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Carreiras ameaça "não dar tréguas" aos contestatários da Quinta dos Ingleses

Por Redação
10 abril 2019
“Na Quinta dos Ingleses, como noutros assuntos, os novos demagogos fazem deliberadamente a única coisa que verdadeiramente lhes interessa: disseminar a ignorância e a dúvida. É esse o único negócio que lhes interessa. O meu compromisso é não lhes dar tréguas”. Quem o afirma e promete é Carlos Carreiras, chefe do governo local de Cascais, esta quarta-feira, na sua habitual coluna de opinião no Jornal I, referindo-se ao movimento contestatário que, este sábado, juntou na luta contra o betão mais de 300 pessoas em cordão humano, que nem a chuva, o vento e o frio conseguiram fazer demover.
 
Recém recuperado de problemas cardíacos, que levaram a internamento hospitalar, o presidente da Câmara de Cascais mostra-se agastado no artigo com toda a contestação à volta da Quinta dos Ingleses.
 
Adultos e jovens juntaram-se este sábado ao enorme cordão humano contra o betão frente às praia de Carcavelos
Antes, porém, acusa que toda esta contestação é “liderada por um militante de um suposto partido chamado Juntos Pelo Povo (que tem as suas origens na Madeira) e pela central de abaixo-assinados do PCP, uma coligação negativa autointitulada de “movimento” tem insistido em fazer oposição ao plano de pormenor”.
 
Carreiras salvaguarda, logo a seguir, querer “deixar claro que todas as oposições ao projeto são legítimas, desde que honestas e fundamentadas”, mas acrescenta que “há limites para a demagogia e para o populismo”.
 
“O Plano para a Quinta dos Ingleses arrasta-se há quase 60 anos”, diz o presidente, que recorda que vem dos tempos da ditadura e sobreviveu a vários executivos municipais que tentaram escapar às armadilhas de um processo complexo, que garantiu a privados direito de construção em 1961 e reforçou esses direitos por escritura pública em 1985”.
 
A chuva, o vento e o frio não demoveram mais de três centenas este sábado
Ainda de acordo com Carlos Carreira no seu artigo no Jornal I, “uma primeira versão do plano previa 2118 fogos, prédios de 14 pisos a 32 metros da Marginal e apenas 62 590 metros quadrados de espaços verdes”. E precisa: “Perante o bloqueio deste projeto, e estando reconhecidos por lei os seus direitos de construção, o privado colocou uma ação em tribunal contra o município”.
 
“Quando cheguei à presidência da Câmara de Cascais, em 2011, peguei neste dossiê e revimos todo o plano. Chegámos a uma solução que corta em 60% o número de fogos, corta a altura dos prédios para metade (7 pisos) na parte mais recuada e para 5 pisos na frente de mar, aumenta a distância à Marginal para mais do dobro (78 metros) e aumenta a área verde para mais de 10 hectares, criando em Carcavelos o maior parque urbano do concelho”, explica Carlos Carreiras no seu artigo de opinião que, de seguida, garante que “por má-fé, os putativos agitadores ignoram todos os constrangimentos que rodearam a elaboração do plano”.
 
E, finalmente, no seu contundente artigo de opinião, Carlos Carreiras sublinha que “por incompetência, acreditam que a câmara pode rasgar o plano ou até expropriar os terrenos, fingindo que não existe uma ação em tribunal que pode, muito provavelmente, condenar a câmara, a comunidade, a pagar 300 milhões de euros de indemnização. Uma pena que é cumulativa com o direito de edificação com o plano original, de construção massiva”.
 

“Advogado do diabo”

Já Tiago Albuquerque, porta-voz do movimento contestatário que luta pela preservação do único espaço verde junto à orla marítima do rio Tejo, na área metropolitana de Lisboa, considera que Carlos Carreiras “continua a utilizar a “cultura do medo”, através dos valores ultra especulativos, que diz que terá de pagar”.
 
Tiago Albuquerque
“Cada vez que fazemos uma acção, ele (Carlos Carreiras) aumenta. Do ano passado para este, já aumentou 100 milhões de euros, provando, assim, a teoria de especulação de “advogado do diabo”, diz Tiago Albuquerque.
 
Para o porta-voz do movimento contestatário que, este sábado, conseguiu reunir em torno da causa mais de três centenas de pessoas de várias faixas etárias, algumas delas figuras públicas, “os responsáveis já afirmaram que não se sensibilizaram e que o projeto continuará”.
 
“No entanto, salvaguardou, continuaremos a lutar por aquilo que consideramos uma justa causa, na defesa de um património que é único e pretendemos preservar a bem das gerações futuras”.
 

Ver o original em "CASCAIS24" na seguinte ligação::

http://www.cascais24.pt/p/blog-page_436.html

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