Venezuela: como o SEBIN armadilhou a CIA

O fiasco do Golpe de Estado de Juan Guaidó e da CIA na Venezuela, em 30 de abril e 1 de Maio de 2019, só foi possível graças à infiltração das redes da Oposição pró-EUA. Esse paciente trabalho não foi realizado pelos 300 mil soldados cubanos, evocados por John Bolton, e que ninguém jamais viu, mas pelo SEBIN com conselheiros russos.

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Com a aquisição pela Venezuela de aviões Su-30, de sistemas anti-aéreos S-300, de tanques T-72, de baterias costeiras de Bastion russos, o Comando dos Estados Unidos para a América do Sul (UsSouthCom) colocou em acção meios de espionagem tecnológica (TechInt - Inteligência técnica) a fim de avaliar, de analisar e de interpretar as informações relativas ao material de combate do Exército venezuelano.

Trata-se de meios do tipo MasInt (Measurement and signature intelligence-Medição e assinatura de inteligência) que recebem à distância as vibrações, a pressão, a energia calórica produzida pelos sistemas de combate. Há igualmente outros meios (ElInt) relativos a emissões electrónicas de sistemas de radar e de rádio-navegação que equipam os mísseis terra-ar, os aviões e navios de guerra da Venezuela.

Mas a maior parte dos meios de espionagem foram utilizados para interceptar as redes de comunicação (ComInt). A Agência Nacional de Inteligência Electrónica (NSA) tem uma rede, chamada «Echelon», concebida para a interceptação e gravação de comunicações por telefone, fax, rádio e tráfego de dados graças aos satélites espiões norte-americanos.

O SouthCom foi capaz de avaliar, através do ComInt, o estado de espírito, a lealdade ou insatisfação dos comandantes do exército e dos chefes das autoridades políticas centrais e locais. A versão oficial da Rússia e da China, dificilmente crível, é que não enviaram peritos em espionagem e contra-espionagem para a Venezuela. Contrariamente a esta versão, desde Janeiro, quando os Estados Unidos introduziram o auto-proclamado presidente Juan Guaidó, a liderança da contra-espionagem da Venezuela parece ter sido tomada em mãos por um super James Bond. Uma das constatações do Pentágono foi a interrupção da colecta de dados pela NSA, através do processo ComInt. Ora, a Venezuela não tem tecnologia assim tão avançada que lhe permita bloquear a recepção de satélites da NSA.

Face a esta situação, a iniciativa na Venezuela foi retomada pela CIA, especializada em Humint (Inteligência Humana). Isto é, espionagem feita com agentes norte-americanos infiltrados, os quais por sua vez têm redes de informadores locais. Mas pouco tempo depois, o pequeno serviço de contra-espionagem venezuelano (SEBIN: Servicio Bolivariano de Inteligência Nacional) conseguiu humilhar a CIA. Só agora é que os Norte-americanos perceberam que todos os grupos da Oposição pró-EUA [1] ao regime de Caracas haviam sido infiltrados por agentes do SEBIN.

Graças a oficiais do SEBIN, infiltrados na imprensa financiada pelos Estados Unidos, houve uma operação com a seleção e a publicação das notícias mais miraculosas, mas pouco fiáveis, ligadas à evolução política na Venezuela. Houve assim várias «fugas» (vazamentos-br) que foram dadas à CIA, como, por exemplo, a intenção de certos generais da primeira força-tarefa venezuelana em trair o Presidente Nicolás Maduro e libertar os opositores políticos presos.

A fim de ganhar a confiança dos agentes da CIA, os membros do SEBIN até organizaram reuniões de conspiração com os generais venezuelanos, sob total controlo da Inteligência do SEBIN e da Contra-espionagem militar. A «deserção» do General Manuel Figuera, Chefe do SEBIN, a libertação de Leopoldo López [2] da sua prisão domiciliar, e a colocação à disposição, para Juan Guaidó, de um pelotão de soldados pertencendo ao SEBIN, para tomar a guarnição da Carlota, em Caracas, e mais de mil militares, faziam parte da operação de intoxicação dos agentes da CIA, a fim de convencer Washington do sucesso do Golpe de Estado.

Finalmente, a Casa Branca deu luz verde para a acção de 30 de Abril que se tornou o maior fracasso da CIA no decurso das últimas décadas. A Venezuela provou que lutar com patriotismo e profissionalismo, mesmo para um país sul-americano sob embargo, pode quebrar os planos da CIA.





Ver original na 'Rede Voltaire'



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