China

China pede aos EUA que parem com ataques contra a Huawei

Pequim, 16 mai 2019 (Lusa) - A China instou hoje os Estados Unidos a pararem com as suas práticas contra empresas chinesas, depois de o Presidente norte-americano ter proibido firmas dos Estados Unidos de usarem equipamento da Huawei.

"Ninguém vê essa medida como construtiva ou amigável e pedimos aos EUA que parem com essas práticas", disse o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lu Kang, em conferência de imprensa.

Kang disse que Pequim "se opõe a países que criam obstáculos usando a questão da segurança nacional como desculpa" e assegurou que empresas estrangeiras a operar no país asiático "não precisam de se preocupar desde que cumpram as leis".

O Governo norte-americano emitiu hoje uma ordem executiva que proíbe as empresas dos EUA de usarem qualquer equipamento de telecomunicações fabricado pela Huawei.

Uma outra ordem exige às empresas do país que obtenham licença para vender tecnologia à Huawei, num golpe que se pode revelar fatal para a gigante chinesa das telecomunicações.

A medida pode cortar o acesso da Huawei aos semicondutores fabricados nos Estados Unidos e cruciais para a produção do seu equipamento.


As ordens assinadas por Trump declaram mesmo uma "emergência nacional" face às ameaças contra as telecomunicações dos EUA, uma decisão que autoriza o Departamento de Comércio a "proibir transações que colocam um risco inaceitável" à segurança nacional.

Colocar a Huawei na lista "negra" teria "efeitos em cascata" em todo o mundo, considerou Samm Sacks, especialista em cibersegurança da unidade de investigação New America, com sede em Washington, citado pelo jornal Financial Times.

"As redes na Europa, África e Ásia que dependem dos equipamentos da Huawei sentirão o impacto, porque a Huawei depende de componentes fornecidos pelos EUA", disse.

Paul Triolo, especialista em políticas de tecnologia do Eurasia Group, considerou a decisão um "grande passo", que não prejudicará apenas a empresa chinesa, mas terá também um "impacto" nas cadeias globais de fornecimento, envolvendo empresas as norte-americanas Intel, Microsoft, Oracle ou Qualcomm.

"Os EUA declararam abertamente uma guerra tecnológica contra a China", afirmou.

A Huawei fornece dezenas de operadoras líderes em todo o mundo.

Em dezembro do ano passado, durante a visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado entre a portuguesa Altice e a empresa chinesa um acordo para o desenvolvimento da próxima geração da rede móvel no mercado português.

Washington tem pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei da construção de infraestruturas para redes de quinta geração (5G), a Internet do futuro, acusando a empresa de estar sujeita a cooperar com os serviços de informação chineses.

Austrália, Nova Zelândia e Japão aderiram já aos apelos de Washington e restringiram a participação da Huawei.

Pequim e Washington travam, desde o verão passado, uma guerra comercial, que se agravou na última semana, com os governos das duas maiores economias do mundo a imporem taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.

No cerne das disputas está a política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Washington vê aquele plano como uma ameaça ao seu domínio industrial e considera uma violação dos compromissos da China de abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da concorrência externa.

JPI // FPA

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/china-pede-aos-eua-que-parem-com.html

China diz que negociações com os EUA não acabaram e aponta 3 pontos de discórdia

Presidente dos EUA, Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, durante negociações entre EUA e China no G20, na Argentina
© REUTERS / Kevin Lamarque

O principal negociador comercial da China, Liu He, disse nesta sexta-feira em Washington que as negociações comerciais com os EUA continuariam em Pequim após dois dias de negociações e um aumento de tarifa nos EUA.

"As negociações não foram interrompidas, mas, ao contrário, isso é apenas uma reviravolta normal nas negociações entre os dois países", declarou Liu à mídia chinesa.

"Ambos os lados concordam que se reunirão novamente em Pequim no futuro e continuarão impulsionando as negociações", prosseguiu ele, sem dar uma data.


Embora Liu tenha considerado os dois dias de conversações nos EUA "produtivos", ele destacou que as diferenças continuam existindo.

"Temos um consenso em muitas áreas, mas para falar francamente, há áreas em que temos diferenças e acreditamos que elas dizem respeito a grandes princípios", explicou. "Todo país tem princípios importantes e não faremos concessões em questões de princípio".

De acordo com a mídia estatal chinesa, três principais diferenças permanecem nas negociações comerciais entre Pequim e Washington.

O Diário Oficial do Povo do Partido Comunista e a agência de notícias oficial Xinhua disseram que, além do aumento das tarifas adicionais, as diferenças se concentraram nas compras comerciais e em um texto "equilibrado" para qualquer acordo comercial.

"A China nunca cederá à pressão máxima do lado dos EUA e não comprometerá as questões de princípio. A China deixou claro a necessidade de eliminar todas as tarifas adicionais para retomar o comércio bilateral normal", informou o Diário do Povo.

"A China claramente exige que os números das aquisições comerciais sejam realistas. O texto deve ser equilibrado e expresso em termos aceitáveis para o povo chinês e não prejudicar a soberania e a dignidade do país", acrescentou.


A Xinhua, que relatou as mesmas três diferenças, disse que remover todas as tarifas adicionais era a "demanda comum" dos negócios e da agricultura dos EUA, e que ambos os países precisavam demonstrar mais paciência e perseverança para superar as dificuldades.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou nesta sexta-feira ao representante comercial dos EUA que inicie o processo de aumento de tarifas sobre todas as importações remanescentes da China, com o valor dos produtos sujeitos a nova rodada de tarifas em aproximadamente US$ 300 bilhões.

Os EUA já intensificaram sua guerra tarifária com a China na sexta-feira, aumentando as arrecadações de US$ 200 bilhões em mercadorias chinesas em meio a conversas de última hora para resgatar um acordo comercial.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019051113857814-china-pontos-negociacao-eua/

Trump ordena aumento de tarifas contra a China e valor chega a US$ 300 bilhões

Bandeiras dos EUA e China (imagem de arquivo)
© AP Photo / Andy Wong

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que as tarifas sejam cobradas em todas as importações remanescentes da China, que somam cerca de US$ 300 bilhões, disse o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, em comunicado.

"O presidente também ordenou que começássemos o processo de aumentar as tarifas de praticamente todas as importações remanescentes sobre produtos da China, que são avaliadas em aproximadamente US$ 300 bilhões", disse Lighthizer nesta sexta-feira (10).


No começo do dia, ele acrescentou, os Estados Unidos aumentaram as tarifas de 10% para 25% em cerca de US$ 200 bilhões em importações chinesas.

O vice-premiê chinês, Liu He, que lidera a comissão chinesa na negociação comercial com os Estados Unidos, afirmou em entrevista à CCTV nesta sexta-feira (10) que a China responderá às ações dos EUA.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019051013857370-donald-trump-china-comercio-tarifas-importacao/

China se diz forçada a retaliar aumento de tarifas dos EUA

O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, afirmou nesta-sexta-feira (10) que Pequim será forçada a retaliar o aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos. Liu He é responsável por lideras as negociações bilaterais de comércio entre os países.

Mais cedo nesta mesma data, uma nova rodada de tarifas de comércio foi efetivada pelos EUA. Com isso, um total de US$ 200 bilhões em produtos chineses foi tarifado, aumentando de 10% para 25%.


"Se os Estados Unidos aumentarem suas tarifas, nós teremos que responder a isso também. Claro, esperamos que os Estados Unidos barrem a medida. Então, a China também irá aderir a essa posição. Um dos lados não pode demonstrar indefinidamente", disse o político chinês em uma entrevista para a emissora chinesa CCTV após as negociações em Washington.

O vice-premiê insistiu que a China era contra o aumento de tarifas de comércio entre os países.

Nós acreditamos que [o aumento de tarifas] não é benéfico nem para os Estados Unidos nem para a China nem para ninguém. Ainda, isso não ajuda a resolver questões comerciais e econômicas", ressaltou Liu.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019051013857327-china-eua-comercio-tarifas/

Nova espiral da guerra comercial sino-americana: após tarifas, Pequim promete retaliar

Notas yuan e dólares dos EUA são vistos em uma mesa em Yichang, província de Hubei, na China central em 14 de agosto de 2015
© AFP 2019 / STR

A partir de 10 de maio as tarifas norte-americanas sobre uma série de produtos chineses foram elevadas de 10% para 25%, em um valor de 200 bilhões de dólares. O especialista Pavel Kudryavtsev explica como o conflito comercial entre as duas maiores economias pode afetar a economia global.

As autoridades americanas decidiram aumentar as tarifas sobre uma série de produtos chineses no valor de 200 bilhões de dólares (R$ 890 bilhões) de 10% para 25%, incluindo produtos químicos, materiais de construção, mobiliário e alguns artigos eletrônicos. A medida entrou em vigor hoje (10).


O Ministério do Comércio da China sublinhou que "lamenta profundamente" o aumento das tarifas sobre as suas exportações e que não tem outro remédio senão tomar contramedidas a esse respeito.

"A China lamenta-o profundamente. Temos que tomar contramedidas necessárias", lê-se no comunicado do Ministério.

Ao mesmo tempo, o ministério expressou sua esperança de que ambos países trabalhem juntos para resolver os problemas existentes através da "cooperação e consultas".

É de assinalar que, há dez dias, Washington e Pequim anunciaram um “progresso significativo”, mas na quinta-feira (10) os EUA decidiram aumentar as tarifas em resposta à alegada violação de compromissos pela China.

"Desde 2017, a China e os EUA estão tentando resolver disputas econômicas, tendo desde então sido introduzidas diversas novas tarifas, bem como anunciados preparativos e fracassos das negociações. É evidente que notícias desse tipo sempre causam volatilidade nos mercados e discussões massivas", sublinhou o representante da Câmara de Comércio e Indústria da Rússia na Ásia Oriental, Pavel Kudryavtsev, acrescentando que não espera que o conflito possa levar a uma catástrofe econômica global.


Segundo Kudryavtsev, "na prática a cooperação econômica se baseia em laços comerciais e de investimentos de longo prazo e é bastante difícil os destruir".

Em meados de abril, a mídia informou que os EUA e a China planejavam realizar uma nova rodada de negociações e esperavam fechar um acordo comercial final no fim de maio ou no início de junho.

Pequim e Washington se envolveram em uma disputa comercial desde março de 2018 quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA imporiam tarifas de 25% sobre uma série de produtos chineses, em uma tentativa de reduzir o déficit comercial entre EUA e China. Desde então, os dois países adotaram uma série de tarifas protecionistas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2019051013852332-nova-espiral-da-guerra-comercial-sino-americana-apos-tarifas-pequim-promete-retaliar/

Que papel pode desempenhar Portugal na iniciativa chinesa Nova Rota da Seda?

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, encerrou nesta quarta-feira (1º) uma visita à China, onde participou da segunda edição do Fórum "Faixa e Rota". Especialistas indicaram à Sputnik Brasil o que está por trás do interesse de Portugal em ser parceiro estratégico nesse plano global do governo chinês.

O relacionamento não é de hoje e 2019 marca duas datas importantes para Portugal e China. São 40 anos desde o estabelecimento de relações diplomáticas oficiais e 20 anos da transferência da região administrativa de Macau do governo português para o chinês. No último mês de dezembro, o presidente Xi Jinping esteve em Lisboa pela primeira vez. A agenda resultou na assinatura de 17 acordos de cooperação bilateral e na promessa de elevar a parceria entre os dois países para um novo patamar.


A viagem de Marcelo Rebelo de Sousa teve como pano de fundo a participação na segunda edição do Fórum "Faixa e Rota", programa do governo сhinês que pretende criar infraestruturas terrestres e marítimas para ampliar o fluxo de comércio da China com o mundo. No entanto, o presidente português também atuou como "garoto-propaganda" para atrair mais investimentos chineses.

"Esta oportunidade é magnífica para vos deixar duas mensagens. Uma é de agradecimento por terem apostado em Portugal em um momento de crise, que era um momento importante e difícil para a economia portuguesa. Estiveram presentes quando outros, que poderiam estar, não estiveram. A segunda palavra é virada para o futuro. Nós queremos que não fiquem por aqui. Queremos que, da vossa parte e da parte de outros investidores chineses, continue a haver a compreensão da importância de estarem presentes em Portugal", afirmou o presidente português durante um jantar com diretores das maiores empresas chinesas investidoras no país.

Para os especialistas, a estratégia é necessária. "Tem que ser feita uma política externa para mostrar aos chineses aquilo que eles não veem e que os pode interessar. Acho que essa visita se insere nessa lógica", analisa para a Sputnik Brasil o professor e presidente do Instituto do Oriente, unidade de pesquisa da Universidade de Lisboa, Nuno Canas Mendes.

"Chegou um momento em que a relação que Portugal tinha com a China estava condicionada pela questão de Macau, mas nesta fase em que o país está em uma outra posição no plano mundial, de grande destaque, a competir claramente com os gigantes, numa fase em que os Estados Unidos estão em conflito aberto com a própria China, Portugal deve se posicionar nesse jogo", complementa o professor.

Atualmente, Portugal concentra o segundo maior montante de investimentos chineses na União Europeia, atrás apenas da Finlândia. A entrada significativa de capital da China veio logo depois da crise de 2008, quando Portugal se viu obrigado a pedir um resgate financeiro à chamada Troika para sobreviver.


"A China aproveitou essa oportunidade para entrar de uma forma muito assertiva na economia portuguesa, com investimentos em áreas como aviação, saúde, setor financeiro, energia. Apesar dos receios de vários analistas, isto acabou por ser uma relação positiva para os dois. Portugal precisava de investimentos e a China tem uma estratégia geopolítica de longo prazo", avalia para a Sputnik Brasil a professora catedrática do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Carla Guapo Costa.

Faixa e Rota

Durante a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal e China assinaram um memorando de entendimento para o estabelecimento de um diálogo estratégico, confirmando a promessa de Xi Jinping de subir o patamar do relacionamento entre os dois países. "Essa abertura, no fundo, faz parte de uma abordagem global. A China percebe que Portugal tem uma posição interessante, porque, estando na Europa, pode abrir portas para outras partes", explica o professor Nuno Canas Mendes.

Uma das portas que Portugal pode facilitar para a China vai ser no âmbito do programa "Faixa e Rota", que reforça as infraestruturas terrestres e marítimas para ligar a região ocidental do país à Europa e ao oceano Índico. O programa também é conhecido como a "Nova Rota da Seda", alusão ao período histórico em que as trocas comerciais entre a Ásia, Mediterrâneo e África eram realizadas por caminhos desbravados por mercadores chineses.

A iniciativa foi lançada em 2013 e prevê o incremento de ferrovias e autoestradas, que vão cruzar a Rússia e a Ásia Central, e o estabelecimento de uma rede de portos no Mediterrâneo e na África. "A 'Faixa e Rota' nasce originalmente como forma de resolver uma série de problemas internos que a China atravessa. Apesar de ser a segunda maior economia do mundo, é a maior potência comercial do mundo, mas tem debilidades estruturais muito grandes. Por exemplo, a questão das disparidades regionais. Algumas regiões menos desenvolvidas são também atravessadas por tensões políticas e independentistas muito significativas. Portanto, 'Faixa e Rota' preenche aquela necessidade muito grande por parte de China de tentar disseminar os frutos do crescimento econômico por todo o seu território", avalia a professora Carla Guapo Costa.


A professora ressalta ainda a necessidade de a China querer diversificar o seu modelo econômico, internacionalizar a moeda e ter acesso a recursos naturais. No programa, um dos pontos de interesse em Portugal passa pela utilização dos portos. "O porto de Sines e o porto de Leixões geograficamente estão em uma posição favorável, ligando o Mediterrâneo e o Atlântico. Se conseguirmos construir, como está previsto, ligações ferroviárias desses portos com o interior da Espanha, serão um dos pontos de chegada da Nova Rota da Seda e depois de partida para outros destinos", analisa a professora.

O chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, declarou, durante o último dia da visita do presidente português, ter "plena confiança de que Portugal se tornará no eixo europeu desse projeto".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019050213794574-que-papel-pode-desempenhar-portugal-na-iniciativa-chinesa-nova-rota-da-seda/

BRI: UMA GEOESTRATÉGIA QUE UNE OU JOGADAS MAQUIAVÉLICAS?

image

A algazarra da media no Ocidente, lacaia do poderio americano, não impede que o desenvolvimento pacífico entre nações (incluindo Portugal) ocorra, através das «Novas Rotas da Seda» (ou BRI = Belt and Road Initiative).
No momento da segunda cimeira da BRI, assiste-se a uma grande berraria, da parte dos que se consideram árbitros do mundo, sobre uma suposta armadilha da dívida, em que a China teria encerrado várias economias em desenvolvimento. Esta suposta «armadilha» da dívida, é apenas a fantasia maquiavélica, a projecção do que, realmente, o «Ocidente» fez. As suas políticas neo-coloniais, implementadas em grande escala, com a colaboração do FMI e Banco Mundial, têm levado a situações onde muitos países mais frágeis são vítimas de extorsão.   Agora, os países outrora sujeitos à exploração neo-colonial, têm oportunidades de desenvolvimento, através de acordos mutuamente vantajosos, com projectos de infra-estrutura que - por sua vez - permitirão o alargamento e diversificação do comércio e produção.
Se cerca de 120 países, com os mais diversos níveis económicos e regimes políticos, apostam nestas oportunidades, qual é o sentido de se dar ouvidos à campanha de «think-tanks» neo-conservadores, com base nos EUA ou nestes inspirados, que apenas se especializam em fazem «análises» destituídas objectividade?  - A China não está a fazer «ajuda», ao firmar acordos com outros países; está a fazer algo que corresponde a seu interesse também, obviamente. É de todo o interesse de ambas as partes, que os projectos sejam bem dimensionados, para que não existam situações de incumprimento, de falta de pagamento dos projectos acordados. Isto é normal em negócio.  Não existem cláusulas mais ou menos ocultas, de submissão a um dado modelo como, aliás, era vulgar nos acordos produzidos durante a era neo-colonial, entre ex-colónias e respectivas potências coloniais, principalmente em África.  Os «críticos» da BRI nem sequer o são, pois para se criticar, tem de se avaliar, com objectividade, os pontos fortes e os fracos. É realmente estranho «que não vejam» que existe uma grande diversidade de países a colaborar em projectos da BRI, desde a muito avançada e rica Suiça, até aos países deixados exaustos e abandonados, depois de séculos de rapina colonial e neo-colonial. 
Para mim e para qualquer pessoa com realismo, a dimensão e alargamento contínuo dos acordos firmados no âmbito da BRI é um sinal de sucesso. É evidente que os países e seus dirigentes sabem perfeitamente defender seus interesses e  aproveitam oportunidades.  Por contraste, como eu dizia em crónica anterior, os EUA apenas sabem ameaçar, coagir, exercer chantagem de toda a ordem e, sobretudo, intervir militarmente, destruindo vidas e infra-estruturas, deixando países em ruptura de tudo no rescaldo das suas aventuras bélicas. Que tal país, que se auto-classifica de «indispensável», se arrogue o papel de «avaliador» de projectos económicos de desenvolvimento... seria cómico, se não fosse acompanhado com o trágico espectáculo do rasto de caos que deixa por onde passa.

Ver o original em 'Manuel Banet' (clique aqui)

Portugal | Marcelo e Governo reforçam alinhamento com a China

Com uma representação do mais alto nível no Fórum da nova Rota da Seda, Portugal assume o interesse em atrair ainda mais investimento chinês. Independentemente das desconfianças diplomáticas de Bruxelas

Presidente da República chega esta sexta-feira a Pequim, com três membros do Governo, para uma visita que será uma afirmação política da vontade de alinhamento com a China, sinalizando a abertura de Portugal para mais e maiores investimentos chineses no nosso país.

Principal sinal disso mesmo é a presença e participação de Marcelo Rebelo de Sousa no 2.º Fórum da Iniciativa Faixa e Rota (Belt and Road Iniciative; BRI), o maior e mais ambicioso plano alguma vez delineado por Pequim para investimentos no estrangeiro, inspirado na velha Rota da Seda, que ligou (e quer voltar a ligar) a Ásia, a Europa e África.

Depois da participação no Fórum BRI, que junta chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países (e onde as estrelas são o anfitrião, Xi Jinping, e o Presidente russo, Vladimir Putin), Marcelo faz uma visita de Estado à China, que em quatro dias o levará, para além de Pequim, a Xangai e a Macau.


Este ano celebram-se duas décadas sobre a devolução de Macau à soberania chinesa, e passam quarenta anos sobre o reatar de relações diplomáticas entre os dois países. Apesar das relações bilaterais existirem há quinhentos anos (os primeiros navegadores portugueses chegaram à China em 1513), foram interrompidas durante o Estado Novo, e retomadas apenas em fevereiro de 1979, após o PREC. Uma decisão a que, então, o PCP se opôs fortemente, estando à época alinhado com Moscovo e em ruptura com o comunismo em versão maoista.

NOVO CONSENSO NACIONAL

Passados todos estes anos, a China tornou-se um improvável consenso nacional. O PCP tornou-se um dos maiores defensores do regime de Pequim, mas essa defesa tornou-se transversal, da esquerda à direita. Foi o Governo PSD-CDS que abriu caminho, nos anos da troika, aos fortes investimentos chineses em sectores estratégicos da economia nacional (da EDP à REN, passando pela banca, pelo sector dos seguros e da saúde, entre outros), uma atitude de abertura ao capital chinês que se mantém viva com o atual Governo, e a que Marcelo Rebelo de Sousa pretende dar o seu incentivo durante esta viagem, em que estará acompanhado dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do Ambiente e Transição Energética, Matos Fernandes, para além do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

O consenso português sobre a abertura ao reforço do capital chinês no nosso país contrasta com as dúvidas que a União Europeia, enquanto tal, tem levantado em relação a esta penetração de Pequim em sectores sensíveis da economia de Estados-membros da União. Resistências que tem sido lideradas sobretudo por Berlim e Paris, que não veem com bons olhos a aproximação de vinte países da UE à Belt and Road Iniciative. Porém, ao mesmo tempo que têm protagonizado um discurso centrado na importância da UE encontrar os seus próprios mecanismos de articulação com a China e a Ásia, em vez de ir atrás do plano lançado por Xi Jinping em 2013, Angela Merkel e François Macron tudo têm feito para captar capital chinês para os seus países - assim como todos os restantes Estados-membros, incluindo o que está de saída, Reino Unido.

PORTUGAL APRESENTA-SE COM O SUPREMO MAGISTRADO

Pelo meio destas subtilezas diplomáticas, a presença de Marcelo Rebelo de Sousa no segundo Fórum da BRI dá um sinal político inequívoco - apesar de Portugal não se ter associado formalmente ao projeto da Faixa e Rota, faz-se representar em Pequim pelo mais alto magistrado da Nação, o que não coincide com o seu estatuto de país com um mero memorando de cooperação, assinado apenas em dezembro, durante a visita de Xi a Lisboa e Porto.

Na União Europeia há dezassete países que são membros da BRI - essencialmente da Europa de Leste e Central, o que tem reforçado o caráter euro-asiático desta iniciativa. Outros três têm acordos de cooperação, como o que foi assinado por Portugal em dezembro, e por Espanha em novembro. Aliás, o primeiro-ministro espanhol era esperado em Pequim este fim-de-semana, plano que só não se concretizou porque o seu Governo caiu, havendo eleições em Espanha este domingo.

Foi na visita de Xi a Portugal, em dezembro, que este convidou o seu homólogo a estar presente no Fórum que decorre este sábado, o que Marcelo prontamente aceitou. De acordo com fontes diplomáticas portuguesas, Lisboa só não esteve representado a este nível no primeiro Fórum da Iniciativa Faixa e Rota, em 2017, porque coincidiu com as comemorações do 13 de maio, quando o Papá Francisco visitou Portugal.

Vários países da Europa de Leste fazem-se representar pelo presidente ou pelo primeiro-ministro, mas capitais como Paris e Madrid enviaram o ministro dos Negócios Estrangeiros, enquanto de Berlim chega o ministro da Economia.

Se a diplomacia se faz destes sinais protocolares, o sinal dado por Portugal é claro na aposta em associar-se à Nova Rota da Seda, que através de investimentos em infraestruturas e conectividade visa, entre outros objetivos, ligar Pequim a África e à Europa através de uma faixa terrestre de estradas e caminhos de ferro com investimento chinês, e de uma rota marítima passando por portos financiados ou explorados também por capitais oriundos da China. A hipótese de ficar em mãos chinesas o segundo terminal do Porto de Sines está em cima da mesa e não deixará de ser abordada nos contactos destes dias.

Marcelo falará na sessão de sábado à tarde, sobre a agenda de desenvolvimento verde e sustentável 2030, lançada pela ONU, e à qual a BRI se associou, fazendo da promoção da sustentabilidade ambiental uma das traves-mestras do seu programa (ou, na perspetiva dos mais céticos, usando a agenda verde como um slogan que ajuda a vender melhor a marca Belt and Road).

UMA VISITA DE ESTADO HABITUAL

Ainda antes da participação na cimeira Belt and Road - e da foto de família ao lado de chefes de Estado como Putin ou o moçambicano Filipe Nyusi, mas também de líderes de instituições internacionais, como António Guterres e Christine Lagarde - Marcelo Rebelo de Sousa visita esta sexta-feira a Grande Muralha da China. Será um arranque em grande para uma viagem inédita: Marcelo já conhece Macau, mas nunca esteve em Pequim ou em qualquer outra parte do território continental chinês.

O Presidente vai visitar também a Cidade Proibida, o outro grande bilhete postal da capital chinesa, e deverá ir ainda a um templo budista e dar um passeio pelo bairro boémio de Sa Li Tun, perto do hotel onde fica hospedado. Esta é a componente turística da visita; as que mais importam são as componentes política e económica.

Na vertente política haverá encontros bilaterais com o Presidente e o primeiro-ministro chineses, e na agenda económica, para além da BRI, constam encontros com os principais investidores chineses em Portugal, e com os maiores exportadores portugueses para a China. Em Xangai e Macau, será acentuada uma outra componente das relações bilaterais: a língua e a cultura.

No fundo, os ingredientes que se tornaram tradicionais nas relações entre os dois países. Desse ponto de vista, esta será uma visita de Estado habitual, se tivermos em conta que, desde que os dois países reataram relações diplomáticas, todos os Presidentes portugueses visitaram a China, e todos os chefes de Estado chineses estiveram em Portugal. E, agora que esta relação tem milhões de euros de investimento a dar-lhe cola (foram mais de dez mil milhões só desde os anos da troika), os dois países parecem mais próximos do que nunca.
Felipe Santos Costa, em Pequim | Expresso | Foto: How Hwee Young/EPA

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/portugal-marcelo-e-governo-reforcam.html

O NONO CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

25 de Abril de 1969. Terminava o 9º Congresso do Partido Comunista Chinês que viera a decorrer desde o princípio do mês. Haviam comparecido 1.512 delegados e as sessões haviam-se prolongado por mais de três semanas. Entre as decisões principais, havia sido eleito o Comité Central de 170 membros efectivos e 109 suplentes. Desses 279 membros, os sinólogos haviam encontrado apenas 53 nomes que haviam transitado do Comité Central precedente, que fora eleito em 1956. Esta renovação de 81% dos membros do mais importante órgão dirigente na China eram sintoma e consequência da Revolução Cultural iniciada em 1966. Na prosa bombástica tão característica do comunismo chinês, a declaração final do Congresso incluía uma passagem em que se assegurava que "O Exército (chinês) esmagará o imperialismo americano e o revisionismo soviético". Mas o discurso inaugural de Mao, o relatório apresentado por Lin Biao e a nova constituição do partido (aprovada por unanimidade dos 1.512 delegados), não haviam sido divulgados, abrindo caminho para as especulações dedutivas dos sinólogos ocidentais. Pelo que se observava, a ascendência de Lin Bao confirmava-se (nas imagens acima ele aparecia sentado à direita de Mao), mas também a perenidade da presença de Zhou Enlai (que está sentado no lado oposto). Mas a sinologia, especialmente se aplicada ao quem é quem nas estruturas do PC chinês era uma disciplina não apenas exigente, como também capaz de intimidar qualquer leigo: bastava pronunciar com desenvoltura o nome dos membros do Bando dos Quatro! E quem é que não se maravilhava perante aqueles que faziam a distinção cristalina entre Yao Wenyuan e Wang Hongwen?!

 

Veja o original em 'Herdeiro de Aécio' na seguinte ligação::

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/04/o-nono-congresso-do-partido-comunista.html

China avisa sobre aumento de 'turbulência' com jogada dos EUA contra petróleo do Irã

Petroleiro no porto de Bandar Abbas, no sul do Irã (foto de arquivo)
© AFP 2019 / ATTA KENARE

O fim da isenção de sanções norte-americanas para compra de petróleo iraniano não agradou a grandes compradores do hidrocarboneto do Irã, dentre eles, a China.

Pequim criticou mais uma vez a decisão da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, de sancionar a importação do petróleo iraniano, alertando sobre a possibilidade de consequências para a segurança do Oriente Médio.

"A China se opõe firmemente à execução norte-americana de sanções unilaterais e à chamada jurisdição armada duradoura", afirmou o porta-voz do MRE chinês, Geng Shuang, a repórteres, na terça-feira (23).


"A jogada relevante dos Estados Unidos vai intensificar a turbulência no Oriente Médio e a turbulência no mercado energético internacional", reforçou o porta-voz chinês.

Mais interiormente nesta semana, Shuang declarou que a China faria o que for necessário para proteger seus interesses comerciais que poderiam ser afetados pela recente decisão norte-americana de isentar as sanções contra petróleo iraniano.

Na segunda (22), Washington anunciou que vai pôr fim, em maio, à isenção das sanções sobre a importação de petróleo proveniente do Irã.

A isenção foi dada por um prazo de 180 dias pelos EUA para os oito principais compradores – China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Turquia, Itália e Grécia, com o prazo terminado no dia 2 de maio.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019042413749724-china-avisa-aumento-turbulencia-jogada-eua-contra-petroleo/

China exibe crescente poder naval com maior parada militar marítima de sempre

Pequim, 22 abr 2019 (Lusa) - A China vai exibir, na terça-feira, o rápido crescimento do seu poderio naval, com a maior parada militar marítima da sua história, reforçando laços com os exércitos de países vizinhos e estimulando o patriotismo doméstico.

A parada, que marca o 70.º aniversário das forças navais do Exército de Libertação Popular, realiza-se nas águas de Qingdao, nordeste do país, e deve servir para apresentar o Destroyer 55, o mais recente contratorpedeiro de mísseis guiados a integrar as forças navais chinesas.

Depois de mais de duas décadas de sucessivos aumentos dos gastos militares, a China está a converter a sua marinha, até então limitada à defesa costeira, numa força capaz de patrulhar os mares próximos do país e de se aventurar no alto mar global.

Pequim considera este avanço crucial para proteger os seus interesses nacionais, mas suscita preocupação em Washington, que vê agora em causa a sua hegemonia militar no Pacífico, mantida desde a Segunda Guerra Mundial.


As forças navais do Exército de Libertação Popular querem "acelerar a construção de uma força naval compatível com o estatuto do país" e "capaz de responder às ameaças à segurança marítima e dissuadir e equilibrar forças com o principal adversário", lê-se num editorial assinado pelo vice-almirante Shen Jinlong e o vice-almirante e diretor político das forças navais chinesas, Qin Shengxiang.

Os responsáveis consideraram a construção de ilhas artificiais capazes de receber instalações militares no Mar do Sul da China - um avanço que aumentou as tensões com países vizinhos e os Estados Unidos - como um feito para as forças navais chinesas.

O mesmo editorial destaca ainda a retirada de cidadãos chineses durante o conflito no Iémen, em 2015, a conclusão, no ano passado, do Destroyer 55 - o primeiro porta-aviões de construção chinesa -, e o estabelecimento da primeira base militar do país além-fronteiras, em Djibuti, no Corno de África.

Segundo especialistas, o Destroyer 55 é a primeira embarcação de guerra da China que está ao nível do norte-americano Ticonderoga.

Com mais de 10.000 toneladas, a embarcação está dotada de 112 unidades com sistema de lançamento vertical (VLS, na sigla em inglês), usadas para disparar mísseis contra aviões adversários.

O país continua, ainda assim, a ter menos de um décimo do total de 8.720 unidades VLS que dotam a marinha norte-americana, embora as suas capacidades estejam a aumentar rapidamente.

Segundo o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, a frota de navios de guerra antiaérea dos EUA aumentou de 51 para 87, nos últimos 20 anos, enquanto a China passou de nenhum para 15.

Oficiais de mais de 60 países assistirão à parada militar de terça-feira, a maior de sempre do país, segundo a imprensa chinesa.

Quase metade dos países, alguns aliados dos Estados Unidos, vão enviar navios para participar do desfile.

Uma fragata de Singapura foi a primeira a chegar a Qingdao, na quinta-feira. As Filipinas e o Vietname, que reclamam territórios no Mar do Sul da China, trouxeram também embarcações militares.

O Japão, que abriga o maior número de bases militares norte-americanas próximas da China, participará com um contratorpedeiro, ilustrando o reaproximar entre Tóquio e Pequim.

Os EUA não enviarão qualquer navio.

Washington esteve representado pelo seu chefe de operações navais, no 60º aniversário das forças navais do Exército de Libertação Popular, em 2009, mas desta vez enviou apenas o adido de Defesa da embaixada em Pequim.

A decisão ilustra um declínio nos contactos entre os exércitos das duas potências, enquanto o Pentágono enfatiza a necessidade de conter a ascensão da China.

JPI // FPA // LUSA

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/china-exibe-crescente-poder-naval-com.html

Sabem o que é o BREXIT! E o BRI?

Com quase todas as atenções mediáticas centradas na questão do Brexit, pouco relevo mereceu a cimeira UE-China, que teve lugar na véspera do Conselho Europeu que votou uma nova prorrogação para a data de saída do Reino Unido.

A cimeira foi invariavelmente apresentada como uma iniciativa votada ao fracasso, mesmo após a Itália ter firmado acordos que poderão incluir os seus portos de Trieste e Génova na chamada Nova Rota da Seda – projecto chinês que também designam por Belt Road Iniciative (BRI) e prevê a construção de uma rede global de comércio através de infra-estruturas como caminhos-de-ferro, portos, auto-estradas e túneis ligando a Ásia, o Médio Oriente, a África e a Europa – no que parece ser um estratégico desenvolvimento geopolítico que dará à China a capacidade de possuir ou controlar os portos mais vitais da Ásia, da África, de grande parte da América Latina e agora, também, da UE.

A Nova Rota da Seda

A Nova Rota da Seda

Esta incursão chinesa tem merecido a oposição de Washington e de Bruxelas, especialmente do eixo Paris-Berlin, sob o argumento que aqueles acordos bilaterais Itália-China para o desenvolvimento de portos e infra-estruturas são contrários às estratégias de transporte da UE, embora a verdadeira razão deva estar no receio de uma possível transferência do comércio marítimo dos portos do norte da Europa (Hamburgo, Roterdão e Antuérpia) para o sul, onde a China, ao expandir a sua presença portuária da Grécia para a Itália, obtém potencialmente uma enorme vantagem de infra-estrutura comercial em termos de comércio com a UE através do sul da Europa.

Recorde-se que em 2016 e aproveitando a frágil situação financeira da Grécia, a empresa chinesa China Ocean Shipping Company (COSCO que é a quarta maior empresa de transporte de contentores do mundo e a segunda maior operadora de portos) comprou o porto de Pireu, como parte do plano da Rota da Seda Marítima. O acordo então firmado incluiu a construção de um novo cais, equipado com novos guindastes o que aumentou substancialmente o tráfego anual de contentores, pois desde 2009 que o volume de carga do terminal de contentores do Pireu aumentou cinco vezes e triplicou a actividade comercial geral.

Há anos que a China está a investir discretamente em portos importantes em todo o mundo como parte de sua vasta estratégia de infraestruturas a ponto de, segundo dados do Ministério dos Transportes da China, as empresas chinesas terem participado da construção e operação de um total de 42 portos em 34 países. Foi assim que além dos substanciais investimentos no porto grego de Pireu, a COSCO se tornou em 2018 num grande investidor no segundo maior porto belga de contentores (Zeebrugge que é o segundo maior porto de contentores depois de Antuérpia, o sexto na região do Canal do Mar do Norte e o principal porto europeu para o transporte de automóveis).

Desde o anúncio oficial do BRI que a China tem investido em projectos portuários em toda a África, da Tanzânia à África do Sul e a Marrocos, mas a pedra angular é o seu investimento no Canal de Suez (a China é o principal investidor na Zona Conjunta de Cooperação Económica e Comercial China-Egipto, no Suez), que pretenderá converter na sua passagem estratégica via Oceano Índico e Mar Vermelho para o Mediterrâneo e para os mercados da UE.

A China já tem hoje sete dos maiores portos de contentores do mundo, todos modernizados e com automação de ponta, sendo o porto de Xangai o maior do mundo em volume, muito maior que Roterdão, Antuérpia ou Hamburgo; é que enquanto as redes ferroviárias de alta velocidade capturam a imaginação em torno das ligações terrestres entre a China e a Eurásia (como previsto no projecto BRI), o transporte marítimo é de longe o mais importante para o comércio da China, pois na actualidade cerca de 90% de todo o comércio mundial é feito por via marítima.

A reacção da Comissão Europeia perante este claro interesse chinês parece estar sintetizada num documento que intitulou “UE-China – Uma visão estratégica”, onde entre outros pontos afirma que a:

«China é simultaneamente, em diferentes domínios de intervenção, um parceiro de cooperação com o qual a UE tem objectivos estreitamente alinhados, um parceiro de negociação com o qual a UE tem de encontrar um equilíbrio de interesses, um rival económico na corrida para a liderança tecnológica e um adversário sistémico que promove modelos alternativos de governação»

E assinala a primeira vez que a UE classificou a China como um “rival sistémico”.

Nele se recomenda ainda um reforço da OMC para forçar a China a eliminar os subsídios da indústria estatal, o desenvolvimento de uma política industrial europeia que permita às empresas da UE competirem melhor com as grandes empresas estatais da China, quando já é sabido que a Alemanha, numa clara inversão da sua política comercial desde o pós-guerra e após uma empresa estatal chinesa ter comprado o fabricante de máquinas-ferramentas automáticas Kuka e um dos principais fornecedores mundiais de robótica e pioneiro na Indústria 4.0, planeia agora introduzir novas leis que possam bloquear a aquisição por estrangeiros de empresas consideradas estratégicas.

Embora a China apenas seja o segundo maior parceiro comercial da UE, as transacções diárias ultrapassam os mil milhões de euros mas já começam a ficar distantes os tempos em que a indústria alemã exportava carros de qualidade e máquinas-ferramenta em troca de têxteis de massa e bens de consumo baratos de produção chinesa, pois agora já há empresas chinesas a concorrer directamente no sector automóvel (como é o caso da chinesa Geely que além de proprietária da Volvo é a maior accionista do grupo Mercedes-Daimler) e até no sector químico, onde a empresa estatal chinesa ChemChina comprou em 2016 a Swiss Syngenta, um peso-pesado no “negócio” das sementes patenteadas e dos OGM.

União Europeia e a China

Por estas e outras razões, a França e a Alemanha têm resistido até agora a qualquer cooperação formal da UE com a Nova Rota da Seda enquanto pressionam outros membros da UE, como a Itália, a não fazer acordos bilaterais com a China, como se a realidade europeia não fosse em grande parte disfuncional em termos de estratégia industrial moderna.

O quadro que mostra a UE e a China como parceiros comerciais estratégicos não inviabiliza a situação onde uma e outra realidade são confirmadas quer pelo teor das conclusões da Cimeira UE-China, onde a China terá assumido o compromisso de abrir o seu mercado interno a investidores europeus, quer pelas reuniões em seguida mantidas com vários países da região dos Balcãs, bem reveladoras de quanto aquele país tem uma arreigada convicção da vulnerabilidade da Europa e quer aproveitar as profundas divergências estratégicas que há muito a dividem.


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/sabem-o-que-e-o-brexit-e-o-bri-nova-rota-da-china/

Nova Rota da Seda: 17 países árabes se unem à iniciativa comercial da China

Workers install wires on a 'Golden Bridge of Silk Road' structure on a platform outside the National Convention Center, the venue which will hold the Belt and Road Forum for International Cooperation, in Beijing
© AP Photo / Andy Wong

A China assinou acordos de cooperação com a Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (BRI, na sigla em inglês), com 17 países árabes, informou a agência estatal de notícias Xinhua, citando os resultados de um fórum sino-árabe.

O 2º Fórum China-Árabe sobre Reforma e Desenvolvimento, realizado em Xangai na última terça-feira, atraiu mais de 100 empresários, políticos e acadêmicos da China e de países árabes, incluindo Egito, Líbano, Djibuti e Omã.


A reunião deste ano, apelidada de "Construir o cinturão e a rota, o desenvolvimento de ações e a prosperidade", foi dedicada a impulsionar o projeto, também conhecido como Nova Rota da Seda.

Os países árabes demonstraram grande interesse na cooperação com Pequim. Além de ingressar na iniciativa, 12 Estados árabes estabeleceram parcerias estratégicas, incluindo abrangentes, com a China.

"Os representantes árabes disseram que a cooperação da BRI com a China traz imensas oportunidades para os países árabes avançarem na reforma e acelerarem o crescimento", declarou o porta-voz da chancelaria chinesa, Lu Kang, a jornalistas em entrevista coletiva na quarta-feira.

A cooperação sino-árabe no projeto deve receber outro "forte impulso", já que muitos líderes árabes devem participar do segundo Fórum de Cooperação Internacional, que será realizado em Pequim no final deste mês, segundo o diplomata.

A China é o segundo maior parceiro comercial do mundo árabe, com volume de negócios de US$ 190 bilhões a partir de 2017, de acordo com o secretário-geral adjunto da Liga Árabe, Khalil Thawadi, citado pelo jornal Jordan Times. O funcionário observou que 21 Estados árabes assinaram memorandos de entendimento sobre a nova Rota da Seda em 2018.

O ambicioso projeto de infraestrutura comercial global da China está se expandindo globalmente. Esta semana, a Suíça mostrou sua intenção de se inscrever para a BRI. Em março, a Itália enfrentou críticas de seus aliados europeus ao se tornar oficialmente a primeira nação do G7 a aderir à iniciativa.

Pouco depois, o Luxemburgo assinou um memorando de entendimento sobre a participação no projeto. Os memorandos de entendimento também foram assinados pela Grécia e Portugal em agosto e dezembro do ano passado, respectivamente.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019041813708653-arabes-rota-seda-china/

O Banco Mundial e o modelo de crescimento da China

David Malpass, o novo presidente da instituição, apontou a China como responsável pela elevada dívida mundial. Esqueceu ter sido a China a  sustentar a economia mundial após a recessão de 2007/2008.
António Abreu | AbrilAbril | opinião
Em entrevista a Sara Eisen, da cadeia televisiva norte-americana CNBC, o novo presidente do Banco Mundial(World Bank Group), David Malpass, advertiu que há muita dívida no mundo e que a culpa disso é da China e não dos EUA.

«Existem desafios, que o mundo enfrenta, em termos de como ter projectos transparentes e de alta qualidade, onde a dívida seja transparente. A China moveu-se tão rapidamente que em algumas partes do mundo existe muita dívida», afirmou Malpass naquela que foi a sua primeira entrevista após ter entrado em funções. «Isso é algo que podemos trabalhar com a China», acrescentou.

A China, de facto, emprestou milhões de milhões de dólares a outros países, incluindo aos EUA. Desde Janeiro de 2019 aChina é detentora de USD 1,12 milhões de milhões em títulos do Tesouro dos EUA, segundo dados do Departamento do Tesouro deste país.


Malpass tem criticado os esforços de empréstimos da China para financiar a infra-estrutura «Cinturão e Rota» (mais conhecida na sua versão inglesa, Belt and Road)1 de sua iniciativa. No ano passado, disse que esses empréstimos deixam os países mais fracos com «uma dívida excessiva e projectos de baixa qualidade». Agora referiu que a China está disposta a reduzir esses esforços, observando: «Eles [os chineses] querem ter um melhor relacionamento com os outros países e fazer parte do sistema mundial. Espero ter sucesso [nas negociações com os chineses] e ter um bom relacionamento com a China»2.

Malpass também criticou a China por obter empréstimos de baixo custo do Banco Mundial, apesar de ser a segunda maior economia do mundo e superar o limite do banco para empréstimos de baixo custo, em 2016.

«A China reconhece que o seu papel como destinatário de empréstimos no banco precisa diminuir», disse Malpass. Mas também reconheceu que os empréstimos do Banco Mundial à China já têm vindo a diminuir, acrescentando esperar que isso continue a acontecer nos próximos três anos.

David Malpass foi eleito para o cargo na sexta-feira, dia 5 de Abril, por unanimidade, depois de o seu nome ter sido proposto para o cargo por Donald Trump. Antes de ingressar no Banco Mundial, era subsecretário de assuntos internacionais do Departamento do Tesouro dos EUA no governo de Trump e já exercera funções nos governos de Ronald Reagan e George w. Bush3.

É evidente a distorção dos factos na declaração de Malpass anterior à referida entrevista à CNBC. É conhecido o papel que a China teve no salvamento do sistema financeiro mundial depois da crise iniciada em 2006/2007, que ainda hoje se repercute à escala universal. Quando se referia a «projectos de baixa qualidade» referia-se a quê? Às infra-estruturas de muitos países dos continentes mais pobres, mais vitimados por guerras, que são, na realidade, veículo para o desenvolvimento – que é a mais sólida condição para a existência, neles, da paz? Serão os projectos de investimento e outras formas de cooperação económica já estabelecidas com muitos países, mais desenvolvidos ou menos, como os anunciados recentemente com a Croácia, a Sérvia, a Eslováquia, a Eslovénia, o Japão, a Bulgária e a Albânia?…
A nova política económica da China

Na China estão a decorrer encontros em que legisladores nacionais e consultores políticos estão a rever e a discutir medidas específicas para um crescimento mais estável e verde da economia chinesa.

É conhecido que a economia chinesa tem vindo a efectuar uma transição de uma fase de crescimento rápido para um patamar de crescimento de qualidade e está a transformar o modelo de crescimento, a melhorar a estrutura económica e a promover novos catalisadores de crescimento.

«Este é um momento crucial para transformar o nosso modelo de crescimento, melhorar a nossa estrutura económica e promover novos catalisadores de crescimento», afirma a China.

Estas discussões em curso precisarão o que significa o novo padrão para o crescimento da China e do mundo, definido em termos gerais pelo Partido Comunista Chinês (PCC), e como devem os negócios globais e os investidores prever e tomar medidas quanto às alterações na economia mundial.

Os números relativos ao crescimento foram estáveis durante os últimos cinco anos, acompanhando a ênfase na qualidade e na tolerância ao abrandamento do crescimento do PIB.

Os economistas prevêem que a China mantenha o seu crescimento próximo dos 6.5% este ano, fruto dos esforços em melhorar a qualidade e a performance da sua economia. De facto, algumas autoridades provinciais suavizaram as suas metas neste âmbito, durante as sessões locais realizadas em Janeiro.

Embora a China tenha vindo a abandonar a sua expansão desenfreada, o país continuará assumindo o seu compromisso de estabilizador da economia global. Dados do Banco Mundial revelam que a China contribuiu em 34% para o crescimento mundial entre 2012 e 2016, mais do que os EUA, a União Europeia (UE) e o Japão juntos.

Na China, o consumo superou o investimento como principal motor de desenvolvimento económico.

Juntamente com outras políticas económicas referidas pelo governo, a meta anual de crescimento está sujeita à aprovação do topo da legislatura que, juntamente com o principal órgão consultivo, desempenha uma parte importante na formulação de políticas nacionais, da empregabilidade ao ambiente.

O livre comércio é outro dos tópicos em discussão, acompanhando a tendência de desenvolvimento de qualidade da China, a qual estará na base da criação de um enorme mercado de consumo e sua respectiva procura de produtos do resto do mundo.

Detentora da primeira zona de livre comércio do país, Shanghai está na vanguarda do comércio internacional, procurando ainda mais oportunidades. Shanghai prepara-se para impulsionar a sua zona de comércio livre, para atingir padrões internacionais de alto nível, e para apresentar medidas para desenvolver o «porto de comércio livre», com medidas mínimas de controlo comercial.

O Ministério do Comércio chinês previu também, em Novembro de 2018, que a China iria importar mais de 10 milhões de milhões de dólares em bens e serviços durante os próximos cinco anos.

À sombra da explosão das importações chinesas, cresceu a classe média do país que, com uma população de cerca de 300 milhões de pessoas, perfaz 30% do total mundial. A sua influência tem-se reflectido na sua crescente preponderância em comandar o crescimento e o comércio.

A China deverá dar continuidade à abolição de tarifas em produtos como automóveis. No ano passado foram eliminados impostos aduaneiros em 187 produtos, com uma descida média de 17.3% para 7.7%.

Os analistas preconizam medidas mais específicas para alargar o acesso ao mercado a negócios internacionais. Durante o encontro do Fórum Económico Mundial, a China irá suscitar medidas para garantir uma maior abertura financeira, das indústrias transformadoras e do sector de serviços da China, reforçando a protecção da propriedade intelectual.

A lista que determina os sectores onde a participação estrangeira é proibida ou limitada tornar-se-á mais reduzida. As empresas estrangeiras continuarão a receber um tratamento igualitário, com os seus interesses adequadamente salvaguardados. A iniciativa do Cinturão e Rota será impulsionada, mantendo o seu foco na cooperação industrial internacional.

O investimento directo estrangeiro na parte continental da China atingiu o maior valor de sempre, com 878 mil milhões de yuan apurados no ano passado, o que contrasta com a tendência de quebra global. Um total de 35 652 negócios internacionais foram estabelecidos no país.

O banco central da China anunciou há dias a abolição de regulamentos antigos, de modo a agilizar manobras de negócios estrangeiros no país. Por seu turno, um regulador bancário anunciou também medidas, nesses dias, para facilitar a operação de empresas estrangeiras na China.

Notas:
1. O nome original da infraestrutura era «Um Cinturão e Uma Rota» (One Belt One Road na versão inglesa) mas a China decidiu actualizar o nome por entender que a actual designação de «Cinturão e Rota» (Belt and Road) exprime melhor a intenção do projecto, segundo informa a Wikipédia na sua versão em português e em inglês, em ambas as versões remetendo para uma versão de arquivo do artigo original no portal do Instituto Letão de Negócios Estrangeiros (Latvian Institute of Foreign Affairs), instituição que mantém uma página especial destinada à Nova Rota da Seda» (New Silk Road) – o outro nome pelo qual é conhecida a iniciativa chinesa. O leitor poderá ter interesse em consultar o portal criado pelo governo da República Popular da China (RPC) sobre a iniciativa e aí conhecer informações detalhadas sobre o projecto e os desenvolvimentos relacionados com as Rotas da Seda do Século XXI. O portal Belt and Road apresenta informação original em chinês e traduções chinesas para línguas estrangeiras.


3. David Robert Malpass (1956) foi um dos principais economistas do Bear Stearns nos seis anos que precederam o colapso deste em 2008, na grande crise financeira. O banco Bear Sterns era conhecido pelos seus investimentos especulativos e de alto risco. Depois de o banco se ter afundado e ter sido vendido por 6% do seu valor à J. P. Morgan dedicou-se à política e ao comentário político. Membro do Partido Republicano, faz parte de diversos think tanks conservadores, entre os quais o Manhattan Institute for Policy Research, fundado pelo director da CIA William J. Casey. Curiosamente, David Malpass, depois de um bacharelato em Física, cursou a Escola de Negócios Estrangeiros da Universidade de Georgetown – um curso e uma escola muito frequentes nas biografias dos membros da intelligence community norte-americana. Como comentador, as suas previsões económicas foram consideradas um modelo de «enviesamento partidário». A Bloombergconsiderou-o «um campeão do proteccionismo». Em Outubro de 2018 considerou que «os governos orientados para o mercado» devem estar alerta contra «os desafios do sistema económico chinês», incluindo os seus «bancos estatais e agências de exportação de créditos».

Imagens:1 - David Malpass foi designado por Donald Trump representante dos EUA no Banco Mundial e publicamente proposto para a presidência do mesmo, na Casa Branca, Washington, 6 de Fevreiro de 2019. Dois meses depois, a 5 de Abril de 2019, foi eleito para a presidência do Banco Mundial.CréditosEPA/JIM LO SCALZO / LUSA; 2 - As Rotas da Seda do século XXI. Mapa tendo a vermelho a China, a laranja os membros do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e as seis rotas físicas, em preto (terrestres) e azul (marítimas). CréditosLommes / Wikipedia commons

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/o-banco-mundial-e-o-modelo-de.html

Guerra comercial entre EUA e China pode estar chegando ao fim

Bandeiras chinesas e norte-americanas
© AP Photo / Ng Han Guan, Pool

Estados Unidos e China planejam realizar uma nova rodada de negociações ainda este mês e esperam fechar um acordo no final de maio ou no início de junho, informou a imprensa dos EUA nesta quarta-feira.

Os dois lados criaram um cronograma de reuniões que esperam concluir com uma cerimônia formal de assinatura em 27 de maio, informou o The Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com o assunto.


O plano é que o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, viaje a Pequim na semana de 29 de abril, antes da visita do vice-primeiro-ministro da China, Liu He, a Washington em 6 de maio.

As negociações visam refinar a redação de um acordo comercial final que seria assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo presidente chinês, Xi Jinping.

O jornal observou, no entanto, que as autoridades americanas e chinesas já haviam perdido os próprios prazos para a conclusão de um acordo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em 4 de abril, após se reunir com Liu He na Casa Branca, disse que esperava fechar um acordo comercial com a China dentro de quatro semanas.

Pequim e Washington se envolveram em uma disputa comercial desde junho, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA imporiam tarifas de 25 por cento sobre produtos chineses, no valor de US $ 50 bilhões, numa tentativa de reduzir o déficit comercial entre EUA e China. Desde então, os dois países adotaram uma série de tarifas protecionistas e conduzem uma verdadeira "guerra comercial" que, aparentemente, pode estar chegando ao fim.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019041713703998-guerra-comercial-eua-china-fim/

China está prestes a revolucionar energia termonuclear?

Construção de uma usina nuclear na China
© AP Photo / Tan Jin

O gigante asiático está tentando conseguir a liderança no âmbito da energia termonuclear, o que é claramente indicado pelos últimos avanços do país na área.

Cientistas de todo o mundo buscam efetuar a síntese termonuclear controlada, ou seja, tentam fundir dois núcleos de hidrogênio em um de hélio, e assim imitar as reações que ocorrem no Sol para conseguir uma fonte de energia inesgotável e ecologicamente limpa. O principal problema com que os físicos vêm lidando agora radica em que os núcleos atômicos possuem cargas positivas, portanto, é muito difícil os fundir, escreveu a jornalista Tatiana Pichugina em seu artigo para a Sputnik.


"Para conseguir a fusão é preciso superar a barreira de Coulomb, que por sua vez exige uma grande quantidade de energia e calor", apontou.

Por agora, os cientistas sabem como é possível reaquecer os isótopos de hidrogênio (deutério e trítio) até uma temperatura de milhões de graus. Porém, o plasma que se forma durante o aquecimento geralmente não é estável e acaba se esfriando em questão de segundos.

"Este tempo é insuficiente para que comece uma reação estável de síntese termonuclear", indicou a jornalista.

Porém, nos últimos dois anos, os cientistas chineses conseguiram marcar recordes tanto no tempo, como na temperatura de contenção do plasma no reator termonuclear EAST. Além disso, a China começou a construir instalações para a nova câmara toroidal com bobinas magnéticas CFETR.


O EAST é uma câmara toroidal com bobinas magnéticas fabricada a partir de um projeto soviético e construído na cidade chinesa de Hefei. A jornalista frisou que os cientistas chineses não apenas conseguiam esquentar o plasma no EAST até uma temperatura que supera várias vezes a do Sol, mas também o mantiveram neste estado durante 101,2 segundos.

"Por enquanto este tempo é o recorde mundial", enfatizou a autora do artigo.

Os pesquisadores chineses também provaram a eficácia do desviador de tungstênio com sistema de esfriamento por água, um dispositivo especial que se instala na parede do reator e ajuda a estabilizar o plasma, lê-se no artigo publicado no portal lOP Science.


Este e outros experimentos realizados no EAST ajudarão os cientistas chineses a criarem o CFETR, opinou a jornalista.

A construção do CFETR deve começar em 2021 e terminar em 2035. Acredita-se que o aparelho produza milhares de megawatts de energia, o dobro da capacidade do Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER, sigla em inglês), que está sendo construído na França.

Além disso, Pequim pretende realizar uma prova de funcionamento do CFETR antes de os cientistas europeus começarem a construção do primeiro reator termonuclear comercial do mundo, denominado DEMO.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019041513685708-china-energia-termonuclear-sintese-fusao/

O assombroso enigma da economia chinesa

O assombroso enigma da economia chinesa
Diante da crise, e ao contrário do Ocidente, país faz imensos investimentos em infra-estrutura e no consumo interno. Consolidará capitalismo de Estado? Talvez – mas de nada serve examinar sua experiência com as lentes do preconceito
Zhang Jun | Outras Palavras | Tradução: Felipe Calabrez
Para o Ocidente, o ano de 2008 marcou o início de um difícil período de crise, recessão e recuperação desigual. Para a China, 2008 também foi um importante ponto de inflexão, mas seguido por uma década de progresso rápido que poucos poderiam ter previsto.

É claro: quando o banco de investimento norte-americano Lehman Brothers entrou em colapso, desencadeando uma crise financeira global, os líderes chineses ficaram profundamente preocupados. Suas preocupações foram agravadas por desastres naturais — incluindo fortes nevascas e tempestades de neve no sul, em janeiro de 2008, e o devastador terremoto de Sichuan, cinco meses depois, que matou 70 mil chineses – assim como revoltas no Tibet.

No começo, os temores da China pareciam estar se tornando realidade. Apesar de sediar uma impressionante Olimpíada em Pequim, em agosto daquele ano, seu mercado de ações despencou de um recorde de 6.124 pontos para 1.664, em outubro de 2008, em uma queda assombrosa.


Mas as autoridades chinesas continuaram dedicadas a seu plano de longo prazo de rever o modelo de crescimento do país, afastando-se de uma ênfase nas  exportações e adotando um projeto pautado pelo consumo interno. Na verdade a crise econômica global serviu para fortalecer esse compromisso, ao ressaltar os riscos da dependência chinesa da demanda externa.

Esse compromisso valeu a pena. Na última década, muitos milhões de chineses somaram-se à classe média, que agora reúne de 200 a300 milhões de pessoas. Com um patrimônio líquido médio de 139 mil dólares per capita, o poder de compra total desse grupo pode chegar a 28 trilhões de dólares, comparado a 16,8 trilhões nos Estados Unidos e 9,7 trilhões no Japão. A classe média da China já exerce esse poder. A China respondeu por 70% das compras globais de luxo anualmente na última década. Embora a propriedade de carros per capita seja cerca de metade da média global, desde 2008, os chineses têm sido seguidamente os principais compradores de automóveis do mundo, superando os norte-americanos. Em 2018, mais de 150 milhões de chineses viajaram ao exterior.

Para as autoridades chinesas, fomentar o surgimento de uma classe média tão formidável foi uma oportunidade estratégica crucial. Como Liu He, o principal assessor econômico do presidente chinês, Xi Jinping, escreveu em 2013, a meta da China, antes da crise, era tornar-se um centro de produção global; alcançar o objetivo atrairia capital internacional e conhecimento. Depois de 2008, os imperativos estratégicos da China mudaram para a redução do risco da dívida e o impulsionamento da demanda agregada. Ao mesmo tempo, adotaram-se estímulos econômicos maciços para estimular o consumo e o investimento doméstico, diminuindo assim a vulnerabilidade do país a choques externos.

Como parte dessa iniciativa, a China buscou realizar investimentos de larga escala em infraestrutura, como a construção de quase 30 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade. O aumento da mobilidade — somente no ano passado, a rede ferroviária transportou quase dois bilhões de passageiros — facilitou muito os laços econômicos regionais, impulsionou a urbanização e aumentou substancialmente o consumo.

Graças a esses esforços — juntamente com fusões e aquisições de empresas estrangeiras, para adquirir tecnologias-chave, e investimentos lucrativos em infra-estrutura nas economias desenvolvidas — a economia chinesa quase triplicou em tamanho entre 2008 e 2018. O PIB chegou a 13,6 trilhões de dólares. Em 2008, era 50% menor do que o do Japão; em 2016, 2,3 vezes maior.

Sim, desafios difíceis surgiram. Os valores da terra e da moradia subiram, com os preços dos imóveis urbanos subindo tão rápido que muitos temeram uma bolha. O crescimento do crédito gerou mais riscos. No geral, no entanto, as políticas expansionistas deram suporte ao rápido surgimento da China como uma potência econômica global.

Mas os líderes da China não planejaram uma característica crucial desse padrão de crescimento, e que também não foi pensada pela sua política industrial. As indústrias inovadoras focadas no consumo, que mal existiam em 2008, estão impulsionando cada vez mais a economia chinesa hoje.

A China é agora líder global em comércio eletrônico e pagamentos móveis. Em 2018, os pagamentos móveis na China totalizaram 24 trilhões de dólares — 160 vezes mais que nos EUA. Os bancos estatais e as empresas petroquímicas, que eram as principais firmas chinesas em 2008, foram superadas pelo e-commerce e pelos gigantes da internet Alibaba e Tencent. Empresas de Internet e tecnologia estão criando dezenas de milhões de empregos por ano.

Enquanto isso, o desempenho do setor manufatureiro — há muito tempo o principal motor do desenvolvimento da China e ainda o maior empregador do país — enfraqueceu, prejudicado em parte pelo rápido crescimento dos salários. O resultado foi uma mudança fundamental na composição estrutural da economia chinesa.

No entanto, em vez de examinar essa mudança — que não é captada em medidas tradicionais do PIB –, muitos economistas concentraram-se em tentar criar buracos na narrativa de crescimento da China. Um estudo recente da Brookings Institution, por exemplo, estima que a economia do país é cerca de 12% menor do que os números oficiais indicam.

Essa atitude é contraproducente. As mudanças que a economia chinesa sofreu na última década são amplas, sem precedentes e essenciais. Seria mais proveitoso para o mundo que houvesse um esforço para compreender tais mudanças, em vez da tentativa de provar que as conquistas do país são menos impressionantes do que demonstra a realidade.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROS QUINHENTOS

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

https://paginaglobal.blogspot.com/2019/04/o-assombroso-enigma-da-economia-chinesa.html

Rivalidades eurochinesas com os norte-americanos à espreita

Dia de cimeira entre a União Europeia e a China com a primeira a tentar que a segunda se porte de forma mais assertiva na partilha do mercado global. E, julgando ser trunfo importante para colocar o oponente na defensiva, os negociadores de Bruxelas avançam com a questão dos direitos humanos. Não excluindo tratar-se de assunto com alguma importância fica sempre a questão de saber porque não a colocam, igualmente, na mesa, quando do outro lado estão os norte-americanos. É que, quanto a liberdade e democracia, as diferenças não serão significativas.
É verdade que os filiados no Partido Comunista Chinês têm maioritário assento na Assembleia do Povo em Pequim. Mas sobra alguma dúvida quanto ao facto de, no Senado, ou na Câmara dos Representantes, só terem assento os representantes e lobistas da classe mais endinheirada, ali não havendo espaço para os que provém das mais desfavorecidas. E quanto à liberdade de expressão, se na China só se lê, vê ou ouve o que a censura do regime permite, nos States o mesmo sucede relativamente ao que os patrões da imprensa toleram.
Sim, os chineses vivem sob um regime em que existe a pena de morte. Mas não é o que sucede com os norte-americanos? E quanto a presos políticos, haverá muita diferença entre os que estão nos cárceres do capitalismo de Estado chinês, e os muitos milhares, na maioria negros ou hispânicos, que se acumulam na superpotência rival?
Por essas e por outras é que considero intolerável hipocrisia o discurso europeu sobre os Direitos Humanos. Até porque, em seu torno, possibilitou a prevalência imperialista norte-americana nas décadas mais recentes, que reduziram os europeus a seus obsequiosos satélites.
Nesta fase histórica tenho sérias dúvidas que o capitalismo chinês seja mais venal do que o norte-americano. É que o passado sempre nos mostrou que os Impérios, quando em ascensão, são capazes de maior assertividade para com os que tentam colonizar, do que os decadentes, fadados para incrementarem a violência desesperada dos que não se conformam com a irrelevância para que tendem. Ora o pior, que pode suceder-nos, ou aos nosso filhos e netos, é que o continente europeu volte a incendiar-se em descontrolada guerra. Sobretudo porque implicaria o recurso a apocalíticas armas nucleares...

 

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2019/04/rivalidades-eurochinesas-com-os-norte.html

Quem pode satisfazer os ambiciosos planos chineses na área do gás natural?

Reservas de gás na China
© Sputnik / Evgeny Odinokov

A presidente do conselho de administração da Beijing Gas Group, Yalan Li, prevê que a demanda de gás natural na China aumente 14% neste ano.

O crescimento da demanda de gás na China está relacionado com os planos do governo chinês de limitar a utilização do carvão e de passar para fontes de energia limpa, a fim de melhorar a situação ecológica do país.

As autoridades chinesas esperam que a potência total das centrais elétricas que utilizam o carvão não supere os 1.100 gigawatts em 2020.


Atualmente, a cota-parte do carvão no balanço energético do país constitui cerca de 70%, no entanto, a Agência Internacional de Energia prevê que esta percentagem diminua para cerca de 50% nos próximos 20 anos.

Segundo Yalan Li, atualmente, a utilização de gás é mais benéfica para os consumidores. Recentemente, o governo chinês reduziu o imposto sobre o valor agregado para apoiar o desenvolvimento da economia.

Com isso, é esperado que os preços do combustível azul sejam reduzidos para os usuários industriais e comerciais. Desta forma, o crescimento da demanda de gás no país será estável futuramente.

Conforme o prognóstico da S&P Global Platts, as compras de gás por parte da China aumentarão em 150 bilhões de metros cúbicos em 2025.

Por sua vez, a Rússia está disposta a satisfazer as crescentes necessidades do país asiático, ressaltando que a China irá em breve passar a usar o combustível do gasoduto Sila Sibiri (Poder da Sibéria).

O presidente da Gazprom, Aleksei Miller, declarou que o abastecimento de gás na China através deste gasoduto começará no dia 1° de dezembro de 2019, ou seja, antes do previsto.

O diretor do Centro de Investigações da Rússia e Ásia Central da Universidade de Petróleo da China, Pan Changwei, considera que, no primeiro ano, o volume de abastecimento chegará aos 5 bilhões de metros cúbicos e, em cinco anos, deverá atingir 30 bilhões de metros cúbicos.


Além disso, em breve as partes começarão a negociar a construção do gasoduto Altai, que poderá fornecer um volume de 60 bilhões de metros cúbicos de gás em 2030.

"O projeto Yamal SPG está sendo realizado. Nós incrementamos as importações de gás natural liquefeito. Adquirimos também gás encanado da Ásia Central. Em longo prazo, nos próximos 25 anos, daremos maior preferência ao gás encanado, fazendo com que seus abastecimentos sejam estáveis. No entanto, posteriormente, a China terá de mudar a estrutura de consumo de recursos energéticos e utilizar fontes de energia limpas. […] Em curto prazo, o crescimento da demanda de 14 ou 15% poderá ser coberto com a ajuda de importações de GNL", afirmou o especialista.

A fábrica de liquefação de gás Yamal SPG, situada no norte da Sibéria, conta com uma potência total de 16,5 milhões de toneladas anuais. Os principais acionistas da Yamal SPG são a empresa russa Novatek com 50,1% das ações, a francesa Total com 20%, a chinesa CNPC com 20% e o Fundo da Rota da Seda com 9,9%.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019040913639899-ambicioso-plano-china-gas/

Os EUA inventam a «reciprocidade de acesso»

O Congresso adoptou a Lei sobre reciprocidade de acesso ao Tibete (Reciprocal Access to Tibet Act — H.R.1872 ), que o Presidente Trump promulgou em 19 de Dezembro de 2018.

Este texto foi apresentado pelo membro dos Representantes James McGovern (Democrata), no seguimento de uma campanha do actor Richard Gere e da International Campaign for Tibet (ICT). Ela prevê interditar o acesso aos Estados Unidos de funcionários chineses que teriam recusado o acesso ao território tibetano a cidadãos norte-americanos.

Os próprios Estados Unidos praticam uma política muito restritiva de acesso ao seu território e dão-se ao direito de devolver à sua fronteira qualquer estrangeiro, mesmo dispondo de um visto.

O porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br), Geng Shuang (foto) declarou, a 26 de Março de 2019, que este texto era uma má mensagem na medida em que os Estados Unidos não devem interferir na vida de uma província chinesa. Ele lembrou que tendo em conta as particularidades geográficas desse território era indispensável regular a entrada de estrangeiros.

Os Estados Unidos entendem estender progressivamente este mecanismo de «reciprocidade de acesso» a outras regiões do mundo, de modo que qualquer cidadão dos EUA possa viajar seja para que parte do mundo for.

 

Ver original na 'Rede Voltaire'



EUA vão gostar? Merkel defende que Europa se junte à nova Rota da Seda da China

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel
© REUTERS / Michael Dalder

A iniciativa Nova Rota da Seda chinesa é um projeto importante, que os países europeus gostariam de aderir, de acordo com a chanceler alemã Angela Merkel, que enfatizou que a cooperação deve ser baseada na reciprocidade de Pequim.

"Nós, como europeus, queremos desempenhar um papel ativo e isso deve levar a certa reciprocidade e ainda estamos discutindo sobre isso um pouco", afirmou Merkel, citada pela Agência Reuters.

O comentário surge logo após conversas com o presidente da França, Emmanuel Macron, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o presidente da China, Xi Jinping, que atualmente está fazendo uma visita oficial à França.

O presidente chinês chegou à França depois de sua visita de três dias à Itália. No sábado, Roma e Pequim assinaram o memorando de entendimento sobre a união da iniciativa Nova Rota da Seda da China.


O movimento italiano não havia sido bem recebido pelas nações europeias, particularmente França e Alemanha. Macron pediu uma abordagem mais consolidada em relação à China entre os aliados europeus, ao mesmo tempo em que Paris assinava contratos multibilionários com a China.

A Iniciativa Nova Rota da Seda deverá fornecer conectividade efetiva e impulsionar a cooperação da China com mais de 152 países do Sudeste e Ásia Central, Oriente Médio, Europa, América Latina e África por meio de vários projetos de infraestrutura, nos moldes da antiga Rota da Seda.

O projeto, proposto por Xi em 2013, promete impulsionar significativamente o comércio global, reduzindo os custos de comercialização pela metade para os países envolvidos. A China investiu pesadamente na empresa ambiciosa, com US$ 900 bilhões tendo sido gastos em projetos em países parceiros. A maioria dos projetos de investimento da iniciativa beneficiou as corporações estatais chinesas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/europa/2019032613562768-merkel-europa-rota-seda/

OLHAR A CHINA, A PERSISTÊNCIA DA IGNORÂNCIA

Texto de Guilherme Valente saído no SOL de sábado passado: 

«Sempre acreditei que a China só poderia mudar pouco a pouco. 
Hoje dou-me conta de como foi rápida e brutal [abrupta] a transformação (...)
Não estou a falar dos penteados das raparigas, 
mas das mentalidades e comportamentos». 
Jia Zhang-Ke
Nunca na história um país mudou tanto, experimentou tantos modelos políticos, tão rapidamente. “Não interessa a cor do gato, é preciso é que apanhe ratos”, disse Deng. Mas persiste na generalidade dos comentários uma visão da China como ‘a China de Mao’. Estaríamos mesmo hoje perante a instalação de um novo déspota e, quiçá, na iminência de uma nova Revolução Cultural. Xi Jiping um novo Mao? 
Bastaria uma informação mínima, inteligência comum, um olhar mundano, para se concluir da evidência do disparate. Vejamos o básico. Desde 1956, da ‘Revolução das Cem Flores’ (peripécia sangrenta a propósito da qual Mao, evocando Qin, o seu modelo, que enterrara vivos 460 letrados, se gabou de ter mandado matar 100 vezes mais intelectuais), que os líderes e os intelectuais chineses mais esclarecidos tentaram neutralizar o que começava a tornar-se ‘o Grande Timoneiro’. 
Um ‘timoneiro’ que, num crescente delírio de poder pessoal que nunca foi possível conter, conduziria à morte milhões de seres humanos, deixando o país em cinzas. Delírio, convém não esquecer, que a imensa generalidade da inteligência europeia e caseira celebrou como anúncio redentor de um radiante e definitivo ‘mundo novo’. 
O episódio Liu Shao Chi foi a tentativa que esteve mais perto do sucesso nessa determinação de afastar Mao. Mas a genialidade táctica deste, a sua total ausência de lealdade e de escrúpulos no uso dos meios mais cruéis, a adoração do povo que o identificava como o imperador que libertara a China dos monstros estrangeiros devoradores (ver o filme recente A Grande Muralha), garantiu-lhe o regresso e catalisou-lhe a loucura – já então, repito, absolutamente clara para a elite política e intelectual chinesa. 
As manifestações dessa loucura foram inúmeras, tantas quantas as exaltações de louvor no Ocidente. Só o seu fim natural o neutralizou, em Setembro de 1976, entre um eclipse do Sol e um grande sismo, como era milenarmente assinalada cosmicamente a morte dos grandes imperadores... 
Uma manifestação reveladora da índole de Mao e do então louvor dionisíaco no Ocidente (e caseiro) é uma confissão despudorada do déspota feita numa entrevista a Edgar Snow. Confissão que, no seu limitadíssimo conhecimento da língua e da cultura chinesas, este traduziu assim: «Sinto-me como um bonzo careca a passear à chuva com um guarda-chuva cheio de buracos». O leitor está a imaginar o orgasmo que tal metáfora induziu nos crentes caseiros e europeus! Pois, mas a questão é que se tratava de uma expressão idiomática chinesa, ignorada por Snow, que significa: «Sou um homem sem fé nem lei»! (1) 
Mas essa é muitas outras lições não impediram que se continuem hoje a debitar asneiras de igual calibre sobre a China. A partir da consolidação da liderança de Deng Xiaoping, o objectivo maior foi precaver a emergência de um novo Mao e a possibilidade de algo que sequer lembrasse a Revolução Cultural. Probabilidade então fortíssima. Todos os actuais líderes chineses ou seus familiares sofreram o inaudito na Revolução Cultural. Sabe-se o que Deng várias vezes teve de suportar, o filho atirado de uma janela da universidade por um bando de libertadores guardas vermelhos. Guardas vermelhos então cantados entre nós por muitos dos especialistas que hoje anunciam temer um novo Mao. 
Inúmeros quadros nos diversos níveis da Administração chinesa de hoje sofreram na pele a Revolução Cultural. Conheci alguns deles. E foi para afastar naquele período crítico a possibilidade de algum propósito ou ilusão de regresso à tirania que surgiu, entre outras, a medida – singular na História – do impedimento de os ex-Presidentes da República e dos ex-primeiros-ministros voltarem a poder exercer, depois de dois mandatos, qualquer cargo oficial no governo da China. 
No espírito da concepção chinesa da História, informada pela visão ética-cosmológica que distingue radicalmente o pensamento chinês, identificado o ‘momento’ (shi 2) – que na concepção chinesa não é o instante ocidental mas ‘duração’ (2) – e decidida a ‘propensão’ (shi 4), isto é, a ocasião adequada para a intervenção humana (que não perturbe a ordem cósmica das coisas), essa solução foi então pragmaticamente considerada como a que devia ser adoptada. 
E por que foi ela agora alterada, no último Congresso do (também explicavelmente) chamado PCC? Xi Xiping é o autor necessário escolhido para interpretar, externa e internamente, o novo acto, a nova etapa no processo de ‘rejuvenescimento’ da China (3). Objectivo traçado desde antes de 1911, de cuja concretização os grandes intelectuais e líderes políticos chineses nunca duvidaram. Acto escrito e a ser representado, com rigor e cuidado, com o pragmatismo milenar. Etapa já anunciada por Deng para quando... a ‘propensão’ permitisse o seu êxito. 
Quando leio ou ouço os nossos maoístas arrependidos e sucedâneos a falarem sobre a China, sinto-me frequentemente como o Asterix se sentiria a ouvir a Sinfonia n.º 1 para Violino e Orquestra de Tchaikovsky executada pelo bardo da aldeia. 
Guilherme Valente 
NOTAS: (1)Contado por Simon Leys. (2) ‘Estruturação’, ‘estação’, no ciclo do devir das ‘coisas inumeráveis’, determinada pelo jogo dos cinco agentes cósmicos nucleares e das virtudes associadas a cada um deles. (3) Expressão usada desde 1911 por todos os PR chineses na sua tomada de posse. associadas. (4)Expressão usada desde 1911 por todos os PR chineses na sua tomada de posse.

Ver original em 'De Rerum Natura' na seguinte ligação::

http://dererummundi.blogspot.com/2019/03/olhar-china-persistencia-da-ignorancia.html

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

“Em nenhuma circunstância os chineses vão controlar o que a EDP tem nos Estados Unidos, o terceiro maior produtor de energia renovável”, revelou George Glass, o embaixador norte-americano em Lisboa, em entrevista ao Jornal Económico, de 15 de Março. 

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

O porto de Sines foi também objecto de um alerta do embaixador que destacou ainda que os EUA estão abertos à cooperação económica com empresas portuguesas, “desde a agricultura até à tecnologia”. O “Jornal Económico” bateu absolutamente toda a concorrência na mais pesada, tanto em termos económicos como estratégicos, das questões empresariais em curso: a OPA dos chineses à EDP. No passado dia 8, o jornal revelava que a OPA “estava nas mãos de Trump”. Uma semana depois, faz manchete com a “nega” americana que vem acompanhada de uma crítica ao neo-liberalismo pacóvio de Passos Coelho que entregou o controlo do estratégico sector português da energia ao Estado chinês… 

OPA Chinesa à EDP Morre às Mãos de Trump

“Opomo-nos absolutamente a esse negócio”, garantiu George Glass. O embaixador acrescentou ainda que, em situações idênticas, as autoridades norte-americanas vetaram o negócio. 

“O que posso dizer é que quando situações idênticas ocorreram no passado, a essas entidades não lhes foi permitido concluir o negócio”, esclareceu George Glass que considerou ainda uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos observar as negociações da OPA, e assegurou que o país está a fazê-lo. 

O embaixador manifestou-se ainda contra o atual panorama do mercado energético português. “A EDP controla 80% da energia elétrica em Portugal. Do ponto de vista dos Estados Unidos, do ponto de vista de negócios, como do meu ponto de vista pessoal, não deve haver uma entidade estrangeira a deter a vossa energia elétrica. Deve ser controlada pela nação ou pelos privados sob regulação nacional. Não é o caso do que está a acontecer com a EDP”, considerou George Glass.

Contactada pela Lusa, fonte da EDP escusou-se a comentar as declarações do embaixador dos Estados Unidos. Pudera…! 

O embaixador também destacou a importância do Porto de Sines (em que a China se tem mostrado muito interessada…), explicando que pode ser o ponto de entrada do gás natural norte-americano na Europa. Passo necessário para combater interesses semelhantes da Rússia por via dos seus contactos privilegiados com o governo alemão. 


Embaixador dos Estados Unidos revela que Trump vai bloquear OPA chinesa à EDP


Exclusivo Tornado / IntelNomics


Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/opa-chinesa-a-edp-morre-as-maos-de-trump/

O novo ano chinês e a árvore inclinada

«António Costa ainda era presidente da Câmara de Lisboa quando viu um dos fundadores do PS (Alfredo Barroso) deixar o partido por causa de uma intervenção sua na cerimónia do novo ano chinês, em 2015. Na altura, as palavras do autarca – que agradeceu aos chineses a sua contribuição para o facto de Portugal estar, então, melhor do que quatro anos antes – foram consideradas um “tiro de canhão no coração do PS”, e um desrespeito para com os portugueses que continuavam no desemprego e a viver abaixo do limiar da pobreza.
 
Passaram mais quatro anos. António Costa é primeiro-ministro. A relação com a China evoluiu. As contas portuguesas também. Os chineses são hoje donos de várias empresas estratégicas, públicas e privadas, em Portugal. Relacionam-se bem com as altas esferas da política e da economia. Já cá veio o presidente Xi Jiping para retribuir uma anterior visita do Governo português que tinha uma missão bem definida: captar mais investimento. E, em Abril, há um novo momento nas relações bilaterais, com a visita de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa a território chinês.
 
Este ano, o convidado especial do novo ano chinês foi Rui Rio, na sexta-feira. O líder do PSD aproveitou o palco no Casino da Póvoa para dizer aos portugueses que deviam copiar mais os chineses, em vez de viverem tanto no imediato. “Se queremos uma sociedade justa, equilibrada e desenvolvida, não podemos estar sempre a olhar para o amanhã imediato”, aconselhou Rui Rio. E acrescentou que “Portugal tem de crescer do ponto de vista económico”, tendo como eixos desse crescimento as exportações e o investimento. “Se olharmos à carência de capital que Portugal tem e ao investimento que temos de fazer, é evidente que a China é um parceiro privilegiado nessa matéria”.
 
O clima é hoje outro e as declarações do social-democrata não causaram nenhum tipo de alvoroço, o que mostra que há grande concordância - homogenia mesmo - de pensamento em relação à China.
 
Entre 2010 e 2016, os chineses investiram em Portugal mais de 7,5 mil milhões de euros, ocupando o sétimo lugar no ranking europeu dos países que mais investimento receberam da China. Se considerado o rácio de investimento acumulado, ponderado pela dimensão da sua economia, Portugal passa para segundo lugar, só atrás da Finlândia. Os números constam do relatório sobre as “Tendências do investimento chinês na Europa”, da responsabilidade de Ivana Casaburi, professora na ESADE Business School (Barcelona).
 
Em tempos, “aconteceu-nos” uma dependência económica tal face a Angola que, quando os angolanos se viram em dificuldades, também muitos portugueses, em Lisboa e em Luanda, foram contaminados.
 
É certo que a China mantém um crescimento económico ainda acima dos 6%, apesar da “guerra comercial” com os EUA. O colosso que é a China lidera hoje a globalização e Portugal está a tirar partido, naturalmente, do facto de estar na sua rota de crescimento. E acreditamos todos que uma constipação lá não chegará para causar nenhuma pneumonia cá. Mas como diriam os chineses: “Se o vento soprar de uma única direcção, a árvore crescerá inclinada.”»
.

Leia original aqui

A irracionalidade estratégica da União Europeia relativamente à China e aos EUA (sem esquecer a Rússia de Putin)

Uma das mais impressivas reminiscências dos meus dias em Xangai foi a de, num domingo, ter ido visitar o lindíssimo Jardim Yu (ou da Felicidade) e, à saída, ouvir um ruidoso banzé numa das ruas próximas. Acorri a ver do que se tratava e deparei com um daqueles desfiles coloridos em que vários figurantes vão no interior do assustador dragão, deles se vendo apenas as pernas, que servem para o ir deslocando atrás e à frente da orquestra, partida em duas, para melhor distribuir os sons dos instrumentos de percussão. De forma inesperada a China antiga, de matriz taoista, vinha-se acrescentar à que acabara de visitar no amplo complexo, outrora sede da Companhia das Pequenas Espadas que, a meio do século XIX, governara a cidade.
Quando o desfile se dispersou concluí quão contrastada era a realidade de uma tão grande nação, ora feita dos edifícios ultramodernos na interminável Nanjing Lu, ou na outra margem do rio visto do Bund, com o edifício da televisão a servir-lhe de incontornável referência, ora mantendo vivas as resilientes e imemoriais tradições por nenhum regime eliminadas.
Essa evocação aprofunda-me o entendimento do susto por que passam os defensores do capitalismo neoliberal ao estilo norte-americano ao constatar a rapidez com que ele se aprestará a ser ultrapassado pelo rival asiático. E, porque, apesar de desprezados por quem manda na Casa Branca, secundam-lhe as tropelias para dificultar essa anunciada supremacia. Nessa convergência entre o que foi e quanto se apresta a ser, a China possui em si a consistência de quem alcançará o objetivo sem haver quem lho possa obstar. Quem foi capaz de construir a maior edificação alguma vez produzida pela civilização humana - Grande Muralha - ou se antecipou em vários séculos às grandes obras hidráulicas do ocidente, com o seu imenso canal entre Pequim e Hangzhou, possui o engenho e a persistência bastantes para avançar decididamente passo a passo. Nós, europeus, deveríamos ser inteligentes perante a transformação em curso, escusando-nos a servir de muleta ao império, que entrou em irremediável declínio, deixando-o a lamber as suas feridas e a assumirmo-nos como parceiro numa gestão global em que owin-win faz todo o sentido.
O que a União Europeia anda a fazer relativamente à China, e já agora à Rússia, é das mais irracionais estratégias, que se podem apreciar de entre as muitas a que Bruxelas nos tem habituado. Porque o seguidismo em relação a Washington, só beneficia quem desmerece, sendo mais inteligente o esforço da sua consolidação como entidade económica e politicamente autónoma, capaz de negociar em plano de igualdade com todos, sem privilegiar nenhum deles. Seria, para tal, necessário que se começasse por extinguir a anacrónica NATO, substituindo-a por organização exclusivamente europeia e apostada na distensão em vez de prosseguir no fluxo de provocações, que aquela tem multiplicado nas fronteiras com a Rússia. Seria essa, quase por certo, a forma mais eficaz de retirar às extremas-direitas os apoios de que têm usufruído do leste europeu pela razão óbvia de Putin já delas não necessitar para que lhe sirvam de peões ideais para contra-atacar quem se tem esforçado por lhe fazer a vidanegra...

Exportações portuguesas para a China crescem 5,59% em 2018

Macau, China, 01 fev (Lusa) - Portugal exportou em 2018 para a China produtos no valor de 2,24 mil milhões de dólares (1,95 mil milhões de euros), mais 5,59% relativamente ao período homólogo de 2017.
De acordo com dados oficiais publicados no portal do Fórum Macau, com base nas estatísticas dos Serviços de Alfândega chineses, as trocas comerciais entre Lisboa e Pequim ascenderam a 6.016 milhões de dólares (5.240 milhões de euros) no ano passado, o que corresponde a um aumento de cerca de 408 milhões de dólares, em comparação com 2017.
Portugal importou da China bens no valor de aproximadamente 3.769 milhões de dólares, tendo Lisboa um saldo comercial negativo com o país asiático de cerca de 1.522 milhões de dólares.
As importações de produtos chineses aumentaram 8,29%, em relação a 2017.
Os mesmos dados indicaram que as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos fixaram-se em 147,35 mil milhões de dólares ao longo dos três primeiros meses do ano, verificando-se um crescimento de 25,31%.
As importações por parte da China representam a maior parte deste valor: 105.506 milhões de dólares, um aumento de 30,24% face a 2017.
Por sua vez, as exportações chinesas para países lusófonos registaram um aumento de 14,4%, tendo alcançado os 41.847 milhões de dólares.
O Brasil continua a ser o principal parceiro da China no âmbito do bloco lusófono, tendo registado trocas comerciais de 110,8 mil milhões de dólares.
Pequim comprou a Brasília produtos no valor de 77,07 mil milhões de dólares, mais 32% que em 2017, e o Brasil adquiriu à China bens no valor de 33,73 mil milhões de dólares, um aumento de 15,39%.
Angola surge no segundo lugar do 'ranking' lusófono com trocas comerciais com a China no valor de 27,75 mil milhões de dólares, com Luanda a enviar para Pequim produtos no valor de 25,51 mil milhões de dólares e a fazer compras de 2,23 mil milhões de dólares.
As trocas comerciais entre a China e Cabo Verde foram de 78,23 milhões de euros e com Moçambique foram de 2,51 mil milhões de dólares.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau.
MIM // JMC

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/exportacoes-portuguesas-para-china.html

A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019 (I)

O ano de 2018 reafirmou qual a geopolítica chinesa, no global, ou africana, no geral, e de certo modo reafirmou a angolana, em particular. Ou seja, a China reafirmou-se como uma potência global, não só a nível económico ou político. Também a nível militar e aeroespacial se avigorou.
A nível económico, no geral, não teve problemas em afrontar a potência mundial, os EUA, e a agressiva política económica de Trump e do “American First”. Uma situação que não se prevê possa diminuir de intensidade face aos compreensíveis interesses económicos de ambos.
A nível político, e aproveitando a “ausência” dos EUA no sistema internacional, baseado no asseverar do reforço económico e social das políticas internas da administração Trump e do afastamento deste, aliado a algumas ameaças de sanções económicas, de alguns os cenários mais importantes, principalmente para o Ocidente — leia-se, Europa — como são as políticas ambientais e a livre concorrência de produtos europeus de e para os EUA, assim como para outros países e que para o quais os EUA ameaçam com sanções; bem como uma agressiva política externa pró-israelita e anti- -establishment, em particular, anti- -iraniana e não-palestiniana, e numa política de um “não interesse” nas questões africanas — excepto e, na maioria dos casos, com razão, para criticar os líderes africanos — permitiram à China ter uma maior penetração na Europa, na Ásia e na América Latina como solidificar a sua influência em África.
E são estes factos que sinteticamente procurarei abordar.
Para a Europa criou uma “rota da seda” para a colocação dos seus produtos e de muito do seu excedente comercial e financeiro, e, em particular em Portugal, solidificou a sua presença a nível financeiro, estando presente nas principais empresas portuguesas, nomeadamente na energia e nas finanças. A recente visita do líder chinês, Xi Jinping, a Portugal, reforçou essa presença e esse influxo (a vontade de usar o porto de Sines — o maior e mais ocidental porto da Europa — e a sua prevista ligação ferroviária de alta velocidade de mercadorias ao heartland europeu são factores que alimentam ainda mais a atracção dos chineses a Portugal). A investigadora portuguesa Cátia Mirian Costa, especialista em temáticas chinesas, aborda estes temas, quer sobre as relações com Portugal, como sobre as ainda debilidades com que a China padece a nível ecológico, num recente artigo n’O Jornal Económico, «China, essa desconhecida» (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/china- -essa-desconhecida-391715).
Na Ásia e na América Latina mais do que emerge, reafirma- -se como um parceiro importante, seja a nível económico — é um comprador firme do petróleo venezuelano — seja a nível político, com a afirmação do BRICS. Mas na Ásia, e de certa forma, a nível global, a importância do seu poder sobre Pyongyang levaram a uma aproximação do líder norte- -coreano, Kim Jong-un, aos seus irmãos do Sul e a um melhor relacionamento com os EUA, em geral, e com Trump em particular, levando os dois líderes a se encontrarem em Singapura para um acordo de progressivo “desarmamento nuclear” na Península Coreana.
Xi Jinping, discretamente, e como é apanágio chinês — ver a minha “Teoria do Mahjong”, já aqui descrita no Novo Jornal, na edição 390, de 24 de Julho de 2015, ou no meu livro Of the An Instrumentality Power to the Mahjong Theory […], edição Lambert Academic Publishing, de 2015 —, acabou por ser o principal beneficiário desta aproximação. Como sempre tenho escrito, a Coreia do Norte não consegue subsistir sem o apoio político, económico, financeiro e científico dos chineses.
Mas é em África, em geral, e em Angola, em particular, que a China mais reafirmou a sua presença. Reafirmou e, mais que reafirmar, impôs-se.
Até há pouco anos, a China assentava o seu poder militar nas forças terrestres, sobretudo, e aéreas. Recentemente, e como todos os países oceânicos, percebeu que o poder naval era importante para se afirmar quer na área e na salvaguarda das suas costas e áreas marinhas e económicas, como um meio de projecção internacional.
No caso africano, em análise, a defesa das suas frotas de e para a China estavam a ser postas em causa com os actos de pirataria tanto na região malaia como, e principalmente, no Golfo da Áden e no Corno de África, com a pirataria somali. Actos que produziam elevados prejuízos aos chineses.
Por esse facto, a China começou a desenvolver uma flotilha naval com a construção, não só de barcos patrulhas e fragatas — que já tinham — como o fabrico de navios de guerra de grande porte (destróieres) e de porta-aviões (prevê, no final, ter cinco porta-aviões, incluindo dois de propulsão nuclear), sendo que o primeiro já está em fase final de testes (ver em https://www.naval.com.br/blog/tag/marinha- -chinesa/).
Mas a presença naval chinesa em África deixou ser só no mar. A China obteve permissão do Djibuti para criar um porto e estacionar parte da sua força naval no Golfo de Áden, neste país. Muito perto das forças francesas e norte-americanas. A China deixou de ser só uma potência economia e política em África, para ser uma potência global no continente africano.
Se a presença chinesa em África se tornou global, ainda é o poder económico e político que mais se faz sentir no nosso continente, em geral, e em Angola, em particular.
Uma das primeiras vistas do presidente João Lourenço ao exterior foi precisamente à China, onde a par do reforço das relações entre os dois países lhe permitiu não só “se apresentar” ao líder chinês como tentar — e conseguir, com algum custo — um novo empréstimo financeiro junto de Beijing. Sabe-se — pouco, é certo — que Xi Jinping fez depender este novo empréstimo de algumas condições prévias que, na realidade, estão guardadas nos cofres da diplomacia dos dois países.
Mas não são só estas condições que estão nos segredos dos deuses sino-angolano. Na realidade ninguém, de boa-fé, pode afirmar qual é a nossa dívida real à China. Nem o FMI, nem — muito menos — as empresas de rating o sabem. Cabe aos países relacionados informar estas entidades das suas dívidas e serviços de dívida (juros). E só elas, e quando o querem, informam os valores em causa. Ora, os nossos sucessivos Governos sempre consideraram não ser nem necessário divulgar estes valores. Puro erro. A comunidade nacional precisa de saber o que deve, a quem deve e quanto deve. Talvez isso permitisse aos angolanos não serem tão expansivos em algumas das suas despesas.
*Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) e investigação para Pós-Doutorado pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto
**Todos os textos por mim escritos só me responsabilizam a mim e não às entidades a que estou agregado.
Novo Jornal
*Eugénio Costa Almeida – Pululu - Página de um lusofónico angolano-português, licenciado e mestre  em Relações Internacionais e Doutorado  em Ciências Sociais - ramo Relações Internacionais - nele poderão aceder a ensaios académicos e artigos de opinião, relacionados com a actividade académica, social e associativa.

Trump diz que não haverá acordo com China sem reunião com Xi Jinping

Presidente dos EUA, Donald Trump, acena ao lado do presidente chinês, Xi Jinping, após coletiva de imprensa em Pequim, 9 de novembro de 2017
© AP Photo / Andy Wong

O presidente dos EUA, Donald Trump, informou que as negociações comerciais com a China estão indo bem, mas ele alertou que um acordo final não será alcançado até que ele se encontre com seu Xi Jinping em um "futuro próximo".

"Negociadores chineses de alto escalão estão reunidos nos EUA com nossos representantes, as reuniões estão indo bem, com boas intenções e bom humor de ambos os lados", disse Trump em sua conta no Twitter.

"Não haverá acordo final até meu amigo, o presidente Xi, e eu nos reuniremos em breve para discutir e concordar com alguns dos pontos mais longos e mais difíceis", acrescentou. 


Trump fez este comentário antes da chegada de uma delegação chinesa em Washington chefiada pelo vice-primeiro-ministro Lui He para uma rodada de negociações.

Washington e Pequim estão presos em uma guerra comercial desde que o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciou em junho um imposto de 25% sobre o valor de US$ 50 bilhões em importações chinesas, em uma tentativa de consertar o déficit comercial entre EUA e China.

Desde então, os dois países trocaram várias rodadas de tarifas comerciais, cobrando taxas de centenas de bilhões de dólares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, pediram, no mês passado, uma trégua na escalada da guerra comercial depois de se reunirem nos bastidores do encontro do G20 em Buenos Aires, mas os dois países ainda não chegaram a um acordo final.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019013113223065-eua-china-trump-acordo/

Soros está preparando EUA para Guerra Fria contra China, opina analista

George Soros, multimilionário estadunidense
© AFP 2018 / Brendan Smialowski

Na semana passada, durante uma reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, o famoso bilionário George Soros declarou que, sendo "o regime autoritário mais rico, forte e tecnologicamente avançado do mundo", a China é a maior ameaça ao Ocidente. Analistas explicam o que está por trás dessas declarações.

O famoso bilionário norte-americano de origem húngara, George Soros, alertou durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que os EUA e a China, as duas maiores economias do mundo, se encontram em "uma guerra fria que em breve poderá se tornar quente".

Além disso, ele chamou o líder chinês, Xi Jinping, de "adversário mais perigoso das sociedades abertas" e pediu para que a administração de Trump pressione ainda mais Pequim, especialmente contra os gigantes tecnológicos chineses.


O especialista em relações internacionais, Adriel Kasonta, opinou que os EUA já tentaram fortalecer aliança com a China contra a Rússia, mas hoje a situação é totalmente diferente.

"Agora os americanos estão tentando uma espécie de coalizão entre a Rússia e os EUA contra a China e isso pode marcar uma Guerra Fria 2.0 – uma nova guerra fria dos EUA contra a China", explicou ele à Sputnik Internacional.

"Do meu ponto de vista, George Soros está tentando preparar uma base democrática, porque, como sabemos, é um forte apoiador do Partido Democrata e um grande doador desse partido, ele está tentado prepará-los mentalmente para uma guerra contra a China. Enfrentaremos Guerra Fria 2.0, porque a China e seu Partido Comunista são vistos no hemisfério ocidental como uma nova ameaça comunista", acrescentou o analista.

O analista canadense Michel Chossudovsky, por sua vez, sublinhou que, falando dos "regimes autoritários", Soros não lembrou as ações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela, quanto ao reconhecimento de Washington do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino do país. 


"No mundo ocidental há muitos atores autoritários que fingem ser democratas, incluindo Macron na França [o presidente da França, Emmanuel Macron] com suas repressões contra "coletes amarelos" e, evidentemente, [primeira-ministra britânica] Theresa May", afirmou Chossudovsky à Sputnik Internacional.

O especialista canadense revelou também por que Soros apela para pressionar gigantes tecnológicos chineses, especialmente Huawei e ZTE.

"Atualmente, a China lidera em várias tecnologias-chave […] Não há dúvidas sobre suas vantagens. Acredito que os EUA e seus aliados querem que a China deixe de desempenhar papel-chave no campo de tecnologia global. Vimos isso na história com Huawei, acusações ligadas à segurança [tecnológica] e sanções comerciais", afirmou ele.

Segundo Chossudovsky, o principal ponto forte da China na possível Guerra Fria com os EUA é a economia real chinesa enquanto os países ocidentais dependem dos bens produzidos na China.


"A China desenvolve sua economia real na medida em que ofusca a hegemonia dos EUA e eu acredito que é o principal problema. Isso explica também a campanha contra a China, particularmente na área de tecnologias de ponta", concluiu o analista.

Anteriormente, um grupo de senadores americanos apresentou uma lei proibindo a exportação de peças e componentes produzidos nos EUA para empresas de telecomunicações na China que supostamente violaram as sanções americanas. Em agosto de 2018, Donald Trump assinou uma lei proibindo agências governamentais de usar serviços da Huawei e da ZTE, entre outras entidades chinesas.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019012813200147-soros-eua-china-ameaca-principal/

Trump diz que é possível fazer um acordo com China

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping (foto de arquivo)
© REUTERS / Carlos Barria

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou neste sábado (19) que as coisas estão indo muito bem com a China e que "poderia fazer um acordo" com Pequim.

Ao conversar com jornalistas na Casa Branca, Trump disse também que houve "notícias falsas" sobre a eliminação de sanções.

"Vamos ver como tudo vai", acrescentou. "Realmente tivemos um número extraordinário de reuniões e poderia haver um acordo com a China, está indo muito bem, bem como poderia ir", disse ele.


Washington e Pequim estão presos em uma guerra comercial desde que o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciou em junho um imposto de 25% sobre o valor de US$ 50 bilhões em importações chinesas, em uma tentativa de consertar o déficit comercial entre EUA e China.

Desde então, os dois países trocaram várias rodadas de tarifas comerciais, cobrando taxas de centenas de bilhões de dólares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, pediram, no mês passado, uma trégua na escalada da guerra comercial depois de se reunirem nos bastidores do encontro do G20 em Buenos Aires, mas os dois países ainda não chegaram a um acordo final.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019011913140595-eua-china-trump-comercio/

China: estratégia antimíssil dos EUA terá consequências

Soldados dos EUA perto do complexo antimíssil Patriot na Polônia, arquivo
© AP Photo / Czarek Sokolowski

Segundo representantes da China, EUA podem escalar um conflito internacional.

A renovada estratégia antimíssil dos Estados Unidos  pode provocar uma nova corrida armamentista e alterar o equilíbrio estratégico no mundo, disse o Ministério das Relações Exteriores da China.


"As ações dos EUA não são construtivas. Podem prejudicar a paz e a segurança na região", informou o órgão chinês.

As declarações norte-americanas "afetam o processo de desarmamento nuclear internacional e provocam uma corrida armamentista, além de alterar o equilíbrio estratégico do mundo".

Esta foi a posição do ministério das Relações Exteriores da China, transmitida aos correspondentes da agência Sputnik no país.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019011813133473-eua-china-misseis-estrategia-relacoes/

China critica declarações de Trudeau e aumenta tensão com o Canadá

A man walks past flags of Canada and China in front of Tiananmen Gate in Beijing (File)
© AFP 2018 / FREDERIC BROWN

A China expressou, nesta terça-feira (15), sua "forte insatisfação" com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, que criticou uma sentença de morte dada por tribunal chinês contra um cidadão canadense.

Uma corte da província de Lianoing anunciou a pena de morte para Robert Lloyd Schellenberg na segunda-feira (14), condenado por contrabando de drogas.

A porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Hua Chunying, afirmou que Justin Trudeau "deveria respeitar o estado de direito, respeitar a soberania judicial da China, corrigir os erros e deixar de fazer declarações irresponsáveis". Ela acrescentou, ainda em uma conferência de imprensa o governo chinês mantém forte insatisfação em relação às declarações de Trudeau.


A partir de 1 de dezembro, as relações entre China e Canadá se estremeceram. Isso porque o Canadá, atendendo a um pedido dos Estados Unidos, prendeu uma executiva da Huawei, empresa chinesa de tecnologia. A Justiça dos Estados Unidos pediu a extradição de Meng acusando-na de fraude em transações financeiras no Irã.

O canadense Schellenberg foi preso há mais de quatro anos e foi condenado a 15 anos de prisão em novembro. A imprensa chinesa voltou a falar do caso de Meng e há uma expectativa de que a sorte do prisioneiro canadense ainda seja utilizada na negociação do caso da chinesa.

Trudeau afirmou na segunda-feira (14) que a China está utilizando seu sistema judicial para pressionar o Canadá pela prisão de Meng, que é filha do fundador da Huawei.

"Todos os países do mundo deveriam se preocupar porque Pequim utiliza seu sistema judicial de maneira arbitrária", disse Trudeau, que ainda acrescentou: "A China optou por começar a aplicar arbitrariamente uma pena de morte".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019011513114364-china-canada-justin-trudeau-huawei/

Vice-presidente chinês pede diálogo para melhorar relações com os EUA

Wang Qishan, novo vice presidente da China, em uma durante o 19º Congresso do Partido Comunista chinês, em 2017.
© AP Photo / Mark Schiefelbein

O vice-presidente da China, Wang Qishan, pediu diálogo e consultas para relações bilaterais saudáveis ​​e estáveis ​​entre seu país e os Estados Unidos, informou a agência de notícias chinesa Xinhua nesta quinta-feira (10).

Qishan disse que deve haver um respeito mútuo nos campos de soberania, segurança e interesses de desenvolvimento. As diferenças devem ser cuidadas e controladas, também afirmou o vice-presidente chinês.

Suas declarações foram feitas durante o 40º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e os Estados Unidos no Grande Salão do Povo em Pequim.


A China e os Estados Unidos fizeram progressos em "questões estruturais" nas negociações nesta semana, depois que a guerra comercial diminuiu o fluxo de mercadorias no valor de centenas de bilhões de dólares.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que o país estava tendo um tremendo sucesso em suas negociações comerciais com a China, um dia depois de as autoridades americanas e chinesas terem concluído três dias de negociações em Pequim.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019011013085156-vice-presidente-chines-pede-dialogo-relacoes-eua/

Conselheiro de segurança nacional do Afeganistão visita China em busca de cooperação

O conselheiro de segurança nacional do Afeganistão, Hamdullah Mohib, e o ministro de relações exteriores da China, Wang Yi, em reunião em Pequim.
© AP Photo / Andy Wong

O conselheiro de segurança nacional do Afeganistão esteve em Pequim nesta quinta-feira (10) para buscar cooperação e encerrar sua guerra de 17 anos com o Talibã.

Hamdullah Mohib encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e disse que o Afeganistão está buscando "trazer alguma estabilidade de longo prazo para a nossa região".

A China e o Afeganistão compartilham uma fronteira estreita e cooperaram na segurança das fronteiras. A China também é um aliado próximo do Paquistão, acusado pelo Afeganistão e pelos EUA de fornecer abrigo seguro para o Talibã e outros grupos que se opõem ao governo em Cabul.

Wang enfatizou a "compreensão mútua e apoio mútuo" que os países ofereceram uns aos outros e o apoio da China aos esforços para "promover a paz doméstica e a reconciliação política no Afeganistão".

"Em um momento tão importante, sabemos que você foi encarregado pelo presidente Ashraf Ghani de fazer essa visita para melhorar a compreensão e a coordenação mútua. Acreditamos que isso seja extremamente oportuno e necessário", disse Wang.


Na quarta-feira, o enviado especial do presidente afegão, Mohammad Omer Daudzai, expressou sua esperança de que a guerra que custou aos Estados Unidos cerca de US$ 1 trilhão termine em 2019.

"Estamos nomeando 2019 como um ano de paz para o Afeganistão", disse Daudzai em entrevista à Associated Press.

O enviado especial de paz de Washington, Zalmay Khalilzad, também está em um tour pela região, visitando a Índia, a China, o Paquistão e o Afeganistão.

O Talibã recusou um diálogo direto com Cabul, apesar da pressão da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e até do Paquistão.

Em resposta, Washington suspendeu centenas de milhões de dólares em reembolsos ao Paquistão. O Paquistão afirma que sua influência sobre o Talibã é exagerada.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019011013082401-conselheiro-seguranca-nacional-afeganistao-visita-china-eua-guerra-taliba/

Rússia e China planejam parceria para pesquisa em águas profundas

Ministério da Defesa da Rússia informa que navios da Frota do Pacífico russa chegaram à China para participar nos exercícios navais Interação Naval 2016
© AP Photo / Zha Chunming/Xinhua

Cientistas da Rússia e da China estão preparando um programa conjunto para a avaliação de recursos marinhos em águas profundas, disse, nesta quarta-feira (9), Alexander Sergeev, chefe da Academia Russa de Ciências (RAS) durante encontro com o presidente russo, Vladimir Putin.

Durante a reunião, Putin e Sergeev discutiram as questões relacionadas à ciência e ao desenvolvimento da comunidade científica, assim como áreas promissoras no trabalho de RAS.


"Uma dessas áreas é a pesquisa sobre os recursos marinhos em águas profundas. Em cerca de dois ou três meses, a primeira sessão de trabalho será realizada na China. Nós planejaremos projetos conjuntos, incluindo expedições conjuntas", disse Sergeev a repórteres.

Ele ainda acrescentou que a Rússia e a China também estão discutindo o envolvimento chinês na criação de instalações de pesquisa estrangeira de classe "Megascience" na Rússia, além da participação russa na criação de instalações similares na China.

Segundo Sergeev, ambos os países estão engajados em discussões acerca de pesquisas termo-nucleares chinesas, da mesma forma que pesquisas para a criação de um laser superpotente, também na China.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/russia/2019010913077529-russia-china-pesquisa-ciencia-aguas-profundas/

Trump afirma que negociação comercial com a China vai 'muito bem'

US President Donald Trump welcomes Chinese President Xi Jinping at Mar-a-Lago state in Palm Beach, Florida, US, April 6, 2017.
© REUTERS / Carlos Barria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em um comunicado nesta terça-feira (8) que as negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China estão "indo muito bem".

"As conversas com a China estão indo muito bem", afirmou o presidente norte-americano através de sua conta oficial no Twitter. A postagem foi publicada enquanto representantes de EUA e China dão continuidade às negociações em Pequim em uma segunda rodada de conversas.


As negociações entre as duas maiores economias do mundo começaram na segunda-feira (7) e, segundo publicou Trump, continuam em andamento. As conversas estão sendo realizadas em nível vice-ministerial.

Washington e Pequim estão em lados opostos de uma guerra comercial desde que o presidente Donald Trump anunciou, em junho de 2018, a imposição de sobretaxas de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos importados chineses. Segundo a atual administração federal norte-americana, a medida teria como objetivo ajustar o déficit comercial entre os países em favor dos EUA.

Desde que a medida foi anunciada ambos os países têm trocado rodadas de novas taxas que ultrapassam centenas de bilhões de dólares.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019010813067472-donald-trump-eua-china-guerra-comercial/

Kim Jong-un visita a China a convite de Pequim

In this photo provided Wednesday, March 28, 2018, by China's Xinhua News Agency, North Korean leader Kim Jong Un, left, and Chinese President Xi Jinping shake hands in Beijing, China.
© AP Photo / Ju Peng

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, chegou à China nesta segunda-feira (7) após ser convidado pelo presidente chinês, Xi Jinping. A visita marca o 4º encontro entre os líderes asiáticos.

Apesar de que não está claro qual será o tema do encontro, espera-se que ambos discutam o desenvolvimento das negociações entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump.

O jornal The New York Times divulgou mais cedo que um trem foi visto viajando por Dandong, cidade chinesa na fronteira com a Coreia do Norte. A publicação ressaltou que uma segurança reforçada foi colocada ao redor da cidade. Os hotéis na região se recusaram a receber hóspedes durante o período em que trem foi visto.

Kim e Xi se encontraram anteriormente em três oportunidades ao longo de 2018. As reuniões foram realizadas antes dos encontros históricos com Donald Trump e o presidente da Coreia do Norte, Moon Jae-in. 

DETALHES A SEGUIR

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019010713063671-china-coreia-do-norte-kim-jong-un/

China testa sua versão de 'mãe de todas as bombas', diz imprensa (VÍDEO)

Bombardeiro H-6K patrulha o mar do Sul da China
© AP Photo / Xinhua

A empresa estatal chinesa NORINCO demonstrou imagens inéditas da sua versão da "mãe de todas as bombas" e dos testes, relata o Global Times.

Destaca-se que o poder de destruição da bomba aérea perde apenas para a bomba nuclear, por isso ela recebeu o apelido peculiar.

O jornal observa que a NORINCO já testou as capacidades da bomba a partir de um lançamento do bombardeiro H-6K e provocou uma gigantesca explosão. O local dos testes não foi informado.

​Com base nas imagens do vídeo, a bomba pesa várias toneladas e, devido ao seu tamanho, um bombardeiro pode carregar apenas uma bomba por vez. Segundo analistas, ela pode ter até seis metros de comprimento.

No entanto, especialistas também observaram que a bomba chinesa é provavelmente menor do que a dos EUA, tendo sido dimensionada deliberadamente para ser transportada pelo bombardeiro H-6K.

Alguns analistas chegaram a especular que a bomba seja também termobárica, mas a empresa chinesa não confirmou isso.

Em 2017, a Força Aérea dos EUA revelou uma gravação dos testes de 2003 de sua bomba não nuclear GBU-43/B, que também é conhecida como a "mãe de todas as bombas". O vídeo foi divulgado depois que a Força Aérea norte-americana a lançou contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em vários outros países) no Afeganistão.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/defesa/2019010413046869-china-testa-bomba-mae-norinco-video/

Nova 'guerra': EUA lançam alerta para cidadãos que vão viajar para a China

Bandeira dos EUA junto a emblema nacional da China (foto de arquivo)
© AP Photo / Andy Wong

O Departamento de Estado dos EUA emitiu uma advertência para os cidadãos norte-americanos que viajam para a China para irem com mais cautela, acusando Pequim de "imposição arbitrária de leis locais".

As autoridades norte-americanas emitiram o alerta de viagem de nível 2 nesta quinta-feira, sugerindo que aqueles que planejam visitar a China procedam com maior cautela. O alerta alega que a China "reivindicou ampla autoridade" ao deter cidadãos americanos e não permitir que eles deixassem o país.

O alerta também sugere que o envio de mensagens eletrônicas que critiquem o governo chinês pode ser suficiente para provocar detenção ou deportação. Eles alegam que as autoridades chinesas podem negar aos detidos acesso aos serviços consulares dos EUA ou submetê-los a "interrogatórios prolongados e prisões prolongadas".

As autoridades dos EUA recomendam que as pessoas carreguem seus passaportes com eles o tempo todo e registrem sua viagem com o programa "viagem inteligente" do governo.


Isso ocorre no mesmo dia em que um promotor público de Pequim afirmou que dois cidadãos canadenses detidos em meados de dezembro tinham "sem dúvida" violado a lei chinesa, apesar de as acusações oficiais ainda não terem sido arquivadas.

Embora ambos os lados neguem que o caso esteja ligado à detenção da executiva da Huawei, Meng Wanzhou, no Canadá, nove dias antes, muitos especulam que a detenção foi realizada em retaliação. O movimento internacional vem contra um contexto mais amplo de continuado conflito comercial entre a China e os EUA, que registrou as acusações originais contra Meng.

O Departamento de Estado dos EUA introduziu um sistema de advertência de viagem de quatro níveis, codificado por cores em 2018. O Nível 1 aconselha os viajantes a "tomarem as precauções normais", e aplica-se a países como Áustria, Bélgica e Estônia. O nível 2 recomenda que os viajantes "exerçam maior cautela", como é o caso da China. O nível 3 pede que os americanos "reconsiderem a viagem" para países como o Haiti e o Paquistão, enquanto o nível 4 simplesmente avisa "não viaje" e aplica-se a 11 países, incluindo Iraque, Afeganistão e Coreia do Norte.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2019010413044071-eua-china-alerta-viagem/

Jornal militar chinês alerta tropas: é preciso preparar soldados para guerra

Soldados do Exército da Libertação Popular da China
© REUTERS / Damir Sagolj

As tropas chinesas devem acelerar o treinamento, adiantar tecnologia de ponta e, acima de tudo, se preparar para a guerra, disse o Diário do Exército Popular de Libertação (ELP) - um jornal das Forças Armadas - em uma mensagem de Ano Novo.

"Preparação de soldados e preparativos de guerra" serão as principais prioridades para as Forças Armadas em 2019, disse o Exército oficial às tropas. Ele instou os leitores que "em nenhum momento deveríamos permitir qualquer folga nessas áreas".


"Devemos estar bem preparados para todas as direções da luta militar e melhorar de forma abrangente a resposta de combate das tropas em situações de emergência […] para garantir que possamos enfrentar o desafio e vencer quando houver uma situação", informou a mensagem.

O Diário do ELP também prometeu "reformar o Exército através da ciência e tecnologia", junto com o fortalecimento dos laços com o Partido Comunista Chinês.

O editorial foi publicado alguns dias antes de o presidente da China, Xi Jinping, ter chamado para forjar a reunificação com Taiwan. Ao dizer que "salvaguardaria os interesses e bem-estar" dos que vivem na ilha, Xi notou que Pequim "reserva a opção de tomar todas as medidas necessárias" contra os estrangeiros que dificultam o processo.

Taiwan é uma das questões que adicionam combustível a uma briga entre os EUA e a China desde que o presidente Donald Trump prometeu apoio militar à ilha. A China denunciou o movimento, advertindo os EUA contra a intromissão em seus assuntos internos. Deixando de lado Taiwan, o mar do Sul da China é outro lugar que viu crescentes tensões entre os EUA e a China.

No ano passado, Xi também pediu que as tropas "concentrem os preparativos" para um conflito militar. "Temos que intensificar exercícios de prontidão de combate, exercícios conjuntos e exercícios de confronto para melhorar as capacidades dos militares e a preparação para a guerra".


Os estrategistas de Washington indicam abertamente que Pequim é um oponente militar, mesmo alegando que pode ultrapassar os EUA em algumas áreas. O Pentágono, por exemplo, alertou repetidamente que os militares chineses poderiam deixar os EUA para trás na implantação do poder aéreo e marítimo, bem como no desenvolvimento de futuros sistemas de armas.

Alguns membros da elite militar dos EUA também especularam sobre a possibilidade de se envolver em um confronto militar com a China. O tenente-general Ben Hodges, ex-comandante dos EUA na Europa, certa vez sugeriu que Washington "deve lidar com a ameaça chinesa" no Pacífico.

"Os Estados Unidos precisam de um pilar europeu muito forte", disse ele ao Fórum de Segurança de Varsóvia em outubro. "Eu acho que em 15 anos — não é inevitável — mas é uma grande probabilidade de estarmos em guerra com a China".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019010413044037-china-guerra-preparacao/

Divulgada 1ª FOTO captada no lado escuro da Lua

A sonda chinesa Chang'e-4 pousou no lado oculto da Lua pela primeira vez na história e enviou à Terra a primeira imagem da face lunar que o olhar humano não é capaz de ver.

A imagem foi enviada através do satélite Queqiao, que opera na órbita do halo em torno do segundo ponto de Lagrange L2 do sistema Terra-Lua.

Na imagem que a Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China postou em sua conta do WeChat pode ser observada a superfície lunar artificialmente iluminada, sendo visível uma cratera, assim como um fragmento do rover. 

​Com o sucesso da alunagem, a China entra para a história como o primeiro país a fazer pousar uma sonda nesta zona lunar até então inexplorada.

Segundo a rede de televisão chinesa CCTV, o pouso, que aconteceu relativamente perto do local predeterminado, permitiu "abrir um novo capítulo" no estudo do satélite da Terra.

A sonda lunar Chang'e-4 foi lançada do centro espacial de Xichang, localizado na província chinesa de Sichuan, em 7 de dezembro de 2018.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2019010313040024-lado-escuro-lua-sonda-china-foto/

China apoia continuação do diálogo entre EUA e Coreia do Norte

As pessoas andam de bicicleta passando por um teção transmitindo a reunião do líder norte-coreano Kim Jong Un e do presidente chinês Xi Jinping durante uma cerimônia de boas-vindas no Grande Salão do Povo em Pequim, terça-feira, 19 de junho de 2018.
© AP Photo / Andy Wong

Pequim apóia as ações de Washington e de Pyongyang com o objetivo de promover a desnuclearização da península coreana e melhorar as relações, disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Lu Kang.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que espera encontrar-se com o líder norte-coreano Kim Jong-un, que em uma mensagem por ocasião de Ano Novo expressou sua vontade de realizar um encontro com Trump a qualquer momento.


Lu enfatizou que Pequim "apóia a Coreia do Norte e os EUA, assim como Seul e Pyongyang, em seu desejo de manter a dinâmica positiva da cooperação para fortalecer ainda mais a confiança mútua e melhorar as relações entre os países".

O diplomata chinês destacou mudanças positivas na situação da península coreana e nas relações entre as duas Coreias em 2018.

"A China apóia Pyongyang na implementação das medidas importantes para a desnuclearização da península coreana", disse ele.

O ano de 2018 foi marcado pela desnuclearização da península coreana.

Em 12 de junho, em Singapura, uma cúpula histórica foi realizada entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte.

A reunião resultou na assinatura de um documento conjunto no qual ambas as partes confirmaram sua disposição de estabelecer relações bilaterais.

O líder norte-coreano reafirmou seu compromisso com a desnuclearização total da península coreana, enquanto o presidente dos EUA prometeu garantias de segurança a Pyongyang.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/mundo/2019010213035278-china-eua-coreia-desnuclearizacao-pyongyang/

China não descarta uso de força em caso de interferência externa na questão de Taiwan

Xi Jinping, líder chinês, durante 40º aniversário da Mensagem aos Compatriotas de Taiwan, Pequim, 2 de janeiro de 2019
© AP Photo / Mark Schiefelbein

A China não promete descartar o uso de força e se reserva a opção de usar todas as medidas necessárias contra as forças externas e atividades separatistas em Taiwan, declarou o líder chinês Xi Jinping nesta quarta-feira (2).

Discursando por ocasião do 40º aniversário da Mensagem aos Compatriotas de Taiwan, Xi Jinping assegurou que "os chineses não lutam contra chineses" e que a China está pronta para lutar com todas as forças pelas perspectivas de uma reunificação pacífica, através do caminho mais favorável para todos os compatriotas de ambos os lados do estreito de Taiwan e para toda a nação.

"Não prometemos descartar o uso da força militar e nos reservamos o direito de tomar todas as medidas necessárias dirigidas contra a interferência externa e o pequeno número de separatistas e movimentos separatistas que se manifestam a favor da 'independência de Taiwan'", destacou Xi Jinping, sublinhando que tais medidas não são destinadas contra os compatriotas de Taiwan.


Falando sobre a reunificação da China, Xi Jinping disse que isso não pode prejudicar os interesses legítimos de outros países, incluindo os interesses econômicos legítimos de Taiwan, e pode apenas criar ainda mais novas oportunidades para o desenvolvimento e estabilidade da região.

"O andamento do desenvolvimento das relações entre ambos os lados do estreito de Taiwan prova que Taiwan faz parte da China, que estas partes são ligadas pelos mesmos fatos históricos e jurídicos, ninguém tem força para mudar isso", frisou o líder chinês.

Xi Jinping disse também que a reunificação da China é uma tendência histórica e o caminho certo, enquanto a "independência de Taiwan" contradiz a história e leva a um beco sem saída. O líder chinês expressou a prontidão para criar amplas possibilidades para uma reunificação pacífica.

Taiwan e a China têm sido governados separadamente desde a Guerra Civil Chinesa nos anos 40. Hoje, a China continua reivindicando sua soberania sobre Taiwan. Os contatos empresariais e informais foram retomados entre as partes nos anos 80. No início dos anos 90, a China e Taiwan começaram a se contatar através de organizações não governamentais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2019010213033363-china-reunificacao-taiwan-xi-jinping/

Inovação Made in China: Pequim lidera pedidos de propriedade intelectual no mundo

Bandeira da China em frente a um prédio em Xangai
© Sputnik / Alexander Vilf

Cerca de 3,17 milhões de pedidos de patentes globais foram feitos em 2017, o que corresponde a um aumento de quase 6% ao ano, de acordo com o último relatório da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO).

"A China está impulsionando o crescimento dos pedidos de patentes, marcas registradas, desenhos industriais e outros direitos de propriedade intelectual que estão no centro da economia global", afirmou.

O relatório disse que o país asiático registrou o maior volume de aplicações para cada um desses direitos de propriedade intelectual em 2017. Inovadores e criadores dentro do país, bem como entidades estrangeiras, estavam procurando proteger e promover seu trabalho em um dos principais países que mais cresce no mundo.


"A demanda por proteção da propriedade intelectual está aumentando mais rapidamente do que a taxa de crescimento econômico global, ilustrando que a inovação apoiada por propriedade intelectual é um componente cada vez mais crítico da concorrência e da atividade comercial", destacou o diretor-geral da WIPO, Francis Gurry.

"Em apenas algumas décadas, a China construiu um sistema de propriedade intelectual, encorajou a inovação nacional, juntou-se às fileiras dos líderes de propriedade intelectual do mundo - e agora está impulsionando o crescimento mundial em registros", acrescentou.

O escritório de propriedade intelectual da China recebeu o maior número de pedidos de patentes em 2017, um total recorde de 1,38 milhões, seguido pelos EUA (607.000), Japão (318.000), Coreia do Sul (205.000) e Escritório Europeu de Patentes (167.000). Esses cinco principais escritórios respondem por 84,5% do total de pedidos de patente registrados no mundo.

A Ásia reforçou sua posição como a região com maior número de registros de patentes, com os escritórios asiáticos recebendo 65% de todos os pedidos abertos em 2017, contra 50% em 2007.

O número de aplicações de desenhos industriais da China representa 50,6% de todos os pedidos de design industrial apresentados em todo o mundo. O número de pedidos de marcas registradas por inovadores chineses aumentou em cerca de 55%, representando 46% de todos os pedidos de marcas registrados.

Devido ao apoio à indústria de alta tecnologia e à proteção dos direitos de propriedade intelectual, os pedidos de patentes da China no ano passado se referiam principalmente a dispositivos eletrônicos e tecnologias de computação e telecomunicações digitais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2018123113028210-china-inovacao-intelectual/

Em discurso de ano novo, Xi Jinping fala em continuar abertura do país e confiar no povo

Xi Jinping, presidente da China
© AP Photo / Markus Schreiber

O presidente chinês, Xi Jinping, agradeceu ao povo chinês nesta segunda-feira (31) durante um discurso de ano novo por atingir as metas do país e realçou que a China se abrirá ainda mais, comprometendo-se com a prosperidade coletiva de seus cidadãos.

"Em 2018, o mundo viu a China, cujo desenvolvimento foi baseado nas políticas de reforma e abertura, [o mundo viu que a] China está determinada a seguir com as reformas […]. O ritmo da implementação das reformas não irá diminuir, enquanto a abertura [em direção ao mundo externo] irá se expandir", disse Xi durante discurso transmitido pela emissora CCTV.


O líder chinês também agradeceu o progresso atingido pelo país em áreas como a economia, a ecologia, a indústria espacial e militar e também na área social.

"Em 2019, nós celebraremos o 70º aniversário da China, 70 anos andando em frente, apesar de tudo. O povo é a base sólida de nossa república, nosso povo é o grande poder da liderança do país", afirmou Xi.

O presidente chinês salientou que seu país continuará confiando em seu povo para a implementação dos objetivos futuros.

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018123113027034-xi-jinping-ano-novo-china-povo/

A China ao Assalto do Extremo Ocidente Atlântico

Expansionista e agressivo, o nacionalismo imperial chinês não conhece limites, nem maneiras, e parece estar fora de controlo…

Depois de ter posto em marcha uma estratégia de ocupação militar no Pacífico e de instalar um “colar de pérolas” no Indico, para cercar a Índia, Pequim ‘apalpa’ e sonda a situação no Atlântico, a norte do Equador (S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, os Açores e vários portos portugueses)…

A ascensão em potência da China levou-a a iniciar uma disputa pela hegemonia global com os USA – já designada por nova “guerra fria”. Para ganhar esta corrida contra os USA, Pequim precisa de garantir os meios e os apoios que lhe permitam uma forte presença militar e económica no Atlântico Norte capaz de desafiar e enfrentar os americanos. Ora, o crucial Atlântico Nordeste é precisamente a zona ocupada pelo vasto e fragmentado território do Estado Português, um estado arquipelágico com mais território marítimo do que “terra firme”, cujos recursos disponíveis são muito escassos e cuja classe reinante é pobre (“de carteira e de cabeça”, dizia o deputado social-democrata J.A. Silva Marques, um homem de pensamento que também era rico), uma classe a quem o império avassalador das ideologias impediu a criação e desenvolvimento de um pensamento estratégico próprio.

A man waves the Chinese national flag in front of the Parliament ahead of China’s President Xi Jinping meeting with Portugal’s Parliamentary President Eduardo Ferro Rodrigues, in Lisbon, Portugal, December 5, 2018. REUTERS/Pedro Nunes.

Portugal aparece assim como um estado em posição de grande fragilidade (“objectiva e subjectivamente”, como diria Álvaro Cunhal) e a manutenção da sua integridade territorial surge (quase…) como uma ‘derivada’ da aliança estrutural com a potência marítima… O pesadelo do saudoso Comandante Virgílio de Carvalho (a perda de partes estratégicas do território nacional… sem as quais Portugal deixa de ser viável como estado soberano) parece começar a despontar no horizonte como ameaça real.


Exclusivo Tornado / IntelNomics


Polícia impede acesso a tribunal chinês onde julgam ativista dos Direitos Humanos

Pequim, 26 dez (Lusa) - Mais de vinte polícias à paisana cercaram hoje o tribunal no norte da China onde está a ser julgado um conhecido advogado dos Direitos Humanos, afastando jornalistas, diplomatas estrangeiros ou apoiantes.
Wang Quanzhang é um de mais de 200 advogados e ativistas que foram detidos, em 2015, parte de uma campanha repressiva lançada pelo Governo chinês contra defensores dos direitos humanos no país.
Wang foi acusado, em 2016, de "subversão contra o poder do Estado", uma acusação muito grave na China e cuja pena máxima é prisão perpétua. Está detido, há mais de três anos, sem acesso a familiares ou advogados.
A sociedade de advogados à qual pertence, a Fengrui, esteve envolvida em vários casos politicamente sensíveis e representou críticos do Partido Comunista. Wang representou membros do culto religioso Falun Gong, que o PCC considera um culto maligno, e que baniu do país, em 1999.
Líderes do culto de prática espiritual foram condenados a longas penas de prisão e vários seguidores detidos, por alegadamente constituírem uma ameaça.
Citada pela agência Associated Press, a esposa do advogado, Li Wenzu, afirmou, na terça-feira, que agentes do ministério chinês de Segurança do Estado impediram-na de se deslocar a Tianjin, cidade portuária onde decorre o julgamento.
Os julgamentos de ativistas na China decorrem muitas vezes durante o período de natal, quando muitos diplomatas ocidentais e jornalistas se encontram de férias.
Li e Wang Qiaoling, esposa de outro advogado de defesa dos Direitos Humanos que foi detido, descreveram na rede social Twitter o seu encontro com membros da Segurança do Estado.
Um dos funcionários ofereceu-se para as levar até Tianjin, mas acrescentou que o julgamento não é publico e que estas não poderiam assistir.
Li e Wang afirmaram terem rejeitado a proposta e tentado sair do complexo, mas que todas as seis saídas tinham polícias à porta.
Li tem feito uma campanha pela libertação do marido. No início deste mês, ela e as mulheres de outros detidos rasparam o cabelo, num ato de protesto.
Em chinês, as palavras "cabelo" e "lei" são quase homófonas. "Podemos não ter cabelo, mas temos lei", afirmaram.
Diplomatas das embaixadas dos Estados Unidos, Suíça, Reino Unido ou Alemanha esperaram nas imediações do tribunal, em Tianjin. Osdiplomatas afirmaram que o acesso ao julgamento lhes foi negado.
Um apoiante gritou palavras de apoio a Wang Quanzhang, antes de ser enfiado dentro de um carro por polícias à paisana.
"Um académico debilitado, e vocês tratam-no assim", afirmou Yang Chunlin, citado pela AP.
"Wang Quanzhang é a pessoa mais fantástica na China", gritou. "Exijo reformas políticas, direitos civis. Eleições no Partido e respeito pelos direitos humanos", disse, antes de ser levado pela polícia.
JPI // FST
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/policia-impede-acesso-tribunal-chines.html

O MUNDO SEGUNDO XI JINPIN (DOCUMENTÁRIO TV)

image

Aquando da sua visita de Estado recente a Portugal[1], foi assinado um dos acordos bilaterais mais importantes: o investimento chinês no porto de Sines[2]. Este empreendimento vai ligar a via marítima da «Rota da Seda» com a terrestre,  numa rede de caminhos-de-ferro que se estenderá por toda a Europa e se conjugará com vias férreas vindas do extremo-oriente. Vai tornar o comércio continental euro-asiático mais seguro e mais rápido, deixando de estar dependente de grandes cargueiros. O documentário da cadeia de televisão franco-alemã ARTE, que pode ver aqui[3], revela alguns aspectos menos conhecidos do actual poder chinês e ajuda a contextualizar as diversas iniciativas, em direcção a vários parceiros, sejam eles africanos, europeus ou outros... 

Sem dúvida, este documentário é imbuído de uma visão franco-alemã, mas as pessoas com espírito crítico poderão «separar o trigo, do joio». 

Oxalá o visionamento deste documentário ARTE ajude a formar uma opinião bem informada, não moldada por preconceitos ou ideologias, sobre o que se passa nesta época de viragem mundial, não ficando reféns de qualquer lado, nem do lado ocidental, nem do oriental...

 

Leia original aqui

O susto em que vivem os vassalos ianques

Os jornais dos últimos dias andaram pródigos em entrevistas e artigos de opinião de quem advoga a ideia do risco de nos estarmos a sujeitar ao estado chinês, que estaria a ganhar estratégico ascendente político graças aos investimentos na economia nacional. Curiosamente os mesmos jornais e opinadores não se manifestaram, quando Passos Coelho andou a vender-lhes empresas de interesse público tão óbvio, que nunca deveriam ter deixado de estar inseridas no setor empresarial do Estado.
A esses opinadores nenhum jornalista questionou quanto ao que tornaria os Estados Unidos - já que dois deles até vinham adornados da condição de professores na Universidade de Yale - mais democráticos do que a República Popular da China. Será que a superpotência asiática tem pior currículo do que os rivais ianques na sabotagem de regimes a ela desafetos, criando condições para que os seus líderes sejam derrubados, senão mesmo assassinados? Será que a NSA que a todos nós vigia é uma criação de Pequim ou não está na recente prisão de uma das mais importantes responsáveis da Huawei no Canadá, a pedido das autoridades norte-americanas, a motivação dessa marca de telemóveis trazer encriptação, que frustra os intentos da sua espionagem? Será que a dificuldade de um qualquer cidadão chinês em ascender a cargo de poder por não pertencer ao partido único será maior do que a de qualquer norte-americano só elegível mediante abastada fortuna própria ou generosos doadores, que fazem dele dócil marioneta?
Se o regime chinês não cumpre os padrões estabelecidos pelos exploradores de hoje quanto ao que significa Democracia, será que o protofascismo trumpista revela-se mais bonançoso? Os próprios norte-americanos dão-nos as respostas de muitas maneiras como o vão destilando as notícias quotidianas. Ontem, por exemplo, ficou-se a saber que mais de 40 mil pessoas morrem anualmente nos EUA devido às armas de fogo e que, 60% delas, sucumbem por suicídio.
Os miseráveis latino-americanos, que se deixam enganar por mafias várias, e acorrem à fronteira dos EUA com o México, não fazem uma pequena ideia do inferno para que querem emigrar. Há muito tempo que a terra do tio Sam é a dos sonhos e a das oportunidades, se é que alguma vez o foi...

Veja o original em 'Ventos Semeados':

https://ventossemeados.blogspot.com/2018/12/o-susto-em-que-vivem-os-vassalos-ianques.html

A China e a síndrome de Estocolmo

O modo como decorreu a visita do presidente chinês Xi Jinping merce um comentário. Não por ter corrido segundo os princípios da diplomacia e da hospitalidade, ainda mais natural quando a China é uma potência mundial de primeira grandeza com forte e antiga relação com Portugal. Esta é hoje ampliada com a atividade de empresas e investidores chineses e com a presença de um número considerável, cerca de 42 milhares e a crescer, de imigrantes originários da China Continental, Hong-Kong, Macau e Taiwan. É também significativo o número de estudantes universitários chineses em Portugal, existindo neste campo importantes acordos e programas de mobilidade entre os dois Estados. Manter uma ligação regular e cordial com Pequim é, pois, do interesse do país. Todavia, algo aconteceu por estes dias que não deveria ter acontecido.

De facto, a forma submissa que pautou o modo como as autoridades portuguesas acederam aos ditames da diplomacia chinesa sobre como deveria decorrer a visita, em particular no campo do protocolo e da segurança, bem como a maneira visivelmente aduladora e maravilhada como a generalidade dos meios de comunicação social descreveu e comentou o momento e as suas circunstâncias, justificam reparos. A tendência não é só portuguesa, sem dúvida, pois o fascínio por parte de muitos governos, partidos democráticos e analistas pelo crescimento desmesurado da economia chinesa é global, mas foi esta a vez de a nossa soberania lidar de forma direta com a situação.

Sob múltiplos aspetos, convém recordar, o antigo Império do Meio – Zhong-guo, como durante séculos a China se autodesignou, refletindo uma perspetiva sinocêntrica que colocava toda a Ásia como sua tributária – combina hoje, de um modo aparentemente paradoxal, o lado mais agressivo e concorrencial do capitalismo com aspetos que traduzem o pior do autoritarismo e da rigidez das experiências do «socialismo de Estado» do século passado. Esta não pode ser uma situação com a qual se lide como uma inevitabilidade, dado entrar frequentes vezes em conflito com direitos humanos fundamentais e com o próprio equilíbrio entre Estados e economias, diante dos quais o crescimento chinês não pode surgir como vaca sagrada que apenas justifique admiração.

O retrato divulgado do crescimento da economia, e também o do progresso de uma classe média que dele usufrui, é muito parcial. Do lado do capitalismo, há a concorrência agressiva e desleal no plano internacional, a prática costumeira da espionagem industrial e da contrafação, a exploração dos trabalhadores com horários brutais, a deslocalização de empresas e serviços, a ausência de sindicatos, a inexistência de legislação socialmente inclusiva e de uma proteção efetiva do trabalho e da reforma, como é normal pelo menos em boa parte da Europa. Do lado do «socialismo de Estado» deparamos com um sistema de partido único, a inexistência de estruturas democráticas funcionais, uma censura feroz que inclui a vigilância sistemática da Internet, a repressão policial à menor manifestação de descontentamento, a engenharia social que coage milhões de trabalhadores e minorias a deslocar-se, o culto do trabalho como pauta da existência.

Ambos os lados deveriam ser encarados pela nossa imprensa, no mínimo, como vertentes que justificam um olhar crítico e uma atitude de reprovação, e pelos governantes e partidos como fatores de alguma moderação do entusiasmo. Mas não, ao invés foram ignorados por troca com o extasiado fascínio de quem espera que nos possam cair no bolso algumas migalhas na forma de yuan. Como se, neste caso, vivêssemos todos sob o nefasto efeito da síndrome de Estocolmo: aquele que a psicologia estuda como o processo, ocorrido em casos de rapto, de identificação do sequestrado com o seu sequestrador.

Imagem: Fragmento de Kippe, instalação de Ai Weiwei
Publicado originalmente no Diário As Beiras de 15/12/2018

Ver original em 'A Terceira Noite' na seguinte ligação:

http://www.aterceiranoite.org/2018/12/15/a-china-e-a-sindrome-de-estocolmo/

Quem é o predador? EUA fazem pouco, mas criticam investimentos de China e Rússia na África

Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton
© Sputnik / Aleksei Vitvitsky

Quando os EUA emprestam dinheiro para nações africanas ou investem no continente, tudo é justo e benéfico para todos os lados, mas quando outras nações o fazem, é praticamente colonialismo 2.0, segundo a nova Estratégia de África em Washington.

O conselheiro de segurança nacional do presidente estadunidense Donald Trump, John Bolton criticou a China e a Rússia por perseguir "práticas predatórias" na África, que "impedem o crescimento econômico" e "ameaçam a independência financeira das nações africanas".


A China usa "subornos, acordos opacos" para manter os países africanos "cativos aos desejos e demandas de Pequim", enquanto as façanhas de Moscou não são muito melhores, argumentou o funcionário. Mas aparentemente é uma história completamente diferente quando o dinheiro americano está envolvido.

"Pedimos apenas reciprocidade, nunca por subserviência", proclamou Bolton em um discurso sobre a Estratégia de Washington para a África na última quinta-feira, chamando os EUA de "a menor potência imperial na história do mundo".

No entanto, ao contrário do líder da China, Xi Jinping, que visitou a África nove vezes para promover grandes projetos de investimento, a Casa Branca parecia mais disposta a empregar seu Exército no continente — as tropas americanas estão estacionadas em 50 dos 54 Estados africanos.

O interesse renovado dos EUA na África é "uma estratégia geopolítica cínica" voltada mais para "tentar manter a supremacia contra a Rússia e a China" do que qualquer outra coisa, afirmou Lawrence Freeman, analista de assuntos africanos.

"A administração Trump não deseja realmente ajudar a África a se desenvolver. Eles veem a África como um peão em um tabuleiro de xadrez geopolítico", declarou ele em entrevista à RT.

Freeman argumentou ainda que, ao contrário das palavras de Bolton, os megaprojetos chineses como a Nova Rota da Seda não podem ser considerados "predatórios" porque ajudam os países africanos a construir infraestrutura crucial.


Durante décadas, a África foi apontada como "continente perdido" e "amortecida" principalmente porque "os EUA não estavam fornecendo dinheiro para infraestrutura nem fazendo nada para desenvolver a nação", avaliou Ann Lee, professora adjunta de economia e finanças da Universidade de Nova York.

"Agora que a China realmente transforma a África no continente de crescimento mais rápido, os EUA basicamente sentem que precisam recuperar o atraso", ponderou.

A professora Lee observou que os investimentos chineses tornam as nações africanas "mais ricas", dizendo que o tipo de "torção dos braços" que os EUA tendem a empregar "para obter concessões provavelmente não vai conquistar nenhum amigo".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018121412908652-eua-predador-africa/

Preocupações soberanas

No Público, de Vicente Jorge Silva a Manuel Carvalho, notou-se nos últimos dias uma surpreendente preocupação com a soberania nacional na relação dita assimétrica com a China. Trata-se de uma preocupação assaz selectiva. Afinal de contas, estamos perante apoiantes da mais significativa perda de soberania democrática, a que esteve e está associada a uma integração europeia que também fragilizou brutalmente as possibilidades de uma política externa digna de um Estado a sério num mundo felizmente mais multipolar. Basta pensar, e só para dar um exemplo, nas privatizações impostas pela troika e no reforço do controlo estrangeiro de recursos estratégicos, incluindo por parte do Estado chinês. Entretanto, alguns intelectuais do eixo político euro-atlântico têm-se manifestado preocupados com o potencial desalinhamento com Washington e com Bruxelas que se pode gerar num contexto de ascensão da China e de aumento da sua influência. Em Portugal, uma certa reflexão sobre as relações internacionais parece ser feita a partir do que se imagina ser o centro e os seus interesses. A multiplicação das dependências económicas, e logo políticas, externas é o melhor que as elites nacionais conseguem fazer, com alguma venalidade à mistura. Só consigo lembrar-me de uma analogia impertinente nestes dias: é uma espécie de versão suave da política de porta aberta que a China desgraçadamente conheceu tão bem no seu século de humilhações, algures entre a primeira guerra do ópio e a fundação da República Popular. Diz que os comunistas chineses são nacionalistas. Pudera. Mao bem dizia que “em última análise, a luta nacional é uma questão de luta de classes”. Enfim, no campo exclusivo do controlo nacional, ou seja, público, de sectores económicos estratégicos e de instrumentos de política económica relevantes, é caso para dizer, atirando barro à muralha: aprendamos e façamos o que o regime chinês ainda faz em domínios como o sistema financeiro ou a electricidade. Esta seria a base material, o ponto de partida popular, para a saudável reciprocidade, de que tanto se tem falado, nas necessárias relações.

Ver original em 'Ladrões de Bicicletas' (aqui)

Faltam bilingues nas áreas de direito e cooperação económica sino-lusófona -- Fórum Macau

Macau, China, 07 dez (Lusa) -- A secretária-geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau disse hoje que há uma carência de quadros qualificados bilingues nas áreas do direito e na cooperação económica entre a China e os países de língua portuguesa.

"Há uma necessidade crescente do mercado nas áreas de cooperação económica e do direito", afirmou Xu Yingzhen à margem do Seminário sobre Ensino e Formação de Bilingues entre a China e os Países de Língua Portuguesa que começou hoje na Universidade de Macau e que se prolonga até sábado.

"Todos esses campos necessitam de quadros bilingues", reforçou a responsável do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, antecipando uma maior exigência do mercado, em sintonia com o crescimento das trocas comerciais sino-lusófonas que aumentaram dez vezes nos últimos 15 anos (dos quase dez mil milhões para os 103 mil milhões de euros).

Na intervenção de abertura do seminário, Xu Yingzhen destacou a resposta dada pelo Governo de Macau que anunciou para 2019 um reforço das políticas de incentivo à formação de quadros qualificados bilingues e mostrou-se confiante na capacidade do território em criar uma plataforma inovadora em áreas que vão desde "a educação, indústria, comércio e peritos de ensino de português".

Já o reitor da Universidade de Macau reiterou a ambição da instituição em dar resposta "à cada vez maior procura de quadros qualificados bilingues", já depois desta ter "investido em mais recursos", com a reformulação de cursos, aumento de vagas e contratação de mais docentes.

Younhua Song expressou a sua convicção de que o seminário organizado pelo Fórum e Universidade de Macau será importante para "conhecer a procura de cada um dos setores" de falantes de chinês/português.

JMC // MIM

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/faltam-bilingues-nas-areas-de-direito-e.html

Correndo sem pressa

O VALOR DO TEMPO
As respostas que Mao Tsé-Tung deu a Richard Nixon, refletem a tranquilidade de quem sabe onde se encontra e, quando e como, pretende chegar à meta que estabeleceu.
O Ocidente corre atrás do tempo, e, ofegante, vê-se ultrapassado pelo fleumático Xi Jinping cuja filosofia milenar, reforçada por Marx e Lenine, sabe que é no espaço-tempo que reside a sabedoria.

Leia original em "As Palavras São Armas" (clique aqui)

A era dourada da China em Portugal

«Ao contrário da Rainha Isabel II em 2015, o Presidente da República português não acolherá o seu homólogo chinês, Xi Jinping, a bordo de uma carruagem dourada, quando este aterrar hoje em solo português para a sua visita de Estado. Ainda assim, o país encontrou maneira de estender à China uma passadeira (pincelada com tons de ouro) de acesso expedito à Europa.
Poucos dias depois de a União Europeia ter finalizado o esboço de um mecanismo de escrutínio ao investimento de países terceiros nos Estados-membros, Portugal recebe Xi Jinping para reforçar a cooperação entre os dois países. Ao abrir as portas ao espaço Schengen a mais de 4000 cidadãos chineses com a emissão de “vistos gold” como contrapartida de vários investimentos em território nacional, Lisboa sabe que, sendo o quarto maior recipiente de investimento chinês na UE, desempenha um papel central na estratégia geoeconómica europeia da China e, como tal, está sob o olhar atento de Bruxelas.
PUB Ainda que Portugal não seja caso isolado, já que existem iniciativas semelhantes ao programa luso de “vistos gold” noutros países europeus, várias entidades, como a Transparência Internacional, já apelaram “à suspensão do programa” até que “todos os efeitos sejam avaliados de forma isenta” e “um debate real [tenha lugar] na opinião pública”.
Até agora, qualquer proposta legislativa em tal sentido foi rejeitada, mas o actual contexto político português terá levado o Partido Socialista a considerar novas medidas. A 16 de Novembro, a bancada socialista apresentou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado de 2019, em que sugere que qualquer requerente de um “visto gold” seja obrigado a providenciar aos serviços competentes em Portugal o seu número de identificação fiscal e residência fiscal na jurisdição de origem. Não há nada que me leve a crer que esta iniciativa será rejeitada pelo Parlamento – mas será esta proposta suficiente para assegurar a tão desejada transparência do mecanismo dos “vistos gold”? Provavelmente não.
Aos olhos de Pequim, Portugal não é apenas um país europeu de dimensão intermédia que acolhe o líder supremo chinês para uma visita de Estado. Desde 2004, o país tem desenvolvido uma “parceria estratégica” com a República Popular da China.
A crise financeira, que assolou o país entre 2008 e 2013, serviu como catalisador para a ofensiva chinesa, já que Lisboa, sob condições definidas pela troika, teve de privatizar diversos activos que até aí pertenciam ao Estado português. À data de hoje, o investimento directo estrangeiro da China atinge um total de 12 mil milhões de euros, abarcando sectores desde a energia (Galp, REN, EDP) aos transportes (TAP), passando também pela área dos seguros (Fidelidade), saúde (Grupo Luz Saúde), serviços financeiros, imobiliário e meios de comunicação social – um investimento cujo crescimento não parece abrandar.
Um exemplo disso é a oferta de compra da EDP pela empresa detida pelo Estado chinês, China Three Gorges, que actualmente controla 23,3% do capital – gradualmente adquirido desde o resgate financeiro ao país em 2011. Possuindo a EDP várias subsidiárias no sector das renováveis em Espanha, no Brasil e nos Estados Unidos (para além de receber subsídios do Estado português), não é surpresa para ninguém que esta OPA tenha gerado dúvidas quer no contexto europeu, quer no contexto americano. Enquanto a autoridade da concorrência brasileira já deu luz verde à operação, o actual embaixador dos Estados Unidos em Portugal, George Glass, criticou o acordo, ao considerar que “ter um outro país a controlar parte de infra-estrutura fundamental” portuguesa, como a rede eléctrica, é “um caminho perigoso”.
Importa, por isso, perguntar: por que razão é que outros países receiam a iniciativa chinesa em Portugal mais do que a própria opinião pública e classe política portuguesas? O que é que impede um debate público alargado sobre este tema, como sucede na Grécia, Polónia e República Checa, indo para além das restritas e habituais elites portuguesas?
PUB O facto de a ligação com Pequim ser sistematicamente definida como um caso de sucesso, nos vários quadrantes, constitui certamente um factor de especial importância. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, referiu no mês passado que o “investimento Chinês tem sido significativo nos últimos anos e é bem-vindo” – especialmente no quadro de crescimento económico luso. Se tal não bastasse, em 2017, o executivo português flexibilizou um artigo do Código de Valores Mobiliários, demovendo uma barreira relativa à imputação conjunta de direitos de voto de accionistas de empresas que têm relações entre si – facilitando assim o caminho à China Three Gorges e à congénere chinesa CNIC (que detêm mais de 28% da EDP actualmente) num cenário de uma eventual OPA.
Para além disso, e em preparação para a chegada do Presidente Xi a Lisboa, um número de iniciativas bilaterais têm sido apresentadas pelo Governo. O recente anúncio da construção do StarLab, um novo laboratório tecnológico em Matosinhos e Peniche, financiado conjuntamente por Portugal e pela China e a inaugurar antes de Março de 2019, com objectivo de promover a construção de microssatélites e a observação dos oceanos, comprova esse reforço das relações luso-chinesas.
Como indiciado em Outubro pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a elaboração de um memorando de entendimento entre os dois países esteve também em curso, incluindo cinco novos projectos de cooperação sobre os quais se esperam novos desenvolvimentos durante a visita. Entre os vários activos estratégicos de Portugal, o porto de Sines – um de muitos portos europeus que a China pretende adquirir – é uma potencial plataforma de colaboração, já que permitiria a Pequim ligar a rota terrestre e a rota marítima da sua iniciativa Belt and Road – um projecto que já recebeu apoio inequívoco de vários ministros do executivo português.
Significará tudo isto que Portugal pretende permanecer um membro activo da União Europeia e da NATO, ao mesmo tempo que se torna “o porta-aviões do investimento chinês na Europa”? De acordo com um estudo da Carnegie, 90% dos cidadãos vêem a UE como o vínculo institucional mais importante para o país nos dias de hoje, mas a diferença entre a importância relativa dos EUA e da China tem reduzido de forma bastante substancial em comparação à última década.»
.

Leia original aqui

« A Arte da Guerra »Por trás do ataque USA aos smartphones chineses

A tentativa de reequilíbrio do fluxo comercial sino-americano de Donald Trump, não corresponde unicamente à sua vontade de fazer regressar aos Estados Unidos os empregos deslocalizados. Com efeito, a instalação de novas infraestruturas de transporte e de comunicação está a ameaçar, rapidamente, a posição de liderança dos Estados Unidos no mundo. O braço de ferro em volta da Huawei ilustra como se associam as preocupações económicas e militares. Vários Estados já observaram que, de momento, Washington não pode descodificá-los. Como acontece na Síria, eles apetrecharam totalmente os seus serviços secretos, com componentes eletrónicos da Huawei e proibiram os seus funcionários de utilizar outros.

JPEG - 16.3 kb

Depois de ter imposto pesadas tarifas aduaneiras sobre as mercadorias chinesas atingindo 250 biliões de dólares, o Presidente Trump no G-20, aceitou uma “trégua”, adiando outras medidas imediatas, sobretudo, porque a economia USA está a ser atingida pela retaliação chinesa. Mas, para além dos pretextos comerciais, existem as razões estratégicas.

Sob a pressão do Pentágono e das agências de serviços secretos, os USA proibiram os smartphones e as infraestruturas de telecomunicações da empresa chinesa Huawei, sob a acusação de que podem ser usadas para espionagem e pressionam os aliados para que façam o mesmo. Advertem, sobretudo, a Itália, a Alemanha e o Japão, países com as bases militares USA mais importantes, e sob perigo de espionagem chinesa estão as mesmas agências de serviços secretos USA que devassaram, durante anos, as comunicações dos aliados - em particular, a Alemanha e a Itália. A Apple americana, em tempos, líder absoluta do sector, foi superada nas vendas pela Huawei (a propriedade desta empresa pertence aos funcionários, na qualidade de accionistas), elevada ao segundo lugar na classificação mundial, atrás da Samsung sulcoreana, o que representa uma tendência geral.

Os Estados Unidos - cuja supremacia económica se baseia artificialmente sobre o dólar, até agora, a principal moeda das reservas monetárias do comércio mundial – estão, cada vez mais, a ser ultrapassados pela China, quer na capacidade, quer na qualidade produtiva. “O Ocidente - escreve o ‘New York Times’ - estava confiante de que a aproximação chinesa não funcionaria. Tiveram só de esperar e ainda estão a aguardar. A China projecta uma vasta rede global de comércio, investimentos e infraestruturas que remodelarão os vínculos financeiros e geopolíticos”. Isto verifica-se, especialmente, mas não só, ao longo da Nova Estrada da Seda, que a China está a concretizar em 70 países da Ásia, Europa e África.

O ‘New York Times’ examinou 600 projectos efectuados pela China em 112 países, entre os quais:
- 41 oleodutos e gasodutos;
- 199 centrais, sobretudo, hidreléctricas (entre as quais, sete barragens no Camboja que fornecem a metade das necessidades de eletricidade do país);
- 203 pontes, estradas e ferrovias, além de vários portos importantes no Paquistão, no Sri Lanka, na Malásia e noutros países.

Tudo isto é considerado em Washington, como uma “agressão aos nossos interesses vitais”, como sublinha o Pentágono na “Estratégia Nacional de Defesa dos Estados Unidos da América, em 2018”. O Pentágono define a China como “competidor estratégico que usa uma economia predatória para intimidar os seus vizinhos”, esquecendo-se da série de guerras conduzidas pelos Estados Unidos e, também contra a China, até 1949, para saquear os países dos seus recursos. Enquanto a China constrói barragens, ferrovias e pontes úteis não só à sua rede comercial, mas também ao desenvolvimento dos países em que são produzidos, nas guerras USA, as barragens, as ferrovias e as pontes, são os primeiros alvos a ser destruídos.

A China é acusada pelo Pentágono de “querer impor a curto prazo, a sua hegemonia na Região do Índico-Pacífico e de querer apanhar de surpresa os Estados Unidos para, no futuro, alcançar a predominância global”, em conjunto com a Rússia, acusada de querer “fragmentar a NATO” e “sublevar os processos democráticos, na Crimeia e na Ucrânia Oriental”. Daí o “incidente” no Estreito de Kerch, causado por Kiev sob a direcção do Pentágono, para interromper a reunião Trump-Putin na Cimeira do G-20 (como aconteceu) e fazer entrar a Ucrânia na NATO, da qual já é um membro de facto. A “competição estratégica a longo prazo com a China e com a Rússia” é considerada, pelo Pentágono, como sendo a “ principal prioridade”. Para este fim, “modernizaremos as forças nucleares e reforçaremos a Aliança transatlântica da NATO”.

Por trás da guerra comercial, prepara-se a guerra nuclear.

Ver original na 'Rede Voltaire'



Xi Jinping defende relações bilaterais e fortalecimento da União Europeia

O presidente Xi Jinping reuniu-se ontem com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, e concordaram em aproveitar o 40º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas no próximo ano como um novo ponto de partida histórico para promover a cooperação e abrir um novo capítulo no desenvolvimento das relações China-Portugal e com a União Europeia.

O presidente chinês, Xi Jinping, reuniu-se na terça-feira (4) com o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa. Eles concordaram em aproveitar o 40º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas no próximo ano como um novo ponto de partida histórico, a fim de promover a cooperação amistosa a obter mais progresso e abrir um novo capítulo no desenvolvimento das relações China-Portugal e com a União Europeia, onde Portugal tem ativa participação

Xi disse que os dois países desfrutam de uma longa história de intercâmbios amistosos, acrescentando que desde o estabelecimento dos laços diplomáticos, há 39 anos, China e Portugal sempre testemunharam uma cooperação com benefício, respeito e confiança mútuos. Os laços bilaterais resistiram ao teste das mudanças do cenário internacional e vêm se desenvolvendo de forma saudável e estável.

Citando um antigo ditado chinês “Uma parceria criada com a abordagem certa desafia a distância geográfica; é mais espessa do que cola e mais forte que metal e pedra”, Xi disse que China e Portugal são bons amigos e parceiros que se dão bem um com o outro.

Xi disse que o lado chinês aprecia a adesão de Portugal à política de Uma Só China e continuará trabalhando com Portugal para compartilhar o entendimento mútuo e o apoio nos assuntos que envolvam os interesses essenciais e as principais preocupações de cada um.

O presidente chinês pediu que os dois lados promovam os intercâmbios de alto nível, fortaleçam os intercâmbios entre governos, órgãos legislativos, partidos políticos, áreas locais e órgãos não governamentais, e aprofundem a confiança política mútua, como parte dos esforços para consolidar a base política da amizade.

Os dois lados devem aproveitar a oportunidade para assinar um memorando de entendimento sobre a cooperação da Iniciativa do Cinturão e Rota para aprofundar a cooperação sob o quadro da Iniciativa do Cinturão e Rota e facilitar a conectividade, disse Xi.

O presidente chinês também mostrou a esperança de que os dois países expandam as cooperações pragmáticas, ampliem e fortaleçam os projetos existentes, elevem o comércio bilateral e criem mais aspectos de cooperação para um maior crescimento.

Os dois lados devem fortalecer os intercâmbios culturais, acelerar a preparação do centro cultural chinês em Lisboa e aprofundar os intercâmbios em educação, radiodifusão, cinema e televisão, assinalou Xi.

As duas partes devem fortalecer a coordenação multilateral, consolidar a comunicação e a colaboração nos principais assuntos internacionais e regionais e salvaguardar em conjunto o multilateralismo e o livre comércio, disse.

Observando que a China e a União Europeia (UE) são parceiros estratégicos abrangentes, Xi disse que a China apoia firmemente o processo de integração na Europa e espera que Portugal continue desempenhando um papel ativo dentro da UE para garantir o desenvolvimento dos laços entre a China e o bloco europeu na direção correta.

Rebelo de Sousa expressou uma calorosa saudação a seu homólogo chinês, dizendo que o fato de que Portugal e China compartilhem o entendimento mútuo e uma longa história de intercâmbios oferece uma base sólida para o desenvolvimento das relações bilaterais.

O presidente português disse que o país europeu apoia a Iniciativa do Cinturão e Rota e está disposto a se tornar o centro na Europa das rotas da seda terrestre e marítima.

Portugal e China têm posturas semelhantes em muitos assuntos internacionais, já que ambos apoiam o multilateralismo e se opõem ao unilateralismo, e apoiam o livre comércio e se opõem ao protecionismo, assinalou Rebelo de Sousa, mostrando a esperança de que os dois países impulsionem a coordenação em organizações multilaterais.

Portugal apoia relações mais estreitas entre a Europa e a China, e fará esforços para impulsionar a cooperação entre os países da língua portuguesa e a China, afirmou o presidente português.

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 (com Xinhua) / Tornado

Ver original em 'O TORNADO' na seguinte ligação:

https://www.jornaltornado.pt/presidente-xi-jinping-defende-relacoes-bilaterais-e-fortalecimento-da-uniao-europeia/

ESTUDANTES MARXISTAS NAS UNIVERSIDADES CHINESAS

image

Pode parecer um pouco estranho que um grupo se denomine de «marxista» e não seja membro do PC Chinês ou das suas diversas organizações de juventude e estudantes, sobretudo num regime que erigiu como doutrina de Estado o marxismo-leninismo interpretado à maneira de Mao. 

Este grupo defende lutas de trabalhadores e põe acima do sucesso nos estudos e da ascensão na carreira, a dedicação à causa do proletariado, como dificilmente conseguimos vislumbrar em qualquer faculdade do «Ocidente», nos dias que correm. Tem denunciado casos de assédio, de corrupção e incompetência, de abusos de poder e portanto, não podem ser «bem vistos» pela hierarquia. 

Tive conhecimento de que este grupo sofreu repressão e - por isso - penso ser importante divulgar estas notícias. Com efeito, duas destacadas activistas foram «desaparecidas»(*) e ninguém - nem os colegas, nem a família - sabem do seu paradeiro. 

                             image

É preciso não esquecer que a maior concentração de riqueza  - colectivamente - são as famílias dos altos dignitários do regime. Muitos deles netos e bisnetos de líderes da época «heróica», são como uma espécie de aristocracia nascente, a qual controla sectores inteiros de indústria, tendo também fortunas no exterior da China, espalhadas por inúmeros activos - imobiliários e outros - como é do conhecimento geral. 

Por isso, não será fácil propagar e fazer sua a causa da emancipação do proletariado, nas condições reais, materiais, do regime chinês. Há muitas contradições entre o poder que se estabeleceu e a generalidade do povo trabalhador. O resultado disso, a mais breve ou longo trecho, será uma revolução, quando se tornar impossível continuar uma expansão (capitalista) da economia chinesa, tal qual tem ocorrido nestes três últimos decénios. 

Gostaria que as pessoas com ilusões sobre a China, enquanto sociedade socialista, como existem muitas em Portugal nas fileiras de partidos de esquerda e extrema-esquerda, se dessem ao trabalho de ver a realidade para lá dos slogans. 

Temos - enquanto país - todas as vantagens em ter um bom relacionamento com a República Popular da China, disso não tenho dúvidas. Porém, também me parece evidente a necessidade de um olhar crítico sobre o que se passa nesse imenso país. 

(*) Segundo as informações do artigo de «supchina»[1] as militantes do grupo Yue e Gu continuavam desaparecidas à data da sua publicação, 15 de Novembro deste ano.

References

  1. ^ artigo de «supchina» (supchina.com)

Leia original aqui

Portugal-China | Uma relação antiga sempre renovada

Catarina Carvalho | Diário de Notícias | opinião

Ninguém visita a China e fica indiferente - o que acontece também, naturalmente, a quem o faz como jornalista. Há um sopro de novo mundo neste velhíssimo mundo, uma noção de que tudo é possível, com esforço e vontade. Não são só os arranha-céus de Xangai - é a força, a rapidez e a energia das ruas desconhecidas de cidades das províncias, por vezes megalópoles. É assim hoje, e tem sido assim já nas últimas décadas. Conheci-a no início deste século XXI, quando a Europa dava sinais de cansaço e estava em pré-crise. Nesses anos, visitei a faixa industrializada do sudeste chinês, sobretudo Zhejiang. Essa era a zona de onde nos chegavam os milhares de imigrantes chineses que abriam lojas e armazéns em Portugal - de Porto Alto a Vila do Conde.

Não era difícil perceber de onde vinham, porque vinham e o que traziam. Acompanhei Chen Yan, dono de vários armazéns, um chinês sorridente e que ouvia os conselhos que uma portuguesa lhe dava sobre que produtos comprar ao gosto do país onde ele vivia há vários anos mas ainda não compreendia totalmente. A ele e aos amigos, com quem nos encontrámos em jantares e almoços intermináveis e deliciosos, ouvi projetos de investimento, ideias de negócios, vontade de chegar mais longe. Adoravam Portugal, e usavam o pequeno país como plataforma para estenderem os seus negócios à Europa.

A China abria-se ao exterior e eles eram os pontas-de-lança dessa mudança. E sabiam-no. Estavam orgulhosos e impantes, fumavam cigarros e desfiavam sonhos. Era comovente e épico. Era pessoal mas também associado a uma vontade coletiva. Havia também os que voltavam, a quem os chineses chamavam tartarugas - e o faziam com o objetivo de reatar no ponto de origem, já com mais mundo na experiência, o destino de criar. Era desta energia interna, percebi nessa reportagem, que se fazia a força da China. E faz. Havia, e há, claro, a grande diplomacia. Havia, e há, o investimento dos grandes grupos e empresas. E havia, e há, essa gente especial.

Mas é essa energia de um povo, essa energia de "uma terra fértil" - para devolver o cumprimento que o presidente chinês usa para Portugal, no seu texto publicado hoje no Diário de Notícias -, é isso que move a China e a superpotência que se tornou. Neste texto, o presidente Xi Jinping fala da nossa relação antiga, que passou pela seda que chegou a Freixo de Espada à Cinta, pela porcelana azul e branca que é louça no Oriente e deu azulejos em Portugal, até pelos treinadores de futebol e pelos pastéis de nata que quem percorre uma rua chinesa encontra em múltiplos cafés. É um texto emocionante - que, francamente, não esperávamos, por tão pouco formal que ele acaba por ser.

Nele, nas palavras do presidente Xi Jinping, revemos o nosso pequeno país, e o autor do texto confirma-o. Afinal, no século XV, uma grande armada chinesa chegou à costa oriental de África e as nossas pequenas naus começavam a descer a costa ocidental africana. A globalização, isto é, o mundo moderno, começava - e quem juntava as pontas e fazia da Terra o que ela era, redonda, foram os dois povos, de Zhejiang a Freixo de Espada à Cinta, que, mais uma vez, voltam a encontrar-se nesta semana.

 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/portugal-china-uma-relacao-antiga.html

Presidente chinês escreve artigo no DN e fala de "uma parceria virada para o futuro"

Xi Jinping / © Reuters
Xi Jinping, que na terça-feira inicia uma visita de Estado, publica hoje na edição impressa do DN um artigo em que afirma que "Portugal é um ponto importante de ligação entre a Rota da Seda Terrestre e a Rota da Seda Marítima" e por isso um aliado muito prezado pela China.
É a citar Luís de Camões (Aqui.../ Onde a terra se acaba/ E o mar começa...) que o presidente chinês inicia o artigo de opinião que hoje publica no DN, a dois dias do início da visita de Estado a Portugal. Sob o título "Uma amizade que transcende o tempo e o espaço, uma parceria voltada para o futuro", Xi Jinping lança o desafio de aprofundar as relações, que diz serem já muito fortes e com cinco séculos de história, afirmando que "vamos construir em conjunto Uma Faixae Uma Rota e ser parceiros de desenvolvimento comum. Portugal é um ponto importante de ligação entre a Rota da Seda Terrestre e a Rota da Seda Marítima, por isso, a cooperação sino-portuguesa no âmbito de Uma Faixa e Uma Rota é dotada de vantagens naturais. As duas partes podem fazer bom uso das oportunidades trazidas pela construção conjunta de Uma Faixa e Uma Rota, continuar a reforçar e a fazer crescer os projetos existentes, aproveitar bem as plataformas como a Exposição Internacional de Importação da China, aumentar as trocas comerciais e criar novos pontos de crescimento para a cooperação nas áreas como automóveis, novas energias, finanças e a construção de portos, entre outras, bem como reforçar a cooperação em terceiros mercados, a fim de realizar benefícios mútuos e ganhos compartilhados numa esfera mais ampla".

Relembrando que esteve em Portugal há 20 anos e que fez também uma escala técnica na ilha Terceira em 2014, Xi agradece o convite do Presidente Marcelo de Rebelo de Sousa para agora esta visita de Estado, que se realiza a 4 e 5 de dezembro e que acontece depois da presença na cimeira do G20 na Argentina, para onde partira depois de visitar Espanha. Num artigo recheado de referências aos laços históricos entre os dois países, sem esquecer, claro, Macau, o líder chinês refere também que no próximo ano se celebram os 40 anos do restabelecimento de relações diplomáticas.

De entre as várias parcerias sugeridas pelo presidente chinês no artigo publicado hoje na edição impressa do DN vale a pena referir a dedicada à chamada economia azul, aproveitando, como sublinha Xi, que Portugal é conhecido como terra da navegação: "Vamos desenvolver ativamente a Parceria Azul, encorajar o reforço da cooperação nas áreas de pesquisas científicas relacionadas com o mar, a exploração e a proteção do mar e logística portuária, entre outras, desenvolvendo a 'economia azul', fazendo com que os vastos mares beneficiem as nossas futuras gerações."

Xi Jinping, à frente dos destinos da China desde 2012, relembra a cooperação económica durante o período da crise financeira, "quando uma após a outra as empresas chinesas vieram investir em Portugal. Ao expandir os seus negócios fora da China, contribuíram para a criação de postos de trabalho e para o desenvolvimento socioeconómico de Portugal."

A cooperação cultural não ficou esquecida, com Xi Jinping a notar que em Portugal há já quatro Institutos Confúcio, enquanto na China há 17 universidades com cursos de língua portuguesa.

Uma referência digna de nota no artigo de Xi é a Freixo de Espada à Cinta, vila portuguesa que há séculos é conhecida pelo fabrico de seda. O presidente sublinha também a influência da porcelana branca e azul chinesa nos azulejos portugueses.

A acompanhar este artigo do líder da segunda maior economia mundial, o DN publica um vasto dossiê que aborda o caminho da China em direção a ser uma nova superpotência, o relacionamento económico bilateral, o ensino da língua chinesa em Portugal, a comunidade chinesa, Macau hoje e ainda uma reportagem em Freixo de Espada à Cinta, onde restam duas tecedeiras a trabalhar a seda.

Diário de Notícias

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/presidente-chines-escreve-artigo-no-dn.html

“Pensamento de Xi Jinping é mais citado que Mao” - António Caeiro

O presidente chinês Xi Jinping com a mulher, Peng Liyuan / Reuters
O jornalista António Caeiro defende que Xi Jinping, que na próxima semana visita Portugal, mais do que Presidente é o guia ideológico da China, cujo pensamento é mais citado e estudado que o de Mao Tse Tung.
“É mais do que um Presidente, é o guia ideológico do Partido Comunista Chinês (PCC). É mais citado que qualquer outro líder, mais do que Mao Tse Tung ou Deng Xiaoping, e emergiu com uma autoridade que não se via há muito tempo”, disse António Caeiro.

Numa entrevista à agência Lusa a propósito da visita do Presidente chinês a Portugal, a 4 e 5 de Dezembro, o jornalista, que viveu na China durante quase 20 anos, assinala a importância de o pensamento de Xi Jinping estar consagrado na Constituição e de ser estudado nas universidades do país.

“O último congresso do PCC (2017) consagrou o pensamento do actual líder, como um dos modelos orientadores, um dos guias ideológicos do partido. A vocação e a inspiração marxista é reafirmada e a aspiração do PCC é dominar toda a vida social, económica e política do país”, sublinhou.

António Caeiro sustenta que o actual Presidente da China, no poder desde 2013, instituiu “um sistema muito mais autoritário de liderança”, tendo revogado algumas das medidas políticas de reforma e abertura instituídas, na década de 1980, por Deng Xiaoping.

A Assembleia Nacional Popular da China aprovou este ano uma emenda constitucional que elimina o limite de dois mandatos consecutivos de cinco anos para os presidentes do país.
Constitucionalmente, a Assembleia Nacional Popular (ANP) é o “supremo órgão do poder de Estado na China”, mas cerca de 70% dos seus quase 3 mil deputados são membros do PCC, assegurando a sua lealdade ao poder político.

“Teoricamente poderá eternizar-se no poder”, assinalou Caeiro, acrescentando que o Presidente deixou de estar sujeito ao limite de mandatos que estipulava que a sua presidência terminaria em 2023.

“A própria ideia de liderança colectiva, alimentada durante algum tempo, esbateu-se completamente. É o Presidente que orienta”, acrescentou.

UMA FIGURA “ENIGMÁTICA”

Do ponto de vista pessoal, António Caeiro vê uma figura “enigmática”, à semelhança de muitos outros líderes chineses, que surgiu num momento em que este tipo de líderes “tendem a ter um apelo universal”.

“Não dá entrevistas, não é interpelado pelos jornalistas. É um homem que sabe o que quer, os seus planos são executados e, havendo um vazio internacional devido à nova política da administração norte-americana, aparece como o campeão da globalização”, considerou.

A nova liderança de Xi Jinping, eleito em 2012 secretário-geral do PCC, lançou uma campanha anti-corrupção na China, o que lhe granjeou grande aprovação da população.

“A corrupção era um problema e uma fonte de descontentamento social, mas veio revelar também uma face inesperada a China” porque permitiu perceber que “não havia nenhuma instituição da sociedade chinesa cuja direção não estivesse profundamente corrompida”.

Sobre a visita a Portugal, o jornalista, que foi delegado da agência Lusa na China, considerou que servirá para “consagrar as boas relações” entre os dois países.

“Estas visitas são momentos altamente simbólicos, são rituais e os chineses dão muita importância a esses rituais. Irá consagrar as boas relações que os países têm e consolidar a nova imagem que a China tem de Portugal: um dos países mais amigos e mais receptivos ao investimento estrangeiro na Europa e um bom parceiro da China na União Europeia”, disse.

Xi Jinping estará em Portugal na terça e quarta-feira da próxima semana depois de ter visitado a Espanha, a Argentina, onde participa na cimeira do G20, e o Panamá.

CHINA E O CAMINHO DESCONHECIDO

António Caeiro, jornalista
O jornalista considerou também que o “mais inquietante” na China de hoje é não perceber para onde caminha o país, se quer mudar o sistema internacional ou apenas integrar-se nele.

“O que é mais inquietante na China é não se saber como é que as decisões são tomadas e para onde caminha. A grande dúvida, em termos estratégicos, é saber se a China quer mudar o atual sistema internacional ou apenas integrar-se nele”, defendeu.

António Caeiro assume que, sobre a China, quase tudo são perguntas. “Além da sua dimensão absolutamente colossal do ponto de vista físico e humano, o sistema, que o PCC parece ter aperfeiçoado, é extremamente opaco e isso faz com que as análises ocidentais pareçam mais palpites ou prognósticos”, disse.

E, o “palpite” de António Caeiro é de que o país tem como objectivo a afirmação como potência regional no Pacífico, aliada a uma certa ideia de “vingança” sobre o Ocidente pela “humilhação nacional” na sequência da Guerra do Ópio (1839 – 1860), que marcou o declínio da China como potência mundial.

“A China não aspira a dominar o mundo […], mas quer ser reconhecida como uma potência regional, ou seja, quem manda no Pacífico”, sustentou.

O jornalista sublinhou a tendência de crescimento da influência chinesa em todo o mundo, o que considerou um “fenómeno natural”, para um país que concentra um quinto da população mundial e é o motor do crescimento económico global.

“O que não era natural era a China estar tão apagada na cena internacional. Há 50 anos a China não fazia sequer parte da ONU. A China tem um músculo económico e financeiro que a torna inevitavelmente um parceiro fundamental nas relações internacionais”, disse.

A China emerge como a “segunda economia mundial, com crescente peso económico e militar”, assinalou, apontando o contraste entre a “profunda crise” em que mergulharam a Europa e os Estados Unidos e os “ritmos impressionantes” de crescimento da China.

“A Europa e Portugal precisam das imensas reservas de capital que a China tem e a China sente-se mais desinibida em assumir que o seu modelo funciona”, apontou.

Mas, admite António Caeiro, ao tornar-se “um parceiro cada vez mais importante da economia de muitos países” a China “tende a inibir tomadas de posição contrárias aos seus interesses fundamentais”.

“No ano passado, por veto da Grécia, não houve na comissão dos direitos humanos da Nações Unidas nenhuma moção criticando a situação na China”, disse.

A APOSTA ECONÓMICA

Sobre os grandes investimentos chineses em países europeus, nomeadamente Portugal, António Caeiro entende que fazem parte da estratégia de um país com “grande excedente de reservas cambiais” e que precisa de modernizar a economia.

“Uma das maneiras é formar quadros nos países capitalistas desenvolvidos […] e uma maneira ainda melhor é comprar as boas empresas dos países desenvolvidos e que funcionam bem, que era, aos olhos da China, o caso da EDP”, referiu.

António Caeiro ressalva, contudo, que Portugal “não é o maior receptor europeu de investimento chinês”, mas que à “escala de Portugal” este “pesa muito” por causa das “importantes participações na energia, na banca, na saúde, nos seguros”.

Regressado a Lisboa definitivamente há três anos, o jornalista vê o país à luz do dilema entre a “China poderosa e muito desenvolvida” de cidades como Xangai e o interior do país onde “há níveis de prosperidade mínimos e défices, do ponto de vista educacional, enormes”.

“Isso pode ser um problema”, disse, apontando que há “dois discursos permanentes e contraditórios” sobre o país.

Há uns que “garantem que a China vai dominar o mundo e que este crescimento é para manter […] e outros que acham que, a prazo, a China tem grandes problemas que a impedirão de se tornar na grande potência que a atual liderança desejaria, nomeadamente o envelhecimento da população”, disse.

“A população activa da China tem vindo a diminuir desde há cinco anos e o crescimento resultante do fim da política do filho único (permitindo agora dois) não foi impressionante e já se fala do fim do controlo da natalidade”, acrescentou.

O jornalista explicou, por outro lado, que a rápida industrialização do país foi conseguida à conta da transferência de 250 milhões de trabalhadores do campo para as cidades e províncias do litoral.

“Alguns estudos indicam que 1/3 das crianças chinesas que vivem no campo têm um índice de inteligência muito baixos”, disse, adiantando que a prazo este “será outro problema” porque “uma China moderna não pode” desenvolver-se com “uma classe trabalhadora pouco instruída”.

“A China tem todos os problemas do mundo a uma escala absolutamente colossal […] Navega rodeada de grandes incógnitas. Recentemente comprei um livro de académicos chineses que se chamava ‘35 perguntas sobre a China’ e nenhuma delas tinha uma resposta, as respostas variam com o ponto de vista de cada um”, concluiu.
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/pensamento-de-xi-jinping-e-mais-citado.html

'Cessar-fogo': EUA e China anunciam trégua de 90 dias para guerra comercial

Bandeira dos EUA junto a emblema nacional da China (foto de arquivo)
© AP Photo / Andy Wong

Os líderes dos EUA e da China, Donald Trump e Xi Jinping, deram um prazo de 90 dias para tentar resolver as disputas comerciais, informou Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca, avaliando as conversas entre os dois presentes em Buenos Aires, na Argentina.

Trump e Xi realizaram uma reunião de duas horas e 30 minutos neste sábado, à margem da cúpula do G20 na Argentina.


"As partes concordaram em buscar um novo acordo nos próximos 90 dias, se até o prazo que as partes não atingirem, as taxas aumentarão de 10 para 25 por cento", disse a porta-voz em um comunicado.

O presidente dos EUA também disse que "a partir de 1º de janeiro manterá tarifas sobre importações no valor de US$ 200 bilhões por ano em 10% e não aumentará para 25%".

A China, por sua vez, teria concordado em comprar "um volume considerável" de produtos agrícolas e outros bens americanos "para reduzir o desequilíbrio comercial entre os dois países".

Em geral, Trump descreveu seu encontro com Xi como "produtivo" e "ótimo".

Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua, as partes concordaram em negociar "o cancelamento de todas as tarifas existentes".

A mídia informou citando o ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, que os dois líderes também concordaram em trocar visitas no devido tempo.

Os EUA e a China, primeira e segunda economias do mundo, respectivamente, se envolveram em uma guerra comercial em larga escala nos últimos meses.


Em julho passado, eles estabeleceram uma tarifa recíproca de 25% sobre produtos no valor de US$ 50 bilhões.

Em 24 de setembro, os EUA lançaram uma tarifa de 10% sobre as importações chinesas por US$ 200 bilhões, aos quais a China respondeu com uma tarifa de 10% e 5% sobre as importações dos EUA em US$ 60 bilhões.

Olhando para a cúpula do G20, Trump disse à imprensa que planejava aumentar as tarifas introduzidas em setembro para 25% a partir de 1º de janeiro de 2019 e não descartou tarifas adicionais.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2018120212816151-china-eua-tregua-guerra/

INVENTOR DA TÉCNICA DE CRISPR APELA A MORATÓRIA NOS HUMANOS

in Manuel Banet, ele próprio

 

 Dois artigos sobre os bébés chineses com os genes corrigidos e meu comentário em baixo:

https://www.zerohedge.com/news/2018-11-26/first-gene-edited-babies-claimed-china-spark-outrage-condemnation

https://www.theworldofchinese.com/2018/11/tech-thursday-cutting-crispr-corners/

O escândalo deu a volta ao mundo. Um cientista chinês realizou uma manipulação em embriões humanos, da qual nasceram duas meninas. A manipulação consistiu em modificar certo gene, com a técnica de CRISPR, uma técnica muito precisa que permite modificar uma sequência de ADN da forma que se queira. Neste caso, o gene manipulado foi de uma proteína de membrana que se exprime na superfície dos leucócitos e constitui a «porta de entrada» do vírus HIV, causador da SIDA, no seu interior. As pessoas cuja tal porta de entrada esteja modificada terão uma resistência ao vírus. O cientista argumenta que as meninas terão uma vantagem em terem essa resistência à doença auto-imune. Mas o facto é que esta modificação pode conferir fragilidades em relação a outras doenças. Os críticos apontam o facto, revelado pelo próprio cientista chinês, de que uma das duas gémeas apenas possui uma cópia modificada do gene. Nestas circunstâncias, esta não terá qualquer vantagem, pois continuará susceptível à infecção com HIV, mas ficará com uma fragilidade que poderá ter consequências. Em particular, certas doenças auto-imunes ou uma deficiência na panóplia de combate às infecções de que os leucócitos são os protagonistas. Pessoas que eram deficientes (naturalmente) no gene para esta proteína tinham uma maior susceptibilidade ao vírus do Nilo Ocidental que pode originar gripe mortal. 

Mesmo que tudo corra perfeitamente, existem muitos meios para prevenir a infecção com HIV, sendo ela muito tratável, hoje em dia, caso ocorra. Outras manipulações genéticas no ser humano envolveram genes cuja presença ou deficiência conferia doenças graves, potencialmente mortais. Nestes casos, a substituição pelo gene normal, ao ser posteriormente transmitida à descendência, caso esses indivíduos tivessem filhos, não iria acrescentar uma versão modificada de um gene.  Não é o caso da modificação efectuada nas gémeas. Se estas se reproduzirem, irão transmitir (apenas uma cópia) do referido gene. Sendo altamente provável que a outra cópia seja normal, pode-se desde já afirmar que os indivíduos da descendência terão uma susceptibilidade ao vírus HIV praticamente igual às pessoas em que ambos os genes são normais. 

O inventor desta técnica de manipulação dos genomas, que é aplicável a qualquer ADN, seja ele de planta, animal  ou mesmo humano, na sequência deste caso, fez uma declaração no sentido de propor uma moratória da sua aplicação a seres humanos.

Penso que no mínimo deveria ser necessário avaliar por um comité de peritos independentes a justificação ética de tais intervenções no futuro. Parece-me desejável que técnicas seguras sejam aplicadas aos humanos quando isto tenha reais e indiscutíveis benefícios para os pacientes, como no caso de reparação de genes conferindo doenças muito debilitantes, por exemplo a hemofilia. O grande perigo destas técnicas será a sua aplicação por técnicos pouco éticos para satisfazer o capricho dos pais, «desenhando» a preceito o futuro ser humano.  

Leia original aqui

A Concubinagem da Europa e a China

 (Dieter Dellinger, 29/11/2018)

merkel_china1

A visita do presidente da China Xi Jinping tem como objetivo integrar Portugal no imenso projeto chinês denominado “rota da seda” que abrange linhas de caminhos de ferro desde a China à Europa, que já existem até à Alemanha e Antuérpia, prolongando-se em linhas nacionais até Madrid na bitola alargada europeia.

Só que, de Madrid a Lisboa, seria necessário reconstruir a atual linha para a bitola europeia ou criar mesmo uma nova linha que permitisse a chegada de grandes composições ferroviárias de carga e, eventualmente, comboios muito rápidos de passageiros. A China parece estar disposta a ser concessionária da linha do Caia a Lisboa, fazendo as obras necessárias.

A China tem um plano estratégico mundial, ao contrário da Europa, amarrada de pés e mãos à austeridade germânica que não permite uma verdadeira União Europeia e reduz qualquer país europeu à condição de simples gestor das suas dívidas sem possibilidades de fazer investimentos.

A Europa da austeridade alemã traduz-se em limitar o mais possível a emissão de euros, valorizando desnecessariamente a moeda e bloqueando o progresso de um conjunto de países que ainda assim soma um pouco mais de 500 milhões de habitantes – 6,57% da população mundial – e 16,29% do PIB mundial.

A Europa parou ao ser governada na prática por uma espécie de dona de casa sem formação jurídica, económica ou estratégica, a senhora Merkel, que quer ser substituída por outra dona de casa, a atual ministra da Defesa, que reduziu o poder militar alemão a zero, deixando as portas abertas da Europa a quem quiser entrar ou levando à fascização de muitos países devido ao descontentamento provocado pela austeridade sem fim.

Merkel e a sua putativa sucessora mais não querem ser que “concubinas” do Imperador Chinês, o presidente vitalício Xi Jinping, filho do principal conselheiro económico de Deng Xiau Ping.

O plano chinês abrange uma rede euro-asiática de caminhos de ferro que se pode vir a estender ao continente africano e às Américas, e uma rede elétrica mundial controlada pela China, além de vias de navegação substitutas.

A fase mais adiantada é a dos caminhos de ferro designada de Nova Rota da Seda ou no acrónimo inglês BRI (Belt and Road Initiative) que abrange já 65 países com 62% da população mundial, 31% do PIB e 40% da superfície. Só falta Portugal para completar a ligação do Pacífico Norte ao Atlântico.

A China dita comunista dá uma absoluta garantia de perenidade ao capitalismo mundial, oferecendo um inesgotável proletariado, enquanto este não se revoltar e é isso que seduz a Alemanha e a Europa das direitas. Mas, até quando?

A Rússia Imperial Czarista também construiu uma fantástica linha de caminho de ferro, o Transiberiano e, mesmo assim, foi palco da maior revolução política do Século XX com a substituição total das suas anteriores elites.

O esquema de linhas férreas do BRI abrange a linha norte, que já funciona, e leva automóveis Volvo até Antuérpia que os europeus compram a julgar que são suecos. Toda a fábrica Volvo – que era o maior ativo industrial da Suécia -, foi vendida aos chineses.

ROTA_SEDA

A principal linha parte de Xangai e Beijing em direção à Mongólia e à Rússia onde entra por Irkutsk na Sibéria. Aí cruza-se com uma linha mais a norte que vai da Danong (a antiga cidade chinesa conquistada pelos russos denominada Porto Artur e perdida para os japoneses na guerra de 1904/5), para passar pela antiga capital da Manchúria, Harbin, entrar na Rússia, e chegar ao Transiberiano, onde se encontra com a linha de Xangai, em Irkutsk. Depois segue pela Rússia, para Novosibirsk, Ecatarienburg, Kazan, Moscovo e Minsk na Bielorrússia, Varsóvia, Berlim, Hamburgo, Antuérpia com uma ramificação para Paris e daí a Madrid e outra para Dunquerque e Londres.

A linha sul sai também de Xangai e outras cidades portuárias chinesas para atravessar o Tibete e entrar no Uzbequistão, onde ramifica para norte a fim de contornar o Mar Cáspio pelo Norte com outra linha para baixo, passando a sul desse mar pelo Turquemenistão, Irão, Turquia, atravessando o Bósforo e entrando na Bulgária e Grécia até à Sérvia com entrada para o sul da Alemanha em Nuremberga e chegada a Berlim.

Apesar da China não descurar as rotas marítimas e ter adquirido muitos portos, as linhas terrestres, que repetem um pouco os antigos caminhos das caravanas da seda, o facto é que estas linhas de transporte terrestre vão tirar aos EUA qualquer eficácia no  bloqueio marítimo.

O mundo passará a ser “chinês” pela via férrea que será acompanhada por gasodutos, oleodutos para o transporte de gás e petróleo russo, iraniano, arménio, etc. para a China e por um sistema de linhas transportadoras de eletricidade a grandes distâncias, com base numa tecnologia de ultra-alta tensão, que os chineses dizem possuir, e que promete que numa linha de dois mil quilómetros existam perdas de apenas 7%, quando as atuais linhas, na Europa e EUA, perdem isso em cada duzentos a trezentos quilómetros.

Já existe em Portugal a Associação dos Amigos da Nova Rota da Seda, dirigida pela Fernanda Ilhéu, como existem também associações similares em todos os 65 países envolvidos.

Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

Ei, EUA: China alerta que guerra comercial pode causar 'Grande Depressão e guerra mundial'

Bandeiras da China e dos EUA
© AP Photo / Andy Wong

Uma escalada do conflito comercial sino-americano poderia levar a uma repetição das grandes catástrofes do século 20, alertou um enviado chinês depois do presidente dos EUA, Donald Trump, mais uma vez ameaçar impor tarifas adicionais à China.

Poucos dias antes de os líderes chineses e norte-americanos se encontrarem à margem da cúpula do G20 na Argentina, o enviado chinês aos Estados Unidos emitiu um alerta contra a escalada do conflito comercial que poderia quebrar a simbiose entre as 2 maiores economias do mundo e prejudicar o comércio global.


"Não sei se as pessoas realmente percebem as possíveis consequências — o impacto, o impacto negativo — se houver uma dissociação desse tipo", disse o embaixador Cui Tiankai à Agência Reuters, ressaltando que uma nova escalada poderia recriar as terríveis condições econômicas que antes levar à Segunda Guerra Mundial.

"As lições da história ainda estão lá. No último século, tivemos 2 guerras mundiais e, entre elas, a Grande Depressão [a quebra da Bolsa de Nova York em 1929]", explicou o embaixador. "Eu não acho que alguém deveria realmente tentar ter uma repetição da história. Essas coisas nunca devem acontecer de novo, então as pessoas têm que agir de maneira responsável".

O presidente Donald Trump declarou repetidamente a repórteres que as tarifas sobre produtos chineses adicionais, no valor de US$ 267 bilhões, estão prontas caso Pequim se recuse a ceder às exigências dos EUA e impedir o roubo de propriedade intelectual.

Enquanto procurava um acordo com a China, Trump deixou claro na segunda-feira que continua firme em seu compromisso de fechar o enorme déficit comercial com a China. Se Trump decidir impor tarifas adicionais, os impostos cobrados se aplicarão a um total de mais de US$ 517 bilhões em produtos chineses.


"O único acordo que seria realmente aceitável para mim — além de, obviamente, temos que fazer alguma coisa sobre o roubo de propriedade intelectual, certo —, mas o único acordo seria a China ter que abrir seu país para a concorrência dos Estados Unidos", comentou Trump ao jornal The Wall Street Journal na segunda-feira. "Eles precisam abrir a China para os Estados Unidos. Caso contrário, não vejo um acordo sendo feito".

O conflito comercial sino-americano entrou em um estágio crucial em setembro, depois de oficialmente terem entrado em vigor, oficialmente, aumentos tarifários de US$ 260 bilhões negociados bilateralmente. Nos últimos 2 meses, os países têm conversado, tentando encontrar uma solução para consertar a disputa comercial. Até agora, todas essas tentativas foram inúteis.

Trump e o presidente chinês Xi Jinping devem se reunir na próxima sexta-feira, à margem da cúpula do G20 na Argentina, e também devem jantar no sábado.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018112812785629-china-eua-guerra-depressao/

O porto de Praia da Vitória e a visita de Xi Jinping

Os chineses publicitaram o seu interesse por Sines há bem uma década (pela mesma altura em que Obama andava muito entretido com o seu – falhado – “shift” para o Pacífico).

Pelo mesmo tempo, começaram a incluir os Açores em “escalas técnicas” de viagens dos seus dirigentes máximos e a manifestar, pouco subtilmente, o seu interesse por bases naquele arquipélago (ao mesmo tempo que Obama mandava anunciar o seu desinvestimento nas Lajes…).

Este quadro de circunstâncias fez tocar algumas campainhas em Washington e alguns gritos alarmados de “red flag over the Atlantic”…

O interesse de Pequim em Sines continuou público mas os Açores quase desapareceram deste radar. Delegações chinesas vieram, entretanto, visitar Sines – sempre manifestando o seu interesse em criar ali um ponto de apoio à sua frota mercante e ainda à militar. A actual ministra do Mar também se deslocou algumas vezes à China (onde foi muito bem recebida e acarinhada e aproveitou para ir às compras).

Culminando este processo, o “imperador vermelho” Xi Jinping visita agora Lisboa, em início de Dezembro, como aqui tínhamos antecipado.

A energia (ou seja, o controlo da EDP e da REN pelo Estado chinês) é oficialmente anunciada como “prato forte” da agenda. Mas além da energia e do oficialmente anunciado que mais vem aí na agenda Xi Jinping? Sines, claro. Mas, cuidado, um porto pode ocultar outro…

Os chineses já terão percebido que o uso militar de Sines é uma impossibilidade (recorde-se que um governo português, com Sá Carneiro como P-M, recusou aos Estados Unidos o estacionamento de um porta-aviões ao largo de Sines…).

E se continuam a falar de Sines é para melhor ocultar o seu real interesse num outro porto de águas profundas, menos visível e mais no centro do Atlântico: Praia da Vitória, na ilha Terceira… sim, a mesma ilha da base das Lajes!

O modelo que Pequim tem mente para assegurar a “coexistência pacífica” com a presença americana é o do “sítio” onde a China instalou a sua primeira base naval no estrangeiro, junto a franceses, americanos e outros: Djibouti!

A escolha do modelo não podia ser mais esclarecedora…

Exclusivo Tornado / IntelNomics

Por que a China investe nos países mais pobres do mundo?

Entre 2000 e 2014, mais de 4,4 mil projetos de desenvolvimento chineses foram implementados em 138 países de todo o mundo, fazendo com que a China se tornasse uma das fontes mais importantes de financiamento de infraestrutura econômica em vários continentes.

O relatório do laboratório de pesquisa do College of William and Mary (EUA), AidData, forneceu dados sobre os investimentos chineses, que provam essa tendência de financiamento em países em desenvolvimento.


Os três principais objetivos da expansão econômica do país asiático é garantir o fornecimento de matérias-primas, criar mercados para os bens e serviços chineses e permitir o fluxo de tecnologias para a economia chinesa, de acordo com o especialista em assuntos chineses Georgy Kocheshov, que acredita que o país asiático adota diferentes estratégias ao investir nos países em desenvolvimento ou em países já desenvolvidos.

A finalidade chinesa é garantir o controle sobre fontes de matérias-primas e assegurar seus suprimentos, principalmente em relação a países em desenvolvimento, como os do continente africano. Isso também implica a compra de instalações já existentes ou a construção de novos meios e infraestruturas para gerar o crescimento das economias desses países como parceiros comerciais da China.

"Isso é feito não apenas para garantir o fornecimento de matérias-primas desses países à China, mas também para que eles possam desempenhar um papel cada vez mais importante como mercado para os bens e serviços chineses", disse o especialista ao jornal Vzglyad.


Pequim também investe em países de "primeiro mundo", com a prioridade de adquirir tecnologia por meio da compra de ações em empresas relevantes, além de aquisições para aumentar a influência econômica e os laços comerciais em geral.

Os projetos da nova Rota da Seda indicam claramente que a meta crucial da China é ter o controle sobre o sistema econômico mundial, podendo desafiar a hegemonia global dos Estados Unidos, segundo economistas.

Kocheshkov considera que a nova Rota da Seda não passa de uma nova designação dada à pragmática expansão econômica chinesa, que visa criar um espaço financeiro único sobre um território que inclui toda a Eurásia, bem como parte da África e Oceania.

 "A influência econômica chinesa em várias regiões em desenvolvimento está ao mesmo nível ou até à frente da influência dos países ocidentais", disse o especialista.

Segundo o cientista político russo Dmitry Karasev, Pequim investe em países populosos que em breve se tornarão consumidores de produtos chineses, seguindo a mesma estratégia que Washington já adotara: usar os investimentos para abrir mercados de consumo.

Em parte, a China está seguindo uma estratégia de imperialismo econômico, mas é improvável que tenha sucesso sem o imperialismo militar enquanto os Estados Unidos mantiverem sua hegemonia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018112712770109-porque-china-investe-paises-mais-pobres-mundo/

Debate sobre a China

Curiosamente, algo de importante está a acontecer em Portugal. Parece estar em curso uma transferência silenciosa da tradicional confiança nos Estados Unidos para o Império do Meio. Isto ficará mais claro daqui a duas semanas, quando o Presidente chinês, Xi Jinping, visitar Portugal.
O apoio dos governos do PSD-CDS e do PS e da maioria das elites empresariais aos investimentos chineses tem sido entusiástico, mesmo quando tem estado em causa a entrada da China em sectores estratégicos da economia nacional.
A maior parte dos decisores nacionais está grata à China pelos investimentos feitos após a crise financeira de 2011. Esquecem-se que os mesmos foram feitos para adquirir tecnologia nacional moderna e processos de gestão essenciais à modernização económica da China. Acresce que estes investimentos apoiam uma grande estratégia nacional chinesa de dominância e autossuficiência a nível geoeconómico.
O instrumento mais visível desta estratégia são as novas Estradas da Seda terrestres e marítimas propostas por Xi Jinping. Tudo indica que Lisboa lhes dará apoio político nas próximas semanas.
A transferência da confiança de Washington para Pequim ignora ou desvaloriza três coisas. A primeira é a geografia interna. Em 1935, o demógrafo Hu Huanyong dividiu a China a partir de uma linha imaginária entre a cidade de Heihe, na fronteira com a Rússia, a nordeste, e a de Tengchong, no sul, junto à Birmânia. Oitenta anos depois, esta realidade geográfica não se alterou. A oeste da linha Hu, a China continua a ser um país ainda em vias de desenvolvimento.
A segunda coisa a ter em consideração é o nível de literacia da sociedade chinesa. Hoje consideramos a China um país altamente desenvolvido em termos de educação, ciência e tecnologia. Na realidade, como sublinham Scott Rozelle e Nathalie Johnson no livro “China’s Invisible Crisis”, apenas 30% da população chinesa concluiu o ensino secundário ou tem formação universitária (48% em Portugal, segundo a Pordata). Dois terços das crianças chinesas vivem em áreas rurais onde a qualidade da educação e serviços públicos é muito inferior à de Pequim, Xangai ou Guangdong. Esta é a China que nunca vemos.
Por fim, temos as consequências políticas e económicas da centralização do poder no Presidente Xi Jinping. O reforço do poder Partido Comunista da China nas empresas públicas e privadas é visto como essencial para o controlo do país. A médio prazo, este facto não deixará de ter consequências negativas para a sociedade e economia da China.
Portugal ignora muito do que se passa na China e desvaloriza as suas intenções estratégicas. Sempre foi assim. Tendo em conta a importância dos seus investimentos na nossa economia e a sua crescente influência, parece indispensável um debate nacional informado sobre as consequências políticas e económicas desta nossa crescente confiança na China. A ignorância ou o silêncio têm sempre um alto preço. A visita de Xi Jinping em dezembro é uma boa oportunidade para iniciar esta conversa em benefício de ambas as partes.
.

Leia original aqui

Campanha ocidental pelos Direitos de islamistas chineses

Os governos ocidentais lançaram, a 13 de Novembro de 2018, no Conselho de Direitos do Homem das Nações Unidas, uma campanha em apoio a islamistas chineses, dos quais alguns estão preventivamente internados em campos de reeducação.

No início da operação da OTAN visando colocar os Irmãos Muçulmanos no Poder em todos os Estados árabes, em 2010-11, a China Popular ---como certos países ocidentais--- facilitou a saída dos seus islamistas para o Médio-Oriente. Ela pensava assim, erradamente, livrar-se deles. Lentamente, deu-se conta que o remédio era pior do que a doença, servindo os islamitas, que partiram para combater na Líbia e na Síria, em modelos para novos recrutas em casa. Inúmeros atentados ocorreram então, não apenas nas regiões muçulmanas mas também em outras.

Até agora, os muçulmanos que viviam em Xinjiang beneficiavam de inúmeras isenções à lei geral. Eles podiam, por exemplo, ter vários filhos enquanto os outros Chineses apenas eram autorizados a ter um.

No passado, a CIA apoiava o separatismo uigur face aos Chineses da etnia Han, tal como ela apoiou o separatismo tchecheno face aos Russos étnicos. Hoje em dia ela apoia os jiadistas, o que é completamente diferente mesmo que o objetivo continue a ser enfraquecer Pequim e Moscovo.

Após o 19º Congresso do Partido Comunista, em Outubro de 2017, a China, incapaz de inculpar o Islão, começou a considerar que o problema do jiadismo não podia ser dissociado do próprio Islão. Os partidários do Islão político foram presos e forçados a períodos de reeducação. O seu número é impossível de avaliar: segundo algumas fontes situa-se entre 10.000 e 1.000.000.

O Partido Comunista acaba de exigir que todos os seus aderentes prestem um juramento de não praticar a dieta halal. De facto, a prática de alguns ritos muçulmanos tornou-se ilegal.

Uma comunidade chinesa de 18. 000 pessoas (falando turco), das quais pelo menos 5. 000 combatentes estacionam actualmente em Idlib (Síria). Ela beneficia do apoio dos Serviços Secretos turcos (membros da OTAN). A Síria e a Rússia aceitaram não atacá-la de momento, temendo a repatriamento de alguns deles. Assinala-se, igualmente, a chegada de inúmeros jiadistas chineses à Malásia, à Indonésia, à Tailândia, mas também às Filipinas, quando se acreditava que o problema estava resolvido.





Ver original na 'Rede Voltaire'



Partido Comunista da China quer se sentar à mesa com PSL de Bolsonaro em Pequim

O governo chinês segue com a sua estratégia de fazer acenos positivos e conciliatórios ao presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro. Na semana passada, o Partido Comunista da China enviou um convite ao PSL, partido do ex-capitão do Exército, para uma visita à Pequim.

Segundo o documento, publicado pelo jornalista Jamil Chade do jornal O Estado de S. Paulo no Twitter, o objetivo do convite a 10 membros do PSL é o "intercâmbio de experiências de governança e cooperações pragmáticas entre os partidos".

Com todas as despesas pagas pelos chineses, a ida de 10 membros do PSL seria mais uma sinalização de boa vontade da China em se aproximar de Bolsonaro e sua equipe, após declarações polêmicas e reacionárias do presidente eleito contra Pequim durante a campanha eleitoral.

Em entrevista ao Estadão, o presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar, afirmou que o convite é "muito bem-vindo", mas que a decisão sobre ele dependerá da bancada do partido, que ainda não analisou o assunto.

O clã Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o convite do Partido Comunista da China. No passado recente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, apresentou um projeto na Câmara para criminalizar o comunismo.

O próprio Jair Bolsonaro já apresentou posições diversas sobre o comunismo. Crítico da ideologia comunista nos últimos anos, o ex-capitão do Exército afirmou, em 4 de setembro de 1999, que não era anticomunista e que o meio militar seria próximo à ideologia que tem a China como um dos seus expoentes.

"Ele [Hugo Chávez, então candidato à presidência da Venezuela] não é anticomunista e eu também não sou. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar. Nem sei quem é comunista hoje em dia", declarou Jair Bolsonaro ao jornal O Estado de S. Paulo.


Recentemente, uma delegação de diplomatas chineses foi recebida pelo presidente eleito em sua casa, no Rio de Janeiro. A preocupação é justificada: Pequim é o maior parceiro comercial do Brasil, importante comprador de produtos do agronegócio nacional.

Em editoriais em jornais locais, o governo chinês pediu que o governo Bolsonaro não adote o mesmo caminho do presidente dos EUA, Donald Trump, que vive uma guerra comercial com a China. Apesar da boa vontade, os chineses alertaram que o Brasil tem mais a perder do que ganhar, caso siga os passos de Washington.

Por ora, a indicação do diplomata Ernesto Araújo – um fã de Trump e crítico conhecido da China e do comunismo – para comandar o Ministério de Relações Exteriores a partir de 2019 indica que as relações entre Brasília e Pequim ainda podem enfrentar solavancos.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2018112012719439-partido-comunista-bolsonaro/

China comenta proposta de Macron de criar exército europeu

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying
© AP Photo / Ng Han Guan

A China nunca representou ameaça para a Europa, declarou a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, comentando durante um briefing o apelo do presidente francês Emmanuel Macron de criar “um exército europeu” para se defender da Rússia, China e EUA.

"Queria assinalar que os países europeus são Estados independentes e soberanos. Eles têm o direito de fazer a sua escolha, mas, no que se trata da China, nós nunca representámos ameaça para a Europa", ressaltou a diplomata chinesa.


Na terça-feira (6), Macron disse em entrevista que a Europa deveria criar um "verdadeiro exército europeu" para proteger a região. O mandatário francês afirmou que a medida pode ser útil para proteger a Europa "da China, Rússia e até dos Estados Unidos da América", já que Trump decidiu sair do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF).

"Isso é muito insultuoso, mas talvez a Europa deva primeiro pagar uma parte justa da OTAN, que os EUA subsidiam em grande parte", criticou Donald Trump a proposta de Macron no seu Twitter.

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, também expressou seu ceticismo quanto à ideia do presidente francês, assinalando que é difícil imaginar a defesa da Europa sem os EUA, afirmando que a unidade europeia nunca substituirá a transatlântica.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018111412671365-china-macron-comentar-exercito-europeu/

EUA contra China: qual é o verdadeiro 'pomo da discórdia' entre as duas potências?

Destróier da Marinha da China lança um míssil durante manobras no mar do Sul da China (foto de arquivo)
© AP Photo / Zha Chunming

Enquanto a China continua considerando a ilha de Taiwan como parte do seu território e os EUA vêem a soberania da ilha como uma peça-chave do seu jogo geopolítico na Ásia, a margem de erro está se tornando cada vez mais estreita. Pelo menos é isso que opinam os autores do artigo recém-publicado no jornal The National Interest.

Em um momento em que a guerra comercial entre os EUA e a China não mostra sinais de diminuição, bem como as tensões entre as duas potências no mar do Sul da China, eventos como o recente diálogo diplomático e de segurança entre Pequim e Washington se tornam muito importantes.


Em particular, em 9 de novembro, o ministro da Defesa chinês, Wei Fenghe, e o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, realizaram o segundo Diálogo Diplomático e de Segurança entre China e EUA, em Washington. Além do ministro e do secretário, estiveram presentes o diretor de Relações Externas do Partido Comunista chinês, Yang Jiechi, e o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo.

No final da reunião, altos funcionários chineses disseram que "a situação no mar do Sul da China está caminhando para a estabilidade", enquanto Mattis e Pompeo reafirmaram que "os Estados Unidos não estão realizando uma guerra fria ou política de contenção da China".

Deixando de lado as declarações conciliadoras para as câmeras, a verdade é que as relações entre os EUA e a China estão passando por seu pior momento após a Guerra Fria, destaca Daniel R. DePetris, colunista do The National Interest. Tanto os golpes econômicos mútuos quanto as disputas sobre o mar do Sul da China têm sido uma constante nos últimos anos. Mas o real pomo da discórdia entre as duas potências sempre foi e ainda é a ilha de Taiwan.


O pomo da discórdia

As diferenças de pontos de vista sobre Taiwan agravaram muito as tensões entre Washington e Pequim, mesmo antes do estabelecimento de relações diplomáticas entre ambos os países. Durante décadas, as autoridades norte-americanas e chinesas sempre se regeram pelo princípio de "concordamos em discordar".

Houve tentativas de mudar a situação em 1982, quando as partes decidiram adotar uma abordagem legal do "status quo" existente: os Estados Unidos passaram a reconhecer as reivindicações territoriais da China na ilha e os chineses reconhecem a política dos EUA de venda de armas a Taiwan.

No entanto, a administração Trump tomou o que poderia ser descrito como uma das posições mais agressivas relativamente a Taiwan da era pós-Guerra Fria, diz o autor. Mesmo antes de ter assumido formalmente o cargo, o atual presidente teve a primeira conversa telefônica com o chefe de Estado de Taiwan em quatro décadas. Esse contato irritou o governo chinês e sugeriu que a nova Casa Branca não iria mais seguir a política "de uma só China".

Para piorar a situação, o contato foi seguido por uma venda multimilionária de armas a Taiwan, pela Lei de Viagens a Taiwan de 2017 e pela Lei de Autorização da Defesa Nacional de 2018, que reafirmaram os laços militares entre Washington e a ilha e abriram o acesso mútuo dos navios das Marinhas aos portos dos dois países.


O estreito de Taiwan que divide a ilha e o continente chinês também viu as tensões crescerem. Em abril, o Exército Popular de Libertação da China participou de manobras com fogo real no estreito, o que não é raro, mas aconteceu apenas um mês depois de o presidente chinês, Xi Jinping, ter declarado ao Congresso Nacional do Povo que a China continuará firme quanto às tentativas de desafiar a sua soberania: "Nem uma polegada de território da grande pátria pode ser separada da China", disse ele.

Embora ninguém antecipe um confronto entre as Marinhas chinesa e estadunidense nas águas do estreito de Taiwan, indica o colunista, a concorrência estratégica que agora domina as relações entre as duas potências — desde o comércio, propriedade intelectual, segurança cibernética até à modernização militar — provoca grandes preocupações quanto à estabilidade. Ademais, aumenta o risco de que uma provocação militar deliberada ou uma falta de comunicação levem a uma crise internacional entre as duas maiores economias do mundo, que possuem os maiores orçamentos militares do planeta.

Ora, uma vez que nenhum dos lados mostra sinais de mudar sua posição, a margem de erro fica perigosamente mais estreita, conclui o colunista do jornal.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/opiniao/2018111112647787-eua-china-maca-discordia-disputa-taiwan/

O que está em jogo na relação do governo Bolsonaro com a China?

Após a grande repercussão das declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre a China, chamou-se a atenção para a dimensão e a importância que o país asiático exerce na economia brasileira. A Sputnik Brasil traz uma análise sobre o que está em jogo nas relações econômicas entre os dois países com o novo governo brasileiro.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante sua campanha eleitoral, fez diversas declarações críticas em relação às relações econômicas do Brasil com a China, chegando a dizer que "a China quer comprar o Brasil", levantando suspeitas por parte de diplomatas e investidores chineses em relação ao novo governo brasileiro. A preocupação manifestada pelo lado chinês fez o presidente eleito recuar e adotar um tom conciliador com a China.  A Sputnik Brasil conversou com especialistas para identificar a dimensão da presença da China na economia brasileira e quais são os risco e oportunidades em jogo nesta interação.

O peso da China na economia brasileira 

Em entrevista à Sputnik Brasil, o secretário-executivo do conselho empresarial Brasil-China, Roberto Fendt, destacou a grande importância que a China exerce hoje na economia brasileira. De acordo com ele, não só é país que mais importa produtos brasileiros, como é o maior investidor estrangeiro no país. 


"A China é o nosso principal parceiro tanto na importação quanto na exportação […]. É um parceiro importante. E por ser o maior, obviamente torna-se importante em si. Mas também é muito importante porque a China hoje em matéria de fluxo de investimento anual é o maior investidor estrangeiro no país", ressalta Fendt.

O especialista observa que, no período entre 2007 e 2017, mais de 100 empresas se instalaram no Brasil. 

"Essas empresas trouxeram 157 projetos que anunciaram ou já completaram […]. O grosso do investimento está no setor elétrico, no setor de geração e produção de energia em geral. Então os investimentos nessa área são maiores. O número de projetos é menor mas o volume de investimento é maior", disse.

Já o professor de economia da Ibmec-SP, Roberto Dumas, disse à Sputnik Brasil, em entrevista à Sputnik Brasil, comentou também que grande parte dos investimentos que a China faz no Brasil atingem pontos fundamentais para o país ter um crescimento sustentável, como infra-estrutura e logística.

"A importância da China na economia brasileira está cada vez maior por vários motivos. Primeiro, porque é o maior destino das nossas exportações. O segundo ponto que eu considero crucial são os investimentos que, felizmente, continuam vindo para o Brasil. Você já tem aí entre 70 e 80 bilhões de dólares de estoque de investimento direto que vêm aportar no Brasil em vários segmentos, quer mineração, agrobussines, infra-estrutura, emergia elétrica, óleo, gás, carros, etc.", destacou Dumas.  

"Qual é a importãncia disso daí? Primeiro porque é o nosso maior mercado consumidor internacional. Segundo, que é um dos maiores investimentos diretos que vêm pro Brasil. Terceiro, agora felizmente os chineses estão indo para o Brasil para investir na parte de logística e infra-estrutura, que é justamente o nosso maior gargalo para o crescimento sustentável", acrescentou o especialista. 

Investimento chinês no gargalo da economia brasileira

Roberto Dumas destacou que a China cumpre um papel fundamental ao investir em infra-estrutura no país, porque a maior parte das empresas brasileiras que podem destinar investir neste setor no Brasil estão citadas na Lava Jato e acabam afastando investidores estrangeiros, mas a China é o país que está comprando as concessões destas empresas. 


"De 1994 até 2014, o Brasil investiu mais ou menos 2% do PIB em infra-estrutura. Você precisa investir em infra-estrutura no mínimo 3,2% do PIB para pelo menos repôr a depreciação acumulada. No ano passado nós investimos menos que 1,6% do PIB. Aí você fala 'quem vai fazer esses investimentos?'. Bom, quem poderia fazer esses investimentos estão citados na Lava Jato, então provelmente [as empresas] não têm mais balanço material pra fazer esses investimentos Quem vai comprar as concessões de enérgia elétrica ou comprar as jóias da coroa das empresas que estão citadas na Lava Jato? Estão sendo os chineses", argumenta o economista da Ibmec-SP. 

Ao comentar a declaração presidente eleito Jairo Bolsonaro, Roberto Dumas afirmou que um chinês, ou qualquer naicionalidade, que vem pra cá, está ligado a um contrato de concessão, portanto existem normas contratuais a serem cumpridas, afastando, assim, o risco da presença estrangeira na economia brasileira.

"O chinês não vai pagar água da hidroelétrica, colocar nas costas e ir embora. O principal gargalo hoje em dia é justamente infraestrutura, energia elétrica, óleo e gás, e justamente quem tem dinheiro e vem pra cá o governo resolve arranjar eventualmente uma rusga? de onde que tiramos isso?, diz o economista. 

Qual o efeito das declarações de Bolsonaro?

É consenso entre os especialistas que as declarações do presidente eleito enviam sinais negativos para um país que tem uma presença fundamental na economia brasileira, mas a posterior reunião de Bolsonaro com o embaixador chinês acalmou os ânimos entre os dois países e mandou um sinal tranquilizador para o mercado. 


O economista Roberto Dumas foi enfático ao dizer que é contraproducente fazer declarações críticas a um país que traz tanto dinheiro para o Brasil, mas acredita que não houve um propósito maior nessas afirmações. 

"Na minha opinião esta declaração foi desproposital, e depois do encontro que teve com o embaixador no começo da semana, eu acho que o presidente eleito deve ter maneirado isso. Porque, veja bem, se o único país que traz mais dinheiro pro Brasil, você não pode brigar com ele e falar 'eu não vou vender o Brasil', você não está vendendo o Brasil, você está vendendo concessão de serviços públicos para um investidor internacional. No mínimo, parece que o presidente está sendo mal assessorado. Não é assim que se fala", destacou. 

Guerra comercial EUA X China

Em editorial lançado após as eleições brasileiras, a imprensa estatal chinesa chegou a chamar Jair Bolsonaro de "Trump tropical", fazendo referência à dura posição do presidente norte-americano em relação à China. 

Ao comentar os acentos que o novo governo tem feito à administração norte-americana de Donald Trump e a sua respectiva batalha comercial com a China, o economista Roberto Dumas opinou que o Brasil não pode seguir os passos dos EUA neste aspecto. 

"Seria terrível, porque o Brasil é superavitário com a China. Quem mais compra soja, quem mais compra commoditie, quem mais compra petróleo, é a China, como é que eu vou entrar em uma guerra comercial com eles; Vou atirar justamente em quem está comprando minha mercadoria?", argumentou. 

"O que a gente pode fazer é um plano de governo com o Itamaraty de tentar vender produtos com maior valor agregado. Não sair gritando como o Trump tá gritando de que quer fazer uma guerra comercial. Primeiro veja o que vendemos, o que eles compram, quem é o maior comprador, veja quem mais traz divisa, veja quem mais traz investimento. Se isso for verdade, você está arranjando briga com o cara errado. Aliás, tem um problema aqui. Comércio internacional não é soma zero […] está errado, é uma falácia dizer que déficit na conta comercial é ruim e superávit é bom. Claro, déficits crescentes nas contas externas pra financiar o consumo não é salutar. Mas déficits nas contas externas, importando bens de capital pra melhorar minha exportação é salutar sim", afirmou Dumas.  

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/sputnik_explica/2018110812626573-brasil-china-economia-bolsonaro/

Ex-secretário do Tesouro norte-americano alerta para cortina de ferro económica

Pequim, 07 nov (Lusa) - O antigo secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson advertiu hoje para a perspetiva de uma "cortina de ferro económica" entre a China e os Estados Unidos, apelando a ambos que trabalhem para resolver as disputas comerciais.

O responsável máximo pelo Tesouro dos EUA durante a administração de George W. Bush avisou que a guerra comercial entre Pequim e Washington está a "chegar a um ponto de não retorno", durante um discurso na conferência Bloomberg New Economy Forum, em Singapura.

"A região [asiática] deve hoje estar preocupada com a transformação de uma competição estratégica saudável numa guerra fria em grande escala", disse Paulson, que era secretário do Tesouro quando implodiu a crise financeira global, em 2008.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias de até 25% sobre 250 mil milhões de dólares de importações oriundas da China. Pequim retaliou com taxas sobre bens importados dos EUA.

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Bruxelas ou Tóquio partilham das mesmas queixas.

O governo norte-americano acusa ainda Pequim de expansionismo militar, violação de liberdades civis e religiosas e até de interferência nas eleições norte-americanas, visando penalizar a administração de Donald Trump.

Henry Paulson disse que pôr em causa décadas de progresso nas relações comerciais entre a China e os Estados Unidos acarreta grandes impactos económicos.

"Temo que partes importantes da economia global estão a fechar-se ao comércio e investimento", disse.

"E agora vejo a perspetiva de uma cortina de ferro económica, que irá erguer novas barreiras em cada lado e romper com a economia mundial como a conhecemos", acrescentou.

Washington deu alguns sinais positivos, nas últimas semanas.

Trump disse no início do mês que teve uma "conversa muito boa" por telefone com o homólogo chinês, Xi Jinping, sobre questões comerciais e a Coreia do Norte.

O Departamento de Estado anunciou ainda conversações de alto nível com Pequim, sobre segurança, em Washington, para esta sexta-feira.

Henry Paulson prevê, ainda assim, "um longo inverno nas relações sino-norte-americanas".

JPI // SB
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/ex-secretario-do-tesouro-norte.html

Pequim responde à guerra comercial de Washington abrindo sua economia ainda mais

Líder chinês Xi Jinping durante a inauguração da Exposição Internacional de Importações da China em Xangai
© AP Photo / Aly Song

A China aumentará suas importações e continuará apoiando o princípio de comércio livre, anunciou o líder chinês Xi Jinping durante a inauguração da Exposição Internacional de Importações da China em Xangai, expressando seu compromisso de abrir ainda mais seu mercado.

A primeira exposição chinesa dedicada inteiramente às importações reuniu mais de 3.500 empresas de 150 países. O interesse é óbvio: durante várias décadas a China foi considerada uma fonte de produção e exportação, mas as coisas estão mudando. O crescente nível de vida dos chineses e a transformação gradual da economia fazem pouco a pouco com que o país se transforme no maior mercado de produtos e serviços do mundo.


No ano passado as importações chinesas cresceram 15,9%, atingindo o montante de 1,8 trilhões de dólares (R$ 6,6 trilhões). As autoridades do país planejam aumentar esse volume para 10 trilhões de dólares (R$ 37,6 trilhões).

Entretanto, alguns países continuam expressando seu descontentamento pelas barreiras econômicas que persistem na China. Os funcionários da UE apontam as dificuldades que as empresas europeias enfrentam quando tentam competir com as da China no território do país asiático, enquanto o mercado europeu está totalmente aberto para as empresas e investimentos chineses.

Os EUA, por sua vez, não enviaram nenhum representante de alto nível à exposição. A atual administração de Washington considera Pequim seu principal adversário comercial e sublinha que, sem uma mudança fundamental na política industrial e comercial chinesa, será difícil resolver as contradições comerciais existentes. 

Em seu discurso, o líder chinês apelou aos governos de outros países para respeitarem os princípios de mercado livre. Mas este discurso foi dirigido principalmente aos EUA, disse à Sputnik China o especialista financeiro Li Kai.

"Xi disse que a economia chinesa é um enorme oceano e não um pequeno lago. As tempestades e furacões podem turvar as águas de um pequeno lago, mas não podem fazer nada a um oceano. Isso, de maneira metafórica, significa que, embora os EUA tenham poder suficiente na guerra comercial com a China, as autoridades da República Popular Chinesa também estão cheias de determinação", explicou Li Kai. 


A Rússia, por sua vez, participa da mostra em Xangai tanto a nível governamental como privado. As principais áreas que representam o país são os produtos agrícolas, equipamentos de alta tecnologia, medicamentos, serviços e bens de consumo. Denis Manturov, ministro de Indústria e Comércio da Rússia, informou que a exposição contou com a participação de 150 empresas russas de 40 regiões diferentes.

Com 84 trilhões de dólares de fluxo bilateral, a China é o principal parceiro comercial da Rússia, que, por sua vez, se tornou o principal fornecedor de recursos energéticos para a China, superando a Arábia Saudita. Hoje em dia, os recursos naturais ocupam a maior parte das exportações russas para a China mas Moscou planeja reverter essa situação. É por isso que a indústria russa está muito interessada em participar do exposição.

 

 

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2018110712615337-guerra-comercial-entre-china-eua-resposta/

A China, Israel e o Médio Oriente

Em dois anos a China passará a controlar a indústria agroalimentar, a alta tecnologia e as trocas internacionais israelitas. Os acordos com Israel podem alterar completamente a geopolítica regional.

CréditosFonte: Washington Examiner (Etienne Oliveau/Pool Photo via AP)

Segundo o conhecido analista das questões do Médio Oriente, Thierry Meissan, a China passará a controlar nos próximos dois anos o essencial da indústria agroalimentar israelita, da sua alta tecnologia e das suas trocas internacionais, devendo seguir-se entre as partes um acordo de comércio livre, em que único sector importante da economia israelita fechado ao capital chinês é o do armamento.

E concluiu, a partir de elementos bem fundamentados, que a geopolítica regional daria uma grande volta por causa disso e do “Plano de Paz” norte-americano.

Quanto a nós essa conclusão é, porém, precipitada.

No Outono de 2013, a China tornou público o projecto de criação de vias de comunicação marítimas, e sobretudo terrestres, através do mundo, para as quais desbloqueou somas colossais, tendo logo começado a concretizá-las.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Isarel, e o vice-presidente chinês Wang Qishan, durante a recente visita deste a Israel, Outubro de 2018.CréditosFonte: Albawaba (AFP) /

O vice-presidente da China, Wang Qishan, em digressão pelo Próximo Oriente, há alguns dias, esteve quatro dias em Israel1 onde assinou acordos que confirmam essa sua grande presença na economia de Israel. Este projecto visa exportar os seus produtos segundo o modelo da antiga «Rota da Seda», que, do século II ao XV, ligava a China à Europa através do Vale de Ferghana, do Irão e da Síria.

Tratava-se, nessa época, do transporte de produtos de cidade em cidade, de modo que em cada paragem eram trocados por outros, de acordo com as necessidades dos comerciantes locais. Pelo contrário, hoje em dia, a China ambiciona vender directamente na Europa e no resto do mundo.

Wang lembrou que Israel foi o primeiro país do Oriente Médio a reconhecer a República Popular da China (numa altura em que a União Soviética tinha sido o primeiro país a reconhecer o estado de Israel).

As suas mercadorias, porém, já não são as sedas e especiarias exóticas mas sim produtos acabados, idênticos aos dos europeus e, muitas vezes, de qualidade superior. A rota comercial transformou-se agora numa verdadeira autoestrada. Se Marco Polo ficou deslumbrado pelas sedas do Extremo Oriente, sem equivalente em Itália, Ângela Merkel está em pânico com a ideia de ver a sua indústria automóvel esmagada pelos concorrentes chineses. Os países desenvolvidos terão, pois, ao mesmo tempo, de negociar com Pequim e preservar as suas indústrias do choque económico decorrentes dessa concorrência.

Esta visita do Vice-presidente chinês, a Israel, à Palestina, ao Egipto e aos Emirados Árabes Unidos visa desenvolver a «Nova Rota da Seda», que está a apresentar algumas dificuldades.

A China, ao exportar maciçamente a sua produção, irá assumir o lugar que o Reino Unido, primeiro sozinho e depois com os Estados Unidos, ocuparam desde a revolução industrial, tendo estabelecido esse domínio comercial sobre o resto do mundo.

No decurso da Segunda Guerra Mundial, Churchill e Roosevelt assinaram a Carta do Atlântico, através da qual os Estados Unidos entraram na guerra.

Querem fazer agora algo de semelhante em relação à China?

O Pentágono produziu em 2013 um projecto visando criar um estado entre o Iraque e a Síria para interromper a rota da seda entre Bagdade e Damasco. O Estado Islâmico foi encarregue dessa tarefa. Os chineses mudaram o traçado da Rota e acordaram com o Egipto um investimento na duplicação do Canal de Suez e na criação de uma vasta zona industrial perto do Cairo. O traçado pelo Egipto foi validado pela Administração Obama. Washington autorizou a duplicação do Canal de Suez (já operacional) e a criação de uma vasta zona industrial, que está em construção.

A Administração Trump terá autorizado também o traçado por Israel.

Com fins idênticos de criar dificuldades, o Pentágono montou uma «revolução colorida» na Ucrânia para cortar a Rota europeia, e ainda distúrbios na Nicarágua para criar obstáculos à construção de um novo canal ligando os oceanos Pacífico e Atlântico.

«O Pentágono produziu em 2013 um projecto visando criar um estado entre o Iraque e a Síria para interromper a rota da seda entre Bagdade e Damasco. O Estado Islâmico foi encarregue dessa tarefa»

Apesar da importância, sem precedentes, dos investimentos chineses na Nova Rota da Seda, até atendendo a paralelos históricos, o projecto actual não está de antemão garantido, como o próprio Meyssan reconhece. Que seria importante para um acréscimo de poderio por parte da China e para a redução ou eliminação de tensões na região, depois da Síria, com apoio da Rússia, ter vencido a guerra, que começou «colorida» em 2011 e terminou num ninho de terrorismo alimentado por várias potências.

Num passado recente, a China investiu no Médio-Oriente com o objectivo de se abastecer de petróleo. Construiu refinarias no Iraque, que foram destruídas pelo Estado Islâmico e pelas forças ocidentais que fingiam combater os islamitas.

Os laços entre Israel e a China datam do mandato do Primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, cujos pais fugiram dos nazis para se instalarem em Xangai. O antecessor de Benjamin Netanyahu tentou estabelecer relações fortes com Pequim, mas esse projecto fracassou depois de ter apoiado um dos grupos de piratas na Somália, encarregado por Washington de perturbar o tráfego marítimo russo e chinês à saída do Mar Vermelho.

Desde 2016, a China está a negociar com Israel um acordo de livre comércio. Neste contexto, o Shanghai International Port Group comprou a concessão de exploração dos portos de Haifa e Ashdod, o que fará com que, em 2021, a China controle 90% do comércio israelita. A Bright Food adquiriu já 56% da cooperativa dos kibutzes Tnuva, e poderia aumentar a sua participação, de tal modo que a China poderia controlar o essencial do mercado agrícola israelita. O fundador da loja «em linha» Alibaba, Jack Ma, que veio a Telavive incluído na delegação oficial chinesa, não escondeu a sua intenção de comprar muitas «start-up» israelitas para lhes incorporar a sua alta tecnologia.

O antigo director da Mossad, Ephraim Halevy, próximo dos Estados Unidos, sublinhou que o Conselho de Segurança Nacional jamais havia deliberado sobre estes investimentos. Eles haviam sido decididos unicamente segundo uma lógica de oportunidade comercial. Para Meyssan, coloca-se a questão de saber se Washington autorizou, ou não, esta reaproximação entre Telavive e Pequim.

Parece pouco provável que Pequim tenha concluído um acordo secreto com Washington para este novo traçado da Rota da Seda. A história mostrou que a administração norte-americana tudo fez, e continua a fazer, para atingir outras grandes potências concorrentes. Uma aliança sino-americana seria, a curto e médio prazo, favorável a Pequim, mas depois ela conduziria à eliminação subsequente da Rússia e da própria China.

Israel continua a matar palestinianos e a bombardear a Síria. Isso vai ou não continuar?

Os acordos entre a China e Israel podem alterar completamente a geopolítica regional. Até aqui, Pequim era um parceiro comercial de Israel (excepto em matéria de armamento) e político do Hamas (que dispõe de uma representação em Pequim). De modo idêntico, a China fornecia mísseis ao Hezbollah libanês. No que estará a ser discutido entre ambos, a partir de agora, o Hamas e o Hezbollah deixarão de poder atacar alvos rodoviários, ferroviários e portuários israelitas sem entrar em conflito com a China. Recordemos, por exemplo, que o Secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, havia explicado que, em caso de ataque israelita ao Líbano, ele poderia bombardear o material nuclear armazenado em Haifa, valorizando com isso o facto de, em função disso, «dispor» da sua própria «bomba atómica».

Está por esclarecer que contrapartidas Israel cederia no sentido de acabar com a guerra contra os palestinianos e com os controlos e os muros que dificultam muito uma vida normal da Palestina. E se cessariam as pressões sobre o Líbano, e se Israel obteria dos EUA o fim das sanções sobre o Irão.

Estas decisões podem contribuir para alterar também a geopolítica mundial. O acordo sino-israelita supõe a autorização de Washington.

«o Shanghai International Port Group comprou a concessão de exploração dos portos de Haifa e Ashdod, o que fará com que, em 2021, a China controle 90% do comércio israelita»

A estratégia comercial chinesa pode modificar profundamente o sentido da Parceria da Euroásia alargada, concluída entre a China e a Rússia, e que serve hoje em dia de fundamento à aliança entre estes dois países. É de supor que a Rússia esteja a acompanhar o processo, encarando eventuais alterações geopolíticas.

De tudo isto se poderá concluir também este novo curso parece revelar haver acordos entre os EUA e a China, apesar da escalada mútua nas tarifas aduaneiras entre ambos.

Se este projeto chegar ao seu termo, todos os países do Médio-Oriente se teriam que reposicionar movimentos podendo isso arrastar idênticos noutros Estados do mundo.

Em 27 de Outubro passado, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Omã, Yousuf bin Alawi, intervindo nos encontros de Manama (Bahrein), apelou aos outros dirigentes árabes para reconhecerem o Estado de Israel. O soberano hospedeiro do encontro, o Rei Hamed bin Issa Al Khalifa, deu-lhe o seu apoio. No dia seguinte, o Sultão Qaboos, do Omã, enviou uma delegação a Ramallah (Palestina) para levar uma carta ao Presidente Abbas.

Noutras frentes de conflito no Médio Oriente prosseguem outros movimentos.

Síria

A Cimeira quadripartida de Istambul sobre a Síria serviu para clarificar as propostas políticas russas, mas acabou por não decidir nada. Moscovo empenhou-se em argumentar com os seus parceiros turcos, franceses e alemães, mas os aliados de Washington arrastam-se a digerir a sua derrota e a tirar conclusões que não sejam a queda do presidente sírio e uma nova constituição, com um desenho que não conhecemos.

Desde o acordo russo-americano de Helsínquia, em Julho passado, parece que o Presidente Donald Trump tenta retirar as suas tropas da Síria, enquanto o Pentágono insiste em mantê-las afim de não deixar a Rússia decidir sozinha o futuro do país.

Iémen

Falando em 30 de Outubro de 2018 no Instituto de Paz dos EUA, o Secretário da Defesa, James Mattis, anunciou a sua intenção de terminar a guerra no Iémen em 30 dias. Deu a entender, numa longa entrevista na televisão saudita Al-Arabiya, que a sua missão é ajudar a Arábia Saudita a sair do ninho de vespas onde se meteu. O Iémen, como o Afeganistão, sempre resistiu aos invasores e nunca poderia ser ocupado. A Arábia Saudita tem apoiado um ditador isolado no seu país e bombardeado os rebeldes houtis e as populações que o rejeitam, massacrando-as e estando à beira de provocar uma catástrofe humanitária, com várias componentes.

Arábia Saudita

Pequim tornou-se, igualmente, o principal comprador do ouro negro da Arábia Saudita. E, assim, construiu neste Reino o gigantesco complexo petrolífero de Yasref-Yanbu por 10 mil milhões de dólares.

Tal como referi em artigo anterior, para outras situações, são tendências, e não mais que isso, que podem não se verificar pela natureza predadora, historicamente comprovada, de várias das potências referidas, que ainda alimentam as desigualdades na população mundial, o domínio de povos e a degradação dos seus meios ambientais, e que internamente em cada uma exploram os trabalhadores. e lhes vão retirando direitos que foram conquistas civilizacionais e desrespeitadoras das Cartas e tratados das Nações Unidas.

Ver original em 'AbrilAbril' (aqui)

Primeiro-ministro russo visita a China para se reunir com o governo do país

Prime Minister Dmitry Medvedev at Skolkovo Foundation Board of Trustees meeting
© Sputnik / Alexander Astafyev

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, inicia sua visita de três dias à China em 5 de novembro para negociar com seu colega chinês, Li Keqiang, e com o presidente do país, Xi Jinping.

Espera-se que durante a visita de Medvedev os políticos examinem a cooperação russo-chinesa e assinem uma série de documentos intergovernamentais, interdepartamentais e corporativos sobre vários aspectos da interação bilateral.


Vários projetos conjuntos também serão abordados nos campos da indústria, energia, veículos, economia agrícola, pesquisa científica e tecnologias inovadoras, de acordo com o serviço de imprensa do Gabinete de Ministros da Rússia.

Além disso, Medvedev participará da inauguração da primeira Exposição Internacional de Importação da China, a ser realizada em Xangai de 5 a 10 de novembro e reunirá mais de 2.800 empresas de cerca de 130 países, incluindo a Rússia.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018110412599259-primeiro-ministro-russo-visita-china/

A Rota da Seda e Israel

Thierry Meyssan *

Pequim desenvolve sem cessar o seu projecto da «Rota da Seda». O seu Vice-presidente, Wang Qishan, empreende uma digressão pelo Próximo-Oriente que o conduziu a, nomeadamente, quatro dias em Israel. Segundo os acordos já assinados, a China controlará em dois anos o essencial do agro-alimentar israelita, da sua alta tecnologia e das suas trocas internacionais. Deverá seguir-se um acordo de livre comércio. Toda a geopolítica regional se verá, assim, virada do avesso.

A visita do Vice-presidente chinês, Wang Qishan, a Israel, à Palestina, ao Egipto e aos Emirados Árabes Unidos visa desenvolver a «Nova Rota da Seda».

No Outono de 2013, a China tornou público o seu projecto de criação de vias de comunicação marítimas e, sobretudo, terrestres através do mundo. Ela desbloqueou somas colossais e começou a concretizá-lo a toda a velocidade. Os principais eixos passam tanto pela Ásia, como pela Rússia, em direcção à Europa Ocidental. Mas ela planifica (planeja-br) também vias através da África e da América Latina.

Os obstáculos à Nova Rota da Seda

Este projecto encontra dois obstáculos, um económico, o outro estratégico.

De um ponto de vista chinês, este projecto visa exportar os seus produtos segundo o modelo da antiga «Rota da Seda», que, do século II ao XVº , ligava a China à Europa através do Vale de Ferghana, do Irão e da Síria. Tratava-se da época do transporte de produtos de cidade em cidade, de modo que em cada etapa eles eram trocados por outros de acordo com as necessidades dos comerciantes locais. Pelo contrário, hoje em dia, a China ambiciona vender directamente na Europa e no mundo. No entanto, os seus produtos já não são exóticos (sedas, especiarias, etc.), mas, sim idênticos aos dos Europeus e, muitas vezes, de qualidade superior. A rota comercial transforma-se em auto-estrada. Se Marco Polo ficou deslumbrado pelas sedas do Extremo Oriente, sem equivalente em Itália, Angela Merkel está em pânico com a ideia de ver a sua indústria automóvel esmagada pelos seus concorrentes chineses. Os países desenvolvidos terão pois, ao mesmo tempo, que negociar com Pequim e preservar as suas indústrias do choque económico.

Ao exportar maciçamente a sua produção, a China irá assumir o lugar comercial que o Reino Unido primeiro só depois com os Estados Unidos ocupam desde a revolução industrial. Foi precisamente para conservar esta supremacia que Churchill e Roosevelt assinaram a Carta do Atlântico e que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial. É, portanto, provável que os Anglo-Saxões não hesitem em empregar a força militar para obstruir o projecto chinês [1], tal como fizeram em 1941 face aos projectos alemão e japonês.

Desde logo, em 2013, o Pentágono publicou o Plano Wright, que previa criar um novo Estado a cavalo sobre o Iraque e a Síria para cortar a Rota da Seda entre Bagdade e Damasco. Esta missão foi concretizada pelo Daesh (E.I.) de tal modo que a China modificou o traçado da sua rota. Finalmente, Pequim (ou Beijing - ndT) decidiu fazê-la passar pelo Egipto e, assim, investiu na duplicação do Canal de Suez e na criação de uma vasta zona industrial a 120 quilómetros do Cairo [2]. Identicamente, o Pentágono montou uma «revolução colorida» na Ucrânia para cortar a Rota europeia, ou ainda distúrbios na Nicarágua para criar obstáculos à construção de um novo canal ligando os oceanos Pacífico e Atlântico.

Apesar da importância, sem precedentes, dos investimentos chineses na Nova Rota da Seda, é preciso lembrar que no século XV a China lançou uma formidável frota para proteger o seu comércio marítimo. O Almirante Zheng He, «o eunuco das Três Joias», combateu os piratas do Sri Lanka, construiu pagodes na Etiópia e foi em peregrinação a Meca. No entanto, após o seu retorno, por razões de política interna, o Imperador abandonou a Rota da Seda e queimou a frota. A China fechou-se então sobre si mesma. Não se deve, portanto, considerar que, de um ponto de vista chinês, o projecto actual está de antemão garantido.

Num passado recente, a China investiu no Médio-Oriente com o único fito de se aprovisionar em petróleo. Construiurefinarias no Iraque, que foram infelizmente destruídas pelo Daesh (EI) ou pelas Forças Ocidentais que fingiam combater os islamitas. Pequim tornou-se, igualmente, o principal comprador do ouro negro saudita. Assim, construiu no Reino o gigantesco complexo petrolífero de Yasref-Yanbu por 10 mil milhões (bilhões-br) de dólares.

Israel e a Nova Rota da Seda

Os laços entre Israel e a China datam do mandato do Primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, cujos pais fugiram dos nazis para se instalarem em Xangai. O predecessor de Benjamin Netanyahu tentara estabelecer relações fortes com Pequim. Os seus esforços foram apagados pelo seu apoio a um dos grupos de piratas na Somália, encarregado por Washington de perturbar o tráfego marítimo russo e chinês à saída do Mar Vermelho [3]. O escândalo foi evitado à justa. A China foi autorizada a estabelecer uma base naval em Djibuti e Ehud Olmert foi afastado da política.

Desde 2016, a China negocia com Israel um acordo de livre comércio. Neste contexto, o Shanghai International Port Group comprou a concessão de exploração dos portos de Haifa e Ashdod de modo que, em 2021, aChina controlará 90% do comércio israelita. A Bright Food adquiriu já 56% da cooperativa dos kibutz Tnuva, e poderia aumentar a sua participação, de tal modo que a China controlaria o essencial do mercado agrícola israelita. O fundador da loja “em linha” Alibaba, Jack Ma, que veio a Telavive incluído na delegação oficial chinesa, não escondeu a sua intenção de comprar muitas “start up” israelitas afim de incorporar a sua alta tecnologia.

O armamento é o único sector importante da economia israelita preservado do apetite chinês. Em Setembro, o Professor Shaul Horev organizou uma conferência na Universidade de Haifa, com a ajuda do norte-americano Hudson Institute, para alertar os oficiais-generais do Pentágono sobre as consequências dos investimentos chineses. Os intervenientes sublinharam, nomeadamente, que estes contratos expunham o país à uma espionagem intensiva, tornavam difícil a utilização do seu porto para os seus submarinos lançadores de engenhos nucleares, e os seus laços com a Sexta frota norte-americana.

O antigo Director da Mossad, Ephraim Halevy, a quem se reconhece a proximidade com os Estados Unidos, sublinhou que o Conselho de Segurança Nacional jamais havia deliberado sobre estes investimentos. Eles haviam sido decididos unicamente segundo uma lógica de oportunidade comercial. Coloca-se, pois, a questão de saber se Washington autorizou, ou não, esta reaproximação entre Telavive e Pequim.

Ninguém se deve iludir sobre as razões que permitiram à China estabelecer uma base militar em Djibuti, e parece pouco provável que Pequim tenha concluído um acordo secreto com Washington para este novo traçado da Rota da Seda. É claro, os Estados Unidos não estariam preocupados quanto a um colapso económico da União Europeia. No entanto, a longo prazo, a China e a Rússia são forçadas a entender-se para se preservar dos Ocidentais. A história mostrou que estes últimos tudo fizeram, e continuam a tudo fazer, para desmantelar estas grandes potências. Por conseguinte, se uma aliança sino-americana seria a curto e a médio prazo favorável a Beijing, depois ela conduziria à eliminação subsequente da Rússia e da própria China.

Os acordos sino-israelitas levam sobretudo a pensar que, de acordo com a fórmula de Lenine, «Os capitalistas venderam a corda com que virão a ser enforcados».

Thierry Meyssan * | Voltaire.net.org | Tradução Alva
Notas:
[1] “The Geopolitics of American Global Decline”, by Alfred McCoy, Tom Dispatch (USA) , Voltaire Network, 22 June 2015.
[2] “A China implanta-se no Próximo-Oriente”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 25 de Janeiro de 2016.
[3] «Piratas, corsarios y filibusteros del siglo XXI», por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 1ro de julio de 2010.

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/a-rota-da-seda-e-israel.html

Trump 'pode puxar o gatilho' com tarifas adicionais a importações chinesas

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com o presidente chinês, Xi Jinping, durante uma cerimônia de boas-vindas no Grande Salão do Povo em Pequim.
© AP Photo / Andy Wong, File

Em entrevista à CNBC, o assessor da Casa Branca, Larry Kudlow, alertou que, caso as negociações entre EUA e China sobre o comércio não corram bem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "poderá puxar o gatilho" das tarifas adicionais sobre produtos chineses.

"Depende de como as negociações vão. Ele disse que poderia puxar o gatilho em cerca de US$ 265 bilhões. Não sabemos que tarifa pode ser", disse ele.


Kudlow acrescentou que não é tão otimista quanto a chegar a um acordo comercial com Pequim no curto prazo. Kudlow disse que a próxima reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula do G-20 é "definitiva" e observou que a disputa comercial entre os países estará na agenda da reunião.

O assessor da Casa Branca compartilhou que se as negociações comerciais entre Washington e Pequim melhorarem, as tarifas dos EUA sobre as importações chinesas poderiam ser suspensas, mas até agora Trump não ordenou que as autoridades americanas iniciassem o desenvolvimento de um acordo preliminar de comércio entre os países. Ao mesmo tempo, Kudlow observou que os EUA não receberam nenhuma oferta comercial de Pequim.

"Olha, não há movimento maciço para lidar com o comércio", disse Kudlow.


A disputa comercial entre os EUA e a China começou depois que Washington impôs pesadas tarifas sobre o aço e o alumínio chineses em abril de 2018, provocando uma resposta espelhada de Pequim. Ao longo do ano, os dois países trocaram várias rodadas de tarifas mútuas no valor de bilhões de dólares. Os EUA estão instando a China a negociar um novo acordo comercial "justo".

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/americas/2018110212585272-trump-china-tarifas-adicionais/

China alerta Bolsonaro: 'Trump Tropical' pode encarar 'custo' se romper seu maior parceiro

Gustavo Bebianno, presidente do partido PSL, fala a Jair Bolsonaro, candidato à presidencia do Brasil, durante uma coletiva no Rio, em 11 de outubro de 2018
© REUTERS / Ricardo Moraes

Criticada ao longo de toda a campanha de Jair Bolsonaro (PSL), a China reagiu com um sério alerta ao presidente eleito no Brasil. O governo chinês indicou que o país tem mais a perder do que ganhar se adotar uma retórica agressiva como a do presidente dos EUA, Donald Trump.

Em um editorial do jornal China Daily, principal jornal estatal do país asiático, os chineses avisaram que criticar Pequim "pode servir para algum objetivo político específico, mas o custo econômico pode ser duro para a economia brasileira, que acaba de sair de sua pior recessão da história".


O texto também exalta que as exportações brasileiras "não apenas ajudaram a alimentar o rápido crescimento da China. Mas também apoiaram o forte crescimento do Brasil". Assim, não faz sentido, pelo ponto de vista de Pequim, a retórica agressiva do ex-capitão do Exército.

"Ainda que Bolsonaro tenha imitado o presidente dos EUA ao ser vocal e ultrajante para captar a imaginação dos eleitores, não existe razão para que ele copie as políticas de Trump", continuou o editorial, artifício já utilizado antes pelo governo chinês para mandar recados.

O texto, que parte de uma pergunta – "até que ponto o próximo líder da maior economia da América Latina vai afetar a relação Brasil-China?" –, chama Bolsonaro de "Trump Tropical" e ressalta que o presidente eleito poderia seguir a cartilha do atual morador da Casa Branca

"Além disso, ele [Bolsonaro] se mostrou menos que amistoso em relação à China durante a campanha. Ele apresentou a China como um predador buscando dominar setores-chave da economia brasileira", afirmou o editorial.

As dúvidas dos chineses sobre qual é o verdadeiro Bolsonaro com o qual terá de negociar – "que o Bolsonaro presidente coma naturalmente as palavras extremas do Bolsonaro candidato" –, e foram externadas em encontros de diplomatas e empresários chineses com assessores do ex-capitão ao longo da campanha presidencial.

Tanto Paulo Guedes, economista que deve ser o ministro da superpasta da Economia, quanto Onyx Lorenzoni, deputado federal que será o ministro-chefe da Casa Civil, já trataram de colocar panos quentes nas críticas de Bolsonaro aos chineses. O agronegócio, aliado importante do presidente eleito, tem a China como sua grande cliente e, assim, pode ter um papel relevante para o recuo das palavras do presidente brasileiro.


Um dia antes, outro jornal chinês, o Global Times, já havia publicado críticas à retórica de Bolsonaro. Segundo a publicação, o presidente eleito do Brasil depreciou injustamente a China na sua campanha, afirmando ser "inconcebível que o novo governo de Bolsonaro vá abrir mão do mercado chinês".

"A cooperação entre o China-Brasil é totalmente recíproca. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e o maior superávit comercial do Brasil foi registrado com a China. Em 2017, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 20 bilhões com a China, que também é o maior comprador de soja e de minerais brasileiros", destacou o texto.

A China também espera ouvir de Bolsonaro o que ele pensa a respeito de Taiwan, país que ele visitou e considerou independente da China, algo que Pequim considera inaceitável.

 

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/brasil/2018103112568200-china-alerta-bolsonaro/

Será que nova crise financeira global começará em Pequim?

Bolsa de Valores de Pequim
© AP Photo / Ng Han Guan

Segundo Jin Lijun, presidente do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, a guerra comercial entre os EUA e a China, bem como o aumento das taxas de juro, poderia levar a Ásia para a pior crise desde a de 1997. Analistas comentam esse assunto. Problemas atuais da China

Problemas atuais da China

A China enfrenta vários problemas financeiros. Em outubro desse ano, o principal índice bolsista chinês CSI 300 caiu 6%. 


Além disso, nos últimos anos a dívida das famílias, especialmente a das famílias mais pobres, triplicou. A dívida corporativa da China bateu um recorde, atingindo 166% do PIB.

Para Lee Wang Hwi da Universidade Ajou, todos esses problemas, junto com o aumento das tensões entre Pequim e Washington, significam que a Ásia pode enfrentar uma nova crise financeira.

"Atualmente a China é o país mais vulnerável. No ano passado Pequim lutou para reduzir a sua dívida. Entretanto, com o início da guerra comercial […] o governo abandonou sua política de redução da dívida para evitar a estagnação econômica", explicou Lee Wang Hwi à Sputnik Internacional.


Reação em cadeia 

Segundo o analista, mesmo se a China conseguir evitar uma crise, as outras economias da região são extremamente dependentes de Pequim e "poderiam ser alvo de um golpe duro, até sofrer uma crise financeira semelhante à de 1997", disse o especialista.

Christopher Bovis, professor na Universidade de Hull (Reino Unido) acredita que o tamanho da economia da China e o volume do seu comércio, bem como seu papel na cadeia de abastecimento global, aumentam a possibilidade de uma crise global.

"A China enfrentaria facilmente uma guerra de grande escala com os EUA porque tem fundos suficientes, tem também sua própria moeda para participar do sistema monetário internacional e, assim, evitar os efeitos negativos da guerra comercial e imposição de tarifas", explicou ele.

O mesmo não pode ser dito sobre outras economias da região. Segundo Bovis, as economias emergentes não têm tantas possibilidades. Embora Pequim tenha uma dívida bastante grande, também dispõe de um grande volume de liquidez e pode "lutar e até vencer" no confronto atual com os EUA.

Armas em disposição da China

Para lidar com os problemas atuais da economia chinesa, as autoridades já adotavam algumas medidas. Elas aplicaram medidas firmes para limitar a quantidade de empréstimos no mercado.


Pequim também está lutando com o sistema bancário sombra. Além disso, continua estimulando o consumo, reduzindo impostos e relaxando sua política monetária para lutar contra a recessão econômica. O Banco Central chinês prometeu apoiar as empresas privadas para que possam obter o financiamento necessário. 

Embora haja vários pontos de vista sobre a situação econômica na região, os analistas sublinham que a situação atual difere da dos anos passados. A nova crise financeira envolveria não apenas fatores econômicos, mas também políticos. A este respeito, resta ver como as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo podem vir a afetar o resto do nosso planeta.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na seguinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2018102912547654-guerra-comercial-eua-china-crise-financeiro/

Advertência a Washington: ministro da Defesa chinês marca linha vermelha

A Guarda Costeira de Taiwan faz patrulha durante a visita do presidente taiwanês Ma Ying-jeou à ilha Pengjia no Mar da China Oriental, no norte de Taiwan, no sábado, 9 de abril de 2016.
© AP Photo / Chiang Ying-ying

As autoridades chinesas decidiram chamar a atenção para a crescente tensão em torno de Taiwan e voltar a marcar a linha vermelha nesse assunto. A mensagem de Pequim está dirigida aos EUA, dizem especialistas chineses e russos entrevistados pela Sputnik.

As Forças Armadas chinesas tomarão todas as medidas para evitar que Taiwan tente se separar formalmente da China, disse em 25 de outubro o ministro da Defesa chinês, Wei Fenghe, na cerimônia de abertura do fórum de segurança Xiangshan, em Pequim.


Segundo o vice-diretor do Instituto de Assuntos Asiáticos e Africanos da Universidade Estatal de Moscou, Andrei Karneev, é de fundamental importância que tenha sido o ministro da Defesa chinês quem fez as declarações sobre a situação em torno de Taiwan.

"Isso mostra que a solução militar desse assunto ainda não foi descartada por Pequim, embora seja dada prioridade ao diálogo pacífico entre as duas partes. Entretanto, a crescente cooperação militar entre os EUA e Taiwan está preocupando as autoridades chinesas."

O especialista não duvida que certas palavras do ministro são dirigidas precisamente aos EUA.

"Era a Washington a quem se referia Wei Fenghe quando disse que a China se opõe às provocações usadas para alcançar os interesses de certos países, às sanções arbitrárias unilaterais e às ações militares unilaterais perigosas", disse o analista à Sputnik China.


O especialista chinês Chen Xiaoxiao, da Universidade de Jimei, também opinou que o discurso do ministro da Defesa tinha seu destinatário.

"Perante as políticas agressivas dos EUA, a China mostrou mais uma vez sua posição […] As Forças Armadas chinesas sublinham que seguem o caminho do desenvolvimento pacífico, mas ao mesmo tempo estão prontas para proteger a soberania nacional e a segurança", explicou Chen Xiaoxiao.

Segundo ele, com a chegada de Donald Trump, Washington declarou Pequim um "adversário estratégico" e começou a ajustar sua política em relação à China. As entradas de navios de guerra no estreito de Taiwan se tornaram mais frequentes e, além disso, foi aumentando o patrocínio em relação às autoridades de Taiwan.

Muitos especialistas acreditam que a possibilidade de um conflito militar direto entre os EUA e a China por causa de Taiwan é bastante baixa. Esta opinião é compartilhada, em particular, por Joseph Cheng, professor de Ciências Políticas da Universidade de Hong Kong.

"Em grande medida é um gesto político. O perigo de um conflito militar de grande escala no estreito de Taiwan é muito pequeno. Acredito que o governo dos EUA está bem ciente de que é provavelmente uma das linhas vermelhas mais importantes, das linhas vermelhas estratégicas e militares definidas pelas autoridades chinesas. É possível que o objetivo dessas declarações seja advertir os EUA que a China leva muito a sério essa linha vermelha", disse Cheng à Sputnik.


As relações oficiais entre as autoridades centrais chinesas e Taiwan cessaram em 1949, quando o governo do Kuomintang, liderado por Chiang Kai-shek, fugiu para Taipé após ser derrotado pelo Partido Comunista Chinês, estabelecendo na ilha a República da China. Os contatos informais foram retomados em 1980. Pequim não reconhece a independência de Taiwan e afirma que a ilha faz parte do seu território. Taiwan também não reconhece o governo central em Pequim.

A China tem repetidamente apelado aos outros países para cortarem seus laços com Taiwan. Pequim já criticou os Estados Unidos por manterem relações diplomáticas informais com Taiwan, apesar de terem formalmente aderido à política de "uma China Única".

 

 

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018102812537433-eua-china-taiwan-conflito-militar/

Bem-vindo ao inferno do G-20

Líderes mundiais lutam com um turbilhão de questões complexas e candentes quando se preparam para cimeira de 30 de Novembro
Pepe Escobar [*]
cimeira G-20  em Buenos Aires, em 30 de Novembro, poderia atear um incêndio mundial – talvez literalmente. Vamos começar com a guerra comercial EUA-China. Washington nem mesmo começará a discutir comércio com a China no G-20 a menos que Beijing proponha uma lista bastante pormenorizada de potenciais concessões. A atitude dos negociadores chineses não é de todo negra. Alguma espécie de acordo poderia ser alcançada sobre um terço das exigências estado-unidenses. O debate sobre outro terço poderia seguir-se. Mas o último terço está absolutamente fora dos limites – devido a imperativos chineses de segurança nacional, tal como a recusa a permitir a abertura do mercado interno de computação cloud à competição estrangeira. Beijing nomeou o vice-primeiro-ministro Liu He e o vice-presidente Wang Qishan para supervisionar todas as negociações com Washington. Eles enfrentam uma tarefa árdua: atravessar o limitado espaço de atenção do presidente Donald Trump. Acima de tudo, Beijing exige um "responsável" ("point person") com autoridade para negociar em nome de Trump – considerando o congestionamento de mensagens mistas que emanam de Washington. Agora compare isto com a mensagem vinda do instituto de investigação fantasticamente chamado Pensamento Xi Jinping sobre Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era, sob a alçada da Escola do Partido do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC): os EUA começaram a "fricção comercial" essencialmente "para perturbar o aperfeiçoamento industrial da China". Este é o consenso no topo E o choque está destinado a ficar pior. O vice-presidente Mike Pence acusou a China de "imiscuir-se na democracia americana", na "diplomacia da dívida", na "manipulação da divisa" e no "roubo de IPs". O ministro dos Negócios Estrangeiros em Beijing descartou tudo isto como "ridículo" . É instrutivo prestar atenção ao que o ministro dos Estrangeiros Wang Yi disse ao Council on Foreign Relatlions – tão diplomaticamente quanto possível: "A China seguirá um caminho de desenvolvimento diferente das potências históricas". E a China não procurará hegemonia. Do ponto de vista da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, isso é irrelevante; a China tem sido falsamente acusada de competidora brutal e mesmo uma ameaça. O presidente Xi Jinping não se dobrará às exigências comerciais de Washington. Assim aguarda-se uma possível não-reunião entre Xi e Trump em Buenos Aires. A ameaça de um primeiro ataque nuclear  As coisas parecem mais hirsutas na frente russa. Apesar de toda a paciência taoísta do ministro dos Estrangeiros Sergy Lavrov, círculos diplomáticos em Moscovo estão exasperados pelas graves ameaças americanas – como a de a US Navy impor um bloqueio para restringir o comércio de energia russo. Ou pior: o ultimato de que a Rússia deve cessar de desenvolver um míssil que, segundo Washington, viola o Tratado Intermediate Range Nuclear Forces (INF), caso contrário o Pentágono o destruirá. Isto é tão sério quanto parece – porque equivale a comprometer-se com um primeiro ataque nuclear dos EUA. Em paralelo, o presidente da BP, Bob Dudley, disse na conferência Oil & Money em Londres que quaisquer sanções adicionais dos EUA contra companhias de energia russas de topo seriam desastrosas. "Se sanções fossem aplicadas à Rosneft ou à Gazprom ou à Lukoil como as que foram aplicadas à Rusal, virtualmente seriam encerrados os sistemas de energia da Europa, é algo de uma coisa extrema a acontecer", disse ele. Na frente dos BRICS, a Rússia e a Índia habilmente manobraram por conta própria e conseguiram esborrachar o planeamento geoestratégico dos EUA contra os três principais pólos de integração da Eurásia: Rússia, China e Irão. O Quarteto – EUA, Japão, Austrália, Índia – fora concebido para tolher a China no Índico-Pacífico e em paralelo confinar a margem de manobra da Rússia. O Quartelo não está exactamente em excelente forma depois de a Índia ter decidido comprar sistemas anti-mísseis S-400 russos. Além do acordo do S-400, companhias russas construirão seis reactores nucleares adicionais na Índia, a um custo de US$20 mil milhões cada um, ao longo da próxima década. A Rosneft assinou um acordo de 10 anos para vender à Índia 10 milhões de toneladas de petróleo por ano. E a Índia continuará a comprar petróleo do Irão, pagando por ele em rupias. Na frente da UE, tudo gira em torno da Alemanha. Em Berlim há poucas ilusões acerca do futuro vacilante da UE. A economia alemã centrada na exportação está focada na Ásia. A Alemanha está a redobrar a solidificação de um modelo estilo asiático – algumas grandes empresas que são campeãs nacionais capazes de turbinar exportações. O mercado dos EUA – sob ventos protecionistas – agora é apenas uma reflexão tardia. 
Trópicos tóxicos  E então há a tragédia brasileira. O presidente Maurício Macri arruinou a Argentina com um choque neoliberal. A nação é agora refém do FMI. Um cenário possível é um G-20 no qual a Argentina aprenderá como tratar com um fascista a liderar seu vizinho próximo e parceiro comercial importante, o Brasil. Antigo paraquedista, Jair Bolsonaro pode ser xenófobo e misógino, mas certamente não é nacionalista. O "Messias" tropical auto-apregoado saúda rotineiramente a bandeira dos EUA. Seuassessor económico é um Chicago Boy que quer vender o país – para deleite dos "investidores" e peritos em "mercado" desde Nova York e Zurique até Rio e São Paulo. Esqueçam a criação de empregos ou mesmo a tentativa de resolver imensos problemas sociais do Brasil: desigualdade social aguda, investimentos prementes em saúde e educação, insegurança urbana. A única "política" de Bolsonaro é armar a população no estilo Mad Max . Para Bolsonaro tudo deveria estar sob o reino absoluto de um mercado "livre" Hobbesiano . Esqueçam acerca de qualquer possibilidade uma intervenção moderada do Estado nas complexas relações entre o Capital e o Trabalho. Isto é o cume de um processo complexo desencadeado anos atrás no Brasil através de think tanks tais como a Atlas Network , cargas de dinheiro e, por último mas não menos importante, um tsunami evangélico/neo-pentescostalista. Os pilares da carnificina brasileira são poderosos interesses do agro-business e da exploração mineral, os tóxicos media "de referência" brasileiros, evangélicos, um sector financeiro totalmente subserviente à Wall Street, a indústria de armas, o judiciário completamente politizado, a polícia, os serviços de inteligência e as forças armadas. E as estrelas do espectáculo são naturalmente o conjunto Boi-Bíblia-Bala – com os seus montes de membros no Congresso – supervisionados pela Deusa do Mercado. O neoliberalismo nunca ganha eleições no Brasil. Assim, o único meio de implementar "reformas" é através de um sub-Pinochet. Aguardem devastação social-ambiental generalizada, matança indiscriminada de líderes rurais e índios brasileiros, uma absoluta prosperidade para a indústria de armas, bancos a celebrarem o Natal toda semana, repressão cultural abissal, desnacionalização total da economia e trabalhadores e pensionistas a pagarem por todas estas "reformas". Chamem a isto negócios como de costume. As tendências fascistas de Bolsonaro foram normalizadas não apenas pelos poderes do Brasil. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Argentina, Jorge Faurie, qualificou-o como um político de "centro-direita". Beijing e Moscovo – devido aos BRICS – e a UE em Bruxelas estão estarrecidos pelo afundamento do Brasil dentro deste turbilhão. A Rússia e a China contavam com um Brasil forte contribuindo para um mundo multipolar durante o período de Lula, o qual era uma importante força condutora do BRICS. Para a UE, é difícil tolerar um fascista a liderar seu principal parceiro comercial na América Latina e o cerne do Mercosul. Para o Sul Global como um todo, a implosão do Brasil, um dos seus líderes, é uma tragédia absoluta. Agora imagine Washington como um furioso compêndio de ameaças e sanções. Uma UE fracturada ao máximo – denunciando o não-liberalismo asiático enquanto impotente para combater a "ascensão dos deploráveis" em casa. Os BRICS em desordem, com dois num confronto grave com Washington, um fora do jogo e um em cima do muro – entre os quatro primeiros. A Casa de Saud a apodrecer a partir de dentro. O Irão nem mesmo na mesa do G-20. Hora de cantar  Que mundo maravilhoso . 

15/Outubro/2018

[*] Jornalista, brasileiro. O original encontra-se em www.atimes.com/article/welcome-to-the-g-20-from-hell/  Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
 
 

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/10/bem-vindo-ao-inferno-do-g-20.html

Xi Jinping | Já há data para a visita do Presidente chinês a Portugal

Augusto Santos Silva adiantou ainda que o Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, vai estar em novembro na China e que também Marcelo Rebelo de Sousa pretende "retribuir brevemente" a visita.
O ministro dos Negócios Estrangeiros disse este sábado que o líder chinês vai estar em Portugal a 4 e 5 de dezembro e que o Presidente da República vai "retribuir brevemente" a visita de Estado com uma deslocação à China.

O ministro Augusto Santos Silva, que elencava em Macau o conjunto de visitas e encontros entre responsáveis dos dois países realizadas nos últimos anos no âmbito de um esforço de cooperação, indicou que a visita de Xi Jinping a Portugal vai ter lugar a 4 e 5 de dezembro e que o Presidente da República vai "retribuir brevemente" a deslocação do líder chinês com uma visita de Estado à China.

As declarações de Santos Silva foram realizadas no final da 5.ª Reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, que decorreu na sede do Governo de Macau, numa conferência de imprensa na qual só foi permitido colocar uma questão ao ministro, que chefiou a delegação portuguesa, e ao chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Chui Sai On.

Nos últimos anos tem-se verificado "uma intensidade no relacionamento político e diplomático", sublinhou o governante português.

"Esperamos ansiosamente a visita de Estado do Presidente chinês Xi Jinping a 4 e 5 de dezembro", acrescentou.

Augusto Santos Silva adiantou ainda que o Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, vai estar em novembro na China.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chefia uma delegação numa visita oficial à China que teve início na sexta-feira e termina no domingo.

A delegação inclui o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, o embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, o diretor-geral de Política Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Pedro Costa Pereira, e o presidente do conselho de administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Luís Castro Henriques.

Este sábado, Santos Silva copresidiu à 5.ª Reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, para analisar os resultados das relações bilaterais e perspetivar o aprofundamento da colaboração entre a RAEM e Portugal.

A Comissão Mista Macau-Portugal foi estabelecida pelo Acordo Quadro de Cooperação entre a RAEM e Portugal. A última reunião tinha tido lugar em Portugal, em 2016.

 
Lusa | em TSF | Foto: Reuters

Ver o original em 'Página Global' na seguinte ligação:

http://paginaglobal.blogspot.com/2018/10/xi-jinping-ja-ha-data-para-visita-do.html

Volume sem precedentes de petróleo iraniano desafia sanções e chega à China

Produção de petróleo
© AP Photo / Hasan Jamali

Um volume de petróleo iraniano sem precedentes vai chegar ao porto chinês de Dalian neste mês e no início de novembro, informou uma fonte iraniana citada pela Reuters.

O petróleo deve chegar à China antes de as sanções dos EUA contra o Irã entrarem em vigor.

Uma fonte na Companhia Nacional Iraniana de Petróleo informou que mais de 20 milhões de barris de petróleo estão sendo enviados a Dalian.

"Como nossos líderes disseram, será impossível impedir que o Irã venda seu petróleo. Temos várias formas de vendê-lo e quando os navios-tanque chegarem a Dalian, decidiremos se o vendemos a outros compradores ou à China", afirmou a fonte à Reuters.


Até agora, espera-se que um total de 22 milhões de barris de petróleo iraniano transportados em navios-tanque cheguem a Dalian entre outubro e novembro. Dalian normalmente recebe entre um e três milhões de barris de petróleo iraniano cada mês, segundo dados de janeiro de 2015.

O Irã é o terceiro maior produtor da OPEP. De momento, o número de compradores do petróleo iraniano está baixando devido à ameaça de sanções dos EUA contra suas exportações de petróleo, que entrarão em vigor em 4 de novembro. Teerã já armazenou petróleo em Dalian durante a última rodada de sanções em 2014. O combustível foi vendido à Coreia do Sul e à Índia. Algumas das maiores refinarias e instalações comerciais de armazenamento de petróleo chinesas estão localizadas em Dalian.

Ver o original em 'Sputnik Brasil' na sequinte ligação::

https://br.sputniknews.com/economia/2018102112487516-petroleo-ira-eua-sancoes-exportacoes-china/

A "Rota da Seda" passará pela Jordânia, Egipto e Israel

http://plataformacascais.com/plataformacascais/administrator/local/cache-vignettes/L400xH300//2018-10/4cf26904bf.jpeg

Após o ataque do Daesh (E.I.) a Palmira, a China renunciou ao traçado tradicional da Rota da Seda histórica (Bagdade, Palmira, Damasco, Tiro). Um traçado alternativo havia sido previsto, já não através da Síria, mas da Turquia. Também foi abandonado.

No decurso da antiguidade, existia também uma Rota secundária por Petra (Jordânia) e Alexandria (Egito). Em última