detentora de USD 1,12 milhões de milhões em títulos do Tesouro dos EUA, segundo dados do Departamento do Tesouro deste país.


Malpass tem criticado os esforços de empréstimos da China para financiar a infra-estrutura «Cinturão e Rota» (mais conhecida na sua versão inglesa, Belt and Road)1 de sua iniciativa. No ano passado, disse que esses empréstimos deixam os países mais fracos com «uma dívida excessiva e projectos de baixa qualidade». Agora referiu que a China está disposta a reduzir esses esforços, observando: «Eles [os chineses] querem ter um melhor relacionamento com os outros países e fazer parte do sistema mundial. Espero ter sucesso [nas negociações com os chineses] e ter um bom relacionamento com a China»2.

Malpass também criticou a China por obter empréstimos de baixo custo do Banco Mundial, apesar de ser a segunda maior economia do mundo e superar o limite do banco para empréstimos de baixo custo, em 2016.

«A China reconhece que o seu papel como destinatário de empréstimos no banco precisa diminuir», disse Malpass. Mas também reconheceu que os empréstimos do Banco Mundial à China já têm vindo a diminuir, acrescentando esperar que isso continue a acontecer nos próximos três anos.

David Malpass foi eleito para o cargo na sexta-feira, dia 5 de Abril, por unanimidade, depois de o seu nome ter sido proposto para o cargo por Donald Trump. Antes de ingressar no Banco Mundial, era subsecretário de assuntos internacionais do Departamento do Tesouro dos EUA no governo de Trump e já exercera funções nos governos de Ronald Reagan e George w. Bush3.

É evidente a distorção dos factos na declaração de Malpass anterior à referida entrevista à CNBC. É conhecido o papel que a China teve no salvamento do sistema financeiro mundial depois da crise iniciada em 2006/2007, que ainda hoje se repercute à escala universal. Quando se referia a «projectos de baixa qualidade» referia-se a quê? Às infra-estruturas de muitos países dos continentes mais pobres, mais vitimados por guerras, que são, na realidade, veículo para o desenvolvimento – que é a mais sólida condição para a existência, neles, da paz? Serão os projectos de investimento e outras formas de cooperação económica já estabelecidas com muitos países, mais desenvolvidos ou menos, como os anunciados recentemente com a Croácia, a Sérvia, a Eslováquia, a Eslovénia, o Japão, a Bulgária e a Albânia?…
A nova política económica da China

Na China estão a decorrer encontros em que legisladores nacionais e consultores políticos estão a rever e a discutir medidas específicas para um crescimento mais estável e verde da economia chinesa.

É conhecido que a economia chinesa tem vindo a efectuar uma transição de uma fase de crescimento rápido para um patamar de crescimento de qualidade e está a transformar o modelo de crescimento, a melhorar a estrutura económica e a promover novos catalisadores de crescimento.

«Este é um momento crucial para transformar o nosso modelo de crescimento, melhorar a nossa estrutura económica e promover novos catalisadores de crescimento», afirma a China.

Estas discussões em curso precisarão o que significa o novo padrão para o crescimento da China e do mundo, definido em termos gerais pelo Partido Comunista Chinês (PCC), e como devem os negócios globais e os investidores prever e tomar medidas quanto às alterações na economia mundial.

Os números relativos ao crescimento foram estáveis durante os últimos cinco anos, acompanhando a ênfase na qualidade e na tolerância ao abrandamento do crescimento do PIB.

Os economistas prevêem que a China mantenha o seu crescimento próximo dos 6.5% este ano, fruto dos esforços em melhorar a qualidade e a performance da sua economia. De facto, algumas autoridades provinciais suavizaram as suas metas neste âmbito, durante as sessões locais realizadas em Janeiro.

Embora a China tenha vindo a abandonar a sua expansão desenfreada, o país continuará assumindo o seu compromisso de estabilizador da economia global. Dados do Banco Mundial revelam que a China contribuiu em 34% para o crescimento mundial entre 2012 e 2016, mais do que os EUA, a União Europeia (UE) e o Japão juntos.

Na China, o consumo superou o investimento como principal motor de desenvolvimento económico.

Juntamente com outras políticas económicas referidas pelo governo, a meta anual de crescimento está sujeita à aprovação do topo da legislatura que, juntamente com o principal órgão consultivo, desempenha uma parte importante na formulação de políticas nacionais, da empregabilidade ao ambiente.

O livre comércio é outro dos tópicos em discussão, acompanhando a tendência de desenvolvimento de qualidade da China, a qual estará na base da criação de um enorme mercado de consumo e sua respectiva procura de produtos do resto do mundo.

Detentora da primeira zona de livre comércio do país, Shanghai está na vanguarda do comércio internacional, procurando ainda mais oportunidades. Shanghai prepara-se para impulsionar a sua zona de comércio livre, para atingir padrões internacionais de alto nível, e para apresentar medidas para desenvolver o «porto de comércio livre», com medidas mínimas de controlo comercial.

O Ministério do Comércio chinês previu também, em Novembro de 2018, que a China iria importar mais de 10 milhões de milhões de dólares em bens e serviços durante os próximos cinco anos.

À sombra da explosão das importações chinesas, cresceu a classe média do país que, com uma população de cerca de 300 milhões de pessoas, perfaz 30% do total mundial. A sua influência tem-se reflectido na sua crescente preponderância em comandar o crescimento e o comércio.

A China deverá dar continuidade à abolição de tarifas em produtos como automóveis. No ano passado foram eliminados impostos aduaneiros em 187 produtos, com uma descida média de 17.3% para 7.7%.

Os analistas preconizam medidas mais específicas para alargar o acesso ao mercado a negócios internacionais. Durante o encontro do Fórum Económico Mundial, a China irá suscitar medidas para garantir uma maior abertura financeira, das indústrias transformadoras e do sector de serviços da China, reforçando a protecção da propriedade intelectual.

A lista que determina os sectores onde a participação estrangeira é proibida ou limitada tornar-se-á mais reduzida. As empresas estrangeiras continuarão a receber um tratamento igualitário, com os seus interesses adequadamente salvaguardados. A iniciativa do Cinturão e Rota será impulsionada, mantendo o seu foco na cooperação industrial internacional.

O investimento directo estrangeiro na parte continental da China atingiu o maior valor de sempre, com 878 mil milhões de yuan apurados no ano passado, o que contrasta com a tendência de quebra global. Um total de 35 652 negócios internacionais foram estabelecidos no país.

O banco central da China anunciou há dias a abolição de regulamentos antigos, de modo a agilizar manobras de negócios estrangeiros no país. Por seu turno, um regulador bancário anunciou também medidas, nesses dias, para facilitar a operação de empresas estrangeiras na China.

Notas:
1. O nome original da infraestrutura era «Um Cinturão e Uma Rota» (One Belt One Road na versão inglesa) mas a China decidiu actualizar o nome por entender que a actual designação de «Cinturão e Rota» (Belt and Road) exprime melhor a intenção do projecto, segundo informa a Wikipédia na sua versão em português e em inglês, em ambas as versões remetendo para uma versão de arquivo do artigo original no portal do Instituto Letão de Negócios Estrangeiros (Latvian Institute of Foreign Affairs), instituição que mantém uma página especial destinada à Nova Rota da Seda» (New Silk Road) – o outro nome pelo qual é conhecida a iniciativa chinesa. O leitor poderá ter interesse em consultar o portal criado pelo governo da República Popular da China (RPC) sobre a iniciativa e aí conhecer informações detalhadas sobre o projecto e os desenvolvimentos relacionados com as Rotas da Seda do Século XXI. O portal Belt and Road apresenta informação original em chinês e traduções chinesas para línguas estrangeiras.


3. David Robert Malpass (1956) foi um dos principais economistas do Bear Stearns nos seis anos que precederam o colapso deste em 2008, na grande crise financeira. O banco Bear Sterns era conhecido pelos seus investimentos especulativos e de alto risco. Depois de o banco se ter afundado e ter sido vendido por 6% do seu valor à J. P. Morgan dedicou-se à política e ao comentário político. Membro do Partido Republicano, faz parte de diversos think tanks conservadores, entre os quais o Manhattan Institute for Policy Research, fundado pelo director da CIA William J. Casey. Curiosamente, David Malpass, depois de um bacharelato em Física, cursou a Escola de Negócios Estrangeiros da Universidade de Georgetown – um curso e uma escola muito frequentes nas biografias dos membros da intelligence community norte-americana. Como comentador, as suas previsões económicas foram consideradas um modelo de «enviesamento partidário». A Bloombergconsiderou-o «um campeão do proteccionismo». Em Outubro de 2018 considerou que «os governos orientados para o mercado» devem estar alerta contra «os desafios do sistema económico chinês», incluindo os seus «bancos estatais e agências de exportação de créditos».

Imagens:1 - David Malpass foi designado por Donald Trump representante dos EUA no Banco Mundial e publicamente proposto para a presidência do mesmo, na Casa Branca, Washington, 6 de Fevreiro de 2019. Dois meses depois, a 5 de Abril de 2019, foi eleito para a presidência do Banco Mundial.CréditosEPA/JIM LO SCALZO / LUSA; 2 - As Rotas da Seda do século XXI. Mapa tendo a vermelho a China, a laranja os membros do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e as seis rotas físicas, em preto (terrestres) e azul (marítimas). CréditosLommes / Wikipedia commons

 

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Guerra comercial entre EUA e China pode estar chegando ao fim

Bandeiras chinesas e norte-americanas
© AP Photo / Ng Han Guan, Pool

Estados Unidos e China planejam realizar uma nova rodada de negociações ainda este mês e esperam fechar um acordo no final de maio ou no início de junho, informou a imprensa dos EUA nesta quarta-feira.

Os dois lados criaram um cronograma de reuniões que esperam concluir com uma cerimônia formal de assinatura em 27 de maio, informou o The Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com o assunto.


O plano é que o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, viaje a Pequim na semana de 29 de abril, antes da visita do vice-primeiro-ministro da China, Liu He, a Washington em 6 de maio.

As negociações visam refinar a redação de um acordo comercial final que seria assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo presidente chinês, Xi Jinping.

O jornal observou, no entanto, que as autoridades americanas e chinesas já haviam perdido os próprios prazos para a conclusão de um acordo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em 4 de abril, após se reunir com Liu He na Casa Branca, disse que esperava fechar um acordo comercial com a China dentro de quatro semanas.

Pequim e Washington se envolveram em uma disputa comercial desde junho, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA imporiam tarifas de 25 por cento sobre produtos chineses, no valor de US $ 50 bilhões, numa tentativa de reduzir o déficit comercial entre EUA e China. Desde então, os dois países adotaram uma série de tarifas protecionistas e conduzem uma verdadeira "guerra comercial" que, aparentemente, pode estar chegando ao fim.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019041713703998-guerra-comercial-eua-china-fim/

China está prestes a revolucionar energia termonuclear?

Construção de uma usina nuclear na China
© AP Photo / Tan Jin

O gigante asiático está tentando conseguir a liderança no âmbito da energia termonuclear, o que é claramente indicado pelos últimos avanços do país na área.

Cientistas de todo o mundo buscam efetuar a síntese termonuclear controlada, ou seja, tentam fundir dois núcleos de hidrogênio em um de hélio, e assim imitar as reações que ocorrem no Sol para conseguir uma fonte de energia inesgotável e ecologicamente limpa. O principal problema com que os físicos vêm lidando agora radica em que os núcleos atômicos possuem cargas positivas, portanto, é muito difícil os fundir, escreveu a jornalista Tatiana Pichugina em seu artigo para a Sputnik.


"Para conseguir a fusão é preciso superar a barreira de Coulomb, que por sua vez exige uma grande quantidade de energia e calor", apontou.

Por agora, os cientistas sabem como é possível reaquecer os isótopos de hidrogênio (deutério e trítio) até uma temperatura de milhões de graus. Porém, o plasma que se forma durante o aquecimento geralmente não é estável e acaba se esfriando em questão de segundos.

"Este tempo é insuficiente para que comece uma reação estável de síntese termonuclear", indicou a jornalista.

Porém, nos últimos dois anos, os cientistas chineses conseguiram marcar recordes tanto no tempo, como na temperatura de contenção do plasma no reator termonuclear EAST. Além disso, a China começou a construir instalações para a nova câmara toroidal com bobinas magnéticas CFETR.


O EAST é uma câmara toroidal com bobinas magnéticas fabricada a partir de um projeto soviético e construído na cidade chinesa de Hefei. A jornalista frisou que os cientistas chineses não apenas conseguiam esquentar o plasma no EAST até uma temperatura que supera várias vezes a do Sol, mas também o mantiveram neste estado durante 101,2 segundos.

"Por enquanto este tempo é o recorde mundial", enfatizou a autora do artigo.

Os pesquisadores chineses também provaram a eficácia do desviador de tungstênio com sistema de esfriamento por água, um dispositivo especial que se instala na parede do reator e ajuda a estabilizar o plasma, lê-se no artigo publicado no portal lOP Science.


Este e outros experimentos realizados no EAST ajudarão os cientistas chineses a criarem o CFETR, opinou a jornalista.

A construção do CFETR deve começar em 2021 e terminar em 2035. Acredita-se que o aparelho produza milhares de megawatts de energia, o dobro da capacidade do Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER, sigla em inglês), que está sendo construído na França.

Além disso, Pequim pretende realizar uma prova de funcionamento do CFETR antes de os cientistas europeus começarem a construção do primeiro reator termonuclear comercial do mundo, denominado DEMO.

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O assombroso enigma da economia chinesa

O assombroso enigma da economia chinesa
Diante da crise, e ao contrário do Ocidente, país faz imensos investimentos em infra-estrutura e no consumo interno. Consolidará capitalismo de Estado? Talvez – mas de nada serve examinar sua experiência com as lentes do preconceito
Zhang Jun | Outras Palavras | Tradução: Felipe Calabrez
Para o Ocidente, o ano de 2008 marcou o início de um difícil período de crise, recessão e recuperação desigual. Para a China, 2008 também foi um importante ponto de inflexão, mas seguido por uma década de progresso rápido que poucos poderiam ter previsto.

É claro: quando o banco de investimento norte-americano Lehman Brothers entrou em colapso, desencadeando uma crise financeira global, os líderes chineses ficaram profundamente preocupados. Suas preocupações foram agravadas por desastres naturais — incluindo fortes nevascas e tempestades de neve no sul, em janeiro de 2008, e o devastador terremoto de Sichuan, cinco meses depois, que matou 70 mil chineses – assim como revoltas no Tibet.

No começo, os temores da China pareciam estar se tornando realidade. Apesar de sediar uma impressionante Olimpíada em Pequim, em agosto daquele ano, seu mercado de ações despencou de um recorde de 6.124 pontos para 1.664, em outubro de 2008, em uma queda assombrosa.


Mas as autoridades chinesas continuaram dedicadas a seu plano de longo prazo de rever o modelo de crescimento do país, afastando-se de uma ênfase nas  exportações e adotando um projeto pautado pelo consumo interno. Na verdade a crise econômica global serviu para fortalecer esse compromisso, ao ressaltar os riscos da dependência chinesa da demanda externa.

Esse compromisso valeu a pena. Na última década, muitos milhões de chineses somaram-se à classe média, que agora reúne de 200 a300 milhões de pessoas. Com um patrimônio líquido médio de 139 mil dólares per capita, o poder de compra total desse grupo pode chegar a 28 trilhões de dólares, comparado a 16,8 trilhões nos Estados Unidos e 9,7 trilhões no Japão. A classe média da China já exerce esse poder. A China respondeu por 70% das compras globais de luxo anualmente na última década. Embora a propriedade de carros per capita seja cerca de metade da média global, desde 2008, os chineses têm sido seguidamente os principais compradores de automóveis do mundo, superando os norte-americanos. Em 2018, mais de 150 milhões de chineses viajaram ao exterior.

Para as autoridades chinesas, fomentar o surgimento de uma classe média tão formidável foi uma oportunidade estratégica crucial. Como Liu He, o principal assessor econômico do presidente chinês, Xi Jinping, escreveu em 2013, a meta da China, antes da crise, era tornar-se um centro de produção global; alcançar o objetivo atrairia capital internacional e conhecimento. Depois de 2008, os imperativos estratégicos da China mudaram para a redução do risco da dívida e o impulsionamento da demanda agregada. Ao mesmo tempo, adotaram-se estímulos econômicos maciços para estimular o consumo e o investimento doméstico, diminuindo assim a vulnerabilidade do país a choques externos.

Como parte dessa iniciativa, a China buscou realizar investimentos de larga escala em infraestrutura, como a construção de quase 30 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade. O aumento da mobilidade — somente no ano passado, a rede ferroviária transportou quase dois bilhões de passageiros — facilitou muito os laços econômicos regionais, impulsionou a urbanização e aumentou substancialmente o consumo.

Graças a esses esforços — juntamente com fusões e aquisições de empresas estrangeiras, para adquirir tecnologias-chave, e investimentos lucrativos em infra-estrutura nas economias desenvolvidas — a economia chinesa quase triplicou em tamanho entre 2008 e 2018. O PIB chegou a 13,6 trilhões de dólares. Em 2008, era 50% menor do que o do Japão; em 2016, 2,3 vezes maior.

Sim, desafios difíceis surgiram. Os valores da terra e da moradia subiram, com os preços dos imóveis urbanos subindo tão rápido que muitos temeram uma bolha. O crescimento do crédito gerou mais riscos. No geral, no entanto, as políticas expansionistas deram suporte ao rápido surgimento da China como uma potência econômica global.

Mas os líderes da China não planejaram uma característica crucial desse padrão de crescimento, e que também não foi pensada pela sua política industrial. As indústrias inovadoras focadas no consumo, que mal existiam em 2008, estão impulsionando cada vez mais a economia chinesa hoje.

A China é agora líder global em comércio eletrônico e pagamentos móveis. Em 2018, os pagamentos móveis na China totalizaram 24 trilhões de dólares — 160 vezes mais que nos EUA. Os bancos estatais e as empresas petroquímicas, que eram as principais firmas chinesas em 2008, foram superadas pelo e-commerce e pelos gigantes da internet Alibaba e Tencent. Empresas de Internet e tecnologia estão criando dezenas de milhões de empregos por ano.

Enquanto isso, o desempenho do setor manufatureiro — há muito tempo o principal motor do desenvolvimento da China e ainda o maior empregador do país — enfraqueceu, prejudicado em parte pelo rápido crescimento dos salários. O resultado foi uma mudança fundamental na composição estrutural da economia chinesa.

No entanto, em vez de examinar essa mudança — que não é captada em medidas tradicionais do PIB –, muitos economistas concentraram-se em tentar criar buracos na narrativa de crescimento da China. Um estudo recente da Brookings Institution, por exemplo, estima que a economia do país é cerca de 12% menor do que os números oficiais indicam.

Essa atitude é contraproducente. As mudanças que a economia chinesa sofreu na última década são amplas, sem precedentes e essenciais. Seria mais proveitoso para o mundo que houvesse um esforço para compreender tais mudanças, em vez da tentativa de provar que as conquistas do país são menos impressionantes do que demonstra a realidade.

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Rivalidades eurochinesas com os norte-americanos à espreita

Dia de cimeira entre a União Europeia e a China com a primeira a tentar que a segunda se porte de forma mais assertiva na partilha do mercado global. E, julgando ser trunfo importante para colocar o oponente na defensiva, os negociadores de Bruxelas avançam com a questão dos direitos humanos. Não excluindo tratar-se de assunto com alguma importância fica sempre a questão de saber porque não a colocam, igualmente, na mesa, quando do outro lado estão os norte-americanos. É que, quanto a liberdade e democracia, as diferenças não serão significativas.
É verdade que os filiados no Partido Comunista Chinês têm maioritário assento na Assembleia do Povo em Pequim. Mas sobra alguma dúvida quanto ao facto de, no Senado, ou na Câmara dos Representantes, só terem assento os representantes e lobistas da classe mais endinheirada, ali não havendo espaço para os que provém das mais desfavorecidas. E quanto à liberdade de expressão, se na China só se lê, vê ou ouve o que a censura do regime permite, nos States o mesmo sucede relativamente ao que os patrões da imprensa toleram.
Sim, os chineses vivem sob um regime em que existe a pena de morte. Mas não é o que sucede com os norte-americanos? E quanto a presos políticos, haverá muita diferença entre os que estão nos cárceres do capitalismo de Estado chinês, e os muitos milhares, na maioria negros ou hispânicos, que se acumulam na superpotência rival?
Por essas e por outras é que considero intolerável hipocrisia o discurso europeu sobre os Direitos Humanos. Até porque, em seu torno, possibilitou a prevalência imperialista norte-americana nas décadas mais recentes, que reduziram os europeus a seus obsequiosos satélites.
Nesta fase histórica tenho sérias dúvidas que o capitalismo chinês seja mais venal do que o norte-americano. É que o passado sempre nos mostrou que os Impérios, quando em ascensão, são capazes de maior assertividade para com os que tentam colonizar, do que os decadentes, fadados para incrementarem a violência desesperada dos que não se conformam com a irrelevância para que tendem. Ora o pior, que pode suceder-nos, ou aos nosso filhos e netos, é que o continente europeu volte a incendiar-se em descontrolada guerra. Sobretudo porque implicaria o recurso a apocalíticas armas nucleares...

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/04/rivalidades-eurochinesas-com-os-norte.html

Quem pode satisfazer os ambiciosos planos chineses na área do gás natural?

Reservas de gás na China
© Sputnik / Evgeny Odinokov

A presidente do conselho de administração da Beijing Gas Group, Yalan Li, prevê que a demanda de gás natural na China aumente 14% neste ano.

O crescimento da demanda de gás na China está relacionado com os planos do governo chinês de limitar a utilização do carvão e de passar para fontes de energia limpa, a fim de melhorar a situação ecológica do país.

As autoridades chinesas esperam que a potência total das centrais elétricas que utilizam o carvão não supere os 1.100 gigawatts em 2020.


Atualmente, a cota-parte do carvão no balanço energético do país constitui cerca de 70%, no entanto, a Agência Internacional de Energia prevê que esta percentagem diminua para cerca de 50% nos próximos 20 anos.

Segundo Yalan Li, atualmente, a utilização de gás é mais benéfica para os consumidores. Recentemente, o governo chinês reduziu o imposto sobre o valor agregado para apoiar o desenvolvimento da economia.

Com isso, é esperado que os preços do combustível azul sejam reduzidos para os usuários industriais e comerciais. Desta forma, o crescimento da demanda de gás no país será estável futuramente.

Conforme o prognóstico da S&P Global Platts, as compras de gás por parte da China aumentarão em 150 bilhões de metros cúbicos em 2025.

Por sua vez, a Rússia está disposta a satisfazer as crescentes necessidades do país asiático, ressaltando que a China irá em breve passar a usar o combustível do gasoduto Sila Sibiri (Poder da Sibéria).

O presidente da Gazprom, Aleksei Miller, declarou que o abastecimento de gás na China através deste gasoduto começará no dia 1° de dezembro de 2019, ou seja, antes do previsto.

O diretor do Centro de Investigações da Rússia e Ásia Central da Universidade de Petróleo da China, Pan Changwei, considera que, no primeiro ano, o volume de abastecimento chegará aos 5 bilhões de metros cúbicos e, em cinco anos, deverá atingir 30 bilhões de metros cúbicos.


Além disso, em breve as partes começarão a negociar a construção do gasoduto Altai, que poderá fornecer um volume de 60 bilhões de metros cúbicos de gás em 2030.

"O projeto Yamal SPG está sendo realizado. Nós incrementamos as importações de gás natural liquefeito. Adquirimos também gás encanado da Ásia Central. Em longo prazo, nos próximos 25 anos, daremos maior preferência ao gás encanado, fazendo com que seus abastecimentos sejam estáveis. No entanto, posteriormente, a China terá de mudar a estrutura de consumo de recursos energéticos e utilizar fontes de energia limpas. […] Em curto prazo, o crescimento da demanda de 14 ou 15% poderá ser coberto com a ajuda de importações de GNL", afirmou o especialista.

A fábrica de liquefação de gás Yamal SPG, situada no norte da Sibéria, conta com uma potência total de 16,5 milhões de toneladas anuais. Os principais acionistas da Yamal SPG são a empresa russa Novatek com 50,1% das ações, a francesa Total com 20%, a chinesa CNPC com 20% e o Fundo da Rota da Seda com 9,9%.

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Os EUA inventam a «reciprocidade de acesso»

O Congresso adoptou a Lei sobre reciprocidade de acesso ao Tibete (Reciprocal Access to Tibet Act — H.R.1872 ), que o Presidente Trump promulgou em 19 de Dezembro de 2018.

Este texto foi apresentado pelo membro dos Representantes James McGovern (Democrata), no seguimento de uma campanha do actor Richard Gere e da International Campaign for Tibet (ICT). Ela prevê interditar o acesso aos Estados Unidos de funcionários chineses que teriam recusado o acesso ao território tibetano a cidadãos norte-americanos.

Os próprios Estados Unidos praticam uma política muito restritiva de acesso ao seu território e dão-se ao direito de devolver à sua fronteira qualquer estrangeiro, mesmo dispondo de um visto.

O porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Geng Shuang (foto) declarou, a 26 de Março de 2019, que este texto era uma má mensagem na medida em que os Estados Unidos não devem interferir na vida de uma província chinesa. Ele lembrou que tendo em conta as particularidades geográficas desse território era indispensável regular a entrada de estrangeiros.

Os Estados Unidos entendem estender progressivamente este mecanismo de «reciprocidade de acesso» a outras regiões do mundo, de modo que qualquer cidadão dos EUA possa viajar seja para que parte do mundo for.

 

Ver original na 'Rede Voltaire'



EUA vão gostar? Merkel defende que Europa se junte à nova Rota da Seda da China

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel
© REUTERS / Michael Dalder

A iniciativa Nova Rota da Seda chinesa é um projeto importante, que os países europeus gostariam de aderir, de acordo com a chanceler alemã Angela Merkel, que enfatizou que a cooperação deve ser baseada na reciprocidade de Pequim.

"Nós, como europeus, queremos desempenhar um papel ativo e isso deve levar a certa reciprocidade e ainda estamos discutindo sobre isso um pouco", afirmou Merkel, citada pela Agência Reuters.

O comentário surge logo após conversas com o presidente da França, Emmanuel Macron, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o presidente da China, Xi Jinping, que atualmente está fazendo uma visita oficial à França.

O presidente chinês chegou à França depois de sua visita de três dias à Itália. No sábado, Roma e Pequim assinaram o memorando de entendimento sobre a união da iniciativa Nova Rota da Seda da China.


O movimento italiano não havia sido bem recebido pelas nações europeias, particularmente França e Alemanha. Macron pediu uma abordagem mais consolidada em relação à China entre os aliados europeus, ao mesmo tempo em que Paris assinava contratos multibilionários com a China.

A Iniciativa Nova Rota da Seda deverá fornecer conectividade efetiva e impulsionar a cooperação da China com mais de 152 países do Sudeste e Ásia Central, Oriente Médio, Europa, América Latina e África por meio de vários projetos de infraestrutura, nos moldes da antiga Rota da Seda.

O projeto, proposto por Xi em 2013, promete impulsionar significativamente o comércio global, reduzindo os custos de comercialização pela metade para os países envolvidos. A China investiu pesadamente na empresa ambiciosa, com US$ 900 bilhões tendo sido gastos em projetos em países parceiros. A maioria dos projetos de investimento da iniciativa beneficiou as corporações estatais chinesas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019032613562768-merkel-europa-rota-seda/

OLHAR A CHINA, A PERSISTÊNCIA DA IGNORÂNCIA

Texto de Guilherme Valente saído no SOL de sábado passado: 

«Sempre acreditei que a China só poderia mudar pouco a pouco. 
Hoje dou-me conta de como foi rápida e brutal [abrupta] a transformação (...)
Não estou a falar dos penteados das raparigas, 
mas das mentalidades e comportamentos». 
Jia Zhang-Ke
Nunca na história um país mudou tanto, experimentou tantos modelos políticos, tão rapidamente. “Não interessa a cor do gato, é preciso é que apanhe ratos”, disse Deng. Mas persiste na generalidade dos comentários uma visão da China como ‘a China de Mao’. Estaríamos mesmo hoje perante a instalação de um novo déspota e, quiçá, na iminência de uma nova Revolução Cultural. Xi Jiping um novo Mao? 
Bastaria uma informação mínima, inteligência comum, um olhar mundano, para se concluir da evidência do disparate. Vejamos o básico. Desde 1956, da ‘Revolução das Cem Flores’ (peripécia sangrenta a propósito da qual Mao, evocando Qin, o seu modelo, que enterrara vivos 460 letrados, se gabou de ter mandado matar 100 vezes mais intelectuais), que os líderes e os intelectuais chineses mais esclarecidos tentaram neutralizar o que começava a tornar-se ‘o Grande Timoneiro’. 
Um ‘timoneiro’ que, num crescente delírio de poder pessoal que nunca foi possível conter, conduziria à morte milhões de seres humanos, deixando o país em cinzas. Delírio, convém não esquecer, que a imensa generalidade da inteligência europeia e caseira celebrou como anúncio redentor de um radiante e definitivo ‘mundo novo’. 
O episódio Liu Shao Chi foi a tentativa que esteve mais perto do sucesso nessa determinação de afastar Mao. Mas a genialidade táctica deste, a sua total ausência de lealdade e de escrúpulos no uso dos meios mais cruéis, a adoração do povo que o identificava como o imperador que libertara a China dos monstros estrangeiros devoradores (ver o filme recente A Grande Muralha), garantiu-lhe o regresso e catalisou-lhe a loucura – já então, repito, absolutamente clara para a elite política e intelectual chinesa. 
As manifestações dessa loucura foram inúmeras, tantas quantas as exaltações de louvor no Ocidente. Só o seu fim natural o neutralizou, em Setembro de 1976, entre um eclipse do Sol e um grande sismo, como era milenarmente assinalada cosmicamente a morte dos grandes imperadores... 
Uma manifestação reveladora da índole de Mao e do então louvor dionisíaco no Ocidente (e caseiro) é uma confissão despudorada do déspota feita numa entrevista a Edgar Snow. Confissão que, no seu limitadíssimo conhecimento da língua e da cultura chinesas, este traduziu assim: «Sinto-me como um bonzo careca a passear à chuva com um guarda-chuva cheio de buracos». O leitor está a imaginar o orgasmo que tal metáfora induziu nos crentes caseiros e europeus! Pois, mas a questão é que se tratava de uma expressão idiomática chinesa, ignorada por Snow, que significa: «Sou um homem sem fé nem lei»! (1) 
Mas essa é muitas outras lições não impediram que se continuem hoje a debitar asneiras de igual calibre sobre a China. A partir da consolidação da liderança de Deng Xiaoping, o objectivo maior foi precaver a emergência de um novo Mao e a possibilidade de algo que sequer lembrasse a Revolução Cultural. Probabilidade então fortíssima. Todos os actuais líderes chineses ou seus familiares sofreram o inaudito na Revolução Cultural. Sabe-se o que Deng várias vezes teve de suportar, o filho atirado de uma janela da universidade por um bando de libertadores guardas vermelhos. Guardas vermelhos então cantados entre nós por muitos dos especialistas que hoje anunciam temer um novo Mao. 
Inúmeros quadros nos diversos níveis da Administração chinesa de hoje sofreram na pele a Revolução Cultural. Conheci alguns deles. E foi para afastar naquele período crítico a possibilidade de algum propósito ou ilusão de regresso à tirania que surgiu, entre outras, a medida – singular na História – do impedimento de os ex-Presidentes da República e dos ex-primeiros-ministros voltarem a poder exercer, depois de dois mandatos, qualquer cargo oficial no governo da China. 
No espírito da concepção chinesa da História, informada pela visão ética-cosmológica que distingue radicalmente o pensamento chinês, identificado o ‘momento’ (shi 2) – que na concepção chinesa não é o instante ocidental mas ‘duração’ (2) – e decidida a ‘propensão’ (shi 4), isto é, a ocasião adequada para a intervenção humana (que não perturbe a ordem cósmica das coisas), essa solução foi então pragmaticamente considerada como a que devia ser adoptada. 
E por que foi ela agora alterada, no último Congresso do (também explicavelmente) chamado PCC? Xi Xiping é o autor necessário escolhido para interpretar, externa e internamente, o novo acto, a nova etapa no processo de ‘rejuvenescimento’ da China (3). Objectivo traçado desde antes de 1911, de cuja concretização os grandes intelectuais e líderes políticos chineses nunca duvidaram. Acto escrito e a ser representado, com rigor e cuidado, com o pragmatismo milenar. Etapa já anunciada por Deng para quando... a ‘propensão’ permitisse o seu êxito. 
Quando leio ou ouço os nossos maoístas arrependidos e sucedâneos a falarem sobre a China, sinto-me frequentemente como o Asterix se sentiria a ouvir a Sinfonia n.º 1 para Violino e Orquestra de Tchaikovsky executada pelo bardo da aldeia. 
Guilherme Valente 
NOTAS: (1)Contado por Simon Leys. (2) ‘Estruturação’, ‘estação’, no ciclo do devir das ‘coisas inumeráveis’, determinada pelo jogo dos cinco agentes cósmicos nucleares e das virtudes associadas a cada um deles. (3) Expressão usada desde 1911 por todos os PR chineses na sua tomada de posse. associadas. (4)Expressão usada desde 1911 por todos os PR chineses na sua tomada de posse.

Ver original em 'De Rerum Natura' na seguinte ligação::

http://dererummundi.blogspot.com/2019/03/olhar-china-persistencia-da-ignorancia.html

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

“Em nenhuma circunstância os chineses vão controlar o que a EDP tem nos Estados Unidos, o terceiro maior produtor de energia renovável”, revelou George Glass, o embaixador norte-americano em Lisboa, em entrevista ao Jornal Económico, de 15 de Março. 

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

O porto de Sines foi também objecto de um alerta do embaixador que destacou ainda que os EUA estão abertos à cooperação económica com empresas portuguesas, “desde a agricultura até à tecnologia”. O “Jornal Económico” bateu absolutamente toda a concorrência na mais pesada, tanto em termos económicos como estratégicos, das questões empresariais em curso: a OPA dos chineses à EDP. No passado dia 8, o jornal revelava que a OPA “estava nas mãos de Trump”. Uma semana depois, faz manchete com a “nega” americana que vem acompanhada de uma crítica ao neo-liberalismo pacóvio de Passos Coelho que entregou o controlo do estratégico sector português da energia ao Estado chinês… 

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

“Opomo-nos absolutamente a esse negócio”, garantiu George Glass. O embaixador acrescentou ainda que, em situações idênticas, as autoridades norte-americanas vetaram o negócio. 

“O que posso dizer é que quando situações idênticas ocorreram no passado, a essas entidades não lhes foi permitido concluir o negócio”, esclareceu George Glass que considerou ainda uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos observar as negociações da OPA, e assegurou que o país está a fazê-lo. 

O embaixador manifestou-se ainda contra o atual panorama do mercado energético português. “A EDP controla 80% da energia elétrica em Portugal. Do ponto de vista dos Estados Unidos, do ponto de vista de negócios, como do meu ponto de vista pessoal, não deve haver uma entidade estrangeira a deter a vossa energia elétrica. Deve ser controlada pela nação ou pelos privados sob regulação nacional. Não é o caso do que está a acontecer com a EDP”, considerou George Glass.

Contactada pela Lusa, fonte da EDP escusou-se a comentar as declarações do embaixador dos Estados Unidos. Pudera…! 

O embaixador também destacou a importância do Porto de Sines (em que a China se tem mostrado muito interessada…), explicando que pode ser o ponto de entrada do gás natural norte-americano na Europa. Passo necessário para combater interesses semelhantes da Rússia por via dos seus contactos privilegiados com o governo alemão. 


Embaixador dos Estados Unidos revela que Trump vai bloquear OPA chinesa à EDP


Exclusivo Tornado / IntelNomics


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/opa-chinesa-a-edp-morre-as-maos-de-trump/

O novo ano chinês e a árvore inclinada

«António Costa ainda era presidente da Câmara de Lisboa quando viu um dos fundadores do PS (Alfredo Barroso) deixar o partido por causa de uma intervenção sua na cerimónia do novo ano chinês, em 2015. Na altura, as palavras do autarca – que agradeceu aos chineses a sua contribuição para o facto de Portugal estar, então, melhor do que quatro anos antes – foram consideradas um “tiro de canhão no coração do PS”, e um desrespeito para com os portugueses que continuavam no desemprego e a viver abaixo do limiar da pobreza.
 
Passaram mais quatro anos. António Costa é primeiro-ministro. A relação com a China evoluiu. As contas portuguesas também. Os chineses são hoje donos de várias empresas estratégicas, públicas e privadas, em Portugal. Relacionam-se bem com as altas esferas da política e da economia. Já cá veio o presidente Xi Jiping para retribuir uma anterior visita do Governo português que tinha uma missão bem definida: captar mais investimento. E, em Abril, há um novo momento nas relações bilaterais, com a visita de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa a território chinês.
 
Este ano, o convidado especial do novo ano chinês foi Rui Rio, na sexta-feira. O líder do PSD aproveitou o palco no Casino da Póvoa para dizer aos portugueses que deviam copiar mais os chineses, em vez de viverem tanto no imediato. “Se queremos uma sociedade justa, equilibrada e desenvolvida, não podemos estar sempre a olhar para o amanhã imediato”, aconselhou Rui Rio. E acrescentou que “Portugal tem de crescer do ponto de vista económico”, tendo como eixos desse crescimento as exportações e o investimento. “Se olharmos à carência de capital que Portugal tem e ao investimento que temos de fazer, é evidente que a China é um parceiro privilegiado nessa matéria”.
 
O clima é hoje outro e as declarações do social-democrata não causaram nenhum tipo de alvoroço, o que mostra que há grande concordância - homogenia mesmo - de pensamento em relação à China.
 
Entre 2010 e 2016, os chineses investiram em Portugal mais de 7,5 mil milhões de euros, ocupando o sétimo lugar no ranking europeu dos países que mais investimento receberam da China. Se considerado o rácio de investimento acumulado, ponderado pela dimensão da sua economia, Portugal passa para segundo lugar, só atrás da Finlândia. Os números constam do relatório sobre as “Tendências do investimento chinês na Europa”, da responsabilidade de Ivana Casaburi, professora na ESADE Business School (Barcelona).
 
Em tempos, “aconteceu-nos” uma dependência económica tal face a Angola que, quando os angolanos se viram em dificuldades, também muitos portugueses, em Lisboa e em Luanda, foram contaminados.
 
É certo que a China mantém um crescimento económico ainda acima dos 6%, apesar da “guerra comercial” com os EUA. O colosso que é a China lidera hoje a globalização e Portugal está a tirar partido, naturalmente, do facto de estar na sua rota de crescimento. E acreditamos todos que uma constipação lá não chegará para causar nenhuma pneumonia cá. Mas como diriam os chineses: “Se o vento soprar de uma única direcção, a árvore crescerá inclinada.”»
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Leia original aqui

A irracionalidade estratégica da União Europeia relativamente à China e aos EUA (sem esquecer a Rússia de Putin)

Uma das mais impressivas reminiscências dos meus dias em Xangai foi a de, num domingo, ter ido visitar o lindíssimo Jardim Yu (ou da Felicidade) e, à saída, ouvir um ruidoso banzé numa das ruas próximas. Acorri a ver do que se tratava e deparei com um daqueles desfiles coloridos em que vários figurantes vão no interior do assustador dragão, deles se vendo apenas as pernas, que servem para o ir deslocando atrás e à frente da orquestra, partida em duas, para melhor distribuir os sons dos instrumentos de percussão. De forma inesperada a China antiga, de matriz taoista, vinha-se acrescentar à que acabara de visitar no amplo complexo, outrora sede da Companhia das Pequenas Espadas que, a meio do século XIX, governara a cidade.
Quando o desfile se dispersou concluí quão contrastada era a realidade de uma tão grande nação, ora feita dos edifícios ultramodernos na interminável Nanjing Lu, ou na outra margem do rio visto do Bund, com o edifício da televisão a servir-lhe de incontornável referência, ora mantendo vivas as resilientes e imemoriais tradições por nenhum regime eliminadas.
Essa evocação aprofunda-me o entendimento do susto por que passam os defensores do capitalismo neoliberal ao estilo norte-americano ao constatar a rapidez com que ele se aprestará a ser ultrapassado pelo rival asiático. E, porque, apesar de desprezados por quem manda na Casa Branca, secundam-lhe as tropelias para dificultar essa anunciada supremacia. Nessa convergência entre o que foi e quanto se apresta a ser, a China possui em si a consistência de quem alcançará o objetivo sem haver quem lho possa obstar. Quem foi capaz de construir a maior edificação alguma vez produzida pela civilização humana - Grande Muralha - ou se antecipou em vários séculos às grandes obras hidráulicas do ocidente, com o seu imenso canal entre Pequim e Hangzhou, possui o engenho e a persistência bastantes para avançar decididamente passo a passo. Nós, europeus, deveríamos ser inteligentes perante a transformação em curso, escusando-nos a servir de muleta ao império, que entrou em irremediável declínio, deixando-o a lamber as suas feridas e a assumirmo-nos como parceiro numa gestão global em que owin-win faz todo o sentido.
O que a União Europeia anda a fazer relativamente à China, e já agora à Rússia, é das mais irracionais estratégias, que se podem apreciar de entre as muitas a que Bruxelas nos tem habituado. Porque o seguidismo em relação a Washington, só beneficia quem desmerece, sendo mais inteligente o esforço da sua consolidação como entidade económica e politicamente autónoma, capaz de negociar em plano de igualdade com todos, sem privilegiar nenhum deles. Seria, para tal, necessário que se começasse por extinguir a anacrónica NATO, substituindo-a por organização exclusivamente europeia e apostada na distensão em vez de prosseguir no fluxo de provocações, que aquela tem multiplicado nas fronteiras com a Rússia. Seria essa, quase por certo, a forma mais eficaz de retirar às extremas-direitas os apoios de que têm usufruído do leste europeu pela razão óbvia de Putin já delas não necessitar para que lhe sirvam de peões ideais para contra-atacar quem se tem esforçado por lhe fazer a vidanegra...

Exportações portuguesas para a China crescem 5,59% em 2018

Macau, China, 01 fev (Lusa) - Portugal exportou em 2018 para a China produtos no valor de 2,24 mil milhões de dólares (1,95 mil milhões de euros), mais 5,59% relativamente ao período homólogo de 2017.
De acordo com dados oficiais publicados no portal do Fórum Macau, com base nas estatísticas dos Serviços de Alfândega chineses, as trocas comerciais entre Lisboa e Pequim ascenderam a 6.016 milhões de dólares (5.240 milhões de euros) no ano passado, o que corresponde a um aumento de cerca de 408 milhões de dólares, em comparação com 2017.
Portugal importou da China bens no valor de aproximadamente 3.769 milhões de dólares, tendo Lisboa um saldo comercial negativo com o país asiático de cerca de 1.522 milhões de dólares.
As importações de produtos chineses aumentaram 8,29%, em relação a 2017.
Os mesmos dados indicaram que as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos fixaram-se em 147,35 mil milhões de dólares ao longo dos três primeiros meses do ano, verificando-se um crescimento de 25,31%.
As importações por parte da China representam a maior parte deste valor: 105.506 milhões de dólares, um aumento de 30,24% face a 2017.
Por sua vez, as exportações chinesas para países lusófonos registaram um aumento de 14,4%, tendo alcançado os 41.847 milhões de dólares.
O Brasil continua a ser o principal parceiro da China no âmbito do bloco lusófono, tendo registado trocas comerciais de 110,8 mil milhões de dólares.
Pequim comprou a Brasília produtos no valor de 77,07 mil milhões de dólares, mais 32% que em 2017, e o Brasil adquiriu à China bens no valor de 33,73 mil milhões de dólares, um aumento de 15,39%.
Angola surge no segundo lugar do 'ranking' lusófono com trocas comerciais com a China no valor de 27,75 mil milhões de dólares, com Luanda a enviar para Pequim produtos no valor de 25,51 mil milhões de dólares e a fazer compras de 2,23 mil milhões de dólares.
As trocas comerciais entre a China e Cabo Verde foram de 78,23 milhões de euros e com Moçambique foram de 2,51 mil milhões de dólares.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau.
MIM // JMC

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/exportacoes-portuguesas-para-china.html

A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019 (I)

O ano de 2018 reafirmou qual a geopolítica chinesa, no global, ou africana, no geral, e de certo modo reafirmou a angolana, em particular. Ou seja, a China reafirmou-se como uma potência global, não só a nível económico ou político. Também a nível militar e aeroespacial se avigorou.
A nível económico, no geral, não teve problemas em afrontar a potência mundial, os EUA, e a agressiva política económica de Trump e do “American First”. Uma situação que não se prevê possa diminuir de intensidade face aos compreensíveis interesses económicos de ambos.
A nível político, e aproveitando a “ausência” dos EUA no sistema internacional, baseado no asseverar do reforço económico e social das políticas internas da administração Trump e do afastamento deste, aliado a algumas ameaças de sanções económicas, de alguns os cenários mais importantes, principalmente para o Ocidente — leia-se, Europa — como são as políticas ambientais e a livre concorrência de produtos europeus de e para os EUA, assim como para outros países e que para o quais os EUA ameaçam com sanções; bem como uma agressiva política externa pró-israelita e anti- -establishment, em particular, anti- -iraniana e não-palestiniana, e numa política de um “não interesse” nas questões africanas — excepto e, na maioria dos casos, com razão, para criticar os líderes africanos — permitiram à China ter uma maior penetração na Europa, na Ásia e na América Latina como solidificar a sua influência em África.
E são estes factos que sinteticamente procurarei abordar.
Para a Europa criou uma “rota da seda” para a colocação dos seus produtos e de muito do seu excedente comercial e financeiro, e, em particular em Portugal, solidificou a sua presença a nível financeiro, estando presente nas principais empresas portuguesas, nomeadamente na energia e nas finanças. A recente visita do líder chinês, Xi Jinping, a Portugal, reforçou essa presença e esse influxo (a vontade de usar o porto de Sines — o maior e mais ocidental porto da Europa — e a sua prevista ligação ferroviária de alta velocidade de mercadorias ao heartland europeu são factores que alimentam ainda mais a atracção dos chineses a Portugal). A investigadora portuguesa Cátia Mirian Costa, especialista em temáticas chinesas, aborda estes temas, quer sobre as relações com Portugal, como sobre as ainda debilidades com que a China padece a nível ecológico, num recente artigo n’O Jornal Económico, «China, essa desconhecida» (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/china- -essa-desconhecida-391715).
Na Ásia e na América Latina mais do que emerge, reafirma- -se como um parceiro importante, seja a nível económico — é um comprador firme do petróleo venezuelano — seja a nível político, com a afirmação do BRICS. Mas na Ásia, e de certa forma, a nível global, a importância do seu poder sobre Pyongyang levaram a uma aproximação do líder norte- -coreano, Kim Jong-un, aos seus irmãos do Sul e a um melhor relacionamento com os EUA, em geral, e com Trump em particular, levando os dois líderes a se encontrarem em Singapura para um acordo de progressivo “desarmamento nuclear” na Península Coreana.
Xi Jinping, discretamente, e como é apanágio chinês — ver a minha “Teoria do Mahjong”, já aqui descrita no Novo Jornal, na edição 390, de 24 de Julho de 2015, ou no meu livro Of the An Instrumentality Power to the Mahjong Theory […], edição Lambert Academic Publishing, de 2015 —, acabou por ser o principal beneficiário desta aproximação. Como sempre tenho escrito, a Coreia do Norte não consegue subsistir sem o apoio político, económico, financeiro e científico dos chineses.
Mas é em África, em geral, e em Angola, em particular, que a China mais reafirmou a sua presença. Reafirmou e, mais que reafirmar, impôs-se.
Até há pouco anos, a China assentava o seu poder militar nas forças terrestres, sobretudo, e aéreas. Recentemente, e como todos os países oceânicos, percebeu que o poder naval era importante para se afirmar quer na área e na salvaguarda das suas costas e áreas marinhas e económicas, como um meio de projecção internacional.
No caso africano, em análise, a defesa das suas frotas de e para a China estavam a ser postas em causa com os actos de pirataria tanto na região malaia como, e principalmente, no Golfo da Áden e no Corno de África, com a pirataria somali. Actos que produziam elevados prejuízos aos chineses.
Por esse facto, a China começou a desenvolver uma flotilha naval com a construção, não só de barcos patrulhas e fragatas — que já tinham — como o fabrico de navios de guerra de grande porte (destróieres) e de porta-aviões (prevê, no final, ter cinco porta-aviões, incluindo dois de propulsão nuclear), sendo que o primeiro já está em fase final de testes (ver em https://www.naval.com.br/blog/tag/marinha- -chinesa/).
Mas a presença naval chinesa em África deixou ser só no mar. A China obteve permissão do Djibuti para criar um porto e estacionar parte da sua força naval no Golfo de Áden, neste país. Muito perto das forças francesas e norte-americanas. A China deixou de ser só uma potência economia e política em África, para ser uma potência global no continente africano.
Se a presença chinesa em África se tornou global, ainda é o poder económico e político que mais se faz sentir no nosso continente, em geral, e em Angola, em particular.
Uma das primeiras vistas do presidente João Lourenço ao exterior foi precisamente à China, onde a par do reforço das relações entre os dois países lhe permitiu não só “se apresentar” ao líder chinês como tentar — e conseguir, com algum custo — um novo empréstimo financeiro junto de Beijing. Sabe-se — pouco, é certo — que Xi Jinping fez depender este novo empréstimo de algumas condições prévias que, na realidade, estão guardadas nos cofres da diplomacia dos dois países.
Mas não são só estas condições que estão nos segredos dos deuses sino-angolano. Na realidade ninguém, de boa-fé, pode afirmar qual é a nossa dívida real à China. Nem o FMI, nem — muito menos — as empresas de rating o sabem. Cabe aos países relacionados informar estas entidades das suas dívidas e serviços de dívida (juros). E só elas, e quando o querem, informam os valores em causa. Ora, os nossos sucessivos Governos sempre consideraram não ser nem necessário divulgar estes valores. Puro erro. A comunidade nacional precisa de saber o que deve, a quem deve e quanto deve. Talvez isso permitisse aos angolanos não serem tão expansivos em algumas das suas despesas.
*Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) e investigação para Pós-Doutorado pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto
**Todos os textos por mim escritos só me responsabilizam a mim e não às entidades a que estou agregado.
Novo Jornal
*Eugénio Costa Almeida – Pululu - Página de um lusofónico angolano-português, licenciado e mestre  em Relações Internacionais e Doutorado  em Ciências Sociais - ramo Relações Internacionais - nele poderão aceder a ensaios académicos e artigos de opinião, relacionados com a actividade académica, social e associativa.

Trump diz que não haverá acordo com China sem reunião com Xi Jinping

Presidente dos EUA, Donald Trump, acena ao lado do presidente chinês, Xi Jinping, após coletiva de imprensa em Pequim, 9 de novembro de 2017
© AP Photo / Andy Wong

O presidente dos EUA, Donald Trump, informou que as negociações comerciais com a China estão indo bem, mas ele alertou que um acordo final não será alcançado até que ele se encontre com seu Xi Jinping em um "futuro próximo".

"Negociadores chineses de alto escalão estão reunidos nos EUA com nossos representantes, as reuniões estão indo bem, com boas intenções e bom humor de ambos os lados", disse Trump em sua conta no Twitter.

"Não haverá acordo final até meu amigo, o presidente Xi, e eu nos reuniremos em breve para discutir e concordar com alguns dos pontos mais longos e mais difíceis", acrescentou. 


Trump fez este comentário antes da chegada de uma delegação chinesa em Washington chefiada pelo vice-primeiro-ministro Lui He para uma rodada de negociações.

Washington e Pequim estão presos em uma guerra comercial desde que o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciou em junho um imposto de 25% sobre o valor de US$ 50 bilhões em importações chinesas, em uma tentativa de consertar o déficit comercial entre EUA e China.

Desde então, os dois países trocaram várias rodadas de tarifas comerciais, cobrando taxas de centenas de bilhões de dólares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, pediram, no mês passado, uma trégua na escalada da guerra comercial depois de se reunirem nos bastidores do encontro do G20 em Buenos Aires, mas os dois países ainda não chegaram a um acordo final.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019013113223065-eua-china-trump-acordo/

Soros está preparando EUA para Guerra Fria contra China, opina analista

George Soros, multimilionário estadunidense
© AFP 2018 / Brendan Smialowski

Na semana passada, durante uma reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, o famoso bilionário George Soros declarou que, sendo "o regime autoritário mais rico, forte e tecnologicamente avançado do mundo", a China é a maior ameaça ao Ocidente. Analistas explicam o que está por trás dessas declarações.

O famoso bilionário norte-americano de origem húngara, George Soros, alertou durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que os EUA e a China, as duas maiores economias do mundo, se encontram em "uma guerra fria que em breve poderá se tornar quente".

Além disso, ele chamou o líder chinês, Xi Jinping, de "adversário mais perigoso das sociedades abertas" e pediu para que a administração de Trump pressione ainda mais Pequim, especialmente contra os gigantes tecnológicos chineses.


O especialista em relações internacionais, Adriel Kasonta, opinou que os EUA já tentaram fortalecer aliança com a China contra a Rússia, mas hoje a situação é totalmente diferente.

"Agora os americanos estão tentando uma espécie de coalizão entre a Rússia e os EUA contra a China e isso pode marcar uma Guerra Fria 2.0 – uma nova guerra fria dos EUA contra a China", explicou ele à Sputnik Internacional.

"Do meu ponto de vista, George Soros está tentando preparar uma base democrática, porque, como sabemos, é um forte apoiador do Partido Democrata e um grande doador desse partido, ele está tentado prepará-los mentalmente para uma guerra contra a China. Enfrentaremos Guerra Fria 2.0, porque a China e seu Partido Comunista são vistos no hemisfério ocidental como uma nova ameaça comunista", acrescentou o analista.

O analista canadense Michel Chossudovsky, por sua vez, sublinhou que, falando dos "regimes autoritários", Soros não lembrou as ações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela, quanto ao reconhecimento de Washington do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino do país. 


"No mundo ocidental há muitos atores autoritários que fingem ser democratas, incluindo Macron na França [o presidente da França, Emmanuel Macron] com suas repressões contra "coletes amarelos" e, evidentemente, [primeira-ministra britânica] Theresa May", afirmou Chossudovsky à Sputnik Internacional.

O especialista canadense revelou também por que Soros apela para pressionar gigantes tecnológicos chineses, especialmente Huawei e ZTE.

"Atualmente, a China lidera em várias tecnologias-chave […] Não há dúvidas sobre suas vantagens. Acredito que os EUA e seus aliados querem que a China deixe de desempenhar papel-chave no campo de tecnologia global. Vimos isso na história com Huawei, acusações ligadas à segurança [tecnológica] e sanções comerciais", afirmou ele.

Segundo Chossudovsky, o principal ponto forte da China na possível Guerra Fria com os EUA é a economia real chinesa enquanto os países ocidentais dependem dos bens produzidos na China.


"A China desenvolve sua economia real na medida em que ofusca a hegemonia dos EUA e eu acredito que é o principal problema. Isso explica também a campanha contra a China, particularmente na área de tecnologias de ponta", concluiu o analista.

Anteriormente, um grupo de senadores americanos apresentou uma lei proibindo a exportação de peças e componentes produzidos nos EUA para empresas de telecomunicações na China que supostamente violaram as sanções americanas. Em agosto de 2018, Donald Trump assinou uma lei proibindo agências governamentais de usar serviços da Huawei e da ZTE, entre outras entidades chinesas.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019012813200147-soros-eua-china-ameaca-principal/

Trump diz que é possível fazer um acordo com China

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping (foto de arquivo)
© REUTERS / Carlos Barria

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou neste sábado (19) que as coisas estão indo muito bem com a China e que "poderia fazer um acordo" com Pequim.

Ao conversar com jornalistas na Casa Branca, Trump disse também que houve "notícias falsas" sobre a eliminação de sanções.

"Vamos ver como tudo vai", acrescentou. "Realmente tivemos um número extraordinário de reuniões e poderia haver um acordo com a China, está indo muito bem, bem como poderia ir", disse ele.


Washington e Pequim estão presos em uma guerra comercial desde que o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciou em junho um imposto de 25% sobre o valor de US$ 50 bilhões em importações chinesas, em uma tentativa de consertar o déficit comercial entre EUA e China.

Desde então, os dois países trocaram várias rodadas de tarifas comerciais, cobrando taxas de centenas de bilhões de dólares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, pediram, no mês passado, uma trégua na escalada da guerra comercial depois de se reunirem nos bastidores do encontro do G20 em Buenos Aires, mas os dois países ainda não chegaram a um acordo final.

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https://br.sputniknews.com/americas/2019011913140595-eua-china-trump-comercio/

China: estratégia antimíssil dos EUA terá consequências

Soldados dos EUA perto do complexo antimíssil Patriot na Polônia, arquivo
© AP Photo / Czarek Sokolowski

Segundo representantes da China, EUA podem escalar um conflito internacional.

A renovada estratégia antimíssil dos Estados Unidos  pode provocar uma nova corrida armamentista e alterar o equilíbrio estratégico no mundo, disse o Ministério das Relações Exteriores da China.


"As ações dos EUA não são construtivas. Podem prejudicar a paz e a segurança na região", informou o órgão chinês.

As declarações norte-americanas "afetam o processo de desarmamento nuclear internacional e provocam uma corrida armamentista, além de alterar o equilíbrio estratégico do mundo".

Esta foi a posição do ministério das Relações Exteriores da China, transmitida aos correspondentes da agência Sputnik no país.

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https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019011813133473-eua-china-misseis-estrategia-relacoes/

China critica declarações de Trudeau e aumenta tensão com o Canadá

A man walks past flags of Canada and China in front of Tiananmen Gate in Beijing (File)
© AFP 2018 / FREDERIC BROWN

A China expressou, nesta terça-feira (15), sua "forte insatisfação" com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, que criticou uma sentença de morte dada por tribunal chinês contra um cidadão canadense.

Uma corte da província de Lianoing anunciou a pena de morte para Robert Lloyd Schellenberg na segunda-feira (14), condenado por contrabando de drogas.

A porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Hua Chunying, afirmou que Justin Trudeau "deveria respeitar o estado de direito, respeitar a soberania judicial da China, corrigir os erros e deixar de fazer declarações irresponsáveis". Ela acrescentou, ainda em uma conferência de imprensa o governo chinês mantém forte insatisfação em relação às declarações de Trudeau.


A partir de 1 de dezembro, as relações entre China e Canadá se estremeceram. Isso porque o Canadá, atendendo a um pedido dos Estados Unidos, prendeu uma executiva da Huawei, empresa chinesa de tecnologia. A Justiça dos Estados Unidos pediu a extradição de Meng acusando-na de fraude em transações financeiras no Irã.

O canadense Schellenberg foi preso há mais de quatro anos e foi condenado a 15 anos de prisão em novembro. A imprensa chinesa voltou a falar do caso de Meng e há uma expectativa de que a sorte do prisioneiro canadense ainda seja utilizada na negociação do caso da chinesa.

Trudeau afirmou na segunda-feira (14) que a China está utilizando seu sistema judicial para pressionar o Canadá pela prisão de Meng, que é filha do fundador da Huawei.

"Todos os países do mundo deveriam se preocupar porque Pequim utiliza seu sistema judicial de maneira arbitrária", disse Trudeau, que ainda acrescentou: "A China optou por começar a aplicar arbitrariamente uma pena de morte".

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https://br.sputniknews.com/americas/2019011513114364-china-canada-justin-trudeau-huawei/

Vice-presidente chinês pede diálogo para melhorar relações com os EUA

Wang Qishan, novo vice presidente da China, em uma durante o 19º Congresso do Partido Comunista chinês, em 2017.
© AP Photo / Mark Schiefelbein

O vice-presidente da China, Wang Qishan, pediu diálogo e consultas para relações bilaterais saudáveis ​​e estáveis ​​entre seu país e os Estados Unidos, informou a agência de notícias chinesa Xinhua nesta quinta-feira (10).

Qishan disse que deve haver um respeito mútuo nos campos de soberania, segurança e interesses de desenvolvimento. As diferenças devem ser cuidadas e controladas, também afirmou o vice-presidente chinês.

Suas declarações foram feitas durante o 40º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e os Estados Unidos no Grande Salão do Povo em Pequim.


A China e os Estados Unidos fizeram progressos em "questões estruturais" nas negociações nesta semana, depois que a guerra comercial diminuiu o fluxo de mercadorias no valor de centenas de bilhões de dólares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que o país estava tendo um tremendo sucesso em suas negociações comerciais com a China, um dia depois de as autoridades americanas e chinesas terem concluído três dias de negociações em Pequim.

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Conselheiro de segurança nacional do Afeganistão visita China em busca de cooperação

O conselheiro de segurança nacional do Afeganistão, Hamdullah Mohib, e o ministro de relações exteriores da China, Wang Yi, em reunião em Pequim.
© AP Photo / Andy Wong

O conselheiro de segurança nacional do Afeganistão esteve em Pequim nesta quinta-feira (10) para buscar cooperação e encerrar sua guerra de 17 anos com o Talibã.

Hamdullah Mohib encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e disse que o Afeganistão está buscando "trazer alguma estabilidade de longo prazo para a nossa região".

A China e o Afeganistão compartilham uma fronteira estreita e cooperaram na segurança das fronteiras. A China também é um aliado próximo do Paquistão, acusado pelo Afeganistão e pelos EUA de fornecer abrigo seguro para o Talibã e outros grupos que se opõem ao governo em Cabul.

Wang enfatizou a "compreensão mútua e apoio mútuo" que os países ofereceram uns aos outros e o apoio da China aos esforços para "promover a paz doméstica e a reconciliação política no Afeganistão".

"Em um momento tão importante, sabemos que você foi encarregado pelo presidente Ashraf Ghani de fazer essa visita para melhorar a compreensão e a coordenação mútua. Acreditamos que isso seja extremamente oportuno e necessário", disse Wang.


Na quarta-feira, o enviado especial do presidente afegão, Mohammad Omer Daudzai, expressou sua esperança de que a guerra que custou aos Estados Unidos cerca de US$ 1 trilhão termine em 2019.

"Estamos nomeando 2019 como um ano de paz para o Afeganistão", disse Daudzai em entrevista à Associated Press.

O enviado especial de paz de Washington, Zalmay Khalilzad, também está em um tour pela região, visitando a Índia, a China, o Paquistão e o Afeganistão.

O Talibã recusou um diálogo direto com Cabul, apesar da pressão da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e até do Paquistão.

Em resposta, Washington suspendeu centenas de milhões de dólares em reembolsos ao Paquistão. O Paquistão afirma que sua influência sobre o Talibã é exagerada.

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Rússia e China planejam parceria para pesquisa em águas profundas

Ministério da Defesa da Rússia informa que navios da Frota do Pacífico russa chegaram à China para participar nos exercícios navais Interação Naval 2016
© AP Photo / Zha Chunming/Xinhua

Cientistas da Rússia e da China estão preparando um programa conjunto para a avaliação de recursos marinhos em águas profundas, disse, nesta quarta-feira (9), Alexander Sergeev, chefe da Academia Russa de Ciências (RAS) durante encontro com o presidente russo, Vladimir Putin.

Durante a reunião, Putin e Sergeev discutiram as questões relacionadas à ciência e ao desenvolvimento da comunidade científica, assim como áreas promissoras no trabalho de RAS.


"Uma dessas áreas é a pesquisa sobre os recursos marinhos em águas profundas. Em cerca de dois ou três meses, a primeira sessão de trabalho será realizada na China. Nós planejaremos projetos conjuntos, incluindo expedições conjuntas", disse Sergeev a repórteres.

Ele ainda acrescentou que a Rússia e a China também estão discutindo o envolvimento chinês na criação de instalações de pesquisa estrangeira de classe "Megascience" na Rússia, além da participação russa na criação de instalações similares na China.

Segundo Sergeev, ambos os países estão engajados em discussões acerca de pesquisas termo-nucleares chinesas, da mesma forma que pesquisas para a criação de um laser superpotente, também na China.

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Trump afirma que negociação comercial com a China vai 'muito bem'

US President Donald Trump welcomes Chinese President Xi Jinping at Mar-a-Lago state in Palm Beach, Florida, US, April 6, 2017.
© REUTERS / Carlos Barria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em um comunicado nesta terça-feira (8) que as negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China estão "indo muito bem".

"As conversas com a China estão indo muito bem", afirmou o presidente norte-americano através de sua conta oficial no Twitter. A postagem foi publicada enquanto representantes de EUA e China dão continuidade às negociações em Pequim em uma segunda rodada de conversas.


As negociações entre as duas maiores economias do mundo começaram na segunda-feira (7) e, segundo publicou Trump, continuam em andamento. As conversas estão sendo realizadas em nível vice-ministerial.

Washington e Pequim estão em lados opostos de uma guerra comercial desde que o presidente Donald Trump anunciou, em junho de 2018, a imposição de sobretaxas de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos importados chineses. Segundo a atual administração federal norte-americana, a medida teria como objetivo ajustar o déficit comercial entre os países em favor dos EUA.

Desde que a medida foi anunciada ambos os países têm trocado rodadas de novas taxas que ultrapassam centenas de bilhões de dólares.

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Kim Jong-un visita a China a convite de Pequim

In this photo provided Wednesday, March 28, 2018, by China's Xinhua News Agency, North Korean leader Kim Jong Un, left, and Chinese President Xi Jinping shake hands in Beijing, China.
© AP Photo / Ju Peng

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, chegou à China nesta segunda-feira (7) após ser convidado pelo presidente chinês, Xi Jinping. A visita marca o 4º encontro entre os líderes asiáticos.

Apesar de que não está claro qual será o tema do encontro, espera-se que ambos discutam o desenvolvimento das negociações entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump.

O jornal The New York Times divulgou mais cedo que um trem foi visto viajando por Dandong, cidade chinesa na fronteira com a Coreia do Norte. A publicação ressaltou que uma segurança reforçada foi colocada ao redor da cidade. Os hotéis na região se recusaram a receber hóspedes durante o período em que trem foi visto.

Kim e Xi se encontraram anteriormente em três oportunidades ao longo de 2018. As reuniões foram realizadas antes dos encontros históricos com Donald Trump e o presidente da Coreia do Norte, Moon Jae-in. 

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China testa sua versão de 'mãe de todas as bombas', diz imprensa (VÍDEO)

Bombardeiro H-6K patrulha o mar do Sul da China
© AP Photo / Xinhua

A empresa estatal chinesa NORINCO demonstrou imagens inéditas da sua versão da "mãe de todas as bombas" e dos testes, relata o Global Times.

Destaca-se que o poder de destruição da bomba aérea perde apenas para a bomba nuclear, por isso ela recebeu o apelido peculiar.

O jornal observa que a NORINCO já testou as capacidades da bomba a partir de um lançamento do bombardeiro H-6K e provocou uma gigantesca explosão. O local dos testes não foi informado.

​Com base nas imagens do vídeo, a bomba pesa várias toneladas e, devido ao seu tamanho, um bombardeiro pode carregar apenas uma bomba por vez. Segundo analistas, ela pode ter até seis metros de comprimento.

No entanto, especialistas também observaram que a bomba chinesa é provavelmente menor do que a dos EUA, tendo sido dimensionada deliberadamente para ser transportada pelo bombardeiro H-6K.

Alguns analistas chegaram a especular que a bomba seja também termobárica, mas a empresa chinesa não confirmou isso.

Em 2017, a Força Aérea dos EUA revelou uma gravação dos testes de 2003 de sua bomba não nuclear GBU-43/B, que também é conhecida como a "mãe de todas as bombas". O vídeo foi divulgado depois que a Força Aérea norte-americana a lançou contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em vários outros países) no Afeganistão.

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Nova 'guerra': EUA lançam alerta para cidadãos que vão viajar para a China

Bandeira dos EUA junto a emblema nacional da China (foto de arquivo)
© AP Photo / Andy Wong

O Departamento de Estado dos EUA emitiu uma advertência para os cidadãos norte-americanos que viajam para a China para irem com mais cautela, acusando Pequim de "imposição arbitrária de leis locais".

As autoridades norte-americanas emitiram o alerta de viagem de nível 2 nesta quinta-feira, sugerindo que aqueles que planejam visitar a China procedam com maior cautela. O alerta alega que a China "reivindicou ampla autoridade" ao deter cidadãos americanos e não permitir que eles deixassem o país.

O alerta também sugere que o envio de mensagens eletrônicas que critiquem o governo chinês pode ser suficiente para provocar detenção ou deportação. Eles alegam que as autoridades chinesas podem negar aos detidos acesso aos serviços consulares dos EUA ou submetê-los a "interrogatórios prolongados e prisões prolongadas".

As autoridades dos EUA recomendam que as pessoas carreguem seus passaportes com eles o tempo todo e registrem sua viagem com o programa "viagem inteligente" do governo.


Isso ocorre no mesmo dia em que um promotor público de Pequim afirmou que dois cidadãos canadenses detidos em meados de dezembro tinham "sem dúvida" violado a lei chinesa, apesar de as acusações oficiais ainda não terem sido arquivadas.

Embora ambos os lados neguem que o caso esteja ligado à detenção da executiva da Huawei, Meng Wanzhou, no Canadá, nove dias antes, muitos especulam que a detenção foi realizada em retaliação. O movimento internacional vem contra um contexto mais amplo de continuado conflito comercial entre a China e os EUA, que registrou as acusações originais contra Meng.

O Departamento de Estado dos EUA introduziu um sistema de advertência de viagem de quatro níveis, codificado por cores em 2018. O Nível 1 aconselha os viajantes a "tomarem as precauções normais", e aplica-se a países como Áustria, Bélgica e Estônia. O nível 2 recomenda que os viajantes "exerçam maior cautela", como é o caso da China. O nível 3 pede que os americanos "reconsiderem a viagem" para países como o Haiti e o Paquistão, enquanto o nível 4 simplesmente avisa "não viaje" e aplica-se a 11 países, incluindo Iraque, Afeganistão e Coreia do Norte.

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Jornal militar chinês alerta tropas: é preciso preparar soldados para guerra

Soldados do Exército da Libertação Popular da China
© REUTERS / Damir Sagolj

As tropas chinesas devem acelerar o treinamento, adiantar tecnologia de ponta e, acima de tudo, se preparar para a guerra, disse o Diário do Exército Popular de Libertação (ELP) - um jornal das Forças Armadas - em uma mensagem de Ano Novo.

"Preparação de soldados e preparativos de guerra" serão as principais prioridades para as Forças Armadas em 2019, disse o Exército oficial às tropas. Ele instou os leitores que "em nenhum momento deveríamos permitir qualquer folga nessas áreas".


"Devemos estar bem preparados para todas as direções da luta militar e melhorar de forma abrangente a resposta de combate das tropas em situações de emergência […] para garantir que possamos enfrentar o desafio e vencer quando houver uma situação", informou a mensagem.

O Diário do ELP também prometeu "reformar o Exército através da ciência e tecnologia", junto com o fortalecimento dos laços com o Partido Comunista Chinês.

O editorial foi publicado alguns dias antes de o presidente da China, Xi Jinping, ter chamado para forjar a reunificação com Taiwan. Ao dizer que "salvaguardaria os interesses e bem-estar" dos que vivem na ilha, Xi notou que Pequim "reserva a opção de tomar todas as medidas necessárias" contra os estrangeiros que dificultam o processo.

Taiwan é uma das questões que adicionam combustível a uma briga entre os EUA e a China desde que o presidente Donald Trump prometeu apoio militar à ilha. A China denunciou o movimento, advertindo os EUA contra a intromissão em seus assuntos internos. Deixando de lado Taiwan, o mar do Sul da China é outro lugar que viu crescentes tensões entre os EUA e a China.

No ano passado, Xi também pediu que as tropas "concentrem os preparativos" para um conflito militar. "Temos que intensificar exercícios de prontidão de combate, exercícios conjuntos e exercícios de confronto para melhorar as capacidades dos militares e a preparação para a guerra".


Os estrategistas de Washington indicam abertamente que Pequim é um oponente militar, mesmo alegando que pode ultrapassar os EUA em algumas áreas. O Pentágono, por exemplo, alertou repetidamente que os militares chineses poderiam deixar os EUA para trás na implantação do poder aéreo e marítimo, bem como no desenvolvimento de futuros sistemas de armas.

Alguns membros da elite militar dos EUA também especularam sobre a possibilidade de se envolver em um confronto militar com a China. O tenente-general Ben Hodges, ex-comandante dos EUA na Europa, certa vez sugeriu que Washington "deve lidar com a ameaça chinesa" no Pacífico.

"Os Estados Unidos precisam de um pilar europeu muito forte", disse ele ao Fórum de Segurança de Varsóvia em outubro. "Eu acho que em 15 anos — não é inevitável — mas é uma grande probabilidade de estarmos em guerra com a China".

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Divulgada 1ª FOTO captada no lado escuro da Lua

A sonda chinesa Chang'e-4 pousou no lado oculto da Lua pela primeira vez na história e enviou à Terra a primeira imagem da face lunar que o olhar humano não é capaz de ver.

A imagem foi enviada através do satélite Queqiao, que opera na órbita do halo em torno do segundo ponto de Lagrange L2 do sistema Terra-Lua.

Na imagem que a Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China postou em sua conta do WeChat pode ser observada a superfície lunar artificialmente iluminada, sendo visível uma cratera, assim como um fragmento do rover. 

​Com o sucesso da alunagem, a China entra para a história como o primeiro país a fazer pousar uma sonda nesta zona lunar até então inexplorada.

Segundo a rede de televisão chinesa CCTV, o pouso, que aconteceu relativamente perto do local predeterminado, permitiu "abrir um novo capítulo" no estudo do satélite da Terra.

A sonda lunar Chang'e-4 foi lançada do centro espacial de Xichang, localizado na província chinesa de Sichuan, em 7 de dezembro de 2018.

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China apoia continuação do diálogo entre EUA e Coreia do Norte

As pessoas andam de bicicleta passando por um teção transmitindo a reunião do líder norte-coreano Kim Jong Un e do presidente chinês Xi Jinping durante uma cerimônia de boas-vindas no Grande Salão do Povo em Pequim, terça-feira, 19 de junho de 2018.
© AP Photo / Andy Wong

Pequim apóia as ações de Washington e de Pyongyang com o objetivo de promover a desnuclearização da península coreana e melhorar as relações, disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Lu Kang.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que espera encontrar-se com o líder norte-coreano Kim Jong-un, que em uma mensagem por ocasião de Ano Novo expressou sua vontade de realizar um encontro com Trump a qualquer momento.


Lu enfatizou que Pequim "apóia a Coreia do Norte e os EUA, assim como Seul e Pyongyang, em seu desejo de manter a dinâmica positiva da cooperação para fortalecer ainda mais a confiança mútua e melhorar as relações entre os países".

O diplomata chinês destacou mudanças positivas na situação da península coreana e nas relações entre as duas Coreias em 2018.

"A China apóia Pyongyang na implementação das medidas importantes para a desnuclearização da península coreana", disse ele.

O ano de 2018 foi marcado pela desnuclearização da península coreana.

Em 12 de junho, em Singapura, uma cúpula histórica foi realizada entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte.

A reunião resultou na assinatura de um documento conjunto no qual ambas as partes confirmaram sua disposição de estabelecer relações bilaterais.

O líder norte-coreano reafirmou seu compromisso com a desnuclearização total da península coreana, enquanto o presidente dos EUA prometeu garantias de segurança a Pyongyang.

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China não descarta uso de força em caso de interferência externa na questão de Taiwan

Xi Jinping, líder chinês, durante 40º aniversário da Mensagem aos Compatriotas de Taiwan, Pequim, 2 de janeiro de 2019
© AP Photo / Mark Schiefelbein

A China não promete descartar o uso de força e se reserva a opção de usar todas as medidas necessárias contra as forças externas e atividades separatistas em Taiwan, declarou o líder chinês Xi Jinping nesta quarta-feira (2).

Discursando por ocasião do 40º aniversário da Mensagem aos Compatriotas de Taiwan, Xi Jinping assegurou que "os chineses não lutam contra chineses" e que a China está pronta para lutar com todas as forças pelas perspectivas de uma reunificação pacífica, através do caminho mais favorável para todos os compatriotas de ambos os lados do estreito de Taiwan e para toda a nação.

"Não prometemos descartar o uso da força militar e nos reservamos o direito de tomar todas as medidas necessárias dirigidas contra a interferência externa e o pequeno número de separatistas e movimentos separatistas que se manifestam a favor da 'independência de Taiwan'", destacou Xi Jinping, sublinhando que tais medidas não são destinadas contra os compatriotas de Taiwan.


Falando sobre a reunificação da China, Xi Jinping disse que isso não pode prejudicar os interesses legítimos de outros países, incluindo os interesses econômicos legítimos de Taiwan, e pode apenas criar ainda mais novas oportunidades para o desenvolvimento e estabilidade da região.

"O andamento do desenvolvimento das relações entre ambos os lados do estreito de Taiwan prova que Taiwan faz parte da China, que estas partes são ligadas pelos mesmos fatos históricos e jurídicos, ninguém tem força para mudar isso", frisou o líder chinês.

Xi Jinping disse também que a reunificação da China é uma tendência histórica e o caminho certo, enquanto a "independência de Taiwan" contradiz a história e leva a um beco sem saída. O líder chinês expressou a prontidão para criar amplas possibilidades para uma reunificação pacífica.

Taiwan e a China têm sido governados separadamente desde a Guerra Civil Chinesa nos anos 40. Hoje, a China continua reivindicando sua soberania sobre Taiwan. Os contatos empresariais e informais foram retomados entre as partes nos anos 80. No início dos anos 90, a China e Taiwan começaram a se contatar através de organizações não governamentais.

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