Rio põe os deputados do PSD a fazer de parvos

(Ana Sá Lopes, in Público, 08/05/2019)

Um recuo é um recuo. Toda a gente um dia recuou. Todos os responsáveis políticos, dos mais relevantes aos que não ficarão para a história, recuaram uma, duas, meia-dúzia, uma data de vezes. Recuar é humano.

 

Ter vergonha do seu recuo e tentar negá-lo até à alucinação também será humano. Como o pastiche de Hamlet explica, e o pastiche é quase tão bom como a frase original, haverá sempre “mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a tua vã filosofia”. Assim, sendo qualquer parvoíce intrinsecamente humana, é um desastre político que o líder da oposição se dedique com aquele afinco que demonstrou na entrevista à TVI a dizer que tudo o que nós vimos não existiu.

Rui Rio pode até tentar enganar meio mundo, se conseguir, mas é lamentável que o faça à conta da seriedade e honestidade dos deputados do PSD, a quem toma por parvos, ou a quem obriga – pela forma como insiste em que eles não fizeram o que fizeram – a fazer papel de parvos.

Margarida Mano, a responsável social-democrata que negociou a devolução do tempo de serviço dos professores, assumiu um fardo e foi agora deixada sozinha pelo líder do seu partido. A deputada social-democrata admitiu o voto favorável do PSD na votação final global da lei que foi acordada na passada quinta-feira e vem agora Rui Rio dizer que o PSD votaria contra o texto final – se tivesse sido votado na quinta-feira.

É verdade que assumir o recuo implicava uma dose considerável de humildade, um bem escasso na maioria dos responsáveis políticos e totalmente inexistente na personalidade de Rio. Não existindo a capacidade de reconhecer aquilo que mais tarde considerou um erro – porque o recuo, apesar de amplamente praticado por todos os agentes políticos a começar pelo Governo, é vilificado – Rio entrou na fase pós-recuo como um carro desgovernado.

Se o que tem para nos dizer sobre tudo o que se passou é “eu nem deputado sou, muito menos daquela comissão”, o salto em frente é paupérrimo. E não, não somos parvos. Apesar da alegada conspiração da comunicação social de que (mais uma vez) se queixa, as pessoas em geral não são parvas. E os deputados do PSD podem ser melhores ou piores mas também não merecem ser tratados como isso.


Ver original em 'A Estátua de Sal' (aqui)

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